Josias de Souza

Bastidores do poder

 

PT: risco de escalada inflacionária é ‘propagandístico’

Após refiliar Delúbio, partido prega combate à corrupção

Legenda vê oposição  fragmentada, dividida e sem rumo

 

ABr

Terminou neste sábado a reunião do diretório nacional do PT, iniciada na véspera. Aprovaram-se duas resoluções.

Numa, a legenda fixa as “tarefas prioritárias” para 2011. Noutra, esboça a estratégia para aprovar no Legislativo a reforma política.

As duas resoluções do petismo estão disponíveis aqui e aqui. Esmiuçou-as, em entrevista, o novo presidente do PT, Rui Falcão.

Três pontos chamam especial atenção:

1. Inflação: num instante em que a inflação roça o teto da meta anual do governo, de 6,5%, o PT afirma que o risco de volta da carestia é artificial.

Num de seus textos, o partido anota que são “mais propagandísticos que reais” os riscos de uma “escalada inflacionária”.

Ironiza as críticas da oposição à estratégia econômica do governo. Afirma que, sob FHC, esse tipo de debate “era desqualificado”.

Vigorava, então, segundo o PT, “a hegemonia do ‘pensamento único’ e das políticas neoliberais.

Os críticos eram chamados de “neobobos”. As ressalvas eram atribuídas ao “radicalismo petista, partidário do ‘quanto pior, melhor’.”

Agora, anota o PT em sua resolução, revive-se “o interesse pelo debate sobre a política econômica do governo”.

Bom que seja assim, prossegue o documento. A população pode comparar e escolher “quais caminhos trilhar”.

O PT defende a trilha adotada por Dilma, que combina alta dos juros com outras medidas –alta do compulsório dos bancos e restrição ao crédito, por exemplo.

Nas palavras do PT, o combate à inflação não pode “sacrificar as políticas de desenvolvimento social". O PIB tem de crescer “entre 4% e 4,5%” em 2011.

2. Corrupção eleitoral: menos de 24 horas depois de refiliar Delúbio ‘Mensalão’ Soares, o PT falou de corrupção numa de suas resoluções.

O trecho dicotômico consta do documento em que o partido cuida de reforma política.

Repisa, entre outros pontos, a necessidade de eliminar da legislação eleitoral “vícios” como “o financiamento privado” das campanhas.

Defende que o dinheiro dos impostos do contribuinte passe a bancar as eleições.

Sustenta que, com verba pública, elimina-se “a influência do grande capital na política”. Um fenômeno que “favorece a corrupção”.

Tudo isso depois do reingresso de Delúbio, gestor das valerianas arcas “não contabilizadas” do PT.

Curiosamente, a Polícia Federal de Lula e Dilma sustenta que o grosso das verbas espúrias coletadas no mensalão tiveram origem pública.  

Significa dizer: não será a convocação do contribuinte que vai eliminar o dinheiro por baixo da mesa, seja público ou privado.

3. Oposição: O PT dedica parte de uma de suas resoluções à análise dos desencontros de seus rivais.

Afirma que, ainda sob os efeitos da derrota de 2010,  “os adversários do PT e do governo Dilma fragmentam-se”.

Menciona a lipoaspiração provocada pelo novo partido do ex-demo Gilberto Kassab:

“O esvaziamento do DEM, desidratado pelo lançamento do PSD em formação, acena para eventual fusão com o PSDB”.

Sem mencionar nomes, cita a disputa interna do tucanato, marcada pela queda de braço entre lideranças como José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin:

“Envoltos numa guerra de cúpula pelo comando do partido e às voltas com a debandada de seis vereadores paulistanos, os tucanos debatem-se à procura de um rumo para a oposição”.

Para o PT, os antagonistas DEM e PSDB vivem “uma profunda crise de identidade”. A resolução aprovada pelo diretório petista ironiza FHC:

“Resumo da história: em artigo que acendeu polêmica em suas próprias hostes, até seu patrono intelectual desistiu de dialogar com o povo”.

Trata-se de referência ao texto em que FHC recomendou à oposição priorizar a classe média em detrimento do “povão”, já seduzido pelo PT.

A despeito da avaliação azeda, o texto do PT recomenda à sua tropa que não subestime os rivais.

Por quê? “A oposição representa setores consideráveis da classe dominante, controla o poder em vários Estados e tem a seu lado importantes aparelhos de poder”.

Nas entrelinhas, lê-se a preocupação do petismo com o aparelhamento eleitoral de governos como o de São Paulo e o de Minas Gerais, em mãos tucanas.

Pode-se depreender que, no encalço de seus objetivos políticos, o PTnão hesitará em acionar a mãe de todas as máquinas, a engrenagem federal.

Assim começam as encrencas que resultam nos escândalos que convertem os escrutínios periódicos em "escrotínios".

Não há de ser nada. O PT pós-Delúbio preocupa-se com a corrupção. Fala do tema com uma veemência muito parecida com a sinceridade.

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Escrito por Josias de Souza às 19h57

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Dúvida repentina: e se democracia for isso mesmo?

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Escrito por Josias de Souza às 17h54

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ACM Neto: ‘Política vive uma síndrome do adesismo’

‘O Maior amigo de Serra  no DEM  está no colo de Dilma’

‘Kassab partiu para destruir o DEM. Partido não acabou’

‘Projeto da oposição precisa ser construído, não existe’

DEM  e  PSDB  ‘têm  que ter a coragem de ir  para a  rua’

 

  Sérgio Lima/Folha
O DEM ainda se chamava PFL quando o deputado federal ACM Neto obteve seu primeiro mandato, em 2002. Chegou à Câmara numa má hora.

Seu partido assumira o poder pouco depois de as caravelas de Cabral aportarem em Porto Seguro. Com a eleição de Lula, virou oposição.

Herdeiro de uma dinastia cevada à base de cargos e verbas, o neto de ACM e sobrinho de Luis Eduardo Magalhães vive o seu pior momento.

Líder de uma legenda à deriva, ele desperdiça saliva tentando convencer os liderados de que oposição não é sentença de morte política.

“A gente tenta mostrar que pode ter um projeto futuro, mas boa parte dos políticos só enxerga o dia de amanhã. Os políticos acham que só sobrevivem nas barras da saia do governo”.

ACM Neto falou ao repórter Leandro Loyola. O resultado da conversa foi às páginas da revista ‘Época.

A pregação do líder surte pouco efeito. Apartados dos cofres há quase uma década, os partidários de ACM Neto parecem exaustos da privação.

“A política vive a síndrome do adesismo”, ele reconhece. Vê na trajetória do ex-PT um modelo de ação:

“O PT viveu mais tempo na oposição do que está vivendo no governo. [...] Foi menor do que o DEM é hoje. [...] Teve um projeto claro, soube ir para as ruas e soube conquistar o poder”.

Advoga para a opositores de hoje um fórmula análoga. Além de elaborar uma plataforma, “que não existe”, acha que a oposição tem de perder o medo de ir às ruas.

Em 1995, quando FHC iniciou o seu primeiro mandato presidencial, o DEM era a segunda maior bancada do Congresso.

Sob o tucanato, chegou a presidir as duas Casas do Legislativo: o avô de ACM Neto comandava o Senado. O tio dava as cartas na Câmara.

Ex-Arena e ex-PDS, o pefelê virou DEM. Depois, pôs em pé um projeto de poder voltado para o ano 2000. Permitia-se sonhar com o Planalto.

Hoje, sem projeto, o DEM assiste à migração de seus quadros para o PSD do ex-filiado Gilberto Kassab e flerta com a ideia de fundir-se ao PSDB.

Os devaneios presidenciais foram substituídos pelo pesadelo do risco de extermínio. Bornhausen, ex-timoneiro do ‘Projeto 2000’, faz as malas.

Contra todas as evidências, ACM Neto diz que seu partido “não acabou”. E capricha nos ataques a Kassab:

“Eu não posso conceber que o maior amigo de Serra no DEM esteja no colo de Dilma”. Vão abaixo algumas das declarações de ACM Neto:

– A sedução do governo: A política brasileira vive a síndrome do adesismo. Muitos se dirigem a mim envergonhados: “Olha, gosto de você, gosto dos meus amigos de partido, devo muito ao Democratas, no entanto eu só vou sobreviver se virar governo”. A gente tenta mostrar que pode ter um projeto futuro, mas boa parte dos políticos só enxerga o dia de amanhã. Os políticos acham que só sobrevivem nas barras da saia do governo.

– A resistência: [...] Uma democracia forte não se sustenta sem uma oposição combativa. [...] O PT viveu mais tempo na oposição do que está vivendo no governo. Em dado momento, o PT foi menor do que o DEM é hoje e, no entanto, teve um projeto claro, soube ir para as ruas e soube conquistar o poder.

– A falta de estratégia: [...] A oposição precisa sair dos corredores do Congresso e ir para as ruas. Tem de acabar com esse medo de ir para as universidades debater, medo de ir para os sindicatos debater, medo de ir para as fábricas discursar, medo de buscar os jovens. Esse ambiente do Congresso é um ambiente onde todo mundo está protegido. Tem de ter a coragem de ir para a rua.

– A ausência de discurso: Uma plataforma da oposição precisa ser construída, ela não existe. Os partidos precisam fazer pesquisas, discutir e ter um arcabouço de propostas nacionais e locais. Acabou essa história de um candidato a presidente achar que vai assumir um discurso nacional ou conhecer a realidade local na véspera da eleição. Outra tarefa é fiscalizar o governo.

– O DEM acabou? Não, o partido não acabou. O Kassab partiu para destruir o DEM. Só que nós temos parlamentares que têm compromisso com o país – porque manter o DEM de pé, manter a oposição viva é ter compromisso com o país e com a democracia.

– O contra-ataque: Eu não posso conceber que o maior amigo de [José] Serra [candidato do PSDB à Presidência em 2010] no DEM esteja no colo de Dilma.

– A incoerência: Eu fiquei abismado quando vi a senadora Kátia Abreu dar uma entrevista dizendo que estava “louca para falar com a Dilma”. Eu, que já tive oportunidade de ouvir a senadora Kátia Abreu fazer comentários sobre o PT, Dilma, Lula – prefiro publicamente não reproduzir as coisas que ouvi –, fico assustado de ver a incoerência das pessoas.

– O que acha do PSD? Partido Sem Decência. A maioria das pessoas que compõem o PSD são pessoas sem expressão política. Eu não posso acreditar num partido que diz que não é de governo nem de oposição; não é de direita, não é de centro, não é de esquerda.

– A fusão com o PSDB: No dia 5 de outubro vencerá o prazo das filiações partidárias para quem vai disputar a eleição de 2012. De que adianta falar de fusão, se até 5 de outubro seria impossível concluir um processo de fusão? Eu acho que o DEM tem de fazer sua reestruturação, o PSDB tem de se fortalecer e, aí sim, os partidos – de preferência incluindo o PPS – precisam aproximar suas estratégias eleitorais.

– A candidatura a prefeito de Salvador: Essa decisão não está tomada. Eu acho que já cumpri meu papel no Parlamento. Disputar ou não em 2012 vai depender do contexto político e do projeto nacional. Se o momento não for adequado, eu posso aguardar até 2014.

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Escrito por Josias de Souza às 05h38

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As manchetes deste sábado

- Globo: Vidas reais - O Brasil avança, mas lentamente

- Folha: PT reabilita o caixa do Mensalão

- Estadão: Norte e Centro-Oeste lideram crescimento demográfico

- Correio: Servidores dão golpe de R$ 30 milhões na Receita

- Zero Hora: RS envelhece a padrão europeu, aponta Censo

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h13

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Ética de camundongos!

Nani

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Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Volta de Delúbio fez do PT um partido fácil de definir

Delúbio Soares está de volta. Sua refiliação tornou tudo mais simples.

Como o bêbado, o PT virou pronome oblíquo.

De longe, parece plural. Um PT pré-Delúbio. Outro pós-Delubiano.

De perto, é singular. Unifica-se num reencontro de linhas paralelas.

Qualquer criança de cinco anos consegue agora definir o PT.

Basta uma frase. Algo assim:

“O PT é o jóquei cego montando a mula-sem-cabeça, é a crítica reivindicando o direito aos próprios erros, é a gata borralheira invadindo a meia-noite, é o túnel sem uma luz pra pôr no fim, é a crença na vida antes da morte, é a caravana de virgens cruzando os portões de Sodoma e Gomorra, é a vaca sagrada trocando a ideologia por um par de asas, é Noé abrindo a arca pros micróbios, é o hábito que desfaz o monge, é a sensação de que não fazem mais futuros como antigamente, é a renovação da história por meio da repetição, é o paradoxo na fronteira da incógnita, é o absolutamente contra qualquer coisa convertido em a favor de tudo, é a admissão compulsória do inadmissível, é o pacto do abutre com o espantalho, é filme do cinema-novo-velho".

- Em Tempo: Foto de Alan Marques, da Folha.

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Escrito por Josias de Souza às 01h16

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Fim de novela: PT refiliou Delúbio ‘Mensalão’ Soares

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Escrito por Josias de Souza às 23h21

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Dilma ‘ressuscita’ despesas que Lula havia cancelado

  João Wainer/Folha
Antes de deixar o Planalto, Lula assinara um decreto estipulando um prazo de validade para a rubrica orçamentária “restos a pagar”.

Consiste em despesas que, embora contratadas entre 2007 e 2009, não foram executadas e invadiram o Orçamento de 2010.

Pelo decreto de Lula, as despesass que não fossem executadas até este sábado (30), seriam simplesmente canceladas.

Pois bem. Em vez de cancelar os gastos, Dilma Rousseff cancelou o decreto de Lula.

Por meio de um novo decreto, Dilma validou parte dos “restos a pagar”.

O Tesouro vai liberar as verbas de obras e serviços que, embora não concluídos, já foram iniciados e parcialmente aferidos.

Vão à tesoura os recursos alocados em projetos que não saíram do papel. O ano de 2009 mereceu tratamento especial.

Prefeitos e governadores que assinaram convênios com a União no ano passado terão até o dia 30 de junho para converter intenções em obras.

Deve-se a assinatura do decreto de Dilma a uma pressão dos congressistas que integram o condomínio governista.

Os “restos a pagar” referem-se a despesas penduradas no Orçamento da União por meio de emendas de deputados e senadores.

no mês passado, o Planalto estimara a encrenca em cerca de R$ 18 bilhões. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento refinaram as contas.

Concluiu-se que o bololô de despesas velhas soma, em verdade, R$ 14,9 bilhões. Estima-se que o novo decreto propiciará a liberação de R$ 4,9 bilhões.

Os R$ 10 bilhões restantes irão para o beleléu. A chiadeira não vai acabar. Mas pelo menos reduziu-se a pressão da panela.

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Escrito por Josias de Souza às 21h16

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Tucanos de SC também ameaçam ‘voar’ para o PSD

Angeli

Depois da revoada de São Paulo, o PSDB convive com o risco de uma defecção em massa no Estado de Santa Catarina.

Um grupo de tucanos catarinenses cogita migrar para o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Aguardam apenas pela definição do governador Raimundo Colombo (DEM), que também flerta com a nova legenda. 

A exemplo de Colombo, o pedaço rebelado do tucanato condiciona a permanência no partido à imediata fusão do PSDB com o DEM.

O repórter Upiara Boschi conta que o bloco dos tucanos inssurretos se opõe ao comando de Leonel Pavan, reconduzido à presidência do PSDB-SC na semana passada.

Entre os que ameaçam acionar as asas está o deputado estadual tucano Marcos Vieira, derrotado por Pavan na disputa pelo comando partidário.

Junto com Vieira, ruminam a ideia de migrar do PSDB para o PSD mais dois deputados estaduais: Nilson Gonçalves e Gilmar Knaesel.

A revoada pode alcançar também a bancada do tucanato na Câmara federal. Namoram a ideia trocar de camisa os deputados Jorginho Mello e Marco Tebaldi.

Licenciado da Câmara, Tebaldi integra a equipe de secretários de Colombo. Ele chefia a pasta da Educação.

O bloco da migração pode arrastar mais dois secretários tucanos : Serafim Venzon (Assistência Social) e Filipe Mello (Planejamento).

Também considera a hipótese de abandonar o PSDB Dalírio Beber, atual presidente da Casan, a companhia de saneamento de Santa Catarina.

A notícia sobre a perspectiva de emagrecimento do tucanato catarinense chega no dia em que foi divulgada uma nota do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Guerra pendurou na página mantida pelo partido na web um texto no qual tenta refutar a tese de que o PSDB vive uma crise na cidade de São Paulo.

Na capital paulista, seis vereadores e Walter Feldman, secretário municipal de Esportes e Lazer, se desfiliaram do partido.

Sobre os vereadores, Guerra anotou: “Estavam no PSDB, mas, nas eleições municipais [de 2008], não votaram conosco”.

Quanto a Feldman, o presidente do PSDB escreveu: “As divergências também são dessa época e apenas se consumaram agora”.

Na eleição a que se refere Guerra, os vereadores e o secretário Feldman apoiaram a reeleição de Kassab, contra a candidatura partidária de Geraldo Alckmin.

Em seu texto, Guerra realça que o PSDB atravessa um período de “convenções estaduais e municipais, como fazem todos os partidos”.

Afirma que há acordos “em praticamente todas” as convenções. “Em alguns casos, há negociações e até disputas. Nada disso indica crise”.

A julgar pelas informações que chegam de Santa Catarina, o quadro é menos róseo do que pinta a nota oficial.

A certa altura, Guerra alfineta Kassab. Escreve que o PSDB não incorre em “quebra de ética”. E acrescenta:

“A ética discutível está na formação de partidos que reúnem adesismo, conveniências em torno de projetos pessoais e mudança de lado”.

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Escrito por Josias de Souza às 20h46

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Dutra lê laudo sobre seu estado clinico, que é grave

O vídeo acima exibe declaração feita por José Eduardo Dutra ao renunciar à presidência do PT.

Ele fez questão de ler um laudo que encomendou às duas médicas que o assistem: Maria Cristina Ayres Pereira e Sandra Fortes (aqui, a íntegra).

O texto revela um quadro clínico grave. Uma combinação de “crise hipertensiva” com “estresse”, que desembocou numa “síndrome metabólica”.

O laudo anota: “Essas patologias provocaram a ativação de foco irritativo cerebral idiopático, de localização temporal...”

“...Provavelmente existente desde a infância (histórico de desmaios até os 11 anos) e só agora detectados, associado a alterações de humor”.

Iniciado o tratamento, em março, “houve melhora gradual do quadro clínico com recuperação progressiva”. Porém...

...Porém, informam as médicas, há ainda necessidade “de ajuste de medicações e estruturação do tratamento de manutenção”.

Numa tentativa de traduzir os termos médicos para o português das ruas, Dutra disse que sofre de “um tipo de epilepsia”.

Não é, segundo disse, uma epilepsia como a tradicional, com convulsões. No seu caso, manifestou-se “com um estado confusional e depressivo”.

Dutra contou: esse quadro “fez com que eu, durante dois dias e meio, ficasse trancado num apartamento no Rio de Janeiro sem nenhum contato com a realidade”.

O grau de confusão mental era tanto que chegou a postar no twitter, em 15 de março, nota sobre um debate inexistente.

Escreveu que debatera, na cidade mineira de Caratinga, com a jornalista Miriam Leitão. “Não era verdadeiro”, disse Dutra. Mas, "por incrível que pareça, me lembro perfeitamente do debate”.

No evento imaginário, o agora ex-presidente do PT "discutiu" com a jornalista sobre o barulho que perturbava as madrugadas de uma praça da cidade.

Dutra brincou: “Caratinga é administrada pelo PT. A Miriam Leitão criticava a prefeitura. E eu defendia. Me lembro de tudo isso. Só que eu estava dormindo”.

Declarou que, depois de “resgatado” no apartamento em que delirava, foi levado ao hospital. Fez uma bateria de exames. “E foi constatado esse foco”.

Para afugentar o “estigma decorrente da desinformação”, Dutra afirmou:

“Tem que ficar claro que a doença, quando tratada, não inviabiliza as pessoas. Estou deixando a presidência do PT, mas não estou me aposentando por invalidez”.

Achou que sua permanência no comando da legenda não seria proveitosa nem para o PT nem para ele.

Seria injusto com o PT porque “gera instabilidade num momento em que o partido tem tarefas urgentes na conjuntura política”.

Seria ruim para ele porque “essa indefinição gera um estresse que pode dificultar o tratamento”. Arrematou: “O PT definine um novo presidente e eu me cuido”.

Depois de uma fase de quase dois meses de desinformação e desconversa, Dutra fez o que se espera de personagens de vida pública: expôs o seu drama à luz do Sol.

Que tenha êxito na luta contra a doença.   

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Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Na boca de Rui Falcão, a verdade é virtude 'negativa'

Sérgio Lima/Folha

Como previsto, José Eduardo Dutra renunciou e Rui Falcão foi eleito, por aclamação, o novo presidente do PT federal.

Ao conversar com os repórteres, o novo mandachuva do petismo cuidou de reescrever o noticiário do dia.

Considerando-se o que disse Rui Falcão, a verdade sobre a sucessão interna do PT é uma virtude negativa.

José Dirceu não deu uma mãozinha a Falcão. Dilma Rousseff não se opôs à ascensão dele. Críticas? Normais. Mas, no caso, não são verdadeiras.

"Não há incompatibilidade com a presidente Dilma. Temos amizade profunda por ela e até já militamos juntos no passado”, disse Falcão.

Tomado pelas palavras, Falcão tornou-se presidente porque, de repente, o petismo encantou-se pelos belos cabelos que já não nascem em sua calva.

Subitamente, o preferido Humberto Costa (PT-PE) recolheu-se. Sem que ninguém movesse uma palha, Falcão surgiu faceiro, falando de seus “nãos”.

A volta de Delúbio Saores? “Não está na pauta ainda”. Heimm?!?!? “Vai ser objeto de debate e deliberação no diretório nacional". Ah, bom! Mais 24 horas.

Numa das raras passagens em que foi afirmativo, Falcão flertou com o erro. Apontou o bico para as aves de outra espécie:

"A gente acha que a oposição é essencial para o funcionamento do regime democrático...”

“...Se a oposição está fragilizada hoje é justamente porque, num período recente, ela se conduziu por ideias do passado...”

“...Quando essas ideias são superadas ou entram em crise, a oposição fica sem projeto, cai em crise e se fragmenta. É isso que nós estamos vivendo hoje".

Em verdade, o que “nós estamos vivendo” é o inverso. No governo, Lula arquivou as ideias do PT do passado. Apropriou-se do ideário alheio. E a oposição, sem ideias novas, roda como parafuso espanado.

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Escrito por Josias de Souza às 17h43

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Em reino de cegos, quem tem um olho vira princesa

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Escrito por Josias de Souza às 15h33

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Conselho de ‘Ética’: presidente assinou atos secretos

  Geraldo Magela/Ag.Senado
João Alberto (PMDB-MA), novo presidente do Conselho de (a)Ética, é signatário de uma penca de atos secretos editados no Senado.

Assinou-os entre 2003 e 2007. Nessa época, integrava a Mesa que dirige o Senado, ora como primeiro suplnete ora como segundo-secretário.

Deve-se a revelação ao repórter Leandro Colon. Ele conta que os atos ocultos que carregam o jamegão do “Senhor Ética” serviram para:

Criar cargos, aumentar salários e conceder benefícios a servidores e senadores.

O escândalo dos atos secretos, como se sabe, foi às manchetes em 2009. Sacudiu a tripresidência de José Sarney, agora tetra.

Nessa época, o nome de João Alberto foi ignorado porque não estava no Senado. Era vice-governador de Roseana Sarney, no Maranhão.

Afora a recuperação de suas digitais nos famigerados atos, o senador vai à vitrine como provedor de empregos para pessoas ligadas a Sarney.

Unha e cutícula com o presidente do Senado, ele pendurou na folha de seu gabinete, custeada pela Viúva, pelo menos cinco personagens com algum tipo de vínculo com Sarney.

A cada notícia nova, comprova-se a inutilidade do Conselho de Ética. Falta matéria-prima às fornalhas do órgão. Não há culpados no Senado. Sob a cuia emborcada de Niemeyer só há cúmplices.

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Escrito por Josias de Souza às 05h45

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Reestruturada, Vale socorre governo em Belo Monte

Depois de trocar de comando por pressão do governo, a Vale anunciou sua entrada na construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.

Na prática, a decisão da mineradora, agora uma empresa de feições paraestatais, significa o salvamento de Belo Monte, jóia da coroa do PAC.

A Vale vai ingressar no consórcio Gaia Energia. Comprará os 9% pertencentes ao frigorifico Bertin, que desistira do negócio por dificuldades financeiras.

A mineradora ressarcirá ao frigorífico o dinheiro já borrifado na obra. Coisa de R$ 5 milhões. E injetará R$ 780 milhões no consórcio.

Com isso, regulariza-se o borderô do empreendimento, que tem participação cavalar do BNDES (75%).

Ao anunciar a novidade, José Carlos Martins, diretor-executivo de comercialização e estratégia da Vale, disse que não houve interferência do governo. Então, tá!

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Escrito por Josias de Souza às 04h36

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STJ manda soltar procuradora que fingiu ‘insanidade’

  Alan Marques/Folha
Durou escassos oito dias a cadeia da promotora de Justiça do DF Deborah Gerner e do marido dela, Jorge Guerner.

O ministro Napoleão Nunes, do STJ expediu ordem para que a Polícia Federal devolva o casal ao meio-fio.

Napoleão considerou que o mandado de prisão, expedido pelo TRF-1 a pedido do Ministério Público, não se sustenta.

O ministro mandou soltar os presos depois de analisar informações recebidas do TRF.

Informou-se no texto que a prisão havia sido decretada basicamente por três razões:

Deborah simulara distúrbios mentais, recusara-se a prestar depoimento à Procuradoria e viajara para a Itália sem comunicação prévia.

Em seu despacho, Napoleão anotou que a simulação e a apresentação de atestados médicos falsos são passívies de punição, mas não justificam a cana.

O mesmo raciocínio vale, segundo o ministro, para a recusa da acusada em prestar esclarecimentos ao Ministério Público.

Quanto à viagem ao exterior, Napoleão disse que não havia ordem judicial que impedisse o casal Guerner de se ausentar do país.

Acusados de envolvimento no escândalo do mensalão ‘demo’ de Brasília, os Guerner já foram denunciados pela Procuradoria.

A denúncia aguarda pela análise do TRF. Será julgada em 19 de maio. Se for aceita, Deborah e o marido vão ao banco dos réus.

Se depender do STJ, responderão ao processo em liberdade. Isso, claro, se a promotora recobrar a sanidade que alega ter perdido.

- Serviço: Aqui, a íntegra do despacho do ministro Napoleão (seis folhas).

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Escrito por Josias de Souza às 03h48

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As manchetes desta sexta

- Globo: Após mudança, Vale ajudará governo a salvar Belo Monte

- Folha: Correios poderão vender celular e comprar aviões

- Estadão: Senador que preside Conselho de Ética assinou atos secretos

- Correio: Enquanto a plebeia encanta o reino… STJ solta promotora acusada de corrupção

- Valor: Governo enfrentará a indexação

- Estado de Minas: Xeque-mate nos ‘borrachudos’

- Zero Hora: Falta de qualificação deixa 32 mil vagas em aberto no Estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h00

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Casamento Real!

Amarildo

- Via 'Amarildo Charge'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Dilma ‘engole’ Falcão após tê-lo mandado ao freezer

Sérgio Lima/Folha

Dilma Rousseff telefonou para o deputado estadual Rui Falcão no final da tarde desta quinta-feira (28). Em timbre protocolar, cumprimentou-o.

A presidente pôs-se à disposição do interlocutor para discutir temas que interessem mutuamente ao governo e ao PT.

Com essa ligação, quebrou-se uma camada de gelo que separava Dilma de Falcão desde a campanha presidencial de 2010.

Nesta sexta (29), o diretório nacional do PT acomodará Falcão na presidência da legenda. E Dilma terá de conviver com ele.

Preferia outro nome, o do senador Humberto Costa (PT-PE). Mas a notícia de que Falcão prevalecera no PT chegou ao Planalto como prato feito.

Lula, que também se inclinava por Humberto, esquivara-se de vetar Falcão. Avalizara-o. E Dilma optou por também engoli-lo.

Falcão frequentou o comitê eleitoral de Dilma como coordenador do setor de comunicação. Súbito, tornou-se pivô de uma encrenca.

Acusado de comprar dados fiscais sigilosos de tucanos e familiares de José Serra, o repórter Amaury Ribeiro Jr. citou Falcão num depoimento à PF.

Segundo a versão do repórter, Falcão furtou de seu lap-top, num quarto de hotel de Brasília, os dados fiscais da turma de Serra, convertidos em dossiê e levados às manchetes.

Falcão negou. Abriu processo judicial contra Amaury. Mas Dilma mandou-o ao freezer. O coordenador deixou o comitê de fininho.

Abaixo, os trechos do depoimento em que Amaury jogou Falcão na fogueira do dossiê fiscal anti-Serra.

Em privado, o petismo difundiu na época a versão de que Falcão agira para enfraquecer outro coordenador do comitê, o mineiro Fernando Pimentel.

Íntimo amigo de Dilma, Pimentel levara para a campanha o jornalista Luiz Lanzetta, que recorreu aos préstimos de Amaury.

Curiosamente, Falcão, mineiro como Dilma e Pimentel, coabitara com a dupla o mesmo grupo guerrilheiro que foi às armas contra a ditadura militar, o VAR-Palmares.

Eleita sucessora de Lula, Dilma converteu Pimentel em ministro do Desenvolvimento. Falcão, eleito deputado estadual em São Paulo, foi mantido no congelador de Brasília.

Agora, guindado ao topo da legenda, Falcão se impõe a Dilma, compelida a degelá-lo, ainda que a contragosto.

Falcão começou a virar fato consumado numa reunião do grão-petismo. Deu-se na noite de quarta (27). Arrastou-se pela madrugada de quinta (28).

No centro da articulação estava o ex-chefão da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu.

Presentes ao encontro o próprio Falcão e também Humberto Costa, que fora ao noticiário como preferido de Lula e Dilma.

Tendo atrás de si o ex-Campo Majoritário, hoje Construindo um Novo Brasil, o grupo de Dirceu esgrimiu o discurso de que a sucessão estava aberta. Lorota.

Em verdade, a turma de Dirceu já havia costurado com outras tendências do PT um condomínio que reunia algo como 60% dos votos do diretório num balaio pró-Falcão.

Ao sentir o cheiro de queimado, Humberto Costa disse que não disputava o cargo. Em público, disse que preferiu dar prioridade à liderança do PT no Senado (assista no vídeo abaixo).

Restava, então, obter o assentimento de Lula. Discutiu-se com o ex-soberano uma lista de três nomes: Falcão, Humberto e o ex-ministro Luiz Dulci.

