Josias de Souza

Bastidores do poder

 

As manchetes desta segunda (03/08)

 

- Globo: Ministro admite que é falha a fiscalização na área da cultura

 

- Folha: PMDB tenta enquadrar os críticos de Sarney

 

- Estadão: Senadores planejam boicote a Sarney para forçar renúncia

 

- JB: Santos Dumint: medo e insônia

 

- Correio: Gripe suína: Justiça tenta garantir distribuição de antiviral

 

- Valor: Fazenda pedirá veto se a emenda do IPI passar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 11h44

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Aviso: A exemplo de Sarney, blog tira férias da crise

O signatário do blog informa aos seus 22 leitores que, nas próximas duas semanas, se dedicará a um velho vício. Coisa herdada da era Vargas.

 

Estendido numa rede, ventilador defronte, o repórter vai assistir ao ingresso dos proventos na conta bancária sem o inconveniente do derramamento de suor.

 

Livre da faina, tentará pôr de pé um projeto idílico. Quer abrir, por meio de ato administrativo secreto, uma entidade unipessoal: a “Fundação JS”.

 

Inaugurada, a fundação JS levará aos balcões da Lei Rouanet um projeto de petropatrocínio. Coisa modesta. Nada acima de R$ 1,3 milhão.

 

Se provida, a verba será usada na preservação da memória do blog. De antemão, o repórter avisa: Não aceitará que o acusem de desvios e malfeitos.

 

Bem verdade que será o presidente vitalício da nova fundação. Mas pretende delegar a terceiros as responsabilidades administrativo-financeiras.

 

Se lhe fecharem as portas do mecenato estatal, o repórter repetirá um procedimento adotado em folgas anteriores. Ficará de olho no movimento da megasena.

 

Se acumular, jogará a sorte em dois ou três bilhetes. E oferecerá a Deus uma nova chance de provar que existe.

 

Na hipótese de ser ignorado pelo Padre Eterno, não restará ao repórter senão retornar ao batente ao término de um par de semanas. Assim, se Deus permitir, até a volta.

Escrito por Josias de Souza às 11h40

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No presente, o país do futuro vê o pretérito passando

Escrito por Josias de Souza às 11h28

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Tráfico!

Via Correio Popular.

- Atualização feita em 22 de julho: Embora em férias, o repórter surpreendeu-se, nesta quarta (22), com o conteúdo de gravações captadas pela PF. Mostram como os Sarney tratam o Senado como seu feudo. Não deixe de ouvir:   

Escrito por Josias de Souza às 11h26

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A ideologia saiu de moda? Adote a que está em alta

Nani

 

Sempre que uma ideologia sai de moda, o político recorre ao primeiro modelito prêt-à-porter disponível na prateleira das conveniências.

 

Para o PT, o patrocínio incondicional da ética tornou-se démodé. O chique agora é envergar o manto diáfano da “governabilidade”.

 

Numa fase em que camiseta de Che Guevara já não serve nem para seduzir a Ideli Salvatti, o repórter sai em socorro dos petistas.

 

Vão abaixo duas listas. Relacionam o que precisam fazer e o que devem evitar os petistas que desejam salvar o charme.

 

 

- O que o petista não precisa mais fazer:

 

1. Lembrar que Lula já chamou Sarney de ladrão.

2. Recordar as baixarias do Collor na eleição de 89.

3. Posar de torquemada em sessões de CPI.

4. Gritar ‘Fora, FMI’.

5. Ler Neruda.

6. Comer frango com a mão.

7. Beber cachaça.

 

 

- O que o neopetista não pode deixar de fazer:

 

1. Rezar por Sarney antes de dormir.

2. Admitir que foi injusto com o Collor.

3. Negociar com o Renan a tática anti-CPI.

4. Exaltar o socorro do Brasil ao FMI.

5. Ler Marimbondos de Fogo.

6. Aprender a manusear os talheres.

7. Folhear um bom guia de vinhos.

 

 

- PS.: Ilustração via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 03h39

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Jarbas: ‘A presidência de Sarney não chega ao final’

José Cruz/ABr

 

Numa entrevista que concedera em fevereiro, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) vaticinara: “O Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão”.

 

Decorridos cinco meses, o senador acha que a realidade ultrapassou as suas previsões: “As coisas que afloraram são mais espantosas do que eu imaginava”.

 

Dissidente do PMDB, Jarbas acha que José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), mandachuvas de seu partido, estão “debochando do Senado e do país”. E faz uma nova previsão:

 

“A presidência de Sarney não chega ao final”. Acha que a gestão do atual presidente do Senado “será abreviada por estrangulamento”.

 

Vai abaixo a entrevista que o senador concedeu ao blog:

 

 

- O recesso parlamentar vai atenuar a crise?

Não. A crise é muito grave. Não é coisa que arrefeça em duas semanas. Ao contrário. O azedume vai se acentuar. Quando recomeçarem os trabalhos, em 3 de agosto, a crise volta com toda a dureza.

- De onde vem essa convicção?

Vem dos fatos que ocorreram antes do início do recesso. Houve muito deboche. Esse deboche vai ser exasperado, atiçando os ânimos.

- A que deboche se refere?

Eu me refiro à representação governista, especialmente a do PMDB, no Conselho de Ética e à pessoa escolhida para presidir o colegiado [senador Paulo Duque].

- O que achou da escolha de Paulo Duque (PMDB-RJ) para presidir o conselho?

É parte do deboche. O fato de ele ser segundo suplente diz muito sobre o que se passa no Senado. É um homem limitado, figura inexpressiva. Não tinha atuação nenhuma no Senado. Demonstrou todo o seu despreparo na sessão de instalação da CPI da Petrobras. No Conselho de Ética será pior. Não há outra palavra para definir o quadro. É um deboche.

- Quem está por trás do deboche?

O Renan, mas não só ele. Essa composição do Conselho de Ética tem o beneplácito de Sarney. Se ele tivesse bom senso, teria evitado isso. Foge do razoável que o Sarney queira ser protegido dessa forma.

- Renan e Sarney debocham de quem?

Eles debocham do Senado e, por consequência, do país. Até onde vai esse deboche eu não sei.

- Em entrevista à Veja, o sr. dissera que Sarney transformaria o Senado num grande Maranhão. Achava que chegaria a tanto?

Não. Nunca imaginei que as denúncias fossem se avolumar nessa proporção. Imaginava que não iríamos progredir na reforma do Senado. Achava que a estrutura permaneceria a mesma, que teríamos de continuar aturando o Agaciel [Maia]. As coisas que afloraram são mais espantosas do que eu imaginava.

- Mantém as ressalvas que fazia ao PMDB?

Minhas ressalvas se agravaram. Os atos praticados agora são muito mais debochados do que os que ocorreram na crise do Renan, há dois anos.

- A crise Sarney é pior do que a crise Renan?

Muito pior, mas muito mesmo.

- Por quê?

Os fatos agora envolvem o presidente da Casa de maneira mais avassaladora. E o exercício do deboche, há dois anos, era mais contido. Agora, passamos do deboche para o achincalhe. É como se eles quisessem pagar para ver. Estão esquecendo que a crise exerce efeitos sobre os senadores também durante o recesso.

- Que efeitos?

Não vai ser fácil percorrer as ruas ouvindo gracejos. Na antevéspera de uma eleição, isso obviamente terá efeitos.

- A crise contamina todos os senadores?

Sem dúvida. Todos pagam o pato. Mesmo os que não têm responsabilidade nenhuma. A aversão ao Senado e à classe política é transferida para todos.

- Quantos senadores vão às urnas?

Dois terços do Senado –54 senadores—estão na ante-sala da eleição. O desgaste pode não grudar em Lula, mas cola no PT e nos senadores governistas que defendem Sarney. O receio de todo mundo é o de que o eleitor decida não votar nos atuais detentores de mandato. Quanto maior o deboche, maiores as problemas dessa gente.

- Acha que há mesmo uma indignação popular?

Ela existe e é grande. Mas poderia ser muito maior. A mídia tem exercido um papel mais contundente do que qualquer partido ou parlamentar.

- Que desfecho prevê para a crise?

Não vejo disposição no Sarney para se afastar. Ele tenta atribuir normalidade a um quadro completamente anormal.

- Qual será o desfecho da crise?

A conjuntura aponta para o imponderável. Nada será favorável a Sarney. Ele esteve na bica de renunciar. Quem o segurou na cadeira foi o Lula.

- O apoio de Lula salvou a presidência de Sarney?

Não. Lula apenas deu uma sobrevida a Sarney. Não acredito na permanência de Sarney na presidência do Senado.

- Acha que a gestão Sarney não chega ao final?

Não. Ele se desconectou da realidade. Acha que as denúncias chovem no molhado. Acredita que, por ter sido presidente da República, está acima de tudo. Mas não há ambiente para a continuidade dele no comando da Casa. A presidência de Sarney não chega ao final.

- Como interromper a gestão de alguém que não se dispõe a renunciar?

Vamos chegar a uma situação de impasse total. Senadores independentes podem decidir não votar mais nenhuma matéria sob a presidência dele. Partidos como o DEM e o PSDB podem fazer o mesmo. Pode-se chegar a um impasse que tornará a saída de Sarney inevitável.

- É coisa para logo?

Não é possível dizer se ocorrerá logo. Mas vai acontecer. Dias atrás, o desfecho parecia uma questão de horas. O que ninguém esperava é que o Lula fosse fazer uma defesa tão contundente do Sarney. Adiou-se o problema. A presidência de Sarney será abreviada por estrangulamento, não por vontade dele.

- Não está exagerando?

Não creio. Vejo a perspectiva de chegarmos a um impasse tal que a saída dele será inevitável. Li no seu blog que Sarney deu graças a Deus pelo início do recesso. Imaginar que duas semanas vão amainar essa crise é de uma infantilidade inacreditável.

- Como avalia o papel do PT na crise?

O PT errou muito. Sua bancada convive com o incômodo de ter tomado a posição correta e depois ter mudado de rumo por conta da interferência de Lula.

- Continua achando que o PMDB quer mesmo é cavar negócios na máquina estatal?

Sem dúvida. Utilizam-se os mandatos para abrir caminho para negócios e safadezas no governo.

- Por que não deixa o partido?

Por falta de opção. Só posso pensar em mudar de partido se tivermos uma reforma política séria e decente. Até lá, prefiro ficar como dissidente no PMDB, sinalizando para a minha base e para a opinião pública do país que o meu PMDB não é esse. O meu PMDB é decente, correto, sem safadezas.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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José bem poderia servir-se do recesso para ler ‘José’

Envolto numa realidade cada vez mais inacreditável, Sarney deveria dedicar um naco de seu recesso parlamentar à leitura de Drummond. Recomenda-se o poema abaixo:

 

 

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

 

-PS.: Ilustração de Genin, via Brazil Cartoon.

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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Reciclagem!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

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Paraíso do crime de mando, AL virou foco do CNJ

  Folha
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) promoverá uma espécie de “arrastão” judicial no Estado de Alagoas.

 

A missão alagoana foi guindada à condição de prioridade pelo presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes.

 

Em privado, Gilmar refere-se a Maceió como “capital nacional do crime de mando”. O ministro escora a constatação num dado objetivo.

 

Há em Alagoas cerca de 500 homicídios pendentes de investigação. Nem mesmo o inquérito policial foi aberto.

 

Vão a Alagoas juízes e técnicos selecionados pelo ministro Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça.

 

A iniciativa faz parte de um programa chamado “Integrar”. Visa dar apoio aos tribunais, reformulando práticas e tonificando estruturas.

 

A chegada do CNJ a Alagoas ocorre nas pegadas de uma decisão polêmica adotada por Gilmar Mendes.

 

Na pele de presidente do STF, Gilmar suspendeu uma liminar que afastara da Assembléia Legislativa de Alagoas sete deputados estaduais.

 

Eles haviam sido afastados pelo juiz Gustavo Souza Lima. Integram um grupo de 15 parlamentares acusados de desviar R$ 280 milhões da Assembléia.

 

No início do ano, Gilmar já havia restituído o mandato de outros dois deputados alagoanos. O par de decisões provocou a revolta do Ministério Público.

 

Em privado, Gilmar alega que sua decisão foi técnica. Os deputados haviam sido afastados no âmbito de uma ação de improbidade administrativa.

 

Um tipo de ação que serve para bloquear bens e tentar reaver a verba desviada. Mas não seria ferramenta adequada para interromper mandatos legislativos.

 

Parte dos deputados encrencados de Alagoas é acusada também de envolvimento em crimes de mando. Mas não há ainda denúncia do Ministério Público.

 

Nesse ponto, o caso dos deputados pode virar objeto da ação do CNJ. Uma das intenções do órgão é a de lançar uma lupa sobre os casos de pistolagem.

 

Segundo apurou o blog, Gilmar conversou com o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), sobre o episódio eu envolve os deputados.

 

Teotônio informou ao presidente do STF e do CNJ que, embora afastados por decisão judicial, os deputados não perderam um mísero dia de salário.

 

Pior: o Estado passou a pagar também os vencimentos dos suplentes. Pior ainda: remunerava duas equipes de assessores, a dos afastados e a dos suplentes.

 

Num diálogo privado, Gilmar lamentou a demora do Ministério Público em oferecer, além da denúncia por improbidade, também uma denúncia criminal contra os deputados.

 

Acha que o afastamento feito por meio da ação de improbidade passa para a sociedade a falsa idéia de que o problema está sendo enfrentado.

 

Nessa mesma conversa, o presidente do STF repetiu: ações de improbidade não se prestam a afastar detentores de mandatos.

 

Afirmou que, “se a moda pega, daqui a pouco vão tirar 50 senadores do Congresso por alguns dias, só para votar um ou outro projeto polêmico”.

 

Sobre os deputados de Alagoas, Gilmar disse ao interlocutor: “Se são culpados, eu quero mais é que sejam punidos exemplarmente. Mas e preciso fazer da maneira certa”.

 

Gilmar Mendes visitará Alagoas no início da missão do CNJ no Estado. Ouvirá muitas cobranças.

Escrito por Josias de Souza às 21h34

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Sarney, a vítima: ‘Invadiram a vida de minha família’

No último dia antes do recesso de julho, José Sarney discursou em plenário. Personificação da crise, ele posou de injustiçado.

 

A quem interessar, a íntegra da fala do pseudopresidente do Senado está disponível aqui.

 

Abaixo, vai um lote de frases de Sarney, seguidas de comentários do repórter:

 

1. “Eu nunca fui candidato a Presidente do Senado por minha vontade, sempre por convocação. Todos sabem que em janeiro deste ano, mais uma vez, eu não desejava, não queria disputar a Presidência do Senado, fui convocado”.

 

- Convocação é coisa de Forças Armadas e de Seleção Brasileira.

 

2. “A eleição não me acrescentava nada nem tinha ou tenho desejo de poder. Aceitei-a, repito, para servir ao Senado Federal e ao País”.

 

- O que espanta não é nem a vontade de permanecer ao volante, mas a falta de um roteiro de viagem convincente.

 

3. “Não sou movido nesse momento por nenhum sentimento menor”.

 

- O diabo é que não o move tampouco o sentimento maior.

 

4. “O jornal ‘O Estado de S. Paulo’ iniciou uma campanha pessoal contra mim, obrigando os outros jornais e televisão a repercuti-la”.

 

- Na política, quem não ambiciona o poder erra o alvo. Quem faz da ambição uma obsessão vira alvo.

 

5. “Meu trabalho exige a sedimentação de uma profunda consciência moral de minhas responsabilidades, a obstinada decisão de não cometer erros e jamais aceitar qualquer arranhão nos procedimentos éticos que devem nortear minha conduta. Não são palavras. São 50 anos de assim proceder”.

 

- Pelo tamanho da encrenca, são mesmo extremas as responsabilidades. Em 50 anos, deveria ter aprendido: na trilha que separa o certo do errado há sempre novos atalhos para mais erros. Provou-se que é errando que se aprende. A errar.

 

6. “Mostrando seus objetivos políticos e pessoais [os detratores] esqueceram o Senado para invadir minha vida privada e a de minha família”.

 

- Exibindo seus objetivos patrimoniais, esqueceu que estava no Senado e invadiu as arcas públicas junto com sua família. Queria o quê?

 

7. “Os desafios, a carga de trabalho, os insultos, as ameaças não me amedrontam. Estamos construindo um novo Senado”.

 

- Insulto maior não há do que o esforço de pseudoreformadores para conservar a ordem constituída.

 

8. “Sêneca dizia que as grandes injustiças só podem ser combatidas com o silêncio, a paciência e o tempo”.

 

- Bernard Shaw dizia que “inocente é o sujeito que não foi apanhado em flagrante”. Drummond afirmava que “não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência”. Sobre o tempo, Pope deixou em 'Imitações de Horácio' uma valiosa lição:

 

“Os anos que sucedem aos anos roubam-nos algo todo dia;/No fim, eles acabam por nos roubar de nós mesmos”.

Escrito por Josias de Souza às 17h32

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Grampo expõe ações do filho de Sarney no governo

  João Sal/Folha
As escutas telefônicas captadas pela PF na Operação Boi Barrica começam a soar nas páginas dos jornais.

 

Deve-se aos repórteres Leonardo Souza e Hudson Corrêa a reprodução de uma parte reveladora do som dos grampos.

 

A dupla reproduz nas páginas da Folha diálogos que deixam mal Fernando Sarney.

 

O filho do presidente do Senado soa nos telefonemas tentando interferir em nomeações.

 

Entoa também demandas privadas acomodadas nas cercanias de repartições públicas.

 

Num trecho, os grampos policiais estabelecem um vínculo entre Fernando e uma estatal submetida à influência política do pai.

 

Nessa conversa, Fernando trata da indicação de uma pessoa para cargo na diretoria financeira da Eletrobrás.

 

A estatal pende do organograma da pasta de Minas e Energia, um nicho da Esplanada que Lula reservou para Sarney.

 

Fernando conversa com uma pessoa identificada pela PF ora pelo prenome –Jorge—ora pelo apelido –Vitinho.

 

O interlocutor pede ao filho de Sarney aval para a nomeação. A alturas tantas, menciona o nome do advogado Roberto Teixeira.

 

Teixeira é compadre de Lula. Estaria apadrinhando o mesmo nome para a diretoria da Eletrobras.

 

Ouvido pelos repórteres, Teixeira deu um salto: "Isso é um absurdo completo. Nunca estive nem conheço ninguém na Eletrobras".

 

O diálogo é do dia 17 de abril de 2008. Segundo a reprodução da PF, o miolo da conversa transcorreu assim:

 

- Jorge: "Vai ter uma diretoria que tá pra entrar lá na Eletrobrás e nós precisamos de um apoio, eu posso passar um e-mail para você?"
- Fernando Sarney: "Claro [...]. Manda para mim um e-mail".


Dali a uma semana, o empresário João Dória Jr. troca telefonemas com Fernando Sarney.

 

Lero vai, lero vem Dória Jr. pergunta a Fernando se ele já tinha o nome que seria levado ao ministro e ao presidente da Eletrobrás. E Fernando:

 

"Eu já passei para eles aquelas indicações e datas. Fiquei aguardando uma posição, que ainda não veio. Eu tô em Brasília, vou estar com eles hoje. Amanhã te digo alguma coisa".

 

Dória Jr., ex-presidente da Embratur no governo Sarney, não mencionou o nome do ministro a que se referia.

 

Mas, à época em que os grampos foram feitos, já respondia pelo ministério de Minas e Energia Edison Lobão, um apadrinhado de José Sarney.

 

No mesmo abril de 2008, a PF captou uma conversa de Fernando Sarney com personagem identificado como Talvane.

 

Dessa vez, o assunto é a Funasa, uma fundação do Ministério da Saúde, gerido por José Gomes Temporão, do PMDB.

 

Fernando diz a Talvane que "o menino da Funasa" estava com ele. Desce aos detalhes:

 

"[O menino da Funasa está] me dizendo que tá tudo teu pronto, que fez o que tu tinha pedido e que tá na tua mão...”

 

Recomenda pressa ao interlocutor: “...Mas que tu tem que correr porque os prazos estão se acabando...”

 

“...Ele me explicou lá na hora um negócio de uma caução. Não sei o que é direito, mas é bom você mandar alguém lá para ver isso, para gente não perder".

 

Em relatório levado às folhas do inquérito, a PF concluiu: "Desponta aí a prática de diversos crimes danosos aos cofres públicos...”

 

Crimes “...como advocacia administrativa, tráfico de influência, fraude a licitação, falsidade ideológica, falsidade documental...”

 

“...Bem como os já aventados crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e, possivelmente, [...] crimes contra a ordem tributária".

 

Na última quarta-feira (15), Fernando Sarney foi convertido pela PF de investigado em “indiciado”.

 

Nesta quinta (16), a PF indiciou também a mulher de Fernando, Teresa Murad, nora de Sarney.

 

Devagarinho, a crise que engolfa a presidência de José Sarney vai migrando da seara política para o universo da polícia.

 

Por meio de uma nota, o advogado de Fernando, Eduardo Ferrão, disse que as acusações da PF são improcedentes.

Escrito por Josias de Souza às 04h57

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Senador não devolverá verba elevada em 'segredo'

Sérgio Lima/Folha

 

O Senado busca uma saída jurídica para legitimar a elevação secreta do valor da verba indenizatória dos 81 senadores.

 

Em junho de 2005, a cota individual reservada a cada senador passou de R$ 12 mil para R$ 15 mil. O reajuste foi retroativo a janeiro de 2005.

 

O problema é que a decisão foi tomada por meio de um dos 663 atos administrativos secretos que José Sarney decidiu anular.

 

Em tese, os senadores teriam de devolver à Viúva a diferença de R$ 3 mil que lhes chegou graças à edição do documento clandestino.

 

Entre janeiro de 2005 e junho de 2009, decorreram 54 meses. Multiplicando-se cada um desses meses por R$ 3 mil, chega-se a R$ 162 mil.

 

É essa a cifra que teria de ser ressarcida por todos aqueles que lançaram mão da integralidade da verba indenizatória mensal.

 

Para evitar que os senadores tenham de levar a mão ao bolso, a assessoria jurídica do Senado prepara um arrazoado técnico. Cogita-se alegar:

 

1. Os senadores não tiveram responsabilidade pela não publicação do ato administrativo.

 

2. Feitos de boa-fé, os gastos, que se destinam a ressarcir despesas relacionadas ao exercício do mandato, foram comprovados por meio de recibos e notas fiscais.

 

3. Passados quatro anos e meio, o benefício reajustado (R$ 15 mil) virou “direito adquirido” dos senadores.

 

4. Para que seja mantido, basta que a Mesa diretora do Senado edite um novo ato, dessa vez um documento público.

 

5. Analisa-se se há ou não necessidade de esse novo documento ser referendado em votação no plenário do Senado.

 

Pretende-se isentar os senadores de responsabilidade também pelas contratações de assessores de gabinete escoradas em atos secretos.

 

Entre os senadores que agregaram servidores às respectivas equipes por meio de atos tisnados pelo sigilo há quatro titulares do "Conselho de Ética".

 

Pelas contas do Senado, foram pendurados na folha do Senado, secretamente, algo como 200 funcionários. Gente que entrou pela janela, sem concurso.

 

A anulação dos atos acomodou esses servidores no olho da rua. Não por muito tempo, contudo.

 

Os senadores que desejarem poderão solicitar a imediata recontratação dos “demitidos”, a maioria abrigada na cota destinada a prover assessoria aos gabinetes.

 

Tampouco os servidores serão chamados a devolver os salários que receberam indevidamente. Alega-se, de novo, que também eles agiram de boa-fé.

 

Tendo prestado os serviços que justificaram o contracheque, não haveria amparo legal para exigir que devolvessem o dinheiro.

 

Sabe-se que há entre os servidores nomeados secretamente uma penca de fantasmas. Mas não há senador que admita a existência deles.

 

Assim, do ponto de vista do erário, a propalada anulação dos atos clandestinos terá efeito nulo.

 

Sindicância interna do Senado responsabilizou os ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi pela ocultação dos 663 atos.

 

Mas, por ora, nem dessa dupla se poderá cobrar o ressarcimento do malfeito. Não foram, ainda, condenados em definitivo.

 

Corre contra Agaciel e Zoghbi um processo administrativo. Pode resultar em demissão. Que pode ser questionada por ambos no Judiciário.

 

Nessa hipótese, a sonhada reparação monetária dependerá das decisões de uma Justiça que, no Brasil, caminha a passos de tartaruga manca.

Escrito por Josias de Souza às 03h44

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Privatização do Galeão perde o prazo para a Copa no Brasil

 

- Folha: Gripe suína mata 11 e já circula no país

 

- Estadão: Petrobrás ganhará preferência no pré-sal

 

- JB: Gripe à solta

 

- Correio: Gripe suína mata além do grupo de risco

 

- Valor: Exportação cresce em junho e reanima indústria do aço

 

- Estado de Minas: Força do campo faz Minas criar mais empregos

 

- Jornal do Commercio: Gripe faz 11 vítimas no país

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Amizade collorida!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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José Sarney dá ‘graças a Deus’ por início do recesso

Deus, como se sabe, está em toda parte. Mas, desgostoso com a política, Ele terceirizou a administração do Senado ao Tinhoso.

 

Nesta sexta (17), começa oficialmente o recesso que a maior parte dos congressistas inaugurou na quarta (15).

 

Soterrado por 15 denúncias e acossado por cinco representações no Conselho de (a)Ética, o pseudopresidente José Sarney deu “graças a Deus”.

 

Parece não se dar conta de que o Padre Eterno inventou o trigo, mas, no Senado, serve-se o pão que o Diabo amassou.

 

Sarney acha que, além de se livrar da liça, vai tirar férias da crise. Todo brasileiro de boa-fé deve rezar para que o senador esteja equivocado.

 

Do contrário, não haverá mais espaço para dúvida: Deus não existe. Ou, por outra, Ele não merece existir.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Depois de abraçar Collor, Lula vê ‘ex-caras-pintadas’

Quarenta e oito horas depois de abraçar Fernando Collor num palanque alagoano, Lula foi festejado por cerca de 3.000 estudantes, em Brasília.

 

Reunidos no 51º Congresso da UNE, os ex-caras-pintadas saudaram o neo-pós-collorido assim: “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.

 

Ao discursar, Lula disse que houve um tempo em que as pessoas receavam a aproximação com os governantes.

 

Tinham medo de ser tachadas de “cooptadas”. Algo que, segundo ele, não ocorre com a UNE, “uma entidade com autonomia”.

 

Um pedaço das verbas que custeiam o encontro saiu das arcas de estatais. A Petrobras, por exemplo, pingou R$ 100 mil.

 

Sob a atmosfera amistosa, Lula discursou sobre as realizações sociais de seu governo. A alturas tantas, o presidente se emocionou.

 

Embargou a voz ao discorrer sobre a visita que fizera a uma casa humilde alcançada pelo programa Luz para Todos.

 

Disse ter levado a mão de uma mãe à “tomada”. Sobreveio a luz. E a beneficiária: "É a primeira vez que eu vejo o meu filho dormir”.

 

Lula interrompeu o discurso. Levou a mão ao cópo d’água. Depois, refeito, pôs-se a falar sobre o Bolsa Família.

 

Antes da saudação a Lula, a platéia de estudantes revelara-se dividida quanto à opção presidencial.

 

Parte entoou: “Olê, olá, Dilmaaaaa, Dilmaaaaa...” Outra parte: “Urgente, Ciro presidente”.

 

Fora do auditório, um outro grupo gritava “fora, Sarney”. Adepto ardoroso do “Fica, Sarney”, Lula não ouviu o tímido protesto contra o seu pupilo do Senado.

 

Em entrevista, a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, disse que a entidade não tem compromisso com nenhum parlamentar.

 

Questionada, esboçou uma defesa da apuração das denúncias contra a patrona Petrobras. E anunciou que a estudantada desceria a Esplanada, rumo ao Congresso.

 

O ex-caras pintadas sairiam em marcha “para defender o pré-sal e a Petrobras”. São essas as novas causas da UNE, “uma entidade com autonomia”.

Escrito por Josias de Souza às 19h00

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A opinião pública, por ‘volúvel’, não preocupa Duque

Nas pegadas do deputado Sérgio ‘Estou me Lixando’ Moraes (PTB-RS), surge o senador Paulo ‘Volúvel’ Duque (PMDB-RS).

 

Menos de 24 horas depois de ter sido eleito presidente do Conselho de (a)Ética do Senado, Duque travou um dedo de prosa com os repórteres.

 

No novo cargo, Duque dispõe de poderes para mandar ao arquivo todas as representações formuladas contra José Sarney.

 

Desde logo, Duque insinua que não hesitará em estender a mão para o pseudopresidente do Senado.

 

Não receia a pressão da opinião pública? “[...] Não estou nem peocupado com isso, porque a opinião pública é muito volúvel...”

 

“...A opinião pública coloca 100 mil pessoas no Maracanã, para ouvir a Madona, para ouvir Roberto Carlos, para ouvir Frank Sinatra. A opinião pública flutua”.

 

Não é à toa que Renan Calheiros, também alvejado por uma representação, escolheu Paulo Duque para presidente do clube.

 

Suplente do suplente do governador Sérgio Cabral, Duque não depende da opinião pública. É um legítimo representante do MSV (Movimento dos Sem Voto).

 

A ilógica que infelicita a política brasileira o autoriza a dizer, na cara dura, que ato secreto é, veja você, uma “bobagem”.

 

Nomeações políticas, disse o "juiz" de Sarney, "existem desde que o Brasil foi descoberto". Então, tá! Ficamos assim.

 

A culpa é de Pedro Álvares Cabral. Lavrem-se as atas. E não se fala mais nisso.

Escrito por Josias de Souza às 18h13

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Num Senado mudo, o sussurro vale por manifestação

O Congresso respira os primeiros ares do recesso de julho. No Senado, um sossego de cemitério.

 

Quem passeia defronte dos gabinetes vê os nomes fixados nas portas como inscrições tumulares.

 

“José Sarney”, por exemplo, evoca um epitáfio de anti-Vargas. Algo assim: Saio da história para cair na vida.

 

Súbito, um grupo de estudantes trinca o silêncio. Gatos pingados. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. É só. Cabem nos dedos das mãos.

