Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Sarney repete que não sai; plenário debate day after

  Geraldo Magela/Ag.Senado
Uma delegação de três senadores tucanos foi à casa de Sarney no início da tarde desta terça (30).

 

Levaram, em nome da bancada de senadores do PSDB, uma proposta para a “superação da crise” que rói o que restou do Senado.

 

A sugestão desdobrou-se em duas partes:

 

1. Sarney deveria pedir licença, afastando-se da presidência do Senado por 60 dias;

 

2. Antes de se afastar, Sarney nomearia um grupo suprapartidário de senadores, para gerir a crise elaborar uma proposta de reforma para o Senado.

 

Sarney respondeu negativamente. Não cogita o pedido de licença. Tampouco acha que a “solução” da crise deva ser construída à margem da Mesa diretora do Senado.

 

Estiveram com Sarney os senadores Sérgio Guerra e Marisa Serrano –presidente e vice do PSDB— e Alvaro Dias, primeiro vice-líder da legenda.

 

Depois, já de volta ao plenário, Sérgio Guerra expôs as idéias do tucanato no plenário do Senado.

 

Seguiu-se um rififi. Curiosamente, foi iniciado por um tucano: Marconi Perillo, vice-presidente do Senado.

 

Os senadores passaram a debater o dia seguinte à saída de um Sarney que jura que não vai sair.

 

Herdeiro constitucional da cadeira de Sarney, Perillo viu na idéia de compor um grupo à margem da Mesa um desafio à sua autoridade.

 

“Não posso, em hipótese alguma, concordar com criação de uma comissão que desconsidera a minha pessoa...”

 

“...Sou vice-presidente do Senado. Tenho competência e condições para conduzir as mudanças que devem e podem ocorrer no Senado”.

 

Guerra explicou que o grupo agiria a serviço da Mesa do Senado, não contra ela. Foi ecoado por Alvaro Dias. Disse que Perillo foi “valorizado, não “desconsiderado”.

 

O primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI), que já manda mais no Senado do que Sarney, saiu em socorro de Perillo.

 

“Aplicar um golpe na atual mesa eu não aceito. Faço até uma contraproposta: que a Mesa toda renuncie, que sejam escolhidos nomes mais capazes”.

 

O presidente do PSDB repetiu: “A proposta não é contra ninguém”. Ao mesmo tempo, disse que a Mesa do Senado não tem conseguido responder à crise.

 

Afirmou que a sangria do Senado não será estancada por meio de medidas tópicas. Disse que é preciso pensar “no dia de amanhã”.

 

Despejou sobre o plenário um lote de interrogações: “Se Sarney vai se licenciar, o que faremos?...”

 

“...Se ele renuncia, teremos novas eleições? Qual será o futuro decorrente dessa renúncia?”

 

Numa frase, Sérgio Guerra emoldurou o debate: “A recomendação foi feita ao presidene Sarney, que não demonstrou decisão de aprová-la...”

 

“...Mas não se pode desconhecer que algo já se estabeleceu de fato. Sarney, nesse momento, não preside o Senado”.

 

A crise, como se vê, atingiu o seu ápice. Daí para a frente, tudo será crepúsculo para Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Abandonado, Sarney virou predidente de mentirinha

  Moreira Mariz/Ag.Senado
José Sarney não preside mais a crise do Senado. É presidido por ela.

 

Longe do plenário, Sarney assistiu, pela TV, ao derretimento de sua autoridade.

 

Ruiu o apoio do DEM, que, por unanimidade, decidiu cobrar que se licencie.

 

“A credibilidade da instituição está fraturada e o presidente está acusado. Quero bem a Sarney, mas quero mais bem a essa Casa”, disse Agripino Maia.

 

Acentuou-se a aversão do PSDB, que sugere, além da licença de Sarney, a nomeação de uma comissão suprapartidária para gerir a crise.

 

“Estamos discutindo se Sarney continua como presidente sem governar, se vai pedir licença por 60 dias ou se vai renunciar”, disse Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

 

Impaciente, o PDT encampou, também por unanimidade, a posição de Cristovam Buarque, que defende a licença de Sarney há dias.

 

“Pedimos que, ao se licenciar, Sarney permita uma investigação isenta, que possa, ao final, ter credito perante o Senado e a sociedade”, disse o líder Osmar Dias.

 

O PT ainda não se reuniu. Mas, a despeito dos apelos de Lula, metade da bancada torce o nariz para a permanência de Sarney.

 

Entre as legendas que têm algum peso, só o PMDB permanece ao lado de Sarney. Ainda assim, em ritmo de apelo:

 

“Alguns senadores e bancadas pedem que Sarney se licencie. Estaríamos fazendo um pré-julgamento, sem direito a defesa”, disse Valdir Raupp, em nome do PMDB.

 

“Por que não inverter essa proposta? Por que não darmos 60 dias para que Sarney possa comprovar sua inocência?”

 

Na prática, a pseudopresidência de Sarney está nas mãos de Renan Calheiros.

 

No papel de presidente informal do Senado, Renan lidera duas bancadas –a do seu PMDB e a do PTB.

 

A partir desse núcleo, tenta conter os rombos que se abriram no casco do navio de Sarney.

 

A idéia de um Senado à beira do abismo já foi superada.

 

A borda do abismo foi Jader Barbalho. O meio, ACM. O fundo, o próprio Renan.

 

Sarney é o subsolo do abismo, uma espécie de pré-sal do caos. Sarney é o erro levado às últimas consequências.

 

Após três presidências que resultaram em desastre –Jader, ACM e Renan— Sarney tornou-se a hipocrisia irrefletida.

 

Sarney virou a ousadia do velho esfregada na cara de uma opinião pública que anseia pelo novo.

 

A caravela do vício, por insustentável, roça o rochedo. Aos pouquinhos, o Senado vai aprendendo que tudo tem limite.

 

Certas circunstâncias não podem ter como resposta os infindos conchavismos da complacência.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Governistas ignoram acordo e CPI não será instalada

Para forçar investigação, oposição promete  ‘obstrução’

Na pauta, 2 MPs: Minha  Casa, Minha  Vida e  enchentes

 

Lula Marques/Folha

 

No último dia 17, uma quarta-feira, reuniram-se no Senado quatro líderes:

 

José Agripino Maia (DEM), Arthur Virgílio (PSDB), Renan Calheiros (PMDB) e Romero Jucá (Governo).

 

Discutiram a encrenca que retarda, há mais de 40 dias, a instalação da CPI da Petrobras.

 

Romero Jucá, líder de Lula no Senado, sugeriu uma data: 30 de junho. Era lorota.

 

Membro mais velho da CPI, caberia a Paulo Duque (PMDB-RJ) convocar a reunião da CPI.

 

Soldado de Renan, Duque não moveu uma palha. Nenhum dos 11 integrantes da comissão foi convocado.

 

Abespinhado, o líder ‘demo’ Agripino Maia reafimou na noite passada: “Vamos obstruir as votações no plenário”.

 

Afora o esforço de mobilização, os governistas ensaiam um discurso para constranger os líderes rivais.

 

Há na pauta de votações desta terça (30) duas medidas provisórias que têm forte apelo popular.

 

A primeira fixa as regras do Minha Casa, Minha Vida –o programa que embute o sonho da construção de 1 milhão de moradias.

 

A outra libera R$ 300 milhões para socorrer Estados infelicitados por enchentes ou por estiagens.

 

Confirmando-se a tática da obstrução, os líderes governistas dirão que a oposição prejudica o país, não a gestão Lula.

 

Na prática, as providências previstas nas medidas provisórias já estão sendo implementadas.

 

Uma MP passa a vigorar assim que é publicada no Diário Oficial. Mas o Congresso precisa ratificar o texto.

 

Há, de resto, um outro tema incômodo na pauta de votações do Senado: a aprovação dos nomes de 23 novos integrantes do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

 

O mandato dos antigos integrantes do CNJ expirou em 12 de junho. O órgão programara uma reunião com os novos conselheiros para o dia 15.

 

Mercê da demora do Senado, o encontro foi adiado para o final de junho. O mês termina nesta terça (30). E nada.

 

Para este caso, Agripino Maia aventa a hipótese de abrir uma exceção. É o único ponto que admite votar, contudo.

 

Resta saber se a oposição terá como levar a ferro e fogo o bloqueio à construção de casas e ao socorro a flagelados. Pode custar caro.

Escrito por Josias de Souza às 05h39

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Neto de Sarney também vendeu seguros no Senado

  Fábio Pozzebom/ABr
Além de agenciar empréstimos, a Sarcris, empresa do neto de José Sarney vendeu seguros de vida a servidores do Senado.

 

Operava em parceria com uma seguradora gaúcha, o Grupo MBM.

 

Deve-se a revelação aos repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon.

 

Em notícia levada às páginas do Estadão, a dupla informa que a parceria com a Sarcris foi confirmada pelo gerente do escritório da MBM em Brasília.

 

Chama-se Roberto Toledo. Em conversa gravada, disse:

 

"Quando o servidor fazia o empréstimo, era oferecido a ele fazer o seguro da MBM".

 

Esse tipo de transação, chamada de “venda casada” é vedada por lei.

 

O gerente da MBM apressou-se em afirmar: "Veja bem, não fazíamos venda casada”.

 

Roberto Toledo informou que a Sarcris foi indicada à seguradora MBM pelo banco HSBC.

 

Vem a ser uma das casas bancárias que se serviram da intermediação da empresa do neto de Sarney para emprestar dinheiro a funcionários do Senado.

 

O gerente contou também que seu contato na Sarcris era o jovem José Adriano Cordeiro Sarney, 29, o neto do presidente do Senado.

 

"Eu falava com o Adriano e com um outro rapaz, um funcionário que ficava no Senado fazendo os empréstimos".

 

Alcançado por telefone, José Adriano tentou negar que sua empresa atue também na venda de seguros: "Nunca operei, nem tenho autorização para isso".

 

Curiosamente, o sítio mantido pela Sarcris na internet trazia, até a madrugada desta terça (30), links para as páginas de dois parceiros: o HSBC e a MBM.

 

Perguntou-se a José Adriano o por quê de sua empresa ter realçado na web o endereço eletrônico de uma seguradora com a qual diz não operar.

 

E o neto de Sarney, em timbre lacônico: "Não sei". E mais não disse. Desligou o telefone.

 

Entre todas as denúncias que assediam a presidência de Sarney –da contratação de parentes à edição de atos secretos— a mais incômoda é a ação do neto-empesário.

 

Os negócios de José Adriano no Senado estão sendo investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

 

Na arena política, a movimentação do neto de Sarney é comparada à ação de João Carlos Zoghbi.

 

Trata-se daquele ex-diretor que converteu uma babá octogenária em empresária, para faturar milhões no filão dos empréstimos consignados do Senado.

 

Sarney refuta a comparação. Diz que seu neto, um economista bem formado, não se escondeu atrás de "laranjas".

 

Em carta aos senadores, Sarney alegou, de resto, que José Adriano começou a atuar no Senado numa fase em que ele não era presidente.

Escrito por Josias de Souza às 04h22

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Agripino: ‘Sarney tem de se licenciar da presidência’

Líder do DEM levará sua posição à bancada, nesta terça

Virgílio busca aval do tucanato para posição antiSarney

Lula cobra do  PT apoio  'claro' ao presidente do Senado

Renan escora o aliado nas bancadas do PMDB e  do  PTB

 

Fotos: ABr e Ag.Senado

 

José Sarney perdeu o apoio de um de seus mais importantes aliados. José Agripino Maia, líder do DEM, quer vê-lo longe da cadeira de presidente do Senado.

 

Passou a defender a tese de que Sarney precisa se licenciar do cargo até que sejam esclarecidas todas as denúnicias que rondam sua gestão.

 

“Gosto muito do Sarney, mas gosto muito mais do meu partido”, disse Agripino ao blog na noite passada.

 

“A credibilidade do partido perante a opinião publica está em jogo. Para que as investigações tenham o respeito da sociedade é preciso que sejam isentas...”

 

“...E a isenção só será obtida na hora em que o presidente Sarney pedir licença. Não há meio termo. Ele tem de se licenciar do cargo”.

 

Nesta terça (30), Agripino vai expor sua posição à bancada de senadores do DEM. Deseja converter a opinião pessoal em decisão formal do partido.

 

Excluído o líder, a bancada ‘demo’ congrega 13 senadores. É a segunda maior do Senado. Junto com PMDB e PTB, constitui o miolo da base que escora Sarney.

 

Tomado individualmente, o reposicionamento de Agripino é péssimo para Sarney.

 

Referendado pela maioria dos senadores ‘demos’ será o mais duro golpe contra a presidência de Sarney desde a eleição, em fevereiro.

 

Convertida em decisão  A posição individual de Agripino representa duro golpe contra exposição exposição So perde para o PMDB, que tem 19.

 

A perspectiva de reviravolta vinha sendo esboçada desde que se descobriu, na semana passada, que um neto de Sarney agencia empréstimos no Senado.

 

Num primeiro momento, Agripino cobrara explicações. Sarney redigiu uma carta. Enviou-a aos 80 senadores. Mas seu alvo principal era o DEM.

 

No texto, Sarney anota que empresa Sarcris, do neto José Adriano Cordeiro Sarney, começou a operar no Senado quando ele ainda não ocupava a presidência.

 

Escreve que tomou a iniciativa de pedir à Polícia Federal que investigue o caso. Lorota. Em verdade, a PF já havia guindado o neto à condição de investigado.

 

Para desassessego de Sarney, Agripino considerou a carta insuficiente. Daí a cobrança do pedido de licença. Coisa breve.

 

“Sarney prestará um serviço à instituição na hora em que se licenciar, com o compromisso de que as investigações aconteçam num prazo célere...”

 

“...É peciso que as coisas se esclareçam, numa investigação que envolva também o Senado, o Ministério Público e o TCU...”

 

“...Esclarecendo-se tudo, com a rapidez que o caso exige, vai ficar claro se ele pode ou não voltar ao cargo”.

 

A hipótese da licença é, por ora, rejeitada por Sarney. É rechaçada também por Renan Calheiros, líder do PMDB.

 

Com a experiência de quem já viveu uma crise que lhe custou o cargo de presidente do Senado, Renan acha que, depois de uma licença, Sarney não volta à cadeira.

 

Renan administra os humores do PMDB –controla pelo menos 17 dos 19 senadores— e do PTB, dono de sete integrantes.  

 

Além do DEM, PSDB e PT também reunirão suas bancadas nesta terça. Os temas, por incortonáveis, serão os mesmos: Sarney e a crise do Senado.

 

Depois de anunciar uma representação contra Sarney no Conselho de Ética, o líder tucano Arthur Virgílio tenta atrair a sua bancada para a sua cruzada.

 

Na noite passada, O líder tucano ruminava a expectativa de obter da maioria de seus liderados ao menos o apoio ao pedido de licença de Sarney.

 

Algo que, se vier a ocorrer, acomodará no comando do Senado o vice-presidente tucano do Senado Marconi Perilo (GO).

