Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Obama diz ter chegado a acordo que vai evitar calote

  Jason Reed/Reuters
Em pronunciamento de cinco minutos, Barack Obama anunciou na noite deste domingo (31) o fechamento de um acordo com o Congresso sobre a dívida dos EUA.

Prevê a elevação do teto de endividamento do governo. Em troca, a Casa Branca terá de cortar gastos em proporções acima do que Obama desejava.

No pedaço referente à dívida pública dos EUA, hoje na casa dos US$ 14,3 trilhões, o governo será autorizado a elevá-la em US$ 2,4 trilhões.

Na parte que trata dos cortes, prevê-se que serão passadas na lâmina despesas de US$ 2,5 trilhões nos próximos dez anos.

O primeiro lote de cortes (US$ 1 trilhão) será definido imediatamente. O restante –R$ 1,5 trilhão— será detalhado por um comitê do Congresso até dezembro.

Segundo Obama, participam do acordo os dois partidos com representação no Congresso –o governista Democrata e o oposicionista Republicano.

Para passar das palavras à realidade, o acordo precisa ser aprovado no Senado e, depois, na Câmara. Tudo isso antes desta terça (2).

A terça é o dia em que, pelas contas do Tesouro americano, começa a faltar dinheiro para o pagamento das dívidas caso o Congresso não se dê por achado.

O pronunciamento de Obama, transmitido pela TV, injetou otimismo numa atmosfera marcada pelo dissenso. Espera-se que a votação no Senado ocorra nesta segunda (1o).

Confirmando-se o acordo, os EUA evitam o pior –o calote em seus credores— e passa a conviver com o mal menor -a penúria orçamentária.

Os talhos no orçamento vão esfriar ainda mais a atividade econômica num instante em que a sociedade americana, envolta em crise, reclama por crescimento.

Na prática, o acordo anunciado por Obama representa uma vitória dos republicanos, rivais da Casa Branca.

Obama queria atenuar os cortes incluindo no acerto um aumento de impostos para milionários. A julgar pelo que foi dito, a tributação ficou de fora do acordo.

O presidente americano desejava, de resto, manter as rubricas sociais do orçamento fora do alcance da faca. Com um talho de US$ 2,5 trilhões, será impossível.   

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Escrito por Josias de Souza às 22h02

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Gilberto Carvalho: a frase de Jobim foi 'desnecessária'

José Cruz/ABr

A convivência, sempre a um milímetro da ruptura, depende por vezes de um simulacro de sinceridade.

Ao reveler publicamente que votou no tucano José Serra, o ministro Nelson Jobim injetou o veneno da verdade no seu convívio com Dilma Rousseff.

Instado a comentar o comentário, o ministro Gilberto Carvalho considerou a revelação de Jobim “desnecessária”:

"Eu não diria que o PT ficou magoado, porque não se trata disso. Eu diria que, no contexto em que se deu, foi uma declaração desnecessária."

Abrigado no Planalto, a poucos metros do gabinete presidencial, cuja maçaneta vira com frequência, Gilbertinho negou-se a dizer o que será de Jobim. Porém…

Porém, deu a entender que a sindiceridade do colega pode ter produzido a fresta que conspurca a convivência:

"Essa é uma questão que a presidente tomou muito pra si. […] Ela pediu que a gente deixasse com ela esse tema e eu vou respeitar."

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Escrito por Josias de Souza às 20h43

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Senado: Jader conviverá com Taques, ex-algoz do MP

Tharson Lopes/Jornal do Tocantins

A foto acima, clicada em fevereiro de 2002, registra um momento raro da cena pública brasileira: um político graúdo a caminho da cadeia.

Detido no Pará, seu Estado, Jader Barbalho desembarcava no Tocantins. Com um livro, ocultava as algemas.

Conduzido a uma sala de 20 m2 amargou uma cana de 13 horas na carceragem da Polícia Federal na cidade de Palmas.

Entre os signatários do pedido que levou Jader ao cárcere estava Pedro Taques, à época procurador da República lotado no Mato Grosso.

Taques integrava a força-tarefa do Ministério Público Federal que esquadrinhou os malfeitos da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

Sob Fernando Henrique Cardoso, a Sudam ganhou notoriedade parecida com a que tem agora o Dinit, central de desvios do Ministério dos Transportes.

Na Era tucana, Jader mandava e, sobretudo, desmandava nos guichês da Sudam, de onde escorriam as verbas dos incentivos fiscais amazônicos.

Brindado com um habeas corpus do TRF-1, tribunal sediado em Brasília, Jader ganhou o meio-fio. Mas ainda responde ao processo.

É acusado de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro.

Na última conta fechada pela Procuradoria, agora pendente de atualização monetária, os desvios da Sudam foram estimados em R$ 3 bilhões.

Em 2007, o procurador Taques obteve na Justiça Federal do Mato Grosso um segundo pedido de prisão de Jader.

Ele fugiu. E o habeas corpus que anulou o mandado saiu antes que a ordem de prisão pudesse ser executada.

Prestes a retornar ao Senado, Jader (PMDB-PA) vai cruzar nos corredores e no plenário com o personagem que ajudou a expurgá-lo da Casa em 2002.

Pedro Taques (foto ao lado) demitiu-se da Procuradoria, filiou-se ao PDT e elegeu-se senador por Mato Grosso. Como pretende conviver com Jader?

Diante da pergunta do repórter, Taques escorou-se na filosofia cristã: “Um filósofo católico dizia: não tenho nada contra o pecador, tenho contra o pecado…”

“…Na minha opinião, o pecador precisa se redimir de seus pecados. Não tenho nada pessoal contra o Jader, mas não posso passar uma borracha no meu passado”.

Vai dar bom dia ao neocolega? “Não sei. A democracia impõe a convivência civilizada, mas existem limites até para a convivência.”

Deve-se a uma decisão do STF o retorno de Jader ao Senado. No pleito de 2010, ele obteve votos para se eleger. Mas fora abalroado pela Lei da Ficha Limpa.

No caso de Jader, aplicara-se o artigo da lei que torna inelegíveis os políticos que renunciaram aos madatos para fugir de processos de cassação.

Mercê do escândalo da Sudam e de outros malfeitos –desvios no Banpará e negócios suspeitos na Reforma Agrária— Jader renunciara ao mandato de senador em 2002.

Em março, o Supremo decidiu que a exigência de prontuários higienizados só vale para eleições futuras. E Jader ressuscitou.

Separa-o da posse no Senado uma derradeira decisão do STF. A deliberação de março, aquela que anulou a Ficha Limpa para 2010, impôs a análise de cada caso.

Além de Jader, aguardam na fila da posse outros dois senadores que haviam sido alcançados pela lei: João Capiberibe (PSB-AP) e Cassio Cunha Lima (PSDB-PB).

Depois de renunciar à presidência do Senado e ao próprio mandato de senador, Jader elegeu-se deputado federal.

A reconquista de um mandato o manteve a salvo de novos pedidos de prisão. O processo da Sudam foi enviado ao STF.

Na Câmara, Jader tornou-se um deputado obscuro. Em meio à multidão de 513 deputados, sua presença mal foi notada.

Jader fugiu dos alaridos do plenário, esquivou-se dos refletores, recusou pedidos de entrevista.

No Senado, ainda que quisesse, Jader não teria como manter a invisibilidade. A multidão é menor, só há 81 senadores.

Por uma dessas ironias que só a história sabe tecer, o PMDB de Jader e o PDT de Taques integram o mesmo condomínio que dá suporte congressual ao governo.

No palco em que se converteu a política, o convívio entre desiguais por vezes exige a instalação de cortinas de hipocrisia defronte do rosto. Para Jader, vai faltar pano.

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Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Clóvis Rossi: Estados Unidos perdem AAA na política

Saul Loeb/AFP

O impasse da dívida americana eletrifica as finanças globais e força todo mundo a raciocinar com hipóteses.

Desde as mais amplas –na pior das hipóteses um republicano-bomba invadirá a Casa Branca, na melhor das hipóteses não— até as mais específicas.

No caso do que aguarda o planeta se o pé direito da dívida dos EUA não for elevado, o leque de hipóteses nem é tão grande.

A melhor das hipóteses é que a auto-imagem carismática de Obama e o instinto de sobrevivência conseguirão o Congresso.

Junto com a rolagem da dívida viriam os cortes orçamentários. E a economia dos EUA continuaria mergulhada em crise, rodando como parafuso espanado.

A pior hipótese é que não saia o acordo neste fim de semana. Sobreviria o beiço nos credores e um curto-circuito de deixar a economia mundial em choque.

Com a lucidez habitual, o repórter Clóvis Rossi pendurou na Folha um artigo que expõe o miolo do bololô. A casca é econômica, mas o recheio é político. Vai abaixo o texto:


O presidente Barack Obama, em seu enésimo apelo ao bom-senso, lembrou na sexta-feira que os Estados Unidos correm o risco de perder, pela primeira vez na história, o melhor ‘rating’ não porque não tenham a capacidade de pagar as contas, ‘mas porque não temos um sistema político AAA que corresponda ao nosso rating de crédito AAA’.

É inacreditável, mas é isso mesmo. A dívida norte-americana é de fato colossal, na altura de US$ 14,3 trilhões, o que corresponde, grosso modo, a sete vezes o que o Brasil produz por ano de bens e serviços.

Mas, enquanto o mundo estiver disposto a financiá-la -e continua disposto- não haveria risco de ‘default’, mesmo que parcial, e, por extensão, não haveria risco de degradação da nota de crédito da maior economia do mundo, única superpotência remanescente -fatores que tornam a situação alucinante.

Ao assumir que o sistema político norte-americano não merece nota 10, Obama está concordando explicitamente com a análise recorrente a respeito da crise, análise que fica de pé, aconteça o que acontecer hoje ainda ou amanhã. Há uma enxurrada de comentários dizendo que o sistema político norte-americano tornou-se disfuncional.

Minha opinião: a generalização, como quase toda generalização, é injusta. A disfuncionalidade não é de todo o sistema. Deriva da introdução nele, a partir do ano passado, do fundamentalismo hidrófobo do Tea Party, o movimento ultraconservador que não é majoritário nem entre os republicanos, mas cuja virulência sequestrou a agenda do país e, de certo modo, do mundo.

Basta ler comentário, também de sexta-feira, do ‘Financial Times’, publicação que compartilha com o Tea Party a ojeriza a um Estado grande, mas é séria e responsável o suficiente para dizer:

‘Esta anabolizada facção populista-conservadora combina um zeloso e intransigente desejo de reduzir o governo com um desprezo cego pelas consequências do default. O desejo é legítimo, a irresponsabilidade é imperdoável’.

A irresponsabilidade se torna ainda mais imperdoável quando se sabe que o que está em jogo agora não é aumentar a dívida para o futuro, mas simplesmente para pagar as dívidas já contratadas e devidamente autorizadas pelo Congresso em momentos anteriores.

Portanto, é injusta também a generalização feita pela presidente Dilma Rousseff, na cúpula de quinta-feira da Unasul, ao dizer, referindo-se a Estados Unidos e União Europeia que ‘a insensatez é a regra’.

Em geral, quando se diz que todos são igualmente culpados, acaba-se aceitando que ninguém seja responsabilizado, o que, pelo menos neste caso, é um erro grave.

Se o presidente Obama tem alguma culpa é a de ter sido demasiadamente conciliador, o que o levou a abandonar a sua fórmula preferida -e de elementar sentido comum- de que o ajuste fiscal deveria ser composto por aumento de receita e corte de gastos, na proporção de 20% para 80%.

Agora, com ou sem ‘default’, virão só cortes de gastos, o que o sentido comum diz que não é o mais sadio, num momento em que a economia patina, como mostra o pífio crescimento do segundo trimestre.

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Escrito por Josias de Souza às 07h55

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Sobre Jucá, diretorias financeiras, Sodoma e Gomorra

Líder de todos os governos desde que as caravelas de Pedro Álvares Cabral aportaram em Porto Seguro, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) não perde tempo. Ganha.

No tabuleiro em que é jogado o jogo dos cargos, é fácil identificar as peças movidas por Jucá. Normalmente, são as que estão mais próximas do cofre.

Na Conab, estatal de aba$tecimento da pasta da Agricultura, Jucá acomodara o irmão Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, na diretoria financeira. Deu chabu.

No organograma de Furna$, Jucazão enfiou o “afilhado” Luiz Hamann. Onde? Ora, na diretoria financeira.

A predileção de Jucá pelos postos que vêm junto com o segredo do cofre é espantosa. Mais surpreendente, porém, é a facilidade com que o senador é atendido.

Fica-se com a impressão de que os presidentes, um após o outro, enxergam no líder eterno um político que, por altruísta, prioriza o saneamento das finanças de estatais.

Quem ouve o diagnóstico pronunciado por Jucazinho depois que sua cabeça foi apartada do pescoço –Na Agricultura “só tem bandido”— desespera-se.

A platéia começa a ter saudades dos tempos em que a humanidade era mais pura, como em Sodoma e Gomorra.

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Escrito por Josias de Souza às 07h13

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Até comandante do Exército vira alvo de investigação

No comando da CPI dos anões do Orçamento, um escândalo de 18 anos atrás, o senador-coronel Jarbas Passarinho espantou-se com o que viu.

Passarinho pronunciou uma frase que sobrevive no verbete da enciclopédia:

“A corrupção nasceu com Adão, implementou-se com Eva e só termina quando o último homem sair da face da terra, levando pela mão a última mulher”.

Passarinho tinha razão. O tempo passou, o Apocalipse não veio e a corrupção se alastrou entre os seres humanos brasileiros.

Sob o governo do ex-PT, nem mesmo o homem de farda escapou à onda de suspeição que engolfa a administração pública.

O repórter Marco Antônio Martins conta, na Folha, que nem só de pêérres e de pemedebês é feito o descaminho das verbas públicas.

A Procuradoria-Geral Militar apura, desde maio, o envolvimento de oficiais em fraudes que resultaram no desvio de verbas de obras tocadas pelo Exército.

Entre os investigados estão –espanto (!), surpresa (!!), estupefação (!!!)— o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, e outros sete generais.

Os oficiais chefiaram duas repartições obreiras: o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) e o IME (Instituto Militar de Engenharia).

Entre 2004 e 2009, período coberto pela investigação, o Exército firmou convênios com o famigerado Dnit. Tinham como objeto a realização de obras rodoviárias.

Nos últimos cinco anos, o Exército recebeu do Dnites últiSomente do Dnit, órgão gangrenado do Ministério dos Transportes, R$ 104 milhões.

Investigações preliminares farejaram indícios de fraude em 88 licitações geridas pelo Exército. Os desvios são estimados em R$ 11 milhões.

No curso da apuração, verificou-se que um grupo liderado por dois oficiais criou meia dúzia de empresas para beliscar licitações do IME, feitas com verbas do Dnit.

Os oficiais são o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paula. Esse ultimo movimentou em conta bancária mais de R$ 1 milhão.

O inquérito de maio foi aberto pela procuradora-geral da Justiça Militar, Cláudia Luz. Um dos objetivos é apurar se Enzo e os outros generais sabiam dos malfeitos.

Enzo chefiou o Departamento de Engenharia e Construção do Exército entre 2003 e 2007. Dali, foi alçado, sob Lula, ao comando do Exército, posto que ocupa até hoje.

Depois dele, comandaram a repartição os generais Marius Luiz Teixeira, na reserva desde março; e Ítalo Fortes Avena, agora lotado na missão do Brasil na ONU.

Encontram-se também sob investigação os generais que chefiaram o Instituto Militar de Engenharia.

São eles: Rubens Brochado, Silvino Silva, Ernesto Ronzani, Emilio Aconcella e Amir Kurban.

Procurado, o Centro de Comunicação Social do Exército manifestou-se por meio de nota. No texto, disse desconhecer a investigação contra os generais.

Anotou: "Não cabe à Força e nem aos militares citados emitir qualquer tipo de posicionamento sobre o assunto."

Em depoimento aos promotores militares, o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paulo negaram os malfeitos. O inquérito prossegue.

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Escrito por Josias de Souza às 06h04

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As manchetes deste domingo

- Globo: Quatro órgãos públicos repetem vícios do Dnit

- Folha: Comando do Exército é alvo de ivestigação

- Estadão: País não pode 'ficar para trás' na guerra cambial, diz Mantega

- Correio: O sonho de ser brasileiro

- Estado de Minas: As vítimas de Julho

- Jornal do Commercio: Usuário vira refém de planos de saúde

- Zero Hora: Polícia desativa primeiro laboratório de óxi no RS

Leia os destaques de capa de alfuns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Gigante adormecido!

Aroeira

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Escrito por Josias de Souza às 00h20

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Jucazinho, irmão de Jucazão, e a Conab: ‘Só bandido’

Fotos: Ag.Senado, ABr e Folha

Uma característica curiosa do condomínio político-monetário que desgoverna o Brasil se observa na Esplanada dos Ministérios. O corrupto está sempre nos outros prédios.

Na pasta da Agricultura, sucedeu algo diferente. Ali, o PMDB pôs-se a acusar o PMDB de malfeitos. A trinca opõe dois pesos pesados da legenda.

De um lado, o ministro Wagner Rossi (foto ao lado), apadrinhado do vice-presidente Michel Temer.

Do outro, Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, o Jucazão.

Na última quarta (27), a cabeça de Jucazinho foi à bandeja. Rossi demitiu-o da diretoria financeira da Conab.

Em telefonema a Temer, Jucazão pediu por Jucazinho. O vice preferiu lavar as mãos. Seguiu-se uma troca de ameaças e xingamentos.

Com a cabeça já apartada do pescoço, Jucazinho enxergou em sua demissão um complô contra Jucazão. E decidiu levar os lábios ao trombone.

Falou por mais de seis horas à revista Veja. A certa altura, contou que o ministro Rossi chegou a oferecer-lhe dinheiro.

Para quê? “Era para eu ficar quieto. Ali só tem bandido.” Em essência, a bandidagem relatada por Jucazinho consiste no seguinte:

PMDB e PTB ratearam o Ministério da Agricultura com o propósito de coletar verbas ilicitamente. No português do asfalto: os partidos estão roubando a Viúva.

Segundo o irmão do líder de Dilma Rousseff no Senado, o próprio Rossi, o ministro apadrinhado pelo vice-presidente da República, comandaria o esquema.

A Conab, estatal que cuida –ou deveria cuidar— do abastecimento de grãos alimentícios, tornou-se posto avançado das malfeitorias.

Jucazinho relata pelo menos dois lances que oferecem matéria-prima para boas investigações. Isso, obviamente, se houver o interesse de investigar.

Num, a Conab estaria protelando deliberadamente o pagamento de uma dívida, para impor um pedágio ao credor.

Noutro, a estatal teria vendido, a preços companheiros, um terreno assentado em area nobre de Brasília.

Chama-se Caramuru Alimentos a credora da Conab. Gigante do Mercado agrícola, a empresa obteve decisão judicial que obriga a Conab a lhe pagar R$ 14,9 milhões.

O passivo refere-se a dívidas contratuais antigas. Coisa de 20 anos. A despeito da ordem da Justiça, a Conab demora-se em efetuar o pagamento.

Por quê? Segundo Jucazinho, para forçar a negociação de um “acerto” que eleve a dívida para R$ 20 milhões.

Os R$ 5 milhões excedentes, informa o irmão de Jucazão, seriam rateados entre autoridades do ministério.

No outro caso, o da venda do terreno, a transação foi efetivada com uma pequena empresa de Brasília.

Localizado a menos de 2 quilômetros da Praça dos Três Poderes, o imóvel foi arreamtado por R$ 8 milhões. Preço mínimo, um quarto do valor de mercado.

O dono da firma compradora ;e Hanna Massouh. Vem a ser amigo e vizinho do senador Gim Argello (DF), líder do PTB no Senado.

Gim nega ter interferido no negócio. Em nota divulgada neste sábado (30), o ministro Rossi "repudia" as acusações.

Jucazinho fala do Ministério da Agricultura –“Ali só tem bandido”— com conhecimento de causa.

Ele foi defenestrado da diretoria financeira depois de ter autorizado um pagamento irregular de R$ 8 milhões.

A grana migrou dos cofres da Conab para a caixa registradora de uma empresa de armazenagem chamada Renascença. Uma empresa fantasma.

A Renascença já foi ligada à família Jucá. Hoje, tem como “sócios” um par de laranjas: um pedreiro e um vendedor de carros.

Para piorar, o dinheiro usado por Jucazinho para abastecer a firma de fancaria saiu de um fundo que só pode ser utilizado na compra de alimentos.

Jucazinho durou pouco no cargo. Havia sido nomeado em 1o de julho. Boiam na atmosfera duas indagações incômodas:

1. Por que diabos Jucazão indicou Jucazinho para a diretoria financeira (!?) de uma estatal?

2. Por que o ministro Rossi efetivou a nomeação, com a concordância de Dilma?

As respostas encontram-se abrigagas sob a frase guarda-chuva que, pronunciada por Jucazinho, açoita os tímpanos do brasileiro em dia com seus tributos.

“Ali, só tem bandido”.

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Escrito por Josias de Souza às 16h05

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Telemalufices, Fern@ndolul@gens.org e Jobimicídio!

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Escrito por Josias de Souza às 07h58

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Dilma constrange Jobim e cogita afastá-lo da Defesa

  Lula Marques/Folha
Dilma Rousseff não digeriu a declaração de Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim. Com a frase atravessada na traquéia, a presidente constrangeu o ministro.

Deu-se numa cerimônia militar, no Planalto. Testemunhas, os repórteres Natuza Nery, Fernando Rodrigues e Márcio Falcão contam, na Folha, o que se passou.

Dilma tratou o titular da pasta da Defesa com frieza protocolar e ostensiva. Absteve-se de mencionar o nome de Jobim em seu discurso, como seria de praxe.

A presidente não ignorava que Jobim votara no rival tucano José Serra na eleição de 2010. Abespinhou-se mesmo assim.

Enxergou na entrevista em que Jobim fez menção à sua preferência no mínimo uma descortesia. No máximo, uma provocação.

Cogitou demiti-lo de bate-pronto. Preferiu adiar a providência. Nos arredores de Dilma, Jobim passou a ser visto como uma exoneração esperando para acontecer.

O próprio Jobim já confidenciou a amigos que não planeja permanecer no governo até o término do mandato de Dilma. Pode ter precipitado as coisas.

Nesta sexta (29), de passagem pela ESG (Escola Superior de Guerra), no Rio, Lula manuseou panos quentes:

"Nunca me preocupei em perguntar aos meus amigos em quem votam, o voto é sagrado e cada um vota em quem quer…”

“…O Jobim não foi convidado para o meu governo por causa do voto dele."

Do Rio, Lula voou até Brasília. Avistou-se com Dilma na embaixada da Argentina. Jantariam juntos. Mas o ex-soberano tomou o avião para São Paulo mais cedo.

Nesta segunda (1o), Jobim dará nova entrevista, dessa vez ao Programa Roda Viva, da TV Cultura.

Decerto será reinquirido sobre o tema. Dependendo do que disser, pode deixar o estúdio como ex-ministro.

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Escrito por Josias de Souza às 06h36

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Propinas da ANP destinavam-se ao PCdoB, diz revista

Reprodução/Época

Há uma semana, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) foi ao noticiário em posição incômoda. 

Veio à luz um vídeo gravado a pedido do Ministério Público Federal e sob orientação da Polícia Federal.

As imagens exibem reunião na qual dois assessores da ANP achacam uma advogada.  Pedem propina de R$ 40 para liberar um processo na agência.

Submetida à denúncia, a ANP tentou desqualificá-la. Dilma Rousseff e a assessoria do Planalto silenciaram sobre o caso.

Sob o silêncio das autoridades, surge agora um barulho novo. A advogada Vanusa Sampaio, alvo do achaque falou ao repórter Diego Escosteguy.

A conversa escalou as páginas da mais recente edição de Época. A revista informa: As propinas da ANP destinavam-se às arcas do PCdoB.

Desde 2003, ano inaugural da Era Lula, dirige a agência petroleira o ex-deputado federal Haroldo Lima (PCdoB-BA).

Na entrevista, a doutora Vanusa, que representa na ANP cerca de 3 mil empresas, acomoda no epicentro da denúncia um servidor chamado Edson Silva.

Ex-deputado e dirigente do PCdoB, Edson era superintendente da ANP na época em que Vanusa procurou o MP para denunciar o achaque, em maio de 2008.

Hoje, Edson continua na ANP. É assessor da direção-geral. Responde diretamente ao mandachuva Haroldo Lima.

Na conversa com o repórter, gravada, Vanusa conta que, ao assumir a chefia do setor de Abastecimento da ANP, Edson chamou-a para uma conversa.

A advogada reproduz a frase que diz ter ouvido de Edson: “Eu sei que você tem muitos processos aqui. Temos de trabalhar de forma harmônica”.

Vanusa sustenta ter deixado claro a Edson que “não faria nenhum tipo de parceria.” Seus problemas na agência começaram depois desse diálogo.

A advogada relata: Edson “começou a criar todas as dificuldades do mundo para meus clientes…”

“…Chegaram a assediar alguns deles, dizendo que, como haviam me contratado, os processos deles não iriam andar na ANP…”

“…Meus clientes ficaram preocupados e disseram que eu tinha de fazer parceria com o Edson. Eu me recusei”.

Nesse ponto, sempre segundo o relato da advogada, entraram em cena os dois assessores da ANP filmados na reunião urdida por orientação da PF.

“Eles me procuraram e me orientaram a transferir metade –metade!– dos meus clientes a um advogado de São Paulo ligado a eles”, conta Vanusa.

Como os assessores diziam falar em nome de Edson, a advogada pediu a presença dele. Encontraram-se no café de uma livraria, no Rio. Edson credenciou os prepostos.

Vanusa revela: “Eles explicaram como funcionava [o esquema] . Disseram que todos os cargos do PCdoB precisam levantar dinheiro, que tem de ser para o partido…”

A advogada procurou o Ministério Público. Contou tudo o que se passava. Armou-se, então, o flagrante gravado em vídeo.

“Um agente da PF instalou o equipamento para gravar a conversa com os dois em meu escritório. Gravei e entreguei o vídeo ao MP. Contei tudo o que sabia em detalhes”.

Nesse ponto, a advogada Vanusa injeta uma denúncia dentro da outra. Conta que havia a intenção de gravar uma segunda conversa. Porém…

“Logo depois que entreguei o vídeo e as provas que eu tinha ao MP, o agente da PF que ajudou na gravação, não sei por qual motivo, comunicou tudo à direção da ANP…”

“…Isso inviabilizou tudo. Os dois [prepostos de Edson] acabaram saindo da agência. O Edson foi tirado da Superintendência, mas virou assessor do diretor-geral logo depois”.

Vanuza relata mais: “Logo depois que minhas denúncias vazaram para a direção da ANP, recebi ameaças de morte…”

A advogada questiona: “Não falam em fazer faxina no país? Agora cabe ao MP e ao governo fazer a parte deles. O que fizeram até agora?”

Dilma Rousseff talvez devesse chamar para uma conversa o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

Chefe da PF, Cardozo não há de ter dificuldades para verificar o que seus subordinados fizeram até agora. Já lá se vão 3 anos.

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Escrito por Josias de Souza às 05h18

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Gleisi e a véspera da posse: ‘Naquela noite, eu chorei’

Sérgio Lima/Folha

Senadora de primeiro mandato, Gleisi Hoffmann construiu uma fama que a precedeu na Casa Civil da Presidência. Os colegas a apelidaram de “Pit-bull do Senado”. Sob a retórica àspera e os olhares faiscantes escondem-se, porém, glândulas lacrimais cuja atividade contrasta com a reputação de durona.

Em entrevista à repórter Marina Caruso, veiculada pela revista ‘Marie Claire’, Gleisi contou o que se passou na noite da véspera de sua posse no Planalto. Convidada por Dilma Rousseff para substituir Antonio Palocci, trocou ideias com o marido, o também ministro Paulo Bernardo (Comunicações).

"Eu dizia: ‘Paulo, tenho dúvidas. Não me sinto preparada’. Mas ele me pedia para refletir. Naquela noite, eu chorei. Chorei mesmo. Era muita responsabilidade." Na manhã seguinte, foi ao encontro da presidente decida a recusar o convite. Deixou o gabinete como chefe do ministério mais proeminente do governo.

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui. Vão abaixo alguns trechos. Revelam a outra face de Gleisi, uma mulher que chora em privado e cultiva gostos efêmeros:


- As qualidades: Duas características foram essenciais na minha vida: determinação e disciplina. Meus pais me deram isso. Eles sempre foram rígidos na educação e nos impuseram humildade.

- As mulheres no poder: Acho bárbaro quando os homens dizem que nós nos preocupamos muito com os detalhes. Essa é uma avaliação crítica recorrente, inclusive que alguns fazem à própria presidente. Dizem que a gente fica muito preocupada com detalhe e que temos de pensar no macro. Só que o diabo mora nos detalhes.

- A Casa Civil sem política: Nenhuma concentração é boa. Desde o governo do presidente Lula, havia a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política. A Casa Civil é articuladora e facilitadora das ações de governo. Trabalhar em equipe é sempre mais seguro e eficaz. Não me atrai a atitude heroica.

- O convite: Quando a presidenta me convidou para ser ministra-chefe da Casa Civil, eu gelei. Foi um susto. Tive dúvidas se deveria aceitar. Pensei: "Meu Deus, é muita responsabilidade". Ela me chamou um dia antes da posse, e eu fiquei muito preocupada. […] Falei para o Paulo [Bernardo]: "Acho que não devo aceitar. Não me sinto em condições". E ele disse: "Reflita bem". Naquela noite, eu chorei. Chorei mesmo.

- A conversa com Dilma: Sentei na frente dela decidida a falar que eu achava melhor não assumir, porque não me sentia preparada para desafios tão grandes. Mas ela foi falando, falando, falando e no final eu disse: "Tá bem, presidenta" (faz voz de menina e solta uma gargalhada). Pensei: "Se Deus me pôs aqui é porque eu devo poder fazer algo diferente para ajudar o Brasil. Não é fortuito".

- A reação do marido: Para ele, foi um susto também. Não acredito que o tenha afetado. Mas ele tem reclamado que eu trabalho demais. Saio de casa antes dele e chego depois. Mas ele vai ter de ter paciência e cuidar um pouco mais das crianças. Ele sempre foi a pessoa pública, e agora sou eu que estou mais em evidência. No dia da minha posse, o telefone de casa tocou às 6 horas da manhã. Ele atendeu, ainda sonolento. Era uma jornalista de uma rádio perguntando: "Alô, é o assessor da Gleisi?". Ele costuma ser mal-humorado de manhã, mas foi espirituoso: "Claro que não. É o marido dela. O assessor de imprensa não dorme aqui em casa!".

- Os apelidos – "Pit-bull do Senado" e "Barbie da Dilma”: Nunca mordi ninguém. Defendia o governo porque acredito nele. E se me chamam de Barbie é porque me acham bonitinha e vazia como uma boneca, não ligo. Não me acho bonita e cuido de minha aparência como a maioria das mulheres. Ser como a Barbie, embora longe da realidade, me envaidece.

- A compulsão pelo choro: Já chorei muito na vida. Já cheguei em casa, me tranquei no quarto e chorei, chorei, chorei. Os apelidos não me afetam muito. Mas, quando um projeto não dá certo, falha, eu me frustro muito. Sou muito perfeccionista e não gosto das críticas que não são construtivas.

- As plásticas: Sou cuidadosa como toda mulher. Fiz uma plástica nos seios, depois de amamentar, e apliquei Botox no rosto, para atenuar as rugas. Se eu pudesse, pediria ao tempo para andar mais devagar.

- O sonho de consumo: Adoro bolsa e sapato. Eu olho na vitrine e me dá vontade de levar. Adoraria ter uma bolsa Louis Vuitton. Não é nem pela marca, pelo estilo mesmo. Acho tão bacana, gosto do design. Uma vez pensei em comprar uma no Paraguai, mas achei melhor não [risos].

- O gosto musical: Chico Buarque, que adoro, e grupo ABBA. Por conta disso já assisti a Mamma mia umas seis vezes.

- O DNA politico: Entrei [na política] quando fazia movimento estudantil, com 19, 20 anos. Meu primeiro partido foi o PCdoB. Conheci o PT depois, em 1989, e nunca mais o deixei. Trago o compromisso de dedicar-me àquilo que efetivamente melhora a vida das pessoas e busca justiça social. Deixei para trás a visão romântica de esquerda.

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Escrito por Josias de Souza às 04h01

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As manchetes deste sábado

- Globo: Crise nos Transportes prejudica PAC e contratos serão revistos

- Folha: PIB cresce pouco, apoio cai e Obama faz ‘tuitaço’

- Estadão: Republicanos aprovam plano, mas impasse nos EUA continua

- Correio: “A droga me tirou tudo”

- Zero Hora: Apuração do vôo 447 muda a aviação civil

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h57

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ObamAmy!

Aroeira

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Escrito por Josias de Souza às 00h24

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Senado dos EUA derruba texto que a Câmara aprovou

Charles Ommanney/Getty

A notícia veiculada abaixo envelheceu com a velocidade de um raio. Durou menos de três horas o projeto aprovado na Câmara dos EUA sobre a dívida americana.

O Senado, de maioria democrata, rejeitou o texto urdido pela outra Casa legislativa, onde prevalecem os republicanos, rivais de Barack Obama.

Com isso, voltou ao limbo o debate sobre a elavação do teto da dívida do Tesouro americano.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, tenta coturar um novo texto. Espera-se que seja levado a voto na manhã de segunda (1o).

Na hipótese de um novo insucesso, o Tesouro ficaria insolvente no dia seguinte, terça-feira (2).

Sem autorização para vender novos títulos, a menos que Obama retire algum coelho da cartola, os credores dos EUA começarão a ser levados no beiço.

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Escrito por Josias de Souza às 22h14

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EUA: deputados aprovam proposta do ‘teto’ da dívida

Reprodução TV

Calma, não se precipite. Ao contrário da impressão insinuada no título, a encrenca da dívida americana não foi resolvida. Longe disso.

O que os deputados americanos aprovaram nesta sexta (29) é um projeto endossado por um pedaço do Partido Republicano, rival de Barack Obama.

Em maioria, os republicanos ocupam na Câmara 240 cadeiras num plenário de 433 assentos. Para aprovar o projeto, precisavam de 216 votos.

Aberto o placar, a proposta passou raspando: 218 votos a favor, 210 contra. Ou seja: a coisa não convenceu nem a totalidade dos republicanos.

A proposta segue agora para o Senado, Casa em que a maioria é do Partido Democrata, a legenda de Obama.

A platéia já foi avisada: do modo como vem da Câmara, o projeto não passa. Ainda que fosse aprovado, Obama apressou-se em dizer que o vetaria.

Por quê? O texto aprovado pelos deputados prevê cortes orçamentários estimados em US$ 915 bilhões.

Na outra ponta, a proposta autoriza Obama a elevar em US$ 900 bilhões o teto da dívida americana, que bateu em US$ 14,3 trilhões.

Os demcoratas e Obama torcem o nariz porque o pedaço que trata dos cortes passa na lâmina até os projetos sociais, que a Casa Branca não admite cortar.

Na parte que trata da elevação do pé direito da dívida, a cifra autorizada mantém Obama nas mãos do Congresso.

Os US$ 900 milhões seriam suficientes para a rolagem da dívida apenas até o fim do ano. Em 2012, quando haverá eleições, o Tesouro voltaria a flertar com o calote.

Candidato à reeleição, Obama teria de correr o chapéu no Congresso em plena campanha eleitoral.

Deseja-se aprovar no Senado algo diferente. Para aumentar a receita, uma combinação de cortes não-sociais com elevação de tributos para os ricos.

Para o tratamento da dívida, planeja-se servir a Obama um refresco que dure pelo resto do mandato.

Quer dizer: não é nada, não é nada o projeto aprovado nesta sexta pelos deputados não é nada mesmo.

O impasse sobrevive. O Senado corre contra o relógio. Tem até a próxima terça (2) para produzir uma solução. Do contrário, o ex-império dará o beiço nos credores.

Entre eles, nunca é demasiado recordar, está o Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 20h34

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Lula, em Brasília: ‘Dilma e Cristina vão fazer história’

Sérgio Lima/Folha

Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva não para. Na gostosa azáfama que se auto-impôs, amanhece no Rio e anoitece em Brasília.

Entre o Sol e a Lua, microfones, muitos microfones. O discurso brasiliense soou na cerimônia de inauguração da nova sede da embaixada da Argentina.

O ex-soberano fez pose de humilde. Ao lado de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, disse que as duas deixarão os antecessores no chinelo.

"Faço parte de uma geração que tem que agradecer a Deus porque não se imaginava que as duas maiores nações da América do Sul fossem presididas por mulheres…”

“...Não porque são mulheres, mas porque são militantes especiais, com perfil ideológico definido…”

“…Porque sabem para quem estão governando e porque sabem que as duas juntas têm muito mais forças e vão deixar eu e o [Néstor] Kirchner bem pequenos (sic)."

Lula definiu-se como "um cristão que acredita que quando o corpo se vai, há uma outra vida".

Servindo-se de poderes mediúnicos insuspeitados, o ex-soberano animou-se a adivinhar os pensamentos do marido de Cristina, morto em outubro de 2010:

"E o Kirchner agora deve estar pensando: pobre de mim e de Lula porque a Dilma e a Cristina vão fazer história na América do Sul e na América Latina."

O tributo ao morto interessa vivamente a Cristina. Ela, mais viva do que nunca, está a menos de três meses das urnas em que concorrerá à reeleição.

A inauguração de Brasília foi convenientemente levada à platéia da Argentina, ao vivo, em transmissões de várias emissoras televisivas.

Ao deixar o prédio da embaixada, Lula foi inquirido sobre  a reeleição de Cristina, favorita nas pesquisas.

"Meu coração é argentino”, disse Lula, "estou pensando em mudar meu título para a Argentina."

Tremei, Cristina. Considerando-se o vaivém do autor da frase, a Argentina pode ganhar não um eleitor novo, mas um presidenciável alternativo.

No Brasil, 2014 é um ponto longínquo no calendário. Eleição em menos de três meses provoca em Lula salivações inauditas.

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Escrito por Josias de Souza às 19h27

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Passado o ‘susto’, o dólar volta a cair e vai a R$ 1,554

  Alan E.Cober
Durou escassas 24 horas o “susto” que o ministro Guido Mantega (Fazenda) tentou dar nos mercadores de câmbio.

Nesta sexta, a despeito da medida provisória que Mantega jogara sobre o balcão na véspera, a cotação do dólar voltou a cair.

O dólar comercial foi vendido a R$ 1,554. Queda de 0,76% no dia. No balanço da semana, a moeda de Tio Sam subiu 0,06%.

Na conta do mês, a aparência de estabilidade se esvai: queda de 0,51%. No acumulado do ano, a desvalorização do dólar é ainda maior: 6,72%.

O miolo da medida anunciada por Mantega trouxe uma elevação do IOF. Os derivativos, contratos com vencimentos futuros, foram tributados em 1%.

O mercado levou o pé ao freio, observou a assombração e perdeu o medo. Injetou-se o IOF no custo das transações e a normal anormalidade seguiu o seu curso.

Mantega avisara que o governo pode elevar a dose do veneno. Ficou entendido que o IOF pode aumentar até o limite de 25%.

O diabo é que o exagero na dose prejudica também as exportações, já debilitadas pela sobrevalorização do real.

A encrenca evolui contra o pano de fundo de uma semana sui generis. “Uma semana que não terminou”, na feliz expressão da repórter Angela Bittencourt.

Chega-se à sexta-feira sem que os EUA tenham desatado o nó da sua dívida.

A despeito dos esforços de Barack Obama, o Congresso demora-se em autorizar o Tesouro americano a elevar o pé direito do seu endividamento.

A semana só vai acabar na próxima terça (2), dia em que, prevalecendo o impasse, os EUA serão compelidos a dar o beiço em seus credores.

Se Washington for à breca, a ameaça de Mantega –25% de IOF— vai ganhar a aparência de um bicho papão de pelúcia.

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Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Sob Dilma, reduziu-se velocidade de execução do PAC

Tomada pelo balanço que apresentou nesta sexta (29), a ministra Miriam Belchior (Planejamento) tornou-se uma espécie de “madrasta do PAC”.

De um orçamento total de R$ 955 bilhões, a ministra Belchior logrou executar, entre janeiro e junho, R$ 86,4 bilhões.

A cifra é 10,8% menor do que os R$ 95,7 bilhões executados entre abril e outubro de 2010, quando viera à luz o último balanço da Era Lula.

Esmiuçando-se os dados, verifica-se:

Dos R$ 86,4 bilhões celebrados pela doutora Belchior, R$ 35 bilhões (40,5%) referem-se à liberação de empréstimos habitacionais para pessoas físicas.

Quer dizer: preto no branco, o pedaço relativo à execução de obras custeadas pela Viúva soma R$ 9 bilhões. A iniciativa privada pingou R$ 13,4 bilhões.

Convertida em gerente do PAC por Dilma Rousseff, a “ex-mãe” do programa, a ministra Belchior capricha no gogó:

"Entramos com o pé no acelerador (!?), o que demonstra o aprendizado que tivemos no primeiro período. Mas isso não satisfaz…”

“…Vamos querer acelerar ainda mais e melhorar, para que o PAC2 seja ainda melhor que o PAC 1."

A ministra transpõe para os canteiros do PAC uma expressão que inferniza a vida dos passageiros de avião. Afirma que há no país um “overbooking” de obras.

Enxerga da encrenca não um problema de (falta) de planejamento, mas uma evidência do “sucesso” da iniciativa (assista ao video lá do alto).

Durante sua exposição, a “madrasta” comentou a evolução das obras confiadas ao Ministério dos Transportes, levado ao noticiário como ninho de corrupção.

Disse que, por ordem de Dilma, todos os contratos passam por um pente fino. Por quê? Para evitar o flagelo dos aditivos, que multiplica o custo das obras.

E como se chegou a tantos aditivos? Muitas obras, disse a ministra, foram escoradas em “projetos básicos”. Agora, vai-se exigir “projetos executivos”, mais detalhados.

Ouça-se a ministra: “O PAC 1 mostrou uma dificuldade, que é essa ausência de projeto executivo…”

“…O que levou à contratação de obras com projetos básicos insuficientes, que levou a uma série de aditivos. No PAC 2, vamos contratar só com projetos executivos."

Noutros tempos, a petista Belchior talvez batizasse o fenômeno de “herança maldita.” Considerado o cenário atual, melhor evitar a expressão.

Do contrário, a platéia pode ser levada a acreditar que o legado de Lula não é a maravilha que se apregoa.

Pior: o país será instado a refletir sobre o DNA da corrupção dos Transportes.

A reflexão conduziria a indagações incômodas. Por exemplo: Quer dizer que, como chefona da Casa Civil, Dilma autorizou obras com projetos precários?

Ou ainda: por que os projetos executivos, mais adensados, não começaram a ser feitos na época em que surgiram os primeiros aditivos?

A resposta às interrogações levaria à conclusão de que Dilma, “mãe” relapsa, contribuiu para que o melado dos Transportes escorresse além do razoável. Melhor evitar.

Fique-se com a imagem da presidente durona. Aceite-se a versão de que Dilma não manuseou a vassoura antes porque não sabia dos valdemares que se escondiam atrás dos aditivos.

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Escrito por Josias de Souza às 16h56

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Lula manda Serra cuidar de Aécio: ‘candidata é Dilma’

Ide Gomes/Folha

Na política há de tudo. O sujeito quer um biltre? Há um biltre. Quer um virtuoso? Há um virtuoso. Um ingênuo?

Bem… O ingênuo, não se sabe muito bem por quê, é mais difícil do que o biltre e o virtuoso.

Repare no último trançar de línguas de Serra e Lula. Qual um babalaô emplumado, o tucano jogou os búzios:

A probabilidade de que Lula seja candidato nas eleições presidenciais de 2014 é muito alta.” Hummmm…

Serra aventura-se na mesa de adivinhações por acreditar que Aécio ‘Bola da Vez’ Neves não se atreverá a entrar em campo se o adversário for Lula.

De passagem pela ESG (Escola Superior de Guerra), no Rio, Lula tratou Serra com a lateral do sapato, como quem empurra uma bola de papel para o canto:

“O Serra deveria falar pelo PSDB. Ele não está conseguindo resolver o problema do Aécio e quer resolver o problema do PT!”

“Vou dizer uma coisa de forma categórica: o Brasil tem uma candidata em 2014 chamada Dilma Rousseff. Ela […] vai fazer um governo extraordinário.”

Mais adiante: “Só há uma hipótese de ela não ser candidata: ela não querer. A política é uma doença que a gente gosta e não sai mais…”

Para Lula, é Serra quem está preocupado, não ele. “Eu acho que já cumpri com a minha tarefa nesse país.” Hummmmm…

O candidato está enterrado em Lula como um sapo de macumba. Ele já nasceu com os pés no palanque e o microfone nas mãos.

Lula aposentou-se da aposentadoria há duas semanas, quando avisou: “Vou voltar a viajar pelo país, para incomodar muita gente.”

Vale para Lula a frase de Lula sobre Dilma: “A política é uma doença que a gente gosta e não sai mais…”

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Escrito por Josias de Souza às 15h10

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Dilma: 'insensatez' de EUA e Europa é 'ameaça global'

Roberto Stuckert Filho/PR

Realizou-se na noite passada, na cidade de Lima, uma reunião dos chefes de Estado da Unasul (União Sul-Americana de Nações).

Em discurso, Dilma Rousseff criticou o que chamou de “insensatez” e “incapacidade política” dos EUA e da União Europeia.

Afirmou que a demora das nações desenvolvidas em resolver os seus problemas econômicos constitui uma “ameaça global”.

Valeu-se de metáfora aquosa para se queixar da encrenca cambial que sobrevaloriza moedas como o real.

Disse que o “mar extraordinário de liquidez” que leva dólares à praia dos emergentes produz “desequilíbrio cambial.”

Esquivando-se de mencionar a China, afirmou que produtos industriais fabricados além-oceanos “alagam” os mercados latino-americanos.

Dilma instou os colegas da região a reagir:

"Temos de nos defender da imensa, do fantastico, do extraordinário mar de liquidez que se dirige às nossas economias buscando a rentabilidade que não tem nas suas."

Acrescentou: "Não podemos incorrer no erro de comprometer tudo que conquistamos…”

“…Não porque quiséssemos ou pelos erros que cometêssemos, mas pelos efeitos da conjuntura internacional desequilibrada."

O encontro da Unasul ocorreu nas pegadas da cerimônia de posse do novo presidente do Peru, Ollanta Humala.

Vencida a fase do palanfrório, nada de concreto foi decidido. Marcou-se para a semana que vem uma nova reunião.

Dessa vez, vão à mesa os ministros da Fazenda e os presidentes dos Bancos Centrais da região. Nos dias 10 e 11 de agosto, novo encontro, em Buenos Aires.

Embora não integre a Unasul, o México será convidado. É para dar mais peso às decisões, disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel dos Santos.

Enquanto Dilma falava de “insensatez” na capital peruana, os deputados americanos a exercitavam em Washington.

Terminou em novo impasse a penúltima tentativa da Câmara dos EUA de votar um projeto que autorize o governo americano a elevar o teto de sua dívida.

Se o nó não for desatado até a próxima terça-feira (2), o Tesouro do ex-império vai à breca.

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Escrito por Josias de Souza às 06h17

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Vídeo: imagens do apagão que ‘desligou’ parte de SP

- Pedaços da cidade de São Paulo foram desligados da tomada na noite passada. Aquiaqui e aqui, os detalhes. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h29

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No Rio, PT prepara desembarque do projeto de Cabral

  Fotos: Folha e Divulgação
O PT do Rio de Janeiro decidiu se dissociar do projeto político do PMDB do governador Sérgio Cabral.

Discute-se agora se o desembarque ocorrerá em 2014 ou se deve ser antecipado para a eleição municipal de 2012.

Empurrado por Lula para o colo de Cabral, o petismo fluminense esboça a ruptura num instante em que a popularidade do governador declina.

Para a prefeitura da cidade do Rio, o PT cogita lançar o deputado federal Alessandro Molon, contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição.

Para a corrida ao governo do Estado, o partido de Lula já decidiu empinar o nome do senador petista Lindbergh Farias –apoiado, hoje, por cerca de 80% da legenda.

No exercício de seu segundo mandato, Cabral procura um nome para sucedê-lo. O preferido é seu vice-governador, Luiz Fernando de Souza (PMDB), o Pezão.

Em princípio, o PT não trabalhava com a hipótese de dissociar-se de Cabral em 2012. O partido já havia inclusive selecionado um nome para a vice de Paes.

Seria acomodado na segunda posição da chapa reeleitoral do atual prefeito o vereador petista Adilson Pires.

Súbito, farejou-se um movimento do grupo de Cabral para apear o PT da futura chapa de Paes. Trama-se a escolha de um vice do próprio PMDB.

Por quê? Na leitura do PT, Cabral deseja dispor de uma alternativa para 2014. Se o nome de Pezão não vingar, o governador lançaria Eduardo Paes à sua sucessão.

Supondo-se que Paes obtenha um segundo mandado, teria de renunciar à prefeitura, legando ao vice dois anos de gestão na prefeitura.

Daí a cogitação dos operadores de Cabral de compor para 2012 uma chapa “puro sangue”, sem o PT na posição de vice.

Diante do cheiro de queimado, o petismo reagiu. Manteve sobre a mesa o nome do vereador Adilson Pires, o escolhido para ser vice de Paes. Porém…

…Porém, o PT decidiu levar ao palco, simultaneamente, o projeto da candidatura de Alessandro Molon à prefeitura do Rio.

Com esse gesto, o PT informa a Cabral que não se dispõe a apoiar Eduardo Paes a qualquer custo. Sem a posição de vice, nada feito.

Ao PT interessa reter Paes na prefeitura. Imagina-se que o nome dele chegará a 2014 mais bem posto que o de Pezão, o preferido de Cabral.

Dito de outro modo: na visão do PT, as chances de Lindbergh triunfar na disputa pelo governo do Estado serão maiores se Pezão for o candidato de Cabral.

No cenário esboçado pelo PT, depois do escolhido de Cabral, o principal adversário de Lindbergh em 2014 será o ex-governador Anthony Garotinho (PR).

Dá-se de barato que Garotinho, cujo prestígio eleitoral mistura-se a altas taxas de rejeição, tentará retornar ao Executivo estadual.

Afora o candidato do PMDB e Garotinho, o principal adversário do PT fluminense é Lula. O ex-soberano mantém com Cabral uma relação que extrapola a política.

Imagina-se que, movido pela amizade, Lula tentará novamente impor ao PT do Rio a condição de linha auxiliar do PMDB de Cabral.

O repórter procurou Lindbergh. Perguntou: E se Lula pedir para que desista de sua candidatura? O senador petista respondeu assim:

“Serei candidato a governador. As condições são muito favoráveis para o PT. Uma eventual intervenção do Lula seria uma violência muito grande…”

“…Não haverá de minha parte nenhuma posição de passividade. A retirada de minha candidatura levaria a um cenário de terra arrasada.”

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Escrito por Josias de Souza às 04h42

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As manchetes desta sexta

- Globo: Ficha limpa? Mulher de novo coordenador do Dnit representa empresas

- Folha: 'Insensatez' externa é ameaça global, diz Dilma

- Estadão: Desaceleração faz BC acenar com fim da alta dos juros

- Correio: O perigo chega à mesa do brasileiro

- Valor: Concessões de elétricas devem ser prorrogadas

- Estado de Minas: Estamos comendo muito mal

- Jornal do Commercio: Crianças do tráfico

- Zero Hora: Força da chuva emite alerta contra cheias

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h09

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EUA no Serasa!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h46

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‘A possibilidade de o Lula disputar 2014 é muito alta’

De passagem por Madri, José Serra falou ao diário espanhol El Pais. Com três anos e meio de antecedência, o grão-tucano vaticinou:

“A probabilidade de que Lula seja candidato nas eleições presidenciais de 2014 é muito alta. […]Lula nunca deixou de estar em campanha.”

Conforme noticiado aqui há 15 dias, Serra já vinha prevendo, em privado, o retorno de Lula. A novidade é a explicitação da aposta.

Inquirido sobre escândalos, disse que, em matéria de corrupção, o Brasil vive seu pior momento desde o impeachment de Collor.

Para Serra, Dilma acertou ao promover uma faxina na pasta dos Transportes. Porém, agiu empurrada pela imprensa, não por convicção.

Tucano em reparos, Serra se absteve de profetizar sobre o próprio futuro. Um pedaço do PSDB tenta aprisioná-lo na campanha municipal de São Paulo, em 2012.

Ele se permite, por ora, sonhar com 2014. Vale para Serra o comentário de Serra para Lula: “Nunca deixou de estar em campanha.”

Há uma única diferença: O PSDB de Serra tem excesso de cabeças e carência de miolos. O PT de Lula tem a mesma carência, mas com uma cabeça só.

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Escrito por Josias de Souza às 21h23

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Tesouro americano já prepara um plano para o calote

  AP
Líderes mundiais e bambambãs do mercado financeiro repetem há semanas: a hipótese de os EUA levarem seus credores no beiço, por impensável, é pouco provável.

Pois bem, a cinco dias do vencimento do prazo para a elevação do teto da dívida americana, a Casa Branca e o Congresso ainda não produziram um acordo.

À beira do impensável, o Tesouro americano informou nesta quinta (28) que prepara um plano para disciplinar o calote, agora já não tão improvável.

Na prática, os EUA vão acomodar seus credores, entre eles o Brasil, numa fila. O Tesouro vai dizer quem será ‘caloteado’ primeiro.

Por ora, o aviso do Tesouro é parte da pressão que Barack Obama exerce sobre o Congresso.

Chegou-se, porém, a uma fase em que o mais relevante já não é o relógio. São os segundos.

Ou, por outra, o relógio do ex-império já não tem ponteiros, mas espadas. Prevalecendo o impasse, o estrago terá dimensão planetária.

- Aqui, um texto que traduz a encrenca para o português das ruas. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h56

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Novo Dnit sera técnico e idôneo, diz Gilberto Carvalho

  José Cruz/ABr
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) veio à boca do palco para anunciar:

Dilma Rousseff já analisa os nomes para os Transportes. “É bem provável que, no início da semana, possa ser anunciada a nova composição do Dnit.”

Discorreu sobre os critérios que norteiam a seleção: “A questão da vinculação partidária não é proibitiva, mas o que preside a escolha da presidenta é a questão técnica…”

“…São pessoas que vão dar conta de uma tarefa fundamental para o país, que é a infraestrutura…”

“…Por isso, tem que ser pessoas dotadas de competência técnica e idoneidade.”

Cabe perguntar: mas Dilma já não havia declarado, na fase de transição, que preparo e honestidade eram pré-condições? Por que engoliu os valdemares?

Perguntou-se a Gilbertinho, como o chamam na intimidade, se a faxina chegará a repatições e ministérios submetidos a outras legendas além do PR.

E ele: “A presidenta Dilma, até prova em contrário, confia nos seus ministros, assessores e técnicos…”

“…O que acontece é que, onde houver uma denúncia, ela será verificada, mas não haverá prejulgamento, caça às bruxas, nenhuma precipitação.”

Tomado ao pé da letra, o ministro disse duas coisas:

1. Quando pilhado, o malfeitor irá à grelha. Mesmo que seja do PT ou do PMDB.

2. Não houve prejulgamento nem precipitação nos Transportes. Ali, as “bruxas” que tiveram as cabeças apartadas dos respectivos pescoços são culpadas.

Se é assim, cabe indagar: quando a PF será acionada para quantificar e personalizar as bruxarias? Por que ainda não foi provocada a cavalaria do Ministério Público?

Instado a comentar as relações do governo com o PR, Gilbertinho declarou:

“Nosso diálogo com o PR é maduro, é um partido muito fiel na base. Nossa relação com o PR não vai sofrer abalo com isso.”

Quer dizer: sob Dilma, o governo adota um ideário cristão. Declara-se contra o pecado. Mas acredita na remissão dos pecadores.

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Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Sul-africano ‘morto’ revive num freezer de necrotério

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h31

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MEC banca propagandas que fazem defesa de Haddad

  Alan Marques/Folha
Rendido à (i)lógica segundo a qual o melhor antídoto contra a má notícia é a boa publicidade, o Ministério da Educação levou ao ar duas peças.

Ambas se contrapõem a notícias que tisnaram a imagem do titular da pasta, o petista Fernando Haddad.

Numa, defende-se a distribuição nas escolas de um livro didático que ensina: em determinados contextos, é aceitável usar o português distante da norma culta.

Noutra, inspirada em reportagem televisiva que exibiu escolas que serviam merenda estragada, sugere-se que a culpa pode ser dos pais.

Diz o locutor: "É obrigação de toda escola oferecer alimentação de qualidade para seus alunos, mas é importante que os pais fiscalizem."

As duas propagandas custaram R$ 396,9 mil à Viúva, veneranda e desprotegida senhora.

Nada a ver, naturalmente, com as pretensões políticas do professor Haddad, o preferido de Lula para a campanha à prefeitura de São Paulo.

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Escrito por Josias de Souza às 17h09

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No Rio: Lula prefere publicidade boa a noticiário ruim

  Folha
Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva levou os fogos de sua ambição política para dar uma volta no Rio de Janeiro.

Junto com o governador Sérgio Cabral, o ex-soberano visitou um hospital batizado com o apelido da mãe: Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello, morta em 1980).

Com a pilha ainda carregada, Lula voltou a dar asas à língua. Falou com seu palavreado turbulento, como quem compra briga.

Trazia na boca uma lamina gilete. Parecia querer sangrar a imprensa, o alvo que mais lhe provoca trepidações.

"O que é ruim tem preferência no noticiário", golpeou Lula. Parecia incomodado com a ausência do hospital Lindu nas manchetes de primeira página.

Distribuiu conselhos a Cabral e à equipe dele: "Vocês têm a obrigação política com o povo do Rio e com quem não mora aqui de dizer o que estão fazendo aqui.”

Sugeriu, por “falta de opção”, o caminho da publicidade oficial. “Tem muita gente que fala: 'Ah, você vai gastar dinheiro com publicidade’…”

“Enquanto você não gasta para fazer publicidade das coisas boas, gasta para fazer nota reexplicando aquilo que foi equivocadamente denunciado."

O hospital visitado por Lula foi aberto em junho de 2010. Cabral e Cia. sustentam que, em um ano, a unidade virou referência em cirurgias ortopédicas.

Daí a ira de Lula. "Normalmente o que é ruim tem prefrência no noticiário sobre o que é bom. Raramente você vê uma reportagem elogiando um hospital…”

“…O que é bom parte-se do pressuposto que é obrigação. Um hospital salvar vidas não é notícia, mas se morrer um é."

A indignação de Lula, com qualquer coisa de espetáculo, se expressa pelo método confuso. Porém…

…Porém, entre um ponto e outro da oratória curvilínea, sempre há espaço para uma concessão à racionalidade.

"Sabemos que ainda tem fila” nos hospitais públicos, Lula concedeu. Concessão rápida, contudo.

Poderia ter citado outras mazelas encontradiças no noticiário: a falta de médicos, remédios e equipamentos…

…As cirurgias que nunca chegam, a superlotação que transborda pacientes para baixo das macas, as mortes de corredor e um interminável etcétera.

Lula, seletiva figura, ateve-se às filas. E logo retomou o lero-lero teatral:

“Se o que melhorou a gente não colocar para o povo saber, o povo vai ficar sabendo apenas aquilo que os outros querem que eles [sic] saibam…”

“…Tem muita coisa errada, mas [tem que] mostrar o que foi feito. Numa escada de 16 degraus, vocês chegaram a 8, 9. Tem que mostrar.”

Formado na escola das mega-assembléias sindicais do ABC da década de 70, Lula aprendeu esperteza para ensinar.

Mas a cátedra não o impede de evocar outro professor emérito: “A gente aprendeu com Chacrinha há muito tempo atrás: 'Quem não se comunica, se trumbica'."

Resta proclamar: viva a comunicação! O desperdício em publicidade pode custar um bom lote de novos leitos hospitalares. Mas quem se importa?

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Escrito por Josias de Souza às 15h03

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Temer sinaliza aliança com Alckmin em SP para 2012

As eleições municipais de 2012, como todas as anteriores, reservam muitas surpresas para o eleitor.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a disputa pode se converter no pleito do “sim senhor, quem diria!?”

Sócio do PT em Brasília, o PMDB busca na maior e mais rica cidade do país uma parceria mais conveniente. Com o PSDB.

Ouça-se, a propósito, o que disse o grão-pemedebê Michel Temer, o vice da petê Dilma Rousseff:

"Não quero avançar nada, adiantar nada, mas em política tudo é possível, especialmente com o governador Geraldo Alckmin..."

O comentário de Temer foi feito em solenidade promovida por Alckmin e resumida na Folha pela repórter Daniela Lima.

O PMDB de Temer e o PSDB de Alckmin encontraram-se numa ponte batizada de Orestes Quércia, morto de câncer no ano passado.

Vivo, Quércia media forças com Temer pelo controle do diretório paulista do PMDB. Morto, tornou-se alvo de admiração do ex-desafeto.

