Anthony Garotinho (PR) desistiu de concorrer ao governo do Rio de Janeiro nas eleições de outubro.
Sua ausência há de preencher uma lacuna na cédula. A felicidade da platéia só não é completa porque Garotinho decidiu candidatar-se a deputado federal.
Move-se escorado numa decisão liminar (provisória), expedida nesta terça (29), pelo ministro Marcelo Ribeiro, do TSE.
O ministro suspendeu uma sentença da Justiça Eleitoral do Rio, que declarara Garotinho inelegível. A suspensão vale até que o plenário do TSE julgue o caso.
Folha Por maioria de votos –7 a 1— o plenário do STF mandou ao arquivo o pedido de intervenção no governo do Distrito Federal.
O pedido havia sido formulado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel (foto) nas pegadas do Arrudagate.
Relator do caso, o presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, votou contra.
Alegou que os malfeitos praticados sob José Roberto Arruda (ex-DEM) receberam respostas adequadas do Executivo e do Legislativo do DF.
Gurgel manifestou-se em sentido contrário. Levantou dúvidas sobre o processo que resultara, em abril, na eleição indireta do governador Rogério Rosso (PMDB).
Revelou que, um dia antes da eleição, nove deputados distritais reuniram-se num hotel de Goiânia, sob os auspício$ de um empresário com negócios no DF.
Recordou que oito dos treze votos que acomodaram Rosso na cadeira de governador vieram da bancada que recebia mesada do governo Arruda.
A despeito da pregação do procurador-geral, só um ministro, Carlos Ayres Britto, votou a favor da intervenção.
"Essa é uma oportunidade excelente para libertar o Distrito Federal das garras de um esquema de enquadrilhamento para assaltar sistematicamente o erário", disse.
Ecoando Gurgel, Ayres Britto disse que as renúncias sucessivas que ocorreram em Brasília –primeiro Arruda, depois o vice Paulo Octávio— “sinalizam um estado de putrefação institucional".
Acrescentou: "República é coisa do povo, não é coisa de um grupo, não é coisa de fulano ou de beltrano".
Endossado por outros cinco ministros, o voto de Peluso prevaleceu. E Lula livrou-se da incumbência de indicar um interventor para o DF.
Depois de levar José Serra ao caldeirão, os morubixabas do DEM submeteram à tribo o nome do novo vice do presidenciável tucano: Índio da Costa (RJ).
Reunidos em convenção, num hotel de Brasília, os 'demos' aclamaram Índio na velocidade de um raio. Ungido, o deputado declarou-se “surpreso”.
E fez um “agradecimento especial” aos caciques de sua taba: o ex-prefeito César Maia e o filho dele, Rodrigo Maia, presidente do DEM.
"Não há como não aceitar uma missão como essa, dada pelo meu partido”, disse Índio. Teve a delicadeza de afagar Serra:
“Tenho também muito orgulho de participar da chapa do homem público mais preparado para dirigir esse país".
Antes, Índio encontrara-se, numa churrascaria de Brasília, com Álvaro Dias (PSDB-PR), o vice que Serra teve de lançar ao mar.
Preterido, Álvaro portou-se com civilidade incomum na selva em que se converteu a coligação pró-Serra. O senador tucano cumprimentou o deputado ‘demo’ (foto no alto).
O tucano José Serra descobriu, nesta quarta, a diferença entre a galinha e o PSC: o Partido Social Cristão também cacareja, mas não bota o ovo.
Dois meses e meio depois de cantar o apoio ao presidenciável tucano, o PSC, em atitude clara como a gema, anunciou a adesão à caravana de Dilma Rousseff.
Deu-se nesta quarta (30), como propalado desde a véspera. Coube ao vice-presidente da legenda, o pastor Everaldo, a formalização da novidade.
Prestigiaram o anúncio expoentes do governismo. Entre eles os presidentes do PT, José Eduardo Dutra; e do PMDB, Michel Temer, candidato a vice na chapa de Dilma (foto lá no alto).
Enquanto traía Serra, em articulações que duraram semanas, o pastor Everaldo, ocupado em ler as pesquisas, não teve tempo de honrar a palavra que empenhara.
Cisca daqui, bica dali, Serra perdeu algo como 20 segundos de propaganda televisiva, agora transferidos para Dilma.
Sérgio Lima/Folha Durou menos de seis dias a candidatura do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a vice-presidente da República.
Indicado na última sexta (25), o senador tucano foi substituído nesta quarta (30) pelo deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ).
Sob risco de perder os três minutos de TV do DEM, Serra fez por pressão o que se negara a fazer por obrigação: levou os cotovelos à mesa de negociação.
Em movimento esboçado na madrugada, trocou Álvaro por Índio, deputado do grupo do ex-prefeito Cesar Maia e do filho dele, Rodrigo Maia, presidente do DEM.
Índio traz na biografia um feito recente: foi o primeiro relator do projeto do Ficha Limpa na Câmara. Fez um bom trabalho.
Na fase final de tramitação da proposta, Índio foi substituído na relatoria pelo deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).
A essência do texto preparado por Índio foi mantida. Cardozo apenas suavizou a proposta, tornando-a mais palatável aos colegas.
Lula Marques/Folha Nos últimos três anos e meio, o PSDB de Tasso Jereissati serviu de escudo para o governador Cid Gomes (PSB) na Assembléia Legislativa do Ceará.
No início do mês, as relações do irmão de Ciro Gomes com o grão-tucano azedaram. E o PSDB cearense experimentou uma súbita metamorfose.
De escudo, o tucanato converteu-se em atiradeira. Aderiu à proposta de abertura de uma CPI para investigar a gestão de Cid no legislativo local.
Curiosamente, a proposta de investigação partiu do deputado estadual Heitor Férrer, cujo partido, o PDT, acaba de aderir à campanha reeleitoral de Cid.
Deseja-se perscrutar as suspeitas que rondam a licitação para a obra de reforma do Castelão, um estádio de futebol que receberá jogos da Copa de 2014.
Para que a CPI saia do papel, são necessárias as assinaturas de 12 deputados. Sozinha, a bancada do PSDB reúne 14 jamegões.
Líder do tucanato na Assembléia, o deputado João Jaime refere-se ao caso como uma “uma questão grave”.
Alheio às alegações do ex-aliado Cid, que nega a ocorrência de malfeitos, Jaime não deixa dúvidas quanto à mudança dos ventos:
“Não podemos colocar tudo para debaixo do tapete”.
O comando da campanha de Dilma Rousseff festejava o êxito de uma articulação que deve impor um novo revés à candidatura de José Serra.
Dono de cerca de 20 segundos de tempo de TV, o nanico PSC (Partido Social Cristão) acertou-se com o governo e desistiu de apoiar Serra.
Pior: em entrevista marcada para esta quarta (30), a legenda deve anunciar o apoio a Dilma.
Embora integre o consórcio partidário que dá suporte congressual a Lula, o PSC aderira a Serra em maio.
No oficial, a legenda atribui a meia-volta à suposta recusa de Serra em considerar a indicação de seu único senador, Mão Santa (PI), para vice da chapa.
No paralelo, os pendores oposicionistas do PSC foram amolecidos pela ascensão de Dilma nas pesquisas e por um acerto com o governo.
A cúpula do partido se queixava da “desatenção” com que vinha sendo tratada pelo Planalto na liberação das emendas orçamentárias de seus 16 deputados.
Além de pão e água, alegava-se que o ministro Alexandre Padilha, coordenador político de Lula, servira um chá de cadeira a um mandachuva do PSC que o visitara.
Nesta terça (29), Padilha trocou o chá por café quente e água fresca. Abriu as portas de seu gabinete para o pastor Everaldo Dias Pereira.
Vice-presidente do PSC, o pastor Everaldo foi ao Planalto acompanhado do líder de Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Numa nota levada ao seu micro-blog, Padilha deu publicidade ao "despacho" com o pastor. Fez questão de pendurar na web uma foto do encontro (veja lá no alto).
Junto com o tempo de TV, o PSC carrega companhias constrangedoras. Em Brasília, a principal liderança da legenda é o “ficha suja” Joaquim Roriz.
A perspectiva de defecção chega num instante em que Serra tenta superar a crise que eletrifica suas relações com o DEM.
O candidato tucano talvez devesse considerar a hipótese de convidar para vice um bom pai de santo. Não rende votos. Mas pode ajudar a espantar a urucubaca urdida em "despachos" inimigos.
Carol Guedes Em conversa que manteve com José Serra na noite passada, Fernando Henrique Cardoso aconselhou o presidenciável tucano a rever a escolha de seu vice.
FHC reunira-se horas antes, num hotel de São Paulo, com integrantes da cúpula do DEM. Recolheu objeções à indicação do tucano Álvaro Dias.
Rodrigo Maia, Jorge Bornhausen e Agripino Maia despejaram diante de FHC um discurso bem ensaiado. Evitaram o uso de vocábulos como rompimento e veto.
Porém, deixaram claro que faltou método à escolha de Álvaro Dias. Ficou entendido que, excluído do processo, o DEM sairia humilhado se o aceitasse.
Na expressão de Agripino Maia, líder do DEM no Senado, era preciso “zerar o jogo”, reabrindo a negociação.
Presidente de honra do DEM, Bornhausen levou à mesa um episódio ocorrido há três meses. Envolveu Pimenta da Veiga (PSDB-MG), ex-ministro de FHC.
Bornhausen contou que, ao ser informado de que o nome de Pimenta era cogitado para ocupar a vice de Serra, tocou o telefone para ele.
Perguntou a Pimenta se estava mesmo “no páreo”. Ouviu do interlocutor uma resposta negativa. Lamentou.
Segundo o relato feito a FHC, Bornhausen disse a Pimenta que, mercê das boas relações que mantém com o DEM, seu nome seria uma boa alternativa.
O caso foi rememorado a pretexto de esclarecer a FHC que, embora preferisse a escolha de um vice de seus quadros, o DEM não se opunha à chamada chapa “puro-sangue”, só de tucanos.
O que o parceiro do PSDB não digere é o fato de o nome de Álvaro Dias lhe ter sido apresentado como um prato feito.
Pior: o DEM soube do desfecho por meio de uma mensagem levada ao micro-blog por Roberto Jefferson, presidente do PTB.
Acionado por Serra para dobrar a tribo ‘demo’, FHC saiu da reunião convencido de que Álvaro Dias tornara-se um problema, não uma solução. Levou suas apreensões a Serra.
Pelo telefone, um dos mandachuvas do DEM foi informado, no início da madrugada desta quarta (30), que FHC aconselhara a Serra a revisão da escolha.
Esperava-se que Serra abrisse mão de Álvaro Dias antes do raiar do Sol. Algo que não havia ocorrido até o horário em que esse texto foi redigido: 2h40.
Além de FHC, participaram da reunião com os 'demos' outros dois tucanos: o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e o líder do partido na Câmara, João Almeida (BA).
À noite, já em Brasília, Rodrigo Maia avistou-se com parlamentares do DEM. Relatou o teor da conversa inconclusiva de São Paulo.
A despeito de arrostar uma gripe que evoluíra para a febre, o presidente do DEM disse que ficaria de prontidão na madrugada, à espera de novidades.
Trava-se uma corrida contra o relógio. O DEM realiza nesta quarta sua convenção nacional. O edital de convocação prevê o início para as 8h e o término para as 13h.
Deve começar mais tarde. E quanto ao encerramento? “Posso empurrar a convenção até a meia-noite”, disse Rodrigo aos seus pares.
Pela lei, a definição do partido não pode passar de hoje. Nas palavras de Rodrigo, “se possível”, o DEM vai ratificar a coligação com Serra.
Sob o condicional, esconde-se um par de desejos do DEM: 1) que Serra abra mão de Álvaro Dias; 2) que escolha, “se possível”, um vice 'demo'.
No final da noite, o ministro petista Alexandre Padilha, coordenador político de Lula, levou ao micro-blog uma má notícia para Serra. Anotou:
“Agora já posso falar. Quero parabenizar o senador Osmar Dias pela decisão de ser candidato a governador no Paraná. Agora SOMOS TODOS OSMAR!!!”
Filiado ao PDT, Osmar Dias dizia, até a véspera: se o irmão Álvaro Dias fosse confirmado na vice de Serra, disputaria o Senado coligado com o PSDB-PR.
Mudou de ideia depois de uma conversa com o ministro Carlos Lupi (Trabalho), mandachuva do PDT. Osmar vai à corrida pelo governo paranaense coligado ao PT e ao PMDB.
Serra optara por Álvaro Dias sob a alegação de que, com ele, atraía Osmar e implodia o palanque de Dilma Rousseff no Paraná. O argumento virou pó.
Se refugar o conselho de FHC, o presidenciável tucano talvez não perca o horário de TV do DEM. Mas terá do seu lado um “aliado” absolutamente desmotivado.
ChristopheScianni/TSE Em resposta a consulta feita pelo PPS, o TSE pôs ordem nos palanques eletrônicos dos presidenciáveis nos Estados.
Por seis votos a um, o tribunal decidiu que os presidenciáveis não podem aparecer nos programas de partidos que tenham alianças regionais diferentes da nacional.
É o caso, por exemplo, da coligação que dá suporte à candidatura de Fernando Gabeira ao governo do Rio.
Filiado ao PV de Marina Silva, Gabeira associou-se a três legendas que dão suporte nacional a José Serra: PSDB, DEM e PPS.
Levada ao pé da letra, a decisão do TSE impede que as vozes e as imagens de Marina e Serra sejam levadas ao ar no programa eleitoral de Gabeira.
O mesmo raciocínio deve valer para Jarbas Vasconcelos, candidato do PMDB ao governo de Pernambuco.
Na disputa nacional, o PMDB fechou com Dilma Rousseff, indicando para vice o presidente da legenda, Michel Temer.
No plano estadual, Jarbas coligou-se ao bloco de legendas que apóiam Serra. Assim, também não poderia exibir o presidenciável tucano na propaganda televisiva.
A resposta do TSE à consulta do PPS deixou o tucanato em polvorosa. Dirigentes do partido estavam especialmente inquietos com o caso de São Paulo.
Ali, o tucano Geraldo Alckmin concorre ao governo do Estado a bordo de uma coligação que inclui o PMDB de Orestes Quércia.
Dissidente do PMDB federal, Quércia disputa uma cadeira no Senado fechado com a oposição. Algo que, no limite, pode impedir Alckmin de trombetear Serra na TV.
Com uma coligação menor que a de Dilma, Serra terá menos tempo de TV –40% para ela, 29,5% para ele. Contava com a “vitamina” regional para equilibrar o jogo. Deu chabu.
Submetido a uma ração diária de futebol, o Brasil se desliga do resto.
Interessa mais a posição das seleções na tabela da Copa do que o vaivém do Datafolha.
O barulho seco dos chutes na Jabulani torna vago e longínquo o eco dos sopapos verbais trocados entre Serra e Dilma.
A dupla continuará no noticiário. Ele com seu dilema hamletiano: criticar ou não criticar? Ela com sua nova identidade: Lulilma Roussilva. Porém...
Porém, qualquer notícia que não venha da África do Sul gotejará tédio.
Daí a decisão do signatário do blog de tomar chá de sumiço por duas semanas.
Férias? Não propriamente. Uma missão patriótica convida à renúncia dos planos de recesso.
O repórter vai se dedicar à articulação da quarta via.
Algo que ofereça ao país uma alternativa ao “Brasil pode mais” com o ex-PFL. Ou à “continuidade com mudança” e mais PMDB.
Não se trata de um gesto solitário. Há mais gente envolvida no movimento: um petista de esquerda e um tucano erudito.
Havia uma terceira pessoa, egressa do velho MDB. Mas morreu de desgosto ao saber que o Simon apresentara o Requião como herói da resistência à ala do Temer.
A ideia da quarta via nasceu numa reunião secreta. Partiu de uma evidência: do mato da sucessão não sairá coelho. Só quércias, sarneys, jáderes e outros bichos.
Depois de muitas horas de discussão, o tucano erudito sugeriu que o grupo buscasse uma solução à Ricardo III.
Pouco afeito aos dramas shakespearianos, o petista de esquerda fez cara de desentendido. Ricardo o quê?
E o tucano erudito, em tom professoral: Ricardo III foi quem, vendo-se a pé e cercado por inimigos, gritou: “Meu reino por um cavalo!”
O repórter recordou Incitatus, o cavalo de Calígula, que, segundo Suetônio, tinha 18 criados, ganhou estátua de mármore e virou senador em Roma.
O representante do velho MDB, ainda vivo no dia da reunião, abespinhou-se: Nós aqui, nesse mato sem cachorro, e vocês fazem piada. Ora, francamente!
O petista de esquerda saltou da cadeira: O cachorro! É isso. A solução é o cachorro! Nascia ali o candidato da quarta via.
Em verdade, um “cãodidato”: Nêgo (foto lá do alto). Um animal com pedigree, labrador de boa estirpe.
Fez companhia a José Dirceu nos áureos tempos da Casa Civil. Ao assumir, Dilma herdou de Dirceu, além do cargo, o carro oficial, a casa e o cachorro.
A despeito da convivência insalubre, Nêgo atravessou os dois mandatos de Lula sem que seu nome fosse envolvido em escândalos. Não sujou as patas no mensalão.
Contatado pelo petista de esquerda, Nêgo entusiasmou-se com a oportunidade de apresentar o seu nome à consideração dos eleitores.
Acha-se pronto para farejar novas ideias e sair à caça de votos. Soa decidido: Chega das velhas raposas. Basta de hienas. Abaixo tucanos e vacas de presépio.
Num instante em que se descobre que o PV de Alagoas, à revelia de Marina ‘Terceira Via’ Silva, apoia a reeleição do Renan para o Senado, emerge a pergunta: Por que não Nêgo?
Pois bem, nas próximas duas semanas, aproveitando-se do circo da Copa, o repórter vai coordenar a elaboração do programa de governo da quarta via.
Aceitam-se sugestões. Por ora, o "cãodidato" definiu apenas um tópico: vai manter e aperfeiçoar o Bolsa Família. Enganchará no programa o Bolsa Ração.
Até a volta.
- Em tempo: Blog é como delegacia de política. Não fecha nunca. Assim, o repórter virá aqui, de raro em raro, para atualizar as mensagens envidas pelos 22 leitores, renovar as manchetes e, eventualmente, a charge.
Última cidadela do ex-PT, o Maranhão tornou-se démodé. A ideologia do petismo local saiu de moda. Lula a substituiu por um modelito prêt-à-porter.
O chique agora não é a ética incondicional, mas a moral de conveniência eleitoral. Num ambiente assim, coerência é como cabide em casa de nudista.
Em vez de resistir, gente como o deputado Domingos Dutra (PT-MA) deveria ajustar-se aos novos tempos.
Interessado em ajudar, o signatário do blog, um formador de opinião em decadência, relaciona cinco ajustes a que os teimosos precisam se submeter:
- Coisas que o PT do Maranhão não precisa mais fazer:
1. Lembrar que Lula já chamou Sarney de ladrão.
2. Vestir a camiseta de Che Guevara.
3. Cultivar a barba.
4. Ler Neruda.
5. Honrar pai e mãe.
- Coisas que o PT do Maranhão é obrigado a fazer:
1. Rezar pelos Sarney antes de dormir.
2. Procurar uma camiseta da Roseana.
3. Aderir ao bigode.
4. Ler Marimbondos de Fogo.
5. Honrar pai, mãe, tios, tias, sobrinhos, sobrinhas, filhos, filhas, netos, netas, namoradas dos netos e namorados das netas com cargos públicos.
Para facilitar a adaptação, o repórter sugere ao petismo maranhense três dias e três noites de audição de boa música. Aqui, a Rádio Iraniana Tradicional.
Se não funcionar, recomenda-se atear fogo às vestes. Com o cuidado de se despir antes de riscar o fósforo.
Nesta segunda (14), em viagem ao interior de Minas, Lula voltou a falar a respeito da acusação de que pesa contra a campanha da pupila Dilma Rousseff.
Contra as evidências que apontam para a reedição das “alopragens” de 2006, o presidente defendeu os seus acusando os outros:
"Vocês nunca viram numa campanha minha qualquer jogo rasteiro. Agora, tem gente que é especialista nisso no Brasil e vocês sabem quem são. Não somos nós...”