 

Trazem letras nas camisetas. Justapostas, formam um letreiro incompleto: “F-O-R-A, ..-A-R-N-E-Y”. O “S” fora barrado pela segurança.

 

As demais letras, por incômodas, também seriam convidadas a deixar o prédio. Prometeram voltar em agosto. Dessa vez, em maior número.

 

A essa altura, a quantidade importa pouco. Num Senado em que o barulho é exceção, o sussurro de meia dúzia de fonemas vale por uma algaravia.

 

Um “S” a menos não faz falta. O brasileiro está habituado às explicações pela metade. Bom entendedor, aprendeu a decodificar as meias palavras.

 

Já se deu conta de que continua a ser tratado como um grandíssimo ...tário, um autêntico ...iota, o mesmo ...becil de sempre.

Escrito por Josias de Souza às 17h39

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PF indicia filho de Sarney por ‘formação de quadrilha’

  João Sal/Folha
Aos pouquinhos, a crise que assedia a presidência de José Sarney no Senado vai migrando da seara política para o universo da polícia.

 

Nesta quarta (15), Fernando Sarney, um dos filhos do senador, compareceu à sede da Superintendência da Polícia Federal no Maranhão.

 

Depois de ser inquirido por cerca de seis horas, o filho de Sarney deixou o prédio com um lote de indiciamentos a pesar-lhe sobre os ombros.

 

É acusado da prática de pelo menos quatro delitos:

 

1. Formação de quadrilha;

2. Gestão de instituição financeira irregular;

3. Lavagem de dinheiro;

4. Falsidade ideológica.

 

A encrenca liga-se diretamente ao pai-senador. Na definição da PF, Fenando Sarney é "o mentor intelectual" de uma “quadrilha”.

 

Foi constituida, segundo a polícia de Lula, com o propósito de intermediar negócios privados em órgãos públicos.

 

O grupo é acusado, por exemplo, de fraudar licitações na Eletrobrás e na Eletronorte. São duas estatais que pendem do organograma da pasta de Minas e Energia.

 

Justamente o ministério que, sob Lula, tornou-se um nicho reservado a José Sarney, padrinho de ministros e de dirigentes de estatais.

 

De resto, a PF acusa Fernando Sarney de ter traficado influência também na Caixa Econômica Federal e na Valec.

 

Logo na Valec, uma estatal que pende da pasta dos Transportes e que cuida da Ferrovia Norte-Sul, obra iniciada na época em que Sarney era inquilino do Planalto.

 

Dos três filhos de Sarney, Fernando é o único que não se meteu na política. Cuida das empresas da família. A PF foi aos seus calcanhares em 2006.

 

O alvo era outro: Roseana Sarney. Abrira-se um inquérito para farejar denúncias de caixa dois na campanha da ex-senadora ao governo do Maranhão.

 

Deu-se à iniciativa o apelido de “Operação Barrica”, uma alusão ao nome de um famoso grupo folclórico maranhense.

 

Mexe daqui, vasculha dali, a PF obteve autorização judicial para grampear telefones. E a voz de Fernando soou nos grampos.

 

Decidiu-se, então, monitorar também os e-mails do filho do senador. Juntando áudios e textos, a PF chegou a outros dois personagens.

 

Chamam-se Flávio Barbosa Lima e Gianfranco Vitorio Arthur Perasso. Eram velhos conhecidos de Fernando.

 

A trinca cursara engenharia numa mesma turma da USP. Fernando fora sócio do par de amigos numa empresa.

 

Uma das revelações feitas nas folhas do inquérito, diz respeito a um pagamento de R$ 160 mil.

 

Seguindo a trilha do dinheiro, a PF verificou que saíra da caixa registradora da EIT (Empresa Industrial Técnica). E estacionara na conta da construtora PBL, pertencente a Flávio e a Gianfranco, os amigos de Fernando.

 

Tratava-se, segundo as conclusões da PF, de uma compensação financeira decorrente da subcontratação da PBL para atuar nas obras da Norte-Sul.

 

Ainda segundo a PF, a empresa dos amigos do filho do senador foi aos trilhos da ferrovia graças ao tráfico de influência feito por Fernando Sarney.

 

Há num relatório da PF a transcrição de telefonemas nos quais Flávio Lima cobra da EIT o pagamento dos R$ 160 mil. Sob pena de a firma não ser contratada para um novo lote da obra.

 

Aos olhos da PF, restou evidenciado que a condição para que a EIT se mantivesse no borderô da Norte-Sul era o repasse de verbas à PBL dos amigos do filho do senador.

 

Em agosto do ano passado, a polícia pediu a prisão preventiva de Fernando Sarney e de um agente da própria PF, Aluísio Guimarães Mendes Filho.

 

O agente federal foi acusado de vazar detalhes da investigação. Trata-se de personagem ligado aos Sarney.

 

Atuava como segurança de José Sarney, requisitado pelo Senado. No momento, chefia a área de inteligência da Secretaria de Segurança do governo de Roseana Sarney.

 

O rol de investigados da Operação Barrica inclui Astrogildo Quental, ex-diretor da Eletrobras, indicado por José Sarney.

 

Outro investigado é Silas Rondeau. Apadrinhado por Sarney, ele respondia pelo ministério de Minas e Energia à época em que o inquérito deslanchou.

 

Rondeau teve de ser apeado da Esplanada em 2007. Foi passado na lâmina de uma outra investigação da PF, a Operação Navalha.

 

A despeito de tudo, Lula recorreu a Sarney para preencher a vaga. Foi ao ministério o senador licenciado Edison Lobão (PMDB-MA).

 

Em privado, uma das motivações invocadas por Sarney para se candidatar à presidência do Senado era a necessidade de “proteger a família”.

 

Queivava-se do ministro petista Tarso Genro (Justiça). Atribuía a ele o infortúnio de Fernando Sarney.

 

Dizia que o filho tinha de andar com um habeas corpus no bolso. E achava que o comando do Senado ofereceria anteparo à família. Dá-se coisa diversa.

 

Agora, as encrencas da família servem de tônico para a crise que ameaça a presidência de Sarney. Mas Lula acha que não há razão para a renúncia.

Escrito por Josias de Souza às 05h55

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TCU: Apagão da era FHC deu prejuízos R$ 45 bilhões

Com sete anos de atraso, o TCU quantificou os prejuízos que o apagão elétrico da era FHC impôs ao país: R$ 45,2 bilhões.

 

A cifra consta de relatório aprovado pelo tribunal em sessão realizada nesta quarta (15). Redigiu o texto o ministro Walton Alencar Rodrigues.

 

É a primeira vez que as perdas do apagão, ocorrido entre 2001 e 2002, é quantificada.

 

De acordo com as conclusões do tribunal, o prejuízo infelicitou o bolso do brasileiro –direta ou indiretamente.

 

O grosso do dano (60%) –R$ 27,12 bilhões— veio na forma de aumentos cobrados nas contas de luz de empresas e pessoas físicas.

 

O resto foi bancado pelas arcas do Tesouro, nutridas pelo contribuinte. Segundo o TCU, o governo teve de aportar recursos em companhias de energia elétrica.

 

O reforço foi provido ora pelo BNDES ora pela CBEE (Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial).

 

A CBEE foi constituída emergencialmente para gerir as verbas coletadas por meio do chamado "seguro apagão".

 

Um detalhe conferiu à sessão do TCU ares de inusitado: a presença de José Jorge.

 

Ex-senador, José Jorge (DEM-PE) era ministro de Minas e Energia de Fernando Henrique Cardoso na época do colapso no fornecimento de energia.

 

Depois de ter sido alojado pelo governador ‘demo’ José Roberto Arruda na CEB (Cia. de Energia Eletrica de Brasília), José Jorge virou ministro do TCU.

 

Viu-se compelido a votar a favor do relatório do colega Walton Rodrigues, aprovado por unanimidade.

 

O texto realça que, além dos R$ 45,2 bilhões, houve outros prejuízos. Lembra que a falta de energia roeu o PIB.

 

Antes do apagão, em 2000, a economia crescera 4,3%. Em 2001, o PIB despencou para 1,3%.

 

Com isso, lembrou o ministro, sobrevieram problemas como o desemprego e a queda na arrecadação tributária.

 

O TCU decidiu encaminhar à Casa Civil da ministra Dilma Rousseff um lote de “recomendações”.

 

Entre elas o reforço do orçamento da Aneel, a agência governamental que cuida da fiscalização do setor elétrico.

 

Segundo Walton Rodrigues, o setor movimenta R$ 90 bilhões por ano. E o orçamento da Aneel foi, em 2008, de R$ 365 milhões.

 

Para complicar, apenas um pedaço da verba destinada à Agência Nacional de Energia Elétrica –R$ 150 milhões—foi efetivamente gasto.

 

O resto foi retido pelo Ministério da Fazenda na malha do do chamado “contingenciamento” de gastos.

 

O TCU pede à ministra Dilma que mande verificar se a estrutura do governo está efetivamente aparelhada para evitar novos desastres.

 

Recomendou-se que a verificação não fique restrita à Aneel. Deve ser estendida inclusive à pasta de Minas e Energia, hoje confiada a Edson Lobão.

 

Lobão é apadrinhado do presidente do Senado, José Sarney. Foi à Esplanada para preencher a cota do PMDB, não porque exibisse notório saber elétrico.

 

A despeito do seu papel estratégico, agora tonificado pela gerência do pré-sal, o ministério continua submetido às negociações trançadas sobre o balcão da baixa política. Ontem, o PFL-DEM. Hoje, o PMDB.

Escrito por Josias de Souza às 03h56

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Lula chama senadores de pizzaiolos e abre nova crise

 

- Estadão: Filho de Sarney é alvo de 5 inquéritos da PF

 

- JB: Carioca diminui lazer e aumenta poupança

 

- Correio: TCU investiga farra da terceirização na UnB

 

- Valor: Negociações de preços agitam setor de saúde

 

- Jornal do Commercio: Plano de saúde tem limite para reajuste

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

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Sob Renan, Ética é titica!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Governo recua e fecha janela para corrupção na LDO

  João Wainer/Folha
O Congresso aprovou na noite passada a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

 

Era pré-condição para que deputados e senadores saíssem em férias.

 

Conforme noticiado aqui, havia no texto um ovo de serpente.

 

Injetara-se na LDO um artigo que convidava à corrupção em obras públicas.

 

Produziu-se na sessão noturna uma boa notícia: premido pela exposição e por uma ameaça de obstrução da oposição, a bancada governista recuou.

 

Restituiu-se critério que vigora desde 2004: os preços unitários de produtos e serviços devem ser iguais ou menores à mediana de uma tabela feita pela Caixa.

 

Esses valores servem de teto nas licitações. E permitem ao TCU detectar eventuais sobrepreços.

 

A oposição prevaleceu noutro ponto: arrancou-se da LDO artigo que permitia ao governo gastar verbas de investimentos antes da aprovação do Congresso.

 

Esses investimentos serão esmiuçados no projeto de Orçamento da União de 2010, a ser enviado ao Legislativo em agosto.

 

O dinheiro só pode sair do cofre depois que a peça for aprovada pelo Congresso.

 

Em condições normais, aprova-se o Orçamento até dezembro, para que o governo entre janeiro em condições de executar os gastos.

 

O diabo é que os atrasos são usuais. Por vezes, vira-se o ano sem a votação do Orçamento. Foi o que se deu, por exemplo, no final de 2005.

 

Chegou dezembro e nada. Veio janeiro de 2006. Nada. Só em abril o Congresso se dignou a votar o Orçamento. Foram quatro meses de cofres fechados.

 

2006 era ano de eleição. 2010 também será. O receio do governo é o de que a oposição manobre para retardar também a votação do Orçamento do ano que vem.

 

Daí a tentativa de inserir na LDO a regra que permitiria ao Executivo realizar os investimentos com ou sem votação. Não colou, contudo.

 

Mas o governo não saiu da sessão noturna de maos abanando. A despeito da cara virada da oposição, o consórcio partidário de Lula prevaleceu em dois pontos:

 

1. Manteve-se na LDO a autorização para que o Executivo retire a Petrobras da meta de superávit primário. Em vez de 3,8% do PIB, a meta será de 3,3%.

 

2. Conservou-se no texto também a regra que permite excluir do cálculo do superávit um pedaço dos dispêndios feitos em obras do PAC. Coisa de 0,15% do PIB.

Escrito por Josias de Souza às 02h40

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Lula, CPI e os senadores: ‘Todos são bons pizzaiolos’

Decidido a tonificar a posição de única palmeira no gramado da política, Lula voltou a investir contra o Senado e os senadores nesta quarta (15).

 

Referiu-se à recem-instalada CPI da Petrobras com desdém: "A mim não preocupa...”

 

“...O que eu acho é que tem gestos de irresponsabilidade na constituição de uma CPI dessas”. Acha que há outras maneiras de fiscalizar a Petrobras.

 

“Você pode pedir investigações da Receita Federal, da Controladoria Geral da República, do Ministério Público, da CVM".

 

CPI, no dizer do pesidente, interessa a quem "quer fazer um Carnaval". Voltou a sacudir o lençol de um fantasma imaginário: a privatização.

 

"Por que que a turma que queria privatizá-la ontem está hoje preocupada com a Petrobras? A minha preocupação agora não é com a CPI".

 

Insinuou que seus rivais não são senão um magote de desocupados: “Enquanto a oposição grita eu trabalho”.

 

Esmiuçou o raciocínio: "A minha preocupação é que me entreguem daqui a dez dias o novo marco regulatório da Lei do Petróleo por causa do pré-sal...”

 

“...Quero anunciar ao Brasil qual será o novo marco regulatório e quero mandar para o Congresso as mudanças na lei que são necessárias”.

 

Um repórter perguntou a Lula se a mistura de pré-sal com CPI resultaria em pizza. E o presidente: "Depende. Todos eles são bons pizzaiolos".

 

As declarações de Lula viajaram no cristal líquido da internet. Chegaram ao instantaneamente ao Senado. Incendiaram o plenário.

 

“O forno de pizza não está aqui, mas do outro lado da rua”, reagiu o líder tucano Arthur Virgílio.

 

“Se o presidente não quer pizza, basta que libere a sua base de apoio. Não é justo que aturemos insultos da pessoa que mais deveria manter a linha”.

 

Cristovam Buarque (PDT-DF) cobrou reação: “A declaração do presidente exige uma tomada de posição do presidente da Casa...”

 

“...Os presidentes militares nos chamavam de comunistas e subversivos. Eram apelidos respeitosos. Pizzaiolos não! Me sinto profundamente ofendido”.

 

Autor do pedido de CPI, Alvaro dias (PSDB-PR), disse que Lula “não se dá ao respeito”. Chamou o presidente de “maior pizzaiolo do país”.

 

Disse que Lula “passou a mão na cabeça de de todos os auxiliares denunciados pela prática de ilíticos”.

 

Marisa Serrano (MS), vice-presidente do PSDB, declarou-se “indignada”. Pintou o quadro: “No momento em que Senado está fragilizado...”

 

“...Num instante em que a sociedade nos olha de forma pejorativa, o presidente, com 80% de aprovação, diz que estamos aqui assando pizzas. É muito triste”.

 

Irônico, Demóstenes Torres (DEM-GO) deu razão a Lula: “Ainda há pouco, iríamos afastar o presidente Senado...”

 

“O Sarney já tinha dito que iria sair se não houvesse o apoio do PT. O PT disse que ia pressionar...”

 

“...No outro dia, Lula enquadoru o PT. Com isso, tranformou o Senado em casa de pizzas. O presidente é o principal responsável pelo forno”.

 

“O Demóstenes tem razão”, emendou Jarbas Vaconcelos (PMDB-PE). “O incrível é que o Senado ainda se surpreenda com as atitudes Llula...”

 

“...Ele Já desmoralizou essa Casa há algum tempo. Aprofundou a desmoralização ao sair em socorro do Sarney”.

 

Para Jarbas, Lula desmoraliza também a Justiça Eleitoral: “Ontem, em Alagoas, cinicamente, num palanque pago com dinheiro público...”

 

“...Lula disse que vai eleger a sucessora. A candidata estava ao lado dele. Se isso não é campanha, não sei mais o que é campanha”.

 

Afora a exaltação que fez das qualidades culinárias dos senadores, Lula voltou a defender a permanência de Sarney no comando do Senado.

 

Acha que não há razões para renúncia: "Ora, se cada pessoa renunciar quando alguém faz uma denúncia sem prova e antes de ser provado, o Brasil não vai ter nem síndico".

 

Lula evoluiu. Antes, dissera que Sarney, pela biografia que ostenta. Não podia ser tratado como “uma pessoa comum”. Agora, já admite o óbvio:

 

"Toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. Toda denúncia carece de investigação...”

 

“...Se provada, todas as pessoas –os presidentes da República, do Senado, da Câmara e dos jornais em que vocês trabalham—têm que ser punidas".

 

Representante de um PMDB que já não existe, Ulysses Guimarães dizia: “Político é como cozinheiro: quem faz o melhor bocado nem sempre o come”.

 

Sob Lula, dá-se coisa diversa: o presidente elabora a receita, monta o forno em quintal alheio e assa a pizza”.

 

Não faz, porém, a menor questão de mastigar o seu bocado. Prefere enfiar a massa inteira goelha abaixo dos senadores. Eles estrebucham. Mas engolem.

Escrito por Josias de Souza às 20h06

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Ex-diretor qualifica Dilma de ‘madrasta da Petrobras’

  Joedson Alves/Folha
Chama-se Ildo Sauer o primeiro diretor de Gás e Energia da Petrobras na era Lula. Ocupou o posto de 2003 a 2007.

 

Na noite desta terça (14), Sauer participou do programa “Entre Aspas”, da GloboNews. Foi dedicado à CPI da Petrobras.

 

A alturas tantas, o ex-diretor disse: “Às vezes eu assemelho a Petrobras com aquela Cinderela, a Gata Borralheira, à mercê da madrasta...”

 

Uma madrasta “...que, às vezes é mais, outras vezes é menos malvada. E, neste governo, também teve sua madrasta...”

 

“...transfigurada na presença, na figura da presidente do Conselho de Administração. Eu assisti muitas coisas que eu preferia não ter visto em relação à Petrobras”.

 

A “madrasta” a que se refere Sauer é Dilma Rousseff. Ela preside o Conselho de Administração da Petrobras desde o alvorecer do governo Lula.

 

Sauer não especificou, diante das câmeras, o que assistiu na Petrobras e que não gostaria de ter visto.

 

Tornou-se, assim, candidato natural a depoente na CPI da Petrobras. A curiosidade da platéia foi açulada. E merece ser saciada.

 

As declarações de Sauer soaram no mesmo em que o tucanato levou à web o blog da CPI. O novo sítio se apressou em ecoar o ex-diretor.

 

-Serviço: Pressionando aqui, você assiste ao trecho da fala de Sauer.

Escrito por Josias de Souza às 19h02

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Miliciano de Renan virou chefão do clube de (a)Ética

Dizia Getúlio Vargas que “política é esperar o cavalo passar”. Ensina Renan Calheiros que não é bem assim. O mandachuva do PMDB não espera.

 

Renan compra os quadrúpedes, escala os bípedes que irão montá-los, contrata as apostas, ajeita o resultado, e desce ao prado munido do bilhete premiado.

 

Convertido numa espécie Jockey Clube particular de Renan, o Conselho de (a)Ética do Senado elegeu o suplente de suplente Paulo Duque para a sua presidência

 

Jóquei de Renan, Duque prevaleceu em páreo solitário. O rival, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), revelou-se cavaleiro sem montaria.

 

Valadares retirou-se do páreo. Mais: bateu em retirada do próprio clube, cujas cavalariças econtram-se viciadas.

 

Da arquibancada, a platéia observa a cena com ares de estupefação. Mesmo quem não entende de política percebe as politicagens.

 

É forte, muito forte, fortíssimo o cheiro de estrume que exala do Conselho de (a)Ética de um Senado que, por inqualificável, é cada vez mais fácil de qualificar.

Escrito por Josias de Souza às 17h50

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Renan quer ‘soldado’ na chefia do Conselho de Ética

Lula Marques/Folha

 

Insatisfeito com a obtenção de uma sólida maioria no “Conselho de Ética”, Renan Calheiros trama acomodar na presidência do colegiado um de seus soldados.

 

Chama-se Paulo Duque (PMDB-RJ). Chegou ao Senado em 2007. É segundo suplente.

 

O titular, Sérgio Cabral, renunciou para assumir o governo do Rio. O primeiro suplente, Regis Fichtner, virou secretário de Cabral.

 

Nesta terça (14), o sem-voto Paulo Duque ganhou a atenção dos holofotes ao comandar a sessão inaugural da CPI da Petrobras.

 

Octogenário, Duque é o mais velho da comissão. Por isso lhe coube chefiar a sessão até que fosse eleito o presidente efetivo.

 

Sagrou-se vencedor João Pedro (PT-AM), suplente do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM).

 

Ao transferir a presidência ao colega de suplência, Duque revelou-se um manequim excêntrico: trazia à mostra o cós da cueca (veja foto e destaque lá no alto).

 

Antes, revelara-se inovador também na interpretação do regimento do Senado. Sonegara apartes. Regulara os microfones por cima das regras.

 

Duque parecia submetido a um suplício, do qual desejava livrar-se o mais rápido possível. Os integrantes da CPI riram-se à farta.

 

A despeito da ausência de desenvoltura, Paulo Duque tornou-se o preferido de Renan Calheiros para ocupar a presidência do Conselho de Ética.

 

Aos olhos do líder do PMDB, o suplente do suplente dispõe de uma qualidade que ofusca a falta de credenciais. Sobra-lhe em fidelidade o que lhe falta em cabelos. Numa palavra: é soldado de Renan.

 

Inativo desde março, o Conselho de Ética começou a ser reativado nesta terça. Foram aprovados em plenário os nomes dos novos membros do clube.

 

Plantou-se no colegiado um placar de 11 a quatro a favor de José Sarney, protagonista de um par de representações por quebra de decoro.

 

Renan, ele próprio alvejado por uma representação do PSOL, achou pouco. Não lhe interessa nada aquém do controle absoluto.

 

Levado ao conselho na vaga do PSB, Antonio Carlos Valadares (SE) também cobiça a cadeira de presidente. Parecia favorito. Porém...

 

Porém, Renan pôs-se a conspirar contra Valadares. É eleitor de Sarney. Não aderiu ao “fora, presidente”. Mas não devota a Renan uma lealdade à Duque, incondicional.

 

O presidente do conselho deveria ter sido eleito nas pegadas da sessão da CPI. Renan cuidou de provocar o adiamento. Por ele, a coisa seria empurrada para agosto.

 

Foram a campo os mandachuvas do PSDB e do DEM. Ameaçam bloquear a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, condição para o início do recesso.

 

O abacaxi terá de ser descascado nesta quarta (15). À falta de acordo, Valadares e Duque terão de medir forças no voto. Um teste para o prestígio de Renan, aparentemente infinito.

Escrito por Josias de Souza às 06h41

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Lei do Orçamento traz artigo que facilita a corrupção

Governo quer eliminar 'teto' para os preços em licitações

Se aprovada, regra limitará poder de fiscalização  do TCU

Projeto consta da pauta desta quarta-feira no Congresso

 

Sérgio Lima/Folha

 

Num instante em que a crise Sarney monopoliza os holofotes, trama-se no Congresso um golpe contra a Viúva.

 

Injetou-se na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do ano de 2010 um artigo que convida à corrupção nas licitações de obras públicas.

 

O ovo de serpente vai a voto nesta quarta (15), numa sessão do Congresso, que reúne deputados e senadores.

 

Pelas regras atuais, há um teto para a fixação dos preços unitários cobrados por empreiteiras que executam obras públicas.

 

Deseja-se aprovar uma nova regra. Na prática, elimina o pé-direito dos preços. O limite passa a ser o céu.

 

O tema é técnico e enfadonho. Obrigatório, contudo. Vai abaixo um resumo da ópera em 20 atos:

 

1. A LDO foi criada pela Constituição de 88. É um projeto que o Executivo é obrigado a submter anualmente à consideração do Legislativo. Serve para fixar as regras que norteiam a elaboração do Orçamento da União para o ano seguinte.

 

2. Sua aprovação antecede, portanto, a votação da LOA (Lei de Orçamento Anual). Pois bem, na LDO de 2010, último ano da gestão Lula, o governo injetou, sem alarde, um festim.

 

3. Na peça original, consta do artigo 110. Trata da fixação dos preços de produtos e serviços orçados por empreiteiras. Desde 2004, os projetos de LDO fixavam um teto. Cada preço unitário tinha de ser “igual ou menor” do que a mediana do Sinape.

 

4. Sinapi é a sigla de Sistema Nacional de Preços e Índices da Construção Civil. É coisa da Caixa Econômica Federal, feita a partir de pesquisa do IBGE sobre preços de insumos e serviços usados em obras. Traz os valores mínimos, máximos e médios de tudo –da brita ao azulejo.

 

5. Na nova LDO, o governo suprimiu a expressão "igual ou menor". Trocou-a por "com base" na mediana do Sinape. Vai ao espaço o parâmetro que segurava o preço das obras e servia de base para as auditorias do Tribunal de Contas da União.

 

6. Na raiz da mudança está a ojeriza de Lula pelo controle de gastos. O presidente diz que, submetido à malha fiscalizatória de hoje, Juscelino não teria fieto Brasília.

 

7. São três os argumentos esgrimidos pelo governo para flexibilizar os controles que incomodam Lula.

 

8. O primeiro raciocínio é o Sinapi não seria aplicável em todos os Estados. Lorota. A tabela da Caixa Econômica traz valores específicos para as 26 capitais e para o DF.

 

9. A segunda tese é a de que o TCU estaria tomando por graves os deslizes que são negligenciáveis –o sobrepreço de fechaduras, por exemplo. Tolice. A própria LDO define, desde 2003, o que é uma irregularidade grave. Vai além das fechaduras.

 

10. A terceira razão seria a reiteração das ordens do TCU para a paralisação de obras e a demora no julgamento dos processos. Lero-lero. Não é atribuição do tribunal interromper obras. Ele informa ao Congresso sobre as irregularidades que detecta.

 

De posse dos dados, a Comissão de Orçamento pode paralisar ou não a execução física e a liberação de obras condenadas pelo TCU.

 

11. No Congresso, o projeto de LDO do Executivo foi às mãos do deputado Wellington Roberto (PR-PB), relator da Comissão de Orçamento. É um representante da ordem do baixo clero. Um tipo de parlamentar que encanta as empreiteiras. Aninha-se nas dobras do Orçamento e se liga ao altíssimo clero do governo na definição do ritmo das grandes obras.

 

12. Espantado com a desenvoltura dos sacerdotes, o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, mandou ao Legislativo as suas patrulhas. Junto com assessores técnicos da Comissão de Orçamento, auditores do tribunal gritam desde a semana passada.

 

13. Alertam: sob as novas regras, o preço das obras vai à Lua. Pior: sem o parâmetro da mediana do Sinapi, o TCU perde a capacidade de pilhar o sobrepreço. Premido, o relator Wellington acenara com a hipótese de restabelecer a regra antiga. Mas deu meia-volta.

 

14. O texto liberalizante do governo passou na Comissão de Orçamento. Foi ao plenário. Ubiratan Aguiar pendurou-se ao telefone. Ligou para vários parlamentares. Súbito, Wellington Roberto afastou-se da relatoria. Alegou doença. Diz-se que foi adoecido pelo consórcio governista.

 

15. Há dois dias, assumiu o posto de relator João Leão (PP-BA), outro sacerdote dos baixios da Comissão de Orçamento. O presidente do TCU brindou-o com um telefonema. Suplicou por bom senso. Leão, irredutível, tomou chá de sumiço.

 

16. A LDO constava da pauta desta terça (14). Mas a sessão foi bloqueada pela oposição. PSDB, DEM e PPS condicionam a votação, transferida para a tarde desta quarta (15) a alterações no texto.

 

17. Afora a volta do teto do Sinapi, os oposicionistas pedem a supressão de mais dois jabutis levados aos galhos da LDO pelas maos do governo.

 

18. O primeiro autoriza o Executivo gastar no exercício seguinte, verbas de investimentos que deixou de executar no ano de vigência do Orçamento. Mesmo que o novo Orçamento não tenha sido aprovado pelo Congresso.

 

19. O segundo exclui a dinheirama das obras do PAC do cálculo do superávit primário.

 

20. De resto, a oposição aproveita a encrenca orçamentária para condicionar a votação da LDO à eleição do presidente do Conselho de Ética do Senado. A apreciação da LDO é pré-condição para o início do recesso parlamentar. Os congressistas só podem sair em férias depois de votar o projeto.

Escrito por Josias de Souza às 05h35

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Aposentados devem ganhar mais que a inflação, diz Lula

 

- Folha: IPI menor e confiança maior puxam comércio

 

- Estadão: Oposição acua Sarney e governo blinda investigação

 

- JB: "Brasil agiu certo mas agora chega"

 

- Correio: Comércio provoca rombo de R$ 200 milhões em impostos

 

- Valor: Números do 2º trimestre já mostram PIB em expansão

 

- Estado de Minas: Por que o Cruzeiro deve ser Tri

 

- Jornal do Commercio: Compesa vai jogar devedores no SPC

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h26

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Esquadrão da sobrevida!

Benett

Via blog do Benett.

Escrito por Josias de Souza às 05h23

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Lula insinua que a oposição quer privatizar Petrobras

Escrito por Josias de Souza às 19h28

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Aberta a PetroCPI: governo faz o presidente e relator

Acomodada na ante-sala de 2010, a CPI da Petrobras foi finalmente instalada no Senado.

 

Valendo-se de sua supramacia numérica, a patrulha do governo impôs a tucanos e demos um comando chapa branca.

 

Eleito presidente, o petista João Pedro (AM) indicou o peemedebista Romero Jucá (RR), líder de Lula, para o posto de relator.

 

Cumpridas as praxes regimentais, João Pedro serviu à oposição o calmante do recesso.

 

Marcou para 6 de agosto, depois das férias, a primeira sessão deliberativa da comissão.

 

Até lá, os dois lados vão estocar munição. A tropa do governo mira a gestão FHC. A oposição, volta os olhos para a era Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h25

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Maioria pró-Sarney no Conselho de Ética é de 11 a 4

Joedson Alves/Folha

 

Como previsto, o Senado aprovou os nomes dos novos membros do velho Conselho de Ética. Quem sonhava com um abatedouro terá de se contentar com um clube.