Ao discursar, Temer disse, voltando-se para Alckmin:

"Vossa Excelência teve a sabedoria de não designar uma pequena rua, uma pequena avenida para o nome do Quércia. Isso vulneraria a grandiosidade dele."

Mais adiante, Temer soou metafórico:

"Essa ponte, grandiosa como é, fará não apenas a ligação de bairros com a marginal, mas fará, politicamente, a ligação entre várias lideranças do nosso país."

A ligação que interessa a Temer é o apoio de Alckmin ao deputado federal Gabriel Chalita, candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo.

Instado a comentar o discurso sinuoso de Temer, Alckmin fingiu-se de desentendido:

"A ponte diminui distâncias, supera obstáculos. E nós relacionamos essa obra ao governador Quércia por seu papel importante na redemocratização do país."

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. O PSDB, como se sabe, nasceu de uma dissidência do PMDB.

Uma dissidência escorada no questionamento ao estilo e aos método$ de Quércia, personagem que ingressou pobre na política e morreu milionário.

Pingavam dos lábios de Mario Covas as críticas mais ácidas ao e$tilo de Quércia. Cria política de Covas, Alckmin agora converte o criticado em nome de ponte.

Chalita, o candidato que Temer se esforça para empinar, é um político nômade. Hoje está aqui. Amanhã, ali. Depois de amanhã, acolá.

Ex-secretário de Educação de Alckmin, Chalita já foi tucano. Após passagem relâmpago pelo socialismo de resultados do PSB, aninhou-se no PMDB.

Quem olha para a biografia do jovem deputado, mesmo que não entenda nada de política, percebe as politicagens.

A eventual formalização da parceria PMDB-PSDB não é garantia de sucesso para Chalita. Mas o candidato teria um formidável tempo de televisão.

De resto, Chalita iria às urnas como candidato multiuso. Para Alckmin, um amigo na campanha. Ótimo para dias de chuva.

Para Temer, uma oportunidade para desgrudar do PMDB, ainda que em âmbito municipal, a pecha de linha auxiliar do petismo. Ótimo para dias de Sol.

Só falta agora combinar com os russos. Que em São Paulo atendem pelos nomes de José Serra e Lula.

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Escrito por Josias de Souza às 05h25

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As manchetes desta quinta

- Globo: Governo cria nova taxa para frear especulação com dólar

- Folha: Governo age e dólar tem maior alta em um ano

- Estadão: Governo faz sua maior intervenção no câmbio e ameaça ir mais longe

- Correio: Brasil puxa o freio do dólar

- Valor: CMN assume batalha cambial

- Estado de Minas: Guerra à especulação

- Jornal do Commercio: Mudar de plano de saúde fica mais fácil

- Zero Hora: Apenas 10% dos desmanches de carros estão regularizados

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h58

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PMDBichos!

Nani

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Escrito por Josias de Souza às 00h52

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Aeroportos: CUT ameaça ir à Justiça contra concessão

Realizou-se em Brasília, nesta quarta (27), uma reunião entre representantes da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República e da CUT.

No encontro, o governo expôs à maior central sindical do país detalhes do plano de concessão à iniciativa privada de três aeroportos: Guarulhos, Viracopos e Brasília.

Artur Henrique, presidente da CUT, e Francisco Lemos, mandachuva do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, discordaram do essencial.

Informou-se à dupla de sindicalistas que a iniciativa privada será majoritária (51%) na administração dos aeroportos. A Infraero entrará no negócio com 49%.

Em texto veiculado na página que mantém na web, a CUT apressou-se em informar que, a prevalecer esse modelo, tentará barrar os leilões no Judiciário.

“Ninguém vai nos convencer de que a Infraero tem de ter 49% das ações”, disse Artur Henrique, o presidente da CUT.

“Se o governo tomar a decisão pelos 49%, nós vamos lutar contra no Congresso […] e em todas as instâncias onde pudermos atuar, inclusive o Judiciário, se preciso for”.

Os argumentos da Secretaria de Aviação Civil são claros como água de bica.

Dilma Rousseff optou por privatizar a operação dos aeroportos porque o Estado não dispõe de recursos para investir.

Para atrair o investidor privado e dar celeridade aos investimentos, é preciso evitar que as concessionárias tenham que lidar com as amarras impostas ao Estado.

Transferidas à iniciativa privada, as obras não precisariam seguir o rito da Lei de Licitações (8.666) nem se sujeitar à fiscalização do TCU.

Artur Henrique dá de ombros: “Não tem acordo com relação aos 49%”. Para ele, há soluções alternativas.

Quais? “Abrir o capital da Infraero e ter uma certa liberdade em relação a [lei] 8.666, mantendo a operação sob o controle do Estado.”

Resta saber que empresário se animaria a injetar dinheiro em negócio gerido por uma estatal com histórico de ineficiência e corrupção.

Na exposição aos sindicalistas, o governo informou que constarão dos editais dos leilões duas exigências dos trabalhadores: veto ao aumento de tarifas e às demissões.

Não há, porém, disposição de elevar além dos 49% a cota de participação da Infraero.

A chance de um eventual questionamento judicial prosperar é próxima de zero. Porém…

Porém, se a CUT levar a ameaça adiante, o governo pode enfrentar problemas de calendário.

De acordo com o cronograma levado à mesa no encontro desta quarta, prevê-se para setembro a conclusão dos estudos.

Em outubro, seriam realizadas as audiências públicas. E a concessão dos três aeropostos iria ao martelo em leilões previstos para dezembro.

A abertura de uma contenda judicial pode azedar o desejo de Dilma de entrar em 2012 com as concessionárias em funcionamento.

De resto, vai-se injetar na cena política uma dose de inusitado. Braço sindical do PT, a CUT trataria o projeto de Dilma como tratou as privatizações da Era FHC.

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Escrito por Josias de Souza às 23h05

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Paraíso da cana de açúcar, Brasil vai ‘importar’ etanol

Shutter Stock

Em entrevista que concedeu na semana passada à mídia impressa, Dilma Rousseff atribuiu o surto inflacionário do início do ano a problemas “conjunturais”.

Citou especificamente a alta do preço do etanol. Algo que, segundo ela, já havia sido “minimizado”. Era lorota.

Nesta quarta (27), o governo decidiu importar etanol para fugir do risco de uma nova escassez de oferta do produto.

A providência foi esboçada em reunião coordenada pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), com a presença do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Discutiu-se no encontro a hipótese de reduzir a quantidade de etanol na mistura com a gasolina, hoje em 25%.

O problema é que, com menos etanol, eleva-se o consumo de gasolina. E a capacidade de produção da Petrobras já se esgotou.

Hoje, a estatal só consegue produzir 95% dos derivados de petróleo consumidos no país. Os outros 5% são importados.

Retirando-se etanol da mistura, seria necessário comprar mais gasolina no estrangeiro. Concluiu-se que importar etanol sai mais barato.

A portas fechadas, mencionou-se a quantidade de etanol a ser adquirida de outros paises: algo como 1 bilhão de litros até o fim de 2011.

O etanol escasseia porque as usinas brasileiras dão preferência à produção de açúcar, cujo preço é mais vantajoso.

No início do ano, autoridades do governo levaram ao noticiário ameaças de reataliar os produtores, fechando os guichês do BNDES.

Na reunião desta quarta, em vez de retaliação, serviu-se garapa aos usineiros. O BNDES vai liberar mais dinheiro.

Em conversa com os jornalistas, o ministro Lobão soou como Chapeuzinho Vermelho. Anunciou a edição, em dez dias, de uma medida provisória.

A MP abrirá novas linhas de crédito para financiar a produção e a estocagem de etanol. Dinheiro do BNDES, a juros companheiros.

O ministro informou, de resto, que a Petrobras irá injetar na sua subsidiária que produz etanol –a Petrobras Biocombustíveis– US$ 4,1 bilhões.

Previsto no plano de investimentos da estatal, o investimento pingará entre 2012 e 2015. Nada a ver, portanto, com o drama de 2011.

Na entrevista, Lobão não disse palavra sobre a decisão de importar etanol. Preferiu declarar que o mercado está “razoavelmente estável”, sem desabastecimento.

Deu a entender que não há razões para preocupação. Curiosamente, agendou-se nova reunião para debater o tema que não preocupa.

Ocorrerá em 30 de agosto. Se a despreocupação aumentar, a reunião pode ser antecipada.

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Escrito por Josias de Souza às 22h28

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Desce à bandeja cabeça do penúltimo diretor do Dnit

Zhangi Dali

Foi à bandeja o escalpo de Geraldo Lourenço de Souza Neto, diretor de Infraestrutura Ferroviária do Dnit.

Com mais essa cabeça, subiu para 20 o número de servidores afastados do Ministério dos Transportes.

Pergunta-se: e quanto à apuração dos malfeitos? A quantas anda a auditoria da CGU? Até quando a PF vai se fingir de morta?

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Escrito por Josias de Souza às 20h15

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Pelé é escolhido patrimônio esportivo da humanidade

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Escrito por Josias de Souza às 19h28

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Sob Dilma Rousseff, CUT se queixa de não ser ouvida

Divulgação

As relações do presidente da CUT, Artur Henrique, com o ex-soberano Lula são do tipo unha e cutícula. Maior afinidade, impossível.

Sob Dilma Rousseff, o mandachuva da CUT, braço sindical do PT, queixa-se de não ser ouvido sobre o essencial. A desoneração da folha salarial, por exemplo.

Nós pegamos aqui o jornal e vemos ‘Dilma prepara não sei o quê’. Tá bom. E nós? Vamos participar ou vamos ficar sabendo só pelos jornais?...”

“…Nós não queremos só saber. Nós queremos negociar, debater e também apresentar nossa visão. Se é pra gente só saber, manda um e-mail, né?”

Artur Henrique manifestou sua inquietude numa entrevista ao repórter Raymundo Costa. Aqui, a íntegra.

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Escrito por Josias de Souza às 19h06

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Dólar: governo se mexe e provoca a maior alta do ano

Depois de cair por seis dias consecutivos, acumulando depreciação de 2,66%, o dólar registrou nesta quarta (27) a maior alta do ano: 1,30%. Foi a R$ 1,557.

Deve-se a reversão da tendência a providências emergenciais adotadas pelo governo, por meio de medida provisória.

Coube ao ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciar as novidades. A principal delas foi uma mexida na tributação.

Decidiu-se cobrar 1% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações de derivativos, contratos feitos no mercado futuro.

Na prática, impôs-se um ágio para os operadores que apostavam na valorização do real.

Ficou estabelecido na mesma medida provisória que o IOF poderá sofrer novas elevações, até o patamar de 25%. O mercado, por ora, acusou o golpe.

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Escrito por Josias de Souza às 18h08

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Demitido da Conab Oscar Jucá, irmão de Romero Jucá

  Alan Marques/Folha
Em matéria de faxina governamental, muito mais ainda é muito pouco. E um pouco menos é sempre demais.

Com a higienização dos Transportes ainda inconclusa, Dilma Rousseff vai sendo apresentada a novos focos de detritos.

Nesta quarta (27), foi ao olho da rua Oscar Jucá Neto. Trabalhava como diretor da Conab (Cia Nacional de Abastecimento).

Irmão de Romero Jucá (PMDB-RR, na foto), líder de Dilma no Senado, Oscar foi abalroado pela notícia de que autorizou um pagamento esquisito. Coisa de R$ 8 milhões.

O dinheiro migrou de um fundo destinado à compra de alimentos para a caixa registradora da Renascença, empresa registrada em nome de laranjas.

Informa-se que Oscar Jucá pediu para sair. Coube a um afilhado do vice Michel Temer, o ministro Wagner Rossi (Agricultura), mandar a exoneração ao Diário Oficial.

Pergunta-se: 1) E quanto à grana, que providências tomou o governo para reavê-la? 2) Vai ficar por isso mesmo ou o irmão de Jucá será acionado judicialmente?

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Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Em Serra, cidade do ES, a prefeitura distribui ‘Viagra’

A prefeitura do municípiode Serra, no Espírito Santo, decidiu distribuir um medicamento que não consta do catálogo do SUS.

Chama-se Sildenafila. É comercializado como genérico do Viagra. O lote a ser distribuído pela prefeitura terá 36 mil comprimidos.

Há em Serra uma unidade de saúde chamada Clínica do Homem. De acordo com a prefeitura, é grande o número de pacientes com disfunções eréteis.

“É um problema sério que afeta a auto-estima, provoca depressão, ciúmes e abala as relações familiares”, diz Silvani Alves, secretário municipal de Saúde.

Ele esclarece que a distribuição não será aleatória. Os candidatos ao tratamento terão de passar por uma “triagem” médica.

O primeiro lote de remédios custou às arcas municipais R$ 58 mil. Se funcionar, deve haver reforço da dose.

“Vamos ver o retorno dos pacientes que usarem e aí verificar como foi o tratamento”, diz o secretário Silvani.

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Escrito por Josias de Souza às 16h06

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Ministro de Dilma, Jobim alardeia: ‘Eu votei no Serra’

Não se trata propriamente de uma revelação. O voto de Nelson Jobim na eleição presidencial do ano passado era um segredo de polichinelo.

Ainda assim, a explicitação da preferência do ministro da Defesa de Dilma Rousseff tem um quê de inusitado.

Em entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, Jobim sapecou: “Eu votei no Serra.” Segundo disse, Dilma sabia.

Azedou a relação?, indagou o repórter. E Jobim: "Azeda quando você esconde. Eu não costumo fazer dissimulações, então não tenho dificuldades."

Passada a eleição, disse ele, o tema foi mandado ao esquecimento: “Não se toca no assunto.”

Na fase de composição de seu governo, Dilma cogitou livrar-se de Jobim. Ela o manteve na Esplanada a pedido de Lula.

Ministro da gestão passada, Jobim esquivara-se de fazer campanha em favor de Dilma. Em outubro de 2010, explicara a razão durante viagem a Washington:

"Disse ao presidente Lula que tinha impedimentos de natureza pessoal, inamovíveis, de fazer campanha contra o governador [Serra]...”

“Ele respondeu: ‘então não se meta nesse assunto, fique de fora’." Na nova entrevista, Jobim contou que seu diálogo com Lula se deu numa reunião da coordenação de governo.

Os “impedimentos inamovíveis” de que falava Jobim eram a amizade de 30 anos que o une a Serra e o fato de o tucano ser seu padrinho de casamento.

Há um mês, discursando em homenagem ao grão-tucano FHC, que fazia 80 anos, o pemedebê Jobim levou ao microfone uma frase que suscitou polêmica.

Evocando Nelson Rodrigues, declarou: "Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos…”

“…O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância [...] com os idiotas.”

Como Jobim servira à gestão tucana no Ministério da Justiça, ficou-se com a impressão de que ele comparava as duas administrações. E enxergava “idiotas”na atual.

Houve mal-estar no Planalto. Compelido a explicar-se, Jobim alegou que se referia aos “reporteres”, não ao governo que integra.

Fernando Rodrigues perguntou-lhe se Dilma reclamou do comentário. "Não, não. Ela até riu", disse Jobim.

O repórter também mencionou na conversa um rumor encontradiço nos subterrâneos de Brasília. À boca miúda, diz-se que Jobim pode deixar o governo antes do final.

Verdade? Dessa vez, o ministro escorou-se em Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar.”

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Escrito por Josias de Souza às 06h31

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PT e PMDB avaliam que Lula será candidato em 2014

Alan Marques/Folha

Algumas das principais lideranças do PT e do PMDB, os dois sócios majoritários da aliança governista, avaliam que Lula tentará voltar à Presidência em 2014.

Nos últimos cinco dias, o blog conversou reservadamente com cinco políticos de expressão –três pemedebês e dois petês.

Manifestaram em privado opiniões que não ousam verbalizar em público. Ressalvadas sibilinas diferenças quanto à enfase, todos enxergam em Lula um candidato.

Apenas um dos entrevistados, integrante da direção do PT federal, condicionou a re-re-recandidatura de Lula ao desempenho de Dilma.

Os demais disseram crer que o patrono de Dilma irá às urnas em qualquer cenário. Escoraram a aposta na movimentação de Lula.

“Típica de candidato”, disse um ex-ministro, filiado ao PMDB. “Voltou à cena mais cedo do que todos previam”, ecoou um senador do mesmo partido.

Um petista que priva da intimidade de Lula contou que, mesmo nas conversas mais íntimas, o amigo não se declara candidato.

Ao contrário, Lula repisa a tese segundo a qual não faz sentido sonegar a Dilma o “direito” de disputar a reeleição. O problema é que ninguém –ou “pouca gente”— o leva a sério.

Um governador do PT mencionou ao repórter o que chama de “efeito etário”. Lembrou que Lula fará aniversário de 66 anos em outubro.

“Em 2014, terá 69. E não parece razoável que ele se disponha a esperar até 2018, quando fará 73 anos”.

Outro entrevistado disse que a volta de Lula começa a ser desejada também pelos partidos que o apoiaram e que agora dão suporte a Dilma.

Por quê? Diferentemente de Lula, um “animal politico”, Dilma trata seus aliados “na base da ameaça”. Algo que, imagina, “não vai acabar bem”.

Entre todas as legendas, avalia o autor do raciocínio, a que mais deseja a volta de Lula é o próprio PT.

Disseminou-se no condomínio governista a avaliação de que Dilma exagerou na faxina do Ministério dos Transportes. Sobretudo no método.

Como que receosos de receberem da presidente um tratamento à moda do PR, os aliados acham que ela portou-se de modo precipitado e injusto.

De acordo com a visão majoritária, Dilma teria afastado pessoas contra as quais pesavam fundadas suspeitas e também servidores cuja culpa não está provada.

Menciona-se, de resto, o fato de Dilma ter sido a gerente da Casa Civil de Lula, sob cuja gestão já vicejavam os malfeitos dos Transportes. 

“Ela joga pra platéia”, disse o ex-ministro pemedebê de Lula. “Pode ficar bem nas pesquisas, mas gera uma instabilidade política desnecessária no início do governo.”

Dito de outro modo: ao saciar a fome ética da opinião pública, Dilma ateou pânico entre os aliados, que passaram a ter saudades inauditas do estilo acomodatício de Lula.

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Escrito por Josias de Souza às 05h11

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As manchetes desta quarta

- Globo: Brasil chega a 5º lugar em ranking de investimentos

- Estadão: Investimento estrangeiro direto atinge US$ 32,5 bilhões

- Correio: O dólar furado

- Folha: Investimento externo no Brasil bate recorde

- Valor: Cai o ritmo de importações no ano

- Estado de Minas: O dólar encolheu

- Jornal do Commercio: Timbu bate o Vitória e se firma no G-4

- Zero Hora: Nova estratégia triplica apreensão de drogas no RS

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Reencarnação!

Mariano

- Via 'A Charge Online'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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ACM Neto confirma negociação com PMDB de Geddel

  Sérgio Lima/Folha
Um dos mais ardorosos rivais de Dilma Rousseff no Legislativo, o deputado ACM Neto negocia na Bahia um acordo do seu DEM com o governista PMDB.

Conforme noticiado aqui, o grão-pemedebê Geddel Vieira Lima cogita compor, em 2012, uma aliança baiana anti-PT, que incluiria DEM e PSDB.

Em conversa com o repórter, o neto de ACM, líder do DEM na Câmara, confirma: “Nossos objetivos locais, a despeito das diferenças nacionais, coincidem”.

“Nossa tendência”, prossegue ACM Neto, “é de compor uma aliança dos partidos que fazem oposição ao PT na Bahia”.

Ele acomoda no balaio, além do DEM, PSDB e PMDB, outra legenda que, em Brasília, integra o condomínio pró-Dilma Rousseff: “O PR do ex-senador Cesar Borges.”

“Esses quatro partidos, se tiverem juízo, vão se entender num projeto comum na Bahia. Nosso adversário é o mesmo: [o governador petista] Jaques Wagner.”

Segundo ACM Neto, o diálogo encontra-se em estágio “preliminar”. Mas são “conversas de intenções muito firmes.”

A negociação visa compor uma aliança para confrontar o petismo na eleição municipal de Salvador.

Wagner, um dos governadores mais chegados a Dilma Rousseff, deve comparecer à disputa com a candidatura do deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA).

O primeiro desafio dos rivais do governador é o de chegar a um consenso quanto ao nome. Por ora, cada partido tem o seu.

O candidato do DEM é o próprio ACM Neto. O do PSDB é o do deputado Antonio Imbassahy, cria política de ACM, o avô.

Quanto ao PMDB, Geddel tenta convencer a entrar na disputa o ex-prefeito, hoje radialista, Mário Kertézs.

Desde logo, Geddel não exclui a hipótese de dar suporte a ACM Neto: “Quem busca apoio tem que estar disposto a apoiar.”

“Para mim, embora esteja em situação confortável, o projeto coletivo vem na frente do meu projeto pessoal”, retribui o líder do DEM.

Dá-se na Bahia algo se repete a cada eleição e que voltará a desafiar a cabeça do eleitor nas eleições municipais de 2012.

Em pleitos regionais, a conveniência local prevalece sobre o interesse nacional, subvertendo a coerência.

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Escrito por Josias de Souza às 23h12

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Antes de nascer, PSD obtém secretarias no Maranhão

  Edson Lopes/Folha
Na política brasileira nada se perde e nada se transforma. Tudo vira governo. Ou, por outra, tudo acaba em déficit público.

No Maranhão, o PSD de Gilberto Kassab caminha para o colo da governadora Roseana Sarney (PMDB).

Seu partido ainda nem nasceu e Kassab já fez barba e cabelo. Só não fez bigode porque José Sarney, não apreciaria.

Dividem o mapa maranhense 217 minicípios. Desses, algo como 80 fazem oposição a Roseana. Kassab deve atrair cerca de 60.

Para facilitar o trabalho de cooptação, Roseana prometeu à legenda de Kassab quatro cofres: as secretarias de Fazenda, Agricultura, Educação e Infraestrutura.

Vai à presidência do PSD-MA a deputada Nice Lobão. É mulher de Edison Lobão, que representa Sarney no Ministério de Minas e Energia. Tudo em casa.

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Escrito por Josias de Souza às 22h06

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Fora do Dnit, Pagot já prepara 'consultorias' privadas

  Wilson Dias/ABr
Um dia depois de demitir-se do Dnit, Luiz Antonio Pagot já dispõe de nova ocupação. Do outro lado do balcão, prepara consultorias a empresas privadas.

Em conversa com a reporter Adriana Vasconcelos, Pagot disse que não vai mais perder tempo discorrendo sobre o passado.

Como virou a página, negou-se a reveler o teor da carta que endereçou a Dilma Rousseff, por meio do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).

Instado a comentar o fato de Paulo Passos ter sobrevivido à “faxina” de Dilma, Pagot preferiu não responder.

Passos era secretário-geral de Alfredo Nascimento. Com a saída do titular, o virou ministro. Já havia ocupado a cadeira sob Lula, quando Nascimento foi às urnas.

A despeito do desejo de permitir que o passado passe, Pagot permitiu-se comentar que Passos, o novo ministro, sabia de tudo o que se passava.

Ele esteve sempre presente, seja na posição A [secretário-geral] ou B [ministro]...”

Sobre a intenção de Dilma de preencher as vagas do Dnit com prontuários higienizados, Pagot disse:

“Se eu não tivesse ficha limpa, não teria assumido o cargo. Por isso, não me sinto ofendido”.

Conviria a Pagot dar uma olhada na legislação. Um ex-servidor graduado não pode sair por aí oferecendo consultorias. Exige-se o recato de uma quarentena. 

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Escrito por Josias de Souza às 21h02

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Mantega: Brasil está sólido e inflação está ‘controlada’

O ministro Guido Mantega (Fazeneda) brindou os membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social com uma análise da conjuntura.

Repisou alguns três mantras: 1) a economia está “sólida”, 2) a inflação encontra-se “sob controle”, 3) há medidas cambiais no forno.

Num pedaço da exposição, Mantega exibiu dados sobre as providências adotadas sob Dilma para reduzir o ritmo da economia (assista lá no alto).

Segundo o ministro, logrou-se esfriar o ritmo sem derrubar o PIB além do conveniente. Voltou a estimar um crescimento de 4,5% para 2011.

Evocando a crise que assedia a Europa e o risco de calote dos EUA, Mantega declarou que o Brasil está bem posto, em condições de lidar com as turbulências.

"Estamos observando que a crise financeira não terminou nos países avançados, ela apenas mudou de fase: ela passou a ser a crise da dívida soberana…"

“…[Mas] o Brasil é um dos países mais bem preparados para enfrentar esses problemas que se colocam no horizonte internacional."

Sobre câmbio, na contramão do que disse Dilma na semana passada, Mantega reiterou: se necessário, o governo adotará medidas para deter a sobrevalorização do real.

"Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar", disse o ministro.  

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Escrito por Josias de Souza às 19h53

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BC intervém, mas dólar cai pelo sexto dia consecutivo

  Antônio Gaudério/Folha
A cotação do dólar voltou a descer a ladeira. Fechou nesta terça em R$ 1,537. Queda de 0,38%.

É a menor cotação em 12 anos, pouco superior à cifra de R$ 1,466 anotada em 15 de janeiro de 1999, sob FHC.

O Banco Central tentou, sem sucesso, empurrar o dólar para o elevador. Com a barriga no balcão, os operadores foram às compras.

Adquiriram-se dólares em quatro operações. Duas pela manhã. Outras duas à tarde. E nada.

Para desassossego da “autoridade” monetária, a coisa não subiu. Registrou-se a sexta queda consecutiva, numa desvalorização acumulada de 2,66%.

Alheio à preocupação de Brasília, o brasileiro torra divisas no exterior. No primeiro semestre, US$ 10,2 bilhões. Um recorde.

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Escrito por Josias de Souza às 18h55

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Dilma dribla críticas de Pelé integrando-o ao seu time

Fernando Bizerra Jr./Efe

O que é um critico? Para Dilma Rousseff, é um inimigo que, por abominável, deve ser transformado o mais depressa possível em amigo de infância.

Depois de anular a acidez de FHC com uma carta amistosa, Dilma driblou as críticas de Pelé à organização da Copa. Nomeou-o embaixador honorário do certame.

Em fevereiro, Pelé soava assim: "O Brasil corre um grande risco de se envergonhar se não fizer uma boa Copa. Os principais problemas são a comunicação e os aeroportos…”

“…"[O atraso nas obras] não é só assunto de brasileiros. Conversei com o pessoal do Platini [presidente da Uefa] e eles também estão preocupados."

Nesta terça (26), já entronizado no posto de “embaixador”, o craque soou assim: "Eu não poderia deixar de aceitar esse convite da nossa presidenta…”

“…Eu já faço isso desde quando nasci, desde a primeira Copa eu defendo e faço a promoção do Brasil. É uma responsabilidade muito grande…"

"…Eu gostaria de pedir para todo o povo brasileiro que acreditasse porque estava meio confuso, meio em dúvida…”

“…Alguns problemas que nós tivemos aqui e que a gente sabe ainda das condições, mas que podemos acreditar…”

“…Porque a presidente disse que vai fazer todo o esforço e espero que a gente entregue bem essa copa do mundo."

Ex-alvo de Pelé, o ministro Orlando Silva (Esportes), explicou que o ex-detrator foi alçado a embaixador da Copa 2014 por meio de decreto.

O texto dá poderes a Pelé para prover orientações ao governo sobre a Copa, representar o Brasil em eventos e participar das negociações com outros países e com a Fifa.

Pena que Dilma não tenha atribuído a Pelé a missão de ensinar aos jogadores do escrete canarinho a arte de bater pênaltis.

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Escrito por Josias de Souza às 17h54

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Cuba celebra ‘Dia do Rebelde’ sob intensa pasmaceira

Festeja-se neste 26 de julho uma das mais vistosas datas do calendário político de Cuba, o ‘Dia do Rebelde’.

Marca um episódio remoto, de 1953: o ataque de Fidel Castro e seus rebeldes garotos contra o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba.

Resultou em sangue e na prisão de Fidel. Mas acendeu o pavio da revolução que prevaleceria contra Fulgencio Batista em 1959, substituindo uma ditadura por outra.

Com a rebeldia já um tanto embolorada, foi à TV nesta terça o vice-presidente de Cuba, Jose Ramón Machado.

Disse que a ilha dos irmãos Fidel e Raúl Castro toca adiante seus planos de modernização da economia e do sistema político unipartidário.

Foi a primeira vez que um líder cubano levou o rosto à vitrine desde o congresso de abril passado, quando as “reformas” foram aprovadas pelo velho Partido Comunista.

Para os padrões cubanos, a coisa era ambiciosa. Previa a transição de uma Cuba ainda soviética para um país mais aberto às regras de mercado e menos repressor.

Seria criado um grande setor "não estatal" na agricultura, serviços do varejo, construção e transportes.

O camarada Raúl chegara mesmo a mencionar a intenção de fixar limites aos mandatos políticos eternos e rodízio nos pontos de mando do Estado.

Tudo mantido, disse Jose Ramón aos cubanos, no discurso televisionado desta terça. Mas em ritmo de tartaruga manca, que a ditadura não é de ferro:

"Vamos avançar sem pressa mas sem pausa, trabalhando sistematicamente e de modo coordenado”.

Para que fossem levados a sério pelo mundo e pela população cubana, os velhotes do regime teriam de tomar pelo menos uma medida emergencial.

Convém baixar um decreto extinguindo o ‘Dia do Rebelde’. Hoje, a ex-rebeldia cubana veste agasalho adidas e espera pela morte, que parece tê-la esquecido.

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Escrito por Josias de Souza às 16h56

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Dilma anuncia bolsas de estudo por mérito, sem o ‘QI’

Dilma Rousseff lançou um programa novo, o ‘Brasil Sem Fronteira’. Prevê a concessão de 100 mil bolsas de estudo no estrangeiro.

Disse que os beneficiários serão escolhidos por sua competência, não pelo ‘QI’: "Nós não estamos fazendo programa baseado no quem indica…”

“…Estamos criando no Brasil ações orientadas pelo mérito dentro de um quadro de um grande esforço de garantir que as populações mais pobres tivessem acesso ao mérito.”

Bom, muito bom, ótimo. Pena que valha apenas para a rapaziada que concorrerá às bolsas.

Se ministério também fosse por merecimento, seria possível apontar uns 15 nomes que Dilma não deveria ter acomodado na Esplanada.

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Escrito por Josias de Souza às 15h37

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Lula bateu palma para FHC! Depois, voltou ao normal

Sérgio Lima/Folha

Lula protagonizou na noite passada uma cena insólita. Deu-se em São Paulo, num evento promovido pela revista “Vida Imobiliária”.

Bancada por construtoras, a publicação criou o prêmio “Personalidade do Ano”. Nesta primeira edição, escolheram-se dois agraciados.

Como “Personalidade Empresarial”, Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens Negócios Imobiliários. Como “Personalidade Pública”, Lula.

Para efetivar a premiação, organizou-se um jantar no Clube Atlético Monte Líbano, na capital paulista.

Ausente, FHC foi injetado na cerimônia por Romeu Chap Chap, presidente do conselho editorial da revista.

Ao discursar, Chap Chap elogiou Itamar Franco e FHC pelo controle da inflação. Pediu uma salva de palmas para FHC. Ouviu-se um clap-clap unânime.

Acomodado na mesa do jantar e rodeado de mãos em movimento, Lula viu-se como que compelido a aplaudir o antecessor.

Depois, quando lhe coube manusear o microfone, o ex-soberano voltou ao normal. Sem citá-lo nominalmente, desancou FHC.

Disse que, ao assumir o governo, em 2003, a taxa de crescimento da economia brasileira não podia ultrapassar a barreira dos 3%, sob pena tonificar a inflação.

Declarou que seu predecessor os que não sabia “lidar com pobre”. Acrescentou: "Os sábios que governavam esse país não se sentavam com empresário…”

“…Não se sentavam com trabalhador, achavam que sabiam tudo porque levavam pro gabinete a sua tese acadêmica."

Ao aplaudir FHC, Lula revelou-se, por um instante, um narcisista relapso. Ao discursar, retomou a autogestão de sua glória. 

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Escrito por Josias de Souza às 06h22

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Planalto prepara ‘reação’ a eventual retaliação do PR

Sérgio Lima/Folha

Apeado do Ministério dos Transportes e desmoralizado no notíciario, o Partido da República organiza para a próxima semana um encontro de seus caciques.

Vai a debate uma interrogação: vale a pena continuar apoiando o governo Dilma Rousseff no Congresso?

Dilma e seus operadores consideram remota –“remotíssima”, no dizer de um auxiliar da presidente— a hipótese de o PR migrar para a oposição.

Porém, avalia-se que um pedaço da legenda, submetido à asfixia dos Transportes, deve evoluir da fidelidade para a conspiração contra o governo.

Em resposta, o Planalto planeja dividir o PR, isolando os aliados tóxicos e prestigiando os que se mantiverem fieis.

A operação envolve riscos. Mas, a julgar pelo que diz em privado, Dilma parece decidida a esticar a corda.

Chama-se Valdemar Costa Neto (PR-SP) o principal personagem da encrenca. Por determinação de Dilma, será desligado da tomada.

O problema é que o deputado Valdemar, secretário-geral do PR, é quem controla a legenda.

No papel, o presidente é o ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (AM). No mundo real, quem dá as cartas é o mensaleiro Valdemar.

Na avaliação do Planalto, o poder de Valdemar cresce desde Lula na proporção direta da influência dele na máquina estatal.

Imagina-se que, afastado do cofre dos Transportes, Valdemar vai experimentar uma natural e gradativa perda de influência no partido.

Para apressar o processo, Dilma planeja cacifar os líderes do PR que, embora insatisfeitos com o monopólio de mando de Valdemar, jamais o confrontaram.

Encabeçam a lista os senadores Blairo Maggi (MT) e Clésio Andrade (MG). Serão estimulados a medir forças com Valdemar.

Embora periférico no condomínio governista, o PR não é uma legenda negligenciável. Na Câmara, soma 41 votos. No Senado, seis.

Parêntese: na fase pré-crise, os senadores do PR jantaram no Alvorada e posaram sorridentes ao lado da anfitriã. Foto lá no alto. Fecha parênteses.

Há na Câmara um problema adicional. O PR lidera um bloco integrado por outros sete partidos: PRB, PTdoB, PRTB, PRP, PHS, PTC e PSL.

No total, esse bloco leva ao painel eletrônico da Câmara 64 votos. Cuida-se de afastar os 23 que não são do PR de eventuais movimentos de rebeldia.

Além de monitorar Valdemar e suas adjacências, o Planalto mede os passos do deputado Anthony Garotinho, visto como uma espécie de “bala perdida”.

Presidente do diretório do PR no Rio de Janeiro, Garotinho paira sobre a liderança de Valdemar.

Além de dispor do próprio voto, ele exerce influência sobre os outros seis deputados que integram a bancada fluminense do PR.

A tática da divisão espanta os demais partidos da coligação de Dilma. Receia-se que, bem sucedida no PR, a presidente se anime a impor o método a outros aliados de "dois gumes".

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Escrito por Josias de Souza às 05h28

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As manchetes desta terça

- Globo: Chefe do Dnit cai, e Dilma exige substituto ficha-limpa

- Folha: Homicídios caem, mas latrocínios sobem em SP

- Estadão: Em SP, taxa de homicídios é a menor em 46 anos

- Correio: Depressão, o mal que avança sobre o Brasil

- Valor: Incerteza sobre a dívida dos EUA eleva tensão no mercado

- Estado de Minas: TCU investiga estradas bilionárias em Minas

- Jornal do Commercio: Mais prazo para os usuários do Detran

- Zero Hora: Dólar atinge menor cotação em 12 anos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Vão-se os anéis e também os dedos!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Aberta investigação sobre o teto alugado por Palocci

  AFP
O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu investigação sobre a compra do apartamento em que Antonio Palocci reside desde 2007.

No papel, o imóvel, avaliado em R$ 4 milhões, pertence ao advogado Gesmo Siqueira dos Santos. Palocci seria mero inquilino.

Vai-se apurar a suspeita de “lavagem de dinheiro”. O pedido foi feito pelo PSDB. Acatou-o o procurador-geral de Justiça Fernando Grella Vieira.

Gesmo Siqueira, o suposto senhorio de Palocci, é filiado ao PT de Mauá e responde a algo como 120 inquéritos.

Terá agora nos seus calcanhares  promotores do Gedec, grupo de repressão aos cartéis e de combate à lavagem de dinheiro.

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Escrito por Josias de Souza às 23h10

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A oposição se equipa para as sabatinas do ‘novo’ Dnit

Chamar de “sabatinas” as sessões em que o Senado aprova as indicações feitas pelo Planalto é uma ofensa ao léxico. Não há propriamente inquirição, mas adulação.

No caso do Dnit, a oposição acena com a possibilidade de ressuscitar o idioma. Equipa-se para espremer os indicados de Dilma Rousseff para o “novo” Dnit.

Cogita-se inclusive compor um grupo técnico para varrer a biografia dos escolhidos, à procura de nódoas que sirvam de matéria-prima para a arguição.

O palco será a comissão de Infraestrutura do Senado, presidida por Lúcia Vânia (PSDB-GO).

Minoritária –cinco cadeiras num total de 23— a oposição não tem votos para derrubar indicações. Mas está decidida a fazer o que lhe resta: barulho.

Abalroado pelo noticiário que iluminou a podridão nos seus porões, o Dnit atravessou julho como trem desgovernado. Fechou o mês como órgão descarrilado.

Foram arrancados dos trilhos da diretoria colegiada do Dnit seis nomes. Os dois que restaram, avisou Dilma, não passarão.

As novas nomeações virão à luz na semana que vem, quando o Congresso retorna das férias de meio de ano.

Como que decidida a evitar vexames, Dilma encomendou ao ministro Paulo Passos (Transportes) nomes técnicos e limpos. Autorizou-o a ignorar a filiação partidária.

Considerando-se a cena de terra arrasada que lhe coube administrar, Passos precisa operar o milagre de encontrar, em poucos dias, um grupo de santos.

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Escrito por Josias de Souza às 22h28

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Tarso diz que malfeitos dos Transportes 'têm 20 anos'

José Cruz/ABr

O governador gaúcho Tarso Genro (PT) voltou a falar da encrenca do Ministério dos Transportes, especialmente no Dnit.

"Todo mundo sabe que é um problema que tem 20 anos dentro daquele órgão. É muito bom que a presidenta [Dilma] tenha modificado todo mundo."

Antes, sem mencionar especificamente o setor dos Transportes, Tarso explicara, à sua maneira, o flagelo da apropriação partidária de nacos do Estado:

"Criam-se nichos de poder na estrutura do Estado, invisíveis para a sociedade, e que apela à microinfluência…”

Apela “…ao microfisiologismo, à microamizade em um determinado nicho, para fazer transitar suas relações, o que vai corroendo a eficácia do Estado."

Tarso talvez devesse injetar nomes em seu raciocínio. "Criam-se nichos" soa demasiado impessoal.

Conviria também ao governador redimensionar sua avaliação. O fisiologismo brasileiro, por macro, é cada vez menos invisível.

A coisa vem de longe, é verdade. Eleito com o discurso de “mudar tudo isso que tá aí”, Lula apenas trocou de cúmplices. Ou nem isso. 

Não é sem razão que os condôminos andam com saudades do ex-síndico. Sob Lula, serviram-se da macroamizade com o soberano para granjear macroinfluência.

Dilma diz que, agora, tudo será diferente. Reze-se para que José Eduardo Cardozo, o petista que sucedeu Tarso no Ministério da Justiça, não tenha que dizer no final da atual gestão:

"Todo mundo sabe que o problema dos Transportes tem 24 anos." 

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Escrito por Josias de Souza às 21h52

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Entrevista de Dilma ‘derruba’ o dólar ao nível de 1999

Think Stock

Movido a vagas intuições e densas expectativas, o mercado financeiro levou ao pé da letra a última entrevista de Dilma Rousseff, veiculada no fim de semana.

Em conversa com cinco jornalistas, Dilma foi inquirida sobre a sobrevalorização do real. Evocou a crise que assedia a Europa e o impasse da dívida dos EUA. E sapecou:

"Você acha que a gente pode fazer alguma coisa num momento em que não se sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se, de fato, está criando uma rede de proteção para não cair no abismo?"

Ficou entendido que a prioridade de Dilma é combater a inflação sem comprometer demasiadamente o crescimento econômico. Câmbio? Coisa para o futuro.

Ao decodificar as palavras da president, o mercado levou o dólar do refrigerador para o freezer. E subiu a temperatura do micro-ondas em que se encontra o real.

A cotação do dólar foi a R$ 1,543. Dólar assim, tão barato, é coisa que não se via desde janeiro de 1999.

Na contramão de Dilma, o ministro Guido Mantega (Fazenda) apressou-se em declarar que “o câmbio preocupa”.

Disse que o governo dispõe de “medidas duras” para se contrapor ao super-real. Faltou combiner com a chefe.

Dilma soou nesta segunda (25) em timbre parecido com o da semana passada.

“Não tenham dúvida de que seremos capazes de defender a economia brasileira de todas as ameaças internas e externas…”

“…Estou me referindo à ameaça da inflação, por exemplo, que corrói a renda do trabalhador e que saberemos responder à altura.”

Nenhuma palavra sobre o câmbio. Quer dizer: o dólar deve permanecer no freezer. O real, para desassossego de Mantega, no micro-ondas.

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Escrito por Josias de Souza às 19h27

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Lembra de Furnas? Decorridos 6 meses, nada mudou

Divulgação

Quem olha para Furnas, reduto do PMDB, entende porque o PR reclama da desregulagem da balança de Dilma Rousseff.

No comecinho de seu governo, Dilma espantou-se com o tamanho da cunha que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enfiara na estatal elétrica.

Tirou da presidência de Furnas Carlos Nadalutti, homem de Cunha. Acomodou na cadeira Flávio Decat (foto), personagem de conecções políticas múltiplas.

O Planalto trombeteou a versão segundo a qual Furnas passaria por um processo de higienização. Melhor: a limpeza seria estendida a todo o sistema Eletrobras.

Decorridos seis meses, uma equipe do diário ‘Valor’ foi verificar o resultado. Descobriu-se que faltou detergente. Ou, por outra, minguou a disposição.

Servidor de carreira, Nadalutti não pôde ser mandado ao olho da rua. Apenas trocou de função. Virou assessor do gabinete da presidência da estatal.

Repetindo: o apadrinhado de Eduardo Cunha passou a assessorar Decat, o pseudo-faxineiro de Dilma Rousseff.

Nos corredores de Furnas, Decat é chamado de “tigre de papel”. Afora algumas (poucas) unhadas, ele apenas miou.

No essencial, a composição da diretoria, nada mudou. Abaixo do presidente, há cinco diretores. Nomeados sob Lula, nenhum deles foi afastado.

Na diretoria de Operação do Sistema e Comercialização de Energia, permanence Cesar Ribeiro Zani, cuja indicação é atribuída ao grão-petê fluminense Jorge Bittar.

Na diretoria de Construção, sobrevive Márcio Porto, indicado pelo presidente em exercício do PMDB federal, senador Valdir Raupp (RO).

Na diretoria Financeira (!!!), continua dando as cartas Luiz Henrique Hamann, apadrinhado do líder de Dilma no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Na diretoria de Engenharia, segue Mario Márcio Rogar, cuja nomeação é atribuída, veja você, ao PR de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto.

Na diretoria de Gestão Corporativa, manteve-se Luís Fernando Paroli Santos, que usufrui do apoio de dois deputados federais.

São eles: Odair Cunha (PT-MG) e, espanto (!), surpresa, (!!), estupefação (!!!), Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Além de miar para a diretoria e de converter Nadalutti em assessor, Decat manteve o chefe de gabinete Luiz Roberto Bezerra, que servia à presidência anterior.

Manteve inalterados, de resto, outros postos de relevo. Permanecem nas funções a consultora jurídica Denise Paiva…

…E os superintendentes de Responsabilidade Social, Ana Cláudia Gesteira; de Recursos Humanos, Francisco Alonso; e de Organização e Informática, José Carlos Faria.

Quer dizer: em vez de tocar a mudança que Dilma prometera, Flavio Decat preferiu deixar Furnas como está, pra ver como é que fica.

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Escrito por Josias de Souza às 18h32

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Último compromisso de Pagot no Dnit foi um comício

Cada um idolatra quem bem entende. Os hindus adoram as vacas. Os funcionários do Dnit reverenciam Pagot.

Mandachuva do Dnit desde Lula, Luiz Antonio Pagot pediu, finalmente, pra sair. Do contrário, seria “saído”.

O afilhado do senador Blairo Maggi (PR-MT) tornou-se o 17o pescoço a ser passado na lâmina da guilhotina que se instalou nos transportes há 23 dias.

Antes de entregar o pedido de demissão, Pagot convocou uma reunião com servidores do Dnit. A pretexto de se despedir, fez um concorrido comício.

A coisa se passou no auditório da repartição. Tem algo como 500 assentos. Muita gente teve de ficar em pé.

Em timbre inflamado, Pagot disse que o Dnit não é a “casa da corrupção”. Ao contrário, “é o órgão que mais trabalha, responsável pela maior execução do PAC na Esplanada.”

“Se tinha irregularidades”, ele concedeu, “era um número muito pequeno diante do volume de obras executadas.”

Não podendo alvejar Dilma Rousseff, mirou abaixo dela: “Não concordo com o ministro Jorge Hage [CGU], que disse que o Dnit tem o DNA da corrupção…”

“…Essa é uma casa de muito trabalho. Tem coisa que não sai no jornal. Antes havia locais em que se gastavam oito horas para se chegar a um hospital…”

“…Hoje se chega em uma hora. E isso não é fruto do trabalho de um diretor, mas de todos vocês.”

Pagot foi aplaudido de pé. Uma evidência de que falta a parte dos brasileiros a sabedoria dos hindus.

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Escrito por Josias de Souza às 16h43

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Lula e Campos servem a José Múcio a ‘maçã-abacaxi

  Folha
Para políticos em fim de carreira, vaga no TCU assemelha-se a um Éden sem serpente. Quem entra, não ousa cair na tentação de sair.

A coluna de Mônica Bergamo revela, na Folha, que Lula e o companeiro Eduardo Campos cogitavam oferecer a José Múcio uma maçã com jeitão de abacaxi.

Informado, Múcio portou-se como um anti-Adão. Apressou-se em refugar o fruto. Leia:


- FILAS: Uma articulação para fazer de José Mucio candidato a prefeito do Recife, com apoio do governador Eduardo Campos (PSB-PE), de Pernambuco, e do ex-presidente Lula começou a ser costurada há alguns dias. Ele renunciaria ao cargo de ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) e abriria lugar para Ana Arraes (PSB-PE), mãe do governador.

- FALTOU COMBINAR: Faltou combinar com Mucio. De férias nos EUA, ele desautoriza a ideia. "De jeito nenhum. Nunca me falaram disso. E eu nem aceitaria. Sou muito amigo de Lula e do governador. Mas fico no TCU até me aposentar."

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Escrito por Josias de Souza às 06h24

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Eduardo Cunha, Obama, Dilma e a tal governabilidade

  Antônio Cruz/ABr
Plugado à web, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pendurou no twitter, na noite passada, meia dúzia de notas que valem pelo não-dito.

Cunha cuidou dos EUA: “De olho na confusão da dívida americana com possibilidade de calote, que não deverá acontecer porque eles nao serão tão inconsequentes.”

Acha que os republicanos fazem jogo de cena: “Tão estressando Obama, mas no último momento cederão e um acordo pintará, sob pena de todos perderem.”

Ensina: “Isso é importante para que se saiba a importância de uma maioria política que garanta a governabilidade em qualquer lugar do mundo.”

Insiste: “É quase impossível governar sem maioria no Congresso. E o sistema Americano, que tem eleições no meio do mandato, permite perda de maioria.”

Fala do “desgaste” que costuma acometer os governos após dois anos de existência. Um desgaste que conduz à “derrota” no Legislativo.

Sempre referindo-se à Casa Branca, conclui: “São raros os governantes que, no meio do mandato, têm força para eleger a maioria do Congresso.”

Quem lê Cunha de relance, fica com a sensação de que não disse nada sobre o Brasil. Quem o lê nas entrelinhas, percebe que, no seu caso, nada é sinônimo de tudo.

Expoente do grupo do vice-presidente Michel Temer, Cunha foi o primeiro político a frequentar a alça de mira de Dilma Rousseff.

Incomodada com as cunhas que Cunha enfiara em Funas, Dilma passou a enxergá-lo como um aliado de dois gumes.

Agora, com sete meses de poder, Dilma alveja o PR, legenda que geria o Ministério dos Transportes com a cunha e o pé de cabra de Valdemar Costa Neto.

Ao realçar que maioria congressual assegura “governabilidade em qualquer lugar do mundo”, o companheiro Cunha diz sem dizer: vale para o Brasil.

Nesta terra de palmeiras e sabiás, presidentes não têm de lidar com Congressos eleitos em “meio de mandato”. Porém…

…Porém, a síndrome dos dois anos –aquela que leva ao “desgaste” e à “derrota” legislativa— também se manifesta por aqui.

No ponto em que Cunha trata como raridades os governantes que chegam com força ao aniversário de dois anos, é como se gritasse para Dilma: o mundo dá voltas.

Nos subterrâneos, outros grão-pemedebês cuidam de avisar que, tomado pelo tamanho, o PMDB não é o PR.

Moral: por mais aceso que esteja o seu pavio, Dilma jamais poderá esquecer que, no Congresso, uma mão suja a outra.

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Escrito por Josias de Souza às 05h49

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As manchetes desta segunda

- Globo: Atentado na Noruega expõe direita radical da Europa

- Folha: População carcerária sobe com lei antidrogas

- Estadão: EUA ainda buscam saída para a dívida pública

- Correio: Polícia mata uma pessoa no Brasil a cada cinco horas

- Valor: CNJ fecha cerco contra o calote de precatórios

- Estado de Minas: TCE anula 190 concursos

- Jornal do Commercio: O primeiro teste de Agamenon

- Zero Hora: Horror na Noruega

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Dilmaria Bonita!

Paixão

- Via Gazeta do Povo. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Instituto de Lula coleta dinheiro com método eleitoral

Stock Images

Em nome de Lula, dois petistas versados nas artes da coleta de fundos de campanha recolhem dinheiro junto a empresários. Passam o chapéu com dois objetivos:

1. Num primeiro momento, a verba amealhada destina-se a cobrir os gastos correntes do Instituto Cidadania, reativado depois que Lula deixou o poder.

2. Numa segunda fase, doações mais generosas serão requeridas para compor um caixa perene para o Instituto Lula, que vai suceder a velha entidade.

Executam a missão monetária o ex-prefeito petista de Diadema (SP), José de Filippi, hoje deputado federal; e o ex-presidente do Sebrae, Paulo Okamotto.

Presidente do instituto em transição, Filippi foi o tesoureiro das campanhas presidenciais de Lula, em 2006, e de Dilma Rousseff, em 2010.

Okamotto integra o conselho do instituto. Ex-tesoureiro do PT na fase pré-delubiana, respondeu pela escrituração das três primeiras campanhas de Lula ao Planalto.

Sem alarde, a dupla aborda as mesmas caixas registradoras de onde saem as verbas eleitorais –empreiteiras, bancos e telefônicas, por exemplo.

O presidente de uma das logomarcas visitadas contou ao repórter que foi mordido em R$ 100 mil. Informaram-lhe que a cifra cobriria um mês de despesas do instituto.

O empresário assumiu o compromisso de liberar mais recursos para o futuro Instituto Lula, cujo lançamento deve ocorrer antes do fim do ano.

O recolhimento segue o modelo eleitoral. Com uma diferença: não há a necessidade de prestar contas à Justiça Eleitoral.

Entre os doadores há empresas que, sob Lula, serviram-se de empréstimos com juros companheiros do BNDES.

A movimentação dos operadores de Lula não é propriamente original. Em novembro de 2002, FHC fez coisa semelhante.

A dois meses de deixar a Presidência, o antecessor tucano de Lula ofereceu no Alvorada um jantar para 12 convidados endinheirados.

Entre eles: Emílio Odebrecht, Benjamin Steinbruch (CSN), Pedro Piva (Klabin), David Feffer (Suzano), Lázaro Brandão (Bradesco) e Jorge Gerdau.

Durante o repasto, Fernando Henrique pediu doações para o seu Instituto FHC, àquela altura um projeto destinado a ocupá-lo em sua ex-presidência.

Em comum com a cena atual, além do método, havia a presença do BNDES no pano de fundo.

Afora os empréstimos corriqueiros, alguns dos comensais de FHC haviam se escorado no bancão oficial para adquirir estatais levadas ao martelo na Era tucana.

Hoje, o Instituto FHC informa que seu sustento é provido por “empresas e pessoas que compartilham dos seus valores e acreditam na sua missão”.

Segundo a entidade, “as doações são feitas para um fundo de manutenção”. De resto, determinados projetos recebem “financiamentos específicos”.

Para a conservação do acervo acumulado nos dois mandatos de FHC, o instituto serve-se de verbas “recursos captados ao amparo da Lei Rouanet”, que permite o desconto das contribuições no Imposto de renda dos doadores.

Emissários de Lula visitaram FHC. Recolheram informações que devem ajudar na modelagem financeira do Instituto Lula.

Tucanos e petistas costumam escorar a aba dos respectivos chapéus nas fundações que gerem as bibliotecas de ex-presidentes dos EUA.

A comparação só é válida, contudo, até certo ponto. Primeiro porque os empresários americanos não dispõem de um BNDES.

Segundo porque, no Brasil, foge-se do vocábulo “fundação”, que sujeitaria as entidades à sempre incômoda fiscalização do Ministério Público.

Terceiro porque os ex-mandachuvas da Casa Branca não costumam voltar às urnas. Tomado pela movimentação, Lula é uma re-re-recandidatura esperando para acontecer.

- Atualização feita às 18h32 desta segunda (25): a propósito do texto acima, o signatário do blog recebeu mensagem do director-executivo do Instituto FHC. O texto vai abaixo:

“O iFHC transformou-se em fundação em janeiro de 2010, mais precisamente no dia 19 de janeiro daquele mês. A decisão de transformá-lo em fundação respondeu justamente à preocupação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em assegurar, pela submissão ao controle da Curadoria de Fundações do Ministério Público, continuidade aos propósitos e ao patrimônio da instituição que ele criou ao deixar a Presidência da República.

Do patrimônio da fundação, por doação, faz parte a biblioteca do ex-presidente e de sua esposa. Trata-se de livros representativos da produção das ciências humanas no Brasil e no mundo, adquiridos pelo casal desde os anos 50, muitos deles com dedicatórias dos autores e anotações de Ruth e Fernando Henrique Cardoso.

Não é demais lembrar que a biblioteca teria elevado valor financeiro tivesse ela recebido outro destino que não a sua preservação, aberta à consulta pública, no âmbito da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso.

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Escrito por Josias de Souza às 23h14

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Cevado pelo BNDES, Júnior do Friboi virou ‘socialista’

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Sob o comando do governador pernambucano Eduardo Campos (foto), o Partido Socialista Brasileiro está inventando uma ideologia sui generis: o socialismo de direita.

Em São Paulo, Campos abrigara no seu PSB o sem-indústria Paulo Skaff, presidente da Fiesp.  Durou pouco. Socialista em 2010, Skaff já migrou para o PMDB.

Agora, a convite de Campos, aninhou-se no PSB o empresário José Batista Jr., um bilionário cujos negócios foram tonificados pelas verbas companheiras do BNDES.

Conhecido como Júnior do Friboi, o neo-socialista planeja candidatar-se a governador de Goiás em 2014, com o apoio do petismo, de Lula e de Dilma Rousseff.

Será a versão política de uma parceria que, nas arcas do BNDES, revela-se próspera desde 2009.

O bom e velho bancão estatal de fomento borrifou R$ 3,2 bilhões na caixa registradora do Friboi, a casa de carnes da família Batista.

Injetou mais R$ 2,5 bilhões no frigorífico Bertin, adquirido pelo Friboi.

Quando os Batista levaram seus negócios aos EUA, emitiram R$ 3,4 bilhões em debentures. O BNDES comprou 99,9% do papelório.

Natural, como se vê, que Júnior do Friboi opte por uma legenda governista no instante em que tenta empinar seu empreendimento político.

Nova estrela da ala direitista do PSB, o empresário talvez não consiga eleger-se governador. Mas pode resolver o grande drama do socialismo: a falta de capital.

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Escrito por Josias de Souza às 22h38

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Amiga de Gleisi e Bernardo agiu como lobista no Dnit

  Franklin de Freitas/Folha
No exercício do cargo público, a autoridade achega-se à perfeição quando percebe o valor da solidão da presença –numerosa e invisível— do amigo contribuinte.

Inversamente, o pior tipo de solidão é a companhia do amigo com interesses a defender junto ao Estado.

É o caso da consultora Teresinha Nerone, amiga do casal de ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

Contratada pela prefeitura da cidade paranaense de Maringá, Teresinha moveu-se na estrutura conspurcada dos Transportes para obter verbas para uma obra.

Graças ao repórter Rebens Valente, os movimentos de Teresinha foram à manchete. 

A obra em questão é cara aos paranaenses Bernardo e Gleisi: o anel viário de Maringá. A verba saiu. E o empreendimento tornou-se caro também para o Dnit.

Ao escavar os borderôs do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o TCU içou um sobrepreço de R$ 10,5 milhões.

Nos subterrâneos da crise, Luiz Antonio Pagot, o mandachuva pêérre do Dnit, disse que cumpria ordens de Bernardo, então no Planejamento, ao liberar as verbas de Maringá.

Pagot insinuou que, no Paraná, Gleisi acompanhava a obra, tocada pela Sanches Tripoloni, emprenteira que doou R$ 510 mil à vitoriosa campanha dela ao Senado.

Sob refletores, como que esperançoso de segurar-se no cargo, Pagot serviu refresco a Bernardo e Gleisi em depoimentos no Senado e na Câmara.

Valente em privado, Pagot soou pianíssimo em público. Fustigado, negou que houvesse ameaçado os ministros petistas.

É contra esse pano de fundo que vem impressa a notícia sobre a proximidade do casal ministerial com a consultora-lobista de Maringá.

Teresinha jacta-se da proximidade. Em outubro de 2009, pendurou no twitter: “Na praia, tomando vinho” com Gleisi e Paulo Berbardo.

Inquirido pelo repórter sobre a combinação de amizade, praia e vinho, Bernardo abespinhou-se: "Não é da sua conta."

No ano passado, Teresinha organizou evento com 1.200 pessoas para que Gleisi lançasse sua campanha de senadora. Onde? Em Maringá.

As duas trocam presentes. "São amigas e, como tal, se encontram em algumas ocasiões”, admitiu a assessorial de Gleisi.

Presentes? “Em datas especiais, como Natal e aniversário", disseram os assessores. E Bernardo: "Não que eu saiba."

Bernardo e Gleisi negam ter acionado a própria influência em benefício do empreendimento paranaense. Dizem que não trataram do tema com a amiga Teresinha.

Como se vê, é nos momentos de crise que a máxima se revela mais útil:

No exercício do cargo público, a autoridade achega-se à perfeição quando percebe o valor da solidão da presença –numerosa e invisível— do amigo contribuinte.

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Escrito por Josias de Souza às 19h41

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Gaspari aos crentes: Fantasias teleféricas do Planalto

  Roberto Stuckert/PR
Sabe qual é a diferença entre as galinhas e os governos? Simples: as galinhas botam ovos antes de cacarejar.

Se você integra o grupo de contribuintes que crê piamente em tudo, cuidado. Depois, não adianta piar.

Vai abaixo o texto que abre a coluna do repórter Elio Gaspari, na Folha. Atravessando-o, você talvez duvide de São Tomé. Hoje, nem o que é mostrado justifica a crença:


“Aqui vai um teste para medir a qualidade do ceticismo das pessoas. Nos últimos dias, a patuleia recebeu dois anúncios.

Num, soube que, desde segunda-feira, o teleférico do Morro do Alemão passou a funcionar das 7h às 12h.

Noutro, aprendeu que os contratos de obras do programa Minha Casa, Minha Vida, na sua segunda fase, serão retomados nas próximas semanas e permitirão a entrega de 300 mil chaves até dezembro. Quem não desconfiou de nada vive num perigoso estágio de credulidade.

O teleférico do Alemão, com 3,5 km, custou R$ 210 milhões e beneficiará 30 mil pessoas. É uma joia do PAC e foi inaugurado pela doutora Dilma no último dia 7, acompanhada pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.

Houve inauguração, mas não havia serviço. Depois da festa, ele passou a funcionar das 9h às 11h e das 14h às 16h. Desde segunda-feira, nem isso, só das 7h às 12h.

Do jeito que está, não atende a quem trabalha.

A presidente da República, o governador do Rio de Janeiro e seu prefeito participaram de uma cerimônia de fancaria sabendo que, em novembro, poderiam inaugurar o serviço que fingiram entregar à população.

No segundo caso, o governo anunciou que o Minha Casa, Minha Vida, na sua segunda fase, voltará a contratar obras. Voltará, por quê? Porque neste ano as contratações pararam.