Pressentia-se que Lula não liberaria Dulci, hoje seu assessor no Instituto de Cidadania. Algo que, de fato, ocorreu.

Falcão jamais se aventuraria na presidência do PT se Lula o tivesse vetado. Porém, o veto não veio. E o ex-congelado, empurrado por Dirceu, prevaleceu.

Em tempo: a exemplo do que ocorrera no caso dos aloprados petistas pilhados na campanha de 2006 numa operação de compra de dossiê anti-tucanos, a alopragem fiscal de 2010 é, ainda, uma investigação inconclusa da Polícia Federal. Idem para o Erenicegate. 

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Escrito por Josias de Souza às 23h11

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Com aval de Lula, Rui Falcão será o presidente do PT

Divulgação

O deputado estadual Rui Falcão (SP) será o novo presidente nacional do PT. Assumirá no lugar de José Eduardo Dutra, às voltas com problemas de saúde.

A renúncia de Dutra e a eleição de Falcão ocorrerão nesta sexta-feira (29), em reunião do diretório do partido, em Brasília.

O acordo que apressou a sucessão interna do PT foi fechado na noite passada. O nome de Falcão emergiu de uma lista tríplice.

Além dele, constavam da relação o senador Humberto Costa (PE) e o ex-ministro Luiz Dulci. A tróica foi submetida a Lula.

O ex-presidente disse que não gostaria de abrir mão de Dulci. Ex-secretário-geral da Presidência, ele é, hoje, assessor de Lula.

De resto, Lula disse que apoiaria tanto Falcão quanto Humberto Costa. Preferia o segundo, mas esquivou-se de vetar o primeiro. Os dois reúnem condições de comandar o PT, disse.

Como Humberto não quis pegar em lanças pelo cargo, o petismo concentrou-se em Falcão, o preferido da corrente majoritária, insuflada por José Dirceu.

Ouvida, a presidente Dilma Rousseff preferiu não criar caso. Preferia Humberto. Mas informou que não se opunha à ascenção de Falcão.

Hoje, Rui Falcão é o primeiro vice-presidente do PT. Vinha comandando a legenda, temporariamente, desde 22 de março, quando Dutra tirou licença médica.

Alçado à condição de presidente definitivo, Falcão vai completar o mandato de Dutra, que termina em dezembro de 2012.

Será, portanto, o mandachuva do PT nas eleições municipais do ano que vem.

Rezam os estatutos do partido que, em caso de vacância definitiva do cargo de presidente, cabe ao diretório nacional eleger o substituto.

A reunião do diretório já estava marcada. Vai durar dois dias. A intenção do partido é a de realizar a eleição de Falcão já nesta sexta.

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Escrito por Josias de Souza às 19h26

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No CE, desaba trecho de uma obra visitada por Lula

Desabou em Mauriti, no Ceará, um trecho do túnel Cuncas, parte da obra de transposição do Rio São Francisco.

Não houve feridos. Os operários que trabalhavam no local saíram a tempo. O teto do túnel ruiu sobre as máquinas. O acidente ocorreu na quarta-feira (20) da uma semana.

Abafado pelas construtoras que tocam a obra, só nesta quinta (28) o episódio veio à luz. Deve-se a revelação ao sítio 'Radar Setanejo'.

Acossado pela divulgação, o Ministério da Integração Nacional viu-se compelido a divulgar uma nota.

No texto, alega-se que houve no local um “deslizamento de solo”. Coisa atribuída “à consistência não uniforme do solo”.

Dezessete dias antes de deixar a Presidência, Lula visitou três Estados cortados pelas obras do São Francisco (veja no vídeo lá do alto).

Nessa viagem, Lula inspecionou trechos do túnel Cuncas, agora parcialmente bloqueado. Em discurso, disse:

“Estou percebendo que a obra vai ser inaugurada definitivamnete em 2012, a não ser que aconteça um dilúvio ou quarquer coisa”.

Dilúvio não houve. Mas aconteceu “qualquer coisa” no pedaço cearense do túnel.

A nota oficial do governo diz que, “nas escavações de túneis em solo”, como ocorre no local, “podem ocorrer imprevistos geológicos que induzem a ruptura do teto”.

Informa que o consórcio responsável pelo trecho (Construcap/Toniollo e Busnello/Ferreira Guedes) “suspendeu as atividades”.

Sem mencionar datas, o documento anota que a paralisação vai durar até que “sejam realizadas novas análises e estudos do solo”.

Os construtores vetaram o acesso de repórteres ao local do desabamento.

O Ministério da Integração endossou a providência: “As visitações neste trecho estão temporariamente suspensas por motivo de segurança”.

É de perguntar: por que diabos tentou-se esconder o ocorrido?

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Escrito por Josias de Souza às 18h28

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Enchentes: produtos doados às vítimas são vendidos

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Escrito por Josias de Souza às 15h58

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Ficha Limpa pode barrar plano de Delúbio para 2012

  Folha
Depois que foi expulso do PT, Delúbio Soares vaticinou: as denúncias do mensalão “vão virar piada de salão”.

Decorridos cinco anos e meio, o PT vai tratar Delúbio como o homem da anedota, que matou pai e mãe e, no julgamento, pediu misericórdia para um pobre órfão.

Sem medo de ser feliz, Delúbio informa que, ressuscitado para a vida partidária, planeja disputar um mandato eletivo em 2012.

Cogita reivindicar nas urnas uma cadeira de vereador em Goiânia ou em Buriti Alegre (GO), onde nasceu.

O diabo é que a candidatura do chiste pode ser barrada pela Lei da Ficha Limpa. Repetindo: o ex-gestor das arcas do PT já tem  a ficha suja.

Em notícia veiculada na Folha, a repórter Fenanda Odilla conta que Delúbio traz na biografia uma condenação de segunda instância.

Decisão do Tribunal de Justiça de Goiás. Coisa de maio de 2010. Improbidade administrativa.

Professor da rede pública de ensino, Delúbio trocou a sala de aula pelo usufruto de um mandato sindical. Algo permitido por lei.

Para fazer jus à remuneração mensal, Delúbio escorava-se em atestados de assiduidade do sindicato dos professores. Eram falsos.

Em verdade, o professor ministrava, na sede do PT em São Paulo, aulas de como não contabilizar dinheiro.

Além de ter que devolver R$ 164,6 mil ao erário de Goiás, Delúbio perdeu os direitos políticos por oito anos.

Se o STF não derrubar a validade da Ficha Limpa também para 2012 –já fulminou para 2010—, a candidatura de Delúbio vai ao beleléu.

Se o professor for condenado também no julgamento do mensalão, no início do próximo ano, seu plano vai para o pedaço do beleléu onde Judas perdeu as botas.

Ou seja: piada Delúbio já virou. Dependendo do que decidir o STF no caso da Ficha Limpa e no processo do mensalão, pode ser com ou sem graça.

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Escrito por Josias de Souza às 06h45

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Aliado de Kassab consulta TSE sobre adesões a PSD

  Divulgação
De mudança para o PSD do prefeito Gilberto Kassab, o deputado Guilherme Campos (DEM-SP) protocolou uma consulta no TSE.

Num lote de sete perguntas, o deputado tenta obter do tribunal respostas que dêem segurança jurírica aos políticos que migram para a nova legenda.

Na prática, busca-se uma vacina contra o risco de os partidos de origem reivindicarem a devolução dos mandatos dos infiéis.

Na resolução em que consagrou o princípio de que os mandatos pertencem aos partidos, não aos políticos, o TSE abriu exceções.

Uma das ressalvas prevê que a criação de um novo partido constitui “justa causa” para que um político abandone a legenda pela qual foi eleito.

Há dúvidas, porém, quanto aos prazos que precisam ser observados para que os novos filiados fiquem a salvo de punições futuras.

O deputado pergunta ao TSE, por exemplo, se o “detentor de mandato eletivo” que assina o pedido de registro da nova legenda “estará acobertado pela justa causa para se desfiliar da legenda pela qual foi eleito”.

Indaga também se as filiações podem ocorrer depois do registro do novo partido no Cartório de Registro Civil ou após a aprovação dos estatutos pelo TSE.

Questiona ainda: “O detentor de mandato eletivo que sofrer qualquer espécie de retaliação por parte da agremiação pela qual foi eleito...”

“...Em face de anúncio do apoio à constituição da nova legenda, por firmar seu pedido de registro civil ou a ela se filiar [...] estará acobertado por justa causa para desfiliação?”

A consulta de Guilherme Campos foi à mesa da ministra Nancy Andrighi, a quem caberá relatá-la.

Ela pode emitir um parecer solitário ou submeter as respostas ao plenário do TSE, composto por sete ministros.

Dependendo da manifestação do tribunal, os desertores que migram para o PSD podem fazê-lo sem o receio de arrostar punições.

A consulta chega nas pegadas de uma ação em que o oposicinosta PPS questiona no STF a legalidade da exceção aberta pelo TSE.

O deputado Roberto Freire (SP), presidente do PPS, alega que é inconstitucional a brecha que autoriza a desfiliação de infiéis que migram para partidos novos.

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Escrito por Josias de Souza às 05h10

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As manchetes desta quinta

- Globo: Empresas já se preparam para disputar aeroportos

- Folha: Arma ilegal entra pela fronteira ate por motoboy

- Estadão: Facções rivais palestinas anunciam reconciliação

- Correio: De doida, promotora não tem nada, diz IML

- Valor: Mínimo de 2012 eleva em R$ 10 bi o déficit do INSS

- Estado de Minas: Nós precisamos de soluções. E não podemos mais esperar...

- Jornal do Commercio: Falta leito até em hospital particular

- Zero Hora: Argentina e China tiram força do setor de máquinas do RS

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Conselho de (a)ética!

Nani

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Escrito por Josias de Souza às 01h31

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‘Oposição é que nem carrapicho, cresce sem plantar’

  Jorge Araújo/Folha
O emagrecimento da oposição, por acelerado, já preocupa até o Lula, general da situação.

O ex-soberano sabe que, para animar a tropa e driblar as divisões internas, é preciso ter um inimigo.

Na campanha, falava de “extirpar” o DEM. Na noite desta quarta (27), começou a administrar a soberba que viceja ao redor:

"Oposição é o bicho mais fácil de crescer. Oposição é que nem carrapicho. Eu fui oposição a vida inteira. A gente cresce sem ninguém precisar plantar".

As palavras pingaram-lhe dos lábios em Guarulhos (SP). Falou na entrada de um congresso de metalúrgicos da CUT.

Depois, em palestra gratuita, agradeceu o apoio do sindicalismo no momento mais difícil de seu governo.

Não deu nome à crise, mas referia-se ao escândalo do mensalão, que eletrificou o primeiro reinado.

Segundo relato da repórter Leila Suwwan, Lula discorreu sobre a encrenca assim:

“Em um momento difícil, em um momento de uma crise delicada no país, quem assumiu o governo não foi nenhum jornal, nenhuma televisão ou um empresário...”

“...Foi exatamente o movimento sindical e social que assumiu a defesa do governo”.

Rogou à platéia que dispense tratamento análogo à sucessora: “Vocês têm de fazer com o governo Dilma o que fizeram com o meu governo...”

“...Sei que às vezes ficam chateados ou decepcionados. Podemos cometer um erro, mas é nosso. Se ela cometer um erro, ela é nossa...”

“...É nossa obrigação dar sustentação para ela, para o país continuar crescendo”.

Instou o sindicalismo a pegar em lanças contra a inflação: "[...] Temos a obrigação de não permitir que a inflação volte nesse país...”

“...Quem perde com a inflação não é a Dilma ou Guido [Mantega]. É quem vive do salário e precisa comprar comida todos os dias...”

“...Todos nós, homens e mulheres, precisamos ser guerreiros contra a inflação”.

Lula cuidou de apagar suas digitais da encrenca: “[...] O problema da crise econômica não é nosso, não é porque vocês ganharam aumento de salário...”

“...Na verdade, é porque a economia mundial é atrelada ao dólar, e o país que produz o dólar [EUA] resolveu fazer um ajuste fiscal”.

O excesso de dólar ajuda a animar a chama inflacionária. Mas há na fogueira lenha que o Lula do segundo reinado pôs para queimar.

Ardem sob Dilma, por exemplo, a política de cofres abertos e o refresco tributário servido até a beira das urnas, num 2010 em que já não havia a crise global.

Mas convém a Lula, um ex-carrapicho escolado, acomodar todas as culpas no quintal da Casa Branca. Não seria tolo de endossar a tese da herança maldita.

Se “carrapicho cresce sem ninguém precisar plantar”, é melhor não adubar. A inflação brasileira é culpa do Obama. E não se fala mais nisso.

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Escrito por Josias de Souza às 00h23

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Dutra confirma a Dilma que deixa o comando do PT

  Antônio Cruz/ABr
José Eduardo Dutra foi recebido por Dilma Rousseff na noite desta quarta-feira (28), no Alvorada.

Ausente da cena política desde 22 de março, ele confirmou à presidente que vai renunciar à presidência do PT para cuidar da saúde.

Fará a comunicação formal em reunião do diretório nacional da legenda, que começa nesta sexta (29).

Discute-se agora como encaminhar a substituição de Dutra. Dilma e Lula advogam uma solução rápida.

Receiam que um processo demorado inaugure uma guerra entre as tendências que coabitam o PT.

O nome mais cotado é o do ex-ministro e senador Humberto Costa (PE). Um pedaço do PT defende o adiamento da escolha do novo presidente para setembro.

Simultaneamente à saída de Dutra do comando da legenda, o petismo prepara o reingresso de Delúbio Soares.

Nesta quinta (28), a Executiva nacional do PT vai fixar a pauta do encontro do diretório. Deve incluir o caso de Delúbio.

O diretório tem 84 membros. Estima-se que cerca de 60 são favoráveis à volta de Delúbio. Só uma corrente trabalha abertamente contra: a "Mensagem", do governador gaúcho Tarso Genro.

Assim, o ex-gestor das arcas petistas, afastado nas pegadas do mensalão, em 2005, está na bica de obter a redenção partidária.

Será um prêmio ao silêncio de Delúbio, detentor de segredos insondáveis. Lula, que opusera-se à volta do “arquivo” no ano passado, agora liberou.

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Escrito por Josias de Souza às 23h10

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JN exibe cena do ensaio de ‘distúrbios’ da promotora

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Escrito por Josias de Souza às 22h13

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Convidadas, Cias. Aéreas dão ‘banana’ para Câmara

  B. Mathur/Reuters
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara programou-se para debater, nesta quarta (27), os serviços oferecidos aos brasileiros que viajam de avião.

Convocaram-se para a sessão quatro companhias aáreas: TAM, Gol, Azul e Webjet. Deu-se o inusitado. Nenhuma das empresas se dignou a enviar representantes.

Deram uma banana coletiva para os deputados, numa espécie de cartel da ausência. Convertida em terreno baldio, a sessão foi cancelada.

O que alegaram as empresas? A agenda de seus executivos era incompatível com o horário da reunião da Câmara.

Presidente da comissão, o deputado Roberto Santiago (PV-SP), enxergou “desrespeito” na pantomima.

“Eles não vieram porque estão desrespeitando a Câmara e esta comissão. E esta vontade de eles fazerem o que querem tem que ter um basta”.

O diabo é que, excetuando-se as CPIs, as comissões do Congresso não dispõem de poderes para covocar depoentes. Podem apenas convidar.

Ou seja, o “desrespeito” prevalecerá sobre o “basta”. De resto, as companhias aéreas não foram as únicas a tratar os deputados com descaso.

Convidados, os presidentes da Infraero, estatal que gere os aeroportos, e da Agência Nacional de Aviação Civil tampouco deram as caras.

Enviaram representantes. Membro da comissão, o deputado José Carlos Araújo (PDT-BA) definiou-os assim:

“Servidores sem autonomia para responder às questões mais polêmicas”.

Abespinhados, os deputados defenderam a alteração do regimento interno da Câmara, de modo a converter convite em convocação.

“Temos que ter esta autoridade”, disse Santiago, o presidente da comissão de pseudodefesa do Consumidor. Dimas Ramalho (PPS-SP) ecoou:

“Não tem sentido um debate sobre um problema em que os autores responsáveis não estão presentes. Ou reagimos ou extinguimos esta comissão”.

É..., faz sentido. Como não exigirão coisa nenhuma, restará a hipótese da extinção.

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Escrito por Josias de Souza às 20h44

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Conselho de ‘Ética’: aliado de Sarney vira presidente

Geraldo Magela/Ag.Senado

Como previsto, instalou-se nesta quarta (27) o Conselho de “Ética” do Senado. Na sessão inaugural, elegeram-se o presidente e o vice-presidente do colegiado.

Escorado em acordo firmado na véspera, foi à presidência João Alberto (PMDB-MA). Ele mantém com José Sarney (PMDB-AP) uma relação do tipo unha e cutícula.

Para a cadeia de vice, previa o acordo, iria o senador Gim Argello (PTB-DF). Na última hora, Gim roeu a corda. Multiprocessado, preferiu fugir da vitrine.

Substituiu-o Jayme Campos (DEM-MP), que “só” responde a dois processos no STF. João Alberto, o liderado de José Sarney, prometeu, veja você, “equilíbrio”:

“Presidir o Conselho é cortar na nossa própria carne. Nos momentos mais difíceis, temos que julgar nossos colegas...”

“...Mas, com muito equilíbrio e colaboração de todos os senadores, faremos aqui o melhor para o Senado e para o Brasil”.

O novo mandachuva recebeu afetuosos cumprimentos. Abraçou-o Renan Calheiros.

Renan (PMDB-LA) é um dos que zelarão para que o conselho faça “o melhor para o Senado e para o Brasil”.

Quem procura ética no Senado teve a busca simplificada. Já não é necessário procurar no Conselho de Ética.

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Escrito por Josias de Souza às 19h40

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Friboi faz 'acordo judicial' contra carne de má origem

MPF/Divulgação

Maior companhia de produtos de origem animal do mundo, a JBS-Friboi firmou nesta quarta (27) um acordo judicial.

Comprometeu-se a não mais comercializar carne originária de propriedades em litígio com as leis ambientais e trabalhistas.

Assinado no Acre, o acordo tem validade nacional. O descumprimento sujeita a empresa à multa de R$ 500 por quilo de carne ilegal comercializada.

A JBS-Friboi foi arrastada para o entendimento por uma ação civil movida por três ramos do Ministério Público: o federal, o trabalhista e o estadual do Acre.

Acusada de levar às mesas dos consumidores bifes oriundos de fazendas infratoras, comprometeu-se a:

1. Deixar de comprar carne de propriedades embargadas ou autuadas por órgãos de fiscalização ambiental .

2. Não transacionar com propriedades condenadas ou acionadas judicialmente pelo Ministério Público por desmatamento ilegal.

3. Não adquirir carne de fazendas que explorem mão de obra análoga à escravidão –as condenadas e as inscritas na lista negra do Ministério do Trabalho.

4. Não transacionar com produtores que criam gado em terras reconhecidas oficialmente como indígenas.

De resto, o acordo prevê: a partir de 2012, a JBS-Friboi só comprará carne de fazendas que disponham de dois documentos oficiais.

Um deles é o cadastro ambiental rural. O outro, a licença ambiental para uso econômico da propriedade rural.

Se cumprido, o acordo vai retirar a JBS-Friboi de uma situação dicotômica:

Beneficiária de empréstimos de bancos estatais, a empresa fechava os olhos para as infrações cometidas nas fazendas que produziam os bifes que vende.

Algo incondizente com o porte da companhia, que se tornou, em 2009, a maior do mundo no seu ramo.

Assumiu a liderança planetária em dois lances. Num, associou-se à Bertin, sua concorrente no mercado brasileiro.

Noutro, comprou a Pilgrim’s Pride, uma das líderes no comércio de francos nos EUA.

Agarrada às tetas do BNDES, a casa de carnes tornou-se um conglomerado menor apenas do que a Petrobras e a Vale.

Para entrar em vigor, o acordo desta quarta só depende de homologação judicial. Valerá em todo país, exceto no Pará e no Mato Grosso.

Nesses dois Estados, a JBS-Friboi já havia assinado TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Federal.

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Escrito por Josias de Souza às 17h32

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Matrimônio? Pela pompa, está mais para patrimônio!

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Escrito por Josias de Souza às 15h41

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Filho do ‘prototucano’ Montoro ameaça deixar PSDB

Em processo de lipoaspiração compulsória, o PSDB-SP está na bica de ganhar mais um furo no cinto.

Cogita deixar a legenda ninguém menos que Ricardo Montoro. Se sair, não leva votos. Não os tem. Mas carrega o símbolo do pai, Franco Montoro.

A revelação consta de uma trinca de notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo, na Folha. Leia:

- Crise no ninho: Mais uma defecção bombástica pode explodir no PSDB: Ricardo Montoro, filho do ex-governador Franco Montoro, manifesta extremo desconforto na legenda.

Como Walter Feldman, ele também apoiou a eleição de Gilberto Kassab contra Geraldo Alckmin à prefeitura em 2008. Agora, ocupa o cargo de vice-presidente da Cohab.

- Caminho: "Evidentemente não estamos confortáveis no PSDB. Sentimos falta de conversa e de democracia. Está faltando diálogo. Não sou chamado para reuniões e conversas, para me opor ou para concordar."

Questionado se deixará a legenda, ele afirma: "Quero tomar uma atitude prudente. Estou refletindo. Mas que não estou confortável no partido, não estou".

- Consulta: Franco Montoro fundou o PSDB e é considerado um símbolo do partido, o "pai" de lideranças como FHC e José Serra. E sua família é militante histórica da legenda.

"Por isso mesmo, vou fazer consultas, dentro e fora da família, para tomar uma atitude com mais consciência", diz Ricardo Montoro.

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Escrito por Josias de Souza às 07h35

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Gaspari: Geraldo Alckmin ‘matou’ as aulas de inglês

  Dalcío
É pena que o governo de São Paulo não seja feito de vidro. Teria sido didático assistir em tempo real às discussões que conduziram o tucano Geraldo Alckmin e sua equipe ao penúltimo erro.

O repórter Elio Gaspari esmiúça o equívoco em artigo levado às páginas nesta quarta (27). Encontrável na Folha, o texto trata de um flerte da gestão de ‘mulá’ Alckmin com a cartilha dos talibãs afegãos. Leia abaixo:

“O repórter Fábio Takahashi revelou que os estudantes da rede pública de São Paulo estão sem acesso às bolsas que lhes permitiam cursar na rede privada aulas extras de idiomas estrangeiros, sobretudo de inglês. No ano passado, esse programa beneficiou 80,8 mil estudantes.

Com isso, o governador Geraldo Alckmin conquistou um título. Foi o único governante que suspendeu um programa de estímulo ao aprendizado de idiomas estrangeiros.
É provável que coisa parecida ocorra nas áreas do Afeganistão dominadas pelo Taliban, mas nem o mulá Omar conseguiu prejudicar tanta gente.

Os educatecas de Alckmin justificam a iniciativa informando que o programa será substituído em pouco tempo por outro, maior e melhor. Tudo bem, mas não dizem quanto tempo (e lá se foram quase dois meses do ano letivo), muito menos como será o programa.

Uma coisa é certa, os educatecas recebem seus salários em dia, mas desde março a garotada paulista está sem acesso ao programa extracurricular que lhes reforça o aprendizado de idiomas.

A revelação adquire uma dimensão especial quando se sabe que há pouco o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou uma encíclica intitulada ‘O papel da oposição’, pedindo que seu partido (e de Alckmin) se volte para as demandas de milhões de brasileiros que melhoraram de vida.

Aprender inglês, ou outro idioma, é uma das prioridades de milhões de jovens nascidos num país diferente daquele em que o governador paulista se formou como médico e chegou a candidato a presidente da República em 2006.

Derrotado, foi para um curso em Harvard e contou: ‘Eu e a Lu estamos aprendendo computador, internet, falar inglês’.

Na China, há 100 milhões de pessoas aprendendo inglês. Não é preciso ir tão longe: a Prefeitura do Rio de Janeiro ampliou o ensino do idioma na rede municipal e no ano passado beneficiou 180 mil crianças. Neste ano serão 240 mil.

A ideia de que se pode simplesmente suspender um programa que atendera 80,8 mil jovens da rede pública é produto da demofobia. Coisa de quem não se preocupa com as consequências de seus atos quando eles atingem o andar de baixo.

Nem todo tucano é demófobo (até porque o programa paulista nasceu no tucanato), nem todo demófobo é tucano, mas se o PSDB não se livrar do véu que lhe embaça a visão do andar de baixo, caminhará na estrada que levou o DEM-PFL-PDS-Arena à inanição.

Às vezes a demofobia se manifesta agressivamente, como ocorreu em junho de 2006, na administração Claudio Lembo, do PFL, quando o governo paulista suspendeu o desconto decimal para os passageiros do metrô.

Em outros casos, ela deixa de fazer o que pode ser feito e as consequências só são percebidas quando os outros tomam a iniciativa. Dois êxitos de políticas petistas de alcance social, a criação do ProUni e do crédito consignado, poderiam ter acontecido durante o tucanato.

O que fazer com os educatecas paulistas? Em novembro passado, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, entregou a rede escolar da cidade a Cathie Black, presidente da empresa de comunicações Hearst. Ela fez poucas e boas, chegando a dizer que a superlotação das escolas poderia ser resolvida por meio do controle da natalidade. Há duas semanas, Bloomberg mandou-a embora.

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Escrito por Josias de Souza às 07h05

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Senado empossa Conselho de Ética feito de escárnio

      Angeli
 

 

Em mais uma demonstração de sua vocação suicida, o Senado dará posse, nesta quarta (27), a um Conselho de Ética autodesmoralizado.

Formou-se um colegiado feito de escárnio, apinhado de réus, investigados e suspeitos. Mas não se deve dizer isso em voz alta.

Quanto mais criticado, mais o Senado revela seus impulsos autodestrutivos. Melhor chiar baixinho, para evitar que a Casa ponha fogo às vestes.

Cabe ao Conselho de Ética advertir, censurar, suspender ou recomendar a perda do mandato dos senadores que quebrarem o decoro.

Se decidisse investigar o próprio umbigo, o “novo” Conselho teria matéria-prima demais para o curto período de quatro anos de uma legislatura.

Maior partido do Senado, o PMDB enviou ao Conselho senadores que são precedidos pela má fama. Entre eles Renan Calheiros, Romero Jucá e Lobão Filho, o Lobinho.

Renan é zombaria que desafia a velha tirada de Churchill sobre a democracia ser o pior regime imaginável com exceção de todos os outros.

No caso de Renan, já ficara entendido, desde 2007, que o Senado dá preferência a todas as alternativas piores.

Acusado de receber dinheiro de um diretor de empreiteira para sustentar o filho que tivera com uma ex-amante, Renan defendeu-se.

Virou, então, suspeito de simular negócios com gado para lavar dinheiro. E que usara laranjas para comprar rádios e um jornal.

Renan renunciou à presidência do Senado. Mas livrou-se da cassação. Uma, duas vezes. Agora, é Senhor da ética.

Jucá, líder do governo desde o tempo das Carevelas, carrega nas costas três inquéritos. Correm no STF, em segredo.

Sob Lula, foi ministro da Previdência. Pendurado nas manchetes em posição vexatória, teve de renunciar à pasta em 2005.

A notícia mais branda apresentava Jucá como titular de empréstimos no Banco da Banco da Amazônia que tinham como garantia fazendas fantasmas.

Lobinho, suplente do ministro Lobão (Minas e Energia), responde a inquérito no STF por ter usado uma empregada doméstica como laranja.

Para quê? Segundo a denúncia do Ministério Público, para fugir de dívidas de um empréstimo e do pagamento de impostos.

São três os crimes sob investigação: sonegação tributária, falsidade ideológica e formação de quadrilha. No Conselho, Lobinho se ocupará da ética.

Como suplente do Conselho, o PMDB indicou Valdir Raupp. É réu em duas ações penais no Supremo.

Numa, responde por gestão fraudulenta de instituição financeira. Noutra, crime contra a administração pública.

Acertou-se nesta terça (26), que o presidente do Conselho de Ética também será do PMDB: o maranhense João Alberto.

É famoso não pelos pendores éticos, mas pela fidelidade canina que devota a José Sarney, o tetrapresidente do Senado.

O mesmo Sarney que, acossado por denúncias, celebrou o arquivamento de uma dezena de representações no Conselho de Ética da legislatura passada.

Em voz baixa: chama-se Gim Argello o representante do PTB no “novo” conselho. Sussurros: coleciona 38 processos por crimes eleitorais.

Murmúrios: responde a inquérito no Supremo por corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação de tributos e apropriação indébita.

Cicios: relator do Orçamento, Gim teve de renunciar ao posto depois que se descobriu que destinara verbas do Turismo a entidades fantasmas.

Pelo DEM, foi ao conselho Jayme Campos. Responde a inquérito nascido do escândalo das sanguessugas. Aquele em que se fraudavam licitações de ambulâncias.

Descoberto em 2008, o malfeito teria ocorrido em 2000 e 2001, na cidade de Várzea Grande (MT). Jayme era o prefeito. No STF, nega o malfeito. No Senado, virou juiz.

Esse texto foi escrito em voz baixa porque, a essa altura, é inútil tentar impedir que o Senado se mate. Não vale a pena se meter na vida –ou na morte— da Casa.

Se nem o pedaço “bom” do Senado se anima a levantar a voz, por que o repórter deveria fazê-lo?

O silêncio que se ouve nos corredores e no plenário do Senado fala alto. Grita que 80 senadores decidiram estimular a crença de que “são todos iguais”.

Chama-se Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) o único senador que se animou a votar em plenário contra a tropa indicada para o Conselho de Ética.

Sabe-se que o DNA desautoriza a igualdade absoluta. Mas a ausência de protestos vocifera: “Somos (quase) todos farinha do mesmo saco”.

Só o Senado poderia livrar o Senado do suicídio. E não se deve esperar tanto de uma instituição que já deu tantas provas de que a autocrítica não é o seu ponto forte.

Portanto, pisssssssssssssss, que ninguém nos ouça: se o eleitor já não se importa e eles se divertem, que siga a roleta-russa!

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Escrito por Josias de Souza às 05h53

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As manchetes desta quarta

- Globo: Dilma abandona dogma do PT e privatiza aeroportos

- Folha: Ex-investigado, Renan vai cuidar de ética no Senado

- Estadão: Governo fará concessão de aeroportos a empresas

- Correio: Dilma vai privatizar aeroporto de Brasília

- Valor: Crédito de fundo de Reserva à Eletrobras soma R$ 4,4 bi

- Estado de Minas: Extraordinário: Acabou a farra

- Zero Hora: Obras para Copa são insuficientes, alertam companhias aéreas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Ultimate entrevista!

Tiago Recchia

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Escrito por Josias de Souza às 01h00

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Contra inflação, Cristovam pede a volta de Meirelles

  Sérgio Lima/Folha
Cristovam Buarque (PDT-DF) parece crer que a equipe econômica de Dilma Rousseff é feita do pior tipo de cego, o que pensa que está vendo.