 

No PT, o líder Aloizio Mercadante vê-se compelido a sustentar a posição cobrada por Lula: apoio irrestrito a Sarney.

 

O presidente não quer nem ouvir falar na hipótese de saída do aliado, ainda que por meio de licença.

 

Primeiro porque não suporta a idéia de ver o Senado presidido pelo tucano Perilo, um dos denunciantes do mensalão.

 

Segundo porque receia que o infortúnio de Sarney prejudique a costura que visa atar o PMDB à candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

 

Mercadante terá de torear um PT dividido. A bancada do partido soma 12 senadores. Pelo menos cinco levam o pé atrás em relação a Sarney.

 

São eles: Tião Viana (AC), Eduardo Suplicy (SP), Flávio Arns (PR), Paulo Paim (RS) e Marina Silva (AC).

 

Para complicar, o PSOL protocola nesta terça a prometida representação contra Sarney.

 

A exemplo do que fez Virgílio, o partido presidido pela ex-senadora Heloisa Helena deseja arrastar Sarney para o Conselho de Ética. Junto com ele, dois ex-presidentes: Renan Calheiros e Garibaldi Alves.

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Revés histórico enfraquece os Kirchner para eleição de 2011

 

- Folha: Governo reduz juros para empresa e amplia isenções

 

- Estadão: Obama lidera reação a golpe em Honduras

 

- JB: Corte do IPI contra a falta de crédito

 

- Correio: Congresso esbanja com planos de saúde e nossos filhos ficam sem atendimento

 

- Valor: Bancos podem frustrar leilão de folha do INSS

 

- Estado de Minas: Medo no ar

 

- Jornal do Commercio: Tragédia no Agreste

 

Leia os destaques de capa de alguns dos princiáis jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!

Nani

Via blog Nani Humor.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Tião Viana diz: Agaciel oferecia dinheiro a senadores

Ex-diretor ofereceu ‘ajuda’ a ‘fundo perdido’ ao petista

Na conversa, afirmou que ‘socorria’  outros  senadores

 

  Folha
O senador Tião Viana (PT-AC) trouxe à luz uma informação que adiciona gasolina à fogueira que arde no Senado.

 

Contou ter recebido do ex-diretor-geral Agaciel Maia uma oferta de ajuda monetária. Coisa “a fundo perdido”. Na prática, uma doação.

 

Viana recusou a oferta. Segundo ele, Agaciel insistiu. Disse que fornecia a outros senadores o mesmo tipo de “ajuda”.

 

Em conversa com o blog, Viana esclareceu que a oferta de Agaciel foi feita há “mais ou menos três anos”. Deu-se num instante em que ele se viu diante de um dilema.

 

Ao assumir o mandato de senador, passou a pagar o plano de previdência da Casa: R$ 1.900 por mês.

 

Depois, como o valor lhe pesasse demais no orçamento doméstico, decidiu optar pelo plano de previdência do governo do Acre: R$ 1.200 por mês.

 

Viana é médico concursado da Secretaria de Saúde do Estado. É também professor licenciado da Universidade Federal do Acre.

 

O senador conta que foi a Agaciel, à época ainda diretor-geral do Senado, para comunicar-lhe que optara por não pagar mais o plano previdenciário de senador.

 

Foi quando Agaciel tentou lhe estender a mão: “Ele me disse: senador, estou vendo que o senhor está em dificuldades. Posso lhe dar uma ajuda, a fundo perdido”.

 

Tião Viana recusou a oferta: “Muito obrigado, prefiro ficar em dificuldades”. Agaciel  esclareceu que repassava dinheiro, sempre “a fundo perdido”, a outros senadores.

 

O senador petista contou o episódio a colegas do seu convívio. Entre eles o tucano Tasso Jereissati (CE).

 

Nesta segunda (29), o episódio foi evocado por Arthur Virgílio (PSDB-AM) no discurso que fez em plenário.

 

“O Tião Viana recusou a oferta. Se outros aceitaram... Reside aí a força desse escroque Agaciel Maia”, disse Virgílio.

 

O líder do PSDB injetou em seu discurso outro relato envolvendo dinheiro. Atribui a revelação a uma ex-secretária de Agaciel, cujo nome esquivou-se de mencionar.

 

“Ela abriu um armário do DG [diretor-geral], como era chamado esse sacripanta, e tomou um susto porque começou a cair dinheiro em cima dela...”

 

“...Foi na sala-cofre, no último andar do Senado. A retirada do dinheiro ocorreu numa operação [de busca e apreensão da PF] abafada aqui, na gestão Renan Calheiros”.

 

Entre as investigações abertas pelo Ministério Público há uma que trata de denúncias de malfeitorias em contratos do Senado com empresas privadas.

 

Contratos firmados sob Agaciel, para prover ao Senado mão-de-obra terceirizada. Tião Viana e Arthur Virgílio, ao que parece, têm muito a dizer aos procuradores.

Escrito por Josias de Souza às 21h17

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Virgílio liga Agaciel a Renan e Sarney: São corruptos

Como prometera, o líder do PSDB, Arthur Virgílio, voltou à tribuna nesta segunda (29). Defendeu-se. E atacou.

 

Referiu-se a notícia veiculada na última edição da revista IstoÉ. Atribuiu as informações a “fonte agaciliana” ou “sarneyana”.

 

Disse ter sido informado de que a reportagem foi urdida numa reunião de três senadores: José Sarney, Renan Calheiros e Gim Argello. Desejariam calá-lo.

 

“Sarney não tem mais a mínima condição moral de permanecer à frente da direção desta Casa”, disse o senador.

 

Presente à sessão, Gim Argello negou: “Não é fato. Não houve essa reunião”. E Virgílio: “É direito meu acreditar ou não”. Além de Argello, só Wellington Salgado (PMDB-MG) saiu em defesa de Sarney.

 

A alturas tantas, Virgílio disse que não crê que o ex-diretor-geral Agaciel Maia tenha “roubado sozinho no Senado”.

 

“Ele roubou com gente de mandato [...]. É cúmplice do [João Carlos] Zoghbi e de senadores covardes e corruptos que protegem esse desmando...”

 

“...Jabuti quando está em arvore ou é enchente ou é mão de gente. Roubou e deve ter dividido com muita gente com assento nessa Casa”.

 

Referindo-se especificamente ao texto levado às páginas de IstoÉ, Virgílio admitiu um erro e refutou o que chamou de “aleivosias”.

 

O erro: depois de empregar o filho de um amigo em seu gabinete, autorizou-o a estudar no exterior, preservando-lhe os vencimentos pagos pelo Senado.

 

“É um equivoco do qual me penitencio, o que não é pouco. Um erro que cometi e mereço ser, sim, criticado [...]. Assumo totalmente a responsabilidade”.

 

Noutro ponto da notícia, informou-se que Agaciel provera a Virgílio, numa viagem a Paris, um socorro monetário de US$ 10 mil.

 

Virgílio disse que viajara Paris com a família, para festejar o aniversário de 40 anos de sua mulher. Teve o cartão de crédito rejeitado no hotel. Deu-se num sábado.

 

Tocou o telefone para um amigo, o servidor do Senado Carlos Homero Vieira Nina, cuja mulher trabalhava no Banco do Brasil.

 

Pediu-lhe que tentasse saber o que se passava de errado com seu cartão. Sem o seu conhecimento, o amigo Vieira Nina recorreu ao diretor-geral Agaciel.

 

Verificou-se que havia uma dívida no cartão de Virgílio. E Agaciel providenciou um depósito. Segundo a revista, o “empréstimo” jamais teria sido ressarcido.

 

Virgílio diz coisa diversa. Primeiro, o valor não seria US$ 10 mil (R$ 30 mil pelo câmbio da época), mas algo como R$ 10 mil.

 

Segundo, disse que o valor foi restituído a Agaciel na época, por meio de uma cotização de três amigos: o próprio Vieira Nina, o ex-ministro do TSE Antonio Augusto Rebelo e o advogado Fernando neves da Silva.

 

O líder tucano disse que, se tivesse de se socorrer com alguém, não procuraria Agaciel, mas “os amigos ricos” que tem, como “Tasso Jeresissati”.

 

Ainda segundo IstoÉ, Agaciel liberou R$ 723 mil para ressarcir despesas médicas da mãe de Virgílio, Isabel Vitória de Matos Pereira, morta em 2006.

 

Os repasses teriam extrapolado o limite permitido pelo Senado: R$ 30 mil por ano. Virgílio disse que sua mãe tratava-se de Alzheimer desde 1985.

 

De início, a família custeava o tratamento com recursos próprios. Depois, verificou-se que, como viúva do ex-senador Arthur Virgílio Filho, poderia socorrer-se do Senado.

 

Acertou-se, segundo Virgílio, que o Senado custearia os médicos que assistiam sua mãe. E o Seguro Bradesco pagaria a internação hospitalar.

 

Segundo Virgílio, uma de suas irmãs está levantando os custos. Mas, de antemão, dirigiu à Mesa do Senado um requerimento para sejam levantadas as despesas.

 

“Quero um depoimento da Mesa sobre a legalidade ou não das depesas. Quero saber se é verdade que alguém cometeu alguma ilegalidade”.

 

Virgílio ironizou: disse que, até quando deseja atacá-lo, Agaciel Maia acaba por se auto-incriminar, imputando a si mesmo a prática de ilegalidades.

 

De resto, o líder tucano disse em seu discurso que não foi por acaso que seus detratores escolheram IstoÉ para desaguar os dados.

 

Referiu-se à revista como “uma central de chantagens”. Disse que, oficialmente, a publicação pertence a Domingos Alzugaray. Mas o verdadeiro dono seria outro.

 

“Seu propritário verdadeiro é o escroque Gilberto Miranda Batista, irmão de Egberto Miranda Batista, que protagonizou, na campanha de Collor, o escabroso caso Lurian”.

 

Tratou de vincular a dupla a Sarney. Contou que, na campanha para a presidência do Senado, visitara Sarney em sua casa, junto com Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

 

Na saída, deram de cara com Gilberto Miranda e Egberto Batista, que entravam para um encontro com Sarney.

 

Nas mais de três horas que ocupou a tribuna, Virgílio anunciou uma representação contra Sarney no Conselho de Ética do Senado. Leu o documento.

 

O texto empilha 18 malfeitos atribuídos a Sarney –da nomeação de parentes e amigos por meio de atos secretos aos negócios do neto com empréstimos no Senado.

 

“Essa gente não vai conseguir me misturar com ela. Se tivesse optado pelo silêncio, se tivesse optado por me irmanar com essa máfia, estaria ganhando rios de dinheiro”.

Escrito por Josias de Souza às 20h23

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Aécio Neves destoa do PSDB e defende José Sarney

  Folha
Num dia em que Arthur Virgílio (PSDB-AM) subiu à tribuna para pedir o afastamento de José Sarney, o governador tuano Aécio Neves remou noutra direção.

 

Em entrevista, Aécio disse que o Senado “tem problemas”. Mas afirmou ter “convicção” de que Sarney “saberá enfrentá-los”.

 

O governador mineiro não chegou a dizer que Sarney não pode ser tratado como “uma pessoa normal”, mas chegou perto disso:

 

Acha que Sarney "teve um papel muito importante no momento talvez mais importante das últimas décadas”. Que momento? “A transição democrática”.

 

A prevalecer esse entendimento, inaugurado por Lula, Sarney disporia de anistia prévia, concedida pela história, contra qualquer acusação que se lhe faça.

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Oposição bloqueia o plenário para pressionar por CPI

Vai recomeçar a novela. Na noite da última quinta (25), abespinhado com uma nova “manobra” do PSDB, o líder petista Aloizio Mercadante avisara:

 

“Morreu qualquer perspectiva de entendimento sobre CPIs”.

 

Disse que estava afastada a hipótese de iniciar a investigação da Petrobras nesta terça (30), como chegara a adminitir o governismo.

 

Em resposta, o líder ‘demo’ José Agripino Maia também dá o seu aviso: “Nós vamos obstruir a pauta [de votações do Senado]”.

 

Antes, a oposição falava em “obstrução seletiva”. Agora, Agripino diz que “não se vai votar nada. Dê no que der. O governo vai ter que arcar com a resposabilidade”.

Escrito por Josias de Souza às 04h53

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Senado afasta mais quatro gestores ligados a Agaciel

Acossado pela crise que carcome a presidência de José Sarney, o Senado vai afastar mais três diretores e um chefe de gabinete.

 

Têm em comum a pecha do vínculo com o ex-diretor-geral Agaciel Maia. Planeja-se estender a “operação limpeza” também à Gráfica do Senado.

 

Antes de ser nomeado por Sarney para a direção-geral, em 1995, Agaciel foi diretor da gráfica. É, ainda hoje, um dos setores em que seu poder é mais notório.

 

Embora afastado da cadeira de diretor-geral desde março, Agaciel desfilava sua influência pelos corredores do Senado até a semana passada.

 

Pressionado pelos “poadrinhos” Sarney e Renan Calheiros, ele se convenceu da conveniência de pedir licença por 90 dias. Desfruta agora de ócio remunerado.

 

Agaciel é rifado num instante em que proliferam as investigações contra ele no Ministério Público e na Polícia Federal.

 

Desde fevereiro, mês em que Sarney inaugurou a sua terceira presidência, o Senado coleciona encrencas. A Procuradoria abriu, por ora, dez frentes de investigação.

 

Várias delas decorrem de providências adotadas ao longo dos 14 anos da era Agaciel. Leia aqui e aqui). Eis o que está sendo apurado:

 

1. Pagamento de R$ 6,2 milhões em horas extras a servidores em pleno recesso parlamentar de janeiro;

 

2. Uso indevido da cota de passagens aéreas;

 

3. Contratação indevida de paretnes de senadores e de altos funcionários;

 

4. Ocultação, por Agaciel, da propriedade de uma mansão avaliada em R$ 5 milhões;

 

5. Uso de uma babá como “laranja” do ex-diretor João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos), para intermediar empréstimos a servidores do Senado;

 

6. Atuação da empresa Sarcris, de José Adriano Cordeiro Sarney, neto do presidente do Senado, no mesmo filão de empréstimos consignados do Senado;

 

7. Uso indevido de um apartamento funcional por um filho de João Zoghbi;

 

8. Irregularidades no desmembramento de cargos comissionados;

 

9. Malfeitos em contratos firmados com empresas fornecedoras de mão-de-obra terceirizada;

 

10. Contratação de 54 servidores fantasmas pelo ex-primeiro-secretário Efraim Morais (DEM-PB).

 

É nesse contexto de portas arrombadas que a Mesa do Senado decidiu trocar algumas fechaduras.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

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Além do PSOL, Virgílio irá representar contra Sarney

  Sérgio Lima/Folha
José Sarney esquadrinhou o noticiário do final de semana com lupa. Festejou a ausência de novas denúncias contra ele.

 

Avaliou que o refresco atenuaria a crise que eletrificou o plenário na semana passada, culminando com o pedido de Pedro Simon para que renunciasse.