O programa foi outra joia da campanha eleitoral de Dilma, a "mãe do PAC". Até o final de 2010, havia a promessa de construção de 1 milhão de imóveis.

Entregaram 350 mil. Durante a campanha, a doutora prometeu entregar 2 milhões de casas até 2014.

Passaram-se seis meses e há na Caixa Econômica projetos para a construção de 200 mil residências. O governo anuncia que entregará 300 mil casas até dezembro. A ver.

Tanto os horários do teleférico como o suspiro do Minha Casa, Minha Vida podem ser explicados. Um está em fase de teste. O outro ajustou-se a novos valores e métodos.

A encrenca não está aí, mas na marquetagem da fantasia. A mágica ofende primeiro quem acredita no governo. Quanto mais o sujeito crê, mais é feito de bobo.

Numa segunda etapa, dá-se o pior: o governo acredita não só que a choldra é tola, mas se convence das próprias mentiras. Basta perguntar aos 24 ministros da doutora quantos acham que há um serviço de teleférico no Alemão."

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Escrito por Josias de Souza às 07h43

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Peluso: Corpo estável de servidores deve gerir Estado

  Valter Campanato/ABr
Instado a comentar o escândalo do Ministério dos Transportes, o ministro Cezar Peluso, presidente do STF, insinuou que o Brasil deveria imitar a França.

Cuidadoso, Peluso disse: “Não é o Judiciário que vai dizer como é que os políticos têm que tratar essa questão dos cargos públicos.” Mas não resistiu à tentação de opinar:

“Um corpo mais estável de servidores públicos, como sucede, por exemplo, na França, onde eles são preparados na Escola Nacional de Administração, é muito melhor para a eficiência do Estado”.

Na França, prosseguiu o ministro, os servidores  “são preparados para todas as funções do Estado, inclusive para a diplomacia.”

Cria-se, segundo ele, “um corpo estável de servidores públicos, intelectualmente muito bem preparado para operar a máquina extremamente complexa do Estado”.

“Acho que é alguma coisa que pode ficar para a meditação dos políticos” brasileiros, Peluso sugeriu.

Não será, obviamente, ouvido. No modelo brasileiro, os políticos operam para se assenhorar do Estado. O aperfeiçoamente da máquina inibiria o saque.

Entrevistado pela repórter Catarina Alencastro, o presidente do Supremo foi instado a comentar a outra ponta do flagelo: a dificuldade de reaver as verbas surrupiadas.

Peluso deu a entender que, nessa matéria, os colarinhos brancos são mais eficientes do que a máquina estatal. Por quê? “Por uma série de fatores”, disse.

“Primeiro, há uma complexidade em apurar, fazer provas, etc. Quando as responsabilidades são fixadas, você tem que encontrar o patrimônio do responsável…”

“…E isso demanda outras investigações, porque as pessoas que fazem isso não deixam o dinheiro à mostra para todo mundo…”

“…Ou mandam para o exterior, ou põem em nome de laranjas ou usam de outros meios para seconder…”

“…É preciso novos expedientes de investigação para identificar e localizar esses bens. Muitas vezes esses bens são localizados no exterior…”

“…Aí você entra com um terceiro fator: que o país e as agências daquele país colaborem. Não é simples.”

E quanto à parcela de culpa do Judiciário? Bem, Peluso aproveita para fazer a defesa de sua proposta de emenda constitucional, que inibe os efeitos dos recursos judiciais.

Contra a opinião de alguns de seus próprios pares, Peluso propõe que as sentenças do Judiciário passem a ser executadas a partir das decisões de segunda instância.

“Há muitas pessoas que não vão hoje à Justiça porque sabem que é demorada, que tem que gastar dinheiro…”

“[…] Como está hoje, esse excesso de processos, a coisa anda em um círculo vicioso, porque isso continua assim…”

“…Se as sentenças começarem a produzir efeito mais rapidamente, todo mundo sai ganhando…”

“…Não apenas aqueles que vão a Juízo, mas aqueles que hoje não vão porque acham que não vale a pena. Esses passarão a ir a Juízo, se julgarem necessário”.

Peluso exagera ao dizer que “todo mundo sai ganhando” com a aceleração do rito processual.

Perdem os advogados, cujos lucros cairão na proporção direta da redução do número de recursos.

Perdem também os 90% que ingressam na política para roubar e para conferir aos 10% restantes uma péssima fama.

Para desassossego dos que ganham, os causídicos e seus clientes usufruem de voz e poder. A clientela, diga-se, é quem vai votar a proposta de Peluso no Congresso.

Isso, naturalmente, se a emenda vier a ser votada um dia.

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Escrito por Josias de Souza às 06h36

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Bahia: PMDB cogita aliança anti-PT com PSDB e DEM

  Fotos: ABr e Folha
Comandado por Geddel Vieira Lima, o PMDB da Bahia cogita compor uma aliança que destoa do condomínio que o partido integra em Brasília.

A legenda do vice Michel Temer negocia na capital baiana, para 2012, uma aliança com DEM e PSDB, os dois maiores antagonistas de Dilma Rousseff no Congresso.

“O espírito de todos que fazem oposição ao PT aqui na Bahia é o de construir um projeto único”, disse Geddel ao blog.

Ex-ministro de Lula e vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica sob Dilma, Geddel afirmou que conversa informalmente com lideranças ‘demos’ e tucanas.

Mencionou espeficicamente os deputados federais ACM Neto (DEM) e Jutahy Júnior (PSDB). Segundo Geddel, o diálogo é, por ora, embrionário.

Ele estima que a negociação entrará em fase “mais consequente” a partir de setembro.

Só então vai-se saber se o “espírito” de união resultará em candidatura única à prefeitura de Salvador.

Enganchado ao projeto nacional do PT, Geddel tornou-se, no ano passado, ferrenho adversário do petista Jaques Wagner.

Mediram forças pelo governo do Estado. E Wagner prevaleceu sobre Geddel. Os grupos de ambos voltarão a roçar punhos na eleição municipal do ano que vem.

A disputa se estenderá por toda Bahia. Mas é no ringue de Salvador que se dará a luta mais relevante, uma espécie de prévia de 2014.

Geddel tenta, por ora, empinar o nome do radialista Mário Kertész, um ex-pemedebê que já foi prefeito da cidade. Porém…

…Porém, Geddel não exclui nem mesmo a hipótese de apoiar a eventual candidatura de ACM Neto, herdeiro politico do arquirival Antonio Carlos Magalhães.

“Quem busca apoio tem que estar disposto a apoiar”, afirmou Geddel ao repórter. “Excetuando-se o PT, vamos conversar com todo mundo.”

Não se constrange de tricotar com o representante do legado de ACM? Geddel responde à pergunta com ironia:

“Se Jaques Wagner conversou e fez seu vice-governador um genérico do carlismo, eu prefiro dialogar com o original.”

Chama-se Otto Alencar o vice de Wagner. Fez-se na política pelas mãos de ACM. Elegeu-se deputado estadual, presidiu a Assembléia Legislativa baiana.

Foi secretário de Saúde do governo ACM. Teria sido candidato a vice do filho do ex-morubixaba pefelê se Luís Eduardo Magalhães não tivesse morrido.

Morto Luís Eduardo, Otto manteve-se na vice, dessa vez na vitoriosa chapa do ex-governador Cesar Borges, outra cria de ACM, hoje filiado ao governista PR.

“Conversar com ACM Neto, para mim, é a coisa mais natural do mundo”, repisou Geddel. “Não tenho nenhum constrangimento de apoiar o ser apoiado por ele”.

Os companheiros do PMDB e a turma de Dilma não reclamam? “Ninguém reclamou nem vai reclamar”, declarou Geddel.

“A política nacional é uma, a estadual é outra. Há peculiaridades locais que precisam ser respeitadas”, acrescentou o vice-presidente da CEF.

“Ou respeitamos essas peculiaridades ou não teremos condições de marchar juntos em 2014. As diferenças não se restringem à Bahia”.

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Escrito por Josias de Souza às 04h42

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As manchetes deste domingo

- Globo: Demissões não eliminam foco de corrupção no Dnit

- Folha: Rodoanel deixa rastro de ‘órfãos’ depois das obras

- Estadão: Expansão de universidades federais tem 53 obras paradas

- Correio: Maldição dos 27 cala a voz do século 21

- Jornal do Commercio: Foragidos do crack recebem proteção

- Zero Hora: Câmaras já criaram 183 vagas de vereador no RS

- Veja: Terror no país da paz

- Época: Agência Nacional da Propina

- IstoÉ: Corpo artificial

- IstoÉ Dinheiro: EUA no limite

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Dr. 'honoris' Jekyll and Ms. 'pupila' Hayde!

Miguel

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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Transportes: Erenice engavetou investigação em 2006

Reprodução/Época

  Fábio Pozzebom/ABr
A ‘faxina’ no Ministério dos Transportes, que Dilma Rousseff diz que será levada às últimas consequências, poderia ter sido feita quatro anos e onze meses atrás.

Em novembro de 2006, época em que o inquilino do Planalto era Lula, aportou na Casa Civil uma denúncia cabeluda.

Obtido pelos repórteres Leonel Rocha e Murilo Ramos, o documento veio à luz em notícia veiculada neste fim de semana.

A denúncia informava: empreiteiras contratadas para tocar obras rodoviárias pagavam propinas a servidores públicos, a políticos e ao PL, hoje rebatizado de PR.

Enviado anonimamente à casa de um alto funcionário da Ciset, órgão que ciuda do controle interno da Presidência, o documento foi entregue a Erenice Guerra.

Nessa época, Erenice era secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da então ministra Dilma Rousseff, a gerentona do governo.

Instada a autorizar a investigação do caso, Erenice pediu tempo para refletir. Mais tarde, no mesmo dia, respondeu negativamente.

Alegou que a investigação não seria conveniente porque causaria problemas para o condomínio partidário que dava suporte congressual a Lula.

A peça que foi à gaveta citava como supostos beneficiários Anderson Adauto, primeiro ministro dos Transportes de Lula; e o sucessor dele no cargo, Alfredo Nascimento.

Além de Nascimento, mencionava outros nomes que protagonizam o escândalo de 2011. Por exemplo: o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Trazia uma lista de obras tocadas por cinco empreiteiras. Orçadas em R$ 866,6 milhões, teriam rendido R$ 41,8 milhões em propinas.

Ao lado das obras, os nomes dos supostos beneficiários. Entre eles, mais dois personagens da ‘faxina’ contemporânea.

Mauro Barbosa, à época diretor-geral do Dnit, teria beliscado R$ 8,6 milhões.

O mesmo Barbosa, agora chefe de gabinete de Nascimento, foi incluído por Dilma no primeiro lote de demissões provocadas pelo escândalo atual.

Hideraldo Caron, único petista da diretoria do Dnit, é associado no texto de 2006 a suposto recebimento de R$ 1,5 milhão.

Nesta sexta (22), Caron pediu demissão da diretoria de Infraestrutura Rodoviária, convertendo-se na 16a, cabeça do monturo de 2011.

Empreiteiras, políticos e servidores mencionados no documento que Erenice refugou negam envolvimento em malfeitos.

Ouvida pela revista Época, a publicação que puxou o manto diáfano que recobria a gaveta de Erenice, Dilma manifestou-se por meio de nota. Escreveu:

“Não há registro de entrada desta denúncia na Ciset na ocasião citada. A Ciset recebeu hoje (22/7) um e-mail com remetente não identificado…”

A mensagem veio “…com relato de fatos que podem corresponder às denúncias narradas pela revista Época. Esses fatos serão apurados por processo administrativa.”

Se aberto e 2006, quando Dilma era ministra, o processo administrativo talvez tivesse resultado em inquérito da Polícia Federal, poupando dissabores à Dilma presidente.

Para azar do governo e, sobretudo, do contribuinte, Erenice não deixou que o tapete fosse levantado. Depois, convertida em ministra, ela própria virou escândalo.

Denúncias anônimas sempre devem ser recebidas com o pé atrás. O que não parece concebível é o automático desinteresse pela apuração.

Consierando-se o que veio à tona agora, fica boiando na atmosfera uma interrogações:

Quantos milhões a Viúva teria economizado se o esquema dos Transportes tivesse sido desmantelado quatro anos e onze meses atrás?

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Escrito por Josias de Souza às 20h10

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A semana: saída tardia, volta prematura e detergente

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Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Faxina nos Transportes ‘não tem limite’, afirma Dilma

  Folha
A bandalheira dos Transportes parece ter destravado a língua de Dilma Rousseff. Nas últimas horas, ela se tornou loquaz.

Manteve dois contatos com jornalistas. Num, recebeu no Planalto cinco repórteres de veículos impressos. Aqui, o resumo produzido por Fernando Rodrigues.

Noutro, Dilma sentou-se à mesa do jantar, no Alvorada, com o repórter Jorge Bastos Moreno, cujo texto pode ser lido aqui.

Nas duas entrevistas, Dilma referiu-se à encrenca ético-propineira de forma semelhante. Mas houve diferenças sutis.

No pedaço em que soou uniforme, a presidente deixou claro que vai mesmo passar o rodo, como se diz, nos quadros do Minitério dos Transportes.

“Sairão todos os integrantes do Dnit e da Valec”, disse ela na conversa mais ampla, com cinco repórteres.

“A 'faxina' não tem essa coisa de limite”, declarou no repasto com Moreno. “O limite é mudar o Ministério dos Transportes”.

No diálogo do Planalto, Dilma rejeitara o vocábulo “faxina”. Dissera preferir a expressão "afastar para apurar."

A hipótese do afastamento temporário, esclareceu, revelou-se inviável. Para certos cargos, não existe a “figura jurídica do afastamento.”

No Alvorada, além de incorporar a palavra “faxina” à resposta, Dilma não se preocupou com a eventual inocência dos 16 nomes já passados na lâmina.

“A ação é sobre pessoas que agiram de forma errada, e nem todas essas pessoas são de um mesmo partido. Isso precisa ser esclarecido”.

O realce ao alegado apartidarismo do cadafalso dos Transportes frequentou os lábios de Dilma nas duas conversas.

As demissões ocorrem “independentes” dos “endereços partidários”, disse no Planalto.

De novo, disse que a guilhotina não significa “análise de valor” sobre os que tiveram as cabeças apartadas do pescoço.

Na mesa do Alvorada, compartilhada também pelas ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social), Dilma declarou:

“É bom que todos saibam que não estamos agindo politicamente contra um partido”. Pareceu decidida a reconstituir as pontes com o PR.

"Não se pode demonizar a política", enfatizara na outra entrevista. No esforço para atingir a pretensa neutralidade, mencionara a oposição:

"Pelo fato que é do PT não significa que esteja certo. Pelo fato de ser da oposição não significa que esteja errado".

Moreno, a propósito, levou FHC à mesa de refeições do Alvorada: “Eu soube que o Lula cobra muito da senhora esta sua amizade com FH...”

E Dilma: “Não é verdade! Isso não é verdade! O presidente Lula nunca tratou desse tema comigo, nem em brincadeira!”

O repórter insistiu: “Diretamente, não. Mas ele já se queixou para terceiros na sua frente...”

Em timbre bem humorado, a presidente entregou os pontos: “Meu Deus! Como esse Sérgio Cabral é fofoqueiro! Ah, ele me paga! Pode escrever, ele me paga!”

Em seguida, Dilma derreteu-se: “Realmente, o presidente Fernando Henrique é uma pessoa muito civilizada, muito gentil. É uma conversa muito agradável…”

“…Tem gente que fica estarrecida com essa convivência, já que temos pensamentos políticos diferentes. Exatamente por isso é que as pessoas devem converser…”.

“…O governante, o político, não pode ficar limitado ao pensamento do seu grupo. Eu defendo a convivência dos contrários…”

“…Há pessoas muito agradáveis e inteligentes no governo e na oposição. Acho que, não só pelo prazer da boa prosa, mas, como presidente da República, tenho o dever de conversar com os diversos pensamentos da sociedade…”

“…Eu não sou presidente de um partido ou de uma coligação partidária, eu sou presidente da República”.

Moreno emendou: “Mas o PT não fica com ciúmes do FHC?” Dilma não se deu por achada: “O PT já tá bem grandinho para não ter ciúmes de ninguém. Ciúme é um sentimento juvenil, eu acho”.

Penguntou-se também a Dilma se ela acha que a decisão de virar a pasta dos Transportes de ponta-cabeça agradou Lula.

A pupila do ex-soberano, sob cuja gestão foi nomeada a maioria dos personagens afastados agora, soou despreocupada:

“Olha, a responsabilidade é tão grande que a gente não pensa em agradar ou desagradar. A gente só pensa em tomar a decisão mais justa, mais correta…”

“…A responsabilidade é do presidente da República perante a nação. A responsabilidade do presidente da é intransferível. Não dá para pensar em ninguém”.

Aos pouquinhos, como se vê, Dilma vai impondo o seu estilo. Embora ela tenha se esquivado de admitir, Lula, com seu estilo acomodatício, não é vocacionado para o manuseio de guilhotinas.  

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Escrito por Josias de Souza às 05h28

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Vídeo expõe esquema de cobrança de propina na ANP

Reprodução/Época

Com a faxina dos Transportes ainda inconclusa, Dilma Rousseff ganhou matéria-prima para uma nova operação limpeza. Um vídeo gravado sob orientação da Polícia Federal, a pedido do Ministério Público, exibe cenas de corrupção explícita na ANP (Agência Nacional de Petróleo). 

Expõe a cobrança de propina de R$ 40 mil para destravar o processo de uma distribuidora de combustíveis na agência, aparelhada pelo PCdoB. A peça é de 2008. Envolve, porém, um partido e personagens que se mantiveram na estrutura da ANP depois transmissão doa faixa presidencial de Lula para Dilma. Obtida pelos repórteres Diego Escosteguy e Murilo Ramos, a fita foi esmiuçada em notícia veiculada pela revista Época. Conta, em essência, o seguinte:

1. Representante de empresas do ramo de combustíveis, a advogada Vanusa Sampaio, do Rio, é a prossifional com o maior número de processos na ANP. Para operar no mercado, os clientes da doutora precisam de autorização da agência petroleira, criada sob FHC para fiscalizar o setor. A advogada esbarrou numa teia burocrática que criava dificuldades para, depois, vender facilidades. Em fevereiro de 2008, Vanusa foi procurada por dois assessores da ANP: Antonio José Moreira e Daniel Carvalho de Lima.

2. A dupla de assessores informou à advogada que, para fazer andar os processos na ANP, seria preciso pagar. Antonio e Daniel disseram a Vanusa que falavam em nome de Edson Silva, um ex-deputado federal do PCdoB, à época superintendente de Abastecimento da ANP.

3. A superintendência de Abastecimento, a mais ponderosa da agência, define cotas de venda de combustíveis, libera e cassa licenças de distribuidoras e postos. Hoje, já sob Dilma, Edson Silva é assessor do diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, um expoente do PCdoB da Bahia, no comando da agência desde Lula.

4. A doutora Vanusa pediu um encontro com a presença de todos, inclusive do então superintendente Edson. Foi atendida. Vanusa, Antonio, Daniel e Edson encontraram-se num café, no centro do Rio, próximo do edifício-sede da ANP.

5. Nesse encontro, não foram mencionados valores. Mas Edson deixou claro, segundo Vanusa, que os assessores, de fato, negociavam em seu nome. Na surdina, a advogada procurou o Ministério Público. Topou gravar uma reunião com o grupo de achacadores. Recebeu orientação da Polícia Federal.

6. Às 16h23 do dia 5 de maio de 2008, uma segunda-feira, Antonio e Daniel, os prepotos de Edson, entraram na sala de reuniões do escritório de Vanusa. Sem que suspeitassem, os assessores da ANP foram gravados. A filmagem durou 53 minutos (aqui, pode-se assistir a três trechos).

7. Mal Vanusa acomodou-se à mesa, o assessor Antonio Moreira, sem travas na língua, foi ao ponto. Mencionou o processo da distribuidora Prontonorte, uma das clientes de Vanusa que arrostavam problemas para renovar o registro na ANP.

8. Disse que conversara com Edson. Acertara o valor da propina (R$ 40 mil) e o rateio. Edson levaria R$ 25 mil. Os assessores, R$ 15 mil. Eis a conversa da fita:

- Antonio Moreira: Eu conversei com o Edson [superintendente da ANP] e ele não tinha muita noção de valores, você entende? Aí ele falou que era possível, que ia mexer. Mas ele é lento.

- Vanusa Sampaio: É baiano.

- Antonio: Baiano... Aí ele me falou: “Ó, você não quer conversar agora em torno de 40 mil reais? Você acha razoável? Quanto você acha razoável?”. Falei “não sei, Edson, não sei quantificar, não sei valor”. E foi a primeira vez que aconteceu alguma coisa. A gente pode estabelecer um bom relacionamento. Aí ele falou isso, que ficaria com 25 [mil] e daria 15 [mil] pra vocês. Esse é do Rodomarte. É... É do Petromarte.

9. Mais adiante, em timbre ainda mais estarrecedor, Antonio Moreira propõe à advogada uma espécie de terceirização do achaque. Afirma que “burocratas são detestados”. E sugere uma parceria à advogada, que passaria a abordar as empresas, cobrando propinas de até R$ 50 mil.

10. Dias depois, Antonio e Daniel exibiriam a Vanusa uma relação de empresas que poderiam abordadas: Flexpetro, Nova Gasoil e Comos Distribuidora. Na conversa filmada, Antonio deu especial realce ao caso da amazonense Rodonave. Eis o diálogo:

- Antonio: Tá na minha mão um processo... O interesse é muito grande. [Empresa] tradicional chamada Rodonave, de Manaus.

- Vanusa: Mas por que querem cancelar o registro dela? (...) É para arrancar dinheiro?

- Moreira: Não sei... não, eu acho que não é para arrancar dinheiro (...) Eu também não queria me indispor, chegar e ligar para a Rodonave... Então, se você tiver interesse, te dou uma orientada.

11. Noutro trecho do vídeo, guiando-se pela orientação que recebera da PF, Vanusa injeta na conversa o nome de Roberto Ardenghy, antecessor do comunista Edson Silva na poderosa superintendência de Abastecimento da ANP. Eis o miolo da conversa:

- Vanusa: Ele (Ardenghy) sempre me travou de uma forma muito inteligente. Só hoje consigo ver o que ele ganhava de um outro lado.

- Antonio: [...] Era uma lógica muito à petista. Era muito pra ele e ele avançava também para todos os lados [...]. Uma vez eu trouxe um caso, ele queria cobrar muito. Falei “Ardenghy, não é o momento de cobrar muito”. Ele falou “não, mas se a gente não cobrar muito [...] Se a gente cobrar pouco, você vê fantasmas todos os dias”.

12. Ardenghy fora à ANP por indicação do Ministro Nelson Jobim (Defesa), que trabalhara com ele na pasta da Justiça, sob FHC. Hoje, Ardenghy é diretor institucional da British Gas no Brasil. Segundo a notícia de Época, o MP e a PF apalparam documentos que indicariam o seguinte: para se precaver, Ardenghy teria criado endereços de e-mail do Yahoo com pseudônimos como “mazaropi” ou “daniflores”. Orientava as empresas a efetuarem depósitos numa conta do Bradesco, em nome do café e bar Ninense.

13. A revista não esclarece o porquê de uma investigação aberta em 2008 ainda não ter resultado na formalização de uma denúncia. De concreto, apenas, a incômoda revelação de que personagens mencionados nos diálogos vadios ainda frequentam os quadros da ANP. Entre eles Edson Silva, agora assessor da direção-geral, sob o mandachuva Haroldo Lima. Resta saber se Dilma dispensará ao PCdoB um tratamento de PR.

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Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes deste sábado

- Globo: A crise no Ministério dos Transportes - Petista cai e Dilma afirma que a faxina é para valer

- Folha: Ataques na Noruega matam 87

- Estadão: Negociação com republicano fracassa e crise nos EUA piora

- Correio: "Vou trocar todo mundo"

- Zero Hora: Drama das chuvas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Chefe da faxina!

Humberto

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Para Caron, Dilma exagerou na faxina dos Transportes

Renato Ribeiro/ABr

Compelido demitir-se da diretoria de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Caron acha que a guilhotina de Dilma Rousseff está desregulada.

Guindado ao posto em 2004, sob Lula, Caron escalou o monturo do Ministério dos Transportes na condição de 16a cabeça.

Em entrevista, avaliou que a lâmina desceu além do necessário:

"Eu acho que não precisava [sair tanta gente]. E trago testemunho dos funcionários do departamento."

Como que a eximir-se de eventuais irregularidades, Caron declarou: "Um diretor decide muito pouco individualmente dentro de um processo."

Se é assim, poderia arguir o contribuinte, responsável pelo custeio da bilheteria, para que nomear diretores? Ou ainda: Dnit para quê?

Apadrinhado pela bancada do PT gaúcho, ao qual é filiado, Caron disse que a decisão de se afastar foi "totalmente pessoal e voluntária". Lorota.

Até a tarde da véspera, o agora ex-diretor buscava oxigênio. Dilma asfixiou-o ao vetar a presença dele em reunião no Planalto.

No início da crise, Caron foi tratado pela turma do PR como “espião” de Dilma nos Transportes. Os “espionados” converteram-no em alvo.

Submetido ao incontornável, não restou a Caron senão a resignação: "O governo já expressou publicamente a intenção de reformular a área de transportes…”

“…E eu resolvi solicitar a exoneração, no sentido de colaborar para que esse espaço fique disponível para a reformulação…”

“…Se é esse o desejo do governo, eu não vou ser impedimento para isso."

Numa tentativa de se dissociar do lixo, Caron disse que sua saída não tem nada a ver com a roubalheira epidêmica:

"Até porque não tem nenhuma denúncia relativa à minha área que tenha comprovação…” disse ele.

“…Pelo contrário, todos os relatórios que temos dos últimos anos, inclusive da CGU, mostram avanços na melhoria dos procedimentos e da gestão do Dnit."

Irregularidades? As obras são tantas, que pode existir, admite Caron. Menos do que no passado, ele pondera.

Os pêérres saboreiam o infortúnio de Caron. Eis o que disse ao repórter um líder da legenda de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto:

“Se o Caron está limpo, nosso pessoal também está. A gestão do Dnit sempre foi comportatilhada. Os aditivos contratuais passavam pela mesa de Caron.”

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Escrito por Josias de Souza às 20h06

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Dilma Rousseff: o recuo da inflação terá 'pouso suave'

Marcello Casal/ABr

Num instante em que as manchetes estão monopolizadas por Valdemares e outros azares, Dilma Rousseff esforça-se para virar a página.

Recebeu no Planalto repórteres de cinco jornais. Falou por uma hora e meia. Discorreu sobre a conjuntura econômica.

No rastro da quinta elevação dos juros desde janeiro, anunciada a dois dias, disse que não deseja deter a inflação com o sacrifício do crescimento.

Acredita que está sendo criado "um quadro para a inflação sob controle". Perguntou-se a ela se o índice convergirá para o centro da meta (4,5%) em 2012 ou 2013.

E Dilma: o governo optou por manter "a economia crescendo de forma consistente", embora num ritmo menor do que em 2010.

A adoção de uma "política de convergência [da inflação para o centro da meta] de curtíssimo prazo teria um efeito danoso para a economia", declarou.

Ficou entendido que a presidente se satisfaz com as previsões oficiais, que contemplam uma taxa de inflação pouco abaixo de 6% para 2011.

Dilma enfatizou: "Não queremos inflação sob controle com crescimento zero [do PIB]".

Repisou: "Estamos fazendo o chamado pouso suave, com uma taxa de crescimento e de emprego adequadas para o país".

Atribuiu o descolamento entre inflação e meta a problemas "conjunturais". Entre eles o preço do etanol, já "minimizado".

Durante a entrevista, não foram autorizadas fotos. Tampouco permitiu-se a presença de gravadores. Os convidados tiveram de tomar notas.

Dilma falou também sobre as encrencas econômicas alheias:

"Chova ou faça sol, estamos olhando os efeitos da crise na Europa e a questão do teto da dívida americana. Porque isso é de nossa responsabilidade".

Ao menor sinal de “ameaça” para a economia brasileira, serão adotadas “medidas duras”, ela assegurou.

E quanto ao câmbio, o real sobrevalorizado? Dilma respondeu à indigação com outra interrogação:

"Você acha que a gente pode fazer alguma coisa se a gente não sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se já criou uma rede de proteção?"

A alusão à brincadeira na beirada do precipício foi dirigida aos EUA e à Europa.

Acha que o Tesouro americano levará os credores no beiço? Dilma classifica a hipótese como “uma coisa absurda”. E acrescenta: “Mas nunca se sabe.”

Em meio às dúvidas, prefere postergar eventuais deliberações sobre o câmbio:

"O mundo está andando de lado. Deixa ele andar um pouco para frente que a gente decide".

Recordou-se na conversa um comentário do ministro Guido Mantega (Fazenda), que dissera perder o sono com a sobrevalorização do real.

E Dilma, entre risos: "É bom a gente não dormir. A gente fica alerta. O Guidinho de olhos abertos."

De resto, a presidente confirmou que vai anunciar, em 2 de agosto, um lote de medidas para melhorar a competitividade dos exportadores pátrios.

Será, no dizer de Dilma, um "incentivo para a exportação de manufaturados". Para o dia 9 de agosto, agendou uma "melhorada boa no supersimples."

Trata-se, como se sabe, do sistema de tributação unificado, voltado às micro e pequenas empresas. Vai-se amplicar o programa.

"Na sequência", disse Dilma, sem especificar datas, virá a desoneração da folha de pagamentos das empresas.

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Escrito por Josias de Souza às 18h22

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‘Honoris causa’, Lula diz que, se inocentado, PR volta

Roberto Pereira/SEI-PE

Mestre da crônica, Fernando Sabino escreveu que “o otimista erra tanto quanto o pessimista, mas pelo menos sofre só uma vez”.

Lula subverteu a lógica do raciocínio de Sabino. Otimista invetarado, o ex-soberano erra sem sofrer uma mísera vez.

Nesta sexta (22), após receber o título de 'doutor honoris causa' de três universidades públicas de Pernambuco, Lula lançou seu olhar sobre a encrenca dos Transportes.

"Se as pessoas não forem culpadas, estiverem inocentes, você separa o joio do trigo. Aqueles que não forem culpados podem voltar."

Ao contemplar a hipótese de haver trigo no PR, Lula leva o otimismo às últimas consequências.

Ao prever a volta do joio, com o qual conviveu durante oito anos, Lula revela-se imune ao sofrimento. Dilma Rousseff sofre por ele.

Antes de ser laureado, Lula concedera uma entrevista radiofônica (aqui, o áudio).

Atribuiu a crise econômica na Europa e nos EUA à "falta de liderança". Criticou especialmente a Alemanha.

Declarou que é esse vácuo de líderes que o convence da necessidade de correr o planeta.

Depois de deixar a Presidência, já visitou, segundo disse, 20 países. Até novembro, irá a outros 23. O mundo não perde por esperar. 

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Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Dnit: Empurrado por Dilma, o petista Caron se demite

Jean

Menos de 24 horas depois de ter sido barrado numa reunião por Dilma Rousseff, o petista Hideraldo Caron pediu demissão do Dnit.

Respondia pela diretoria de Infraestrutura Rodoviária. Vai ao monturo de escalpos dos Transportes como a 16a cabeça –a única do PT.

Caron exonerou-se para não ser exonerado. Dilma espera que Luiz Antonio Pagot (PR), diretor-geral do Dnit, faça o mesmo.

Pagot avisou ao Planalto que já se deu por achado. Está na bica de virar o 17o pescoço.

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Escrito por Josias de Souza às 16h07

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Exército paralelo: 480 mil seguranças operam no país

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Escrito por Josias de Souza às 14h51

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A noite de Lula: poses de candidato e palavreado oco

Movido a refletores, Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva teve na noite passada uma agenda com todos os ingredientes que lhe dão prazer.

Recebeu uma homenagem da Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque (veja a história do grupo no video acima).

A coisa se passou no Recife, num teatro assentado em parque batizado pela administração petista da cidade com o nome da mãe de Lula, dona Lindu.

Na entrada, o ex-soberano atravessou um grupo de admiradores. Posou para fotos. Pegou duas crianças no colo. Fez cara de re-re-recandidato.

"Voltar aqui é quase uma coisa natural. Estava com saudades", disse o pernambucano Lula, rodeado de conterrâneos e de microfones.

Inquirido sobre a bandalheira do Ministério dos Transportes, Lula soou, por assim dizer, republicano:

"Se tem denúncia, apura, investiga, pune quem tiver quer punir e acabou."

Poderia ter acabado há mais tempo. A maioria das 15 cabeças que Dilma Rousseff passou na lâmina foram herdadas da gestão Lula.

Os malfeitos que o noticiário converteu em endemia já vinham sendo empilhados em sucessivas auditorias do TCU.

Presidente, Lula pregava a dimunição dos poderes do tribunal de contas e administrava na base do vai ou racha. Tocava as obras. Mesmo rachadas.

Ex-presidente, pediu a Dilma que mantivesse na pasta dos Transportes o companheiro Alfredo Nascimento (PR).

Agora, Lula finge-se de morto. Há denúncias? Investigue-se! Puna-se! E acabou!

Já no interior do teatro, Lula fez soar suas cordas vocais antes que a música da orquestra de meninos entoasse o primeiro acorde.

Em discuso, o ex-soberano como que condicionou o êxito de Dilma à continuação dos seus dois reinados.

Disse que a pupila está “atenta” e não permitirá a volta ao tempo em que o país era “governador para quem não precisava”.

Nesta sexta (22), ainda no Recife, Lula receberá o título de ‘doutor honoris causa’ das três universidades públicas de Pernambuco.

São elas: UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e UPE (Universidade do Estado de Pernambuco).

Pena que a cerimônia será conjunta. Em vez de três discursos, Lula fará apenas um.

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Escrito por Josias de Souza às 06h16

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Recém-concluídos, portos de R$ 44 mi são reformados

Nem só de propinas e superfaturamentos é feito o descalabro do Ministério dos Transportes. Há também a má qualidade das obras "executadas".

Depois de “inagurados”, cinco portos fluviais, quatro deles concluídos no ano passado, tiveram de ser refeitos ou reformados.

Deve-se a informação ao repórter Chico de Gois. Os portos que apresentaram problemas custaram à Viúva R$ 44 milhões.

Desse total, R$ 33,6 milhões desceram à caixa registradora do estaleiro Eram, classificado no site do próprio Dnit como empresa "inidônea".

Os portos problemáticos foram erguidos no Amazonas, Estado de Alfredo Nascimento (PR), apeado do cargo de ministro sob denúncias de malfeitos.

O video lá do alto exibe cenas captadas no Porto de Humaitá, no Rio Madeira. Uma elevação das águas lançou toras sobre a estrutura metálica, arqueando-a.

O porto fora “inaugurado” em março de 2010. Presentes, o então ministro Nascimento e a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à época pré-candidata à Presidência.

A obra custou ao erário R$ 12,8 milhões. Foi tocada pelo Eram (Estaleiro do Rio Amazonas), aquele que o Dnit diz ser “inidôneo”.

Ouvida, a assessoria de imprensa da pasta dos Transportes alegou o seguinte:

Houve em Humaitá “acúmulo de troncos de árvores, vegetação e cipós, ocasionando esforço acima do dimensionado.”

Dito de outro modo: Nascimento e Dilma “entregaram” um porto que, antes mesmo de entrar em operação, revelou-se um empreendimento precário.

Noutro porto, o de Itacoatiara, a ponte que dá acesso ao cais flutuante cedeu. A despesa do conserto foi atribuída à firma Eram. Coisa de R$ 9,2 milhões.

O terminal de Manaquiri, outra obra da Eram, orçada em R$ 3,8 milhões, operou por apenas um mês. Falha na operação, informa a assessoria dos Transportes.

O porto de Manaquiri fora inaugurado, sob fanfarras, em 17 de março de 2010. Presentes, o ministro Nascimento e políticos amazonenses.

No porto de Manacapuru, o rompimento de cabos de aço de ancoragem levou ao deslizamento de pontes.

“Acúmulo de sedimentos [troncos de árvores e mato]”, alega o ministério. A obra, também à cargo da Eram, sorveu R$ 7,9 milhões. Permanece inconclusa.

Coube ao 2o Grupamento de Engenharia do Exército tocar a obra do Porto de Parintins, outro que apresentou problemas.

Neste caso, a inauguração ocorreu em 2006. Três anos depois, em 2009, o Rio Amazonas subiu além do esperado. As águas invadiram o porto.

O empreendimento teve de ser reconstruído. A obra original custara R$ 14 milhões. A nova foi orçada em R$ 10,8 milhões.

Eis o que diz o ministério: “O Exército desenvolveu projetos a partir dos quais foram executadas obras de readequação do empreendimento…”

Visavam “…evitar a invasão das águas do rio na área do terminal e aperfeiçoar o sistema de atracação das embarcações.”

O terminal de Parintins deveria ter sido reinaugurado por Nascimento em 17 de junho. Porém, a licença ambiental da obra encontrava-se vencida.

Dali a duas semanas, Nascimento foi engolfado pelo escândalo que converteu o ministério num porto inseguro.

O ministro foi soterrado. E a reinauguração, suspensa.

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Escrito por Josias de Souza às 05h11

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As manchetes desta sexta

- Globo: Portos inaugurados há dois anos afundam na Amazônia

- Folha: Europa aprova socorro que deve levar Grécia ao calote

- Estadão: Dnit libera verba de estradas para fazer casas

- Correio: Três vidas soterradas pelo descaso

- Valor: Aditivos param trechos de obras no São Francisco

- Estado de Minas: Impasse na mesa de bar

- Jornal do Commercio: Justiça ordena fim da greve no Detran

- Zero Hora: Inundação

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h05

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Lavanderia Planalto!

Nani

- Via 'Nani Humor'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h52

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Dilma ‘veta’ participação do petista Caron em reunião

Dilma Rousseff promoveu nesta quinta (21) uma reunião para discutir o andamento e os orçamentos das obras do PAC tocadas pelo Ministério dos Transportes.

Embora estivesse escalado para fazer uma exposição sobre possíveis reduções nos preços das obras, o petista Hideraldo Caron não participou do encontro.

A presença de Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, foi vetada por Dilma.

A presidente decidiu que Caron, apadrinhado pela bancada do PT gaúcho, não permanecerá no Dnit. Será incluído na faxina que já varreu 15 cabeças.

Único petista dos quadros do Dnit, acomodado ali em 2004, sob Lula, Caron tornou-se alvo do PR, que cobra sua demissão.

Dilma gostaria que Caron e o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot (PR), pedissem para sair. Se os pedidos não vieram, ambos serão “saídos”.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Mas Caron ainda se fingia de ...orto nesta quinta. Quanto a Pagot, continua em ...érias.

A julgar pelo que se ouve no Planalto, são duas ...missões esperando para acontecer.

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Escrito por Josias de Souza às 23h11

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Ex-titular da Valec compra terras próximas de ferrovia

Divulgação

No comando da Valec desde 2003, primeiro ano da gestão Lula, José Francisco das Neves tornou-se freguês de caderneta do Tribunal de Contas da União.

Estrela do PR de Goiás, Juquinha, como é conhecido, colecionou denúncias de mau uso de verbas públicas –de desvios a superfaturamentos.

Apeado por Dilma Rousseff da estatal ferroviária, Juquinha é, agora, candidato a protagonista de uma ação por improbidade administrativa.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) incluiu o nome de Juquinha num de seus relatórios.

Vinculado à pasta da Fazenda, o órgão detectou movimentação financeira atípica em contas bancárias do ex-mandachuva da Valec.

Cópias do documento do Coaf foram remetidas à Polícia Federal e ao Ministério Público, a quem cabe averiguar a origem do dinheiro.

Em visita a cidades do interior de Goiás, o repórter Ari Peixoto constatou que, a despeito da origem humilde, Juquinha tornou-se dono de terras milionárias.

Ao eleger-se deputado pela primeira vez, em 1998, Juquinha, então filiado ao PMDB, informara à Justiça Eleitoral que seu patrimônio era de R$ 559 mil.

Desde então, afora o ambiente parlamentar, frequentou o serviço público. Antes de ser nomeado por Lula para a Valec, presidira a Celg, estatal elétrica de Goiás.

Em maio do ano passado, Juquinha comprou três fazendas na cidade goiana de Mundo Novo, a 650 quilêmetros de Brasília.

Juntas, as propriedades medem 5,5 mil hectares. De acordo com os registros cartoriais, as fazendas custaram a Juquinha a bagatela de R$ 13 milhões.

Um corrector local disse ao repórter que, no mundo real, as propriedades valem mais. Estimou-as em R$ 20 milhões.

As terras foram registradas em nome de Juquinha, da mulher dele, Marivone, e dos filhos: Jader, Jales e Karen.

A escritura anota que Juquinha pagou pelas terras por meio de 20 transferências bancárias, feitas ao longo de seis meses.

Moradores locais informam que parte do pagamento foi feito em moeda sonante. “Eles chegaram para pagar, chegou com uma mala de dinheiro”, disse um deles.

Além das cifras, um detalhe injeta um quê de inusitado na transação. O negócio foi fechado apenas dois meses depois do anúncio da construção de uma linha férrea.

Chama-se Ferrovia de Integração Centro-Oeste. Projetada pela Valec, então presidida por Juquinha, a obra corta a região das fazendas adquiridas pelo mesmo Juquinha.

Quer dizer: ao mesmo tempo em que cuidava do projeto da ferrovia, Juquinha providenciava a compra das terras.

Os dormentes nem foram assentados e as terras já subiram de preço. Antes, um alqueire era cotado na região a R$ 18 mil.

Hoje, estima o Crea, vale entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. A chegada da Centro-Oeste tonificará a cotação em até 30%.

Juquinha foi procurado em Goiânia, no luxuoso condomínio em que mantém residência. Informou-se que ele não estava.

O ex-mandachuva da Valec mandou dizer que não daria entrevista para explicar de onde veio o dinheiro que custeou a aquisição das terras de Mundo Novo.

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Escrito por Josias de Souza às 22h03

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No Rio, bueiros ‘saltam’; em Manaus, são ‘assaltados’

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Escrito por Josias de Souza às 21h10

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Na cidade de SP, os negociante$ do PR ‘foram à feira’

   Folha
Quando parecia que todas as teorizações filosófico-morais sobre o PR já haviam sido feitas, eis que surge matéria-prima para novas teses.

Graças a uma notícia produzida pelas repórteres Vera Magalhães e Daniela Lima, descobriu-se que, em São Paulo, os negócio$ do PR foram à feira.

No miolo da encrenca, encontra-se o vereador-cantor Agnaldo Timóteo. Em carta a um ex-amigo, Timóteo alvejou os pés (de barro) do seu partido, o PR.

Chama-se Geraldo de Souza Amorim o destinatário da carta de Timóteo. A filha dele estava empregada no gabinete do remetente.

Súbito, Timóteo demitiu a filha de Geraldo, acomodando outra pessoa na vaga. Ganhou um ex-amigo. Na carta, o vereador tenta explicar-se.

Lero vai, lero vem Timóteo realça no texto que Geraldo sempre recebera dele tratamento diferente do dispensado por outras pessoas do PR:

"Você se lembra, Geraldo, que os oportunistas do meu partido te exigiram R$ 300.000,00 mensais?...”

“…E eu pergunto: te pedi alguma coisa para levá-lo ao nosso ministro? Pedi alguma coisa para levá-lo à mesa do prefeito Kassab?".

O “ministro” mencionado por Timóteo é o senador Alfredo Nascimento, recém-apeado da pasta dos Transportes.

Na audiência intermediada por Timóteo, Geraldo obteve autorização para instalar uma feira num terreno da antiga Rede Ferroviária Federal.

Da “mesa do prefeito [Gilberto] Kassab”, arrancou-se o assentimento para a abertura da ser a “Feira da Madrugada”, no centro de São Paulo.

Os “R$ 300 mil mensais”, insinua Timóteo na carta, referiam-se à propina exigida pelos “oportunistas” do PR.

No rodapé da carta, Timóteo menciona um nome que emerge de 110% dos negócios conduzidos pelo Partido da República.

"Os maus conselheiros te levaram a peitar o Waldemar [sic] e, lamentavelmente, te ajudaram a perder sua galinha com ovos de ouro. Que pena!"

A despeito da grafia errada, o “Waldemar” citado por Timóteo, informaram feirantes ouvidos pela reportagem, é o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Apurou-se que, depois que Geraldo perdeu sua “galinha com ovos de ouro”, o grão-pêérre Valdemar passou a negociar com os novos mandachuvas da feira.

Procurado, Valdemar negou a cobrança de propina. Para azar do todo-poderoso secretário-geral do PR, a carta de Timóteo vazou.

Foi parar nas mãos do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), que encaminhou o texto ao Ministério Público Federal.

A Procuradoria requereu à Polícia Federal a abertura de um inquérito. Pediu que o vereador Timóteo seja inquirido “com urgência”.

Assim, empurrada pelo Ministério Público, a PF fará em São Paulo o que demora a fazer em Brasília, onde a xepa do PR funciona no Ministério dos Transportes.

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Escrito por Josias de Souza às 20h53

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Nas pegadas de Lula, FHC também ‘abre’ site na web

Fernando Henrique Cardoso pendurou no cristal líquido, nesta quinta (21), um novo site.

Hospedado na página do Instituto FHC, a página foi batizada de “Observador Político”.

A iniciativa chega uma semana depois de Lula ter levado à web o site “icidadania”.

A página de Lula serve de vitrine para as andanças do ex-soberano pelo país.

No dizer do dono, servirá também para “falar bem e falar mal das pessoas”.

A página de FHC foi vendida como "site de caráter apartidário e politicamente independente".

A exemplo do antagonista, FHC também expôs seus propósitos num vídeo inaugural (assista lá no alto).

Na peça, o grão-tucano enaltece a importância da internet, um espaço que “joga um papel grande.”

Como assim? "Tudo está tão interligado por causa da internet, ou bem nós passamos a discutir, ou não saímos do lugar."

Sem mencionar o PT ou Lula, FHC afirma: "Política, hoje, não é coisa de partido, de instituição, de um líder, é de todo mundo". Acrescenta:

"Alguém vai dar ordem sempre, mas não é isso que vai mudar o mundo. Mudança no mundo depende da mudança de comportamento, e todos querem participar."

Menciona a melhoria das condições de vida do brasileiro sem situar o avanço no tempo. Prega a necessidade de qualificar a mudança:

"Como agora, no Brasil, muita gente está melhorando de vida, está na hora também de elas melhorarem mais profundamente…”

Está na hora de “…se interessarem mais umas pelas outras e pelo destino do conjunto da sociedade, opinando".

Diferentemente do site de Lula, fechado a comentários a despeito do format de blog, o de FHC convida o internauta à participação.

O vídeo que traz a fala de FHC termina com uma pergunta: “Tem algo a dizer?”

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Escrito por Josias de Souza às 19h36

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Lula: é mais barato manter agricultor do que mendigo

  Ricardo Stuckert/PR
Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva encontra-se em Pernambuco. Chegou no início da tarde.

No primeiro compromisso, almoçou na casa do governador Eduardo Campos (PSB). Sobre a mesa, peixe, carne de sol e bode.

Testemunhas do repasto, assessores do governo pernambucano informaram que Lula não bebeu senão água.

Na saída, embora os repórteres implorassem, Lula não falou. Protegido por seguranças, foi descansar no hotel.

O ex-soberano tivera uma manhã movimentada. Ainda em Salvador, participara do lançamento do plano de custeio da safra da agricultura familiar da Bahia.

Presentes, além do governador petista Jaques Wagner, o ministro Afonso Florence (Reforma Agrária) e uma platéia de agricultores.

Ovacionado, Lula recebeu um tratamento de Dilma Rousseff. Os oradores chamaram-no ora de “presidente” ora de “eterno presidente do Brasil”.

Poderiam tê-lo chamado de “eterno candidato”. Foi em timbre de candidato que Lula discursou. Para os seus padrões, falou pouco. Coisa de 15 minutos.

O suficiente para “incomodar muita gente”, como prometera na semana passada. A certa altura, disse:

"Custa mais caro o trabalhador deixar o campo e virar mendigo na cidade do que a gente manter o trabalhador no campo."

Jactou-se dos “feitos” de seus dois reinados: "Eu tenho viajado o mundo, já percorri mais de 20 países desde janeiro. Tenho mostrado o que aconteceu aqui no Brasil.”

Comparou: “Tenho orgulho de dizer que você dá R$ 10 na mão de um pobre e que isso se transforma em comida. Mas dá um milhão a um rico, e isso vai para a conta bancária."

Lula fala com conhecimento de causa. Ex-presidente, tornou-se palestrante próspero. Recebe R$ 200 mil por palestra.

Não há vestígio de dinheiro guardado sob os colchões do apartamento de cobertura que serve de abrigo para os Silva, em São Bernado.

Sem mencionar FHC, Lula manteve o velho estilo de fustigar o antecessor tucano:

”Esse País era governado para um terço da população, era uma cultura governar apenas para esse terço…”

“…Dois terços já era considerado como fatalidade de Deus, que tinha que ser pobre e nós provamos o seguinte…:”

“…Dê oportunidade que o pobre não quer ser pobre, quer ser classe média e se brincar ele quer ser rico.”

Na capital pernambucana, após o justificado descanso, Lula será homenageado pela Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque.

A apresentação dos meninos, moradores da comunidade pobre do Coque, no Recife, acontecerá num parque batizado com o nome da mão de Lula, dona Lindu.

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Escrito por Josias de Souza às 18h51

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Europa fecha pacote de ajuda à Grécia: € 109 bilhões

  Steffen Kugler/AP
Reunidos em Bruxelas, líderes da União Européia concluíram o embrulho de socorro à Grécia. Vai custar
109 bilhões.

É o segundo “pacote de grego”. O primeiro havia sido anunciado em maio do ano passado.

Participam do socorro os governos europeus e o FMI. Dessa vez, entrou na dança também o setor privado.

Os bancos privados borrifarão na operação 37 bilhões. Significa dizer que um pedaço da dívida da Grécia, 350 bilhões, será levada no beiço.

Afora o semicalote consentido, a Grécia será brindada com empréstimos novos, a custos menores.

As taxas de juros cairão de 4,5% para algo em torno de 3,5% e 4%. O prazo de pgamento sera esticado de 7,5 anos para 15 anos.

Outros países dos fundões da Europa, igualmente encalacrados, serão beneficiados com as novas condições creditícias. Entre eles Portugal e Irlanda.

O acerto do pacote grego era aguardado com apreensão pelos mercados do mundo.

Talvez não seja suficiente para içar a Grécia do limbo econômico. Mas o simples anúncio espalhou alívio, inclusive no Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Afinal, PF vai investigar Transportes? Não, sim, talvez

  Folha
Nenhum sonífero é mais eficaz do que a certeza. A dúvida, inversamente, produz insônias cruéis.

Veja-se o caso do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Perde-se em hesitações diante da da endemia de corrupcão dos Transportes.

Acionar ou não acionar a Polícia Federal?, eis a questão. Há dez dias, Cardozo disse que não acionaria: "Não posso abrir in abstrato um inquérito."

“A CGU está atuando para auditar contratos e, se disser que surgiram fatos novos, aí se abre o inquérito."

O trabalho da CGU ainda não terminou. Está prometido para agosto. A despeito disso, Cardozo passou a dizer que a PF “pode” entrar em campo.

O ministro agora diz ter encomenddado à PF uma análise "dos fatos noticiados, para verificar se em relação a alguns deles não havia ainda inquérito aberto”.

Sim, muito bem, e daí? “Naqueles [casos] que, eventualmente, não tenham implicado ainda na abertura de inquérito, serão abertos novos inquéritos."

Aliás, disse Cardozo, "a Polícia Federal já faz apurações há muito tempo de situações de obras, inclusive do Ministério dos Transportes.” Hummm!

“Não há porque ter qualquer mudança nessa ótica, porque já temos muitos inquéritos abertos […] em relação a […] obras do Ministério dos Transportes." Ah, bom!

O ministro ainda não se deu conta. Mas há ocasiões na vida em que é melhor entrar logo no tiroteio do que morrer como um “inocente” transeunte que ia passando.

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Escrito por Josias de Souza às 15h55

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Turismo repassa R$ 52 mi a ONG dirigida por suspeito

Dilma Rousseff ainda nem terminou de limpar o setor dos Transportes e o noticiário já traz novos focos de sujeira.

O repórter Jailton de Carvalho descobriu sob o tapete do Ministério do Turismo um lote de três convênios esquisitos.

Resultaram no repasse de R$ 52 milhões a uma ONG chamada IBH (Instituto Brasileiro de Hospedagem).

Coisa destinada ao financiamento de cursos à distância para preparar mão de obra para a Copa de 2014 –mensageiros, recepcionistas e gerentes de hotel.

Preside o IBH César Gonçalves, um empresário que responde a duas ações do Ministério Público por suposta improbidade administrativa.

Gonçalves dirigiu a estatal de turismo do governo do DF, a Brasíliatur. Deixou o posto, há três anos, sob denúncias de desvios. Daí as ações.

Nessa época, governava o DF José Roberto Arruda –aquele que renunciou depois que o mensalão do DEM carbonizou o que lhe restava de prestígio e de mandato.

Dos três convênios que abriram o caixa do Turismo à ONG, dois foram firmados sob Lula (R$ 9,9 milhões e R$ 16,8 milhões). O outro, sob Dilma (R$ 25,5 milhões).

Deu-se há 15 dias, em 6 de julho, a celebração do último convênio, o de R$ 25 milhões. Tudo se passou em menos de 30 minutos.

O plano de trabalho do IBH aportou no ministério às 16h14. Às 16h19, vapt: a proposta foi à análise. Às 16h34, vupt: já estava aprovada,.

A ONG bafejada com os repasses milionários funciona num pequeno escritório do Setor Bancário Norte de Brasília. Tem quatro funcionários.

Ouvido, o empresário César Gonçalves tentou negar que fosse alvo de um par de ações por improbidade.

Confrontado com as cópias, minimizou a encrenca. Meras acusações, disse ele, sem provas que o incriminem. Coisa de rivais políticos. Quem? Não disse.

“Um total de 80% dos gestores [públicos] estão respondendo a algum procedimento [judicial]. Isso é normal em gestão pública”, afirmou Gonçalves.

Dilma que o diga!

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Escrito por Josias de Souza às 06h25

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‘Ajudante da Dilma’, Lula 'inaugura' hospital na Bahia

  Ricardo Stuckert/PR
Em pleno usufruto de sua ex-presidência, Lula teve na Bahia uma agenda de quase-futuro-candidato à re-re-reeleição.

Na cidade de Feira de Santana, o ex-soberano protagonizou a pseudo-inauguração de um hospital dedicado ao tratamento de crianças.

A obra ficou pronta em 2010. Lula pretendia cortar a fita ainda como presidente. No dia da viagem, porém, uma tempestade impediu o pouso do helicóptero.

Acompanhado do governador petista Jaques Wagner, Lula trocou um dedo de prosa com os repórteres.

Instado a comentar sua nova condição, ele se autonomeou “ajudante da presidente Dilma”.

Repisando uma tecla que começou a pressionar na semana passada, declarou-se disposto a “andar pelo Brasil” e “voltar a conversar com o povo brasileiro”.

E Dilma precisa de ajuda? “Tenho plena convicção da competência dela e que vai fazer um extraordinário governo e naquilo que for necessário ajudar estarei ajudando”.

Mais cedo, Lula estivera em Santo Amaro da Purificação. Visitara dona Canô, 103, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Nesse primeiro estágio, negara-se a comentar a encrenca moral do Ministério dos Trasportes. Porém, o tema viajou com ele para Feira de Santana.

Perguntou-se a Lula o que achava da quantidade de exonerações –16, se for incluído na conta Luiz Antonio Pagot, o chefão do Dnit que está em férias.

E ele: “Pode chegar a cem, a um milhão, a dez milhões. O problema é o seguinte, eu dizia isso quando era presidente e tenho certeza que Dilma pensa igual:…”

“…Só existe uma forma de as pessoas não serem investigadas, não serem punidas. É as pessoas não cometerem erros…”

“…Se as pessoas agirem com honestidade, com decência, todo mundo poderá ser absolvido”.

Afora o fato de chamar de “erro” o que o Código Penal tipifica como crime, Lula esquivou-se de lembrar que o time de afastados foi escalado na gestão dele.

Sempre ciceroneado por Jaques Wagner, Lula fechou a agenda do dia em Salvador, num encontro fechado com o petismo baiano.

O vaivém do ex-soberano foi feito em helicópero bancado pelo contribuinte baiano. Nesta quinta (21), Lula vai “ajudar” Dilma em Pernambuco.

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Escrito por Josias de Souza às 04h18

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As manchetes desta quinta

- Globo: Transportes tira mais três, e PR ameaça retaliar Dilma

- Folha: Perícia atesta fraude na criação da sigla de Kassab

- Estadão: SP banca custo para estádio do Corinthians abrir Copa

- Correio: Seis meses de agonia à espera de um exame

- Valor: Vale e Petrobras acertam megaprojeto de potássio

- Estado de Minas: Algemados

- Jornal do Commercio: Ministro promete recuperar estradas

- Zero Hora: Alerta no estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h56

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Detritos!

Sinfrônio

- Via Diário do Nordeste. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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Alvejado pelo PR, PT nega ‘proteção’ de Dilma no Dnit

  Antônio Cruz/ABr
Sob críticas do PR, que cobra a demissão do petista Hideraldo Caron do Dnit, o PT apressou-se em negar o tratamento privilegiado de Dilma Rousseff à legenda.

“A presidente Dilma está tratando todos por iguais. Não tem processo de proteção desse ou daquele”, disse Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara.

“Se tiver problema ético ou mesmo problema político que ela queira mudar, ela não tem se baseado pelo partido…”

“…Agora, não é poruqe demite de um partido que tem que demitir de outro. O problema é o fato em si”.

Líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) ecoou Vaccarezza:

“Ela [Dilma] tem uma balança que equilibra todos os partidos que estão na sua base de apoio…”

“…Portanto não é uma medida contra um partido especialmente. Se acontecer um outro problema em ministério que tiver outro partido, ela terá a mesma medida.”

As manifestações de Vacarezza e de Teixeira foram levadas, na forma de entrevista, à página do PT na web. Estão disponíveis aqui e aqui.

Foram veiculadas nas pegadas de críticas ácidas pronunciadas pelo líder e pelo vice-líder do PR na Câmara, respectivamente Lincoln Portela (MG) e Luciano Castro (RR).

Tomados pelas palavras, Portela e Castro esboçaram um quadro de reavalização do apoio do PR ao governo. Anunciaram que o tema vai a debate no início de agosto.

Vaccarezza manuseou panos quentes: “Eu acho que o PR é um grande aliado, não existe nenhum processo de rompimento com o PR…”

“…O que existiu foi uma questão administrativa concreta, com base em denúncias concretas no Ministério dos Transportes…”

“…A presidenta escolheu um caminho para resolver os problemas. Agora, se atingir PT, se atingir PR, PCdoB, ou se atingir PSB, isso é outra discussão.”

Portela queixara-se dos métodos de Dilma. As demissões na pasta dos Transportes ocorrem, disse ele, em ritmo de “conta-gotas” e sem oportunidade de defesa.

Por ora, foram afastados do ministério, controlado pelo PR desde a gestão Lula, 15 pessoas. Diretor do Dnit, o petista Hideraldo Caron não consta da lista.

Para Portela, vende-se à opinião pública a tese segundo a qual "todo mundo [que ocupa cargos nos Transportes] é do PR e ninguém presta. Não estamos na Venezuela, em Cuba.”

O vice-líder Castro se expressa no mesmo timbre. Sobre o ritmo das demissões, pergunta: "Por que não fazer isso de uma vez só?”

Ele mesmo responde: “Me parece uma forma de fazer expor o nosso partido e deixar uma situação desconfortável com o governo."

Quanto à sobrevivência do petista Caron, Castro recorda: “O Dnit tem uma administração compartilhada”.

Perguntou-se a Vaccarezza se Caron está sendo protegido. Ele contornou:

“Não há uma punição de partido. O que há é uma conduta administrativa, ética que a presidente julga que é o melhor caminho”.

Repisou-se a pergunta: Não haveria proteção a Caron? E Vaccarezza: “Que eu sei, do PT, nenhuma, e também, do que sei, da própria presidente Dilma”.

Embora não tenha sido questionado diretamente sobre o caso do petista do Dnit, o líder Teixeira soou assim na entrevista veiculada pelo PT:

“Se tiver alguma irregularidade envolvendo pessoas do nosso partido, elas serão, na minha opinião, igualmente afastadas pela presidenta”.

Mais adiante, acrescentou: “As pessoas estão nos cargos que estão, porque são competentes, são honestas e tem igualmente apoio para estarem lá…”

“…Se algum desses aspectos deixar de existir, […] essa pessoa, evidentemente, sai.”

O que se espera, segundo Teixeira, “é que os partidos indiquem pessoas que preencham os critérios de honestidade e de competência”.

Antes, o vice-líder Castro realçara que o ex-ministro Alfredo Nascimento e toda a turma de assessores ligados ao PR atravessaram a gestão Lula sem questionamentos.