Discursando da tribuna, o senador pediu a volta de Henrique Meirelles ao primeiro escalão econômico.

Sob Dilma, como se sabe, o ex-presidente do BC virou Autoridade Olímpica. Para Cristovam, houve equívoco na escalação:

“Não dá pra entender o desperdício de colocar um homem como o Meirelles para dirigir Olimpíadas em vez de tê-lo aqui em Brasília ajudando a enfrentar o problema da inflação...”

“...Não interessa em que cargo, não interessa se é como assessor da presidenta, mas é impossível não termos uma figura como Meirelles nesse momento ajudando a enfrentar o problema da inflação”.

Por quê? “Inflação se combate com controle de gastos públicos, inflação se combate com taxa de juros, mas inflação se combate também com credibilidade daqueles que tiverem comandando o processo”.

Dito de um modo menos delicado: para Cristovam, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do BC, Alexandre Tombini, não transmitem a necessária “credibilidade”. Um oposicionista não soaria tão cruel.

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Escrito por Josias de Souza às 22h46

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Imprensa X Vendilhões: Requião compara-se a Jesus

O senador Roberto Requião adicionou ao destempero que o levou a tomar o gravador de um repórter uma dose de hilário.

Da tribuna do Senado, qual adolescente fráfil, Requião apresentou-se como vítima de ‘bullying. Comparou sua ira contra o repórter à indignação do Cristo ante os vendilhões do templo.

Pena. O reconhecimento do erro e um pedido de desculpas teriam acomodado um ponto final ao triste episódio.

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Escrito por Josias de Souza às 20h27

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FHC admite pela 1ª vez: PSDB e DEM discutem fusão

  Folha
Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso admitiu nesta terça (26) que seu partido discute com o DEM a hipótese de fusão.

FHC esclareceu, porém, que os entedimentos entre tucanos e ‘demos’ encontram-se em fase embrionária.

Quem ouviu ficou com a impressão de que a fusão, se ocorrer, não é coisa para já.

As palavras de FHC soaram em seminário realizado no instituto que leva o nome dele.

Lamentou a desfiliação de Walter Feldeman, um fundador do PSDB que, na véspera, bateu em retirada da legenda.

Sem mencionar-lhes os nomes, criticou os seis vereadores que deixaram o PSDB rumo ao PSD do ‘ex-demo’ Gilberto Kassab.

Disse que os desertores não souberam conviver com as várias tendências que coabitam a legenda.

O DEM, parceiro de infortúnio do tucanato, definha em dimensões federais. Já perdeu para o PSD nove deputados e uma senadora.

Perdeu também o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Convive, de resto, com o risco de perder o governador catarinense Raimundo Colombo.

Conforme noticiado aqui, Colombo condicionou a permanência no DEM à fusão com o PSDB.

O governador esteve na semana passada com FHC. Disse que a junção das duas legendas é coisa para ontem, não para depois de 2012, como se cogita.

Colombo estima que, sem a fusão, a oposição pode sair da eleição municipal do ano que vem menor do que é hoje.

Se estiver correto, a fusão PSDB-DEM juntaria o quase nada com a coisa nenhuma.

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Escrito por Josias de Souza às 19h47

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Ipea: nem privatização apronta aeroportos até 2014

Jonas Pinheiro/Ag.Senado

Realizou na comissão de Infraestrutra do Senado, nesta terça (26), um debate sobre as deficiências dos aeroportos brasileiros.

Presentes, os técnicos que assinaram o estudo do Ipea sobre a matéria: Carlos Álvares da Silva Campos Neto e Frederico Hartmann de Souza.

Divulgado na semana passada, o trabalho foi desqualificado pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

Previu-se que nove dos aeroportos assentados em cidades-sedes de jogos da Copa não ficarão prontos até 2014.

Mera coleção de “recortes de jornal”, reagiu Gilberto Carvalho. Coisa de gente movida pelo “complexo de vira-lata”.

Pois bem. Além de reiterar o conteúdo da peça, a dupla de “vira-latas” do instituto governamental adicionou pimenta ao tema na sessão do Senado.

Um dos técnicos, Carlos Neto, disse que nem mesmo a abertura do capital da Infraero à iniciativa privada resolveria a encrenca dos aeroportos até 2014:

“Trazer o setor privado para investir demora, porque temos que passar por um processo de normatização, regulação...”

Temos que “...fazer a modelagem desses projetos, um processo licitatório, e essas coisas demandam tempo...”

“...Para 2014, nem o investimento privado teria tempo hábil de tocar essas obras importantes”.

Não há meio termo: se o Ipea estiver certo, o governo flerta com o equívoco. Não é que não enxergue a solução. Em verdade, não enxerga nem o problema.

- Em tempo: simultaneamente à reiteração dos técnicos, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) informou que o governo decidiu adotar o modelo de concessão privada em três aeroportos.

São eles: Cumbica (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Brasília. Mais um pouco e o Planalto reconhece o pedigree do seu Ipea.  

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Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Alckmin afasta o vice Afif, ex-demo, do secretariado

Luiz Carlos Murauskas/Folha

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, decidiu abandonar o muro, habitat natural dos tucanos.

Optou por afastar da Secretaria de Desenvolvimento Econômico o vice-governador Guilherme Afif Domingos.

Vai deslocar para a cadeira de Afif o tucano Paulo Alexandre Barbosa, hoje secretário de Desenvolvimento Social.

Na vaga de Barbosa, Alckmin acomodará Rodrigo Garcia, do DEM, um deputado federal que resistiu aos apelos da deserção.

A dança de cadeiras é uma resposta de Alckmin à adesão de Guilherme Afif ao PSD, o partido criado pelo prefeito Gilberto Kassab.

Afif virou vice-governador graças à coligação que o DEM firmara com o PSDB na eleição de 2010.

Eleito junto com Alckmin, fora brindado com a secretaria de Desenvolvimento Econômico, uma das mais importantes do governo.

Da cadeira de vice, Afif não pode ser desalojado senão por renúncia.

Se o mantivesse no secretariado, porém, Alckmin desceria ao noticiário como personagem sui generis –um tucano com sangue de barata.

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Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Inflação: BC ‘passa’, Fazenda ‘levanta’ e Dilma ‘corta’

Nem precisa olhar o termômetro pra saber que o calor está subindo. Calorão inflacionário. Perdeu a cerimônia. Instalou-se de vez.

A quentura bate à porta dos gabinetes de Brasília, entra, se instala e desafia o dono da sala. Até o ar-condicionado transpira.

O brasileiro mais antigo, do tipo que sabe o que os governos fizeram nos verões passados, arrepia-se: estamos todos fritos!

Nesta terça (26), o governo foi aos holofotes com discurso unificado. Deu-se no palco do Conselhão. Na platéia, empresários, sindicalistas e agentes sociais.

Primeiro, foi à boca de cena o presidente do BC, Alexandre Tombini. Insinuou que os calores serão duradouros:

"A questão da inflação vai requerer um esforço prolongado".

Na sequência, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse crer que as providências já adotadas surtem efeito:

"Os ajustes que governo está fazendo permitem o crescimento sustentável com inflação sob controle e solidez fiscal".

Misturando-se Tombini e Mantega, chega-se à tática do atual governo: tenta-se atravessar o mormaço sem prostrar o PIB.

Ao fundo, pisca a palavra “paciência”. Com calma, o país vai crescer uma média de 5% ao ano, aposta Mantega.

Antes que as cortinas se fechassem, subiu ao palco do Conselhão a protagonista. Dilma Rousseff soou firme, como convém:

Na guerra contra a inflação, "não nos furtaremos a colocar em ação todas as medidas, e aí repito: todas as medidas, que julgarmos necessárias e urgentes".

Ela disse que considera compreensíveis as dúvidas que a ação de Brasília suscitam. Mas leva aos lábios o bordão do conta-gotas:

"Trataremos com serenidade e segurança as medidas e ações necessárias".

Até aqui, o espectador assistia ao incêndio que arde no teatro de operações. Agora, verifica que há um quê de teatro no incêndio.

Impossível prever o final da peça. Mas uma coisa é preciso reconhecer: o elenco está bem ensaiado.

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Escrito por Josias de Souza às 15h55

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Gilmar: restringir recursos ‘pode gerar instabilidade’

Fábio Pozzebom/ABr

O ministro Gilmar Mendes, do STF, diverge dos que crêem que a chamada ‘PEC dos Recursos’ vai resolver o flagelo da lentidão do Judiciário. Mais: ele receia que, ao limitar o efeito dos recursos ao STF e ao STJ, a proposta de emenda constitucional “pode gerar instabilidade jurídica”.

Deve-se a autoria da proposta que preocupa Gilmar ao ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo. A sugestão de Peluso vai constar do 3º Pacto Republicano, um acordo que será celebrado entre os presidentes dos três Poderes até 30 de maio.

A propósito de notícia veiculada aqui no blog, Gilmar diz que não expressa suas opiniões com o propósito de polemizar com Peluso. “Não estou interessado nessa polêmica”, diz Gilmar, antecessor de Peluso na presidência do STF.

“Entendo a motivação do Peluso, que é a mais nobre possível. Ele tenta resolver um problema que é crônico: a mazela da demora do Judiciário”. Gilmar afirma que faz “ponderações” com o propósito de contribuir para “a racionalidade do debate” que se estabelecerá no Congresso.

Acha que, antes de modificar a sistemática dos recursos judiciais, há espaço para aprimorar a gestão da Justiça. Pela proposta de Peluso, as sentenças judiciais passariam a ser executadas a partir das deliberações da segunda instância do Poder Judiciário.

Significa dizer que decisões dos Tribunais de Justiça dos Estados e dos Tribunais Regionais Federais converteriam os processos em coisas julgadas. A parte vencida poderia recorrer às instâncias superiores do Judiciário. Mas a execução da sentença seguiria o seu curso.

“A nenhum título será concedido efeito suspensivo aos recursos” protocolados no STJ ou no STF, anota o texto da emenda formulada por Peluso. Ainda que admitido, um recurso extraordinário (STJ) ou um recurso especial (STF) “não obsta o trânsito em julgado da decisão”, diz o texto.

Traduzido para o português das ruas, “trânsito em julgado” significa que o processo chegou ao seu final. A fase seguinte é a execução da sentença. Gilmar antevê problemas. Acha que, ainda que a emenda seja aprovada pelo Congresso, as partes perdedoras não deixarão de recorrer ao STJ e ao STF.

“As pessoas vão buscar algum tipo de proteção, mostrando que aquilo [a sentença de segundo grau] é absurdo. Vão demostrar que, em determinados casos, as decisões contrariam a jurisprudência do Supremo. Isso vai gerar instabilidade jurídica. Por isso, tudo tem que ser muito bem pensado”.

Embora percam o caráter suspensivo, eventuais recursos aos tribunais superiores poderão resultar na rescisão das penas. E Gilmar: “Suponha um processo que envolva matéria criminal. O condenado vai cumprir a pena [de prisão]. Depois, o recurso é provido. E daí?”

Na opinião de Gilmar, a pretendida aceleração do Judiciário pode não ser obtida com a aprovação da emenda. Declara que “o colapso do Juduciário” tem origem já na primeira instância. Para exemplificar, menciona um problema detectado em Pernambuco.

“Verificou-se que há no Estado uma prescrição em massa de crime do júri. É o mais grave: homicídio ou tentativa de homicídio. Em geral, a prescrição nesses casos vai a 20 anos. E estamos falando de mil júris ameaçados de prescrição no primeiro grau de Pernambuco”.

Cita outro episódio em que a “mazela” é anterior ao próprio trâmite judicial: “Achamos em Alagoas algo em torno de 4 mil homicídios que não tinham nem sequer inquérito aberto. Esses processos nem vão ser iniciados. Se não se abre sequer o inquérito, a possibilidade de descobrir o autor do assassinato é nula”.

Escorado nesses exemplos, Gilmar afirma: “Não é que a ideia [contida na PEC dos Recursos] seja errada, nada disso. É que há muita coisa por fazer antes, para melhorar a gestão do Judiciário. A proposta será discutida [no Congresso]. Pode ser aprimorada”.

O ministro afirma que a Justiça já “é hoje melhor do que foi ontem”. Cita providências adotadas no próprio STF. Entre elas a chamada “repercussão geral”, que permite estender determinadas decisões a processos que tratam da mesma questão.

“Graças à repercussão geral, reduziu-se o volume de processos. Lidávamos no Supremo, até bem pouco, com uma média anual de 100 mil processos. Fechamos o ano de 2010 com 30 mil processos”.

Gilmar declara que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) dispõe de um "bom diagnóstico" dos gargalos do Poder Judiciário. Acredita que uma ação conjunta que envolvesse o Ministério da Justiça poderia produzir efeitos administrativos benfazejos. Coisas que independem de mudanças na legislação.

Leia mais sobre o tema no texto abaixo.

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Escrito por Josias de Souza às 07h03

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Para Peluso, PEC dos Recursos ganhou ‘vida própria’

  Divulgação
À espera da finalização do texto do 3º Pacto Republicano, o ministro Cezar Peluso constata que a “PEC dos Recursos”, sugerida por ele, ganhou vida própria.

Em diálogos privados, o presidente do STF diz que o debate já extrapolou o âmbito do Judiciário.

No gabinete do ministro, menciona-se uma iniciativa do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

O parlamentar apresentou, em 5 de abril, uma proposta de teor semelhante à emenda sugerida por Peluso.

O projeto de Ferraço ganhou o número 15/2011. Encontra-se na comissão de Justiça do Senado, à espera da indicação de um relator.

Peluso acha que cumpriu o seu papel de “representante institucional do STF” ao propor que as sentenças judiciais passem a ser executadas já na segunda instância.

Contesta, em privado, a alegação de que não informou aos seus pares sobre a iniciativa. Ele enviou ofício aos demais ministros do Supremo.

Uma providência inédita, já que não foi observada quando da edição dos dois pactos anteriores, celebrados em 2004 e 2009.

Datado de 29 de março, o comunicado de Peluso chegou aos colegas no dia 31 do mês passado. Trazia em anexo a proposta de emenda constitucional.

No mesmo dia, Peluso reuniu-se com dois auxiliares de Dilma Rousseff: os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

Discutiram os termos da nova edição do Pacto Republicano. Fixaram uma data limite para a assinatura do acordo: 30 de maio.

No ofício aos ministros, Peluso recorda que sua ideia fora apresentada dias antes, em 21 de março, num seminário realizado na Fundação Getúlio Vargas, no Rio.

Nesse encontro, ao qual compareceu o vice-presidente Michel Temer, Peluso discorreu sobre as vantagens de sua proposta.

Mostrou-se convencido de que a eliminação do efeito suspensivo dos recursos ao STF e ao STJ atenuará a lentidão do Judiciário.

Peluso já esperava ouvir críticas. Na reunião com Palocci e Cardozo, mencionou-se, por exemplo, a reação que haveria na corporação dos advogados.

Médico de formação, Palocci ironizou: “Não sei quanto aos advogados, mas entre os médicos, quanto uma ideia gera críticas é porque ela é boa”.

Depois de firmado pelos presidentes dos Três Poderes, o Pacto Republicano dependerá de deliberações do Congresso.

Além da emenda de Peluso, o acordo deve conter outras propostas. São dois os objetivos: acelerar o julgamento dos processos e facilitar o acesso ao Judiciário.

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Escrito por Josias de Souza às 06h58

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As manchetes desta terça

- Globo: Bancos desafiam BC e abrem guerra por crédito a servidor

- Folha: Dilma negocia com TCU para acelerar aeroportos

- Estadão: Guantánamo manteve 150 inocentes presos, revelam documentos

- Correio: O dragão da inflação contra a ex-guerrilheira

- Valor: Justiça cerca devedores e já bloqueia R$ 20 bi por ano

- Estado de Minas: O país dos números...

- Jornal do Commercio: Programa da Justiça ajuda endividados

- Zero Hora: Tarso planeja reabrir escolas de sem-terra fechadas por Yeda

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h41

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Vacinação!

Seri

- Via Humor do Seri. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Jobim e os aeroportos: desconforto sim, caos jamais

Angeli

Em palestra no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, o ministro Nelson Jobim (Defesa) falou sobre a situação dos aeroportos brasileiros.

Mencionou os dois eventos internacionais que desafiam a infraestrutura aeroportuária: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

"Pode ter algum desconforto [nos aeroportos], mas não vai ter caos. Caos aéreo é algo que ficou para trás", disse Jobim.

Realçou que o cálice envenenado foi afastado de sua pasta. Migrou para a recém-criada Secretaria de Aviação Civil.

Meia-verdade. Os controladores de vôo continuam submetidos ao comando da Aeronáutica.

De resto, Jobim enalteceu a “pujança” da aviação nacional. Recordou que, em março de 2011, o setor cresceu 23% em relação a março de 2010.

"O que há é um grande crescimento da capacidade aquisitiva dos brasileiros e uma queda enorme nos preços das passagens...”

“...Então, teve um crescimento imenso na aviação civil", disse Jobim.

Verdade. Só faltou recordar que o crescimento da demanda não foi acompanhado de um planejamento capaz de reestruturar os aeroportos.

Assim, os passageiros são como que convidados a observar o cenário pela ótica da lei das compensações.

Dizer que os aeroportos são a mesma porcaria, mas os brasileiros pobres agora também voam não resolve muita coisa.

Equivale a afirmar que o sujeito com uma canela menor que a outra tem uma perna curta. Mas também tem, obrigatoriamente, um perna mais comprida.

Submetido às poltronas apertadas do avião, o perneta viajará com uma taxa de conforto de 50%.

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Escrito por Josias de Souza às 23h08

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Dilma tira ‘Conselhão’ do PT e repassa para o PMDB

Exceto pelos interessados, ninguém mais quer saber do jogo em que se empenham o PMDB e o PT.

Invasão partidária de estruturas governamentais é filme que todo mundo já viu. Só interessa agora a hora do tiroteio no saloon.

Na penúltima troca de tiros, o PMDB levou a melhor. Retirou do PT o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, vulgo “Conselhão”.

Até esta segunda (25), o órgão pendia do organograma chegiado pelo ministro petê Luiz Sérgio (Relações Institucionais).

A partir desta terça (26), será pendurado na estrutura gerida pelo ministro pemedebê Moreira Franco (Assuntos Estratégios).

Amigo do vice-presidente Michel Temer, Moreira Franco reivindicara o Conselhão ainda na fase de transição, antes da posse de Dilma.

A presidente prometera atender, mas demorava-se em efetivar o gesto. Finalmente, mandou ao Diário Oficial o ato que promove a mudança.

Não é nada, não é nada, não é nada mesmo. A platéia não vai sentir nenhuma diferença.

Criado em 2003, sob Lula, o “Conselhão” tornou-se órgão decorativo. Integram-no ministros, empresários, sindicalistas e a chamada sociedade civil.

Nesta terça, a turma realiza sua primeira reunião depois da chegada de Dilma.

Será, na prática, uma oportunidade para que o governo sirva-se dos refletores para jogar água fria na fervura em que borbulham as expectativas inflacionárias.

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Escrito por Josias de Souza às 22h08

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Irritado com pergunta, Requião 'confisca' o gravador

  Folha
Dono de temperamento mercurial, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) reagiu de maneira inusitada a uma pergunta que o desagradou.

Requião concedia entrevista a um repórter da Rádio Bandeirantes. Discorria sobre economia.

A coisa desandou quanto o entrevistador mudou de assunto.

Quis saber de Requião se ele admitia abrir mão da pensão que recebe como ex-govenador do Paraná.

O senador respondeu uma, duas vezes. Na terceira, arrancou o gravador das mãos do repórter incômodo.

Mais tarde, mandou restituiu o equipamento ao dono. Guardou para si, porém, o conteúdo.

Premido pela repercussão do episódio, o senador levou à web o teor da conversa que confiscou. Ouça aqui.

Antes, Requião comentara, no twitter: “Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo”.

Ironizou: “O reporter da Band queria saber da pensão da mãe do Beto Richa. Devia entrevistar o Beto, não a mim”.

A pensão paranaense rende a ex-governadores e suas viúvas R$ 24 mil mensais.

O governador Beto Richa (PSDB) cancelara as pensões de quatro beneficiários. Entre eles Requião.

O senador foi ao Judiciário. Voltou a receber. Na semana passada, o Tribunal de Justiça do Paraná revogou a decisão.

Deve-se a ironia de Requião ao fato de Beto Richa não ter cancelado as pensões autorizadas antes da promulgação da Constituição de 1988.

Salvaram-se cinco ex-governadores e quatro viúvas. Uma delas é Arlete Richa, viúva do ex-governador José Richa, mãe de Beto.

No microblog, Requião queixou-se do noticiário: “O jornalista agressor está conseguindo o sucesso que pretendeu, e a ‘catigoria’ esta alvoroçada. A discussão é boa”.

Meteu outro meio de comunicação na encrenca: “A Folha já me difamou e agrediu sem contraditório e sem me dar direito de resposta”.

Qual foi a difamação da Folha? Não disse. Buscou reparação juducial? Não informou.

Generalizou os ataques: “Os donos da mídia não querem contraditório, fascistas promovem massacre. Venham que aqui tem café no bule”.

Requião comparou os repórteres a estudantes que agridem colegas indefesos nas salas de aula. E posou de agredido:

“Jornalistas querem transformar entrevista em bullyng, escondidos em indulgência plenária com imprensa. Censura não, respeito sim”.

Pegou em lanças: “Vou à luta pela regulamentação do direito de resposta. Fim do jornalismo de aluguel e da falta de respeito”.

Cabe a pergunta: Numa boa, como diz Requião, não teria sido mais simples o senador dizer ao repórter que não queria responder?

Ninguém está obrigado a dizer o que não quer. Daí a tomar gravador... Bullyng? Ora, francamente! Requião é mais inteligente do que isso.

O repórter da Bandeirantes tentou registrar queixa na Polícia do Senado. Nada feito. Corregedoria? Não há corregedor.

Disse que irá a uma delegacia convencional. Inútil. Congressistas não costumam ser alcançados por inspetores de quarteirão.

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Escrito por Josias de Souza às 21h36

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Em Brasília, alta de combustível generaliza chiadeira

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Escrito por Josias de Souza às 19h13

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Fundador do PSDB, Walter Feldman bate em retirada

  Folha
Nas pegadas da desfiliação de seus vereadores tucanos, Walter Feldman bateu asas do PSDB.

Fundador da legenda, Feldman é ligado a José Serra. Hoje, ocupa a cadeira de secretário de Esportes e Lazer da prefeitura de São Paulo.

Em 2008, freqüentou a trincheira dos tucanos que defenderam a reeleição de Gilberto Kassab, contra a candidatura de Geraldo Alckmin.

Ao se despedir, evocou o episódio: "Nós que defendemos a aliança fechada pelo ex-governador José Serra com o Gilberto Kassab em 2008...”

“...Fomos chamados de traidores. Sinalizamos muitas vezes a vontade de superar esse episódio...”

“...Trabalhamos pela campanha do Geraldo em 2010. Ele e seu grupo não conseguiram superar".

Feldman faz mistério quanto ao futuro. Inquirido sobre a hipótese de filiar-se ao PSD de Kassab, ele foi evasivo:

"Eu preciso de uma legenda na qual me sinta abraçado ideologicamente. Mas não é hora de tratar disso. Estou muito machucado".

O PSDB sempre foi, como se sabe, um partido de amigos 100% feito de inimigos. Até aqui, as inimizades conviviam.

Algo diferente se passa, porém, no diretório paulistano do tucanato. À revoada de seis vereadores, soma-se agora a saída do secretário Feldman.

Na cidade de São Paulo, a cara do PSDB combinava o nariz adunco de Alckmin com as olheiras de Serra. Hoje, a face legenda é feita só de nariz.

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Escrito por Josias de Souza às 17h38

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Dilma: ‘Temos imensa preocupação com a inflação’

Ao abrir a campanha de vacinação contra a gripe, Dilma Rousseff foi instada a falar sobre a recidiva de outra doença: a inflação.

"Nós temos imensa preocupação com a inflação”, Dilma declarou.

“Não haverá hipótese alguma que o governo se desmobilize diante da inflação", Dilma reiterou.

“Todas as nossas atenções estão voltadas para o combate acirrado da inflação", remoeu.

Além de Dilma, andam imensamente preocupadas com a inflação as torcidas do Flamengo e do Corinthians.

Até na nota de R$ 50 a cara da onça pintada parece mais preocupada. Ela tem uma reputação a zelar.

A onça chegou à nota por acaso. Não pediu para ser homenageada. E não admite ser humilhada.

Recorda que, no Brasil da superinflação, um país que os mais jovens não viveram, o Banco Central promoveu um morticínio monetário.

A pretexto de venerar-lhes a memória, o BC costumava estampar no dinheiro efígies de filhos ilustres da pátria.

Arrancado do túmulo, o sujeito era lançado no mercado com um determinado valor. No minuto seguinte, enredava-se numa ciranda que o corroía até a morte.

Humilhado, era substituído por uma cara nova. A última vítima foi o educador Anísio Teixeira. Ilustrou a nota de mil numa fase em que o dinheiro chamava-se cruzeiro real.

Para evitar novos constrangimentos às famílias dos mortos ilustres, passou-se a imprimir nas notas o beija-flor, a garça, a arara, a onça pintada...

Para felicidade da fauna, o Plano Real interrompeu essa fase de desmoralização monetária. O que deixa todo mundo preocupado é a percepção de que a conquista corre riscos.

Quem viveu o flagelo inflacionário não suporta a ideia de uma volta ao passado.

Um passado em que a madame ligava para o mercadinho da esquina, encomandava R$ 150 mil "cruzeiros novos" de contrafilé e ordenava:

— Mande entregar. Se não tiver ninguém em casa, pode enfiar por baixo da porta.

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Escrito por Josias de Souza às 15h45

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Movimentação de Peluso provoca ‘saia justa’ no STF

Angeli

Longe dos refletores, os ministros do STF protagonizam uma “saia justa”. No centro do constrangimento está o ministro Cezar Peluso, presidente do tribunal.

Peluso negocia com o governo a edição do 3º Pacto Republicano. Sugeriu providências sem consultar os colegas. Daí o mal-estar.

O pacto é uma peça assinada pelos presidentes dos três Poderes –Executivo, Legislativo e Judiciário.

A primeira versão, de 2004, resultou na reforma do Judiciário. A segunda, de 2009, priorizou a reforma dos códigos de processo penal e civil.

Agora, deseja-se tornar a Justiça mais acessível e menos lenta. Para atingir o segundo objetivo, Peluso propôs a “PEC dos Recursos”.

PEC significa proposta de emenda à Constituição. A de Peluso sugere a execução das sentenças judiciais a partir da segunda instância.

Significa dizer que o cumprimento das decisões da Justiça se daria antes que a parte prejudicada pudesse recorrer aos tribunais superiores: STJ e STF.

Os chamados recursos especiais continuariam existindo. Mas, pela emenda de Peluso, perderiam o “efeito suspensivo”.

Em privado, o ministro Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo, vocifera contra a ideia de Peluso.

Nos subterrâneos, diz-se que pelo menos outros dois ministros também teriam levado o pé atrás: Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

Afora as restrições quanto ao mérito da proposta, os colegas de Peluso queixam-se do método.

Sem consultar seus pares, Peluso pôs sua emenda para andar numa reunião com dois ministros: Antonio Palocci (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

A PEC dos Recursos tornou-se, desde então, o miolo do 3º Pacto Republicano. Peluso, Palocci e Cardozo deliberaram que o texto ficaria pronto até 30 de maio.

Uma outra proposta de Peluso repercutiu mal nos gabinetes vizinhos. Foi mencionada num encontro do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo).

Consistia no seguinte: o STF passaria a fazer a análise prévia da constitucionalidade das novas leis, antes que o presidente da República as sancionasse.

A sugestão não soou inadequada apenas no Supremo. Ecoou mal também no Congresso e no Planalto, que se sentiram diminuídos.

Na reunião com Palocci e Cardozo, realizada há três semanas, Peluso recuou. Disse que desistira do controle prévio da constitucionalidade das leis.

Manteve sobre a mesa, porém, a emenda dos recursos judiciais. Resta agora saber se a resistência de parte do STF será forte o bastante para produzir novo recuo.

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Escrito por Josias de Souza às 06h02

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PT espera para esta 2ª posição sobre volta de Dutra

Antônio Cruz/ABr

Expira nesta segunda-feira (25) a licença médica de José Eduardo Dutra, o presidente do PT.

A direção da legenda espera receber dele uma posição quanto ao futuro. Deseja-se saber se vai ou não reassumir o posto.

Dutra está fora de combate desde março. Em tese, teria de retornar nesta terça (26). O quadro clínico dele não é, porém, tão simples quanto foi informado.

Difundiu-se a versão de que o ex-coordenador da campanha de Dilma Rousseff fora alcançado por uma crise hipertensiva decorrente de stress.

Um integrante da cúpula do PT informou ao repórter que, em verdade, Dutra submete-se a um tratamento psiquiátrico.

Na origem do problema, Dutra surpreendeu os amigos com um sumiço de quatro dias. Descobriu-se que ele isolara-se em seu apartamento.

Encontraram-no abatido. Não se alimentava adequadamente. Mostrava-se avesso ao convívio social. Desligara o telefone. Desplugara-se da internet.

Iniciado o tratamento, Dutra passou a exibir ânimo oscilante. O receio dos petistas que lhe são mais próximos é o de que, reassumindo, ele tenha recaídas.

Um pedaço do petismo considera que a melhor alternativa seria, a essa altura, o afastamento definitivo de Dutra. Algo que depende mais dele que da legenda.

Na hipótese de renúncia, vai-se covocar eleição para a escolha de um substituto. Por ora, responde pela presidência o vice Rui Falcão (SP).

Confirmando-se a saída de Dutra, é improvável que Falcão seja alçado à Presidência. Dilma Rousseff e Lula não querem.

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Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes desta segunda

- Globo: Agentes da ditadura criam rede de arapongas

- Folha: Empregos crescem na faixa acima dos 50 anos

- Estadão: Construtora atrasa obra e eleva custo de imóvel em SP

- Correio: Cinco dias para ficar de olhos bem abertos

- Valor: Plano de reativação da Telebras fica no papel

- Estado de Minas: Calvário na ida. Tormento na volta

- Jornal do Commercio: Sport e Santa numa boa

- Zero Hora: Tempestades expõem demora habitual para normalizar energia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Surpreeeeeesa!

Clayton

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Escrito por Josias de Souza às 00h20

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Mantega vai falar de inflação e dólar ao ‘Conselhão’

Reúne-se nesta terça (26), no Planalto, o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).

Integram o 'Conselhão' representantes do empresariado, do sindicalismo, de ONGs, dos movimentos sociais e do próprio governo (aqui, a lista).

Na pauta, uma homenagem póstuma ao ex-vice-presidente José Alencar, um discurso de Dilma Rousseff e uma exposição do ministro Guido Mantega.

