Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Serra vira platéia de Dilma e ouve Lula desancar FHC

Presidenciável do PSDB, o governador José Serra converteu-se em expectador de uma sessão de espancamento da era tucana.

 

A convite de Lula, Serra sentou-se na platéia da megacerimônia de lançamento do marco legal para a exploração do petróleo do pré-sal.

 

Ao discursar, Lula desancou o governo do antecessor Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB e amigo de Serra.

 

Lula disse que, em 1997, sob FHC, "altas personalidades chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro”.

 

Não um dinossauro qualquer, mas “o último dinossauro a ser desmantelado". Lembrou que o tucanato investira contra a estatal.

 

Chegara mesmo a cogitar a mudança de nome da empresa, que passaria a se chamar Petrobax. Ironizou: "Sabe lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro".

 

Agora, disse Lula, esses "pensamentos subalternos" foram superados. "O país deixa para trás o complexo de inferioridade. Como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para nosso futuro!"

 

"Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima e descobriu no pré-sal o passaporte para o nosso futuro".

 

Nesse e noutros pontos do discurso, Lula foi efusivamente aplaudido. Serra, sob marcação cerrada das lentes do repórter Lula Marques, eximiu-se de bater palmas (confira abaixo).

 

Lula Marques/Folha

 

Ao resumir os “tempos subalternos” da era FHC, Lula disse que “o país tinha deixado de acreditar em si mesmo”.

 

“Juros estratosféricos, praticamente não tinha reservas internacionais, volta e meia o país quebrava”.

 

Quando ia à breca, “tinha de pedir ajuda ao FMI”. Um auxílio que vinha “acompanhado de um monte de imposições”.

 

“Hoje, o quadro é bem diferente”, Lula se gabou. “Os países descobriram na crise que, sem regulação do Estado, o deus mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos”.

 

Estava mesmo decidido a fustigar o tucanato. Deu de ombros para o bico de Serra. Em contraposição à ideia do choque de gestão, Lula disse que “o papel do Estado voltou a ser valorizado”.

 

Empilhou dados de sua gestão: crescimento médio de 4,1% entre 2003 e 2006. Criação de 11 milhões de empregos formais.

 

“Não só pagamos a divida externa como acumulamos reservas de US$ 215 bilhões. Reduzimos a miséria e as desigualdades...”

 

“Mais de 30 milhões de brasileiros saíram linha pobeza. E 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno...”

 

“...Hoje, temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia testada na crise”.

 

Outra alfinetada em FHC: “Não só não quebramos como fomos um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela”.

 

Mais outra: “Antes, éramos alvos de chacotas. Hoje, a voz do Brasil é ouvida lá fora com muito respeito”.

 

De quebra, Serra, autoconvertido em platéia, foi compelido a assistir ao retorno da potencial adversária Dilma Rousseff à boca do palco.

 

Um palco armado também para que Dilma, depois de um sumiço de dez dias, ressurgisse triunfante, cavalgando o pré-sal.

 

Serra não pretendia participar da cerimônia. Deixou-se convencer por Lula, num jantar ocorrido na noite de domingo (30).

 

O governador de São Paulo fora ao Alvorada junto com os colegas do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung.

 

Os três foram a Lula para evitar que o governo bulisse na repartição dos royalties pago aos Estados produtores de petróleo. Tiveram êxito.

 

Ao término do jantar, Lula encareceu aos governadores que comparecessem à pajelança do pré-sal. Eles aquiesceram.

 

A julgar pelas caras e bocas que fez durante a discurseira, Serra deve ter sido tomado de assalto pelo arrependimento. Viu-se no centro de uma arapuca política.

 

À saída da cerimônia, o presidenciável tucano disse meia dúzia de palavras. Condenou a petro-pressa.

 

"O governo teve 22 meses pra fazer um projeto de lei [do pré-sal]. É razoável que o Congresso e a sociedade tenham um tempo para discutir isso”.

 

Acha que o prazo desejado por Lula, 90 dias, é demasiado curto: “Não vai haver tempo bom, hábil, razoável, para que se discuta um projeto que tem implicações para as próximas décadas”.

 

Nenhuma palavra em defesa de FHC.

Escrito por Josias de Souza às 18h51

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PMDB e PT devem relatar projetos de lei do pré-sal

  Folha
O governo se mexe para acomodar em mãos “confiáveis” a relatoria dos projetos que compõem o pacote petroleiro do pré-sal.

 

Os relatores devem ser pinçados das bancadas do PMDB e do PT, sócios majoritários do consórcio que dá suporte a Lula no Legislativo.

 

Entre os nomes cogitados estão o de Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara, e Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB.

 

Cabe ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), nomear os relatores. O blog ouviu o deputado. Eis o que disse Temer:

 

“Mesmo que eu distribua as relatorias por todos os partidos, o PMDB e o PT, como tem as maiores bancadas, certamente vão reivindicar essas relatorias do pré-sal”.

 

Os projetos de lei peroleiros –quatro ao todo— chegam à Câmara com o selo da urgência constitucional.

 

Significa dizer que os congressistas terão 90 dias para se debruçar sobre as propostas –45 dias na Câmara e igual período no Senado.

 

Na noite passada, o governo chegara a informar que desistiria da urgência. Na manhã desta segunda (31), porém, recuou do recuo.

 

A oposição incomoda-se com a pressa. “Não tem sentido”, diz Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM na Câmara.

 

“Queremos analisar os projetos sob o ângulo do interesse do país, não de olho na marquetagem eleitoral, como quer o governo”, Caiado acrescenta.

 

“Há um cuidado do governo em apressar-se”, ecoa Álvaro Dias PR), vice-líder do PSDB no Senado. O senador também vê motivação eleitoral na pressa.

 

“O horizonte temporal do mandato de Lula está logo ali adiante. Antes, há uma eleição presidencial...”

 

“...O governo não quer perder essa oportunidade de obter dividendos de natureza eleitoral. Por isso armou seu palanque”.

 

Tucanos e ‘demos’ tentarão derrubar no Congresso o regime de urgência imposto por Lula. De saída, pretendem requerer a realização de audiências públicas.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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Lula chama Geddel e Jader para pedir acerto com PT

Sérgio Lima/Folha

 

Empenhado em costurar o apoio do PMDB à candidatura presidencial de Dilma Rousseff, Lula tornou-se coordenador político de si mesmo.

 

Nesta semana, pretende reunir-se privadamente com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e com o deputado Jader Barbalho.

 

Geddel manda no PMDB da Bahia. Jader dá as cartas no PMDB do Pará. Ambos estão em litígio com o petismo local.

 

O ministro Geddel ensaia uma candidatura ao governo baiano, contra a recandidatura do petista Jaques Wagner.

 

O deputado Jader informou à direção do PMDB que decidiu concorrer ao governo paraense, contra a recandidatura da petista Ana Julia Carepa.

 

Lula pretende apelar a Geddel e Jader que refluam. Deseja que aceitem disputar um par de cadeiras no Senado, acertando-se com Jaques Wagner e Ana Júlia.

 

A julgar pelo que dizem entre quatro paredes, Geddel e Jader devem responder negativamente aos apelos do presidente.

 

Não se recusam a apoiar Dilma. Mas acham que as relações com o PT de seus Estados, por envenenadas, já não podem ser reconstituídas.

 

Há uma semana, em almoço com Lula, Michel Temer, presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, propusera uma solução conciliatória.

 

Sugerira que, na Bahia e no Pará, sejam montados dois palanques para Dilma –um do PMDB, outro do PT.

 

O presidente não excluiu a hipótese aventada por Temer. Mas decidiu fazer um derradeiro contato com Geddel e Jader.

 

Lula chega nas duas bolas divididas com atraso. No caso da Bahia, por exemplo, Geddel já costurou até uma aliança com o PTB.

 

De resto, o PMDB baiano desembarcou do governo do PT. Geddel devolveu a Wagner as duas secretarias que eram ocupadas por gente sua.

 

Ou Lula aceita a tese do duplo palanque ou se arrisca a empurrar potenciais aliados de Dilma para o colo do presidenciável tucano José Serra.

 

Bahia e Pará não são os únicos nem os piores problemas que Lula tenta, pessoalmente, superar. A encrenca mais preocupante é a de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

 

Ali, o PMDB cobra do PT apoio à candidatura do ministro Hélio Costa (Comunicações). Dividido entre Patrus Ananias, ministro do Bolsa Família, e Fernando Pimentel, ex-prefeito de BH, o petismo faz ouvidos moucos.

Escrito por Josias de Souza às 05h26

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Lula: ‘O pré-sal é a segunda Independência do Brasil’

Governo cede e lança novas regras sem mexer nos royalties

Recuo selou um armistício com governadores do RJ, SP e ES

Oposição acusa: Pré-sal virou plataforma eleitoral de  Dilma

 

 

Lula levou ao ar, nesta segunda-feira (31), o Blog do Planalto. A incursão do governo na web chega no dia do anúncio da nova legislação do petróleo.

 

Na mensagem inaugural do blog, há um vídeo de boas-vindas. Nele, Lula posa de Dom Pedro 1º pós-moderno.

 

Acomodado numa cadeira da mobília do Palácio da Alvorada, às margens do Lago Paranoá, o presidente refere-se ao pré-sal como “a segunda Independência do Brasil”.

 

Afirma que o óleo a ser extraído das profundezas marítimas oferece “a possibilidade de o Brasil, no século 21, se transformar numa nação muito rica [...]”.

 

Em megacerimônia agendada para as 14h, o "imperador" do óleo receberá 3.000 convidados. O evento marca o retorno ao palco da sumida Dilma Rousseff.

 

Na noite passada, em jantar que começou por volta de 20h e invadiu a madrugada desta segunda, Lula recebeu uma trinca de governadores.

 

Foram à mesa do Alvorada o tucano José Serra (São Paulo) e os pemedebês Sérgio Cabral (Rio de Janeiro) e Paulo Hartung (Espírito Santo).

 

Os três chegaram de cara amarrada. Torciam o nariz para a intenção do governo de bulir na repartição dos royalties da exploração do petróleo.

 

Estados produtores de petróleo perderiam receita para outras unidades da federação. Lero vai, lero vem, Lula decidiu dar meia-volta.

 

Excluiu do pacote do pré-sal o pedaço que se referia aos royalties. Achou melhor deixar a decisão por conta do Congresso.

 

O recuo foi anunciado no próprio Blog do Planalto, em mensagem veiculada às 23h44. O texto celebra o fim da "tensão pré-sal" e anuncia a celebração da “santa paz federativa”.

 

Anota que “Lula concordou em enviar o projeto ao Congresso sem prever, para o novo regime, uma redistribuição dos royalties e participações especiais”.

 

O armistício foi retratado em foto clicada defronte do Alvorada. Na imagem, governadores risonhos ao lado do "neo-imperador".

 

Ricardo Stuckert/PR

 

O recuo de Lula é uma rendição ao óbvio. Juntas, as bancadas de São Paulo, Rio e Espírito Santo somam 126 votos na Câmara –25% do total.

 

Supondo-se que toda a oposição aderisse à contrariedade dos governadores, a bancada dos contrários iria a 218 deputados –42,5% da Câmara.

 

Daí o pragmatismo de Lula. O pacote do pré-sal será acomodado em três projeto de lei. Começam a tramitar justamente pela Câmara. Tratam do seguinte:

 

1. Mudança da Lei do Petróleo, sancionada em 1997, sob FHC;

 

2. Criação de uma estatal para gerir as reservas de óleo e gás do pré-sal;

 

3. Criação de um fundo social, para administrar a receita proveniente do pré-sal. O grosso vai para saúde, educação e investimentos em ciência e tecnologia.

 

A ministra candidata Dilma Rousseff (Casa Civil) será, ao lado de Lula, a estrela da cerimônia desta segunda. Fará um discurso.

 

Discutidos entre quatro paredes durante um ano e dois meses, os projetos do pré-sal iriam ao Congresso com o selo da “urgência constitucional”. Porém, Lula cedeu também nesse ponto.

 

A urgência imporia aos congressistas uma análise a toque de caixa –45 dias de tramitação na Câmara e outros 45 dias no Senado.

 

A oposição farejara na pressa de Lula um cheiro de urna. Em nota conjunta distribuída na noite passada, tucanos, ‘demos’ e ex-comunistas levaram as mãos à lança.

 

Diz o texto: "Os partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS - não vão permitir que ele [o pré-sal] seja transformado em bandeira eleitoral...”

 

Tampouco permitirão “que venha favorecer a grupos partidários que transformam o Estado brasileiro em extensão dos seus interesses...”

 

“...Trata-se de uma questão de Estado, que pode definir o futuro do país, é assunto que deve ser tratado com transparência, e com participação de toda a sociedade. Sem rolo compressor".

 

São signatários da nota os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra; do DEM, Rodrigo Maia; e do PPS, Roberto Freire.

 

O tom da nota contrasta com o semblante risonho do presidenciável tucano José Serra na foto do Alvorada.

 

“Em vez de confraternizar com o presidente, o Serra deveria assumir o seu papel de candidato de oposição”, disse ao repórter um líder do DEM.

 

Crítica vã. Serra tem se revelado um candidato capaz de muitas coisas, menos de fazer oposição aberta a Lula.

 

Enquanto isso, Lula trombeteia um petróleo que, se tudo der certo, só será arrancado das profundezas em escala comercial entre 2015 e 2020.

 

O óleo é tema do "Café com o Presidente". O programa é veiculado pela Radiobras nas manhãs de segunda. Mas o novíssimo Blog do Planalto cuidou de antecipar (assista abaixo).   

Escrito por Josias de Souza às 03h59

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Lula faz festa com pré-sal e oposição ataca uso eleitoral

 

- Estadão: Lula cede à pressão dos governadores do pré-sal

 

- Correio: Servidores terão salários divulgados na internet

 

- Valor: Governo discute medidas para estabilizar o câmbio

 

- Estado de Minas: Mais rigor contra maus motoristas

 

- Jornal do Commercio: Solidariedade

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Cirque du Pizzoleil!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Marina já é do PV, um partido igual a todos os outros

  Andre Pennera/AP
Depois de romper o casamento de três décadas que mantinha com o PT, Marina Silva filiou-se neste domingo (30) ao PV.

 

Os males do PV são semelhantes aos de qualquer partido. Na comparação com o PT, há uma única diferença notável.

 

Menor, o PV tem muitas cabeças e pouco miolo. Maior, o PT enfrenta a mesma falta de miolo, só que com apenas uma cabeça.

 

Marina foi recebida por uma multidão de verdes. Coisa de mil pessoas. Gritavam o novo slogam da legenda: “Brasil urgente, Marina presidente”.

 

A senadora simulou dúvida. Disse que a decisão sobre a aventura presidencial só será tomada em 2010. Lorota. Mudou para ser candidata. É coisa decidida. O PV fechou com ela.

 

A platéia que saudou Marina era heterogênea –de Zequinha Sarney (MA), líder na Câmara, a Fernando Gabeira (RJ), cogitado para a liderança.

 

Marina os une. Ela "dá a oportunidade de qualificar a disputa eleitoral. O 'efeito Marina' já está acontecendo", festeja Zequinha.

 

Gabeira vê em Marina "uma oferta generosa aos eleitores". Chega em meio à denegenerescência que inclui José Sarney, o pai do correligionário.

 

"Nós temos no Brasil um governo moralmente frouxo, um Congresso apodrecido e um Supremo em processo de decomposição", disse Gabeira.

 

Servidor do “governo moralmente frouxo”, o ministro verde da Cultura, Juca Ferreira, aderiu ao coro pró-Marina: "No partido, ela é, disparado, o melhor nome".

 

Ministro de um presidente fechado com outra candidata, Juca rebarbou a contradição: "Não é enfrentar a Dilma, mas propor uma contribuição importante para o Brasil".

 

Ao dicursar, o presidente do PV, José Luiz Penna, se disse honrado com o ingresso de Marina na legenda. É "um importante passo na luta pelo meio ambiente".

 

Penna administra o PV com o talento de um compositor. Compõe com todo mundo. Em Brasília, o partido, dono de uma bancada de aparência contraditória, apóia Lula (PT)...

 

...Na cidade de São Paulo, é Gilberto Kassab (DEM). No Estado, dá suporte a José Serra (PSDB). Em Minas, é verde de amor por Aécio Neves (PSDB). O PV é governo em toda parte. Qualquer governo.

 

Ao adiar a definição sobre a candidatura presidencial, Marina dá tempo para que sua nova casa seja redecorada, ganhando uma atmosfera pseudo-oposicionista.

 

Dona de uma biografia limpa, Marina parece conhecer bem o meio do ambiente partidário em que decidiu se embrenhar.

 

"Não venho com o sonho do partido perfeito que acalentei na juventude, mas com a certeza que os homens e mulheres de bem aperfeiçoem as instituições partidárias".

 

No caso do PV, o aperfeiçoamento terá de começar pelas arcas. O partido submeteu à análise do TSE prestações de contas de fancaria.

 

A escrituração verde é colorida com o vermelho da perversão. Tem um pouquinho de tudo: notas frias, pagamentos a empresas fantasmas, isso e aquilo.

 

A nova legenda de Marina está na bica de perder o direito aos repasses do Fundo Partidário, a verba que a Viúva concede ao custeio da democracia.

 

É grande, como se vê, o desafio de Marina Silva. Além de cavalgar um partido prenhe de contradições e perversões, terá de empolgar o eleitor.

 

Por ora, até o seringal dos fundões do Acre, de onde saiu analfabeta aos 16 anos para tornar-se ícone ambiental, está dividido quanto à nova empreitada da senadora.

Escrito por Josias de Souza às 20h24

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Elio Gaspari: ‘O mapa do tesouro da ilha de Furnas’

O PMDB tornou-se uma legenda voraz. Já não se satisfaz com tudo. Deseja um pouco mais.

 

Sob o tacão de Renan Calheiros, o pedaço pemedebê do Senado acaba de converter o Palácio do Planalto numa cota de José Sarney.

 

Agora, o naco pemedebê da Câmara, sob o patrocínio do sempre operoso deputado Eduardo Cunha (foto), faz nova investida no fundão de Furnas.

 

A passagem foi às páginas, com o engenho habitual, graças à pena do repórter Elio Gaspari.

 

Está disponível na Folha. Para facilitar a vida dos não assinantes, vai reproduzida abaixo:

 

 

“Prossegue a caça ao tesouro da Fundação Real Grandeza, o fundo de pensão dos trabalhadores de Furnas, onde há um ervanário de R$ 8 bilhões.

 

Começou a eleição dos três representantes dos funcionários no conselho da instituição.

 

É um um processo que mobiliza 14 mil pessoas e dura cerca de um mês, culminando com a posse dos escolhidos, em outubro, quando termina o mandato da atual diretoria do fundo. O novo conselho escolherá a próxima diretoria.

 

Numa das últimas reuniões da diretoria de Furnas, que não tem poder sobre o conselho, ouviu-se um curioso comentário: se os conselheiros não atenderem aos desejos de Brasília, a Fundação Real Grandeza sofrerá intervenção da Secretaria de Previdência Complementar.


Caso clássico de ameaça de golpe antes de se saber o resultado de uma votação. Se o Real Grandeza deve sofrer intervenção, ela deveria ter sido feita ontem.

 

Usar essa ameaça para influenciar os conselheiros é coisa de quem quer criar mais uma encrenca, como se não bastassem as existentes.

A principal pressão sobre o Real Grandeza vem da Câmara, mais precisamente, da banda ágil do PMDB, que já perseguiu a diligência em três outras ocasiões.

 

O período de esplendor desse poderio sobre Furnas deu-se entre 2007 e 2008 quando a estatal foi presidida pelo ex-prefeito do Rio Luis Paulo Conde, um arquiteto que se doutorou em artes elétricas sob a orientação do deputado Eduardo Cunha.

 

O PMDB do Rio tenta dominar as arcas de Furnas com tanto afinco que há poucos meses um diretor da estatal recebeu um pedido para fazer do departamento de produção de Campos um pudim de amigos.

Escrito por Josias de Souza às 04h03

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Lula se fixa no ‘Brasil potência’ como mote para 2010

Acha que, sem rumo, oposição se perde na pregação ética

Em resposta, enfatiza crescimento, petróleo  e  tecnologia

Nesta 2ª, Dilma retorna ao palco como a estrela do pré-sal

 

Sérgio Lima/Folha

 

Lula começa a expôr, em reuniões privadas, o esboço do discurso que deseja levar aos palanques da sucessão presidencial.

 

Em contraposição ao que chama de “agenda mesquinha” dos rivais –de timbre monotematicamente ético—, Lula vai brandir o discurso do “Brasil potência”.

 

Um país, segundo diz, fadado ao desenvolvimento. Graças sobretudo ao “êxito” de sua gestão.

 

Nesta segunda (31), Lula presidirá uma megacerimônia. A lista de convidados roça a casa das 3.000 pessoas. Será uma espécie de pontapé inicial da nova fase.

 

Antes, o presidente reunirá todo o ministério. Para adensar o encontro, convidou os mandachuvas dos partidos que integram o consórcio governista.

 

Lula cerca de pompa o anúncio das regras de exploração do pré-sal. Ele comenta: “Enquanto a oposição brinca de CPI da Petrobras, nós cuidamos do futuro”.

 

No caso do petróleo armazenado em águas profundas, o futuro a que se refere Lula é um ponto distante na folhinha.

 

Estima-se que, se tudo der certo, o óleo do pré-sal só começará a ser içado em escala comercial entre 2015 e 2020.

 

Lula cuida, porém, de antecipar os dividendos políticos. Esforça-se para empurrar para dentro de sua biografia o título de precursor do porvir benfazejo.

 

De quebra, tenta untar com o óleo ainda não extraído a candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

 

Depois de tomar chá de sumiço, a chefona da Casa Civil volta à boca do palco no papel de coordenadora do grupo que preparou o marco do pré-sal.

 

Diante dos holofotes, Dilma vai despejar sobre a platéia a exposição que preparou nos dias em que esteve refugiada nas coxias.

 

Vai esmiuçar o conteúdo de um lote de projetos que o governo enviará ao Congresso. O miolo da picanha é a criação de uma estatal e a constituição de um fundo.

 

A estatal será vendida como estrutura enxuta e necessária. Indispensável para assegurar o controle do Estado sobre uma riqueza que pertence “ao povo”.

 

Quanto ao fundo, terá natureza eminentemente social. O dinheiro, o governo deseja enfatizar, irá para áreas tão estratégicas como saúde e educação.

 

Servirá também para tonificar os investimentos num setor que se converteu no mais novo dodói de Lula: ciência e tecnologia.

 

A pajelança do pré-sal será arrematada com um discurso do presidente. Soará como uma espécie de plataforma antecipada de 2010.

 

A crise? Lula olha para ela pelo retrovisor. Diz que o crescimento econômico de 2009 será bom. Afirma que o PIB de 2010 vai surpreender os pessimistas.

 

Em privado, Lula tornou-se um crítico dos seus críticos. Diz que os pregoeiros do caos –agentes econômicos e jornalistas— devem um “pedido de desculpas” ao país.

 

Jacta-se de ter reduzido os juros em meio ao incêndio financeiro. Orgulha-se do acúmulo de reservas internacionais: R$ 213 bilhões, a despeito do terremoto.

 

Como que decidido a constranger o tucanato –adepto do choque de gestão e simpático às privatizações—atribui aos bancos públicos papel-chave na superação da crise.

 

De resto, gaba-se de ter diversificado a pauta de exportações ao achegar-se, sob ataques das “mentes colonizadas”, à China e às nações africanas e árabes.

 

Tudo isso sem desprezar o mercado interno, revigorado pela rede de proteção social provida pelos repasses do Bolsa Família a 11 milhões de lares pobres.

 

São coisas que, no dizer do presidente, a imprensa brasileira esquiva-se de levar às manchetes. E a oposição insiste em não reconhecer.

 

Melhor assim, diz Lula. “Eles que fiquem com as CPIs, com a Lina [Vieira] e com a crise do Senado”. Chega mesmo a dizer que acha “ótimo” o comportamento da oposição.

 

Enxerga “falta de rumo” no quintal vizinho. Afora o apelo à ética, que julga eleitoralmente infrutífero, realça a falta de definição quanto ao candidato.

 

Para não cair na mesma “armadilha” do PSDB, dividido entre José Serra e Aécio Neves, Lula decidiu reforçar nos próximos dias a opção por Dilma.

 

Parece incomodado com o noticiário que apresenta o recém-absolvido Antonio Palocci como regra três da ministra. Sua candidata, ele repisa mesmo entre quatro paredes, é Dilma.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Rio vai sugerir taxação para manter royalties no pré-sal

 

- Folha: Programa da casa própria atrasa mais na baixa renda

 

- Estadão: Um ano depois, Brasil passa no teste da crise mundial

 

- JB: Nós salvamos as empresas multinacionais

 

- Correio: Mortes triplicam na fila de transplantes

 

- Veja: Abrimos o cofre do MST

 

- Época: Alegria a comida

 

- IstoÉ: Serra X Aécio – O dilema do PSDB

 

- IstoÉ Dinheiro: O programador do futuro

 

- CartaCapital: O poder do Brasil – O submarino nuclear e os objetivos militares do País

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Interesse$ Cruzados!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 00h56

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Uma pesquisa para saber o que o ex-PT pensa do PT.

Ique
Na oposição, PT especializara-se em tirar gênios da garrafa. No governo, o ex-PT Eesforça-se para fazê-los descer gargalo abaixo.

 

Lula, o petista de mostruário, revelou-se um tucano que ainda não tinha chegado ao poder. Radical, exacerbou a idéia de mudar radicalmente o radicalismo do passado.

 

O velho o PT era o cachorro correndo atrás do carro. Súbito, o automóvel parou. E o ex-PT, em vez de morder os pneus, abana o rabo para tudo o que combatia.

 

Na ante-sala de uma nova eleição, o petismo precisa despertar sua militância. É hora de o partido pôr os pingos nos seus próprios “is”.

 

Na semana passada, depois de mostrar o cartão vermelho para Sarney, Eduardo Suplicy arrostou a falta de educação de Ricardo Berzoini.

 

Em solenidade pública, o senador estendeu a mão para o deputado, presidente do PT. Ficou com a mão pendurada no ar.

 

Depois, Suplicy disse: se fizerem uma pesquisa, vão verificar que o sentimento dos filiados do partido se aproxima do meu.

 

Solidário com Suplicy, o repórter decidiu formular um questionário para a pesquisa que Berzoini não tem a intenção de fazer.

 

Para não embatucar a cabeça da militância, hoje mais preocupada em criar os filhos e encher a geladeira, sugere-se um rol de perguntas de múltipla escolha.

 

Nove questões. Mais ou menos assim:

 

1. O discurso do neo-PT deve:
a) Atacar o que sempre defendeu
b) Defender o que sempre atacou
c) Invocar a governabilidade

 

2. O PMDB é o melhor parceiro de jornada porque:
a) Não há líder mais eficiente do que o Jucá

b) Ruim com o Sarney, pior sem ele
c) Se não cedemos, essa gente fecha com o Serra


3. Aos companheiros que pensam como o Suplicy resta:
a) Pensar dez vezes antes de calar
b) Lembrar que em boca que engole sapo não entra mosquito
c) Tomar suco de maracujá servido pelo ‘demo’ Heráclito

 

4. Aos saudosistas da esquerda recomenda-se que:
a) Vençam na na vida, para virar direita
b) Leiam o Lanterna na Popa, do Roberto Campos
c) Releiam o Roberto Campos

 

5. Sob Dilma, o futuro reserva ao Brasil:
a) Uma Pasárgada com o Sarney de amigo da rainha
b) Uma Pasárgada com Renan na cama escolhida
c) Todas as alternativas anteriores

 

6. A plataforma econômica de 2010 deve:
a) Ficar à direita do Henrique Meirelles
b) Continuar à direita do Meirelles
c) Por que não manter o próprio Meirelles?

 

7. Dilma é a melhor sucessora para Lula da Silva porque:
a) É mais Lula do que o próprio Silva
b) Pensa como Lula e age como Silva

c) Substituirá o Lula guiada pelo Silva

 

8. A Dilma deve se compor com o capital porque:
a) Se bom sentimento é utopia, melhor casar por dinheiro
b) O melhor regime é a comunhão de males
c) Dinheiro não traz felicidade, mas financia a eleição

 

9. O melhor epitáfio para o túmulo do ex-PT é:
a) Fui cobrar de Marx a minha vida eterna;
b) Deixo a ideologia para cair na vida;
c) Não contem mais comigo.

 

- PS.: Ilustração via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Marco Aurélio: ‘Corda sempre estoura do lado fraco’

‘Julgamento penal é um julgamento técnico’, rebate Gilmar

 

  Fotos: Folha
O velho e bom Nelson Rodrigues dizia que “o povo desconfia do que entende”. Sábias e certeiras palavras.

 

Veja-se o caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo. Episódio de compreensão simples e apreensão imediata.

 

Só não vê quem não quer. O STF, por exemplo. Ou, por outra, parte do Supremo, aquele pedaço que se recusou a ver.

 

Marco Aurélio Mello, um dos ministros que viram, traduziu o sentimento que ganhou o meio-fio:

 

"Se você perguntar a qualquer um do povo se ele acha que Palocci mandou quebrar o sigilo, verá que a sensação é de que ele tinha interesse nisso...”

 

“...Ele é o único beneficiado. Isso é de uma clareza solar. A corda acabou estourando do lado mais fraco, como sempre".

 

De fato, de fato. A despeito das evidências que saltavam da denúncia do Ministério Público, escorada em dados colecionados pela PF, houve quem fechasse os olhos.

 

Gilmar Mendes, um dos cinco colegas de Marco Aurélio que preferiram não enxergar, tenta se explicar:

 

"Temos que estar atentos que o julgamento penal é um julgamento técnico. Não se trata de um julgamento de caráter moral".

 

Ouça-se mais um pouco de Gilmar: "As pessoas começam a colocar como se tivesse havido uma absolvição ou que o tribunal tivesse feito uma opção entre o poderoso e o caseiro...”

 

“...Não é nada disso. Parece que o crime só existiria se praticado pelo então ministro da Fazenda".

 

Sejamos técnicos, como deseja o presidente do STF. Na fase de análise de uma denúncia, exige-se do juiz que perscrute a consistência dos indícios.

 

Não há que falar, nesse estágio, em provas cabais. A menos que a denúncia fosse inepta, algo que não se deu no 'caseirogate', o correto é abrir a ação penal.

 

Ainda que rumine dúvidas, o julgador deve se pautar por um princípio que os teóricos do direito classificam assim: "in dubio pro societate" (na dúvida, em favor da sociedade).

 

Uma vez aceita a denúncia, passa-se à fase do contraditório. O Ministério Público agrega as provas. Os réus se defendem. E a coisa evolui para o julgamento.

 

Aí sim há que exigir provas irrefutáveis. Do contrário, invoca-se outra velha regra do direito: "in dubio pro réu" (em dúvida, a favor do réu).

 

Ao livrar Palocci de uma denúncia em que os indícios, por eloquentes, clamavam por respostas, o Supremo acabou se guiando por um preceito que as ruas já não engolem: in dúbio depende do réu.