Castro lançou na atmosfera uma interrogação incômoda: Por que “em tão pouco tempo [de gestão Dilma] desaba o mundo?".

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Escrito por Josias de Souza às 23h02

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Presidente tucano reúne-se com ministra petista Ideli

  José Cruz/ABr
O deputado Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB federal, esteve no Palácio do Planalto nesta quarta (20).

Reuniu-se com a ministra petista Ideli Salvatti, a coordenadora política de Dilma Rousseff. Sobre o que conversaram?

No oficial, informou-se que Guerra foi a Ideli para pedir a liberação de verbas orçamentárias para cidades pernambucanas castigadas pelas enchentes.

No paralelo, além da dupla, só Deus e as paredes do gabinete conhecem o inteiro teor do diálogo.

O pano de fundo da visita de Guerra a Ideli traz gravados dois gestos de aproximação protagonizados por Dilma.

Num, a sucessora de Lula convidou FHC para o almoço servido no Itamaraty a Barack Obama.

Noutro, Dilma endereçou a FHC, 80, uma mensagem de aniversário que, por afetiva, deixou surpresos os tucanos e perplexos os petistas.

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Escrito por Josias de Souza às 22h01

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Tarso Genro vê risco de ‘denuncismo’ no país. Heim?

José Cruz/ABr

Certos comentários, surgidos do nada, cortam o silêncio com exclamações velozes, contornam no ponto de interrogação e, silenciosamente, retornam ao nada.

O governador gaúcho Tarso Genro (PT), por exemplo, engatou uma série de observações sobre a encrenca que convulsiona a pasta dos Transportes.

Cuidou, primeiro, de defender o companheiro Hideraldo Caron, o petista que sobrevive na diretoria do Dnit.

"Eu conheço ele há 30 anos e duvido que o Hideraldo tenha cometido alguma ilegalidade por motivos dolosos ou interesses próprios."

O governador fez uma escala no óbvio: "Que tem problema o Ministério dos Transportes não é nenhuma novidade.”

De fato, considerando-se a idade de alguns relatórios do TCU, os malfeitos vêm de longe. Já aconteciam à época em que Tarso era ministro da Justiça de Lula.

Em seguida, Tarso, agora apartado do comando da Polícia Federal, rendeu homenagens à confusão: “Nós temos que observar o que é efetivamente corrupção…”

“...O que é denúncia de empreiteira que perdeu contrato e o que é denúncia política para fazer combate político ao governo."

Para o governador, Dilma acerta ao mandar ao meio-fio os servidores sob suspeição. É de supor que Tarso acredite que a corrupção prevalece sobre todas as alternativas.

Por último, o grão-petê gaúcho verbalizou o receio de que o país mergulhe numa onda de “denuncismo generalizado”.

Nesse ponto, cabe perguntar: as denúncias se generalizam por que o roubo se eterniza ou a roubalheira avulta por que há escassez de refletores?

Ou ainda: o que é pior, os holofotes acesos ou os gestores que, sob luzes, fazem por pressão o que deixaram de fazer por obrigação? 

Por sorte, as manifestações de Tarso Genro, por extemporâneas, perderam-se em si mesmas. Saídas do nada, ao nada retornaram.

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Escrito por Josias de Souza às 21h15

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BC eleva taxa básica de juros pela 5ª vez, para 12,50%

O inverno derrubou a temperatura. Assessores despencam do organograma dos Transportes como frutas podres. Tudo cai em Brasília, menos os juros.

O Banco Central anunciou a quinta elevação consecutiva da Selic, a taxa básica de juros. Foi de 12,25% para 12,50% ao ano.

Decisão unânime dos membros do Copom, tomada depois de analisar o “cenário prospectivo” da economia e de sopesar “os riscos para a inflação”.

No acumulado de 12 meses, o IPCA, índice oficial de inflação, encontra-se em 6,71%. Bem acima da meta anual do governo, de 4,5%.

O BC e a Fazenda já desistiram de trazer a inflação para as cercanias do centro da meta em 2011. Adiaram o esforço para 2012.

Tenta-se, porém, derrubar o índice ao menos para 6,5%, o teto da meta de inflação, que prevê tolerância de dois pontos –para cima ou para baixo dos 4,5%.

O propósito do BC é o de resfriar a economia. Administra-se o veneno dos juros em conta-gotas, para não derrubar o PIB além do "necessário". 

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Escrito por Josias de Souza às 19h46

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No STJ, Agnelo libera os salários do bloqueio de bens

  Folha
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), obteve no STJ o desbloqueio parcial de sua conta bancária. 
O ministro Cstro Meira autorizou Agnelo a sacar mensalmente quantia equivalente ao salário mensal.

No mais, foi mantida a indisponibilidade de bens decretada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. Conforme noticiado aqui, Agnelo é réu numa ação em que o Ministério Público pede o ressarcimento de verbas supostamente malversadas nos Jogos Panamericanos.

Desvios de 2007, época em que Agnelo respondia pelo Ministério dos Esportes, sob Lula. Ele nega participação no malfeito.

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Escrito por Josias de Souza às 19h04

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De Lula para dona Canô: ‘por que não chamou Samu?’

Daniel Marenco/Folha

Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva visitou nesta quarta (20) dona Canô, a mãe de Caetano e Bethânia.

"Hoje é o Dia do Amigo. Por isso, vim visitar uma amiga", disse o ex-soberano ao chegar à casa da moradora mais ilustre de Santo Amaro da Purificação (BA).

Sobre política, Lula não quis falar. A roubalheira dos Transportes? Passou. preferiu distribuir chistes.

Na conversa com dona Canô, recém-saída de uma internação hospitalar, Lula inquiriu:

"Por que não chamou a [ambulância do] Samu? Se chamar a Samu e ela não atender, pode cortar outro dedo meu."

Samu, como se sabe, é o serviço de atendimento móvel de urgência do SUS. Foi implantado em 2003, no início do primeiro reinado de Lula.

Às voltas com dificuldades respiratórias e dores abdominais, dona Canô, 103 anos, teve de ser deslocada para um hospital de Salvador no começo de julho.

Bem posta na vida, a família da boa senhora achou melhor não recorrer ao Samu. Ela teve o socorro desejado. E Lula manteve a salvo os nove dedos que lhe restam.

Lero vai, lero vem o visitante injetou Seleção Brasileira na conversa. Disse que a cidade de Santo Amaro poderia sediar uma escolinha de futebol.

Para quê? “Pra ensinar o pessoal a bater pênaltis, pra gente não passar vergonha que nem a gente passou lá [na Argentina, na eliminação da Copa América]".

Terminada a visita, Lula embarcou num helicóptero junto com o governador petista da Bahia, Jaques Wagner.

Voaram para Feira de Santana (BA). Ali, visitarão um hospital erigido com verbas federais no segundo reinado de Lula.

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Escrito por Josias de Souza às 18h15

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Protegidos de Valdemar deveriam ter código de barras

Miran

Subiu para 15 o número de cabeças ceifadas no setor dos Transportes. Nesta quarta (20), desceram ao ‘Diário Oficial’ mais três exonerações.

Entre os novos escalpos, mais um apadrinhado do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Atônita, a platéia grita: “Afinal, quantos protegidos o Valdemar nomeou?”

Para facilitar, Dilma Rousseff deveria baixar uma ordem: apadrinhados de gente como o companheiro Valdemar deveriam usar na lapela um código de barras.

De Pernambuco, onde se encontra, o ministro Paulo Passos (Transportes) disse que manuseia a vassoura com “autonomia”.

"Tenho autonomia e a confiança da presidente. Vou tomar as decisões que eu entendo que deva adotar. Quando necessário submeter qualquer tipo de assunto à sua consideração, eu o farei".

Com a faxina pelo meio, conviria a Paulo Passos implantar na porta do ministério um rigoroso esquema de vigilância.

Já é hora de revistar com rigor os brasileiros que, em dia com suas obrigações tributárias, são obrigados a visitar a pasta por qualquer razão.

Os seguranças apalpariam o visitante de cima a baixo, para verificar se está armado. Os desprevenidos receberiam uma arma na entrada.

- Ilustração via 'Miran Cartum'. Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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No Rio, quem não olha para baixo comete ‘bueiricídio’

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Escrito por Josias de Souza às 15h36

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Pagot recebe ‘beijo da morte’ de Maggi, o seu patrono

José Cruz/ABr

Jurado de morte por Dilma Rousseff, Luiz Antonio Pagot desfila cheio de vida pelos porões a crise dos Transportes.

Desde que driblou a ordem de afastamento com um pedido de férias, Pagot confere diariamente os avisos fúnebre do noticiário.

Súbito, o senador Blairo Maggi (PR-MT), patrono do mandachuva do Dnit, pespegou na face do pupilo o beijo da morte:

"Por maior capacidade técnica e de trabalho que tenha o Pagot, não vejo condições políticas para a continuidade dele à frente do órgão", disse Maggi, em Cuiaba.

Recolhidas pelo repórter Rodrigo Vargas e reproduzidas na Folha, as palavras do senador soaram como rendição incondicional:

"Minha posição não é de mudança de postura ou de ir para oposição. A presidente tem que ter autonomia de montar uma nova equipe, sem contemporizar com aliado."

Quer dizer: no comando da guilhotina, Dilma está, por assim dizer, liberada para descer a lâmina.

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Escrito por Josias de Souza às 06h45

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Maioria dos americanos desaprova a ‘guerra’ da dívida

 Divulgação

Pesquisa feita pelo Gallup em parceria com o diário USA Today revela: a maioria dos americanos desaprova o comportamento dos partidos na batalha da dívida dos EUA.

O presidente Barack Obama reivindica no Congresso autorização para elevar o teto de endividamento do Tesouro americano, hoje fixado em R$ 14,3 trilhões.

A decisão precisa ser tomada até 2 de agosto. Do contrário, o Tesouro americano não terá como rolar sua dívida, inaugurando um calote de reflexos planetários.

O Gallup perguntou aos pesquisados se os personagens da batalha acomodam os interesses do país acima dos seus próprios interesses políticos.

Para 72%, os membros do Partido Republicano, antagonista de Obama, comparecem ao debate da dívida mais interessados em suas conveniências políticas que no país.

Para 65%, também o Partido Democrata, legenda de Obama, debate o teto da dívida mais preocupado com a política do que com o interesse dos EUA.

Quanto ao papel desempenhado por Obama no front da dívida, o eleitorado americano dividiu-se praticamente ao meio.

Na opinião de 47% dos entrevistados, o presidente move-se pelo país. Para 49%, Obama não mira senão propósitos políticos.

Ou seja: no confronto estatístico, Obama fica mais bem posto na foto do que os congressistas republicanos e democratas.

Realizada entre os dias 15 e 17 de julho, a sondagem foi divulgada nesta terça (19). A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

A exposição dos dados coincidiu com a aprovação, na Câmara dos Representantes dos EUA, de projeto de lei que autoriza, sob condições, a elevação do teto da dívida.

O texto aprovado na Câmara, de maioria republicana, vai na contramão do que pede Obama. Carrega nos cortes de gastos, inclusive os sociais, e inibe a elevação de impostos.

Porém, costura-se uma proposta diferente no Senado, Casa em que os democratas dispõem de maioria frágil.

Com a participação dos republicanos e sob aplausos de Obama, os senadores empinam um projeto que combina cortes e aumentos de impostos.

A pesquisa Gallup/USA Today ajuda a compreender a súbita busca pela harmonia no Senado.

Afora a percepção de que os políticos pensam mais em si mesmos do que nos EUA, os pesquisados atribuíram aos atores da guerra baixos índices de aprovação.

Os republicanos amealharam taxa de aprovação de 28%. Os democratas, 33%. E Obama, 45%.

Nada muito diferente da média captada pelo Gallup nas pesquisas realizadas desde agosto do ano passado. São taxas muito baixas, contudo.

Desde que tomou posse, em 2009, o índice de aprovação mais miúdo de Obama fora de 41%.

O prestígio dos partidos começou a ser medido em junho de 1999. Desde então, a menor taxa de aprovação dos republicanos fora de 25%. Dos democratas, 30%.

Quer dizer: em meio ao debate sobre o pé direito do endividamento dos EUA, os partidos roçam o piso da aprovação junto ao eleitorado.

Obama, embora não tenha motivos para soltar fogos, emerge da pesquisa em posição menos incômoda do que a dos congressistas.

No geral, O Gallup revela que o eleitor americano não ignora o essencial: a discussão sobre a rolagem da dívida está intoxicada pelo veneno sucessório.

A sucessão dos EUA está agendada para 2012. Os republicanos enxergaram no embate da dívida uma oportunidade para fragilizar Obama, candidato à reeleição.

A julgar pelos dados colecionados pelo Gallup, o eleitor americano, assediado pela crise, acha que os políticos deveriam esquecer as urnas.

Vem daí o cheiro de consenso que começa a exalar dos debates travados no Senado. Melhor para os mercados mundiais.

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Escrito por Josias de Souza às 05h50

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As manchetes desta quarta

- Globo: A tragédia da corrupção - Dilma amplia faxina e varre mais seis nos Transportes

- Folha: Faxina derruba mais 6 nomeados dos Transportes

- Estadão: 'Faxina' nos Transportes derruba mais seis e continua

- Correio: O brasileiro virou bobo da corte

- Valor: Dados mostram economia ainda em ritmo vigoroso

- Estado de Minas: DNIT desgovernado nós somos as vítimas

- Zero Hora: Piratini pede discrição policial em operações

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Site de relacionamento$!

Paixão

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Escrito por Josias de Souza às 00h49

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Dilma diz que estenderá ‘limpeza’ do Dnit aos Estados

  Sérgio Lima/Folha
Dilma Rousseff encomendou um levantamento sobre as superintendências do Dnit nos 26 Estados e no Distrito Federal.

Quer conhecer o perfil dos superintendentes. Deseja saber quem os indicou. Requisitou dados sobre a situação das obras, sobretudo as do PAC.

Um auxiliar da presidente disse ao blog que Dilma decidiu levar aos Estados a “limpeza” iniciada por Brasília.

Responsável pela infraestrutura terrestre do país, o Dnit tornou-se o principal foco de irregularidades no Ministério dos Transportes.

Pesquisa preliminar, ainda sujeita a ajustes, indica que a grossa maioria das superintendências estaduais é controlada pelo PR.

Das 27 unidades da federação, Luiz Antonio Pagot, em férias da direção-geral do Dnit, confiou entre 15 e 17 chefias a apadrinhados do PR.

Se levar às últimas consequências seus propósitos higienizadores, Dilma terá de lidar com uma saia justa palaciana.

Atribui-se à ministra petista Ideli Salvatti (Relações Institucionais) a indicação do superintendente do Dnit em Santa Catarina, João José dos Santos.

“Para ser levada a sério, a presidente tem de demitir o protegido da Ideli”, disse ao repórter, em timbre de sarcasmo, uma liderança do PR.

Dono de 40 votos na Câmara e seis no Senado, o PR espera que Dilma afaste também Hideraldo Caron, o poderoso diretor de Infraestrutua Rodoviária do Dnit.

Em privado, a presidente diz que a cabeça de Caron, filiado ao PT do Rio Grande do Sul, também será levada à bandeja. Mordido, o PR fustiga:

“Não há contrato relevante no Dnit que não tenha passado pela mesa dele [Caron]”, realça o mandachuva do PR que conversou com o repórter.

“O nosso pessoal foi afastado sem oportunidade de defesa. O Hideraldo Caron, homem do PT, continua lá. Por que a diferença de tratamento?”.

Por ora, foram ao cadafalso dos Transportes 12 pessoas vinculadas ao PR. Entre elas o ex-ministro Alfredo Nascimento (AM), presidente do partido.

Se Dilma cumprir a promessa de demitir Pagot depois das férias, a soma das cabeças levadas à guilhotina vai a 13.

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Escrito por Josias de Souza às 23h27

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Justiça bloqueia bens de Agnelo, o governador do DF

Lindomar Cruz/ABr

A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou a indisponibilidade dos bens do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

A providência foi solicitada pelo Ministério Público e deferida pelo juiz federal Sérgio Ricardo de Arruda Fernandes.

Trata-se de medida preventiva, adotada em processo no qual Agnelo é acusado de malfeitos da época em que foi ministro dos Esportes de Lula.

Agnelo é acusado de referendar como ministro uma operação que resultou em prejuízo de R$ 10 milhões à Viúva.

Detectou-se um superfaturamento de 62% no aluguel de apartamentos utlizados por atletas dos Jogos Panamericanos de 2007.

Além do governador petista, foram alcançados pelo bloqueio de bens outras duas pessoas:

André Gustavo Richer, que era vice-presidente do Comitê Organizador dos jogos; e André Almeida Cunha Arantes, ex-secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento.

Os três negam a acusação. Se condenados, entre outras penas, terão de ressarcir os danos. Daí a indisponibilidade dos bens.

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Escrito por Josias de Souza às 22h18

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No CE, desviam-se até verbas destinadas a banheiros

Surgiu no Ceará um caso que acomoda o desvio de verbas públicas num ambiente, digamos, peculiar: o banheiro.

O governo cearense possui um programa de construção de sanitários em casas do interior do Estado.

Descobriu-se que parte do dinheiro que deveria financiar as obras escorre pelo esgoto sem que as privadas sejam instaladas nas residências.

Nesta terça (19), a repórter Lucinthya Gomes levou às páginas do diário ‘O Povo’ notícia que injeta no escândalo um quê de impensável.

Descobriu-se que a mulher, um filho e um assessor do presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) presidiram entidades contratadas para erguer banheiros.

Chama-se Teodorico Menezes o presidente do TCE. A mulher dele é Antonísia Barreto Menezes.

Em 2008, Antonísia presidia a Sociedade de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Pacajus.

Recebeu da secretaria das Cidades, pasta do governo do Ceará, R$ 300 mil. A verba destinava-se à instalação de banheiros em 200 casas.

Em visita à cidade de Pacajus, a repórter constatou que o endereço da entidade, anotado no contrato com o governo, não existe.

Ouvidos, moradores e comerciantes do município disseram que jamais ouviram falar da “sociedade” presidida por Antonísia. Tampouco sabiam dos banheiros.

Em 2010, foi à presidência da entidade de Pacajus Thiago Barreto Menezes. Vem a ser filho de Antonísia e de Teodorico, o presidente do TCE.

Sob Thiago, a Sociedade de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Pacajus firmou novo convênio com a secretaria das Cidades.

Novamente, o objeto do contrato era a construção de banheiros. Aquantidade era a mesma: 200. A verba liberada, era maior: R$ 300 mil.

Além da mulher e do filho, um assessor de Teodorico, Antônio Carlos Gomes, frequenta o caso dos banheiros.

Antônio Carlos presidia em 2010 a Associação Cultural dos Amigos de Horizonte. A pretexto de 200 banheiros, recebeu do governo cearense R$ 400 mil.

No “Portal da Transparência”, mantido na web pelo governo do Ceará, os contratos de 2010 –o de Pacajus e o de Horizonte— estão inscritos como inadimplentes.

A inadimplência alcança a totalidade das cifras liberadas. Houve, em cada caso, duas prorrogações do convênio. E nada dos banheiros.

Nesta terça (19), dia em que as novidades foram veiculadas, Teodorico Menezes saiu em férias. Cabe ao tribunal presidido por ele fiscalizar os gastos públicos.

Ouvido, o titular da secretaria das Cidades, Sérgio Barbosa de Souza, disse que a pasta que dirige deve incluir nos convênios sanitários uma exigência adicional.

As entidades terão de localizar as casas supostamente beneficiadas com banheiros por meio de GPS. “É uma burocracia grande, mas vamos ter de fazer”, disse.

Por que a secretaria não vai às casas para verificar se os banheiros foram feitos? O secretário alega que a grande quantidade de convênios inviabiliza a fiscalização in loco.

Brasilllll!

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Escrito por Josias de Souza às 21h21

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Fisco registra novo recorde em junho: R$ 82,7 bilhões

Elza Fiúza/ABr

Em junho, a Receita Federal coletou R$ 82,726 bilhões em impostos. Um recorde para o mês. Na comparação com junho do ano passado, um salto de 23%.

Secretário da Receita, Carlos Alberto Barreto (foto) disse que o resultado foi atípico. Por quê? 

Embute receitas provenientes de um novo Refis, programa de parcelamento tributário.

Porém, mesmo excluindo-se a grana que entrou graças ao parcelamento, o crescimento da arrecadação foi de notáveis 13%.

O desempenho do fisco faz brilhar os olhos dos membros do PR e demais partidos do condomínio que dá suporte congressual ao governo.

As arcas do Tesouro guardam, agora, mais matéria-prima para a usina de desvios e escândalos que opera sob Dilma Rousseff.

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Escrito por Josias de Souza às 19h28

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IBGE: desemprego de 6,2% sinaliza mercado ‘parado’

  Folha
Saiu o resultado da
Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Considerando-se a conjuntura, os dados carregam boas notícias.

A taxa de desemprego de junho recuou para 6,2%. Em maio, havia sido de 6,4%. Em junho do ano passado, 7,5%.

A redução de 0,2 ponto percentual produziu o melhor junho desde 2002, ano em que a pesquisa começou a ser feita.

O IBGE não chega a soltar fogos. Ao contrário, o gerente da pesquisa, Cimar Azevedo Pereira, enxerga sob os dados um mercado, por assim dizer, congelado.

"O mercado de trabalho está parado. Não apresenta evolução. Era esperada uma inflexão da taxa de desocupação que não aconteceu ainda."

Para Cimar, o tônico de 0,2% na taxa de ocupação configura “estabilidade”. Coisa insuficiente para fazer o índice de desemprego cair de modo significativo.

Levando-se em conta que o esforço do governo para deter a inflação conspira contra o crescimento do PIB, a estabilidade no emprego não é má notícia.

O IBGE detectou evolução na renda média do trabalhador: R$ 1.578,50 em junho (0,5% de alta em relação a maio; 4% a mais na comparação com junho de 2010).

Significa dizer que o desaquecimento da economia ainda não afetou o poder de compra do brasileiro com carteira assinada.

A reporter Miriam Leitão detectou um espinho no caule que sustenta as pétalas da pesquisa do IBGE.

A taxa de desocupação dos jovens de 18 a 24 anos, que tinha baixado de 15% para 13,5%, voltou a subir em junho. Foi a 14,4%.

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Escrito por Josias de Souza às 18h55

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Dilma afasta mais seis nos Transportes, a ‘boca’ do PR

 

O Partido da República cometeu vários crimes que justificam a (má) fama. O primeiro delito foi o de existir. Seria tolerável, se ficasse nisso.

Porém, resultado da fusão do PL com o Prona, o PR decidiu existir em quantidade exagerada. Em números de hoje: 40 deputados e seis senadores.

A coisa tornou-se mais grave quando o PR organizou-se. Pior: aliou-se ao PT, conquistando pedaços do Estado.

Finalmente, já livre de qualquer tipo de escrúpulo, o PR cometeu outro crime: exagerou. Ou, por outra, esqueceu de maneirar.

Ao levar a audácia longe demais, o PR cometeu seu crime mais grave: virou notícia. Foi às manchetes com escândalo.

Dilma Rousseff, que se limitava a fazer boca de nojo diante da herança recebida de Lula, viu-se compelida a fazer algo mais.

A presidente tenta retomar Ministério dos Transportes, convertido pelo PR em zona de exclusão, uma boca partidária. Faz por pressão o que não fez por precaução.

Nesta terça (19), foram mandados ao olho da rua mais seis “servidores” dos Transportes. Com isso, subiu para 12 o número de escalpos.

Um dos novos afastados era ligado ao deputado Valdemar Costa Neto. Dois eram vinculados ao senador e ex-ministro Alfredo Nascimento.

O quarteirão do Dnit virou uma espécie de terreno baldio. Sem diretor-geral, o órgão aguarda pela chegada da cavalaria.

Ao cometer o crime hediondo do exagero, o PR subverteu a essência do fisiologismo de resultados que impulsiona o consórcio governista.

Desde o mensalão, estava combinado que as legendas iriam aos cofres com método. A invisibilidade era essencial à governabilidade da roubalheira.

Gravitam em torno de Dilma 14 partidos. A selvageria do PR como que destruiu o muro de boas intenções que cercava as boca$.

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Escrito por Josias de Souza às 16h08

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Boa notícia: Sarney anuncia que vai deixar a política!

  Lula Marques/Folha
Calma, não se precipite. Guarde os fogos. A notícia é boa, mas nem tanto. A aposentadoria de José Sarney só virá em 2014.

Foi o próprio tetrapresidente do Senado quem informou: ao término do mandato, não irá mais às urnas. Vai cuidar da família e dedicar-se à “literatura”.

Sarney, 81, soou assim, alvissareiro, numa entrevista concedida no Maranhão. Deu-se, segundo a Folha, no lançamento do livro “Sarney, a Biografia”, de Regina Echeverria.

A governadora Roseana Sarney, filha do candidato à aposentadoria, declarou que a afirmação do pai não foi extemporânea:

"Apenas perguntaram e ele respondeu. Ele quer se dedicar mais à literatura. Já está muito dividido, mas é um político nato, faz parte da história do país."

No dizer de Roseana, Sarney deseja "encerrar enquanto está bem de saúde". Quer “paz para conviver com a família" depois de ter "prestado um serviço à nação."

A governadora, veja você, ameaça mimetizar o senador: "Vou fazer o melhor governo da minha vida e vou ficar também de assistente…”

“…Cansei de não me reconhecerem. Sempre sou filha de alguém, ou então é a tal oligarquia."

Pai e filha de pijamas! Será?

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Escrito por Josias de Souza às 07h33

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No MT, firma de irmão do chefe do Dnit leva R$ 26 mi

  Alan Marques/Folha
Chama-se Nilton Brito o superintendente do Dnit no Mato Grosso. Foi alçado ao cargo, em 2010, por Luiz Antonio Pagot (foto), o diretor-geral do órgão, em férias.

Quase homônimo de Nilton Brito, o irmão dele, Milton Brito, é dono da empresa Engeponte Construções.

A empreiteira de Milton amealhou no órgão dirigido por Nilton contratos no valor de R$ 26 milhões nos últimos dois anos.

Deve-se a revelação ao repórter Rubens Valente. Ele conta que, em 2009, Nilton assistiu aos negócios de Milton desde Brasília.

Nessa época, Nilton trabalhava na direção-geral do Dnit, sob Pagot. Era coordenador-geral de Desenvolvimento de Projetos.

No ano seguinte, transferido para a superintendência matogrossense, Nilton vinculou-se diretamente às obras tocadas por Milton.

Ouvido, o Brito empresário disse ter declarado ao Brito do Dnit: “Pede demissão já. Vem trabalhar comigo.”

Milton, o construtor, contou que Nilton, o “servidor”, é sócio dele noutra empresa, a Construtora Tocantins, que ergue casas com verbas do Minha Casa, Minha Vida.

Milton corrigiu-se minutos depois. Declarou que, ao ingressar no Dnit, em 2008, Nilton transferira sua cotas na Tocantins para a mulher.

Nilton, o do Dnit, referiu-se aos negócios do irmão assim: "Ele é engenheiro, tem empresa há muito tempo…”

“…Já trabalhava com o Dnit, não posso impedi-lo de trabalhar. Eu não tenho vínculo com ele, sou funcionário público."

Avisou ao novo ministro dos Transportes, Paulo Passos sobre o conflito de interesses? "Não vi necessidade", disse Nilton.

E quanto à Construtora Tocantins, aquela que belisca contratos do programa federal de casas populares? "Essa empresa nós herdamos de nosso pai…”

“…Eu, por força de que sou um servidor, não botei em meu nome, botei em nome de minha esposa…”

“…Essa empresa não tem nenhum contrato público, é empresa de incorporação."

Postado do lado de fora do balcão do Dnit, Milton diz que a presença de Nilton no Dnit só o “atrapalha”. Como assim?

"A verdade é a seguinte: eu sempre trabalhei nisso [obras]. Meu irmão pega e aceita cargo. Por mim ele não aceitaria cargo nenhum…”

“...Por mim, eu queria mais que ele fosse para o olho da rua, porque ele só me atrapalha…"

“…Se fosse me locupletar com isso eu deveria ter uns R$ 100 milhões de contrato."

Se mantiver o padrão inaugurado na semana passada, Dilma Rousseff talvez atenda Milton, enviando Nilton ao meio-fio.

Foi o que sucedeu em caso semelhante, envolvendo José Henrique Coelho Sadok de Sá, que respondia interinamente pela direção-geral do Dnit.

Descobriu-se que uma empresa da mulher de Sadok de Sá fechara contratos de R$ 18 milhões para a recuperação de rodovias em Roraima.

Por ordem de Dilma, o interino de Pagot foi demitido. Por analogia, Nilton Brito também deveria receber cartão vermelho.

Procurado, Pagot preferiu não comentar: “Vai ter um momento de falar. Não agora”, declarou, antes de desligar o telepone.

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Escrito por Josias de Souza às 07h05

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Contra TCU, Valdemar faz lobby por obra de R$ 16 mi

Divulgação

A foto acima ilustrou notícia veiculada em 21 de marco de 2010 no site da Câmara Municipal da cidade de Barretos, no interior de São Paulo.

O texto celebrava a abertura de uma licitação do Dnit, o departamento que cuida da infraestrutura dos transportes no país. Coisa de R$ 16 milhões.

A verba seria despejada na recuperação e conclusão de uma obra contra a qual se insurge o TCU, o “Contorno Ferroviário de Barretos”.

Coube a Frederico Augusto de Oliveira Dias –no primeiro plano da foto, à esquerda— anunciar a novidade da licitação.

Amigo do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP, no centro da foto, ao fundo), Frederico ostentava à época o título de “assessor” do Dnit.

Foi afastado na semana passada, por ordem de Dilma Rousseff. Descobriu-se que ocupava gabinete no Dnit sem pertencer aos quadros da pasta dos Transportes.

Frederico desfilava pelo ministério como homem de Valdemar. Luiz Antonio Pagot, o diretor-geral que tirou férias do Dnit, definiu-o como um mero office-boy.

Em 1 de dezembro de 2010, ainda sob Lula, o Dnit homologou o resultado da licitação que Frederico ‘Boy’ Dias colocara de pé nove meses antes.

A homologação foi assinada pelo superintendente Regional do Dnit em São Paulo, Ricardo Rossi Madalena, outro apadrinhado de Valdemar.

A assinatura foi alardeada no site do PR-SP. Testemunhou-a o presidente da Câmara Municipal de Barretos, o pêérre Paulo Correa (à direita na foto, ao lado de Frederico).

Sagrou-se vencedora na licitação a empresa Egesa Engenharia. Dispôs-se a tocar a obra por R$ 16.093.350,88.

Um mês depois de a Egesa ter sido declarada vitoriosa, Lula transferiu a faixa de presidente para Dilma Rousseff.

Desde então, o deputado Valdemar, todo-poderoso secretário-geral do PR, pressiona o Ministério dos Transportes para que libere os R$ 16 milhões.

A obra de Barretos só não começou porque o Dnit precisa contratar uma empresa para supervisioná-la.

Nesse meio tempo, caiu sobre a cabeça de Dilma o escândalo dos Transportes. Ficou-se sabendo que funcionava no ministério um esquema de cobrança de propinas.

Afora a queda do ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) e de seu staff, o mensaleiro Valdemar, apontado como operador dos malfeitos, tornou-se aliado tóxico.

Para complicar, o repórter Fábio Frabrini produziu notícia que acomoda o empreendimento ferroviário de Barretos na vala de melado que escorre do Dnit.

A Egesa, empreiteira que beliscou a obra, é doadora do PR. Em 2010, borrifou R$ 314,7 mil nas arcas do diretório nacional da legenda.

De resto, azeitou as campanhas de oito candidatos do partido de Valdemar com R$ 850 mil.

Auditoria do TCU constatou que um pedaço do Contorno Ferroviário de Barretos –11 km—, que a Egesa se dispõem a “reformar”, ficou pronto em 2006.

Foi construído graças a um convênio firmado entre a prefeitura e o Ministério dos Transportes. Gastaram-se R$ 10 milhões. O Dnit entrou com R$ 5,7 milhões.

A obra foi tocada na época por outra construtora, a Spel. Dois anos depois da “conclusão” da ferrovia, o Dnit já alegava que seria necessário reformá-la.

Daí a nova licitação. O problema é que, pelo Código Civil, o construtor deve responder pela “solidez e a segurança” das obras por até cinco anos.

Para o TCU, o Dnit deveria cobrar as garantias da Spel, não contratar outra empresa.

Há mais: em relatório, o TCU constata que o material orçado pela Egesa, a doadora do PR, daria para refazer toda a linha férrea. Diz o texto:

“A planilha orçamentária […] prevê troca de 100% dos dormentes de madeira, de 100% da brita de lastro…”

“…Além de apresentar quantitativos de escavação, carga e transporte de terra […] e plantio de grama que também cobrem a quase totalidade do trecho.”

Alheio à atmosfera conspurcada de Brasília, o vereador Paulo Corrêa (PR), mandachuva da Câmara Municipal de Barretos, fala da obra como fato consumado.

Em entrevista a uma TV local, o vereador declarou: a despeito do vaivém de cadeiras, “o Ministério dos Transportes é comandado pelo Partido da República” (assista).

Ouvido, o prefeito de Barretos, Emanuel Carvalho (PTB), disse que a obra foi realizada pela gestão que o antecedeu.

Afirmou que, quando pediu verbas federais para complementar a ferrovia, o Dnit decidiu assumi-la por inteiro. Resta agora saber se Dilma vai liberar.

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Escrito por Josias de Souza às 05h22

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As manchetes desta terça

- Globo: Das verbas desviadas, 70% são de Saúde e Educação

- Folha: Acidentes com moto na Rebouças dobram em 4 anos

- Estadão: Contrariando Carvalho, Dilma demitirá diretor do Dnit

- Correio: Governo nega aumento de R$ 40 bi a servidores

- Valor: Indecisão na Europa amplia crise

- Estado de Minas: É ilegal, mas...

- Jornal do Commercio: Mapas das áreas de risco estão defasados

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h03

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PR 171, rodovia da morte!

Benett

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Escrito por Josias de Souza às 01h33

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‘No banco, oposição quer que o titular quebre a perna’

Juca Varella/Folha

Lula ‘Vou Voltar a Viajar pelo País’ da Silva recebeu nesta segunda (18) uma homenagem da Fiesp.

A entidade ofereceu ao ex-soberano um jantar. Ao chegar, Lula foi apresentado a uma “surpresa”.

Sem que o ex-soberano soubesse, foi à parede uma exposição de 41 fotos clicadas durante seus dois reinados (2003-2010).

Acompanhado da mulher, Marisa, e do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Lula escorregou o olhar pelas imagens.

Não deu uma entrevista formal. Mas, enquanto se auto-admirava, foi servindo aos repórteres comentários esparsos.

Num deles, elogiou o comportamento de Dilma Rousseff no trato com a corrupção dos Transportes, cujas raízes foram plantadas na gestão passada:

“Ela se saiu bem como em qualquer outra situação”.

A certa altura, insinuou que as lentes das câmeras que o seguiam dispunham de alvo mais atraente: o campo em que a Seleção Brasileira perdera para o Paraguai, na véspera:

“Em vez de me filmar, grava lá o buraco do pênalti”, afirmou, ironizando os craques que atribuíram às más condições do gramado o desperdício de quatro penalidades.

Deu a entender que a coisa é mais simples do que os jogadores tentam fazer crer:

“Hoje a coisa mais fácil não é escolher canto, é jogar na frente do goleiro, que a gente sabe que ele vai pular”.

Já à mesa, Lula degustou um discurso laudatório de Skaff. O mandachuva da Fiesp ergueu um brinde.

Nos copos, a cachaça "Maria da Cruz", produzida em alambiques do ex-vice-presidente José Alencar.

Na sua vez de falar, Lula sacou contra os adversários dele e de Dilma uma metáfora futebolística:

“Oposição é como jogador no banco [de reservas]. Quer que o titular quebre a perna.”

O ex-soberano leva ao pé da letra a promessa que fizera na semana passada: “Vou voltar a viajar pelo país, para incomodar muita gente”.

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Escrito por Josias de Souza às 23h15

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Dilma retira do Senado nome que indicara para Dnit

  Lula Marques/Folha
Dilma Rousseff desistiu de acomodar na diretoria de Administração e Finanças do Denit o contador Augusto César Carvalho Barbosa de Souza.

O Planalto havia submetido o nome de Augusto César ao Senado em 13 de junho. Na última sexta (15), Dilma deu meia-volta.

O ato de “desnomeação” do diretor foi publicado no “Diário Oficial” desta segunda (18), antes que a nomeação pudesse ser apreciada pelos senadores.

Hoje, Augusto César responde pela Ouvidoria do Denit. Recebe e processa -ou deveria processar- denúncias de malfeitos contra o órgão.

No novo posto, o contador cuidaria de todos os pagamentos do Dnit. Liberaria as verbas que financiam as obras do departamento.

O nome de Augusto Cesar fora ao Senado no mesmo 13 de junho em que o antigo ocupante do posto, Hideraldo Cosentino, descera foi ao meio-fio.

Devia-se a indicação ao senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que caíra da poltrona de ministro dos Transportes uma semana antes, em 6 de julho.

Por alguma razão, Dilma concluiu que o indicado de Nascimento não é a pessoa mais indicada para controlar a chave do cofre do Dnit.

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Escrito por Josias de Souza às 20h21

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Cientistas usam GPS para vigiar gato. Serve pra rato?

 

No vídeo, uma experiência alvissareira tocada no Reino Unido: um GPS, combinado a uma microcâmera, vigia o compartamento dos gatos.

Imagine-se a utilidade que o experimento pode ter se puder ser estendido ao estudo dos ratos! O governo brasileiro deveria demonstrar interesse.

Convém correr. Em Brasília, o queijo já é 99,9% feito de buracos.

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Escrito por Josias de Souza às 19h43

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Dilma discute com ministros crise que assedia os EUA

Elza Fiúza/ABr

Dilma Rousseff reuniu-se nesta segunda (18) com os ministros que integram a coordenação de seu governo.

No encontro, o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, fez uma análise da conjuntura econômica mundial.

Falou sobre a crise que convulsiona os países da periferia da Europa. Mas deu especial realce à crise da dívida dos EUA.

Como se sabe, Barack Obama precisa arrancar do Congresso americano, até 2 de agosto, uma autorização para elevar o teto da dívida dos EUA.

Hoje, a dívida americana roda na casa dos U$S 14,3 trilhões. Rivais de Obama, os republicanos ameaçam negar à Casa Branca autorização para emitir mais papéis.

Sem o papelório que permite ao Tesouro captar mais recursos, os EUA darão o beiço em seus credores. Um calote planetário.

O Brasil é o terceiro maior credor dos EUA. A despeito disso, a gestão Dilma não esboçou nenhuma medida para se contrapor à eventual tormenta.

Presente à reunião do Planalto, o vice-presidente Michel Temer foi à boca do palco para trocar um dedo de prosa com os repórteres.

Perguntou-se a Temer se há “no forno” um lote de providências econômicas. E ele: "Não, neste momento, [medidas] emergenciais, nenhuma".

Segundo Temer, Brasília trabalha com a expectativa de que Washington chegará a um acordo sobre a dívida.

No pior cenário, imagina-se no Planalto que Obama recorrerá à Suprema Corte dos EUA para assegurar o pagamento da dívida, caso prevaleça o impasse.

A encrenca que mantém a maior economia do mundo à beira do abismo é travada contra um pano de fundo político.

A eleição presidencial americana será em 2012. E os republicanos agem para enfraquecer o democrata Obama, candidato declarado à reeleição.

Condicionam a elevação do pé direito da dívida à aprovação de um pacote fiscal. Os republicanos querem cortar gastos.

Os democratas tentam atenuar o peso da faca elevando a carga de tributos que incide sobre os milionários e os bilionários americanos.

Obama fxou prazo para que a negociação produza um acordo: até sexta (22). Por ora, nada.

Líderes do Senado dos EUA informaram que a Casa ficará em sessão permanente até que a fricção leve ao acerto.

As principais bolsas de valores do mundo olham para Washington de esguelha. Na dúvida, cresce o movimento de venda de ações.

O excesso de oferta derruba as cotações. E as bolsas afundam. No Brasil, a Bovespa fechou nesta segunda (18) 58.843 pontos –já esteve perto dos 70 mil pontos.

Em reunião com congressistas do partido de Obama, o Democrota, o mandachuva do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, pintou um quadro funesto.

Disse que, prevalecendo o dissenso sobre o teto de endividamento do país, haverá uma crise parecida com a que eletrificou a economia mundial em 2008.

O Planalto não ignora: "É evidente que ninguém escapa das consequências. Muda o cenário econômico mundial", reconheceu o ministro planaltino Gilberto Carvalho.

Escora-se a ausência de estudos sobre medidas preventivas no otimismo: "Nós consideramos muito pouco provável que não haja um acordo”, disse Gilberto.

De fato, parece impensável que os EUA cometam um “economicídio”. Mas Dilma não perderia se recomendasse à sua turma uma preparação para o pior.

Já diziam as vovós: cautela e caldo de galinha…

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Escrito por Josias de Souza às 18h58

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Vem aí vigésimo nono partido político do Brasil: ‘PDN’

Miran

Receita de novo partido: pega-se uma pitada de pragmatismo. Mistura-se aos outros três ‘ismos’ essenciais: oportunismo, governismo e banditismo.

Com ataques à velha legenda e divergências, faz-se um motivo. Com raspas de emendas e favores, faz-se o rol de adesõe$.

Leva-se a mistura ao fogo brando. Azeita-se a grelha com o déficit público. Vira-se lentamente até atingir o ponto. Come-se com o bolso.

Os arquivos do TSE informam que há no Brasil 27 partidos políticos. Livrando-se do fracasso, o PSD de Gilberto Kassab irá à lista como a 28a legenda.

Como se fosse pouco, o deputado federal Diego Andrade (PR-MG) anunciou nesta segunda (18) que vem aí a agremiação de número 29: PDN.

O Partido do Desenvolvimento Nacional nascerá de uma costela do Partido da República, o famigerado PR.

A dissidência do deputado Andrade, liderada pelo tio dele, o senador Clésio Andrade (PR-MG), rebela-se contra o secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto (SP).

Submetidos ao estilo mão-de-ferro que Valdemar impõe ao PR, os Andrade puxam o PDN. O eleitor puxa o ronco. A Viúva agarra-se à bolsa e puxa o 38.

- Ilustração via Miran Cartum. Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Dúvida brasiliense: Pagot vai voltar ou será afastado?

Noutros tempos, a grande dúvida nacional era: com gás ou sem gás? Hoje, é outra a interrogação primordial: com Pagot ou sem Pagot?

Dilma mandou informar que Pagot está fora do Dnit. De volta das férias, será enviado ao olho da rua.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) declara coisa diferente:

"A palavra que ela [Dilma] nos deu foi de que o Pagot gozasse das suas férias e, na volta, ela vai tomar a decisão [sobre se vai ou não afastá-lo do Dnit]."

Quer dizer: ou Gilbertinho está apenas exercitando aquilo que os gregos chamavam de eufemismo ou Dilma talvez tenha de levar mais gente à fila do cadafalso.

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Escrito por Josias de Souza às 14h57

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Sobre Seleção Brasileira, os bebês e a água do banho

Daniel Garcia/FP

Resumo do jogo-vexame da seleção brasileira de futebol contra o algoz paraguaio, na Copa América:

No tempo regulamentar, o time de Mano Menezes lavou bebê e jogou fora a água do banho.

Na prorrogação, jogou fora o bebê e água do banho.

Na cobrança dos pênaltis, chutou pra fora o bebê. Sem água e sem banho.

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Escrito por Josias de Souza às 06h21

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Taques:‘Senadores têm menos poderes que delegado’

  Divulgação
Senador de primeiro mandato, Pedro Taques (PDT-MT) declara-se “frustrado” com os primeiros seis meses de exercício do mandato. Ex-procurador da República, diz que tinha mais poderes no Ministério Público do que no Senado. 

“Qualquer delegado de polícia pode intimar um cidadão para prestar esclarecimentos. As comissões do Senado, exceto CPIs, só podem convidar. Ou seja: senadores podem menos que um delegado. Tive 708.440 votos e não posso requisitar um documento para um barnabé.” 

Em entrevista a blog, Taques falou sobre o esforço que tenta empreender para restaurar os poderes do Legislativo. Vai abaixo a transcrição:


- Que achou dos primeiros seis meses no Senado? Termino esse primeiro semestre frustrado. O Legislativo tornou-se apêndice do Poder Executivo. Durante não votamos projetos de iniciativa parlamentar. Só votamos medidas provisórias. Há um enfraquecimento da função legislativa. As medidas provisórias deram ao Executivo poderes quase imperiais. O Judiciário também se fortalece, por meio da chamada legislação judicial.

- Refere-se ao STF? Sim. Um exemplo é a recente decisão que legalizou a união entre pessoas do mesmo sexo. Um tema relevante sobre qual o Congresso se absteve de decidir, foi omisso. Tenho refletido com outros senadores –Demóstenes Torres [DEM], Randolfe Rodrigues [PSOL], Pedro Simon [PMDB],  Cristovam Buarque [PDT] e Aécio Neves [PSDB]— sobre a restauração do Legislativo. Hoje, quem pauta todos os assuntos é o Executivo.

- Meia dúzia de andorinhas farão verão no Senado? Talvez não. Mas o que devo fazer, renunciar ao mandato? Prefiro estudar o problema e propor soluções. Até a Revolução Francesa, os parlamentos apenas fiscalizavam. A inovação que conferiu poder aos parlamentos para legislar veio no século 19. No século 20, com o surgimento do Estado do bem-estar social, os Executivos sentiram a necessidade de intervir rapidamente na ordem jurídica. Surgiu o ‘decreto legis’ na Itália, o decreto lei no Brasil, depois substituído pela medida provisória. Hoje, convivemos com um processo legislativo bizantino.

- O que fazer? Estou elaborando proposta de emenda à Constituição que estabelece um novo processo legislativo. Não tenho força política. Só me resta tentar convencer.

- Como procurador da República, o sr. tinha mais poderes, não? Sem dúvida. Eu pedia prisões, requeria a indisponibilidade de bens… Procurador requisita informações e fixa prazos. Se a autoridade sonega o dado, comete crime. Qualquer delegado de polícia pode intimar um cidadão para prestar esclarecimentos. As comissões do Senado, exceto CPIs, só podem convidar. Ou seja: senadores podem menos que um delegado. Tive 708.440 votos e não posso requisitar um documento para um barnabé.

- Que mudanças sugere para o processo legislativo? Há no Congresso quase 30 mil projetos de lei. Se nenhum congressista apresentasse mais nenhum, levaríamos cem anos para decidir sobre os projetos que já tramitam. É preciso acelerar o rito. O Supremo tem 11 ministros. Como não conseguem decidir tudo no plenário, dividem-se em duas turmas. O STJ, com 33 ministros, tem turmas e câmaras. No Congresso é preciso dar mais poderes às comissões temáticas.

- Comissões já podem deliberar sobre certos temas, não? Nossa Constituição copiou isso da Itália. É o chamado processo legislativo abreviado. As comissões podem aprovar projetos de lei. O regimento interno do Senado define quais matérias que podem ser aprovadas nas comissões. O que precisamos é ampliar esses temas, deixando para o plenário do Senado os temas mais estruturantes para o Brasil.

- E quanto às medidas provisórias? Quando o [José] Sarney apresentou a proposta que altera o rito das MPs, tentamos dar poderes às comissões de Constituição e Justiça da Câmara e do Senado, para analisar os requisitos e também o mérito das medidas provisórias.

- A presidente Dilma levou o pé à porta e… Participei de um almoço no Alvorada, junto com a bancada do PDT. Disse pra ela: nenhum presidente governa sem medidas provisórias. Numa sociedade de risco, tudo se passa muito rapidamente, notadamente na macroeconomia. Mas os poderes do presidente não podem atrofiar o Legislativo. A Dilma não aceitou que a MP só produzisse efeitos depois que as comissões a analisassem. 

- De novo, o que fazer? Estou analisando as constituições de outros países. Podemos construir uma medida de emergência do Poder Legislativo.

- Seria uma espécie de MP do Congresso? Exatamente.

- Entraria em vigor antes da sanção presidencial? Vigoraria imediatamente. E  fixaríamos um prazo para que o presidente se manifestasse. Funcionaria como uma liminar do Judiciário, que pode ser cassada. Obviamente, é preciso que o fato justifique a medida. Mas precisamos restaurar os poderes do Legislativo. Além disso, tem de corrigir disfunções internas.

- Que disfunções? No Judiciário, os processos são distribuídos por sorteio. No Congresso, os relatores dos projetos e das medidas provisórias são escolhidos segundo a vontade dos presidentes da Casa e das comissões. O ideal seria que tivéssemos sorteio. Tem de acabar também a chamada ditadura das lideranças. Meia dúzia de pessoas decidem tudo, sem dispor da legitimidade do todo. Não sou líder, mas fui eleito. Tenho a mesma legitimidade de um líder.

- E quanto às outras funções do congressista? Além da tarefa de legislar, hoje atrofiada, o parlamentar tem outras duas funções: fiscalizar e levar dinheiro para o Estado, por meio das emendas orçamentárias. Eu disse para a presidente: no modelo atual, qualquer presidente fica refém da chamada base. Precisamos mudar isso. A partir das emendas, chega-se ao aparelhamento do Estado por um partido. Precisamos de um serviço público profissional, qualificado. Governos acabam, a Dilma passa. A burocracia estatal precisa ser permanente.

- A maioria governista não eliminou a possibilidade de fiscalização, antes exercida pelas CPIs? Concordo. Nessa matéria, não sou situação nem oposição. Sou defensor do patrimônio da verdade. Assinei todas as CPIs que me chegaram. Há decisões do STF que dizem que CPI é instrumento das minorias, que não pode ser inviabilizado. Um parlamentar que assina uma CPI pode retirar a assinatura? Não faz sentido. Quando o Ministério Público ajuiza uma ação, ele não pode voltar atrás. Por quê? Para impedir que a ação seja retirada mediante pressão ou suborno. O mesmo tem de valer para o apoio às CPIs. Outra coisa: as comissões do Senado têm de ter poderes para convocar pessoas, não apenas convidar. Entendo que, como ex-procurador da República, meu papel é o de contribuir para chegarmos a isso. Embora frustrado, estou estimulado a, junto com outras pessoas, mudar essa realidade.

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Escrito por Josias de Souza às 05h17

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As manchetes desta segunda

- Globo: Teresópolis terá de devolver o dinheiro das chuvas

- Folha: Expansão imobiliária cria cinturão de favelas em SP

- Estadão: Dnit e Valec têm contratos com empresas suspeitas

- Correio: Aumento da violência sufoca hospitais do DF

- Valor: Belo Monte traz 'pesadelo' logístico para empresas

- Estado de Minas: Aposentado vira arrimo de família

- Jornal do Commercio: Só o Santa está feliz

- Zero Hora: DPs e Brigada Militar ampliam ofensiva pelo desarmamento no RS

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h42

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Estudantes!

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h27

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UNE elege presidente ligado ao PCdoB e ‘pró-governo’

A UNE elegeu neste domingo (17), último dia de seu 52o Congresso, um novo presidente.

Chama-se Daniel Iliescu. Tem 26 anos, cursa Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio e é ligado ao PCdoB.

Velho aliado de Lula, membro do condomínio partidário que dá suporte congressual a Dilma Rousseff, o PCdoB controla a UNE há duas décadas.

Iliescu representa a continuidade. Vai ao comando da UNE depois de chefiar a diretoria de Relações Internacionais da entidade.

Acena com a manutenção das boas relacõe$ com o governo, numa política de boa vizinhança inaugurada em 2003, sob Lula.

Instado a comentar o patrocínio estatal ao Congresso da UNE, orçado em R$ 4 milhões, o novo mandachuva disse:

“O governo sempre financiou outras entidades e a imprensa nunca criticou…”

“…Isso não influencia nossa política de reivindicações, que são contrárias ao que prega o governo”.

A UNE defende que o governo passé a destinar 10% do PIB para a educação. O MEC fala em 7%.

Considerando-se o timbre amistoso do novo mandachuva da UNE, a hipótese de a rapaziada repetir no Brasil o que se passa no Chile é nula.

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Escrito por Josias de Souza às 23h12

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Clovis Rossi: A fé ameaça quebrar economia dos EUA

Alan E.Cober

Vence em 15 dias o prazo que de que dispõe o Congresso dos EUA para decidir se autoriza ou não a Casa Branca a elevar o pé direito da dívida americana.

Se você integra o grupo do “e eu com isso?”, convém prestar atenção. Por quê? Os EUA estão endividados até a raiz dos cabelos do mundo.

No ranking dos compradores do papelório da dívida do Tesouro americano, o Brasil ocupa a terceira posição.

É contra esse pano de fundo que os republicanos, rivais de Barack Obama, caminham à beira do abismo pisando em ovos. Do planeta.

O reporter Clóvis Rossi levou às páginas da Folha artigo que ajuda a entender a encrenca. O texto vai abaixo:


O enrosco entre o presidente Barack Obama e os republicanos, em torno do aumento do teto de endividamento, não é uma questão política, econômica, contábil.

Trata-se de fé, de fundamentalismo religioso de parte dos integrantes do chamado Tea Party, o grupo de extrema-direita que emergiu com força na eleição de 2010.

Estão sempre possuídos de uma Estado-fobia que supera o que Paul Krugman, ontem neste mesmo espaço, chamava de loucura antiga dos republicanos.

Ajuda-memória: até o dia 2, o Congresso tem que autorizar o aumento do teto de endividamento, que está em US$ 14 trilhões, número inimaginável. Dá cerca de sete vezes tudo o que o Brasil produz por ano de bens e serviços.

Sem a autorização, o governo quebra. Não poderia mandar, por exemplo, o cheque para o velhinho aposentado de Utah ou o dinheiro, bem mais suculento, para os investidores chineses que compram aos cachos papéis do Tesouro norte-americano. Nem mesmo para o Brasil, terceiro maior comprador da dívida dos EUA.

A contrapartida da autorização terá que ser um ajuste fiscal de cerca de US$ 4 trilhões (dois Brasis). Ajuste fiscal, em qualquer lugar do mundo, compõe-se de duas fatias não necessariamente iguais: corte de gastos e aumento das receitas do governo.

Até a emergência do fundamentalismo do Tea Party, loucos ou não, os republicanos discutiriam com os democratas até que as duas partes se convencessem de que nada mais poderiam extrair da outra. O acordo sairia, na undécima hora, mas sairia.

Aí é que surge o fundamentalismo com que os republicanos do Tea Party abordam a negociação. Ela já começou desequilibrada a favor do corte de gastos: Obama, em abril, propunha US$ 1,5 trilhão de aumento de impostos (em 10 anos). Ou seja, 37,5% do ajuste viria do aumento de receitas; os dois terços restantes do corte de gastos.

Os republicanos refugaram, e a mais recente proposta do presidente, já em julho, passou a ser de US$ 750 bilhões. Ou seja, menos de 20% do ajuste viria do aumento de impostos e mais de 80% do corte de gastos.

Nem assim os republicanos estão aceitando. Não é que Obama queira, por exemplo, aumentar o imposto sobre valor agregado, que machuca todos os contribuintes, independentemente de sua renda. Não.

Acha apenas, como disse sexta-feira, que ‘milionários e bilionários podem fazer um pouco mais’, que é possível fechar ‘os buracos corporativos de forma que as companhias de petróleo não consigam desnecessárias isenções fiscais ou que os donos de jatinhos corporativos delas se beneficiem’.

Enfim, nada que não seja o mais clássico preceito tributário segundo o qual paga mais quem pode mais. Mas não basta para a turma do Tea Party, que quer zero de aumento de impostos e, de quebra, aleijar um presidente que consideram "socialista".

Torna-se por isso possível o cenário assim descrito para o "Financial Times" por Steve Wieting, analista do Citigroup: ‘Perguntar como poderia se parecer a economia norte-americana após um eventual calote equivale a perguntar o que você faria depois de cometer suicídio’.

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Escrito por Josias de Souza às 22h17

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Sob Passos, ‘aditivos’ dos Transportes subiram 154%

Renato Araújo/ABr

Escalado por Dilma Rousseff para higienizar a pasta dos Transportes, o “novo” ministro Paulo Sérgio Passos mais parece parte do problema do que da solução.

Um dos flagelos do setor confiado a Passos atende pelo nome de “aditivo”. Trata-se de um tipo de acerto por meio do qual o governo eleva o valor original das obras.

Foi por causa dos aditivos que Dilma Rousseff passou uma carraspana no staff dos Transportes dias antes de estourar o escândalo que eletrificou o ministério.

Pois bem. Descobriu-se que, em 2010, ano em que Paulo Passos foi ministro de Lula, a pasta elevou em 154% os aditivos que engordaram contratos firmados pelo Dnit.

Nos últimos seis meses de 2009, quando respondia pelo ministério o grão-pêérre Alfredo Nascimento, o Dnit assinou 53 aditivos. Coisa de R$ 309 milhões.

No mesmo período de 2010, quando Nascimento disputava o governo do Amazonas e Passos era o ministro, celebraram-se 113 aditivos –R$ 787 milhões.

Desse total, R$ 466,7 milhões (59%) engordaram contratos de obras tocadas por empresas que borrifaram verbas nas arcas eleitorais de políticos governistas.

Derrotado na disputa pelo governo amazonense e devolvido à cadeira de ministro por Dilma, Nascimento lipoaspirou os aditivos.

No semestre inaugural de 2011, o primeiro da Era Dilma, celebraram-se no Dnit 53 termos aditivos. Somaram R$ 353 milhões.

Não é o ministro quem assina os aditivos. Ao mandachuva da pasta cabe, porém, levar o pé ao freio quando necessário.

Curiosamente, o responsável pela formalização dos acertos que tonificam o borderô das obras não é nenhum dos tubarões do PR.

Quem cuida dessa parte do negócio é o petista Hildebrando Caron, atual diretor de Infraestrutura do Dnit.

A turma do PR enxerga em Caron uma espécie de “espião” de Dilma. Salvou-se, por ora, da guilhotina que ceifou seis cabeças, entre elas a de Alfredo Nascimento.

Neste sábado (16), Paulo Passos viu-se compelido a trocar o descanso pelos refletores. Concedeu uma entrevista.

Instado a comentar os “aditivos”, disse que serviram para “otimizar” a aplicação das verbas públicas.

Como assim? Segundo ele, o dinheiro foi carreada de obras que não estavam dentro do calendário para canteiros cujo andamento era “mais satisfatório”.

Lero vai, lero vem Paulo Passos admitiu que pode ter ocorrido falha num dos projetos aquinhoados com aditivos. Qual? Um trecho da BR 101. Quanto? R$ 25 milhões.

Negou, porém, notícia da revista IstoÉ que apontara irregularidades em três obras brindadas com aditivos de R$ 78 milhões.

Por trás dos empreendimentos, estavam empreiteiras que pingaram R$ 5 milhões no caixa de campanha de candidatos do PR em 2010.

Sobre esses casos, Passos disse: "Não há absolutamente nada errado, não há o que contestar".

Em política vigora uma máxima segundo a qual tudo o que precisa de muita explicação boa coisa não é.

Assim, mal deu os primeiros passos, o ministro Passos se complica à medida que se explica.

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Escrito por Josias de Souza às 07h18

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Gaspari: ‘Dilma Rousseff roda o mesmo filme de Lula’

Guto Cassiano

Corrupto não é exclusividade nacional. Mas o noticiário dos últimos dias deu ao delinquente uma aparência de jabuticaba.  Sabe-se que o corrupto é encontrado em várias partes do mundo. Porém, tem-se a sensação de que todas localizam-se no Brasil.

Ao transitar da ditadura para a democracia, o país evoluíra também em matéria de escândalos. Antes encobertos, os crimes escalaram as manchetes. Sob Collor, atingiu-se o que parecia ser o ápice da bandalheira. Lamentável por um lado. Bom por outro.

Triste porque o crime, por desavergonhado, levou à deposição do próprio presidente. Alvissareiro porque imaginou-se que o país absorvera algumas lições que levariam ao aperfeiçoamento do regime.

Supunha-se que: os políticos não ousariam reincidir no crime e os eleitores se absteriam de eleger pseudo-salvadores da pátria e agentes políticos de ficha suspeita. A roda do tempo girou.

Sucederam-se os governos e os escândalos, uns se sobrepondo aos outros. Pilharam-se ministros, senadores, deputados prefeitos… Sobreveio uma atmosfera em que o enfado prevalece sobre o efeito didático que a exposição dos crimes deveria propiciar.

Hoje, numa fase em que o ex-PT comanda uma administração apoiada até por Collor –mandado ao Senado por eleitores incorrigíveis— bóia no ar uma interrogação: aonde vai parar a delinquência que envenena a política brasileira?

Num dos textos levados à sua coluna deste domingo (17), o repórter Elio Gaspari como que exuma os delitos mais recentes –ou menos remotos. Quem atravessa o texto verifica que, entre o primeiro escândalo de Lula (Waldomiro Diniz) e o penúltimo de Dilma (Transportes), a roubalheira adquiriu método.