“...A história de dossiê não nasceu dentro do PT. Eu acho que cada um faz a campanha que acha que deva fazer, cada um faz o discurso que acha que deva fazer. Cada um planta o que quer e colhe, muitas vezes, o que não quer".
Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Recrutados por Ricardo Berzoini, os “aloprados” de 2006 integravam um tal núcleo de “inteligência” da campanha de Lula.
Os “neo-aloprados” de 2010 frequentavam a equipe de comunicação do comitê de Dilma, em fase de reestruturação.
Se quiser ser tomado a sério, Lula terá de trazer aos holofotes algo além de desconversa.
Ricardo Stuckert/PR Expira nesta terça (15) o prazo para que Lula decida o que fazer com o projeto que concedeu 7,72% de reajuste a cerca de 8,5 milhões de aposentados.
De passagem pelo município mineiro de Queluzito, Lula fez declarações dicotômicas sobre o tema. Numa, insinuou que vai vetar o reajuste.
Noutra, deixou no ar a impressão de que pode chegar a um meio termo que ofereça vantagens em relação aos 6,14% que o governo propusera ao Congresso.
"Não pensem que eu me deixarei seduzir por qualquer extravagância que alguém queira fazer por conta do processo eleitoral”, disse primeiro.
“Minha cabeça não funciona assim. A eleição é uma coisa passageira e o Brasil não jogará fora no século 21 as oportunidades que jogou fora no século 20".
Depois, emendou: "[...] Todo mundo sabe o carinho que eu tenho pelos aposentados brasileiros. Vou fazer aquilo que eu achar que é melhor para o Brasil, para os aposentados...”
“...Eu não vou estragar minha relação com os aposentados, não vou estragar minha relação com ninguém".
A decisão de Lula está tomada. No contato com os repórteres, porém, preferiu as declarações que alimentam o suspense.
Agência Senado Eduardo Pinho Moreira, do PMDB, renunciou à sua candidatura ao governo de Santa Catarina. Anunciou apoio a Raimundo Colombo (foto), candidato do DEM.
A novidade foi anunciada, sob atmosfera de reviravolta, em cerimônia realizada nesta segunda (14), na Assembléia Legislativa catarinense.
Espera-se agora por uma manifestação do governador tucano Leonel Pavan. Ele se insinuava como candidato do PSDB. Deve dar meia-volta.
Se confirmada, a saída de cena de Pavan viabilizará algo que parecia improvável: a reedição da chamada tríplice aliança catarinense.
Juntos, PMDB, PSDB e DEM voltariam a formar no Estado um palanque único, franqueando-o ao presidenciável José Serra.
Pinho Moreira associa-se a Colombo uma semana depois de se reunir, em Brasília, com a rival de Serra, Dilma Rousseff.
Retornara a Santa Catarina como que decidido a se compor com Dilma. Iria às urnas como “segundo palanque” da petista. O primeiro seria o de Ideli Salvatti (PT).
Súbito, depois de realizar consultas no partido, Pinho Moreira retornou ao leito da oposição.
“É normal que houvesse um recuo. Então, nesta hora eu recuo e apoio a candidatura de Colombo. Esta é uma decisão tomada depois de exaustivas conversas”, disse.
“Vamos fazer uma aliança com objetivo de ajudar Santa Catarina. Este é um momento de união e, juntos, somos mais fortes”, ecoou Colombo.
Jamil Bittar/Reuters Pilhado em ligações perigosas com um contrabandista chinês, Romeu Tuma Júnior saíra em férias no mês passado.
Disse que retornaria à Secretaria Nacional de Justiça quando estivesse “moreninho”. Em verdade, já estava bem passado.
Nesta segunda, o ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça) encaminhou a Lula o pedido de exoneração do secretário.
Em nota oficial, informou-se que, para o ministro, “estando fora do cargo que atualmente ocupa, Tuma Júnior poderá melhor promover sua defesa”.
Defende-se numa sindicância ministerial, na comissão de ética da Presidência e num inquérito da Polícia Federal.
Entre as suspeitas que o rondam estão: regularização de imigrantes ilegais e intervenção para liberar mercadoria ilegal apreendida. Ele nega os malfeitos.
Na mesma nota em que comunica a demissão, o ministro da Justiça afaga Tuma Júnior. Elogia-lhe os “excelentes trabalhos prestados”.
Excelentes trabalhos? Ou o ministro receia pela reação do auxiliar deposto ou traz na alma a convicção de sua inocência. A primeira hipótese desmerece o ministro. A segunda desmoraliza a demissão.
Há dois meses e meio no cargo, o ministro Luiz Paulo ainda não se deu conta de que, em meio a certos barulhos, o silêncio é o melhor amigo do homem.
Oficializado como candidato sem definir o nome do vice, José Serra convive com a perspectiva de inaugurar uma crise em sua coligação.
Em privado, Serra torce o nariz para a hipótese de acomodar um político do DEM em sua chapa. Revela preferência pela escolha de um tucano.
Aliado tradicional do PSDB, o DEM farejou o cheiro de queimado. E ameaça reagir caso venha mesmo a ser preterido.
O único tucano que a tribo ‘demo’ aceitaria de bom grado seria Aécio Neves, que já refugou a incumbência. Qualquer outro resultará em encrenca.
É crescente a irritação dos caciques da tribo ‘demo’ com o estilo de Serra. Tacham-no de “centralizador”. Acusam-no de conduzir uma campanha “solitária”.
Enquanto Serra esteve à frente nas pesquisas, as diferenças foram escamoteadas. A subida de Dilma Rousseff içou-as à superfície.
“Se tivéssemos um nome alternativo, já teríamos mandato o Serra para aquele lugar”, disse ao repórter um dirigente do DEM, com a irritação à flor da pele.
As queixas alcançam da organização da agenda do candidato à demora na resolução de pendências regionais. No topo, a definição do vice.
“Para não acrescentar problemas a uma campanha já problemática, temos evitado a crítica pública. Mas o Serra não ajuda”, aditou o ‘demo’ queixoso.
O DEM não é um partido uniforme. Em meio à irritação, há os que empunham panos quentes. É o caso de José Agripino Maia, líder do DEM no Senado.
Em privado, Agripino advoga a tese de que, mediante uma negociação bem conduzida, seu partido pode digerir um vice tucano.
O problema é que as vozes da ponderação, como a de Agripino, vão sendo sufocadas pela algaravia que vem dos subterrâneos da legenda.
Presidente do DEM, o jovem deputado Rodrigo Maia (RJ) afastara-se de Jorge Bornhausen (SC), o antecessor da velha guarda que patrocinara sua ascensão.
Súbito, Rodrigo e Bornhausen encontraram na questão do vice um ponto de contato. Os grupos de ambos pegam em lanças pela escolha de um nome do partido.
A reaproximação das duas alas é sintomática. Serra não morre de amores por Rodrigo, que preferia a candidatura presidencial de Aécio Neves à dele.
Mas Bornhausen, atraído pelo prefeito ‘demo’ de São Paulo, Gilberto Kassab, achegara-se a Serra. E operava afinado com ele.
Entre as pendências regionais que se acumularam sob Serra está a Santa Catarina de Bornhausen. Ali, o DEM disputará o governo com o senador Raimundo Colombo.
E o governador Leonel Pavan, do PSDB, demora-se em apoiá-lo. Pior: Pavan cultiva a própria candidatura, a despeito de Colombo estar mais bem-posto nas pesquisas.
No plano nacional, o DEM admitira ceder a vice a Aécio em respeito à lógica. Adensaria a chapa. E renderia votos em Minas, o segundo colégio eleitoral do país.
O mesmo não se dá, alegam os ‘demos’, com outros tucanos que desfilam pelo noticiário como opções de Serra –Sérgio Guerra e Álvaro Dias, por exemplo.
O que se diz é que as opções do DEM –José Carlos Aleluia (BA) e o próprio Agripino—nada deixam a dever a nomes como o de Guerra e Dias.
O DEM marcou sua convenção nacional para 27 de junho. A pauta contém dois tópicos: a aprovação da coligação com o PSDB e a homologação do vice.
“Impossível dissociar uma coisa da outra”, diz, em timbre de ameaça, o mandachuva do DEM que conversou com o repórter.
“Os convencionais não ficarão confortáveis em aprovar a aliança com um partido que nos trate como aliados de segunda classe”.
Entre os tucanos, diz-se que, em parte, a demora na definição se deve à necessidade de aguardar pela definição do PP. Algo que tonifica o mal-estar do DEM.
Presidente do PP e primo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (RJ) é um dos nomes que Serra leva ao rol dos vices. Em jogo, um minuto e meio de tempo de TV.
O diabo é que Dornelles se equilibra entre duas posições. A pessoal, favorável à “neutralidade”, e a da maioria de seu partido, adepta de uma aliança com Dilma.
A hipótese de o PP cair no colo de Serra é, hoje, uma improbabilidade concreta. Mas, ainda que houvesse chances, o DEM levaria o pé atrás.
Pai de Rodrigo Maia e amigo de Serra dos tempos de exílio no Chile, o ex-prefeito carioca Cesar Maia trata a opção Dornelles como inaceitável.
Entre quatro paredes, Cesar Maia argumenta que o DEM entrega a Serra uma vitrine televisiva mais vistosa que a do PP. Coisa de três minutos. Assim...
José Serra jacta-se de ter popularizado, como ministro da Saúde de FHC, os medicamentos genéricos.
Pois bem, condutor de sua própria sucessão, Lula impõe a Serra um genérico de si mesmo. Reforçou a tática neste domingo (13).
Ao discursar na convenção nacional do PT, Lula recordou que não poderá disputar a eleição presidencial.
“Vai haver um vazio naquela cédula”, disse, em timbre emocional. “Para que o vazio seja preenchido, eu mudei de nome e vou colocar a Dilma lá".
Hiper-popular, o ‘cabo eleitoral’ não poderia ter soado mais explícito: em 2010, Lula se chama Dilma, Rousseff virou Silva.
Estrela de um encontro em que a candidata deveria brilhar sozinha, Lula cuidou de associar a oposição à baixaria e à falta de discurso:
"Esperamos que os nossos adversários estejam dispostos a fazer uma campanha para discutir programa e não façam jogo rasteiro para discutir dossiê todo dia".
Enveredou por um faz-de-conta que ignora os fatos. A usina de dossiês foi reaberta nos porões do comitê de sua candidata.
Como que decidido a desconversar, Lula dirigiu a Dilma e ao vice dela, o pemedebê Michel Temer, um pedido de calma:
"O bicho vai pegar. A tranquilidade de vocês é o que vai garantir que a gente ganhe as eleições".
Em resposta a Serra, que na véspera pespegara em sua pupila a pecha de “paraquedista”, Lula realçou a passagem de Dilma pelo governo.
Disse que sua ex-ministra, cristã nova no PT e noviça em urnas, acumulou "conhecimento e experiência". Afirmou que ela sabe selecionar mão-de-obra:
"A companheira sabe montar equipe, e o milagre da governança é você saber montar a equipe".
No mais, Lula envernizou a gestão que, segundo diz, Dilma vai continuar. Entre 2003 e 2010, “14 milhões de empregos”...
...Mais universidades, mais escolas técnicas, nova classe média, economia estável e PIB em alta. “Este país mudou”, disse.
Por último, um recado à militância: “Humildade”. Nada de “já ganhou”. Atenção máxima: “Não existe eleição fácil”.
Alheia aos ataques do Serra da véspera, Dilma pronunciou um discurso assentado em dois pilares: o programa e o apelo ao voto feminino.
Coube à periferia petista rebater Serra. Ele “saiu do armário”, disse o ministro Alexandre Padilha (Articulação Política). Revelou-se, afinal, o “anti-Lula”.
“Vejo uma frase do candidato da oposição que diz 'comigo o povo brasileiro não terá surpresas'”, ecoou o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
“É verdade, o povo brasileiro não teria surpresa porque já conhece o fracasso do governo que ele participou", completou Dutra, grudando FHC em Serra.
E Dilma: "Chegou a hora de uma mulher comandar o país". Não uma Marina Silva qualquer.
"Uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula, mas que vai governar com a alma e coração de uma mulher".
Como Lula, ela ignorou a reedição abortada da ‘alopragem’ de 2006. “Nessa campanha, vamos debater em alto nível, confrontar projetos e programas...”
“...Vamos mostrar que somos diferentes dos outros candidatos. Mas, depois de eleitos, governaremos para todos os brasileiros, sem exceção".
O apelo ao voto feminino é inspirado nas pesquisas. Empatada com Serra em 37% na média geral, Dilma perde para o rival entre as mulheres.
De resto, para assegurar a super-dosagem de Lula, a convenção foi embalada ao som de um jingle que gruda o cabo eleitoral à candidata.
Num trecho: “Lula tá com ela/Eu também to/Veja como o Brasil já mudou/Mas a gente quer mais/Quer mais e melhor/É com a Dilma que eu vou”.
Noutro: “Lula tá com ela/Eu também to/Veja como o Brasil já mudou/Mas a gente quer mais/Quer mais e melhor/É com a Dilma que eu vou”.
É improvável que Serra faça do ataque a Lula a prioridade de sua campanha. Deve concentrar-se em Dilma.
Na convenção deste domingo, Lula serviu o antídoto: “Eu mudei de nome”. É como se dissesse: Bateu nela, bateu em mim.
Ele se chama José Adalberto Vieira da Silva. Ganhou fama nacional em 8 de julho 2005, ao ser preso no aeroporto paulistano de Congonhas.
Era, à época, assessor do PT. Levava consigo quase meio milhão de reais. Uma parte, na cueca. Coisa de US$ 100,5 mil.
Pois bem, decorridos cinco anos, José Adalberto reivindica na Justiça a devolução da grana, ainda retida.
A repórter Andreza Matais encontrou o homem da cueca. Em notícia veiculada na Folha, ela relatou o que viu e ouviu.
Achou-o no interior do Ceará, na cidade de Aracati. Mora em casa modesta, assentada numa rua de terra batida.
Depois de 17 anos de serviços prestados, José Adalberto perdeu o emprego de assessor parlamentar do PT.
Para prover o sustento, abriu um negócio: uma pequena mercearia. Vende de farinha a chinelos.
O flagrante de Congonhas rendeu-lhe um processo, ainda inconcluso. Frequenta os autos companhia de outros nove suspeitos.
Como ninguém se anima a assumir-se como dono do dinheiro de má origem, José Fernando cuidou de reivindicá-lo para si.
Levou o ervanário ao seu Imposto de Renda. "Declarei porque entendi que tinha que declarar, afinal de contas o dinheiro estava comigo, não pertence a ninguém”.
E quanto à origem? “Declarei como sendo uma doação e pronto. Ninguém vai ouvir da minha boca quem é o doador. Sobre isso não falo".
A Receita Federal multou-o em R$ 200 mil. "Não paguei. Meus advogados recorreram, mas até agora a Receita não se manifestou sobre o recurso".
Em depoimento à polícia, José Adalberto saíra-se, na época, com uma alegação rota. Dissera que o dinheiro viera da venda de hortaliças.
Depois, refez o depoimento. Em nova versão, afirmara que recolhera os maços de notas com um amigo chamado João Moura.
O Ministério Público sustenta outra coisa. Era propina, provida por empresários bafejados com facilidades na obtenção de empréstimos no Banco do Nordeste.
Ouvidos, todos os suspeitos negam o malfeito. Na expectativa de reaver os recursos, José Adalberto capricha no mistério:
"Sobre o dinheiro, é uma questão que eu ainda tenho dificuldades de falar, até para um psicólogo. É uma coisa minha, de foro íntimo”.
Tenta reescrever a crônica: “Não estava na cueca, mas no cós da calça”. Reconhece que prega no vazio:
“Também, que diferença faria se eu tivesse guardado o dinheiro de qualquer outra forma?...”
“...Estando comigo naquela circunstância, sendo quem eu era, o estardalhaço teria sido o mesmo".
Enquanto espera pela devolução da “doação” que “não pertence a ninguém”, José Adalberto faz um pedido:
"Gostaria que todo mundo me esquecesse”. Difícil, muito difícil, dificílimo. Tornou-se um desses personagens inesquecíveis da era Lula.
Deu-se o esperado. Reunida neste sábado (12), a convenção nacional do PMDB ungiu Michel Temer e a aliança com a candidatura petista de Dilma Rousseff.
Dissidentes notórios, Orestes Quércia (SP) e Jarbas Vasconcelos (PE), ambos fechados com José Serra, não deram as caras.
Candidatos de brincadeira, Roberto Requião (PR) e Antonio Pedreira (DF) foram enquadrados no voto.
Desceram à urna da convenção os votos de 473 delegados. Como alguns deles votam mais de uma vez, contaram-se 660 cédulas.
A aliança com o PT e indicação de Temer para vice de Dilma prevaleceu com 560 votos. A pseudocandidatura de Requião somou 95 votos. A de Pedreira, quatro.
Anotado o resultado, foi ao palco Dilma Rousseff. Discursou: "Vamos prosseguir realizando todas as conquistas do governo do presidente Lula".
Afagou Temer. Disse que o neo-parceiro "sintetiza a força democrática" do PMDB. Temer retribuiu:
"Desde o primeiro encontro disse: 'que coisa extraordinária é a competência dessa ministra".
De resto, Temer falou para o público interno. Fez uma dessas declarações que tem cheiro de cargo:
"O PMDB não será coadjuvante. O PMDB será protagonista principal, ator principal... vamos ter uma presença como parceiro neste governo".
Para contrabalançar, pronunciou uma frase, digamos, programática:
"O PMDB não está fazendo um ajuntamento de pessoas. O PMDB está fazendo um ajuntamento de ideias."
Também neste sábado, o PDT ratificou, em convenção realizada na cidade de São Paulo, a coligação com o PT de Dilma.
Em campanha há quase 90 dias, José Serra não gastou um minuto sequer na oposição a Lula.
Pois neste sábado (12), na convenção nacional do PSDB, Serra como que tirou o atraso.
Em 45 minutos de discurso, comparou Lula ao monarca absolutista francês Luis ‘L'État C'est Moi’ 14.
Insinuou que o presidente patrocina a candidatura de uma paraquedista, gere um governo tomado por “patotas corporativas” e elogia ditadores.
Mencionou, pela primeira vez, o mensalão, escândalo que sacudiu o primeiro mandato de Lula e levou 40 ao banco de réus do STF.
O surto oposicionista de Serra ocorre nas pegadas do noticiário sobre a malograda tentativa do comitê rival de compor um grupo para espioná-lo.
Até aqui, o candidato tucano vinha se esquivando das críticas a Lula. Só levava à alça de mira Dilma Rousseff.
Críticas ao governo, só pontuais: os juros altos, o câmbio sobrevalorizado.
Na maioria das entrevistas, a promessa de manter o que “está funcionando” e “aperfeiçoar” programas como o Bolsa Família.
O “novo” Serra teve o cuidado de não citar nomes. Mas, tomadas pelo contexto, suas frases tiveram endereço.
“Nós acreditamos na democracia, e essa não é uma crença de ocasião”, Serra iniciou. Na sequência criticou o personalismo de Lula.
Foi nesse ponto que citou Luis 14, o soberano do “Estado sou eu”.
Serra disse que o tempo dos governantes acreditavam personificar o Estado “ficou pra trás há mais de 300 anos”.
“Luis 14 achava que o estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses assim".
A seguir, uma estocada em Dilma. Coisa indireta, mas forte. Insinuou que a rival, sem votos próprios, caiu na campanha de “paraquedas”.
Pôs-se, então, a realçar a própria biografia: "Eu não comecei ontem, eu não caí de paraquedas...”
“[...] Fui quase tudo: secretário de Estado, deputado constituinte, deputado federal, senador...”
“...Ministro duas vezes, prefeito, governador. Tenho a honra e o orgulho de ter recebido, em minha vida, mais de 80 milhões de votos".
Uma crítica ao estilo que o tucanato atribui ao PT de Lula e Dilma: "Não tenho esquemas, não tenho máquinas oficiais, não tenho patotas corporativas...”
“...Não tenho padrinhos, não tenho esquadrões de militantes pagos com dinheiro público. Tenho apenas a minha história de vida, minha biografia e minhas ideias".