 

Engano. Nesta segunda (29), o líder tucano Arthur Virgílio (AM) deve voltar à tribuna. Promete anunciar a decisão de representar contra Sarney.

 

A exemplo do PSOL, Virgílio deseja levar o presidente do Senado ao Conselho de Ética. Move-se empurrado pelo noticiário que Sarney imaginara alvissareiro.

 

No início da semana passada, Virgílio discursara diante de Sarney. Dissera que o ex-diretor-geral Agaciel Maia recorria à chantagem para calar o Senado.

 

Julgava-se, ele próprio, alvo de chantagem. Mencionara episódios que Agaciel ameaçara divulgar para constrangê-lo.

 

Citara o reembolso de despesas médicas de sua mãe. Dissera ter sido socorrido numa viagem a Paris, quando um hotel rejeitara o seu cartão de crédito.

 

Ao esmiuçar os episódios em sua última edição, a revista IstoÉ levou ao caldeirão outro dado: Virgílio mantivera em seu gabinete, em situação irregular, um assessor.

 

Chama-se Carlos Alberto Nina Neto. Foi secretário particular do líder do PSDB. E recebeu contracheques do Senado num período em que morou no exterior.

 

Ouvido pela repórter Isabel Braga, Virgílio reconheceu o erro. E voltou a investir contra Agaciel:

 

“Cometo a idiotice de permitir que o filho de um grande amigo permaneça ligado ao meu gabinete por um tempo, uma imbecilidade, um gesto paternal equivocado...”

 

“...Agaciel queria que eu me calasse para ele continuar roubando o Senado. Vou pedir que o Conselho me investigue, não tenho nada a esconder”.

 

Além da investigação contra si próprio, o líder tucano decidiu pedir a abertura do processo contra Sarney, que identifica como padrinho e protetor de Agaciel.

 

Na quarta-feira (2), será a vez de o PSOL protocolar representação contra Sarney.

 

No mesmo documento, o partido presidido por Heloísa Helana pedirá que sejam investigados também dois ex-presidente: Renan Calheiros e Garibaldi Alves.

 

Antes de aportar no Conselho de Ética, o par de representações terá de ser aceito pela Mesa diretora do Senado. Uma Mesa presidida por Sarney.

 

Há, de resto, um segundo obstáculo a ser transposto. Imerso em crise ética, o Senado está, desde março, sem Conselho de Ética.

 

Quem abre a “janela” dedicada ao conselho no portal do Senado na web depara-se com o seguinte aviso: “Colegiado aguardando instalação”.

 

O Conselho de Ética do Senado tem –ou deveria ter— 15 membros efetivos e 15 suplentes. O mandato dos últimos integrantes expirou em março.

 

Quem se anima a buscar pelos nomes dos novos membros dá de cara com um quadro “atualizado em 2 de abril de 2009. Os espaços dedicados aos nomes estão vazios.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Primeira morte por gripe suína não faz Brasil mudar estratégia

 

- Folha: Golpe depõe presidente de Honduras

 

- Estadão: Golpe de Estado depõe presidente de Honduras

 

- JB: Brasil tem primeira morte por gripe suína

 

- Correio: Gripe suína mata no Sul e avança no DF

 

- Valor: Obras de revitalização do rio São Francisco atrasam

 

- Estado de Minas: Brasileiro prefere correr riscos

 

- Jornal do Commercio: Campeão na raça

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Moonwalker!

J.Bosco

Via blog do J.Bosco.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Camara vota na 4ª infidelidade partidária consentida

Os deputados pretendem votar na próxima quarta-feira (1º) um projeto de lei que institucionaliza a pulada de cerca na política.

 

Autoriza o troca-troca partidário, durante 30 dias, um ano antes de cada eleição. Converte o mês de setembro numa espéie de janela para a infidelidade.

 

Assim como ocorre nos relacionamentos amorosos, os atores da política têm enorme dificuldade para se contentar com um parceiro só.

 

A promiscuidade era tanta que, em 2007, o TSE baixara uma resolução impondo a perda de mandato para os políticos infiéis.

 

Por essa decisão, o mandato pertence às legendas, não aos políticos. A infidelidade passou a ser admitida apenas em certos casos.

 

Para reter o mandato, o infiel passou a ter de provar, por exemplo, que foi perseguido pela legenda que abraçara. Ou que o partido se desviou de seu programa original.

 

Se aprovado o projeto do vale-tudo, qualquer um poderá, durante um mês, recorrer à migração partidária sem precisar justificar coisa nenhuma.

 

Os deputados correm contra o tempo. Para que a permissividade seja restituída imediatamente, precisa ser aprovada até o final de setembro.

 

Na Câmara, a coisa deve passar. No Senado, há dúvidas. Receosa de que uma legião de oposicionistas migre para legendas governistas, DEM e PSDB armam barricadas.

 

No Brasil, a infidelidade partidária não tem motivação ideológica. Pior: é 100% financiada pelo déficit público.

 

Funciona assim: quando um determinado partido não rende ao filiado os cargos e as verbas que almeja, ele busca outro partido que esteja em alta no mercado.

 

No mercado persa em que se converteu o Congresso, o exercício da oposição afasta o político das cercanias dos cofres públicos.

 

Daí o poder de sedução e o magnetismo dos partidos governistas. Daí também o nariz virado da oposição para a janela da infidelidade.

Escrito por Josias de Souza às 22h11

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Brasil tem a primeira morte causada pela gripe suína

  Lula Marques/Folha
O caminhoneiro Vanderlei Vial, 29 anos, morreu neste domingo (28), na cidade gaúcha de Passo Fundo.

 

Ele contraíra a gripe suína na Argentina (RS). Começou a apresentar os sintomas da doença no último dia 15, ainda do lado de lá da fronteira.

 

Quatro dias depois, já de volta ao Brasil, foi ao leito do hospital. No dia 20, recebera o diagnóstico.

 

Decorridos mais três dias, seu quadro clínico registrara piora sensível. Passara a lidar com o incômodo da insuficiência respiratória.

 

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) veio aos holofotes para lamentar a morte. Simultaneamente, tratou de tranquilizar o país.

 

Disse que 75% dos casos registrados no Brasil resulta de infecções contraídas em viagens ao exterior. Os outros doentes tiveram contato direto com esses viajantes.

 

De resto, Temporão realçou o fato de que o índice de letalidade da gripe suína e aproxima do que infelicita as vítimas de gripes ordinárias (0,4%).

Escrito por Josias de Souza às 20h36

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Gaspari: ‘O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria’

  Guto Cassiano
Vai abaixo o texto que abre a coluna levada pelo repórter Elio Gaspari às páginas deste domingo. Entre elas as da Folha.

 

Conta que o assalto às arcas da Viúva, veneranda e desprotegida senhora, produziu milionários e avacalhou a velha esquerda.

 

 

“Se alguém quisesse produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.


Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens.

 

O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem.

 

Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo.


O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes.

 

No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia.

 

Como diria Lula, são 44 "pessoas comuns" que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil.

 

Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.


O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200.

 

Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras.

 

No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.


É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século.

 

Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.


No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão.

 

No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil.

 

Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.


Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é "uma pessoa comum", ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois.

 

Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.)


O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627.

 

Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.

Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: ‘Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?’"

 

- PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 04h46

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Lula pedirá ao PT ‘prioridade’ à eleição para o Senado

Sérgio Lima/Folha

 

Na escala de prioridades de Lula para 2010, o Senado foi guindado à condição de segunda meta. Vem logo abaixo da campanha presidencial de Dilma Rousseff.

 

Em privado, Lula diz que não deseja para Dilma o Senado que a má sorte impôs a ele. Fala em “quebrar a espinha da oposição”.

 

Refere-se a líderes como José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) com expressões pouco lisonjeiras. Afirma que é preciso “varrer essa gente”.

 

Nas próximas semanas, Lula vai tratar do tema com dirigentes do PT. Deseja converter a sua meta pessoal numa prioridade do partido.

 

Enxerga duas vantagens na estratégia. Acha que, fixando-se no Senado, além de ajudar a “varrer essa gente”, o PT facilita o acerto com o PMDB.

 

Há cerca de duas semanas, Lula manteve com Michel Temer (PMDB-SP) uma conversa esclarecedora. Deu-se na biblioteca do Palácio da Alvorada.

 

Temer esmiuçou para Lula os problemas que o PMDB tem enfrentado para se entender com o PT em determinados Estados.

 

Nessas costuras regionais, tenta-se obter o sobretudo que vai recobrir o figurino principal de 2010: uma chapa em que Dilma seja adornada com um vice do PMDB.

 

Temer disse a Lula que, para arrancar da convenção do PMDB o apoio a Dilma, precisa que o PT lhe facilite a vida nos Estados em que seu partido almeja o governo.

 

Ao reproduzir o diálogo que teve com o presidente a líderes de seu partido, Temer disse ter listado alguns Estados onde as encrencas são mais acesas.

 

Mencionou, por exemplo: Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

 

Lula prometeu agir. E expôs o pedaço de sua estratégia que se volta para o Senado.

 

Disse que recomendaria ao PT que, em vez de cobiçar primordialmente os governos estaduais, passasse a ter olhos também para as cadeiras do Senado.

 

Depois desse encontro, o Senado passou a frequentar praticamente todas as conversas de Lula –com assessores e aliados— sobre 2010.

 

O maremoto de denúncias que engolfa a presidência de José Sarney serve de tônico para os argumentos de Lula.

 

“A gente não pode mais conviver com essa instabilidade constante”, disse ele, num de seus diálogos.

 

Sob Lula, o Senado virou uma trincheira da oposição no Legislativo. Em tese, o governo dispõe de maioria. Na prática, coleciona derrotas.

 

O principal infortúnio, ainda hoje atravessado na traquéia do presidente, foi a derrubada da CPMF, em 2007.

 

Mais recentemente, a fluidez da maioria governista permitiu à oposição arrastar para um pedaço de papel assinaturas suficientes para impôr a CPI da Petrobras.

 

Algo que obrigou o Planalto a se meter numa refrega legislativa. Adiou o início da investigação por três vezes. Mas a espada da CPI ainda pende sobre o governo.

 

A articulação senatorial de Lula não se restringe ao PT. Pretende tonificar qualquer candidatura que reúna condições de se contrapor à “gente” da oposição.

 

Procura, por exemplo, nomes que possam criar obstáculos à reeleição de Agripino Maia no Rio Grande do Norte.

 

No Amazonas, joga fichas na candidatura ao Senado do governador Eduardo Braga (PMDB), feroz adversário de Arthur Virgílio.

 

Na Bahia, onde o PSDB se acertou com o DEM, Lula tenta convencer o ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, a disputar o Senado, não o governo.

 

"Se o Geddel disputar o Senado, eu faço a campanha dele", diz Lula, dono de confortáveis índices de popularidade na Bahia.

Escrito por Josias de Souza às 04h12

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Afastado, pivô de escândalo mantém o poder no Senado

 

- Folha: Empresas são maior fonte de dinheiro de partidos políticos

 

- Estadão: Gabrielli diz que Petrobras está pronta para ‘vale-tudo’

 

- JB: A economia que esquenta no inverno

 

- Correio: Filhos de imigrantes são adotados pelo crime

 

- Veja: Michael Jackson - 1958 – 2009

 

- Época: Michael Jackson - 1958-2009

 

- IstoÉ: As várias vidas de Michael Jackson

 

- IstoÉ Dinheiro: Vendi minha empresa. E agora?

 

- CartaCapital: O Senado acoelhado

 

- Exame: Gestão para os novos tempos

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Cai, cai, balão!

Clayton

Via O Povo Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Em tempos de quadrilha, Lula e Marisa abrem ‘arraial’

Fotos: Lula Marques/Folha

 

Dois espetáculos não cabem ao mesmo tempo num único palco.

 

Em Brasília, está em cartaz o escândalo dos malfeitos do Senado.

 

Mas, em meio ao interlúdio do final de semana, Lula e Marisa entraram em cena.

 

É como se tivessem subido ao palco para entreter a platéia enquanto o elenco principal troca de roupa. Ou de máscara.

 

O primeiro-casal recebeu ministros, funcionários e familiares para a festa junina da Granja do Torto.

 

Sob Lula, o “Arraiá do Torto”, como ficou conhecido, tornou-se tradicional.

 

É organizado por Marisa. Ocorre todos os anos desde 2003. Neste último, houve uma procissão.

 

Coube a Lula erguer e carregar o “mastro de São João”. A coisa tem origem num costume português.

 

No topo do mastro vão as figuras dos três santos mais populares da Igreja Católica: São João, São Pedro e Santo Antônio.

 

Um personagem ligou o entreato do Torto à peça principal do Senado: o ministro Edison Lobão (PMDB-MA).

 

Na Brasília dos dias que correm, é impossível dar meia dúzia de passos sem tropeçar em alguém que evoca a figura sobranceira de José Sarney.

 

Senador licenciado, Lobão foi à Esplanada por indicação de Sarney. Frequenta o escândalo do momento como autor da nomeação de João Carlos Zoghbi para a direção de RH.

 

Zoghbi é aquele ex-diretor que converteu uma babá octogenária em “laranja”, para faturar milhões na intermediação de empréstimos a servidores do Senado.

 

Na procissão do Torto, Lobão, o apadrinhado de Sarney e padrinho de Zoghbi, manteve-se próximo de Lula, hoje o principal esteio do presidente do Senado.

 

O ministro carregava uma vela acesa. Não se sabe que pedidos fez à trinca de santos.

Escrito por Josias de Souza às 01h21

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Em RO, os frigoríficos trocam propina por 'proteção'

Esquema foi desbaratado em ação da Procuradoria e da PF

18 servidores e  empresários  foram denunciados à Justiça

 

O Ministério Público e a Polícia Federal desbarataram em Rondônia uma “quadrilha” que operava na repartição que representa a pasta da Agricultura no Estado.

 

O órgão se chama SFA (Superintendência Federal de Agricultura). Há uma em cada Estado. Dedica-se à fiscalização de frigoríficos e laticínios.

 

Na SFA de Rondônia, servidores receberam propinas para fechar os olhos. Omitiram-se na fiscalização, deram sumiço em documentos, fizeram vistorias de fancaria.

 

Em denúncia protocolada na Justiça Federal na última nesta sexta-feira (26), o Ministério Público pediu a abertura de ação penal contra 18 acusados.

 

Entre os denunciados há pessoas que operavam dos dois lados do balcão: servidores do Estado e gente das empresas.

 

A desfaçatez era tanta que os envolvidos não teve nem mesmo o cuidado de disfarçar a trilha da propina.

 

Parte dos pagamentos foi feita por meio de cheques, depósitos em dinheiro e ordens de crédito bancário.

 

Um dos servidores da Agricultura recebeu, entre 2007 e 2008, um “cala boca” de R$ 368 mil. Outro, usava a linha de celular de um frigorífico.

