Josias de Souza

Bastidores do poder

 

STF ‘pressiona’ Dilma a indicar 11º ministro da Corte

  Lula Marques/Folha
Num movimento subterrâneo, o STF pressiona Dilma Rousseff a preencher ainda nesta semana a vaga de Eros Grau, aposentado em julho de 2010.

“Não dá mais para esperar, a situação chegou a um limite”, disse ao repórter, na noite desta segunda (31), um dos ministros do STF.

O presidente do Supremo, Cezar Peluso, é um dos mais incomodados. Considera a delonga inexplicável.

Além de Peluso, também o ministro Gilmar Mendes, ex-presidente do tribunal, amofina-se com a protelação.

Gilmar é relator do caso Cesari Battisti. Em privado, revela-se convencido de que, levado ao plenário, o processo resultará num empate.

Pelas contas do relator, quatro ministros devem endossar a decisão de Lula, que negou a extradição do terrorista à Itália.

Outros quatro ministros tendem a rever o despacho de Lula, sob a alegação de que a permanência de Battisti no Brasil fere tratado assinado com a Itália.

Dois membros do tribunal –Celso de Mello e Dias Toffolli— não votam. Declararam-se impedidos. Sem o substituto de Eros, não há uma voz para o desempate.

Entre quatro paredes, Gilmar afirma que um novo empate repetiria o vexame do caso Joaquim ‘5 X 5’ Roriz. Algo que levaria o STF a uma desmoralização.

O inconformismo do tribunal chega aos ouvidos de Dilma por meio de dutos informais de comunicação.

Gilmar é íntimo amigo, por exemplo, do ministro Nelson Jobim (Defesa), ele próprio um ex-presidente do Supremo.

Sob atmosfera de constrangimento, Dilma participa, nesta terça (1º), da cerimônia de abertura do “Ano Judiciário”.

Um auxiliar da presidente disse ao blog que ela já se convenceu de que precisa levar ao Diário Oficial, antes do final de semana, o nome do 11º ministro do STF.

Dilma fará por pressão algo que Lula absteve-se de fazer por obrigação. O nome mais bem posto para ocupar a poltrona é o de Luiz Fux.

Hoje, Fux é ministro do STJ. Afora a biografia jurídica, dispõe do apoio político do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que pede por ele.

Nesta segunda (31), O STF pendurou na web a pauta de julgamentos previstos para esta primeira semana pós-recesso.

O caso Battisti, um dos mais amadurecidos da fila de processos prontos para deliberação, não consta da lista.

Para complicar, a defesa de Battisti protocolou no Supremo um pedido de revisão do despacho de Peluso que, no recesso, manteve o terrorista na cadeia.

- Atualização feita às 14h26 desta terça (1º): Dilma decidiu indicar Luiz Fux, do STJ, para ocupar a vaga aberta no STF.

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Escrito por Josias de Souza às 23h21

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Silvio Santos vende banco PanAmericano: R$ 450 mi

Flávio Florido/UOL

O empresário Silvio Santos tornou-se, no início da noite desta segunda (31), um sem-banco.

Vendeu sua participação no PanAmericano ao banco de investimentos BTG Pactual. Uma transação de R$ 450 milhões.

Com a saída do Grupo Silvio Santos, foram às mãos do BTG 51% das ações ordinárias e 21,97% das preferenciais do PanAmericano.

A instituição passará a ser comandada pelo executivo José Luiz Acar Pedro, sócio do BTG.

A Caixa Econômica Federal, empurrada para dentro da sociedade sob Lula, reteve os 36,56% do capital do PanAmericano que adquirira no final de 2009.

Batido o martelo com Silvio Santos, a virada do prego depende agora apenas de um OK do Banco Central.

A ex-casa bancária do homem do baú achegou-se às manchetes como um problema em novembro do ano passado.

Só não foi à breca porque o Fundo Garantidor de Créditos borrifou em suas contas um empréstimo de R$ 2,5 bilhões.

Descobriu-se dias atrás que o buraco, cavado a golpes de imperícia e fraude, era bem maior: R$ 4 bilhões.

Sob intermediação de Henrique Meirelles, então presidente do BC, Silvio Santos teve de entregar suas empresas como garantia do empréstimo.

Desceu ao baú da infelicidade da penhora inclusive o SBT, jóia da coroa do grupo.

Sentindo-se como que liberto do abacaxi financeiro, Silvio Santos levou aos microfones uma declaração de alívio escorada em vocábulo de negação:

"O SBT não está mais à venda, a Jequiti não está mais à venda, o Baú não está mais à venda".

Sorriso nos lábios, parecia festejar a saída de suas outras empresas da bacia das almas.

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Escrito por Josias de Souza às 22h36

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Líder do PMDB: ‘Nunca vi partido ser tão injustiçado’

  ABr
O deputado Henrique Eduardo Alves (RN) foi reconduzido à liderança do PMDB.

Discursou para os liderados como comandante que prepara a tropa à beira do campo de batalha.

Falou grosso, como se desejasse lançar a voz para além dos limites da sala, fazendo-a chegar a tímpanos petistas.

Diz o brocardo: para bom entendedor, meia palavra basta.

Pois Henrique preferiu os vocábulos inteiros. Coisa que bastasse até para meio entendedor.

Num instante em que PMDB e PT se desentendem falando o mesmo idioma, Henrique soou claro:

“Nunca vi um partido ser tão injustiçado e agredido como nos últimos dois meses. Nunca apanhei tanto...”

“...Nos perfis que recebi, os adjetivos mais leves eram de ‘aliado incômodo’ e ‘fisiológico’...”

“...Isso não me atemoriza, vou continuar lutando por espaços de um partido que lutou para ganhar a eleição. Os governos passam, o PMDB fica”.

O líder pemedebê parecia decidido a desobstruir a traquéia: “Não vou mais aceitar isso. Ganhamos o governo para governar com ética...”

“...Temos o direito de indicar nomes qualificados, porque seremos cobrados nas ruas pela co-responsabilidade nesse governo”.

Henrique arrematou: “A presidente Dilma pode ficar sossegada. Somos co-aliados, não sou um aliado incômodo...”

“...O caminho que o PMDB quer construir no governo não tem o medo, omissão, covardias ou safadezas. É o caminho da verdade, coragem e do desassombro”.

Tomada pelo que diz em privado, Dilma sonha mesmo com o sossego. Mas não parece enxergar no desassombro do PMDB barbitúrico capaz de lhe devolver o sono.

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Escrito por Josias de Souza às 21h43

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Má notícia para Kassab: ACM Neto é eleito novo líder

  Sérgio Lima/Folha
O deputado ACM Neto (BA) prevaleceu sobre o rival Eduardo Sciarra (PR) na disputa pela cadeira de líder do DEM na Câmara.

Numa bancada de 43 deputados, o neto de ACM arrastou 27 votos. O adversário, apenas 16.

A notícia é ruim, muito ruim, péssima para o prefeito Gilberto Kassab (SP) e para o ex-senador Jorge Bornhausen (SC), patronos de Sciarra.

A dupla Kassab-Bornhausen pega em lanças para apear do comando do partido o grupo de Rodrigo Maia (RJ), atual presidente do DEM.

A briga pela liderança funcionou como prévia da convenção de 15 de março, que escolherá o novo presidente do DEM federal.

ACM Neto escalou o ringue desta segunda (31) como representante da ala anti-Kassab. Junto com Sciarra, mandou à lona o ex-senador Marco Maciel.

Convidado por Kassab e Bornhausen a assumir-se como candidato à presidência do DEM, Maciel aguardava.

Suas chances como que ruíram no placar dilatado da Câmara.

No córner oposto, o senador José Agripino Maia (RN) teve tonificadas as chances de assumir, em março, o comando do DEM.

Agripino já dá as cartas no Senado. Exceto pela senadora Kátia Abreu (TO), controla a bancada ‘demo’. Agora, tem do seu lado também a maioria da Câmara.

De malas prontas, Kassab prepara a mudança para o PMDB. Sonhava com um comando partidário que, amistoso, não lhe causasse problemas. Deu chabu.

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Escrito por Josias de Souza às 20h02

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Presidente do PR diz que Sandro Mabel será expulso

  Ag.Câmara
Cumprindo o que prometera na semana passada, o PR reuniu sua Executiva nesta segunda (31), para decidir o que fazer com Sandro Mabel (GO).

Terminado o encontro, o presidente da legenda, Alfredo Nascimento, anunciou: se não desistir da candidatura à presidência da Câmara, Mabel será expulso.

Ministro dos Transportes, Nacimento foi à Câmara como comandante da tropa de elite do Planalto.

Disse que o PR fechou com a candidatura de Marco Maia (RS), o petista que o governo deseja converter em candidato único ao comando da Câmara.

Definiu assim a sublevação de Mabel:

“O ato é grave em relação à atitude dele com o partido. As decisões são tomadas pela maioria, ele conhece as regras e não é mais bem-visto no partido".

Mabel já havia sido empurrado para fora da liderança do PR. Expulso da legenda, terá o mandato de deputado questionado no TSE.

O ‘capitão’ Nascimento não disse, mas haverá outra consequência. Um apadrinhado de Mabel chefia a superintendência do Denit em Goiás.

Trata-se do órgão federal que cuida da manutenção de estradas. Pende do organograma dos Trasnportes. Nascimento planeja passar o rodo.

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Escrito por Josias de Souza às 19h26

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‘Anticandidato’ do PSOL: 'Toda unanimidade é burra'

  Jane de Araújo/Ag.Senado
Conforme se havia antecipado aqui, o neosenador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) ofereceu-se em holocausto no Senado.

Vai ao plenário como alternativa a José Sarney (PMDB-AP), até ontem candidato único à presidência do Senado.

Inspirado em Ulysses Guimarães, Randolfe se antodefinira ao repórter como "anticandidato". Nesta segunda (31), Randolfe evocou outro personagem:

"Toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues. [A candidatura única de Sarney] não é bom para a democracia brasileira".

De fato, “a opinião unânime”, ensinou o velho cronista, “está a um milímetro do erro, do equívoco, da iniquidade”.

O país mereceria o contraditório de três ou quatro candidatos ao comando do Senado. Dá-se, porém, algo que inquietava Nelson Rodrigues:

“Na hora de odiar, ou de matar, ou de morrer, ou simplesmente de pensar, os homens se aglomeram. As unanimidades decidem por nós, sonham por nós, berram por nós”.

Evaporaram as últimas gotas de dúvida. Ficou entendido que o Senado ama Sarney. Aglomera-se por ele. Sonha com ele. Berra por ele. Mata por ele. Suicida-se por ele.

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Escrito por Josias de Souza às 18h29

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José Sarney: ‘O Senado está perfeitamente ajustado’

Sobrevivente de uma crise ética que os senadores se abstiveram de apurar, José Sarney será ungido nesta terça (1º) tetrapresidente do Senado.

Às vésperas da consagração, Sarney disse meia dúzia de palavras sobre o rastro de perversões deixado pela legislatura que termina. Disse coisas assim:

"Nós temos uma imprensa que sempre é questionadora, de maneira que esta é uma Casa colegiada e isso [o rol de denúncias] até serve de colaboração...”

“...Porque nós procuramos corrigir aquilo que realmente possa parecer errado, como aconteceu da outra vez, que todas as denúncias foram corrigidas...”

“Hoje, nós estamos com o Senado perfeitamente ajustado".

Já se sabia que Sarney é um caso raro de sobrevivência política. Descobre-se agora que virou caso único. Será a primeira piada eleita presidente do Senado.

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Escrito por Josias de Souza às 17h05

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No ano da eleição, governo descumpriu a meta fiscal

Georges Pompidou (1911-1974), raposa da política francesa, costumava dizer que três caminhos levam o homem ao desastre.

O jogo, dizia Pompidou, é a via mais rápida. As mulheres, a mais agradável. E consultar economistas, a mais segura.

O Brasil de 2010 mostrou: se o oráculo dos economistas é um soberano obcecado com a sucessão do trono, a segurança do desastre é de 100%.

Dados divulgados nesta segunda (31) pelo Banco Central deram ossatura numérica a um esqueleto já conhecido.

No último ano de seu reinado, sacudido pela eleição, Lula só atingiu a meta fiscal do governo subtraindo da conta o pedaço dos gastos relativos a investimentos.

As despesas do Estado cresceram em todas as esferas. Com isso, foi para o beleléu a meta “cheia” de superávit de caixa de 3,1% do PIB.

Para atingi-la, o governo retirou da coluna das despesas R$ 11,7 bilhões despendidos no PAC. Um coelho que, até novembro, a Fazenda jurava que não tiraria da cartola.

"Certamente, o ano eleitoral leva a um aumento de gastos, e é isso que se observou", resigna-se o chefe de Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Como almoço grátis é coisa que não existe, a conta está sendo apresentada a Dilma Rousseff.

Principal beneficiária da mandracaria fiscal, a economista Dilma vê-se agora na posição de gerente da faca.

Consulta-se com o economista Guido Mantega. O mesmo que abriu os cofres. Vivo, Georges Pompidou diria a Dilma: “Temeridade!”

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Escrito por Josias de Souza às 14h44

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PT promove uma queima de estoque de Lula e Dilma

  Evaristo Sá/FP
Às voltas com um buraco de R$ 27,7 milhões em suas arcas, o PT decidiu liquidar os produtos que comercializa na lojinha contígua à sua sede.

Impressos em camisetas, fotos e enfeites que sobraram da campanha eleitoral e da cerimônia de posse, Lula e Dilma Rousseff estrelam a queima de estoque.

Foram à bacia das almas, por exemplo, camisetas com o semblante da presidente. Sozinha ou ao lado de Lula, duas Dilmas saem pelo preço de uma: R$ 10.

Camisetas com imagens maiores do ex-soberano e de sua pupila –na frente e nas costas— saem por R$ 20.

Lenços vermelhos com a inscrição ‘Valeu, Lula’ custam escassos R$ 2. A queima de estoque inclui também livros.

A obra “Governo Lula e o Combate à Corrupção”, por exemplo, foi etiquetada em valor quase tão barato quanto o título: R$ 10.

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Escrito por Josias de Souza às 04h02

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As manchetes desta segunda

- Globo: Oposição se articula para fim da ditadura no Egito

- Folha: EUA pedem fim da ditadura no Egito

- Estadão: Itamaraty pede a embaixadas reavaliação da política externa

- JB: Pra cá de Bagdá

- Correio: Vale-transporte vira moeda até na Internet

- Valor Econômico: Crédito do FGC facilita venda do PanAmericano ao Pactual

- Estado de Minas: Indústria divide lucro e paga R$ 213 mi a empregados

- Jornal do Commercio: Festa do Timbu

- Zero Hora: Saques e embates põem Egito à beira do colapso

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h55

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Múmias do Egito!

Aroeira

- Via 'O Dia'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Renan vira ‘escudo’ protetor da oposição contra o PT

Roosewelt Pinheiro/ABr

Líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) tornou-se, para o Planalto, um aliado de dois gumes.

No gogó, Renan é governista. Na prática, distancia-se do PT e faz aliança tática com os oposicionistas PSDB e DEM.

Nas próximas horas, serão rateados entre os partidos os postos de comando na Mesa diretora e nas comissões do Senado.

Em combinação com o Planalto, o petismo ergueu a tese segundo a qual a divisão das poltronas deve levar em conta os blocos partidários, não os partidos.

Se prevalecesse tal entendimento, PSDB e DEM, já alquebrados pela artilharia eleitoral de Lula, seriam humilhados pelo PT.

No comando de um bloco que inclui outros cinco partidos (PSB, PR, PRB, PCdoB e PDT), o PT desceria ao front com uma tropa de 30 senadores.

E a infantaria oposicionista, reduzida a dez tucanos e cinco ‘demos’, evoluiria do Waterloo de 2010 para uma espécie de exílio napoleônico de Santa Helena.

Renan, que dispõe da alternativa de tonificar o seu PMDB num bloco com PP e PTB, converteu seus exércitos em escudo protetor da oposição.

Para o general pemedebê, prevalecem os partidos, não os blocos. A oposição perde poder, mas livra-se da asfixia tramada pelo PT e torna-se devedora de Renan.

Pela regra da proporcionalidade, cada partido escolherá as poltronas que deseja ocupar segundo o tamanho de sua bancada.

Maior legenda do Senado, o PMDB reacomodará José Sarney (AP) na cadeira de predidente. Será a quarta presidência dele. Mais dois anos.

Ao desbancar o PSDB do posto de segunda maior bancada, o PT desalojará o tucanato da 1ª vice-presidência.

O posto será ocupado, em sistema de rodízio, por Marta Suplicy (SP) e José Pimentel (CE). Um ano para cada um. Resta definir quem vai primeiro.

O PMDB tem a prerrogativa de escolher mais uma posição na Mesa, a 2ª vice-presidência. Só então o PSDB, terceira maior bancada, fará a sua pedida.

O tucanato cairá da 1ª vice para a 1ª Secretaria. É uma espécie de prefeitura do Senado. Dispõe de orçamento anual de cerca R$ 3 bilhões.

Trata-se de um cobiçadíssimo ninho de escândalos à espera de moralização. Era reduto do DEM. Vai ao colo do tucano Cícero Lucena (PB).

Ex-prefeito de gestão duvidosa, Lucena chega à posição enrolado em ação do Ministério Público. Sua biografia não rima com a higienização que o posto pede.

Na fila do rateio, vêm a seguir o DEM e o PTB, ambos com cinco senadores. Na legislatura que termina, os 'demos' eram 13. Saíram das urnas com seis. Mas um deles, Eliseu Resende (MG), morreu.

Líder do DEM, o senador José Agripino Maia (RN) agarra-se ao regimento para tentar “ressuscitar” Eliseu.

Agripino alega que vale a conta da época da diplomação, não a de hoje. Seja como for, o ex-poderoso DEM terá de optar por uma secretaria subalterna –3ª ou 4ª.

Num esforço para atenuar o prejuízo, Agripino rogou a Renan que o PMDB ceda para o DEM a 2ª vice-presidência. Aguarda por uma resposta.

Rateados os postos da Mesa diretora passa-se à divisão das comissões. São duas as mais relevantes: a de Justiça e a de Assuntos Econômicos.

A primeira será do PMDB. A outra, do PT. O PSDB cobiça a de Infraestrutura, por onde passam as nomeações para agências reguladoras e os projetos do PAC.

Se vingasse a manobra do PT –blocos em vez de partidos— o tucanato daria adeus à Infraestrutura. Graças a Renan, conserva as chances de obter o posto.

O DEM, que controlava a poderosa comissão de Justiça, terá de se contentar com coisa menos relevante –Agricultura, Assuntos Sociais ou algo assemelhado.

Como Renan não dá ponto sem nó, o PT e o Planalto farejam na movimentação dele um cheiro de 2013.

Expurgado da presidência do Senado em meio a denúnicas, o senador tramaria retornar ao posto nas pegadas de Sarney.

Renan adula a oposição para reunir apoios que lhe permitam dar as cartas no Senado nos dois últimos anos da gestão Dilma Rousseff.

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Escrito por Josias de Souza às 23h39

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Acuado, Mubarak amplia ‘toque de recolher’ no Egito

Fotos: EFE

As ruas do Egito voltaram a encher neste domingo (30). Nas pegadas dos protestos para derrubar o regime, proliferam os saques.

Com o escalpo balançando sobre o pescoço, o ditador Hosni Mubarak tomou duas providências.

Ampliou em uma hora o toque de recolher. Antes, começava às 16h –20h, no relógio de Brasília. Agora, principia às 15h.

De resto, reforçou a quantidade de policiais nas ruas. Uma tentativa de conter os saques e o rastilho de violência.

Mubarak porta-se como um médico amalucado que, diante de um paciente com desaranjo intestinal, reforça a dose do purgante.

A turba não se deu por achada. No asfalto estava, no meio-fio permaneceu. Deu de ombros para as novidades.

Mubarak conseguiu apenas ampliar em uma hora diária o vexame do desrespeito à ordem de recolhimento emanada de um governo sem autoridade.

Mais de duas horas depois do início do toque de recolher que não surte efeito, um pedaço da multidão cedia os ouvidos a Mohammed ElBaradei.

Nobel da Paz, ElBaradei trocou Viena, onde mora, pelo Cairo. Tenta converter-se em líder da oposição difusa que acossa Mubarak.

Neste domingo, o Nobel falou a milhares de manifestantes na capital egípcia (foto no rodapé). "Não podemos voltar atrás no que começamos", discursou.

Mais cedo, num encontro com repórteres, ElBaradei puxara para o centro da roda de fogo que arde no Egito o presidente dos EUA, Barack Obama.

Ele dissera estar convencido de que Obama pediria publicamente a renúncia de Mubarak, velho parceiro dos EUA. Coisa para logo, vaticinara:

"Se não aconteceu ainda, deve acontecer hoje ou amanhã. É melhor que este ditador abandone o Egito e Obama deveria exigir isto publicamente".

Enquanto Obama não pede e Mubarak não bate em retirada, avolumam-se os cadáveres no Egito.

A imprensa serve números díspares. Por baixo, numa conta da CNN, os mortos somam 38. Pelo alto, na contabilidade da Al Jazeera, chegam a 150.

Enquanto Mubarak se esforça para provar que as ditaduras também cometem suicídios, o Egito clama por uma realidade nova.

O país convive com múltiplas possibilidade. Na pior hipótese, caminhará para uma teocracia. Na melhor, mergulhará numa democracia.

Numa ou noutra hipótese, haverá um Egito inteiramente novo. Caos não falta! 

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Escrito por Josias de Souza às 20h24

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Dilma: ‘Ninguém pode afirmar’ que Real não vai cair

Elza Fiúza/ABr

Dilma Rousseff voa neste domingo (30) para sua primeira visita internacional. Vai abrir a semana num encontro com a colega da Argentina, Cristina Kirchner.

Horas antes da chegada de Dilma a Buenos Aires, os jornais argentinos penduraram em suas páginas uma entrevista com a presidente brasileira.

Ela recebeu, na semana passada, repórteres dos diários 'Clarin', 'La Nación' e 'Pagina 12'.

Falou, entre outros temas, sobre o risco de desvalorização que assedia o Real, direitos humanos (aqui e alhures) e a visita que Barack Obama fará ao Brasil.

Vão abaixo trechos da entrevista:

- Conseguirá deter a desvalorização do Real? “No mundo, ninguém pode afirmar isso. Nos últimos tempos temos conseguido manter o dólar numa certa flutuação. Não tivemos nenhum ‘derretimento’, como se diz por aí...”

“...A taxa de câmbio oscilou todo o tempo entre R$ 1,6 e R$ 1,7 por dólar. Agora, ninguém pode garantir que não haverá desvalorização.

- Relações bilaterias: Brasil e Argentina sofrem, como todos os emergentes, as conseqüências da política de desvalorização [de moedas] praticada pelas duas maiores economia do mundo [EUA e China]...”

“...A nossa posição no G-20 deve ser de reação à política de desvalorização que sempre levou o mundo a situações difíceis...”

“...[...] Não precisamos aceitar políticas de dumping ou mecanismos de concorrência inadequados que não se baseiam em práticas transparentes...”

“...Devemos reagir a isso. Mas também sabemos que o protecionismo no mundo não nos conduz a um bom termo”.

- Venezuela no Mercosul: É importante que a Venezuela ingresse no Mecosul. É bom para o bloco que outros países se somem. Isso muda o nível do Mercosul..."

"...A Venezuela é um grande produtor de petróleo e gás. Tem muito a ganhar no Mercosul. E nós também temos muito a ganhar com a Venezuela. Vejo com excelentes olhos sua participação".

- Visita de Barack Obama, em março, vai virar a página das divergências em relação ao Irã? “A relação do Brasil com os EUA é histórica. E essa relação se transformou à medida que os países se desenvolveram...”

“...Hoje, fantasticamente, o Brasil tem superávit na relação comercial com os EUA. [...] É importantíssimo ver os EUA com um grande sócio comercial dos países da América Latina...”

“...Para o Brasil, os EUA são e sempre serão um parceiro muito importante. [...] Tivemos uma boa experiência nos últimos anos e também tivemos diferenças de opinião...”

“...Mas o que importa é perceber que essa é uma parceria que tem um horizonte de desenvolvimento muito grande. Então, consideramos que cada ano vamos ter que virar a página do ano anterior”.

- Direitos Humanos: “Não negociarei com os direitos humanos, não farei concessões nesta área. E tampouco aceito que direitos humanos possam ser vistos como restritos a um país ou região: isso é uma falácia...”

“...Não se pode adotar dois pesos e duas medidas. Os países desenvolvidos já tiveram problemas terríveis, em Abu Ghraib, em Guantánamo... Mas também creio que apedrejar uma mulher [como no Irã] não seja algo adequado”.

- Cuba: “Com a liberação dos presos políticos, Cuba deu um passo adiante. Tem que continuar trabalhando nisso, dentro de um processo de construção de melhores condições econômicas, democráticas e políticas do país...”

“...Respeito também o tempo deles. [...] Em Cuba, prefiro dizer que existe um processo de transformação e creio que todos os países devem incentivar esse processo...”

“...Devemos protestar contra todas as falhas que houver nos direitos humanos em Cuba. Não tenho problema em dizer se algo vai mal por lá, ou por aqui também. Não somos um país sem dívidas com os direitos humanos. Nós as temos”.

- Brasil: “Ter uma posição firme nos direitos humanos não significa apontar o dedo a outros países que não os respeitam. Não defenderei quem abusa dos direitos humanos, mas tampouco sou ingênua para deixar de ver seu uso político”.

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Escrito por Josias de Souza às 18h51

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No primeiro mês, Dilma foi sitiada por ‘rivais-aliados’

Flávio Florido/UOL
 

A presidência de Dilma Rousseff completa um mês nesta segunda (31). A experiência de poder da sucessora de Lula, embora curta, revelou-se instrutiva.

Beneficiada pelo silêncio da oposição, Dilma assistiu à conversão de aliados no pior tipo de adversário: o inimigo cordial.

O noticiário negativo que assediou Dilma em seus primeiros trinta dias de governo teve produção 100% doméstica.

Sócios majoritários do consórcio governista, PT e PMDB trocaram cotoveladas ao redor das poltronas mais vistosa$ do segundo escalão.

Apoiadoras de Dilma na campanha eleitoral, as centrais sindicais levaram o debate do salário mínimo às ruas.

Domesticado nos dois reinados de Lula, o baronato sindical mordeu Dilma antes mesmo da tentativa de assopro de Gilberto Carvalho, o ministro que negocia em nome dela.

Mal desceu das nuvens da posse para o chão liso da rotina administrativa e Dilma já se deu conta de que, no poder, só há um amigo possível. O amigo do alheio.

Afora a descoberta de que terá de lidar com pseudoaliados, Dilma fabricou, ela própria, uma inimiga insuspeitada: a barriga.

Até aqui, sempre que submetida à necessidade de decidir, Dilma pensou dez vezes, analisou todas as possibilidades, consultou auxiliares... E não decidiu.

Os caças da FAB? Barriga. O nome para a cadeira vaga no STF? Barriga. As nomeações dos escalões inferiores? Barriga de novo.

Até os cortes no Orçamento da União, que Dilma considera urgentes e prioritários, foram golpeados pela política da pança.

Dilma programara a descida da lâmina para a primeira quinzena de janeiro. Queria que o talho viesse à luz antes da reunião do BC sobre juros.

A diretoria do BC, porém, foi à mesa do Copom sem conhecer o tamanho da faca. Devolveu a taxa Selic ao elevador.

Os cortes? Bem, a barriga promete-os para fevereiro. Por ora, Dilma não apôs sua assinatura nem no projeto de Orçamento que o Congresso aprovou em dezembro.

Em meio à bruma de indefinições, a ministra Mirian Belchior (Planejamento) declarou que a lâmina pode alcançar inclusive as verbas do PAC.

E Dilma: “Nós não vamos, nós não vamos –vou repetir pela terceira vez— nós não vamos contingenciar o PAC”.

Além de desencontros, a tática presidencial de estacionar diante das bifurcações que lhe chegam ao gabinete espalha insatisfações ao redor.

Em privado, a cúpula da Aeronáutica derrama-se em queixumes por conta do novo adiamento da aquisição dos caças.

As togas do Supremo impacientam-se com a demora do Planato (já lá se vão oito meses) em indicar um substituto para o ministro aposentado Eros Grau.

De resto, ao protelar a distribuição das cadeiras do segundo escalão, Dilma rogou a petês e pemedebês que parassem de prover matéria-prima às manchetes.

Silenciaram as vozes. Porém, começaram a falar os dossiês. Órgãos como a Funasa e estatais como Furnas passeiam na praça com as víscera$ à mostra.

Dilma leva sobre Lula uma desvantagem. Não pode usufruir da desculpa da herança maldita. Condenou-se a continuar o legado. Inclusive nas parcerias indigestas.

O primeiro mês de Dilma serviu, assim, para eliminar uma ilusão que acomete todo presidente novo. A ilusão de que preside.

Por enquanto, Dilma foi presidida pela própria hesitação e pelos interesses contraditórios que a rodeiam.

Com a volta do Congresso, vai-se descobrir o que a oposição pretende fazer com ela. Antes, PSDB e DEM terão de decidir o que fazer consigo mesmos.

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Escrito por Josias de Souza às 08h28

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As manchetes deste domingo

- Globo: Redução de favelas no Rio é do tamanho de 47 Maracanãs

- Folha: Ação de ditador falha, e protesto cresce no Egito

- Estadão: Protestos aumentam e Egito conta 100 mortos em um dia

- Correio: Chuvas deixam quase 100 mil desabrigados

- Estado de Minas: Dinheiro público para jovem enriquece empresário mineiro

- Jornal do Commercio: Investimentos para qualquer bolso

- Zero Hora: Crise corrói ditadura de 30 anos no Egito

-Veja: A reinvenção do bom-mocismo

- Época: O guia essencial dos imóveis

- IstoÉ: O novo astro da fé

- IstoÉ Dinheiro: Parei

- CartaCapital: A convulsão árabe

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h47

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Último desejo!

Duke

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Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Brasil observa a crise do Egito com um olho nos EUA

Khaled Desouki/AFP

Os operadores de política externa de Dilma Rousseff observam com óculos bifocais a convulsão social que rói a autoridade do ditador egípcio Hosni Mubarak.

Com o pedaço da lente que corrige a visão de curta distância, Brasília olha para o Cairo. Com a parte que permite enxegar ao longe, repara em Washington.

O repórter ouviu uma das vozes que levam aos tímpanos de Dilma análises sobre o terremoto que sacode as ditaduras árabes e que atingiu o ápice no Egito.

Vai abaixo um resumo do miolo do pensamento do governo brasileiro acerca do que ainda está por acontecer:

  

“Nos últimos 30 anos, a Casa Branca cevou a bomba social do Egito. Por um desses azares do destino, o artefato estourou no colo de Barack Obama...”