O titular da Fazenda recebeu a espinhosa missão de discorrer aos conselheiros sobre a conjuntura econômica. Falará de PIB, inflação e câmbio.

A apresentação de Mantega será dirigida a uma platéia inquieta. Gente que gere seus negócios com um olho na carestia e outro no derretimento do dólar.

O ministro tentará convencer o pedaço do mercado presente à reunião do acerto da estratégia anti-inflacionária adotada sob Dilma.

O governo combate a inflação e administra o câmbio com medidas servidas em conta-gotas. Tenta-se evitar o envenanamento do PIB.

Parte da platéia compartilha das previsões segundo as quais o teto da meta oficial de inflação, fixado em 6,5% ao ano, pode ser ultrapassado em 2011.

Mantega tem a tarefa de convencer a audiência do contrário. Se conseguir, deixará a reunião com a cara de Ethan Hunt, o personagem de Tom Cruise na série 'Missão Impossível'.

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Escrito por Josias de Souza às 23h22

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PT teme que insucesso da reforma política tisne Lula

Petistas habituados a trocar de meia sem tirar o sapato sussurraram nas orelhas de Lula, no final de semana, um conselho companheiro.

Sugeriu-se ao ex-soberano que vá devagar com o andor da reforma política. Acham que a hipótese de sair do Congresso uma reforma genuína é carta fora do baralho.

Se o azar tirar folga, há 50% de chances de aprovar-se um remendo. Se a má sorte der expediente full time, a probabilidade de não passar nem isso roça os 95%.

Recordou-se: presidente da República, Lula meteu-se na aposta perdida com a cara de Tarso Genro, então ministro da Justiça.

Avaliou-se: não faz nexo que, vestido de ex-presidente, Lula compareça ao pano verde sem anteparos.

Na melhor hipótese, estimaram os conselheiros, o ex-monarca perde pouco. Na pior hipótese, volta pra São Bernardo a pé e sem o cetro.

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Escrito por Josias de Souza às 22h39

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‘DEM é de direita e espero que assuma sua posição’

  Divulgação
Presidente do DEM no Paraná, o deputado federal Abelardo Lupion enxerga uma oportunidade na liposaspiração que faz muchar sua legenda.

Afirma que, assim como ele, os políticos que optaram por permanecer no DEM são, em sua maioria, “de direita”.

Avalia que a agremiação tem diante de si a chance de parar de fingir que é de centro, assumindo sua verdadeira identidade.

Falando ao repórter André Gonçalves, Lupion disse coisas assim:

“O DEM é um partido de direita e espero que assuma sua posição. A minha já foi assumida. Sou de direita e isso não é pecado”.

Defende que a tribo ‘demo’ pegue em lanças por suas ideias. Coisas como a defesa da propriedade privada, Estado mínimo e menos impostos.

“Gosto do libealismo”, posiciona-se Lupion. “Nós precisamos assumir nossas teses. Aqueles que não acreditam nisso não podem ficar no DEM”.

Para Lupion, os políticos brasileiros “não sabem o que significa ideologia”. Ele divide a fauna assim:

“A pessoa de centro no Brasil não tem posição. E 90% dos caras que se dizem de esquerda só querem estar na moda”.

Lupion tacha de “oportunista” o PSD do ‘ex-demo’ Gilberto Kassab. Insinua que o prefeito de São Paulo e seus seguidores buscam um lugar à sombra dos cofres federais:

“Ele está jogando para ir para a situação. Eles vão ser base do governo federal. Mas nós, do DEM, não fomos eleitos para sermos situação”.

Acha que “o eleitor não vai entender” a migração. Por quê? “Aqueles que estão saindo deixam para trás um compromisso com as urnas”.

“Oposição é tão importante quanto situação. Nós precisamos fiscalizar, debater, coibir impostos. O nosso papel é relevante”, Lupion acrescenta.

Imagina que, endireitando-se, o DEM vai dialogar com “20% da população” brasileira. Gente como “profissionais liberais, empresários e produtores rurais”.

Dá de ombros para o emagrecimento: “Vamos perder nove deputados federais e uma senadora. Vamos continuar com 37 deputados federais...”

“...[...] Vão dizer que nós somos pequenos. Mas nós somos o quinto maior partido do Brasil hoje...”

“...Vamos continuar lutando pelos nossos espaços, sendo críticos, fiscalizadores. Esse é um reflexo de oito anos de oposição e mais quatro ainda pela frente...”

“...Muita gente que não sabe viver sem mamar nas tetas do governo sucumbe”.

As declarações de Lupion devem lhe render ataques da patrulha. No Brasil, como se sabe, ninguém costuma ser de direita.

Melhor enfrentar a patrulha, porém, do que realimentar a picaretagem ideológica. Como diz o deputado, “o DEM é de direita”. Convém assumir.

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Escrito por Josias de Souza às 18h41

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Na era dos bits, Dia do Livro passa por data fúnebre

Muita gente nem percebeu. Quem notou, deu pouca ou nenhuma importância à data.

O Dia Internacional do Livro ateou neste 23 de abril um ânimo de cortejo fúnebre.

Na era da web, a palavra escrita acha-se, por assim dizer, sob as garras do novo.

Em mais uma mudança de hábitos, o verbo move-se agora também em pixels e bits.

A tecnologia como que confere ao papel e à tinta ares de coisas antigas, obsoletas.

Estantes ganham aparência de cemitérios, para onde vão os livros depois de mortos.

Na contramaré do ceticismo dos modernos, o signatário do blog recomenda aos seus 22 leitores:

Leiam “A Conturbada História das Bibliotecas”, do americano Matthew Battles.

No Brasil, foi lançado em 2003, pela Editora Planeta. Tem 239 folhas. Fuja da versão digital.

Prefira o papel. Leva uma inestimável vantagem sobre o visor de cristal líquido: não enguiça.

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Escrito por Josias de Souza às 07h16

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PT olha para 2012 como rã que carrega ‘escorpiões’

Às voltas com o debate sobre as alianças de 2012, o PT comporta-se com a rã da fábula.

Enxerga nos parceiros a figura do escorpião. Receia que, aliando-se a eles, pode ser picado ao longo da travessia que leva a 2014.

Leia-se, a propósito, nota veiculada no Painel, editado pela repórter Renato Lo Prete, na Folha:

- Inimigos íntimos: A política de alianças do PT para 2012, que começará a ser costurada na reunião do Diretório Nacional no próximo fim de semana, vai evidenciar algo que já está claro nas discussões internas: a preocupação do partido, hoje, é maior com o crescimento demasiado de aliados como PSB e PMDB do que com a oposição, enfraquecida e às voltas com sua própria divisão.

A lógica petista é simples: não ajudar a vitaminar legendas cujo engajamento no projeto de reeleição de Dilma Rousseff em 2014 é incerto. Setores do partido defenderão o desembarque de alianças em polos estratégicos como Belo Horizonte (MG), onde hoje o PSB governa com o PT na vice.

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Escrito por Josias de Souza às 06h12

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Riocentro: após 30 anos, vem à luz agenda do terror

Arquivo

No meio do caminho entre o Brasil da ditadura e o Brasil redemocratizado há um Puma flamejante

O país provavelmente seria outro se uma das bombas transportadas no veículo não tivesse explodido no colo do terror.

A coisa aconteceu, como se sabe, em 30 de abril de 1981. Já lá se vão 30 anos. E o Puma ainda arde na enciclopédia como chama mal explicada.

Os repórteres Chico Otavio e Alessandra Duarte levam às páginas deste domingo (24) uma notícia que traz à luz pedaços sombreados da história.

A dupla apalpou a agenda do sargento Guilherme Pereira do Rosário, em cujo colo explodiu, por imperícia, a bomba do Riocentro.

O sargento morreu. Seu acompanhante, o capitão Wilson Machado, feriu-se gravemente. Realizaram-se dois inquéritos militares.

O primeiro, de 1981, terminou em farsa. O capitão ferido na explosão declarou-se vítima, não autor do atentado.

Em notas, o Exército endossou a versão burlesca. O general Figueiredo, presidente de então, prometera prender e arrebentar quem se opusesse à abertura.

Porém, entre o cumprimento da promessa e a preservação da unidade militar, Figueiredo optou por fingir que não havia um Puma desafiando sua autoridade.

No segundo inquérito, de 1999, as conclusões migraram da farsa para a pantomima, do inacreditável para o inaceitável.

Ficou entendido que o sargento morto e o capitão ferido eram responsáveis pela explosão, não vitimas.

Incriminaram-se outros dois personagens: o oficial do Exército Freddie Perdigão e o civil Hilário Corrales.

Porém, o STM (Superior Tribunal Militar) absteve-se de punir os terroristas da linha dura. Entendeu-se que a ação deles estava coberta pela lei da anistia.

Foi num volume desse segundo inquérito, mandado ao arquivo em 2000, que os repórteres localizaram a agenda do sargento morto Guilherme Rosário.

A peça –um caderninho marrom que cabe na palma da mão— foi recolhida no local da explosão por um tenente, Divany Carvalho Barros.

Traz anotados, com a caligrafia de Guilherme Rosário, 107 nomes e seus respectivos telefones.

Cruzando dados da época com informações atuais, os repórteres lograram identificar metade dos nomes da agenda.

Descobriu-se uma autêntica rede de pessoas envolvidas com tortura e espionagem.

Há na agenda membros do “Grupo Secreto”, organização paramilitar de direita que deflagrou uma série de atos terroristas para tentar deter a abertura política.

Constam também da lista: militares da chamada comunidade de informações, agentes da Secretaria estadual de Segurança e representantes da sociedade civil.

De resto, o sargento anotara em sua caderneta telefones de meios de comunicação, para os quais ligaria a fim de comunicar sobre atentados.

Todo esse manancial de dados foi ignorado como pista na pseudoinvestigação. Muitos dos nomes da agenda permanecem vivos.

Contactados, disseram não se recordar do sargento da explosão. Não souberam explicar, porém, como seus nomes foram parar na agenda.

Retorne-se ao início: a abertura política iniciada nos anos 80 pelo general Geisel teria tomado outro rumo se a turma do Puma não tivesse se auto-implodido.

Se as bombas explodissem como planejado, haveria pânico e morte num show musical apinhado que se realizava no Riocentro.

Os “comunistas” seriam responsabilizados pelo sangue. A abertura provavelmente seria mandada ao beleléu.

Prevaleceria um Brasil de linha dura, que desaguaria em mais selvageria, nunca no Tancredo Neves do Colégio Eleitoral.

A nova reportagem não apaga o Puma do verbete. Ele continua lá, ardendo. Mas os dados ajudam a recontar um pedaço da história que muitos, ainda hoje, prefeririam esconder.

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Escrito por Josias de Souza às 05h24

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As manchetes deste domingo

- Globo: Agenda revela a rede de terror do Riocentro

- Folha: Cumbica agora enfrenta hora do rush o dia todo

- Estadão: Apagão de combustíveis causa rombo de US$ 18 bi

- Correio: DF corre o risco de ficar sem gasolina

- Zero Hora: Tragédias da enxurrada

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Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Malhação do Judas!

Sinfrônio

- Via 'Diário do Nordeste'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h44

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Depois do otimismo do pré-sal, sobreveio o pré-caos

Desconfie do excesso de otimismo. Sempre! O otimista crônico é um cadáver mal informado. Tome-se o caso da Petrobras.

Depois da tempestade verborrágica, veio a cobrança. Sob Lula, a estatal foi às nuvens. Chegou a atear inveja no estrangeiro.

Em 2008, pré-candidata à Casa Branca, Hillary Clinton discursou: ''O Brasil investiu em pesquisa com cana-de-açúcar e hoje é autosuficiente em energia''.

Ao lero-lero da autosuficiência somou-se a grandiloquência do pré-sal. Tratou-se o óleo das profundezas do mar como se já estivesse no barril.

De repente, o pré-sal sumiu das manchetes. O noticiário agora ocupa-se do pré-caos.

Diretor-executivo do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires deu nome ao fenômeno:

"A população pode não perceber, mas vivemos um estrangulamento do setor de combustíveis, um apagão".

Uma notícia produzida pela repórter Raquel Landim resumiu a encrenca que conduziu ao “apagão” de que fala o especialista.

O preço do etanol roça o céu. Desde o início de 2011, subiu 30% na bomba. Em movimento de autodefesa, os motoristas correram para a gasolina.

Resultado: além de álcool, começou faltar gasolina. A Petrobras e as usinas viram-se compelidas a importar os dois produtos.

Deve-se a elevação do preço do etanol à entressafra da cana e, sobretudo, a uma opção dos usineiros.

A cotação do açúcar, em alta, tornou-se convidativa. Dá mais dinheiro transformar a cana em pó do que em líquido.

Para complicar, houve um aumento da frota de automóveis. Lula convidou o brasileiro a consumir. O governo serviu um refresco de IPI às montadoras e estimulou o crédito.

Em 2010, licenciaram-se 3,52 milhões de veículos no país. O dobro do número de licenças emitidas em 2000: 1,49 milhão.

Hoje, rodam no Brasil 32,5 milhões de carros, ônibus e caminhões. O crescimento da frota não foi acompanhado de investimentos na produção de combustível.

No ano passado, consumiam-se 117,9 milhões de metros cúbicos de derivados de petróleo, 11% a mais do que foi produzido.

Até então, a oferta de combustíveis superava a demanda. A inversão da curva levou à importação. Numa palavra: faltou planejamento.

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Escrito por Josias de Souza às 23h36

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Haddad afirma que ‘interesses’ torcem contra Enem

O ministro Fernando Haddad (Educação) fez uma palestra na Bahia. Falou para uma platéia de empresários, políticos e autoridades.

A certa altura, disse meia dúzia de palavras sobre os desacertos do Enem –vazamento de prova, falha no encadernamento de questões...

Embora tenha reconhecido falhas do governo, Haddad disse, enigmático: há “interesses econômicos” que torcem contra o exame.

Realçou que as empresas privadas envolvidas no processo também falharam. Cabe a pergunta: e a estudantada com isso?

Mostrou-se confiante: “Não podemos nos intimidar com esse tipo de percalço. Acredito que o Brasil vai conseguir se organizar para realizar uma prova sem incidentes”.

O “Brasil” é muita gente. Em vez de meter o país todo na encrenca, melhor exigir dos poucos “responsáveis” que parem de exercer a incompetência com máxima competência.

O ministro admitiu, de resto: é mixuruca o investimento em Educação no Brasil. Disse, porém, que a coisa vai melhorar.

Passará de muito pior a ruim: os atuais 5% do PIB destinados ao setor subirão para 7%. Uau!

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Escrito por Josias de Souza às 21h46

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PSD abriga deputados com histórico de ‘vira-casacas’

Angeli

Para os deputados que aderiram ao PSD, o partido de Gilberto Kassab, a fidelidade partidária é um compromisso facultativo.

Por ora, a ata de fundação da nova legenda carrega as assinaturas de 31 deputados federais. Mais da metade já passou por pelo menos três legendas.

Deve-se a constatação à repórter Silvia Amorim. Ela recolheu no portal da Câmara os dados que recheiam a notícia.

Dois correlegionários de Kassab, os deputados Junji Abe (SP) e Silas Câmara (AM) já envergaram as cores de nada menos que sete legendas.

Junji já foi do PDS, que virou PFL. Migrou para o PL. Deu saudade. Voltou para o PFL. Mudou-se para o PSDB. Foi ao DEM (ex-PFL). Agora, é PSD.

Silas foi do PL. Mudou-se para o PFL. Pulou: PTB. Saltou: PAN. Embora negue, a Câmara informa que passou também pelo PMDB. Eleito pelo PSC, é agora PSD.

O perfil dos partidários de Kassab justifica a atmosfera de zombaria que rodeia a nova legenda.

Deveria se chamar PDB. Apelidado de “Partido Da Boquinha”, vitou PSD. Agora é “Partido Sem Decência”, faz troça o ‘demo’ ACM Neto (BA).

Assim caminha a rotina dos partidos brasileiros, uma brincadeira financiada pelo déficit público.

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Escrito por Josias de Souza às 19h23

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Gallup: Trump firma-se como ‘adversário’ de Obama

  Gallup
Lançada como piada, a candidatura presidencial do magnata norte-americano Donald Trump escalou o topo da última pesquisa do Gallup.

Foi a primeira vez que o Gallup incluiu o nome de Trump na sondagem que mede a preferência dos eleitores do partido Republicano.

Já na estréia, Trump (foto do meio) ombreou com Mike Huckabee (à esquerda), ex-governador do Arkansas.

Ambos amealharam 16% da preferência dos republicanos.

Mais abaixo, com 13%, vem Mitt Romney, ex-governador do Massachussetts. Sarah Palin, vice na chapa derrotada por Barack Obama em 2008, soma 10%

A pesquisa incluiu outros 11 pretendentes à vaga de antagonista de Obama. Oito pontuaram na casa de um dígito (de 1% a 6%). Três obtiveram traço.

Desde que Obama lançou-se como candidato do partido Democrata à reeleição, abriu-se um ciclo de especulações sobre a escolha do rival.

Considerando-se os dados recolhidos pelo Gallup em entrevistas realizadas entre os dias 15 e 20 de abril, Trump emerge com cara de surpresa.

Ele chega a liderar a pesquisa, com 21%, no nicho que inclui os republicanos ditos moderados e os eleitores independentes.

Levando-se em conta que a postulação de Trump pode não passar de uma jogada promocional, o Gallup perguntou aos eleitores dele em quem votariam se tivessem de fazer uma “segunda escolha”.

No cenário sem Trump, Huckabee lidera com 19% das intenções de voto dos republicanos. Romney vai a 16%. E Palin sobe para 13%.

Trump leva uma vantagem sobre os adversários. Magnata do ramo imobiliário, ele é uma estrela televisiva. Comanda um reality show de grande audiência.

Nas últimas semanas, Trump ressuscitou uma acusação que os adversários de Obama fizeram na campanha passada.

Acusou o presidente de não ter nascido nos EUA. “Tenho grandes dúvidas”, disse Trump, devolvendo a polêmica às manchetes.

À medida que fabrica controvérsias, Trump vai açulando a grande interrogação: é mesmo uma piada ou sua candidatura deve ser tomada a sério?

A pesquisa do Gallup, divulgada nesta sexta (22), pode animar a anedota a se autoatribuir alguma seriedade.

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Escrito por Josias de Souza às 06h28

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Dilma deseja qualificar 3,5 milhões de trabalhadores

  Sérgio Lima/Folha
Dilma Rousseff prepara para os próximos dias o lançamento de uma iniciativa que prometera na campanha eleitoral.

Chama-se Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico). Será tocado por três ministérios: Educação, Fazenda e Trabalho.

O anúncio chega num instante em que o mercado de trabalho brasileiro se ressente da falta de mão de obra qualificada.

As repórteres Geralda Doca e Martha Beck esmiuçaram o plano oficial em notícia veiculada neste sábado. Informam:

1. Pretende-se capacitar 3,5 milhões de trabalhadores até o final da gestão Dilma, em 2014. Para 2011, a meta será de 500 mil pessoas.

2. O público-alvo inclui alunos do ensino médio, profissionais que se penduram com freqüência no seguro desemprego e bebeficiários do Bolsa Família.

3. Vai-se apresentar a iniciativa como uma ação concreta para atenuar a encrenca da falta de mão de obra especializada.

4. Serão priorizados os setores nos quais a carência é maior. Entre eles: construção civil, tecnologia da informação e serviços (hotelaria e gastronomia, etc.).

5. A inclusão da clientela do Bolsa Família no Pronatec é uma tentativa do governo de responder à crítica de que o programa não dispõe de “porta de saída”.

6. Do total de 3,5 milhões de trabalhadores que o governo espera capacitar em quatro anos, estima-se que 200 mil virão do Bolsa Família.

7. Os cursos técnicos serão ministrados em institutos federais de ensino, escolas estaduais e na rede do ‘Sistema S’ (Senai e Senac).

8. O Fies (Programa de Financiamento Estudantil) será ampliado para atender à nova demanda do ensino técnico.

9. O Pronatec dependerá de aprovação do Congresso. Será enviado à Câmara na forma de projeto de lei, com pedido de urgência na tramitação.

10. O novo programa será adensado com iniciativas antigas. Por exemplo: a expansão das escolas técnicas federais e o programa Brasil Profissionalizado.

11. O governo pretende tonificar os repasses de verbas federais para Estados, por meio do programa Brasil Profissionalizado, gerido pela pasta da Educação.

12. Implementado em 2008, esse programa repassou aos governos estaduais dinheiro para reformar 543 escolas técnicas e construir 176.

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Escrito por Josias de Souza às 04h20

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As manchetes deste sábado

- Globo: Governo vai lançar plano contra falta de mão de obra

- Folha: Ditadura da Síria mata mais de 80 opositores

- Estadão: Repressão na Síria deixa 76 mortos

- Correio: A via-crúcis dos brasilienses...

- Estado de Minas: Alta de preço dos imóveis dificulta compra com FGTS

- Zero Hora: Temporal provoca mortes e deixa mais de 200 mil sem luz

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h05

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Uma ceia pouco santa!

  Aroeira

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Escrito por Josias de Souza às 01h41

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Lula: o PMDB será o ‘aliado principal’ do PT em 2012

  Sérgio Lima/Folha
Em entrevista ao jornal sindical ABC Maior, de São Bernardo do Campo, Lula guindou o PMDB à condição de parceiro preferencial do PT nas eleições de 2012.

“Posso garantir, antecipadamente, inclusive sem falar antes com o Michel Temer, que o PMDB desta vez terá o PT como aliado principal em todos os municípios...”

“...Conversei com o presidente estadual do PMDB, o deputado Baleia Rossi, que me garantiu que a preferência de aliança é com o PT”.

Referindo-se à sucessão do prefeito Gilberto Kassab, Lula vaticinou: “Em São Paulo, está chegando a hora de o PT voltar a governar...”

“...Só precisamos montar uma chapa perfeita. O PT tem de encontrar um vice que dialogue com representantes do setor médio da sociedade...”

“...Do pequeno empresariado, do profissional liberal e pessoas que têm um pouco de cisma do PT. [...] Vamos vencer quando encontrarmos o nosso José Alencar.”

Lula talvez devesse ter conversado antes com Michel Temer. Nas pegadas da entrevista do ex-soberano, Temer pôs para andar um plano diferente.

Convidou o deputado Gabriel Chalita, hoje no PSB, para ser o candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo.

De duas uma: ou Temer está vendendo um terreno na Lua para Chalita ou o PMDB deixará Lula falando sozinho em São Paulo.  

Conforme noticiado aqui, um pedaço da conversa de Lula com o jornal de São Bernardo já havia sido levado ao ar pela emissora TVT.

Num dos trechos que só apareceram na versão impressa, Lula refere-se a 2014. Dilma Rousseff será recandidata?, perguntou-se a ele.

E Lula: “Não tem como esconder, embora ela não pode, e nem deve falar, mas Dilma será a candidata do PT em 2014...”

“...Dilma vai mudar a cara do Brasil para muito melhor. Ela vai lançar o programa de combate à miséria absoluta...”

“...[...] Ela sabe tanto, ou até mais que eu, do caminho que deverá trilhar para acabar com a pobreza e miséria absoluta do Brasil”.

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Escrito por Josias de Souza às 23h12

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Fiéis vão à praia e padre cearense culpa a imprensa

Fotos: AP e Folha

Santos ou pagões, os feriados são janelas abertas para o descanso. Os feriadões são vidraças expandidas para a fuga da liça.  

Mede-se o apreço por essas brechas do calendário pelos quilômetros de congestionamento nas vias que conduzem às praias.

Quando a folga cai na na Semana Santa, são cada vez mais escassas as almas que se animam a buscar nas igrejas o lenitivo para a azáfama do cotidiano.

Culpa de quem? Para o vigário Clairton Alexandrino, da Catedral Metropolitana de Fortaleza, a culpa é da mídia.

Numa entrevista radiofônica que concedeu nesta Sexta-feira Santa, o pároco soou assim:

“A imprensa dessacraliza esse período, definindo-o como feriadão ou feriado prolongado”.

Lamentou que o noticiário profane uma fase que deveria ser dedicada à reflexão sobre a morte e a ressurreição de Jesus.

Recomenda-se ao vigário cearense que observe com atenção as duas fotos que ilustram o texto.

A imagem maior, lá do alto, foi clicada na cidade espanhola de Valencia. Exibe religiosos em procissão. Cristo foi cultuado na praia.

Na imagem menor, à direita, uma praia apinhada do litoral Sul de São Paulo. Evidência de que o clérigo Clairton prega no deserto.

Entre uma cena e outra, a demonstração de que os missionários ganham mais mexendo a batina do que movendo os lábios.

Culpa da imprensa? Ora, francamente! Em respeito à data, evitem-se os merecidos impropérios.

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Escrito por Josias de Souza às 20h31

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Sem valor ideológico, barba de petê sai a R$ 500 mil

  Lula Marques/Folha
Noutros tempos, a barba tinha alta cotação ideológica. Servia para distinguir o esquerdistas do direitista.

Enéas, uma barba de esquerda numa cara de direita, começou a desmoralizar a simbologia. Lula completou o serviço.

A barba agora não vale nada. Politicamente, ela pode situar-se à direita de Lula e à esquerda de Lula, dependendo da época.

A platéia se deu conta de que, jogados num tanque d’água, as massas corpóreas de um Dirceu e um Kassab flutuam e esperneiam do mesmo jeito.

Foi contra esse pano de fundo que Jaques Wagner, o governador petê da Bahia, decidiu vender a barba.

Em troca de R$ 500 mil, vai livrar-se de um revestimento facial que cultiva há 34 anos. Entregará a barba a uma logomarca famosa, a Gillette.

O dinheiro será doado ao Instituto Ayrton Senna, que converterá os pêlos nevados do governador em benemerência. Grande ideia.

Depois que o PT enganchou o seu socialismo no bigode do Sarney, a barba parecia condenada à irrelevância.

A transação de Wagner com a Procter & Gamble, multinacional que fabrica a Gillette, revela que, sob a ótica capitalista do mercado, a barba é ativo valioso.

Lula cobra R$ 200 mil por palestra. Sem abrir a boca, o governador baiano amealhou meio milhão –2,5 palestras do ex-soberano.

Imagine-se quanto Lula faturaria se resolvesse levar a própria barba ao balcão. Seria um grande reforço ao programa de erradicação da miséria da Dilma.

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Escrito por Josias de Souza às 19h33

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Ex-PSDB, atual PSB, Chalita vai às urnas pelo PMDB

Tudo na vida exige modos. Entre os verbos disponíveis no dicionário, a compostura, extraordinária conselheira, tem especial apreço por um: maneirar.

Na política, o conceito de maneirar sempre foi elástico. Hoje, porém, exagera-se na flexibilidade. A ponto de comprometer o recato.

Os atores políticos parecem todos, digamos, mal acomodados. Nunca foram de ficar sentados em suas legendas. Mas agora abusam.

A maioria está de pé, na frente da mesa. Alguns escoram a barriga no balcão. A atmosfera lembra a de um boteco.

Só pode dar em bagunça, não em reforma política. Encomenda-se um partido como se fosse uma tulipa de chope. Ou, pior, um novo tipo droga.

— Ô, Kassab, desce uma rodada de PSD pra galera. No capricho!

Nesta Sexta-feira Santa, enquanto o sistema partidário vai penetrando o caos, o vice-presidente Michel Temer saiu-se com uma novidade.

Informa que o deputado Gabriel Chalita foi convidado a disputar a prefeitura de São Paulo pelo PMDB.

Amigo do governador tucano Geraldo Alckmin, Chalita era, até bem pouco, filiado ao PSDB. Súbito, migrou da pseudo-social-democracia para o socialismo-de-faz-conta.

No ano passado, Chalita elegeu-se deputado federal pelo PSB. Depois de Tiririca (PR), foi o mais votado de São Paulo.

Em fevereiro, cobiçou a liderança do PSB na Câmara. Foi preterido por Ana Arraes (PE), mãe do governador Eduardo Campos (PE), presidente do partido.

De uns tempos pra cá, Chalita pôs-se a criticar o flerte de Eduardo com o prefeito Gilberto Kassab, o ‘ex-demo’ que se encantou por Dilma Rousseff.

De repente, o anúncio: Chalita vai às urnas com a camisa do PMDB. Junto com ele, deve migrar do PSB para o partido de Temer o ex-neosocialista Paulo Skaf.

Mal comparando, a política evolui num ritmo de marchinha de Carnaval antigo. Só que com menos pudor.

Campeã do Carnaval de 1949, até a Chiquita, que era bacana, tinha procedência e vestes bem definidas.   

Sabia-se que ela vinha lá da Martinica. Vestia-se com uma casca de banana nanica. Não usava vestido nem calção.

Dada a saçaricos, Chiquita era, por assim dizer, liberada. Mas mesmo ela respeitava certos limites. Embora considerasse o inverno pleno verão, jamais exibiu-se nua.

Existencialista, Chiquita fazia o que mandava o seu coração. Fisiologistas, os políticos brasileiros fazem o que manda a conveniência.

Com múltiplas camisas, terminam não tendo nenhuma. Desfilam o torso desnudo. E já nem se preocupam em oferecer certificado de origem.

Dito de outro modo: a turma caiu no samba. E esqueceu de maneirar.

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Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Delúbio diz a líderanças do PT que pedirá ‘refiliação’

Alan Marques/Folha
Delúbio Soares informou a membros da Executiva do PT que vai formalizar um pedido de “refiliação” ao partido.

Tesoureiro da legenda na fase do mensalão, Delúbio foi o único petista expulso depois que o malfeito virou manchete, em 2005.

Decorridos seis anos, quer voltar. Já cumpri a minha pena, disse ele nos diálogos privados que manteve com o alto comando do petismo.

Delúbio deseja que seu pedido seja levado a voto na próxima sexta-feira (29), dia em que o PT reúne o seu diretório nacional.

Rezam os estatutos do PT que só o diretório, instância máxima da agremiação, pode readmitir os filiados expulsos.

É a segunda vez que Delúbio tenta retornar ao PT. Ensaiara a formalização do requerimento no ano passado. A pedido de Lula, deu meia-volta.

No papel de cabo eleitoral, Lula receou que a ressurreição de Delúbio ecoasse mal na campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

A nova investida de Delúbio não encontrou, por ora, opositores. Informado acerca da movimentação, Lula ainda não se animou a renovar o pedido de 2010.

Forma-se no diretório do PT uma densa maioria a favor da reabilitação do ex-gestor das valerianas arcas.

Confirmando-se o pedido escrito de Delúbio, o PT terá de decidir sobre a inclusão do tema na pauta.

Uma tarefa para a Executiva nacional, que se reúne na quinta (21), véspera do encontro do diretório.

Guardião de segredos insondáveis, Delúbio absteve-se de lançar mão do trunfo em suas conversas preparatórias.