De volta a Lula, fez ressalvas às relações dele com governantes estrangeiros de reputação controversa. Disse que valoriza os direitos humanos. E vergastou:
“Não fica bem contiuamente elogiar ditadores de todos os cantos do planeta. Só porque esses ditadores são aliados do partido do governo”.
Fez, então, alusão às relações promíscuas do governo com o Legislativo: "Acredito no Congresso Nacional como a principal arena do debate e do entendimento político...”
Palco “...da negociação responsável sobre as novas leis, e não como arena de mensalões, compra de votos e de silêncios".
Nos próximos dias, vai-se saber se o Serra de timbre mais azedo é um fenômeno de convenção ou se veio pra ficar.
O Lula das últimas 72 horas revelou-se um cabo eleitoral otimista com o futuro de sua candidata.
Em diálogos privados, elogiou o desempenho de Dilma Rousseff. Acha que sua pupila “parou de errar”.
Melhor: na sua avaliação, o rival José Serra se “atrapalhou”. Mencionou a demora na escolha do vice e a falta de discurso.
Em diálogo ocorrido nesta sexta (11), Lula discorreu sobre o papel que pretende exercer na sucessão.
Afirmou que fará por Dilma mais do que faria se fosse ele próprio o candidato. Toma a disputa de 2010 como uma “questão pessoal”.
Na véspera, em outra conversa, dissera que enxerga na vitória de Dilma o “coroamento” de sua gestão. Daí o empenho.
Revelou que vai encomendar à assessoria uma pesquisa. Lula quer saber quantos presidentes antes dele conseguiram “fazer o sucessor”.
Acredita que, no seu caso, a sucessora será feita. Enalteceu o comportamento do PT. A seu juízo, o partido adquiriu “maturidade”.
O amadurecimento ficou evidente, segundo Lula, em dois movimentos. Num, o petismo de Minas foi ao palanque de Hélio Costa (PMDB).
Noutro, o PT federal impôs à seccional do Maranhão o apoio a Roseana Sarney (PMDB).
No dizer de Lula, o PT se deu conta de que, para obter o “prioritário” –a eleição de Dilma— é preciso abrir mão do “secundário” –os interesses regionais.
Lamentou a presença de Marina Silva (PV) na cédula eleitoral. Receia que a ex-petista e ex-ministra de seu governo empurre a eleição para o segundo turno.
Do seu ponto de vista, o ideal seria um embate de round único. Mas decidiu sublimar a contingência. Não se pode controlar tudo, disse.
Acha que, de um modo ou de outro, Dilma prevalecerá sobre Serra. Atribui especial relevo ao cenário econômico.
Animou-o o crescimento do PIB do primeiro trimestre de 2010 –9%, na comparação com o mesmo período de 2009.
A despeito das providências que o governo terá de adotar para trazer o crescimento anual para a casa dos 6%, imagina que a percepção de prosperidade ajudará Dilma.
Lula se diverte com o esforço de Serra para poupá-lo de críticas. Declarou que, nos próximos meses, vai virar uma “pedra no sapato” do candidato tucano.
Pretende iluminar a “inconsistência” do discurso alternativo. Como? Dirá que a continuidade do gestão aprovada por 76% dos eleitores se chama Dilma, não Serra.
Tomado pelas declarações feitas nas horas que antecedem a convenção deste domingo (13), na qual o PT ratificará Dilma, Lula se imagina o pêndulo da balança.
Numa eleição acirrada, o presidente se auto-atribui, sem “falsa modéstia”, a condição de "fator de desequilíbrio".
Disse que, munido de pareceres dos advogados, entre eles uma avaliação verbal do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), vai à campanha sem amarras.
Planeja executar um enredo que o distancia do papel de magistrado. Na TV e nos palanques estaduais, agirá como um cabo eleitoral explícito.
Beto Macário/Especial para o UOL Na política, você bem sabe, não há culpados. Só há inocentes e cúmplices. Assim é que, em Alagoas, o PV apoia a reeleição de Renan Calheiros (PMDB) ao Senado.
Repetindo: Em Alagoas, o PV preferiu Renan a Heloísa Helena, que tenta uma cadeira ao Senado pelo PSOL.
Nesta sexta (11), de passagem por Maceió, Marina Silva, a presidenciável do PV, viu-se compelida a fazer ginástica verbal.
Marina foge de Renan. Cultiva um instinto de sobrevivência próprio de quem veio dos fundões do Acre.
Não bastasse o fato de Renan coabitar o mesmo palanque de Dilma Rousseff, Marina é amiga de HH. Assim, declarou-se fechada com ela:
“Com certeza eu a apóio, quero que ela volte ao Senado com apoio do povo alagoano. Para nós, brasileiros, é motivo de orgulho tê-la como senadora”.
E quanto à insensatez dos verdes alagoanos? “Temos algumas especificidades nos Estados, que estão sendo tratadas pelo diretório nacional”.
Especificidades!?!?! Marina prosseguiu: “Mas isso não interfere no projeto nacional. Espero que, em Alagoas, a aliança seja com o povo”.
Então, ficamos assim. Lavrem-se as atas. E não se fala mais nisso.
Pena não existir no país um instituto nacional de proteção à paciência alheia. Se existisse, enviaria à Anistia Internacional uma grave denúncia.
Relataria a violência a que são submetidos os sacos dos brasileiros. Dedicaria um capítulo especial ao PMDB.
Como se sabe, convenção do PMDB sem confusão é como palhaço sem colarinho grande. Não tem graça.
Pois bem, haverá nova convenção neste sábado (12). O resultado é conhecido: Michel Temer será ratificado como candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff.
A despeito de o jogo estar jogado, Roberto Requião decidiu encenar o forrobodó da vez. Foi ao picadeiro como presidenciável.
Registrou a “candidatura”, convertendo-se em casa único: a primeira piada a pleitear o Planalto.
A Executiva do PMDB cogitara arquivar Requião de véspera. Abespinhado, o excluído avisou que iria ao Judiciário.
Mexe daqui, remexe dali, a caciquia do partido preferiu ceder ao capricho de Requião, que todos sabem candidato ao Senado.
Assim, o nome de Requião será submetido à convenção. O pseudo-presidenciável animou-se a convidar Temer para ocupar sua vice. É ou não é um atentado à paciência da platéia?
O PSDB oficializará no domingo (13) a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo. Segundo o Datafolha, ele é favorito.
Se eleito, esticará a hegemonia tucana Estado mais rico do país de 16 para 20 anos. Em entrevista ao blog, Alckmin discorreu sobre seus planos de governo.
Sua prioridade será a criação de cursos profissionalizantes de 200 a 400 horas. “Uma via rápida para o emprego”, segundo diz.
Rebate as críticas do rival Aloizio Mercadante nas áreas de educação e segurança: “Não resistem a um debate”, afirma. Abaixo a entrevista:
- O PSDB governa São Paulo há 16 anos. Se eleito, como fará para evitar o que os aeronautas chamam de fadiga de material? Governo não se herda, se conquista. Tivemos boas administrações.
- A alternância de poder não faria bem a São Paulo? Não há justificativa. Quando assumiu, em janeiro de 1995, o Mario Covas não tinha dinheiro para pagar os servidores. Havia R$ 38 milhões em caixa e uma folha de meio bilhão. O Estado estava quebrado. Sem aumentar um único imposto, o Estado ajustou as contas. Em 2010, São Paulo investirá R$ 20 bilhões.
- Há aí o dinheiro da venda da Nossa Caixa, não? É verdade. Mas mesmo se tirarmos a venda da Nossa Caixa, dá R$ 16,5 bilhões de investimentos.
- Qual foi a sua contribuição no ajuste? Quando assumi, em 2001, a relação da dívida sobre a receita corrente líquida era de 2,2. A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelecia 2. Para exemplificar: se receita líquida era de R$ 100 bilhões, o Estado só podia dever R$ 200 bilhões. O Senado baixou resolução estabelecendo que, até 2015, todos tinham que se ajustar. Dez anos antes, em 2005, eu cheguei a uma relação dívida-receita 1,8.
- E quanto a Serra? O Serra teve folga para buscar empréstimos externos para as obras. E reduziu a relação dívida-receita está em 1,5 ponto. O próximo governador terá ainda mais espaço para novos financiamentos. Vamos completar o Rodoanel, melhorar os trens, expandir o metrô e entrar no transporte de alta velocidade.
- O que o inspira a disputar o governo novamente? Eu me sinto mais preparado para a tarefa. Há a experiência de já ter sido governador e o fato de ter disputado, em 2006, a eleição presidencial. Ganhei uma visão de país.
- Não receia ser repetitivo? Aquilo que o Serra disse sobre o Brasil, vale para qualquer governo. Sempre é possível fazer mais.
- Mais ajuste fiscal ou mais obras? As obras não param nunca. E o ajuste fiscal sempre pode ser aperfeiçoado. Mas é óbvio que temos outros sonhos.
- Por exemplo... Temos hoje a maior rede de ensino técnico e tecnológico da América do Sul. Pretendo criar um terceiro braço, uma via rápida para o emprego.
- Como assim? Na escola técnica, a Etec, o curso é de um ano e meio. Na faculdade tecnológica, a Fatec, são três anos. Usando a mesma estrutura física, vamos fazer cursos com duração de 200 a 400 horas.
- Cursos de quê? Voltados para o povão: eletricista, encanador, azulejista, operador de máquina, costureira, modelista. Vamos investir pesado. Sobram vagas no mercado. Não são preenchidas por falta de qualificação. Vamos atacar esse problema.
- Essa é a sua prioridade? Diria que nossa prioridade será educação, aliada à formação profissional e ao desenvolvimento científico e tecnológico. Vamos abrir parques tecnológicos. Serão áreas onde teremos as empresas, a universidade, os institutos de pesquisa... A General Eletric vai ter quatro ou cinco centros de pesquisa e desenvolvimento no mundo. Queremos um em São Paulo.
- Como atrair? Vamos convidá-los a se instalar num dos nossos parques tecnológicos. Haverá laboratórios, mestres, doutores, universidade, terreno, logística, crédito para pesquisa.
- Vai dar estímulo fiscal? Vamos oferecer às empresas a oportunidade de usar os créditos de ICMS para os investimentos em pesquisa. E tem o dinheiro da FAPESP —1% do ICMS vai para pesquisa, por meio da FAPESP. Isso significa mais de R$ 800 milhões por ano.
- Seu rival Aloizio Mercadante diz que, sob o PSDB, a qualidade da educação se degradou. Como responde? São Paulo está acima das metas estabelecidas pelo MEC. O ministério estabeleceu os índices por meio do chamado Ideb. São Paulo está acima da meta em todos os níveis de ensino. O Enem de 2008 mostrou que, das 50 melhores escolas públicas estaduais do Brasil, 38 são de São Paulo.
- Acha, então, que a educação em São Paulo vai bem? É claro que não está bom, sempre pode melhorar. Mas é preciso comparar com o resto do país. A Constituição estabelece que é obrigatório investir no mínimo 25% da receita em educação. São Paulo tem uma tradição de investir 30%. Além disso, há a enorme rede de ensino técnico e tecnológico e as três universidades paulistas, que são brilhantes. A USP está entre as cem melhores universidades do mundo. Vamos avançar muito mais.
- Mercadante também realça a piora dos indicadores da segurança. Tem razão, não? Esse é um tema nosso. É raro no mundo um caso de redução de 71% na taxa de homicídios num Estado. Raríssimo. Quando assumi o governo, em 2001, nós tínhamos 12,8 mil homicídios por ano. Investi para valer. No ano passado foram 4.600 homicídios. Nesse primeiro trimestre, teve um pequeno aumento. Mas nada indica que é uma tendência. Tivemos redução de 2001 até 2009. Oito anos ininterruptos. Redução de 71%. Não estamos satisfeitos. Queremos melhorar mais.
- Como classifica as críticas de Mercadante? São totalmente improcedentes, superficiais, não resistem a um debate. É preciso se amparar em argumentos mais sólidos. Pegue, por exemplo, a posição de São Paulo em número de homicídios por 100 mil habitantes. Há no Estado, 10,9 homicídios por 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde estabelece que o ideal é abaixo de dez. Ainda não conseguimos chegar a isso. Vamos trabalhar para chegar lá. Mas São Paulo é o 25º Estado brasileiro em número de mortos. Só perdemos para Piauí e Santa Catarina. A cidade de São Paulo é a 26ª em número de mortos por cem mil habitantes no país. Só perde para Palmas (TO). É preciso considerar também a responsabilidade do governo federal.
- Quais são as culpas do governo federal? O Serra está coberto de razão quando fala em criar o Ministério da Segurança.
- Acha mesmo que um novo ministério resolve o problema? Não é tanto pelo ministério, mas pela prioridade que sinaliza. O grande problema é o tráfico de drogas e de armas. Para complicar, há a lavagem de dinheiro. Quem tem os instrumentos –COAF, Receita, PF e Forças Armadas é a União, não os Estados.
-Leia mais no texto abaixo. E siga o blog no twitter.
Derrotado por Lula na sucessão de 2006, Geraldo Alckmin acha que o desafio de José Serra, em 2010, é menor do que o enfrentado por ele.
Por quê? “O Lula não é candidato. [...] Eu disputei com um presidente que tinha a caneta cheia...”
“...Outra coisa é disputar com o indicado, uma ex-ministra. E agora estamos mais bem estruturados nacionalmente, inclusive no Nordeste”. Leia abaixo:
- Na eleição municipal de 2008, o sr. não foi nem ao segundo turno. Por que acha que vai vencer agora? Na eleição passada, comecei e terminei praticamente com o mesmo percentual de votos, 22%, 23%. Entrei e saí com um quarto do eleitorado.
- A que atribui a derrota? O Kassab se beneficiou da reeleição. O prefeito que tinha pior avaliação era o de Salvador [João Henrique, do PMDB]. Foi reeleito, como todos praticamente. Hoje, eu tenho algo como 50% na pesquisa. É diferente.
- Lula pedirá votos para Dilma e Mercadante. Acha que terá peso? Ele ajuda, claro, no Brasil inteiro. É um grande patrocinador de candidaturas. Mas é bom lembrar que, aqui em São Paulo, venci o Lula em 2006. Tive 11,9 milhões de votos. Ele, cerca de 8 milhões. Ganhei nos dois turnos em SP, RS, SC, PR, MT, MS e RR.
- O PSDB espera que Serra abra 4 milhões de votos sobre Dilma em São Paulo. Acha factível? Não acho adequado estabelecer números. Vamos trabalhar para ter a maior diferença possível. O Serra está na frente da Dilma no Estado. E vamos trabalhar para aumentar a diferença.
- Suas desavenças com Serra foram superadas? Não há desavenças. Sou amigo do Serra há 30 anos. Meu apoio foi vital para a vitória do Serra na prefeitura. Eu, como governador, tinha 69% de ótimo e bom. Quando veio a sucessão, em 2006, era mais lógico o Serra ser candidato a governador. Justificava melhor a saída dele da prefeitura. Eu não podia mais disputar o governo. E não havia outro nome forte. Eu fui à eleição presidencial. Deu-se o que era lógico. Imagine se tivesse sido o contrário. De repente, nós tínhamos perdido tudo. Agora, estou muito otimista.
- Seu otimismo se transfere para a cena nacional? Sem dúvida. Não há eleição fácil, mas a vitória do Serra é possível. O Lula não é candidato. Ele transfere votos? Claro que transfere. Mas uma coisa é ele ser candidato outra é apoiar uma candidata. Eu disputei com um presidente que tinha a caneta cheia. Outra coisa é disputar com o indicado, uma ex-ministra. E agora estamos mais bem estruturados nacionalmente, inclusive no Nordeste.
- Mas o Nordeste não é o ponto fraco do PSDB? A diferença vai ser menor do que se imagina.
- Por quê? No Rio Grande do Norte, com a Rosalba [Ciarlini, do DEM], vamos ganhar a eleição. No Piaui, o Silvio Mendes [PSDB] é favorito. Em Pernambuco, o Jarbas Vasconcelos [PMDB] vai ter uma votação maravilhosa. Em Sergipe o João Alves [DEM] está colado no Marcelo Déda [PT]. Na Bahia, a diferença do Paulo Souto [DEM] para o Jaques Wagner [PT] é de apenas oito pontos. Em Alagoas, o Teotônio Vilela [Filho, PSDB] é governador. Começando a campanha, ele vai se impor. Há também o Pará, no Norte. Ali, o Simão Jatene [PSDB] está em primeiro lugar. No Centro-Oeste: Siqueira Campos está quase eleito no Tocantins. Marconi [Perillo, PSDB] é favorito em Goiás. O André Pccinelli [PMDB] é favorito no Mato Grosso do Sul. Então, a eleição é dura, mas estou seguro: a situação de 2010 é melhor do que foi a de 2006.
Preterido, ex-governador paranaense diz que vai à Justiça
Alan Marques/Folha A direção do PMDB decidiu ignorar o registro da candidatura presidencial do ex-governador paranaense Roberto Requião.
O ato que convoca para a manhã deste sábado (12) a convenção nacional da legenda oferece à deliberação dos convencionar um único item. Anota:
“Aprovar o nome do deputado Michel Temer como candidato à vice-presidência da República na eleição nacional de 2010, na coligação do PMDB com o PT”.
Nesta sexta (11), a direção do PMDB deve reunir sua Executiva, em Brasília. Nesse encontro, o registro da candidatura de Requião deve descer ao arquivo.
O caso de Requião é equiparado a um outro, do Distrito Federal. Envolve um filiado obscuro: Antonio Pedreira.
A exemplo de Requião, Pedreira registrou-se como candidato ao Planalto. Uma pretensão que a Executiva vai indeferir.
A convocatória da convenção prevê a substituição de convencionais titulares pelos suplentes. Um antídoto contra os dissidentes da legenda.
Fechado com a candidatura tucana de José Serra, Orestes Quércia, o dissidente mais incômodo, firmou com Temer uma espécie de armistício.
Presidente do PMDB-SP, Quércia comprometeu-se em não enviar ao encontro de Brasília os convencionais contrários à aliança com o PT.
Algo que permitiu a Temer convocar os suplentes, cujos votos lhe serão favoráveis.
A indicação de Temer para vice de Dilma Rousseff deve prevalecer por maioria folgada. Mas, como já se tornou habitual no PMDB, a convenção deve resultar numa encrenca judicial.
Requião constituiu o Milton Cava, para acionar o partido na Justiça. Acionou também os próprios lábios:
“A candidatura a vice de Temer é uma imposição de um grupo que domina o partido”, disse Requião. “Recorremos à justiça e a convenção não terá validade”.
É conhecido o incômodo de Lula de lidar com a imprensa que o imprensa. Já disse que não lê jornais. O noticiário dá-lhe “azia”, esclareceu.
Pois bem, nos últimos dias o presidente pôs-se a fustigar os chamados “formadores de opinião”. Voltou ao tema nesta quinta (10), em Aracaju (SE).
Falava para moradores de um conjunto habitacional humilde. Coisa de 400 pessoas. Súbito, disse que as “realizações” do seu governo não aparecem no noticiário:
"[...] É esse país que não aparece na imprensa. É esse país que não aparece na televisão, é esse país que muita gente tenta esconder...”
“...E aí quando faz pesquisa, que o Lula tem 86% [segundo o Datafolha, o índice é menor: 76%], é esse país que está dando essa popularidade ao nosso governo".
Mais adiante, declarou: “As pessoas não percebem que o povo está ficando mais sabido, mais inteligente...”
“...O povo não quer mais intermediário. O povo quer falar pela sua boca, pensar pela sua cabeça, enxergar pelos seus olhos e tomar decisão por conta própria”.
Como se vê, armado da mega-popularidade, Lula dispensa a intermediação dos meios de comunicação na sua relação com a sociedade. Beleza.
Agora só falta usar o prestígio para se livrar dos intermediários políticos. Atingirá a perfeição no dia em que retirar o Palácio do Planalto da cota de José Sarney.
O PV formalizou nesta quinta (10), em convenção nacional, a candidatura presidencial de Marina Silva.
Na fase de pré-campanha, Marina deu um salto que muitos duvidavam que seria capaz de executar.
Ela pulou para fora do cercadinho ecológico. Antes, enxergava o meio-ambiente. Agora, vê o ambiente inteiro.
De FHC, elogia o Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. De Lula, enaltece o avanço social. Critica em ambos a rendição ao fisiologismo.
