Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Obama diz ter chegado a acordo que vai evitar calote

  Jason Reed/Reuters
Em pronunciamento de cinco minutos, Barack Obama anunciou na noite deste domingo (31) o fechamento de um acordo com o Congresso sobre a dívida dos EUA.

Prevê a elevação do teto de endividamento do governo. Em troca, a Casa Branca terá de cortar gastos em proporções acima do que Obama desejava.

No pedaço referente à dívida pública dos EUA, hoje na casa dos US$ 14,3 trilhões, o governo será autorizado a elevá-la em US$ 2,4 trilhões.

Na parte que trata dos cortes, prevê-se que serão passadas na lâmina despesas de US$ 2,5 trilhões nos próximos dez anos.

O primeiro lote de cortes (US$ 1 trilhão) será definido imediatamente. O restante –R$ 1,5 trilhão— será detalhado por um comitê do Congresso até dezembro.

Segundo Obama, participam do acordo os dois partidos com representação no Congresso –o governista Democrata e o oposicionista Republicano.

Para passar das palavras à realidade, o acordo precisa ser aprovado no Senado e, depois, na Câmara. Tudo isso antes desta terça (2).

A terça é o dia em que, pelas contas do Tesouro americano, começa a faltar dinheiro para o pagamento das dívidas caso o Congresso não se dê por achado.

O pronunciamento de Obama, transmitido pela TV, injetou otimismo numa atmosfera marcada pelo dissenso. Espera-se que a votação no Senado ocorra nesta segunda (1o).

Confirmando-se o acordo, os EUA evitam o pior –o calote em seus credores— e passa a conviver com o mal menor -a penúria orçamentária.

Os talhos no orçamento vão esfriar ainda mais a atividade econômica num instante em que a sociedade americana, envolta em crise, reclama por crescimento.

Na prática, o acordo anunciado por Obama representa uma vitória dos republicanos, rivais da Casa Branca.

Obama queria atenuar os cortes incluindo no acerto um aumento de impostos para milionários. A julgar pelo que foi dito, a tributação ficou de fora do acordo.

O presidente americano desejava, de resto, manter as rubricas sociais do orçamento fora do alcance da faca. Com um talho de US$ 2,5 trilhões, será impossível.   

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 22h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gilberto Carvalho: a frase de Jobim foi 'desnecessária'

José Cruz/ABr

A convivência, sempre a um milímetro da ruptura, depende por vezes de um simulacro de sinceridade.

Ao reveler publicamente que votou no tucano José Serra, o ministro Nelson Jobim injetou o veneno da verdade no seu convívio com Dilma Rousseff.

Instado a comentar o comentário, o ministro Gilberto Carvalho considerou a revelação de Jobim “desnecessária”:

"Eu não diria que o PT ficou magoado, porque não se trata disso. Eu diria que, no contexto em que se deu, foi uma declaração desnecessária."

Abrigado no Planalto, a poucos metros do gabinete presidencial, cuja maçaneta vira com frequência, Gilbertinho negou-se a dizer o que será de Jobim. Porém…

Porém, deu a entender que a sindiceridade do colega pode ter produzido a fresta que conspurca a convivência:

"Essa é uma questão que a presidente tomou muito pra si. […] Ela pediu que a gente deixasse com ela esse tema e eu vou respeitar."

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 20h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senado: Jader conviverá com Taques, ex-algoz do MP

Tharson Lopes/Jornal do Tocantins

A foto acima, clicada em fevereiro de 2002, registra um momento raro da cena pública brasileira: um político graúdo a caminho da cadeia.

Detido no Pará, seu Estado, Jader Barbalho desembarcava no Tocantins. Com um livro, ocultava as algemas.

Conduzido a uma sala de 20 m2 amargou uma cana de 13 horas na carceragem da Polícia Federal na cidade de Palmas.

Entre os signatários do pedido que levou Jader ao cárcere estava Pedro Taques, à época procurador da República lotado no Mato Grosso.

Taques integrava a força-tarefa do Ministério Público Federal que esquadrinhou os malfeitos da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

Sob Fernando Henrique Cardoso, a Sudam ganhou notoriedade parecida com a que tem agora o Dinit, central de desvios do Ministério dos Transportes.

Na Era tucana, Jader mandava e, sobretudo, desmandava nos guichês da Sudam, de onde escorriam as verbas dos incentivos fiscais amazônicos.

Brindado com um habeas corpus do TRF-1, tribunal sediado em Brasília, Jader ganhou o meio-fio. Mas ainda responde ao processo.

É acusado de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro.

Na última conta fechada pela Procuradoria, agora pendente de atualização monetária, os desvios da Sudam foram estimados em R$ 3 bilhões.

Em 2007, o procurador Taques obteve na Justiça Federal do Mato Grosso um segundo pedido de prisão de Jader.

Ele fugiu. E o habeas corpus que anulou o mandado saiu antes que a ordem de prisão pudesse ser executada.

Prestes a retornar ao Senado, Jader (PMDB-PA) vai cruzar nos corredores e no plenário com o personagem que ajudou a expurgá-lo da Casa em 2002.

Pedro Taques (foto ao lado) demitiu-se da Procuradoria, filiou-se ao PDT e elegeu-se senador por Mato Grosso. Como pretende conviver com Jader?

Diante da pergunta do repórter, Taques escorou-se na filosofia cristã: “Um filósofo católico dizia: não tenho nada contra o pecador, tenho contra o pecado…”

“…Na minha opinião, o pecador precisa se redimir de seus pecados. Não tenho nada pessoal contra o Jader, mas não posso passar uma borracha no meu passado”.

Vai dar bom dia ao neocolega? “Não sei. A democracia impõe a convivência civilizada, mas existem limites até para a convivência.”

Deve-se a uma decisão do STF o retorno de Jader ao Senado. No pleito de 2010, ele obteve votos para se eleger. Mas fora abalroado pela Lei da Ficha Limpa.

No caso de Jader, aplicara-se o artigo da lei que torna inelegíveis os políticos que renunciaram aos madatos para fugir de processos de cassação.

Mercê do escândalo da Sudam e de outros malfeitos –desvios no Banpará e negócios suspeitos na Reforma Agrária— Jader renunciara ao mandato de senador em 2002.

Em março, o Supremo decidiu que a exigência de prontuários higienizados só vale para eleições futuras. E Jader ressuscitou.

Separa-o da posse no Senado uma derradeira decisão do STF. A deliberação de março, aquela que anulou a Ficha Limpa para 2010, impôs a análise de cada caso.

Além de Jader, aguardam na fila da posse outros dois senadores que haviam sido alcançados pela lei: João Capiberibe (PSB-AP) e Cassio Cunha Lima (PSDB-PB).

Depois de renunciar à presidência do Senado e ao próprio mandato de senador, Jader elegeu-se deputado federal.

A reconquista de um mandato o manteve a salvo de novos pedidos de prisão. O processo da Sudam foi enviado ao STF.

Na Câmara, Jader tornou-se um deputado obscuro. Em meio à multidão de 513 deputados, sua presença mal foi notada.

Jader fugiu dos alaridos do plenário, esquivou-se dos refletores, recusou pedidos de entrevista.

No Senado, ainda que quisesse, Jader não teria como manter a invisibilidade. A multidão é menor, só há 81 senadores.

Por uma dessas ironias que só a história sabe tecer, o PMDB de Jader e o PDT de Taques integram o mesmo condomínio que dá suporte congressual ao governo.

No palco em que se converteu a política, o convívio entre desiguais por vezes exige a instalação de cortinas de hipocrisia defronte do rosto. Para Jader, vai faltar pano.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Clóvis Rossi: Estados Unidos perdem AAA na política

Saul Loeb/AFP

O impasse da dívida americana eletrifica as finanças globais e força todo mundo a raciocinar com hipóteses.

Desde as mais amplas –na pior das hipóteses um republicano-bomba invadirá a Casa Branca, na melhor das hipóteses não— até as mais específicas.

No caso do que aguarda o planeta se o pé direito da dívida dos EUA não for elevado, o leque de hipóteses nem é tão grande.

A melhor das hipóteses é que a auto-imagem carismática de Obama e o instinto de sobrevivência conseguirão o Congresso.

Junto com a rolagem da dívida viriam os cortes orçamentários. E a economia dos EUA continuaria mergulhada em crise, rodando como parafuso espanado.

A pior hipótese é que não saia o acordo neste fim de semana. Sobreviria o beiço nos credores e um curto-circuito de deixar a economia mundial em choque.

Com a lucidez habitual, o repórter Clóvis Rossi pendurou na Folha um artigo que expõe o miolo do bololô. A casca é econômica, mas o recheio é político. Vai abaixo o texto:


O presidente Barack Obama, em seu enésimo apelo ao bom-senso, lembrou na sexta-feira que os Estados Unidos correm o risco de perder, pela primeira vez na história, o melhor ‘rating’ não porque não tenham a capacidade de pagar as contas, ‘mas porque não temos um sistema político AAA que corresponda ao nosso rating de crédito AAA’.

É inacreditável, mas é isso mesmo. A dívida norte-americana é de fato colossal, na altura de US$ 14,3 trilhões, o que corresponde, grosso modo, a sete vezes o que o Brasil produz por ano de bens e serviços.

Mas, enquanto o mundo estiver disposto a financiá-la -e continua disposto- não haveria risco de ‘default’, mesmo que parcial, e, por extensão, não haveria risco de degradação da nota de crédito da maior economia do mundo, única superpotência remanescente -fatores que tornam a situação alucinante.

Ao assumir que o sistema político norte-americano não merece nota 10, Obama está concordando explicitamente com a análise recorrente a respeito da crise, análise que fica de pé, aconteça o que acontecer hoje ainda ou amanhã. Há uma enxurrada de comentários dizendo que o sistema político norte-americano tornou-se disfuncional.

Minha opinião: a generalização, como quase toda generalização, é injusta. A disfuncionalidade não é de todo o sistema. Deriva da introdução nele, a partir do ano passado, do fundamentalismo hidrófobo do Tea Party, o movimento ultraconservador que não é majoritário nem entre os republicanos, mas cuja virulência sequestrou a agenda do país e, de certo modo, do mundo.

Basta ler comentário, também de sexta-feira, do ‘Financial Times’, publicação que compartilha com o Tea Party a ojeriza a um Estado grande, mas é séria e responsável o suficiente para dizer:

‘Esta anabolizada facção populista-conservadora combina um zeloso e intransigente desejo de reduzir o governo com um desprezo cego pelas consequências do default. O desejo é legítimo, a irresponsabilidade é imperdoável’.

A irresponsabilidade se torna ainda mais imperdoável quando se sabe que o que está em jogo agora não é aumentar a dívida para o futuro, mas simplesmente para pagar as dívidas já contratadas e devidamente autorizadas pelo Congresso em momentos anteriores.

Portanto, é injusta também a generalização feita pela presidente Dilma Rousseff, na cúpula de quinta-feira da Unasul, ao dizer, referindo-se a Estados Unidos e União Europeia que ‘a insensatez é a regra’.

Em geral, quando se diz que todos são igualmente culpados, acaba-se aceitando que ninguém seja responsabilizado, o que, pelo menos neste caso, é um erro grave.

Se o presidente Obama tem alguma culpa é a de ter sido demasiadamente conciliador, o que o levou a abandonar a sua fórmula preferida -e de elementar sentido comum- de que o ajuste fiscal deveria ser composto por aumento de receita e corte de gastos, na proporção de 20% para 80%.

Agora, com ou sem ‘default’, virão só cortes de gastos, o que o sentido comum diz que não é o mais sadio, num momento em que a economia patina, como mostra o pífio crescimento do segundo trimestre.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobre Jucá, diretorias financeiras, Sodoma e Gomorra

Líder de todos os governos desde que as caravelas de Pedro Álvares Cabral aportaram em Porto Seguro, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) não perde tempo. Ganha.

No tabuleiro em que é jogado o jogo dos cargos, é fácil identificar as peças movidas por Jucá. Normalmente, são as que estão mais próximas do cofre.

Na Conab, estatal de aba$tecimento da pasta da Agricultura, Jucá acomodara o irmão Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, na diretoria financeira. Deu chabu.

No organograma de Furna$, Jucazão enfiou o “afilhado” Luiz Hamann. Onde? Ora, na diretoria financeira.

A predileção de Jucá pelos postos que vêm junto com o segredo do cofre é espantosa. Mais surpreendente, porém, é a facilidade com que o senador é atendido.

Fica-se com a impressão de que os presidentes, um após o outro, enxergam no líder eterno um político que, por altruísta, prioriza o saneamento das finanças de estatais.

Quem ouve o diagnóstico pronunciado por Jucazinho depois que sua cabeça foi apartada do pescoço –Na Agricultura “só tem bandido”— desespera-se.

A platéia começa a ter saudades dos tempos em que a humanidade era mais pura, como em Sodoma e Gomorra.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 07h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Até comandante do Exército vira alvo de investigação

No comando da CPI dos anões do Orçamento, um escândalo de 18 anos atrás, o senador-coronel Jarbas Passarinho espantou-se com o que viu.

Passarinho pronunciou uma frase que sobrevive no verbete da enciclopédia:

“A corrupção nasceu com Adão, implementou-se com Eva e só termina quando o último homem sair da face da terra, levando pela mão a última mulher”.

Passarinho tinha razão. O tempo passou, o Apocalipse não veio e a corrupção se alastrou entre os seres humanos brasileiros.

Sob o governo do ex-PT, nem mesmo o homem de farda escapou à onda de suspeição que engolfa a administração pública.

O repórter Marco Antônio Martins conta, na Folha, que nem só de pêérres e de pemedebês é feito o descaminho das verbas públicas.

A Procuradoria-Geral Militar apura, desde maio, o envolvimento de oficiais em fraudes que resultaram no desvio de verbas de obras tocadas pelo Exército.

Entre os investigados estão –espanto (!), surpresa (!!), estupefação (!!!)— o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, e outros sete generais.

Os oficiais chefiaram duas repartições obreiras: o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) e o IME (Instituto Militar de Engenharia).

Entre 2004 e 2009, período coberto pela investigação, o Exército firmou convênios com o famigerado Dnit. Tinham como objeto a realização de obras rodoviárias.

Nos últimos cinco anos, o Exército recebeu do Dnites últiSomente do Dnit, órgão gangrenado do Ministério dos Transportes, R$ 104 milhões.

Investigações preliminares farejaram indícios de fraude em 88 licitações geridas pelo Exército. Os desvios são estimados em R$ 11 milhões.

No curso da apuração, verificou-se que um grupo liderado por dois oficiais criou meia dúzia de empresas para beliscar licitações do IME, feitas com verbas do Dnit.

Os oficiais são o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paula. Esse ultimo movimentou em conta bancária mais de R$ 1 milhão.

O inquérito de maio foi aberto pela procuradora-geral da Justiça Militar, Cláudia Luz. Um dos objetivos é apurar se Enzo e os outros generais sabiam dos malfeitos.

Enzo chefiou o Departamento de Engenharia e Construção do Exército entre 2003 e 2007. Dali, foi alçado, sob Lula, ao comando do Exército, posto que ocupa até hoje.

Depois dele, comandaram a repartição os generais Marius Luiz Teixeira, na reserva desde março; e Ítalo Fortes Avena, agora lotado na missão do Brasil na ONU.

Encontram-se também sob investigação os generais que chefiaram o Instituto Militar de Engenharia.

São eles: Rubens Brochado, Silvino Silva, Ernesto Ronzani, Emilio Aconcella e Amir Kurban.

Procurado, o Centro de Comunicação Social do Exército manifestou-se por meio de nota. No texto, disse desconhecer a investigação contra os generais.

Anotou: "Não cabe à Força e nem aos militares citados emitir qualquer tipo de posicionamento sobre o assunto."

Em depoimento aos promotores militares, o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paulo negaram os malfeitos. O inquérito prossegue.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Globo: Quatro órgãos públicos repetem vícios do Dnit

- Folha: Comando do Exército é alvo de ivestigação

- Estadão: País não pode 'ficar para trás' na guerra cambial, diz Mantega

- Correio: O sonho de ser brasileiro

- Estado de Minas: As vítimas de Julho

- Jornal do Commercio: Usuário vira refém de planos de saúde

- Zero Hora: Polícia desativa primeiro laboratório de óxi no RS

Leia os destaques de capa de alfuns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gigante adormecido!

Aroeira

- Via O Sul. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jucazinho, irmão de Jucazão, e a Conab: ‘Só bandido’

Fotos: Ag.Senado, ABr e Folha

Uma característica curiosa do condomínio político-monetário que desgoverna o Brasil se observa na Esplanada dos Ministérios. O corrupto está sempre nos outros prédios.

Na pasta da Agricultura, sucedeu algo diferente. Ali, o PMDB pôs-se a acusar o PMDB de malfeitos. A trinca opõe dois pesos pesados da legenda.

De um lado, o ministro Wagner Rossi (foto ao lado), apadrinhado do vice-presidente Michel Temer.

Do outro, Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, o Jucazão.

Na última quarta (27), a cabeça de Jucazinho foi à bandeja. Rossi demitiu-o da diretoria financeira da Conab.

Em telefonema a Temer, Jucazão pediu por Jucazinho. O vice preferiu lavar as mãos. Seguiu-se uma troca de ameaças e xingamentos.

Com a cabeça já apartada do pescoço, Jucazinho enxergou em sua demissão um complô contra Jucazão. E decidiu levar os lábios ao trombone.

Falou por mais de seis horas à revista Veja. A certa altura, contou que o ministro Rossi chegou a oferecer-lhe dinheiro.

Para quê? “Era para eu ficar quieto. Ali só tem bandido.” Em essência, a bandidagem relatada por Jucazinho consiste no seguinte:

PMDB e PTB ratearam o Ministério da Agricultura com o propósito de coletar verbas ilicitamente. No português do asfalto: os partidos estão roubando a Viúva.

Segundo o irmão do líder de Dilma Rousseff no Senado, o próprio Rossi, o ministro apadrinhado pelo vice-presidente da República, comandaria o esquema.

A Conab, estatal que cuida –ou deveria cuidar— do abastecimento de grãos alimentícios, tornou-se posto avançado das malfeitorias.

Jucazinho relata pelo menos dois lances que oferecem matéria-prima para boas investigações. Isso, obviamente, se houver o interesse de investigar.

Num, a Conab estaria protelando deliberadamente o pagamento de uma dívida, para impor um pedágio ao credor.

Noutro, a estatal teria vendido, a preços companheiros, um terreno assentado em area nobre de Brasília.

Chama-se Caramuru Alimentos a credora da Conab. Gigante do Mercado agrícola, a empresa obteve decisão judicial que obriga a Conab a lhe pagar R$ 14,9 milhões.

O passivo refere-se a dívidas contratuais antigas. Coisa de 20 anos. A despeito da ordem da Justiça, a Conab demora-se em efetuar o pagamento.

Por quê? Segundo Jucazinho, para forçar a negociação de um “acerto” que eleve a dívida para R$ 20 milhões.

Os R$ 5 milhões excedentes, informa o irmão de Jucazão, seriam rateados entre autoridades do ministério.

No outro caso, o da venda do terreno, a transação foi efetivada com uma pequena empresa de Brasília.

Localizado a menos de 2 quilômetros da Praça dos Três Poderes, o imóvel foi arreamtado por R$ 8 milhões. Preço mínimo, um quarto do valor de mercado.

O dono da firma compradora ;e Hanna Massouh. Vem a ser amigo e vizinho do senador Gim Argello (DF), líder do PTB no Senado.

Gim nega ter interferido no negócio. Em nota divulgada neste sábado (30), o ministro Rossi "repudia" as acusações.

Jucazinho fala do Ministério da Agricultura –“Ali só tem bandido”— com conhecimento de causa.

Ele foi defenestrado da diretoria financeira depois de ter autorizado um pagamento irregular de R$ 8 milhões.

A grana migrou dos cofres da Conab para a caixa registradora de uma empresa de armazenagem chamada Renascença. Uma empresa fantasma.

A Renascença já foi ligada à família Jucá. Hoje, tem como “sócios” um par de laranjas: um pedreiro e um vendedor de carros.

Para piorar, o dinheiro usado por Jucazinho para abastecer a firma de fancaria saiu de um fundo que só pode ser utilizado na compra de alimentos.

Jucazinho durou pouco no cargo. Havia sido nomeado em 1o de julho. Boiam na atmosfera duas indagações incômodas:

1. Por que diabos Jucazão indicou Jucazinho para a diretoria financeira (!?) de uma estatal?

2. Por que o ministro Rossi efetivou a nomeação, com a concordância de Dilma?

As respostas encontram-se abrigagas sob a frase guarda-chuva que, pronunciada por Jucazinho, açoita os tímpanos do brasileiro em dia com seus tributos.

“Ali, só tem bandido”.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Telemalufices, Fern@ndolul@gens.org e Jobimicídio!

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma constrange Jobim e cogita afastá-lo da Defesa

  Lula Marques/Folha
Dilma Rousseff não digeriu a declaração de Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim. Com a frase atravessada na traquéia, a presidente constrangeu o ministro.

Deu-se numa cerimônia militar, no Planalto. Testemunhas, os repórteres Natuza Nery, Fernando Rodrigues e Márcio Falcão contam, na Folha, o que se passou.

Dilma tratou o titular da pasta da Defesa com frieza protocolar e ostensiva. Absteve-se de mencionar o nome de Jobim em seu discurso, como seria de praxe.

A presidente não ignorava que Jobim votara no rival tucano José Serra na eleição de 2010. Abespinhou-se mesmo assim.

Enxergou na entrevista em que Jobim fez menção à sua preferência no mínimo uma descortesia. No máximo, uma provocação.

Cogitou demiti-lo de bate-pronto. Preferiu adiar a providência. Nos arredores de Dilma, Jobim passou a ser visto como uma exoneração esperando para acontecer.

O próprio Jobim já confidenciou a amigos que não planeja permanecer no governo até o término do mandato de Dilma. Pode ter precipitado as coisas.

Nesta sexta (29), de passagem pela ESG (Escola Superior de Guerra), no Rio, Lula manuseou panos quentes:

"Nunca me preocupei em perguntar aos meus amigos em quem votam, o voto é sagrado e cada um vota em quem quer…”

“…O Jobim não foi convidado para o meu governo por causa do voto dele."

Do Rio, Lula voou até Brasília. Avistou-se com Dilma na embaixada da Argentina. Jantariam juntos. Mas o ex-soberano tomou o avião para São Paulo mais cedo.

Nesta segunda (1o), Jobim dará nova entrevista, dessa vez ao Programa Roda Viva, da TV Cultura.

Decerto será reinquirido sobre o tema. Dependendo do que disser, pode deixar o estúdio como ex-ministro.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Propinas da ANP destinavam-se ao PCdoB, diz revista

Reprodução/Época

Há uma semana, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) foi ao noticiário em posição incômoda. 

Veio à luz um vídeo gravado a pedido do Ministério Público Federal e sob orientação da Polícia Federal.

As imagens exibem reunião na qual dois assessores da ANP achacam uma advogada.  Pedem propina de R$ 40 para liberar um processo na agência.

Submetida à denúncia, a ANP tentou desqualificá-la. Dilma Rousseff e a assessoria do Planalto silenciaram sobre o caso.

Sob o silêncio das autoridades, surge agora um barulho novo. A advogada Vanusa Sampaio, alvo do achaque falou ao repórter Diego Escosteguy.

A conversa escalou as páginas da mais recente edição de Época. A revista informa: As propinas da ANP destinavam-se às arcas do PCdoB.

Desde 2003, ano inaugural da Era Lula, dirige a agência petroleira o ex-deputado federal Haroldo Lima (PCdoB-BA).

Na entrevista, a doutora Vanusa, que representa na ANP cerca de 3 mil empresas, acomoda no epicentro da denúncia um servidor chamado Edson Silva.

Ex-deputado e dirigente do PCdoB, Edson era superintendente da ANP na época em que Vanusa procurou o MP para denunciar o achaque, em maio de 2008.

Hoje, Edson continua na ANP. É assessor da direção-geral. Responde diretamente ao mandachuva Haroldo Lima.

Na conversa com o repórter, gravada, Vanusa conta que, ao assumir a chefia do setor de Abastecimento da ANP, Edson chamou-a para uma conversa.

A advogada reproduz a frase que diz ter ouvido de Edson: “Eu sei que você tem muitos processos aqui. Temos de trabalhar de forma harmônica”.