 

Eis alguns dos fatos narrados na denúncia da Procuradoria da República:

 

1. Em vez de fiscalizar, servidores cooptados pela quadrilha entregavam aos frigoríficos guias de abate e de transporte assinadas em branco.

 

2. O frigorífico Quatro Marcos, de Ariquemes, obteve da SFA, ilicitamente, autorização para construir suas instalações e operar;

 

3. O frigorífico Amazon Meat, também de Ariquemes, atuava fora dos padrões legais. Servidores relataram que seus superiores proibiram a expedição de multas.

 

Criaram obstáculos também para a expedição de autuações que levariam ao fechamento do frigorífico.

 

4. O frigorífico Margen, de novo de Ariquemes, não tinha, segundo a Procuradoria, condições de exportar carne. A despeito disso, recebeu autorizações da SFA;

 

5. No frigorífico JBS Friboi, de Porto Velho, os fiscais fingiram não ver uma mutreta que produzia o aumentava artificial do peso da carne por meio da injeção de água.

 

6. No laticínio Três Marias, da cidade de Ouro Preto D’Oeste, os queijos que seriam analisados pelos fiscais da Agricultura eram separados previamente.

 

A amostra levada à fiscalização, devidamente higienizada, era sempre aprovada. E os fiscais se eximiam de examinar outros lotes de queijo;

 

7. O curtume Nossa Senhora Aparecida, do matogrossense Grupo Bihl, obteve da SFA autoriazação para instalar uma unidade em Ouro Preto D’Oeste, em Rondônia.

 

Para o Ministério Público, a instalação não seguiu os trâmites legais. A denúncia anota:

 

“Vários crimes foram cometidos” para manter o curtuma “funcionando regularmente e até para eliminar possíveis empresas concorrentes”.

 

8. O Frigopeixe, de Ariquemes, teve carregamentos de pescados apreendidos por órgãos de proteção ambiental. Foram todos liberados, graças à intervenção da SFA;

 

A peça do Ministério Público tem 80 páginas. É assinada cinco procuradores: Reginaldo da Trindade, Ercias de Sousa, Heitor Soares, Lucyana de Luca e Nádia Souza.

 

Ouvidos na fase do inquérito policial, os denunciados negaram os malfeitos. Munidos de provas, os procuradores levaram a denúncia adiante.

 

Caberá agora à Justiça decidir se manda as acusações ao arquivo ou determina a abertura de ação penal. De resto, fica no ar uma pergunta: será que o esquema está restrito a Rondônia?

 

Abaixo, em letras miúdas, os nomes dos acusados:

 

1. Orimar Martins da Silva, Superintendente da SFA; 2. João Carlos Barbosa, superintendente substituto; servidores públicos: 3. Francisco Teixeira Lúcio, 4. Orlando Moreira da Costa, 5. João Januário de Fagundes Filho, 6. Alexandre Rodrigues de Menezes, 7. Ademir Alves Ribeiro, 8. Francisco Geniberg de Oliveira e 9. Flávio Martins Gonçalves; Empresários: 10. Wilson Guerino Bertoli (Frigopeixe), 11. José Sessin Filho (Laticínio Três Marias), 12. José Almiro Bihl, 13. Márcio Maurílio Bihl, 14. Paulo Roberto Bihl (Curtume Nossa Senhora Aparecida); e funcionários das empresas: 15. Maria Juliana Zirondi Beirigo (gerente do Frigopeixe), 16. Kléber Nantes Cácerez (administrador do frigorífico Margen), 17. Celso Carlos Da Silva e 18. Paulo César Silva (contratados do Curtume Nossa Senhora Aparecida).

Escrito por Josias de Souza às 20h53

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Sob Sarney, Senado volta a exalar um cheiro de m...

Ivan Cabral

 

Mudança? Mais ou menos. Madrigal made in Maranhão-Macapá. Maestro made in Maceió-Murici. Mais do mesmo.

 

Movimentação marota. Mapeamento minucioso. Mandingas. Manhas. Mumunhas. Mandracarias. Magnetismo. Maestria. Mutirão.

 

Matemática marota: maioria macilenta + minoria maleável = mandarinato do Marinbondo. Mausoléu. Múmia. Maldição.

 

Macacos-de-auditório. Marionetes. Malfeitores. Malas-sem-alça. Malandrões. Maganões. Matilha. Mutatis mutandis, mutantes.

 

Mídia maledicente. Manchetes malsãs. Mandachuva magnânimo. Mordomias mil. Mel aos meus. Mamadeiras. Mãos-bobas. Mancheias.

 

Mumunhas misteriosas. Mandonismo. Megalomania. Monstruosidades. Mau-caratismo. Mandril. Maçarico. Machadinha. Marreta. Maquinações.

 

Maçanetas mal-viradas. Mão-de-obra mutretada. Mufunfa malcheirosa.

 

Mãos molhadas. Mordidas milionárias. Mesadas. Maletas. Maços. Malversação.

 

Mandato mundano. Maculado. Manchado. Mancada. Malogro. Martírio. Mortificação. Marolão. Muvuca. Mafuá. Mexericos.

 

Madrugadas mal-dormidas. Mal-estar. Murmúrios. Morde-e-assopra. Malmequer, malmequer. Maceração.

 

Morubixaba manco. Manga-larga mancador. Malabarismos. Milícia militante. Molaqueiros movediços.  

 

Mudez. Meneios. Mentiras. Maquiagens. Má-fé. Manobras mais-que-(im)perfeitas. Manjadas. Macetadas. 

 

Maná. Muito milho-alpiste. Milk-shake. Marshmallow. Morosidade. Mutismos. Maneirismos. Máscaras.

 

Manicômio. Maloca maluca. Mãe-joana. Mangue. Macrocosmo mal-assombrado. Macabro. Mafioso. Maçante. Melancólico.

 

Maçaroca. Mingau. Marmelada. Mussarela. Moral minúscula. Malta mal-humorada, mas míope. Microcéfala. Mambembe. Manobrável.

 

Matula malformada. Manada mal-governada. Marmiteiros. Madalenas. Marias-moles. Marmotas. Mulatos. Mulatas. Máxima manemolência.

 

Multidão muda. Manifestações? Mal-e-mal. Moto-contínuo. Muxoxos. Mansidão. Mesma mousse marrom. Meio-mole, meio-dura. Malcheirosa.

 

M....................... 

 

-PS.: Ilustração via blog Sorriso Pensante.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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O lixo qualquer um pode ver; a decência é top-secret

Escrito por Josias de Souza às 13h12

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Mangabeira Unger deixa o governo na próxima terça

Fotos: Marcello Casal e Fábio Pozzebom/ABr

 

O ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) deixará o governo Lula na próxima terça-feira. Sairá a pedido.

 

Deve-se a informação ao repórter Lauro Jardim, editor do Radar. Ele conta também que Lula planeja mandar ao meio-fio uma outra integrante de sua equipe.

 

O presidente deseja se livrar da secretária da Receira Federal, Lina Vieira. Vai chamar para uma conversa o ministro Guido Mantega (Fazenda), chefe da “Leoa”.

 

Vai abaixo a trinca de notas:

 

 

- Bye, bye, Mangabeira: Na terça-feira, dois anos depois de tomar posse, Mangabeira Unger deixa o governo Lula. Motivo: a Universidade Harvard não quis estender sua licença.

 

Se continuasse no governo, Mangabeira perderia os 37 anos de benefícios que tem como professor da escola de direito de Harvard. A universidade não cedeu e Mangabeira retoma a carreira acadêmica.

 

 

- Solução doméstica: Para o lugar de Mangabeira na Secretaria de Assuntos Estratégicos, a tendência de Lula é optar por uma solução doméstica.

 

Ou seja, alguém da própria equipe de Mangabeira. Mas que a gulosa turma do PMDB ficará à espreita, não resta dúvida.

 

 

- Leão manso: Aos mais próximos, Lula revelou na semana passada que quer demitir Lina Vieira, secretária da Receita Federal há menos de um ano.

 

Insatisfeito com o seu desempenho, Lula disse que chamará Guido Mantega para que ele arranje um nome para substituí-la.

 

Lula está arrependido de ter tirado Jorge Rachid, antecessor de Lina, do comando da Receita.

Escrito por Josias de Souza às 05h06

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Sarney diz que fica e esboça estratégia da resistência

Fixou como prioridade evitar que o DEM abandone o barco

Mandou levantar dados sobre negócios do neto no Senado

 

  José Cruz/ABr
Menos de cinco meses depois de ter sido eleito para a sua terceira presidência no Senado, José Sarney respira uma atmosfera de fim de gestão.

 

Instado a abandonar a cadeira –por renúncia ou por licença— Sarney dá de ombros: “Não vou sair. Não há razão para isso”, diz, em privado.

 

Antevê para os próximos dias um agravamento do mau tempo. Para atravessar a borrasca, cuidou, nesta sexta (26), de vistoriar a armada.

 

Reuniu-se com os dois líderes que lhe são mais fiéis: Renan Calheiros, do seu PMDB; e Gim Argelo, do PTB.

 

Por decisão de Sarney, a conversa ocorreu na sala da presidência do Senado.

 

Na véspera, acuado pela descoberta de que o neto José Adriano Cordeiro Sarney agencia empréstimos a servidores do Senado, Sarney trancara-se em casa.

 

Fugira do assédio dos repórteres e do burburinho do plenário. Não queria que um segundo dia de ausência consolidasse a idéia de que é pautado pelo medo.

 

A portas fechadas, Sarney, Renan e Argelo passaram a conjuntura em revista. Concluíram que o noticiário sobre o neto produzira uma trinca no casco.

 

Alarmaram-se com o movimento ensaiado por um protoaliado. A marujada do DEM –14 senadores— caminha na direção do bote salva-vidas.

 

Decidiram tentar demover os ‘demos’ da idéia de abandonar o navio. O próprio Sarney tocou o telefone para José Agripino Maia.

 

Acalçou-o pelo celular, no interior do Rio Grande do Norte. Explicou-lhe as razões que o levaram a soltar a nota da véspera.

 

Um texto em que se apresentara como vítima de uma “campanha midiática”, por conta do “apoio” que dá a Lula e ao governo dele.

 

Agripino disse a Sarney que, para o DEM, é essencial que ele explique, de modo “convincente”, os negócios do neto José Adriano.

 

Como a conversa pareceu malparada, Sarney pediu a Renan que ligasse, também ele, para Agripino.

 

No diálogo com Renan, o líder ‘demo’ soou mais específico. Disse que o neto de Sarney fora pendurado nas manchetes em posição constrangedora.

 

Afirmou que o DEM defendera o afastamento do ex-diretor João Zoghbi logo que se descobrira que ele fizera negócios nas franjas da folha de pagamento do Senado.

 

Comparou a ação do neto de Sarney à do filho de Zoghbi, que, associado a uma baba-laranja, agenciara empréstimos consignados no Senado. Agripino deixou claro a Renan que, sem um lote de explicações que lhe ofereçam “conforto”, o DEM pode, sim, tomar distância de Sarney.

 

Mais tarde, ao trocar idéias com um amigo, Agripino explicaria: “Não faremos força para derrubar Sarney, mas, se não der, também não vamos ajudar a sustentá-lo”. Diante do cheiro de queimado, Sarney mandou levantar informações sobre os negócios da Sarcris, a empresa do neto.

 

A firma começou a operar em 2007. Firmou contrato com seis casas bancárias. Quatro permanecem em vigor. O DEM reunirá sua bancada na próxima terça (30). Traz os olhos grudados no noticiário. E aguarda pelas explicações “convincentes” de Sarney.

 

Desde fevereiro, mês em que prevaleceu sobre Tião Viana (PT-AC) de maneira triunfal, Sarney convive com uma ilusão.

 

Desceu das nuvens da vitória para o chão escorregadio do dia-a-dia administrativo, embalado pela quimera de que preside o Senado.

 

Em verdade, é presidido pelas circunstâncias. É governado pela crise. E reage a ela como se estivesse acomeido por um surto de amnésia. Não assume responsabilidades pelos desmandos de Agaciel Maia, personagem que nomeara 14 anos atrás.

 

Diz que não sabia que uma penca de Sarneys havia sido pendurada na folha do Senado. Não enxerga o conflito de interesses embutido na ação do neto-empresário.

 

Para complicar, Sarney enfrenta o contraponto da Câmara. Michel Temer, seu colega de partido, soube dar respostas ao pedaço de crise que lhe coube administrar.

 

Sarney tem conversado amiúde com o presidente da Câmara. Solidário, Temer sugeriu-lhe que adotasse a sua tese em relação às medidas provisórias.

 

Antes, entedia-se que uma MP prevalecia sobre qualquer projeto. Sob Temer, os deputados abriram brechas para emendas constitucionais e leis complementares.

 

Com isso, a Câmara votou 43 projetos em maio e 50 em junho. “Há uma animação entre os deputados”, festejava Temer na noite da última quinta (25).

 

Em privado, Temer estimula Sarney a romper o dique das medidas provisórias. Mas, no Senado, a crise engolfa a pauta de votações.

 

Sarney tornou-se prisioneiro de um paradoxo. Promete a modernidade sem chutar o atraso. Abraçado ao velho, prega um Senado novo, reformado e enxuto.

 

Amigo de Sarney, o tucano Tasso Jereissati (CE) identifica na companhia de Renan Calheiros um dos mais vistosos dramas do presidente do Senado.

 

Acha que o arcaísmo representado pelos métodos de Renan conspurca a idéia de que Sarney possa impor ao Senado um novo padrão estético. O diabo é que, para sobreviver, Sarney depende de Renan. Agora mais do que nunca.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Diretores que Senado disse ter demitido estão no cargo

 

- Folha: Governo decide prorrogar redução de IPI por 3 meses

 

- Estadão: Governo renova isenção de imposto para carros

 

- JB: Acordos salariais vencem a crise

 

- Correio: Lula manda pagar reajuste de servidor

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h59

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José Nadasey!

Pissardini

Via blog do Pissardini.

Escrito por Josias de Souza às 03h58

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Agaciel Maia dispunha de bunker secreto no Senado

 

Já se havia revelado que Agaciel Maia geria uma burocracia clandestina no Senado.

 

Descobre-se agora que o ex-diretor-geral dispunha, veja você, de uma sala secreta.

 

No fundo do gabinete de Agaciel, havia uma porta. Dava para uma escada-caracol.

 

Descendo os degraus, chegava-se ao bunker de Agaciel. Coisa fina.

 

Espaço generoso, sofás, piso forrado com tapetes vermelhos, telão para vídeos.

 

Depois da destituição do ex-poderoso chefão, o bunker virou sala de senador.

 

Reformado, servirá de abrigo para o segundo-secretário João Claudino (PTB-PI).

 

Os 14 anos de direção-geral deram a Agaciel Maia o poder absoluto.

 

Usufruiu desse poder à sombra. Fez e aconteceu. mandou e desmandou.

 

Súbito, percebeu-se que Agaciel esquecera de maneirar.

 

E o poder dele, por privado, converteu-se em impotência pública.

 

Os antigos padrinhos observam a derrocada de Agaciel com densa preocupação.

