Uma delegação pluripartidária bateu à porta de sua casa no meio da noite.
Lideranças do PT, PSDB, PMDB e DEM haviam lançado o nome do repórter como presidenciável de união nacional.
Uma solução apartidária, concebida para evitar que a nação se dividisse num encarniçado plebiscito –a era Lula X o período FHC.
Àquela altura, Serra e Dilma, informados da novidade, já haviam retirado suas candidaturas.
O repórter ensaiou resistência: Por que eu? Os emissários não se deram por achados: Ora, você não critica todo mundo? Não diz que está tudo errado? Pois então...
Tudo transcorreu no tempo do sonho, que não costuma respeitar as fronteiras do calendário gregoriano.
Pela manhã, uma multidão já se aglomerava defronte da casa. Da janela, o repórter dirigiu uma primeira conclamação ao povo: “Não destruam o meu jardim!”
Estava consumada a candidatura compulsória. Não sem uma exigência: liberdade para escolher o vice e compor a equipe ministerial.
Eleito em votação consagradora, o repórter manteve os ministros de Lula. Só pelo prazer de demiti-los depois da posse. Primeiro o Mantega. Depois o resto.
Recebida a faixa presidencial das mãos de Lula, consumadas as nomemações –seguidas da exoneração coletiva—, veio o discurso de posse.
O repórter prometeu sangue novo, suor morigerado e lágrimas de felicidade. Uma onda venturosa como nunca antes fora visto na história desse país.
À noitinha, tudo encaminhado, hora de partir para a primeira viagem internacional. Um mês pela Europa, que o presidente não é de ferro.
Ao pé da escada do AeroSouza, o repórter se preparava para transmitir o cargo ao novo vice-presidente da República, José Sarney.
Súbito, acordou do pesadelo. Refeito do susto, concluiu que precisava de umas férias. Assim, o blog estará em recesso pelos próximos 20 dias. Até breve.
Uma polêmica que eletrifica os subterrâneos do governo Lula acaba de ser perenizada em livro: ‘Teoria da Democracia e Justiça de Transição’, eis o título.
A obra traz a assinatura de Tarso Genro. Reproduz uma aula proferida pelo ministro da Justiça, em agosto, na Universidade Federal de Minas Gerais.
Foi à estante sob o selo da Editora UFMG. É coisa para ser lida numa sentada –54 páginas, incluindo quatro folhas de notas bibliográficas.
Nas dobras do livro, Tarso joga gasolina na fogueira em que crepita um debate insepulto. Envolve a Lei da Anistia e seus desdobramentos.
Defensor do direito dos brasileiros à memória do ciclo ditatorial e à punição dos torturadores, Tarso faz duríssimos ataques ao colega Nelson Jobim.
Ele cita uma tese do ministro da Defesa como síntese de todas as “fórmulas” que sonegam ao país uma verdadeira “conciliação”, “democrática” e “avançada”.
Para Jobim, a Lei da Anistia, de 1979, promoveu a reconciliação nacional ao perdoar os excessos cometidos pelos dois lados –o regime militar e seus opositores.
No miolo do livro, Tarso reproduz uma trinca de frases atribuídas a Jobim:
1. “A questão hoje não é discutir se é a favor ou contra torturadores, mas se podemos ou devemos rever um acordo que foi feito pela classe política”.
2. “Se o Supremo decidir que a Lei da Anistia não é bilateral, o que eu não acredito, terá de enfrentar outro assunto: a prescrição”.
3. “Uma coisa é o direito à memória, outra é revanchismo e, para o revanchismo, não contem comigo”.
Na aula convertida em livro, Tarso dedica-se a desconstruir os raciocínios do colega de Esplanada. No trecho mais acerbo, acomoda Jobim ao lado dos torturadores:
“Quem estabelece um vínculo artificial entre ‘memória’ e ‘revanchismo’ quer, na verdade, dizer que é preciso sacrificar a memória no universo da impunidade...”
“...O direito à memória, que desenterra o passado e o põe sob luzes públicas, não pode ser considerado como revanche...”
“...Sob pena de se defender implicitamente o ‘direito a torturar’ sem a expectativa de punir”, escreveu o ministro da Justiça.
Tarso cita a frase de um “torturador”, recolhida de uma revista. Identificado por uma de suas vítimas, o algoz dissera que “não torturava mulher feia”.
E Tarso: “Isso não gerou nenhum escândalo e nenhum revide do Estado, na defesa da dignidade da pessoa humana mais uma vez humilhada”.
Na única frase em que se permitiu dar razão a Jobim, Tarso assentiu: a Lei da Anistia decorreu de “um acordo feito pela classe política”. Porém, acrescentou:
“Mas também houve um acordo político, feito pelos líderes civis e militares, para a implantação de um regime de exceção que rasgou a Constituição...”
“...E nem por isso esse pacto deixou, mais tarde, de ser considerado ilegítimo”. Para Tarso, nenhum dos dois “acordos” impôs ao país “cláusulas pétreas”.
Acha que a admissão de que os “pactos políticos de contingência” são imutáveis levaria a uma conclusão errônea.
A conclusão de que “o regime militar também não poderia ser substituído por um regime civil”.
Na visão de Tarso, a tese personificada em Jobim impõe ao país “uma política de ‘perdão ao inverso’”. Promove a “equivalência de responsabilidades”.
Ele esmiúça o raciocínio: “[...] A ‘equivalência’ supõe que são iguais em valor os que defendem uma ordem democrática e os que se arvoram em seus juízes absolutos para derrubá-la pela violência”.
Ao igualar torturadores e torturados, atribuindo-lhes “o mesmo valor”, prossegue Tarso, tonifica-se o “apelo para uma sociedade amnésica”.
Sob o esquecimento, “ambos tem sua história dissolvida”. Para “conveniência de quem torturou” e “depreciação humana e política de quem foi torturado”.
Em trecho encharcado de ideologia, Tarso pespega em Jobim a pecha de “neoliberal”. Junta-o ao pedaço da academia e da intelectualidade que tem acesso aos jornais.
“[...] Sob certos aspectos, substituíram a defesa do caminho único do neoliberalismo pela promoção de um trabalho persistente de desmoralização dos ideais democráticos da esquerda, a partir da avaliação de anistia como ‘revanche’”.
Signatário do decreto que concedeu a Cesare Battisti o status de refugiado político, depois revogado pelo STF, Tarso injetou o ex-guerrilheiro italiano no debate.
Considera “emblemático” o tratamento dado a Battisti: “[...] Sua luta armada era a priori a luta do ‘mal’ [...] contra o ‘bem’, representado pelo Estado de Direito italiano”.
Acha que essa “mesma mecânica subjetiva” permeou a transição brasileira. Aos torturados, o papel de agentes do ‘mal’, brindados com o “perdão ao inverso”.
O que fazer? “Somente no trabalho de rememorização é que podemos construir uma identidade que tenha lugar na história”, Tarso escreveu.
Considera imperioso conjugar “disposição e vontade”, para que haja “abrangente apaziguamento social”. Que passa por “justiça às vítimas que caíram pelo caminho”.
Uma “justiça de transição”, na definição de Tarso. Coisa escorada em dois “eixos”: “intervenção educativa” e “criação de memoriais”.
Só assim, Tarso conclui, vai-se “aumentar a consciência moral sobre os abusos do passado, com o fim de construir e invocar a ideia da ‘não repetição’”.
São teses que deixam de cabelos hirtos os militares, sob o comando momentâneo de Jobim, um ex-presidente do STF que Lula converteu em titular da Defesa.
1. "De vez em quando inventam uma briga entre Congresso e Executivo, Legislativo e Judiciário. Ninguém aqui é freira e santa num convento" – Lula, explicando a gênese da zona que permeia as relações na República.
2. "Agi como se a cota fosse minha propriedade soberana. Confesso que caí na ilusão patrimonialista brasileira" – Fernando Gabeira (PV-RJ), ao explicar por que sua filha voara com passagem custeada pela Viúva.
3. "Ministério público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever o caralho aí" – Ciro Gomes (PSB-CE), ao negar, à sua maneira, que dera passagens da Câmara a parentes.
4. "Já restituí" - Eduardo Suplicy (PT-SP), depois da revelação de que viajara a Paris com a então namorada, Mônica Dallari, com passagens da cota de senador.
5. "Estou me lixando para a opinião pública. Até porque parte dela não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege" – Sérgio Moraes (PTB-RS), ao informar que inocentaria Edmar Moreira, o deputado do castelo, no processo por quebra de decoro parlamentar. Com a palavra, o eleitor gaúcho.
6. "Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum" – José Serra, ministrando ‘ensinamentos’ de prevenção à gripe suína.
7. "Quantos são os políticos brasileiros que realizaram campanhas eleitorais sem que alguma soma, por menor que fosse, não tenha sido contabilizada?" – Delúbio Soares, em carta ao PT, desistindo do pedido de retornar à legenda.
8. "Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos" – Lula, reduzindo a uma metáfora futebolística as fraudes eleitorais que incendiaram as ruas do Irã.
9. "Fui eleito para presidir politicamente a casa, e não para limpar as lixeiras da cozinha da casa" – José Sarney, num instante em que o entulho vazava pelas bordas do tapete do Senado.
10. "O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum" – Lula, saindo em socorro do aliado incomum.
11. "Em casa de enforcado não se fala em corda" – FHC, desviando-se do lixo, depois de sessão comemorativa dos 15 anos do Real, no Senado.
12. "Se eu sou um Renan da vida, eu tô no governo Collor, no governo Fernando Henrique, no governo Lula, tô no governo de quem quiser" - Pedro Simon, respondendo a Renan Calheiros, que interrompera seu discurso anti-Sarney.
13. "Como ex-presidente da República, estou do lado dele e do lado do presidente Sarney. Antes de citar o meu nome desta tribuna, Vossa Excelência engula, digira e faça dela o uso que julgar conveniente” – Fernando Collor, abespinhando-se com as referências de Simon.
14. "Eu quero fazer justiça ao comportamento do senador Collor e do senador Renan, que têm dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado" – Lula, cultuando os neocompanheiros, em viagem a Alagoas.
15. "Todos eles são bons pizzaiolos" – Lula, referindo-se aos senadores, em resposta a repórter que perguntara se a CPI da Petrobras terminaria em pizza temperada no pré-sal. Líder de Lula, Romero Jucá comandou o forno.
16. "Ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney. Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney" – Lina Vieira, a ex-leoa, ao discorrer sobre pedido que Dilma Rousseff lhe teria feito.
17. "Eu não fiz esse pedido. Olha, eu encontrei com a secretária da Receita várias vezes, com outras pessoas junto, em grandes reuniões. Essa reunião privada a que ela se refere, eu não tive com ela" – Dilma Rousseff, desmentindo a detratora.
18. "Ela sabe que eu estive lá e sabe que falou comigo. Não custava nada ela ter dito a verdade", Lina, em réplica.
19. "Eu não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. E vejo televisão, quanto mais bobagem, melhor" – Lula, numa entrevista à rádio Tupi, do Rio.
20. “Errei ao dizer que anunciaria uma renúncia irrevogável" – Aloizio Mercadante, em frase autoexplicável.
21. "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão" – Lula, em declaração à Folha, também autoexplicável.
22. "Marina Silva é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem" – Caetano Veloso.
23. “Nós, humanos, temos um problema imenso. Infelizmente, não controlamos chuva, vento, raio" – Dilma Rousseff, atribuindo o apagão a causas divinas.
24. "Chegamos à conclusão de que o problema ocorreu por descargas atmosféricas" – Edison Lobão, tentando se fazer passar por Chapeuzinho Vermelho na floresta escura.
25. "Até agora nós não temos nenhuma dessas pessoas julgada e condenada. Acho absolutamente normal que elas exerçam seus direitos políticos" – Dilma Rousseff, dando boas-vindas aos mensaleiros restituídos ao diretório do PT.
26. "A experiência do PT em 2006 e 2008 mostrou que a população sabe distinguir caixa dois de corrupção. Sabe que não teve mensalão, que ninguém enriqueceu" –José Dirceu, ao retornar ao diretório do PT.
27. "Para mim, pessoalmente, ele deu o que aparece naquele vídeo [...]. Virou piada, porque é [para compra de] panetone, mas no fundo é verdade mesmo. Eu entrego panetone nas creches, nos asilos, tudo isso” – José Roberto Arruda, a primeira piada a governar o DF em toda a história da Capital.
28. "As imagens não falam por si. O que fala por si é todo o processo de apuração, todo o processo de investigação [...]” – Lula, numa referência à gritante cinemateca que deu contorno visual ao ‘panetonegate’.
29. "O povo está na merda. E eu quero tirar o povo da merda em que ele está" – Lula, em cerimônia do ‘Minha Casa, Minha Vida, no Maranhão, informando que o povo continua no esgoto depois de sete anos sob sua presidência.
1. Sob Sarney, o Senado mergulhou em denúncias que resultaram em uma dezena de investigações do Ministério Público. O que acharam os procuradores?
2. Sob Arruda, reeditou-se a prática de usar peças de roupa como porta-proprina. À cueca, acrescentou-se a meia. Onde será enfiada a grana do próximo escândalo?
3. Ao levar o título de eleitor para passear em São Paulo, Ciro tornou-se um candidato multiuso atormentado por uma dúvida shakespeareana: Ser ou não ser?
4. Contra a tentativa do PMDB de fazer de Temer um vice consumado, Lula saiu-se com a fórmula da lista tríplice. Terá o MDB a ousadia de bater o ‘P’ na mesa?
5. O ex-tucano Meirelles, agora um neopemedebê, é candidato a qualquer coisa, inclusive a coisa nenhuma. Até quando dirá coisas definitivas sem definir as coisas?
6. Serra assedia Aécio, que finge que não é com ele. Afinal, o tucanato montará o mangalarga ‘puro sangue’ ou vai de pangaré ‘demo’?
7. A liminar do STJ que retirou Daniel Dantas da grelha da Satiagraha antes do Natal reavivou a grande interrogação: Quando os tribunais superiores de Brasília vão converter em condenado um réu endinheirado.
8. Até quando o DEM vai fingir que não vê Paulo Octávio, o vice de Arruda, fingindo-se de morto?
9. De quanto tempo ainda precisa o governo para informar à platéia que raios de problema deixou à luz de velas 18 Estados brasileiros?
10. A que presidente Romero Jucá servirá como líder no Senado a partir de 2011?
1. Abelha petê deseja encontrar zangão pemedebê com fins matrimoniais. Oferece altar, cargos, verbas, roupa lavada, proteção para o Sarney e liderança para o Jucá. Carta acompanhada de três currículos para a Colmeia da Casa Civil (Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, Brasília, DF).
2. Legenda assanhada, especializada em coligações heterodoxas e dotada de tempo de tevê avantajado, gostaria de se corresponder com candidatos bem postos. Mediante bom dote, dispõe-se a romper acordo pré-nupcial já celebrado.
3. Mineirinho, querido, volte para o ninho. Compreendemos sua irritação com a perda do quarto da frente, com vista para o Planalto. Mas, entenda, ali só cabia um bico. Prometemos reformar o quartinho dos fundos. Pode trazer aquela velha ambição que te acompanha.
4. Candidata verde procura empresário ecológico que seja maduro o bastante para viver experiência a três com um PSOL ardente. Telefonemas para a sede do PV.
5. Exército vermelho, angustiado com sequência de derrotas no front de São Paulo, convoca soldado cearense de Pindamonhangaba que tomou o “pau de arara errado”. Escreva, telefone, dê notícias, diga que sim.
6. Vende-se um lote de deputados seminovos. Encontram-se estacionados na Câmara Legislativa do DF. As caras são de pau maciço. As consciências, de material flexível. A fidelidade, canina. Não aceitamos cheques. Admite-se pagamento em panetones.
Foto de Valter Campanato, com intervenção de Carlos Terra
Decorridos 65 anos de sua fundação, o 'Le Monde' instituiu o prêmio “Homem do Ano”. A honraria foi concedida, em 2009, a Lula.
Mirando-se no exemplo do prestigioso diário francês, o blog também inaugura um laurel: o prêmio Pinocchio do Ano.
Na edição de 2009, o galardão vai para o governador do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM). Tornou-se imbatível ao converter grana de má origem em panetones.
Deve-se a imagem acima a uma conjugação do trabalho do repórter Valter Campanato, com um ajuste de nariz feito por Carlos Terra, um amigo do blog.
Decidido a carregar Dilma Rousseff nos ombros, Lula ajusta a agenda de 2010 ao calendário da campanha eleitoral.
Concentrou as viagens internacionais do seu último ano de mandato no primeiro semestre. No segundo, percorrerá o Brasil.
Planeja participar de comícios noturnos, fora do horário do expediente. Terão primazia os Estados em que o desempenho de Dilma for pior.
No topo da lista de prioridades estão os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas e Rio.
As viagens de campanha serão feitas no aerolula. Mas o dinheiro do querosene do avião terá de ser bancado pelo PT.
A campanha da sucessão vai às ruas em ritmo de toque-de-caixa depois das convenções partidárias, em junho.
Antes, Lula pretende fazer pelo menos sete viagens internacionais. Em janeiro, deve voar para a Suíça. Planeja participar do Fórum Economico Mundial, em Davos.
Em fevereiro, vai à Cúpula da América Latina e Caribe. Aproveita a viagem para realizar visita oficial ao México e a países da América Central.
Em março, Lula deve visitar, de uma tacada, quatro nações do Oriente Médio: Israel, Líbano, Palestina e Síria.
Em fins de abril ou início de maio, o presidente deseja retribuir a visita que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, fez ao Brasil.
Do Irã, Lula deve esticar a viagem para a Rússia. Noutra viagem, prevista para maio, vai à cúpula Brasil-União Européia, na Espanha.
Em junho, Lula deve participar da abertura de uma exposição comercial de produtos brasileiros, na China.
No derradeiro deslocamento internacional do ano, Lula planeja dar as caras na Copa do Mundo, na África do Sul.
A Copa começa em 9 de junho e se prolongará por quatro semanas. Depois disso, viagens presidenciais só em território brasileiro.
Lula não descarta a hipótese de pedir uma licença do cargo de presidente para dedicar-se exclusivamente à campanha.
Cogita afastar-se do Planalto por até três últimos meses (julho, agosto e setembro). Anima-o a melhora no quadro de saúde do vice José Alencar.
O presidente condiciona a licença ao desempenho de Dilma nas pesquisas. Se a candidatura oficial ganhar velocidade de cruzeiro, a providência, por desnecessária, pode ser descartada.
A participação de Lula na campanha é vista como algo essencial.
Pretende-se empurrar para dentro dos palanques de Dilma a atmosfera emocional da despedida de Lula, dono de popularidade lunar.
A propósito da gradativa transformação do planeta em estufa, Luis Fernando Verissimo levou às páginas um artigo necessário.
Já no título, Verissimo faz a única pergunta que não se ouviu na cúpula de Copenhague: ‘Quem falou pelas vacas?’ Vai abaixo texto:
“É difícil tratar com a seriedade que ela merece, uma questão como os efeitos da flatulência na biosfera.
E, no entanto, pum de vaca é responsável por boa parte da emissão de gases que ameaçam nosso equilíbrio ecológico e provocam o aquecimento global.
Há mesmo quem diga que o pum é a principal contribuição de países como o Brasil, com seus grandes rebanhos bovinos e ovinos, para o problema.
Mas falou-se pouco em flatulência em Copenhague. E ninguém falou pelos bovinos e ovinos.
Se tivessem um porta-voz atuante na reunião, as vacas poderiam ter dado um subsídio valioso à defesa dos países ricos que resistem a mudanças nos seus hábitos poluidores.
A defesa das vacas seria a Natureza. É da sua natureza darem puns. Não podem se conter.
Se pudessem controlar a própria flatulência, não seriam vacas, seriam damas da sociedade.
Da mesma maneira, é da natureza dos países industrializados sacrificarem tudo à sua volta, inclusive a própria saúde, por índices sempre maiores de crescimento e lucro. Se contrariassem a sua natureza, não seriam o que são.
Vacas e países desenvolvidos teriam o mesmo argumento em Copenhague: não poluímos por falta de caráter, mas porque é assim que fomos feitos.
***
Tem gente que não acredita no tal aquecimento global provocado pelo homem e a vaca.
Há os que dizem que não há provas científicas suficientes ou convincentes disto e há os que simplesmente negam as provas, como fazem os que negam o Holocausto ou a evolução.
Mas alguns ecocéticos surpreendem com sua posição. Por exemplo: Alexander Cockburn, que escreve regularmente na revista The Nation e diz que toda essa campanha contra as emanações de combustíveis fósseis que causariam o efeito estufa tem por trás o lóbi da indústria nuclear, pois o que está em jogo é quem dominará a energia do planeta no futuro.
Como todas as teorias conspiratórias, esta depende, para ser aceita, de uma certa suspensão do bom senso.
Cockburn tem sólidas credenciais como crítico do capitalismo e seus detritos e em nada se parece com fantasiosos negadores do genocídio nazista ou criacionistas anti-Darwin, mas para acreditar na sua tese é preciso ignorar todas as evidências de mudança climática que, literalmente, caem sobre a nossa cabeça, e atribuir ao lóbi nuclear um poder colossal.
De qualquer maneira, a dúvida está no ar. Junto com outros poluentes”.
Alan Marques/Folha Sem alarde, Fernando Collor (PTB) perscruta as chances de retornar ao governo de Alagoas em 2010.
Um dos entusiastas da candidatura de Collor é Renan Calheiros, líder do PMDB no Senado.
Renan fora aliado do Collor presidente. Tornara-se adversário do Collor varejado por corrupção. Virara inimigo do Collor do impeachment.
Mandara ao freezer o Collor do ostracismo. Por fim, Renan descongelou suas relações com o Collor redivivo do Senado.
Um Collor surpreendente, agora aliado do mesmo Lula que derrotara, com métodos heterodoxos, nas urnas presidenciais de 20 anos atrás.
Tenta-se pôr de pé, ao redor deste “novo” Collor, uma coligação de pelo menos nove partidos: PTB, PMDB, PR, PCdoB, PT, PMN, PRB, PSC e PP.
São legendas que, em Brasília, integram o consórcio partidário que gravita ao redor de Lula.
Algo que permitiria a Collor oferecer seu eventual palanque alagoano a Dilma Rousseff, a presidenciável de Lula e do PT.
Renan estimula a candidatura Collor de olho na composição da chapa, que integraria numa das duas vagas destinadas aos candidatos ao Senado.
Move-se por pragmatismo. No caminho de sua reeleição há duas pedras. A julgar pelas pesquisas alagoanas, o par de pedras tem potencial para deixar Renan sem mandato.
Chama-se Heloisa Helena a primeira rocha. Ex-senadora, candidata derrotada à Presidência em 2006, virou vereadora de Maceió em 2006.
Presidente nacional do PSOL, HH está decidida a retornar ao Senado. Desistiu de brigar pelo Planalto.
Tenta enfiar o seu partido dentro da candidatura presidencial da amiga Marina Silva (PV).
O outro adversário de Renan é o ex-governador alagoano Ronaldo Lessa (PDT). Frequenta as pesquisas como segundo colocado na corrida ao Senado, atrás de HH.
Até o início de 2009, Renan embalava uma aliança com o atual governador de Alagoas, o tucano Teotônio Vilela.
Candidato à reeleição, Teotônio tornou-se um azarão. Coleciona índices mirrados de intenções de voto. Coisa na casa dos 5%.
Renan enxerga em Collor –dono de um jornal, de uma TV que repete em Alagoas o sinal da Globo e de uma rede de rádios— um candidato mais viável que Teotônio.
Tomado pelas pesquisas, só haveria um político em Alagoas capaz de deter o retorno de Collor ao governo estadual.
Chama-se Cícero Almeida. É filiado ao PP, outro sócio minoritário do consórcio partidário de Lula.
Em 2008, Cícero foi à cadeira de prefeito da capital, Maceió, numa votação em que beliscou notáveis 81,5% dos votos válidos.
Nas pesquisas para o governo, Cícero coleciona algo como um terço dos votos dos alagoanos. Mais do que Collor, que oscila entre 20% e 25%.
Cícero hesita, porém, em embrenhar-se na disputa pelo governo. Sabe que enfrentará, além de Collor, o conglomerado de mídia e os arranjos políticos que estão por trás dele.
Receia perder a cadeira de prefeito, da qual teria de se separar por renúncia, e arrostar uma derrota na briga pelo governo.
Por ora, tampouco Collor se assume como candidato. Mas todo o aparato político que gravita ao seu redor move-se como se a candidatura fosse incontornável.
Yeda Crusius é a laterninha; Arruda desceu para penúltimo
Eduardo Knapp/Folha Pesquisa Datafolha ajuda a explicar o assédio do tucanato sobre Aécio Neves, para que aceite ser vice de José Serra.
Aprovado por 73% do eleitorado de Minas, segundo maior celeiro de votos do país, Aécio lidera o ranking de dez governadores avaliados.
Numa escala de zero a dez, Aécio obteve nota média de 7,5. Encontra-se três casas à frente de Serra.
A gestão de Serra como governador de São Paulo desfruta de taxa de aprovação de 55%. O suficiente para acomodá-lo na 4ª posição. Sua nota média foi de 6,6.
Adiante de Serra, dois governadores do PSB: Eduardo Campos, de Pernambuco, 2º colocado; e Cid Gomes, do Ceará, o 3º.
Em 5º lugar aparece Luiz Henrique (PMDB), de Santa Catarina. Em 6º, Jaques Wagner (PT), da Bahia. Em 7º, Roberto Requião (PMDB), do Paraná.
Os três governadores mais impopulares são: Sérgio Cabral (PMDB), do Rio, 8º colocado no ranking...
José Roberto Arruda (ex-DEM), do DF, o 9º. E Yeda Crusius (PSDB), do Rio Grande do Sul, que segura a lanterna em 10º lugar.
Arruda e Yeda tem algo em comum: ambos são acossados por denúncias de corrupção.
Entre todos os governadores, Arruda foi o que mais se moveu na tabela desde março, mês em que o Datafolha realizara a pesquisa anterior.
Engolfado pelo “panetonegate” no final de setembro, Arruda tomou o elevador para baixo. Desceu três casas. Da 6ª posição, deslizou para a 9ª.
A nota média atribuída a Arruda, numa escala de zero a dez, caiu de 6,4 em março para 4,8 agora.
A despeito de tudo, a gestão de Arruda ainda é aprovada por 40% do eleitorado do DF. Um índice que já não serve à causa reeleitoral do governador.
Ao desfiliar-se do DEM, há duas semanas, Arruda perdeu o direito de concorrer à reeleição em 2010.
Yeda já era a última em março. Manteve a posição. Nada menos que 50% do eleitorado gaúcho consideram a gestão dela ruim ou péssima.
Serra subiu de 5º para 4º. Luiz Henrique foi de 8º a 5º. Sérgio Cabral subiu de 9º para 8º.