Ao contrário, fez questão de envergar o papel de vítima disciplinada. Disse que, a despeito da punição solitária, não guarda mágoa do partido.

Recordou que, depois de expulso, recolheu-se. Foi buscar formas de encher a geladeira.

Absteve-se, segundo afirmou, de traficar influência no governo. Disse ter montado um negócio na internet. Coisa voltada à venda de imóveis.

Não cobrei nem vou cobrar nada de ninguém, afirmou Delúbio entre quatro paredes. Fui viver a minha vida, ele acrescentou.

Realçou nessas conversas que muitos imaginavam que fosse se filiar a outra legenda, para disputar uma cadeira na Câmara.

Arrematou, em timbre emocional: sou do PT, quero morrer no PT. Quem ouviu Delúbio teve dificuldade de dizer “não” ao ex-tesoureiro.

Sobretudo porque o pedido chega num instante em que outros mensaleiros mereceram da legenda tratamento diverso.

O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, por exemplo, foi reconduzido ao diretório nacional. É, hoje, ardoroso defensor da volta de Delúbio.  

Por indicação do PT, João Paulo Cunha elegeu-se presidente da Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados.

José Genoino, presidente do partido na época do mensalão, ganhou cargo de assessor no Ministério da Defesa.

Eis a pergunta que emerge naturalmente: Sob atmosfera assim, tão condescendente, por que condenar Delúbio à exclusão perpétua?

O ex-tesoureiro é réu no processo que corre no STF. Divide o banco com Dirceu, João Paulo, Genuíno e um inquietante etc..

Embora Delúbio não diga, suspeita-se que ele cultive a pretensão de candidatar-se a prefeito, em Goiás, na eleição de 2012.

Para levar adiante o projeto, precisa assegurar a filiação partidária até setembro. Daí a pressa.

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Escrito por Josias de Souza às 05h29

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As manchetes desta sexta

- Globo: Multas por sonegar imposto podem chegar a R$ 100 bi

- Folha: 'Maquiagem' de produtos crescem junto com Inflação

- Estadão: Dilma enquadra agências reguladoras

- Correio: Comer... Rezar... Amar...

- Zero Hora: Feriadão de Páscoa 2011. Por que as estradas pararam

- IstoÉ Dinheiro: Brasileiros que estão bombando no Vale do Silício

- CartaCapital: O diário do Araguaia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Petro-Alferes!

Humberto

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Escrito por Josias de Souza às 01h20

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STJ mantém Deborah, a promotora do DF, na cadeia

  Alan Marques/Folha
O STJ indeferiu pedido de habeas corpus formulado pela defesa da promotora Deborah Guerner e do marido dela, Jorge Guerner.

Deve-se a decisão ao ministro João Otávio de Noronha. A notícia foi veiculada na página mantida pelo STJ na web.

Envolvido no escândalo do mensalão do DEM, o casal Guerner foi detido pela Polícia Federal na quarta (19).

Acusados de malfeitos variados, os Guerner respondiam ao processo em liberdade. Foram à garra por conta de uma acusação nova.

O Ministério Público Federal acusa Deborah de simular problemas mentais para ludibriar a Justiça e fugir às responsabilidades penais.

De resto, alegou-se que havia o risco de fuga do casal. A prisão foi decretada pelo Tribunal Regional Federal da 1º Região, sediado em Brasília.

No pedido de habeas corpus, os advogados do casal alegaram que a prisão foi “ilegal”.

Argumentaram, em essência, que os investigados não são obrigados a dizer a verdade ou a produzir provas contra si mesmos.

Em seu despacho, o ministro João Noronha contra-argumentou: o fato de a lei não obrigar os réus a dizer a verdade não os autoriza a forjar provas e documentos.

Uma das acusações formuladas pelo Ministério Público é a de que Deborah levou aos autos atestados médicos falsos.

“Aí estariam atingidos interesses maiores de ordem pública”, escreveu o ministro do STJ.

Ele invocou o artigo 312 do Código de Processo Penal, que autoriza prisões em nome da garantia da ordem pública ou da conveniência da instrução criminal.

De resto, o ministro considerou que a petição dos advogados dos Guerner não logrou demonstrar a ilegalidade das prisões.

Ele requisitou informações adicionais ao TRF, o tribunal que autorizou as detenções. Depois, o processo vai ao Ministério Público, que terá de emitir um parecer.

Só então o mérito do pedido dos advogados será julgado em termos definitivos. Até lá, o casal permanece como hóspede do ‘PF’s Inn’.

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Escrito por Josias de Souza às 23h10

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Kassab refuga número 51 para identificar o seu PSD

Às voltas com a constituição do seu PSD, Gilberto Kassab ocupa-se de uma tarefa comezinha.

O prefeito paulistano precisa escolher o número que vai identificar o novo partido na propaganda eleitoral e nas urnas eletrônicas.

São poucos os números à disposição. Um deles é o 51, logomarca de uma conhecida cachaça.

Partidários de Kassab defenderam essa opção. Argumentaram que o 51 seria facilmente memorizado pelo eleitorado.

Apreciador de bons vinhos, Kassab não considerou uma boa ideia. Preferiu distanciar o seu projeto do alambique: "51 é uma marca muito famosa", disse.

O prefeito afirmou que ainda não se fixou em nenhum número. Perscruta as alternativas:

"Existem alguns disponíveis. O 30 é um desses números, mas o momento da escolha do número é quando concluir esse processo. O 41 também não está disponível".

Inquirido sobre a migração de meia dúzia de vereadores do PSDB-SP rumo ao PSD, Kassab fingiu-se de desentendido:

"Eu não participo desse movimento. É questão interna do PSDB".

Pareceu inebriado com a desenvoltura da nova legenda: "Estamos representados em quase todos os Estados”.

Kassab foi aos microfones num resort de Comandatuba (BA). Aproveita o feriado para participar de um encontro entre empresários e políticos.

Convidada, Dilma dissera que daria as caras. Recuou. Diz-se que a meia-volta foi aconselhada por assessores.

Instado a comentar a ausência de Dilma, de quem está cada vez mais próximo, 0 'ex-demo' Kassab minimizou:

"Se ela viesse seria muito bem recebida. Não veio por um motivo de foro pessoal. Não é fácil a vida de presidente da República".

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Escrito por Josias de Souza às 21h08

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Em Ouro Preto, Dilma compara-se aos inconfidentes

Fotos: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma Rousseff esteve em Ouro Preto (MG) nesta quinta (21). Tomou parte das homenagens do Dia de Tiradentes.

Recebeu do governador tucano Antonio Anastasia a Medalha da Inconfidência. Participou de cerimônia no museu dedicado aos mártires.

Depositaram-se ao lado das lápides de 13 inconfidentes sepultados no local os restos mortais de outros três.

Chamam-se José de Resende Costa, João Dias da Mota e Domingos Vidal de Barbosa. Banidos para a África, morreram há mais de 200 anos.

Tiveram as identidades confirmadas por meio de exame das ossadas. Coisa feita por especialistas da Faculdade de Odontologia da Unicamp, em Piracicaba (SP).

Ao discursar, Dilma traçou um paralelo entre os inconfidentes mineiros do século 18 e os ativistas que combateram a ditadura militar (64-85).

Comparou o banimento dos três inconfidentes enviados pela Coroa Portuguesa à África ao exílio dos ativistas de esquerda:

"Eles foram exilados por haverem se atrevido a desejar um Brasil independente. Na nossa história, muitos tiveram que se exilar por desejar também liberdade e democracia".

Mais adiante, Dilma incluiu-se na analogia. Comparou-se aos revoltosos mineiros que arrostaram suplícios no Brasil:

"Os brasileiros e brasileiras que, como eu, sofreram na pele os efeitos da privação de liberdade sabem o quanto a democracia institucional faz falta quando desaparece".

A comparação soou imprória. A inconfidência foi um movimento burguês. Teve, por assim dizer, origens tributárias.

Brigava-se contra a taxação compulsória imposta por Portugal à extração do ouro. Buscava-se a independência de Minas.

Os inconfidentes inspiravam-se no iluminismo francês e na independência norte-americana.

A militância que foi às armas contra a ditadura escorava-se em valores soviéticos. Nem todos almejavam a democracia.

Desejava-se substituir um totalitarismo por outro. Assim como os militares, parte expressiva da esquerda oferecia ao povo a “liberdade” de se deixar mandar.

Num instante em que o governo tenta pôr de pé a Comissão da Verdade, já não fica bem falar de coisas definitivas sem definir muito bem as coisas.

Melhor apurar os desatinos cometidos pelos dois lados, incluindo o hediondo crime da tortura, sem envolver a turma de Tiradentes na encrenca.

Em seu discurso, o governador Anastasia realçou semelhanças, digamos, mais apropriadas.

O pupilo de Aécio Neves cobrou do governo federal a revisão do modelo tributário do setor de mineração.

Chamou de “injusto” o sistema atual. Como o ouro já foi apropriado por Portugal, o governador ocupou-se do minério de ferro. É retirado do solo mineiro, segundo ele, sem retribuições ao Estado.

“Mesmo o principal tributo estadual, o ICMS, não incide quando este produto é exportado”, disse o governador.

Anastasia aproveitou a ocasião para recordar a Dilma o apoio que ela dera à revisão da sistemática de cobrança de royalties da mineração.

Hoje, Minas recebe entre 0,2% e 3% do faturamento líquido das mineradoras, dependendo do tipo de produto. O Estado quer mais.

Em resposta, Dilma repisou a promessa: “Mais uma vez externo aqui o meu compromisso com o envio do marco regulatório do setor de mineração...”

“...Não é justo, nem tampouco contribui para o desenvolvimento do Brasil, que os recursos minerais do país sejam daqui tirados e não haja a devida compensação”.

Além de morder, Anastasia teve a delicadeza de assoprar. Injetou nos fetejos da Inconfidência uma homenagem às mulheres mineiras.

Realçaram-se duas: Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, conhecida como Marília de Dirceu; e Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira.

Viveram na velha Vila Rica de 1789. Foram testemunhas da conspiração dos inconfidentes contra a Coroa.

Jeitoso, Anastasia enganchou no discurso um afago à mineira Dilma:

“São estas mulheres e milhões de outras que fizeram e fazem a história de Minas e do Brasil...”

“...Temos, assim, orgulho de ser mineira a primeira mandatária suprema de nossa República”.

Dilma, com a comenda dos Inconfidentes já devidamente acomodada em volta do pescoço, agradeceu:

“Eu, como cidadã mineira e como presidente da República, queria agradecer a honra da medalha que aqui recebi, neste dia...”

“...Também é com emoção e com orgulho que esta medalha agora cobre meu peito, o Grande Colar da Inconfidência...”

“...Agradeço ao povo de Minas e ao governador Antonio Anastasia por esse gesto que tem, para mim, a mais alta relevância simbólica”.

Assim, sob a memória de Tiradentes e Cia., enforcaram-se as pseudodiferenças entre a oposição representada pelo tucano Anastasia e a situação personificada na petista Dilma.

Encerrados os festejos, foram todos almoçar numa fazenda. A propriedade pertence a Walfrido dos Mares Guia.

Ex-ministro de Lula, Mares Guia afastou-se do governo depois que o Ministério Público o denunciou por envolvimento no mensalão tucano de Minas, precursor do mensalão federal do PT.

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Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Exposição mostra nacos de flagelos clicados ao redor

O vídeo acima serve um aperitivo de exposição fotográfica inaugurada em ‘La Casa Encendida, um centro cultural assentado em Madri (Espanha).

Clicadas ao redor do mundo, as imagens registram flagrantes de flagelos que assediam o gênero humano —de desumanidades a desastres naturais.

No total, são 40 fotos. Concorreram a um prêmio internacional concedido anualmente pela ONG Médicos do Mundo.

Em 2011, o júri premiou uma série batizada de “Meninos Prisioneiros em Cárceres Africanos”. O autor se chama Fernando Moleres.

Recolheu as imagens em cárceres de Serra Leoa. Se tivesse optado pelo Brasil, encontraria coisa muito parecida.

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Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Lula declara que PT vai governar o país por 20 anos

Lula antevê um futuro idílico para o PT. Estima que seu partido realizará um velho sonho do PSDB: o poder longevo.

O ex-soberano declarou à TVT, emissora gerida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que o petismo governará o Brasil por 20 anos, até 2022.

Significa dizer que, para ele, além de seus dois reinados e do mandato de Dilma Rousseff, o PT prevalecerá nas sucessões de 2014 e a de 2018.

Na entrevista, disponível no vídeo lá do alto, Lula começa discorrendo sobre reforma política e termina analisando o que chamou de “crise de identidade” do PSDB.

A certa altura, ele declara: "Quando o Fernando Henrique ganhou as eleições em 1994, eles projetaram 20 anos de governança do PSDB...”

“...E o que vai acontecer é que teremos 20 anos de governança do PT. Eles não se conformam é que o PT vai ter o tempo necessário para mudar [...] a cara do Brasil".

De volta à arena política, seu habitat natural, Lula afirmou que o PSDB tornou-se um partido sem “perfil ideológico definido”.

Acha que a “crise” vivida pelo principal antagonista do PT é tonificada por querelas estaduais e pela “disputa interna” entre José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

A certa altura, Lula disse que se aproxima o momento em que o PT vai voltar a vencer a disputa pela prefeitura de São Paulo.

O êxito depende, segundo ele, da montagem de uma “chapa perfeita”, com um vice à direita do PT -uma espécie de versão paulistana de José Alencar.

Considerando-se os desacertos da oposição, os vaticínios de Lula devem soar aos ouvidos de tucanos e ‘demos’ como pesadelos esperando para acontecer.

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Escrito por Josias de Souza às 08h29

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Caiado ataca Jorge Bornhausen: Ele é ‘quinta coluna’

Wilson Dias/ABr

Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM na Câmara, fez duros ataques ao presidente de honra de seu partido, o ex-senador Jorge Bornhausen (SC).

O deputado pendurou no seu microblog um lote de 12 notas. Redigiu-as em termos ácidos.

Abriu a bateria com uma estocada nos ex-colegas de bancada que migraram para o PSD de Gilberto Kassab. Mirou abaixo da linha da cintura:

“É claro que existem os fracos de caráter e postura, que já abandonaram a oposição com menos de três meses de mandato”.

Enalteceu os remanescentes: “Os que ficaram têm a chance de consolidar a imagem de políticos de fibra, conteúdo. Não desistimos da luta, por mais difícil que ela seja!”

Refugou a hipótese de fusão do DEM com o PSDB. Ao contabilizar a reduzida tropa oposicionista, lembrou a votação obtida por José Serra em 2010:

“A fusão com o PSDB não favorece a oposição. Temos hoje um cenário positivo. São 96 deputados em defesa de 44 milhões de votos recebidos”.

Em seguida, voltou-se para Jorge Bornhausen. Atribuiu a ele a idéia de rebatizar o PFL, que considerou equivocada:

“Essa história de mudar para DEM foi ideia de Jorge Bornhausen, [Antonio] Lavareda e Saulo Queiroz. Criaram uma tese que quase afundou o partido”.

Lavareda é sociólogo e analista de pesquisas. Saulo era tesoureiro do DEM. Aliado de Bornhausen, já migrou para o PSD.

Caiado como que sugere para o ex-PFL a adoção de um nome novo, PRD:

“Nós somos o Partido da Resistência Democrática! Que os coveiros fracassados sigam o caminho adesista e de traição. As urnas darão a resposta”.

O deputado dá de barato que Bornhausen seguirá o mesmo rumo de Saulo. Escreve que ambos já “saíram”:

“Jorge Bornhausen e Saulo Queiroz mudaram o nome e os rumos do PFL, fracassaram, tentaram covardemente jogar a culpa em outros e saíram”.

Realça no ex-correligionário a vocação governista: “Jorge Bornhausen, que sempre foi de se acomodar à sombra do poder, trabalha para entrar no governo do PT”.

Recorda uma passagem da eleição de 2010: o comício em que Lula atacou, na Santa Catarina de Bornhausem, o DEM:

“Jorge Bornhausen ajuda Lula, que disse, em SC, tentar exterminar o DEM! A que ponto chegamos. Também faz a ponte entre governo-PSD”.

Repisa a rejeição à junção com o tucanato:

“Sem fusão! Vamos trabalhar e dar o exemplo em 2012. Da forma democrática, disputando eleições! Não entraremos no Palácio pelos fundos”.

Trata Bornhausen como um silvério: “A atuação da quinta coluna no DEM foi lamentável e já entrou para a história”.

Enxerga nos primeiros movimentos de Kassab uma ilegalidade:

“PSD cometeu uma fraude. O partido não fechou a ata de sua fundação, que foi semana passada. Por acaso o evento ainda está em andamento?”

Insinua que tomará providências: “Estamos de olho! Vamos questionar e denunciar essa fraude do PSD. Ata de fundação em aberto depois de uma semana?”

Devagarzinho, a conflagração que corrói as entranhas do DEM vai transbordando. Caiado levou a roupa suja dos gabinetes fechados para a mais moderna das praças públicas: a internet.

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Escrito por Josias de Souza às 07h28

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Colombo confirma que cogita trocar o DEM pelo PSD

‘DEM se enfraqueceu muito. Hoje, não tem uma proposta’
‘Se não houver a fusão  com o PSDB,  aí não dá  para mim’
‘Se for para ficar do jeito que está, vou buscar alternativa’
‘Legalmente,  não há outra  hipótese’  que não seja o PSD 

Divulgação

Submetido a um processo de lipoaspiração, o DEM está prestes a sofrer uma nova e expressiva baixa. Em entrevista ao blog, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, confirmou que cogita migrar para o PSD do prefeito Gilberto Kassab.

Ele condiciona sua permanência no DEM à fusão da legenda com o PSDB. Algo que as cúpulas das duas legendas descartam. Na terça (19) Colombo e Jorge Bornhausen reuniram-se, em São Paulo, com FHC. Conversaram sobre fusão. As chances são, por ora, mínimas. "Vou ficar parado? Não dá", diz Colombo. Abaixo, a entrevista:

- Cogita trocar o DEM pelo PSD? Minha opinião é a de que enfrentamos uma crise nos partidos. Não é uma crise apenas do DEM ou do PSDB, é de todos os partidos. Claro que quem está no governo tem um nível de proteção maior. A conveniência em torno do governo aproxima. Mas os partidos estão longe da sociedade.  Hoje, não passam de sopas de letrinhas.

- Por isso cogita deixar o DEM? Sou sincero, digo que o DEM se enfraqueceu muito. Hoje, não tem uma proposta. A capacidade que o partido teria de se reconstruir depende de uma parceria. O PSDB precisa compreender isso e apresentar um projeto de fusão. Os tucanos estão deixando o nosso partido sozinho. Não sei se falta diálogo ou se os nossos líderes, do DEM, não querem isso.

- As cúpulas das duas legendas já descartaram a fusão imediata. Como fica? Se não houver isso, eu vou realmente vou reestudar minha posição. Vivo uma angústia pessoal.

- Acha que a fusão resolveria os problemas da oposição? A gente tem que ter um projeto. Não podemos continuar com o discurso da CPMF. Nós derrubamos, eu ajudei. Mas, na verdade, fomos nós mesmos que criamos. Parece que esse é o único discurso que temos. Aí não vai! Estamos longe do cotidiano das pessoas. Somos prisioneiros de brigas internas. Para mim, é muito pouco. Não me satisfaz.

- Não receia que, migrando para o PSD do prefeito Kassab, um partido sem fisionomia nítida, terá o mesmo problema de falta de discurso? Concordo. Mas é preciso considerar que foi o único fato novo na política brasileira. Começa a trazer a nu essa realidade partidária. Que opção a gente tem? Falei com o José Agripino. Disse que não há decisão tomada. Mas afirmei que, do jeito que está, não há interesse.

- Discorda da opinião dos que chamam Kassab de oportunista? Não acho correto ficar falando mal dos que saíram. Isso é muito pobre. Até pouco tempo, ele estava conosco. Aí era um grande líder. Por que saiu virou um grande safado? Não não faz sentido.

- Soube que o sr. esteve com FHC. Conversaram sobre o quê? Eu pedi a ele que liderasse esse processo [de fusão]. Mas senti que eles também têm os problemas deles. Vou ficar parado? Não dá.

- Ouviu de FHC algum apelo para que permaneça no DEM? Não. Sinto que o encaminhamento é para adiar o debate [sobre fusão] para depois da eleição municipal de 2012. Acho que é um erro político. Corremos o risco de sair da eleição menores do que somos hoje.

- Não teme que o eleitor tenha dificuldade para entender a troca de partido? Não. Primeiro porque não estou mudando minha posição política de oposição. Segundo porque há, hoje, uma confusão ideológica.

- Que confusão? Não há mais diferenças nítidas entre os partidos. Eles já não representam uma corrente na sociedade. O eleitor vota pela personalidade do candidato. Diante dessa crise, as divisões internas enfraqueceram o DEM. Não conseguimos olhar para fora do muro. Não vou ficar limitado a isso. Se for para ficar do jeito que está, vou procurar alternativa. Estou provocando o partido. E o PSDB teria de contribuir

- Que contribuição o PSDB teria que dar? Eles têm candidato à Presidência e nós não temos. Isso aglutina as ideias em torno de um projeto.

- O candidato seria o Aécio Neves? Não há dúvida, é o Aécio. A disputa está longe, mas toda a expectativa está em torno dele.

- Há um prazo limite para a sua decisão sobre a troca de partido? Teremos que fazer esse encaminhamento em pouco tempo. Espero que haja uma reunião entre PSDB e DEM em que se discuta a possibilidade de construir um projeto comum, que passa pela fusão. Se não houver, aí não dá para mim. Não posso demorar demais. É preciso verificar quando o novo partido será registrado no TSE. Esse é o prazo legal.

- Na hipótese de não vingar a fusão com o PSDB, enxerga algum outro caminho? Legalmente, não há outra hipótese. Qualquer outro caminho me sujeitaria à perda do mandato.

- Havendo a mudança de partido, o Bornhausen vai junto? Estamos afinados. A decisão será conjunta.  

- Acha que a migração para um partido mais identificado com o governo facilita a sua gestão como governador? Não é isso que me move. Não estou mudando de posição. Não estou indo para a base do governo.

- Mas a maioria do PSD é governista, não? Acho natural que um partido, na fase de constituição, tenha esse caráter meio híbrido. Se disser, de saída, que é governo, não forma quadros. Com o tempo, vai se firmando sua fisionomia. De minha parte, se for para o PSD, não mudarei de posição.

- Como avalia o governo Dilma? Há avanços nítidos na política externa. Temos problemas com a inflação. Vejo uma duplicidade entre Fazenda e Banco Central. Mas a presidente tem se posicionado bem. Na minha opinião, ela está mais à altura do cargo do que o antecessor.

- Diria que é grande a chance de trocar de partido? Diria o seguinte: o esvaziamento do DEM é muito forte. O momento não é de ficar discutindo questões internas. Temos de buscar uma convivência mais próxima com a sociedade. Se fizermos fusão com o PSDB, temos condições de renovar os sonhos e abrir novos canais de diálogo com a sociedade. Sem isso, a chance de eu optar pela troca é muito grande.

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Escrito por Josias de Souza às 06h11

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As manchetes desta quinta

- Globo: Juros sobem mais uma vez; inflação, também

- Folha: Juro sobre menos que o esperado e vai para 12%

- Estadão: Dilma põe direitos humanos no centro da política externa

- Correio: Eles nos envergonham

- Zero Hora: Inflação força terceira alta do juro em 90 dias

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Luta de classes!

Paixão

- Via 'Gazeta do Povo'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h25

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Metade das 12 cidades da Copa tem obras atrasadas

Nas pegadas do relatório do Ipea que atestou atrasos nas obras aeroportuárias, o ministro Mario Negromonte (Cidades) revelou:

Das 12 cidades que sediarão jogos da Copa de 2014, metade está atrasada na entrega de projetos de obras.

São obras de infraestrutura. Coisa destinada a facilitar o que o governo chama de “mobilidade urbana”.

Negromonte diz que Brasília estuda a possibilidade flexibilizar as licitações dos projetos da Copa.

Como assim? “É um dos caminhos, simplificar normativos sem deixar de ser republicano, ético, moral e legal”. Hummmmmmmm!

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Escrito por Josias de Souza às 00h28

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Canteiro de Belo Monte terá ‘puxadinho’ do Planalto

José Cruz/ABr

A encrenca trabalhista que eletrificou os canteiros das usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, inspirou no governo uma providência inusitada.

Decidiu-se instalar nas proximidades da obra da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, um posto de atendimento federal.

Nas palavras do ministro Gilberto Carvalho, será “uma espécie de delegacia da Pesidência” da República.

Secretário-Geral da Presidência, Gilberto explica que o posto do Planalto coordenará a “intervenção federal na região” da usina.

Fará a intermediação da “relação dos trabalhadores com as empresas, com o poder público local, com a sociedade local e assim por diante”.

Em entrevista aos repórteres Luciana Lima e Ivanir José Bortot, o ministro disse que sua chefe, Dilma Rousseff, quer fazer de Belo Monte um “exemplo”.

Mais do que um bom exemplo, a montagem do entreposto da Presidência em Belo Monte é um bom aviso.

Fica entendido que o governo, embora federal, não opera nos fundões da Federação. Ali, para funcionar, depende de um "puxadinho" da Presidência.

Doravante, eventuais encrencas serão debitadas diretamente na conta de Dilma. Eliminaram-se os anteparos.

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Escrito por Josias de Souza às 23h09

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Alckmin e a revoada: Cada um é 'senhor do destino’

Instado a comentar a revoada de seis vereadores tucanos rumo ao PSD de Gilberto Kassab, o governador Geraldo Alckmin recorreu à filosofia de para-choque.

Quem deixou o PSDB é "senhor de seu destino", disse ele. "As pessoas têm liberdade de seguir o seu caminho".

Já em 2008, ano em que Alckmin concorrera à prefeitura de São Paulo, os vereadores tucanos arrastaram asa para Kassab.

Naquela ocasião, os silvérios guiavam-se pela bússola de José Serra. Para felicidade geral, o dedo do destino não deixa impressões digitais.

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Escrito por Josias de Souza às 22h10

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BC eleva a taxa de juros de 11,75% para 12% ao ano

ABr

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros 11,75% para 12% ao ano.

A decisão não foi unânime. Cinco diretores do BC votaram a favor da alta de 0,25. Outros dois queriam um pouco mais: 0,5 ponto percentual.

A opção da maioria pela alta mais branda é reveladora. Indica, uma vez mais, que o BC abandonou a ideia de tratar a inflação a pauladas.

Optou por administrar a carestia sem desaquecer demasiadamente a economia. Em nota divulgada após a reunião, o BC explicitou a tática.

O texto informa que o Copom levou em conta, além da inflação, “o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica” e “o ambiente internacional”.

Acrescenta: “o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado...”

“...É a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012".

Dito de outro modo: o BC acha que o esforço para trazer a inflação para as cercanias do centro da meta oficial de 4,5% ao ano não pode comprometer o PIB.

Tenta-se dosar o remédio de modo a atenuar o efeito colateral. Empurra-se a encrenca para o ano que vem.

A estratégia tem defensores e opositores. Os dois lados concordam num ponto: enveredou-se por uma picada que impõe riscos.

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Escrito por Josias de Souza às 20h32

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PF prende promotora por simular problemas mentais

Alan Marques/Folha

Foram em cana, nesta quarta (20), a promotora Deborah Guerner e o marido dela, Jorge Guerner. Prendeu-os a Polícia Federal.

A dupla está envolvida nos malfeitos desvendados pela Operação Caixa de Pandora, origem da exposição do mensalão do DEM de Brasília.

Desceram ao cárcere, porém, por outra razão. Descobriu-se que a promotora recebeu treinamento médico para simular problemas mentais.

De resto, alegou-se que o casal viajou à Itália sem comunicar à Justiça. O casal foi abordado ao retornar da viagem.

A PF interceptou o carro dos Guerner no caminho entre o aeroporto e a residência, no Lago Sul, bairro chique da Capital.

Ao receber voz de prisão, a promotora pediu para deixar as malas em casa. Foi atendida. Na sequência, foi levada ao “PF’s Inn”.

Está detida na mesma sala especial em que ficou preso o ex-governador José Roberto Arruda.

O marido foi levado ao presídio da Papuda. Diplomado, teria direito a cela especial.

Como não havia nenhuma à disposição, ele também foi levado para a hospedaria da PF.

Autor do pedido de prisão, o procurador da República Ronaldo Albo, que acompanha o caso, formalizou uma nova denúncia.

Na peça, acusa a promotora, o marido e o psiquiatra Luis Altenfelder Silva filho de formação de quadrilha, fraude processual e falsidade ideológica.

O médico esteve na casa da promotora. Sua presença foi filmada pelo sistema de câmeras instalado no imóvel.

Apreendida pela PF, a fita de vídeo escora a denúncia. O psiquiartra aparece nas imagens em situação inusitada.

De acordo com os investigadores, as cenas mostram que Deborah Guerner foi treinada para simular transtornos mentais.

Deu-se às vésperas de um exame no Instituto Médico Legal de Brasília. No vídeo, o doutor Altenfelder orienta a “paciente” sobre as respostas que deveria dar.

Na simulação, o marido da promotora fez o papel de médico. Altenfelder respondia como se fosse Deborah. Ela assistia aos ensinamentos.

Ao final da encenação, Altenfelder diz a Deborah: seguindo os ensinamentos recebidos, ela obteria no IML o diagnóstico de transtorno bipolar múltiplo.

Tomada por portadora de problemas mentais, a ré se livraria dos problemas judiciais que a assediam.

Detalhista, o psiquiatra chega mesmo a orientar a promotora sobre o modo como deveria se vestir, o batom que deveria usar.

A certa altura, o marido da promotora pergunta sobre o preço do treinamento. E Altenfelder: R$ 15 mil.

Jorge Guerner regateia. Oferece R$ 10 mil, em duas parcelas. O doutor Altenfender concorda.

O psiquiatra foi alcançado pela equipe da revista Época em São Paulo, onde mantém seu consultório.

Altenfelder confirmou que esteve na casa de Deborah, em Brasília. Disse que a promotora é sua paciente há três anos.

Assegurou que a promotora “sofre mesmo de transtorno bipolar múltiplo”. Um diagnóstico que o treinamento do vídeo desautoriza.

Declarando-se “perplexo”, Altenfelder alega em sua defesa: Não cometi nenhuma fraude. É tudo muito ruim para mim”.

Mais perplexa está a platéia. Se é a coisa toda é ruim para o doutor, será muito pior para sua “paciente”, caso se confirme a tentativa de burla à Justiça.

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Escrito por Josias de Souza às 18h52

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Pimentel diz que real não voltará a ser moeda fraca

ABr

O Real vive situação dicotômica. Ao mesmo tempo que perde valor, a moeda nacional ganha força.

Desvaloriza-se na proporção em que a inflação avança. Valoriza-se à medida que o dólar decai.

