Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Para promotor, candidatura de Tiririca é 'uma fraude'

O promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes tentou. Mas a Justiça Eleitoral não permitiu que Tiririca (PR-SP) fosse subetido a um teste de alfabetização. 

Pela Constituição, brasileiros analfabetos não podem concorrer a cargos eletivos. Há indícios de que o palhaço Tiririca não sabe ler nem escrever.

 

Frustrado, o promotor Maurício disse que tinha idealizado um texto simplório: “Era ler três linhas da Constituição Federal”.  

 

A rejeição do pedido levou o promotor a concluir: "Estamos assistindo a uma fraude eleitoral com o registro da candidatura do Tiririca...”

 

“...Não consigo imaginar que motivos sinistros e estranhos movimentam o Poder Judiciário em encobrir essa situação".

 

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Escrito por Josias de Souza às 20h43

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Em novo debate, Weslian evidencia ‘lesa-matrimônio’

Avolumam-se as evidências de que, ao acomodar sua mulher na vaga de candidata ao governo do DF, Joaquim Roriz cometeu seu penúltimo crime: lesa-matrimônio.

 

Em mais um debate, dessa vez no SBT, Weslian Roriz exercitou sua incompetência política, de novo, com a máxima competência.

 

Em vários momentos, disse que assina embaixo das propostas dos rivais. Como pretende governar? “Com amor e carinho”, repetiu.

 

A certa altura, ao discorrer sobre os problemas do transporte público, Welian aproximou a cena eleitoral da cozinha de sua casa.

 

Disse que conhece o drama pelos relatos que ouve dos empregados de sua casa.

 

A exemplo do que ocorrera no debate anterior, veiculado pela Globo, Weslian foi levada ao Youtube como piada. Uma piada que o marido converteu em candidata.

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h55

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STF derruba a exigência de título eleitoral para votar

  Fotos: ABr e Moacyr Lopes Jr./Folha
Por maioria de votos –8 a 1—, o STF derrubou a exigência de dois documentos para votar nas eleições de 2010.

 

Antes, exigia-se do eleitor, além do título eleitoral, um documento com foto –RG, carteira de motorista, passaporte ou carteira de trabalho.

 

Agora, o eleitor exige-se apenas o documento com foto. O título de eleitor tornou-se dispensável.

 

Prevaleceu o voto da ministra Ellen Gracie, relatora do processo. No texto, ela não tachou de inconstitucional a lei que exige os dois documentos.

 

Porém, acrescentou que o eleitor que se apresentar às zonas eleitorais apenas com o documento com foto, sem o título, não pode ser impedido de votar.

 

Além de Ellen, votaram a favor da dispensa do título eleitoral: Marco Aurélio Mello, José Antonio Dias Toffoli...

 

...Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Celso de Mello.

 

Votaram contra apenas o presidente do Supremo, Cezar Peluso, e o ministro Gilmar Mendes.

 

Peluso disse que, na prática, a decisão do tribunal levou à "abolição do título eleitoral". Por isso votou contra.

 

Gilmar recordou que o TSE gastou mais de R$ 4 milhões para levar ao ar uma propaganda de orientação ao eleitor sobre a exigência dos dois documentos.

 

Para ele, a inexigência do título "poderá gerar muitos transtornos e situações de insegurança".

 

Deve-se a decisão do Supremo a uma ação movida pelo PT. O partido de Dilma Rousseff receava por um alto índice de abstenção na eleição de 2010.

 

Aliado de José Serra, o DEM protocolara no STF ação em sentido contrário. Pedia que fosse mantida a dupla exigência de identificação.

 

A decisão deveria ter sido tomada na sessão da véspera. Porém, Gilmar Mendes pediu vista do processo, adiando o desfecho.

 

Deu-se num instante em que sete ministros já se haviam pronunciado a favor do acatamento do pedido do PT. A maioria estava, portanto, formada.

 

Os repórteres Moacyr Lopes Junior e Catia Seabra revelaram que o pedido de vista de Gilmar foi antecedido por um telefonema de José Serra.

 

O presidenciável tucano encontrava-se em São Paulo. Depois de participar de enconro com servidores púlicos, pediu a um assessor que tocasse para Gilmar.

 

Feita a ligação, Serra foi ao celular. Saudou Gilmar como “meu presidente”. Caminhou até um ponto isolado.

 

Acomodou-se numa poltrona do auditório onde acabara de se realizar o encontro com entidades de servidores públicos.

 

Terminada a conversa, Serra brincou com os repórteres: “O que vocês estão xeretando?”

 

Ouvido, Gilmar negou, ainda na quarta (29), que hovesse conversado com Serra. No início da sessão desta quinta (30), viu-se compelido a dizer algo a respeito.

 

Antes de proferir o voto, declarou-se "surpreso" com a interpretação de que produzira o adiamento por razões políticas.

 

"Obviamente, isso improcede em toda a sua extensão", declarou. "Jamais me deixei pautar por interesses políticos partidários".

 

No curso da leitura de seu voto, Gilmar disse que mencionara à relatora Ellen Gracie, já na segunda-feira, que cogitava pedir vista dos autos.

 

Afirmou que aventara a possibilidade também em reunião fechada que os ministros realizaram na terça.

 

A certa altura, Gilmar contou que conversara sobre a matéria com o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA).

 

Candidato ao governo maranhense, Dino é juiz de carreira. Participou da elaboração da lei que condicionou o voto à apresentação de dois documentos.

 

Gilmar fez referência a conversa que manteve com “outro político”. Dessa vez, não declinou o nome do interlocutor.

 

Em timbre de queixar, disse que as pessoas precisam “perder a mania” de achar que o diálogo eventual com políticos sujeita o julgador a vontades partidárias.

 

Serra e Gilmar são velhos amigos. Ambos serviram à gestão FHC. Une-os, de resto, o compartilhamento do convívio com o ministro Nelson Jobim (Defesa).

 

A julgar pelo constrnagimento a que foi exposto, Gilmar é mais amigo de Serra do que o contrário.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h50

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Temer: PMDB ‘deseja manter’ presidência da Câmara

  Lula Marques/Folha
Candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, Michel Temer deseja manter sua cadeira atual, de presidente da Câmara, sob domínio do PMDB.

 

De passagem pelo Rio Grande do Norte, Temer antecipou que lançará o nome do líder da bancada de seu partido, Henrique Eduardo Alves (RN).

 

“Ele é o meu candidato, e há muito tempo”, disse Temer.

 

O PT, como se sabe, também reivindica a cadeira de Temer. Desponta como alternativa o líder de Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

 

Temer parece contemplar a hipótese de dividir com o PT o comando da Câmara na próxima legislatura. Dois anos para um, dois para outro.

 

Porém, não parece trabalhar com a idéia de entregar ao petismo a presidência do primeiro biênio:

 

“Nós vamos dialogar muito. PT e PMDB estão se dando excepcionalmente bem na Câmara dos Deputados...”

 

“...Nós vamos dialogar para fazer do Henrique o presidente desse primeiro biênio [2011-2012]”.

 

Como se vê, caso confirme nas urnas o favoritismo que as pesquisas lhe atribuem, Dilma já dispõe de um contencioso.

 

Sócios majoritários da coligação governista, PMDB e PT não são senão uma encrenca esperando para acontecer.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h45

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Marina se acha mais ‘viável’ que Serra num 2º turno

Ag.Senado

 

No início da campanha, Marina revelou-se uma candidata cheia de dedos. Com tato, Via méritos sob FHC e Lula. Prometia governador com o melhor do PSDB e PT.

 

Hoje, Marina já não tateia. Usa os dedos de outro modo. Recolhe-os e, punhos cerrados, distribui metafóricos socos.

 

Nesta quinta (30), por exemplo, tratou Serra como o candidato favotiro a fazer de Dilma a próxima presidente da República.

 

"Tenho certeza de que sou o segundo turno viável, aquele que é capaz de concorrer efetivamente com a candidatura que está em primeiro lugar...”

 

“...A candidatura do PSDB, até pelos erros que cometeu, com certeza não tem essa viabilidade..."

 

"...Nós somos o segundo turno viável, que de fato tem condições de disputar para valer...”

 

“...Esta é a vantagem de votar Marina Silva em relação à outra candidatura [de Serra], que não é competitiva em hipótese alguma no segundo turno".

 

A candidata faz o que lhe cabe. Em curva ascendente, vende o seu peixe em voz alta.

 

O diabo é que, a exemplo de Serra, Marina não disputa votos com Dilma. Não, não. Absolutamente. O adversário é outro.

 

Com ou sem segundo turno, 2010 arrisca-se a descer ao verbete da enciclopédia como ano da sucessão em que, sem ser candidato, Lula prevaleceu pela terceira vez.

 

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Escrito por Josias de Souza às 14h27

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Promessômetro: aposentadoria integral para servidor

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Escrito por Josias de Souza às 07h25

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Datafolha: Dilma tem agora 4 pontos sobre os rivais

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (30) indica: Dilma Rousseff estancou o dreno que retirou de seu cesto 6 milhões de votos em cerca de 20 dias.

 

Os pesquisadores do Datafolha foram ao meio-fio na terça (28) e na quarta (29). Ouviram 13.195 eleitores.

 

Numa conta que considera apenas os votos válidos, que importam na aferição do TSE, Dilma oscilou um ponto para o alto. Foi de 51% para 52%.

 

José Serra e Marina Silva também oscilaram um ponto cada um, só que para baixo.

 

O tucano foi de 32% para 31%. A candidata verde, de 16% para 15%.

 

Com esses movimentos, a vantagem de Dilma (52%) sobre a soma dos rivais (48%), elevou-se de dois pontos para quatro pontos.

 

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos.

 

Significa dizer que, a despeito do favoritismo de Dilma, não se pode descartar por completo a chance de segundo turno.

 

Tomada pelo pé-direito da margem de erro, Dilma pode beliscar 54% dos votos. Nessa hipótese, prevaleceria já neste domingo.

 

Tomada pelo piso da margem de erro, a pupila de Lula pode amelhar 50% dos votos. Precisa disso e mais um voto para impedir que a disputa deslize para o segundo round.

 

No pior dos mundos, Dilma iria à turno complementar como franca favorita. Na nova pesquisa, escalou um ponto no cenário de segundo turno. Foi a 53%.

 

Serra manteve-se no mesmo patamar: 39%. A vantagem da candidata oficial é, hoje, de 14 pontos.

 

Ou seja: ainda que a disputa entre pelo mês de outubro, a supremacia de Dilma é flagrante.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h09

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Alvo de todos, Dilma foge da ‘gafe’ no último debate

Serra e Marina vêem no evento oportunidade para 2º turno

 

  Folha
Vai ao ar na noite desta quinta (30) o último debate presidencial do primeiro turno. Voltam aos holofotes: Dilma, Serra, Marina e Plínio.

 

Cinco blocos. Horário nobre, no vácuo da novela. Rede Globo, dona da maior audiência do país. Tudo a três dias da eleição.

 

Favorita nas pesquisas, Dilma programou-se para “cumprir tabela”, disse um dos operadores da campanha ao repórter.

 

Mais do que ir bem, a pupila de Lula foi preparada para não se sair mal. Na visão da marquetagem, o fundamental é evitar os deslizes.

 

Tomaram-se como parâmetros, dois debates da campanha de 2006, quando mediam forças Lula e Geraldo Alckmin.

 

Num, o último debate do primeiro turno, Lula não deu as caras. Pululava no noticiário da época, o caso dos “aloprados” do dossiê.

 

A junção das duas coisas –o escândalo e a fuga de Lula— levou Geraldo Alckmin ao segundo turno.

 

Aprendida a lição, a hipótese de ausência de Dilma foi descartada já no alvorecer da campanha. O ‘Erenicegate’ –alopragem de 2010— tonificou a decisão.

 

Noutro debate, o primeiro do segundo turno de 2006, Lula apareceu. Dessa vez foi a estratégia de Alckmin que desandou.

 

Dono de temperamento cordato, Alckmin foi à jugular de Lula. Em timbre raivoso, cobrou explicações sobre a origem do R$ 1,7 milhão da mala dos “aloprados”.

 

Aos olhos do eleitor, a agressividade não caiu bem. E Alckmin teve no segundo round menos votos do que amealhara no primeiro.

 

Alvo potencial de todos os rivais, Dilma foi aconselhada a manter o equilíbrio. Se lhe esfrefarem Erenice Guerra na face, não fará a defesa da ex-braço direito.

 

Defenderá a investigação. Coisa no estilo “doa a quem doer”. Dirá que, eleita, não permitirá que o episódio fique sem resposta.

 

No mais, vai privilegiar a discussão de propostas de governo sempre que lhe couber a formulação de perguntas. Grudará em Lula, como de hábito.

 

De Plínio ‘Não Tenho Nada a Perder’ Sampaio, espera-se que conserve o estilo de franco atirador.

 

José ‘Segundo Turno Pelo Amor de Deus’ Serra precisa desestabilizar Dilma, conduzindo-a ao deslize. Porém...

 

Porém, o Alckmin de 2006 ensina ao tucanato que a agressividade, quando demasiada, engole o dono.

 

Serra, a propósito, é assistido pelo mesno marqueteiro que assessorava Alckmin: Luiz Gonzalez. Quatro anos atrás, Gonzalez desaconselhara o azedume.

 

E quanto a Marina ‘Onda Verde’ da Silva? A exemplo do que fez no debate anterior, na Record, vai mirar em Serra e Dilma simultaneamente.

 

Deseja reforçar o semblante de “terceira via”. Espera conquistar o voto dos indecisos. Uma tarefa inglória.

 

O histórico das eleições demonstra que o eleitorado indeciso tende a se diluir entre os candidatos.

 

Na média, o voto titubeante costuma se dividir entre os vários candidatos, na mesma proporção ostentada por cada um deles nas pesquisas.

 

O formato do debate, amarrado pelos marqueteiros, favorece Dilma. Dos cinco blocos, apenas dois serão dedicados a temas livres.

 

Nada de repórteres. Cada candidato escolhe o tema e dirige a questão a um dos contendores. É nesse pedaço que pode emergir o ‘Erenicegate’.

 

Noutros dois blocos, os presidenciáveis serão instados a dirigir uns aos outros questões sobre temas programáticos, sorteados na hora.

 

No mais, só as considerações finais, previstas para o último bloco. Se não se sair mal, como prevêem seus operadores, Dilma emergirá do debate no lucro.

 

A historiografia das eleições mostra que só o grande deslize é capaz de alterar o quadro de intenções de voto. O caso clássico é o de Ciro Gomes.

 

Candidato em 2002, Ciro chegou a agosto com 27% nas sondagens eleitorais. Era o segundo colocado. Súbito, numa entrevista de rádio, chamou um eleitor de “burro”.

 

Depois, instado a comentar o papel reservado na campanha à sua mulher, Patrícia Pillar, disse que se resumia a “dormir com o candidato”. Terminou a eleição em quarto lugar, com 11%.

 

Repetido diante das câmeras da Globo, um destempero à moda Ciro poderia arrancar votos de Dilma. A três dias do pleito, não haveria tempo para consertar o estrago.

 

Fora disso, a tendência é de manutenção do quadro.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h31

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Para fugir de repórter, Dilma cruza o ‘sinal vermelho’

Sérgio Lima/Folha

 

Os carros que conduzem Dilma Rousseff e seus guarda-costas cometeram uma infração de trânsito nesta quarta (29).

 

Rumavam da casa da candidata para o hotel onde funciona um pedaço do comitê de campanha. Seguia-os o repórter Sérgio Lima.

 

Como que decididos a se livrar do perseguidor, os condutores da “caravana” de Dilma cruzaram o sinal vermelho em plena faixa de pedestres.

 

Deu-se numa via do Setor Hoteleiro de Brasília. Munido de câmera, o repórter registrou a cena. Coisa feia e inútil. O trânsito engarrafado abortou a tentativa de despiste.

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h21

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Aborto opõe Marina a Dilma e esquema guerra de candidatas

 

- Folha: Dilma interrompe queda

 

- Estadão: Polêmica do aborto faz Dilma se explicar a líderes cristãos

 

- JB: A última chance

 

- Correio: Indecisão da justiça põe eleições no limbo

 

- Valor: Petrobras atrai R$ 21 bi do exterior

 

- Jornal do Commercio: Cadê a CTTU?

 

- Zero Hora: STF adia decisão sobre documentos para votar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Gravidade!

Lute

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Escrito por Josias de Souza às 23h54

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TSE rediz: Jader não pode ser candidato. E daí? Nada

  ABr
Por maioria de votos –5 a 2—, o TSE confirmou nesta quarta (29) o indefefimento do registro da candidatura de Jader Barbalho (PMDB-PA).

 

A coisa já havia sido decidida em 1º de setembro. Jader foi enquadrado na lei da Ficha Limpa. Recorreu. Perdeu de novo.

 

E daí? Bem, se o Brasil fosse um país lógico, Jader não disputaria a eleição de domingo.

 

Sob o império da ilógica, Jader mantém a condição de candidato, a despeito do TSE. Vai às urnas agarrado a outro recurso, agora endereçado ao STF.

 

O caso de Jader é análogo ao de Joaquim Roriz. O morubixaba paraense renunciou ao mandato de senador em 2001. Fugiu da da cassação.

 

Tinha cometido “barbalhidades”. Mas, ao renunciar, manteve intactos os direitos políticos. Em 2006, elegeu-se deputado federal.

 

Agora, pede ao eleitor do Pará que o reconduza ao Senado. Elegendo-se, terá de aguardar pela palavra final do STF sobre a Ficha Limpa. Algo que nao tem data para acontecer.

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h13

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Dilma recorre a Lula e Macedo contra boato religioso

Na bica do encontro do eleitor com as urnas, o comitê de Dilma Rousseff deflagrou uma cruzada religiosa.

 

Trata-se de uma reação contra movimento que, iniciado na internet, ecoou nos templos. Atribuiu-se a Dilma uma frase que ela jura não ter pronunciado.

 

A Dilma do boato teria misturado o filho de Deus num comentário sobre pesquisas eleitorais. Teria dito que “nem Jesus Cristo” lhe tiraria a vitória.

 

Difundida por e-mail, a frase chegou aos templos. Alguns pastores e padres passaram a desaconselhar aos fieis o voto em Dilma.

 

Contra o veneno, a campanha de Dilma levou à TV, nesta quarta (29), o antídoto Lula. Em mensagem gravada na véspera, o cabo eleitoral compara-se à pupila:

 

"[...] Estou vendo acontecer com a Dilma o que aconteceu comigo no passado, quando pessoas saíram do submundo da política mentindo a meu respeito, dizendo que iria fechar as igrejas, mudar a cor da bandeira..."

 

"...Ganhei as eleições e o que aconteceu? Mais liberdade religiosa, mais respeito à vida, mais democracia, mais comida na mesa, melhor salário. Isso foi o que eu fiz pelo Brasil. E é isso que Dilma vai continuar fazendo. Por isso, vote Dilma".

 

Mais cedo, o autoproclamado bispo Edir Macedo, mandachuva da igreja Universal, havia pendurado em seu blog uma nota de socorro.

 

“Dilma é vitima de mentiras espalhadas pela internet”, escreveu Macedo no título. No texto, negou a frase atribuída a Dilma. Atribuiu a coisa ao Tinhoso:

 

"Quem pensa que está prestando algum serviço ao Reino de Deus, espalhando uma informação sem ter certeza de sua veracidade, na verdade, está fazendo o jogo do diabo".

 

De resto, a própria Dilma reuniu-se em Brasília com 24 missionários do Padre Eterno. Gente de 11 denominações religiosas.

 

Depois, em entrevista, disse, rodeada pelos convidados:

 

"Repudio integralmente afirmações que colocaram na minha boca de que eu usei o nome de Cristo para falar que nem ele me derrotava nessa eleição...”

 

“...É uma calúnia, é uma vilania. Esses boatos saíram do submundo político e são típicos de final de campanha".

 

 

Dilma aproveitou para para declarar que é “contra” a legalização do aborto. Embora parte do PT defenda a ideia, assegurou que, eleita, não irá encampá-la:

 

“Somos um partido democrático. Não se trata de desautorizar [o debate], eu como presidente não irei tomar essa posição...”

 

“...Não sou a favor de modificação a legislação. Deixe ao Congresso a iniciativa". Pode ser. Porém...

 

Porém, nesse ponto, Dilma soaria mais sincera se admitisse que mudou de posição. Em manifestações anteriores, defendera a legalização do aborto.

 

Em entrevista à revista Marie Claire, por exemplo, fora inquirida acerca do tema. A resposta consta do rodapé da terceira parte da transcrição da conversa:

 

“Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública...”, dissera Dilma.

 

De passagem pelo Rio, a evangélica Marina Silva cuidou de realçar a contradição:

 

"Eu não faço discurso de conveniência. A ministra Dilma já disse que era a favor e depois mudou de posição...”

 

“...Não acho que, em temas como esse, se deva fazer um discurso uma hora de uma forma e outra hora de outra só para agradar o eleitor".

 

Nessa matéria, a propósito, Edir Macedo não é boa companhia para a nova Dilma. O bispo é francamente favorável ao aborto (assista). 

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h32

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Roriz e o penúltimo delito: crime de lesa-matrimônio

O vídeo acima contém, por assim dizer, os “melhores momentos” de Weslian Roriz no debate global realizado na noite passada.

 

Convertida pelo marido, Joaquim Roriz, em candidata ao governo do DF, Weslian exibiu incompetência diante das câmeras com a máxima competência.

 

Casada com Roriz há cinco décadas, a neocandidata deveria levar o marido às barras dos tribunais. Precisa acioná-lo pelo crime de lesa-matrimônio.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h28

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Beto Richa converte o PSDB numa legenda sem nexo

O tucanato alardeia há semanas o desejo incontido do PT de impor controles aos meios de comunicação.

 

Em vídeo levado à web, o PSDB instilou a suspeita de que, eleita, Dilma Rousseff será engolida pelos radicais do PT.

 

Na peça, os petistas raivosos foram representados por rottweilers.

 

Um ator vestido de Lula segura os cães. E o locutor insinua que Dilma não vai segurar.

 

Pois bem. O comportamento de Beto Richa, o tucano que concorre ao governo do Paraná, roubou do discurso do PSDB todo o nexo.

 

Sob a plumagem de Richa escondia-se um totó insuspeitado.

 

Em sucessivos recursos à Justiça Eleitoral, Richa logrou impor a censura aos institutos de pesquisa.

 

Já censurou o Ibope, o Vox Populi e o Datafolha. A última investida ocorreu na noite passada.

 

Contratado por uma repetidora paranaense da Globo, a RPC TV, o Datafolha divulgaria nesta sexta (30) uma nova sondagem.

 

Acionado pelos advogados da coligação de Richa, o juiz Nicolau Konkel Júnior, do TRE-PR, censurou os dados.

 

Enquanto as pesquisas lhe sorriam, Richa as alardeava na propaganda eleitoral. Quando os númeos azedaram, passou a escondê-los.

 

Richa parece agora convencido de que pesquisas tem apenas duas serventias: orientar o candidato e desorientar os eleitores.

 

A foto lá do alto, clicada nesta quarta (29), foi levada à rede por um internauta de Londrina (PR). Identifica-se como 84odi.

 

Em nota no twitter, ele repassou o retrato à repórter Cynara Menezes, que cuidou de passá-lo adiante.

 

Lê-se na imagem: “Beto lidera todas as pesquisas”. Seguem-se dados velhos. Números cuja atualização a censura do candidato bloqueia.

 

De duas uma: ou o PSDB interrompe o lero-lero em defesa da liberdade de imprensa ou segura o totó do Paraná.

 

Lula vociferou contra os jornais, que acusa de “partidários”. O PT, de fato, sonha com o controle social da mídia.

 

Mas, por ora, o único a lambuzar o bico no cerceamento ao direito do brasileiro à informação foi o tucano Beto Richa, aliado de José Serra.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h40

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STF arquiva o caso Roriz e ‘fichas sujas’ vão às urnas

Como previsto, o STF mandou ao arquivo o recurso em que Joaquim Roriz contestava decisão do TSE que o havia enquadrado na lei da Ficha Limpa.

 

Prevaleceu o entendimento de que a renúncia de Roriz à candidatura de governador do DF produziu a “perda de objeto” do recurso.

 

Ficou entendido que o Supremo só vai dirimir as dúvidas que rondam a exigência de Ficha Limpa depois das eleições, no julgamento de outro processo.

 

Assim, políticos de prontuários pouco higienizados vão às urnas normalmente. Se eleitos, seus mandatos ficam condicionados à decisão posterior do STF.

 

Num país sério, o eleitor se encarregaria, ele próprio, de fazer justiça com os próprios dedos, na urna. Numa nação como o Brasil...

 

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Escrito por Josias de Souza às 16h32

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Dilma: ‘Em 3 dias, a gente vai ter a grande pesquisa’

À beira das urnas, as pesquisas chegam com tal velocidade que dispensam os candidatos do exercício da angústia. Números ruins? Calma. Sempre se pode provar o contrário.

 

Vieram à luz dados de dois institutos. Um dia depois de o Datafolha ter atestado que cresceu a chance de segundo turno, Ibope e Sensus sustentam que Dilma ainda prevalece no primeiro.

 

Instada a comentar, a pupila de Lula soou assim: "Faltam três dias. Daqui a três dias a gente vai saber a grande pesquisa...”

 

De fato, aos candidatos resta pouco além de aguardar pela manifestação das urnas. Quem se angustia agora são os institutos de pesquisa.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h11

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No RN, líder do PMDB faz de Dilma a ‘mulher de Lula’

Fábio Pozzebom/ABr

 

“Quem não gostava de Lula, bem feito. Agora vai ter que engolir Lula e a mulher de Lula.

 

A frase acima é do deputado Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara. Ele a repete à exaustão nos comícios que realiza no Rio Grande do Norte.

 

Candidato à reeleição, Henrique escora sua campanha nas “conquistas” da gestão Lula.

 

O deputado corre o mapa de seu Estado. Sobre o palanque, pede votos para si, para os seus e para a “a mulher de Lula”.

 

A conversão de Dilma Rousseff em primeira-dama informal já rendeu ao deputado uma queixa da titular do posto.

 

Num comício realizado na sexta-feira (24), na cidade de Macau, Henrique contou à platéia que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o havia procurado.

 

Trazia um recado de Marisa Letícia: “Dutra, avise ao deputado Henrique que a mulher de Lula sou eu”.

 

O deputado não se deu por achado: “Eu disse ao Dutra: diga pra dona Marisa que, até 3 de outubro, a mulher de Lula não é ela, é Dilma”.

 

Noutro trecho do discurso, disse: “Se a mulher de Lula não ganhar essa eleição, o povo ia pensar: por que o Bolsa Família, o Luz pra Todos, o Minha Casa, Minha Vida?...”

 

A maioria dos comícios de Henrique é transmitida ao vivo pela internet. Algo que permitiu ao signatário do blog seguir os passos do deputado.

 

Na noite passada, Henrique discursou para uma platéia de São Gonçalo do Amarante: “Para presidente da República, São Gonçalo, eu sou Lula radical...”

 

“...Sei o que esse homem fez pelo Brasil”. De novo, pôs-se a enunciar os programas sociais deflagrados sob Lula.

 

E arrematou: “Por isso a sua mulher vai se eleger, para continuar o governo dele. Vamos continuar o governo Lula votando na mulher de Lula”.

 

Henrique apresenta-se ao eleitorado como líder influente. No palanque de Macau, discorreu sobre o modo como obtém verbas para sua base eleitoral.

 

“Não é que eu seja danado. É que o Lula manda os projetos para os deputados aprovarem na Câmara. Depois, ele manda chamar os líderes...”

 

“...Ele diz: ‘líder, preciso do apoio do PMDB para aprovar esse projeto. No plenário, digo sim e aplaudo. Dou a Lula 94 votos da bancada do PMDB...”