“...Parte do problema, a Casa Branca tenta tornar-se parte da solução. Quando explodiram os protestos, os EUA imaginavam que o futuro incluía Mubarak...”

“...Coube a Hillary Clinton resumir o sonho. Ela disse que o governo egípcio, ainda estável, lograria atender aos interesses legítimos de seu povo...”

“...O ditador acionou sua máquina de repressão, custeada com verbas americanas. Cortou internet e celular. Decretou toque de recolher e liberou os tanques...”

“...As ruas do Egito continuaram cheias. Soldados passaram a oscilar entre a coerção e a confraternização com a turba rebelada...”

“...Em poucas horas, a ficha de Washington começou a cair. Em novas falas, Hillary e o próprio Obama ajustaram o tom...”

“...Passaram a cobrar o comedimento do ditador e a realçar a legitimidade das mágoas que nutrem a revolta da sociedade egípcia. Perceberam que o futuro não inclui Mubarak...”

“...De repente, a Casa Branca começou a brandir a ameaça de cortar parte do US$ 1,8 bilhão que despeja anualmente sobre a máquina militar egípcia...”

“...O fechamento da torneira parece inevitável, mas não apaga o passado. Na era da internet e do WikiLeaks, a sujeita virá à tona cedo ou tarde...”

“...É impossível manter debaixo do tapete a íntima parceria monetária da democracia norte-americana com a ditadura conveniente do Egito...”

“...Entornando-se o caldeirão, do caldo pode emergir não a democracia, mas uma teocracia islâmica. O fantasma de um novo Irã é, hoje, o pesadelo de Obama.

- Aqui, as penúltimas informações vindas do Egito.

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Escrito por Josias de Souza às 01h09

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Lula marca a ‘reencarnação’ para depois do Carnaval

Marcello Casal/ABr

Nas últimas 48 horas, Lula foi brindado com duas homenagens. Ambas em Minas Gerais.

Na sexta (28), recebeu o título de doutor honoris causa na Universidade Federal de Viçosa. Neste sábado (29), apalpou uma comenda na cidade de Ubá.

Rodeado de repórteres, o ex-soberano fez algo inusual. Lula segurou a língua. Com gravadores e microfones a roçar-lhe os lábios, justificou-se:

"É a minha primeira atividade depois que eu deixei a Presidência. Eu, na verdade, não quero ter atividade até março, vou esperar o Carnaval...”

“...A companheira Dilma está montando o seu time e eu preciso desencarnar da Presidência. Então, quanto mais quieto eu ficar, quanto menos eu falar, melhor será para todos nós".

Disse que, passado o eco dos surdos, vai "reencarnar como cidadão brasileiro".

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Escrito por Josias de Souza às 21h43

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Gim Argello pendura churrascada na ‘bolsa’ da Viúva

José Cruz/ABr

Gim Argello (DF), o líder do PTB no Senado, reuniu aliados políticos, servidores públicos e amigos para uma churrascada.

Deu-se em outubro de 2009, na ‘Espeto de Ouro’, uma elegante casa de carnes de Brasília. Terminado o repasto, a conta de picanhas e bebidas somou R$ 7.360.

No mês seguinte, dezembro de 2009, Gim empurrou o espeto para dentro da bolsa da Viúva, veneranda e desprotegida senhora.

O senador converteu a comilança em despesa de representação. Lançou mão da chamada “verba indenizatória” do Senado.

É nessa rubrica que os congressistas penduram as despesas decorrentes do exercício de seus mandatos.

Cobre gastos com hospedagens, locação de veículos e aeronaves, combustíveis, segurança privada, consultorias e divulgação.

O custeio de churrascadas não encontra amparo legal. Procurado pela revista Época, na semana passada, Gim saiu-se com a esfarrapada desculpa: Não sabia.

Mandou dizer: “Desconhecia o pagamento dos gastos deste evento e já devolveu o dinheiro aos cofres do Senado”.

O senador levou a mão ao bolso com um ano e três meses de atraso. Mexeu-se depois que o repasto coletivo virou notícia.

Não fosse por isso, Gim teria exercido o mais saboroso dos privilégios: o direito de torrar o dinheiro alheio.

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Escrito por Josias de Souza às 20h34

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Ministro dos Transportes: ‘Malfeito há em todo lugar’

  Antônio Cruz/ABr
De passagem pelo Rio Grande do Norte, o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) foi inquirido sobre as denúncias de corrupção no escritório local do Dnit.

“Não sou fiscal. Eu sou ministro de Estado. [...] As falhas e malfeitos existem em todos os lugares”, disse ele.

Em novembro de 2010, a PF levou ao asfalto a ‘Operação Via Épia’. Prendeu sete pessoas. Realizou nove batidas de busca e apreensão de documentos.

O inquérito apura desvios de pelo menos R$ 2 milhões em obras de duplicação de uma rodovia, a BR 101. Um empreendimento do PAC.

Entre os encrencados está Fernando Rocha, superintendente afastado do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Investiga-se também o engenheiro Gledson Maia. Foi preso em flagrante, num restaurante de Natal.

Os agentes pilharam Gledson no instante em que almoçava com um empresário. Sobre a mesa, uma mala com R$ 50 mil –propina, segundo a PF. Ele nega.

Gledson trabalhava no Dnit por indicação do tio, o deputado federal João Maia (PR-RN). No Estado, Maia é a principal estrela do PR, partido presidido por Nascimento.

Um dos compromissos do ministro no Rio Grande do Norte foi uma vistoria em trecho da BR 101, a rodovia que a PF esquadrinha.

No domingo passado (23), submetido a chuvas fortes, um pedaço da rodovia afundou. Abriu-se uma cratera.

Pois bem. O ministro vistoriou o buraco tendo a tiracolo o deputado João Maia, o tio do engenheiro acusado de morder empresários.

A despeito disso, Nascimento sentiu-se à vontade para defender o seu partido. Disse coisas assim: “As pessoas não têm nada a ver com a vinculação que elas tenham”.

Ou assim: “O PR é responsável pelo Ministério dos Transportes e eu sou ministro e presidente nacional do partido...”

“...Agora quando se pratica o malfeito, se pratica em qualquer atividade profissional. Se o jornalista praticar um malfeito, você se responsabiliza pelo malfeito que ele fez, sendo jornalista? Claro que não”.

Leia abaixo trechos da entrevista de Nascimento:

- A vinda do sr. ao Estado também é para fiscalizar essa questão de denúncias de superfaturamento em obras do Dnit no RN? Não sou fiscal. Eu sou ministro de Estado. Não era ministro quando isso ocorreu. Não vou  permitir que ocorra esse tipo de problema. Se ocorrer, o responsável sera demitido. As falhas e malfeitos existem em todos os lugares.

- Mesmo com essa investigação, o  consórcio de empresas continua executando as obras da BR-101? Os recursos são do Ministério dos Transportes e as empresas contratadas estão executando a obra, que no contrato tem prazo de conclusão previsto para agosto de 2011. [...] As obras estão sob controle. [...] Quanto ao rompimento da BR-101 isso foi uma fatalidade e nós viemos aqui  atendendo pedido da governadora [Rosalba Ciarlini] com ação imediata para ter uma solução definitiva...”

- Qual a posição do PR em relação a essa investigação no Dnit do RN? As pessoas não têm nada a ver com a vinculação que elas tenham. O PR é responsável pelo Ministério dos Transportes e eu sou ministro e presidente nacional do partido. Agora, quando se pratica o malfeito, se pratica em qualquer atividade profissional. Se o jornalista praticar um mal feito, você se responsabiliza pelo malfeito que ele fez, sendo jornalista? Claro que não. Não podemos prejulgar e culpar todos os componentes do  PR, se um componente do PR pratica malfeito. Assim a gente estaria generalizando. Isso acontece... Tem gente boa e gente ruim em tudo o que é lugar. Mas, independentemente de ser do partido, se fez errado, sai.

Alfredo Nascimento segue o manual. Ocupa um ministério prenhe de obras em nome de seu partido. Abre os órgãos de sua pasta à ocupação companheira.

No instante em que pipoca um escândalo, diz que os malfeitos estão "em todo lugar" e que “as pessoas” do partido “não têm nada a ver” com coisa nenhuma.

De quebra, o ministro desfila na borda do abismo ciceroneado pelo deputado que empurrou para dentro da máquina um sobrinho-problema. Uma beleza.

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Escrito por Josias de Souza às 18h50

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Triste com o Brasil? Tolice, tem coisa bem pior lá fora

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Escrito por Josias de Souza às 18h00

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Acionada pelo Planalto, UnB ‘investiga’ trote sexista

Luiz Filipe Barcelos/UnB Agência

Há 19 dias, produziram-se nas dependências da UnB (Universidade de Brasília) cenas que resultaram num pedido de explicações da Presidência da República e na abertura de uma sindicância.

Alunos veterenos da Faculdade de Agronomia e Veterinária submeteram um grupo de calouras a um trote aviltante. Sucedeu o seguinte:

Presidente do Centro Acadêmico de Agronomia da UnB, Caio Batista comandou a “recepção” às alunas. Deu-se por volta das dez horas da manhã de 11 de janeiro.

Caio vestia trajes femininos. Recobria-lhe o torso um pedaço de pano assemelhado a uma faixa presidencial. Segurava uma lingüiça.

Despejava sobre a peça camadas de leite condensado. Formadas em fila, as calouras foram instadas a levar a lingüiça à boca, chupando-a.

Ao redor, cerca de 250 universitários se divertiam com a humilhação alheia. O trote não é original. Repete-se ano após ano.

Os veteranos alegam que a coisa é consentida. Só participa quem quer. Não haveria, portanto, o aviltamento que as imagens sugerem.

Dessa vez, porém, a ignomínia ganhou contornos de denúncia. Foi à Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República um relato do ocorrido.

O texto chegou ao Palácio do Planalto acompanhado de fotos como as que ilustram essa notícia. Imagens captadas pela própria agência noticiosa da UnB.

O material foi à mesa de Ana Paula Gonçalves, ouvidora da Secretaria de Políticas para Mulheres. Ela tomou duas providências.

Remeteu um ofício ao Ministério Público, requerendo providências. Endereçou uma segunda correspondência à reitoria da UnB. Cobrou explicações.

No texto, a ouvidora Ana Paula anotou: “As calouras foram submetidas a uma encenação que incita ao sexo oral, ridicularizando e desrespeitando as mulheres”.

Premido pelas evidências, o reitor José Geraldo de Souza Jr. viu-se compelido a requerer explicações ao diretor da Faculdade de Agronomia, Cícero Lopes.

O reitor escreveu ao diretor: “As fotos traduzem atos de violência e discriminação contra as mulheres...”

“...Elas mostram a diminuição da dignidade e violam a ética da convivência comunitária”.

Tomado pelas palavras de seu despacho, o doutor José Geraldo parecia desconhecer a prática. São velhas e repetitivas, contudo. Ele as conhece há muito.

Conforme já noticiado aqui, a UnB hesita em punir os responsáveis pelos trotes sujos praticados reitadamente em seu campus.

Acossada pelo pedido de explicações que traz a logomarca da Presidencia da República, a reitoria fez por pressão o que não fizera por obrigação.

Aberta nesta sexta (28), a sindicância correrá por 30 dias. Não há, porém, segurança quanto à punição dos responsáveis pelo trote da lingüiça.

Em entrevista à agência de notícias da universidade, o reitor José Geraldo soou dicotômico. Primeiro, rendeu homenagens ao obvio:

"A prática excedeu aquilo que consideramos regras de convivência. Concordo com a Secretaria de Políticas para Mulheres e acredito que houve agressão à dignidade".

Depois, servindo-se de lero-lero que conduz à inação, o reitor esclareceu que a sindicância não tem o propósito de demonizar os veteranos:

"Somos uma instituição educadora. Devemos criar punições educadoras e transformar essas práticas”. Não esmiuçou o que seria uma punição educadora.

Perguntou-se ao professor Cícero Lopes, o diretor da Faculdade de Agronomia, quais seriam as punições aos veteranos da lingüiça.

E ele: "Não há como saber quais são as punições. Isso depende das investigações da sindicância".

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Uma simples corrida d’olhos pelas fotos elimina até o benefício da dúvida.

Caio Batista, o presidente de centro acadêmico que empunhou a linguiça, estranhou que o episódio houvesse extrapolado as fronteiras da universidade:

"Só passa pelo trote quem quer. Quem se sente prejudicado deve resolver isso aqui, e não fora".

Um detalhe desafia a tradicional letargia da UnB diante dos trotes. O Planalto acionou o Ministério Público.

Um órgão integrado por procuradores cuja única atribuição é procurar. Decerto não terão dificuldades para achar.

De resto, os veteranos da UnB como que dão de ombros para a nova conjuntura política da Capital.

Hoje, a Presidência da República veste saias. E detesta humilhações. Sobretudo quando praticadas contra mulheres.

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Escrito por Josias de Souza às 06h47

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Contra Sarney, PSOL lança 'anticandidato' no Senado

Jane Araújo/Ag.Senado

Dono de uma bancada de dois senadores, o PSOL decidiu “disputar” com o grão-pemedebê José Sarney a presidência do Senado.

Chama-se Randolfe Rodrigues o postulante do PSOL. Elegeu-se pelo Amapá, o mesmo Estado que mandou Sarney ao Congresso.

“Uma segurança nós já temos: o próximo presidente do Senado será do Amapá”, ironiza Randolfe.

Ciente de suas limitações, o novato do PSOL se autodefine como um “anticandidato”. Compara-se a um velho ícone do ex-PMDB:

“Nós carregamos o simbolismo de uma anticandidatura. Navegamos nas mesmas águas que Ulysses Guimarães navegou”.

Formado em História, o senador Randolfe alude um verbete da enciclopédia referente a 1973, ano em que o Brasil respirava os ares da ditadura.

Nessa época, Ulysses liderava um PMDB que ainda se chamava MDB. Sarney militava na Arena, o partido do regime militar.

Ulysses lançou-se na corrida presidencial. Sabendo-se derrotado, discursou assim na convenção do MDB, em 23 de setembro de 1973:

"Não é o candidato que vai percorrer o país, é o anticandidato, para denunciar a antieleição, imposta pela anti-Constituição".

O general Ernesto Geisel prevaleceria sobre Ulysses no colégio eleitoral por 400 votos contra 75.

Mal comparando, dá-se coisa parecida no Senado de 2011. Sarney, agora um morubixaba do PMDB, tornou-se, por assim dizer, um candidato fluvial.

Todos os partidos com assento na Casa escoaram, em movimento lerdo e passivo, para o colo de Sarney.

Não fosse a decisão do PSOL de nadar contra a maré, Sarney seria unanimidade. “Pelo menos dois votos nós teremos”, diz Randolfe.

Sua conta inclui, além do próprio voto, o de sua única colega de bancada, a recém-eleita Marinor Brito (PSOL-PA).

“A anticandidatura não é um gesto fortuito, impõe responsabilidades”, diz Randolfe. Mirando-se em Ulysses, o PSOL deseja como que denunciar uma “antieleição”.

Além do canudo de historiador, Raldolfe é bacharel em Direito e mestre em ciência política. Embora neófito nas artimanhas do Senado, parece dominar a simbologia da Casa.

Ele resume assim a mensagem de seu partido: “Nos últimos quatro anos, o Senado viveu uma gravíssima crise ética e moral...”

“...Seria importante que os senadores sinalizassem para a sociedade alguma preocupação com a mudança. Nós não acompanharemos a maioria”.

Sarney caminha para a tetrapresidência sem o inconveniente de ter de debater um programa para sua “nova” gestão.

Para diferenciar-se, Randolfe esgrime uma plataforma que, no mínimo, lembrará aos 81 senadores que, se quisessem, teriam o que fazer. Consiste em quatro pontos:

1. Autonomia: “O Senado tem de ser protagonista da cena política, independente e autônomo. Não pode ser Casa de recepção de medidas provisórias. As que forem aceitas, tem de respeitar os preceitos constitucionais de relevância e urgência”.

2. Fiscalização: “O Senado, assim como a Câmara, tem a obrigação de exercer a nobre atribuição constitucional de fiscalizar os atos do Poder Executivo”.

3. Ética: “O Senado não pode fingir que nada aconteceu. A Casa tem de passar por uma profunda reforma ética: transparência de todos os atos e nomeações, contas na internet, tudo submetido ao controle público”.

4. Reformas: “Queremos agilizadar as reformas política e tributária. Não reformas de interesse dos políticos, mas da sociedade. O Congresso não pode ser presa do Executivo. Sua agenda tem de ser a agenda do Brasil”.

Segundo Randolfe, o PSOL não é movido a caprichos. O partido se dispõe a apoiar “outro candidato mais viável, que encarne a mudança”.

Nesta sexta (28), o próprio Randolfe abriu diálogo com colegas de outras legendas. Procurou Lindberg Farias (PT-RJ) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Egresso do movimento estudantil, Randolfe conhece Lindberg da UNE. Os dois pintaram a cara e foram ao asfalto pelo impeachment de Fernando Collor.

Hoje, porém, Lindberg está noutra. Integra uma megacoligação que inclui Collor e, sobretudo, Sarney. Disse que não tem como divergir da posição oficial do PT.

Cristovam, ficou de fazer consultas. A legenda dele, o PDT, compõe a mesma supercoligação. Seu mandachuva, Carlos Lupi, chefia o Ministério do Trabalho.

“Se o diálogo não prosperar, o PSOL terá candidato. Está resolvido”, diz Randolfe, em timbre peremptório.

Sabe que não tem a mais remota chance de prevalecer sobre o candidato fluvial. Mas deseja borrifar na corrente pró-Sarney palavras incômodas:

“No mínimo, o Senado teria de fazer uma autocrítica. Tudo está acontecendo como se nada de extraordinário tivesse ocorrido aqui. A sociedade espera mais”.

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Escrito por Josias de Souza às 03h40

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As manchetes deste sábado

- Globo: A revolta do mundo árabe - Egípcios desafiam tanques e ditadura de 30 anos balança

- Folha: Rebelião abala ditadura no Egito

- Estadão: Protestos crescem e ditador do Egito mobiliza Exército

- JB: De cara para o perigo

- Correio: Justiça liberta Adriana outra vez

- Estado de Minas: Negligência provoca nova tragédia no anel

- Jornal do Commercio: Ousadia e 20 reféns em assalto a Caixa

- Zero Hora: Rebelião no Egito

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h40

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Cadeira cativa!

Sinfrônio

- Via Diário do Nordeste. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Em MT, Procuradoria denunciou 'aloprado' e mais 27

  Antônio Gaudério/Folha
O Ministério Público Federal no Mato Grosso encaminhou à Justiça Federal, nesta sexta (28), denúncia contra 28 pessoas.

Há na lista políticos, empresários e servidores públicos. Chama-se Valdebran Padilha o acusado mais ilustre.

Vem a ser um dos “aloprados” do escândalo do dossiê antitucanos, que o PT tentou comprar na campanha presidencial de 2006.

Valdebran (na foto), era um dos “aloprados” presos pela PF num hotel de São Paulo. Com ele, o dinheiro que seria usado na compra do dossiê.

No caso de Mato Grosso, Valdebran e um irmão, Waldemir Padilha, são acusados pela Procuradoria de integrar o “núcleo empresarial” de um esquema de fraudes.

Desviaram-se verbas federais de duas arcas penduradas no organograma do Ministério da Saúde.

Uma delas é a Funasa (Fundação Nacional de Saúde). A outra, o FNS (Fundo Nacional da Saúde).

Na conta do Ministério Público, desviaram-se por meio de licitações e contratos fraudulentos “mais de R$ 3 milhões”.

Além do “núcleo empresarial”, a “quadrilha” era formada por outros dois agrupamentos.

Num, agiam os políticos, informa a Procuradoria. Todos “membros do diretório do PMDB” matogrossense. Compunham “a cúpula da organização criminosa”.

Esse grupo, anota a denúncia, “possui a força de indicar pessoas para os cargos e funções de confiança". Gente que integrou o esquema.

Na outra ponta, movia-se “o núcleo burocrático”. Era composto de “membros das comissões de licitação, servidores públicos...”

“...E agentes de diversos setores da administração pública direta e indireta”. Cuidavam da parte burocrática das fraudes e liberava os pagamentos.

De acordo com a denúncia, os malfeitos começaram a ser praticados em 2000, na “Era FHC”. E se prolongaram até 2009, já sob Lula.

A investigação começou em 2006. Abriu-se um inquérito na Polícia Federal. Nessa época, apuravam-se fraudes em obras tocadas com verbas da Funasa.

Em 2008, a PF abriu novo inquérito. Autorizada pela Justiça, a polícia grampeou telefones.

Em abril de 2010, foi ao meio-fio a Operação Hygéia. Executaram-se 35 mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão de computadores e documentos.

As prisões, por temporárias, foram relaxadas. O material apreendido recheou os inquéritos que resultaram na denúncia desta sexta.

A peça chega num instante em que o governo, agora sob Dilma Rousseff, distribui os cargos situados no segundo escalão da máquina estatal.

Entre esses cargos estão as repartições da Saúde, com especial destaque para a Funasa. O órgão é disputado por PMDB e PT.

Nas dobras do processo de Mato Grosso, pululam evidências de que esse tipo de briga é uma espécie de luta de boxe em que o contribuinte entra com a cara.

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Escrito por Josias de Souza às 00h32

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Eduardo Campos desiste de privilégio aos jornalistas

O governador Eduardo Campos (PE) desistiu do projeto que daria a jornalistas o “direito” de pagar meia-entrada no cinema, teatro e casas de espetáculo.

O tema foi abordado aqui, na tarde desta sexta (28). A propósito do texto, o governador pernambucano informou:

1. Recebera um “pedido formal” do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco para que enviasse à Assembléia Legislativa o projeto de lei.

2. Imaginara que a reivindicação da meia-entrada fosse “consensual” entre os jornalistas.

3. Em princípio, parecera-lhe “coerente” que jornalistas tivessem facilitado o acesso a "bens culturais". A meia-entrada, disse ele, já é assegurada a professores.

4. Ao constatar que não há consenso sobre a matéria, Eduardo Campos anunciou: “Decidimos suspender o envio do projeto à Assembleia”.

Bom, muito bom, excelente. Do modo como a coisa estava posta –jornalistas pedem e governo atende— ficara a impressão de que uma mão suja a outra.

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Escrito por Josias de Souza às 22h58

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Waldomiro Diniz virou réu por ‘extorsão’ e ‘corrupção’

Bruno Stuckert/Folha

Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil no primeiro mandato de Lula, virou réu em ação penal que corre na Justiça Federal do DF.

O juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara do DF, aceitou denúnca formulada pelo Ministério Público.

Além de Waldomiro, foram ao banco de réus outros sete acusados. Entre eles o advogado Rogério Buratti, velho conhecido de Antonio Pallocci.

A denúncia aceita pelo juiz refere-se a um escândalo de 2003, primeiro ano de Lula. Envolve a multinacional GTech.

De acordo com a Procuradoria, a empresa tentava, desde 2002, renovar um contrato que mantinha com a Caixa Econômica Federal.

A GEtch processava as loterias da Caixa. A instituição, porém, decidiu romper o contrato. Julgava-se em condições de executar o serviço por conta própria.

Sob o risco de perder um negócio que lhe rendia R$ 22 milhões por mês, a GEtch montou, no dizer da Procuradoria, uma “operação de guerra”.

No alvorecer do governo Lula, a multinacional achegou-se a pessoas que poderiam influir nos rumos do negócio.

A denúncia recepcionada pela Justiça anota que Waldomiro Diniz era a “peça mais relevante do esquema” montado pela GEtch.

A empresa chegou a Valdomiro, à época um assessor da equipe do então ministro José Dirceu (Casa Civil), por intermédio de Carlos Augusto Ramos.

Trata-se de um empresário do ramo de jogos. Chamado de Carlinhos Cachoeira, conhecera Waldomiro no Rio.

Na época, Waldomiro era presidente da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro). Em cena filmada, recebeu propina de Carlinhos.

Exposta na TV, a cena virou notícia e resultou num escândalo que forçou o governo Lula a afastar Waldomiro da Casa Civil.

Segundo a Procuradoria, Waldomiro não tardou a se interessar pelo negócio proposto pela GTech. Comprometeu-se a defender os interesses da empresa na gestão Lula.

Diz a denúncia: Ele “tinha por hábito cobrar propina e assim buscava nova fonte de recursos”.

No caso específico, a propina oferecida a Waldomiro e aos outros demais participantes do esquema variava de R$ 500 mil a R$ 20 milhões.

A cifra seria calibrada, segundo a Procuradoria, conforme o prazo de renovação e o desconto do contrato da GTech com a Caixa.

Além de Waldomiro, foi seduzido pela GTech o advogado Buratti. Ele trabalhara com Antonio Palocci na época em que o petista era prefeito de Ribeirão Preto.

Palocci era ministro da Fazenda, uma pasta cujo organograma inclui a Caixa. Buratti foi acionado para defender a GEtch junto ao amigo-ministro.

Afora Waldomiro, Carlinhos Cachoeira e Buratti, viraram réus os dirigentes da GTech Brasil na época da encrenca.

São eles: Antônio Carlos da Rocha, Marcos Tadeu de Oliveira Andrade e Marcelo Rovai.

A lista inclui, de resto, um advogado da multinacional, Enrico Giannelli; e o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social, Fábio Rolim.

A denúncia do Ministério Público havia sido protocolada na 10ª Vara Federal do DF no dia 20 de setembro do ano passado.

A decisão do juiz Ricardo Leite, tomada na quinta (27), foi divulgada no portal do Ministério Público Federal nesta sexta (28).

Os oito réus responderão, conforme a participação de cada um, pela prática de três crimes:

São eles: concussão (extorsão praticada por funcionário público), corrupção ativa e passiva e estelionato.

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Escrito por Josias de Souza às 21h45

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Dilma fala grosso com centrais: mínimo é de R$ 545

  Jorge Araújo/Folha
De passagem por Porto Alegre, Dilma Rousseff subiu o tom no debate sobre o valor do novo salário mínimo.

Disse que o governo vai manter os R$ 545 que já propôs. Considerou, de resto, que “não é correta” a vinculação do mínimo com a tabela do IR.

Dilma fala grosso dois dias depois de o ministro Gilberto Carvalho (Secretaira-Geral da Presidência) ter recebido representantes das centrais sindicais.

Apoiadores de Dilma na eleição de 2010, os sindicalistas tentam cobrar a fatura em 2011. “Exigem” que o governo eleve o mínimo para R$ 580.

Dilma evoca o acordo celebrado por Lula com as centrais em 2007. Previa que o mínimo seria reajustado pela inflação, mais o PIB dos dois anos anteriores.

A crise financeira global roeu o PIB de 2009. Daí o reajuste mixuruca. Dilma recorda que, mantido o acordo, o próximo reajuste será melhor. Ela cobra coerência:

"O que queremos saber é se as centrais querem ou não a manutenção do acordo no período do nosso governo. Se querem, o que nós propomos para esse ano é R$ 545".

Quanto à tabela do IR, as centrais pedem a correção pela inflação de 2010: 6,47%. Carvalho acenou com 4,5% (centro da meta inflacionária para 2011).

No vácuo de Carvalho, Guido Mantega (Fazenda) soou noutra direção. O governo, disse ele, não estuda correção da tabela do IR.

Ficou a impressão de que, expressando-se em português, os ministros falaram línguas diferentes.

Sobre a matéria, Dilma roncou: "Jamais damos indexação inflacionária, por isso não concordamos com o que saiu nos jornais”.

Disse que o reajuste da tabela, “se houvesse”, jamais poderia levar em conta a inflação pretérita.

“Teria sempre que olhar não a inflação passada, porque isso seria carregar a inércia inflacionária para dentro de uma questão essencial que é o Imposto de Renda..."

"...O que foi dado sempre foi uma mudança baseada na nossa expectativa de inflação futura, que é o centro da [meta da] inflação, os 4,5%".

Dilma negou que Carvalho e Mantega estejam em desacordo. Insinuou que, ao negar os estudos, o titular da Fazenda quis dizer que não topa os 6,47%, mas os 4,5%.

A presidente também disse que a negociação com as centrais está “apenas começando”.

Diante das balizas que fixou, a menos que venha a afinar o tom de voz, Dilma atribui ao começo uma atmosfera de fim de linha.

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Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Mantega: ‘Velhos ortodoxos’ do FMI falam ‘bobagens’

O ministro Guido Mantega (Fazenda) achegou-se aos refletores para contestar relatório divulgado pelo FMI sobre a deterioração das contas do Brasil.

O Fundo vaticionou que, em 2011, o déficit nominal das contas públicas brasileiras será de 3,1% do PIB.

Por quê? Segundo a entidade, a deterioração nas contas fiscais brasileiras é "particularmente pronunciada".

Em resposta, Mantega serviu-se da ironia. Disse que o diretor-gerente do FMI deve ter tirado férias.

Na ausência dele, os “velhos ortodoxos” do FMI produziram o documento. “O pessoal lá se distraiu e falou essas bobagens em relação ao Brasil”.

De resto, Mantega puxou seus próprios búzios. Previu que o déficit nominal das contas do Brasil ficará ao redor de 1,8% do PIB em 2011.

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Escrito por Josias de Souza às 17h51

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Em PE, governo propõe meia-entrada para jornalistas

  Ricardo Stuckert/PR
O governador Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, enviou à Assembléia Legislativa do Estado um projeto inusitado.

Assinado na noite desta quinta (27), dá aos jornalistas pernambucanos o “direito” de pagar apenas meia-entrada nos eventos culturais.

Vale para teatros, cinemas e todo tipo de casas de espetáculo. Em texto levado à web, o governo esclarece: a ideia partiu do sindicato dos jornalistas.

Repetindo: o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco pediu ao governo do Estado que enviasse à Assembléia projeto que institui privilégio aos jornalistas.

Ouça-se, por oportuno, a “jornalista” Cláudia Eloi, presidente do sindicato pernambucano:

“Não é uma questão de privilégio. A gente entende que o jornalista tem de ter acesso à informação”. Achou esquisito? Calma. Há mais.

O projeto encampado por Eduardo Campos anota: para usufruir do desconto de 50%, o jornalista terá de ser sindicalizado. Estranho? Calma. Há pior.

Só farão jus ao mimo os profissionais que estiverem em dia com a caixa registradora do sindicato.

Está-se diante de um espetáculo que vale a entrada com preço cheio. Repare: o sindicato pernambucano conta em 2.000 os seus filiados.

A grossa maioria –cerca de 1.500— dá de ombros para a entidade. Apenas 500 pagam as contribuições regularmente. Beleza.

A companheira Cláudia Eloi não consegue levar ao palco um desempenho capaz de animar o seu próprio público a pagar a mensalidade.

Para reverter o quadro de penúria que a rodeia, a mandachuva do sindicato quer tornar-se sócia de bilheterias alheias.