Para o futuro, promete: na economia, a manutenção do célebre tripé –metas de inflação, câmbio flutuante e rigor fiscal.
No social, os programas sociais de “terceira geração”. Depois do socorro emergencial, a verdadeira inserção, que passa pela educação e o emprego.
Na macroeconomia, Marina enrola-se na bandeira do “desenvolvimento sustentável”. Um crescimento que não descuide dos efeitos ambientais deletérios.
Como que decida a arrancar de sua candidatura a pecha de “aventura”, Marina atraiu para sua chapa um nomão do empresariado.
Vai aos palanques ao lado de Guilherme Leal, o fundador da Natura, empresa próspera e com um histórico de “consciência ambiental”.
Evangélica, fiel da Assembléia de Deus, Marina salta as armadilhas com alguma habilidade.
Aborto? Descriminalização das drogas? É contra. Mas propugna a audição da sociedade, por meio de plebiscitos.
Sem aliados no universo partidário, Marina serve-se da retórica para atenuar a inanição política.
Declara que, eleita, governará com o que há de melhor no PT e no PSDB. Com isso, diz ela, será possível fugir da armadilha franciscana do “é dando que se recebe”.
O salto conceitual de Marina não se converteu, por ora, em aumento das intenções de voto.
Segura a lanterna. No último Datafolha, apareceu com 12%. No ibope, 9%. Bem atrás dos 37% atribuídos a José Serra e Dilma Rousseff.
Espécie de Lula de saias, Marina tenta se firmar como “novidade”. Com uma vantagem sobre o operário-presidente.
A despeito da origem humilde, preocupou-se em buscar nos bancos escolares o verniz da educação formal.
A hipótese de triunfar na sucessão é remota, muito remota, remotíssima. Mas Marina presta ao eleitorado o serviço do contraponto.
No mínimo, pode empurrar a eleição plebiscitária para um conveniente segundo turno.
Ainda que não esteja presente neste round derradeiro, Marina terá possibilitado ao eleitor um prazo mais elástico de reflexão. Não será pouca coisa.
Terminou na madrugada desta quinta (10), às 3h15, a votação do pacote de projetos que regulam a exploração das jazidas de petróleo do pré-sal.
As votações foram precedidas de um debate que durou mais de 11 horas. O destaque da noite foi uma derrota imposta a Lula.
Contra a vontade do presidente, os senadores aprovaram por um placar de 41 votos contra 28 uma emenda de autoria de Pedro Simon (PMDB-RS).
O texto distribui a todos os Estados e municípios, de forma igualitária, os royalties do petróleo. Vale para os contratos novos e para os antigos.
O royalty é uma compensação que as empresas são obrigadas a pagar ao Estado pela exploração das reservas de petróleo e gás.
Pelas regras em vigor, Estados produtores –Rio e Espírito Santo à frente— recebem fatias maiores do bolo. A nova regra extingue o "privilégio".
Na prática, a emenda Simon restitui algo que a Câmara já havia aprovado e que o governo desejava empurrar, no Senado, para novembro, depois da eleição.
Houve uma diferença: na versão assinada por Simon, a emenda obriga a União a compensar Rio e Espírito Santo pelas perdas.
Líder de Lula no Senado, Romero Jucá informou que o presidente deve vetar a redivisão dos royalties.
Aprovou-se também a proposta que institui o Fundo Social, uma espécie de poupança a ser constituída com os dividendos do pré-sal.
O dinheiro será usado em investimentos destinados à redução da pobreza e a setores como educação, ciência e tecnologia e meio ambiente.
Injetou-se na proposta uma novidade em relação ao que fora aprovado na Câmara: 50% da verba do fundo terá de ser direcionada à educação.
Desse percentual, 80% vão para o ensino básico. Os restantes 20%, para o nível universitário.
O projeto do fundo prevaleceu em plenário por maioria apertada: 38 votos a 31, mais uma abstenção.
Deve-se o placar miúdo a uma esperteza de Romero Jucá. Relator da matéria, Jucá enganchou no fundo um tema que constava de outro projeto: o modelo de exploração do pré-sal.
Em vez da concessão, a partilha. Uma mudança que aumenta o poder do Estado na prospecção e na comercialização do óleo e do gás a ser extraído das novas jazidas.
Na fusão de textos, Jucá fez sumir um pedaço do projeto da partilha, justamente a parte que tratava da repartição dos royalties. Daí o grande volume de votos contrários.
A emenda de Simon, aprovada sob protestos dos senadores cariocas e capixabas, atalhou a manobra, ressuscitando a encrenca dos royalties. Modificado, o projeto terá de retornar à Câmara.
Derrotado nos royalties e vencedor no Fundo Social, o governo obteve um segundo triunfo na madrugada operosa do Senado.
No finalzinho da sessão, aprovou-se o projeto que autoriza a capitalização da Petrobras -48 votos contra seis, mais cinco abstenções.
A estatal espera recolher no mercado algo como R$ 100 bilhões. Dinheiro a ser usado no plano de investimentos do pré-sal.
De resto, adiou-se para quarta-feira (16) da semana que vem a votação do último projeto relativo ao pré-sal: o que cria uma nova estatal, a Petrosal.
- Em tempo: Aqui, um texto que traz detalhes sobre os royalties, o modelo de partilha e o fundo social. Aqui, uma peça sobre a capitalização da Petrobras.
Lula Marques/Folha O PT do Maranhão deve receber da direção nacional da legenda um tratamento diferente do que foi dispensado ao petismo de Minas Gerais.
Ao diretório mineiro, impôs-se o apoio a Hélio Costa (PMDB).
O do Maranhão pode ser liberado para negar apoio à recandidatura de Roseana Sarney (PMDB).
Nesta sexta (11), reúne-se em Brasília o diretório nacional do PT.
Vai deliberar sobre as pendências que ainda sobrevivem nos Estados. Entre elas a do Maranhão.
Por maioria apertada –87 votos a 85— encontro estadual do PT-MA aprovara o apoio ao deputado Flávio Dino, candidato do PCdoB ao governo maranhense.
O PT federal tendia a obrigar o partido a rever a decisão. Dino seria lançado ao mar. E o petismo maranhense iria ao colo de Roseana, candidata à reeleição.
Súbito, foi ao noticiário a denúncia de que os Sarney tentaram comprar o apoio de delegados petistas. As ofertas variaram de R$ 20 mil a R$ 40 mil.
A novidade fez o PT federal refluir. Vão à mesa na reunião do diretório três propostas:
1) A migração para Roseana; 2) A manutenção do apoio a Dino; 3) A neutralidade. Entre as três, a primeira é a que tem, hoje, a menor taxa de adesão.
O deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) ameaça entrar em greve de fome caso seja tomada qualquer decisão que leve à revisão do apoio a Flávio Dino.
No Brasil, como se sabe, há mais partidos de programa do que programas de partido. Tome-se o caso do PMDB pós-redemocratização.
Tornou-se um partido, digamos, maleável. Quando sua ideologia não dá mais pé, muda para outra que exale o cheiro de poder.
Tisnado pela má fama, o ex-partido de Ulysses Guimarães tenta agora submeter-se a uma nova cirurgia plástica.
Acomodou sobre o papel um conjunto de ideias. Deu a esse ideário o nome de programa.
Nesta quarta (9), um Michel Temer prestes a escalar o altar, levou a peça a Dilma Rousseff, a candidata a noiva.
O “casal” exibiu-se às câmeras meio sem jeito. As lentes do repórter Lula Marques, sempre inconvenientes, capturaram um flagrante de falta de sincronismo.
Dilma estendeu a mão para seu pretendente. Temer, como que hipnotizado pelos flashes, não se deu conta.
Para não estragar a pose, a noiva viu-se compelida a agarrar a mão do virtual parceiro, apertando-a.
Num instante em que o matrimônio, por interesseiro, frequenta o noticiário com a aparência de patrimônio, Temer fez um esforço para salvar as aparências.
Referiu-se à junção do PMDB com o PT como "uma aliança político-eleitoral programática".Esmiuçou o raciocínio:
“Isso significa que vamos fazer verdadeiramente um presidencialismo de coalizão...”
“..No Brasil, mais do que nunca, surge a necessidade de coalizão partidária que não se dá depois da eleição...”
“...Ela está se formulando na campanha, e se dá não apenas por ajustamento político, mas junção de ideias".
O que conspurca o idealismo verbal de Temer é o fato de que, à sua volta, vicejam personagens decididos a extrair do ideal partidário o máximo lucro.
De passagem por Natal (RN), Lula criticou a decisão do Conselho de Segurança da ONU de impor novas sanções ao Irã. Classificou a decisão de “vitória de Pirro”.
Como previsto, a Comissão Controle das Atividades de Inteligência do Congresso decidiu ouvir dois personagens mencionados no caso do dossiê.
Aprovou-se o "convite" ao delegado aposentado da PF, Onézimo Sousa, e ao ex-sargento do serviço secreto da Aeronáutica, Idauberto Martins.
Noutra comissão, a de Fiscalização e Controle da Câmara, aprovou-se também a oitiva de dois consultores norte-americanos da campanha de Dilma Rousseff.
São eles: Ben Self e Scott Goldstein. Atuaram na campanha do presidente dos EUA, Barack Obama. Deseja-se esclarecer a origem das verbas que remuneram a dupla no Brasil.
Liechtenstein Os 15 minutos de fama internacional de Lula duraram 23 dias. Firmado em 17 de maio, o acordo nuclear de Teerã foi fulminado nesta quarta (9).
Reunido em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU impôs ao Irã uma nova rodada de sanções. A quarta resolução punitiva desde 2006.
Dos 15 membros do conselho, 12 votaram a favor do porrete. Contra, apenas Brasil e Turquia, os dois mediadores do acordo malogrado.
O Líbano, que o Itamaraty chegou a contabilizar como aliado, preferiu o pior caminho: a covardia da abstenção.
Em pronunciamento feito antes da votação, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, defendeu a via diplomática.
Representante dos EUA, a embaixadora Susan Rice preferiu falar depois de apurados os votos. Fez um pronunciamento do tipo ‘me-engana-que-eu-gosto’:
"O Brasil e a Turquia trabalharam duro, o que reflete as boas intenções de seus líderes".
Depois do lero-lero, Rice foi ao ponto: o acordo "não responde às questões fundamentais".
Lembrou, por exemplo, que o Irã “não suspendeu o enriquecimento de urânio e outras atividades nucleares".
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não se deu por achado. Disse que as sanções da ONU vão à “lata de lixo”.
O colega americano, Barack Obama, também veio à boca do palco. Declarou que, mantendo-se arredio, o Irã ficará cada vez mais isolado.
Lula decerto dirá que fez o que estava ao seu alcance para injetar diplomacia num ambiente nada macio.
Por mais louvável que tenha sido o gesto, o Brasil foi ao rol dos derrotados de graça. A Turquia, vizinha do Irã, tinha lá suas razões para meter a colher no angu.
Quanto ao Brasil, afora o desejo de Lula descer ao verbete da enciclopédia como líder mundial, não havia uma mísera razão que justificasse o flerte com a encrenca.
Hélio Costa lida com Aécio do mesmo modo que Serra trata Lula: 'É parecido, de fato'
Candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, o senador Hélio Costa adotou no Estado o discurso da continuidade. Em entrevista ao blog, disse que não vai ao palanque como opositor da gestão tucana de Aécio Neves: “Queremos ser o pós-Aécio. Não necessariamente para continuar apenas, mas para aperfeiçoar”.
Nesta terça (8), a Executiva do PT-MG reuniu-se extraordinariamente. Depois, levou à web uma resolução na qual ratifica o apoio a Hélio Costa, imposto pela direção nacional na véspera. Para o candidato, a unidade “já foi alcançada”. Abaixo, a entrevista:
- Durante a negociação, o sr. disse que o casamento PDMB-PT ocorreria. Restava saber se seria na igreja ou na delegacia. Foi na delegacia?
A união se deu na porta da igreja. E agora que nós casamos, vamos rezar juntos no altar.
- Acha que a pretendida unidade da aliança será alcançada?
Acho até que já foi alcançada. Nesta terça, recebi ligações das principais lideranças do PT em Minas. Todos já preocupados com a estruturação da campanha.
- Não receia que o PT faça corpo mole?
O PT é combativo, defende com firmeza suas propostas. Mas, quando fecha um acordo, o PT abraça a causa.
- Pretende sustentar um discurso de oposição à gestão Aécio Neves?
Nossa proposta não é essa. Queremos ser o pós-Aécio. Não necessariamente para continuar apenas, mas para aperfeiçoar. Entendemos que o governo dele é bem avaliado. As pesquisas mostram isso. Mas também mostram que a boa avaliação é dele, pessoal.
- Seu discurso, então, será parecido com o que José Serra faz em relação ao governo Lula: manter o que está funcionando. É isso?
É parecido, de fato. Se o Serra tentar desconstruir o Lula, não precisa nem disputar a eleição. Perde de véspera. Nosso caso é parecido. O Aécio é bem avaliado. Até porque é difícil não fazer um bom governo num Estado que tem receita de R$ 34 bilhões.
- Mal comparando, a candidatura de Antonio Anastasia também é parecida com a de Dilma, não? Assim como faz Lula com Dilma, Aécio vende Anastasia como um gerente competente.
Há uma diferença grande. A Dilma tem atrás dela a importância dos programas sociais, que mudaram a cara do Brasil. O que sensibiliza o eleitorado a votar nela é a inclusão social. Embora Anastasia seja reconhecido como bom gestor, falta a ele a experiência política e essa sensibilidade social, que a Dilma tem de sobra. Tanto que a votação dela cresce extraordinariamente. A dele, não.
- Disputou o governo de Minas duas vezes. Perdeu. O que o faz crer que será diferente agora?
Na primeira eleição, em 1990, eu era um deputado de primeiro mandato. Ia encerrar minha carreira pública. Fui levado à candidatura a governador por um pequeníssimo partido, o PRN. De 853 municípios, havia um único prefeito que me apoiava. Era de Indianópolis, uma cidade de 4 mil habitantes. Disputei com as principais lideranças do Estado. Sozinho, com um prefeito, fui ao segundo turno com o Hélio Garcia e perdi por 1% dos votos.
- E o segundo infortúnio?
Na segunda eleição, em 1994, eu tinha comigo 50 prefeitos de cidades pequenas. Tinha acabado de criar o PP em Minas Gerais. Não fizemos aliança com nenhum outro partido. O Hélio Garcia botou a máquina do governo contra mim. Disputei com nove candidatos, inclusive o José Alencar. E perdi para o Eduardo Azeredo, novamente no segundo turno, de novo por 1% dos votos.
- O que será diferente agora, em 2010?
Hoje, eu tenho o PMDB e o PT juntos. E mais os partidos da base aliada do governo, que também vão compor conosco. E há a experiência de 20 anos. Passei pela Câmara, Senado, ministério. Tenho uma representatividade maior no Estado. Nos últimos 12 anos, tive uma média de 3,5 milhões de votos. Tive esse eleitorado fiel em 90, em 94 e em 2002, quando me elegi senador.
- De quantos votos precisa para chegar ao governo?
Em torno de 4 milhões de votos. Esses 500 mil votos que faltam creio que virão com os partidos que compõem a nossa aliança.
- Que peso eleitoral atribui a Aécio Neves?
Temos medido isso. E, obviamente, também medimos a capacidade de transferência de votos do presidente Lula. O Vox Populi e outros institutos fizeram essa análise. O Aécio transferiria para o José Serra, por exemplo, em torno de 4% dos votos dele. Eu pergunto Será que ele transfere 10% para o candidato dele ao governo de Minas? Não sei. É uma pergunta que fica no ar.
- O Anastasia está subindo nas pesquisas, não?
Num cenário de segundo turno, que não sei se vai ocorrer em Minas, ele está na faixa entre 16% e 20% das intenções de voto há quase oito meses.
- Acha que Lula transfere mais votos que Aécio em Minas?
As pesquisas indicam que sim. O potencial de transferência de votos do Lula supera os 6%. É o que justifica o crescimento da Dilma em Minas. Há seis meses, o Serra tinha em torno de 30% no Estado. Hoje, tem 35%. No mesmo período, a Dilma saiu de 4% e foi a 34%. Esse crescimento extraordinário se deve à identificação da candidatura dela com o presidente. O Aécio tem feito a mesma coisa com o candidato dele a governador. E isso não se reflete na pesquisa.
- Acha que o Anastasia não vai subir.
Na medida em que a eleição se polariza, é inevitável que ele suba um pouquinho. Só que a nossa média é de 40%.
- Lula irá ao seu palanque?
Sem dúvida nenhuma. Ele se esforçou pelo palanque único e assumiu conosco o compromisso do envolvimento direto dele e da Dilma na campanha
- Acredita que Dilma baterá Serra em Minas?
Não tenho dúvidas. Na eleição de 2006, Lula ganhou em Minas, no primeiro turno, com 500 mil votos de frente. Quando nos juntamos no segundo turno, esse mesmo grupo que se une agora –Fernando Pimentel, Patrus Ananias e Hélio Costa—, o Lula pôs 3 milhões de votos de frente sobre o Geraldo Alckmin no Estado. A Dilma pode perfeitamente ter de 50% a 60% da votação que ele teve. Terá uma dianteira de 1,5 milhão a 2 milhões de votos em Minas.
PSDB quer ouvir também americanos que assessoram PT
Sérgio Lima/Folha
Casa que abriga núcleo de comunicação do comitê de Dilma
Foi marcada para a tarde desta quarta (9) uma sessão da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso.
Na pauta, a votação de um requerimento que sugere a audição de dois personagens envolvidos na polêmica do dossiê.
São eles: o policial Onézimo Sousa, aposentado da Polícia Federal; e o ex-sargento do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Matias, conhecido como Dadá.
Os dois participaram, em 20 de abril, da reunião na qual se discutiu a constituição de um grupo para espionar o presidenciável tucano José Serra.
São signatários do requerimento os deputados tucanos Gustavo Fruet (PR) e Emanuel Fernandes (SP).
Há chances reais de aprovação. A oposicionista tem maioria sobre o governo na comissão: quatro votos a dois.
O comando da comissão é tucano: na presidência, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na vice, Emanuel, um dos autores do requerimento.
Na bancada, mais dois oposicionistas: Fruet, o segundo autor da peça; e José Agripino Maia (DEM-RN).
Pelo governo, apenas dois votos: o do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
A comissão não tem poderes para convocar Onézimo e Dadá. Vai apenas “convidar” a dupla a prestar esclarecimentos. O convite pode ser aceito ou não.
“Nosso objetivo é dar transparência a esse caso, jogar luz sobre ele. Até para impor um freio a esse tipo de operação, que vem se repetindo a cada eleição”, diz Fruet.
Noutra frente, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) protocolou na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara mais três requerimentos.
Num, sugere a convocação do ministro Jorge Hage (Controladoria-Geral da União). Nos outros, propõe que sejam ouvidos dois cidadãos americanos.
São eles: Scott Goodstein e Ben Self. Atuaram no comitê eleitoral do presidente dos EUA, Barack Obama.
Vieram ao Brasil para auxiliar na montagem da campanha de internet da presidenciável petista Dilma Rousseff.
E daí? Quem bancou a vinda da dupla a Brasília foi o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono da Dialog Comunicação.
A empresa de Benedito tornou-se, sob Lula, uma portentosa prestadora de serviços do governo. Beliscou contratos superiores a R$ 40 milhões.
Deseja-se esclarecer em que condições Benedito se tornou um financiador de despesas da campanha de Dilma. Faz doações oficiais ou repassa verbas por baixo da mesa?
Benedito tornou-se um freqüentador assíduo da casa onde funciona o braço de comunicação da campanha de Dilma, no Lago Sul, bairro chique de Brasília (foto lá no alto).
Partiu dele, aliás, a sugestão de aluguel do imóvel. Custa R$ 18 mil por mês. O empresário está vinculado também ao caso do dossiê.
Participou, junto com o jornalista Luiz Lanzetta, da reunião com o Onézimo, o policial federal de pijama; e Dadá, o ex-agente secreto da Aeronáutica.
Na versão de Onézimo, seria Benedito o provedor das despesas do grupo de espionagem que seria constituído para espionar Serra. Coisa de R$ 1,6 milhão.