 

“...Os ministros me ligam agradecendo. Uma semana depois, o prefeito chega lá. E eu digo aos ministros: quando queriam aprovar, dei os votos. Pois agora quero que atendam o prefeito”.

 

Nesse ponto, Henrique olhou para o prefeito de Macau, Flávio Veras, a seu lado no palanque.

 

Sob Dilma, disse ele, as demandas da cidade serão providas mais rapidamente. “Eu tinha o Lula. Agora vou ter a presidente e o vice-presidente, meu amigo do peito, Michel Temer”.

 

“Eu conseguia as coisas com Lula. Agora vai ter a mulher dele. Se algum projeto do Veras eu não conseguir resolver como deputado...”

 

“...Eu vou levar para tomar café, para almoçar e jantar com ele o vice-presidente da República. É ele quem vai resolver”.

 

No dizer de Henrique, Temer “vai governar o Brasil com Dilma, a quatro mãos”. Consideera-se responsável pela ascensão do “amigo”.

 

“Ele [Temer] só está na chapa, como vice, porque Henrique brigou na bancada. Diziam que ia ser o Henrique Meirelles [presidente do BC]...”

 

“...Não, o vice dela vai ser o Michel, presidente nacional PMDB. Então, quando eu não puder resolver, quem vai tomar café, almoçar com vocês, é o vice-presidente”.

 

O deputado também assegura aos eleitores que seu poder vai aumentar. Entre as promessas que pronuncia está a seguinte:

 

“Eu vou ser o próximo presidente da Câmara dos Deputados do Brasil. Eleito, eu vou botar vou botar pra quebrar, pra ajudar o meu prefeito”.

 

Henrique é, entre os 513 deputados da Câmara, o dono do mandato mais longevo: 40 anos. Caminha para a 11ª legislatura.

 

Vai disputar a presidência da Casa com um petista, provavelmente Cândido Vaccarezza (SP), atual líder de Lula na Câmara.

 

Nos subterrâneos, firmaram um acordo. Prevê que cada um comandará a Câmara por dois anos. Vaccarezza reivindica para si o primeiro biênio. Porém...

 

Porém, a julgar pela desenvoltura de Henrique nos comícios, o PMDB não considera a hipótese de abrir mão da primazia.

 

Se necessário, Henrique recorrerá à “mulher de Lula”. Para ele, a primeira-dama extra-oficial está eleita.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h54

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Ficha Limpa: Decisão pode vir só depois das eleições

Lula Marques/Folha

 

O STF retoma nesta quarta (29) o julgamento do recurso em que Joaquim Roriz costestou a decisão do TSE que o enquadrara na lei da Ficha Limpa.

 

A renúncia de Roriz à condição de candidato ao governo do DF deve levar à extinção do recurso. Com isso, o debate sobre a aplicação da nova lei nas eleições de 2010 voltaria à estaca zero.

 

Para chegar a um veredicto, o Supremo terá de julgar outro recurso. Há vários deles pendentes de deliberação. Porém, já não há tempo para que a análise ocorra antes das eleições.

 

Ou seja: pode ficar para depois do pleito a palavra final do STF sobre a vigência da lei da Ficha Limpa. Vai abaixo um resumo da encrenca:

 

1. Depois de consumir 15 horas de acalorado debate, o julgamento do recurso de Roriz desaguou num empate.

 

2. Cinco ministros votaram pelo deferimento do pedido, permitindo que Roriz fosse às urnas. Para esse grupo, a lei da Ficha Limpa só vale para eleições futuras. A próxima será em 2012. 

 

3. Outros cinco ministros votaram contra Roriz. Para essa ala, a nova lei tem aplicação imediata. Vale para Roriz e para todos os candidatos com “ficha suja”.

 

4. Diante do impasse, o presidente do STF, Cezar Peluso, decidiu, na madrugada de sexta (24), suspender o julgamento. Marcou-se o reinício para esta quarta, às 14h.

 

5. Sobreveio a renúncia de Roriz. Mais: seus advogados protocolaram no STF uma petição em que informam que o cliente desistiu do recurso.

 

6. Um pedaço do STF passou a defender a seguinte tese: a despeito da desistência de Roriz, o tribunal deveria dar sequência ao julgamento.

 

7. Por quê? O caso tem repercussão sobre dezenas de outros processos em que a vigência da Ficha Limpa é questionada.

 

8. Vigora no STF o entendimento de que julgamentos em que haja “repercussão geral” não podem ser interrompidos depois de iniciados. Há casos em que o veredicto foi anunciado a despeito da desistência dos interessados.

 

9. O problema é que, no caso de Roriz, além da petição de desistência, houve a renúncia à candidatura. Com isso, deu-se o que os advogados chamam de “perda de objeto” do recurso. Algo que levaria à extinção do processo.

 

10. Nesta terça (28), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ao STF parecer sobre o caso Roriz. Concluiu que, de fato, houve “perda de objeto”.

 

11. Gurgel recomendou a extinção do processo. E anotou que as dúvidas que rondam a lei da Ficha Limpa seriam dirimidas no julgamento de outro recurso.

 

12. O texto do chefe do Ministério Público coincide com a posição de parte dos ministros do STF. Há, porém, outro problema.

 

13. Só nesta terça (28) o TSE começou a enviar ao STF as outras petições que tratam da Ficha Limpa. Aqui, uma curiosidade: o recurso de Roriz não era o primeiro da fila.

 

14. Aconteceu o seguinte: o TSE retardou a remessa ao Supremo de recursos que haviam sido protocolados antes do de Roriz.

 

15. Em conversa com o blog, um dos ministros do STF levantou uma suspeita. Acha que o tribunal eleitoral concentrou-se em Roriz por se tratar de personagem de má fama.

 

16. Imaginou-se que a reputação de Roriz levaria os ministros contrários à aplicação imediata da Ficha Limpa a mudar de ideia. “A esperteza, quando é muito grande, engole o dono”, disse o ministro ao repórter.

 

17. Se outros processos tivessem chegado ao STF junto com o de Roriz, o tribunal poderia deliberar sobre a Ficha Limpa antes do fatídico dia 3 de outubro. Como só começam a chegar agora, não há tempo para uma decisão antes da eleição.

 

18. O vexame da madrugada de sexta, dia em que o STF decidiu não decidir, impôs aos ministros a retomada de uma prática que caíra em desuso. Voltaram a falar entre si. Conversas subterrâneas, travadas longe do plenário.

 

19. Tentou-se produzir um entendimento consensual –ou pelo menos majoritário— sobre o caso Roriz e todas as suas consequências. Algo que livrasse o Supremo de um novo vexame.

 

20. Até a noite passada, não havia sinal de consenso. Mas esboçava-se uma tendência em favor da extinção do recurso de Roriz. As questões relacionadas à Ficha Limpa seriam retomadas noutro julgamento.

 

21. A prevalecer esse entendimento, os “fichas sujas” vão às urnas no domingo. Os que forem eleitos ficam com os mandatos pendurados na decisão que o STF adotará depois do pleito.

 

22. Até lá, espera-se que Lula já tenha indicado um substituto para o ministro aposentado Eros Grau. Com casa cheia –11 ministros— a possibilidade de um novo empate deixa de existir.

 

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Escrito por Josias de Souza às 02h52

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Em queda, Dilma pede PT nas ruas e evita briga com Marina

 

- Folha: Dilma tenta frear perda de voto com apelo à militância

 

- Estadão: Chance de 2° turno altera estratégias das campanhas

 

- Correio: Procurador eleitoral dá parecer contra Weslian

 

- Valor: Reservas crescem rápido e BC acena com mais IOF

 

- Estado de Minas: Tucano canta vitória. Hélio crê em 2º turno

 

- Jornal do Commercio: Eleição com lei seca e mais de 20 mil policiais

 

- Zero Hora: O Estado em debate

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h03

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Candiraturas!

Ronaldo

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 23h16

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Para ‘conter’ Marina, comitê de Dilma reúne pastores

Operadores da campanha de Dilma Rousseff atribuem parte do crescimento de Marina Silva a um movimento nascido em templos evangélicos.

 

Pastores de diferentes Estados estariam desaconselhando o voto dos fiéis em Dilma. Recomendariam a opção por Marina, que é evangélica.

 

Numa tentativa de estancar o movimento, o petismo organiza para esta sexta (1º), antevéspera da eleição, um encontro líderes evangélicos.

 

Estão sendo convidados, entre outros, pastores da igreja Universal, da Batista e até da denominação a que pertence Marina, a Assembleia de Deus.

 

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Escrito por Josias de Souza às 22h06

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Corrida ao Senado embola no CE e Tasso já é dúvida

  Antônio Cruz/Ag.Senado
Pesquisa feita pelo Datafolha por encomenda do jornal ‘O Povo’ revela que embolou a disputa pelas duas cadeiras do Ceará no Senado.

 

Tasso Jereissati (PSDB) já não é líder isolado. Sofre ameaça de Eunício Oliveira (PMDB), que, por sua vez, é acossado por José Pimentel (PT).

 

Eis os números: Tasso, em curva desendente, bateu em 44% das intenções de voto.

 

Eunício, em alta, foi a 41%. E Pimentel, também em ascensão, 36%.

 

A margem de erro da pesquisa é de três pontos, para mais ou para menos.

 

Assim, Tasso pode variar de 41% a 47%. E Eunício, de 38% a 44%. Ou seja, os dois estão tecnicamente empatados.

 

O índice de Pimentel pode variar de 33% a 39%. Outro empate técnico, dessa vez em relação a Eunício.

 

Em julho, Tasso frequentava a pequisa com 59%. Com sua nova marca, acumula uma queda de 15 pontos, quatro dos quais nas últimas duas semanas.

 

Eunício e Pimentel entraram na disputa empatados: 24%. O primeiro cresceu 17 pontos desde julho. O segundo, 12 pontos.

 

Empenhado em derrotar o grão-tucano Tasso, Lula gravou mensagens de apoio para o pemedebê Eunício e para o petê Pimentel.

 

A cinco dias da eleição, o favoritismo de Tasso, antes acachapante, se dissipou.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h25

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Caso único, Jungmann leva FHC à propaganda de TV

Num instante em que até o presidenciável tucano José Serra esconde Fernando Henrique Cardoso, o deputado Raul Jungmann converteu-se em exceção.

 

Candidato ao Senado pelo PPS de Pernambuco, Jugmann levou ao ar, na noite passada, um depoimento de FHC.

 

Na peça, o ex-presidente elogia a atuação de Jungmann à época em que foi ministro do Desenvolvimento Agrário de seu governo.

 

“Ele teve um desempenho excepcional. Se compararmos, ninguém colocou mais famílias assentadas no campo do que nesse período”, diz FHC no vídeo.

 

Mais adiante, ele soa assim: “Depois, Raul foi deputado federal. Extraordinário. Combativo, corajoso, homem íntegro...”

 

“...Pernambuco não pode ter melhor candidato ao Senado do que Raul Jungmann”.

 

No Datafolha divulgado na semana passada, Jungmann ocupa a quarta posição, com 9% das intenções de voto.

 

É nesse contexto que ele se converte em primeiro candidato a expor FHC na propaganda eleitoral.

 

Considerando-se que faltam cinco dias para a eleição, Jungmann talvez desça à crônica da campanha de 2010 como um personagem único, singular.

 

Muitos o tacharão de suicida. Poucos o enxergarão como cultor de uma lealdade que a conveniência política tornou demodê.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h36

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Procurador recomenda extinção do recurso de Roriz

  Fábio Pozzebom/ABr
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao STF parecer sobre o recurso de Joaquim Roriz contra seu enquadramento na lei da Ficha Limpa.

 

Para Gurgel, com a renúncia de Roriz à candidatura de governador do DF, o recurso ficou “prejudicado”.

 

Significa dizer que o Supremo não poderia mais julgar o caso. Deu-se um fenômeno que os advogados chamam de “perda de objeto”.

 

O julgamento do processo havia sido interrompido na madrugada de sexta (24). Anotou-se no plenário do STF um empate.

 

Cinco ministros votaram a favor de Roriz. Decidiram que a lei da Ficha Limpa, embora constitucional, só vale para as eleições futuras.

 

Outros cinco ministros votaram contra Roriz. Para esse grupo, a lei tem aplicação imediata e retroage no tempo.

 

Diante do impasse, o presidente do STF, Cezar Peluso adiou o veredicto. Marcou-se a retomada do julgamento para a sessão desta quarta (29).

 

Sobreveio, porém, a renúncia de Roriz, seguida de uma petição na qual o ex-candidato desiste do recurso que protocolara no Supremo.

 

Na semana passada, o ministro Ricardo Lewandowski dissera que, a despeito da renúncia, o julgamento poderia ser concluído.

 

Por quê? O caso de Roriz tem repercussão sobre dezenas de outros processos em que se discute a aplicação da lei da Ficha Limpa.

 

No parecer que enviou ao tribunal nesta terça (28), o procurador-geral da República manifesta-se em sentido contrário.

 

Roberto Gurgel concorda com a teses da “repercussão geral”. Porém...

 

Porém, ele sustenta que o STF só poderá se manifestar sobre o alcance e a vigência da lei da Ficha Limpa em outro processo. O de Roriz tem de ser extinto.

 

A prevalecer esse entendimento, a palavra final do Supremo sobre a Ficha Limpa só virá depois das eleições.

 

Os candidatos de “ficha suja” irão às urnas normalmente. Se eleitos, seus mandatos estarão condicionados à manifestação futura do tribunal.

 

- Serviço: Aqui, a íntegra do parecer de Roberto Gurgel. Ocupa oito folhas.

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Escrito por Josias de Souza às 19h00

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Justiça proíbe os saques acima de R$ 10 mil no Piauí

  João Wainer/Folha
Numa tentativa de coibir o crime de compra de votos, a Justiça Eleitoral do Piauí proibiu os saques bancários acima de R$ 10 mil.

 

A proibição vale para todo o Estado e vai vogorar até 4 de outubro, um dia depois do primeiro turno da eleição.

 

Deve-se a providência a uma ação cautelar movida pelo Ministério Público Eleitoral do Piauí, acatada pelo TRE-PI.

 

Na petição, a procuradoria realçou o fato de que a Polícia Federal já investiga casos de compra de votos detectados durante a campanha.

 

A Justiça Eleitoral já havia imposto limitações a saques bancários também no Estado de Roraima.

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h29

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Lula ainda aposta em vitória no 1º turno, diz ministro

Em meio ao burburinho que soa atrás das cortinas, o ministro Alexandre Padilha (Coordenação Política) veio à boca do palco para pronunciar uma declaração de .

 

Disse que Lula, o criador, ainda aposta que o êxito de Dilma Rousseff, a criatura, virá no primeiro turno:

 

"O presidente está muito confiante de que nós construímos no Brasil um clima muito positivo e que nós vamos colher no domingo o resultado dessa plantação de sete, oito anos. Nós vamos colher esse resultado com uma grande vitória dos partidos da base aliada do governo".

 

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Escrito por Josias de Souza às 16h33

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Dilma apela à miltância: mobilização com serenidade

Nas pegadas da divulgação do Datafolha, Dima Rousseff decidiu romper uma praxe. Até aqui, não comentava pesquisas. Dessa vez, disse meia dúzia de palavras.

 

Convocou a militância petista às ruas. Pediu “mobilização”. Com “serenidade”. Acha que haverá segundo turno?

 

"Estamos em um momento da eleição em que é normal que haja subidas e descidas. [...] Ninguém hoje tem condições de antecipar nada”.

 

Se houver segundo round, prefere José Serra ou Marina Silva? "Só se eu for completamente louca eu respondo uma pergunta dessas".

 

Dilma falou aos repórteres numa incursão à Rodoviária de Brasília. Livrou-se por pouco de um constrangimento.

 

O comitê informara que a candidata daria as caras na Pastelaria Viçosa. Casa tradicional. O pastel é muito bom. O caldo de cana, delicioso.

 

Porém, a dona do estabelecimento, Patrícia Viçosa, é adepta de Joaquim Roriz (PSC), o “ficha suja” que apoia José Serra em Brasília.

 

Patrícia é, inclusive, candidata a uma cadeira na Câmara Legislativa do DF. Pelo PSC, a legenda de Roriz.

 

Na última hora, Dilma e seu séquito rumaram para outra pastelaria, a 50 metros da anterior.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h33

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Marina virou o pesadelo de Dilma e o sonho de Serra

Elza Fiúza/ABr
 

A principal novidade da reta final da eleição se chama Marina Silva. A presidenciável do PV divide o estrelado com Erenice Guerra.

 

Marina tornou-se a principal beneficiária do ‘Erenicegate’. Recolhe a maioria dos votos que o escândalo suga do cesto de Dilma Rousseff.

 

A seis dias da eleição, Marina não exibe musculatura eleitoral capaz de içá-la ao segundo turno. Opera contra ela o relógio. Porém...

 

Porém, ao escalar sobre Dilma, Marina termina por favorecer José Serra, o segundo colocado das sondagens eleitorais.

 

A chance de a eleição migrar para o segundo turno –pesadelo de Dilma e sonho de Serra— parece escorada, por ora, no “fator Marina”.

 

Em duas semanas, a candidata do PV subiu três pontos percentuais no Datafolha. Foi de 11% para 13%. E daí para os atuais 14%.

 

No mesmo perído, Dilma escorregou cinco pontos. Na semana passada, descera de 51% para 49%. Agora, foi 46%.

 

Serra, que oscilara positivamente de 27% para 28% manteve-se no mesmo patamar no Datafolha que veio à luz nesta terça.

 

Considerando-se apenas os votos válidos, Marina já soma 16%. Empurrada por Erenice, ela subverte todas as previsões de Lula.

 

O patrono de Dilma estimara que Marina chegaria ao dia da eleição como uma espécie de sub-Heloisa Helena. Dá-se o oposto.

 

Em vez de definhar, Marina cresce. Pior: para desassossego de Lula, a ex-petista belisca votos de Dilma, não de Serra.

 

Vem daí, sobretudo, o fantasma que acomoda no caminho de Dilma o risco do segundo turno –uma pedra que parecia improvável antes de Erenice.

 

Se mantiver a curva de alta, a ambientalista Marina pode levar ao prato da balança eleitoral a folha que vai mover o pêndulo.

 

Num cenário assim, de votação apertada, os ataques a Marina podem surtir o efeito de um bumerangue.

 

No penúltimo debate, levado ao ar pela Record na véspera da nova pesquisa, Marina mostrou-se mais desenvolta que o habitual.

 

Fustigou Serra e Dilma. Defendeu-se de Plínio de Arruda Sampaio. Contra Dilma, Marina levou aos holofotes Erenice, mola de seu crescimento.

 

Evocou o mensalão. E disse que, sob Lula, a Casa Civil tornou-se escândalo recorrente. Pespegou: Que providências você adotou para evitar, Dilma?

 

Ao responder, a protegida de Lula levou a mão ao tacape. Lembrou a Marina sua condição de ex-ministra.

 

Afirmou que, sob a gestão da ex-colega de Esplanada, servidores da pasta do Meio Ambiente foram pilhados mercadejando madeira ilegalente.

 

“Tomei as mesmas providências que você”, Dilma devolveu, lembrando que a reação vigorosa nem sempre oferece garantias contra a reincidência.

 

Festejado pelos operadores de sua campanha, o contraataque de Dilma pode, a essa altura, funcionar como gol contra. Por quê?

 

Dilma não perdeu a condição de favorita. Mas a hipótese do segundo turno, antes improvável, deixou de ser negligenciável.

 

Marina tampouco perdeu o semblante de zebra. Mas, confirmando-se o segundo round, o apoio dela será mercadoria das mais cobiçadas.

 

De concreto, por ora, apenas uma evidência: seja qual for o resultado da eleição, com um turno ou com dois, Marina sairá da disputa maior do que entrou.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h37

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Vantagem de Dilma cai e cresce chance de 2º turno

  UOL
Saiu mais um Datafolha. A pesquisa traz más notícias para Dilma Rousseff.

 

Cresceram as chances de a sucessão deslizar para o segundo turno.

 

A vantagem de Dilma em relação à soma de seus rivais é, agora, de 2 pontos.

 

A seis dias da eleição, a pupila de Lula oscilou três pontos para baixo. Desceu de 49% para 46%.

 

José Serra manteve-se em 28%. Marina Silva foi de 13% para 14%.

 

Considerando-se apenas os votos válidos, como faz o TSE na hora de contabilizar as urnas, Dilma desceu de 54% para 51% em cinco dias.

 

Para prevalecer no primeiro round, a petista precisa de 50% mais um voto. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para cima ou para baixo.

 

Assim, na pior hipótese, Dilma teria 49%. E a eleição iria ao segundo turno. No melhor cenário, ela teria 53%. E viraria presidente já em 3 de outubro.

 

Nessa conta que considera apenas os votos válidos, José Serra oscilou um ponto para o alto. Foi de 31% para 32%.

 

Marina Silva, a presidenciável que mais cresce, escalou dois pontos. Migrou de 14% para 16% dos votos válidos.

 

Dilma cai ou oscila para baixo em todos os estratos do eleitorado. Qualquer que seja o recorte –sexo, região, renda, escolaridade ou idade— ela perde votos.

 

A luz do segundo turno brilha com mais força entre os eleitores que ganham de 2 a 5 salários mínimos (R$ 1.021 a R$ 2.550).

 

Nessa faixa, estão acomodados 33% dos cerca de 135 milhões de eleitores. Coisa de 45 milhões de votos. Dilma caiu cinco pontos nesse pedaço do eleitorado.

 

Deve-se ao ‘Erenicegate’ a fissura no casco do transatlântico governista. Um caso que, na origem, Dilma tratara com menoscabo: “É factóide”, dissera.

 

No Datafolha fechado em 9 de setembro, antes da queda de Erenice Guerra, Dilma beliscava quase a metade dos votos dos eleitores de 2 a 5 salários mínimos.

 

Nesse universo, algo como 22,5 milhões de eleitores diziam que votariam na candidata petista. Na segunda semana de setembro, sobreveio o escândalo.

 

Apeada da Casa Civil, Erenice ganhou as feições de um dreno instalado no cesto de votos de Dilma.

 

Hoje, o apoio da candidada oficial no estrato de 2 a 5 mínimos soma 42%. O equivalente a 18,9 milhões de eleitores.

 

Ou seja, o “factóide” resultou, só nessa faixa da pirâmide social, numa perda potencial de 3,6 milhões de votos.

 

Desde a implosão de Erenice, ex-braço direito de Dilma, sucessora dela na Casa Civil, a pupila de Lula amargou queda de seis pontos. Caiu de 51% para 46%.

 

Juntos, os adeversários de Dilma, que pontuavam 39% antes de Erenice, passaram a somar 44% depois dela.

 

Contando-se apenas os votos válidos, a vantagem de Dilma sobre a soma de seus rivais minguou, em duas semanas, de notáveis 14 pontos para escassos 2 pontos.

 

Consideradas as devidas proporções, a maior queda de Dilma ocorreu junto aos eleitores que dispõem de canudo universitário (13% do eleitorado).

 

Nesse grupo mais escolarizado, a votação de Dilma arrostou uma erosão de sete pontos. Caiu de 35% para 28%, menos que Serra (34%) e Marina (30%).

 

Entre as mulheres, Dilma caiu cinco pontos na fase pós-Erenice. Foi de 47% para 32%.

 

Num recorte por região, as maiores quedas de Dilma foram registradas nas capitias, onde está assentado o eleitorado mais suscetível a escândalos.

 

Nessas regiões, que respondem por 38% do total de eleitores, Dilma caiu quatro pontos. Tinha 46%. Agora tem 42%.

 

Dilma distanciava-se de Serra na região Sul. Agora, está empatada com o rival tucano no limite da margem de erro da pesquisa. Ela com 39%. Ele, 35%.

 

Mesmo no Nordeste, cidadela de sua candidatura, Dilma caiu quatro pontos. Dispunha de 63%. Hoje, tem 59%. Serra dispõe de 19% nessa região.

 

Os efeitos de Erenice foram sentidos também na taxa de rejeição. Há uma semana, 22% dos eleitores diziam que jamais votariam em Dilma. O índice foi a 27%.

 

Na hipótese de vingar o segundo turno, o Datafolha aponta para uma briga mais renhida do que o petismo poderia supor.

 

Na simulação de um eventual segundo round contra Serra, a vantagem de Dilma estreitou-se. Em duas semanas, caiu de 22 pontos para 13 pontos: 52% a 39%.

 

Num embate direto, cada voto perdido por um candidato é somado em favor do outro. Significa dizer que, para bater Dilma, Serra teria de escalar 7 pontos.

 

Dito de outro modo: caso a eleição vá para o segundo turno, Dilma continua sendo a favorita. Mas Erenice converteu um passeio pelo bosque em rally acidentado.

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h20

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Chávez perde maioria absoluta no Congresso

 

- Folha: Dilma cai em todas as regiões e crescem as chances de 2º turno

 

- Estadão: Chávez sai enfraquecido das urnas na Venezuela

 

- JB: Petrobras com 30% dos papéis, gera alta na bolsa

 

- Correio: Arruda: ‘Eleger Roriz é mostrar que o crime compensa’

 

- Valor: Indústria se prepara para a forte demanda de Natal

 

- Estado de Minas: PF vai vigiar as eleições em 45 cidades de Minas

 

- Jornal do Commercio: A vez da Via Mangue

 

- Zero Hora: Escutas revelam mortes ordenadas das prisões

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h25

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Enfim, o osso!

Aroeira

- Via 'O Dia'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h43

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Peça um café, estique as pernas e leia bem devagar!

  Divulgação
Atenção. Essa notícia deve ser lida bem d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o. Inusitada, pode produzir um susto desses que levam ao infarto.

 

Para os jovens, com coronátias em dia, a leitura p-a-u-s-a-d-a ajuda a prolongar a degustação da boa nova. Talvez não se repita tão cedo.

 

Lá vai: o STF condenou (espanto!) um deputado federal (assombro!!) a sete anos de cadeia (estupefação!!!). Regime semi-aberto (ahhhhh!!!!).

 

O condenado se chama José Fuscaldi Cesílio.

 

Na política, atende pelo nome "artístico" de José Tatico.

 

É deputado federal por Goiás. Um quadro do PTB.

 

Tatico é dono de empresas. Uma delas, o Curtume Progresso, portou-se com desordem. Incorreu em dois crimes.

 

Num, sonegou tributos. Noutro, apropriou-se de verbas previdenciárias.

 

Coisa descontada dos funcionários, mas não repassada ao INSS.

 

Coube ao ministro Carlos Ayres Britto relatar o processo. Votou pela condenação.

 

Além dele, havia mais seis ministros em plenário.

 

No essencial, o voto de Ayres Britto foi acompanhado pela unanimidade dos presentes. Houve divergência apenas quanto à pena.

 

Três ministros votaram por uma cana mais longa e dura: nove anos, regime fechado.

 

Outros quatro optaram pelo xadrez mais curto e ameno: sete anos, regime semi-aberto. Nessa modalidade, o preso dorme no xilindró e é liberado durante o dia.

 

A certa altura, quando o placar do Supremo registrava um 3 a 3, Gilmar Mendes levou os lábios ao trombone: “Chega de empates!” Ouviram-se risos.

 

A Corte ainda não exorcizou o fantasma da madrugada de sexta (24). Um empate (5 a 5) levou ao adiamento da definição sobre a lei da Ficha Limpa.

 

Espera-se que o tribunal espante a macumba em sessão marcada para esta quarta (29). A própria condenação de Tatico reclama um veredicto.

 

O deputado é recandidato a uma cadeira na Câmara federal, dessa vez por Minas Gerais.

 

Se o STF permitir que a Ficha Limpa vigore já nas eleições de 2010, a pretensão do neopresidiário iria às calendas.

 

Por ora, Tatico não descerá ao cárcere. Ainda pode lançar mão de um recurso chamado “embargo declaratório”.

 

É improvável que a petição leve à revisão da sentença. Mas o deputado ganhará tempo. Se a Ficha Limpa cair, continuará pedindo votos aos mineiros.