Requião deslizou de 4º para 7º. E Jaques Wagner subiu um andar: de 7º para 6º.
O resultado da pesquisa foi às páginas da Folha. Vai abaixo o ranking:
Corria o ano de 2002. Acossada pelo tônico que as pesquisas serviam a Lula, seus rivais inudaram a praça de boatos.
Eleito, Lula mandaria ao lixo a Lei de Responsabilidade Fiscal, sapateraria sobre os contratos e atearia fogo à estabilidade da moeda.
No calor da refrega, a Goldman Sachs, casa bancária dos EUA, criou o ‘Lulômetro’.
Engenhosa equação. Destinava-se a medir a influência do ‘risco-Lula’ sobre a cotação do dólar. Estimava-se que poderia bater em R$ 4.
Para desfazer a macumba, Lula saiu-se com a célebre carta ao povo brasileiro. No texto, informou seria para o mercado uma vovozinha, não o lobo mau.
Pois bem. Eleito, Lula revelou-se um cultor da responsabilidade fiscal. Para espancar as dúvidas, confiou a uma raposa tucana (Meirelles) o galinheiro do BC.
No curso do mandato, a turma papeleira da Goldman Sachs levou os EUA à breca, arrastando o mundo para o buraco.
Hoje, o pessoal de Meirelles sua a camisa para tentar içar o dólar, em fase de derretimento, para patamar acima os R$ 2.
Vítima do terror mercadológico de 2002, Lula ensaia para a peça de 2010 um papel de terrorista social.
Há coisa de dois meses, na pele de neo-Getúlio, Lula encomendara a um grupo de ministros a redação da CLS (Consolidação das Leis sociais).
Uma maneira de evitar que, no pós-Lula, presidentes aventureiros se animem a anular benefícios que ajudam a encher a geladeira das famílias pobres.
Nesta quarta (23), discursando para catadores de papel, em são Paulo, Lula jogou no ar o tucanômetro.
Insinuou que, elegendo um oposicionista, o país Brasil passaria a flertar com o risco de estagnação dos avanços sociais.
Pediu pressa na conversão de prédios públicos abandonados em moradias para os sem-teto.
"A gente tem que se dedicar, porque não sabemos o que pode acontecer no país", disse, em timbre enigmático.
Lembrou que, no Natal de 2010, ao encontrar-se de novo com os catadores, já será “rei posto”. Sem mencionar-lhe o nome, sugeriu que só Dilma Rousseff pode salvar:
"Quando eu vier aqui, em dezembro do ano que vem, já tem outra pessoa eleita, já sou rei posto, e rei posto não pode mais fazer promessa...”
“...[...] De qualquer forma, se for quem penso que vai ser, podemos trazer junto aqui, para fazer promessas".
Na véspera, a própria Dilma levara o apocalipse social aos lábios. Dissera que sua derrota representaria um retrocesso para o país. Coisa feia.
Ao amarrar uma bomba social na cintura do tucanato, Lula e Dilma informam à platéia: vão a 2010 dispostos a tudo –da grosseria à desonestidade intelectual.
Mais um pouco e tentarão convencer Regina Duarte a levar a cara à TV para dizer que tem muito medo do José Serra.
Se há algo que irrita Lula é o azedume da imprensa brasileira.
Acha que a leitura matinal dos jornais açula os instintos suicidas. Prefere não lê-los.
Frequentemente, Lula compara os jornais brasileiros com os estrangeiros.
Lamenta que o êxito do Brasil só seja reconhecido fora do Brasil.
Nesta quinta, Lula ganhou lenha nova para sua fogueira.
O jornal francês Le Monde concedeu-lhe o título de “Homem do Ano de 2009”.
Trata-se da primeira edição do prêmio. Por que Lula? O Le Monde explicou:
"Por sua trajetória singular de antigo sindicalista, por seu sucesso à frente de um país tão complexo como o Brasil...”
“...Por sua preocupação com o desenvolvimento econômico, com a luta contra as desigualdades e com a defesa do meio-ambiente”.
Por tudo isso, anota o texto do prestigioso jornal, “Lula bem poderia ter merecido… o mundo".
Segundo o jornal, o Brasil conseguiu combinar, sob Lula, democraica e dinamismo. Combate à pobreza e promoção do crescimento econômico.
O jornal realça: Lula rebarbou a tentação do terceiro mandato. Algo que o distingue da vizinhança: a Venezuela de Chávez, a Colombia de Uribe e a Bolívia de Evo.
Em artigo assinado por Jean Pierre Langellier, seu correspondente no Rio, o Le Monde exlata também a pluralidade internacional de Lula:
"Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo o interessa e lhe diz respeito", anota o texto.
Há 13 dias, Lula fora incluído pelo espanhol El Pais numa lista das cem personalidades mais importantes do mundo ibero-americano em 2009.
O presidente brasileiro merecera artigo elogioso do primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero.
Classificara-o de "homem que assombra o mundo", "completo" e "tenaz". Anotara que sente por Lula "uma profunda admiração".
Antes, a revista britânica "The Economist", espécie de bíblia do mercado, dedicara uma edição ao Brasil. Na capa, um Cristo Redentor em forma de foguete.
Aqui e acolá, mencionam-se os problemas que conspiram contra o empreendimento brasileiro. O Le Monde também se ocupou da “parte obscura” do Brasil.
Continua sendo "um dos países mais desiguais do mundo”, anotou o diário francês. “Dividido entre um sul rico e dinâmico e um norte arcaico".
Citou a educação "medíocre", a saúde "deficiente", a burocracia "pesada", a polícia "ineficaz" e a justiça "preguiçosa".
Nada capaz de empanar, porém, o brilho atribuído a Lula. Nesse ritmo, além de não ler, o presidente logo proibirá a assessoria de levar-lhe resumos orais do noticiário.
O Brasil dos jornais brasileiros é, ainda, um elefante geográfico. O muito que se fez é pouco diante da enormidade que há por fazer.
O Brasil da imprensa internacional também é um elefante. Porém, avalia-se que encontrou em Lula um rajá capaz de montá-lo.
Na opinião do vice-presidente José Alencar, permanece abolutamente indefinido o papel que o PSDB vai jogar na sucessão presidencial de 2010.
Mineiro, Alencar põe em dúvida a retirada da candidatura de Aécio Neves ao Planalto:
“Ninguém toma qualquer decisão, assim peremptória, muito antes numa campanha eleitoral. Tem muita água para passar”.
Leva o pé atrás também ao discorrer sobre a convicção de José Serra quanto à conveniência de subir no ringue nacional:
“Ele possui um pássaro na mão gigantesco, que é uma candidatura à reeleicão de São Paulo, e ele sabe disso”.
Confirmando-se a candidatura Serra, não acha que seja certa a ausência de Aécio como vice na chapa da oposição:
“Política é dinâmica. Nenhum de nós pode dizer com absoluta segurança o que vai acontecer amanhã”.
Afirma que Lula imprimirá as digitais nas alianças políticas regionais pró-Dilma Rousseff: “Quem preside a eleição é ele”.
As declarações de Alencar constam de entrevista feita pelos repórteres Baptista Chagas de Almeida e Alana Rizzo.
Vão abaixo alguns dos principais trechos:
- A desistência de Aécio: A gente ainda não pode fazer uma avaliação porque as coisas estão por acontecer. Ninguém toma qualquer decisão, assim peremptória, muito antes numa campanha eleitoral. Tem muita água para passar.
- A candidatura Serra: Ninguém pode afirmar, por exemplo, que o Serra será o candidato. Ele possui um pássaro na mão gigantesco, que é uma candidatura à reeleicão de São Paulo, e ele sabe disso. Está consciente e vai depender do andar da carruagem. Como dizia Neném Prancha: ‘Em sendo redonda a bola, tudo pode acontecer’.
- Aécio pode ser vice de Serra? Política é dinâmica. Nenhum de nós pode dizer com absoluta segurança o que vai acontecer amanhã. As coisas acontecem independentemente da vontade da gente. Podem acontecer para favorecer uma candidatura ou para desaconselhá-la, mas temos que esperar o tempo passar.
- O vice de Dilma: Também está cedo. O caso de um candidato de um partido, seja ele qual for, pressupõe uma aliança nacional e, aí, é preciso consultar o interesse em todos os estados. Porque há determinados lugares em que os líderes são contra a aliança. Não porque sejam contra o candidato, mas é que a aliança não o ajuda nas eleições de seu estado. É hora de paciência.
- A candidatura de Marina: Sou suspeito para falar da Marina porque fomos colegas no Senado e ela sempre me prestigiou muito nas minhas colocações e vice-versa. Nós somos amigos e tenho o maior apreço por ela, que é uma mulher muito séria e de uma origem muito humilde. Cresceu, estudou e é uma moça preparada, dedicada, um colosso. Acho que o Brasil está de parabéns. Desta vez, tem muitos bons candidatos.
- A aliança PMDB-PT pró-Dilma em Minas: O palanque tem que ser inteligível. As alianças que estão ali têm que ter sentido. O ruim numa campanha é quando o eleitor não entende. Havendo uma aliança do PMDB com o PT, alcançará Minas.
- O papel de Lula: Quem preside a eleição é ele. Não é nem o candidato. E se você puder ter um cenário parecido no nacional e nos estados, ajuda muito. Há estados com muita complicação. Em outros, essas alianças são naturais porque as pessoas que participam da eleições são aliadas.
- A economia será decisiva para Dilma? A economia vai muito bem. Então, será sim. Mas não graças à política monetária. Vai bem graças à responsabilidade fiscal, aos investimentos que são objeto de estímulo e às políticas anticíclicas para combater a crise. A economia vai bem apesar da política monetária. A rubrica mais pesada é relativa aos juros com que rolamos nossa dívida, e eles provocaram um desequilíbrio no nosso Orçamento. Ogrande vilão foram as taxas altas de juros. Me refiro à Selic, que vai levar R$ 1,2 trilhão dos cofres públicos. É um abuso.
- O desafio do próximo presidente: Dar prosseguimento ao trabalho do presidente Lula no concerto internacional. Pode separar antes e depois do Lula. Em toda parte que você vai, a pergunta não é mais sobre o Pelé, de quem temos orgulho. O Brasil é conhecido como um país que dá exemplo. Lula surpreendeu em quase tudo. A mim, nesse trabalho admirável que ele faz lá fora. É um colosso. A liderança e a personalidade dele são admiráveis. Para conversar com a Rainha, no Palácio de Buckingham, ele conversa de igual para igual. Eu falei: ‘Lula, você fez mal. Na hora que cumprimentou a rainha, você bateu na barriga dela’. E ele falou assim : ‘Ela é minha chapa’. Eles gostam demais dele. Outra coisa, ele não tem complexo. Fala em português mesmo e eles que se danem. Tem um tradutor que explica. Sujeito pegou uma parte, não pegou, ele sai. Não fala nenhuma palavra em inglês e também não entende. Fala o português desembaraçado e eles se viram para traduzir.
- Será candidato ao Senado? Se Deus me curar, levo meu nome a uma disputa para um cargo no Legislativo. Não penso no Executivo porque tenho 78 anos. No fim das eleições, já terei 79. Acho que posso ser muito útil, levando minha experiência muito grande do setor privado, do sindicato patronal, de senador e de vice-presidente. Portanto, posso dar uma grande contribuição. Até para merecer esse apoio que tenho recebido. Mas só me candidato se estiver curado, porque considero até uma desonestidade apresentar um nome, ser eleito, sabendo que posso não exercer o mandato.
O deputado Leonardo Prudente, aquele que teve a imprudência de esconder panetone$ nas meias, tomou um par de decisões.
Sob a ameaça de ser expulso de seu partido, o DEM, Prudente optou por imitar o líder e guia José Roberto Arruda. Desfiliou-se da legenda.
Com isso, fica impedido de concorrer à reeleição em 2010. Simultaneamente, o deputado decidiu praticar um gesto de ousadia.
Anunciou que vai reassumir a presidência da Câmara Legislativa do DF, cargo do qual se havia licenciado depois de ter sido pilhado num dos vídeos do ‘panetonegate’.
As decisões de Prudente foram materializadas numa carta que o deputado dirigiu à Executiva do DEM-DF. Diz o texto:
"Por questões de foro intimo solicito minha desfiliação. Registro que não me candidatarei a qualquer cargo público nas eleições de 2010...”
“...Reassumo minhas funções como deputado e presidente da Câmara Legislativa, agora sem interferência partidária".
A carta chegou no instante em que a Executiva estava reunida, na noite passada, para deliberar sobre a expulsão de Prudente.
Não havia quorum para deliberação. Dos 21 integrantes do colegiado, só oito deram as caras. O quorum mínimo seria de 11.
Entre os ausentes, Paulo Octávio, vice-governador do DF e presidente local do DEM.
A despeito da inanição do encontro, a carta serviu para que o DEM desse o caso de Prudente por “encerrado”.
Permanece boiando na atmosfera uma interrogação roliça: O que será feito com Paulo Octávio, também engolfado pelo escândalo?
A direção nacional do DEM finge-se de morta. Há dois dias, o vice-governador esboçara um pedido de licença. Mas deu meia-volta.
Paulo Octávio mastigará as lentilhas do Ano Novo ainda ostentando o galhardão de chefe da tribo ‘demo’ no DF.
O governador do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM), realizou sua primeira solenidade pública desde que o ‘panetonegate’ foi pendurado nas manchetes.
Foi ao encontro da polícia. Elegeu como palco da reaparição a Academia de Polícia Militar do Distrito Federal.
Sob aplausos de cerca de 5 mil policiais e familiares, desembrulhou um pacote de benesses à corporação. Benefícios que alcançam também os bombeiros.
Elevou de patente de algo como 4 mil PMs e 2 mil bombeiros. Anunciou estudos para a humanização das escalas de trabalho...
...Prometeu pagar em 5 de janeiro, de uma tacada, gratificações referentes ao período de abril a setembro de 2009...
...Remeteu à Câmara Legislativa um projeto criando seguro de vida para as fardas. E outro instituindo indenização por morte ou invalidez...
...Criou seis novos batalhões e deu início à implatação de um ansiado plano de carreira. Discursou:
“O Plano de cargos sai do papel para fazer justiça na vida de 6.776 policiais e bombeiros militares que hoje recebem a sua tão esperada e tão justa promoção”.
Diante da boa recepção, Arruda animou-se a injetar em sua fala uma menção indireta à crise que o engolfa desde 27 de setembro.
Disse que atravessa um “momento de grande sofrimento”. Depois de saborear os aplausos da polícia, Arruda foi a Samambaia, uma cidade-satélite de Brasília.
Aguardavam-no cerca de mil pessoas. Em texto levado ao portal do governo, a assessoria de Arruda descreveu assim a cena:
“Animados por terem uma de suas maiores reivindicações atendidas, os moradores disputavam o espaço ao lado do governador...”
“...Para agradecer pela instalação do posto e outros benefícios já liberados para região”.
Que outros benefícios? “A concessão de 656 cheques-moradia”. Dinheiro a ser usado na construção e reforma de casas.
Arruda orgulha-se de ter aberto no DF mais de 2 mil canteiros de obras. Aos pouquinhos, vai personificando na Capital o estilo do ex-governador paulista Adhemar de Barros.
O lema de Adhemar era: “São Paulo não pode parar”. Seus adversários pespegaram nele uma outra frase-símbolo: “Adhemar rouba mas faz”.
Folha Lula vai passar o Ano Novo na Base de Aratu, um complexo da Marinha assentado em Salvador (BA), com acesso à praia de Inema.
Chega à base na quarta-feira (30) da semana que vem. Programou-se para uma estadia de três dias.
Depois, a pedido de um dos filhos, o presidente e sua mulher, Marisa, deslocam-se para o Guarujá, no litoral sul de São Paulo.
Ali, Lula deve refugiar-se no Forte dos Andradas, outra instalação militar. Proporciona uma das mais belas vistas das praias do Guarujá e da baía de Santos.
O retorno de Lula a Brasília está previsto para o dia 12 de janeiro. O próprio presidente revelou o roteiro de seu descanso na noite passada.
Deu-se durante um jantar de confraternização com os ministros, na Granja do Torto. De fora da Esplanada, só o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
A julgar pela troca de amabilidades, está superado o mal-estar que se instalara no PMDB depois que Lula sugerira à legenda a indicação de três alternativas vices.
Fixado no nome de Temer, o PMDB chiara. Exigira explicações públicas. Algo que Lula esquivou-se de prover.
Curiosamente, a ministra candidata Dilma Rousseff não deu as caras no jantar de fim de ano oferecido por Lula e Marisa.
Às vésperas do Natal, Lula desembrulhou, em São Paulo, um pacote de benefícios aos brasileiros que “moram” nas ruas.
Deu-se durante a celebração “Natal dos catadores de material reciclável e população em condição de rua”.
Foram quatro providências listadas por Lula em discurso:
1. Decidiu-se reconhecer formalmente a atividade de catador de material recliclável, incluindo-a no “sistema produtivo do país”.
2. O governo concederá incentivo fiscal (crédito de IPI) às indústrias que comprarem material reciclável das cooperativas de catadores de rua em todo Brasil.
3. Anunciou-se a criação, por decreto, de uma “política nacional para os moradores de rua". Será coordenada pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, vinculada a Lula.
4. Lula informou que o governo converterá imóveis desocupados da União em moradias populares. Falou em 25 prédios. Coisa de R$ 20 milhões.
Nesse trecho do discurso, o presidente anunciou a liberação imediata de imóveis em São Paulo. Lula dirigiu-se ao ministro Márcio Fortes (Cidades):
“Na verdade, o Marcio deu dois prédios, não é isso?”. O ministro faz sinal com a mão: um prédio, não dois. Lula não se deu por achado:
“Não. Foram dois, de um lote de 25 prédios da União [...], para que a gente possa fazer a repartição no valor de 20 milhões de reais...”
“...Todos terão de ser reformados, adequados e destinados a moradias populares nas áreas centrais das cidades brasileiras”.
Lula referiu-se aos moradores de rua como “homens e mulheres iguais a todos nós”.
A despeito disso, acrescentou, “a população de rua não existe perante o Estado, nem perante a sociedade e a cidadania do país”. Não entra nem nas estatísticas do IBGE.
“É como se um contingente da ordem de 50 mil a 60 mil pessoas em todo o Brasil fosse invisível do ponto de vista das políticas públicas e dos programas sociais”.
Lula tem razão. O Brasil oficial não costuma ter olhos para o país das ruas. Mas cabe perguntar:
Tendo participado de sete celebrações natalinas do povo da rua, por que só agora Lula baixou a tal "política nacional" voltada a esses brasileiros e brasileiras?
O Datafolha informa que o prefeito José Fogaça, recém-lançado pelo PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, alcançou o ministro Tarso Genro, do PT.
Na sondagem anterior, feita em maio, Fogaça aparecia seis pontos percentuais atrás de Tarso. O ministro deslizou quatro pontos. E o prefeito subiu dois.
Encontram-se agora empatados em 30%. A governadora Yeda Crusius, que tenta empinar uma recandidatura pelo PSDB amarga um índice irrisório: 5%.
Está atrás de do deputado Beto Albuquerque (7%), candidato do PSB. Preto no branco, os dois estão tecnicamente empatados.
Tomada pelo tamanho que o Datafolha lhe atribui, Yeda nunca foi um portento como candidata. Assediada por denúncias de corrupção, virou um pesadelo tucano.
Em março, tinha 9%. Em maio, desceu dois degraus, estacionando em 7%. Agora, deslizou para os 5%.
Não é sem motivo que a direção nacional do PSDB se mexe para convencer Fogaça a recepcionar o presidenciável José Serra em seu palanque.
O fechamento do acordo passa pela obtenção do escalpo de Yeda, hoje uma candiodata de si mesma.
No Paraná, informa o Datafolha, esmaeceu o favoritismo do prefeito Beto Richa (PSDB). Tem na sua cola o senador Osmar Dias (PDT).
A dupla está tecnicamente empatada. Beto com 40%. Osmar, 38%. O candidato do governador Roberto Requião (PMDB) amealha índice inexpressivo.
Chama-se Orlando Pessuti. É vice-governador do Paraná. Aparece na pesquisa com irrisórios 5%.
Vexame maior passam os nomes cogitados como alternativas do PT, Lygia Pupatto ou Nedson Micheleti. Não passam de 1%.
O Datafolha perscrutou também a alma do eleitor de Santa Catarina. Ali, lidera a pesquisa, com 31%, Angela Amin, do PP. Ela é ex-prefeita de Florianópolis.
Em segundo, aparece o senador Raimundo Colombo (DEM), com 18%. Atrás dele, Ideli Salvatti (PT), líder de Lula no Congresso: 14%.
Eduardo Pinho Moreira, que se apresenta como alternativa do PMDB do atual governador Luiz Henrique, coleciona 7%.
Injetou-se num dos cenários o nome do vice-governador catarinense, Leonel Pavan (PSDB). Belisca um índice magro: 9%.
Mexe pouco no tabuleiro. Angela Amin cai de 31% para 29%. O ‘demo’ Colombo oscila de 18% para 19%. E a petê Ideli permanece em 14%.
Candidato ao Senado, o governador Luiz Henrique tenta manter de pé em 2010 a tríplice aliança que serve de estaca à sua gestão: PMDB-PSDB-DEM.
Vingando o acordo trino, será necessário optar por um de três nomes: Colombo, Pavan ou Pinho Moreira.
Posto sob suspeição pelo Ministério Público, que o acusa de corrupção, o tucano Pavan vem crescerem as chances do ‘demo’ Colombo.
Os dados do Datafolha foram levados à edição desta quarta da Folha.
Moacyr Lopes Jr./Folha Um mergulho nos meandros da última pesquisa Datafolha permite concluir que, transportada nos ombros de Lula, Dilma tem potencial para alcançar Serra.
Deve-se a conclusão a dois especialistas: Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do instituto.
A dupla levou às páginas da Folha uma “análise” de arrepiar a plumagem de qualquer tucano. O texto vai abaixo:
“A capacidade de transferência de votos que o presidente Lula demonstra ter, elevando sua candidata Dilma Roussef (PT) ao atual patamar de 23%, não se esgotou.
Uma análise mais detalhada da última pesquisa Datafolha mostra que há 15% de brasileiros que manifestam o desejo de votar no candidato apoiado pelo presidente, mas não sabem ainda que Dilma é sua escolhida, deixando de optar por ela.
Este percentual equivale, em termos quantitativos, à diferença que mantém José Serra (PSDB, 37%) na liderança do quadro mais provável de candidaturas nesse momento, formado ainda por Ciro Gomes (PSB, 13%) e Marina Silva (PV, 8%).
Para chegar a essa conclusão o Datafolha combinou os resultados de três perguntas: intenção de voto estimulada, grau de influência de Lula como cabo eleitoral e o conhecimento de Dilma como candidata do presidente.
Somando-se os que não escolhem Dilma, mas outro candidato (58%), os que optam por votar em branco ou anular (9%) e os que não sabem em quem votar (10%) chega-se a 77% da população adulta que não declara, neste momento, apoio à petista.
Dentre estes, 21% afirmam que votariam com certeza em um candidato apoiado por Lula. Estes dividem-se em 6% que identificam Dilma como candidata de Lula e 15% que não sabem quem Lula apoia.
Há, portanto, 15% da população que, neste momento, não declara intenção de votar em Dilma, não sabe que ela é a candidata de Lula, mas afirma que votaria com certeza em um candidato apoiado pelo presidente.
Mas, para que isso se transforme em apoio real, há que considerar as variáveis que agem sobre o processo eleitoral.
Estratégias de comunicação e o posicionamento dos candidatos nos segmentos específicos do eleitorado tornam fundamental o conhecimento do perfil desses 15% de potenciais novos eleitores governistas, que ainda não identificaram a candidata de Lula.
A característica mais marcante desse estrato é a baixa escolaridade. Enquanto na média da população brasileira adulta, 48% têm grau de escolaridade fundamental, nesse segmento, essa taxa vai a 68%.
O mesmo ocorre com a renda. Na média, 43% dos brasileiros têm renda familiar de até dois salários mínimos. No segmento dos potenciais eleitores de Dilma, esse percentual vai a 59%.
Além disso, 36% vivem no Nordeste e 20% no Norte ou Centro-Oeste, índices que superam a média em oito e cinco pontos percentuais, respectivamente".
O PSDB vai à sucessão de 2010 com os olhos voltados para 2026. O partido rumina em segredo um projeto de poder longevo. Coisa para os próximos 16 anos.
Entre 2011 e 2018, dois mandatos de quatro anos para José Serra. Daí em diante, mais oito anos de Aécio Neves.
Para reforçar as chances de êxito do primeiro passo, a eleição de Serra em 2010, o partido vai intesificar no início do ano a pressão sobre Aécio.
Deseja-se convencê-lo a aceitar a posição de vice na chapa tucana. Martela-se a tecla de que uma dobradinha Serra-Aécio seria “imbatível”.
Por quê? São Paulo e Minas, Estados em que Serra e Aécio estão bem postos nas pesquisas, reúnem 30% do eleitorado brasileiro.
Imagina-se que, juntos, os dois governadores amealhariam nos dois maiores colégios eleitorais do país uma quantidade de votos que faria a diferença.
Abririam uma vantagem difícil de ser revertida pela rival Dilma Rousseff, mesmo escorada na popularidade lunar de Lula.
Para quebrar as resistências de Aécio, planeja-se convertê-lo num vice inusual. Em vez do ócio, espécie de mãe de todos os vices, o compartilhamento do poder.
Estratégia urdida com a participação de FHC, presidente de honra do PSDB, prevê contemplar Aécio com o controle de nacos da Esplanada.
Noves fora a área econômica, da qual Serra não abre mão, admite-se confiar a Aécio o domínio de ministérios à sua escolha.
Em mensagem levada à web, Aécio insinuou que abandonou a condição de presidenciável, mas não abdicou da pretensão de chegar ao Planalto.
Na peça, ele agradece o apoio recebido dos internautas à sua pregação em torno da “idéia de um país novo, de um projeto novo”.
Afirma que o trabalho está “apenas começando”. Repisa o “novo projeto”. E arremata: “Eu acho que o Brasil ainda vai vivê-lo” (asssista abaixo).
No esforço para seduzir Aécio à vice, um pedaço do tucanato cogitou a idéia de celebrar um compromisso entre suas duas estrelas.
Eleito, Serra governaria por quatro anos. Depois, abriria mão de disputar a reeleição em favor de Aécio.
O grupo de Serra torce o nariz para a fórmula. Evoluiu-se, então, para a equação dos 16 anos –oito para cada um. Com Aécio de vice no primeiro ciclo.
É um tipo de plano cujo êxito depende da boa vontade dos fatos, irritantemente imprevisíveis e arredios.
O último tucano a vocalizar algo parecido foi Sérgio Mota, o ex-ministro das Comunicações de FHC.