Na contraversão de Lanzetta, que pediu desligamento do comitê de Dilma depois que o caso foi às manchetes, deu-se coisa diversa.
O jornalista sustenta que foi Onézimo quem o chamou para a fatídica reunião. Para quê? Para propor um trabalho de contra-espionagem.
O deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), delegado licenciado da PF, estaria montando dossiês contra políticos aliados do governo. Algo que Itagiba nega.
E por que o tucano Macris deseja ouvir também o ministro Jorge Hage? Porque a Controladoria-Geral da União investiga os contratos da Dialog com o governo.
Há suspeitas de fraudes em licitações. Também o TCU perscruta as relações da Dialog com o Estado. A depender do PSDB, a apuração será aprofundada.
Nesta quarta (9), o partido protocolará no TCU um pedido para que sejam investigados todos os contratos firmados pela empresa de Benedito com o governo Lula.
De resto, o partido de Serra preparava na noite passada um pedido de investigação que será protocolado na Procuradoria-Geral da União.
Uma semana depois de participar de reunião na casa de José Serra, em São Paulo, o presidente do PMDB-SC, Eduardo Pinho Moreira, esteve com Dilma Rousseff.
O encontro ocorreu em Brasília, na segunda (7). De volta a Florianópolis (SC), Moreira já parecia bem mais próximo de Dilma que de Serra.
Candidato ao governo catarinense, ele expôs aos correligionários, nesta terça (8), o esboço do pré-acordo que firmara na véspera com a presidenciável petista.
Prevê o seguinte: No primeiro turno, Moreira vai às urnas contra a rival petista Ideli Salvatti. Ambos abrem os respectivos palanques para Dilma.
Se um dos dois for ao segundo turno, terá o apoio automático daquele que ficar pelo caminho.
Levado à presença de Dilma por Michel Temer, presidente do PMDB federal, Moreira impôs uma condição.
Qual? O PT catarinense não pode se coligar ao PP, que disputará o governo com a candidatura da deputada federal Ângela Amin, primeira colocada nas pesquisas.
Confirmando-se o acordo, o PMDB de Santa Catarina dará as costas para o tucano Serra. Dará adeus também à chamada tríplice aliança.
É assim que se convencionou chamar a união entre PMDB, PSDB e DEM. Uma trinca que elegeu, reelegeu o ex-governador pemedebê Luiz Henrique.
Fechado com Serra, Luiz Henrique tentou manter a aliança. Mas não logrou obter um candidato capaz de unificar os partidos. Cada um lançou o seu.
Além de Pinho Moreira, do PMDB, há a candidatura do senador Raimundo Colombo, do DEM, e a do governador Leonel Pavan, do PSDB.
No encontro da semana passada, Serra tentou reunificar a tríplice aliança. Sem sucesso, contudo.
Na hipótese de vingar o acerto do PMDB com Dilma, a tendência é a de que DEM e PSDB compareçam às urnas de 2010 divididos.
O tucanato ainda não jogou a toalha. Mas a hipótese do palanque único pró-Serra parece mais distante.
Paralelamente, o PSDB de Serra acerca-se da candidata favorita, a pêpê Ângela Amin.
A deputada, porém, condiciona uma eventual aliança à retirada das candidaturas de Pavan e Colombo. Algo improvável de acontecer.
Presidente diz que prefere eleger Dilma a vencer a Copa
Fábio Pozzebom/ABr De passagem por Fortaleza, Lula deu entrevista à Rádio Jangadeiro FM. Foi instado a comentar as cinco multas que o TSE lhe impôs.
Disse: “O presidente da República não pode transgredir as leis. Agora, é importante que a gente fique atento, porque eu estou cheio de adversários...”
Adversários “...que, com preocupação de me enfrentarem na campanha, [...] começam a querer ganhar o jogo no tapetão.”
Disse que a democracia será exercitada “até as últimas conseqüências”. Repetiu: “Todos nós temos que cumprir a lei”.
“Se houver excesso, obviamente que cada um de nós tem que ser punido. Mas eu ouvido gente falar demais, [...] eu tenho ouvido gente torcer demais...”
Sugeriu que a oposição está menos preocupada com a legislação eleitoral do que com os holofotes. Ironizou:
“O cidadão abre, de manhã, a geladeira para pegar uma água, já dá uma entrevista achando que é televisão...”
“...Vai para o banheiro, liga o barbeador para fazer a barba, já começa a achar que é um microfone e começa a falar, tem gente falando demais sobre essa questão...”
Tem “...gente fazendo insinuações demais, fazendo interpretações demais, isso não é bom para a democracia”.
Lula disse que vai se defender em todos os processos que correm na Justiça Eleitoral. “Alguns nós podemos perder, outros nós podemos ganhar...”
“...Sempre trabalhando de acordo com a Justiça brasileira, porque cabe aos governantes serem os primeiros a respeitar a legislação”.
A certa altura, o repórter perguntou: Se tivesse que escolher entre o título da Seleção Brasileira e a vitória na sucessão, o que escolheria?
E Lula: “[...] Obviamente que eu prefiro que o candidato que eu apoio ganhe as eleições, porque eu estou pensando é no Brasil para os próximos quatro, para os próximos oito anos...”
“...Agora, obviamente que a Seleção vai ganhar, porque eu fico analisando, não temos adversários, [...] não tem muita novidade na Copa do Mundo”.
No curso da entrevista, Lula afagou Ciro Gomes: “Eu tenho um companheiro aqui no Ceará, que é o Ciro Gomes, a quem eu devo muito...”
“...Foi meu ministro e foi um contribuinte extraordinário. Nos momentos mais difíceis, o Ciro Gomes esteve do meu lado”.
Fustigou o ex-governador Tasso Jereissati e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “[...] Muitos governadores antes do Cid [Gomes]...”
“...Muitos governadores antes desta geração de agora governavam o Estado e não tinham recurso para fazer investimento, e tampouco recebiam recurso do governo federal...”
“...Eu não quero nem falar... não vou falar de ninguém. Mas você poderia dar uma contribuição: pegue os oito anos de Fernando Henrique Cardoso e veja quanto dinheiro do governo federal veio para o Ceará, e pegue os meus oito anos”.
- Serviço: Aqui, a íntegra do áudio da entrevista de Lula.
Todo mundo sabe Lula segurou o cabo da faca que ceifou as pretensões presidenciais de Ciro Gomes (PSB). Todo mundo, menos Lula.
Em entrevista ao repórter Guálter George, o presidente atribuiu o sacrifício da candidatura de seu ex-ministro exclusivamente ao PSB. Não interveio?
“Isso não existe. O PSB é um partido sério, formado por gente íntegra, comprometida com as mudanças e com o progresso econômico e social do nosso país...”
“...É um partido independente – eu posso garantir que seus dirigentes não se subordinariam a qualquer tipo de imposição que pudesse ter havido...”
“...Ciro Gomes é um brasileiro formidável, foi um ministro muito eficiente e leal e reúne todas as condições para pleitear a Presidência...”
“...Ele é jovem e tem ainda um grande futuro pela frente. O que aconteceu foi que o PSB se reuniu e decidiu soberanamente que este ano o mais correto politicamente é apoiar a candidata que deve ser escolhida pelos partidos da base aliada”.
Então, tá! Ficamos entendidos assim. Se o próprio Ciro passou zíper nos lábios, quem haveria de reclamar?
Lula Marques/Folha O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), veio à boca do palco para comentar a decisão de recontratar servidores terceirizados.
No total, serão reacomodados na folha 1.600 terceirizados. Sarney referiu-se apenas a um pedaço da desfaçatez: um edital que menciona 1.237.
Saiu-se à moda Lula. Disse que não sabia: “Também fui surpreendido pelos números divulgados”.
Como assim? “Essa parte de contratações é de responsabilidade do 1º secretário [Heráclito Fortes]. E vamos conversar com ele para saber o que aconteceu...”
“...São números excessivos e acredito que o 1º secretário tenha o mesmo sentimento que eu”.
Como se vê, o Senado é a própria Casa da Mãe Joana. O presidente finge que preside e o 1º secretário autoriza contratações que ferem seu próprio “sentimento”.
- Atualização feita às 20h31 desta terça (8): Aqui, a nota que a direção-geral do Senado emitiu nas pegadas da manifestação de Sarney. Sustenta que não houve aumento de terceirizados. Nem redução.
A economia, como se sabe, compreende todas as atividades do país. O diabo é que nenhuma atividade do país compreende a economia.
O Brasil perseguiu, durante anos, um PIB vigoroso. No primeiro trimestre de 2010, obteve um Pibão chinês: 9%, se comparado com o mesmo período de 2009.
Contrapondo-se os primeiros três meses de 2010 aos três últimos meses de 2009, chega-se a um crescimento de 2,7%.
Um desempenho que, projetado no ano, resultaria, em dezembro, num Pibíssimo. Coisa de 11,9%.
Anotou os números? Muito bem. Agora, esqueça-os. Embora divulgados nesta terça (8), refletem uma realidade do passado. O governo já traz o pé no freio.
Por quê? O Brasil não está preparado para o orgasmo econômico. Passou 2009 à base de Viagras múltiplos.
Tomou superdoses de isenções tributárias. Ingeriu as liberações de compulsórios bancários. Deglutiu empréstimos bancários.
Vencida a crise financeira global que levava à impotência, o governo pôs-se a cortar os estímulos.
Suspendeu as isenções, enxugou o excesso de moeda que irrigava a corrente sanguínea da economia, retomou o ciclo de elevação dos juros...
"No segundo trimestre já há dados de desaquecimento”, diz, em timbre brochante, o ministro Guido Mantega (Fazenda).
“O crescimento no ano vai ficar alto, mas a taxa já está decrescente. Temos a volta dos impostos, que vai fazer a demanda cair...”
Temos “a volta do compulsório e a taxa de juros, que já subiu 0,75%, a maior alta de todos os países. Além disso, tivemos o corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo".
O governo pôs-se a conspirar contra o PIB. E o faz sob aplausos. O país não dispõe de infraestrutura para crescer.
O consumo, se desmedido e desatendido, levaria a um surto inflacionário. Daí a interrupção do Viagra e a premência de pressionar o freio.
O governo mirava um PIB de até 5,5% para 2010. Mantega fala agora em algo como 6%, talvez 6,5%. Mais de 11%? Nem pensar.
Você tem dificuldade para entender a lógica do processo? Calma, não se desespere.
Misture os fatos e os números que julga incompreensíveis. Construa uma tese particular. Pronto. Você já pode ser considerado um economista de sucesso.
A cúpula do PSDB amadurece a idéia de usar um pedaço do programa que levará ao ar em 27 de junho para “desconstruir” o currículo de Dilma Rousseff.
O tema vem sendo debatido em reuniões de dirigentes tucanos com o jornalista Luiz Gonzalez, responsável pelo marketing da campanha de José Serra.
Nesses encontros, concluiu-se que, além de exibir Serra, a oposição precisa expor o que chama de “fragilidades” da rival Dilma.
Na prática, o PSDB cogita servir ao telespectador uma espécie de “antídoto” contra o programa que o PT veiculou no mês passado.
Nessa peça petista, Dilma foi apresentada como grande gerente, responsável pelos principais programas do governo Lula.
Falou-se também do passado militante da candidata. Para edulcorar a biografia de sua pupila, Lula chegou a compará-la a Nelson Mandela.
Atribui-se à superexposição que o PT proporcionou a Dilma a subida dela nas pesquisas. Está, hoje, empatada com Serra em 37%, segundo Datafolha e Ibope.
Assim como o PT, o PSDB terá dez minutos de rádio e TV. Rede nacional, entre o telejornal e a novela.
Uma parte do programa tucano será usada para propagandear Serra. Se prevalecer a tese em debate, o outro naco servirá para tratar de Dilma.
A ideia é a de promover, desde logo, um cotejo de biografias. De um lado, um Serra experiente –ex-governador, ex-prefeito, ex-ministro, ex-parlamentar.
Do outro, uma Dilma com pouca experiência administrativa. Nesse trecho, seria martelada a tese de que, sob Lula, os programas confiados a Dilma não andaram.
Entre eles o PAC, em cuja execução o tucanto enxerga problemas de gerência que levaram o programa a caminhar a a passos mais lentos do que alardeia o governo.
Discute-se também a proposta de demonstrar que a propaganda petista turbinou a trajetória de Dilma, falseando-a.
Por exemplo: Na peça do PT, Lula disse que foi Dilma quem idealizou o programa Luz para Todos. Uma inverdade, sustenta o PSDB.
Disse Lula na TV: "Uma das coisas que me impressionaram foi o dia em que Dilma entrou na minha sala me propondo a ideia do Luz pra Todos".
Na versão do tucanato, dá-se com esse programa algo semelhante ao que ocorreu com o Bolsa Família. Trata-se de uma variante de iniciativa adotada pelo PSDB.
Pretende-se demonstrar que o Luz para Todos já existia sob FHC. Chamava-se Luz no Campo. Previa a universalização do fornecimento de energia até 2015.
Na gestão Lula, o programa mudou de nome, as metas foram antecipadas e o orçamento foi vitaminado.
No final do mês passado foi ao ar o programa do DEM. Serra ocupou 75% do tempo. Mas não se falou de Dilma.
Nesta quinta (10), será exibida a peça do PPS, outra legenda associada a Serra. Mas, nesse caso, a produção não foi confiada a Gonzalez.
“A gente resolveu fazer o programa do nosso partido”, disse ao blog Roberto Freire, presidente do PPS.
“O Serra vai aparecer como participante da reunião que realizamos em 21 e 22 de maio. Tem a imagem do Serra recebendo um documento nosso...”
“...Vamos dizer que estamos entregando contribuições ao programa do nosso candidato, que consideramos o mais preparado”.
Freire acrescenta: “Vamos fazer a crítica ao governo, como sempre fizemos. Mas não vamos incorrer no mesmo crime de Lula, entregando o programa a Serra...”
“...Estamos criticando o presidente pela desfaçatez com que desrespeita a lei eleitoral, desmoralizando as instituições. E queremos continuar fazendo a crítica”.
No mais, haverá o programa do PTB, no dia 24. Roberto Jefferson, presidente da legenda, já deu uma ideia de como será a propaganda.
Entregou a Gonzalez, o marqueteiro de Serra, cerca de oito dos dez minutos a que o PTB tem direito. O candidato irá à convenção do partido, em 19 de junho.
Segundo Jefferson, essas imagens serãoaproveitadas no programa. Resta saber se o PTB também cederá parte de sua inserção para a "desconstrução" de Dilma.
Roosewelt Pinheiro/ABr O pedaço governista do PMDB, hoje amplamente majoritário, fará um ato de apoio a Michel Temer em São Paulo.
Será no final do mês, depois das convenções partidárias.
Neste sábado (12), o PMDB ratificará o nome de Temer como candidato a vice-presidente da República.
No domingo (13), Temer vai à convenção do PT, na qual Dilma Rousseff será convertida candidata oficial à sucessão de Lula.
O ato pró-Temer está programado para a semana seguinte. Deve ocorrer no dia 19 de junho, um sábado.
Ocorrerá em São Paulo por duas razões: É o Estado natal de Temer, onde ele mantém seu domicílio eleitoral. É também o quintal de Orestes Quércia.
Presidente do diretório paulista do PMDB, Quércia disputará o Senado enganchado à chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), que disputa o governo estadual.
A pajelança em torno de Temer visa demonstrar que, a despeito de Quércia, o PMDB de São Paulo prestigia Temer.
Há no Estado 643 municípios, 69 dos quais geridos pelo PMDB. O grupo de Temer espera arrastar para a pajelança pelo menos 30 prefeitos.
Participa do esforço de arregimentação o ministro Wagner Rossi (Agricultura). Filiado ao PMDB paulista, ele frequenta a Esplanada como apadrinhado de Temer.
Cogita-se convidar para a manifestação pró-Temer a própria Dilma Rousseff, além políticos de legendas associadas à candidatura oficial.
Lula Marques/Folha O PT federal entregou, nesta segunda (7), a mercadoria que prometera ao PMDB: o apoio à candidatura de Hélio Costa ao governo de Minas Gerais.
O martelo foi batido numa reunião dos dirigentes nacionais das duas legendas, em Brasília.
O ex-prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel jogou a toalha num par de notas que pendurou em seu microblog.
Anotou: “Amigos, agradeço a todos que me apoiaram na pré-campanha. Vamos anunciar a chapa Helio governador, Pimentel senador. E Dilma presidente!!”.
Esmiuçou: “Prevalece o acordo nacional PMDB-PT. Agora é unidade na campanha e energia pra ganhar em Minas e no Brasil. Vamos em frente!!!”.
Pimentel fez por pressão o que seus aliados mineiros recusaram-se a fazer por conveniência.
Se o petismo mineiro decidisse quebrar lanças, seria enquadrado pelo diretório nacional da legenda em reunião marcada para a próxima sexta (11).
Não restou a Pimentel senão capitular e seguir “em frente”. Quanto à “unidade na campanha”, um pedaço do PT mineiro talvez se recuse a prover.
Há em Minas Gerais 853 cidades. Exatas 286 são geridas por prefeitos do PSDB, do DEM e do PPS.
É gente que segue a liderança de Aécio Neves, o grão-duque do tucanato mineiro.
Em tese, todo esse pessoal deveria segurar o andor da candidatura presidencial de José Serra.
Com o auxílio de Jean Philip Struck e Élida Oliveira, o repórter Rodrigo Vizeu foi de prefeito em prefeito.
Dos 286 gestores municipais associados a Aécio, ouviram-se 264. Descobriu-se que 79 não se consideram fechados com Serra. Uma dissidência -potencial ou declarada- de 28%.
Entre os prefeitos que fraquejam 64 se disseram “indecisos”. Seis se declararam “neutros”. E nove já se bandearam para a procissão de Dilma Rousseff.
Ficaram de fora da conta cinco prefeitos que não quiseram revelar quem vão apoiar na sucessão.
A fissura é maior entre os prefeitos do DEM (43%). É alta também entre os do PPS (36%). E alcança um pedaço dos gestores do PSDB (16%).
Por que Serra tem tantos ‘silvérios’ em Minas? As razões são variadas. Vão abaixo, à guisa de ilustração, cinco depoimentos pungentes:
1. Dinair Isaac (DEM), prefeito de Capinópolis: "A Dilma me abraça. O Serra nem olha para a cara, é um homem seco".
2. Jéferson Miranda (PSDB), de Santo Antônio do Grama: "Não basta ser vice, tinha que ser Aécio na cabeça".
3. Odilon Oliveira (PSDB), de Oratório: "O Aécio pediu apoio para [Antonio] Anastasia, mas não fala totalmente que apoia Serra".
4. Ilmar Guedes (DEM), de Datas: “Serra é muito metido, é o candidato dos ricos”.
5. Valdeci Dornelas (PPS), de Nova Belém: “Eu prefiro ficar quieto, deixa o povo ficar à vontade”.
Minas, como se sabe, é o segundo maior colégio eleitoral do país. Embora recuse a vice de Serra, Aécio declara-se um “soldado” de Serra.
Tomado pelo índice de popularidade que ostenta no Estado, Aécio é, em verdade general.
O diabo é que uma parte de sua tropa monta cavalos de Tróia. E cavalo de madeira não galopa. Nem costuma subir Serra (com trocadilho, por favor).
O fenômeno é antigo. Não se sabe ao certo quando começou. Suspeita-se que tenha sido na época em que Deus cavou uma vaguinha pro filho na Santíssima Trindade.
De lá pra cá, a coisa só piorou. Esticou-se o provérbio: “Mateus, primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto... os teus”.
Pois bem, no ano da graça de 2010, o governo decidiu mostrar a que veio. Baixou um decreto proibindo -pasmo (!), assombro (!!), estupefação (!!!)- o nepotismo na administração pública.
A providência moralizadora chega junto com o ocaso da era Lula. Para ser preciso: a proibição foi ao 'Diário Oficial' a 6 meses e 27 dias do adeus do presidente.
Hummm... É impressão minha ou você está se rachando de rir? Quanta maldade no coração!
Dilma abre sobre Serra vantagem de 26 pontos percentuais
Sérgio Lima/Folha
Popular no Brasil, Lula é popularíssimo em Pernambuco. O índice dos pernambucanos que aprovam o governo do conterrâneo é de 95%. Apenas 4% o desaprovam.