 

Nessa hipótese, caso seja eleito, Tatico pode virar um personagem sui generis. À noite, seria presidiário. De dia, deputado federal. 

 

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Escrito por Josias de Souza às 22h46

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Lula: ‘Tem de acabar essa história de tucano em SP’

Divulgação

 

Lula estrelou em São Paulo, na noite desta segunda (27), o seu último comício no primeiro turno das eleições de 2010.

 

Como de hábito, pediu votos para Dilma Rousseff. Mas dedicou a Aloizio Mercadante a maior parte do discurso, transmitido ao vivo pela web.

 

A certa altura, disse: “É preciso a gente acabar com essa história de tucano governando São Paulo...”

 

“...Eles já governaram, já tiveram a chance deles, já mostraram do que são capazes. Tá na hora de a gente colocar uma estrela para governar o Estado de São Paulo”.

 

Noutro trecho, vociferou: “Precisamos eleger o Aloizio Mercadante”. A hegemonia tucana já dura 16 anos. No gogó, Lula esticou o calendário:

 

“Os tucanos, aqui, governam há mais de 20 anos. E até agora todo o sistema de educação publica do Estado oferece apenas a 96 mil vagas”.

 

Referia-se ao ensino universitário: “92% dos estudantes universitários estudam em escola particular”, disse.

 

Puxou a sardinha para Brasília: “Só o Prouni atende a 136 mil alunos aqui”. Da educação, Lula saltou para os programas sociais.

 

Fustigou: “Muitas vezes, tentam mostrar São Paulo como se não tivesse pobreza aqui”. De novo, contrapôs São Paulo a Brasília:

 

“Aqui, 1,2 milhão de pessoas recebem o Bolsa Família, porque o governo do Estado acha que não tem pobre”.

 

Insinuou que o tucanto fecha os olhos para o pedaço desassistido de São Paulo: “Eles vivem só dentro daquele palácio...”

 

“...Deveriam andar pela periferia de São Paulo, pra ver o quanto de pobreza existe”. Tratou Dilma como eleita. E esboçou uma parceria:

 

“Se juntar o Mercadante e a Dilma, aquilo que nós começamos será aprofundado”.

 

Mercadante disputa a cadeira de governador com o tucano Geraldo Alckmin, que frequenta as pesquisas como favorito.

 

Se eleito, Alckmin completará o ciclo de 20 anos de poder que Lula mencionou no discurso.

 

No esforço que empreende para produzir um segundo turno em São Paulo, Lula chegou a fazer uma sugestão à platéia.

 

Convidou os presentes a assistirem ao debate que a Globo promoverá entre os candidatos ao governo estadual, nesta terça (28).

 

“Quem tiver dúvida da competência do Mercadante, assista ao debate na TV Globo...”

 

“...Se tiver um vizinho tucano ou que tem medo do PT convida o infeliz pra ir na sua casa...”

 

“...Ofereça um cafezinho. E ele vai ver quem é melhor, se é o Mercadante ou o adversário dele”.

 

Dilma discursou antes de seu patrono. Além do lero-lero habitual, dirigiu à militância petista um apelo:

 

“Quero pedir serenidade, porque nós temos propostas, estamos no caminho certo. Ninguém pode tirar a gente do rumo nem do prumo”.

 

Antes, sem mencionar José Serra, dissera que o antagonista lança mão de uma retórica em que se mistruam o “medo” e o “ódio”. Como antídoto, receitou "esperança" e "amor" (assista lá no rodapé).

 

Michel Temer (PMDB) chegou ao comício atrasado. Lula encerrava o discurso. Trocou as bolas: "Acaba de chegar o Temer, vice da Marta Suplicy".

 

Logo se deu conta da gafe: "Gente, pelo amor de Deus, a Marta não é candidata a presidente. O Temer é vice da Dilma".

 

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h35

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Brasil tenta aprovar na OPAS cruzada ‘antitabagista’

Shutterstock

 

Começou nesta segunda (27), em Washington, a 50ª Reunião do Conselho Diretor da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde).

 

Representante do Brasil, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) levou à mesa uma proposta de radicalização contra a indústria do tabaco.

 

Sugeriu um contraataque conjunto dos países que integram a OPAS contra ações dos fabricantes de cigarro no continente americano.

 

No Brasil, a indústria barrou na Justiça a inserção de novas advertências sanitárias nas embalagens de cigarros.

 

No Canadá, os produtores de cigarro questionam uma lei que proibiu a adição de flavorizantes (substâncias que dão aroma e gosto agradável) ao cigarro.

 

No Uruguai, a indústria foi aos tribunais contra o veto do Estado ao lançamento de novos produtos –um por logomarca.

 

Foi contra esse pano de fundo que Temporão sugeriu a reação da OPAS. A proposta do ministro será levada a voto na próxima sexta (1º).

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h50

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FMI fará ‘inspeções’ em 24 países, entre eles o Brasil

Entre os ‘feitos’ que Lula recita nos microfones dos comícios, um é indefectível:

 

“Hoje, o Brasil é credor do FMI”, não se cansa de repetir o cabo eleitoral.

 

Com sua bazófia, Lula toca a alma nacionalista da bugrada.

 

E cutuca os instintos mais primitivos do tucanato.

 

De Sarney a FHC, o Brasil esteve pendurado às arcas do Fundo.

 

Sujeitava-se às inspeções periódicas da instituição.

 

Nessa época, Ana Maria Jul, chefe de delegações enviadas pelo FMI, tornou-se personagem mítica de Brasília.

 

Além de livrar o país das visitas da madame, Lula vangloria-se de ter liberado a malta do velho “complexo de vira-lata”.

 

Pois bem. Se confirmar o favoritismo que lhe atribuem as pesquisas, Dilma Rousseff terá de lidar novamente com as investidas incômodas.

 

O FMI anunciou nesta segunda (27) uma novidade: tornou obrigatório um exame periódico da saúde do sistema financeiro de 25 países. Entre eles o Brasil.

 

Hoje, o “check-up” econômico dos 187 países membros do FMI depende da autorização prévia dos governos. Os novos exames serão compulsórios.

 

Os 25 países foram selecionados por conta do tamanho de seus sistemas bancários e da capacidade de contagiar outras nações em caso de encrenca.

 

Eis os integrantes da lista: Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Cingapura, China, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Irlanda, Itália, Japão...

 

...Luxemburgo, México, Holanda, Rússia, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e EUA.

 

Dessa vez, a notícia é boa: o Brasil está entre os grandes. Mas, considerando-se a aversão que nutre pelo Fundo, o petismo deve preparar recepções inamistosas às caravanas de inspeção.

 

Decerto serão recebidas com faixas de 'Fora FMI'. 

 

Por sorte, o Proer de FHC, demonizado pelo ex-PT, deu ao sistema bancário brasileiro uma higidez que fez do Brasil uma exceção em meio às novas crises.  

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h39

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Mantega vê ‘guerra cambial’ e promete abrir o paiol

De passagem por São Paulo, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que há no mundo uma “guerra cambial”.

 

Algo que põe em risco a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Em palestra a industriais, reiterou a promessa de abrir o paiol:

 

"Não permitiremos que o Brasil seja prejudicado por causa da política cambial dos demais países".

 

Criticou as nações que, engolfadas pelas fragilidades da economia global, desvalorizam suas moedas unilateralmente:

 

"Os Estados Unidos desvalorizaram, a União Europeia também, o Japão está desesperado...Tem países matando cachorro a grito, exportando a qualquer preço".

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h54

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‘O Lula quer eleger a sua sucessora a qualquer custo’

  Lula Marquues/Folha
Sandra Cureau, vice-pocuradora-geral eleitoral, falou à repórter Eliane Cantanhêde. Fiscal da aplicação da lei eleitoral, ela diz que nunca viu eleição como a de 2010.

 

Espanta-se com a desenvoltura com que Lula vai aos palanques: "Eu acho que ele quer, a qualquer custo, fazer a sua sucessora".

 

Acrescenta: "É por isso que, como dizem no manifesto [de intelectuais pela democracia], ele misturou o homem de partido com o presidente...”

 

“...A impressão que tenho é a de que ele faz mais campanha do que a própria candidata. É quase como se fosse uma coisa de vida ou morte".

 

Vai abaixo a entrevista, veiculada na Folha:

 

 

- Qual o efeito do empate no STF sobre a validade da Lei da Ficha Limpa? Sandra Cureau - Vai interferir muito no processo eleitoral, porque colocou uma quantidade enorme de candidatos no limbo. O que vai acontecer? Ninguém sabe.

- Isso favorece os fichas-sujas? Não sei, porque pode ocorrer um fenômeno como o que já vinha ocorrendo aqui no DF, onde um candidato ao governo [Joaquim Roriz, do PSC] teve seu registro impugnado desde o início e foi caindo nas pesquisas.

- Processo contra poderosos não dá em nada, nem na Justiça Penal nem na Eleitoral? Quem tem condições de pagar bons advogados recorre, recorre e recorre. Se o Congresso quer mesmo expulsar os fichas-sujas, vai ter de votar uma legislação que torne mais ágil o processo eleitoral e o processo em geral.

- Como vê a troca de Roriz pela mulher dele como candidata? Ele nunca teve uma decisão positiva. O TRE-DF indeferiu o registro, o TSE manteve o indeferimento e o ministro Carlos Ayres Britto negou o efeito suspensivo no STF. Ou seja: ele perdeu todas. Há um dispositivo na lei dizendo que candidato "sub judice" pode continuar fazendo campanha. Só que, na minha interpretação, Roriz sempre esteve com a candidatura indeferida, e isso não é estar "sub judice". Quanto à possibilidade de colocar a mulher dele, isso pode. Até na véspera você pode substituir, como quando o candidato falece.

- Não é frustrante? Mais do que frustrante. O candidato sai, mas a foto dele fica na urna. É interessante porque, no regimento do Supremo, existe um dispositivo dizendo que, quando há empate, prevalece a decisão que já existe. Teria de prevalecer, então, a decisão do TSE pela inelegibilidade [de Roriz].

- Qual o balanço que a sra. faz das eleições de 2010? Foi uma das eleições mais complicadas de que eu participei. Talvez tenha alguma coisa com o fato de eu ser mulher, mas acho que têm acontecido coisas incríveis. Pessoas se negam a dar informações que têm de dar, agressões e verdadeiras baixarias, principalmente em blogs. Fico pensando: será que, se fosse um homem, fariam a mesma coisa, tão à vontade? Há certa desobediência às decisões do TSE, certo desprezo pelo Ministério Público Eleitoral por parte de algumas autoridades.

- Qual o papel do presidente da República nisso, já que ele desdenha das multas e se referiu à senhora como "uma procuradora qualquer"? Quando ele diz que eu sou "uma procuradora qualquer por aí", ele reduz a instituição Ministério Público Eleitoral a alguma coisa qualquer. Por isso, houve reação tão veemente por parte da OAB e das entidades de magistrado e de Ministério Público. A reação foi geral. Aliás, a própria manifestação de São Paulo é consequência do que se está vivendo nesta eleição.

- A sra. se refere ao "Manifesto pela Democracia", assinado por dom Paulo Evaristo Arns, ex-ministros da Justiça, outros juristas e intelectuais? Exatamente

- Eles dizem ser "constrangedor o presidente não compreender que o cargo tem de ser exercido na plenitude e não existe o "depois do expediente'". A sra. concorda? É, e é complicado, porque a gente nunca teve esse tipo de problema antes. Não porque os presidentes não fizessem campanha para seus candidatos, mas eles faziam tendo presente que eram chefes da nação. Era de uma maneira mais republicana, ou mais democrática, não sei que palavra usar.

- Como a sra. avalia a participação de Lula nesta eleição? Eu acho que ele quer, a qualquer custo, fazer a sua sucessora. É por isso que, como dizem no manifesto, ele misturou o homem de partido com o presidente. Aquela coisa de não aceitar a possibilidade de não fazer a sucessora. A impressão que eu tenho é a de que ele faz mais campanha do que a própria candidata. Nunca vi isso, é quase como se fosse uma coisa de vida ou morte para ele.

- Como a sra. reage à posição do presidente, que recebe uma multa, duas, três e não está nem aí? Isso faz parte de todo um quadro, e não é uma multa que vai parar isso, ainda mais que são multas baixas.

- A oposição também não comete excessos o tempo todo? Por isso também foi multada. No caso da candidata Marina Silva [PV], foram poucas representações. Com relação ao candidato José Serra [PSDB], entrei com 26 representações, e 29 contra a candidata Dilma Rousseff [PT] e o presidente.

- A sra. considera absurdo analisarem que isso possa evoluir para um nível de tensão próximo ao da Venezuela? Por enquanto, não vejo isso, mas me preocupa muito a tentativa de desqualificar as instituições. Quando se começa a não ter respeito pelas instituições e se incentiva inclusive isso, pode levar a um caminho em que não haja autoridade, ou que a autoridade seja única. Todos os Poderes são legítimos. Um não pode se sobrepor aos outros.

- No escândalo da ex-ministra Erenice Guerra, houve partidarismo da imprensa? A imprensa prestou um serviço não só ao povo brasileiro, que paga impostos que estavam sendo usados naquelas negociações, ou negociatas, sei lá, como prestou um serviço ao presidente.

- E a acusação de que há um complô da imprensa a favor de um candidato?
Não vejo, até por uma razão muito simples. Se houvesse um complô a favor de um candidato ou contra o outro, ele estaria lá nas alturas.

 

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Escrito por Josias de Souza às 14h23

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Debates? Escolha a melhor encenação e não chateia!

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Escrito por Josias de Souza às 13h33

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Marina chega à reta final mais ‘aprumada’ que Serra

Lula Marques/Folha

 

Realizou-se na noite passada, na TV Record, o penúltimo debate presidencial antes do primeiro turno da eleição. Os contendores voltaram aos holofotes num instante em que a platéia se pergunta: Haverá segundo turno?

 

A julgar pelas últimas pesquisas, a resposta é “não”. Mas José Serra e, sobretudo, Marina Silva tentam modificar a cena. Marina chega à reta final com o discurso mais aprumado que o de Serra, eis o que ficou evidenciado no debate.

 

Serra é, hoje, um candidato na defensiva. Gasta mais tempo se explicando do que vendendo seu peixe. Curiosamente, dirigiu a maioria das perguntas que lhe coube formular não a Dilma, como seria lógico, mas ao lanterninha Plínio de Arruda Sampaio.

 

Só questionou Dilma quando as regras do debate o impediram de se desviar da rival. Dilma fez o mesmo. Inquiriu ora Marina ora Plínio. Em confrontos anteriores, Serra esfregara no nariz de Dilma o ‘Fiscogate’ e o ‘Erenicegate’. Na Record, absteve-se de repetir a tática. O caso da violação fiscal nem foi mencionado. O escândalo da Casa Civil foi cobrado, mas não por Serra. 

 

Deu-se o seguinte: Serra e Dilma fizeram de Marina e Plínio escadas para explorar os temas que mais lhes convinham. Lançavam as perguntas e, ao replicar, desfiavam um lero-lero ensaiado. Não funcionou. Convertida em degrau, Marina escalou sobre ambos.

 

Antes, Marina era ignorada. Serra e Dilma chegavam mesmo a poupá-la. Agora, até Plínio alveja Marina. Pingou dos lábios de Dilma o ataque mais incisivo. Em verdade, um contraataque. Evocando o mensalão, Marina recordou que o caso Erenice é uma reincidência. Fustigou: Que providências tomou para evitar?

 

Levada ao corner, Dilma subiu o tom: “As mesmas providências que você tomou”. Lembrou que, como ela, Marina é ex-ministra. E disse que, sob a ex-titular do Meio Ambiente, servidores de chefia foram pilhados vendendo madeira.

 

Mais incisivo, Plínio disse a Dilma que a nomeação de Erenice o conduzia a duas conclusões: ou a petista foi “conivente” ou mostrou-se “incompetente”. E ela: “Nem uma coisa nem outra". Disse que a encrenca está sendo investigada, como convém.

 

Numa tentativa de espantar a tese de que a gestão Lula virou ninho de corrupção, Dilma disse que, valorizada, a PF trabalha a mais não poder. A Controladoria adotou um grau de transparência que não se vê em São Paulo. Sumiu a figura do “engavetador-geral”, como ficou conhecido Geraldo Brindeiro, o procurador-geral da República da era FHC.

 

Plínio não se deu por achado. Se a PF trabalha tanto é porque a corrupção viceja, disse. Noutro trecho do debate, Marina questionou o “promessômetro” de Serra. Aparentemente munida de dados, disse que, como governador de São Paulo, Serra gastara mais em publicidade do que em programas sociais.

 

Nas cordas, Serra disse que o “social” não se limita ao assistencial. Inclui saúde e educação. Religou o “promessômetro”: salário mínimo de R$ 600, mais Bolsa Família e aumento das aposentadorias. “As propostas não estão encontrando respaldo na realidade”, Marina replicou.

 

Serra costuma se jactar de sua passagem pela pasta da Saúde. Marina cuidou de iluminar a (in)ação de Serra noutro ministério. Disse que, no Meio Ambiente, defrontara-se com o flagelo da terceirização de mão-de-obra. Como ministro do Planejamento de FHC, como permitiu que o fenômeno se disseminasse?

 

Ao responder, Serra disse que nada tem a ver com a terceirização. Sua escala no Planejamento foi breve, alegou. Depois, numa das ocasiões em que as regras o compeliram a questionar Dilma, Serra mirou no “aparelhamento” das agências reguladoras e na acomodação de companheiros em 21 mil cargos de confiança.

 

Dilma respondeu que a gestão FHC criara as agências, mas não as dotara de estrutura. E pegou carona na pergunta de Marina. Ao chegar no Ministério de Minas e Energia, encontrei um engenheiro e mais de 20 motoristas, declarou.

 

Mais: no governo de São Paulo, Serra contratara professores que haviam sido reprovados em concurso. O tucano aconselhou a rival a checar os dados. A petista respondeu que se servia de informações públicas. E a coisa ficou por isso mesmo.

 

Num bloco em que coube a jornalistas formular perguntas, Serra foi empurrado, de novo, para a defensiva. Questionaram-no sobre: 1) O fato de ter levado Lula à TV e escondido FHC. 2) A reiteração da tática do medo, que usara contra Lula em 2002, na boca dramática de Regina Duarte.

 

Serra disse que exibiu Lula por 30 segundos, em situação específica. Quanto a FHC, alegou que, ao propalar sua passagem pela Esplanada, não está senão prestigiando o amigo, que sempre lhe deu apoio. Convidada a comentar a resposta, Dilma foi à jugular:

 

"Considero muito estranho que o Serra use a imagem do Lula à noite e de dia faça críticas ao governo”. Ao replicar, Serra disse que sua candidatura não tem patrocinador. E chamou Dilma de “ingrata”.

 

Recordou que o “medo” evocado na peça de 2002 só não se materializou porque o governo Lula manteve os avanços de FHC. Avanços que renegara -o Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo- foram depois reconhecidos por Antonio Palocci, lembrou.

 

Ao final, José ‘28%’ Serra e Marina ‘13%’ Silva convidaram o eleitor a levá-los a um segundo round contra Dilma ‘49%’ Rousseff. As pesquisas da semana trarão a resposta. Para azar de Marina, a briga inclui um terceiro adversário: o relógio.

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: De olho no segundo turno, Marina ataca Dilma e Serra

 

- Folha: Presidência incha no governo Lula

 

- Estadão: Notícia sobre falcatruas no TO põe 'Estado' sob censura

 

- JB: Dezessete mil mulheres tentam a sorte na polícia

 

- Correio: PMDB desdenha apoio de Rosso a Weslian Roriz

 

- Valor: Grau de abertura cai, apesar do recorde de importações

 

- Estado de Minas: Donos da rua vencem a lei dos flanelinhas

 

- Jornal do Commercio: Homem é morto em motel de Olinda

 

- Zero Hora: 60% ainda não definiram seus deputados, diz Ibope

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Por um pino!

Aroeira

- Via 'O Dia'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Em Pernambuco, ‘onda Lula’ ganha ares de ‘tsunami’

Reuters

 

Em nenhum outro pedaço do mapa brasileiro a influência de Lula na eleição é mais evidente do que em Pernambuco.

 

No Estado natal do presidente, a oposição come o pão que o Tinhoso amassou. Ali, os rivais de Lula flertam, por assim dizer, com a extinção.

 

Candidato ao quarto mandato de senador, Marco Maciel (DEM) fora à disputa com o semblante de favorito.

 

Em comício, Lula o desancou. Chamou-o de “senador do Império”. Disse que, como vice de FHC, não enviara a Pernambuco um mísero centavo.

 

Maciel exibiu uma lista de obras que traziam suas digitais. Da tribuna do Senado, reagiu a Lula com a moderação que lhe é própria.

 

Pois bem. O morubixaba da tribo ‘demo’, que já caía nas pesquisas, foi ao desfiladeiro. Chega à reta final com cara de vencido. Ultrapassou-o Armando Monteiro (PTB).

 

À frente dos dois, o ex-ministro Humberto Costa (PT), recém-abolvido no escândalo dos Vampiros, deve beliscar a primeira vaga de senador.

 

Raul Jungmann (PPS), que entrara na briga pelo Senado numa vaga que seria do PSDB, escorrega nas sondagens eleitorais para a casa de um dígito.

 

Candidato à reeleição, o governador Eduardo Campos (PSB), hoje um dos políticos mais chegados a Lula, surfa acima dos 70%.

 

Campos deve se impor sobre Jarbas Vasconcelos (PMDB) no primeiro turno, com uma das maiores votações proporcionais do país.

 

Em conversa com o repórter, um dos líderes do bloco pernambucano anti-Lula fez piada da própria desgraça:

 

“Aqui em Pernambuco, do jeito que a coisa caminha, a oposição terá de recorrer ao Ibama contra a ameaça de extermínio”.

 

Em meio ao cenário de terra arrasada, Jarbas dispõe de um lenitivo. Seu mandato de senador vai até 2014. Eleita, Dilma Rousseff terá de aturá-lo em Brasília.

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h54

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Se Eros ainda fosse ministro, Ficha Limpa teria caído

  Wilson Dias/ABr
Ao completar 70 anos, Eros Grau teve de se aposentar do STF. A idade o salvou de passar à história como coveiro da lei da Ficha Limpa.

 

Antes mesmo de encomendar o pijama, Eros revelara a ex-colegas que considerava a nova lei, sancionada em julho, “inconstitucional”.

 

Na sessão encerrada na madrugada de sexta (24), a tese da inconstitucionalidade, empinada por Cezar Peluso, não emplacou.

 

Porém, cinco ministros consideraram que a exigência de Ficha Limpa não vale para 2010. Só para as eleições futuras.

 

Presente, Eros Grau teria se associado a essa corrente. E o placar, em vez do empate de 5 a 5, teria registrado 6 a 5 a favor do recurso de Joaquim Roriz.

 

Depois de homenagear a insegurança jurídica com sua não decisão, o Supremo encrencou-se com a renúncia de Roriz à sua candidatura.

 

O tribunal voltará ao tema em sessão marcada para quarta (29). Até a noite deste domingo (26), não havia sido construída uma saída para o impasse.

 

Parte dos ministros rumina em segredo sua irritação com Peluso, que se absteve de pronunciar o voto de desempate, prerrogativa do presidente do STF.  

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h09

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SP: Por Mercadante, Lula volta ao palanque nesta 2ª

  Divulgação
Num esforço para produzir um segundo turno em São Paulo, Lula volta a fazer nesta segunda (26) o que mais lhe apraz: um comício.

 

Vai ao palanque no cenário carnavalesco do Sambódromo. Junto com o cabo eleitoral, vão aos holofotes Dilma Rousseff e Aloizio Mercadante.

 

No papel de condutor da própria sucessão, Lula diz que São Paulo, berço do petismo e do tucanato, é “prioridade zero”.

 

Numa conversa privada de sexta-feira (24), o presidente referiu-se à disputa estadual como a “mãe de todas as batalhas”.

 

Declarou que o êxito de 2010 será “incompleto” se não extrair das urnas paulistas um “resultado convincente”.

 

Imagina já ter obtido a ultrapassagem de Dilma sobre José Serra no Estado governador pelo tucano até abril passado.

 

Considera “possível” levar Mercadante ao segundo turno, contra Geraldo Alckmin.

 

O novo comício ocorre sobre um pano de fundo ornado por duas pesquisas desencontradas.

 

Numa delas, cujo campo foi concluído na quarta (22), o Datafolha chegou ao mesmo cenário de uma semana atrás: Alckmin, 51%. Mercadante, 23%.

 

Noutra, fechada na terça (22), o Vox Populi atribuiu a Mercadante 28%, contra 40% de Alckmin.

 

Somando-se o índice de Mercadante aos de outros candidatos chega-se a 42%, dois pontos acima da marca de Alckmin.

 

Nessa hipótese, Mercadante iria ao segundo turno.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h06

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Editorial da Folha de S.Paulo: ‘Todo poder tem limite’

Vai abaixo, por oportuno, o texto do editorial da Folha deste domingo, excepcionalmente veiculado na primeira página:

 

 

"Os altos índices de aprovação popular do presidente Lula não são fortuitos. Refletem o ambiente internacional favorável aos países em desenvolvimento, apesar da crise que atinge o mundo desenvolvido. Refletem, em especial, os acertos do atual chefe do Estado.


Lula teve o discernimento de manter a política econômica sensata de seu antecessor. Seu governo conduziu à retomada do crescimento e ampliou uma antes incipiente política de transferências de renda aos estratos sociais mais carentes. A desigualdade social, ainda imensa, começa a se reduzir. Ninguém lhe contesta seriamente esses méritos.


Nem por isso seu governo pode julgar-se acima de críticas. O direito de inquirir, duvidar e divergir da autoridade pública é o cerne da democracia, que não se resume apenas à preponderância da vontade da maioria.


Vai longe, aliás, o tempo em que não se respeitavam maiorias no Brasil. As eleições são livres e diretas, as apurações, confiáveis -e ninguém questiona que o vencedor toma posse e governa.


Se existe risco à vista, é de enfraquecimento do sistema de freios e contrapesos que protege as liberdades públicas e o direito ao dissenso quando se formam ondas eleitorais avassaladoras, ainda que passageiras.

 

Nesses períodos, é a imprensa independente quem emite o primeiro alarme, não sendo outro o motivo do nervosismo presidencial em relação a jornais e revistas nesta altura da campanha eleitoral.


Pois foi a imprensa quem revelou ao país que uma agência da Receita Federal plantada no berço político do PT, no ABC paulista, fora convertida em órgão de espionagem clandestina contra adversários.


Foi a imprensa quem mostrou que o principal gabinete do governo, a assessoria imediata de Lula e de sua candidata Dilma Rousseff, estava minado por espantosa infiltração de interesses particulares. É de calcular o grau de desleixo para com o dinheiro e os direitos do contribuinte ao longo da vasta extensão do Estado federal.


Esta Folha procura manter uma orientação de independência, pluralidade e apartidarismo editoriais, o que redunda em questionamentos incisivos durante períodos de polarização eleitoral.


Quem acompanha a trajetória do jornal sabe o quanto essa mesma orientação foi incômoda ao governo tucano. Basta lembrar que Fernando Henrique Cardoso, na entrevista em que se despediu da Presidência, acusou a Folha de haver tentado insuflar seu impeachment.


Lula e a candidata oficial têm-se limitado até aqui a vituperar a imprensa, exercendo seu próprio direito à livre expressão, embora em termos incompatíveis com a serenidade requerida no exercício do cargo que pretendem intercambiar.


Fiquem ambos advertidos, porém, de que tais bravatas somente redobram a confiança na utilidade pública do jornalismo livre. Fiquem advertidos de que tentativas de controle da imprensa serão repudiadas -e qualquer governo terá de violar cláusulas pétreas da Constituição na aventura temerária de implantá-lo".