 

Recorra-se, de novo, a Nelson Rodrigues: "O povo tem seus abismos, que convém não mexer, nem açular".

Escrito por Josias de Souza às 07h46

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Simon, desapontado: ‘No Brasil, não se apura nada’

  Lula Marques/Folha
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi ouviu o ronco da rua. Esteve no Largo do São Francisco, a faculdade de Direito da USP.

 

Rodeado de estudantes, resumiu numa frase o desalento que o assaltou depois que o Senado arquivou as ações contra Sarney e o STF livrou a cara de Palocci.

 

“Ficou provado que, no Brasil, não se apura nada”. Alunos e professores perguntaram ao senador o que há de ser feito.

 

E Simon: “Se houvesse movimento da sociedade, duvido que Sarney não tivesse renunciado”.

 

A reação contra a impunidade precisa vir, no dizer de Simon, “de fora para dentro”. Leia-se: das ruas para as instituições públicas.

 

Sim, Simon enfatizou, “porque de dentro do Congresso e do Supremo Tribunal Federal não vai sair nada...”

 

“...Do presidente Lula não vai sair nada. E não adianta destituir o Conselho de Ética, porque o STF acaba arquivando tudo”.

 

Há no Senado quem já está pelas tampas com a pregação ético-moral de Simon. Por exemplo: Ideli Salvatti (PT-SC), líder de Lula.

 

Quando Simon sobe à tribuna para se queixar da renitência de Sarney, Ideli costuma perguntar, à boca miúda e entre risos:

 

“Ele já falou do Rio Grande do Sul ou continua fingindo que é senador pela Paraíba?”

 

O petismo não se conforma com o silêncio de Simon em relação aos malfeitos atribuídos à gestão da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB).

 

Nesta sexta (28), como que decidido a livrar-se da pecha de “ético seletivo”, Simon disse meia dúzia de palavras sobre a encrenca gaúcha.

 

Presidente do PMDB estadual, Simon afirmou que seu partido “realmente tem participação” no governo tucano de Yeda.

 

Mas, segundo ele, o pemedebê “deixou claro” à governadora “que sairá do governo e que participará da CPI" aberta contra ela na Assembléia Legislativa.

 

Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 07h04

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Governo tenta no STF limitar poder dos procuradores

Para Advocacia da União, MPF não pode fazer investigações 

Valter Campanato/ABr

 

Sem alarde, aportou no protocolo do STF, há nove dias, um parecer de teor inusitado. Assina-o José Antonio Dias Toffoli (na foto), advogado-geral da União.

 

No texto, Tofolli investe contra o Ministério Público. Defende a tese segunda a qual procuradores não tem poderes para realizar investigações criminais.

 

A prerrogativa do Ministério Público de abrir investigações está prevista na Lei Complementar número 75, de 1993. O artigo 8º dessa lei detalha as atribuições do Ministério Público.

 

O miolo da polêmica está em dois incisos desse artigo. Num deles, o inciso 5º, está escrito que o Ministério Público pode “realizar inspeções e diligências investigatórias”.

 

Noutro, o inciso 9º, está anotado que, no curso de suas investigações, o Ministério Público pode inclusive “requisitar o auxílio de força policial”.

 

Pois bem. No texto que enviou ao STF, o advogado-geral Toffoli pede ao tribunal que declare inconstitucional esse pedaço da lei.

 

Alega que investigações criminais são de atribuição exclusiva da polícia judiciária –a Polícia Federal, no caso da União; e as polícias civis, no âmbito dos Estados.

 

Datado de 18 de julho, o parecer de Tofolli chegou ao STF no dia 20. Foi anexado a uma ação movida pela Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil).

 

A entidade protocolara no Supremo, no último dia 15 de julho, uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade). Leva o número 4271.

 

No documento, a Adepol se insurge contra várias prerrogativas do Ministério Público. Entre elas o poder de investigação conferido por lei aos procuradores.

 

A ação foi à mesa do ministro Ricardo Lewandowiski. Antes de decidir, o ministro optou, como manda a praxe, requisitar informações.

 

Em casos do gênero, a Advocacia Geral da União sempre é chamada a opinar. Suas atribuições estão previstas no parágrafo 3º do artigo 103 da Constituição.

 

Diz o seguinte: “Quando o STF apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o advogado-geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado”.

 

Ou seja, o advogado-geral Toffoli deveria defender, com unhas e dentes, o texto da lei que a Adepol deseja ver impugnada pelo STF. Deu-se, porém, o oposto.

 

Toffoli se insurge contra todas os tópicos da ação proposta pela Adepol, exceto no ponto em que se questiona o poder investigatório do Ministério Público.

 

Nesse quesito, o advogado-geral é peremptório. Eis o que escreveu Toffoli num trecho do parecer enviado ao STF: 

 

“Revela-se fora de dúvida que o ordenamento constitucional não reservou o poder de investigação criminal ao Ministério Público, razão pela qual as normas que disciplinam tal atividade devem ser declaradas inconstitucionais”.

 

Para Toffoli, cabe ao Ministério Público exercer “o controle e a fiscalização da atividade policial”, não abrir investigações próprias.

 

Não considera “legítimo” que "o órgão controlador [Ministério Público] assuma as atribuições do órgão controlado [polícia]” a fim de investigar.

 

Acha que, mantido o poder dos procuradores de abrir investigações, a atividade do Ministério Público “estaria a salvo de qualquer controle externo”.

 

Não é a primeira vez que os poderes do Ministério Público são questionados. O que chama a atenção no caso é o fato de a Advocacia da União ter encampado a crítica.

 

Até aqui, o Ministério Público era alvejado por pessoas pilhadas em malfeitos, por advogados e por policiais enciumados. Nunca pelo advogado-geral da União.

 

O tema divide os ministros do Supremo. Há no tribunal decisões conflitantes. Parte a favor do Ministério Público. Parte contra.

 

Não há, porém, uma manifestação conclusiva do plenário, composto de 11 ministros. Algo que pode ser obtido agora, no julgamento da ação da Adepol.

 

Na página 15 de seu parecer, Toffoli menciona uma decisão tomada pela 2ª turma do STF. Texto de 2003, da lavra de Nelson Jobim, hoje ministro da Defesa de Lula.

 

Ao tempo em que integrava o STF, Jobim escreveu que “a Constituição dotou o Ministério Público do poder de requisitar diligências investigatórias [...].” Mas “não contemplou a possibilidade” de o órgão “realizar e presidir inquérito policial”.

 

Há, porém, várias decisões em sentido contrário, que Toffoli se esquivou de mencionar. Uma delas da mesma 2ª turma, adotada em março de 2009, agora sem Jobim.

 

Está registrado na ata da sessão: “A 2ª turma do STF [...] reconheceu por unanimidade que existe a previsão constitucional de que o Ministério Público tem poder investigatório”.

 

Num país em que proliferam a corrupção e os malfeitos, parece disparatada a ideia de impedir que o Ministério Público investigue.

 

A prevalecer esse entendimento, iriam à lata de lixo, por exemplo, os autos do caso do juiz Lalau. Baseia-se fundamentalmente em investigações do Ministério Público.

 

Estaria comprometido também um pedaço do processo do mensalão, em cujas folhas misturam-se apurações feitas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

 

Toffoli, não é demasiado recordar, foi advogado do PT em três campanhas presidenciais. Hoje, é homem de confiança de Lula, que cogita indicá-lo para um cadeira no STF.

Escrito por Josias de Souza às 05h58

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Cabral: governo faz ‘bravata nacionalista’ com o pré-sal

 

- Folha: Orçamento social registra primeiro deficit na década

 

- Estadão: Impasse na cúpula da Unasul ajuda Uribe

 

- JB: Enfim, um trote com sabedoria na UFF

 

- Correio: Boicote de pediatras atinge 25 convênios

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h45

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Supremo degelo!

Clayton

Via O Povo Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h49

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STF nega liminar para reabrir caso Sarney no Senado

  Wilson Dias/ABr
Em condições normais, a Justiça caminha a passos de tartaruga manca. Quando quer, porém, pode ser ligeira como a lebre.

 

Um dia depois de receber um mandado de segurança que pede a reabertura do caso Sarney, o STF negou aos autores uma liminar.

 

O autor do despacho é o ministro Eros Grau. Expediu-o no final da noite desta sexta (28). O conteúdo é, por ora, desconhecido.

 

A decisão é liminar (provisória). O mérito do recurso será agora analisado com mais vagar.

 

Porém, há na atmosfera de Brasília um forte cheiro de indeferimento.

 

Eros Grau não era o relator original. Por sorteio, o escolhido havia sido Celso de Mello.

 

Indicado para o STF quando Sarney era presidente da República, Celso de Mello declarou-se impedido de analisar o mandado.

 

Em novo sorteio, o recurso fora à mesa do ministro Joaquim Barbosa. Encontra-se de licença médica.

 

Licença de 20 dias, tirada em 10 de agosto. Já vencida, portanto. Deve retornar ao tribunal na próxima semana.

 

A despeito disso, resolveu-se confiar a análise da petição a Eros Grau. Invocou-se o regimento interno do STF.

 

Prevê, em seu artigo 38, que o relator será substituído quando, ausente o titular, a questão a ser deliberada for “urgente”.

 

Ora, é evidente que os autores do mandado de segurança tinham pressa. Do contrário não teriam solicitado a expedição de uma liminar.

 

Nada, porém, que não pudesse esperar até a semana que vem. O Congresso não funciona no final de semana. A rigor, só acende as caldeiras às terças-feiras.

 

São sete os senadores signatários do mandado de segurança anti-Sarney: José Nery (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)...

 

...Renato Casagrande (PSB-ES), Kátia Abreu (DEM-TO), Demóstenes Torres (DEM-GO), Pedro Simon (PMDB-RS), Jefferson Praia (PDT-AM).

 

Pedem ao Supremo que revogue uma decisão da segunda vice-presidente do Senado, a petista Serys Slhessarenko (MT).

 

Agindo por delegação da Mesa diretora do Senado, Serys mandou à gaveta recurso que pedia que o arquivamento das ações contra Sarney fosse submetida ao plenário.

 

Em casos do gênero, o STF costuma lavar as mãos. Prevalece a tese de que o tribunal não se mete em assuntos da economia doméstica do Parlamento.

 

De passagem por Curitiba, nesta sexta, Gilmar Mendes, presidente do Supremo, já insinuara, em entrevista, que seria esse o caminho.

 

Falando antes que a decisão de Eros Grau viesse à luz, Gilmar criticara o uso do STF para tentar desamarrar nós atados no Legislativo.

 

Referindo-se ao caso Sarney, ele disse: "Há um pouco também essa excessiva judicialização do temário político...”

 

“...Temos que separar as instâncias. E a instância política tem que resgatar a capacidade de resolver ela própria seus problemas".

 

Na mesma entrevista, Gilmar tentou explicar o que para muitos parece inexplicável: o engavetamento da denúncia contra Antonio Palocci no caso do caseiro.

Escrito por Josias de Souza às 02h41

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Senado paga R$ 5 milhões em horas extras em julho

Até bem pouco o melhor emprego do mundo era o de massagista da Gisele Bündchen. Não é mais.

 

Hoje, nada supera em prazer o ofício de servidor do Senado. No recesso de janeiro, a Casa pagara R$ 6,2 milhões em horas-extras.

 

Houve espanto, assombro, estupefação. Descobre-se agora que o tônico financeiro foi servido também no recesso de julho.

 

Num mês em que “funcionou” por escassos 17 dias, o Senado enfiou no contracheque de seus servidores R$ 5,036 milhões em horas extras.

 

Em nota, a Diretoria Geral do Senado diz que, em maio, foram reforçados os controles. Imagine-se se continuassem frouxos!

 

Se houve “incorreções”, diz o texto, os servidores terão de ressarcir as arcas do Senado em setembro. Será?

Escrito por Josias de Souza às 19h31

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No STF, caso Sarney vai à mão do juiz do mensalão

Reduzida a meia dúzia de três ou quatro senadores, o grupo dos estraga-festas do Senado joga sua última cartada no pano verde do STF.

 

Foi à mesa do ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão, o mandado de segurança que os anti-Sarney protocolaram no Supremo.

 

Pleiteiam reconhecimento do direito de recorrer ao plenário do Senado contra a gaveta do Conselho de (a)Ética.

 

Num primeiro momento, a petição caíra no colo do ministro Celso de Mello, que a refugou. Indicado para o STF sob Sarney, considerou-se impedido.

 

Mais novo no tribunal, Barbosa deve a toga a Lula, para quem Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum.

 

No Rio, uma mirrada centena de estudantes foi ao asfalto para pedir a renúncia de Sarney (assista no vídeo lá do alto).

 

Mas em Brasília o escândalo entrou em ritmo de pouco-caso. Cresce dia a dia o número de senadores dispostos ao ridículo voluntário de fingir que nada aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

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Lula não vê em Palocci candidato automático em SP

Lula Marques/Folha

 

“O futuro político do Palocci está nas mãos do Lula”. A frase foi dita ao repórter por um auxiliar do presidente, na noite passada.

 

Sob a condição do anonimato, o entrevistado esmiuçou o raciocínio: O presidente ainda não sabe o que fazer com o Palocci. Eles terão muito o que conversar”.

 

O salvo conduto do STF restituiu a Antonio Palocci o sonho de alçar novos vôos políticos. Mas seu futuro está amarrado à vontade de Lula.

 

Antes do julgamento, Palocci estava como que condenado a disputar a recondução a uma cadeira de deputado.

 

Livre da acusação de violador do sigilo do caseiro, imagina-se em condições de pleitear coisa melhor.

 

Do seu ponto de vista, a opção mais óbvia é a candidatura ao governo de São Paulo. Uma idéia que Lula ainda não comprou.

 

Palocci não é, no dizer do assessor de Lula, um “candidato automático” à sucessão paulista. Para São Paulo, o presidente tenta fabricar outro nome: Ciro Gomes (PSB).

 

Na última segunda (24), dia em que já circulava no governo a informação de que a espada do STF seria branda com Palocci, Lula ainda burilava a alternativa Ciro.

 

Reunido com Ricardo Berzoini e Michel Temer, mandachuvas do PT e do PMDB, o presidente dissera que esperaria até setembro.

 

A despeito da alegada preferência pela corrida presidencial, Lula aposta que Ciro vai transferir o seu título eleitoral do Ceará para São Paulo.

 

Tampouco no PT o nome de Palocci se sobrepõe ao de Ciro. Um pedaço do partido até gostaria de ter um candidato próprio em São Paulo. Porém...

 

Porém, não há consenso quanto ao nome. De resto, Palocci não faz boa figura nas pesquisas encomendas pelo petismo.

 

A última sondagem foi feita em maio. O percentual atribuído a Palocci variou conforme o cenário. No mais favorável, o ex-ministro cravou irrisórios 5%.

 

Nada parecido com os índices obtidos por Marta Suplicy e Aloizio Mercadante, ao redor dos 20%. A favor de Palocci pesa a falta de apetite dos favoritos.

 

Marta flerta com uma candidatura ao Senado. Mercadante, cujo prestígio ainda não foi medido depois da revogação da renúncia irrevogável, também prefere a releição.

 

Lançando-se candidato com as bênçãos de Lula, Palocci colecionar índices mais vistosos. Mas dissemina-se a impressão de que ele iria ao palanque na defensiva.

 

O arquivmento do STF livrou Palocci da encrenca jurídica. Politicamente, continua sendo um sentenciado moral.

 

O caso do caseiro continua vivo nas pesquisas qualitativas do PT –aquelas em que os eleitores, reunidos em pequenos grupos, dizem o que pensam sobre os temas.

 

Palocci também frequenta o noticiário como pseudoreserva de Dilma Rousseff. Mas, a julgar pelo que disse o auxiliar de Lula ao blog, trata-se de uma “balela”.

 

Entre risos, o assessor do presidente evocou o vaivém do quase ex-líder Mercadante:

 

“A opção do presidente pela Dilma é irrevogável. Só que, nesse caso, é pra valer. As articulações estão avançadas. Não há nem interesse nem razão para recuar”.

 

Disse que Dilma retornará à cena, “com carga total”, na próxima semana. Volta ao palco na megacerimônia de anúncio das regras de exploração do pré-sal.

 

Por ora, Lula vê em Palocci mais um potencial colaborador de Dilma do que um substituto para ela.

 

Acha que o ex-ministro da Fazenda pode desempenhar, no setor financeiro, papel semelhante ao que vem sendo exercido por José Dirceu na área política.

 

Palocci tem transito fácil junto ao empresariado. Pode azeitar os contatos de Dilma nessa área. Além de abrir os entendimentos para a coleta de fundos eleitorais.

 

Em conversa reservada que manteve há cerca de um mês, Lula cogitara reaproveitar Palocci na equipe ministerial.

 

Ocuparia a vaga de José Múcio (Coordenação Política), na bica de ser indicado para uma cadeira no TCU. Em privado, porém, Palocci não demonstrou entusiasmo.

 

O retorno à Esplanada implicaria abrir mão das pretensões políticas. Algo que não parece fazer a cabeça de Palocci. Ao menos por enquanto.

 

Para onde quer que se vire, o Palocci pós-STF esbarra no vaticínio do auxiliar do presidente: “O futuro político do Palocci está nas mãos do Lula”.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

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Planalto agora mostra dados que dizia ‘inexistentes’

  Folha
A verdade é, por vezes, mais inacreditável do que a mentira. Por isso, é mais difícil de inventar.

 

Tome-se a novela do encontro de Lina Vieira com Dilma Rousseff. Uma diz que houve. Outra jura que jamais aconteceu.

 

Nas últimas duas semanas, o governo sustentara a versão de que já não dispunha de dados capazes de corroborar a passagem de Lina pelo Planalto.

 

Súbito, uma meia-volta. Em discurso da tribuna, Romero Jucá, líder de Lula no Senado, afirma que há, sim, um lote de informações.

 

As imagens, Jucá reafirmou, foram mesmo apagadas. Só duram 30 dias. Depois disso, o circuito interno grava novas imagens por cima das velhas.

 

O que exibiu Jucá? Anotações feitas pela equipe de segurança do Planalto. São registros de entrada da ex-leoa na sede do governo.

 

No total, quatro ingressos. O primeiro, em outubro do ano passado. O último, em maio do ano em curso.

 

Em nome da precisão, Jucá mencionou as datas: 9 de outubro de 2008, 22 de janeiro de 2009, 16 de fevereiro de 2009 e 6 de maio de 2009.

 

Em entrevista à Folha e em depoimento à Comissão de Justiça, Lina dissera que se avistara com Dilma no final do ano passado.

 

Jucá acha que “outubro” é cedo demais para ser considerado como um mês do final do ano. De resto, Lina dissera, em privado, que o mês talvez fosse dezembro.

 

"Cabe à doutora Lina dizer a data. Quem está acusando, tem que dizer pelo menos a data. Para mim, essa conversa não houve”, disse o líder.

 

Mas, afinal, o que diabos Lina foi fazer no Planalto nas quatro visitas agora admitidas pelo governo? Jucá não disse.

 

Na versão de Lina, Dilma a teria chamado para pedir que agilizasse a fiscalização contra os negócios da família Sarney. Mentira, segundo a ministra.

 

Ao administrar a sua versão em conta-gotas, o governo como que informa à platéia algo assim: a verdade absoluta, bem, essa só em caso de extrema necessidade.

 

Tampouco a ex-secretária Lina frequenta a novela em posição cômoda. Ora, se Dilma interveio de forma “incabíbel”, por que diabos não a desmascarou?

 

Por que só abriu o bico depois que sem emprego foi passado na lâmina. A loquacidade tardia tem, nesse caso, nome de crime: prevaricação.

 

O contribuinte, financiador da pantomima, ainda sonha com a verdade. Uma verdade que, no caso específico, só virá à tona quando forem esgotadas todas as mentiras.

Escrito por Josias de Souza às 03h03

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: STF livra Palocci e processa apenas ex-presidente da CEF

 

- Folha: Palocci vence caseiro no Supremo

 

- Estadão: Livre no STF, Palocci tem apoio de Lula para eleição

 

- JB: Mais R$ 100 milhões para segurança no Rio

 

- Correio: Cartão vermelho à gastança do Senado

 

- Valor: Perdas de usinas com derivativos atingem R$ 4 bi

 

- Estado de Minas: O Velho Chico cobra a conta: R$ 20 milhões

 

- Jornal do Commercio: Igarassu recusa lixo do Recife

 

Leia nos destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Ilegalidade legal!

Spon Holz

Via blog do Spon Holz.

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Desapontado, Francenildo reagiu armado de silêncio

Para advogado do agora réu Mattoso, ‘culparam o mordomo’

 

Fábio Pozzebom/ABr

 

Francenildo Costa acompanhou o julgamento do STF. Pediu para falar aos ministros. Negaram-lhe a palavra. Alegou-se falta de previsão legal.

 

Consumado o arquivamento da denúncia contra Antonio Palocci, o caseiro esquivou-se dos jornalistas. Parecia irritado.

 

Wlicio Chaveiro Nascimento, o advogado de Francenildo, corrigiu o adjetivo. Não era irritação. "Ele ficou muito decepcionado e por isso não vai falar".

 

Natural. Lá atrás, violaram-lhe o sigilo bancário. Agora, invadiram-lhe a esperança de ver seu algoz acomodado no banco de réus.

 

Francenildo não foi o único a deixar o prédio do Supremo desapontado. Teve a luxuosa companhia do criminalista Alberto Zacharias Toron.

 

Toron é o defensor de Jorge Mattoso, único dos três denunciados a arrostar a aceitação da denúncia. De acusado, passou a réu.

 

Natural. Mattoso paga o preço do compadrio. Num primeiro depoimento à PF, livrara a cara dos servidores da Caixa, não a de Palocci.

 

Reinquirido num segundo momento, passou a sustentar a tese de que agira sozinho. Dissera que Palocci não ordenara coisa nenhuma.

 

"A decisão para mim foi absolutamente surpreendente”, Toron lamiriou-se. “É como se reavivasse aquele velho ditado de que a culpa é do mordomo".

 

É, faz sentido. Há uma maneira de corrigir o insólito. Basta que o doutor Mattoso saia do meio do mato. Basta que diga o que realmente aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Para livrar Palocci, Supremo manda às favas os fatos

Foram cinco votos contra quatro. O Supremo mandou ao arquivo a denúncia que acusava Antonio Palocci de violar o sigilo bancário de Francenildo Costa.

 

O tribunal livrou também a cara de Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa de Palocci. Quanto a Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, a denúncia foi convertida em ação penal.

 

Mattoso será o único a responder por um crime que o Ministério Público diz ter sido cometido em comunhão de propósitos. A decisão empurrou para dentro da história do STF uma página deplorável.

 

O tribunal tinha diante de si uma peça de aparência hediondamente harmoniosa. A denúncia tinha cara de crime, corpo de delito, patas de abuso de poder e rabo de desfaçatez. Virou uma mula sem cabeça.

 

Relator do processo, Gilmar Mendes dividiu o crime da quebra de sigilo em dois: a invasão da conta e a revelação do conteúdo. Viu evidências de que Mattoso invadiu. Mas acha que não há provas de que tenha recebido ordens de Palocci.

 

E quanto à revelação? Para Gilmar, também neste caso não há evidências nem contra Palocci nem contra Marcelo Netto. Ainda que houvesse, disse que o ex-ministro e o ex-assessor não estavam obrigados por lei a guardar sigilo alheio. Só Mattoso.

 

Votaram com Gilmar os ministros Eros Grau, Ricardo Levandowiski, Ellen Gracie, Cezar Peluso, que se eximiu de votar quanto a Mattoso e Netto. Divergiram: Cármen Lucia, Carlos Ayres Britto, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

 

O inusitado da decisão salta justamente das manifestações dos quatro ministros vencidos. Cármen Lucia entrelaçou datas, horários e gestos. Num dia, 14 de março de 2008, o caseiro Francenildo fala ao Estadão.

 

No dia seguinte, 15 de março, entra em cena um jardineiro, conhecido de Francenildo. Trabalhava na casa da repórter Helena Chagas, então no Globo. O jardineiro conta a uma dupla de repórteres do jornal que Francenildo recebera um dinheirinho. Compraria uma casa.

 

A informação chega aos ouvidos do senador Tião Viana (PT-AC). Súbito, Helena Chagas recebe um convite para se encontrar com Palocci. A repórter vai ao ministro. Palocci pergunta se o jardineiro se disporia a depor contra o caseiro. Ela diz que não. A coisa estava pendente de confirmação.

 

No dia 16 de março, houve, no dizer de Carmen Lucia, “o fato incontroverso”: o sigilo da conta de Francenildo foi quebrado. Naquele dia, às 19h, Palocci se encontra com Jorge Mattoso, presidente da CEF. Deu-se numa reunião ocorrida no Planalto.

 

Dali, Mattoso retorna à CEF. Às 20h, repasse a um assessor o CPF e o nome do caseiro. Às 20h58, os extratos de Francenildo são arrancados dos computadores da Caixa. Às 21h15, o assessor de Mattoso entrega a ele um envolope com os dados.

 

A essa altura, Mattoso já não estava na CEF. Encontrava-se num restaurante de Brasília. O assessor alcançou-o na mesa do jantar. Palocci toca o telefone para Mattoso. Chama-o à sua casa.

 

O presidente da CEF chega à residência do ministro ao redor das 23h. Entrega-lhe os extratos. Até aí, tudo reconhecido em depoimentos dos próprios acusados. “A quem aproveita [o vazamento]?”, perguntou Cármen Lucia.

 

Interssava a Palocci. Francenildo revelara à CPI dos Bingos que o então czar da economia frequentava a mansão de lobby dos amigos da província, a “República de Ribeirão Preto”. Ali, trançavam-se negócios e pernas.

 

Já vencido pela maioria, Marco Aurélio Mello despejou sobre o plenário a pergunta fatídica: “É proibido o recebimento de denúncia contra o hoje deputado Antonio Palocci? A resposta é desenganadamente negativa”.

 

Marco Aurélio esmiuçou a cena que Cármen Lucia começara a esboçar. Ele leu nacos da denúncia. Marcelo Netto, ex-homem de imprensa de Palocci, testemunhara o encontro em que Mattoso entregara os extratos ao chefe.

 

No dia seguinte, 17 de março, a vida bancária do caseiro escalaria o sítio da revista Época. Os autos informam, relembrou Marco Aurélio, que, antes da veiculação, foram disparados seis telefonemas do aparelho de Netto para a redação de Época.

 

“A divulgação da notícia com os dados bancários se deu pouco mais de uma hora depois do último contato”, o ministro enfatizou. A revista, disse o ministro, reconhecera ter manuseado os extratos. Recebera uma cópia dos papéis.

 

Por meio de perícia, a PF verificara que se tratavam de reproduções dos papéis que Mattoso entregara a Palocci, em versão original, na noite anterior. “Ainda se diz que essa denúncia é inepta!”, admirou-se Marco Aurélio. Para ele, de tão clara, a peça chega a ser “acadêmica”.

 

Carlos Ayres Britto evocou Ulysses Guimarães, que costumava render homenagens a “Sua Excelência o fato”. “A materialidade dos fatos é vistosa, inescondível”. Lembrou que, nessa fase do processo, bastam os indícios.

 

“Se precisássemos de provas robustas nesse momento, já teríamos a certeza da condenação dos indiciados. Os indícios me convencem de que a denúncia se impõe como peça robusta, suficiente para a abertura da ação penal”.

 

Para Ayres Britto, o caso era emblemático: “Envolve um cidadão comum do povo, homem simples. Um homem que teve a coragem de, na CPI dos Bingos, revelar o que lhe parecia desvio de comportamento de uma autoridade do primeiro escalão [Palocci]...”

 

“...E justamente contra esse cidadão comum, simples, corajoso, é que se desencadeou a quebra deo sigilo bancário e o vazamento dos dados. Como se a pessoa pobre, simples, comum, não tivesse o civismo suficente para, sem interesses subalternos, revelar fatos que incumbe às autoridades apurar”.

 

Desafortunadamente, a denúncia envolvia também personagens que não costumam ser tratadas como pessoas comuns. Para o STF, Mattoso agiu só. É como se um anjo da guarda, a serviço de Palocci, tivesse ditado nos seus tímpanos o CPF e o nome de Francenildo. Depois, a ordem: "Quebre o sigilo, entregue ao ministro".

 

Marco Aurélio anteviu o óbvio insinuado nas manifestações dos advogados. O próximo passo será sustentar a tese de que Mattoso não fez senão cumprir com a sua obrigação. Mandou verificar uma conta cuja movimentação lhe parecera atípica. Se colar, a violação será crime sem criminosos.

Escrito por Josias de Souza às 23h17

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Lula critica ‘pequenez política’ e ‘notícias negativas’

Lula deu posse, nesta quinta (27), aos novos conselheiros do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).

 

O presidente falou o que quis. E ouviu o que não quis. Discorreu sobre o pré-sal, cujas regras de exploração anunciará na segunda (31).

 

A certa altura, enveredou para a política. Sobre si, disse que a eleição de 2010 não o fará abrir mão da responsabilidade fiscal e monetária.

 

“Não pensem que a campanha política me fará fazer alguma coisa que, depois da eleição, quem ganhar seja prejudicado. Não farei isso nesse final de mandato”.

 

Aos outros, seus rivais, Lula reservou palavras de desapreço:

 

“Não temos o direito de permitir que a pequenez política, que a mesquinhez política, que [...] esses debates menores que acontecem na sociedade atrapalhem o caminho desse país”.

 

Coube ao empresário Oded Grajew, ex-assessor especial de Lula, injetar no encontro do Conselhão uma pitada de “debate menor”.

 

Oded é dirigente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.

 

Em 2003, fora guindado à condição de assessor especial do programa Fome Zero. Deixaria o governo em novembro do mesmo ano.

 

Oded falou aos conselheiros sobre ética na política. Chamou pelo nome três neo-aliados de Lula: “O Problema não é o Renan, o Sarney nem o Collor...”

 

“...O problema é o sistema, que viabiliza a ascensão ao poder e as ações de pessoas que tem pouco copromisso com a ética e o interesse publico”.

 

Acha que “acreditar que os parlamentares aprovem sistema político ético é acreditar em Papai Noel”.

 

Sugere a eleição de uma assembléia constituinte. Cuidaria esclusivamente da reforma política. Funcionaria por um ano.

 

Em resposta, Lula passou ao largo da proposta do ex-assessor. À sua maneira, o presidente desdenhou de Oded:

 

“De vez em quando, o barulho político é maior do que as coisas que acontecem na vida real desse país...”

 

“...Muitas vezes, as notícias negativas são maiores do que as coisas boas que acontecem nesse país”.

 

Então, tá! Lavrem-se as atas. E não se fala mais nisso.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Edital prevê um ‘back-up’ para ‘imagens’ do Planalto

 

Chama-se Telemática Sistemas Inteligentes a empresa que provê à Presidência da República um circuito interno de imagens.

