Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Duda deve fazer campanha do PSB em SP, sem Ciro

  Antônio Cruz/ABr
O PSB paulista começa a mudar de assunto em São Paulo.

 

Em vez de Ciro Gomes, prepara-se para levar às urnas a candidatura de Paulo Skaf ao governo do Estado.

 

Presidente da Fiesp, templo do capital, o neosocialista Skaf filiou-se ao PSB em setembro do ano passado.

 

Já contactado, o publicitário Duda Mendonça aceitou fazer o marketing da campanha.

 

Deve moldar não só a imagem de Skaf, mas de todo o “pacote”. Inclui a vitrine eletrônica dos candidatos do PSB à Câmara e ao Senado.

 

Tomado pelo potencial político, Skaf não exibe, por ora, o semblante de um sucessor viável para o governador tucano José Serra.

 

Tomado pelo lado financeiro, Skaf é visto no PSB como elo com as caixas registradoras do Estado mais próspero da federação.

 

Dito de outro modo, eis o que espera a legenda: Em São Paulo, pode faltar voto. Mas dinheiro para a campanha não faltará.

 

Também o PT já não parece depositar muitas fichas na candidatura Ciro-SP.

 

O petismo arma o bote sobre seu líder no Senado, Aloizio Mercadante, o "plano B" de Lula.

 

Para tentar segurar o PSB na aliança, o PT cogita oferecer à legenda de Ciro a posição de vice na chapa de Mercadante. Aceitaria a companhia de Skaf.

 

Consultada informalmente, a direção do PSB paulista não exibiu grande entusiasmo pela idéia de amarrar os seus destinos ao do PT. Aliança, se houver, só no segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 20h47

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Arruda redigiu manuscrito com ‘acusações’ ao DEM

Documento tem 12  folhas e foi  entregue a  advogados
Entre os ‘alvos’ estão  Rodrigo,  Agripino e Demóstenes
Informados, parlamentares dizem não recear ameaças 

Elza Fiúza/ABr

 

Detido há 18 dias, o governador afastado do DF, José Roberto Arruda, dedicou parte de seu tempo na prisão à redação de um manuscrito.

 

Acomodado em 12 folhas, o texto contém “acusações” de Arruda contra seu ex-partido, o DEM. Menciona expoentes da legenda.

 

Entre eles o presidente da agremiação, deputado Rodrigo Maia (RJ); e os senadores Agripino Maia (RN), líder no Senado; e Demóstenes Torres (GO).

 

Neste sábado (27), segundo apurou o blog, Arruda entregou o documento a uma dupla de advogados que o visitou na superintendência da PF, em Brasília.

 

Os visitantes integram a equipe do escritório do criminalista Técio Lins e Silva, do Rio, contactado para reforçar a defesa do preso.

 

Encontraram um Arruda que, a despeito do convívio com a perpsectiva da detenção longeva e a ameaça de impeachment, revelou-se avesso à idéia da renúncia.

 

Ao contrário, Arruda pareceu pintado para a guerra. O manuscrito de teor acusatório foi ao cofre do escritório de advocacia.

 

Não há, por ora, informações nem sobre o teor da peça nem sobre os reais propósitos do autor, trancafiado numa sala da PF desde 11 de fevereiro.

 

Informados pelo repórter, na noite passada, acerca da existência do texto de Arruda, Rodrigo, Agripino e Demóstenes reagiram.

 

“Não faço idéia do que ele vai inventar”, disse Rodrigo Maia. “Não posso comentar algo que não sei o que é”.

 

Um dos autores do requerimento que levou Arruda a se desfiliar do DEM para evitar a expulsão, Demóstenes Torres foi à jugular:

 

“Em relação a mim, não há de ser nada além de um Fernandinho Beira Mar falando do juiz que o condenou. No meu caso, topo a briga”.

 

“A meu respeito, ele não tem o que inventar”, ecoou Agripino Maia, que também advogou a expulsão de Arruda. “Não tenho nenhuma relação com ele”.

 

As ameaças de Arruda frequentam os subterrâneos do DEM desde o dia em que o partido passara a considerar a idéia de expurgá-lo de seus quadros.

 

Pela primeira vez, o diz-que-diz ganha a forma de um texto. Mas a ausência de divulgação conserva as supostas denúncias ainda no campo da chantagem.

 

Nos últimos dias, Arruda estendeu as ameaças aos integrantes da pluripartidária bancada do panetone, com assento na Câmara Legislativa do DF.

 

Na sexta (26), uma comissão especial do legislativo brasiliense abriu, em votação unânime, o processo de impeachment contra Arruda.

 

Nesta semana, o pedido de cassação passará pelo segundo estágio, uma votação no plenário. A perspectiva é de aprovação.

 

Diante da evidência de abandono, Arruda mandou dizer aos aliados que claudicam que pode arrastá-los para o centro do escândalo, incriminando-os.

 

No que diz respeito à bancada distrital, os arroubos de Arruda fazem nexo, já que o impeachment é matéria ainda pendente de deliberação.

 

Dá-se o oposto em relação às baterias que Arruda aponta na direção da cúpula do DEM.

 

Agripino Maia realça o fato de que o partido não se dobrou às ameaças veladas que Arruda já fazia antes de redigir seu manuscrito, indicando-lhe a porta de saída.

 

Um sinal de que prevaleceu na legenda o grupo disposto a tratar Arruda com desassombro.

 

Na fase em que era festejado como único governador eleito pelo DEM no pleito de 2006, Arruda ajudou a fornir as arcas da legenda.

 

Na campanha municipal de 2008, direcionou doações de empresários com negócios no GDF para o diretório nacional do partido.

 

Quanto? O DEM informa que não foi muito, mas ainda não se animou a trazer a público uma cifra.

 

Dos cofres nacionais, a verba provida por Arruda foi rateada, junto com outras doações, entre diretórios de municípios nos quais o DEM disputava prefeituras.

 

A direção do partido sustenta que não recebeu um mísero centavo por baixo da mesa. Tudo teria sido feito como manda a lei: com recibo e escrituração formal.

 

Entre as prefeituras que disputou, o DEM priorizou 14, assentadas em cidades-pólo e capitais. Entre elas São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Arruda teria solicitado que as verbas obtidas por seu intermédio não custeassem nem a campanha de São Paulo nem a do Rio. Por quê?

 

O governador argumentara que o DEM detinha as prefeituras dessas duas praças. Por isso, teria codições de obter doações por conta própria, sem a ajuda dele.

 

Nos próximos dias, vai-se saber se o texto produzido por Arruda é coisa a ser tomada a sério.

 

Alerdeado como bala de prata, o documento pode se converter em mero festim se permanecer guardado nos cofres da banca advocatícia.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h16

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Terremoto devastador deixa mais de 70 mortos no Chile

 

- Folha: Dilma cresce e já encosta em Serra

 

- Estadão: Terremoto de 8,8 graus abala o Chile

 

- Veja: A nova ciência da pele

 

- Época: Chico Xavier e a alma do Brasil

 

- IstoÉ: O relatório final do mensalão

 

- IstoÉ Dinheiro: O rei da TV no Brasil

 

- CartaCapital: Que estatização é essa?

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h21

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S.O.S.

Duke

- Via O Tempo Online.

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Escrito por Josias de Souza às 01h17

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O discurso de Marina Silva é um ‘convite’ à reflexão

Clayton

 

Candidata à presidência a bordo do minúsculo PV, Marina Silva injetou no debate sucessório o tema mais relevante já abordado até agora: a governabilidade.

 

Marina diz que, se fosse eleita, promoveria um “realinhamento histórico”. Governaria "com os melhores do PSDB e os melhores do PT".

 

Para ela, "enquanto o PT e o PSDB não conversarem, vai ficar muito difícil assegurar uma governabilidade”.

 

Corta para o ano de 1978. Fervilhava uma atmosfera de abertura política, conduzida pelo general Ernesto Geisel.

 

Na região do ABC paulista, a cena sindical era sacudida por um líder irrequieto: Lula. Um Lula diferente do atual, sem engajamento partidário.

 

Esse Lula de então espantava os líderes políticos tradicionais com seus desafios às estruturas ideológicas convencionais.

 

Naquele mesmo ano, um professor universitário de verniz esquerdista foi convencido a disputar uma cadeira no Senado: Fernando Henrique Cardoso.

 

Deu-se numa reunião na casa do amigo José Gregori. Presentes, Francisco Weffort, Plínio de Arruda Sampaio e Almino Afonso, ex-ministro de João Goulart.

 

Após duas horas, FHC topou ir às urnas. Precisou da ajuda do amigo Flávio Bierrenbach para descobrir onde funcionava o MDB, partido ao qual se filiaria.

 

FHC obteve 1,27 milhão de votos. Não foi eleito. Mas tornou-se uma novidade da política. Na campanha, fora cortejado por artistas e intelectuais.

 

Melhor: o professor construíra uma ponte entre a academia e o universo sindical comandado por Lula.

 

A despeito da ojeriza que nutria por políticos, Lula atuara como cabo-eleitoral de FHC na porta das fábricas.

 

Um dos coordenadores de boca-de-urna de FHC era um estudante de pós-graduação de economia: Aloizio Mercadante.

 

Corta para 1992. Sob Fernando Collor, o Brasil se preparava para um plebiscito. O eleitor decidiria entre o presidencialismo e o parlamentarismo.

 

Lula foi ao apartamento de FHC, no bairro paulistano de Higienópolis. Presente, além do anfitrião, Tasso Jereissati, então presidente do PSDB.

 

A trinca pôs-se a discutir os rumos plebiscito que poderia converter o Brasil numa nação parlamentarista já em abril do ano seguinte.

 

Decidiu-se que Lula e Tasso correriam o país em defesa da causa parlamentarista. Iriam às universidades e aos sindicatos. Visitariam os donos de jornais.

 

Fizeram segredo da segunda parte do plano: as viagens serviriam para preparar o terreno da sucessão presidencial seguinte.

 

O PSDB apoiaria a candidatura de Lula. Indicaria o vice. Juntos, PT e PSDB negociariam o nome do primeiro-ministro. Lula e FHC pareciam, então, fadados a fazer política juntos.

 

Na memória de Lula, estava fresca a imagem do tucanato no seu palanque, no segundo turno da sucessão de 1989, que perdera para Collor.

 

Na cabeça de FHC, permaneciam intactos os ideais do professor de 1978, que animara o líder sindical a fazer campanha para ele nas fábricas.

 

Retorne-se a Marina Silva e à cena de 2010: “Devíamos ser capazes de estabelecer uma governabilidade básica, onde o PT e o PSDB digam: 'Naquilo que é essencial para o Brasil, nós não vamos colocar em risco a governabilidade'. O Brasil é maior que essas picuinhas".

 

Difícil ignorar a verdade escondida atrás das considerações da candidata do PV. Escravos das picuinhas, tucanos e petistas tornaram-se inimigos irreconciliáveis.

 

Somando-se os dois mandatos de FHC ao par de gestões de Lula, PSDB e PT governam o país há 16 anos.

 

Naquilo que realmente importa, a gestão da economia, Lula manteve o que FHC iniciara. Preservou-se a estabilidade que permitiu ao Brasil dar um salto.

 

Porém, a pretexto de assegurar a “governabilidade”, ambos ligaram-se ao que há de mais arcaico na política. Produziram escândalos em série.

 

Hoje, PSDB e PT dedicam-se a esfregar na cara um do outro as perversões que nutriram durante anos. Lula covida ao plebiscito: “Nós contra eles”.

 

Em artigo, FHC aceita o desafio. Mas parece mais empenhado em desqualificar a candidata oficial: “Boneca de ventríloquo”, “autoritária”, etc.

 

A julgar pelas pesquisas, o Brasil será presidido, a partir de 2011, por um tucano, José Serra. Ou por uma petista, Dilma Rousseff.

 

O “realinhamento histórico” de que fala Marina Silva tornou-se coisa utópica, irrealizável. Arma-se a continução da gincana de lama. Cedo ou tarde virá um novo mensalão.

 

- Em tempo: Ilustração via O Povo Online.

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Escrito por Josias de Souza às 18h45

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Vem aí uma eleição de ‘caneladas’ e placar apertado

Datafolha: apenas quatro pontos separam Dilma de Serra

 

  Moacir Lopes Jr./Folha
No curto intervalo de dois meses, a vantagem do tucano José Serra sobre a petista Dilma Rousseff despencou de 14 para quatro pontos percentuais.

 

É o que informa a mais recente pesquisa do instituto Datafolha. Em fins de dezembro, Serra amealhara 37% das intenções de voto. Dilma, 23%.

 

Hoje, o presidenciável do PSDB figura na pesquisa com cinco pontos a menos: 32%. Em movimento inverso, Dilma subiu cinco pontos: 28%.

 

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais –para cima ou para baixo.

 

Preto no branco, Dilma encostou em Serra. Mas a sondagem dá ensejo a que petistas e tucanos façam a leitura que lhes pareça mais conveniente.

 

Tortudando-se as estatísticas em favor do PT, poder-se-ia dizer que Dilma, no teto da margem de erro, teria 30%. Serra, no piso, beliscaria os mesmos 30%.

 

Espremendo-se os dados em benefício do PSDB: Serra, no pé-direito máximo da pesquisa, teria 34%. Dilma, ao rés da margem de erro, somaria 26%.

 

Seja como for, o Datafolha reforça uma tendência que outros institutos já vinham captando: Dilma tomou o elevador para o alto. Serra, para baixo.

 

Ponto para Lula. Caminhando na fronteira da lei, o presidente exibe sua candidata há mais de um ano em solenidades oficiais e pa©mícios.

 

Beneficiado pela Justiça Eleitoral, que arquiva –uma após outra—, todas as reclamações ajuizadas pela oposição, Lula saboreia o êxito da estratégia que concebera para sua ex-poste.

 

Problema para Serra. O governador também intensificou o vaivém de inaugurações. Mas sua vitrine, por estadual, não se compara ao mostruário nacional de Dilma.

 

De resto, Serra frequenta a fase de pré-campanha como adepto do esconde-esconde. Adia para o final de março o anúncio da candidatura.

 

Quanto a Dilma, afora o fato de Lula vendê-la como opção oficial desde o ano passado, o PT cuidou de aclamá-la, em Congresso, como sua candidata.

 

Há poucos meses, imaginava-se que Serra entraria no gramado sucessório com cara de goleada.

 

Mantendo-se o ritmo insinuado pelas últimas pesquisas, se tiver sorte, o candidato tucano entra em campo no zero a zero.

 

No pior cenário, Serra ouvirá o apito inicial com um placar adverso na tabuleta. Em qualquer hipótese, o sonho do jogo fácil virou farelo.

 

Avizinha-se uma partida entrecortada por caneladas de parte a parte. Uma sucessão presidencial de placar apertado.

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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No Brasil, o ‘roubolation’; em Cuba, o ‘embromation’

Escrito por Josias de Souza às 10h03

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Ciro agora admite ser o ‘vice’ numa chapa com Aécio

  Folha
Em entrevista a uma emissora de rádio cearense, o multicandidato Ciro Gomes (PSB) injetou no debate sucessório a teoria da “barata-voa”.

 

Consiste no seguinte: José Serra trocaria as incertezas da arenga presidencial pela segurança de uma recandidatura ao governo de São Paulo.

 

“Nesse caso, o PSDB vai chamar o Aécio [Neves] para ser candidato”, teoriza Ciro. “E, em algum momento, o Aécio vai me chamar para ser vice dele”.

 

Ao cabo dos três movimentos, estaria consumada a atmosfera de “barata-voa”, abrindo-se no cenário eleitoral, no dizer de Ciro, “20 possibilidades”.

 

Para começar, diz o pluricandidato, “O PT, que hoje me pressiona para o governo de São Paulo, iria querer que eu concorresse à presidência”.

 

Por quê? Ciro responde: “Porque o Aécio vira favorito, com o apoio do Serra”.

 

Mas, afinal, aceitaria ser vice de Aécio? De início, o candidato a qualquer coisa disse que reafirmaria sua pretensão presidencial.

 

Minutos depois, na mesma entrevista, Ciro declarou: “Se acontecer a tese barata-voa, me chamem aqui de novo para conversar”.

 

O entrevistador insistiu. Se as baratas baterem asas, aceitaria dividir a chapa com Aécio? E Ciro, de bate-pronto: “Por que não?”

 

Perguntou-se também a Ciro se há corrupção no governo Lula. Ele respondeu afirmativamente, repisando as críticas à frouxidão moral das parcerias do PT:

 

“Essas alianças são um roçado de escândalos e eu já disse isso ao presidente Lula”.

 

Ciro voltou a criticar a tática de Lula de converter a eleição de 2010 em plebiscito. Para ele, o “debate plebiscitário e despolitizado” é um “crime”.

 

De resto, reafirmou que se considera melhor do que Dilma Rousseff: “Ela é boa, mas eu sou melhor do que ela, até porque eu já participei de umas 20 eleições e ela, de nenhuma”.

 

Como se vê, ficou ainda mais difícil saber a que cargo Ciro deseja concorrer: Presidente? Governador de São Paulo? Vice de Aécio? Nenhuma das alternativas anteriores?

 

De concreto, por ora, apenas a impressão de que o deputado vai se convertendo, devagarinho, numa espécie de barata-voa de si mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 07h33

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Mais 5 dissidentes aderem à greve de fome em Cuba

Nas pegadas da morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, pelo menos mais quatro prisioneiros e um dissidente cubano aderiram à greve de fome.

 

Entre os novos grevistas está o jornalista independete Guillermo Fariñas. De sua casa, na cidade cubana de Santa Clara, Fariñas disse que parou de comer e de beber.

 

Ele justificou o gesto: "Quero que a opinião pública mundial e o povo de Cuba entendam que a morte de Zapata Tamayo não foi um ato isolado, um erro, ou uma coincidência...”

 

“...Ele foi assassinado pelo governo cubano, como talvez façam comigo também".

 

O corpo de Zapata foi velado e enterrado na cidade de Banes, onde ele nascera. Fica a 800 km de Havana.

 

Na foto ao lado, a imagem de Zapata, pendurada na porta da casa de sua mãe.

 

Armou-se em torno dos funerais, um esquema de segurança digno de estado de sítio.

 

A grossa maioria dos cubanos desconhece a notícia de que Zapata, preso desde 2003, morreu no 85º dia de uma greve de fome. 

 

Submetida a estrito controle estatal, a imprensa cubana comportou-se como se nada tivesse sucedido na ilha dos irmãos e Raúl e Fidel Castro.

 

Nenhuma linha sobre a morte de Zapata, ocorrido na terça (23). Nada sobre o enterro, na quinta (25).

 

Para desassogo do regime de Havana, devagarinho a internet e satélites clandestinos plantados em Cuba cuidam de difundir o que a ditadura esconde.

 

Um vídeo levado à web pela célebre bloqueira cubana Yoani Sánchez traz, por exemplo, o depoimento da mãe de Zapata.

 

Gravada sob penumbra, ela classificou assim a morte do filho: “Um assassinato premeditado”. Disse que Zapata era torturado na prisão (assista lá no alto).

 

Diferentemente de Lula, que passou por Havana sem desaprovar os métodos de seus hópsedes, a morte de Zapata provocou protestos no exterior.

 

Primeiro, dos EUA e da União Européia. Depois, do Canadá. E também de ONGs como a Anistia Internacional.

Escrito por Josias de Souza às 06h15

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No afã de ‘justificar’ Cuba, Lula ‘esquece’ Honduras

Ricardo Stuckert/PR

 

  Lula Marques/Folha
Houve um tempo em que as ideologias, quando ficavam bem velhinhas, vinham morar no Brasil.

 

Hoje, dá-se coisa diferente. O Brasil visita as ideologias moribundas em seus habits naturais.

 

Na bica de completar oito anos de gestão, Lula acaba de realizar sua quarta viagem a Cuba. Dessa vez, deu azar.

 

Desembarcou em Havana no dia em que morreu Orlando Zapata, levado ao cárcere por ter cometido o crime de discordar do regime.

 

Nesta sexta (26), de passagem por El Salvador Lula fez uma nova tentativa de explicar o que a oposição cubana chamou de “silêncio cúmplice”.

 

"Aprendi a não dar opinião sobre as atitudes de outros governos porque muitas vezes metemos a colher onde não deveríamos", disse Lula.

 

Curioso, muito curioso, curiossímo. No afã de explicar a inação de Cuba, Lula "apaga" da memória o colheraço que acaba de meter em Honduras.

 

Melhor que Lula tivesse imitado o seu “chanceler do B”, Marco Aurélio Garcia, clicado pelo repórter Lula Marques na sequência de fotos ao lado.

 

Esquerdista de mostruário, Marco Aurélio reagira à morte de Zapata de modo mais singelo: "Há problemas de direitos humanos no mundo inteiro".

 

Absurdo por absurdo, o auxiliar de Lula, por conciso, pelo menos soou mais curto que o chefe.

 

Mais um pouco e Marco Aurélio alcançaria a perfeição do personagem dostoievskiano da velha Rússia: “Se Deus não existe, tudo é permitido”.

 

Lula, porém, preferiu esmiuçar o que lhe vai na alma: "Não podemos julgar um país ou a atividade de um governante em função da atitude de um cidadão que decide fazer uma greve de fome".

 

De fato, não se deve julgar Cuba apenas pela morte de Zapata. A ditadura cubana, velha de mais de cinco décadas, já produziu atrocidades infindas.

 

É mais cômodo julgar o morto: "Um cidadão que entra em greve de fome está fazendo uma opção que, na minha opinião, é equivocada".

 

Zapata desceu à cova aos 42 anos. Detido em 2003, cumpriria 32 anos de cana. Deixaria o cárcere em 2035, aos 67. Optou pela morte.

 

Os repórteres mudaram de assunto. Perguntaram a Lula o que achara da decisão de Hugo Chávez de abandonar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos depois da divulgação de relatório que questiona a violação às liberdades na Venezuela.

 

Lula agarrando-se de novo ao silêncio companheiro: "Não vou comentar a decisão de Chávez e não é correto que um chefe de Estado faça uma avaliação sobre uma decisão de outro chefe de Estado sem estar bem informado".

 

Perguntou-se a Lula sobre a viagem que fará ao Irã. Algo que animou a secretária de Estado Hillary Clinton, dos EUA, a visitá-lo na semana que vem.

 

E o presidente, em timbre altaneiro: "Não vejo nenhum problema em eu visitar o Irã e não terei de prestar contas a ninguém, a não ser ao povo brasileiro".

 

Para sorte de Lula, o povo brasileiro está em outra. Submetido a um cenário em que a socialdemocracia brinca de roda com o DEM e o socialismo operário pula amarelinha com o PMDB, o povo se liga em Cazuza.

 

À procura de uma ideologia pra viver, prefere suar a camisa e obter a pecúnia que enche a geladeira e assegura a preservação da rotina pequeno-burguesa de comer três vezes ao dia.

Escrito por Josias de Souza às 04h11

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Inflação bate aplicações e BC fala em 'medida impopular'

 

- Folha: Em SP, aluno sai da rede pública três anos defasado

 

- Estadão: EUA cobram de Lula que endureça com Irã

 

- JB: Rio vira a página da crise na economia

 

- Correio: Prudente renuncia e Arruda perde outra

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h44

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Habano funerário!

Ique

Via JB Online. Visite também o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Eleitor de Brasília é desafiado a tirar a meia do rosto

Para fugir à cassação, o deputado Leonardo ‘Pé-de-meia’ (Im)Prudente (ex-DEM) renunciou aos dez meses que lhe restavam de mandato.

 

Na véspera, a Comissão de Ética (!?!?!) da Câmara Legislativa do DF abrira processo contra ele e outros dois integrantes da bancada do panetone.

 

Prudente é aquele deputado que foi pilhado em vídeo levando dinheiro sujo aos bolsos do terno e, à falta de mais espaço, às meias.

 

Antes de bater em retirada, o deputado expediu cerca de 10 mil cartas aos eleitores. Será que a Câmara pagou os selos?

 

No texto, Prudente faz cara de injustiçado: "Já admiti publicamente e reafirmo que errei, e estou pagando um preço muito alto”.

 

Engano. O escândalo sai barato para o deputado. Caro pagaram os pobres de Brasília, privados dos benefícios que o dinheiro desviado poderia proporcionar.

 

Prudente tenta desconversar: “Tenho certeza que as investigações irão revelar a verdade [...] e que o processo legal e a justiça serão novamente restabelecidos”.

 

Lorota. Nunca se esteve diante de um escândalo tão fartamente documentado. A Justiça não precisa ser restabelecida. Ela tem de ser feita.

 

Prudente promete: “Não serei mais candidato a nenhum cargo eletivo em 2010, apenas desejo refutar os fatos inerentes à minha pessoa, colocando-os na forma verdadeira como eles ocorreram”.

 

Meia verdade. O deputado talvez não seja candidato. Por quê? Talvez lhe faltem votos. Os fatos “inerentes” à sua pessoa, por gritantes, são irrefutáveis.

 

Na semana que vem, o deputado Júnior ‘Oração da Propina’ Brunelli (PSC) pode imitar Prudente. Cogita renunciar para fugir da degola.

 

Não se sabe, por ora, se Eurídes ‘Bolsa’ Brito (PMDB), também encaminhada ao patíbulo, baterá em retirada.

 

Resta confiar no discernimento do eleitor da Capital. O crime, como se sabe, mora na vizinhança. A Justiça, ao contrário, mora longe.

 

Antes de arrostar condenações judiciais irrecorríveis, qualquer panetone brasiliense pode disputar eleições. Espera-se que encontrem pela frente eleitores sem meias nos olhos.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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Pimentel ajudou a fornir mensalão do PT, diz revista

  Hoje em Dia/Folha
Notícia veiculada na última edição da revista IstoÉ traz à tona detalhes ainda desconhecidos do caso do mensalão petista.

 

O repórter Hugo Marques, autor da reportagem, diz ter tido acesso às 69 mil páginas que recheiam o processo do mensalão, em tramitação no STF.

 

Em meio à papelada, encontrou o processo número 2008.38.00.012837-8. Trata da investigação de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

 

Tramita sob sigilo na 4ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais. E foi anexado aos autos do mensalão, no Supremo.

 

Esse processo leva à grelha do mensalão o nome de um grão-petista que passara incólume pelo escândalo: Fernando Pimentel.

 

Ex-prefeito de Belo Horizonte, Pimentel é coordenador informal da campanha de Dilma Rousseff. E disputa a vaga de candidato do PT ao governo mineiro.

 

Segundo IstoÉ, Pimentel frequenta as páginas do processo como um dos operadores da remessa ilegal de dinheiro para o exterior.

 

Parte da verba teria servido para pagar dívidas do PT com o publicitário Duda Mendonça, que fizera as campanhas do próprio Pimentel e de Lula.

 

Eis o que conta a revista:

 

1. Um procurador da República de Minas Gerais, Patrick Salgado Martins, discorre nos autos sobre as relações de Pimentel com um empresário e um contator.

 

2. O empresário chama-se Glauco Diniz Duarte. O contador, Alexandre Vianna de Aguilar. Juntos, teriam remetido ilegalmente aos EUA cerca de US$ 80 milhões.

 

3. A origem desse dinheiro, sustenta o Ministério Público, é um contrato da prefeitura de Belo Horizonte com a Câmara dos Dirigentes Lojistas.

 

4. Destinava-se à implantação de um projeto chamado Olho Vivo. Consistia na instalação de câmeras nas ruas da capital mineira. Segundo a Procuradoria, foi superfaturado.

 

5. Eis o que anotou o procurador Patrick Martins em sua denúncia: Há “[...] fundada suspeita de que o aludido convênio tenha sido ardiloso estratagema para desvio de dinheiro público com a finalidade de saldar as dívidas de campanha do partido em território alienígena”.

 

6. Seguindo a rota do dinheiro, o Ministério Público verificou que pelo menos US$ 30 milhões migraram para contas da empresa Gedex International, nos EUA.

 

7. Diretor da Câmara de Dirigentes Logistas à época e dono da Gedex, o empresário Glauco Diniz Durarte teria repassado parte da verba para a conta Dusseldorf, de Duda Mendonça.

 

8. O procurador Patrick Martins escreveu: “As conexões mostram que eles intermediavam operações diversas com o objetivo de dissimular a natureza, origem, localização, movimentação e propriedade das quantias transacionadas, havendo ainda contra o acusado Glauco Diniz a suspeita de ter elaborado esquema de desvio de dinheiro público com a finalidade de saldar dívidas de campanha do PT”.

 

9. Afora a revelação de que nacos do mensalão podem ter tido origem em arcas públicas, a revista informa que o esquema serviu para custear despesas alheias a campanhas políticas.

 

10. Informa-se que uma mala contendo R$ 1 milhão do butim do mensalão teria sido enviada à Executiva do PT do Rio Grande do Sul.

 

11. A verba de má origem teria sido utilizada por dirigentes do PT gaúcho para saldar dívidas decorrentes da organização do Fórum Social Mundial.

 

13. No mais, afora uma infinidade de detalhes, o papelório reforça o já sabido: o mensalão financiou o pagamento de propinas ao consórcio partidpario que gravita em torno do governo Lula.

 

Fernando Pimentel tratou do caso no seu microblog. Escreveu: “Sobre a matéria da IstoÉ, vejam a minha nota”. Segue-se um link.

 

Quem clica chega a um texto no qual Pimentel lembra que a notícia da revista chega numa semana em que dois outros assuntos dominavam a cena política:

 

O primeiro, a “corrupção” do governador preso do DF, José Roberto Arruda. O outro, a cassação do prefeito ‘demo’ Gilberto Kassab, suspensa após recurso.

 

Os dois casos, Pimentel realçou, envolvem “o DEM, principal aliado do PSDB, maior adversário do PT na próxima eleição”.

 

Nesse contexto, escreveu Pimentel, IstoÉ “resolveu embaralhar tudo, ressuscitar o chamado mensalão de 2005 e, para tentar empatar o jogo, me citar como um dos envolvidos no recebimento de verbas irregulares”.

 

“A intenção óbvia”, acrescentou Pimentel, “é causar danos à imagem de um dos coordenadores da campanha da ministra Dilma Rousseff à presidência”.

 

No dizer de Pimentel, a revista “mistura alhos com bugalhos e faz ilações sem qualquer apoio na realidade”.

 

“Para incluir o meu nome em sua reportagem, a IstoÉ lançou mão de uma coincidência: o diretor financeiro da CDL à época do convênio para a instalação de câmeras mais tarde foi identificado como doleiro supostamente envolvido com o chamado mensalão”.

Segundo o ex-prefeito, “o convênio entre a prefeitura de Belo Horizonte e a Câmara dos Diretores Logistas nunca foi alvo de ação da justiça”.

 

Sustenta que “o projeto está em vigor até hoje, sem contestações, agora sob a responsabilidade da Polícia Militar”.

 

Pimentel encerra sua nota assim: “Jamais fui convocado pela justiça para depor ou mesmo prestar esclarecimentos sobre qualquer destes assuntos. Jamais fui chamado para falar a uma CPI ou outro tipo de comissão...”

 

“...Não há e nunca houve nada, rigorosamente nada, que me ligue, direta ou indiretamente, ao chamado mensalão ou a qualquer outro tipo de irregularidade”.

 

- Atualização feita às 21h05 desta sexta (26): O procurador da República Patrick Salgado Martins, informou por meio da assessoria: por falta de provas, Fernando Pimentel não foi denunciado no processo que investiga os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Sem panetone, lealdade de ‘amigos’ a Arruda cansou

 El Roto/El Pais

 

Com a lealdade já extremamente cansada, a maioria governista na Câmara Legislativa do DF jogou José Roberto Arruda ao mar.

 

Nesta sexta (26), aprovou-se numa comissão especial o impeachment do governador preso. Decisão U-N-Â-N-I-M-E.

 

Na próxima terça (2), a coisa vai ao plenário. Basta que 13 dos 24 deputados digam “sim” para que o processo avance.

 

Até duas semanas atrás, a bancada do panetone somava acachapantes 19 votos. Hoje, Arruda parece entregue à própria sorte.