Associado à imagem de um trator, Serjão previra, nas pegadas do Plano Real, que o PSDB ficaria no poder por 20 anos.
Morreu antes de testemunhar a conspiração dos fatos. Eleito na sucessão de 2002, Lula interrompeu o sonho quando eram decorridos oito anos de presidência tucana.
De resto, para ficar de pé, o devaneio do PSDB terá de saltar pelo menos seis obstáculos que o separam de 2027:
1. Serra teria de seduzir Aécio para o seu projeto. A julgar pelo que anda dizendo o governador de Minas em privado, é algo complicado
2. Depois, Serra teria de prevalecer sobre Dilma nas urnas de 2010. Impossível? Não. Fácil? Tampouco.
3. Eleito, o governador de São Paulo teria de realizar um governo tão bom que o credenciasse à reeleição. Coisa que nenhuma bola de cristal é capaz de assegurar.
4. Na hipótese de Lula retornar à cena em 2014, uma eventual recandidatura de Serra teria de provar-se capaz de bater o ex-presidente mais popular da história.
5. Se conseguisse impor uma surra ao mito, Serra teria de vencer um fenômeno aeronáutico que costuma assediar os governos longevos: a fadiga do material.
6. Entregando a bola redonda para Aécio, seu futuro suposto vice precisaria ultrapassar todas as etapas anteriores:
...Prevalecer sobre o rival da época, fazer boa administração, livrar-se da urucubaca aeronáutica e reeleger-se.
Em resumo: Na política, como em qualquer outra atividade, o problema de quem planeja o futuro é que não dá para prever o projeto que o futuro traça para aqueles que se aventuram a planejá-lo.
O PAC de Dilma é o programa mais aquinhoado: R$ 29,9 bi
Na TV, Lula anunciou 2010 como o ano dos ‘investimentos’
BC estima que ano da sucessão terá PIB 5,8% mais 'gordo'
Waldemir Rodrigues/Ag.Senado
A 25 minutos do início das férias parlamentares, o Congresso aprovou às 23h35 desta terça o Orçamento da União para 2010.
No total, soma R$ 1,86 trilhão. O grosso, R$ 596,2 bilhões vai para a rolagem da dívida pública.
No último ano da gestão Lula, período de sucessão presidencial, o governo vai dispor de R$ 151,9 bilhões para realizar investimentos.
Quase metade dos recursos reservados para investir sairá das arcas das empresas estatais: R$ 94,4 bilhões.
O PAC, uma das molas propulsoras da candidatura Dilma Rousseff, foi o programa mais bem aquinhoado: R$ 29,9 bilhões. Um acréscimo de cerca de R$ 7 bilhões em relação a 2008.
Em pronunciamento de final de ano, levado ao ar em rede nacional de rádio e TV, Lula informou que mudará o foco do governo no ano da sucessão.
Em vez da ênfase ao consumo, adotada para atenuar os efeitos da crise financeira global, o Planalto dará prioridade aos investimentos.
Ao esmiuçar seus planos, Lula disse que o BNDES, banco oficial de fomento, receberá aporte adicional de R$ 80 bilhões.
Mencionou a criação de uma “Letra Financeira”. Um papel a ser usado por bancos privados, para financiar a produção de bens de capital.
Falou de uma injeção de R$ 15 bilhões no Fundo da Marinha Mercante. Coisa destinada a estimular a indústria naval.
De resto, revelou a intenção de manter a desoneração de tributos para estimular a fabricação de computadores.
Se você não teve a oportunidade de assistir Lula na noite passada, vai abaixo o vídeo.
Horas antes de Lula levar a cara à TV, o Banco Central divulgara o último relatório trimestral de inflação do ano.
Reduziu sua previsão de crescimento do PIB para 2009 de 0,8% para 0,2%. Traduzido em palavras, o percentual é sinônimo de estagnação.
Ou, para usar a linguagem futebolística de que tanto gosta Lula, a economia fecha o ano praticamente num zero a zero.
Para 2010, porém, o relatório do BC antevê um PIB 5,8% mais gordo. Crescimento menor que o de 2007 (6,1%). Mas maior que o de 2008 (5,1%).
A se confirmarem os números levados ao relatório do BC, Lula e Dilma irão aos palanques envoltos em atmosfera econômica benfazeja.
A equipe de Henrique Meirelles, candidato não declarado a vice de Dilma, estima que a taxa de desemprego –algo como 8,1% em 2009— cairá para 7,8%.
Prevê que o brasileiro terá mais dinheiro na mão. Tonificada pelas aposentadorias do INSS e programas sociais, a massa salarial deve crescer de 5,4% para 7,6%.
A bola de cristal do BC antecipa, de resto, que haverá mais dinheiro disponível nos guichês da rede bancária.
Estima-se que o volue de operações de crédito deve atingir 45,3% do PIB no fim de 2010. Para 2009, espera-se 43%.
Para não dizer que não falou de espinhos, o BC sinalizou que vai elevar a taxa de juros em 2010, para deter as pressões inflacionárias que vêm com o crescimento.
O Orçamento aprovado na noite passada vai à sanção de Lula. Chegará às mais do presidente mais gordo do que a peça que ele enviara ao Legislativo.
Graças a mandingas com a reestimativa de receitas, o relator Geraldo Magela (PT-DF) injetou no projeto R$ 23,7 bilhões em verbas extras.
No quadro abaixo, elaborado pela Agência Senado, você confere como o dinheiro foi rateado entre os órgãos públicos.
Fábio Pozzebom/ABr No Brasil, existe a “Justiça” e a Justiça.
A Justiça sem aspas é igual para todos. Com aspas, vê mais igualdade em alguns do que em outros.
Sem aspas, a Justiça é cega. Com aspas, exibe um olfato invejável.
A Justiça é perspectiva de punição. A “Justiça” é solidificação da impunidade.
O STJ acaba de emitir uma prova de que há “Justiça” no Brasil.
Um ministro do STJ, Arnaldo Esteves Lima, suspendeu os processos da Satiagraha.
Por meio de uma liminar, retirou da grelha Daniel Dantas, o investigado-geral da República.
Nas pegadas da revelação da notícia, o ministro Tarso Genro (Justiça) levou os lábios ao trombone:
"Não acho nem presumo que haja qualquer atitude ilegal ou ilegítima do STJ...”
“...Mas uma decisão como essa, num processo dessa repercussão, dessa importância...”
“...Ela de certa forma reflete no senso comum como aquela conclusão clássica de que os poderosos no Brasil dificilmente vão para a cadeia, de que os poderosos no Brasil são inatingíveis pela Justiça".
Tarso recorda que Daniel Dantas “já foi condenado”. Refere-se à sentença de dez anos de prisão, mais multa. “Não está cumprindo pena”, o ministro realçou.
“Isso é decorrente de um processo penal que gera infindáveis processos de demora que, às vezes, acaba em prescrição".
Tarso não chega a pôr a mão no fogo pela primeira fase da Satiagraha, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz, hoje um investigado da PF.
Mas parece seguro quanto à fase seguinte: “O segundo inquérito da Satiagraha é um inquérito rigoroso, bem feito, deu sustentação a uma denúncia muito bem fundamentada...”
“...Eu li a denúncia, inclusive. Isso é uma pendência que existe do STJ com a condução feita pelo juiz [Fausto] de Sanctis, que eu tenho, e acho que a ampla maioria das pessoas do país tem, como um juiz muito sério, trabalhador, dedicado".
O ministro advoga uma “reforma processual no Código Penal”. Coisa que feche as “brechas que retardam desfechos para denúncias”.
De fato, algo precisa ser feito. Reforma? Talvez ajude. Mas o cumprimento das leis já existentes ajudaria muito mais.
Do modo como a coisa caminha, a platéia leiga, que observa a cena à distância, fica confusa.
O emaranhado que se convencionou chamar de "Justiça" vem tornando a Justiça cada vez mais remota.
Desejada por Serra e rechaçada por Aécio, a dobradinha ‘puro-sangue’ do tucanato levou Lula a trançar pernas com o presidenciável da oposição.
Lula arrastou a bola numa entrevista: “Não sei se dois Coutinhos, se dois Tostões, se dois Dirceus Lopes dariam certo no mesmo time. Não sei”.
Serra entrou de bico: “Quando um jogador é muito bom, dá para duplicar, encontra um jeito de se arrumar no campo".
Horas depois, já na madrugada desta terça (22), Serra encerrou a jornada noturna que costuma dedicar ao seu microblog festejando a Marta.
Não a Suplicy, bem entendido. Soltou fogos pela Vieira da Silva, a Marta dos gramados, eleita pela Fifa, pelo quarto ano consecutivo, a melhor jogadora do mundo.
“Gênio”, Serra 'tuitou', direcionando os seus seguidores para o vídeo reproduzido lá no alto, repleto de cenas de “futebol-arte”.
Depois da pelada de metáforas engraçadinhas, o futebol autêntico. É pena que as “artes” da política, por impuras, não inspirem no eleitor brasileiro a mesma paixão devotada aos gramados.
Terminou em pantomima a CPI da Corrupção da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
A comissão terminou como começara, em guerra. De um lado, os oposicionistas, liderados pelo PT.
Do outro lado, a bancada que dá suporte a Yeda Crusius. À frente o PSDB, partido da governadora.
A batalha final foi travada em torno de dois relatórios. Um do relator oficial da CPI, o deputado tucano Coffy Rodrigues.
Outro, paralelo, subscrito pela presidente da CPI, a petista Stela Farias. Partindo dos mesmos fatos, os textos chegaram a conclusões díspares.
Na peça tucana, livrou-se a cara de todo mundo. Inclusive a face de Yeda. Nenhum indício de irregularidade, eis a conclusão.
No relatório alternativo do petismo, sugeriu-se o indiamento de 32. Inclusive Yeda. Houve improbidade administrativa e fraude, concluiu-se.
O grupo pró-Yeda, majoritário, prevaleceu. Oito votos contra quatro. À oposição restou a alternativa de entregar o texto paralelo ao Ministério Público Estadual.
Uma providência tão inútil quanto a própria realização da CPI. Ninguém mais informado acerca das tramóias do que os promotores gaúchos.
É no Ministério Público, auxiliado pela Polícia Federal, que as investigações se processam. Envolvem desvios de R$ 43 milhões no Dentran-RS.
Já há denúncias protocoladas na Justiça. A CPI, aliás, serviu-se de material requisitado à promotoria.
No Rio Grande do Sul, como em Brasília, as CPIs converteram-se em circos. Porporcionam espetáculos deprimentes.
A platéia, forçada a financiar a bilheteria que custeia as pseudoinvestigações, não acha a menor graça.
Divulgação Denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de corrupção passiva, o vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB), alterou os seus planos.
Combinara com o governador, Luiz Henrique (PMDB), que assumiria o governo catarinense em 5 de janeiro.
Candidato ao Senado, Luiz Henrique anteciparia em três meses o seu desligamento do cargo, previsto em lei para o final de março.
No final de semana, em telefonema ao governador, Pavan comunicou sua decisão de dar meia-volta. Alegou que precisa de tempo para preparar sua defesa.
É acusado de tentar beneficiar uma empresa distribuidora de combustíveis que tentava reaver a incrição estadual, cassada pelo fisco catarinense.
Investigação da Polícia Federal concluiu que a operação, frustrada graças à reação de servidores, envolveu o pagamento de propina de R$ 100 mil.
O ministério Público do Estado acatou as conclusões da polícia, convertendo-as em denúncia, já protocolada no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
O tucano Pavan reconhece ter recebido representantes da empresa enrolada. Mas nega o malfeito de que é acusado.
Em abril, depois da saída de Luiz Henrique, terá de assumir o governo de qualquer jeito. A opção seria a renúncia, que parece não cogitar.
Ao contrário, Pavan tenta empinar, a despeito da denúncia, uma candidatura a governador.
Submete o seu nome à consideração da chamada tríplice aliança, um arranjo partidário que reúne em torno do governo local PMDB, DEM e PSDB.
É improvável, porém, que Pavan prevaleça. Antes do rolo, seu nome já não parecia o mais forte. Depois, tonificaram-se as pretensões de outro candidato.
Chama-se Raimundo Colombo. É senador pelo DEM. Seja qual for o candidato, o grupo reunido em torno do pemedebê Luiz Henrique é avesso ao PT.
Deve oferecer palanque no Estado ao presidenciável oposicionista José Serra, do mesmo PSDB do denunciado Pavan.
Derrotado, governo não consegue tirar Petrobras da lista
Comissão vai votar Orçamento de 2010 nesta terça-feira
Projeto aumenta gastos do governo em R$ 23,76 bilhões
Na noite passada, o Planalto sofreu dupla derrota em votações realizadas na Comissão de Orçamento do Congresso.
Foi a voto o relatório preparado pelo Comitê de Avaliação de Obras com Indícios de Irregularidades Graves.
O documento recomendou a interrupção, em 2010, do repasse de verbas a 26 obras públicas, seis delas do PAC.
A bancada governista apresentou dois requerimentos. Ambos destinavam-se a excluir da lista obras tocadas pela Petrobras –quatro, no total.
Para desassossego do governo, congressistas de sua tropa faltaram à reunião. E a oposição, com o auxílio de governistas insurretos, prevaleceu.
Na primeira votação, naufragou a tentativa de salvar três obras petroleiras.
Manteve-se o veto em relação a duas refinarias –Abreu e Lima (PE) e Presidente Getúlio Vargas (PR)— e ao Terminal de Escoamento de Barra do Riacho.
Na segunda votação, foi a pique a iniciativa que tentava manter as verbas destinadas ao Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).
Deve-se a um deputado da oposição, Carlos Melles (DEM-MG), a autoria do relatório que traz a lista negra de obras.
Melles guiou-se por auditoria do TCU, que recomendara o torniquete financeiro para 41 obras tocadas pelo governo e eivadas de irregularidades.
As votações foram precedidas de intenso debate. Atribuiu-se a derrota do governo à própria Petrobras, que se recusara a forneceder dados pedidos pelo Congresso.
Líder do PT na Comissão de Orçamento, o deputado Jilmar Tatto (SP) disse que o governo tentará reverter as derrotas no plenário do Congresso.
Antes de seguir para o plenário, o relatório final do Orçamento de 2010 terá de ser votado na comissão, integrada por deputados e senadores.
Agendou-se a votação para esta terça (22). Relator do Orçamento, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) concluiu o seu trabalho na noite de domingo (20).
Magela cuidou de elevar os gastos do governo no ano eleitoral de 2010. Tonificou as despesas em R$ 23,76 bilhões.
Foi buscar o dinheiro extra em duas manobras que reforçaram a aparência ficcional do Orçamento da União.
Primeiro, o relator produziu, com a anuência da comissão, duas reestimativas das receitas do governo no ano que vem.
Cava daqui, recalcula dali, apareceram R$ 16,46 bilhões. Um vir a ser que depende do comportamento da economia.
Depois, fez-se uma reestimativa, para baixo, do superávit primário, a economia que o governo é obrigado a fazer para pagar a dívida pública.
Elevaram-se em R$ 7,3 bilhões as verbas do PAC, um tipo de investimento que pode ser abatido do superávit.
Escorou-se a mandinga num projeto que o Congresso aprovada há meses, autorizando a inclusão do Minha Casa, Minha Vida no PAC.
Na votação desta terça, além de analisar o relatório do petista Magela, deputados e senadores da comissão terão de votar 286 destaques ao texto.
Destaque é o nome técnico dado às emendas que visam alterar o projeto do relator. A menos que haja acordo de líderes, a votação será demorada.
Só a leitura do relatório de Magela consumiu, na noite passada, mais de cinco horas. A sessão terminou à 1h42, já na madrugada desta terça.
Da comissão, o Orçamento seguirá para o plenário do Congresso. Sessão conjunta, com deputados e senadores.
A aprovação do Orçamento é algo imperioso. Sem ela, os congressistas não podem mergulhar no recesso de final de ano, cujo início está previsto para hoje.
Como em anos anteriores, deixou-se para a última hora a votação do Orçamento, a principal lei submetida pelo Executivo à apreciação do Parlamento.
A maioria dos congressistas vai à sessão sem saber o que vai votar. A essa gente interessa uma única rubrica: a que destina verbas às emendas parlamentares.
Enfiaram-se no documento redigido por Magela R$ 13 bilhões em emendas que destinam recursos para as bases eleitorais de suas excelências.
Essas emendas movimentam o mercado de trocas do Congresso. O governo as libera em ritmo de conta-gotas, quando e como bem entende.
Costuma-se dar preferência às verbas alocadas no Orçamento por “aliados”. Sobretudo aqueles que devotam maior fidelidade ao governo.
- Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do relatório final do Orçamento da União para 2010. Estima os investimentos públicos em R$ 151,9 bilhões, 4,6% do PIB.
Ao dividir a mesa do café com repórteres, Lula disse meia dúzia de palavras sobre o pedido de extradição do ex-guerrilheiro Cesare Battisti.
"Não me importa o que o STF fez. Não dei palpite quando eles decidiram. Não falei nada...”
“...Agora, se a bola foi passada para mim, eu decido como vou chutar, se de três dedos, de trivela ou como a Marta fez no jogo de ontem".
Abra-se um parêntese, para rememorar “o que o STF fez”. Em novembro, decidira pela extradição. Mas passara a pelota para Lula, dono da palavra final.
Na semana passada, o Supremo ajeitou o passe. Decidiu que Lula pode “chutar”, desde que acomode a bola nos limites do tratado de extradição Brasil-Itália. Fecha parênteses.
Ratificado pelo Congresso, o tratado tem força de lei. Assim, a desconversa de Lula –“Não me importa o que o STF fez”— é lero-lero para boi nanar.
Ou respeita a lei ou se arrisca a ser desautorizado pelo Supremo. Para manter Battisti no Brasil, terá de dizer que o condenado é perseguido político.
Algo que converteria a democracia e o estado de direito italiano em lixo. Será que Lula compra essa briga?
Lula, todo mundo já sabe, não é um político do tipo que traz as opiniões na coleira. Bem ao contrário. Gosta de mantê-las à solta.
Nesta segunda (21), Lula recebeu jornalistas para o café. Solícito, falou mais que o homem da cobra, como se diz.
Ao final da conversa, havia uma matilha de opiniões presidenciais nos blocos de anotações dos repórteres.
Algumas rosnaram para a oposição. Outras mostraram os caninos para o próprio PT. E muitas latiram a esmo.
Vai abaixo um resumo do lero-lero:
- A liderança de Serra: Lula desdenhou das pesquisas. Insinuou que Serra, na raia presidencial desde 2002, é beneficiário de recall. Comparou-o ao Timão:
"Desde que começou o meu mandato, o Serra está em primeiro lugar, igual ao Corinthians...
“...A pesquisa serve como estímulo, mas não tem nenhuma imposição, nenhum valor para 2010".
- O ‘puro-sangue’ tucano: Apostador escolado, Lula fez pouco da dobradinha Serra-Aécio, o ‘puro-sangue imbatível’ idelizado pela oposição.
Usou, de novo, uma analogia futebolística: “Não sei se dois Coutinhos, se dois Tostões, se dois Dirceus Lopes dariam certo no mesmo time. Não sei...”
“...Às vezes, é preciso fazer uma composição diferenciada para poder dar certo [...]. Mas aí, o PSDB que decide".
- O plebiscito: Lula jogou uma casca de banana na raia adversária ao pôr em dúvida a renúncia de Aécio às pretensões presidenciais:
"Se é definitiva [a retirada da candidatura] ou se é jogo de pressão eu não sei. Para a Dilma não muda muita coisa”.
Em seguida, reiterou a velha mumunha. Vai tentar mandar o candidato da oposição, seja Serra ou Aécio, ao segundo plano.
Lula quer mesmo é aproveitar 2010 para comparar-se a FHC. “Nós queremos é uma campanha polarizada com dados comparativos dos dois governos".
- O vice do PMDB: Instado a comentar o mal-estar provocado por sua fórmula da “lista tríplice”, Lula escorregou de banda:
"Essa questão da lista é quando as pessoas transformam o óbvio em novidade. Eu disse que quem cuida disso é a Dilma”.
Disse que o PMDB tem “autonomia” para escolher. Uma autonomia de meia-tigela, contudo:
A Dilma “tem que sentar com os aliados e discutir a vice. No momento certo, todos vão sentar e discutir e não quero nem estar perto...”
“...O PMDB tem todo direito de apresentar um nome. O meu vice fui eu quem escolhi".
E quanto a Michel Temer? "É um bom companheiro, tem sido de muita lealdade, um bom presidente da Câmara, mas...”
Mas “...não quero que digam que eu quero que seja o Temer ou não. Quero que a Dilma converse com o PMDB". Ou seja, não quer o Temer.
- O vôo solo de Ciro: Em manifestações anteriores, referindo-se a Marina Silva, Lula dissera que não tem o direito de pedir a ninguém que não seja candidato.
Aplicado a Ciro, o raciocínio vira lorota. Ouça-se o que diz sobre a pretensão de Ciro de disputar a presidência em vez de bandear-se para a refrega pelo governo de São Paulo:
"É óbvio que se ele entender que deve ser candidato, eu jamais me oporia, mas se eu perceber que o jogo não comporta mais de um candidato da base...”
Nesse caso “...Eu não hesitarei falar com ele. Mas isso não é agora, é para março, abril".
- A hegemonia tucana em SP: Num instante em que o Datafolha informa que o PSDB prevaleceria em São Paulo, no primeiro turno, com Alckmin ou Serra, Lula mirou o PT.
"O PT cometeu um erro histórico de não repetir candidato em São Paulo. Precisa ter noção que, antigamente, 30% ganhava eleição quando não tinha segundo turno...”
“...Isso aconteceu com Luiza Erundina em 1988. Mas como hoje você precisa de 50% mais 1%, o PT precisa perceber que precisa de aliado...”
“...Deve procurar os outros 20%, que não está dentro do PT". Ao limitar suas alianças à esquerda, o PT promove a “soma do zero com o zero”.
Ensinou: “Precisa procurar gente de fora. Não sei se é partido, não sei se são figuras políticas...”
“...Eu mais que ninguém tenho mais noção do benefício que o [José] Alencar trouxe. Ele quebrou preconceitos. O PT precisa encontrar sua cara metade".
Lula não disse, mas junto com Alencar, enfiou no seu governo toda uma bancada mensaleira do PR, PP, PTB e um imenso etc...
Também não mencionou, mas Paulo Maluf continua à deriva em São Paulo. Quem sabe não estaia aí a “cara metade” do petismo.
Fotos: Folha Pesquisa Datafolha ajuda a explicar dois incêndios que conspiram contra a aliança PMDB-PT em torno da candidatura presidencial de Dilma Rousseff.
Os pemedebês Sérgio Cabral e Hélio Costa lideram as disputas pelos governos do Rio e de Minas, respectivamente.
A despeito disso, o PT ainda não logrou retirar do caminho da dupla os petês que os atormentam.
Discorra-se primeiro sobre o caso do Rio. Os percentuais atribuídos a Cabral variam de 36% a 39% dependendo do cenário.
Atrás dele vem o ex-pemedebê Anthony Garotinho, agora filiado ao PR, com índices que variam entre 23% e 24%.
Fernando Gabeira (PV), candidato dos sonhos do tucanato de José Serra, obtém entre 14% e 17%.
Mas Gabeira, agora ligado à candidatura presidencial de Marina Silva (PV), diz que vai concorrer ao Senado.
A oposição tenta empurrar para a refrega o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) –entre 12% e 13%. Por ora, ele resiste. Diz preferir o Senado.
Na lanterninha, vem o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. No seu melhor cenário, crava 8%. No pior, 6%.
Num contexto em que a dianteira de Cabral sobre Garotinho varia entre 12 e 15 pontos percentuais, o PMDB sobe nas tamancas.
A posição de Cabral, embora confortável, não recomenda descuidos. Lula assegurara que, no Rio, o petismo iria de Cabral. Porém...
Porém, o azarão Lindberg se finge de morto. E Lula, que prometera enquadrá-lo, não moveu uma mísera palha.
Para complicar, o neogovernista Garotinho apresenta-se na TV como candidato de Lula. Declara-se Dilma desde menininho.
Assim, três candidatos oferecem palanque a Dilma no Rio: Cabral, Garotinho e Lindberg. Bom não é. Mas é melhor do que Serra, que não dispõe de nenhum.
Cuide-se agora do caso de Minas. Ali, o pemedebê Hélio Costa lidera a pesquisa.
Obtem a sua melhor marca, 37%, no cenário em que não há petistas.
Mas o PT, para irritação do PMDB, informa que haverá um petista no páreo.
Ou o ex-prefeito Fernando Pimentel ou o ministro do Bolsa Família, Patrus Ananias.
Contra Pimentel, Hélio Costa prevaleceria, hoje, pelo placar de 31% a 19%. O candidato de Aécio Neves, Antonio Anastasia (PSDB), teria 10%.
É grande a taxa de eleitores que informam que ainda não sabem em quem vão votar (23%) ou que planejam votar branco ou nulo (12%).
Contra Patrus, Hélio Costa amealha 32%. O rival petista, 12%. Anastasia permanece com 10%. Os indecisos vão a 24%.
Ninguém trabalha em Minas com a hipótese de que Anastasia, o candidato de Aécio, vai chegar à eleição patinando na casa dos 10%.
Imagina-se que Aécio, dono de invejável popularidade, fará do seu vice-governador um candidato competitivo.
Daí os apelos do PMDB ao PT. Hélio Costa estima que, chegando a 30% nos primeiros meses de 2010, Anastasia vai às urnas com a cara de favorito.
De resto, acredita que, desunidos, PMDB e PT arriscam-se a entregar a Aécio a cadeira do sucessor.
Pior: a desunião, afirma Hélio Costa, complica enormemente a situação de Dilma Rousseff em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país.
O petismo faz ouvidos moucos. O que leva Hélio Costa a entabular negociação paralela com Aécio. O governador tucanos abre os braços.
Aécio se dispõe a negociar com o PMDB-MG a vaga de vice na chapa de Anastasia ou a segunda posição de senador na chapa. A primeira, reservou para si.
Se a desavença que rói as relações do PMDB com o PT em Minas prejuidica Dilma, um eventual acerto de Hélio Costa com Aécio prejudicaria muito mais.
Vem de Minas Gerais o maior contingente de delegados (58) com direito a voto na convenção nacional do PMDB, marcada para junho.
É nessa convenção que o PMDB terá de decidir se converte ou não em casamento o acordo pré-nupcial que celebrou com Dilma.
Os pemedebês que sabem fazer contas e que já viram elefante voar acham que o PT brinca com fogo. O petismo acha que o fogo é de palha.
Os números do Datafolha são encontráveis nas páginas da Folha.
O Datafolha revela que o desgaste da revogação da renúncia “irrevogável” à liderança do PT não foi bastante para ferir de morte o mandato de Aloizio Mercadante.