 

Foi contratada em 2004, ao custo de R$ 3,2 milhões. Em junho de 2005, o contrato recebeu um tônico de R$ 810,4 mil. Foi a R$ 4,1 milhões.

 

O edital que especifica os serviços prestados pela Telemática anota: as imagens do vaivém nos corredores do Planalto seriam guardadas em back-up.

 

Significa dizer que, uma vez apagadas, permanecem armazenas em arquivos suplementares, de segurança.

 

Deve-se a descoberta da novidade aos repórtes Amanda Costa e Milton Júnior. A dupla pendurou a notícia no sítio Contas Abertas.

 

A revelação faz boiar na atmosfesra de Brasília uma incômoda interrogação. Por que diabos o Planalto diz que não dispõe das imagens da viistante Lina Vieira.

 

Ex-secretária da Receira, Lina diz ter conversado com a ministra Dilma Rousseff em dezembro do ano passado. O dia? Não se lembra.

 

Em resposta a um requerimento do DEM, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) informara o seguinte:

 

Na sede do governo, o período médio de armazenamento das imagens do circuito interno varia "em torno de 30 dias".

 

Depois disso, as fitas seriam reutilizadas, apagando-se o passado. Dizia-se que tal procedimento constava das "especificações do contrato”. Lorota.

 

De fato, reza o contrato que as imagens devem ser armazenadas “por período não inferior a 30 dias”.

 

Mas, acrescenta o texto, os gravadores digitais do circuito interno do Planalto deveriam ser apoiados por um sistema de back-up.

 

E quanto aos registros da entrada de pessoas e veículos. Bem, para esses casos, o edital prevê armazenamento de seis meses. De novo, com back-up.

 

Lina disse e repetiu que, na conversa com Dilma, ouvira um pedido para “agilizar” a fiscalização da Receita em cima dos negócios do “filho do Sarney”, Fernando.

 

Dilma negou tudo: o encontro e o pedido. Fica agora no ar que, para escorar a versão da ministra, o GSI brinca de esconde-esconde.

 

Há, reconheça-se, uma alternativa: o gabinete chefiado pelo general Jorge Félix pode estar sendo sincero. Afastada a hipótese de má-fé, restaria apenas a incompetência.

 

Embora remunere uma empresa para lhe fornecer imagens também em banco de dados longevo, o Planalto, por inepto, abre mão do serviço.

 

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Imagine-se se, em vez de imagens, estivesse em jogo o fornecimento do áudio da conversa que ora ocorreu ora nunca houve.

Escrito por Josias de Souza às 05h36

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Caso do caseiro: STF julga Palocci nesta quinta-feira

Para MPF, provas atestam que  acusado ‘ordenou’  violação

Defesa contesta: conclusão é uma ‘livre criação acusatória’

Assessor informa a Lula que seu ex-ministro deve se  safar

 

Sérgio Lima/Folha

 

O STF julga nesta quinta (27) a denúncia em que Antonio Palocci é acusado de ter ordenado a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

 

O crime ocorreu em 2006. A denúncia, assinada pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, foi formulada no ano seguinte.

 

O processo arrastava-se há dois anos. O blog consultou uma cópia dos autos. São oito volumes, engordados por dez anexos. Quase três mil folhas. Além de Palocci, hoje deputado federal pelo PT, serão julgados Marcelo Netto, que era seu assessor de imprensa, e Jorge Mattoso, ex-presidente da CEF.

 

A acusação do Ministério Público Federal é categórica: “As provas existentes nos autos demonstram indubitavalmente que a emissão ilegal dos extratos bancários da conta de Franceldo foi feita por ordem do acusado Jorge Mattoso, que os entregou a Antonio Palocci, o qual anteriormente determinara que assim procedesse”.

 

A defesa de Palocci, também peremptória, sustenta o oposto: “Não há qualquer elemento de prova, mesmo indiciária, que autorize essa assertiva”. Trata-se, no dizer dos advogados do ex-ministro, de “livre criação acusatória” do Ministério Público.

 

O que o tribunal vai decidir é se acata ou não a denúncia. Acatando-a, abre-se uma ação penal. E os acusados descem ao banco dos réus.

 

Um auxiliar de Lula com trânsito no Supremo informou ao presidente que Palocci deve ser isentado por “falta de provas”. É tudo o que deseja o ex-ministro, às voltas com o projeto de candidatar-se ao governo de São Paulo em 2010.

 

A denúncia anota que Palocci, Mattoso e Netto agiram “em comunhão de esforços [...], quebrando ilicitamente o sigilo bancário [...] e repassando as informações para a imprensa divulgá-las”.

 

Francenildo depusera na CPI dos Bingos. Revelara que Palocci frequentava uma casa de lobby em que amigos seus trançavam negócios suspeitos.

 

Nas pegadas do depoimento, a revista Época veiculou a notícia de que o caseiro mantinha na Caixa Econômica conta com R$ 25 mil. Era a insinuação de que suas acusações haviam sido precedidas de recompensa. Suspeita logo desmontada.

 

Descobriu-se que, em verdade, o dinheiro provinha do pai de Francenildo. Uma compensação pelo não reconhecimento da paternidade. Escorando-se nas apurações feitas pela PF, a denúncia do procurador-geral rememora fatos ocorridos no dia da violação, 16 de março de 2006.

 

No início da noite, por volta de 19h, Mattoso reunira-se com Palocci no Planalto. Depois, por volta de 20h, o presidente da Caixa ordenaria a um funcionário da Caixa que buscasse no sistema os dados bancários do caseiro.

 

A defesa alega que a reunião do Planalto era maior. Lá estavam outros presidentes de bancos estatais e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). “Onde a evidência [...] de que o denunciado teria ordenado a quebra do sigilo bancário de Francenildo nessa oportunidade? Onde? Onde? Onde?”

 

A PF quebrou o sigilo das contas telefônicas dos acusados. Verificou que, naquele dia, houve intensa troca de ligações entre Palocci, Mattoso e Netto. Como não houve grampo, o processo não traz o teor dos diálogos. O que permitiu aos advogados de Palocci repisar a tese da falta de provas.

 

A troca de telefonemas entre o então ministro da Fazenda e seus auxiliares foi, sustentam os advogados, “usual, comum, natural, corriqueira e, mais do que tudo isso, necessária e inevitável”.

 

Conta a deúncia que Mattoso foi à casa de Palocci para entregar-lhe envelope com o extrato do caseiro. Encontro noturno, testemunhado por Marcelo Netto.

 

Nada de anormal, alegam os advogados: “O fato de o presidente da Caixa ter levado ao conhecimento do ministro notícias sobre movimentação atípica nas contas de Francenildo não constitui [...] qualquer ilícito penal [...].

 

Alega-se, de resto, que Mattoso foi informar a Palocci acerca das providências que adotaria em relação à movimentação bancária atípica do caseiro. “Não há, definitivamente, qualquer ilegalidade na circunstância de o Presidente da Caixa ter comunicado ao seu superior hierárquico [...] a adoção de medidas que efetivamente se impunham [...]”.

 

Por que à noite? Por que na casa do ministro? São mistérios realçados pelo  procurador-geral que a defesa rebate com o bordão da “falta de provas”. Perscrutando os extratos telefônicos, a PF verificou que Marcelo Netto fizera contato, de fato, contato com repórter da revista.

 

E os advogados: “[...] Avizinha-se do folclórico entender suspeito que o ‘assessor de imprensa falou com a imprensa’...” Acham que não há como presumir que, por isso, ”pode ter ‘vazado’ os dados bancários e, ainda por cima, que, se assim aconteceu, quem mandou foi o ex-ministro assessorado por ele [...]”.

 

Os autos contêm uma carta de Época à PF. No texto, a revista confirma que recebera cópia dos extratos bancários do caseiro. Invoca, porém, o princípio constitucional do sigilo da fonte para não revelar o nome de quem os vazou.

 

Há muito mais nas páginas do processo: conversa noturna sobre Francenildo de Palocci com assessores do então ministro Marcio Thomaz (Justiça), depoimentos e mais depoimentos, suspeitas levantadas pela defesa de que a própria PF pode ter vazado os dados bancários e um enorme etc. 

 

Num entendimento mais rigoroso, os ministros do STF poderiam entender que há, sim, elementos para a abertura de ação penal. A ser verdadeira a informação repassada a Lula, porém, o processo flerta com o arquivo.

Escrito por Josias de Souza às 04h34

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Onda de demissões expõe guerra de grupos na Receita

 

- Folha: Para Mantega, acusação contra Receita é 'balela'

 

- Estadão: Pressão do PMDB faz Lula ceder a Estados no pré-sal

 

- JB: Brasil é o maior do mundo. Na gripe

 

- Correio: Até empresas de ônibus fazem pirataria no DF

 

- Valor: União pode pôr até R$ 100 bi na capitalização da Petrobras

 

- Estado de Minas: Chance de BH ter metrô para Copa é mínima

 

- Jornal do Commercio: Ciúmes, violência e mortes em Boa Viagem

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h24

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Revolução dos bichos!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

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Mantega: situação na Receita está 'na normalidade'

Sérgio Lima/Folha

 

Desde que a sublevação da cúpula fiscal deu à crise da Receita uma aparência de incêndio, Guido Mantega vinha brincando de esconde-esconde.

 

O ministro da Fazenda esguivava-se da boca do palco. Sempre tão loquaz, parecia acometido de um súbito surto de mutismo.

 

Pois bem. Nesta quarta (26), Mantega abandonou as coxias. Viu-se compelido a pronunciar meia dúzia de palavras.

 

Envolto em anormalidade, Mantega disse: “Na verdade, a Receita está funcionando na normalidade (!?!?!)". O ex-mudo tornou-se cego.

 

Nas pegadas da entrevista de Mantega, mais 40 auditores que ocupavam cargos de chefia na Receita pediram exoneração –25 em SP, 15 no RS.

 

Os novos demissionários somam-se aos 12 que já haviam batido em retirada. No total, os rebelados já somam, portanto, 52.

 

Os insurretos da Receita solidarizam-se com a ex-leoa Lina Vieira, demitida por Mantega em julho, depois de uma rápida gestão de 18 meses.

 

O ministro dá de ombros. Alega que a Receita, agora sob Otacílio Cartaxo, mudou de comando. E a substituição de auxiliares “é normal quando entra uma nova equipe".

 

Nem sempre, nem sempre. Em 2003, Antonio Palocci, primeiro ministro da Fazenda da era Lula, já havia demonstrado o oposto.

 

Agarrado à tese de que a virtude, por vezes, está na ausência de troca, Palocci mantivera intacta a Receita herdada de FHC.

 

Everardo Maciel não ficou porque não quis. Indicou a Palocci o nome de Jorge Rachid, acolhido de imediato.

 

Fulminado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, Palocci foi ao meio-fio. Sobreveio Mantega, que implicou com Rachid.

 

Mexe daqui, agita dali, Mantega mostrou o bilhete azul a Rachid. Na cadeira dele, acomodou Lina Vieira. Paga agora a fatura da insensatez.

 

A encrenca atual era pedra cantada: "Toca de chefia expõe Receita a risco de politização”, informara o blog, em 1º de agosto do ano passado.

 

Lina desmontou uma engrenagem que, por azeitada, não reclamava ajustes. Enfiou nos postos de chefia um magote de sindicalistas simpáticos ao petismo.

 

É essa gente que se insurge agora contra Mantega e, de quebra, contra o governo Lula.

 

Entre as alegações dos demissionários está a de que, sem Lina, o fisco abandonaria a fiscalização dos mega-contribuintes. Tolice.

 

O programa de fiscalização do tubaranato fora criado sob Everardo Maciel. Jorge Rachid o manteve.

 

Nas pegadas da posse de Lina, a Fazenda propalara a versão de que o leão iria aos calcanhares dos gigantes. Vendera como novidade o que não era novo.

 

Agora, para tentar livrar-se da armadilha que armou contra si mesmo, Mantega faz questão de dar crédito à equipe de FHC, que Palocci mantivera.

 

"É uma balela dizer que nós não estamos fiscalizando os grandes contribuintes”, afirma Mantega.

 

“Há mais de dez anos existe um programa de fiscalização de grandes contribuintes”, diz o ministro, subitamente reconciliado com a verdade.

 

Para não soar ridículo em excesso, Mantega diz que o programa que já existia “foi reforçado ao meu comando pela gestão anterior [Lina]". Lorota.

 

Em verdade, a arrecadação do fisco definhou. Culpa da crise? A encrenca financeira, obviamente, teve influência.

 

Mas o país já arrostara crises antes. E a arrecadação mantivera-se em alta. A fiscalização foi destroçada, eis o diagnóstico de Everardo Maciel.

 

Ouça-se mais um pouco de Mantega: "Dizer que é por isso que houve substituição é uma balela. É uma desculpa para encobrir a ineficiência". Bingo!

 

O diabo é que a “ineficiência” não pode ser atribuída apenas a Lina e ao time que ela montou. O nome do problema é Guido Mantega.

Escrito por Josias de Souza às 21h12

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Assembléia gaúcha instala a CPI contra Yeda Crusius

  Folha
Começou a funcionar, nesta quarta (26), a CPI contra a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB).

 

CPI da Corrupção, na definição dos adversários da governadora tucana. Na presidência da comissão, uma deputada estadual petista, Stela Farias.

 

Na função de relator, um tucano: Coffy Rodrigues. A comissão dispõe de um prazo de 120 dias, prorrogáves por mais 60. Seis meses no total.

 

Yeda e Cia. são acusados de desviar verbas públicas, fraudar licitações e borrifar nas arcas eleitorais de 2006 verbas de má origem.

 

A governadora nega os malfeitos. Pelo menos até o início do ano eleitoral de 2010, Yeda frequentará a vitrine em posição defensiva.

 

Yeda alimentava a esperança de concorrer à reeleição. Talvez tenha de arquivar o projeto. O que já era difícil tornou-se inviável.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

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O ‘Cartão vermelho’ de Suplicy virou mote de piadas

Aos pouquinhos, o Senado vai migrando do drama para a comédia, do grave para o burlesco.

 

Em menos de 24 horas, virou piada o metafórico cartão vermelho que Eduardo Suplicy apresentou a José Sarney.

 

Os chistes começaram pela manhã, na Comissão de Justiça (assista lá no alto), integrada por Suplicy.

 

A maciez era tanta que, na presidência, Demóstenes Torres disse que a coisa acabaria no “cartão cor-de-rosa”.

 

Depois, no plenário do Senado, o tucanato fez cara feia para Sarney, que, em entrevista, acusara o PSDB de açular a crise.

 

Lero vai, lero vem, Sarney fez graça: “O meu cartão é branco, cartão da paz” (assista no rodapé).

 

Mais tarde, Suplicy voltou à tribuna, dessa vez, para discorrer sobre a história do Senado. Antes, fez menção ao cartão branco de Sarney.

 

“A paz é o desejo de todos. É, inclusive, o mote da campanha da fraternidade da Igreja Católica neste ano –a paz como fruto da justiça...”

 

“...Para alcançar a justiça, precisamos buscar a verdade. E só chegaremos à verdade esmiuçando todas as acusações”.

 

A isso foi reduzido o Senado: quem cobra a investigação de malfeitos é reduzido à condição de piada.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Numa reunião fechada, Dilma repete: ‘A Lina mente’

  Alan Marques/Folha
Um detalhe chamou a atenção da ministra Dilma Rousseff no depoimento da ex-secretária da Receita Lina Vieira à Comissão de Justiça do Senado.

 

Lina disse que o encontro em que Dilma lhe teria pedido para “agilizar” a fiscalização contra “o filho do Sarney” ocorrera sob atmosfera de penumbra.

 

“Ela mente”, disse Dilma, há uma semana, numa reunião com ministros e congressistas do PT. “Meu gabinete não tem nem cortinas”.

 

Dilma afirmou ter ficado intrigada com a seletividade da memória de Lina. A ex-secretária recordara-se de uma peça do vestuário da ministra.

 

Mencionara outros detalhes comezinhos: "Cheguei no quarto andar do palácio, não tinha ninguém me recebendo. Veio a Erenice Guerra [a segunda de Dilma]...”

“...Fui para a sala onde estavam duas pessoas e ali fiquei aguardando. Não perguntei o nome dessas pessoas. Tomei uma água, um café. Não demorou muito...”

“...Dali eu saí e fui para a sala da ministra conduzida pela Erenice. Nós conversamos amenidades. Como foi muito rápido, eu não me lembro dos móveis [...]”.

Ouça-se Dilma: “Ela diz que lembra do xale que eu usava, mas não lembra do dia nem do mês nem dos móveis...”

“Ela falou que eu estava na penumbra. Só se fosse noite e a reunião tivesse ocorrido com as luzes apagadas”.

“O gabinete da ministra, com enormes vidraças, é uma espécie de aquário. Ali, a penumbra é coisa impossível de ver”, disse ao repórter um dos interlocutores de Dilma.

A ministra esmiuçou a sua contraversão na quarta-feira (19) da semana passada. Ouviram-na ministros e congressistas do PT.

O encontro ocorreu no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), que serve de sede provisória do governo. O Planalto encontra-se em reforma.

O depoimento de Lina, ocorrido na véspera, não era tema da reunião, convocada para acertar a estratégia que o PT adotaria para salvar José Sarney.

Mas o tema, por incortonável, acabou vindo à baila. Dilma disse que esteve com Lina em cinco oportunidades. Nenhuma delas a sós.

 

Três encontros, disse a ministra, ocorreram na sala de Lula. Reuniões de trabalho, com “várias pessoas”.

 

Os outros dois foram, segundo a versão da ministra, encontros com executivos de empresas norte-americanas com negócios no Brasil.

 

Dilma conta que, na primeira vez em que viu Lina, alguém avisou a ela que se tratava da nova secretária da Receita.

 

A ministra lembra de ter comentado: “Que bom! Mais uma mulher. Agora a Receita vai”. Conta que havia muita gente na sala. Lina "estava distante".

 

“Não sei nem se ela respondeu”, afirmou Dilma. A ministra disse, de resto, que não tomou parte da discussão que levou à demissão de Lina.

 

Disse que havia se submetido a um procedimento médico. Estava ausente da Casa Civil quando o colega Guido Mantega (Fazenda) levou o assunto a Lula.

 

Dilma jura que só tomou conhecimento da novidade quando a demissão já havia ganhado as páginas dos jornais.

 

O relato da ministra serve de munição para seus aliados. Líder do PT na Câmara, Cândido Vacarezza valeu-se do relato, da tribuna, a versão da “penumbra”.

 

Depois da reunião em que reforçou as suas negativas, Dilma submergiu. Alega-se que se recupera das sessões de radioterapia. Na sua ausência, a polêmica avultou-se.

 

Instado pelo DEM a fornecer as imagens do circuito interno de TV do Planalto, o Gabinete de Segurança Institucional disse que não existem mais.

 

A oposição não comprou a versão da reutilização das fitas a cada 30 dias. O DEM fala em “queima de provas”. Requereu uma investigação ao Ministério Público.

 

A cúpula da Receita, em debandada, solidarizou-se com Lina. Discute-se agora a “interferência política” no fisco. A oposição trama convocar os rebelados.

 

Quanto a Lina, joga gasolina no fogo. Já não trata apenas do alegado pedido "incabível" de Dilma. Em nota, chama a dança de cadeiras na Receita de "perigoso recuo".

 

Para desassossego da candidata Dilma, mentirosa ou verdadeira, a versão de sua contendora vai ganhando ares de tema de campanha.

Escrito por Josias de Souza às 04h22

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Berzoini se nega a cumprimentar Suplicy em público

Wilson Dias/ABr

 

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), submeteu o senador Eduardo Suplicy (SP) a um constrangimento: negou-se a cumprimentá-lo.

 

A descortesia ocorreu na noite passada, na solenidade de lançamento da candidatura do ex-senador José Eduardo Dutra à presidência do PT.

 

Suplicy acabara de mostrar, da tribuna do Senado, o "cartão vermelho" a José Sarney. Instara-o a renunciar à presidência. Depois do discurso, foi ao encontro do petismo.

 

Ao chegar, dirigiu-se à mesa. Pôs-se a cumprimentar os presentes: ministros, governadores e lideranças do partido.

 

Recebeu a reciprocidade de todos, menos de Berzoini. O presidente do PT estava sentado. Suplicy achegou-se a ele pelas costas.

 

Estendeu-lhe a mão, como fizera com os demais. E Berzoini deixou a os dedos de Suplicy pendurados no ar.

 

Foi uma cena rápida. Passou despercebida pela audiência. Mas quem estava próximo testemunhou o mal-estar.

 

O repórter telefonou para Suplicy. Ouviu dele o seguinte relato: “Cumprimentei um a um, dando a mão. Todos me deram a mão...”

 

“...Na hora que passei pelo Ricardo Berzoini, ele prefetiu não dar a mão. Como eu estava por trás, falei boa noite, bati no braço dele, sem que ele tenha virado”.

 

Por quê? “Ele estava descontente. Eu tinha acabado de discursar. Ele não gostou. Vi uma declaração dele desaprovando a minha fala...”

 

“...O Ricardo Berzoini disse que o discurso pode me dar popularidade, mas não é bem recebido pelo partido.”

 

Concorda com essa avaliação? “Não”. O que pretende fazer? “Vou procurar o Ricardo Berzoini. Direi a ele o seguinte:...”

 

“...Se quiser fazer uma pesquisa de profundidade nas bases dos partido, tenho a convição de que o sentimento majoritário dos filiados do PT coincide com o meu”.

 

Curiosamente, a tônica dos discurdos feitos na cerimônia foi a exaltação do modo de fazer política do PT e do “orgulho” de ser petista.

 

Ex-presidente da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, José Eduardo Dutra vai à sucessão de Berzoini como candidato do ex-campo majoritário.

 

Justamente a ala que empurrou as supostas virtudes do partido para dentro do mensalão.

 

Dutra fez questão de enaltecer os petistas que trazem o escândalo enganchado nas biografias. Citou José Dirceu. Mencionou José Genoino. Ressuscitou Luiz Gushiken.

 

Sobre Genoino, signatário dos pseudoempréstimos bancários obtidos por obra e graça de Marcos Valério, Dutra disse: “Na ditadura, teve o corpo torturado. Na demcoracia, o coração e a mente”.

 

Perto das 23h, já recolhido ao seu apartamento, Suplicy recordava uma passagem de março de 2005. Fora convidado para compor uma chapa que disputaria a direção do PT. Era encabeçada por Genoino.

 

Sobreveio o terremoto do mensalão. E, contra decisão do diretório do PT, Suplicy apôs a assinatura no requerimento da CPI dos Correios, que desnudaria os malfeitos.

 

Na semana seguinte, recordava um Suplicy reflexivo, recebeu um telefonema de Delúbio Soares, o ex-gestor das arcas do PT. Chamou-o à sede do partido.

 

“O Delúbio me disse: 'Em nome da coordenação do Campo Majoritário, tendo em conta a sua deicisão de assinar a CPI, informo que você está fora da chapa'. Não quis nem ouvir explicações.

 

Há duas semanas, quando Dutra o convidou para a solenidade de lançamento de sua candidatura, Suplicy disse a ele que, hoje, identifica-se com a “Mensagem ao Partido”.

 

Trata-se do grupo criado, entre outros, pelo ministro Tarso Genro (Justiça), justamente para se contrapor à hegemonia do grupo majoritário. A despeito disso, Suplicy aceitou o convite de Dutra.

 

Tornou-se testemunha de uma cerimônia em cuja atmosfera boiava o fantasma de Sarney. Ideli Salvatti (SC), um dos votos que livraram a cara do neo-aliado no Conselho de (a)Ética criticou os desertores.

 

Sem mencionar-lhes os nomes, fustigou Marina Silva, a caminho do PV, e a Flávio Arns, ainda sem endereço. Ideli, timbre altivo, falou do “orgulho de ser petista!”

 

Terceiro suplente no conselho que salvou Sarney, na semana passada, Suplicy fizera questão de dizer, no microfone, que, se lhe fosse dado votar, optaria pelo desarquivamento das ações.

 

Antes, recordava na noite passada, tocara o telefone para Berzoini: “Olha, Ricardo, quero lhe informar que, pela minha convicção, devem ser desarquivadas as ações”.

 

E Berzoini: “Respeito a sua posição, Eduardo, mas é preciso pensar na governabilidade”.

 

Seguiu-se um blá-blá-blá que envolveu até o projeto de renda mínima, caro a Suplicy. O senador manteve o "voto" que o partido cuidara de tornar inócuo.

 

Numa fase em que o PT ainda era o PT, Suplicy era um ícone. Agora, rendido à governabilidade provida por um Sarney que, no passado, Lula chamava de “ladrão”, o ex-PT nega ao ex-ídolo a cortesia de um cumprimento.

 

Pretende fazer disso um cavalo de batalha? "Não, imagina!", disse Suplicy ao blog. O senador soou tão sereno que passou ao repórter a impressão de que cumprimentava a si próprio. 

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Pré-sal: Cabral e Hartung recusam convite de Lula

 

- Folha: Mais demissões pioram crise na Receita

 

- Estadão: PMDB cobra ainda mais do governo e paralisa Câmara

 

- JB: Voltam as obras na Cidade da Música

 

- Correio: Senado em crise amplia regalias

 

- Valor: Grandes empresas firmam compromissos ambientais

 

- Estado de Minas: Tecnologia para criar emprego

 

- Jornal do Commercio: Crise segue e Sarney passa por vexames

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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Repaginados!

Clayton

Via O Povo Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h12

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Suplicy afirma que Sarney merece o cartão vermelho

Nery (PSOL) anuncia recurso ao STF contra arquivamento

 

 

José Sarney e seu grupo adotaram no Senado um comportamento da lavadeira.

 

Acomodaram o ferro do arquivo sobre o amarrotado das denúncias. E esperam que o tempo passe.

 

A já platéia sabe que, num Senado sem futuro, o tempo não passa. Já passou. Mas um pequeno grupo de senadores ainda revolve o pretérito.

 

Eduardo Suplicy (PT-SP) é um deles. Nesta terça (25), o petista levou à tribuna, de novo, o lixo que escapa pelas bordas do tapete.

 

Empilhou as denúncias que enodoam a biografia de Sarney e que o Conselho de (a)Ética esquivou-se de apurar.

 

Empunhando um pedaço de cartolina encarnada, Suplicy autoproclamou-se juiz e mostrou o cartão vermelho a um Sarney ausente.

 

Conclamou o presidente do Senado a renunciar. Gesto vão. O jogo está jogado. E nem o time de Suplicy endossa-lhe o gesto.

 

Tampouco Lula, o capitão da equipe do senador, lhe dá ouvidos. Bem treinados pelo presidente, os jogadores do PT chutaram as denúncias para a gaveta.

 

Na presidência da sessão, Mão Santa (PMDB-PI), sempre tão generoso nas prorrogações, fez o que pôde para limitar o tempo de Suplicy: "Sou o dono do apito", ameaçou, a alturas tantas.

 

Pedro Simon (PMDB-RS) interveio com ares de zagueiro: “Não queira fazer agora o que nunca fez”.

 

Suplicy continuou passenado pela grande área. Deu mais algumas cabeçadas. José Nery (PSOL-PA) anunciou o próximo lance.

 

Disse que, nesta quarta (26), um grupo de senadores anti-Sarney vai protocolar no STF um mandado de segurança.

 

Pedirão ao Supremo que o arquivamaneto coletivo das ações seja submetido a um tira-teima no plenário do Senado.

 

Sobreveio a intervenção de Almeida Lima (PMDB-SE), ponta-de-lança de Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

O senador deu um chapéu no óbvio. Disse que não há crise. Defendeu Sarney contra as denúncias salpicadas por Suplicy na zona do agrião.

 

De resto, Almeida Lima cobrou “respeito”. Repeito a Sarney. Respeito à decisão do Conselho de (a)Ética. Respeito ao Senado. Só não mencionou o desrespeito à galera.

 

Almeida Lima falou no plural: “Os senhores estão abusando, agredindo, enxovalhando a dignidade do Senado”.

 

Cristovam Buarque, outro senador que integra o pequeno grupo que ainda exibe alguma fome de bola, trocou passes com Suplicy.

 

Elogiou o gesto do colega. Enxergou “genialidade” na escolha do cartão vermelho como símbolo da crise que Almeida Lima diz inexistir.

 

Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário da Mesa dirigida por Sarney, foi à canela de Suplicy. Disse que o discurso do petistas soava insincero.

 

Suplicy perdeu as estribeiras. Esgoelou-se. Socou o púlpito. Exaltado, rogou a Heráclito que fosse "justo" com ele. Desatendido, exibiu o cartão vermelho também para o colega 'demo'. 

 

A coisa descambou para pelada de várzea. Heráclito recusou-se a deixar o campo. Viu no cartão de Suplicy "um troféu" de fim de campeonato.

 

Heráclito tentou uma tabela com o garçom do Senado: "Zezinho, sirva um suco de maracujá para o senador Suplicy". Só havia água.

 

O 'demo' aplicou uma sequência de carrinhos verbais no petista. Lembrou que Suplicy não assinara o recurso da oposição contra a gaveta. 

 

Disse que, no conselho de (a)Ética, o PT acomodara Suplicy "no banco de reservas", como terceiro suplente, sem direito a voto. 

 

E instou o contendor a mostrar o cartão vermelho para Lula, o verdadeiro "responsável pela crise". Acusou: "O presidente da República invadiu o campo do Senado". Mais: "Deu cartão amarelo ao [Aloizio] Mercadante".

 

A arquibancada, impassível, já não se anima a trocer. Lamuria-se apenas. Acha que, na condição de público pagante merecia mais classe, um tantinho a mais de categoria.

 

Afora o rififi do plenário, a "normalidade" de Sarney foi temperada a pequenas anormalidades.

 

PSDB e DEM decidiram boicotar reunião de líderes convocada pela presidência. E renunciaram ao Conselho de (a)Ética. Vencidos, descem ao vestiário com cara de amarelões.

 

Avisado previamente pelo próprio Suplicy, Sarney refugiou-se em seu gabinete. Receoso de que uma bola perdida o alcançasse, preferiu assistir pela TV Senado ao terceiro tempo da pelada.

Escrito por Josias de Souza às 20h35

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Lula: Marco do pré-sal será anunciado na próxima 2ª

De passagem por São Bernardo do Campo, Lula anunciou para a próxima segunda (31) o anúncio do marco regulatório do pré-sal.

 

Insinuou que a oposição fabrica uma crise política porque já não pode falar de crise econômica:

 

"Querem substituir uma crise econômica que não aconteceu por uma crise política que só a eles interessa e a mais ninguém nessa nação".

 

Disse que, em parte, a encrenca financeira mundial foi mais suave no Brasil porque seu governo diversificou as exportações.

 

Em vez de priorizar a venda de produtos para EUA e Europa, Lula disse ter priorizado a África, os países árabes e a América Latina.

 

Chamou de “cabeças colonizadas” os que o criticam por viajar a países menos desenvolvidos. “Temos que procurar quem pode comprar de nós”.

 

A alturas tantas, Lula rememorou as críticas que lhe foram feitas quando, ainda no primeiro mandato, comprou um avião presidencial novo (veja no vídeo lá do alto).