 

Confirmando-se o Waterloo no plenário, Arruda terá 20 dias para apresentar sua defesa. A encrenca volta à comissão especial. E de lá, de novo, para o plenário.

 

Neste segundo round, para que o pedido de cassação vá adiante, serão necessários 16 votos. Se não tiver renunciado até lá, Arruda será afastado por 120 dias.

 

E o impeachment passará a ser examinado por uma “corte” mista: cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do DF e cinco deputados distritais.

 

Sem os panetone$, a bancada de Arruda tornou-se um grupo de amigos feito integralmente de inimigos. Ontem, afagavam o governador. Hoje, fazem fila para cuspir na lápide do ex-amigo.

 

Hóspede do PF's Inn há duas semanas, Arruda vai se dando conta de que só existe um amigo verdadeeiramente sincero –o amigo da propina.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

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Marina: eleita, governo com o ‘melhor’ de PT e PSDB

  EFE
Não há coisa mais fascinante do que o sonho. Nele, enquanto o superego adormece, você pode até transar com a mãe do melhor amigo sem provocar estrépito.

 

Tome-se o caso de Marina Silva. O inacreditável tem comparecido aos sonhos dela disfarçado de crível.

 

A presidenciável do PV diz e reafirma: eleita, vai promover “um realinhamento histórico” na política.

 

Governará o Brasil "com os melhores do PSDB e os melhores do PT". Acha que a propalada “governabilidade” depende da pacificação de petistas e tucanos.

 

Ouça-se um pedaço do sonho de Marina: "Enquanto o PT e o PSDB não conversarem, vai ficar muito difícil uma governabilidade...”

 

“...Devíamos ser capazes de estabelecer uma governabilidade básica, onde o PT e o PSDB digam: 'Naquilo que é essencial para o Brasil, nós não vamos colocar em risco a governabilidade'. O Brasil é maior que essas picuinhas".

 

De fato, com todos os defeitos, o tucanato e o petismo parecem reunir o que há de menos pior na política brasileira.

 

O diabo é que insistem em se unir ao que há de mais execrável. Vendem o moderno agarrados ao arcaico.  

 

A pregação onírica de Marina é a coisa mais sensata que já foi dita nesta fase de pré-campanha. Por isso mesmo, o mais improvável.

 

Ah, sim, Marina também falou de meio-ambiente. Tenta converter uma nota em concerto:

 

"O meu esforço é de mostrar para as pessoas que, longe de ser samba de uma nota só, é construir uma sinfonia, que todos possam fazer parte dessa orquestra...”

 

Uma orquestra “...que vai mudar a forma de produzir, consumir, se relacionar com a natureza. Só quem não entende da agenda, acha que é samba de uma nota só".

Escrito por Josias de Souza às 17h10

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STJ aceita soltar Arruda caso ele opte pela ‘renúncia’

Elza Fiúza/ABr

 

O STJ pode soltar José Roberto Arruda, preso há duas semanas, caso ele renuncie à cadeira de governador.

 

Deve-se a informação aos repórteres Leandro Colon e Felipe Recondo. Contam que, havendo a renúncia, o STJ relaxaria a prisão de Arruda.

 

Nesta quinta (25), os advogados do governador preso disseram que ele não tem a intenção de retornar ao comando do GDF. Porém, não falaram em renúncia.

 

Informaram que, em troca da liberdade, Arruda se dispõe apenas a manter em vigor a licença que pediu no dia de sua prisão.

 

O problema é que, para o STJ, a licença não basta. Imagina-se que só a renúncia retiraria de Arruda o poder de interferir no inquérito do panetonegate, desvintuando-o.

 

Arruda foi à garra sob a acusação de tentar subornar uma testemunha. A prisão foi ordenada pelo ministro Fernando Gonçalves, do STJ, com o respaldo dos colegas de tribunal.

 

Se Arruda evoluir para a renúncia, a tendência de Fernando Gonçalves é a de relaxar a prisão do governador.

 

Nessa hipótese, o julgamento do habeas corpus protocolado pelos advogados de Arruda no STF perderia o sentido.

 

A movimentação dos advogados de Arruda ocorre no instante em que a Câmara Legislativa do DF começa a discutir o impeachment do governador.

 

Uma comissão especial do legislativo brasiliense analisa, nesta sexta (26), o relatório do deputado distrital Chico Leite (PT).

 

O texto do relator é favorável à cassação do mandato de Arruda, que ficaria impedido de disputar eleições por cinco anos.

 

Se aprovada na comissão, a matéria vai ao plenário da Câmara do DF, provavelmente na semana que vem.

 

Para evitar o contrangimento da cassação, Arruda precisa renunciar antes do início do julgamento em plenário.

Escrito por Josias de Souza às 05h37

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Oposição volta a pedir ao TSE que multe Lula e Dilma

  Folha
Em recursos protocolados no TSE, a oposição tenta reverter decisões que isentaram Lula e Dilma Rousseff da acusação de fazer campanha eleitoral ilegal.

 

Uma das petições começou a ser julgada na noite passada. Refere-se a uma viagem do presidente e da candidata a Minas, em 19 de janeiro.

 

Relator do caso, o ministro Joelson Dias ratificou sua decisão anterior: não viu nas falas de Lula nem menção à candidata nem pedido de voto.

 

Votaram com Joelson, negando o pedido da oposição, outros dois ministros: Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia.

 

Na sequência, o ministro Felix Fischer pediu vista do processo. E o julgamento teve de ser suspenso.

 

Há no TSE sete ministros. Como três já rejeitaram o recurso, os outros quatro teriam de votar em sentido contrário para que a oposição prevalecesse.

 

Sem revelar o voto, o presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto levou ao microfone uma declaração que reforça o drama da Justiça Eleitoral:

 

"Nesta fase da vida institucional brasileira, de fato, há uma zona cinzenta [...] entre o que seja continuidade de uma tarefa administrativa, inauguração de uma obra [...] e o que seja propaganda eleitoral antecipada”.

 

Reiterou o óbvio: “Tais feitos, programas governamentais, não podem ter conotação eleitoreira, não podem ter um viés eleitoral”.

 

Noutro recurso, também pendente de julgamento, PSDB, DEM e PPS tentam reverter decisão do tribunal relacionada a outro episódio.

 

Deu-se em 22 de janeiro, no Sindicato dos Trabalhadores e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo.

 

Em decisão individual, tomada em fevereiro, o ministro auxiliar Henrique Neves mandara a representação ao arquivo. Daí o pedido de revisão.

 

Pela lei, a campanha eleitoral só começa em 5 de julho. Nas suas petições, a oposição pede ao TSE que imponha a Lula e Dilma a multa máxima prevista em lei: R$ 25 mil.

 

Até aqui, o presidente e sua ministra ganharam todas. Aos olhos do TSE, Lula e Dilma realizam solenidades administrativas, não comícios.

Escrito por Josias de Souza às 04h44

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Meirelles: Inflação sob controle pode favorecer Dilma

Sérgio Lima/Folha

 

Premido pela retomada do crescimento da economia e seus reflexos na taxa de inflação, em alta, o Banco Central flerta com uma elavação da taxa de juros.

 

Perguntou-se a Henrique Meirelles, o presidente do BC, se a providência não vai prejudiciar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. E ele:

 

“A nossa experiência mostra que é equivocada a avaliação de que política monetária frouxa e, em consequência, inflação mais elevada trazem algum benefício eleitoral”.

 

Para Meirelles, é mais provável que se dê o oposto. Acha que, associada ao poder de compra dos salários e dos benefícios sociais, a inflação baixa pode ajudar Dilma:

 

“A inflação na meta e o poder de compra do trabalhador e dos beneficiários dos programas sociais preservado beneficiam o país e a população...”

 

“...Portanto, acabam por beneficiar eleitoralmente [a candidatura oficial] ou pelo menos não prejudicar”.

 

Meirelles falou ao repórter Cristiano Romero. A conversa foi às páginas do jornal Valor (só para assinantes).

 

A despeito de reconhecer que o comportamento da economia influencia o voto, Meirelles diz que a ação do BC é pautada por critérios técnicos.

 

Em artigo veiculado no final do ano passado, o professor Affonso Pastore anotara que o PIB brasileiro já cresce acima do seu potencial.

 

Pastore escrevera que o governo já deveria ter levado o pé ao freio. E insinuara que o eleitoral prevalece sobre o técnico na gestão da economia.

 

Instado a responder à crítica, Meirelles soou peremptório: “O BC não se deixa influenciar pelo fato de que uma decisão seria politicamente inadequada. Tanto que tomamos decisões politicamente inadequadas no passado várias vezes”.

 

Meirelles acrescenta: “O BC brasileiro já tem uma reputação de credibilidade, um histórico suficientemente estabelecido para ter a liberdade de tomar a decisão na hora certa, para não precisar provar nada a ninguém”.

 

O entrevistador recordou a Meirelles que a inflação deste início de 2010 é a mais alta desde 2003. E inquiriu: o Brasil está preparado para crescer 5,8%, como projeta o BC para 2010?

 

Ouça-se Meirelles: “Não sabemos qual é o produto [PIB] potencial do Brasil neste momento. Isso tem sido discutido entre os economistas [...]...”

 

“...[...] No processo de recuperação da economia, assim como num determinado ano se operou abaixo do PIB potencial, é possível operar em alguns momentos acima do potencial...”

 

“...A extensão desse período, e se isso é homogêneo nos diversos segmentos da economia, é outro problema. Não se pode fazer esse cálculo de forma simplista. Há uma série de outros fatores que precisam ser analisados”.

 

No auge da crise financeira global, o BC afrouxara o compulsório dos bancos, injetando dinheiro no mercado.

 

Numa reversão dessa política, o BC acaba de elevar o compulsório bancário, retirando de circulação algo como R$ 71 bilhões. Não é muito cedo?

 

Para Meirelles, não: “O momento é absolutamente adequado porque as condições da economia brasileira demonstram isso com clareza...”

 

“...Há uma recuperação forte da demanda doméstica, do consumo privado e público, e, agora, do investimento...”

 

“...Além disso, houve aumento da renda e do crédito. O segredo da saída [dos compulsórios] é este: ele não pode ser prematuro, mas também não pode ser tardio...”

 

“...[...] Do ponto de vista de colchão de liquidez, a medida também se justificava, porque concluímos que o nível que tínhamos na crise era adequado, então, decidimos restaurar esse colchão”.

 

A mexida no compulsório, com a consequente diminuição da liquidez, pode ajudar na administração da taxa de juros?

 

Meirelles reconhece que a providência tem “efeitos de política monetária”. Mas pondera: “A experiência mostra que o mecanismo básico que o BC deve usar para alterar a trajetória futura de inflação é a taxa base de juros [Selic]...”

 

“...É o mecanismo mais eficiente, uma vez que as séries históricas estão mais bem estabelecidas e, portanto, é algo mensurável...”

 

“...Trata-se do instrumento básico de ação de bancos centrais no mundo todo e do BC brasileiro. Não procuramos substituir um mecanismo por outro...”

 

“...Para o controle específico de liquidez em alguns momentos, o recolhimento ou a liberação de compulsório, como fizemos em 2008, é um mecanismo extremamente eficaz...”

 

“...Portanto, a decisão do compulsório teve em vista questões de liquidez. Não há dúvidas, porém, de que ela tem efeitos de política monetária”.

 

Filiado ao PMDB, Meirelles frequenta o noticiário com cara de candidato. Descartou o governo de Goiás. Vai ao Senado? Sonha com a vice de Dilma? Ele preferiu o silêncio.

 

- PS.: Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h27

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Na crise bancos lucram mais e empresas perdem

 

- Folha: Lucro do BB é recorde com receita de fundo de pensão

 

- Estadão: Preso político é enterrado sob forte repressão em Cuba

 

- JB: Av. Brasil reformada vai custar R$ 57 mi

 

- Correio: Três vão para a degola...

 

- Jornal do Commercio: Assassinato da Alemã: Nova testemunha é chave para elucidação

 

Leia os destaques de capa de alguns dos princiais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Previsão infalível: será, na hipótese de não vir a ser

Clayton

- Via O Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 01h44

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Arruda deseja trocar seu afastamento por ‘liberdade’

Orlandeli

 

Preso há duas semanas, José Roberto Arruda ensaia uma volta à era do escambo. Dispõe-se a dar o que lhe sobra (o cargo), para receber o que precisa (a liberdade).

 

O diabo é que essa troca, de aparência simples –o supérfluo pelo fundamental— esbarra noutros valores:

 

À distância, a bugrada pergunta aos seus botões: “Pera lá, malandro. Uma canoa furada vale quantos metros de meio-fio?”

 

Segundo seus advogados, Arruda oferece menos do que uma renúncia. Em verdade, um afastamento “branco”.

 

Libertado, manteria em pé o pedido de licença que mandou para o Legislativo no dia de sua prisão. Não retornaria ao cargo.

 

Alega que, longe da cadeira de governador, não teria bala na agulha para melar o inquérito do panetonegate. E o STF poderia libertá-lo.

 

Ora, nesta sexta (26), vai a voto o pedido de impeachment de Arruda. O relator, Chico Leite (PT), recomendará a descida da lâmina.

 

São grandes as chances de a guilhotina prevalecer. O afastamento vai, então, ao plenário. Montado o patíbulo, ou Arruda renuncia ou se arrisca à perda dos direitos políticos por cinco anos.

 

Ou seja, o cargo que Arruda tenta negociar é mercadoria que já lhe escorre por entre os dedos. Laranja chupada, como se diz. No mais, não fica bem para STF e STJ jogar pôquer com trapaceiros.

 

Melhor manter Arruda na PF’s Inn. Se não renunciar por conta própria, a Câmara providenciará o escalpo dele. Os deputados distritais foram tomados de assalto por um surto de probidade. A ética é tanta que sai pelo ladrão!

 

- Em tempo: Ilustração via sítio do Orlandeli.

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Escrito por Josias de Souza às 16h25

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Levanta, sacode a lama e dá a volta pra ‘nova sede’

Escrito por Josias de Souza às 13h52

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Corregedor da Câmara do DF sugere nove cassações

  Guto Cassiano
O deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), que responde pela Corregedoria da Câmara Legislativa do DF, decidiu recomendar a abertura de processo por quebra de decoro contra nove colegas.

 

Oito são acusados de trocar o apoio à gestão do governador afastado José Roberto Arruda por propinas.

 

São eles: Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Eurides Brito (PMDB), Brunelli (PSC)...

 

...Leonardo Prudente (sem partido), Rogério Ulysses (sem partido) e Rôney Nemer (PMDB).

 

O nono deputado que o corregedor deseja levar ao cadafalso é Cabo Patrício (PT), atual presidente em exercício da Câmara.

 

O tucano Raimundo Ribeiro acusa o petista Cabo Patrício de ter apresentado um projeto de lei com o propósito de beneficiar uma empresa privada.

 

Subidividido em nove pareceres –um para cada deputado —o relatório da Corregedoria deve ser apreciado nesta quinta (25). Será levado a voto na Comissão de Ética.

 

A aprovação resultará na abertura dos processos de cassação. A rejeição conduz o documento ao arquivo. Prevê-se que as votações ocorrerão separadamente, caso a caso.

 

A decisão do corregedor de misturar num mesmo balaio os membros da bancada do panetone e o petista que responde pela presidência da Câmara espalhou causou espanto.

 

Ficou-se com a impressão de que o relator Raimundo Ribeiro, até bem pouco aliado de Arruda, joga na confusão. A conferir.

 

- Atualização feita às 14h15 desta quinta (25): Dos nove processos, foram abertos três: Leonardo 'Pé-de-meia' Prudente, Eurídes 'Bolsa' Brito e Júnior 'Oração da Propina' Brunelli. Foi ao arquivo o pedido de cassação de Cabo Patrício (PT). E subiram no telhado as peças que envolvem outros cinco integrantes da bancada do panetone.

 

- Em tempo: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

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Escrito por Josias de Souza às 05h53

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Em Cuba, Lula lamenta que o preso ‘se deixe morrer’

Ricardo Stuckert/PR

Enquanto Lula brincava de fotógrafo, dissidentes cubanos eram detidos em Havana

 

No início da madrugada desta quinta (25), a Presidência da República divulgou a íntegra de uma entrevista concedida por Lula em Cuba.

 

O presidente abriu a conversa discorrendo sobre os investimentos do Brasil na ilha de Fidel e Raúl, os irmãos Castro. Em seguida, foi instado a dizer meia dúzia de palavras sobre o tema da hora: a morte do preso político cubano Orlando Zapata Tamoyo.

 

“Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome. Eu, depois da minha experiência de greve de fome, pelo amor de Deus, ninguém que queira fazer protesto peça para eu fazer greve de fome que eu não farei mais”.

 

Zapata, um pedreiro negro, 42 anos, morrera na véspera, horas antes da chegada de Lula a Havana. Estava em greve de fome havia 85 dias. Descera ao cárcere em 2003, ano em que Lula ascendera à Presidência. Fora condenado a 32 anos de cana.

 

Por quê? Ativista da causa dos direitos humanos, Zapata havia sido acusado pela ditadura cubana de “desacato” ao governo e promoção da “desordem pública”.

 

Lula poderia ter lamentado a tirania de um regime que, velho de 51 anos, se deixa viver em pleno século 21. Preferiu lamentar que o preso “se deixe morrer”. Lamentou não como presidente, mas “como ser humano”.

 

Não estivesse em Havana, Lula talvez enaltecesse o gesto do pedreiro que deu a vida por uma crença. Mas estava em Cuba. E optou por não arriscar as relações com a ditadura companheira a pretexto de defender os valores democráticos.

 

Em vez de investir contra a brutalidade, Lula falou contra a privação alimentar: “Sou contra porque fiz, sou contra porque parei a greve de fome a pedido da Igreja Católica brasileira, que não admitia a greve de fome”.

 

Disse que não recebeu a carta que um grupo de dissidentes cubanos lhe endeçara. Manso com os Castro, ficou bravo com os missivistas:

 

“Se eles já são dissidentes de Cuba e, agora, querem ser dissidentes do Lula, não tem problema nenhum. Eu não recebi nenhuma carta. As pessoas precisam parar com o hábito de fazer carta, guardar para si e depois dizer que mandaram para os outros”.

 

Àquela altura, o teor da carta já ganhara o noticiário. Mas Lula não se dera por achado: “Quando uma pessoa manda uma carta para um presidente, no mínimo a pessoa só pode dizer que o presidente recebeu a carta se essa carta for protocolada”.

 

Malditos dissidentes! Além de se deixar morrer, não protocolam suas cartas. “Se eles tivessem pedido para mim para conversarem comigo, eu teria conversado com eles, acho que qualquer presidente teria conversado com eles”.

 

O que diria no encontro? “Se essas pessoas tivessem falado comigo ontem, eu teria pedido para eles pararem a greve de fome”.

 

Evocando o passado militante de Lula, um repórter perguntou se uma morte no calabouço, por greve de fome, não mexia com ele.

 

Enganchou na primeira indagação uma segunda: “Isso não pode mover o senhor a tentar intermediar essa situação [dos presos políticos cubanos]?

 

E Lula: “Veja, você tem que intermediar quando você é pedido para intermediar”. Recordou uma passagem de 2001.

 

Disse que intercedera em favor dos sequestradores do empresário Abílio Diniz. Tocara o telefone para o então presidente FHC e para o ministro da Justiça dele, Renan Calheiros (!?!?!). Visitara os bandidos, em São Paulo.   

 

“Fui ao presídio conversar com os sequestradores, os convenci de não entrar na greve [de fome] seca. E, depois que terminou o Natal, nós conseguimos um processo de liberação deles”.

 

Mas e quanto aos dissidentes cubanos? “Ora, essas coisas a gente só pode ajudar quando as pessoas pedem intermediação da gente. [...] Você tem tempo de articular e de conversar, você pode ajudar. E eu não me negarei a ajudar qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, desde que eu seja pedido”.

 

Injetou na desconversa o caso de um brasileiro condenado à morte na Indonésia depois de ter sido pilhado com uma prancha de surf recheada de cocaína. Telefonou duas vezes para o presidente indonésio. Mandou carta pedindo “clemência”. Invocou questões humanitárias para “salvar esse companheiro”.

 

Sim, mas e quanto aos dissidentes de Cuba? “Ora, se as pessoas procurassem a embaixada brasileira, o Ministério das Relações Exteriores, se tentassem entrar em contato comigo, eu jamais deixaria de atendê-las...”

 

“...O que eu não posso é chegar em um país, me deparar com um artigo de pessoas que dizem que falaram comigo, quando não falaram. Não é o jeito correto de pedir solidariedade...”

 

“...E quem me conhece sabe que essa alma aqui pode ser tudo, menos uma alma que não faça solidariedade. Isso faz parte da minha vida. [...] Eu não deixo de discutir esses assuntos em lugar nenhum do mundo, desde que seja pedido para mim”.

 

Durante o primeiro dia da visita de Lula a Cuba, o dissidente Zapata desceu à cova. Para impedir que o enterro desaguasse em protesto, o governo prendeu ou manteve em prisão domiciliar dezenas de opositores. EUA e União Européia protestaram contra a morte do dissidentes.

 

E Lula, cara-a-cara com a encrenca, ora calou ora disse coisas que não lhe diginificam a biografia. Para recordar: lamuriou-se do preso que “se deixa morrer”, desancou a greve de fome e discorreu sobre a irrelevância das cartas não-protocoladas.

 

Moral: Se quiserem afirmar seus direitos, os dissidentes cubanos devem esquecer Lula. Melhor organizar uma greve de fome coletiva.

 

- Serviço: pressionando aqui, você chega ao áudio da entrevista de Lula. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 04h30

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Morte de dissidente abre onda de prisões em Cuba

 

- Folha: Cuba reprime protesto da oposição na visita de Lula

 

- Estadão: BC tira R$ 70 bi do mercado e reduz oferta de crédito

 

- JB: Refino de coca cresce no país

 

- Valor: Avanço mais moderado do PIB reduz risco de inflação

 

- Estado de Minas: Fim da linha para serial killer?

 

- Jornal do Commercio: É muito calor!

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Fome Zero!

Dalcío

- Via Correio Popular.

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Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Prisão é ilegal, diz defesa de Arruda em nova petição

  Divulgação
A defesa do governador afastado José Roberto Arruda, preso há 12 dias, protocolou no STF uma nova petição.
 

 

O principal argumento da nova peça dos advogados é o seguinte: Arruda não poderia ter sido preso sem prévia autorização da Câmara Legislativa do DF. 

 

A investida dos advogados levou o relator do habeas corpus de Arruda, Marco Aurélio Mello a adiar o julgamento do caso, antes previsto para esta quinta (25).

 

 

A defesa anota no documento que o governador não está protegido por uma imunidade absoluta. Mas insistem: prisão, só com autorização legislativa.

 

Ao decretar a prisão temporária de Arruda, o STJ havia declarado a inconstitucionalidade do artigo 103 da Lei Orgânica do DF.

 

Nesse trecho, a lei condiciona a instauração de processo contra o governador à deliberação da Câmara Legislativa.

 

Os defensores de Arruda argumentam que a proteção, de índole constitucional, não foi respeitada.

 

De resto, a petição tenta desqualificar os "fundamentos" da prisão. A certa altura, o documento realça:

 

“A decisão que decretou a prisão [...] deu generosa acolhida ao estrépito midiático e por ele deixou-se embalar”.

 

A defesa refere-se especificamente ao argumento segundo o qual, Arruda constituía ameaça à ordem pública.

 

Sustenta que a tese da ameaça escorou-se numa reportagem de jornal. Uma notícia que tratava da prisão de policiais civis defronte da Câmara Legislativa do DF.

 

Os policiais, a reportagem informara, foram pilhados portando equipamentos de escuta telefônica.

 

Os advogados argumentam que o próprio Ministério Público reconheceria depois que não há provas do envolvimento de Arruda com os policiais detidos.

 

E concluem: “Claro está que a prisão para garantia da ordem pública está a repousar não em fatos concretos...”

 

“...Mas em boatos da mídia, veiculados como verdade absoluta, caracterizando uma prisão cautelar pautada apenas no clamor público”.

 

E quanto à tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, testemunha do inquérito do panetonegate?

 

Para os advogados de Arruda, não existe nada que demonstre a participação dele também nesse episódio.

 

Argumentam que a prisão preventiva foi "lastreada" somente em informações da “mídia” e em depoimentos do próprio Edson Sombra.

 

E quanto ao bilhete com a caligrafia de Arruda, apresentado pelo jornalista? Eis o que afirmam os advogados de Arruda:

 

Não se pode comprovar indícios de autoria ou prova de materialidade com lastro em bilhete apócrifo, sem destinatário.

 

Antes dessa petição, havia aportado no Supremo uma arguição de suspeição do ministro Marco Aurélio Mello. Trazia a assinatura de José Gerardo Grossi, um dos advogados de Arruda.

 

Argumentava-se no texto que Marco Aurélio tornara-se um juiz suspeito ao antecipar, em entrevistas, a posição que adotaria no julgamento final do habeas corpus.

 

Grossi desmentiu a autoria da arquição de suspeição. Disse que a assinatura aposta ao texto não é sua. Pediu a abertura de inquérito policial.

 

Na petição oficial, a defesa reitera por escrito o que Grossi dissera verbalmente: é falso o pedido de afastamento de Marco Aurélio, por suspeição.

 

A nova manifestação dos advogados de Arrdua foi aditada ao pedido de habeas corpus. E Marco Aurélio devolveu os autos à Procuradoria-Geral da República.

 

O caso só será submetido ao plenário do Supremo depois que o procurador-geral da República Roberto Gurgel disser o que acha das "novas" alegações da defesa.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h54

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Diretos Humanos ‘envenenam’ visita de Lula a Cuba

Lula Marques/Folha

 

Na sequência de imagens exposta acima, Lula assiste, impassível, a uma entrevista de Raúl Castro, o companheiro-ditador de Cuba.

 

Os repórteres crivaram Raúl de perguntas sobre um tema incotornável: a morte do pedreiro cubano Orlando Zapata Tamoyo.

 

Zapata, um dos tantos presos políticos de Cuba, fenecera na véspera, horas antes da chegada de Lula. Tombara no 85º dia de uma greve de fome.

 

Em memória do morto, os dissidentes do regime cubano promovem em Havana um minuto de barulho. A zoada ecoa ao redor de Lula.

 

Pois bem, instado a manifestar-se, Raúl Castro atribuiu a morte de Zapata, veja você, aos EUA.

 

"Lamentamos muitíssimo. Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos", disse o irmão do aposentado Fidel Castro.

 

"Não assassinamos ninguém. Aqui, ninguém foi torturado, mas sim na base [norte-americana] de Guantánamo, não em nosso território".

 

  Ricardo Stuckert?PR
Lula não disse palavra. Calado estava, calado ficou. Silêncio “cúmplice”, acusa Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação de Cuba.

 

Payá afirma: "Respeitamos e amamos o povo brasileiro, mas o governo Lula não deu nenhuma palavra de solidariedade para com os direitos humanos em Cuba...”

 

“...Tem sido um verdadeiro cúmplice da violação dos direitos humanos em Cuba. Já não esperamos e nem queremos esperar nada dele".

 

Antes do desembarque de Lula em Havana, os dissidentes cubanos redigiram uma carta. Endereçaram-na a Lula.

 

No texto, classificaram Lula de “magnífico interlocutor”. Pediram que, nos encontros que manteria com Raúl e Fidel, ele intercedesse pela libertação dos presos políticos.

 

Lula não se animou a levar a mão ao vespeiro. No Brasil, criou a Comissão da Verdade, para perscrutar as violações aos direitos humanos da ditadura.

 

Em Cuba, o presidente brasileiro preferiu a cumplcidade silenciosa diante das mentiras convenientes enunciadas por Raúl.

 

Lula ouviu o irmão de Fidel criticar a imprensa: "Só publica o que os donos querem". Raúl enalteceu as maravilhas do modelo cubano:

 

"Aqui não há uma máxima liberdade de expressão, mas se os Estados Unidos nos deixarem em paz, poderá haver".

 

A carta dos dissidentes a Lula virou notícia no pedaço da imprensa que “só púbica o que os donos querem”.

 

Nem assim Lula se animou a mexer os lábios. O assessor internacional do presidente, Marco Aurélio Garcia, tentou explicar o silêncio.

 

Disse que a carta não chegara às mãos de Lula. Nem poderia. Os autores do texto foram à embaixada brasileira. Mas deram com a cara na porta.

 

Foi a quarta viagem de Lula a Cuba desde que virou presidente, em 2003. A comitiva presidencial deixou em Havana, além de abraços e apertos de mão, US$ 150 milhões...

 

...E levou da capital cubana, além de charutos, um vexame político que corre os jornais do mundo.

 

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Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Ciro continua a ser, mas abre fenda para o ‘não-ser’

  Alan Marques/Folha
Como previsto, Ciro Gomes (PSB) reuniu-se com representantes do bloco de partidos que desejam convertê-lo em candidato a governador de São Paulo.

 

Terminado o encontro, o projeto presidencial de Ciro ganhou a consistência de um pote de gelatina. Deu-se o seguinte:

 

Ciro reafirmou que prefere disputar o Planalto. Considera-se mais experiente do que Dilma Rousseff, a preferida de Lula.

 

Acha que o quadro sucessório ainda não foi delineado. Crê que o tucano José Serra não vai se aventurar na quadra presidencial.

 

Blá, blá, blá... Súbito, quando se imaginava que Ciro continuava a ser, o deputado abriu uma fenda para o não-ser.

 

Ouça-se o Ciro gelatinoso: "O cenário de ter que ir para o governo de São Paulo é quase impossível, mas se o cenário nacional precisar desse desafio, eu não titubearia em ir...”

 

“...Quem alimentou a decisão de ser único, na política, deu com os burros n'água".

 

Presidente do PT-SP, Edinho Silva reconheceu o inusitado: Em São Paulo, berço do sindicalismo que deu à luz Lula, o petismo não tem candidatos:

 

"Nunca tivemos em São Paulo um campo partidário como esse atual. Hoje, a liderança que mais unifica é a do Ciro Gomes".

 

Assim, a platéia foi informada de que, sem Ciro, as forças que gravitam ao redor de Lula ficariam a pé no maior colégio eleitoral do país.

 

Informou-se também que Ciro Gomes pode, a qualquer momento, deixar de ser e voltar àquilo que não era.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h11

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STF adia o julgamento do ‘habeas corpus’ de Arruda

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, adiou o julgamento do habeas corpus protocolado no tribunal pela defesa de José Roberto Arruda.

 

A apreciação do pedido de liberdade do governador, preso desde 11 de fevereiro, havia sido marcado para esta quinta-feira (25).

 

Marco Aurélio decidiu pelo adiamento depois de receber uma nova petição da defesa de Arruda. Na peça, os advogados apresentam “novos fatos”.

 

E o ministro optou por devolver o processo ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que ele se manifeste novamente. Daí o adiamento.

 

No texto que levou à web, o Supremo não informa quais são os "fatos novos" levados aos autos pela defesa de Arruda.

 

Marco Aurélio já havia indeferido, em decisão liminar, o pedido de liberdade do governador dos panetone$. Considerou robustas as provas de que Arruda tentara corromper uma testemunha.

 

Nesta quinta, a decisão do ministro seria submetida à apreciação dos outros dez ministros que integram o plenário do Supremo.

 

Agora, será necessário aguardar pela manifestação da Procuradoria Geral da República. Por ora, não foi marcada uma nova data para o julgamento. Arruda ganhou uns dias a mais de cana.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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Imerso em lama, DEM-DF se declara ‘autodissolvido’

José Roberto Arruda e sua trupe de salteadores deram ao DEM uma inusitada sensação de utilidade pública.

 

O governador afastado de Brasília desmascarou o seu partido por dentro. E mostrou aos ‘demos’ que toda farsa tem dois gumes.

 

Quatro meses atrás, instalado na principal vitrine do DEM, Arruda estalava eficiência. Único governador ‘demo’, até para vice de José Serra o cogitavam.

 

Súbito, numa meia-noite ocasional, o Arruda belíssimo virou gato borralheiro. Tentou fugir. Mas deixou para trás o sapatinho sujo.