A jabuticaba pernambucana entra em cartaz numa hora em que arde no noticiário o caso das aposentadorias especiais de ex-governadores. Feliz coincidência.

Fica demonstrado que, uma vez que o privilégio é institucionalizado, a desfaçatez vira religião.

O governador Eduardo Campos faria melhor se enviasse à Assembléia uma proposta de reforma da Constituição estadual.

Faltando-lhe inspiração, pode recorrer ao historiador Capistrano de Abreu (1853-1927), um cearense ilustre que concluiu sua formação universitária no Recife.

Capistrano idealizou para o Brasil um projeto de Constituição simplificada que casa bem com a situação. A peça tinha dois escassos artigos:

- Artigo 1º: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara.

- Artigo 2º: Revogam-se as disposições em contrário.

Nada mais vergonhoso do que o privilégio. Em condições normais, jornalistas fazem manchetes para aboli-los.

Não em Pernambuco. Ali, os jornalistas parecem dispostos a fazer uma revolução silenciosa por uma boquinha.

Vale a pena ouvir de novo a companheira Cláudia Eloi: “Não é uma questão de privilégio. A gente entende que o jornalista tem de ter acesso à informação”.

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Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Governo já deu pensão a sete trinetos de Tiradentes

A pretexto de render homenagens à memória de Tiradentes, o governo brasileiro levou à forca o pescoço da Viúva.

A ditadura militar criou, em 1969 a ‘Bolsa Tiradentes’.

Destinava-se a brindar com aposentadorias vitalícias os "últimos três trinetos" do mártir da Independência.

Responsável pela restituição da memória da prebenda, o repórter Bernardo Mello Franco conta, na Folha:

Súbito, outros beneficiários foram brotando do nada.

Nas pegadas dos "últimos três" surgiram mais quatro descendentes de Tiradentes.

Comprovaram o parentesco e tornaram-se beneficiários da pensão –dois sob Sarney; uma sob FHC.

Decorridos 42 anos desde a instituição do mimo, uma ancestral do alferes continua apalpando a aposentadoria até hoje: a tetraneta Lúcia de Oliveira Menezes.

A despeito do baixo valor –dois salários mínimos—, o benefício desperta cobiça inaudita. Lúcia tem duas irmãs. Ambas cogitam requerer a pensão.

Não são as únicas. Descobriu-se que a árvore genealógica de Tiradentes é inacreditavelmente frondosa.

Lúcia avisa que tem algo como 200 parentes da mesma geração. "Tenho primo para tudo quanto é canto”, diz ela. “Eu acho que eles têm direito também".

Lucia receia que, além da parentela genuína, aproveitadores tentem tirar proveito da valiosa memória do mártir:

"Tem gente que gosta de se aproveitar, né? Mas eu acho difícil. A Justiça é lenta, mas não é injusta".

Vem de longe, como se vê, a cultura do privilégio que converteu o Brasil em empreendimento unifamiliar. Os ex-governadores "vitalícios" apenas aperfeiçoaram a técnica.

Quanto ao barulhinho que você ouve ao fundo, não se preocupe. É apenas o ruído dos pedaços de Tiradentes revirando na cova.

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Escrito por Josias de Souza às 07h03

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Dilma compara, em discurso, o nazismo às ditaduras

Ricardo Stuckert/PR

Dilma Rousseff participou na noite passada, em Porto Alegre, de cerimônia em memória das vítimas do holocausto.

Ao discursar, a presidente fez uma analogia entre a barbárie imposta pelo nazismo aos judeus e a tortura infligida pelas ditaduras.

Torturada pelo regime militar, Dilma acomodou num mesmo balaio os campos de concentração e os porões dos regimes de exceção:

"Lembrar Auschwitz-Birkenau é lembrar todas as vítimas de todas as guerras injustas, todas as ditaduras que tentaram calar seres humanos".

Minutos antes, fora ao microfone o presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil), Claudio Lottenberg. Voltando-se para Dilma, ele disse:

“A senhora, presidente, sabe melhor que todos o que significa ser torturada, [...] o que este tipo de agressão pode significar para alguém, por mais que sobreviva".

Dilma pronunciou uma frase que fez lembrar entrevista que concedera ao diário 'Washington Post', logo depois da posse.

Na ocasião, inquirida sobre a parceria que Lula estabelecera com o Irã, ela afirmara que não concordava com as violações aos direitos humanos patrocinadas por Teerã.

No discurso da capital gaúcha, sem mencionar o Irã, a presidente declarou coisa parecida:

“É nosso dever não compactuar com nenhuma forma, qualquer que seja, de violação de direitos humanos –em qualquer país, aí incluído o nosso”.

Em entrevista concedida antes do início da cerimônia, Lottenberg havia festejado a distinção entre Dilma e Lula em relação à matéria.

O presidente da Conib declarou-se "feliz em saber que a presidente [Dilma] tem posição diferente daquela que o presidente Lula manifestou no passado".

Dilma desembarcou em Porto Alegre por volta das 20h, com atraso de cerca de uma hora. Falou para uma platéia eclética.

A audiência incluía de expoentes da comunidade judaica ao prefeito de São Paulo, o ‘demo’ Gilberto Kassab, na bica de filiar-se ao PMDB e de converter-se ao governismo.

- Serviço: Aqui, o vídeo com a íntegra do discurso de Dilma (16min51s).

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Escrito por Josias de Souza às 04h28

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As manchetes desta sexta

- Globo: Deputado ligado a Furnas ameaça PT com denúncias

- Folha: Reembolso de planos de saúde ao SUS encolhe

- Estadão: Desemprego é o mais baixo em 8 anos, mas inflação corrói renda

- JB: Meio ambiente vira caso de polícia

- Correio: Presa, de novo

- Valor: Rombo no PanAmericano vai a R$ 4 bi e BTG faz oferta

- Estado de Minas: Pedestres e motos causam maioria das mortes no anel

- Jornal do Commercio: Recife vai antecipar prevenção nos morros

- Zero Hora: Falta de mão de obra freia construção civil

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Imortal!

Frank

- Via 'A Notícia'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Com atraso de 8 anos, PSDB ‘exibe’ FHC na televisão

Folha

Oito anos e três sucessões presidenciais depois de ter deixado o Planalto, FHC será resgatado do "exílio" político que o tucanato lhe havia imposto.

Foi guindado à condição de protagonista do primeiro programa partidário do PSDB do ano de 2011 –dez minutos, em rede nacional de rádio e TV.

Vai ao ar na noite da quarta-feira (2) da semana que vem, em horário nobre. Além de estrelar a peça, FHC concebeu o roteiro.

Teve como conselheiro informal o publicitário Marcello Serpa, sócio da agência AlmapBBDO, um neófito em marketing político.

A aparição de Fernando Henrique Cardoso descerá à crônica do PSDB como uma espécie de expiação histórica da legenda.

Depois de amargar três derrotas presidenciais –2002, 2006 e 2010— o tucanato se deu conta de que o confinamento de FHC no armário foi um erro.

A contrição tardia chega depois que ruíram todas as alegações que justificaram a ocultação de FHC e de suas duas presidências.

O tucanato entrega-se agora ao exercício do remorso numa tentativa de atribuir utilidade política ao arrependimento.

Vai-se tentar traduzir para a linguagem das ruas as teses que FHC desfia em artigos que leva às páginas dos jornais em periodicidade mensal.

O miolo da mensagem realça um vocábulo caro a FHC: “processo”. Tenta-se demonstrar que o progresso do Brasil é obra coletiva.

Dito de outro modo: o PSDB venderá a tese de que o êxito de Lula começou a ser construído bem antes de 2003, num “processo” que traz as digitais de FHC.

Na prática, o tucanato esforça-se para construir um futuro a partir da reconstrução do seu passado. Vai, finalmente, assumir a ‘Era FHC’, da qual parecia envergonhar-se.

O ex-presidente achega-se à boca do palco num instante em que o PSDB se autoflagela numa guerra subterrânea. De um lado, José Serra. Do outro, Aécio Neves.

A maioria da legenda –FHC inclusive— enxerga em Aécio a melhor opção para 2014. Serra, porém, não se deu por achado.

O confronto não declarado manifesta-se nos procedimentos mais comezinhos da rotina partidária.

Materializou-se, por exemplo, há dois dias, numa reunião da bancada de deputados federais do PSDB.

No encontro, os deputados tucanos escolheram seu novo líder, Duarte Nogueira (SP), um político alinhado com o governador paulista Geraldo Alckmin.

Aproveitou-se o congraçamento da bancada para correr um abaixo-assinado em favor da recondução de Sérgio Guerra (PE) à presidência do PSDB federal.

Ouvido, Aécio pôs-se de acordo. Aconselhou a Sérgio Guerra que fosse obtido o assentimento de Alckmin.

Procurado, Alckmin enxergou certo açodamento na manobra. Mas não opôs obstáculos. Desceram ao papel 54 assinaturas.

A folha vai à Executiva do partido e à convenção de maio, quando serão escolhidos os novos dirigentes do PSDB, como sinalização da preferência da bancada.

Supreendido, Serra zangou-se. Estrilou em privado. Embora não admita em público, rumina a pretensão de presidir o PSDB. Algo que a infantaria de Aécio quer evitar.

Simultaneamente, inaugurou-se na bancada de senadores do PSDB um movimento em favor da acomodação de Tasso Jereissati no Instituto Teotônio Vilela.

A entidade se ocupa da formulação de análises e estudos que “orientam” o partido. Cogitara-se entregar o posto a Serra. Mas, sondado, ele refugou a cadeira.

Arrisca-se agora a ter de digerir a ascensão de Tasso (CE). Barrado nas urnas de 2010, o agora ex-senador é velho desafeto de Serra. Toca pela partitura de Aécio.

É sob essa atmosfera de franca conflagração que FHC recupera os refletores. Vai à TV e ao rádio como estrela solitária. Serra e Aécio não darão as caras no programa.

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Escrito por Josias de Souza às 23h21

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OAB abre ciclo de ações contra superaposentadorias

A OAB protocolou no STF duas ações contra aposentadorias de ex-governadores.

Numa, trata dos benefícios pagos pelo Paraná. Noutra, cuida de Sergipe.

Nas duas petições, a OAB sustenta que as leis estaduais que instituíram as pensões são inconstitucionais.

Uma tese que o Supremo já adotou em casos anteriores. O julgamento deve ser demorado.

Porém, as ações incluem pedidos de liminar. Se deferidos, o pagamento das pensões vai ao freezer.

Entre os beneficiários estão os senadores Álvaro Dias (PSDB) e Antonio Carlos Valadares (PSB), ex-governadores do Paraná e de Sergipe, respectivamente.

Nas próximas semanas, a OAB protocolará no Supremo outras ações. Pretende questionar as aposentadorias de todos os Estados que as pagam.

Em todo país, a prebenda sorve do bolso dos contribuintes pelo menos R$ 31,5 milhões anuais. Vão à conta de 135 pessoas –ex-governadores e viúvas.

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Escrito por Josias de Souza às 22h34

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Na vice-presidência do Senado, o PT vai fazer rodízio

  Marcelo Camargo/Folha
Entre Marta Suplicy e José Pimentel, o PT optou por ambos. A dupla vai à vice-presidência do Senado em sistema de rodízio.

Um ano para Marta, outro para Pimentel. Foi o modo que o petismo encontrou para pacificar a dupla, que estava em pé de guerra.

A mesma fórmula será adotada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Um ano para Delcídio Amaral. Outro para Eduardo Suplicy.   

Resta agora definir quem serão os primeiros. Algo que a bancada petista delegou aos interessados. A arenga vai acabar num par ou ímpar. 

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Escrito por Josias de Souza às 21h39

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Sarney sobre a sua tetrapresidência: ‘É um sacrifício’

No passado remoto, sacerdotes sacrificavam uma ou duas reses para satisfazer os deuses.

Hoje, José Sarney sacrifica-se a si próprio para satisfazer a si mesmo.

Ouça-se o que disse o eterno presidente do Senado sobre a tetrapresidência que seus pares estão na bica de lhe conceder:

"Não desejava ser presidente do Senado. Estou fazendo com grande sacrifício. [...] Busquei que encontrassem outra solução...”

“...Em face de o partido não ter encontrado, comuniquei ontem que ele podia e tinha concordância para submeter meu nome à bancada..."

"...É uma convocação. Nunca fui presidente do Senado senão por convocação. Nunca por vontade própria".

Nunca antes na história desse país um político oferecera à platéia prova de tamanho desapego. Vá ser altruísta assim lá no Maranhão. Ou no Amapá.

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Escrito por Josias de Souza às 20h07

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No retrovisor, boas notícias. No parabrisa, nem tanto

Orlandeli

Nesta quinta-feira (27) veio à luz uma profusão de estatísticas passadas e previsões futuras sobre a economia brasileira.

Os dados exibidos pelo retrovisor revelam um Brasil pujante. Os números mostrados no parabrisa antecipam um país assediado pelo risco.

A taxa de desemprego fechou o mês de dezembro em 5,3%, informa o IBGE. Na média anual, o índice ficou em 6,7% --o mais baixo em oito anos.

Enganchadas às taxas benfazejas vieram duas informações alvissareiras: cresceu o empego formalizado, com registro em carteira. E subiu a renda do trabalhador.

As conquistas detectadas pelo IBGE demarcam o final da Era Lula. Passado, portanto. Do futuro, ocuparam-se o Ipea e o FMI.

O instituto ligado ao governo prevê que a inflação de 2011 vai fechar acima do centro da meta oficial, que é de 4,5%.

O fundo internacional alterou para o alto sua estimativa para o déficit fiscal brasileiro: 3,1% do PIB –1,9 ponto percentual acima do que previra há dois meses.

O FMI anotou em seu texto que a “deterioração” das contas do país é “especialmente pronunciada”.

Às voltas com esses números, Dilma Rousseff falou aos repórteres no Rio. Em 27 dias, foi a terceira manifestação pública da presidente.

Ela falou sobre os esforços de seu governo para evitar que a cena do parabrisa se distancie da imagem do retrovisor.

Num instante em que a platéia aguarda pelo anúncio dos cortes orçamentários que o governo promete executar, Dilma ecoou Lula:

"Nós não vamos, nós não vamos –vou repetir três vezes— nós não vamos contingenciar o PAC".

Os investimentos, disse ela, não serão alcançados pela tesoura: "É óbvio que hoje nós temos um volume de obras que nunca tivemos antes. O Brasil mudou...”

“...Nós agora investimos. O investimento no tempo se espalha. Você começa uma coisa, vai continuando, começa outra outra e vai continuando. E cria-se um ciclo virtuoso".

Quanto à inflação, Dilma soou peremptória: "Nós vamos manter o controle da inflação...”

“...Nós não negociaremos com a inflação e nós vamos manter a economia crescendo sistematicamente". Repisou o compromisso de estreitar desigualdades:

"Um país rico, só é de fato rico, e podemos ser, se formos capazes de reduzir desigualdades regionais e sociais. Vamos em busca disso. É o que eu espero e pelo que eu vou lutar".

Dilma demora-se em converter lero-lero em ações práticas. Programara os cortes para a primeira quinzena de janeiro. E nada.

Agora, a Fazenda e o Planejamento programam o anúncio para fevereiro. É quando o país saberá se pode ou não levar Dilma a sério.

- Em tempo: Ilustração via sítio do Orlandeli.

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Escrito por Josias de Souza às 19h41

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Sarney diz aos colegas o que já sabiam: é candidato

O Senado tornou-se uma Casa espantosa. Ali, acontece de tudo. E nada acontece.

O Senado aprendeu a viver sem horror. Em conseqüência, horroriza os de fora.

Os senadores desperdiçaram 2009 debatendo se apeavam ou não José Sarney. A crise desaguou em pantomima. Ao longo de 2010, fingiu-se que nada sucedera.

Agora, em 2011, o Senado preparara-se para dar a Sarney sua tetrapresidência. O morubixaba pemedebê avisa aos colegas o que eles já sabiam: Sou candidato.

Sem adversários, Sarney será eleito. Repetindo: presidirá o Senado pela quarta vez. Ou seja: entre os senadores, o absurdo adquiriu uma doce, admirável naturalidade.

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Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Mantega nega o único aceno de Carvalho às centrais

Para um ministro de Estado, a pior forma de solidão é a companhia de outro ministro. Tome-se o exemplo dos ministros Guido Mantega e Gilberto Carvalho.

Um, ministro da Fazenda. Outro, ministro da cozinha do Planalto. Ambos petistas. Companheiros ideais, atingiram a mais perfeita solidão.

Trancado em seu isolamento, Carvalho recebeu em seu gabinete a nata do sindicalismo. Acenou-lhes com o reajuste da tabela do IR.

Decorridas menos de 24 horas, fechado em seu insulamento, Mantega replicou: "Não está sendo estudado isso".

Os sindicalistas levaram a Carvalho uma pauta de três itens: salário mínimo de R$ 580, aumento de 10% para aposentados e correção da tabela do IR em 6,46%.

O ministro só sorriu para o IR. Ainda assim, rebarbou o percentual. Em vez de 6,46%, disse que a tabela poderia ser cogida em 4,5%. E Mantega: Nem isso, senhores. Esqueçam.

Passageiros de uma mesma canoa, os ministros remam para lados opostos. Dilma Rousseff talvez devesse chamá-los para um pé-de-ouvido.

A presidente ordenaria a Mantega: “Diga ‘oi’ ao Gilberto”. Determinaria a Carvalho: “Diga ‘olá’ ao Guido”. Pode não encurtar a Sibéria que os separa. Mas fica mais civilizado.  

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Escrito por Josias de Souza às 17h00

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Julian ‘WikiLeaks’ Assange: ‘Aceitaria asilo no Brasil’

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Escrito por Josias de Souza às 15h10

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Lula será um ‘empregado’ do PT. O salário? R$ 13 mil

  Sérgio Lima/Folha
O PT decidiu tonificar as estatísticas que apontam para o decréscimo da taxa de desemprego no Brasil.

A coluna Painel informa, na Folha, que a legenda vai assinar a carteira de Lula. O ex-presidente será contratado como “assessor”.

Assim, afora o que planeja auferir com palestras, Lula terá o salário do partido e duas aposentadorias para encher a geladeira. Coisa de R$ 22 mil mensais. Leia:

- Bolsa Lula: O PT decidiu pagar um salário mensal de R$ 13 mil a Lula, que no próximo dia 10 receberá novamente o título simbólico de "presidente de honra" do partido. O contracheque será equivalente ao do presidente de fato do PT, José Eduardo Dutra.

O novo salário de Lula se soma às duas aposentadorias que ele recebe -uma de anistiado político, outra por invalidez devido à perda do dedo- e às palestras que devem engordar seu caixa a partir de março.

"Não tem por que não pagar. Ele é um importante dirigente político, está se dispondo a trabalhar junto com o PT", argumenta José Eduardo Dutra.

- Retroativo: O salário de Lula vale já a partir de janeiro. Como o estatuto da legenda não prevê pagamento para cargo simbólico, o ex-presidente terá carteira assinada como assessor do PT, mesma situação montada para Dilma Rousseff na campanha.

- Caderneta: Segundo aliados do ex-presidente, suas aposentadorias somam R$ 9 mil ao mês. No patrimônio declarado em 2006, havia R$ 478 mil em aplicações financeiras, em valores da época. Há no PT defesa da equiparação do salário dos dirigentes partidários ao dos congressistas -R$ 26,7 mil.

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Escrito por Josias de Souza às 07h42

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Furnas paga R$ 73 mi a mais por ações que refugara

  Guto Cassiano
Dilma Rousseff acertou com o vice Michel Temer que o próximo presidente de Furnas Centrais Elétricas será indicado pelo PMDB. 

Simultaneamente, escalam o noticiário informações que enrolam a estatal elétrica em lençóis enodoados.

Deve-se aos repórteres Chico Otavio e Tatiana Farah a revelação da penúltima encrenca vinculada a Furnas.

Envolve uma empresa chamada Oliveira Trust Servicer. Foi criada para construir e explorar uma hiderelétrica em Goiás: a Serra do Facão.

Pois bem, os repórteres manusearam um lote de atas de reuniões da diretoria de Furnas.

Justapostas, as atas revelam a evolução de um negócio de aparência inusitada.

Menos de oito meses depois de refugar a aquisição de um lote de ações da Oliveira Trust, Furnas pagou pelos papéis R$ 73 milhões acima do valor original.

A transação serviu aos interesses da Companhia Energética Serra da Carioca II. Uma empresa que integra o Grupo Gallway.

Um dos diretores do Gallway chama-se Lutero de Castro Cardoso. Apresenta-se como representante do grupo o doleiro Lúcio Bolonha Funaro.

Cardoso e Funaro são ligados ao deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem se atribui o apadrinhamento de gestores de Furnas.

À época em que a transação esquisita foi efetivada, presidia Furnas um dos indicados de Eduardo Cunha, o ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde.

Uma das atas manuseadas pelos repórteres anota o resultado de reunião da diretoria de Furnas realizada em 4 de dezembro de 2007.

O texto informa que, nesse encontro, Furnas abdicou do direito de adquirir ações que a fariam sócia da Oliveira Trust. Coisa prevista em acordo de acionistas.

Noutra ata, datada de 9 de janeiro de 2008, informa-se que o mesmo lote de papéis foi adquirido pelo grupo Galway. Negócio de R$ 6,96 milhões.

Decorridos quase sete meses, a diretoria de Furnas voltou a se reunir. O resultado do encontro consta de ata lavrada no dia 29 de julho de 2008.

O documento anota que Furnas aprovou a compra do mesmo lote de ações que refugara. O preço? R$ 80 milhões. Diferença de R$ 73 milhões.

A cifra assegurou a Furnas o controle de 29,89% do capital de um empreendimento que leva o nome da hidrelétrica goiana: Serra do Facão Participações S/A.

Procurada, Furnas manifestou-se por meio de uma nota. Alegou que, entre uma reunião e outra, a empresa Serra da Carioca injetou R$ 75 milhões na sociedade.

Algo que, segundo a nota, “justifica integralmente a diferença” que a estatal topou pagar pelos papéis. Como se deu a injeção de capital? Furnas absteve-se de explicar:

“O aporte foi feito pela Serra da Carioca à Serra do Facão Participações; portanto, esse registro deve ser solicitado a eles”.

Por que o lote de ações foi refugado em janeiro de 2008? “Naquela ocasião era necessário manter o caráter privado da Serra do Facão...”

“O que só seria possível se um investidor privado fosse substituído por outro de mesma natureza”, escreveu Furnas em sua nota explicativa.

A grana que bancou a transação veio do velho e bom BNDES. “Foi um processo normal de negociação para concessão de financiamento desse porte”, diz Furnas.

Lutero de Castro Cardoso, o já mencionado diretor da Gallway trabalhara na Cedae, estatal de saneamento do Rio. Indicou-o Eduardo Cunha.

Procurado pelos repórteres para manifestar-se sobre a transação de Furnas, Lutero não respondeu aos pedidos de entrevista.

O doleiro Lúcio Bolonha Funaro é figurinha carimbada de escândalos que costumam eletrificar a cena política.

Em 2005, por exemplo, Funaro freqüentou o banco da CPI dos Correios. Foi instado a explicar uma despesa que o ligava a Eduardo Cunha por laços de generosidade.

O doleiro custeara, em 2003, o aluguel e outras despesas de um flat ocupado pelo deputado do PMDB numa hospedaria brasiliense: o Blue Tree Tower.

Os repórteres procuraram o doleiro. Queriam ouvir a versão dele sobre Furnas. Não o encontraram.

Antes da posse e nos dias que sucederam sua chegada ao gabinete presidencial, Dilma Rousseff manifestara a intenção de “deserduadizer” Furnas.

Mostrava-se convencida de que a influência de Eduardo Cunha sobre a estatal resultava em efeitos deletérios.

Ao informar a Temer que o PMDB continuará dando as cartas em Furnas, Dilma parece ter entregado os pontos.

Diz-se que condicionou a ocupação à indicação de técnicos. Como se um técnico indicado por político fosse privilegiar o Estado em detrimento do padrinho.

- Em tempo: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

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Escrito por Josias de Souza às 03h28

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As manchetes desta quinta

- Globo: Furnas fez negócios com firma ligada a deputado

- Folha: SP adotará padrão mais rígido para poluentes

- Estadão: Governo vai propor concessão única para todas as mídias

- JB: Próxima atração: obesidade

- Correio: Disputa de cargos na Câmara vale R$ 95 mi

- Valor: Petrobras fica cada vez menor na Argentina

- Estado de Minas: Juros disparam em 2011

- Jornal do Commercio: Taxa de homicídios caiu 34% no Recife

- Zero Hora: Aeroportos terão taxa vinculada à eficiência

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h15

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'Dilmadora'!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h37

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Com atraso, TCU vai ‘investigar’ a Fundação Sarney

Em sessão “extraordinária” e “reservada”, o TCU decidiu, na quarta-feira (19) da semana passada, realizar auditoria na Fundação Sarney.

Decorridos seis dias, a deliberação foi publicada na edição desta terça (25) do ‘Diário Oficial da União’.

No texto, lê-se que os ministros do tribunal “acordaram em conhecer da denúncia [contra a Fundação Sarney], para, no mérito, considerá-la procedente”.

Em português das ruas, significa que o TCU, tendo farejado indícios de malfeitos, optou por esquadrinhar as contas da entidade.

A decisão chega com um ano e meio de atraso. A fundação que leva o nome do presidente do Senado virou escândalo em 9 de julho de 2009.

Foi pendurada nas manchetes pelos repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon. Ardia no noticiário da época a crise do Senado.

Descobriu-se, então, que a Petrobras havia borrifado nas contas da Fundação Sarney a bagatela de R$ 1,3 milhão.

Liberada por meio do Ministério da Cultura, a verba se destinava à “automação do acervo bibliográfico” da entidade.

Verificou-se que um pedaço do mimo –R$ 500 mil— fora parar nas contas de firmas com endereços fictícios.

Outro naco –R$ 30 mil— descera às caixas registradoras de uma TV e de duas emissoras de rádio do Grupo Mirante, pertencente à família Sarney.

Em nota emitida no mesmo dia, a direção da fundação tachou de “leviana” a notícia dos desvios. Dali a seis meses, a CGU afastaria a alegada leviandade.

Numa apuração “preliminar” divulgada em 18 de janeiro de 2010, a Controladoria-Geral da União comprovou parte dos desvios: R$ 129 mil.

E daí? Bem, a CGU disse que encaminhara os achados à pasta da Cultura e aguardava pelas explicações. Até agora, nada.

É nesse contexto que emerge a decisão do TCU. Além de atrasado, o início da “investigação” chega acanhado.

No ‘Diário Oficial’, anotou-se que a denúncia foi considerada “procedente”. Em nota veiculada em seu portal no início da noite desta quarta (26), o tribunal cuidou de relativizar as coisas.

Órgão auxiliar do Congresso, o TCU apressou-se em informar: “Não houve apreciação conclusiva sobre a existência ou não de irregularidades no patrocínio” da Petrobras.

Esclareceu que os ministros apenas requisitaram ao Ministério da Cultura “o resultado da análise da prestação de contas” da Fundação Sarney.

E daí? Bem, “o processo continua em andamento no tribunal, no aguardo dos elementos que possibilitem o exame final da questão”.

Considerando-se o histórico da corte de contas, com alguma sorte a platéia conhecerá o resultado em dois anos. Com azar, em três ou quatro.

Chama-se José Múcio Monteiro o ministro do TCU que se ocupa da relatoria do processo da Fundação Sarney.

Ex-deputado do PTB pernambucano, Múcio era ministro de Lula quando a crise roía a autoridade de Sarney no Senado de 2009.

Ocupava a pasta das Relações Institucionais. Era o articulador político do Planalto. No exercício da função, Múcio ajudou a livrar Sarney das labaredas da crise.

Agiu por ordem de Lula, que, em entrevista da época, disse que Sarney não podia ser tratado como um “cidadão comum”.

Quando a denúncia da fundação chegou ao noticiário, o governo e o próprio Sarney cuidaram de retirar da UTI do freezer a CPI da Petrobras.

Criada por requerimento da oposição, a comissão de inquérito havia sido congelada pelo consórcio governista.

Diante dos fatos novos, vestido de sua nudez, Sarney pôs a CPI para andar. E o governo providenciou um comando conveniente para a comissão.

Na presidência da CPI, acomodou-se o então senador petista João Pedro (AM). Na função de relator, o eterno líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).

Convertido em matéria-prima da CPI, o patrocínio da estatal petroleira à Fundação Sarney resultou num pedido de informações ao TCU.

Assinou-o o próprio Jucá. É datado de 6 de agosto de 2009. No TCU, a peça foi à mesa de um ministro oportuno: Raimundo Carrero.

Antes de virar ministro, Carrero exercia a função de secretário-geral da Mesa do Senado. Era um subordinado de Sarney.

E daí? Bem, em voto de 16 de agosto de 2009, referendado por seus pares, Carrero listou os processos que corriam no TCU sobre patrocínios da Petrobras.

Determinou que fossem providenciadas cópias para a CPI. E ficou nisso. Não esboçou o mais remoto interesse pela abertura de auditoria.

O tempo passou. As acusações contra Sarney, que incluíam da fundação aos famosos atos secretos do Senado, foram esquecidas pelos senadores...

...A crise do Senado virou pó. O governo celebrou a salvação da “governabilidade”. A CGU silenciou. Foi ecoada pela Petrobras e pela pasta da Cultura.

Agora, a cinco dias da recondução de José Sarney à Presidência do Senado –a tetrapresidência—o TCU diz que vai “investigar”. E daí? Bem...

- Em tempo: Foto de Fábio Pozzebom, da Agência Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 23h18

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Novo líder do PSDB: ‘Faremos oposição contundente’

O PSDB, como se sabe, é como uma tourada, que o não tucano só entende se suspender todos os seus conceitos sobre a lógica. Numa fase em que Serra e Aécio medem forças para saber quem será touro e toureiro, soou na arena uma voz nova.

Eleito líder da bancada tucana na Câmara, o deputado Duarte Nogueira (SP), ligado a Geraldo Alckmin, declarou:

"Temos a tarefa de fazer uma responsável e contundente oposição e nos prepararmos para as eleições municipais. [...] Exerceremos um papel provocador. Até porque a presidente Dilma já expressa desânimo com as reformas".

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Escrito por Josias de Souza às 22h48

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Governo deve corrigir tabela do IR, mas parcialmente

José Cruz/ABr

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) reuniu-se nesta quarta (26) com representantes das centrais sindicais.

Terminado o encontro, Carvalho informou que o governo se dispõe a corrigir a tabela do Imposto de Renda em 4,5%.

As centrais pedem mais. Reivindicam que a tabela seja corrigida pela inflação cheia de 2010: 6,47%

A reunião terminou sem acordo também em relação às outras duas reivindicações encaminhadas pelas centrais.