Candidato à reeleição, o petista Mercadante mantém-se na liderança da disputa em São Paulo. Amealhou na pesquisa 32% das intenções de voto.
Na segunda posição, com 27%, aparece Romeu Tuma (PTB), outro senador que vai a 2010 como candidato à reeleição.
O terceiro colocado é o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), a quem o Datafolha atribuiu índice de 24%.
Quércia puxou suas fichas na eleição municipal do ano passado. Apoiou a candidatura do prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM).
Com esse movimento, foi ao pano verde de 2010 do lado do governador tucano José Serra, que deu a Kassab as cartas tomadas da mão de Geraldo Alckmin (PSDB).
Na composição esboçada em 2008, Quércia creditou-se de uma das vagas ao Senado na coligação tucana do ano que vem.
O eleitor de São Paulo mandará dois políticos ao Senado. Quércia está a três pontos percentuais de Tuma numa pesquisa em que a margem de erro é de dois pontos.
O ex-governador, figura controversa, não tem a eleição assegurada. Mas, se os ventos não mudarem, deve dar algum trabalho.
Não será uma disputa fácil, contudo. Abaixo de Quércia, mordendo-lhe os calcanhares, estão o vereador-sambista Netinho (PCdoB) e a subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS).
Netinho e Soninha aparecem com 22%, a dois pontos percentuais de Quércia. Considerando-se a margem de erro, a trinca está tecnicamente empatada.
Os números do Datafolha encontram-se publicados na edição desta segunda da Folha.
Apu Gomes/Folha Pesquisa feita pelo Datafolha indica franco favoritismo do tucano Geraldo Alckmin na disputa pelo governo de São Paulo.
Se a disputa fosse realizada hoje, Alckmin prevaleceria já no primeiro turno da eleição.
Ex-governador e candidato derrotado à presidência em 2006, ele amealha entre 50% e 54% das intenções de voto, conforme o cenário.
No campo que gravita em torno de Lula, os candidatos mais bem postos na pesquisa são Ciro Gomes (PSB) e Marta Suplicy (PT).
Ele belisca entre 14% e 16%. Percentuais semelhantes aos atribuídos a ela: entre 14% e 19% dependendo do cenário.
O diabo é que nem Ciro nem Marta exibem apetite para mastigar o desafio de São Paulo.
O deputado do PSB, embora tenha transferido o título de eleitor do Ceará para São Paulo, afirma que é candidato a presidente, não a governador.
A ex-ministra do PT pende para uma cadeira na Câmara. Declara-se uma apoiadora da candidatura do ex-czar da Economia Antonio Palocci (PT).
Melhor para Alckmin, que obtem sua melhor marca (54%) justamente no cenário em Palocci, com 4%, aparece abaixo de até de Soninha (PPS), com 9%.
No embate Ciro X Alckmin, o tucano vence por 50% a 14%. Soninha crava 7%. Paulo Maluf (PP), 10%.
Trocando-se Maluf pelo deputado Celso Russomano (6%), que o PP apresenta como seu candidato, Alckmin vai a 51% e Ciro escala 16%.
Numa disputa Marta X Alckmin, o tucano triunfaria com resultado idêntico: 50% a 14%.
O Datafolha testou também dois cenários em que, em vez de Alckmin, o candidato do PSDB é José Serra.
Se resolvesse trocar a candidatura presidencial pela reeleição em São Paulo, Serra também liquidaria a eleição em primeiro turno, informa o instituto.
Numa disputa contra Marta, Serra venceria por 44% a 19%. Contra Palocci, 55% a 7%.
A hipótese de Serra transferir-se da raia nacional para a estadual estreitou-se na semana passada.
Ao retirar-se da disputa presidencial, o governador mineiro Aécio Neves como que condenou Serra ao caminho único da sucessão presidencial.
O Datafolha aferiu a capacidade de transferência de votos de Serra em São Paulo: 39% dos entrevistados disseram que votariam no candidato apoiado por ele.
Outros 18% disseram que poderiam votar num candidato a governador que tivesse o apoio de Serra. E 27% declararam que não votariam no preferido de Serra.
Os índices obtidos por Alckmin limitam as chances de um outro pretendente tucano: Aloysio Nunes Ferreira.
Chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio sonhava ser o candidato do PSDB à sucessão do chefe.
Serra gostaria de impor Aloysio a Alckmin. Mas, à luz dos números do Datafolha, seria um tolo se o fizesse.
A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 14 e 18 de dezembro. Entrevistaram-se 2.050 pessoas em 56 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Os números do Datafolha, expostos nas páginas da edição desta segunda (21) da Folha, reforçam uma impressão que já se havia solidificado:
O apreço do eleitor de São Paulo pelo tucanato transforma o maior colégio eleitoral do país numa espécie de Waterloo da presidenciável petista Dilma Rousseff.
A capital do Mato Grosso também está às voltas com uma encrenca estrelada pelo sobrenome Arruda.
Lutero Ponce de Arruda, eis o nome inteiro. É filiado ao PMDB. Presidia a Câmara Municipal de Cuiabá. Passaram-lhe o mandato na lâmina.
Há quatro dias, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público matogrossense. Acusam-no de ter desviado, junto com nove pessoas, R$ 3,9 milhões.
Segundo a denúncia, o Arruda cuiabano promoveu compras fictícias entre os anos de 2007 e 2008.
Um item chama especial atenção: 11 toneladas de biscoitos. Autora da denúncia, a promotora Ana Cristina Bardusco foi à calculadora:
“Considerando que a Câmara Municipal era composta por 20 vereadores, em tese, coube a cada um deles 552,1 Kg de bolacha...”
“...Mais de meia tonelada por vereador, o que equivale a 1,5 kg de bolacha por dia para cada vereador”.
Além de bolachas, a denúncia empilha outros produtos alimentícios na lista de compras supostamente fictícias:
Por exemplo: 24,5 toneladas de açúcar, 572 litros de adoçante, 7.464 litros de leite e 6,25 toneladas de café em pó.
Mencionam-se ainda 6,2 milhões de copos para café, 4,2 milhões de copos para água e 1 milhão de embalagens de guardanapos de papel.
Há também material de escritório: 151.700 canetas esferográficas, 1.250 bobinas para fax, 625 cadernetas taquigráficas, 5.534 pincéis atômicos...
...3.373 almofadas para carimbo, 15.500 folhas de carbono, 7.062 lápis preto, 2.362 marca-textos, 12.920 pastas com elástico e 1,1 milhão de folhas de formulário contínuo.
O ex-vereador Arruda e os outros nove denunciados vão responder por formação de quadrilha, desvio de dinheiro público e fraude em licitação.
A exemplo do que se passa com o Arruda do panetonegate, a defesa do Arruda do biscoitogate nega os malfeitos. Alega perseguição e cerceamento de defesa.
Sustenta, de resto, que as compras foram efetivamente realizadas.
Marcelo Hernandez/AP Hugo Chávez foi à TV neste domingo para exercitar o seu papel predileto, o de fabricador de crises.
Sem exibir provas, disse que aviões não-tripulados da vizinha Colômbia invadem o espaço aéreo da Venezuela para executar missões de espionagem.
"São pequenos aviões, de 2 ou 3 metros, controlados por controle remoto. Mas eles filmam tudo e até lançam bombas”.
Chávez arrastou para a encrenca, como sói, os EUA. Afirmou que a Colômbia serve-se de “tecnologia ianque”.
Pintou-se para a guerra: “Ontem à noite ordenei: Se um aviãozinho desses aparecer, derrubem-no!"
Para Chávez, "são evidentes" os sinais de que Colômbia e EUA preparam uma agressão contra a Venezuela.
"Quase todos os dias dizem que eu estou preparando um ataque contra a Colômbia, mas são eles que buscam uma desculpa para dizer que a Venezuela é o agressor..."
"...Não estamos preparando um ataque contra a Colômbia nem contra ninguém”. Mas avisou: a Venezuela "não está desarmada".
É esse personagem mercurial que está na bica de ganhar um assento no Mercosul. O Congresso brasileiro aprovou o protocolo de adesão da Venezuela ao bloco.
Antes, a coisa já havia sido ratificada pelos parlamentos da Argentina e do Uruguai. Falta apenas o Legislativo do Paraguai.
Um pedaço do Congresso paraguaio torce o nariz para Chávez. Quem diria. O futuro do Mercosul nas mãos do Paraguai!
Divulgação O PMDB da Bahia realizou neste domingo (20) sua convenção.
Convocado para eleger a direção do partido no Estado, o evento virou um palco anti-PT.
Ministro de Lula, Geddel Vieira Lima foi festejado como candidato do PMDB ao governo baiano.
Ao discursar, Geddel reafirmou seus planos de comparecer às urnas de 2010 como candidato ao governo local.
E voltou a vergastar a gestão petista de Jaques Wagner.
Ex-parceiro de Wagner, de cujo governo o PMDB participava, Geddel é hoje feroz adversário do governador.
Geddel insinuou que Wagner, um dos mais íntimos amigos de Lula no petismo, dispensa à segurança pública uma prioridade de gogó:
“Prioridade não se estabelece com discurso, mas com orçamento...”
...Como se explica o governo gastar nos primeiros dez meses do ano mais de R$ 60 milhões em propaganda e apenas R$ 15 milhões em segurança?”
Disse que, sob Wagner, diferentemente do que ocorre em Estados como Pernambuco e Ceará, a Bahia “assiste empresas irem embora”.
Citou uma planta industrial da empresa Braskem, “perdida para o Rio Grande do Sul”. Estendeu as críticas a outras áreas do governo petista:
“Aqui se fecham museus, abandona-se o Pelourinho”. Disse que, na saúde, a Bahia “recordes em dengue e meningite”.
A platéia, estimada pelo PMDB em 4 mil pessoas, incluiu um visitante ilustre: Michel Temer, presidente da Câmara e presidente licenciado do partido.
Apontado como preferido do PMDB para compor a chama de Dilma Rousseff como candidato a vice, Temer testemunhou os ataques de Geddel ao PT da Bahia.
E endossou os planos do correligionário e amigo: “A multidão que está aqui hoje clama por mais espaço...
“...Não um espaço físico, e sim um espaço para ver Geddel Vieira Lima prosperar, um espaço na Bahia, com Geddel como governador”.
Reeleito em 2008 depois de ter sido abandonado pelo PT, o prefeito de Salvador, João Henrique, antecipara Geddel nos ataques ao PT:
“Foi um parceiro que ficou por três anos e meio no Governo e faltando apenas seis meses para as eleições nos deu um pontapé, depois de nos ter sabotado por dentro”.
Além dos disparos verbais, Geddel age para esvaziar a atual base de apoio do petista Wagner.
Convidado de honra da convenção, o senador Cesar Borges, presidente do PR-BA, anunciou que, em 2010, não deve se compor com o PT.
Disse que seu “caminho natural” é uma aliança com o PMDB de Geddel ou com o DEM, que, na Bahia, tentará devolver o ex-governador Paulo Souto ao poder.
Quanto à escolha do presidente do PMDB baiano, não houve disputa. Havia um único candidato. Chama-se Lúcio Vieira Lima.
Vem a ser irmão de Geddel. Já preside o diretório baiano da legenda. Foi reeleito sem contestações. Uma evidência de que, no PMDB da Bahia, Geddel é soberano.
As críticas ao petismo foram reproduzidas no sítio do PMDB na web. No mesmo espaço, há um vídeo em que Lula afaga Geddel.
Na peça, levada à televisão na propaganda estadual do PMDB, o presidente dirige ao ministro um elogio ao estilo nunca antes na história desse país (assista abaixo).
É em meio a essa atmosfera envenenada que o PMDB condiciona o apoio a Dilma Rousseff à exigência de que, na Bahia, seja implementada a política do palanque duplo.
Se pisarem no palanque de Jaques Wagner, Lula e Dilma terão de levar os pés também ao tablado de Geddel. Do contrário...
Advogado confirma o encontro, mas nega o recebimento
Vice de Arruda é investigado em duas ‘operações’ da PF
Fábio Pozzebom/ABr Poupado por seu partido, o DEM, o vice-governador do DF, Paulo Octávio é personagem de um par de operações conduzidas pela Polícia Federal.
A primeira, arde no noticiário sob o nome de Operação Pandora. Perscruta o esquema que alimentou de panetone$ deputados da Câmara Legislativa do DF.
A segunda, menos conhecida, chama-se “Operação Tucunaré”. Investiga lavagem de dinheiro e evasão de divisas feita por meio de doleiros.
Em notícia levadas às páginas da revista Época (só para assinantes), os repórteres Andrei Meireles, Marcelo Rocha e Leonel Rocha empilham novidades sobre os dois casos.
Em relação à Pandora, o dado mais relevante salta de depoimentos prestados ao Ministério Público pelo delator premiado Durval Barbosa.
Segundo Durval, ex-secretário de Relações Institucionais da gestão Arruda, governador e vice participavam do rateio de propinas que ele amealhava.
Durval contou que Arruda e Paulo Octávio acertaram-se quanto à divisão das verbas de má origem ainda na campanha de 2006.
Ficou entendido, contou o delator, que o vice embolsaria um terço das propinas. O governador receberia os dois terços restantes.
De acordo com os relatos de Durval, a parte que cabia a Paulo Octácio era recolhida por dois prepostos.
Um deles, Marcelo Carvalho, principal executivo dos negócios privados de Paulo Octávio, foi filmado em vídeos que compõem a cionemateca do escândalo.
O outro chama-se Marcelo Toledo Watson. É policial civil aposentado. Como se verá abaixo, está no centro da outra operação da PF, a Tucunaré.
Não é só. Durval disse em seus depoimentos que também entregou dinheiro pessoalmente ao próprio vice-governador.
Durval revelou que encontrava Paulo Octávio numa suíte do hotel brasiliense Kubitsckek Plaza, que pertence ao vice-governador.
Num dos depoimentos, Durval esmiúça os detalhes de visita que fizera ao hotel. Ouviu-se o advogado de Paulo Octávio, Antonio Carlos de Almeida Castro.
Mais conhecido pelo apelido, Kakay, o advogado confirmou que seu cliente recepcionou Durval no hotel. Mas negou que tenha recebido dinheiro.
E quanto à outra Operação Tucunaré? Bem, nessa outra investigação, que corre sob sigilo, a polícia grampeou um diálogo telefônico.
De um lado da linha falava um doleiro chamado Fayed Trabously. Do outro lado, o policial aposentado Marcelo Toledo Watson, já citado lá no alto.
O apelido de Marcelo Toledo é Tucunaré. Daí o nome da operação. Segundo a PF, o policial de pijamas negociava com doleiros o envio de propinas ao exterior.
A PF serve-se do auxílio de órgãos do governo federal incumbidos de mapear movimentações financeiras suspeitas.
Tenta refazer a trilha da propina que, recolhida em Brasília, teria migrado para contas no exterior. Contas que a polícia atribui a Paulo Octávio.
Levantou-se a suspeita de que, nessa operação, a imagem de Paulo Octávio teria sido registrada em vídeo. Sobre esse caso, o advogado Kakay declarou:
1. Não há hipótese de seu cliente ter sido filmado manuseando dinheiro sujo.
2. Paulo Octávio não enviou dinheiro ao exterior por meio de doleiros.
A exemplo do que fizera com Durval Barbosa, a PF tentou seduzir Marcelo Toledo a tornar-se um réu colaborador. Porém...
Porém, o policial aposentado declinou da oferta na semana passada. A notícia de Época anota um detalhe. Diz o texto:
“Segundo amigos de Durval [Barbosa], [Marcelo] Toledo teria exigido – e conseguido – a prorrogação por mais um ano do contrato de uma agência de publicidade...”
Uma agência “...da qual seria sócio oculto com a Terracap, a estatal que administra as terras públicas do Distrito Federal...”
“...Há suspeitas de irregularidades nas prorrogações anteriores desse mesmo contrato, no valor de R$ 13,5 milhões, sob investigação no Tribunal de Contas do Distrito Federal”.
Apreensão se deu na residência oficial do governador do DF
Polícia também encontrou cédulas na casa de ‘ex-assessor’
Antônio Cruz/ABr Em relatório encaminhado ao STJ na quarta-feira (16), a Polícia Federal anota detalhes do escândalo que eletrifica a cena política de Brasília.
Dados mencionados nos documentos foram às manchetes deste domingo (20).
Constam de uma notícia da lavra dos repórteres Felipe Coutinho e Hudson Corrêa.
São encontrados também de reportagem escrita por Rodrigo Rangel. São duas as informações principais:
1. Apreendeu-se dinheiro de má origem numa dependência de Águas Claras, a residência oficial do governador José Roberto Arruda (ex-DEM).
2. Recolheram-se cédulas obtidas ilegalmente também na casa de um dos personagens do “panetonegate”.
Nas duas passagens do relatório, a PF atribui a posse dos recursos a pessoas que privam da intimidade do governador de Brasília.
Na batida de Águas Claras, o dinheiro foi encontrado numa sala que era utilizada por Fábio Simão. Era chefe de gabinete de Arruda. Foi demitido após o terromoto.
Nesse caso, as cédulas estampavam numeração da mesma série (A3569) exibida em notas que a PF recolhera em duas empresas investigadas no inquérito.
Chamam-se Vertax e Adler. Mantêm com o GDF contratos na área de informática. São acusadas de abastecer o DEMensalão brasiliense.
A outra operação de busca e apreensão levou agentes da PF à casa de Domingos Lamoglia.
Vem a ser um ex-assessor pessoal de Arruda, nomeado pelo governador para compor o quadro de conselheiros do Tribunal de Contas do DF.
Ali, informa a PF no relatório entregue ao STJ, recolheram-se cédulas que haviam sido tingidas previamente com tinta invisível.
Deu-se o seguinte: Durval Barbosa, o ex-secretário de Arruda que se converteu em delator do esquema, entregou à PF R$ 600 mil.
Dinheiro proveniente de propina paga por empresas que transicionam com o GDF. A PF marcou as cédulas com tinta invisível.
Depois, Durval procedeu o rateio a personagens que integravam o esquema urdido sob Arruda.
Segundo a PF, as cédulas recolhidas na casa de Domingos Lamoglia procediam desse lote previamente marcado (séries séries A2406, A2870, A2994 e A3027).
No relatório ao STJ, a PF anotou: "A maior parte do dinheiro marcado veio exatamente da Vertax (R$ 100.000)...”
“...E como já foram encontradas cédulas com a mesma numeração de série em ambos os lugares (Vertax/Lamoglia), fica evidenciada estreita ligação entre eles".
A despeito das evidências, os envolvidos negam participação nos malfeitos.
Relator do “panetonegate”, o ministro Fernando Gonçalves, do STJ, determinou a realização de nova perícia técnica no dinheiro.
Em despacho assinado na sexta-feira (18), o ministro ordenou também que o GDF forneça planilha com o fluxo de pagamentos a empresas de informática.
Neste sábado, Arruda expediu, por meio do advogado José Gerardo Grossi, uma nota. No texto, nega outra informação proveniente do inquérito.
Informara-se que o delator Durval dissera, em depoimento ao Ministério Público, que entregou R$ 3 milhões diretamente a Arruda.
Dinheiro de propina, provido por empresas de informática e repassado a Arruda em moeda sonante.
Na nota, Arruda “repele com veemência” a acusação. Insinua que o delator não merece crédito.
O texto refere-se a Durval como “um indivíduo que já responde na Justiça a 32 processos...”
“...E terá que responder criminalmente a acusações infundadas, irresponsáveis e caluniosas que vem fazendo".
O diabo é que o réu dos “32 processos” servia ao governo Arruda na prestigiosa função de Secretário de Assuntos Institucionais.
O pedaço governista do PMDB e o PT vão às festas de final de ano tão ou mais distantes de um acordo eleitoral quanto estavam no início de 2009.
Empurraram-se para dentro do calendário de 2010 todas as pendências que conspiram contra a aliança. Repetindo: todas.
Para complicar, Lula fabricou uma encrenca nova ao sugerir que o PMDB deve apresentar a Dilma Rousseff uma lista tríplice de vices.
Encurtou-se o pavio dos negociadores do PMDB. Já há no grupo gente que condiciona o apoio a Dilma à performance da candidata.
Na percepção desse pedaço do PMDB, o petismo trata seu principal aliado a golpes de barriga.
Pior: dissemina-se no PMDB a sensação de que o PT almeja o principal –o apoio a Dilma— sem abrir mão do acessório –a cessão de espaço nos Estados.
Em Minas, arma-se um palanque petista –Fernando Pimentel ou Patrus Ananias— contra a candidatura do pemedebê Hélio Costa.
No Mato Grosso do Sul, Zeca do PT mastiga a paciência do governador pemedebê André Puccinelli, de olho na reeleição.
No Rio, o petê Lindberg Farias continua sambando numa passarela que Lula prometera que seria exclusiva do governador pemedebê Sérgio Cabral.
No Ceará, o pemedebê Eunício Oliveira é preterido na composição para o Senado. Dá-se preferência ao petê José Pimentel.
Na Bahia e no Pará, ficara entendido que PMDB e PT iriam às urnas de lados opostos. Mas ambos recepcionariam Dilma em seus palanques.
Porém, os pemedebês Geddel Vieira Lima e Jader Barbalho levam o pé atrás. Vêem o tempo passando sem que o acerto seja detalhado.
Um grão-pemedebê ouvido pelo repórter disse que, nesse jogo de empurra, só o PT tem a perder. Amarrou o seu destino ao de Dilma. Precisa de apoio e tempo de TV.
Quanto ao PMDB, aferrado às conveniências estaduais, dispõe de pelo menos quatro alternativas.
Pode levar as mãos ao andor de Dilma. Pode acomodar os pés no palanque tucano de José Serra.
Também pode encher de gás o balão da candidatura própria, retardando o acerto nacional para o segundo turno.
No limite, pode liberar os diretórios estaduais para escolher o caminho que bem entenderem.
O Congresso atravessa sua última semana antes do recesso. Os negociadores de 2010 só voltam a Brasília em fevereiro.
Os líderes do do PMDB vão aos respectivos Estados sem nada de concreto a exibir às suas bases. Imaginara-se que o tricô regional avançaria. Não avançou.
Idealizara-se a composição de um comitê suprapartidário para debater o programa de Dilma. A peça continua sob cuidados exclusivos do PT.
Até a posição de vice, que se imaginava assentada no colo de Michel Temer, subiu no telhado.
O PMDB chiou. “Exigiu” que Lula desfizesse em público o mal-estar da lista tríplice de vices. O presidente fingiu-se de morto.
Se o veneno não for contido, não são negligenciáveis as chances de o PMDB repetir as mandingas de campanhas anteriores.
O partido equilibra-se nas duas pontas da sucessão presidencial. E chega ao final da campanha com o pé de apoio na chapa vencedora.
Folha Saiu o resultado de mais uma pesquisa presidencial do Datafolha. Dilma Rousseff subiu, eis a principal novidade.
Em agosto, a candidata de Lula amealhara 17% das intenções de voto. Agora, foi a 23%, isolando-se na segunda posição.
José Serra oscilou para cima. Foi de 36% para 37%. Mexeu-se dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos –para o alto ou para baixo.
A distância que separa Dilma de Serra encurtou-se de 19 para 14 pontos percentuais.
Ciro deslizou um ponto para baixo. Tinha 14% e desceu para 13%. A lanterninha Marina Silva subiu quase tanto quando Dilma. Fou de 3% a 8%. Cinco pontos.
Num cenário em que o nome de Ciro é excluído da disputa, como Lula deseja, Serra vai a 40%. Dilma obtém 26%. Marina, 11%.
Devagarinho, a sucessão presidencial de 2010 vai ganhando os contornos de eleições anteriores: PSDB X PT.
Na disputa de segundo turno, Serra prevalece contra Dilma: 49% a 35%. O tucano supera também Ciro Gomes: 51% a 28%.
Na mesma pesquisa, o Datafolha aferiu a popularidade de Lula: 72% de aprovação. Um recorde. O maior índice desde a posse, em 2003.
Lula é mais popular no Nordeste: 81%. Na região em que sua popularidade é pior, o Sul, o índice bate em notáveis 62%.
Folha Sem alarde, a Câmara dos Deputados reservou R$ 39,8 milhões para reformar 144 apartamentos que mantém no coração de Brasília.
Não se trata de reforma recente. Arrasta-se há coisa de cinco anos. Em fevereiro, a empreiteira que tocava as obras dobrou os joelhos. Faltou-lhe capital de giro.
Rescindido o contrato, abriu-se, duas semanas atrás, uma nova licitação. Daí a reserva do dinheiro a ser gasto no ano que vem.
Considerando-se que a Câmara já havia despejado na reforma cerca de R$ 11 milhões, a conta já soma amargos R$ 50,8 milhões.
Deve-se a notícia à repórter Iara Lemos. Ela informa que, depois de remodelados, os imóveis serão equipados com móveis e eletrodomésticos.
Há pior: os apartamentos talvez jamais venham a ser ocupados. Por quê? Uma parte dos deputados prefere receber auxílio moradia da Câmara.
A Câmara dispõe de 432 apartamentos funcionais. Apenas 242 encontram-se habitados.
Estão pendurados no ‘bolsa residência’ da Câmara 270 deputados. Cada um recebe R$ 3 mil mensais. Juntos, R$ 810 mil por mês. No ano: R$ 9,7 milhões.
A “imobiliária” da Câmara funciona na 4ª secretaria, sob os cuidados do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Procurado, preferiu não comentar.
Os apartamentos da Câmara medem 225 m². Estão assentados em área nobre de Brasília. Em bom estado, valeriam algo como R$ 1,2 milhão cada um.
Cogitou-se vendê-los. Mas a idéia empacou. Concluiu-se que, estragados como se encontram, parte dos imóveis seria negociada na bacia das lamas, como se diz.
Em sua nova fase, a reforma carreará para cada um dos imóveis 144 imóveis em obras R$ 531 mil.
É dinheiro suficiente para comprar, na mesma região de Brasília, um bom dois quartos, novinho em folha.
Velho defensor da chapa tucana “puro-sangue”, FHC exagerou no latim. Disse à repórter Julia Duailibi que a parceria Serra-Aécio tornou-se “sentimento nacional”.
É divertido ouvi-lo:
"O governador Aécio nega, mas não fechou a porta. Eu preciso conversar com ele porque não quero criar uma situação que dificulte..."
“..."Hoje, independentemente de qualquer pessoa ter dito qualquer coisa a esse respeito, toda mídia fala disso. Acho que há um sentimento nacional nessa direção".
É pena que Bussunda tenha morrido tão prematuramente. Vivo, reagiria a FHC: “Sentimento nacional? Fala sério!”
Sob ambiente poluído, terminou em fumaça a cúpula mundial sobre o clima de Copenhague.
Foi a 15ª reunião do gênero oganizada pela ONU. O tema está em pauta há 17 arrastados anos.
Durante os 12 meses consumidos na organização do encontro de Copenhague, borrifou-se otimismo na atmosfera.