 

O ex-facilitador-geral do Senado já não dispõe de poderes divinos. Porém...

 

Porém, munido dos segredos que colecinou, Agaciel ainda pode soltar trovões.

 

Ou, quem sabe, alguns raios que os partam.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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‘Centavo para o pobre vale mais que bilhão para rico’

Pressionando aqui, você chega a um texto que traz outras declarações feitas por Lula em Itajaí (SC). Ele pediu ao eleitor que tenha atenção com os "picaretas" na hora de votar.

Escrito por Josias de Souza às 20h37

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PF investiga ‘negócios’ do neto de Sarney no Senado

A Polícia Federal decidiu esquadrinhar a atuação da empresa Sarcris na intermediação de empréstimos a servidores do Senado.

 

A empresa tem como sócio José Adriano Cordeiro Sarney, 29 anos, neto do senador José Sarney e filho do deputado Zequinha Sarney.

 

Os repórteres Leandro Colon e Rodrigo Rangel informam que, em princípio, a ação da Sarcris será investigada num inquérito aberto em 13 de maio, para perscrutar a ação de outras firmas - entre elas a Contact.

 

Trata-se daquela empresa que tem no rol de sócios uma ex-babá octogenária, “laranja” do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi.

 

A Contact também faturou milhões intermediando o acesso de casas bancárias ao milionário universo dos empréstimos consignados do Senado.

 

A PF não exclui, porém, a hipótese de abrir um inquérito específico para o caso da empresa do neto de Sarney.

 

Por ora, tenta-se verificar se há algum tipo de ligação entre a empresa do neto do presidente do Senado e as firmas da ex-baba do antigo diretor.

 

De resto, deseja-se apurar se José Adriano Sarney se valeu do nome e do prestígio do avô para cavar o acesso de bancos à folha do Senado.

 

A empresa do neto começou a operar em 2007. Desde então, recebeu delegação de seis instituições financeiras para agenciar empréstimos no Senado.

 

Dessa meia dúzia de contratos, quatro continuam em vigor. O filão dos empréstimos a servidores é gordo: R$ 144 milhões por ano na Casa.

 

O neto do senador-presidente diz que o faturamento de sua empresa é de “menos de R$ 5 milhões” por ano. Um portento.

Escrito por Josias de Souza às 05h58

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Lula diz que só volta em 2014 se Dilma não for eleita

Presidente 'torce' para que sua pupila tenha dois mandatos

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Em entrevista concedida nesta quinta (25), dia em que Dilma Rousseff se submeteu à última sessão de quimeoterapia, Lula mostrou-se otimista.

 

Ele concedeu um benefício à dúvida: “Doença é doença”. Mas disse que vem recebendo dos médicos notícias alvissareiras. E acrescenta:

 

“Todo mundo que já teve esse tipo de câncer [linfático] diz que é curável. Dilma vai ficar extraordinária, e a hora que tiver de anunciar, estará pronta para o embate”.

 

Revelou que a ministra deixará a Casa Civil em março de 2010. “ Ela se afasta e começa a campanha”. Lula falou ao diário gaúcho Zero Hora (aqui e aqui).

 

Inquirido sobre a hipótese de disputar a presidência novamente em 2014, disse que só entra na briga numa hipótese:

 

“Se for um adversário que ganhar a eleição [de 2010], aí sim pode estar previsto em 2014 eu voltar”.

 

Do contrário, vai “torcer para que Dilma possa fazer o melhor [governo] e ser candidata à reeleição”.

 

Acha que, uma vez eleita, a ministra “tem o direito de querer ser candidata” a um segundo mandato. Vai abaixo um lote de frases de Lula:

 

- Alianças para 2010: Trabalho sempre com a hipótese de construir aliança entre PT e PMDB, PDT e PTB. Parte importante da base do governo precisa compor nos Estados para que a gente possa ganhar e governar [...]. Dilma tem de trabalhar com a possibilidade de um grande leque de alianças para ganhar bem e governar bem.

- PT X PMDB no Rio Grande do Sul: [...] Trabalho com a hipótese de que o PT tenha um leque de alianças no Rio Grande do Sul. Tarso Genro está numa posição muito confortável do ponto de vista das pesquisas. É sempre muito difícil você convencer alguém que está liderando a sair para dar lugar ao segundo ou ao terceiro [...]. Mas ainda assim estou convencido de que é possível construir uma aliança que envolva PMDB, PDT, PTB e PC do B. Se não der certo, temos de ter maturidade de saber como vamos nos tratar no primeiro turno. Sempre há possibilidade de essa aliança se concretizar no segundo turno.

- Alianças nos outros Estados: [O raciocínio] vale para todo o país. E nem acho que seja sacrifício [para o PT ceder posições a outras legendas]. Não temos o direito de não fazer sacrifício e permitir que o desejo pessoal de alguém prevaleça sobre os interesses coletivos de um partido, seja estadual ou nacional. É preciso um debate para saber o seguinte: o que nos interessa neste momento, quais os Estados que temos de disputar, em quais temos chance, que tipo de aliança poderemos fazer e o que queremos construir. Se fizermos essa discussão corretamente, fica fácil construir as alianças [...]. Essa minha concepção vale do Oiapoque ao Chuí. Mas quem decide isso são os partidos. Eu só espero que as pessoas tenham aprendido.

- A mídia e o Senado: Não critico a imprensa por conta do Senado. É pelo denuncismo desvairado que às vezes não tem retorno. Há uma prevalência da desgraça sobre as coisas boas. Talvez venda mais jornal [...]. A nação precisa de boas notícias, de autoestima, para poder vencer esse embate com a crise internacional.

 

- As malfeitorias do Senado: Sobre as denúncias no Senado, que se faça uma investigação, se apresente o resultado. Quem estiver errado deve ser punido, e mata o assunto. Todos os senadores têm mais de 35 anos de idade, portanto estão na idade adulta. Sarney já anunciou que vai investigar.

- A defesa de Sarney e 2010: Não acho que algum senador vá renunciar ao mandato. Eles vão se acertar e prestar contas. A minha cabeça não trabalha pensando em 2010. Agora, tenho clareza de que nós sairemos bem em 2010 se a gente estiver bem em 2009.

- A doença de Dilma: Por tudo que eu tenho conversado com os médicos, eu não acredito [em prejuízo político]. Mas doença é doença. No momento certo o médico vai dizer se parou ou não o tratamento [...]. Todo mundo que já teve esse tipo de câncer diz que é curável. Dilma vai ficar extraordinária, e a hora que tiver de anunciar, estará pronta para o embate. Se ela for candidata – porque depende ainda dos partidos e dela própria –, aí a partir de março ela se afasta e começa a campanha.

- Palocci na Casa Civil: Não, não, não. Eu não posso discutir agora o que vou fazer. Mas não pretendo colocar nenhum ministro novo.

 

- O ministério de 2010: Não vou trazer uma pessoa para chegar sem conhecer o histórico do próprio ministério, das obras, dos projetos. Desse jeito irei paralisar o governo por 10 meses. Na hora em que o ministro for sair [para se candidatar], o secretário executivo assume.

- A volta em 2014: Eu tenho de recusar discutir 2014, porque não seria benéfico para mim e não seria benéfico para quem eu quero eleger. Vamos supor que eu eleja a companheira Dilma candidata do PT e o povo brasileiro eleja Dilma presidente do país. Ora, qual é o meu papel? É trabalhar para que ela faça o máximo possível. E ela tem o direito de querer ser candidata à reeleição [...]. Vou torcer para que Dilma possa fazer o melhor e ser candidata à reeleição. Se for um adversário que ganhar a eleição, aí sim pode estar previsto em 2014 eu voltar. 
 

- A crise e a torcida da oposição: [...] Teve gente que até acendeu vela para o Brasil ser afetado. Uns queimaram a língua, outros queimaram os dedos. Quando deixar o governo, vou montar um grupo para pesquisar as análises econômicas que fizeram sobre o meu governo, para saber quem errou e acertou [...]. Tomamos todas as medidas necessárias e somos reconhecidos no mundo inteiro.

- A CPI da Petrobras: Se tem um fato determinado, diga e faça a CPI. O que não pode é, de forma irresponsável, pegar a mais importante empresa do país e tentar, um ano antes das eleições, achincalhar essa empresa. O que se propôs não tem nada de seriedade [...].  Acho que CPI não pode ser feita para fins apenas de disputas eleitorais [...]. Acho que a Petrobras devia ser investigada pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério Público, pela Procuradoria-Geral da República.

Escrito por Josias de Souza às 05h26

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Longe do Senado, Sarney visita clínica oftalmológica

Assediado pela “campanha midiática”, José Sarney preferiu se abster de pôr os pés no Senado nesta quinta (25).

 

Passou o dia remoendo seus rancores na mansão que lhe serve de residência no Lago Sul, bairro chique de Brasília.

 

Reuniu-se com assessores. Mandou divulgar uma nota inconvincente sobre os negócios do neto nas franjas da folha salarial do Senado.

 

Saboreou a informação de que Agaciel ‘Ócio Remunerado’ Maia formalizara um pedido de licença por 90 dias. Aconselhara a providência ao amigo, por meio de prepostos.

 

No final da tarde, Sarney deixou a mansão. Foi a uma clínica especializada em exames oftalmológicos. Depois de cerca de 50 minutos, voltou para casa.

 

Bom saber que o presidente do Senado esteja ajustando o foco dos seus óculos. Alega que não sabia dos malfeitos do Senado. Talvez passe a enxergar melhor.

Escrito por Josias de Souza às 04h24

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DEM fixa condições para manter apoio a José Sarney

  Lula Marques/Folha
Dono da segunda maior bancada do Senado –14 cadeiras— o DEM rediscute o apoio incondicional que vinha oferecendo à presidência de José Sarney (PMDB-AP).

 

Em telefonemas trocados entre a manhã e a noite desta quinta-feira (25), a cúpula do partido decidiu fixar condições para se manter no barco de Sarney.

 

Deve-se o novo posicionamento do DEM à revelação de que um neto de Sarney opera como intermediário de empréstimos bancários a servidores do Senado.

 

O mais novo problema de Sarney é filho do deputado Zequinha (PV-MA), que aparece na foto ao lado beijando a testa do pai.

 

A tribo ‘demo’ considerou que o episódio deixou Sarney em posição tão incômoda quanto à do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi.

 

A exemplo de José Adriano Sarney, o neto do senador, um filho de Zoghbi fora pilhado intermediando empréstimos consignados no Senado.

 

Para o DEM, a nota divulgada por Sarney nesta quinta, além de não conter explicações convincentes, valeu-se de um argumento político “inaceitável”.

 

No texto, Sarney considerou-se vítima de uma “campanha midiática”. Atribuiu a suposta orquestração ao apoio que dá a Lula e ao governo dele.

 

Depois do PMDB, o DEM fora o principal pilar da aliança que permitira a Sarney prevalecer sobre o petista Tião Viana (AC) na disputa ocorrida em fevereiro.

 

A tribo ‘demo’ postara-se ao lado de Sarney sob o argumento de que seria inconcebível votar num candidato do PT. Eis o que disse um dos dirigentes do DEM ao blog na noite passada:

 

“Ao afirmar que é um homem perseguido por ser aliado de Lula, Sarney colocou-se automaticamente contra nós. O argumento que nos levou a apoiá-lo se esvaiu”.

 

O DEM decidiu reunir os 14 senadores de sua bancada na próxima terça-feira (30). Vai a debate o reposicionamento do partido diante da crise ética que rói o Senado.

 

O apoio a Sarney, antes incondicional, agora é condicionado ao oferecimento de explicações que soem convincentes. Sobretudo no caso do neto-empresário.

 

A eventual troca de lado do DEM representará para Sarney o início da erosão do muro partidário que o protege das investidas contra a sua presidência.

 

Confirmando-se a tendeência verificada nesta quinta, os ‘demos’ se reaproximarão do tucanato, que votara em Tião Viana na refrega de fevereiro.

 

Ecoando a nova linha do partido, Demóstenes Torres (DEM-GO) repisou nesta quinta a tese de que Sarney deve se abster de decidir sobre as pendências que assediam o Senado.

 

Acha que o presidente da Casa não dispõe de isenção para julgar a sindicância e o futuro processo administrativo que será aberto contra o amigo Agaciel Maia.

 

Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, vai na mesma direção. Nesta quinta, defendeu que Sarney se afaste das apurações.

 

Afirmou que ele precisa delegar a condução dos casos pendentes de deliberação ao vice-presidente do Senado, Marconi Perilo (PSDB-GO).

 

Até aqui, o movimento de contestação a Sarney é mais individual do que institucional.

 

Virgílio cobrara do presidente o rompimento com a “camarilha” de Agaciel Maia. Sob pena de ter contra si todo o PSDB.

 

Dissidente do PMDB, Pedro Simon (RS) vem pregando a renúncia de Sarney à presidência do Senado.

 

Cristovam Buarque (PDT-DF) diz que Sarney deveria ao menos se licenciar do cargo por 60 dias. Uma forma de desobstruir as apurações.

 

Ao flertar com a adesão ao coro dos descontentes, o DEM abre uma fenda no dique de contenção que Sarney julgava ter erguido.

 

Deu-se coisa semelhante no escândalo que empurrou, em 2007, Renan Calheiros para fora da cadeira de presidente do Senado.

 

Primeiro, as contestações individuais. Depois, uma representação do PSOL, também insinuada no caso de Sarney. Em seguida, as investidas dos partidos.

 

Renan, como se sabe, não foi cassado. Mas, para salvar o mandato, teve de bater em retirada da presidência.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

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TSE cassa o mandato de Miranda, governador do TO

  TSE/Divulgação
Em sessão plenária encerrada no início da madrudaga desta sexta-feira (26), o TSE cassou o mandato do governador do Tocantins Marcelo Miranda (PMDB).

 

A decisão foi unânime. Junto com Miranda, foi cassado também o vice-governador do Estado, Paulo Sidnei Antunes (PPS).

 

O Tribunal Superior Eleitoral também decidiu que a escolha do novo governador e do respectivo vice será feita por eleição indireta.

 

Caberá à Assembléia Legislativa do Tocantins indicar os novos titulares dos cargos.

 

Como a decisão do tribunal é passível de recurso, decidiu-se que a eleição indireta só poderá ocorrer depois que os recursos forem julgados.

 

A solução dada pelo TSE é diferente da que fora adotada em relação ao Maranhão e à Paraíba.

 

Nesses dois Estados, que também amargaram a cassação de seus governadores, o TSE optara por assegurar a posse dos segundos colocados nas eleições de 2006.

 

No Tocantins, porém, o pleito fora decidido em primeiro turno. O segundo colocado, Siqueira Campos, não amealhara votos suficientes para herdar o cargo.

 

Daí a opção do TSE pela eleição indireta, prevista no artigo 81 da Constituição Federal.