Os dados constam de pesquisa feita pelo instituto Exatta entre os dias 29 de maio e 1º de junho. O resultado foi às páginas do ‘Diário de Pernambuco’.
Ouviram-se 2.002 pessoas. A margem de erro da sondagem é de 2,2 pontos, para cima ou para baixo. A média nacional de aprovação do governo Lula é, segundo o último Datafolha, de 76%.
O Exatta mediu também a intenção de voto dos pernambucanos na sucessão de Lula. Dilma Rousseff prevalece sobre o rival José Serra com larga margem.
A candidata do petista aparece na pesquisa com 50%. O tucano, com 24%. Diferença de 26 pontos percentuais. Marina Silva (PV) amealha 3%.
O pedaço do Estado em que Dilma está mais bem posta é o Sertão do São Francisco, onde estão assentados os municípios que rodeiam Petrolina.
Ali, Dilma obtém 69% das intenções de votos. Serra, apenas 10%. Diferença de notáveis 59 pontos percentuais.
O Agreste pernambucano é a região em que a situação de Serra é, digamos, menos pior.
Nesse trecho do mapa, o tucano obtém 27%, contra 42% atribuídos a Dilma. A dianteira da candidata de Lula é, nesse caso, de 15 pontos percentuais.
Há em Pernambuco uma evidente transferência de votos de Lula ‘Cabo Eleitoral’ da Silva para Dilma ‘Lulodependente’ Rousseff.
Mas a pesquisa anota certas curiosidades. Por exemplo: entre os 95% que aprovam Lula, 23% declaram que votarão em Serra.
Outra excentricidade aparece na hora em que os eleitores são divididos por classes sociais.
Serra obtém seus melhores índices na base da pirâmide: 26% na classe ‘C’ e 24% na ‘D’. Sua pior marca, 15%, veio das classes ‘A’ e ‘B’.
O índice mais alto de Dilma, 55%, foi registrado entre os pernambucanos mais ricos, da classe ‘A’.
O quadro esboçado na pesquisa como que ratifica a dureza que 2010 reservou aos dois políticos que personificam o projeto de Serra em Pernambuco.
Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB e feroz adversário de Lula, vai às urnas como candidato ao governo do Estado.
Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador nacional da campanha de Serra, desistiu de renovar o mandato de senador. Tentará a sorte como candidato a deputado.
Sérgio Lima/Folha Escorado no noticiário do final de semana, o PSDB de José Serra fará nesta semana uma ofensiva contra o PT de Dilma Rousseff.
O tucanato deseja esclarecer a acusação de que se tentara montar, nos porões da campanha de Dilma, um grupo para espionar Serra.
Autorizado pela direção do partido, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR, na foto), líder da minoria na Câmara, adotará quatro providências:
1. Vai requerer a abertura de inquérito na Polícia Federal.
2. Encaminhará à Procuradoria-Geral da República um aditivo ao pedido de investigação formulado, na semana passada, por Raul Jungmann (PPS-PE).
A ideia, neste caso, é a de adicionar à petição de Jungmann os fatos noticiados no final de semana.
3. Fará nova representação, dessa vez ao Ministério Público Eleitoral.
4. Apresentará requerimento de convocação dos envolvidos para depor no Congresso, provavelmente na Comissão de Atividades de Inteligência.
Deseja-se convocar, inicialmente, as pessoas que participaram, em 20 de abril, de reunião num restaurante de Brasília. Entre elas:
O jornalista Luiz Lanzetta, o policial federal aposentado Onézimo Sousa, o ex-agente da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo e o empresário Benedito de Oliveira.
Há na praça duas versões sobre esse encontro. Numa, o policial de pijama Onézimo contou à 'Veja' que foi convocado para uma conversa com o grão-petê Fernando Pimentel.
Ao chegar no restaurante, encontrou Lanzetta, dono da Lanza, empresa contratada para prover mão-de-obra de comunicação à campanha de Dilma.
Segundo Onézimo, Lanzetta disse que falava em nome de Pimentel, um dos coordenadores da pré-campanha de Dilma.
Declarou que o jornalista lhe propôs a constituição de um grupo para espionar Serra e identificar “vazadores” de informações estratégicas do comitê petista.
Onézimo mencionou a cifra que lhe teria sido oferecida pelo serviço: R$ 1,6 milhão. Dinheiro que seria provido pelo empresário Benedito de Oliveira.
Na segunda versão, pendurada no noticiário por Lanzetta, Onézimo é que teria proposto um trabalho de contra-espionagem.
Coisa destinada a neutralizar, segundo Lanzetta, ação atribuída a um deputado tucano, Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).
Egresso dos quadros da PF, Itagiba estaria, de acordo com o que Lanzetta diz ter ouvido de Onézimo, preparando dossiês contra políticos aliados do governo.
E quanto à participação Fernando Pimentel? Amigo de Lanzetta, o ex-prefeito soltou uma nota no sábado (5). Escreveu:
"Não conheço este senhor [Onézimo], nunca tive qualquer contato pessoal, telefônico ou por qualquer outro meio com ele, nem com sua empresa...”
“...Repilo a insinuação de que eu teria tomado conhecimento de um encontro entre este senhor Onézimo e o jornalista Luiz Lanzetta".
Considerando-se declaração feita por Lanzetta ao repórter Fernando Rodrigues, Pimentel tomou, sim, conhecimento da reunião. Mas só depois do ocorrido.
O repórter perguntou: Onézimo diz ter sido convidado para a reunião no [restaurante] Fritz pelo Pimentel. Isso ocorreu?
E Lanzetta: “É delírio. O Pimentel nem sabia disso. Só fui falar depois, quando começou a aparecer essa reunião. Falei para ele como tinha sido e que nada havia sido acertado”.
Decidido a afastar Dilma da encrenca, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que interpelaria Serra na Justiça nesta segunda (7).
Serra atribuíra a Dilma a responsabilidade pela montagem de um dossiê contra ele. O PT pedirá que confirme. Se ratificar, será processado por danos morais.
Lanzetta se desligou da campanha. Pimentel deve ser afastado da coordenação. Perdeu terreno para Antonio Palocci (PT-SP), agora senhor absoluto do comitê de Dilma.
O caldeirão arde a poucos dias da oficialização das candidaturas. A convenção do PSDB está marcada para sábado (12). A do PT ocorrerá no domingo (13).
Lula Marques/Folha Líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) articula para esta semana a votação de dois dos quatro projetos que integram o pacote do pré-sal.
Nesta terça (8), Jucá deseja levar a voto a proposta que institui o Fundo Social.
Trata-se de uma espécie de poupança a ser constituída com os lucros das jazidas.
A ideia é usar o dinheiro para investimentos em cinco áreas: projetos sociais, educação, saúde, meio-ambiente e ciência e tecnologia.
Na quarta (9), pretende-se votar o projeto de capitalização da Petrobras, que permitirá à estatal buscar no mercado algo como R$ 100 bilhões.
A Petrobras alega que precisa do dinheiro para manter o seu plano de investimentos. PSDB e DEM dizem que votarão contra.
A despeito de torcer o nariz para a proposta, a oposição assumiu com Jucá o compromisso de não obstruir as votações.
Em troca, Jucá concordara em dar prioridade ao projeto da Ficha Limpa, já aprovado e sancionado na semana passada por Lula.
Para aprovar os projetos do pré-sal sem os votos da oposição, o governo depende da mobilização de sua tropa.
Além de garantir o quorum, o consórcio partidário que dá suporte a Lula terá de levar ao painel eletrônico do Senado pelo menos 42 votos.
Prisioneiros do próprio impudor, PSDB e PT baniram do debate eleitoral de 2010 um tema antes obrigatório: corrupção.
Desapareceu da cena política brasileira a presunção de superioridade moral. As legendas que polarizam a disputa integraram-se à perversão comum a todas as siglas.
Nos últimos 16 anos -dois mandatos de Fernando Henrique e dois de Lula- o brasileiro assistiu a uma notável flexibilização das fronteiras éticas e ideológicas.
A "social-democracia" tucana e o "socialismo" petista provaram-se capazes de ceder a todas as tentações -da maleabilidade nos costumes às alianças esdrúxulas.
Impossível, por exemplo, mencionar o mensalão sem especificar o sobrenome. Há o mensalão do PT, o mensalão do PSDB mineiro, o mensalão do DEM de Brasília.
Na composição das alianças, a integridade dos ovos não vale mais nada. Só importa o proveito da omelete, convertida em tempo de TV.
Os candidatos nem se preocupam em varrer as cascas para baixo do tapete. Acham que não devem nada para o eleitor, muito menos explicações.
A união do impensável com o inacreditável não assusta mais. Até a imprensa trata as coligações com notável indulgência.
Sobre o pano de fundo da decomposição, a ex-militante Dilma Rousseff é uma nova mulher. Dá as mãos a José Sarney, um sobrevivente da ditadura que ela se jacta de ter combatido.
José Serra abraça Orestes Quércia. E esquece que, junto com FHC, Franco Montoro e Mario Covas, deixara o PMDB para não chamar de companheiro quem agora admite como aliado.
O PT de Dilma converte em heróis da resistência políticos incontroversos como Renan Calheiros e Jader Barbalho. O PSDB de Serra silencia.
A reação soaria a pantomima. Renan foi ministro de FHC. Da Justiça! Jader mandou e, sobretudo, desmandou na Sudam e no Senado da era tucana.
Quem observa a sucessão de 2010 tem a impressão de que a política perdeu pelo caminho algo essencial: o recato. Quem se assombra com o já visto não imagina o que está por vir.
Institucionalizou-se a impudência sem culpa. A adesão de ex-puros a ex-inimigos, mais que estratégia, tornou-se comunhão de estilos.
A corrupção virou uma bandeira órfã porque, generalizada, a desfaçatez fez da anomalia algo, por assim dizer, normal. Formou-se um insuperável deficit estético.
- Em tempo: O texto acima, de autoria do signatário do blog, está publicado na edição deste domingo da Folha.
Em sua última reunião, o comando da campanha petista de Dilma Rousseff chegou a uma avaliação otimista sobre os rumos da sucessão.
Em resumo feito ao repórter, um dos participantes do encontro apontou a principal conclusão: Dilma sai da fase de pré-campanha mais bem posta que José Serra.
Para os operadores de Dilma, a ascensão da candidata nas pesquisas provocou uma “desarrumação” na tática adotada pelo rival tucano.
Segundo essa visão, Serra escorou sua campanha numa premissa que a realidade conspurcou.
Contava que chegaria ao início formal da campanha, depois da Copa do Mundo, ainda no topo das sondagens eleitorais.
Com isso, poderia abster-se de criticar Lula e concentrar-se na comparação de sua biografia com a de Dilma.
Agora, estima o QG da candidata oficial, Serra será compelido a ajustar os planos e o discurso. Por quê? A imagem de Dilma tende a se fundir à de Lula.
A reunião ocorreu na última quinta (3), dois dias antes do adensamento da polêmica do dossiê, um tema que domina o noticiário deste final de semana.
Já então, o petismo tratava como um ponto fora da curva o episódio da desastrada tentativa de dotar o comitê de um núcleo de espionagem.
Estimou-se que a encrenca não prejudicaria a “boa fase” da campanha. Havia sobre a mesa, a propósito, uma pesquisa interna, feita por encomenda do PT.
Um ponto chamou especial atenção. Perguntou-se ao eleitor quem a mídia protege mais, Serra ou Dilma?
Curiosamente, a maioria respondeu que o noticiário é mais favorável à petista que ao tucano. Visão inversa à que predomina no comitê de Dilma.
Concluiu-se: as gafes e erros atribuídos a Dilma e explorados à larga nas manchetes se esvaíram numa atmosfera em que a candidata é associada a Lula.
“À medida que vão descobrindo que Dilma é a candidata do Lula, acham tudo nela lindo. E aumentam as intenções de voto”, disse o interlocutor do blog.
De resto, o alto comando de Dilma identificou os problemas que vicejam no comitê do adversário:
A “falta de clareza no discurso”, a “dificuldade para encontrar um vice”, os “contratempos com repórteres”, os “ataques à Bolívia”.
Na opinião do petismo, não há muito a fazer em relação a Dilma senão manter a estratégia, à espera da entrada efetiva de Lula na campanha.
Quanto a Serra, planeja-se contribuir para que tenha mais problemas. Numa das iniciativas, o PT mira o PP, legenda presidida pelo senador Francisco Dornelles (RJ).
Primo do grão-tucano Aécio Neves, Dornelles foi cogitado para vice de Serra. Algo que, para se tornar viável, exigiria a coligação do PP com o PSDB.
Num primeiro momento, o petismo assediara Dornelles e seus pares para reivindicar a “neutralidade” do PP. Não viria para Dilma, mas também não cairia no colo de Serra.
Hoje, imagina-se que será possível obter mais: a adesão formal do PP à candidatura de Dilma. Menos pelo tempo de TV, mais pelo baque que representará para Serra.
Trabalha-se com a seguinte lógica: Associando-se a Serra, o PP iria ao noticiário como uma derrota para Dilma...
Mantendo-se neutro, o PP se converteria em grave prejuízo para Serra, às voltas com a necessidade de tonificar o seu tempo de TV...
Incorporando-se formalmente à caravana de Dilma, o PP vira uma crise para Serra, uma nova evidência de fragilidade da campanha tucana.
Em contraposição à estratégia inimiga, o tucanato abre a semana com disposição para extrair do episódio do dossiê o máximo proveito político.
No mais, Serra não parece, por ora, tentado a escalar sobre Lula. Na quinta, disse na Paraíba que não há pressão sobre ele para que apimente o discurso.
Continua aferrado à idéia de comparar seu histórico ao de Dilma. Afora a falta de experiência, deseja fulminar a imagem de boa gestora.
Quer vender a tese de que é mais experiente para “manter o que está dando certo”, como não se cansa de repetir.
O PT acha que, com ao subir no ringue da TV e dos palanques abraçado a Dilma, Lula fará o discurso de Serra virar pó.
Daí a convicção de que o tucano vai submeter sua tática a um reajuste que o aproximará da armadilha plebiscitária urdida por Lula.
Dalcío O candidato à Presidência da República é uma sucessão de poses e discursos. Para obter sucesso, é preciso que faça nexo.
O repórter Elio Gaspari identificou um certo vaivém no palavreado José Serra.
No início, o timbre de veludo, à maneira de Tancredo. Súbito, o tom iracundo, à moda Collor.
Com estrondos, ensina o repórter, não se ganha eleição.
O texto de Gaspari foi às páginas deste domingo (6). Aqui, na impressão de ‘A Gazeta’, de livre acesso.
Para facilitar a vida dos 22 leitores do blog, vai abaixo o pedaço que ilumina os desacertos de Serra:
“O tucanato está tonto, sem motivo. A prova da falta de rumo está na insistência de José Serra em fazer oposição vigorosa... ao governo da Bolívia.
Campanhas presidenciais têm momentos mágicos, como o dia em que Fernando Henrique Cardoso viu eleitores empunhando cédulas do real durante um comício na Bahia.
Serra precisa perseguir esses momentos. Ele entrou na disputa com um discurso aveludado, lembrando Tancredo Neves, e em poucas semanas crispou-se, tentando ficar parecido com Fernando Collor.
A perplexidade tucana não tem amparo na realidade. A percentagem de eleitores dispostos a tirar o PT do governo é igual à daqueles que gostariam de votar em Dilma Rousseff.
Trata-se apenas de batalhar pelo votos com uma plataforma real, livre de marquetagens. Se perder, paciência.
Em 2008, nos Estados Unidos, o jogo bruto detonou a candidatura de Hillary Clinton, que parecia invencível. Em vez de falar macio, ela e o marido, Bill, decidiram pegar pesado. Ciscaram para fora.
Num episódio típico, empurraram Ted Kennedy para o colo de Obama. É verdade que ele namorava a hipótese, mas a gota d’água deu-se quando Bill Clinton disse-lhe: “Esse sujeito nunca fez nada. (...) Ele nos servia café!”. Kennedy ouviu e fechou a conta.
Tanto Serra como Dilma parecem-se mais com madame Clinton do que com o companheiro Obama. O problema de Serra é que Dilma tem Lula ao seu lado. Com estrondos, não ganhará a eleição”.
Folha Fernando Pimentel, ex-prefeito petista de Belo Horizonte, soltou uma nota sobre a polêmica do dossiê.
No texto declara-se indignado com a menção ao seu nome feita pelo delegado aposentado Onézimo Souza.
Em entrevista, Onézimo contara ter participado de reunião na qual ouviu a proposta de espionar José Serra e Cia.
Na versão do delegado, o encontro seria com Pimentel. Ao chegar, encontrou o jornalista Luiz Lanzetta, que falava em nome do ex-prefeito.
"Não conheço este senhor, nunca tive qualquer contato pessoal, telefônico ou por qualquer outro meio com ele, nem com sua empresa”, anotou Pimentel.
“Repilo a insinuação de que eu teria tomado conhecimento de um encontro entre este sr. Onézimo e o jornalista Luiz Lanzetta".
Vai abaixo a íntegra da nota de Pimentel:
"Vi com indignação, na imprensa de hoje, a entrevista do sr. Onézimo Souza, que menciona meu nome. Não conheço este senhor, nunca tive qualquer contato pessoal, telefônico ou por qualquer outro meio com ele, nem com sua empresa.
Repilo a insinuação de que eu teria tomado conhecimento de um encontro entre este sr. Onésimo e o jornalista Luiz Lanzetta.
Jamais fui informado de qualquer reunião para tratar de assuntos de segurança, vigilância ou qualquer tema correlato.
Às insinuações das matérias com este Sr. Onésimo, respondo com meus quarenta anos de militância na luta pela liberdade democrática e pelos direitos civis.
Minha trajetória política e pública atesta meu compromisso com a democracia, com a ética e com as instituições.
Repudio veementemente qualquer associação do meu nome com práticas não republicanas e lamento que insinuações deste tipo encontrem espaço em órgãos da imprensa brasileira".
Carol Guedes/Folha Em artigo veiculado neste domingo (6), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discorre sobre a política externa de Lula. Dá especial realce ao caso do Irã.
Anota duros ataques a Lula. Classifica de “bazófias presidenciais” a retórica do sucessor, baseada na tese de que “hoje não nos agachamos mais perante o mundo”.
Sustenta que as relações do Brasil com outros países sempre se orientaram por “valores” e pelo “interesse nacional”.
Acusa Lula de recorrer à “demagogia”. Algo que, a seu juízo, “não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do país”.
Para FHC, tomado pelo histórico de sua Diplomacia, é “natural” que o Brasil “insista em sentar à mesa dos tomadores de decisões globais”.
Pergunta: “Por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro?”
Atribui as reações ao acordo nuclear intermediado com o Irã por Brasil e Turquia a dois fatores.
1. “A falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa”
2. “A forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo”.
Ao esmiuçar o primeiro tópico, FHC compara o Irã ao Brasil. Escreve que, no caso brasileiro, o país já dispõe de tecnologia para produzir a bomba atômica.
Nem por isso, argumenta FHC, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares.
Leia-se o miolo do artigo de FHC: “Conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis)...”
“...Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria...”.
“Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica...”
“...Não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio [...] ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica”.
Diferentemente do que ocorre com o Brasil, prossegue FHC, “falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia”.
Vem daí, segundo o ex-presidente, a resistência dos EUA ao acordo de Teerã. Ele reproduz um dos argumentos centrais da Casa Branca:
“[...] A quantidade de urânio já disponível [no Irã], mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba”.
“O xis da questão”, FHC acrescenta, “seria a obtenção pelo Brasil e Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá”.
Acha que, para ser “eficaz”, evitando a imposição de sanções ao Irã, a ação de Lula teria de “desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares”.
Anota que, nesse ponto, “a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado”. E fustiga Lula com ironias que associam o encontro de Teerã à Copa do Mundo:
“O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro passando a impressão de que havíamos dado um drible nas “grandes potências”, digno de Copa do Mundo...”
“...Reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o ‘outro lado’. E em política internacional, mais do que em geral, cosi é (se vi pare)”.
“Cosi é (se vi pare)” é o título de uma peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Coisa de 1917. Em português, significa “Assim é, se lhe parece”.