 

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Escrito por Josias de Souza às 08h16

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Hélio Bicudo: ‘País pode caminhar para ditadura civil’

  Eduardo Anizelli/Folha
Durante 25 anos, a biografia de Hélio Bicudo enfeitou os quadros do PT. Com o passar do tempo, o promotor franzino tornou-se um estorvo. Em 2005, ano do mensalão, achou que era hora de se desfiliar.

 

Na semana passada, Bicudo, 88, voltou ao meio-fio num em defesa da democracia e da liberdade de imprensa. Uma reação a Lula. Acha-o diferente do Lula de quem fora vice, nos anos 80, numa chapa que disputou o governo de São Paulo.

 

Em entrevista veiculada neste domingo (26) em ‘A Gazeta’, Bicudo declara: sob a liderança de Lula, “o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil”. Vão abaixo algumas de suas declarações:

 

 


- A democracia está sob ameaça? Acho que sim, porque o presidente da República ignora a Constituição, se acha acima do bem e do mal, e, com uma vitória que está delineada em favor da sua candidata, concentrará todos os poderes da República em suas mãos, além do apoio da maioria dos Estados e da população em geral. Com uma pessoa com esse potencial, e que não vê no ordenamento jurídico do país a maneira de estabilizar as discussões e debates, o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil, sem dúvida.
- Depois de 25 anos no PT, imaginou que isso pudesse acontecer? De início, não, mas no final, achava que aconteceria essa reviravolta. Foi marcante aquela carta aos brasileiros que Lula escreveu antes da sua primeira eleição, demarcando uma posição muito mais para o neoliberalismo do que para o socialismo.
- Vê diferenças entre o neoliberalismo de FHC e de Lula? Não há nenhuma diferença, porque quem comanda as decisões políticas hoje, como ontem, é o próprio capital.
- O PT indicava uma prática diferente? O PT fazia uma oposição bastante forte nos governos Sarney e Fernando Henrique. A partir do governo Lula, a unanimidade popular que ele foi conquistando afastou a oposição do seu caminho. E o que aconteceu? Sobre o mensalão e os outros atos de corrupção apontados, nada se fez. Quando Lula diz que é presidente da República até sexta-feira à noite, e depois fecha a gaveta e só volta na segunda-feira, pratica crime de responsabilidade. Afinal, como presidente ele jurou obedecer às leis do país. E a Constituição não permite que um presidente da República participe da campanha eleitoral como ele está participando. É crime que leva ao impeachment, mas nem os partidos políticos, nem a sociedade civil movem nenhuma pedra contra isso.
- O que esperar de Dilma? Quem continuará mandando no país vai ser Lula. Dilma diz que ela é o Lula. Então as coisas continuarão como estão, com a mesma corrupção, o mesmo manejo da coisa pública.
- Imaginava voltar às ruas em defesa da democracia? A gente fica frustrado, depois de uma longa luta em prol da democracia, ver o que estamos vendo. E acho que não temos democracia, até pela maneira pela qual se conduz a vida pública, onde um grupelho toma conta do governo, pondo nele seus parentes, seus amigos... Não é o governo do povo. Veja a própria constituição do Supremo Tribunal Federal, onde não se fez uma consulta maior para a escolha dos ministros. Ela foi pessoal, feita pelo próprio presidente. Leis passam na Câmara e no Senado, por atuação da presidência da República, que transformou o Legislativo em algo sem a menor expressão. [...] Quem manda no país, passa por cima das leis é ele, Lula. Vai eleger a presidenta que fará o que ele quiser.
- Como vê Lula? Um homem inteligente, que poderia usar essa inteligência para implementar e fortalecer a democracia no país, mas optou por incrementar o poder pessoal. [...] Ele sempre mandou no partido, afastou as lideranças que pudessem competir com ele. É o dono, sente-se acima do bem e do mal.
- Os escândalos e o ‘eu não sabia’: Ele sabia de tudo, deixou as coisas escaparem. A oposição não atuou e, hoje, chegamos onde estamos.
- Incompetência da oposição? Foi inexistência de oposição.
- A saída do PT, em 2005: Saí porque achei que o partido não estava trilhando a estrada que havia traçado no seu nascedouro. Ele deixou de representar o povo. Pode até ter o voto do povo, mas representa os interesses daqueles que o comandam.
- Lula e a imprensa: Olha, Lula vive dizendo que a imprensa o prejudica. Eu acho que é o contrário. [...] A imprensa tem ajudado Lula e seus candidatos. Você não pega um jornal, um programa de televisão, que não exiba um retrato dele. O povo não vê o que está escrito além dá manchete. Funciona como propaganda.
- Lula e a popularidade: Mis-en-scène... Pergunto: com tudo isso, o que o Brasil conseguiu, do ponto de vista internacional? Zero. A questão da popularidade não tem relação com a eficiência. Olha o caso do Irã. Tem maior vergonha do que isso? Nossa política externa é péssima. O Brasil não conseguiu colocar uma pessoa em cargo relevante no conceito internacional. Em matéria de Direitos Humanos, botaram lá em Genebra uma pessoa que jejuna nessa área. E onde estão os direitos humanos no Brasil, onde o presidente aceita que a Lei de Anistia contemple também torturadores? E a compra de 36 aviões de caça? Uma brincadeira, desperdício de dinheiro público...

- O ‘ato contra o golpismo midiático’, com CUT, UNE, movimentos sociais e políticos governistas: Lula sempre diz que há uma revolução midiática para retirá-lo do poder. Os pelegos dele é que fizeram o movimento em contrário ao nosso.
- O manifesto pró-liberdade de expressão: Ontem, mais de 20 mil pessoas já tinham assinado o nosso documento. A semente foi plantada, e agora depende da sociedade. Porque o problema é também de pós-eleição. Repetindo o que já foi dito: se você não vigia, não tem democracia. Deve-se vigiar permanentemente quem governa o país, para que não haja desvios. Seja quem for eleito, independentemente do partido político.
- Vê méritos neste governo? A questão é: o que o governo pretende com sua atuação? Para mim, só autoritarismo.
- O convívio com Lula: Sim, mas os tempos mudaram completamente. Ele acabou com as lideranças do partido, e lançou uma pessoa que nem era do partido, tradicionalmente, à presidente. Hoje o PT não tem diferença nenhuma dos outros partidos.
- A opção por Marina Silva: [...] Entre os candidatos que estão aí, é ela quem tem as melhores condições, do ponto de vista de sua vida, do trabalho que já fez e se propõe a fazer...

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h59

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Mais de 2 mil municípios do país são subdesenvolvidos

 

- Folha: PT repete os erros do mensalão, diz Marina

 

- Estadão: Serra mira S. Paulo, Minas e Rio; Dilma aposta mais na TV

 

- JB: Vinte milhões não devem votar este ano

 

- Correio: Weslian vai às ruas e é alvo de ação do PT

 

- Jornal do Commercio: Mantenha seu nome bem longe do SPC

 

- Zero Hora: Na rua com os candidatos ao Piratini

 

- Veja: A liberdade sob ataque

 

- Época: Petrobras

 

- IstoÉ: O avanço da onda vermelha

 

- IstoÉ Dinheiro: Minha vida depois da prisão

 

- CartaCapital: Eles ainda sonham com a marcha

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Preparação do terreno!

Ronaldo

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Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Serra defende governador cassado da PB em comício

  Edson Lopes Jr./Folha
José Serra talvez devesse considerar a hipótese de não realizar mais comícios no Nordeste. Não lhe dão boa sorte.

 

Na semana passada, em Sergipe, Serra ouviu um aliado dizer, em discurso, que Albano Franco, líder tucano no Estado, fechara com Dilma Rousseff.

 

Neste sábado (25), Serra foi ao palanque na cidade paraibana de Campina Grande.

 

Estava acompanhado do ex-governador Cássio Cunha Lima, do PSDB.

 

Candidato ao Senado, Cunha Lima foi alcançado pela lei da Ficha Limpa. Impugnado, faz campanha pendurado em recurso judicial.

 

A ficha do ex-governador traz a nódoa de uma cassação. O TSE passou o mandato de Cunha Lima na lâmina em 2009.

 

Súbito, Serra pôs-se a defender o correligionário. Disse coisas assim: "Houve uma injustiça do TSE quando o afastou tempos atrás..."

 

“...O Cássio não foi acusado de nenhum desvio de dinheiro público, de nenhuma conduta imprópria. Foi uma acusação frágil".

 

Depois de festejar o cassado no palanque, Serra insistiu: "O Cássio é um homem limpo. A Justiça Eleitoral cometeu um erro, Justiça não é infalível..."

 

"...No caso dele, cometeu um erro que o obrigou a deixar o governo". Beleza. A Justiça só é boa quando alcança os inimigos!

 

Eleito governador em 2006, o “homem limpo” foi cassado pelo TRE da Paraíba em julho de 2007. Manteve-se no cargo agarrado em liminares judiciais.

 

O tempo passou. E a encrenca subiu ao TSE. Em novembro de 2008, o tribunal superior confirmou a sentença estadual. O “injustiçado” recorreu.

 

Em fevereiro de 2009, o TSE confirmou a cassação. Decisão unânime. Nenhuma voz dissonante.

 

Cunha Lima foi enxotado da cadeira de governador porque restou provado que, na gestão anterior, valera-se do cargo para azeitar a reeleição.

 

A Fundação Ação Comunitária, órgão do governo paraibano, distribuíra, no ano eleitoral de 2006, 35 mil cheques. Coisa de R$ 3,5 milhões.

 

No dia do julgamento final, depois de confirmado o veredicto, o então presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, declarou:

 

"Não basta vencer uma eleição, é preciso ganhá-la limpamente".

 

Ao dizer que não houve “conduta imprópria”, Serra associa-se ao malfeito, ofende o Judiciário e passa ao eleitor uma mensagem desconexa.

 

De quebra, Serra perdeu a autoridade para repetir o bordão segundo o qual Lula passa a mão na cabeça de aliados transgressores.

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h29

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‘Bolsa Netinho’ dá votos ao dono e prejuízos à Viúva

Chama-se Instituto Casa da Gente a ONG do pagodeiro-candidato Netinho de Paula (PCdoB-SP).

 

No gogó, visa socorrer a bugrada desassistida. Na prática, funciona como limpa trilhos de seu idealizador.

 

A entidade foi convidada a devolver à Viúva R$ 790 mil. Dinheiro beliscado nas arcas da gestão Lula desde 2003.

 

Há convênios firmados com os ministérios do Esporte e da Cultura. E também com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

 

Como tocadora de obras sociais, a ONG é uma dúvida. Não prestou contas. E tornou-se inadimplente. Daí a cobrança de ressarcimento.

 

Como mola de projeto político, a entidade revelou-se um portento. Enganchado à chapa de Aloizio Mercadante, o vagão de Netinho ruma em direção ao Senado.

 

Carrega na segunda suplência Matilde Ribeiro, uma ex-secretária de Igualdade Racial que ajudou a liberar um pedaço da verba.

 

Eleito, Netinho terá, num eventual governo Dilma Rousseff, mais acesso aos cofres do que teve sob Lula. Tudo pelo social.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h43

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Em editorial, o Estadão formaliza ‘apoio’ a José Serra

  Alan E.Cober
O jornal ‘Estado de S.Paulo’ formalizou em editorial seu apoio à candidatura presidencial de José Serra (PSDB).

 

“O mal a evitar”, eis o título da peça. A certa altura, anota: “O Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República”. Por que Serra?

 

“[...] Não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do país ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos...”

 

“...O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País”.

 

Noutro trecho, o editorial anota: “O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer...”

 

“...O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção”.

 

O editorial dedica a Lula críticas azedas. Já nas primeiras linhas, faz referência a declarações recentes do patrono da candidatura de Dilma Rousseff:   

 

“A acusação do presidente da República de que a imprensa ‘se comporta como um partido político’ é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado...”

 

“...Tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside...”

 

“...[...] Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre ‘se comportar como um partido político’ e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país”.

 

O Estadão chama Lula de “dono do PT”. Acusa-o de “investir pesado na empulhação de que a imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários”.

 

Para o jornal, é Lula “quem age em função de interesse partidário”, não a imprensa. É ele “quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder”.

 

Sem citar o nome de Dilma, o texto reponsabiliza Lula “pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial”. Anota que, “se eleita”, a pupila do presidente vai “segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”.

 

O texto sustenta que, para se manter no poder, “Lula e seu entorno” recorrem a um “vale tudo” que inclui: “alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso”.

 

De resto, o editorial anota que Lula “despreza a liturgia” do cargo e “se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”. Com isso, “hipnotiza os brasileiros”.

 

Conclui: “Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: ‘Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?’ Este é o mal a evitar”.

 

- Serviço: Aqui, a íntegra do editorial do Estadão.

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Escrito por Josias de Souza às 20h23

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FHC admite derrota: Dilma ‘não levará país pra trás’

  James Ferguson/Financial Times
O diário britânico Financial Times levou à sua edição deste sábado (25) um texto do repórter Jonathan Wheatley. Reproduz o teor de conversa que manteve, durante um almoço, com Fernando Henrique Cardoso.

 

Encontraram-se no restaurante Carlota, próximo ao apartamento de FHC, no bairro paulistano de Higienópolis. O diálogo foi longo. A certa altura, FHC levou à mesa a disputa eleitoral de 2010.

 

Jonathan conta que a voz dele ganhou, pela primeira vez, um timbre de frustração. Para FHC, a oposição “entendeu errado” o processo político. "Nós permitimos a mitificação de Lula”, disse.

 

Nesse ponto, o ex-presidente fez uma avaliação do perfil político do sucessor: “Lula não é um revolucionário”, disse. “Ele veio da classe trabalhadora e se comporta como se fizesse parte da velha elite conservadora."

 

Embora o relato de Jonathan seja deste sábado, ele foi à mesa de almoço com FHC há três semanas e meia. As pesquisas já apontavam o favoritismo de Dilma Rousseff. O repórter diz ter sugerido ao interlocutor que já se sabia qual seria o desfecho da sucessão.

 

FHC assentiu: “Sim”. O que isso vai significar para o Brasil? Ao responder, o grão-tucano destoou do discurso de seu próprio partido.

 

José Serra já se referiu à pupila de Lula como um “envelope fechado”. Na campanha, insinua que Dilma, por inexperiente, não vai conseguir governar.

 

Tomado pelo que disse a Jonathan, FHC não chega a ser otimista quanto à provável gestão Dilma. Mas tampouco parece achar que o país mergulhará no insondável:

 

"Isso vai nos impedir de desenvolver mais rapidamente. Mas isso não vai levar o Brasil para trás. A sociedade é muito forte para isso", disse.

 

FHC considera-se pessoalmente responsável pela pujança do país. Noutro trecho da conversa discorreu sobre a gênese do Plano Real.

 

Recuou a 1992, ano em que o então presidente Itamar Franco o nomeara ministro da Fazenda.

 

FHC disse ter logrado controlar a inflação e iniciar um ciclo de reformas do Estado. Desde então, acha ele, “todos os indicadores sociais começaram a melhorar”.

 

A coisa foi “acelerada sob Lula”, FHC reconheceu. Mas avocou para si a deflagração do processo. “O Brasil começou a acreditar mais em si mesmo”.

 

Em seu texto, o repórter anotou que é esse Brasil mais autoconfiante que o mundo começou a conhecer recentemente.

 

Um país de futebol, samba e de um presidente dotado de enorme carisma. Referia-se a Lula.

 

Recordou as frases dirigidas a Lula por Barak Obama, quando o avistou pela primeira vez: “Eu amo esse cara”. Ou: “Ele é o político mais popular do mundo”.

 

Jonathan lembrou também que o Brasil passou a ser visto no estrangeiro como país de companhias gigantes.

 

Mencionou a JBS, maior produtora mundial de carne. Citou a Petrobras, que acaba de realizar a maior oferta de ações do mundo, capitalizando-se em de US$ 70 bilhões.

 

No instante em que os pratos que haviam encomendado ao garçom lhes chegavam à mesa, o repórter quis saber de FHC qual seria o próximo desafio do Brasil.

 

“Agora, a questão é qualidade”, disse o ex-presidente. Considera que o tempo de se preocupar com a “quantidade” já passou.

 

Ao esmiuçar a resposta, FHC discorreu sobre educação. Afirmou que a principal causa da evasão escolar não é mais a deficiência econômica das famílias.

 

Para ele, as crianças fogem da escola porque “perdem o interesse”. A qualidade do ensino é sofrível. “Nós precisamos de uma nova onda de reformas”, emendou.

 

Reformas que levem à melhoria da produtividade, aperfeiçoem o gasto público, reduzam tributos e aumenteem o investimento em capital humano e infraestrutura.

 

Lero vai, lero vem FHC mirou no sucessor. “A discussão [sobre reformas] parou”, disse ele. “Num certo sentido, Lula tem anestesiado o Brasil...”

 

“...Nós esquecemos que o Brasil precisa continuar avançando. O que eu fiz levou o país para a frente. Mas, então, isso parou. Simplesmente parou”.

 

Quando se preparavam para deixar o restaurante, Jonathan perguntou como Lula será lembrado pela história.

 

E FHC: "Creio que ele será lembrado pelo crescimento e continuidade, e por dar mais ênfase ao gasto social. Ele é um Lech Walesa que deu certo".

 

E quanto à sua própria importância?, inquiriu o repórter. “Eu fiz reformas. Lula surfou a onda”, respondeu FHC.

 

- Serviço: Aqui, a íntegra da reportagem do Financial Times, infelizmente em língua inglesa.

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Escrito por Josias de Souza às 17h02

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Presidente do TSE: ‘Ficha Limpa está em pleno vigor’

Fábio Pozzebom/ABr

 

O ministro Ricardo Lewandowski, que acumula uma cadeira no STF e a presidência do TSE, se esforça para injetar certeza num quadro emoldurado pela dúvida.

 

Disse que a lei da Ficha Limpa “não sofreu nenhuma alteração, continua em pleno vigor, hígida”.

 

Segundo ele, a nova lei “será aplicada” pela Justiça Eleitoral “com o rigor de sempre”. E quanto ao empate em 5 a 5 registrado no plenário do STF?

 

Lewandowski sustenta que, para que a lei fosse derrubada, “seriam necessários seis votos contrários [no Supremo], conforme determina a Constituição”.

 

Na opinião dele, o empate no julgamento do recurso de Joaquim Roriz manteve em pé o acórdão do TSE sobre a Ficha Limpa.

 

Significa dizer que, no entendimento do ministro, continuam impedidos de disputar cargos eletivos os candidatos condenados por colegiados de juízes.

 

São proibidos de concorrer também os postulantes que tiverem renunciado ao mandato para fugir de processos de cassação.

 

Para Lewandowski, até mesmo o ponto mais controverso da lei, a retroatividade, continua em vigor.

 

Em timbre peremptório, o ministro diz que a lei “atinge fatos pretéritos”.  Por quê?

 

“As hipóteses nela previstas  não constituem sanções, mas sim condições que os candidatos precisam preencher para que possam ter o registro de candidaturas”. 

Em verdade, as certezas de Lewandowski valem só até certo ponto. O ponto de interrogação.

 

Feitas durante uma visita ao TRE do Espírito Santo, nesta sexta (24), as declarações do ministro foram levadas à página do TSE na internet.

 

Na prática, Lewandowski repisou opiniões que já havia esgrimido na madrugada da véspera, no encerramento da sessão em que o STF decidiu não decidir.

 

Os quatro ministros que, como ele, votaram pela vigência imediata da lei, compartilham do raciocínio de Lewandowski.

 

Mas os cinco colegas que votaram a favor de Roriz, contra a impugnação da Justiça Eleitoral, não aceitam as teses do presidente do TSE.

 

A encrenca voltará ao plenário do Supremo na quarta-feira da semana que vem. Hoje, a tendência é  de que nada seja decidido antes das eleições. Pena.

 

O seja, pendurados em recursos judiciais suspensivos, os candidatos "sujos" continuam em campanha. Vão às urnas normalmente.

 

Eleitos, o exercício de seus mandatos ficam condicionados ao desempate do STF.

 

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Escrito por Josias de Souza às 08h00

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TSE nega liminar e mantém na internet vídeo anti-PT

Petismo reclama, mas em 2002 comparou rivais a ratos

 

 

O ministro Joelson Dias, do TSE, indeferiu pedido de liminar formulado pelo PT contra o vídeo que o PSDB levou à web na última quarta (22).

 

Com sua decisão, Joelson manteve na internet a peça que a coligação de Dilma Rousseff queria retirar do ar.

 

Nas imagens, o PT é apresentado como "o partido que não gosta da imprensa”, Dilma é associada a José Dirceu e os petistas são comparados a cães rottweiler.

 

Em sua petição, os advogados do comitê de Dilma argumentaram que o vídeo propala "informações sabidamente inverídicas e degradantes”.

 

Anotaram que a propaganda, além de injuriosa e difamatória, “busca iludir o eleitor”.

 

Divulgado nesta sexta (23), o despacho do ministro Joelson responde que não ficou provado que a campanha de Serra é responsável pelo vídeo.

 

O PT anexou à sua representação recortes de jornal. Mas o ministro considerou que “matérias jornalísticas” não constituem prova.

 

A decisão, por liminar, ainda depende de confirmação. A sentença definitiva só virá depois da análise do mérito da ação. Não há prazo definido.

 

Na prática, o tucanato já atingiu o seu propósito. Há dois dias, inquirido sobre o vídeo, Serra deu uma de João sem braço, como se diz.

 

Declarou que seu comitê não havia encomendado o vídeo. Verdade. A encomenda é do PSDB. Afirmou que não foi informado e sequer viu as imagens. Lorota.

 

A coisa toda foi feita com o conhecimento do candidato. A peça foi solicitada ao marqueteiro Adriano Gehres.

 

O mesmo que, na campanha de 2006, ajudara a produzir comerciais contra o tucano Geraldo Alckmin, à época adversário de Lula 'Reeleitoral' da Silva

 

Na propaganda, difundia-se a idéia de que Alckmin, se eleito, privatizaria estatais como o Banco do Brasil e a Petrobras.

 

Antes, na fase de pré-campanha de 2002, época em que Lula media forças com Serra, o mesmo PT que agora reclama da comparação com cães rottweiler levara ao ar, na TV, um comercial análogo.

 

Bolada pela equipe de Duda Mendonça, a publicidade associava a oposição a ratos (assista abaixo).

 

Agora, Dilma acusa Serra de instilar o “ódio”. Mas a baixaria vem de longe. E o PT não hesitou em lançar mão do recurso quando lhe pareceu adequado.

 

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h28

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Julgamento de Ficha Limpa no STF pode voltar à estaca zero

 

- Folha: Impasse no Ficha Limpa põe 171 candidatos em suspenso

 

- Estadão: Serra e Marina sobem, mas Dilma ainda vence no 1º turno

 

- JB: Brasil vai jogar R$ 1,5 bilhão em aterros sanitários

 

- Correio: Roriz desiste e usa a mulher para driblar a ficha limpa

 

- Estado de Minas: Candidatos trocam farpas em debate

 

- Jornal do Commercio: Terreno da Copa está penhorado

 

- Zero Hora: Plástico verde atrai interesse estrangeiro

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h03

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Horroriz!

Aroeira

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Escrito por Josias de Souza às 01h44

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Roberto Jefferson grava CD de canções românticas

Em junho de 2005, depois de implodir o mensalão numa entrevista a Renata Lo Prete, Roberto Jefferson refugiou-se num apartamento funcional da Câmara.

 

Entre quatro paredes, acompanhado apenas de seus rancores, passou a receber a visita de uma professora de canto.

 

Num certo dia, a voz grave de Jefferson alcançou os tímpanos dos repórteres que faziam vigília na portaria do prédio.

 

Em vez das árias de fel que o mantinham nas manchetes, Jefferson entoou ‘Cuore Ingrato’. Era como se desejasse homenagear José ‘Sai Daí’ Dirceu.

 

Pois bem. Cassado e inelegível, Jefferson ganhou tempo livre para lapidar as cordas vocais. Agora, conta a repórter Cátia Seabra, lança seu primeiro CD: ‘On The Road’.

 

A peça inclui clássicos como ‘Smile’ e ‘Fly me to the moon’. Na faixa lá do alto, ouve-se ‘Let me try again’.

 

Jefferson canta em inglês. Não virou um Sinatra. Mas não chega a dar vexame. Na estrofe principal, em tradução livre, ele soa assim:

 

“Deixe-me tentar de novo / Pense em tudo que tivemos antes / Deixe-me tentar mais uma vez / Podemos ter tudo / Eu e você novamente / Por favor me perdoe ou vou morrer / Deixe-me tentar de novo”.

 

Vertendo-se a letra para a política, Jefferson talvez não possa ter tudo. Está associado à candidatura presidencial de José Serra.

 

Quanto ao “tentar de novo”, é preciso saber se o STF vai deixar. Estima-se que o processo do mensalão, no qual figura como réu, vai a julgamento em 2011.

 

De qualquer modo, se não for perdoado com uma absolvição, Jefferson já não precisa morrer. Pode aproveitar o degredo para impulsionar a carreira de cantor.

 

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Escrito por Josias de Souza às 00h53

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Lula agora afaga imprensa e prega ‘unidade’ do país

Divulgação

 

Lula atenuou o timbre de seu discurso em comício realizado na noite desta sexta (24), em Porto Alegre. Foi transmitido pela internet.

 

Afagou a imprensa, enalteceu a democracia, lançou um olhar sobre a classe média e disse que, eleita, Dilma Rousseff conduzirá o país à “unidade”.

 

Em comícios da semana passada, Lula dissera que jornais e revistas agem como partidos. Acusara a mídia de beneficiar José Serra.

 

No palanque gaúcho, disse: “A imprensa é muito importante para a democracia”.

 

Antes, afirmara que os meios de comunicação ignoram as conquistas de seu governo. Agora, soou diferente:

 

“Quando sai uma matéria falando mal, ninguém gosta. Mas quando sai uma matéria falando bem, o ego da gente cresce...”

 

“...Democracia é isso. Cada um fala o que quer, publica o que quer, transmite o que quer. E o povo faz o julgamento”.

 

Brincou com os petistas que o rodeavam: “O PT nunca acreditou em pesquisa, mas quando a pesquisa é boa, a gente acredita”.

 

O Lula da semana passada levara a oposição a acusá-lo de “autoritário”. O Lula desta sexta realçou o apreço que devota à democracia:

 

“Só na democracia é possível a gente imaginar um torneiro mecânico presidindo um dos países mais importantes do mundo...”

 

“...Só na democracia é possível um índio presidir a Bolívia, um negro presidir os Estados Unidos, outro negro presidir a África do Sul”.

 

Voltando-se para Dilma Rousseff, à sua direita no palanque, Lula desdenhou dos que tentem explorar o pedaço guerrilheiro da biografia de sua pupila:

 

“Não adianta querer me mostrar o passado da Dilma”. Disse que, quando a escolheu como sua candidata, “conhecia o passado” dela.

 

“Nós não temos vergonha do nosso passado, temos orgulho”, ele fez questão de dizer. Porém, cuidou de acrescentar:

 

“Ela não vai governar com a cabeça pensando no passado, vai governar pensando no futuro, fortalecendo a democracia, estabelecendo a verdadeira unidade nesse país”.

 

Disse que, terminada a eleição, não vão se repetir no Brasil os protestos que se seguiram às eleições presidenciais do México e do Irã.

 

“Essa mulher, eleita, não tenho dúvida de que vai construir uma grande unidade”, repisou.

 

Lula parecia mais leve. Fez menção à cerimônia de capitalização da Petrobras, que protagonizara mais cedo, na Bolsa de Valores de São Paulo.

 

“Hoje é um dia gratificante”, declarou. A certa altura, voltou a servir-se da metáfora à Gilberto Freire.

 

Numa referência indireta ao tucanato, disse que “tem gente que não tolera” o êxito dele na presidência.