 

“Quando comprei o avião disseram: ‘O avião é o Aerolula, o avião é do Lula, o avião do Lula’. Alguns disseram: ‘Vamos vender e fazer dez hospitais’”.

 

Disse que, hoje, acha “o avião pequeno”. Por quê? “Eu tenho que parar duas vezes pra chegar na China”. Afirma que pasou a fase dos mandatários:

 

“Hoje não tem mais esse negócio de um presidente ficar com a bunda na cadeira –desculpe o palavrão– achando que os outros vão vir aqui comprar”.

 

Anteviu um bom 2009: “Vamos terminar esse ano crescendo”. Previu um 2010 melhor ainda: “NO ano que vem nós vamos crescer bem!”

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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Já que Serra não faz oposição, Lula toma a iniciativa

Cansado de não receber nenhuma crítica de José Serra, Lula decidiu açular os pendores pseudo-oposicionistas do presidenciável tucano.

 

O presidente partiu, ele próprio, para o ataque. É como se desejasse persuadir o bravo governador de São Paulo a portar-se como adversário político.

 

Lula discursava em São Bernardo do Campo. Fora à cidade para festejar o início das obras do campus da Universidade Federal do ABC.

 

Súbito, futigou Serra. Acusou o governo de São Paulo de esconder da platéia os cifrões que Brasília despeja nos canteiros de obras do Estado.

 

Para exemplicar, Lula citou o Rodoanel. Fez as contas: “Custou R$ 3,6 bilhões... R$ 1,2 bilhão é do Orçamento da União. Isso não aparece na TV”.

 

Lula esforça-se, como se vê, para mostrar a Serra que, quando um quer, dois podem brigar. O diabo é que, antes mesmo do Waterloo, Serra optou por recolher-se à ilha de Elba da passividade tucana.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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2010: Lula cobra apoio do PMDB após salvar Sarney

Presidente constitui grupo para fechar aliança pró-Dilma

Inclui pemedebistas e petistas; nada de Sarney e Renan

Cobra pressa no  fechamento das  costuras nos Estados

 

Marcello Casal/ABr

 

Dois dias depois de ordenar ao PT que votasse a favor do arquivamento das ações contra José Sarney, Lula começou a cobrar a fatura.

 

Os processos contra o morubixaba do PMDB desceram à sepultura do Conselho de (a)Ética do Senado na quarta-feira (19) da semana passada.

 

Na sexta (21), Lula chamou para uma reunião o presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer (SP).

 

Convocou também o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP). O encontro ocorreu nesta segunda (24), no escritório paulistano da Presidência, na Avenida Paulista.

 

Temer levou a tiracolo o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Berzoini fez-se acompanhar do líder do PT, Cândido Vacarezza (SP).

 

Conversaram das 15h às 17h. Evitaram falar da crise do Senado. Usaram as duas horas para analisar a conjuntura política das 27 unidades da federação.

 

Já na abertura do colóquio, Lula disse que PMDB e PT precisam apressar o passo dos acertos eleitorais nos Estados.

 

Afirmou que desavenças regionais não podem comprometer o projeto nacional: a aliança em torno da candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

 

Não trataram do vice de Dilma. Sem meias palavras, Lula disse aos dirigentes do pemedebê e do petê o que deseja em cada um dos Estados.

 

O presidente avocou para si a resolução de parte dos contenciosos. Delegou outra parte aos presentes.

 

Acertou-se que, sem a presença de Lula, o grupo fará reuniões semanais. Deseja-se chegar a dezembro com tudo resolvido.

 

Vai abaixo o que o repórter conseguiu apurar acerca dos nós que Lula quer ver desatados:

 

1. São Paulo: Nesse Estado, o PMDB é presidido por Orestes Quércia, agregado à caravana do presidenciável tucano José Serra.

 

Excluída a hipótese de acerto com o PMDB, Lula disse que mantém viva a expectativa de fazer de Ciro Gomes (PSB) o seu candidato ao governo paulista.

 

Ainda acredita, segundo disse, que Ciro abandonará suas pretensões ao Planalto. Espera que o deputado transfira seu título do Ceará para São Paulo em setembro.

 

2. Rio de Janeiro: Lula disse estar fechado com a candidatura reeleitoral do governador Sérgio Cabral (PMDB).

 

E quanto ao prefeito de Nova Iguaçu, Lindenberg Farias (PT)? O presidente disse que demoveria o petista da idéia de medir forças com Cabral.

 

Vai empurrar Lindenberg para uma candidatura ao Senado. Para a segunda vaga senatorial, dará apoio a Marcelo Crivella (PRB).

 

3. Minas Gerias: o PMDB cobra do PT apoio à candidatura do ministro Hélio Costa (Comunicações), hoje mais bem-posto nas pesquisas.

 

Lula disse que Minas é problema seu. Espera pela definição do PT, dividido entre Patrus Ananias, ministro do Bolsa Família, e Fernando Pimentel, ex-prefeito de BH.

 

Definido o nome, verá quem tem mais chances. Se Hélio Costa for o favorito, acha que nem Pimentel nem Ananias ousarão criar problemas para Dilma.

 

4. Bahia: Lula soou explícito. Apoiará o governador petista Jaques Wagner, candidato à reeleição.  

 

Antes, dizia que preferia ver o ministro pemedebê Geddel Vieria Lima (Integração Nacional) na disputa ao Senado. Desistiu de esmurrar a faca.

 

Geddel rompeu a aliança que mantinha com Wagner. Postula não o Senado, mas o governo baiano. Lula pede que seja assegurada uma disputa sem agressões.

 

5. Rio Grande do Norte: É o Estado do líder pemedebê Henrique Alves. Ele informou que seu primo, o senador Garibaldi Alves, flerta com o ‘demo’ José Agripino Maia.

 

Principal liderança do PMDB potiguar, Garibaldi cogita apoiar Rosalba Ciarlini, a candidata ‘demo’ ao governo do Estado.

 

Uma hipótese que Lula considerou inadmissível. Quer que PMDB e PT se acertem com o candidato a ser definido pela governadora Wilma de Faria (PSB).

 

Quem? Qualquer pessoa, menos a candidata de Agripino Maia. Henrique Alves ficou de tratar do assunto com Garibaldi.

 

7. Rio Grande do Sul: Ali, reconheceu Lula, o PMDB do prefeito José Fogaça e PT de Tarso Genro são forças irreconciliáveis.

 

O fazer? “Palanque duplo” para Dilma, disse Lula. Resta assegurar que o PMDB gaúcho, hoje alinhado com a governadora tucana Yeda Crusius, pare de flertar com José Serra.

 

8. Paraná: Lula disse já ter conversado com o governador Roberto Requião (PMDB). “Ele vem com a gente”, afirmou. Uma novidade. Requião também tricotava com Serra.

 

9. Santa Catarina: Frequentou a conversa como um caso perdido. Dá-se de barato que o governador Luiz Henrique (PMDB) manterá a aliança com PSDB e DEM.

 

10. Pará e Mato Grosso do Sul: Foram tratados como um par de Estados-problema.

 

Os pemedebês Jader Barbalho, deputado paraense, e André Puccinelli, governador sul-matogrossense torcem o nariz pata o petê. Não há solução a vista.

Escrito por Josias de Souza às 05h24

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Cúpula da Receita se rebela contra ingerência política

Foto do livro "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas"

 

A demissão de Lina Vieira, em 9 de julho, abrira uma crise na Receita. Nesta segunda (24), a encrenca saiu dos subterrâneos.

 

Veio à superfície na forma de uma nota com cheiro de rebelião. No texto, 12 dirigentes do fisco pedem para sair.

 

São signatários do documento: um subsecretário, segundo homem da Receita; seis superintendentes superintendentes regionais, e cinco cinco coordenadores gerais.

 

Protestam contra a demissão de Lina. Queixam-se de “ingerência política” num setor que deveria dispor de “autonomia técnica” e ser “imune a pressões”.

 

Uma referência clara à acusação da ex-Leoa, que acusa Dilma Rousseff de ter pedido para “agilizar” auditoria nos negócios da família Sarney.

 

Também contribuíram "depoimentos no Congresso Nacional". Isso significa contrariedade à postura de Cartaxo.

 

De resto, alegam que “depoimentos no Congresso” estimularam a debandada. Embora a nota não mencione, foram dois os depoimentos.

 

Um, do novo mandachuva da Receita, Otacílio Cartaxo, na CPI da Petrobras. Outro, da própria Lina, na Comissão de Justiça do Senado.

 

Otacílio dissera na CPI que poderia ser legal a manobra contábil que a Petrobras fizera em 2008 para pagar R$ 1,14 bilhão a menos em tributos.

 

Em maio, o fisco taxara a esperteza da estatal de “ilegal”. Quanto à fala de Lina, reafirmara o encontro em que Dilma lhe teria feito o pedido “incabível”.

 

O pedido coletivo de demissão veio à luz no mesmo dia em que o fisco publicou no Diário Oficial duas exonerações.

 

Foram ao olho da rua: Alberto Amadei Neto, que era o assessor mais próximo de Lina, e Iraneth Maria Weiler, chefe de gabinete da ex-leoa.

 

Iraneth confirmara a vesão da ex-chefe. Dissera que Erenice Guerra, segunda de Dilma, estivera na Receita, em dezembro de 2008, para chamar Lina para a reunião privada que a ministra-candidata jura não ter ocorrido.

 

No total, a Receita opera com dez superintendentes regionais. Seus deles estão entre os dirigentes sublevados. Eis a lista:

 

1. Altamir Dias de Souza, superintendente da 4ª Região (PE, PB, RN e AL)
2. Dão Real Pereira dos Santos, superintendente da 10ª Região (RS)
3. Eugênio Celso Gonçalves, superintendente da 6ª Região (MG)
4. Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, superintendente da 3ª Região (MA,PI e CE)
5. Luiz Sérgio Fonseca Soares, superintendente da 8ª (SP)
6. José Carlos Sabino Alves, superintendente-adjunto da 7ª Região (RJ e ES).

7. Henrique Jorge Freitas da Silva, subsecretário de Fiscalização
8. Fátima Maria Gondim Bezerra Farias, coordenadora-geral da COCIF
9. Frederico Augusto Gomes de Alencar, coordenador-geral da COCAJ

10. Luiz Tadeu Matosinho Machado, coordenador-geral da COSIT
11. Marcelo Lettieri Siqueira, coordenador-geral da COGET
12. Rogério Geremia, coodenador-Geral da COFIS

 

Os coordenadores-gerais que pediram o boné cuidam de áreas estratégicas do fisco: estudos, previsão e análise, fiscalização, tributação, contencioso e integração.

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) e o secretário Otacílio Cartaxo, substituto de Lina, silenciaram. O blog ouviu de um auxiliar de Lula o seguinte comentário:

 

“Não há crise. Essa gente toda sabia que seria substituída. Tenta-se dar conotação política há algo que é rotineiro quando ocorre uma troca de comando num órgão do porte da Receita”.

 

Então, tá!

 

- Serviço: Está disponível aqui a íntegra da carta dos insurretos da Receita. A ilustração vem do "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas, de Everton Ballardin e Marcelo Zocchio".

Escrito por Josias de Souza às 03h59

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Dirigentes se rebelam contra ingerência política na Receita

 

- Folha: Crise na Receita provoca saída coletiva de chefes

 

- Estadão: Saída de Lina provoca rebelião na Receita

 

- JB: Planos de saúde antigos terão reajuste de 6,76%

 

- Correio: Governo unifica regras e põe ordem nos concursos

 

- Valor: Teles vendem computadores para incentivar banda larga

 

- Estado de Minas: Gripe suína mata grávida em BH. Bebê sobrevive

 

- Jornal do Commercio: Concorrência menor no vestibular da UPE

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Na esteira!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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Suplicy impede Sarney de fingir volta à normalidade

José Sarney subiu à tribuna nesta segunda (24). Discursou sobre um tema ameno: o centenário da morte de Euclides da Cunha.

 

O senador escolheu um dia de Casa vazia. Ouviam-no cinco colegas. Para desassessego de Sarney, um deles era Eduardo suplicy (PT-SP).

 

Com a voz mansa que o caracteriza, Suplicy pediu um aparte. Sorridente, Sarney concedeu. Imaginava que o petista fosse discurrer sobre o autor de “Os Sertões”.

 

Qual nada! O objetivo de Suplicy era bem outro. Queria esfregar a crise na cara de Sarney. Desejava mostrar a ele que as brasas do Senado não foram extintas.

 

A certa altura, Suplicy elevou o timbre: "A situação do Senado não está tranquila, não está resolvida...”

 

“...As pessoas desejam um esclarecimento mais cabal, que as dúvidas sobre os conteúdos das representações sejam dirimidas...”

 

“...Eu ouvi discursos de Vossa Excelência, fiquei com muitas dúvidas, gostaria de vê-las esclarecidas, o povo brasileiro deseja vê-las esclarecidas".

 

Mão Santa, que presidia a sessão, lembrou a Suplicy que os apartes não podem exceder a dois minutos. O petista deu de ombros.

 

Suplicy disse a Mão Santa que Sarney também extrapolava o regimento, excedendo-se no tempo. E coontinuou, impassível, a sua peroração.

 

Quando a palavra lhe foi restituída, Sarney, algo contrafeito, acusou Suplicy de descortesia. Um desrespeito “às regras de educação e convivência parlamentar”.

 

E voltou à cantilena inicial: “Não quero toldar a memória de Euclides da Cunha”. Pronunciou mais algumas poucas palavras. E abandonou o microfone.

 

Sucedeu-o na tribuna o suplente Roberto Cavalcanti (PRB-PB). Sem mencionar o nome de Suplicy, fustigou-o:

 

“É uma vergonha o que se passa com certos colegas. Vêm aqui para posar de bons moços perante opinião publica...”

 

“...Para ficar de bem com a opinião pública, se posicionam de forma indelicada, como ocorreu há pouco”.

 

Sarney, que rumava para o gabinete, deu meia-volta. Aparteou Cavalcanti. Agradeceu a solidariedade.

 

Sarney tenta impor ao Senado uma normalidade anormal. Alguns poucos senadores, Suplicy entre eles, se esforçam para impedir.

 

Grosseria? Não. Absolutamente. É reação legítima à grosseria maior de mandar ao arquivo, sem apuração, as acusações que assediam Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 19h39

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Protógenes quer se filiar a partido da base governista

  Folha
Afastado de suas funções na PF e sob ameaça de perder o emprego, Protógenes Queiroz está à procura de um novo emprego.

 

Protógenes agenda para a próxima semana o anúncio de sua filiação a um partido político. Depois de muita negaça, assumirá sua condição de político.

 

Deseja disputar uma cadeira no Senado. Vai às urnas em São Paulo. Dispõe de pesquisa que indicaria o seu tamanho: 1,5 milhão de votos.

 

O delegado levou ao seu blog um par de textos. Num deles, anuncia que falta pouco para "começarmos a nossa satiagraha brasileira contra a corrupção”.

 

Noutro, esculhamba o Senado de Sarney e açula: "Convoco a maioria de homens e mulheres honestos a assumirem seus papeis...”

 

“...Para tirar os corruptos das nossas administrações públicas em todos os níveis da federação brasileira, a resgatarem do lodaçal político:...”

 

“...A ética, o respeito, a transparência, a moral, o Congresso Nacional e os interesses nacionais".

 

Curiosamente, protógenes informa que pretende filiar-se a uma legenda do consórcio que dá suporte congressual a Lula.

 

O mesmo conglomerado partidário que segura Sarney na cadeira de presidente do Senado. Governista. Ora, mais o delegado não flertava com o PSOL? Sim, mas:

 

“Se o PSOL ficar de fora da base aliada do governo, obviamente está fora da lista de partidos que escolherei. A discussão que terei com eles é a questão do apoio”.

 

A deputada Luciana genro (PSOL-RS), que vinha adulando Protógenes, salta da cadeira: “Ele disse isso? Ele sabe que isso não está em negociação. Somos oposição ao governo Lula”.

 

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Protógenes prefere frequentar a zona de influênia do governo do Genro ministro a dar as mãos à oposição da Genro deputada.

 

Vai entender!

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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Ex-assessores de Lina foram conduzidos ao meio-fio

Otacílio Cartaxo, substituto da ex-leoa Lina Vieira na Receita, exonerou nesta segunda dois auxiliares da antecessora.

 

Foram ao meio-fio Alberto Amadei e Iraneth Maria Dias Weiler. O primeiro, assessor. A segunda, secretária de Lina.

 

Iraneth, a propósito, confirmara um pedaço da versão da ex-chefe no duelo labial que trava com Dilma Rousseff.

 

Erenice Guerra, a segunda de Dilma, estivera, sim, na Receita. Fora avisar a Lina que Dilma queria ter com ela um tetê-à-tête.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

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Delegado conta como ‘terrorismo’ se infiltra no Brasil

Antes, extremistas usavam o país como escala de viagem
Passaram a adotar filhos de prostitutas para ficar no país
Em seguida, seduziram brasileiros com ‘cantilena radical’
Agora, preparam daqui ações contra alvos no estrangeiro

 

 

As revelações acima foram feitas pelo delegado Daniel Lorenz. Até o início de julho, ele era diretor de Inteligência da PF. Uma semana depois de deixar o posto, falou numa audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara.

 

A sessão fora convocada por Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da comissão, com o propósito de esmiuçar a “atuação de membros de grupos terroristas” no Brasil. O repórter obteve, na semana passada, cópia da transcrição da audiência. Neste domingo (23), Jungmann levou a íntegra do texto ao seu blog.

 

Lorenz mediu as palavras –“Como a sessão é aberta, não vou detalhar esses assuntos”. Ainda assim, delineou um quadro revelador. Disse que a PF só passou a se preocupar com o terrorismo em 1995.

 

Desde então, o problema se agrava. Lorenz dividiu a encrenca em quatro ciclos. No início, o Brasil era usado por terroristas como escala de viagem. Hoje, disse o delegado, o país já serve de base para a preparação de ataques a alvos no exterior.

 

Vai abaixo um resumo das quatro fases descritas pelo delegado:

 

 

1. Primeiro estágio: Foi nessa fase que a PF se deu conta de que “extremistas” estrangeiros utilizavam o Brasil como escala de viagem. Passavam sobretudo pela região da tríplice fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai).

 

Lorenz confirmou algo que já fora noticiado. Em 1995, “entrou pelo Rio de Janeiro e saiu por São Paulo” Khalid Shaikh Mohammed, que viria a se converter no terceiro homem na hierarquia da Al Qaeda. O terrorista passou por Foz do Iguaçu.

 

O delegado desculpou-se por não poder “tecer detalhes”. Mas deixou claro que Shaikh Mohammed não viera a passeio. “Ele esteve lá, evidentemente, não para tomar uma geladinha e nem para participar do Carnaval, muito menos das festas do final do ano”.

 

Preso no Paquistão em 2003, Shaikh Mohammed foi levado à prisão norte-americana de Guantânamo, acusado de participar dos ataques do 11 de setembro.

 

 

2. Segundo estágio: Extremistas passaram a se servir das facilidades da legislação brasileira para “legalizar” sua permanência no país. “Não vou me deter nos detalhes, não posso conversar sobre isso”, desculpou-se, de novo, Lorenz. Porém, detalhou:

 

“Eles buscam uma legalização no país por meio da [...] adoção à brasileira. Ou seja, tomar como seu o filho de outrem. Então, eles se aproximavam de mulheres de vida fácil, assumiam aqueles filhos e ganhavam a condição de permanência no Brasil. Isso aconteceu, isso é acompanhado, está sendo acompanhado e foi muito acompanhado por nós. Esse seria o segundo momento”.

 

 

3. Terceiro estágio: A PF descobriu que cidadãos brasileiros começaram a ser cooptados pelos “extremistas”. Encantaram-se, no dizer de Lorenz, com a “cantilena radical de que tudo é possível, de que se poderia, ao praticar um ato insano, terrorista, ter 72 virgens” no céu. Lorenz foi enfático: “Isso aconteceu, isso acontece”.

 

A certa altura, Jungmann perguntou se era verdade que brasileiros foram ao Irã para treinar táticas de terror. E o delegado: “[...] Posso lhe dizer que não somente ao Irã. Não somente. O senhor me desculpe, mas eu não poderia me estender [...]”.

 

 

4. Quarto estágio: É, por ora, “o último grau” da ação de “extremistas” em solo brasileiro. Envolve, segundo Lorenz, “a preparação” de ataques terroristas a alvos localizados no exterior. O delegado mencionou o caso do “Senhor K.”

 

Trata-se de um cidadão libanês residente em São Paulo. É casado com uma brasileira, com quem teve uma filha. Em maio, o repórter Jânio de Freitas revelara que K. fora preso, acusado de envolvimento com a Al Qaeda.

 

O ministro Tarso Genro (Justiça) apressara-se em dizer: "Não há nenhum foco terrorista organizado" no Brasil. O libanês K., disse ele, fora à garra pela prática de “racismo”. Lorota.  

 

A PF enquadrara-o como racista porque a legislação brasileira não contempla o crime de terrorismo, explicou Lorenz na Câmara. Por isso teve a prisão relaxada depois de 21 dias de cana. A julgar pelo que disse o delegado, o caso do libanês K. nem seria o único. Lorenz expressou-se no plural:

 

“Temos a percepção desses estrangeiros que agora estão no Brasil e estão a executar não, evidentemente, ações extremistas no país, mas, a exemplo do que foi o Sr. K, iniciando ações de recrutamento, apoio, treinamento, logística e reconhecimento para ações terroristas ainda fora do país”.

 

Acrescentou: “Utilizam nosso país como um local tranquilo. A partir dele, saem e vão ajudar essas organizações extremistas, notadamente, nesse caso [do Sr. K.], a Al-Qaeda”. Segundo Lorenz, o libanês K. agia na internet. Seus arquivos eram criptografados. Mas a PF logrou acessá-los, remotamente, nos instantes em que, manuseados pelo autor, estavam abertos. Ouça-se Lorenz:

 

“Esse Sr. K. tinha duas lan houses em São Paulo e coordenava o que chamamos de batalhão de mídia da Jihad. Inicialmente, aquilo que era somente um proselitismo da causa defendida pela Al Qaeda transformou-se num espaço para recrutamento, apoio, treinamento em comunicações e segurança operacional, um local de apoio e também um local de onde emanavam o que eles chamavam de ordens de batalha para ações fora do país”.

 

 

A exposição de Lorenz contrastou com declarações feitas pelo ministro Jorge Félix (Segurança Institucional da Presidência). Também convidado para a audiência na Câmara, o general minimizou a ação de extremistas em solo brasileiro.

 

O próprio Félix, porém, reconheceu: “[...] Mesmo que apareça algum problema [relacionado ao terrorismo], vamos resolvê-lo — essa é uma atribuição e uma competência nossa — e não vamos admitir que o problema existiu”. Ou seja, nessa matéria, o que general afirma não dever ser tomado a sério.

 

- PS.: Pressionando aqui, você chega à reportagem veiculada no blog na madrugada de sábado (22). Trata de outro tema abordado na audiência da Câmara: a proliferação do crime cibernético.

Escrito por Josias de Souza às 04h41

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Procuradores e juízes veem retrocesso na reforma eleitoral

 

- Folha: Dívida privada já ultrapassa a do setor público

 

- Estadão: Governo põe custeio acima de investimento

 

- JB: R$ 1 bilhão em créditos de carbono para o país

 

- Correio: União corta mais R$ 128,3 milhões de emendas do DF

 

- Valor: Questão ambiental ganha importância nos balanços

 

- Estado de Minas: Começam as contratações de temporários

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h32

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Cadeia de comando!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 04h31

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Com Marina, PV cogita se distanciar do governo Lula

Gabeira pode substituir Sarney Filho como líder na Câmara

Juca Ferreira, o ministro da Cultura, receia perder  o cargo

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Às voltas com os preparativos para a filiação de Marina Silva, o PV inaugurou um debate interno sobre suas relações com o governo Lula.

 

A discussão, por ora subterrânea, ganhará o noticiário nos próximos dias. Envolve o afastamento do PV do consórcio partidário que dá suporte congressual ao governo.

 

Nesta segunda (24), haverá um encontro reservado em São Paulo. Participarão lideranças do PV, Marina e pessoas que assessoram a senadora.

 

Analisa-se, por exemplo, a troca do líder do PV na Câmara. Sarney Filho (MA), o Zequinha, pode ser substituído por Fernando Gabeira (RJ).

 

A mudança demarcaria o início de uma “transição” verde rumo à oposição. Algo que a candidatura presidencial de Marina torna inevitável.

 

Único representante do PV na Esplanada, o ministro Juca Ferreira (Cultura) frequenta o debate com o pé acomodado no freio.

 

Juca manifesta, em privado, o receio de que a inflexão da legenda lhe custe o cargo de ministro. Acha que Lula pode se animar a demiti-lo.

 

Para não desgostar o ministro, a cúpula do PV pôs-se a planejar não uma ruptura abrupta, mas uma declaração de “independência”.

 

Dono de uma bancada de 14 deputados federais, o PV trocaria o alinhamento automático a Lula pelo apoio seletivo, condicionado ao teor de cada projeto.

 

Daí a idéia de “transição”. O afastamento definitivo viria no instante em que o embate eleitoral o tornasse incontornável.

 

Simultaneamente, diritentes do PV tentarão estimular o ministro da Cultura a disputar um cargo eletivo em seu Estado, a Bahia.

 

O debate põe a prova a capacidade do PV de abandonar os seus pendores governistas. A legenda é mais afeita à situação do que à oposição.

 

O PV é governo em toda parte. Apoia Lula em Brasília. E dá suporte aos governadores tucanos José Serra, em São Paulo; e Aécio Neves, em Minas.

 

Participa também da caravana do prefeito paulistano do DEM, Gilberto Kassab.

Escrito por Josias de Souza às 21h16

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Aposta de Montenegro: ‘Lula não fará seu sucessor’

Carlos Augusto Montenegro contou ao repórter Alexandre Oltramari, de Veja, o que enxerga nos búzios das sondagens eleitorais.

 

O mandachuva do Ibope acha que Lula não fará de Dilma Rousseff sua sucessora. 

 

Para Montenegro, a reeleição de Lula, em 2006, “foi um plebiscito para decidir se deveria continuar governando mais quatro anos ou não”.

 

Em 2010, Montenegro aposta, “tudo indica que ele não fará o sucessor justamente por causa da mesmice na qual o PT mergulhou”.

 

A cena de 2010, por longínqua, está impregnada de imprevisíveis. E o imprevisto, como se sabe, não convive bem com a previsão infalível.

 

Assim, pode até acontecer de Montenegro acertar, na hipótese de que não erre. Dilma pode mesmo perder a eleição, desde que não ganhe.

 

De qualquer modo, vão abaixo algumas das antevisões do “Pai Montenegro”:

- O poder de sedução de Lula: “Uma coisa é ele participar diretamente de uma eleição. Outra, bem diferente, é tentar transferir popularidade a alguém. Sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. ‘Mãe do PAC’, convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de ‘filha do Lula’.

 

- As chances do poste: “Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. Foi-se o tempo em que um líder muito popular elegia um poste. Isso acontecia quando não havia reeleição. Os eleitores achavam que quatro anos era pouco e queriam mais. Aí votavam em quem o governante bem avaliado indicava, esperando mais quatro anos de sucesso

 

- O favorito: “Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006. Isso, claro, não é uma regra, mas certamente uma tendência. Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também.

 

- O fato novo: “A Marina [Silva] é a pessoa cuja história pessoal mais se assemelha à do Lula. É humilde, foi agricultora, trabalhou como empregada doméstica, tem carisma, história política e já enfrentou as urnas. Além disso, já estava preocupada com o meio ambiente muito antes de o tema entrar na agenda política. Ela dificilmente ganha a eleição, mas tem força para mudar o cenário político. Ser mulher, carismática e petista histórica é sem dúvida mais um golpe na candidatura de Dilma”.

 

- O peso da ética: “Uma pesquisa do Ibope constatou que 70% dos entrevistados admitem já ter cometido algum tipo de prática antiética e 75% deles afirmaram que cometeriam algum tipo de corrupção política caso tivessem oportunidade. Isso, obviamente, acaba criando um certo grau de tolerância com o que se faz de errado. Talvez esteja aí uma explicação para o fato de alguns políticos do PT e outros personagens muito conhecidos ainda não terem sido definitivamente sepultados”.

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Mercadante: ‘Errei ao anunciar renúncia irrevogável’

  José Cruz/ABr
Crivado de críticas por ter revogado a renúncia que anunciara como “irrevogável”, o líder petista Aloizio Mercadante clama agora por por compreensão.

 

O senador levou à sua página no Twitter, o mesmo espaço em que anunciara a pseudorenúncia à liderança do PT, uma tentativa de remissão.

 

“Errei ao dizer que anunciaria uma renúncia irrevogável, mas gostaria que vocês conhecessem as razões mais profundas que me levaram a essa decisão”.

 

Mercadante encareceu: “Gostaria, se possível, que vocês lessem meu discurso na tribuna e a carta que o presidente Lula me enviou”.

 

O reconhecimento de um erro é um gesto nobre. O problema, no caso de Mercadante, é que ele se penitencia pelo erro errado.

 

A maior afronta que o quase-ex-líder impôs à sua biografia não foi o anúncio da renúncia, mas o fato de não ter renunciado.

 

Um acerto, quando levado às últimas consequências, dificilmente pode ser melhorado. Um erro, porém, sempre pode ficar mais errado.

 

As decisões políticas resultam de uma cruza do instante com o circunstante. Submetidos ao corredor frio da posteridade, seletiva senhora, os fatos são julgados no tribunal da estante.

 

Mercadante injetou no verbete da enciclópedia uma passagem que talvez não passe. Por ora, melhor não explicar. Resta observar o pretérito passando. 

Escrito por Josias de Souza às 06h17

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Governo enfrenta dois mil ‘ataques’ por hora na web

PF investiga invasão feita por quadrilha do Leste Europeu
Grupo ‘sequestrou’ senha e  exigiu  resgate:  US$  350 mil
Presidência detecta 200 softwares de infiltração por  mês
Portais de prefeituras exibem fitas  pornográficas  à noite

 

Orlandeli

 

A Comissão de Segurança Pública da Câmara realizou, 47 dias atrás, uma audiência pública sobre terrorismo. Deu-se numa tarde de terça-feira, 7 de julho. Durou pouco mais de três horas. Começou às 14h39. E se arrastou até 17h53.

 

Hipnotizados pela crise do Senado, os repórteres deram de ombros para a reunião. Entre os deputados, de 513 apenas cinco deram as caras. Na primeira hora e meia, só Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da comissão e autor do pedido de audiência, emprestou os ouvidos aos convidados.

 

O blog obteve a íntegra das notas taquigráficas da sessão. Ocupa 63 folhas. Quem lê dá de cara com informações surpreendentes. Parte delas foi relatada por Raphael Mandarino Jr., diretor de Segurança da Informação do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência).

 

Levado à comissão pelo ministro Jorge Félix, chefe do GSI, Mandarino contou que as redes de computadores do governo sofrem 2 mil ataques por hora.