Trata-se de uma comédia, na qual Pirandello contrapõe realidade e aparência. O mesmo objetivo do artigo em que o ex-presidente intelectual fustiga o sucessor autodidata.
A exemplo do que fizera em artigos anteriores, FHC sustenta que, também na política externa, sua administração deixou um legado benfazejo. “Políticas que tiveram desdobramentos positivos no atual governo”.
A certa altura, FHC escreve: “No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7, ver-se-á que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes”.
- Serviço: O artigo de FHC já está disponível no sítio do Zero Hora, que antecipa na web sua edição domingueira. Veja aqui.
Folha Pesquisa Ibope feita por encomenda da Globo e do Estadão informa que a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra estão empatados em 37%.
É percentual idêntico ao que fora detectado pelo Datafolha em sondagem divulgada no último dia 24 de maio.
Segundo o Ibope, Marina Silva (PV) ostenta 9% das intenções de voto. No Datafolha, ela aparecera com 12%.
Comparando-se a nova pesquisa do Ibope com a anterior, de abril, Dilma escalou cinco pontos percentuais. Serra desceu três.
O Ibope aponta um empate também no cenário de segundo turno: 42% para Serra e Dilma. O Datafolha apontara empate técnico: 46% para Dilma, 45% para Serra.
Lula ‘Cabo Eleitoral’ da Silva obteve no Ibope taxa de aprovação de 75%. Percentual semelhante ao que anotara o Datafolha: 76%.
Dilma igualou-se a Serra depois da superexposição que o PT lhe proporcionou na televisão, à custa de multas impostas pelo TSE a ela, ao partido e a Lula.
Os partidos que apóiam Serra recorrerão ao mesmo expediente. O DEM já utilizou o seu programa partidário para vitaminar a imagem de Serra.
Neste mês de junho, vão ao ar os programas de dez minutos e um lote de inserções de 30 segundos de três legendas associadas a Serra: PSDB, PPS e PTB.
Aos olhos de hoje, Dilma, em curva ascendente, chega ao final da fase de pré-campanha em situação mais favorável que a de Serra, em queda.
A campanha efetiva começa em 5 de julho. Antes disso, novas pesquisas informarão se a TV terá para Serra o mesmo efeito tônico que teve para Dilma.
De concreto, por ora, a certeza de a campanha será renhida. Mantido o aperto das urnas, Dilma disporá de uma arma que pode fazer a diferença: o apoio de Lula.
O jornalista Luiz Lanzetta (foto), dono da Lanza Comunicação, formalizou seu pedido de afastamento da campanha de Dilma Rousseff.
Deu-se neste sábado (5), por meio de uma carta, informa o repórter Fernando Rodrigues.
Lanzetta decidiu se desligar da campanha, segundo conta, depois de ler, de madrugada, a entrevista do delegado Onézimo Sousa.
Aposentado da PF, Onézimo afirmara que Lanzetta lhe havia proposto a constituição de um esquema para espionar, entre outros, o tucano José Serra.
Lanzetta não nega a reunião. Mas dá uma versão diferente. Diz que não propôs coisa nenhuma. Sustenta ter ouvido uma proposta:
"Ele [Onézimo] veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba [deputado federal pelo PSDB do Rio]...”
“...Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando, porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram...”
“...Falaram que o Marcelo Itagiba [delegado licenciado da PF] estava fazendo cem dossiês contra a base aliada...”
“...Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin, no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso...”
“...Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito".
Vai abaixo a entrevista que Lanzetta concedeu a Fernando Rodrigues:
- Quem estava na reunião de 20 de abril no restaurante Fritz, em Brasília? Cinco pessoas. Onésimo, Amaury, o Dadá, o Benedito e eu.
- Quem marcou a reunião e fez os convites? Eu não me lembro.
- Por que pessoas como o Benedito e o Amaury estavam nessa reunião? O Benedito estava lá até para me servir de testemunha agora. Até porque o Onésimo parece ter sido acometido por uma crise de ética que ficou retida por dois meses. Ele chegou ao encontro dizendo que transportava dinheiro. Os dois, ele e o Dadá, falaram ter conhecimento de que o Marcelo Itagiba estaria montando cem dossiês. Ofereceram-se.
- Como foram os contatos seguintes? Nunca mais vi os dois. O fato a ser dito é que não foi feito nenhum contrato.
- Numa entrevista, Onésimo falou ter sido proposto a ele grampear e espionar pessoas. Isso não é fato? Ele que ofereceu serviços de espionagem. Eu fui lá ouvir. Levantei e fui embora.
- Mas Onésimo é muito assertivo ao dizer que foi proposto a ele buscar dados da vida pessoal do pré-candidato José Serra. Não é verdade. Não se tratou de Serra. Ele montou essa reunião agora para dar essa mídia toda. Não teve isso. Eu fui para uma reunião, ouço um monte de coisa, levanto e vou embora. Não faço contrato. Nunca mais falo com a pessoa. De repente aparece como se fosse uma proposta minha? Eu nunca mais quis encontrar com ele. Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram.
Mas Onésimo se ofereceu explicitamente para investigar Marcelo Itagiba? Explicitamente.
- Qual serviço exatamente foi oferecido? Eles começaram a falar o que eles têm de serviço. Demonstram como seguem, como gravam. Essas coisas todas. Eu comecei nem prestar mais atenção. Eles falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito.
- Onésimo diz ter sido convidado para a reunião no Fritz pelo Pimentel. Isso ocorreu? É delírio. O Pimentel nem sabia disso. Só fui falar depois, quando começou a aparecer essa reunião. Falei para ele como tinha sido e que nada havia sido acertado.
- Há uma informação de que Fernando Pimentel tinha conhecimento sobre a finalização da apuração que Amaury Ribeiro Jr. fazia, sobre privatizações e negócios de Verônica, filha de José Serra. Como se dava essa troca de informações? Não tinha. De minha parte, não.
- Mas o Amaury poderia falar diretamente com Pimentel? Ah... só se houve algo assim. Porque nunca houve reunião que eu tenha visto dos dois.
- Há também uma informação de que por algum canal, da pré-campanha ou do PT, Amaury Ribeiro teria sido remunerado regularmente para continuar suas apurações. Essa informação é real? Não tenho conhecimento. Pelo que eu sei não houve nada. O Amaury tem recursos para tocar a vida dele.
- Quais serão seus próximos passos na pré-campanha? Hoje devo soltar uma nota a respeito de tudo. Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. Hoje [ontem] eu mandei uma carta para a pré-campanha e me desliguei. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora. Ninguém foi contratado, não existe. Mandei uma carta hoje [ontem] de madrugada. Quando eu vi as entrevistas [de Onésimo e uma reportagem sobre Dadá] eu pensei: 'Dá para falar'. Fiquei tranquilo porque tudo está no meu âmbito. A carta foi para algumas pessoas, mas basicamente para a Helena Chagas.
- Mas o seu contrato não vai até o final de junho? Eu estou saindo pessoalmente. O meu contrato eu estou abrindo mão e com grande alívio.
- Mas se ao seu juízo nada errado foi feito, por que então sair da campanha? Por que não tenho como ficar na campanha nessa situação. É melhor para todos a minha saída. Foram 40 dias dizendo que eu fiz uma coisa que eu não fiz. E o principal é que ficou esclarecido que nenhum negócio foi feito como nos acusaram.
Fábio Pozzebom/ABr O Quartel General da campanha de Dilma Rousseff sofrerá um rearranjo nas próximas semanas. Deixará de ter um comando múltiplo.
O poder decisório será gradativamente concentrado nas mãos do deputado Antonio Palocci, homem de Lula no comitê.
Palocci travava com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma disputa dissimulada. Prevaleceu.
Em privado, Lula revelou-se irritado com a descoberta de que um grupo de “neoaloprados” operou nos subterrâneos do comitê de Dilma.
O blog conversou, na madrugada deste sábado (5), por telefone, com um dos operadores da campanha petista.
Contou que Lula abespinhou-se sobretudo por considerar que o noticiário negativo chega num instante em que Dilma vive o seu melhor momento.
Não é hora de derrapagem, teria dito o presidente. Acha, de resto, que não se ganha eleição com denúncias.
No Planalto, associa-se a operação tida por desastrada a Fernando Pimentel. De resto, tenta-se afastar a candidata da confusão.
Dilma nada teria a ver com a malograda tentativa de montagem de um grupo de espionagem para recolher material contra o rival José Serra.
Ao contrário. Vende-se a tese de que Dilma, assim que soube da movimentação do jornalista Luiz Lanzetta (na foto), amigo de Pimentel, mandou fechar o porão.
Em prejuízo dessa versão, há o fato de que a empresa de Lanzetta, a Lanza Comunicação, contratada pelo PT para atuar na campanha, não teve o contrato rescindido.
Alega-se que Lanzetta teria apenas se informado sobre o teor de uma apuração realizada por outro repórter: Amaury Ribeiro Jr., também próximo a Pimentel.
Apuração antiga, que se destinaria à publicação de um livro. Há na peça dados pouco lisonjeiros sobre Serra e o tucanato. Daí o interesse de Lanzetta.
De novo, a versão oficial serve-se de meias-verdades. Lanzetta não se limitou a ouvir o amigo Amaury.
Promoveu, com a presença dele, uma reunião cujo objetivo era a obtenção dados frescos. Nada a ver com o mercado editorial.
Tomado pelas declarações do delegado aposentado Onézimo Sousa aos repórteres Policarpo Junior e Daniel Pereira, o encontro visava propósitos sombrosos.
Deu-se em abril a tentativa de Lanzetta de dotar a campanha de Dilma de um grupo de espionagem.
Mesmo sem atribuir responsabilidades a Pimentel, que nega participação no episódio, o PT e Lula vão cuidar para que ele deslize suavemente para fora da campanha.
Não se vai utilizar o vocábulo afastamento. Menciona-se, desde logo, a “necessidade natural” que Pimentel terá de se dedicar à sua própria campanha, em Minas.
A depender dos planos traçados em Brasília, Pimentel irá às urnas como candidato ao Senado, não ao governo mineiro, como pretendia.
Quanto ao caso do dossiê, providencia-se para Pimentel um escudo. Afirma-se que jamais partiria dele um plano que tivesse como alvo Rui Falcão (PT-SP).
Um dos alegados objetivos de Lanzetta, além de espionar José Serra, seria o de perscrutar os passos de Falcão.
Por quê? Suspeitava-se que Falcão estivesse vazando detalhes de reuniões estratégicas do comitê de Dilma.
Pois bem, diz-se que Pimentel e Falcão são amigos comuns de Dilma do tempo da militância contra a ditadura.
Algo que desautorizaria a tese segundo a qual Pimentel estaria por trás das ações de Lanzetta. A despeito disso, o leme da campanha irá às mãos de Palocci, agora sem interferências.
Tomando-se a sério o script oficial, será necessário aceitar que Lanzetta reuniu-se com gente especializada em investigação, expôs planos e cifras e não informou ao comitê –ou a parte dele— nada do que se passava no porão.
Ele se chama Onézimo Sousa. É delegado aposentado da Polícia Federal. Ganhou súbita notoriedade. Foi ao noticiário como chefe de um grupo de espionagem que se tentou montar no porão do comitê de campanha de Dilma Rousseff.
O policial de pijamas foi trazido à boca do palco pelos repórteres Policarpo Junior e Daniel Pereira. Entrevistaram-no. E levaram o conteúdo da conversa às páginas de Veja.
Onézimo contou que, de fato, participou de uma reunião de planejamento. Afirma que, por ter discordado dos métodos e do tipo de operação, refugou a oferta de trabalho. Previa dois movimentos.
Num, desejava-se identificar um membro da campanha de Dilma a quem se atribuía o vazamento de informações estratégicas do comitê. As suspeitas recaíam sobre Rui Falcão (PT-SP). Noutro, planejava-se espionar o presidenciável tucano José Serra, familiares, amigos e o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).
Onézimo relatou que foi convocado para uma reunião com Fernando Pimentel (PT-MG), amigo de Dilma e um dos coordenadores da campanha petista. No local combinado, a área reservada de um restaurante fino de Brasília, apareceu o jornalista Luiz Lanzetta. É dono da Lanza Comunicação, contratada pelo PT para atuar no setor de comunicação da campanha.
Segundo Onézimo, Lanzetta lhe disse que falava em nome de Pimentel. A conversa desceu às cifras. Onézimo receberia R$ 1,6 milhão, em parcelas mensais de R$ 160 mil por mês.
Não haveria contrato. O dinheiro seria provido por Benedito de Oliveira Neto, um dono de empresas que prosperou sob Lula, prestando serviços ao governo. Benedito estava presente à reunião. Também tomou parte da conversa um repórter chamado Amaury Ribeiro Jr.
Abaixo, a entrevista que o delegado Onézimo concedeu a Policarpo e Daniel:
-O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para espionar adversários e petistas rivais? Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury [Ribeiro], o Benedito [de Oliveira, responsável pela parte financeira] e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou. Havia problemas de metodologia e direcionamento do trabalho que eles queriam.
-Como assim? Primeiro, queriam que a gente identificasse a origem de vazamentos que estavam acontecendo dentro do comitê. Havia a suspeita de que um dos coordenadores da campanha estaria sabotando o trabalho da equipe. Depois, queriam investigações sobre o governador José Serra e o deputado Marcelo Itagiba.
-Que tipo de investigação? Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais. O Lanzetta disse que eles precisavam saber tudo o que eles faziam e falavam. Grampos telefônicos...
- Pediram ao senhor para grampear os telefones do ex-governador Serra? Explicitamente, não. Mas, quando me disseram que queriam saber tudo o que se falava, ficou implícita a intenção. Ninguém é capaz de saber tudo o que se fala sobre alguém sem ouvir suas conversas. Respondendo objetivamente, é claro que eles queriam grampear o telefone do ex-governador.
- Disseram exatamente que tipo de informação interessava? Tudo o que pudesse ser usado contra ele na campanha, principalmente coisas da vida pessoal. Esse é o problema do direcionamento que eu te disse. O material não era para informação apenas. Era para ser usado na campanha. Na hora, adverti que aquilo ia acabar virando um novo escândalo dos aloprados.
- Quem fez essa proposta? Fui convidado para um encontro com Fernando Pimentel. Chegando lá no restaurante, estava o Luiz Lanzetta, que eu não conhecia, mas que se apresentou como representante do prefeito.
- Ele pediu para investigar os petistas também? Disse que estava preocupado, que tinha ocorrido uma reunião entre os seis coordenadores da campanha e que tudo o que havia sido discutido foi parar nos jornais. Havia alguém vazando informações, e ele queria saber quem era. Suspeitava do Rui Falcão.
Ouvido, Fernando Pimentel disse que não conhece Onézimo. Afirmou que Luiz Lanzetta não está autorizado a falar em seu nome. Lanzetta, segundo Veja, declarou ter feito "uma bobagem". Alegou que o grupo agiria apenas evitar ataques dos adversários.
Ao longo da semana PT e PSDB trocaram farpas. Serra atribuiu à rival Dilma a montagem de um dossiê contra ele. “Uma injustiça”, uma “ignomínia”, respondeu a candidata petista.
Presidente do PT, José Eduardo Dutra anunciou que, na segunda (7), vai interpelar Serra judicialmente. Se confirmar o que disse, será alvo de um pedido de indenização por danos morais. “Uma bobagem”, reagiu Serra. Cabe ao PT se explicar, disse ele.
Curiosamente, a empresa de Luiz Lanzetta continua formalmente contratada pelo PT.
Sérgio Lima/Folha Num instante a novela PT-PMDB se encaminha, em Minas Gerais, para o último capítulo, o petismo mineiro tenta reescrever o roteiro, esticando-o.
Defensores da candidatura do petê Fernando Pimentel, militantes petistas lançaram o movimento “Empurrado não vou”.
A coisa surge antes de um gesto já ensaiado por Pimentel. Empurrado por Lula e pelo PT federal, o candidato deve abdicar em favor do rival pemedebê Hélio Costa.
Incomodado com a pressão que as mãos de Brasília fazem em suas costas, o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes, aderiu gostosamente ao “Empurrado não...”.
Foi acompanhado pelo deputado Miguel Corrêa Jr., outro petista do grupo de Pimentel: "Estamos aos 40 do segundo tempo, ainda temos jogo".
A depender de Lula e do PT federal, o jogo está jogado. Prevê-se que, até segunda-feira (7), Pimentel se retira do gramado.
Se não sair, será empurrado pelo diretório nacional, que tem reunião marcada para a próxima sexta (11).
O curioso é que os petistas que cava trincheira em Minas escolheram uma frase do grão-tucano Aécio Neves para adornar a casamata.
Em março, numa das tentativas do tucanato de enfiá-lo dentro da chapa de José Serra, Aécio evocara o avô Tancredo Neves:
“Não adianta empurrar, empurrado eu não vou”. Ao copiar a frase, o petismo como que manda um recaso a Hélio Costa. Talvez não se animem a pedir votos para ele.
João Wainer/Folha O ministro Henrique Neves, do TSE, empurrou para dentro da biografia de Lula ‘Cabo Eleitoral’ da Silva a quinta multa por transgressão à Lei Eleitoral.
Dessa vez, Lula foi punido por um discurso que proferiu no 1º de Maio, em evento promovido pela CUT.
Para o ministro Neves, o presidente fez campanha dissimulada em favor de Dilma ‘Lulodependente’ Rousseff. Daí a multa, fixada em R$ 7.500.
A representação que levou à sentença fora protocolada pelo DEM. Ouvido, o Ministério Público Eleitoral dera razão ao partido.
Como se trata de decisão monocrática, tomada por um único juiz, Lula ainda pode recorrer. Se o fizer, o caso terá de ser julgado pelo plenário do TSE.
Nunca antes na história desse país um presidente da República testara de forma tão acintosa a paciência da Justiça Eleitoral.
Em Campina Grande (PB), José Serra desdenhou da decisão do PT de interpelá-lo judicialmente por ter atribuído a Dilma Rousseff o dossiê contra ele:
"Isso é bobagem. Eles é que devem dar explicação. Isso [o dossiê] é factóide, isso é para enganar a imprensa. Não tem nada".
Em Brasília, Dilma voltou a refutar a acusação de que o papelório contra Serra traz as suas digitais:
"Essa acusação representa uma falsidade e uma ignomínia. Tais documentos, se existem, não foram produzidos por nós. Tenho certeza de que a verdade vai aparecer. Estou sendo claramente injustiçada".
Guerra se auto-exclui da lista: ‘Não há condição alguma’
Fábio Pozzebom/ABr
Aos pouquinhos, a demora na escolha do candidato a vice na chapa de José Serra vai ganhando ares de crise.
Dentro de oito dias, o PSDB realiza sua convenção nacional. Serra é pressionado agora a definir o nome do parceiro de chapa antes do dia 12.
Trata-se de uma mudança de planos. Antes, cogitava-se oficializar a candidatura de Serra e adiar o anúncio de seu segundo para o final do mês.
O próprio candidato admitira a hipótese publicamente. Mas dirigentes do PSDB e do aliado DEM passaram a enxergar o adiamento como um problema.
Dissemina-se a tese segundo a qual a procrastinação sugere uma impressão de tibieza.
Algo que, levado às últimas consequências, vai passar a impressão incômoda –e falsa, dizem os tucanos— de que ninguém quer ser vice de Serra.
Empurrado para o fim de junho, o tema como que monopolizaria o noticiário sobre a campanha de Serra. Não se falaria de outra coisa.
A prevalecer esse entendimento, Serra terá uma semana para fazer, sob pressão, o que não fez, por conveniência política, em 60 dias.
De saída, Serra terá de superar um dilema. Um pedaço do PSDB ainda defende que a chapa deve ser puro-sangue.
O próprio Aécio Neves, depois de recusar a incumbência pela enésima vez, sugeriu o nome de outro grão-tucano: Tasso Jereissati.
A exemplo do correligionário mineiro, o grão-tucano cearense disse que não cogita ser vice. Prefere concorrer à reeleição para o Senado.
Sem Aécio e Tasso, escalou a lista de “opções” o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Mal esquentou lugar no noticiário, Guerra já cuidou, nesta quinta (3), de se auto-excluir do rol de vices: "Não há condição alguma".
A direção do DEM observa a movimentação dos parceiros tucanos com um pé atrás. É grande o incômodo.