Vai abaixo o texto de Gaspari, recolhido na Folha. Aos estômagos mais sensíveis, recomenda-se adiar a leitura para depois do almoço:


“O primeiro grande escândalo do governo Lula estourou em fevereiro de 2004, 13 meses depois de sua posse. Custou o cargo a Waldomiro Diniz, subchefe da Casa Civil de José Dirceu. Ele fora filmado num achaque ao tempo em que dirigia as loterias do Rio de Janeiro. Até o dia em que deixou o Planalto, em janeiro passado, Nosso Guia foi perseguido por escândalos que se sucederam em intervalos regulares.

O governo Dilma Rousseff foi mais veloz. Seu primeiro escândalo estourou cinco meses depois da posse e custou o cargo ao chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Um mês depois, Dilma perdeu o ministro dos Transportes e o diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit. (Em julho de 2003, quanto Lula tinha sete meses de Palácio, o mesmo Dnit deu-lhe uma pequena crise, com o ex-diretor financeiro acusando o ministro Anderson Adauto de favorecer a empreiteira Queiroz Galvão e sendo acusado de embolsar propinas.)

Deixando-se de lado o varejão da roubalheira, onde ficam contratos de serviços, de publicidade, ou despesas com cartões de crédito, mordomias e viagens, a crônica de nove anos incompletos de governo petista revelam que há nele uma engrenagem blindada, metódica e articulada de corrupção. Não há novos escândalos, há apenas novas erupções, beneficiadas por uma rotina em que uma crise só se exaure quando é substituída por outra, na qual estão personagens que passaram despercebidos na anterior.

O centro dessa rede fica no Palácio do Planalto, ora na Casa Civil, ora na coordenação política e sempre na coleta e repasse de doações. Quando Waldomiro Diniz foi apanhado, pouca gente sabia quem era Delúbio Soares. (Em janeiro de 2003, o tesoureiro do PT organizou uma festa numa fazenda de Buriti Alegre. Entre os convidados estava o deputado Valdemar Costa Neto, do PR, atual marquês do Ministério dos Transportes.)

Desde fevereiro de 2004 sabia-se que Delúbio pagava mesadas a deputados do PTB. Entre a crise de Waldomiro Diniz e a seguinte, com o vídeo de um pagamento de propina a um diretor dos Correios, passaram-se 15 meses. Bastaram mais quatro meses para que daí surgisse a palavra que mudaria a história do PT e do comissário José Dirceu: ‘mensalão’.

O novo escândalo expôs o loteamento, pelo Planalto, de cargos nos Correios, Banco do Brasil, Instituto de Resseguros do Brasil, Furnas, bem como a manipulação, pela Casa Civil, dos fundos de pensão de estatais. Nos governos anteriores aconteceram episódios semelhantes, mas não tiveram a articulação e a blindagem conquistada pelo comissariado. Trinta e dois parlamentares acusados de ter participado do ‘mensalão’ e de roubalheiras nas verbas da saúde tiveram um crescimento patrimonial de 32% entre 2002 e 2006.

O ‘mensalão’ ainda não saíra no noticiário quando puxaram-se as pontas da administração do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na Prefeitura de Ribeirão Preto. Era mais do mesmo. Negociando contratos de loterias na Caixa Econômica, Waldomiro Diniz propusera a empresários o serviço da consultoria de Rogério Buratti, ex-secretário de governo de Ribeirão, ex-sócio do chefe de gabinete do ministro da Fazenda. Incriminado por Buratti, Palocci agonizou durante um ano. Trazido de volta ao Planalto por Dilma, aguentou 23 dias de crise e saiu de cena sem contar quem eram os clientes que o tornaram milionário.

Burattis, Waldomiros, Delúbios, Erenices e até mesmo Pagots foram peças acessórias de uma máquina. Isso pode ser entendido quando se vê como saíram de cena. Delúbio, reintegrado recentemente à família petista, ensinou: ‘Faz parte da minha integridade não delatar ninguém’. Na semana passada, o doutor Luiz Antonio Pagot fechou suas oito horas de silencioso depoimento com uma frase: ‘Sou um leal companheiro’.

O escandaloso enriquecimento de Palocci foi substituído pelas propinas do Ministério dos Transportes. Como acontece desde o caso de Waldomiro Diniz, será esquecido, diante do próximo".

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Escrito por Josias de Souza às 06h09

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Para Serra, o adversário de 2014 será Lula, não Dilma

  Sérgio Lima/Folha
Ao esboçar seus planos para 2014, o tucano José Serra faz apostas que destoam da média das opiniões disponíveis.

Para Serra, o antagonista do PSDB na próxima sucessão presidencial será Lula, não Dilma Rousseff.

Decidido a disputar pela terceira vez, Serra desdenha também da tese segundo a qual Aécio Neves tornou-se a bola da vez do tucanato.

Em privado, Serra acalenta a expectativa de que Aécio não se animará a medir forças com o PT se o oponente for Lula.

Algo que não ocorre com ele. Entre quatro paredes, Serra declara que tudo o que deseja é um novo confronto eleitoral com Lula.

Nos dois embates anteriores, levou a pior. Em 2002, perdeu para o próprio Lula. Em 2010, foi batido pela candidata de Lula, uma Dilma novata em urnas.

Serra acredita que o PSDB não terá como desprezar os 43,7 milhões de votos que ele obteve no ano passado.

Avalia que Dilma não será candidata à reeleição por duas razões: 1) Diz que, embora negue, Lula quer voltar. 2) Declara que a gestão Dilma resultará em fracasso.

Na opinião de Serra, os primeiros seis meses de Dilma foram marcados pelo desperdício de tempo.

Acha que, rendida por uma herança que não pode denunciar e sitiada por interesses partidários subalternos, Dilma absteve-se de tratar do essencial.

Não cuidou da reforma tributária. Elevou os juros em vez de rebaixá-los. E não desarmou a armadilha da sobrevalorização do Real.

Enxerga o recrudescimento do que chama de “desindustrialização”. E vaticina: as baixas taxas de investimento público agravarão os gargalos da infraestrutura.

Por todas essas razões, Serra defende internamente que a oposição escale sobre Dilma, adotando, desde logo, um discurso mais incisivo.

Contra a vontade de Serra conspiram os fatos. Formou-se dentro do PSDB uma densa maioria pró-Aécio.

Na eleição de 2010, além de empurrar para dentro de sua biografia uma segunda derrota presidencial, Serra colecionou desafetos.

Aécio cavalga essa insatisfação. Dono de um mandato de oito anos no Senado, não teria, em tese, razões para fugir das urnas em 2014.

Ainda que o rival seja Lula, Aécio tem pouco a perder. Na pior hipótese, leva a cara à TV, enverniza a imagem para embates futuros e retorna ao Senado.

Para o grosso da cúpula do PSDB, Serra precisa concentrar-se em 2012, não em 2014. O partido quer saber dele se vai ou não disputar a prefeitura de São Paulo.

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Escrito por Josias de Souza às 04h24

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As manchetes deste domingo

- Globo: UPAs de lata no Rio custam mais caro do que hospitais

- Folha: 8 em cada 10 têm oferta para mudar de emprego

- Estadão: Estoques crescem e levam indústrias a antecipar férias

- Correio: A queda do império americano...

- Zero Hora: Fraudes gaúchas - Cofres públicos esperam R$ 578 milhões desviados

- Veja: A preço de banana?

- Época: Emagreça sem tomar remédios

- IstoÉ: Por que casar?

- IstoÉ Dinheiro: Quem são os CEOs mais digitais do Brasil

- Carta Capital: Cidadãos se armam

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Código de (A)ética!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 23h15

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Brasil ainda tem 87% das estradas sem pavimentação

O noticiário das últimas semanas converteu o Ministério dos Transportes numa via de mão dupla: os ladrões entram no orçamento e as verbas saem pelo ladrão.

Nas estradas brasileiras, a via é única e conduz ao caos. Dados colecionados pelo Dnit no ano de 2010 indicam:

De um total de 1,5 milhão de quilômetros de estradas, apenas 212 mil quilômetros (13%) estavam asfaltados. O resto (87%) não tinha pavimentação.

Especializado em infraestrutura, o instituto Ilos realizou pesquisa na qual foram ouvidos 15 mil profissionais do setor de logística.

Nada menos que 92% identificaram a má conservação das estradas como o principal problema de infraestutura no Brasil.

A precariedade insinua-se em diferentes pedaços do mapa. Há problemas do Rio a Pernambuco.

Moradores de uma cidade dos fundões de Minas testemunharam uma cena que evoluiu do avissareiro para o desalentador.

Em janeiro de 2010, estiveram no município mineiro de Jenipapo, no Vale do Jequitinhonha, Lula e Dilma Rousseff.

Ele, presidente da República. Ela, titular da Casa Civil, “mãe” do PAC e pré-candidata à sucessão do chefe.

Foram inaugurar uma hidrelétrica. Mas, ao discursar, Dilma soou assim: “Eu queria aproveitar e dar uma notícia para vocês…”

“…Nós ligamos para o Dnit e o presidente [Lula] decidiu que vamos agora prometer mais uma obra, que iremos cumprir o asfaltamento dos dois trechos da BR-367…”

“…Será novamente uma obra do PAC. O PAC é isso. Nós cumprimos o que prometemos”.

Lula ecoou a pupila: “A companheira Dilma assumiu o compromisso aqui da 367. Nós vamos chegar a Brasília e ver como essas coisas estão…”

“...Dinheiro nós temos. E, se a obra tem necessidade, o que nós temos é que fazer essa obra”.

Um ano e meio depois, a estrada, pavimentada com saliva eleitoral, só existe no gogó.

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Escrito por Josias de Souza às 20h57

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Vídeo: entenda por que a rapaziada protesta no Chile

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Escrito por Josias de Souza às 19h33

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No AM, juiz manda apurar ‘fraudes’ em lista do PSD

  Folha
Antes de se tornar uma realidade política, o PSD do prefeito Gilberto Kassab vai virando, aos pouquinhos, um caso de polícia.

Lotado em Manaus, o juiz Carlos Zamith acinou a Polícia Federal para investigar suspeita de fraude numa lista de apoiadores do novo partido.

Num rol de 900 supostos apoiadores da nova legenda, subiram no telhado da suspeição cerca de 600. Os indícios de fraude foram farejados de maneira singela.

As assinaturas da lista do PSD foram confrontadas com os jamegões dos eleitores no caderno de votações da última eleição. Não bateu.

A encrenca nasceu na última quinta (14), conforme relatou o próprio juiz no blog que mantém na internet.

Embora ainda aguarde pelas conclusões da PF, o magistrado não parece ter muitas dúvidas:

"Apostaria o meu salário que foi uma pessoa que assinou uma das folhas inteirinha. A firmeza da escrita é a mesma."

Além da averiguação determinada por Zamith, as listas do PSD tornaram-se alvos de inquéritos policiais também no Paraná e em Santa Catarina.

Se quiser disputar a eleição municipal de 2012, o PSD precisa levar ao TSE, até 7 de outubro, 490,3 mil assinaturas coletadas em pelo menos nove Estados.

Por ora, foram certificadas apenas 238 mil assinaturas, menos da metade do total exigido pela legislação eleitoral.

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Escrito por Josias de Souza às 18h55

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Chávez delega funções mas não passa bastão ao vice

  Marcelo Hernandez/AP
A paisagem, dizia Nelson Rodrigues, é um hábito visual. Só começa a existir depois de 1.500 olhares.

Na Venezuela, a paisagem resume-se a Hugo Chávez, única palmeira no gramado. O vice, Elias Jaua, é invisível.

Neste sábado, a Assembléia Nacional venezuelana aprovou o pedido de Chávez para ausentar-se do país. Vai fazer quimioterapia em Cuba.

Informara-se que viria tratar-se em São Paulo. No fim das contas, preferiu a confidencialidade de Havana aos boletins médicos do Sírio-Libanês.

Não se sabe quanto tempo Chávez ficará fora: "Espero que não sejaum período muito longo", limita-se a dizer.

A despeito disso, não vai transferir formalmente o poder ao vice. Sob protestos da oposição, diz que governará à distância.

Dessa vez, porém, avançou um milímetro em relação aos procedimentos adotados no mês passado, quando foi operado em Havana.

Chávez agora delegou algumas atribuições ao vice. Entre elas: expropriar bens, comprar divisas e nomear vice-ministros.

Considerando-se o apreço do autocrata venezuelano pelo poder absoluto, o gesto espanta pelo inusitado.

Ainda assim, a paisagem de Caracas continua resumida a Chávez. O câncer alterou-lhe o itinerário. Mas ele não abre mão de ficar ao volante.

Há agora quatro poderes na Venezuela. O Executivo, comandado por Chávez; o Legislativo, rendido a Chávez; o Judiciário, submetido a Chávez…

…E o Poder do vácuo, que, sujeito a variáveis que Chávez não controla, pode levar à impotência.

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Escrito por Josias de Souza às 17h01

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A semana do dito e feito: tudo foi dito e nada foi feito

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Escrito por Josias de Souza às 11h06

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Lula viaja em avião particular do presidente do PR-GO

Divulgação

Num instante em que Dilma Rousseff toma distância do Partido da República, Lula se achega à legenda.

Na noite da última quinta-feira (14), Lula viajou de Goiânia para São Paulo num avião modelo King Air cedido pelo deputado federal Sandro Mabel (PR-GO).

Mabel preside em Goiás o diretório estadual do PR, a legenda que protagoniza o escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes.

Deve-se a informação sobre a “carona” de Lula na aeronave de Mabel ao repórter Demétrio Weber.

Lula foi a Goiânia para participar do segundo dia do Congresso da UNE. Depois, visitou a cidade de Aparecida de Goiânia.

Esteve no Condomínio Águas Claras, um conjunto de casas populares erigido na sua gestão, com verbas do programa Minha Casa, Minha Vida.

Foi recepcionado por políticos goianos. Entre eles o prefeito da cidade, Maguito Vilela (PMDB), e Mabel.

Lula mimetizou o comportamento que exibia nos tempos de presidente. Inspecionou residências, discursou e cumprimentou moradores.

Na foto lá do alto, Mabel, de óculos, aparece na posição de "papagaio de pirata", logo atrás de Lula, em meio à multidão.

A certa altura, Lula, que viajara de São Paulo para Goiânia em avião de carreira, disse que receava perder o horário do vôo da volta.

Político bem posto, dono da fábrica de biscoitos cuja logomarca incorporou ao sobrenome, Mabel ofereceu seu avião particular. E Lula não hesitou em aceitar.

Acompanharam o ex-soberano na carona, um assessor de imprensa, seguranças e Luiz Dulci, o ex-ministro que, hoje, trabalha para Lula no seu Instituto de Cidadania.

Sem mencionar o favor aeronáutico, Mabel cuidou de dar visibilidade aos momentos que dividiu com Lula.

Escreveu no twitter: “Acabo de chegar na prefeitura de Aparecida de Goiânia juntamente com nosso querido ex-presidente Lula.”

Levou ao blog uma nota sobre a passagem do visitante ilustre pelo condomínio Águas Claras. Pendurou fotos na web.

Além de presidir o PR-GO, Mabel controla no Estado a representação do Dnit, o departamento que cuida das obras rodoviárias.

Acomodou no posto, ainda na Era Lula, o apadrinhado Alfredo Neto, personagem que, por ora, sobrevive ao escândalo que já produziu seis escalpos nos Transportes.

Às turras com a cúpula do PR, Mabel degusta o infortúnio de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto –respectivamente presidente e secretário-geral do partido.

Os desentendimentos da tróica começaram em fevereiro, quando Mabel levou às últimas consequências uma malograda candidatura à presidência da Câmara.

Fechados com Marco Maia (RS), o petista que prevaleceu na disputa, Nascimento e Costa Neto tentaram, sem sucesso, convencer Mabel a desistir da postulação.

A teimosia custou a Mabel a liderança do PR na Câmara e a abertura de um processo disciplinar interno.

Não fosse o escândalo que derrubou Nascimento da cadeira de ministro e carbonizou Costa Neto, o prejuízo de Mabel teria sido maior.

Antes de cair em desgraça, os mandachuvas do PR tramavam destituir Mabel da presidência do diretório goiano.

Queriam entregar o comando do partido no Estado ao goiano José Francisco das Neves, chamado na intimidade de Juquinha.

Vem a ser o ex-presidente da estatal ferroviária do Ministério dos Transportes, a Valec. Abalroado pelas denúncias e afastado por Dilma, Juquinha refreou o plano de substituir Mabel.

Nascimento e Costa Neto haviam acertado também a demissão de Alfredo Neto, o homem de Mabel no Dnit de Goiás.

Incumbido de levar Alfredo ao cadafalso, Luiz Antonio Pagot, o pêérre que chefiava o Dnit em Brasília, viu a lamina descer antes sobre seu próprio pescoço.

Para fugir ao afastamento ordenado por Dilma, Pagot saiu em férias. A despeito de ter preservado o governo em depoimentos no Congresso, não voltará ao cargo.

Enquanto seus rivais lidam com novas prioridades, Mabel vê esfriar a grelha que Nascimento e Costa Neto haviam acionado contra ele.

Ao viajar nas asas cedidas por Mabel, Lula como que grudou sua imagem num pano de fundo que traz as marcas de uma legenda em chamas e as nódoas de um ministério em ruínas.

Nesta sexta (15), já em São Paulo, Lula anunciou num discurso para sindicalistas: “Eu vou voltar a viajar pelo país”.

Em verdade, já havia iniciado o ciclo de viagens na véspera. E não começou bem.

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Escrito por Josias de Souza às 04h44

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As manchetes deste sábado

- Globo: Dilma afasta outro diretor do Dnit e fará faxina ampla

- Folha: Novas suspeitas derrubam mais 2 dod Transportes

- Estadão: Dilma afasta diretor executivo do Dnit após novas denúncias

- Correio: Só falta Pagot

- Estado de Minas: Bafômetro pela metade

- Jornal do Commercio: Começam as despedidas

- Zero Hora: Imigrantes gaúchos são os que mais voltam à terra natal

Leia os destaques de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Atravesse na faixa!

Dalcío

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Escrito por Josias de Souza às 00h55

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INSS: Ministro diz coisa definitiva sem definir a coisa

  José Cruz/ABr
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse meia dúzia de palavras sobre aposentadorias.

Disse que Dilma Rousseff não deve vetar a emenda injetada por Paulo Paim (PT-RS) na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2012.

Trata do reajuste dos valores pagos pelo INSS aos aposentados que recebem mais do que um salário mínomo por mês.

Prevê para 2012 um reajuste real, acima da inflação. Quanto? O texto não diz. Joga a definição para uma mesa tripartite (governo, sindicatos e aposentados).

No gogó, a intenção de Paim é a de estender a todos os aposentados a política de reajuste do salário mínimo: inflação mais a variação do PIB de dois anos antes.

Na segunda parte de sua declaração Gilberto, explica o porquê da provável ausência de veto: no Brasil, o Orçamento é autorizativo, não impositivo.

Significa dizer que a emenda de Paim pode sobreviver ao veto sem que o governo a converta em realidade. Ouça-se o ministro:

“Teremos que, ao longo do próximo ano, avaliar a situação econômica do país para ver qual é a folga no orçamento para fazer um reajuste acima da inflação…”

“…O governo, obviamente, fará todo o esforço que puder nesse assunto, mas também não fará nenhum gesto de irresponsabilidade fiscal…”

“…O mais importante é evitar a volta da inflação, que tem um efeito corrosivo sobre os salários.”

Quer dizer: não é nada, não e nada a manifestação de Gilberto Carvalho não é nada mesmo.

Paim faz média com sua platéia, o ministro simula interesse pela causa, a caneta de Dilma se faz de morta e os velhinhos continuam na pindaíba.

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Escrito por Josias de Souza às 23h09

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Cardozo e Comissão da Verdade: ‘Estou esperançoso’

  Folha
O Congresso chapa branca da UNE recebeu nesta sexta (15) a “visita” do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça)

Num ato em defesa da apuração das violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura, Cardozo empinou a Comissão da Verdade.

Estou muito esperançoso de que consigamos aprovar no Congresso Nacional o projeto para a criação da Comissão da Verdade…”

“…Tanto eu quanto a ministra Maria do Rosário e o ministro Nelson Jobim temos procurado dialogar com os parlamentares, porque a hora é agora”.

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. No final do mês passado, Jobim, o companheiro da Defesa, apressou-se em informar que o papelório secreto dos militares evaporou:

"Não há documentos, nós já levantamos os documentos todos, não tem. Os documentos já desapareceram, já foram consumidos à época", disse Jobim.

Cabe perguntar: com que matéria-prima pretende trabalhar a comissão para chegar à ansiada verdade?

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Escrito por Josias de Souza às 21h29

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Lula defende apuração nos Transportes. Só agora?!?!

Fábio Pozzebom/ABr

De volta à boca do palco, Lula foi instado a comentar a sucessão de denúncias que converte o Ministério dos Transportes em escândalo.

O ex-soberano defendeu, veja você, a investigação dos malfeitos. Refutou a tese segundo a qual Dilma Rousseff aproveita a ocasião para higienizar a pasta.

"É importante lembrar que o ministro dos Transportes do ano passado [Paulo Sérgio Passos] é o companheiro que assumiu agora", disse.

Há outras coisas importantes a recordar. Mas Lula, como que acometido de amnésia, se absteve de mencioná-las. Convém refrescar-lhe a memória.

Paulo Passos virara ministro em 2010 porque o titular, Alfredo Nascimento, saíra para disputar votos no Amazonas.

O PR mandou e, sobretudo, desmandou nos Transportes nos dois reinados de Lula. Dos oito anos, Nascimento foi ministro em seis.

Derrotado na disputa pelo governo amazonense, Nascimento foi devolvido à poltrona, agora sob Dilma. Lula apadrinhou-o.

Junto com Nascimento, mantiveram-se nas cercanias do cofre 'Pagôs', 'Valdemares' e outros azares. Súbito, o melado escorreu além do razoável.

Confrontada com o inacreditável, Dilma esforça-se para atingir o aceitável, livrando-se do impensável.

Nesse contexto, as palavras de Lula –mais em defesa do legado do que da apuração— injetam na cena um quê de escárnio.

Vivo, Bussunda diria ao ex-soberano: “Fala sério!”

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Escrito por Josias de Souza às 20h08

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Lula a sindicalistas: ‘Eu vou voltar a viajar pelo país…'

Divulgação

Conviver com ‘ex’ não é fácil. Mas, para ex-maridos, ex-mulheres e ex-assemelhados, pelo menos existe um código de conduta.

Separam-se os corpos, dividem-se os bens e evita-se o convívio sob o mesmo teto. Cada um vai pro seu lado, como se diz.

No caso dos ex-presidentes dá-se coisa diferente. O sucessor, os novos ministros e o país vêem-se forçados a conviver com os ‘ex’ sob o mesmo céu.

Noutras praças, como os EUA, os ex-presidentes retiram-se de cena e vão cuidar de fundações que levam os seus nomes.

No Brasil, ex-presidente candidata-se a governador, vira senador, preside o Senado, mete-se em crises, chantageia governos, isso e aquilo.

Lula prometera “desencarnar”. Não conseguiu. Decorridos menos de sete meses, está de volta à liça.

Um dia depois de desancar a imprensa num congresso da UNE, o ex-soberano voltou aos refletores num encontro com sindicalistas, em São Paulo.

Anunciou: "Faz meses que eu deixei a Presidência, e disse que ia entrar num processo de desencarnação, mas agora eu vou voltar a viajar pelo Brasil."

A disposição para a polêmica é a mesma. O conteúdo do lero-lero também. Os pendores auto-promocionais idem.

Lula disse que, mercê do crédito fácil (que Dilma mandou dificultar) e da política social, 39 milhões de pessoas saíram da pobreza.

"Os ricos não sabem o que significa '100 real' nas mãos de uma mulher pobre", declarou a uma entusiasmada platéia de sindical.

"Tem gente incomodada porque tem pobre andando de avião. Fui agora para a Argentina e estava cheio de pobre no avião indo pra Buenos Aires."

Para registrar suas andanças, Lula abriu uma vitrine na internet. O novo site, tem formato de blog –um texto sobreposto ao outro. Mas não permite comentários.

Em meio às cinco primeiras dezenas de “notícias” foi ao ar um vídeo no qual Lula expõe seus objetivos.

“O Brasil vive um momento de ouro, continua vivendo um momento extraordinário, e eu espero poder conversar com vocês daqui para frente neste pequeno espaço."

Ironiza: “Meus amigos da imprensa continuam falando muito bem de mim.” Informa que, na web, vai "falar bem e falar mal dos outros". Assista abaixo:

Quando FHC arrancou do Congresso a emenda da reeleição, sob o tilintar de uma tal “cota federal” de R$ 200 mil por cabeça, imaginou-se o seguinte:

O mandato de oito anos –quatro mais quatro— saciaria o apetite dos inquilinos do Planalto. Vencido o prazo, iriam cuidar dos netos e fazer pose de sábios da tribo.

A fome de Lula parece, porém, ilimitada. Aos oito anos de poder pessoal, acrescentou pelo menos quatro de presidência terceirizada. E quer mais.

Lança mão de todos os estratagemas para atingir o seu subterfúgio primordial. Para desassossego de Dilma, Lula quer voltar.

Vai perambular pelos subterrâneos dos três anos e meio de mandato que restam à sucessora como alma penada.

O governo Dilma acaba de ganhar o adereço de um fantasma palpiteiro. Antes, dava pitacos em privado. Agora, distribuirá “lições” em público.

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Escrito por Josias de Souza às 18h43

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Sobre a lei da gravitação, Valdemares e outros azares

Com todo o respeito que Isaac Newton merece, é imperioso constatar: a lei universal da gravitação precisa ser reformulada.

A tese de que matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias deixou de levar em consideração o fator PR.

O velho Newton chegou a duas conclusões básicas:

1. Massa atrai massa. Vem daí que, se você arremessa uma pedra, ela cai, atraída pela força de atração da Terra.

2. Quanto mais afastados estiverem os corpos, menor será a força de atração. Daí o movimento orbital que impede que a Lua caia sobre a Terra.

Injetando-se na equação o fator Partido da República nota-se que ‘m’, de fato, atrai ‘m’. Arremessado sobre a Esplanada, um Valdemar Costa Neto sempre grudará no Estado.

Porém, quanto mais Dilma Rousseff tenta afastar o corpo dos 'Valdemares' do corpo do Estado, maior parece ser a força de atração.

Por isso, na órbita que mantém os partidos políticos girando em torno do governo, um escândalo lunar cai semanalmente sobre a cabeça de Dilma.

Considere-se o caso do Ministério dos Transportes. Tomado de assalto pelo PR, subiu às manchetes e caiu na cabeça de Dilma como uma maçã podre.

A presidente arremessou pelos ares Alfredo Nascimento e o staff dele. Quando parecia livre de ‘Pagôs’ e ‘Valdemares’, eis que surgem novos azares.

Descobriu-se que José Henrique Sadok de Sá, substituto interino de Luiz Antonio Pagot no Dnit, mantém um casamento próspero.

A mulher de José Sá, Ana Paula Batista Araújo, é dona de construtora brindadas com R$ 18 milhões em contratos com o Dnit.

Descobriu-se mais: Frederico Augusto de Oliveira Dias, personagem que não consta do quadro funcional dos Transportes, mantém sala no ministério e e-mail oficial.

Frederico Dias faz e acontece no Dnit. Reune-se com prefeitos, viaja com ministro, organiza assinaturas de contratos, etcétera e tal.

O sujeito percorre o ministério como representante, veja você, do companheiro Valdemar. Quem paga o salário de Frederico? Ninguém sabe.

Abalroada pelas novidades que desafiam Newton, Dilma mandou afastar o doutor José Sá, até que se apurem os negócios da mulher dele.

Quanto a Frederico Dias, o Ministério dos Transportes informa que foi mandado ao meio-fio. Já não perambula pelas dependências da pasta.

Dilma, é forçoso reconhecer, tenta ajustar a variável ‘m’ da equação que conspurca o governo dela. Porém…

Porém, o fator PR, que vale 40 votos na Câmara e seis no Senado, a impede de ampliar o quadrado das distâncias que deveriam mantê-la a salvo da ação das moscas.

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Escrito por Josias de Souza às 16h36

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Com ajuda da Justiça, braço direito de Beira-Mar foge

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Escrito por Josias de Souza às 05h26

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No Chile, estudantes vão às ruas por educação melhor

Fernando Nahuel/Efe

Pela terceira vez em menos de um mês, milhares de estudantes chilenos foram ao meio-fio nesta quinta (14) para pressionar o governo por melhorias no sistema educacional público.

Os organizadores da marcha estimaram em 80 mil o número de manifestantes, entre estudantes, professores e pais de alunos. Na conta da polícia, foram 30 mil.

As autoridades chilenas haviam proibido os manifestantes de levar o protesto para a frente da sede do governo. A rapaziada deu de ombros.

A polícia informou que 32 carabineiros saíram feridos. Foram recolhidos ao xilindró 54 manifestantes. Não há vestígio de dinheiro de estatais chilenas no custeio dos protestos.

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Escrito por Josias de Souza às 04h40

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Presidente da UNE: ‘Patrocinador é o dinheiro público’

Antônio Cruz/ABr

A União Nacional dos Estudantes realiza em Goiânia um congresso chapa branca. Está orçado em cerca de R$ 4 milhões.

O evento, que cultuou Lula nesta quinta (14), carrega no borderô verbas de estatais como a Petrobras e até da pasta dos Transportes, enodoada pela corrupção.

Instado a comentar o inusitado, o presidente da UNE, Augusto Chagas (no centro da foto, entre Lula e o ministro do MEC, Fernando Haddad), soou assim:

O patrocinador é o dinheiro público, o dinheiro da União. Nós achamos que o Congresso da UNE tem função pública…”

“…Ele serve ao Brasil. É uma atividade que mobiliza milhares de estudantes ao longo de três meses”.

Há três dias, o MEC divulgou o resultado do último censo escolar. Ficou-se sabendo: um em cada cinco estudantes do ensino fundamental está atrasado na escola.

No ensino médio, estão matriculados em séries inadequadas à faixa etária três em cada dez alunos.

Os pais dessas crianças acham que, se o governo lhes aparecesse, não se atreveria a aparecer em outra forma que não fosse a da melhoria dos salários dos professores.

Enquanto os filiados da UNE gritam no Congresso “mais patrocínio oficial”, a criançada berra nas carteiras das escolas públicas: “Capricha na merenda!”

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Escrito por Josias de Souza às 04h02

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As manchetes desta sexta

- Globo: Medo de calote leva China a pedir responsabilidade aos EUA

- Folha: Obama pressiona Congresso para evitar dar calote

- Estadão: Mulher de diretor do Dnit tem contratos para rodovias

- Correio: Reforço no caixa dos aposentados

- Valor: Usinas terão de garantir abastecimento de álcool

- Estado de Minas: Agora é melhor trabalhar no Brasil

- Jornal do Commercio: Mortos antes da explosão

- Zero Hora: MP e TCE investigam contratos de pardais em 58 municípios

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h25

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UNE - União Nacional dos Ex-tridentes!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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Dilma deseja vincular emendas a projetos do governo

Wilson Dias/ABr

Dilma Rousseff deseja alterar a sistemática de apresentação de emendas de deputados e senadores ao Orçamento da União.

Em vez de pendurar despesas aleatoriamente no Orçamento, os congressistas seriam estimulados a destinar verbas a projetos dos ministérios.

Desse modo, imagina Dilma, o governo poderia tocar suas prioridades sem ter de impor tantos cortes às emendas. Algo que exaspera seus apoiadores.

O assunto foi insinuado em diálogos travados no coquetel que Dilma ofereceu aos líderes de seu consórcio na noite de quarta (13).

Deve ser retomado no mês de agosto, quando termina o recesso de meio de ano do Legislativo.

Logo depois de sua posse, premida pela alta da inflação, Dilma viu-se compelida a anunciar um megacorte de despesas –pouco mais de R$ 50 bilhões.

O talho incluiu as emendas, que viraram um contencioso do Planalto com o consórcio de partidos que dá suporte congressual ao governo.

No coquetel de quarta, no Palácio do Planalto, um dos líderes presentes dirigiu a Dilma um comentário que oscilou entre a brincadeira e a cobrança.

Referindo-se aos primeiros seis meses de Dilma, disse que nunca antes na história um governo obtivera tantas vitórias no Congresso liberando tão poucas emendas.

Rendida às evidências, Dilma concordou. Foi quando esboçou seu plano, ainda embrionário.

Os ministérios exporiam aos parlamentares o leque de investimentos que planejam executar nas diversas áreas –saneamento, merenda e habitação, por exemplo.

Os congressistas que direcionassem suas emendas a essas inciativas teriam da parte do governo o compromisso de liberação.

Em troca do aumento da taxa de execução das emendas, Dilma gostaria que os congressistas concordassem em reduzir a cifra a que cada um tem “direito”.

Hoje, afora as emendas coletivas, assinadas pelas bancadas estaduais, cada deputado e senador pode pendurar no Orçamento R$ 13 milhões a cada ano.

Como no Brasil o Orçamento é mera peça autorizativa, o Executivo não é obrigado a cumpri-lo. Paga as emendas que quer.

Dilma quer convencer seus aliados de que mais vale uma boa emenda em condições de alçar vôo do que uma porção delas na mão, micadas.

O repórter ouviu dois líderes que passaram pelo coquetel do Alvorada. Um deles acha difícil implementar a novidade.

Alega que muitos parlamentares colecionam votos em vários municípios. Desejam aumentar o valor das emendas, não reduzir.

De resto, afirmou que a prioridade dos prefeitos que ajudam os autores das emendas a colecionar votos nem sempre coincide com as iniciativas de Brasília.

O segundo líder chamou a ideia esboçada por Dilma como um bom início de conversa. Do jeito que está, disse ele, não pode continuar.

O modelo atual, acrescentou, submete os congressistas à “humilhação” de ter de mendigar por emendas e mantém o Planalto na corda bamba do plenário.

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Escrito por Josias de Souza às 23h11

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Convidado por Dilma, Chávez vem ‘se tratar’ no Brasil

  Lula Marques/Folha
Operado de câncer em Cuba, o presidente venezuelano Hugo Chávez virá ao Brasil para concluir o tratamento.

Chávez comunicou ao governo brasileiro que decidiu aceitar o convite de Dilma Rousseff para se tratar no país.

Deve submeter-se a sessões de radio e quimioterapia em São Paulo, no Sírio Libanês, o mesmo hospital que cuidou do câncer linfático de Dilma.

Às voltas com a revelação de que até os seres que se consideram semideuses estão sujeitos aos ataques do acaso, Chávez começa a admitir seu drama.

A admissão não é, porém, explícita: "Depois da extração do tumor, houve um nível ótimo de recuperação”, disse o companheiro à TV oficial da Venezuela.

“Vamos entrar na segunda etapa e na terceira, que muito provavelmente necessitará da aplicação de métodos de radioterapia ou quimioterapia…

É “…para blindar o corpo de novas células malígnas. Mas ainda não sei, depende da avaliação" médica.

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Escrito por Josias de Souza às 20h57

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Caso Lalau: União ‘recupera’ R$ 55 milhões desviados

Fotos: Folha/Aquivo

Como se sabe, o crime no Brasil está na vizinhança, mas a Justiça mora longe, muito longe. Só de raro em raro o Judiciário dá as caras.

Nesta quinta (14), a AGU (Advocacia-Geral da União) divulgou uma nota na qual dá conta de uma dessas raras visitas da Justiça.

Informou-se que a Justiça Federal de Brasília determinou que sejam devolvidos às arcas do Tesouro R$ 54,9 milhões desviados da obra do TRT de São Paulo.

O escândalo, você talvez já nem se lembre, já fez aniversário de 13 anos. Os desvios ocorreram entre 1994 e 1998.

O juiz Nicolau dos Santos, presidente do TRT-SP à época dos malfeitos, ganhou um apelido –Lalau— e uma condenação.

Em maio de 2006, Lalau foi sentenciado a uma cana de 26 anos, seis meses e 20 dias. Passou por uma cela especial. Mas não esquentou a cama.

Sob a alegação de que o Lalau, já entrado em anos, exibia saúde precária, a Justiça converteu o xilindró, em 2007, numa confortavel prisão domiciliar. Saiu da cana de maca (veja foto lá no alto).

Em valores da época, os desvios do TRT sorveram da bolsa da Viúva, veneranda e desprotegida senhora, R$ 169,5 milhões. Hoje, a coisa passa de R$ 1 bilhão

O pedaço que a AGU diz ter recuperado resulta de um bloqueio judicial que alcançou verbas depositadas na rede bancária em nome do Grupo Ok.

Trata-se daquela empresa que tinha como sócio o ex-senador Luiz Estevão, cujo mandato foi passado na lâmina nas pegadas do escândalo.

Afora o inconveniente das manchetes adversas, Estevão chegou a fazer escala na cadeia. Hoje, vive em Brasília. Bem. E solto.

Os R$ 54,9 milhões supostamente recuperados encontram-se retidos numa conta aberta na Caixa Econômica Federal.

O repórter utiliza o vocábulo “supostamente” por uma razão singela: a decisão judicial festejada pela AGU ainda não é definitiva.

A sentença chega acompanhada de uma expressão corriqueira em casos do gênero: ainda cabe recurso. No caso específico, recurso ao TRF-1, sediado em Brasília.

Repise-se o parágrafo lá do alto: No Brasil, o crime mora ao lado. A Justiça? Longe, muito longe.

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Escrito por Josias de Souza às 20h13

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Articulista é condenado à prisão por texto ‘anti-índios’

Marcello Casal/ABr

A Justiça Federal do Mato Grosso do Sul condenou o advogado e jornalista Isaac Duarte de Barros Júnior a dois anos de prisão.

Deve-se a sentença a uma ação movida pelo Ministério Público Federal, que acusou Isaac Júnior da prática de crime de racismo contra índios.

A encrenca nasceu de um artigo de Isaac Júnior veiculado em 27 de dezembro de 2008, nas páginas do jornal ‘O Progresso’, de Dourados (MS).

No texto, intitulado “Índios e o Retrocesso”, o articulista atacou a política de demarcação de terras indígenas da Funai (Aqui, a íntegra).

A Procuradoria enxergou “racismo” em expressões utilizadas por Isaac Júnior. Ele se referiu aos índios ora como "bugrada" ora como "malandros e vadios".

Reproduziram-se na ação trechos considerados ofensivos. Num deles, o autor anota que os índios "se assenhoram das terras como verdadeiros vândalos, cobrando nelas os pedágios e matando passantes".

Noutro, escreve que "a preservação de costumes que contrariem a modernidade são retrocessos e devem acabar.” Acrescenta:

“Quanto a uma civilização indígena que não deu certo e em detrimento disso foi conquistada pela inteligência cultural dos brancos, também é retrógrada a atitude de querer preservá-la".

A Justiça deu razão ao Ministério Público. Enquadrou Isaac Júnior no artigo 20 da Lei 7.716, de 1989, que define os crimes de preconceito de raça ou cor.

Diz a sentença que a liberdade de expressão não é uma garantia absoluta: “A dignidade da pessoa humana, base do estado democrático de direito…”

“…Prevalece sobre qualquer manifestação de pensamento que incite ao preconceito ou à discriminação racial, étnica e cultural.”

A decisão judicial que impôs a condenação de dois anos ao articulista é datada de 6 de julho de 2011. Mas só nesta quarta (14), foi divulgada pela Procuradoria.

Chamado a explicar-se perante a 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados, Isaac Júnior tentou explicar-se.

Atribuiu as ideias expostas no artigo tido por ofensivo a um avô e a programas de TV. Tentou desdizer parte do escrito:

Diz um trecho da defesa: “Os donos da terra são os silvícolas e deve haver uma distribuição de terras aos indígenas [...] Bugre é bandido, índio não.”

O juiz deu de ombros: “Observa-se a tentativa do acusado em ludibriar esse juízo…”

“…[…] Como pode uma pessoa com formação intelectual, escrever sobre questões indígenas e desconhecer o real significado dos termos por ele próprio utilizados?”.

Na época em que a ação do Ministério Público foi ajuizada, a seccional da OAB no Mato Grosso do Sul divulgou nota de solidariedade a Issac Júnior.

Em texto assinado por seu presidente, Fábio Trad, a OAB-MS tachou a ação de “injusta, arbitrária, despropositada e preocupante para toda a sociedade”.

Trad considerou que “o direito elementar do pensamento e da liberdade de expressão foi atingido com a criminalização de uma opinião vazada em artigo."

Em resposta, a Associação Nacional dos Procuradores da República também expediu uma nota em defesa dos autores da ação.

A associação utilizou um argumento que acabou prevalecendo na decisão judicial: o direito à liberdade de expressão não é absoluto.

Alegou-se que os membros do Ministério Público têm obrigação de defender judicialmente os interesses das populações indígenas.

A condenação é inédita. Ainda cabe recurso. Além da ação criminal, a Procuradoria move contra Isaac Júnior uma ação por danos morais.

Os Procuradores acreditam que a sentença condenatória vai retirar da gaveta a segunda ação.

O Ministério Público estima-se que o articulista pode ser condenado indenizar os índios em mais de R$ 30 milhões.

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Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Lula mostra dentes para mídia: ‘Tô ficando invocado’

Marcello Casal/ABr

Houve quem imaginasse que a ex-presidência fosse fazer bem a Lula. A planície seria para ele uma espécie de zona de desintoxicação. Por ora, não funcionou. O ex-soberano continua viciado. Pior: a abstinência de quase sete meses angustiou-o. Acumularam-se mágoas que chocalham dentro dele como guizos de cascavel.

Nesta quinta (14), Lula teve uma recaída. Deu-se no Congresso da UNE, em Goiânia. A estudantada serviu ao ex-soberano uma de suas drogas prediletas. “Eu tava com saudades do microfone”, disse Lula, antes de entrar em êxtase. Entregando-se ao velho vício, pôs-se a espinafrar a imprensa.

Como que narcotizado por suas víboras interiores, Lula despejou veneno sobre o microfone: “Eu tô ficando invocado. Faz seis meses que eu saí da Presidência, mas eles não saem do meu pé”.

Nos pesadelos particulares de Lula, o pior fantasma é a comparação com Dilma. Como num transe, ele empilhou os seus incômodos:

1. “Primeiro disseram que há diferenças entre mim e Dilma, que somos diferentes. Não precisa ser um especialista para saber que ela é diferente de mim.”, ironizou.

2. “Falaram que divergimos. Eu já disse que, se houver divergência, é ela quem estará certa. Não há divergências. 

3. "Depois, quando fui a Brasília e tirei uma foto com senadores, disseram que ela era fraca”.

4. “O babaca que escreveu a matéria nunca deve ter sentado com a Dilma para conversar. Ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca.”

5. “Ninguém que passa três anos na cadeia, sendo barbaramente torturada e é eleita presidente pode ser fraca.”

6. “Inventaram também que ela é diferente nas coisas que faz, que eu falava muito. É que eu competia com o que eles falavam e o povo acreditava em mim”.

7. “Chegaram a dizer que eu deixei uma herança maldita. A primeira herança maldita é o pré-sal. Tem o Prouni, o PAC 2. Quem sabe é o Minha Casa, Minha Vida 2…”

8. “O dado concreto é que eles [os jornalistas] não perceberam que as coisas mudaram no Brasil.”

Repisou a tecla segundo a qual o brasileiro agora informa-se “de múltiplas formas”, não apenas por meio daqueles “que achavam que formavam a opinião pública”. A certa altura, simulou desinteresse por 2014. À sua maneira, um tanto sinuosa, vaticinou o segundo mandato de sua pupila:

"A Dilma vai fazer mais e melhor do que nós fizemos. Ela vai inaugurar até o final do mandato, digo, deste primeiro mandato, obviamente, mais 200 escolas técnicas." Noutro trecho, ressuscitou 2010. Afirmou que Dilma, por usar saias, foi mais discriminada na campanha do que ele nos seus tempos de macacão.

Sem mencionar o nome do tucano José Serra, acusou-o de patrocinar a “mais preconceituosa [campanha] da história”. Fez graça para o auditório repleto: “Inventaram até um meteorito de papel. Depois, falaram que era um objeto não identificado”.

Insinuou que os antagonistas de Dilma serviram-se do machismo: “Falam em uma sociedade igualitária desde que a mulher limpe a casa, lave a roupa suja.” Usou e, sobretudo, abusou do velho bordão: “Nunca antes na história desse país”. Contrapôs ricos e pobres:

“Aqueles que governavam para um terço da população estão incomodados ao ver pobre andado de avião. Tem gente que se incomoda de ver pobre de carro novo. Querem que pobre só ande de Brasília, de Chevette com para-choque arrastando no paralelepípedo”.

Lula disse que ele mesmo, hoje um milionário palestrante, é a “evolução" de seu próprio governo. Ao tropeçar numa palavra que considera sofisticada –“factível”— repetiu um chiste que, de tanto escorrer de seus lábios, já se tornou batido: “Antes eu falava menas laranja, agora falo ‘en passant’, factível…”

Terminado o discurso, a turma da UNE, tão viciada em Lula quanto o orador em microfone, encontrava-se nas nuvens. A rapaziada entoou o coro predileto do petismo: “olêêêê, olêêêê, olêêêê, oláááá, Lulaaaa, Lulaaaaaaaaaa...”

O refrão da velha canção de Adelino Moreira, imortalizada no vozeirão de Nelson Gonçalves, talvez tivesse soado melhor: "Ele voltou! O boêmio voltou novamente. 
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"

Convidada a participar do encontro da UNE, custeado por empresa estatais, Dilma preferiu se abster.

O reencontro de Lula com o microfone mostrou que o ex-soberano está muito longe de livrar-se da droga que o escraviza. Há pessoas que só discursam em ocasiões muito especiais. Outras, como Lula, consideram especiais todas as ocasiões em que discursam.

Longe do poder, Lula fabrica suas circunstâncias. Se o convidarem para um batizado, um baile de debutante, uma quermesse, lá estará ele para exercitar o seu vício. Excesso de microfone é ruim. Mas, para Lula, é muito bom.

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Escrito por Josias de Souza às 16h16

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O PSD de Kassab está a meio caminho de um fracasso

  Luiz Carlos Murauskas/Folha
Para transformar seu projeto de partido numa legenda de fato, Gilberto Kassab precisa de 490 mil assinaturas de eleitores de pelo menos nove Estados.

Hoje, a despeito das versões em contrário, dispõe de menos da metade. Desprezada pelo prefeito, a cúpula do DEM saboreia o percalço.

Mas a turma de Kassab exala otimismo. Porta-se como o estatístico que vê uma população meio morta de fome como uma população meio alimentada.

É a velha teoria do copo. Estar meio cheio ou meio vazio depende apenas do ponto de vista.

Vão abaixo duas notas veiculadas na seção Painel, da Folha. Lendo-as, entende-se melhor a natureza da encrenca:


- Corrida do milhão: Vinte e quatro dias depois de Gilberto Kassab anunciar a coleta de 1,2 milhão de assinaturas de apoio à criação do seu PSD, até ontem somente 238 mil teriam sido certificadas pelos cartórios do país.

O número representa menos da metade das 490 mil exigidas pela lei. Se não conseguir aval do TSE até 7 de outubro, o novo partido fica de fora das eleições de 2012.

O ex-deputado Saulo Queiroz afirma, contudo, que a expectativa é atingir o piso mínimo de assinaturas válidas no dia 22. Com isso, espera obter o registro até 10 de setembro.

Junte-se aos entraves cartoriais a "guerra jurídica" -por ora restrita ao campo das ameaças- prometida pelos adversários, DEM à frente, para tentar melar os planos do prefeito paulistano

- Bússola: Seguindo a definição de não ser "de direita, esquerda ou centro", a bancada do PSD na Câmara vai liberar o voto de seus 45 componentes.

"Não faz sentido todos numa só direção", diz o recém-indicado líder Guilherme Campos (SP).

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Escrito por Josias de Souza às 06h30

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Após mastigar PR, Dilma serve sapo com refrigerante

José Cruz/ABr

Após duas semanas da pseudocrise dos Transportes, Dilma Rousseff abriu as portas do Alvorada, na noite passada, para seus “aliados” no Congresso.

Na foto acima, o personagem que aparece na extremidade direita da primeira fila, quase escorregando para fora da rampa, é o deputado Lincoln Portela (MG).

Lincoln responde pela liderança do Partido da República na Câmara. Passara as últimas 48 horas ameaçando ausentar-se da confraternização. Por quê?

Lincoln abespinhara-se com Dilma porque ela confirmara Paulo Sérgio Passos na pasta dos Transportes sem a delicadeza de lher dar um telefonema.

A irritação do líder do PR foi diminuindo na razão direta da aproximação do encontro com Dilma.

Horas antes de cruzar os portões da residência oficial da presidente, Lincoln reuniu-se com Paulo Passos, o ministro que o PR dissera não reconhecer como seu.

Acompanhado do colega Luciano Castro (PR-RR), outro deputado que se dizia agastado com Dilma, Lincoln disse a Passos que o partido “está à disposição”.

Depois, Lincoln foi ao Planalto. Avistou-se com Ideli Salvatti, a ministra-chefe do balcão. Disse-lhe que o PR é e continuará sendo governo.

O deputado informou à ministra que jamais lhe passara pela cabeça cometer a descortesia de recusar o convite de Dilma.

À noite, Lincoln posava para a foto do Alvorada, ao lado de um Marco Maia (PT-RS) que fazia sinal de positivo. Com as duas mãos.

Ser político é, por vezes, engolir sapos sem deixar transparecer a indigestão. Para massagear a traquéia de Lincoln, Dilma mandou servir refrigerantes e vinho.

No curso do coquetel, a presidente justificou-se aos pêérres Lincoln e Luciano Castro. Disse que tivera de decidir sobre a efetivação de Paulo Passos rapidamente.

Em plena Era da comunicação, Dilma atribuiu à pressa a ausência do contato prévio reclamado pelos operadores do PR, no comando dos Transportes desde 2003.

Lincoln e Luciano deram-se por satisfeitos. Àquela altura, já devidamente mastigados por Dilma, haviam deglutido o batráquio.

Dilma dirigiu meia dúzia de palavras à platéia, que incluía, além dos líderes, o vice Michel Temer, 18 ministros e os presidentes do Legislativo: Maia e José Sarney.

Agradeceu o apoio que recebeu do Parlamento na primeira metade do ano. Entre os êxitos obtidos, realçou o projeto do salário mínimo.

Afirmou que, ao aprovar o valor proposto pelo governo, menor do que desejavam as centrais sindicais e a oposição, os aliados mostraram-se responsáveis.

Sem o Congresso, disse Dilma, o governo não teria alcançado o “equilíbrio fiscal” e o “controle da inflação”.

Como que decidida a adocicar o sapo, citou o PR. Pediu a “compreensão” da legenda. Mediante as compensações de praxe, terá o que deseja.

Dilma contou com um auxílio involuntário da seleção brasileira de futebol. A partida contra o Equador, pela Copa América, abreviou o coquetel.

A exemplo do time de Mano Menezes, que amealhou um 4 a 2 depois de dois empates, Dilma fechou o semestre com um triunfo.

Despachou dos Transportes Alfredo Nascimento. Nomeou um substituto mais leal a ela do que ao PR. Desativou Luiz Antonio Pagot, a falsa bomba do Dnit…

…E prevaleceu servindo sapo com refrigerante aos descontentes. Para uma presidente de perfil técnico, revelou-se já bem iniciada nas artes da política.

O problema de Dilma é que o governo mal começou. Seu consórcio ajusta-se ao novo estilo. Mas dispõe de três anos e meio para dar o troco.

Muitos dos “aliados” de Dilma, preocupados em salvar o país, não têm tempo de ser honestos. Novas crises virão. Nos Transportes e alhures.

O governo enfrentará, de resto, incontáveis embates no Congresso. Dilma pode organizar o balcão, jamais tem como lacrar a bodega.

Cedo ou tarde, todo político governista corresponde aos governos que não confiam nele. Sobretudo quando privado da ração regular de verbas e cargos.

Quer dizer: com diferenças de estilo, Dilma dança o mesmo bolero que embalou os presidentes que a precederam.

De raro em raro, ela pisa no pé de alguém. Depois, simula um pedido de desculpas, afaga o parceiro e reinicia o baile, 100% custeado pelo déficit público.

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Escrito por Josias de Souza às 05h42

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As manchetes desta quinta

- Globo: Gigante de alimentos - Cade aprova megafusão mas exige concorrência

- Folha: Kassab falha em áreas essenciais, diz tribunal

- Estadão: Ministro dos Transportes já pede volta de obras e licitações

- Correio: A Esplanada vai virar garagem

- Valor: Acordo salva fusão que criou BRF

- Estado de Minas: Explodem os gastos via judicial com saúde

- Jornal do Commercio: Três minutos, 16 mortos, dois heróis

- Zero Hora: RS monta estratégia para retirar homicidas das ruas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Gerente de escândalos!

Miguel

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Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Dilma vai vetar emenda orçamentária de Aécio Neves

  Sérgio Lima/ABr
Dilma Rousseff sinalizou a intenção de vetar a emenda introduzida pelo senador tucano Aécio Neves na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2012.

A lei foi aprovada nesta quarta (13) pelo Congresso. A emenda de Aécio foi injetada no texto graças a um acordo dos líderes partidários.

Condiciona a emissão de títulos do Tesouro ao aval do Congresso. Obriga o governo a incluir o papelório no Orçamento da União, votado anualmente pelo Legislativo.

O veto deve ser anunciado no mês que vem. Dilma atenderá a um pedido do secretário do Tesouro, Arno Augustin, que se opõe à novidade.

Se fosse mantida, a emenda de Aécio empurraria para dentro do Orçamento da União uma espécie de orçamento paralelo do governo, executado à sombra.

O Tesouro seria forçado a esmiuçar as emissões de papéis feitas com o propósito de subsidiar autarquias, fundações, estatais e bancos oficiais.

O principal alvo de Aécio é o BNDES. Desde 2009, o banco recebeu do Tesouro aportes que roçam a casa dos R$ 290 bilhões.

Ao negociar os papéis, o Tesouro remunera os investidores com os juros gordos do mercado.

Depois, levado aos guichês do BNDES, o dinheiro obtido por meio do papelório é repassado a empresas privadas a juros subsidiados.

A diferença é custeada pelo contribuinte. Tudo isso no escuro, sem passar pelo Orçamento da União. Apenas os subsídios são mencionados na peça. 

Confirmando-se o veto, Dilma terá de explicar as razões que levam o governo a preferir a sombra à luz do Sol.

O constrangimento é tudo o que Aécio deve obter. O Congresso dispõe de poderes constitucionais para derrubar o veto presidencial. Porém…

…Porém, considerando-se a maioria acachapante de que dispõe o governo no Parlamento, é improvável que o veto de Dilma seja revisto.

A presidente deve exercer o seu direito de veto também para excluir da LDO um artigo aprovado por pressão do DEM.

Trata-se do trecho que anota que o déficit nominal do setor público não pode ser superior a 0,87% do PIB.

Mais: excetuando-se as áreas da saúde e educação, a soma das depesas correntes do governo não pode ser maior do que investimentos da União.

Não há, por ora, definição de Dilma quanto à emenda levada ao texto da LDO pelo senador petista Paulo Paim (RS).

Prevê que o governo terá de incluir no Orçamento de 2012, dinheiro para prover aumento real aos aposentados que recebem mais de um salário mínimo.

A exemplo das emendas do PSDB e do DEM, a de Paim escalou a lei porque o governo quis evitar obstruções à votação ocorrida nesta quarta.

Embora contrariado, o Planalto topou aprovar uma LDO apinhada de “inconveniências”. Mas se absteve assumir compromissos quanto ao veto.

Dito de outro modo: produziu-se no Legisaltivo uma pantomima que permitiu aos congressistas simular um poder que de fato não têm.

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Escrito por Josias de Souza às 23h08

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Pagot quer voltar, mas só após ‘conversar’ com Dilma

  Alan Marques/Folha
Em férias, Luiz Antonio Pagot, supostamente afastado do Dnit, interrompeu o repouso para prestar “esclarecimentos” à Câmara.

Repisou o lero-lero do depoimento da véspera, no Senado. Negou malfeitos, preservou o governo e enalteceu Dilma.

Ao final, os repórteres perguntaram a Pagot se deseja voltar ao Dnit depois das férias.

E ele: "Posso até continuar como diretor-geral do Dnit se ela [Dilma] assim quiser. Mas tenho que ter uma longa conversa com ela".

Pagot imagina-se em condições de impor determinadas condições. Coisas assim:

Aumento do quadro funcional, melhoria das condições de trabalho e novas relações com o ministro dos Transportes.

Quer dizer: se Dilma bobear, acaba demitida por Pagot.

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Escrito por Josias de Souza às 20h55

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Cepal: Brasil vai crescer menos que vizinhos em 2011

Angeli

A Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) divulgou nesta quarta (13) relatório sobre a economia da região.

No texto, estima-se que a economia do Brasil crescerá 4% neste ano de 2011. Será a menor taxa da América do Sul.

Segundo a Cepal, a Argentina deve crescer 8,3%; Peru, 7,1%; Uruguai, 6,8%; Chile, 6,3%; Paraguai, 5,7%; e Venezuela, 4,5%.

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Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Na Ucrânia, cobra de 2 cabeças; a de Brasília tem 14!

A cobra que aparece no vídeo acima, da Ucrânia, é muito parecida com a víbora que dá suporte congressual a Dilma Rousseff em Brasília. As diferenças são quase imperceptíveis.

A cobra tem duas cabeças. A víbora tem 14 cabeças. As duas cabeças do ofídio ucraniano brigam por alimento convencional. As 14 cabeças da serpente brasiliense se nutrem do déficit público.

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Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Fruet deixa o PSDB. E Alckmin: ‘É questão municipal’

  Sérgio Lima/Folha
Como previsto, o ex-deputado federal Gustavo Fruet tornou-se nesta quarta (13) um ex-tucano.

Antes festejado como uma das principais lideranças do PSDB no Congresso, Fruet deixou o PSDB sob asfixia de Beto Richa.

Governador tucano do Paraná, Richa bloqueou o projeto de Fruet de disputar a prefeitura de Curitiba em 2012.

Mandachuva do tucanato paranaense, Richa o vai apoiar a reeleição do atual prefeito, Luciano Ducci, filiado ao governista PSB.

Em carta a Richa, Fruet realçou sua "profunda incompreensão com o silêncio e a falta de clareza da direção do partido na capital” paranaense…

“…Especialmente quanto à participação na sucessão municipal de Curitiba nas eleições de 2012".

O silêncio de Richa foi ecoado na esfera federal. Não se ouviu um mísero pio dos dirigentes nacionais do PSDB.

Inquirido a respeito, o governador tucano de São Paulo, Gerlado Alckmin, animou-se a mover o bico.

Alckmin minimizou o ocorrido: "O Gustavo Fruet foi um bom deputado federal, mas isso é uma questão municipal, da eleição da capital, de Curitiba."

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Um dos mais destacados politicos do ninho, Fruet foi reduzido a mera “questão municipal”.

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Escrito por Josias de Souza às 18h33

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Um em cada cinco alunos está 'atrasado' na escola

Júlio Fernandes/MDS

Diz-se que o futuro a Deus pertence. E quanto ao passado? O que dizer do presente? Quem vai se responsabilizar?

O Ministério da Educação informa: um em cada cinco estudantes do ensino fundamental está atrasado na escola.

No ensino médio, encontram-se matriculados em séries inadequadas à faixa etária três em cada dez alunos.

Os mais fatalistas dirão que o Brasil, país do "faturo", já não tem futuro. Gastou-o todo. O futuro tornou-se remoto.

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Escrito por Josias de Souza às 17h43

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PSOL e PPS levam Costa Neto ao Conselho de ‘Ética’

  Alan Marques/Folha
Devolvido a Brasília pelo eleitor de São Paulo, o mensaleiro Valdemar Costa Neto (PR) chegou à Câmara numa fase em que já não havia pecado original.

Empossado em fevereiro, Costa Neto perambulou cinco meses pelo Congresso como um escândalo esperando para acontecer. Aconteceu em julho.

No escândalo dos Transportes, entre todos os pecados capitais, acusam-no do mais corriqueiro em sua biografia: o do capital propriamente dito.

Nesta quarta (13), PSOL e PPS protocolaram no Conselho de, dizem eles, ‘Ética’ da Câmara uma representação contra Valdemar Costa Neto.

Deseja-se que o tal conselho, composto só de deputados, investigue Valdemar. No limite, sugere-se que o deputado seja cassado.

De uma coisa é impossível discordar: nunca houve, na cena política brasileira, tamanho desperdício de mediocridade.

Ora, nem a Polícia Federal se interessou pelos malfeitos de Costa Neto! Que podem fazer contra ele seus companheiros de Câmara?

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Escrito por Josias de Souza às 15h41

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Nascimento: ‘Quem sabe tudo do ministério sou eu…!’

Angeli

Depois do sucesso da operação que transformou Luiz Antonio Pagot de touro furioso em hamster domesticado, o Planalto vê-se às voltas com outras caras feias.

Nos subterrâneos do PR, destilam veneno um par de víboras: Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto, respectivamente presidente e secretário-geral da legenda.