 

“Nós temos 320 grandes redes”, disse Mandarino. “E quando digo grande rede, refiro-me às redes do Banco do Brasil, do Serpro, da Justiça, etc...”

 

“...Em uma das maiores dessas redes, tivemos, somente no ano passado, 3,8 milhões de incidentes”.

 

Que tipo de incidentes? “Vírus, tentativa de invasão, spam, tudo aquilo que atrapalha o funcionamento normal da rede...”

 

“...E 1% de todos esses 3,8 milhões de incidentes diz respeito àquilo que nos preocupa muito: tentativa de invasão”.

 

Levando-se em conta as 2 mil incursões criminosas que, segundo Mandarino, assediam as redes do governo a cada hora, os ataques diários somam 48 mil.

 

O assessor de Jorge Félix contou que seu departamento é obrigado a analisar cerca de 200 novos “malwares” todos os meses.

 

“Malware" é um neologismo que resulta da fusão de dois vocábulos da língua inglesa: “Malicious software”.

 

São programas criados com o propósito de se infiltrar clandestina e ilegalmente em computadores alheios. Mandarino esmiuçou os alvos dos invasores.

 

Disse que 70% buscam nas redes oficiais “informações bancárias”; 15% tentam capturar “informações pessoais”.

 

Outros 10% dos ataques são feitos com o propósito de extrair informações da rede INFOSEG, gerida pelo Ministério da Justiça.

Trata-se de uma base que armazena dados das secretarias estaduais de Segurança Pública e da Justiça.

Coisas assim: informações sobre inquéritos, processos, armas de fogo, veículos e mandados de prisão.

“Todos os outros tipos” de ataques, Mandarino informou, somam 5%. Ele relatou na comissão da Câmara quatro casos.

Como a audiência era pública e os dados são sigilosos, Mandarino discorreu sobre os milagres sem mencionar os nomes dos santos:

1. O caso “mais sério” envolveu um servidor de computadores de um “órgão público”. Ouça-se o que disse Mandarino:

 

“Uma quadrilha do Leste Europeu entrou no servidor, trocou a senha e pediu um resgate de US$ 350 mil para devolver a senha” antiga.

 

Com a ajuda de técnicos da Abin e de especialistas de fora do governo, conseguiu-se “quebrar a senha” da quadrilha. E o servidor foi recuperado.

 

Segundo Mandarino, “o caso está sob investigação” da Polícia Federal. Ele se eximiu de revelar detalhes do inquérito.

 

2. O segundo ataque revelado por Mandarino na Câmara “ocorreu no site de um órgão brasileiro no exterior”.

 

“De repente, houve um grande aumento no número de acessos a esse site. O órgão ficou muito feliz, mas...”

 

“...Mas descobrimos que, dentro do site havia ferramentas de ataques bancários internacionais, vindas de países com muito conflito com seus vizinhos”.

 

3. O terceiro episódio transpôs para dentro dos computadores do governo brasileiro o embate travado, no Oriente Médio, entre judeus e palestinos.

 

“[...] O servidor de um grande órgão público foi usado como difusor de propaganda, tanto para um lado como para o outro...”

 

“...Como era um servidor muito grande, com imensa capacidade, ele foi invadido por um dos lados para difundir propaganda...”

 

“...O outro lado descobriu, pelo IP, o endereço, invadiu também e fez uma contrapropaganda. [...] Esse servidor serviu aos dois lados”.

 

4. Por último, Mandarino revelou “uma coisa novíssima”, detectada pelo GSI na semana anterior.

 

Disse que portais de prefeituras vêm sendo sistematicamente invadidos entre 11 da noite e quatro da madrugada. São, “em média, seis invasões por noite”.

 

Vindos do exterior, esses ataques injetam nos computadores das prefeituras “filmes piratas, fitas pornográficas e de pedofilia”, além de propaganda política.

 

“O que percebemos são os hits muito altos. Quando se consegue chegar perto, a coisa já desapareceu”, encerrou Mandarino.

Escrito por Josias de Souza às 05h24

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Avalanche de ações faz TJ criar plantão de saúde

 

- Folha: Bancos públicos cortam mais juros do que os privados

 

- Estadão: Lula vai tirar Dilma de cena e reforçar blindagem

 

- JB: Gripe suína muda rotina em teatros e academias

 

- Correio: A Meca do consumo

 

- Veja: Desmascarado

 

- Época: As 100 melhores empresas para trabalhar

 

- IstoÉ: Quando o exercício não emagrace

 

- IstoÉ Dinheiro: BB banca o jogo

 

- CartaCapital: Dilma vs. Lina

 

- Exame: O brilho da bolsa

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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República Federativa do Maranhão!

Tiago Recchia

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Mais de 2 milhões de brasileiros não têm documento

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Lula tornou-se um presidente terceirizado do PMDB

 Nani

 

O PMDB, como se sabe, é um partido 100% feito de déficit público. Está no poder para fazer negócios.

 

Exerce o comando à sua maneira, delegando tarefas. Introduizu na política uma prática comum às empresas: a terceirização.

 

Hoje, confia os afazeres da Presidência da República a Lula. Reserva para si apenas a tarefa de cobrar resultados.

 

Assim, o PMDB dispõe de mais tempo para mandar e desmandar no país. A estratégia já havia funcionado bem com FHC. 


Sob Lula, o PMDB alcançou a perfeição. O Planalto de fachada vagamente socialista resultou em ótimos negócios. 

 

De olho no mercado futuro de 2010, o PMDB diversifica seus investimentos. O partido já não se contenta com tudo. Quer mais um pouco.

 

Avessa ao risco, a legenda evita colocar todos os ovos num mesmo cesto. Aplicou um Quércia na apólice Serra e um Temer em Dilma.

 

Qualquer que seja o resultado do empreendimento eleitoral, a pantomima estará assegurada.

 

Ao expor os seus produtos na vitrine do horário eleitoral, PSDB e PT atacarão o tipo de política que o PMDB personifica.

 

De certo modo, será o PMDB esculhambando, por meio de seus terceirizados, o PMDB. Será o PMDB prometendo corrigir os erros que o PMDB cometeu.

 

E o país elegerá uma nova encenação. Um executivo do PMDB, que manterá tudo exatamente como está, com ares de quem muda absolutamente tudo.

Rendido à lógica negocial do PMDB, o PT protagoniza o caso mais dramático de flexibilização das fronteiras ideológicas.

 

À medida que Lula foi atualizando o guarda-roupa -do macacão até o Armani-, deslizou, quase sem sentir, para o outro lado.

 

Súbito, acordou de mãos dadas com Sarney e Renan. No princípio, houve certo pejo. Agora, Lula parece confortável no papel de terceirizado.

 

É como se o velho sindicalista tivesse se convencido de que quem ele era no passado não estava preparado para o sucesso.

 

Não tendo escrito nada, Lula esqueceu do que falava. Virou mais tucano que o próprio FHC. Mimetiza a edulcorada retórica do arranjo, do possível.


Lula abandonou as convicções que lhe emprestavam aquele ar de sapo-cururu. Acha que não deve nada ao seu passado, muito menos explicações.


Como administrador do balcão do PMDB, Lula barganhou a própria alma. Vendeu-a, sob a submissão do PT, aos ex-ladrões.

 

Lula esforça-se agora para aniquilar o que parecia restar de sua maior virtude: a presunção da superioridade moral.


Aproveitando-se do pano de fundo da decomposição do Senado, Lula integrou-se por inteiro à baixeza comum a todos os políticos.

 

Lula empenha-se para provar que é capaz de ceder a todas as abjeções políticas, inclusive a rendição às alianças esdrúxulas.


Além de aniquilar o PT, Lula vitimou a semântica. Deu à capitulação o nome de “governabilidade”.

 

A afronta ao léxico é a prova insofismável de que, em política, o cinismo também pode ser uma forma de resignação.

 

Lula tornou-se uma evidência viva de que, com o passar do tempo, qualquer um pode atingir a perfeição da impudência.

 

No mensalão, Lula e o PT haviam perdido a virgindade. No “Fica Sarney”, a ex-virtude prostituiu, no bordel do arcaísmo, o restinho de castidade.

 

O presidente sem-história oferece aos com-nódoas a oportunidade de limpar os prontuários. O passaporte para a remissão é a aliança com Dilma.

 

Incorporando-se à caravana, o PMDB, um partido a favor de tudo e visceralmente contra qualquer coisa, preservará os seus negócios.

 

Sobre a lápide do ex-PT, o velho PMDB manterá o acesso às verbas e aos cargos. A presidência, evidentemente, será mantida como parte da cota do Sarney.

 

- PS.: Ilustração via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Ameaça de retirada de apoio a Dilma salvou Sarney

Antônio Cruz/ABr

 

Local: CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), em Brasília. Dia: terça-feira (18), véspera da reunião do Conselho de (a)Ética do Senado.

 

Ricardo Berzoini, presidente do PT, expôs a um grupo de congressistas e ministros petistas a estratégia que o partido adotaria para salvar José Sarney.

 

Disse que estava em jogo no julgamento do conselho a sustentação da candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

 

O apoio do PMDB à candidata de Lula, disse Berzoini, não é fato consumado. Abandonando Sarney, o PT colocaria em risco o projeto.

 

Berzoini disse que expressava a opinião da direção do PT. Lorota. Seguia ordens de Lula. O presidente conversara reservadamente com Sarney.

 

Lula reunira-se também com Renan Calheiros, líder do PMDB e chefe da tropa de elite do presidente do Senado.

 

Sarney e Renan haviam se queixado da dubiedade do PT. Renan foi mais específico: dependeria do comportamento do petismo o apoio do PMDB a Dilma.

 

A reunião do CCBB serviu apenas para amarrar a estratégia definida nos dias anteriores. Berzoini prosseguiu:

 

O PT, disse ele, já dispõe de candidata e estratégia para a disputa de 2010. A oposição, ao contrário, está “dividida e sem rumo”.

 

A mídia, no dizer do presidente do PT, segue uma agenda anti-Lula: tenta grudar em Dilma a pecha de “mentirosa”, bate no PT e esconde as realizações do governo.

 

Diante desse cenário, concluiu Berzoini, é "essencial" manter a coesão do bloco governista e “segurar” o PMDB. Para isso, seria o PT, fiel da balança no conselho, teria de livrar a cara de Sarney.

 

O pano de fundo exposto por Berzoini fora tecido em conversas prévias dos ministros presentes ao encontro do CCBB.

 

São ministros filiados ao PT: a própria Dilma (Casa Civil), Tarso Genro (Justiça) e Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência).

 

Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, também tomou parte da conversa. Os auxiliares do presidente falaram pouco.

 

Os líderes do PT e do governo na Câmara –Candidato Vacarezza e Henrique Fontana—tampouco tinham muito a dizer.

 

O objetivo da reunião era o de acertar os ponteiros dos senadores do PT: Aloizio Mercadante e os três votantes do conselho: João Pedro, Ideli Salvatti e Delcídio Amaral.

 

Berzoini esmiuçou a estratégia. O partido providenciara um escudo para atenuar o desgaste eleitoral dos petês que livrariam a cara de Sarney.

 

Redigira-se uma carta do partido impondo aos senadores o voto pró-Sarney. O texto realçava a politização dos processos e recomendava o arquivamento.

 

Delcídio quis saber se a Executiva do PT aprovara o documento. Berzoini disse que não reunira a Executiva, mas ouvira os seus membros.

 

“E o Valter Pomar?”, inquiriu Delcídio, referindo-se a um dirigente petista de uma ala mais às esquerda.

 

Berzoini reproduziu a frase que ouvira de Pomar: “Ruim com Sarney, pior sem ele”. O líder Mercadante disse que exporia no conselho a sua opinião pessoal.

 

Uma posição que, dizia ele, era endossada pela maioria da bancada, contrária ao arquivamento em bloco das ações contra Sarney.

 

De resto, Mercadante levou à mesa uma ameaça. Terminada a sessão do conselho, renunciaria à liderança.

 

Berzoini, que já ouvira do líder o pretenso ultimato, respondeu com frieza. O exercício do posto de líder, disse ele, é “uma questão pessoal”.

 

Nem os ministros nem os congressistas presentes fizeram qualquer comentário. Definido o script, Berzoini fez uma segunda reunião.

 

Ali mesmo, no CCBB, dessa vez só com os senadores. Ficou combinado que caberia a Mercadante ler a carta do PT na abertura da reunião do conselho.

 

Acertou-se também que o líder realçaria a discordância pessoal e da bancada quanto ao arquivamento em bloco dos processos.

 

No dia seguinte, quarta-feira (19), João Pedro procurou Delcídio Amaral minutos antes do início da reunião do conselho: “O Mercadante não vai ler a nota”.

 

“Isso é uma palhaçada”, reagiu Delcídio, que transmitiu a novidade a Ideli. E ela: “Eu vou sumir, porque, se encontrar um jornalista, vou falar tanta merda!”

 

Coube a João Pedro ler a nota que Mercadante recusou-se a recitar, limitando-se a expressar, no microfone, a discordância dele e da bancada.

 

Chamados a votar, os três petês do conselho pronunciaram, longe do microfone, o “não” que livrou Sarney de 11 ações por quebra de decoro parlamentar.

 

Na mesma sessão, manteve-se no arquivo, com os votos do PT, a representação que o PMDB formulara contra o líder tucano Arthur Virgílio.

 

Seguiu-se uma reunião da bancada do PT. Delcídio e Idelli não deram as caras. Mercadante pôs o cargo à disposição.

 

Entre quinta e sexta, Mercadante protagonizaria a bazófia da renúncia que, anunciada como “irrevogável”, foi revogada depois de uma conversa com Lula.

 

O resgate de Sarney custou a humilhação do PT, a desmoralização de seu líder e a manifestação oportunista de um senador que já estava de saída da legenda, Flávio Arns: "O partido rasgou a página da ética".

 

Tudo isso num dia em que Marina Silva, ícone ambiental do petismo, bateu em retirada rumo ao PV.

 

Quanto ao apoio do PMDB à candidatura de Dilma, depende muito mais do desempenho da candidata e dos acertos que vierem a ser feitos nos Estados do que da vontade de Renan e Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 05h44

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Mantega conversou com Lina sobre ação dos Sarney

  Sérgio Lima/Folha
Além da suposta reunião com Dilma Rousseff, a ex-leoa Lina Vieira, reuniu-se com outra autoridade para tratar da fiscalização do fisco sobre os negócios dos Sarney.

 

A ex-secretária da Receita conversou sobre o tema com seu superior hierárquico, o ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Deve-se a informação ao repórter Alexandre Oltramari. Em notícia levada às páginas de Veja, ele informa o seguinte:

 

1. Mantega chamou Lina ao seu gabinete. Inquiriu-a sobre detalhes da ação do fisco sobre as empresas dos Sarney, comandadas por Fernando Sarney.

 

2. O ministro justificou o interesse pelo caso de forma singela: a movimentação dos auditores fiscais levara preocupação ao Palácio do Planalto.

 

3. Lina repassou ao chefe o dados de que dispunha. E, até onde foi possível apurar, Mantega deu o diálogo por encerrado sem fazer nenhum pedido.

 

4. Procurado pelo repórter, Mantega fez o oposto do que fizera Dilma: confirmou a reunião com a então chefe da Receita.

 

5. Mantega falou por meio do assessor de imprensa, Ricardo Moraes:

 

"O ministro quis saber a razão pela qual detalhes da investigação da Receita sobre o filho de Sarney estavam saindo nos jornais...”

 

“...Ele entende que a apuração, coberta por sigilo fiscal, não poderia estar vazando...”

 

“...Foi uma conversa normal entre um chefe e um subordinado sobre um assunto diretamente relacionado às atribuições dele".

 

6. Moraes também informou que o ministro não se recorda da data em que a conversa ocorreu.

 

7. Curiosamente, ao depor no Senado, na semana passada, Lina negara a existência da conversa que Mantega diz ter existido.

 

8. O senador Tasso Jereissati perguntara a Lina se havia conversado com Mantega sobre o caso Sarney. E ela: “Não”.

 

9. Pessoa próxima à ex-secretária diz que ela quis evitar, por questões de lealdade, que o ex-chefe Mantega fosse arrastado para o centro da polêmica.

 

10. Portou-se de forma diversa quando se referiu à chefe da Casa Civil. Confirmou que Dilma a chamara no Planalto, para pedir agilidade na fiscalização. Pedido que considerou "incabível".

 

11. O encontro, segundo ela, ocorrera em dezembro do ano passada, em data e horário que disse não lembrar.

 

12. A reunião com Mantega, na qual o ministro teria mencionado a inquietação do Planalto, injeta mais mistério num caso já por demais nebuloso.

 

13. Dilma manteve, depois do depoimento de Lina aos senadores, a sua versão. Não nega apenas o pedido de pressa. Sustenta que nem mesmo o encontro ocorreu.

 

14. A pedido do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), a Câmara solicitou ao Planalto cópia das imagens do circuito interno de vídeo da Casa Civil.

 

15. Imaginava-se que, por meio da obtenção das imagens, seria possível tirar a prova dos nove. Não vai dar, contudo.

 

16. Em nota divulgada nesta sexta (21), o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência disse que não dispõe mais das imagens de dezembro passado.

 

17. Alegou que as fitas são reutilizadas em período médio de 30 dias. Informou também que o Planalto não toma nota do número da placa dos carros oficiais.

 

18. Assim, descobriu-se que, além de inseguro, o sistema de “segurança” do Planalto é incapaz de dirimir a polêmica. É a palavra de Lina contra a de Dilma.

Escrito por Josias de Souza às 03h55

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Mercadante não consegue dizer ‘não’ para Lula e fica

 

- Folha: Mercadante atende a Lula e desiste de saída ‘irrevogável’

 

- Estadão: Mercadante é repreendido por Lula e desiste de sair

 

- JB: Desmatamento usa o trabalho escravo

 

- Correio: Cerco ao valioso mercado de jóias

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h46

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Depilação!

Ique

Via JB Online. Visiste também o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 03h44

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Eu Não me me sinto culpado de nada, afirma Sarney

Crise? Malfeitos? Nomeações? “Eu não me sinto culpado de nada”, disse José Sarney, com as dores de cabeça já devidamente engavetadas. 

Renuncia? Licença? “Vou continuar até o fim, não tenha dúvida disso”, declarou. Nem precisava dizer. Já está entendido que o Senado deseja que fique.

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Berzoini nega apelo de Lula pelo ‘fico’ de Mercadante

Lula Marques/Folha

 

Aloizio Mercadante disse que se desdisse porque Lula apelou para que ficasse. Conversaram durante cinco horas.

 

O ex-quase-futuro-ex-líder do PT leu, da tribuna, uma carta do presidente. No texto, Lula escreve que Mercadante é “imprescindível” à liderança.

 

“Fique”, anota a carta. “Esse é um pedido sincero de um velho amigo e sempre companheiro”.

 

Pois bem. Testemunha da longa conversa do Alvorada, Ricardo Berzoini diz que não ouviu nenhum apelo de Lula a Mercadatente.

 

"Eu nunca trato questões políticas como apelo. Foi uma conversa política. O presidente Lula manifestou que não havia razão para o senador deixar a liderança".

 

Vá lá que Lula e a direção do petismo queiram fulminar a imagem de Mercadante. Mas Berzoini também não precisa cuspir no túmulo.

 

Fica demonstrado que , no PT, só há um amigo verdadeiramente sincero: o amigo do alheiro. Tome-se o caso de Marina Silva.

 

Com a amizade já extremamente cansada dos companheiros, a senadora saiu antes que a luz fosse apagada.

 

Foi da esverdeada Marina, a propósito, o abraço mais afetuoso que o amarelão Mercadante recebeu nesta sexta (21).

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Lula deveria estabelecer uma cota de abate de petês

O ano de 2009 passará à história como o período em que o extermínio da ética petista, antes gradual, assumiu proporções alarmantes.

 

Logo, logo Lula terá de estabelecer cotas de abate de petistas, para evitar o massacre indiscriminado. Uma alternativa seria a criação de um santuário.

 

Um lugar que pudesse ser coabitado por micos-leões-dourados e por meia dúzia de velhos petistas recalcitrantes, membros da resistência heróica.

 

Haveria na porteira um aviso: Proibida a entrada de predadores como Sarney e Renan. Ao longo da trilha, outra placa de alerta:

 

“Favor não alimentar os petês. Eles recebem ração diária de ideologia socialista. Não estão preparados para engolir e digerir sapos”.

 

No coração do santuário, seria aberta uma clareira. Ali, estátuas de políticos que ajudaram a construir o ex-PT preservariam a memória do sonho morto.

 

Aloizio Mercadante teria, obviamente lugar de destaque. Coleciona feitos que justificam a conversão em estátua.

 

Todas as manhãs, o Mercadante do Senado, um ex-quase-futuro-ex-líder, sobrevoaria a própria escultura.

 

Como uma espécie de pardal de si mesmo, o Mercadante que revogou o “irrevogável” sujaria, com desenvoltura dialética, a própria testa de bronze.

 

Ao renunciar à renúncia, o líder vivo, autoconvertido em pobre-diabo, não fez jus à memória do jovem idealista que sobrevive na estátua por ser feita.

 

- PS.: Mercadante revogou o “irrevogável” num discurso de conteúdo penoso. Escorou o recuo numa carta de Lula. Quem ouviu oscilou entre o apoio protocolar e a condenação compadecida e a irritação incontida.

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Fundo musical para o caso de Mercadante com Lula

Escrito por Josias de Souza às 15h01

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Mercadante revê o irretratável e renuncia à renúncia

Escrito por Josias de Souza às 13h05

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Sarney: o Conselho de Ética é ‘tribunal de exceção’

Dois dias depois de ter sido brindado com o arquivamento de 11 ações, José Sarney animou-se escrever sobre os conselhos de (a)ética do Legislativo.

 

Em artigo levado às páginas da Folha, questiona a própria existência de tais colegiados. Chama-os de tribunais “de exceção”.

 

No miolo do texto, Sarney sustenta a tese de que a falta de decoro deve ser julgada por ministros do STF, não pelo Congresso.

 

Não faz referências diretas ao seu ex-drama. Mas, indiretamente, expõe as artimanhas que o livraram da grelha.

 

Anota que os "juízes" do Conselho de (a)Ética, assim, entre aspas, são parlamentares “escolhidos pela composição dos partidos políticos”.

 

Por isso, escreve Sarney, o conselho torna-se “um organismo julgador, sem as isenções de um juiz”.

 

Foi precisamente o que se deu no seu caso. Renan Calheiros, chefe da milícia congressual de Sarney, brindou o amigo com um tribunal de fancaria.

 

A começar pelo presidente, o suplente de suplente Paulo Duque (PMDB-RJ), convertido em engavetador-mor. A pergunta é:

 

Se Sarney acha que o “tribunal” deve ser isento, por que permitiu que Renan indicasse gente como Wellington Salgado, Almeida Lima e Gilvan Borges?

 

Ou por outra: Por que exigiu de Lula a domesticação dos petês com assento no colegiado?

 

Sarney queria ser julgado segundo as regras da empulhação, eis a resposta.

 

No artigo, o senador joga para a reforma política a aprovação de regra que transfira para o STF os julgamentos por quebra de decoro parlamentar.

 

Cabe mais um par de perguntas: Por que não modificar imediatamente a forma de compor o conselho, livrando-o da proporcionalidade das bancadas?

 

O que fazer com as denúncias que pipocam em ritmo diário, antes que chegue a reforma política que ninguém quer fazer?

 

Nesta sexta (21), a propósito, a mesma Folha que traz o artigo de Sarney veicula nova denúncia contra o senador.

 

A notícia vincula Sarney, de novo, à edição dos famigerados atos administrativos secretos. O que fazer? Decerto a platéia deve aguardar pela reforma política.

 

Aos que se dispõem a engolir e digerir, vai abaixo a a íntegra do artigo de José Sarney:

 

 

Um passo necessário

 

"Nos últimos debates sobre a crise no Senado, questionou-se a existência e o funcionamento de um Conselho de Ética que tem a atribuição de julgar os parlamentares pelos próprios parlamentares.

 

O senador José Agripino levantou a tese, e ela é relevante. Tem aflorado algumas vezes, e muitos são os que dela discordam, como o próprio líder do DEM.

 
A criação do Conselho de Ética é invenção recente, que não fazia parte de nossas casas parlamentares. Foi criado no Senado em 1993, pela resolução nº 20, e na Câmara dos Deputados em 2001, pela resolução nº 25. Não é 
uma norma de nosso direito constitucional.

 

A nossa Constituição diz apenas que, quando 'o procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar', perderá o mandato (artigo 55, parágrafo 2º) pelo voto secreto da maioria absoluta.


Os conselhos de ética incorporaram procedimentos legais usados em órgão de processo penal e têm tudo de uma corte de instrução e julgamento.

 

Ora, os 'juízes' são os próprios parlamentares, por sua vez escolhidos pela composição dos partidos políticos, tornando-se assim um organismo julgador, sem as isenções de um juiz.


Muitas vezes, os membros do Conselho de Ética se sentem desconfortáveis tendo de julgar os seus próprios colegas, numa violência à consciência ou às normas jurídicas. Transforma-se num tribunal partidário, em que cada partido tem que usar a norma de 'ação versus reação'.


Tal procedimento é de uma democracia atrasada, em que o mandato popular fica sujeito ao humor e idiossincrasia do embate político. Ninguém se comporta como um juiz e ninguém é juiz.

 

Cada um é um representante partidário que deseja a vitória do seu partido e não raras vezes quer a cabeça de um adversário. O resto a mídia se encarrega de fazer, também tomando partido e exigindo o voto, ameaçando da execração pública quem não se comportar de acordo com suas vontades e opiniões.


A nossa Constituição, no artigo 52, inciso II, diz ser 'competência privativa do Senado Federal [...] processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal'. Já ao STF compete (artigo 102) 'processar e julgar originariamente [...] os membros do Congresso Nacional'.


Ao Senado compete julgar os membros do Supremo, e a este, os membros do Senado. Nada mais justo, democrático e de respeito à soberania popular que o mandatário do povo, eleito pelo voto, tenha direito a um julgamento isento.

 

Assim, na reforma política, deve ser estabelecida a extensão desta norma, de membros de um Poder julgarem os do outro, que leva a se fazer sempre justiça, e não como hoje um tribunal político, um tribunal de exceção, um tribunal político partidário, como são os conselhos de ética".

Escrito por Josias de Souza às 05h59

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Se necessário, oposição irá ao STF contra neo-CPMF

Stock Images

 

O fantasma da recriação da CPMF voltou a assombrar a bancada da oposição nos corredores da Câmara.

 

PSDB e DEM armam barricadas na Congresso. De antemão, tucanos e ‘demos’ decidiram: se derrotados, recorrerão ao STF.

 

Deve-se a ressurreição do tema ao ministro José Gomes Temporão (Saúde). Alega que faltam-lhe recursos para combater a gripe suína.

 

Rebatizada de CSS (Contribuição Social para a Saúde), a nova CPMF consta de projeto aprovado no ano passado pela Câmara.

 

A votação ficou, porém, inconclusa. Faltou apreciar uma emenda pendurada no projeto pela liderança do DEM.

 

Filiado ao PMDB, Temporão arregaçou as mangas. Reuniu-se na última quarta (19) com deputados do seu partido.

 

O ministro expôs um quadro de penúria. E pediu empenho para a aprovação da CSS. A iniciativa conta com a simpatia do PT.

 

A simples perspectiva de que a nova contribuição salte da gaveta para o plenário deixou eriçada a oposição.

 

Na Câmara, a maioria do consórcio governista é acachapante. São reais as chances de aprovação. No Senado, nem tanto.

 

A nova contribuição incidiria sobre os cheques. A alíquota seria de 0,1%. Uma mordida menor do que os 0,38% impostos pela falecida CPMF.

 

Nem o argumento de que a nova taxa iria integralmente às arcas da Saúde sensibiliza tucanos e ‘demos’.

 

Passando na Câmara, o texto vao ao Senado. Uma Casa em que a maioria governista, por flácida, sujeita o governo a derrotas.

 

Porém, ainda que prevaleça também entre os senadores, o governo terá de brigar pela CSS no Supremo.

 

Em articulação com dissidentes do bloco governista, PSDB e DEM lograram enterrar a CPMF em dezembro de 2007.

 

O governo tramara esticar a vigência do imposto do cheque até 2011. Precisava de 49 votos. Só conseguiu levar ao painel eletrônico 45.

 

Num lance concebido à última hora, Lula enviara ao plenário do Senado uma carta em que se comprometia a aplicar a CPMF integralmente na Saúde.

 

Não colou. Agora, espera-se que cole.

Escrito por Josias de Souza às 05h09

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PSOL cogita protocolar no STF recurso contra Sarney

Como previsto, o líder do PSOL, José Nery (PA), recorreu à Mesa do Senado contra o arquivamento de ações nas quais José Sarney é acusado de malfeitos.

 

O recurso foi indeferido com a rapidez de um raio. À noite, já descera à gaveta. Nery informou ao colega Demóstenes Torres (DEM-GO) que irá ao STF.

 

Pretende pleitear no Supremo o que a direção do Senado lhe negou: que o engavetamento das ações seja submetido ao plenário da Casa.

 

São escassas as chances de êxito, eis o que descobriu um expoente da oposição que fez contato reservado com um ministro do STF.

 

O ministro informou que o tribunal tende a considerar que o tema diz respeito à economia doméstica do Senado.

 

Nessa hipótese, o mérito da petição não seria nem sequer analisado. Desceria automaticamente, também ali, ao arquivo.

 

Confirmando-se a previsão, Sarney estaria definitivamente livre das acusações que o assediam desde que foi eleito para sua terceira presidência, em fevereiro.

 

Das 11 ações que o Conselho de (a)Ética engavetou, o PSOL tenta reabrir cinco:

 

1. Participação de Sarney na edição de atos secretos administrativos secretos.

 

2. Favorecimento a uma do neto de Sarney em empréstimos consignados do Senado.

 

3. Desvio de recursos da Petrobras pela Fundação José Sarney.

 

4. Omissão de imóvel estimado em R$ 4 milhões em declarações à Justiça Eleitoral.

 

A exemplo do que ocorrera no Conselho de (a)Ética, os processos foram engavetados na Mesa com a ajuda de uma diligente mão companheira.

 

Coube à petista Serys Shlessarenko (MT), segunda vice-presidente do Senado, rubricar o despacho que indeferiu o recurso do PSOL.

 

Executando um script que fora elaborado na véspera, Serys escorou-se num parecer redigido por um consultor do Senado, o advogado Gilberto Guersone Filho.

 

O texto, endossado pela secretária-geral Claudia Lyra, anota que a resolução que regula o funcionamento do conselho, não prevê recursos ao plenário do Senado.

 

A pela de José Nery, único senador do PSOL, traz a assinatura de outros onze senadores. São eles: Cristovam Buarque (PDT-DF)...

 

...Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Kátia Abreu (DEM-TO), Renato Casagrande (PSB-ES), Jefferson Praia (PDT-AM)...

 

...Demóstenes Torres (DEM-GO), Marina Silva (sem partido-AC), Flavio Arns (PT-PR), Pedro Simon (PMDB-RS) e Álvaro Dias (PSDB-PR).