 

Seguindo as pegadas de lama, a PF o prendeu. E a legenda que o festejava passou a dispensar a ele um tratamento de madrasta malvada.

 

Nesta quarta (24), escreveu-se em Brasília mais um capítulo do conto de fadas às avessas. O diretório do DEM na Capital se autodissolveu.

 

"O partido é formado por gente honesta, honrada”, disse o deputado Osório Adriano, presidente do DEM-DF. “Pedi a dissolução do partido antes que outros pedissem”.

 

O DEM, esse partido de “gente honesta”, encontrou uma forma inusitada de espantar os seus males.

 

Podendo expulsar os seus gatos pardos, os gatos escaldados do DEM preferiram oferecer aos pares inconvenientes a chance de planejar a própria imolação.

 

Deu-se a Arruda o tempo necessário para se desfiliar antes de ser expulso. O ex-vice Paulo Octávio imitou a fórmula.

 

Agora, o diretório brasiliense se autodissolve horas antes da anunciada dissolução. Coisa de profissionais.

 

No mensalão do PT, o Brasil conhecera a tática do acobertamento. No mensalão mineiro do PSDB, a estratégia dos panos quentes.

 

Arruda ofereceu ao DEM uma idéia nova de tragédia: o martírio frio, o enforcamento sem corda, o suicídio sem tiro no peito, a morte sem sangue.

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Partidos pró-Dilma rogam a Ciro que concorra em SP

  Folha
Ciro Gomes, o suposto presidenciável do PSB, ouvirá nesta quarta (24) meia dúzia de apelos para que aceite disputar o governo de São Paulo.

 

O deputado participará de uma reunião com os partidos que, fechados com Dilma Rousseff, se dispõe a apoiá-lo no Estado.

 

Vão ao encontro com Ciro mandachuvas de sete legendas. A sopa de letras inclui: PT, PDT, PC do B, PRB, PSC, PTC, e PTN.

 

No plano nacional, Lula cuidou de submeter o projeto presidencial de Ciro a um torniquete partidário.

 

Mixaram todas as parcerias que o candidato idealizara. Sonhara especialmente com PDT e PCdoB.

 

Ao arrastar uma penca de partidos para a mesa desta quarta, o petismo deseja reafirmar a Ciro que, em São Paulo, a histórica seria outra.

 

Se decidir trocar a candidatura ao Planalto pela eleição ao governo de São Paulo, Ciro terá uma coligação vasta e tempo de TV generoso.

 

Para desassossego do Planalto, Ciro não parece, por ora, disposto a entregar os pontos. É improvável que a reunião produza a reviravolta desejada por Lula.

 

Ciro continua aferrado à idéia de esticar a corda até meados de março. Só então, depois de uma conversa com Lula, dirá o que pretende fazer da vida.

 

Na semana passada, o PSB levou a cara e o discurso de Ciro à sua propaganda partidária televisiva. Dez minutos, em horário nobre.

 

Ciro fez as vezes de âncora do programa. Condenou o “Fla-Flu partidário” que reduziu a sucessão presidencial a um embate entre o PSDB de José Serra e o PT de Dilma.

 

Agora, Ciro e o PSB desejam aferir os efeitos da publicidade sobre o eleitorado. Aguardam pelas próximas pesquisas. Encomendou uma sondagem própria.

 

Em privado, Ciro diz que prefere não disputar coisa nenhuma a apresentar-se como candidato em São Paulo.

 

A reunião desta quarta demonstra que o deputado ainda não é levado ao pé da letra. Deixou de ser tomado a sério, aliás, em setembro do ano passado.

 

Deu-se no instante em que, a pedido de Lula, aceitou transferir o seu título eleitoral do Ceará, seu Estado de adoção, para São Paulo, onde nasceu.

 

Desde então, a palavra de Ciro é posta a prova. Por mais que diga, por mais que repita, por mais que repise suas inteções presidenciais, o deputado continua sendo visto como um candidato multiuso.  

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h50

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Em Cuba, Lula encontra ditadores; ‘dissidentes’, não

Lula Marques/Folha

Antes de voar para Havana, Lula participou de cúpula latino-caribenha 

 

Lula desembarcou em Havana na noite passada. Nesta quarta (24), vai encontrar os irmãos Castro, Raúl e Fidel.

 

O governo brasileiro define o encontro de Lula com o par de ditadores –o atual e o antecessor— como um "reencontro de velhos amigos".

 

A exemplo do que ocorrera em visitas anteriores, a agenda de Lula não inclui encontros com opositores do regime cubano.

 

Um acontecimento funesto envenena a cena. Horas antes do desembarque de Lula, morreu no cárcere o pedreiro Orlando Zapata Tamayo.

 

Preso político, Tamayo estava em greve de fome. Feneceu no 85º dia. Para deesassessogo de Lula, justamente o dia de seu desembarque.

 

Um grupo de dissidentes cubanos tentou encaminhar uma carta a Lula. Os opositores dos Castro foram à embaixada brasileira, que não os recebeu.

 

Na carta, pediam ao presidente do Brasil que intercedesse pela liberação dos presos políticos de Cuba. Viam em Lula um “magnífico interlocutor”.

 

Não parece provável que Lula interceda em favor dos presos. Comissões da verdade para apurar transgressões aos deireitos humanos, só no Brasil. Em Cuba, jamais.

 

Para animar o “reencontro de velhos amigos”, Lula deixará em Cuba US$ 150 milhões. Dinheiro para a ampliação de um porto, em Havana.

 

Trata-se da segunda parcela de um desembolso total de US$ 300 milhões. Ao final das obras, a conta pode chegar a US$ 500 milhões.

 

Lula voou para Havana depois de participar da Cúpula dos Países Latino-americanos e do Caribe, no México.

 

Na animação fotográfica exposta lá no alto, você confere as fotos de despedida, clicadas pelo repórter Lula Marques.

 

Por sugestão do anfitrião, o presidente mexicano Felipe Calderón, a maioria dos 25 chefes de Estado presentes ao encontro vestiram-se de Guajaberas.

 

Trata-se de um traje típico do Caribe. Uma homenagem aos catadores de goiaba. Alguns preferiram suas próprias roupas típicas.

 

O venezuelano Hugo Chávez, por exemplo, não abriu mão do seu jaleco de tom abacate-militar.

 

Produziram-se na cúpula alguns consensos. Um deles resultou na criação de um novo bloco regional. Uma organização que funcionará nos moldes da velha OEA.

 

Com duas diferenças: inclui Cuba. E exclui EUA e Canadá. No dizer de Chávez, será uma organização capaz de produzir ações isentas da “colonização” americana.

 

Não ficou muito claro qual será a serventia da nova entidade. Já existem o Grupo do Rio, a Unasul e a própria Cúpula da América Latina e do Caribe. Mas quem se importa?

 

Ah, sim, Honduras não foi admitida no novo grupo. Por quê? Decidiu-se condicionar o ingresso do país à concessão de anistia a Manuel Zelaya.

 

Bulir com a soberania de Cuba não pode. Meter-se nos assuntos internos de Honduras pooooode!  

 

Num segundo consenso, os chefes de Estado reunidos no México solidarizaram-se com a colega argentina Critina Kirchner.

 

Deram-lhe apoio na queda-de-braço que a Argentina trava com a Inglaterra desde que Londres decidiu explorar petróleo nas ilhas Malvinas. 

 

Lula soou categórico. Disse que as Malvinas pertencem à Argentina, não à Inglaterra. Criticou a ONU, que demora-se em dirimir a pendenga. 

 

Nem tudo foi concórdia, contudo. Num almoço a portas fechadas, o venezuelano Hugo Chávez e o colombiano Alvaro Uribe travaram um duro embate verbal.

 

O rififi começou quando Uribe queixou-se do tratamento dispensado pela Venezuela às empresas colombianas. Chávez interveio.

 

Disse que, sob sua presidência, iniciada no longínquo ano de 1999, o comércio entre os dois países foi multiplicado por oito.

 

Uribe o interrompeu. E Chávez, depois de soltar um palavrão, disse que o colega da Colômbia encomendara a um grupo paramilitar o assassinato dele.

 

Estica daqui, puxa dali, Chávez ameaçou deixar a reunião. E Uribe: "Seja homem! Estas questões devem ser discutidas nestes fóruns...”

 

“...Você é muito corajoso para falar as coisas à distância, mas um covarde quando é para falar as coisas na cara".

 

Coube ao companheiro-ditador de Cuba, Raúl Castro, jogar água fria na fervura. Ao final, o anfitrião Calderón disse, em entrevista, que a coisa terminou bem.

 

Chávez e Uribe toparam participar de um “diálogo amistoso”. Cirou-se um grupo negociador. Integram-no Brasil, Argentina, República Dominicana e México.

 

A viagem de Lula não termina em Cuba. De Havana, o presidente brasileiro voará para o Haiti. Dali, para El Salvador. Só retorna a Brasília no final de semana.

Escrito por Josias de Souza às 05h10

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‘Novo’ interino do DF: ‘Não farei mudanças bruscas’

  ABr
Brasília passa a conviver, nesta quarta (24), com seu terceiro governador em 12 dias –o deputado distrital Wilson Lima (PR).

 

Presidente da Câmara Legislativa do DF, ele foi ao comando da Capital depois que Paulo Octávio (ex-DEM), o interino anterior, bateu em retirada.

 

Wilson Lima é velho aliado de José Roberto Arruda, o governador afastado e preso. Em nota divulgada na noite passada, iluminou suas intenções.

 

Às voltas com uma administração que reclama reviravolta, Wilson Lima avisa: “Não farei mudanças bruscas”.

 

Embora a conjuntura aconselhe ação, ele informa que vai enfrentar a nova missão “com serenidade, humildade e muita r-e-f-l-e-x-ã-o".

 

Reconhece que “há um sentimento de desilusão na população”. Mas é contra a "ruptura política e a intervenção federal”.

 

Acossado pela anormalidade, o "novo" interino escreve: “O compromisso que posso assumir [...] é com a normalidade democrática”.

 

Os malfeitos e a suspeição pululam ao redor. Mas Wilson Lima não pensa em auditorias. Não cogita nem mesmo a abertura de uma reles sindicância.

 

Sua prioridade é manter as obras sociais e a movimentação pesada dos canteiros de obras abertos sob Arruda, o aliado preso.

 

Promete “[...] não permitir a paralisia do governo, para que as obras e ações sociais sejam levadas até o fim, não piorando ainda mais as coisas”.

 

O deputado vai ao leme sem ter a mais remota idéia de quanto tempo vai durar sua interinidade:

 

“Afirmo que farei o que estiver ao alcance de minhas forças para, seja qual for o período em que o GDF estiver sob meu comando, honrar cada minuto de minha passagem por este posto”.

 

Tomado pela nota inaugural, o deputado Wilson Lima faz bem em contar o tempo em “minutos”. Quando menos perceber, sua hora já terá passado.

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h43

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Governo corre para esvaziar denúncia de lobby de Dirceu

 

- Folha: DF perde 2º governador em 12 dias

 

- Estadão: Paulo Octávio renuncia no DF

 

- JB: Metrô tem 15 dias para entrar na linha

 

- Correio: Paulo Octávio renuncia. E agora, Wilson?

 

- Valor: Vendas internas puxam retomada do setor têxtil

 

- Estado de Minas: Uma cidade abandonada à própria sorte

 

- Jornal do Commercio: Viúvo e sogro de alemã estão presos

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Fase DEMonícaca!

Paixão

- Via Gazeta do Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Suspensas cassações de quatro vereadores do PT

A Justiça Eleitoral suspendeu nesta terça (23) a cassação de quatro vereadores do PT de São Paulo.

 

Os mandatos haviam sido passados na lâmina por sentença do juiz Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral da capital paulista.

 

De acordo com o despacho do magistrado, os vereadores coletaram na campanha de 2008 verbas de doadores impedidos por lei de fazer contribuições de campanha.

 

Por meio de recurso, os vereadores cassados pediram e obtiveram o “efeito suspensivo” da sentença.

 

Algo que lhes garante a preservação do mandato até que o caso seja julgado pelas instâncias superiores da Justiça Eleitoral –o TRE e, se necessário, o TSE.

 

A suspensão beneficiou os seguintes vereadores petistas: Antonio Donato, Arselino Tatto, José Américo e Juliana Cardoso.

 

Há no rol de cassados um quinto vereador do PT: Ítalo Cardoso. Ele também recorreu. Porém...

 

Porém, valeu-se de um tipo de recurso (embargo de declaração) que não prevê o efeito suspensivo automático. A peça ainda não foi apreciada.

 

Além dos petistas, o juiz Sérgio Rezende levou à bandeja os mandatos de dois vereadores do PSDB –Gilberto Natalini e José Police Neto...

 

...E um do DEM –Marco Aurélio Cunha. A trinca ainda não recorreu.

 

De resto, o magistrado cassara o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a vice dele, Alda Marco Antônio (PMDB), já protegidos pelo “efeito suspensivo”.

 

Como se vê, a encrenca das doações supostamente ilegais de São Paulo, por suprapartidária, não serve de munição nem a governistas nem a oposicionistas.

 

Produziu-se em São Paulo uma união instantânea. No caso que envolve Kassab, como já noticiado aqui, o prefeito iguala-se a Lula.

 

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Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Dirceu: ‘Não tenho impedimento para dar consultoria’

  Folha
O deputado cassado José Dirceu (PT-SP), hoje titular do escritório de JC Consultoria, levou ao seu blog uma nota sobre o noticiário que o envolve.

 

Trata da reativação da Telebras e dos benefício$ que a ressurreição da estatal pode proporcionar a um de seus clientes.

 

Desde o título, Dirceu investe contra o jornal que trouxe à luz a transação: “Folha joga sujo para atacar plano de banda larga do governo e me atingir”. Declara-se “surpreendido” com a manchete do jornal –“Nova Telebras beneficia cliente de Dirceu”.

 

O neoconsultor Dirceu havia sido procutado na véspera. Recebera informações prévias acerca do conteúdo da notícia. Supresa não houve. Acha que a reportagem foi “preparada sob encomenda”. De quem? Não diz. Para quê? Dois objetivos, segundo ele:

 

1. “Atacar o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) do governo federal”.

 

2. “Levantar suspeitas sobre minha participação em uma disputa que corre na Justiça do Rio, entre os credores da empresa Eletronet, seus sócios privados e o governo, pelo controle do ativo de 16 mil km de fibras ópticas”.

 

A notícia comentada por Dirceu não contém ataques ao PNBL. Suspeitas? Se existem, decorrem da movimentação de Dirceu, não da reportagem que a revelou. Dirceu escreveu:

 

“Exista ou não o PNBL e a reorganização da Telebrás, os credores, os proprietários da Eletronet e o governo federal terão que responder pelos passivos e ativos da Eletronet. E cada um poderá ser prejudicado ou beneficiado”.

 

Verdade. Mas o que chama a atenção é o fato de o cliente de Dirceu figurar no rol dos que poderão ser beneficados. Chama-se Nelson dos Santos. É sócio da Eletronet, dona dos 16 mil km de fibras ópticas que a “nova” Telebras pretende utilizar.

 

Na pele de consultor, o deputado cassado realça: “Já existe liminar favorável ao governo”. Concedeu-a a Justiça do Rio. Determina “a reintegração de posse de parte dos ativos da Eletronet (as fibras ‘apagadas’ ou não utilizadas atualmente) a empresas do grupo Eletrobras”.

 

E daí? “Sugerir que minha atuação na consultoria que dei sobre rumos da economia na América Latina tenha algo a ver com uma possível decisão que não cabe ao governo, mas ao Poder Judiciário, é uma ilação descabida e irresponsável do jornal”.

 

Procurado na véspera, Dirceu recusara-se até mesmo a confirmar a consultoria. Manandara dizer, por meio da assessoria: “Se, por ventura, o ex-ministro tivesse dado consultoria ao sr. Nelson dos Santos, não poderia confirmar, por cláusula de confidencialidade, comum a contratos de consultoria”.

 

Agora, pelo menos já admite o que não é mais possível negar. Alvissáras! Não menciona o valor recebido: R$ 620 mil. Mas, em homenagem ao bom senso, não nega a cifra. Diz ter provido ao seu cliente dados sobre “os rumos da economia na América Latina”. Curioso, muito curioso, curiosíssimo!

 

Nessa matéria, decerto há em São Paulo consultores bem mais preparados do que Dirceu para vender conhecimentos. Mas Dirceu pede à platéia que acredite no seguinte: Nelson dos Santos achegou-se a ele atrás de luzes sobre a economia da América Latina.

 

Ao bater na porta da JD Consultoria, o empresário nem de longe pretendeu valer-se do prestígio do dono da empresa junto ao governo do PT, para encurtar distâncias. Afinal, como escreve Dirceu, a decisão é da Justiça. Bem verdade que, não houvesse a intenção de reativar a Telebras, o governo teria tomado distância da encrenca. Porém...

 

Porém, imaginar-se que Dirceu possa ter tido algum tipo de influência nos rumos do negócio “é uma ilação descabida e irresponsável do jornal”. 

 

Dirceu reclama: Acusam-me “de estar por trás da criação da Telebrás e, pior, favorecendo uma empresa privada para a qual dei consultoria legal e registrada em contrato...”

 

“...Saí do governo há quase cinco anos. Não tenho impedimento para dar consultorias e não há nada que me ligue a qualquer intervenção ou ação do Executivo federal...”

 

“...Os responsáveis pela ação judicial e pelo PNBL são testemunhas de minha não participação ou intervenção na definição da política da União”.

 

Se alguém “acusa” Dirceu são os fatos, não a notícia que os iluminou. Se favoreceu ou não o seu cliente, é algo que precisa ser esclarecido.

 

Dirceu não está mesmo impedido de prestar “consultoria legal”. Mas seria ingênuo se imaginasse que não causaria estranheza sua relação com cliente tão interessado em decisões emanadas do governo. E ingênuo, convenhamos, Dirceu não é.

 

O ex-Todo Poderoso da Casa Civil sustenta, de resto, que nada há de estranho no fato de ter escrito sobre o tema –Eletronete, fibras ópticas e etc.—em textos que levara ao blog e a um jornal a que serve como articulista.

 

“Como em todas as questões importantes do país, manifesto minha posição publicamente em meu blog ou na imprensa”. Beleza. Mas por que diabos omitiu o fato de que prestava consultoria a um empresário interessado na coi$a?

 

Afora as explicações de Dirceu, também a Advocacia-Geral da União divulgou uma nota sobre a notícia incômoda. Não cita Dirceu. Mas esgrimiu argumentos semelhantes aos dele.

 

A certa altura, o documento da AGU anota: “Eventual reativação da Telebrás não vai gerar receitas ou direitos de crédito para a massa falida da Eletronet [...]”.

 

Nelson dos Santos, o cliente de Dirceu, pensa de outro modo: Acha que os sócios privados da Eletronet (ele incluído) têm direitos sobre o futuro que se abre na empresa.

 

Por quê? “A rede de fibras ópticas, mesmo após a falência [da Eletronet], nunca deixou de funcionar, em regime de continuidade de negócios, tendo sido permanente a manutenção".

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Paulo Octávio renuncia à ‘desrenúncia’ e deixa cargo

  Marcello Casal/ABr
Paulo Octávio, o governador interino do DF, decidiu renunciar à ‘desrenúncia’. Em consequência, vai renunciar de novo. Agora, “pra valer”, ele diz.

 

No cargo há 11 dias, desde que o titular José Roberto Arruda foi em cana, Paulo Octávio baterá em retirada ainda nesta terça (23).

 

Prometera renunciar na semana passada. Chegara a redigir a carta. Porém, depois de uma reunião com Lula, ele havia ‘desrenunciado’.

 

O que mudou da semana passada para cá? Quase nada. Paulo Octávio continua sob investigação da PF e do Ministério Público...

 

...Brasília segue sob risco de intervenção federal. A bancada do panetone na Câmara Legislativa do DF ainda se esfarela...

 

...Os pedidos de impeachment que corriam contra Paulo Octávio ainda pulsam...

 

...O DEM, que prometera expulsar Paulo Octávio, só não vai fazê-lo porque o filiado ex-ilustre desfiliou-se.

 

Assim, só há uma razão para a renúncia à “desrenúncia”: Paulo Octávio renuncia pela segunda vez porque se abriu contra ele uma conspiração de chargistas.

 

Diferentemente da polícia e dos adversários políticos, os chargistas não acusam Paulo Octávio de nada. Eles apenas o ridicularizam. Os humoristas do traço não o combatem, gozam-no.

 

Diante da moratória de bom senso que se seguiu à pantomima, não restou a Paulo Octávio senão renunciar pela segunda vez em menos de uma semana.

 

Animada com a saída dele, Brasília dança. A cidade baila à beira do abismo. Migrou de Paulo Octávio, o impensável, para Wilson Lima, o imponderável.

 

Wilson Lima é como se chama o deputado que preside a Câmara Legislativa do DF. É ele o sucessor legal de Paulo Octávio.

 

Trata-se de membro ativo da bancada do panetone. Não exibe a mais remota condição -nem política nem intelectual- de governar a Capital.

 

Tonifica-se a tese da intervenção federal. Foi pedida pelo Ministério Público. Será decretada (ou não) pelo STF. Se confirmada, caberá a Lula apontar o nome do interventor.

 

- Serviço: Leia aqui a íntegra da carta de renúncia de Paulo Octávio. O documento já foi lido na Câmara Legislativa do DF. Assim, a renúncia tornou-se irreversível.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h02

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Reativação da Telebrás beneficiará ‘cliente’ de Dirceu

Folha

 

Sob Lula, o governo promete reativar a Telebras, estatal que geria a rede de telefônicas privatizadas na era FHC.

 

O negócio interessa vivamente a um cliente do deputado cassado José Dirceu, réu no processo do mensalão e recém-reconduzido à direção do PT.

 

Dirceu foi contratado por um grupo empresarial que será o principal beneficiário da eventual ressurreição da Telebras.

 

O ex-mandachuva da Casa Civil já recebeu, a título de consultoria, pelo menos R$ 620 mil, informam os repórteres Marcio Aith e Julio Wiziack, na Folha.

 

A cifra foi desembolsada, entre 2007 e 2009, por um empresário chamado Nelson dos Santos.

 

Ele é dono da logomarca Star Overseas, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal do Caribe.

 

Em 2005, Nelson dos Santos comprara, na bacia das almas, 49% de uma empresa chamada Eletronet. Pagou um valor simbólico: R$ 1.

 

Com a reativação da Telebras, Santos pode sair do negócio com notáveis R$ 200 milhões. Por quê?

 

Falida, a Eletronet possui entre seus ativos 16 mil km de cabos de fibra óptica, ligando 18 Estados brasileiros.

 

Embora valiosa, a mercadoria não cobria as dívidas da empresa, avaliadas em R$ 800 milhões.

 

Depois do contrato firmado entre Nelson dos Santos e José Direceu, o governo decidiu utilizar as fibras ópticas da Eletronet na “nova” Telebras.

 

A Viúva dispôs-se a assumir sozinha a caução judicial necessária à liberação da rede de fibras, que serve de garantia a credores da Eletronet.

 

Em discurso feito no Rio, em julho do ano passado, Lula referiu-se publicamente à transação. Não mencionou nem Dirceu nem o cliente dele. Mas citou a Eletronet:

 

"Nós estamos brigando há cinco anos para tomar conta da Eletronet, que é uma empresa pública que foi privatizada, que faliu, e que estamos querendo pegar de volta".

 

Dirceu também tratou do tema em artigos que veiculou em seu blog e no jornal “Brasil Econômico”, do qual é articulista.

 

Em seus textos, o ex-ministro não menciona o nome de seu cliente. NO blog, Dirceu começou a tratar do tema em março de 2007, mês em que foi contratado por Nelson dos Santos.

 

Num das mensagens levadas ao blog, Dirceu anotou: "Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet...”

 

“...Uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas, joint venture entre a norte-americana AES e a Lightpar, uma associação de empresas elétricas da Eletrobrás".


Procurado, José Dirceu preferiu não comentar. Sua assessoria limitou-se a dizer o seguinte:

 

"Se, por ventura, o ex-ministro tivesse dado consultoria ao sr. Nelson dos Santos, não poderia confirmar, por cláusula de confidencialidade, comum a contratos de consultoria".

 

Ouvido, Nelson dos Santos confirmou ter feito pagamentos à empresa de Dirceu, a Consultoria JD.

 

Disse que a firma de Dirceu “nunca foi contratada para fazer qualquer intermediação de negócios ou serviços relacionados a transações específicas".

 

Fazia o quê? Segundo o empresário, realizava projeções do cenário político e econômico brasileiro e latino-americano.

 

Ainda de acordo com Nelson dos Santos, o contrato que o uniu a Dirceu vigorou de março de 2007 a outubro de 2009.

 

Disse, por e-mail, que os pagamentos feitos a Dirceu constam de notas fiscais e foram devidamente contabilizados.

 

Informou que desembolsou R$ 20 mil por mês. Considerando-se o prazo de vigência do contrato, foram à caixa registradora da consultoria de Dirceu R$ 620 mil.

 

No último sábado (20), José Dirceu desfilou seu prestígio pelo Congresso do PT, o encontro que aclamou Dilma Rousseff como presidenciável do partido.

 

Em entrevista, o ex-ministro declarou que vai participar da campanha de Dilma. “Às claras”, ele disse. “Meu tempo de clandestinidade acabou”.

 

Referia-se não aos negócios, mas à sua fase guerrilheira, durante a qual, sob ditadura militar, teve de retornar ao Brasil, procedente de Cuba, sob disfarce.

 

Nesse período, a única confidencialidade que interessava a José Dirceu preservar era sua identidade política.

Escrito por Josias de Souza às 08h21

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Aécio lidera com folga disputa pelo Senado em Minas

  Folha
Pesquisa veiculada na edição desta terça (23) do diário mineiro ‘O Tempo’ acomoda Aécio Neves (PSDB) na liderança da disputa pelo Senado em Minas.

 

Os mineiros vão eleger dois senadores em 2010. Aécio é a primeira opção de 48,22% dos eleitores. E a segunda de 12,42%.

 

Somando-se os votos atribuídos ao governador nos dois cenários, Aécio vai à disputa com 60,64% das intenções de voto.

 

A pesquisa submeteu ao eleitor nomes de políticos que, hoje, declaram-se candidatos ao governo. Entre eles Hélio Costa (PMDB).

 

Depois de Aécio, o ministro das Comunicações é o nome mais bem-posto na corrida ao Senado: 13,19% dos eleitores afirmam que votariam nele como primeira opção.

 

Outros 13,86% declaram que Hélio Costa é a segunda opção de voto. Somando-se os dois percentuais, o ministro amealha 27,05%.

 

Na terceira colocação aparece o vice-presidente José Alencar (PRB). Ele é a primeira opção de 9,67% dos eleitores. E a segunra de 15,26%. Índice total: 24,93%.

 

Na sequência, aparecem: Itamar Franco, do PPS (18,30%, somando-se o primeiro e o segundo votos); Fernando Pimentel, do PT (13,00%)...

 

...Eduardo Azeredo, do PSDB (11,00%) e Patrus Ananias, do PT (com 9,70%).

 

A confirmação do favoritismo de Aécio como que ajuda a explicar a resistência do governador tucano em aceitar o posto de vice na chapa de José Serra.

 

De volta de uma licença de 11 dias, Aécio confirmou nesta segunda (22) que terá um encontro com Serra durante a semana.

 

De antemão, Aécio cuidou de esvaziar as expectativas que cercam a reunião. Disse que o PSDB não tem razões para antecipar sua decisão no plano nacional.

 

Declarou que, ao formalizar a candidatura de Dilma Rousseff, Lula e o PT fazem o que lhes convém. Mas o tucanato, ele acredita, não deve se pautar pela lógica dos rivais.

 

Afirma, de resto, que não se deve esperar de sua conversa com Serra nenhum “grande fato político”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h13

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PSDB: Dilma é marketing e tática de Serra não muda

Sérgio Guerra diz que candidatura não será lançada agora

 

  José Cruz/ABr
O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, avalia que a aclamação de Dilma Rousseff como candidata do PT não passa de “mais uma peça publicitária”.

 

“Marketing puro”, diz o senador. Classifica o Congresso do PT, encerrado no sábado, de ato “sem conteúdo legal, para reforçar a campanha que ela já vem fazendo”.

 

E quanto à candidatura da oposição, quando será levada à vitrine? “O governador José Serra está governando o Estado de São Paulo”, declara Sérgio Guerra.

 

Não vê razões para alteração de planos. “Governar São Paulo não é fácil. A nação espera que o Serra cumpra o papel dele”.

 

Para ilustrar seu raciocínio, o presidente do tucanato teoriza: “Vamos supor que o governador se lançasse candidato agora...”

 

“...Suponhamos que ele dissesse: ‘Eu sou candidato a presidente da República e vou fazer campanha. O que danado ele poderia fazer?...”

 

“...O que a Marina [Silva] está fazendo, o que o Ciro [Gomes] está fazendo? Não tem o que fazer, não podem fazer”.

 

Mas Dilma não está fazendo? “A ministra faz porque usa o governo, a campanha dela é o governo. É ilegal, feita no cargo de ministra, junto com o presidente”.

 

O senador falou no “Jornal da Noite”, da TV Bandeirantes. A entrevista foi levada ao ar no início da madrugada desta terça (23).

 

A certa altura, Sérgio Guerra foi instado a comentar a subida de Dilma nas pesquisas: “A ministra venceu no tempo o problema do desconhecimento. Evidentemente teria que crescer. Tem crescido nas pesquisas, isso não nos surpreendente”.

 

Acha, contudo, que o Congresso do PT evidenciou as "fragilidades" da candidata de Lula: “A ministra fez um discurso anacrônico, para agradar um lado e agradar o outro, para fazer de conta que ela não é ela”.

 

Interpretou o discurso de Dilma: Tentou demonstrar “que ela é uma pessoa que vai fazer um projeto liberal e democrático no Brasil, que vai manter instituições. Falou de Estado forte. O que danado é Estado forte? O eleitor não compreende isso direito”.

 

Identificou diferenças entre as propostas defendidas pelo PT e os planos assumidos por Dilma: “O PT faz discurso mais para a esquerda, no sentido de atender aos movimentos sociais e fazer promessas pra eles...”

 

“...E a ministra faz um discurso aparentemente responsável. No conjunto, produziu-se uma candidata que não conseguiu e não vai definir até o dia da eleição seu verdadeiro padrão”.

 

Vão abaixo outras declarações feitas pelo presidente do PSDB na entrevista:

 

 

- Quais é a alternativa do PSDB para a economia? “Nós vamos trabalhar para que o Brasil tem juros menores e tenha um câmbio mais apreciado”.

 

- Mas não havia declarado noutra entrevista que os rumos mudariam? “Não falei nisso. Disse que os compromissos com o ajuste fiscal, com o cambio flutuante e com as metas de inflação seriam mantidos”.

 

- Estado brasileiro: “Nós vamos fazer uma profunda reforma no Estado. Controlar os gastos, reduzi-los. E vamos dotar esse país de um verdadeiro planejamento. Nós somos um país que não tem planejamento”.

 

- Governo Lula: “Não avançamos um metro na infraestrutura. A nossa saúde involuiu. A educação não tem qualidade.”

 

- Distribuição de renda? “Teve uma certa redução de diferenças, que tem origem numa parte do governo que nós elogiamos: os programas sociais que o presidente Lula desenvolveu a partir de idéias que nós tivemos.

 

- Parâmetros de um eventual governo tucano: “O nosso governo vai ser democrático, limpo, não vai privatizar o Estado brasileiro.

 

- Dilma sugeriu que vão privatizar, não? Estão dizendo aí que nós vamos privatizar. [A ministra] sugeriu, mas nada disso é verdade. Mais uma vez.