 

São 15 os associados. Pelo menos onze comungam de uma mesma tese: José Sarney não merece ser tratado como uma pessoa comum.

 

Os adversários de Sarney farão barulho. Mas não devem ser tomados a sério. O jogo do conselho está jogado. A goleada pró-Sarney é fato consumado.

 

As duas representações formuladas contra o pseudopresidente do Senado serão agora varridas para baixo do recesso parlamentar de julho.

 

Ainda que a algaravia sobreviva ao marasmo das férias, os processos estão condenados ao sufocamento pelo voto.

 

No gogó, o DEM prega o afastamento de Sarney. Mandou ao conselho de ética três senadores. Só um –Demóstenes Torres— quer o escalpo do presidente.

 

Os outros dois –Heráclito Fortes e Eliseu Resende— defenderam Sarney na reunião de bancada em que o rompimento foi debatido.

 

O PMDB enviou ao concílio de éticos três milicianos de Renan Calheiros –Wellington Salgado, Almeida Lima e Paulo Duque— e um acólito de Sarney –Gilvan Borges.

 

Pelo PTB foi ao conciliábulo Gim Argello, um líder de mentirinha, que submete sua liderança às vontades de Renan.

 

Pelo PT, falará no conselho João Pedro, um senador rendido à tese de que a “governabilidade” vale mais do que a história de seu partido.

 

Para encurtar a conversa, vão abaixo os nomes dos titulares do clube, divididos por times:

 

- Time de Sarney: Heráclito Fortes (DEM-PI), Eliseu Resende (DEM-MG), Wellington Salgado (PMDB-MG), Almeida Lima (PMDB-SE), Gilvam Borges (PMDB-AP), Paulo Duque (PMDB-RJ), Gim Argello (PMDB-DF), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), João Pedro (PT-AM), João Ribeiro (PR-TO) e Inácio Arruda (PC do B-CE).

 

- Equipe adversária: Demóstenes Torres (DEM-GO), Marisa Serrano (PSDB-MS), Sérgio Guerra (PSDB-PE) e João Durval (PDT-BA).

 

O signatário do blog inclui o pedetista João Durval na escalação do time oposicionista apenas para atenuar o vexame.

 

O PDT declarou-se a favor do afastamento de Sarney. Mas, dos cinco senadores que representam o partido no Senado, Durval é o que demonstra menor entusiasmo.

 

No seu caso, a virada de casaca ou a migração para a abstenção pode ocorrer com a velocidade de um drible.

Escrito por Josias de Souza às 18h16

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Com Collor, Lula faz pa©mício pró-Dilma em Alagoas

Veja mais detalhes aqui.

Escrito por Josias de Souza às 15h58

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Senado aprova nesta 3ª nomes do Conselho de Ética

Angeli

 

Está programada para esta terça (14) a votação em plenário dos nomes que vão integrar o Conselho de Ética do Senado. A despeito da crise ética que assola a Casa, o órgão está desativado desde março.

 

Só na semana passada os partidos se dignaram a indicar os seus representantes no colegiado. São 15 titulares e igual número de suplentes.

 

Uma vez aprovados os nomes, a instalação do conselho passará a depender apenas de um acordo dos líderes partidários.

 

A oposição pressiona para que a primeira reunião seja feita antes do recesso parlamentar, de preferência ainda nesta terça. Renan Calheiros, líder do PMDB, faz corpo mole. Previsível.

 

Como primeira missão, o conselho terá de analisar duas representações formuladas contra José Sarney –uma do PSOL; outra do líder tucano Arthur Virgílio.

 

Há na fila também uma representação do PSOL contra o próprio Renan, acusado de coresponsabilidade na edição de atos secretos.

 

Numa escala de zero a dez, as chances de prosperaram os processos são, hoje, de menos um. Sarney e REnan dispõem de maioria no conselho.

 

De resto, os aliados do ex-presidente e do atual pseudopresidente do Senado invocam uma velha jurisprudência do Legislativo.

 

Reza a tradição que congressistas não podem ser julgados por malfeitos praticados antes do início do mandato. No caso de Sarney, o mandato que está em curso começou em 2006.

 

Alega-se que as acusações que lhe são imputadas –atos secretos e suposta malversação de verbas na Fundação José Sarney—são anteriores.

 

No tocante à fundação, Sarney cometeu um deslize que empurrou o problema para dentro do atual mandato.

 

Ao se defender em plenário, o senador declarou que nada tem a ver com a gestão da fundação que leva o seu nome.

 

Verificou-se depois que Sarney é presidente vitalício da fundação. Comanda o conselho curador. Pelo estatuto, assume “responsabilidades financeiras”.

 

Demostenes Torres (GO), que representa o DEM no Conselho de Ética, disse que a lorota sujeita Sarney a processo por quebra de decoro parlamentar.

 

Na semana passada, Demostenes já havia chamado a atenção para um detalhe que vinha passando despercebido.

 

Em 2007, nas pegadas da crise que arrancara Renan Calheiros da presidência do Senado, aprovou-se uma mudança de rito nos processos por falta de decoro.

 

Estabeleceu-se que, uma vez aberto o processo, o senador acusado teria de deixar a Mesa diretora da Casa. A regra se aplicaria agora ao caso de Sarney.

 

Mas, para que seja aplicada, é preciso que as representações formuladas contra o presidente do Senado sejam aceitas. Algo bastante improvável, por ora.

Escrito por Josias de Souza às 05h04

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CPI da Petrobras invadirá calendário político de 2010

Tática da protelação empurrou comissão para ano eleitoral

Um problema para Dilma, que  preside  conselho da estatal

Lula reclama coesão, mas  PMDB e PT  vão à CPI desunidos

Oposição vai preservar o diretor petista que gere o pré-sal

 

Lula Marques/Folha

 

Está marcada para a tarde desta terça (14) a instalação da CPI da Petrobras. Deveria ter começado em maio. Mas, por ordem de Lula, o governo postergou.

 

No plano original, o Planalto tramara sepultar a CPI, negando-lhe o quorum mínimo para funcionar. Porém, a estratégia malogrou no STF.

 

O Supremo nem precisou se manifestar. Ouvido informalmente, o ministro Gilmar Mendes, presidente do tribunal, disse que a CPI é direito da minoria.

 

Ficou claro que o STF deferiria o mandado de segurança que o PSDB ameaçara protocolar. E José Sarney foi compelido a se antecipar.

 

Além de marcar data e hora, o presidente do Senado determinou, por escrito, que a CPI começasse a funcionar qualquer que fosse o quorum.

 

O governo vê-se agora diante de um problema que criou para si mesmo: empurrou a CPI da Petrobras para dentro do calendário eleitoral de 2010.

 

O prazo de funcionamento da CPI é de seis meses. Se houvesse começado em maio, como queria a oposição, acabaria em dezembro.

 

Instalada nesta terça, só começará a funcionar de fato em agosto, depois do recesso do meio de ano. No melhor cenário, arrasta-se até fevereiro do ano que vem.

 

Na pior hipótese, a oposição prorroga a encrenca por mais seis meses, jogando a CPI para agosto de 2010. Basta que obtenha o apoio de 27 senadores.

 

A sobreposição do calendário da CPI com a folhinha da eleição impõe riscos à ministra e presidenciável Dilma Rousseff.

 

A candidata de Lula é presidente do conselho de Administração da Petrobras. A descoberta de eventuais malfeitos pode afetar-lhe a imagem.

 

Para evitar que a nova CPI Lula lhe fuja ao controle, Lula cobra fidelidade do bloco partidário que dá suporte ao governo no Senado.

 

Tomado pelo peso numérico, o governo desce ao campo de batalha em condições de esmagar o inimigo. Vai à CPI com oito dos onze votos disponíveis.

 

O problema é que, no front do Senado, a supramacia numérica nem sempre se traduz em triunfo. Ali, o governismo flerta constantemente com a traição.

 

PMDB e PT, sócios majoritários do consórcio governista, comparecem à investigação com interesses distintos. Cada um quer proteger o seu pedaço na Petrobras.

 

Líder do PMDB, Renan Calheiros age para proteger Sérgio Machado, um ex-senador que acomodou na presidência da Transpetro, braço fluvial da estatal.

 

De resto, oferece escudo ao presidente do Senado, empurrado para a CPI graças à acusação de que a Fundação José Sarney desviou verbas de patrocínio da Petrobras.

 

O petismo prioriza a blindagem de nacos da estatal submetidos ao comando de diretores ligados ao PT.

 

Hoje, o governo receia mais o PMDB do que a oposição. Renan controla pelo menos três das oito votos da tropa oficial. É uma espécie de fiel da balança.

 

Mantendo-se leal a Lula, aniquila os movimentos do PSDB e do DEM. Na hipótese de adotar o papel de Silvério, converte a rotina do Planalto num inferno.

 

A oposição vai protocolar já nesta terça um lote de mais de 15 requerimentos. Tratam da requisição de documentos e da convocação de depoimentos.

 

Só serão votados em agosto. Prevalecendo a lógica, o governo rejeita todos eles, repetindo uma tática já adotada na CPI das ONGs, que patina há dois anos.

 

Presidente do PSDB e membro da CPI, Sérgio Guerra (PE) acha que a mimetização da estratégia das ONGs não vai funcionar.

 

“Na CPI das ONGs, havia dificuldade de distinguir o que era importante. Com a Petrobras é diferente...”

 

“...Há muita informação, a vulnerabilidade da empresa é grande e a opinião pública está de olho”.

 

Dono de linguagem fácil, Lula planeja retomar o discurso que cola na oposição a pecha de “impatrióticos” e “irresponsáveis”.

 

Como antídoto, PSDB e DEM sustentarão a tese da investigação técnica. Dirão que agem não para prejudicar a Petrobras, mas para protegê-la dos “malfeitores”.

 

Como evidência da “seriedade de propósitos”, Sérgio Guerra diz que será preservado na investigação o diretor petista responsável pela exploração do pré-sal, cujas regras o governo apressou-se em divulgar.

 

“Todas as informações que nos chegam indicam que o doutor [Guilherme] Estrella [diretor de Exploração e Produção da Petrobras] é sério. Não nos interessa investigá-lo”, diz Sérgio Guerra.

 

Inicialmente, vai à mira da oposição outro petista: Wilson Santarosa, gerente-executivo de Marketing da Petrobras.

 

Pretende-se esquadrinhar também a gestão de Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento, um apadrinhado do PP.

 

“Hoje, esse diretor de Abastecimento atende a interesses pluripartidários”, diz Sérgio Guerra.

 

Confiante, Lula acha que a CPI, a despeito do barulho, dará em nada. O último a fazer um vaticínio semelhante foi o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC).

 

Na pele de coordenador político do governo Collor, Bornhausen previra o fracasso da CPI do PC Farias. Deu no impeachment do presidente.

 

Fernando Collor, aliás, integra a CPI da Petrobras como representante do PTB. No gogó, diz que não tomará parte de nenhuma “tropa de choque” governista.

Escrito por Josias de Souza às 04h32

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Sarney anula atos secretos, mas nomeados não perdem cargos

 

- Folha: Manchete: Sob pressão, Sarney revê atos secretos

 

- Estadão: Sarney anula atos secretos, mas efeito não é imediato

 

- JB: Procura por crédito sobe a nível pré-crise

 

- Correio: O perigo do preço baixo nos planos de saúde

 

- Valor: Preservação ambiental terá apoio do BNDES

 

- Estado de Minas: OMS diz que gripe saiu do controle

 

- Jornal do Commercio: Acidente deixa cinco mortos na BR-232

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h27

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Imortal!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 04h13

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OAB: Não basta anular ato secreto, tem de ‘ressarcir’

  Marcello Casal/ABr
O presidente da OAB, Cezar Britto, disse ao blog que a simples anulação dos atos secretos do Senado “não encerra o problema”.

 

“Se não foi publicado, o ato precisar ser anulado. Porém, isso não é o mais importante”, disse Britto.

 

“É preciso identificar a autoridade que gerou o ato nulo, puni-la na forma da lei e providenciar o ressarcimento ao erário do dinheiro gasto”.

 

Quem deve arcar com a reparação? Segundo Britto, cabe às autoridades responsáveis pela edição dos atos secretos devolver o dinheiro ao Tesouro.

 

Britto compara o malfeito do Senado a uma chaga que infelicita as prefeituras: a contratação de servidores sem concurso.

 

“Vários prefeitos contratam sem concurso. Essas contratações são ilegais. São atos nulos, segundo a própria Constituição...”

 

“...Os tribunais têm reconhecido a nulidade desse tipo de contratação...”

 

“...Mas há jurisprudência no sentido de que não cabe ao servidor de boa-fé devolver o dinheiro, porque ele trabalhou...”

 

“...Os juízes têm remetido os processos ao Ministério Público, para que seja providenciada a ação contra os prefeitos que, agindo de má-fé, causam o prejuízo...”

 

“...O mesmo se aplica ao caso do Senado. A declaração de nulidade de atos secretos não encerra o problema. É preciso levantar o prejuízo e ressarcir o erário...”

 

“...Servidores de boa-fé não são obrigados a devolver o que receberam. Mas as autoridades que causaram o ato, essas são, sim, obrigadas a reparar o dano".

 

Segundo Britto, caso se identifique ato que tenha servido para contratar servidores fantasmas, quem recebeu sem trabalhar responde solidariamente pelo ressarcimento.

 

Comissão de sindicância do Senado atribuiu a dois ex-diretores a responsabilidade pelos atos secretos: Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

 

Não foi apontada a participação de nenhum senador, nem mesmo os que integraram as mesas diretoras na época da edição dos atos.

 

Há, porém, uma investigação independente em curso. O Ministério Público também esquadrinha os atos secretos. Na semana passada, foi acionada a Polícia Federal.

 

Espera-se que, ao final do inquérito, venham à luz os nomes dos detentores de mandatos que se escondem atrás do ex-diretor-geral e do ex-diretor de RH.

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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De Tarso para Yeda: ação da PF é ‘serena e imparcial’

Acusado pela governadora gaúcha Yeda Crusius de “vazar” dados contra ela, o ministro Tarso Genro (Justiça) divulgou uma nota.

 

No texto, o ministro anota que a Polícia Federal limita-se a cumprir o “seu dever constitucional e legal”.

 

Escreve que a PF realiza trabalho “sereno e imparcial”. Age por provocação do Ministério Público e da Justiça.

 

O ministro afirma, de resto, que a PF não se mete em “polêmicas políticas”.

 

Limita-se a investigar “fatos supostamente delituosos, não pessoas nem partidos”.

 

Vai abaixo a íntegra da nota do ministro:

 

 

“Diante de matérias veiculadas na imprensa nesta segunda-feira (13), o Ministério da Justiça afirma:

 

1. As instituições sob o comando do Ministério da Justiça se mantêm dentro do estrito cumprimento do seu dever constitucional e legal.

 

2. Instituições como a Polícia Federal têm feito um trabalho sereno e imparcial, reconhecido nacionalmente, agindo sempre a partir de mandados do Ministério Público e do Poder Judiciário. Jamais intervém em polêmicas políticas e jamais assume posição de parte nos debates entre partidos ou personalidades políticas.

 

3. É necessário reafirmar que a Polícia Federal, no cumprimento de seu dever constitucional, investiga fatos supostamente delituosos, não pessoas nem partidos.

 

4. O Ministério da Justiça, no Estado Democrático de Direito, continuará a cumprir o seu dever, em todos os estados do país, com a seriedade que suas atribuições determinam, sem qualquer preocupação com o vínculo ideológico ou partidário de seus governantes.

 

Tarso Genro
Ministro de Estado da Justiça
Brasília, 13 de julho de 2009

Escrito por Josias de Souza às 18h24

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Múcio: crise do Senado vive sua ‘fase de superação’

Lula reuniu o ministério nesta segunda (13), na Granja do Torto.

 

Na abertura do encontro, fez-se uma análise da conjuntura política.

 

Foi à mesa, por inevitável, a crise que carcome as entranhas do Senado.

 

Coube ao ministro José Múcio (Coordenação Política) falar aos repórteres.

 

Disse que Lula e seus ministros lamentam a encrenca que engolfa o Senado.

 

Mas acham que a crise já se encontra “em fase de superação”.

 

O governo vê “superação” onde a platéia enxerga acomodação.

 

Bafejado pelo apoio irresoluto de Lula, José Sarney vai ficando.

 

Como disse Lula, Sarney não pode ser tratado como “uma pessoa comum”.

 

Para o pseudopresidente do Senado, a lei é flexível.

 

Fernando Sabino já ensinou: “Dura lex, sed lex: a lei é dura, mas é lei...”

 

“Mas, para os ricos é dura lex, sede latex: a lei é dura, mas estica”.

Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Sarney anula atos secretos que ele dizia inexistentes

Fábio Pozzebom/ABr

 

A cena ainda não aconteceu. Mas, no universo fantástico do Senado, não é desarrazoado que venha a ocorrer. Aconteceria assim:

 

Mesa do Senado reunida, sob a presidência de Sarney. Súbito, um assessor fantasma, nomeado por ato secreto, salta de dentro da parede.

 

Atônitos, os membros da mesa observam o lençol branco que paira acima dos escândalos. O assessor secreto, voz grave, comunica a Sarney:

 

“Presidente, a descarga não está funcionando!”

 

Sarney é protagonista de uma presidência de realismo fantástico. Do tipo em que o irreal é cotidiano e o estranho é comum.

 

Como que decidido a evitar o que já ganhou contornos de inevitável, Sarney anunciou nesta segunda (13) uma decisão que se esquivava de adotar.

 

Mandou anular todos os 663 atos secretos editados no Senado nos 14 anos da era Agaciel Maia. Repetindo: todos!

 

Sarney fez mais: determinou ao diretor-geral Haroldo Tajra que apresente, em 30 dias, um plano de recuperação dos pagamentos feitos indevidamente.

 

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Há duas semanas, discusando da tribuna, Sarney dissera:

 

“Não sei o que é ato secreto. Aqui ninguém sabe o que é ato secreto!” De repente, manda anular o que dizia inexistir.

 

Recém-nomeado, o diretor-geral Haroldo Tajra não se atrevera a negar o inegável. Mas via os atos secretos como peças não anuláveis.

 

Dizia que “99%” serviram para nomear ou exonerar pessoas. Gente que, no dizer dele, prestara serviços ao Senado.

 

Agora, além de digerir a anulação do que supunha definitivo, Tajra terá de trazer de volta as verbas arrancadas da bolsa da Viúva, veneranda e indefesa senhora.

 

Deve-se o aparente despertar de Sarney ao Ministério Público, que endereçou ao pseudopresidente do Senado um ofício.

 

No texto, procuradores aconselharam a anulação dos atos clandestinos. Depois, acionaram a Polícia Federal para investigar o absurdo.

 

Diante do cheiro de queimado, Sarney foi como que arrancado da letargia. Tenta livrar-se da aparência de personagem de Gabriel García Márquez.

 

Parece fugir da frase fatídica: “Presidente, a descarga não está funcionando!”

 

- Atualização feita às 18h30 desta segunda (13): A decisão de Sarney, que parecia soberana e definitiva, não é consensual nem peremptória.

 

O primeiro-secretário Heráclito Fortes diz que, a seu juízo, a “anulação” dos atos secretos depende de aprovação da Mesa diretoria do Senado.

 

De resto, divulgaram-se informações que conferem à “decisão” de Sarney ares de pantomima.

 

Os “servidores” pendurados na folha por meio de atos secretos não serão necessariamente demitidos. Caberá a cada senador decidir o que fazer.

 

Ah bom!

Escrito por Josias de Souza às 17h16

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Yeda vê digitais de Tarso Genro em denúncias no RS

  Folha
Em reuniões com secretários de governo e conselheiros políticos, a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) decidiu recorrer ao ataque como tática de defesa.

 

Um de seus principais alvos é o ministro Tarso Genro (Justiça), pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul.

 

Yeda e seus correligionários enxergam as digitais de Tarso, chefe da Polícia Federal, nos “vazamentos” que tisnam a imagem da gestão tucana.

 

Acham que o ministro age em dobradinha com a filha e deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS), acusadora contumaz de Yeda.

 

Não é a primeira vez que o tucanato gaúcho tenta pôr de pé a tese da conspiração petista urdida por Tarso Genro.

 

Em ocasiões anteriores, o ministro dera de ombros. A julgar pela estratégia esboçada pelo time de Yeda no final de semana, talvez tenha de se pronunciar de novo.

 

A tática da governadora e de seus aliados assemelha-se à estratégia do malandro de rua. Do tipo que, pilhado batendo a carteira, desce rua abaixo gritando “pega ladrão”.

 

Encontra-se na Procuradoria-geral da República, em Brasília, uma carta redigida por Lair Ferst -empresário, lobista e ex-coletor das arcas eleitorais do tucanato gaúcho.

 

No texto, Ferst empilha um lote de 20 acusações. Vão de caixa dois na campanha de Yeda a verbas de má origem na aquisição de uma mansão da governadora.

 

Tomada pelo lado político, a tática de arrastar Tarso Genro para a encrenca tem eficácia duvidosa. Vista pelo ângulo jurídico, o efeito é nulo.

 

As acusações que pendem sobre o penteado de Yeda reclamam explicações. Ou a governadora dispõe delas ou não as tem. É simples assim.

Escrito por Josias de Souza às 04h17

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Os papagaios, as donas zelosas e a tolice ‘ambiental’

Escrito por Josias de Souza às 03h35

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Senadores afirmam que Sarney ‘mentiu’ em plenário

  Fábio Pozzebom/ABr
"Quero dizer que eu não tenho nenhuma responsabilidade administrativa naquela fundação".

 

A frase acima é de José Sarney. Ele a balbuciou no microfone da presidênca do Senado, diante das lentes da TV. Era lorota.

 

Sarney fora compelido a falar para se defender de um discurso que acabara de ser pronunciado, da tribuna, pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

 

Referindo-se à notícia de que a Fundação José Sarney desviara R$ 500 mil de um patrocínio recebido da Petrobras, Dias dissera que o tema iria à CPI da Petrobras.

 

Dois dias depois de Sarney ter tentado se desresponsabilizar, viria à luz o estatuto da Fundação Sarney. O documento anota o seguinte:

 

1. Além de fundador, Sarney é “presidente vitalício” da fundação que leva o nome dele.

 

2. O senador preside o conselho curador da entidade.

 

3. Reza o estatuto, textualmente, que Sarney assume à frente da fundação “responsabilidades financeiras”.

 

4. Por isso, dispõe de “poder de veto” no conselho.

 

Representante do DEM no Conselho de Ética do Senado, Demóstenes Torres (GO) afirma:

 

"A mentira configura quebra de decoro. É coisa para perder o mandato".

 

Alvaro Dias dá um passo adiante. Acha que a lorota precisa ser investigada pelo conselho: "De boa ou má-fé, houve uma falsa informação".

 

A assessoria de Sarney argumenta que, por procuração, ele delegou ao amigo José Carlos Sousa Silva a atribuição de presidir –“em exercício”— a fundação.

 

Lendo-se a tal procuração, verifica-se que Sarney não abriu mão do controle da entidade. Tampouco abdicou da presidência vitalícia.

 

Limita-se a conferir a José Carlos a atribuição de substituí-lo no comando da Fundação Sarney na sua “ausência”.

 

As suspeitas que assediam Sarney, por vultosas, já não cabem nas explicações que o presidente do Senado tenta prover.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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Em Pernambuco, popularidade de Lula bate em 84%

  Ricardo Nogueira
A 18 meses do final do seu segundo mandato, Lula é um presidente popularíssimo em Pernambuco, seu Estado natal.

 

Pesquisa encomendada pelo Diário de Pernambuco ao instituto Exatta constatou que a gestão Lula é aprovada por 84% dos pernambucanos.

 

A cifra resulta da soma dos entrevistados que avaliaram o governo como ótimo (47%) ou bom (37%).

 

Apenas 12% consideraram a administração Lula regular. Só 2% dos entrevistados tacharam o governo ruim. E outros 2%, péssimo.

 

Tudo isso depois de Lula ter dito que José Sarney, tomado pela biografia que ostenta, não deve ser tratado como “uma pessoa comum”.

 

A julgar pela generosidade que lhe é dispensada pelo eleitor, Lula parece dispor de salvo-conduto para dizer o que bem entender.

 

Ainda que se animasse a defender Fernandinho Beira Mar, seu prestígio talvez permanecesse intocado.

 

-Serviço: Confira aqui os dados gerais da pesquisa.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Saúde: Fundação estatal poderá modernizar 2 mil hospitais

 

- Folha: Procuradoria multa doadores eleitorias em 390 milhões

 

- Estadão: Multinacionais retomam investimentos no Brasil

 

- JB: A violência desce o morro

 

- Correio: Senado gasta R$ 1 milhão ao ano com time reserva

 

- Valor: Bancos médios captam R$ 9,1 bi e afastam crise

 

- Jornal do Commercio: Sport vence e sai da degola

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Dona Lula e seus dois partidos!

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Oposição deseja ouvir a secretária da Receita na CPI

  Antônio Lacerda/Efe
Por determinação de José Sarney, instala-se nesta terça-feira (14), depois de três adiamentos, a CPI da Petrobras.

 

No mesmo dia, a oposição vai protocolar na comissão um lote de mais de 15 requerimentos. Estão todos prontos, exceto um.

 

O último dos requerimentos inaugurais será redigido nesta segunda (13). Pede a convocação da secretária demitida da Receita, Lina Maria Vieira.

 

Lina foi comunicada há três dias acerca de sua demissão, que será oficializada nos próximos dias.

 

Na conversa, o ministro Guido Mantega (Fazenda), superior hierárquico da Receita, invocou a Petrobras como um dos pretextos para o afastamento.

 

Na gestão de Lina, a Receita pôs a Petrobras sob fiscalização. A estatal foi notificada a apresentar documentos ao fisco.

 

A encrenca começou em maio. Descobriu-se que a Petrobras, por meio de uma manobra contábil, reduzira em R$ 4,3 bilhões os tributos que teria de recolher.

 

Lula e a ministra Dilma Rousseff (CasaCivil) ficaram tiriricas com a ação da Receita. Saíram em defesa da Petrobras.

 

O problema levantado pela Receita é um dos itens mencionados no pedido de convocação da CPI, de autoria do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

 

Deve-se à assessoria de Álvaro a redação dos requerimentos que serão levados pela oposição à CPI, entre eles o que convoca o depoimento de Lina Vieira.

 

Os documentos serão assinados pelos três senadores que representam a oposição na comissão: o próprio Alvaro, Sérgio Guerra (PSDB-PE) e ACM Jr. (DEM-BA).

 

A maior parte dos requerimentos trata da requisição de papéis que integram investigações abertas pela PF e Ministério Público e auditorias do TCU.

 

Deseja-se trazer esse papelório, boa parte dele protegido por sigilo processual, para dentro da investigação da CPI.

 

À PF e ao Ministério Público, serão solicitados documentos relativos a três inquéritos que envolvem a Petrobras:

 

1. Operação Castelo de Areia: Investiga crimes atribuídos à construtora Camargo Corrêa. Um deles diz respeito ao superfaturamento das obras de uma refinaria da Petrobras. Chama-se Abreu e Lima. Fica em Recife.

 

2. Operação Águas Profundas: Apura malfeitos praticados na construção de plataformas da Petrobras.

 

3. Royalties: A PF esquadrinha suspeitas que envolvem a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e prefeituras. Trata do pagamento de royalties da exploração de petróleo.

 

A simples apresentação dos requerimentos não significa que serão aprovados. A oposição é minoritária da CPI. De onze votos, detém apenas três.

 

Para reforçar o controle absoluto da investigação, o consórcio governista decidiu assegurar para si os postos de presidente e relator da CPI.

 

A presidência vai às mãos de um petista, provavelmente João Pedro (AM).

 

Caberá ao PMDB a relatoria. O Planalto quer Romero Jucá (RR). Mas o líder peemedebista Renan Calheiros (AL) ainda não deu o seu assentimento.

 

Ciente das dificuldades que vai arrostar para aprovar qualquer coisa na CPI, a oposição já esboçou a sua estratégia.

 

O tucano Álvaro Dias repetiu ao blog que, derrubados na comissão, os requerimentos serão convertidos em representações ao Ministério Público.

 

A estratégia é endossada pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra. “É a forma que temos para não permitir que os assuntos sejam enterrados”, disse ele.

Escrito por Josias de Souza às 19h23

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Saulo Ramos sobre Sarney: Pode repetir-se o castigo

   Alan E. Cober

 

Titular da pasta da Justiça na era Sarney, o advogado Saulo Ramos saiu em defesa do amigo.

 

Em artigo levado às páginas da Folha, Saulo realça os “serviços prestados ao Brasil” por Sarney.

 

Espanta-se com o fato de o ex-presidente da República ter virado, do dia para a noite, “o alvo de todas as raivas”.

 

Em nome da pluralidade de opiniões, o signatário do blog reproduz abaixo o artigo de Saulo Ramos:

 


“Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis.

 

Já às vésperas das eleições para a Presidência da República e para o Congresso, com renovação de dois terços do Senado, a empreitada seria temerária. Ele seria o primeiro alvo.


Aceitou a candidatura já provocando o primeiro impossível: PSDB e PT juntos do lado contrário. E cometeu a segunda impossibilidade: ganhou as eleições.


A despeito de sua história de serviços prestados ao Brasil, a despeito de uma vida parlamentar de mais de 30 anos sem nenhuma acusação, tornou-se, de uma hora para a outra, o alvo de todas as raivas, a Geni de todos os ansiosos para virar notícia de jornal, com acusações de todos os naipes alinhavadas, umas atrás das outras, para alimentar um noticiário continuado contra sua permanência no cargo.

 
Houve uma época em que todo o mundo acusava Sarney de haver distribuído rádios e televisões aos constituintes para obter um mandato de cinco anos.

 

Depois ficou demonstrado que seu mandato era de seis anos e que a acusação era ridícula, pois ele renunciou a um ano. Ninguém mais falou no assunto. Mas, agora, o que acontece agora?


Seria simples revanchismo dos derrotados na eleição da Mesa Diretora, dentre os quais há um especializado em vinganças miúdas?