Referem-se ao salário mínimo e às aposentodorias. Sobre os aposentados, nada. Quanto ao mínimo, Carvalho manteve a defesa dos R$ 545 já propostos pelo governo.

O sindicalismo pede R$ 580. Mas o governo alega que não fez senão respeitar um acordo celebrado com o sindicalismos em 2007.

Agendou-se novo encontro quarta-feira (2) da semana que vem. Nesse dia, deputados e senadores voltam do recesso.

A propósito, o governo repete sob Dilma uma prática que se institucionalizou sob Lula: negocia-se com as centrais e ignora-se o Parlamento. 

Vai ao Congresso o prato feito. Um pedaço do consórcio governista parece cada vez menos afeito ao exercício da deglutição irrefletida.    

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Escrito por Josias de Souza às 21h37

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‘Estados podem se antecipar e extinguir as pensões’

  Divulgação
O procurador-geral da República Roberto Gurgel disse meia dúzia de palavras sobre as aposentadorias especiais de ex-governadores.

Armado de uma ingenuidade que não combina com o cargo que exerce, Gurgel disse o seguinte:

"Os Estados podem se antecipar e adotar medidas para fazer cessar esses benefícios”.

Recordou que, em 2007, ao julgar ação contra aposentadoria do ex-governador Zeca do PT (MS), o STF considerou a prebenda “ilegal”.

Reconheceu: “A decisão do STF diz respeito a um determinado Estado, os outros não estariam obrigados a isso, embora pudessem se antecipar".

Convém puxar a cadeira. Em pé, Gurgel vai cansar. Na administração pública, antes que um sonho se concretize mil pesadelos se realizam.

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Escrito por Josias de Souza às 20h53

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MPF vai ao Supremo contra o voto impresso em 2014

A Procuradoria-Geral da República protocolou no STF uma nova ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade).

Questiona uma novidade cuja implantação está prevista para as eleições de 2014: o voto impresso. Pede:

1. Que o STF suspenda liminarmente a preparação da medida.

2. Que o tribunal declare o voto impresso inconstitucional.

A inovação do “voto impresso conferido pelo eleitor” consta do artigo 5º da lei 12.034, de 2009.

A Procuradoria acha que a providências fere a Constituição porque compromete o sigilo e a inviolabilidade do voto.

De resto, abriria brecha para que uma mesma pessoa vote duas ou mais vezes. Algo que violaria a igualdade de votos.

Deve-se a ação a um pedido do Colégio de Presidentes dos TREs. Aqui, um resumo da petição, veiculado no portal do STF na web.

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Escrito por Josias de Souza às 19h25

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Egito: Veja imagens do ‘estouro’ do ovo da serpente

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Escrito por Josias de Souza às 17h47

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Sobre Mabel, Guimarães Rosa, biscoitos e pirâmides

Atribui-se a Guimarães Rosa o seguinte conselho de vida: “Faça pirâmide, não faça biscoito".

Candidato à presidência da Câmara, o deputado Sandro Mabel (PR-GO) prefere a contramão.

Mabel deseja instalar na Câmara um forno de biscoitos. Anunciou nesta quarta (26) sua grande prioridade.

Eleito, planeja grudar no prédio da Câmara um novo edifício. Um anexo que proporcione aos deputados gabinetes mais confortáveis.

Inquirido sobre a elevação dos gastos públicos, Mabel olhou para o equipamento eletrônico que o repórter manuseava. E emendou:

"Vocês [jornalistas] usam esse gravador [digital]. Por que não usam mais bloquinhos? É necessário evoluir...”

“...Vocês já viram um gabinete de um senador? Cabem ao menos cinco deputados. Vocês acham que é justo?".

Outra prioridade da plataforma de Mabel é a defesa dos deputados contra ataques oportunistas:

"Vamos acabar com essa situação em que somos muitas vezes humilhados e a Casa não toma providência...”

“...Mexer com um deputado agora, de forma injusta, significa mexer com a presidência da Casa. E não ficará sem devida resposta".

Nesse ponto, todo brasileiro de bem deveria dar força a Mabel. É chegada a hora de responder às agressões de aventureiros.

É de supor que, prevalecendo sobre Marco Maia (PT-R), Mabel vai agir rápido.

Para sufocar os que assacam contra a imagem da Câmara, Mabel decerto abrirá, no mesmo dia, uma ação judicial contra si mesmo.

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Escrito por Josias de Souza às 16h17

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Sob a luz do abajur lilás, a gerente faz ‘roleta-russa’

Miran

Ao assumir a baiúca, a gerente mandou pendurar na parede atrás do balcão o dístico da nova administração: “Não fazemos barganhas”.

Cliente preferencial da casa, o PMDB foi avisado: acabou a esbórnia. A orgia do setor elétrico, por exemplo, está com os dias contados.

Pois bem. A troca de comando ainda não fez aniversário de um mês e o abajur lilás já foi reacomodado naquela mesa do cantinho escuro.

Tirada para dançar pelo PMDB, a gerente da baiúca confiou ao parceiro o comando de Furna$. Eduardo Cunha já seleciona nomes.

No ‘dois-pra-lá-dois-pra-cá’ do bolero, a gerente informou que a Eletrobras é sua. Mas a Eletronorte continuará sob os cuidados da turma do Sarney e do Jáder.

O cartaz de três semanas atrás continua na parede. Mas uma folhinha recobre a palavra “não”.

A gerente diverte-se com a perplexidade alheia. Brinca com a própria hipocrisia como quem brinca de roleta-russa.

A clientela da baiúca –pemedebês, petês, pêérres, pedetês e etc...—riem a mais não poder.

Sabem que a sinceridade manuseada pela gerente da baiúca está completamente descarregada.

- Em tempo: Ilustração via Miran Cartun.

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Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Lula defenderá ‘volta’ de Delúbio, diz dirigente do PT

  Folha
José Dirceu bem que avisara. Em novembro de 2010, depois de um café no Alvorada, o companheiro dissera:

Fora do governo, Lula vai se dedicar a desmontar a “farsa do mensalão”.

O próprio Lula, numa de suas derradeiras entrevistas como presidente, referira-se ao escândalo como “tentativa de golpe”.

Pois bem. O ex-soberano ainda nem “desencarnou” direito e o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), já informa:

“Se for questionado, Lula vai dizer que é favorável” à volta de Delúbio Soares aos quadros do PT.

Segundo Vargas, o pedido de refiliação de Delúbio será votado no PT entre março e abril. O deputado disse o seguinte ao repórter Bernardo Mello Franco:

"Como é que nós vamos dizer que ele não pode se filiar? Nenhum de nós tem condição moral ou política de dizer que ele não pode militar no PT..."

"...Se qualquer evidência de caixa dois servir para excluir alguém do PT, tem que dar uma excluída boa, geral. Do PT ou do PTB, do PMDB..."

O deputado talvez devesse desperdiçar um naco do seu tempo com a leitura da ação penal que corre no STF. Verá que a peça trata de grossa corrupção, não de delito eleitoral.

Seja como for, não resta senão evocar o próprio Delúbio. Em 2005, nas pegadas do escândalo que fulminou aquela aura de diferença heróica de que se jactava o PT, o companheiro previra:

Isso tudo ainda vai virar “piada de salão”. Neste ano da graça de 2011, a propósito, o Carnaval cai em março. O PT não poderia ter escolhido mês mais adequado para abrir o debate sobre a volta do que não foi.

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Escrito por Josias de Souza às 05h46

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Senadores somam salário com pensão e furam o teto

Lula Marques/Folha

O Senado brasileiro convive com uma ilegalidade. Mais uma. Alguns de seus integrantes recebem do Estado vencimentos que extrapolam o teto da administração pública.

O pé-direito da folha estatal é regulado pelos contracheques dos ministros do STF. No último autoreajuste, os congressistas bateram no teto: R$ 26,7 mil. O problema é que há no Senado pelo menos 26 ex-governadores.

Treze deles recebem, além do salário mensal, aposentadorias estaduais vitalícias. Deve-se o levantamento aos repórteres Adriana Vasconcelos e Roberto Maltchik. A dupla informa que as pensões especiais variam de R$ 11 mil a R$ 24 mil.

Seus beneficiários auferem, portanto, ganhos que os acomodam acima do teto. Em alguns casos, a coisa passa de R$ 50 mil. Em decisão de 2007, o STF considerou “ilegal” a aposentadoria que Mato Grosso do Sul pagava ao ex-governador Zeca do PT.

Essa modalidade de benefício, havia sido extinta, de resto, pela Constituição aprovada em 1988. A despeito disso, proliferaram pelo país leis e constituições estaduais que restituíram a prebenda.

Entre os que usufruem de aposentadorias especiais está o próprio presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Senador pelo Amapá, ele recebe do Maranhão aposentadoria vitalícia de R$ 24 mil. Requereu-a em 1971, depois de deixar o governo do Estado.

Além de Sarney, sorvem pensões do erário maranhense outros três senadores que passaram pela cadeira de governador: João Alberto (PMDB), Epitácio Cafeteira (PTB) e Edison Lobão (PMDB), que pediu licença do Senado para reocupar a pasta de Minas e Energia.

A afronta é pluripartidária. Ao lado do quarteto do Maranhão, 100% governista, há expoentes da oposição. Gente como José Agripino Maia (RN) e Alvaro Dias (PR), respectivamente líderes do DEM e do PSDB.

Ex-governador potiguar, Agripino recebe aposentadoria mensal de R$ 11 mil. Alega que jamais pleiteou: “O benefício era automático na época em que fui governador pela primeira vez, entre 1982 e 86. Isso foi suspenso pela Constituição estadual, mas só em 89”.

O tucano Dias é aposentado retardatário. Requisitou a pensão quase duas décadas depois de ter deixado o governo. Já apalpa o benefício mensal. Aguarda deliberação sobre um pedido de parte dos atrasados: R$ 1,6 milhão.

Levado às manchetes, Dias alegou que utilizará o dinheiro para fazer “caridade”. Chegou a exibir um recibo referente à primeira “doação”. Emitido por uma creche de Curitiba, o documento trazia data futura: 30 de novembro de 2011. “Engano”, disse Dias. Foi ecoado pela entidade, que trocou o recibo.

O fenômeno das aposentadorias especiais como que iguala em perversão personagens de biografias absolutamente distintas. Pedro Simon (PMDB-RS), por exemplo, faz companhia a Valdir Raupp (RO), presidente interino do PMDB e protagonista de inquéritos que correm no STF.

Senador impoluto, autor de memoráveis discursos em defesa da ética, Simon pulou na vala comum dos aposentados especiais com 20 anos de atraso. Requereu a aposentadoria de ex-governador gaúcho no ano passado. Alegou que já não conseguia manter a própria casa.

Calada a voz de Simon, talvez não haja no Senado quem se anime a verberar contra o descalabro. Uma pena, sobretudo se considerada a fartura de matéria-prima. Na Rondônia de Valdir Raupp (pensão de R$ 20 mil), por exemplo, adicionou-se ao impensável um quê de inacreditável.

Antes de eleger-se senador, no ano passado, o agora ex-governador rondoniense Ivo Cassol (PP) fez aprovar um lote de regras que lhe asseguram um aparato de segurança pessoal. Assim, além de lhe prover pensão idêntica à de Raupp, as arcas de Rondônia bancam-lhe a proteção. A dele e a de seu ex-vice João Cahulha (PPS).

Em tese, a administração do Senado deveria zelar pela preservação do teto remuneratório da administração pública. Na prática, não o fará. Ouça-se, a propósito, o diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra:

“Se a fonte de pagamento do salário e da aposentadoria não for a mesma, não há como cumprir o teto. Até porque ele ainda não foi regulamentado e há uma dúvida sobre em qual fonte se aplicaria o corte”.

Há também no Senado um rol de ex-governadores que abriram mão das aposentadorias. Entre eles, Aécio Neves (PSDB-MG), Itamar Franco (PPS-MG), João Durval (PTB-BA) e Fernando Collor (PTB-AL).

É improvável, porém, que se aninem a escalar a tribuna. No Senado, a afronta caminha de mãos dadas com a camaradagem.  

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Escrito por Josias de Souza às 04h53

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As manchetes desta quarta

- Globo: Senadores poderão receber até R$ 50 mil, acima do teto

- Folha: Presidente do TCU recebe de órgãos que deve fiscalizar

- Estadão: Investimento externo bate recorde e cobre déficit

- JB: O terror das filas

- Correio: Vítimas do descaso

- Valor: China lidera investimento no país

- Estado de Minas: Farra no exterior com dólar barato

- Zero Hora: Conflito entre médicos e prefeitura amplia o drama da Saúde

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Reciclagem!

Zé Dassilva

- Via Diário Catarinense. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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PR ameaça expulsar Mabel se não retirar candidatura

  Antônio Cruz/ABr
A formalização da candidatura de Sandro Mabel (PR-GO) à presidência da Câmara deixou em apuros o ministro Alfredo Nascimento (Transportes).

Presidente do PR, Nascimento assumira com o Planalto o compromisso de destinar os votos de sua legenda a Marco Maia (RS), candidato do PT.

O apoio do PR a Maia foi oficializado num jantar promovido na semana passada. Mabel não deu as caras no repasto.

Alfredo Nascimento informara aos operadores políticos de Dilma Rousseff que, sem o suporte da legenda, Mabel desistiria da candidatura.

Deu-se, porém, o oposto. Entre abespinhado e desmoralizado, o ministro do PR levou à mesa, no início da noite desta terça (25), uma ameaça.

Deu a Mabel um prazo de cinco dias para recuar da candidatura avulsa. Do contrário, reunirá a Executiva do partido na próxima segunda (31).

Para quê? Segundo o teor do aviso de Nascimento, a Executiva do PR vai converter o apoio a Marco Maia em “questão fechada”.

E daí? O fechamento de questão obriga os filiados a seguir a deliberação partidária. Do contrário, sujeita-se à expulsão. Pior: pode-se requerer na Justiça Eleitoral o mandato do silvério.

Ou seja: se o ministro estiver falando sério, além de não levar a poltrona de presidente da Câmara, Mabel arrisca-se a perder o assento de deputado.

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Escrito por Josias de Souza às 22h32

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Governo retém repasses de R$ 27,8 bi às prefeituras

Paulo Ziulkoski, presidente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), achegou-se aos refletores nesta terça (25).

Informou que o governo federal está endividado até a raiz dos cabelos dos prefeitos. Teve o cuidado de esmiuçar os números.

Segundo ele, o Tesouro Nacional transferiu de 2010 para 2011 pagamentos que totalizam R$ 128 bilhões.

Desse total, 27,8 bilhões deveriam ter sido repassados a prefeituras. O grosso (R$ 21,8 bilhões) refere-se a “investimentos”.

No português da burocracia orçamentária, a retenção de verbas recebe o apelido de “restos a pagar”. No idioma das ruas, é o velho e bom “beiço”.

Um pedaço da encrenca traz no DNA as famigeradas emendas de parlamentares. Dá-se o seguinte:

O congressista empurra para dentro do Orçamento emendas que destinam verbas para obras em seu Estado.

Depois, vai às cidades beneficiadas e exibe as emendas como troféus. Uma parte vira nota de empenho de ministérios.

Deputados e senadores retornam às suas bases. Brandindo os empenhos, alardeiam que a grana está na bica de ser liberada.

O tempo passa, chega o final do ano e o Tesouro, às voltas com a necessidade de fazer superávit de caixa, passa a chave nas arcas.

Súbito, aquilo que fora propagandeado como liberação iminente vai a uma fila de desembolsos que podem demorar anos.

“Muitos dos restos a pagar não-processados estão nessa situação há mais de um ano”, queixou-se Ziulkoski.

São gastos que já haviam sido postergados na virada de 2009 para 2010. Em 2011, disse o representante dos municípios, os valores foram “reinscritos”.

Ziulkoski contabilizou o naco de pagamentos “reinscritos” em R$ 30,9 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões pertencem aos municípios.

“Nesse caso”, disse ele, “trata-se de despesas empenhadas entre 2007 e 2009, que até hoje nunca foram realizadas”.

Governos, como as pessoas, convivem com suas inadimplências. Com uma diferença: quando a dívida é sua, você tem de ir ao banco. Se não vai, tomam-lhe os bens.

Quando o devedor é o governo, o credor é quem tem de deslocar-se até Brasília. Cobra a esmo. E tem a paciência confiscada.

A causa dos prefeitos é inglória. Ao observar a encrenca, o contribuinte brasileiro se recorda da profusão de escândalos que pipocam no noticiário.

Levando-se em conta que a maioria dos malfeitos tem origem nas emendas de parlamentares, a platéia fica tentada a gritar: “Segurem as verbas!”

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Escrito por Josias de Souza às 21h54

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FMI prevê que PIB brasileiro crescerá 4,5% em 2011

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Escrito por Josias de Souza às 20h10

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Marcos Montes abdica de candidatua a líder do DEM

  Marcelo Brandt/Ag.Câmara
O deputado Marcos Montes (MG) retirou-se da briga pela cadeira de líder do DEM na Câmara.

Montes bate em retirada a quatro dias de uma disputa em que mediria forças com ACM Neto (BA).

Em nota, o deputado informou que vai ao ringue no lugar dele o colega Eduardo Sciarra (PR).

A luta pela liderança é uma prévia de outro arranca-rabo: a disputa pela presidência do DEM federal, em 15 de março.

A candidatura de Montes havia sido lançada pelo grupo capitaneado por Jorge Bornhausen (SC) e o prefeito Gilberto Kassab (SP).

O nome de ACM Neto é apoiado pela ala de Rodrigo Maia (RJ), atual presidente do DEM.

Para a presidência, a dupla Bornhausen-Kassab advoga o nome do senador não-releito Marco Maciel (PE).

Maia e seu grupo pegam em lanças para levar ao comando da legenda José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado.

Na nota em que explica a fuga, Marcos Montes ilumina um pedaço do pano de fundo contra o qual o DEM se autoflagela.

O deputado traz à cena um personagem alheio aos quadros do DEM: o tucano Aécio Neves.

Sob o argumento de que Bornhausen e Kassab tramam para manter o DEM no colo de José Serra, o grupo de Maia seduziu Aécio para a causa de Agripino.

“Infelizmente, Rodrigo Maia, ao patrocinar a candidatura do nosso estimado ACM Neto, introduz no DEM um debate antecipado de 2014”, anotou Montes.

“Assim, para preservar o partido; para impedir supostas influências externas...”

“...Para preservar a união que fez de Minas Gerais o destaque político que é hoje, me sinto na obrigação de retirar minha candidatura”.

Montes acrescentou: “Como mineiro, quero ver Aécio Neves na Presidência da República. Para ser coerente com os dois projetos e protegê-los, tomo esta decisão”.

De resto, escreveu que “a disputa pela liderança do DEM tem que ser uma questão interna do partido”. Vale dizer: sem o contágio da arenga interna do tucanato.

Dá-se de barato que o grupo que prevalecer na batalha pela liderança da Câmara vai à guerra pelo controle do DEM com cara de favorito.

Eduardo Sciarra, o substituto de Montes, entra no jogo aos 45 minutos do segundo tempo. Vai a campo contra um ACM Neto que corre o gramado há dois meses.

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Escrito por Josias de Souza às 18h50

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Mabel oficializa candidatura à presidência da Câmara

  Leonardo Prado/Câmara
Como diria Odorico Paraguaçu, o deputado Sandro Mabel (PR-GO) “trocou os considerandos pelos finalmentes”.

Lançou, nesta terça (25), sua candidatura à presidência da Câmara. Declara-se um candidato “independente”. De fato, sua autonomia é inaudita.

Exceto pelo provável apoio da família, o mundo parece conspirar contra Mabel. E vice-versa.

Estão contra o deputado: Dilma Rousseff e a engrenagem do Planalto, os partidos de oposição, as legendas governistas e, independência suprema, até o PR.

Sim, o próprio partido de Mabel, representado na Esplanada pelo ministro Alfredo Nascimento (Transportes), fechou com Marco Maia (RS), o candidato do PT.

Para virar presidente, Mabel precisa de, no mínimo, 257 votos. Num colégio de 513, ele jura que “começa a campanha” com 130.

Considerando-se que a disputa se dará em uma semana, parece pouco. Mabel, porém, não está para brincadeira.

Dono da fábrica de biscoitos que leva o sobronome de sua família, o deputado apropria-se de uma bandeira do rival Maia, egresso do sindicalismo:

"Não é o empresário contra o trabalhador. Até porque as pautas da Casa não sou eu quem decido e sim o colégio de líderes...”

“...Se for a vontade da maioria, comigo na presidência vou pautar temas como a redução da jornada de trabalho para as 40 horas".

É sabido que a hegemonia exercida por PT e PMDB na Câmara ateia insatisfações no plenário. O voto para presidente é secreto.

Assim, embora Mabel pareça um Davi improvável diante de um consolidado Golias, será divertido ver até onde o governismo está disposto a deixar escorrer o melado.

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Escrito por Josias de Souza às 17h14

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Alckmin confia a ‘condenado’ cofre de R$ 2,5 bilhões

  Eduardo Knapp/Folha
Chama-se José Bernardo Ortiz o novo presidente da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), órgão do governo de São Paulo.

Tucano, José Ortiz deve a nomeação ao governador Geraldo Alckmin. Na nova função, vai comandar uma arca anual de R$ 2,5 bilhões.

Dinheiro destinado à construção e reforma de escolas e ao custeio de projetos pedagógicos.

Pois bem. O repórter Fausto Macedo informa que o escolhido de Alckmin frequenta dez ações judiciais na condição de réu.

Desse total, oito ações foram alicerçadas na Lei da Improbidade. Absolvido em três, José Ortiz aguarda o julgamento de recursos da Promotoria ao TJ-SP.

Outros quatro processos esperam pela sentença de juízes de primeira instância. E há um caso em que o réu foi condenado.

Refere-se à contratação de servidores sem a realização de concurso público, em Taubaté. A despeito de negar a intenção de dolo, José Ortiz foi condenado em primeiro grau.

Recorreu ao TJ, que confirmou a sentença. Foi, então, a Brasília. Tenta reverter o infortúnio no STJ.

Em nota oficial, a assessoria de Alckmin escreveu: José Ortiz “é um homem público reconhecidamente honesto".

Acrescentou: “Sobre os processos em questão, todos eles ainda passíveis de recursos...”

“...É preciso ressaltar que foi explicitada, em mais de uma decisão, a inexistência de prejuízo ao erário e de enriquecimento ilícito".

Tome-se por verdadeira a nota do Palácio dos Bandeirantes. Nesse caso, os responsáveis pela condenação de José Ortiz decerto acreditam no seguinte:

Nada pode ser mais suspeito do que “um homem público reconhecidamente honesto”. 

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Escrito por Josias de Souza às 05h25

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Em 24 dias de Planalto, Dilma foi ao microfone 1 vez

  Lula Marques/Folha
A Presidência da República oferece às pessoas que a ocupam uma tribuna vitaminada.

Algo que o expresidente norte-americano Theodore Roosevelt chamou de "bully pulpit" (púlpito formidável).

Nos seus primeiros dias de poder, Dilma Rousseff revelou-se uma cultora do silêncio. Há duas hipóteses.

Numa (a melhor), Dilma tenta se diferenciar de Lula, que vulgarizou o púlpito. Noutra, ela não sabe o que dizer.

Seja como for, o mutismo de Dilma tem ao menos uma serventia. Facilita a audição dos ruídos que PMDB e PT produzem ao redor.

A coluna Painel registra, na Folha, a contabilidade da falta de ressonância da sucessora de Lula. Recorda que, nos próximos dias, Dilma irá à boca do palco quatro vezes.

Vai soltar a língua ou continuará de boca fechada?, eis a dúvida que veio somar-se às velhas interrogações (com gás ou sem gás? Açúcar ou adoçante?).

Abaixo as notas do Painel:

 

- Microfone mudo: Dilma Rousseff completa hoje 24 dias de governo com apenas uma manifestação pública de própria voz, a entrevista em que se dispôs a responder três perguntas por ocasião da tragédia que matou mais de 800 pessoas no Rio.

Embora também tenha começado em ritmo bem abaixo do que desenvolveria ao logo de seus oito anos, Lula já havia, em igual período, concedido uma entrevista coletiva e feito cinco discursos, sem contar 13 briefings do seu porta-voz.

Dilma também desapareceu do Twitter desde que venceu as eleições. Há 43 dias ela não escreve nada para as 421 mil pessoas que a seguem no microblog.

- Só pra contrariar: Nesses quase três meses após o fechamento das urnas, suas manifestações no Twitter se limitaram a três ocasiões, uma delas após sua assessoria ser questionada se ela abandonaria a ferramenta.

- Largada? Apesar de avessa a holofotes até agora, Dilma tem quatro eventos públicos previstos para os próximos dias, além de outro planejado à "moda Lula": o anúncio de que remédios para hipertensão e diabetes serão distribuídos gratuitamente pelo Farmácia Popular, promessa de campanha. Hoje, o subsídio é de 90%.

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Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes desta terça

- Globo: Centrais rejeitam proposta de Dilma para novo mínimo

- Folha: Em 7 meses, Assembleia de São Paulo trabalhou 2

- Estadão: Atentado mata 35 em aeroporto de Moscou

- JB: Mais quente que o Saara

- Correio: Revolta e choque

- Valor: Novo código protegerá o consumidor endividado

- Estado de Minas: Novos vereadores vão custar R$ 26,8 mi por ano em Minas

- Jornal do Commercio: Terror e morte abalam Moscou

- Zero Hora: Tarso prepara envio de pacote à Assembleia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Crise de abstinência!

- Via blog do Lute. Siga o blog do Josias no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h14

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Último mês de Lula teve desemprego ao redor de 5%

  Folha
Nem só de armadilhas fiscais é feita a herança do governo Lula. A gestão Dilma Rousseff levará à vitrine um rubi do testamento.

Lapidada nas oficinas do IBGE, a pedra só virá à luz nesta quinta-feira (27). Mas já brilha em gabinetes da Fazenda.

A taxa de desempreso de dezembro de 2010, último mês da presidência do ex-soberano, ficou em torno dos 5%.

Em novembro, a média nacional ficara em 5,7%. Já era, então, o índice mais baixo dos dois reinados de Lula. 

O desemprego caiu um pouco mais graças a um fenômeno típico dos finais de ano: o incremento das contratações temporárias, sobretudo no comércio.

Sabe-se que a taxa de janeiro de 2011 deve registrar uma alta. Mas a equipe de Dilma, mãos postas, trabalha com uma hipótese otimista.

Imagina-se que boa parte dos contratos transitórios do Natal passado vai se converter em registros definitivos que sobreviverão ao Carnaval. A ver.

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Escrito por Josias de Souza às 23h30

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PMDB tem 5 candidatos a vice-presidente da Câmara

O PMDB deve reunir sua bancada de deputados federais nesta quarta (26). Na pauta, a escolha de um nome para ocupar a vice-presidência da Câmara.

A direção da legenda cultiva uma preferência por Rose de Freitas (ES). Além dela há pelo menos mais quatro pretendentes. Todos com a marca do Zorro na testa.

Cobiçam a poltrona: Almeida Lima (SE), um ex-miliciano de Renan Calheiros; Elcione Barbalho (PA), ex-mulher de Jader ‘Ficha Suja’ Barbalho...

...Gastão Vieira (MA), índio da etnia dos Sarney; e Edinho Bez (SC), um ex-partidário do malogrado projeto Serra-Presidente.

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Escrito por Josias de Souza às 23h11

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FHC: sob Dilma Rousseff, ‘Brasil está sem estratégia’

Leandro Moraes/UOL

Nem José Serra nem Aécio Neves. Quem parece mais próximo do posto de líder da oposição é Fernando Henrique Cardoso.

De passagem por Genebra, FHC, otimista a mais não poder, se disse aliviado por não ter mais de ouvir Lula falando diariamente no rádio e na TV.

E quanto ao governo Dilma? Bem, nesse ponto soou entre cáustico e pessimista: "O Brasil está sem estratégia, o mundo mudou muito”. Como assim?

“A China produz efeito positivo e negativo ao mesmo tempo sobre a economia brasileira, entusiasma a exportação de commodities e dificulta a de manufaturas...”

“...E a valorização do real não é só do real e sim a desvalorização do dólar". Crê que o país precisa de nova estratégia. “E não estou vendo que isso tenha sido definido".

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Escrito por Josias de Souza às 22h25

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AL: governador veta aumento de 109% a deputados

Certas decisões conferem ao Brasil a aparência de “país do faturo”.

Em Alagoas, por exemplo, os deputados estaduais se autoconcederam aumento de 109%.

Ganhavam R$ 9.969. Em fevereiro, passariam a usufruir de vencimentos mensais de R$20.042,34.

Num gesto unusual, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), manuseou a caneta e impôs um veto ao reajuste.

Alegou que a folha salarial da Assembléia Legislativa alagoana já se encontra em litígio com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Por quê? Os salários pagos na Assemlbéia sorvem mais de 3% da receita líquida do Estado.

Os legisladores alagonanos tonificaram os contracheques no rastro do autoreajuste de 61,8% de deputados federais e senadores –de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil.

Reza a Constituição que deputados estaduais podem receber até 75% da remuneração dos parlamentares federais.

Além da Assembléia de Alagoas, pelo menos outras 18 casas legislativas estaduais elevaram seus contracheques.

Por ora, Teotonio Vilela foi o único governador a ousar um veto. O arrojo solitário deve ter vida curta.

Os deputados estaduais têm a prerrogativa da última palavra. Podem derrubar o veto do governador.

Se tivesse bom senso, o contribuinte alagoano, que paga a bilheteria do circo, faria ruidosas manifestações à porta da Assembléia.

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Escrito por Josias de Souza às 21h22

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Internet desbanca TV nos EUA, na Europa e na China

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Escrito por Josias de Souza às 20h36

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Mundo teve 373 desastres em 2010: 296 mil mortos

Miran

Em 2010, as erupções da natureza produziram 373 desastres em todo o mundo. Custaram 296,8 mil vidas e US$ 110 bilhões em prejuízos materiais.

Os dados foram trazidos à luz por órgão ligado à ONU. Chama-se Unidir, uma sigla em inglês que significa Estratégia Internacional para a Redução de Desastres.

Pela primeira vez, o continente americano prevaleceu sobre os demais no ranking dos piores desastres. Deve-se a novidade sobretudo ao Haiti.

Sozinho, o terremoto haitiano de 12 de janeiro de 2010 levou à cova 22,5 mil pessoas.

Outro terremoto, que sacudiu o Chile em 27 de fevereiro do ano passado, foi ao topo da lista dos flagelos mais onerosos.

De acordo com a estimativa da ONU, o tremor chileno resultou em prejuízos de cerca de US$ 30 bilhões.