Vanusa sustenta ter deixado claro a Edson que “não faria nenhum tipo de parceria.” Seus problemas na agência começaram depois desse diálogo.

A advogada relata: Edson “começou a criar todas as dificuldades do mundo para meus clientes…”

“…Chegaram a assediar alguns deles, dizendo que, como haviam me contratado, os processos deles não iriam andar na ANP…”

“…Meus clientes ficaram preocupados e disseram que eu tinha de fazer parceria com o Edson. Eu me recusei”.

Nesse ponto, sempre segundo o relato da advogada, entraram em cena os dois assessores da ANP filmados na reunião urdida por orientação da PF.

“Eles me procuraram e me orientaram a transferir metade –metade!– dos meus clientes a um advogado de São Paulo ligado a eles”, conta Vanusa.

Como os assessores diziam falar em nome de Edson, a advogada pediu a presença dele. Encontraram-se no café de uma livraria, no Rio. Edson credenciou os prepostos.

Vanusa revela: “Eles explicaram como funcionava [o esquema] . Disseram que todos os cargos do PCdoB precisam levantar dinheiro, que tem de ser para o partido…”

A advogada procurou o Ministério Público. Contou tudo o que se passava. Armou-se, então, o flagrante gravado em vídeo.

“Um agente da PF instalou o equipamento para gravar a conversa com os dois em meu escritório. Gravei e entreguei o vídeo ao MP. Contei tudo o que sabia em detalhes”.

Nesse ponto, a advogada Vanusa injeta uma denúncia dentro da outra. Conta que havia a intenção de gravar uma segunda conversa. Porém…

“Logo depois que entreguei o vídeo e as provas que eu tinha ao MP, o agente da PF que ajudou na gravação, não sei por qual motivo, comunicou tudo à direção da ANP…”

“…Isso inviabilizou tudo. Os dois [prepostos de Edson] acabaram saindo da agência. O Edson foi tirado da Superintendência, mas virou assessor do diretor-geral logo depois”.

Vanuza relata mais: “Logo depois que minhas denúncias vazaram para a direção da ANP, recebi ameaças de morte…”

A advogada questiona: “Não falam em fazer faxina no país? Agora cabe ao MP e ao governo fazer a parte deles. O que fizeram até agora?”

Dilma Rousseff talvez devesse chamar para uma conversa o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

Chefe da PF, Cardozo não há de ter dificuldades para verificar o que seus subordinados fizeram até agora. Já lá se vão 3 anos.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 05h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gleisi e a véspera da posse: ‘Naquela noite, eu chorei’

Sérgio Lima/Folha

Senadora de primeiro mandato, Gleisi Hoffmann construiu uma fama que a precedeu na Casa Civil da Presidência. Os colegas a apelidaram de “Pit-bull do Senado”. Sob a retórica àspera e os olhares faiscantes escondem-se, porém, glândulas lacrimais cuja atividade contrasta com a reputação de durona.

Em entrevista à repórter Marina Caruso, veiculada pela revista ‘Marie Claire’, Gleisi contou o que se passou na noite da véspera de sua posse no Planalto. Convidada por Dilma Rousseff para substituir Antonio Palocci, trocou ideias com o marido, o também ministro Paulo Bernardo (Comunicações).

"Eu dizia: ‘Paulo, tenho dúvidas. Não me sinto preparada’. Mas ele me pedia para refletir. Naquela noite, eu chorei. Chorei mesmo. Era muita responsabilidade." Na manhã seguinte, foi ao encontro da presidente decida a recusar o convite. Deixou o gabinete como chefe do ministério mais proeminente do governo.

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui. Vão abaixo alguns trechos. Revelam a outra face de Gleisi, uma mulher que chora em privado e cultiva gostos efêmeros:


- As qualidades: Duas características foram essenciais na minha vida: determinação e disciplina. Meus pais me deram isso. Eles sempre foram rígidos na educação e nos impuseram humildade.

- As mulheres no poder: Acho bárbaro quando os homens dizem que nós nos preocupamos muito com os detalhes. Essa é uma avaliação crítica recorrente, inclusive que alguns fazem à própria presidente. Dizem que a gente fica muito preocupada com detalhe e que temos de pensar no macro. Só que o diabo mora nos detalhes.

- A Casa Civil sem política: Nenhuma concentração é boa. Desde o governo do presidente Lula, havia a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política. A Casa Civil é articuladora e facilitadora das ações de governo. Trabalhar em equipe é sempre mais seguro e eficaz. Não me atrai a atitude heroica.

- O convite: Quando a presidenta me convidou para ser ministra-chefe da Casa Civil, eu gelei. Foi um susto. Tive dúvidas se deveria aceitar. Pensei: "Meu Deus, é muita responsabilidade". Ela me chamou um dia antes da posse, e eu fiquei muito preocupada. […] Falei para o Paulo [Bernardo]: "Acho que não devo aceitar. Não me sinto em condições". E ele disse: "Reflita bem". Naquela noite, eu chorei. Chorei mesmo.

- A conversa com Dilma: Sentei na frente dela decidida a falar que eu achava melhor não assumir, porque não me sentia preparada para desafios tão grandes. Mas ela foi falando, falando, falando e no final eu disse: "Tá bem, presidenta" (faz voz de menina e solta uma gargalhada). Pensei: "Se Deus me pôs aqui é porque eu devo poder fazer algo diferente para ajudar o Brasil. Não é fortuito".

- A reação do marido: Para ele, foi um susto também. Não acredito que o tenha afetado. Mas ele tem reclamado que eu trabalho demais. Saio de casa antes dele e chego depois. Mas ele vai ter de ter paciência e cuidar um pouco mais das crianças. Ele sempre foi a pessoa pública, e agora sou eu que estou mais em evidência. No dia da minha posse, o telefone de casa tocou às 6 horas da manhã. Ele atendeu, ainda sonolento. Era uma jornalista de uma rádio perguntando: "Alô, é o assessor da Gleisi?". Ele costuma ser mal-humorado de manhã, mas foi espirituoso: "Claro que não. É o marido dela. O assessor de imprensa não dorme aqui em casa!".

- Os apelidos – "Pit-bull do Senado" e "Barbie da Dilma”: Nunca mordi ninguém. Defendia o governo porque acredito nele. E se me chamam de Barbie é porque me acham bonitinha e vazia como uma boneca, não ligo. Não me acho bonita e cuido de minha aparência como a maioria das mulheres. Ser como a Barbie, embora longe da realidade, me envaidece.

- A compulsão pelo choro: Já chorei muito na vida. Já cheguei em casa, me tranquei no quarto e chorei, chorei, chorei. Os apelidos não me afetam muito. Mas, quando um projeto não dá certo, falha, eu me frustro muito. Sou muito perfeccionista e não gosto das críticas que não são construtivas.

- As plásticas: Sou cuidadosa como toda mulher. Fiz uma plástica nos seios, depois de amamentar, e apliquei Botox no rosto, para atenuar as rugas. Se eu pudesse, pediria ao tempo para andar mais devagar.

- O sonho de consumo: Adoro bolsa e sapato. Eu olho na vitrine e me dá vontade de levar. Adoraria ter uma bolsa Louis Vuitton. Não é nem pela marca, pelo estilo mesmo. Acho tão bacana, gosto do design. Uma vez pensei em comprar uma no Paraguai, mas achei melhor não [risos].

- O gosto musical: Chico Buarque, que adoro, e grupo ABBA. Por conta disso já assisti a Mamma mia umas seis vezes.

- O DNA politico: Entrei [na política] quando fazia movimento estudantil, com 19, 20 anos. Meu primeiro partido foi o PCdoB. Conheci o PT depois, em 1989, e nunca mais o deixei. Trago o compromisso de dedicar-me àquilo que efetivamente melhora a vida das pessoas e busca justiça social. Deixei para trás a visão romântica de esquerda.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 04h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Globo: Crise nos Transportes prejudica PAC e contratos serão revistos

- Folha: PIB cresce pouco, apoio cai e Obama faz ‘tuitaço’

- Estadão: Republicanos aprovam plano, mas impasse nos EUA continua

- Correio: “A droga me tirou tudo”

- Zero Hora: Apuração do vôo 447 muda a aviação civil

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ObamAmy!

Aroeira

- Via 'O Sul'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senado dos EUA derruba texto que a Câmara aprovou

Charles Ommanney/Getty

A notícia veiculada abaixo envelheceu com a velocidade de um raio. Durou menos de três horas o projeto aprovado na Câmara dos EUA sobre a dívida americana.

O Senado, de maioria democrata, rejeitou o texto urdido pela outra Casa legislativa, onde prevalecem os republicanos, rivais de Barack Obama.

Com isso, voltou ao limbo o debate sobre a elavação do teto da dívida do Tesouro americano.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, tenta coturar um novo texto. Espera-se que seja levado a voto na manhã de segunda (1o).

Na hipótese de um novo insucesso, o Tesouro ficaria insolvente no dia seguinte, terça-feira (2).

Sem autorização para vender novos títulos, a menos que Obama retire algum coelho da cartola, os credores dos EUA começarão a ser levados no beiço.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 22h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

EUA: deputados aprovam proposta do ‘teto’ da dívida

Reprodução TV

Calma, não se precipite. Ao contrário da impressão insinuada no título, a encrenca da dívida americana não foi resolvida. Longe disso.

O que os deputados americanos aprovaram nesta sexta (29) é um projeto endossado por um pedaço do Partido Republicano, rival de Barack Obama.

Em maioria, os republicanos ocupam na Câmara 240 cadeiras num plenário de 433 assentos. Para aprovar o projeto, precisavam de 216 votos.

Aberto o placar, a proposta passou raspando: 218 votos a favor, 210 contra. Ou seja: a coisa não convenceu nem a totalidade dos republicanos.

A proposta segue agora para o Senado, Casa em que a maioria é do Partido Democrata, a legenda de Obama.

A platéia já foi avisada: do modo como vem da Câmara, o projeto não passa. Ainda que fosse aprovado, Obama apressou-se em dizer que o vetaria.

Por quê? O texto aprovado pelos deputados prevê cortes orçamentários estimados em US$ 915 bilhões.

Na outra ponta, a proposta autoriza Obama a elevar em US$ 900 bilhões o teto da dívida americana, que bateu em US$ 14,3 trilhões.

Os demcoratas e Obama torcem o nariz porque o pedaço que trata dos cortes passa na lâmina até os projetos sociais, que a Casa Branca não admite cortar.

Na parte que trata da elevação do pé direito da dívida, a cifra autorizada mantém Obama nas mãos do Congresso.

Os US$ 900 milhões seriam suficientes para a rolagem da dívida apenas até o fim do ano. Em 2012, quando haverá eleições, o Tesouro voltaria a flertar com o calote.

Candidato à reeleição, Obama teria de correr o chapéu no Congresso em plena campanha eleitoral.

Deseja-se aprovar no Senado algo diferente. Para aumentar a receita, uma combinação de cortes não-sociais com elevação de tributos para os ricos.

Para o tratamento da dívida, planeja-se servir a Obama um refresco que dure pelo resto do mandato.

Quer dizer: não é nada, não é nada o projeto aprovado nesta sexta pelos deputados não é nada mesmo.

O impasse sobrevive. O Senado corre contra o relógio. Tem até a próxima terça (2) para produzir uma solução. Do contrário, o ex-império dará o beiço nos credores.

Entre eles, nunca é demasiado recordar, está o Brasil.

- Siga o blog no twitter.  

Escrito por Josias de Souza às 20h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula, em Brasília: ‘Dilma e Cristina vão fazer história’

Sérgio Lima/Folha

Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva não para. Na gostosa azáfama que se auto-impôs, amanhece no Rio e anoitece em Brasília.

Entre o Sol e a Lua, microfones, muitos microfones. O discurso brasiliense soou na cerimônia de inauguração da nova sede da embaixada da Argentina.

O ex-soberano fez pose de humilde. Ao lado de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, disse que as duas deixarão os antecessores no chinelo.

"Faço parte de uma geração que tem que agradecer a Deus porque não se imaginava que as duas maiores nações da América do Sul fossem presididas por mulheres…”

“...Não porque são mulheres, mas porque são militantes especiais, com perfil ideológico definido…”

“…Porque sabem para quem estão governando e porque sabem que as duas juntas têm muito mais forças e vão deixar eu e o [Néstor] Kirchner bem pequenos (sic)."

Lula definiu-se como "um cristão que acredita que quando o corpo se vai, há uma outra vida".

Servindo-se de poderes mediúnicos insuspeitados, o ex-soberano animou-se a adivinhar os pensamentos do marido de Cristina, morto em outubro de 2010:

"E o Kirchner agora deve estar pensando: pobre de mim e de Lula porque a Dilma e a Cristina vão fazer história na América do Sul e na América Latina."

O tributo ao morto interessa vivamente a Cristina. Ela, mais viva do que nunca, está a menos de três meses das urnas em que concorrerá à reeleição.

A inauguração de Brasília foi convenientemente levada à platéia da Argentina, ao vivo, em transmissões de várias emissoras televisivas.

Ao deixar o prédio da embaixada, Lula foi inquirido sobre  a reeleição de Cristina, favorita nas pesquisas.

"Meu coração é argentino”, disse Lula, "estou pensando em mudar meu título para a Argentina."

Tremei, Cristina. Considerando-se o vaivém do autor da frase, a Argentina pode ganhar não um eleitor novo, mas um presidenciável alternativo.

No Brasil, 2014 é um ponto longínquo no calendário. Eleição em menos de três meses provoca em Lula salivações inauditas.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Passado o ‘susto’, o dólar volta a cair e vai a R$ 1,554

  Alan E.Cober
Durou escassas 24 horas o “susto” que o ministro Guido Mantega (Fazenda) tentou dar nos mercadores de câmbio.

Nesta sexta, a despeito da medida provisória que Mantega jogara sobre o balcão na véspera, a cotação do dólar voltou a cair.

O dólar comercial foi vendido a R$ 1,554. Queda de 0,76% no dia. No balanço da semana, a moeda de Tio Sam subiu 0,06%.

Na conta do mês, a aparência de estabilidade se esvai: queda de 0,51%. No acumulado do ano, a desvalorização do dólar é ainda maior: 6,72%.

O miolo da medida anunciada por Mantega trouxe uma elevação do IOF. Os derivativos, contratos com vencimentos futuros, foram tributados em 1%.

O mercado levou o pé ao freio, observou a assombração e perdeu o medo. Injetou-se o IOF no custo das transações e a normal anormalidade seguiu o seu curso.

Mantega avisara que o governo pode elevar a dose do veneno. Ficou entendido que o IOF pode aumentar até o limite de 25%.

O diabo é que o exagero na dose prejudica também as exportações, já debilitadas pela sobrevalorização do real.

A encrenca evolui contra o pano de fundo de uma semana sui generis. “Uma semana que não terminou”, na feliz expressão da repórter Angela Bittencourt.

Chega-se à sexta-feira sem que os EUA tenham desatado o nó da sua dívida.

A despeito dos esforços de Barack Obama, o Congresso demora-se em autorizar o Tesouro americano a elevar o pé direito do seu endividamento.

A semana só vai acabar na próxima terça (2), dia em que, prevalecendo o impasse, os EUA serão compelidos a dar o beiço em seus credores.

Se Washington for à breca, a ameaça de Mantega –25% de IOF— vai ganhar a aparência de um bicho papão de pelúcia.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sob Dilma, reduziu-se velocidade de execução do PAC

Tomada pelo balanço que apresentou nesta sexta (29), a ministra Miriam Belchior (Planejamento) tornou-se uma espécie de “madrasta do PAC”.

De um orçamento total de R$ 955 bilhões, a ministra Belchior logrou executar, entre janeiro e junho, R$ 86,4 bilhões.

A cifra é 10,8% menor do que os R$ 95,7 bilhões executados entre abril e outubro de 2010, quando viera à luz o último balanço da Era Lula.

Esmiuçando-se os dados, verifica-se:

Dos R$ 86,4 bilhões celebrados pela doutora Belchior, R$ 35 bilhões (40,5%) referem-se à liberação de empréstimos habitacionais para pessoas físicas.

Quer dizer: preto no branco, o pedaço relativo à execução de obras custeadas pela Viúva soma R$ 9 bilhões. A iniciativa privada pingou R$ 13,4 bilhões.

Convertida em gerente do PAC por Dilma Rousseff, a “ex-mãe” do programa, a ministra Belchior capricha no gogó:

"Entramos com o pé no acelerador (!?), o que demonstra o aprendizado que tivemos no primeiro período. Mas isso não satisfaz…”

“…Vamos querer acelerar ainda mais e melhorar, para que o PAC2 seja ainda melhor que o PAC 1."

A ministra transpõe para os canteiros do PAC uma expressão que inferniza a vida dos passageiros de avião. Afirma que há no país um “overbooking” de obras.

Enxerga da encrenca não um problema de (falta) de planejamento, mas uma evidência do “sucesso” da iniciativa (assista ao video lá do alto).

Durante sua exposição, a “madrasta” comentou a evolução das obras confiadas ao Ministério dos Transportes, levado ao noticiário como ninho de corrupção.

Disse que, por ordem de Dilma, todos os contratos passam por um pente fino. Por quê? Para evitar o flagelo dos aditivos, que multiplica o custo das obras.

E como se chegou a tantos aditivos? Muitas obras, disse a ministra, foram escoradas em “projetos básicos”. Agora, vai-se exigir “projetos executivos”, mais detalhados.

Ouça-se a ministra: “O PAC 1 mostrou uma dificuldade, que é essa ausência de projeto executivo…”

“…O que levou à contratação de obras com projetos básicos insuficientes, que levou a uma série de aditivos. No PAC 2, vamos contratar só com projetos executivos."

Noutros tempos, a petista Belchior talvez batizasse o fenômeno de “herança maldita.” Considerado o cenário atual, melhor evitar a expressão.

Do contrário, a platéia pode ser levada a acreditar que o legado de Lula não é a maravilha que se apregoa.

Pior: o país será instado a refletir sobre o DNA da corrupção dos Transportes.

A reflexão conduziria a indagações incômodas. Por exemplo: Quer dizer que, como chefona da Casa Civil, Dilma autorizou obras com projetos precários?

Ou ainda: por que os projetos executivos, mais adensados, não começaram a ser feitos na época em que surgiram os primeiros aditivos?

A resposta às interrogações levaria à conclusão de que Dilma, “mãe” relapsa, contribuiu para que o melado dos Transportes escorresse além do razoável. Melhor evitar.

Fique-se com a imagem da presidente durona. Aceite-se a versão de que Dilma não manuseou a vassoura antes porque não sabia dos valdemares que se escondiam atrás dos aditivos.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula manda Serra cuidar de Aécio: ‘candidata é Dilma’

Ide Gomes/Folha

Na política há de tudo. O sujeito quer um biltre? Há um biltre. Quer um virtuoso? Há um virtuoso. Um ingênuo?

Bem… O ingênuo, não se sabe muito bem por quê, é mais difícil do que o biltre e o virtuoso.

Repare no último trançar de línguas de Serra e Lula. Qual um babalaô emplumado, o tucano jogou os búzios:

A probabilidade de que Lula seja candidato nas eleições presidenciais de 2014 é muito alta.” Hummmm…

Serra aventura-se na mesa de adivinhações por acreditar que Aécio ‘Bola da Vez’ Neves não se atreverá a entrar em campo se o adversário for Lula.

De passagem pela ESG (Escola Superior de Guerra), no Rio, Lula tratou Serra com a lateral do sapato, como quem empurra uma bola de papel para o canto:

“O Serra deveria falar pelo PSDB. Ele não está conseguindo resolver o problema do Aécio e quer resolver o problema do PT!”

“Vou dizer uma coisa de forma categórica: o Brasil tem uma candidata em 2014 chamada Dilma Rousseff. Ela […] vai fazer um governo extraordinário.”

Mais adiante: “Só há uma hipótese de ela não ser candidata: ela não querer. A política é uma doença que a gente gosta e não sai mais…”

Para Lula, é Serra quem está preocupado, não ele. “Eu acho que já cumpri com a minha tarefa nesse país.” Hummmmm…

O candidato está enterrado em Lula como um sapo de macumba. Ele já nasceu com os pés no palanque e o microfone nas mãos.

Lula aposentou-se da aposentadoria há duas semanas, quando avisou: “Vou voltar a viajar pelo país, para incomodar muita gente.”

Vale para Lula a frase de Lula sobre Dilma: “A política é uma doença que a gente gosta e não sai mais…”

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 15h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma: 'insensatez' de EUA e Europa é 'ameaça global'

Roberto Stuckert Filho/PR

Realizou-se na noite passada, na cidade de Lima, uma reunião dos chefes de Estado da Unasul (União Sul-Americana de Nações).

Em discurso, Dilma Rousseff criticou o que chamou de “insensatez” e “incapacidade política” dos EUA e da União Europeia.

Afirmou que a demora das nações desenvolvidas em resolver os seus problemas econômicos constitui uma “ameaça global”.

Valeu-se de metáfora aquosa para se queixar da encrenca cambial que sobrevaloriza moedas como o real.

Disse que o “mar extraordinário de liquidez” que leva dólares à praia dos emergentes produz “desequilíbrio cambial.”

Esquivando-se de mencionar a China, afirmou que produtos industriais fabricados além-oceanos “alagam” os mercados latino-americanos.

Dilma instou os colegas da região a reagir:

"Temos de nos defender da imensa, do fantastico, do extraordinário mar de liquidez que se dirige às nossas economias buscando a rentabilidade que não tem nas suas."

Acrescentou: "Não podemos incorrer no erro de comprometer tudo que conquistamos…”

“…Não porque quiséssemos ou pelos erros que cometêssemos, mas pelos efeitos da conjuntura internacional desequilibrada."

O encontro da Unasul ocorreu nas pegadas da cerimônia de posse do novo presidente do Peru, Ollanta Humala.

Vencida a fase do palanfrório, nada de concreto foi decidido. Marcou-se para a semana que vem uma nova reunião.

Dessa vez, vão à mesa os ministros da Fazenda e os presidentes dos Bancos Centrais da região. Nos dias 10 e 11 de agosto, novo encontro, em Buenos Aires.

Embora não integre a Unasul, o México será convidado. É para dar mais peso às decisões, disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel dos Santos.

Enquanto Dilma falava de “insensatez” na capital peruana, os deputados americanos a exercitavam em Washington.

Terminou em novo impasse a penúltima tentativa da Câmara dos EUA de votar um projeto que autorize o governo americano a elevar o teto de sua dívida.

Se o nó não for desatado até a próxima terça-feira (2), o Tesouro do ex-império vai à breca.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vídeo: imagens do apagão que ‘desligou’ parte de SP

- Pedaços da cidade de São Paulo foram desligados da tomada na noite passada. Aquiaqui e aqui, os detalhes. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No Rio, PT prepara desembarque do projeto de Cabral

  Fotos: Folha e Divulgação
O PT do Rio de Janeiro decidiu se dissociar do projeto político do PMDB do governador Sérgio Cabral.

Discute-se agora se o desembarque ocorrerá em 2014 ou se deve ser antecipado para a eleição municipal de 2012.

Empurrado por Lula para o colo de Cabral, o petismo fluminense esboça a ruptura num instante em que a popularidade do governador declina.

Para a prefeitura da cidade do Rio, o PT cogita lançar o deputado federal Alessandro Molon, contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição.

Para a corrida ao governo do Estado, o partido de Lula já decidiu empinar o nome do senador petista Lindbergh Farias –apoiado, hoje, por cerca de 80% da legenda.

No exercício de seu segundo mandato, Cabral procura um nome para sucedê-lo. O preferido é seu vice-governador, Luiz Fernando de Souza (PMDB), o Pezão.

Em princípio, o PT não trabalhava com a hipótese de dissociar-se de Cabral em 2012. O partido já havia inclusive selecionado um nome para a vice de Paes.

Seria acomodado na segunda posição da chapa reeleitoral do atual prefeito o vereador petista Adilson Pires.

Súbito, farejou-se um movimento do grupo de Cabral para apear o PT da futura chapa de Paes. Trama-se a escolha de um vice do próprio PMDB.

Por quê? Na leitura do PT, Cabral deseja dispor de uma alternativa para 2014. Se o nome de Pezão não vingar, o governador lançaria Eduardo Paes à sua sucessão.