 

Ou, tendo o início nessa motivação, vislumbrou-se atribuir os escândalos do Senado concentrados a um único senador para atingir a estabilidade da instituição e evitar a apuração das responsabilidades por atos acusados de ilícitos e que ele próprio mandou apurar?

 
Ou, como ocorre quando aguçadas ambições políticas, sem respaldo popular, desesperaram-se e pretendem tumultuar a governabilidade do país para colher frutos eleitorais no próximo ano, que os ameaça com estiagem de votos?

 

Ou é tudo isso conexo, misturado, conjugado e orquestrado? A vida pública de Sarney foi sempre pautada pelos valores da democracia. Daí seu apego ao diálogo, ao entendimento, às formas consensuais para a solução dos problemas.

 
Com esse comportamento, fez com que o país, em momentos relevantes de sua história, se reconciliasse e reencontrasse o seu destino de grande nação democrática.

 

No momento em que o Brasil esteve na iminência de sofrer um retrocesso para o totalitarismo, apaziguou as partes em conflito e administrou com humildade os ânimos extremistas que desejavam impedir a volta do Brasil ao Estado de Direito.

 
Convocou a Constituinte, ajudou, com serenidade, os trabalhos da institucionalização do país submetida a enormes embates e tensões. Foi acusado de não dar murros na mesa.

 

Soube conduzir o Brasil para a legalidade estabilizada, da qual desfrutam as novas gerações com plenas liberdades públicas e políticas. Para que serviu tudo isso? Para os jornais aceitarem futricas plantadas sobre atos secretos do Senado ocorridos durante os últimos 15 anos como se todos tivessem sido por ele praticados nos últimos 15 dias?


Não se pode admitir que uma obra dessa grandeza e de mais de meio século seja, em minutos, esfarelada por intrigas de interesses subalternos, provocadas por ambições eleitorais a serem tentadas no próximo ano, quando, passadas as eleições, ninguém mais falará em nada nem o acusará de coisa alguma, como não o fizeram durante 30 anos de Congresso e não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral.


Culpado é o Sarney. Fora, Sarney! Mas como chegar a essa conclusão doidivanas se por ele foram acionados todos os mecanismos de controle e investigação disponíveis, o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União e a Policia Federal, para investigar tudo naquele templo de mistérios que é o Senado Federal?


Sarney tem algo que não agrada ao imediatismo da crítica popular. Quer fazer tudo dentro da lei porque a lei é a razão isenta de paixão.

 

Contra isso levanta-se o ódio de algumas pessoas, sob a hipócrita justificativa de que a isenção seria assegurada pelo seu afastamento, e não pela aplicação do direito.

 

Na Roma antiga, Sêneca já advertia: a razão quer decidir o que é justo, a cólera quer que se ache justo o que ela já decidiu.


Nosso país precisa aprender com as lições do passado. Sarney já foi submetido a um linchamento igual, pelos mesmos políticos, os mesmos veículos de comunicação, com pequenas variações, o mesmo estilo de acusações destituídas de seriedade até pelo volume crescente e diário da campanha sistemática sem verdade alguma que se comprovasse. Tudo igual. 
 

O resultado daquela primeira vez levou o Brasil a ser governado por um Fernando Collor. O castigo pode repetir-se".

Escrito por Josias de Souza às 17h09

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O funk do ‘Nunsey’

Escrito por Josias de Souza às 16h02

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Firma varejista dá ‘aula de arte’ na Fundação Sarney

  Fábio Pozzebom/ABr
Entre os documentos que a Fundação Sarney juntou à prestação de contas do patrocínio de R$ 1,3 milhão recebido da Petrobras, há uma nota fiscal inusitada.

 

Emitiu-a a empresa Sousa Premiere. Opera no ramo de artigos de vestuário e acessórios. Porém...

 

Porém, o varejista de roupas foi contratado pela fundação que leva o nome do presidente do Senado para ministrar um curso de arte.

 

No corpo da nota, o serviço é descrito assim: "Curso de capacitação em história da arte destinado a funcionários e estagiários do acervo museológico".

 

O “curso” custou à Fundação Sarney R$ 12 mil. Dinheiro provido pela Petrobras. Teriam comparecido às aulas 80 alunos.

 

Deve-se a nova revelação aos repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon. Penduraram a notícia na manchete do Estadão.

 

A dupla é a mesma que, na semana passada, revelara que um pedaço do patrocínio petroleiro –R$ 500 mil—fora parar nas contas de empresas fictícias.

 

De acordo com os arquivos da Receita Federal, a Sousa Premiere é sediada num endereço da praia de Araçagi, em Paço do Lumiar.

 

A cidade fica a 35 minutos de São Luís, onde está assentada a fundação de Sarney. A rua onde supostamente funcionaria a empresa é de chão batido.

 

No endereço fornecido ao fisco, em vez de uma casa comercial há uma residência. Serve de abrigo para Adão de Jesus Sousa, o dono da Sousa Premiere.

 

Adão é filiado ao PSDB. No ano passado, tentou, sem sucesso, eleger-se vereador na cidade maranhense de Jatobá. Na Justiça Eleitoral, identificou-se como empresário.

 

Na semana passada, o advogado José Carlos Sousa Silva, presidente da Fundação Sarney, reagira à notícia sobre os malfeitos da entidade por meio de uma nota.

 

Foi duro no texto. Chamou de “leviana” a notícia de que a fundação desviara verbas da Petrobras para empresas de fancaria.

 

Ouvido sobre a contratação de um vendedor de roupas para dar lições de história da arte, José Carlos disse que não se recorda da logomarca Sousa Premiere.

 

"Não lembro todos os nomes de cabeça", disse o gestor da fundação. E quanto ao nome do dono da firma? "Adão de Jesus Sousa? Não conheço".

 

Na nota da semana passada, José Carlos dissera que a própria Petrobras atestara a lisura dos gastos. A estatal negou. Jogou a peteca para o Ministério da Cultura.

 

A pasta da Cultura, por sua vez, disse que ainda não perscrutou a prestação de contas da fundação.

 

Conforme noticiado aqui, a Fundação José Sarney levou ao balcão da Lei Rouanet nove projetos, dos quais cinco constam como “ativos”.

 

Incluindo-se o projeto da Petrobras, que visava a digitalização de documentos do tempo em que Sarney presidiu o Brasil, a coisa alça à casa dos R$ 3,4 milhões.

 

Além das aulas de "história da arte" ministradas pela firma de roupas inexistente, a prestação de contas da fundação menciona a realização de outro curso.

 

"Automação de acervos bibliográficos e museológicos", eis o título. Arrolaram-se 50 alunos que teriam comparecido às aulas técnicas.

 

A lista inclui uma sobrinha e uma cunhada de Sarney - Maria do Carmo Macieira e Shirley Araújo. Ambas contratadas por meio de atos secretos no Senado.

 

Inclui também uma servidora do gabinete de Sarney, Renata Ribeiro Costa Bezerra. Mais: uma funcionária do gabinete de Mauro Fecury, Ana Maria Coelho Ferreira.

 

Fecury (PMDB-MA) herdou a cadeira de Roseana Sarney, que teve de renunciar ao Senado para assumir o governo do Maranhão.

 

Sarney respondeu à aparência malcheirosa da gestão de sua fundação do mesmo modo como vem reagindo a todas as más notícias que o assediam. Virou o nariz.

 

Disse, em nota e em rápida manifestação no plenário, que não participa da administração da fundação.

 

Irregularidades? Se existem, disse ele, cabe ao TCU esquadrinhá-las. Os rivais de Sarney acham que cabe também à CPI da Petrobras, que ele mandou instalar.

Escrito por Josias de Souza às 04h12

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Brasil já comercializa e consome ‘drogas legais’

 

- Folha: Indicação política incha gabinetes de senadores

 

- Estadão: Curso revela fraude em Fundação Sarney

 

- JB: Guerra do tráfico vira jogo no Orkut

 

- Correio: Brasília cresce mais que o país na crise

 

- Veja: A geração sem idade

 

- Época: Dá para ser feliz no trabalho?

 

- IstoÉ: Sexo no casamento

 

- IstoÉ Dinheiro: De porteiro de escola a bilionário do ensino

 

- CartaCapital: A Satiagraha atinge o alvo

 

- Exame: Natura – A empresa do ano

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Reinflado!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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Alto lá, Sarney não tem nada a ver com José Sarney

Fábio Pozzebom/ABr

 

O morubixaba José Sarney não tem nada a ver com a crise que carcome as entranhas do Senado. A crise, como Sarney já esclareceu, não é dele. A crise é do Senado.

 

Nas últimas duas décadas, Sarney fez. Nesse período, Sarney aconteceu. Mas Sarney não tem nada a ver com coisa nenhuma.

 

Sob Agaciel Maia, o Senado foi gerido por baixo da mesa. Editaram-se um sem-número de atos administrativos secretos.

 

Isso aconteceu porque Agaciel mandou e desmantou na direção-geral do Senado por arrastados 14 anos. Sarney nomeara-o em 1995, na sua primeira presidência.

 

Um prêmio a Agaciel que, como diretor da Gráfica do Senado, editara, às expensas da Viúva, peças de campanha de políticos. Entre eles Roseana Sarney.

 

Numa segunda presidência, Sarney manteve Agaciel. Amigos e aliados de Sarney –ACM, Jader e Renan, por exemplo— preservaram Agaciel.

 

Eleito presidente pela terceira vez, Sarney conservou a intocabilidade de Agaciel. Defenestrou-o depois. Por pressão, não por vontade própria.

 

A mansão de R$ 5 milhões, cuja propriedade Agaciel ocultara, tornara-se um fardo demasiadamente pesado. Mas Sarney não tem nada a ver com isso.

 

Sacudida pela imprensa golpista, a folha do Senado revelou-se um abrigo de frutos da árvore genealógica dos Sarney.

 

O neto, a mãe do neto, o irmão, o par de sobrinhas, a cunhada da filha, o diabo. Sarney, o patriarca, não tem nada a ver com isso.

 

A empresa de outro neto intermediou no Senado os interesses de casas bancárias. Operou no filão dos empréstimos a servidores.

 

Coisa segura e rentável. Entrega-se o dinheiro aqui e amarra-se o pagamento ali, no contracheque dos enforcados.

 

Os contratos foram firmados antes que o senador virasse tri-presidente. O neto é preparado, coleciona canudos internacionais. Sarney não tem nada a ver com isso.

 

A Petrobras borrifou nas arcas da Fundação José Sarney R$ 1,4 milhão. Grana de mecenato, trançada na grande área do Ministério da Cultura.

 

Até então, a fundação era uma pedinte malsucedida. Espetara na burocracia do ministério nove projetos. Coisa de R$ 3,4 milhões.

 

Noves fora um caraminguá de R$ 100 mil, pingado pela Telebras em 1996, na fase pré-privatização, só a Petrobras se animou a estender a mão para a fundação.

 

Sarney endereçou uma carta ao ministério. Pediu pressa na aprovação do projeto. Liberada a coleta, a estatal petroleira começou a contribuir no mesmo dia.

 

Levantaram-se dúvidas quanto à aplicação de um pedaço do patrocínio: R$ 500 mil. Contrataram-se empresas esquisitas.

 

Entre elas a da mulher de um tal de “Pipoca”, ex-assessor de Roseana, hoje auxiliar do ministro-companheiro Edison Lobão.

 

E Sarney: “Não participo da gestão da fundação”. Ou seja: não tem nada a ver com isso também. De modo algum. Absolutamente não!

 

O repórter acredita na tese. Ela guarda certa coerência. Ora, se Sarney não teve nada a ver com coisa nenhuma nos últimos 15 anos, por que teria agora?

 

A imprensa maledicente não vai parar, porém, de aborrecer o senador. Sugere-se a Sarney a adoção de uma providência que renderia homenagens à transparência.

 

Para evitar o incômodo de ter que dar uma explicação atrás da outra, Sarney poderia imprimir na testa uma tatuagem: “Não tenho nada a ver com isso”.

 

Se achar a frase grande demais, Sarney pode recorrer a uma abreviatura: NaV, “Nada a ver”. Com o tempo, o dístico lhe será tão característico quanto o bigode.

 

Ao avistar um ou outro, mesmo o mais desavisado dos transeuntes será compelido a concluir: Ali vai José Sarney, o político que não tem nada a ver com nada.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Mantega decide demitir Lina, a secretária da Receita

  Marcello Casal/ABr
Durou escassos 11 meses o mandarinato de Lina Vieira na Secretaria da Receita Federal.

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda), de cuja pasta pende o fisco, já comunicou à servidora a decisão de mandá-la ao meio-fio.

 

O afastamento será oficializado nos próximos dias. São dois os pretextos incovados pelo ministros:

 

1. Sob Lina, a Receita impôs à Petrobras uma multa milionária. Alegou-se que a estatal patrocinou manobra contábil para pagar menos tributos do que deveria.

 

Mantega diz não ter sido informado. Para complicar, a alegada esperteza da Petrobras, exposta depois da multa, tonificou a temida CPI da Petrobras.

 

2. Na gestão de Lina, a Receita arrosta sucessivas quedas na coleta de tributos. Noves fora a crise, o governo acha que faltou competência à “leoa”.

 

Lina chegara à Receita com o apoio resoluto do petismo. Sentara-se numa cadeira que vinha sendo ocupada por Jorge Rachid, egresso da equipe de Everardo Maciel.

 

Rachid sobrevivera à chegada de Lula, em 2003, graças a uma sugestão de Everardo a Antonio Palocci, primeiro ministro da Fazenda da era Lula.

 

A máquina sindical do fisco e o PT torceram o nariz para o fato de Palocci ter conservado na Receita uma engrenagem azeitada sob FHC.

 

Agora, em privado, Lula se diz arrependido de ter autorizado Mantega a despachar Rachid. O nome do novo “leão” ainda não foi divulgado.

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Sarney autoriza MPF a ver se há conta sua no exterior

 Fábio Pozzebom/ABr

 

O presidente do Senado, José Sarney, enviará nesta segunda-feira (13) um ofício ao novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

 

Sarney conferirá poderes ao chefe do Ministério Público para requisitar de instituições financeiras internacionais informações sobre contas bancárias em seu nome.

 

Foi a forma que Sarney encontrou de reagir ao noticiário sobre a suspeita de que teria uma conta bancária no exterior.

 

A decisão de Sarney foi divulgada nesta sábado (11), por meio de uma nota oficial. Eis a íntegra do texto:

 

 

“O presidente do Senado, senador José Sarney enviará ofício ao Procurador Geral da República, na próxima segunda-feira, conferindo-lhe todos os poderes e outorgando-lhe as permissões previstas nas leis brasileira e de quaisquer países para requisitar junto às instituições financeiras internacionais informações sobre contas bancárias que tenha no exterior ou tenha tido em qualquer época, valor, ações, depósitos, investimentos, propriedades e qualquer tipo de movimentação financeira em qualquer moeda e de qualquer valor em seu nome.

 

 

Antes de liberar a nota, Sarney conversou com advogados. Entre eles Saulo Ramos, seu ministro da Justiça à época em que foi presidente da República.

 

Sarney nega peremptoriamente que tenha dinheiro depoistado no estrangeiro. Daí o ofício ao procurador-geral, que classifica de gesto inédito.

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Lula, FHC, o Senado e as ‘diferenças’ que os igualam

Escrito por Josias de Souza às 12h33

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Agaciel ‘goza’ a licença remunerada na noite de Natal

  José Cruz/ABr
Em pleno gozo da licença remunerada de 90 dias que pediu em 25 de junho, Agaciel Maia foi visto num bar de Natal, tomando cerveja com a família.

 

Deu-se na noite da última quinta-feira (9), dia em que veio à luz a notícia de que a Fundação José Sarney desviara parte de patrocínio recebido da Petrobras.

 

Em Brasília, Sarney toureava a crise. Em Natal, seu ex-protegido recostava os cotovelos na mesa de um bar da moda, na praia de Ponta Negra.

 

No pedido de licença que remetera à direção do Senado, o ex-todo-poderoso diretor-geral alegara razões técnicas e emocionais para justificar o afastamento.

 

Anotara, por exemplo: “Preciso de tempo hábil para preparar minha defesa a esta avalanche de acusações absurdas e descabidas que estão tentando me imputar”.

 

O Agaciel de Natal não parecia preocupado nem com as “acusações” nem com a preparação da defesa. Trocou terno e gravata por jeans e camisa pólo.

 

Acompanhado da mulher, da filha e de três amigos, tomou cerveja especial: R$ 61,50 por três garrafas, acomodadas num balde de gelo.

 

Quem viu Agaciel percebeu-o discreto. Notou-lhe os gestos contidos. Contou uma única levantada da mesa, para ir ao banheiro.

 

A despeito da superexposição no noticiário, Agaciel não foi importunado por ninguém nas mais de três horas que permaneceu no bar –de 20h30 às 23h40.

 

Abordado por repórteres, ele não quis falar. Como pretexto para o silêncio, invocou a presença da filha e da mulher. Em seguida, pediu a conta. E deixou o local.

Escrito por Josias de Souza às 06h00

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Yeda convoca os secretários para avaliar crise no RS

O final de semana será movimentado no governo do Rio Grande do Sul.

 

Enredada numa teia de denúncias, Yeda Crusius (PSDB) decidiu agir.

 

A governadora tucana convocou integrantes do seu secretariado.

 

Deseja discutir saídas para a crise que assedia sua gestão.

 

Uma crise que se agravou com a revelação de carta de um ex-colaborador.

 

Chama-se Lair Ferst. Foi um dos coletores das arcas de campanha de Yeda.

 

No texto, entregue ao Ministério Público, Ferst empilhou 20 malfeitos.

 

Entre eles caixa dois eleitoral e maquiagem no preço de mansão da governadora.

 

Yeda planeja conversar também com deputados estaduais que lhe dão suporte.

 

Entre os temas que vão à mesa, há o destino de dois secretários de governo.

 

Vai-se decidir se ficam ou saem Rogério Porto (Irrigação) e Marco Alba (Habitação).

 

O primeiro foi indiciado pela PF: fraude, formação de quadrilha e advocacia administrativa.

 

O segundo é investigado pela PF por supostos malfeitos em obras de saneamento.

 

É dura e acerba, como se vê, a agenda da governadora para o fim de semana.

Escrito por Josias de Souza às 05h20

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Multa à Petrobras derruba a secretária da Receita Federal

 

- Folha: Países ricos mudam G8 para incluir emergentes

 

- Estadão: Gripe mata em SP e contágio é investigado

 

- JB: Países ricos pedem ajuda a emergentes

 

- Correio: O avanço letal da gripe suína

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h57

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'Bigordem e Regresso'!

Ivan Cabral

Via blog do Ivan Cabral.

Escrito por Josias de Souza às 04h56

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Última suspeita contra Sarney: uma conta no exterior

Referência surge em material apreendido no Banco Santos

Presidente do Senado nega posse de  dinheiro fora do país

 

Foto: Lula Marques/Documentos: revista Veja

 

Em meio aos milhares de arquivos digitais recolhidos pela Polícia Federal e pelo Banco Central na intervenção feita no Banco Santos há um documento chamado “JS-2”.

 

É um registro eletrônico. Tem sete linhas. Sob o título “Posição Exterior JS”, traz anotações sobre a movimentação de uma conta em dólares no estrangeiro.

 

Em 30 de outubro de 1999, informa-se na primeira linha, o “saldo” era de US$ 870.564 –o que equivalia, naquela época, a R$ 1,7 milhão.

 

 

“JS” é como Edemar Cid Ferreira, o ex-dono do Banco Santos se referia a José Sarney, seu amigo de três décadas.

 

Em notícia levada às páginas de Veja, o repórter Alexandre Oltramari traz detalhes sobre o elo que liga o ex-banco de Edemar, liquidado extrajudicialmente, a Sarney.

 

A sexta linha do documento eletrônico traz uma anotação feita em 10 de junho de 2001: “Valor Entregue em Veneza [...] – 10.000”.

 

Naquele dia, José Sarney encontrava-se em Veneza, na Itália. Na companhia de Edemar, visitara a célebre Bienal de Artes da cidade.

 

Ouvido, Sarney confirmou, por meio de sua assessoria, que estivera na Bienal de Veneza. Fora a convite de Edemar, que custeara passagens e hospedagem.

 

Sobre o suposto repasse de US$ 10 mil, Sarney mandou dizer: “Isso não me diz respeito”. Negou, de resto, que tenha mantido dinheiro fora do país.

 

As dúvidas quanto ao vínculo do nome-código “JS” com José Sarney foram dirimidas pela polícia e pelo BC por meio de outros documentos apreendidos.

 

Um desses documentos é uma agenda que o ex-banqueiro Edemar guardava no computador. Ali também há uma menção a “JS”.

 

Clicando-se sobre as iniciais, chega-se a uma página chamada “Contatos JS”. Traz os telefones de José Sarney em São Paulo, Brasília, Macapá e São Luís.

 

Anota também os números de secretárias, ajudantes de ordem e seguranças do senador.

 

 

Primeiro item da agenda, o endereço de São Paulo, na Alameda Franca, no bairro chique dos Jardins, liga o documento "Contatos JS" à planilha "Posição Exterior JS".

 

A quarta linha da planilha que traz a movimentação da conta atribuída a Sarney traz uma anotação feita em 21 de março de 2001. Diz o seguinte:

 

“Retirada em R$ 5.000 – Valor entregue na Al. Franca”, a rua em que está assentado o apartamento dos Sarney. A seguir, a conversão do valor em dólares: US$ 2.273.

 

Ouvido, Edemar ecoou Sarney. Disse que jamais geriu recursos de terceiros no exterior. Sobre o arquivo pescado em seu computador, ele disse:

 

"Desconheço a existência de um arquivo JS-2 em meu computador. Não sei quem criou, quando e com que propósito".

 

A máquina varejada pela PF e pelo BC traz a informação que Edemar diz desconhecer. O arquivo JS-2 foi criado no dia 3 de julho de 2001, às 10h05.

 

Abriu-o uma ex-funcionária de Edemar, identificada no registro do computador como Vera. Vem a ser Vera Lúcia Rodrigues da Silva, secretária de Edemar.

 

Não é a primeira vez que a proximidade com Edemar rende dissabores a Sarney. O senador já tivera de se explicar quando da intervenção do BC no Banco Santos.

 

O BC interveio na casa bancária em 12 de novembro de 2004. Retiveram-se todos os depósitos. Sarney, porém, livrara-se do bloqueio.

 

Um dia antes, os R$ 2 milhões que o morubixaba do PMDB mantinha em aplicações no Banco Santos haviam sido transferidos para a conta dele no Banco do Brasil.

 

À época, Sarney negara que houvesse recebido “informação privilegiada”. Dissera que solicitara a transferência por conta do noticiário negativo que rondava o banco.

 

Em 22 de junho de 2005, numa entrevista a Veja, Edemar dissera coisa diversa: assumira como dele, ão de Sarney, a ordem para a transferência providencial.

 

"Quando cheguei na quinta-feira de manhã ao banco [véspera da intervenção], a primeira coisa que falei foi:...”

 

"...Peça para transferir o dinheiro que o Sarney tem para a conta dele no Banco do Brasil".

 

Na ocasião, as palavras de Edemar resultaram na abertura de uma investigação do Ministério Público, para saber se o ex-banqueiro privilegiara o amigo Sarney.

 

Os vínculos monetários de Sarney com Edemar conspurcam o esforço que o presidente do Senado empreende para livrar-se das suspeitas que o assediam.

 

O ex-banqueiro não é companhia que recomende ninguém. Edemar arrosta uma condenação de primeira instância: 21 anos de cana.

 

Foi hóspede, por duas vezes, do sistema carcerário paulista. Todos os seus bens encontram-se bloqueados por ordem da Justiça.

 

Resta saber o que farão a PF, o BC e o Judiciário com os dados contidos na planilha “JS-2”.

 

Convertidos numa investigação formal, podem render a Sarney mais do que um simples constrangimento adicional.

Escrito por Josias de Souza às 04h40

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Depois de exaltar o cara, ele se encanta com a bunda

Jason Reed/Reuters

 

A foto acima ganhou a web. O flagrante foi clicado nesta quinta (9).

 

No primeiro plano, os presidentes Obama (EUA) e Sarkozy (França).

 

A dupla observa o traseiro da brasileira Mayara Tavares, 17 anos.

 

Note que Lula, “o cara”, está lá no fundo, à esquerda, alheio à cena.

 

Uma cena que, graças às facilidades da internet, corre o mundo.

 

O tabloide alemão Bild foi irônico:

 

Obama "pode ser o homem mais poderoso do mundo, mas não está imune ao charme de um belo traseiro!"

 

Brincou com o nome do observador: “O-bum-a”. Em inglês, "bum" é bunda.

 

O “Herald.ie” indagou: "Obama estaria tendo lições com Berlusconi?"

 

 

 

O italiano “Corriere della Sera” tachou de "indiscreto" o rabo de olho de Obama.

 

No norte-americano americano “ABC News”, um benefício à dúvida.

 

O repórter Jake Tapper notou que, observada em vídeo, a cena sugere algo "mais inocente".

 

Obama estaria apenas auxiliando uma jovem a descer os degraus.

 

Mas Tapper transfere a conclusão à platéia: “Julgue por si mesmo”.

 

O signatário do blog faz o mesmo com os seus 22 leitores:

 

“O que você acha?”

Escrito por Josias de Souza às 21h07

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Economist sobre Senado do Brasil:Casa dos horrores

Pressionando aqui, você chega ao texto da Economist, infelizmente em língua inglesa. A BBC ocupou-se do tema.

 

No Brasil, os congressistas torceram o nariz para a publicação. Entre eles Arthur Virgílio, citado por ter recebido “empréstimo” de Agaciel Maia.

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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Aliados de Sarney sujam as mãos na massa da ‘pizza’

Há no Conselho de (a)Ética duas representações contra Sarney.

 

Já foram à tigela os ingredientes da massa do arquivamento.

 

Vai-se argumentar o seguinte: os malfeitos são antigos.

 

São anteriores ao atual mandato de Sarney, iniciado em 2006.

 

Há no Congresso jurisprudência segunda a qual nenhum parlamentar pode ser punido por crimes praticados antes do mandato.

 

O cheiro de orégano impregna a atmosfera do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Ciro Gomes: Maluf sim; Quercia, Newtão e Jader não

  Sidnei Lopes/Folha
Difícil saber quem é inimigo de quem na política. Muito difícil. Dificílimo.

 

Numa hora, o sujeito chama o outro de ladrão. Como Lula fez com Sarney.

 

Noutra hora, alia-se ao ex-safardana. Como faz Lula com Sarney.

 

Pois bem, Ciro Gomes chega a São Paulo para mudar a lógica da ilógica.

 

Como se sabe, Ciro flerta com uma candidatura ao governo paulista.

 

No início da semana, trocou um dedo de prosa com Paulo Maluf.

 

Prenúncio de uma aliança? Se depender de Ciro, pode ser que sim.

 

"Não vou para uma aliança com o Quércia, não vou. Ponto final..."

 

“...Não vou com Newton Cardoso, com Jader Barbalho". E com Maluf?

 

"Depende da hegemonia moral e intelectual que se estabeleça...”

 

“...O PP [partido de Maluf] não tem tamanho para alterar o centro de uma hegemonia moral e intelectual boa".

 

De fato, o PP não é nenhum PMDB. Mas é maior do que o PSB de Ciro.

 

Detalhes, diria Roberto Carlos. Detalhes tão pequenos deles dois.

 

Ciro citou Gramsci: "Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus".

 

Disse que mantém com Maluf um relacionamento "extremamente cordial".

 

Acrescentou: "O que pega é catapora; conversar não faz mal nenhum".

 

De fato, a boa conversa é a essência da política.

 

No limite, é ela que evita a troca de socos. No limite, evita até a guerra civil.

 

Mas daí a aceitar como natural a união da suposta moralidade com a imoralidade consabida vai uma boa distância.

 

O lero-lero de Ciro Gomes serve apenas para tonificar uma convicção.

 

A política é mesmo o território da farsa. Melhor não levá-la a sério.

 

É como se Ciro Gomes estivesse dizendo à bugrada algo assim:

 

“Veja bem, eu não roubo como o Maluf. Somos diferentes. Mas não leve isso muito a sério”.

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Fundação Sarney pede R$ 3,4 mi na pasta da Cultura

Entidade encaminhou ao ministério total de nove projetos
Quatro já foram ‘arquivados’;  cinco  permanecem ‘ativos’
Envolvem a captação de verbas com base na Lei  Rouanet
Só a Petrobras se animou a  liberar  patrocínio:   R$ 1,4 mi
Certidões de INSS e  FGTS  da  fundação  estão  ‘vencidas’

Fábio Pozzebom/ABr

 

Ao liberar um patrocínio de R$ 1,3 milhão para a Fundação José Sarney, a Petrobras quebrou um jejum de 13 anos.

 

A última empresa que se animara a patrocinar a entidade fora a Telebras. Coisa antiga, de 1996, dois anos antes da privatização.

 

A fundação pedira R$ 1,092 milhão para promover eventos culturais. Levou da Telebras irrisórios R$ 100 mil.

 

Desde então, a entidade criada por Sarney protocolou no Ministério da Cultura nove projetos. Envolvem a captação de recursos com base na Lei Rouanet.

 

O repórter obteve a lista no sítio do Ministério da Cultura, a pasta incumbida de gerir o mecenato que se nutre de compensações tributárias.

 

Afora a Petrobras, nenhuma outra empresa –grande ou pequena, estatal ou privada—se animou a pingar verbas nas contas da Fundação José Sarney.

 

Dos nove projetos, quatro já desceram ao arquivo. Destinavam-se à recuperação e prédios do centro histórico de São Luís.

 

Juntos, somavam R$ 58,4 mil. O ministério autorizara a captação, mas nada fora coletado. Repetindo: “zero”.

 

Outros cinco projetos são classificados nos arquivos do ministério como “ativos”, entre eles o da Petrobras, cuja prestação de contas está pendente de análise.

 

Tomados em conjunto, os "projetos ativos" somam R$ 3,4 milhões. Um deles é aquele que levou R$ 100 mil da velha Telebras.

 

De acordo com os registros eletrônicos da pasta da Cultura, a prestação de contas desse projeto, já apresentada pela fundação, também está até hoje por ser analisado.