 

Nem sinal dos mandachuvas do PSDB e do DEM. Em privado, o líder ‘demo’ Agripino Maia classifica diz que o recurso, por inviável, é uma mera “presepada”.

 

A tropa de elite de Renan trazia sob o colete a prova de balas um recurso exigindo que também a ação contra Arthur Virgílio (PSDB-AM) fosse levada ao plenário.

 

A decisão expedita da petista Serys tornou o contra-ataque do pemedebê desnecessário.

 

Na noite de quarta, em entrevista ao blog, Jarbas Vasconcelos estimara que a bancada anti-Sarney seria reduzida a uma dezena de senadores.

 

Por muito pouco o tiro de Jarbas não acertou o olho da mosca. Tomada pelo número de signatários do recurso do PSOL, a turma do contra chega agora a 12.

Escrito por Josias de Souza às 04h34

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Para novo líder do PT, Lula quer suplente João Pedro

Fábio Pozzebom/ABr

 

Eleito com 10,5 milhões de votos, o senador Aloizio Mercadante (SP) deve ser substituído na liderança do PT pelo sem-voto João Pedro (AM).

 

Suplente do ministro do Alfredo Nascimento (Transportes), João Pedro é o preferido de Lula para exercer o comando da bancada petista no Senado.

 

Titular do Conselho de (a)Ética, João Pedro deu um dos três votos do PT que mantiveram na gaveta as 11 ações contra José Sarney.

 

Coube a ele também ler diante das câmeras a nota partidária que Mercadante se recusara a recitar.

 

Mercadante deve oficializar nesta sexta (21) a “irrevogável” renúncia que pretendia anunciar na tarde da véspera.

 

Adiou o anúncio a pedido de Lula, que o chamou para um tête-à-tête. A conversa ocorreu na noite passada. Entrou pela madrugada desta quinta.

 

A articulação para a escolha de um substituto para Mercadante fora iniciada 48 horas antes, na terça (18), véspera da fatídica sessão do Conselho de (a)Ética.

 

Informado pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), acerca da nota que o partido emitiria em defesa do “arquivo”, Mercadante levara a hipótese da renúncia à mesa.

 

Na quarta (19), Mercadante repisara o plano de deixar a liderança em reunião realizada no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), sede provisória do governo.

 

Participaram desse encontro os líderes do PT na Câmara e no Senado, os três senadores que votariam a favor de Sarney no conselho e seis autoridades.

 

Lá estavam os ministros petistas Dilma Rousseff (Casa Civil), Tarso Genro (Justiça)...

 

...E Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência); além de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula.

 

Berzoini expôs a tática da carta. Serviria de biombo para que João Pedro, Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS) invocassem a disciplina partidária para livrar Sarney da grelha.

 

Contrário à nota, Mercadante deixou claro que diria no Conselho que o texto não refletia nem a sua opinião nem a posição da maioria dos senadores petistas.

 

De resto, disse que entregaria o título de líder. Com uma pitada de mordacidade, Berzoini disse que o posto de líder envolve uma “decisão pessoal”.

 

"É assim para disputar e também para sair", acrescentou. Fez-se na sala um silêncio de cemitério. Ninguém se animou a pedir a Mercadante que revisse a decisão.

 

Àquela altura, o governo já tricotava o nome de João Pedro. Deve ser deglutido pelos dois pedaços da bancada petista –a ala pró-Sarney e o grupo dos contra.

 

Confirmando-se o nome de João Pedro, a liderança do PT passará a ser exercida, na prática, por Lula. O suplente dedica ao presidente uma fidelidade canina.

 

João Pedro deve a Lula a cadeira no Senado. Alfredo Nascimento, do PR, fora às urnas, em 2006, sabendo que seria guindado à pasta dos Transportes.

 

Lula pedira a Nascimento que fizesse do petista o seu primeiro suplente. Foi, obviamente, atendido. E o agrônomo João Pedro virou um senador sem votos em 2007.

 

Para Lula, a primeira missão do provável novo líder é desobstruir os dutos de comunicação do PT do Senado com a liderança do PMDB, exercida por Renan Calheiros (AL).

 

Mercadante e Renan vivem às turras. Dá-se o oposto com João Pedro, unido a Renan por uma dívida de gratidão.

 

Coube a João Pedro elaborar, no Conselho de (a)Ética, o parecer que livrou Renan de uma das acusações que lhe ameaçavam o mandato na crise de 2007.

 

No texto, o suplente petista recomendou que fosse mandada ao arquivo a denúncia de que Renan agira para beneficiar a cervejaria Schincariol.

 

Hoje, João Pedro cumpre no Senado outra missão. Com o beneplácito de Lula, preside a estratégica CPI da Petrobras.  

Escrito por Josias de Souza às 03h41

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Marina diz que governo Lula é insensível a causas sociais

 

- Folha: Insatisfeitos podem deixar PT, diz Lula

 

- Estadão: Sarney valida mais 45 atos e garante vaga para sobrinha

 

- JB: Cerco aos fumantes se espalha pelo país

 

- Valor: Empresas veem retomada gradual, sem investimentos

 

- Estado de Minas: Assombração perto do fim

 

- Jornal do Commercio: Justiça manda reabrir inscrições do Enem

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h30

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Marionetes!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Outro senador ameaça deixar o PT: Augusto Botelho

  José Cruz/ABr
Nas pegadas de Marina Silva (AC) e Flávio Arns (PR), um terceiro senador da bancada do PT ameaça deixar a legenda.

 

Chama-se Augusto Botelho (RR). Integra o grupo que defende a abertura de uma investigação contra José Sarney.

 

A exemplo de Arns, Botelho aproveita a confusão nacional, gerada pelo apoio do PT a Sarney, para acertar um passivo regional.

 

O senador enfrenta resistências no PT de Roraima para se viabilizar como candidato da legenda à reeleição, em 2010.

 

Em vez de Botelho, o PT acena com a hipótese de lançar para o Senado a deputada petista Angela Portela (RR). É uma situação análoga à de Arns.

 

No Paraná, Arns convivia com o risco de ser preterido na candidatura ao Senado pela mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), Gleisi Hoffmann.

 

A despeito da conotação paroquial, a eventual saída de Botelho alimentará a fogueira que arde sob a bancada do PT desde que o partido decidiu, por ordem de Lula, salvar Sarney.

 

Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT, tenta evitar que o "graveto" Botelho se converta em alimento para o fogo brasiliense.

 

Programou para a próxima semana uma reunião com o petismo de Roraima. Botelho está com a mão na fechadura.

 

Nos subterrâneos, diz que, desatendido, vai para outra legenda. É cobiçado pelo PDT, partido ao qual era filiado antes de sentar praça no PT.

 

Confirmando-se a nova baixa, o petismo do Senado, que já é pequeno –12 senadores— ficará reduzido a uma tropa de nove.

 

Nesta quinta (20), Lula deu de ombros para o derretimento: “Eu não vejo crise no PT”.  

 

Fez a declaração longe de Brasília. De volta à capital, reuniu-se com Aloizio Mercadante, que deixa o posto de líder graças à crise que Lula diz não existir.

 

Informado por Mercadante acerca da renúncia à liderança, Berzoini classificou o gesto de “erro”. Pediu reconsideração? Não, não. Absolutamente.

 

"Eu disse que acho um erro ele sair, o que é diferente de pedir para ele ficar", esclarece Berzoini, convidado para a reunião de Lula com Mercadante.

Escrito por Josias de Souza às 20h40

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PT do AC abre mão de reivindicar mandato de Marina

  Folha
O PT do Acre decidiu não reivindicar o mandato de senadora de Marina Silva, que deixou o partido e deve se filiar ao PV.

 

A decisão foi endossada por duas instâncias partidárias: o diretório Estadual e o da capital, Rio Branco.

 

Foi referendada também pelo principal beneficiário da eventual recuperação do mandato: o suplente Sibá Machado.

 

Sibá ocupara a cadeira de Marina no Senado no período em que a titular exercera o cargo de ministra do Meio Ambiente de Lula.

 

O petismo acreano levou à rede, nesta quinta (20), uma nota sobre a saída de Marina, formalizada na véspera.

 

O texto foi vazado em timbre respeitoso. Bem diferente do que fora divulgado pelo deputado cassado e ex-ministro José Dirceu (PT-SP).

 

Dirceu defendera a tese de que o PT nacional deveria reivindicar a devolução do mandato de Marina.

 

A beligerância de Dirceu não foi endossada pelo presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP), que rebarbou a sugestão.

 

Sabe-se agora que nem mesmo o suplente de Marina, maior interessado, dá ouvidos ao “mata e esfola” professado por Dirceu.

 

Coisa diversa pode ocorrer com Flávio Arns (PR). Diferentemente de Marina, Arns deixa o PT chutando a porta.

 

Disse que, ao retirar José Sarney da grelha do Conselho de (a)Ética do Senado, o PT “jogou a ética no lixo”.

 

Evocando as origens de Arns, Berzoini diz que o senador é um ex-tucano que jamais se ajustou completamente ao PT. Não exclui a hipótese de brigar pelo mandato dele.

 

Com maior tenacidade do que fizera com Marina, Dirceu foi à jugular Arns. Tachou de “patético” o comportamento do senador.

 

Acusou-o de exibir indignação seletiva: Envergonha-se da absolvição de Sarney, “mas não se envergonha do arquivamento das denúncias contra Artur Virgilio”.

 

Arns reagiu. Disse que faltam a Dirceu "critério ético e transparência" para condená-lo. "O ex-ministro está em descompasso com o que pensa a sociedade”.

 

Atuando como coadjuvante de Lula, Dirceu atuou ativamente nos subterrâneos pelo arquivamento das ações contra Sarney. 

Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Lula compara oposição a ‘doença que não tem cura’

Um dia depois de ter convertido o Senado num puxadinho do Planalto, Lula aproveitou uma viagem ao Rio Grande do Norte para fazer troça da oposição.

 

De passagem pelos fundões do Estado de José Agripino Maia, líder do DEM; e de Lina Vieira, ex-secretária da Receita, Lula disse:

 

“Uma oposição quando não tem argumento para fazer oposição, é pior do que doença que não tem cura...”

 

“...É pior porque eles ficam inventando qualquer coisa, vale qualquer coisa, para fazer ataque às pessoas”.

 

Lula não engoliu a acusação de Lina Vieira contra Dilma Rousseff. Tampouco digeriu a manobra urdida pelo DEM para prover palco à ex-leoa no Senado.

 

“Eu tô naquela fase da minha vida que é o seguinte: enquanto os cães ladram a caravana passa. E eu tenho que governar este país”.

 

Na semana passada, reunido com o PSB de Ciro Gomes, Lula dissera que a “oposição não tem discurso” para 2010.

 

Num instante em que os primeiros acordes começam a soar na gafieira sucessória, Lula anima-se a convidar os adversários para a contradança.

 

Sob o silêncio de Serra e Aécio, dois presidenciáveis que fazem tudo, menos oposição, PSDB e DEM levam Noel Rosa à vitrola: “Com que roupa?”

Escrito por Josias de Souza às 17h01

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Chamado por Lula, líder adia discurso de ‘renúncia’

  Alan Marques/Folha
O ministro José Múcio (Coordenação Política) telefonou há pouco para o senador Aloizio Mercadante. Era portador de um recado de Lula.

O presidente pediu a Mercadante que não formalizasse a renúncia à liderança do PT antes de conversar com ele.

E o senador decidiu adiar o discurso que programara para a tarde desta quinta (20). “Devo isso ao presidente”, diz Mercadante.

Vai dar meia-volta? “Não, a minha decisão está tomada”. Lula está fora de Brasília. Cumpre agenda no Rio Grande do Norte. Só volta à Capital no final do dia.

Deve avistar-se com Mercadante ainda nesta quinta. O senador imaginou que sua conversa com Lula poderia ser telefônica.

Porém, Múcio informou a Mercadante que o presidente quer conversar pessoalmente. Assim, Mercadante optou por adiar o discurso.

De renunciante "irrevogável", voltou à condição de quase-futuro-ex-líder-do-PT.

Escrito por Josias de Souza às 13h53

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Mercadante deixa a liderança do PT: ‘É irrevogável’

  Ag.Senado
O senador Aloizio Mercadante subirá à tribuna do Senado na tarde desta quinta (20).

 

Anunciará a renúncia, “em caráter irrevogável”, à liderança do PT.

 

Eis o que disse Mercadante ao blog: “O governo Lula é um grande êxito econômico e social. Tem acertos notáveis...”

 

“...Mas vem cometendo erros políticos que precisam ser corrigidos. Creio que é possível corrigir...”

 

“...Fora da liderança, eu me sinto em melhores condições, me sinto mais à vontade para travar essa luta”.

 

Da tribuna, Mercadante fará, segundo diz, “um discurso bem objetivo”, de timbre emocional: “Vou falar com o coração”. Acrescenta:

 

“Meu movimento é para fortalecer a militância do PT. Acho que ela tem que se levantar. Sei que o sentimento dela é próximo do meu. Temos uma história a zelar”.

 

A decisão de Mercadante chega 24 horas depois de o PT ter ajudado a salvar José Sarney no Conselho de (a)Ética do Senado.

 

Sob determinação de Lula, a direção do PT fechou questão a favor do arquivamento das ações contra Sarney.

 

Mercadante encaminhava uma saída diferente. Costurava a reabertura de pelo menos uma das 11 ações impetradas contra Sarney.

 

Já na noite passada, o senador falava como um quase-ex-líder-do-PT. Acordou decidido. Pendurado ao telefone, Mercadante pôs-se a comunicar a novidade aos senadores petistas.

 

Telefonou também para dirigentes do partido. No instante em que falou ao blog, ainda não lograra fazer contato com Ricardo Berzoini, presidente do PT.

 

De resto, Mercadante teve a liderança de avisar ao governo. Não falou com Lula. É possível que ainda fale antes do discurso.

 

Além de deixar a liderança do PT, Mercadante deixará de exercer as funções de líder do bloco do governo no Senado (PT, PSB, PCdoB e PRB).

Escrito por Josias de Souza às 12h18

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PSOL recorrerá contra arquivamento do caso Sarney

Pedido será protocolado junto à Mesa diretora do Senado

Irritada, a tropa de Renan anuncia recurso contra Virgílio

 

  José Cruz/ABr
À revelia das cúpulas do PSDB e do DEM, o PSOL decidiu lançar mão de um último recurso para tentar submeter José Sarney a uma investigação.

 

O líder do PSOL, José Nery (PA, na foto), coleta assinaturas para recorrer à Mesa do Senado contra as decisões do Conselho de (a)Ética.

 

No texto, vai pedir que seja submetido ao plenário do Senado o arquivamento coletivo das 11 ações formuladas contra Sarney.

 

Líder de si mesmo, Nery precisa de nove assinaturas. No final da noite passada, já havia coletado oito jamegões.

 

Outros 12 senadores prometeram acomodar suas rubricas no documento do PSOL. Entre eles tucanos e 'demos'.

 

Abespinhado com a adesão de senadores do PSDB e do DEM à iniciativa, Renan Calheiros, líder do PMDB, urdiu o contragolpe.

 

Em diálogo com um mandachuva do DEM, Wellington Salgado (PMDB-MG), membro da milícia congressual de Renan, informou o seguinte:

 

1. Se o recurso anti-Sarney for à Mesa, será respondido com um pedido para que o plenário analise também o arquivamento da ação contra Arthur Virgílio.

 

2. A peça que trata do líder tucano está pronta e assinada. Já dispõe dos nove signatários exigidos.

 

Renan e seu grupo sustentam que o recurso do PSOL não tem amparo legal. Alegam que o regimento do Conselho de (a)Ética não prevê recurso.

 

Porém, o ‘demo’ Demóstenes Torres (GO) elaborou um estudo que conduz a outra conclusão.

 

Promotor licenciado e presidente da Comissão de Justiça do Senado, Demóstenes baseia o seu parecer no artigo 254 do regimento do Senado.

 

Prevê que 1/10 dos senadores pode recorrer ao plenário contra decisões tomadas pelas comissões permanentes do Senado.

 

O Conselho de (a)Ética não se confunde com uma comissão, rebate Renan, também munido de parecer técnico.

 

Por analogia, a regra que vale para as comissões aplica-se também ao conselho, Demóstenes replica.

 

A pendenga terá de ser dirimida pela Mesa do Senado, um colegiado em que Sarney dispõe maioria. Ou seja, flerta-se, de novo, com a gaveta.

 

Nery informa que, indeferido o recurso, recorrerá ao STF. Ali também são pequenas as chances de êxito.

 

Consultado por expoente da oposição, um ministro do Supremo disse que, se acionado, o tribunal tenderá a desconsiderar o recurso.

 

Alegará que se trata de matéria relativa à economia doméstica do Legislativo.

 

As cúpulas do PSDB e do DEM torcem o nariz para a iniciativa de Nery.

 

Argumentam que o recurso do PSOL, além de fadado ao insucesso, estica desnecessariamente o calvário de Arthur Virgílio.

 

Nery e os adeptos do recurso argumentam que é preciso marcar uma posição política contra as decisões que livraram Sarney da grelha.

 

Ainda que seja apenas para impor a Sarney e ao grupo dele alguns dias a mais de noticiário acerbo. Ou seja: segue a pantomima.

Escrito por Josias de Souza às 06h09

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Jarbas: grupo anti-Sarney ‘pode ser reduzido a dez’

José Cruz/ABr

 

Dissidente do PMDB e ferrenho opositor de José Sarney, Jarbas Vasconcelos (PE) ruminava na noite passada “o gosto amargo da derrota”.

 

Em entrevista ao blog, revelou-se decepcionado com o esfriamento dos ânimos da oposição. “É claro que o arrefecimento é ruim. Pode levar à desmotivação”.

 

De sua parte, diz que vai “continuar falando”. Acha que não ficará só. Mas reconhece:

 

“Pode ser reduzido a algo como dez senadores” o grupo disposto a continuar deblaterando conta o bloqueio às investigações no Senado.

 

“O importante é que esse grupo, ainda que não chegue a uma dezena, vai fazer tudo para que as coisas não passem em branco”.

 

Abaixo, a entrevista:

 

 

- Houve acordo?

Até onde pude acompanhar o processo, não vi acordo. Até porque havia uma consciência de que isso levaria a oposição à desmoralização.

- Mas houve um recuo no discurso, não?

Houve. Atribuo esse recuo à desarticulação da oposição. Temos uma organicidade reduzida demais.

- Se não houve acordo, o que aconteceu?

A gente ficou na dependência do PT, que ziguezagueou o tempo todo. A vitória de Sarney deve ser creditada ao PMDB e a Lula. O PMDB fez ameaças a Lula, que interveio no PT.

- E quanto ao comportamento da oposição?

Ela continua tímida e desorganizada. Isso também influenciou muito. Essa onda de acordão não surgiu do nada. A oposição deu ensejo a isso quando arrefeceu e permitiu que fossem criados hiatos no processo. O esforço precisa ser contínuo.

- Que análise faz do resultado?

Com esse Conselho de Ética, estava claro que a gente não conseguiria nada. Tínhamos cinco votos num universo de 15. E do lado de Sarney havia uma tropa de choque agindo fora de todos os limites.

- A ação da tropa de choque levou à contemporização, não?

Tive essa impressão também. Mas a nossa desorganização contribuiu muito para o desfecho. E veio a tibieza do PT. Hora nenhuma o PT deixou claro que se insubordinaria às ordens de Lula. O PT jogou muito mal.

- Poderia ter jogado de outro jeito?

Claro que sim. Veja a situação da bancada do PT. Ficou em frangalhos. A manifestação do senador Flávio Arns [PT-PR], homem tradicionalmente moderado, diz tudo. Ele não suportou o quadro que viu.

- A crise vai murchar?

Não. Esse resultado expôs ainda mais as entranhas do Senado. A estratégia de Sarney pode dar a ele alguma sobrevida, não vida eterna.

- Por que não?

As denúncias não vão parar. Boa parte das notícias foi feita com base em investigação da Polícia Federal. Não foi a oposição que inventou. Mantendo-se esse quadro de denúncias, o Senado ficará em situação mais vexatória.

- Acha que a oposição está disposta a esticar a corda?

Não creio. O DEM, para chegar onde chegou, não foi fácil. O Agripino [Maia] fez das tripas coração. O partido tem muitas pessoas ligadas a Sarney.

- Não se sente frustrado?

Muito frustrado. É uma decepção profunda. Um gosto amargo de derrota. Mas tenho a consciência de que estamos contribuindo para expor o que é o Senado, uma Casa que clama por reformulação.

- Não receia ficar falando sozinho?

Vou continuar falando. Acho que sozinho eu não fico. Mas mesmo que fique com alguns poucos, acho que é importante a gente continuar falando. Isso não é ser cavalo do cão nem dom Quixote. É claro que o arrefecimento é ruim. Pode levar à desmotivação. Mas não creio que um pequeno grupo continuará na briga.

- Vai assinar o recurso contra o arquivamento das ações?

Já assinei. Seria muito importante que DEM e PSDB também assinassem. Mesmo que não fossem todos, mas a maioria das duas bancadas.

- Não acha curioso que a iniciativa do recurso tenha partido do PSOL?

O ideal era que não fosse comandado pelo PSOL. A iniciativa deveria ter sido de um grande partido.

- Fica claro o arrefecimento da oposição, não?

Sim, claramente. O que é uma pena. Sempre externei esse receio nas nossas minhas conversas. Disse que, se a leitura da imprensa fosse a de que tinha havido um acordo, isso nos desmoralizaria. Se a gente não tivesse jogado todas as fichas no PT, esse cheiro de acordão não teria chegado perto da oposição. Perdemos porque o PT, sob ordens de Lula, negou seus três votos no conselho.

- Não lhe parece que o cheiro de acordo se deve ao recuo da oposição diante das ameaças do PMDB de Renan Calheiros?

Ficou, de fato essa impressão. O próprio discurso de Tasso Jereissati, feito há 15 dias, deixou essa impressão. Ele foi à tribuna para pedir desculpas. Chegaram a noticiar que tinha se desculpado com Renan. Uma inverdade. Ele se desculpou à sociedade por ter se deixado envolver num episódio lamentável. A investida de Renan e Collor contra Simon também deixou amedrontada muita gente. Tudo isso somado à nossa desorganização e às intervenções antiéticas de Lula levaram a esse resultado desastroso.

- Sarney disse que o Senado voltará ao normal. Concorda?

O Sarney diz cada coisa! É claro que não vai voltar ao normal. Não creio que ele vá presidir a Casa como se nada tivesse acontecido. As denúncias não vão estancar.

- Que tamanho terá agora a bancada anti-Sarney?

Nesse ‘day after’, não podemos fingir que nada aconteceu. Pode ser que alguém desapareça do processo. Certamente teremos perdas. Mas não creio que haja recuo de pessoas como Demóstenes Torres, eu e Pedro Simon, Tião Viana, Cristovam Buarque, Álvaro Dias, José Nery e outros.

- Sua lista traz sete nomes. Não é pouca gente?

Torço para que o grupo seja maior, mas reconheço que pode ser reduzido a algo como dez senadores. O importante é que esse grupo, ainda que não chegue a uma dezena, vai fazer tudo para que as coisas não passem em branco. Insisto: Não se pode fingir que nada aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 04h44

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Mercadante: ‘Minha disposição é de sair da liderança’

  Fábio Pozzebom/ABr
Desautorizado pela direção do PT e sob críticas de Lula, Aloizio Mercadante é, hoje, um líder em litígio com a cadeira.

 

Em menos de 48 horas, pôs o cargo “à disposição” da bancada duas vezes. Acena com a hipótese de tomar uma decisão nesta quinta (20).

 

Na noite passada, falava como um quase-ex-líder. Em entrevista ao blog, Mercadante declarou:

 

“A minha disposição é de sair da liderança. Pra mim, o posto de líder tornou-se um sacrifício político e pessoal muito grande”.

 

Abaixo, a entrevista:

 

 

- Por que se recusou a ler a nota do PT no Conselho de Ética?

Queriam que eu lesse a nota. Poderia ter lido. Mas a nota está assinada pelo [Ricardo] Berzoini [presidente do PT] e não expressa a minha posição.

- Qual é a sua posição?

Minha posição é a da maioria da bancada do PT. Éramos contra o arquivamento de todas as ações em bloco. Defendíamos a apuração dos casos que dizem respeito ao Senado, como os atos secretos.

- Essa fórmula é endossada por quantos senadores?

Na reunião da bancada [realizada nesta quarta (20)], seis senadores sustentaram essa posição. Antes, havia também a Marina, que deixou o partido, e o Flávio Arns, que sinalizou a saída.

- Por que não renunciou à liderança?

Eu expus à bancada a minha avaliação política de que deveria deixar a liderança. A posição da bancada foi desconsiderada no final. O partido tinha apoiado o nosso encaminhamento. Depois, houve essa mudança importante.

- Por que permanece líder?

Eu disse à bancada: não quero mais ficar na liderança, não me sinto em condições. Os sete senadores presentes me pediram: Não faça isso, especialmente nesse momento de crise da bancada.

- Cedeu aos apelos?

Eu disse: meu cargo continua à disposição. Ficou em aberto. A minha disposição é de sair da liderança. Pra mim, o posto de líder tornou-se um sacrifício político e pessoal muito grande. O líder tem que pagar um preço pela situação criada. Sou responsável pela indicação dos membros do Conselho de Ética.

- Sente-se desautorizado?

Houve uma decisão partidária que se sobrepôs à bancada.

- É normal?

A bancada é uma instância partidária. Estatutariamente, ela é subordinada à direção partidária. E a direção tomou uma decisão diferente da nossa.

- Em nome da ‘governabilidade’, o governo interveio. Havia alternativa?

Acho que havia um risco grande para o governo, que tem maioria precária no Senado. Haveria abalos à base de sustentação. Mas havia uma saída, que lutei para construir. Durante um período, tive apoio de muitas lideranças da base do governo e do partido.

- Lula errou ao sair em socorro de Sarney?

Não falo do presidente. Digo que o governo tem uma coligação de 11 partidos. Precisa de estabilidade, que vem com os votos no parlamento. A correlação de forças é muito difícil. Mas a bancada do PT é uma instância do partido e precisa ser respeitada. Nem sempre a posição do governo tem que ser a posição da bancada. Nesse episódio não foi.

- Flávio Arns disse que o PT jogou a ética no lixo. Concorda?

Não concordo com essas expressões. Elas simplificam o problema. Estão motivadas por uma decisão política do Flávio Arns de sair do partido. Decisão que já estava sendo construída antes desse episódio. Do mesmo modo que a Marina [Silva] saiu hoje, mas a decisão não está vinculada a esse episódio.

- A oposição diz que o PT salvou Sarney. O que acha?

A oposição mudou de atitude ao longo da crise. Fez uma inflexão no comportamento. Alguns senadores sequer foram votar. Fizeram um entendimento em relação a encaminhamentos.

- Houve um acordo?

Lógico que houve um entendimento entre a oposição e o PMDB. As decisões do Conselho de Ética são resultado desse entendimento. Não conheço os termos. Não participei.

- Mas, efetivamente, os três votos do PT salvaram Sarney, não?

A oposição tenta fazer desse episódio uma luta político-eleitoral, para desgastar o governo.

- Está funcionando, não?

Há dificuldades. O DEM é parceiro do PMDB em toda a gestão do Senado. Nos últimos 14 anos, eles sempre estiveram ou na presidência ou na primeira-secretaria. A administração da Casa sempre esteve sob a responsabilidade do DEM e do PMDB. Além disso, o DEM elegeu o Sarney. Quem se opôs ao Sarney fomos nós e o PSDB.

- Faz uma distinção entre DEM e PSDB?

A oposição está dividida nesse processo, sempre esteve. A base do governo também está dividida. É preciso distinguir o PSDB do DEM em todo o processo.

- Qual é a diferença?

A diferença é que os tucanos não votaram no Sarney e nunca tiveram uma responsabilidade direta na administração do Senado.

- Mas o PSDB não fez também uma inflexão no discurso?

Sim. Aconteceu. Eles ficaram muito expostos e fragilizados.

- Que futuro antevê para o Senado?

Vejo um cenário de muitas dificuldades. A crise não será superada com esse encaminhamento. Por isso defendíamos que houvesse investigação daquilo que diz respeito ao Senado. Identificaríamos responsabilidades e construiríamos caminhos.

- Para Sarney, o Senado retomará a normalidade. Concorda?

Não. Arquivar todos os processos e imaginar que a crise passou é um grande equívoco. O tempo vai mostrar. Para resolver a crise precisava investigar, identificar responsabilidades, cortar despesas e reformar. A normalidade só vai voltar quando o Senado restabelecer as suas relações com o sentimento do povo brasileiro. Com essa decisão, a relação não está reconstituída.

- Receia que a crise do Senado lhe imponha custos eleitorais?

A crise impõe custos a todos os senadores. Mais para aqueles que defendem a saída que prevaleceu. Mas, como disse, a crise não acabou. É um processo em curso. Muita coisa vai acontecer.

- Mantendo-se na liderança do PT, o custo não aumenta?

Politicamente e do ponto de vista pessoal, o melhor caminho é me afastar da liderança. E essa não é uma hipótese descartada.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Absolvição de Sarney e saída de Marina estremecem o PT

 

- Estadão: PT ajuda a engavetar caso Sarney e entra em crise

 

- JB: Economia global já está de volta à estabilização

 

- Correio: A estrela estilhaçada

 

- Valor: Crise nas usinas favorece empresas de combustível

 

- Estado de Minas: 2.545 novas vagas no serviço público

 

- Jornal do Commercio: Sarney é absolvido com a bênção do PT

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

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Boca-a-boca!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Sarney ‘safisteito’: ‘Acho que vai normalizar a Casa’

  Lula Marques/Folha
Resgatado pela tropa de Renan Calheiros, com o auxílio da cavalaria do PT, José Sarney se diz satisfeito.

 

"Acho que todos estamos [satisfeitos] porque ultrapassamos uma fase". O morubixaba do PMDB faz uma aposta: "Acho que vai normalizar a Casa".

 

É insuportável a normalidade que impregna a atmosfera do Senado. Algo de muito anormal precisa suceder.

 

Sob pena de a platéia tomar por natural o que é absurdo. Quem não quiser perder a compreensão do que se passa deve levar em conta o seguinte:

 

Sarney tornou-se prisioneiro de um paradoxo. Prometem a modernização do Senado de braços dados com o arcaísmo.

Escrito por Josias de Souza às 23h49

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Marina Silva deixa o PT no dia da rendição a Sarney

Depois de 30 anos de militância, a senadora Marina Silva (AC), deixou o PT.

 

A pedra estava cantada há semanas. Mas Marina escolheu a dedo o seu Dia D.

 

A despedida se dá no instante em que o petismo se rende a José Sarney.

 

Por uma dessas ironias da política, Marina se encaminha para o PV.

 

Um PV que tem como expoente Zequinha Sarney (MA), filho do indigitado.

 

Marina endereçou uma carta ao presidente do PT, Ricardo Berzoini (leia).