 

Relator do caso, o ministro Felix Fischer considerou que Marcelo Miranda incorreu no crime eleitoral de abuso do poder político. Realçou três episódios:

 

1. Mirando patrocinara, em plena campanha reeleitoral, a distribuição de mais de 80 mil pares de óculos a eleitores;

 

2. Houve também a distribuição de mais de 5 mil lotes. Com uma agravante: Miranda, então governador, entregou pessoalmente os títulos dos lotes.

 

3. Miranda criara mais de 35 mil cargos comissionados, preenchidos por indicação política, sem concurso. As nomeações foram posteriormente anuladas pelo STF.

 

“Entendo que as irregularidades das práticas encontram-se especialmente reveladas pelo objetivo de conquistar o eleitor ás vésperas da eleição colocando qualquer outro candidato em desvantagem”, disse Felix Fisher.

 

O ministro começou a ler o seu voto na noite de quinta (25). Terminou no início da madrugada de sexta (26). Instados a se manifestar, todos os outros seis ministros do TSE acompanharam o relator.

 

A defesa de Marcelo Miranda promete recorrer da decisão.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Denúncia sobre neto aumenta pressão pela saída de Sarney

 

- Folha: Michael Jackson morre aos 50

 

- Estadão: Senadores pressionam pela renúncia de Sarney

 

- JB: Morre o rei do pop

 

- Correio: Lenda pop

 

- Valor: Nos EUA, perdas de patrimônio vão a US$ 750 bi

 

- Estado de Minas: Por que ele não morreu

 

- Jornal do Commercio: Morre o rei do pop

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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A máscara do patrimonialismo!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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Sarney diz que é vítima de uma ‘campanha midiática’

  Alan Marques/Folha
Alvejado novas notícias acerbas, José Sarney esquivou-se de dar as caras no Senado nesta quinta (25). Preferiu refugiar-se em casa.

 

Trocou idéias com assessores. Depois, soltou uma nota. No texto, faz referência aos negócios do neto José Adriano Sarney.

 

Filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA), José Adriano desceu à crônica das amoralidades do Senado como operador de empréstimos consignados.

 

Exploração de prestígio? Conflito de interesses? Não, não. Absolutamente. Para Sarney, a notícia é mais uma peça do complô da mídia contra ele.

 

Mas por que a imprensa teria interesse em converter Sarney em alvo gratuito. Na opinião do senador, a ira das redações se deve ao apoio que ele dá a Lula.

 

Eis o que escreveu Sarney: "As explicações do meu neto, pessoa extremamente qualificada, com mestrado na Sorbonne e doutorado em Havard...”

 

“São suficientes para mostrar a verdadeira face de uma campanha midiática para atingir-me, na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo".

 

É, faz sentido. Seria injusto negar crédito às palavras de Sarney. Bem verdade que falta lógica ao Lero-lero. Mas não há outra alternativa.

 

Ou o contribuinte se agarra à versão do complô midiático ou terá de conviver com a sensação de estar diante de um dos maiores mal-entididos da história.

 

Uma sequência inacreditável de notícias de timbre malicioso que transformou um político de biografia irretocável num reles usurpador das arcas públicas.

 

A construção da lenda Agaciel Maia, o emprego dado secretamente a uma fieira de parentes, os favores aos amigos... Tudo, obviamente, parte do complô.

 

Não bastasse o neto-empresário, a sanha insaciável da imprensa detratatora levou ao caldeirão uma penúltima personagem.

 

Valéria Freire dos Santos, eis o nome dela. Vem a ser viúva de um ex-motorista de Sarney. Alojou-a num apartamento funcional de senador.

 

Socorreu-a com um emprego no Senado. Para servir cafezinho, a nova servidora ganhou um contracheque de R$ 2.313,30 por mês.

 

Onde há afetividade familiar e generosidade, a mídia só vê malfeito. O que queriam os jornalistas?

 

Que o milionário Sarney empregasse o neto “extremamente qualificado” e a viúva desamparada numa de suas empresas? Ora, francamente!

 

Diz-se que a viúva foi pendurada na folha do Senado por meio de ato secreto. Natural. Guiando-se pelos ensinamentos do evangelho, Sarney faz caridade à sombra, anonimamente.

 

É mais reconfortante ficar com a versão da perfídia jornalística conspirando contra um senador exemplar do que ter de acreditar que tudo o que está na cara é o que parece ser.

Escrito por Josias de Souza às 19h12

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Dividido, PSOL retarda representação contra Sarney

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Na era pós-ideológica, o PSOL é, no Brasil, o partido que mais se aproxima do que se convencionou chamar de esquerda.

 

E os esquerdistas, reza a lenda, não se unem senão no xilindró.

 

Nascido de uma costela do PT, o PSOL é, por assim dizer, um amontoado de tendências.

 

A legenda discute há cerca de dez dias a hipótese de protocolar na Mesa diretora do Senado uma representação contra José Sarney.

 

Presidente do partido, a ex-senadora Heloísa Helena, agora vereadora em Maceió, não tem mais dúvidas. Por ela, a representação daria entrada nesta quinta (25).

 

HH até já assinou os papéis. Além de Sarney, pede que sejam levados ao Conselho de Ética dois ex-presidentes do Senado: Renan Calheiros e Garibaldi Alves.

 

Por que os três? Foi sob essa trinca que mais foram editados atos administrativos secretos no Senado.

 

“Embora eu esteja convencida, não posso decidir unilateralmente”, disse HH ao blog. “O ideal é que a decisão seja tomada por consenso”.

 

Não se obteve, porém, o almejado consenso. Os congressistas do PSOL –três deputados e um senador— dividiram-se.

 

Luciana Genro (RS) cerrou fileiras ao lado de HH. Porém, Ivan Valente (SP) e Chico Alencar (RJ) abriram divergência, junto com José Nery (PA).

 

Único senador do PSOL, Nery tenta, há três dias, reunir 27 assinaturas num pedido de CPI para investigar as mazelas do Senado. Por ora, obteve três jamegões.

 

O pedaço do PSOL que pôs o pé no freio receia que a representação contra Sarney, Renan e Garibaldi esvazie a opção da CPI. Em privado, HH se exaspera.

 

Conhecedora dos meandros e das manhas do Congresso, a ex-senadora sabe que são escassas as chances de vingar uma CPI do Senado contra o próprio Senado.

 

De resto, considera que uma iniciativa –a representação— não exclui a outra –a CPI. Ao contrário. São providências complementares.

 

A despeito da opinião da presidente do PSOL, o partido rendeu-se à própria divisão. Adiou para a semana que vem a formalização da representação contra Sarney e Cia.

 

É pena. O PSOL perde a oportunidade de fincar imediatamente no Senado a estaca da distinção.

 

As grandes legendas, presas a um jogo de conveniências que o PSOL não está obrigado a jogar, tratam Sarney com comiserada consideração.

 

Um eventual pedido do PSOL para abir o processo contra o presidente e os ex-presidentes do Senado tem poucas chances de prosperar.

 

Antes de chegar ao Conselho de Ética, o requerimento do PSOL precisa obter um improvável assentimento da Mesa diretora do Senado, presidida por Sarney.

 

O mais provável é que a peça seja mandada ao arquivo. Ainda assim, o PSOL, no papel de quem não tem nada a perder, lavraria um tento político.

 

Imporia a Sarney e à cúpula do Senado o desgaste de abater em pleno vôo um pedido de investigação tão justificável quanto desejável.

Escrito por Josias de Souza às 17h15

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Neto de Sarney opera no Senado ‘crédito consignado’

  Folha
Desde que assumiu a presidência do Senado, em fevereiro, José Sarney já teve de se explicar da tribuna três vezes.

 

Talvez tenha de pronunciar um quarto discurso.

 

Os repórteres Rodrigo Rangel e Rosa Costa levaram às páginas do Estadão, nesta quinta (25), mais uma notícia incômoda.

 

Informam que José Adriano Cordeiro Sarney, neto do morubixaba do PMDB, opera no rendoso mercado dos empréstimos consignados do Senado.

 

Ele é sócio da Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda.

 

Obteve autorização de seis casas bancárias para intermediar empréstimos aos servidores do Senado.

 

Ouvido pelos repórteres, o neto de Sarney disse que seu “carro-chefe” é o contrato que mantém com o HSBC.

 

Inquirido sobre o faturamento de sua empresa, o jovem empresário disse: "Menos de R$ 5 milhões".

 

O rendoso negócio dos empréstimos consignados do Senado encontra-se sob investigação do Ministério Público e da Polícia Federal.

 

O inquérito foi aberto depois que se descobriu um esquema encabeçado pelo ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi.

 

Responsável pela folha salarial do Senado, Zoghbi convertera uma babá octogenária em sua “laranja”.

 

Ela virou sócia de empresas que intermediaram o ingresso de bancos ao milionário filão dos empréstimos a servidores do Senado.

 

Filho mais velho do deputado federal Zequinha Sarney (PV-MA, na foto ao lado), José Adriano dissocia os seus negócios do prestígio do avô:

 

"Não estou ganhando dinheiro porque sou neto de Sarney", diz ele. Sua empresa, a Sacris, começou a operar em fevereiro de 2007.

 

Com pouco mais de dois anos de existência, já exibe faturamento anual próximo dos R$ 5 milhões. Nada mal.

 

Imagine se o sobrenome tivesse algum peso. Aí mesmo é que o neto se tornaria um portento capaz de encher de orgulho qualquer avô.

Escrito por Josias de Souza às 06h50

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Diretores da Petrobras têm reajuste acima da inflação

Stock Images

 

Entre 2003 e 2007, os contracheques dos diretores da Petrobras receberam um tônico de 90%.

 

No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 28,16%.

 

Somando-se salários e bônus, os vencimentos dos gestores da estatal petroleira chegaram, em 2007, à casa de R$ 710 mil anuais.

 

A média mensal roçou os R$ 60 mil. Deve-se a revelação das cifras ao repórter Amaury Ribeiro Jr..

 

Ele recolheu os dados em documentos remetidos pela Petrobras à Previdência e ao fisco. Levou-os às páginas do ‘Correio Braziliense’ e ‘Estado de Minas’.

 

Segundo o repórter, considerando-se salários e bônus, a Petrobras pagou aos seus diretores, em 2007, os seguinte valores:

 

1. Almir Guilherme Barbassa
Cargo: Diretor Financeiro
Remuneração média: R$ 710 mil
Indicação: PT

2. Guilherme de Oliveira Estrella
Cargo: Diretor de Exploração e Produção
Salário e bônus: R$ 701,76 mil
Indicação: PT

3. Paulo Roberto Costa
Cargo: Diretor de Abastecimento
Remuneração média: R$ 710 mil
Indicação: PP, com apoio do PMDB do Senado

4. Maria das Graças Silva Foster
Cargo: Diretora de Gás e Energia
Remuneração média: R$ 710 mil
Indicação: PT, da cota da ministra
Dilma Rousseff

5. Jorge Luiz Zelada
Cargo: Diretor da Área Internacional
Remuneração média: 710 mil
Indicação: PMDB da Câmara

6. Renato de Souza Duque
Cargo: Diretor de Serviços
Salário: 706,26 mil
Indicação: PT

 

Também o presidente da Petrobras, o petista José Sérgio Gabrielli, amealhou em 2007 vencimentos de cerca de R$ 710 mil (salário mais bônus).

 

Os vencimentos dos diretores da estatal são definidos numa assembleia-geral do conselho administrativo e fiscal da Petrobras. Ocorre uma vez por ano.

 

Na reunião de 2009, ocorrida em abril, o conselho destinou R$ 8,2 milhões para o pagamento de salários e benefícios aos diretores e aos conselheiros.

 

O conselho da Petrobras é presidido pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Entre os seus integrantes está o ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Tem assento no conselho também o ex-ministro Silas Rondeau (Minas e Energia), um apadrinhado do presidente do Senado, José Sarney.

 

Rondeau perdeu o cargo de ministro nas pegadas da Operação Navalha. A PF o acusou de manter relações financeiras promíscuas com Zuleido Veras, o dono da empreiteira Gautama.

 

Na assembléia de abril, o conselho fixou a remuneração dos conselheiros em 10% dos vencimentos dos diretores da Petrobras. Coisa de R$ 6 mil mensais.

Escrito por Josias de Souza às 06h15

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Nova manobra do PSDB ‘enterra’ a CPI da Petrobras

Lula Marques/Folha

 

O consórcio partidário que dá suporte a Lula no Senado ganhou um novo pretexto para sepultar a CPI da Petrobras.

 

Na noite desta quarta (24), foi lido no plenário do Senado o pedido de criação de outra CPI, dessa vez para investigar suspeitas de malfeitorias no DNIT.

 

O autor do requerimento, formalizado diante de um plenário vazio, é o senador Mario Couto (PSDB-PA).

 

Surpreendida, a bancada governista tomou o gesto como uma provocação do tucanato. E decidiu providenciar os funerais da comissão da Petrobras.

 

Eis o que disse ao blog Aloizio Mercadante (SP), líder do PT: “Morreu qualquer perspectiva de entendimento sobre CPIs...”

 

“A oposição havia pedido um amistício. No instante em que caminhávamos para um acordo, eles aproveitaram uma sessão esvaziada e criaram outra CPI...”

 

“...Isso não é comportamento de quem deseja descontaminar o ambiente. Sendo assim, não tem mais acordo”.

 

O pedido para investigar o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) já havia sido protocolado na Mesa do Senado há três meses.

 

Porém, antes que o requerimento fosse lido em plenário, o governo convencera aliados que haviam assinado o documento a retirar suas rubricas.

 

O tucano Mario Couto não se deu por vencido. Na surdina, coletou novas assinaturas. Colecionou 29, duas além do mínimo necessário.

 

Informado acerca da ressurreição do requerimento, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), autorizou que fosse enviado ao plenário.

 

Dera-se coisa semelhante no caso da CPI da Petrobras, lido numa manhã de sexta-feira, também diante de um plenário ermo.

 

Antes da nova encrenca, esboçava-se um acordo para que a investigação da Petrobras fosse finalmente iniciada na próxima terça-feira (30).

 

Funcionaria assim: o líder tucano Arthur Virgílio (AM) devolveria ao governista Ignácio Arruda (PCdoB-CE) a relatoria da CPI das ONGs.

 

E a bancada do governo levantaria a obstrução que trava a instalação da comissão da Petrobras, que começaria a andar na semana que vem.

 

Um detalhe tonificou a irritação de Mercadante. Pela manhã, ele participara de um debate televisivo com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

 

Depois, avistara-se no Senado com Arthur Virgílio. “Nenhum dos dois me disse nada sobre CPI do DNIT”, queixa-se Mercadante.

 

Segundo o seu relato, Sérgio Guerra mencionou apenas o acordo que se prenunciava em relação à Petrobras. Daí o abespinhamento do líder petista.

 

“ Na disputa parlamentar, há regras mínimas de concivência. Os parlamentares costumam comunicar as atitudes que vão tomar...”

 

“...Não pode pegar uma sessão esvaziada e criar um fato como esses. É a segunda vez que o PSDB age dessa maneira. É inaceitável”.