Supondo-se que Paes obtenha um segundo mandado, teria de renunciar à prefeitura, legando ao vice dois anos de gestão na prefeitura.

Daí a cogitação dos operadores de Cabral de compor para 2012 uma chapa “puro sangue”, sem o PT na posição de vice.

Diante do cheiro de queimado, o petismo reagiu. Manteve sobre a mesa o nome do vereador Adilson Pires, o escolhido para ser vice de Paes. Porém…

…Porém, o PT decidiu levar ao palco, simultaneamente, o projeto da candidatura de Alessandro Molon à prefeitura do Rio.

Com esse gesto, o PT informa a Cabral que não se dispõe a apoiar Eduardo Paes a qualquer custo. Sem a posição de vice, nada feito.

Ao PT interessa reter Paes na prefeitura. Imagina-se que o nome dele chegará a 2014 mais bem posto que o de Pezão, o preferido de Cabral.

Dito de outro modo: na visão do PT, as chances de Lindbergh triunfar na disputa pelo governo do Estado serão maiores se Pezão for o candidato de Cabral.

No cenário esboçado pelo PT, depois do escolhido de Cabral, o principal adversário de Lindbergh em 2014 será o ex-governador Anthony Garotinho (PR).

Dá-se de barato que Garotinho, cujo prestígio eleitoral mistura-se a altas taxas de rejeição, tentará retornar ao Executivo estadual.

Afora o candidato do PMDB e Garotinho, o principal adversário do PT fluminense é Lula. O ex-soberano mantém com Cabral uma relação que extrapola a política.

Imagina-se que, movido pela amizade, Lula tentará novamente impor ao PT do Rio a condição de linha auxiliar do PMDB de Cabral.

O repórter procurou Lindbergh. Perguntou: E se Lula pedir para que desista de sua candidatura? O senador petista respondeu assim:

“Serei candidato a governador. As condições são muito favoráveis para o PT. Uma eventual intervenção do Lula seria uma violência muito grande…”

“…Não haverá de minha parte nenhuma posição de passividade. A retirada de minha candidatura levaria a um cenário de terra arrasada.”

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 04h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Globo: Ficha limpa? Mulher de novo coordenador do Dnit representa empresas

- Folha: 'Insensatez' externa é ameaça global, diz Dilma

- Estadão: Desaceleração faz BC acenar com fim da alta dos juros

- Correio: O perigo chega à mesa do brasileiro

- Valor: Concessões de elétricas devem ser prorrogadas

- Estado de Minas: Estamos comendo muito mal

- Jornal do Commercio: Crianças do tráfico

- Zero Hora: Força da chuva emite alerta contra cheias

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

EUA no Serasa!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘A possibilidade de o Lula disputar 2014 é muito alta’

De passagem por Madri, José Serra falou ao diário espanhol El Pais. Com três anos e meio de antecedência, o grão-tucano vaticinou:

“A probabilidade de que Lula seja candidato nas eleições presidenciais de 2014 é muito alta. […]Lula nunca deixou de estar em campanha.”

Conforme noticiado aqui há 15 dias, Serra já vinha prevendo, em privado, o retorno de Lula. A novidade é a explicitação da aposta.

Inquirido sobre escândalos, disse que, em matéria de corrupção, o Brasil vive seu pior momento desde o impeachment de Collor.

Para Serra, Dilma acertou ao promover uma faxina na pasta dos Transportes. Porém, agiu empurrada pela imprensa, não por convicção.

Tucano em reparos, Serra se absteve de profetizar sobre o próprio futuro. Um pedaço do PSDB tenta aprisioná-lo na campanha municipal de São Paulo, em 2012.

Ele se permite, por ora, sonhar com 2014. Vale para Serra o comentário de Serra para Lula: “Nunca deixou de estar em campanha.”

Há uma única diferença: O PSDB de Serra tem excesso de cabeças e carência de miolos. O PT de Lula tem a mesma carência, mas com uma cabeça só.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 21h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tesouro americano já prepara um plano para o calote

  AP
Líderes mundiais e bambambãs do mercado financeiro repetem há semanas: a hipótese de os EUA levarem seus credores no beiço, por impensável, é pouco provável.

Pois bem, a cinco dias do vencimento do prazo para a elevação do teto da dívida americana, a Casa Branca e o Congresso ainda não produziram um acordo.

À beira do impensável, o Tesouro americano informou nesta quinta (28) que prepara um plano para disciplinar o calote, agora já não tão improvável.

Na prática, os EUA vão acomodar seus credores, entre eles o Brasil, numa fila. O Tesouro vai dizer quem será ‘caloteado’ primeiro.

Por ora, o aviso do Tesouro é parte da pressão que Barack Obama exerce sobre o Congresso.

Chegou-se, porém, a uma fase em que o mais relevante já não é o relógio. São os segundos.

Ou, por outra, o relógio do ex-império já não tem ponteiros, mas espadas. Prevalecendo o impasse, o estrago terá dimensão planetária.

- Aqui, um texto que traduz a encrenca para o português das ruas. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Novo Dnit sera técnico e idôneo, diz Gilberto Carvalho

  José Cruz/ABr
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) veio à boca do palco para anunciar:

Dilma Rousseff já analisa os nomes para os Transportes. “É bem provável que, no início da semana, possa ser anunciada a nova composição do Dnit.”

Discorreu sobre os critérios que norteiam a seleção: “A questão da vinculação partidária não é proibitiva, mas o que preside a escolha da presidenta é a questão técnica…”

“…São pessoas que vão dar conta de uma tarefa fundamental para o país, que é a infraestrutura…”

“…Por isso, tem que ser pessoas dotadas de competência técnica e idoneidade.”

Cabe perguntar: mas Dilma já não havia declarado, na fase de transição, que preparo e honestidade eram pré-condições? Por que engoliu os valdemares?

Perguntou-se a Gilbertinho, como o chamam na intimidade, se a faxina chegará a repatições e ministérios submetidos a outras legendas além do PR.

E ele: “A presidenta Dilma, até prova em contrário, confia nos seus ministros, assessores e técnicos…”

“…O que acontece é que, onde houver uma denúncia, ela será verificada, mas não haverá prejulgamento, caça às bruxas, nenhuma precipitação.”

Tomado ao pé da letra, o ministro disse duas coisas:

1. Quando pilhado, o malfeitor irá à grelha. Mesmo que seja do PT ou do PMDB.

2. Não houve prejulgamento nem precipitação nos Transportes. Ali, as “bruxas” que tiveram as cabeças apartadas dos respectivos pescoços são culpadas.

Se é assim, cabe indagar: quando a PF será acionada para quantificar e personalizar as bruxarias? Por que ainda não foi provocada a cavalaria do Ministério Público?

Instado a comentar as relações do governo com o PR, Gilbertinho declarou:

“Nosso diálogo com o PR é maduro, é um partido muito fiel na base. Nossa relação com o PR não vai sofrer abalo com isso.”

Quer dizer: sob Dilma, o governo adota um ideário cristão. Declara-se contra o pecado. Mas acredita na remissão dos pecadores.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sul-africano ‘morto’ revive num freezer de necrotério

 

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 17h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

MEC banca propagandas que fazem defesa de Haddad

  Alan Marques/Folha
Rendido à (i)lógica segundo a qual o melhor antídoto contra a má notícia é a boa publicidade, o Ministério da Educação levou ao ar duas peças.

Ambas se contrapõem a notícias que tisnaram a imagem do titular da pasta, o petista Fernando Haddad.

Numa, defende-se a distribuição nas escolas de um livro didático que ensina: em determinados contextos, é aceitável usar o português distante da norma culta.

Noutra, inspirada em reportagem televisiva que exibiu escolas que serviam merenda estragada, sugere-se que a culpa pode ser dos pais.

Diz o locutor: "É obrigação de toda escola oferecer alimentação de qualidade para seus alunos, mas é importante que os pais fiscalizem."

As duas propagandas custaram R$ 396,9 mil à Viúva, veneranda e desprotegida senhora.

Nada a ver, naturalmente, com as pretensões políticas do professor Haddad, o preferido de Lula para a campanha à prefeitura de São Paulo.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 17h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No Rio: Lula prefere publicidade boa a noticiário ruim

  Folha
Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva levou os fogos de sua ambição política para dar uma volta no Rio de Janeiro.

Junto com o governador Sérgio Cabral, o ex-soberano visitou um hospital batizado com o apelido da mãe: Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello, morta em 1980).

Com a pilha ainda carregada, Lula voltou a dar asas à língua. Falou com seu palavreado turbulento, como quem compra briga.

Trazia na boca uma lamina gilete. Parecia querer sangrar a imprensa, o alvo que mais lhe provoca trepidações.

"O que é ruim tem preferência no noticiário", golpeou Lula. Parecia incomodado com a ausência do hospital Lindu nas manchetes de primeira página.

Distribuiu conselhos a Cabral e à equipe dele: "Vocês têm a obrigação política com o povo do Rio e com quem não mora aqui de dizer o que estão fazendo aqui.”

Sugeriu, por “falta de opção”, o caminho da publicidade oficial. “Tem muita gente que fala: 'Ah, você vai gastar dinheiro com publicidade’…”

“Enquanto você não gasta para fazer publicidade das coisas boas, gasta para fazer nota reexplicando aquilo que foi equivocadamente denunciado."

O hospital visitado por Lula foi aberto em junho de 2010. Cabral e Cia. sustentam que, em um ano, a unidade virou referência em cirurgias ortopédicas.

Daí a ira de Lula. "Normalmente o que é ruim tem prefrência no noticiário sobre o que é bom. Raramente você vê uma reportagem elogiando um hospital…”

“…O que é bom parte-se do pressuposto que é obrigação. Um hospital salvar vidas não é notícia, mas se morrer um é."

A indignação de Lula, com qualquer coisa de espetáculo, se expressa pelo método confuso. Porém…

…Porém, entre um ponto e outro da oratória curvilínea, sempre há espaço para uma concessão à racionalidade.

"Sabemos que ainda tem fila” nos hospitais públicos, Lula concedeu. Concessão rápida, contudo.

Poderia ter citado outras mazelas encontradiças no noticiário: a falta de médicos, remédios e equipamentos…

…As cirurgias que nunca chegam, a superlotação que transborda pacientes para baixo das macas, as mortes de corredor e um interminável etcétera.

Lula, seletiva figura, ateve-se às filas. E logo retomou o lero-lero teatral:

“Se o que melhorou a gente não colocar para o povo saber, o povo vai ficar sabendo apenas aquilo que os outros querem que eles [sic] saibam…”

“…Tem muita coisa errada, mas [tem que] mostrar o que foi feito. Numa escada de 16 degraus, vocês chegaram a 8, 9. Tem que mostrar.”

Formado na escola das mega-assembléias sindicais do ABC da década de 70, Lula aprendeu esperteza para ensinar.

Mas a cátedra não o impede de evocar outro professor emérito: “A gente aprendeu com Chacrinha há muito tempo atrás: 'Quem não se comunica, se trumbica'."

Resta proclamar: viva a comunicação! O desperdício em publicidade pode custar um bom lote de novos leitos hospitalares. Mas quem se importa?

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 15h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Temer sinaliza aliança com Alckmin em SP para 2012

As eleições municipais de 2012, como todas as anteriores, reservam muitas surpresas para o eleitor.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a disputa pode se converter no pleito do “sim senhor, quem diria!?”

Sócio do PT em Brasília, o PMDB busca na maior e mais rica cidade do país uma parceria mais conveniente. Com o PSDB.

Ouça-se, a propósito, o que disse o grão-pemedebê Michel Temer, o vice da petê Dilma Rousseff:

"Não quero avançar nada, adiantar nada, mas em política tudo é possível, especialmente com o governador Geraldo Alckmin..."

O comentário de Temer foi feito em solenidade promovida por Alckmin e resumida na Folha pela repórter Daniela Lima.

O PMDB de Temer e o PSDB de Alckmin encontraram-se numa ponte batizada de Orestes Quércia, morto de câncer no ano passado.

Vivo, Quércia media forças com Temer pelo controle do diretório paulista do PMDB. Morto, tornou-se alvo de admiração do ex-desafeto.

Ao discursar, Temer disse, voltando-se para Alckmin:

"Vossa Excelência teve a sabedoria de não designar uma pequena rua, uma pequena avenida para o nome do Quércia. Isso vulneraria a grandiosidade dele."

Mais adiante, Temer soou metafórico:

"Essa ponte, grandiosa como é, fará não apenas a ligação de bairros com a marginal, mas fará, politicamente, a ligação entre várias lideranças do nosso país."

A ligação que interessa a Temer é o apoio de Alckmin ao deputado federal Gabriel Chalita, candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo.

Instado a comentar o discurso sinuoso de Temer, Alckmin fingiu-se de desentendido:

"A ponte diminui distâncias, supera obstáculos. E nós relacionamos essa obra ao governador Quércia por seu papel importante na redemocratização do país."

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. O PSDB, como se sabe, nasceu de uma dissidência do PMDB.

Uma dissidência escorada no questionamento ao estilo e aos método$ de Quércia, personagem que ingressou pobre na política e morreu milionário.

Pingavam dos lábios de Mario Covas as críticas mais ácidas ao e$tilo de Quércia. Cria política de Covas, Alckmin agora converte o criticado em nome de ponte.

Chalita, o candidato que Temer se esforça para empinar, é um político nômade. Hoje está aqui. Amanhã, ali. Depois de amanhã, acolá.

Ex-secretário de Educação de Alckmin, Chalita já foi tucano. Após passagem relâmpago pelo socialismo de resultados do PSB, aninhou-se no PMDB.

Quem olha para a biografia do jovem deputado, mesmo que não entenda nada de política, percebe as politicagens.

A eventual formalização da parceria PMDB-PSDB não é garantia de sucesso para Chalita. Mas o candidato teria um formidável tempo de televisão.

De resto, Chalita iria às urnas como candidato multiuso. Para Alckmin, um amigo na campanha. Ótimo para dias de chuva.

Para Temer, uma oportunidade para desgrudar do PMDB, ainda que em âmbito municipal, a pecha de linha auxiliar do petismo. Ótimo para dias de Sol.

Só falta agora combinar com os russos. Que em São Paulo atendem pelos nomes de José Serra e Lula.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 05h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Globo: Governo cria nova taxa para frear especulação com dólar

- Folha: Governo age e dólar tem maior alta em um ano

- Estadão: Governo faz sua maior intervenção no câmbio e ameaça ir mais longe

- Correio: Brasil puxa o freio do dólar

- Valor: CMN assume batalha cambial

- Estado de Minas: Guerra à especulação

- Jornal do Commercio: Mudar de plano de saúde fica mais fácil

- Zero Hora: Apenas 10% dos desmanches de carros estão regularizados

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDBichos!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aeroportos: CUT ameaça ir à Justiça contra concessão

Realizou-se em Brasília, nesta quarta (27), uma reunião entre representantes da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República e da CUT.

No encontro, o governo expôs à maior central sindical do país detalhes do plano de concessão à iniciativa privada de três aeroportos: Guarulhos, Viracopos e Brasília.

Artur Henrique, presidente da CUT, e Francisco Lemos, mandachuva do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, discordaram do essencial.

Informou-se à dupla de sindicalistas que a iniciativa privada será majoritária (51%) na administração dos aeroportos. A Infraero entrará no negócio com 49%.

Em texto veiculado na página que mantém na web, a CUT apressou-se em informar que, a prevalecer esse modelo, tentará barrar os leilões no Judiciário.

“Ninguém vai nos convencer de que a Infraero tem de ter 49% das ações”, disse Artur Henrique, o presidente da CUT.

“Se o governo tomar a decisão pelos 49%, nós vamos lutar contra no Congresso […] e em todas as instâncias onde pudermos atuar, inclusive o Judiciário, se preciso for”.

Os argumentos da Secretaria de Aviação Civil são claros como água de bica.

Dilma Rousseff optou por privatizar a operação dos aeroportos porque o Estado não dispõe de recursos para investir.

Para atrair o investidor privado e dar celeridade aos investimentos, é preciso evitar que as concessionárias tenham que lidar com as amarras impostas ao Estado.

Transferidas à iniciativa privada, as obras não precisariam seguir o rito da Lei de Licitações (8.666) nem se sujeitar à fiscalização do TCU.

Artur Henrique dá de ombros: “Não tem acordo com relação aos 49%”. Para ele, há soluções alternativas.

Quais? “Abrir o capital da Infraero e ter uma certa liberdade em relação a [lei] 8.666, mantendo a operação sob o controle do Estado.”

Resta saber que empresário se animaria a injetar dinheiro em negócio gerido por uma estatal com histórico de ineficiência e corrupção.

Na exposição aos sindicalistas, o governo informou que constarão dos editais dos leilões duas exigências dos trabalhadores: veto ao aumento de tarifas e às demissões.

Não há, porém, disposição de elevar além dos 49% a cota de participação da Infraero.

A chance de um eventual questionamento judicial prosperar é próxima de zero. Porém…

Porém, se a CUT levar a ameaça adiante, o governo pode enfrentar problemas de calendário.

De acordo com o cronograma levado à mesa no encontro desta quarta, prevê-se para setembro a conclusão dos estudos.

Em outubro, seriam realizadas as audiências públicas. E a concessão dos três aeropostos iria ao martelo em leilões previstos para dezembro.

A abertura de uma contenda judicial pode azedar o desejo de Dilma de entrar em 2012 com as concessionárias em funcionamento.

De resto, vai-se injetar na cena política uma dose de inusitado. Braço sindical do PT, a CUT trataria o projeto de Dilma como tratou as privatizações da Era FHC.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 23h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paraíso da cana de açúcar, Brasil vai ‘importar’ etanol

Shutter Stock

Em entrevista que concedeu na semana passada à mídia impressa, Dilma Rousseff atribuiu o surto inflacionário do início do ano a problemas “conjunturais”.

Citou especificamente a alta do preço do etanol. Algo que, segundo ela, já havia sido “minimizado”. Era lorota.

Nesta quarta (27), o governo decidiu importar etanol para fugir do risco de uma nova escassez de oferta do produto.

A providência foi esboçada em reunião coordenada pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), com a presença do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Discutiu-se no encontro a hipótese de reduzir a quantidade de etanol na mistura com a gasolina, hoje em 25%.

O problema é que, com menos etanol, eleva-se o consumo de gasolina. E a capacidade de produção da Petrobras já se esgotou.

Hoje, a estatal só consegue produzir 95% dos derivados de petróleo consumidos no país. Os outros 5% são importados.

Retirando-se etanol da mistura, seria necessário comprar mais gasolina no estrangeiro. Concluiu-se que importar etanol sai mais barato.

A portas fechadas, mencionou-se a quantidade de etanol a ser adquirida de outros paises: algo como 1 bilhão de litros até o fim de 2011.

O etanol escasseia porque as usinas brasileiras dão preferência à produção de açúcar, cujo preço é mais vantajoso.

No início do ano, autoridades do governo levaram ao noticiário ameaças de reataliar os produtores, fechando os guichês do BNDES.

Na reunião desta quarta, em vez de retaliação, serviu-se garapa aos usineiros. O BNDES vai liberar mais dinheiro.

Em conversa com os jornalistas, o ministro Lobão soou como Chapeuzinho Vermelho. Anunciou a edição, em dez dias, de uma medida provisória.

A MP abrirá novas linhas de crédito para financiar a produção e a estocagem de etanol. Dinheiro do BNDES, a juros companheiros.

O ministro informou, de resto, que a Petrobras irá injetar na sua subsidiária que produz etanol –a Petrobras Biocombustíveis– US$ 4,1 bilhões.

Previsto no plano de investimentos da estatal, o investimento pingará entre 2012 e 2015. Nada a ver, portanto, com o drama de 2011.

Na entrevista, Lobão não disse palavra sobre a decisão de importar etanol. Preferiu declarar que o mercado está “razoavelmente estável”, sem desabastecimento.

Deu a entender que não há razões para preocupação. Curiosamente, agendou-se nova reunião para debater o tema que não preocupa.

Ocorrerá em 30 de agosto. Se a despreocupação aumentar, a reunião pode ser antecipada.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 22h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Desce à bandeja cabeça do penúltimo diretor do Dnit

Zhangi Dali

Foi à bandeja o escalpo de Geraldo Lourenço de Souza Neto, diretor de Infraestrutura Ferroviária do Dnit.

Com mais essa cabeça, subiu para 20 o número de servidores afastados do Ministério dos Transportes.

Pergunta-se: e quanto à apuração dos malfeitos? A quantas anda a auditoria da CGU? Até quando a PF vai se fingir de morta?

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pelé é escolhido patrimônio esportivo da humanidade

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sob Dilma Rousseff, CUT se queixa de não ser ouvida

Divulgação

As relações do presidente da CUT, Artur Henrique, com o ex-soberano Lula são do tipo unha e cutícula. Maior afinidade, impossível.

Sob Dilma Rousseff, o mandachuva da CUT, braço sindical do PT, queixa-se de não ser ouvido sobre o essencial. A desoneração da folha salarial, por exemplo.

Nós pegamos aqui o jornal e vemos ‘Dilma prepara não sei o quê’. Tá bom. E nós? Vamos participar ou vamos ficar sabendo só pelos jornais?...”

“…Nós não queremos só saber. Nós queremos negociar, debater e também apresentar nossa visão. Se é pra gente só saber, manda um e-mail, né?”

Artur Henrique manifestou sua inquietude numa entrevista ao repórter Raymundo Costa. Aqui, a íntegra.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dólar: governo se mexe e provoca a maior alta do ano

Depois de cair por seis dias consecutivos, acumulando depreciação de 2,66%, o dólar registrou nesta quarta (27) a maior alta do ano: 1,30%. Foi a R$ 1,557.

Deve-se a reversão da tendência a providências emergenciais adotadas pelo governo, por meio de medida provisória.

Coube ao ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciar as novidades. A principal delas foi uma mexida na tributação.

Decidiu-se cobrar 1% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações de derivativos, contratos feitos no mercado futuro.

Na prática, impôs-se um ágio para os operadores que apostavam na valorização do real.

Ficou estabelecido na mesma medida provisória que o IOF poderá sofrer novas elevações, até o patamar de 25%. O mercado, por ora, acusou o golpe.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Demitido da Conab Oscar Jucá, irmão de Romero Jucá

  Alan Marques/Folha
Em matéria de faxina governamental, muito mais ainda é muito pouco. E um pouco menos é sempre demais.

Com a higienização dos Transportes ainda inconclusa, Dilma Rousseff vai sendo apresentada a novos focos de detritos.

Nesta quarta (27), foi ao olho da rua Oscar Jucá Neto. Trabalhava como diretor da Conab (Cia Nacional de Abastecimento).

Irmão de Romero Jucá (PMDB-RR, na foto), líder de Dilma no Senado, Oscar foi abalroado pela notícia de que autorizou um pagamento esquisito. Coisa de R$ 8 milhões.

O dinheiro migrou de um fundo destinado à compra de alimentos para a caixa registradora da Renascença, empresa registrada em nome de laranjas.

Informa-se que Oscar Jucá pediu para sair. Coube a um afilhado do vice Michel Temer, o ministro Wagner Rossi (Agricultura), mandar a exoneração ao Diário Oficial.

Pergunta-se: 1) E quanto à grana, que providências tomou o governo para reavê-la? 2) Vai ficar por isso mesmo ou o irmão de Jucá será acionado judicialmente?

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em Serra, cidade do ES, a prefeitura distribui ‘Viagra’

A prefeitura do municípiode Serra, no Espírito Santo, decidiu distribuir um medicamento que não consta do catálogo do SUS.

Chama-se Sildenafila. É comercializado como genérico do Viagra. O lote a ser distribuído pela prefeitura terá 36 mil comprimidos.

Há em Serra uma unidade de saúde chamada Clínica do Homem. De acordo com a prefeitura, é grande o número de pacientes com disfunções eréteis.

“É um problema sério que afeta a auto-estima, provoca depressão, ciúmes e abala as relações familiares”, diz Silvani Alves, secretário municipal de Saúde.

Ele esclarece que a distribuição não será aleatória. Os candidatos ao tratamento terão de passar por uma “triagem” médica.

O primeiro lote de remédios custou às arcas municipais R$ 58 mil. Se funcionar, deve haver reforço da dose.