 

Os outros quatro são os seguintes:

 

1. Projeto 992644: Prevê a restauração do prédio assentado no número 489 da Rua da Palma, em São Luiz. Custo: R$ 287.730,77. O prazo de captação encerrou-se em dezembro de 2001. Recolheu-se coisa nenhuma. Há nove dias, em 2 de julho, o projeto foi “desarquivado” por ordem de uma servidora chamada Célia Regina.

 

2. Projeto 960387: Trata da realização de “programa de desenvolvimento cultural” na fundação. Foi estimado em R$ 160,1 mil. O prazo de captação expirou em dezembro de 1996. A despeito disso, o ministério o conserva na coluna de programas “ativos”.

 

3. Projeto 997972: Estima em R$ 352,8 mil a recuperação do prédio assentado no número 475 da Rua da Palma, na capital maranhense. Autorizada pelo ministério, a captação foi encerrada em dezembro de 2000. Amealhou-se “zero”. Aqui, um mistério. A despeito da coleta inexistente, o ministério anota em seus arquivos que a fundação já “apresentou prestação de contas”. Deu-se em 2002. “Aguarda análise”. Por isso, é considerado “ativo”.

 

4. Projeto 052866: É essa a iniciativa que resultou na liberação de verbas da Petrobras. Prevê a “preservação e recuperação dos acervos bibliográfico e museológico da Fundação José Sarney”. Fixara-se um prazo para a execução do trabalho: julho de 2005 a outubro de 2006. Previra-se a montagem de uma “exposição permanente dos acervos do ex-presidente José Sarney”.

 

Originalmente, o projeto havia sido orçado em R$ 1,35 milhão. Curiosamente, o Ministério da Cultura liberou a captação de R$ 1,51 milhão. Neste caso, a coleta de verbas foi célere e profícua.

 

O projeto foi aprovado em 17 de agosto de de 2005. A portaria autorizativa foi publicada em 13 de dezembro de 2005. O início do recolhimento de verbas foi marcado para 14 de dezembro de 2005. No mesmo dia, a Petrobras repassou à fundação R$ 1,078 milhão.

 

Expirou em 31 de dezembro de 2005 o prazo da captação. Foi reaberto, contudo. E a estatal petroleira liberou mais R$ 134,8 mil em 2 de outubro de 2007. Somando-se as duas contribuições, chega-se à cifra de R$ 1,213 milhão. É esse valor que está anotado nos arquivos eletrônicos da Cultura. Não ficou nisso, porém.

 

Em nota divulgada nesta quinta-feira (9), a Petrobras informou ter repassado à fundação que leva o nome do presidente do Senado um total de R$ 1,4 milhão. Nos arquivos do ministério, o “último movimento” do processo é datado de 1º de julho de 2009. Terminou nesse dia “o prazo de captação parcial” das verbas.

 

Os repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon noticiaram que um pedaço do patrocínio da Perobras (R$ 500 mil) foi parar nas contas de empresas cujos endereços seriam “fictícios”.

 

Em nota oficial, a fundação negou. Disse que só transacionou com empresas idôneas. Afirmou que a Petrobras fiscalizara os gastos. Meia-verdade. A estatal alega que só verificou as “contraparidas” do contrato, que prevêem a divulgação de sua logomarca.

 

Quando à lisura dos dispêndios, disse a Petrobras, cabe à pasta da Cultura atestar. No ministério, alega-se que há prazo de seis meses para perscrutar a prestação de contas do empreendimento.

 

O senador José Sarney disse que nada tem a ver com a gestão da Fundação José Sarney. Pode ser. Mas não hesitara em interferir na fase de análise do processo. Endereçara um bilhete de Sarney a Juca Ferreira.

 

Juca era, em 2005, secretário-executivo da pasta da Cultura. Hoje, é ministro. No texto do bilhete, Sarney pedira pressa na liberação do projeto. Foi atendido.

 

O blog fez um contato telefônico com o presidente da Fundação Sarney, José Carlos Sousa Silva. Perguntou a ele sobre os projetos ainda “ativos” no Ministério da Cultura.

 

E ele: “O único projeto que temos é o da Petrobras”. E quanto aos outros? “Nada mais foi solicitado nem liberado”. Solicitado, a julgar pelos dados do ministério, foi!

 

O sítio do ministério informa outro dado incômodo. Encontram-se “vencidas”, desde 2006, as certidões negativas da Fundação Sarney referentes aos recolhimentos do INSS, FGTS e tributos municipais e estaduais.

Escrito por Josias de Souza às 06h47

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Nova denúncia contra Sarney ressuscita CPI da Petrobras

 

- Folha: Sarney recorreu ao Senado em defesa de fundação no MA

 

- Estadão: Para sair do foco, Sarney destrava CPI da Petrobras

 

- JB: Para BNDES, pior da crise já passou

 

- Correio: Grileiros atacam no Park Way

 

- Valor: Aumento a servidores leva 80% do juro economizado

 

- Estado de Minas: Novos voos para interior de Minas

 

- Jornal do Commercio: Greve de professor decretada ilegal

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h27

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Torrado!

Clayton

Via O Povo Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h20

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José Alencar se submeteu a nova cirurgia: seis horas

Escrito por Josias de Souza às 04h05

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Dilma: ‘demonizar’ Sarney é o caminho para a ‘pizza’

  Lula Marques/Folha
A despeito do chorrilho de suspeitas que rondam José Sarney, o presidente do Senado continua dispondo de defensores de luxo.

 

A ministra-candidata Dilma Rousseff já disse que não acompanha a crise do Senado. O que não a impede de levar a mão ao fogo por Sarney.

 

Voltou a prestar-lhe socorro verbal. Disse que sua “demonização” não passa de tática para converter as mazelas do Senado em “pizza”. Fala em nome do governo:

 

"O que o governo discorda de forma taxativa é de atribuir problemas estruturais que duram mais de 15 anos [...] e que envolvem grande número de pessoas, e atribuir o problema a uma única pessoa. Esse é o caminho mais curto para a pizza..."

 

"...[Se] pegar uma pessoa e atribuir a ela toda a responsabilidade e afastá-la, no dia seguinte tudo é esquecido e todas as outras questões entram para o debaixo do tapete".

 

Para Dilma, "há interesses políticos" na queda de Sarney. Acha que os adversários desejam dar, veja você, um "um golpe".

 

"Por trás de alguns há interesse político, já que querem ganhar no tapetão. Há interesse político de chegar no caminho mais perto de tentarem um golpe...”

 

“...Falo de não ser eleito no voto secreto e direto e um golpe de tentar encurtar o caminho do voto, utilizando outros expedientes".

 

Considerando-se que também o PT reiterou, em nota oficial, o pedido de licença de Sarney, decerto a ministra vê em seu partido pendores golpistas.

 

Não há dúvida, de resto, que o Senado é feito de podridão e de política.

 

Do mesmo modo, pode-se afirmar que, ao fechar as narinas para o podre, Dilma não está senão movendo-se por “interesse político”. Só fareja 2010.

Escrito por Josias de Souza às 03h58

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Fundação de Sarney afirma que denúncia é ‘leviana’

O presidente da Fundação José Sarney, José Carlos Sousa e Silva, tachou de “leviana” a notícia de que a entidade desviou verbas da Petrobras.

 

Em nota oficial, divulgada nesta quinta (9), José Carlos negou que a fundação tenha repassado R$ 500 mil a empresas de fancaria, de endereços fictícios.

 

A íntegra da nota assinada pelo presidente da fundação está disponível lá no rodapé. A certa altura, José Carlos escreve:

 

“[...] Todas as empresas são legalmente constituídas, têm CNPJ e endereços regulares e foram remuneradas em função dos trabalhos efetivamente prestados e comprovados".

 

Acrescenta que, "[...] durante todo o tempo em que o projeto foi realizado, a Petrobras exerceu permanente fiscalização, inclusive com visitas presenciais”.

 

Não é bem assim. A Petrobras também se apressou em divulgar uma nota. No texto, esclarece que se limitou a verificar o “cumprimento de contrapartidas”.

 

Coisas assim: veiculação da imagem da estatal em campanhas publicitárias, menção em eventos relacionados ao projeto e inserção de sua logomarca no catálogo e no sítio da fundação.

 

Quanto à aplicação do dinheiro –R$ 1,4 milhão— caberá ao Ministério da Cultura dizer se foi feita de forma regular ou não.

 

O que diz o Ministério da Cultura? Informa que termina no final do mês o prazo para a apresentação da prestação de contas da fundação.

 

Depois de apresentada, o ministério terá seis meses para analisar os dados. Só então poderá dizer se está tudo dentro do figurino. Havendo irregularidade, o caso vai ao TCU.

 

De resto, o ministério diz que o projeto bancado pela Petrobras teve tramitação “normal”. Nega que a fundação de Sarney tenha desfrutado de benefícios especiais.

 

O presidente do Senado limitou-se a dizer, em nota e em manifestação no plenário, que nada tem a ver com a administração da fundação.

 

A nota da Fundação José Sarney, assinada por seu presidente, José Carlos Sousa, foi endereçada ao Estadão, jornal que veiculou a notícia. Vai abaixo a íntegra:

 

“Sobre matéria ‘Fundação Sarney dá verba a empresas fantasmas’, é de se lamentar a publicação de denúncias que não se sustentam.

 

Os repórteres desse jornal, ao afirmarem que a referida Fundação ‘desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás, repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca existiu’, faltam tendenciosa e deliberadamente com a verdade.

 

Prova disso é que, ao contrário do que afirma a matéria, o projeto patrocinado não se destina à digitalização do acervo da Fundação, como atesta cópia do documento anexado.

 

Também é insustentável a afirmação feita na matéria de que a Fundação, pelo projeto, se comprometia a instalar terminais de computadores em seus corredores para consulta do público.

 

Isto é uma inverdade uma vez que não consta em nenhum dos documentos do projeto qualquer compromisso nesse sentido.

 

Dentro da Lei, a Petrobrás patrocinou ações de restauração do nosso acervo, como atestam os documentos apresentados à empresa. Dentro da Lei fizemos a correta aplicação dos recursos para preservar mais de 500 mil documentos e peças, incluindo uma biblioteca com mais de 30 mil volumes.

 

O ‘Termo de Recebimento Definitivo’, datado de 17 de outubro de 2008, de autoria da própria Petrobrás, enviado ao jornal, mas apenas mencionado na matéria,  atesta o cumprimento de todas as metas do projeto e dá quitação às contas apresentadas.

 

Não é demais destacar que durante todo o tempo em que o projeto foi realizado, a Petrobrás exerceu permanente fiscalização, inclusive com visitas presenciais.

 

É, no mínimo, leviana a informação de que a Fundação ‘dá verba da Petrobrás a empresas fantasmas’. O ato leviano fica claro quando se constata que todas as empresas são legalmente constituídas, têm CNPJ e endereços regulares e foram remuneradas em função dos trabalhos efetivamente prestados e comprovados.

 

A publicação ‘Fundação José Sarney – Projeto de Preservação e Recuperação dos Acervos Bibliográfico e Museológico’, de 2008, é prova documental do trabalho realizado pela Clara Comunicação.

 

Os repórteres visivelmente se mostram negligentes com suas obrigações ético-profissionais buscando, mesmo sem nenhuma comprovação, denegrir a fundação, ainda que para isso tenham que distorcer fatos.

 

Afirmam que os recursos se destinaram a empresas da família, em especial à Tv Mirante. A TV Mirante integra a Rede Globo e detém a liderança inconteste de audiência e está presente em todos os municípios do estado.

 

Foi só em razão disso que foi utilizada como veículo para divulgação do trabalho. Os recursos investidos em comunicação não superaram os 30 mil Reais e cumpriram exigência do patrocinador.

 

Mesmo recebendo todas as explicações, os autores da matéria se furtaram em informar que o repasse de R$ 100.037,48 para uma conta administrativa foi feito em razão de exigência contábil para pagamento de projetos.

 

Já os 45 mil reais remanejados da conta convênio foram retornados em sua integralidade à conta de origem em 02 de janeiro de 2007, em movimentação contábil natural e sem qualquer irregularidade.

 

São Luís, 9 de julho de 2009.

 

JOSÉ CARLOS SOUSA SILVA

Presidente da Fundação José Sarney

Escrito por Josias de Souza às 03h32

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Sarney se mexe e governistas decidem instalar a CPI

Vestido de sua nudez, José Sarney agiu para pôr de pé a CPI da Petrobras.

 

Conversa daqui, articula dali marcou-se uma data. Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula, veio à boca do palco para informar:

 

"Atendemos um pedido do presidente Sarney. A CPI vai ser instalada na terça-feira". Segundo Sarney, a comissão começa de qualquer jeito, seja qual for o quorum.

 

Afora o interesse jornalítico, a iniciativa, por irônica, tem valor literário. Nascida por iniciativa do PSDB, a CPI é agora retirada da UTI pelo PMDB de Sarney.

 

Até a noite passada, a Petrobras retornava à cena para oferecer ao próprio Sarney a oportunidade de brincar de esconde-esconde.

 

Nesta quinta (9), a comissão já tinha a aparência de fogueira nova também para Sarney, cuja fundação recebeu verbas da Petrobras.

 

Da tribuna, o tucano Álvaro Dias, autor do pedido de CPI, festejou o renascimento de seu rebento. Dirigindo-se a Sarney, que presidia a sessão, ele disse:

 

“Há o repasse de recursos da Petrobras para fundação que tem vossa excelência como presidente honra. É possível que o tema chegue à CPI.

 

Trata-se agora de saber até que ponto a reputação do pseudopresidente do Senado pode resistir a repetidas bobagens de sobrinhos, netos e amigos desajeitados.

 

Para Lula e para mais da metade do Senado, Sarney é um personagem cujo passado não autoriza ninguém a tratá-lo como “uma pessoa comum”.

 

Para a imprensa e para as ruas, Sarney ganha gradativamente o semblante de um político comum. Aos pouquinhos, Sarney vira Sarney.

 

Longe de ser uma reputação merecedora de proteção, é uma mácula digna de investigação.

 

Em cinco meses de presidência, Sarney produziu sua própria ruína. Fez isso com extraordinário  desembaraço. Parece viver noutro mundo.

 

Há duas semanas, Sarney informava o seguinte: "A crise não é minha. A crise é do Senado”.

 

Um dia após o outro, descobre-se que Sarney tem mais culpa na crise do que apenas “não saber” o que se passa à sua volta.

 

Em resposta a Alvaro Dias, Sarney se manteve no mundo da Lua: “Não tenho nenhuma responsabilidade administrativa na fundação...”

 

“...Ela teve um projeto [de patrocínio] aprovado pela Lei Rouanet, como muitos memoriais de presidentes receberam...”

 

“...A prestação de contas foi encaminhada ao Ministério da Cultura. Compete ao TCU, em qualquer irregularidade, a atribuição de julgar”.

 

O senador imagina não ter nada a ver com uma fundação que traz na logomarca o dístico “José Sarney”. Então, tá! Ficamos combinados assim.

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Fundação Sarney desvia verba recebida da Petrobras

Entidade criada pelo senador recebeu da estatal R$ 1,3 mi

R$ 500 mil foram parar em firmas com endereços ‘fictícios’

R$ 30 mil desceram às arcas de uma TV e rádios da família

 

  Lula Marques/Folha
Num instante em que o grupo de José Sarney se une à oposição para mudar de assunto –em vez de Senado, CPI da Petrobras—os dois temas se misturam.

 

Descobriram-se indícios de que uma fundação privada criada pelo presidente do Senado desviou recursos recebidos da Petrobras.

 

A entidade se chama Fundação José Sarney. Funciona em São Luís. Administra um museu com documentos e peças do período em que Sarney presidiu o Brasil.

 

Deve-se a descoberta dos novos malfeitos aos repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon. Levaram a notícia às páginas do Estadão.

 

Informam que a Petrobras repassou à fundação de Sarney, em 2005, R$ 1,3 milhão.  

Dinheiro repassado a título de patrocínio.

 

Para quê? “Processamento técnico e automação do acervo bibliográfico” do museu de Sarney. Numa palavra: digitalização.

 

Conta a notícia que parte da verba foi malversada. Um pedaço, R$ 500 mil, foi parar nas contas de firmas de endereços fictícios.

 

Outro pedaço, R$ 30 mil, foi às caixas registradoras da TV Mirante e de duas rádios maranhenses: Mirante AM e Mirante FM. Todas pertencentes à família Sarney.

 

Os repórteres manusearam notas e recibos. Visitaram endereços de firmas que a fundação Sarney diz ter contratado. Eis alguns dos achados:

 

1. Parte da “comprovação” de despesas –R$ 145 mil— foi feita por meio de recibos da própria Fundação Sarney.

 

Um dos recibos (R$ 35 mil), é assinado por Raimunda Santos Oliveira. Anota: “Serviços [...] de elaboração do projeto de preservação e recuperação do acervo”.

 

Ouvida, Raimunda diz ter trabalhado na fundação entre 1990 e 1995, dez anos antes do patrocínio petroleiro.

 

E quanto ao recibo? "Não sei do que você está falando."

 

2. Chama-se Ação Livros e Eventos uma das empresas contratadas pela fundação. Uma das sócias é mulher de Antônio Carlos Lima, conheido como “Pipoca”.

 

Vem a ser ex-assessor de Roseana Sarney. Hoje, assessora o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), apadrinhado de Sarney e superior hierárquico da Petrobras.

 

A Ação emitiu 34 notas. Coisa de R$ 70 mil. Têm números sequenciais. Algo que indica que a fundação era sua única cliente.

 

Ouvida, Alci Maria Lima, uma das sócias da mulher de “Pipoca” na empresa, disse desconhecer a natureza dos serviços prestados:

 

"Eu assinei o recibo, mas não sei o que foi que a empresa fez, não."

3. Outra empresa que prestou “serviços à fundação de Sarney foi a Clara Comunicação. Pertence a Félix Alberto Lima, irmão de “Pipoca”.

 

As notas fiscais emitidas pela Clara somam R$ 103 mil. Félix diz que sua empresa divulgou atividades da fundação. Qual a ligação com o projeto da Petrobras?

 

Primeiro, Félix disse que não sabia explicar. Depois, informou que a divulgação referia-se ao projeto custeado pela estatal.

 

4. Centro de Excelência Humana Shalom, eis o nome de outra empresa contratada pela fundação do presidente do Senado.

 

Informa-se que prestou “serviços de consultoria”. Recebeu R$ 72 mil. Sua sede localiza-se na casa de uma professora chama Joila Moraes, em São Luís.

 

"A empresa é de um amigo meu, mas nunca funcionou aqui”, disse Joila aos repórteres. “Eu só emprestei o endereço".

 

A professora Joila é irmã de Jomar Moraes, que integra o Conselho Curador da Fundação José Sarney.

 

5. A MC Consultoria, outra prestadora de “serviços”, recebeu da Fundação Sarney R$ 40 mil.

 

Nos arquivos da Receita, o endereço da MC fica num prédio cujos funcionários, inquiridos, disseram jamais ter ouvido falar na logomarca.

 

6. A fundação de Sarney usou algo como R$ 15 mil do montante recebido da Petrobras para realizar pagamentos a um restaurante localizado na rua do museu.

 

Serviu para o custeio de marmitas. Valor unitário: R% 4,50. Quantidade de quentinhas: 3 mil.

 

Previa-se que o projeto bancado com dinheiro da estatal estaria concluído em 2007. O patrocínio encontra-se em fase de prestação de contas.

 

Tomada pelo plano original, a iniciativa deveria ter dotado o museu da Fundação Sarney de um lote de computadores.

 

As máquinas seriam instaladas nos corredores do museu. Serviriam para que os visitantes consultassem o papelório da época em que Sarney presidiu o país.

 

Os repórteres visitaram o museu. Fica num antigo convento, assentado no centro histórico da capital maranhense. Não há no local vestígio dos computadores.

 

A despeito de tudo, a Fuindação Sarney informa que todas as metas previstas no contrato de patrocínio petroleiro foram “cumpridas”.

Escrito por Josias de Souza às 06h49

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Para tirar Sarney do foco, Renan ameaça abrir a CPI

Fotos: Lula Marques/Folha

 

“Sarney, ou vocês dão um passo adiante na CPI ou a vítima vai ser você”.

 

A frase, cochichada por José Agripino Maia, deixou Sarney balançado. O morubixaba do PMDB acabara de assistir a mais um capítulo da crise.

 

Cenas tragicômicas. Por pouco a coisa não descambara para o pugilato. Tasso Jereissati chegara a levar o dedo ao nariz do ex-boxeador Eduardo Suplicy.

 

Por um instante, Sarney deixara de ser o epicentro da crise. As ondas sísmicas da política haviam arrastado a Petrobras para o meio do palco do Senado.

 

A oposição a exigir a instalação da CPI. O governismo a tergiversar. Súbito, Sarney, passos miúdos, desce da mesa da presidência. Desliza os sapatos pelo tapete azul do plenário, em direção à saída.

 

Antes de ganhar a porta, achega-se ao líder do DEM. Foi quando Agripino aconselhou-o a dar o “passo adiante" rumo à instalação da CPI petroleira.

 

Vilão da novela do Senado, Sarney tenta ganhar as coxias de fininho. Deseja reter a cadeira de presidente sem o inconveniente dos refletores.

 

PSDB e DEM lhe ofereceram a chance de modificar o roteiro. Há dois dias, a oposição trocou o bordão ‘fora Sarney’ pelo lema ‘CPI já’.

 

Impactado pelo comentário de Agripino, Sarney puxou pelo braço um aliado. Foi conversar, a portas fechadas, com o líder do PMDB, Renan Calheiros.

 

Minutos antes, Renan conversara, também ele, com Agripino. Prosa idêntica. Ou o PMDB ajudava a trocar o cartaz da peça ou a crise continuaria atendendo pelo nome de José Sarney.

 

Depois de dialogar reservadamente com a "crise", Renan retornou ao plenário. Disse a um senador que comunicaria ao líder do PT, Aloizio Mercadante, uma novidade: concordaria com a instalação da CPI.

 

Seguiu-se uma reunião de Renan, Mercadante e outros líderes governistas numa sala envidraçada contígua ao plenário. Era noite de quarta (8).

 

Horas antes, Mercadante, fustigado pela oposição, dera a resposta que prometera na véspera. Afinal, o PT iria ou não desbloquear o início da petroinvestigação?

 

Mercadante recorrera à desconversa: “Não tivemos tempo de tratar do assunto”. Daí o fervor que levaria Jereissati a desafiar os dotes pugilísticos de Suplicy.

 

Jereissati enxergara “cinismo” nas palavras de Mercadante. Acusara um dois diretores da Petrobras, o petista Wilson Santa Rosa, de "estar usando e abusando" das arcas da estatal.

 

Dissera que usa a empresa para “fazer política e destinar dinheiro para campanhas eleitorais”. Por essas e outras, acha o grãotucano, o governo levanta o escudo antiCPI.

 

Suplicy esboçara uma defesa de Santa Rosa. E dera-se o rififi, depois serenado por um pedido de mútuo de desculpas.

 

Na reunião da saleta envidraçada, os líderes marcaram para as 11h desta quinta (9) uma reunião de todo o consórcio governista.

 

Autor do pedido de CPI, o tucano Álvaro Dias (PR), que informara sobre a intenção de protocolar um mandado de segurança no STF às 9h, adiou a providência para as 14h.

 

Antes de bater às portas do Supremo, tucanos e ‘demos’ querem conhecer o resultado do encontro governista.

 

Alheios aos conchavos insinuados dentro do prédio, manifestantes exibiam numa rua defronte a faixa com os dizeres que o pseudopresidente tenta exorcizar: “Fora Sarney”.

 

De resto, encaminhava-se para o prelo uma nova e incômoda manchete: “Fundação Sarney desvia recursos da Petrobras (leia texto acima).

 

A notícia como que injeta Sarney no centro do cartaz de uma peça que a oposição oferecia como alternativa.

 

A confluência das encrencas decerto levará Renan Calheiros a pisar no freio. Abrindo-se a CPI, Sarney arderá sob holofotes ainda mais inclementes. Não em um, mas em dois palcos simultâneos.

Escrito por Josias de Souza às 04h58

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: PM: mais 1.000 policiais nas ruas em uma semana

 

- Folha: Retomada global será mais lenta, prevê FMI

 

- Estadão: Fundação Sarney desvia recursos da Petrobras

 

- JB: Crescem roubos a lojas na Zona Sul

 

- Correio: Governo cede e negocia aposentadoria integral

 

- Valor: Reserva cambial já supera o nível de antes da crise

 

- Estado de Minas: Viagens de ônibus terão garantias iguais às de avião

 

- Jornal do Commercio: Governo vai cortar ponto de professor

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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PTômulo e PMDBemo

Nani

Via blog do Nani. Veja aqui detalhes sobre os gêmeos Rômulo e Remo.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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PT pede ‘licença’ de Sarney, mas deixa a critério dele

Lula Marques/Folha

 

A bancada de senadores do PT se reuniu nesta quarta (8) para decidir, finalmente, que posição adotar em relação à presidência de José Sarney.

 

A despeito da pressão exercida por Lula, a maioria dos petistas se manteve aferrada à tese de que Sarney deveria se afastar por meio de uma licença.

 

Ao redigir a nota oficial, o petismo valeu-se do óbvio para ensaboar o texto. Lembrou que cabe a Sarney decidir se vai ou não se licenciar. Eis o que diz o texto:

 

"A bancada dos senadores manteve sua posição de sugerir que, num gesto de grandeza e de garantia à credibilidade das investigações, o senador José Sarney se licenciasse temporariamente..."

 

“...Admite, no entanto –como fez a maioria dos partidos da Casa— que a licença é uma decisão a ser tomada pelo senador”.

 

Traduzindo do petês para o português: defendemos a licença mas, se até a oposição decidiu dar um refresco a Sarney, não será o PT que vai fazer carga contra ele.

 

Vai abaixo a íntegra da nota do PT:

 

 

"Os senadores do Partido dos Trabalhadores comunicam que a sua liderança em momento algum, da discussão sobre a crise no Senado, exigiu que seus integrantes abdicassem de suas posições individuais.

 

Tampouco pouco o fez o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro no Palácio da Alvorada, semana passada. Portanto, a bancada de sente respeitada pelo presidente Lula em sua autonomia.

 

Os parlamentares do PT no Senado reafirmam:

 

1. A bancada dos senadores, ao longo de toda a discussão sobre a crise do Senado, manteve a sua posição: a de sugerir que, num gesto de grandeza e de garantia à credibilidade das investigações, o senador José Sarney se licenciasse temporariamente para que o Senado pudesse aprofundar as investigações e construir propostas de solução para os problemas encontrados. Admite, no entanto --como o fez a maioria dos partidos da Casa-- que a licença é uma decisão a ser tomada pelo senador.

 

2. A crise do Senado é estrutural, grave, e envolve aspectos éticos e políticos relevantes.

 

3. O PT sempre defendeu uma reforma profunda para corrigir as distorções da administração do Senado e, para tanto, apresentou, em nome desta proposta de mudança, a candidatura do senador Tião Viana (AC) a presidente. Diante disso, assevera sua disposição de promover ações políticas para uma reforma estrutural e urgente do Senado mais ampla que as providências importantes já anunciadas:

 

a) A criação de uma comissão suprapartidária para debater com a sociedade civil e especialistas a reforma do Senado por meio, inclusive, de uma lei de responsabilidade administrativa e financeira do parlamento a partir de projeto de bancada, em anexo, coordenado pelo senador Tião Viana. Esta comissão não seria concorrente com a Mesa Diretora, pois deve ter uma função complementar, elaborando para uma melhor governança do Senado, assim como o controle social e democrático da sua gestão.

 

b) Funcionamento permanente de um colégio de líderes para democratizar as decisões da vida legislativa e administrativa da instituição.

 

c) Redução progressiva de até 60% do teto com despesas com pessoal e extinção de estruturas como do Interlegis, Unilegis, inclusive o enxugamento do serviço de atendimento médico do Senado exclusivamente para o atendimento de emergência.

 

d) Redistribuir as atribuições da 1ª secretaria com as outras secretarias da Mesa Diretora.

 

e) Prazo limite para o exercício dos cargos de direção de até quatro anos, coincidentes com a Mesa Diretora.

 

f) Extinção do pagamento adicional salarial a participantes de funcionários em conselhos ou comissões especiais no âmbito do Congresso Nacional.

 

4. Finalmente, a bancada defende:

 

a) A necessidade de aprofundar as investigações e ampliá-las para todos os possíveis responsáveis, tomando as devidas providências legais, como já está ocorrendo, Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e a Polícia Federal.

 

b) Que diversas medidas já estão sendo tomadas pela Mesa Diretora do Senado e que seus efeitos exigem tempo para produziram as mudanças necessárias como os resultados apresentados pela comissão de sindicância, a abertura de processos de demissão a bem do serviço público; a unificação dos contracheques, a abertura do portal da transparência, as novas diretrizes para horas-extras, as restrições para créditos das passagens, além de outras medidas".

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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Grupo antiSarney decide recorrer a Ministério Público

Reunido nesta quarta (8), um grupo de nove senadores decidiu protocolar no Ministério Público um pedido de investigação contra as mazelas do Senado.

 

Deseja-se reunir numa única peça todas as acusações que pesam contra a Casa. Por exemplo: atos secretos, contratos de terceirizados e empréstimos consignados.

 

Inicialmente, decidiram assinar a representação o PSDB e o PSOL. Serão contactadas todas as demais legendas. Serão signatárias todas as que desejarem.

 

De resto, pretende-se convidar entidades representativas da sociedade civil para que endossem formalmente a representação. Mencionaram-se três entidades:

 

OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CNBB (Confederência Nacional dos Bispos do Brasil) e ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

 

Participaram da reunião os seguintes senadores: Sérgio Gerra (PSDB-PE), Tasso Jereissati (PSDB-PR), Álvaro Dias (PSDB-PR), Marisa Serrano (PSDB-MS)...

 

Cristovam Buarque (PDT-DF), Patrícia Saboya (PDT-CE), José Nery (PSOL-PA), Renato Casagrande (PSB-ES), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS).

 

Ao pedir ao Ministério Público que investigue os senadores, por assim dizer, chovem no molhado.

 

A Procuradoria já conduz, com o auxílio da Polícia Federal, dez frentes de investigação envolvendo malfeitos do Senado.