Premidos pelas últimas revelações da ciência, os líderes globais chegariam a um acordo que reduziria a emissão de gases-estufa.
Não ousariam ignorar o alerta de que, até meados do século, o mundo não poderia lançar na atmosfera senão 60% do volume de CO2 emitido no ano de 1990.
Os ares tornaram-se ainda mais benfazejos depois da posse de Barack Obama. Imaginara-se que ele assumiria compromissos que o antecessor refugara.
Sob George Bush, os EUA haviam se recusado a referendar o célebre Protocolo de Kyoto.
Pois bem. Deu tudo errado em Copenhague. Os 192 países representados na cúpula mergulharam num mar de dissenso.
Em vez de uma carta de compromissos, produziu-se um tratado de vagas intenções. Coisa a ser rediscutida na próxima cúpula, em dezembro de 2010, no México.
Os chefes de Estado voaram de volta para casa acompanhados pela sombra do fiasco. Esquivaram-se de levar a cara à foto de encerramento.
Ficou entendido que é imperioso conter o aumento da temperatura global ao limite de dois graus.
Restou estabelecido também que, para que isso ocorra, os países terão de assumir responsabilidades. Porém...
Porém, no curso de uma semana de reuniões e discursos, os líderes das nações e seus representantes disseram coisas definitivas sem definir as coisas.
Representante do segundo maior emissor de CO2 do planeta, Obama soou decepcionante.
Disse que os EUA manterão a política que privilegia o desenvolvimento de fontes alternativas e não poluentes de energia.
Disse que seu país reduzirá o nível de fumaça que lança no ar. Mas absteve-se de traduzir a promessa em meta obrigatória.
Obama dispôs-se a pingar dólares num fundo verde de U$ 100 bilhões anuais. Coisa concebida para ajudar as nações pobres a se ajustar à nova ordem climática.
Mas condicionou as verbas a uma exigência: que os países submetessem suas promessas de redução de gases-estufa à fiscalização internacional.
A China, campeã mundial na emissão de gás carbônico, torceu o nariz. Obteve o apoio de Lula.
O presidente brasileiro enxergou na exigência de tranparência mera “desculpa” para a intromissão indevida em países socorridos pelo fundo verde.
Coisa sem sentido. Vá lá que os países ricos, cuja prosperidade foi obtida à custa do envenenamento do clima, tenham que abrir as arcas.
Mas exigir de quem se dispõe a pagar a conta que entregue o dinheiro sem fiscalizar a aplicação é coisa que não se concilia com o bom senso.
Em discurso de última hora, pronunciado de improviso, Lula clamou por “inteligência”. Sob aplausou, fez um derradeiro aceno monetário.
Disse que, para salvar a conferência do fiasco, o Brasil se dispunha até a pingar recursos no tal fundo verde.
Soou na contramão da chefe da delegação brasileira. No início da semana, Dilma Rousseff dissera que o Brasil não abriria o bolso.
Afirmara que eventuais contribuições, por simbólicas, não serviriam nem para “fazer cócegas”.
No que toca ao contribuinte brasileiro, não há mesmo muitas razões para risos. O Brasil enviou a Copenhague algo como 700 pessoas.
A maioria teve passagens, hospedagem e alimentação custeadas pela Viúva. É de perguntar: o fiasco precisava de tantas testemunhas?
O cardinalato do PT prevê para Dilma Rousseff um início de 2010 acelerado. Deseja-se que a presidenciável do partido leve o pé à estrada já em janeiro.
Projeta-se algo diferente do que vinha ocorrendo até aqui. A agenda de Dilma privilegiou, em 2009, as viagens oficiais, vinculadas à atividade de ministra.
O que se deseja agora é organizar um vaivém de candidata. A depender da vontade do petismo, Dilma fará as malas todos os finais de semana.
A idéia é aproximá-la dos diretórios regionais do PT e dos movimentos ligados à legenda nos universos social e sindical.
Algo que, na visão dos cardeais petistas, pode e deve começar antes mesmo da oficialização da candidatura de Dilma, em Congresso marcado para fevereiro.
No oficial, o petismo vende a sucessão presidencial como um passeio. No paralelo, admite que a disputa será encarniçada.
Há, nos subterrâneos do partido, um silencioso incômodo com o desempenho de Dilma nas pesquisas.
A candidata coleciona menos da metade das intenções de voto atribuídas ao rival tucano José Serra, agora correndo em raia única da oposição.
Imaginara-se que, carregada nos ombros de Lula, Dilma chegaria ao Natal com índices oscilando entre 20% e 25%. Os mais otimistas falavam em 30%.
A candidata coleciona, porém, entre 15% e 17%. Aguarda-se pela aferição da exposição proporcionada a Dilma na última propaganda televisiva do PT.
De antemão, dissemina-se pelo PT uma tese que se aproxima do consenso: chegou a hora de Dilma provar-se capaz de atrair votos próprios.
Parte-se do pressuposto de que a almejada transfusão de prestígio de Lula para a candidata oficial não pode resultar em acomodação.
Afora a preocupação com o desempenho pessoal de Dilma, o PT inquieta-se com outro personagem da sucessão: Ciro Gomes.
O PSB, partido de Ciro, comprometra-se com Lula a manter a candidatura presidencial do deputado no freezer até março de 2010.
Só então seria decidido se Ciro iria à disputa nacional, como deseja, ou se iria às urnas de São Paulo, como querem Lula e o PT.
Terceiro colocado nas pesquisas, em patamares próximos aos de Dilma, Ciro movimenta-se como presidenciável, não como candidato a governador paulista.
A legenda de Ciro o cozinhava em banho-maria. Mas a saída de cena do tucano Aécio Neves eletrificou o PSB.
Um pedaço do partido já advoga a tese de que Ciro deveria tornar-se um presidenciável formal antes de março.
O incômodo do petismo é crescente. Primeiro porque o multicandidato pespega no projeto de aliança PT-PMDB a pecha de união de “moral frouxa”.
Segundo porque o candidato do PSB aproveita-se da condição de ex-ministro de Lula para vender-se como uma alternativa tão governista quanto Dilma.
Terceiro porque há o receio de que Ciro, arquirival de José ‘O Coiso’ Serra, assuma, adiante de Dilma, a polarização com o candidato da oposição. Ciro dá de ombros.
Vigia a língua, considera-se opção mais densa do que Dilma, desdenha da tática plebiscitária de Lula e alega que, sem ele, Serra liquida a fatura no primeiro turno.
Por todas as razões, o PT arma-se para cobrar de Dilma uma presença mais ativa junto ao meio-fio.
A Justiça Federal do Distrito Federal impôs a Waldomiro Diniz (lembra dele?) uma condenação por improbidade administrativa.
Deve-se a sentença ao José Márcio da Silveira e Silva, da 7ª Vara federal do DF. Chegou com mais de cinco anos de atraso.
Normal, para os padrões brasileiros. No Brasil, o crime mora ao lado. E a Justiça reside muito longe.
Waldomiro, como se recorda, era assessor do ex-todo-poderoso ministro José Dirceu, na Casa Civil.
Foi pilhado em vídeo pedindo propina numa época em que atuara como servidor da Loterj, a empresa que gerencia loterias no Rio. Na fita, diz que a grana seria borrifada em arcas eleitorais.
A gravação fora feita pelo achacado: Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Empresário do ramo de jogos. No popular: bicheiro.
A filmadora rodara em 2002. Mas o produto só veio à luz no alvorecer da gestão Lula. Foi o primeiro grande escândalo da nova era.
Afastado da Casa Civil, Waldomiro tomara chá de sumiço. Volta às páginas na condição de sentenciado.
Terá de pagar multa equivalente a cinco vezes o valor do salário que recebia à época dos malfeitos, mais as custas processuais. A senteça ainda comporta recurso.
João Sal/Folha Num Brasil de tantas perversões, há imoralidades que passam despercebidas. Tome-se o caso de Fernando Sarney.
Frequenta um inquérito da PF na condição de indiciado. Acusam-no de delitos variados: formação de quadrilha...
...Gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Foi ao noticiário como gota no mar de denúncias que enredou o pai, José Sarney. Em meio a atos secretos...
...Empregos à parentela e patrocínios à fundação, Fernando enganchou-se no escândalo como uma espécie de etc.
Súbito, o filho do senador foi à Justiça contra o Estadão. O diário expunha as entranhas do inquérito policial que protagoniza.
Fernando Sarney obteve liminar. E o jornal foi proibido de publicar-lhe os malfeitos.
Não fosse pela censura, o Estadão e outros jornais talvez já tivessem virado a página.
Graças à maldita ficou-se sabendo, mais do que já era sabido, que Fernando Sarney é um personagem peculiar.
Uma pessoa proibida para menores de 18 anos e para contribuintes adultos.
Os negócios que trançara nas franjas do aparato estatal não podiam ir às bancas nem protegidas por plástico preto.
A censura produziu efeito diverso do pretendido. Fernando Sarney ficou superexposto. E, com ele, o pai senador.
Acionado, o STF dobrou as penas. Podendo interromper a censura, manteve-a.
Pois bem. Nesta sexta (18), o filho do presidente do Senado veio à boca do palco com pose de bom moço. Informou que desistiu da ação judicial contra o Estadão.
"Infelizmente, este gesto cidadão teve, independente de minha vontade, interpretação equívoca de restringir a liberdade de imprensa, o que jamais poderia ser meu objetivo".
"Para reafirmar minha convicção e jamais restar qualquer dúvida sobre ela, resolvi tomar esta atitude”.
Por quê? Disse que “a liberdade de imprensa é um patrimônio da democracia”. Acrescentou: “Jamais tive desejo de fazer qualquer censura a seu exercício".
Ora, ora, ora. Algumas justificativas oficiais, por canhestras, deveriam ser censuradas.
Prestes a repassar a cadeira de presidente do STF ao vice Cezar Peluso, Gilmar Mendes acha que o êxito de sua gestão ultrapassou as fronteiras do tribunal.
Não teria exagerado ao conservar os lábios grudados no trombone, fugindo ao recato que se exige de um juiz?
Gilmar responde negativamente. Considera que prestou inestimáveis serviços ao governo Lula. Menciona um deles:
“Houve um instante em que o país caminhava para o Estado policial. A Polícia Federal fugia ao controle. Nós reagimos. E evitamos isso”.
Nesta sexta (18), Gilmar concederá uma entrevista coletiva. Fará o balanço de 2009.
Sérgio Lima/Folha A portas fechadas, Aécio Neves faz avaliações que evita reproduzir em público.
Vão abaixo algumas das reflexões do ex-presidenciável tucano:
1. Plebiscito: Aécio declara-se convencido de que, ao optar por José Serra, o PSDB facilitou a estratégia de campanha concebida por Lula.
Acha que será fácil enganchar a imagem de Serra à de FHC, como desejam Lula e o PT da presidenciável Dilma Rousseff.
Por quê? Noves fora a amizade que os une, Serra ocupou, sob a presidência de FHC, dois ministérios. Primeiro, o do Planejamento. Depois, o da Saúde.
A opinião de Aécio sobre a gestão FHC é positiva. Acha, porém, que seria tolice ignorar o fato de que a percepção do eleitorado é outra.
FHC tornou-se um personagem impopular. Ponto e vírgula. Na comparação com Lula, o eleitor dá ampla vantagem ao mandarim petista. Ponto.
Vem daí a menção que Aécio fez, na carta em que declinou da candidatura ao Planalto, à necessidade de...
... “Responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o país ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres”.
2. Efeito São Paulo: Outra opinião que Aécio expõe reservadamente diz respeito a um suposto enfado do eleitor com alternativas presidenciais nascidas em São Paulo.
Acha que esse “cansaço” do eleitorado conspira contra Serra. Teria dificuldades de entrar em áreas hoje simpáticas a Lula. Norte e Nordeste, por exemplo.
3. Efeito Rio de Janeiro: Aécio enxerga o Rio como um dos calcanhares mais expostos da candidatura Serra.
Menciona o fato de que o tucanato ainda não logrou montar um palanque no terceiro maior colégio eleitoral do país depois de São Paulo e de Minas.
O problema persistiria caso o PSDB tivesse optado por Aécio. Mas o governador mineiro considera-se mais palatável ao eleitor fluminense do que Serra.
4. Calendário: Aécio diz em privado que enxerga “lógica” na decisão de Serra de empurrar para março de 2010 o anúncio de sua candidatura.
À frente nas pesquisas, beneficiário de um recall de campanhas anteriores, Serra não teria razões para entrar antecipadamente no ringue.
Trocaria socos com Lula, não com Dilma. De resto, viraria um alvo instantâneo, descuidando-se dos afazeres do governo de São Paulo.
Mas Aécio ilumina o que julga ser um problema: a protelação de Serra passa, a seu juízo, uma impressão de “insegurança”.
Estimula na platéia a suspeita de que, na hora ‘H’, submetido a eventuais condições adversas -o crescimento de Dilma nas pesquisas, por exemplo-, Serra poderia recuar.
Aécio chegou mesmo a relatar a um amigo diálogo que, segundo disse, manteve com Serra. Perguntou ao então rival se ele seria candidato em qualquer circunstância.
Segundo a versão de Aécio, a resposta de Serra foi negativa. Só iria à sucessão presidencial se as chances de vitória fossem “muito concretas”.
Aécio farejou na movimentação de Serra um cheiro de queimado. Nas suas palavras: “Em março, ele diria: 'O cenário tá bom, vou eu. Tá ruim, vai você”.
Decidiu retirar-se preventivamente da contenda por avaliar que, em março, já não conseguiria obter as alianças que se julgava em condições de costurar.
Acertos que incluiriam, além de DEM e PPS, legendas que hoje gravitam em torno de Lula.
5. A vice: A despeito da pressão que sofre, Aécio continua dizendo que não lhe passa pela cabeça a hipótese de tornar-se vice na chapa de Serra.
Afirma que, para o eleitor de Minas, “essa coisa de vice não tem tanta importância”. O Estado já teve dois vices: Itamar Franco e José Alencar, o atual.
Acrescenta: “Eu passaria a campanha inteira tendo que explicar”. Diz que, não sendo o presidenciável, precisa se voltar integralmente para Minas.
Deseja fazer de seu vice, Antonio anastasia, o novo governador. “Não adianta ser candidato a vice tendo que viajar o Brasil inteiro. Preciso me dedicar a Minas..."
"...Eu vou ter que fazer a campanha do Anastasia com mais dedicação do que fiz para mim mesmo”.
6. O Senado: Aécio assegura, mesmo longe dos holofotes, que a eleição ao Senado o “safisfaz”.
Segundo o seu raciocíonio, o PSDB “vive um processo de mudança geracional”. Acha-se em condições de injetar “energia nova no Senado”.
Elegendo-se, diz que terá tempo de sobra para alçar novos vôos. “Oito anos de mandato pela frente”, diz ele. Não declara, mas haverá uma outra sucessão presidencial de permeio, em 2014.
O Ministério Público Federal espera obter nesta sexta (18) autorização judicial favorável à quebra dos sigilos bancário e fiscal de José Roberto Arruda.
A requisição foi feita no início da noite passada pela subprocuradora-geral da República que cuida do caso, Raquel Dodge.
Cabe ao ministro Fernando Gonçalves, do STJ, deliberar. A expectativa da Procuradoria é a de que o pedido será deferido.
A requisição de abertura de sigilo não se limita a Arruda. Alcança todos os envolvidos no panetonegate, incluindo deputados, autoridades e empresas.
Às vésperas do início do recesso do Judiciário, o inquérito ganhou ritmo de toque de caixa. O expediente foi esticado nos prédios da Procuradoria e do STJ.
Vão abaixo algumas das providências que foram adotadas já na noite passada:
1. Notícia levada ao sítio do Ministério Público informa que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ao STF uma ADI.
ADI é a sigla de Ação Direta de Inconstitucionalidade. Gurgel pediu ao Supremo que reconhece como afrontosa à Constituição um pedaço da Lei Orgânica do DF.
Trata-se do trecho que condiciona a abertura de processos contra o governador a autorização da Câmara Legislativa do DF.
Na petição, a Procuradoria argumenta que, segundo a Constituição, cabe ao STJ processar e julgar governadores.
Coube à subprocuradora-geral Raquel Dodge solicitar a Roberto Gurgel que recorresse ao STF. Pressionando aqui, você chega à íntegra da pedido (quatro folhas).
2. Em nota pendurada no portal que mantém na web, o STJ informou acerca de providência adotada por Fernando Gonçalves, o relator do panetonegate.
Gonçalves deferiu parte do que fora requerido por Raquel Dodge. Concordou em desmembrar o inquérito da Polícia Federal.
Acusações que pesam contra membros do Ministério Público do DF pilhados nas investigações correrão agora em inquérito separado.
E quanto aos pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados?
“As demais solicitações formuladas pelo MPF ao STJ serão examinadas nesta sexta-feira”, informa a nota do tribunal.
O comitê da Comissão de Orçamento do Congresso que analisa as obras públicas sob suspeição concluiu o seu relatório.
O texto recomenda que sejam bloqueados, em 2010, os repasses de verbas para 26 empreendimentos. Entre eles seis obras do PAC.
Deve-se a elaboração do relatório ao deputado Carlos Melles (DEM-MG). É ele o coordenador do comitê de obras irregulares.
Melles tenta dourar a encrenca. Afirma que não está sugerindo a paralisação de canteiros, mas de contratos.
“Não estamos paralisando nenhuma obra, mas os contratos. As obras costumam ter muitos contratos licitados e eles é que ficaram bloqueados”.
O trabalho de Melles foi apresentado ao comitê da Comissão de Orçamento nesta quinta (17). Vai a voto na segunda (21).
O deputado escorou suas decisões em auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas da União.
Em documento enviado ao Congresso, o TCU listara 42 obras tisnadas pela pecha de conter “irregularidades graves” na sua execução.
Embora traga o vocábulo “tribunal” enganchado no nome, o TCU não compõe o Judiciário. É órgão auxiliar do Legislativo.
Nessa condição, não pode determinar o fechamento das torneiras que derramam verbas sobre as obras micadas. Apenas recomenda ao Congresso que o faça.
É aí que entra o comitê coordenado pelo ‘demo’ Melles. Realizou audiências públicas e reuniões com autoridades do governo e gestores de obras.
Analisa daqui, discute dali, decidiu-se retirar da lista negra do TCU 16 obras. Entendeu-se que as explicações obtidas eliminaram as dúvidas.
Remanesceram, porém, 26. No topo da lista estão obras tocadas pela Petrobras, todas do PAC.
Por exemplo: refinaria Abreu e Lima (PE), refinaria Presidente Getúlio Vargas (PR)...
...Terminal de escoamento de Barra do Riacho (ES) e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Nessas obras, o TCU detectou malfeitos como o sobrepreço e o ressarcimento irregular de faturas apresentadas pelas empresas contratadas.
Os audirores do tribunal realçaram o fato de a Petrobras ter obstruído a ficalização, negando-se a fornecer planilhas de custos.
Curiosamente, o texto de Melles veio à luz no mesmo dia em que a CPI da Petrobras aprovou relatório em que Romero Jucá (PMDB-RR) isenta integralmente a estatal.
Na votação prevista para segunda-feira, o governo pode mobilizar sua tropa para patrolar as recomendações feitas por Melles.
Faria melhor, porém, se respondesse aos questionamentos com argumentos que não deixassem dúvida sobre dúvida.
Marcelo Casal/ABr Convertido em palmeira solitária no gramado do PSDB, José Serra divulgou uma nota sobre a desistência de Aécio Neves de disputar o Planalto.
No texto, Serra afaga: Aécio tem “todas as condições para ser o candidato do nosso partido a presidente”.
Enaltece: “Não me surpreendem a grandeza e desprendimento que ele demonstra neste momento”.
Compara: “Não somos semeadores da discórdia e do ressentimento [...]. Trabalhamos, ambos, sempre, pela soma, não pela divisão”.
E lança pontes: “Temos o sonho de um país melhor [...]. E é nesse sentido que vamos continuar trabalhando. Juntos”.
Dono de uma fama de “trator”, Serra alisa Aécio por pragmatismo. Sabe que, sem Minas, sua candidatura perde oxigênio.
Em disputas anteriores –2002 com Serra e 2006 com Alckmin— o tucanato morreu na praia afogado em suas próprias divisões.
Se for a 2010 desunido, provará que, em política é errando que se aprende. A errar.
Vai abaixo a íntegra da nota de Serra:
“O governador Aécio Neves tem todas as condições para ser o candidato do nosso partido a presidente, por seu preparo, sua experiência política, sua visão de Brasil e seu desempenho como governador eleito e reeleito de Minas Gerais.
É um homem que soma e que, ao mesmo tempo, sabe conduzir com firmeza as políticas públicas. Não é por menos que seu governo é tão bem avaliado e que a imensa maioria dos mineiros o considera credenciado para ocupar a função mais alta da República.
Não me surpreendem a grandeza e desprendimento que ele demonstra neste momento. Os termos em que ele se manifestou confirmam a afinidade de valores e as preocupações que inspiram nossa caminhada política. Faço minhas suas palavras:
‘Defendemos um projeto nacional mais amplo, generoso e democrático o suficiente para abrigar diferentes correntes do pensamento nacional. E, assim, oferecer ao país uma proposta reformadora e transformadora da realidade que, inclusive, supere e ultrapasse o antagonismo entre o 'nós e eles', que tanto atraso tem legado ao País’.
Não somos semeadores da discórdia e do ressentimento. Nem estimuladores de disputas de brasileiros contra brasileiros, de classes contra classes, de moradores de uma região contra moradores de outra região. Trabalhamos, ambos, sempre, pela soma, não pela divisão. Somos brasileiros que apostam na construção e não no conflito.
Quero reafirmar o sentimento expresso pelo presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, no sentido da união e da convergência que nos move, de valores e ideais.
Temos o sonho de um país melhor, unido e progressista, com oportunidades iguais para todos. E é nesse sentido que vamos continuar trabalhando. Juntos”.
José Cruz/ABr José Eduardo Dutra, presidente eleito do PT, veio aos holofotes para dizer meia dúzia de palavras sobre a saída de Aécio Neves da disputa presidencial.
Considerou o gesto “previsível”. E disse que nada muda em relação aos planos esboçados para a campanha da presidenciável petista Dilma Rousseff.
O miolo da estratégia, Dutra reafirmou, é a comparação da era Lula com o período FHC. Algo que seria feito independemente do adversário.
"Não tem adversário fácil. Uma disputa sempre é imprevisível. Agora, não vamos mudar em nada nossa estratégia...”
“...A nossa ideia é confrontar os dois projetos de governo: o do presidente Lula e o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso".
Será assim contra Serra. Seria assim contra Aécio:
"No nosso entendimento, eles representam um projeto, um programa de um partido, uma forma de governar. A diferença era apenas no estilo".
Dutra declarou que o petismo não nutria preferência nem por Serra nem por Aécio: "Esse não é um problema nosso, mas é claro que a saída de Aécio era previsível...”
“...A avaliação geral de todos era que o Serra seria o candidato, mas nós não escolhemos adversários".
Nesse ponto, Dutra fala apenas por si. Lula e um pedaço expressivo do PT acham que Serra será um adversário menos complicado do que Aécio.
Folha José Serra, agora presidenciável único do PSDB, revela-se convencido, em privado, de que Aécio Neves acabará concordando em ser candidato a vice-presidente.
O governador tucano de São Paulo elegeu a atração de Aécio como uma de suas prioridades.
Serra considera natural que, num primeiro momento, Aécio se apresente como candidato ao Senado.
Confia, porém, que conseguirá seduzi-lo até abril de 2010. Afirma que o próprio Aécio vai se convencer de que a presença na chapa nacional lhe convém.
Por quê? Segundo o raciocínio esgrimido por Serra, Aécio ajudará mais o seu candidato ao governo de Minas se levar a cara à vitrine nacional.
Afirma que Antonio Anastasia, o vice-governador que Aécio pretende converter em seu sucessor, é um bom candidato. Mas ostenta posição frágil nas pesquisas.
E imagina que, com o pé no palanque presidecial, Aécio daria maior visibilidade ao seu projeto mineiro.
O problema é que, reservadamente, Aécio afirma que a maquinação de Serra é pueril. Desenvolve um raciocínio que vai em direção inversa.
Para Aécio, uma vez inviabilizada a candidatura presidencial, não lhe resta senão a alternativa de concentrar-se em Minas Gerais.
Avalia que a candidatura ao Senado convém a si próprio e também a Anastasia. Não exibe, por ora, a mais remota inteção de ceder aos apelos em contrário.
Apelos que não vêm só de Serra. Todo o PSDB, do presidente de honra FHC ao contínuo, pressionará Aécio para que aceite ser o vice. Imagina-se que a chapa Serra-Aécio seria "imbatível".
Também a direção do DEM, parceiro preferencial do tucanato, deseja arrastar Aécio para a chapa presidencial.
Em rápido pronunciamento à imprensa, Aécio Neves anunciou sua retirada da disputa presidencial. Leu uma nota. Não responder a perguntas.
"Deixo a partir deste momento a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República”, disse o governador mineiro, em timbre peremptório.
Sem mencionar o nome do rival José Serra, fez acenos à unidade: “Não abandono minhas convicções e minha disposição para colaborar...”
Colaborar “...com meu esforço e minha lealdade, para a construção das bandeiras da Social Democracia Brasileira". Acrescentou:
"Busco contribuir, dessa forma, para que o PSDB e nossos aliados possam, da maneira que compreenderem mais apropriada, com serenidade e sem tensões, construir o caminho que nos levará à vitória em 2010."
Vestindo luvas de pelica, Aécio atribuiu a desistência à decisão do rival Serra de empurrar a definição do tucanato para março de 2010:
"O que me propunha [era] tentar oferecer [algo] novo ao nosso projeto, no entanto, estava irremediavelmente ligado ao tempo da política...”
Um tempo “...que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser reféns dele...”
“...Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições".
Aécio comunicou sua decisão ao lado do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Fez-se acompanhar também do vice-governador mineiro, Antonio Anastasia, seu candidato ao governo do Estado.
Antes, o governador mineiro comunicara sua decisão, por telefone, a dois grão-tucanos: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o próprio Serra.
Aécio pretende agora concentrar-se na campanha mineira. Afirma que vai às urnas de 2010 como candidato ao Senado.
É grande a pressão do tucanato para que o governador aceite compor a chapa da oposição ao lado de Serra, na condição de candidato a vice-presidente.
Aécio diz e repete que prefere o Senado. Em privado, Serra diz que, mais adiante, ele vai mudar de idéia. A ver.
Curiosamente, Aécio antecipou o anúncio de sua desistência para um instante em que Serra se encontra fora do país, em Copenhague.
Sabia-se que a saída de cena era iminente. Mas Aécio havia declarado que só oficializaria o gesto em 11 de janeiro, numa carta dirigida à direção do PSDB.
- Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra da "carta-renúncia" que Aécio leu e encaminhou ao partido.
No texto, Aécio esquiva-se de citar Serra. Lamenta a não realização de prévias (confira no vídeo abaixo). Chama a atenção para a armadilha plebiscitária urdida por Lula.
A cúpula climática de Copenhague vai à sua fase final e decisiva. Entram no palco os chefes de Estado. Dispõem de menos de 48 horas para produzir um acordo.
Em sua estréia, Lula pronunciou um bom discurso. Curto, objetivo e incisivo. Num de seus pontos altos, levou ao pano verde uma frase de efeito:
"Essa conferência não é um jogo onde se possa esconder cartas na manga...”
“...Se ficarmos à espera do lance de nossos parceiros, podemos descobrir que é tarde demais. Todos seremos perdedores".
No pôquer de Copenhague, todos blefam e ninguém paga pra ver. Pior: EUA e China, os maiores poluidores, só concordam em entrar no jogo com baralho próprio.
Nesta sexta (18), os mandachuvas dos mais e 120 países presentes a Copenhague se reúnem para subscrever o acordo que a cúpula for capaz de produzir.
Em carta dirigida ao diretório nacional do PT, Patrus Ananias, o ministro do Bolsa Família, deu ares oficiais à sua pretensão de concorrer ao governo de Minas.
No texto, Patrus pede ao PT que convoque eleições prévias para decidir a queda-de-braço que trava com Fernando Pimentel.
Ex-prefeito de Belo Horizonte, Pimentel também tenta viabilizar-se como candidato do PT à sucessão do governador tucano Aécio Neves.
No último final de semana, Pimentel abriu vantagem ao prevalecer sobre Patrus na disputa pelo controle do diretório mineiro do PT.
Apoiado por Pimentel, o deputado federal Reginaldo Lopes foi reeleito presidente do PT-MG.
A carta em que Patrus encomenda as prévias ao PT chega num instante em que Pimentel frequenta o noticiário como favorito na briga pela legenda.
De resto, a reiteração do desejo de Patrus afasta por completo a possibilidade de PT e PMDB reproduzirem em Minas o acordo que tentam pôr de pé em Brasília.
No âmbito nacional, as duas legendas tentam converter em casamento o acordo pré-nupcial que os une à presidenciável petista Dilma Rousseff.
Em Minas, o PMDB reivindica do PT apoio à candidatuta do ministro Hélio Costa (Comunicações). O que era improvável parece agora impossível.
Tido como mais afeito à idéia de empurrar o PT para dentro do palanque de Hélio Costa, Patrus diz que, uma vez escolhido, vai até o fim.
"Ninguém entra em campo para perder campeonato”, diz ele. “Sou candidato para buscar vencer dentro do PT e também conquistar o Palácio da Liberdade".
Advoga o entendimento com o PMDB. Não para apoiar Hélio Costa, mas para ser apoiado por ele.
Quanto a Hélio Costa, repetiu nesta quarta (15) que trocará a Esplanada pelo palanque. Permanecerá no governo até o limite legal.
"O presidente pediu que continuássemos trabalhando. E eu acho que a minha última opção é abril".
Reafirmou, de resto, sua condição de "candidato a candidato" ao governo de Minas.
Entre 2008 e 2009, o volume caiu de 108 mil para 40 mil
Lula Marques/Folha
Os arquivos do STF guardam informações animadoras. Despencou o número de processos submetidos anualmente ao crivo da suprema corte brasileira.
Em 2008, foram às mesas dos 11 ministros do Supremo 108.639 processos. Em 2009, até novembro, foram distribuídos aos ministros 39.858 causas novas.
Os dados são alentadores porque apontam para o arrefecimento de um flagelo do Judiciário: a morosidade no julgamento das pendências judiciais.
Deve-se a redução do volume de processos levados à consideração do STF a duas novidades injetadas na Constituição em dezembro de 2004.
Constaram da emenda constitucional número 45, que ficou conhecida como “Reforma do Judiciário”.
A primeira inovação foi a “súmula vinculante”. Já foram editadas 24. Resumem decisões que, por reiteradas, viraram jurisprudência.
Depois de publicadas, passam, como o próprio nome indica, a vincular as decisões de tribunais e juízes de instância inferiores do Judiciário.
A segunda inovação diz respeito aos chamados recursos extraordinários. Antes da reforma, aportavam no STF todos os recursos que envolviam questões constitucionais.
A partir de maio de 2007, impôs-se uma segunda condição. Para ser recebido no Supremo, um recurso teria de ter relevância social, política, econômica ou jurídica.
Em outras palavras: os ministros do Supremo passaram a julgar apenas os recursos que tem “repercussão geral” sobre a sociedade.
Significa dizer que, julgando um único processo, o Supremo delibera sobre milhares de causas que tiveram origem numa mesma pendência judicial.
São processos que envolvem, por exemplo, questões previdenciárias, tributárias e trabalhistas.
De 2007 para cá, o STF atribuiu “repercussão geral” a 177 matérias. Processos envolvendo causas repetidas passaram a ser retidos nos tribunais inferiores.
Por meio do julgamento de um único processo, o Supremo sinaliza aos tribunais como deliberar sobre causas análogas, nascidas da mesma motivação.
O instituto da “repercussão geral” obrigou o STF a azeitar a comunicação com o resto do Judiciário. Impôs racionalidade a um sistema que operava sob o caos.
Das 177 matérias tidas por relevantes, 54 (31,1%) já foram julgadas –ora por meio da reiteração de jurisprudências ora em decisões novas.
As demais, aguardam nos escaninhos dos tribunais à espera da deliberação do Supremo. Já não há necessidade de remeter a Brasília processos idênticos.
Criou-se no portal mantido pelo STF na web uma janela para o julgamento virtual dos recursos que tramitam sob o selo da “repercussão geral”.
Os julgamentos só vão ao plenário normal, com a presença física dos ministros, quando o relator do recurso requer.
Nessa plataforma de cristal líquido, tribunais de todo país acompanham o trâmite dos recursos eleitos pelo STF como relevantes.
Trata-se de via de mão dupla. Permite ao Supremo saber quantos casos serão solucionados a partir de uma decisão tomada em Brasília.
Prestes a entregar, em fevereiro de 2010, a cadeira de presidente do STF ao vice Cezar Peluso, Gilmar Mendes saboreia a queda no volume de processos.
Gilmar programou para esta sexta (18) uma entrevista coletiva na qual fará um balanço do ano. Dará especial realce aos efeitos da reforma do Judiciário.
- Serviço: Pressionando aqui, você chega a uma publicação em que o STF esmiúça o cenário que sobreveio à aplicação do princípio da "repercussão geral". A peça tem 115 páginas.
Ficou mais difícil para Lula manter o ex-terrorista Cesare Battisti no Brasil.
O STF retificou a decisão que tomara em julgamento realizado em novembro.
Pelo novo entendimento, Lula terá de seguir o tratado Brasil-Itália, de 1989.
Vai abaixo um resumo da encrenca:
1. Em 18 de novembro, o Supremo tomara duas decisões de aparência conflitante.
2. Por 5 votos a 4, o tribunal autorizara a extradição de Battisti para a Itália.
3. Pelo mesmo placar, atribuíra “caráter discricionário” à providência.
4. Significa dizer que caberia a Lula decidir se Battisti seria ou não extraditado.
5. Os advogados do governo da Itália pediram que o resultado fosse revisto.
6. O pedido foi feito por meio de um instrumento chamado de “questão de ordem”.
7. Na petição, levantaram-se dúvidas quanto à computação do voto de Eros Grau.
8. No primeiro julgamento, o voto de Eros Grau foi somado ao de quatro colegas.
9. São eles: Marco Aurélio, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto.
10. Ficou assentado que Eros e os outros quatro atribuíam a Lula a palavra final.
11. Nesta quarta, Eros foi ao microfone para esclarecer sua posição.
12. Ele disse: “O presidente tem a possibilidade de entregar ou não o extraditando [...].
13. Acrescentou: “O único ponto que precisava ser esclarecido é que, no meu entender [...], o ato não é discricionário [...], há de ser praticado nos termos do direito convencional”.
14. Para "evitar confusão", Eros Grau concluiu que a decisão não se vincula ao acórdão do STF. “Mas, com relação à discricionariedade ou não do seu ato, eu direi: esse ato não é discricionário porque ele é regrado pelas disposições do tratado”.
15. Que tratado? Um acordo firmado entre Brasil e Itália no ano de 1989. Ratificado pelo Congresso, virou lei. Uma lei que o presidente está obrigado a seguir.
16. Diante da manifestação de Eros Grau, o STF decidiu retirar de seu acórdão, ainda não publicado, a expressão “caráter discricionário”.
17. O texto deixará claro que a decisão de Lula terá de seguir os termos do tratado firmado entre Brasil e Itália.
18. O que diz o tratado? Prevê que o presidente só pode decidir pela permanência de Battisti no Brasil em duas hipóteses.
19. A primeira: se a Itália não aceitar os limites impostos pela legislação penal brasileira, que estabelece a pena máxima de 30 anos de prisão.
20. Battisti foi condenado na Itália a prisão perpétua. Mas o governo italiano já deixou claro que topa reduzir a pena a 30 anos.
21. Na segunda hipótese, para reter Battisti no Brasil, Lula teria de considerar que o ex-gerrilheiro é um perseguido político.
22. Algo que representaria ofensa grave à Itália, já que Battisti foi julgado regularmente pelo judiciário italiano.
23. De resto, o próprio STF derrubou o ato em que o ministro Tarso Genro (Justiça) concedera a Battisti o status de refugiado político.
24. Por todas as razões, tornou-se mais complicado para Lula negar a extradição de Battisti.
25. Se a despeito de tudo o presidente insistir em deliberar pela permanência de Battisti no país, o caso retornará ao STF. O governo da Itália irá recorrer.
Luciana Coelho/Folha A Dilma Rousseff que desfila por Copenhague é diferente da Dilma Rousseff que deixou o Brasil no início da semana.
Antes de voar para a capital da Dinamarca, Dilma levara o rosto à TV. Numa peça publicitária do PT, vendera a tese do Brasil-potência.
Dissera que o país logo seria a quinta economia do mundo.
Como não falara em prazos, Dilma passara a impressão de que a riqueza estaria na virada da esquina.
Chefe da delegação brasileira na cúpula do clima, a ministra-candidata foi submetida a uma novidade incômoda.
Os países mais ricos do planeta decidiram dispensar ao Brasil um tratamento de igual. É como se tomassem a Dilma da TV ao pé da letra.
Discute-se em Copenhague a criação de um fundo anual para combater o aquecimento global. Em 2030, somaria algo como US$ 200 bilhões.
Os países ricos se dispõem a custear 25% do fundo. E sugerem que nações como Brasil, China, Índia e África do Sul compareçam com 20%.
Em timbre diverso do que usara na propaganda petista, a Dilma Rousseff do exterior subiu no caixote com cara de ministra de país remediado:
"Somos a favor de compromissos comuns, mas diferenciados. Esses países têm 200 anos de desenvolvimento e de acúmulo de riqueza, por isso não concordamos".
O ministro petista do Meio Ambiente, Carlos Minc, ecoou a colega: "Daqui a pouco, os EUA vão dizer que são um país em desenvolvimento".
Lá fora, tomada por representante de nação endinheirada, Dilma faz voto de pobreza. No Brasil, ministra de país ainda pobre, Dilma faz voto de riqueza.
Considerando-se o fato de que o Brasil não vale senão o quanto pesa, melhor levar a sério apenas a Dilma de Copenhague.
O Ministério Público Federal abriu, em São Paulo, ação civil pública contra 11 pessoas responsáveis por obras no aeroporto de Congonhas.
São acusadas de improbidade administrativa. Segundo a peça acusatória, produziram desvios de R$ 45 milhões entre 2004 e 2007.
Chama-se Suzana Fairbanks Lima de Oliveira a procuradora signatária da ação, protocolada na Justiça Federal de São Paulo nesta quarta (16).
Aberto em 2004, o inquérito conduzido por Suzana serviu-se de sindicâncias e auditorias feitas pela própria Infraero e pelo TCU.
O entulho detectado na escrituração das obras de reforma e ampliação de Conganhas impressiona pelo volume.
No miolo da ação movida pela procuradora Suzana são mencionadas cifras milionárias. Eis algumas delas:
1. Em auditoria feita pelo critério de amostragem, o TCU pescou no orçamento da Infraero um superfaturamento estimado em R$ 16,3 milhões.
2. O consórcio responsável pelas obras (OAS-Camargo Corrêa-Galvão) enfiou em suas planilhas produtos a preços acima dos praticados pelo mercado.
O sobrepreço variou, segundo os dados do TCU reproduzidos na ação, de 31% a 252%. No total, uma tunga de R$ 18 milhões.
Coisas assim: cobrou-se R$ 2,2 milhões por algo que, na praça, saía a R$ 630 mil. O equipamento que ensejou a mordida chama-se “finger”.
É aquele túnel em forma de dedo, que o passageiro percorre no caminho entre a plataforma de embarque de Congonhas e o interior dos aviões.
3. Diz a ação do Ministério Público que, em 18 medições realizadas pelo consórcio construtor entre 2004 e 2006, embutiu-se superfaturamento de R$ 12,7 milhões.
4. Afora os desvios, apurou-se que, ao longo da execução da obra, a Infraero assinou com o consórcio aditivos que elevaram em 24,9% o valor do contrato original.
A Viúva teria de pagar R$ 151 milhões. Com os aditivos, viu-se compelida a desembolsar adicionais de R$ 37,5 milhões.
Todos os malfeitos apontados na ação civil da procuradora Suzana referem-se à fase em que a Infraero foi presidida por Carlos Wilson.
Vem a ser aquele deputado do PT de Pernambuco que morreu de câncer em abril deste ano. A morte livrou-o de figurar no pólo passivo da ação.
Foram denunciados cinco ex-diretores da Infraero; cinco executivos da Camargo Corrêa, OAS e Queiroz; e um sócio da Planorcon Projetos.
Na ação, o Ministério Público pede: ressarcimento integral dos prejuízos ao erário, perda de funções públicas...
...Suspensão dos direitos políticos por oito anos, pagamento de multa de até duas vezes o valor do dano...
...Proibição às empresas de contratar com o Estado ou receber créditos e benefícios fiscais pelo prazo de até cinco anos.
Alan Marques/Folha Ficou para janeiro de 2010 a análise dos três pedidos de impeachment que correm contra José Roberto Arruda (ex-DEM) na Câmara Legislativa do DF.
Em sessão encerrada pouco antes das três horas da madrugada, os deputados brasilienses aprovaram o orçamento do GDF para o ano que vem.
Em seguida, decidiram sair em férias. O recesso começa já nesta quarta-feira (16). A Câmara só volta a funcionar em 11 de janeiro.
O bloco de oposição ao governador Arruda tentou aprovar a convocação extraordinária e imediata do legislativo local.
Mas, em minoria, a bancada anti-Arruda teve de contentar-se com um meio termo, obtido mediante acordo.
A Câmara reabriria suas fornalhas em fevereiro. Autoconvocou-se para 11 de janeiro.
Líder do PT, a deputada Erika Kokay disse que preferia a convocação imediata. Mas afirmou que teve de render-se ao acordo "possível".
Arruda ganha, assim, um fôlego de generosos 31 dias. Coisa tramada pelo próprio governador, em almoço com deputados que lhe são fiéi$.
O repasto de Arruda fora servido horas antes, no início da tarde desta terça (15).
Foram à mesa a estratégia a favor das férias parlamentares e contra os pedidos de impeachment e de CPI.
Na sessão da madrugada, decidiu-se que a CPI da Corrupção de Brasília começa a funcionar no primeiro dia após o recesso.
Vai perscrutar os malfeitos praticados desde 1991.
Tendo panetone$ frescos para mastigar, os deputados decidiram desencavar bololôs antigos.
Quem lança o olhar para um passado longínquo de 18 anos não parece lá muito interessado no presente.
Quanto aos pedidos de impeachment, passarão por duas instâncias antes de chegar ao plenário da Câmara.
Primeiro, a Comissão de Constituição e Justiça. Depois, uma comissão especial. Só então o plenário.
A comissão de Justiça tem cinco membros. Arruda imagina que pode beliscar pelo menos três votos.
A comissão especial, que teria nove integrantes, murchou para cinco. Os nomes serão indicados pelos partidos até 11 de janeiro.
Deputados que se serviram do panetone estão autorizados a participar do jogo.
Manifestantes pró-impeachment voltaram a rechear os corredores da Câmara (foto lá no alto).
A partir desta quarta, quem quiser protestar vai gritar para as paredes de uma Casa vazia.
Vai abaixo artigo levado pelo repórter Elio Gaspari, com o brilho habitual, às páginas da Folha e do Globo:
“Depois de preservar a censura prévia imposta ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, em proveito do empreendedor Fernando Sarney, o Supremo Tribunal Federal tem um novo problema para resolver: a censura a si próprio.
Trata-se de uma história que começou em abril, quando a corte julgou um pedido do deputado Miro Teixeira, para que se declarasse inconstitucional a Lei de Imprensa da ditadura.
A ação foi relatada pelo ministro Carlos Ayres Britto, que votou pela absoluta procedência do pedido. Cinco ministros acompanharam integralmente seu voto e um (Marco Aurélio Mello) votou contra o relatório.
No entendimento de Britto, mandada ao lixo a Lei de Imprensa, todos os abusos e irresponsabilidades dos meios de comunicação deverão ser punidos pelas leis do país e, sempre que o Congresso quiser, legislará sobre esses assuntos.
Pela rotina do tribunal, concluído o julgamento, os ministros reveem seus votos e remetem os textos à secretaria. O relator fica encarregado de redigir uma ementa, que virá a ser a síntese da decisão da corte.
O texto da ementa fica à disposição dos demais ministros, caso eles queiram vê-lo antes da divulgação.
A ementa de Carlos Ayres Britto tinha sete vezes o tamanho deste artigo e foi liberada para o público no dia 6 de novembro. Nela, o Supremo Tribunal Federal informou:
‘Não há liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, inclusive procedente do Poder Judiciário, sob pena de se resvalar para o espaço inconstitucional da prestidigitação jurídica’.
Ninguém é obrigado a concordar com a ementa, mas pobre do cidadão que ousar dizer que esse texto não confere com o pensamento da corte.
(A Suprema Corte americana trabalha de maneira diversa e melhor. Lá, depois do julgamento, um dos juízes que votaram com a maioria redige a opinião do grupo. O texto é discutido e negociado, respeitando-se conceitos e até manias. O juiz Harry Blackmun, por exemplo, recusava-se a assinar opiniões onde houvesse a palavra ‘parâmetro’.)
Passados 35 dias da publicação do texto da ementa , deu-se a votação do caso da censura prévia a ‘O Estado de S. Paulo’. Sabia-se, por murmúrios, que vários ministros não reconheciam suas posições naquele texto.
Pior: pelos seus votos e pelas suas palavras, pelo menos dois juízes (Gilmar Mendes e Cezar Peluso) votaram apresentando argumentos frontalmente contrários ao conteúdo da ementa.
Chegou-se ao absurdo: o Supremo censura a si próprio. Se o ministro Carlos Britto redigiu uma ementa que não reflete a opinião da corte, deve ser publicamente denunciado e responsabilizado.
Vale lembrar que até hoje essa ementa, mal afamada nos corredores, não sofreu contestação formal. Os ministros que não gostaram do seu texto já tiveram 41 dias para reclamar. (Britto conserva toda a documentação do caso e o STF guarda os vídeos das sessões.)
O Supremo Tribunal não pode funcionar com dois tipos de ementas: as que pegam e as que não pegam. Nesse regime, os ministros desagradados desprezam os textos fornecidos à patuleia e argumentam como se eles não existissem.
Ficará difícil exigir que as pessoas acatem o que o tribunal determina se um ou mais ministros desacatam o que decidiram há poucos meses. (Ou desacatam o que a ementa diz que eles decidiram.)”
Alheio ao muxoxo do PMDB da Câmara com Lula ‘Lista Tríplice’ da Silva, o PMDB do Senado continua exercitando o seu esporte predileto: o tiro ao cargo.
Sem alarde, o sócio majoritário do consórcio governista enfiou mais dois apadrinhados em diretorias de agências reguladoras.
Nomeações para as agências precisam passar pelo crivo do Senado. Primeiro, nas comissões. Depois, no plenário.
Pois bem. Nesta terça, os senadores que integram a Comissão de Meio Ambiente analisaram três nomes recebidos de Lula.
Foram ao conselho diretor da ANA (Agência Nacional de Águas): João Gilberto Lotufo Conejo, Vicente Andreu Guillo e Paulo Rodrigues Vieira.
O último, Paulo Rodrigues, deve a nomeação ao apadrinhamento de dois grão-pemedebês: José Sarney e Renan Calheiros.
A Comissão de Infraestrutura do Senado analisou outros quatro nomes, três dos quais para agências reguladoras.
Para o conselho diretor da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), aprovou-se Jarbas José Valente.
A nomeação traz as digitais do ministro pemedebê Hélio Costa (Comunicações). Relatou-a o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), suplente do ministro.
Para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), uma nomeação nova –Julião Silveira Coelho— e uma recondução –Edvaldo Alves de Santana.
Por trás do reconduzido Edvaldo, está a ministra-candidata Dilma Rousseff (Casa Civil).
Manteve-se, neste caso, uma praxe: o ministro que cuida do setor elétrico é o pemedebê Edison Lobão. Mas quem dá as cartas é a petê Dilma.
Vencida a fase das comissões, os nomes terão de ser referendados pelo plenário do Senado. Ali, as indicações só são barradas de raro em raro. A regra é aprovar.
Lula Marques/Folha O Chile tornou-se o segundo país da América Latina a integrar a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O México fora o primeiro.
A admissão foi anunciada nesta terça (15), em Paris. E será formalizada em 11 de janeiro, em Santiago.
Fundada em 1961, a OCDE congrega 30 dos países mais ricos do mundo. O Chile de Michelle Bachelet entra no clube como o 31º membro.
Significa dizer que, aos olhos da entidade, o Chile adota práticas saudáveis na economia, no combate à corrupção e na proteção ao meio ambiente.
A novidade chega no mesmo dia em que o Senado brasileiro aprovou, em votação apertada, o ingresso da Venezuela de Hugo Chávez no Mercosul.
Por todas as razões –políticas e econômicas— faria mais sentido atrair os chilenos para o bloco. Mas o Chile, embora assediado, parece estar em outra.
O ingresso do Chile na OCDE foi festejado pelo secretário-geral da organização, Angel Gurría.
Ele disse que a entidade trabalha para tornar-se mais pluralista e global. Acha que os desafios globais impõem a países ricos e emergentes um trabalho conjunto.
Afirmou que a OCDE continuará desenvolvendo esforços para se achegar à América Latina, “em particular do Brasil”.
O Brasil foi incluído na lista de países com os quais a OCDE desejava ampliar a cooperação em 2007, junto com o Chile.
O Itamaraty negocia. Mas, diferentemente do que ocorreu com o Chile, o Brasil não demonstra interesse em virar um membro efetivo da organização.
O governo brasileiro tem outras prioridades. Reforçar as relações com Hugo Chávez, por exemplo.
- Serviço: O ingresso do Chile na OCDE foi noticiado no sítio da OCDE. Há três textos. Nenhum, infelizmente, em português. Só inglês, espanhol ou francês.
O PMDB estrilou. O partido pediu explicações. A legenda exigiu o retorno de Lula aos holofotes.
Mas, decorridos seis dias, a sugestão de que o PMDB ofereça três alternativas de vice para Dilma continua de pé.
Lula voou para Copenhague. E não disse palavra sobre o mal-estar. O silêncio diz muito sobre o que vai na alma do presidente.
Vão abaixo três notas veiculadas nesta terça (15) na seção Painel, da Folha:
- Missão cumprida: Lula deixou claro para mais de um auxiliar que não pretende dar satisfações a Michel Temer sobre sua sugestão de que o PMDB apresente uma "lista tríplice" de candidatos a vice de Dilma Rousseff.
Pode vir a afagá-lo em público, mas não se enredará numa conversa privada que implique conceder ao presidente da Câmara algum favoritismo na disputa pela vaga.
Isso porque, na contramão da leitura contemporizadora de alguns petistas, houve pouco ou nenhum improviso na fala de Lula no Maranhão.
Ele de fato não quer Temer como vice e parece disposto a peitar o comando do PMDB. A poeira do incidente da semana passada vai baixar, mas o recado já foi dado.
- Gangorra: As cabeças mais frias do PMDB avaliam que a possibilidade de resistir à vontade de Lula será inversamente proporcional ao desempenho de Dilma nas pesquisas.
Quanto mais rapidamente ela subir, menor a chance de o partido impor o nome do vice. Mas, se ela patinar, a coisa muda de figura.
- Serial: Quem conhece Lula aposta que o episódio da ‘lista tríplice’ será seguido de outras estocadas no PMDB mais adiante.
O presidente poderia, por exemplo, não nomear o secretário-executivo João Reis Santana Filho para o Ministério da Integração Nacional quando Geddel Vieira Lima deixar a pasta para disputar o governo da Bahia.
Beleza. Mas Lula parece desconsiderar a personalidade do sócio majoritário de seu consórcio partidário.
O PMDB é capaz de amar dois, três, quatro parceiros ao mesmo tempo. O amor múltiplo é parte da essência da legenda.
A exclusividade que o PMDB dá é sempre momentânea e fingida. Para o PMDB, cada segundo de fidelidade é um aviltamento de seus instintos.
Divulgação O Ministério Público de Santa Catarina denunciou o vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB).
A denúncia foi protocolada no Tribunal de Justiça catarinense, nesta terça (15), pelo procurador-geral de Justiça, Gercino Gomes Neto (foto).
Pavan foi acusado de três crimes: corrupção passiva, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional.
Teria recebido vantagem indevida de representantes de uma empresa chamada Arrows Petróleo do Brasil.
Junto com Pavan, foram denunciadas outras seis pessoas. Todas indiciadas em inquérito da Polícia Federal, na semana passada.
Pavan ainda não se pronunciou. Em manifestações anteriores, pessoais e de seu advogado, Gastão Rosa Filho, o vice-governador negara os malfeitos.
O procurador-geral Gercino informou que os acusados serão notificados da denúncia. Terão prazo para apresentar suas defesas.
Apurou-se no inquérito da PF que a Arrows chegou a efetuar, por baixo da mesa, pagamento de R$ 100 mil.
A empresa tentava reativar sua inscrição no fisco de Santa Catarina. O documento fora cassado porque a Arrows deixara de honrar o pagamento de tributos.
Pavan reconheceu que recebera os agentes da empresa. Tentara encaminhar o pleito. Alegou que retirou de cena depois de ter sido informado de que o pleito era indevido.