“Vamos ver o retorno dos pacientes que usarem e aí verificar como foi o tratamento”, diz o secretário Silvani.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 16h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ministro de Dilma, Jobim alardeia: ‘Eu votei no Serra’

Não se trata propriamente de uma revelação. O voto de Nelson Jobim na eleição presidencial do ano passado era um segredo de polichinelo.

Ainda assim, a explicitação da preferência do ministro da Defesa de Dilma Rousseff tem um quê de inusitado.

Em entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, Jobim sapecou: “Eu votei no Serra.” Segundo disse, Dilma sabia.

Azedou a relação?, indagou o repórter. E Jobim: "Azeda quando você esconde. Eu não costumo fazer dissimulações, então não tenho dificuldades."

Passada a eleição, disse ele, o tema foi mandado ao esquecimento: “Não se toca no assunto.”

Na fase de composição de seu governo, Dilma cogitou livrar-se de Jobim. Ela o manteve na Esplanada a pedido de Lula.

Ministro da gestão passada, Jobim esquivara-se de fazer campanha em favor de Dilma. Em outubro de 2010, explicara a razão durante viagem a Washington:

"Disse ao presidente Lula que tinha impedimentos de natureza pessoal, inamovíveis, de fazer campanha contra o governador [Serra]...”

“Ele respondeu: ‘então não se meta nesse assunto, fique de fora’." Na nova entrevista, Jobim contou que seu diálogo com Lula se deu numa reunião da coordenação de governo.

Os “impedimentos inamovíveis” de que falava Jobim eram a amizade de 30 anos que o une a Serra e o fato de o tucano ser seu padrinho de casamento.

Há um mês, discursando em homenagem ao grão-tucano FHC, que fazia 80 anos, o pemedebê Jobim levou ao microfone uma frase que suscitou polêmica.

Evocando Nelson Rodrigues, declarou: "Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos…”

“…O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância [...] com os idiotas.”

Como Jobim servira à gestão tucana no Ministério da Justiça, ficou-se com a impressão de que ele comparava as duas administrações. E enxergava “idiotas”na atual.

Houve mal-estar no Planalto. Compelido a explicar-se, Jobim alegou que se referia aos “reporteres”, não ao governo que integra.

Fernando Rodrigues perguntou-lhe se Dilma reclamou do comentário. "Não, não. Ela até riu", disse Jobim.

O repórter também mencionou na conversa um rumor encontradiço nos subterrâneos de Brasília. À boca miúda, diz-se que Jobim pode deixar o governo antes do final.

Verdade? Dessa vez, o ministro escorou-se em Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar.”

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT e PMDB avaliam que Lula será candidato em 2014

Alan Marques/Folha

Algumas das principais lideranças do PT e do PMDB, os dois sócios majoritários da aliança governista, avaliam que Lula tentará voltar à Presidência em 2014.

Nos últimos cinco dias, o blog conversou reservadamente com cinco políticos de expressão –três pemedebês e dois petês.

Manifestaram em privado opiniões que não ousam verbalizar em público. Ressalvadas sibilinas diferenças quanto à enfase, todos enxergam em Lula um candidato.

Apenas um dos entrevistados, integrante da direção do PT federal, condicionou a re-re-recandidatura de Lula ao desempenho de Dilma.

Os demais disseram crer que o patrono de Dilma irá às urnas em qualquer cenário. Escoraram a aposta na movimentação de Lula.

“Típica de candidato”, disse um ex-ministro, filiado ao PMDB. “Voltou à cena mais cedo do que todos previam”, ecoou um senador do mesmo partido.

Um petista que priva da intimidade de Lula contou que, mesmo nas conversas mais íntimas, o amigo não se declara candidato.

Ao contrário, Lula repisa a tese segundo a qual não faz sentido sonegar a Dilma o “direito” de disputar a reeleição. O problema é que ninguém –ou “pouca gente”— o leva a sério.

Um governador do PT mencionou ao repórter o que chama de “efeito etário”. Lembrou que Lula fará aniversário de 66 anos em outubro.

“Em 2014, terá 69. E não parece razoável que ele se disponha a esperar até 2018, quando fará 73 anos”.

Outro entrevistado disse que a volta de Lula começa a ser desejada também pelos partidos que o apoiaram e que agora dão suporte a Dilma.

Por quê? Diferentemente de Lula, um “animal politico”, Dilma trata seus aliados “na base da ameaça”. Algo que, imagina, “não vai acabar bem”.

Entre todas as legendas, avalia o autor do raciocínio, a que mais deseja a volta de Lula é o próprio PT.

Disseminou-se no condomínio governista a avaliação de que Dilma exagerou na faxina do Ministério dos Transportes. Sobretudo no método.

Como que receosos de receberem da presidente um tratamento à moda do PR, os aliados acham que ela portou-se de modo precipitado e injusto.

De acordo com a visão majoritária, Dilma teria afastado pessoas contra as quais pesavam fundadas suspeitas e também servidores cuja culpa não está provada.

Menciona-se, de resto, o fato de Dilma ter sido a gerente da Casa Civil de Lula, sob cuja gestão já vicejavam os malfeitos dos Transportes. 

“Ela joga pra platéia”, disse o ex-ministro pemedebê de Lula. “Pode ficar bem nas pesquisas, mas gera uma instabilidade política desnecessária no início do governo.”

Dito de outro modo: ao saciar a fome ética da opinião pública, Dilma ateou pânico entre os aliados, que passaram a ter saudades inauditas do estilo acomodatício de Lula.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 05h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Globo: Brasil chega a 5º lugar em ranking de investimentos

- Estadão: Investimento estrangeiro direto atinge US$ 32,5 bilhões

- Correio: O dólar furado

- Folha: Investimento externo no Brasil bate recorde

- Valor: Cai o ritmo de importações no ano

- Estado de Minas: O dólar encolheu

- Jornal do Commercio: Timbu bate o Vitória e se firma no G-4

- Zero Hora: Nova estratégia triplica apreensão de drogas no RS

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Reencarnação!

Mariano

- Via 'A Charge Online'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ACM Neto confirma negociação com PMDB de Geddel

  Sérgio Lima/Folha
Um dos mais ardorosos rivais de Dilma Rousseff no Legislativo, o deputado ACM Neto negocia na Bahia um acordo do seu DEM com o governista PMDB.

Conforme noticiado aqui, o grão-pemedebê Geddel Vieira Lima cogita compor, em 2012, uma aliança baiana anti-PT, que incluiria DEM e PSDB.

Em conversa com o repórter, o neto de ACM, líder do DEM na Câmara, confirma: “Nossos objetivos locais, a despeito das diferenças nacionais, coincidem”.

“Nossa tendência”, prossegue ACM Neto, “é de compor uma aliança dos partidos que fazem oposição ao PT na Bahia”.

Ele acomoda no balaio, além do DEM, PSDB e PMDB, outra legenda que, em Brasília, integra o condomínio pró-Dilma Rousseff: “O PR do ex-senador Cesar Borges.”

“Esses quatro partidos, se tiverem juízo, vão se entender num projeto comum na Bahia. Nosso adversário é o mesmo: [o governador petista] Jaques Wagner.”

Segundo ACM Neto, o diálogo encontra-se em estágio “preliminar”. Mas são “conversas de intenções muito firmes.”

A negociação visa compor uma aliança para confrontar o petismo na eleição municipal de Salvador.

Wagner, um dos governadores mais chegados a Dilma Rousseff, deve comparecer à disputa com a candidatura do deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA).

O primeiro desafio dos rivais do governador é o de chegar a um consenso quanto ao nome. Por ora, cada partido tem o seu.

O candidato do DEM é o próprio ACM Neto. O do PSDB é o do deputado Antonio Imbassahy, cria política de ACM, o avô.

Quanto ao PMDB, Geddel tenta convencer a entrar na disputa o ex-prefeito, hoje radialista, Mário Kertézs.

Desde logo, Geddel não exclui a hipótese de dar suporte a ACM Neto: “Quem busca apoio tem que estar disposto a apoiar.”

“Para mim, embora esteja em situação confortável, o projeto coletivo vem na frente do meu projeto pessoal”, retribui o líder do DEM.

Dá-se na Bahia algo se repete a cada eleição e que voltará a desafiar a cabeça do eleitor nas eleições municipais de 2012.

Em pleitos regionais, a conveniência local prevalece sobre o interesse nacional, subvertendo a coerência.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 23h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Antes de nascer, PSD obtém secretarias no Maranhão

  Edson Lopes/Folha
Na política brasileira nada se perde e nada se transforma. Tudo vira governo. Ou, por outra, tudo acaba em déficit público.

No Maranhão, o PSD de Gilberto Kassab caminha para o colo da governadora Roseana Sarney (PMDB).

Seu partido ainda nem nasceu e Kassab já fez barba e cabelo. Só não fez bigode porque José Sarney, não apreciaria.

Dividem o mapa maranhense 217 minicípios. Desses, algo como 80 fazem oposição a Roseana. Kassab deve atrair cerca de 60.

Para facilitar o trabalho de cooptação, Roseana prometeu à legenda de Kassab quatro cofres: as secretarias de Fazenda, Agricultura, Educação e Infraestrutura.

Vai à presidência do PSD-MA a deputada Nice Lobão. É mulher de Edison Lobão, que representa Sarney no Ministério de Minas e Energia. Tudo em casa.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 22h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fora do Dnit, Pagot já prepara 'consultorias' privadas

  Wilson Dias/ABr
Um dia depois de demitir-se do Dnit, Luiz Antonio Pagot já dispõe de nova ocupação. Do outro lado do balcão, prepara consultorias a empresas privadas.

Em conversa com a reporter Adriana Vasconcelos, Pagot disse que não vai mais perder tempo discorrendo sobre o passado.

Como virou a página, negou-se a reveler o teor da carta que endereçou a Dilma Rousseff, por meio do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).

Instado a comentar o fato de Paulo Passos ter sobrevivido à “faxina” de Dilma, Pagot preferiu não responder.

Passos era secretário-geral de Alfredo Nascimento. Com a saída do titular, o virou ministro. Já havia ocupado a cadeira sob Lula, quando Nascimento foi às urnas.

A despeito do desejo de permitir que o passado passe, Pagot permitiu-se comentar que Passos, o novo ministro, sabia de tudo o que se passava.

Ele esteve sempre presente, seja na posição A [secretário-geral] ou B [ministro]...”

Sobre a intenção de Dilma de preencher as vagas do Dnit com prontuários higienizados, Pagot disse:

“Se eu não tivesse ficha limpa, não teria assumido o cargo. Por isso, não me sinto ofendido”.

Conviria a Pagot dar uma olhada na legislação. Um ex-servidor graduado não pode sair por aí oferecendo consultorias. Exige-se o recato de uma quarentena. 

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 21h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mantega: Brasil está sólido e inflação está ‘controlada’

O ministro Guido Mantega (Fazeneda) brindou os membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social com uma análise da conjuntura.

Repisou alguns três mantras: 1) a economia está “sólida”, 2) a inflação encontra-se “sob controle”, 3) há medidas cambiais no forno.

Num pedaço da exposição, Mantega exibiu dados sobre as providências adotadas sob Dilma para reduzir o ritmo da economia (assista lá no alto).

Segundo o ministro, logrou-se esfriar o ritmo sem derrubar o PIB além do conveniente. Voltou a estimar um crescimento de 4,5% para 2011.

Evocando a crise que assedia a Europa e o risco de calote dos EUA, Mantega declarou que o Brasil está bem posto, em condições de lidar com as turbulências.

"Estamos observando que a crise financeira não terminou nos países avançados, ela apenas mudou de fase: ela passou a ser a crise da dívida soberana…"

“…[Mas] o Brasil é um dos países mais bem preparados para enfrentar esses problemas que se colocam no horizonte internacional."

Sobre câmbio, na contramão do que disse Dilma na semana passada, Mantega reiterou: se necessário, o governo adotará medidas para deter a sobrevalorização do real.

"Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar", disse o ministro.  

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

BC intervém, mas dólar cai pelo sexto dia consecutivo

  Antônio Gaudério/Folha
A cotação do dólar voltou a descer a ladeira. Fechou nesta terça em R$ 1,537. Queda de 0,38%.

É a menor cotação em 12 anos, pouco superior à cifra de R$ 1,466 anotada em 15 de janeiro de 1999, sob FHC.

O Banco Central tentou, sem sucesso, empurrar o dólar para o elevador. Com a barriga no balcão, os operadores foram às compras.

Adquiriram-se dólares em quatro operações. Duas pela manhã. Outras duas à tarde. E nada.

Para desassossego da “autoridade” monetária, a coisa não subiu. Registrou-se a sexta queda consecutiva, numa desvalorização acumulada de 2,66%.

Alheio à preocupação de Brasília, o brasileiro torra divisas no exterior. No primeiro semestre, US$ 10,2 bilhões. Um recorde.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma dribla críticas de Pelé integrando-o ao seu time

Fernando Bizerra Jr./Efe

O que é um critico? Para Dilma Rousseff, é um inimigo que, por abominável, deve ser transformado o mais depressa possível em amigo de infância.

Depois de anular a acidez de FHC com uma carta amistosa, Dilma driblou as críticas de Pelé à organização da Copa. Nomeou-o embaixador honorário do certame.

Em fevereiro, Pelé soava assim: "O Brasil corre um grande risco de se envergonhar se não fizer uma boa Copa. Os principais problemas são a comunicação e os aeroportos…”

“…"[O atraso nas obras] não é só assunto de brasileiros. Conversei com o pessoal do Platini [presidente da Uefa] e eles também estão preocupados."

Nesta terça (26), já entronizado no posto de “embaixador”, o craque soou assim: "Eu não poderia deixar de aceitar esse convite da nossa presidenta…”

“…Eu já faço isso desde quando nasci, desde a primeira Copa eu defendo e faço a promoção do Brasil. É uma responsabilidade muito grande…"

"…Eu gostaria de pedir para todo o povo brasileiro que acreditasse porque estava meio confuso, meio em dúvida…”

“…Alguns problemas que nós tivemos aqui e que a gente sabe ainda das condições, mas que podemos acreditar…”

“…Porque a presidente disse que vai fazer todo o esforço e espero que a gente entregue bem essa copa do mundo."

Ex-alvo de Pelé, o ministro Orlando Silva (Esportes), explicou que o ex-detrator foi alçado a embaixador da Copa 2014 por meio de decreto.

O texto dá poderes a Pelé para prover orientações ao governo sobre a Copa, representar o Brasil em eventos e participar das negociações com outros países e com a Fifa.

Pena que Dilma não tenha atribuído a Pelé a missão de ensinar aos jogadores do escrete canarinho a arte de bater pênaltis.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 17h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cuba celebra ‘Dia do Rebelde’ sob intensa pasmaceira

Festeja-se neste 26 de julho uma das mais vistosas datas do calendário político de Cuba, o ‘Dia do Rebelde’.

Marca um episódio remoto, de 1953: o ataque de Fidel Castro e seus rebeldes garotos contra o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba.

Resultou em sangue e na prisão de Fidel. Mas acendeu o pavio da revolução que prevaleceria contra Fulgencio Batista em 1959, substituindo uma ditadura por outra.

Com a rebeldia já um tanto embolorada, foi à TV nesta terça o vice-presidente de Cuba, Jose Ramón Machado.

Disse que a ilha dos irmãos Fidel e Raúl Castro toca adiante seus planos de modernização da economia e do sistema político unipartidário.

Foi a primeira vez que um líder cubano levou o rosto à vitrine desde o congresso de abril passado, quando as “reformas” foram aprovadas pelo velho Partido Comunista.

Para os padrões cubanos, a coisa era ambiciosa. Previa a transição de uma Cuba ainda soviética para um país mais aberto às regras de mercado e menos repressor.

Seria criado um grande setor "não estatal" na agricultura, serviços do varejo, construção e transportes.

O camarada Raúl chegara mesmo a mencionar a intenção de fixar limites aos mandatos políticos eternos e rodízio nos pontos de mando do Estado.

Tudo mantido, disse Jose Ramón aos cubanos, no discurso televisionado desta terça. Mas em ritmo de tartaruga manca, que a ditadura não é de ferro:

"Vamos avançar sem pressa mas sem pausa, trabalhando sistematicamente e de modo coordenado”.

Para que fossem levados a sério pelo mundo e pela população cubana, os velhotes do regime teriam de tomar pelo menos uma medida emergencial.

Convém baixar um decreto extinguindo o ‘Dia do Rebelde’. Hoje, a ex-rebeldia cubana veste agasalho adidas e espera pela morte, que parece tê-la esquecido.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma anuncia bolsas de estudo por mérito, sem o ‘QI’

Dilma Rousseff lançou um programa novo, o ‘Brasil Sem Fronteira’. Prevê a concessão de 100 mil bolsas de estudo no estrangeiro.

Disse que os beneficiários serão escolhidos por sua competência, não pelo ‘QI’: "Nós não estamos fazendo programa baseado no quem indica…”

“…Estamos criando no Brasil ações orientadas pelo mérito dentro de um quadro de um grande esforço de garantir que as populações mais pobres tivessem acesso ao mérito.”

Bom, muito bom, ótimo. Pena que valha apenas para a rapaziada que concorrerá às bolsas.

Se ministério também fosse por merecimento, seria possível apontar uns 15 nomes que Dilma não deveria ter acomodado na Esplanada.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 15h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula bateu palma para FHC! Depois, voltou ao normal

Sérgio Lima/Folha

Lula protagonizou na noite passada uma cena insólita. Deu-se em São Paulo, num evento promovido pela revista “Vida Imobiliária”.

Bancada por construtoras, a publicação criou o prêmio “Personalidade do Ano”. Nesta primeira edição, escolheram-se dois agraciados.

Como “Personalidade Empresarial”, Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens Negócios Imobiliários. Como “Personalidade Pública”, Lula.

Para efetivar a premiação, organizou-se um jantar no Clube Atlético Monte Líbano, na capital paulista.

Ausente, FHC foi injetado na cerimônia por Romeu Chap Chap, presidente do conselho editorial da revista.

Ao discursar, Chap Chap elogiou Itamar Franco e FHC pelo controle da inflação. Pediu uma salva de palmas para FHC. Ouviu-se um clap-clap unânime.

Acomodado na mesa do jantar e rodeado de mãos em movimento, Lula viu-se como que compelido a aplaudir o antecessor.

Depois, quando lhe coube manusear o microfone, o ex-soberano voltou ao normal. Sem citá-lo nominalmente, desancou FHC.

Disse que, ao assumir o governo, em 2003, a taxa de crescimento da economia brasileira não podia ultrapassar a barreira dos 3%, sob pena tonificar a inflação.

Declarou que seu predecessor os que não sabia “lidar com pobre”. Acrescentou: "Os sábios que governavam esse país não se sentavam com empresário…”

“…Não se sentavam com trabalhador, achavam que sabiam tudo porque levavam pro gabinete a sua tese acadêmica."

Ao aplaudir FHC, Lula revelou-se, por um instante, um narcisista relapso. Ao discursar, retomou a autogestão de sua glória. 

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Planalto prepara ‘reação’ a eventual retaliação do PR

Sérgio Lima/Folha

Apeado do Ministério dos Transportes e desmoralizado no notíciario, o Partido da República organiza para a próxima semana um encontro de seus caciques.

Vai a debate uma interrogação: vale a pena continuar apoiando o governo Dilma Rousseff no Congresso?

Dilma e seus operadores consideram remota –“remotíssima”, no dizer de um auxiliar da presidente— a hipótese de o PR migrar para a oposição.

Porém, avalia-se que um pedaço da legenda, submetido à asfixia dos Transportes, deve evoluir da fidelidade para a conspiração contra o governo.

Em resposta, o Planalto planeja dividir o PR, isolando os aliados tóxicos e prestigiando os que se mantiverem fieis.

A operação envolve riscos. Mas, a julgar pelo que diz em privado, Dilma parece decidida a esticar a corda.

Chama-se Valdemar Costa Neto (PR-SP) o principal personagem da encrenca. Por determinação de Dilma, será desligado da tomada.

O problema é que o deputado Valdemar, secretário-geral do PR, é quem controla a legenda.

No papel, o presidente é o ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (AM). No mundo real, quem dá as cartas é o mensaleiro Valdemar.

Na avaliação do Planalto, o poder de Valdemar cresce desde Lula na proporção direta da influência dele na máquina estatal.

Imagina-se que, afastado do cofre dos Transportes, Valdemar vai experimentar uma natural e gradativa perda de influência no partido.

Para apressar o processo, Dilma planeja cacifar os líderes do PR que, embora insatisfeitos com o monopólio de mando de Valdemar, jamais o confrontaram.

Encabeçam a lista os senadores Blairo Maggi (MT) e Clésio Andrade (MG). Serão estimulados a medir forças com Valdemar.

Embora periférico no condomínio governista, o PR não é uma legenda negligenciável. Na Câmara, soma 41 votos. No Senado, seis.

Parêntese: na fase pré-crise, os senadores do PR jantaram no Alvorada e posaram sorridentes ao lado da anfitriã. Foto lá no alto. Fecha parênteses.

Há na Câmara um problema adicional. O PR lidera um bloco integrado por outros sete partidos: PRB, PTdoB, PRTB, PRP, PHS, PTC e PSL.

No total, esse bloco leva ao painel eletrônico da Câmara 64 votos. Cuida-se de afastar os 23 que não são do PR de eventuais movimentos de rebeldia.

Além de monitorar Valdemar e suas adjacências, o Planalto mede os passos do deputado Anthony Garotinho, visto como uma espécie de “bala perdida”.

Presidente do diretório do PR no Rio de Janeiro, Garotinho paira sobre a liderança de Valdemar.

Além de dispor do próprio voto, ele exerce influência sobre os outros seis deputados que integram a bancada fluminense do PR.

A tática da divisão espanta os demais partidos da coligação de Dilma. Receia-se que, bem sucedida no PR, a presidente se anime a impor o método a outros aliados de "dois gumes".

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 05h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Globo: Chefe do Dnit cai, e Dilma exige substituto ficha-limpa

- Folha: Homicídios caem, mas latrocínios sobem em SP

- Estadão: Em SP, taxa de homicídios é a menor em 46 anos

- Correio: Depressão, o mal que avança sobre o Brasil

- Valor: Incerteza sobre a dívida dos EUA eleva tensão no mercado

- Estado de Minas: TCU investiga estradas bilionárias em Minas

- Jornal do Commercio: Mais prazo para os usuários do Detran

- Zero Hora: Dólar atinge menor cotação em 12 anos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vão-se os anéis e também os dedos!

Angeli

- Via Folha. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aberta investigação sobre o teto alugado por Palocci

  AFP
O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu investigação sobre a compra do apartamento em que Antonio Palocci reside desde 2007.

No papel, o imóvel, avaliado em R$ 4 milhões, pertence ao advogado Gesmo Siqueira dos Santos. Palocci seria mero inquilino.

Vai-se apurar a suspeita de “lavagem de dinheiro”. O pedido foi feito pelo PSDB. Acatou-o o procurador-geral de Justiça Fernando Grella Vieira.

Gesmo Siqueira, o suposto senhorio de Palocci, é filiado ao PT de Mauá e responde a algo como 120 inquéritos.

Terá agora nos seus calcanhares  promotores do Gedec, grupo de repressão aos cartéis e de combate à lavagem de dinheiro.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 23h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A oposição se equipa para as sabatinas do ‘novo’ Dnit

Chamar de “sabatinas” as sessões em que o Senado aprova as indicações feitas pelo Planalto é uma ofensa ao léxico. Não há propriamente inquirição, mas adulação.

No caso do Dnit, a oposição acena com a possibilidade de ressuscitar o idioma. Equipa-se para espremer os indicados de Dilma Rousseff para o “novo” Dnit.

Cogita-se inclusive compor um grupo técnico para varrer a biografia dos escolhidos, à procura de nódoas que sirvam de matéria-prima para a arguição.

O palco será a comissão de Infraestrutura do Senado, presidida por Lúcia Vânia (PSDB-GO).

Minoritária –cinco cadeiras num total de 23— a oposição não tem votos para derrubar indicações. Mas está decidida a fazer o que lhe resta: barulho.

Abalroado pelo noticiário que iluminou a podridão nos seus porões, o Dnit atravessou julho como trem desgovernado. Fechou o mês como órgão descarrilado.