 

Gente que “gostaria que o pessoal da senzala nunca chegasse perto da Casa Grande”.

 

Também nesse ponto o Lula de Porto Alegre soou diferente do Lula de outros comícios.

 

Em meio às referências aos brasileiros pobres injetou uma classe social mais suscetível ao noticiário sobre episódios como o ‘Erenicegate’.

 

“A classe média precisa ser tratada com carinho, porque é a classe média que paga quase todo imposto desse país”.

 

Antes de Lula, discursara Dilma. Ela disse que responderá ao “ódio” da oposição com “esperança”.

 

Entre a fala da candidata e do cabo eleitoral, um aviso do locutor: “Acaba de sair um novo Ibope: 12% Marina, 28% Serra e 50% Dilma, próxima presidenta do Brasil”.

 

Lula discursou em Porto Alegre como se já cuidasse do dia seguinte à eleição. Pareceu interessado em desanuviar o ambiente.

 

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Escrito por Josias de Souza às 22h01

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Renúncia de Roriz ajuda a tonificar o vexame do STF

Sérgio Lima/Folha

 

O STF informa que o processo de Joaquim ‘Ficha Suja’ Roriz voltará a ser analisado na sessão da próxima quarta (29), a cinco dias da eleição.

 

Tarde demais. Com a renúncia de Roriz à candidatura de governador do DF, o julgamento do recurso já não faz nexo.

 

Deu-se um fenômeno que os advogados chamam de “perda de objeto”. Inexistindo a candidatura, não há mais direito a ser preservado (ou negado).

 

Além do “objeto” perdeu-se a oportunidade. Em vez de oferecer ao país uma decisão –qualquer decisão—, o Supremo proveu pantomima e insegurança jurídica.

 

O processo de Roriz repercutiria sobre todos os outros casos de “ficha suja”. Há, por ora, 288 candidatos impugnados pela Justiça Eleitoral.

 

Ao Supremo caberia informar se a lei que impôs a exigência de prontuários limpos vale para 2010 ou apenas para eleições futuras.

 

Diante de um empate que o noticiário prenunciava há pelo menos duas semanas (5 a 5), o presidente do STF, Cezar Peluso, poderia ter dado o voto de minerva.

 

O “voto de qualidade” do presidente está previsto no regimento interno do tribunal. Porém, Peluso votara contra a vigência imediata da ficha limpa.

 

E preferiu não arrostar, sozinho, a fama de coveiro de uma novidade que, segundo o Ibope, caiu nas graças de 85% dos brasileiros.

 

Qualquer decisão teria sido menos vexatória que a indefinição. Correm no Supremo outros processos análogos ao de Roriz.

 

As dúvidas que rondam a lei da ficha limpa –Vale para já? Pode retroagir no tempo?— terão de ser elucidadas num desses julgamentos.

 

O diabo é que, a essa altura, já não há tempo para um pronunciamento “supremo” antes das eleições de 3 de outubro.

 

Ao renunciar, Roriz converteu a pantomima do STF num vexame incontornável. Uma pena.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h20

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PT questiona exigência de 2 documentos para votar

Divulgação

 

O PT protocolou no STF uma ação questionando a obrigatoriedade de o eleitor apresentar dois documentos na hora de votar.

 

A exigência foi aprovada no an passado pelo Congresso, numa alteração à lei 9.504, de 1997. Por meio de resolução, o TSE regulamentou a novidade.

 

Mercê da modificação, a lei tornou obrigatório que, “além da exibição do respectivo título, o eleitor deverá apresentar documento de identificação com fotografia”.

 

Receoso de que aumente o número de abstenções, o partido de Dilma Rousseff pede ao Supremo que declare a inconstitucionalidade desse artigo.

 

Alega que o essencial é o documento com foto, não o título de eleitor. Anota que a obrigatoriedade de dois documentos impõe o “cerceamento legal ao direito político do cidadão”.

 

Argumenta, de resto: a pretexto de conferir maior segurança na identificação do eleitor, o tal artigo “transmudou-se em burocracia desnecessária”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Em carta-renúncia, Roriz faz pose de um ‘injustiçado’

Antecipada pela filha, Liliane, a renúncia de Joaquim Roriz à candidatura de governador do DF consumou-se numa carta.

 

No texto, Roriz formaliza a indicação de sua mulher, Weslian: "Não posso mais ser candidato. Mas a eleição correrá em meu nome e o povo de Brasília me honrará, elegendo governadora minha amada esposa, companheira de meio século...”

 

Depois, faz pose de vítima: "Minha ficha é limpa e minha consciência mais limpa do que a consciência dos que me acusam sem provas...”

 

“...E até mesmo do que a de alguns juízes que me julgaram apenas com base em sofismas, muito mais apegados às luzes dos holofotes do que ao espírito das leis. Para isso valeu tudo: rasgaram a Constituição."

 

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Escrito por Josias de Souza às 16h44

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Petrobras passa a ser a 4ª maior empresa do mundo

A dez dias da eleição presidencial, Lula protagonizou um evento que ajuda a compor a atmosfera benfazeja que rodeia a pupila Dilma Rousseff.

 

Consumou-se nesta sexta (24), na Bolsa de Valores de São Paulo, o processo de capitalização da Petrobras.

 

Numa oferta de ações sem precedentes em sua história, a estatal petroleira captou cerca de US$ 70 bilhões.

 

Passou a ostentar um valor de mercado de US$ 217 bilhões. Tornou-se a quarta maior empresa do mundo.

 

As ações foram ao balcão para prover à estatal os recursos necessários à exploração do petróleo acomodado nas profundezas do oceano, na camada do pré-sal.

 

A participação do governo federal na composição acionária da empresa passará de algo como 40% para 48%.

 

Vestido com o uniforme da Petrobrás, Lula discursou. A certa altura, disse: “Quem diria que eu viria na Bolsa de Valores, ouvir o que eu ouvi aqui hoje...”

 

“...Isso só pode ser uma dádiva de Deus. Há dez anos, eu passava aqui, na porta da Bolsa e as pessoas tremiam de medo: Onde vai esse comedor de capitalismo?...”

 

“...E exatamente esse comedor de capitalismo deixa a presidência da República, depois de oito anos, como o presidente que participou, de forma honrosa, do momento mais auspicioso do capitalismo mundial”.

 

À noite, em Porto Alegre, o ex-comedor de capitalismo discursará em novo comício, ao lado de Dilma e do candidato petista ao governo gaúcho, Tarso Genro.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h10

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Roriz desiste da disputa e põe a mulher no seu lugar

  Sérgio Lima/Folha
A política da capital da República ganhou ares, por assim dizer, familiares. Joaquim Roriz desistiu de disputar o governo do DF.

 

Cederá a vaga à mulher, Weslian. Não os une apenas o sagrado laço do matrimonio.

 

Joaquim e Weslian estão atados também pelos sacrossantos vínculos do patrimônio.

 

Alcançado pela lei da Ficha Limpa, o patriarca do consórcio mantinha a candidatura pendurada num recurso judicial.

 

Sangrava em praça pública. O rival Agnelo Queiroz (PT) ultrapassara-o nas pesquisas.

 

Em sessão encerrada na madrugada desta sexta (24), o STF se debruçou sobre o caso Roriz. Chegou a um empate (5 a 5). E decidiu não decidir.

 

Submetido à ausência de veredicto, Roriz optou por bater em retirada. Agora pedirá votos para Weslian.

 

Quem trouxe a informação à luz foi a filha do casal, Liliane Roriz, candidata a deputada distrital.

 

Tudo em família, como se vê.

 

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Escrito por Josias de Souza às 13h52

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Adiamento do STF mantém 228 ‘sujos’ em suspenso

Numa sessão patética, Supremo decidiu recorrer à barriga

 

 

Terminou à 1h17 da madrugada desta sexta (24) a sessão em que o STF deveria ter decidido se a lei da Ficha Limpa vale para 2010. Depois de dois dias de debates, cerca de 11 horas de “juridiquês”, anotou-se um empate. Cinco a cinco. E o supremo decidiu não decidir.

 

Com isso, manteve em suspenso pelo menos 228 candidatos que a Justiça Eleitoral já enquadrou como “fichas sujas”. Votaram pela vigência imediata da nova lei: Carlos Ayres Britto, Ellen Gracie, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Cármen Lucia.

 

Decidiram que a exigência de prontuários higienizados só vale para o futuro: Cezar Peluso, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Normalmente, um 11º ministro proveria o desempate. Mas Eros Grau aposentou-se em julho. E Lula ainda não se dignou a indicar um substituto.

 

Seguiu-se um espetáculo patético. Coisa poucas vezes vista na suprema corte do país. Tudo transmitido pelas lentes da TV Justiça. Em meio ao lufa-lufa retórico, uma voz se sobrepondo à outra, um pedaço do plenário –à frente Lewandowski— postou-se ao lado da decisão do TSE.

 

Uma decisão que negara ao “sujo” Joaquim Roriz (PSC) o registro da candidatura ao governo do Distrito Federal. Argumentou-se que, como a lei da Ficha Limpa não fora considerada inconstitucional, o recurso de Roriz deveria ser negado.

 

Outro grupo –Gilmar à testa— desqualificou a tese. Argumentou que o TSE, por inferior, não pode prevalecer sobre o STF. A certa altura, Ayres Britto lembrou que Roriz fora levado à fogueira por dois tribunais –além do TSE, o TRE-DF. Gilmar retrucou. O critério não é “futebolístico”, disse.

 

Marco Aurélio declarou ter receado que um de seus colegas sugerisse a transferência do desempate a Lula, o “responsável pela cadeira vaga”. O que fazer? Peluso foi lembrado de que o regimento interno do STF atribui ao presidente o “voto de qualidade”. Poderia, portanto, desempatar.

 

Antes, ao proferir o seu voto, Peluso destilara coragem: “Não me comovem pressões provindas da opinião pública ou de segmentos do povo ou de instituições. [...] Um tribunal que atenda a pretensões legítimas da população ao arrepio da Constituição é um tribunal em que nem o povo pode confiar”.

 

Ayres Britto quis saber se o colega exerceria, afinal, o voto de desempate. Nessa hora, Peluso se deu conta de que a coragem é uma dessas qualidades que costumam fugir justamente nas horas de maior apavoramento:

 

“Não tenho nenhuma vocação para déspota. E não acho que meu voto vale mais do que o dos senhores”, disse o presidente do Supremo, para alívio de Ayres Britto e Cia. Decidiu-se promover uma segunda votação.

 

Dias Toffoli ensaiou uma meia-volta. Por um instante, imaginou-se que aderiria aos que defendiam que fosse prestigiado o acórdão do TSE. Aparteado um par de vezes, recuou do quase recuo. Refeito o impasse, Ellen Gracie levou à mesa a tese do adiamento.

 

Argumentou que o contato dos ministros com o travesseiro poderia iluminá-los. Com a segunda votação pelo meio, farejando um novo empate, Peluso retomou a palavra. Disse que, qualquer que fosse a decisão, ela seria percebida pela sociedade como “artificial”. Em nome da prudência, recomendou esperar pelo indicado de Lula.

 

Os candidatos sujos iriam às urnas. Se porventura o novo ministro não chegasse até o dia da “diplomação” dos eleitos, o STF se reuniria para desenrolar o novelo. Marco Aurélio levou o pé atrás. Lewandowski recordou que a eleição já se avizinha. E a falta de decisão prejudica inclusive os candidatos.

 

Discute daqui, argumenta dali, Peluso adaptou a proposta. Sugeriu o adiamento, dessa vez sem condicioná-lo à nomeação do substituto de Eros Grau. A sessão terminou. E a platéia não foi informada acerca do dia em que o Supremo voltará a se reunir para cumprir com a sua obrigação.

 

O STF levou à sua página na web um texto que dá ideia da dificuldade de traduzir o ocorrido. Onze horas de debate resultaram em três parágrafos. “STF suspende julgamento.”, informou-se no título.

 

Alta madrugada, 2h01, o TSE levaria à internet uma nota que adensou a atmosfera de perplexidade: “Suspensão do julgamento do caso Roriz pelo STF mantém o registro de candidatura indeferido”.

 

Reproduziu-se uma frase de Lewandowski, que acumula a cadeira de ministro do STF à de presidente do TSE:

 

“A Suspensão do julgamento mantém hígida a decisão do Tribunal Superior Eleitoral. [...] O registro de candidatura de Joaquim Roriz continua indeferido.” Meia verdade.

 

A higidez do acórdão do TSE é, por ora, uma tese que o STF absteve-se de encampar. De resto, com o recurso por julgar, Roriz continua em campanha. Se não for impedido, vai às urnas. Se eleito, ficará pendurado na decisão que o Supremo não tomou. Junto com ele, outros 228 “sujos”.

 

O eleitorado brasileiro fora dormir com a certeza de que residia num país em que o STF era o lugar onde se obtinha a suprema justiça. Ao acordar, é confrontado com a novidade: quem quiser justiça, talvez tenha de fazê-la com os próprios dedos, na urna.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h01

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Eleições 2010: Lula diz que pode ter sido enganado no caso Erenice

 

- Folha: Petrobras conclui maior venda de ações da história

 

- Estadão: Megacapitalização pode por R$ 50 bi no caixa da Petrobras

 

- Correio: Ficha limpa causa impasse no STF

 

- Valor: Disparam os preços da energia

 

- Estado de Minas: A vitória dos botecos

 

- Jornal do Commercio: Tempo quente na TV

 

- Zero Hora: Multas por falta de uso do cinto dobram

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Infantilização eleitoral!

Benett

- Via Charges do Benett. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 23h17

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Sindicato dos jornalistas tenta explicar o inexplicável

Alguém já disse, o repórter não se lembra quem, que o Brasil é um país de cabeça para baixo. Aqui, prostitutas gozam e traficantes cheiram.

 

Nesta terça (23), surgiu outra evidência: o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo abrigou uma manifestação contra a imprensa. Deu-se à pajelança o nome de “ato contra o golpismo midiático”.

 

Em nota levada à página da entidade na web, o presidente da casa sindical, José Augusto Camargo, informou: A abertura das portas do sindicato para a realização de evento anti-mídia “provocou grande debate na categoria”.

 

Disse ter recebido “algumas manifestações contrárias ao ato”. Quantas? Absteve-se de informar. Decidiu divulgar “algumas delas”. Quantas? Apenas três.

 

Numa, o jornalista Marco Antonio Rocha anotou: “Peço que fique consignado nos anais do sindicato e na sua pasta de correspondência meu total repúdio a este ato contra a imprensa...”

 

“...[...] Trata-se, evidentemente, de um ato de apoio total aos arreganhos que Sua Excelência o senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem proferido contra a imprensa e contra o trabalho dos jornalistas”.

 

Noutra, a repórter Arlete Mendes de Souza queixa-se do fato de o sindicato adotar posição “político-partidária (de apoio ao partido), sem considerar os escândalos que estão acontecendo e que exigem apuração séria e urgente”.

 

Na terceira, Regina Costa e Silva escreveu: “Sou jornalista e não me sinto representada por esse ato, decidido sem consulta à categoria. Depois de tantos documentos, contratos, provas, dinheiro na cueca, na meia, em gavetas, o que quer o Sindicato? Conclamar pela volta da censura à mídia?”

 

Pois bem. Submetido a tais questionamentos, José Augusto, o presidente do sindicato, viu-se compelido a divulgar nota de esclarecimento. No texto, esforça-se para explicar o inexplicável. Diz que “o conceito de golpe midiático ganhou notoriedade nos últimos dias”.

 

Parte-se, segundo ele, “da constatação de que setores da imprensa passaram a atuar de maneira a privilegiar uma candidatura em detrimento de outra”. Não deu nome aos bois. Mas encampa a tese lulista segundo a qual a imprensa, por partidária, age para beneficiar José Serra e prejudicar Dilma Rousseff.

 

Acha “legítimo - e desejável – que as direções das empresas jornalísticas explicitem suas opções políticas, partidárias e eleitorais”. Mas considera “inaceitável é que o façam também fora dos espaços editoriais”. Como assim?

 

“Distorcer, selecionar, divulgar opiniões como se fossem fatos não é exercer o jornalismo, mas, sim, manipular o noticiário cotidiano segundo interesses outros que não os de informar com veracidade”.


Acrescentou: “Se esses recursos são usados para influenciar ou determinar o resultado de uma eleição, configura-se golpe com o objetivo de interferir na vontade popular”.

 

Noutro trecho tratou os jornalistas que deveria representar como parvos, indivíduos que terceirizaram a própria consciência: “Cada vez menos jornalistas detêm o poder da informação que será fornecida à opinião pública”, escreveu.

 

Ignora o fato de que os editores de jornais, revistas, rádios e TVs não são senão jornalistas. Sustenta que a informação “passa por uma triagem prévia já no seu processo de edição e aqueles que descumprem a dita orientação editorial são penalizados”.

 

Alega que seus pseudo-representados “nunca conseguem atingir cargos de direção que, agora, são ocupados por executivos que atendem aos interesses de comitês, bancos associados, acionistas etc”.

 

Rematada tolice. As redações estão apinhadas de jornalistas que ocupam funções de coordenadores, secretários de redação e editores-executivos.


Num raro flerte com o óbvio, concorda que “informar a população sobre os desmandos do governo (qualquer deles) é dever da imprensa”. Mas logo retoma a cantilena:

 

“Orquestrar campanhas pró ou contra candidatos é abuso de poder”. Esquiva-se de elencar os exemplos que o levaram a concluir pela existência de orquestração.

 

Por fim, escreve: “A ideia de debater e protestar contra esse estado de coisas resultou na realização do ato em defesa da democracia e contra o golpismo midiático”.

 

José Augusto Camargo talvez devesse adotar para si o conselho que dá às “direções das empresas jornalísticas”. Poderia informar que, filiado à CUT, o sindicato que dirige rendeu-se aos interesses do PT e da candidata de Lula.

 

No mais, conviria que desperdiçasse um naco de seu tempo com a leitura do noticiário que levou o governismo a investir contra a imprensa, fabricando "esse estado de coisas".

 

Encontrará fatos que produziram, por ora, quatro demissões, incluindo a de uma ministra, além de inquéritos policiais e processos administrativos.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h03

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Parte do PSDB defende elevação do tom contra o PT

O PSDB, como se sabe, é uma agremiação de amigos 100% feita de inimigos. Nas últimas semanas, porém, deu-se o inusitado.

 

Tucanos de todas as plumagens, de José Serra ao porteiro da sede, puseram-se de acordo quanto à necessidade de elevar o tom da campanha.

 

Serra fixou-se nos escândalos. Primeiro, o ‘Fiscogate’. Depois, o ‘Erenicegate’. Nos últimos dias, mescla os ataques às promessas populistas.

 

O último Datafolha restabeleceu a discórdia habitual. Um pedaço do PSDB quer intensificar os ataques a Dilma e ao PT. Outro naco hesita.

 

O grupo da pancadaria defende que seja levado à propaganda da TV um vídeo que, por ora, foi ao ar apenas na internet.

 

Trata-se daquela peça, já divulgada aqui, em que o rosto Dilma é metamorfoseado na cara de José Dirceu e os petistas são comparados a cães rottweiler.

 

Por ora, o comitê de Serra resiste. Mas não houve deliberação final quanto à tática a ser adotada nos últimos dias da campanha.

 

Como que farejando o cheiro de queimado, a coligação petista de Dilma protocolou, nesta quinta (23), uma ação no TSE.

 

Na petição, pede que a Justiça Eleitoral ordene a retirada do vídeo ofensivo a Dilma e ao PT da internet.

 

Pede também: 1) Que o TSE proíba a exibição da peça na TV; e 2) que imponha multa de até R$ 30 mil à campanha de Serra.

 

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Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Para Serra, Lula só defende imprensa que ‘fala bem’

  Fábio Pozzebom/ABr
De passagem pela cidade de Sinop (MT), José Serra foi instado a comentar as críticas que Lula e o governismo tem dirigido à imprensa.

 

Sem mencionar Lula, disse que há, hoje, um “cerco” à liberdade de imprensa.

 

Certas pessoas, afirmou, só defendem a imprensa quando ela “fala bem”. Acrescentou:

 

"O que vem incomodando essa gente é que a imprensa vem apresentando notícias que mostram abusos, nepotismo e maracutaia com o dinheiro público...”

 

“...Essa imprensa incomoda os donos do poder. E é só isso. Não é nenhuma objeção doutrinária que eles têm. É uma posição de conveniência...”

 

“...Não há país democrático no mundo sem imprensa livre. Aqueles que perseguem hoje a imprensa vão mais tarde perseguir credos religiosos. E essa perseguição não tem fim".

 

Tomado pela entrevista que concedeu dias atrás à emissora de televisão CNT, Serra sabe do que está falando.

 

A certa altura da conversa, submetido a perguntas que não lhe soaram bem, Serra deu um piti. Ameaçou interromper a gravação: “Faz de conta que eu não vim”, disse.

 

Como se vê, certas pessoas, de fato, só tem apreço pela imprensa quando ela “fala bem”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h49

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Dilma não vê no Datafolha razões para se ‘inquietar’

Sérgio Lima/Folha

 

Dilma Rousseff comentou nesta quinta (23) o novo Datafolha, divulgado na véspera.

 

A pesquisa, a primeira pós-‘Erenicegate’, revelou que caiu de 12 pontos para sete pontos a vantagem de Dilma sobre os rivais somados.

 

Para Dilma, nada que leve seu comitê a se "inquietar". Acha que o caso de tráfico de influência na Casa Civil pode ter produzido a queda?

 

Ouça-se Dilma: "É uma coisa dentro da margem de erro. Pesquisa tem dois para mais ou para menos".

 

A escassos dez dias da eleição, a pupila de Lula parece jogar com o calendário: "Essa semana vai ser uma semana cheia de pesquisas idas e vindas, vamos aguardar...”

 

“...Está perto, mas a gente não tem que se inquietar daqui pra frente e continuar trabalhando sabendo que o nosso país mudou e eu represento essa mudança...”

 

“...Eu tenho certeza que isso vai ser reconhecido no dia 3 de outubro".

 

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Escrito por Josias de Souza às 16h42

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Lula: ‘Serra é mudança e o povo quer a continuidade’

José Cruz/ABr

 

“O Serra está, hoje, na situação que eu tive nas duas eleições que disputei com o Fernando Henrique Cardoso...”

 

“...O Serra foi candidato contra mim, em 2002, quando o povo queria mudança. Eu era a mudança, ele era situação...”

 

“...Agora, ele quer mudança quando o povo quer continuidade. A mesma coisa fui eu. Eu fui candidato contra o Plano Real, era um massacre”.

 

Os raciocínios acima, desfiados por Lula numa entrevista ao portal Terra (assista), ajudam a entender o drama da oposição brasileira.

 

Quem percorre o noticiário à procura de explicações sobre o favoritismo de Dilma Rousseff encontra luz numa notícia divulgada nesta quita (23).

 

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego do mês de agosto foi de 6,7%. É o menor patamar desde o que o índice começou a ser coletado, em 2002.

 

Retorne-se a Lula e às suas análises sobre a sova que levou de FHC em 1994. Disse que, sem o Real, seu contendor “talvez não seria eleito deputado federal”.

 

Com o Real, porém, “nós perdemos a eleição, Eu tinha quarenta e poucos por cento [nas pesquisas] no mês de março. Fui caindo, caindo, caindo”.

 

“Depois, quando chegou em 98, eu já sabia qual era o discurso do Fernando Henrique Cardoso: quem estabilizou vai gerar o emprego...”

 

“...E a gente não tinha como desfazer isso”. O mesmo se passa, na visão de Lula, com Serra.

 

Acha que, diante do atual cenário econômico benfazejo, o rival não tem como construir um discurso alternativo.

 

De fato, a oposição encontra-se numa sinuca. Com dinheiro no bolso, a maioria do eleitorado tende a empurrar para o segundo plano o pedaço ruim do governo.

 

Tome-se o exemplo do ‘Erenicegate’. Quando a denúncia veio à luz, o governo a desqualificou. Dilma Rousseff a chamou de “factóide”.

 

À medida que os malfeitos foram sendo esmiuçados nas manchetes, as autoridades foram caindo. Uma, duas, três, quatro. Entre elas a própria Erenice.

 

Pois bem. Agora, Lula adota comportamento duplo. Sobre os palanques, esculhamba a imprensa. Vestido de presidente, diz coisas assim:

 

"Se alguém acha que pode chegar aqui e se servir, sabe, cai do cavalo. Porque a pessoa pode me enganar um dia, pode me enganar, sabe, mas a pessoa não engana todo mundo todo tempo...”

 

“...E quando acontece, a pessoa perde. O que aconteceu com a Erenice é que ela jogou fora uma chance extraordinária de ser uma grande funcionária pública deste país".

 

Ora, não fosse pela imprensa, Lula ainda estaria sendo feito de bobo por Erenice. Ou, por outra, continuaria fingindo que não sabia.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h32

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Lula: ‘Imprensa deveria assumir que tem candidato’

Lula falou ao portal Terra. Acima, o pedaço da entrevista em que foi instado a trocar em miúdos suas críticas aos meios de comunicação.

 

Disse coisas assim: "A imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido...”

 

“...Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem vendendo uma neutralidade disfarçada”.

 

Disse que a imprensa gosta de criticar, mas não aceita críticas:

 

"Uma crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática". Pediu aos entrevistadores:

 

"Eu quero até que vocês coloquem em negrito isso aqui: Eu duvido que exista um país na face da Terra com mais liberdade de comunicação do que neste país, da parte do governo...”

 

“...Agora, a verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse país. A verdade é essa...”

 

“...Você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais".

 

Nesse ponto, é preciso louvar a coerência de Lula. Não do atual, mas do Lula antigo. Um Lula que, de passagem pelo Maranhão, dizia coisas assim:

 

“Eu, quando vejo na imprensa de São Paulo, a pesquisa dizendo que a Roseana [Sarney] é uma governadora aceita pelo povo do Maranhão...”

 

“...[...] Aí, eu fico imaginando: por que ela aparece bem nas pesquisas? Sabe por quê? Porque a [retransmissora da] Globo é do pai dela...”

 

“...O SBT é do Lobão, a Bandeirantes é de não sei de quem. Ou seja, é a televisão falando bem deles o tempo inteiro...”

 

“...É por isso que essa gente aparece nas pesquisas, porque aparece o tempo inteiro, descaradamente, mentindo na televisão” (assista abaixo).

 

Hoje, a Roseana é uma candidata apoiada pelo Lula, o pai dela é um dos grandes aliados do Lula e o Lobão é ex-ministro do Lula.

 

Agora, Lula prefere criticar o pedaço da imprensa que o imprensa, espremendo os malfeitos que pululam à sua volta.

 

Talvez por isso não seja tomado a sério. Diz que deseja o aperfeiçoamento do modelo de comunicação. Em verdade, quer o elogio, almeja o afago, sonha com a imprensa a favor.

 

 

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Escrito por Josias de Souza às 14h40

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Na bica da eleição, só 46% acertam nº do candidato

Fechado nesta quarta-feira (22), o relatório da última pesquisa Datafolha traz no seu miolo um dado que deveria preocupar os presidenciáveis.

 

A 11 dias da eleição, apenas 46% dos eleitores recitaram corretamente o número do presidenciável de sua preferência.

 

Significa dizer que, na hora de digitar os algarismos na urna eletrônica, um pedaço expressivo do eleitorado pode não conseguir converter sua intenção em voto.

 

Há uma semana, a encrenca era maior. Os eleitores que erravam o número dos candidatos somavam 39%. A taxa de acerto cresceu, portanto, sete pontos.

 

O problema é mais grave para José Serra e Marina Silva, justamente os dois candidatos que, na rabeira de Dilma Rousseff, mais precisam de votos.

 

Entre os 49% que declaram preferência por Dilma, 58% citam corretamente o número 13, que identifica a candidata petista na urna.

 

Dos 28% que manifestam a intenção de votar em José Serra, apenas 37% sabem que o número do tucano é o 45.