O DEM considera-se dono da vaga. Topara abrir mão em favor de Aécio. Sem ele, nada feito.
Em diálogos privados, os principais dirigentes do DEM decidiram não impor nomes a Serra. Mas exige-se que o candidato selecione um vice de seus quadros.
Os morubixabas da tribo ‘demo’ queixam-se do tratamento que Serra vem dispensando a eles. Consideram-se alijados da campanha.
Nos subterrâneos, afirmam que a escolha de um vice de outra legenda consolidaria a impressão de que o DEM é visto como aliado de “segunda classe”.
Algo que o parceiro do PSDB, dono de uma vitrine televisiva de pouco mais de três minutos, não está disposto a admitir.
Folha O PT decidiu levar José Serra à Justiça. Vai interpelar o presidenciável tucano. Quer saber se ele confirma uma acusação feira à Dilma Rousseff.
Referindo-se ao dossiê cuja encomenda foi atribuída a um jornalista que presta serviços à campanha rival, Serra disse:
"A principal responsabilidade desse dossiê é da candidata Dilma. Não tenho dúvidas".
Dilma já havia respondido: "Isso é uma falsidade. Não vou ficar batendo boca, mas isso é uma falsidade."
A interpelação é um procedimento que antecede a ação por danos morais. Se Serra não recuar, o PT vai ao segundo estágio.
"Um candidato à Presidência não pode ficar fazendo acusações ao léu”, disse José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT.
“Se ele confirmar o que disse, entraremos com uma ação por danos morais. Ele terá de provar o que falou. Essa declaração é uma lesão à imagem de Dilma".
Presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, o senador Sérgio Guerra (PE) considerou despropositada a reação do PT:
“É o cúmulo da inversão ética", disse. "Quem deve alguma explicação a respeito dessa fábrica de dossiês é o PT e a campanha da Dilma".
Guerra esmiuçou seu raciocínio: "Se a Dilma não manifesta repúdio ao que foi feito, não manda embora e nem entrega os malfeitores...”
“...Então, ela assume a responsabilidade por mais essa trapalhada. Não adianta inverter as coisas".
Folha Ressuscitada pelo senador Pedro Simon (RS), a candidatura de Roberto Requião (PR) ao Planalto deve naufragar antes da convenção do PMDB, marcada para 12 de junho.
A direção do partido decidiu condicionar a aceitação do registro da candidatura, protocolado por Simon nesta quarta (2), a uma exigência.
Para ser tomado a sério, Requião terá de abdicar, por escrito, da condição de candidato ao Senado pelo PMDB do Paraná.
Do contrário, suas pretensões presidenciais serão levadas na brincadeira. E o registro não será submetido à análise da convenção.
Pretende-se convocar para a próxima semana uma reunião da Executiva nacional do PMDB.
Dominada pelo grupo que apoia a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, a Executiva cuidará de sepultar o registro de Requião.
O grupo de Temer alega que nenhuma candidatura pode chegar à convenção sem passar, antes, pela Executiva. Por quê?
Em diálogos privados, Temer, que preside o PMDB, recorda que o partido contabiliza mais de 3 milhões de filiados no país.
Diz que, sem o filtro da Executiva, qualquer filiado poderia, no limite, se apresentar como candidato à Presidência. Ainda que não dispusesse de apoio para tanto.
Com a ajuda de Lula, o PT desenvolve um “arrastão” partidário nos Estados do Sul. Nesse naco do mapa, José Serra prevalece sobre Dilma Rousseff nas pesquisas.
O petismo realiza dois movimentos. Num, tenta armar os palanques de Dilma. Noutro, trabalha para desarmar os de Serra. Abaixo, o mapa da guerra:
1. Paraná: O palanque dos sonhos do PT tem a seguinte composição: para o governo, Osmar Dias (PDT). Para o Senado, Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT).
Nesta quarta (2), Lula recebeu, em privado, o governador paranaense, Orlando Pessuti (PMDB). Era vice de Requião. Herdou dele a cadeira de governador.
Candidato à reeleição, Pessuti resistiu aos apelos de Lula para que abdicasse de suas pretensões em favor de Osmar Dias.
Pessuti repetiu a Lula o que dissera ao presidente do PMDB, Michel Temer, num jantar realizado na véspera. Não abre mão do projeto reeleitoral. Mas se dispõe a promover uma composição com o bloco pró-Dilma.
Deseja acomodar a petista Gleisi, mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), como vice de sua chapa. Para o Senado, Requião e Osmar Dias.
A fórmula não serve aos interesses de Lula. Primeiro porque Pessuti frequenta as pesquisas com a cara de azarão. Segundo porque Osmar Dias, segundo nas sondagens eleitorais, ameaça se compor com o líder, o tucano Beto Richa.
Lula e Pessuti combinaram de empurrar para o final de junho as convenções do PMDB e do PT no Paraná. Uma forma de ganhar tempo, para tentar chegar a um acordo.
2. Santa Catarina: Nesse Estado, o petismo considera duas hipóteses. Uma está sendo tricotada com a deputada Ângela Amin, candidata ao governo pelo PP.
A outra envolve uma negociação com Eduardo Pinho Moreira, presidente do PMDB-SC e candidato do partido ao governo local.
Dá-se preferência, por ora, ao acerto com Ângela. Líder nas pesquisas, a deputada é assediada também pelo PSDB de Serra.
Para fechar com o PT, Ângela exige que o partido a apóie já no primeiro turno. Algo que levaria o petismo a sacrificar a candidatura de Ideli Salvatti.
Num surpreendente surto de pragmatismo, o PT federal passou a considerar a sério a hipótese de “rifar” Ideli, empurrando-a para a reeleição ao Senado.
Eis o que disse ao repórter um dos operadores de Dilma: “Se estivermos convencidos de que faremos um palanque forte, com chance de vitória, nada é impossível...”
“...A candidatura da Ideli é questão fechada para o PT de Santa Catarina, não para o diretório nacional...”
“...Se nós vamos abrir mão da candidatura do [Fernando] Pimentel em Minas, não faria sentido fechar as portas em Santa Catarina”.
Em movimento simultâneo, o PT abriu negociação também com Pinho Moreira, o candidato do PMDB. Nesse caso, o objetivo primordial é atrapalhar a vida de Serra.
O PMDB catarinense integrava a chamada tríplice aliança, junto com PSDB e DEM. Serra tenta reunificar as três legendas. Por ora, sem sucesso.
Enquanto dialoga com Serra, Pinho Moreira achegou-se a Michel Temer, o virtual vice de Dilma. Apresentou duas fórmulas que, se adotadas, o fariam dar adeus a Serra.
Na primeira, ele encabeçaria a chapa e ofereceria a vice ao deputado Claudio Vignatti (PT-SC). Ideli trocaria o governo pelo Senado. A segunda vaga de senador iria para o ex-governador Luiz Henrique (PMDB), hoje alinhado com Serra.
Na segunda fórmula, Pinho Moreira admite a manutenção da candidatura de Ideli ao governo. Desde que o PT desista de fechar acordo com Ângela Amin.
Nessa hipótese, Pinho Moreira abriria seu palanque para Dilma. Mediria forças com Ideli. Assumiria o compromisso de apoiá-la caso vá ao segundo turno. E vice-versa.
3. Rio Grande do Sul: Nesse Estado, Dilma já dispõe do palanque de Tarso Genro (PT). Tenta-se agora impedir que o PMDB de José Fogaça feche com Serra.
Rival histórico do petismo gaúcho, o PMDB é majoritariamente favorável ao acerto com o tucano. Enfrenta, porém, uma conspiração urdida em Brasília.
O PDT gaúcho dará o vice do pemedebê Fogaça. Acionado, o ministro Carlos Lupi (Trabalho), mandachuva do PDT federal, ameaça melar a coligação.
Lupi assumiu com Lula o compromisso de arrancar seu partido da coligação de Fogaça se o candidato franquear o palanque para Serra.
Pelas informações que chegaram a Michel Temer, o PMDB gaúcho acusou o golpe. Parece se encaminhar para uma posição de neutralidade. Nem Dilma nem Serra.
José Cruz/ABr Michel Temer, presidente do PMDB federal, e Orestes Quércia, mandachuva do PMDB de São Paulo, selaram um armistício.
Ficou estabelecido que um não atrapalhará os planos políticos do outro. Na cena federal, Temer vai de Dilma Rousseff.
Na arena estadual, Quércia empurrará o PMDB para dentro da coligação tucana de Geraldo Alckmin. E fará campanha para José Serra.
Ficou entendido o seguinte:
1. Convenção nacional: Está marcada para 12 de junho. O PMDB de São Paulo será representado por 26 delegados.
A tropa estava dividida: Temer contabilizava 14 delegados do seu lado. Acertou-se que os 12 votos fiéis a Quércia não darão as caras.
Serão substituídos na convenção pelos suplentes, que já estão sendo convocados.
Assim, Temer poderá saborear uma unanimidade na delegação de São Paulo, o Estado onde mantém domicílio eleitoral.
Espera-se que, entre titulares e suplentes, os 26 delegados paulistas votem a favor da coligação com o PT de Dilma e da indicação de Temer para vice.
2. Convenção Estadual: Foi agendada para 13 de junho, um dia depois do encontro nacional.
Vai selar a coligação do PMDB-SP com o PSDB de Geraldo Alckmin e o DEM do vice Guilherme Afif Domingos. Quércia vai à chapa como candidato ao Senado.
Com a deposição de armas, Temer como que cruzou os braços. Os prefeitos e deputados estaduais que lhe devotam fidelidade estão livres para votar a favor da composição com o tucanato.
Depois, farão uma campanha de duas faces. Para o Planalto, Temer e Dilma. Em São Paulo, Quércia e Alckmin.
3. Ausências: Restou estabelecido, de resto, que nem Quércia irá à convenção nacional nem Temer comparecerá ao encontro estadual.
Quércia é um dos delegados que serão trocados por suplentes. Além dele, toda a sua parentela: mulher, cunhado, concunhado, primo...
Quanto a Temer, ficará em Brasília no dia 13. Já ratificado como vice, irá à convenção nacional do PT, na qual Dilma será convertida de pré-candidata em candidata.
Marcello Casal/ABr Presidente do diretório do PMDB-RS, o senador Pedro Simon registrou, nesta quarta (2), a candidatura de Roberto Requião à Presidência da República.
O registro foi protocolado no diretório nacional do partido. Antes, Simon enalteceu Requião num discurso.
Assim, se a petensão de Requião sobreviver até 12 de junho, a convenção do PMDB federal terá de decidir entre duas propostas:
1. Coligação com o PT de Dilma Rousseff, com a indicação de Michel Temer para a vice.
2. Candidatura própria encabeçada por Requião, ex-governador do Paraná.
Há, hoje, franca maioria a favor da chapa Dilma-Temer. Requião finge-se de presidenciável porque não perde nada.
A convenção do Paraná virá depois da nacional. Derrotado na primeira, Requião beliscará a candidatura ao Senado na segunda.
A pantomima não tem outra serventia senão a de produzir ruídos. O PMDB federal cogita condicionar a pseudocandiatura de Requião à aprovação da Executiva.
Aliado de José Serra, o PPS decidiu protocolar na Procuradoria-Geral da República um pedido de investigação contra a campanha de Dilma Rousseff.
O partido requer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a abertura de um inquérito.
Deseja que seja apurada a denúncia de que, sob Dilma, montava-se um dossiê contra o rival e uma de suas filhas, Verônica Serra.
O documento do PPS menciona o jornalista Luiz Lanzetta, a quem se atribui a montagem do dossiê, a soldo do PT.
Coube ao deputado Raul Jungmann (PE) entregar o pedido na Procuradoria. "Trata-se de um tema criminal de extrema gravidade”, disse.
“Não estamos aqui fazendo a defesa de Serra. Até porque a apuração desse caso não é essencial apenas para ele...”
“...É essencial para os partidos e para todos os candidatos. Lugar de criminoso, de aloprado, de chantagista e araponga não é na política. É na cadeia."
Ecoando o presidente do PSDB, que falara sobre o tema na véspera, Jungmann atribui a responsabilidade pelo dossiê a Dilma.
O próprio Serra adotou o mesmo tom: "A principal responsabilidade desse dossiê é da candidata Dilma. Disso não tenho dúvidas...”
“...Como a principal responsabilidade do dossiê dos aloprados [de 2006] é do Aloizio Mercadante...”
“...Como a principal responsabilidade do dossiê de 2002 é do Ricardo Berzoini [ex-presidente do PT]."
Ouvido, José Eduardo Dutra, presidente do PT, classificou de "patifaria" a insinuação de que Dilma esteja por trás do dossiê.
Ao responder especificamente a Serra, Dutra ironizou: "O Serra tentou por um tempo passar a imagem de 'Serrinha paz e amor', mas pelo visto, essa fase passou".
Sobre Lanzetta, o suposto organizador do dossiê, Dutra dá uma explicação dicotômica. Diz que o jornalista não trabalha na campanha. Porém...
Porém, reconhece que a empresa de Lanzetta, Lanza Comunicação, realiza recrutamento de pessoal.
Segundo Dutra, o papel de Lanzetta se restringe à contratação de mão de obra para a pré-campanha de Dilma.
E quanto à encomenda do dossiê: "Não sei se houve tal contato, se não houve, mas não há nenhuma responsabilidade do partido ou da campanha".
Esclareceu, de resto, que o pessoal selecionado por Lanzetta se reporta diretamente ao deputado estadual Rui Falcão (PT), coordenador da comunicação do comitê.
Ou seja, se a Procuradoria quiser investigar, matéria-prima não há de faltar.
Em privado, José Serra revela certo incômodo com a fieira de vices que, mesmo não tendo sido convidados, apressam-se em recusar o posto.
Pendurado no micro-blog na madrugada desta quarta (2), o presidenciável tucano serviu-se da ironia.
Sem mencionar os nomes dos que rejeitam de antemão a parceria, Serra evocou uma velha frase atribuída a Tancredo, o avô de Aécio. Anotou:
“Tancredo Neves, eleito governador de Minas, e um amigo: ‘Dr. Tancredo, dizem que serei seu secretário. O que eu falo?’ Tancredo: ‘Diga que o convidei e você recusou’.”
Beleza. A diferença é que, tomado pela frase que lhe é imputada, Tancredo já dispunha do secretariado. Podia dar-se ao luxo do descarte. Quanto a Serra...
Deu-se na cidade catarinense de Tubarão. O agente prisional Carlos Augusto Macedo Motta transportava dois presos.
Conduziu-os à sala do plantão do Deap (Departamento de Administração Prisional), num prédio anexo ao presídio de Tubarão.
Responsável pela segurança da cadeia, Carlos Augusto não se deu conta, mas estava sendo filmado por uma equipe da RBS TV. As imagens foram ao ar na noite passada.
Já no carro, o agente intimida os presos. Conduz um deles pelos cabelos. No interior do prédio, agrede os detentos, algemados (assista lá no alto).
Submetido às cenas, o diretor Deap, Adércio Velter, impressionou-se: “São imagens fortes. Isso não faz parte da situação do sistema prisional catarinense”.
O secretário de Segurança Pública catarinense, André da Silveira, foi além. Levou a assinatura a uma portaria que determina o afastamento do agressor por 60 dias.
“O fato deve ser apurado com a energia necessária pelo órgão correcional, tendo em vista a gravidade”, disse o secretário.
Abriu-se um inquérito na Corregedoria da Justiça e Cidadania do Estado. Pode resultar na demissão do agente, contratado há dois anos.
Realizou-se na noite desta terça (1º) uma reunião de José Serra com os partidos que compunham a tríplice aliança de Santa Catarina: PSDB, PMDB e DEM.
Deu-se na casa do presidenciável tucano, no bairro paulistano de Alto de Pinheiros. Uma conversa de pouco mais de duas horas.
O propósito do encontro era a reunificação da aliança catarinense. Serra almeja reagrupar as três legendas num único palanque.
Leonel Pavan (PSDB), Raimundo Colombo (DEM) e Eduardo Pinho Moreira (PMDB) entraram na casa de Serra candidatos. E saíram ostentando a mesma condição.
Pavan, atual governador de Santa Catarina, até admite abrir mão da candidatura. Mas condiciona o gesto a um acerto entre Colombo e Pinho Moreira.
O ‘demo’ Colombo não arreda o pé. Entre os três, é o mais bem posto nas pesquisas. E reivindica o apoio dos demais.
O pemedebê Pinho Moreira tampouco contempla a hipótese de desistir. À falta de um entendimento, o tucano Pavan insinua que pode se manter no páreo.
Ficou combinado que o grupo promoverá um novo encontro, em data a ser marcada. Deve ocorrer na semana que vem.
Participou da conversa o ex-governador Luiz Henrique (PMDB), que governou Santa Catarina, por dois mandatos, sustentado pela ex-tríplice aliança.
Hoje candidato ao Senado, Luiz Henrique é dissidente do PMDB federal. Discorda do apoio do partido à candidatura petista de Dilma Rousseff.
Fora do governo desde abril, Luiz Henrique tentou inúmeras vezes reunificar a trinca de legendas. Mas já não controla nem o seu próprio partido.
Na véspera, já em São Paulo, o candidato Pinho Moreira reunira-se com o presidente do PMDB, Michel Temer, virtual candidato a vice na chapa de Dilma.
Discutiu abertamente a hipótese de se bandear para o outro lado. Expôs suas condições a Temer. Coisa difícil de costurar, contudo.
Em troca do apoio a Dilma, Pinho Moreira reivindica a adesão do PT à sua candidatura ao governo catarinense.
O problema é que o PT já aprovou em encontro estadual a candidatura da senadora Ideli Salvatti.
Na equação levada a Temer por Pinho Moreira, Ideli disputaria a reeleição ao Senado. A segunda vaga de senador seria assegurada a Luiz Henrique.
Pinho Moreira se dispôs a ceder a vice para um petista. Sugeriu o nome do deputado federal Claudio Vignatti (PT-SC).
Temer ficou de levar a proposta adiante. Mas é improvável que obtenha a adesão de Dilma e do PT à fórmula de Pinho Moreira.
Melhor para a deputada federal Ângela Amin. Candidata do PP ao governo de Santa Catarina, ela assiste de camarote aos desencontros que se aprofundam à sua volta.
Melhor: Ângela é cortejada pelos dois lados. O PT deseja a abertura do palanque dela para Dilma. O PSDB tenta seduzi-la para a campanha de Serra.
José Cruz/ABr Dirigentes dos três partidos que dão suporte à candidatura de José Serra se reúnem nesta quarta (2).
Vão discutir uma reação conjunta à notícia de que um grupo a serviço do comitê rival de Dilma Rousseff organiza dossiê contra Serra.
Antecipando-se à reunião, o presidente do PSDB e coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra, cobra explicações.
Em entrevista ao repórter Leonardo Souza, Guerra disse que a tarefa de prover esclarecimentos é indelegável.
Cabe, segundo ele, à própria Dilma informar o que se passa. “É com a Dilma mesmo. Os aloprados de plantão, gente que montou uma fábrica de dossiês...”
“...Estão a serviço da campanha dela, trabalhando para ela, em processos que nem nós nem o Brasil aceitam”.
O dirigente tucano puxou do baú o dossiê anti-tucanos que os aloprados petistas tentaram comprar na campanha de 2006:
“A montanha de dinheiro que apareceu para ajudar o candidato do PT em São Paulo, até hoje ninguém sabe a origem dela”.
Para reforçar a tese de que “Não dá para [Dilma] se esconder”, içou da arca de reminiscências todos os contenciosos que envolveram a ex-ministra:
“Ela nunca explicou nada. Não se explicou no episódio da dona Lina [Vieira, ex-secretária da Receita Federal]...”
“...Não se explicou no caso do dossiê da Dona Ruth [Cardoso], no episódio do currículo [em que havia informação incorreta de que Dilma havia completado mestrado na Unicamp]...”
“...É um padrão que ela está demonstrando. Vamos ver agora onde ela vai se esconder diante de um fato desse gravidade...”
“...Uma campanha organizando dossiê contra uma outra campanha, secreto, escondido, vergonhoso. Isso não pode perdurar...”
“...Nós não tratamos assim os nossos concorrentes. Não os tratamos como inimigos, mas como adversários”.