 

- Tática do plebiscito: “Eles não estão querendo fazer comparação nenhuma. Nem cabe fazer comparações. Eles querem que a gente vacile e não asssuma o governo que nós fizemos. E nós não temos nenhum problema de assumir o governo que fizemos. [...] Com toda franqueza, o que o adversário quer é esconder a sua candidata. Toda essa discussão de comparar um governo com outro tem um objetiovo: esconder a ministra Dilma. [...] É importante que a ministra apareceça, que seja comparada, que diga o que ela fez e todo mundo veja. Que o que ela pensou no passado e pensa no presente seja apresentado a todos. Eu não vi nada nenhnuma proposta real da ministra sobre coisa alguma.

 

- Popularidade de Lula: “Atribuo a vários movimentos. Primeiro, ele ajudou o pessoal que ganha muito dinheiro. Segundo, ele ajudou a população pobre e carente quando expandiu os programas sociais. Terceiro, ele é um notável comunicador. Quarto, ele tem muito espaço para comunicar. E quinto, não respeita muito as leis. Ele é o presidente da República que faz campanha eleitoral [ilegal]”.

 

- O panetonegate prejudica a oposição? “Em Brasília, sim. O governador Arruda estava muito bem aprovado lá. Fazia um governo que todo mundo considerava positivo. Na hora em que ele sofre o processo que está sofrendo, nós ficamos prejudicados eleitoralmente em Brasília. Esperamos que a Justiça cumpra o seu papel. [...] Há um prejuízo local, quem nós vamos localmente resolver. Do ponto de vista nacional, não [há prejuízos políticos]”.

 

- E a cassação de Gilberto Kassab? “Isso não é real. É brincadeira de mau gosto. Nada disso pra frente. Isso é um episódio que depois de amanhã desaparecerá”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h36

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TSE absolveu Lula de acusações feitas contra Kassab

  Sérgio Lima/Folha
Em sessão ocorrida no final de 2006, o TSE absolveu Lula de acusações semelhantes às que estão sendo feitas agora contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

 

Pela lógica, se o processo que corre contra Kassab chegar ao TSE, último degrau da Justiça Eleitoral, a absolvição é o caminho mais provável.

 

Vai abaixo um resumo da encrenca:

 

1. Kassab e sua vice, Alda Marco Antônio (PMDB), foram condenados à perda de mandato. Recorreram. E a sentença foi suspensa até o julgamento final.

 

2. Deve-se a um juiz de primeiro grau a condenação da dupla Kassab-Alda. Chama-se Sérgio Rezende Silveira. Atua na 1ª Zona Eleitoral da capital paulista.

 

3. O magistrado sustenta em seu despacho que o comitê reeleitoral de Kassab recebeu, no pleito de 2008, R$ 10 milhões em verbas ilegais.

 

4. Um pedaço do dinheiro tido por ilegal veio, segundo a sentença, das caixas registradoras de sete empreiteiras.

 

5. São elas: Camargo Corrêa, CR Almeida, Engeform, S.A. Paulista, OAS, Serveng Silvisan e Carioca Christiani Nielsen.

 

6. Juntas, essas empresas borrifaram no comitê de Kassab R$ 6,8 milhões. Por que essas doações seriam ilegais?

 

7. Endossando representação do Ministério Público Eleitoral, o juiz Sérgio Rezende entendeu que os doadores mantêm contratos com a administração pública.

 

8. Pela lei, empresas concessionárias de serviços públicos não podem fazer doações eleitorias. Há, porém, um detalhe.

 

9. Na representação que serviu de fundamento para a sentença, o Ministério Público anota que as empreiteiras não são concessionárias diretas.

 

10. Pelo texto, as empresas são acionistas, investidoras ou estão associadas às concessionárias por meio de consórcio.

 

11. Aqui começam as semelhanças com o processo no qual o comitê reeleitoral de Lula foi absolvido no final de 2006.

 

12. Lula também fora acusado de receber verbas de concessionárias de serviço público. Entre elas a Carioca Christiani Nielsen, que também figura na lista de doadoaras de Kassab.

 

13. Em sua defesa, o PT alegou que as empresas não eram concessionárias. Apenas detinham ações ou investimentos em logomarcas que serviam ao Estado.

 

14. É precisamente o que alega a defesa de Kassab. Serve-se da mesma tese que, levada a julgamento no caso Lula, prevaleceu no plenário do TSE por cinco votos contra dois.

 

15. Ficou assentada no tribunal a jurisprudência que deve beneficiar Kassab se o processo contra ele sobreviver à análise do TRE de São Paulo.

 

16. O juiz considerou ilegais também as verbas doadas ao comitê de Kassab por uma entidade chamada AIB (Associação Imobiliária Brasileira). Coisa de R$ 2,7 milhões.

 

17. Considerou-se que a AIB é, na verdade, mero biombo. Serviria para ocultar doações eleitorais de construtoras filiadas ao Sindicato da Construção Civil.

 

18. Reza a lei que sindicatos estão proibidos de fazer doações. Daí a pecha de “ilegal” grudada às constribuições vindas da AIB.

 

19. Há aqui nova coincidência em relação ao processo que resultou na absolvição de Lula. O comitê do presidente recebera doações de entidade análoga à AIB.

 

20. Chama-se IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia). A despeito da ligação da entidade com empresas do setor siderúrgico, o TSE considerou que as doações foram legais.

 

21. Para a maioria dos ministros do tribunal, o IBS não pode ser considerado como um sindicato ou entidade de classe.

 

22. Por último, o juiz Sérgio Rezende classificou de ilegal uma doação feita à campanha de Kassab pelo Banco Itraú: R$ 550 mil.

 

23. É no Itaú que a prefeitura deposita os salários dos servidores. Por essa razão, entendeu o juiz, a casa bancária estaria impedida de fazer a doação.

 

24. Nesse ponto, a sentença de São Paulo não encontra paralelo no processo que correu contra Lula. Porém...

 

25. Porém, o juiz fixou em sua decisão um piso monetário. Seriam passíveis de cassação os eleitos que carregassem em sua escrituração de campanha 20% ou mais de verbas ilegais.

 

26. O comitê de Kassab amealhou R$ 29,8 milhões. Tomado pela decisão do magistrado, 33,8% desse total vieram de fontes ilegais.

 

27. Suponha-se que TSE derrube a ilegalidade atribuída à verba das construtoras (R$ 6,8 milhões) e ao dinheiro da AIB (R$ 2,7 milhões).

 

28. Nesse caso, ainda que os R$ 550 mil providos pelo Itaú sejam tidos por ilegais, não será atingido o piso de 20% estipulado pelo juiz como necessário à perda do mandato.

 

29. As semelhanças entre o caso de Kassab e o de Lula vão ao caldeirão que ferve em São Paulo como água fria derramada sobre o ânimo beligerante do PT.

 

30. Afora o fato de Lula ter sido acusado dos mesmos malfeitos, o juiz Sérgio Rezende cassou também oito vereadores— cinco petistas, dois tucanos e um ‘demo’.

 

31. O recurso dos advogados de Kassab levou o processo do prefeito ao TRE de São Paulo. Se for observada a decisão do TSE, o caso talvez nem chegue a Brasília.

 

32. Eis o resumo da novela: a legislação eleitoral é uma espécie de queijo suíço feito apenas de buracos. Servem-se dele roedadores suprapartidários.

 

A lei é ruim? Sem dúvida. Mas não parece haver no Congresso quem se anime a aperfeiçoá-la. Assim, não resta à Justiça Eleitoral senão absolver.

Escrito por Josias de Souza às 04h46

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Vale entra em leilão e acirra megadisputa no setor elétrico

 

- Folha: 'Nova' Telebrás beneficia cliente de Dirceu

 

- Estadão: Cúpula apoia reivindicação argentina sobre Malvinas

 

- JB: Rio sem novos blocos em 2011

 

- Correio: A hora do impeachment para Arruda

 

- Valor: Com folga em caixa, bancos captam menos

 

- Estado de Minas: Greve provoca transtornos e prejuízos em BH

 

- Jornal do Commercio: Novo estaleiro vai gerar 1.700 empregos

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Novo modelito tomara-que-caia!

Clayton

Via O Povo Online.

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Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Diretório lança Beto Richa para o governo do Paraná

  Divulgação
O diretório do PSDB no Paraná indicou nesta segunda (22) o nome de Beto Richa como pré-candidato do partido ao governo do Estado.

 

Computaram-se 42 votos –41 foram ao colo de Beto Richa, atual prefeito de Curitiba. O único voto destoante foi do deputado Gustavo Fruet, que votou em si mesmo.

 

A decisão do diretório não tem valor legal. A candidatura de Beto Richa terá de ser confirmada em convenção partidária, marcada para junho.

 

O prefeito trava uma luta interna com outro pré-candidato, o senador tucano Alvaro Dias, que preferiu não dar as caras no encontro do diretório estadual.

 

Há 15 dias, Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, tentara promover um acordo entre Richa e Dias. Deu em nada.

 

Em texto levado ao seu blog, Alvaro Dias classificou a decisão da executiva estadual de “afronta à legislação”, um desrespeito ao calendário eleitoral.

 

“Se combato a ilegal antecipação da campanha eleitoral, como poderia compactuar com essa ilegalidade?”, anotou Alvaro Dias.

 

O senador acrescentou: “A escolha por esse processo espúrio subtrai os direitos dos convencionais não convidados e, sobretudo, da candidatura concorrente”.

 

Alvaro Dias empilhou no texto um lote de consequências políticas que, na opinião dele, sobrevirão à escolha de Richa. Entre elas:

 

1. “A Prefeitura de Curitiba passa para as mãos do PSB, do candidato à presidência Ciro Gomes”. O vice de Beto Richa na prefeitura é filiado ao PSB de Ciro.

 

2. “O palanque de Dilma Rousseff passa a existir [no Paraná] com a força da candidatura de Osmar Dias”.

 

O senador Osmar Dias, do PDT, é irmão de Álvaro Dias. Dissera que não disputaria o governo do Estado contra ele. Do contrário, vai à briga coligado ao PT de Dilma.

 

3. “O PMDB certamente passará a ser a oportunidade desperdiçada”. Álvaro aredita que, com ele, as chances de um acerto com o PMDB de Roberto Requião seria real.

 

O texto de Álvaro Dias sugere que ele se mantém na briga. A chance de prevalecer sobre Beto Richa, porém, é mínima.

 

O prefeito de Curitiba controla a máquina partidária do PSDB no Paraná. Além da maioria do diretório, Beto Richa controla a convenção.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h26

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Deputado do PT é relator do impeachment de Arruda

  Antônio Cruz/ABr
Devagarinho, o impeachment do governador afastado do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM), vai ganhando forma.

 

Admitido na semana passada pela Comissão de Justiça da Câmara Legisaltiva da Capital, o processo foi a uma comissão especial.

 

Reunida nesta segunda (22), a comissão indicou um oposicionista para relatar o processo de cassação de Arruda.

 

Chama-se Chico Leite. É filiado ao PT. Teria dez dias para formular o seu relatório. Não deseja tanto. Promete entregar a peça ainda nesta semana.

 

Quanto ao governador interino Paulo Octávio (DEM), aparentemente ainda não foi lançado ao mar pela panetônica bancada governista.

 

Para o processo de impeachment de Paulo Octávio foi indicado um relator governista, Batista das Coperativas (PRP).

 

O mesmo deputado que, na Comissão de Justiça, recomendara em relatório a abertura do processo contra Arruda.

 

Embora pouco cooperativo com Arruda, Batista das Cooperativas dá sinais de que ainda pode cooperar com Paulo Octávio.

 

Mal foi apontado como relator do processo contra o governador interino, Batista subiu à tribuna. Em discurso, elogiou, veja você, o “alvo” de seu futuro relatório.

 

O deputado discursou sobre um flagelo de Brasília: a invasão de terras públicas urbanas. A certa altura, ele disse:

 

"Brasília precisa de governabilidade. As pessoas estão aproveitando um suposto estado de desgoverno para ocupar terra públicas...”

 

“...Quero parabenizar o governo Paulo Octávio, que foi enérgico". Huuummmmm!

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Justiça suspende a cassação do mandato de Kassab

  Luiz Guadagnoli/Divulgação
Antes mesmo de publicada, foi suspensa a cassação do mandato do prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM).

 

A lâmina descera no despacho de um juiz de primeiro grau, Sérgio Rezende Silveira. A defesa de Kassab apresentou recurso ao TRE.

 

E a sentença foi suspensa. Coisa usual. A lei prevê que, havendo recurso, a senteça condenatória sobe no telhado até que o TRE se manifeste.

 

Segunda instância da Justiça Eleitoral, o TRE é composto por sete magistrados. Não há prazo para que eles se manifestem.

 

Além de Kassab, a suspensão alcança a vice dele, Alda Marco Antônio (PMDB).

 

O juiz Sérgio Rezende cassara, de resto, oito vereadores paulistanos. Tudo suspenso.

 

A bancada do cadafalso inclui vereadores de três partidos. Cinco do PT: Antonio Donato, Arselino Tatto, Italo Cardoso, José Américo e Juliana Cardoso...

 

Dois Do PSDB: José Police Neto, líder da gestão Kassab na Câmara de vereaedores e Gilberto Ntalini. Um do DEM: Marco Aurélio Cunha.

 

Pesa contra todos –prefeito, vice-prefeita e vereadores— a suspeita de financimento ilegal de campanha.

 

No caso da dupla Kassab-Alda, as verbas de má origem somam R$ 10 milhões. Dinheiro vindo de empreiteiras, do banco Itaú e de uma associação.

 

A notícia sobre a sentença do juiz Sérgio Rezende viera à luz no final de semana. Nesta segunda, o documento foi divulgado.

 

Antes da publicação formal, que ocorrerá nesta terça, o despacho do juiz foi ao gancho da suspensão. Os pescoços de Kassab e Cia. ficarão longe da guilhotina até o julgamento final do processo.

 

Se perder no TRE, Kassab ainda poderá recorrer à terceira instância, o TSE, em Brasília. Dependendo da evolução, o caso pode morrer no STF. Ou seja, puxe uma cadeira. Melhor esperar sentado.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h37

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Pesquisa reforça o favoritismo de Hélio Costa em MG

Lula e Aécio têm mesmo poder de influência sobre eleitor

 

Alan Marques/Folha

 

Saiu uma nova pesquisa eleitoral em Minas Gerais. Foi feita pelo DataTempo/CP2. Ganhou as páginas do diário mineiro ‘O Tempo’.

 

A sondagem indica que Hélio Costa (PMDB) mantém o favoritismo na briga pelo governo do Estado. O ministro das Comunicações lidera em todos os cenários.

 

Está à frente dos dois nomes do PT –Fernando Pimentel e Patrus Ananias. Antonio Anastasia (PSDB), o preferido do governador Aécio Neves, é o lanterninha.

 

A pesquisa testou também as chances eleitorais do vice-presidente José Alencar (PRB).

 

Se fosse à disputa como único representante do bloco que gravita em torno de Lula, sem PMDB e PT, Alencar também bateria o indicado de Aécio.

 

Vão abaixo os cenários:

 

Cenário um:

- Hélio Costa: 47,83%

- Patrus Ananias: 14,92%

- Antonio Anastasia: 11,65%

 

Cenário Dois:

- Hélio Costa: 48,36%

- Fernando Pimentel: 15,98%

- Antonio Anastasia: 11,89%

 

Cenário três, sem candidato do PT:

- Hélio Costa: 57,94%

- Antonio Anastasia: 15,69%

 

Cenário quatro, com Alencar e sem nomes de PT e PMDB:

- José Alencar: 53,61%

- Antonio Anastasia: 14,53%.

 

A pesquisa inclui, de resto, dois cenários em que os nomes do PT são confrontados com o de Anastasia, sem Hélio Costa e sem Alencar.

 

Fernando Pimentel, o ex-prefeito petista de Belo Horizonte, prevaleceria sobre o candidato de Aécio por 35,47% a 24,40%.

 

Patrus Ananias, o ministro petista do Bolsa Família, derrotaria o tucano Antonio Anastasia por 33,78% por 20,02%.

 

O levantamento foi feito entre os dias 12 e 18 de fevereiro. Ouviram-se 2.078 pessoas. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais.

 

Donos de índices confortáveis de aprovação em Minas, Aécio Neves e Lula tem praticamente o mesmo poder de influência sobre o eleitor do Estado.

 

Os pesquisadores perguntaram o que faria o eleitor se Lula pedisse para votar num candidato ao governo de Minas -24,30% responderam que “com certeza” votariam no candidato do presidente.

 

Outros 31,57% disseram que o apoio de Lula ajudaria, mas não seria decisivo na hora de fazer a opção por um dos candidatos.

 

Somando-se os dois percentuais, conclui-se que 55,87% dos eleitores mineiros admitem que a opinião de Lula tem ou pode ter influência na hora de votar.

 

E quanto a Aécio? 21,90% disseram que votariam no indicado do governador “com certeza"; 32% responderam que a opinião do governador os ajudaria a decidir, mas não seria decisiva.

 

Ou seja, 53,90% admitem que vão ou podem vir a se guiar pela opinião de Aécio. A pesquisa permite tirar pelo menos quatro conclusões:

 

1. O PMDB vai reforçar na negociação da aliança pró-Dilma a exigência de que o PT nacional retire do caminho de Hélio Costa os petistas Pimentel e Ananias.

 

A pesquisa indica que, aos olhos de hoje, Hélio Costa iria à campanha com potencial para levar o governo do segundo maior colégio eleitoral do país no primeiro turno.

 

2. José Alencar emerge da pesquisa como algodão entre os cristais do PMDB e do PT. Revela-se uma grande alternativa pacificadora.

 

Há, porém, pelo menos um senão: a família de Alencar torce o nariz para a idéia de vê-lo no centro do ringue. Prefere que ele se concentre na luta contra o câncer.

 

3. Se quiser eletrificar Anastasia, Aécio Neves terá de trabalhar como um mouro. O prestígio do governador é alto. Mas não serviu, por ora, para iluminar o seu poste.

 

4. As perguntas sobre o poder de influência de Lula e Aécio junto ao eleitor restringiram-se à disputa para o governo mineiro. Porém...

 

Porém, pode-se intuir que a dupla influirá também na opção dos mineiros em relação à refrega presidencial.

 

Bom para Dilma Rousseff, cujo cabo-eleitoral desfruta, em Minas, da mesma capacidade de fazer a cabeça do eleitor exibida por Aécio.

 

Com uma vantagem: sabe-se que Lula é Dilma 100%. Não há a mesma certeza em relação ao grau de envolvimento de Aécio na campanha de José Serra.

 

Nesta semana, a propósito, de volta de uma licença de 11 dias, Aécio deve receber um telefonema de Serra. Deseja vê-lo, para um acerto de ponteiros.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h46

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Candidatura Dilma ‘já é favorita’, afirma líder de Lula

Jorge Campos/Ag.Câmara

 

Líder do governo Lula na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirma: Dilma Rousseff (PT) "já é favorita” na disputa contra José Serra (PSDB):

 

“Posso dizer, com base nos elementos que nós temos, que tudo aponta para um favoritismo de Dilma”.

 

Em entrevista ao blog, Vaccarezza disse que, ao atingir índices de pesquisa superiores a 25% em fevereiro, Dilma “superou as expectativas”.

 

O “favoritismo” viria, segundo ele, da combinação de dois fatores: a aprovação de Lula e do governo e o desejo do eleitor de votar num nome “da continuidade”.

 

“Dilma é a candidata da continuidade”, disse Vaccarezza. “O Serra é o candidato da mudança. Ele está tentando se livrar da armadilha, mas não vai conseguir”.

 

Abaixo, a entrevista:

 

 

- O que muda na campanha depois do Congresso do PT?

O Congresso deu um passo adiante. Sem adversários, a Dilma foi aclamada. Na convenção do partido, em junho, a candidatura será confirmada.

- Dilma intensificará a campanha?  

Até 2 de abril ela ainda será ministra. Não pode fazer campanha. Parece formalidade, mas não é. Ela tem obrigações de Estado. A partir da saída do ministério, aí sim.

- Inaugurações e comícios ao lado de Lula não são parte da campanha?

Não. São atos administrativos.

- O que será feito depois que a candidata deixar o ministério?

O PT e os partidos que integram a aliança vão levá-la a vários eventos. Sempre em ambientes fechados, como prevê a lei.

- Dilma subiu nas pesquisas, mas está abaixo dos 30%. Era o esperado?

Ela está superando as expectativas. Não acreditava que chegasse nos índices que atingiu em fevereiro, acima de 25%.

- Quais são as metas do partido?

Não trabalhamos com metas. O que vamos fazer daqui até a convenção é torná-la ainda mais conhecida. Vamos estreitar as relações entre ela e as bases sociais do partido

- Acha que o prestígio de Lula levará à vitória?

As pesquisas mostram uma situação clara: a população quer a continuidade. Esse é o azar do Serra.

- Por que azar?

“Na sucessão de 2002, a população queria mudança. E o Serra foi o candidato da continuidade. Tentou se desvencilhar do Fernando Henrique, mas não conseguiu. Em 2010, a população quer a continuidade. E a Dilma é a candidata da continuidade. O Serra agora é o candidato da mudança. Ele está tentando se livrar da armadilha, mas não vai conseguir.

- O já dá de barato que o rival de Dilma será Serra?

Até dezembro eu não dava. Agora, ele está numa sinuca de bico. Não tem mais como recuar. Sob pena de deixar a oposição sem candidato. A essa altura, não é certo que o Aécio assuma o desafio. Ficou difícil para o Serra não ser candidato.

- Acha que a polarização levará a um resultado apertado?

Qualquer pessoa que fizer previsão será na base do achismo. Mas posso dizer, com base nos elementos que nós temos, que tudo aponta para um favoritismo de Dilma.

- Favoritismo?

Sim, favoritismo. É óbvio que esse favoritismo não se transforma em vitória certa. Isso não existe. O cenário mais provável é o de uma disputa acirrada. Se não cometermos erros e se acertarmos mais do que os adversários, temos condições de aumentar o favoritismo da nossa candidata, que já existe.

- Não acha que a tese do favoritismo soa a já ganhou?

Não partilho do discurso do já ganhou. Pior do que o discurso do já ganhou, só o discurso do já perdeu. Temos de trabalhar para consolidar o favoritismo da Dilma. Ela já é a favorita.

- Não exagera quando diz que Dilma é favorita?

Não. Os elementos de pesquisa dão a ela esse favoritismo. Basta observar o que aconteceu nesse último ano. O Serra só caiu. E a Dilma, à medida que a população foi conhecendo ela, subiu. A aprovação do presidente e do governo, associada ao desejo das pessoas de votarem no candidato que dê continuidade à gestão Lula, vão impulsionar a candidatura da Dilma.

- Não acha que o prestígio de Lula já foi incorporado à candidatura?

Não completamente. Muita gente não sabe ainda que a Dilma é a candidata do Lula. Além disso, é preciso considerar o elevado nível de exposição do Serra. Ele vem de três eleições: prefeitura, governo e, antes, a presidência. O Serra tem um recall de pesquisa que a Dilma não tem.

- Há risco de a aliança com o PMDB não ser fechada?

Risco sempre existe, mas diria que, hoje, as chances de o acordo PT-PMDB ser fechado são de 99%.

- As ambições estaduais do PT não podem comprometer o projeto nacional?

Não, ao contrário, Pela primeira vez, o PT decidiu disputar o governo em poucos Estados, menos da metade das unidades da federação. O PT amadureceu.

- Essa maturidade já chegou a Minas Gerais?

Em Minas, não está resolvido se iremos disputar. O que está resolvido é que iremos discutir –lá para maio, junho— qual o melhor nome para disputar a eleição. Temos três nomes –Helio Costa, pelo PMDB, Fernando Pimentel e Patrus Ananias, pelo PT. Um deles será o nosso candidato.

- Há incômodo do partido com a entrega da vice a Michel Temer?

Tudo se encaminha para Michel Temer ser o vice, sem nenhuma contestação.

- O PT já aceita a tese de que a indicação é prerrogativa do PMDB?

Sou contra o PT escolher vice. Quem tem que escolher é a coligação e a Dilma. A candidata precisa ser ouvida. Mas quem vai indicar é o PMDB.

- O programa aprovado pelo PT será assumido por Dilma?

Nós não aprovamos um programa, mas as diretrizes de programa. Não são as diretrizes da Dilma. São do PT. Desde 1982 que o PT já aprendeu: candidato majoritário a cargos executivos não são porta-vozes do partido. São eleitos por toda a sociedade, num leque mais amplo do que o PT. Portanto, quem decide o programa é o candidato, não o partido. Não estaríamos falando sério se disséssemos que PT não tem a maior influência. Mas quem decide é a Dilma, ouvindo os demais partidos.

- José Dirceu disse que participará da campanha. Não prejudica?

Sou favorável à participação do Dirceu. Mas a Dilma não montou nada ainda. O que ela disse é que todos os dirigentes partidários tetão participação. Não disse que vai montar uma coordenação com a participação do José Dirceu. Isso ainda não foi definido.

Escrito por Josias de Souza às 05h36

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Gasto de Lula com cargos de confiança cresceu 119%

 

- Folha: Kassab diz que fica; DEM acha cassação eleitoreira

 

- Estadão: Infraestrutura terá R$ 274 bilhões até 2013

 

- JB: Brasileiros economizam R$ 13,7 bi com genéricos

 

- Correio: Dias que vão abalar a capital

 

- Valor: Teles enfrentam desafio de lucrar mais com redes 3G

 

- Jornal do Commercio: Estão sobrando vagas na Rural

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 04h24

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Lama movediça!

Benett

Via Gazeta do Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 04h16

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Lula inaugura ‘giro’ de despedidas na América Latina

  Marcello Casal/ABr
Lula embarcou neste domingo (21) para uma viagem de sete dias a quatro países: México, Cuba, Haiti e El Salvador.

 

O périplo marca o início de um “giro” de despedidas internacionais de Lula, a caminho do término de seu governo.

 

O presidente distribuirá afagos monetários e enfrentará temas que desafiam a diplomacia brasileira.

 

Os desafios surgirão já no primeiro estágio da viagem, em Cancún, no México. Ali, Lula participará da 2ª Cúpula da América Latina e do Caribe.

 

Reúne 33 países. Entre os temas que vão à mesa está a proposta de reconhecimento do governo Porfírio Pepe Lobo, o novo presidente de Honduras.

 

Lobo foi eleito em novembro passado. Assumiu tendo atrás de si o rescaldo da crise aberta com a deposição de Manuel Zelaya, cinco meses antes.

 

O governo Lobo já obteve o reconhecimento de 29 países. A lista não inclui o Brasil, que hospedara o deposto Zelaya na sua embaixada, em Tegucigalpa.

 

Lula condicionara a normalização das relações com Honduras ao retorno de Zelaya à presidência antes da realização do pleito em que Lobo prevaleceu.

 

Zelaya não voltou. E agora? Bem, Lula já soa mais flexível. Deve dizer na cúpula de Cancún que o Brasil está disposto a reconhecer Lobo. Porém...

 

Porém, segundo informa o Itamaraty, o presidente deve condicionar o gesto à instalação de uma “comissão da verdade” em Honduras.

 

Para quê? Para acomodar em pratos limpos os episódios que conduziram à deposição de Zelaya. Uma tolice.

 

Mais do que tola, a sugestão soa a interferência indevida em assunto que só diz respeito a Honduras.

 

O outro tema cabeludo que deve surgir na reunião de Cancun é a encrenca que opõe a Argentina à Inglaterra.

 

Buenos Aires protesta contra a decisão de Londres de explorar petróleo nas Ilhas Malvinas. A presidente Cristina Kirchner. quer arrancar dos colegas uma declaração de protesto contra a Inglaterra.

 

No Haiti, Lula abre a fase dos afagos monetários da viagem. Espera-se que anuncie a liberação de verbas para a recuperação da infra-estrutra do país.

 

Em janeiro, nas pegadas do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas e dizimou o Haiti, o Brasil acenara com a liberação de US$ 375 milhões.

 

Em Cuba, Lula deve despejar US$ 150 milhões. Trata-se da segunda parcela de um investimento de US$ 300 milhões na construção de um porto na ilha de Fidel.

 

Somando-se tudo o que o Brasil já investiu em Cuba desde a chegada de Lula à presidência, em 2003, chega-se à cifra de US$ 1 bilhão.

 

Em El Salvador, mais dinheiro: US$ 300 milhões. Grana do BNDES, a ser liberada na forma de financiamento para a renovação da frota de ônibus.

 

O país é presidido por Maurício Funes. É marido de uma militante petista. Deve à mulher a aproximação com o PT e com Lula. E com as arcas do BNDES, naturalmente.

 

O ciclo de viagens internacionais do último ano do mandato de Lula deve se prolongar até agosto. Daí em diante, o presidente pretende se concentrar na sucessão presidencial.

Escrito por Josias de Souza às 21h14

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PT olha para futuro e vê nacos do pretérito passando

Orlandeli

 

No congresso que levou Dilma à vitrine, o PT mirou o pós-Lula. Quem olhou em volta, porém, viu o pretérito passando.

 

De um lado, a porção mensaleira do petismo. Do outro, um questionário esquisito.

 

A coluna Painel, veiculada pela Folha, registra a topada de um grão-petê com o tal questionário.

 

Vai abaixo a nota:

 

 

- Nenhuma das anteriores: O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, respondia na sexta-feira uma lista de perguntas distribuída aos delegados do congresso do PT quando se deparou com a seguinte questão de múltipla escolha: "A ação armada, em sua opinião, é...".


Ao ver o deputado marcar com um "x" a última opção disponível ("não tenho opinião formada sobre o tema"), uma repórter resolveu provocá-lo:


— O sr. não vai defender o passado de sua candidata?

Vaccarezza riu e, na dúvida, resolveu marcar mais uma opção: "admissível como meio de defesa da democracia e dos direitos fundamentais do cidadão".

 

- Em tempo: Ilustração via sítio do Orlandeli.

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Escrito por Josias de Souza às 19h03

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Falem-me em Hugo Chavez que eu puxo logo um rap

Escrito por Josias de Souza às 18h13

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Elio Gaspari: ‘Teologia da urucubaca vicia o tucanato’

  João Wainer/Folha
Alheio à lei eleitoral, que marca o início da campanha para daqui a cinco meses, o PT levou a candidatura de Dilma Rousseff à estrada.

 

O PSDB observa a cena do alto do muro, o ninho de sua predileção. José Serra, o candidato tucano, ainda se diz um não-candidato.

 

Além de comparecer à fase inaugural da refrega com um pseudocandidato, o tucanato lida com outro drama: a calibragem do discurso.

 

O repórter Elio Gaspari trata do tema em artigo levado às páginas desde domingo (21). Está disponível também na Folha.

 

Lendo-o, verifica-se que, quanto ao discurso, a tribo do bico grande até se arrisca a descer do muro. Mas salta do lado errado.

 

Vai reproduzido abaixo o texto de Gaspari:

 

 

“O tucanato parece disposto a organizar um comitê pela eleição de Dilma Rousseff. Só isso explica que insista em profetizar catástrofes.

 

No dia 5 passado, o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, presidente do Instituto Teotônio Vilela, advertiu para o risco de uma crise de inadimplência na economia, provocada pelos altos custos financeiros do crédito das famílias.


Segundo o noticiário do partido, 'os especialistas alertam que o aumento do desemprego no país pode levar a uma onda de calotes'.

 

É a teologia da urucubaca, que teve em Lula seu grande devoto quando, durante a campanha de 1998, disse que 'como Deus é grande, e ainda não foi privatizado, o desemprego subiu'. (Um mês depois, Deus negou-lhe o emprego que pedia.)


A realidade não ajudou os tucanos. Em janeiro deste ano foram criados 181.419 empregos, um recorde na série estatística iniciada em 1992.


Uma coisa é a discussão da festa da banca, bem outra é a urucubaca de uma crise decorrente da expansão de crédito.

 

Quando um cidadão paga uma prestação de R$ 100, na média, só R$ 70 referem-se à mercadoria que adquiriu, mas isso não significa que a patuleia irá ao calote porque não pode pagar o que comprou.

 

Entre 2003 e hoje, o crédito das famílias praticamente dobrou. Compraram-se carros e trocaram-se fogões, equipamentos que identificam uma nova classe média.