Leia-se, a propósito, um lote de notas veiculadas no Painel, seção da Folha:


- Homens e bombas: Horas depois de ser atropelada por Dilma Rousseff na definição do novo ministro dos Transportes, ala significativa do PR se reuniu no apartamento de Valdemar Costa Neto para avaliar os "estragos".

O ex-ministro Alfredo Nascimento reclamou de ter sido rifado pelo Planalto e deixou ameaças no ar caso continue a ser "demonizado".

Segundo relatos, negados pela assessoria de imprensa do PR, Nascimento disse: "Eles estão pensando que o Pagot sabe das coisas? Quem sabe tudo daquele ministério sou eu"!

Já Costa Neto, na alça de mira do Planalto, teria sido lacônico e enigmático. Como ao dizer que "coisas acontecem hoje", mas "acontecem amanhã também".

- Entre alas: O desfecho das turbulências nos Transportes causou estragos nas relações internas do PR. Deputados chamam senadores da sigla de "entreguistas".

- Como está...: No governo, há quem aposte que a sucessão no Dnit também pode resultar na efetivação do secretário-executivo, José Henrique Coelho Sadok de Sá. Ele é funcionário de carreira, mas tem trânsito político.

...fica? A saída poderia agradar o PR e Luiz Antonio Pagot, sinalizando que não haverá "caça às bruxas".

Script: O Planalto ficou satisfeito com a fala de Pagot no Senado. Avaliação semelhante foi feita entre deputados governistas, que, aliviados, diziam não esperar "surpresas" no depoimento de hoje à Câmara.


O signatário do blog suspeita que, afora as caras e bocas que proveu no Senado (veja imagens abaixo), Pagot servirá na Câmara matéria-prima para boas gargalhadas.

Quanto às ameaças de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto, Dilma Rousseff não perde por esperar. Ganha.

Alan Marques/Folha

- Em tempo: Charge via Folha.

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Escrito por Josias de Souza às 06h42

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Em congresso chapa branca, UNE se serve de estatais

Stock Images

Começa nesta quarta (13), em Goiânia, o 52o Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Será o maior evento já promovido pela entidade. A audiência é estimada em 10 mil universitários. Os custos foram orçados em R$ 4 milhões.

Um pedaço do borderô, informam os repórteres Isonilda Souza e Evandro Éboli, será provido por várias empresas estatais, entre elas a Petrobras.

“Tem estatais apoiando”, admitiu o presidente da UNE, Augusto Chagas.

Que logomarcas abriram os cofres? Quanto cada uma borrifará no encontro? O mandachuva da UNE se absteve de informar.

“Alguns desses apoios ainda estão se concretizando”, alegou Chagas. “Vamos publicizar essas informações quando estiver tudo fechado”, ele prometeu.

Afora as verbas públicas, a lista de convidados confere ao congresso da UNE um caráter “chapa branca”.

Nesta quinta (14), informa a entidade, darão as caras no encontro Lula e o ministro Fernando Haddad (Educação).

A dupla vai participar do pedaço do evento reservado à celebração do Prouni, o programa de bolsas universitárias criado sob Lula, cuja gestão a UNE apoiou com entusiasmo.

Além do patrocínio de estatais, o encontro vai dispor do apoio logístico do governo tucano de Goiás e da prefeitura petista de Goiânia.

O Estado cedeu ginásios e escolas para alojar os estudantes. O município, banheiros químicos e ambulâncias para eventuais emergências.

O Congresso vai durar cinco dias. Na abertura, uma homenagem aos 50 anos da “Cadeia da Legalidade”.

Trata-se do movimento inaugurado por Leonel Brizola, para assegurar a posse de João Goulart após a renúncia de Janio Quadros, em 1961.

Para receber as homenagens no lugar de Brizola, convidou-se o neto dele, o ex-deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ).

A programação, algo eclética, inclui de debates sobre agrotóxicos à defesa da destinação de 10% do PIB para a educação.

Abriu-se também na agenda espaço para manifestar o apoio da UNE à Comissão da Verdade e à apuração dos crimes da ditadura.

O tema é caro à presidente Dilma Rousseff, apoiada pela UNE na eleição presidencial do ano passado.

Espera-se que compareçam os ministros petistas José Eduardo Cardozo (Justiça) e Maria do Rosário (Direitos Humanos). O pemedebê Nelson Jobim (Defesa) não foi convidado.

No domingo (17), último dia do Congresso, a UNE elegerá um novo presidente. Augusto Chagas não disputa a releição.

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Escrito por Josias de Souza às 05h48

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As manchetes desta quarta

- Globo: Congresso prevê aumento real para os aposentados em 2012

- Folha: Casino diz não, BNDES sai e Abilio acaba sem a fusão

- Estadão: Sem o BNDES, Pão de Açúcar suspende fusão com Carrefour

- Correio: Cara Brasília

- Valor: Diniz perde apoio para fusão com o Carrefour

- Estado de Minas: Nada mudou na BH dos flanelinhas

- Jornal do Commercio: Náutico tem batismo de G-4

- Zero Hora: Força-tarefa no Daer tira foco dos pardais

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Teta$!

Humberto

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Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Tesouro só poderá emitir títulos se Congresso deixar

Ana Volpe/Ag.Senado

A Comissão de Orçamento do Congresso aprovou na noite desta terça (12) a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2012.

Injetaram-se na peça emendas que alteraram o texto original, de autoria do governo. O Planalto torce o nariz para algumas das alterações.

Deve-se a emenda mais incômoda a uma dupla de congressistas tucanos: o senador Aécio Neves (MG) e o deputado Rogério Marinho (RN).

Obriga o governo a incluir na lei orçamentária, aprovada anualmente pelo Congresso, toda a emissão de títulos do Tesouro Nacional.

Apresentada por Aécio, a emenda foi endossada na comissão de Orçamento por Marinho.

A pedido do secretário do Tesouro, Arno Augustin, o relator da LDO, deputado Mário Moreira (PP-MG) havia excluído a emenda tucana de seu relatório.

Na hora da votação, porém, acabou incluindo a novidade dos títulos públicos. Hoje, o Tesouro emite papéis livremente.

Quando os títulos destinam-se à capitalização do BNDES, o Planalto envia ao Congresso medidas provisórias desvinculadas do Orçamento.

Aprovada na comissão por acordo de lideranças, a emenda tucana deve ser mantida no plenário do Congresso em votação marcada para esta quarta (13). Dilma Rousseff pode, porém, vetar.

A LDO fixa as balizas para o Orçamento de 2012, cujo texto o governo terá de enviar ao Congresso até o final do mês de agosto.

Além da emenda do PSDB, o relator acolheu outras 15 propostas de alteração –dez delas integralmente; cinco apenas parcialmente.

Outra alteração levada ao relatório a despeito do pé atrás do governo foi sugerida pelo senador petista Paulo Paim (RS).

Obriga o governo a incluir no Orçamento de 2012 recursos para conceder reajuste real (acima da inflação) a aposentados que ganham mais de um salário mínimo.

A emenda de Paim não fixa valores. Anota que a política de recomposição das aposentadorias será negociada em mesa tripartite.

Participarão o governo, as centrais sindicais e entidades que representam os aposentados.

A intenção de Paim é a de estender a todos os aposentados a política de reajustes do salário mínimo –inflação mais a variação do PIB dos dois anos anteriores.

Em meio aos dissabores, o governo obteve uma vitória parcial. Conseguiu retirar do texto do relator um pedaço que tratava das emendas de parlamentares.

Abespinhado com os cortes impostos às emendas, o deputado Mário Moreira queria proibir o governo de passar na lâmina os gastos propostos por congressistas.

Ele equiparara as emendas de parlamentares aos investimentos do PAC. Incluíra um artigo que permitia reduzir a meta de superávit para pagar R$ 6 bilhões em emendas.

Pressionado, Moreira suprimiu o artigo. Ficou estabelecido que apenas os investimentos do PAC podem ser abatidos do superávit, até o limite de R$ 40,6 bilhões.

O relator incluiu em seu relatório, porém, regra que obriga o governo a definir no Orçamento qual será a política fiscal de 2012.

Todo início de ano, ao receber o Orçamento aprovado no Congresso, o governo edita um decreto prevendo como se dará a execução. É nesse decreto que o Planalto mostra a faca.

Em 2012, o talho foi de R$ 50 bilhões. Os cortes incluíram as emendas. Tenta-se agora forçar o governo a exibir o tamanho da peixeira antes de descer a lâmina.

Definiram-se também na noite desta terça regras para a interrupção de obras nas quais o TCU identifica irregularidades graves.

Hoje, para que uma obra seja paralisada, basta que auditoria do TCU aponte indícios de malfeitos.

Agora, a auditoria terá de ser aprovada por ministro ou pelo plenário do tribunal num prazo de até 40 dias, 15 dos quais destinados à manifestaçao do gestor da obra.

A texto da comissão vai a voto a partir das 17h desta quarta (13), em sessão conjunta do Congresso, com a participação de deputados e senadores.

- Aqui, um quadro com algumas das principais alterações à LDO. Aqui e aqui, detalhes da sessão noturna da comissão de Orçamento.

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Escrito por Josias de Souza às 00h38

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Fruet deixa PSDB e busca sigla para disputar em 2012

  Lúcio Tavora/Folha
Em qualquer roda de politicos é muito fácil identificar um tucano: é o que está falando bem de si mesmo.

Tão bem que, por vezes, não vê o mal do PSDB. Em verdade, dois males: excesso de cabeças e carência de miolos.

Nesta quarta (13), em meio à cegueira coletiva, deixa o ninho o ex-deputado Gustavo Fruet.

adeus ao PSDB num instante em que figura nas pesquisas como favorito à corrida municipal de 2012.

Decidido a disputar a prefeitura de Curitiba, Fruet foi bloqueado na legenda pelo governador tucano do Paraná, Beto Richa.

Por quê? Richa prefere apoiar a reeleição do atual prefeito da capital paranaense, Luciano Ducci, do PSB.

Fruet aparece num Ibope de maio com 34% das intenções de voto –onze pontos a mais do que os 23% atribuídos a Ducci.

A despeito disso, sob inação do PSDB federal, Richa prefere conspirar a favor de Ducci, o candidato do governista PSB.

Evidência de que o tamanho do cérebro não se mede pelo bico.

Fazem fila à porta de Fruet: PDT, PSD, PV, PPS, DEM e um pedaço do PMDB. Até o PT flerta com a ideia de apoiá-lo num eventual segundo turno.

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Escrito por Josias de Souza às 22h16

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Oficial: BNDES sai da fusão Pão de Açúcar e Carrefour

O BNDES retirou-se formalmente da negociação que levaria à fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour.

Em nota, o velho e bom bancão escorou a desistência na falta de acordo entre os sócios.

Mais cedo, numa reunião realizada em Paris, Abílio Diniz esmiuçou a proposta de fusão ao grupo Cassino, que a rejeitou.

Emparedada pela reação negativa suscitada pelo envolvimento do BNDES na batalha privada, Dilma Rousseff já havia levado o pé atrás.

Em reunião com Luciano Coutinho, Dilma determinara: prevalecendo o dissenso entre os sócios o, o BNDES deveria sair do negócio.

Pouco depois da divulgação da notícia sobre a desistência do BNDES, veio à luz uma nota da Gama/BTG Pactual, empresa criada para empinar a fusão.

No texto, informa-se que está suspensa a negociação da fusão. Ficou claro que, sem o BNDES, a transação é inviável.

Louve-se a decisão de Dilma. Fez por pressão o que o BNDES esquivava-se de fazer por precaução.

Evitou-se a injeção de verbas públicas numa briga privada. Uma briga em que o contribuinte brasileiro entraria com a cara. E com o bolso, naturalmente.

A meia-volta do BNDES chega num instante em que o Ministério Público Federal começa a farejar a carteira de empréstimos do banco.

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Escrito por Josias de Souza às 20h34

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Aliado de Tarso diz ter cota de nomeações: ‘R$ 80 mil’

Fábio Pozzebom/ABr

Todo grupo, quando se organiza, anuncia propósitos altruístas. É assim com grupos religiosos, sociais e também políticos.

Uma vez organizado, o grupo passa a defender, prioritariamente, os interesses que justificam sua existência.

O propósito essencial do grupo passa a ser sua própria sobrevivência. Nesse ponto, o grupo, qualquer grupo, ganha contornos de máfia.

Note-se, a propósito, o que sucede no Rio Grande do Sul. Eleito governador, o grão-petê Tarso Genro esticou a máquina. Criou secretárias, abriu cargos.

Mimetizando no Estado prática encontradiça na cena federal, Tarso rateou o governo entre os partidos que lhe dão suporte na Assembléia Legislativa.

Até aí, mais do mesmo. Mera repetição de uma anormalidade que ganhou ares de coisa normal país afora.

Sob Tarso, porém, injetou-se no inaceitável um quê de inacreditável. Políticos aliados do governador passaram a dispor de uma cota de nomeações.

Em debate promovido pela Rádio Gaúcha, o deputado estadual Ronaldo Santini (PTB) quantificou a desfaçatez.

Disse que cada deputado do governista PTB tem o direito de pendurar na folha do Estado contracheques até o limite de R$ 80 mil.

Ouça-se o deputado Santini: "Nós temos um valor de R$ 80 mil para cada deputado estadual nomear."

Incluindo o pedaço do mapa ocupado pelo Rio Grande do Sul, o Brasil é um grande país. Tem mais de 8 milhões de km2. Tirando isso, o que sobra?

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Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Contra fraudes,Passos promete trocar nomes e regras

Marcello Casal/ABr

Confirmado por Dilma Rousseff no cargo de ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos veio aos refletores.

Diante de câmeras e microfones, soou ora alvissareiro ora desalentador. No pedaço promissor da entrevista, acenou com “ajustes” na pasta.

“Fazer ajustes significa tomar todas as atitudes que sejam necessárias e isso envolve troca de pessoas e modificações em processos”.

No naco desanimador, Paulo Passos disse que espera “prestigiar e ser prestigiado pelo partido” ao qual é filiado, o PR.

Perguntou-se a Paulo Passos, por exemplo, se Luiz Antonio Pagot, o mandachuva do Dnit, será mesmo mandado ao olho da rua.

E o ministro: “No momento ele está de férias. Ainda não conversei com a presidenta para avaliar qual sua decisão sobre a direção geral do Dnit”.

Tomado pelas palavras, Paulo Passos não vê razões para demitir Pagot. Referiu-se a ele como “profissional responsável e dedicado”.

Chegou mesmo a defendê-lo da acusação de corrupção: “Não tenho nenhum registro que possa depor contra ele”. Hummmm!

Alvissareiro, disse que sua chefia no ministério –“um desafio e uma tarefa árdua, uma missão desafiadora”— será “técnica”.

Desalentador, afirmou que é possível conciliar o técnico com o politico: “É preciso não confundir a gestão administrativa de uma pasta com relações políticas…”

“…Eu não misturo as duas coisas. Vamos trabalhar escolhendo pessoas certas nos lugares certos, que tenham competência, experiência e honorabilidade”. No PR?

De resto, o novo ministro disse que fará nos negócios dos Transportes o oposto do que o governo planeja fazer nas obras da Copa e das Olimpíadas.

Antes de cada licitação, planeja elaborar “projetos executivos”, mais detalhados do que os “projetos básicos” utilizados hoje:

“Queremos licitar projetos detalhados e de boa qualidade, que poderão ser executados sem surpresas”.

Funcionário público desde a década de 70, Paulo Passos conhece como poucos os meandro$ dos Transportes.

Foi o segundo da pasta na era FHC, sob o então ministro Eliseu Padilha (PMDB). Foi o segundo também de Alfredo Nascimento (PR), sob Lula e Dilma.

Na gestão do ex-soberano petista, foi ministro duas vezes, em 2006 e 2010, quando Nascimento saiu para disputar votos.

No ano passado, Paulo Passos levou sua biografia técnica para passear nos quintais da política. Filiou-se ao PR.

A despeito de usar óculos, o novo ministro não pode alegar que não viu os malfeitos que pulularam ao seu redor.

Se quisesse, Paulo Passos poderia providenciar um Ministério dos Transportes inteiramente novo. Caos não falta.

A pergunta é: como produzir o novo aproveitando a matéria-prima oferecida pelo PR?

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Escrito por Josias de Souza às 17h51

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Ao lado do tucano Richa, Dilma anuncia plano de safra

Roberto Stuckert/PR

Dilma Rousseff anunciou nesta terça (12) o plano de safra da agricultura familiar para 2011 e 2012.

O governo oferecerá aos pequenos agricultores linhas de crédito de até R$ 16 bilhões. Cifra idêntica à da safra anterior.

Nem tudo foi, porém, utilizado. Sobraram na rede bancária cerca de R$ 5 bilhões. Para evitar novas sobras, o governo vai simplificar o processo.

Serão reduzidas, de resto, as taxas de juros. Antes, variavam de 1% a 4%, dependendo da finalidade do empréstimo. Agora, não passarão de 2%.

Pela primeira vez, o anúncio da safra ocorreu longe de Brasília. Escolheu-se a cidade paranaense de Francisco Beltrão.

Trata-se de um reduto eleitoral da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), chefe da Casa Civil. A ministra integrou a comitiva de Dilma.

Convidado, o governado do Paraná, Beto Richa (PSDB), também deu as caras. Em discurso, disse que, nessas horas, divergências políticas devem ser esquecidas.

A platéia foi estimada em 8 mil pessoas. Na sua vez de discursar, Dilma realçou a importância dos agricultures familiares.

Acha que, com a produção de alimentos das pequenas propriedades, é possível "acabar com a miséria extrema no nosso país".

Em entrevista, sem mencionar os malfeitos dos Transportes, Dilma disse que fica "triste" com as coisas que acontecem no governo. 

Os sentimentos da platéia são outros: raiva e desencanto.

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Escrito por Josias de Souza às 16h44

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No Senado, Pagot nega corrupção e preserva governo

Sob grande expectativa, Luiz Antonio Pagot foi à boca do palco no Senado. A platéia esperava por um touro furioso. Mas…

…Mas a montanha, como se diz, pariu um rato. Ou, por outra, veio à luz um hamster. Manso. Domesticado. Inofensivo.

Em privado, o ex-mandachuva do Dnit insinuara aos colegas de PR que jogaria PT no ventilador.

Preferiu não fazer aos outros aquilo que acha que fizeram com ele. Parece confiar que, em Brasília, nada é tão definitivo que não possa ser desfeito.

Pagot preservou o governo. Elogiou o ministro Paulo Bernardo (ex-Planejamento, hoje Comunicações), enalteceu Dilma Rousseff.

Negou com veemência a cobrança de propinas no Dnit. Refutou a tese de que o PR apropriou-se de nacos do orçamento público.

Quem assistiu ficou com um criatório de pulgas atrás da orelha. Se tudo vai bem, porque caíram o ministro Alfredo Nascimento e o staff dele?

Ficou entendido: se não está todo mundo meio doido, a plateia está inteiramente maluca.

Pagot, a propósito, está em pleno gozo de férias. Disse que o repouso estava programado há tempos.

Vai voltar? “Depende da presidente Dilma”. Se fosse justa, Dilma deveria confirmar Pagot no cargo e requerer ao Vaticano sua canonização.

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Escrito por Josias de Souza às 15h19

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Empresa que doou ao PR e Gleisi multiplica contratos

Angeli

A empreiteira Sanches Tripoloni, do Paraná, viveu anos de bonança nos dois reinados de Lula.

Seus contratos com o Dnit, o departamento que cuida de obras rodoviárias na pasta dos Transportes, cresceram 1.273%.

Em 2004, as obras confiadas à Sanches Tripoloni somavam R$ 20 milhões. Em 2010, em cifra atualizada, totalizavam R$ 267 milhões.

Os dados constam de notícia veiculada pela Folha. Coisa produzida pelos repórteres Breno Costa, Andreza Matais e Rubens Valente.

A prodigalidade dos contratos fez da Sanches Tripoloni uma generosa doadora de campanhas políticas. Ou vice-versa.

No ano passado, a empreiteira borrifou R$ 7,2 milhões nas arcas eleitorais de diferentes candidatos.

Deu prioridade aos políticos ligados ao consórcio governista. A estes, doou R$ 6,4 milhões, incluindo R$ 1 milhão para Dilma Rousseff. José Serra beliscou R$ 180 mil.

Os candidatos do PR, partido de Alfredo Nascimento, que chefiou os Transportes durante seis dos oito anos de Lula, levaram R$ 2,5 milhões.

Sozinho, o senador Blairo Maggi (PR-MT), padrinho de Luiz Antonio Pagot, o mandachuva do Dnit, foi aquinhoado com R$ 500 mil.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), chefe da Casa Civil e mulher do ministro Paulo Bernardo (ex-Planejamento, agora nas Comunicações), amealhou R$ 510 mil.

Na época em que azeitou a escrituração das campanhas, a Sanches Tripoloni estava proibida de contratar com o governo.

Havia sido declarada inidônea pelo TCU, em maio de 2009. Por quê? Prevalecera numa licitação do Dnit “de forma extremamente viciada”.

Ao tocar a obra, um anel rodoviário na cidade paranaense de Foz do Iguaçu, injetara nos borderôs um sobrepreço de R$ 9,9 milhões.

Passadas as eleições, graças a um recurso, a empreiteira obteve do TCU a reabilitação. Alegou-se que as provas eram “indiciárias”, não conclusivas.

Em março de 2011, a Sanches Tripoloni firmou com o Dnit um aditivo contratual.

Orçadas em R$ 149 milhões, as obras do anel viário de Maringá (PR), foram à casa dos R$ 178,6 milhões.

No mês anterior, a empreiteira vencera licitação para a segunda fase dessa mesma obra.

Decorridos cinco meses, o contrato ainda não foi assinado. Por quê? O TCU apontou sobrepreço de 10% no pedaço já reaizado da obra.

Nos porões do PR, a legenda que Dilma levou à grelha, acusa-se o casal Bernardo-Gleisi de atuar em benefício da Sancres Tripoloni. Eles negam.

Bernardo refuta a insinuação de que teria pressionado Luiz Antonio Pagot para liberar as verbas que propiciaram o início da obra de Maringá.

Alega que o empreendimento saiu do papel graças a uma emenda da bancada de congressistas do Paraná.

“Conseguimos uma emenda de bancada, a pedido da prefeitura de Maringá, que foi liberada", diz o ministro.

Gleisi, a mulher de Bernardo, disse que não pediu dinheiro à empreiteira: "Visitei Maringá na campanha e eles perguntaram se podiam ajudar…”

“…Respondi que sim e pedi à minha assessoria que os procurasse. Está tudo devidamente registrado no site da Justiça Eleitoral".

Pode-se acusar a Sanches Tripoloni de tudo, menos de falta de senso de oportunidade. Financiou uma senadora e elegeu uma poderosa ministra.

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Escrito por Josias de Souza às 06h46

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Processado, Requião admite indenizar Paulo Bernardo

ABr

Advogado do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), Luiz Fernando Pereira, afirma que o senador Roberto Requião dobrou os joelhos num processo judicial.

Acusado de calúnia, Requião (PMDB-PR) se dispôs a pagar indenização ao ministro. No dizer do advogado de Bernardo, um “reconhecimento de culpa”.

“Pela primeira vez na vida dele, o Requião propõe um acordo judicial”, declarou ao blog o defensor do ministro.

Segundo Luiz Fernando, a proposta de acordo foi formulada por René Ariel Dotti, advogado de Requião.

Em troca da indenização, seriam suspensos dois processos movidos por Bernardo. Um deles, penal, corre no STF. O outro, cível, na Justiça do Paraná.

Discute-se agora, de acordo com Luiz Fernando, o valor da reparação. Paulo Bernardo pediu R$ 100 mil. Roberto Requião ofereceu R$ 15 mil.

O ministro levou o senador aos tribunais no ano passado. Requião acusou Bernardo de lhe propor o superfaturamento de uma obra ferroviária.

Conforme noticiado aqui, Requião alardeou ter sido procurado por Bernardo à época em que era governador do Paraná.

Ministro do Planejamento de Lula, Bernardo teria proposto a construção de uma ferrovia sem licitação e a preços superfaturados.

Orçada em R$ 220 milhões, a obra saltaria para R$ 540 milhões, acusou Requião.

Luiz Fernando disse ao repórter que a acusação do ex-governador, por “caluniosa”, foi “desmoralizada” nos autos.

Mencionou, por exemplo, documento que o próprio Requião teria enviado ao governo federal:

“Ele havia declarado que o preço atribuído pelo Paulo Bernardo à obra, de R$ 540 milhões, era absurdo...”

“...Nós levamos ao processo um ofício que o Requião encaminhou ao governo, pedindo R$ 550 milhões para fazer a obra...”

“...Ou seja, Requião pediu R$ 10 milhões acima do sugerido pelo ministro, que ele dizia ser absurdo”.

Luiz Fernando ironizou: “Requião tem pelo menos duas condenações por danos morais...”

“....Quando ele é condenado, vai à tribuna do Senado e põe a culpa no Judiciário, diz que é perseguido, apresenta-se como vítima bullying”.

Os dois processos movidos por Paulo Bernardo estão, segundo o advogado, em fase final, prontos para a sentença.

No caso da ação que corre no Supremo, submetida à relatoria do ministro Dias Toffoli, falta apenas um depoimento de Requião.

Segundo Luiz Fernando, Paulo Bernardo ainda não decidiu se vai aceitar o acordo proposto pelo senador.

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Escrito por Josias de Souza às 05h01

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As manchetes desta terça

- Globo: Dilma manda BNDES sair do negócio com Pão de Açúcar

- Folha: SP repassará contas de hospitais a convênios

- Estadão: Crise atinge a Itália e derruba bolsas no mundo

- Valor: Pacote Brasil Maior vai socorrer setor industrial

- Zero Hora: Risco de calote da Itália assusta Europa

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h51

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A 'boca' brasiliense!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 00h28

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MPF investiga interesse do BNDES no Pão de Açúcar

O Ministério Público Federal instaurou, em Brasília, procedimento para apurar o envolvimento do BNDES na fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour.

A Procuradoria deseja saber se a participação do banco oficial na negociação está escorada no interesse público.

Quer saber também de onde virá o dinheiro que o BNDES cogita injetar no negócio. Coisa de até R$ 4,5 bilhões, segundo já admitido pelo governo.

Embora centrado inicialmente na fusão da empresa de Abílio Diniz com o grupo francês, o procedimento da Procuradoria tem objetivos mais amplos.

Pode resultar numa investigação de toda a carteira de investimentos e empréstimos do BNDES a empresas privadas.

Inaugurada há cinco dias, a apuração foi veiculada nesta segunda (11) na página eletrônica da Procuradoria da República no Distrito Federal.

Foram expedidos dois ofícios. Um para o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Outro para o secretário de Controle Interno da CGU, Valdir Agapito Teixeira.

Entre os questionamentos dirigidos a Continho estão os seguintes:

1. Qual é a modalidade de apoio financeiro requerida pelo Grupo Pão de Açúcar na pretendida fusão com o Carrefour?

2. O grupo atende aos requisitos mínimos para pleitar o financiamento?

3. Quais os critérios para a adoção de prioridades nos investimentos do BNDESPar?

4. De onde provêm e como serão captados os recursos a serem utilizados no negócio?

O governo sustenta que, caso o BNDES resolva participar da fusão, o dinheiro não será público. Lorota.

O BNDES não se limitaria a emprestar dinheiro. Entraria como sócio da nova empresa, adquirindo participação acionária.

No ofício enviado ao secretário de controle Valdir Teixeira, indaga-se:

A Controladoria-Geral da União já realizou auditoria no BNDESPar para esquadrinhar os financiamentos concedidos a empresas privadas?

As duas autoridades terão 15 dias para prover as respostas. O prazo começa a ser contado a partir do recebimento das correspondências.

Ao se mexer, a Procuradoria oferece uma razão adicional ao governo para recuar da intenção de envolver o BNDES numa batalha empresarial.

A propósito, o repórter Ancelmo Gois informa que Dilma Rousseff já determinou ao bancão que saia, de fininho, da transação.  

Sócio de Abílio Diniz no Pão de Açúcar, o grupo francês Cassino enxerga na fusão com o Carrefour uma espécie de golpe corporativo.

Por força de contrato, o Cassino deve assumir o comando do Pão Açúcar em 2012. Se vingar a fusão, o documento vira fumaça.

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Escrito por Josias de Souza às 23h10

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PF nos Transportes? Só se vier fato novo, diz ministro

Fábio Pozzebom/ABr

São dois os problemas da pasta dos Transportes: a plateia é incapaz de reconhecer a honestidade dos gestores. E estes são incapazes de demostrá-la.

A despeito disso, o ministro José Eduardo Cardozo não pensa em acionar a PF. Afirma que a polícia só entrará no caso se houver “fatos novos”.

Como assim? “Não posso abrir in abstrato um inquérito. Eu abro uma auditoria, e, tendo indícios de crime, tem inquérito…”

“….A Controladoria-Geral da União está atuando para auditar contratos e, se disser que surgiram fatos novos, aí se abre o inquérito”.

Quem observa Brasília de longe fica com a impressão de que o governo não é guiado por princípios. Os mais sérios exibem, quando muito, leves tiques morais.

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Escrito por Josias de Souza às 22h13

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Dilma ratifica Paulo Passos na pasta dos Transportes

  ABr
Convidado por Dilma Rousseff, Paulo Sérgio Passos aceitou o cargo de ministro dos Transportes.

Antes, Dilma recebeu o senador Blairo Maggi (PR-MT). Sondado na semana passada, ele disse que não poderia tornar-se ministro.

Maggi alegou que suas empresas têm contratos com a pasta dos Transportes. Haveria “conflito de interesses”.

Assim, Dilma fez o que queria –efetivou Paulo Passsos— sem que o PR possa acusá-la de não ter buscado uma opção mais, digamos, política.

Dono de perfil técnico, Paulo Passos filiou-se ao PR no ano passado. Era o segundo do ministério, abaixo de Alfredo Nascimento (AM), presidente da legenda.

Depois da queda de Nascimento, lideranças do PR apressaram-se em informar que não reconheciam em Paulo Passos um representante da legenda.

Nesta segunda (11), foi à web notícia segunda a qual o PR cogitava migrar para a oposição. Em nota, o parido desmentiu.

Sucessor do ex-PL, nutrido nas arcas valerianas do mensalão, o PR é uma legenda típica, 100% financiada pelo déficit público.

É mais fácil Dilma filiar-se ao PSDB do que o PR levar seus pendores oposicionistas além das fronteiras do lero-lero.

Até aqui, o PR frequenta o condomínio governista como um dos mais fiéis apoiadores de Dilma.

A efetivação de Paulo Passos leva um pedaço da legenda a flertar com a traição. Nada, porém, os cargos e as verbas não resolvam.

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Escrito por Josias de Souza às 20h30

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Oposição adia sabatina e dá o ‘troco’ a Roberto Gurgel

  Folha
A oposição trazia Roberto Gurgel atravessado na traquéia desde que o procurador-geral decidiu não procurar as causas da pujança patrimonial de Antonio Palocci.

Nesta segunda (11), Gurgel recebeu o troco de ‘demos’ e tucanos. Deu-se numa sessão da comissão de Justiça do Senado.

Reconduzido ao cargo por Dilma Rousseff, o chefe do Ministério Público tem de ser sabatinado na comissão e referendado em plenário.

Os operadores do Planalto planejavam matar a questão neste comecinho de semana. Deu chabu.

Líder do DEM, Demóstenes Torres (GO) foi ao microfone para recordar um detalhe aos colegas.

Resolução da comissão de Justiça prevê: apresentado o nome da autoridade, abre-se prazo de cinco sessões para que os senadores analisem a matéria.

Noutros tempos, a regra sempre foi ignorada. Mediante acordo, os partidos atropelavam os prazos.

O problema é que esse tipo de acordo exige concordância unânime. E Demóstenes fincou o pé.

"Desde 2007, quando a regra foi criada, abrimos diversas exceções. Temos que parar com isso", disse ele.

Foi apoiado pelo líder tucano Alvaro Dias (PR) e endossado pelo colega Aécio Neves (PSDB-MG).

O dissenso levou ao adiamento da sabatina de Gurgel. Como o Congresso vai ao recesso na semana que vem, a coisa ficou para agosto.

O mandato de Gurgel expira em 22 de julho. Privado da confirmação do Senado, ele terá de deixar temporariamente a cadeira de procurador-geral.

Responderá interinamente pelo posto Eugênio Aragão, atual vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Mais cedo, como que farejando o cheiro de queimado, Gurgel dissera: “Qualquer período de interinidade é um período em que a administração é precária”.

Ao dar de ombros, a oposição responsabilizou Dilma pela precariedade. A presidente conhece –ou deveria conhecer— os prazos do Senado, alegou-se.

“Nada pessoal”, disseram todos. Mas Demóstenes não se privou da oportunidade de fustigar Gurgel.

Disse que, no caso de Palocci, o procurador-geral "agiu mais como homem de governo do que como homem de Estado".

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Escrito por Josias de Souza às 18h36

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Depois de moder o PR, Dilma assopra seu condomínio

 

Na semana passada, Dilma Rousseff proporcionou ao PR (Partido da República) uma experiência à Alfred Hitchcock.

O Ministério dos Transportes ficou parecido com aquela famosa hospedaria que tem Anthony Perkins na portaria.

No curto intervalo de quatro dias, Dilma produziu um roteiro no qual reservou ao PR o papel de Janet Leigh.

Entrou no chuveiro e mostrou a lamina ao grão-pêérre Alfredo Nascimento e Cia..

A cena fez correr um frio na espinha dos líderes das legendas que integram o consórcio governista.

Perguntavam-se uns aos outros: então, agora vai ser assim? Na primeira denúncia, a madame vai descer a faca?

Sobrevieram, no final de semana, notícias sobre a suposta intenção de Dilma de higienizar outros ministérios. A atmosfera de horror adensou-se.

Pois bem. Nesta segunda (11), Dilma guardou o facão na adaga. Nas pegadas da semana em que mordeu o PR, a presidente distribuiu assopros.

Mandou Ideli Salvatti, a ministra-chefe do balcão, agendar para esta quarta (13) um coquetel. Vai recepcionar no Alvorada os líderes partidários.

O pretexto é marcar o término do primeiro semestre legislativo. Na semana que vem, o Congresso mergulhará em recesso.

De resto, Dilma acarinhou seus “aliados” numa cerimônia de entrega do prêmio Anísio Teixeira, da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Ao discursar, a presidente declarou que não endossa as notícias segunda as quais traria na alça de mira pelo menos cinco ministérios.

Embora os titulares das pastas estivessem ausentes, Dilma fez questão de cumprimentar Mário Negromonte (Cidades), Pedro Novais (Turismo)…

...Ana de Hollanda (Cultura), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Moreira Franco (Assuntos Estratégicos).

"Em vistas de notícias de que o governo não concorda com eles, [os ministros] merecem os meus cumprimentos".

Ou seja: até a próxima crise, a hospedaria de Psicose que os partidos começavam a enxergar no Planalto está fechada.

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Escrito por Josias de Souza às 16h55

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Em São Paulo, PM separa 70 brigas de trânsito por dia

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Escrito por Josias de Souza às 15h12

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Paulo Bernardo propôs obra sem licitação,diz Requião

  Folha
Desde que Alfredo Nascimento e Cia. foram desalojados da pasta dos Transportes, o ministro Paulo Bernardo (Conunicações) frequenta o noticiário em posição incômoda.

Nos subterrâneos, Luiz Antonio Pagot, o ex-mandachuva do Dnit, afirma que Bernardo exibia interesse inusual pelas obras rodoviárias, especialmente as do Paraná.

Ex-governador paranaense, o senador Roberto Requião (PMDB) afirma que Bernardo interessava-se também por ferrovias.

Requião diz ter sido procurado por Bernardo na época em que ele era ministro do Planejamento de Lula.

Acusa-o de ter proposto a construção de uma ferrovia sem licitação, com preço acima do razoável e com direcionamento a uma empresa privada.

Segundo Requião, nos moldes propostos por Bernardo, o custo da obra saltaria de R$ 220 milhões para R$ 540 milhões.

As informações constam de notícia veiculada pela Folha. Ouvido, Bernardo admitiu que se reuniu com Requião à época em que ele governava o Paraná.

Atribuiu a iniciativa a uma "determinação do presidente Lula". Negou, porém, que tenha tratado de superfaturamento ou de direcionamento da obra ferroviária.

Por razões distintas, Requião e Bernardo acionaram o Ministério Público Federal para investigar o caso.

O ministro também protocolou no STF uma petição na qual acusa o agora senador de tê-lo caluniado.

Nesta terça (12), Pagot, o ex-mandarim do Dnit, vai prestar "esclarecimentos" no Senado.

Se Pagot reafirmar em público metade do que diz de Bernardo entre quatro paredes, é provável que a Justiça receba nova ação por “calúnia”.

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Escrito por Josias de Souza às 05h22

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Aécio: mágoa que Itamar carregou consigo é ‘legítima’

Alan Marques/Folha

Conforme noticiado aqui, Itamar Franco levou para o esquife mágoas que lhe atormentavam a alma.

Queixava-se de que FHC e o tucanato não admitiam o papel que desempenhou no enredo do Plano Real.

Reclamava de não ser reconhecido como alguém que fez o sucessor. Dizia que era como se FHC tivesse feito o antecessor, salvando-o do desastre.

Pois bem. Em artigo veiculado nesta segunda (11), na Folha, o grão-tucano Aécio Neves tratou do tema.

Esquivou-se de mencionar o Real e FHC. Mas anotou: “Precisamos reconhecer a legitimidade da mágoa que Itamar carregou consigo durante muito tempo…”

“…Fruto das incompreensões e da falta de reconhecimento à sua contribuição ao país”.

A convite do jornal, Aécio levará às páginas um artigo semanal. Será publicado sempre às segundas. Vai abaixo o texto inaugural, intitulado ‘O resgate de Itamar’:


Inicialmente, registro a minha satisfação em participar, a partir de hoje, semanalmente, deste fórum de debates, marcado pela independência e pela pluralidade de ideias acerca das grandes questões do nosso tempo.

Confesso que havia me preparado para abordar, neste artigo inaugural, um outro tema da agenda nacional. No entanto, colhido pela dolorosa perda de Itamar Franco, impus-me uma natural revisão.

Escrevo ainda impactado pela despedida do amigo fraterno e pelas emocionantes demonstrações de respeito e justo reconhecimento feitas a ele em seu funeral em Minas.

Nesses dias tristes, quase tudo se disse sobre o ex-presidente. Lembramos a sua personalidade única, a retidão do caráter, a coragem política, a sua integridade e a sua intransigência quanto aos valores éticos e morais, e o papel central que desempenhou à frente da Presidência da República.

Tudo isso é verdadeiro. Mas a verdade não se resume a isso. Precisamos reconhecer a legitimidade da mágoa que Itamar carregou consigo durante muito tempo, fruto das incompreensões e da falta de reconhecimento à sua contribuição ao país.

Se há no Brasil quem diga que, depois de morto, todo mundo vira santo, acredito que os elogios com que Itamar foi coberto após a sua morte não tinham a intenção de ‘absolvê-lo’ ou, muito menos, de santificá-lo aos olhos da opinião pública, mas sim de nos redimir dos pecados da ingratidão e da injustiça com que tantos de nós o tratamos, durante tanto tempo.

Nesse sentido, os mineiros prestaram a Itamar, sem saber que seria a última, uma belíssima homenagem. Ao conduzi-lo de volta ao Senado, retiraram-no do ostracismo, encheram de brilho e orgulho o seu olhar e permitiram que o Brasil se reencontrasse com o ex-presidente. Permitiram também ao grande brasileiro se reencontrar com o seu país.

Durante esses poucos meses, ele caminhou com altivez sobre o chão do Parlamento, o qual considerava sagrado.

Seus passos foram guiados pelo sentimento de urgência que move os que, verdadeiramente comprometidos com o país, sabem que os homens podem, às vezes, esperar. Mas a pátria, não. Sua presença iluminou o Senado e ele nos deixou fazendo o que mais gostava: lutando pelo Brasil.

A obra de todos e de cada um é sempre inconclusa. De tudo que vou guardar comigo, levarei sempre a lembrança do sentido preciso que ele tinha da nossa transitoriedade. Esses dias, voltou-me à memória trecho antigo que diz:

‘Dizem que o tempo passa. O tempo não passa. O tempo é margem. Nós passamos. Ele fica’.

Pena que alguns estejam passando por nós e seguindo em frente tão depressa, quando ainda são tão necessários..."

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Escrito por Josias de Souza às 04h44

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Fernando Haddad admite concorrer à prefeitura de SP

Marcello Casal/ABr

O ministro Fernando Haddad (Educação) admitiu pela primeira vez que pode disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem.

Discorreu sobre o tema numa conversa com os repórteres Rui Nogueira e Lisandra Paraguassu.

Disse que seu nome "está efetivamente sendo discutido" dentro do PT. Parece gostar do que vê: "Eu tenho apreço por esse movimento". Por quê?

"Em função de uma realização pessoal, por ter feito um trabalho no MEC que ganhou alguma visibilidade. Não deixa de ser para mim e para a minha equipe…”

“...Um sinal de que o Brasil tem avançado na área social, tem de avançar mais, mas não deixa de ser um reconhecimento".

O ministro não diz, mas, em larga medida, a visibilidade que obteve no ministério decorre de má fama. A rapaziada do Enem, por exemplo, o difama.

Realista, Haddad evita que o desejo político lhe suba à cabeça. Reconhece que a ala do petismo que empina seu nome é “minoritária no partido”.

Cuida, de resto, de mencionar um par de alternativas que frequentam a cena além dele. Cita a senadora Marta Suplicy e o colega Aloizio Mercadante:

"Considero que há figuras no partido que estão mais bem posicionadas e têm todo direito de pleitear a candidatura e disputar…"

"…Eu entendo isso, que pessoas que possuem uma história de militância dentro do partido e teriam legitimidade de fazer a disputa comparando gestões…”

“…Como seria o caso da Marta, ou se recolocando, como seria o caso do Aloizio. Enfim, pessoas que têm mais história no PT."

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Escrito por Josias de Souza às 04h09

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As manchetes desta segunda

- Globo: TCU apontou irregularidades em contratos para obras

- Folha: Dinheiro público domina parcerias em obras da Copa

- Estadão: Empresa diz ter alertado Petrobrás sobre fraude

- Valor: Indústria perde investimento e vira deficitária

- Jornal do Commercio: Recife dos buracos

- Zero Hora: Alerta em escolas tenta barrar avanço da gripe A

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Via de muitas mão$!

Dalcío

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Escrito por Josias de Souza às 01h50

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STF discute prescrição de 1 dos crimes do mensalão

 

Os ministros do STF analisam reservadamente uma polêmica que terá de ser dirimida no julgamento do processo do mensalão.

O Supremo terá de decidir se prescreveu ou não o principal crime de que são acusados os réus: a formação de quadrilha.

Ouvido pelo repórter, um dos ministros explicou os meandros da encrenca. Disse que, pela lei, o crime de quadrilha prescreve em oito anos.

A denúncia do Ministério Público, convertida pelo Supremo em ação penal, sustenta que a quadrilha mensaleira foi constituída em 2003.

Um pedaço do STF acha que a possibilidade de punição se extingue neste ano de 2011.

Outra ala acha que o prazo da prescrição só começou a ser contado depois que a denúncia da Procuradoria foi recebida pelo Supremo, em 2007.

Por esse entendimento, que deve ser adotado pelo relator Joaquim Barbosa, os réus só estariam livres de uma sentença em 2015.

A dúvida será levantada como questão preliminar no dia do julgamento, previsto para começar no início de 2012. Terá de ser dirimida no voto.

Dos 40 réus denunciados, 38 permanecem na grelha do STF. O crime de quadrilha é imputado a duas dezenas.

Entre eles José Dirceu, Roberto Jefferson, Delúbio Soares, José Genoino e Marcos Valério.

Quanto aos outros crimes –corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, por exemplo— não há, por ora, risco de prescrição.

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Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Governo tenta segurar no Senado dois pedidos de CPI

Sem alarde, o Planalto age para esvaziar dois pedidos de CPI que a oposição tenta empinar no Senado.

Num dos requerimentos, pede-se a investigação do Dnit, o departamento do Ministério dos Transportes que cuida de obras rodoviárias.

Noutro, propõe-se que sejam esquadrinhados os financiamentos do BNDES a empresas privadas –a começar da proposta de fusão Pão de Açúcar-Carrefour.

O regimento interno do Senado exige o apoio de 27 senadores para que uma CPI seja aberta. A do Dnit já dispõe de 24 assinaturas. A do BNDES tem 20.

O calendário roda a favor do governo. Esta será a última semana de atividade no Legislativo antes do início do recesso parlamentar do meio do ano.

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Escrito por Josias de Souza às 22h10

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Romário no twitter: ‘safado, babaca, vá comer merda’

Sérgio Lima/Folha
Habituado a lidar com antagonistas nos gramados, o ex-jogador Romário, hoje deputado federal, perdeu a calma com seus marcadores no twitter.

Seguido no microblog por mais de 200 mil internautas, Romário (PSB-RJ) foi criticado por ter driblado o teste do bafômetro, na madrugada deste domingo (10), no Rio.

Fustigado na web, o ex-craque portou-se como zagueiro de time de várzea. Mirou os tornozelos.

Empregou um linguajar de sarjeta: “Na verdade, quem deve comer merda é você, ignorante!”

Bateu: “Você é um ignorante, né?. O que tem a ver eu me recusar em fazer o teste e o pobre no meio disso?”

Golpeou: “Vou respeitar a tua família… Safado, é você e vai lá praquele lugar bem escuro...”

Romário foi aconselhado a recorrer à ferramenta do twitter que permite o bloqueio de seguidores indesejados. Refugou:

“Tô recebendo uns twits aqui dizendo pra eu bloquear os babacas e imbecis que querem fazer graça em cima de mim. Pelo contrário…”

Fixou suas próprias regras: “Aqui é o seguinte, rápido e objetivo: fala o que quer e muitas vezes vai ouvir o que não quer!”

Romário havia sido parado numa blitz da Lei Seca, na Barra da Tijuca. Ao recusar-se a soprar o bafômetro, teve a carteira de motorist retida.

Vai pagar multa de R$ 957,70 e terá de responder a processo administrativo.

A Land Rover do deputado foi liberada porque um de seus acompanhantes estava habilitada a dirigi-la.

Com fama de farrista, tonificada pelas fugas que protagonizava nas concetrações da Seleção Brasileira, o Romário do twitter revelou-se abstêmio:

“[…] Vocês sabem que eu não bebo, né? E também não é novidade que já fui parado outras vezes. Como qualquer cidadão tenho direito de recusar [o bafômetro]”.

Submetido ao ceticismo dos internautas, Romário deu de ombros:

“Rapaziada, não tô escrevendo nada aqui pra vocês acreditarem em mim. É um direito de vocês…”

Escreveu que, ao ser parado na blitz, vinha de um inocente compromisso familiar:

“[…] Eu estava com minha mulher e minhas duas filhas Ivy e Bellinha, vindo de uma festa junina na casa da minha mãe”.

Incomodado com a visibilidade que ganhou nas manchetes, Romário ironizou a imprensa.

Acha “engraçado” que, embora seja co-relator de uma medida provisória (529) que beneficiará “10 milhões de pessoas com deficiência”, a noticiário “não divulga”.

Dirigindo-se à “imprensa sensacionalista”, escreveu: “Vivo um momento importante e muito feliz da minha vida. Tanto na política quanto na minha vida particular”.

Acrescentou: ”Nada me atrapalhará nem me tirará do foco dos meus objetivos”.

No intervalo de menos de um mês, Romário foi o terceiro político graúdo a fugir do bafômetro no Rio. Antes dele, esquivaram-se do aparelho Aécio Neves (PSDB-MG) e Índio da Costa (PSD-RJ).

É pena que Romário “não beba”. Na tarde deste domingo, uma boa e honesta cervejinha o teria deixado mais inspirado. E talvez tivesse levado ao twitter comentários mais sóbrios.

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Escrito por Josias de Souza às 20h32

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Segurança de Temer é reforçada após incidente em SP

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Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Falta alguma coisa à corrupção brasileira: corruptores

Angeli

O noticiário das últimas semanas passa a impressão de que os corruptos são encontrados em várias partes do mundo. Quase todas no Brasil.

A corrupção voltou a ser tema obrigatório nas rodas de bate-papo. Por vezes, é impossível mudar de assunto. Muda-se apenas de corrupto.

O jornal tornou-se pé-de-vento. Arranca véus. Produz réus. Porém, falta algo ao noticiário: o corruptor.

Note-se o caso do Ministério dos Transportes. Foram à guilhotina um ministro e quatro integrantes do staff dele.

Derrubou-os a suspeita de cobrança propinas. Coisa entre 4% e 5% do valor total dos contratos.

Ganha um doce quem for capaz de citar o nome de um corruptor dos Transportes. Leva um cargo de direção no Dnit quem conseguir citar dois.

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Escrito por Josias de Souza às 07h17

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Petrobras: firma de senador do PMDB frauda licitação

Waldemir Barreto/Ag.Senado

A empresa Manchester Serviços Ltda., da qual o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) é sócio com 50%, venceu uma licitação na Petrobras mediante fraude.

A revelação consta de notícia produzida pelo repórter Leandro Cólon. Ele conta que a firma do senador obteve, na surdina, os nomes dos seis concorrentes.

Procurou-os e firmou com eles um acordo. Mediante compensaçõe$, as logomarcas que disputavam com a Manchester foram ao certame para dar-lhe “cobertura”.

Significa dizer que apresentaram propostas em valores acima dos orçados pela Manchester, convertendo a licitação numa pseudodisputa.

As reuniões que viciaram a concorrência da estatal petroleira ocorreram ao longo do mês de março.

Às 18h34 de 29 de abril, a Petrobrás divulgou relatório em que declara a Manchester vitoriosa no certame.

Disputava-se um contrato de serviços de consultoria e gestão empresarial. Coisa para dois anos, renováveis por mais dois.

A Manchester orçou os serviços em cerca de R$ 299 milhões. Uma das concorrente, a Seebla Engenharia, atravessou o acordo.

A proposta da Seebla oferecia à Petrobras uma equação financeira mais vantajosa. A empresa dispôs-se a executar os serviços por R$ 235 milhões. Foi desclassificada.

Dias antes, em 30 de março, o diretor comercial da Manchester, José Wilson de Lima, estivera um par de vezes na sede da Seebla, em São Paulo.

A passagem de José de Lima pelos escritórios da concorrente ficou registrada na portaria. Há inclusive uma foto do diretor da firma do senador Eunício.

A Seebla refugou a proposta de acordo da Manchester. Daí a apresentação de proposta com preço inferior.

Ouvido, o diretor da ouvidoria da Seebla, Milton Rodrigues, confirmou as visitas do representante da Manchester: “Contra fatos, não há argumentos”.

Disse que José de Lima, o preposto do senador, reuniu-se com Jorge Luiz Scurato, diretor Comercial da Seebla. Ele “não está mais na empresa”.

“Quando participamos de licitações, oferecemos preços compatíveis”, declarou Milton Rodrigues.

Procurada, a Petrobras alegou que desconhece as reuniões entre as empresas supostamente concorrentes:

"A Petrobrás desconhece essa informação. A licitação foi realizada em meio eletrônico, com entrega das propostas por computador”.

Por que a proposta da Seebla, financeiramente mais vantajosa, foi desclassificada? Segundo a Petrobras, “havia inconsistências na proposta”.

Entre elas, “a alíquota de determinado imposto [ISS], em porcentual menor do que o que deveria ser praticado…”

“…E a omissão dos porcentuais de determinados encargos sociais exigidos".

Alega-se que “essas inconsistências tornaram a proposta inexequível". Argumenta-se, de resto, que “a licitação […] foi do tipo melhor preço e não menor preço".

A empresa desdiz a estatal: "Os custos apresentados pela Seebla refletem com segurança a realidade do empreendimento".

Também procurado, o senador Eunício, presidente da comissão de Justiça do Senado, optou pelo silêncio.

Disse apenas que está afastado da administração da Manchester. Sustenta que não participa das decisões de sua empresa.

Embora o resultado da “concorrência” já tenha sido proclamado, o contrato entre a Manchester e a Petrobras ainda não foi firmado.

Confirmando-se o resultado, os préstimos da Manchester serão providos à diretoria de Serviços da Petrobras, comandada por Renato Duque.

Trata-se de um apadrinhado do grão-petê José Dirceu. Que, sob Lula, coabitou a Esplanada dos Ministérios com Eunício.

Dirceu chefiou a Casa Civil de Lula até 2005, quando estourou o escândalo do mensalão. Eunício era ministro das Comunicações.

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Escrito por Josias de Souza às 05h45

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As manchetes deste domingo

- Globo: Verba de reconstrução é desviada para propina

- Folha: BC vai monitorar empréstimos de apenas R$ 1.000

- Estadão: Documentos revelam fraude em licitação de R$ 300 mi da Petrobrás

- Correio: Diabetes - Uma ameaça silenciosa

- Estado de Minas: As obras que Dilma inaugurou... e esqueceu

- Zero Hora: Corrupção muda táticas para escapar de controles

- Veja: Concurso Público: As lições dos campeões

- Época: Poupe para ficar milionário

- IstoÉ: As negociatas do ministro Nascimento

- IstoÉ Dinheiro: Tenha uma fábrica em sua casa

- Carta Capital: Dilma busca seu governo

- Exame: Melhores & Maiores

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h11

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Transpepino!

Aroeira

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Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Bernardo admite consultas a Pagot sobre obras no PR

Marcello Casal/ABr

Lançado no caldeirão em que negócios da pasta dos Transportes se misturam a propinas, Luiz Antonio Pagot, do Dnit, esforça-se para engrossar o caldo.

Pagot diz que, ministra, a própria Dilma Rousseff monitorava as obras rodoviárias desde a Casa Civil de Lula. Insinua que grão-petistas o assediavam.

Entre os nomes que o mandachuva do Dnit menciona com maior insistência está o do ministro petista Paulo Bernardo, ex-Planejamento, hoje Comunicações.

Procurado pela repórter Luíza Damé, Bernardo manifestou-se por e-mail. Admitiu: 

Quando dirigia a pasta do Planejamento, requisitou de Pagot dados sobre o andamento de obras no seu Estado, o Paraná.

O mesmo Estado que mandou ao Senado, no ano passado, a mulher de Bernardo, Gleisi Hoffmann (PT), hoje chefe da Casa Civil de Dilma.

Bernardo negou, porém, que tenha dado ordens ao diretor-geral do Dnit: “Pagot não era meu subordinado…”

“…E servidor público obedece a ordens formais que ficam registradas no sistema do governo. No serviço público, fazemos apenas o que a lei determina”.

O ministro também negou que tenha contactado empreiteiras, como insinua Pagot tem seus diálogos privados.

“Pretendo responder respeitosamente às perguntas, mas exijo que me tratem com o mesmo respeito”.

Pagot falará no Congresso nesta semana. Na terça, estará no Senado. Na quarta, na Câmara. Resta aguardar, para ver quão respeitoso será com Paulo Bernardo.

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Escrito por Josias de Souza às 23h04

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Conluio desviou verbas de vítimas de desastre natural

Antônio Lacerda/Efe

12 de janeiro de 2011. Região Serrana do Rio de Janeiro. Temporal. Cheias. Enxurradas. Deslizamentos. Destruição. Mortes. Muitas mortes: 900 cadáveres.

Transportado pela TV, o maior desastre natural da história do país varou o olho do brasileiro, ateando-lhe solidariedade na alma.

Recém-empossada na Presidência, Dilma Rousseff apressou-se em visitar a região. Mandou liberar R$ 100 milhões para socorrer as vítimas.

As verbas saíram, a toque de caixa, do orçamento do Ministério da Integração Nacional. Seriam gastas no ritmo da urgência, sem a trava das licitações.

Pois bem. O repórter Antônio Weneck revela: na semana da tragédia, houve uma reunião macabra numa sala da prefeitura de Teresópolis.

Levaram os corovelos à mesa empresários e secretários municipais das quatro cidades cortadas pelas águas de janeiro.

Na surdina, ratearam-se os contratos. Injetaram-se propinas nos borderôs. Normalmente de 10%, o “quanto é que eu levo nisso” foi inflado para 50%.

Repetindo: enquanto bombeiros e agentes da Defesa Civil recolhiam mortos e resgatavam sobreviventes, empresários e políticos mastigavam as verbas.

Deve-se a revelação a um empresário. Em busca proteção e de eventual perdão judicial, abriu o bico.

Falou a vereadores e ao Ministério Público Federal, em Petrópolis. Relatou detalhes do esquema –nomes e cifras.

O descalabro encontra-se agora sob apuração. Os acusados, como sói acontecer, negam os malfeitos.

Não resta senão sintetizar o mais famoso código ético e social do mundo ocidental. 

Começa assim: “Não matarás, não roubarás…”

No Brasil, não resolveu o problema. Antes, ofereceu idéias que vêm sendo executadas com esmero.

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Escrito por Josias de Souza às 22h51

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No Rio, vice de Cabral ‘desapropria’ casa da cunhada

  José Cruz/ABr
Como definir o favorecimento público? Simples: é todo favor que o dinheiro –do contribuinte— pode financiar.

Deve-se ao repórter Nelito Fernandes a revelação de um caso exemplar. Envolve o vice-governador do Rio, Luiz Fernando de Souza.

Pezão, como é conhecido, acomodou a assinatura num decreto que favoreceu a família de sua mulher. Deu-se em 29 de janeiro de 2010.

Nesse dia, Pezão respondia interinamente pelo governo. Sérgio Cabral, o titular, estava em Londres.

O decreto que recebeu o jamegão de Pezão converteu uma casa da cidade de Barra do Piraí em imóvel de utilidade pública.

Pezão desapropriou a casa e autorizou o Estado a pagar aos proprietaries R$ 470 mil. Na mesma rua, imóvel semelhane foi vendido por R$ 300 mil.

Um detalhe injeta um quê de inusitado na transação. A casa pertencia à concunhada de Pezão.

Chama-se Ana Maria de Carvalho Horta Jardim. É casada com Flavio Cautieiro Horta, irmão da mulher de Pezão, Maria Lúcia Horta.

A coisa toda foi feita a toque de caixa –seis meses. Alegou-se que seria instalada na casa uma sede da Procuradoria do Estado. Até hoje, nada.

Ouvido, Pezão serviu-se de um bordão conhecido: “Não sabia” que a casa era da concunhada.

“Isso já veio pronto da Procuradoria-Geral. Eu só assinei. Eles compraram vários imóveis para fazer sedes regionais, esse foi só um deles”.

O vice de Cabral declarou, veja você, que sua mulher jamais comentou que o irmão dela –ou a concunhada— transacionavam com o Estado.

“A gente não conversa sobre isso. Eu não misturo assuntos de Estado com a família”, disse Pezão.

Então, tá! Lavrem-se as atas. E não se fala mais nisso.

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Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Dinheiro dos ‘aloprados’ do PT pode ir para filantropia

Divulgação

Na política, há muita gente exausta dos ideais. Mas jamais se encontrará alguém sinceramente cansado de dinheiro.

O caso dos aloprados do PT subverteu a lógica. Num ambiente frequentado por pessoas tão necessitadas de dinheiro, surgiu um dinheiro necessitado de pessoas.

Está-se falando daquela grana que os aloprados do petismo usariam para custear a ação que o ministro Aloizio Mercadante batizou de “missão heroica”.

Há cinco anos, ao flagrar a turma do dossiê em pleno exercício do heroísmo, a Polícia Federal confiscou R$ 1,7 milhão.

Desde então, não apareceu quem se dispusesse a reivindicar a posse do dinheiro. Por isso, o Ministério Público Federal endereçou à Justiça uma petição.

Na peça, pede-se autorização judicial para destinar as cédulas de má origem a uma instituição filantrópica a ser escolhida.

Fica demonstrado que o heroísmo, quando aloprado, é 100% feito de covardia. Dependendo do risco, os heróis são capazes até de uma boa ação.

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Escrito por Josias de Souza às 18h10

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Imagens da semana: rascunho do país passado a sujo

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Escrito por Josias de Souza às 07h34

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Gurgel: mensalão é ‘agressão a valores democráticos’

Folha

Pressionando aqui, você chega à íntegra das alegações finais que o procurador-geral da República Roberto Gurgel levou ao processo do mensalão.

Do cabeçalho à conclusão, a peça ocupa 372 folhas. Recomenda-se vivamente o desperdício de um naco do fim de semana na leitura do documento.

Gurgel anota que as provas reunidas nos autos não deixam dúvidas quanto à “existência de uma quadrilha”.

Sustenta que “o grupo agiu ininterruptamente no período entre janeiro de 2003 e junho de 2005”.

Afirma que a cúpula do PT e seus comparsas criaram “um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais”.

O objetivo “era negociar apoio político ao governo no Congresso, pagar dívidas pretéritas, custear gastos de campanha e outras despesas do PT”.