Na mão do brasileiro que tem de encher a geladeira diariamente, o Real vale cada vez menos.

Na caixa registradora das indústrias que destinam parte de sua produção ao mercado externo, o Real vale mais do que seria desejável.

Nesta quarta (20), o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) tratou o Real como uma espécie de pátria de bolso.

"Países fortes, e hoje o Brasil é um país forte, têm moedas fortes”, disse Pimentel, cuja pasta faz a interface entre o mundo empresarial e o governo.

“Então, não vamos esperar que o Real vá se desvalorizar de uma hora para a outra, vai voltar a ser uma moeda fraca, uma moeda desvalorizada. Não vai".

O diabo é que o pseudoportento monetário do Brasil, por artificial, atomiza a capacidade do exportador brasileiro de fechar negócios.

Mais: o dólar barato acomoda nas prateleiras do Brasil levas de produtos vindos do estrangeiro, asfixiando a produção nacional. O próprio Pimentel reconhece:

O dólar "não precisa estar e não deve estar num patamar de desvalorização tão alto quanto este que estamos agora, que prejudica a produção nacional".

Ele diz que o governo tomará providências para atenuar o drama cambial. Que medidas serão adotadas? Não disse. Quando? Não falou.

Pimentel não pareceu muito otimista quanto as efeitos da ação governamental. Disse que a encrenca não se resolve por um “passe de mágica”.

Declarou, de resto, que o derretimento do dólar é um fenômeno global.

Recorre, segundo o ministro, da política dos EUA de desvalorizar sua moeda para tentar aquecer a economia doméstica.

"Esse é um ponto que não podemos contornar", disse Fernando Pimentel.

Ou seja: o Real continuará exibindo seus músculos anabolizados por tempo indeterminado.

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Escrito por Josias de Souza às 17h11

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Mantega e inflação: ‘Não tem nenhuma medida hoje’

Diz a velha frase que não adianta chorar pelo leite derramado. O que está feito está feito. Nada vai desfazer.

No gestão da economia, isso significaria que não se deve ficar lamentando a inflação e caçando os culpados pela volta dela.

É hora de ajudar a Dilma a achar uma saída. Até porque, no caso do atual governo, a busca dos responsáveis seria inútil.

Herdeira de si mesma, a turma que segura o pano de chão é a mesma que derrubou o leite.

Nesta quarta (20), o IBGE divulgou uma prévia da inflação oficial de abril: 0,77%. No ano, 3,14%. Nos último 12 meses, 6,44%. O que fazer?

Acossado por repórteres, o ministro Guido Mantega (Fazenda) soou assim: “Não tem nenhuma medida hoje". Natural, muito natural, naturalíssimo.

Diante de um problema de aparência insolúvel, o melhor a fazer é discuti-lo exautivamente. Depois, mercê da exaustão, adia-se a resolução.

Enquanto a platéia se questiona –Será que essa gente tem capacidade para equilibrar um copo de leite na bandeja— o BC se reúne.

Logo mais, o Copom (Comitê de Política Monetária) divulga a nova subida dos juros. Não vai devolver o leite ao copo. Mas ajuda na desconversa.

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Escrito por Josias de Souza às 15h34

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Oposição apressa coligações para a eleição de 2012

À procura de um norte, PSDB e DEM decidiram antecipar o fechamento dos acordos para as eleições de 2012.

A caciquia das legendas organiza para a próxima semana um encontro. Deseja-se perscrutar a situação nas maiores cidades.

A ideia é priorizar as cidades com mais de 200 mil. Pretende-se que o DEM apóie o PSDB nas localidades em que o tucanato estiver mais bem posto e vice-versa.

Imagina-se que a antecipação das coligações resultará num subproduto: sai das manchetes o noticiário sobre a fusão do DEM com PSDB.

O tema foi arranhado numa reunião do grão-tucanato, nesta terça (19), em Brasília.

Participaram o senador Aécio Neves (MG) e os deputados Sérgio Guerra (PE) e Rodrigo de Castro (MG), presidente e secretário-geral do PSDB, respectivamente.

“Não estamos falando em fusão”, apressa-se em dizer Aécio. “O entendimento nosso é o seguinte:...”

“...Diferentemente de outros anos, quando nós disputamos entre nós e acabamos, no final, prejudicando um ao outro, agora não vai haver isso”.

Alcançado pelo repórter em Miami (EUA), onde se encontra, o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), ecoou Aécio:

“Os fatos estão impondo as alianças entre PSDB e DEM”, disse ele, pelo celular. “Mais do que isso, precisamos ter um discurso comum”.

O repórter ouviu também o tucano Sérgio Guerra. Ele disse que, além do DEM, planeja atrair para a mesa de negociação o PPS.

Os partidos de oposição adotam o ritmo de toque de caixa contra um pano de fundo marcado pela lipoaspiração que os vitima.

As três legendas perdem quadros para o PSD, partido criado pelo ‘ex-demo’ Gilberto Kassab e rapidamente convertido em estuário de descontentes.

Por ora, a legenda de Kassab atraiu 11 deputados federais e uma senadora do DEM, três deputados federais do PPS e seis vereadores do PSDB-SP.

Migrou do DEM para o novo partido também o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.

Aécio enxerga na quadra azeda “o momento para antecipar as coligações”. No seu caso específico, a harmonia de 2012 é vital para o projeto presidencial de 2014.

“Onde o DEM for mais forte, nós vamos apoiá-los, onde o PSDB for mais forte eles nos apóiam”.

Se necessário, afirma Aécio, haverá “intervenções nacionais, para já criar um ambiente de parceria nossa para o futuro”.

A despeito do esforço para fugir do tema, um pedaço do bloco oposicionista aposta que o futuro de qua fala Aécio passa pela fusão, ainda que depois de 2012.

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Escrito por Josias de Souza às 05h53

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Depois do mensalão, Brasília liga aniversário à ‘Copa’

Fotos: Lula Marques/Folha

Brasília faz aniversário de 51 anos nesta quinta (21). Com 48 horas de antecedência, o governo local lançou uma campanha que associa a festa à Copa de 2014.

“A Copa Começa Aqui”, eis o slogam da celebração. Na noite desta terça (19), a cúpula do Museu Nacional, na Esplanada, virou tela de projeção.

Exibiram-se as imagens de uma bola e de craques brasileiros que integraram seleções campeãs.

A Fifa agendou para São Paulo a primeira partida da Copa. O governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), tem a pretensão de mudar o já estabelecido.

Ele diz que as obras de ampliação do aeroporto da Capital caminham bem (o Ipea afirma coisa diferente).

Agnelo realça, de resto, o potencial hoteleiro da cidade. E, quanto ao essencial, declara:

“Tenho certeza que o Estádio [Mané Garrincha] estará pronto no fim de 2012”.

Do ponto de vista prático, o projeto de Agnelo é, por ora, uma quimera. Sob a ótica do marketing, é um alento.

Há um ano, o aniversário de Brasília foi tisnado pelo mensalão do DEM, obra do ex-governador José Roberto Arruda.

A campanha oficial pode não trazer a peleja inaugural da Copa para a cidade. Mas pelo menos mudou de assunto. Melhor falar de futebol que de corrupção.

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Escrito por Josias de Souza às 04h52

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As manchetes desta quarta

- Globo: País tem mais 100 empresas notificadas por biopirataria

- Folha: Como FHC, Lula quer atrair nova classe média

- Estadão: Governo quer mais capital estrangeiro em aéreas

- Correio: Condomínio nas alturas

- Valor: Arrecadação amplia superávit fiscal

- Estado de Minas: Vai doer no seu bolso

- Zero Hora: Ministra promete para o campo incentivos ao adotar Código Florestal

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Terapias ocupacionai$!

Da Costa

- Via A Charge. Aqui, notícia sobre a aposentadoria de Fidel do comando do PC cubano. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Em São Paulo, PT crê que a disputa será contra Serra

Divulgação

Com a presença de Lula e dos mensaleiros José Dirceu e João Paulo Cunha, o PT reuniu seus prefeitos e vice-prefeitos no Estado de São Paulo.

Deu-se nesta terça (19), num hotel da cidade de Osasco. No encontro, esboçou-se a estratégia da legenda para a eleição municipal de 2012.

Longe dos refletores, a opinião média expressada pelas lideranças presentes foi a de que o PSDB comparecerá à disputa com o ex-presidenciável José Serra.

A avaliação contrasta com as declarações públicas de Serra. Ele nega que vá disputar a prefeitura.

Também o atual prefeito, o ‘ex-demo’ Gilberto Kassab, cria de Serra, diz privadamente duvidar que o “amigo” se anime a concorrer.

Lula disse aos presentes que vai escalar os palanques do ano que vem. Em São Paulo e no resto do país.

Declarou que o PT, a exemplo do Brasil, vive seu “melhor momento”. Traçou metas para 2012.

Acha que o partido precisa manter as prefeituras que já controla –em São Paulo são 64— e avançar sobre cidadelas inimigas –o PSDB controla 205 municípios no Estado.

Como fazer? Lula considera essencial buscar alianças com outras legendas. Algo que, em São Paulo, será mais difícil em 2012.

Parceiros tradicionais já lançaram ou cogitam lançar candidatos. O PCdoB, por exemplo, formalizou a candidatura do vereador Netinho de Paula.

Lula também aconselhou cuidado na escolha dos candidatos a vice-prefeito. Ensinou: convém escolher nomes que ampliem a base de votos do PT.

Recordou a parceria com o ex-vice-presidente José Alencar –um empresário que ajudou a atenuar a aversão de setores conservadores ao PT.

Lula discursou desde uma mesa que incluía o deputado federal João Paulo Cunha, réu no processo do mensalão.

João Paulo, recém-eleito presidente da comissão de Justiça da Câmara, tem em Osasco, cidade em que se realizou o encontro, sua base eleitoral.

Também deu as caras o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu, tachado pelo Ministério Público como “chefe da quadrilha" do mensalão.

Não teve lugar à mesa, mas postou-se na primeira fila. Serviu-se do microfone. Coube a ele fazer o discurso de encerramento do encontro.

Ecoando Lula, Dirceu soou otimista. Disse que, sob Lula, o Brasil acertou na administração da crise global iniciada em 2008 e ganhou relevo no exterior.

Acha que, sob Dilma, o plano de erradicação da miséria terá conseqüências políticas benfazejas.

Instado a comentar o caso do mensalão, que corre no STF, Dirceu repisou: trata-se de um processo político. As chances de prosperar, disse ele, são pequenas.

Então, tá! Ficamos assim. Lavrem-se as atas.

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Escrito por Josias de Souza às 23h15

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Lula convida redes sociais a debater reforma política

Em vídeo levado à internet, Lula inaugurou sua pregação pública em favor da reforma política.

A peça foi veiculada no sítio 'Mobilização BR', mantido por petistas. Na parte final, Lula dirige-se “aos companheiros e companheiras das redes sociais”.

Convida-os a “contribuir”. Como? Promovendo um “debate muito forte” sobre a pretendida reforma.

O que se deseja, diz ele, é “valorizar os partidos políticos”. Para quê?

“Quando você faz uma negociação, tem que negociar com os partidos. Não pode ser com um grupo dentro do partido, não pode ser com pessoas dentro do partido...”

...E você pode comunicar pra sociedade: eu fiz um acordo com tal partido. Ele vai ter um ministério, ele vai trabalhar na campanha. E fica muito claro, à luz do dia”.

Nada muito diferente do que ocorre hoje, como se vê. Considere-se o caso do PMDB, o maior partido do país.

Tomado pelas palavras do vídeo, Lula acha que um presidente da República deve negociar a partilha de cargos com a legenda, não com pedaços dela.

Nada de tricotar separadamente com o grupo de José Sarney, no Senado, e o de Michel Temer, na Câmara.

Ao discorrer sobre a reforma, Lula não diz como as mudanças vão operar o milagre da unificação partidária.

Ele se abstem de mencionar o modelo do voto em lista, defendido pelo PT. Um sistema que priva o eleitor de votar diretamente nos candidatos de sua preferência.

Vota-se no partido. E elegem-se os políticos acomodados numa lista de nomes escolhidos previamente pelas legendas.

No vídeo, Lula cita apenas dois tópicos da reforma. Defende a fidelidade partidária e o fim da “corrupção”.

Como extirpar os malfeitos? “Defendo a proibição de dinheiro privado [na eleição] e a constituição de um fundo público, como existe em outros países”.

O que o ex-soberano não diz é que a criação do tal “fundo público” não evita que o dinheiro privado de má origem continue passando por baixo da mesa.

Lula declara, de resto, que é preciso buscar o "consenso" entre os atores que votarão o projeto de reforma no Congresso.

Revela-se disposto a conversar com partidos aliados, sindicatos, estudantes e organizaões da sociedade, “para saber que tipo de reforma podemos construir”.

Ao emprestar sua popularidade às teses do PT, Lula tenta por de pé uma reforma que, em dois reinados (oito anos), não conseguiu empinar.

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Escrito por Josias de Souza às 22h08

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Petrobras admite que pode faltar gasolina em postos

Como se sabe, nada é tão ruim que não possa piorar um pouco. Nesta terça (19), a Petrobras admitiu que pode faltar gasolina em alguns postos.

Depois do discurso grandiloqüente da autosuficiência petrolífera, em meio à fumaça dos fogos do pré-sal, chega-se à encrenca graças à escassez de etanol.

Sim, isso mesmo, a estatal petroleira alega que falta etanol para misturar à gasolina. Hoje, a mistura é de 25%.

Afora a entressafra da cana, os produtores têm preferido produzir açúcar em vez de álcool. Os preços são mais covidativos.

Ouça-se o que disse o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa:

"O mais difícil [em termos de abastecimento] é o etanol anidro para ser misturado à gasolina...”

“... Se houver falta de gasolina, pode ser causada por isso [a falta de álcool]".

De novo: nada é tão ruim que não possa piorar um pouco.

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Escrito por Josias de Souza às 20h45

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Ministro desqualifica Ipea, último reduto de oposição

Antônio Cruz/ABr

Num mundo em constante mutação, em que Kassabs viram governistas em pleno vôo, o governo decidiu extirpar os últimos contraditórios à disposição.

A Presidência da República resolveu desqualificar, veja você, a Presidência da República.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretário-Geral da Presidência) enxergou “complexo de vira-lata” num estudo divulgado há quatro dias pelo Ipea.

O Ipea, como se sabe, é o órgão oficial de estudos vinculado à Secretaria de assuntos Estratégicos da Presidência.

O documento que Gilberto Carvalho fulminou trata da situação dos aeroportos brasileiros.

Informa que as obras de nove dos 14 aeroportos de cidades que sediarão jogos da Copa de 2014 não ficarão prontas a tempo.

Pois bem. O ministro Carvalho disse que o trabalho foi assinada por um pesquisador. Portanto, não representa a opinião oficial.

Em verdade, os signatários da peça são dois: Carlos Alvares da Silva Campos Neto e Frederico Hartmann de Souza.

A dupla esmiuçou o relatório em entrevista convocada formalmente pelo Ipea. A coisa ocorreu na sede do instituto.

Segundo Gilberto Carvalho, o trabalho resultou de uma colagem de "recortes de jornais”. Algo que “não representa a posição do Ipea nem do governo”.

Como assim? “Estamos preocupados em realizar tudo dentro do previsto. Não há desespero nem nenhuma dúvida de que daremos conta [das obras]”.

Referiu-se aos pesquisadores como se fossem adversários políticos: "Tem gente apostando em desgraças, mas já demonstramos competência...”

“...Há certos setores da sociedade que não venceram o complexo de vira-lata de que não podemos fazer coisas bem feitas”.

Também a ministra Miriam Belchior (Planejamento) pegou em lanças contra o trabalho do Ipea:

"O estudo do Ipea tem um ponto de vista contra o qual nós temos outros dados para brigar com isso...”

“...O mais importante é o seguinte: o país inteiro está preocupado com o tema e vai se empenhar para que o Brasil tenha um excelente desempenho na Copa do Mundo".

Curiosamente, embora conteste o diagnóstico de atraso, Gilberto Carvalho disse: é provável que o cronograma das obras seja acelerado.

Ele recorda que outros países que sediaram a Copa enfrentaram problemas em grandes obras, mas conseguiram realizar os eventos.

Ora, por que acelerar o que caminha bem? Por que comparar o Brasil com nações que tiveram “problemas” se está tudo de acordo com o figurino?

Não é fácil a vida dos que ousam se opor. As vozes contrárias já não são admitidas nem nos órgãos constituídos para produzir estudos supostamente independentes.

Discordou? Confrontou? É “complexo de vira-lata”. Ponto final. Não se fala mais nisso.

Não há notícia, por ora, de demissão dos dois especialistas que mostraram as presas no estudo técnico feito de "recortes de jornais".

O Ibama precisa considerar urgentemente a hipótese de indicar um santuário natural que possa abrigar os que ainda ousam destoar, uma fauna ameaçada de extinção.

- Serviço: Aqui, para quem ainda não leu, o estudo do Ipea.

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Escrito por Josias de Souza às 19h16

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No cotejo com 2010, emprego caiu ‘65%’ em março

  Folha
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) veio à boca do palco para divulgar as estatísticas do emprego no mês de março de 2010.

Informou que formam abertas no mês passado 92.675 novas vagas. Em março de 2010, haviam sido contratadas 266.415 pessoas. Queda de 65%.

Sinal de desaquecimento da economia? Lupi acha que é cedo para dizer. Prefere aguardar pelos números de abril:

"Março foi um mês atípico, e o resultado não tem, ainda, a meu ver, relação com uma possível desaceleração da economia...”

“...O mercado de trabalho está muito ligado ao mercado interno, e não vejo nestes dois demonstrações claras de desaquecimento...”

“...Pelo contrário, o Brasil continua produzindo muito e vendendo para os brasileiros".

O número de admissões em março foi de 1,76 milhão. É a terceira maior marca da série histórica apurada pelo Ministério do Trabalho.

Na outra ponta, porém, anotaram-se 1,67 milhão de demissões. Coisa nunca antes vista na coleção de dados do ministério. E Lupi:

"Em março houve recorde de desligamentos. Este comportamento do empresariado não condiz com a reclamação de que falta de mão de obra qualificada".

A despeito do grito das estatísticas, Lupi antevê um abril “muito forte”. Otimista, o ministro mantém de pé a meta oficial que prevê a criação de 3 milhões de empregos em 2011.

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Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Dilma a militares: país 'valoriza os direitos humanos'

Sérgio Lima/Folha

A história não é mais do que a ponte lingando o que já era ao que está por vir. Cabe aos vitoriosos controlar o fluxo dos fatos.

O que torna o o processo fascinante é a mobilidade da cena. Por vezes, personagens que passavam por baixo da ponte ficam por cima. E vice-versa.

Nesta terça (19), Dilma Rousseff presidiu sua primeira cerimônia oficial no Guartel-general do Exército.

Um locutor leu o discurso da ex-torturada, agora convertida em comandante-em-chefe:

“As tropas da força terrestre em permanente prontidão são garantia indispensável para a segurança do país...”

Um país “...de vocação pacífica e democrática, que valoriza diálogo, a justiça e o respeito aos direitos humanos".

Antes, discursara o comandante do Exército, general Enzo Peri. Ele soara assim:

"Povo brasileiro, orgulhe-se de seu Exército genuinamente nacional, comprometido com os valores democráticos".

Como se vê, segue o seu fluxo.

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Escrito por Josias de Souza às 15h58

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Não engorde estatística, mexa-se: 63,1% de obesos

- Aqui, os detalhes. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 06h50

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Pupilo de Maciel deixa DEM para presidir PSD em PE

Em fase de franco emagrecimento, o DEM sofreu em Pernambuco uma baixa surpreendente.

Fiel seguidor do ex-senador Marco Maciel, o ‘demo’ André de Paula, deputado federal até 2010, bandeou-se para o PSD de Gilberto Kassab.

Candidato à reeleição no ano passado, André levou Maciel à sua propaganda televisiva (veja no vídeo).

Tornaram-se parceiros de infortúnio. Maciel naufragou na briga pela recondução ao Senado. André afundou na disputa pela cadeira na Câmara.

A migração do pupilo de Maciel para a legenda de Kassab ocorre sob o patrocínio do governador pernambucano Eduardo Campos.

O anúncio se deu depois de uma reunião de André com Eduardo, que preside o PSB federal, legenda associada ao condomônio pró-Dilma Rousseff.

Até o ano passado, André e Eduardo eram adversários políticos. Encontraram em Kassab uma confluência de interesses que inspirou o estreitamento de inimizades.

Interessado em reforçar o PSB em São Paulo, praça em que a legenda vegeta, Eduardo projeta alianças futuras com Kassab.

No esforço para refazer um futuro que as urnas de 2010 lhe sonegaram, André vai ao PSD escorado na estrutura do PSB, que em Pernambuco é vistosa.

A negociação entre Kassab e André passou por Eduardo. O governador abençoou a conversão do ex-demo em comandante estadual do novo partido.

E Kassab cuidou de assegurar a Eduardo que, em Pernambuco, o seu PSD será, desde logo, um aliado do protogovernista PSB.

Instado a comentar a súbita conversão de adversário em aliado do governador de Pernambuco, André soou pragmático a mais não poder:

“Não há problema nisso. Fui colega de Eduardo na Câmara dos Deputados e sempre tivemos uma relação respeitosa, franca, transparente e de admiração recíproca...”

“...Nunca tivemos uma parceria política por circunstâncias que hoje são diferentes”.

A rendição do ex-deputado oposicionista aos encantos do neogovernismo fez brotar uma pergunta obvia: Marco Maciel vai seguir as pegadas do pupilo?

No oficial, diz-se que não. No paralelo, a especulação é ilimitada. Maciel tricotava com Kassab até bem pouco.

Numa fase em que o prefeito de São Paulo ainda pegava em lanças pelo controle do DEM, Maciel era sua opção para a presidência da legenda.

O ex-senador terminou se compondo com o grupo de José Agripino Maia (RN), hoje no comando do DEM.

Integrado à chapa única de Agripino, Maciel tornou-se presidente do Conselho Político do DEM. Até quando?, eis a pergunta que ressoa em Pernambuco.

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Escrito por Josias de Souza às 04h31

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As manchetes desta terça

- Globo: Projeto do governo dificulta controle de obras pelo TCU

- Folha: Lula gastou 70% mais em publicidade que FHC

- Estadão: Advertência sobre a dívida dos EUA abala mercados

- Correio: Corram, homens, corram

- Valor: Despesas com juros atingem 5,6% do PIB e vão a R$ 230 bi

- Zero Hora: Pesquisa alerta para o sobrepeso e o vício do cigarro entre gaúchos

Leia os destaques de capa de alguns dos princioais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Devagarzinho!

Humberto

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h19

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PSDB e DEM tentam ‘sufocar’ o debate sobre a fusão

Orlandeli

As cúpulas do PSDB e do DEM agem para sufocar um debate que se espraiou pelos seus subterrâneos. Diz respeito à fusão das duas legendas.

A discussão foi tonificada nos últimos dias graças à lipoaspiração promovida nos quadros da oposição pelo PSD, o novo partido de Gilberto Kassab.

A caciquia do tucanato e da tribo ‘demo’ esforça-se para protelar a análise do tema. Tenta-se empurrar a encrenca para depois da eleição de 2012.

Deseja-se priorizar agora a negociação de acordos que permitam à oposição disputar, no ano que vem, o maior número possível de prefeituras.

No DEM, a principal voz antifusão é a do senador José Agripino Maia (RN), que acaba de assumir a presidência da agremiação.

Também o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), passou a empinar o discurso de que a fusão não é assunto para agora.

A hipótese de junção tem mais adeptos no DEM. O partido perdeu para a legenda de Kassab 11 deputados federais e uma senadora.

Agripino esforça-se para impedir uma nova e expressiva baixa. Trabalha para manter no DEM o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo.

No PSDB, o principal prejuízo foi, por ora, regional. Nesta segunda (18), cinco vereadores tucanos da cidade de São Paulo bateram asas.

Afora o fato de que o debate sobre fusão debilita ainda mais a oposição, os dirigentes invocam senões político-financeiros.

Juntos, PSDB e DEM passariam a dispor de uma cota única do fundo partidário, a verba pública que custeia o funcionamento das legendas.

De resto, teriam unificar os tempos de propaganda de rádio e TV. Algo que fragilizaria as legendas na negociação de parcerias eleitorais.

Ainda que seja afugentado para 2012, como parece provável, o fantasma da fusão continuará assombrando as duas maiores legendas da oposição.

Em conversa privada, um dirigente do PSDB referiu-se à matéria não como hipótese, mas como algo inexorável.

Disse que o DEM freqüenta a cena política com a aparência de “afogado”. E o PSDB, como “aliado”, não terá como recusar, na hora própria, o papel de “bóia”.

- Em tempo: Ilustração via sítio do Orlandeli.

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Escrito por Josias de Souza às 23h13

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Lula e Lulinha ‘estão mamando na elite’, afirma FHC

Foi ao ar nesta segunda (18), a entrevista que FHC gravara na semana passada para o programa ‘Começando o Dia’, da Rádio Cultura FM.

Ao se referir às críticas de Lula ao artigo que veiculara na revista ‘Interesse Nacional’, o ex-presidente tucano bateu:

“O Lula, que era contra a privatização, agora está em Londres falando para a Telefónica e ganhando US$ 100 mil...”

“...O filho dele é sócio de uma empresa de telefonia. Eles aderiram totalmente às transformações que nós provocamos...”

“E ainda vêm nos criticar dizendo que estamos a favor da elite contra o povo enquanto eles estão mamando na elite. Cabe isso?"

No artigo que suscitou a polêmica, FHC aconselhara a oposição a parar de disputar “o povão” com o PT, direcionando sua mensagem à classe média.

Desde Londres, onde se encontrava na semana passada, Lula ironizara: "Não sei como alguém que estudou tanto depois diz que quer esquecer do povão".

FHC tachou Lula de “malicioso”. E, conforme já havia antecipado a repórter Mônica Bergamo, despejou sobre o microfone um desafio:

"Ele se esquece de que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo."

Líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE) desdenhou:  

“Acho que não teria graça fazer essa eleição porque FHC é passado, e Lula ainda é uma coisa extremamente presente, embora acredite que os planos dele [Lula] não passem por mais uma eleição".

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Escrito por Josias de Souza às 22h04

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Lula vai ‘negociar’ reforma política até com oposição

  Ricardo Stuckert/PR
De volta de sua penúltima palestra, feita em Londres, Lula reuniu-se com lideranças do PT nesta segunda (18).

Ao final do encontro, realizado no escritório político do ex-soberano, em São Paulo, o presidente interino do PT, Rui Falcão, contou:

1. Lula vai mesmo envolver-se no debate sobre a reforma política.

2. Em nome do PT, vai negociar com os partidos e com entidades civis.

3. Planeja procurar inclusive as legendas de oposição.

Falcão disse que a “denâmica” dos entendimentos será definida pelo próprio Lula, que não falou com os repórteres.

Quando chegar a hora de dialogar com a oposição, Lula bem poderia tocar o telefone para Fernando Henrique Cardoso.

Podem trocar ideias, por exemplo, sobre a melhor maneira de sensibilizar o “povão” para a importância da reforma política.

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Escrito por Josias de Souza às 20h42

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Sete dos 13 vereadores do PSDB-SP deixam legenda

  Rodrigo Capote/Folha
Os tucanos do PSDB da cidade de São Paulo protagonizaram nesta segunda (18) uma revoada.

Nada menos que sete dos 13 vereadores tucanos anunciaram a decisão de se desfiliar da legenda.

Alegam ter sido alijados dos cargos de direção no diretório municipal da agremiação. Meia-verdade.

Os inserretos batem asas num instante em que o governador tucano Geraldo Alckmin se dispunha a entregar-lhes três posições.

Ainda que a contragosto Alckmin ofereceu aos vereadores os postos de secretario-geral, segundo vice-presidente e tesoureiro-adjunto.

A despeito da oferta, os descontentes debandaram. Não disseram, mas espera-se que se aninhem no PSD, o novo partido do prefeito Gilberto Kassab.

O grupo dissidente achegou-se a Kassab na eleição municipal de 2008. Apoiou a candidatura reeleitoral dele, contra o então candidato Geraldo Alckmin.

Decorridos dois anos, Alckmin voltou ao governo do Estado. Na semana passada, içou um de seus secretários, Julio Semeghini, à presidência do diretório municipal.

Abriu-se, então, uma negociação para tentar reter na legenda os vereadores simpáticos a Kassab. Deu em nada.

Na eleição de 2008, a rebelião anti-Alckmin foi insuflada nos subterrâneos por José Serra, à época o principal patrono da reeleição de Kassab.

Vem daí que a revoada desta segunda levou à praça uma especulação: Serra também irá para o PSD de Kassab? A cúpula do PSDB federal assegura que não.

- Atualização feita às 20h56 desta segunda (18): Graças a uma intervenção de Geraldo Alckmin, dois vereadores deixaram de formalizar a saída do PSDB. Assim, as baixas ficaram, por ora, em cinco.

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Escrito por Josias de Souza às 19h21

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Lindberg defende Aécio dos ataques do PT no twitter

O vídeo acima, gravado em julho de 2009, foi difundido no microblog "PT nacional", mantido por militantes petistas.

Diz a nota: “#AecioDevassa: Vídeo do Senador tucano Aécio Neves sobre Lei Seca”. Segue-se um link que conduz às imagens.

Nas cenas, uma notícia sobre iniciativa adotada pelo então governador Aécio. Ele criou um batalhão de trânsito na capital mineira.

O objetivo era o de assegurar o cumprimento da Lei Seca. Aécio aparece na peça realçando que a ação teria caráter pedagógico.

Informa que a polícia faria operações em locais de intensa “vida noturna”.

Na sequência, os petistas indicam, na mesma nota, um link que leva à notícia sobre a blitz que parou o carro de Aécio na madrugada de domingo, no Rio.

“Aqui a realidade”, anota a mesagem, seguida de um pedido: “Divulgue” [o vídeo e o texto sobre a recusa de Aécio em submeter-se ao teste do bafômetro.

A iniciativa abespinhou um internauta ilustre, o senador petista Lindberg Farias (RJ). Ele se insurgiu contra os próprios correligionários.

Lindberg escreveu no twitter: “PT nacional, acho baixaria vocês ficarem falando do Aécio. Podia acontecer com qualquer um. Façam críticas políticas. Tenho vergonha disso!”

A reação rendeu a Lindberg uma contrareação da militância petista. O twitter do senador passou a ser alvejado por mensagens acerbas.

Viu-se compelido a recordar um aparte que fizera ao discurso de estréia de Aécio no Senado:

"Quando se teve de enfrentar o Aécio no Senado, eu fui o mais duro no embate”.

O ator José de Abreu, também plugado à internet, foi um dos que reagiram à decisão de Lindberg de sair em socorro de Aécio.