 

Quanto aos 13% que afirmam preferir Marina, escassos 26% acertaram o número da candidata verde, o 43.

 

No Datafolha da semana passada, a taxa de conhecimento dos números de Dilma, Serra e Marina eram, respectivamente, 51%, 30% e 16%.

 

Em fase de contagem regressiva, os comitês de campanha deveriam aproveitar a propaganda de rádio e de TV para ensinar o eleitor a votar.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h06

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Dois novos casos com parentes atingem o Palácio do Planalto

 

- Folha: Com escândalos, cai vantagem de Dilma, mostra o Datafolha

 

- Estadão: Manifesto ataca 'autoritarismo' de Lula

 

- JB: Franquias vão gerar 15 mil empregos no Rio

 

- Correio: Sob tensão, STF adia julgamento de Roriz

 

- Valor: Megaoferta vai aumentar a fatia da União na Petrobras

 

- Estado de Minas: Lei ameaça deixar BH sem o título de capital dos botecos

 

- Jornal do Commercio: Desafios do Estado em debate na TV Jornal

 

- Zero Hora: Devastação em Canela

 

Leia os destaques de capa dee alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Abacaxi!

Ronaldo

- Via Jornal do Commercio. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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Lula é acusado de autoritário em ato pró-democracia

  Eduardo Anizelli/Folha
Realizou-se nesta quarta (22), em São Paulo, um ato público que teve na figura de Lula seu principal alvo.

 

A coisa aconteceu no parlatório defronte da Faculdade de Direito Largo São Francisco. Reuniu juristas, intelectuais e políticos de oposição.

 

O ponto alto da reunião foi a leitura de um documento intitulado “Manifesto em Defesa da Democracia”. Levada à web, a peça foi aberta a adesões.

 

Coube ao advogado Hélio Bicudo ler o texto. Ex-vice-prefeito de São Paulo na gestão de Marta Suplicy, Bicudo é ex-petista.

 

Ajudou a fundar o partido de Lula. Deixou a legenda em 2005, desgostoso com o escândalo do mensalão.

 

Antes mesmo de ler o manifesto, Bicudo cuidou de explicar sua presença no ato.

 

Disse que Lula "tenta desmoralizar a imprensa e todos aqueles que se opõem ao seu poder pessoal".

 

Acrescentou: “Estamos à beira do perigo de um governo autoritário, que vai passar por cima, como já está passando, da Constituição e das leis".

 

Depois, despejou o manifesto sobre o microfone. A certa altura, soou assim:

 

"É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais..."

 

"...É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos".

 

Além de Bicudo, foram ao Largo São Francisco três ex-ministros da Justiça da gestão FHC: José Gregori, Miguel Reale Júnior e José Carlos Dias.

 

Lá estevam também Paulo Brossard, ex-senador e ex-ministro do STF Paulo Brossard; e Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo de São Paulo. Entre os políticos, Roberto Freire, presidente do PPS.

 

Organizado às pressas, o ato foi uma resposta prévia a outra manifestação, marcada para esta quinta (23).

 

Dirigentes de centrais sindicais, de movimentos populares e de legendas governistas farão um protesto contra o que chamam de “golpismo midiático”.

 

Acusam a imprensa de tomar o partido de José Serra, contra Dilma Rousseff.

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h48

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No PR, Dilma diz que seus rivais se viciaram em ódio

Divulgação

 

Ao lado do patrono Lula, Dilma Rousseff voltou a escalar o palanque na noite desta quarta (22). Deu-se em Curitiba (PR). O comício foi transmitido via web.

 

Na defensiva há duas semanas, a pupila de Lula atribuiu a agenda negativa que a rodeia ao “desespero” da oposição.

 

Sem mencionar o nome de José Serra, comparou o antagonista a um viciado. “O ódio é como droga”, disse ela. “Quando a pessoa entra, não sai mais”.

 

O discurso de Dilma foi pronunciado numa noite em que o Datafolha informou que a vantagem dela sobre os oponentes caiu cinco pontos percentuais.

 

No curto intervalo de uma semana, a diferença, que era de 12 pontos, foi encurtada para sete.

 

A pesquisa revelou que 52% dos eleitores tomaram conhecimento do caso de tráfico de influência que levou à saída de Erenice Guerra da Casa Civil.

 

Dilma não fez referência específica às denúncias. Abordou o tema de forma indireta. Disse que, mercê do “desespero”, a oposição levanta “falsidades e mentiras”.

 

O objetivo, segundo ela, é “criar um clima de ódio”. Acha que a tática não vai colar, porque “o Brasil não tem o hábito de ser um país que odeia”.

 

Contra o “ódio”, ela acrescentou, recorrerá à “esperança no futuro e ao amor pelo povo”.

 

Curiosamente, quando chegou a sua vez de discursar, Lula como que borrifou raiva na atmosfera da capital paranaense.

 

Num par de comícios da semana passada –Juiz de Fora e Campinas— o presidente investira contra a imprensa.

 

Dissera que jornais e revistas viraram partidos políticos a serviço de Serra. As palavras renderam-lhe críticas.

 

Em Curitiba, voz alteada, Lula respondeu. Disse que “inventam” que ele e o PT constituem ameaça à democracia.

 

E acomodou os críticos numa espécie de Casa Grande: “Eles é que são os democratas, os donos do engenho...”

 

E os moradores da senzala são contra a democracia. É isso que eles estão tentando passar para a sociedade”.

 

No papel que mais lhe apraz, o de cabo eleitoral, Lula ironizou a guinada popular que Serra imprimiu à campanha da oposição.

 

"Quem passou a vida inteira arrochando o salário mínimo não pode chegar na televisão agora e falar que vai aumentar...”

 

“...Não pode dizer que vai dar décimo terceiro para o Bolsa Família quem antes falava que o Bolsa Família era esmola. O povo não é tolo...”

 

“...O povo brasileiro sabe quem fala sério e quem está mentindo”. Voltou a dizer que, passada a eleição, o tucanato só vai se relacionar “com os ricos”.

 

Lula pediu votos para Osmar Dias (PDT), candidato ao governo paranaense. Fustigou Beto Richa (PSDB), principal oponente de seu aliado.

 

Disse que, não fossem as verbas que o governo federal destinou a Curitiba durante a gestão de Beto na prefeitura, o tucano não teria o que propagandear:

 

“Duvido que se [o presidente] fosse o Fernando Henrique, ou alguém do partido dele, ele teria feito em Curitiba metade das obras que diz ter feito".

 

Mais cedo, antes de voar para Curitiba, Dilma concedera uma entrevista em Brasília. Teve de falar sobre as verdades que, à noite, chamaria de “falsidades e mentiras”.

 

Disse que não levou Erenice Guerra para o governo por amizade. Converteu-a em braço direito porque a conhecera na equipe de transição do governo, em 2003.

 

“Era do setor elétrico, advogada competente da área". Instada a comentar a predileção de Erenice pelos familiares, Dilma tomou distância:

 

"Não sou a favor da indicação de parentes, nem sou a favor da indicação por critérios de amizade”.

 

Acha correto demitir a parentela? “Se houve indicação por parentesco e critério de amizade, sim, sou a favor”.

 

Noutro trecho da entrevista, Dilma defendeu Erenice. Repisou a pregação de que é preciso aguardar a apuração dos malfeitos para verificar se ela é culpada.

 

Evocou o caso da quebra de sigilos fiscais da Receita. Disse que, durante três meses, a oposição de ser responsável pelos vazamentos.

 

"Agora aparece uma moça que mostra, e a investigação confirma isso, pra quem vendia e por quanto vendia. Eu pergunto: quem é que paga o meu prejuízo político?"

 

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Escrito por Josias de Souza às 22h36

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Datafolha aponta para reta final de ânimos exaltados

O vídeo acima, levado à web pelo PSDB, oferece uma ideia do ânimo com que a oposição ingressa na reta final da sucessão.

 

Na peça, encomendada ao marqueteiro Adriano Gehres, o partido de José Serra associa Dilma Rousseff aos “radicais” do PT, retratados como cães rottweiler.

 

A novidade chega junto com a última pesquisa Datafolha. Revela que, em uma semana, a vantagem de Dilma sobre os rivais caiu cinco pontos –de 12 para 7.

 

Deve-se a erosão ao ‘Erenicegate’. Nos próximos dias, Serra e o PSDB vão subir ainda mais o tom. Lula não deve ficar quieto.

 

A nova pesquisa não chegou a tisnar o favoritismo de Dilma. Ela escorregou de 51% para 49%. Serra foi de 27 para 28%. Marina Silva subiu de 11% para 13%.

 

Juntando-se a Serra e Marina os nanicos (1%), os adversários de Dilma foram, juntos, de 39% para 42%.

 

Considerando-se apenas os votos válidos, Dilma caiu de 57% para 54%. Ainda dispõe de votos para liquidar a fatura no primeiro turno.

 

Porém, a movimentação dos dados reacendeu na oposição, a 11 dias da eleição, a esperança do segundo turno.

 

O Datafolha demonstra que o caso Erenice roubou votos de Dilma. Vai piorar? Resta aguardar pela próxima pesquisa, a ser divulgada na semana que vem.

 

Só então será possível saber se os náufragos terão no escândalo um tronco salva-vidas ou um graveto seco.

 

Ainda que consiga flutuar, Serra permanecerá com água pelo nariz. Num eventual segundo turno, informa o Datafolha, Dilma prevaleceria sobre ele: 55% a 38%.

 

Resta a Serra empinar Erenice. A pesquisa mostra que 52% dos eleitores tomaram conhecimento da demissão da ministra.

 

Apenas 13% se consideram bem informados. A despeito disso, 47% dizem acreditar que houve mesmo tráfico de influência ao redor de Erenice.

 

A repercussão é maior em dois nichos minoritários do eleitorado. Entre os de maior renda, Dilma caiu 10 pontos. Entre os que tem curso superior, caiu 4 pontos.

 

A questão agora é saber se vai ficar nisso.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h25

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Ficha Limpa: STF adia decisão após debate acalorado

Um pedido de vista do ministro Dias Tóffoli adiou o julgamento da lei da Ficha Limpa no STF. Tóffoli prometeu devolver o processo ao plenário nesta quinta (23).

 

Chegou-se ao adiamento em meio a um debate que eletrificou o plenário do Supremo. Deu-se depois da manifestação do ministro Carlos Ayres Britto.

 

Relator do processo, que envolve um recurso de Joaquim Roriz (PSC), Ayres Britto posicionou-se a favor da vigência imediata da nova lei.

 

Súbito, Cezar Peluso, presidente do STF, foi ao microfone para levantar uma questão que não havia sido suscitada nem pelos advogados de Roriz.

 

Para Peluso, a lei da Ficha Limpa deve ser fulminada por um vício de origem. Ele evocou uma emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

 

Por essa emenda, alterou-se o tempo verbal do projeto. Originalmente, previa-se que a exigência de ficha limpa alcançaria os candidatos que “tenham sido condenados”.

 

Com a emenda Dornelles, anotou-se no texto que seriam inelegíveis os candidatos que “forem condenados”.

 

O Senado atribuiu à alteração status de mero ajuste redacional. Algo que não teve o condão de modificar a essência do texto que havia sido aprovado na Câmara.

 

Peluso pensa de outro modo. Acha que houve alteração de mérito. Em consequência, o projeto teria de ser votado novamente na Câmara.

 

A ausência dessa segunda votação dos deputados converteu a Ficha Limpa, no dizer de Peluso, num “arremedo de lei”.

 

O presidente do Supremo atribui à lei o vício da “inconstitucionalidade formal”. Em português claro: a lei deveria ser mandada à lata de lixo.

 

As palavras de Peluso atearam fogo no plenário. Ricardo Lewandowski disse que o STF não poderia se manifestar sobre uma questão que não consta dos autos.

 

Carmén Lucia também estranhou. Peluso contraditou. Lembrou que o tribunal já procedera desse modo em outros julgamentos. 

 

Em tom jocoso, Ayres Britto recorreu a uma metáfora olímpica. Disse que Peluso tenta injetar no processo um "salto triplo carpado hermenêutico".

 

Peluso não se deu por achado. Afirmou que, a expressão de Ayres Britto tem valor apenas “publicitário”, não jurídico.

 

Em manifestações cruzadas, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello soaram como se dessem razão a Peluso.

 

Dias Tófoli seria o segundo ministro a proferir o voto. Foi ao microfone num instante em que o alarido permanecia aceso.

 

Queixou-se: “Vou ser obrigado a pedir vista, porque não estou conseguindo o direito à palavra”.

 

Antes que proliferasse a ideia de que a deliberação ficaria para depois das eleições, Tóffoli aditou: “Trago o processo amanhã”.

 

Assim, a platéia foi condenada a um suspense de mais 24 horas. Ficou no ar a impressão de que a Ficha Limpa subiu no telhado.

 

Na hipótese de se confirmar o revés, restará ao eleitor fazer justiça com os próprios dedos, na urna eletrônica.

 

O diabo é que, considerando-se o histórico de erros, o eleitorado brasileiro não é propriamente um sujeito confiável.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h21

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Sem provas, Serra diz que pane no metro é ‘eleitoral’

  Folha
José Serra comentou nesta quarta (22) um incidente que infelicitou, na véspera, os usuários de metrô na cidade de São Paulo.

 

A Linha3 Vermelha do metrô paulistano foi paralisada por cerca de três horas, provocando o caos.

 

Pois bem. Ouça-se o que disse Serra: "Isso me parece, eu não tenho provas...”

 

“...Mas me parece algo provocado. Porque, nessas vésperas de eleição, os acidentes estão se multiplicando".

 

Embora reconheça não dispor de “provas”, Serra prosseguiu, em timbre peremptório: "Eu não tenho dúvidas que há interesses eleitorais por trás".

 

Ao que se sabe até agora, o metrô parou porque um usuário acomodou uma blusa na porta automática de uma das composições.

 

Abriu-se uma sindicância para apurar o ocorrido. Nas pegadas da encrenca, Soninha Francini, aliada de Serra, já havia levantado a hipótese de sabotagem.

 

Coordenadora da campanha tucana na internet, Soninha manifestou-se por meio de uma nota pendurada no twitter. Virou motivo de chacota na web.

 

Um observador incauto poderia dizer que, ao ecoar Soninha, Serra revela um certo desespero. Bobagem.

 

Só pode ficar desesperado alguém que espera. Submetido a pesquisas que atribuem à eleição a aparência de jogo jogado, Serra talvez já não espere nada.

 

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Escrito por Josias de Souza às 16h53

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PF indicia falso procurador que violou IR de Verônica

  Folha
Antonio Carlos Atella foi indiciado pela PF, nesta quarta (22), pela prática de dois crimes: uso de documento falso e quebra de sigilo fiscal.

 

Como se recorda, Antonio Carlos é aquele sujeito que retirou as declarações de IR de Verônica Serra (foto) na agência da Receita em Santo André (SP).

 

O indiciamento ocorreu depois de uma acareação. O falso procurador foi posto, frente a frente, com o despachante Ademir Estevam Cabral.

 

Antonio Carlos dissera ter recebido de Ademir a falsa procuração que usou para apalpar os dados fiscais sigilosos da filha de José Serra.

 

Terminado o tête-à-tête, a PF indiciou também Ademir. De novo: uso de documento falso e quebra de sigilo fiscal.

 

O grande mistério do inquérito permanece obscuro. Resta esclarecer quem encomendou os dados fiscais da filha do presidenciável tucano.

 

Serra acusou o comitê de Dilma Rousseff de fazer a encomenda. Sentindo-se injuriado e difamado, o PT levou o rival às barras dos tribunais.

 

O eleitor vai às urnas, em 3 de outubro, sem que o enigma tenha sido decifrado. Pena.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h30

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Erenice nomeou até filha do presidente dos Correios

Em torno de Erenice Guerra, sua parentela deu à Casa Civil aquela aparência familiar de uma pia entulhada de louça suja depois das refeições.

 

Nesta quarta (22), descobriu-se uma peça desconhecida. Chama-se Paula. Sob Erenice, ganhou emprego na Presidência.

 

Paula é filha de David José de Matos, a quem Erenice dera o “emprego” de presidente dos Correios.

 

O processo de seleção de mão-de-obra utilizado por Erenice revelou-se inusitado. É Paula quem conta:

 

"Erenice sempre foi amiga do meu pai, conheço ela desde que era criança. Ela me perguntou se eu tinha interesse em trabalhar na Casa Civil por um período curto".

 

Paula revelou também: o convite da então ministra foi feito em recinto insólito –uma academia de ginástica.

 

Plantada na folha custeada pelo contribuinte em 25 de junho, Paula foi exonerada agora, “a pedido”.

 

Por quê? "O combinado era eu ficar até outubro, estou terminando o mestrado e achei que a experiência poderia ser interessante...”

 

“...Mas, como meu pai é uma pessoa pública, vi que poderia criar alguma confusão e decidi sair".

 

Como se vê, por mais absurda que pareça a situação, ela sempre pode se tornar mais escandalosa.

 

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Escrito por Josias de Souza às 14h21

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Vídeo traz indícios de novo ‘mensalão’, agora no MS

O vídeo acima, levado ao Youtube nesta terça (21), aponta para a existência de um novo mensalão, dessa vez no Mato Grosso do Sul. A peça foi gravada em 12 de junho pelo secretário de Governo do município de Dourados, Eleandro Passaia.

 

Ele usou uma câmera escondida. Em primeiro plano, aparece nas imagens o deputado estadual Ary Rigo (PSDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

 

Sem saber que estava sendo filmado, o tucano Rigo discorre sobre um esquema de rateio de verbas. Conta que parte do dinheiro repassado pelo governo estadual para o custeio do legislativo era “devolvido” ao governador André Puccinelli (PMDB).

 

Há mais: repassava dinheiro também para deputados. Há pior: em troca de proteção, distribuía mesadas a autoridades do Judiciário e do Ministério Público do Estado. A certa altura, o deputado tucano reclama de uma mudança que fez minguar o caixa disponível para a partilha.

 

“Pra você ter ideia, nós devolvíamos R$ 2 milhões em dinheiro pro André [Puccinelli], R$ 900 [mil] nós dávamos pros desembargadores do Tribunal de Jutiça e R$ 300 [mil] pro Ministério Público. Cortou tudo. Nós vamos devolver R$ 6 milhões pro governo”.

 

O aumento da “devolução” fez minguar o montante supostamente destinado ao mensalão. Ouça-se Ary Rigo: “Lá na Assembléia, nenhum deputado ganhava menos de R$ 120 mil. Agora, os deputados vão ter que se contentar com R$ 42 [mil]”.

 

Há na Assembléia de Mato Grosso do Sul 24 deputados, dos quais 20 integram a bancada que dá suporte à gestão de Puccinelli. Em notícia veiculada na edição da Folha desta quarta (22), os repórteres Sílvia Frias e Graciliano Rocha contam o seguinte:

 

1.  Eleandro Passaia, o secretário de Dourados que gravou, na surdina, o deputado Ary Rigo, agia sob orientação da Polícia Federal.

 

2. O vídeo exposto lá no alto é apenas um pedaço da cinemateca. Além de reuniões com políticos, gravou-se o pagamento de propina ao prefeito de Dourados.

 

3. O prefeito se chama Ari Artuzi. Antes das investigações, estava filiado ao PDT. Foi expulso.

 

4. As fitas do secretário Passaia deram origem à Operação Uragano. Foram presos, em 1º de setembro, o prefeito, secretários e vereadores de Dourados.

 

Repare que, no início da gravação lá do alto, Rigo menciona uma reunião que manteve com um assessor de um certo “Londres”.

 

Vem a ser o deputado estadual Londres Machado (PR), ex-presidente da Assembléia. Rigo conta que também participou do encontro um personagem chamado “Claudionor”. Seria o desembargador Claudionor Abss Duarte, do Tribunal de Justiça do Estado.

 

Pois bem. Ary Rigo relata que, durante a reunião, foi informado, pelo telefone, sobre um “zumzum” de que “o Artuzi vai ser preso”. Referia-se a Ari Artuzi, o prefeito de Dourados. Seria detido em junho, antes da deflagração da operação da PF.

 

“Há meia hora atrás ia [ser preso], agora não vai mais”, diz o deputado Rigo no vídeo. Ele repete que o desembargador Claudionor tomava parte da reunião.

 

Noutro trecho da conversa, Ary Rigo queixa-se do prefeito Artuzi, que não lhe seria grato pelo esforço que empreendera para socorrê-lo.

 

“O André [Puccinelli] tá puto com ele. Sabe por quê? Por que ele dizia que eu e o André queríamos foder ele, quando nós tiramos ele da cadeia pô. Ah, para com isso pô. Você dá R$ 300 mil por mês no Ministério Público, seguramos tudo. [...] E ele dizendo que eu e o André estávamos fodendo ele. Você acha que é fácil?”

 

Ouvido sobre a encrenca, nesta terça (21), o governador Puccinelli, que concorre à reeleição, deu de ombros: "Não vi [o vídeo] nem estou preocupado. Pergunte para o Rigo".

 

Ary Rigo, o deputado que foi gravado sem saber, falou por meio do advogado, Carlos Marques. Disse que a distribuição de verbas mencionada por seu cliente na conversa de junho não se refere a propina. Seriam repasses institucionais da Assembléia.

 

"Eles, da Assembléia, estão economizando e repassando para o governo. Os repasses eram institucionais", disse o advogado.

 

E quanto à mesada dos deputados? "Ele se referiu a quanto custa o gabinete do deputado, salário, verbas de gabinete, verba indenizatória. Ele não sacava o dinheiro e dava. Não existe isso".

 

Em nota, o Tribunal de Justiça afirmou que os repasses recebidos do governo do Estado são previstos em lei, contabilizados e publicados no ‘Diário da Justiça’ e no Portal da Transparência da instituição.


No texto, assinado pelo desembargador Paulo Alfeu Puccinelli, o tribunal informa qie "interpelará judicialmente o denunciante, para que a verdade seja esclarecida com transparência e rapidez".

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h05

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Após lotear Correios, governo corre contra apagão postal

 

- Folha: Falha para metrô, provoca pânico e prejudica 150 mil

 

- Estadão: TV de Lula contrata empresa que emprega filho de Franklin

 

- JB: TV Bandeirantes sob risco de falência

 

- Correio: Aumento garantido só para servidor da União

 

- Valor: Autuações fiscais causam polêmica

 

- Estado de Minas: Anastasia abre sete pontos sobre Hélio

 

- Jornal do Commercio: Apreensão gigante de remédios irregulares

 

- Zero Hora: 30% das candidatas só completam lista e não fazem campanha

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h30

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A Opinião Pública sou Eu!

Benett

- Via Gazeta do Povo. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Aprovada por 85%, a ‘Ficha Limpa’ vai a voto no STF

  Folha
Dividido, o STF abre na sessão vespertina desta quarta (22) o julgamento que vai decidir se a lei da Ficha Limpa pode ser aplicada nas eleições de 2010.

 

Será julgado um caso específico, que envolve Joaquim Roriz (PSC), candidato ao governo do Distrito Federal. Porém...

 

Porém, a decisão terá o peso de um veredicto do Supremo, aplicável a todos os processos em que a nova lei é questionada.

 

Nesta terça (21), véspera da reunião do STF, veio à luz pesquisa que dá uma ideia do tamanho da frustração que um eventual revés provocaria.

 

Contratado pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), o Ibope aferiu a opinião dos eleitores brasileiros sobre a Ficha Limpa.

 

Verificou-se que nada menos que 85% dos entrevistados apoiam a lei que condiciona as candidaturas à exibição de prontuários higienizados.

 

Apenas 3% dos eleitores brasileiros declararam-se contrários à novidade. Outros 9% disseram desconhecer a lei. E 3% se abstiveram de responder.

 

É contra esse pano de fundo que os ministros do STF irão se posicionar sobre as dúvidas técnicas que ameaçam a vigência da lei.

 

Não se discute a constitucionalidade da Ficha Limpa, sancionada em junho. A dúvida é se as novas regras valem para já ou só para as futuras eleições.

 

Os advogados de Roriz suscitaram na petição protocolada no STF questionamentos que são comuns a todos os outros processos.

 

Roriz teve o registro da candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral por ter renunciado ao mandato de senador em 2007, para fugir à cassação.

 

Seus defensores invocam, entre outras coisas, os princípios da “anualidade” e da “irretroabilidade” das leis.

 

Pelo primeiro, mudanças na legislação eleitoral só poderiam entrar em vigor um ano depois de promulgadas.

 

Pelo segundo, uma lei nova não poderia retroagir no tempo senão para beneficiar o acusado. Assim, Roriz não poderia ser punido por um ato praticado em 2007.

 

Ao confirmar o indeferimento do registro de Roriz, o TSE derrubou as alegações contrárias à vigência imediata da lei da Ficha Limpa.

 

Em parecer encaminhado ao STF, também o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, posicionou-se a favor da lei.

 

Mas os princípios que a defesa de Roriz esgrime estão inscritos na Constituição. E, sempre que há questões constitucionais em jogo, a palavra final é do STF.

 

Nem os mais entendidos arriscam um palpite sobre o placar. O relator do processo é o ministro Carlos Ayres Britto.

 

Em despacho no qual negou a Roriz um pedido de liminar, Ayres Britto sinalizou posição favorável à aplicação da lei já em 2010.

 

Estima-se que será acompanhado por três colegas. Outros quatro tendem a abraçar a tese de que a lei só vale para os pleitos futuros.

 

De resto, são tidos como imprevisíveis os votos de dois ministros: Cezar Peluso, presidente do STF, e Ellen Gracie.

 

Um pedido de vista poderia adiar a deliberação do tribunal. Mas, a 11 dias da eleição, o mais provável é que o STF decida mesmo nesta quarta.  

 

- Serviço: Aqui, a íntegra do relatório da pesquisa do Ibope. Não se resume à Ficha Limpa. Traça um perfil do eleitor brasileiro. Vale a leitura.  

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h23

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Mínimo de Serra custaria ‘R$ 17,7 bi’ a mais por ano

Alex Almeida

 

Um auxiliar do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) foi à calculadora para estimar o custo do salário mínimo turbinado que José ‘Ex-fiscalista’ Serra trombeteia.

 

Comparou os R$ 600 prometidos pelo tucano neopopulista ao mínimo de R$ 538,15 que o governo do ex-operário Lula estimou para 2011, primeiro ano da nova gestão.

 

Tomou por base um dado oficial: cada real adicionado ao mínimo corresponde a um impacto nas contas públicas de R$ 286,4 milhões.

 

Feitas as contas, verificou que os R$ 61,85 que separam o mínimo de Serra do de Lula, custarão ao Tesouro R$ 17,1 bilhões por ano.

 

O repórter perguntou: Dá pra pagar? E o técnico: “Repare que o Serra promete R$ 600 para 2011, mas silencia sobre 2012 e 2013...”

 

“...Sem reajustes nos anos seguintes, é possível pagar. A questão é: depois de aberta a porteira, quem vai conseguir fechar?”

 

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Escrito por Josias de Souza às 22h17

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A 2ª queda de Erenice: foram-se cargos em estatais

 

Nesta terça (21), Erenice Guerra fez por pressão o que não fizera por obrigação. Entregou os cargos que detinha em empresas estatais.

 

Renunciou aos assentos de conselheira do BNDES (R$ 5,1 mil mensais) e da Eletrobras (R$ 3,8 mil) –R$ 106,8 mil anuais.

 

Erenice já havia perdido a cadeira de ministra. Mas fingia-se de morta nas poltronas dos conselhos.

 

Pendurada de novo nas manchetes, bateu em retirada. Se não saísse, seria, por assim dizer, saída.

 

O Planalto já havia decidido expurgá-la também das estatais. Recebe tratamento diverso do dispensado a Silas Rondeau.

 

Alcançado pela Operação Navalha, Rondeau perdeu, em 2007, o assento de ministro de Minas e Energia em 2007. Mas é, até hoje, conselheiro da Petrobras.