Embora impressione, a cifra está longe de igualar os danos materiais causados pelo terremoto de Sichuan, na China. Ocorrido em 2008, custou US$ 86 bilhões.

Depois da América, o continente mais castigado pelo clima foi a Europa. Deve-se a segunda colocação principalmente à onda de calor que ceifou 56 mil vidas na Rússia.

O levantamento da ONU faz um passeio macabro pelo mundo. Mencima as inundações que infelicitaram a França em junho de 2010...

...Cita os rigores de um inverno atípico que congelou a maior parte da Europa em dezembro passado...

...Recorda os terremotos da China (abril, 2.968 cadáveres) e da Indonésia (outubro, 530 mortos)...

...Empilha os cerca de 2.000 corpos que feneceram em desastres ocorridos no Paquistão...

...Refere-se às inundações e deslizamentos de terra que inquietaram a Austrália em abril e dezembro de 2010.

Secretária-geral do órgão da ONU que se ocupa dos desastres, Margareta Wahlström, realçou uma obviedade que nem todo mundo enxerga:

"Se não agirmos agora, vamos ver mais e mais desastres, devido à urbanização desordenada e degradação ambiental...”

“...Desastres relacionados ao clima com certeza vão aumentar no futuro, devido a fatores que incluem as alterações climáticas".

Entre os dias 8 e 13 de maio, a ONU tentará por de pé, em Genebra, na Suíça, uma “Plataforma Global para a Redução de Desastres”.

Espera-se que o governo brasileiro envie representantes para o encontro. Estados como Rio, São Paulo e Minas Gerais deveriam fazer o mesmo.

Apenas as inundações e desmoranamentos da região serrana do Rio, já garantiram ao Brasil posição de hediondo destaque nas estatísticas da ONU para 2011.

A soma parcial contabiliza os mortos do Rio em 809. Considerando-se a quantidade de desaparecidos (469), o potencial de covas é, por ora, de 1.278. Um acinte.

- Ilustração via Miran Cartum.

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Escrito por Josias de Souza às 19h50

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Paulinho: é ‘nefasta’ ideia de trocar o mínimo pelo IR

  Folha
Dirigentes das centrais sindicais se reúnem nesta quarta (26) com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

Vai à mesa o valor do novo salário mínimo. Contra os R$ 545 propostos pelo governo, as centrais pedem R$ 580.

Antes do encontro, o Planalto pendurou no noticiário um balão de ensaio. Consiste no seguinte:

As centrais esqueceriam os R$ 580 e, em troca, o governo corrigiria o valor da tabela do Imposto de Renda.

Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) apressou-se em divulgar uma nota.

No texto, Paulinho escreve: “A Força Sindical não aceitará a nefasta proposta de trocar o reajuste do salário mínimo pela correção da tabela do IR”.

A correção da tabela já havia sido incluída na pauta de três itens que as centrais desejam discutir. Os outros dois temas são o mínimo e as aposentadorias.

Paulinho adotou a tática do tudo ou nada: “Reafirmamos nossa proposta de R$ 580 para o salário mínimo, correção de tabela do IR em 6,5%...”

“...E reajuste de 10% para os aposentados e pensionistas que ganham valores acima do piso nacional”.

Filiado ao mesmo partido do ministro Carlos Lupi (Trabalho), o deputado enfatiza: “Vamos insistir nas três propostas”.

Em tese, o balão empinado pelo governo interessaria às centrais, cuja clientela, majoritariamente de classe média, quer saber mais do IR que do mínimo.

Porém, se Paulinho puder ser levado a sério, Carvalho terá alguma dificuldade para convencer o baronato sindical.

Braço do PT no sindicalismo, a CUT também torce o nariz para a ideia do fatiamento. Ouça-se o secretário-geral da central, Quintino Severo:

"Definimos sexta-feira, em reunião da Executiva, que queremos discutir toda a pauta. Não queremos desmembramento".

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Escrito por Josias de Souza às 17h43

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Gasto com transporte é igual à despesa com comida

News Image/Ipea

Estudo feito pelo Ipea revela que, na última década, os gastos do brasileiro com transportes se igualaram à despesa com alimentação.

Em 2000, o cidadão gastava, em média, 18,7% de seu orçamento para se locomover e 21,1% para comer.

Em 2010, os dispêndios com transportes subiram para 20,1%. E o pedaço do orçamento consumido em comida caiu para 20,2.

Pesquisa nacional detectou que 44,3% da população tem nos transportes públicos seu principal meio de lomoção. O índice é maior no Sudeste: 50,7%.

A despeito disso, a quantidade de ônibus em circulação no Brasil cresceu menos na última década do que o volume de veículos particulares.

Para cada ônibus novo que chega às ruas, surgem 52 automóveis. Verificou-se uma mudança no perfil da composição da frota particular.

Em 2000, os carros correspondiam a 62,8% do total de veículos do país. As motos somavam 13,3%.

Hoje, os automóveis respondem por 57,5%. A quantidade de motocicletas quase que dobrou: 25,2%.

Agora, há nas ruas das cidades brasileiras um ônibus para cada 427 habitantes. Em 2000, havia um para 649 pessoas.

A proporção de automóveis é, hoje, de um para cada 5,2 habitantes. Há dez anos, havia um caro para cada 8,5 pessoas.

Divulgados nesta segunda (24), os dados do estudo indicam que quase 50% de todos os usuários de ônibus encontram-se na região sudeste.

A maioria dos que usam motos (43,4%) mora em cidades do Nordeste. Estão nessa região também o grosso dos que se declaram adeptos da bicicleta (45,5%).

Perguntou-se aos entrevistados qual o meio de transporte que mais utilizam para se mover em suas cidades.

No total nacional, depois dos transportes públicos (44,3%), vieram o carro (23,8%) e a moto (12,6%). A seguir, uma curiosidade:

O número de brasileiros que declaram que se movimentam a pé (12,3%) é maior do que a taxa dos que disseram utilizar a bicicleta (7%).

A proliferação dos carros exerce sobre a percepção das pessoas um efeito instantâneo: 69% disseram enfrentar engarrafamentos diários.

O que há de mais revelador nas dobras do estudo do Ipea é o reforço de uma evidência: o Brasil é um país por fazer em matéria de transportes públicos.

- Serviço: Aqui, a íntegra do trabalho do Ipea. Aqui, as tabelas utilizadas na divulgação, feita em São Paulo.

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Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Novas regras limitam a emissão de superpassaportes

  Fábio Pozzebom/ABr
O chanceler Antonio Patriota (foto) deve entregar nesta segunda (24) a Dilma Rousseff proposta de reforma das regras para a emissão de passaportes diplomáticos.

São duas as principais alterações, informa a repórter Natuza Nery, na Folha. Ambas se referem à expedição de passaportes em “caráter excepcional”.

Numa prevê-se que, doravante, os beneficiários do mimo terão seus nomes veiculados no ‘Diário Oficial da União’. Algo que não ocorre hoje.

Noutra, limita-se a excepcionalidade aos casos de pessoas que tenham de viajar ao exterior em missão oficial do governo brasileiro.

O documento teria prazo de validade limitado ao tempo de duração da viagem. Se aceitas, as novidades vão a um decreto presidencial.

O Itamaraty faz por pressão o que deixou de fazer por obrigação. Foi arrancado da letargia por um lote de revelações incômodas.

O repórter Matheus Leitão levou às manchetes a revelação de que filhos e netos de Lula foram brindados com passaportes diplomáticos ilegais no apagar das luzes da gestão passada.

Acossado pela OAB e pela Procuradoria, o governo decidiu dar publicidade aos nomes dos detentores de passaportes. Todos? Não, apenas os “extraordinários”.

Não se sabe, por ora, o dia da rendição do Itamaraty à transparência, inscrita na Constituição como obrigação do Estado.

Marcos Cláudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-soberano que apalparam o superpassaporte, prometera devolver o documento. Até agora, nada.

Para desassossego geral, o Itamaraty informa que não cogita cancelar os passaportes tisnados pelas pechas do privilégio e da suspeição.

Por quê? Alega-se que há limitações legais para o cancelamento. Mantida a decisão, a Procuradoria da República no Distrito Federal deve dirigir-se à Justiça.

Deseja-se demonstrar à chancelaria que a lei impõe limitações não ao cancelamento do que é irregular, mas à manutenção do descalabro.

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Escrito por Josias de Souza às 05h15

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Filiado ao PSB, Skaf negocia mudança para o PMDB

Antônio Cruz/ABr

Durou pouco o pendor socialista de Paulo Skaff. O presidente da Fiesp, templo do capital industrial de São Paulo, negocia sua transferência do PSB para o PMDB.

Skaff manifestou o desejo de mudar-se para o PMDB numa conversa com o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), apadrinhado de José Sarney na Esplanada.

Os dois conversaram há seis dias, na quarta-feira (19) da semana passada. A pedido de Skaf, Lobão repassou à cúpula do partido o teor do diálogo.

Nas próximas semanas, será agendado um encontro do mandachuva da Fiesp com Michel Temer, vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB.

Skaff tornou-se um pseudosocialista em setembro de 2009. Em 2010, enrolado na bandeira do PSB, protagonizou uma malograda campanha ao governo paulista.

Antes de filiar-se à legenda presidida pelo governador pernambucano Eduardo Campos, Skaf tentou sentar praça no PMDB. Barrou-o Orestes Quércia.

Presidente do PMDB-SP, Quércia estava fechado com o tucanato. Foi às urnas como candidato ao Senado na chapa vitoriosa do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Abalroado por uma recidiva de câncer na próstata, Quércia viu-se compelido a renunciar à candidatura. Em dezembro, foi derrotado pela doença.

Nas pegadas da morte de Quércia, Michel Temer iniciou uma articulação para retomar o controle do partido em São Paulo. Algo que está prestes a se consumar.

Livre da presença de Quércia, Skaf sentiu-se à vontade para retomar o plano original. A caciquia do PMDB mostra-se interessada em abrigá-lo. Porém...

Porém, as boas-vindas a Skaf estão condicionadas agora a uma compatibilização dos interesses do ex-quase-socialista com os planos de Gilberto Kassab.

Prefeito de São Paulo, Kassab programa para abril sua transferência do DEM para o PMDB. Levará consigo o projeto de disputar o governo do Estado em 2014.

Para o PMDB, Kassab tem preferência sobre Skaf. Assim, o presidente da Fiesp teria de rebaixar suas pretensões políticas.

No mais, não há restrições à entrada de Skaf nos quadros do sócio majoritário do PT no consórcio governista.

Em 2007, Skaf liderou, no front empresarial, a batalha que resultou no enterro da CPMF e na maior derrota congressual da gestão Lula.

Desde então, Lula traz o presidente da Fiesp atravessado na traquéia. Dilma Rousseff, porém, já o digeriu.

Na eleição do ano passado, embora apoisasse o petê Aloizio Mercadante, Dilma foi a ato de campanha do então neosocialista Skaf.

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Escrito por Josias de Souza às 04h18

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As manchetes desta segunda

- Globo: Governo vai negociar IR em troca do salário mínimo

- Folha: Superpassaporte vai ter regra mais transparente

- Estadão: Por superávit, Dilma terá de economizar R$ 60 bilhões

- JB: Os judeus que Vargas rejeitou

- Correio: Após a humilhação, o abandono

- Valor: BG investe US$ 10 bi para ser a 2ª em petróleo no país

- Estado de Minas: Nem 5% dos últimos convocados pela UFMG comparecem

- Jornal do Commercio: Sport cai no Sertão e deixa a zona do G-4

- Zero Hora: Safra do Norte gaúcho compensa seca no Sul

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h41

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Uma esmolinha vitalícia, pelo amor de Deus!

Benett

- Via Gazeta do Povo. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Gilberto ‘Neogovernista’ Kassab recebe Dilma em SP

Com dois pés no PMDB, Gilberto Kassab preparou bolo com confeito governista para celebrar o aniversário da cidade de São Paulo, nesta terça (25).

O alcaide, agora um ‘quase-futuro-ex-demo’, injetou na festa paulistana uma homenagem ao mineiro José Alencar, ex-vice de Lula.

Com isso, atraiu Dilma Rousseff. Em três semanas de presidência, Dilma ausentara-se do gabinete uma única vez. Intimada pelas enchentes, fora ao Rio.

Internado no hospital Sírio Libanês desde 22 de dezembro, Alencar ainda depende de autorização médica. Disse que, por sua vontade, irá à festa.

Ao longo da semana, Dilma será vista fora da clausura do Planalto noutras duas oportunidades: quarta (26), em Porto Alegre; sexta (28), em Candiota (RS).

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Escrito por Josias de Souza às 23h21

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‘Sou perseguido pela Itália e pelo Judiciário do Brasil'

José Cruz/ABr

À espera da decisão do STF sobre o ato de Lula que negou sua extradição à Italia, Cesare Battisti falou aos repórteres Maria Mello e Vinicius Mansur.

O resultado da conversa vai às bancas na página quinta-feira (27), nas páginas da próxima edição da revista ‘Brasil de Fato’.

Condenado à prisão perpétua na Itália por envolvimento em quatro assassinatos, Battisti diz que fizeram dele um personagem inexistente:

“Fabricaram um monstro que não tem nada a ver comigo”, disse Battisti. Ele se julga perseguido:

“Me perseguem porque sou escritor, tenho imagem pública. Se eu não fosse isso, seria mais um, como vários italianos que saíram do país pelo mesmo motivo”.

Incluiu entre seus “perseguidores” também as togas brasileiras: “Sou perseguido pelo Estado italiano e pelo Judiciário brasileiro”.

Esforça-se para afastar o processo que o envolve da esfera judicial para a arena política:

“Me derrotar também é derrotar o Lula. Agora, o objetivo principal da direita brasileira, nesse caso, é afetar o governo Dilma”.

Vai abaixo um pedaço da entrevista de Battisti, antecipado pela revista na web:

- Como o senhor tem visto a repercussão do seu caso na Itália e no Brasil? É difícil falar disso, essa é a razão pela qual fiquei traumatizado e precisei de um psiquiatra. Só de ver alguma coisa que não tem muito diretamente a ver comigo eu já fico... meu coração dispara, já não me controlo, fico em um estado semi-consciente. Ontem, por exemplo, passou no SBT uma informação do Berlusconi com suas prostitutas. Só com o anúncio da notícia “Itália”, eu fiquei assim [trêmulo]. Fabricaram um monstro que não tem nada a ver comigo.

- Qual é o interesse nisso? Me perseguem porque sou escritor, tenho imagem pública. Se eu não fosse isso, seria mais um, como vários italianos que saíram do país pelo mesmo motivo. Sou perseguido pelo Estado italiano e pelo Judiciário brasileiro. Essa perseguição não é grátis. Não se desrespeitaria por nada uma decisão do presidente da República. Não existe um país no mundo onde a extradição não é decidida pelo chefe do Executivo. Imagina se essa decisão tomada pelo Judiciário brasileiro acontecesse em outro país, como na França, por exemplo. Seria um absurdo, impensável. E quando eu virei um caso internacional, virei uma moeda de troca para muitas coisas. Se o Lula desse essa decisão antes iam em cima dele, porque me derrotar também é derrotar o Lula. Agora, o objetivo principal da direita brasileira, nesse caso, é afetar o governo Dilma.

- Como o senhor recebeu a decisão do Lula? Foi ato de coragem. Por ser chefe de Estado do tamanho do Lula, com a responsabilidade que tem, envolvido na geopolítica. Claro que a escolha do momento não foi por acaso. O caso Battisti foi usado com outras razões políticas.

No início, Battisti considerava-se perseguido por Pietro Mutti, o ex-companheiro de armas que, beneficiado pela delação premiada, o entregou.

Depois, Battisti passou a considerar-se perseguido pelo Judiciário da Itália. Incluiu na lista todo o Estado italiano.

Agora, autoconvertido em vítima de uma inusitada pluriperseguição, considera-se acossado também pela "direita" e pelo Judiciário do Brasil.

Ou seja: para Battisti, só Battisti tem razão. Rodeia-o um implacável mundo injusto e perseguidor.

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Escrito por Josias de Souza às 21h36

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Com Lula, piadas. Com Dilma, não tem mais ‘recreio’

“Dilma não é tão brincalhona. Lula parava a reunião para contar uma piada. Com Dilma não tem recreio, só antes ou depois da reunião”.

Deve-se a avaliação acima à petista Iriny Lopes, uma das selecionadas por Dilma Rousseff para adensar a cota de saias da Esplanada.

Nova titular da Secretaria de Políticas para Mulheres, Iriny contou, em entrevista, que vai cultivar “três objetivos centrais”.

Um deles é “a inclusão econômica e social das mulheres”. Natural, já que a mulher ainda recebe salário médio inferior ao do homem.

“Outro ponto”, disse Iriny, “é institucionalizar a setorialidade das políticas”. Aqui, ou a ministra traduz o “irinês” para o português ou não será compreendida.

“A terceira meta é estender essa visão [da institucionalização da setorizlidade das políticas] aos governos e prefeituras”. De novo, “irinês” em estado bruto.

A ministra quer levar as ações de sua pasta ao asfalto no Carnaval. Em 2011, a terça-feira gorda –8 de março— coincide com o Dia Internacional da Mulher.

A ministra conta que tem “articulado reuniões com prefeitos de capitais, governadores e escolas de samba”. Para quê?

“Para levar ao Carnaval, sobretudo no Rio de Janeiro, marcando a Sapucaí, a presença da mulher”.

Misturar a causa feminina aos festejos da carne pode não ser bom negócio. No Carnaval, a mulher se torna uma espécie de Judas do feminismo.

Os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas são dominados pela fêmea-foliã, não pela mulher-cabeça.

Pode-se enxergar o Carnaval de diversos ângulos. Do ponto de vista sociológico, é manifestação genuína da cultura popular.

Submetido à ótica da Igreja, é festa pagã. Finalmente, filtrado pela lente da câmera de TV, o Carnaval é a bastilha do feminismo.

Na avenida, a causa libertária da mulher é como que esquartejada. O cinegrafista costuma servir a mulher aos pedaços.

Esfrega na cara do telespectador ora o seio ora a nádega. Ora o umbigo ora o púbis. De resto, a TV dá forma auditiva à degradação feminina.

Despeja no tapete da sala entrevistas em que a fêmea-foliã expõe a pior forma de nudez: a nudez cerebral.

- Em tempo: Foto de Elza Fíza, da Agência Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 20h08

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Pedofilia leva a aumento no número de ‘desbatismos’

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Escrito por Josias de Souza às 18h20

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Kassab articula para abril a troca do DEM pelo PMDB

Moacyr Lopes Jr./Folha

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, bateu o martelo e virou o prego. Vai mesmo deixar os quadros do DEM.

Seja qual for o desfecho da guerra interna pelo comando da segunda maior legenda da oposição, Kassab irá para o governista PMDB.

Comunicou a decisão ao presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, hoje seu principal aliado na agremiação que deixará para trás.

Kassab acertou-se, de resto, com Michel Temer, vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB federal.

Combinou de sentar praça no novo partido até abril. Antes, tentará plantar na presidência do DEM federal um aliado.

A nova caciquia da tribo ‘demo’ será escolhida numa convenção já agendada para o próximo dia 15 de março.

Junto com Bornhausen, Kassab tenta alçar à presidência de sua quase-ex-legenda Marco Maciel (PE), senador não reeleito.

Por que um político de malas prontas quebra lanças pelo comando da legenda em que fechará a conta? São dois os objetivos de Kassab.

Num, de curto prazo, deseja assegurar que a nova direção do DEM não reivindique na Justiça Eleitoral o seu mandato de prefeito infiel.

Noutro, de longo prazo, Kassab trabalha para manter o DEM ao alcance de futuras alianças. Como assim?

Nas negociações subterrâneas, ficou entendido que Kassab levará para o PMDB o projeto de candidatar-se ao governo de São Paulo, em 2014.

O PSDB do governador Geraldo Alckmin, potencial candidato à reeleição, será adversário de Kassab, não aliado.

Prevalecendo na disputa interna do DEM, Kassab imagina que, em vez de fechar com Alckmin, sua futura ex-legenda se aliaria a ele na próxima sucessão estadual.

Na trincheira oposta à de Kassab, milita o grupo do atual presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ). Uma ala que prefere entregar o cocar de chefe da aldeia a Agripino Maia, não a Maciel.

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Escrito por Josias de Souza às 05h22

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Nos órgãos mais cobiçados, desvios somam R$ 1,3 bi

Guto Cassiano

Auditorias e tomadas de contas feitas pela Controladoria-Geral da União revelam: Os dez órgãos mais disputados por PT e PMDB produziram desvios de R$ 1,3 bilhão.

O monturo de irregularidades refere-se a um período de quatro anos (2007-2010). Dado o volume e a reiteração, os desvios eliminam até o benefício da dúvida.

O governo deveria aproveitar as auditorias como oportunidade para a higienização. Porém, os malfeitos convertem-se em oportunidades que os partidos aproveitam.

Aos exemplos: FNS (irregularidades de R$ 663 milhões), Funasa (R$ 486,6 milhões), INSS (R$ 87,3 milhões), Correios (R$ 21,12 milhões), Incra (R$ 31,4 milhões)...

...Embratur (R$ 14,4 milhões suspeitos), Conab (R$ 13,6 milhões), Etc (R$...). Da CGU, o esquadrinhamento de gastos vai ao TCU (Tribunal de Contas da União).

Ali, tenta-se reaver verbas e impor punições. Coisas só obtidas de raro em raro. A despeito do nome, o "tribunal" de contas não compõem o Poder Judiciário.

Trata-se de órgão auxiliar do Congresso, com plenário apinhado de ex-congressistas. Nem todos os casos chegam à Polícia Federal. Apenas os mais desavergonhados.

Sob espalhafato, realizam-se prisões e operações de busca e apreensão. As detenções, por temporárias, logo são relaxadas. Seguem os inquéritos.

Quando bem sucedidos, resultam em denúncias do Ministério Público Federal. As que são convertidas em ações penais passam a correr no ritmo arrastado da Justiça.

Atônita, a platéia indaga: por que as verbas do Orçamento ainda saem pelo ladrão? Convém inverter a pergunta: porque os ladrões continuam entrando no Orçamento?

O governo diz que é por causa da necessidade de assegurar a governabilidade. Dá-se, assim, a conversão de um vocábulo nobre em sinônimo de perversidade.

- Em tempo: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

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Escrito por Josias de Souza às 03h40

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As manchetes deste domingo

- Globo: PM ajuda ex-traficantes a buscar emprego formal

- Folha: Países ricos fazem oferta de mão de obra para o Brasil

- Estadão: Órgãos mais disputados por partidos desviaram R$ 1,3 bi

- Correio: A guerra diária na saúde no DF

- Estado de Minas: UFMG convoca mais 3.326 candidatos

- Jornal do Commercio: Vidas sob risco

- Zero Hora: Chuva mata em Santa Catarina

- Veja: Guerra nas estrelas

- Época: A força da solidariedade

- IstoÉ: 100% natural

- IstoÉ Dinheiro: Sua internet é veloz?

- CartaCapital: Abandonados à própria sorte

- Exame: O bilionário da saúde

Leia os destaques de capa de alguns dos proncipais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h50

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De boca em boca, vai-se à boquinha vitalícia: pen$ão!

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Furto no Alemão? Cuidado, o ladrão pode vestir farda

Se você é um desses trabalhadores brasileiros com endereço no Complexo do Alemão, no Rio, preste atenção.

Quando for assaltado, antes de chamar o Exército ou a PM verifique se o assaltante não é soldado ou policial.

Nada menos que 53 fardas foram afastadas da “Força de Pacificação” do Alemão -30 do Exército, 23 da PM.

Por quê? Suspeita-se que tenham realizado furtos. Há na lista um tenente, sargentos, cabos e soldados.

Nesse ritmo, o morador do Alemão não conversará com militares e policiais senão em legítima defesa.

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Escrito por Josias de Souza às 23h02

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No twitter, Marisa e Virgílio expõem 'drama' do PSDB

Vice-presidente do PSDB federal, a senadora Marisa Serrano (MS) travou com o colega não reeleito Artur Virgílio (AM) um diálogo emblemático.

 

Dialogaram à distância, na noite passada, por meio do microblog. Abaixo, a reprodução da conversa:

 

Marisa: Este ano haverá mudanças no comando do PSDB. Dois nomes que não podem faltar: Tasso [Jereissati] e Artur Virgílio –líderes, combativos e competentes.

Virgílio: Nem você, Marisa, que se saiu muito bem no episódio Renan [Calheiros] e na CPI dos Cartões Corporativos.

Na sequência, Artur Virgílio, agora ex-senador, fez uma analogia entre Brasil e EUA.

Comparou a rivalidade PSDB X PT aos embates Democratas X Republicanos.

Virgílio: Marisa, acho que nosso partido tem de mudar muito pra não virar o Partido Democrata, especializado em perder para os Republicanos.

Marisa: É a famosa Refundação?

Virgílio: Esse nome me parece meio marqueteiro. Penso num partido mais solidário, organizado, sem egos inflados, sem medo de mostrar o Fernando Henrique.

Embora limitados à economia de caracteres imposta pelo twitter, Marisa e Virgílio resumiram os dramas do PSDB.

A maioria do tucanato avalia que o melhor seria substituir o atual presidente, Sérgio Guerra (PE), revitalizando o comando partidário.

Porém, às voltas com uma artilharia subterrânea que opõe os grupos de José Serra e Aécio Neves, o PSDB passou a considerar a hipótese de conceder sobrevida a Guerra.

Formou-se no partido um denso consenso quanto à necessidade de renovação do discurso, quiçá do ideário. Aécio levou à mesa a tese da “refundação”.

Desde então, os tucanos desperdiçam energia num debate estéril sobre o verbo a ser adotado: Refundar? Renovar? Atualizar? Reorganizar?

Pelas contas do TSE, há no Brasil 28 partidos políticos. No plano nacional, contudo, o país vive um bipartidarismo de fato.

Desde 1994, PSDB e PT monopolizam as disputas presidenciais. Daí a comparação com os EUA, feita por Virgílio.

Na ponta do lápis, o petismo prevalece sobre o tucanato por 3 X 2. FHC cravou dois mandatos. Com seu par de reinados, Lula empatou a peleja.

Em 2010, ano do tira-teima, Lula fez o gol do desempate ao acomodar na cadeira de presidente a novata Dilma Rousseff.

Para complicar, Lula e o PT frequentam o gramado com cara de favoritos para o próximo embate, em 2014.

Se Dilma fizer uma boa presidência, vai à reeleição. Se for um desastre, Lula 3º deixa o banco de reservas.

E quanto ao PSDB? Briga consigo mesmo. Subverte o brocardo. Demonstra que é errando que se aprende... A errar novamente.

Personificam a infantaria tucana dois “egos inflados”: Serra e Aécio. Dividido, o PSDB eterniza a fama: agremiação de amigos 100% feita de inimigos.

Em suas três derrotas (Serra-2002, Alckmin-2006 e Serra-2010), o PSDB entrou em litígio com o próprio passado. Condenou FHC ao armário.

Privou-se de celebrar conquistas da era tucana: a desestatização que livrou setores estratégicos da estagnação, o Plano Real, a Lei de Resposabilidade Fiscal.

Como não há vácuo em política, Lula levou à vitrine o bordão do “nunca antes na história”.

Apropriou-se do que havia de benfazejo na herança tucana. E adicionou à receita investimentos sociais cavalares. Caiu no gosto da base da pirâmide.

Tomado por sua movimentação, o PSDB revela-se viciado em autoflagelação. Para aproveitar a imagem de Virgílio:

Virou uma versão brasileira do Partido Democrata. Sem um Obama que o lidere e unifique, especializa-se “em perder para os Republicanos”.

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Escrito por Josias de Souza às 20h33

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A semana: água, pau, pedra, lama, lero-lero, sozinho

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Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Sobre pemedebês, petês, amor e relação patrimonial

Na política, como na vida, o amor não é coisa para amadores. Começa no “vem cá meu bem” e termina em quebra-quebra.

Reunidos numa mesma chapa, Dilma e Temer selaram a união entre PT e PMDB. Uma evolução. Sob Lula, o PMDB era legenda-concubina. Com Dilma, subiu o altar. 

Formalizou-se um matrimônio com cara de patrimônio –integralmente financiado pelo déficit público. Em campanha, trocaram juras de amor.

Nos primeiros dias de coabitação palaciana, Dilma teve de chamar Temer para discutir a relação. Rogou para que o quebra-pau fosse mantido longe das manchetes.

O repórter Valdo Cruz leva às páginas da Folha um artigo que ajuda a entender o porquê da desavença precoce. Ele manuseou uma pesquisa.

Feita em dezembro, nos dias que antecederam a posse, a sondagem revela que o amor dos pemedebês, tido por insincero, não é correspondido pelos petês.

Descobriu-se que, para a maioria dos partidários de Dilma, a fidelidade conjugal é possível, desde que numa relação a três, a quatro, a cinco...

Vai abaixo o texto de Valdo. Leva o seguinte título: "De ilusões e hipocrisias"

"Antes da guerra por cargos no governo Dilma, uma pesquisa revelou como poderia ser o relacionamento entre o PT e o PMDB, os dois partidos que formaram a aliança que elegeu a primeira mulher presidente do Brasil.

Feito pelo instituto FSB Pesquisa, o levantamento mostrou que os peemedebistas sonhavam em ter um excelente relacionamento com os petistas. Já esses não se encantavam tanto assim com o PMDB, o aliado de ocasião.

Ao serem questionados com que partido, além do PT, tinham melhor relacionamento, 38% dos parlamentares petistas citaram o PSB. O PC do B foi apontado como melhor parceiro por 30% dos petistas. Já o PMDB amargou a terceira posição, com 16% das citações.

Ao responderem à mesma pergunta, os peemedebistas declararam sua preferência circunstancial pelos petistas. Nada menos que 43% citaram o PT como o partido com o qual têm melhor relacionamento depois do PMDB.

Em segundo lugar, os peemedebistas citaram o PSB. O partido do governador Eduardo Campos foi citado por 11% dos peemedebistas. Em terceiro surgiu um partido de oposição, o PSDB, com 7%.

Realizada em dezembro do ano passado com deputados e senadores que vão tomar posse em fevereiro, a pesquisa revela que os peemedebistas sonhavam em se aproximar de vez dos petistas, de olho nos benefícios que poderiam colher como sócios diretos no governo.

Já os petistas não nutriam lá grande expectativa em relação ao PMDB. Pelo visto, anteviam o entrevero que surgiria à frente entre as duas legendas e, portanto, não podiam citar os peemedebistas como parceiro preferido.

Posso estar enganado, mas o resultado da pesquisa, hoje, seria bem diferente. Os peemedebistas seriam, creio, bem mais sinceros ao declarar sua preferência ou perderiam de vez qualquer ilusão depois da disputa pelas nomeações de cargos no governo Dilma".