Foram arrancados dos trilhos da diretoria colegiada do Dnit seis nomes. Os dois que restaram, avisou Dilma, não passarão.

As novas nomeações virão à luz na semana que vem, quando o Congresso retorna das férias de meio de ano.

Como que decidida a evitar vexames, Dilma encomendou ao ministro Paulo Passos (Transportes) nomes técnicos e limpos. Autorizou-o a ignorar a filiação partidária.

Considerando-se a cena de terra arrasada que lhe coube administrar, Passos precisa operar o milagre de encontrar, em poucos dias, um grupo de santos.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 22h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tarso diz que malfeitos dos Transportes 'têm 20 anos'

José Cruz/ABr

O governador gaúcho Tarso Genro (PT) voltou a falar da encrenca do Ministério dos Transportes, especialmente no Dnit.

"Todo mundo sabe que é um problema que tem 20 anos dentro daquele órgão. É muito bom que a presidenta [Dilma] tenha modificado todo mundo."

Antes, sem mencionar especificamente o setor dos Transportes, Tarso explicara, à sua maneira, o flagelo da apropriação partidária de nacos do Estado:

"Criam-se nichos de poder na estrutura do Estado, invisíveis para a sociedade, e que apela à microinfluência…”

Apela “…ao microfisiologismo, à microamizade em um determinado nicho, para fazer transitar suas relações, o que vai corroendo a eficácia do Estado."

Tarso talvez devesse injetar nomes em seu raciocínio. "Criam-se nichos" soa demasiado impessoal.

Conviria também ao governador redimensionar sua avaliação. O fisiologismo brasileiro, por macro, é cada vez menos invisível.

A coisa vem de longe, é verdade. Eleito com o discurso de “mudar tudo isso que tá aí”, Lula apenas trocou de cúmplices. Ou nem isso. 

Não é sem razão que os condôminos andam com saudades do ex-síndico. Sob Lula, serviram-se da macroamizade com o soberano para granjear macroinfluência.

Dilma diz que, agora, tudo será diferente. Reze-se para que José Eduardo Cardozo, o petista que sucedeu Tarso no Ministério da Justiça, não tenha que dizer no final da atual gestão:

"Todo mundo sabe que o problema dos Transportes tem 24 anos." 

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 21h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Entrevista de Dilma ‘derruba’ o dólar ao nível de 1999

Think Stock

Movido a vagas intuições e densas expectativas, o mercado financeiro levou ao pé da letra a última entrevista de Dilma Rousseff, veiculada no fim de semana.

Em conversa com cinco jornalistas, Dilma foi inquirida sobre a sobrevalorização do real. Evocou a crise que assedia a Europa e o impasse da dívida dos EUA. E sapecou:

"Você acha que a gente pode fazer alguma coisa num momento em que não se sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se, de fato, está criando uma rede de proteção para não cair no abismo?"

Ficou entendido que a prioridade de Dilma é combater a inflação sem comprometer demasiadamente o crescimento econômico. Câmbio? Coisa para o futuro.

Ao decodificar as palavras da president, o mercado levou o dólar do refrigerador para o freezer. E subiu a temperatura do micro-ondas em que se encontra o real.

A cotação do dólar foi a R$ 1,543. Dólar assim, tão barato, é coisa que não se via desde janeiro de 1999.

Na contramão de Dilma, o ministro Guido Mantega (Fazenda) apressou-se em declarar que “o câmbio preocupa”.

Disse que o governo dispõe de “medidas duras” para se contrapor ao super-real. Faltou combiner com a chefe.

Dilma soou nesta segunda (25) em timbre parecido com o da semana passada.

“Não tenham dúvida de que seremos capazes de defender a economia brasileira de todas as ameaças internas e externas…”

“…Estou me referindo à ameaça da inflação, por exemplo, que corrói a renda do trabalhador e que saberemos responder à altura.”

Nenhuma palavra sobre o câmbio. Quer dizer: o dólar deve permanecer no freezer. O real, para desassossego de Mantega, no micro-ondas.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lembra de Furnas? Decorridos 6 meses, nada mudou

Divulgação

Quem olha para Furnas, reduto do PMDB, entende porque o PR reclama da desregulagem da balança de Dilma Rousseff.

No comecinho de seu governo, Dilma espantou-se com o tamanho da cunha que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enfiara na estatal elétrica.

Tirou da presidência de Furnas Carlos Nadalutti, homem de Cunha. Acomodou na cadeira Flávio Decat (foto), personagem de conecções políticas múltiplas.

O Planalto trombeteou a versão segundo a qual Furnas passaria por um processo de higienização. Melhor: a limpeza seria estendida a todo o sistema Eletrobras.

Decorridos seis meses, uma equipe do diário ‘Valor’ foi verificar o resultado. Descobriu-se que faltou detergente. Ou, por outra, minguou a disposição.

Servidor de carreira, Nadalutti não pôde ser mandado ao olho da rua. Apenas trocou de função. Virou assessor do gabinete da presidência da estatal.

Repetindo: o apadrinhado de Eduardo Cunha passou a assessorar Decat, o pseudo-faxineiro de Dilma Rousseff.

Nos corredores de Furnas, Decat é chamado de “tigre de papel”. Afora algumas (poucas) unhadas, ele apenas miou.

No essencial, a composição da diretoria, nada mudou. Abaixo do presidente, há cinco diretores. Nomeados sob Lula, nenhum deles foi afastado.

Na diretoria de Operação do Sistema e Comercialização de Energia, permanence Cesar Ribeiro Zani, cuja indicação é atribuída ao grão-petê fluminense Jorge Bittar.

Na diretoria de Construção, sobrevive Márcio Porto, indicado pelo presidente em exercício do PMDB federal, senador Valdir Raupp (RO).

Na diretoria Financeira (!!!), continua dando as cartas Luiz Henrique Hamann, apadrinhado do líder de Dilma no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Na diretoria de Engenharia, segue Mario Márcio Rogar, cuja nomeação é atribuída, veja você, ao PR de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto.

Na diretoria de Gestão Corporativa, manteve-se Luís Fernando Paroli Santos, que usufrui do apoio de dois deputados federais.

São eles: Odair Cunha (PT-MG) e, espanto (!), surpresa, (!!), estupefação (!!!), Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Além de miar para a diretoria e de converter Nadalutti em assessor, Decat manteve o chefe de gabinete Luiz Roberto Bezerra, que servia à presidência anterior.

Manteve inalterados, de resto, outros postos de relevo. Permanecem nas funções a consultora jurídica Denise Paiva…

…E os superintendentes de Responsabilidade Social, Ana Cláudia Gesteira; de Recursos Humanos, Francisco Alonso; e de Organização e Informática, José Carlos Faria.

Quer dizer: em vez de tocar a mudança que Dilma prometera, Flavio Decat preferiu deixar Furnas como está, pra ver como é que fica.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Último compromisso de Pagot no Dnit foi um comício

Cada um idolatra quem bem entende. Os hindus adoram as vacas. Os funcionários do Dnit reverenciam Pagot.

Mandachuva do Dnit desde Lula, Luiz Antonio Pagot pediu, finalmente, pra sair. Do contrário, seria “saído”.

O afilhado do senador Blairo Maggi (PR-MT) tornou-se o 17o pescoço a ser passado na lâmina da guilhotina que se instalou nos transportes há 23 dias.

Antes de entregar o pedido de demissão, Pagot convocou uma reunião com servidores do Dnit. A pretexto de se despedir, fez um concorrido comício.

A coisa se passou no auditório da repartição. Tem algo como 500 assentos. Muita gente teve de ficar em pé.

Em timbre inflamado, Pagot disse que o Dnit não é a “casa da corrupção”. Ao contrário, “é o órgão que mais trabalha, responsável pela maior execução do PAC na Esplanada.”

“Se tinha irregularidades”, ele concedeu, “era um número muito pequeno diante do volume de obras executadas.”

Não podendo alvejar Dilma Rousseff, mirou abaixo dela: “Não concordo com o ministro Jorge Hage [CGU], que disse que o Dnit tem o DNA da corrupção…”

“…Essa é uma casa de muito trabalho. Tem coisa que não sai no jornal. Antes havia locais em que se gastavam oito horas para se chegar a um hospital…”

“…Hoje se chega em uma hora. E isso não é fruto do trabalho de um diretor, mas de todos vocês.”

Pagot foi aplaudido de pé. Uma evidência de que falta a parte dos brasileiros a sabedoria dos hindus.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula e Campos servem a José Múcio a ‘maçã-abacaxi

  Folha
Para políticos em fim de carreira, vaga no TCU assemelha-se a um Éden sem serpente. Quem entra, não ousa cair na tentação de sair.

A coluna de Mônica Bergamo revela, na Folha, que Lula e o companeiro Eduardo Campos cogitavam oferecer a José Múcio uma maçã com jeitão de abacaxi.

Informado, Múcio portou-se como um anti-Adão. Apressou-se em refugar o fruto. Leia:


- FILAS: Uma articulação para fazer de José Mucio candidato a prefeito do Recife, com apoio do governador Eduardo Campos (PSB-PE), de Pernambuco, e do ex-presidente Lula começou a ser costurada há alguns dias. Ele renunciaria ao cargo de ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) e abriria lugar para Ana Arraes (PSB-PE), mãe do governador.

- FALTOU COMBINAR: Faltou combinar com Mucio. De férias nos EUA, ele desautoriza a ideia. "De jeito nenhum. Nunca me falaram disso. E eu nem aceitaria. Sou muito amigo de Lula e do governador. Mas fico no TCU até me aposentar."

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 06h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Eduardo Cunha, Obama, Dilma e a tal governabilidade

  Antônio Cruz/ABr
Plugado à web, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pendurou no twitter, na noite passada, meia dúzia de notas que valem pelo não-dito.

Cunha cuidou dos EUA: “De olho na confusão da dívida americana com possibilidade de calote, que não deverá acontecer porque eles nao serão tão inconsequentes.”

Acha que os republicanos fazem jogo de cena: “Tão estressando Obama, mas no último momento cederão e um acordo pintará, sob pena de todos perderem.”

Ensina: “Isso é importante para que se saiba a importância de uma maioria política que garanta a governabilidade em qualquer lugar do mundo.”

Insiste: “É quase impossível governar sem maioria no Congresso. E o sistema Americano, que tem eleições no meio do mandato, permite perda de maioria.”

Fala do “desgaste” que costuma acometer os governos após dois anos de existência. Um desgaste que conduz à “derrota” no Legislativo.

Sempre referindo-se à Casa Branca, conclui: “São raros os governantes que, no meio do mandato, têm força para eleger a maioria do Congresso.”

Quem lê Cunha de relance, fica com a sensação de que não disse nada sobre o Brasil. Quem o lê nas entrelinhas, percebe que, no seu caso, nada é sinônimo de tudo.

Expoente do grupo do vice-presidente Michel Temer, Cunha foi o primeiro político a frequentar a alça de mira de Dilma Rousseff.

Incomodada com as cunhas que Cunha enfiara em Funas, Dilma passou a enxergá-lo como um aliado de dois gumes.

Agora, com sete meses de poder, Dilma alveja o PR, legenda que geria o Ministério dos Transportes com a cunha e o pé de cabra de Valdemar Costa Neto.

Ao realçar que maioria congressual assegura “governabilidade em qualquer lugar do mundo”, o companheiro Cunha diz sem dizer: vale para o Brasil.

Nesta terra de palmeiras e sabiás, presidentes não têm de lidar com Congressos eleitos em “meio de mandato”. Porém…

…Porém, a síndrome dos dois anos –aquela que leva ao “desgaste” e à “derrota” legislativa— também se manifesta por aqui.

No ponto em que Cunha trata como raridades os governantes que chegam com força ao aniversário de dois anos, é como se gritasse para Dilma: o mundo dá voltas.

Nos subterrâneos, outros grão-pemedebês cuidam de avisar que, tomado pelo tamanho, o PMDB não é o PR.

Moral: por mais aceso que esteja o seu pavio, Dilma jamais poderá esquecer que, no Congresso, uma mão suja a outra.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Globo: Atentado na Noruega expõe direita radical da Europa

- Folha: População carcerária sobe com lei antidrogas

- Estadão: EUA ainda buscam saída para a dívida pública

- Correio: Polícia mata uma pessoa no Brasil a cada cinco horas

- Valor: CNJ fecha cerco contra o calote de precatórios

- Estado de Minas: TCE anula 190 concursos

- Jornal do Commercio: O primeiro teste de Agamenon

- Zero Hora: Horror na Noruega

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilmaria Bonita!

Paixão

- Via Gazeta do Povo. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Instituto de Lula coleta dinheiro com método eleitoral

Stock Images

Em nome de Lula, dois petistas versados nas artes da coleta de fundos de campanha recolhem dinheiro junto a empresários. Passam o chapéu com dois objetivos:

1. Num primeiro momento, a verba amealhada destina-se a cobrir os gastos correntes do Instituto Cidadania, reativado depois que Lula deixou o poder.

2. Numa segunda fase, doações mais generosas serão requeridas para compor um caixa perene para o Instituto Lula, que vai suceder a velha entidade.

Executam a missão monetária o ex-prefeito petista de Diadema (SP), José de Filippi, hoje deputado federal; e o ex-presidente do Sebrae, Paulo Okamotto.

Presidente do instituto em transição, Filippi foi o tesoureiro das campanhas presidenciais de Lula, em 2006, e de Dilma Rousseff, em 2010.

Okamotto integra o conselho do instituto. Ex-tesoureiro do PT na fase pré-delubiana, respondeu pela escrituração das três primeiras campanhas de Lula ao Planalto.

Sem alarde, a dupla aborda as mesmas caixas registradoras de onde saem as verbas eleitorais –empreiteiras, bancos e telefônicas, por exemplo.

O presidente de uma das logomarcas visitadas contou ao repórter que foi mordido em R$ 100 mil. Informaram-lhe que a cifra cobriria um mês de despesas do instituto.

O empresário assumiu o compromisso de liberar mais recursos para o futuro Instituto Lula, cujo lançamento deve ocorrer antes do fim do ano.

O recolhimento segue o modelo eleitoral. Com uma diferença: não há a necessidade de prestar contas à Justiça Eleitoral.

Entre os doadores há empresas que, sob Lula, serviram-se de empréstimos com juros companheiros do BNDES.

A movimentação dos operadores de Lula não é propriamente original. Em novembro de 2002, FHC fez coisa semelhante.

A dois meses de deixar a Presidência, o antecessor tucano de Lula ofereceu no Alvorada um jantar para 12 convidados endinheirados.

Entre eles: Emílio Odebrecht, Benjamin Steinbruch (CSN), Pedro Piva (Klabin), David Feffer (Suzano), Lázaro Brandão (Bradesco) e Jorge Gerdau.

Durante o repasto, Fernando Henrique pediu doações para o seu Instituto FHC, àquela altura um projeto destinado a ocupá-lo em sua ex-presidência.

Em comum com a cena atual, além do método, havia a presença do BNDES no pano de fundo.

Afora os empréstimos corriqueiros, alguns dos comensais de FHC haviam se escorado no bancão oficial para adquirir estatais levadas ao martelo na Era tucana.

Hoje, o Instituto FHC informa que seu sustento é provido por “empresas e pessoas que compartilham dos seus valores e acreditam na sua missão”.

Segundo a entidade, “as doações são feitas para um fundo de manutenção”. De resto, determinados projetos recebem “financiamentos específicos”.

Para a conservação do acervo acumulado nos dois mandatos de FHC, o instituto serve-se de verbas “recursos captados ao amparo da Lei Rouanet”, que permite o desconto das contribuições no Imposto de renda dos doadores.

Emissários de Lula visitaram FHC. Recolheram informações que devem ajudar na modelagem financeira do Instituto Lula.

Tucanos e petistas costumam escorar a aba dos respectivos chapéus nas fundações que gerem as bibliotecas de ex-presidentes dos EUA.

A comparação só é válida, contudo, até certo ponto. Primeiro porque os empresários americanos não dispõem de um BNDES.

Segundo porque, no Brasil, foge-se do vocábulo “fundação”, que sujeitaria as entidades à sempre incômoda fiscalização do Ministério Público.

Terceiro porque os ex-mandachuvas da Casa Branca não costumam voltar às urnas. Tomado pela movimentação, Lula é uma re-re-recandidatura esperando para acontecer.

- Atualização feita às 18h32 desta segunda (25): a propósito do texto acima, o signatário do blog recebeu mensagem do director-executivo do Instituto FHC. O texto vai abaixo:

“O iFHC transformou-se em fundação em janeiro de 2010, mais precisamente no dia 19 de janeiro daquele mês. A decisão de transformá-lo em fundação respondeu justamente à preocupação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em assegurar, pela submissão ao controle da Curadoria de Fundações do Ministério Público, continuidade aos propósitos e ao patrimônio da instituição que ele criou ao deixar a Presidência da República.

Do patrimônio da fundação, por doação, faz parte a biblioteca do ex-presidente e de sua esposa. Trata-se de livros representativos da produção das ciências humanas no Brasil e no mundo, adquiridos pelo casal desde os anos 50, muitos deles com dedicatórias dos autores e anotações de Ruth e Fernando Henrique Cardoso.

Não é demais lembrar que a biblioteca teria elevado valor financeiro tivesse ela recebido outro destino que não a sua preservação, aberta à consulta pública, no âmbito da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso.

 Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 23h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cevado pelo BNDES, Júnior do Friboi virou ‘socialista’

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Sob o comando do governador pernambucano Eduardo Campos (foto), o Partido Socialista Brasileiro está inventando uma ideologia sui generis: o socialismo de direita.

Em São Paulo, Campos abrigara no seu PSB o sem-indústria Paulo Skaff, presidente da Fiesp.  Durou pouco. Socialista em 2010, Skaff já migrou para o PMDB.

Agora, a convite de Campos, aninhou-se no PSB o empresário José Batista Jr., um bilionário cujos negócios foram tonificados pelas verbas companheiras do BNDES.

Conhecido como Júnior do Friboi, o neo-socialista planeja candidatar-se a governador de Goiás em 2014, com o apoio do petismo, de Lula e de Dilma Rousseff.

Será a versão política de uma parceria que, nas arcas do BNDES, revela-se próspera desde 2009.

O bom e velho bancão estatal de fomento borrifou R$ 3,2 bilhões na caixa registradora do Friboi, a casa de carnes da família Batista.

Injetou mais R$ 2,5 bilhões no frigorífico Bertin, adquirido pelo Friboi.

Quando os Batista levaram seus negócios aos EUA, emitiram R$ 3,4 bilhões em debentures. O BNDES comprou 99,9% do papelório.

Natural, como se vê, que Júnior do Friboi opte por uma legenda governista no instante em que tenta empinar seu empreendimento político.

Nova estrela da ala direitista do PSB, o empresário talvez não consiga eleger-se governador. Mas pode resolver o grande drama do socialismo: a falta de capital.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 22h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Amiga de Gleisi e Bernardo agiu como lobista no Dnit

  Franklin de Freitas/Folha
No exercício do cargo público, a autoridade achega-se à perfeição quando percebe o valor da solidão da presença –numerosa e invisível— do amigo contribuinte.

Inversamente, o pior tipo de solidão é a companhia do amigo com interesses a defender junto ao Estado.

É o caso da consultora Teresinha Nerone, amiga do casal de ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

Contratada pela prefeitura da cidade paranaense de Maringá, Teresinha moveu-se na estrutura conspurcada dos Transportes para obter verbas para uma obra.

Graças ao repórter Rebens Valente, os movimentos de Teresinha foram à manchete. 

A obra em questão é cara aos paranaenses Bernardo e Gleisi: o anel viário de Maringá. A verba saiu. E o empreendimento tornou-se caro também para o Dnit.

Ao escavar os borderôs do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o TCU içou um sobrepreço de R$ 10,5 milhões.

Nos subterrâneos da crise, Luiz Antonio Pagot, o mandachuva pêérre do Dnit, disse que cumpria ordens de Bernardo, então no Planejamento, ao liberar as verbas de Maringá.

Pagot insinuou que, no Paraná, Gleisi acompanhava a obra, tocada pela Sanches Tripoloni, emprenteira que doou R$ 510 mil à vitoriosa campanha dela ao Senado.

Sob refletores, como que esperançoso de segurar-se no cargo, Pagot serviu refresco a Bernardo e Gleisi em depoimentos no Senado e na Câmara.

Valente em privado, Pagot soou pianíssimo em público. Fustigado, negou que houvesse ameaçado os ministros petistas.

É contra esse pano de fundo que vem impressa a notícia sobre a proximidade do casal ministerial com a consultora-lobista de Maringá.

Teresinha jacta-se da proximidade. Em outubro de 2009, pendurou no twitter: “Na praia, tomando vinho” com Gleisi e Paulo Berbardo.

Inquirido pelo repórter sobre a combinação de amizade, praia e vinho, Bernardo abespinhou-se: "Não é da sua conta."

No ano passado, Teresinha organizou evento com 1.200 pessoas para que Gleisi lançasse sua campanha de senadora. Onde? Em Maringá.

As duas trocam presentes. "São amigas e, como tal, se encontram em algumas ocasiões”, admitiu a assessorial de Gleisi.

Presentes? “Em datas especiais, como Natal e aniversário", disseram os assessores. E Bernardo: "Não que eu saiba."

Bernardo e Gleisi negam ter acionado a própria influência em benefício do empreendimento paranaense. Dizem que não trataram do tema com a amiga Teresinha.

Como se vê, é nos momentos de crise que a máxima se revela mais útil:

No exercício do cargo público, a autoridade achega-se à perfeição quando percebe o valor da solidão da presença –numerosa e invisível— do amigo contribuinte.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gaspari aos crentes: Fantasias teleféricas do Planalto

  Roberto Stuckert/PR
Sabe qual é a diferença entre as galinhas e os governos? Simples: as galinhas botam ovos antes de cacarejar.

Se você integra o grupo de contribuintes que crê piamente em tudo, cuidado. Depois, não adianta piar.

Vai abaixo o texto que abre a coluna do repórter Elio Gaspari, na Folha. Atravessando-o, você talvez duvide de São Tomé. Hoje, nem o que é mostrado justifica a crença:


“Aqui vai um teste para medir a qualidade do ceticismo das pessoas. Nos últimos dias, a patuleia recebeu dois anúncios.

Num, soube que, desde segunda-feira, o teleférico do Morro do Alemão passou a funcionar das 7h às 12h.

Noutro, aprendeu que os contratos de obras do programa Minha Casa, Minha Vida, na sua segunda fase, serão retomados nas próximas semanas e permitirão a entrega de 300 mil chaves até dezembro. Quem não desconfiou de nada vive num perigoso estágio de credulidade.

O teleférico do Alemão, com 3,5 km, custou R$ 210 milhões e beneficiará 30 mil pessoas. É uma joia do PAC e foi inaugurado pela doutora Dilma no último dia 7, acompanhada pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.

Houve inauguração, mas não havia serviço. Depois da festa, ele passou a funcionar das 9h às 11h e das 14h às 16h. Desde segunda-feira, nem isso, só das 7h às 12h.

Do jeito que está, não atende a quem trabalha.

A presidente da República, o governador do Rio de Janeiro e seu prefeito participaram de uma cerimônia de fancaria sabendo que, em novembro, poderiam inaugurar o serviço que fingiram entregar à população.

No segundo caso, o governo anunciou que o Minha Casa, Minha Vida, na sua segunda fase, voltará a contratar obras. Voltará, por quê? Porque neste ano as contratações pararam.

O programa foi outra joia da campanha eleitoral de Dilma, a "mãe do PAC". Até o final de 2010, havia a promessa de construção de 1 milhão de imóveis.

Entregaram 350 mil. Durante a campanha, a doutora prometeu entregar 2 milhões de casas até 2014.

Passaram-se seis meses e há na Caixa Econômica projetos para a construção de 200 mil residências. O governo anuncia que entregará 300 mil casas até dezembro. A ver.

Tanto os horários do teleférico como o suspiro do Minha Casa, Minha Vida podem ser explicados. Um está em fase de teste. O outro ajustou-se a novos valores e métodos.

A encrenca não está aí, mas na marquetagem da fantasia. A mágica ofende primeiro quem acredita no governo. Quanto mais o sujeito crê, mais é feito de bobo.

Numa segunda etapa, dá-se o pior: o governo acredita não só que a choldra é tola, mas se convence das próprias mentiras. Basta perguntar aos 24 ministros da doutora quantos acham que há um serviço de teleférico no Alemão."