Se há brasileiros satisfeitos porque compraram bens que estavam fora do seu alcance, essa é a boa notícia. (Imagina esquentar o jantar no fogão, como acontecia antes da chegada do forno de micro-ondas com sua prestação de R$ 33.)


Em setembro de 2007, um ano antes da crise da banca, a taxa de calotes estava em 7,3%, um índice razoável. Em junho do ano passado a porcentagem subiu para 8,6%. Hoje está em 7,8%.


A crítica de Vellozo Lucas aos custos financeiros dos empréstimos pode sinalizar o início de um novo PSDB. Finalmente, José Serra prevaleceria sobre a ekipekonômica de Fernando Henrique Cardoso.

 

Se, e quando, isso acontecer, em vez de associar a expansão do crédito ao fim do mundo, o tucanato descobrirá que pode defender menos juros para o andar de cima e mais bem-estar para o de baixo".

Escrito por Josias de Souza às 06h43

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Lula pode retornar em 2014? ‘Sem dúvida’, diz Dilma

‘Lula chegou a um ponto que futuro dele é o que ele quiser’

‘Não fui condenada por ação armada, porque não pratiquei’

‘Dizem:  ‘Fiz  o Bolsa Família  antes’. Ah é?  Para  quantos?’

‘Você acha que,  como  ministra da Casa Civil, sou  poste?’

‘Não  queremos cercear ou controlar conteúdo dos jornais’

 

José Cruz/ABr

 

Convertida em presidenciável oficial do PT, Dilma Rousseff tornou-se a personagem da semana. Caminhara à sombra de Lula. Agora, no dizer do próprio presidente, terá de descer ao gramado da sucessão “com as próprias pernas”.

 

Para onde caminharia o Brasil caso Dilma fosse eleita em outubro?, eis a pergunta que o eleitor começa a fazer aos seus botões. Em busca da resposta, os repórteres Eumano Silva, Guilherme Evelin e Helio Gurovitz foram à presença de Dilma.

 

Entrevistaram-na por quase duas horas na última quinta (18). O resultado foi às páginas da revista Época. Pressionando aqui, você chega à íntegra.

 

Neste sábado (20), ao discursar no Congresso petista que consagrou a candidatura de Dilma, Lula disse que, eleita, sua pupila não exercerá um “mandato tampão”. Deseja para ela dois mandatos. 

 

No curso de sua entrevista, a candidata foi instada a comentar o papel que teria Lula num hipotético governo Dilma. “Acho que o Lula seria um dos melhores conselheiros que alguém poderia ter”.

 

Trabalha com a hipótese de que Lula possa disputar a presidência em 2014? “Sem sombra de dúvida, ele pode”. Para ela, “Lula chegou a um ponto de liderança pessoal, política, nacional e internacional, que o futuro dele é o que ele quiser”.

 

Vão abaixo outros trechos da entrevista:

 

 

1. Dotes pessoais: “Uma das coisas que me credenciam para ser presidente é que conheço hoje o governo brasileiro de forma bastante circunstanciada, precisa”.

 

2. Teoria do poste: “Você acha que, como ministra-chefe da Casa Civil, eu sou um poste? Duvido que os grandes experientes em gestão tenham o nível de experiência que eu tenho. Duvido”.

 

3. Estado na economia: “Somos contra a privatização de patrimônio público ou de estatais como Petrobras, Furnas, Chesf, Eletrobrás, Banco do Brasil, a Caixa”.

 

4. Estado X iniciativa privada: “Nos anos 50, o Estado empresário tinha lá sua função. Não tinha todas as empresas estruturadas. Como alguém em sã consciência, em pleno século 21, em 2010, pode falar que o Estado brasileiro vai ser empresário? Isso é um equívoco monstruoso”.

 

5. Privatizações da era FHC: “Não chegou a ser tão danoso como foi para países vizinhos, porque não conseguiram fazer tudo. Mas pegaram a Petrobras e começaram a tentar reduzi-la a uma dimensão menor. [...] Achamos estranha aquela história do nome Petrobrax. Era uma tentativa de abrir o capital mais do que devia. [...] As intenções são muito claras!”

 

6. Venda da Vale e das teles: “Com as teles, acho que foi diferente. Em relação à Vale, vamos ter de fazer exigências a respeito do uso da riqueza natural. Isso não significa reestatizar. Ela pode ser privada, desde que submetida a controles”.

 

7. Bolsa Família: “[...] Quando chamam o Bolsa Família de ‘bolsa-esmola’, é porque veem a política social como uma coisa ultrapassada. [...] Não dá para falar: ‘Eu fiz o Bolsa Família antes’. Ah é? Fez para quantos?”

 

8. Gostou de ser chamada de ‘companheira de armas’ por José Dirceu? “Ele estava fazendo para mim um cumprimento. [...] Havia várias características nas diferentes organizações de esquerda. A minha fazia certa crítica às ações armadas, principalmente assaltos a banco. [...] Não fui condenada por ação armada, porque não a pratiquei”.

 

9. Combate à ditadura: “Minha geração experimentou a pior cara da ditadura [...]. Então, alguém que acreditava que seria possível a democracia naquele período era ingênuo. [...] Esse processo vai levar à minha prisão, em 1970. [...] Quando você está na cadeia e vê tortura, morte e o diabo, o valor da democracia e o direito de expressão e de discordar começam a ser cada vez mais um valor intrínseco”.

 

10. Revisão da Lei da Anistia: “Essa é uma questão que está no STF. O que o Supremo decidir tem de ser acatado por todos. Agora, uma coisa é uma atividade de violência de pequenos grupos [...]. Outra coisa, muito diferente, é a violência do Estado, porque é desproporcional. [...] Fui condenada e cumpri pena maior do que minha condenação. Ninguém me ressarciu de nada”.

 

11. Venezuela e imprensa: “[...] Não queremos cercear, controlar o conteúdo de jornais ou fazer nada similar. Mas não nos relacionamos com países exportando nosso modelo para ninguém [...]. A Venezuela é uma realidade, nós somos outra. Temos uma relação com a Venezuela [...]. Temos também uma relação com o presidente Álvaro Uribe [Clômbia], que está pedindo o terceiro mandato – e não tenho visto por aqui ninguém questionando o terceiro mandato dele”.

 

12. Irã e a bomba: “Depois da Guerra do Iraque, temo muito essa história de que o Irã está fazendo isso ou aquilo. Se você não der uma abertura para o diálogo com o Irã, você vai isolá-lo. [...] Não deu muito certo a política de invadir o Iraque e do Afeganistão, deu?”

 

13. Aborto: “Sou a favor de que haja uma política que trate o aborto como uma questão de saúde pública”.

 

14. Drogas: “Não podemos tratar da questão da droga no Brasil só com descriminalização. Estou muito preocupada com o crack. [...]A questão da droga no século 21 é muito diferente daquele tempo de Woodstock, que tinha um componente libertário. [...] A não ser que a gente tenha um avanço muito grande no controle social da droga, fazer um processo de descriminalização é um tiro no pé”.

Escrito por Josias de Souza às 05h07

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Justiça eleitoral cassa o mandato de Gilberto Kassab

  Folha
Num instante em que se imaginava que a cota de más notícias reservadas ao DEM havia se esgotado, surge uma nova:

 

A Justiça Eleitoral impôs ao prefeito ‘demo’ de São Paulo uma condenação acerba: cassou-lhe o mandato.

 

Por quê? Segundo a sentença, as arcas da campanha reeleitoral de Kassab, em 2008, foram borrifadas com doações ilegais. Coisa de R$ 10 milhões.

 

Dinheiro procedente de construtoras, do banco Itaú e da AIB (Associação Imobiliária Brasileira). Deve-se a decisão ao juiz Aloizio Silveira, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo.

 

A sentença chega nas pegadas do inferno astral vivido pelo DEM na Brasília panetônica da dupla José Roberto Arruda-Paulo Octávio.

 

O despacho que leva Kassab à grelha será publicada na próxima terça (23). Deve-se a revelação aos repórteres Flávio Ferreira e Fernando Barros de Mello.

 

A dupla levou a notícia às páginas da Folha deste domingo (21). Ouvidos, os advogados de Kassab disseram que vão recorrer da decisão.

 

Alegam que as contas da campanha do prefeito "foram analisadas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral".

 

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Escrito por Josias de Souza às 02h30

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Lula privilegia em reajuste a elite do funcionalismo público

 

- Folha: Dilma faz defesa de Estado forte e prega estabilidade

 

- Estadão: Indicada pré-candidata do PT, Dilma prega Estado forte

 

- JB: Despesas médicas na mira do Fisco

 

- Correio: Poder e luxo

 

- Veja: "A realidade mudou, e nós com ela"

 

- Época: Exclusivo: "Você acha que sou um poste?"

 

- IstoÉ: A medicina da meditação

 

- IstoÉ Dinheiro: O dia em que ele virou líder global

 

- CartaCapital: Atolado até o pescoço

 

- Exame: Budweiser – Estilo brasileiro na maior cervejaria do mundo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Apoteose!

Aroeira

Via 'O Dia'.

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Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Estrelas de escândalos enfrentam tribunal das urnas

Submetido a escândalos em série, o brasileiro habituou-se a reclamar da impunidade que viceja no país.

 

Em outubro de 2010, o eleitor terá mais uma chance de provar que é um cidadão, não um nome inútil impresso no título eleitoral.

 

Se quiser, o brasileiro pode fazer justiça com as próprias mãos. Vão às urnas algumas das principais estrelas de novos e de antigos escândalos.

 

A lista é longa e suprapartidária. Eis alguns exemplos: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf...

 

...Fernando Collor, Eduardo Azeredo, Marconi Perillo, Joaquim Roriz, Orestes Quércia, Roseana Sarney, Jackson Lago e um interminável etc.

 

São candidatos ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. Disputas que costumam ser ofuscadas pela gincana presidencial.

 

Abra-se aqui um parêntese. Corta para fevereiro de 1996. Joguem-se os holofotes sobre um velho conhecido do eleitor: Lula.

 

Cruzava a região Sul, numa das incursões de sua Caravana da Cidadania. Dava aulas de civismo político. Dizia coisas assim:

 

1. "Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas. Com uma parte do Congresso sob suspeita da população, ele tem pouca legitimidade".

 

2. "Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões no Congresso".

 

O Lula-1996 tinha algo em comum com o Lula-2010. Adorava fustigar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

 

Ouça-se o que dizia: "Sempre desconfiei de que havia um grupo que fazia do Congresso um balcão de negócios...”

 

“...[...] O Fernando Henrique foi eleito com embalagem de novo, mas não inovou nem na fisiologia...”

 

“...[...] O Congresso está funcionando como uma bolsa de valores fomentada pelo Executivo. Precisamos investigar essa corrupção". Fecha parêntese.

 

Experimente reler o raciocínio acima. Troque o nome de Fernando Henrique pelo de Lula. Percebeu?

 

Decorridos 16 anos, o país está submetido, sob Lula, ao mesmo flagelo que azeitou a corrupção na era FHC.

 

Culpa dos eleitos? Claro que sim. Mas só um tolo poderia isentar o eleitor de suas próprias responsabilidades.

 

Em 2010, o brasileiro será submetido a mais um desses momentos mágicos. O poder está na ponta do seu dedo indicador.

 

A magia do instante está em poder recomeçar a partir de uma simples pressão exercida sobre o teclado da urna eletrônica. Chance igual, só daqui a quatro anos.

 

Assim, melhor não desperdiçar, de novo, a hora. Ainda não foi inventado melhor remédio contra o eleito inconsciente do que o eleitor impaciente.

 

Pegue-se uma carona no prestígio do Lula-2010 para ecoar o Lula-1996: "Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas”.

 

"Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões”.

 

Na presidência, Lula esqueceu o que dissera do mesmo modo que FHC dera de ombros para o que escrevera. Você não precisa imitá-los.

Escrito por Josias de Souza às 17h29

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Já lançada, Dilma brinca de ‘não-candidata’ até abril

José Cruz/ABr

 

Como previsto, Dilma Rousseff foi ungida neste sábado (20) candidata do PT à sucessão presidencial.

 

Aclamaram-na depois que Lula, seu mentor e cabo-eleitoral, “pediu” aos cerca de 1.300 participantes do 4º Congresso do PT que aprovassem o nome dela.

 

Lula ironizou a própria supremacia: "Me deram uma tarefa extremamente difícil: vir aqui para convencer vocês a votar na Dilma".

 

O presidente tentou arrancar de Dilma o rótulo de candidata do Lula. Referiu-se a ela como candidata do PT e das legendas aliadas. Michel Temer (PMDB) e Cia. lá estavam para atestar. 

 

Embora Dilma não tivesse adversários internos a superar, o PT fez questão de seguir o figurino. O nome dela foi, por assim dizer, submetido a voto.

 

Empossado na véspera, o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, pediu aos correligionários presentes que erguessem os crachás. Decisão unânime, proclamou.

 

Eis o que prevê a lei eleitoral:

 

1. Autoridade de governo que queira disputar a eleição deve, antes, pedir exoneração do cargo. Tem até 2 de abril para fazê-lo.

 

2. Os partidos políticos escolherão seus candidatos em convenções no mês de junho.

 

3. A campanha só começa no dia 5 de julho.

 

Ou seja, Dilma tornou-se candidata formal do PT antes mesmo de deixar a equipe de Lula. Pode? A rigor, não. Porém...

 

Porém, até o início de abril, quando Dilma vai se despedir da Casa Civil, a candidatura dela vai viver num mundo de faz-de-conta.

 

Dutra, o novo mandachuva do PT, esclarece: Dilma ainda não está em campanha eleitoral.

 

Você poderia perguntar: Mas por que, então, essa pajelança toda?  E Dutra: “Este não é o lançamento da candidatura. Vamos obedecer à lei eleitoral”.

 

Assim, no mundo de faz-de-conta, Dilma não é candidata, você é que é meio maluco. Atenção: aquela mulher que você vai ver ao lado de Lula nos próximos pa©mícios ainda é a ministra.

 

Dutra acha que haverá reação: “O partido não vai se surpreender com as ações da oposição no TSE”. Mas não parece preocupado. Natural.

 

A Justiça Eleitoral já se incorporou à paisagem desse país das maravavilhas em que só há não-candidatos. Nesse filme, o TSE faz o papel de um velho cego.

 

Ao discursar, Lula deu curso à campanha que, no mundo ao seu redor, ainda não começou. Pespegou nos críticos de Dilma a pecha do preconceito:

 

"O maior preconceito contra a companheira Dilma não é pelos defeitos dela e sim pelas qualidades. E pelo fato, em primeiro lugar, de ela ser mulher...”

 

“...Embora tenha na Constituição a garantia da igualdade entre gêneros, a verdade é que a mulher ainda é tratada como se fosse um objeto de segunda classe”.

 

Emocionada, Dilma pronunciou o discurso inaugural de sua não-campanha. “Recebo com humildade essa tarefa [...], mas com coragem e determinação”.

 

Enrolou-se na bandeira da continuidade: "Vamos manter e aprofundar aquilo que é a marca do governo Lula: seu compromisso social", ela disse.

 

Sorriu para o mercado: "Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante". 

 

Envernizou o passado guerrilheiro e rendeu homenagens à democracia: "[...] Preferimos as vozes dessas oposições -ainda quando mentirosas, injustas e cauniosas- ao silêncio das ditaduras".  

 

Arrematou assim o discurso: "A tarefa de continuar mudando o Brasil é de milhões. Somos milhões. Vamos até a vitória, viva o povo brasileiro".

 

- Serviço: A íntegra do discurso de Dilma Rousseff está disponível aqui.

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Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Cintura mole? Rebolation; Cara dura? Embromation

Escrito por Josias de Souza às 14h47

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Dilma por Dilma: ‘A realidade mudou, e nós com ela’

  Lula Marques/Folha
Dilma Rousseff, agora candidata oficial do PT, concedeu uma entrevista à revista Veja.

 

Respondeu às perguntas por e-mail, sem conceder o direito à réplica.

 

A certa altura, perguntou-se a ela como o passar do tempo e a experiência de governo modificaram sua concepção do mundo.

 

E Dilma: “O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela...

 

“...Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social”.

 

Noutra parte da conversa, Dilma, prestes celebrar um acordo que acomodará o PMDB do seu lado, foi submetida à seguinte indagação:

 

Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho?

 

E a candidata: “Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável...”

 

“...O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança”.

 

Vai abaixo a entrevista, disponível aqui para os assinantes de Veja:

 

 

- John Maynard Keynes, que a senhora admira, dizia alguma coisa equivalente a "se a realidade muda, eu mudo minhas convicções". Como sua visão de mundo mudou com o tempo e com a experiência de ajudar a governar um país?

O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.

- Henry Adams, outro autor que a senhora lê com assiduidade, escreveu que "conhecer a natureza humana é o começo e o fim de toda educação política". A senhora acredita que conhece o bastante da natureza humana, em especial a dos políticos, mesmo sem ter disputado eleições antes?

Conheço bem o pensamento de Henry Adams para saber que nessa citação ele se refere à política no seu sentido amplo. Falando no sentido estritamente eleitoral da sua pergunta, acredito que minha experiência de mais de 40 anos de militância política e gestão pública permite construir um relacionamento equilibrado com as diferentes forças partidárias que participarão desse processo eleitoral.

- Os brasileiros trabalham cinco meses do ano para pagar impostos, cuja carga total beira 40% do PIB. Em uma situação dessas, faz sentido considerar a ampliação do papel do estado na vida das pessoas, como parece ser a sua proposta?

O que defendemos é a recomposição da capacidade do Estado para planejar, gerir e executar políticas e serviços públicos de interesse da população. Os setores produtivos deste país reconhecem a importância da atuação equilibrada e anticíclica do Estado brasileiro na indução do desenvolvimento econômico. Sem a participação do estado, em parceria com o setor privado, não seria possível construir 1 milhão de casas no Brasil.

- Não fosse a necessidade de criar slogans e conceitos de rápida assimilação popular nas campanhas, seria o caso de superar esse debate falso e improdutivo sobre "estado mínimo" e "estado máximo", correto? Afinal, ninguém de carne e osso com cérebro entre as orelhas vive nesses extremos fundamentalistas. Qual o real papel do Estado?

Nos sete anos de nosso governo, ficou demonstrado o papel que vemos para o Estado: induzir o desenvolvimento dos setores produtivos, priorizar os investimentos em infraestrutura em parceria com o setor privado, fortalecer e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento científico-tecnológico, assegurando ganhos de produtividade em todos os setores econômicos. Modernizar os serviços públicos buscando responder de forma eficaz às demandas da população nas áreas da saúde, educação, segurança pública e demais direitos da cidadania. Chamo atenção para a comprovada eficácia dos programas que criamos. O Bolsa Família, o Luz para Todos, o Programa Minha Casa Minha Vida, as obras de saneamento e drenagem do PAC, entre outros, produziram forte impacto na melhoria de vida da população e resultaram também no fortalecimento do mercado interno. Finalmente, gostaria de destacar o papel do setor público diante da crise recente, o que permitiu que fôssemos os últimos a entrar e os primeiros a sair dela. Garantimos crédito, desoneração fiscal e liquidez para a economia.

- O presidente Lula soube manter aceso o debate ideológico no PT, mas rejeitou todos os avanços dos radicais sobre o governo. Como a senhora vai controlar o fogo dos bolsões sinceros mas radicais do seu partido - em especial a chama da censura à imprensa e do controle estatal da cultura?

Censura à imprensa e controle estatal da cultura estão completamente fora das ações do atual governo, como também de nossas propostas para o futuro.

- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a senhora como uma lua política sem luz própria girando em torno e dependente do carisma ensolarado do presidente Lula. Como a senhora pretende firmar sua própria identidade?

Não considero apropriado discutir luminosidade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

- A oposição certamente vai bater na tecla da personalidade durante a campanha, explorando situações em que sua versão de determinados fatos soaram como mentiras. Como Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha, a senhora vê lugar para a mentira na prática política?

Na democracia não vejo nenhum lugar para a mentira. Como já disse em audiência no Congresso Nacional, em situações de arbítrio e regimes de exceção, a omissão da verdade pode ser um recurso de defesa pessoal e de proteção a companheiros.

- Qual o perfil ideal de vice-presidente para compor sua chapa?

Um nome que expresse a força e a diversidade da nossa aliança.

- O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um "roçado de escândalos semeados". A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho?

Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.

- O Brasil está cercado de alguns países em franca decomposição institucional, com os quais o presidente Lula manteve boas relações, cuidando, porém, de demarcar as diferenças de estágio civilizatório que os separam do Brasil. Como um eventual governo da senhora vai lidar com governantes como Hugo Chávez ou Evo Morales?

Lidaremos com responsabilidade e equilíbrio com todos os países, respeitando sua soberania e sem ingerência em seus assuntos internos. É esse, também, o tratamento que exigimos de todos os países, em reciprocidade.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h07

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Em discurso, Dilma vai atenuar o esquerdismo do PT

Sérgio Lima/Folha

 

Escolhida há mais de dois anos por Lula e recebida pelo PT com o pé atrás, Dilma Rousseff será aclamada pelo partido, neste sábado (20), como candidata à sucessão presidencial.

 

Em mais uma evidência de que controla o PT com mão de ferro, Lula vestirá roupa de candidata em sua principal ministra sem enfrentar contestações na legenda.

 

Dilma fará, no encerramento do 4º Congresso Nacional do PT, organizado para servir-lhe de apoteose, seu primeiro discurso de candidata.

 

No texto, finalizado na noite passada, Dilma tenta se desvencilhar de seu primeiro desafio de campanha.

 

A candidata terá de se esquivar das teses radicais que o PT acomodou num pseudoprograma de governo concebido para o período pós-Lula.

 

A peça soa grandiloquente já no nome: “A Grande Transformação”. Redigiu-a o grão-petê Marco Aurélio Garcia, o amigo de Hugo Chávez que assessora Lula.

 

Na versão original, o texto já havia sido colorido de vermelho. Subemetido às cerca de 1.350 cabeças que participam do Congresso do PT, tonou-se ainda mais radical.

 

Aconselhada por Lula, Dilma cuidará de atenuar em seu discurso o esquerdismo do partido que a levará às urnas de 2010. Evitará endossar as teses que não encontram amparo na maioria da sociedade.

 

Dilma fará mais: acenará ao mercado com o compromisso de preservar os pilares da política econômica praticada sob Lula.

 

Em resumo, Dilma vai discursar para a platéia de marxistas e socialisas do PT de olho no único brasileiro que importa para ela no momento: o eleitor.

 

Para certificar-se de que o conteúdo da fala de Dilma não fugisse ao figurino, Lula acomodou do lado dela o marqueteiro João Santana e dois petistas moderados.

 

Assessoram a ministra na elaboração final do texto o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. 

 

No penúltimo dia de seu Congresso, véspera da aclamação de Dilma, o PT turbinou o texto de Marco Aurélio, que já gotejava veneno.

 

Entre as teses tóxicas aprovadas pelo partido estão, por exemplo: redução da jornada de trabalho sem poda dos contracheques, taxação de grandes fortunas...

 

...Endosso incondicional ao controverso Plano Nacional de Direitos Humanos e fim do “monopólio” dos meios de comunicação eletrônicos. Leia-se: redes de rádio e TV.

 

São esses os temas que Dilma terá de tangenciar no discurso. Em dúvida, na noite passada, apenas a posição da candidata em relação ao plano de direitos humanos.

 

A depender da vontade de Dilma, a encrenca escalaria o discurso. Pela vontade de Lula, ficaria de fora.

 

Numa antecipação do plebiscito idealizado pelo governo para a campanha desse ano, Dilma se enrolará na mais vistosa bandeira da era Lula: a política social.

 

Dirá que, sob Lula, 20 milhões de brasileiros relegados a segundo plano em administrações anteriores escalaram o mercado de consumo.

 

Atribuirá a esse fenômeno boa parte do sucesso do Brasil no combate à crise financeira global.

 

Tomada pela versão mais recente do discurso, Dilma se apresentará como herdeira natural do legado de Lula.

 

E, para não parecer mera continuadora do já realizado, acenará com o aprofundamento do “êxito”.

 

A candidata defenderá o aprofundamento da estratégia de governo que combina o crescimento sustentável da economia com investimentos sociais.

 

Empilhará dados dos programas que lhe rendem a fama de gerente: PAC e Minha Casa, Minha vida.

 

Defenderá o papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico. Mencionará os gargalos ainda por superar no setor de infra-estrutura.

 

Afagará o eleitor com a promessa de tonificar os investimentos em áreas como educação, pesquisa científica e tecnológica e saúde.

 

Com essa plataforma de "Brasil grande", Dilma entra formalmente na campanha cinco meses antes do prazo previsto no calendário eleitoral do TSE.

 

Sem jamais ter disputado eleições, ergue os punhos na direção de um candidato que já foi deputado, senador, ministro e, hoje, governa o maior Estado da federação.

 

Em alta nas pesquisas, Dilma como que chama o tucano José Serra para a briga. O rival se autoimpôs um prazo mais elástico para subir ao ringue: final de março.

 

A cúpula do PSDB tenta, de novo, empurrar Serra para uma definição. Consolidou-se na oposição o entendimento de que a demora ajuda Dilma, protagonista de uma campanha solitária.

Escrito por Josias de Souza às 06h18

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Lula negocia e Temer aceita ir à ‘aclamação’ de Dilma

Presidente prometeu realçar em discurso o papel do PMDB

 

  Fábio Pozzebom/ABr
As luzes da ala social do Palácio da Alvorada apagaram-se mais tarde na noite passada.

 

Terminou perto da meia-noite uma reunião de emergência convocada por Lula para apagar um incêncio que o PT ateara no PMDB.

 

Convidado a participar do Congresso que o petismo realiza em Brasília desde quinta-feira (18), Michel Temer (PMDB-SP) não deu as caras.

 

Pior: Temer ameaçava faltar à cerimônia em que o PT vai aclamar, neste sábado (20), Dilma Rousseff como sua candidata à sucessão de Lula.

 

Ao farejar o cheiro de queimado, o presidente decidiu agir. Em privado, disse que a ausência do PMDB roubaria a cena da apoteose de Dilma.

 

O discurso da presidenciável petista dividiria espaço nas manchetes com as especulações em torno do estremecimento das relações PT-PMDB.

 

Considerava essencial ajeitar a foto, acomodando a imagem de Temer ao lado da de Dilma. Lula tocou o telefone para Temer. E nada.

 

Presidente do PMDB e favorito à vaga de vice de Dilma, Temer lidava com o azedume do seu grupo.

 

Embora tenha firmado com o PMDB, no ano passado, um pacto pré-nupcial, o PT empurra com a barriga o detalhamento do acerto.

 

Há arestas por aparar em Minas, Mato Grosso do Sul, Bahia e Pará. Há, de resto, inquietude em relação a críticas anônimas à acomodação de Temer na vice.

 

Para complicar, o Congresso do PT rejeitou nesta sexta (19), emenda que sugeria a inserção do PMDB nas diretrizes de um eventual governo Dilma.

 

Apresentada por José Genoíno (PT-SP), a emenda guindava o PMDB à condição de aliado prioritário do PT. A rejeição tonificou o mau humor do parceiro.

 

Temer e seu grupo foram tomados de assalto pela sensação de que o petismo fala coisas definitivas sobre a aliança sem definir as coisas.

 

A fumaça já ia alta quando Lula deu um segundo telefonema a Temer. Convidou-o para a reunião noturna, no Alvorada.

 

Antes de recepcionar o presidente do PMDB, Lula foi ao Congresso do PT. Prestigiou a posse de José Eduardo Dutra na presidência da legenda.

 

Embora não estivesse previsto no programa, Lula brindou os cerca de 1.350 petistas presentes com um discurso.

 

Falou sobre a importância das alianças políticas. Sem mencionar o PMDB, disse que o PT deve aliar-se inclusive com partidos que, no passado, não se afinavam com ele.

 

Temer foi à residência oficial do presidente acompanhado de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado.

 

O virtual vice de Dilma vinha de uma reunião, em sua casa, com expoentes do pedaço do PMDB que pende para o apoio a Dilma.

 

Combinara que a presença do partido no ato de lançamento da candidatura de Dilma teria de ser negociada, mediante o atendimento de condições.

 

A principal delas era o comprometimento de Lula com os acertos que o PT demora-se em fechar.

 

Temer encontrou um Lula surpreendentemente receptivo. Levou à mesa as pendências. Sabia que nada se resolveria ali, de bate-pronto.

 

Mas obteve o que desejava. Lula assegurou a Temer que zelará para que o PMDB seja contemplado em suas reivindicações.

 

O presidente disse que vai tentar produzir acordos que acomodem PMDB e PT num mesmo palanque nos Estados em que ainda vigora o dissenso.

 

Prevalecendo a discórdia, Lula disse que zelará pelo respeito à tática dos palanques duplos. Não pisará nenhum deles. Mas Dilma frequentará ambos, ele disse.

 

Lula prometeu mais: ao discursar no encerramento do Congresso do PT, neste sábado, fará menção explícita ao PMDB.

 

Dirá o que o PT evitou dizer em no seu documento de diretrizes: o PMDB é parceiro prioritário na cruzada presidencial de Dilma.

 

Lula foi além: afirmou que cuidaria para que também o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, realçasse o papel estratégico do PMDB na aliança.

 

Diante dos compromissos assumidos por Lula, Temer cedeu. Irá à cerimônia de sagração da candidatura de Dilma.

 

Levará consigo os grão-pemedebês que estiverem em Brasília. A pajelança está agendada para as 10h deste sábado.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h13

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: PT aprova programa radical para a campanha de Dilma

 

- Folha: PT apresenta programa mais radical para Dilma

 

- Estadão: Petistas decidem radicalizar projeto de governo de Dilma

 

- JB: PT puxa Dilma para esquerda

 

- Correio: Licença para cassar distritais

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h55

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Novas acomodações!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Em discurso para o PT, Lula prega alianças pró-Dilma

José Cruz/ABr

 

Lula passou pelo Congresso do PT na noite desta sexta (19). Foi para prestigiar a posse do novo presidente da legenda, José Eduardo Dutra.

 

Não estava previsto que o presidente discursasse. Mas ele foi ao microfone. Fez uma defesa enfática da política de alianças partidárias.

 

Parecia munido de extintor. Mais cedo, o petismo se recusara a guindar o PMDB à condição de parceiro prioritário num texto sobre as diretrizes de 2010.

 

No discurso, Lula disse que é preciso que o PT se junte inclusive a legendas com as quais não tinha afinidade no passado.

 

No mais, tratou de animar a platéia. Cerca de 1.350 pessoas. Petistas de todas as tribos, das mais esquerdistas às quase liberais.

 

Puxou do baú uma provocação que o grão-demo Jorge Bornhausen dirigira ao PT em 2005, no auge do mensalão.

 

“Vamos acabar com essa raça”, dissera o então mandachuva do DEM, hoje presidente de honra da legenda.

 

"Aqueles que queriam acabar [com a nossa raça] estão quase acabando", respondeu Lula, sapateando sobre o DEMensalão de Brasília.

 

Bornhausen foi ressuscitado também por José Eduardo Dutra, que assumiu o comando do PT no lugar de Ricardo Berzoini.

 

"Tivemos um período muito duro na história recente, o de 2005. Um ano em que profetas do apocalipse apareciam nas previsões”, disse Dutra.

 

“Chegaram a profetizar o fim da nossa raça. Eles não conseguiram acabar com a nossa raça, porque a nossa raça foi formada na luta dos trabalhadores [...]”.

 

Dutra declarou que, para gerir o PT, vai buscar inspiração em dois ex-presidentes do partido: José Dirceu e José Genoíno. Ambos réus no processo do mensalão.

 

O PT, como se vê, tornou-se uma legenda bem resolvida. Aceitou as próprias perversões. Tudo ficou mais fácil depois que o petismo descobriu o que seus rivais fizeram no verão passado. 

Escrito por Josias de Souza às 00h47

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PF transfere Arruda para sala menor e sem banheiro

  José Cruz/ABr
Depois do Waterloo da prisão, a hospedaria da PF vai se convertendo numa espécie de exílio de Santa Helena para José Roberto Arruda.