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Escrito por Josias de Souza às 06h12

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As manchetes deste sábado

- Globo: Dilma enquadra ministro do Enem, que adia férias

- Folha: Escolas de SP cobram taxa ilegal de material

- Estadão: Dilma manda reverter venda irregular no Minha Casa

- JB: Ajuda que veio de longe

- Correio: Gasto secreto da Abin inclui até café

- Estado de Minas: STJ derruba todas as liminares contra Enem

- Jornal do Commercio: Estado terá mais 2 mil PMs até o carnaval

- Zero Hora: Seca já reduz abate em 30% no Estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Águas de janeiro!

Humberto

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Escrito por Josias de Souza às 01h17

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Clima: Há no Congresso 88 projetos ‘anti-desastres’

Composição L/Georges Rado

Escorre pelos escaninhos do Congresso Nacional uma enxurrada de projetos sobre desastres naturais. No Senado, há 48. Na Câmara, 40.

A torrente de projetos revela a repetição no Legislativo de uma tragédia comum ao Poder Executivo: a lamentação depois do fato.

Com uma diferença: no Legislativo a lamúria é mais inútil e irracional. Onde há 88 projetos anti-desastres não há nenhum.

A ação legislativa gira no ritmo do ciclo das chuvas. Começa-se a debater os efeitos das forças da natureza enquanto são contados os corpos do penúltimo desastre.

Depois, os protocolos das duas Casas do Parlamento são inundados de proposições. Algumas sugerem coisas definitivas sem definir muito bem as coisas.

Numa terceira fase, os projetos vão às comissões. Ali, dormitam nas gavetas até o surgimento da tragédia seguinte, que reaquece a atmosfera congressual.

O desastre da região serrana do Rio de Janeiro pegou o Congresso em pleno recesso. Decidiu-se não privar o noticiário da habitual reação pós-fato.

Foram convocados a Brasília os senadores e deputados da chamada Comissão Representativa do Congresso.

Trata-se de órgão composto às véspeas de cada recesso. Seus integrantes vão às férias. Mas comprometem-se a dar as caras em Brasília em casos de emergência.

Foi essa comissão, convocada às pressas, que encomendou aos técnicos do Congresso o levantamento sobre a quantidade de projetos em tramitação.

Quando a contagem de Brasília começou a ser feita, os corpos do Rio somavam pouco mais de 400. Fechada a soma dos projetos, os cadáveres já passavam de 700.

Em texto levado ao portal do Senado, informa-se: “Projetos que minimizam impacto de desastres naturais podem ser votados com prioridade”.

Foi o que ficou acertado na última reunião da tal Comissão Representativa, ocorrida na quinta-feira (20).

O uso do verbo no condicional (“podem") indica que, passado o ciclo das águas de verão, o clima de modorra também pode devolver o tema ao esquecimento.

Algumas das propostas em tramitação foram apresentadas nas pegadas das enchentes de 2008. Outras, no rastro dos estragos de 2009.

É o caso do projeto de lei nº 16, protocolado no Senado em 2009. Institui o ‘Programa de Revitalização de áreas atingidas por cheias’.

O signatário, Raimundo Colombo (DEM-SC), inspirou-se na tragédia que resultou da última enchente de Santa Catarina.

Levada à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a proposta foi à gaveta. Não mereceu nem mesmo a indicação de um relator.

Eleito governador de Santa Catarina na eleição passada, Colombo terá de lidar com a próxima enchente sem o plano que idealizou.

Renato Casagrande (PSB-ES) é autor de um dos mais bem acabados projetos. Leva o nº 65. Foi ao protocolo em 2010.

Engloba da ocupação irregular do solo à prevenção de catástrofes naturais. Encontra-se na Comissão de Infraestrutura, sem perspectiva de votação.

A exemplo de Colombo, Casagrande virou governador de seu Estado, o Espírito Santo, sem experimentar a ventura de ter o projeto apreciado.

Colombo e Casagrande ao menos estão vivos. Ainda podem sonhar com o improvável. Romeu Tuma (PTB-SP) não teve a mesma sorte. Apresentou em 2010 o projeto nº 4.

Impõe a realização de estudos geológicos e topográfico como pré-condição para edificações nas encostas de morros.

Morto pelo câncer durante as eleições de 2010, Tuma não verá sua proposição ser soterrada pelo esquecimento que se segue às tragédias anuais.

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Escrito por Josias de Souza às 23h59

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O que sucede no MEC?Haddad não tem uma resposta

Marcello Casal/ABr

Deve haver, escondida nos porões do MEC, uma escola de sabotagens e traições. Não é possível que tantos assessores já nasçam com tamanho Know-how.

Nas pegadas da penúltima trapalhada de sua pasta, o ministro Fernando Haddad veio aos refletores. Tentou prover explicações.

Referiu-se assim à tortura cibernética imposta à rapaziada que foi aos computadores do ministério para se inscrever no Sisu:

"Na minha opinião, [o sistema] foi estabilizado tardiamente. Era para ter sido resolvido no máximo no domingo [16]...”

“...Está comprovado que não foi problema de internet, planejamento, estrutura nem aplicativo...”

“...Os equipamentos estão funcionando perfeitamente bem. No meio do ano, a estrutura também funcionou muito bem, mas não agora".

Ora, se não falhou a internet, se o planejamento foi perfeito, se a estrutura e o hardware operaram a contento, não resta senão a hipótese da perfídia.

O ministro da Educação precisa interditar urgentemente a escola de deslealdade que opera nos subterrâneos de sua pasta.

Haddad cancelou as férias que tiraria neste sábado (22). Caiu-lhe a ficha depois de uma conversa que teve com Dilma Rousseff sobre as encrencas de sua pasta.

Decerto Haddad irá agora à caça do sabotador. Um espelho pode ser de grande serventia na busca.

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Escrito por Josias de Souza às 22h31

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Ministro admite (!?!?!): Defesa Civil precisa melhorar

Valter Campanato/ABr

O despreparo do Brasil para lidar com desastres da natureza evidencia mais do que a simples ausência de soluções.

Na verdade, o Estado brasileiro se deu conta de que vivia num estágio anterior. Ainda não havia sequer enxergado o problema.

Sob tal cenário, nada é mais sublime do que o encontro de um gestor público com o óbvio. Ouça-se o que disse o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional):

"Queremos acabar com a crítica recorrente de que a Defesa Civil é lenta, tardia e, quando o dinheiro chega, a tragédia já passou. Isso é verdade. Procede".

Bezerra almeja uma Defesa Civil “à altura do país que somos, a quinta ou sexta economia do mundo”. Exagera no PIB. Porém...

Porém, se entregar um sistema de defesa que aproxime o Brasil do terceiro mundo, terá produzido um feito.

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Escrito por Josias de Souza às 20h22

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Alvaro Dias sobre aposentadoria especial: ‘Caridade’

  José Cruz/ABr
Incluído no rol dos ex-governadores que requereram aposentadoria especial, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) veio à boca do palco para explicar-se.

Declarou que requereu a prebenda, veja você, para promover a caridade. Sim, exatamente. O senador diz que converterá a pensão em óbolo.

Governador do Paraná de 1986 a 1991, Dias refugara o benefício por quase duas décadas. Súbito, decidiu apalpar o que considerava impróprio.

Ao tempo em que chefiara o Executivo paranaense, Dias chegara a enviar à Assembléia Legislativa projeto que extinguia o descalabro.

"O projeto sequer foi votado. Na época não houve nem repercussão, nem apoio", diz agora, em timbre queixoso.

Aposentado retardatário, Alvaro Dias requereu, além da pensão mensal (R$ 24,8 mil), 65 pagamentos atrasados. Coisa de R$ 1,6 milhão. Tudo para a caridade.

Segundo disse, ruminava a intenção de socorrer instituições filantrópicas há quatro anos, desde 2007.

Como bom cristão, preferiu não "alardear" o plano. "Não pretendia fazer propaganda", ele explica.

O governo estadual ainda não deferiu o pedido dos atrasados. Quanto à pensão vitalícia, pinga na conta do senador desde novembro de 2010.

Alvaro Dias assegura que o primeiro naco, equivalente a R$ 24,8 mil, já teve um destino benemerente. Foi repassado a uma creche assentada em área pobre de Curitiba.

Não declinou o nome da instituição, mas informou que dispõe de documentos comprobatórios. Esmiuçou os números: “Com Imposto de Renda, deu R$ 18.673,21. Repasso até os centavos!”

Instado a comentar a intenção da OAB de questionar no Judiciário as aposentadorias especiais de ex-governadores, Dias soou assim:

"Tem político que termina vida política aos 85 anos, pobre, e sem aposentadoria". Parece já considerar normal o que outrora considerava anormal.

Político pobre em fim de linha é coisa rara. Mas, vá lá, pode existir. A pobreza, porém, não torna ninguém especial.

Do contrário, o Estado teria de prover pensões polpudas a todo brasileiro miserável que abriga sua velhice no INSS.

Alvaro Dias talvez não tenha se dado conta, mas os políticos inspiram na sociedade baixíssima taxa confiança.

De resto, o brasileiro confia em tudo, menos na caridade frívola. Se o altruísmo tem origem na política, a desconfiança será ainda maior.

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Escrito por Josias de Souza às 18h58

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Temer já admite que PMDB pode ficar sem a Funasa

  Alan Marques/Folha
Como queria Dilma Rousseff, o noticiário sobre a guerra de PMDB e PT pelas poltronas do segundo escalão deu uma trégua.

A ausência de manchetes indica que não houve nos últimos dias nenhum aumento na taxa dos apetite$ partidários. Continuam nos mesmos 100%.

Nesta sexta (21), porém, o vice Michel Temer pronunciou uma novidade. Admitiu pela primeira vez que sua legenda pode ficar sem a Funasa:

"A liderança do PMDB, o nosso Henrique Alves, esteve conversando com o ministro [da Saúde, Alexandre] Padilha...”

“...Ajustaram que o nome seria definido mais adiante, em conversa comum. Não é necessariamente do PMDB".

A julgar pelos relatórios de auditoria que farejaram na Funasa desvios de R$ 500 milhões em quatro anos, seria uma boa notícia.

Convém, no entanto, adiar o estouro dos fogos. Suponha que, em vez de optar por um especialista, o petista Padilha escolha um nome que o PT indicar.

Desde que perdeu aquela aura de moralidade heróica que o levava a considerar-se diferente dos outros partidos, o PT deixou de ser sinônomino de probidade.

Melhor, portanto, aguardar.

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Escrito por Josias de Souza às 17h53

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51% dos moradores pensam em deixar cidade de SP

A poluição de São Paulo exerce sobre as pessoas efeitos insondáveis. Quer irritar um paulistano? Simples. Fale mal da capital paulista. A reação será instantânea.

A despeito do “amor” pela cidade, a maioria de seus habitantes (51%) não hesitaria em mudar para localidade mais civilizada ( veja no vídeo).

Só pode ser consequência do ar. Em São Paulo, ele não é incolor nem inodoro. Contra todos os ensinamentos, o ar da Paulicéia fede e tem cor.

O morador de São Paulo vê o ar que respira. Aliás, o ar da cidade não é propriamente respirado. Pulmão nenhum o faria por gosto. Não é inalação. É invasão.

Sempre que submetido a teste, o “amor” por São Paulo claudica. A cada feriado, as saídas da cidade ficam entupidas. Há fuga em massa.

Abre parênteses: Quem fica se dá muito bem. Vazia, São Paulo é muito menos caótica, bem mais tragável. Fecha parênteses.

O “amor” do paulistano pela cidade não resiste a um feriado, eis a crua verdade. Insista-se: a explicação só pode estar no ar.

Além dos danos ao aparelho respiratório, afeta a visão. Cego de poluição, o sujeito acaba acomodando o bairrismo à frente do caos.

Até o velho bairrismo paulistano, porém, parece flertar com um limite.

Noutros tempos, o “amor” por São Paulo era maior do que os brônquios. Agora, nem tanto.

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Escrito por Josias de Souza às 16h42

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Pupilo de Aécio, Anastasia abre oposição pó-de-arroz

O govenador tucano de Minas, Antonio Anastasia, visitou Dilma Rousseff, no Planalto. Conversaram por cerca de 40 minutos.

Na saída, o pupilo do neosenador Aécio Neves (PSDB-MG) trocou um dedo de prosa com os repórteres.

Referiu-se a Dilma como “presidenta” –assim, com ‘a’ no final. É como a presidente prefere ser tratada.

Amabilidade em riste, disse que os governadores tucanos –oito no total— terão com Dilmauma “boa relação administrativa”.

Oposição? Só no Congresso: "No Parlamento é onde ela [a oposição] se manifesta de maneira sempre mais aguda e mais presente..."

"...Eu vim demonstrar que o Estado de Minas Gerais é um Estado parceiro do governo federal".

Na bica de estrear no Senado, Aécio Neves não parece afeito a essa oposição “mais aguda e mais presente” de que fala Anastasia.

Suponha-se, de todo modo, que a criatura saiba o que vai na alma do criador. Nesse caso, a política ficará bem mais engraçada.

No Palácio da Liberdade, a oposição pó-de-arroz de Anastasia. No Senado, o estilo flecha e curare de Aécio.

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Escrito por Josias de Souza às 15h29

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Sob Lula, governo vetou plano anti-desastres no PAC

José Cruz/Senado

Ainda sob a presidência de Lula, o governo elaborou um plano de prevenção contra desastres naturais. Pronto há dois anos, ficou no papel.

Previa a instalação de radares capazes de antever fenômenos climáticos como o excesso de chuvas que produziu mais de 760 mortos na região serrana do Rio.

Orçado em R$ 115 milhões o projeto seria incluído no PAC. Não foi. Tentou-se injetá-lo no PAC2. Mas o ministro Paulo Bernardo, então no Planejamento, vetou.

As informações foram repassadas, nesta quinta (20), a uma comissão do Congresso. Revelou-as Luiz Antonio Barreto (na foto lá do alto).

Ele comanda a Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Demissionário, Luiz Barreto será substituído por Carlos Nobre, pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A saída iminente como que destravou a língua do expositor. Ele contou que, depois de refugado pelos gestores do PAC, o plano anti-desastres foi lipoaspirado.

Sérgio Rezende, então ministro da Ciência e Tecnologia, pediu que Luiz Barreto incluísse o novo sistema num programa do próprio ministério.

Chama-se PCTI (Plano de Ação da Ciência, Tecnologia e Inovação). Em agosto do ano passado, criou-se um grupo de trabalho.

Mexe daqui, revisa dali os técnicos reduziram o investimento de R$ 115 milhões para R$ 36 milhões. Ainda assim, o governo não liberou a verba.

Falando a congressistas que interromperam o recesso para tratar das cheias do Rio, Luiz Barreto declarou-se “indignado” com o ocorrido.

Em tom assertivo, disse que, mesmo com o gasto mais modesto, o sistema de radares terá potencial para evitar a repetição da usina de cadáveres do Rio.

“Se nós gastarmos adequadamente R$ 36 milhões ao longo deste ano, não morre ninguém no ano que vem”, disse.

Luiz Barreto elogiou o substituto Carlos Nobre, escolhido por Aloizio Mercadante, novo ministro da Ciência e Tecnologia.

De resto, disse acreditar que o plano será desengavetado: “A solução existe, não custa um rio de dinheiro e está em boas mãos”.

O mais curioso é que, acossado pelos desastres que pipocaram em vários Estados, o governo viu-se compelido a liberar R$ 780 milhões para socorrer as vítimas.

Mais do que os R$ 115 milhões que seriam sorvidos pelo plano de prevenção de desastres. Muito mais do que os R$ 36 milhões da versão lipoaspirada.

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Escrito por Josias de Souza às 09h12

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UnB hesita em punir estudantes por trotes violentos

Luana Lleras/Ag.UnB

A foto acima exibe imagem captada nas dependências da UnB em julho de 2010. Depois de atravessar o stress do vestibular, os calouros foram submetidos ao trote. Deu-se num curral assentado atrás do Centro Acadêmico de Agronomia, sob o comando de estudantes veteranos.

Com as testas encostadas na extremidade superior de cabos de vassoura, os novatos rodaram até ficar tontos. Alguns levaram palmadas. Zonzos, meteram-se numa “piscina” em que se misturavam lama, restos de vegetais, folhas, galhos e lixo.

Foi apenas uma das passagens da temporada de trotes de 2010. Houve mais. As boas-vindas aos calouros oscilaram entre a humilhação e a homofobia. Desde então, a cúpula da UnB discute o que fazer para evitar a reiteração das práticas.

A iminência da inauguração do primeiro semestre letivo de 2011 fez reacender o debate. O tema voltou à mesa, nesta quinta (20), numa reunião do Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) da UnB.

Produziu-se uma discussão de contornos inusitados. A coisa foi esmiuçada num texto levado ao portal da universidade na web. Conta-se no relato que, divididos, os conselheiros decidiram nada decidir.

Agendou-se nova reunião para a quinta-feira (27) da semana que vem. No centro da controvérsia, bóia uma pergunta: Punir ou não os responsáveis pelos trotes sujos?

Uma das conselheiras, Andréa Maranhão, do Instituto de Biologia da UnB, invocou seus instintos maternos para defender a punição: “Como mãe, a gente faz isso com os nossos filhos. Existe um vácuo normativo e a gente não tem pelo que se pautar".

Simone Perecmanis, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, tentou revestir o debate com ossatura antropológica. Disse que a escola tenta civilizar a recepção aos calouros, substituindo o trote por visitas à fazenda e churrascos.

Porém, a própria “calourada” deseja “o rito de passagem”. Como assim? “Eles acham o trote uma coisa normal”, disse Simone. “Um aluno comentou que sua própria mãe o havia amarrado num poste e pintado seu corpo. Esse é um problema cultural”.

Outra conselheira, Marina Flores, que representa o diretório central dos estudantes, tentou afastar a discussão do tacape. Contrária às punições, ela declarou: “Conscientizar é mais importante, principalmente para aqueles que acreditam na educação”.

Interveio Neio de Oliveira, do Centro de Excelência em Turismo da UnB. Injetou no lero-lero uma personagem apropriada: a Mãe Joana. “Precisamos de norma que garanta punição, mas como ainda não temos, essa prática [o trote] ainda segue acontecendo. Aqui não é a casa-da-mãe-Joana”.

Em timbre acomodatício, o vice-reitor da UnB, João Batista, tentou jogar a resolução do problema para um ponto longínquo da folhinha: as calendas. Sugeriu uma parceria com a Secretaria de Educação do DF. Para quê? Para que os futuros alunos da UnB sejam amaciados desde a mais tenra infância:

“Esse assunto é um problema que precisa ser trabalhado com todos, inclusive com os pais, a longo prazo. Eu sou radicalmente contra o trote, mas punição não resolve”.

Um pedaço da reunião foi consumido com a análise de uma cartilha. Verificou-se que Joana, a mãe das casas anarquizadas, pode, sim, ter passado pela UnB. Impressa no ano passado, no rastro das recepções violentas, a cartilha carrega, além de mensagem anti-trote, erros.

“Erros de concordândia e inconsistência conceitual”. Coisas que talvez levassem os autores à reprovação numa prova de redação do Enem. Seria adequado redistribuir a peça aos estudantes? Rachel Nunes, decana de Assuntos Comunitários da universidade, foi ao ponto:

“O problema aqui não é conceitual. Jogar fora é um desperdício de dinheiro público”. Rafael Barroso, assessor do gabinete do reitor, ecoou Rachel. Ele reconheceu os erros, recordou que a cartilha passou pelas mãos de uma revisora de textos da UnB e arrematou: “Não pode ser simplesmente jogada no lixo.”

Denise Bomtempo, decana de Pesquisa e Pós-Graduação, divagou sobre o vexame. Disse que erros de português não ornam com universidade: “É melhor não distribuir”.

Abstendo-se de responsabilidade pelo material tóxico, Hartmut Günther, do Instituto de Psicologia da UnB, sugeriu uma espécie de investigação: “É preciso pesquisar mais sobre o tema, já que estamos na academia, com tantos professores”.

O vaivém transferiu a encrenca da cartilha para a pauta da próxima reunião, aquela que foi agendada para a próxima semana. De concreto, por ora, apenas uma impressão incontornável:

Se fosse feita de vidro, a UnB proporcionaria à platéia espetáculos memoráveis. Quem lê a transcrição das declarações que soaram entre quatro paredes enxerga com nitidez o pano de fundo contra o qual prolifera a má educação que vulgariza os trotes.

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Escrito por Josias de Souza às 06h57

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MEC cogita criar estatal para gerir aplicação do Enem

  Alan Marques/Folha
Depois de gerir com a máxima competência a incompetência que tisnou as últimas rodadas do Enem (2009 e 2010), o MEC flerta com o inusitado.

Nos subterrâneos, a pasta “administrada” pelo ministro Fernando Haddad cogita criar uma nova estatal para cuidar da aplicação de seus exames.

Além de se ocupar do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), a ‘Examebras’ aplicaria o Saeb (Prova Brasil) e o Enad (Exame Nacional de Desempenho).

Deve-se a revelação ao repórter Demétrio Wéber. Ele conta que um grupo de trabalho dedica-se ao estudo da novidade.

Participam do debate representantes de dois ministérios: o da Educação e o do Planejamento.

O plano mastigado pelo grupo traz no miolo a ideia de aproveitar na nova estatal a estrutura do Cespe (Centro de Seleção e Promoção de eventos).

Vem a ser um órgão vinculado à UnB (Universidade de Brasília). Foi contratado pelo MEC para para realizar o novo Enem, em parceria com a Fundação Cesgranrio.

Longe dos refletores, a equipe de Haddad ocupa-se do debate sobre a ‘Examebras’ desde o ano passado.

Ouvido, o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Júnior, disse ter tratado da matéria num par de reuniões com Fernando Haddad.

Conversaram pela primeira vez no final de 2010. Voltaram a conversar no início deste mês de janeiro.

Cabe a José Geraldo, como reitor da UnB, responder pelo Cespe. Ele observa a movimentação do MEC de esguelha.

A despeito de afirmar que desconhece os detalhes da proposta, receia que a nova estatal acabe por assumir as rédeas do Cespe, desvirtuando-o.

Hoje, além de realizar avaliações do ensino, o órgão da UnB organiza concursos públicos.  

No apagar das luzes da gestão Lula, o governo já havia pendurado no organograma do MEC uma nova estatal, dedicada à gestão de hospitais universitários.

Aplicando-se a mesma fórmula aos exames anuais, o MEC responderá ao inconcebível (a desmoralização do Enem) com o impensável (a criação da ‘Examebras’).

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Escrito por Josias de Souza às 04h59

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As manchetes desta sexta

- Globo: Governo vetou a inclusão de plano de alerta no PAC

- Folha: Dilma vai propor redução de tributo pago para o INSS

- Estadão: Minha Casa, Minha Vida sofre com calote e venda irregular

- JB: Os primeiros espinhos

- Correio: Balançou

- Valor: Brasil rejeita controle de preço de matérias-primas

- Estado de Minas: Justiça manda abrir provas do ENEM e prorrogar o SISU

- Jornal do Commercio: Governo vai reequipar Corpo de Bombeiros

- Zero Hora: Três dias numa cadeira

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Luto!

Benett

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Escrito por Josias de Souza às 00h33

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José Serra atribui alta dos juros à ‘festança eleitoral’

Lula Marques/Folha

Um dia depois de o Banco Central ter elevado os juros de 10,75% para 11,25% ao ano, o tucano José Serra criticou a medida em timbre ácido.

Plugado à web na noite desta quinta (20), Serra pendurou uma, duas, três notas sobre o tema no seu twitter.

Mencionou o óbvio: “Os juros reais brasileiros, que já eram os mais altos do mundo, cresceram mais”.

Ironizou o início de gestão de Dilma Rousseff: “Até agora, esta foi a medida mais importante do atual governo”.

Numa alusão à política de cofres abertos adotada no final da gestão passada, anotou que “a causa” da puxada nos juros foi “a festança eleitoral do governo Lula-Dilma”.

Serra orçou o “custo” do meio ponto percentual injetado na taxa anual de juros: “O governo federal vai gastar cerca de R$ 8 bilhões anuais pagando juros”.

Comparou: “Isso equivale a quase dois terços do que se gasta com o Bolsa Família. É superior ao orçamento de 12 Estados”.

No pronunciamento em que reconheceu a derrota para Dilma na corrida presidencial encerrada em outubro de 2010, José Serra dissera:

“Para os que nos imaginam derrotados eu quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade...”

“...Minha mensagem de despedida neste momento não é um adeus, mas um até logo”.

Pois bem. Serra voltou. Depois de um mergulho de pouco mais de dois meses, dedica-se a espinafrar o novo governo no microblog.

Serra exercita agora todo o oposicionismo que hesitou em praticar no ano passado. Na briga pelo voto, revelou-se capaz de tudo, exceto de se opor a Lula.

Na primeira fase da campanha, Serra surpreendeu até os aliados ao levar a foto de Lula à propaganda televisiva, associando sua biografia à do patrono da rival.

Passada a quarentena da derrota, o ex-quase-oposicionista leva às fronteiras da web um antagonismo em seu grau máximo.

Nos últimos dias, o Serra do microblog revelou-se um adversário atento. Nada parecia escapar-lhe ao campo de visão.

Discorreu sobre o flagelo que produz cadáveres em conta-gotas na região serrana do Rio de Janeiro. Primeiro, mirou em São Pedro:

“Quaisquer que sejam as responsabilidades históricas e atuais dos governos, as catástrofes decorrentes das chuvas...”

“...Têm a ver com o volume inusitado de água nos anos recentes. São verdadeiras mudanças climáticas, que, aliás, envolvem todo o mundo”.

Depois, Serra voltou-se contra a dupla que o fez amargar sua segunda derrota em eleições presidenciais. Soou implacável:

“As tragédias não serão atenuadas com o gogó. Não bastam anúncios, como os feitos pelo governo Lula-Dilma há um ano e nada acontecer”.

Oposicionista retardatário, Serra já nem se importa em flertar com um surto de amnésia.

O grão-tucano se esquece de recordar que, até bem pouco, governava uma São Paulo que, submetida à hegemonia tucana, convive com cheias anuais.

No twitter, Serra salta de um assunto a outro com a velocidade de um raio. Servindo-se do noticiário sobre o descalabro da Funasa, recobra a memória:

“Como eu disse mil vezes o PT destruiu a Funasa e a Anvisa, com fisiologismo, corrupção e incompetência”.

Antes mesmo da subida dos juros, Serra realçava a herança deixada por aquele Lula que, na campanha, dissera estar “acima do bem e do mal”:

Escreveu: “Economia brasileira hoje: inflação em alta, déficit sideral do balanço de pagamentos, nó fiscal, carências agudas de infraestrutura...”

Acrescentou: “...Tudo isso foi produzido no governo Lula-Dilma e deixado para o governo Dilma. Ou não?”

Num instante em que o DEM se auto-extirpa numa guerra interna e o PSDB discute o significado do vocábulo “refundação”, Serra desce à arena com disposição de leão.

Não parece disposto a entregar de mão-beijada ao neo-senador Aécio Neves os títulos de “líder da oposição” e de "candidato natural".

Aécio fala em “construir pontes”. Serra, antes acomodatício, acomoda dinamite nos pilares. Decifra-se o enigma do “até logo” de outubro. Significa 2014.

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Escrito por Josias de Souza às 23h20

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O Brasil é especializado especialmente em especiais

O Brasil tornou-se um empreendimento especial. Entre todas as suas especializações, concentra-se especialmente no zelo com os cidadãos especiais.

Nos últimos dias, foi às manchetes a última especiaria da receita nacional: as aposentadorias especiais de ex-governadores e suas viúvas.

Usufruem da prebenda cerca de seis dezenas de brasileiros. Governam por quatro anos e credenciam-se ao recebimento de pensões vitalícias.

Coisa fina: 100% do salário de um governador ativo, 13º garantido e o direito de transferência à viúva depois da morte.

Há casos em que o especial vira especialíssimo. Substituto eventual do governador, apalpa pensão de especialista sem quebrar a marca de dez dias na cadeira.

Surgiram também casos de especiais retardatários. Reivindicam com atraso o benefício que consideravam imoral.

Em meio à estupefação generalizada, uns pedem e, depois, ensaiam o recuo. Outros reivindicam até os atrasados.

Toda especialização nega aos especialistas o conhecimento de tudo o mais à sua volta. Ignoram, por exemplo, o escárnio que inspiram.

Dilma Rousseff decidiu não enviar ao Congresso uma proposta de reforma da Previdência. Uma pena.

Seria divertido ouvir esse Brasil especializado especialmente em dar boa vida aos seus especiais explicar-se aos brasileiros que abrigam sua velhice no INSS.

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Escrito por Josias de Souza às 22h01

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Cartão corporativo: R$ 80 milhões torrados em 2010

Em 2010, último ano do reinado de Lula, o governo torrou R$ 80 milhões com cartões corporativos –R$ 15 milhões a mais que em 2009. Um recorde.

Deve-se a compilação das despesas ao repórter Milton Júnior, do sítio Contas abertas

Criados em 2001, sob FHC, os cartões sorveram desde então da bolsa da Viúva notáveis 357,6 milhões de reais.

A repartição mais estróina é a Presidência da República. Responde pelo grosso das despesas: 105,5 milhões de reais nos últimos nove anos.

O governo se jacta de ter levado as despesas ao “portal da transparência”. Esquece-se de mencionar, porém, um famigerado detalhe.

Nada menos que 93% dos dispêndios feitos com cartões são sigilosos. Sabe-se que a grana saiu. Mas ignora-se o seu destino.

Sonega-se da platéia o essencial sob a seguinte alegação: os dados são “protegidos por sigilo, para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

No topo do ranking de gastadores de 2010 encontra-se o Ministério do Planejamento, que triplicou as despesas em relação a 2009: R$ 19,3 milhões.

Aqui, ao menos, há uma explicação plausível. O salto é atribuído ao manuseio de cartões por agentes contratados pelo IBGE para a realização do censo.

Sozinho, o IBGE respondeu por quase 90% do aumento de R$ 15 milhões anotado em 2010.

Logo a seguir vem a Presidência, com gastos totais de R$ 18,9 milhões. Tudo protegido sob o manto do sigilo.

Em 2007, como se recorda, o estouro dos cartões converteu-se em escândalo. O governo prometera, então, racionalizar as despesas.

Deu-se, porém, o oposto. A coisa avolumou-se. Onze órgãos tonificaram o uso do dinheiro de plástico.

Deus criou o dinheiro. E o homem se deu conta de que era boa a criação divina. Mas o diabo logo inventou o Imposto de Renda.

Desde então, os governos desfrutam do mais delicioso de todos os privilégios: o direito de torrar a grana alheia.

A idéia de que dinheiro público é grátis faz de toda tentativa de governo um ato de desperdício.