 

Depois, deu entrevista coletiva (assista lá no alto um pedaço do que foi dito).

 

Sobre a candidatura presidencial, simulou mistério: “posso ser ou não”.

 

Bobagem. Já é. Por ora, a julgar pelo Datafolha (3%) é candidata à derrota.

 

Mas, pendurada numa biografia respeitável, é provável que escale os índices.

 

Parece improvável que ganhe. Mas talvez enriqueça um debate que parecia monopolizado por PT e PSDB.

 

De resto, Marina conspurca os planos de Lula de converter 2010 numa disputa plebiscitária.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Em meia hora, Senado 'arquiva' crise de seis meses

Sérgio Lima/Folha

 

O jogo, como se sabe, estava jogado. O Conselho de (a)Ética consumou nesta quarta (19) a pantomima que se esboçava há duas semanas.

 

Conforme antecipado aqui, de madrugada, o velório do Senado terminou sem defunto. Ou, por outra, foi à cova o próprio Senado.

 

Em escassos 30 minutos, o conselho fulminou acusações que eletrificaram o plenário do Senado por mais de seis meses, desde fevereiro.

 

Por nove votos contra seis, mantiveram-se na gaveta as 11 ações protocoladas contra José Sarney (veja aqui como votaram os conselheiros).

 

Por unanimidade, arquivou-se a ação solitária que o PMDB abrira contra o líder tucano Arthur Virgílio.

 

Enredado pelas teias da oposição e pelos desígnios de Lula, o PT cumpriu no teatro do Senado o papel de salvador de Sarney.

 

Em nota, Ricardo Berzoini reduziu a reles luta política o que a sociedade enxergara como esforço moralizador. Coube ao petê João Pedro (AM) ler o texto no conselho.

 

Escondidos atrás do escudo da posição partidária, os três petês com direito a voto no conselho votaram com a gaveta.

 

Pedro Simon (PMDB-RS) realçou o inusitado: o petismo abraçou-se aos ex-algozes Sarney e Fernando Collor no dia em que Marina Silva bate em retirada.

 

Simon desdenhou da nota de Berzoini. Viu no presidente do PT um mero coadjuvante. O diretor da cena, disse ele, é Lula.

 

Flávio Arns (PT-PR), acomodou a lápide sobre os restos do que sobrara do velho PT.

 

“Tenho que me envergonhar daquilo que o meu partido fez. O PT rasgou a página fundamental da sua constituição, que é a ética...”

 

“...Pegou a folha da ética e jogou no lixo. Vai ter que achar outra bandeira, que não existe. A ética foi jogada no lixo pelo PT...”

 

“...Particularmente com a nota do seu presidente, recomendando que a ética fosse jogada no lixo”.

 

Com a declaração de Arns, os senadores do PSDB e do DEM, ficaram como que desobrigados de fustigar o petismo.

 

 

Tucanos e ‘demos’ votaram pelo desarquivamento das ações contra Sarney menos pela convicção e mais por cálculo político.

 

Sabendo-o salvo, a oposição se opôs a Sarney para que o strip-tease ético do petismo fosse levado às últimas consequências.

 

Diferentemente de Sarney, que não deu as caras no conselho, Virgílio fez questão de cumprir um ritual mínimo.

 

O líder tucano leu, da bancada do conselho, sua peça de defesa. Repisou o que dissera em plenário.

 

Presente, Renan Calheiros, capo do PMDB e chefe da milícia congressual pró-Sarney, foi ao microfone para dizer que se dava por “satisfeito”.

 

A voz de Renan ecoou na sala do conselho como um desarmar de gatilho. Uma vez arrancado Sarney da grelha, a chantagem fizera-se desnecessária.

 

Estava consumada a ópera bufa. A reunião do conselho prosseguiu. Melhor que a cortina tivesse sido baixada.

 

Mas o Senado estava decidido a flertar com o caos. E, nesse enredo, a tortura à platéia é algo essencial.

 

A tropa de Sarney festeja o triunfo embriagada pela ilusão. Imagina ter "arquivado" a crise. Engano. Ela continua sentada na cadeira de presidente do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Mercadante reúne bancada para entregar a liderança

  Alan Marques/Folha
Nas pegadas do funeral do Conselho de (a)Ética, Aloizio Mercadante convocou os senadores da bancada do PT para uma reunião.

 

Mercadante antecipou a alguns senadores a pauta do encontro: vai oficializar a renúncia ao posto de líder do PT.

 

Sentiu-se desautorizado pela direção do partido que, em nota, determinou aos três petistas do conselho que votassem pelo arquivamento das ações contra Sarney.

 

Como líder, Mercadante encaminhara posição diversa. Em notas referendadas por sua bancada, defendera a licença de Sarney e a apuração dos malfeitos.

 

Em contatos com a oposição, indicara que ajudaria a abrir pelo menos uma das 11 ações que tramitavam contra Sarney no Conselho de (a)Ética.

 

Parte dos senadores do PT vai à reunião disposta a apelar a Mercadante que recue, que permaneça na liderança. Se der ouvidos aos apelos, Mercadante será candidato à desmoralização.

 

- Atualização feita às 20h03: Mercadante realizou a reunião, ouviu os apelos e, por ora, continua líder. Um erro. Já não lidera a bancada, agora sob intervenção de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 17h59

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Teatro do Senado mostra do que é feito um senador

  Lula Marques/Folha
A pesquisa Datafolha veiculada no último final de semana gritara para o Senado: Há uma fome de limpeza no ar.

 

Nada menos que 74% dos brasileiros defendem o afastamento de José Sarney –por renúncia (38%) ou licença (36%).

 

Descobriu-se que, na opinião de 66% dos patrícios, Sarney está envolvido nos malfeitos que o noticiário acomoda sob seu bigode.

 

Nesta quarta (19), nas pegadas do ronco do asfalto, o Conselho de (a)Ética reúne-se para decidir o que fazer com Sarney.

 

Não é uma decisão banal. Os senadores dirão ao país de que matéria-prima eles são feitos. O palco foi armado para o arquivamento.

 

Respirava-se na noite passada uma atmosfera de jogo jogado.

 

Ensaiava-se a manutenção na gaveta de 12 ações –11 contra Sarney e uma contra Arthur Virgílio.  

 

Na época das Diretas-Já, o brasileiro bradava por liberdade.

 

Refeita a democracia, imaginou-se que o voto resolveria tudo. Não resolveu.

 

A reincidência dos escândalos, um se sucedendo ao outro, expôs a cara de um monstro medonho: a impunidade.

 

Mais recentemente, o país animara-se com o STF.

 

Ao arrastar 40 mensaleiros para o banco dos réus, o Supremo parecia informar aos políticos que tentaria fazer da cleptocracia brasileira uma democracia real.

 

Sobreveio novo desalento. O processo se arrasta. Estima-se que não será julgado antes de 2011. Flerta-se com a prescrição.

 

Agora, Sarney. Não é um transgressor original. Apenas mimetiza, com variações, depravações já cometidas.

 

Assemelha-se a Renan ‘Bois Voadores’ Calheiros e a Jader ‘Sudam’ Barbalho. Evoca a imagem de Antônio Carlos ‘Fraude no Painel’ Magalhães.

 

Há uma diferença, contudo. Jader, ACM e Renan optaram por poupar os colegas do enfrentamento da tragédia. Renunciaram à presidência e/ou aos mandatos.

 

Com Sarney é diferente. Ele prefere levar o delírio às suas últimas conseqüências. A renúncia, no seu caso, é carta fora do baralho.

 

Deve-se louvar a teimosia de Sarney. Graças a ela, o país está na bica atestar uma suspeita latente.

 

Confirmando-se a pantomima do arquivamento coletivo, os senadores informarão à nação que eles são feitos de insensatez.

 

O Senado, ficará demonstrado, é feito de uma maçaroca em que se misturam a conivência e o compadrio. Não há culpados no prédio. Só inocentes e cúmplices.

 

No fundo do poço, o Senado decidiu continuar cavando. Lula, salva-vidas de Sarney, festeja a opção pela cova.

 

Enquanto fornece enxadas à bancada do PT, Lula ilude a malta com discursos pseudomoralizadores.

 

Discursos como o que pronunciou nesta terça (18), num pa©mício realizado no Rio. Disse que seu governo está mudando a forma de “fazer política” (assista lá no rodapé).

 

Lula perguntou à platéia: “Vocês sabem por que tem tanta coisa de corrupção na televisão e nos jornais?”

 

Respondeu: “É porque a corrupção só aparece nos jornais quando você está investigando”.

 

Louve-se a esperteza de Lula. Graças a ela, o país dá de cara com a política real de um Brasil gelatinoso.

 

Um país feito de inércia, de bigodes viscosos, da grandeza da vista curta, da sofreguidão dos interesses mesquinhos.

 

Com a ajuda de Lula, o Senado ganha a forma de um estômago gigantesco. É feito de tripas que engolem e digerem a paciência da platéia, saboreando o eterno poder sem propósito.

 

Até bem pouco, o Senado era o império do privado disfarçado de interesse público. Agora, sonega-se à bugrada até a delicadeza da dissimulação.

 

Os senadores já não se preocupam em maneirar.

Escrito por Josias de Souza às 05h52

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Conselho vai sepultar ações contra Sarney e Virgílio

Sessão do colegiado está marcada para as 14h desta 4ª

Renan disse a Sarney que  arquivamento está garantido

Mercadante disse a Sérgio Guerra que Virgílio está salvo

Jarbas revoltou-se: ‘O  quadro de concórdia é  grotesco’

Tião lamentou: ‘O PT, que não elegeu, salvará o Sarney’

 

Sérgio Lima/Folha

 

O telefone soou no apartamento de Sérgio Guerra (PE) por volta de 20h30. Do outro lado da linha, estava Aloizio Mercadante (SP).

 

O líder do PT informou ao presidente do PSDB que os três senadores petistas com assento no Conselho de (a)Ética votariam em uníssono. A será às 14h desta quarta (19).

 

Os petistas, disse Mercadante, vão votar contra o desarquivamento das 11 ações em que José Sarney é acusado de malfeitos.

 

Para zerar o jogo, manterão na gaveta também a ação formulada pelo PMDB contra o líder tucano Arthur Virgílio (AM).

 

O contato telefônico consumou uma pantomima que vinha sendo esboçada há duas semanas. O velório do Senado terminará sem defuntos.

 

Sarney foi para debaixo dos lençóis, na noite passada, aliviado. Tranquilizara-o um contato de Renan Calheiros (AL).

 

Líder do PMDB e comandante da tropa de elite de Sarney, Renan avisara ao presidente do Senado que os votos do petismo estavam no embornal.

 

São três os petês com direito a voto no conselho: João Pedro (AM), Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral MS). Os dois últimos tentaram retirar a cara da vitrine.

 

Ideli e Delcídio queriam que Mercadante os substituísse por um par de senadores pró-Sarney: Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula; e Roberto Cavalcanti (PRB-PB).

 

Redigiram-se os ofícios com os nomes de Jucá e Cavalcanti. Foram às mãos de Mercadante. Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, pressionou-o a assinar.

 

E Mercadante: "Isso eu não vou fazer. Se quiserem fazer, que encontrem outro líder”. Depois de espargir no ar a ameaça da renúncia, Mercadante foi para casa.

 

Mexe daqui, negocia dali decidiu-se que, mesmo a contragosto, Ideli e Delcídio terão de comparecer ao conselho para honrar a palavra que Lula empenhara.

 

Na semana passada, em reuniões separadas com Sarney e Renan, Lula assegurara que o governo não lhes faltaria.

 

Em tese, Delcídio e Ideli poderiam se ausentar da reunião do conselho. Mas votariam no lugar deles dois suplentes do PT: Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR).

 

O diabo é que Suplicy e Botelho são partidários do desarquivamento. Assim, não restou aos fujões senão aceitar a missão de oferecer a cara a tapa.

 

Mercadante antevia desde o último final de semana a manchete que resultará da reunião do Conselho de (a)Ética: “A culpa é do PT”.

 

Em privado, o petista Tião Viana lamuriou-se com um assessor: “O PT, que não elegeu o Sarney, será apresentado agora como o salvador do Sarney”.

 

A manchete vaticinada por Mercadante será escrita a golpes de esperteza, com a caligrafia da oposição. PSDB e DEM sabem que Sarney está salvo. Mas...

 

Mas, a despeito disso –ou até por isso—, votarão a favor do desarquivamento das ações contra Sarney no conselho. Por quê? Para que a “culpa” seja do PT.

 

São cinco os oposicionistas do conselho. Dois tucanos: Sérgio Guerra e Marisa Serrano (MS). Três ‘demos’: Demóstenes Torres (GO), Heráclito Fortes (PI) e Eliseu Resende (MG).

 

José Agripino Maia (RN), o líder do DEM, teve de suar a camisa para segurar os seus votos. Reuniu a sua tropa na noite passada.

 

Heráclito já avisara que não tem condições de se opor a Sarney. Será substituído por Rosalba Ciarlini (RN), suplente no conselho.

 

Eliseu ensaiou uma meia-volta. Disse que Sarney lhe telefonara para rememorar a amizade que os une há mais de quatro décadas.

 

ACM Jr., outro suplente ‘demo’ no conselho, disse que também fora procurado por Sarney. Ouvira apelos à memória do pai ACM, que, fora eterno parceiro de Sarney. Agripino bateu o pé.

 

Em reunião marcada para o meio-dia desta quarta vai-se decidir quem cumprirá a missão partidária de votar contra Sarney, Eliseu ou ACM Jr.

 

São 15 os votos em jogo no conselho. Renan disse a Sarney que, pelas suas contas, o placar será de, no mínimo, nove a seis. A favor da gaveta.

 

Além dos cinco oposicionistas, Renan computa como anti-Sarney o voto do PDT: João Durval (BA) ou o suplente dele, Jefferson Praia (AM).

 

No mais, votam com o arquivo, a trinca de petês, os peemedebês Wellington Salgado (MG), Almeida Lima (SE) e Gilvam Borges (AP)...

 

...O pecêdobê Inácio Arruda (CE) e os petebês Gim Argello (DF) e Romeu Tuma. Esse último frequenta o conselho na condição de corregedor do Senado.

 

Acomodado por Renan na presidência do colegiado, o administrador de arquivos Paulo Duque (PMDB-RJ) só votaria se houvesse um empate.

 

Depois da conversa telefônica com Mercadante, Sérgio Guerra marcou para as 9h desta quarta um café da manhã em seu apartamento.

 

Reunirá ex-combatentes da brigada anti-Sarney. Gente como o grão tucano Tasso Jereissati (CE). E combatentes desiludidos. Por exemplo: Jarbas Vasconcelos.

 

Na noite passada, Jarbas desabafou com um amigo: “Esse quadro de concórdia é grotesco. A coisa vai terminar mal”. De fato, não termina bem.

 

- Serviço: O repórter acomodou links sobre os nomes dos personagens da notícia. Pressionado-os, chega-se à caixa de e-mails de cada um.  

Escrito por Josias de Souza às 03h46

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Ex-secretária confirma reunião e aceita acareação com Dilma

 

- Folha: Lina vê 'ingerência descabida' de Dilma e reafirma encontro

 

- Estadão: Pedido de Dilma foi 'incabível', diz Lina

 

- JB: Sexo em risco

 

- Correio: R$ 12.413,65

 

- Valor: Brasil vai contestar na OMC taxa americana sobre suco

 

- Estado de Minas: Construção puxa a fila do emprego

 

- Jornal do Commercio: Mais controle na venda de remédios

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Dormindo com o inimigo!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 03h30

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Sem chão, Mercadante ameaça deixar posto de líder

Lula Marques/Folha

 

Pressionado a patrocinar uma manobra pró-Sarney no Conselho de (a)Ética, Aloizio Mercadante converteu a cara feia em ameaça.

 

Em privado, acenou com a hipótese de deixar a liderança do PT. Preferi isso a ter de alterar a representação do bloco governista no conselho.

 

São três os petês com direito a voto no colegiado. Um, João Pedro (AM), é titular. Dois, Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS), são suplentes.

 

A trinca se recusa a votar a favor do desarquivamento de ações levadas à gaveta no conselho.

 

Embora decididos a poupar Sarney, Ideli e Delcídio querem que Mercadante os devolva à condição de suplentes, para que não precisem votar.

 

Apoiados pela direção do PT e pelo governo, Ideli e Delcídio cobram de Mercadante a indicação de dois novos titulares para o Conselho de (a)Ética.

 

Estão sobre a mesa dois nomes alternativos: Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, e Roberto Cavalcanti (PTB-PB).

 

São dois votos pró-Sarney. Nomeados, fariam com gosto o que Ideli e Delcídio, candidatos em 2010, hesitam em fazer por convicção.

 

Mercadante encaminhava posição diversa. Em reunião da bancada, na semana passada, acertara a reabertura de parte das ações contra Sarney.

 

A parte referente a denúncias ligadas à economia interna do Senado –a edição de atos secretos, por exemplo.

 

Agora, alega que a posição, discutida internamente, fora referendada pelos companheiros de bancada.

 

No final de semana, recordara que todas as posições que defendera –licença de Sarney e reabertura das ações— haviam sido debatidas e aprovadas.

 

Assim, não admite que um pedaço da bancada ceda às pressões em favor de Sarney. A exemplo de Ideli e Delcídio, Mercadante também vai às urnas em 2010.

 

Sabe que, perpetrada a manobra, o custo político será acomodado sobre os seus ombros. E não parece disposto a pagar o preço.

 

A noite desta terça (18), véspera da reunião do Conselho de (a)Ética, será longa para o petismo do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Presidente do PSDB: o Sarney não deve ser cassado

“Se vamos cassar alguém? Claro que não.” A pergunta e a resposta pingaram dos lábios de Sérgio Guerra.

 

O presidente do PSDB subiu à tribuna para responder a uma provocação que José Sarney lhe fizera na véspera.

 

O presidente do Senado abespinhara-se com declarações que Guerra dera no final de semana.

 

O grão-tucano cobrara de Sarney explicações sobre a notícia de que uma empreiteira pagara dois apartamentos usados por sua família, em São Paulo.

 

Em resposta, Sarney recomendara ponderação. Insinuará que o próprio Guerra fora vítima de acusações.

 

Daí a ida de Guerra à tribuna. Recuou no tempo. Disse que, de fato, “em grande tumulto nacional”, fora arrastado ao banco da CPI.

 

Era, então, “relator de estradas” do Orçamento. “Enfrentei os desafios que apareceram”. Prestou depoimento de “dez horas”.

 

Disse que sua participação “foi a primeira e única aprovada não apenas pelo Congresso, mas pela opinião publica”. As acusações foram ao arquivo.

 

Feitos os esclarecimentos, Guerra pôs-se a tratar da crise atual. Empregou um timbre água-com-açúcar.

 

Condenou o emprego de tropas de choque. Disse que Sarney, como homem público, deve explicar as denúncias que o assediam, não fugir delas.

 

Mas, flertando com o óbvio, deixou claro algo que já ficou claro desde a semana passada: Sarney fica.

 

"É claro que o presidente Sarney sofre um ataque muitas vezes injusto. Tudo que acontecer com ele, comigo ou com outros senadores é questão pública...”

 

“...Mas se vamos cassar alguém? É claro que não. Se vamos discutir esses fatos? É claro que sim".

 

O mandachuva tucano soou claro: “Nunca na minha vida cassei o mandato de ninguém. É uma questão intima...”

 

“...Acho que o Senado, a Câmara e o Parlamento não são para isso. Se para ser senador eu tiver que cassar mandato, não serei senador nunca”.

 

Para Guerra, o julgamento de congressistas é coisa que deveria ser tratada pelo Judiciário, não pelo Congresso.

 

Em aparte, José Agripino Maia, líder do DEM, concordou com o parceiro de oposição: cassação de mandato é tema para a Justiça.

 

Sarney ecoou a dupla: o Judiciário, não o Congresso, que não tem isenção para julgar mandatos.

 

Curiosamente, Agripino e Guerra deixaram antever que tucanos e ‘demos’ votarão contra Sarney no Conselho de (a)Ética.

 

É de perguntar: ora, se não pretendem cassar Sarney, por que diabos não abandonam o teatro, mantendo todas as ações no arquivo?

 

Ou ainda: se acham que a Justiça deveria julgar os malfeitos cometidos por congressistas, por que diabos não aprovam uma lei fixando a nova regra?

 

A alturas tantas, Sérgio Guerra evocou a pesquisa Datafolha –74% dos brasileiros a favor do afastamento de Sarney.

 

Emendou: “Os senadores não andam nas ruas porque são mal vistos. Todos estamos comprometidos”. Verdade.

 

Pior: ao reconhecer que Sarney fica, Sérgio Guerra como que tonifica a aversão da sociedade. Os senadores serão, agora, ainda mais mal vistos.

Escrito por Josias de Souza às 20h18

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Lina reafirma encontro com Dilma e aceita acareação

Ex-secretária da Receita não apresenta nenhum documento

 

Lina Vieira falou para uma Comissão de Justiça repleta. Reafirmou o que dissera à Folha: foi, sim, convocada por Dilma Rousseff para uma reunião privada.

 

No encontro, disse a ex-secretária da Receita, a ministra lhe pediu para apressar  fiscalização do fisco sobre os negócios do “filho de Sarney”.

 

Em certos momentos, a ex-leoa foi inquirida com aspereza pelos senadores governistas. Queriam saber se ela dispunha de provas.

 

Na véspera, Lula desafiara Lina a apresentar a agenda. O repto do presidente foi convertido em pergunta.

 

Lina disse que a reunião não constou nem da agenda dela nem da de Dilma. “Não preciso de agenda para dizer a verdade”, tentou contemporizar.

 

 

A ex-secretária não se deixou afetar pela atmosfera inóspita. Na exposição inicial, disse que comparecia à comissão como “cidadã”.

 

Poliu a própria biografia: 33 anos “dedicados exclusivamente à administração tributária”, jamais teve “filiação partidária”.

 

“Não disputarei cargos eleitorais. Não vim a essa comissão com o propósito de fazer o jogo de A ou de B, de X ou de Y...”

 

“...Não tenho interesse em alimentar polêmicas, nem prejudicar ninguém. Tenho interesse apenas de preservar minha história de vida".

 

A sessão durou mais de seis horas. Antes que Lina começasse a falar, os senadores desperdiçaram duas horas com um debate etéreo.

 

Governistas e oposicionistas divergiram quanto à conveniência de converter a Comissão de Justiça em palco de embate político.

 

 

Sobre Dilma, Lina disse não entender por que a ministra desmente o encontro que diz ter ocorrido.

 

"Eu não sou fantasma, eu tomei café, me serviram café. Certamente há registros de que eu estive lá".

 

Espremida, Lina mordeu. Classificou de “incabível” o pedido de Dilma. Mas soprou. Disse que não se sentiu pressionada pela ministra.

 

 

O próprio Judiciário, esclareceu, já determinara que a fiscalização dos Sarney fosse acelerada. Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, agarrou-se à deixa.

 

"O entendimento da doutora Lina foi de que não houve nenhum posicionamento de mérito...”

 

“...Em nenhum momento a senhora entendeu que era para abandonar o processo. Acho que o que houve foi um grande mal-entendido".

 

Lina sentiu-se compelida a morder de novo: "Não houve mal-entendido: o encontro ocorreu...”

 

“...Eu não entendi porque a ministra negou. Não tem sentido negar que o encontro aconteceu".

 

A ex-secretária deixou exposto o calcanhar quando lhe perguntaram se havia comunicado a alguém o encontro que mantivera com Dilma.

 

Não falou a ninguém. Nem ao marido. Muito menos ao seu superior hierárquico, o ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Curioso: a chefe do fisco é convocada para uma reunião com uma ministra estranha ao organograma da Fazenda. Dilma fala sobre um processo do fisco.

 

Foi à mesa um sobrenome vistoso: Sarney. E a funcionária não comunica nada a Mantega, seu chefe imediato. Ora, francamente.

 

Quebrados os ovos, restou uma omelete de dois ingredientes: a voz de Lina contra as negaças de Dilma.

 

A oposição tentará convocar Dilma. É improvável que consiga. Lina não conseguiu especificar nem mesmo a data do encontro.

 

Tucanos e ‘demos’ aproveitarão a clara, usarão a gema, sem desperdiçar as cascas.  Ganharam imagens para levar à propaganda eleitoral do ano que vem.

 

Quanto à platéia, fica com as pulgas que lhe acomodaram no dorso da orelha: será a candidata de Lula uma mentirosa reincidente?

 

Questionada por Pedro Simon, Lina se dispôs a participar de uma acareação com Dilma. "Estou disposta a qualquer coisa que possa esclarecer". É pena que a tropa do governo não permita.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Oposição hesita em levar caso Sarney até o plenário

Alega-se que regimento circunscreve decisão ao conselho

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Partido de um único senador, o PSOL é, hoje, a única agremiação disposta a levar às últimas conseqüências as ações contra José Sarney.

 

Até a semana passada, PSDB e DEM alardeavam a disposição de recorrer contra o arquivamento dos processos à instância máxima: o plenário do Senado.

 

Agora, acuados por Renan Calheiros, o "capo di tutti capi", general da tropa de elite de Sarney, tucanos e ‘demos’ perdem-se em hesitações.

 

Alegam que o regimento do Conselho de (a)Ética não prevê o recurso ao plenário. É teatro, concebido para iludir a platéia.

 

A oposição dispõe do regimento do Senado, que fala mais alto do que o do conselho. Não recorre se não quiser.

 

Vai abaixo um resumo da encrenca:

 

1. O Conselho de (a)Ética reúne-se nesta quarta (19). Vão a voto os recursos contra o arquivamento de 11 ações contra Sarney e uma contra o tucano Arthur Virgílio.

 

2. Conforme já noticiado aqui, arma-se no colegiado um cenário de velório sem defunto. Enterram-se todas as acusações e salvam-se os dois acusados.

 

3. Pareceres jurídicos feitos por encomenda de Renan desfiam a tese de que, consumado o velório, não cabe recurso ao plenário do Senado.

 

4. Sustenta-se que o regimento do conselho não prevê tal recurso. Verdade. Porém, a oposição dispõe de um contraparecer.

 

5. Elaborou-o o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), promotor licenciado e presidente da Comissão de Justiça do Senado.

 

6. Demóstenes argumenta que o regimento do Senado, que se sobrepõe ao do conselho, prevê, sim, o recurso.

 

7. Reza o texto que um décimo da composição do Senado pode recorrer ao plenário da Casa contra o indeferimento de qualquer “proposição legislativa”.

 

8. Ou seja: requerimento com nove signatários seria suficiente para arrastar a encrenca para dentro do plenário do Senado.

 

9. A tropa de Renan tenta fulminar a tese. Diz que representação por quebra de decoro parlamentar não é “proposição legislativa”.

 

10. Por esse raciocínio, a regra invocada por Demóstenes valeria para projetos de lei votados em comissões, não para decisões do Conselho de (a)Ética.

 

11. Demóstenes contra-argumenta: em sua fase final, quando favorável à cassação ou a penas mais brandas, um processo por quebra de decoro é convertido em resolução do conselho.

 

12. A resolução não é senão uma “proposição legislativa”. Tanto que, antes de chegar ao plenário, passa pela Comissão de Justiça, a quem cabe decidir se foi elaborada segundo a boa técnica legal e regimental.

 

13. De resto, Demóstenes desencavou um precedente. Diz respeito a uma denúncia feita contra Antônio Carlos Magalhães.

 

14. Acusado de encomendar grampos telefônicos contra opositores na Bahia, ACM foi levado ao Conselho de (a)Ética.

 

15. O colegiado remeteu o caso à Mesa diretora do Senado, com a recomendação de abertura de processo de cassação do mandato.

 

16. À época, presidia a Mesa ninguém menos que José Sarney. Decidiu-se converter a sugestão de cassação numa advertência escrita a ACM.

 

17. Valendo-se do regimento, Eduardo Suplicy (PT-SP) recorreu ao plenário contra a decisão da Mesa chefiada por Sarney.

 

18. Sarney deferiu o recurso de Suplicy. O caso foi ao plenário. E os senadores mantiveram no voto a advertência a ACM. Ouça-se Demóstenes:

 

19. “Os casos não são idênticos. Mas há esse precedente em que uma questão relativa ao Conselho de Ética foi levada, por meio de recurso, ao plenário do Senado”.

 

20. O repórter perguntou a José Agripino Maia, líder do DEM: Caso o arquivamento sumário prevaleça no conselho, a oposição recorrerá ao plenário?

 

21. E Agripino: “É preciso tirar a provar dos nove. A matéria é controversa. A maioria diz que não cabe recurso. Estamos analisando”.

 

22. E quanto à análise de Demóstenes? “O raciocínio se aplica às matérias submetidas às comissões permanentes do Senado. Em relação ao Conselho de Ética, tenho dúvidas”.

 

23. Na dúvida, a oposição vai esticar a corda ou não? “O que eu proponho é esticar a corda. Mas vamos ver. Essa é a minha posição. Tenho agora que interpretar o sentimento da bancada e conversar com os parceiros (leia-se PSDB)”.

 

24. O sentimento médio da bancada de Agripino destoa da pregação do líder. Boa parte dos 14 senadores ‘demos’ pende para o refresco a Sarney.

 

25. Preocupado em preservar Arthur Virgílio, o PSDB também claudica. Renan cuidou de amarrar os dois casos. Dará a Virgílio o tratamento que a oposição der a Sarney.

 

26. Pelo sim, pelo não as opiniões de Demóstenes foram repassadas a José Nery, o solitário senador do PSOL. É, no momento, o único visceralmente interessado em manter Sarney na grelha.

 

27. Nery não terá dificuldades para recolher as nove assinaturas exigidas para a formulação do recurso ao plenário. Para salvar as aparências, tucanos e ‘demos’ terão de ir a reboque.

 

28. Nesse cenário, fica comprometido o lero-lero oposicionista de que o salvamento de Sarney é obra exclusiva do PT. A pantomima do Senado é uma peça de autoria coletiva.

Escrito por Josias de Souza às 06h10

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Contra Lina, governo arma tática da ‘desqualificação’

  Folha
José Sarney perderá por algumas horas o status de protagonista da crise.

 

Nesta terça (18), o senador e seu drama dividirão a cena com Lina Vieira.

 

A ex-secretária da Receita vai à boca do palco para espicaçar Dilma Rousseff.

 

Falará à Comissão de Justiça. Terá à sua disposição tempo e platéia.

 

Os senadores do consórcio governista vão à sessão com o script ensaiado.

 

Pretendem grudar na ex-leoa a pecha de acusadora “irresponsável”.

 

Dirão que Lina acusa a ministra-candidata sem exibir uma mísera prova.

 

Afirmarão mais: a ira de Lina é insuflada pelo instinto da desforra.

 

Abespinhada por ter sido demitida, a ex-secretária recorre à vendeta.

 

Por que não mirou em Dilma enquanto estava no governo?

 

Lina ganhou os holofotes ao vincular Dilma à fiscalização da Receita.

 

Insinuou que a ministra agira para proteger o presidente do Senado.