Até aqui, dizia-se que a caixa clandestina de Marcos Valério, braço operacional do mensalão, movimentara R$ 55 milhões. Gurgel eleva a cifra:

“Além do desvio de recursos públicos, os dados coligidos demonstraram que a quantia de R$ 75.644.380,56, obtida dos bancos Rural e BMG…”

“…Foi entregue à administração do grupo liderado por Marcos Valério e ao próprio PT, sob o fundamento de ‘pseudo’ empréstimos, sendo aplicados no esquema ilícito”.

O procurador-geral qualifica o grão-petê José Dirceu como “chefe da quadrilha”. No item número 56 do documento, Gurgel esvreve:

“Ao assumir o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, em janeiro de 2003, José Dirceu passou a ter como missão a formação da base aliada do governo dentro do Congresso…”

“…Mais do que uma demanda momentânea, o objetivo era fortalecer um projeto de poder do PT de longo prazo…”

“…Partindo de uma visão pragmática, que sempre marcou a sua biografia, José Dirceu resolveu subornar parlamentares federais, tendo como alvos preferenciais dirigentes partidários de agremiações políticas”.

Mais adiante, no item 63, Gurgel soa categórico: “…As provas coligidas no curso do inquérito e da instrução criminal comprovaram, sem sombra de dúvida…”

“…Que José Dirceu agiu sempre no comando das ações dos demais integrantes dos núcleos político e operacional do grupo criminoso. Era, enfim, o chefe da quadrilha”.

Gurgel mantém contra Dirceu a acusação da prática de dois crimes: formação de quadrilha e corrupção ativa.

Pede aos ministros do STF que imponham a pena máxima a Dirceu. Na improvável hipótese de ser atendido, o réu puxará uma cana de 111 anos.

Quanto a Marcos Valério, os crimes cometidos são formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro. Gurgel pede, veja você, 527 anos de cana.

Exceto por Luiz Gushiken, cuja absolvição Gurgel recomenda, todos os outros réus –37, incluindo Dirceu e Valério— receberam pedidos de condenação.

Para o procurador-geral, o mensalão foi a “mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber”. Por quê?

“No momento em que a consciência do representante eleito é corrompida em razão do recebimento de dinheiro, a base do regime democrático é irremediavelmente ameaçada”.

O documento do chefe do Ministério Público será analisado pelo relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, em agosto, quando o STF voltar do recesso.

Os advogados dos réus terão 30 dias para apresentar suas alegações finais. Na sequência, Joaquim redigirá o voto que será levado ao plenário do tribunal.

Não há prazo para o julgamento. Estima-se que começará entre o final de 2011 e o início de 2012. Vai consumir vários dias. Descerá à crônica do Supremo como o mais longo julgamento da história.

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Escrito por Josias de Souza às 07h21

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As manchetes deste sábado

- Globo: Procurador: mensalão foi pior ataque à democracia

- Folha: Gol compra Webjet e assume 40% do setor

- Estadão: Blairo recusa ministério e PR admite escolha de Dilma

- Correio Braziliense: Mensalão corre o risco de nunca ser julgado

- Estado de Minas: Ladrões de café

- Jornal do Commercio: Plano de saúde mais caro

- Zero Hora: Planos de saúde têm reajuste de até 7,69%

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 05h44

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Transpropineira!

Aroeira

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Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Dilma controlava obras do Dnit na Casa Civil,diz Pagot

Afastado do Dnit sob suspeita de corrupção, Luiz Antonio Pagot afirma que, sob Lula, prestava contas das obras diretamente à então ministra Dilma Rousseff.

O vídeo acima exibe trechos de entrevista concedida por Pagot em 19 de dezembro de 2010, 13 dias antes da posse de Dilma na Presidência.

Pagot falou a uma emissora de Mato Grosso, a TV Rondon, retransmissora do SBT. Discorreu sobre o funcionamento do Dnit, que dirigia desde a gestão passada.

Ele se jacta de ter convertido o departamento de rodovias da pasta dos Transportes “na autarquia federal que mais executou obras do PAC”: 82%.

O Dnit, disse ele, “presta contas ao Gepac, que é o grupo [de gerenciamento] do PAC controlado na Casa Civil da Presidência”.

Antecipou uma providência que seria anunciada no início de 2011: no novo governo, o controle das obras passaria a ser feito pelo Ministério do Planejamento.

De fato, depois de sentar-se na poltrona que era de Lula, Dilma incumbiu a ministra Miriam Belchior (Planejamento) de acompanhar a execução do PAC.

Segundo Pagot, o Dnit geria no ano eleitoral de 2010 um orçamento gordo: R$ 47 bilhões. Tocava 1.080 contratos de obras e serviços, dos quais 579 do PAC.

Mercê das prioridades traçadas pelo governo, Pagot encurtou os prazos das licitações:

“Uma licitação do Dnit demorava nove meses, 12 meses. Hoje, uma licitação não passa de 120 dias”, declarou Pagot.

Festejou: “Para se ter idéia, nós licitamos, em 12 meses, R$ 14 bilhões em obras”. Enfatizou: ”Licitadas nos últimos 12 meses!”

Pagot voltou a mencionar o nome de Dilma ao falar da recuperação de rodovias federais. Chamou de “marco” o dia 15 de julho de 2008.

Nessa data, disse ele, “Lula aprovou, junto com a ministra Dilma Roussef, hoje nossa presidente eleita, o novo programa nacional de manutenção rodoviária”.

Evoluiu-se “do tapa buraco para programas mais consistentes”, afirmou Pagot. [...] Nós passamos a fazer um programa de R$ 21 bilhões”.

No dia da entrevista, o então celebrado mandachuva do Dnit contabilizava a contratação de 30 mil km de obras de recuperação rodoviária.

“Agora, estamos licitando 32 mil km. Coisa para cinco anos. Como que convencido de que teria uma gestão longeva, projetou resultados para o fim da gestão Dilma:

“O objetovo desse programa é nós chegarmos a 2014 com 85% das rodovias [federais] em bom estado e satisfatório apenas 15%”.

Hoje, a poucos dias de prestar depoimentos no Senado e na Câmara, Pagot declara-se injustiçado.

Não se conforma com a ligeireza com que seu escalpo à bandeja. Alega: se houvesse cobrança de propinas no Dnit, a ex-chefona da Casa Civil de Lula teria notado antes.

Em privado, Pagot recorda que, até bem pouco, afora a supervisão direta da ex-ministra Dilma, lidava com a pressão de expoentes do petismo.

Menciona explicitamente o casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, hoje acomodados respectivamente na Casa Civil e no Ministério das Comunicações.

Afirma que a dupla o pressionava pela execução de obras do Dnit no Paraná, Estado que mandou Gleisi ao Senado na eleição do ano passado.

Em dezembro de 2008, Paulo Bernardo lançou uma obra rodoviária no Paraná em cerimônia que teve a presença de Pagot. 

Em 15 de fevereiro de 2011, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, mencionou Pagot em texto levado à web.

Festejou na peça, ilustrada com foto em que posa ao lado de Pagot (veja ao lado) a licitação da pavimentação da BR-487, que liga as cidades paranaenses de Cruzeiro do Oeste e Tuneiras do Oeste.

A certa altura, Zeca Dirceu realçou o “papel fundamental” exercido por outras autoridades para que a obra saísse.

“Não podemos esquecer o importante trabalho feito pelo Paulo Bernardo, que até o ano passado era ministro do Planejamento, e pela senadora Gleisi Hoffmann…”

As boas relações que Pagot mantinha com o petismo e com Dilma o levaram a graver, no ano passado, mensagem de apoio à então presidenciável do PT.

A peça foi exibida no Mato Grosso, Estado de Pagot e do padrinho político dele, o senador Bairo Maggi (assista no vídeo lá do radapé).

Convertido em servidor tóxico depois que se noticiou a cobrança de propinas de até 5% na pasta dos Transportes, Pagot saiu em férias.

Formalmente, o ex-Todo-Poderoso do Dnit ainda se encontra pendurado à folha. Alegou que suas férias foram combinadas com Gleisi Hoffmann.

Abespinhada, Dilma mandou dizer que, terminado o descanso, Pagot vai ao olho da rua. Nos últimos dias, o Planalto exala preocupação.

Teme-se que Pagot carregue nas tintas nos depoimentos que prestará ao Congresso. Ele falará aos senadores na terça e aos deputados na quarta.

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Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Peluso,do STF, recusa liminar a Cunha Lima, do PSDB

  Folha
O ministro Cezar Peluso, presidente do STF, mandou ao arquivo pedido de liminar feito pelos advogados de Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Barrado pela Ficha Limpa, o tucano beneficiou-se da decisão do Supremo sobre a matéria. O tribunal entendeu que a lei não se aplica às eleições de 2010.

Cunha Lima, que fora às urnas pendurado num recurso judicial e obtivera votos suficientes para se eleger, bateu às portas do STF.

Em recurso dirigido ao ministro Joaquim Barbosa, pediu que lhe fosse reconhecido o direito apossar-se da cadeira de senador.

Joaquim aquiesceu. Porém, adversários politicos de Cunha Lima recorreram. E a coisa estacionou. Daí o pedido endereçado a Peluso.

Ao indeferir a liminar, o presidente do Supremo argumentou que não lhe cabe interferir no trabalho do colega Joaquim.

“É competência do relator executar e fazer cumprir os seus despachos, suas decisões monocráticas, suas ordens e seus acórdãos transitados em julgado”.

Se Joaquim ainda não mandou cumprir sua decisão, anotou Peluso, “presume-se a existência de legítimas razões”.

Em seu despacho, Peluso informa que Joaquim já liberou os recursos dos adversários de Cunha Lima para julgamento no plenário do tribunal.

Deu-se em 3 de junho. E quando serão julgados? “Tão logo sejam reiniciados os trabalhos colegiados”, escreveu Peluso.

Ou seja: antes de agosto, quanto termina o recesso de meio de ano do Judiciário, a biografia pouco higienizada de Cunha Lima não chegará ao Seanado.

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Escrito por Josias de Souza às 20h00

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Blairo Maggi decide não aceitar pasta dos Transportes

  Sérgio Lima/Folha
Sondado pelo Planalto e instado por seu partdo a assumir a pasta dos Transportes, o senador Blairo Maggi (PR-MT) preferiu se abster.

A decisão, já esboçada na véspera, solidificou-se nesta sexta (8), em reunião com executivos de seu grupo empresarial, o Amaggi.

O senador concluiu que há “impedimentos legais” para que ele assuma o ministério. Suas empresas mantêm contratos com o governo.

A decisão de Maggi ainda não foi transmitida a Dilma Rousseff. A recusa será formalizada na semana que vem.

Em notícia veiculada pela Folha, informa-se que uma das empresas de Maggi, a Hermasa Navegação da Amazônia, é beneficiária de verbas dos Transportes.

A empresa administra um porto graneleiro e uma frota de barcaças. Transporta soja plantada na região Norte até o porto de Itaqui (MA).

Belisca, desde 1996, verbas do Fundo de Marinha Mercante, gerido pelo Ministério dos Tranportes. O agente financeiro é o bom e velho BNDES.

Apenas no ano da graça de 2008, a Hermasa logrou aprovar no ministério R$ 66 milhões em projetos. Coisa destinada à fabricação de 41 barcaças graneleiras.

Com tantos interesses, Maggi não deveria nem ter apadrinhado Luiz Antonio Pagot para a chefia do Dnit. Assumir o ministério seria um escárnio.

Dono de patrimônio pessoal declarado R$ 152 milhões, o senador faturou em seu grupo empresarial, o Amaggi, R$ 3,9 bilhões em 2010.

A mistura de tais cifras com o lodo dos Transportes converteria Maggi em manchete instantânea. E a visibilidade nem sempre é boa para os negócios.

Enquanto Maggi sucumbe ao temor de virar o escândalo da vez, Dilma acalenta o sonho de efetivar nos Transportes o interino Paulo Sérgio Passos.

O PR mantém o pé (de cabra) na porta. A legenda anuncia a intenção de prover a Dilma, na próxima semana, uma lista de "opçõe$".   

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Escrito por Josias de Souza às 18h23

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Após ‘reassumir’, Nascimento pede licença do Senado

Valter Campanato/ABr

Carregado para fora dos Transportes pela lama que jorra da pasta, Alfredo Nascimento prometeu defender-se no Congresso.

Menos de 24 horas depois de “reassumir” o mandato de senador, Nascimento requereu uma "licença" de 12 dias. Para quê? “Fins particulares”.

De fato, são particularíssimas as motivações de Nascimento. Em 18 de julho, o Congresso entra em recesso.

Quer dizer: as tais “explicações” não serão providas antes de agosto. No entreato, o ex-ministro ensaiará um papel para a saída.

Uma coisa os escândalos ensinam: os escândalos nada ensinam. Silêncio numa hora dessas? Ora, francamente, senador!

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Escrito por Josias de Souza às 16h05

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Garotinho sugere a Dilma que se ‘distraia’ com Tiririca

  Antônio Cruz/ABr
Quando a Casa Civil sangrava nas manchetes, Anthony Garotinho (PR-RJ) enfiou um canudinho na ferida do PT:

"Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci".

De repente, descobriu-se que Gustavo, filho Alfredo Nascimento, o grão-pêérre que geria os Transporte$, é pedra de carbono mais puro: R$ 50 milhões.

Às voltas com com um PR hemorrágico, Garotinho mudou de ramo. De congressista-minerador, virou piadista.

Perguntou-se ao deputado: quem no PR deveria ser nomeado por Dilma para dirigir os Transportes?

E Garotinho: "Dizem que a presidente Dilma Rousseff anda nervosa, aborrecida, estressada. Se eu fosse ela, nomeava o Tiririca. Pelo menos ela se divertiria".

Quintessência da seriedade, Garotinho comprova: quando a desfaçatez é muita, o humor escapa ao controle dos profissionas e torna-se negro.

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Escrito por Josias de Souza às 14h27

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Suplente de Maggi responde a ações por improbidade

Edson Rodrigues

Caso nomeie Blairo Maggi para os Transportes, além de içar à Esplanada um senador às voltas com a Justiça, Dilma levará ao Congresso um suplente tóxico.

Longe de elevar a estatura do Senado, o reserva do senador Maggi talvez imponha um rebaixamento do teto.

Chama-se José Aparecido dos Santos. Na intimidade, Cidinho. A União é parte em duas ações movidas contra ele por improbidade.

Leia-se, a propósito, um lote de notas veiculadas no Painel, na Folha:


- Banco de reservas: O governo federal move duas ações de improbidade administrativa contra o suplente do senador Blairo Maggi (PR-MT) -convidado por Dilma Rousseff para assumir o Ministério dos Transportes-, uma delas para ressarcimento aos cofres públicos de suposto desvio de dinheiro durante o esquema dos sanguessugas.

José Aparecido dos Santos (PR), o Cidinho, como é conhecido, assumirá cadeira no Senado caso Blairo aceite ir para a Esplanada.

Prefeito de Nova Marilândia (MT) três vezes, Cidinho foi citado no relatório final da CPI dos Sanguessugas. Luiz Vedoin, delator do esquema, afirmou que destinou a ele R$ 117 mil a título de "contrapartida" pela venda das ambulâncias.

- Pela metade: O Ministério Público atua ao lado do governo nas duas ações. Na segunda, a Advocacia-Geral da União cobra devolução de R$ 638 mil por convênio federal para construção de pontes e bueiros.

A gestão de Cidinho teria, segundo a acusação, direcionado a licitação e feito pagamento integral da obra com apenas 50% do serviço entregue.

- Outro lado: Advogado de Cidinho no caso das pontes, Nestor Fidelis diz que o ex-prefeito nega irregularidades na execução do convênio.

Sobre o caso dos sanguessugas, afirma não ter informação de que ele tenha sido notificado ainda. O ex-prefeito -não localizado ontem- já afirmou que não recebeu "contrapartidas" e obteve as ambulâncias a preço abaixo do de mercado.

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Escrito por Josias de Souza às 07h01

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Cotado para ministro,Maggi é alvo de inquérito no STF

José Cruz/ABr

O senador Blairo Maggi (PR-MT), cotado para assumir o Ministério dos Transportes, é alvo de investigação que corre no STF.

O Ministério Público Federal acusa Maggi de crimes ambientais cometidos em Mato Grosso no ano de 2007, quando ele era governador do Estado.

Além do processo do Supremo, Maggi figura como réu numa ação civil aberta em 2008. Corre na 5ª Vara da Justiça Federal no DF.

Nessa mesma ação, encontra-se acomodado no banco de réus o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, apadrinhado de Maggi.

A encrenca ambiental nasceu de um surto de queimadas que infelicitou Mato Grosso. As chamas consumiram parques e reservas localizadas no Estado.

Incomodado, o juiz Julier da Silva, 1ª Vara Federal de Cuiabá, determinou que a Polícia Federal identificasse os responsáveis.

Realizaram-se perícias. Perscrutaram-se imagens de satélite. Detectaram-se licenças ambientais ilegais concedidas pelo governo Maggi.

Acionado, o Ministério Público responsabilizou Maggi e servidores de órgãos ambientais do Estado pelas queimadas.

A denúncia subiu para o STJ, o tribunal que tem poderes para julgar governadores. A eleição de Maggi para o Senado levou os autos ao STF, o foro dos congressistas.

O processo chegou ao Supremo em 13 de abril de 2011. Foi à mesa do ministro Dias Toffoli.

Em 25 de abril, os autos foram recolhidos pela Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou.

Ouvido na ocasião, Maggi negou responsabilidade pelas queimadas. Disse que combateu o fogo. Quanto às licenças ilegais, alega que mandou cancelar.

No outro processo, aquele em que Maggi figura como réu ao lado de Antonio Pagot, a Procuradoria tenta reaver verba desviada do Congresso.

Pagot foi pilhado recebendo salários do Senado sem trabalhar. Foi funcionário fantasma entre os anos de 1995 e 2002.

Nesse intervalo de sete anos, amealhou contracheques que somaram R$ 430 mil –em valores de 2008, ano em que foi aberta a ação.

Pagot estava lotado como secretário parlamentar no gabinete do então senador Jonas Pinheiro (ex-PFL-MT). Maggi era suplente de Jonas.

Em vez de dar expediente no Senado, Pagot comandava uma das empresas de Blairo Maggi, a Hermasa Navegação da Amazônia.

Signatário da ação, o procurador da República Marco Aurélio Adão sustentou que seria “materialmente impossível” para Pagot conciliar os dois empregos.

Realçou na denúncia, já aceita pela Justiça, que a sede da Hermasa fica “a mais de dois mil quilômetros de Brasília”.

O Ministério Público pede que Pagot, Maggi e Jonas Pinheiro sejam condenados a ressarcir ao Tesouro a verba subtraída do Senado.

Como Jonas morreu em 2008, caberá ao espólio do ex-senador repor a parte dele em caso de condenação.

Blairo Maggi foi incluído como réu porque a Procuradoria entendeu que ele beneficiou-se indiretamente dos salários ilegais recebidos por Pagot.

Entendeu-se que o contracheque de fantasma brasiliense provia rendimentos extras ao executivo da empresa de Maggi (patrimônio pessoal declarado de R$ 150 milhões e dono do grupo Amaggi, cujo faturamento anual é de R$ 3,9 bilhões).

Alegou-se, de resto, que o bilionário Maggi não tinha como invocar o desconhecimento do malfeito. Por quê?

Em 1999, ano em que Pagot já acumulava os vencimentos do Senado com o salário da Hermasa, o suplente Maggi assumiu o mandato de Jonas por quatro meses.

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Escrito por Josias de Souza às 05h52

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As manchetes desta sexta

- Globo: PR veta preferido de Dilma, que convida Blairo Maggi

- Folha: PT mandava tanto quanto PR, afirma ex-diretor do Dnit

- Estadão: Transportes tinha comitê para administrar propinas

- Correio: Blairo Maggi, o novo nome da crise nos Transportes

- Valor: Cade estuda a proposta de intervenção na Sadia

- Estado de Minas: Mais rigor na Lei Seca

- Jornal do Commercio: Ex-diretor do Dnit sai para o contra-ataque

- Zero Hora: Onda de frio se iguala à mais longa da década

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h40

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Vampirismo!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Pagot dirá que era Nascimento quem aprovava gastos

Ueslei Marcelino/Folha

Em férias, o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot esboça a defesa que vai apresentar no Congresso na semana que vem.

Dirá que os gastos do seu departamento eram aprovados, mês a mês, pelo ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.

No comando do órgão desde a gestão Lula, Pagot alega, em privado, que não empenhava despesas senão depois de obter a aprovação do ministro.

Sob Dilma Rousseff, diz ele, por ora entre quatro paredes, Nascimento editou em março uma portaria que lipoaspirou os poderes do Dnit.

Criou-se por meio dessa portaria um comitê de gestão de contratos, vinculado ao gabinete do ministro.

Pagot imagina que, com essa argumentação, vai se dissociar da acusação que o envolve no esquema que cobrava propinas de 4% a 5% nos Transportes.

A defesa de Pagot expõe uma trinca na cúpula do PR, o partido que gere os negócio$ rodoviários e ferroviários.

Nas entrelinhas, lê-se o seguinte: se malfeito houve, a responsabilidade é de Nascimento e do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Nesta quinta (7), aprovou-se na comissão de Infraestrutura do Senado o requerimento que convoca Pagot a prestar esclarecimentos.

Produziram-se na sessão cenas inusitadas. Presidente da comissão, a senadora Lucia Vânia (PSDB-GO), levou o requerimento a voto.

Teve o cuidado de ler um par de cartas enviadas por Pagot. Uma dirigida à comissão de Infraestrutura. Outra, ao presidente do Senado, José Sarney.

Em ambas, Pagot coloca-se à disposição para ser arguído pelos senadores. A despeito disso, governistas puseram-se a discursar contra.

Presidente do PMDB federal, o senador Valdir Raupp (RO) chegou mesmo a pedir a retirada do requerimento da pauta.

Súbito, o senador Blairo Maggi (PR-MT), padrinho político de Pagot, foi ao microfone. Disse que seu pupilo “precisa” e “deve” prestar esclarecimentos.

Maggi é co-autor do requerimento que convoca Pagot. Assinou-o junto com Aloysio Nunes (PSDB-SP). Diante de sua manifestação, dissolveram-se as resistências.

Aprovado o requerimento, Lucia Vânia tocou o telefone para Pagot. Agendou a presença dele na comissão para terça-feira da semana que vem.

No dia seguinte, o mandachuva do Dnit será ouvido na Câmara. O Planalto receia que Pagot adicione lenha à fogueira que arde na pasta dos Transportes.

Afora a tentativa de acomodar a responsabilidade pela execução do orçamento nos ombros de Alfredo Nascimento, Pagot vem alfinetando o governo.

Nos subterrâneos, declara que, em 2010, os gastos do Dnit seguiam o ritmo ditado pelo interesse eleitoral da então presidenciável Dilma Rousseff.

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Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Mensalão:Gurgel pede no STF absolvição de Gushiken

Roosewelt Pinheiro/ABr

O procurador-geral da República Roberto Gurgel encaminhou ao STF nesta quinta (7) suas “alegações finais” no processo do mensalão.

Na peça, Gurgel pede a condenação de 37 dos 38 réus remanescentes. E recomenda a absolvição de Luiz Gushiken (foto), amigo e ex-ministro de Lula.

Gushiken foi incluído no rol de acusados pelo ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza, antecessor de Gurgel na chefia do Ministério Público Federal.

No seu texto, Gurgel alega, porém, que não há nos autos provas que justifiquem a condenação do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social de Lula.

Solicitada pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, a manifestação de Gurgel chega um dia depois de Dilma Rousseff tê-lo reconduzido ao cargo.

Entre os réus cuja condenação o procurador-geral requer estão: o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT); o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB)...

...o deputado João Paulo Cunha (PT), atual presidente da Comissão de Justiça da Câmara; o ex-deputado José Genoíno (PT), assessor do Ministério da Defesa...

...o deputado Valdemar Costa Neto, secretário-geral do PR; Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, refiliado à legenda há 40 dias...

...E o lobista Marcos Valério, ex-sócio de agências de publicidade usadas para prover as verbas de má origem que compraram apoio congressual sob Lula.

Originalmente, a “quadrilha do mensalão”, como a definiu Antonio Fernando de Souza, incluía 40 réus. Dois foram excluídos do processo.

Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, livrou-se por meio da celebração de um acordo. Prestou serviços à comunidade, em São Paulo.

O ex-deputado José Janene, que liderava a bancada do PP na Câmara à época em que o escândalo foi às manchetes, em 2005, morreu no ano passado.

De acordo com o cronograma estabelecido pelo ministro Joaquim Barbosa, será aberto agora prazo de 30 dias para que os advogados dos réus se manifestem.

Depois, Joaquim redigirá o relatório final que guiará o julgamento do Supremo.

Numa previsão otimista, o caso pode chegar ao plenário do STF no final do ano. No vaticínio mais pessimista, o julgamento começa no início de 2012.

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Escrito por Josias de Souza às 22h03

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PR se concentra em Blairo Maggi, o padrinho de Pagot

  Fotos: Folha e ABr
A caciquia do PR reuniu-se em Brasília. Entre mortos e feridos, a legenda arma um plano de contingência que leve à salvação de todos.

O Plano B trafega em via perigosa. O PR trama atravessar na traquéia de Dilma Rousseff o senador e ex-governador matogrossense Blairo Maggi (foto).

Levado à poltrona de ministro dos Transportes, Blairo Maggi seria, por assim dizer, mais do mesmo.

O senador é o patrono de um dos personagens centrais da crônica que converte em escândalo os negócio$ da pasta.

Deve-se a Maggi a indicação de Luiz Antonio Pagot para a direção-geral do Dnit. Nomeado sob Lula, Pagot sobreviveu à posse de Dilma Rousseff.

Antes de aportar em Brasília, Pagot atuara como destacado auxiliar do governo de Maggi em Mato Grosso.

Ocupara três estratégicas secretarias de Estado: Casa Civil, Educação e Infraestrutura.

Para driblar o “afastamento” determinado por Dilma, Pagot saiu em férias. O Planalto informa que, findo o “descanso”, ele vai ao olho da rua.

A platéia fica tentada a inquirir os próprios botões: de que adiantará enxotar o “gato” se for à vaga de ministro o dono da coleira?

Presente à reunião em que o nome de Maggi emergiu, o agora ex-ministro Alfredo Nascimento declarou-se “extremamente chateado”.

O que o chateia não é suspeita de desvios, mas o modo como foi levado ao micro-ondas. Em escassos quatro dias, fizeram dele um ministro bem passado.

Nascimento dá a entender que não há irregularidades no ministério. Devolvido ao Senado, promote para a semana que vem um discurso esclarecedor.

Também presente ao encontro, Maggi foi instando a assumir o lugar de Nascimento. Pediu tempo para pensar.

Líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG) explicou assim a pseudo-hesitação:

"Ele é um bom nome, mas tem muitas coisas pendentes, coisas de suas empresas para resolver. Ele tem cerca de 5.000 funcionários, tem que ver se vai dar conta".

Maggi, de fato, tem interesses a preservar. Dono do grupo Amaggi, é um dos maiores produtores de soja do planeta.

O que o preocupa, porém, não é a higidez dos negócios que o fizeram milionário. Se assim fosse, estaria à testa de seu negócio, não no Senado.

Maggi inquieta-se porque receia virar uma espécie de bola da vez. Sabe que, no ministério, sua biografia será como que virada do avesso nas manchetes.

Mais cedo, num rápido encontro com os microfones, Maggi adicionara ao amofinamento de Nascimento um quê de mágoa.

Insinuara que a pressa com que Dilma levou à bandeja as cabeças do PR mergulhou o partido numa fase de reflexão.

"Precisamos ouvir dos deputados e senadores se eles querem continuar na base [do governo], se querem continuar a defender o ministério…”

“…Tem muita gente que ficou magoada com toda essa situação. Vamos ouvir o que vai acontecer."

De antemão, Maggi declara que, a seu juízo, a “mágoa” não é forte o bastante para justificar um rompimento:

"A gente não pode estar pulando e fugindo no primeiro acidente que acontece…”

“…Temos responsabilidade perante a população e a sociedade brasileira de ajudar a conduzir um bom governo".

O líder Lincoln Portela ecoou-o: "Alguns parlamentares estão muito contrariados, por isso querem mais independência, mas acho que por enquanto tudo é contornável".

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) cuidou de levar à alça de mira Paulo Sérgio Passos, o interino que Dilma gostaria de efetivar.

Garotinho fustigou: se é verdade que a cúpula dos Transportes caiu por conta de malfeitos, é “no mínimo estranho” que Paulo Passos não soubesse de nada.

"Defendo que o partido se reúna e converse sobre isso", acrescentou Garotinho, um “aliado” que o Planalto considera tóxico.

A toxidade de Garotinho aumentou depois que teve vetada uma nomeação para o escritório dos Correios em Campos (RJ), seu reduto eleitoral.

Na cidade governada por Rosinha Garotinho, mulher do deputado, o indicado dele foi preterido por um nome apontado pelo PT.

Nos próximos dias, superadas as reflexões do PR, Dilma deve ser apresentada à indicação abnegada e patriótica de Maggi.

Digerindo-o, retomará um caminho conhecido. Nele, a “responsabilidade perante a população” diminui à medida que se aproxima do cofre.

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Escrito por Josias de Souza às 20h29

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No Rio,Dilma e Cabral inauguram teleférico do Alemão

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Escrito por Josias de Souza às 18h29

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Eletrobras planeja investir na EDP, estatal de Portugal

Divulgação

Você não sabe, caro contribuinte, mas a Eletrobras está na bica de investir o seu dinheiro na EDP (Energias de Portugal).

Deve-se a informação ao diretor de Geração da EDP, Antonio Ferreira. Ele participou de um seminário na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Deu a entender que a compra de participação no capital da estatal portuguesa pela Eletrobras é iminente.

Contou que a decisão final será tomada pelo governo português, controlador da EDP. Acha que a entrada da Eletrobras no negócio “faz sentido”.

Sobre a mesa, 20% do capital da EDP. O governo de Portugal definirá quanto desse percentual será vendido.

Confirmando-se a transação, a Eletrobras passará a ter assento no conselho de supervisão da EDP.

Em maio, a Eletrobras havia informado que planeja investir em 2011 R$ 10,2 bilhões, dos quais R$ 400 milhões no exterior.

A notícia sobre o interesse por Portugal chega num instante em que a economia do país arde em crise.

Há dois dias, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o status da dívida de Portugal para o “grau especulativo”.

Significa dizer que o mercado deve tomar os papéis de Portugal como lixo. Houve gritaria generalizada entre os líderes da Comunidade Européia.

Nesta quinta (7), o Banco Central Europeu elevou de 1,25% para 1,5% a taxa de juros da zona do euro.

A puxada dos juros encarecerá os empréstimos, tonificando a já crítica situação econômica de países da periferia da Europa, entre eles Grécia e Portugal.

É nesse caldeirão tóxico que a Eletrobras deseja enfiar o seu dinheiro, caro contribuinte.

Para quê? Quanto? Em que condições? São perguntas, por ora, irrespondidas. Tudo transcorre em meio a uma transparência de cristal cica.

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Escrito por Josias de Souza às 16h59

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Dúvida nacional: o Brasil é místico ou sem-vergonha?

  Angeli

Antes desse escândalo de julho, dos Transportes, houve o escândalo de junho, da Casa Civil. Já é possível falar na fixação de um padrão-Dilma.

Se o enrolado é petista, como o Antonio Palocci, banho-maria de até 23 dias. Se é de outra legenda, como o Alfredo Nascimento, quatro dias no micro-ondas.

Nos dois casos, o aperto é companheiro. Nada de pânico. As suspeitas não dissolvem o compadrio. A luta continua.

No caso do capotamento dos Transporte$, a natureza do malfeito exigia uma reação da presidente. Algo que fosse além da cara de nojo.

Abriu-se uma sindicância interna e uma auditoria da CGU. Nesta quinta (7), recolheram-se computadores. Nada de Polícia Federal, contudo.

De resto, Ideli Salvatti, ministra-chefe do balcão, apressa-se em informar: o PR deve continuar dando as cartas nos Transportes.

O novo ministro será escolhido por Dilma, mas Nascimento, o ministro que caiu envolto em suspeitas, vai ajudar a escolher o sucessor.

O senador Blairo Maggi (PR-MT), padrinho de outro suspeito, Luiz Antonio Pagot, frequenta o leque de ministeriáveis.

Deixar o Ministério dos Transportes nas mãos do PR depois do ocorrido correponde a deixar tudo nas mãos de Deus.

Só a fé explica a entrega dos negócios a um esquema que já provou que não funciona. Ou funciona muito bem, conforme o ponto de vista.

Quer dizer: ou o Brasil é mesmo um país de místicos ou perdeu totalmente a vergonha.

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Escrito por Josias de Souza às 15h25

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A Dilma-2009 apoiava ‘o Alfredo’ para ‘qualquer cargo’

No ano da graça de 2009, época em que Dilma Rousseff e Alfredo Nascimento coabitavam o governo Lula, ela enxergava nele uma “pessoa talentosa”.

Nessa época, Dilma era pré-candidata à Presidência e Nascimento preparava-se para disputar o governo do Amazonas.

Instada a comentar as pretensões eleitorais do colega de Esplanada, Dilma soou assim:

“Acho que o Alfredo tem todas as condições de ser, de pleitear qualquer cargo, inclusive o de governador do Estado do Amazonas...”

“...E, para o que ele for, para o que ele pretender ser, terá sempre o meu apoio”.

Em 2010, derrotado nas urnas, Nascimento pretendeu ser, de novo, ministro dos Transportes. Dilma o nomeou, sob aplausos de Lula.

Levado às manchetes em posição constrangedora, Nascimento viu o apoio de Dilma, que era “para sempre”, ruir em quatro dias.

Moral: em política, mais vale a eloquência do não-dito do que a superficialidade do declarado. Ou ainda: em boca fechada não entra mosquito.

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Escrito por Josias de Souza às 06h27

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PSOL tentará levar Nascimento ao Conselho de Ética

Ao reassumir a cadeira de senador, Alfredo Nascimento (PR-AM) será recepcionado por uma representação do PSOL.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) anuncia para esta quinta (7) a formalização do pedido de cassação de Nascimento.

"O envolvimento em qualquer ilícito representa também quebra de decoro parlamentar”, diz Randolfe.

“Se o ministro não tinha condições de continuar como ministro, então, da mesma forma, ele não terá condições de continuar aqui como senador".

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Escrito por Josias de Souza às 05h49

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Pagot pagou, mas insinua que foi Dilma quem ‘lucrou’

Depois de converter afastamento em férias, Luiz Antonio Pagout percorre os subterrâneos da crise dos Transportes como um fio desemcapado.

Tomado pelo que diz em privado, o ainda diretor-geral do Dnit parece disposto a produzir um curto-circuito antes de ser desligado em definitivo da tomada.

Leia-se, a propósito, nota veiculada pelo Painel, na Folha:


- Diário de férias: A queda de Alfredo Nascimento pode não significar o encerramento da crise instalada no setor de Transportes.

Luiz Antonio Pagot, um dos pivôs do episódio, procurou senadores do PR para dizer que parte dos aditivos a obras foi feita para alavancar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff, em 2010.

Ressaltando não ter havido irregularidade nessas ações, o diretor-geral do Dnit -cuja exoneração já está anunciada para depois de suas férias- afirma que recebia "ordens superiores", entre outros, de Paulo Bernardo, então no Planejamento, hoje nas Comunicações.

Pagot foi aconselhado a submergir, mas a oposição quer ouvi-lo em comissão do Congresso.

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Escrito por Josias de Souza às 05h10

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As manchetes desta quinta

- Globo: Dilma desmonta esquema de corrupção da época de Lula

- Folha: Denúncias derrubam o 2ministro de Dilma em 1 mês

- Estadão: Denúncias derrubam mais um ministro do governo Dilma

- Correio: Alfredo já era, mas quem pega Valdemar?

- Valor: Crédito tributário chega a R$ 87 bi em grandes bancos

- Estado de Minas: Último ato de ministro tira R$ 2,7 bi de Minas

- Jornal do Commercio: Denúncias derrubam o ministro dos Transportes

- Zero Hora: Cai mais um ministro sob suspeitas de corrupção

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Min(a)stério!

Nani

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Escrito por Josias de Souza às 00h29

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Dilma fala em efetivar interino e cúpula do PR diz não

  ABr
Consumada a queda de Alfredo Nascimento, Dilma Rousseff sinalizou a intenção de alçar ao posto de ministro dos Transportes o segundo da pasta, Paulo Sérgio Passos (foto).

Informada sobre os planos da presidente, a cúpula do PR mandou dizer que não aceita. O partido considera-se no “direito” de indicar o sucessor de Nascimento.

Porém, sob intensa disputa interna, o partido de Nascimento não produziu um nome de consenso. Chegaram aos ouvidos de Dilma quatro opções. Nenhuma agradou.

No início da noite, a presidente oficializou a interinidade de Paulo Passos, secretário-geral dos Transportes. Reunira-se com ele à tarde.

Nos próximos dias, segundo disse em privado, Dilma tentará “criar condições políticas” para efetivar o interino.

Embora tenha se filiado ao PR no ano passado, Paulo Passos é um técnico. Graduou-se economista na Universidade Federal da Bahia. Pós-graduou-se na FGV.

Egresso do Planejamento, é considerado um especialista no setor de Transportes. Ganhou visibilidade sob FHC e foi aproveitado sob Lula.

Dilma gosta de Paulo Passos. Considera-o discreto e eficiente. Enxerga nele a perspectiva de retomar o controle da pasta, higienizando-a.

Pelas mesmas razões, o PR torce o nariz para Paulo Passos. Não se dispõe, por ora, a avalizá-lo. O partido divide-se entre quatro opções.

Os dois nomes que emergiram com mais força foram o do ex-senador César Borges (PR-BA) e o do senador Blairo Maggi (PR-MF). Ambos já governaram seus Estados.

César Borges é cristão novo no condomínio governista. Nasceu para a política como cria de Antonio Carlos Magalhães, o morubixaba pefelê morto em 2007.

Eleito senador em 2002, César integrava as fileiras do DEM, sucedâneo do PFL. Antes de migrar para o PR, ajudou a enterrar no Senado a CPMF.

Foi às eleições de 2010 como um neogovernista. Mas distanciou-se de Dilma ao disputar a reeleição ao Senado na chapa de Geddel Vieira Lima (PMDB), derrotado por Jaques Wagner (PT) na briga pelo governo baiano.

Contra Blairo Maggi, pesa o fato de ser o padrinho político de Luiz Antonio Pagot, o diretor-geral do Dnit que acaba de cair em desgraça.

Entre todos os personagens da atual crise, Pagot foi o que mais tirou Dilma do sério. Para driblar a decisão da presidente de afastá-lo do cargo, saiu em férias.

Nas palavras de um auxiliar de Dilma, acomodar Blairo na cadeira que Nascimento acaba de desocupar seria o mesmo que “trocar seis por meia dúzia”.

O terceiro nome é o do senador Clésio Andrade (PR-MG), presidente da Confederação Nacional dos Transportes. Além de não ser do agrado de Dilma, não une o partido.

O quarto é o deputado Luciano Castro (PR-RR). Ex-líder do partido na Câmara, achega-se à disputa como preferido de Valdemar Costa Neto (PR-SP).

O mesmo Valdemar a quem se atribui o comando do esquema que trocava obras por propinas sob Nascimento. Dilma quer distância de Valdemar, réu no processo do mensalão.

De volta ao Senado, Alfredo Nascimento retomará a presidência do PR, posto do qual estava licenciado.

Em diálogos com seus correligionários, Nascimento avisou: não abre mão de coordenar a própria sucessão no Ministério dos Transportes.

É contra essa pano de fundo conflagrado que Dilma opera. Tenta consolidar Paulo Passos sem perder os votos do PR: 40 na Câmara e seis no Senado.

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Escrito por Josias de Souza às 23h08

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Estrela do PR, Tiririca boceja para a crise ao seu redor

Marcelo Camargo/Folha

Deve-se ao palhaço Tiririca o retorno de Valdemar Costa Neto (PR-SP) à cena brasiliense.

Com seus votos (1.353.820), Tiririca amealhou um mandato para si e mais três cadeiras para o PR, seu partido.

Um dos beneficiários da votação recorde de Tiririca foi o mensaleiro Valdemar, protagonista da crise dos Transportes.

Nesta quarta (6), dia em que as estripulias co-estreladas por Valdemar fizeram do grão-pêérre Alfredo Nascimento um ex-ministro, Tiririca exalava tédio.

Enquanto o PR, eletrificado pela crise, buscava um nome para acomodar no lugar de Nascimento, Tiririca bocejava numa sessão da comissão de Educação.

Constrangido a fazer testes de leitura e escrita antes de assumir o mandato, Tiririca tornou-se assíduo frequentador dos debates educacionais travados na Câmara.

Embora o PR não tenha incluído o palhaço na sua lista de ministeriáveis, Dilma Rousseff talvez devesse considerá-lo como opção viável. 

Em meio ao surto de amoralidade que acomete o PR, o analfabetismo virou virtude. De resto, pior do que está, o Ministério dos Transportes não fica.

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Escrito por Josias de Souza às 22h12

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Interino dos Transportes trabalha na pasta desde FHC

Renato Araújo/ABr

Secretário-executivo do ministério dos Transportes, o economista Paulo Sérgio Passos responderá interinamente pela pasta até a escolha do novo titular.

Funcionário de carreira do Planejamento, Paulo Passos (na foto ao lado de Alfredo Nascimento) serve no ministério desde o governo tucano de FHC.

Foi o segundo do ex-deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), que comandou os Transportes de 1997 a 2001.

A exemplo do que ocorre agora, a gestão de Padilha também conviveu com suspeitas de superfaturamento de obras. Porém...

Porém, a fama de Paulo Passos sobreviveu à suspeição. Ele é tido como uma das maiores autoridades do país em transportes públicos.

Graças à reputação, Paulo Passos voltou à poltrona de secretário-geral dos Transportes sob Lula. Tornou-se o segundo de Alfredo Nascimento.

Virou ministro sempre que Nascimento teve de se desligar do ministério para disputar eleições, em 2006 e 2010.

Em janeiro de 2011, depois que Dilma reconduziu Nascimento ao comando do ministério, Paulo Passos retornou à secretaria-geral.

Nesta quarta (6), uma hora antes da divulgação da carta de demissão de Nascimento, Dilma chamou Paulo Passos ao Planalto.

Repassou a ele instruções sobre a interinidade. O PR cobra de Dilma a nomeação de outro ministro de suas fileiras.

Paulo Passos filiou-se ao PR no ano passado. Mas a legenda não o vê como seu representante. A cúpula do PR tem pressa. Dilma, nem tanto.

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Escrito por Josias de Souza às 21h11

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Em vídeo, Nascimento troca verbas por filiação ao PR

Foi à web um vídeo com cenas constrangedoras para Alfredo Nascimento (PR-AM), afastado nesta quarta (6) do cargo de ministro dos Transportes. Gravadas no gabinete ministerial em 24 de junho de 2009, as imagens foram trazidas à tona pelos repórteres Lúcio Vaz e Sérgio Pardellas.

A dupla redigiu notícia veiculada em edição antecipada da revista IstoÉ (Aqui, a reportagem). O video mostra uma reunião de Nascimento, à época ministro dos Transpoirtes de Lula, com o deputado maranhense Davi Alves da Silva Júnior.

Além das vozes de Nascimento e de Silva Júnior, soa ao fundo o deputado Valdemar Costa Neto, secretário-geral do PR. Produziu-se na reunião uma negociata política. Nascimento liberou R$ 1,5 milhão do orçamento dos Transportes para uma obra rodoviária de interesse de Silva Júnior.

E o deputado, que havia sido eleito pelo PDT do Maranhão, transferiu-se para o PR, a legenda presidida por Nascimento. A alturas tantas, Nascimento diz ao deputado: “Rapaz, tu não tá nem no partido e já tá conseguindo arrancar as coisas daqui, imagina quando estiver no partido!”

De fato, depois de consumada a migração de Silva Júnior para o PR, as portas do orçamento dos Transportes se abriram para ele. A gravação engrossou o caldeirão de denúncias que levou à queda do ministro e de quatro integrantes do seu staff.

Nascimento foi ao olho da rua nas pegadas da notícia de que mostrara-se sob ele um esquema de cobrança de propinas que variavam entre 4% e 5%. Por trás do esquema, o deputado Costa Neto. O mesmo que renunciara ao mandato, em 2005, depois de ter sido pilhado no mensalão.

Abaixo, a transcrição de trecho do diálogo filmado na sala de Alfredo Nascimento. Cuidava-se da liberação de verbas para a rodovia BR-010:


- Alfredo Nascimento: Já vou logo copiar aqui o pedido dele... Davi Alves da Silva Júnior, BR- 010, construção da travessia urbana...

- Valdemar Costa Neto:
... de Imperatriz.

- Davi Alves da Silva Júnior: Imperatriz, acesso a Davinópolis.

- Costa Neto: Já começou o projeto,
não é, Davi?

- Davi Júnior: Já.

- Costa Neto: Já estão contratando, já está na fase final, viu, Alfredo?... Por isso que ele [deputado Davi Júnior] veio aqui te agradecer.

- Nascimento: Ah!... É aquele negócio que tu me pediste?

- Costa Neto: É, é...

- Nascimento: Pra ele? [referindo-se ao deputado Davi Alves].

- Costa Neto: É...

- Nascimento: Rapaz, tu não tá nem no partido e já tá conseguindo arrancar as coisas daqui, imagina quando estiver no partido! [risos].

Na sequência da conversa, o ministro lê o texto do document que libera R$ 1,5 milhão para a obra. Assina o texto indicado por Costa Neto, que conduz a reunião.

- Nascimento: [lendo o documento] Informo que está sendo liberado nesta data limite adicional para movimentação do empenho, no valor de um milhão e meio de reais...

- Costa Neto: Um milhão e meio, você que liberou.

- Nascimento: [ainda lendo o document] ...Ação... Estudo de viabilidade e projeto de infra-estrutura de transporte, travessia urbana, na divisa das cidades de Divinópolis e Imperatriz.

- Davi Júnior: Davinópolis [corrigindo o nome da cidade maranhanse].

[…]

- Nascimento: É Davi ou Divinópolis?

- Davi Júnior: É Davi... Ah, que botaram Divinópolis aqui [olhando para o documento, é Davi... é Davi mesmo.

- Nascimento: Porra, você dono
da cidade?

- Costa Neto: É Davi, por causa do nome dele, por causa do pai dele, o pai dele que fez a cidade, o pai dele era deputado federal, Alfredo.

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Escrito por Josias de Souza às 17h35

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Envolto em suspeitas, Nascimento deixa Transportes

Três dias depois de ter sido confirmado no cargo por Dilma Rousseff, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, caiu.

Dono de um mandato de senador, Nascimento retorna ao Senado envolto numa bruma de suspeição. Volta para o Amazonas o suplente dele, João Pedro (PT-AM).

Em nota official, o Ministério dos Transportes informa que Nascimento remeteu a Dilma um pedido de demissão “em caráter irrevogável”.

Dilma procura um substituto. Sua intenção é a de manter a pasta na órbita de influência do PR, partido presidido por Alfredo Nascimento.

O mesmo PR que estruturou no ministério o esquema de cobrança de propinas que levou Nascimento seu staff ao cadafalso.

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Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Servidor afastado constrói casa milionária em Brasília

Lula Marques/Folha

A foto mostra a futura moradia de Mauro Barbosa da Silva. Fica no Lago Sul, bairro mais chique de Brasília. Mede 1.300 m², distribuídos por três andares.

Servidor público desde 1994, Mauro Barbosa, 45 anos, respondia pela chefia do gabinete do ministro Alfredo Nascimento (Transportes).

Foi afastado da função sob suspeita de participar de um esquema de cobrança de propinas na pasta dos Transportes.

Pois bem. Corretores da Capital estimam que uma casa como a que Mauro Barbosa está levantando em Brasília custa, depois de pronta, algo como R$ 4 milhões.

O dono do imóvel trabalha com contas mais modestas. Acha que não vai gastar mais do que R$ 2,1 milhões.

"É a gente mesmo que está fazendo, sou engenheiro civil, é uma obra sem muita coisa, não tem telhado, as aberturas são muito grandes, eu vou colocar vidro".

Mauro Barbosa disse à reporter Vera Rosa que o dinheiro vem de dois empréstimos bancários e da venda de um apartamento.

Para a grossa maioria dos brasileiros, gente condenada ao fim do mês perpétuo, mesmo a cifra admitida por Mauro Barbosa não é propriamente dinheiro de troco.

Vem daí a estranheza: por que Brasília, quando vê muita esmola, nunca desconfia?

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Escrito por Josias de Souza às 15h11

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Gaspari: Dilma cavalga uma girafa com asas e tromba

Divulgação

Em artigo levado às páginas desta quarta (6), disponível na Folha, o repórter Elio Gaspari disseca um bicho criado sob o ministro Alfredo Nascimento (Transportes).

Na certidão, é chamado de trem-bala. Na aparência, é uma girafa alada, com tromba. Vai abaixo o artigo, cujo título é: “A faxina ferroviária deve continuar”.


A boa notícia é que o Palácio do Planalto acordou para a faxina no setor de transportes do governo. Agora, a má: acordou tarde e faz de conta que não vê a floresta. Se a doutora Dilma perder cinco minutos pensando no estrago que a obsessão do trem-bala poderá fazer no seu governo, ela fecha a quitanda desse projeto.

Na degola do mensalão do PR, a lâmina pegou o presidente da Valec, José Francisco das Neves, o ‘Doutor Juquinha’ ou simplesmente ‘Juquinha’. Ele foi nomeado em 2003 para a direção da estatal ferroviária. Veio da presidência da Companhia Energética de Goiás e das redes políticas do Estado.

Foi do PMDB, migrou para o PR e tem amigos no PSDB local. Até 2007, o estudo do trem-bala ficou por conta da Valec.

Em maio daquele ano, o Ministério dos Transportes (já nas mãos do doutor Alfredo Nascimento), informou que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, viajaria à Itália para conhecer uma das propostas.

Seria uma iniciativa 100% privada e, segundo ‘Juquinha’, custaria R$ 19 bilhões. O trem faria o percurso Rio-São Paulo em 85 minutos com uma tarifa de R$ 127. Melhor negócio não poderia haver.

Tudo muito bonito, mas o bicho tinha um pescoço enorme, pois a linha não teria paradas intermediárias. Parecia uma girafa.

O trem não iria a Campinas, a girafa tinha asas. O Tribunal de Contas duvidou de uma planilha com a expectativa de demanda estimada em 40,7 milhões de passageiros/ano. Pediu esclarecimentos e veio um novo número: 4,5 milhões de passageiros/ ano.

O empresário italiano que patrocinava o projeto informou que não foi ele quem apresentou a planilha dos 40,7 milhões de passageiros. A girafa alada tinha tromba.

Meses depois, o trem-bala fez sua primeira viagem. Saiu da Valec, foi para o BNDES e os italianos viram-se desembarcados. A companheira Dilma sabia perfeitamente por quê.

Infelizmente, isso foi feito com aquele nível de discrição que inibe o malfeito, mas não expõe o malfeitor. Mostrada ao público, a girafa teria recomendado a faxina.

Passaram-se quatro anos, o diretor financeiro da Valec, Bernardo Figueiredo, foi para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres e levou consigo o trem.

O projeto privado sumiu e a iniciativa baldeou-se para uma estatal, a ETAV. O custo foi para R$ 35 bilhões (pode me chamar de R$ 50 bilhões) e a demanda continua envolta em mistério, mas será garantida pela Viúva.

A tarifa está em R$ 205 e o eventual concessionário receberá alguns mimos fiscais. O edital que fixará a data do leilão para a escolha do consórcio da obra já foi adiado sete vezes.

O governo está encurralado pelos fornecedores de equipamentos (que querem vender logo) e os empreiteiros que não querem botar a mão numa obra que escavará 103 quilômetros de túneis (três vezes a extensão do Chunnel, sob o Canal da Mancha) sem blindar o negócio.

Capturada pela própria máquina de propaganda, a doutora Dilma está reescrevendo uma velha piada, segundo a qual o empreiteiro é aquele sujeito que convenceu o faraó a empilhar pedras no deserto. Agora é o faraó quem quer convencer o empreiteiro. Diversas mulheres governaram o Egito, nenhuma construiu pirâmide".

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Escrito por Josias de Souza às 06h31

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Firma de filho de ministro cresceu 86.500% em 2 anos

Shutter Stock

O arquiteto Gustavo Morais Pereira, 27, filho do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), é alvo de investigação do Ministério Público Federal.

Apura-se a suspeita de enriquecimento ilícito. No miolo do processo, está a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo.

Em dois anos de funcionamento, de 2005 a 2007, a Forma foi submetida a um inusitado regime de engorda.

Nascida com um capital social de R$ 60 mil, a firma do filho do ministro amealhou patrimônio de mais de R$ 52,3 milhões. Cresceu 86.500%.

Deve-se a informação aos repórteres Jailton de Carvalho e Gerson Camarotti. Em notícia veiculada nesta quarta (6), a dupla relata:

1. A investigação da Procuradoria foi aberta no Amazonas, ano passado. Nasceu de um negócio celebrado entre Gustavo e a firma SC Carvalho Transportes e Construções.

2. Beneficiária de verbas do ministério gerido pelo pai de Gustavo, a SC Carvalho repassou à empresa do filho do ministro R$ 450 mil.

3. A transação ocorreu em 2007. No mesmo ano, a SC Carvalho recebeu R$ 3 milhões do Fundo da Marinha Mercante, gerido pela pasta dos Transportes.

4. Em 2008, a empresa foi aquinhoada com mais R$ 4,2 milhões do mesmo fundo. Apura-se o conflito de interesses.

5. A SC Carvalho está registrada em nome Marcílio Carvalho e Claudomiro Picanço Carvalho.

6. Em 2006, um ano antes de sua empresa começar a receber verbas da pasta dos Transportes, Picanço borrifou R$ 100 mil nas arcas eleitorais de Nascimento.

7. O empresário figura nos registros do TSE como principal doador da campanha do ministro ao Senado. Doou também R$ 12 mil ao PR, à época ainda chamado de PL.

8. Marcílio Carvalho, sócio de Picanço na SC, é marido de Auxiliadora Carvalho, nomeada por Nascimento para chefiar o escritório que administra o Dnit no Amazonas e em Roraima.

9. Ouvido pelo Ministério Público, Gustavo disse que os R$ 450 mil que recebeu da SC Carvalho referem-se à venda de um imóvel. Não convenceu.

10. Chamou a atenção da Procuradoria o crescimento meteórico da empresa do filho de Nascimento.

11. Gustavo tinha 21 anos em 2005, quando inaugurou, com outros dois sócios, a Forma Construções.

12. No ano seguinte, a empresa já somava ativos de R$ 17,7 milhões. Em 2007, declarou à Receita Federal patrimônio de notáveis R$ 52,3 milhões.

13. Procurado, o ministro manifestou-se por e-mail. Ecoando o filho, disse que o depósito da SC Carvalho em favor da firma de Gustavo é fruto da venda de um imóvel.

14. De resto, Alfredo Nascimento negou que mantenha relações com os proprietaries da SC Carvalho.

15. Em outra notícia, assinada pela repórter Mariângela Gallucci, fica-se sabendo de um detalhe curioso sobre a escrituração da campanha eleitoral de Nascimento.

16. Nada menos que 91,32% das verbas doadas ao ministro no ano passado, quando disputou o governo do Amazonas, ingressaram no caixa de forma oculta.

17. Significa dizer que o dinheiro entrou pelo caixa geral ou pelos diretórios estadual e nacional do PR, o partido de Nascimento.

18. Quando isso ocorre, o candidato não é obrigado a fornecer os nomes dos doadores à Justiça Eleitoral.

19. De acordo com os dados levados por Nascimento aos arquivos do TSE, sua campanha custou pouco mais de R$ 10,8 milhões.

20. Desse total, R$ 8,8 milhões vieram do comitê financeiro único do PR; R$ 626,8 mil, do diretório estadual da legenda; e R$ 450 mil, do diretório nacional.

21. A assessoria de Nascimento informou: "Os recursos arrecadados na disputa eleitoral foram todos distribuídos pelo partido". As contas foram aprovadas pela Justiça.

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Escrito por Josias de Souza às 03h58

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As manchetes desta quarta

- Globo: Prefeitura do Rio quer vender sua sede para cobrir déficit

- Folha: Governo suspende licitações de obras dos Transportes

- Estadão: Após denúncias, Dilma manda Transportes suspender licitações

- Correio: A farra dos poderosos...

- Valor: Ações da Petrobras já estão abaixo do valor patrimonial

- Estado de Minas: Suspensão de licitações afeta obras em Minas

- Jornal do Commercio: Planos de saúde locais entre piores

- Zero Hora: Escândalo adia obras em cinco BRs gaúchas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Transportadora Nascimento!

Humberto

- Via 'Jornal do Commercio'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h44

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PMDB e PT cobiçam vaga de ministro dos Transportes

Marcelo Camargo/Folha

Inaugurou-se nos porões do condomínio governista uma discreta disputa pela cadeira de ministro dos Transportes. Insinuam-se o PMDB e o PT.

Mantido no cargo por Dilma Rousseff, o ministro Alfredo Nascimento, do PR, é tratado como uma exoneração esperando para acontecer.

Embora incipiente, o movimento vem acompanhado de dois nomes. Pelo PMDB, o senador Eduardo Braga (AM). Pelo PT, o engenheiro Hideraldo Caron (RS).

Ex governador do Amazonas, Braga é adversário do também senador Nascimento na política estadual.

No início da gestão Dilma, Braga foi sondado para ocupar a pasta da Previdência. Refugou.

Disse na ocasião que topava integrar a Esplanada, mas queria o Ministério dos Transportes. Não foi atendido.

No rateio esboçado na transição que precedeu a posse de Dilma, o setor de Transportes estava reservado ao PR.

Nomeado sob Lula, Nascimento licenciara-se do cargo para pleitear, no ano passado, o governo do Amazonas.

Derrotado, foi reacomodado por Dilma na poltrona de ministro dos Transportes, com o aval de Lula.

Hideraldo Caron, o “ministeriável” do PT, ocupa atualmente o cargo de diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit.

Militante do petismo gaúcho, Caron é velho conhecido de Dilma. Os dois coabitaram o governo de Olívio Dutra.

Sob Dutra, Caron foi diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado. Dilma era secretária estadual de Minas e Energia.

Informado sobre a cobiça dos aliados, o Planalto leva o pé à porta. Um auxiliar de Dilma disse ao repórter:  

“Nas mais recentes trocas, a presidenta deu demonstrações de que não escolhe ministros guiada por pressões. Tem gente que ainda não entendeu isso”.

Referia-se às nomeações de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil e de Ideli Salvatti para a coordenação política do Planalto.

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Escrito por Josias de Souza às 00h15

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Líderes partidários dão ‘bolo’ em Alfredo Nascimento

Angeli

Os líderes dos partidos governistas com assento na Câmara realizaram nesta terça (5) uma reunião-almoço na casa de Jovair Arantes (PTB-GO).

Durante o repasto, ao qual compareceu a ministra Ideli Salvatti, administradora do balcão, ouviram-se palavras de apoio ao ministro Alfredo Nascimento.

Lero vai, lero vem combinou-se uma visita coletiva de solidariedade ao ministro 'pêérre' dos Transportes.

Avisado pelo telepone, Nascimento cavou espaço na agenda para recepcionar a caravana. Por sorte, esperou sentado. Ninguém apareceu.

Alegou-se que a azáfama de votações na Câmara impediu a visita. Lorota.

No jogo de símbolos de Brasília, ficou entendido que o condomínio governista confia na sobrevivência de Nascimento apenas até certo ponto.

E não fica bem posar para fotos ao lado de um ponto de interrogação.

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Escrito por Josias de Souza às 22h34

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Uma das coisas mais perigosas do Rio: bueiro minado

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Escrito por Josias de Souza às 21h52

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Em vez de ser afastado, o diretor do Dnit sai de ‘férias’

Valter Campanato/ABr

Abalroada pela notícia sobre a cobrança de propinas na pasta dos Transportes, Dilma Rousseff “mandou” o ministro Alfredo Nascimento afastar quatro assessores.

Informado no sábado (2) de que seu nome constava da lista, Luiz Antonio Pagot, diretor-geral do Dnit, passou a alerdear que não aceitaria descer ao meio-fio.

Nesta terça (5), o mandachuva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes prevaleceu sobre a Presidente da República.

Pagot afastou-se do cargo. Não foi, contudo, exonerado. Ele se autoconcedeu férias. Ficou entendido que, concluído o “repouso”, voltará à cadeira.

A assessoria de Pagot informa que as férias contaram com a anuência de dois ministros: Gleisi ‘Babá’ Hofmann (Casa Civil) e Alfredo ‘Neném’ Nascimento (Transportes).

Dos quatro pseudo-exonerados, apenas dois tiveram os nomes publicados no Diário Oficial. Ambos auxiliares do gabinete de Alfredo ‘Não vi Nada’ Nascimento.

São eles: Mauro Barbosa da Silva, chefe do gabinete ministerial; e Luiz Tito Barbosa, assessor direto do ministro.

O afastamento do quarto nome da lista, José Francisco das Neves, presidente da Valec, depende de aprovação do conselho deliberativo da estatal ferroviária.