 

Mais cedo, antes mesmo de o tempo fechar, Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do pedido de CPI da Petrobras, escalara a tribuna.

 

Dissera que, se necessário, a oposição bateria às portas do STF para obter o “direito” de investigar a CPI.

 

Na conversa com o repórter, Mercadante deu de ombros: “O Supremo não vai suprimir o nosso legítimo direito à obstrução”.

 

Num aparte a Álvaro Dias, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN) avisara: se a CPI da Petrobras não for instalada, a oposição vai bloquear o plenário.

 

De novo, Mercadante desdenhou: “Eles fazem obstrução permanente. A gente dá o quorum e acaba aprovando os projetos que precisam ser aprovados”.

 

Como que decidido a reforçar a decisao de mandar às calendas a investigação da Petrobras, Mercadante cutuca:

 

“Se a oposição está tão interessada em CPI, deve fazer a CPI da Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul; a CPI do Beto Richa, em Curitiba; e a CPI do caso Alstom, em São Paulo...”

 

“...Feito tudo isso, a gente pode pensar em retomar o diálogo sobre a CPI da Petrobras. Ah, sim, precisa também desobstruir a CPI da CDHU”.

 

Mercadante se refere a uma comissão de inquérito aberta na Assembléia Legislativa de São Paulo por iniciaitva do PT.

 

Destina-se a escarafunchar a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urnano), órgão do governo José Serra.

 

“Nesse caso, a CPI está aberta, mas o PSDB se vale da maioria que tem na Assembléia para bloquear a aprovação de todo e qualquer requerimento...”

 

“...Fazem uma obstrução permanente. Uma evidência de que trabalham com dois pesos e duas medidas...”

 

“...Por que a obstrução é legítima no Rio Grande do Sul, no Paraná, em São Paulo e não seria legítima em Brasília?”

Escrito por Josias de Souza às 05h22

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Desalojado por Heráclito, Agaciel ‘despacha’ em casa

Lula Marques/Folha

Em pleno horário de expediente, Agaciel usufrui do ócio remunerado em sua mansão

 

Enquanto espera que José Sarney decida o que fazer com ele, Agaciel Maia vive um inferno dos sonhos. Ganha sem trabalhar.

 

Nesta quarta (24), em pleno horário de expediente, o ex-Todo-Poderoso diretor-geral do Senado trocou o terno por um bermudão, uma camisa polo e chinelos de dedo.

 

Flagrado pelas lentes do repórter Lula Marques, o ócio de Agaciel, além de bem remunerado (coisa de R$ 30 mil por mês), é consentido e até estimulado.

 

Uma decisão tomada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) desalojou Agaciel do gabinete que ele escolhera como abrigo no Senado.

 

Em março, depois de perder o cargo de diretor-geral, que ocupara por 14 anos, Agaciel tornara-se um funcionário público atípico.

 

Oficialmente, era um servidor como outro qualquer. Na prática, conservara a soberba adquirida no usufruto do poder longevo.

 

No universo dos papéis, Agaciel estava lotado no ILB (Instituto Legislativo Brasileiro). No mundo real, ocupava uma sala que não lhe pertencia.

 

Escritório confortável, situado no 9º andar do edifício principal do Senado. Um local onde deveria despachar o diretor de Estágios do Senado.

 

O cargo foi criado por Agaciel. A última ocupante foi a mulher dele, Sânzia Maia. Perdeu o emprego depois que o STF baixou a súmula que pôs fim ao nepotismo.

 

Na última terça (23), Heráclito nomeou um novo diretor de Estágios. Chama-se Petrus Elesbão. Sua primeira missão: levantar o “acampamento” de luxo de Agaciel.

 

Livros e pertences do ex-diretor-geral foram acomodados no corredor. Sentindo o cheiro de queimado, Agaciel se absteve de comparecer ao Senado.

 

Por volta de 15h, vistoriava obras que se realizam no quintal de sua mansão, símbolo do início de sua derrocada.

 

Às 15h55, Agaciel acomodou-se numa rede, pendurada na varanda. Enquanto repousava, conversou com uma senhora, sentada ao lado dele.

 

Ao redor de 16h35, recebeu a visita de um homem engravatado, que lhe entregou um envelope. Depois, entrou na mansão.

 

Àquela altura, Demóstenes Torres (DEM-GO) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) já haviam protocolado na Mesa do Senado dois requerimentos acerbos.

 

Pedem a abertura de processo administrativo disciplinar contra Agaciel. Algo que deve ser sugerido também pela comissão de sindicância aberta contra o ex-diretor.

 

Em privado, os senadores que integram a direção do Senado dão de barato que Agaciel terá de ser demitido.

 

Na véspera, Virgílio sugerira o afastamento de Agaciel por 60 dias. Foi apoiado por Aloizio Mercadante (PT-SP). Heráclito e Sarney pediram calma.

 

Desejam cumprir todos os trâmites legais: primeiro a sindicância, depois o processo administrativo e só então o olho da rua.

 

Em entrevista, Heráclito aconselhou Agaciel a se manter longe do Senado. Prefere-se que ele permaneça no exílio da mansão.

 

Não será um degredo de todo penoso. Em vez do gabinete do 9º andar, Agaciel terá à disposição os 960 m2 de uma residência de três andares, às margens do Lago Paranoá.

 

A mesma casa cuja propriedade ele ocultara atrás do nome do irmão-deputado João Maia (PR-RN). Um deslize que lhe custou o cargo.

 

Sempre que inquirido sobre sua rotina no Senado, Agaciel diz que vem se dedicando à preparação de um dicionário biográfico.

 

Informa que terá 1.308 verbetes. Discorrerá sobre todos os políticos que já passaram pelo Senado. Diz que será uma obra alentada. Coisa de seis volumes.

 

Pela previsão de Agaciel, o primeiro tomo ficaria pronto até o final deste mês de junho.

 

A julgar pela tempestade que se arma sobre sua cabeça, Agaciel talvez não tenha tempo de chegar ao último verbete.

 

Além da sindicância já aberta e do processo administrativo que está por vir, o ex-chefão do Senado tem no seu encalço a PF e o Ministério Público.

 

Depois do escândalo dos atos secretos, o inconveniente da companhia de Agaciel tornou-se maior do que a disposição de seus padrinhos de lhe salvar a pele.

 

José Sarney e Renan Calheiros, respectivamente pseudopresidente e presidente informal do Senado, já não parecem empenhados em evitar o inevitável.

 

- PS.: O texto acima inclui informações coletadas pelo repórter Lula Marques.

Escrito por Josias de Souza às 03h52

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Senado tenta descobrir quem movimentou contas secretas

 

- Folha: Lula vai vetar apenas um ponto da MP da Amazônia

 

- Estadão: Neto de Sarney agencia crédito para funcionários do Senado

 

- JB: Gripe suína nas escolas da Zona Sul

 

- Correio: Os xeiques da Petrobras

 

- Valor: Licitação para transporte rodoviário vai ser adiada

 

- Estado de Minas: Petrobras tem os seus xeiques

 

- Jornal do Commercio: Estado tem primeiro caso da nova gripe

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Rumo à Terra do Nunca!

Ique

Via JB Online. Visite também o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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Assessor de Lula ‘explica’ frase do chefe sobre o Irã

  Tuca Vieira/Folha
Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para assuntos internacionais, veio à boca do palco para tentar traduzir o que o chefe dissera sobre o Irã.

 

Como se recorda, Lula afirmara, em Genebra, que "não há provas" de que tenha havido fraude nas eleições iranianas.

 

Antes de ouvir Marco Aurélio, recorde-se Lula: "Veja, o presidente [Mahmoud Ahmadinejad] teve uma votação de 61, 62%...”

 

“...É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude..."

 

“...Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova...”

 

“...Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

 

Depois disso, até as autoridades supremas do Irã reconheceram que o pleito não foi assim tão limpo. Primeiro, admitiram recontar 10% dos votos.

 

Na sequência, admitiram que, em pelo menos 50 localidades, havia mais votos do que eleitores. Uma diferença de algo como 3 milhões de votos.

 

Com fome de liberdade, os iranianos encheram as ruas. Alguns pagaram com a vida. No oficial, 11 cadáveres. No paralelo, mais de duas dezenas de mortos.

 

Pois bem, ouça-se agora a tentativa de Marco Aurélio de traduzir o 'lulês' para o português:

 

"O presidente disse uma coisa simples, fez um comentário banal a que foi dado peso maior do que é normal, que em eleições ganhadores festejem e perdedores se queixem...”

 

“...A posição que o governo brasileiro adotou, grosso modo, é a mesma de outros países que têm relação muito mais estreita e direta com o Irã, como foi o caso do presidente [dos EUA, Barack] Obama..."

 

“...Não vale a pena nos metermos em situações internas, isso tem efeito contrário ao que buscamos, que é o crescimento da democracia, respeito aos direitos humanos...”

 

“...O presidente Lula, a seu estilo, refletiu a prudência da diplomacia brasileira, que não pode ser confundida com temor, com vacilação...”

 

“...Ela responde a questão essencial que é não nos metemos em questões internas de outros países. Mas isso não significa que ficaremos indiferentes".

 

É no mínimo temerário que um presidente da República frequente um debate que envolve valores universais –democracia, liberdade e direitos humanos— com “um comentário banal”.

 

De resto, a comparação do lero-lero de Lula com as declarações sensatas que Obama vem fazendo sobre o Irã é despautério que desmerece o autor.

Escrito por Josias de Souza às 20h59

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Na Câmara, Minc diz que disse algo que não pensava

  Luiz Alves/Ag.Câmara
Em audiência realizada na Comisão de Agricultura da Câmara, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) desautorizou enfaticamente a própria língua.

 

No mês passado, discursando em ato promovido pela Contag, Minc chamara de “vigaristas” os agronegociantes.

 

Convidado a se explicar, o ministro disse que sua língua fizera declarações que não correspondiam ao pensamento do dono.

 

"Todos aqui já subiram em carro de som e sabem que as pessoas se empolgam e vão além do que gostariam. E foi o que aconteceu".

 

Pediu desculpas. Algo que já fizera, na época, por meio de uma nota oficial. Queixou-se, de resto, das ofensas que lhe foram dirigidas por parlamentares ruralistas.

 

"Me chamaram de traficante para baixo", lamentou.

 

Minc trajava peças de roupa que lhe são incomuns –paletó e gravata, em vez do tradicional colete.  Era como se desejasse inspirar respeito nos interlocutores.

 

Autor do requerimento de convocação de Minc, o deputado Luis Carlos Heinze (RS), do governista PP, se deu por satisfeito com as escusas do ministro.

 

Deu-se coisa diversa com o deputado Giovanni Queiroz (PA), do também governista PDT.

 

"Olha que vergonha, o país ter um ministro que diz o que não pensa. Acho que o senhor deveria sair daqui e pedir demissão", disse Queiroz.

 

"O verdadeiro vigarista é aquele que tapeia, engana, que fala demais".

 

Minc deu de ombros. Disse que os deputado têm o direito de pedir o seu escalpo. Mas lembrou que o destino de sua cabeça depende da contade de Lula.

 

Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara, disse que ninguém está livre de pronunciar frases que, depois, conduzirão ao arrependimento.

 

"Uma frase não apaga uma história de vida nem serve para julgar uma vida".

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Depois dos atos secretos, contas bancárias paralelas

Como se sabe, o Orçamento da União é um documento que discrimina a receita e relaciona as despesas públicas que vão sair pelo ladrão no exercício seguinte.

 

Como em toda a administração pública, o Senado deveria movimentar o pedaço de Orçamento que lhe cabe por meio de uma conta bancária única.

 

Pois bem, a assessoria de Renato Casagrande (PSB-ES) descobriu que há no Senado duas contas paralelas.

 

Foram abertas na Caixa Econômica Federal. Dispõem de fundos de R$ 3,740 milhões. Presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, Casagrande levantou a lebre.

 

Em ofício dirigido a José Sarney, pseudopresidente do Senado, Casagrande pediu: 1. O fechamento das duas contas; 2. A transferências do saldo para a conta única.

 

Mas, afinal, por que diabos o Senado mantém as tais contas paralelas? Por ora, ninguém sabe. Sarney determinou a abertura de uma sindicância. Mais uma.

 

Pode ser que não tenha havido nenhum desvio. Mas quem se arriscaria a levar as mãos ao fogo?

 

No Senado dos dias que correm, além dos atos administrativos e das contas bancárias, também a ética e a moral são top secret.

- Atualização feita às 22h30 desta quarta (24): À noite, Sarney mandou ao freezer a sindicância das contas paralelas.

 

Munido de novas informações, preferiu aguardar pela elaboração de um parecer da direção-geral do Senado.

 

Assessores do Senado informaram a Heráclito Fortes que o par de contas suspeitas são legítimas. Pertencem ao Prodasen, o serviço de processamento de dados da Casa.

 

O próprio Prodasen soltou uma nota. No texto, diz que as contas foram devidamente "contabilizadas". Uma serve para receber a remuneração de serviços prestados a outros órgãos públicos.

 

A outra conta seria uma poupança. Ambas seriam auditadas pelo TCU. Legais ou não, Sarney mandou encerrar as contas. O dinheiro vai à conta única do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Ministro de Lula sobre crise: Esqueceram a Petrobras

O signatário do blog ouviu de um ministro de Lula comentários que servem de moldura para a crise que carcome as entranhas do Senado:

 

 

“Para um presidente com aprovação popular roçando os 80%, nada mais conveniente do que um Congresso no chão...”

 

“...E o Senado, Casa em que a maioria do governo é gelatinosa, não está mais no chão. Desceu ao subsolo...”

 

“...Note que a CPI da Petrobras sumiu do noticiário. Parece que esqueceram da pobrezinha”.

 

 

Como que decidida a mostrar que não esqueceu, a oposição volta à carga nesta quarta (24).

 

“Será o dia da cobrança”, disse ao repórter, na noite passada, o líder ‘demo’ José Agripino Maia sobre a CPI que subiu no telhado.

Escrito por Josias de Souza às 05h45

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Apoio de mais de 50 senadores ‘blinda’ José Sarney

Parede protetora é garantida por Renan, Lula e pelo DEM 

Fábio Pozzebom/ABr

 

Acossado pela crise, José Sarney (PMDB-AP) ergueu em torno de si um muro de apoios capaz de deter qualquer tentativa de apeá-lo da presidência do Senado.

 

A parede de proteção à presidência de Sarney é escorada pelo apoio de pelo menos 51 dos 81 senadores.

 

São 17 votos do PMDB (já excluídos os dissidentes Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos), 14 do DEM, sete do PTB, pelo menos dez do PT (excluído Tião Viana)...

 

...Dois do PRB (Marcelo Crivella e Roberto Cavalcanti), um do PC do B (Ignácio Arruda), um do PP (Francisco Donelles) e pelo menos um do PSDB (Papaleo Paes).

 

O envolvimento direto de Lula na articulação que escora a gestão Sarney permite antever o crescimento do número de apoiadores.