O Estado gasta a mancheias o que recolhe com mão grande. De quebra, chama de "contribuinte" o coletado involuntário.

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Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Fidel admite: ‘Cometemos erros’. Quais? Ele não diz

Anote a data na sua agenda: 20 de janeiro de 2011, quinta-feira. O dia em que começou a cair a ficha de Fidel Castro, 84.

Reconheceu: "Nós, revolucionários cubanos, cometemos erros, e continuamos cometendo, mas jamais cometeremos o erro de ser traidores".

As expiação não foi completa. O ditador disse que a revolução “continua de pé”. De resto, absteve-se de listar os erros cometidos.

Melhor assim. A lista tomaria todo o tempo do mundo. Já não há, como se sabe, pecados originais na velha ilha.

De resto, ao chegar aos pecados capitais, Fidel decerto esqueceria o mais importante: o capital propriamente dito.

Desde que lhe faltaram as verbas da velha União Soviética, não obteve nenhum outro provedor. Em meio às exéquias, finge que "continua de pé".    

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Escrito por Josias de Souza às 17h49

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No ‘PAC2’, governo Dilma almeja o sucesso sem suor

Elza Fiúza/ABr

Dilma Rousseff reuniu-se nesta quinta (20) com 17 de seus 37 ministros. Integrantes de uma câmara de infraestrutura, conversaram sobre o PAC.

Ao final, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) resumiu o espírito da coisa assim:

"Nós começamos os trabalhos com um balanço do que foi o PAC1 para que a gente consiga fazer um PAC2 com tanto sucesso quanto o PAC1, mas com menos suor do que fizemos nos primeiros anos".

Desde que o proto-homem mordeu o fruto proibido, nunca antes na história da humanidade logrora-se alcançar o Éden do êxito sem o derramamento de suor. Será a primeira vez.

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Escrito por Josias de Souza às 16h48

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Sob Dilma, citar passado é falar de Lula pelas costas

Decreto editado em 2005, ainda no primeiro reinado de Lula, previa a implantação de um sistema nacional de alerta e prevenção de desastres climáticos. Ficou no papel.

Acossada pelos cadáveres do Rio –748, noves fora os 333 desaparecidos— a gestão Dilma decidiu abrir a gaveta. Vai iniciar a implatação do tal sistema.

Nesta quinta (20), o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) reiterou: a coisa vai demorar 4 anos. Ou seja: só vai estar 100% no próximo governo.

A certa altura da entrevista, Mercadante viu-se compelido a reconhecer: “Nós não fizemos isso em 510 anos. Vamos fazer isso o mais rápido possível...”

Nós quem? “Os prefeitos não fizeram, os governadores não fizeram, os governos anteriores não fizeram”.

Em termos cronológicos, a gestão Dilma é o governo Lula que não passou. A nova presidente é legítima representante do presente do pretérito.

Até ontem, “governos anteriores” eram sinônimos de FHC e PSDB. Agora, a expressão tornou-se um coletivo que inclui outro par de substantivos: Lula e o PT.

Talvez por isso, Mercadante tenha soado algo compreensivo. Como que a justificar a omissão, o ministro disse que, antes, condições climáticas eram mais favoráveis.

“As tempestades tropicais estão se intensificando e estamos precisando de uma resposta, e vamos atrás dela o mais rápido possível”.

A previdência humana costuma salvar muitas vidas. Na falta dela, ocupa o vazio a providência divina, que se ocupa da triagem dos mortos.

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Escrito por Josias de Souza às 15h20

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Celso de Mello: ‘Controle da mídia é ideia inaceitável’

   Alan E.Cober
O governo planeja enviar ao Congresso, como se sabe, o que chama de “marco regulatório da mídia”.

A íntegra da peça é, por ora, desconhecida. Cuida do tema, por delegação da presidente Dilma Rousseff, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações).

Em entrevista à CRTV, uma ‘webTV’ da cidade de Tatuí (SP), o ministro Celso de Mello, decano do STF, foi instado a comentar o tema.

A julgar pelo que disse, o governo tende a naufragar no Supremo se incluir em seu projeto qualquer tentativa de exercer controle editorial.

Apertando aqui, você chega ao trecho da entrevista em que Celso de Mello discorreu sobre o tema. Ele soou peremptório:

“Nenhum governo tem legitimidade política, ética e muito menos jurídica para impor restrições aos órgãos de comunicação social...”

“...Uma ideia como essa de controle, especialmetne de controle editorial da opinião [...] dos meios de comunicação social, é uma ideia absolutamente inaceitável...”

“É absolutamente incompatível com o sistema constitucional de direitos e garantias fundamentais”.

Segundo Celso de Mello, a Constituição brasileira “é muito clara ao consagrar o postulado da liberdade de imprensa, da libereade de expressão do pensamento”.

O ministro pondera: “É evidente que nehuma liberdade é absoluta, nenhum direito tem conotação absoluta”. Depois, explica:

“Eventual transgressão [...] por parte de quem exprime uma opinião, poderá eventualmente, como prvê a própria Constituição, gerar a responsabilidade daquele que abusar da liberdade de manifestação”.

Acrescenta: “Essa reação deverá sempre ocorrer a posteriori. E sempre mediante intervenção do Poder Judiciário”.

Evocou uma obra de Rui Barbosa. Chama-se “A Imprensa e o Dever da Verdade”. Coisa de 1923.

Trata, segundo o ministro, do “delicado equilíbrio” que deve haver entre o exercício do direito de opinião e o direito à preservação da honra e da imagem das pessoas.

Algo que, na opinião do ministro, não legitima o “controle do pensamento”. Ao conrário:

“Qualquer sociedade que aplauda o controle do pensamento ou da opinião editorial dos jornais ou do livre curso das noticias e das ideias é uma sociedade totialitária, opressora...”

“...Não podemos aceitar, muito menos tolerar, nem sequer admitir esta opressão estatal sobre o pensamento”.

Celso de Mello citou uma frase atribuída a Thomas Jefferson.

“Dizia ele: ‘Se me fosse exigido escolher entre um governo sem imprensa ou uma imprensa sem governo não hesitaria em optar por uma imprensa sem governo'.”

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Escrito por Josias de Souza às 07h28

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União gay, aborto e cotas raciais vão à pauta do STF

CRTV/Divulgação

Ao retornar das férias, em fevereiro, os ministros do STF vão se debruçar sobre um lote de processos polêmicos. Nada a ver com o caso Cesare Battisti.

No gozo dos últimos dias de descanso, o decano do Supremo, Celso de Mello, falou à CRTV -uma 'WebTV' que opera em Tatuí (SP), cidade natal do ministro.

A certa altura, Celso de Mello listou os três temas que considera mais espinhosos: união civil entre homossexuais, aborto e cotas universitárias.

Aqui, o pedaço da entrevista em que o ministro discorre sobre a agenda do Supremo para 2011.

Segundo ele, “um dos primeiros casos a ser julgados é o da união civil homossexual, a união civil gay”.

O caso teve origem numa ação movida pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Deu entrada no STF em março de 2008.

No texto, Cabral anota que o Código Civil brasileiro reconhece como legítima a união estável entre casais heterossexuais.

Pede ao Supremo que estenda o mesmo regime jurídico aos servidores do Estado que vivem em “união homoafetiva”.

O relator do processo é o ministro Carlos Ayres Britto. Prevê-se que dará razão a Cabral, igualando heterossexuais e homessexuais em direitos.

Chamado a opinar, o Ministério Público manifestou-se em julho de 2009. O parecer leva a assinatura da vice-procuradora-geral Deborah Duprat.

Ela dá razão a Cabral: “A negativa do caráter familiar à união entre parceiros do mesmo sexo representa uma violência simbólica contra os homossexuais...”

Duprat pede que a decisão do STF não se restrinja ao âmbito do Rio. Reivindica que o tribunal dê ao pedido “caráter nacional”.

Pede que os ministros declarem a “obrigatoriedade do reconhecimento, como entidade familiar, da união entre pessoas do mesmo sexo...”

“...Desde que atendidos os mesmos requisitos exigidos para a constituição da união estável entre homem e mulher”.

Por precaução, a Procuradoria da República ajuizou, ela própria, uma ação sobre o mesmo tema.

Apenas para “assegurar que a eventual conclusão de procedência do pedido [de Cabral] assuma foro nacional”.

Vai à pauta também, segundo Celso de Mello, “outro tema talvez mais delicado ainda, que envolve a questão do aborto”.

O processo trata do “problema da antecipação terapêutica do parto”. Celso de Mello esmiuçou:

“Nós vamos dizer se a mulher tem ou não o direito de praticar esta antecipação terapêutica de parto, que nada mais é do que eufemismo para aborto...”

“...Na hipótese de um feto ser portador de anencefalia, vale dizer não ter cérebro ou ter desenvolvimento muito rudimentar do tecido cerebral”.

Neste caso, o relator é o ministro Marco Aurélio de Mello. A autora da ação é a CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde). Foi ajuizada em 2004.

Celso de Mello incluiu ainda no rol dos processos polêmicos com julgamento previsto para 2011 ações que tratam de cotas universitárias (raciais e sociais).

Há dois processos sobre o tema, ambos submetidos à relatoria do ministro Ricardo Lewandowski.

Num, o DEM questiona a consticucionalidade do sistema de cotas raciais implantado na UnB (Universidade de Brasília).

Noutro, o estudante Giovane Pasqualito Fialho contesta a reserva de vagas para alunos egressos do ensino público na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Giovane foi ao STF depois de ter sido reprovado num vestibular da universidade gaúcha. Obteve pontuação superior à de candidatos beneficiados pela cota social.

Nessas duas ações, o parecer do Ministério Público opinou a favor das cotas raciais e sociais. Considera que os dois sistemas não afrontam a Constituição.

Em manifestações sobre o caso, Lewandowski esquivou-se de revelar pistas sobre o teor do voto que levará ao plenário.

Disse, porém, que a deicsão que vier a ser tomada pelo Supremo terá de ser observada por todas as universidades brasileiras.

Aqui, um trecho da entrevista em que Celso de Mello responde a uma indagação sobre o caso do terrorista italiano Cesare Battisti.

Vale a pena assistir. O ministro faz um histórico do caso. Conhece-o como poucos. Foi ele quem decretou a prisão de Battisti, há quatro anos.

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Escrito por Josias de Souza às 06h00

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Chávez retira do ar novela estrelada por ‘Venezuela’

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Escrito por Josias de Souza às 04h38

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As manchetes desta quinta

- Globo: BC de Dilma aumenta juros para conter inflação de Lula

- Folha: Governador por 10 dias recebe pensão para a vida toda

- Estadão: BC de Dilma aumenta juros na 1ª reunião e indica novas altas

- JB: Em paz para sonhar

- Correio: Descaso crônico na central de remédios

- Valor: Governo quer tirar da Caixa exclusividade em repasses

- Estado de Minas: INSS vai pagar benefício extra a vítimas da chuva

- Jornal do Commercio: Salvamento ameaçado

- Zero Hora: Mortes em acidentes crescem 15% em 2010

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Tribunal de (faz de) Contas da União!

Nani

- Via Nani Humor. Aqui e aqui, as notícias que inspiraram o artista. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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Mínimo: Planalto pisca e recebe as centrais sindicais

  Cris Komesu/Folha
No debate sobre o novo salário mínimo, o Planalto piscou pela segunda vez.

As pestanas oficiais moveram-se pela vez primeira na semana passada.

Depois de o ministro Guido Mantega (Fazenda) ter dito que qualquer coisa acima de R$ 540 seria vetada, a cifra foi a R$ 545.

Algo tão previsível quanto necessário. Fixado sob Lula, o valor inicial não cobria nem a inflação.

Fechado o índice inflacionário de 2010, verificou-se que faltavam R$ 3 ao mínimo.

Com a categoria que lhe é peculiar, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, levou os lábios ao trombone: não dá para “uma dose de cachaça”, disse.

Generoso, o governo arredodou o acréscimo para R$ 5. As centrais sindicais –a petista CUT entre elas— foram às ruas.   

Sobreveio, então, o segundo movimento de cílios. Decidiu-se, nesta quarta (19), convidar os barões do sindicalismo para uma reunião no Planalto.

Será na quarta-feira (26) da semana que vem, na sala do novo Secretário-Geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho.

As centrais reivindicam um mínimo de R$ 580. Dilma Rousseff não se dispõe a chegar a tanto. Porém...

Porém, de psicada em piscada, o governo instila nos interlocutores a impressão de que, forçando a porta, pode-se chegar a algo além dos R$ 545.

O deputado Paulinho, filiado ao mesmo PDT do ministro Carlos Lupi (Trabalho), celebrou a abertura do diálogo:

"Essa é uma boa notícia. Acho que as coisas, as linhas de conversas, melhoraram muito no governo".

Repete-se sob Dilma uma prática institucionalizada por Lula. Negocia-se com o sindicalismo um projeto que cabe ao Congresso aprovar.

Líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves pediu, há duas semanas, uma reunião de Mantega com os partidos governistas. Por ora, nem sinal.

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Escrito por Josias de Souza às 23h30

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No Senado, PT se engalfinha pelos postos de mando

O novo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE) converteu-se em gerente de conflitos. Administra uma bancada em pé de guerra.

Guindado pelas urnas à condição de segundo maior partido do Senado, o PT ganhou musculatura para reivindicar postos de mando na Casa.

O petismo emergiu das urnas com 15 senadores. Em quantidade, só perde para o PMDB, seu sócio no consórcio governista.

O problema é que o apetite dos senadores do partido de Dilma Rousseff é maior do que o número de poltronas em disputa.

Vai abaixo uma lista dos contenciosos que o líder Costa vê-se compelido a administrar. Por ora, sem sucesso:

1. Vice-presidência: Impedido de reivindicar a presidência do Senado, hoje um posto cativo de José Sarney, o PT foi ao tacape pela vice.

Guerreiam pela poltrona Marta Suplicy (SP) e José Pimentel (CE). Afora os atrativos naturais da função, aguça-lhes o interesse a idade elevada de Sarney.

Imagina-se que, sem a vitalidade de outrora, o velho morubixaba da tribo dos pemedebês cederá nacos de poder ao segundo da hierarquia.

Em vez da vice, o PT poderia ter reivindicado a Primeira Secretaria, como fazia o DEM ao tempo em que detinha a segunda maior bancada.

Espécie de prefeitura do Senado, essa secretaria controla orçamento anual na casa dos R$ 3 bilhões. Tornou-se ninho de grossas irregularidades.

No auge da crise que assediou Sarney na legislatura passada, o PT esmerou-se em criticar os malfeitos. Podendo agora corrigi-los, preferiu se abster.

2. Comissão de Assuntos Econômicos: A CAE é tida como a segunda comissão mais poderosa do Senado. A primeira, de Constituição e Justiça, vai à cota do PMDB.

Enganfinham-se por essa cadeira dois senadores da velha guarda: Eduardo Suplicy (SP) e Delcídio Amaral (MS). Instados a se entender, desentendem-se.

O Planalto considera o posto estratégico. Cuida de projetos que criam gastos e afetam a receita da União. Sob Lula, a CAE era um ninho comandado por tucanos. 

3. Liderança do governo no Congresso: A exemplo de Lula, Dilma Rousseff terá três líderes no Legislativo: o da Câmara, o do Senado e o do Congresso.

No Senado, Dilma decidiu reconduzir Romero Jucá (PMDB-RR), líder desde a Era FHC. Restou aos senadores petistas reivindicar a liderança do Congresso.

Medem forças pela preferência de Dilma os petês Wellington Dias (PI) e Walter Pinheiro (BA). Derramam um suor que contrasta com a irrelevância da função.

O líder governista no Congresso só apita nas sessões conjuntas da Câmara e do Senado, que só ocorrem de raro em raro.

Ganham certa relevância nos momentos em que se discute, em sessões bicamerais, o Orçamento da União. Porém...

Porém, mesmo nessas ocasiões, o líder opera como espécie de despachante de plenário. Recebe o prato feito.

Desenhado na Esplanada e decidido no Planalto, o Orçamento é mastigado numa comissão mista. Na fase do plenário, o jogo já está jogado.

Na falta de acordos, Humberto Costa decidiu agendar para 27 de janeiro uma reunião para o tira-teima. Se as desavenças sobreviverem até lá, serão dirimidas no voto.

Só não vai a voto, naturalmente, a cadeira de líder do Congresso. Nessa caso, a nomeação é prerrogativa da presidente da República.

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Escrito por Josias de Souza às 22h51

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Juros sobem para 11,25% no 1º Copom da Era Dilma

Elza Fiúza/ABr

Sob a presidência de Alexandre Tombini, novo mandachuva do BC, terminou nesta quarta (19) a primeira reunião do Copom da Era Dilma Rousseff.

O Comitê de Política Monetária decidiu elevar a taxa básica de juros. Como previsto, a subida foi de 0,50 ponto percentual.

Assim, os juros saltaram de 10,75% para 11,25%. Decisão unânime. Tenta-se refrear o consumo e deter a inflação, que roça os 6%.

O mercado rumina a perspectiva de que os juros voltarão a subir nas próximas reuniões do Copom, no início de março e no final de abril.

Prevê-se que a taxa alçara à casa dos 12,25% até o final do ano. Só a partir de 2012, imaginam os operadores do mercado, os juros voltarão a cair.

Sob Dilma, o arrocho monetário do BC será combinado com um aperto fiscal. O governo prepara cortes orçamentários que podem chegar a R$ 50 bilhões.

Trata-se de uma novidade. No segundo reinado de Lula, Brasília operou de cofres abertos, para desassossego do BC.

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Escrito por Josias de Souza às 21h07

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Avaliação de Gerdau sobre Funasa sairá em um mês

Erasmo Salomão/Divugação

Ficará pronto em um mês o diagnóstico do time de especialistas recrutados pelo empresário Jorge Gerdau para esquadrinhar a Funasa.

Como previsto, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) reuniu-se nesta quarta (19) com o time de Gerdau.

Apresentou-os ao presidente da Funasa, João Faustino. Apadrinhado do PMDB, ele balança no cargo.

Ligados ao INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial), os técnicos farão, depois do diagnóstico, um “plano de trabalho” para a Funasa.

O cronograma de implantação das novas práticas dependerá do tamanho dos problemas que serão detectados na primeira fase do trabalho.

Além do mergulho na Funasa, a equipe de Gerdau perscrutará o sistema de compras do Ministério da Saúde.

Nessa área, serão apresentadas sugestões para a redução dos preços e dos prazos na aquisição de insumos, remédios e equipamentos.

Dilma Rousseff anunciou a intenção de constituir um comitê gestor a ser coordenado por Gerdau.

Vai cuidar do aperfeiçoamento gerencial da máquina pública. Pretende-se farejar novos métodos e impor metas.

Inaugura-se na Saúde um trabalho que, segundo os planos de Dilma, deve se espraiar por toda a Esplanada.

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Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Excluída do Oscar ‘biografia’ cinematográfica de Lula

Divulgação

Realizou-se nesta quarta (19), em Los Angeles, a pré-seleção dos filmes estrangeiros que concorrem ao Oscar.

Estavam na briga peças de 95 países. Entre elas, “Lula – o Filho do Brasil”. Apenas cinco vão à cerimônia do Oscar.

Na seleção prévia desta quarta, pinçaram-se nove. A ‘cinebiografia’ de Lula, dirigida por Fábio Barreto, ficou de fora.

Escolhido por uma comissão de notáveis reunidos pelo Ministério da Cultura, o filme sobre a vida de Lula desbancara 22 concorrentes.

A decisão, unânime, foi tomada em setembro de 2010, no calor da campanha presidencial.

Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema e um dos membros do comitê julgador, soara confiante:

"Votamos no filme que nos pareceu mais bem feito, que honra a cinematografia brasileira e tem como atriz Glória Pires”.

No enredo, Glória Pires fez o papel de dona Lindu, a mãe de Lula. Farias via nela “uma excelente candidata ao prêmio de melhor atriz”.

De resto, parecia confiar no prestígio do biografado: “Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida". Não colou.

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Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Simon sobre pensão: ‘Não conseguia manter a casa’

  Ag.Senado
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) justificou de maneira singela a decisão de requerer a aposentadoria especial de ex-governador gaúcho:

“Eu não estava mais conseguindo viver”, disse ele.

“Chegou um momento em que eu estava brigando com a mulher, não conseguia mais manter minha casa”.

A pensão de ex-governador assegura a Simon R$ 24,1 mil por mês.

A partir de fevereiro, o salário de senador vai a 26,7 mil. Os dois, R$ 50,8 mil.

A lei gaúcha que regula a matéria veda o acúmulo da pensão especial com outro contracheque público. Simon, por ora, não se deu por achado.

Abaixo, a entrevista que o senador concedeu ao Zero Hora:

— Por que o senhor abriu mão por tanto tempo e agora solicitou o benefício? Abri mão por 20 anos. Sempre fui contra. Queria viver do meu salário como senador. Mas aí, no Senado, passei o tempo todo brigando. Quando eu pedi [o benefício de ex-governador], um senador ganhava R$ 16 mil brutos, que dava R$ 10 mil líquidos, e aí ganhava R$ 18 mil de verba de representação. Sempre me neguei a receber essa verba, porque acho que ela é camuflagem. Tu tens que ganhar o salário e viver dele. Mas passaram cinco anos sem mexer no salário, e a verba de representação passou de R$ 6 mil para R$ 18 mil. Eu não estava mais conseguindo viver.

— O senhor já recebe a pensão? Por 20 anos não recebi. Nunca recebi um telefonema sobre isso. O primeiro mês que recebo, já estão me ligando. Tem gente que recebe verba de ex-deputado que não recebo. Passei 20 anos sem receber como de ex-deputado e como ex-governador e nem a representação do Senado. Mas chegou um momento em que eu estava brigando com a mulher, não conseguia mais manter minha casa.

— Como o senhor avalia a proposta da OAB de cassar o benefício? Se cassarem, não fico chateado. Não vou contestar. Só acho engraçado que meu destino é muito assim: recebem há 40 anos, eu vou receber agora e a OAB vai cassar. Nasci para ser franciscano.

Ficou entendido que o senador, a despeito dos hábitos franciscanos, já não conseguia encher a geladeira apenas com o contracheque do Senado. Beleza.

Muitos trabalhadores brasileiros atravessam o mesmo drama. Quem ganha o salário mínimo –ou algo próximo disso— está condenado ao fim do mês perpétuo.

Em casos assim, o cidadão comum costuma seguir o manual. Alguns cortam despesas. Outros fazem hora-extra. E há quem combine as duas coisas.

Ao servir-se de um privilégio reservado a brasileiros que se consideram especiais, Simon pôs a mão numa grana que recusou por 20 anos.

“Sempre fui contra”, ele diz. Opunha-se porque considerava imoral. Súbito, tornou-se cúmplice da imoralidade.

Curioso que Simon estranhe os telefonemas dos repórteres. “O primeiro mês que recebo, já estão me ligando”.

Ele se queixa-se: “Tem gente que recebe verba de ex-deputado, que não recebo”.

De fato, há políticos capazes de tudo. Nenhum deles, porém, bate no peito e se jacta de ser um Pedro Simon.

Agora, quando subir à tribuna para criticar os desvios éticos alheios, Simon arrisca-se a ouvir o revide:

“A ficha de Vossa Excelência pode não ter caído, mas já não é um Pedro Simon. Tornou-se um ex-Simon”.

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Escrito por Josias de Souza às 17h01

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Vai viajar? Convém vigiar com muita atenção a mala

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Escrito por Josias de Souza às 14h36

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Pedro Simon pede ‘aposentadoria’ de ex-governador

  Lula Marques/Folha
Ex-governador do Rio Grande do Sul (1987-1990), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) requereu aposentadoria 20 anos depois de ter deixado o cargo.

O repórter Graciliano Rocha conta, na Folha, que Simon requereu o benefício há três meses, em novembro de 2010.

Desde então, graças aos quatro anos que ficou sentado na cadeira de governador, Simon passou a beliscar R$ 24,1 mil mensais.

No final do ano, amealhou R$ 52 mil. Referem-se ao “atrasado” de novembro, ao mês de dezembro, mais R$ 4 mil de décimo terceiro proporcional.

Pense num brasileiro comum. Imagine que, mais afortunado que a maioria, ele seja profissional exitoso e regiamente remunerado.

Suponha que ele recolha mensalmente à Previdência contribuições calculadas pelo teto.

Pois bem. Se um brasileiro como esse, comum, mas bem-posto, for hoje a um guichê do INSS para requerer sua aposentadoria, receberá escassos R$ 3.264,86 mensais.

A exemplo de Simon, há cerca de 60 brasileiros “especiais” que recebem pensão dos Estados que um dia governaram. Valores polpudos e vitalícios.

Alega-se que tais benefícios estão previstos em leis estaduais. No caso da legislação gaúcha, há uma peculiaridade.

Prevê que, optando pela folha do Estado, o ex-governador terá de abrir mão de salários que eventualmente receba de órgãos públicos ou empresas estatais.

Por ora, não se sabe se Simon, senador até 2015, mandou interromper o depósito que pinga mensalmente em sua conta no Senado.

Em novembro, quando requereu a aposentadoria gaúcha, Simon recebia como senador R$ 16,5 mil mensais.

Antes da virada do ano, porém, os congressistas elevaram seus próprios salários para R$ 26,7 mil.

A legalidade da aposentadoria de ex-governadores é duvidosa. Em 2007, o STF derrubou, por inconstitucional, a de Zeca do PT (MS).

A imoralidade é inquestionável. A OAB, a propósito, recolhe dados para requerer no Supremo a interrupção do descalabro.

Em Brasília, Pedro Simon notabiliza-se pela conduta lisa. Ao menor desvio ético, abre-se no plenário do Senado uma contagem regressiva.

O senador Pedro Simon não tardará a escalar a tribuna para vergastar os usurpadores.

Esse Simon implacável, velho conhecido dos brasileiros, aparentemente só existe em Brasília. No Rio Grande do Sul, há outro Simon, mais maleável.

O que dirá da tribuna o Simon brasiliense sobre a aposentadoria do Simon dos pampas?

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Escrito por Josias de Souza às 05h08

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As manchetes desta quarta

- Globo: Rio instala sistema de alerta contra catástrofe

- Folha: Anatel terá acesso a sigilo das ligações telefônicas

- Estadão: Mortos no Rio já passam de 700

- JB: Bolso vazio, coração cheio

- Correio: GDF estuda ampliar corte de gastos

- Valor: Lei facilita encerramento de liquidações de bancos

- Estado de Minas: Carnaval da classe C dispara venda de pacotes

- Jornal do Commercio: Listão UFPE sai na sexta-feira

- Zero Hora: RS tem 44 carros para cada 100 habitantes

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Desguarnecido!

Humberto

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Lula vai a Alencar, fala de cheias e foge do Itamaraty

Lula abriu uma “janela” em suas férias para visitar o ex-vice-presidente José Alencar, internado no hospital Sírio Libanês desde dezembro.

O ex-soberano conversou com Alencar por cerca de uma hora e meia. Na saída, disse meia dúzia de palavras aos repórteres.

Contou que tem conversado amiúde com Dilma Rousseff pelo telefone. No último domingo (16), encontraram-se em São Paulo.

Na viagem de volta de Porto Alegre para Brasília, Dilma fez escala na base aérea da capital paulista, onde era aguardada por Lula.

Conversam sobre o quê? Segundo Lula, nada além de enchentes.

“Acho que o povo do Rio não merecia isso, acho que um ser humano não merecia isso”, declarou Lula aos repórteres.

“Lamentavelmente, mais uma vez, aconteceu. E nós precisamos, daqui pra frente, trabalhar pra não acontecer mais...”

“...E, agora, é rezar pra parar de chover, pra que a gente possa consertar, já que a vida a gente não pode trazer de volta”.

Instado a comentar a polêmica dos passaportes diplomáticos concedidos pelo Itamaraty a seus filhos e netos, Lula refugou o tema.

Disse que, sobre isso, só fala depois de encerradas as férias. Então, tá! Ficamos assim: rezando pelo Rio e aguardando explicações sobre o mimo diplomático.

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Escrito por Josias de Souza às 23h43

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Grupo ligado a Gerdau fará o diagnóstico da Funasa

Acertada com a presidente Dilma Rousseff, a colaboração do empresário Jorge Gerdau com o governo começa pela Funasa.

Nesta quarta (19), o ministro Alexandre Padilha (Saúde) deve promover o primeiro encontro do time de Gerdau com a direção do órgão.

Padilha acertara a parceria com Gerdau dias antes de apossar-se da cadeira de ministro. Já então escolhera-se a Funasa como alvo inaugural.

Há 13 dias, já na condição de ministro, Padilha recebeu Gerdau em seu gabinete.

O empresário estava acompanhado do consultor Vicente Falconi, do INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial).

Na reunião desta terça, os especialistas em gestão pública começam a recolher dados para a elaboração de um "diagnóstico".

Pretende-se: remodelar o funcionamento da Funasa, impor metas à fundação e retirar o órgão do “noticiário policial”.

O time de Gerdau, ligado ao MBC (Movimento Brasil Competitivo), arregaça as mangas na Saúde antes mesmo da formalização do grupo de gestão prometido por Dilma.

Ainda na fase de transição, Dilma convidou Gerdau para coordenar um comitê cuja atribuição será aperfeiçoar o funcionamento da máquina estatal.

A Funasa constitui um desafio singular. Levantamento veiculado pela Folha revelou que, nos últimos quatro anos, foram detectados ali desvios de R$ 500 milhões.

O trabalho da equipe de Gerdau começa contra pano de fundo que envolve uma disputa entre PT e PMDB pelo comando da Funasa.

Padilha tentou trocar o presidente, João Faustino. Padrinho político de Faustino, o líder do PMDB Henrique Eduardo Alves chiou. E a subistutuição foi ao freezer.

A despeito do adiamento, Padilha já promoveu três reuniões com a cúpula da Funasa. A mais importante ocorreu na quarta-feira da semana passada.

O ministro determinou à fundação que priorize a execução de obras de saneamento do PAC. A Funasa opera em cidades com menos de 50 mil habitantes.

O objetivo de Padilha, esmiuçado na reunião, é o de concentrar esforços em cidades dos 16 Estados sob ameaça da Dengue.

Tenta-se, assim, reparar a engrenagem da Funasa sem trocar o comando e com a máquina em movimento.

Padilha não conhece a Funasa apenas de ouvir dizer. No primeiro reinado de Lula, trabalhou no órgão. Foi diretor de Saúde Indígena.

Nessa época, comandava a pasta da Saúde um ministro petista: Humberto Costa, hoje senador eleito por Pernambuco.

Significa dizer que, no limite, PT e PMDB são sócios também no descarrilamento da Funasa, que o time de Gerdau tenta agora repor nos trilhos.