 

Rondeau tem atrás de si o suporte político do padrinho, José Sarney. Erenice tornou-se órfã em sua desgraça.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h47

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Lula volta a praticar o ‘esporte’ predileto: Tiro à mídia

Ricardo Stuckert/PR

 

Lula inaugurou nesta terça (21), em Porto Nacional (TO), um trecho da ferrovia Norte-Sul.

 

Ao discursar, o presidente dedicou-se à prática de um de seus esportes preferidos, o tiro à imprensa.

 

Para Lula, a mídia o trata com “ódio”. Fenômeno antigo, segundo ele. "Já fui vítima do que está acontecendo hoje”.

 

Na sexta e no sábado, num par de comícios, o patrono de Dilma Rousseff dissera que jornais e revistas viraram “partidos políticos”. Prometera derrotá-los.

 

No discurso desta terça, repisou a pregação contra aqueles que chama de "formadores de opinião":

 

“O povo de 2010 não é mais massa de manobra, como era 30 anos atrás. Não tem mais essa de que se deu na TV é verdade...”

 

“...O povo sabe quando é mentira. Tem, às vezes, má fé. Quando falam mal de mim e eu estou errado, dou a mão à palmatória...”

 

“...Eles ficam torcendo contra o Lula. Esse peão não pode dar certo. Torceram a vida inteira".

 

Para não soar antidemocrático, disse que a liberdade de imprensa é "sagrada". O que não pode é jornalista "inventar coisas".

 

Não disse palavra sobre Erenice Guerra e Cia.. Nada sobre as quatro autoridades afastadas nas pegadas das “invenções” que envolvem a Casa Civil.

 

Para sorte de Lula, além dos repórteres que o vêem com “ódio”, havia em Porto Nacional um personagem que o ama: José Sarney.

 

O aliado cuidou de afagá-lo. Disse que Lula, mercê dos êxitos do governo, inscreve seu nome “no altar dos maiores brasileiros de todos os tempos”.

 

Dias atrás, o grupo de Sarney constrangera o presidente. Apoiados por Lula, políticos amapaenses ligados a Sarney foram recolhidos ao cárcere pela PF.

 

Mas essa é outra história. O amor de Sarney, com amor Lula paga. O resto não importa.

 

O signatário do blog, por odioso, é tentado a concluir que, em política, o amor não é coisa para amadores. 

 

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Escrito por Josias de Souza às 20h44

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PTXSerra: promotor pede inquérito à Justiça Eleitoral

 

Silvio Hiroshi Oyama, promotor da 259ª Zona Eleitoral de São Paulo, pediu à Justiça Eleitoral a instauração de inquérito em ação movida pelo PT contra José Serra.

 

Na origem do despacho do promotor está uma petição de José Eduardo Dutra, presidente do PT.

 

Ele requereu providências contra declarações de Serra. O rival de Dilma Rousseff atribuíra ao PT a quebra do sigilo fiscal do grão-tucano Eduardo Jorge.

 

Serra dissera que "o pessoal do PT faz espionagem". Acusara a legenda de recorrer ao "jogo sujo" e à "chantagem".

 

Silvio Hiroshi apressou-se em explicar que a requisição de abertura de inquérito não embute juízo de valor.

 

"O pedido não tem nenhuma formação de convicção negativa ou positiva sobre a atitude de Serra", disse.

 

Como o PT juntou em sua petição apenas notícias de jornal, haveria a necessidade de colher o depoimento de Serra.

 

Caberá à Justiça Eleitoral decidir, primeiro, se abre ou não o inquérito. Depois, se Serra deve ou não ser chamado a depor.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h22

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Dilma: ‘Não respondo pelo que faz o filho de alguém’

Divulgação

 

Dilma Rouseff foi exibida em entrevista matinal na TV Globo. Um pedaço da conversa foi dedicado ao ‘Erenicegate’.

 

Perguntou-se a Dilma se, depois da demissão de quatro autoridades e da exposição da parentela de Erenice Guerra, ainda considera que o caso é mero "factóide.

 

E ela: “A primeira denúncia dizia respeito ao filho da pessoa. Então, eu não posso ser responsabilizada pelo que faz o filho ou o parente de alguém”.

 

Lorota. Já no nascedouro, a encrenca fora apresentada como de tráfico de influência do filho, Israel Guerra, com o aval da mãe, Erenice Guerra.

 

Recordou-se a Dilma que ela trabalhou sete anos com Erenice, seu braço direito. Não notou nenhuma irregularidade? E a candidata:

 

“Eu, até hoje, nunca vi nenhuma prova e nenhuma ação inidônea da ex-ministra Erenice...”

 

“...Isso não significa que, havendo denúncias, elas não tenham que ser apuradas. E eu acredito que ninguém está acima das suspeitas...”

 

“...Acho que tudo tem que ser apurado. Agora, eu não tenho, até hoje, nenhum conhecimento de um ato inidôneo da Erenice”.

 

Nesse ponto, Dilma foi como que confrontada com uma contradição. A despeito da alegada falta de comprovação, demitiram-se quatro.

 

Insistiu-se: Nunca reparou nada? “Olha, eu não”, Dilma declarou. “Eu posso dizer, sim, com absoluta franqueza, eu nunca aceitei nem nomeação de parentes nem nomeação por critérios de amizade”.

 

Sobreveio a pergunta óbvia: Se nunca aceitou, por que aconteceu? E Dilma, dissociando-se de Erenice:

 

“Eu não tenho como responder por ela. Agora, acho que, até onde eu a conheci, ela era uma pessoa bastante idônea”.

 

Mais adiante, Dilma repisou: “[...] Resta ser provado que ela tem responsabilidades. É muito perigoso a gente ficar condenando as pessoas sem ter provas”.

 

Lero vai, lero vem enfatizou-se que Israel, o filho lobista de Erenice, admitira o recebimento de pelo menos R$ 120 mil por "serviços" prestados nas franjas do governo.

 

“Se ele admitiu que recebeu e se acha que aquilo é indevido, ele é culpado. Então, ele vai pagar por isso...”

 

“...Agora, daí a fazer qualquer relação com a minha campanha é que são outras... Quer dizer, são outros quinhentos. Porque a minha campanha não está envolvida com essa história”.

 

Ficou entendido o seguinte: a supergestora, vendida como “mãe” de todos os êxitos do governo, acha que não tem nada a ver com Erenice, uma de suas “obras”.

 

O marido, o irmão, os filhos e o sócio do filho de Erenice? Dilma também não se acha responsável pelo que “faz o filho ou o parente de alguém”. Ainda que esse "alguém" seja cria dela.

 

Na campanha, Dilma refere-se à gestão Lula como “nosso governo”. Leva à propaganda os principais programas da era petista. Apropria-se deles. Porém...

 

Porém, quando estouram malfeitos na sua Casa Civil, Dilma diz que a relação com a campanha “são outros quinhentos”.

 

Ela aperta o botão do automático –“Nada a ver”— desvia o nariz do monturo e segue em frente. Assim fica fácil!

 

- Serviço: Aqui, a ínetgra da entrevista.

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Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Falha paralisa metro de SP por 2h e inferniza usuário

- Leia sobre a encrenca aqui, aqui, aqui e aqui. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 16h48

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Déficit em conta corrente vai a US$ 60 bi, estima BC

  Antônio Gaudério/Folha
Em 2011, o déficit em transações correntes atingirá a casa dos US$ 60 bilhões. Maior do que os US$ 49 bilhões previstos para 2010.

 

Em relação ao PIB, o déficit vai de 2,49% neste ano para 2,78% no ano que vem. São dados do Banco Central. Vieram à luz nesta terça.

 

Divulgou-os o Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC. "O cescimento do déficit é gradual, não é explosivo", disse ele.

 

Em termos nominais, o buraco de US$ 60 bilhões é recorde. Porém, Altamir lembrou que, como proporção do PIB, a cifra é inferior a outras já anotadas no passado.

 

Segundo ele, o Brasil já amargou déficits em conta corrente de até 6% do PIB. Seja como for, as cifras vão à mesa do próximo presidente com a cara de problema.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h55

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PT mobiliza o aparato sindical e faz ato anti-imprensa

Angeli

 

Iniciada por José ‘Abuso do Direito de Informar’ Dirceu e ecoada por Lula ‘Mídia Partidária’ da Silva, a rusga do PT com a imprensa ganhou ares de guerra.

 

O partido de Dilma Rousseff levou à sua página na web a convocação de um ato de protesto contra o que chamou de “golpismo midiático”.

 

Será nesta quinta (23), às 19 horas, num palco inusitado: o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, filiado à CUT.

 

A convocatória informa que a pajelança foi organizada “em defesa da democracia” e contra “a baixaria nas eleições”. Anuncia-se a presença de:

 

1. Dirigentes de quatro centrais sindicais: além da CUT, Força Sindical, CTB e CGTB.

2. Representantes da União Nacional dos Estudantes.

3. Lideranças de quatro partidos políticos: PT, PCdoB, PSB e PDT.

4. Blogueiros progressistas.

 

O evento é apresentado como reação à “ofensiva dos setores da direita e da mídia conservadora”, marcada por "uma onda de baixarias, de denúncias sem provas [...].”

 

O texto não menciona as logomarcas “golpistas” nem esmiúça as notícias infundadas. Não há de ser o “Erenicegate”.

 

Qualificado de “factóide” no nascedouro, o caso já levou ao olho da rua quatro autoridades, incluindo a chefe da Casa Civil, ex-braço direito de Dilma Rousseff.

 

Diz o documento que a “velha mídia” tornou-se “autêntico partido político conservador” e desenvolve uma “ofensiva antidemocrática”.

 

Acrescenta: “A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha”.

 

Como assim? “Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes. E indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso”.

 

Daí o “ato em defesa da democracia”. Beleza. Decerto os organizadores do movimento farão discursos veementes em fovor do democrático direito à liberdade de imprensa.

 

Dilma haverá de brandir da tribuna provas irrefutáveis contra as aleivosias inventadas pela “velha mídia” pró-Serra. Restará provado que a Casa Civil foi varrida por um tsunami de probidade.  

 

A coisa promete!

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h40

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Serra promete agora criar o 13º para o Bolsa Família

Arnaldo Carvalho/JC Imagem/UOL

 

José Serra acrescentou um item novo à pauta de promessas populistas que empunha nos últimos dias.

 

"Eu vou criar o 13º Bolsa Família. Se todo mundo tem, se assalariado tem, se aposentado tem, por que quem recebe Bolsa Família não pode ter?"

 

As palavras de Serra soaram num debate presidencial promovido na noite passada pelo SBT, em parceria com o Jornal do Commercio.

 

A coisa aconteceu na capital pernambucana, Recife. Por quê? Desejava-se priorizar a discussão de temas caros ao Nordeste.

 

Dilma Rousseff não deu as caras. Alegou incompatibilidade de agenda.

 

Como não se dignou a informar o compromisso que a impediu de comparecer, deixou a impressão de que considerou o debate desnecessário.

 

É da região Nordeste que Dilma extrai o grosso dos votos que lhe dão o favoritismo nas pesquisas.

 

Nesse pedaço do mapa brasileiro, 22% dos eleitores são clientes do Bolsa Família. Daí o aceno de José 'Nopopulista' Serra

 

Coube a Marina Silva dar à promessa de Serra o nome compatível. Chamou o 13% do Bolsa Família de “eleitoreiro”.

 

De fato, Serra fez picadinho do discurso do PSDB. O tucanato costumava enxergar o Bolsa Família como programa assistencialista.

 

Alegava-se que falta ao programa uma “porta de saída”. Serra conferiu ao emergencial ares de salário fixo. E a preocupação com a saída sumiu.

 

Alheio ao “eleitoreiro” de Marina, Serra repisou as outras promessas de sua pauta “popular”: o salário mínimo de R$ 600 e a elevação das aposentadorias em 10%.

 

Como que decidido a adular o nordestino, personagem que lança sobre ele o olhar desconfiado das pesquisas mixurucas, Serra foi além.

 

Disse que, chegando ao Planalto, vai criar uma repartição nova. Batizou-a de Secretaria para o Semi-Árido. Cuidaria do combate à seca.

 

É coisa tão necessária ao país quanto um pente seria para Serra. No papel, já existe a Sudene, carbonizada pelo histórico de corrupção.

 

Serra, aliás, já dissera em manifestações anteriores que, como presidente, dirigiria a Sudene pessoalmente. Há, de resto, o Banco do Nordeste.

 

Plínio de Arruda Sampaio exibiu no evento nordestino a mesma mordacidade que desfiara em debates anteriores.

 

A certa altura, lançou um facho de luz sobre aliados incômodos dos adversários mais bem postos nas sondagens eleitorais.

 

Grudou em Dilma Fernando Collor, José Sarney e Renan Calheiros. Em Serra, colou Marco Maciel. E uniu Marina a Zequinha, o filho verde de Sarney.

 

“Esses são todos coronéis e são responsáveis pelo atraso do Nordeste”, disse o presidenciável do PSOL.

 

Serra recordou que Plínio traz na biografia uma passagem pela assessoria de Carvalho Pinto, governador de São Paulo entre 1959 e 1963.

 

Disse que, tomado pela ideologia, Carvalho Pinto era um político “muito, mas muito mais conservador que Marco Maciel”.

 

Plínio ruminou o contraataque até o final do debate. Só no último bloco responderia a Serra, seu conhecido da época do combate à ditadura:

 

“Eu fui da direita para a esquerda. Eu, que contribuí para você, menino da UNE, virar um menino da esquerda coerente. Mas você virou isso aí, da direita. Não ensinei direito”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h02

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Erenice continua dependurada na folha das estatais

  Sérgio Lima/Folha
Afastada da chefia da Casa Civil, Erenice Guerra ainda pende da folha de salários de empresas estatais.

 

A ex-protegida de Dilma Rousseff ainda integra os conselhos de administração da Eletrobras e do BNDES.

 

No primeiro, participa de uma reunião a cada três meses. No segundo, as reuniões são mensais.

 

Somadas, as duas sinecuras rendem a Erenice algo como R$ 108 mil por ano. O caso é original.

 

Apadrinhado de José Sarney, Silas Rondeau teve o cargo de ministro de Minas e Energia passado na lâmina da Operação Navalha, em 2007.

 

Como Erenice, Silas rodou em meio a denúncias de malfeitos. A despeito disso, permanece até hoje no conselho de administração da Petrobras.

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h47

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Em defesa de Erenice - Dilma: 'Ninguém sabe tudo o que acontece na família'

 

- Folha: USP vai reavaliar currículos e pode eliminar cursos

 

- Estadão: Lula chama Paulo Bernardo para conter crise nos Correios

 

- JB: Tráfico volta a favela com milícia enfraquecida

 

- Correio: Crime da 113 Sul

 

- Valor: Governo quer usar ITR para regular mercado de terras

 

- Estado de Minas: Dólar barato turbina a venda de pacotes de fim de ano em Minas

 

- Jornal do Commercio: Confronto de ideias

 

- Zero Hora: Quatro meses depois: Planalto começa a liberar verbas contra o crack

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Salto 'agulhama'!

Nani

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Escrito por Josias de Souza às 23h52

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Contra o ‘veneno’ de Lula, Aécio usa o ‘antídoto’ Ciro

  Divulgação
O telespectador de Minas Gerais foi submetido a uma novidade na noite desta segunda (20).

 

Ciro Gomes (PSB) levou o rosto à propaganda de Antonio Anastasia (PSDB), candidato de Aécio Neves ao governo mineiro.

 

Deu-se 72 horas depois de Lula ter fustigado Aécio num comício realizado em Juiz de Fora (MG).

 

Aécio esgrime um discurso bairrista. Sem citar o pernambucano Lula, costuma dizer: “Quem decide a eleição em Minas é o mineiro”.

 

No palanque de três dias atrás, Lula dissera que certas pessoas gostariam que ele “não existisse”. E tratam Minas como seu “quintal”.

 

Insinuara que Aécio “tem vergonha” de José Serra. E pedira votos, com "orgulho", para Dilma Rousseff e Hélio Costa (PMDB), o rival de Anastasia.

 

Pois bem. Foi sobre esse pano de fundo impregnado de veneno que Ciro apareceu no programa de Anastasia.

 

Recobriu Aécio e o pupilo dele de elogios. E, antes que a platéia pudesse tomar o lero-lero como incoerência dos anfitriões, o forasteiro emendou:

 

"Se você acha que depois de dizer tudo isso eu iria me aventurar a pedir para que você vote em Anastasia para governador, nada disso. Como amigo de Minas...

 

“...Eu sei muito bem que o mineiro sabe ouvir as pessoas que gostam de Minas e não são daqui. Mas na hora de decidir as questões de Minas, elas são resolvidas em Minas..."

 

"...Eu sei que, no voto dos mineiros, o que manda é a vontade dos mineiros, o que faz só faz aumentar o meu respeito e a minha admiração por Minas Gerais".

 

Além de converter Ciro em antídoto contra a "interferência" de Lula, Aécio serviu-se do prestígio que desfruta junto aos prefeitos mineiros.

 

No domingo (19), nas pegadas dos ataques de Juiz de Fora, prefeitos de legendas pró-Lula divulgaram um manifesto.

 

No texto, declararam-se decepcionados com as críticas de Lula ao governo tucano de Minas. E informam que a dupla Aécio-Anastasia os trata de forma “republicana”.

 

Pluripartidária, a peça traz inclusive os jamegões de 14 prefeitos do PT e 33 do PMDB. Nesta segunda (20), a "prefeitada" foi levada a Anastasia.

 

Em cerimônia eleitoral realizada na sede do governo mineiro, cerca 50 prefeitos como que desagravaram o candidato de Aécio.

 

PT e PMDB ameaçaram expulsar os seus silvérios. Nenhum deles, porém, retirou a assinatura do manifesto.

 

Dois dos 14 petistas signatários do texto participaram da pajelança tucana. Dos 33 rebelados do PMDB, 18 foram cortejar Anastasia.

 

A julgar pelas pesquisas, a trilha mineira esboçada por Aécio, uma linha reta em que os ziguezagues conduzem ao impossível, vai surtindo efeitos.

 

O ex-azarão Anastasia está à frente de Hélio Costa em todas as sondagens. Em Minas, o discurso da “continuidade” revelou-se faca de dois gumes.

 

Num lado, a lâmina corta a favor do pupilo de Aécio. Noutro, talha as fatias de queijo que engordam a candidatura presidencial da protegida de Lula.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h24

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Para coibir compra de voto, TRE limita saques em RR

A partir desta segunda (20), os bancos que operam em Roraima estão obrigados a informar à Justiça Eleitoral todos os saques acima de R$ 10 mil.

 

Deve-se a providência a uma ação movida pela Procuradoria Regional Eleitoral. Visa coibir a prática da compra de votos na reta final da eleição.

 

A liminar que institui o monitoramento dos saques bancários foi concedida pelo TRE-RR na última sexta (17).

 

Mas só nesta segunda o fato foi levado à página do Ministério Público na web.

 

O cerco aos saques graúdos pode se tornar ainda mais draconiano uma semana antes do encontro do eleitor com as urnas.

 

Na ação, a Procuradoria pede que sejam proibidos os saques acima de R$ 20 mil entre 27 de setembro e 4 de outubro.

 

Nesse período, as retiradas bancárias em valores acima dessa cifra ficariam condicionadas à autorização judicial.

 

A ação foi protocolada nas pegadas de diligências realizadas pela Polícia Federal na capital e em cidades do interior de Roraima.

 

Nessas investidas, a PF apreendeu bens, materiais e dinheiro vivo que seriam usados para comprar votos.

 

Tenta-se prevenir uma prática que, em Roraima, é usual. Diz a Procuradoria no texto da ação:

 

“Em eleições passadas, foi público e notório que o TRE apreciou inúmeros casos de abuso de poder, captação ilícita de sufrágio, dentre outros ilícitos eleitorais...”

 

“...Muitos dos quais resultaram na cassação e perda dos mandatos eletivos de candidatos...”

 

“...Sendo assim, há fortes indícios de que tais práticas também ocorrerão nestas eleições de 2010”.

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Escrito por Josias de Souza às 19h08

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Dilma rebate Serra: ‘Pessoa não pode saber de tudo’

  Fábio Pozzebom/ABr
Depois de converter Erenice Guerra em sua principal assessora e convencer Lula a nomeá-la ministra, Dilma Rousseff faz o que pode para se dissociar da amiga.

 

Nesta segunda (20), a candidata comentou declarações que o rival José Serra fizera na véspera.

 

Serra dissera: Se não soube dos malfeitos praticados na Casa Civil, Dilma é “incapaz”. Se soube, é “cúmplice”.

 

Dilma declarou que não crê "que uma pessoa saiba de tudo o que acontece na sua própria família".

Para fustigar o antagonista, citou episódio constrangedor que leu a respeito da campanha de Serra:

 

“Tenho visto visto que o presidente da Dersa [autarquia paulista que cuida das estradas], que ele nomeou, sumiu com R$ 4 milhões da campanha dele”.

 

Como se vê, vai longe a gincana de lama em que se converteu a campanha de 2010.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h16

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Dilma critica reportagem da Folha é acusa: ‘É má-fé’

Dilma Rousseff abespinhou-se com a Folha. Em timbre exaltado, protestou, no Rio, contra  notícia levada às páginas do jornal nesta segunda (20).

 

A reportagem trata de auditorias do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul em repartições geridas por Dilma.

 

Ela foi secretária estadual de Energia e comandou uma fundação gaúcha de economia e estatística.

 

Segundo o texto do jornal, auditores do tribunal de contas detectaram favorecimento  a uma empresa chamada Meta. Aqui, os detalhes.

 

Dilma contestou a reportagem e acusou o jornal de ser “parcial” (veja o vídeo lá no alto).

 

Como “prova absoluta de má-fé”, disse que o jornal não informou na notícia que suas contas foram aprovadas pelo tribunal. A fúria embotou-lhe a visão.

 

Em nota, a Folha rebateu: “A informação de que as contas de Dilma Rousseff foram aprovadas pelo TCE do Rio Grande do Sul consta da reportagem criticada pela candidata do PT à Presidência”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 15h41

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Para Caetano, Lula é golpista e Serra é burro e idiota

  Folha
Na sucessão de 2010, Caetano Veloso é doce com Marina Silva e bárbaro com os demais.

 

Por Marina, levou a cara à TV. Contra o resto, soltou a língua numa rádio de Santo Amaro (BA).

 

Estranhou que Lula, em comício pró-Dilma, tenha manifestado o desejo de “extirpar” o DEM da política:

 

"Como é que o presidente da República fala que tem que extirpar um partido? Não pode..."

 

"...O povo brasileiro não pode ouvir isso e não reclamar. E se a imprensa reclamar, vem um idiota dizer que a imprensa é golpista..."

 

"...Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente".

 

Depois, Caetano barbarizou José Serra. Não parece considerar a campanha dele das mais inteligentes: 

 

"Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que está do lado, que é igual a Lula. É burro".

 

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Escrito por Josias de Souza às 14h56

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Dilma tenta no TSE impedir Serra de ligá-la a Erenice

  Fábio Pozzebom/ABr
A coligação de Dilma Rousseff protocolou no TSE quatro representações contra a campanha do rival José Serra.

 

Na petições, pede-se ao tribunal que tome providências para deter a escalada de ataques da propaganda eletrônica de Serra.

 

Em três ações, reclama-se de peças que vinculam Dilma a Erenice Guerra, sucessora dela na Casa Civil. Foram ao ar na TV, no fim de semana.

 

A quarta reclamação trata de comercial radiofônico. O tucanato acusa Dilma de ter deixado um “rombo” na secretaria de Fazenda de Porto Alegre.

 

Neste domingo (19), o ministro Joelson Dias indeferiu pedido de liminar para suspender um dos comerciais sobre o ‘Erenicegate’.

 

A publicidade ligou Dilma a Erenice e sustentou que, eleita, a presidenciável do PT "não saberá escolher" os ministros e “não vai dar conta” de governar.

 

Os advogados de Dilma classificaram a peça de “injuriosa” . Por quê? “Pretende diminuir e menoscabar a candidata” do PT.

 

Em seu despacho, o ministro Joelson negou a concessão de liminar por entender que o programa de Serra apenas exerceu a “crítica política”.

 

Algo que não justitifica nem a suspensão da publicidade nem a concessão de direito de resposta a Dilma.

 

A decisão de Joelson, por liminar (provisória), terá de passar pelo crivo do plenário do TSE, composto de sete ministros.

 

Nas outras duas reclamações que tratam do ‘Erenicegate’, os advogados não incluíram pedidos de liminares. Por isso, ainda não houve deliberação.

 

Quanto ao comercial de rádio, coube à ministra Nancy Andrighi analisá-lo. Nesse caso, houve pedido de lininar (suspensão e direito de resposta).

 

Para os advogados de Dilma, a propaganda de de Serra difamou a rival ao afirmar no rádio que ela “deixou a secretaria de Fazenda de Porto Alegre com um rombo”.

 

Um buraco “tão grande que a prefeitura precisou pedir um empréstimo no banco, para pagar os funcionários”.

 

Em sua decisão, a ministra Nancy negou a suspensão liminar do programa. Indeferiu também o pedido de direito de resposta.

 

A exemplo do colega Joelson, Nancy considerou que, também neste caso, o tucanato não extrapolou os limites da “crítica política”. Nada que ofenda a legislação.

 

Alheio à movimentação do comitê inimigo, Serra manteve a lança erguida. Em entrevista, voltou a grudar Dilma em Erenice.

 

Afirmou: Se Dilma não soube do tráfico de influência que correu sob Erenice, é “incapaz”. Se tomou conhecimento, é “cúmplice”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h48

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Denúncia de favorecimento na Casa Civil derruba diretor dos Correios

 

- Folha: Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma

 

- Estadão: Após denúncia, Correios anunciam demissão de diretor

 

- JB: Hotéis do Rio entre os mais caros do mundo

 

- Correio: Caso Erenice: a sangria não para

 

- Valor: Obras atrasam, mas ferrovia já transporta 8% das cargas

 

- Estado de Minas: Minério faz preço de terra triplicar no norte de Minas

 

- Jornal do Commercio: Nordeste em debate

 

- Zero Hora: Caso Erenice tem hoje sua quarta demissão

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h15

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Vazamento!

Sinfrônio

- Via Diário do Nordeste. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Para tentar cavar 2º turno, Serra recorre a populismo

Lula Marques/Folha

 

A campanha presidencial de José Serra vive uma nova fase. A duas semanas da eleição, injetaram-se na propaganda tucana promessas de apelo popular.

 

Nos últimos dias, Serra passou a alardear o compromisso de elevar o salário mínimo para R$ 600 já em 2011.

 

Na propaganda televisiva de sábado (18), levou ao ar outra promessa que desafia as contas públicas: o aumento das aposentadorias do INSS em 10%.

 

Empacado nas pesquisas –entre 25% e 27%, conforme o instituto— Serra conduz sua campanha para uma terceira fase.

 

Na primeira, absteve-se de criticar o governo. Apresentou-se como um político mais capaz do que Dilma Rousseff para aperfeiçoar o legado de Lula.

 

Na segunda, cavalgando o caso da violação do sigilo fiscal de familiares e tucanos, Serra elevou o tom. Passou a mesclar a venda da biografia à denúncia.

 

Agora, a acusação da Receita é substituída pelo alarido em torno do caso de tráfico de influência na Casa Civil. E surgem as promessas de timbre eleitoreiro.

 

Com as críticas, tenta-se seduzir o eleitor de classe média. Com o mínimo e a aposentadoria, mira-se no eleitor de baixa renda.

 

Nos dois casos, o objetivo é produzir um cenário capaz de reverter o favotismos de Dilma, empurrando a disputa para o segundo turno.

 

Até aqui, os esforços de Serra revelaram-se infrutíferos. As últimas pesquisas mostraram que o apelo à denúncia chegou a um pedaço da classe média.