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Peluso: Corpo estável de servidores deve gerir Estado

  Valter Campanato/ABr
Instado a comentar o escândalo do Ministério dos Transportes, o ministro Cezar Peluso, presidente do STF, insinuou que o Brasil deveria imitar a França.

Cuidadoso, Peluso disse: “Não é o Judiciário que vai dizer como é que os políticos têm que tratar essa questão dos cargos públicos.” Mas não resistiu à tentação de opinar:

“Um corpo mais estável de servidores públicos, como sucede, por exemplo, na França, onde eles são preparados na Escola Nacional de Administração, é muito melhor para a eficiência do Estado”.

Na França, prosseguiu o ministro, os servidores  “são preparados para todas as funções do Estado, inclusive para a diplomacia.”

Cria-se, segundo ele, “um corpo estável de servidores públicos, intelectualmente muito bem preparado para operar a máquina extremamente complexa do Estado”.

“Acho que é alguma coisa que pode ficar para a meditação dos políticos” brasileiros, Peluso sugeriu.

Não será, obviamente, ouvido. No modelo brasileiro, os políticos operam para se assenhorar do Estado. O aperfeiçoamente da máquina inibiria o saque.

Entrevistado pela repórter Catarina Alencastro, o presidente do Supremo foi instado a comentar a outra ponta do flagelo: a dificuldade de reaver as verbas surrupiadas.

Peluso deu a entender que, nessa matéria, os colarinhos brancos são mais eficientes do que a máquina estatal. Por quê? “Por uma série de fatores”, disse.

“Primeiro, há uma complexidade em apurar, fazer provas, etc. Quando as responsabilidades são fixadas, você tem que encontrar o patrimônio do responsável…”

“…E isso demanda outras investigações, porque as pessoas que fazem isso não deixam o dinheiro à mostra para todo mundo…”

“…Ou mandam para o exterior, ou põem em nome de laranjas ou usam de outros meios para seconder…”

“…É preciso novos expedientes de investigação para identificar e localizar esses bens. Muitas vezes esses bens são localizados no exterior…”

“…Aí você entra com um terceiro fator: que o país e as agências daquele país colaborem. Não é simples.”

E quanto à parcela de culpa do Judiciário? Bem, Peluso aproveita para fazer a defesa de sua proposta de emenda constitucional, que inibe os efeitos dos recursos judiciais.

Contra a opinião de alguns de seus próprios pares, Peluso propõe que as sentenças do Judiciário passem a ser executadas a partir das decisões de segunda instância.

“Há muitas pessoas que não vão hoje à Justiça porque sabem que é demorada, que tem que gastar dinheiro…”

“[…] Como está hoje, esse excesso de processos, a coisa anda em um círculo vicioso, porque isso continua assim…”

“…Se as sentenças começarem a produzir efeito mais rapidamente, todo mundo sai ganhando…”

“…Não apenas aqueles que vão a Juízo, mas aqueles que hoje não vão porque acham que não vale a pena. Esses passarão a ir a Juízo, se julgarem necessário”.

Peluso exagera ao dizer que “todo mundo sai ganhando” com a aceleração do rito processual.

Perdem os advogados, cujos lucros cairão na proporção direta da redução do número de recursos.

Perdem também os 90% que ingressam na política para roubar e para conferir aos 10% restantes uma péssima fama.

Para desassossego dos que ganham, os causídicos e seus clientes usufruem de voz e poder. A clientela, diga-se, é quem vai votar a proposta de Peluso no Congresso.

Isso, naturalmente, se a emenda vier a ser votada um dia.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bahia: PMDB cogita aliança anti-PT com PSDB e DEM

  Fotos: ABr e Folha
Comandado por Geddel Vieira Lima, o PMDB da Bahia cogita compor uma aliança que destoa do condomínio que o partido integra em Brasília.

A legenda do vice Michel Temer negocia na capital baiana, para 2012, uma aliança com DEM e PSDB, os dois maiores antagonistas de Dilma Rousseff no Congresso.

“O espírito de todos que fazem oposição ao PT aqui na Bahia é o de construir um projeto único”, disse Geddel ao blog.

Ex-ministro de Lula e vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica sob Dilma, Geddel afirmou que conversa informalmente com lideranças ‘demos’ e tucanas.

Mencionou espeficicamente os deputados federais ACM Neto (DEM) e Jutahy Júnior (PSDB). Segundo Geddel, o diálogo é, por ora, embrionário.

Ele estima que a negociação entrará em fase “mais consequente” a partir de setembro.

Só então vai-se saber se o “espírito” de união resultará em candidatura única à prefeitura de Salvador.

Enganchado ao projeto nacional do PT, Geddel tornou-se, no ano passado, ferrenho adversário do petista Jaques Wagner.

Mediram forças pelo governo do Estado. E Wagner prevaleceu sobre Geddel. Os grupos de ambos voltarão a roçar punhos na eleição municipal do ano que vem.

A disputa se estenderá por toda Bahia. Mas é no ringue de Salvador que se dará a luta mais relevante, uma espécie de prévia de 2014.

Geddel tenta, por ora, empinar o nome do radialista Mário Kertész, um ex-pemedebê que já foi prefeito da cidade. Porém…

…Porém, Geddel não exclui nem mesmo a hipótese de apoiar a eventual candidatura de ACM Neto, herdeiro politico do arquirival Antonio Carlos Magalhães.

“Quem busca apoio tem que estar disposto a apoiar”, afirmou Geddel ao repórter. “Excetuando-se o PT, vamos conversar com todo mundo.”

Não se constrange de tricotar com o representante do legado de ACM? Geddel responde à pergunta com ironia:

“Se Jaques Wagner conversou e fez seu vice-governador um genérico do carlismo, eu prefiro dialogar com o original.”

Chama-se Otto Alencar o vice de Wagner. Fez-se na política pelas mãos de ACM. Elegeu-se deputado estadual, presidiu a Assembléia Legislativa baiana.

Foi secretário de Saúde do governo ACM. Teria sido candidato a vice do filho do ex-morubixaba pefelê se Luís Eduardo Magalhães não tivesse morrido.

Morto Luís Eduardo, Otto manteve-se na vice, dessa vez na vitoriosa chapa do ex-governador Cesar Borges, outra cria de ACM, hoje filiado ao governista PR.

“Conversar com ACM Neto, para mim, é a coisa mais natural do mundo”, repisou Geddel. “Não tenho nenhum constrangimento de apoiar o ser apoiado por ele”.

Os companheiros do PMDB e a turma de Dilma não reclamam? “Ninguém reclamou nem vai reclamar”, declarou Geddel.

“A política nacional é uma, a estadual é outra. Há peculiaridades locais que precisam ser respeitadas”, acrescentou o vice-presidente da CEF.

“Ou respeitamos essas peculiaridades ou não teremos condições de marchar juntos em 2014. As diferenças não se restringem à Bahia”.

- Siga o blog no twitter. 

Escrito por Josias de Souza às 04h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Globo: Demissões não eliminam foco de corrupção no Dnit

- Folha: Rodoanel deixa rastro de ‘órfãos’ depois das obras

- Estadão: Expansão de universidades federais tem 53 obras paradas

- Correio: Maldição dos 27 cala a voz do século 21

- Jornal do Commercio: Foragidos do crack recebem proteção

- Zero Hora: Câmaras já criaram 183 vagas de vereador no RS

- Veja: Terror no país da paz

- Época: Agência Nacional da Propina

- IstoÉ: Corpo artificial

- IstoÉ Dinheiro: EUA no limite

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dr. 'honoris' Jekyll and Ms. 'pupila' Hayde!

Miguel

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Transportes: Erenice engavetou investigação em 2006

Reprodução/Época

  Fábio Pozzebom/ABr
A ‘faxina’ no Ministério dos Transportes, que Dilma Rousseff diz que será levada às últimas consequências, poderia ter sido feita quatro anos e onze meses atrás.

Em novembro de 2006, época em que o inquilino do Planalto era Lula, aportou na Casa Civil uma denúncia cabeluda.

Obtido pelos repórteres Leonel Rocha e Murilo Ramos, o documento veio à luz em notícia veiculada neste fim de semana.

A denúncia informava: empreiteiras contratadas para tocar obras rodoviárias pagavam propinas a servidores públicos, a políticos e ao PL, hoje rebatizado de PR.

Enviado anonimamente à casa de um alto funcionário da Ciset, órgão que ciuda do controle interno da Presidência, o documento foi entregue a Erenice Guerra.

Nessa época, Erenice era secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da então ministra Dilma Rousseff, a gerentona do governo.

Instada a autorizar a investigação do caso, Erenice pediu tempo para refletir. Mais tarde, no mesmo dia, respondeu negativamente.

Alegou que a investigação não seria conveniente porque causaria problemas para o condomínio partidário que dava suporte congressual a Lula.

A peça que foi à gaveta citava como supostos beneficiários Anderson Adauto, primeiro ministro dos Transportes de Lula; e o sucessor dele no cargo, Alfredo Nascimento.

Além de Nascimento, mencionava outros nomes que protagonizam o escândalo de 2011. Por exemplo: o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Trazia uma lista de obras tocadas por cinco empreiteiras. Orçadas em R$ 866,6 milhões, teriam rendido R$ 41,8 milhões em propinas.

Ao lado das obras, os nomes dos supostos beneficiários. Entre eles, mais dois personagens da ‘faxina’ contemporânea.

Mauro Barbosa, à época diretor-geral do Dnit, teria beliscado R$ 8,6 milhões.

O mesmo Barbosa, agora chefe de gabinete de Nascimento, foi incluído por Dilma no primeiro lote de demissões provocadas pelo escândalo atual.

Hideraldo Caron, único petista da diretoria do Dnit, é associado no texto de 2006 a suposto recebimento de R$ 1,5 milhão.

Nesta sexta (22), Caron pediu demissão da diretoria de Infraestrutura Rodoviária, convertendo-se na 16a, cabeça do monturo de 2011.

Empreiteiras, políticos e servidores mencionados no documento que Erenice refugou negam envolvimento em malfeitos.

Ouvida pela revista Época, a publicação que puxou o manto diáfano que recobria a gaveta de Erenice, Dilma manifestou-se por meio de nota. Escreveu:

“Não há registro de entrada desta denúncia na Ciset na ocasião citada. A Ciset recebeu hoje (22/7) um e-mail com remetente não identificado…”

A mensagem veio “…com relato de fatos que podem corresponder às denúncias narradas pela revista Época. Esses fatos serão apurados por processo administrativa.”

Se aberto e 2006, quando Dilma era ministra, o processo administrativo talvez tivesse resultado em inquérito da Polícia Federal, poupando dissabores à Dilma presidente.

Para azar do governo e, sobretudo, do contribuinte, Erenice não deixou que o tapete fosse levantado. Depois, convertida em ministra, ela própria virou escândalo.

Denúncias anônimas sempre devem ser recebidas com o pé atrás. O que não parece concebível é o automático desinteresse pela apuração.

Consierando-se o que veio à tona agora, fica boiando na atmosfera uma interrogações:

Quantos milhões a Viúva teria economizado se o esquema dos Transportes tivesse sido desmantelado quatro anos e onze meses atrás?

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 20h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A semana: saída tardia, volta prematura e detergente

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Faxina nos Transportes ‘não tem limite’, afirma Dilma

  Folha
A bandalheira dos Transportes parece ter destravado a língua de Dilma Rousseff. Nas últimas horas, ela se tornou loquaz.

Manteve dois contatos com jornalistas. Num, recebeu no Planalto cinco repórteres de veículos impressos. Aqui, o resumo produzido por Fernando Rodrigues.

Noutro, Dilma sentou-se à mesa do jantar, no Alvorada, com o repórter Jorge Bastos Moreno, cujo texto pode ser lido aqui.

Nas duas entrevistas, Dilma referiu-se à encrenca ético-propineira de forma semelhante. Mas houve diferenças sutis.

No pedaço em que soou uniforme, a presidente deixou claro que vai mesmo passar o rodo, como se diz, nos quadros do Minitério dos Transportes.

“Sairão todos os integrantes do Dnit e da Valec”, disse ela na conversa mais ampla, com cinco repórteres.

“A 'faxina' não tem essa coisa de limite”, declarou no repasto com Moreno. “O limite é mudar o Ministério dos Transportes”.

No diálogo do Planalto, Dilma rejeitara o vocábulo “faxina”. Dissera preferir a expressão "afastar para apurar."

A hipótese do afastamento temporário, esclareceu, revelou-se inviável. Para certos cargos, não existe a “figura jurídica do afastamento.”

No Alvorada, além de incorporar a palavra “faxina” à resposta, Dilma não se preocupou com a eventual inocência dos 16 nomes já passados na lâmina.

“A ação é sobre pessoas que agiram de forma errada, e nem todas essas pessoas são de um mesmo partido. Isso precisa ser esclarecido”.

O realce ao alegado apartidarismo do cadafalso dos Transportes frequentou os lábios de Dilma nas duas conversas.

As demissões ocorrem “independentes” dos “endereços partidários”, disse no Planalto.

De novo, disse que a guilhotina não significa “análise de valor” sobre os que tiveram as cabeças apartadas do pescoço.

Na mesa do Alvorada, compartilhada também pelas ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social), Dilma declarou:

“É bom que todos saibam que não estamos agindo politicamente contra um partido”. Pareceu decidida a reconstituir as pontes com o PR.

"Não se pode demonizar a política", enfatizara na outra entrevista. No esforço para atingir a pretensa neutralidade, mencionara a oposição:

"Pelo fato que é do PT não significa que esteja certo. Pelo fato de ser da oposição não significa que esteja errado".

Moreno, a propósito, levou FHC à mesa de refeições do Alvorada: “Eu soube que o Lula cobra muito da senhora esta sua amizade com FH...”

E Dilma: “Não é verdade! Isso não é verdade! O presidente Lula nunca tratou desse tema comigo, nem em brincadeira!”

O repórter insistiu: “Diretamente, não. Mas ele já se queixou para terceiros na sua frente...”

Em timbre bem humorado, a presidente entregou os pontos: “Meu Deus! Como esse Sérgio Cabral é fofoqueiro! Ah, ele me paga! Pode escrever, ele me paga!”

Em seguida, Dilma derreteu-se: “Realmente, o presidente Fernando Henrique é uma pessoa muito civilizada, muito gentil. É uma conversa muito agradável…”

“…Tem gente que fica estarrecida com essa convivência, já que temos pensamentos políticos diferentes. Exatamente por isso é que as pessoas devem converser…”.

“…O governante, o político, não pode ficar limitado ao pensamento do seu grupo. Eu defendo a convivência dos contrários…”

“…Há pessoas muito agradáveis e inteligentes no governo e na oposição. Acho que, não só pelo prazer da boa prosa, mas, como presidente da República, tenho o dever de conversar com os diversos pensamentos da sociedade…”

“…Eu não sou presidente de um partido ou de uma coligação partidária, eu sou presidente da República”.

Moreno emendou: “Mas o PT não fica com ciúmes do FHC?” Dilma não se deu por achada: “O PT já tá bem grandinho para não ter ciúmes de ninguém. Ciúme é um sentimento juvenil, eu acho”.

Penguntou-se também a Dilma se ela acha que a decisão de virar a pasta dos Transportes de ponta-cabeça agradou Lula.

A pupila do ex-soberano, sob cuja gestão foi nomeada a maioria dos personagens afastados agora, soou despreocupada:

“Olha, a responsabilidade é tão grande que a gente não pensa em agradar ou desagradar. A gente só pensa em tomar a decisão mais justa, mais correta…”

“…A responsabilidade é do presidente da República perante a nação. A responsabilidade do presidente da é intransferível. Não dá para pensar em ninguém”.

Aos pouquinhos, como se vê, Dilma vai impondo o seu estilo. Embora ela tenha se esquivado de admitir, Lula, com seu estilo acomodatício, não é vocacionado para o manuseio de guilhotinas.  

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vídeo expõe esquema de cobrança de propina na ANP

Reprodução/Época

Com a faxina dos Transportes ainda inconclusa, Dilma Rousseff ganhou matéria-prima para uma nova operação limpeza. Um vídeo gravado sob orientação da Polícia Federal, a pedido do Ministério Público, exibe cenas de corrupção explícita na ANP (Agência Nacional de Petróleo). 

Expõe a cobrança de propina de R$ 40 mil para destravar o processo de uma distribuidora de combustíveis na agência, aparelhada pelo PCdoB. A peça é de 2008. Envolve, porém, um partido e personagens que se mantiveram na estrutura da ANP depois transmissão doa faixa presidencial de Lula para Dilma. Obtida pelos repórteres Diego Escosteguy e Murilo Ramos, a fita foi esmiuçada em notícia veiculada pela revista Época. Conta, em essência, o seguinte:

1. Representante de empresas do ramo de combustíveis, a advogada Vanusa Sampaio, do Rio, é a prossifional com o maior número de processos na ANP. Para operar no mercado, os clientes da doutora precisam de autorização da agência petroleira, criada sob FHC para fiscalizar o setor. A advogada esbarrou numa teia burocrática que criava dificuldades para, depois, vender facilidades. Em fevereiro de 2008, Vanusa foi procurada por dois assessores da ANP: Antonio José Moreira e Daniel Carvalho de Lima.

2. A dupla de assessores informou à advogada que, para fazer andar os processos na ANP, seria preciso pagar. Antonio e Daniel disseram a Vanusa que falavam em nome de Edson Silva, um ex-deputado federal do PCdoB, à época superintendente de Abastecimento da ANP.

3. A superintendência de Abastecimento, a mais ponderosa da agência, define cotas de venda de combustíveis, libera e cassa licenças de distribuidoras e postos. Hoje, já sob Dilma, Edson Silva é assessor do diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, um expoente do PCdoB da Bahia, no comando da agência desde Lula.

4. A doutora Vanusa pediu um encontro com a presença de todos, inclusive do então superintendente Edson. Foi atendida. Vanusa, Antonio, Daniel e Edson encontraram-se num café, no centro do Rio, próximo do edifício-sede da ANP.

5. Nesse encontro, não foram mencionados valores. Mas Edson deixou claro, segundo Vanusa, que os assessores, de fato, negociavam em seu nome. Na surdina, a advogada procurou o Ministério Público. Topou gravar uma reunião com o grupo de achacadores. Recebeu orientação da Polícia Federal.

6. Às 16h23 do dia 5 de maio de 2008, uma segunda-feira, Antonio e Daniel, os prepotos de Edson, entraram na sala de reuniões do escritório de Vanusa. Sem que suspeitassem, os assessores da ANP foram gravados. A filmagem durou 53 minutos (aqui, pode-se assistir a três trechos).

7. Mal Vanusa acomodou-se à mesa, o assessor Antonio Moreira, sem travas na língua, foi ao ponto. Mencionou o processo da distribuidora Prontonorte, uma das clientes de Vanusa que arrostavam problemas para renovar o registro na ANP.

8. Disse que conversara com Edson. Acertara o valor da propina (R$ 40 mil) e o rateio. Edson levaria R$ 25 mil. Os assessores, R$ 15 mil. Eis a conversa da fita:

- Antonio Moreira: Eu conversei com o Edson [superintendente da ANP] e ele não tinha muita noção de valores, você entende? Aí ele falou que era possível, que ia mexer. Mas ele é lento.

- Vanusa Sampaio: É baiano.

- Antonio: Baiano... Aí ele me falou: “Ó, você não quer conversar agora em torno de 40 mil reais? Você acha razoável? Quanto você acha razoável?”. Falei “não sei, Edson, não sei quantificar, não sei valor”. E foi a primeira vez que aconteceu alguma coisa. A gente pode estabelecer um bom relacionamento. Aí ele falou isso, que ficaria com 25 [mil] e daria 15 [mil] pra vocês. Esse é do Rodomarte. É... É do Petromarte.

9. Mais adiante, em timbre ainda mais estarrecedor, Antonio Moreira propõe à advogada uma espécie de terceirização do achaque. Afirma que “burocratas são detestados”. E sugere uma parceria à advogada, que passaria a abordar as empresas, cobrando propinas de até R$ 50 mil.

10. Dias depois, Antonio e Daniel exibiriam a Vanusa uma relação de empresas que poderiam abordadas: Flexpetro, Nova Gasoil e Comos Distribuidora. Na conversa filmada, Antonio deu especial realce ao caso da amazonense Rodonave. Eis o diálogo:

- Antonio: Tá na minha mão um processo... O interesse é muito grande. [Empresa] tradicional chamada Rodonave, de Manaus.

- Vanusa: Mas por que querem cancelar o registro dela? (...) É para arrancar dinheiro?

- Moreira: Não sei... não, eu acho que não é para arrancar dinheiro (...) Eu também não queria me indispor, chegar e ligar para a Rodonave... Então, se você tiver interesse, te dou uma orientada.

11. Noutro trecho do vídeo, guiando-se pela orientação que recebera da PF, Vanusa injeta na conversa o nome de Roberto Ardenghy, antecessor do comunista Edson Silva na poderosa superintendência de Abastecimento da ANP. Eis o miolo da conversa:

- Vanusa: Ele (Ardenghy) sempre me travou de uma forma muito inteligente. Só hoje consigo ver o que ele ganhava de um outro lado.

- Antonio: [...] Era uma lógica muito à petista. Era muito pra ele e ele avançava também para todos os lados [...]. Uma vez eu trouxe um caso, ele queria cobrar muito. Falei “Ardenghy, não é o momento de cobrar muito”. Ele falou “não, mas se a gente não cobrar muito [...] Se a gente cobrar pouco, você vê fantasmas todos os dias”.

12. Ardenghy fora à ANP por indicação do Ministro Nelson Jobim (Defesa), que trabalhara com ele na pasta da Justiça, sob FHC. Hoje, Ardenghy é diretor institucional da British Gas no Brasil. Segundo a notícia de Época, o MP e a PF apalparam documentos que indicariam o seguinte: para se precaver, Ardenghy teria criado endereços de e-mail do Yahoo com pseudônimos como “mazaropi” ou “daniflores”. Orientava as empresas a efetuarem depósitos numa conta do Bradesco, em nome do café e bar Ninense.

13. A revista não esclarece o porquê de uma investigação aberta em 2008 ainda não ter resultado na formalização de uma denúncia. De concreto, apenas, a incômoda revelação de que personagens mencionados nos diálogos vadios ainda frequentam os quadros da ANP. Entre eles Edson Silva, agora assessor da direção-geral, sob o mandachuva Haroldo Lima. Resta saber se Dilma dispensará ao PCdoB um tratamento de PR.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 03h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Globo: A crise no Ministério dos Transportes - Petista cai e Dilma afirma que a faxina é para valer

- Folha: Ataques na Noruega matam 87

- Estadão: Negociação com republicano fracassa e crise nos EUA piora

- Correio: "Vou trocar todo mundo"

- Zero Hora: Drama das chuvas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chefe da faxina!

Humberto

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Caron, Dilma exagerou na faxina dos Transportes

Renato Ribeiro/ABr

Compelido demitir-se da diretoria de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Caron acha que a guilhotina de Dilma Rousseff está desregulada.

Guindado ao posto em 2004, sob Lula, Caron escalou o monturo do Ministério dos Transportes na condição de 16a cabeça.

Em entrevista, avaliou que a lâmina desceu além do necessário:

"Eu acho que não precisava [sair tanta gente]. E trago testemunho dos funcionários do departamento."

Como que a eximir-se de eventuais irregularidades, Caron declarou: "Um diretor decide muito pouco individualmente dentro de um processo."

Se é assim, poderia arguir o contribuinte, responsável pelo custeio da bilheteria, para que nomear diretores? Ou ainda: Dnit para quê?

Apadrinhado pela bancada do PT gaúcho, ao qual é filiado, Caron disse que a decisão de se afastar foi "totalmente pessoal e voluntária". Lorota.

Até a tarde da véspera, o agora ex-diretor buscava oxigênio. Dilma asfixiou-o ao vetar a presença dele em reunião no Planalto.

No início da crise, Caron foi tratado pela turma do PR como “espião” de Dilma nos Transportes. Os “espionados” converteram-no em alvo.

Submetido ao incontornável, não restou a Caron senão a resignação: "O governo já expressou publicamente a intenção de reformular a área de transportes…”

“…E eu resolvi solicitar a exoneração, no sentido de colaborar para que esse espaço fique disponível para a reformulação…”

“…Se é esse o desejo do governo, eu não vou ser impedimento para isso."