 

A despeito disso, os senadores consideraram relevante formular a representação.

 

“Nossa idéia é organizar o conjunto das investigações num intrumento único, que ofereça a possibilidade de reunir todos os fatos”, disse ao blog José Nery.

 

“Queremos estabelecer uma conexão dos vários crimes perpetrados no Senado, possivelmente com auxílio de senadores”.

 

O grupo de senadores tomou outras duas decisões:

 

1. Cobrar da Mesa diretora do Senado o cumprimento de um conjunto de providências sugeridas em documento referendado por 20 senadores.

 

Alguns pedidos, como a abertura de processo administrativo contra ex-diretores acusados de malfeitos, já foram implementados.

 

Há, porém, pendências. Entre elas a elabroação de um projeto de resolução que fixe regras para a aprovação em plenário dos nomes de novos diretores.

 

2. Exigir a imediata instalação do Conselho de Ética do Senado, inativo desde março.

 

Há, por ora, duas representações formuladas contra Sarney –uma do PSOL e outra do líder tucano Arthur Virgílio.

Escrito por Josias de Souza às 18h11

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CNJ abre ‘inspeção’ nos cartórios de imóveis do Pará

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) inicia na próxima quarta-feira (16) uma inspeção nos cartórios de registro de imóveis do Estado do Pará.

 

Em portaria assinada nesta quarta (8), o ministro Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça, designou os responsáveis pela fiscalização.

 

O próprio Dipp integra o grupo, composto de 13 pessoas –entre juízes e técnicos. O trabalho começa pela comarca de Altamira.

 

Conforme noticiado pela repórter Marta Salomon, o Pará tem, nos livros cartoriais, quatro vezes o tamanho oficial registrado nos mapas.

 

As “terras de papel”, como são chamados os registros irregulares, conferem ao Pará um título indigesto. O Estado é recordista em grilagem de terras no país.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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Senado injeta ‘contrabando’ de R$ 280 bi numa MP

Stock Images

 

O plenário do Senado viveu nesta terça (7) uma tarde como há muito não se via.

 

O prenúncio de calmaria era denunciado pela presença de José Sarney.

 

Rodeado de denúncias, o presidente vinha se esquivando de presidir.

 

Mas, beneficiado por um súbito e inusitado cessar-fogo da oposição, ele presidiu.

 

Votaram-se matérias esquecidas na fila. Entre elas uma MP (medida provisória).

 

Leva o nº 460. Foi convertida num PLV (projeto de lei de conversão nº 12/09).

 

PLV é como os congressistas chamam as MPs depois de modificadas por eles.

 

Em tese, as mudanças deveriam produzir meros ajustes no texto original.

 

Prestam-se, porém, à introdução de verdadeiros cavalos-de-tróia nas MPs.

 

Originalmente, o miolo da MP 460 tratava do Programa Minha Casa, Minha Vida.

 

Concedia benefícios tributários às construtoras que vão erigir as casas populares.

 

Convertida no PLV 12, a medida foi aprovada na noite passada pelos senadores.

 

Destinou à Viúva um presente de grego. Tem a forma de um crédito tributário de 15% aos exportadores.

 

O percentual incide sobre o valor de operações de exportação feitas entre 1983 e 2002.

 

Pelas contas da pasta da Fazenda, a brincadeira vai custar à União algo entre R$ 250 bilhões e R$ 280 bilhões.

 

Deve-se à senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) a introdução do “contrabando” no texto da MP.

 

Argumentou que era preciso dissolver uma pendência que se arrasta pelos escaninhos do Judiciário há 25 anos.

 

Coisa complicada. Que, grosso modo, pode ser resumida assim:

 

1. Em 1969, o governo isentara as empresas exportadoras do pagamento do IPI. Deu-se à providência o apelido de “crédito-prêmio do IPI”.

 

2. O exportador vendia determinado produto para o estrangeiro e se creditava do IPI embutido no preço dos componentes da mercadoria.

 

3. Em 1983, o governo iniciou um processo de eliminação do crédito-prêmio do IPI.

 

4. Inaugurou-se, então, um melê jurídico. Mais de 30 mil empresas foram ao Judiciário para manter o benefício.

 

5. Na primeira instância, produziram-se sentenças desencontradas. A maior parte delas contrárias à Viúva.

 

6. Mercê de sucessivos recursos, os processos foram subindo para os tribunais superiores, em Brasília.

 

7. Em 2004, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) expediu uma sentença na qual considerava que o crédito-prêmio do IPI expirara em 1990.

 

8. No ano passado, em decisão provisória, o STF (Supremo Tribunal Federal) considerara que o benefício havia sido extinto em 1983.

 

9. A ausência de uma jurisprudência saneadora resultou no cavalo de madeira que transportou os exportadores para dentro das muralhas da MP de Tróia.

 

10. Aprovada pelos senadores, a medida volta à Câmara. Os deputados já haviam aprovado a MP. Injetaram nela outros bichos.

 

Mas a mudança operada no Senado obriga a que a Câmara a proceder nova votação.

 

11. Se for mantido pelos deputados, o crédito concedido pelos senadores poderá ser usado por exportadores para abater dívidas com o fisco.

 

12. Exportadores que dobraram os joelhos na crise poderão tingir de azul seus balanços encarnados.

 

13. Os senadores vendem a tese de que a providência é benéfica ao país porque, sem ela, muitas empresas iriam à breca.

 

14. Pode ser. Mas se desejava atalhar o caminho que conduziria à sentença final do Judiciário, o Senado poderia ter debatido o tema às claras.

 

15. Preferiu-se a trilha tortuosa dos acertos reservados, trançados à sombra dos gabinetes, longe dos holofotes.

 

16. Acomodou-se nos galhos da MP uma dessas emendas que os próprios congressistas costumam chamar de jabuti.

 

Não sobem em árvore senão por obra de enchente ou levados por mão de gente.

 

A platéia ainda há de ter saudades das sessões em que, envenenados pela sanha do "fora Sarney", os senadores não se animavam a votar coisa nenhuma.

Escrito por Josias de Souza às 06h11

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Elio Gaspari: Lula tem razão-não confie nos doutores

Lula Marques/Folha

 

Vai abaixo artigo que o repórter Elio Gaspari leva às páginas nesta quarta (8). Pode ser encontrado na edição da Folha.

 

O texto trata do “momento Maradona” de Dilma Rousseff, a ministra que “ajeitou o seu currículo com a mão”. Fala também de Celso Amorim. Eis o escrito de Gaspari:

 


“Logo no governo de um presidente que chegou ao Planalto sem diploma de curso secundário e gosta de ironizar canudos, descobriu-se que dois de seus ministros ostentaram títulos universitários maquiados.

 

A repórter Malu Gaspar revelou que, ao contrário do que informava o Itamaraty, o chanceler Celso Amorim jamais teve título de doutor em ciências políticas e econômicas pela London School of Economics.

 

Pior: a biografia oficial de Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, candidata à Presidência da República, informava que ela é "mestre em teoria econômica" e doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp.

 

A Plataforma Lattes, do CNPq, registrou que ela obteve o mestrado com uma dissertação sobre "Modelo Energético do Rio Grande do Sul". Falso.

 

O repórter Luiz Maklouf Carvalho revelou que, segundo a Unicamp, não há registro de matrícula de Dilma Rousseff no seu curso de mestrado. Só ela tem a senha que permite mexer nos dados da página com seu currículo no Lattes.


Dilma e Amorim não preencheram o requisito essencial para obtenção do título de doutor, que é a apresentação de uma tese.

 

Uma pessoa só é "doutorando" enquanto cursa o programa de doutorado ou enquanto cumpre o prazo de carência para a entrega da tese. Depois disso, volta a ser "uma pessoa qualquer".

 

Há 1,1 milhão de acadêmicos cadastrados no Lattes. Se nesse universo de professores ficam impunes coisas desse tipo, será difícil um mestre condenar aluno que comprou trabalhos na internet.


A ministra Dilma tem uma relação agreste com a realidade. Em março do ano passado ela sustentou que a Casa Civil não organizara um dossiê de despesas pessoais de Fernando Henrique Cardoso na Presidência.

 

Tudo não passava de um "banco de dados". Um mês antes, num jantar com 30 empresários, ela informara que o governo estava colecionando contas incriminatórias do tucanato.


Lidando com um período sofrido de sua juventude, ela disse que, durante a ditadura, 'muitas vezes as pessoas eram perseguidas e mortas... e presas por crime de opinião e de organização, não necessariamente por ações armadas. O meu caso não é de ação armada. O meu caso foi de crime de organização e de opinião'.


Presos e condenados por crime de opinião foram o historiador Caio Prado Júnior e o deputado Chico Pinto, Dilma Rousseff militou em duas organizações que, programaticamente, defendiam a luta armada para instalar um 'Governo Popular Revolucionário' (Colina, abril de 1968) ou um 'Governo Revolucionário dos Trabalhadores, expressão da Ditadura do Proletariado' (VAR-Palmares, setembro de 1969).

 

Dilma nega que tenha participado de ações armadas, ou mesmo planejado assaltos. Até hoje não apareceu um mísero fato que a desminta, mas o Colina, que ela ajudou a organizar, matou um major alemão pensando que fosse um oficial boliviano e assaltou pelo menos três bancos.

 

Seria injusto obrigar a ministra a carregar a mochila dos ideais de seus vint'anos. Até porque, no limite, merecem mais respeito os jovens que assumiram riscos e pegaram em armas do que oficiais, agentes do Estado, que torturaram e assassinaram prisioneiros.

 

Ainda assim, é um péssimo prenúncio ver uma ministra-candidata que maquia currículo, bem como o propósito de sua militância. As pessoas preferem acreditar nas outras.

Escrito por Josias de Souza às 04h57

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PSDB e DEM decidem trocar ‘Fora Sarney’ por 'CPI já'

Lula Marques/Folha

Apesar de Sarney, estabeleceu-se no Senado uma atmosfera de súbita concórdia 

 

Uma semana depois de “exigir” em plenário a saída de José Sarney da presidência do Senado, a oposição deu uma guinada em sua estratégia.

 

Reunidos reservadamente no início da tarde desta terça (7), quatro mandachuvas do PSDB e do DEM decidiram aliviar a carga faziam contra Sarney.

 

Trocaram o bordão “Sai Sarney” pela defesa da imediata instalação da CPI da Petrobras.

 

Pelo lado do PSDB, participaram da reunião Sérgio Guerra e Arthur Virgílio, respectivamente presidente e líder da legenda.

 

Representaram o DEM: Rodrigo Maia, presidente da legenda, e José Agripino Maia, líder no Senado.

 

Ouvido pelo blog, Agripino resumiu assim o reposicionamento da oposição: “A questão Sarney fica em suspenso até que a bancada do PT delibere sobre o tema...”

 

“...A permanência de Sarney é de responsabilidade exclusiva do presidente Lula, que está operando a bancada do PT”.

 

A meia-volta de tucanos e ‘demos’ deixou o Senado aturdido. O plenário da Casa, antes uma panela de pressão, virou caldeirão de banho-maria.

 

Sarney, que fugia da vitrine há dias, presidiu a sessão sem ser molestado. A tropa do líder do PMDB, Renan Calheiros, escora de Sarney, soltava fogos na noite passada.

 

Senadores como Cristovam Buarque (PDT) e Jarbas Vasconcelos (PMDB), que engrossavam o coro pela saída de Sarney, ficaram sem chão.

 

“E agora, o que vamos fazer?”, perguntou Cristovam aos amigos. “O que está acontecendo?”, indagou Jarbas ao tucano Tasso Jereissati.

 

Desde a noite da véspera, articulava-se, por iniciativa de Cristovam, uma reunião pluripartidária dos senadores que pregavam a saída de Sarney.

 

Tucanos e ‘demos’ deram as costas para esse encontro, que, esvaziado, nem ocorreu. Para Jarbas, a oposição comete um “erro”.

 

Acha que a pressão sobre Sarney e a defesa da CPI da Petrobras são temas complementares, não excludentes.

 

No encontro restrito a tucanos e ‘demos’, prevaleceu uma tese de Agripino. Defendeu que Sarney fosse empurrado para o colo de Lula e do PT.

 

E pregou que a oposição centrasse fogo na investigação da Petrobras. Aprovada, a mudança de rota foi explicitada na sessão vespertina.

 

Autor do pedido de CPI, o tucano Alvaro Dias dirigiu um requerimento oral a Sarney.

 

Invocando o regimento, pediu-lhe que substituísse na CPI os governistas que vêm se recusando a comparecer à sessão inaugural da comissão.

 

Sarney disse que o regimento não ampara o pedido de Dias. Mas, aliviado pelo cessar-fogo, comprometeu-se a dialogar com os líderes.

 

Arthur Virgílio foi ao microfone para informar que a oposição se dispunha a retirar do caminho todos os óbices invocados pelo governo para não instalar a CPI.

 

Disse que devolveria a um senador governista a relatoria da CPI das ONGs. E comprometeu-se a retirar o pedido de constituição de outra CPI, a do DNIT. Agripino levantou a obstrução às votações.

 

Virgílio instou Romero Jucá, líder de Lula, a se manifestar. Ouviu dele que, eliminados os entraves, não se opunha à instalação da CPI petroleira.

 

Jucá esclareceu que falava apenas em seu nome. Virgílio cobrou, então, uma manifestação de Renan Calheiros.

 

Longe do microfone, Renan disse que precisaria consultar a sua bancada. Lorota. A banda do PMDB toca a partitura que Renan mandar.

 

Sérgio Guerra realçou a pantomima: “O Mercadante me disse umas quatro vezes que ia instalar a CPI. Dizia que dependia de Renan, que me deu a palavra várias vezes, mas disse dependia de Mercadante...”

 

“...Mercadante me disse depois que não havia mais problema entre ele e Renan. Mas Jucá me disse que era preciso ouvir Mercadante, que, de novo, jogou para Renan”.

 

Chamado a se manifestar, Sarney rogou que lhe dessem tempo para “superar o impasse”.

 

De resto, o líder petista Aloizio Mercadante comprometeu-se a informar ao plenário, nesta quarta (8), a posição oficial de sua bancada.

 

A reunião da bancada petista deveria ter ocorrido nesta terça. Foi, contudo, adiada. Mercadante equilibra-se entre a pressão do Planalto e a divisão de sua tropa.

 

Contra a vontade de Lula, parte dos 12 senadores do PT deseja a saída de Sarney. Três estão firmes nessa posição: Tiao Viana, Eduardo Suplicy e Marina Silva.

 

Quatro balançam: Flávio Arns, Paulo Paim, Fátima Cleide e Augusto Botelho. Na nova reunião, a quarta, o PT pode decidir, de novo, não decidir coisa nenhuma.

 

Agripino fustiga: “O Sarney, embora frágil, tem o peito inflado pelo apoio do superLula e da super Dilma”. Meia verdade.

 

A verdade inteira é a seguinte: há defecções pró-Sarney dentro da bancada do DEM –pelo menos quatro senadores—e do PSDB –pelo menos dois.

 

De resto, o vice que assumiria no lugar de Sarney, o tucano Marconi Perillo, tem pés de barro. É chamado de "Marconi Perigo".

 

E a tribo ‘demo’ tem contra si o fato de ter gerido a primeira-secretaria do Senado na maior parte do tempo em que vicejaram os desmandos.

 

Servindo-se do apoio de Lula e das fragilidades da oposição, Sarney arrastou para o seu lado mais de 50 dos 81 senadores. Balança. Mas é improvável que caia.

Escrito por Josias de Souza às 04h31

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Carga tributária bate novo recorde e gastos crescem

 

- Folha: Carga tributária é recorde, mas governo prevê queda

 

- Estadão: Carga tributária cresce mesmo com fim da CPMF e crise global

 

- JB: Mais voz para os emergentes

 

- Correio: O show acabou

 

- Valor: Países estudam a criação de estoque de alimentos

 

- Jornal do Commercio: Recife ganha batalha na guerra do lixo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Pato manco!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Dilma admite que currículo levado à web tinha erros

Leia mais sobre o tema aqui.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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Mercadante cobra diálogo e FHC diz que cabe a Lula

Durante sessão comemorativa dos 15 anos do Plano Real, o líder petista Aloizio Mercadante falou sobre a imaturidade que envenena as relações políticas.

 

Reconheceu os méritos de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso na implementação do Real.

 

Mas declarou que a oposição também deveria dar crédito a Lula pelo êxito que vem obtendo na condução da economia.

 

Acha que faz falta o diálogo de FHC com Lula. "Deveriam conversar mais, conversar mais, pensar mais o Brasil juntos [...]".

 

Presente à sessão, o ex-presidente respondeu a Mercadnate:

 

“Talvez, senador Mercadante, suas palaras tenham sentido. Mas não devem ser ditas a mim. Devem ser ditas a quem pode...”

 

“...Quem pode não sou eu. Quem pode dizer vamos juntos não sou eu. Eu estou por baixo [...]. Sempre que estive por cima tentei, não consegui”.

Escrito por Josias de Souza às 19h47

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Na casa do ‘enforcado’, FHC evita falar sobre ‘corda’

 

Fernando Henrique Cardoso deu as caras no Senado nesta terça (7).

 

Foi participar da sessão em que se festejou o aniversário de 15 anos do Real.

 

Os repórteres o inquiriram sobre a crise que carcome as entranhas do Senado.

 

E FHC: "Eu vim ao Senado para celebrar o Real [...]...”

 

“...Não vou, em um dia como hoje, falar disso...”

 

“...Em casa de enforcado não se fala em corda".

 

Antes de seguir para o plenário, FHC visitou o “enforcado” Sarney.

 

O ex-presidente tem lá as suas razões para se esquivar do tema.

 

No seu tempo, tentou afrouxar a corda que apertou o pescoço de Jader Barbalho.

 

Embora desejasse, não ajudou a cingir o nó que sufocou ACM.

 

Antes que o país descobrisse que Renan é Renan, abrigara-o na pasta da Justiça.

 

De resto, FHC frequenta a crise atual por meio de um fruto de sua árvore genealógica.

 

Luciana Cardoso, filha de FHC, foi pilhada na condição de funcionária fantasma.

 

“Assessora” de Heráclito Fortes, disse que não ia ao Senado para evitar a “bagunça”.

 

Depois, demitiu-se, para evitar “contrangimentos” ao primeiro-secretário.

 

De fato, FHC não é mesmo a pessoa mais indicada para discorrer sobre cordas.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Em Paris, Lula sentencia: não existe crise no Senado

Orlandeli

 

Lula, como se sabe, encontra-se em Paris. Viajou no último final de semana.

 

Ao embarcar, tirou os pés do solo brasileiro. E também da realidade.

 

Nesta terça (7), o presidente disse que não há crise no Senado brasileiro.

 

“[...] Eu, sinceramente, não sei como alguém pode tratar de crise uma divergência dentro do Senado".

 

De resto, Lula negou que esteja pessionando os senadores do PT para apoiar Sarney.

 

"[...] Coitado do presidente da República, para dar conselho para um senador. É quase humanamente impossível. A bancada do PT vai agir da melhor forma possível".

 

No Brasil, instada a se pronunciar sobre o mesmo tema, a ministra-candidata Dilma Rousseff saltou de banda:

 

"Como não é minha área, não vou me manifestar. Não estou acompanhando [a crise do Senado]".

 

Ora, se não acompanha, por que diabos saiu em defesa de Sarney na semana passada?

 

Tudo faz crer que o governo prepara o lançamento de um novo e ambicioso programa social.

 

O 'Bolsa Felicidade' prevê a distribuição gratuita a milhões de brasileiros de narizes vermelhos, colarinhos folgados, sapatos grandes e lágrimas de esguicho.

 

-PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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Senadores anti-Sarney se reúnem para unir esforços

Ivan Cabral

 

Expoentes do grupo que se opõe à permanência de José Sarney na presidência do Senado discutem nesta terça (7) a adoção de uma estratégia comum.

 

Por sugestão de Cristovam Buarque (PDT-DF), planeja-se a realização de uma reunião.

 

Deseja-se arrastar para o encontro o mesmo grupo que encaminhou a Sarney, duas semanas atrás, um elenco de propostas para reformar o Senado.

 

Participaram daquela articulação, além de Cristovam, os tucanos Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio...

 

...O petista Tião Viana, o ‘demo’ Demóstenes Torres, o socialista Renato Casagrande e os dissidentes peemedebistas Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon.

 

Não se defendia, então, a licença de Sarney da presidência. Mas, na semana passada, três partidos abraçaram formalmente a tese: PSDB, DEM e PDT.

 

Reforçados por José Agripino Maia, líder do DEM, os defensores da saída de Sarney desejam agora contabilizar votos, unificar o discurso e traçar uma estratégia comum.

 

A despeito do abandono dos ‘demos’, Sarney ganhou sobrevida ao receber o apoio explícito de Lula.

 

Um apoio que será testado nesta terça numa reunião da bancada do PT –o quarto encontro dos senadores petistas.

 

Nas três reuniões anteriores prevaleceu um placar adverso a Sarney. Mas o partido de Lula esquivou-se de adotar a aversão como posição oficial.

 

Na última quinta (2), Lula chamou o “exército” petista –12 senadores— ao Alvorada. Apelou por Sarney. Reduziu a encrenca do Senado a uma “luta política”.

 

Repisou a tese segundo a qual a oposição trama levar a presidência do Senado “no tapetão”. Fez menção a ameaças à “governabilidade”.

 

Nesta segunda (6), o plenário do Senado continuou monotemático. Os senadores revezaram-se na tribuna para tratar de um único e inevitável tema: a crise.

 

Vários oradores dedicaram-se a criticar a interferência de Lula e a fustigar o PT, indeciso entre o respeito à maioria de sua bancada e à vontade do Planalto.

 

Jarbas Vasconcelos pediu o “afastamento” de Sarney. Disse que Lula promove “interferência despudorada” no Senado.

 

Afirmou que, a pretexto de assegurar o apoio do PMDB à candidatura presidencial de Dilma Rousseff, Lula não hesita nem mesmo em “comprometer” o PT.

 

Cristovam Buarque disse que, ao escorar sua presidência em Lula, Sarney sujeita-se a ser enquadrado na falta de "quebra do decoro parlamentar".

 

A tucana Marisa Serrano, vice-presidente do PSDB, afirmou que a interferência de Lula caracteriza “usurpação do poder”.

 

“Os senadores não precisam de tutores para resolver os problemas internos da Casa”, disse ela.

 

Ouviu-se uma solitária voz do PT. Da tribuina, Eduardo Suplicy manteve-se aferrado à tese da licença de Sarney.

 

Negou que o encontro com Lula tenha resultado em “enquadramento” do petismo. Suplicy é uma das vozes que se levantarão contra Sarney na reunião do PT.

 

Um encontro que, embora tenha sido programado desde a semana passada, a liderança do PT esquivou-se de confirmar.

 

Além de Suplicy, pelo menos mais três senadores conservam a cara virada para Sarney: Marina Silva, Flavio Arns e Tião Viana.

 

Até a semana passada, outros três defendiam o afastamento de Sarney: Paulo Paim, Fatima Cleide e Augusto Botelho.

 

Mantidas essas posições, o líder do PT, Aloizio Mercadante, terá dificuldades para entregar a Sarney o apoio prometido por Lula.

 

A terça-feira promete fortes emoções. Se for ao plenário, Sarney não escapará de ouvir discursos acerbos.

 

Nesta segunda, o pseudopresidente do Senado preferiu o exílio do gabinete à vitrine. A reiteração da ausência não serve senão para tonificar o cheiro de queimado. Sarney sonha com a chegada do recesso parlamentar.

 

- PS.: Ilustração via blog Sorriso Pensante, de Ivan Cabral

Escrito por Josias de Souza às 07h13

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Procuradoria processa Ibama por liberar obra de Jirau

Valter Campanato/ABr

 

O presidente do Ibama, Roberto Messias Franco (foto), tornou-se protagonista de uma ação civil pública, em Rondônia.

 

Duas ramificações do Ministério Público –federal e estadual— acusam-no de “improbidade administrativa”.

 

Sustentam na ação, protocolada na Justiça Federal de Rondônia, que Roberto Messias atropelou a legislação ambiental.

 

Teria desrespeitado a lei ao conceder licença para a instalação da usina hidrelétrica de Jirau sem atentar para a proteção do meio ambiente.

 

A ação é assinada por dois procuradores da República –Heitor Alves Soares e Nádia Simas— e uma promotora de Justiça –Aidee Maria Moser Torquato Luiz.

 

Pedem que o presidente do Ibama seja condenado à perda do cargo e ao pagamento de multa equivalente a cem vezes o seu salário.

 

A hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, é uma das mais importantes obras do PAC. A licença ambiental foi concedida no mês passado, sob pressão do Planalto.

 

Chama-se Energia Sustentável do Brasil o consórcio responsável pelo empreendimento.

 

Reúne quatro companhias: Suez (50,1%), Camargo Corrêa (9,9%), Eletrosul (20%) e Chesf (20%).

 

O Ministério Público alega que, em 25 de maio passado, técnicos do Ibama haviam se manifestado contra a liberação da licença ambiental de Jirau.

 

Apontaram o descumprimento de 12 de um total de 32 pré-condições ambientais. A despeito disso, diz a ação, Roberto Messias concedeu a licença “oito dias depois”.

 

Eis algumas das condições que, segundo o Ministério Público, foram desconsideradas:

 

1. Não foi apontada a solução a ser dada para o manuseio das toras e dos detritos que resultarão das obras da hidrelétrica. Algo que comprometeria a segurança da barragem.

 

2. O início das obras fará crescer a população local. E não há projeto para solucionar a sobrecarga que esse crescimento vai impor aos serviços públicos.

 

3. Não há menção no projeto à forma como será feita a recuperação de áreas degradadas pela construção da hidrelétrica e pela inundação da cidade de Mutum-Paraná.


4. É preciso responder à seguinte pergunta: Como será possível a reprodução dos peixes migratórios com os bolsões de sedimentos que vão se acumular no leito do rio?

 

5. Não há, por ora, monitoramento de ovos e larvas de cinco tipos de peixe encontradiços no rio Madeira: dourada, piramutaba, babão, tambaqui e pirapitinga.

 

Para o Ministério Público, é preciso verificar como será "o comportamento desses peixes” depois que o estado natural do rio for alterado pela barragem da hidrelétrica.

 

Lula costuma se queixar do que chama de “excessos” ambientais do Ministério Público. Vê na movimentação de procuradores um entrave à realização de obras de infra-estrutura.

 

Em abril de 2008, o presidente criticara os rigores da Procuradoria em relação a uma outra hidrelétrica, a de Santo Antônio, no mesmo rio Madeira.

 

Reunido com o seu conselho político, Lula criticara, em tom jocoso: “Jogaram o bagre no colo do presidente”.

 

Oito meses depois, o Ibama estava às voltas com uma encrenca: Onze toneladas de peixes -inclusive bagres- morreram na primeira etapa da obra de Santo Antônio.

 

Em maio passado, numa visita ao Acre, Lula voltou a reclamar da demora na concessão de licenças ambientais.

 

Referiu-se, entre risos, a um obstáculo à construção de uma estrada no Rio Grande do Sul.

 

Disse que, a certa altura, “encontraram uma perereca no canteiro de obras”. Decidiu-se, segundo ele, verificar se “a perereca estava ou não em extinção”.

 

A pesquisa atrasou as obras em mais de meio ano: “Sete meses para descobrir que a perereca não estava em extinção!”

 

A ação dos procuradores e da promotora de Rondônia constitui nova dor de cabeça para o governo. Mas oferece a Lula matéria-prima para muitos chistes.

 

Além de bagres e pererecas, pode agora rir-se do infortúnico de mais cinco espécies: dourada, piramutabas, babão, tambaqui e pirapitinga.

Escrito por Josias de Souza às 05h58

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MPF move nova ação judicial contra Duda Mendonça

Folha

 

Réu no processo que corre no STF contra a “quadrilha” do mensalão, o publicitário Duda Mendonça foi denunciado novamente pelo Ministério Público Federal.

 

Na nova ação, a Procuradoria pede a devolução de R$ 757 mil pagos indevidamente pela Presidência da República à Agência Duda Mendonça & Associados Ltda..

 

Pede também que a Justiça decrete, preventivamente, o bloqueio dos bens da agência e de seus dois sócios: Duda e Zilmar Fernandes da Silveira.

 

Chama-se Raquel Branquinho a procuradora signatária da ação. O documento é datado de 29 de junho. Tem 20 folhas. Está disponível aqui.

 

Refere-se a um contrato firmado entre a agência de Duda e a Secom (Secretária de Comunicação da Presidência). Deu-se em 2003, alvorecer do governo Lula.

 

O contrato foi auditado pelo TCU. Acordão do tribunal apontou as irregularidades que serviram de base para a ação do Ministério Público.

 

A procuradora Branquinho pede à Justiça que exija a devolução do dinheiro por três razões:

 

 

1. A agência de Duda recebeu para “intermediar” a contratação de serviços que não estavam previstos no contrato que firmara com a Secom.

 

Para a procuradora, utilizou-se o contrato como “guarda-chuva” para despesas que exigiriam a realização de licitações.

 

2. A Duda Mendonça & Associados subcontratou os serviços. Algo que, diz a denúncia, resultou em desnecessária elevação de custos.

 

3. Os serviços subcontratados foram orçados em valores acima dos praticados pelo mercado.

 

Entre os serviços que a Procuradoria tachou de “irregulares” estão: pesquisas de opinião...

 

...A assessoria em eventos (recepcionista, alimentação, hospedagem, transporte e locação de equipamentos), serviços de informática e monitoramento de imagens.

 

 

A pesquisa encomendada pela Presidência e subcontratada por Duda custou R$ 1,9 milhão. A agência do publicitário beliscou R$ 172,7 mil em honorários.

 

Em eventos, a Secom, à época dirigida por Luiz Gushiken, gastou R$ 5,57 milhões. Para intermediar os serviços, a agência de Duda levou R$ 462 mil.

 

As despesas de assessoria de imprensa somaram R$ 320,7 mil. Honorários de R$ 94 mil para a Duda Mendonça & Associados.

 

O monitoramento de imagens, chamado na denúncia de “assessoria de comunicação”, custou à Viúva 320,7 mil. E rendeu a Duda R$ 28,8 mil.