 

Pedira-lhe para “apressar” ação fiscal que perscruta os negócios da família Sarney.

 

Dilma negou que houvesse se reunido privadamente com a ex-secretária.

 

Disse que, com ela, só conversou em “grandes reuniões”. Nada sobre Sarney.

 

Lula ecoou a ministra. Referiu-se às palavras de Lina como “fantasia”.

 

Nesta segunda (17), cobrou a exibição de provas –uma agenda que seja.

 

A oposição também espera que Lina leve à comissão algo além de palavras.

 

Fatos, documentos, qualquer coisa que dê consistência à sua acusação.

 

Presidente da comissão, Demóstenes Torres (DEM-GO) esquecerá o relógio.

 

“Normalmente, os expositores dispõem de 20 minutos. Porém...”

 

“Porém, a ex-secretária terá o tempo que precisar para prestar os esclarecimentos”.

 

Demóstenes tampouco pretende limitar o tempo de inquirição dos senadores.

 

No início da sessão, pode haver um ambate entre Aloizio Mercadante e Demóstenes.

 

O líder do PT acusa o senador ‘demo’ de “quebra de compromisso”.

 

Alega que se havia combinado que temas polêmicos não seriam votados à sorrelfa.

 

E a convocação de Lina ocorreu em sessão esvaziada. Presente apenas a oposição.

 

Demóstenes foi às notas taquigráficas. Recuperou os termos do acordo.

 

Acertara-se que matérias consensuais iriam à voto nas sessões de terça e quinta.

 

As quartas-feiras seriam reservadas aos temas polêmicos.

 

E a convocação de Lina, afirma Demóstenes, ocorreu justamente numa quarta.

 

Mais: a bancada governista não pode alegar que tomou bola nas costas.

 

Sabia-se que a coisa iria a voto. A despeito disso, orientada por Renan Calheiros, a tropa do PMDB não deu as caras.

 

Vice-presidente da comissão e miliciano de Renan, Wellington Salgado assistiu ao Waterloo pela TV Senado, plantado em seu gabinete.

 

O petismo também não deu as caras. Ou seja: o governo deve a derrota à chantagem do PMDB e ao cochilo do PT.

 

Lina Vieira pode emergir do depoimento como leoa de Dilma ou carniça do governo.

 

Prevalecendo a primeira hipótese, a oposição trama a convocação da ministra.

 

A tropa de Renan pode ajudar. Tudo vai depender da forma como o PT vai tratar José Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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Temer: saída de Sarney criaria ‘um clima muito ruim’

  Alan Marques/Folha
Em diálogos privados, o deputado Michel Temer lamenta os efeitos da crise do Senado sobre a imagem do Congresso e do seu PMDB.

 

A aflição de Temer é grande. Mas ainda insuficiente para torná-lo loquaz.

 

Nesta segunda (17), de passagem por Curitiba, viu-se compelido a romper o mutismo.

 

Em público, fez o que acha que lhe cabe como presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB: defendeu o Legislativo e alisou José Sarney.

 

Inquirido pelos repórteres, Temer minimizou o resultado da última pesquisa Datafolha –74% a favor da saída de Sarney e 44% de ruim e péssimo para o Congresso.

 

Sobre o correligionário encrencado, disse:

 

“Se o presidente Sarney deixasse a presidência do Senado, em nada acrescentaria. Isso só vai criar um clima institucional muito ruim”.

 

Quando à avaliação do Congresso, declarou:

 

“Eu não me impressiono com essas pesquisas, essas estatísticas. O Legislativo é um poder mais sujeito a observações populares”.

 

Temer foi à capital paranaense a convite da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).

 

Perguntaram-lhe também sobre 2010. Disse que, caso feche com Dilma Rousseff, o que lhe parece mais provável, o PMDB exigirá a posição de vice.

 

Aceita ser o vice? “Eu não aceito nem desaceito, com o perdão do neologismo”. Temer esmiuçou o seu raciocínio:

 

"Não existe candidato a vice, pois ser vice é uma circunstância. Participará da chapa aquele que melhor adicionar votos e prestígio ao candidato à presidência”.

 

É a costura da chapa de 2010 que leva Temer a ostentar dois discursos sobre o Senado –um privado e outro público.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Lula desafia ex-secretária a mostrar a sua agenda

 

- Estadão: Sarney ataca 'Estado', mas silencia sobre empreiteira

 

- JB: Empresas brasileiras são mais atraentes no exterior

 

- Correio: Crise na receita estimula sonegação

 

- Valor: PPPs federais ficam no papel e estaduais têm ritmo lento

 

- Estado de Minas: Crianças vão ser vacinadas de graça contra a pneumonia

 

- Jornal do Commercio: Vacina conjugada vai ser distribuída em 2010

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Engolindo e digerindo!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Sob crise, o Congresso é envolvido por nuvem preta

Lula Marques/Folha

 

Da tribuna, Pedro Simon contestou Darci Ribeiro. O Senado não é o céu. Ao contrário, “é pior do que o inferno”.

 

Como que desejoso de corroborar Simon, o cerrado de Brasília ardeu em chamas nas cercanias do Congresso.

 

Uma nuvem preta envolveu o prédio de Niemeyer. À sua maneira, o meio ambiente gritou para o Congresso: reforme o seu ambiente inteiro.

 

O problema é que o caminho do inferno já não é forrado de boas intenções. O diabo refez o calçamento. Com o apoio do PMDB e o patrocínio do déficit público.

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Em homenagem a Sarney, uma pitada de má poesia

Lula Marques/Folha

Acróstico do Senado

 

Julgam-me grande bandalho

Ora, direi: por que só eu?

Sou ancião, não um paspalho

É tolice bradar ‘já morreu’

 

Santa inquisição midiática!

Ah! Não largam do meu pé

Repassei toda a gramática

Nada do dito mereceu fé

English? Falta-me prática

Yes, sou! Mas quem não é?

Escrito por Josias de Souza às 19h06

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Lula: Lina contra Dilma é Carnaval que não dá samba

Num instante em que concedida entrevista ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, Lula foi constrangido com uma pergunta incômoda.

 

Jogaram-lhe na cara uma indagação sobre o depoimento de Lina Vieira, ex-secretária da Receita, marcado para esta terça, no Senado.

 

Lina diz ter ouvido de Dilma Rousseff, em reunião privada, um pedido para “apressar” investigações do fisco sobre os negócios da família Sarney.

 

A ministra negou. Auxiliada pela ausência da tropa de elite do PMDB, a oposição logrou aprovar a convocação da ex-secretária na Comissão de Justiça.

 

Para Lula, a arenga é Carnaval que não dá samba. "Seria tão mais simples e mais fácil se a secretaria mandasse a agenda que encontrou com a Dilma...”

 

“...Não precisaria nem gastar dinheiro, pagar passagem ou ir ao Congresso. Era só pegar as duas agendas e ver o que aconteceu...”

 

“...Toda vez nesse país que se começa a fazer Carnaval com as coisas que não dão samba, as coisas vão ficando cada vez mais desacreditadas na opinião pública...”

 

“...Qual a razão que essa secretária tinha para dizer que conversou com Dilma e não mostrar a agenda? Se as duas se encontraram é só ver a agenda...”

 

“...A Dilma já disse que não tem agenda com ela. Só tem um jeito de saber, abrir a mala que ela levou a agenda e mostrar para todo mundo".

 

Lula trata a polêmica como se fosse coisa menor. Não é. Fez de Dilma sua candidatua à presidência. E o país merece saber se escolheu uma mentirosa.

 

Acumula-se à volta da ministra um histórico que não a recomenda. Converte dossiê em banco de dados. Joga para a assessoria o falseamento do currículo.

 

Dilma tem diante de uma fatura que exige um lote de boas explicações. Não tem mais o direito de despedir-se do garçom à Noel:

 

“Vá dizer ao seu gerente
que pendure essa despesa
no cabide ali em frente

 

Lula abespinha-se com a insistência da oposição em empurrá-lo para a reiteração das negativas. Paciência.

 

De um presidente não se espera senão o apreço por pratos limpos. Que Lula se inspire em “Peçam Bis”, de Ismael Silva:

 

"Foi tanto bis

Que eu já não podia atender

No entretanto,

O que a platéia queria

É que eu cantasse

Cantasse até aprender"

 

Dilma está desgostosa? Na célebre marchinha de 1937, Vicente Paiva e Jararaca oferecem boa receita:

 

"Dá a chupeta,

Dá a chupeta,

Dá a chupeta

Pro bebê não chorar"

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Jornal adota ‘prática nazista’, diz Sarney no plenário

Alveja por nova notícia constrangedora –a compra de dois apartamentos por uma empreiteira— José Sarney voltou aos microfones do Senado.

 

Pronunciou ataques viperinos ao jornal ‘O Estado de S.Paulo’. Disse que o diário adota contra ele “práticas nazistas”.

 

Afirmou que o Estadão "depois de uma decadência financeira que o levou a terceirizar sua administração, terceirizar sua redação...

 

Terceirizou “...sua experiência e sua respeitabilidade. Transformou-se em um jornal que passou a ser, em vez de um jornal lido e respeitável, um tablóide londrino..."

 

Tablóide “daqueles que buscam escândalos para vender. Quando vejo o jornal, é como se visse um velho de fraque e de brincos. Aqueles brincos espanhóis, compridos”.

 

No dizer de Sarney, o Estadão noticiou que uma empreiteira pagou pelos apartamentos usados por sua família “sem nenhuma prova”.

 

Prosseguiu: “É uma campanha sistemática contra mim. Prática nazista, de acabar com pessoas, denegrirem a hora e a dignidade...”

 

“...Até, com os judeus, levarem à câmara de gás. Felizmente no Brasil não temos câmara de gás”.

 

Sarney esquivou-se de dar explicações sobre os apartamentos. Disse que os filhos Fernando e Zequinha cuidarão de prover as explicações.

 

Limitou-se a dizer que “o prédio, na Alameda Franca [no bairro paulistano dos Jardins], é modesto”. Coisa de “85 m², sala pequena, dois quartos”.

 

Disse ter compra um em 1977, para servir de abrigo aos filhos, que estudavam em São Paulo. Depois, disse, Zequinha Sarney (PV-MA) comprou outro.

 

"Meu filho colocou [o imóvel] no Imposto de Renda. A escritura ainda não foi passada porque ainda está sendo feito o pagamento”.

 

Sarney apelou aos colegas para que “reflitam” antes de cobrar a investigação de notícias de jornal. Abespinhou-se com declarações feitas por colegas de Senado.

 

"Que os meus colegas reflitam sobre as suas responsabilidades. Não fica bem para nenhum de nós. Eu só vim falar à Casa por causa disso...”

 

“...Procure a Casa ver a minha indignação. Tenho procurado ficar calado. Sabe Deus o que tenho sofrido. Mas não posso deixar de ver uma coisa dessas e ficar calado".

 

Sarney discursou e retornou ao gabinete da presidência. Viu pela TV os discursos que se seguiram. Um de Pedro Simon (PMDB-RS). Outro de Cristovam Buarque (PDT-DF).

 

Simon defendeu a cobertura jornalística do Estadão. Lembrou que várias das notícias basearam-se em “fatos investigados pela Polícia Federal de Lula”.

 

Realçou o óbvio: “O presidente Sarney falou tão bonito aqui. Por que não vai pedir que Conselho de Ética se reúna e abra as investigações?...”

 

“...São dez votos a cinco [a favor de Sarney no Conselho]. Maioria tranquila. Por que não se permite que a situação seja debatida e analisada?”

 

Simon repisou a tecla da renúncia de Sarney. Para ele, o Senado virou sucursal do inferno. E Lula ajuda a esquentar a grelha.

 

 

Cristovam ecoou Simon. Mais: disse que aguarda pela próxima edição do Estadão com ansiedade.

 

Afirmou que as palavras de Sarney não deixaram margem para o meio-termo: ou o jornal se desculpa ou reafirma o publicado.

 

Reafirmando, disse Cristovam, não restará senão a alternativa de formular uma nova representação contra Sarney no Conselho de a-Ética.

 

O conselho reúne-se nesta quarta (19). Vão a voto os pedidos de desarquivamento  de 11 ações contra Sarney e uma contra o líder tucano Arthur Virgílio.

 

Nos dois casos, o três votos de que dispõe o PT no colegiado são definidores. Simon fustigou:

 

“A imprensa publica que [P]MDB está exigindo do Lula que determine ao líder [Aloizio] Mercadante que tire dois representantes do PT no conselho...”

 

“...Porque os dois [Ideli Salvatti e Delcídio Amaral] são candidatos a governador e não querem votar. Mudar composição? Oh, velho PT! Quem te viu quem te vê!”

 

Para Simon, a aceitação da “manobra” para arquivar as representações contra Sarney será “o atestado de óbito velho PT, a certidão de nascimento do novo PT”.

 

A bancada do PT reúne-se nesta terça (18). Será o quinto encontro dos petistas para decidir como proceder em relação a Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 18h01

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O empreiteiro amigo dos Sarney e o PV do Maranhão

Vai abaixo a nota de abertura da coluna “Painel”, editada pela repórter Renata Lo Prete e veiculada na Folha. É leitura obrigatória para Marina Silva:

 

- O fiador: "Dono da empreiteira que bancou apartamentos usados pela família Sarney em São Paulo, o empresário Rogério Frota de Araújo é o braço financeiro do PV do Maranhão. Filiado ao partido, já ensaiou voos na política via município de Imperatriz, base eleitoral do deputado verde e amigo Zequinha Sarney.


As candidaturas, entretanto, não emplacaram porque dividiriam votos com outros aliados do clã. Depois das eleições de 2004, quando adiou mais uma vez o sonho de entrar para a política, Frota aproximou-se de Fernando, o outro filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Em quatro anos, ganhou leilões e multiplicou contratos no setor elétrico".

Escrito por Josias de Souza às 04h52

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PV planeja convidar PSOL para coligação com Marina

HH tenta adiar decisão sobre sua candidatura presidencial

 

  Elza Fiúza/ABr
A direção do PV dá como favas contadas o ingresso da quase ex-petista Marina Silva nos seus quadros. E planeja os próximos passos.

 

Cogita atrair o PSOL de Heloísa Helena para uma coligação em torno da candidatura presidencial de Marina.

 

Um dos dramas do PV é a falta de tempo de televisão. Sozinho, dispõe de algo como dois minutos para a propaganda eleitoral. Com o PSOL, subiria para quatro.

 

De resto, o eventual apoio de HH –12%, segundo o Datafolha— poderia resultar em transferência de votos para Marina –3%.

 

Na última campanha presidencial, HH chegou a amealhar mais de 15% nas sondagens eleitorais. Abertas as urnas, cravou 6,85%.

 

A novidade Marina chega num instante em que o PSOL se prepara para a realização do seu 2º Congresso Nacional.

 

Vai acontecer no próximo final de semana, em São Paulo, no Sindicato dos Bancários. Começa na sexta (21). Termina no domingo (23).

 

Nesse encontro, o PSOL vai deliberar sobre um lote de nove teses. Assuntos debatidos em encontros regionais por cerca de 11 mil filiados.

 

Uma das teses trata de Meio Ambiente, carro-chefe do discurso de Marina Silva. Outra versa sobre a conjuntura eleitoral de 2010.

 

Registrou-se no partido uma unanimidade: todos os diretórios estaduais defendem que Heloísa Helena seja, de novo, candidata à presidência da República.

 

Ex-senadora, hoje vereadora em Alagoas, HH trabalha nos subterrâneos para adiar para o final do ano a decisão sobre o seu futuro eleitoral.

 

A candidatura presidencial dela seria reafirmada como mero indicativo. O partido aprovaria as diretrizes gerais para a elaboração de um programa de governo.

 

E convocaria uma “conferência eleitoral” para o final de 2009, quando deliberaria sobre a posição a ser adotada na sucessão de Lula.

 

Em privado, HH manifesta o desejo de retornar ao Senado. A hipótese de um entendimento com Marina Silva, sua amiga, tonificaria esse projeto.

 

Por ora, tudo não passa, porém, de cogitação. “O fator Marina está surgindo agora”, diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). “Não discutimos nada na Executiva”.

 

Chico prossegue: “Temos uma relação muito boa com a Marina. Ela vive agora o dilema que vivemos cinco anos atrás, quando saímos do PT...”

 

“...Se a Marina estivesse considerando vir para o PSOL, a acolhida seria imediata. São pontos de aproximação, que dependem de um debate interno”.

 

Os ex-petistas do PSOL fazem ressalvas não a Marina, mas à quase-futura-legenda da senadora. Torcem o nariz para os pendores governistas do PV.

 

Ouça-se, de novo, Chico Alencar: “A gente olha tudo com serenidade. Vamos analisar qualquer proposta que nos chegue...”

 

“...Mas é preciso considerar que o PV é um partido complicado: participa do governo [José] Serra e da gestão [Gilberto Kassab]; apóia o Lula; já apoiou o Cesar Maia”.

 

Além do PSOL, dirigentes do PV sonham com a incorporação do PDT ao projeto Marina-2010. Algo que dificilmente será convertido em realidade.

 

Comandado pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho), o PDT andou tricotando com o tucano Aécio Neves.

 

Parece fadado, contudo, a uma aliança com a candidata de Lula, Dilma Rousseff.

Escrito por Josias de Souza às 04h31

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Mercadante reúne bancada para decidir sobre Sarney

Líder é pressionado a acomodar Jucá no conselho de Ética

 

Folha

 

Aloizio Mercadante (SP), líder do PT, quer reunir sua bancada para discutir, de novo, a posição a ser adotada em relação a José Sarney.

 

É a quinta vez que os petistas se encontram para debater o mesmo tema. Nesse vaivém, a maioria anti-Sarney se liquefez.

 

No auge da crise, o pedaço do PT que torcia o nariz para o presidente do Senado chegou a reunir oito dos 12 senadores da bancada.

 

Hoje, esse grupo não passa de cinco: Tião Viana (AC), Flavio Arns (PR), Eduardo Suplicy (SP), Augusto Botelho (RR) e Marina Silva (AC), com os dois pés no PV.

 

Deve-se a reversão do placar à pressão exercida pela direção do PT, pelo deputado cassado José Dirceu e por Lula.

 

Na semana passada, depois da quarta reunião com a bancada, Mercadante dissera que o PT não aceitaria o arquivamento em bloco das denúncias contra Sarney.

 

Insinuara que o partido ajudaria a reabrir as ações que diziam respeito às mazelas do Senado –a edição de atos secretos, por exemplo.

 

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), que parecia endossar a tese de Mercadante, recuou.

 

Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS) e João Pedro (AM), os três petês que votam no conselho, também tiraram o chão de Mercadante.

 

A trinca não se dispõe a votar contra Sarney. Como se fosse pouco, a encrenca ganhou um novo ingrediente.

 

Suplentes no Conselho de (a)Ética, Ideli e Delcídio pressionam Mercadante a nomear um par de titulares governistas para o colegiado, o que os eximiria de votar.

 

Com o beneplácito do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, e Roberto Cavalcanti (PRB-PB) se dispuseram a preencher as duas vagas.

 

Vagas que foram abertas com as renúncias de Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e João Ribeiro (PR-TO).

 

Porém, para desassossego de Ideli e Delcídio, Mercadante se recusa a protagonizar a manobra pró-Sarney.

 

A reunião do petismo será feita neste início de semana, provavelmente nesta terça (18). Para evitar surpresas, a tropa de Renan Calheiros mostra os dentes.

 

Líder do PMDB e principal operador de Sarney, Renan cuidou para que o PMDB se ausentasse da sessão da Comissão de Justiça, na semana passada.

 

Uma sessão em que tucanos e ‘demos’ aprovaram a convocação da ex-secretária da Receita Lina Vieira.

 

O depoimento de Lina ocorrerá nesta terça. Ela reafirmará: Dilma Rousseff pediu-lhe para “apressar” a fiscalização da Receita sobre os negócios da família Sarney.

 

Na improvável hipótese de o PT criar problemas para Sarney, o PMDB acena com uma vendeta. Daria mais uma mãozinha à oposição.

 

Ajudaria PSDB e DEM a aprovar a convocação da própria Dilma, chefe da Casa Civil e candidata de Lula à presidência.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Escolas abrem com novas medidas contra a gripe suína

 

- Folha: Alckmin lidera; Ciro aparece com 12%

 

- Estadão: Cresce gasto secreto com cartão corporativo

 

- JB: Transporte, drama de Santa Teresa

 

- Correio: Secretarias especiais esbanjam em viagens

 

- Valor: Cai parcela de produção exportada pela indústria

 

- Estado de Minas: Duplicação de rodovias acelera negócios

 

- Jornal do Commercio: Novo bispo condena o comércio da fé

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Lua de Mel!

Jota A

Via blog do Jota A.

Escrito por Josias de Souza às 01h34

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A exemplo de Sarney, Collor vai se tornar um imortal

  Alan Marques/Folha
Fernando Collor de Mello está na bica de entrar para o seleto grupo dos “imortais”.

 

Na próxima quinta (20), o senador vai entrar para a Academia Alagoana de Letras.

 

Ocupará a cadeira número 20. Pertencia a o poeta Ib Gatto, morto no ano passado.

 

Candidato único, Collor deve ser acomodado no assento em votação unânime.

 

Curiosamente, o futuro novo acadêmico não tem atrás de si uma obra literária.

 

É autor de um quase livro: “A Crônica de um Golpe”. Coisa ainda por publicar.

 

Há duas semanas, ao instar Pedro Simon a “engolir” e “digerir” as menções que fizera a ele e a Renan Calheiros, Collor fez alusão ao projeto de livro.

 

A pretexto de defender a presidência de José Sarney, Collor disse ter sido, ele próprio, vítima de armações da mídia.

 

Tramóias que o arrancaram do Planalto e que, segundo disse, serão esmiuçadas no livro, cuja publicação anunciou para breve.

 

Afora o tomo que ainda não levou às prateleiras, a produção "literária" de Collor se reduz a um amontoado de discursos.

 

Há 40 acadêmicos na casa de letras de Alagoas. Por ora, nenhum deles se animou a questionar a candidatura do neoliterato Collor.

 

Assim, além de defensor inveterado, Collor está prestes a se tornar parceiro de imortalidade de Sarney, membro da Academia Brasileira de Letras.

 

O ruído que você ouve ao fundo é o barulho do autor de Vidas Secas, o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), revirando no túmulo.

Escrito por Josias de Souza às 18h58

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Em Goiás, Henrique Meirelles negocia apoio do DEM

  Fotos: Reuters e Folha
Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, está a um passo de uma candidatura ao governo de Goiás.

 

Na última quinta (13), de passagem pelo Estado, Lula levou Meirelles ao pa©lanque. Depois, em entrevista, envernizou-lhe os planos:

 

“O Meirelles não pode ser candidato para perder a eleição. Se conduzir a economia de Goiás como o Banco Central, Goiás só tem a ganhar".

 

Há no caminho de Meirelles uma macumba. Pelo andar da carruagem, o presidente do BC vai às urnas cavalgando uma coligação que inclui o DEM.

 

A aliança entre o candidato de Lula e a legenda proto-oposicionista é tricotada pelo deputado ‘demo’ Ronaldo Caiado.

 

Presidente do diretório goiano do DEM, Caiado tem algo em comum com Lula. Ambos nutrem funda aversão pelo senador tucano Marconi Perillo.

 

Governador de Goiás por dois mandatos, Perillo quer voltar ao comando do Estado. Cobiça o apoio do DEM. Mas Caiado prefere Meirelles.

 

Até o final de setembro, o presidente do BC terá de sentar praça num partido político. Encaminha-se para o PP.

 

Trata-se do partido do atual governador goiano, Alcides Rodrigues. É, também ele, um desafeto de Perillo, de quem, no passado, foi vice-governador.  

 

Meirelles, Alcides e Caiado costuram uma aliança escorada em quatro partidos: O DEM e outras três que, em Brasília, seguram o andor de Lula: PP, PR, PSB.

 

Por esse acerto, haverá sob Meirelles dois candidatos ao Senado. Um deles será o ‘demo’ Demóstenes Torres.

 

O mesmo Demóstenes que, na semana passada, conduziu a sessão da comissão de Justiça que convocou Lina Vieira para depor contra Dilma Rousseff no Senado.

 

Lula preferia que Meirelles se filiasse ao PMDB, disputando o governo de Goiás em coligação com o PT, que indicaria o vice.

 

O PMDB até concorda em receber Meirelles. Desde que ele desista do governo e concorra ao Senado.

 

Para a cadeira de governador, o PMDB prefere lançar o atual prefeito de Goiânia, Iris Rezende, numa parceria com o petismo.

 

Assim, Meirelles está, hoje, mais próximo do PP e da inusitada sociedade eleitoral com o DEM.

 

Caiado dá de ombros para a aparência de contradição. Alega que o perfil do ex-banqueiro Meirelles identifica-se à perfeição com a ideologia ‘demo-liberal’.

 

De resto, são grandes as afinidades do DEM com Alcides, do PP. O partido mantém no secretariado do atual governador dois representantes.

 

Joel Santana Braga, genro do senador Marco Maciel, é secretário de Ciência e Tecnologia de Goiás. Oto Nascimento Jr. comanda a secretaria de Planejamento.

 

Em 2002, quando Lula o convidou para presidir o BC, Meirelles acabara de eleger-se deputado federal pelo PSDB de Goiás. Renunciou ao mandato, desfiliou-se do partido e aceitou o convite.

 

Hoje, Meirelles é o mais longevo colaborador econômico de Lula. O presidente diz ter com ele uma "dívida de gratidão". Se quiser mesmo pagar a fatura, talvez tenha de engolir o DEM de contrabando. 

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Empreiteira pagou dois imóveis usados pelos Sarney

Fábio Pozzebom/ABr

 

Em São Paulo, a família Sarney utiliza como teto uma trinca de apartamentos no edifício Solar de Vila América, assentado na Alameda Franca, Jardins.

 

A unidade de número 82 foi comprada em 1979. Está em nome de Fernando Sarney, o filho mais velho do presidente do Senado, gestor dos negócios da família.

 

Outros dois apartamentos –número 22 e 32— foram adquiridos mais recentemente, em 2006.

 

Embora também cedidos aos Sarney, esses dois imóveis foram negociados e pagos por uma empreiteira chamada Aracati Construções.

 

Deve-se a informação ao repórter Rodrigo Rangel. Em notícia levada às páginas do Estadão, ele conta o seguinte:

 

1. Chama-se Rogério Frota Araújo um dos sócios da construtora Aracati. Vem a ser um amigo dos filhos de Sarney.

 

2. Nos registros da Receita Federal a Aracati, cuja razão social mudou para Holdenn Construções, aparece como empresa dedicada ao setor elétrico.

 

3. Justamente o nicho governamental em que a influência de José Sarney é mais notória. Controla, por meio de apadrinhados, a pasta de Minas e Energia e estatais.

 

4. O apartamento 22, hoje ocupado por Gabriel José Cordeiro Sarney, filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA), foi comprado de Felipe Jacques Gauer.

 

5. Localizado pelo repórter, Felipe contou: quem primeiro o procurou para manifestar interesse pelo imóvel foi José Adriano Sarney.  É outro filho de Zequinha.

 

6. "Ele me fez algumas perguntas e disse que uma pessoa dessa empresa, a Aracati, iria me procurar para acertar a compra do apartamento", relatou o vendedor.

 

7. Dias depois, contou Felipe Jacques, procurou-o Maria Rosane Frota Cabral, irmã e sócia de Rogério Frota na Aracati.

 

8. "Percebi que, por alguma razão, não queriam que o sobrenome Sarney aparecesse na história", estranhou o vendedor.

 

9. O apartamento 32 costuma abrigar, além dos Sarney, assessores do senador e convidados da família.

 

10. Em junho passado, quando esteve em São Paulo para acompanhar a cirurgia da filha Roseana, o próprio Sarney utilizou-se do apartamento.

 

11. Essa unidade foi adquirida de um empresário chamado Sidney Wajsbrot e da mulher dele, Liza Heilman. Sydney disse ter sido contatado pelo zelador do prédio.

 

12. "Ele me disse que o senador Sarney estava procurando um apartamento, que ele já tinha dois apartamentos no prédio e queria um terceiro, para um assessor dele".

 

13. Depois, o próprio Rogério Frota, sócio da Aracati, fez contato com Sydney. Detalharam os termos do negócio.

 

14. Na hora de bater o martelo, veio à boca do palco, de novo, Maria Rosane, a irmã de Rogério, sócia dele na construtora.

 

15. Eis o que diz o vendedor: "Ela veio com o rapaz do cartório, trouxe um cheque nominal, da empresa, e assinamos a escritura [...]. Legalmente, o nome dele (Sarney) não aparece".

 

Procurados, Sarney e o empresário Rogério Frota preferiram não se manifestar. O deputado Zequinha Sarney, por meio de uma assessora, saiu-se com a seguinte frase: "Olha no meu Imposto de Renda".

 

Para que o IR do deputado seja "olhado" é preciso que ele o mostre. A coisa, como se sabe, é protegida por sigilo fiscal. 

 

É mais um desses episódios curiosos, muito curiosos, curiosíssimos que vêm pipocando nos arredores do presidente do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 03h23

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Datafolha: 74% querem Sarney fora da presidência

Reprovação do Congresso sobe 10 pontos: 34% para 44%

 

 

A julgar pelo resultado de pesquisa Datafolha, José Sarney e seus aliados tornaram-se atores sem platéia.

 

A esmagadora maioria dos brasileiros (74%) deseja que Sarney deixe a presidência do Senado.

 

O índice dos que desejam ver Sarney pelas costas sobe para 86% entre os brasileiros que se declaram bem informados sobre a encrenca do Senado.

 

Sempre que acusado de algum malfeito, Sarney faz pose. “A crise não é minha. A crise é do Senado”, posou no começo.

 

Depois, ele posou de vítima de “uma verdadeira campanha midiática”, tonificada por sua “posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula".

 

Pois bem, 66% dos patrícios dão de ombros para o lero-lero. Acham que Sarney está, sim, envolvido nos malfeitos que assediam sua biografia.

 

A sondagem indica que a crise personificada por Sarney contagia o Congresso. O índice de reprovação do Legislativo subiu de 34% para 44% de ruim ou péssimo.

 

Dos 81 senadores, 54 terão de lavar os mandatos na pia batismal das urnas no ano que vem. A despeito disso, o Senado parece rendido ao fica Sarney.

 

O petismo se recusa a reabrir ações contra Sarney no Conselho de (a)Ética. Arma-se na Casa uma atmosfera de velório sem defunto.

 

Neste sábado (15), a rua roncou. Foi um ronco tímido. Mas, quando associado aos números do Datafolha, dão uma idéia do tamanho da insatisfação.

 

Convocados por meio do twitter, pequenos grupos de manifestantes foram ao asfalto em 13 capitais do país.

 

Entre elas São Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Curitiba. Portavam faixas hostis.

 

Coisas assim: “Fora Sarney”, "Lugar de corrupto é na prisão" e "Reforma política já".

 

A despeito do imenso desgaste de Sarney, continua intacto o prestígio de Lula, hoje o grande fiador da permanência dele no comando do Senado.