Numa tentativa de se dissociar do lixo, Caron disse que sua saída não tem nada a ver com a roubalheira epidêmica:

"Até porque não tem nenhuma denúncia relativa à minha área que tenha comprovação…” disse ele.

“…Pelo contrário, todos os relatórios que temos dos últimos anos, inclusive da CGU, mostram avanços na melhoria dos procedimentos e da gestão do Dnit."

Irregularidades? As obras são tantas, que pode existir, admite Caron. Menos do que no passado, ele pondera.

Os pêérres saboreiam o infortúnio de Caron. Eis o que disse ao repórter um líder da legenda de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto:

“Se o Caron está limpo, nosso pessoal também está. A gestão do Dnit sempre foi comportatilhada. Os aditivos contratuais passavam pela mesa de Caron.”

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 20h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma Rousseff: o recuo da inflação terá 'pouso suave'

Marcello Casal/ABr

Num instante em que as manchetes estão monopolizadas por Valdemares e outros azares, Dilma Rousseff esforça-se para virar a página.

Recebeu no Planalto repórteres de cinco jornais. Falou por uma hora e meia. Discorreu sobre a conjuntura econômica.

No rastro da quinta elevação dos juros desde janeiro, anunciada a dois dias, disse que não deseja deter a inflação com o sacrifício do crescimento.

Acredita que está sendo criado "um quadro para a inflação sob controle". Perguntou-se a ela se o índice convergirá para o centro da meta (4,5%) em 2012 ou 2013.

E Dilma: o governo optou por manter "a economia crescendo de forma consistente", embora num ritmo menor do que em 2010.

A adoção de uma "política de convergência [da inflação para o centro da meta] de curtíssimo prazo teria um efeito danoso para a economia", declarou.

Ficou entendido que a presidente se satisfaz com as previsões oficiais, que contemplam uma taxa de inflação pouco abaixo de 6% para 2011.

Dilma enfatizou: "Não queremos inflação sob controle com crescimento zero [do PIB]".

Repisou: "Estamos fazendo o chamado pouso suave, com uma taxa de crescimento e de emprego adequadas para o país".

Atribuiu o descolamento entre inflação e meta a problemas "conjunturais". Entre eles o preço do etanol, já "minimizado".

Durante a entrevista, não foram autorizadas fotos. Tampouco permitiu-se a presença de gravadores. Os convidados tiveram de tomar notas.

Dilma falou também sobre as encrencas econômicas alheias:

"Chova ou faça sol, estamos olhando os efeitos da crise na Europa e a questão do teto da dívida americana. Porque isso é de nossa responsabilidade".

Ao menor sinal de “ameaça” para a economia brasileira, serão adotadas “medidas duras”, ela assegurou.

E quanto ao câmbio, o real sobrevalorizado? Dilma respondeu à indigação com outra interrogação:

"Você acha que a gente pode fazer alguma coisa se a gente não sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se já criou uma rede de proteção?"

A alusão à brincadeira na beirada do precipício foi dirigida aos EUA e à Europa.

Acha que o Tesouro americano levará os credores no beiço? Dilma classifica a hipótese como “uma coisa absurda”. E acrescenta: “Mas nunca se sabe.”

Em meio às dúvidas, prefere postergar eventuais deliberações sobre o câmbio:

"O mundo está andando de lado. Deixa ele andar um pouco para frente que a gente decide".

Recordou-se na conversa um comentário do ministro Guido Mantega (Fazenda), que dissera perder o sono com a sobrevalorização do real.

E Dilma, entre risos: "É bom a gente não dormir. A gente fica alerta. O Guidinho de olhos abertos."

De resto, a presidente confirmou que vai anunciar, em 2 de agosto, um lote de medidas para melhorar a competitividade dos exportadores pátrios.

Será, no dizer de Dilma, um "incentivo para a exportação de manufaturados". Para o dia 9 de agosto, agendou uma "melhorada boa no supersimples."

Trata-se, como se sabe, do sistema de tributação unificado, voltado às micro e pequenas empresas. Vai-se amplicar o programa.

"Na sequência", disse Dilma, sem especificar datas, virá a desoneração da folha de pagamentos das empresas.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Honoris causa’, Lula diz que, se inocentado, PR volta

Roberto Pereira/SEI-PE

Mestre da crônica, Fernando Sabino escreveu que “o otimista erra tanto quanto o pessimista, mas pelo menos sofre só uma vez”.

Lula subverteu a lógica do raciocínio de Sabino. Otimista invetarado, o ex-soberano erra sem sofrer uma mísera vez.

Nesta sexta (22), após receber o título de 'doutor honoris causa' de três universidades públicas de Pernambuco, Lula lançou seu olhar sobre a encrenca dos Transportes.

"Se as pessoas não forem culpadas, estiverem inocentes, você separa o joio do trigo. Aqueles que não forem culpados podem voltar."

Ao contemplar a hipótese de haver trigo no PR, Lula leva o otimismo às últimas consequências.

Ao prever a volta do joio, com o qual conviveu durante oito anos, Lula revela-se imune ao sofrimento. Dilma Rousseff sofre por ele.

Antes de ser laureado, Lula concedera uma entrevista radiofônica (aqui, o áudio).

Atribuiu a crise econômica na Europa e nos EUA à "falta de liderança". Criticou especialmente a Alemanha.

Declarou que é esse vácuo de líderes que o convence da necessidade de correr o planeta.

Depois de deixar a Presidência, já visitou, segundo disse, 20 países. Até novembro, irá a outros 23. O mundo não perde por esperar. 

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 17h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dnit: Empurrado por Dilma, o petista Caron se demite

Jean

Menos de 24 horas depois de ter sido barrado numa reunião por Dilma Rousseff, o petista Hideraldo Caron pediu demissão do Dnit.

Respondia pela diretoria de Infraestrutura Rodoviária. Vai ao monturo de escalpos dos Transportes como a 16a cabeça –a única do PT.

Caron exonerou-se para não ser exonerado. Dilma espera que Luiz Antonio Pagot (PR), diretor-geral do Dnit, faça o mesmo.

Pagot avisou ao Planalto que já se deu por achado. Está na bica de virar o 17o pescoço.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 16h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Exército paralelo: 480 mil seguranças operam no país

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 14h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A noite de Lula: poses de candidato e palavreado oco

Movido a refletores, Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva teve na noite passada uma agenda com todos os ingredientes que lhe dão prazer.

Recebeu uma homenagem da Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque (veja a história do grupo no video acima).

A coisa se passou no Recife, num teatro assentado em parque batizado pela administração petista da cidade com o nome da mãe de Lula, dona Lindu.

Na entrada, o ex-soberano atravessou um grupo de admiradores. Posou para fotos. Pegou duas crianças no colo. Fez cara de re-re-recandidato.

"Voltar aqui é quase uma coisa natural. Estava com saudades", disse o pernambucano Lula, rodeado de conterrâneos e de microfones.

Inquirido sobre a bandalheira do Ministério dos Transportes, Lula soou, por assim dizer, republicano:

"Se tem denúncia, apura, investiga, pune quem tiver quer punir e acabou."

Poderia ter acabado há mais tempo. A maioria das 15 cabeças que Dilma Rousseff passou na lâmina foram herdadas da gestão Lula.

Os malfeitos que o noticiário converteu em endemia já vinham sendo empilhados em sucessivas auditorias do TCU.

Presidente, Lula pregava a dimunição dos poderes do tribunal de contas e administrava na base do vai ou racha. Tocava as obras. Mesmo rachadas.

Ex-presidente, pediu a Dilma que mantivesse na pasta dos Transportes o companheiro Alfredo Nascimento (PR).

Agora, Lula finge-se de morto. Há denúncias? Investigue-se! Puna-se! E acabou!

Já no interior do teatro, Lula fez soar suas cordas vocais antes que a música da orquestra de meninos entoasse o primeiro acorde.

Em discuso, o ex-soberano como que condicionou o êxito de Dilma à continuação dos seus dois reinados.

Disse que a pupila está “atenta” e não permitirá a volta ao tempo em que o país era “governador para quem não precisava”.

Nesta sexta (22), ainda no Recife, Lula receberá o título de ‘doutor honoris causa’ das três universidades públicas de Pernambuco.

São elas: UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e UPE (Universidade do Estado de Pernambuco).

Pena que a cerimônia será conjunta. Em vez de três discursos, Lula fará apenas um.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Recém-concluídos, portos de R$ 44 mi são reformados

Nem só de propinas e superfaturamentos é feito o descalabro do Ministério dos Transportes. Há também a má qualidade das obras "executadas".

Depois de “inagurados”, cinco portos fluviais, quatro deles concluídos no ano passado, tiveram de ser refeitos ou reformados.

Deve-se a informação ao repórter Chico de Gois. Os portos que apresentaram problemas custaram à Viúva R$ 44 milhões.

Desse total, R$ 33,6 milhões desceram à caixa registradora do estaleiro Eram, classificado no site do próprio Dnit como empresa "inidônea".

Os portos problemáticos foram erguidos no Amazonas, Estado de Alfredo Nascimento (PR), apeado do cargo de ministro sob denúncias de malfeitos.

O video lá do alto exibe cenas captadas no Porto de Humaitá, no Rio Madeira. Uma elevação das águas lançou toras sobre a estrutura metálica, arqueando-a.

O porto fora “inaugurado” em março de 2010. Presentes, o então ministro Nascimento e a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à época pré-candidata à Presidência.

A obra custou ao erário R$ 12,8 milhões. Foi tocada pelo Eram (Estaleiro do Rio Amazonas), aquele que o Dnit diz ser “inidôneo”.

Ouvida, a assessoria de imprensa da pasta dos Transportes alegou o seguinte:

Houve em Humaitá “acúmulo de troncos de árvores, vegetação e cipós, ocasionando esforço acima do dimensionado.”

Dito de outro modo: Nascimento e Dilma “entregaram” um porto que, antes mesmo de entrar em operação, revelou-se um empreendimento precário.

Noutro porto, o de Itacoatiara, a ponte que dá acesso ao cais flutuante cedeu. A despesa do conserto foi atribuída à firma Eram. Coisa de R$ 9,2 milhões.

O terminal de Manaquiri, outra obra da Eram, orçada em R$ 3,8 milhões, operou por apenas um mês. Falha na operação, informa a assessoria dos Transportes.

O porto de Manaquiri fora inaugurado, sob fanfarras, em 17 de março de 2010. Presentes, o ministro Nascimento e políticos amazonenses.

No porto de Manacapuru, o rompimento de cabos de aço de ancoragem levou ao deslizamento de pontes.

“Acúmulo de sedimentos [troncos de árvores e mato]”, alega o ministério. A obra, também à cargo da Eram, sorveu R$ 7,9 milhões. Permanece inconclusa.

Coube ao 2o Grupamento de Engenharia do Exército tocar a obra do Porto de Parintins, outro que apresentou problemas.

Neste caso, a inauguração ocorreu em 2006. Três anos depois, em 2009, o Rio Amazonas subiu além do esperado. As águas invadiram o porto.

O empreendimento teve de ser reconstruído. A obra original custara R$ 14 milhões. A nova foi orçada em R$ 10,8 milhões.

Eis o que diz o ministério: “O Exército desenvolveu projetos a partir dos quais foram executadas obras de readequação do empreendimento…”

Visavam “…evitar a invasão das águas do rio na área do terminal e aperfeiçoar o sistema de atracação das embarcações.”

O terminal de Parintins deveria ter sido reinaugurado por Nascimento em 17 de junho. Porém, a licença ambiental da obra encontrava-se vencida.

Dali a duas semanas, Nascimento foi engolfado pelo escândalo que converteu o ministério num porto inseguro.

O ministro foi soterrado. E a reinauguração, suspensa.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Globo: Portos inaugurados há dois anos afundam na Amazônia

- Folha: Europa aprova socorro que deve levar Grécia ao calote

- Estadão: Dnit libera verba de estradas para fazer casas

- Correio: Três vidas soterradas pelo descaso

- Valor: Aditivos param trechos de obras no São Francisco

- Estado de Minas: Impasse na mesa de bar

- Jornal do Commercio: Justiça ordena fim da greve no Detran

- Zero Hora: Inundação

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lavanderia Planalto!

Nani

- Via 'Nani Humor'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma ‘veta’ participação do petista Caron em reunião

Dilma Rousseff promoveu nesta quinta (21) uma reunião para discutir o andamento e os orçamentos das obras do PAC tocadas pelo Ministério dos Transportes.

Embora estivesse escalado para fazer uma exposição sobre possíveis reduções nos preços das obras, o petista Hideraldo Caron não participou do encontro.

A presença de Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, foi vetada por Dilma.

A presidente decidiu que Caron, apadrinhado pela bancada do PT gaúcho, não permanecerá no Dnit. Será incluído na faxina que já varreu 15 cabeças.

Único petista dos quadros do Dnit, acomodado ali em 2004, sob Lula, Caron tornou-se alvo do PR, que cobra sua demissão.

Dilma gostaria que Caron e o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot (PR), pedissem para sair. Se os pedidos não vieram, ambos serão “saídos”.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Mas Caron ainda se fingia de ...orto nesta quinta. Quanto a Pagot, continua em ...érias.

A julgar pelo que se ouve no Planalto, são duas ...missões esperando para acontecer.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 23h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ex-titular da Valec compra terras próximas de ferrovia

Divulgação

No comando da Valec desde 2003, primeiro ano da gestão Lula, José Francisco das Neves tornou-se freguês de caderneta do Tribunal de Contas da União.

Estrela do PR de Goiás, Juquinha, como é conhecido, colecionou denúncias de mau uso de verbas públicas –de desvios a superfaturamentos.

Apeado por Dilma Rousseff da estatal ferroviária, Juquinha é, agora, candidato a protagonista de uma ação por improbidade administrativa.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) incluiu o nome de Juquinha num de seus relatórios.

Vinculado à pasta da Fazenda, o órgão detectou movimentação financeira atípica em contas bancárias do ex-mandachuva da Valec.

Cópias do documento do Coaf foram remetidas à Polícia Federal e ao Ministério Público, a quem cabe averiguar a origem do dinheiro.

Em visita a cidades do interior de Goiás, o repórter Ari Peixoto constatou que, a despeito da origem humilde, Juquinha tornou-se dono de terras milionárias.

Ao eleger-se deputado pela primeira vez, em 1998, Juquinha, então filiado ao PMDB, informara à Justiça Eleitoral que seu patrimônio era de R$ 559 mil.

Desde então, afora o ambiente parlamentar, frequentou o serviço público. Antes de ser nomeado por Lula para a Valec, presidira a Celg, estatal elétrica de Goiás.

Em maio do ano passado, Juquinha comprou três fazendas na cidade goiana de Mundo Novo, a 650 quilêmetros de Brasília.

Juntas, as propriedades medem 5,5 mil hectares. De acordo com os registros cartoriais, as fazendas custaram a Juquinha a bagatela de R$ 13 milhões.

Um corrector local disse ao repórter que, no mundo real, as propriedades valem mais. Estimou-as em R$ 20 milhões.

As terras foram registradas em nome de Juquinha, da mulher dele, Marivone, e dos filhos: Jader, Jales e Karen.

A escritura anota que Juquinha pagou pelas terras por meio de 20 transferências bancárias, feitas ao longo de seis meses.

Moradores locais informam que parte do pagamento foi feito em moeda sonante. “Eles chegaram para pagar, chegou com uma mala de dinheiro”, disse um deles.

Além das cifras, um detalhe injeta um quê de inusitado na transação. O negócio foi fechado apenas dois meses depois do anúncio da construção de uma linha férrea.

Chama-se Ferrovia de Integração Centro-Oeste. Projetada pela Valec, então presidida por Juquinha, a obra corta a região das fazendas adquiridas pelo mesmo Juquinha.

Quer dizer: ao mesmo tempo em que cuidava do projeto da ferrovia, Juquinha providenciava a compra das terras.

Os dormentes nem foram assentados e as terras já subiram de preço. Antes, um alqueire era cotado na região a R$ 18 mil.

Hoje, estima o Crea, vale entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. A chegada da Centro-Oeste tonificará a cotação em até 30%.

Juquinha foi procurado em Goiânia, no luxuoso condomínio em que mantém residência. Informou-se que ele não estava.

O ex-mandachuva da Valec mandou dizer que não daria entrevista para explicar de onde veio o dinheiro que custeou a aquisição das terras de Mundo Novo.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 22h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No Rio, bueiros ‘saltam’; em Manaus, são ‘assaltados’

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 21h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na cidade de SP, os negociante$ do PR ‘foram à feira’

   Folha
Quando parecia que todas as teorizações filosófico-morais sobre o PR já haviam sido feitas, eis que surge matéria-prima para novas teses.

Graças a uma notícia produzida pelas repórteres Vera Magalhães e Daniela Lima, descobriu-se que, em São Paulo, os negócio$ do PR foram à feira.

No miolo da encrenca, encontra-se o vereador-cantor Agnaldo Timóteo. Em carta a um ex-amigo, Timóteo alvejou os pés (de barro) do seu partido, o PR.

Chama-se Geraldo de Souza Amorim o destinatário da carta de Timóteo. A filha dele estava empregada no gabinete do remetente.

Súbito, Timóteo demitiu a filha de Geraldo, acomodando outra pessoa na vaga. Ganhou um ex-amigo. Na carta, o vereador tenta explicar-se.

Lero vai, lero vem Timóteo realça no texto que Geraldo sempre recebera dele tratamento diferente do dispensado por outras pessoas do PR:

"Você se lembra, Geraldo, que os oportunistas do meu partido te exigiram R$ 300.000,00 mensais?...”

“…E eu pergunto: te pedi alguma coisa para levá-lo ao nosso ministro? Pedi alguma coisa para levá-lo à mesa do prefeito Kassab?".

O “ministro” mencionado por Timóteo é o senador Alfredo Nascimento, recém-apeado da pasta dos Transportes.

Na audiência intermediada por Timóteo, Geraldo obteve autorização para instalar uma feira num terreno da antiga Rede Ferroviária Federal.

Da “mesa do prefeito [Gilberto] Kassab”, arrancou-se o assentimento para a abertura da ser a “Feira da Madrugada”, no centro de São Paulo.

Os “R$ 300 mil mensais”, insinua Timóteo na carta, referiam-se à propina exigida pelos “oportunistas” do PR.

No rodapé da carta, Timóteo menciona um nome que emerge de 110% dos negócios conduzidos pelo Partido da República.

"Os maus conselheiros te levaram a peitar o Waldemar [sic] e, lamentavelmente, te ajudaram a perder sua galinha com ovos de ouro. Que pena!"

A despeito da grafia errada, o “Waldemar” citado por Timóteo, informaram feirantes ouvidos pela reportagem, é o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Apurou-se que, depois que Geraldo perdeu sua “galinha com ovos de ouro”, o grão-pêérre Valdemar passou a negociar com os novos mandachuvas da feira.

Procurado, Valdemar negou a cobrança de propina. Para azar do todo-poderoso secretário-geral do PR, a carta de Timóteo vazou.

Foi parar nas mãos do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), que encaminhou o texto ao Ministério Público Federal.

A Procuradoria requereu à Polícia Federal a abertura de um inquérito. Pediu que o vereador Timóteo seja inquirido “com urgência”.

Assim, empurrada pelo Ministério Público, a PF fará em São Paulo o que demora a fazer em Brasília, onde a xepa do PR funciona no Ministério dos Transportes.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 20h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nas pegadas de Lula, FHC também ‘abre’ site na web

Fernando Henrique Cardoso pendurou no cristal líquido, nesta quinta (21), um novo site.

Hospedado na página do Instituto FHC, a página foi batizada de “Observador Político”.

A iniciativa chega uma semana depois de Lula ter levado à web o site “icidadania”.

A página de Lula serve de vitrine para as andanças do ex-soberano pelo país.

No dizer do dono, servirá também para “falar bem e falar mal das pessoas”.

A página de FHC foi vendida como "site de caráter apartidário e politicamente independente".

A exemplo do antagonista, FHC também expôs seus propósitos num vídeo inaugural (assista lá no alto).

Na peça, o grão-tucano enaltece a importância da internet, um espaço que “joga um papel grande.”

Como assim? "Tudo está tão interligado por causa da internet, ou bem nós passamos a discutir, ou não saímos do lugar."

Sem mencionar o PT ou Lula, FHC afirma: "Política, hoje, não é coisa de partido, de instituição, de um líder, é de todo mundo". Acrescenta:

"Alguém vai dar ordem sempre, mas não é isso que vai mudar o mundo. Mudança no mundo depende da mudança de comportamento, e todos querem participar."

Menciona a melhoria das condições de vida do brasileiro sem situar o avanço no tempo. Prega a necessidade de qualificar a mudança:

"Como agora, no Brasil, muita gente está melhorando de vida, está na hora também de elas melhorarem mais profundamente…”

Está na hora de “…se interessarem mais umas pelas outras e pelo destino do conjunto da sociedade, opinando".

Diferentemente do site de Lula, fechado a comentários a despeito do format de blog, o de FHC convida o internauta à participação.

O vídeo que traz a fala de FHC termina com uma pergunta: “Tem algo a dizer?”

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: é mais barato manter agricultor do que mendigo

  Ricardo Stuckert/PR
Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva encontra-se em Pernambuco. Chegou no início da tarde.

No primeiro compromisso, almoçou na casa do governador Eduardo Campos (PSB). Sobre a mesa, peixe, carne de sol e bode.

Testemunhas do repasto, assessores do governo pernambucano informaram que Lula não bebeu senão água.

Na saída, embora os repórteres implorassem, Lula não falou. Protegido por seguranças, foi descansar no hotel.

O ex-soberano tivera uma manhã movimentada. Ainda em Salvador, participara do lançamento do plano de custeio da safra da agricultura familiar da Bahia.

Presentes, além do governador petista Jaques Wagner, o ministro Afonso Florence (Reforma Agrária) e uma platéia de agricultores.

Ovacionado, Lula recebeu um tratamento de Dilma Rousseff. Os oradores chamaram-no ora de “presidente” ora de “eterno presidente do Brasil”.

Poderiam tê-lo chamado de “eterno candidato”. Foi em timbre de candidato que Lula discursou. Para os seus padrões, falou pouco. Coisa de 15 minutos.

O suficiente para “incomodar muita gente”, como prometera na semana passada. A certa altura, disse:

"Custa mais caro o trabalhador deixar o campo e virar mendigo na cidade do que a gente manter o trabalhador no campo."

Jactou-se dos “feitos” de seus dois reinados: "Eu tenho viajado o mundo, já percorri mais de 20 países desde janeiro. Tenho mostrado o que aconteceu aqui no Brasil.”

Comparou: “Tenho orgulho de dizer que você dá R$ 10 na mão de um pobre e que isso se transforma em comida. Mas dá um milhão a um rico, e isso vai para a conta bancária."

Lula fala com conhecimento de causa. Ex-presidente, tornou-se palestrante próspero. Recebe R$ 200 mil por palestra.

Não há vestígio de dinheiro guardado sob os colchões do apartamento de cobertura que serve de abrigo para os Silva, em São Bernado.

Sem mencionar FHC, Lula manteve o velho estilo de fustigar o antecessor tucano:

”Esse País era governado para um terço da população, era uma cultura governar apenas para esse terço…”

“…Dois terços já era considerado como fatalidade de Deus, que tinha que ser pobre e nós provamos o seguinte…:”

“…Dê oportunidade que o pobre não quer ser pobre, quer ser classe média e se brincar ele quer ser rico.”

Na capital pernambucana, após o justificado descanso, Lula será homenageado pela Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque.

A apresentação dos meninos, moradores da comunidade pobre do Coque, no Recife, acontecerá num parque batizado com o nome da mão de Lula, dona Lindu.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Europa fecha pacote de ajuda à Grécia: € 109 bilhões

  Steffen Kugler/AP
Reunidos em Bruxelas, líderes da União Européia concluíram o embrulho de socorro à Grécia. Vai custar
109 bilhões.

É o segundo “pacote de grego”. O primeiro havia sido anunciado em maio do ano passado.

Participam do socorro os governos europeus e o FMI. Dessa vez, entrou na dança também o setor privado.