Em entrevista, o procurador-geral Gercino disse coisa diversa:
"Não há dúvidas de que o inquérito contém elementos suficientes para o oferecimento da denúncia...”
Denúncia “...pelos crimes de corrupção, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional”.
Pavan insinuara que estava sendo vítima de armação política. E Gercino: “O Ministério Público age tecnicamente, e não politicamente". Acrescentou:
"O Ministério Público catarinense age com o mesmo rigor em relação ao cidadão mais comum e ao cidadão detentor da maior qualificação...”
“...Todos somos cidadãos e todos temos o dever de cumprir as leis do País. Agora cabe ao Judiciário dar a resposta ao pleito do Ministério Público”.
Pavan assume o governo de Santa Catarina em 5 de janeiro. Candidato ao Senado, o governador Luiz Henrique (PMDB) vai se licenciar do cargo.
No final de semana, Luiz Henrique dissera que repassaria o governo a Pavan mesmo que o vice-governador fosse denunciado pelo Ministério Público.
Assim, Santa Catarina será governada durante o ano de 2010 por um político às voltas com a suspeita de ter incorrido em corrupção.
- Atualização feita às 19h45 desta terça (5): Leonel Pavan levou à web uma nota. Diz que provará sua inocência. O texto pode ser lido aqui.
O PV da presidenciável Marina Silva tornou-se o primeiro partido político brasileiro a receber contribuições financeiras pela internet.
A legenda abriu no sítio que mantém na web uma janela para as doações. A contribuição mínima será de R$ 20.
No texto de abertura do projeto, o PV convida: “Você pode participar desse projeto articulando colaboração financeira, debates e mobilização”.
Promete: “Todo o dinheiro arrecadado será para cobrir custos do projeto e todas as despesas serão disponibilizados online”.
Festeja: “Com isso, o PV passa a ser o primeiro partido político brasileiro a aceitar doações online, abrindo assim um canal de transparência e participação”.
O recebimento de contribuições pela internet foi aprovado pelo Congresso na reformulação da lei eleitoral.
Os congressistas inspiraram-se na campanha do presidente dos EUA, Barack Obama, em 2008.
Mais de 50% das doações que bancaram a campanha de Obama pingaram nas arcas do então candidato por meio da internet.
Elza Fiúza/ABr Candidato do PMDB ao governo de Minas, o ministro Hélio Costa mantém com o tucano Aécio Neves uma negociação subterrânea.
As conversas de Hélio com Aécio correm em via paralela à da articulação que tenta reproduzir em Minas o acordo nacional PMDB-PT.
Hélio Costa achega-se a Aécio porque o PT resiste em apoiá-lo. Prefere lançar um candidato próprio. Hoje, o mais cotado é o ex-prefeito Fernando Pimentel.
Deu-se há coisa de um mês a última reunião reservada de Hélio Costa com Aécio. Depois disso, falaram-se pelo telefone.
Aécio não cogita apoiar o ministro pemedebê. Carrega nos ombros a candidatura de seu vice, o também tucano Antonio Anastasia.
Porém, o governador tucano de Minas mostra-se inteiramente aberto a uma composição com o PMDB. Oferece a posição de vice ou uma vaga ao Senado.
Noviço em eleições, Anastasia frequenta a rabeira das pesquisas. Veterano de urnas, Hélio Costa está na dianteira.
A última sondagem, divulgada por um diário mineiro no sábado (12), atribuiu a Hélio Costa 44% das intenções de votos.
O petista Fernando Pimentel amealhou 20%. O ministro do Bolsa Família, Patrus Ananias, que disputa a vaga do PT com Pimentel, cravou 18%. Anastasia, 12%.
Pragmático, Hélio Costa faz o seguinte cálculo: se Aécio Neves conseguir empinar a candidatura de Anastasia ao nível de 30%, o jogo de Minas estará jogado.
Acha que só unidos em torno de um único nome PMDB e PT poderiam pensar em medir forças com um Anastasia bafejado por 30% e empurrado por Aécio.
Mais bem posto nas pesquisas, Hélio Costa insiste na tecla de que cabe ao PT apoiar o PMDB, não o contrário.
O diabo é que o petista Fernando Pimentel não cogita abandonar a disputa. Ao contrário.
Diz, entre quatro paredes, que o PT nunca reuniu tantas chances de chegar ao governo de Minas como agora.
Vem daí que, num dos diálogos que manteve com Aécio, Hélio Costa animou-se a propor:
“Você tenta viabilizar o seu candidato. Se chegar com ele a 30 pontos, será muito difícil para alguém em Minas batê-lo...”
“...Mas se não conseguir viabilizar o Anastasia nesse nível, faço o convite para você apoiar a gente”.
Dono de popularidade que ultrapassa os 70%, Aécio não trabalha senão com a hipótese de que seu candidato vai decolar.
Mais: joga com a hipótese de que, em Minas, o caldo em que fervem as relações entre PT e PMDB vai entornar.
Por isso mantém abertas as portas para uma composição com Hélio Costa, dispondo-se a negociar a vice de Anastasia e uma vaga ao Senado.
Em 2010, o eleitor mineiro terá de eleger dois senadores. Na chapa tucana, uma das vagas está reservada para o próprio Aécio. A outra bem pode ser de Hélio Costa.
Em Brasília, a cúpula do PMDB observa a evolução do quadro mineiro com viva apreensão.
Unido à candidatura presidencial de Dilma Rousseff por um acordo pré-nupcial, o alto comando do PMDB receia que o envenenamento de Minas comprometa o casamento.
A união precisa ser selada em convenção nacional, marcada para junho. Vem de Minas o maior contingente de delegados: 58.
Hélio Costa lança um olhar para além da convenção. Reservadamente, afirma que a apreovação ou não do nome de Dilma já não é o mais relevante.
Acha que, ainda que o PMDB confirme a aliança, a dupla candidatura mineira, uma dele e outra de Pimentel, condenaria Dilma a levar uma surra nas urnas de Minas.
Considera inviável reproduzir em Minas a política do palanque duplo que se negocia para Bahia e Pará, Estados em que PMDB e PT também devem medir forças.
O quartel general do PMDB tenta fazer ver ao alto comando do PT que um eventual acerto de Hélio Costa com Aécio converteria Minas numa espécie de inferno de Dilma.
O petismo, por ora, dá de ombros. Avalia que Pimentel, prestigiado ex-prefeito de Belo Horizonte, oferecerá a Dilma um palanque sólido na terra de Aécio.
Pacote de ‘bondades’ do governador soma R$ 248 milhões
Roberto Rodrigues/GDF
Sem partido, acossado por três pedidos de impeachment e hostilizado por manifestações de rua, José Roberto decidiu abrir o cofre.
Antecipou para a próxima sexta (18) o pagamento do salário de dezembro de 45 mil servidores do governo do Distrito Federal. Coisa de R$ 193 milhões.
Apenas os servidores de três setores –saúde, educação e segurança— foram privados do mimo.
Por quê? O grosso dos salários dessas áreas vem das arcas do Tesouro Nacional, não dos cofres do GDF.
Arruda decidiu pagar nesta semana também uma gratificação a 27 mil policiais militares e bombeiros. Mais R$ 55 milhões.
No total, o pacote de ‘bondades’ de Arruda soma R$ 248 milhões. Foi desembrulhado em reunião de todo o seu secretariado –a primeira desde o ‘panetonegate’.
A notícia foi levada ao portal do governo sob título sugestivo: “Natal antecipado para servidores do GDF”.
Foi a maneira que Arruda encontrou para demonstrar que, novesfora as perversões investigadas pela PF, sua administração está nos eixos.
Fez-se durante a reunião um balanço das finanças do GDF. Informou-se que o governo cumpriu as metas da Lei de Responsabilidades Fiscais.
Em nota, informou-se que o GDF gastou com pessoal, em 2009, 13,03% de sua receita corrente líquida.
Arruda conduziu a reunião com seus secretários como se desse de barato que não prosperarão os pedidos de afastamento que correm contra ele no Legislativo local.
Anunciou que os canteiros de obras de Brasília –2 mil pelas contas oficiais—continuarão operando a toque de caixa, inclusive no Natal e no Ano Novo.
Na Câmara Legislativa do DF, os pedidos de impeachment caminham a passos de tartaruga perneta.
Prometera-se para a tarde desta segunda (14) a instalação da comissão especial que se encarregaria de descarcar o abacaxi.
No início da noite, informou-se que a procidência foi adiada para esta terça (15). O pedaço da Câmara ligado a Arruda manobra contra a comissão.
Deseja-se submeter o pedido de impeachment à Comissão de Justiça, não ao colegiado especial, previsto em lei.
Em minoria, a oposição pôr de pé um requerimento que cancela o recesso de final de ano. Se não vingar, o que é muito provável, a encrenca fica para 2010.
Lula abriu na noite passada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Coisa convocada pelo governo.
O objetivo é pôr de pé um conjunto de propostas que servirão de base para a elaboração de um marco regulatório para o setor.
Participam, além do próprio governo, os “movimentos sociais”. Convidadas, entidades que representam o empresariado decidiram boicotar a conferência.
Receiam que saiam dali, sob o manto do “controle social” dos meios de comunicação, propostas que resvalem para a censura.
Lula discursou (assista a um trecho lá no alto). Não lê jornais, como se sabe. O noticiário causa-lhe azia. Mas teceu loas à liberdade de imprensa.
O presidente disse que, no Brasil, os meios de comunicação apuram o que bem entendem, publicam o que desejam. Acha que é assim que deve ser. A Constituição também acha.
Lula rendeu homenagens ao óbvio ao declarar que os próprios consumidores fogem dos veículos que proliferam calúnias e infâmias.
“A população está preparada para separar o joio do trigo, porque quem não tem respeito pela inteligência do cidadão, acaba perdendo leitores".
Criticou o boicote dos empresários:
“Lamento que alguns atores da área de comunicação tenham preferido se ausentar dessa conferência temendo sei lá o quê...”
“...Perderam a oportunidade de derrubar muros. Lamento, mas cada um é dono de suas decisões e sabe aonde apertam os calos”.
Mencionou os blogs e as rádios comunitárias como exemplos de democratização do mercado de informação. Enalteceu a proliferação da internet.
Folha Se contradição fosse um valor monetário, o governo estaria nadando em dinheiro. Tome-se o caso de Protógenes Queiroz.
Um pedaço do governo –PF e Ministério da Justiça— odeia o delegado. Outro naco –Ministério dos Esportes— não pode viver sem ele.
A PF suspendeu Protógenes de suas funções. Trotura-o com processos disciplinares. E sonha com o dia em que o colocará no olho da rua.
Súbito, o ministro Orlando Silva (Esporte) decidiu oferecer um cargo ao delegado: assessor da equipe que cuidará da segurança na Copa de 2014.
Protógenes aceitou o novo emprego. Mas depende de autorização da PF:
"Assim que me liberarem, eu assumo. Mas parece que a intenção da PF é me prejudicar ao máximo".
Confirmando-se a nomeação, a passagem do delegado pela pasta do Esporte será fugaz.
Candidato a uma cadeira de congressista, Protógenes não cogita manter-se no emprego além de abril de 2010.
Protógenes vai às urnas sob o guarda-chuva do PCdoB. O mesmo partido do ministro Orlando Silva.
Esforça-se para demonstrar que o que parece não é: "O critério [do convite] foi técnico, considerando os trabalhos que desenvolvo internacionalmente...”
“...Se fosse uma decisão política, seria convidado logo após a minha filiação ao PCdoB”. Então, tá!
Em Brasília, o ministro pemedebê Geddel Vieira Lima é subordinado de Lula e aliado de Dilma Rousseff. Na Bahia, é ferrenho inimigo do PT.
Candidato do PMDB ao governo baiano, Geddel comanda uma espécie de ‘guerrilha eletrônica’ contra o governador do PT, Jaques Wagner, que deseja reeleger-se.
Os disparos de Geddel contra Wagner partem de duas plataformas: um comentário radiofônico semanal e o portal do PMDB na web. São ações “casadas”.
Na última sexta (11), o PMDB-BA pendurou no seu portal notícia sob o seguinte título: “SSP comprova que violência é maior no governo Wagner”.
O texto faz referência à divulgação de um relatório da Secretaria de Segurança Pública da gestão petista de Wagner.
Anota, já no primeiro parágrafo, que o documento “acabou confirmando o aumento indiscriminado da violência na Bahia, na gestão Wagner”.
Nesta segunda (14), Geddel martelou o tema num comentário radiofônico que leva ao ar semanalmente. Veicula-o uma emissora FM de Salvador, a Metrópole.
Foram 4m35s de disparos contra a gestão petista de Wagner: “Temos hoje um Estado, um aparelho policial acuado diante do crime”, Geddel atira.
O ministro usa peças de propaganda da gestão Lula para alvejar o governo baiano do petista Wagner, um dos mais próximos amigos de Lula.
Geddel cita o “crescimento econômico”. Menciona o “Bolsa Família”. Diz que as classes sociais ascendem “degrau acima”.
Depois, bate: “Com todos esses avanços sociais, a violência na Bahia só piora. [...] Salvador é recordista em homicídio no Brasil...”
“...Itabuna lidera o ranking das cidades mais violentas do país”. Afirma que os dados são do próprio governo baiano e da pasta gerida pelo petista Tarso Genro (Justiça).
O ministro pemedebê de Lula diz que, no setor de segurança, a execução orçamentária da gestão do petê amigo de Lula é “medíocre”.
“No primeiro semestre desse ano, gastou-se só 30% do orçamento de R$ 3 bilhões da segurança pública”.
Geddel diz que a PM da Bahia já “não confia na palavra do governador”. E refaz a mira:
“Como é que a polícia pode ser eficiente se a corporaçao perdeu o respeito pelo seu comandante, que é o governo do Estado?”.
De quebra, o minitro elogia iniciativas de segurança adotadas pelos governos de Sérgio Cabral (PMDB), no Rio, e até de José Serra (PSDB), em São Paulo.
O comentário de Geddel, que pode ser ouvido aqui, foi ecoado no portal do PMDB-BA, a outra plataforma de que se vale o ministro em sua “guerrilha eletrônica”.
Jaques Wagner defende-se como pode. Também dispõe de programa de rádio: o “Conversa com o Governador”, versão local do "Café com o Presidente", de Lula.
Vai ao ar às terças, um dia depois do programa de Geddel. Na peça da semana passada, Wagner discorrera sobre saúde e educação. Nada de segurança.
Falara de aumento de arrecadação do ICMs –6% a mais em relação a 2008. Algo que lhe permitirá tonificar os “investimentos”.
A exemplo do PMDB, também o PT reproduz o teor do programa de seu governador no portal do partido.
No sábado (12), um dia depois de o PMDB ter alardeado que, sob Wagner, a violência aumentara, o portal do governo baiano trazia notícia que misturava verão e polícia.
“Polícia Militar garante um verão tranquilo”, eis o título. No texto, detalhes sobre uma iniciativa batizada de “Operação Verão”: 10.176 policiais nas ruas de Salvador.
A notícia traz a palavra do governador. Wagner diz que o Verão “é um período onde (sic) o número de turistas aumenta...”
“...E nós precisamos garantir a tranqüilidade destas pessoas para que elas tenham da Bahia uma imagem positiva e voltem mais vezes”.
Apenas 48 horas depois, Geddel iria ao rádio para avisar que “Salvador é recordista em homiciodio no Brasil”.
É nesse cenário que PMDB e PT tentam implementar na Bahia a política do “palanque duplo”.
Prevê que, na campanha de 2010, Lula e Dilma frequentarão os palanques de Geddel e de Wagner. Coisa de dar nó na cabeça de qualquer eleitor.
Presidente prometera ligar para Temer, mas não telefonou
Fotos: Folha e ABr
O PMDB decidiu dar um gelo no PT. Mandou ao freezer as negociações em torno da aliança pró-Dilma Rousseff.
Lideranças dos dois partidos fariam nova reunião nesta quarta (16). Por iniciativa do PMDB, o encontro foi às calendas.
Sobreviveu ao final de semana o mal-estar provocado pelas declarações feitas há cinco dias por Lula, no Maranhão.
O presidente sugerira que o PMDB deveria indicar três alternativas de vice para Dilma. O partido tomou a fala como intrusiva e indelicada.
O nome do PMDB para a vice, Lula bem sabe, é o de Michel Temer, que se sentiu diminuído. E arrastou a solidariedade do partido.
O presidente da Câmara passou o sábado e o domingo na expectativa de receber um prometido telefonema de Lula.
Ligou muita gente. Afora os amigos de sempre, cinco ministros de Estado e o presidente do Senado, José Sarney. Nada de Lula. contudo.
Os afagos em Temer começaram na sexta (11). E estenderam-se até o domingo (13). Os primeiros a ligar foram Franklin Martins e a própria Dilma.
Ambos disseram a Temer que Lula o brindaria com um telefonema. A Dilma, o deputado disse:
“O presidente nem precisa se preocupar com isso. O que ele deve fazer é, na primeira oportunidade, dizer que o PMDB faz o que achar que deva fazer”.
A Franklin, ministro da Comunicação Social, Temer contou uma passagm da biografia de Ulysses Guimarães.
Disse que João Cunha, um antigo deputado do PMDB, costumava atacar Ulysses pelos jornais e, depois, o procurava no gabinete para fazer-lhe juras de amor.
Abespinhado, Ulysses deu um conselho ao desafeto:
“Olha, João, vamos inverter esse processo. Você agora vai falar bem de mim para a imprensa e só fala mal aqui comigo, no gabinete”.
Temer disse a Franklin que Lula poderia recordar, em público, um diálogo que tiveram, meses atrás, em privado.
Lula dissera a Temer que ele era o melhor nome para a vice. E o deputado ponderara que se deveria consolidar primeiro a aliança e, só depois, definir o vice.
Ainda na sexta, tocaram o telefone para Temer os ministos Alexandre Padilha (Coordenação Política) e Tarso Genro (Justiça).
No sábado, ligou o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), mencionado no noticiário como uma das alternativas de vice do PMDB.
“Lobão, você é o meu vice”, disse Temer, depois do alô. E Lobão: “Que é isso, Temer! Você já está escolhido”.
Neste domingo (13), telefonou José Sarney, o chefe político de Lobão. Tentou explicar a Temer o contexto em que se dera a declaração de Lula.
Sarney acompahara Lula na visita ao Maranhão. Disse que a comitiva presidencial deparara-se com faixas que traziam os seguintes dizeres: “Lobão é a solução”.
Coisa voltada para a disputa do governo do Maranhão, Sarney explicou a Temer. Que Lula teria entendido como movimento pela viabilização de Lobão como vice.
Sobreveio, segundo Sarney, a pergunta dirigida a Lula numa entrevista radiofônica: Temer ou Lobão?, eis o miolo do enunciado.
Foi quando Lula, em timbre acomodatício, saiu-se com o trololó da lista tríplice. Temer mastigou as explicações. Mas não parece tê-las engolido.
O que mais causou incômodo a Temer foi o fato de a frase de Lula ter chegado num instante em que enfrenta o que chama de “infâmia”.
Refere-se à declaração, feita num dos vídeos do escândalo de Brasília, por Alcyr Colaço, dono de um jornal obscuro da Capital.
Na cena, Colaço inclui o nome de Temer numa lista de supostos beneficiários dos panetone$ do governador José Roberto Arruda (assista abaixo).
Na tarde de domingo, durante a convenção em que Orestes Quércia foi reeleito presidente do PMDB-SP, Temer recebeu solidariedade irrestrita.
Até Roberto Requião, que esteve em São Paulo para desfilar como presidenciável do PMDB, contra o acordo pró-Dilma, defendeu-o enfaticamente em discurso.
Aos jornalistas, Temer disse que a frase de Lula não foi feliz. Sobre a “infâmia” de Colaço, declarou:
"Não seria agora, depois de mais de 35 anos de vida profissional e universitária e de 30 anos de vida pública...”
“...Que eu iria permitir que um estelionatário já condenado pela Justiça de São Paulo monte um vídeo para tentar acusações contra o presidente nacional do PMDB".
À noite, em privado, o deputado repisou a amigos seu entendimento de que, nesse contexto, uma manifestação de Lula tornou-se incontornável.
Não faz questão do telefonema do presidente. Prefere que ele desdiga o que disse no Maranhão em público.
Folha Saiu há pouco o resultado da disputa pelo comando do diretório do PMDB de Minas Gerais. Prevaleceu, com 57% dos votos, o deputado federal Antônio Andrade.
Vem a ser o nome defendido pelo ministro Hélio Costa (Comunicações), que vai às urnas de 2010 como candidato do PMDB ao governo de Minas.
Andrade derrotou o candidato do ex-governador Newton Cardoso, Adalclever Lopes. Um nome que vinha sendo insuflado também pelo petismo de Minas.
A vitória deste domingo dá a Hélio Costa razões adicionais para reclamar o apoio do PT mineiro à sua candidatura.
O petismo faz ouvidos moucos. Planeja concorrer à sucessão de Aécio Neves com Fernando Pimentel, o ex-prefeito de Belo Horizonte.
O embate Hélio Costa X Fernando Pimentel é uma das encrencas que retardam a formalização do apoio do PMDB à candidatura presidencial de Dilma Rousseff.
Por ora, o naco governista do PMDB está unido ao PT de Dilma por um pré-acordo. Para virar casamento, o namoro depende de aprovação na convenção do PMDB.
Coisa prevista para junho de 2010. Nesta semana, mandachuvas dos dois partidos devem fazer nova reunião, em Brasília.
Membro do colegiado, Hélio Costa repisará a tese segundo a qual, negando-lhe apoio, o petismo compromete o envolvimento do PMDB mineiro na campanha de Dilma.
Branco di Fátima/PT Com atraso, o diretório do PT de Minas Gerais proclamou o resultado da eleição interna realizada no domingo passado (6).
O deputado federal Reginaldo Lopes (foto) foi reeleito presidente do PT-MG. Amealhou 52,4% dos votos, conta 47,6% do rival Gleber Naime.
O resultado fortalece o ex-prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, patrono da candidatura de Reginaldo.
Pimentel trava com o ministro do Bolsa Família, Patrus Ananias, uma disputa pelo direito de disputar o governo de Minas pelo PT em 2010.
Apoiador do derrotado Gleber, Patrus pode insistir na queda-de-braço. Mas vai a uma eventual prévia com a cara do infortúnio.
O tônico servido a Pimentel em Minas escorre no palco nacional na forma de veneno. Ajuda a intoxicar as relações PT-PMDB.
O pedaço governista do PMDB cobra o apoio do PT mineiro à candidatura do ministro Hélio Costa (Comunicações).
Alega que, se insistir em comparecer às urnas como adversário de Hélio, Pimentel pode pôr a perder o apoio a Dilma Rousseff na convenção nacional do PMDB.
Vem de Minas o maior contingente de delegados com direito a voto na convenção do PMDB, marcada para junho de 2010.
Pimentel dá de ombros. Em privado, diz que não abre mão de disputar o governo mineiro. Lula, que prometera intervir em favor de Hélio Costa, não disse palavra.
A apuração dos votos que reacomodaram o homem de Pimentel no comando do PT-MG havia sido suspensa. Em carta ao diretório nacional, Gleiber acusara o grupo rival de fraude.
Puxa daqui, estica dali, o diretório nacional do PT enviou a Minas dois apaziguadores:
Paulo Frateschi, secretário de Organização; e Romênio Pereira, secretário de Assuntos Institucionais.
Em reunião realizada na última sexta (11), decidiu-se retomar a contagem que deu vitória a Reginaldo.
O resultado está condicionado ao julgamento dos recursos. Será feito na próxima quarta (16), em reunião da Executiva nacional do PT.
A chance de a Executiva rever a vitória de Reginaldo é, porém, nula.
Má notícia para a presidenciável petista Dilma Rousseff: Orestes Quércia foi reeleito presidente do diretório do PMDB no Estado de São Paulo.
Deu-se numa convenção realizada neste domingo (13). Votaram cerca de 670 filiados do partido. Quércia arrastou 597 votos (88% do total) 597 73
O adversário dele, o ex-prefeito de Osasco Francisco Rossi, incensado pelo petismo e pelo pedaço do PMDB que flerta com Dilma, beliscou irrisórios 73 votos (12%).
A maioria de Quércia, por acachapante, dá-lhe o direito de compor os demais cargos do diretório estadualcomo bem entender.
Bom para o presidenciável tucano José Serra, que mantém com Quércia um pré-acordo para 2010.
Quércia será acomodado na chapa da oposição em São Paulo como candidato ao Senado. Em troca, apoia Serra.
Sempre que perguntado, Quércia diz que seu apoio será transferido para Aécio Neves, caso o PSDB opte por ele em vez de Serra.
Trata-se de uma declaração protocolar. Quércia descrê da possibilidade de Aécio prevalecer sobre Serra.
Sob holofotes, Quércia também promete apoio ao governador do Paraná, Roberto Requeião, que se apresenta como alternativa presidenciável do PMDB.
Afirma que, se o nome de Requião for aprovado na convenção nacional, marcada para junho de 2010, dará meia-volta nos compromissos assumidos com o PSDB.
Jogo de cena. Em privado, Quércia revela-se descrente da possibilidade de o PMDB referendar o nome de Requião em convenção.
Interessa-lhe soprar o balão de Requião porque, com isso, atrapalha os planos do pedaço do PMDB que formou um acordo pré-nupcial com Dilma Rousseff.
Patrono do acordo pró-Dilma, o presidente da Câmara, Michel Temer, foi às eleições internas deste domingo como integrante da chapa de Quércia.
No plano nacional, Temer tenta dar as cartas. Em São Paulo, sabe que o dono da mesa é Quércia. Ele manda no carteado estadual há 20 anos.
Até bem pouco, as relações entre Temer e Quércia eram reguladas por um acordo verbal.
Previa o seguinte: Quércia não importunava Temer nos assuntos nacionais e Temer não incomodava Quércia nas questões estaduais.
O pacto começou a ruir depois que a ala de Temer pôs um pé no palanque de Dilma. Quércia passou a imiscuir-se nos assuntos nacionais.
Faz o que pode para envenenar o pacto PMDB-PT. Há dois dias, animou-se a apoiar Lula, contra Temer: “Tudo bem o Lula querer uma lista tríplice. Por que não?”
Referia-se à sugestão, feita por Lula, de que o PMDB encaminhe a Dilma três alternativas de candidatos a vice-presidente.
Um despautério, na visão do pedaço do PMDB que vê em Temer alternativa única para fazer companhia a Dilma na chapa presidencial.
Divulgação O vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB), na foto, só tem olhos para o Ministério Público de seu Estado.
Pavan aguarda com viva expectativa uma decisão que deve ser tomada na próxima terça (14) pelo procurador-geral de Justiça, Gercino Gomes Neto.
Indiciado pela Polícia Federal na semana passada, Pavan convive com o receio de que o procurador Gercino o denuncie por corrupção.