Petista invetarado, Abreu pendurou no microblog um par de interrogações: “Algum demotucano veio aqui defender o Aécio? Ou só o Lindbergh teve coragem?

O senador respondeu em timbre cordial: “José de Abreu, meu amigo! Estou apanhando porque defendi o Aécio. Não gosto dessa utilizacão política de fatos como esse”.

Lindberg acrescentou: “José de Abreu, não é porque tentavam desqualificar o Lula que vamos responder com a mesma moeda. Não me sinto à vontade com esse jogo”.

Prosseguiu: “Nossa crítica tem que ser na política. Alias, eu, no Senado, tenho feito os embates mais duros contra o Aécio. Mas na política”.

Horas depois, como que enfadado do debate, Lindberg deu o assunto por encerrado:

“Vamos mudar de assunto!!! Pelo amor de Deus! Que tal falarmos sobre a reunião do Copom [Comitê de Política Monetária do BC]?”

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Escrito por Josias de Souza às 17h39

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Alheio à Copa, juiz breca obras em aeroporto de MG

A Justiça Federal suspendeu, em Belo Horizonte, um par de licitações da Infraero, a estatal que gere os aeroportos.

Referem-se a obras de reforma e ampliação do aeroporto de Confins, assentado na região metropolitana da capital mineira.

A decisão foi tomada pelo juiz Guilherme Mendonça Doehler, titular da 19ª Vara Federal. Agiu por provocação do Ministério Público Federal.

A Procuradoria requereu a suspensão depois de constatar que a Infraero toca os projetos de Confins sem realizar estudos de impacto ambiental.

Em ação civil movida contra a Infraero, o Ministério Público realça que o aeroporto está situado numa área de proteção ambiental federal.

O juiz Guilherme Doehler concordou. E condicionou a continuidade dos procedimentos licitatórios à realização dos estudos ambientais.

Em seu despacho, o magistrado anota: “Nada justifica o atropelo de normas direcionadas ao resguardo do meio ambiente. [...] Nem Olimpíadas...”

“...Nem Copa do Mundo, nem qualquer outro evento vultoso, ainda que sua realização se traduza em proveitos econômicos, desenvolvimento, aporte de riquezas no país...”

“...Esses eventos passarão, o meio ambiente ecologicamente equilibrado necessariamente deve permanecer”.

Na semana passada, instituto ligado ao governo, o Ipea, incluiu Confins entre os aeroportos que não ficarão prontos até o ano da Copa.

Estimou-se que as obras do aeroporto de Minas Gerais só ficarão prontas em 2017. É contra esse pano de fundo que chega a decisão judicial.

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Escrito por Josias de Souza às 15h49

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Antônio Fernando: mensalão não é uma invencionice

Lula Marques/Folha

Autor da denúncia do mensalão, convertida em ação penal pelo STF, o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza declara:

A reabilitação política de políticos denunciados na peça "não pode sugerir que tudo passou de uma invencionice".

Em entrevista ao repórter Márcio Falcão, veiculada na Folha, Antonio Fernando reitera a origem pública de "parte relevante dos valores” desviados.

Critica a lentidão da Polícia Federal, que só em fevereiro deste ano, com cinco anos de atraso, concluiu as investigaçõs sobre o caso.

Vão abaixo trechos da entrevista:

- Como recebeu esse relatório da PF do inquérito paralelo ao mensalão? Embora o relatório não se refira à ação penal do mensalão que está no Supremo, mas a um inquérito [paralelo] aberto em 2007, foi positivo porque confirma o que foi descrito na denúncia quanto às fontes dos recursos. Só me preocupa que a investigação tenha demorado tanto.

- Qual o efeito dessa demora? O trabalho de investigação deve ser mais célere. Cinco anos atrás, houve críticas porque a denúncia foi oferecida antes do relatório final da CPI dos Correios, mas o Ministério Público compartilhava as provas obtidas pela CPI e o relatório era dispensável. Criticou-se a PF, que não tinha apresentado relatório, mas pedido novas diligências. Se dependêssemos desse relatório, é possível que estivéssemos esperando até hoje. A investigação tem que ser conduzida para esclarecer fatos com a maior brevidade, não pode ficar pesando indefinidamente sobre os ombros das pessoas.

- Acha que pode ter ocorrido alguma ingerência na PF? Não tenho informação a respeito, mas tudo funciona em termos de prioridade. Aparece outro fato que ganha o interesse e a polícia, talvez por falta de pessoal ou de estrutura, não mantém o mesmo ritmo de atuação. Mas, nesse caso específico, o tempo [5 anos] foi muito longo. Nesse mesmo tempo, houve o oferecimento e recebimento da denúncia que resultou na ação penal e foi realizada praticamente toda a instrução, com elevado número de denunciados, para se chegar à conclusão de um inquérito em que os pilares da investigação já estavam estabelecidos.

- Como avalia a reabilitação política de alguns personagens do mensalão, como o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que comanda a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara? Não sei se o termo certo seria reabilitação porque houve apenas o recebimento da denúncia, não houve condenação ainda. Essa questão da reabilitação está no plano político. Do ponto de vista jurisdicional, continuam submetidos a julgamento. Agora, esta "reabilitação política" não pode sugerir que tudo passou de uma invencionice. Estou plenamente qualificado a dizer que tal suposição é incorreta.

- Mas esse retorno de alguns réus não pode representar a tentativa de esvaziamento da denúncia? Os ministros julgarão com base nos elementos do processo. É claro que, ao julgar, podem condenar ou absolver. Apesar de ter deixado a Procuradoria-Geral da República há quase dois anos, o que posso dizer, com base no trabalho que fiz, é que já no momento inicial havia elementos suficientes para justificar condenação a respeito de muitas das imputações.

- Como foi ter que investigar o ex-presidente Lula? A denúncia apresentada ao STF decorreu da apreciação de todo o material probatório existente até aquele momento. Não havia preocupação de excluir ou de incluir o presidente ou qualquer outra autoridade. Só foram denunciadas as pessoas contra as quais havia prova. Em relação a ele, não havia provas. Não foi uma exclusão. As provas não conduziam a ele.

- Arrepende-se de ter denunciado 40 réus mesmo com risco de prolongar as investigações? A denúncia foi elaborada durante muito tempo e com muito cuidado. Um trabalho artesanal de examinar as provas, os fatos penalmente relevantes, as pessoas que os tinham praticado, e colocar no papel um texto consistente. Não houve preocupação quanto ao número das pessoas, mas com a prova. Alguns fatos eram periféricos, mas relevantes, e a denúncia perderia coerência se fizesse referência apenas às pessoas com foro perante o STF.

- Em sua avaliação, há risco de prescrição dos crimes? Pelo que lembro, não há qualquer das imputações que esteja na undécima hora do prazo prescricional. Na hipótese de condenação, e concretizada a pena, não é impossível que uma ou outra seja atingida pela prescrição. Não creio, contudo, que se não houver julgamento imediato vá ocorrer a prescrição de todos os delitos.

- Não há dúvida de que houve emprego de dinheiro público no mensalão? A investigação apontou neste sentido e a denúncia descreve que recursos públicos foram utilizados. Se eu tivesse dúvida, não teria apresentado a denúncia. Pelo menos parte relevante dos valores teve origem em recursos públicos.

- Que desfecho espera? O recebimento da denúncia pelo Supremo mostrou que a peça se apoiava em prova consistente. Agora, o juízo é mais aprofundado do que o anterior, na medida em que também se afere à culpabilidade dos denunciados. Considero que, já no momento do oferecimento, todos os denunciados têm um elevado grau de responsabilidade. Mas esse juízo quem vai fazer é o Supremo.

- Qual a lição desse caso? Independentemente do resultado do julgamento, fica a afirmação de que coisas públicas devem ser usadas apenas com finalidade pública, para atender à sociedade. A Justiça tem importante função educativa.

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Escrito por Josias de Souza às 06h47

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Meirelles defende em artigo a ‘independência’ do BC

Num instante em que as projeções de inflação para 2011 ultrapassam os 6%, Henrique Meirelles saiu em defesa de sua gestão à frente do Banco Central.

Levou às páginas de ‘O Globo’ um artigo. Anota: durante os oito anos em dirigiu a instituição, “as decisões do BC sempre tiveram caráter técnico”.

Meirelles redigiu o texto em resposta a uma notícia da véspera. Informou-se que, em dezembro de 2010, Lula o teria impedido de elevar os juros.

A taxa da época era de 10,75%. A inflação já soluçava. De acordo com a informação contestada por Meirelles, Lula lhe teria dito:

“Não vai ter aumento dos juros no fim do meu governo. Agora, esse é um problema da Dilma. Fale com ela. Se tiver que subir juros, será no governo dela”.

De acordo com Meirelles, a notícia é “improcedente”. Daí sua decisão de redigir o artigo.

A peça ganha especial relevância porque chega num momento em que, sob Dilma Rousseff, o governo faz uma inflexão na tática de combate à inflação.

Agora comandado por Alexandre Tombini, o BC adiou para 2012 o esforço para devolver o índice de inflação para as cercanias da meta anual de 4,5%.

Alega-se que, servido em dosagens excessivas, o antídoto anti-inflacionário viraria veneno, comprometendo o crescimento do PIB. Algo que Dilma não admite.

Em seu texto, Meirelles não faz menção à atual gestão da política monetária. Porém, refere-se à autonomia que o BC usufruiu sob Lula como um retumbante acerto.

Comandante do BC ao longo dos dois reinados de Lula, Meirelles escreve a certa altura:

“A estabilização da economia brasileira e os benefícios usufruídos pela população, como consequência desta estabilidade, exigem que a história seja respeitada...”

“...É muito importante para o nosso futuro que as lições aprendidas com o resultado do que foi executado sejam incorporadas ao processo de formulação de políticas públicas no Brasil”.

Vai abaixo a íntegra do artigo de Henrique Meirelles:

“Sempre houve manifestações favoráveis ou contrárias às decisões do Banco Central (BC). Independentemente das opiniões a respeito dos juros, no entanto, as decisões do BC sempre tiveram um caráter técnico, sendo tomadas estritamente no âmbito do Comitê de Política Monetária (Copom).

A autonomia do BC no governo Lula é fato notório. As decisões basearam-se exclusivamente nos modelos macroeconômicos e na estrutura analítica do próprio Banco Central.

Este fato é testemunhado pelos inúmeros profissionais que passaram pelo BC nos últimos anos. Não procede, portanto, a informação de que eu tenha proposto uma elevação das taxas de juros em dezembro do ano passado e que este aumento tenha sido impedido.

Afirmações de fontes anônimas devem ser confrontadas com a realidade. A estabilidade e o desempenho da economia brasileira nos últimos oito anos são demonstrações da absoluta independência do BC.

A inflação orbitou em torno do centro da meta em todo o período, sendo que, nos últimos seis anos, quando a meta foi de 4,5%, a inflação média foi de 4,50%, descontados os efeitos primários dos choques de oferta, como determina a boa prática de política monetária.

As críticas severas a que estivemos sujeitos pelos adversários da política econômica adotada pelo Banco Central nestes oito anos, inclusive por ocasião da minha saída, são outra prova da independência da instituição em todo o período.

Aliás, os opositores da política praticada pelo BC, durante os oito anos, procuraram sempre desacreditá-la, numa escala crescente na medida que ficava claro seu sucesso.

Nunca deixamos de tomar medidas duras quando necessário. Ciclos anteriores, como em 2003, 2004 e 2008, são exemplos que falam por si mesmos.

Adicionalmente, devo chamar a atenção para o fato de que, no mês de dezembro/2010, o BC implantou um abrangente grupo de medidas macroprudenciais.

No fim de 2010, notamos uma persistente aceleração do volume de crédito ao consumo e indícios de que o nível de risco nas operações mais longas estava se elevando, com um aumento na taxa de inadimplência.

Tais sinais recomendavam a adoção imediata, ainda em 2010, de medidas prudenciais que evitassem o endividamento exagerado das famílias.

Medidas duras, porém, necessárias à luz da experiência internacional, que recomenda a tomada de ações preventivas nesses casos, visando a se evitar formação de bolhas de crédito.

Contudo, sabíamos que tais medidas também teriam um efeito colateral restritivo na politica monetária através do canal do credito.

Estima-se que tais medidas seriam equivalentes a uma elevação de 75 a 100 pontos na taxa Selic naquele momento. Os reflexos são visíveis na queda da evolução do volume de crédito concedido, como mostram os dados.

Seria um erro, no entanto, aumentar a Selic simultaneamente à adoção de medidas com impacto monetário relevante.

É regra básica de qualquer BC implementar ciclos de aperto ou afrouxamento monetário gradualmente, independentemente da dimensão e da extensão das mudanças.

O Relatório de Inflação de dezembro deixa clara a estratégia seguida e a visão à frente. É normal existirem tentativas de reescrever a história, já tendo sido dito que, no Brasil, mesmo o passado é incerto. Esta época está superada.

A estabilização da economia brasileira e os benefícios usufruídos pela população, como consequência desta estabilidade, exigem que a história seja respeitada.

É muito importante para o nosso futuro que as lições aprendidas com o resultado do que foi executado sejam incorporadas ao processo de formulação de políticas públicas no Brasil".

- Em tempo: Foto de Fábio Pozzebom, da Agência Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 04h25

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As manchetes desta segunda

- Globo: Governo não segura dólar e inflação, mas reforça caixa

- Folha: PF reduz atuação nas fronteiras

- Estadão: Japão prevê crise nuclear até janeiro

- Correio: Por que o serviço de táxi no DF é caro e ruim

- Valor: Remuneração de diretores cresce 36%

- Estado de Minas: E a lei que proíbe a sacola de plástico, vai pegar?

- Zero Hora: Gravações mostram o poder de chefe do tráfico preso na Pasc

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h55

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O ovo do dragão!

Paixão

- Via Gazeta do Povo. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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PT-SP reforça oposição a Kassab e critica PT federal

Cesar Ogata/Divulgação

Reunido em congresso no final de semana, o diretório municipal do PT em São Paulo reforçou a decisão de se opor ao prefeito paulistano Gilberto Kassab.

As linhas da estratégica política do petismo para a maior e mais rica cidade do país foram expostas em documento que norteou os debates.

No texto, disponível aqui, o PT municipal critica o PT estadual e o federal. Queixa-se da falta de compreensão quanto ao caráter nacional da política de São Paulo.

O documento anota: “É na cidade de São Paulo que novamente a oposição tentar construir uma nova alternativa ao projeto [nacional] do PT”.

Em tom de queixa, o texto acrescenta: “Inúmeras vezes o PT da capital chamou a atenção, para as direções estadual e nacional...”

“...Sobre a necessidade de compreender a cidade de São Paulo dentro desta disputa nacional...

...Porém, não tem havido interesse pelo nosso pleito, demonstrando uma total incompreensão com o papel que a capital de São Paulo tem no cenário nacional”.

Para o petismo paulistano, São Paulo tornou-se “a principal base da direita”. É a partir da cidade, diz o texto, que partem “as articulações” nacionais da oposição.

Sugere-se a construção de um “projeto hegemônico” capaz de se contrapor ao PSDB e a Kassab.

Afirma-se que o êxito do PT nas eleições para o governo estadual e para o Planalto, em 2014, “depende” do êxito político na disputa pela prefeitura, em 2012.

A despeito da saída de Kassab do DEM e do flerte do prefeito com o condomínio governista, o documento do PT trata o prefeito como aliado do tucanato.

Vincula-o a José Serra e a Geraldo Alckmin. Dedica à tróica críticas acerbas. Anota, por exemplo:

“Ao completar um ano da trágica enchente que se deu no Jardim Pantanal, causada pela irresponsabilidade criminosa dos governos Geraldo/Serra/Kassab, mais uma vez a cidade se vê mergulhada nas inundações”.

Noutro trecho, o petismo paulistano realça: “O PT da capital não tem dúvidas não só em reafirmar, mas intensificar a oposição ao Kassab”.

Desdenha da conversão do prefeito ao governismo: “Não nos iludimos com possíveis acenos do prefeito à base de sustentação do governo Dilma [Rousseff]...

“...Temos consciência de que não encontra base social real, pois representam projetos antagônicos”.

Queixa-se dos métodos de Kassab na cooptação de legendas tradicionalmente aliadas do PT:

“O Prefeito não tem poupado esforços nessa tentativa, oferecendo cargos, secretarias, que foi a base de acordo com o PC do B e PDT na Câmara Municipal”.

Faz referência à recente eleição do vereador José Police Neto (PSDB) para a presidência da Câmara de vereadores.

O tucano foi ao comando do Legislativo municipal com os votos do PCdoB e do PDT, numa articulação comandada por Kassab.

“É importante destacar que se não fosse à adesão do PC do B ao candidato kassabista, poderíamos ter eleito um presidente da Câmara do PT”, diz o texto.

De resto, o PT reafirmou sua decisão de lançar um candidato próprio à sucessão municipal de 2012. Deseja-se escolher o nome do candidato ainda em 2011.

Hoje, o nome que mais unifica o PT é o do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia). Ele, porém, hesita em assumir a condição de candidato.

Nas últimas semanas, Lula passou a insinuar, em privado, apoio a um nome alternativo: o do ministro Fernando Haddad (Educação).

Uma opção que, por ora, não empolga a legenda. Avalia-se que, na falta de Mercadante, a senadora Marta Suplicy reuniria mais chances de triunfar.

Estão na fila os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde) e três deputados: Jilmar Tatto, Paulo Teixeira e Carlos Zarattini.

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Escrito por Josias de Souza às 23h00

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Aécio tem carteira retida em blitz da Lei Seca no Rio

  Paula Giolito/Folha
Aconteceu no Leblon, bairro elegante da zona sul do Rio de Janeiro, perto das três da madrugada.

Em blitz da Operação Lei Seca, a polícia carioca armou seu aparato na esquina das ruas Bartolomeu Mitre e San Martin.

O ponto é estratégico. Funcionam ao redor boates, restaurantes e bares balados da cidade. Súbito, parou-se o carro de Aécio Neves (PSDB-MG).

Acompanhado da namorada, Letícia Weber, o senador dirigia-se à residência que mantém no Rio.

Vinha de um encontro com amigos, num restaurante. Convidado a fazer o teste do bafômetro, Aécio refugou.

A recusa rendeu ao senador uma multa de R$ 957,70. Resultará, de resto, na abertura de um processo administrativo que pode levar à suspensão do direito de dirigir por até 12 meses.

Instado a apresentar os documentos, Aécio exibiu uma carteira de motorista vencida. A habilitação foi apreendida. E Aécio tomou uma segunda multa: R$ 191,54. 

O carro só foi liberado depois que outro motorista, um taxista chamado por Aécio, assumiu o volante.

A assessoria do senador disse: 1) ele “não sabia” que sua carteira expirara. 2) cumprimentou os policiais pelo “profissionalismo e correção”.

De fato, se a coisa se passou como noticiado, os policiais, felizmente, seguiram o manual.

Quanto a Aécio, talvez devesse contratar um motorista. Ocorrência como a da madrugada, seguida da desculpa do "não sabia", é derrapagem que não recomenda um candidato a piloto do país.

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Escrito por Josias de Souza às 17h25

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Logo, logo FHC vai afirmar: ‘Esqueçam o que escrevi’

EFE

Sempre que um leitor não entende o que um articulista escreveu a culpa é de quem manuseou as palavras.

Quando o autor do texto é o professor Fernando Henrique Cardoso, a obrigação de ser claro é redobrada.

Incompreendido até por seus pares, FHC esfalfa-se para explicar que não renegou o “povão” no texto em que aconselhou a oposição a focar-se na classe média.

A reação dos aliados irritou FHC, mas foi a troça de Lula que o tirou do sério. Ele voltou ao tema em conversa com o Painel, seção da Folha.

Editada pela repórter Renata Lo Prete, a coluna traz, num par de notas, as penúltimas declarações de FHC sobre o tema. Leia:

- De FHC para Lula: "Se Lula fosse um adversário leal, saberia reconhecer que não desprezo o "povão'", diz Fernando Henrique Cardoso em resposta às declarações de seu sucessor sobre artigo escrito pelo tucano.

"Sou contra o que ele fez com o povo: cooptar movimentos sociais; enganar os mais carentes e menos informados trocando votos por benefícios de governo; transformar direitos do cidadão em moeda clientelista...”

“...Quero que o PSDB, sem esquecer nem excluir ninguém, se aproxime das pessoas que não caíram na rede do neoclientelismo petista...”

“...Desejo que Lula, que esqueceu as antiquadas posições contra as privatizações, continue usufruindo das oportunidades que as empresas multinacionais lhe oferecem, como agora em Londres".

- Para terminar: Ainda FHC: "E desejo, principalmente, que Lula termine com a lenga-lenga contra ler muito e ter graus universitários, pois não precisa mais ter complexos. Virou 'doutor',".

Considerando-se o suor que derrama para convencer que não quis dizer o que todo mundo diz que ele disse, FHC logo repetirá a fatídica frase que jura jamais ter dito:

“Esqueçam o que escrevi”.

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Escrito por Josias de Souza às 06h25

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Elio Gaspari: ‘Bife chinês de 750 kg custará R$ 0,42’

Divulgação

A visita de Dilma Rousseff à China produziu uma ótima notícia: o empresário Terry Gou investirá US$ 12 bilhões na produção de iPads no Brasil.

Em texto veiculado neste domingo (17), encontrável na Folha, o repórter Elio Gaspari demonstra que a novidade não faz nexo. Leia abaixo:

“A jóia da coroa da viagem de Dilma Rousseff à China foi o anúncio, saído do governo, de que o bilionário Terry Gou, controlador da Foxconn, apresentou um projeto de investimento de US$ 12 bilhões, capaz de gerar 100 mil empregos (20 mil para engenheiros) em até seis anos.

A Foxconn é a maior exportadora da China, emprega 800 mil pessoas, tem fábricas de componentes eletrônicos em dez países e monta os iPhones, iPods e iPads da Apple.

Notícia melhor não poderia haver, pelo tamanho do investimento, pelos empregos a serem criados, e também pela perspectiva de montagem dos iPads no Brasil.

Infelizmente, os números divulgados fazem tanto sentido como a revelação de que alguém projeta produzir bifes de 750 quilos que custarão 42 centavos.

Entre outras limitações existentes para os dois lados, o Brasil não tem mão de obra disponível para uma empreitada desse tamanho. Todo o setor eletroeletrônico brasileiro emprega 175 mil pessoas, e o mercado padece de um deficit de 20 mil engenheiros a cada ano.

Numa nota oficial genérica, a Foxconn não fez referências a cifras ou ao tamanho do projeto.

Ademais, Terry Gou mostrou há pouco tempo que tem dos trabalhadores brasileiros a mesma opinião racista que os americanos tinham dos chineses no século 19: ‘Assim que os brasileiros ouvem "futebol", param de trabalhar. E há toda aquela dança. É louco...’

Vale lembrar que o governo começou a flertar com o trem-bala dizendo que ele ligaria o Rio a São Paulo e custaria cerca de R$ 18 bilhões, financiados pela iniciativa privada.

Na semana passada, foi criada uma estatal para cuidar de um projeto Rio-Campinas, cujo custo está estimado (por baixo) em R$ 33 bilhões, com R$ 20 bilhões financiados pela Viúva.

Descascando-se o negócio da Foxconn com o Brasil, chega-se ao caroço da montagem de iPads no país. Hoje, uma tabuleta da Apple custa R$ 800 nos Estados Unidos e R$ 1.400 em Pindorama.

Cerca da metade da diferença vem da mordida dos impostos. Numa maluquice tributária, o iPad, bem como outras tabuletas, não usufrui as isenções dadas aos computadores baratos. Por quê?

Porque não tem teclado, dizem os impostecas. De fato, o teclado desses equipamentos é virtual. Transposta para o tempo das carruagens, trata-se de uma restrição que negaria aos automóveis um benefício concedido aos veículos porque não eram puxados por cavalos.

Navios carregados de contêineres com peças de iPads devem chegar ao Brasil em julho, quando se espera que as tabuletas já estejam livres da pelanca tributária. Nesse caso, poderão custar entre R$ 1.000 e R$ 1.150, que já é uma grande coisa, sobretudo porque barra o estímulo à produção de carroças nacionais".

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Escrito por Josias de Souza às 04h49

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Bernardo: ‘Não temos fórmula para questão do dólar’

José Cruz/ABr

Ministro do Planejamento de Lula, Paulo Bernardo é, sob Dilma Rousseff, titular da pasta das Comunicações. Mas mntém um pé e os dois olhos na área econômica.

Em entrevista à repórter Maria Isabel Hammes, o petista Bernardo discorreu acerca das apreensões do governo.

Sobre o problema do câmbio, uma encrenca em que se misturam o derretimento do dólar e a sobrevalorização do Real, o ministro admitiu:

“Não temos uma fórmula para resolver o problema do dólar, que está caindo no mundo inteiro”.

Quanto à ameaça de retorno da sanha inflacionária, Bernardo primeiro rendeu homenagens ao óbvio: “A inflação é absolutamente preocupante”.

Depois, contou que, por ordem de Dilma, a firmeza no combate à carestia é agora combinada com a preservação do PIB:

“O governo está atento, mas a presidente orientou que houvesse também preocupação com o crescimento econômico...”

Durante a conversa, o ministro disse que o governo vai reagir contra empresários que antecipam reajustes de preços escorados na expectativa de inflação. Citou o setor de combustíveis.

Vão abaixo algumas das principais declarações de Paulo Bernardo:

– A inflação: A inflação é absolutamente preocupante. O governo está atento, mas a presidente orientou que houvesse também preocupação com o crescimento econômico. Ou seja, vamos bater duro na inflação, mas não vamos cessar o crescimento. [...] Isso está sendo feito com uma sintonia fina para levar a inflação ao centro da meta e permitir que a economia continue se desenvolvendo e crescendo.

– A antecipação da perspectiva de inflação futura nos preços do presente: Olha o caso da gasolina: não aumentou na refinaria, mas aumentou nos postos. Tem casos de precificação, sim. A expectativa leva à precificação.

– A reação contra os abusos das empresas: O governo vai baixar esta expectativa e reduzirá a inflação. Um pouco de agrado e ameaças de umas pancadas, se precisar. Tem gente que abusa. Veja o que aconteceu com o mercado do etanol.

– A resposta de Brasília às usinas de álcool: Esse segmento sempre foi assim porque pode converter a produção de etanol para açúcar de acordo com o preço mais vantajoso. Isso nos impede de exportar etanol. A Europa e o Japão não adotaram um programa forte de etanol porque nós não temos condições confiáveis de fornecer. Mas o governo está discutindo o seguinte: quem não tiver previsibilidade e garantir confiabilidade [na produção de álcool] não terá a mesma condição em financiamentos. Eles fazem financiamento baratinho no BNDES com dinheiro que tem subsídio e, depois, querem ganhar mais com o açúcar. A ideia era subsidiar o álcool. Deve ter um contrato com a previsão de que a liberdade estará amarrada a obrigações.

– O câmbio: A questão do câmbio é mais complicada. Não temos uma fórmula para resolver o problema do dólar, que está caindo no mundo inteiro. É uma política dos americanos para resolver o seu problema econômico. Agora, o que temos de fazer aqui são algumas reformas estruturais que reduzam o custo da produção. E isso significa ter estrada boa, ferrovia, portos e aeroportos funcionando, mudanças tributárias que gerem custo menor e maciços investimentos em educação para ter mão de obra mais qualificada.

– A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: O Correio é uma joia, o serviço no Brasil tem quase 300 anos, a empresa funciona em todos os municípios do país, mas descuidamos. Deixamos problemas de gestão se acumularem, tínhamos uma diretoria que não era coesa, não havia um comando centralizado, o que resolvemos. Mas há outras questões a solucionar: o déficit hoje é de 10 mil funcionários no país. Estamos com um concurso aberto para o dia 15 e que recebeu 1,7 milhão de inscrições, mas demorou um ano e meio para sair porque tinha problemas no edital e foi alvo de questionamento duro e com razão do Ministério Público.

- A fadiga do material: O pessoal do Correio está estafado e pressionado pela falta de gente. O gasto com transporte aéreo é de R$ 300 milhões e não tem empresa contratada, só de emergência. Agora, estamos refazendo editais para contratar por prazo maior e estudamos se teremos subsidiária para transporte aéreo.

– Os atrasos no Sedex: Nem me fale isso. Fui mandar um Sedex e a funcionária me sugeriu que eu não mandasse um Sedex e sim um outro – PAC –, pois chegaria atrasado. Nós vamos resolver isso, pode cobrar depois.

– O desafio de elevar, em quatro anos, de 35% para 70% os domicílios com acesso à internet com banda larga: [...] A orientação da presidente Dilma é popularizar o acesso à internet no país, o que vai melhorar o desempenho na educação, condições de serviços de saúde e a produtividade nas empresas, dinamizar a indústria do entretenimento e gerar empregos. É bom para o país. Quando fizemos o Plano Nacional de Banda Larga, soubemos que ainda há 20% de internet discada no Brasil.

– A baixa qualidade e os altos preços da telefonia: Vamos aumentar a fiscalização e a concorrência. Queremos obrigar, por exemplo, o compartilhamento de infraestrutura entre as empresas. Você vai com seu celular em uma determinada área de uma operadora e não tem antena, e a outra não dá passagem. Com o compartilhamento, elas terão de concorrer mais ainda nos preços e tem mais: a telefonia celular no Brasil conta com subsídio. Quando você faz uma ligação do fixo para celular, a maior parte do pagamento da ligação é para o celular. E nós vamos discutir isso também, que se refletirá em custo menor na tarifa. Em 2012, teremos concorrência para nova frequência, o que também ajudará nos preparativos para a Copa.

– A TV digital: Estamos analisando a tecnologia da interatividade, será um atrativo a mais. Estamos atrasados, sim, na TV Digital, há empresas que não têm recursos, tem gente que ainda não aposta no serviço. Mas acreditamos que vai pegar. O prazo para o término da TV analógica é em 2016. Com a proximidade da Copa, vai ser uma enxurrada de venda de TVs. Em 2010, foram 15 milhões de TVs vendidas, quase todas com entrada para TV digital, para conversor. Quem não tiver digital na Copa, perderá espaço porque as pessoas só vão querer TV digital porque a qualidade, a diferença, é gritante.

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Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes deste domingo

- Globo: Escolas ignoram a lei que obriga a denunciar bullying

- Folha: Mortes se repetem nas estradas em pontos previsíveis

- Estadão: Empresas já reduzem exigências para contratar

- Correio: A morte tem nome de mulher

- Estado de Minas: Poucos policiais para muitas estradas

- Zero Hora: A vida com pleno emprego

- Veja: Abaixo a tirania dos valentões

- Época: O príncipe e a plebéia

- IstoÉ: Exclusivo: "O roubo na Previdência não acabou"

- IstoÉ Dinheiro: Terry Gou

- CartaCapital: Parceiro ideal?

- Exame: Sucessão na Vale

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Vaticínio!