Os bancos privados borrifarão na operação 37 bilhões. Significa dizer que um pedaço da dívida da Grécia, 350 bilhões, será levada no beiço.

Afora o semicalote consentido, a Grécia será brindada com empréstimos novos, a custos menores.

As taxas de juros cairão de 4,5% para algo em torno de 3,5% e 4%. O prazo de pgamento sera esticado de 7,5 anos para 15 anos.

Outros países dos fundões da Europa, igualmente encalacrados, serão beneficiados com as novas condições creditícias. Entre eles Portugal e Irlanda.

O acerto do pacote grego era aguardado com apreensão pelos mercados do mundo.

Talvez não seja suficiente para içar a Grécia do limbo econômico. Mas o simples anúncio espalhou alívio, inclusive no Brasil.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 17h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Afinal, PF vai investigar Transportes? Não, sim, talvez

  Folha
Nenhum sonífero é mais eficaz do que a certeza. A dúvida, inversamente, produz insônias cruéis.

Veja-se o caso do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Perde-se em hesitações diante da da endemia de corrupcão dos Transportes.

Acionar ou não acionar a Polícia Federal?, eis a questão. Há dez dias, Cardozo disse que não acionaria: "Não posso abrir in abstrato um inquérito."

“A CGU está atuando para auditar contratos e, se disser que surgiram fatos novos, aí se abre o inquérito."

O trabalho da CGU ainda não terminou. Está prometido para agosto. A despeito disso, Cardozo passou a dizer que a PF “pode” entrar em campo.

O ministro agora diz ter encomenddado à PF uma análise "dos fatos noticiados, para verificar se em relação a alguns deles não havia ainda inquérito aberto”.

Sim, muito bem, e daí? “Naqueles [casos] que, eventualmente, não tenham implicado ainda na abertura de inquérito, serão abertos novos inquéritos."

Aliás, disse Cardozo, "a Polícia Federal já faz apurações há muito tempo de situações de obras, inclusive do Ministério dos Transportes.” Hummm!

“Não há porque ter qualquer mudança nessa ótica, porque já temos muitos inquéritos abertos […] em relação a […] obras do Ministério dos Transportes." Ah, bom!

O ministro ainda não se deu conta. Mas há ocasiões na vida em que é melhor entrar logo no tiroteio do que morrer como um “inocente” transeunte que ia passando.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 15h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Turismo repassa R$ 52 mi a ONG dirigida por suspeito

Dilma Rousseff ainda nem terminou de limpar o setor dos Transportes e o noticiário já traz novos focos de sujeira.

O repórter Jailton de Carvalho descobriu sob o tapete do Ministério do Turismo um lote de três convênios esquisitos.

Resultaram no repasse de R$ 52 milhões a uma ONG chamada IBH (Instituto Brasileiro de Hospedagem).

Coisa destinada ao financiamento de cursos à distância para preparar mão de obra para a Copa de 2014 –mensageiros, recepcionistas e gerentes de hotel.

Preside o IBH César Gonçalves, um empresário que responde a duas ações do Ministério Público por suposta improbidade administrativa.

Gonçalves dirigiu a estatal de turismo do governo do DF, a Brasíliatur. Deixou o posto, há três anos, sob denúncias de desvios. Daí as ações.

Nessa época, governava o DF José Roberto Arruda –aquele que renunciou depois que o mensalão do DEM carbonizou o que lhe restava de prestígio e de mandato.

Dos três convênios que abriram o caixa do Turismo à ONG, dois foram firmados sob Lula (R$ 9,9 milhões e R$ 16,8 milhões). O outro, sob Dilma (R$ 25,5 milhões).

Deu-se há 15 dias, em 6 de julho, a celebração do último convênio, o de R$ 25 milhões. Tudo se passou em menos de 30 minutos.

O plano de trabalho do IBH aportou no ministério às 16h14. Às 16h19, vapt: a proposta foi à análise. Às 16h34, vupt: já estava aprovada,.

A ONG bafejada com os repasses milionários funciona num pequeno escritório do Setor Bancário Norte de Brasília. Tem quatro funcionários.

Ouvido, o empresário César Gonçalves tentou negar que fosse alvo de um par de ações por improbidade.

Confrontado com as cópias, minimizou a encrenca. Meras acusações, disse ele, sem provas que o incriminem. Coisa de rivais políticos. Quem? Não disse.

“Um total de 80% dos gestores [públicos] estão respondendo a algum procedimento [judicial]. Isso é normal em gestão pública”, afirmou Gonçalves.

Dilma que o diga!

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Ajudante da Dilma’, Lula 'inaugura' hospital na Bahia

  Ricardo Stuckert/PR
Em pleno usufruto de sua ex-presidência, Lula teve na Bahia uma agenda de quase-futuro-candidato à re-re-reeleição.

Na cidade de Feira de Santana, o ex-soberano protagonizou a pseudo-inauguração de um hospital dedicado ao tratamento de crianças.

A obra ficou pronta em 2010. Lula pretendia cortar a fita ainda como presidente. No dia da viagem, porém, uma tempestade impediu o pouso do helicóptero.

Acompanhado do governador petista Jaques Wagner, Lula trocou um dedo de prosa com os repórteres.

Instado a comentar sua nova condição, ele se autonomeou “ajudante da presidente Dilma”.

Repisando uma tecla que começou a pressionar na semana passada, declarou-se disposto a “andar pelo Brasil” e “voltar a conversar com o povo brasileiro”.

E Dilma precisa de ajuda? “Tenho plena convicção da competência dela e que vai fazer um extraordinário governo e naquilo que for necessário ajudar estarei ajudando”.

Mais cedo, Lula estivera em Santo Amaro da Purificação. Visitara dona Canô, 103, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Nesse primeiro estágio, negara-se a comentar a encrenca moral do Ministério dos Trasportes. Porém, o tema viajou com ele para Feira de Santana.

Perguntou-se a Lula o que achava da quantidade de exonerações –16, se for incluído na conta Luiz Antonio Pagot, o chefão do Dnit que está em férias.

E ele: “Pode chegar a cem, a um milhão, a dez milhões. O problema é o seguinte, eu dizia isso quando era presidente e tenho certeza que Dilma pensa igual:…”

“…Só existe uma forma de as pessoas não serem investigadas, não serem punidas. É as pessoas não cometerem erros…”

“…Se as pessoas agirem com honestidade, com decência, todo mundo poderá ser absolvido”.

Afora o fato de chamar de “erro” o que o Código Penal tipifica como crime, Lula esquivou-se de lembrar que o time de afastados foi escalado na gestão dele.

Sempre ciceroneado por Jaques Wagner, Lula fechou a agenda do dia em Salvador, num encontro fechado com o petismo baiano.

O vaivém do ex-soberano foi feito em helicópero bancado pelo contribuinte baiano. Nesta quinta (21), Lula vai “ajudar” Dilma em Pernambuco.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 04h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Globo: Transportes tira mais três, e PR ameaça retaliar Dilma

- Folha: Perícia atesta fraude na criação da sigla de Kassab

- Estadão: SP banca custo para estádio do Corinthians abrir Copa

- Correio: Seis meses de agonia à espera de um exame

- Valor: Vale e Petrobras acertam megaprojeto de potássio

- Estado de Minas: Algemados

- Jornal do Commercio: Ministro promete recuperar estradas

- Zero Hora: Alerta no estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Detritos!

Sinfrônio

- Via Diário do Nordeste. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alvejado pelo PR, PT nega ‘proteção’ de Dilma no Dnit

  Antônio Cruz/ABr
Sob críticas do PR, que cobra a demissão do petista Hideraldo Caron do Dnit, o PT apressou-se em negar o tratamento privilegiado de Dilma Rousseff à legenda.

“A presidente Dilma está tratando todos por iguais. Não tem processo de proteção desse ou daquele”, disse Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara.

“Se tiver problema ético ou mesmo problema político que ela queira mudar, ela não tem se baseado pelo partido…”

“…Agora, não é poruqe demite de um partido que tem que demitir de outro. O problema é o fato em si”.

Líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) ecoou Vaccarezza:

“Ela [Dilma] tem uma balança que equilibra todos os partidos que estão na sua base de apoio…”

“…Portanto não é uma medida contra um partido especialmente. Se acontecer um outro problema em ministério que tiver outro partido, ela terá a mesma medida.”

As manifestações de Vacarezza e de Teixeira foram levadas, na forma de entrevista, à página do PT na web. Estão disponíveis aqui e aqui.

Foram veiculadas nas pegadas de críticas ácidas pronunciadas pelo líder e pelo vice-líder do PR na Câmara, respectivamente Lincoln Portela (MG) e Luciano Castro (RR).

Tomados pelas palavras, Portela e Castro esboçaram um quadro de reavalização do apoio do PR ao governo. Anunciaram que o tema vai a debate no início de agosto.

Vaccarezza manuseou panos quentes: “Eu acho que o PR é um grande aliado, não existe nenhum processo de rompimento com o PR…”

“…O que existiu foi uma questão administrativa concreta, com base em denúncias concretas no Ministério dos Transportes…”

“…A presidenta escolheu um caminho para resolver os problemas. Agora, se atingir PT, se atingir PR, PCdoB, ou se atingir PSB, isso é outra discussão.”

Portela queixara-se dos métodos de Dilma. As demissões na pasta dos Transportes ocorrem, disse ele, em ritmo de “conta-gotas” e sem oportunidade de defesa.

Por ora, foram afastados do ministério, controlado pelo PR desde a gestão Lula, 15 pessoas. Diretor do Dnit, o petista Hideraldo Caron não consta da lista.

Para Portela, vende-se à opinião pública a tese segundo a qual "todo mundo [que ocupa cargos nos Transportes] é do PR e ninguém presta. Não estamos na Venezuela, em Cuba.”

O vice-líder Castro se expressa no mesmo timbre. Sobre o ritmo das demissões, pergunta: "Por que não fazer isso de uma vez só?”

Ele mesmo responde: “Me parece uma forma de fazer expor o nosso partido e deixar uma situação desconfortável com o governo."

Quanto à sobrevivência do petista Caron, Castro recorda: “O Dnit tem uma administração compartilhada”.

Perguntou-se a Vaccarezza se Caron está sendo protegido. Ele contornou:

“Não há uma punição de partido. O que há é uma conduta administrativa, ética que a presidente julga que é o melhor caminho”.

Repisou-se a pergunta: Não haveria proteção a Caron? E Vaccarezza: “Que eu sei, do PT, nenhuma, e também, do que sei, da própria presidente Dilma”.

Embora não tenha sido questionado diretamente sobre o caso do petista do Dnit, o líder Teixeira soou assim na entrevista veiculada pelo PT:

“Se tiver alguma irregularidade envolvendo pessoas do nosso partido, elas serão, na minha opinião, igualmente afastadas pela presidenta”.

Mais adiante, acrescentou: “As pessoas estão nos cargos que estão, porque são competentes, são honestas e tem igualmente apoio para estarem lá…”

“…Se algum desses aspectos deixar de existir, […] essa pessoa, evidentemente, sai.”

O que se espera, segundo Teixeira, “é que os partidos indiquem pessoas que preencham os critérios de honestidade e de competência”.

Antes, o vice-líder Castro realçara que o ex-ministro Alfredo Nascimento e toda a turma de assessores ligados ao PR atravessaram a gestão Lula sem questionamentos.

Castro lançou na atmosfera uma interrogação incômoda: Por que “em tão pouco tempo [de gestão Dilma] desaba o mundo?".

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 23h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Presidente tucano reúne-se com ministra petista Ideli

  José Cruz/ABr
O deputado Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB federal, esteve no Palácio do Planalto nesta quarta (20).

Reuniu-se com a ministra petista Ideli Salvatti, a coordenadora política de Dilma Rousseff. Sobre o que conversaram?

No oficial, informou-se que Guerra foi a Ideli para pedir a liberação de verbas orçamentárias para cidades pernambucanas castigadas pelas enchentes.

No paralelo, além da dupla, só Deus e as paredes do gabinete conhecem o inteiro teor do diálogo.

O pano de fundo da visita de Guerra a Ideli traz gravados dois gestos de aproximação protagonizados por Dilma.

Num, a sucessora de Lula convidou FHC para o almoço servido no Itamaraty a Barack Obama.

Noutro, Dilma endereçou a FHC, 80, uma mensagem de aniversário que, por afetiva, deixou surpresos os tucanos e perplexos os petistas.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 22h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tarso Genro vê risco de ‘denuncismo’ no país. Heim?

José Cruz/ABr

Certos comentários, surgidos do nada, cortam o silêncio com exclamações velozes, contornam no ponto de interrogação e, silenciosamente, retornam ao nada.

O governador gaúcho Tarso Genro (PT), por exemplo, engatou uma série de observações sobre a encrenca que convulsiona a pasta dos Transportes.

Cuidou, primeiro, de defender o companheiro Hideraldo Caron, o petista que sobrevive na diretoria do Dnit.

"Eu conheço ele há 30 anos e duvido que o Hideraldo tenha cometido alguma ilegalidade por motivos dolosos ou interesses próprios."

O governador fez uma escala no óbvio: "Que tem problema o Ministério dos Transportes não é nenhuma novidade.”

De fato, considerando-se a idade de alguns relatórios do TCU, os malfeitos vêm de longe. Já aconteciam à época em que Tarso era ministro da Justiça de Lula.

Em seguida, Tarso, agora apartado do comando da Polícia Federal, rendeu homenagens à confusão: “Nós temos que observar o que é efetivamente corrupção…”

“...O que é denúncia de empreiteira que perdeu contrato e o que é denúncia política para fazer combate político ao governo."

Para o governador, Dilma acerta ao mandar ao meio-fio os servidores sob suspeição. É de supor que Tarso acredite que a corrupção prevalece sobre todas as alternativas.

Por último, o grão-petê gaúcho verbalizou o receio de que o país mergulhe numa onda de “denuncismo generalizado”.

Nesse ponto, cabe perguntar: as denúncias se generalizam por que o roubo se eterniza ou a roubalheira avulta por que há escassez de refletores?

Ou ainda: o que é pior, os holofotes acesos ou os gestores que, sob luzes, fazem por pressão o que deixaram de fazer por obrigação? 

Por sorte, as manifestações de Tarso Genro, por extemporâneas, perderam-se em si mesmas. Saídas do nada, ao nada retornaram.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 21h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

BC eleva taxa básica de juros pela 5ª vez, para 12,50%

O inverno derrubou a temperatura. Assessores despencam do organograma dos Transportes como frutas podres. Tudo cai em Brasília, menos os juros.

O Banco Central anunciou a quinta elevação consecutiva da Selic, a taxa básica de juros. Foi de 12,25% para 12,50% ao ano.

Decisão unânime dos membros do Copom, tomada depois de analisar o “cenário prospectivo” da economia e de sopesar “os riscos para a inflação”.

No acumulado de 12 meses, o IPCA, índice oficial de inflação, encontra-se em 6,71%. Bem acima da meta anual do governo, de 4,5%.

O BC e a Fazenda já desistiram de trazer a inflação para as cercanias do centro da meta em 2011. Adiaram o esforço para 2012.

Tenta-se, porém, derrubar o índice ao menos para 6,5%, o teto da meta de inflação, que prevê tolerância de dois pontos –para cima ou para baixo dos 4,5%.

O propósito do BC é o de resfriar a economia. Administra-se o veneno dos juros em conta-gotas, para não derrubar o PIB além do "necessário". 

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No STJ, Agnelo libera os salários do bloqueio de bens

  Folha
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), obteve no STJ o desbloqueio parcial de sua conta bancária. 
O ministro Cstro Meira autorizou Agnelo a sacar mensalmente quantia equivalente ao salário mensal.

No mais, foi mantida a indisponibilidade de bens decretada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. Conforme noticiado aqui, Agnelo é réu numa ação em que o Ministério Público pede o ressarcimento de verbas supostamente malversadas nos Jogos Panamericanos.

Desvios de 2007, época em que Agnelo respondia pelo Ministério dos Esportes, sob Lula. Ele nega participação no malfeito.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 19h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De Lula para dona Canô: ‘por que não chamou Samu?’

Daniel Marenco/Folha

Lula ‘vou voltar a viajar pelo país’ da Silva visitou nesta quarta (20) dona Canô, a mãe de Caetano e Bethânia.

"Hoje é o Dia do Amigo. Por isso, vim visitar uma amiga", disse o ex-soberano ao chegar à casa da moradora mais ilustre de Santo Amaro da Purificação (BA).

Sobre política, Lula não quis falar. A roubalheira dos Transportes? Passou. preferiu distribuir chistes.

Na conversa com dona Canô, recém-saída de uma internação hospitalar, Lula inquiriu:

"Por que não chamou a [ambulância do] Samu? Se chamar a Samu e ela não atender, pode cortar outro dedo meu."

Samu, como se sabe, é o serviço de atendimento móvel de urgência do SUS. Foi implantado em 2003, no início do primeiro reinado de Lula.

Às voltas com dificuldades respiratórias e dores abdominais, dona Canô, 103 anos, teve de ser deslocada para um hospital de Salvador no começo de julho.

Bem posta na vida, a família da boa senhora achou melhor não recorrer ao Samu. Ela teve o socorro desejado. E Lula manteve a salvo os nove dedos que lhe restam.

Lero vai, lero vem o visitante injetou Seleção Brasileira na conversa. Disse que a cidade de Santo Amaro poderia sediar uma escolinha de futebol.

Para quê? “Pra ensinar o pessoal a bater pênaltis, pra gente não passar vergonha que nem a gente passou lá [na Argentina, na eliminação da Copa América]".

Terminada a visita, Lula embarcou num helicóptero junto com o governador petista da Bahia, Jaques Wagner.

Voaram para Feira de Santana (BA). Ali, visitarão um hospital erigido com verbas federais no segundo reinado de Lula.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 18h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Protegidos de Valdemar deveriam ter código de barras

Miran

Subiu para 15 o número de cabeças ceifadas no setor dos Transportes. Nesta quarta (20), desceram ao ‘Diário Oficial’ mais três exonerações.

Entre os novos escalpos, mais um apadrinhado do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Atônita, a platéia grita: “Afinal, quantos protegidos o Valdemar nomeou?”

Para facilitar, Dilma Rousseff deveria baixar uma ordem: apadrinhados de gente como o companheiro Valdemar deveriam usar na lapela um código de barras.

De Pernambuco, onde se encontra, o ministro Paulo Passos (Transportes) disse que manuseia a vassoura com “autonomia”.

"Tenho autonomia e a confiança da presidente. Vou tomar as decisões que eu entendo que deva adotar. Quando necessário submeter qualquer tipo de assunto à sua consideração, eu o farei".

Com a faxina pelo meio, conviria a Paulo Passos implantar na porta do ministério um rigoroso esquema de vigilância.

Já é hora de revistar com rigor os brasileiros que, em dia com suas obrigações tributárias, são obrigados a visitar a pasta por qualquer razão.

Os seguranças apalpariam o visitante de cima a baixo, para verificar se está armado. Os desprevenidos receberiam uma arma na entrada.

- Ilustração via 'Miran Cartum'. Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 17h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No Rio, quem não olha para baixo comete ‘bueiricídio’

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 15h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pagot recebe ‘beijo da morte’ de Maggi, o seu patrono

José Cruz/ABr

Jurado de morte por Dilma Rousseff, Luiz Antonio Pagot desfila cheio de vida pelos porões a crise dos Transportes.

Desde que driblou a ordem de afastamento com um pedido de férias, Pagot confere diariamente os avisos fúnebre do noticiário.

Súbito, o senador Blairo Maggi (PR-MT), patrono do mandachuva do Dnit, pespegou na face do pupilo o beijo da morte:

"Por maior capacidade técnica e de trabalho que tenha o Pagot, não vejo condições políticas para a continuidade dele à frente do órgão", disse Maggi, em Cuiaba.

Recolhidas pelo repórter Rodrigo Vargas e reproduzidas na Folha, as palavras do senador soaram como rendição incondicional:

"Minha posição não é de mudança de postura ou de ir para oposição. A presidente tem que ter autonomia de montar uma nova equipe, sem contemporizar com aliado."

Quer dizer: no comando da guilhotina, Dilma está, por assim dizer, liberada para descer a lâmina.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 06h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maioria dos americanos desaprova a ‘guerra’ da dívida

 Divulgação

Pesquisa feita pelo Gallup em parceria com o diário USA Today revela: a maioria dos americanos desaprova o comportamento dos partidos na batalha da dívida dos EUA.

O presidente Barack Obama reivindica no Congresso autorização para elevar o teto de endividamento do Tesouro americano, hoje fixado em R$ 14,3 trilhões.

A decisão precisa ser tomada até 2 de agosto. Do contrário, o Tesouro americano não terá como rolar sua dívida, inaugurando um calote de reflexos planetários.

O Gallup perguntou aos pesquisados se os personagens da batalha acomodam os interesses do país acima dos seus próprios interesses políticos.

Para 72%, os membros do Partido Republicano, antagonista de Obama, comparecem ao debate da dívida mais interessados em suas conveniências políticas que no país.

Para 65%, também o Partido Democrata, legenda de Obama, debate o teto da dívida mais preocupado com a política do que com o interesse dos EUA.

Quanto ao papel desempenhado por Obama no front da dívida, o eleitorado americano dividiu-se praticamente ao meio.

Na opinião de 47% dos entrevistados, o presidente move-se pelo país. Para 49%, Obama não mira senão propósitos políticos.

Ou seja: no confronto estatístico, Obama fica mais bem posto na foto do que os congressistas republicanos e democratas.

Realizada entre os dias 15 e 17 de julho, a sondagem foi divulgada nesta terça (19). A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

A exposição dos dados coincidiu com a aprovação, na Câmara dos Representantes dos EUA, de projeto de lei que autoriza, sob condições, a elevação do teto da dívida.

O texto aprovado na Câmara, de maioria republicana, vai na contramão do que pede Obama. Carrega nos cortes de gastos, inclusive os sociais, e inibe a elevação de impostos.

Porém, costura-se uma proposta diferente no Senado, Casa em que os democratas dispõem de maioria frágil.

Com a participação dos republicanos e sob aplausos de Obama, os senadores empinam um projeto que combina cortes e aumentos de impostos.

A pesquisa Gallup/USA Today ajuda a compreender a súbita busca pela harmonia no Senado.

Afora a percepção de que os políticos pensam mais em si mesmos do que nos EUA, os pesquisados atribuíram aos atores da guerra baixos índices de aprovação.

Os republicanos amealharam taxa de aprovação de 28%. Os democratas, 33%. E Obama, 45%.

Nada muito diferente da média captada pelo Gallup nas pesquisas realizadas desde agosto do ano passado. São taxas muito baixas, contudo.

Desde que tomou posse, em 2009, o índice de aprovação mais miúdo de Obama fora de 41%.

O prestígio dos partidos começou a ser medido em junho de 1999. Desde então, a menor taxa de aprovação dos republicanos fora de 25%. Dos democratas, 30%.

Quer dizer: em meio ao debate sobre o pé direito do endividamento dos EUA, os partidos roçam o piso da aprovação junto ao eleitorado.

Obama, embora não tenha motivos para soltar fogos, emerge da pesquisa em posição menos incômoda do que a dos congressistas.

No geral, O Gallup revela que o eleitor americano não ignora o essencial: a discussão sobre a rolagem da dívida está intoxicada pelo veneno sucessório.

A sucessão dos EUA está agendada para 2012. Os republicanos enxergaram no embate da dívida uma oportunidade para fragilizar Obama, candidato à reeleição.

A julgar pelos dados colecionados pelo Gallup, o eleitor americano, assediado pela crise, acha que os políticos deveriam esquecer as urnas.

Vem daí o cheiro de consenso que começa a exalar dos debates travados no Senado. Melhor para os mercados mundiais.

- Siga o blog no twitter

Escrito por Josias de Souza às 05h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Globo: A tragédia da corrupção - Dilma amplia faxina e varre mais seis nos Transportes

- Folha: Faxina derruba mais 6 nomeados dos Transportes

- Estadão: 'Faxina' nos Transportes derruba mais seis e continua

- Correio: O brasileiro virou bobo da corte

- Valor: Dados mostram economia ainda em ritmo vigoroso

- Estado de Minas: DNIT desgovernado nós somos as vítimas

- Zero Hora: Piratini pede discrição policial em operações

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Site de relacionamento$!

Paixão

- Via 'Gazeta do Povo'. Siga o blog no twitter.