 

Nesta sexta (19), a diretoria do PF’s Inn impôs ao “ex-Napoleão” de Brasília acomodações mais modestas.

 

Arruda encontrava-se detido numa sala da diretoria do Instituto Nacional de Criminalística.

 

Coisa fina: 40m², ar condicionado, duas mesas, cama e banheiro privativo.

 

Levaram-no para uma sala menor: 16m². Em vez da cama, um beliche. Nada de ar refrigerado. Sem banheiro.

 

Quando o pesadelo de Arruda começou, imaginara-se que a cana do governador duraria poucas horas.

 

Já lá se vão oito dias. E a PF alegou que precisava retomar a “rotina de trabalho” de sua diretoria Técnico-Científica.

 

Daí a transferência para a sala menos confortável, situada no Comando de Operações Táticas.

 

A PF informou que, a despeito da troca, Arruda continua a desfrutar de acomodação dotada de “padrão compatível com as prerrogativas legais de prisão especial".

 

À espera do julgamento do pedido de habeas corpus de seu cliente pelo plenário do STF, o advogado Nélio Machado coloriu o drama.

 

Disse que Arruda deve ter perdido três quilos em uma semana. Não pensa em renunciar. Mas está abatido.

 

O advogado soou como se dirigisse suas palavras ao coração das togas do Supremo:

 

"Esperamos que os ministros sejam sensíveis e percebam que até agora o governador não foi ouvido sobre essa questão”.

 

Disse que a prova que “o STJ e o Ministério Público apresentam foi contaminada por uma pessoa destituída de credibilidade”.

 

Afirmou que o “flagrante de suborno foi obscuro e que não há prova concreta contra o governador".

 

Em parecer enviado ao STF, o Ministério Público sustenta coisa diversa. E pede que Arruda continue preso.

 

Otimista a mais não poder, o doutor Nélio Machado crê até mesmo que Marco Aurélio Mello possa reconsiderar sua decisão.

 

Na semana passada, o ministro negara o pedido de liminar para que Arruda fosse devolvido ao meio-fio.

 

A defesa espera que o despacho do ministro seja levado a voto, no plenário do Supremo, na semana que vem.

 

A queda de padrão da hospedagem de Arruda chega um dia depois de o governador ter sido jogado ao mar pela bancada do panetone.

 

Acometida de repentino surto de probidade, a Comissão de Justiça da Câmara Legislativa do DF pôs para andar os quatro pedidos de impeachment que corriam contra Arruda.

 

Devagarinho, o governador afastado vai perdendo as feições do Napoleão de Austerlitz. Tampanco se parece com o Napoleão da coroação.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h19

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PT rejeita emenda que incluía PMDB em texto oficial

  Fábio Pozzebom/ABr
Diz-se que o casamento do PT com o PMDB sai em junho. Coisa sem volta.

 

Noivos escolhidos. Acordo pré-nupcial firmado. Proclamas na praça. É batata, como se diz.

 

Não será propriamente um matrimônio, mas um patrimônio.

 

Dito de outro modo: será uma união de interesses 100% financiada pelo déficit público.

 

Pois bem, reunido em seu 4º Congresso, o PT levou a voto as diretrizes para o funcionamento da casa sob Dilma.

 

Discute daqui, confabula dali, José Genoino propôs uma emenda.

 

Queria injetar no texto o PMDB de Temer, o suposto noivo.

 

Nada demais. O deputado apenas pedia que fosse explicitado que a aliança prioritária do PT é com o PMDB.

 

Submetida à deliberação dos cerca de 1.350 petês presentes ao encontro, a emenda Genoíno foi rejeitada.

 

Manteve-se o texto original, que realça a seguinte prioridade: o PT deve "fortalecer um bloco de esquerda e progressista, amparado nos movimentos sociais".

 

Vale a pena repetir: “Bloco de esquerda e progressista”. Beleza. Alguém poderia perguntar: E onde é que entra o PMDB de Sarney, Renan, Jader e Cia.?

 

É como se o PT, antes mesmo de casar, já informasse ao PMDB: “Nossa felicidade conjungal, se existir, será extraconjugal. E vê se não chateia”.

 

Mais um pouco e Dilma Rousseff vai ao palanque com um Michel Temer de capuz. O PT quer casar, não há dúvida.

 

Mas não aceita que o casamento com o PMDB lhe imponha nada além de grilhões de barbante.

 

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Escrito por Josias de Souza às 18h17

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Lula: ‘Não escolhi a Dilma para ser vaca de presépio’

  Marcello Casal/ABr
Além de fazer de Dilma Rousseff sua sucessora, Lula projeta para sua pupila uma gestão longeva, de dois mandatos.

 

Lula refuta a tese segundo a qual teria escolhido Dilma de olho num retorno em 2014.

 

“Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio”, declarou.

 

“Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara”, acrescentou.

 

Lula afirmou também que, antes, não o agradava a idéia do segundo mandato:

 

"Eu achava que poderia ser um desastre”, alegou. Agora, pensa de outro modo. Acha quatro anos são insuficientes. 

O presidente concedeu entrevista a um grupo de cinco repórteres: Vera Rosa, Tânia Monteiro, João Bosco Rabello, Rui Nogueira e Ricardo Gandour.

 

Falou num instante em que o PT se prepara para aprovar, em seu 4º Congresso, um projeto de governo para Dilma.

 

Deu de ombros para os arroubos esquerdistas da peça: “O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender”.

 

Dito de outra maneira: Para Lula, o eleitor não deve dar muita atenção ao discurso socialista do PT. Na prática cotidiana da administração, a teoria é outra.

 

Lula disse descrer da hipótese de Dilma, uma vez eleita, conduzir uma gestão à esquerda da sua.

 

Em contrapartida, declarou que, prevalecendo na eleição, a ministra deve imprimir à nova gestão “o ritmo dela, o estilo dela”.

 

Apesar das reservas, Lula soou como se endossasse o trecho do programa que prevê uma participação maior do Estado na economia:

 

"O governo tem dois papeis, e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador...”

 

“...Do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, aquele que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor".

 

Mais: "Se a gente não tiver uma empresa [estatal] que tenha cacife de dizer 'se vocês não forem, eu vou', a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado...”

 

“...Então, nós queremos uma Eletrobrás forte, para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada".

 

Mais adiante, o mesmo Lula que dissera “não queremos ser donos de nada” defendeu a criação de “uma megaempresa de energia no país”.

 

Noutro trecho da conversa, dedicado à montagem dos palanques estaduais de Dilma, Lula revelou-se preocupado com os desencontros do PT com o PMDB.

 

Mencionou Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Uma praça em que os dois carros-chefes do consórcio governista ainda não chegaram a um acordo.

 

Fez uma declaração que deve deixar de cabelos hirtos a turma do PMDB: “Imaginar que Dilma possa subir em dois palanques é impossível”.

 

Se estiver se referindo apenas a Minas, vá lá. Se o raciocínio for válido também para praças como Bahia e Pará, vai dar chabu.

 

Ao lado de críticas a FHC, Lula acomodou elogios a José Sarney (!!!). Falou do flagelo das enchentes de São Paulo, mas não culpou o tucano José Serra.

 

Discorreu sobre sua proximidade com o controverso colega Marmud Armadinejad: “O Irã não é o Iraque”.

 

Defendeu a atrabiliária gestão-companheira de Hugo Chávez: “Eu acho que a Venezuela é uma democracia”.

E rendeu homenagens aos céus por não ter sido eleito antes de 2002: “Se eu ganho em 1989, ou fazia uma revolução, ou caía no dia seguinte.”

- Serviço: Pressionando aqui, você chega ao áudio da entrevista de Lula.

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Escrito por Josias de Souza às 07h53

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Crônica da renúncia que, anunciada, não aconteceu

  Marcello Casal/ABr
Três e meia da tarde desta quinta-feira (18). Agripino Maia acabara de descer do avião, no aeroporto de Natal. Súbito, ouviu soar a campainha do celular.

 

Olhou o visor. Era Paulo Octávio. Atendeu. O governador interino do Distrito Federal informou ao líder do DEM: dali a instantes, renunciaria ao cargo.

 

Agripino perguntou ao interlocutor se ele comunicara a decisão Lula, E Paulo Octávio: “Comuniquei”. Tudo parecia correr como planejado.

 

Na véspera, ainda em Brasília, Agripino recebera Paulo Octávio em seu apartamento. “Renuncie”, o senador aconselhara.

 

“Se você ficar no governo, vai enfrentar dez meses de calvário diário. Isso não vai parar. Sua vida pública já está destroçada. Agora, as consequências serão pessoais, na sua vida, na rotina das suas empresas”.

 

Informado de que Paulo Octávio solicitara audiência a Lula, o senador sugerira: “Não vá lá para pedir proteção, não faça isso. Se o Lula te receber, comunique a ele que você está renunciando”.

 

Paulo Octávio concordara com cada palavra. Deixara o apartamento de Agripino decidido a abdicar do governo. Sua saída seria formalizada no dia seguinte.

 

Ainda na noite de quarta, redigiu a carta de renúncia. Escreveu um, dois rascunhos. Na terceira versão, deu o documento por acabado. De manhã, foi ao encontro de Lula.

 

Um assessor do presidente ligara à noite. Avisara que o presidente, depois de lhe dar o “bolo”, finalmente o receberia. Na conversa com Lula, mencionou a renúncia.

 

Ao deixar o gabinete do presidente, pendurou-se ao telefone. Contou a amigos e partidários o que depreendera da conversa. Lula torcia o nariz para o pedido de intervenção federal no DF.

 

Nada que o fizesse, porém, desistir da idéia de renunciar. Almoçou com o jornalista Mario Rosa, gerenciador de crises. Discutiram o formato da renúncia.

 

Depois, informou aos secretários de governo sobre a saída. Entregou a carta redigida na noite anterior à líder do DEM na Câmara do DF, Eliana Pedrosa.

 

Antes de tocar para Agripino, ligou para o seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Concovou-o à sede do GDF. Queria ouvi-lo sobre as repercussões da renúncia no inquérito do panetonegate.

 

Kakay tranqüilizou o cliente. Disse-lhe que, fora do governo, sairia das manchetes. “Diminui a pressão política. Não há coisa melhor para um advogado do que o cliente fora da mídia”.

 

E quanto ao pedido de intervenção?, o quase ex-governador interino quis saber. E Kakay: “A tese cresce. Aumentam as chances de acontecer a intervenção”.

 

Paulo Octávio isolou-se numa sala contígua. Ao retornar de uma reflexão solitária de 15 minutos, a reviravolta: “Não vou renunciar, vou para o enfrentamento”.

 

Àquela altura, uma legião aguardava, na sala de entrevistas, o anúncio da saída. Repórtres, secretários de governo, deputados distritais. Em vez da renúncia, sobreveio o “fico”.

 

A carta está pronta, disse. Porém, “eu aguardo mais alguns dias, como me recomendou o presidente Lula”.

 

Ao injetar Lula na pantomima, Paulo Octávio irritou o presidente. E levou a cúpula do DEM à exasperação. Lula ordenou um desmentido. Desautorizado, Paulo Octávio se desdisse, em nota. O presidente não recomendara que ficasse, admitiu.

 

“O Lula que carregue o Paulo Octávio no colo”, reagiu Agripino Maia, alheio aos desmetidos. “Não entendi nada. Depois da comunicação tácita que ele me fez, uma presapada dessas! Estou perplexo.”

 

Agripino comprometera-se com Demóstenes Torres (DEM-GO), a acomodar a assinatura no pedido de expurgo de Paulo Octávio do partido.

 

Mas não se juntara ao pedaço do DEM que advoga a expulsão sumária do filiado encrencado. Defenderia na reunião da Executiva a abertura de prazo para a defesa.

 

O processo rolaria durante meses. E o futuro de Paulo Octávio na legenda seria condicionado à evolução das denúncias.

 

Ao renunciar à renúncia, o governador interino retirou da boca dos que o defendiam no partido a última réstia de argumento.

 

O deputado Rodrigo Maia (RJ), que também não aderira à turma do “mata e esfola”, ecoou Agripino: “Estou perplexo. Hoje, a situação é pior do que era ontem. Esse ziguezague da renúncia levou a uma deterioração. A situação dele no partido piorou”.

 

Em novo telefonema a Agripino, Paulo Octávio pediu desculpas. E informou que decidira antecipar-se ao vexame da expulsão. Vai se desfiliar do DEM até segunda-feira.

 

À estupefação seguiu-se o alívio. Livre do problema principal, o DEM vai cuidar, na reunião da Executiva, apenas do dissabor secundário. Será dissolvido, na próxima quarta, o diretório do DEM no DF, hoje controlado por Paulo Octávio.

 

Na Câmara Legislativa, a bancada do panetone, que já flertava com uma súbita conversão à probidade, terminou de esfacelar-se.

 

Pela manhã, aprovara-se na Comissão de Justiça a abertura do processo de impeachment contra Arruda, o titular preso.

 

No final da tarde, em reunião de emergência, colocou-se para andar também o processo de cassação de Paulo Octávio, o vice da “desrenúncia”.

 

Afora o governador interino, não há em Brasília muitas vozes que se aventurem a apostar na longevidade da administração provisória de Paulo Octávio.

 

Ecoam sobre a cidade as palavras de Agripino da última quarta: “Se você ficar no governo, vai enfrentar dez meses de calvário diário. Isso não vai parar”.

Escrito por Josias de Souza às 06h58

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Dirceu: ‘Terei função oficial na campanha’ da Dilma

  Elza Fiúza/ABr

Estrela do 4º Congresso do PT, José Dirceu desfila seu prestígio por Brasília.

 

De volta ao diretório nacional do partido, diz que vai suar a camisa por Dilma:

 

“Vou ter função oficial na campanha, mas ainda não sei o que vou fazer".

 

Não prejudica a candidata? "Eu não tiro votos da Dilma”, ele afirma.

 

Dirceu deseja fazer campanha à luz do Sol:

 

“Fiquei clandestino por 10 anos, meu tempo de clandestino já acabou".

 

Recobre Dilma de elogios: "É mulher, militante, socialista, esquerdista...”

 

“...Tem todos os pré-requisitos para ser candidata".

 

Sobre a ex-petista Marina Silva, hoje presidenciável do PV, ele declara:

 

"Tem todas condições de ser presidente. Mas é preciso ter voto e apoio do Lula".

 

Mexera-se para empurrar Ciro Gomes da cena nacional para São Paulo. Desistiu:

 

"Ficou claro que essa é uma questão estrita do PSB e ninguém pode fazer nada".

 

Vai responder a Ciro, que o chamou de “golpista”?

 

"Eu não tenho que comentar as declarações do Ciro. Eu sei o que fui fazer no Ceará”.

 

Dá de ombros para a aversão de Sérgio Cabral (PMDB) à proximidade de Dilma com Garotinho (PR):

 

"O Cabral sabe que nenhum candidato, muito menos à presidência, pode dar-se ao luxo de recusar apoio".

 

A volta de Dirceu ao primeiro plano do petismo tem o endosso da candidata:

 

"Ele é dirigente do partido e como tal será considerado", diz Dilma.

 

A movimentação é celebrada também pelo grão-petê Ricardo Berzoini:

 

Antecipando-se ao STF, o deputado retira Dirceu do banco de réus do mensalão:

 

"Tenho certeza que o Dirceu é correto e inocente. Os estigmas podem ser trabalhados pela oposição...”

 

“...Mas temos que enfrentar os estigmas. Sem enfrentá-los, não tem vitória".

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h35

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Paulo Octávio não renuncia e amplia crise de poder no DF

 

- Folha: Arruda e governador interino têm ação de impeachment no DF

 

- Estadão: Dilma é para 2 mandatos, diz Lula

 

- JB: Paulo Octávio, o vice, diz que sai mas fica

 

- Correio: Ele jurou sair... Desistiu e ficou. Até quando?

 

- Valor: Países em crise na Europa devem a bancos US$ 3,4 tri

 

- Jornal do Commercio: Vendaval e apagão na grande Recife

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Pensando na chuva!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Ciro: ‘Clima de Fla-Flu partidário é ruim para o Brasil’

Foi ao ar há pouco, no horário nobre da TV, a propaganda institucional do PSB. Dez minutos estrelados por Ciro Gomes.

 

Num esforço para consolidar a candidatura presidencial de Ciro, o PSB converteu-o numa espécie de âncora da peça publicitária.

 

Ciro liga sua imagem à de Lula: “Nos últimos 7 anos, sob liderança extrarodinária do presidente Lula o nosso Brasil conquistou grandes avanços”.

 

Cita “a política de aumento real do salário mínimo, a ampliação do crédito popular e o Bolsa Família”.

 

Sem citar José Serra e Dilma Rousseff, recorre a uma imagem futebolística para criticar a polarização que empurra a sucessão para um embate entre PSDB e PT.

 

“Esse clima de Corinthians e Palmeiras, de Fla-Flu paridário, que leva o cidadão eleitor a votar no paritdo A com medo do partido B não pelas suas propostas, e vice-versa, é ruim para o Brasil e muito arriscado para o projeto que estamos construindo”.

 

Em linguagem cifrada, Ciro fustiga os outros partidos que compõem o consórcio governista. Insinua que o PSB é mais leal ao presidente do que os outros:

 

“Eu e o meu partido [...] semnpre estivemos firmes ao lado desse projeto liderado por Lula, principalmente nos momentos mais dificies...”

 

“...quando muitos que hoje se dizem amigos de Lula ou atrapalhavam, se escondiam, ou faziam de tudo para derrubá-lo”.

 

No miolo da peça, Ciro faz um passeio pelas três vitrines estaduais governadas pelo PSB; Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.

 

No encerramento da propaganda, mais Ciro. Nada de plebiscito para comparar o passado tucano ao presente petista. O “âncora” do PSB convida o eleitor a mirar o futuro:

 

“Não podemos discutir o Brasil como se existisse apenas o passado e o presente. O PSB se apresenta a você como a opção do futuro”.

 

Ciro renovou, com nova roupagem, a crítica à aliança PT-PMDB. Em entrevistas, dissera que a união escora-se em acordos de “moral frouxa”. Na TV, edoçou o discurso:

 

“O PSB sabe, humildemente, que só se governa com alianças. Mas acreditamos que as alianças podem e devem ser mais íntegras [...].”

 

Mais cedo, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), dissera que, se depender da vontade de Lula, Ciro disputará o governo de São Paulo, não a presidência.

 

Levado às manchetes como alternativa do PT e do Planalto à disputa paulista, Mercadante disse que Lula não pediu a ele que reveja o plano de disputar a reeleição ao Senado.

 

Para São Paulo, "o nome que ele [Lula] sinalizou é o do Ciro Gomes", disse Mercadante.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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Irritado, Lula desmente pedido para PO não renunciar

  Antonio Cruz/ABr
Lula está tiririca. Subiu pelas paredes ao saber que Paulo Octávio atribuíra a ele o pedido para que não renunciasse ao governo do Distrito Federal.

 

O blog conversou há pouco com um auxiliar do presidente que testemunhou o encontro do governador interino do DF com Lula.

 

“O governador mentiu”, disse o assessor de Lula. Ele conta que, de fato, Paulo Octávio mencionara na conversa que cogitava renunciar.

 

Lula respondeu, segundo o relato do auxiliar que a renúncia era questão de “foro íntimo”.

 

E não fez nenhum comentário que pudesse ser entendido como “recomendação” para que Paulo Octávio permanecesse no comando do GDF.

 

Para tentar desfazer o malfeito, o próprio Paulo Octávio mandou divulgar uma nota. No texto, ele corrobora a versão do assessor de Lula.

 

Anota que, ao falar de “improviso”, disse, “inadvertidamente”, que Lula havia “recomendado” sua permanência.

 

Mas, afinal, o que aconteceu de fato: “O presidente Lula apenas manifestou sua preocupação com a questão institucional de Brasília", diz o texto.

 

Vai abaixo a íntegra da nota do governador interino:

 

 

"O Governo do Distrito Federal vem esclarecer que, durante seu discurso, nesta quinta-feira (18), no momento em que falava de improviso, o governador interino do DF, Paulo Octávio, disse, inadvertidamente, que o Excelentíssimo Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ‘recomendado’ que ele permanecesse no governo.

Na realidade, em nenhum momento Sua Excelência o presidente fez qualquer sugestão, recomendação ou proferiu qualquer manifestação sobre sua permanência ou não no cargo. Durante o encontro, o presidente Lula apenas manifestou sua preocupação com a questão institucional de Brasília."

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Após renunciar à renúncia, Paulo Octávio sai do DEM

Marcello Casal/ABr

 

Depois de renunciar a uma renúncia que já havia comunicado às lideranças do DEM, Paulo Octávio decidiu requerer sua desfiliação do partido.

 

Em telefonema a Agripino Maia, líder do DEM no Senado, o governador interino do DF informou que apresentará o pedido de desfiliação até segunda-feira (22).

 

Paulo Octávio imita o governador José Roberto Arruda, preso há uma semana. Ele deixa a legenda para evitar o constrangimento de uma expulsão.

 

O pedido de expurgo seria protocolado na próxima reunião da Executiva nacional do DEM. Traria as assinaturas dos ‘demos’ Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado.

 

O encontro deveria ter ocorrido nesta semana. Mas foi adiado. Primeiro, para terça-feira. Depois, para quarta (24) da semana que vem.

 

Confirmando-se a desfiliação de Paulo Octávio, o DEM terá de deliberar apenas sobre a segunda parte do pedido da dupla Demóstenes-Caiado.

 

Refere-se à intervenção no diretório regional do DEM no Distrito Federal, controlado por Paulo Octávio. A dissolução do diretório é vista agora como favas contadas.

 

De resto, ao bater em retirada do DEM, Paulo Octávio fica definitivamente de fora do processo eleitoral de 2010.

 

O prazo para troca de partido expirou em setembro do ano passado. Sem legenda, o governador interino não poderá concorrer a coisa nenhuma.

 

"Nós nos livramos de um problema", disse Agripino ao blog. Ná véspera, o senador comprometera-se com Demóstenes a assinar o pedido de expulsão de Paulo Octávio.

 

"Faríamos o que precisava ser feito. Com a saída do Paulo Octávio, temos de tratar agora do diretório do partido no Distrito Federal".

 

Agripino comentou o pedaço da declaração de Paulo Octávio em que ele atrubuíra a um pedido de Lula a decisão de não renunciar:

 

"O Lula, com seu estímulo, queria que a crise se eternizasse no colo do DEM. E nós íamos fazer o que tinha de ser feito para livrar o partido de um problema que é de Brasília".

 

Demóstenes soou mais cáustico: "Com o pedido que fez ao Paulo Octávio, o Lula acabou de endossar o seu segundo mensalão. Já tinha assumido o mensalão do PT. Agora assumiu mais um".

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h15

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PO redige renúncia, mas fica: ‘Me recomendou Lula’

  Sérgio Lima/Folha

Paulo Octávio, governador em exercício do Distrito Federal, acaba de realizar uma manifestação pública.

 

Num instante em que todos aguardavam por um epílogo, ele informou: Já redigiu a carta de renúncia.

 

Entregou o texto à líder do DEM na Câmara Legislativa do DF, deputada Eliana Pedrosa. Porém, decidiu esticar a encenação da novela.

 

“Apesar de ter minha carta de renuncia pronta [...], eu aguardo mais alguns dias, como me recomendou o presidente Lula”.

 

Por quê? “Para que possamos ter um quadro das decisões que a Justiça deverá apresentar na próxima semana. Aí, sim, tomaremos as decisões [...]”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Paulo Octávio abre contagem regressiva da renúncia

Em conversa com líderes do DEM, o governador interino de Brasília foi aconselhado a renunciar (asssista ao vídeo acima). Ele aceitou a sugestão. C-I-N-C-O...

Paulo Octávio foi a Lula. Testemunha do encontro, o coordenador político do Planalto, Alexandre Padilha, informou:

"Ele disse ao presidente [...] que está em processo de avaliação com sua equipe e que entre as possibilidades avaliadas está a renúncia." Q-U-A-T-R-O...

O assessor de imprensa de Paulo Octávio, André Duda, desconversou: Não há carta de renúncia. Desmentido de renúncia? Um clássico. Humm... T-R-Ê-S.

- Atualização feita às 15h40: Paulo Octávio almoçou com o jornalista Mario Rosa, consultor e gerenciador de crises. Discutiram os termos da renúncia. "A data de validade é hoje", disse Rosa. D-O-I-S.

- Atualização feita às 16h20: O governador interino comunicou a auxiliares que vai mesmo renunciar. Alberto Fraga, secretário de Transportes, disse:

"Essa denúncia é ímpar no Distrito Federal. Acho que ele deveria cumprir o seu papel constitucional". U-M.

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Escrito por Josias de Souza às 14h40

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São Paulo: Após trégua carnavalesca, a chuva voltou

Durou pouco o “cessar-água” decretado por São Pedro. Passado o Carnaval, São Paulo está, de novo, sob chuva.

 

Começou a cair na Quarta-feira de Cinzas. Parecia mansa. Mas continuou caindo na madrugada desta quinta (18).

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h47

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Nesta 5ª, Câmara deve abrir processo contra Arruda

Ique

 

A Comissão de Justiça da Câmara Legislativa do DF agendou reunião para esta quinta (18). Vai à mesa um parecer de Batista das Cooperativas (PRP).

 

O deputado é relator de três pedidos de impeachment que correm contra José Roberto Arruda (ex-DEM) no Legislativo da Capital.

 

Antes aliado incondicional do governador afastado, Batista perdeu a disposição cooperativa que exibia na fase que antecedeu a prisão de Arruda.

 

Anunciou aos quatro ventos que recomendará a abertura de processo de cassação do mandato do ex-amigo.

 

Informou-se a Arruda que o parecer de Batista deve prevalecer no plenário da comissão. Mais:

 

Já não são negligenciáveis as chances de a tese da lâmina obter aprovação também no plenário da Câmara, outrora majoritariamente pró-Arruda.

 

Para completar a atmosfera de terra arrasada, o governador em exercício Paulo Octávio (DEM) foi ao encontro com o travesseiro, na noite passada, ruminando a idéia da renúncia.

 

Conforme já noticiado aqui, Paulo Octávio informou a líderes da tribo ‘demo’ que já não se julga em condições de governar. Pode bater em retirada ainda nesta quinta.

 

Considerando-se os nomes acomodados no topo da linha de sucessão do DF, o pedido de intervenção federal que corre no STF deveria ser tomado a sério.

 

Imediatamente depois de Paulo Octávio vem o presidente da Câmara, Wilson Lima (PR). Abaixo dele, o vice do Legislativo, Cabo Patrício (PT). Brasília não merece.

 

- Atualização feita âs 13h05 desta quinta-feria (18): A comissão aprovou os quatro pedidos de impeachment de Arruda, colocando-os para andar. A decisão foi, veja você U-N-Â-N-I-M-E. 

 

- Em tempo: Ilustração via JB Online.

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Escrito por Josias de Souza às 06h27

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Lula: ‘Dilma agora vai jogar com as próprias pernas’

Antônio Cruz/ABr

 

Presidenciável fabricada por Lula a frio, Dilma Rousseff inicia neste sábado (20) uma nova fase. Será formalmente aclamada como candidata do PT.

 

A proclamação marcará o encerramento do 4º Congresso do PT, que começa nesta quinta (18). O que muda? Vencida a fase dos testes de laboratório, Dilma será agora testada em condições normais de uso.

 

Há dois dias, em conversa privada com um amigo do PT, Lula disse o que pensa sobre os novos desafios de sua criatura. Recorreu a imagens futebolísticas, bem ao seu gosto.

 

Disse que escalou Dilma para sucedê-lo. Treinou-a. Forneceu-lhe o uniforme e a bola. Ensinou à pupila as manhas do jogo. Agora, disse Lula, chegou a hora de “entrar em campo”.

 

No papel de “técnico”, Lula diz que vai permanecer no “banco”, repassando orientações e incitando a arquibancada. Porém, Dilma agora “vai ter que jogar com as próprias pernas”, diz o criador.

 

A criatura pisa o gramado com cara de jogadora competitiva. Nesta quinta (17), vieram à luz os números de mais uma pesquisa. Foi feita pelo Ibope, por encomenda da Associação Comercial de São Paulo.

 

A sondagem ratifica a tendência já captada em levantamentos anteriores: Dilma tomou o elevador, achegando-se ao tucano José Serra, seu principal rival.

 

Num cenário que manteve na disputa Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), Dilma foi de 17% para 25%. Serra oscilou de 38% para 36% -ainda dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais.

 

Numa hipotética final de campeonato entre Serra e Dilma, a candidato tucano bica 47% das intenções de voto. Dilma, 33%. Nada mal para alguém que, nos primeiros testes feitos fora do laboratório, obtivera escassos 3%.

 

O nome de Dilma desceu à proveta em 2007. Nas pegadas de sua reeleição, Lula intuiu que teria de fabricar uma alternativa sucessória. Os nomões tidos como naturais haviam sido moídos pelos escândalos.

 

José Dirceu, candidato de si mesmo, esfacelara-se nos desvãos do mensalão. Antonio Palocci, em quem o próprio Lula enxergara potencial eleitoral, esfacelara-se nas dobras do extrato vazado do caseiro.

 

Receoso de que o o petismo se perdesse numa guerra fratricida pelo espólio de seu governo, Lula cuidou de cavar no front partidário a sua própria trincheira. Plantou dentro dela o nome de Dilma.

 

Com isso, interditou o paiol. Petistas que cultivavam o sonho presidencial –Tarso Genro, por exemplo—foram cuidar da vida. Numa antecipação de calendário nunca antes vista na história das eleições desse país, Lula pôs-se a treinar sua candidata.

 

Vestiu nela o uniforme de gerente. Repassou-lhe a bola dos grandes programas de seu governo. Cercou-a com um cinturão suprapartidário de apoio.

 

De resto, levou-a aos pa©lanques, num curso intensivo de campanha que irritou a oposição e informou à platéia que havia uma alternativa oficial na praça.

 

Lula venceu o nariz torcido do PT. Rebarbou o ceticismo dos adversários. Deu de ombros para a conspiração do linfoma. E produziu a candidata a frio a partir da mistura de doses cavalares de sua popularidade e porções calculadas de pragmatismo político.

 

Em privado, Lula soa otimista. Onde a oposição enxerga desvantagens, não vê senão oportunidades. Acha que leva a campo uma experiência diferente de tudo o que se conhecia em matéria de candidato à presidência.

 

“Mulher”, “boa gestora”, “dinâmica”, “biografia limpa”, isenta de máculas morais, “passado de luta” contra a ditadura.

 

Autoritária? Lula prefere outro vocábulo: firme. Noviça em urnas? Para Lula, uma novidade livre dos vícios normalmente atribuídos aos políticos tradicionais.

 

Dilma será solta no gramado no sábado. Movendo-se com as próprias pernas e guiando-se pelas orientações do técnico, terá atrás de si uma estrutura que já inclui fonoaudióloga, maquiadora e até consultora moda.

 

Inclui também um comitê de campanha, por ora informal. Integram-no: Franklin Martins, Antonio Palocci, Gilberto Carvalho e o amigo Fernando Pimentel. Pairando sobre todos, o marqueteiro João Santana, o mesmo que cuidou da campanha reeleitoral do Lula-2006.

 

No encerramento do Congresso do PT, Dilma discursará para 1.350 partidários. Falará defronte de um megapainel que mistura sua imagem à de Lula. Criador e criatura.

 

Exercitará as “próprias pernas”. Mas pronunciará discurso dez mãos. No texto, além das digitais da candidata, as de Santana, as de Franklin e as de Luiz Dulci e as de Marco Aurélio Garcia.

 

Tomada pelo último Ibope, Dilma entra em campo medindo potenciais 33% —o percentual que o instituto atribui a ela no segundo turno.

 

Em meados do ano passado, o grão-tucano FHC estimara que Dilma cruzaria o Ano Novo rumo aos 30%. É o percentual histórico do PT, ele dissera. Antevira, porém, que desse patamar, não passaria.

 

Lula faz aposta diversa. Joga para ganhar, não para competir. No sábado, soará o apito. E Dilma começará a expor a musculatura das “próprias pernas”.