Duke

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Escrito por Josias de Souza às 00h35

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Lula tenta retomar tese da Frente Ampla de partidos

  Sérgio Lima/Folha
Em diálogos privados, Lula voltou a acalentar um velho projeto. Sonha em compor uma “Frente Ampla” de partidos.

Enxerga na reforma política uma oportunidade para que partidos como PT, PDT, PSB e PCdoB estreitem suas diferenças.

Gostaria de mimetizar no Brasil uma experiência que “deu certo” no Uruguai. Lula diz que, se dependesse dele, faria um grande partido.

Como não dá, contenta-se com a constituição de uma “frente” que, por cima das táticas eleitorais, atue unida no Congresso.

A pretensão não é nova. Como presidente, Lula pregou no vazio. Acha que, livre da azáfama do Planalto, pode ser mais bem sucedido. A ver.

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Escrito por Josias de Souza às 23h02

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Raúl Castro propõe limitar poder a 2 ciclos de 5 anos

  Reuters
Representante de uma linhagem que governa Cuba há 52 anos, o presidente Raúl Castro entoou um discurso inusitado neste sábado (16).

Defendeu a limitação temporal do exercício de cargos públicos:

“[...] É recomendado limitar ao máximo de dois períodos consecutivos de cinco anos”.

No poder desde 2006, o irmão de Fidel Castro pregou "o rejuvenescimento sistemático de toda a rede de cargos administrativos e do partido".

Incluiu no rol de funções por remoçar o próprio cargo de presidente e o de primeiro-secretário do Patido Comunista de Cuba.

O discurso de Raúl, impregnado de autocrítica, foi pronunciado no 6º Congresso do Partido Comunista, que vai até terça-feira (19).

O orador, que completa 80 anos em junho, falava para uma platéia de cerca de mil partidários. A maioria com mais de 75 anos.

Um observador incauto diria: “Alvíssaras, agora vai!” Um observador mais experimentado da ditadura cubana perguntaria: “Será?”.

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Escrito por Josias de Souza às 22h29

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Lula X FHC, a apocalíptica guerra do fim dos tempos

  Cândido Portinari/Retirantes
O fim da Guerra Fria privou o planeta de uma de suas especulações mais fascinantes.

Desapareceu a visão da batalha final entre Rússia e EUA.

Ruiu a pespectiva do grande confronto que decidiria quem dominaria o mundo, ou o que restaria dele depois do holocausto nuclear.

Desde então, tenta-se por de pé um conflito que restabeleça a bolsa de apostas: Israel contra o mundo árabe, EUA versus islã...

De uns tempos pra cá, como a hecatombe não viesse, passou-se a especular sobre guerras, digamos, mais convencionais.

Num instante em que muitos teorizavam sobre o potencial destrutivo de uma batalha entre o Bolsonaro e os gays, surge uma nova e alvissareira aposta.

Lula versus Fernando Henrique, eis a pugna que desponta no horizonte. Há muito que o noticiário estava impregnado de provocações de parte a parte.

Porém, um artigo de FHC acionou a faísca que transpôs a fronteira da mera escaramuça. De passagem por Londres, Lula provocou.

Disse que a nação já conhecia ex-presidente que preferia os cavalos ao povo. No entanto...

...No entanto, ex-mandadatário que negligencia o “povão” é coisa nunca antes vista na história desse país.

A repórter Mônica Bergamo conta em sua coluna, na 'Folha', que FHC abespinhou-se.

Rodou a baiana numa entrevista que a Rádio Cultura FM levará ao ar nesta segunda-feira (18).

"Lá de Londres, refestelado em sua vocação nova [de palestrante]", Lula se "dá o direito de gozar", eriçou-se FHC.

Em seguida, detonou o repto: "Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo".

Soem as cornetas, rufem os tambores, escolham-se as armas. De todas as visões do Apocalipse nenhuma é tão encantadora quanto essa. Façam suas apostas.

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Escrito por Josias de Souza às 19h09

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A semana: o mandarim, o trampolim e os etcéteras

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Escrito por Josias de Souza às 18h18

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Armas: articulador de 2005 vê golpe em 2ª consulta

Antônio Cruz/ABr

Adversário do comércio de armas e coordenador da frente que organizou o referendo de 2005, Raul Jungmann tacha de “golpista” a ideia de repetir a consulta à sociedade. Ex-deputado pelo PPS de Pernambuco, ele estranhou o súbito interesse do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pelo tema do desarmamento.

“Estive na linha de frente do referendo. Não me lembro de nenhuma manifestação do Sarney sobre a matéria”, disse Jungmann. Referiu-se à ideia de realizar um plebiscito em outubro em termos ácidos: “É demagogia, oportunismo. Claramente, trata-se de um golpe”.

Em conversa com o blog, Jungmann perguntou: “E se nós tivéssemos vencido o referendo e alguém viesse propor nova consulta? Seria golpismo”. Para ele, deve-se “respeitar a vontade da sociedade” e fazer cumprir o Estatuto do Desarmamento, “uma lei de 2003 que não saiu do papel”. Abaixo a entrevista:

— Apóia a repetição da consulta popular? Não posso concordar.

— Mas não é contra o comércio de armas? Mantenho minhas convicções. Menos armas, mais vida. Porém, a sociedade já foi ouvida em outubro de 2005. De maneira insofismável, 64% a 36%, decidiu manter o comércio de armas de fogo.

— Esse quadro não pode ter sofrido alteração? Não creio. Em nova consulta, poderia haver mudança nos percentuais. Mas o resultado seria o mesmo.

— De onde vem tanta certeza? Pesquisas feitas na época do referendo indicavam que 80% dos brasileiros eram contra armas. Perdemos porque, exposta a assaltos, mortes e seqüestros, a população não quis abrir mão do direito de adquirir, eventualmente, uma arma. Esse quadro não mudou. O Estado brasileiro não tem política de segurança. E não é com nova consulta que vai passar a ter.

— O plebiscito não ajudaria a traçar rumos? A vontade soberana do povo já se manifestou. Um dos pilares da democracia é o respeito à estabilidade das regras. Pergunto: E se nós tivéssemos vencido o referendo e alguém viesse propor nova consulta? Seria golpismo. Eu me sentiria desrespeitado.

— Acha, então, que refazer a consulta é golpe? Sem dúvida. É demagogia, oportunismo. Claramente, trata-se de um golpe. Plebiscito, hoje, é golpe.

— Não vê legitimidade no projeto de Sarney? Não vejo. Estive na linha de frente do referendo. Fui secretário-geral do grupo presidido por Renan Calheiros, à época no comando do Senado. Coordenei o trabalho. Não me lembro de nenhuma manifestação do Sarney sobre a matéria. Desconheço no currículo dele passagens em defesa do desarmamento.

— Como nasceu a consulta de 2005? Votamos, em 2003, uma lei que atende pelo nome de Estatuto do Desarmamento. Por iniciativa do Renan, introduziu-se nessa lei um artigo: ‘Fica proibida a venda de armas de fogo no Brasil’. Parágrafo único: ‘Este artigo será submetido a um referendo nacional’.

— Deve-se o referendo ao Renan? Ele foi autor da emenda. Agiu provocado por um movimento que fez chegar a ele um abaixo assinado. Envolveram-se, além dos partidos, igrejas, CNBB, sindicatos, OAB, ONGs. Aprovada a lei, foi preciso votar um decreto legislativo marcando o plebiscito. Batalha de dois anos. Não saiu por vontade de uma pessoa, de um parlamentar ou de um rei. Perdemos. O foco agora tem de ser outro.

— Qual deve ser o foco? É preciso brigar para instalar chips nas armas, por exemplo. A tecnologia permite e facilitaria o controle sobre fabricantes e usuários de armas. 

— O que mais? É preciso retirar do papel o Estatuto do Desarmamento.

— Não é aplicado? Além de não ser aplicado, vem sendo lentamente desfigurado.

— Como assim? A bancada da bala, financiada pelos fabricantes e comerciantes de armas, tenta toda semana incluir novas categorias no rol das autorizadas a portar armas. Tem umas 40 categorias na fila. Deseja-se dar porte de arma a taxistas, advogados, fiscal disso, fiscal daquilo.

— Em que pontos o estatuto não é executado? São muitos. O estatuto pune com pena de prisão a posse e o porte ilegal de armas. Se o atirador do Rio tivesse sido preso antes de promover aquela matança abominável na escola e de suicidar-se, seria apenas autuado. Sem antecedentes criminais, ele teria a prisão relaxada. Assim tem sido. Não há no Brasil uma única pessoa presa por porte ilegal de armas. Desrespeita-se fragrantemente a lei. Há muitos outros despautérios.

— Por exemplo. A PF não tem pessoal para fiscalizar as empresas de segurança. Há milhares delas no país, legais e ilegais. A fiscalização dos clubes de tiro e colecionadores de armas continua nas mãos do Exército. Resquício da ditadura. O Exército não tem gente nem interesse. Ainda que se interessasse, não tem poder de polícica, não pode abrir inquérito, não está autorizado a prender. Desgraçadamente, empresas de segurança e clubes de tiro viraram ralos por onde escoam armas.

— Membro de clube de tiro pode comprar armas? Eles têm autorização especial. Mais que isso: quando estão em competição, podem se deslocar com até 12 armas e 3,5 mil cápsulas de tiro. Eles voltam pra casa com quantas armas? Já foram registrados casos de traficantes que se inscreveram nos clubes de tiro para ter acesso a armas. Isso é só uma parte do problema.

— Qual é a outra parte? Uma antiga resolução do Exército permite a policiais civis e militares e a oficiais das Forças Armadas comprar, a preços de custo, até três armas a cada dois anos. Nada a ver com a arma de serviço. É para uso pessoal. Em seis anos, o sujeito compra nove armas e munição. Diante do primeiro aperto financeiro, essa gente vende as armas. É outro ralo.

— O Estatuto do Desarmamento criou um cadastro nacional de armas. Não serve para coibir esses desvios? Esse é outro aspecto gravíssimo. O cadastro se chama SINARM. É o coração do estatuto. Um banco de dados que deveria centralizar todas as informações sobre as armas legais.

— Deveria centralizar os dados ou centraliza? Deveria. Estados que tem a obrigação de mandar as informações não mandam. E não acontece nada. O Exército também descumpre a lei.

— Como assim? O Exército tem, há muito tempo, o seu banco de dados próprio, que se chama SIGMA. Lá estão os dados de todas as armas leves em mãos de oficiais e de policiais civis e militares. Armas de serviço e particulares. A lei do Estatuto determinou a fusão dos dois bancos de dados –o civil SINARM e o militar SIGMA—num só. A lei é clara: tem de ser um banco único. Pois bem. Decorridos oito anos, o Exército se recusa a compartilhar os seus dados. E nada acontece. Um acinte.

— O que fazer? Deve-se aproveitar o episódio nefasto do Rio de Janeiro não como combustível para golpes oportunistas, mas para reunir forças e fazer o que deve ser feito. Os dados estão aí. Há muito por fazer. O que menos precisamos agora é de um plebiscito.

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Escrito por Josias de Souza às 06h37

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As manchetes deste sábado

- Globo: BC avisa que alta dos juros vai durar mais que previsto

- Folha: Homicídios caem 41% e SP deixa de ser zona epidêmica

- Estadão: BC indica que alta dos juros não vai terminar tão cedo

- Correio: Se tudo fosse um conto de fadas

- Estado de Minas: Justiça suspende reforma de Confins

- Zero Hora: Para acelerar obras da Copa, governo oferece recompensa

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h39

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Guerra dos pijamas!

Humberto

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h22

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De volta à política, Lula reúne-se com caciquia do PT

Fábio Pozzebom/ABr

Entre uma e outra palestra remunerada, Lula abriu uma fenda em sua agenda para encaixar um evento gratuito.

Reúne-se nesta segunda (18) com dirigentes e congressistas do PT. Vai definir qual será o seu papel no debate sobre reforma política.

Secretário-geral do PT, Elói Pietá acha que a chegada do ex-soberano ao palco vai seduzir outras legendas para as teses defendidas pelo petismo:

"Como ele chefiou um governo de coalizão, [...] o peso de sua participação junto a todos os partidos que apoiaram seu governo será muito grande".

Em essência, o modelo de reforma defendido pelo PT prevê um pôquer sui generis. Vão ao pano verde a lista fechada e financiamento público da campanha.

Na prática, os partidos cortam o baralho e dão as cartas. O eleitor entra com o bolso. Funciona assim:

Em vez de votar diretamente nos candidatos de sua preferência, o eleitorado votará nas legendas.

Elegem-se os políticos mais bem postos numa lista pré-definida pela caciquia das agremiações.

No pedaço que trata do financiamento, prevê-se que as arcas eleitorais serão recheadas com verbas do contribuinte.

Alega-se que o dinheiro privado de má origem deixará de correr por baixo da mesa. Quem quiser que acredite.

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Escrito por Josias de Souza às 22h53

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Em SP, Kassab atrai para a prefeitura PMDB e PCdoB

  Luiz Carlos Muranuskas/Folha
Nesta sexta (15), o ‘ex-demo’ Gilberto Kassab abriu espaços na prefeitura de São Paulo para políticos do condomínio pró-Dilma Rousseff.

Convidou Bebeto Haddad, presidente do diretório paulistano do PMDB, para a secretaria dos Esportes.

Entregou outra secretaria –a de Participação e Parceria— ao partido do vice-presidente da República Michel Temer.

O nome será escolhido, na próxima semana, pela bancada do PMDB na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Numa terceira mexida, o protoconsevador Kassab confiou a recém-criada Secretaria Especial para a Copa do Mundo a Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, do PCdoB.

Tudo isso, 48 horas depois de Kassab ter lançado, em Brasília, o manifesto do seu novo partido, o PSD.

Vai-se formando, assim, um sólido consenso ao redor da legenda de Kassab. 110% dos analistas políticos acham que será governista.

Para os 55% mais otimistas, o partido de Kassab é um saco de gatos. Os outros 55% acham que o saco inclui outro tipo de bicho.

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Escrito por Josias de Souza às 21h23

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Mantega agora admite ‘discutir’ elevação da gasolina

Shutter Stock

A guerra retórica que opõe Guido Mantega a Sérgio Gabrielli é marcada pela disparidade de armas.

Cada vez que o presidente da Petrobras dispara a verdade cruel, o ministro da Fazenda saca a mentira piedosa.

Nesta sexta (15), Mantega dobrou os joelhos. Numa entrevista coletiva concedida em Washington, repetiu que a gasolina não será reajustada. Porém...

...Porém, o ministro fixou, pela primeira vez, um prazo de validade para sua valentia. Só vale até o final de abril.

Mantega declarou que, nos próximos meses, o reajuste da gasolina pode ser discutido, caso o preço do petróleo continue nas nuvens.

Fica entendido que, sempre que submetida às declarações duvidosas do ministro, a platéia está autoridaza a acreditar no contrário.

Para quem ouve, não muda muita coisa. O lero-lero vai doer no bolso do mesmo jeito. Mas pelo menos evita-se o papel de bobo.

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Escrito por Josias de Souza às 19h46

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Governo prevê para 2012 salário mínimo de R$ 616

  Sérgio Lima/Folha
Aportou no Congresso, nesta sexta (15), a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2012.

A peça serve de base para a elaboração do Orçamento da União para o ano que vem.

É uma espécie de rascunho, que deputados e senadores passarão a sujo até o próximo mês de dezembro.

Coube à ministra Miriam Belchior (Planejamento) esmiuçar os números anotados na LDO.

São meras previsões. Desejos e anseios que a realidade ainda pode conspurcar. Abaixo, um resumo do essencial:

1. PIB: o governo prevê taxas ascendentes de crescimento da economia até o final do mandato de Dilma Rousseff.

Para 2011, PIB de 4,5%. Para os anos seguintes: 5% em 2012 e 5,5% em 2013 e 2014.

2. Taxa de inflação: a meta anual, como se sabe, é de 4,5%. Para 2011, otimista a mais não poder, o governo aposta num IPCA de 5%.

Para os anos seguinte –de 2012 a 2014— a equipe de Dilma espera acertar o olho da mosca, igualando o índice à meta de 4,5%.

3. Salário mínimo: O de 2011, já fixado em lei, será de R$ 545. Para os anos seguintes, aplica-se a fórmula: inflação mais o PIB dos dois anos anteriores.

Se tudo correr como planeja o governo, o mínimo será de R$ 616,34 em 2012; R$ 676,35 em 2013 e R$ 745,66 em 2014.

4. Câmbio: estima-se que, em 2011, a cotação do dólar vai fechar o ano em R$ 1,69. De novo, um dado otimista.

Para 2012, prevê-se que a taxa de câmbio será de R$ 1,76. Em 2013, R$ 1,82. Em 2014, R$ 1,86.

5. Juros: A Selic, taxa básica de juros, é projetada em 11,75% neste ano; 10,75% em 2012; 10% em 2013; e 8,5% em 2014.

6. Superávit fiscal: O governo fixou em R$ 139,8 bilhões a economia que pretende fazer em 2012 para pagar os juros da dívida pública. Coisa de 3,1% do PIB.

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Escrito por Josias de Souza às 18h06

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Está sem dinheiro? Tente o cunhado, fuja de bancos

Os bancos, como se sabe, convivem com assaltos. Eles são de dois tipos: de fora pra dentro e de dentro para fora.

Levantamento divulgado nesta sexta (15) pelo Procon-SP revela que cresce a incidência dos roubos do segundo tipo.

O estudo perscrutou as taxas de juros cobradas por sete das principais casas bancárias do país.

Constatou-se que, em abril, a taxa média cobrada no cheque especial é de 9,35% ao mês. A maior desde junho de 2003 (9,43%).

Verificou que a taxa média que incide sobre o empréstimo pessoal é de 5,49% ao mês. A maior desde desde junho de 2009 (5,52%).

Comparando-se com os juros de março, as taxas do cheque especial subiram em três balcões no mês de abril.

No Itaú, pularam de 8,85% para 8,96% ao mês. No Bradesco, saltaram de 8,79% para 8,83%. No Banco do Brasil, foram 8,15% para 8,27%.

Quanto ao empréstimo pessoal, houve elevação de juros nos mesmos bancos e em mais um. Incorporou-se à lista a Caixa Econômica Federal. Aos números:

No Itaú, os juros do empréstimo foram de 6,30% para 6,38%. No Bradesco, de 6,04% para 6,08%. No BB, de 5,28% para 5,48%. Na Caixa, de 4,78% para 4,95%.

Nas últimas semanas, acossado pela inflação, o governo adotou medidas para desestimular a tomada de empréstimos.

Além de salgar os juros, apimentou o IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras). A despeito disso, o Procon anota:

“[...] As medidas de restrição ao crédito tiveram impacto sobre os prazos e juros de financiamento, no entanto, cresce a busca por linhas mais caras, como cheque especial e cartão de crédito”.

O estudo rende homenagens ao óbvio: “O consumidor deve ser alertado para o fato de que as taxas de juros estão em ascensão e, portanto, empréstimos só devem ser tomados em caso de necessidade...”

“...De modo que não se transformem em armadilha para quem já está com o orçamento apertado”.

Entre todas as arapucas, realça o Procon, a “mais atraente” é o cheque especial, “por estar disponível na conta e poder ser utilizado a qualquer momento”.

Portanto, se você é desses brasileiros condenados ao fim do mês perpétuo, pense em socorrer-se do cunhado antes de recorrer aos bancos.

Vão abaixo os dados que revelam o preço do dinheiro nas logomarcas pesquisadas pelo Procon:

1. Cheque Especial

- Safra: 12,30%
- HSBC: 9,80%
- Santander: 9,96%

- Itaú: 8,96%
- Bradesco: 8,83%

- Banco do Brasil: 8,27%
- Caixa Econômica Federal: 7,31%

2. Empréstimo Pessoal

- Itaú: 6,38%
- Bradesco: 6,08%
- Santander: 5,63%

- Banco do Brasil: 5,48%

- Safra: 5,40%

- Caixa Econômica Federal: 4,95%
- HSBC: 4,50%

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Escrito por Josias de Souza às 16h55

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'Estamos no meio de um ciclo de aperto’, diz Tombini

  Alan Marques/Folha
Ministros da Fazenda? Presidentes do Banco Central? Os melhores, não há dúvida, são os invisíveis.

Autoridade econômica que aparece muito inspira insônias implacáveis. Inversamente, se toma chá de sumiço, vale como um sonífero irresistível.

O abre-cofres Guido Mantega e o guarda-moedas Alexandre Tombini fixaram residência nas manchetes, eis o que inquieta.

Emboscada pela inflação, a dupla leva ao varal uma declaração atrás da outra. A  última medida chega antes que a penúltima seja compreendida.

Nesta sexta (15), o grão-becê Alexandre Tombini deu a entender que o atmosfera de azáfama será longa.

Disse que o BC, hoje sentado sobre juros de 11,75% ao ano, "tem mais trabalho a fazer pela frente".

Falando para uma platéia de Washington, onde se encontra, Tombini declarou: “Estamos no meio de um ciclo de aperto monetário”.

O que isso quer dizer? Pouca coisa. Para efeito de raciocínio, suponha que um sujeito resolva saltar do alto de um prédio de 20 andares.

Na altura do 10º andar, ele pode, se quiser, olhar para a calçada lá embaixo e comentar com seus botões: “Estamos no meio de um ciclo”.

Se os bombeiros chegarem a tempo de estender o colchão salva-vidas, ótimo. Do contrário, ploft!

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Escrito por Josias de Souza às 15h44

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Mantega: não se usa 'bomba nuclear' contra inflação

Fábio Pozzebom/ABr

Espremido de um lado pela inflação e de outro pelo desajuste do câmbio, Guido Mantega admite: é difícil combinar o combate simultâneo dos dois flagelos.

Alheio às críticas do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, Mantega defende a estratégia conduzida por ele.

Coutinho acusa Fazenda e BC de negligenciar o combate à sobrevalorização do Real para tentar segurar a inflação.

Algo que, para ele, fragiliza a indústria nacional. Sem mencionar o colega de governo, o ministro da Fazenda declara:

"Você não explode uma bomba nuclear porque se não os efeitos colaterais são piores que a medida em si".

O titular da Fazenda refuta a acusação de que freqüenta o campo de batalha armado de conta-gotas. “Temos tomado medidas severas”, diz ele.

Mantega encontra-se em Washington. Foi à capital norte-americana para representar o Brasil em reuniões do G20 e do FMI.

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Escrito por Josias de Souza às 07h36

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No TSE, senadora acusa Jader de omitir posse de TV

  Moreira Mariz/Ag.Senado
A senadora Marinor Brito (PSOL-PA) vai protocolar duas representações contra Jader Barbalho (PMDB-PA) –uma no TSE; outra no Ministério Público Eleitoral.

Ela acusa o rival de omitir a propriedade de uma emissora de TV na declaração de bens que entregou à Justiça Eleitoral ao registrar a candidatura ao Senado em 2010.

A empresa se chama Rádio e TV Tapajós Ltda.. Está sediada em Santarém (PA). Retransmite a programação da Globo para cidades do interior paraense.

Marinor diz que Jader, “sócio oculto da emissora desde 2001”, só registrou sua participação na sociedade neste ano de 2011.

A senadora anexará às ações cópias de um “contrato de gaveta” firmado há uma década e do registro na Junta Comercial do Pará, deste ano.

Nos dois documentos, Jader figura como dono de 50% das cotas da empresa. Os outros sócios são Joaquim da Costa Pereira (49%) e Vera Soares Pereira (1%).

Joaquim e Vera são marido e mulher. Segundo a senadora, Jader viu-se compelido a regularizar a relação comercial depois da morte de um dos sócios.

Com o registro na Junta Comercial, ele se habilitou a tomar parte do inventário.

Marinor disse ao repórter que seus advogados protocolarão as representações nesta sexta (15). "A omissão à Justiça Eleitoral precisa ser apurada", declarou. 

A senadora chegou a Brasília depois que Jader teve a eleição para o Senado impugnada com base na Lei da Ficha Limpa.

O STF, porém, decidiu que a lei que exige prontuários higienizados não vale para a eleição do ano passado.

Com essa decisão, Jader aguarda apenas que o TSE marque o dia de sua diplomação para assumir a cadeira momentaneamente ocupada por Marinor.

Enquanto espera pelo inevitável, Marinor diz: “Continuo exercendo o meu mandato na sua plenitude...

“...Farei o que estiver ao meu alcance para dificultar a posse de mais um ficha suja”.

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Escrito por Josias de Souza às 06h58

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As manchetes desta sexta

- Globo: Governo afrouxa controles para garantir obras da Copa

- Folha: Triplica o número de policiais civis expulsos em SP

- Estadão: Em 100 dias, governo Dilma usa só 0,25% da verba do PAC

- Correio: Petista manobra para abafar CPI do DFTRANS

- Valor: Nova queda do dólar terá pouco impacto na inflação

- Estado de Minas: Este homem é um dos heróis de nossa história...e, 213 anos depois, vai descansar em paz

- Jornal do Commercio: Menores confessam assassinato de Nanda

- Zero Hora: Supersafra de soja injeta R$ 8,8 bi no RS

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Inflação da espécie!

Paixão

- Via Gazeta do Povo. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Governo da BA doa 600 kg diários de carne ao MST

Sob atmosfera hospitaleira, o governo petista da Bahia trata 3 mil sem-terra que invadiram o prédio de uma de suas secretarias a carne e verduras.

Ocupada pelo MST desde a última segunda (11), a Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária fornece aos supostos invasores 600 quilos diários de carne.

Noves fora os vegetais, a alimentação da "tropa", acampada defronte do prédio, custa ao contribuinte baiano cerca de R$ 6 mil por dia.

A conta não inclui gentilezas cujos custos são, por ora, desconhecidos. Assegura-se aos emeéssetês facilidades como 32 banheiros químicos e dois chuveiros.

Enquanto usufrui das comodidades que lhe são oferecidas na capital, o MST invade terras no interior do Estado.

Nesta quinta (14), militantes do movimento cruzaram a cerca da Fazenda Lastro, em Juazeiro.

As propriedades invadidas em solo baiano já somam 40. Planeja-se chegar a 50 até o final do mês.

Acompanhantes de Dilma Rousseff na viagem à China, o governador Jaques Wagner (PT) e seu secretário de Agricultura, Eduardo Salles, ainda não disseram palavra.

Na ausência da dupla, o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Zé Netto (PT), animou-se a defender a fidalguia custeada com verbas do alheio:

“O MST é um movimento importante, não é nosso adversário, não pode ser tratado com violência...”

“...Esse tipo de notícia é melhor para nós [do governo]. Pior seria a outra [de que os sem-terra foram tratados com violência]”.

Tanta cordialidade ainda acaba em ação popular.

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Escrito por Josias de Souza às 00h57

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PSDB critica na TV obras da Copa e volta da inflação

Foi ao o primeiro comercial partidário do lote que o PSDB tem direito de veicular no primeiro semestre de 2011.

As peças têm 30 segundos. Assina-as o publicitário Stalimir Vieira. A primeira foi veiculada nesta quinta (14). Veja no vídeo lá do alto.

Exibe um ator empurrando um carrinho no aeroporto. Ele critica o atraso nas obras aeroportuárias da Copa do Mundo de 2014.

Para desassossego do governo e gáudio do tucanato, a exibição do comercial coincidiu com a divulgação de um estudo do Ipea.

O instituto do governo estimou que, dos 13 aeroportos que precisam ser reformados, nove não ficarão prontos antes da Copa. A notícia ecoou, ribombou na web.

Neste sábado (16), o PSDB leva ao horário nobre da TV uma segunda peça. Trata da ameaça de retorno da inflação.

Nesse comercial, o partido apresenta o controle da inflação como um feito da gestão tucano de FHC, agora “ameaçado” sob o governo do PT.

Na próxima terça (19), os dois comerciais de 30 segundos serão reprisados. Somadas as inserções, o PSDB vai ao ar por 5 minutos em cada dia.

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Escrito por Josias de Souza às 23h40

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Jirau: mudança de cronograma conduz a demissões

  Marcello Casal/ABr
Depois da tempestade de Jirau, vem aí a cobrança.

O canteiro da obra da hidrelétrica será redimensionado. Haverá demissões.

O corte de cabeças foi esboçado em reunião promovida pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

Nesta quinta (14), estiveram com o ministro, no Planalto, representantes das empresas e de centrais sindicais.

Lero vai, lero vem decidiu-se refazer o cronograma da obra. Por quê? Alega-se que há lenha demais na fornalha.

Pelo plano original, a primeira turbina de Jirau, plantada no rio Madeira, em Rondônia, seria acionada em janeiro de 2013.

Liderado pela Camargo Corrêa, o consórcio que toca a obra decidiu antecipar a entrega do empreendimento para março de 2012.

E daí? Bem, diz-se que, para assegurar o ritmo de toque de caixa, a empresa teria contratado gente demais.

Hoje, há na obra de Jirau algo como 22 mil operários, incluindo os terceirizados.

Com a remodelagem do cronograma, muitos vão ao olho da rua.

Quantos serão demitidos? Por ora, faz-se mistério. Alega-se que, antes, é preciso definir o novo cronograma.

Ironicamente, coube ao ministro Carlos Lupi (Trabalho) informar que uma parte do quadro da usina será mandada ao olho da rua.

Segundo ele, o contingente de trabalhadores, por exagerado, “fica sem controle”.

"Esperamos que todas essas possíveis demissões sejam feitas através de possíveis acordo com sindicatos para a gente ter controle desse processo", disse Lupi.

 

O representante da CUT na reunião, Luiz Carlos de Queiroz, também deu de barato que haverá demissões. Preocupa-se agora com o método:

"A nossa preocupação é com demissões em massa em uma região que já vive um clima tenso".

Iniciada na última segunda (11), a retomada da obra de Jirau ocorre gradativamente. Voltaram a suar a camisa cerca de 9 mil operários.

Considerando-se o resultado da reunião desta quinta, muitos dos que permanecem em casa devem ser convidados a não retornar.

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Escrito por Josias de Souza às 22h01

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Em SP, alunos têm de pagar por apostilas ‘gratuitas’

Uma bela iniciativa da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo foi conspurcada por uma ilegalidade hedionda.

A iniciativa é um curso de idiomas oferecido a estudantes pobres da rede estadual de ensino. A ilegalidade é a venda de apostilas supostamente “gratuitas”.

Revelada pelo repórter Athur Guimarães, a afronta à lei foi detectada em duas escolas –uma na capital paulista. Outra no litoral, em São Vicente.

Nos dois casos, depois de matriculados, os alunos são informados de que têm de pagar pelo material didático –R$ 18 na capital; R$ 23 no litoral.

A comercialização ocorre fora das escolas, em estabelecimentos pré-selecionados.

No vídeo lá do alto, confirma-se o malfeito da capital. No litoral, o acinte era exposto na página do curso na web, rapidamente retirado do ar.

Na internet, os alunos eram direcionados a duas gráficas, onde a venda do material “gratuito&rd