Brindado com tratamento, digamos, diferenciado, Pagot é apadrinhado do senador Blairo Maggi (PR-MT).

Na noite passada, o mandachuva do Dnit repisava a congressistas do PR que não aceita ser mandado ao olho da rua.

Ao sair em férias, Pagot leva às fronteiras do paroxismo o fenômeno do relativismo do poder atribuído aos chefes do Executivo.

Há seis meses, Dilma assumira a cadeira de presidente movida pelo pior tipo de ilusão. A ilusão de que preside.

- Atualização feita às 22h23 desta terça (5): Em telefonema ao signatário do blog, um auxiliar de Dilma Rousseff informa que o doutor Pagot será exonerado assim que terminarem suas férias. Tomara.

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Escrito por Josias de Souza às 19h34

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Marco Maia admite o adiamento da emenda pró-saúde

  Renato Araújo/ABr

Duas semanas depois de assegurar que levaria a voto a emenda que reforça as arcas da saúde pública, Marco Maia (PT-RS) deu meia-volta.

Antes, o presidente da Câmara dizia que a proposta seria votada na primeira semana de julho.

Agora, afirma que a encrenca ficou para o segundo semestre. Absteve-se de marcar datas.

Por que adiou? Faltou acordo, alega o mandachuva da Câmara. Não há consenso, segundo ele, nem no condomínio governista. Lorota.

Contra a vontade do Planalto, Maia ressuscitara a chamada Emenda 29 numa reunião com líderes partidários. Houve sólido consenso.

Governistas e oposicionistas aplaudiram a decisão de concluir a votação da proposta, abandonada pelo meio desde 2008.

Entre a promessa de Maia e o adiamento, Dilma Rousseff assinou o decreto que prorrogou por 90 dias a liberação de até R$ 4,6 bilhões em emendas de parlamentares.

Lubrificada pelas verbas, a engrenagem congressual, que rodava em sentido anti-governamental, voltou a mover-se em sentido pró-Dilma. Simples assim.

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Escrito por Josias de Souza às 18h21

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Para BC, taxa de câmbio preocupa mais que a inflação

Wilson Dias/ABr

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, presto contas à comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Ao falar de inflação, mostrou-se confiante. O índice, disse ele, já declina em direção à meta anual de 4,5%.

Revelou certa preocupação, porém, com a taxa de câmbio. Sobrevalorizado, o Real roça o patamar mais alto dos últimos 12 anos: R$ 1,55 por dólar.

Para Tombini, o Brasil precisa “se defender” da enxurrada de dólares que chega do estrangeiro.

Recomendou prudência às empresas que se endividam em dólar. "O câmbio flutuante flutua para os dois lados", realçou.

Em Londres, numa conversa com jornalistas, o ministro Guido Mantega (Fazenda) ecoou Tombini.

Sobre inflação, Mantega disse que "todos os indicadores apontam para a desaceleração”.  

Quanto ao câmbio, afirmou que "a política monetária nas economias avançadas está muito relaxada”.

Como os países desenvolvidos não conseguem se livrar da crise, disse Mantega, o dólar “migra para países emergentes".

O ministro insinuou que o Brasil ainda dispõe de munição no paiol: "O governo continuará adotando medidas para conter a sobrevalorização”.

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Escrito por Josias de Souza às 17h52

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Dilma reconduz Gurgel à poltrona de procurador-geral

  Folha
Dilma Rousseff bateu o martelo e virou o prego:

Vai reconduzir Roberto Gurgel ao posto de procurador-geral da República.

Levado à poltrona sob Lula, em 2009, Gurgel chefiará o Ministério Público Federal por mais dois anos.

A decisão vem nas pegadas do ‘Paloccigate’. Instado pela oposição a investigar a multiplicação patrimonial de Antonio Palocci, o procurador optou por não procurar.

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Escrito por Josias de Souza às 17h13

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Sarney, Alfredo Nascimento e a falta que faz um vilão

Brasília precisa urgentemente de um vilão. Um vilão desses de novela, com os olhos a rutilar chispas de maldade.

Um vilão assim –caricato, pés sobre a mesa, charuto entre os dedos— ordenaria desvios e superfaturamentos sem pudores e ambiguidades.

Não há vilões assim em Brasilia. Ali, a eventual apropriação de verbas não é vista como coisa amoral. É parte do modelo, consequência do apoio de partidos a governos.

Nesta terça (5), o tetrapresidente pemedebê do Senado, José Sarney, saiu em defesa do ministro pêérre dos Transportes, Alfredo Nascimento.

Sarney enxergou acerto na decisão de Dilma Rousseff de manter Nascimento no cargo. Disse que não se pode exonerar o ministro “apenas por uma acusação publicada”.

Antes da publicação da denúncia, Dilma reunira-se com a cúpula dos Transportes. Queixara-se do descalabro das obras inflada$.

Nesse encontro, Dilma disse que o ministério, por descontrolado, precisava de babá. Teria três: ela própria e as ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti.

A despeito disso, Nascimento permanece na cadeira de ministro, sob aplausos de Sarney.

Retorne-se ao início: Brasília precisa urgentemente de um vilão. Um vilão que trouxesse a maldade estampada na cara, sem ambiguidades.

- Em tempo: Foto de Fábio Pozzebom, da Agência Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 16h40

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Assalto ao cofre de Adhemar de Barros vai virar filme

O lendário assalto ao cofre em que Adhemar de Barros guardava suas economias de má origem será levado às telas.

Dilma Rousseff participou do planejamento da “expropriação”. Não deu as caras, porém, na execução do plano.

 A repórter Mônica Bergamo dedica três notas ao tema em sua coluna, na Folha. Leia:


- NO CAMINHO: Parte do dinheiro do célebre assalto da organização guerrilheira Var-Palmares ao cofre do ex-governador de SP, Adhemar de Barros, sumiu. Mas pelo menos US$ 100 mil estão enterrados na região do ABC.

"Construíram uma estrada em cima e agora não dá mais para desenterrar", diz Tom Cardoso, que vai lançar em outubro "O Cofre do Dr. Rui", livro sobre a espetacular ação.

- PARALELAS: Cardoso vendeu os direitos do livro ao produtor Rodrigo Teixeira. O personagem central será Gustavo Schiller, que participou da ação e era sobrinho de Ana Capriglione, a amante que Adhemar chamava de "doutor Rui" e que guardava seus cofres.

Dilma Rousseff, que integrava a Var-Palmares, não estava no assalto. Mas aparece trocando dólares do cofre num banco.

- PARALELAS 2: Um outro filme, do diretor André Klotzel, também pretende contar a história do assalto.

Será baseado no livro "O Cofre do Adhemar", do jornalista Alex Solnik, com depoimento de Antonio Roberto Espinosa, que participou da ação.

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Escrito por Josias de Souza às 06h36

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Câmara deve adiar a votação da Emenda 29, da Saúde

Sérgio Lima/Folha

Vai virar pó a promessa do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), de votar antes do início do recesso legislativo a emenda que reforça o caixa da saúde.

A prorrogação por três meses do decreto que autoriza a liberação de emendas orçamentárias restaurou a fidelidade dos deputados governistas ao Planalto.

Azeitado pelas verbas, o condomínio que dá suporte congressual a Dilma Rousseff cuida de desarmar as bombas legislativas que acionara para pressionar o governo.

Há duas semanas, em reunião com os líderes partidários, Marco Maia anunciara a “decisão” de levar a voto a Emenda 29, que trata do orçamento da saúde.

A votação ocorreria, disse o presidente da Casa, “na primeira semana de julho”, antes do início do recesso parlamentar do meio do ano, marcado para o dia 18.

Na ocasião, ainda às voltas com a ameaça de Dilma de bloquear a liberação de R$ 4,6 bilhões em emendas de parlamentares, os líderes soltaram fogos.

Agora, o cenário é outro. O Planalto foi informado por seus operadores políticos no Congresso de que a encrenca deve ser empurrada para o segundo semestre.

O governo ganhará, assim, tempo para tentar construir uma fórmula que concilie o reforço do caixa da saúde com a política econômica de cintos apertados.

No gogó, vários deputados ainda simulam interesse pela votação da emenda da saúde. Nos subterrâneos, os líderes ajeitam o adiamento.

Invoca-se como pretexto a presença na pauta de um projeto de lei do governo que tramita com o selo da “urgência”.

Trata-se da proposta que cria o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).

Reza o regimento que as matérias que correm em regime de urgência têm prioridade na fila de votação. Nada pode ser votado antes, exceto as medidas provisórias.

Ou seja: para votar a Emenda 29, os deputados teriam de apreciar antes o projeto do Pronatec. E não há a menor disposição de fazê-lo.

Invoca-se uma conspiração do relógio. Alega-se que, a duas semanas do fim do semestre legislativo, só há tempo para votar um par de medidas provisórias.

Uma delas corrige a tabela do Imposto de Renda. A outra reduz de 11% para 5% a alíquota de contribuição do microempreendedor individual para a Previdência.

De resto, prevê-se votar apenas a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), sem a qual os congresisstas não podem entrar em recesso.

A emenda da saúde perambula pelos escaninhos do Congresso desde 2003, primeiro ano da gestão Lula.

Foi aprovada no Senado por unanimidade. Votou a favor inclusive a ex-senadora Ideli Sanvatti (PT-SC).

A mesma Ideli que, agora vestida de ministra-coordenadora política do Planalto, participa da manobra protelatória.

A emenda já foi aprovada também na Câmara. Para completar a votação, resta apreciar um “destaque” (pedido de votação em separado) que retira do texto a CSS.

A CSS é uma espécie de sucessora da CPMF, o imposto do cheque, que o Senado mandou à cova em 2007.

Ao ressuscitar a Emenda 29, Marco Maia acertara com os líderes a rejeição da CSS. Algo que faria da proposta um aleijão, já que não ficaria claro de onde viriam as verbas.

A destinação de dinheiro para o custeio do SUS está prevista na Constituição. A Emenda cuida de especificar os percentuais que cabem a cada ente da federação.

Pela proposta, Estados e municípios entrariam com os mesmos percentuais que lhe cabem hoje –12% e 15% respectivamente.

O governo federal entraria com 10%. Hoje, não há percentual definido. Estima-se que o Tesouro gaste algo como 7% ao ano. O Planalto alega que não tem como prover mais.

Além de fixar percentuais, a Emenda 29 estabelece os tipos de despesas que podem ser computados como investimentos em saúde.

Para atingir os 12% que lhe cabem, vários Estados vêm recorrendo à maquiagem de suas contas.

Computam como gastos em saúde de reformas em presídios a aposentadorias de servidores.

Em notícia veiculada nesta segunda (4), as repórteres Daniela Lima e Mariana Schreiber informaram:

Os desvios de finalidade sorveram do caixa da saúde R$ 11,6 bilhões entre 2004 e 2008.

A Emenda 29, se aprovada, fecharia os drenos. Com o adiamento, permanecerão abertos.

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Escrito por Josias de Souza às 05h56

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As manchetes desta terça

- Globo: Dilma apoia ministro mas dá prazo para sanear Transportes

- Folha: Chávez volta, mas diz que só venceu a 1ª etapa

- Estadão: Ministro fica, mas Dilma usa crise para trocar equipe de Lula

- Correio: Oposição cobra saída de ministro e quer CPI

- Valor: Subsídios representam 28% dos gastos do PAC

- Estado de Minas: Quem te conhece não esquece jamais

- Jornal do Commercio: Menos prisões com a nova lei

- Zero Hora: Dilma mantém ministro mas obras terão devassa

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Faixa de (in)segurança!

Samuca

- via 'Diário de Pernambuco'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Casino pede para BNDES não financiar Pão de Açucar

  Pierre Verdy/FP
Não bastassem os aconselhamentos do bom senso, o governo Dilma Rousseff ganhou uma razão adicional para tomar distância da confusão do Pão de Açúcar.

Sócio de Abílio Diniz no negócio, o presidente do grupo francês Casino, Jean-Charles Naouri (foto), foi ao BNDES nesta segunda (4).

Pediu a Luciano Coutinho, o mandachuva do bancão oficial, que não financie a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour.

A operação, disse Jean-Charles a Coutinho, seria “ilegal”. Afrontaria acordo societário que prevê a entrega do comando do Pão de Açúcar ao Casino em 2012.

Na semana passada, o BNDES anunciara a intenção de comparecer à fusão com uma cifra estimada entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões.

A visita de Jean-Charles como que consolidou a impressão de que, se insistir no financiamento companheiro a Diniz, o BNDES virará sócio de uma encrenca.

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Escrito por Josias de Souza às 00h22

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Cúpula do PR atribui denúncias a desavenças internas

  Leonardo Prado/Ag.Câmara
Na política, quando certos personagens ficam fora de si, a platéia enxerga mais facilmente o que eles têm por dentro.

Em privado, o ministro Alfredo Nascimento e o deputado Valdemar Costa Neto atribuem as denúncias que os atingem ao ‘fogo amigo’.

Exergam no gatilho que dispara contra os negócios da pasta dos Transporte$ as digitais do deputado goiano Sandro Mabel (na foto).

Mabel desafiou a direção partidária ao levar às últimas consequências, em fevereiro, uma malograda candidatura avulsa à presidência da Câmara.

Comandantes da tropa de elite do PR, Nascimento (presidente) e Costa Neto (secretário-geral) instaram o ex-amigo a pedir pra sair.

Como Mabel resistisse, foi levado ao saco. Apearam-no do posto de líder do partido na Câmara. Abriram contra ele um processo de expulsão.

Para completar, Nascimento e Costa Neto levaram o processo de asfixia às fonteiras de Goiás, o Estado de Mabel.

Preparavam-se para destituir o ex-amigo da presidência do PR-GO. Tramavam a demissão do chefe do Dnit em Goiânia, Alfredo Neto, apadrinhado de Mabel.

Nos subterrâneos, Mabel ameaçava vingar-se. Daí a convicção do mandachuvas do PR de que ele está por trás das denúncias levadas às páginas de ‘Veja’.

O Ministério dos Transportes ganhou a súbita aparência de uma pasta de vidro. Descortinou-se um esquema de cobrança de propinas em troca de obras.

O comando dos malfeitos foi atribuído a Costa Neto, com a anuência de Nascimento. Afastaram-se dois auxiliares do gabinete do ministro.

Defenestrou-se também o presidente da estatal ferroviária Valec, José Francisco das Neves.

Goiano como Mabel, ele fora convidado por Costa Neto para substituir Mabel no comando do diretório do PR-GO.

Por último, foi ao meio-fio o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot –a quem caberia demitir o homem de Mabel no escritório goiano do órgão rodoviário.

Torça-se para que Nascimento e Costa Neto estejam certos. Mais: reze-se para que a ex-amizade eterna de Mabel tenha se convertido numa inimizade definitiva.

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Escrito por Josias de Souza às 22h22

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Aberta sindicância na pasta dos Transportes. E a PF?

O governo anunciou duas provicidências para “apurar” a denúncia de cobrança de propina em obras rodoviárias e ferroviárias.

Mantido no cargo por Dilma Rousseff, o ministro Alfredo Nasciomento (Transportes) formalizou a abertura de uma sindicância. Vai durar 30 dias.

Em nota, o ministério informa que que Nascimento “conta com o apoio da presidente” para conduzir a “investigação com autonomia, rigor e rapidez”. Hummm.

Anunciou-se, de resto, o início de “um trabalho de análise aprofundada e específica” da Controladoria-Geral da União.

Serão perscrutadas, informa a CGU, “todas as licitações, contratos e execução de obras” sob suspeição.

Não há nos comunicados oficiais uma mísera menção à PF. O envolvimento da polícia não ofereceria segurança de êxito na apuração. Mas atenuaria a pantomima.

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Escrito por Josias de Souza às 21h01

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MEC exibe em publicidade escola inaugurada por FHC

Afora a carta em que Dilma Rousseff aproveitou o aniversário de 80 anos de FHC para enaltecê-lo, a política de boa vizinhança materializou-se num vídeo.

Publicidade do MEC exibida em rede nacional desde o final de junho traz imagens de uma escola batizada com o nome de Ruth Cardoso. Uma homenagem à memória da mulher de FHC.

O Cempre (Centro Municipal de Programas Educacionais) Dra. Ruth Cardoso fica em Mogi das Cruzes (SP). Trata-se de uma escolar em tempo integral.

Foi inaugurada em março de 2009 por um prefeito eleito pelo DEM, Marco Bertaiolli, em cerimônia que teve FHC como convidado de honra.

O nome de Ruth Cardoso aparece de relance no início da publicidade do MEC (repare no vídeo lá do alto). Algo que deixou o tucanato entre surpreso e atônito.

A peça publicitária foi concebida com o propósito de trombetear o programa federal de merenda escolar.

Mencionam-se os avanços obtidos sob Lula, que Dilma Rousseff planeja aprofundar.

Informa-se que os gastos oficiais com merenda saltaram de R$ 950 milhões em 2003, primeiro ano de Lula, para R$ 3 bilhões em 2011, ano inaugural de Dilma.

Tudo isso apresentado contra um pano de fundo impregnado de FHC. Sinal dos tempos. Coisa de deixar atônitos os tucanos e aflitos os petistas.

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Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Twitter da TV FoxNews anuncia falsa morte de Obama

Emmanuel Dunand/AFP

A conta mantida pela rede de TV FoxNews no twitter anunciou nesta segunda (4) que o presidente americano Barack Obama havia sido morto a tiros.

Antes que as redações de jornal pudessem produzir os necrológios provando que Obama é um bom sujeito, sobreveio o desmentido.

A rede de televisão apressou-se em informar que seu microblog fora invadido.

"Essas informações são incorretas, é claro, e o presidente está passando o feriado de 4 de julho com sua família", informou a FoxNews.

"Hackers publicaram várias mensagens mal-intencionadas e falsas dizendo que o presidente Obama foi assassinado". A Casa Branca não comentou o episódio.

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Escrito por Josias de Souza às 18h37

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Descaso:veja como Correios tratam correspondências

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Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Depois de velório em BH, corpo de Itamar foi cremado

Fábio Pozzebom/ABr

Como previsto, o velório de Itamar Franco, iniciado no domingo (3) em Juiz de Fora, foi esticado em Belo Horizonte nesta segunda (4).

O esquife foi recepcionado no Palácio da Liberdade pelo governador Antonio Anastasia e por um emocionado Aécio Neves.

Políticos que se ausentaram da cerimônia fúnebre da véspera foram à capital mineira. Entre eles Dilma Rousseff, FHC e José Serra.

No total, renderam homenagens a Itamar, segundo as contas da PM, algo como 4 mil pessoas.

Depois, em cerimônia restrita à família e aos amigos, o corpo foi cremado na cidade de Contagem.

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Escrito por Josias de Souza às 17h45

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Sobre Dilma, Alfredo Nascimento e o papel da mãe

Angeli

Dilma Rousseff conversou com Alfredo Nascimento. Decidiu mantê-lo na poltrona de ministro dos Transportes.

Mandou dizer que Nascimento ainda dispõe da confiança da chefe. Vai coordenar a apuração das denúncias de corrupção na pasta.

A oposição pôs-se a salivar. Trama arrastar o ministro ao Congresso. Levará o caso ao Ministério Público e ao TCU. Tentará empinar uma CPI.

Dilma move-se no pantanoso terreno dos Transportes guiando-se por seus instintos e pelos conselhos de sua turma.

A presidente talvez devesse incluir sua mãe, Dilma Jane Rousseff, no rol de conselheiros.

Dona Dilma, como boa mãe, há de ter repassado à menina Dilma lições básicas de higiene.

Coisas assim: dinheiro é sujo. Tocou? Lave as mãos. Ou assim: corrimão de escada é criatório de micróbios. Melhor nem tocar!

As meninas costumam inspirar nas mães preocupações específicas. Tampa de privada, eis o grande terror.

Banheiro público? Convém evitar. Se for inevitável, forre com papel a privada. Ou, melhor ainda: equilibe-se acima da tampa e capriche na pontaria.

Ao chegar à Presidência da República, Dilma, a filha, expôs um risco que Dilma, a mãe, não levou em conta nem nos seus delírios mais anti-sépticos.

Dona Dilma jamais imaginou que a filha seria submetida à ameaça de contágio que vem junto com o PR de Alfredo Nascimento, Valdemar Costa Neto e Cia..

No sábado (2), Dilma mandou afastar quatro funcionários do Ministério dos Transportes acusados de cobrar dos fornecedores propinas de 4%.

Entre as cabeças levadas à bandeja estão dois auxiliares diretos do gabinete de Alfredo Nascimento. 

Se pudesse antecipar o futuro, a mãe da presidente decerto teria aconselhado:

“Filhinha, jamais confie cegamente num ministro do PR que não consegue farejar o que se passa sob o próprio nariz. Desconfie, tome distância, fuja”.

Por sorte, dona Dilma, a mãe, vive com Dilma, a filha, no Alvorada. Pode adicionar às velhas lições ensinamentos novos. PR? Nem forrandoa tampa!

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Escrito por Josias de Souza às 17h15

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Ministro da CGU vê irregularidades ‘no DNA do Dnit’

  Lula Marques/Folha
Os malfeitos nas obras do Dnit tornaram-se tão corriqueiros que o ministro Jorge Hage (CGU) já não parece disposto a conceder ao órgão nem o benefício da dúvida.

Leia-se, a propósito, nota veiculada no Painel, editado na Folha pela repórter Renata Lo Prete:


- Guichê ao lado: Acionado a investigar as suspeitas que levaram ao afastamento coletivo no Ministério dos Transportes, Jorge Hage (Controladoria-Geral da União) diz que só a entrada da Polícia Federal no caso pode provar a existência de cobrança de propina. "Isso não é assunto que a Controladoria possa detectar com auditoria."

Apesar disso, ele vislumbra campo fértil de trabalho, pois irregularidades estariam "no DNA do Dnit", como "superfaturamento, licitações direcionadas e serviços malfeitos e pagos."

Hage ressalta "esforço" dos Transportes para correção, mas diz que recebia críticas do nº 1 do Dnit, Luiz Antonio Pagot: "Ele sempre reclamou. Chegava a dizer que não tinha tempo de cuidar de outra coisa que não responder à CGU".

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Escrito por Josias de Souza às 03h44

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As manchetes desta segunda

- Globo: Brasileiros compram mais imóveis no exterior

- Folha: Saúde perde R$ 12 bi por maquiagem de Estados

- Estadão: Projeto reduz rombo da Previdência pela metade

- Correio: Brasileiros correm para comprar imóveis em Miami

- Valor: Captações externas batem recorde

- Zero Hora: Suposto esquema fragiliza ministro dos Transportes

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h41

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Dilmalabarista!

Humberto

- Via 'Jornal do Commercio'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Dilma analisa demissão do ministro dos Transportes

Valter Campanato/ABr

Em conversas com auxiliares, Dilma Rousseff analisou no fim de semana a hipótese de afastar Alfredo Nascimento do cargo de ministro dos Transportes.

A presidente cogitou demitir Nascimento no sábado (30), dia em que vieram à luz as suspeitas de cobrança de propina em troca de obras rodoviárias e ferroviárias.

Chegou-se inclusive a analisar os nomes de eventuais substitutos. Entre eles o de Paulo Passos, atual secretário-executivo do Ministério dos Transportes.

Dilma levou o pé ao freio por receio de abrir uma crise com o PR, partido presidido por Nascimento. Optou por afastar quatro subordinados do ministro.

No Senado, o PR ocupa cinco cadeiras. Subiria para seis caso Nascimento, senador licenciado, fosse demitido. O suplente do ministro é João Pedro (PT-AM).

Na Câmara, o PR dispõe de 40 votos. E lidera um bloco integrado por outras sete legendas (PRB, PTdoB, PRTB, PRP, PHS, PTC e PSL). Ao todo, 64 deputados.

Nascimento teria um despacho de rotina com Dilma nesta terça (5). As denúncias veiculadas por ‘Veja’ levaram a presidente a antecipar o encontro.

Embora o nome de Nascimento não conste da agenda oficial de Dilma, o ministro foi convocado a comparecer ao Planalto nesta segunda (4).

Um dos auxiliares de Dilma que participaram dos diálogos travados nas últimas 48 horas definiu a permanência de Nascimento como “uma questão em aberto”.

Tomada pelas palavras ditas em privado, a presidente não parece ter dúvidas quanto à ocorrência de irregularidades na pasta dos Transportes.

Do mesmo modo que hesita em afastar Nascimento, não deseja comprometer-se com a manutenção dele no cargo a qualquer custo.

De resto, Dilma disse ter decidido que os quatro servidores afastados de suas funções em caráter “temporário” não retornarão aos postos.

Surpreso, o diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, disse ao seu padrinho político, o senador Blairo Maggi (PR-MT) que não aceitará passivamente o afastamento.

Além de Pagot, foram desligados da tomada dois auxiliares diretos de Nascimento: Mauro Barbosa da Silva e Luís Tito Bonvini.

O quarto afastado chama-se José Francisco das Neves. Presidia a Valec, estatal que cuida das ferrovias.

José Francisco é apadrinhado do deputado Valdemar Costa Neto (SP), réu no processo do mensalão e secretário-geral do PR.

A oposição planeja aproveitar-se da sobrevivência de Alfredo Nascimento na Esplanada para fustigar o governo no Congresso.

O PSDB trama a convocação do ministro para prestar esclarecimentos no Senado. Prepara também uma representação a ser protocolada no Ministério Público.

De resto, o tucanato tentará ressuscitar no Senado um pedido de CPI que apresentara no ano passado, para investigar a gestão de Pagot no Dnit.

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Escrito por Josias de Souza às 23h10

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PR diz que processará 'Veja' por denunciar ‘propina’

Sérgio Lima/Folha

Em nota pendurada na sua página eletrônica, o PR anunciou a decisão de processar a revista ‘Veja’ e os autores da notícia que apontou corrupção nos Transportes.

Assina o texto um deputado que é precedido pela fama adquirida no escândalo do mensalão: Valdemar Costa Neto.

Secretário-geral do PR, Valdemar diz que a reportagem que levou ao afastamento de quatro integrantes da cúpula da pasta dos Transportes contém “acusações apócrifas”.

O próprio Valdemar, que em 2005 renunciou ao mandato de deputado para fugir à cassação, é mencionado na notícia como partícipe do esquema.

O miolo da encrenca consiste na cobrança de propina de 4% das empresas que tocam obras rodociárias e ferroviárias.

Na nota do partido, Valdemar admite manter “relações” com órgãos públicos, “incluindo o Ministério dos Transportes”.

Reconhece que participa de “reuniões” organizadas “por servidores” da pasta. Para quê?

“Buscam garantir benfeitorias federais para as regiões representadas por lideranças políticas do PR”. Hummmm!

Valdemar chama seus movimentos de “relações institucionais”. Anota que o PR apóia a sindicância aberta para apurar as suspeitas de malfeitorias nos Transportes.

Em timbre que destoa da nota do secretário-geral, o senador Magno Malta (PR-ES), cobrou punição:

“Quem cometeu o crime tem que pagar. Tem que investigar tudo…”

“…Espero que entrem com todos os encaminhamentos necessários para que os responsáveis respondam de forma contundente à sociedade”.

Valdemar Costa Neto deveria considerar a hipótese de processar judicialmente também a presidente Dilma Rousseff. Deve-se a Dilma a decisão de afastar os acusados.

Depois de ler a reportage de Veja, Dilma telefonou para o ministro Alfredo Nascimento (Transportes), presidente nacional do PR.

Nascimemento viu-se compelido a fazer por pressão o que não fizera por obrigação. O afastamento dos auxiliares do ministro foi apresentado como “temporário”.

Ficou subentendido que podem voltar depois da conclusão das apurações. Algo que, a depender da disposição do Planalto, não deve ocorrer.

A própria Dilma, em reunião com a cúpula do ministério, manifestara estranheza diante dos adititivos que elevam os preços das obras a níveis acima do razoável.  

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Escrito por Josias de Souza às 22h17

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Velório de Itamar teve 30 mil e um quê de inusitado

Vladimir Platonow/ABr

A despedida de Itamar Franco segue um roteiro definido pelo morto. Neste domingo (3), o esquife fez escala na cidade mineira de Juiz de Fora.

Contaram-se cerca de 30 mil pessoas. Em meio à gente anônima do berço político de Itamar, acorreram ao velório personalidades da política.

Entre elas três ex-presidentes da República: José Sarney, Lula e até, veja você, Fernando ‘Impeachment’ Collor.

Por mais prevacido que tenha sido, o cadáver não logrou livrar-se da presença do inusitado em seu velório.

Houve um quê de surpresa também nas ausências. Outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, não de as caras.

Nesta segunda (4), vai-se cumprir o segundo estágio do roteiro que Itamar esboçou em vida.

O velório será esticado no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. Depois, o corpo será cremado.

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Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Herdeiro da cadeira de Itamar está sob investigação

- A notícia acima foi veiculada em 3 de junho, quando Itamar Franco ainda estava hospitalizado. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h31

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Itamar Franco leva para a sepultura mágoa e rancores

Sérgio Lima/Folha

Itamar Franco levou para o túmulo uma mágoa. Resumiu-a em diálogo com um amigo mineiro: “Quando eu morrer, talvez me façam justiça”.

Ex-auxiliar de Itamar na Presidência, o amigo tocara o telefone para o hospital, no início de junho, com o propósito de animá-lo.

Tirou-o do sério ao injetar na conversa uma menção às homenagens que o PSDB organizava para marcar os 80 anos de FHC, festejados em 18 de junho.

“Se não fosse por mim, o Fernando Henrique seria hoje um professor universitário”, reagiu Itamar. “Já fiz 80. Quem se lembrou?”

Itamar faz aniversário dez dias depois de FHC. Completou 81 anos em 28 de junho. Na véspera, fora transferido para a UTI do Hospital Albert Einstein.

Internara-se para tratar de uma leucemia. Em meio a sessões de quimioterapia, desenvolveu uma pneumonia grave.

Morreu sem curar os ciúmes que nutria pelo ministro da Fazenda que ajudou-o a transformar-se no improvável que deu certo.

Tão certo que desceu ao verbete da enciclopédia como primeiro presidente civil a eleger o sucessor desde Arthur Bernardes.

Itamar queixava-se de não ser reconhecido como alguém que fez o sucessor. Pior: era como se FHC tivesse feito o antecessor, salvando-o do desastre.

Vice de Fernando Collor, Itamar virou presidente nas pegadas do impeachment. Parecia condenado a chefiar uma gestão meia-sola de dois anos.

Nos primeiros cinco meses, teve três ministros da Fazenda. Gustavo Krause e Paulo Haddad duraram 75 dias cada. Eliseu Resende, 79 dias.

Os ventos começaram a virar em 19 de maio de 1993. FHC encontrava-se em Nova York. Jantava na casa do então embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Sardenberg.

Súbito, Itamar telefonou. Passava das 23h. “Fernando, você está em pé ou sentado?” FHC sentou. Itamar disse que afastaria Eliseu Resende.

FHC ponderou em contrário. Mais uma mudança na sensível área econômica não lhe parecia adequado. E Itamar: “Você aceita ser ministro da Fazenda?”

O sondado simulou desinteresse. Chanceler, disse que estava satisfeito no Itamaraty. Mas não soou enfático: “Itamar, você é o presidente da República”.

Itamar combinou que, depois de falar com Eliseu, ligaria novamente. Não telefonou. Mandou ao “Diário Oficial” o ato que transferiu FHC do Itamaraty para a Fazenda.

Na manhã seguinte, informado da novidade, FHC telefonou de Nova York: “Mas você não me ligou!” Foi atalhado: “A repercussão está sendo ótima”.

Dois dias depois, já de volta ao Brasil, FHC assumiu a gerência da inflação. Antes, tinha horizontes curtos. Sem votos para voltar ao Senado, não o agrava a idéia de concorrer à Câmara.

Cogitava recolher-se para escrever um livro sobre a transição da ditadura para a democracia. Daí a mágoa de Itamar.

Afora a Fazenda, deu a FHC autonomia para montar a equipe que formulou os alicerces do Plano Real, base do palanque presidencial. Deu-lhe um horizonte.

Itamar preferia ser sucedido por Antonio Britto, então ministro da Previdência. Terminou cedendo a ribalta a FHC.

Ainda que aos trancos, Itamar imprimiu suas digitais no plano que levou ao fim da superinflação.

Passados no filtro do tempo, viraram detalhes a ranhetice, o fusca, os namoros, o Carnaval ao lado da mulher sem calcinha, pelo menos uma ameaça de renúncia...

O ciclo de homenagens ao aniversariante FHC foi fechado com ato suprapartidário no Senado, na véspera da morte de Itamar.

Afagado até por petistas, FHC perguntou a certa altura: “Será que eu já morri?” Lembrou que só os mortos são elogiados no Brasil.

Já recolhido à UTI, Itamar aguardava pela morte que, segundo a expectativa manifestada ao amigo, pode trazer-lhe o reconhecimento.

- Em tempo: Versão reduzida do texto acima, escrito pelo signatário do blog, encontra-se publicada na Folha deste domingo.

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Escrito por Josias de Souza às 05h04

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Morto, Itamar ‘ouve’ de FHC o que julgava olvidado

João Wainer/Folha

Fernando Henrique Cardoso levou às páginas da Folha um artigo no qual rende homenagens póstumas a Itamar Franco.

A peça traz, nos derradeiros parágrafos, um relato sobre o convívio de ambos no governo que se seguiu ao impeachment de Fernando Collor.

FHC não chega a entregar à historiografia o que Itamar, em vida, reivindicava: a “paternidade” do Plano Real. Porém...

...Porém, admite que Itamar, “às vezes com a alma travada”, entregou-lhe o essencial: “apoio irrestrito” para pôr o plano em pé.

Quem lê interroga os próprios botões: por que FHC esperou pela morte de Itamar para adensar-lhe a biografia?

Vai abaixo o naco final do artigo, acomodado abaixo do subtítulo “No Governo”:


Devo a ele a audácia de nomear um sociólogo sem grande experiência administrativa para o Ministério da Fazenda.

Mais: apoiou tudo que eu e minha equipe propusemos para fazer o que no início foi o Plano FHC e se transformou no Plano Real.

Sem o apoio irrestrito do presidente, nada do que foi feito poderia ter sido aprovado. E isso em matéria que nem sempre era da preferência de Itamar.

Preocupado que foi a vida inteira com atender aos mais pobres, temia que a contenção fiscal necessária para assegurar a estabilidade da economia pudesse prejudicar os trabalhadores.

Não obstante, aceitou com responsabilidade histórica o que teria de ser feito, embora às vezes com a alma travada.

As repercussões positivas do Plano Real para o povo e para a economia permitiram que Itamar assistisse sua consagração no fim do mandato.

Mais do que merecida, a consagração de um homem que tinha forte sentido ético na política e que, com sua simplicidade e despojamento, serve cada vez mais de exemplo ao Brasil atual.

Pessoalmente, devo a Itamar não só o ter-me apoiado como ministro, mas o haver aprovado com entusiasmo minha candidatura ao Planalto.

A despeito das reviravoltas da política que nem sempre permitiram que estivéssemos no mesmo lado quando exerci a Presidência, sempre guardei respeito por tudo que Itamar significou para o Brasil.

Só lamento não ter tido mais oportunidades de desfrutar, com a tranquilidade que só os anos trazem, uma convivência mais frequente.

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Escrito por Josias de Souza às 04h41

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Gaspari sobre a última do BNDES: ‘A missão heroica’

O repórter Elio Gaspari dedica pedaços de sua coluna, disponível na Folha, à incursão do BNDES pelas gôndolas companheiras de Abílio Diniz.

Os estômagos mais sensíveis devem adiar a leitura para depois da café da manhã. Mastigados à mesa, os textos convertem pão de açúcar em bolo de pimenta. Leia:


"No dia 25 de junho do ano passado, Geyze Diniz, mulher de Abilio, dono do Grupo Pão de Açúcar, recebeu um grupo de senhoras do andar de cima de São Paulo para que conhecessem Dilma Rousseff.

Salvo pelo champanhe Veuve Clicquot, foi um encontro frugal, brevemente abrilhantado pelo anfitrião.

Um ano depois, num salto triplo carpado, Abilio Diniz detonou sua sociedade com o grupo francês Casino e quer se associar ao Carrefour.

Diniz criou um império de 1.800 lojas, com 140 mil funcionários. No caminho, litigou com familiares e sócios. Sua nova briga é de gente grande. Ninguém tem nada com isso, muito menos a Viúva.

Usando o vocabulário do senador Aloizio Mercadante na louvação de seus aloprados, o governo deu ao BNDES a ‘missão heroica’ de amparar Diniz.

O empresário, o Planalto e o ministro Fernando Pimentel sustentam que o negócio é bom porque evita a desnacionalização do comércio de varejo, porque o BNDES não botará dinheiro da Viúva na transação, pois só a financiará porque a banca não cumpriu o papel que lhe cabe. Pura parolagem, ofensiva à inteligência alheia.

Quem desnacionalizou o Pão de Açúcar foi Abilio Diniz quando vendeu 36,9% da empresa, com a promessa da entrega do controle aos franceses no ano que vem. Se agora não quer entregar o que vendeu, o problema é das duas empresas.

O dinheiro que o BNDES vai botar num litígio judicial é dele e ele é da Viúva. Nessa ‘missão heroica’, não se sabe sequer o tamanho do ervanário. Segundo o Pão de Açúcar, R$ 3,9 bilhões. Segundo o banco, ‘até’ R$ 4,5 bilhões.

O comissariado do BNDES diz que a entrada do governo na briga ‘abre caminho para maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional’. Carlos Lessa, ex-presidente do banco, duvida: ‘O Brasil não precisa ser sócio minoritário de um supermercado na França para garantir mercado lá fora’.

Desde 2009 sabe-se que a matriz do Carrefour quer passar adiante sua rede de Pindorama. Ela se meteu em trapalhadas contábeis e tomou um tombo de R$ 1,2 bilhão. É esse buraco que os heróis oferecem à Viúva.

Pimentel diz que a banca não cumpriu seu papel. Nesse caso, todos os investidores do mundo estão errados, só os companheiros estão certos, heroicamente certos.

- Deu bolo: A atribuição ao BNDES da missão heroica de bancar o salto triplo de Abilio Diniz correu dentro do governo e do banco com muito menos suavidade do que se dá a entender. Ela poderá vingar, mas a tentativa de apresentá-la como fato consumado derreteu em menos de 24 horas.

O doutor Luciano Coutinho faria muito bem ao BNDES se mandasse conservar todos (repetindo, todos) os documentos, memorandos e registros da duração de audiências e contatos telefônicos relacionados com esse assunto.

- Eremildo, o idiota: Eremildo é um idiota e fica confuso quando ouve o governo dizer que este ou aquele investimento ou despesa não será coberto por dinheiro público.

O idiota propõe que a doutora Dilma mande pintar de verde todas as cédulas usadas para pagar contas do governo. Não mudará muita coisa, mas dará colorido às transações".

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Escrito por Josias de Souza às 03h55

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As manchetes deste domingo

- Globo: Agenda econômica de Dilma nao sai do papel

- Folha: Dívida externa aumenta 43% em menos de 2 anos

- Estadão: Empresa de senador leva R$ 57 mihões da Petrobras sem licitação

- Zero Hora: Itamar Franco 1930-2011

- Veja: E eu com isso?

- Época: Por que os mais velhos são mais inteligentes

- IstoÉ: Entenda a sua dor

- IstoÉ Dinheiro: A grande jogada de Abílio

- CartaCapital: Quem ganha com a fusão?

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Carniça Federativa do Brasil!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Maia: ‘Legislativo não faz só o que o Executivo quer’

Sérgio Lima/Folha

Nas últimas semanas, Marco Maia, o presidente petista da Câmara, foi acomotido de surpreendente independência em relação ao Planalto.

No cargo há cinco meses, levou a voto todas as demandas de Dilma Rousseff. Reteve o que não convinha ao governo.

Súbito, ressuscitou, em reunião com os líderes partidários, levou à mesa temas que, desde Lula, eram tratados a golpes de barriga.

Voltaram às manchetes a emenda que tonifica o caixa da saúde e a que cria um piso salarial para bombeiros e PMs.

O surto coincidiu com a recusa de Dilma em aceitar um arranjo que Maia negociara com o grupo que rivaliza com ele no PT.

Previa o seguinte: Candido Vaccarezza iria à pasta que cuida da coordenação política do Planalto. E Arlindo chinaglia, chegado de Maia, iria à liderança do governo.

Apresentada ao tricô, Dilma informou a Marco Maia que, na escolha de ministros e líderes do governo, quem segura as agulhas é a presidente.

Em entrevista aos repórteres Leonel Rocha e Leandro Loyola, Marco Maia construiu raciocínio análogo: quem define a pauta da Câmara não é Dilma.

Vão abaixo algumas das declarações feitas por Marco Maia, levadas às páginas de ‘Época’:


- Projetos polêmicos: “Não pode haver pauta proibida para os deputados. Tenho tranquilidade em pautar todos os temas importantes para a sociedade. A presidente da República e os governadores devem apresentar suas razões para que determinado projeto seja aprovado ou não. O Congresso não pode ser apenas uma casa de concordância com as teses do Executivo. […] Não está escrito em nenhum lugar que o Legislativo tem de fazer só o que o Executivo quer. […] Os Três Poderes são independentes e devem trabalhar de forma harmônica. Mas nem sempre a pauta coincide”.

- Obrigações de petista: ”Tenho obrigação e estou convicto em apoiar o governo da presidente Dilma. […]. Mas isso não significa esconder o debate, impedir que a sociedade se expresse ou a representação parlamentar não seja exercida na sua plenitude. […] A relação entre os Poderes nunca é uma via de mão única onde o Executivo determina o ritmo das decisões a serem tomadas pelos congressistas.

- Emendas parlamentares: ”Faltam regras mais claras e objetivas para a aprovação e posterior liberação de emendas apresentadas pelos parlamentares. Esse debate é recorrente também por falta de habilidade política do Executivo para tratar o tema. […] Se a emenda ao Orçamento estiver dentro das regras previstas e se encaixar nos macroprogramas do governo, se o projeto a ser financiado com dinheiro público é viável e a obra já começou, os restos a pagar precisam ser liberados.

- A ação da dupla Ideli-Gleisi: ”Ainda é cedo para avaliar. As ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvati (Relações Institucionais) ainda estão tomando pé da situação, conhecendo suas atribuições. Mas a alteração feita pela presidente Dilma, com atribuições mais claras e objetivas repassadas aos dois ministérios, vai contribuir muito para a melhora do relacionamento entre Executivo e Legislativo.

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Escrito por Josias de Souza às 22h12

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Corrupção: Dilma afasta 4 na pasta dos Transportes

Valter Campanato/ABr

Abalroada por uma notícia levada às páginas de ‘Veja’, Dilma Rousseff mandou ao meio-fio quatro integrantes da cúpula do Ministério dos Transportes.

Comanda a pasta o ministro Alfredo Nascimento, presidente do PR. Segundo a revista, a legenda montou um esquema de corrupção.

Em troca de propinas de 4%, ajeitam-se licitações superfaturadas e aditivos de contratos firmados com empresas que tocam obras de estradas e ferrovias.

Encabeçariam os malfeitos, segundo Veja, o próprio ministro e o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). O mesmo que, em 2005, fora pilhado no mensalão.

Foram afastados quatro servidores apontados como operadores do esquema: Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete do ministro…

…Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro; Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes)…

…E José Francisco das Neves, diretor-presidente da estatal Valec - Engenharia, Construções e Ferrovias SA.

Preservou-se, por ora, a cabeça do ministro Nascimento. Ele nega participação na encrenca que escorria sob seu nariz.

Dilma não ignorava que algo de muito estranho sucedida no Ministério dos Transportes. Ela havia discutido o tema em reunião do dia 24 de junho.

Deu-se no Planalto. Participaram, além de Dilma, os mandachuvas dos Transportes e as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento).

Dilma queixou-se dos sucessivos aumentos dos custos das obras em rodovias e ferrovias. “O Ministério dos Transportes está descontrolado”, disse.

“Vocês ficam insuflando o valor das obras. Não há orçamento fiscal que resista aos aumentos propostos pelo Ministério dos Transportes…”

“…Eu teria de dobrar a carga tributária do país para dar conta”, acrescentou a presidente, antes de anunciar uma espécie de intervenção na pasta.

“Vocês precisam de babá. E terão três a partir de agora: a Miriam, a Gleisi e eu”. Alfredo Nascimento não deu as caras na reunião. Alegou “problemas pessoais”.

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Escrito por Josias de Souza às 20h08

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Dilma decreta luto de sete dias pela morte de Itamar

Sérgio Lima/Folha

Dilma Rousseff decretou luto oficial de sete dias pela morte de Itamar Franco. Em nota, lamentou o ocorrido:

"Foi com tristeza que recebi a notícia do falecimento do senador e ex-presidente Itamar Franco…”

“…Dirigente do país em um momento crucial da nossa história recente, o presidente Itamar nos deixa uma trajetória exemplar de honradez pública”.

Em telefonema a Henrique Hargreaves, amigo e ex-chefe da Casa Civil de Itamar, Dilma pôs à disposição um avião da FAB e ofereceu o Planalto para o velório.

Porém, Itamar já havia esboçado o roteiro de seu próprio corpo. Segue neste domingo (3) para Juiz de Fora (MG), onde será velado.

Na segunda (4), será trasladado para Belo Horizonte. Depois de permanecer por algum tempo no Palácio da Liberdade, será cremado.

As manifestações de pesar entrecortaram o sábado. Fernando Henrique Cardoso, chanceler e ministro da Fazenda de Itamar, falou por meio de nota.

"Como seu colega no Senado, seu ministro em duas pastas e como um dos alicerces de minha candidatura à Presidência, devo muito a Itamar”, escreveu FHC.

Absteve-se de mencionar o Plano Real, cujas bases foram lançadas sob Itamar. Vivo, o ex-presidente queixava-se da eterna omissão.

Lula excedeu-se em elogios: "Mesmo nos momentos de divergência política mantivemos uma relação de profundo respeito e diálogo…”

“…Quando assumiu a Presidência em um momento conturbado, em 1992, teve sabedoria para dialogar com toda a sociedade brasileira…”

“…Ajudou o país a entrar em uma rota positiva na política, na economia e no social." Cuidou de suprir a omissão de FHC: "No seu governo implementou o Plano Real.”

O que Lula não recordou, por inconveniente, foi que o seu PT negou solidariedade a Itamar no pós-impeachment, o “momento conturbado”.

O petismo atazanou Luiza Erundina depois que ela aceitou ser ministra de Itamar. Votou contra o Plano Real.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), líder dos “caras pintadas” que fustigaram Fernando Collor nas ruas manifestou-se assim:

“Lamento muito. A melhor atuação no Senado vinha sendo do Itamar. Era o melhor senador da oposição…”

“…Para quem estava nas ruas e lutou contra o Collor, ele teve um papel importantíssimo."

Entre todas as declarações, a mais inusitada foi justamente a de Fernando Collor: “Sinto muitíssimo a perda de um amigo e grande presidente do nosso país…”

“…Itamar foi um companheiro inexcedível durante o período em que militamos juntos na política. Perde o Senado e a vida pública brasileira”.

Se metade do que Collor e Itamar diziam um do outro na época em que foram presidente e vice fosse reproduzido aqui, o texto ficaria impróprio para menores de 81 anos. Melhor evitar.

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Escrito por Josias de Souza às 19h15

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Semanão: inv@são, dinheirão, zoação e um oitentão

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Escrito por Josias de Souza às 09h31

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As manchetes deste sábado

- Globo: Rio cresce mais em favelas e nos bairros vizinhos à Barra

- Folha: Camareira muda versão, e ex-chefe do FMI é libertado

- Estadão: BNDES admite deixar fusão no varejo

- Correio: 250 mil câmeras para vigiar os brasilienses

- Zero Hora: RS produzirá etanol com a Petrobras

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Abílio vai às compras!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Serra divulga texto sem endosso da direção tucana

Lula Marques/Folha

Resultou em atrito a primeira reunião do Conselho Político do PSDB sob a presidência de José Serra.

A portas fechadas, Serra distribuiu um texto aos demais conselheiros. Eis o título: “Conselho Político – A nossa missão”.

Contém elogios rasgados aos Anos FHC, cujo governo Serra hesitou em defender na campanha presidencial de 2010.

Anota críticas duras a Lula, um presidente que, na campanha, Serra chegou a dizer que estava “acima do bem e do mal”.

Investe também contra Dilma Rousseff numa fase em que a ela achegou-se a FHC, enviando-lhe carta com felicitações pelo aniversário e elogios pela biografia.

O documento foi à mesa na última quarta (27). O desejo de Serra era o de que a peça fosse divulgada no mesmo dia.

Não houve, porém, consenso entre os presentes. De resto, nem todos os conselheiros puderam participar da reunião.

De molho desde que caiu do cavalo, há duas semanas, o senador Aécio Neves era um dos ausentes.

Presidente nacional do PSDB e membro do conselho, o deputado Sérgio Guerra (PE) recomendou prudência.

Ficou entendido que o texto de Serra seria submetido à análise de todos e, eventualmente, emendado. Só então seria divulgado.

Serra deu de ombros para o acerto. Nesta sexta (1o), ele pendurou o documento no site pessoal que mantém na internet (aqui, a íntegra).

Quem lê fica com a impressão de que se trata de coisa já referendada pelo partido. No cabeçalho, Serra anota:

“Este é o documento, revisado, que apresentamos na reunião do Conselho Político, na última quarta-feira…”

“…Contém uma análise da conjuntura política e econômica do país e do papel da oposição”.

A veiculação do texto deixou transtornados integrantes do conselho e da cúpula do tucanato.

No rodapé do documento há considerações que, lidas nas entrelinhas, carregam mensagem dirigida a Aécio.

Foram acomodadas abaixo do subtítulo “Combatividade e unidade”. Serra escreveu: “Temos um mundo de ações a fazer, pelo bem do nosso povo e do nosso país…”

“…Temos adversários políticos e um só possível inimigo: a desunião interna. Para mantê-la afastada, temos de insistir em duas condições…”

“…Em primeiro lugar, a combatividade das nossas direções, em todos os níveis, evitando o  esmaecimento dos compromissos políticos e ideológicos […]…”

“…Em segundo lugar, não antecipar as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014…”

“…Neste momento, as nossas tarefas essenciais são de reflexão, combate e reorganização do partido, em todo o Brasil”.

Embora Serra relute em admitir, o debate interno sobre 2014 já foi deflagrado. Para desassossego dele, a maioria do partido adotou a tese da fila que anda.

Hoje, o grosso do tucanato enxerga nem Aécio Neves a candidatura da vez. Daí as considerações de Serra.

Daí também o desconforto da direção partidária com a divulgação de um texto pessoal que nem de longe se confunde com a oponião majoritária da legenda.

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Escrito por Josias de Souza às 22h24

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Dilma indica para líder um deputado que não queria

  Ag.Câmara
Aos pouquinhos, Dilma Rousseff vai se tornando uma presidente facilmente decifrável.

Ameaçou demitir ministros do PMDB. O vice Michel Temer rodou a baiana. E ninguém foi ao olho da rua.

Insinuou apoio ao sigilo eterno. Nem a bancada de senadores do PT a acompanhou. E ela recuou.

Jurara de calcanhares juntos que não prorrogaria o decreto das emendas. Os “aliados” puxaram a faca. E os cofres foram abertos por mais 90 dias.

Nesta sexta (1a), a presidente indicou para o posto de líder do governo no Congresso Mendes Ribeiro, um deputado que ela dissera que não nomearia.

Ou seja: para decifrar Dilma, basta acompanhar-lhe os movimentos labiais. Tudo o que for dito será feito ao contrário.

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Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Em estado grave, Itamar respira ligado a aparelhos

 Folha
** O hospital Albert Einstein divulgou, em São Paulo, novo boletim sobre o estado de saúde do senador Itamar Franco (PPS-MG).

Informa: o quadro é “grave”, o paciente permanence na UTI, é medicado com “altas doses” de corticoesteróides e respire com ajuda de aparelhos.

O que debilita Itamar, 81, informa o boletim, é uma “pneumonia aguda”. A leucemia, causa original da internação, encontra-se sob controle.

Vai abaixo a íntegra do comunicado do hospital:


"O Hospital Israelita Albert Einstein informa que o senador Itamar Franco segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em tratamento de uma pneumonia.

O diagnóstico de Pneumonia Aguda Fibrosante e Organizada foi possível através de biopsia do pulmão.

Trata-se de um quadro grave e seu tratamento é realizado com corticoesteróides em altas doses.

O senador encontra-se sob ventilação mecânica com necessidade de baixo fluxo de oxigênio.

O exame de medula óssea utilizado para avaliação da resposta ao tratamento da Leucemia Linfocítica Aguda mostrou remissão completa.

O Hospital Israelita Albert Einstein continuará fornecendo boletins semanais à imprensa ou assim que haja alguma nova informação".

Médico responsável: Nelson Hamerschlak

Diretor Superintendente do Hospital: Miguel Cendoroglo Neto

- ** Atualização feita às 13h42 deste sábado (2): Morreu Itamar Franco. Aqui, os detalhes. 

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Escrito por Josias de Souza às 17h28

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Planalto saboreia o silêncio de rivais sobre emendas

Em Brasília, o silêncio é útil à audição de pequenos ruídos. Tome-se o caso das emendas penduradas por congressitas no Orçamento da União.

Depois de jurar que não prorrogaria o decreto que autoriza o pagamento das verbas não liberadas até 2010, Dilma Rousseff deu meia-volta.

Encostada na parede pelos “aliados”, a presidente dobrou os joelhos. E acomodou o jamegão no decreto que mantém a porta do cofre aberta por mais três meses.

A oposição reagiu à novidade com um silêncio que, por ensurdecedor, expôs o som do nada, emitido por ninguém, nas fronteiras da ausência de ressonância.

Por que calaram os pseudooposicionistas? Num par de notas, o Painel, editado na Folha pela repórter Renata Lo Prete, ajuda a entender o fenômeno. Leia:


- Causa suprapartidária: O Palácio do Planalto recebeu com alívio a ausência de repercussão negativa do novo recuo de Dilma Rousseff, que, depois de repetidas sinalizações em contrário, aceitou prolongar por mais 90 dias a sobrevivência dos mais de R$ 4 bi de "restos a pagar" do Orçamento de 2009, cedendo à pressão dos congressistas.

À diferença do que ocorreu quando da reviravolta de opinião da presidente sobre o fim do sigilo eterno de documentos oficiais, agora ninguém deu um pio.

Ocorre que deputados e senadores da oposição têm uma fatia desse bolo. Isso foi lembrado a eles, por emissários do governo, durante a longa negociação que resultou no anúncio da noite de quarta-feira.


- Menos, menos: Dilma não gostou da forma como Guido Mantega explicou a prorrogação do decreto.

Avalia-se que o ministro da Fazenda "carregou" na questão da austeridade, falando inclusive em congelamento de emendas deste ano.

Tanto que, logo depois, Ideli Salvatti (Relações Institucionais) deu novas declarações.

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Escrito por Josias de Souza às 05h58

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NYT: Caso Strauss-Kahn pode sofrer uma reviravolta

  Emmanuel Dunand/AP
** O escândalo sexual que custou a Dominique Strauss-Kahn a cadeira de diretor-gerente do FMI está na bica de sofrer uma reviravolta.

Em notícia levada à web, o ‘New York Times’ informa: os promotores que cuidam do caso colecionaram dados que fizeram ruir a versão da suposta vítima.

Levado às manchetes em maio como autor de tentativa de estupro de uma camaneira de hotel, Strauss-Kahn pode virar personagem de um golpe.

As dúvidas não se referem ao contato sexual de Strauss-Kahn com a camareira, atestado por exames técnicos.

O que subiu no telhado foi a consistência dos depoimentos da camareira sobre o que se passou na luxuosa suite do hotel Sofitel, em Nova York.

Nesta quinta (30), relata o ‘NYT’, os promotores reuniram-se com advogados de Straus-Khan. Relataram parte dos achados da investigação.

Descobriu-se, por exemplo, que a camareira manteve diálogo telefônico com um homem que se encontra preso. A conversa foi gravada.

Na fita, a mulher discute com o interlocutor sobre eventuais ganhos financeiros que poderia auferir se formalizasse uma acusação contra Strauss-Kahn.

O preso que falou com a camareira descera ao cárcera depois de ter sido pilhado com grande quantidade de maconha.

Descobriu-se que o sujeito e membros de sua quadrilha –acusados de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro— fizeram depósitos bancários em favor da camareira.

De acordo com a notícia, os depósitos pingaram em quatro Estados: Arizona, Nova York, Georgia e Pennsylvania.

Somaram, nos últimos dois anos, US$ 100 mil. Ouvida, a beneficiária alegou desconhecer os depósitos.

Afora o diálogo vadio do grampo e o envolvimento da camareira com criminosos, os promotores detectaram "reiteradas" mentiras nos depoimentos dela.

Agendou-se para esta sexta (1o) um encontro da promotoria e dos defensores de Strauss-Kahn na Corte de Manhattan.

O magistrado que se ocupa do caso, Michael J. Obus, será informado acerca das novidades. A promotoria, antes convicta, agora avalia que tem “problemas”.

Mercê das acusações que o alvejaram, Strauss-Kahn arrostou danos múltiplos. Encontra-se em prisão domiciliar, depois de pagar fiança de US$ 1 milhão.

No campo funcional, viu-se compelido a renunciar ao commando do FMI.

Na terça (28), assumiu a cadeira, com o apoio do Brasil, a ex-ministra das Finanças da França, Christine Lagarde.

Na esfera política, afora a humilhação, o acusado viu ruir uma bem posicionada candidatura à Presidência da França.

É contra esse pano de fundo que promotores, advogados de defesa e a Justiça dos EUA analisam as revelações que injetam um escândalo dentro do outro.

- ** Atualização (sexta-feira, 1, às 12h57): Apresentado às novidades na manhã desta sexta, o juiz Michael J. Obus, de Nova York, mandou Strauss-Kahn ao meio-fio. Libertou-o da prisão domiciliar sob condições. Terá de comparecer às próximas audiências. O processo não foi extinto. O dinheiro da fiança (US$ 1 milhão) foi devolvido. O passaporte, ainda não.

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Escrito por Josias de Souza às 05h32

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As manchetes desta sexta

- Globo: STF livra juízes de dar expediente integral

- Folha: De Havana, Chávez conta pela TV que tem câncer

- Estadão: Banda larga popular começa a ser oferecida em outubro

- Correio: Preço de carro zero no DF cai até 12% em 2011

- Valor: Massa salarial ainda cresce 8% ao ano

- Zero Hora: Para evitar desgaste, Piratini recua na inspeção veicular

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h16

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BNDES na gôndola!

Zé Dassilva

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Escrito por Josias de Souza às 02h50

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Homenagem a FHC, 80, vira um ato suprapartidário

Lula Marques/Folha

No último dia do mês em que completou 80 anos, Fernando Henrique Cardoso foi brindado com mais uma homenagem, dessa vez no Senado.

A pajelança converteu-se num ato suprapartidário. Reuniu, além do tucanato e aliados da oposição, políticos governistas...

...Ex-ministros da Era tucana e ministros do governo de Dilma Rousseff...

...O ficha suja Joaquim Roriz, o réu Roberto Jefferson e o ministro do STF Gilmar Mendes.

O petista Marco Maia (RS), presidente da Câmara foi ao microfone. Recobriu FHC de elogios.

Disse que “as divergências” não o impediam de reconhecer em FHC “um homem de bem desse país”, “um democrata”.

O ato teve uma mestre de cerimônias de luxo, a atriz Fernanda Montenegro. Logo na abertura, ela leu a carta que Dilma enviou a FHC.

Ao achegar-se ao microfone, o ex-presidente disse ter enxergado na mensagem de Dilma um aceno para o diálogo:

"Fiquei muito feliz com a carta que a presidente me mandou. Eu senti nesse gesto não um gesto político, mas o gesto em dizer…:”

“…Olha, nós somos brasileiros, em alguns pontos nós temos que nos entender. Não vale a pena um só destruir o outro."

Acha que Dilma quis afirmar algo assim: “Alguma coisa tem que unir”. Acrescentou: “Construir juntos não é aderir”.

Entre os oradores, José Serra foi o único a atravessar o canto da concórdia. Sem mencionar-lhe o nome, comparou Lula a FHC.

Disse que, na Presidência, FHC "nunca condescendeu” com malfeitorias. “Jamais passou a mão na cabeça de aloprados…"

“…Jamais tratou o público como privado. […] Jamais procurou exaltar a própria obra para desqualificar adversaries”. Jamais isso, jamais aquilo.

Ex-aliado do tucanato, Michel Temer, presidente licenciado do PMDB e vice-presidente da República, cumprimentou FHC numa reunião prévia.

Deu-se na sala do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Temer não ficou para solenidade.

Afagado a mais não poder, FHC indagou, a alturas tantas: “Será que eu já morri?”. Entre risos, lembrou que, no Brasil, só os mortos merecem tantos elogios.

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Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Vídeo: Chávez admite câncer e permanece em Cuba

- Aqui, os detalhes. Soga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 23h37

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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