 

Somados todos os honorários, chega-se à cifra de R$ 757.835,96. É esse valor que o Ministério Público deseja ver ressarcido às arcas da União.

 

A procuradora Branquinho prepara ações contra outras duas agências. Serão acusadas do mesmo tipo de malfeito a Lew, Lara Propaganda e Matisse Comunicação.

 

A formalização da denúncia é o primeiro estágio do processo judicial. A Justiça pode aceitar ou arquivar a peça do Ministério Público.

 

Se a denúncia for recebida, inaugura-se a ação. E abre-se a oportunidade para que os acusados exerçam o direito de defesa.

 

De resto, a Justiça terá de deliberar sobre o pedido liminar de bloqueio de bens. Na deúncia, a procuradora Branquinho anota:

 

“Uma vez deferida a medida liminar ora pleiteada, requer o MPF o prazo de dez dias para indicação de todos os bens localizados em nome dos requeridos...”

 

“...E também dos endereços para a pesquisa de outros eventualmente não declarados às autoridades competentes [...]”.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Senado triplica os gastos com viagens ao exterior

 

- Estadão: BB usa Nossa Caixa para pressionar bancos em SP

 

- JB: Prejuízo mínimo da gripe: US$ 630 mi

 

- Correio: Invasão no Lago é caso de polícia

 

- Valor: Setor de PCs já acredita em vendas iguais às de 2008

 

- Jornal do Commercio: Cinco sem-terra mortos em chacina

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Ritual macabro!

Nani

Via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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José Alencar deixa hospital e avisa: ‘A luta continua’

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Documento de lobista devolve Yeda à berlinda no RS

Fotos: Folha e Assembléia Legislativa do RS

 

Um documento assinado pelo empresário e lobista gaúcho Lair Ferst complicou a vida da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB).

 

O papelório empilha 20 denúncias de corrupção. Cita mais de três dezenas de pessoas e empresas.

 

Atribui malfeitos a integrantes e ex-assessores da gestão de Yeda. Não livra nem mesmo a cara da governadora.

 

O documento, de 13 páginas, não é novo. As acusações contidas nele também não. A novidade é que só agora o material veio à luz.

 

O grosso do texto de Lair Ferst, um ex-coletor das arcas eleitorais do tucanato gaúcho, foi às páginas da edição desta segunda (6) do diário Zero Hora.

 

O que mais espantou são os detalhes. Ferst dá detalhes do escândalo que produziu desvios de R$ 44 milhões no Detran gaúcho.

 

Informa que a própria governadora negociou o pagamento de propinas. Anota que Yeda refugou, por mixuruca, um pagamento de R$ 50 mil.

 

Lair listou cinco doações ilegais à campanha eleitoral de Yeda, em 2006. Coisa de R$ 1,4 milhão. Dinheiro borrifado por baixo da mesa. Caixa dois.

 

Lair reabre uma chaga que Yeda supunha curada. Diz respeito a uma mansão que a governadora comprou pouco antes de assumir o governo gaúcho.

 

No oficial, o imóvel custou R$ 750 mil. No paralelo, segundo Lair, Yeda pagou R$ 1 milhão. A diferença –R$ 250 mil—foi paga “por fora”, acusa Lair.

 

O lobista joga na fogueira de denúncias, de novo, o marido de Yeda, Carlos Crusius. Diz que ele manuseava dinheiro vivo no comitê de campanha da mulher.

 

Mais: levava o ervanário para casa. “Os recursos jamais retornaram”, anotou Ferst em seu documento.

 

As acusações de Ferst, aportaram em Brasília há mais de dois meses. Deu-se por meio de um ofício, datado de 16 de abril.

 

Foi endereçado pelo procurador gaúcho Alexandre Schneider ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

 

Duas semanas depois de receber o ofício, Antonio Fernando designou outro procurador, Francisco Teixeira, para cuidar da investigação.

 

Surpreendida com a divulgação do teor do texto do ex-colaborador Ferst, Yeda manifestou-se por meio de uma nota. Resposta do governo, não dela.

 

O texto tenta minimizar o fato. Diz que o noticiário não traz novidades. Repisa a tecla de que as contas da campanha foram auditadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

 

Sobre a mansão de Yeda, a nota repisa: "O fato já foi investigado pelo Ministério Público Estadual, que determinou o arquivamento da investigação".

 

Resta agora saber o que a Procuradoria fez ou ainda fará com as acusações que tisnam a gestão Yeda.

 

Para que a governadora seja efetivamente investigada a Procuradoria precisa obter autorização do Superior Tribunal de Justiça. Não se sabe, por ora, se já a obteve.

Escrito por Josias de Souza às 20h59

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Senado decide unificar ‘contas’ geridas sem controle

Desde fevereiro, o Senado frequenta o noticiário como uma espécie de tapete metafórico. Esconde um impressionante monturo de sujeira não investigada.

 

O tapete é enorme. Mas tornou-se pequeno. A sujeira vaza pelas bordas. No último final de semana, novos detritos ganharam as manchetes.

 

Entre eles três contas bancárias geridas pelo Senado longe dos olhos da platéia. Foram criadas em 1997, sob a presidência de ACM.

 

O saldo atual é de R$ 160 milhões. Essa dinheirama vem de descontos feitos no contracheque dos servidores a pretexto de bancar despesas médicas.

 

Só Deus sabe como vem sendo gastas as verbas. Deus e Agaciel Maia. Até março, era o todo-poderoso do Senado quem mandava e desmandava nas contas paralelas.

 

Havia uma comissão de 11 servidores que, em tese, deveria fiscalizar o vaivém das contas. O grupo jamais se reuniu.

 

Nesta segunda (6), o primeiro-secretário Heráclito Fortes, escalado para o papel de lixeiro, informou que a trinca de contas será unificada numa só.

 

Disse que conselho de fiscalização será “reativado”. Terá 11 integrantes. São providências complementares a uma outra, anunciada no domingo (5).

 

Indicado por Heráclito, o novo diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, prometera contratar uma auditoria externa saber o que Agaciel fez com as tais contas.

 

O que mais incomoda na gestão do lixo é a sensação de que o Senado faz por pressão aquilo que deixou de fazer por obrigação.

 

Dito de outra forma: o Senado não age por conta própria. O Senado reage às notícias acerbas que o assediam.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Senado prorroga contratos tisnados pelo sobrepreço

  Wilson Dias/ABr
O primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) vive as angústias do goleiro no momento da cobrança de um pênalti.

 

No Senado, como nos gramados, o esperado é que o goleiro engula o pênalti. Se a bola vai às redes, a torcida tende a ser complacente com o defensor.

 

Nesta segunda (6), postado sob a trave que emoldura os malfeitos do Senado, Heráclito anunciou que vai deixar passar 25 bolas.

 

Trocando em miúdos: o Senado vai renovar, por 90 dias, 25 dos 43 contratos firmados com empresas fornecedoras de mão-de-obra terceirizada.

 

Um grupo de técnicos constituído pelo próprio Heráclito constatou que esses contratos estão micados. Contêm irregularidades em penca.

 

Conforme já noticiado aqui, o Senado gasta anualmente R$ 155 milhões com os seus terceirizados. Desse total, concluiu o grupo, há algo como 46 milhões de “gordura”.

 

A despeito disso, Heráclito vai renovar os contratos. Por quê? Alega-se que não dá para fazer novas licitações em menos de 90 dias.

 

"Vamos analisar, ver a necessidade de cada um desses contratos e decidir o que fica e o que vai embora", disse Heráclito.

 

No caso do goleiro Heráclito, a condescendência das arquibancadas tende a ser menor.

 

A galera sabe que os artilheiros que chutam contra a meta do atual primeiro-secretário foram escalados, em anos pretéritos, com a ajuda do partido de Heráclito, o DEM.

Escrito por Josias de Souza às 18h23

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MPF denuncia Dantas e mais 13 no caso ‘Satiagraha’

Processo foi às mãos do juiz Fausto de Sanctis na sexta

Nesta segunda, Procuradoria dá detalhes em entrevista

Denúncia faz menção a verbas que irrigaram ‘mensalão’

 

  Wilson Dias/ABr
Está programada para o meio-dia desta segunda (6) uma entrevista coletiva no prédio do Ministério Público Federal, em São Paulo.

 

Serão divulgados os detalhes de uma nova denúncia protocolada há três dias na 6ª Vara Criminal Federal, do juiz Fausto de Sanctis.

 

Diz respeito à segunda fase da Operação Satiagraha. Dessa vez, Daniel Dantas foi denunciado junto com mais 13 pessoas.

 

Entre elas a irmã dele, Verônica Dantas; o presidente do Opportunity, Dório Ferman; o executivo Itamar Benigno Filho; e o ex-diretor da Brasil Telecom Humberto Braz.

 

São acusados da prática de uma penca de delitos. Por exemplo: lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira...

 

...Evasão de divisas, formação de quadrilha e organização criminosa. O texto traz a assinatura do procurador Rodrigo de Grandis.

 

Foi redigido a partir de relatório do delegado Ricardo Saadi, que sucedeu Protógenes Queiroz na condução da Satiagraha.

 

Feita a denúncia, caberá ao juiz De Sanctis decidir se converte a peça em ação penal. São grandes, muito grandes, enormes as chances de que isso ocorra.

 

Confirmando-se a ação, os 13 denunciados serão levados ao banco dos réus e poderão exercer o direito constitucional ao contraditório. De antemão, todos negam os malfeitos.

 

Na fase inaugural da Satiagraha, ainda sob Protógenes, o juiz De Sanctis recebera uma primeira denúncia. Tratava do oferecimento de propina a um delegado federal.

 

Nesse processo, Daniel Dantas foi condenado por corrupção ativa a 10 anos de cadeia, mais multa. Recorreu. E responde em liberdade.

 

Um pedaço da nova denúncia evoca o escândalo do mensalão. O Ministério Público detalha a origem de parte das verbas que escoaram pelo “valerioduto”.

 

Vieram, de acordo com a denúncia, da Brasil Telecom. À época, a empresa integrava o Grupo Opportunity.

 

Os responsáveis pela Satiagraha travam uma corrida contra o relógio. Tentam preservar o bloqueio de US$ 450 milhões. Dinheiro atribuído a Dantas.

 

O dinheiro encontra-se retido em cinco contas bancárias nos EUA. Depois de bloqueado, quase foi liberado.

 

Decisão da Corte Distrital de Washington adiou para setembro o veredicto sobre a manutenção do bloqueio. O governo brasileiro deseja repatriar o dinheiro.

 

- Atualização feita às 16h30 desta segunda (6): Como previsto, o procurador Rodrigo de Grandis veio à boca do palco para esmiuçar a nova denúncia contra DD. Leia aqui nota divulgada pelo Ministério Público.

Escrito por Josias de Souza às 06h03

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Letargia do Senado paralisa o CNJ há quase um mês

Senadores retardam votação de nomes de conselheiros

Em conversa com Sarney, Gilmar Mendes  pediu  pressa

Há no  conselho  3.600 casos pendentes de  julgamento

 

Lula Marques/Folha

 

Criado pelo Congresso Nacional para coibir as mazelas do Judiciário e punir juízes, o CNJ (Conselho Naciona de Justiça) está paralisado há 24 dias.

 

Espera pela aprovação, no plenário do Senado, dos nomes de 11 novos conselheiros. Engolfados por uma crise interna, os senadores dão de ombros para sua obrigação.

 

O mandato dos antigos membros do CNJ expirou em 12 de junho. O Senado deveria ter aprovado a nova composição do conselho dois dias antes. Até hoje, nada.

 

Na semana passada, em conversa com José Sarney, pseudopresidente do Senado, o ministro Gilmar Mendes pediu pressa.

 

Gilmar acumula as presidências do STF e do Conselho Nacional de Justiça. Daí o seu incômodo.

 

Se o Senado não lhe entregar os nomes dos novos membros do conselho até o final da semana, o CNJ completará um mês de inatividade.

 

A ociosidade só não é absoluta porque, além do mandato de Gilmar, remanescem em vigor no CNJ outros dois.

 

Continuam trabalhando o corregedor Nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp; e o conselheiro Marcelo Nobre.

 

Na semana passada, numa tímida tentativa de pressionar o Senado, o CNJ levou à web uma nota na qual alerta para os prejuízos impostos pela apatia compulsória.

 

Diz o texto: “O CNJ começa este mês de julho com aproximamente 3.600 processos pendentes de julgamento. O motivo da demora na tramitação dos processos...”

 

“...É o término do mandato de 12 conselheiros [...], sem que os novos nomes indicados tenham sido confirmados pelo plenário do Senado Federal”.

 

Dos 12 nomes, o Senado aprovou apenas um: o advogado Marcelo da Costa Pinto Neves. Vai ao CNJ como representante do próprio Senado.

 

Os outros nomes (veja lista no rodapé), representarão no CNJ a Justiça do Trabalho (3), a Federal (2), a Estadual (2), a OAB (2) e o Ministério Público (2).

 

Antes de apreciar os nomes do CNJ, os senadores terão de cuidar da composição de um outro conselho, o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

 

Houve uma tentativa na semana passada. Deu-se numa terça-feira em que o plenário do Senado ardia nas chamas de sua fogueira moral.

 

Três partidos haviam pedido o afastamento, por licença, de José Sarney: PSDB, PDT e DEM. Sem condições de presidir a sessão, Sarney exilara-se em seu gabinete.

 

O vice-presidente Marconi Perillo levou a voto o nome de um dos conselheiros do CNMP: o procurador Nicolao Dino.

 

Tratava-se de mera recondução. O nome de Nicolao, cuja atuação no CNMP é tida como irrepreensível, já havia passado pelo Senado à época de seu primeiro mandato.

 

A votação é, nesses casos, secreta. Aberto o painel eletrônico, verificou-se uma surpresa: a recondução de Nicolao foi rejeitada por folgada maioria.

 

Promotor de Justiça licenciado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) acorreu ao microfone. “Estão jogando uma biografia inatacável no lixo”.

 

Demóstenes farejou na rejeição o cheiro da vindita. Há no Ministério Público nada menos que dez investigações abertas pra apurar mazelas do Senado.

 

Perillo pôs em votação o nome de outro conselheiro: o promotor Diaulas Costa Ribeiro. De novo, houve rejeição acachapante.

 

Exasperado, Demóstenes voltou ao microfone: “Pare a votação, senhor presidente. O Senado está desonrando pessoas ilibadas”.

 

A pedido dos líderes partidários, Perillo patrocinou um expediente inusitado: repetiu a votação do nome de Diaulas Costa. Nova rejeição.

 

Havia sobre a mesa um requerimento em que os líderes partidários pediam que fosse repetida também a votação que resultara na rejeição de Nicolao Dino.

 

Para evitar que a pantomima resultasse em vexame ainda maior, Perillo esquivou-se de votar. Encerrou a sessão.

 

Prevê-se que a encrenca da composição dos conselhos do Ministério Público e da Justiça volte ao plenário ao longo desta semana.

 

Uma semana em que o Senado continuará submetido às mesmas labaredas de sempre: Sarney finge que preside. E meio mundo pede que ele se afaste.

 

- Eis os nomes dos conselheiros do CNJ cuja posse depende do referendo do Senado: ministro Ives Gandra Martins Filho; desembargadores Leomar Barros Amorim e Milton Augusto de Brito Nobre; juízes Paulo de Tarso Tamburini Souza, Morgana de Almeida Richa, Nelson Tomaz Braga e Walter Nunes da Silva Júnior; procurador José Adônis Callou de Araújo Sá; promotor Felipe Locke Cavalcanti; e advogados Jorge Hélio Chaves de Oliveira e Jefferson Luis Kravchychyn

Escrito por Josias de Souza às 04h54

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Bando mata mulher em área de arrastão em Botafogo

 

- Folha: Choque deixa um morto em Honduras

 

- Estadão: Governo impede volta de Zelaya a Honduras

 

- JB: Sarney manda investigar aliado

 

- Correio: Pedestres em perigo no DF

 

- Valor: Governo liberaliza regras para companhias aéreas

 

- Estado de Minas: Cartel do Transporte com os dias contados

 

- Jornal do Commercio: Estreia impecável do Santa

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Luiz Inácio Sarneyzíssimo da Silva!

Ique

Via JB Online. Não deixe de visitar o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Alguns rascunhos do bloco de notas passados a sujo

- Prenúncio: Na reunião dos senadores petistas com Lula, Tião Viana relatou visita que fizera, em outubro de 2008, ao mandachuva do Ministério Público.

 

Pedira ao então procurador-geral, Antonio Fernando de Souza, que investigasse a folha de salários e os contratos do Senado. Prenunciava o escândalo.

 

 

- Versão e fato: Ganhou o meio-fio a versão de que Tião dissera a Lula que havia levado à Procuradoria um “dossiê” contra o Senado. “É fogo amigo”, diz Tião.

 

“O que eu levei foram informações que havia recebido de um diretor da Casa. Sem provas, não me cabia divulgar. Para não prevaricar, fui ao procurador-geral”, diz ele.

 

 

- Hidráulica: Na próxima vez que Lula convidar os senadores petistas para uma reunião, Tião diz que vai sugerir a contratação de mão-de-obra especializada.

 

“Diante de tantos vazamentos, vou sugerir que, no próximo encontro, seja contratado um encanador”.

 

 

 

- Conceição: O vertedouro do Alvorada não poupou nem mesmo o mandachuva líbio Muammar Kadafi. Eis o que disse Lula aos senadores sobre o ditador-companheiro:

 

“O rosto dele tá tão esticado que ficou a cara do Cauby Peixoto”. De duas uma: ou vira crise diplomática ou Kadafi logo, logo vai entoar: Conceiçããããããão...”

 

 

- A mãe: Achegando-se a Jarbas Vasconcelos, no plenário, um colega criticou-o por não subir à tribuna para desancar Sarney. E Jarbas:

 

“Meses atrás, numa entrevista à Veja, eu disse que Sarney transformaria o Senado num grande Maranhão...”

 

“...Disse também que o Renan não tinha moral para ser nem senador, que dirá líder de partido. Mais do que isso, só se eu passar a xingar a mãe dos dois”.

 

 

- Mal-estar: Recém-saída da mesa de cirurgia, Roseana Sarney desfruta de licença pós-operatória. Na semana passada, seu “repouso” foi engolfado pela crise.

 

Depois de uma semana ao lado do pai, passou mal. Pelo telefone, disse a uma amiga que precisou de auxílio médico.

 

 

- Escudo: Acossado pela Polícia Federal e ameaçado de demissão, Agaciel Maia, o ex-todo-poderoso, tornou-se um alvo à procura de um escudo.

 

Pressentindo que se desvanece sua rede de proteção, cogita candidatar-se a um cargo eletivo em 2010. Deseja menos o mandato e mais a imunidade parlamentar.

Escrito por Josias de Souza às 21h58

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Casa Civil emagrece o perfil escolar de Dilma na web

  Sérgio Lima/Folha
O currículo de Dilma Rousseff passou por uma lipoaspiração.

 

Até a última quinta (2), Dilma era apresentada no portal da Casa Civil como:

 

1. “Mestre em teoria econômica”;

 

2. “Doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp”.

 

Na sexta (3), ela perdeu o título de mestre e a pretensão a doutora.

 

A musculatura acadêmica fora obtida por meio de anabolizantes.

 

Deve-se à revista ‘piauí’ a realização do exame anti-doping.

 

Ouvida pela revista, a Unicamp disse que Dilma não é mestre nem doutora.

 

Pilhada, a ministra reconheceu: não concluiu o mestrado. Faltou a dissertação. E abandonou o doutorado.

 

Depois de lipoaspirado, o novo perfil de Dilma ficou assim:

 

“[...] Foi aluna de mestrado e doutorado em Ciências Econômicas pela pela Universidade de Campinas, onde concluiu os respectivos créditos”.

 

Coisa feia!

Escrito por Josias de Souza às 19h55

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Senado detecta sobrepreço de R$ 46 mi em contratos

'Gordura' impregna negócios com firmas de mão-de-obra

 

 

Nos últimos dias, a cuia do Senado, emborcada para baixo, em formato de quindim, passou a ser assediada por aves catartidiformes, cabeças peladas, penas pretas.

 

São urubus. Flagrados pelas lentes do repórter Lula Marques, pareciam farejar os odores da decomposição do Senado. O olfato do urubu, por aguçado, não falha.

 

Dentro do prédio, um grupo de técnicos levou ao monturo de lixo tóxico que infesta o Senado um novo e vistoso detrito.

 

Os técnicos foram escalados para esquadrinhar com lupa um lote de 34 contratos assinados com empresas fornecedoras de mão-de-obra. Por meio deles, empregaram-se no Senado 3.516 servidores. São chamados de “terceirizados”.

 

Custam à Viúva R$ 155 milhões por ano. Constatou-se, segundo apurou o blog, que há nesse valor um sobrepreço de pelo menos R$ 46 milhões. Coisa de 30%.

 

Em três meses, o grupo fechou a análise de 19 dos 34 documentos. Encontraram-se malfeitos em todos eles –de nepotismo a serviços pagos e não realizados.

 

As contratações foram feitas sob o ex-diretor-geral Agaciel Maia, afastado em março, depois de exercer o seu mandarinato por 14 anos.

 

À medida que vai sendo revisado, o papelório desce à mesa do senador que encomendou a inspeção: o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI).

 

Os contratos chegam a Heráclito com um diagnóstico invariável. Recomendam-se: 1) a rescisão; e 2) a realização de novas licitações.

 

Dos 34 contratos, cerca de 25 estão na bica de expirar. Alguns em 30 dias. Outros, em 45 ou 60 dias. O que parecia solução converteu-se em problema.

 

O Senado estima que, para organizar uma nova licitação, precisa de pelo menos 90 dias.

 

Restam duas alternativas: ou os terceirzados são mandados ao olho da rua ou renovam-se temporariamente os contratos malcheirosos.

 

Sob o argumento de que a dispensa comprometeria o funcionamento dos setores que abrigam terceirizados, o Senado flerta com a segunda hipótese.

 

A renovação de contratos é um dos vícios apontados pelo grupo técnico constituído por Heráclito. Vício no qual Agaciel não incorreu sozinho. No Senado, a direção-geral está submetida à primeira-secretaria. Um nicho visto como espécie de feudo do DEM.

 

Para ficar apenas nas administrações imediatamente anteriores à de Heráclito, é preciso lembrar que ocuparam a cadeira: Romeu Tuma (ex-PFL, hoje PTB-SP) e Efraim Morais (DEM-PB). Sob ambos, manteve-se a prática das prorrogações contratuais.

 

Empresas que prevaleceram em licitações para prover mão-de-obra por um ano foram brindadas com prorrogações que esticaram os contratos por até cinco anos. Todos os 34 contratos em vigor no Senado têm duas janelas abertas para a fraude. São as seguintes:

 

1. Projeto Básico: reza a boa prática da administração pública que, antes de realizar qualquer licitação, a repartição precisa elaborar um projeto básico. Serve detalhar os serviços e equipamentos que se deseja adquirir. A lei e um acordão do TCU obrigam, mas o Senado não se dava ao trabalho de fazer os tais projetos.

 

2. Planilha de custos: é por essas planilhas que passam as principais fraudes do negócio da terceirização de mão-de-obra. As planilhas eram preparadas pelas empresas. Embutiam o superfaturamento. E o Senado engolia.

 

Doravante, por sugestão do grupo que varejou os contratos, as planilhas passarão a ser elaboradas pelo Senado, não mais pelas empresas. Heráclito tenta fazer, por pressão, o que seus antecessores não fizeram, em uma década e meia, por obrigação.

 

Político há 30 anos, o senador ‘demo’ costuma dizer: “Não vou jogar minha biografia no lixo”. Se quiser de fato salvar o verbete da enciclopédia, Heráclito terá de descascar outro abacaxi: apontar os responsáveis pelos desmandos que se propõe a corrigir.

 

Sob ordens de Heráclito, os desvendam o milagre da multiplicação dos rendimentos terceirizados. Mas não dão nome aos santos de pau oco que o propiciaram. Se preferirem, Heráclito e a Mesa presidida por José Sarney (PMDB-AP) podem esconder-se atrás do corporativismo. Porém...

 

Porém, cedo ou tarde os nomes dos resposáveis vão aflorar. O Ministério Público e a Polícia Federal abriram dez frentes de investigação relacionadas ao Senado.

 

Uma dessas frentes envolve justamente as cocheiras dos milionários contratos de mão-de-obra. omo primeiro-secretário, Heráclito é uma espécie de prefeito do Senado. Gere um orçamento que, para 2009, foi estimado em R$ 2,7 bilhões.

 

A parte do leão –cerca de R$ 2 bilhões— é torrada no pagamento da folha. Além dos terceirizados, há os concursados e os comissionados. Coisa de 10 mil pessoas.

 

Neste domingo, os repórteres Leonardo Souza, Andreza Matais e Adriano Ceolin levaram às páginas, notícia tão reveladora quanto inquietante.

 

Contam que nem todo o dinheiro do Senado está ao alcance dos olhos da sociedade. Criaram-se em 1997 três contas bancárias paralelas.

 

Hoje, registram saldo de R$ notáveis 160 milhões. Dinheiro que não é lançado na contabilidade oficial do Senado.

 

Até março, a dinheirama era gerida por Agaciel Maia –sempre ele. Estava submetido à “fiscalização” de uma comissão de 11 servidores.

 

Gente nomeada pelo próprio Agaciel, que jamais se reuniu para auditar os gastos, limitando-se a referendá-los. O dinheiro borrifado nas contas paralelas vem de um desconto feito no contracheque dos servidores a pretexto de custear-lhes o plano de saúde.

 

No entanto, só uma minúscula parte dos recursos serve a esse propósito. O Senado dispõe de orçamento próprio para bancar despesas médicas. Orçamento vistoso: R$ 50 milhões por ano, incluindo-se a previsão de cobertura para servidores, senadores, ex-senadores e familiares.

 

A semana mal começou e o Senado já se vê às voltas com a necessidade de providenciar um novo feixe de explicações à platéia. É mesmo impressionante a capacidade que têm os urubus de perceber os odores!

Escrito por Josias de Souza às 06h19

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Sarney tem no rosto a ‘lama de não ser o que se quis’

 

Toda época tem uma trilha sonora que a caracteriza. Dias atrás, o doutor Agaciel Maia levou à vitrola uma boa sugestão.

  

Agaciel mandou tocar no casamento da filha dele a música-tema do filme "O Poderoso Chefão". Beleza.

 

Mas o repórter ousa sugerir uma alternativa para música de fundo. Uma notável peça de Aldir Blanc e João Bosco: Cabaré. Foi composta em 1973.

 

Naquele ano, o Brasil encontrava-se sob o general Médici. A Arena de José Sarney ajudava a disfarçar a ditadura que o PMDB de Ulysses Guimarães combatia.

 

O tempo passou. E a realidade, como que submetida aos efeitos especiais do vídeo clip Black and White, de Michael Jackson, foi mudando de cara.

 

No PMDB, a cara do Ulysses virou a cara do Quércia, que virou a cara do Sarney, que virou um semblante disforme: bigode do Sarney, boca do Renan, orelhas do Jáder.

 

Premiado pelos micróbios que tramaram contra a vida de Tancredo, Sarney foi ao Planalto. Sopesando-se méritos e defeitos, desceu aos livros como gestor medíocre.

 

A despeito disso, conquistara uma aposentadoria confortável. Seus erros foram suavizados por um acerto: completou a transição para a democracia.

 

De pijama, Sarney desfilava pelos corredores do Senado pisando nos atos secretos distraído. Súbito, decidiu voltar à liça.

 

Sentou-se na cadeira de presidente do Senado pela terceira vez. E reabriu o verbete da enciclopédia. Na voz de Elis Regina, a letra de Cabaré descreve o ambiente:

 

Na porta lentas luzes de neon

Na mesa flores murchas de crepon

E a luz grená filtrada entre conversas

 

Na sessão em que prevaleceu sobre Tião Viana, Sarney prometera o novo: "Desde que comecei como político, sempre procurei caracterizar-me como inovador...”

 

“...Nunca meus olhos ficaram como lanternas voltadas para trás. [...] Não me chamem de um homem retrógrado, como se fosse um velho que chega aqui sem querer renovar o Senado. Sempre tive esta vontade".

 

Ao assumir, manteve na direção-geral o mesmo Agaciel Maia que nomeara 14 anos antes. A atmosfera de cabaré adensou-se:

 

Inventa um novo amor, loucas promessas

De tomara-que-caia surge a crooner do norte

Nem aplausos, nem vaias: um silêncio de morte

 

No discurso de fevereiro, o crooner soara mavioso: "Nunca o nome de Sarney constou de qualquer desses escândalos ao longo da vida nesta Senado”.

 

Ah, quem sabe de si nesses bares escuros

Quem sabe dos outros, das grades, dos muros

 

Os Sarney e os amigos irromperam no palco às pencas. Os netos e as sobrinhas secretas, o mordomo da filha, a filha do amigo, a viúva do motorista...

 

Ao triste strip-tease da agonia

De cada um que deixa o cabaré

Lá fora a luz do dia fere os olhos

Ah, quem sabe de si nesses bares escuros

Quem sabe dos outros

 

As [falsas] intenções foram sendo conspurcadas pelos fatos. Até o DEM passou a demonizar Sarney, agora colado na cadeira graças ao apoio destemido de Lula.

 

Imaginava-se que o PMDB dispusesse apenas de seis ministérios no governo. O Planalto, descobre-se agora, é da cota pessoal de Sarney.

 

Entre os versos que Aldir Blanc compôs, João Bosco musicou e Elis Regina entoou, dois resumem à perfeição a incursão de Sarney no Cabaré do Senado:

 

No drama sufocado em cada rosto

A lama de não ser o que se quis

 

No mais, só “as luzes de neon” na porta, as “flores de crepon” na mesa. Lá fora “a luz do dia fere os olhos”. Lá dentro a “luz grená”.

 

As “loucas promessas”, o “triste strip-tease da agonia”. “Nem aplausos, nem vaias: um silêncio de morte”.

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Sindicalista criam esquema de ação política na Petrobras

 

- Folha: Senado movimenta conta sigilosa

 

- Estadão: Projeto prevê fechamento de empresa que pagar propina

 

- JB: Monumentos pedem socorro

 

- Correio: Cresce o número de jovens armados

 

- Veja: Sozinhos.com?