O governador catarinense, Luiz Henrique (PMDB), comprometera-se a entregar o comando do Estado ao vice Pavan em 5 de janeiro.
Candidato ao Senado, Luiz Henrique vai à campanha livre dos afazeres de governador. E Pavan governará Santa Catarina até o final de 2010.
E quanto ao indiciamento da PF? “O indiciamento não é uma condenação”, diz Luiz Henrique.
“A própria expressão vem de indícios. Ele está sendo alvo de indícios. Eu tenho por ele a melhor consideração. Empenhei minha palavra. E vou cumprir minha palavra”.
E se Pavan for denunciado pelo Ministério Público? “Só há um fato que poderia mudar minha posição: a condenação”, afirma Luiz Henrique.
“A denúncia é apenas uma denúncia, uma nova etapa do processo. Quantas vezes pessoas são denunciadas e não se comprovam os fatos denunciados”.
Ou seja, a julgar pelo que diz o governador, Santa Catarina pode ser compelida a conviver, a partir de janeiro, com um mandatário sob suspeição.
Pavan é acusado pela PF de ter intercedido em favor de uma distribuidora de combustíveis, a Arrows Petróleo do Brasil.
Em débito com o fisco estadual, a empresa tivera cancelada a sua inscrição estadual. Seus representantes foram a Pavan para reaver a inscrição.
O vice-governador admite ter intercedido pela Arrows. Mas assegura que deu meia-volta ao ser informado de que a empresa estava enrolada com o fisco.
Sem mencionar o nome de Pavan, a PF disse, em entrevista, que a operação envolveu o pagamento de propina de R$ 100 mil.
Informou, de resto, que a inscrição estadual da Arrows só não foi reativada graças à intervenção de servidores honestos do fisco.
Luiz Henrique dá crédito irrestrito ao seu segundo: “O vice-governador Pavan não é um novato...”
“...Eu não acredito que ele tenha ultrapassado o limite daquilo que é função de todo político: reivindicar...”
“...Ele reivindicou por uma empresa. O governo não atendeu. O secretário da Fazenda disse que não tinha como atender. E ele se conformou”.
Resta aguardar pelo pronunciamento do procurador-geral Gercino, prometedida para terça-feira.
Confirmando-se a denúncia, Pavan terá de dividir os afazeres de governador com a defesa num processo que deve se arrastar pelos escaninhos do Judiciário.
Sérgio Lima/Folha Presidente nacional do PTB, o deputado cassado Roberto Jefferson (RJ) negocia o apoio do seu partido ao candidato tucano à sucessão de Lula.
Em privado, Jefferson diz que prefere Aécio Neves. Acha que o governador de Minas seria um nome mais competitivo.
Mas Jefferson já manteve contatos reservados com o governador paulista José Serra. E pende para a coligação eleitoral com o tucanato seja quem for o candidato.
Tratou do assunto também em conversa que manteve, abaixo da linha d’água, com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Oficialmente, o PTB de Jefferson integra o consórcio partidário que dá suporte congressual a Lula. Porém...
Porém, o ex-deputado não considera a hipótese de sua legenda reforçar o palanque da candidata de Lula, Dilma Rousseff.
Os operadores políticos do PT tentam arrastar para o palanque de Dilma todos os partidos da megacoalizão que orbita em torno de Lula.
Em relação ao PTB, porém, o petismo já jogou a toalha. Ciente da movimentação de Jefferson, os operadores políticos do PT desdenham a “perda”.
Afirmam que, sem Jefferson, o apoio do PTB seria bem-vindo. Com ele, mais atrapalharia do que ajudaria.
As relações de Jefferson com o PT estão rompidas desde 2005, ano em que o mandachuva do PTB denunciou a existência do mensalão.
Jefferson levou a boca ao trombone depois da exibição de um vídeo em que Maurício Marinho, chefe de departamento dos Correios, foi pilhado num malfeito.
Na cena, Marinho apareceu embolsando uma propina de R$ 3 mil. Foi ao noticiário como operador do PTB nos Correios.
Abespinhado, Jefferson denunciou, em entrevista à repórter Renata Lo Prete, o esquema que batizou de mensalão.
Jogou luz sobre um personagem até então desconhecido, Marcos Valério. Expôs as entranhas financeiras do PT. E mergulhou o governo Lula em crise.
Jefferson achega-se ao tucanato num instante em que, ao falar de mensalão, o noticiário precisa mencionar o sobrenome do escândalo.
Além do mensalão do PT, há o mensalão do PSDB mineiro, cujo beneficiário, Eduardo Azeredo, foi convertido em réu pelo STF dias atrás.
Há ainda o mensalão do DEM, que acaba de custar ao governador de Brasília, José Roberto Arruda, a perda da legenda que lhe permitiria disputar a reeleição.
Se confirmado, o apoio de Jefferson ao tucanato agregará à candidatura da oposição o tempo de TV do PTB.
Mas obrigará a coligação PSDB-DEM-PPS a conviver com a controvertida fama de Jefferson.
De denunciante, o presidente do PTB virou, também ele, réu na ação penal que corre no Supremo contra a “quadrilha” do mensalão petista.
No auge da crise de 2005, Jefferson chamara Maurício Marinho, o servidor encrencado dos Correios, de “petequeiro”.
Negara ter cedido à oferta de mesada valeriana à bancada de congressistas do PTB. Mas, em depoimento na Câmara, admitira pelo menos um crime eleitoral.
Confessara ter recebido do PT, por baixo da mesa, uma “contribuição” de R$ 4 milhões.
Borrifara o dinheiro, segundo disse, em campanhas de candidatos do PTB nas eleições de 2004.
Reconhecera que as verbas provinham de empresas que mantinham, sob Lula, negócios com estatais. Ouça-se o Jefferson da época:
"Todo mundo sabe disto. Nas campanhas eleitorais, todos os partidos recebem dinheiro destas empresas. Não há um partido que faça diferente disto".
Os R$ 4 milhões de má origem chegaram a Jefferson, de acordo com o relato dele, em duas malas.
Instado revelar a que candidatos petebistas entregara o dinheiro, Jefferson decidiu “matar no peito” a encrenca:
"Eu vou dizer os nomes quando o PT esclarecer as origens dos recursos. Aí eu abro quem recebeu".
O petismo jamais admitiu ter repassado a contribuição milionária a Jefferson. E ele tampouco disse até hoje como e com quem partilhou a verba.
Numa palestra feita em Fortaleza, Ciro Gomes (PSB) relatou à platéia uma preocupação que vem dividindo com Lula.
“Tenho dito isso ao Lula: ‘Olha, com essa base aí, até com você tá dando pra ir. Agora eu não aguento, a Dilma não agüenta, o Serra não aguenta, a Marina não aguenta”.
Ciro antevê o pior: “Se a gente não mudar essa equação, está marcada uma crise política pra bem aí, em 2011”.
Que equação? Esse modelo político que leva legendas como PT e PSDB a se elganfinharem numa “radicalização paroquial”. Ciro foi ao ‘x’ da questão:
Quando um chega ao poder, o outro recusase a dialogar, forçando a realização de alianças “com tudo que não presta na política brasileira”.
Como exemplo do que “não presta” citou um deputado dos mais influentes: Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Na tribo pemedebê, Eduardo Cunha é da etnia fluminense. Porta-se como uma espécie de feiticeiro da aldeia.
Costuma lançar feitiços na direção das arcas de Furnas. Ciro traçou-lhe um bom retrato:
“Eu não sei de onde esse cara tirou tanto prestígio. Ele é o relator da CPMF, ele é relator da isenção do IPI de exportação...”
“...Ele é relator dos trambiques que se fazem nas medidas provisórias, ele foi presidente da Comissão de Justiça. E o que se fala dele não é publicável”.
Deputado desde 2006, Ciro revelou-se na palestra desencantado com o seu ambiente de trabalho.
Disse que, na Câmara, discute-se muito e produz-se pouco. “Vocês não sabem como é chocante. Eu não quero mais, eu quero ir embora dali ontem. É exasperante”.
Curioso. Eleito em 2006 por 667 mil cerearenses que o imaginaram capaz de fazer a diferença no Congresso, Ciro paga os votos com ausência e desencanto.
Ciro falou para uma platéia de lojistas. Disse que luta “há tantos anos para ser presidente” justamente porque desea já alterar o modelo.
“É preciso encerrar isso”. Só não diz como um candidato de partido pequeno como o dele vai fazer para produzir o milagre da purificação da política.
De resto, Ciro deixou entreaberta uma porta de saída. Admite retirar-se do páreo nacional se Dilma Rousseff virar um portento nas pesquisas.
“Se a Dilma, representando nossas forças, disparar, a ponto de ter uma chance de ganhar no primeiro turno, minha responsabilidade muda...”
“...Minha responsabilidade passa a ser não dividir e sim garantir a vitória”. Parece descrer da hipótese de a candidata de Lula alçar vôo tão alto.
"A minha candidatura será essencial, seja para ganhar os valores que esse projeto [de Lula] representa, seja para dar a garantia de um segundo turno...”
Um segundo round “em que o [candidato] que for ao segundo lugar, terá o apoio do terceiro”.
Ciro não disse, mas, com esse lero-lero do terceiro que apoio o segundo, parece dar de barato que, na primeira fase da eleição, o tucano José Serra será o primeiro.
Acha que ainda reúne condições de crescer:
"Na medida em que a minha candidatura se defina [...], que o meu partido me apóie, que a gente supere o isolamento partidário...”
“...Que fique esclarecido que eu sou uma candidatura também do arco de forças de sustentação do presidente Lula, aí eu vejo chance de crescer bastante”.
Resta a Ciro: obter o apoio do partido dele, convencer Lula a não insolá-lo, atrair legendas que flertam com Dilma e seduzir um naco maior de eleitores.
Coisa complicada, muito complicada, complicadíssima!
Karime Xavier/Folha A seccional da OAB no DF ingressará, nesta segunda (14) com um lote de representações contra deputados da Câmara Legislativa de Brasília.
Pedirá a cassação de todos os deputados mencionados na Operação Caixa de Pandora. São pelo menos nove.
Entre eles Leonardo ‘Meias’ Prudente (DEM), licenciado da presidência da Câmara, e Erides ‘Bolsa Grande’ Brito (PMDB), líder do governo.
Caso prevaleça o corporativismo, a OAB tentará impedir que a bancada do panetone vote nos pedidos de impeachment de José Roberto Arruda.
Para a OAB, os deputados atados a Arruda por laços monetários não podem, por suspeitos, participar da votação dos pedidos de afastamento do governador.
Fracassando na Câmara, a OAB cogita recorrer ao Judiciário.
Trabalhadores do setor aéreo ameaçam realizar uma greve nos dias 23 e 24, antevéspera e véspera de Natal.
Aeronautas (pilotos e comissários de bordo) e aeroviários (pessoal de terra) reivindicam aumento salarial de 10%.
As companhias aéreas se dispõem a tonificar os contracheques. Mas oferecem menos da metade do reivindicado: 4,5%.
A discórdia entre as partes se arrasta desde outubro. Sentindo o cheiro de queimado, o Ministério Público do Trabalho de São Paulo interveio.
A procuradora Laura Martins de Andrade chamou as partes para uma audiência de concialiação.
Realizou-se, sem alarde, na tarde da última quinta-feira (10). Antes, pela manhã, cerca de 300 aeronautas e aeroviarios realizaram uma manifestação.
Deu-se nos aeroporto Congonhas e Cumbica, em São Paulo. Percorreram o sagão e a aérea de check in do aeroporto.
A tentativa de mediação da procuradora Laura Martins durou três horas. Lero vai, lero vem, a ela propôs um reajuste intermediário.
Nem os 10% pedidos pelos trabalhadores nem os 4,5% ofertados pelas empresas. A procuradora sugeriu 6%.
O encontro terminou sem acordo. Laura Martins marcou nova audiência. Acontecerá na próxima terça (15), em São Paulo.
Na véspera, segunda-feira (14), sindicatos de trabalhadores do setor de aviação civil realizam assembléias para decidir se aceitam os 6% sugeridos pela procuradora.
"O dever do Ministério Público do Trabalho, diante da posssibilidade de uma greve, é garantir o direito da população”, disse Lara Martins.
“Por isso, essa reunião foi marcada com o objetivo de se chegar a um acordo entre as partes", ela acrescentou.
Os trabalhadores são representantes na mesa de negociações por duas entidadestrês entidades:
O Sindicato Nacional dos Aeronautas e o Sindicato dos Aeroviários de São Paulo e Guarulhos. Além deles, aeroviários o Amazonas, Recife e Rio.
Pelo lado das companhias aéreas, fala o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.
A julgar pelo que diz o economista Claudio Toledo, que assessora os trabalhadores, aeroviários e aeronautas parecem dispostos a esticar a corda.
Segundo Toledo, o setor aéreo dobrou de tamanho entre 2003 a 2009. Afirma que, pelo quinto mês consecutivo, a demanda doméstica cresceu acima dos 20%.
Torça-se para que a procuradora Laura Martins consiga chamar as partes ao bom senso.
Do contrário sobrevirá o caos aéreo natalino. Coisa que o brasileiro conhece muito e receia bastante.
O vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB) foi indiciado pela Polícia Federal. Deu-se no âmbito de uma operação chamada Transparência.
Pavan é acusado de três crimes: corrupção passiva, advocacia administrativa e quebra de sigilo funcional. Ele nega que os tenha cometido.
Segundo a PF, o vice-governador teria participado de negociação que visava reabilitar a inscrição estadual de uma empresa junto ao fisco catarinense.
Chama-se Arrows Petróleo do Brasil. É sediada no Rio de Janeiro. Deve cerca de R$ 12 milhões em tributos. Por isso tivera a inscrição cancelada.
Além de Pavan, a PF indiciou quatro servidores públicos e dois empresários, representantes da Arrows em Santa Catarina.
A encrenca vai às manchetes às vésperas de Pavan herdar o governo de Santa Catarina do titular Luiz Henrique (PMDB).
Candidato ao Senado, o governador decidiu licenciar-se do cargo para fazer campanha. Marcara sua saída para janeiro.
Em entrevista sobre o caso, o superintendente local da PF, Ademar Stocker, disse que há “provas consistentes” de que “houve corrupção”.
Afirma chegou a ser feito um pagamento de R$ 100 mil em troca do arquivamento do processo que corria contra a Arrows no fisco.
Segundo o delegado Stocker, o malfeito só não foi consumado “porque houve resistência de bons servidores”.
O superintendente da PF esquivou-se de mencionar os nomes dos envolvidos (assista a um trecho da entrevista lá no alto).
Alegou que o inquérito corre em segredo de Justiça. A investigação foi concluída há dois dias. O relatório final da PF seguiu para o Tribunal de Justiça do Estado.
Dali, a pepelada desceu às mãos do procurador-geral de Justiça de Santa Catarina, Gercino Gomes Neto, a quem cabe oferecer ou não denúncia contra os indiciados.
Embora a PF tenha sonegado os nomes, eles vazaram. O advogado de Pavan, Claudio Gastão da Rosa Filho, chiou.
Ele lamentou por ter tomado conhecimento do indiciamento de seu cliente por meio da imprensa. Lembrou que o caso corre sob segredo judicial.
Considerou “muito estranho que essa investigação venha à tona às vésperas de ele [Pavan] assumir o governo”.
Em manifestação que fizera antes do indicamento, Pavan dissera: “Estão me fazendo sangrar politicamente”.
Ele diz ser inocente. Alega que sempre recebeu empresários, prefeitos e contribuintes que o procuram para pedir encaminhamento de processos.
Acha que isso não configura advocacia administrativa. Reconhece que tratou do pedido da Arrows. Porém...
Porém, sustenta que se afastou do caso tão logo soube que se tratava de uma empresa punida por sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.
De resto, Pavan declara: “Não houve fato consumado. A inscrição [da empresa] não foi concedida”.
Fotos: Folha Uma declaração feita por Lula surpreendeu Michel Temer e deixou em polvorosa toda a cúpula do PMDB.
O partido mergulhou numa atmosfera de pré-crise.
De passagem pelo Maranhão, Lula sugeriu que o PMDB indique três alternativas de candidato a vice-presidente.
Submetida à lista, a presidenciável Dilma Rousseff escolha o nome de sua preferência.
O comentário ganhou a web. E provocou uma troca instantânea de telefonemas entre os pemedebês que negociam a aliança com o PT.
Líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves produziu uma ironia que resume o que vai na alma do sócio majoritário do consórcio governista:
“Achamos natural que o PMDB apresente três nomes. Mas vamos aguardar que o PT nos apresente os outros dois, para ver como fica o nosso apoio”.
O comentário de Lula soou numa entrevista a duas emissoras de rádio maranhenses. Por ironia, uma delas, a Mirante, pertence à família do grão-pemedebê José Sarney.
Lula disse na entrevista que, como maior partido da aliança, o PMDB tem todo o direito de “exigir” a posição de vice. Mas emendou:
"O correto não é nem o PMDB impor um nome só. O correto é o PMDB discutir dentro do PMDB, indicar três nomes para a ministra Dilma para que ela possa escolher. Isso é que nem casamento...”
“...Quem vai casar com o vice é a candidata, e você não pode empurrar para ela alguém que não tem afinidade com ela porque aí será discórdia total".
Presidente da Câmara e fiador do acordo pré-nupcial que o PMDB firmou com o PT, Michel Temer tomou-se de espanto.
Temer é apresentado pelo pedaço governista do PMDB como o nome do partido para subir ao altar do lado de Dilma.
Em privado, o deputado disse aos companheiros de legenda que pretende procurar Lula. Sentiu-se pessoalmente atingido.
Está menos preocupado com a posição de vice, que nunca reivindicou publicamente. Inquieta-o a inconveniência do momento.
A frase de Lula chega num instante em que Temer considera-se alvejado por um par de “infâmias”.
Foi ao noticiário como beneficiário de um suposto repasse ilegal de verbas feito pela Camargo Corrêa, investigada na Operação Castelo de Areia.
Depois, foi citado, junto com outros pemedebês, num dos vídeos do panetonegate. Dessa vez como destinatário de uma fatia do bolo tóxico do DEM-DF.
Num instante em que busca reparação judicial pelas ofensas à sua honra, Temer é abalroado pelo comentário de Lula. Daí, sobretudo, o incômodo.
Os operadores do PMDB consideram que a frase de Lula é ainda mais "inaceitável" porque não faria justiça ao comportamento de Temer.
Diz-se que, além de empenhar-se pela consolidação do acordo PMDB-PT, o deputado evita apresentar-se como vice.
De fato, sempre que questionado sobre a matéria, o presidente da Câmara retira do bolso do colete uma resposta padrão:
“Vice não é candiato, é circunstancia política", repete Temer. "Depois da consolidação da aliança, será preciso verificar qual o nome que soma mais para a candidata à Presidência”.
A julgar pelo teor dos telefonemas trocados na noite passada, o PMDB espera que Lula repare, nas próximas horas, o “estrago” que sua frase produziu.
Do contrário, o mal-estar pode descambar para a crise. Na visão do provedor do “noivo” de Dilma, a metáfora do casamento é via de mão dupla.
Ouça-se o que disse ao blog um pemedebê com assento no coolegiado que negocia a aliança em torno de Dilma:
“Se a noiva pode escolher o pretendente, o noivo também pode exigir ao pai dela que apresente outras filhas porque a escolhida não agradou”.
O interlocutor do repórter lembrou que Dilma, levada à vitrine há quase dois anos, ainda não ultrapassou a barreira dos 20% nas pesquisas.
De resto, realçou o fato de que o PT protela a resolução de encrencas regionais que conspiram contra a aprovação da aliança na convenção do PMDB, em junho.
Menciona as praças onde ardem as principais fogueiras: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
O conselho de sábios que tenta pôr de pé a aliança pró-Dilma reúne-se pela enésima vez na semana que vem, provavelmente na quarta-feira.
Os líderes que representam o PMDB nesse colegiado vão à reunião com o pavio mais curto. Ameaçam explodir caso Lula não ajeite as coisas até lá.
Receia-se que Lula esteja interessado em empinar o nome do presidente do BC, Henrique Meirelles, como candidato a companheiro de chapa de Dilma.
Um dos pemedebês ouvidos pelo repórter saiu-se com uma metáfora à Romário. Evoca a condição de cristão novo do neo-pemedebê Meirelles.
“Ele acabou de entrar no ônibus. Não pode querer sentar na janelinha. O nome do Mierelles não soma um níquel na convenção do PMDB”.
Foi ao ar na noite passada o programa institucional do PT na televisão. Dez minutos, em horário nobre.
Na peça, o partido reforçou sua tática para a sucessão presidencial de 2010. Está escorada em três estacas:
1. Grudou-se a imagem de Dilma Rousseff à de Lula.
2. Vendeu-se a ministra como coordenadora de todo o ministério, responsável pelos principais programas do governo.
3. Carregou-se na comparação da era Lula –voltada para os “mais pobres”— com o ciclo FHC –“elistista”.
O petismo adotou integralmente a tática plebistária idealizada por Lula –O “nosso governo” versus o “governo deles”.
O programa foi permeado por uma espécie de ping-pong entre Lula e Dilma. O presidente dizia algo e a ministra o segundava.
"Presidente, eu penso igual ao senhor”, diz Dilma num trecho. “Tem governo que fez pouco e acha que fez muito. Nós não. A gente fez muito, mas sabe que é preciso fazer muito mais."
Na comparação, fez-se questão de associar o PSDB a FHC, citado nominalmente. Um expectador desavisado poderia supor que Dilma vai às urnas contra o ex-presidente.
Na comparação com o programa do PSDB, exibido na semana passada (assista aqui), o PT levou nítida vantagem.
Fechado com Dilma, o partido de Lula levou à prateleira a única “mercadoria” de que dispõe,
Ainda às voltas com uma disputa interna, o PSDB viu-se compelido a dividir o seu tempo igualitariamente entre José Serra e Aécio Neves.
Pouco antes de o PT levar o rosto de Dilma à telinha, saiu do forno a última pesquisa do Vox Populi.
Serra ainda em primeiro, com 39%. Dilma em segundo, com 17%. Ciro Gomes na terceira posição, com 13%.
A novidade dessa pesquisa chama-se Aécio Neves. Num cenário em que substitui Serra, Aécio amealha 25%. Ciro Gomes, 19%. Dilma, apenas 15%.
Noutro cenário, sem Ciro, Aécio volta figurar adiante de Dilma: 29% dele contra 21% dela.
O PT acha que, depois do programa desta quinta, sua candidata vai tomar o elevador. O tempo se encarrerá de demonstrar se o prestígio de Lula basta para converter desejo em fato.
Eugênio Novaes/OAB O presidente da OAB, Cezar Britto, disse que a seccional da entidade no DF cogita mover ação civil pública contra a Polícia Militar de Brasília.
O objetivo é identificar e punir os responsáveis pela violência policial praticada contra manifestantes nesta quarta (9).
Montados e a pé, PMs a serviço do governo do DF reprimiram cerca de 2 mil pessoas que pediam o impeachment do governador José Roberto Arruda.
Um dos manifestantes, o petista José Ricardo Fonseca, 32, esteve nesta quinta (10) na sede da OAB. Encontrou-se com Cezar Britto.
Relatou os excessos que acusa a PM de ter cometido. Considerou-se “humilhado”. Depois do encontro, o presidente da OAB disse:
"O exagero de alguns não pode ser respondido com o grave erro da intimidação contra os cidadãos. Não podemos deixar a Constituição ser rasgada".
A PM alega que teve de intervir porque os manifestantes anti-Arruda bloqueram o trânsito das avenidas defronte do Palácio do Buriti, sede do governo do DF.
Beleza. Mas precisava recorrer à cavalaria, balas de borracha, bombas de gás?
“Temos a Suprema Corte mais leniente e complacente do mundo com a bandidagem”. A crítica ao STF foi feita pela procuradora Regional da República Janice Ascari, de São Paulo.
Deu-se num seminário promovido pela CGU (Controladoria Geral da União), na USP. Janice ganhou notoriedade nacional pela atuação em processos contra a corrupção.
É signatária, por exemplo, da ação que resultou na condenação do juiz Nicolau dos Santso, o Lalau.
Noutro evento, realizado em Brasília, Janice foi ecoada por Wagner Gonçalves, vice-procurador-geral da República.
Para Wagner, há no Brasil um tipo de “réu intocável” –pessoas que praticam a "corrupção e o tráfico de influência".
Gente que, no dizer de Wagner, é “praticamente inatingível”. O procurador realçou um fato que permeia o imaginário do brasileiro.
Disse que o sistema carcerário do país está “abarrotado”. Mas não há nas cadeias “praticamente ninguém condenado pelo crime de colarinho branco”.
Jancie e Wagner apontam uma causa comum para o fenômeno da impunidade: a maleabilidade do sistema processual brasileiro.
Afirmam que os criminosos endinheirados, com bolso para bancar advogados, têm acesso a uma infinidade de recursos. Algo que termina por inviabilizar a condenação.
Ouça-se Janice: "O cidadão tem direito à ampla defesa, mas isso não pode significar abuso do direito de defesa como vemos com frequência".
Ela acrescenta: "A defesa é ampla, mas não infinita". Wagner enverniza o raciocínio da colega: “O excesso de recursos e o foro privilegiado causam sensação de impunidade”.
O seminário em que falou Janice ocorreu na quarta (9). Foi noticiado em texto veiculado na web nesta quinta (10).
O evento em que sou a voz de Wagner Gonçalves ocorreu nesta quinta (10). Foi noticiado no sítio da Procuradoria Geral da República.
Separados por um intervalo de 48 horas, os dois seminários debateram um tema único: o combate à corrupção.
No de Brasília, estiveram presentes os mandachuvas de três dos mais importantes órgãos de controle do país.
Deram as caras: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel; o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar; e o ministro da CGU, Jorge Hage.
A trinca realçou a necessidade de os órgãos reforçaram a ação conjunta contra a corrupção. Gurgel anunciou que o Ministério Público prepara um protocolo para apresentar às demais instâncias.
Visa reforçar a cooperação e traçar uma estratégia conjunta de combate às malfeitorias. Inclui propostas de mudanças legais, que dependem do Congresso.
“É uma luta comum do Estado brasileiro, que só será vencida se essa união entre as nossas instituições for permanente, praticada a cada dia”, disse Gurgel.
O ministro Jorge Hage tentou contemporizar a ausência de condenações judiciais aos corruptos. Disse que não adiante ficar se lamentando.
Melhor, segundo ele, tonificar o esforço para impor aos ciminosos sanções administrativas. Pelas contas de Hage, cresceu o número de demissões por improbidade –2.350 agentes públicos federais foram ao meio-fio desde 2003.
Realçou a necessidade de impor sanções também aos corruptores. Daí a criação de um cadastro nacional com a lista de empresas punidas, que ficam proibidas de celebrar contratos com o Estado.
No encontro da véspera, a procuradora Janice Ascari dissera que o “crimi