 

Serra, ainda no vestiário, verá crescer o barulho que já soa à sua volta. Ficará mais difícil para o não-candidato tucano manter a tática do esconde-esconde.

 

- Em tempo: Pressionando aqui, você chega à íntegra do último Ibope. Aqui, vai a um blog do Congresso do PT. Não é grande coisa, mas é o que há. Aqui, você segue o repórter no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 05h40

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Tijuca acaba jejum de 74 anos

 

- Folha: Boatos valorizam ações da Teleberas em 35.000%

 

- Estadão: Dengue vira epidemia em 5 Estados

 

- JB: Segredos que valem ouro

 

- Correio: Impeachment na pauta da Câmara

 

- Valor: BNDES poderá antecipar R$ 20 bilhões à Petrobras

 

- Jornal do Commercio: Turista alemã é morta no Recife

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

 

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Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Que é isso, companheiro?!?!?

Benett

Bia Charges do Benett.

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Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Paulo Octávio diz a líderes do DEM que vai renunciar

  Fábio Pozzebom/ABr
O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), informou a lideranças do seu partido que decidiu renunciar ao cargo.

 

Até aqui, Paulo Octávio mencionava a renúncia apenas de modo hipotético. Nos novos diálogos tratou do tema, pela primeira vez, em timbre peremptório.

 

Numa das conversas, Paulo Octávio chegou mesmo a informar que vai formalizar sua saída do GDF antes do final de semana, provavelmente nesta quinta (18).

 

Alega que não obteve apoio para restaurar a “governabilidade” da administração da Capital. Isolado, disse ter optado por bater em retirada.

 

Planejara reformar o secretariado, cercando-se de auxiliares notáveis. Os convites que formulou foram refugados.

 

Esperava obter o apoio de Lula para se contrapor ao pedido de intevenção federal no DF. O presidente nem o recebeu.

 

De resto, Paulo Octávio tentara convencer o DEM a não levar à Executiva o pedido de expulsão dele dos quadros do partido.

 

Os autores da proposta, Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado, não recuaram.

 

Se Paulo Octávio fizer valer o que disse em privado, o cargo de governador ficará vago pela segunda vez em uma semana.

 

Preso na quinta-feira (10) da semana passada, o titular da cadeira, José Roberto Arruda, foi afastado das funções pelo STJ por tempo indeterminado.

 

Confirmando-se a renúncia do vice, o cargo de governador cairá no colo do presidente da Câmara Legislativa do DF.

 

Chama-se Wilson Lima, um deputado do PR. É um personagem controverso. Integra o bloco que, até a semana passada, apoiava cegamente o governo local.

 

Seu currículo anota: “Vendeu picolés, foi frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus...”

 

“...Empresário, foi sócio da rede de supermercados Organizações Lima”. Tem apenas o “ensino médio completo”.

 

Reza a Lei Orgânica do Distrito Federal que, em caso de vacância do cargo de governador no último ano, o substituto completará o mandato.

 

Vêm depois de Wilson Lima na linha sucessória do DF o vice-presidente da Câmara, Cabo Patrício (PT) e o presidente do Tribunal de Justiça, Níveo Geraldo Gonçalves.

 

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Escrito por Josias de Souza às 21h11

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No DF, PSDB negocia com Roriz, o mentor de Arruda

  Fábio Pozzebom/ABr
A implosão da candidatura reeleitoral de José Roberto Arruda deixou o presidenciável tucano José Serra sem palanque no Distrito Federal.

 

Para contornar o problema, o PSDB negocia em segredo o apoio de outro candidato ao governo do DF, Joaquim Roriz –ex-PMDB, hoje no PSC.

 

Ex-governador, Roriz é uma espécie de mentor político de Arruda, que foi seu secretário de Obras.

 

Eleito em 2006, com o apoio velado de Roriz, Arruda manteve no GDF auxiliares de seu criador. Entre eles Durval Barbosa.

 

O mesmo Durval que, no ano passado, fechou com o Ministério Público o acordo de delação premiada que o levou a denunciar Arruda e Cia..

 

Sob Roriz, Durval presidia a Codeplan (Cia de Desenvolvimento do Planalto). Sob Arruda, permaneceu no posto até virar secretário de Relações Institucionais.

 

Durval já recolhia propinas junto a fornecedores do GDF na era Roriz. Ajudou a fornir um caixa dois que bancou a reeleição do ex-chefe, em 2002.

 

Investigado por malfeitos em série –de fraudes em licitações a sobrepreço— Durval tornou-se réu em 37 processos judiciais.

 

Daí o interesse dele na delação premiada. Colabora com a Polícia Federal e com o Ministério Público de olho na redução de pena.

 

Na era Arruda, Durval manteve aberta a usina de arrecadção de verbas de má origem. Cercou-se, porém, de cuidados.

 

Passou a gravar os beneficiários da coleta. Produziu uma videoteca que inclui a fita em que o próprio Arruda aparece apalpando um maço de R$ 50 mil.

 

Assim, ao despencar, Durval arrastou para o abismo os personagens que se serviam dos seus maus préstimos.

 

Ao tricotar com Roriz, hoje o favorito na corrida pelo GDF, o PSDB como que remonta a armadilha que mergulhou Brasília na corrupção.

 

Em público, o tucanato gosta de se autoproclamar campeão da modernidade. Nos subterrâneos, não se vexa de negociar com o arcaísmo malfeitor.

 

O PSDB ligara-se a Arruda mesmo sabendo que a fraude do painel do Senado não o recomendava.

 

Essa primeira evidência de falha de caráter, aliás, fora encenada em 2001, ano em que Arruda era tucano. Mais: respondia pela liderança do governo FHC no Senado.

 

Diz o senso comum que “errando é que se aprende”. O PSDB parece desaprovar o brocardo. Adapta-o: “Errando é que se aprende... A errar.”

 

Deve-se a José Serra a mais precisa definição de José Serra. Ao discorrer, em 2002, sobre sua infância, vivida no bairro paulistano da Mooca, Serra disse:

 

Era “bonzinho em casa, briguento na rua e barulhento na escola”. No futebol, “não era bom para driblar, mas para desarmar”.

 

O auto-retrato está assentado nas páginas de "O Sonhador que Faz", uma biografia consentida, escrita pelo repórter Teodomiro Braga.

 

A troca de passes do tucanato com Roriz oferece uma boa oportunidade para que Serra comprove o que disse. Se é mesmo “bom para desarmar”, convém agir.

 

Do contrário, arrisca-se a pedir votos em Brasília ao lado do inaceitável.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Decisão do STF sobre Arruda só foi ao MPF nesta 4ª

  Divulgação
Só nesta quarta-feira (17), o STF enviou à Procuradoria da República o despacho de Marco Aurélio Mello sobre a prisão de José Roberto Arruda.

 

Quem informa é o próprio Supremo, no twitter.

 

Datado de sexta-feira (12) passada, o texto de Marco Aurélio indefe o pedido de liberdade do governador e pede a manifestação da Procuradoria. Praxe.

 

O documento vai à mesa do procurador-geral da República Roberto Gurgel (foto), a quem cabe responder à requisição de Marco Aurélio.

 

O teor da resposta do procurador-geral é óbvio. Signatário do pedido de prisão de Arruda, Roberto Gurgel baterá palmas para a decisão de Marco Aurélio.

 

O mais importante não é o conteúdo, mas o prazo. Suspeita-se no Supremo que o procurador-geral não terá lá muita pressa para devolver os autos ao tribunal.

 

Só depois que receber a manifestação de Gurgel é que Marco Aurélio irá submeter o veredicto contrário a Arruda ao crivo dos seus pares.

 

A defesa de Arruda imaginava que Marco Aurélio devolveria Arruda ao meio-fio. Deu chabu.

 

Os advogados do governador contavam com uma manifestação do STF na virada do Carnaval. Nada.

 

Esperavam que a encrenca pudesse ir a julgamento na próxima semana. É improvável que vá. E a cana de Arruda vai se prolongando.

 

O último figurão da política a ser mandado para trás das grades por tentativa de obstruir investigações foi Paulo Maluf, em 2005. Puxou na época uma cadeia de 40 dias.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h34

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Ex-secretário de Arruda recorre ao STF contra prisão

  Folha
Wellington Moraes, ex-secretário de Comunicação do Governo do Distrito Federal, foi ao STF para tentar livrar-se da cadeia.

 

Encontra-se detido numa prisão convencional, o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.

 

Não teve a mesma ventura do ex-chefe, José Roberto Arruda, recolhido a uma sala, na Superintendência da PF.

 

Wellington foi à garra sob a acusação de ter participado da tentativa de subornar uma testemunha do panetonegate.

 

Foi um dos intermediários de Arruda nos contatos com o jornalista Edson Sombra, o alvo da tentativa de aliciamento.

 

Na petição ao Supremo, os advogados de Wellington alegam que a prisão do ex-secretário, além de ilegal, seria desnecessária.

 

Sustentam que ele não é investigado no inquérito do panetonegate. “Não responde não responde a crimes de suposta malversação de dinheiro público”, anotam.

 

Não teria interesse, portanto, em tumultuar o processo. Sua participação no frustrado caso de suborno “teria sido pontual e limitada”.

 

Teria agido, afirmam os advogados, “em suposta obediência ao governador, que inclusive teria ordenado sua retirada da suposta negociação”.

 

Curioso o linguajar da defesa –“suposta obediência”, “teria ordenado”, “suposta negociação”... O pedido de habeas corpus foi às mãos de Marco Aurélio Mello.

 

O mesmo ministro que, na semana passada, negara pedido semelhante a José Roberto Arruda, retendo-o na cadeia.

 

O ministro requisitou informações ao STJ. É possível que tome uma decisão nesta quinta (18).

 

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Escrito por Josias de Souza às 16h52

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Após 4 décadas, a Petrobras volta a importar gasolina

Acossada pela crise que derruba a produção de etanol, a Petrobras retomou a importação de gasolina.

 

É coisa que não acontecia há cerca de 40 anos.

 

Importaram-se, por ora, 270 mil metros cúbicos de gasolina. O suficiente para encher dois milhões de barris.

 

Optou-se por comprar um combustível companheiro, produzido na Venezuela de Hugo Chávez.

 

A mercadoria chega ao Brasil até o final do mês. Custou à Petrobras algo como US$ 140 milhões.

 

Vai ficar nisso ou será necessário importar mais? A petrolífera brasileira responde no gerúndio:

 

“Para os meses subsequentes, a Petrobras está avaliando a necessidade de importação e, se existente, estimará o volume a ser importado”.

 

O volume já adquirido não chega a ser expressivo. Corresponde a um dia de produção da Petrobras.

 

A despeito disso, um ex-diretor da estatal, Ildo Sauer, hoje professor da USP, leva o pé atrás:

 

“A empresa era superavitária de gasolina desde a entrada do Proálcool, nos anos 70”.

 

Outro especialista do setor energético, Adriano Pires, diretor-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, ecoa Sauer:

 

“Há quase uma década, o Brasil se tornou um exportador. Primeiro, foi o anúncio da Petrobras de que interromperia a exportação, há cerca de um mês...”

 

“...E agora tem de comprar de outros produtores. É surpreendente”.

 

De fato. Surpreendente!

Escrito por Josias de Souza às 06h11

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Contra intervenção, Câmara do DF deve ‘cassar’ três

Arko Datta/Reuters

 

A ameaça de intervenção federal soprou uma brisa na Câmara Legislativa do DF. O vento ainda não foi capaz de desativar o forno da impunidade. Mas amainou o fogo.

 

Os deputados distritais já se dispõem a retirar do cardápio pelo menos três pizzas. Acena-se com a cassação de uma trinca de deputados da bancada do panetone.

 

Escalarão o cadafalso: Leonardo ‘Pé-de-meia’ Prudente (ex-DEM), Eurides ‘Bolsa’ Brito (PMDB) e Júnior ‘Oração da Propina’ Brunelli (PSC).

 

Deve-se a informação à repórter Eugênia Lopes. A notícia chega acompanhada de fotos inusitadas de José Roberto Arruda.

 

Preso há seis dias, o governador levou o rosto à janela da sala que o hospeda na PF’s Inn. Foi clicado pelo repórter Dida Sampaio. Veja aqui.

 

Os deputados enrolados no inquérito do panetonegate são contados em oito. Ou seja, ainda que entregue três anéis...

 

...A Câmara continuará carregando nas mãos pelo menos cinco dedos sujos. As cassações serão sugeridas em relatório do corregedor do Legislativo do DF.

 

Chama-se Raimundo Ribeiro (PSDB). Seu texto será apresentado na semana que vem. Por que só três se os enrolados são oito?

 

O deputado tucano tenta explicar: "O que posso dizer é que são situações diferentes entre quem aparece nos vídeos e quem é citado...”

 

“...Mas não posso dizer se são situações mais graves porque aí estaria entrando no mérito".

 

Querendo ou não, o deputado penetrou o mérito. Para os que foram pilhados apalpando dinheiro em vídeos, a lâmina.

 

Para os que foram apenas citados no inquérito como beneficiários do panetone, a clemência indulgente.

 

Nesta quinta (18), vão a voto na Comissão de Justiça da Câmara brasiliense três pedidos de cassação do próprio Arruda.

 

O relator, Batista das Cooperativas (PRP), já anunciou que recomendará a aprovação. Significa dizer que os pedidos de impeachment, antes travados, começarão a andar.

 

Batista era, até a semana passada, um fiel aliado de Arruda. Mas a prisão do amigo causou-lhe a solidariedade.

 

Também exaustos da própria inação, outros integrantes do consórcio parlamentar de Arruda anunciam a intenção de jogar o ex-Todo Poderoso ao mar.

 

E quanto a Paulo Octávio, contra quem também correm quatro pedidos de impeachment? Bem, a fadiga temporã parece não ter chegado a tanto. A lâmina ainda não roça o pescoço do vice.

 

Confirmando-se os prognósticos, Paulo Octávio passaria de governador interino a efetivo.

 

E o GDF continuaria submetido a um personagem cujos calcanhares são igualmente assediados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

 

Assim, o quadro que motivou o pedido de intervenção do procurador-geral da República Roberto Gurgel trocaria de moldura. Porém...

 

Porém, a pintura permaneceria praticamente inalterada.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h41

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Para salvar cargo, interino do DF acena com reforma

Em público, Paulo Octávio fala em ‘renunciar’ ao governo

Em privado, governador em exercício arma plano do ‘fico’

A Lula, pedirá apoio contra pedido de intervenção federal

Ao DEM, pediu tempo e votos contra  pedido de  expulsão

Ao Legislativo local, pede arquivamento de impeachment

 

  Fotos: Alan Marques e Lula Marques
O Paulo Octávio que se move nos subterrâneos de Brasília é diferente do Paulo Octávio que, em público, admite a hipótese de renunciar.

 

No exercício do governo do Distrito Federal há seis dias, desde que o titular José Roberto Arruda foi à prisão, Paulo Octávio pegou em lanças.

 

Tenta pôr em pé uma estratégia de sobrevivência. Luta contra um lote de vocábulos de desinência comum e som aumentativo: “ao”.

 

No STF, tramita o pedido de intervenção. Na Câmara Legislativa, correm os processos de cassação...

 

...No DEM, avizinha-se o pedido de expulsão. Na Polícia Federal e no Ministério Público, evolui a investigação.

 

Como rima, o “ão” é paupérrimo. Até os repentistas populares fogem dele, para não dar prova de falta de imaginação.

 

Aplicada à cena de Brasília, além de arrastar os destinos políticos da cidade para o feio eco em ão, a terminação ganha contornos de problemão. De difícil solução.

 

Abaixo, um resumo da estratégia concebida por Paulo Octávio para tentar fugir à maldição:

 

1. Intervenção: A assessoria do governador interino informa que ele terá encontro com Lula nesta quarta (17).

 

Paulo Octávio vai ao presidente para pedir apoio contra o pedido de intervenção federal no DF.

 

Para não parecer que advoga em causa própria, fará a defesa do respeito à linha sucessória legal.

 

Uma maneira de acentuar que, ainda que deixe o cargo, o governo deve ser entregue ao presidente da Câmara ou do Tribunal de Justiça, não a um interventor.

 

Curiosamente, o Planalto esquivou-se de acomodar a encrenca de Brasília na agenda oficial de Lula. Anota cinco compromissos. Em nenhum há o nome de Paulo Octávio.

 

Nesta Quarta-feira de Cinzas, o expediente do presidente começa com despachos internos, às 15h15. E termina com uma reunião sobre o PAC 2, às 17h.

 

Um auxiliar de Lula informou ao repórter que Paulo Octácio pode ser recebido em audiência “extra-agenda”. Mas o presidente tem pouco a oferecer.

 

Lula dirá que a intervenção no DF não depende dele, mas do STF, onde corre o pedido feito pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel.

 

2. Cassação: Contra os pedidos de impeachment que correm contra ele na Câmara Legislativa do DF, Paulo Octávio tenta reunir os cacos da base governista.

 

Reservadamente, esgrime o argumento de que, afastando-o do cargo, o Legislativo jogaria água no moinho da intervenção. Algo que não serve aos interesses da bancada do panetone.

 

O blog ouviu dois náufragos do governismo –um deputado do PMDB; outro do DEM. Disseram: o impeachment de Arruda é, hoje, mais provável que o de Paulo Octávio.

 

3. Expulsão: Nesta terça (16), Paulo Octávio deslocou-se de Brasília para Goiânia. Foi ao encontro do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

 

Demóstenes lidera, junto com o deputado Ronaldo Caiado (GO), o pedaço do DEM que deseja expulsar Paulo Octávio do partido.

 

Na conversa, o governador interino disse a Demóstenes que o apoio da legenda é essencial para que consiga manter um mínimo de “governabilidade” no DF.

 

O senador não se deu por achado. Reiterou a Paulo Octávio que vai mesmo protocolar o pedido de expulsão na próxima semana.

 

Ante a intransigência de Demóstenes, Paulo Octávio pediu socorro à direção do DEM. Tenta evitar que o expurgo seja aprovado. Pediu tempo.

 

Prometeu mostrar serviço. Acenou com uma operação “limpeza”. Planeja trocar o secretariado que herdou de Arruda. Levaria para o GDF nomes de peso.

 

Citou um exemplo: Carlos Veloso, ex-ministro do STF. O repórter apurou que Veloso, de fato, foi convidado. O diabo é que o nomão disse “não” a Paulo Octávio.

 

4. Investigação: Alvo do mesmo inquérito que carbonizou Arruda, Paulo Octávio se esforço para tomar distância do escândalo.

 

Alega que, diferentemente do titular, não apareceu em vídeo apalpando maços de dinheiro. Diz que nem provou do panetone nem participou de coletas de propinas.

 

A PF e o Ministério Público estão convencidos do contrário. Marcelo Carvalho, executivo do grupo empresarial de Paulo Octávio, aparece nos vídeos.

 

De resto, o governador em exercício é protagonista de um segundo inquérito. Resultado de uma operação batizada pela PF de Tucunaré.

 

Nasceu de grampos telefônicos, que desaguaram na suspeita de envio de dinheiro de má origem para contas no exterior. A PF atribui as contas a Paulo Octávio, que nega.

 

Promotor licenciado, o senador Demostenes Torres afirma, em privado, que Paulo Octávio pode ter o mesmo destino de Arruda: a prisão.

 

Daí o pedido de expulsão, que chega, segundo ele, com atraso, após inmcompreensível hesitação. Será aprovado? Talvez não.

 

Mas Demóstenes não abre mão de argumentar na Executiva: ou o DEM se livra de Paulo Octávio ou gruda na sua logomarca, em definitivo, a pecha do mensalão, igualando-se ao PT em perversão.

Escrito por Josias de Souza às 04h31

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Unidos da Tijuca ganha seu 4º Estandarte em seis anos

 

- Folha: Copa no Brasil em 2014 já custa mais que África-2010

 

- Estadão: Câmara do DF cassará 3 para evitar intervenção

 

- JB: Tijuca, Poretela e Vila podem sonhar

 

- Correio: Mais perto da cassação

 

- Valor: Dívida cai e campo ensaia novo ciclo de investimento

 

- Jornal do Commercio: Que venha o Batata

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

 

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Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Quarta de Cinzas!

Aroeira

Jornal O Sul, via sítio 'A Charge'.

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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A penúltima de Chávez: nacionalização por ‘capricho’

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Dilma vive caso machadiano com Cabral e Garotinho

  Alan Marques/Folha
Antes de mais nada, é preciso pedir desculpas a Machado de Assis. Vai-se cometer abaixo a heresia de misturar Dom Casmurro à política.

 

Eis o que se deseja realçar: Dilma ‘Capitu’ Rousseff divide suas atenções, no Rio, entre Sérgio ‘Bentinho’ Cabral e Anthony ‘Escobar’ Garotinho.

 

Em vias de celebrar um casamento político com Cabral, Dilma promove escondidos entendimentos com Garotinho.

 

Bentinho Cabral tomou-se de doentio ciúme ao saber que, dias atrás, Dilma Capitu reunira-se com Escobar Garotinho.

 

Na noite de domingo (14), ao receber a presidenciável do PT no sambódromo, o governador do Rio rogou por exclusividade.

 

"Disse para ela o que eu penso”, contaria depois aos repórteres o Bentinho pemedebê.

 

“Acho que quando você tem dois palanques de oposição pode dar problema. Quando são dois de situação é difirente. Aqui essa equação não fecha".

 

A frase de Cabral desnuda a alcova eleitoral que se montou no Rio. Garotinho se imiscui na cena com assanhada desenvoltura.

 

O Escobar fluminense trocou o PMDB pelo PR. No Estado, fustiga Cabral, com quem medirá forças nas urnas de 2010.

 

Em Brasília, Garotinho é Lula desde molequinho. Por isso, arrasta a asa para Dilma. Quer levá-la para o seu palanque.

 

Da obra de Machado resultou uma polêmica: teria Capitu traído Bentinho com Escobar?

 

Do rififi eleitoral emerge um enigma análogo: estaria Dilma Capitu cometendo adultério político ao juntar-se a Bentinho Cabral e, simultaneamente, achegar-se a Escobar Garotinho?

 

O tônico servido a Dilma pelas pesquisas eleitorais mais recentes a tornaram dona de atrativos até então insuspeitados.

 

É como se a candidata tivesse ganhado os mesmos olhos de ressaca da Capitu de Dom Casmurro.

 

Servindo-se de uma “retórica dos namorados”, Machado encontrou uma “comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu”.

 

“Olhos de ressaca?”, perguntou o escritor, na pele de Bentinho. “Vá, de ressaca”, convenceu-se. Por que de ressaca? “É o que me dá idéia daquela feição nova...”

 

“...Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca”.

 

Para Lula e o PT, o súbito poder de sedução dessa Dilma ascendente vai tragar, em várias praças, apoios em duplicidade.

 

Para desassossego de Bentinho Cabral, não parece haver nos arredores de Dilma Capitu interesse em refugar o assédio dos múltiplos Escobares.

 

- Serviço: A quem interessar possa, é possível baixar o livro de Machado para o computador. Está disponível aqui.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h54

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Expulsão de Paulo Octávio do DEM será pedida na 3ª

Wilson Dias/ABr

 

Ameaçado de impechment no Legislativo e de intervenção federal no STF, Paulo Octávio (DEM) ganhou um problema novo.

 

O deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres, ambos do DEM de Goiás, formalizarão o pedido de expulsão de Paulo Octávio do partido.

 

A petição será levada à próxima reunião da Executiva nacional do DEM. Ocorreria nesta quinta (18). Mas foi adiada para terça (23) da semana que vem.

 

“Além da expulsão do Paulo Octávio, vamos requerer a destituição do diretório do DEM no DF”, disse Caiado, em entrevista ao blog.

 

A providência pode chegar tarde. No comando do governo do DF desde que José Roberto Arruda foi preso, Paulo Octávio administra o imponderável.

 

Investigado no mesmo inquérito que levou Arruda à ruína política, Paulo Octávio passou a considerar a hipótese de renunciar ao cargo.

 

Com ou sem renúncia, Caiado afirmou, a expulsão “será solicitada de qualquer jeito”. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- O pedido de expulsão de Paulo Octávio será formalizado?

Sem nenhuma dúvida. A expulsão dele será efetivamente solicitada. Não tem mais rodeios. Chega.

- O que os levou a essa posição?

Nós não podemos mais ficar sangrando. Não dá mais.

- Quando será apresentado o pedido?

No primeiro momento em que a Executiva do partido se reunir. Seria nesta semana. Mas foi adiado para a próxima terça-feira. Avaiou-se que, na volta do Carnaval, poderia não haver quórum.

- O pedido já foi redigido?

Não há dificuldades para redigir. Já tínhamos elaborado o do Arruda. Não muda grande coisa –nem nos fatos motivadores nem na justificativa.

- Além do sr. e do senador Demóstenes Torres, alguém mais vai subscrever?

Não deixaremos de ouvir os demais integrantes da Executiva. Mas o pedido será formulado de qualquer maneira.

- Acha que Paulo Octávio solicitar o desligamento do partido antes de ser expulso, como fez Arruda?

Acho que pode. Não creio que haja no partido muita gente disposta a pagar essa fatura política. E ele sabe disso.

- Acredita que a Executiva aprova a expulsão?

Creio que sim. Ou encaremos o problema com a responsabilidade que ele exige ou vamos acabar tomando o caminho que o PT tomou no mensalão, salvando todos, fazendo ouvidos moucos para tudo e aderindo ao faz-de-conta. Ou agimos ou vamos ter lidar com a meia verdade, a meia gravidez, coisas que não existem.

- Acha que o DEM errou ao não incluir Paulo Octávio no mesmo processo que levou à escusão de Arruda dos quadros da legenda?

Deveríamos pelo menos ter destituído o diretório de Brasília, presidido pelo Paulo Octávio. E tínhamos de ter exigido, antes da prisão do Arruda, que todos os filiados do partido se desligassem do governo do DF. Não ter tomado essas providências foi um erro.

- Já conversou com o presidente do DEM, Rodrigo Maia?

Ainda não. A última vez que falei com ele foi no dia em que o Arruda foi preso [quinta-feira da semana passada].

- Acha que ele pode se opor ao pedido de expulsão de Paulo Octávio.

Não creio.

- De onde vem a convicção?

Depois que o Arruda foi preso, o partido exigiu que todos os filiados se desvinculem do governo. De repente, o governador, que assumiu o governo por ser o vice, é do DEM. Como podemos conviver com essa situação? Se decidíssemos que ele pode, então todos os demais também poderiam. Não dá. É Absurdo. Seria um tiro n’água.

- E se Paulo Octávio renunciar ao governo?

A expulsão dele será solicitada de qualquer jeito. Além da expulsão do Paulo Octávio, vamos requerer a destituição de todo o diretório do DEM no DF. As medidas que adotamos até agora foram paliativas. Não resolveram o problema integralmente. Temos que curar essa ferida. E não haverá cura enquanto não interrompermos a novela.

- Para ficar claro: qual será o teor da petição à Executiva?

Ponto um: dissolve o diretório de Brasília e desliga todos do governo. Ponto dois: a exclusão do Paulo Octávio dos quadros do partido. Para mim, a eventual renúncia dele ao governo não resolve mais. Ou expulsamos ou seremos todos arrastados para capítulos sucessivos de um enredo que se desenrola em Brasília e que não é nosso. A cada novo desdobramento, vem a menção ao mensalão do DEM. Passou da hora de darmos um basta. O Paulo Octávio não deveria nem ter assumido o governo. E já deveria ter renunciado ao comando do diretório do DF.

- Receia pelos efeitos eleitorais do caso de Brasília?

É evidente que não podemos esquecer que estamos em ano eleitoral. Até por isso, temos que nos diferenciar, tomando medidas duras. Nessa matéria, o DEM não pode fazer o jogo do mais ou menos, como o PT fez. Do contrário, ficaremos eternamente no mundo do faz-de-conta. Esse jogo não pode acabar em empate. Pelo que escuto no partido, a maioria já não suporta o prolongamento da novela.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h46

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Cúpula do DEM teme que Arruda abra a boca e o baú

José Cruz/ABr

 

A informação de que o STJ estava prestes a decretar a prisão de José Roberto Arruda chegou à cúpula do DEM na véspera, com antecedência de quase 24 horas.

 

Alertados, integrantes da Executiva do partido analisaram em segredo os efeitos do terremoto brasiliense sobre a sigla.

 

No centro da encrenca estava Paulo Octávio, um filiado que o DEM evitara lançar ao mar em dezembro do ano passado, quando o panetonegate explodira.

 

A iminência da prisão de Arruda reacendeu uma divisão que eletrifica os subterrâneos do DEM. A tribo ‘demo’ está cindida em dois grupos.

 

De um lado, a turma do “mata-e-esfola”. Do outro, a ala do “deixa-como-tá-pra-ver-como-é-que-fica”.

 

Foram à mesa algumas propostas. Entre elas a dissolução do diretório do DEM-DF e o desembarque coletivo dos filiados da legenda dos quadros do GDF.

 

Um dos participantes das conversas contou ao repórter uma passagem emblemática.

 

A certa altura, um dirigente do DEM disse que, antes de tomar qualquer providência, conviria ouvir o vice-governador Paulo Octávio, mandachuva da legenda no DF.

 

Abespinhado, um senador interveio: “Você não está entendendo. O Paulo Octávio tem que ser expulso do partido”.

 

Lero vai, lero vem o DEM optou por administrar a crise a golpes de barriga. No dia seguinte, quinta-feira (11) da semana passada, sobreveio a prisão de Arruda.

 

E o vice Paulo Octávio foi à cadeira de governador. Reacendeu-se o incêndio que o DEM imaginara ter apagado em dezembro, no alvorecer do escândalo.

 

O DEM tenta apregoar a lorota de que lida com o seu mensalão com um rigor que o PT não foi capaz de imprimir ao mensalão dele. Porém...

 

Porém, a firmeza do DEM tem a consistência de um pote de gelatina. Mesmo a exclusão de Arruda foi às manchetes com a forma de uma pseudoexpulsão.

 

A Executiva do partido deu tempo a Arruda para recorrer ao Judiciário. Malogrado o recurso, o DEM deu prazo ao governador para se desfiliar, antecipando-se ao vexame da expulsão.

 

De resto, a cúpula do DEM decidiu fingir que Paulo Octávio estava limpo. Uma ilusão que se desfaz nos desvãos do inquérito do panetonegate.

 

Para complicar, em pleno recesso do Congresso, o diretório brasiliense do DEM, comandado por Paulo Octávio, saiu-se com uma nota de apoio ao pseudoexpulso Arruda.

 

Liderada por Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado, a turma do “mata-e-esfola” voltou à carga.

 

Acenou-se com a hipótese de dissolução do diretório de Brasília e abertura de processo contra Paulo Octávio. Sob o barulho, vicejou, de novo, a inação.

 

Como explicar? Simples: o pedaço do DEM adepto à tese do “deixa-como-tá-pra-ver-como-é-que-fica” lida com a crise movida pelo medo.

 

Medo de que Arruda, agora hospedado no PF’s Inn, resolva abrir a boca e o baú que armazena os segredos financeiros do DEM.

 

Único governador eleito pela legenda em 2006, Arruda tornou-se um grande provedor do DEM.

 

No pleito municipal de 2008, a máquina ‘demo’ de Brasília borrifou verbas nas arcas de comitês de campanha instalados em várias partes do país.

 

Arruda ajudou a forrar, por exemplo, o caixa de campanha de Gilberto Kassab, o prefeito ‘demo’ reeleito em São Paulo.

 

A direção do partido alega que todo dinheiro vindo de empresas fornecedoras do GDF ingressou nos livros do DEM pela porta da frente, mediante recibo.

 

A turma de Arruda insinua que a coisa não foi bem assim. Uma parte do dinheiro teria transitado por baixo da mesa. As hesitações da direção do DEM tonificam as suspeitas.