 

- Época: Pesquisa exclusiva – O Congresso se olha no espelho

 

- IstoÉ: Mordomia

 

- IstoÉ Dinheiro: Mulheres no poder

 

- CartaCapital: Até debaixo da terra

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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Amor à segunda vista!

Ivan Cabral

Via blog Sorriso Pensante, do Ivan Cabral.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

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José Alencar voltou a ser hospitalizado em São Paulo

  Folha
Lula desembarcou neste sábado (4) em Paris. Foi receber um prêmio da Unesco.

 

No Brasil, em pleno exercício da presidência, o vice José Alencar foi hospitalizado.

 

Deu entrada, inesperadamente, no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

 

Em guerra contra o câncer há 12 anos, Alencar teve uma obstrução parcial do intestino.

 

Estima-se que ficará internado por pelo menos dois dias.

 

Nesse período, receberá soro pela veia. Persistindo a obstrução, pode ser operado.

 

Em janeiro passado, Alencar submtera-se uma uma cirurgia de 17 horas.

 

Depois, verificara-se que remanesciam 18 tumores na região abdominal.

 

Descartara-se a relaização de nova cirurgia. E Alencar passou a se tratar com um medicamento que se encontra em fase de testes nos EUA.

Escrito por Josias de Souza às 19h33

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Túnel do tempo: há 20 anos, eles eram ‘adversários’

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Sarney abre na 2ª processo para demitir Agaciel Maia

  Fotos: Folha e Ag.Senado
José Sarney ordenará, na segunda-feira (4), a abertura de processo administrativo contra dois ex-diretores do Senado: Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

 

O procedimento decorre do resultado da sindicância que acusou a dupla de ser responsável pela ocultação de atos administrativos do Senado.

 

Acusados de dois crimes –improbidade a prevaricação—Agaciel e Zoghbi devem ser demitidos ao final do processo administrativo. Por justa causa.

 

Em privado, o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) diz aos colegas que a demissão de ambos tornou-se, além de necessária, inevitável.

 

Agaciel reinara no Senado por 14 anos. Nomeara-o diretor-geral, em 1995, o mesmo Sarney que agora abre contra ele o processo que desaguará na demissão.

 

Havia sido exonerado da direção-geral em março, quando veio à luz a informação de que ocultura a posse de uma mansão avaliada em R$ 5 milhões.

 

Zoghbi tornara-se diretor-de Recursos Humanos por obra e graça de um senador do grupo de Sarney, Edison Lobão, hoje ministro das Minas e Energia.

 

Deve ser mandado ao olho da rua antes de Agaciel. Já tem contra si um outro processo.

 

É acusado patrocinar um esquema de intermediação de empréstimos a servidores do Senado.

 

No caso dos atos administrativos secretos, a sindicância do Senado não apontou o envolvimento de senadores. Diz o texto da comissão a certa altura:

 

"[...] Merece destaque o fato de que os servidores ouvidos foram unânimes em dizer que, em momento algum, receberam ordens de quaisquer parlamentares".

 

Segundo o documento, de dez pessoas ouvidas na sindicância, 8 responsabilizaram Agaciel e Zoghbi pela não publicação de 663 atos.

 

Curiosamente, muitos desses atos serviram para nomear amigos e parentes de senadores. Entre eles pessoas ligadas ao próprio Sarney.

 

Além das apurações feitas no Senado, a encrenca da burocracia clandestina é investigada em inquérito da Polícia Federal, sob supervisão do Ministério Público.

 

Sarney leva Agaciel à fogueira duas semanas depois de ter participado, na condição de padrinho, da cerimônia de casamento da filha de seu ex-diretor-geral.

 

Age premido pelas circunstâncias. Seu pupilo tornou-se símbolo da era de desmandos do Senado. Sob fogo cruzado, Sarney foi empurrado para uma situação do tipo ‘ou ele ou eu’.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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A semana do ‘daqui não saio, daqui ninguém me tira’

Escrito por Josias de Souza às 08h03

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‘Lula nada fez para evitar perda moral do Congresso’

Fábio Pozzebom/ABr

 

Num instante em que Lula cobra do petismo o apoio à presidência cambaleante de José Sarney (PMDB-AP), Tião Viana (PT-AC) aponta o dedo na direção do Planalto.

 

Afirma: “Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse.”

 

Abandonado por Lula na disputa em que Sarney prevaleceu sobre ele, em fevereiro passado, Tião diz que o Senado “está em chamas”.

 

Traduz o fogaréu em cifras: “Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum”.

 

Diz que, na Câmara, o governo tem vida fácil graças ao "fisiologismo". Classifica de "tragédia" o fato de o PMDB "dirigir as duas casas do Congresso".

 

Acha que o partido, sócio majoritárioo do consórcio político que dá suporte a Lula no Legislativo, é "a essência do fisiologismo".

 

Na contramão do que dissera Lula, Tião declara que Sarney deve ser tratado como "uma pessoa comum". Ele é um dos senadores do PT que defendem o afastamento, por meio de licença, do presidente do Senado.

 

Tião falou à repórter Sandra Brasil. A entrevista foi levada às páginas da última edição de Veja. Vai abaixo o conteúdo:

 

 

- Como o Senado chegou a um nível tão baixo?
Até 2002, ainda havia no Senado um debate conceitual, ideológico. No início do governo Lula, ainda votamos a Reforma da Previdência. Mas logo o mensalão substituiu esses projetos na agenda da Casa. Daí em diante, nada mais andou, e perdemos a conexão com os interesses do cidadão.

- O Senado ainda faz algo relevante?
A Casa está em chamas. Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum. No Senado, o governo tem uma maioria apertada e vive no fio da navalha. Negocia voto a voto. Na Câmara dos Deputados, é mais fácil porque lá o fisiologismo impera.

- Poderia explicar melhor?
É da cultura política brasileira. O governo controla a Câmara atendendo aos pedidos dos deputados com emendas parlamentares e com nomeações para cargos no Executivo.

- A forma como o presidente Lula negocia com o Senado é adequada?
Lula é o melhor presidente que o Brasil já elegeu. Os resultados econômicos e sociais do seu governo nos orgulham. No entanto, ele deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades: a política partidária. Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas.

- O que explica a omissão dele?
Dá para entender as razões do presidente Lula. Ele sofreu muito com as ofensas pessoais durante o mensalão. Depois disso, com 82% de aprovação popular, adotou o pragmatismo para manter a maioria no Parlamento e resolveu que não precisava do Congresso. Tanto que José Dirceu foi o último ministro [da Casa Civil até 2005] que dialogou com o Senado.

- Lula defende um tratamento privilegiado ao senador Sarney. E o senhor?
Sarney deve ser tratado como uma pessoa comum. Acontece que o presidente Lula é muito generoso com quem está em dificuldade. Marcou a vida dele o fato de Sarney tê-lo defendido na eleição de 2002, quando enfrentou o [governador paulista] José Serra, e de ter sido solidário no episódio do mensalão. Por isso, Lula foi até onde pôde com a minha candidatura à presidência do Senado. Depois, olhou com pragmatismo para as eleições de 2010, que são fundamentais para o seu projeto de nação.

- O presidente Lula o traiu na eleição do Senado?
Ele levou em conta que o PMDB é essencial para 2010. Decidiu respeitar as forças que impuseram a candidatura Sarney, porque privilegiou a candidatura Dilma Rousseff e a necessidade de coalizão. Não guardo mágoas, mas é uma tragédia um partido dirigir as duas casas do Congresso. Ainda mais quando esse partido é o PMDB.

- Por quê?
O PMDB é a essência do fisiologismo. Tem bons quadros, mas vive de troca de favores. Ignora concepção programática, visão doutrinária, tudo para acomodar os interesses dos seus parlamentares, que só querem assegurar suas reeleições.

- O senhor ainda quer ser presidente do Senado?
Se me oferecessem o cargo hoje, a cadeira ficaria vazia. Eu não romperia com meus ideais por um ato de vaidade. Nós, idealistas, achamos que o Legislativo não sobreviverá se continuar funcionando apenas na base do beija-mão do governo. O Senado deveria cuidar da regulação e da proteção do estado sem ultrapassar o limite de revisor das leis. Não dá para presidir a Casa hoje sem forças para fazer o resgate desse papel. Aliás, Sarney deveria tomar consciência de que, sozinho, ele é insuficiente para mudar o Senado. Por uma razão: foi eleito com o apoio daquela casta de servidores para manter a estrutura atual. Ele deveria radicalizar na transparência e adotar medidas moralizadoras.

- O senhor fala em idealismo, mas confundiu o bem público com o privado ao emprestar um celular do Senado para sua filha usar em uma viagem de férias ao México.
Eu errei. Foi um ato irrefletido de um pai superprotetor. A minha filha ia para um lugar estranho e, para encontrá-la a qualquer momento, entreguei o celular. Mas, um mês e meio antes da chegada da conta, que é trimestral, acessaram minha fatura e me denunciaram. Isso me causou uma dor profunda, comprometeu toda uma vida baseada na humildade e na coerência. Paguei a conta antes que o Senado gastasse um centavo.

- De onde o senhor tirou dinheiro para pagar a conta de R$ 14 mil se recebe um salário líquido de R$ 12 mil?
Fiz um empréstimo bancário para pagar em 72 vezes. A minha filha levou o celular só para receber ligações minhas ou da sua mãe. Tomei um susto com a conta, que chegou a essa soma por uma fatalidade. A mãe do namorado dela teve ruptura de um aneurisma cerebral no dia seguinte à viagem e passou dez dias em coma. Ela se descontrolou com as ligações.

- O senhor lhe deu uma bronca?
Não, fiquei com pena. Ela sofreu tanto pelo namorado e, depois, por mim. Mas quem não erra na vida na condição de pai? Esse caso me fez refletir sobre o tênue limite entre o público e o privado. Tenho uma cota mensal de 250 reais para telefone fixo em casa, mas não posso proibir que um filho faça um interurbano para o avô no Acre. É difícil separar o público do privado nessas pequenas coisas.

Escrito por Josias de Souza às 07h39

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História secreta da simulação da renúncia de Sarney

Senador se finge de Jânio para voltar ‘nos braços do PT’

Plano envolveu conversas reservadas com Lula e  Dilma

 

José Cruz/ABr

 

Brasília respirou, entre terça e quarta-feira, a expectativa de uma renúncia planejada para não acontecer. Moído por uma crise que o persegue há cinco meses, José Sarney pôs em marcha uma estratégia definida por um de seus aliados como “Plano Jânio Quadros”.

 

Jânio, como se sabe, renunciou à presidência da República, em agosto de 1961, seis meses e 23 dias depois de ter sido empossado. Em texto manuscrito, de cunho enigmático –“forças terríveis levantam-se contra mim”—, comunicou a decisão ao Congresso e voou para São Paulo.

 

Esperava que o Legislativo recusasse a renúncia e que o povo fosse às ruas clamar por seu retorno. Não ocorreu nem uma coisa nem outra. O resto é história. Sarney –“um Jânio sem álcool”, na definição ouvida pelo blog— simulou a renúncia para “voltar” a um cargo que lhe foge. Sem o inconveniente de deixar a cadeira.

 

Para livrar sua “presidência” das aspas que a conspurcam, Sarney tramou uma ressurreição “nos braços do PT”. Deu-se o seguinte:

 

1. Na manhã de quarta, Sarney recebeu em sua mansão, no Lago Sul, Aloizio Mercadante e Ideli Sanvatti. Foram contar a ele um segredo de polichinelo. Na noite anterior, a bancada do PT posicionara-se a favor do seu afastamento. Licença de um mês. Sarney refugou. Licença não tiraria. Ou o PT o apoiava ou renunciaria.

 

2. Sem que Mercadante e Ideli suspeitassem, Sarney armava a reação desde a tarde da véspera, quando a notícia sobre a cara virada do PT lhe chegara aos ouvidos. Em segredo, conversara pelo telefone com Lula, que estava na Líbia. Queixara-se da movimentação do petismo. Ouvira de Lula críticas acerbas ao PT. O presidente chamara de amadores os senadores de seu partido. E tranquilizara Sarney.

 

3. Lula acionaria, desde a Líbia, a ministra Dilma Rousseff e o chefe de gabinete dele, Gilberto Carvalho. Ordenou-lhes que agissem para deter o “amadorismo” do PT. Na noite de terça, enquanto a bancada petista apreciava o pedido de licença de Sarney –7 votos a favor e 4 contra– o “alvo” reunia-se secretamente com Dilma e Carvalho, na casa da ministra.

 

4. Sob orientações de Lula e de olho na preservação do apoio do PMDB à sua candidatura presidencial, Dilma acalmou Sarney. Pediu que aguardasse o retorno do chefe. Tudo seria solucionado, disse. Assim, Lula e sua principal ministra já haviam vendido a Sarney o apoio do PT, que Mercadante e Ideli diziam não existir.

 

5. Sarney tinha razões para escorar-se no governo. O plenário fervia. Três partidos exigiram a sua licença: PSDB, PDT e até o DEM. Sem o PT, sua “presidência”, já comprometida pelas aspas, poderia virar cinzas. Na conversa com Mercadante e Ideli, testemunhada por Renan Calheiros, Sarney, na pele de “Jânio sóbrio”, como que devolveu o problema ao PT e ao governo. Parecia jogar o seu futuro numa única mão de cartas. Mas a renúncia era teatro.

 

6. Quatro dias antes, no início da noite de um domingo frio de Brasília, um Sarney apegado ao cargo e seu escudeiro Renan Calheiros tiveram uma primeira reunião sigilosa com com Lula. Dera-se na Granja do Torto. Lula se preparava para a viagem à Líbia. Àquela altura, a fuga do DEM tinha a forma de uma ameaça, pendurada nas manchetes pelo líder José Agripino Maia. Sarney e Renan pareciam descrer. Pelo sim, pelo não, decidiram testar os limites do apoio de Lula. Não havia limites. O presidente prometeu-lhes apoio irrestrito.

 

8. Tampouco o PSDB, parceiro de oposição do DEM, levava a sério os arroubos de Agripino. “Não vão chegar a tanto”, dizia, na segunda-feira, o presidente tucano Sérgio Guerra ao dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos. Estavam no aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Retornavam de uma viagem a Estocolmo. Àquela altura, Agripino já havia costurado o rompimento.

 

9. O líder ‘demo’ entendera-se com os “formadores de opinião” de sua bancada. Até o sereno Marco Maciel apoiara a tese do afastamento de Sarney. A decisão do DEM foi vendida ao público como “consensual”. Meia-verdade. De 14 senadores, três saíram da reunião como votos vencidos: Eliseu Resende (MG), ACM Jr. (BA) e Heráclito Fortes (PI).

 

10. Primeiro-secretário da Mesa presidida por Sarney, Heráclito ponderou que o rompimento poderia empurrar Sarney para a reunúncia. Pintou um cenário de caos. Agripino atalhou a argumentação com uma idéia que sabia inviável: “Por que não uma candidatura própria, de Marco Maciel? Ficava claro que, além de romper com Sarney, o DEM já esboçava a sucessão. Agripino prevaleceu.

 

11. No meio da reunião do DEM, tocou o telefone. Era o tucano Sérgio Guerra. Queria que Agripino aderisse a uma proposta de última hora: a constituição de um grupo de senadores notáveis. Reformariam o Senado sob um Sarney manietado. Agripino já havia sido informado dos planos de Guerra por Renan, procurado antes dele. Reagira mal. Chamara a proposta de “tolice”. Nem atendeu ao telefone. Mesmo sem o assentimento de Agripino, Guerra foi à casa de Sarney. Levou a tiracolo os tucanos Alvaro Dias e Marisa Serrano.

 

12. Apresentado à tese da constituição do grupo de senadores insignes, Sarney simulou interesse. Disse que iria pensar. Os tucanos disseram-lhe que nem precisaria se licenciar do cargo. Bastaria um afastamento informal. Não queriam ver Sarney pelas costas. De quebra, sondaram-no sobre a disposição de instalar a CPI da Petrobras. “Parece que nem a oposição está interessada”, provocou Sarney.

 

13. O tucanato estava, sim, interessado. Sarney e Renan trataram de levar esse interesse ao caldeirão da crise como mais uma ameaça ao governo. Em seus diálogos, deixaram antever que, ao menor sinal de abandono, o PMDB ajudaria a abrir a CPI.  

 

14. Lula manteve a mão estendida. Mal posou na base aérea de Brasília, na noite de quarta, discou para Sarney. Antes, telefonara para Ideli Salvatti, que lhe relatara um encontro ameno de Sarney com dez dos 12 senadores do PT. Só Marina Silva e Eduardo Suplicy ousaram repisar a tese da licença diante de Sarney. A bancada parecia ceder à pressão. Lula sentiu o pulso de Sarney e agendou uma conversa com ele. Seria na quinta. Foi transferida para sexta. O presidente quis, primeiro, avistar-se com o PT.

 

15. Lula testemunhou ao vivo o “amadorismo” que pressentira à distância. Cinco senadores petistas defenderam a licença de Sarney. Em resposta, reduziu a crise do Senado a uma “guerra política”. Lembrou 2010 e apelou à governabilidade. Encurralado, o PT reunirá sua bancada, de novo, na próxima terça. De antemão, Lula disse a Sarney, nesta sexta, que entregará a mercadoria que prometera. Se conseguir, José ‘Quadros’ Sarney ganhará sobrevida para continuar conduzindo o Senado. Não se sabe para onde.

Escrito por Josias de Souza às 07h04

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Servidor terá reajuste 2,5 vezes maior que todo o Bolsa Família

 

- Folha: Sindicância vê crime em ato secreto e culpa só diretores

 

- Estadão: Sarney diz a Lula que fica e tem apoio de Dilma

 

- JB: Recursos da dívida pública vão para obras do PAC

 

- Correio: Pague pela viagem. E reze para embarcar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 06h57

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Não larga!

Clayton

Via O Povo Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h49

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Em audiência com Lula, Sarney afirma que não sairá

  Fábio Pozzebom/ABr
Há três dias, Sarney informara à bancada do PT que preferia renunciar a pedir licença.

 

O senador como que condicionara sua permanência na presidência do Senado ao apoio do petismo.

 

O suporte do PT ainda não veio. Depois de se reunir com Lula, a bancada petista, dividida, adiou sua decisão para terça-feira (7).

 

A despeito disso, Sarney disse a Lula, nesta sexta (3), que não cogita pedir licença nem renunciar.

 

Mal comparando, Sarney faz um caminho inverso ao de Getúlio Vargas.

 

Em sua carta testamento, de agosto de 1954, Getúlio anotara: “...Saio da vida para entrar na história”.

 

No caso de Sarney dá-se coisa diferente: Saio da história para cair na vida.

Escrito por Josias de Souza às 18h36

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Afinada com Lula, Dilma reforça o coro: Fica, Sarney!

  Alan Marques/Folha
Dilma Rousseff saiu em defesa de José Sarney, um personagem que, para o chefe da ministra, “não pode ser tratado como uma pessoa normal”.

 

"Não concordo em demonizar e responsabilizar [Sarney] por tudo”, disse Dilma.

 

"Uma pessoa não é o único responsável por tudo que ocorre há 15 anos no Senado”.

 

A ministra-candidata prefere demonizar os ‘demos’:

 

“Quem é o responsável é a Primeira Secretaria [do Senado], que está com o DEM...”

 

...Um partido que, “estranhamente, pede o afastamento de Sarney".

 

De fato, o PMDB de Sarney, Jader e Renan frequenta a crônica do descalabro do Senado de mãos dadas com o DEM de Efraim de Morais.

 

Em matéria de perversão, é difícil, muito difícil, dificílimo distinguir as virgens de Sodoma das imaculadas de Gomorra.

 

Dilma é de um tempo em que as mães costumavam passar aos filhos determinados ensinamentos básicos. Coisas assim:

 

Chiclete, quando engolido, cola nas tripas. Pés descalços no ladrilho era pneumonia certa. Manga com leite, morte. Banho depois do almoço, congestão.

 

Se a mãe da ministra intuísse que o destino a empurraria para as cercanias do PMDB, decerto teria alertado: mão no fogo por Sarney dá queimadura de terceiro grau.

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Mercadante espicaça o DEM e expõe os limites do PT

Escrito por Josias de Souza às 05h52

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Sarney oculta da Justiça Eleitoral mansão de R$ 4 mi

Fotos: Fábio Pozzebom e Janinie Moraes/ABr

 

Os liames que prendem José Sarney ao cargo de presidente do Senado tornaram-se mais frágeis nesta sexta-feira (3).

 

Descobriu-se que o morubixaba do PMDB escondeu da Justiça Eleitoral a posse de uma mansão avaliada em R$ 4 milhões.

 

O imóvel serve de residência para Sarney, em Brasília. Está assentado na Península dos Ministros, área mais valorizada do bairro do Lago Sul.

 

Deve-se a revelação a uma trinca de repórteres: Rodrigo Rangel, Leandro Cólon e Rosa Costa. Levaram a notícia às páginas do Estadão. Eis o que descobriram:

 

1. Em 1997, Sarney comprou a mansão do banqueiro Joseph Safra. A transação foi feita por meio de um contrato de gaveta;

 

2. Desde então, Sarney disputou duas eleições, em 1998 e em 2006. Pela lei, todo candidato é obrigado a fornecer à Justiça Eleitoral uma declaração de bens;

 

3. Ao listar os seus bens, Sarney omitiu a posse da mansão brasiliense em 1998. Reincidiu na omissão em 2006;

 

4. Ouvido, o senador falou por meio da assessoria. Atribuiu a anomalia a um "erro do técnico que providencia a documentação [...] junto aos órgãos competentes";

 

5. Na resposta, feita por escrito, anotou-se que o imóvel consta das "declarações anuais de IR do presidente, entregues também ao TCU com frequência anual";

 

6. O conteúdo de dois documentos põe em dúvida a versão oficial. São papéis oficiais, levados pelo próprio Sarney ao TRE do Amapá;

 

7. Num dos documentos, apresentado na eleição de 2006, Sarney listou os seus bens. Nem sinal da mansão;

 

8. No rodapé desse documento, Sarney escreveu, de próprio punho, que aquela lista reproduizia a declaração de rendimentos que entregara à Receita Federal;

 

9. Eis o teor do manuscrito de Sarney: "De acordo com minha declaração de bens à Receita Federal em 2006". Segue-se a assinatura do senador;

 

10. O segundo documento refere-se à eleição anterior, de 1998. Sarney anexou ao pedido de registro de sua candidatura uma cópia da própria declaração de IR;

 

11. De novo, nenhuma menção ao imóvel que adquirira no ano anterior;

 

12. Um outro mistério tisna a transação feita entre Sarney e Joseph Safra: entre a efetivação do negócio e o registro em cartório decorreram dez anos;

 

13. A mansão foi comprada em 1997 por meio de um "instrumento particular de promessa de venda e compra, não levado a registro";

 

14. De acordo com o Banco Safra, Sarney pagou R$ 400 mil. Liquidou a dívida no ano seguinte, 1998;

 

15. Curiosamente, a transferência efetiva do imóvel só foi feita no ano passado, 2008, quando a escritura foi lavrada no cartório de imóveis de Brasília;

 

16. Por que essa demora de uma década? “Desconhecemos” o motivo, informou o Banco Safra. Sarney não quis responder à pergunta.

 

17. De acordo com a escritura, o banqueiro Joseph Safra transferiu o imóvel a Sarney e a um dos filhos dele, o deputado federal Zequinha Sarney (PV-MA);

 

18. O documento atribui a cada um os direitos sobre 50% do imóvel. Diferentemente do pai, Zequinha reportou a sua metade à Justiça Eleitoral;

 

19. No papel, o valor atribuído à mansão –R$ 400 mil— não condiz com as cifras de mercado;

 

20. Mesmo no ano da compra, 1997, o valor estimado pelo governo de Brasília para efeitos de cobrança do IPTU era maior: R$ 593,6 mil;

 

21. Hoje, segundo estimativa da Câmara de Valores Imobiliários de Brasília, um teto como o que foi adquirido pelos Sarney não sai por menos de R$ 4 milhões;

 

22. A renda e o patrimônio dos brasileiros são protegidos pelo sigilo fiscal. Sarney assegura que a mansão consta do seu IR. Há controvérsias. Que não serão dirimidas senão por meio da divulgação das declarações levadas ao fisco.

 

23. Em março passado, Sarney vira-se compelido a exonerar o então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, por conta de uma querela imobiliária;

 

24. Agaciel ocultara atrás de um irmão, o deputado federal João Maia (PR-RN), a posse de uma mansão avaliada em R$ 5 milhões, no mesmo Lago Sul;

 

25. Agora, é o próprio Sarney quem se vê enredado numa transação de má aparência;

 

26. A presidência de Sarney balançara depois depois da descoberta de que um neto dele, filho de Zequinha, intermediara empréstimos a servidores do Senado;

 

27. O DEM abandonou Sarney sob o pretexto de que os negócios do neto assemelham-se aos malfeitos atribuídos ao ex-diretor João Carlos Zoghbi;

 

28. A permanência de Sarney no cargo passou a depender do apoio do PT. Já não estava fácil. Agora talvez fique ainda mais difícil.

Escrito por Josias de Souza às 05h27

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Lula ao PT: ‘Saída de Sarney gera crise imprevisível’

Presidente diz que oposição usa Sarney para atingir governo

Sobre investigações, conta ter pedido rigor à Polícia Federal

Dilma lembra que a parceria  com o PMDB é  vital  para 2010

Durante reunião, metade do PT  defende a licença de Sarney

Dividida ao meio,  bancada só tomará sua  decisão na  terça

 

Fotos: Sérgio Lima e Alan Marques/Folha

 

Durou quatro horas o encontro de Lula com a bancada de senadores do PT. Começou às 21h de quinta (2). Terminou na madrugada desta sexta, à 1h.

 

Deu-se no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Compareceram 11 dos 12 senadores do PT. Só faltou Flávio Arns (PR).

 

Foi uma conversa franca e tensa. Começou com uma exposição dos senadores. Lula fez questão de ouvir um por um. Discorreram sobre as mazelas do Senado.

 

Materializou-se diante de Lula a divisão e o drama de consciência do petismo. Mencionaram a necessidade de investigar, punir e reformar o Senado.

 

Informou-se a Lula que nem todas as chagas do Senado foram expostas. Cinco senadores repisaram a defesa da saída de José Sarney da cadeira de presidente.

 

Eis os nomes dos adeptos do pedido de licença: Marina Silva (AC), Eduardo Suplicy (SP), Augusto Botelho (RR), Fátima Cleide (RO) e Tião Viana.

 

Outros seis acham que é possível mudar sem que Sarney tenha de sair. São eles: Aloizio Mercadante (SP), Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS), João Pedro (AM), Serys Slhessarenko (MT) e Paulo Paim (RS).

 

Antes, o placar na bancada do PT era de 7 a 5 pela saída de Sarney. Só Paim refluiu. O ausente Flavio Arns defende o afastamento.

 

Assim, a despeito de Lula, a bancada do PT continua cindida ao meio. Depois dos senadores, falaram dois petistas que integram o governo.

 

Foram ao encontro, a pedido de Lula, Dilma Rousseff e Gilberto Carvalho. A ministra-presidenciável realçou a importância do PMDB na aliança de 2010. Foi ecoada por Carvalho, chefe de gabinete de Lula.

 

Vencida essa primeira fase, Lula tomou a palavra. Disse que também deseja a apuração das denúncias que rondam o Senado.

 

Contou que se reunira na véspera com o ministro Tarso Genro (Justiça). Revelou que estava presente também o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.

 

Afirmou ter encomendado a ambos uma investigação “rigorosa”. Lembrou que o próprio Sarney pedira a entrada da PF no caso.

 

E traçou o cenário de borrasca que decorreria da eventual saída de Sarney. Acha que uma renúncia do presidente do Senado vai desembocar numa crise.

 

Crise “gravíssima”, de “desfecho imprevisível”. Carregou nas tintas: “Tudo pode acontecer”. Afirmou que entende a posição da bancada petista. Mas lembrou:

 

1. O PMDB é parceiro estratégico –administrativa e eleitoralmente;

 

2. Sarney exerce sobre o partido uma influência inaudita;

 

3. Um desacerto com os peemedebistas comprometeria a “governabilidade”;

 

4. A oposição usa Sarney como degrau para escalar sobre o governo.

 

Lula soou enfático ao se referir ao PSDB e ao DEM. Desdenhou dos alegados propósitos éticos dos rivais.  

 

Realçou o fato de que tucanos e ‘demos’ querem investigar em Brasília, mas se esquivam de apurações onde elas não lhes convém.

 

Mencionou a Porto Alegre de Yeda Crusius e a Curitiba de Beto Richa, ambos tucanos. Não chegou a fazer um pedido formal para que o PT se unifique em torno de Sarney.

 

Nem precisava. Sua peroração, por grave, funcionou como um apelo. Depois de falar, Lula franqueou a palavra novamente aos senadores.

 

Ao final, não foi anotada nenhuma mudança brusca de posição. Acertou-se que a bancada do PT fará nova reunião para deliberar sobre Sarney.

 

Será o quarto encontro. Foi marcado para terça-feira (7) da semana que vem. Na manhã desta sexta (3), Mercadante e Ideli darão uma entrevista coletiva.

 

Lula informou que, também nesta sexta, vai receber Sarney em audiência. Ainda não tem como entregar ao “aliado” o apoio do PT.

 

A conversa do Alvorada terminou na mesa de jantar. Lula tentou desanuviar a atmosfera.

 

Mencionou o encontro que tivera à tarde com a delegação do Corinthians. Espicaçou Mercadante e Suplicy, torcedores do Santos. Disse ao tricolor Tião que o Fluminense será a próxima vítima do "Timão".  

 

Ao sair do Alvorada, alguns senadores souberam que havia na praça uma nova denúncia contra Sarney. Deixou de declarar uma mansão de R$ 4 milhões. “Não sei se ele vai durar até terça”, disse um petista ao blog.

Escrito por Josias de Souza às 04h05

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: PMDB ameaça deixar o governo e enquadra PT

 

- Folha: Desemprego nos EUA e na Europa volta a piorar

 

- Estadão: Com apoio do PT, Sarney se segura no cargo

 

- JB: Mulher perde mais empregos na crise

 

- Co