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Escrito por Josias de Souza às 22h25

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Suíça estica bloqueio de R$ 22 mi atribuídos a Maluf

  Folha
A Justiça da Suíça decidiu prorrogar o bloqueio de uma conta atribuída a Paulo Maluf (PP-SP).

Coisa de US$ 13 milhões. Em reais: R$ 21,8 milhões. O dinheiro havia sido retido em 2001.

Autoridades suíças perguntaram ao Ministério Público brasileiro (o de SP e o federal) se desejavam manter o bloqueio.

A resposta foi positiva. Daí a prorrogação da medida que impede a movimentação da conta.

Foi aberta numa agência bancária da cidade de Lousanne em nome de Lygia Maluf, filha do deputado.

Suspeita-se que guarda dinheiro desviado da prefeitura de São Paulo. A repatriação do numerário depende de decisão judicial.

O diabo é que, por ora, a conta da suíça frequenta um processo que ainda se encontra na fase de denúncia.

Como deputado, Maluf dispõe de prerrogativa de foro. O caso subiu ao STF. Já lá se vão quatro anos. E nada.

Os autos encontram-se no gabinete do ministro Ricardo Lewandowsk. Ele terá de dizer se há provas suficientes para a abertura de uma ação penal.

Depois de elaborar o seu voto, Lewandowski irá submetê-lo ao plenário do Supremo. Uma vez aberta a ação, inaugura-se a fase do contraditório.

Os advogados de Maluf farão, então, a defesa de seu cliente. Curiosamente, o deputado alega que não tem dinheiro depositado no estrangeiro.

Maluf vai além: diz que tampouco seus familiares têm conta no exterior. A lorota não se restringe aos US$ 13 milhões retidos na Suíça.

Levantamento feito pelo repórter Mario Cesar Carvalho contabiliza em US$ 140 milhões o pedaço conhecido da fortuna enviada por Maluf para fora do país.

O dinheiro encontra-se bloqueado em casas bancárias nas Ilhas Jersey, na Suíça, em Luxemburgo e na França.

Dinheiro sem dono é coisa incomum. Se Maluf diz que não lhe pertence, deveria desconstituir os advogados –aqui e alhures. Pouparia tempo. Que é dinheiro.

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Escrito por Josias de Souza às 22h10

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Cabral: o Instituto Nacional de Meteorologia foi inútil

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Escrito por Josias de Souza às 21h15

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Folha do Congresso sorve mai$ que desastre natural

Sérgio Lima/Folha

 

Deputados e senadores, como se sabe, se autoconcederam um reajuste salarial de 61,8%.

 

Afora os indireto$ (casa, carro, viagens, correspondência, telefone e verbas de gabinete), o contracheque pulou de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil.

 

Tonificaram-se também os vencimentos dos servidores das duas Casas legislativas. A coisa toda pesa na bolsa a partir de 1º de fevereiro.

 

Debruçado sobre a calculadora, o repórter Milton Júnior estimou o preço do apreço que os congressistas devotam a si próprios.

 

Tudo somado, a folha do Congresso custará à bolsa da Viúva, em 2011, um adicional de R$ 860 milhões.

 

É mais do que os R$ 780 milhões liberados por Dilma Rousseff para socorrer as vítimas das variações climáticas (cheias e seca) em todo país.

 

Ou seja: em termos monetários, o desastre inatural da falta de senso dos congressistas é mais oneroso que os desastres da natureza.

 

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Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Dilma escolhe seu líder na Câmara sob ‘guerra’ do PT

Shutterstock

 

O que deveria ser simples –a escolha de um líder para o governo Dilma na Câmara— converteu-se em guerra. O PT briga consigo mesmo pelo posto.

 

De um lado, move-se o grupo reunido em torno de Cândido Vaccarezza (SP), batido nas preliminares da disputa pela presidência da Câmara.

 

Do lado oposto, age a ala representada por Marco Maia (RS), o ex-azarão que prevaleceu sobre Vaccarezza e tornou-se favorito ao comando da Câmara.

 

O grupo de Vaccarezza espera que Dilma Rousseff o nomeie para o exercício das funções de líder do governo. Um posto que ocupou sob Lula.

 

A ala de Maia tenta convencer a presidente a acomodar na função um de seus deputados: Arlindo Chinaglia (SP) ou Henrique Fontana (RS).

 

Ex-presidente da Câmara, Chinaglia queria retornar à cadeira. Abdicou da pretensão em favor de Maia, ajudando a compor a maioria que esmagou Vaccarezza no PT.

 

Fontana também já atuou como líder de Lula na Câmara. Apeado pelo Planalto, viu o posto migrar para as mãos de Vaccarezza. Sob Dilma, almeja dar o troco.

 

Dilma terá de optar por um dos petistas que a assediam até o final do mês. Em fevereiro, começa a nova legislatura.

 

Depois do malogro de seu plano de representar o PT na poltrona de presidente da Câmara, Vaccarezza voou para o exterior.

 

Passou pelos EUA e Londres. Encontra-se em Paris. Retorna a Brasíla nesta quinta (20), em tempo de receber o ansiado convite de Dilma.

 

Nos subterrâneos, os operadores de Vaccarezza vendem a tese de que ele provou-se, sob Lula, capaz de sobrepor as conveniências do Planalto aos interesses do partido.

 

Alega-se que a turma de Maia, que carrega um DNA sindical, terá dificuldades para se contrapor a projetos que não convêm ao governo.

 

Menciona-se como exemplo a proposta que institui um piso salarial para PMs e bombeiros.

 

No total, a infantaria petista soma, na Câmara, 88 deputados. O destacamento de Vaccarezza é estimado em 40.

 

Reforçado pelo grupo de Chinaglia e outras sub-alas, o pelotão que orbita ao redor de Maia arrastaria os outros 48.

 

Como a escolha é pessoal, Dilma não precisa necessariamente levar em conta o poderio interno de cada pretendente.

 

Na função de líder do governo, conta mais a capacidade de interlocução do escolhido com os outros partidos, inclusive os de oposição.

 

O drama da Câmara não se repete no Senado. Ali, Dilma já reacomodou nas funções de líder governista o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

 

Já na campanha presidencial, Jucá virara personagem de piada. Dizia-se que podia haver dúvidas quanto ao nome do próximo presidente.

 

A única certeza era a de que, com Dilma ou José Serra, Jucá seria o líder do novo governo no Senado.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h41

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Manobra leva o governo a bater a meta de empregos

  Folha
O Ministério do Trabalho divulgou nesta terça (18) a última fornada de do Caged, o cadastro geral de empregados e desempregados.

 

Computados os resultados de dezembro, concluiu-se que foram criados 2,524 milhões de empregos em 2010.

 

Se ainda estivesse no Planalto, Lula diria: Nunca antes na história desse país...

 

O resultado de 2010 foi o melhor da série histórica, inaugurada em 1992.

 

O recorde anterior era de 2007, ano em que 1,62 milhão de carteiras de trabalho receberam assinaturas novas.

 

A meta que o governo havia estipulado para 2010 era de 2,5 milhões de novas contratações. Foi, portanto, superada.

 

Deve-se o cumprimento da meta, festejada de véspera pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho), a uma mandracaria estatística.

 

O governo recolheu na base de dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) informações que só viriam à luz em maio de 2011.

 

Com isso, injetaram-se na planilha de 2010, dados relativos à contratação de servidores públicos e informações atrasadas referentes aos celetistas.

 

Sem o truque, o resultado de 2010 teria sido a abertura de 2,136 milhões novas vagas com carteira assinada –abaixo da meta de 2,5 milhões.

 

O Ministério de Trabalho atribuiu a esperteza antecipatória à necessidade de oferecer à platéia um retrato mais fiel do mercado de trabalho.

 

Em nota, a assessoria de Lupi escreveu: "Esse procedimento visa reduzir a distância entre os dados divulgados com base na Rais e aqueles oriundos do Caged".

 

Graças ao encurtamento de distâncias, Lula ficou autorizado a levar ao verbete da enciclopédia o cumprimento da meta global que estipulara para seu governo.

 

De acordo com o Ministério do Trabalho, considerando-se os números vitaminados de 2010, foram criados sob Lula 15 milhões de empregos com carteira assinada.

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h40

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A pior das hipóteses: TCU virou um caso de auditoria

Na vida, sofre menos quem raciocina com todas as hipóteses –das mais amplas às mais específicas.

 

Ao sair de cada, você precisa matutar: Na pior das hipóteses, o Apocalipse chega no fim da tarde.

 

Na melhor das hipóteses, o mundo não acaba e, à noite, você poderá ver a Paola Oliveira na nova novela.

 

No caso das surpresas que o Estado reserva ao contribuinte a escolha das hipóteses é limitada. O enredo é mais ou menos invariável.

 

A melhor das hipóteses é que surgirá um novo escândalo. A pior das hipóteses é que o novo escândalo será pior do que o escândalo anterior.

 

O repórter Rubens Valente informa que a cúpula do TCU descobriu uma maneira de beliscar a bolsa da Viúva.

 

Criou-se no tribunal de contas uma verba de “representação do cargo”. Consiste na emissão, à custa da veneranda senhora, de bilhetes aéreos.

 

Concederam-se cotas de passagens a ministros e a representantes do Ministério Público no tribunal.

 

Na maioria das vezes, a turma do TCU usufrui da “representação” em viagens aos seus Estados de origem (65% dos casos), nos finais de semana (68%).

 

Dito de outro modo: criado para fiscalizar as mazelas do Estado, o TCU urdiu uma mamata para si mesmo.

 

Pense nisso sem pensar no resto. Esqueça a briga do PMDB com o PT pelas cadeiras do segundo escalão. Pense só nisso.

 

A falta de controle sobre o uso do seu dinheiro já era um escândalo. Com a adesão do TCU à farra, a coisa evolui para o escárnio.

 

Na melhor hipótese, você verá nos sábios do TCU a coragem típica dos heróis nietzshianos, para os quais a moral convencional é mero desafio à sua convicção de superioridade.

 

Na pior hiopótese, você enxergará no TCU uma afronta à lógica e aos bons costumes. E perguntará aos seus botões: quem vai auditar as contas do tribunal de contas?

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h08

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Ex-gestor da Funasa:‘Até no Vaticano teve corrupção’

Divulgação
 

 

Presidente da Funasa entre 28 de março de 2007 e 2 de abril de 2010, o deputado eleito Danilo Forte (PMDB-CE) diz ter reduzido a incidência de corrupção no órgão. Atribui a maioria dos malfeitos detectados em auditorias –cerca de R$ 500 milhões—a gestões anteriores.

 

Em entrevista ao blog, ele diz: “Não posso assegurar que acabou a corrupção na Funasa. Não sou maluco. Mas as torneiras, que eram escancaradas, foram fechadas numa proporção e numa velocidade muito grandes”. Abaixo, a entrevista:

 

 

- Entre as auditorias que detectaram desvios de meio bilhão de reais, quantas se referem à sua gestão? A grande maioria refere-se a períodos anteriores a 2007. O que não significa que não auditamos também convênios de 2008 e 2009. Em 2010, eu saí.

- Qual é a causa de tanto malfeito? A Funasa nasceu da junção de dois órgãos que não tinham nada a ver um com o outro: a Sucam, dos mata-mosquitos, e a Fundação FAE, que cuidava do abastecimento de água e esgoto em cidades pequenas do interior. A partir de 2002, passou a cuidar da saúde indígena. Como não tinha quadros e não havia concurso, terceirizou a tarefa a ONGs, por meio de convênios. A maioria das ONGs teve problemas na prestação de contas. Só na nossa gestão, afastamos 37 ONGs. Muitas passearam pela CPI ONGs do Senado. Uma parte não agiu de má-fe. Faltava pessoal habilitado a lidar com contas públicas. Outra parte fez muita picaretagem. Foi tudo de roldão. No ano passado, a Fusana perdeu a atribuição de cuidar das comunidades indígenas.

- E quanto aos convênios com Estados e municípios? Hoje, a Funasa opera em municípios com menos de 50 mil habitantes. Cuida basicamente de sanemaneto. Há 18 mil convênios. Para fiscalizá-los, cerca de 200 engenheiros. É humanamente impossível. É preciso fotalecer a estrutura técnica.

- Os malfeitos decorrem da ineficiência da Funasa ou dos desmandos estaduais e municipais? São problemas estruturais. Não temos estrutura para acompanhar o que se passa. Precisa contratar algo como 400 engenheiros. A Funasa trabalha com pequenos municípios, justamente os que têm mais dificuldades técnicas e administrativas. Eu presenciei obra executada e que não tinha a prestação de contas. Vi obra destinada a um município e construída em outro.

- Em 2008, o ministro José Gomes Temporão tachou a Funasa de corrupta e ineficaz. Referia-se à sua gestão? No mesmo dia em que fez essa declaração, ele esclareceu, em nota, que falava de administrações anteriores à minha. Pedi uma auditoria. Nunca tive contra mim pedido de restituição de um clips. Minhas contas foram todas aprovadas.

- O ministro queria substitui-lo? Ele queria colocar um cara do Rio de Janeiro no meu lugar, Oscar Berro. Não conseguiu. Tentou consertar a declaração. Era tarde. Eu disse que podia me substituir, mas tinha de demonstrar onde estava a corrupção.

- Quem o indicou para a presidência da Funasa? Quando o PMDB entrou no governo [Lula], Renan [Calheiros], Eunicio [Oliveira], Henrique [Eduardo Alves] e Michel Temer me chamaram para a Funasa. Disseram que tinha as minhas características. Eu disse: para mim, é um sonho.

- Qual é a sua formação? Sou advogado, mas trabalho com sanemaneto há 27 anos. Dirigi uma empresa de engenharia do Ceará, em São Paulo, entre 90 a 95. Chama-se Construtora Estrela.

- Por que a Funasa, tão encrencada, desperta a cobiça política? Por que tem um um papel político relevante. A demanda do país por sanemaneto é muito grande. Um quarto da população não tem abastecimento d’água. Apenas um terço tem esgoto. Pouco mais de 9% do lixo brasileiro é tratado.

- Tem-se a impressão de que, como noutros órgãos, os políticos querem a Funasa para destinar-lhe emendas orçamentárias e, em conluio com prefeitos, desviar verbas para campanhas ou para os próprios bolsos. Hoje, 90% dos investimentos da Funasa não vêm de emendas. Já foi assim. Mas, de 2007 pra cá, diminuiu o número de emendas na Funasa.

- Por quê? Exatamente porque aumentou o rigor fiscalizatório. Fiz rodízio de força tarefa. Pegava gente do Centro-Oeste e botava para fiscalizar no Nordeste, do Norte para fiscalizar no Sul. Houve tempo em que o cara pegava o dinheiro e não executava a obra. Hoje, é muito mais difícil. Baixei medidas para ter mais controle no acompanhamento das liberações.

- Quer dizer que os desvios via emenda não acontecem mais? Isso pode acontecer, mas não em escala diferente do que se passa em outros órgãos. Cabe à Funasa fiscalizar. E houve aumento da fiscalização. Posso lhe garantir que, hoje, esse tipo de coisa foi muito reduzida. Não posso assegurar que acabou a corrupção no Brasil ou na Funasa. Não sou maluco. Mas as torneiras, que eram escancaradas, foram fechadas numa proporção e numa velocidade muito grandes.

- Desde quando? A partir das portarias que fizemos em maio de 2007. Aumentamos o rigor fiscalizatório e começamos a demitir. Teve muita demissão na Funasa. Tem gente que responde a processo administrativo e a inquérito na PF até hoje.

- Por que, então, a Funasa está na berlinda? É o órgão mais aberto. Estava lá o PMDB, não outro partido. O PMDB é vitrine para muita coisa. Não quero culpar ninguém, mas até no banco do Vaticano teve problema de corrupção. Então, não podemos dizer que o problema está na instituição. Minha preocupação era de que fosse para lá um ministro que quisesse acabar com a Funasa. O [Alexandre] Padilha não quer. Ele já trabalhou na Funasa. O Temporão queria acabar com a Funasa.

- Parte dos malfeitos se refere ao período de Paulo Lustosa, que o antecedeu. As auditorias foram abertas na sua gestão? Na minha e na dele. Aquele negócio da TV Funasa é auditoria feita na gestão dele. A CGU avocou o processo e nós mandamos para lá.

- Inclui Lustosa, também do PMDB, no rol dos problemas? A gestão do Lustosa teve problemas. Não estou aqui julgando a responsabilidade dele. Mas teve problemas. Mandei todos os processos para o ministro julgar. Eu não queria julgar.

- Na sua gestão, recebeu algum pedido indecoroso? Muitos. Não vou citar pessoas, mas recebi muitos pedidos.

- Que tipo de pedido indecente passou por sua mesa? Rapaz, na política tem pedido de todo jeito.

- Deu curso a algum? Lógico que não atendi. Tanto que não tive nenhum problema. Minhas contas foram aprovadas pelos órgãos de controle.

- Os pedidos indecentes vieram do PMDB? Tudo quanto é partido. Em todo canto tem gente que presta e que não presta. Na política e em outras áreas. O segredo é conhecer o setor, ter noção de administração pública e não fazer bobagem.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h05

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‘Dos 1.262 cargos da Saúde, o PMDB indicou só dois’

  Fábio Pozzebom/ABr
Em timbre de desabafo, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), despejou no seu microblog um lote de 21 mensagens.

 

Da primeira à última nota, o deputado tenta afastar dele próprio e de sua legenda duas urucubacas: a pecha de fisiológicos e os malfeitos da Funasa.

 

Uma notícia veiculada pelo repórter Bernardo Mello Franco e ecoada aqui azedara o café da manhã de Henrique Alves.

 

No texto, informou-se que, nos últimos quatro anos, sob a presidência de indicados do PMDB, a Funasa colecionou desvios de R$ 500 milhões.

 

O líder pemedebê foi ao laptop. Conectado ao twitter, ocupou-se da pasta da Saúde antes de dedicar-se espeficicamente à Funasa.

 

“Passo a vocês dados e fatos fundamentais para desmistificar a falácia sobre as indicações do PMDB da Câmara junto ao Ministério da Saúde”.

  

Pelas contas de Henrique, há no organograma da Saúde “1.262 cargos comissionados”. São posições ocupadas mediante apadrinhamento político.

 

Henrique anotou: “Apenas dois [desses cargos] foram indicados pelo PMDB da Câmara. Ainda assim, nos dois últimos anos do governo Lula [2008 a 2010]”.

 

O deputado foi específico: “Apoiamos a nomeação do ex-secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame e do seu chefe de gabinete”.

 

Beltrame teve a cabeça levada à bandeja pelo novo titular da Saúde, o petista Alexandre Padilha. Ao descer a faca, o ministro açulou a ira de Henrique.

 

Travaram um diálogo telefônico acerbo, que resultou em rompimento. Sob intermediação do vice Michel Temer, ministro e deputado fizeram as pazes.

 

A despeito da bandeira branca, desfraldada na semana passada, Henrique cuidou de qualificar o apadrinhado que Padilha passou na lâmina.

 

Escreveu que Beltrame tem “excelente currículo, com perfil adequado aos critérios técnicos exigidos” para a função. Contabilizou em 132 os “cargos e funções” sujeitos à indicação política na secretaria que Beltrame geria.

 

Enfatizou: “Não temos a menor idéia de quem ocupou os outros 130 cargos da Secretaria”. Insistiu: “Muito menos sabemos quem está, ou esteve, nos 1.260 cargos da Saúde”.

 

Nas derradeiras notas, Henrique discorreu sobre a Funasa: “O PMDB da Câmara também foi responsável pela indicação do Dr. Danilo Forte”.

 

Danilo teve o nome mencionado na reportagem que tratou dos desvios na Funasa. Presidiu a fundação até o final de março. Deixou a função para disputar uma cadeira de deputado federal pelo PMDB do Ceará. Elegeu-se.

 

“Ele foi sucedido, com nosso apoio, em março de 2009, por Faustino Lins - servidor público federal desde 1970”, informou Henrique. Ele atribuiu a Danilo a requisição das “tomadas de contas” que trouxeram à luz as malfeitorias noticiadas.

 

“Tais auditorias são necessárias quando as prestações de contas dos convênios [com Estados e municípios] apresentam erros ou inconsistências”, esclareceu.

  

“Se alguma irregularidade houvesse, que fosse responsabilidade do dirigente, as contas do Dr. Danilo não teriam sido aprovadas integralmente”.

 

O deputado soou enfático: “Repito! As contas do Dr. Danilo foram aprovadas integralmente, sem ressalvas, tanto pela CGU quanto pelo TCU”.

 

Curiosamente, Henrique absteve-se de defender o antecessor de Danilo, Paulo Lustosa. Foi à Funasa por indicação dos senadores Renan Calheiros e José Sarney. Saiu "banido do serviço público".

 

Depois de saltar Lustosa, Henrique voltou ao tema dos cargos de segundo escalão da Saúde: “Quem quiser averiguar as nomeações [...], pode fazer uma pesquisa entre os 1.262 cargos do ministério”.

  

Aconselhou: “É só escolher 30 nomes aleatoriamente e perguntar aos comissionados quem os indicou para aquela função”.

 

“Esta apuração confirmará a verdade do PMDB. A propósito, estas foram as razões do desentendimento com o ex-ministro Temporão”.

 

Nesse ponto, Henrique refere-se a José Gomes Temporão. Titular da Saúde até dezembro de 2010, foi substituído por Padilha.

 

Embora filiado ao PMDB, Temporão jamais foi reconhecido pela caciquia da legenda como um ministro de sua “cota”. Chamavam-no de “barriga de aluguel”.

 

Henrique atribuiu ao nariz torcido de Temporão a inanição do PMDB na Saúde: “Ele não aceitava as indicações técnicas e adequadas do PMDB...”

 

O desabafo do líder demonstra a dificuldade do PMDB de atender a um pedido feito por Dilma Rousseff. Ela rogara para que a arenga dos cargos saísse do noticiário.

 

O diabo é que o PMDB enxerga na artilharia da Funasa as digitais do PT. E não parece disposto a apanhar em silêncio. Que briguem! A desavença interessa à platéia.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h09

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Brasil tem 5 milhões de pessoas em áreas de risco

 

- Folha: Plano de prevenção só estará pronto em 2014

 

- Estadão: Dilma anuncia sistema de alerta prometido em 2005

 

- JB: Pedofilia, mais uma ameaça na Serra

 

- Correio: Carro desvaloriza, mas IPVA não cai

 

- Valor: Crescem pressões por alta mais acentuada dos juros

 

- Estado de Minas: Minas quer R$ 250 mi para consertar danos da chuva

 

- Zero Hora: Banco de dados do crime ligará Polícia e Judiciário

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Num cinema de Brasília...!

Clayton

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Escrito por Josias de Souza às 01h19

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Na guerra do DEM, Aécio apóia o grupo ‘pró-Agripino’

Divulgação

Anastasia fez de Carlos Melles, presidente do DEM-MG, o seu secretário de Obras

 

A guerra interna que convulsiona o DEM ultrapassou as fronteiras da legenda. Nos subterrâneos, o senador tucano Aécio Neves levou as digitais à disputa.

 

Aécio e seu grupo político desceram ao front na trincheira guarnecida pela ala do deputado Rodrigo Maia (RJ), atual presidente do DEM.

 

Maia articula-se para repassar o bastão de comandante da legenda ao senador José Agripino Maia (RN).

 

Do lado oposto, movem-se o prefeito paulistano Gilberto Kassab e o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen (SC).

 

A dupla convidou o senador não-reeleito Marco Maciel para assumir a candidatura à presidência do DEM. A cadeira vai a voto em 15 de março.

 

Antes, no dia 29 de janeiro, os dois grupos medirão forças numa contenda que envolve a escolha de um novo líder para a bancada da Câmara.

 

Maia e Cia. comparecem à disputa representados pelo deputado ACM Neto (BA). Kassab e sua infantaria apresentam o nome de Marcos Montes (MG).

 

O dedo de Aécio aparece já nesta batalha prévia. Em tese, o tucanato de Minas deveria prestigiar o mineiro Marcos Montes. Porém...

 

Porém, Aécio pega em lanças pelo neto de Antonio Carlos Magalhães. O apoio materializou-se no secretariado do governador Antonio Anastasia.

 

Pupilo de Aécio, Anastasia nomeou, no início do mês, o deputado Carlos Melles (DEM-MG) para a estratégica Secretaria de Transportes e Obras.

 

Velho aliado de Jorge Bornhausen, Melles, que preside o diretório do DEM em Minas, alistou-se na brigada oposta. 

 

Melles ensopa a camisa levar os quatro votos dos deputados do DEM-MG para ACM Neto. Depois, zelará para que os convencionais mineiros optem por Agripino.

 

Em conversa com o repórter, um expoente do grupo Kassab-Bornhausen-Maciel referiu-se à operação demo-tucana de Minas em termos fortes: “Compraram o Melles”.

 

Agripino condicionava sua participação na convenção de março à costura de um consenso que pacificasse as duas alas do DEM. Mudou de ideia.

 

O senador informou a integrantes de seu grupo que, se necessário, irá ao voto contra Maciel. Considera-se, por assim dizer, desrespeitado por Bornhausen e Kassab.

 

Os dois o haviam convidado para ser o candidato do “consenso”. Súbito, sem a nenhum aviso prévio, mudaram o rumo da prosa.

 

Resta agora saber se Maciel irá à sorte dos votos. Convidado na semana passada, num almoço oferecido por Kassab, o quase-ex-senador pediu tempo para pensar.

 

O envolvimento de Aécio na pendenga tem como pano de fundo 2010 e 2014. Na sucessão do ano passado, Rodrigo Maia dissera que preferia Aécio a José Serra.

 

Para 2014, Maia e sua tropa consideram o grão-duque do tucanato mineiro o “candidato natural” da oposição.

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h29

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Rollemberg sobre Ana Arraes: O responsável sou eu

Fábio Pozzebom/ABr

 

Recém-eleito senador, o ainda deputado Rodrigo Rollemberg (DF) assumiu a paternidade da idéia de lançar Ana Arraes (PE) para líder do PSB na Câmara.

 

A deputada Ana é filha de Miguel Arraes e mãe do atual presidente do PSB, o governador pernambucano Eduardo Campos.

 

Conforme noticiado aqui, a atmosfera familiar suscitou críticas dentro da própria legenda. Um dos críticos disse que foi implantada a “folhocracia” no PSB.

 

“O responsável sou eu”, disse Rollemberg. Na bica de transferir-se para o Senado, o deputado responde pela liderança do PSB na Câmara até o fim de janeiro.

 

Afirmou ter recebido do vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, a incumbência de articular a escolha de um novo mandachuva para a bancada:

 

“Quem conduziria o processo seria o [deputado] Márcio França. Ele deveria ser o novo líder. Mas assumiu a Secretaria de Turismo do governo Alckmin”.

 

Rollemberg disse ter consultado os deputados do PSB. Dos 34, só não ouviu três. Entre eles, Gabriel Chalita (SP).

 

Egresso do PSDB, Chalita tinha pretensões de tornar-se líder do PSB. Não foi ouvido, segundo Rollemberg, porque estava no exterior.

 

Quanto aos demais, apenas um deputado pediu tempo e quatro, da bancada do Ceará do governador Cid Gomes, levaram o pé atrás. Queriam outro nome.

 

Escorado na maioria, Rollemberg disse ter formulado pessoalmente o convite a Ana Arraes. “Foi uma ação minha, atendendo à delegação do partido”.

 

Recobre a escolhida de elogios: “Sabíamos que haveria o risco [de surgirem críticas]. Mas Ana é preparada para a função...”

 

“...Ela fez um bom [primeiro] mandato, é respeitada pelos demais lideres, pelo governo e pela bancada do PSB”.

 

Rollemberg acredita que a mãe de Campos irá à liderança “por consenso”. Mas não exclui a hipótese de ocorrer uma votação na bancada.

 

De resto, o deputado disse ter recebido de Roberto Amaral delegação para negociar também a posição do PSB na disputa pela presidência da Câmara.

 

Sobre esse tema, declara: “Falei com Júlio Delgado [PSB-MG]. Ele me disse que abriu mão de sua candidatura [ao comando da Câmara]...”

 

“...Minha expectativa é a de termos os 34 votos do PSB a favor da eleição do Marco Maia [candidato do PT à presidência da Casa]”.

 

O petismo concordou em ceder uma de suas vagas na Mesa diretora da Câmara para o PSB. A legenda de Eduardo Campos vai à Quarta Secretaria.

 

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Escrito por Josias de Souza às 22h26

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Aécio diz que 'há margem de aumento' para mínimo

De volta das férias, Aécio Neves foi aos holofotes. Disse meia dúzia de palavras sobre o salário mínimo. Na bica de descer ao pano verde do Senado, viu na cifra oferecida por Dilma Rousseff (R$ 545) um blefe:

 

"O governo, sempre que manda uma proposta de salário mínimo, mantém uma margem de discussão política, uma margem de aumento”.

 

Parece decidido a pagar pra ver. Acha que cabe ao governo arrastar suas fichas: 

 

"Não cabe a mim, agora, dizer se é possível chegar em R$ 580 ou não. Mas é preciso que o governo tenha justificativas claras, técnicas e orçamentárias.”

 

Para Aécio, o debate em tornodo mínimo é um dos temas em que a oposição fará uma ponte no Congresso com pedaços do consórcio governista. 

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h31

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No DF, Paciente terá de esperar um ano por cirurgia!

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Escrito por Josias de Souza às 19h59

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Não será imediato o saque do FGTS de desabrigados

Stock Images

 

O governo anunciou na semana passada que liberaria o FGTS de trabalhadores vitimados pelas enchentes em vários Estados do país.

 

Os ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Fernando Bezerra (Integração Nacional) informaram que os saques poderiam ser feitos já nesta segunda (17).

 

Era lorota. A Caixa Econômica Federal esclarece que, antes, as prefeituras alcançadas pelo desastre terão de enviar um ofício à instituição.

 

Depois que a burocracia reconhecer o flagelo que as emissoras de TV exibem em tempo real, a Caixa ainda precisará de tempo para atualizar o seu sistema interno.

 

Só então os trabalhadores poderão requerer o dinheiro do FGTS, no limite de R$ 5,4 mil por cabeça.

 

Pelas contas da Caixa, a coisa demora, no mínimo, uma semana. A previsão pode estar, porém, encharcada de otimismo.

 

Para exemplificar: Em abril de 2010, a cidade catarinense de Jaraguá do Sul foi infelicitada por uma enchente.

 

Na época, também foi anunciada a liberação do FGTS às vítimas (R$ 4,9 mil). A grana só saiu sete meses depois, em novembro de 2010. Aqui, o comunicado da Caixa.

 

Não bastassem a chuva, a lama e o monturo de corpos, os moradores das cidades sob águas ainda têm de lidar com o desastre da desinformação.

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h06

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Agora, governo deseja criar sistema anti-catástrofes

Antônio Lacerda/Efe