 

Paira no ar a impressão de que, se resolver destravar os dois ‘Bs’ que lhe restam (boca e baú), Arruda pode produzir um novo escândalo, tão devastador quanto o primeiro.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h41

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Do Éden ao paraíso fiscal

 

- Folha: Para Dilma, Estado deve ser também 'empresário'

 

- Estadão: Irã vai virar ditadura militar, dizem EUA

 

- JB: Sapucaí vira o paraíso

 

- Correio: Bolsa, cueca, meia, oração... E eles ficarão impunes?

 

- Jornal do Commercio: É pura fantasia

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

 

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Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Esse ano não vai ser igual àquele que passou!

Paulo Caruso

Via JB Online.

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Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Decisão do STF sobre Arruda só sai no final de março

Preso há seis dias, José Roberto Arruda não deve ganhar o meio-fio tão cedo.

 

A decisão final do STF sobre o pedido de habeas curpus do governador vai demorar para sair.

 

Indeferido pelo ministro Marco Aurélio Mello em decisão liminar (provisória), o recurso de Arruda terá de ser julgado pelo Supremo em termos definitivos.

 

Estima-se no tribunal que o martelo não deve ser batido antes do final de março. Senhor do processo, Marco Aurélio pretende seguir à risca todo o rito.

 

Os advogados de Arruda disseram, em entrevistas, que a palavra final sobre o habeas corpus seria proferida pelo pleno do STF, integrado por 11 ministros.

 

Não é bem assim. Marco Aurélio decidiu submeter o caso não ao plenário, mas à 1ª turma do STF. Um colegiado menor –cinco ministros.

 

Além do próprio Marco Aurélio, integram a turma: Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

 

A depender da vontade do ministro relator, o assunto será enterrado ali mesmo, na 1ª turma. Não são negligenciáveis as chances de a prisão de Arruda ser mantida.

 

A encrenca só vai escalar o plenário do Supremo se um dos colegas de turma de Marco Aurélio solicitar.

 

Vigora no STF uma praxe: havendo o pedido de um ministro para que determinado tema seja levado ao plenário, os outros membros da turma concordam.

 

Não há prazo para a deliberação do tribunal. Antes que o habeas corpus seja levado a julgamento, é preciso aguardar pela manifestação do Ministério Público.

 

Marco Aurélio indeferiu a liminar solicitada pelos defensores de Arruda na última sexta-feira (12).

 

Depois, determinou que o processo descesse às mãos do procurador-geral da República Roberto Gurgel, para que ele se manifeste.

 

A audição da Procuradoria é outra praxe. Só depois de receber a resposta do procurador o ministro vai escolher uma data para o julgamento.

 

O conteúdo da manifestação do procurador-geral é conhecido de antemão.

 

Signatário do pedido de prisão do governador do DF, o chefe do Ministério Público vai, obviamente, reforçar a posição de Marco Aurélio.

 

Roberto Gurgel defenderá no STF a tese de que Arruda deve ficar em cana até que cessem os riscos de ele interferir no curso das investigações, obstruindo-as.

 

Um detalhe joga água no moinho da procrastinação:

 

Depois que Marco Aurélio rejeitou o habeas corpus, o procurador-geral não tem razões atropelar o calendário. Quanto mais demorar, pior para Arruda.

 

Os advogados de Arruda poderiam recorrer contra a decisão de Marco Aurélio. Preferiram não fazê-lo, contudo. Disseram que vão aguardar o pronunciamento do Supremo.

 

Devem amargar uma espera mais longa do que gostariam.

 

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Escrito por Josias de Souza às 00h34

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No Espírito Santo, o DEM cogita aliar-se a PMDB e PT

El Roto/El Pais

 

Aliado do PSDB de José Serra no plano nacional, o DEM costura no Espírito Santo uma parceria com PMDB e PT, pilares da candidatura de Dilma Rousseff.

 

Os ‘demos’ capixabas flertam com o apoio à candidatura de Ricardo Ferraço (PMDB) ao governo do Estado.

 

Ferraço é, hoje, vice-governador do Espírito Santo. Vai às urnas escorado no prestígio do governador Paulo Hartung (PMDB).

 

O petismo local foi convidado a indicar o candidato a vice da chapa de Ferraço.

 

Assim, confirmando-se todos os arranjos, vai-se formar a curiosa aliança PMDB-PT-DEM.

 

Em notícia veiculada nesta segunda (15), o repórter Felipe Quintino informa que a atração de aliados tornou-se um desafio para o PSDB do Espírito Santo.

 

Chama-se Luiz Paulo Vellozo Lucas o candidato do tucanato ao governo estadual. É deputado federal, amigo do presidenciável José Serra.

 

Arrastar o DEM para dentro da coligação tucana tornou-se, entre todos, o principal desafio de Vellozo Lucas.

 

Pela lógica, o movimento seria natural, já que, na seara nacional, o DEM é o principal parceiro da candidatura presidencial do tucano Serra.

 

Mas Vellozo Lucas enfrenta uma emboscada do ilógico. Ouça-se o que diz o secretário-geral do diretório do DEM-ES, vereador Max Mata:

 

“Não podemos colocar as questões nacionais à frente das locais”.

 

Max Mata argumenta que, ligando-se à candidatura pemedebê de Ricardo Ferraço, o DEM tonifica suas chances na disputa de 2010.

 

Passaria a sonhar com a eleição de pelo menos um deputado federal para representar o Estado na Câmara, em Brasília.

 

Como se vê, os interesses regionais podem aproximar nos Estados forças que, em Brasília, parecem irreconciliáveis.

 

No fundo, PT e DEM padecem de males semelhantes. O mal do DEM é o excesso de cabeças associado à escassez de miolos.

 

O PT padece da mesma insuficiência de massa encefálica, mas com uma cabeça só, a de Lula.

 

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Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Deputados pró-Arruda retiram o patriotismo do bolso

Até uma semana atrás, se fosse intimada a optar entre Arruda e a opinião pública, a maioria dos deputados distritais de Brasília responderia: “Morra a opinião pública”.

 

Hoje, Arruda em cana, os aliados do governador começam a olhar em volta. A desvastação faz com que fiquem cansados da própria solidariedade.

 

Depois de 80 dias de embromação, a Câmara Legislativa do DF vai pôr para andar os três processos de impeachment que correm contra Arruda.

 

Já nesta quinta (18), os processos serão votados na Comissão de Justiça. O deputado-relator se chama Batista das Cooperativas (PRP).

 

Até bem pouco, Batista não fazia senão cooperar com Arruda. Agora, avisa que vai votar a favor da degola do ex-amigo.

 

Na última sexta (12), depois de sondar o terreno na Câmara, o secretário de Transportes do DF, Alberto Fraga, foi a Arruda.

 

Avisou-o acerca da debandada. "Os deputados disseram que precisam dar uma resposta à sociedade", diz Fraga.

 

Desde 2007, ano em que assumira o governo, os amigos de Arruda não saíam do lado dele. Sabiam como é terrível a solidão do poder.

 

Súbito, recuperam o "patriotismo" que tinham guardado no bolso. Sabem que o pior tipo de solidão é a companhia de um governante micado.

 

Ao se olhar no espelho, os ex-amigos só enxergam pescoço. A PF e o Ministério Público já apertam oito gargantas. Dispõem de corda para mais.

 

Devagarinho, Arruda vai se dando conta de que são mesmo implacáveis os desígnios do poder. Quando alimentado à base de panetone$, ele só se mantém à base de panetone$.

 

Arruda fez o pior o melhor que pôde. De erro em erro, sem perceber, atingiu o poder máximo da impotência.

 

Assessores e advogados do governador juram que Arruda não pensa em renunciar. Significa dizer que o governador nunca esteve tão próximo da renúncia.

 

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Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Serra converte microblog numa ‘vitrine’ carnavalesca

Nas últimas 48 horas, o microblog de José Serra foi convertido em vitrine da maratona carnavalesca do governador.

 

O presidenciável tucano, que se diz um não-candidato, cruzara a semana atormentado por um pseudodilema.

 

Dizia hesitar entre a atenção aos alagados e os convites para sacudir a não-candidatura no Carnaval de Recife, Salvador e Rio.

 

Se chovesse, Serra afirmava, não arredaria o pé de São Paulo. Em algumas localidades, choveu. Porém...

 

Porém, a água não caiu em quantidade suficiente para afogar o candidato que se esconde dentro do governador.

 

Na madrugada de domingo, Serra começou a expor aos seus “seguidores” no twitter os resultados da opção que fizera.

 

Escreveu: “Folga de Carnaval. Estou em Salvador. Mais cedo, acompanhei o Circuito Barra-Ondina, no camarote da Daniela Mercury”.

 

Como que preocupado em não melindrar o eleitor de seu Estado, Serra informou sobre o compromisso da véspera:

 

“Ontem à noite, em São Paulo, assisti ao primeiro dia do desfile das escolas. Saí de lá direto para Recife”.

 

Na capital pernambucana, foi “ver o Galo da Madrugada”. Em verdade, mais do que ver, o não-candidato queria ser visto:

 

“Estava no camarote do bloco, mas não resisti e desci pra avenida”, anotou Serra no microblog. Teve o cuidado de prover o link para um vídeo.

 

Extraídas por Serra do blog do repórter Jamildo, as imagens mostram a calva do não-candidato, luzidia, movendo-se no meio dos foliões (assista lá no alto).

 

Um leitor perguntou a Serra se mesmo ao Carnaval do Rio. E ele: “Ainda não decidi”. A etapa de Salvador mal começara: “Vou dormir agora ..., daqui a pouco tem mais”.

 

Na madrugada desta segunda, Serra voltou ao computador. Discorreu sobre o “perigo” a que foi exposto: “Quase caio mesmo na pegadinha do Rebolation”.

 

Tentou dançar?, um curioso perguntou. E o não-candidato: “Sou tímido e não me atreveria”.

 

A passagem pela capital baiana rendeu a Serra um segundo vídeo, que o “tímido” governador fez questão de realçar:

 

“Desta vez, fui zoado (by meu neto...) pela Ivete Sangalo, que me mandou tomar energético pra não perder o pique”. Serra remete os seguidores para a fita.

 

Para desassossego do não-candidato da oposição, Ivete Sangalo, versada nas artes da política, zoaria também a candidatíssima do governo.

 

“Vai buscar Dilminha”, entoaria Ivete, substituindo, na abertura da canção, a “Dalila” da letra original pelo nome da rival de Serra.

 

Esse pedaço da performance de Ivete, que Serra, obviamente, não levou ao twitter, foi à rede no sítio “O Recôncavo” (assista lá no rodapé).

 

De Salvador, Serra retornou para São Paulo. Diferentemente de Dilma, privou-se de esticar a aventura até o Rio. Perdeu o samba da rival com um gari.

 

Ao se despedir, Serra deixou sua platéia virtual em boa companhia: “Deixo a vocês esta maravilha: Foi um rio que passou em minha vida, Paulinho da Viola”.

 

A súbita conversão do “tímido” governador às extroversões do Carnaval indicam que Serra se lançou, agora de modo mais desabrido, à correnteza da sucessão.

 

O tucanato aposta: o governador está na bica de rever aquele plano de esperar pelo término das águas de março para, só então, emergir sem a máscara de não-candidato que usou no Carnaval.

 

Resta saber como o Tietê, rio que passa pela candidatura de Serra, inundando-a, vai se comportar nas próximas semanas.

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Escrito por Josias de Souza às 07h25

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Sob Arruda, fisiologia teve esmero do registro em ata

Fábio Pozzebom/ABr

 

As investigações da PF e da Procuradoria conferiram à gestão José Roberto Arruda a aparência de um sistema que gira em torno de verbas e privilégios.

 

Verbas para o próprio governador, auxiliares dele, e deputados que se dispuseram a vender as consciências.

 

Privilégios para as empresas que toparam retirar de suas caixas registradoras o dinheiro que abasteceu a folia subterrânea de Brasília.

 

À medida que a apuração avança, vai-se iluminando outro flagelo: o fisiologismo. O rateio de cargos completa o tripé de perversões em que se escorou Arruda.

 

Em discursos e comerciais televisivos, Arruda se vendia como um gestor moderno. Na prática cotidiana da gestão, entregava-se ao arcaísmo.

 

Documentos apreendidos pela PF na casa de um amigo e ex-assessor de Arruda mostram que o o governador fatiou entre amigos e aliados rateio 4.463 cargos.

 

São cargos de confiança, nomeados politicamente, sem concurso. A prática é comum. Está presente no governo federal e eem outras gestões estaduais e municipais.

 

Sob Arruda, porém, o fisiologismo ganhou um requinte: definidos em reunião da qual participou o próprio governador, os critérios da partilha foram assentados em ata.

 

Deu-se em 2007, no alvorecer da “nova” administração. Tudo registrado em dois documentos recolhidos pela PF numa batida policial.

 

Encontravam-se na casa de Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda, apeado do cargo depois da implosão do esquema dos panetone$.

 

Um dos papéis anota no título: “Sugestão do grupo especial, encarregado de controlar as nomeações no GDF”.

 

Mais adiante, o documento explica, em linguagem clara como água de bica, a razão do rateio: “Diminuir a pressão sobre o senhor governador”.

 

De acordo com os papéis manuseados pela PF, cada secretário do governo Arruda pôde preencher 20 cargos. Juntos, nomearam 320 pessoas.

 

Aos 21 presidentes de empresas vinculadas ao GDF, dez nomeações por cabeça –total de 210 cargos.

 

Os papéis atribuem a um time seleto –“Os 23 amigos do grupo JRA”— a primazia na indicação de apaniguados para 690 cargos de “confiança”.

 

“JRA” são as iniciais de José Roberto Arruda. Entre os “amigos” da sigla, o próprio Lamoglia; Omézio Pires, assessor de imprensa do governador...

 

...E o deputado Alberto Fraga (DEM), hoje secretário de Transportes. Para cada um deles, foram reservados 30 cargos.

 

Fica-se com a impressão de que, na gestão Arruda, o fisiologismo não é parte do sistema. É o próprio sistema.

 

Tão integrado ao cenário da Brasília do governador preso quanto as curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h06

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Com Lula, Dilma ‘inaugura’ fábrica aberta há 9 meses

Joel Silva/Folha

 

Depois de uma maratona carnavalesca iniciada em Recife e encerrada no Rio, ao lado da popstar Madonna, Dilma Rousseff se prepara para retomar a rotina.

 

A ministra-candidata volta ao batente na quarta-feira. Dois dias depois, na sexta (19), vai sacudir as cinzas no Mato Grosso do Sul.

 

Dilma acompanhará Lula numa visita à cidade de Três Lagoas. A tiracolo do cabo-eleitoral, a presidenciável petista participará de uma cerimônia sui generis.

 

Vai “inaugurar” uma fábrica que já funciona desde abril do ano passado. Chama-se Fíbria. Pertence ao Grupo Votorantin. Produz celulose. Emprega 2.000 pessoas.

 

A passagem de Dilma pelo sambódromo carioca foi emoldurada por uma parceria da ministra com o gari Gilson Lopes.

 

Dilma arriscou passes de samba ao lado de Gilson. Apropriando-se da vassoura do “parceiro”, rodopiou à moda de uma porta-bandeira.

 

"Foi bom. Foi gostoso sambar com ela. Ela samba bem", aprovou o gari Gilson, improvisado no papel de mestre-sala da neofoliã.

 

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que acompanhava Dilma, referiu-se a ela como a “primeira presidente mulher do Brasil”.

 

Em Mato Grosso do Sul, Dilma talvez não encontre ambiente tão favorável. O governador André Puccineli, dança em ritmo diferente do de Cabral.

 

Embora pemedebê como o colega do Rio, Puccineli hesita em apoiar Dilma. Candidato à reeleição, ele medirá forças nas urnas de 2010 com o rival Zeca do PT.

 

Dilma cobiça o apoio de Puccinelli. Para atrai-lo, vai ter de rebolar. Depois de flertar com José Serra (PSDB), o governador declara-se adepto da candidatura própria do PMDB.

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h55

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Moinho ameaça sonho da Ilha

 

- Folha: Brasil não pune lavagem de dinheiro, diz relatório

 

- Estadão: Brasileiros têm dívida recorde de R$ 555 bi

 

- JB: Ilha na luta e Imperatriz com fé

 

- Correio: Supremo reprova tese de intervenção

 

- Jornal do Commercio: Enquanto isso...

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

 

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Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Liquidação!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 01h43

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‘Rebolation’ baiano inaugura o embate Dilma X Serra

  Fotos: Mastrângelo Reino/Folha
Depois de injetar política no Carnaval do Galo da Madrugada, em Recife, Dilma e Serra foram medir asfalto em Salvador.

 

Campanha? Não, não. Absolutamente. De jeito nenhum. Imagina!

 

"Não vim aqui por questões políticas. Acho que todos os brasileiros, seja de onde forem, têm todo o direito de vir aqui para aproveitar o carnaval", disse Dilma.

 

"Pelo menos para mim, não tem nada a ver com campanha antecipada", Serra ecoou.

 

Na capital baiana, os dois neofoliões foram submetidos ao ritmo da moda: o rebolation.

 

Para dançar, é preciso ter roldanas na cintura. Os movimentos são, por assim dizer, libidinosos. Mulheres na frente, homens atrás.

 

Tomado pelas últimas pesquisas, Serra continua à frente de Dilma. Mas ela, com um pé no elevador, conta com uma reversão de posições.

 

Enquanto aguardam pela chegada das novas sondagens eleitorais, Serra e Dilma abriram o debate sucessório em torno do rebolation.

 

Candidatos em campanha, como se sabe, são capazes de tudo. Porém, instados a arriscar alguns passos, Serra e Dilma não deram chance ao ridículo.

 

Mas não se deram por achados. Dilma disse que, “se treinar um pouquinho” qualquer um consegue dançar o rebolation.

 

E Serra, entre risos: "Eu não vou arriscar não, pelo menos publicamente. Vou treinar sozinho".

 

Abaixo, imagens do rebolation, na versão da banda Parangolé. Assista. Depois, feche os olhos. E imagine o bailado da dupla de presidenciáveis. Ela na frente. Ele atrás.

 

Os embates televisivos da sucessão só começam depois de julho. Há tempo de sobra para que a dupla amoleça as cadeiras. Vai ser divertido assistir ao skindô, skindô...

Escrito por Josias de Souza às 23h28

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Na letra fria da lei, o Carnaval não é feriado no Brasil

O vídeo acima traz uma entrevista concedida pelo advogado Marthius Sávios ao canal que o STF mantém no Youtube.

 

O doutor Sávios advoga em Brasília. Atua junto aos tribunais superiores. Uma de suas especialidades é o direito trabalhista.

 

Pois bem, o entrevistado do STF informa: Carnaval não é feriado. Por quê? Não há nenhuma lei federal que trate da matéria.

 

Os foliões enforcam a segunda, a terça e metade da quarta por tradição, não por direito. Se quiser, o empregador pode atravessar o samba.

 

Você já deve ter ouvido aquela máxima segundo a qual, no Brasil, há leis que pegam e leis que não pegam.

 

Apareceu pela primeira vez numa crônica de Fernando Sabino: “O Império da Lei”. Consta de um livro de 1962: “A Mulher do Vizinho”.

 

Sabino sempre atribuiu a história das leis que pegam e das que não pegam a outro escritor, mineiro como ele: Otto Lara Resende.

 

Otto desmentiu o amigo numa crônica de 1992: “Às vezes, pega”. Incluiu o texto no livro “Bom Dia para Nascer”.

 

“Lisonjeiro, mas não fui eu”, escreveu Otto. “A história é do Genolino Amado”. E quem diabos era Genolino?

 

Além de amigo de Otto, Genolino era advogado. Trabalhava na prefeitura do Rio. Foi nessa condição que ele indeferira a petição de um munícipe.

 

Contrariado, o demandante protestou. “Mas essa lei eu conheço não é de hoje”. E Genolino: “Não pegou. O senhor não sabia?”

 

Genolino contou a história ao Otto, que a repassou ao Sabino, que a converteu numa crônica, que virou jabuticaba brasileira: leis que pegam, leis que não pegam.

 

Em relação ao Carnaval, deu-se outro tipo de fenômeno: o feriado da folia pegou antes mesmo de virar lei.

 

Nessa matéria, vale outra máxima, do cronista Nelson Rodrigues: “O brasileiro é um feriado”. Não há lei capaz de modificar isso.

Escrito por Josias de Souza às 21h15

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PF apreende recibos do DEM na residência de Arruda

Documentos anotam ‘doações’ de R$ 425 mil ao partido

 

  José Cruz/ABr
A Polícia Federal apreendeu na residência oficial de José Roberto Arruda documentos que estabelecem uma ligação monetária do governador do DF com o DEM.

 

São dois recibos. Os papéis trazem a assinatura do tesoureiro do diretório nacional DEM, ex-deputado Saulo Queiroz.

 

Registram duas “doações” recebidas pelo ex-partido de Arruda de empresas fornecedoras do governo do DF.

 

Somam R$ 425 mil. Desse total, R$ 275 mil vieram da caixa registradora da Construtora Artec. Outros R$ 150 mil foram providos pela Antares Engenharia.

 

As duas folhas foram recolhidas pela PF numa batida feira na residência oficial do governador. Estavam dentro de um armário.

 

O móvel foi varejado num anexo da casa, em sala que era usada por Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda.

 

Lamoglia deixou o cargo depois que seu nome emergiu das investigações do panetonegate.

 

A PF e o Ministério Público investigam o ex-secretário, suspeito de ter arrecadado propinas que abasteceram a caixa de panetone$ de Arruda.

 

Deve-se a revelação da existência dos recibos a uma trinca de repórteres: Filipe Coutinho, Fernanda Oldila e Hudson Corrêa.

 

Em notícia levada às páginas da Folha, os repórteres informam:

 

1. Os recibos com os valores repassados ao DEM foram emitidos em maio de 2009.

 

2. Saulo Queiroz, o tesoureiro da ex-legenda de Arruda, diz que os R$ 425 mil entraram no partido pela porta da frente. Coisa legal, registrada na contabilidade.

 

3. A PF busca resposta para uma pergunta intrigante: por que diabos os recibos do DEM estavam no armário do anexo da casa de Arruda?

 

4. Em casos de doações legais, os recibos são repassados às empresas. Daí a estranheza. Por que estavam guardados no armário da casa de Arruda?

 

5. O próprio tesoureiro Saulo Queiroz disse estar supreso. Segundo ele, os recibos foram entregues às empresas, não ao ex-chefe de gabinete de Arruda.

 

6. Procurada, a firma Antares deu informação que contradiz o tesoureiro Saulo. Disse que não pediu nem lhe foi repassado o recibo dos R$ 150 mil que doou.

 

7. A outra provedora, Artec, associada a um desembolso de R$ 275 mil, não se manifestou.

 

8. As duas empresas mantem contratos com o GDF. A Artec atua em duas frentes: coleta de lixo e obras civis. Sob Arruda, seus ganhos foram tonificados em 41%.

 

9. Desde 2007, quando Arruda assumiu o governo, a Artec recebeu R$ 95 milhões das arcas do DF.

 

10. Desse total, algo como R$ 27 milhões foram pagos depois que a empresa fez a doação ao DEM.

 

11. Chama-se César Lacerda o dono da Artec. É filiado ao PSDB. Disputou, em 2006, uma cadeira de deputado na Câmara Leislativa do DF. Não foi eleito.

 

12. Quanto à Antares, cinco meses depois do repasse de verbas ao DEM, recebeu uma licença prévia do GDF para executar obras.

 

13. A licença foi emitida pelo Instituto Brasília Ambiental, órgão do GDF.

 

14. O Ministério Público apontou irregularidades na liberação das obras confiadas à Antares. E o Tribunal de Justiça do DF cassou a licença em janeiro passado.

 

15. No mês anterior, dezembro de 2008, a deflagração da Operação Caixa de Pandora, da PF, levara ao noticiário os malfeitos do panetonegate.

 

16. Ameaçado de expulsão pelo DEM, Arruda viu-se compelido a pedir a desfiliação da legenda. Sem partido, desistiu de concorrer à reeleição.

 

17. Nas pegadas do escândalo, Arruda disseminou pelos subterrâneos de Brasília a ameaça de arrastar expoentes do DEM para a lama que se formou à sua volta.

 

18. O governador dizia, em privado, que ajudara a financiar campanhas eleitorais do DEM.

 

19. Sem fornecer detalhes, o DEM admite ter recebido doações de empresas fornecedoras do GDF. Mas sustenta que o dinheiro transitou por cima da mesa.

 

20. É nesse contexto que os dois recibos apreendidos pela PF vêm à luz. O tesoureiro Saulo Queiroz decerto vai providenciar a abertura dos livros do DEM.

 

21. Neste sábado (13), munida de mandados expedidos pelo STJ, a PF realizou mais 21 batidas de busca e apreensão em Brasília. Vem mais coisa por aí.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h39

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Evolui na avenida o Carnaval da Unidos do Plebiscito

Paixão

Esqueça Mangueira e Salgueiro. Dê de ombros para Beija-flor e Portela. Não perca o seu tempo com Vila Isabel e Mocidade.

 

A grande sensação do Carnaval de 2010 é o desfile da Escola de Samba Unidos do Plebiscito.

 

Em vez do enredo único, dois. Um par de puxadores divide o carro de som. O presidente-puxador grita:

 

“Olha a continuidade aí, geeeeeeeeeente!. A gente já fez muito. Mas vai fazer muito maisssssssss!”

 

Irrompe na avenida, abrindo o desfile, o carro alegórico do “Redescobrimento”. Uma imensa caravela.

 

No lugar da vela, um bigode de Sarney posicionado na vertical. Grudados no casco da embarcação, várias caras de papelão: Renan, Jucá, Jáder, Collor...

 

No alto do carro, acomodado numa plataforma rotativa, um boneco de Cabral estilizado. Ele acena para as arquibancadas. E os foliões: “Ohhhhhh!”

 

O neo-Cabral é barbudo. Veste um macacão de operário –feito de papel machê marrom e adornado com lantejoulas vermelho-sangue.

 

Acima da cabeça do Cabral pós-pós pisca um letreiro. Reproduz o refrão do samba que o presidente puxador despeja sobre o microfone:

 

“Nunca antes/na história do Brasil/Que os vacilantes/Vão pra ponta do funil”.

 

Girando em volta do carro, sertanejos banguelas aceleram motocas novas em folha. Os faróis piscam. Ao acender, expõem uma inscrição: “Sem IPI”.

 

Vestidos de baianas, mensaleiros com máscaras de Dirceus e Genoinos equilibram sobre a cabeça maquetes de obras do PAC. Hidrelétricas, ferrovias, barragens...

 

Atrás das baianas, a ala dos “coligados”. Pemedebês, pedetês, pecedobês e pepês sambam em círculo. No centro da roda, uma jaula com um boneco Ciro dentro.

 

Súbito, o boneco Cabral abre a bocarra. Salta de dentro dele o torso de uma boneca menor. “Olha a candidata aí, geeeeeente!”, berra o presidente-puxador.

 

Numa das mãos, a boneca-candidata traz um grande cartão de plástico. Traz escrito, em maiúsculas: BOLSA FAMÍLIA.

 

Movimentos mecânicos, a boneca-candidata recolhe no bolso do macacão do boneco Cabral a alegoria de um tucano.

 

Sacode-o. Arranca-lhe o bico. Depena-o, enfurecida. E o presidente-puxador: “Mata, esfola, deita e rola...” A arquibancada, em transe, repete: “Mata, esfola...”

 

Logo atrás, outro carro alegórico gigantesco. Desliza pelo asfalto revestido de notas de Real. Nas laterais, negros fortões com as vergonhas em riste.

 

Estão nus, os falos embrulhados em papel celofane. Erguem os braços, exibem os mísculos, como a realçar o vigor da velha nova moeda.

 

O desfile ganha atmosfera saudosista. Vestido de doutor honoris causa, um mulatinho pé-na-cozinha aciona o gogó:

 

“Olha a volta da estabilidade aí, geeeeeeeeeente!”

 

A essa altura, já familiarizada com o samba-enredo da “continuidade”, a bugrada canta, adaptando a letra:

 

“Nunca antes/na história do Brasil/Que os vacilantes/Vão pra pu...”

 

Voz firme, o mulatinho-puxador não se dá por achado. Ele entoa o novo refrão: “Tucano sim/não urubu/Melhor champanhe/Que cachaça com caju”.

 

Os foliões se animam. Cantam junto. Mas substituem a rima de urubu por um vocábulo menos doce que caju.

 

O multatinho-puxador, refinado, finge que não ouve. E segue na sua toada. No centro do carro do Real, ladeada pelos negões viris, uma grande cabeça calva.

 

A careca começa a rodopiar. Tem olhos de peixe morto, o olheiras tingidas de carvão. Não traz nenhuma identificação. É o não-candidato, todos imaginam.

 

O tampo da careca se abre repentinamente. Saltam de dentro dela índios pelados falando ao celular, mendigos sorvendo iogurte, operários devorando frangos...

 

No asfalto, tentando sambar, uma ala de economistas engomadinhos. Sacodem diplomas da USP, canudos da PUC do Rio, certificados de Harvard.

 

Mais atrás, na ala do “quanto pior, dezenas de figurantes. Estão fantasiados de esquerda raivosa. Carregam a alegoria de um grande pênis.

 

Traz duas letras ponta: PT. Os figurantes avançam em direção aos economistas engomados. Depois, recuam. Avançam. E recuam...

 

De acordo com a programação, o desfile seria encerrado com um carro batizado de “Alternativa”.  Um locutor avisa pelo alto-falante:

 

“Senhoras e senhores, a ala passadista da Unidos do Plebiscito manda avisar que não deu tempo de terminar o último carro. Assim, não teremos a prometida Alternativa”.

 

- Em tempo: Ilustração via Gazeta do Povo.

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Escrito por Josias de Souza às 03h47

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Políticos dão ao Carnaval ares de ‘Quarta de Cinzas’

Fotos: Moacyr Lopes Jr./Folha

 

No Carnaval, a política não tem função, exceto como matéria-prima para críticas.

 

Mas Serra, Dilma e Ciro resolveram se converter em foliões fora de época.

 

Os presidenciáveis foram distribuir sorrisos e acenos na passagem do Galo da Madrugada.

 

Um megabloco que arrasta pelas ruas de Recife algo como 1,5 milhão de pessoas.

 

É gente interessada em pular, namorar, beber cerveja e esquecer da vida. Ninguém vai ao asfalto para ver cara de candidato.

 

Mas o ano é de eleição, a rua é livre e os candidatos, embora ruins da cabeça e doentes do pé, fingem que gostam de samba. Ou de frevo.

 

Serra levou à capital pernambucana sua fantasia preferida. A fantasia de não-candidato: "Eu não vim fazer política. Vim participar da folia".

 

O presidenciável tucano escalou o camarote oficial do Galo da Madrugada, uma instituição do carnaval pernambucano.

 

Estava acompanhado das principais lideranças da oposição no Estado. Entre elas o grão-tucano Sérgio Guerra e o pemedebê dissidente Jarbas Vasconcelos.

 

No caminho até o camarote, grupos de foliões gaiatos gritaram o nome de Dilma. “Não ouvi nada”, diria Serra mais tarde.

 

Na chegada, um incidente: atrás de Serra, Raul Jungmann (PPS) sentiu uma fisgada no bolso. Era a mão de um punguista no celular do deputado.

 

No ano passado, ao prestigiar a parada gay de Recife, Jungmann já tivera um telefone furtado. Dessa vez, mais safo, logrou imobilizar o ladrão.

 

A despeito do incidente, Serra animou-se a descer do camarote. Percorreu algo como 150 metros de foliões.

 

Escoltado por seguranças e seguido por Jarbas, Serra roçou cotovelos com a bugrada por cerca de 20 minutos.

 

Vencidas as duas dezenas de minutos de empurra-empurra, Serra tomou chá de sumiço. A turma que o acompanhava sentiu falta dele.

 

Só mais tarde os partidários de Serra desdobriram que o candidato preferira exilar-se no camarote da TV Globo. Mais confortável, com ar condicionado.

 

Ao tomar conhecimento da aventura carnavalesca de Serra, a quem costuma chamar de “o coiso”, Ciro Gomes sambou sobre a reputação do rival:

 

Disse que "é mais fácil boi voar” do que Serra estabelcer com o povo nordestino uma relação de empati