 

Nesse nicho do eleitorado, Dilma perdeu votos. Mas quem se beneficiou foi Marina Silva, não Serra. E Dilma cresceu noutras faixas, compensando a perda.

 

Em relação às propostas de coloração populista, Serra enfrenta, desde a noite de sexta (17), a oposição do principal ator da campanha: Lula.

 

No papel de condutor da própria sucessão, Lula ironizou, num comício de Juiz de Fora (MG), o mínimo de R$ 600: “Pensam que o eleitor é tonto?”

 

No vaivém marqueiteiro, um detalhe adiciona à tática um quê de oportunismo. Há duas semanas, Serra passou a ser apresentado na propaganda como "ministro do Real".

 

Lançado sob Itamar Franco, o Real é obra da inteligência de um grupo de economistas reunidos pelo então ministro Fernando Henrique Cardoso, personagem ausente da campanha de Serra.

 

Consolidada no primeiro mandato de FHC no Planalto, a nova moeda não traz as digitais de Serra. Ao contrário.

 

Nessa época, Serra era ministro do Planejamento de FHC. Os operadores do Real, acomodados na Fazenda e no Banco Central, queixavam-se do eterno nariz torcido do colega.   

 

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Escrito por Josias de Souza às 23h26

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Dilma ironiza ‘convite’ do senador tucano Álvaro Dias

No livro de São João, a Bíblia anota: “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus”.

 

Não está escrito, mas é evidente que, depois, veio o substantivo. Era preciso designar os seres e as coisas da criação divina.

 

Deve-se ao Tinhoso, porém, o surgimento do adjetivo, que tanta falta fazia para a composição das ofensas.

 

Decidido a levar Dilma Rousseff para dar explicações sobre o ‘Erenigate’ no Senado, o tucano Álvaro Dias disse que formalizará nesta segunda (20) um “convite”.

 

Em verdade, Álvaro gostaria de protocolar uma “convocação”. Mas só as CPIs tem poder para tanto. Daí o “convite”.

 

Ao comentar, Dilma enxergou por trás do substantivo uma arapuca que a sujeitaria à audição de muitos adjetivos. Preferiu soltar o verbo:

 

"O senador sistematicamente tenta tumultar essas eleições. Eu já fui acusada de tudo. Convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para cafezinho".

 

Como se vê, numa campanha marcada pelo acirramento de ânimos, qualquer palavra bem dita pode ocultar intenções malditas.

 

Vive-se uma quadra curiosa. Além dos políticos, também a semântica foi desobrigada de fazer sentido.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h38

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Mais um personagem do ‘Erenicegate’ deixa governo

Miran

 

Ele se chama Eduardo Artur Rodrigues Silva. Por indicação de Erenice Guerra, ocupa a diretoria de Operações dos Correios.

 

Antes de aportar nos Correios, Eduardo presidia a empresa MTA - Master Top Linhas Aéreas. Uma logomarca que mantém negócios milionários com os Correios.

 

Nesta segunda (20), Eduardo vai deixar os Correios. "Peço demissão porque não aguento mais tanta pressão, tanta mentira”, disse ele.

 

Acrescentou: “Tudo isso está destruindo minha vida e minha família". Será o quarto personagem do ‘Erenicegate’ a ser extirpado da folha de pagamento do governo.

 

Antes dele, foram ao olho da rua dois assessores da Casa Civil da Presidência da República e a própria Erenice Guerra, agora ex-ministra de Lula.

 

Uma palavra mencionada pelo novo demissionário frequenta o discurso do governo desde a explosão escândalo: “Mentira”.

 

Curiosamente, a pseudoinverdade produz uma demissão atrás da outra. Nunca antes na história desse país uma “aleivosia” produzira tantas baixas.

 

Submetido ao noticiário tormentoso, Lula comporta-se como comandante de navio que se queixa do mar. Nos palanques, ele reclama da imprensa.

 

Sob o lero-lero presidencial, um monturo de evidências. No caso específico da MTA, sabe-se:

 

1. Para transportar correspondências dos Correios, a empresa dependia da renovação de uma licença da Anac, que havia expirado.

 

2. Um procurador da firma, Fábio Baracat, recorreu aos bons préstimos de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra.

 

3. Baracat esteve com a própria Erenice. Foi recebido no apartamento funcional dela, à época ainda secretária-executiva da ministra Dilma Rousseff.

 

4. Hoje, Erenice diz que recebeu Baracat como “amigo” do filho. Jura que a conversa foi “social” e girou em torno de amenidades.

 

5. Preto no branco, a MTA obteve a renovação da licença na Anac. Israel Guerra admite que ajudou. Erenice reconheceu, em reunião com Lula, que o filho foi remunerado.

 

6. Vinte dias depois da migração de Eduardo Artur da MTA para os Correios, a ex-empresa do novo demissionário beliscou um contrato de R$ 44,9 milhões.

 

7. Já munida da licença da Anac, aquele documento que o filho de Erenice azeitara, a MTA passou a servir aos Correios na rota Manaus-Brasília-São Paulo.

 

8. Tomada pela única entrevista que concedeu até agora, Erenice não parece enxergar na encrenca conflitos entre o público e o privado.

 

Vale a pena ouvir de novo a ex-ministra: “A sociedade precisa refletir sobre essa questão...”

 

“...Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos?...”

 

“... [...] O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?”

 

Responsável pela introdução de Erenice na equipe do governo Lula, a hoje presidenciável Dilma Rousseff diz que não sabia.

 

A parentela de Erenice continua pululando no noticiário. Agora, encontra-se pendurado nas manchetes o marido dela, José Roberto Camargo Campos (aqui e aqui).

 

De novo, um negócios trançados na Presidência. Novamente numa época em que Dilma era ministra. E ela:

 

"Eu não tenho como me manifestar sobre uma coisa que não estava na minha alçada. Agora, quem conta um conto aumenta um ponto”.

 

E Lula: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político e não tem coragem de dizer que têm partidos políticos”.

 

Enquanto isso, os personagens do caso saltam de suas cadeiras como pulgas no dorso da orelha de um vira-lata.

 

- Em tempo: Ilustração via blog Miran Cartum.

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Escrito por Josias de Souza às 20h26

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Em nome do oba-oba, Lula flerta com ‘Bolsa Viseira’

Sérgio Lima/Folha

 

Em passado recente, a junção do PT com a máquina de xerox interrompeu a carreira de vários segredos nas repartições públicas de Brasília.

 

Infiltrado na engrenagem do Estado, o petismo abiscoitou dados sigilosos de sucessivas administrações –de Collor a FHC, passando por Sarney.

 

Pescados à sorrelfa, os dados eram gostosamente repassados a jornalistas nas sombras de CPIs urdidas no Congresso.  


A chegada de Lula à Presidência, em 2003, produziu uma metamorfose. O ex-PT tomou aversão por CPI. E passou a odiar jornalistas.

 

Receando provar do próprio veneno, o “novo” governo adotou a política da língua presa. Sob Lula, Brasília passou a viver uma fase de oba-oba.

 

Um período que não pode ser conspurcado pela desenvoltura de jornalistas indiscretos. Ir muito fundo na investigação de qualquer tema tornou-se um desserviço à causa da unanimidade.


O repórter que pergunta demais é, agora, um chato a ser contido. Pelo menos até entender que a era do oba-oba extinguiu a velha dicotomia entre certo e errado.

 

Agora só há o conveniente e o inconveniente. E a crítica, definitivamente, não convém. Sobretudo quando chega em ano de eleição.

 

A situação de Lula reclama compreensão. É dura a vida de um presidente que preza a biografia ao mesmo tempo que cuida do PMDB e lida com a parentela de Erenice Guerra.

 

Não é fácil compatilizar a modernidade vermelha com atores cinzentos e antiquados como Sarney e os amigos dele do Amapá. Difícil combinar o Brasil novo com práticas tão antigas como o tráfico de influência.

 

Assim, é compreensível que, ao discursar nos palanques da pupila Dilma Rousseff, Lula se vista como personagem do mundo dos espetáculos.

 

Como presidente, Lula nunca teve relações amistosas com a autocrítica. Como cabo eleitoral, leva a crítica aos críticos a fronteiras extremas.

 

Num cenário em que José Serra assumiu o papel de exterminador da oposição, Lula decidiu se concentrar na mídia. Ataca jornais e revistas.

 

Tem pronunciado discursos memoráveis. Os trechos mais relevantes são as pausas. Mas ele fala tão grosso que fica impossível escutar-lhe o silêncio.

 

Ator solitário de sua própria sucessão, Lula aproveitou um comício deste sábado (18), em Campinas, para dar um conselho aos seus candidatos.

 

"Eu queria pedir para você Dilma e para você Mercadante: não percam o bom humor, deixa eu perder. Eu já ganhei...”

 

“...Se mantenham tranquilos porque, outra vez, nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos...”

 

“Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político e não tem coragem de dizer que têm partidos políticos, que tem candidatos...”

 

“...Não tem coragem de dizer que não são democratas e pensam que são democratas. Democrata é este governo que permite que eles batam".

 

Antes do grande líder, José Eduardo Dutra, presidente do PT, já havia injetado no ato eleitoral de Campinas uma imagem bélica. Disse que os difusores de más notícias são "falsos defensores da liberdade”.

 

Por quê? “Acusam o senhor [Lula] de governar em cima de palanques, mas eles sentem falta dos que governavam em cima de tanques".

 

Em hora tão grave, o repórter sente-se na obrigação de ajudar. E o faz recordando a Lula e Dutra que eles não precisam assumir as feições de José ‘Abuso do Poder de Informar’ Dirceu.

 

É desnecessário. A mídia, antes sem importância, tornou-se irrelevante. Algo como 80% do eleitorado informa que Lula é um mito inatacável.

 

Esquece-se, de resto, que é o governo, não os jornais, quem controla as máquinas de propaganda oficial e de investigação estatal.

 

É nulo o risco de o noticiário “de oposição” resultar em consequências indesejáveis. Por vias transversas, o petismo atingiu o sonho do controle da imprensa.

 

No limite, sempre há a alternativa de contrapor aos “tanques” da mídia o modelo leninista. Bem verdade que, junto com ele, viriam a censura e a cadeia.

 

Mas quem se importa? O silêncio é preço módico quando o que está em jogo é a continuidade que leva à felicidade eterna e mantém a salvo o Brasil do oba-oba.

 

Em fase colaborativa, o signatário do blog sugere a Lula que baixe uma medida provisória de dois artigos: 1) "Fica instituído no Brasil o programa Bolsa Viseira". 2) "Revoguem-se todas as notícias contrárias".   

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h18

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Gaspari: ‘Companheira Dilma e comissária Rousseff’

Danilo Verpa/Folha

 

Num primeiro momento, Dilma Rousseff dissera que o ‘Erenicegate’ era problema do governo, não de sua campanha.

 

Neste sábado (18), a candidata atualizou o bordão de Lula ‘Não sabia de Nadinha’ da Silva: “Não cheguei a tomar conhecimento”, disse ela.

 

Até aqui, o Brasil vinha sendo apresentado a uma presidenciável extraordinária, gerente impecável, gestora de êxitos retumbantes.

 

Ao dizer que não sabia o que se passava ao redor de Erenice Guerra, Dilma pede para ser vista como boba involuntária, não como cúmplice espontânea.

Todo mundo tem o direito de dizer o que bem entende. Mas aquela personagem da propaganda eleitoral perdeu o nexo.

 

Um artigo levado às páginas deste domingo (19) pelo repórter Elio Gaspari ajuda a entender o por quê. Vai abaixo o texto:

 

 

“Segundo a superstição petista, Dilma Rousseff é uma executiva altamente qualificada. Que seja. Ela teve um loja de cacarecos panamenhos chamada ‘Pão e Circo’, no centro comercial Olaria, em Porto Alegre, mas a aventura durou 17 meses.

 

Fora daí, seu currículo ficou na barra da saia da viúva. Nele, embutiu um doutorado pela Unicamp que nunca foi concluído, mas deixou de mencionar sua única, banal e pitoresca passagem pela atividade privada.

Nomeada ministra de Minas e Energia, por Nosso Guia, assistiu ao loteamento de sua pasta e a ida do engenheiro Silas Rondeau para a presidência da Eletronorte. Qualificava-se com títulos da Universidade Sarney, onde teve como orientador o eletrizante empresário Fernando, filho do ex-presidente.

 

Em 2004, a ministra fritou o presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, engenheiro nuclear, doutor pela UFRJ, com passagens por sete universidades estrangeiras. Para o seu lugar, turbinou Rondeau, que acabou substituindo-a no ministério.

 

Em maio de 2007, um assistente do doutor foi preso pela Operação Navalha. Acusado pela Polícia Federal de ter recebido R$ 100 mil de uma empreiteira, Rondeau deixou o cargo. Denunciado por gestão fraudulenta e corrupção passiva, ele se tornou o sétimo ministro de Nosso Guia apanhado pelo Ministério Público.

Rondeau subiu na vida por conta da aliança política com José Sarney, Erenice foi para a Casa Civil com credenciais típicas do comissariado: a fidelidade ao aparelho petista e à comissária Rousseff. Juntas, deixaram as impressões digitais no episódio da montagem de um dossiê com as despesas de Fernando Henrique Cardoso no Alvorada.

(Há dias, um cálculo da Rede Guerra de Trabalho e Emprego informava que, em 15 anos, Erenice, seus três irmãos e dois filhos passaram por pelo menos 14 cargos. Há mais: foram pelo menos 17, distribuídos pelos setores de urbanismo, educação, saúde, transportes, segurança, energia, planejamento e pela burocracia legislativa. Israel, filho da doutora, tinha uma boquinha na Terracap e José Euricélio, irmão dela, bicou na editora da Universidade de Brasília e estava na teta da Novacap.).

 

- Em tempo: A coluna de Gaspari traz meia dúzia de notas que versam sobre outros temas. Pode ser lida na íntegra aqui.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h37

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Erenice diz que foi ‘traída’ por servidor da Casa Civil

O encontro procurador da EDRB  ‘foi uma  completa traição’
‘Não  tenho  condições de  acompanhar o trabalho  de filho’

‘Acredito  nas  afirmações  que me  foram feitas’  por Israel

‘Fui  apresentada ao  Baracat  pelo meu filho  como  amigo’

‘Que será de meus filhos, vão ter de  viver à  minha custa?’

‘Óbvio que isso  está diretamente  ligado à disputa eleitoral’

‘O meu filho se  chama Israel Guerra, e não Verônica  Serra’

‘Conversamos. Dilma não tem dúvida sobre minha conduta’

‘Conversei com presidente e ele foi muito  amoroso comigo’

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Erenice Guerra quebrou o silêncio. Falou aos repórteres Octávio Costa e Sérgio Pardellas. Recebeu-os na quinta (16), dia em que virou ex-ministra da Casa Civil.

 

Levada às páginas de IstoÉ, a entrevista é a primeira manifestação de Erenice sobre o caso que a derrubou. Antes, só falara o por meio de notas oficiais.

 

Considera “traída” por Vinícius Castro, afastado do Planalto depois de ter sido apontado como sócio de Israel Guerra.

 

Quanto ao filho e demais parentes, não parece enxergar conflitos entre o público e o privado: “O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa?”

 

Atribui o seu infortúnio à atmosfera eleitoral: “[José] Serra percebeu que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez”. Abaixo trechos da entrevista: 

 

 

– O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração? Foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. [...] Entendi que era o momento de fazer uma opção. Uma opção pela minha vida pessoal, minha família, meus filhos e minha mãe, que sofre com tudo isso.

– Por que existiria uma campanha difamatória contra a sra.? Está vinculada ao momento político-eleitoral.

– Conhece o trabalho do filho Israel para garantir que é inocente? Uma pessoa que trabalha a quantidade de horas que eu trabalho por dia, [...] não tem condições de acompanhar trabalho nem de filho, nem de irmão, nem de ninguém. Mas eu conversei com meu filho e, conhecendo o filho que tenho, acredito nas afirmações que me foram feitas por ele. Ele me garantiu que, em nenhum momento, ultrapassou os limites da ética e da conduta que deveria ter.

– Nomeou o presidente e um diretor de operações dos Correios. Seu filho, que trabalhou na Anac, prestou consultoria à MTA, que obteve renovação de concessão na Anac e ganhou concorrência milionária nos Correios. Coincidência? Troquei sim a diretoria dos Correios por determinação do presidente. [...] Creio que pago um preço por isso, mas não me arrependo. [...] Israel prestou serviço para um sujeito chamado Fábio Baracat, que se intitulava dono de uma empresa chamada Via Net, mas nunca prestou serviço para uma empresa chamada MTA. A própria Anac reconhece que renovou a concessão da MTA porque eles regularizaram toda a documentação. A MTA ganhou e perdeu licitações nos Correios. E o tal contrato com a Via Net, que seria a empresa do Baracat, jamais foi assinado pelo meu filho. Então, é uma história muito confusa. Meu filho nunca teve contato direto com a MTA e eu muito menos.
– Encontrou Fábio Baracat na sua residência? Eu fui apresentada ao Baracat pelo meu filho na condição de amigo dele. [...] Para mim era mais um amigo. [...] Não conversamos nada além do trivial de um encontro social.
– O fato de seu filho se relacionar com empresários que têm interesse em negócios com o governo não caracteriza tráfico de influência? A sociedade precisa refletir sobre essa questão. Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos? [...] O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?
– Podem ter sido vendidas facilidades em seu nome? O que impede alguém, a não ser a ética, de se vender por aí como uma pessoa que tem acesso à ministra e pode facilitar qualquer tipo de negócio? Essa é uma vulnerabilidade à qual estou exposta.
– Chegou a se encontrar com representante da EDRB, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho? Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. [...] A Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.
– Esse servidor poderia se passar por funcionário capaz de influir nas suas decisões? É. Poderia dizer ‘trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo...’. Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.
– Significou uma traição de Vinícius, funcionário próximo e sócio de seu filho? Foi uma traição. Uma completa traição
– Se houve tráfico de influência foi sem seu conhecimento? Absolutamente sem o meu conhecimento. Eu jamais admitiria um negócio desses. Por que eu faria isso? Por que eu deixaria que minha honra e minha história profissional se sujassem por conta de tráfico de influência no local em que trabalho?

[...]

– Sentiu-se abandonada pelo governo? De forma nenhuma. Eu fui tratada com solidariedade durante todo esse tempo. É óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral, à necessidade de a oposição gerar fatos novos. [...] Serra percebeu claramente que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez, até porque eu simbolizo uma proximidade, uma relação de confiança com a candidata Dilma, que está na frente.
– Dilma foi solidária? Chegou a ligar? Conversamos e a Dilma não tem dúvida sobre a minha conduta.
– Teve apoio do presidente? Conversei com o presidente e ele foi muito amoroso comigo. E reiterou a confiança que tem na minha pessoa, mas achou que é um direito meu fazer agora os trabalhos que eu preciso fazer. Conversar com os meus advogados, abrir os processos para provar que eu não tenho participação, que não tive nenhum benefício.
– Não pode estar sendo alvo de fogo amigo? Se fala muito em fogo amigo, mas eu prefiro não me manifestar sobre isso. Até porque seria uma dor a mais. Há uma disputa de cargos no futuro governo, o que é natural.
– Está tranquila com a investigação da CGU? Eu lhes asseguro que toda a minha família disponibiliza seu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Eu não sou o Serra que briga para manter o sigilo da filha. Meu filho se chama Israel, e não Verônica.

– O que pretende fazer daqui para a frente? Respirar. Agora tenho que descansar. Ter tempo de fazer a defesa da minha honra e da legitimidade de todos os meus atos [...].

 

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Escrito por Josias de Souza às 02h46

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Projeto que pune tráfico de influência parou no Planalto

 

- Folha: Dilma diz que não sabia de esquema na Casa Civil

 

- Estadão: Diretor dos Correios monta esquema no transporte aéreo

 

- Correio: Eleitor desencantado com a política no DF

 

- Jornal do Commercio: Caixas viram alvo fácil

 

- Zero Hora: Lobby perpetua escândalos no poder federal

 

- Veja: A alegria do polvo

 

- Época: O dinheiro que dá em árvores

 

- IstoÉ: Exclusivo: “Foi uma traição”

 

- IstoÉ Dinheiro: Por que o real forte é bom para a economia

 

- CartaCapital: Exclusivo: Aécio deixará o PSDB

 

- Exame: A Superpetrobras

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h36

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Coisa de pele!

Nani

- Via Nani Humor. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 23h18

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Língua viperina do PMDB ironiza projeto José Dirceu

Dois congressistas malvados do PMDB desperdiçaram um naco de tempo com a análise da palestra que José Dirceu fez a petroleiros, na Bahia.

 

Riram muito do trecho em que o companheiro declarou que a imprensa incorre em “abuso do poder de informar”.

 

Concluíram que o palestrante tem saudades de Cuba.

 

Foram à gargalhada no miolo da teoria 'Dirceuniana': “A eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula, [...] porque a Dilma nos representa”.

 

Acham que, também para o PMDB, a vitória de Dilma, agora enganchada a Michel Temer, será mais importante que o êxito de Lula.

 

Não tomaram a sério o pedaço da palestra companheira que soou assim: “Independentemente de nós termos essa coalizão, o PT é a base dela”.

 

Nesse ponto, um dos pemedebês acionou a língua viperina:

 

"Ou o Zé quis fazer média com a platéia petista ou a Dilma deve ter informado a ele que vai exigir do PMDB que faça voto de pobreza”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h46

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Vídeo expõe constrangimento de Serra em ato de SE

Conforme já noticiado aqui, José Serra participou, na noite desta sexta (17), de um comício na cidade de Itabaiana, em Sergipe.

 

A presença de Serra contrastou com uma ausência. Principal liderança do PSDB sergipano, o deputado Albano Franco absteve-se de dar as caras.

 

Serra foi ao “palanque”, improvisado na corroceria de um carro de som, acompanhado de João Alves (DEM) e Emanuel Cacho (PPS).

 

Para constrangimento de Serra, Emanuel, candidato ao Senado, injetou Albano em seu discurso. Um vídeo com a fala ganhou a web (assista lá no alto).

 

Na peça, Emanuel declara: “Sergipe não pode homologar o que está acontecendo. O seu aliado, Albano Franco, não está no palanque...”

 

“...O seu aliado, Albano Franco, correu do palanque. A política de Sergipe, meus amigos de Itabaiana, está uma vergonha...”

 

“...Albano Franco vota em Dilma Rousseff. Vota em Dilma Rousseff, não vota no presidente da República do partiedo dele”.

 

Contrafeito, Serra cutuca discretamente o ‘demo’ João Alves, como a pedir-lhe que intercedesse para que Emanuel mudasse o rumo de sua prosa.

 

Alves leva a mão ao ombro do orador. Mas, àquela altura, o dito já não podia passar por não declarado.

 

Essa passagem do comício, por emblemática, dá uma idéia do drama vivenciado por Serra.

 

País afora, o presidenciável tucano é alvejado por silvérios de sua coligação.

 

Excetuando-se Geraldo Alckmin, que abre, em São Paulo, generoso espaço para Serra em sua propaganda de TV, candidatos de outros Estados o escondem.

 

Alguns, como Albano, levam a traição às rais do paroxismo. Outros, como Emanuel, cuidam de iluminar a tragédia.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h55

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Dilma escapa do Erenicegate à moda Lula: Não sabia

  Jorge Araújo/Folha
De passagem por Campinas (SP), Dilma Rousseff teve bons e e maus momentos. No pedaço benfazejo da agenda, encontrou-se com o ator Benício Del Toro (foto) e escalou o palanque ao lado de Lula.

 

Na parte desagradável, foi, por assim dizer, açoitada por questões relacionadas ao noticiário sobre o tráfico de influência na Casa Civil.

 

Dilma lidou com o tema à maneira de Lula. Disse que não sabia. Enfeitou o bordão: "Não cheguei a tomar conhecimento”. Criticou os jornais por darem crédito às palavras de Rubnei Quícoli, um lobista que tentou cavar negócios no governo.

 

“Acho estarrecedor que se dê credibilidade a uma pessoa com aquele currículo", disse. De fato, Rubnei não tem propriamente um currículo, mas uma ficha corrida. Carrega nos ombros duas condenações. Já puxou dez meses de cana.

 

A despeito desse histórico, achegou-se a Israel Guerra, filho da recém demitida Erenice Guerra. Pior: Rubnei, “uma pessoa com aquele currículo”, foi recebido na Casa Civil em novembro de 2009, época em que Dilma era ministra.

 

Na pele de candidata, Dilma toma distância de Israel Guerra: "Não tinha nenhum filho da Erenice na Casa Civil. O que tinha lá eram amigos dele. Se esses amigos cometeram algum delito, lamento a indicação deles, lamento profundamente".

 

Chama-se Vinícius de Oliveira Castro um dos “amigos” que Israel convenceu a mão, Erenice, a alojar na ex-pasta de Dilma. Parceiro de traficâncias do filho de Erenice, Vinícius foi exonerado no início da semana.

 

Em sua última edição, ‘Veja’ associa o personagem ao recebimento de propina de R$ 200 mil. Dinheiro vivo, manuseado na Casa Civil. Segundo a revista, a grana brotou de uma operação de compra do medicamento Tamiflu, usado no combate à gripe suína. Negócio de R$ 34,7 milhões.

 

Responsável pela aquisição, o Ministério da Saúde negou que a compra do lote de Tamiflu tenha sido tisnada pelo malfeito. Dilma disse que é preciso investigar. Havendo culpados, que sejam punidos com rigor.

 

Na propaganda eleitoral, Dilma é vendida como superministra. Por vezes, tem-se a impressão de que mandava mais do que o próprio Lula. O marketing fez da candidata uma espécie de coordenadora-geral da República.

 

Uma mulher assim, genial, mãe de todas as gestoras, não condiz com a Dilma cega da Casa Civil. A platéia fica autorizada a se dividir em dois grupos. Num, os que vêem em Dilma uma cínica. Noutro, os que enxergam nela uma banana, incapaz de refrear o ilícito.

 

Em nenhum dos dois casos Dilma é a utopia que 74 milhões de eleitores se dispõem a eleger a próxima presidente da República.

 

José Serra, o principal antagonista de Dilma, tenta, por ora sem sucesso, tirar proveito eleitoral do episódio. Também neste sábado, comentou o suposto pagamento de propina na aquisição de medicamento. Acomodou a encrenca sob os pés de Dilma:

 

"A gente sabe que um esquema como este não é um esquema que se criou a partir de abril. É coisa que vem há muito tempo." Soou como se enxergasse no novo escândalo potencial maior do que via no ‘Fiscogate’:

 

"Muita gente no Brasil não entendeu o que é quebra de sigilo, embora seja grave. Mas todo mundo entende e sabe o que é corrupção e o que é propina". Mirou em Dilma:

 

"Se sabia, é crime. Se não sabia, não é uma boa administradora. [...] Anos e anos com um esquema feito ao lado do gabinete, de distribuição de propina até para a compra de remédios, o que é especialmente mórbido, não dá".

 

O eleitor mais atento talvez não veja em Serra autoridade para fustigar Dilma. À época em que era ministro da Saúde, o tucano viveu experiência análoga. Congressistas penduraram no Orçamento da União verbas para a aquisição de ambulâncias.

 

Descobriu-se que fatia generosa do dinheiro era desviada por uma máfia. Serra chegou a ser filmado, em Mato Grosso, numa cerimônia de entrega de ambulâncias superfaturadas.

 

O "quanto eu levo nisso?" é um defeito congênito de Brasília. Nascida de um canteiro de obras lamacento, a cidade não poderia ter dado em outra coisa. Desde o início, era um lugar propício aos movimentos pesados, um espaço talhado para o trânsito de tratores e outros azares.

 

Dilma e Serra vendem a ilusão de que, eleitos, presidirão o governo. Rodeados de pemedebês e petebês, o mais provável é que sejam presididos.