 

É improvável que legendas como PSB e PDT se envolvam por inteiro em eventuais tramas para arrancar Sarney da cadeira.

 

O muro de arrimo a Sarney foi reforçado numa reunião reservada realizada no início da tarde desta terça (23).

 

Conversaram o próprio Sarney, o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).

 

Sarney e Heráclito estranhavam-se nos subterrâneos. O morubixaba do Senado responsabilizava o senador ‘demo’ pela divulgação de dados que o deixaram mal.

 

Heráclito atribuiu o vazamento de informações sobre a contratação secreta de parentes e amigos de Sarney à “guerra de grupos” de servidores.

 

Acertados os ponteiros, decidiram acomodar na direção-geral e na diretoria de Recursos Humanos gente da mais estrita lealdade.

 

Pessoas que, por confiáveis, fossem capazes de erigir um dique de contenção dos vazamentos comprometedores.

 

Foi à diretoria-geral Haroldo Tájra, um servidor que é filho de um primo do suplente de Heráclito, Jesus Tájra.

 

Para a área de Recursos Humanos, a trinca se fixou no nome de Dóris Romariz Peixoto, até bem pouco chefe de gabinete de Rosena Sarney.

 

Os nomes foram referendados por Renan, hoje uma espécie de presidente informal do Senado. Nada se decide sem o apoio do ex-quase-senador-cassado.

 

As escolhas como que renovaram a aliança entre PMDB e DEM, os dois principais pilares de sustentação de Sarney.

 

Os nomes de Haroldo e Dóris foram levados à reunião da Mesa diretora do Senado, realizada no final da tarde, na forma de um prato feito.

 

Foi uma reunião tonificada pela presença dos líderes partidários e até de senadores que não exercem cargos de liderança, como Pedro Simon.

 

Mesmo os senadores que mantém um pé atrás em relação a Sarney, como o líder tucano Arthur Virgílio (AM), engoliram os novos diretores.

 

A deglutição foi facilitada pelo estabelecimento de certas condições. Os novos diretores foram nomeados por 90 dias.

 

Depois, terão de ser referendados em votação no plenário do Senado. na próxima segunda (29), será aprovado um projeto que fixa a nova sistemática.

 

Com os votos de que dispõe, Sarney deve obter folgada maioria na aprovação dos responsáveis pelo dique idealizado para deter o verteduro de informações.

 

Nos últimos dias, vários senadores se animaram a defender publicamente o afastamento de Sarney.

 

Cristovam Buarque advogou um pedido de licença. Pedro Simon falou em afastamento, sem especificar a modalidade.

 

Arthur Virgílio disse que, se necessário, não hesitaria em levar Sarney ao Conselho de Ética. Acha que a sobrevivência do Senado está acima do presidente.

 

A pregação anti-Sarney deve prosseguir. Mas, numa escala de zero z dez, as chances de que resultem na saída de Sarney são de menos um.

 

- Atualização feita às 21h desta quarta (24): Uma assessora de Heráclito Fortes telefonou para o repórter. A pedido do senador, disse: 1) Heráclito e Sarney estão "afinados"; 2) Renan Calheiros não participou da conversa que antecedeu a reunião da Mesa diretora; 3) os novos diretores darão consequência à política de "transparência total".

Escrito por Josias de Souza às 05h14

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Diretor demitido culpa Agaciel Maia por atos secretos

  Sérgio Lima/Folha
Afastado da direção-geral do Senado, Alexandre Gazineo diz que não sabia que atos administrativos assinados por ele se tornariam decisões secretas.

 

Rubricou os papéis quando era adjunto de Agaciel Maia. Atribui os malfeitos ao ex-chefe. “Jamais partiu de mim nenhum pedido para que não fosse publicado”.

 

Em entrevista ao blog, Gazineo disse que analisa a viabilizade de uma ação judicial por danos morais contra Agaciel. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Como se deu o afastamento?

Na última sexta-feira, conversei com o presidente [Sarney]. Disse a ele, o que é natural, que o cargo era dele, que a conveniência da mudança pertencia a ele.

- Pôs o cargo à disposição?

Sim.

- O que Sarney respondeu?

Do meu ponto de vista, a mensagem foi entregue na sexta. Nesta segunda, nós voltamos a conversar e foi uma coisa muito tranquila. A imagem do presidente Sarney junto a mim continua a mesma. Ele tem respeito pelo servidor. E eu fui brindado com respeito e consideração. Sigo a minha vida funcional com a cabeça erguida.. Sou servidor de carreira, fiz o primeiro concurso para advogados da Casa, em 1995.

- Que análise faz da crise?

Essa crise envolvendo o ex-diretor-geral Agaciel Maia começou no final de janeiro, início de fevereiro. No dia 3 de março, eu era diretor-geral-adjunto. Atuava mais na área técnica.

- Quais eram as suas atribuições como adjunto?

Era uma atuação basicamente técnica. Aplicava penalidades a empresas, orientava gestores de contratos. Servia como uma espécie de filtro, para que nem tudo precisasse chegar à diretoria-geral.Além disso, substituía o diretor-geral na ausência dele.

- Na análise dos contratos, não detectou irregularidade?

Eu não fazia a supervisão de contratos. Entrava nas questões quando os gestores desses contratos me traziam problemas e era preciso impor alguma sanção, aplicação de multas. O que detectei eram contratos que tinham crises, execução problemática, empresas [de mão-de-obra terceirizada] que às vezes não pagavam aos servidores. Mas eu não tinha como detectar irregularidades. Nunca participei da formação dos contratos, da celebração deles e das tratativas com as empresas.  

- Por que assinou atos secretos?

Esses atos eram mandados para mim porque a competência do diretor-geral-adjunto é a de substituir o diretor-geral. Isso ocorria mesmo em circusntâncias em que o Agaciel não estava de férias. Ou estava fora da Casa ou estava viajando.

- Como se dava a tramitação?

Esses atos tramitavam junto com os processos respectivos, com os pedidos dos gabinetes dos senadores ou das lideranças dos partidos. São basicamente nomeações de comissionados. Nunca nomeei servidor efetivo.

- Comissionados são os funcionários de confiança dos senadores?

Exatamente, da estrutura dos gabinetes. Vinham devidamente instruídos, com os pedidos dos senadores. Eu assinava. Muitas vezes até colocava a letra pê e uma barra sobre o nome [p/] do doutorAgaciel.

- O que queria dizer esse ‘p/’?

Muitas vezes era uma substituição tão transitória que eu nem sequer colocava o meu nome. Ia com o ‘p/’, que significa que estava assinando no lugar de Agaciel, como se fosse ele. É algo que se usa na administração.

- Depois de assinado, o que acontecia com o ato?

Retornava para a diretoria-geral e se dava o andamento.

- Participou da decisão de não publicar?

Nunca participei ou tive qualquer influência na decisão de publicação ou não desses atos. Jamais partiu de mim nenhum pedido para que não fosse publicado.

- Tem como provar?

Posso comprovar a qualquer instante. Nunca fui ao gabinete do [João Carlos] Zoghbi [ex-diretor de Recursos Humanos]. Não conheço o Franklin [Albuquerque Paes Landim, chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado]. Nunca conversei com ele nem por telefone. Nunca participei dessa rotina de publicação. Há atos que são de épocas em que eu nem no Senado estava.

- Mas sua entrada no Senado não ocorreu em 1995?

Fiz o concurso em 1995. Mas só fui nomeado no segundo semestre de 1996. E só virei diretor-geral-adjunto no final de 2004 ou início de 2005. Não há ato assinado por mim antes disso.

- Tinha conhecimento da prática de não publicar determinados atos?

Não tinha conhecimento. Nunca me foi dito. Se eu tivesse ciência disso, teria adotado uma postura pró-ativa. Ia pedir para não me mandar mais ato nenhum ou me tirar da função. Não assinaria mais nada.

- O princípio constitucional da publicidade foi ferido, não?

Sim, claramente. Mas reafirmo que nunca tive ciência. Cumpria uma rotina que era administrativa. Eram atos que vinham acompanhados dos pedidos das autoridades competentes.

- Acha que os senadores têm responsabilidade?

Não digo que eles tenham responsabilidade porque, na vardade, o que eles faziam era correto. Pediam a nomeação de assessores.

- Não pode ter havido ciência dos senadores que solicitaram as nomeações?

Não acredito.

- Depois da revelação do caso, tomou satisfações com Agaciel?

Conversei com ele. E ele apenas me disse o que tem dito: não considera que os atos sejam secretos. Diz que os atos teriam sido publicados em boletins, que nomeações não têm como ser secretas. É a versão que ele tem dado.

- Acha que a explicação aceitável?

No meu entendimento, qualquer ato administrativo tem que ser publicado.

- Quando assumiu a direção-geral dizia-se que seria a continuação de Agaciel. É amigo dele?

Nunca fui à casa do doutor Agaciel. Sabia que morava no Lago Sul. Mas não sabia nem o endereço. Só quando surgiu o caso da mansão é que eu soube que a casa tinha as dimensões e as características que a imprensa mostrou. Doutor Agaciel promovia um futebol na residência. Jamais fui a esse futebol. Tinha relação profissional, era meu superior hierárquico.

- Mas o Sr. foi ao casamento da filha de Agaciel, não?

Estive no casamento. Ele me enviou um convite e eu fui. Gosto muito da esposa dele, a doutora Sandra, uma pessoa boa.

- Pretende tomar alguma providência contra Agaciel?

Estou examinando se há a possibilidade de tomar alguma medida de dano moral. Seria uma medida particular. Estou trocando idéia com alguns advogados. Seria contra quem me causou o prejuízo de ter meu nome vinculado a tudo isso. Em princípio seria contra o ex-diretor-geral. Preciso ver se é cabível.

- Considera que foi traído por Agaciel?

Sim. E mais: minha preocupação principal é a minha biografia. Fui da Caixa Econômica Federal por muitos anos. Trabalhei no governo da Bahia. É uma biografia clara, não tenho nada que me desabone.

- O sentimento de traição decorre da não publicação dos atos?

Exatamente isso. Eu não tinha ciência. Não tinha como interferir para preservar o meu nome.

Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Senado demite diretores e anula só um ato secreto

 

- Folha: Crise do Senado derruba 2 diretores

 

- Estadão: Sarney troca diretores, mas pressão continua

 

- JB: 663 atos secretos. E só um é anulado

 

- Valor: CMN amplia concorrência em seguros para habitação

 

- Jornal do Commercio: Presos revoltados

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Presidente maluquinho!

Nani

Via blog Nani Humor.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Acionada por Demóstenes, PF vai investigar Agaciel

Visto como personagem abominável, o ex-diretor-geral Agaciel Maia dispõe de um escudo admirável. É protegido por uma teia de compadrio tecida por 14 anos.

 

A despeito de todas as acusações que assediam Agaciel, o padinho José Sarney jamais pôs no encalço dele nem a Polícia Federal nem o Ministério Público.

 

Demóstenes Torres (DEM-PI) decidiu furar a teia. Apontado como beneficiário de um dos atos secretos baixados no mandarinato de Agaciel, o senador rodou a baiana.

 

Em sessão presidida por Sarney, Demóstenes anunciou quatro providências:

 

1. Em petição ao diretor-geral da PF, pediu a abertura de investigação contra Agaciel;

 

2. Em ofício ao procurador-geral da República, solicitou a abertura de inquérito civil público contra o ex-diretor-geral;

 

3. Em correspondência ao TCU, encareceu a abertura de uma auditoria;

 

4. Num requerimento à Mesa diretora do Senado, exigiu a abertura de processo administrativo que pode resultar na demissão de Agaciel.

 

Demóstenes desfiou o leque de providências em discurso, no penário. Dirigindo-se a Sarney, que presidia a sessão, pediu que ele “se afaste do processo”.

 

Referia-se ao processo administrativo, o único que vai depender de decisão do presidente do Senado.

 

O senador evocou a amizade que une Sarney a Agaciel. Comparou-o a um magistrado. E disse que ele não tem isenção para julgar o caso.

 

O senador ‘demo’ diz ter reunido documentos que comprovam um “crime” de Agaciel.

 

À revelia de Demóstenes, Agaciel usou uma vaga aberta no gabinete dele para nomear secretamente Lia Raquel Monturil Vaz de Souza.

 

A moça é filha de um servidor que trabalhava com Agaciel. Demóstenes muniu-se de declaração da direção-geral atestando que jamas solicitara a nomeação.

 

E foi ao ataque. Disse ter sido incluído numa lista de beneficiários dos atos secretos levada às manchetes.

 

Uma lista que “conspurca a imagem de metade do Senado. Metade dos senadores, inclusive eu, é ausada de ser bandido”. O senador acrescentou:

 

“A culpa não é da imprensa. Os culpados somos nós mesmos, que aceitamos que esse delinqüente [Agaciel] ficasse por tanto tempo à frente da diretoria-geral do Senado”.

 

Além de Demóstenes, vários outros senadores viram-se compelidos a discorrer no plenário sobre a aparição de seus na lista que os associava aos atos secretos.

 

O primeiro a escalar a tribuna foi Tião Viana (PT-AC). Reconheceu que, como presidente interino do Senado, assinou papéis agora tisnados de clandestinos.

 

Continham, porém, providências normais. E jamais supôs que os documentos tivessem sido levados ao baú dos atos sonegados à opinião pública.

 

Outro senador lançado no caldeirão, Papaleo Paes (PSDB-PA), adotou timbre diamentralmente oposto ao de Demóstenes.

 

Aliado de Sarney, Papaleo acusou a imprensa de patrocinar uma campanha difamatória contra o Senado.

Escrito por Josias de Souza às 01h48

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Para Lula, jornais tem de colorir lama de cor-de-rosa

A cada declaração que faz sobre a crise no Senado, Lula vai se convertendo numa espécie de ego em decomposição.

 

Na semana passada, o presidente viera à boca do palco para dizer que Sarney não pode ser tratado como uma “pessoa normal”.

 

Nesta terça (23), Lula foi aos holofotes para desancar, de novo, a imprensa. Acha que a mídia troveja demais.

 

"Não consigo entender porque a predileção pela desgraça. Há tanta coisa boa no cotidiano do povo brasileiro, mas o que está estampado é a desgraça".

 

Acha que o brasileiro está farto de malfeitos: "O povo já viu muitos escândalos ao longo da história, é o que mais vemos”. Depois, diz ele, "não acontece nada".

 

Prescreve dois remédios: a reforma política e o voto. Não lhe ocorre cobrar investigações e punições. Joga tudo no colo do eleitor: “Temos eleições a cada quatro anos e a chance de mudar as coisas”.

 

No passado, Lula chamava Sarney de “ladrão”. Hoje, diz confiar na capacidade do ex-larápio de soerguer o Senado.

 

"O problema só tem uma solução, que é consertar tudo. E essa é a disposição do Sarney, na conversa que tive com ele".

 

No campo ético, Lula virou uma biografia em suspenso. Tornou-se, ele próprio, um Sarney. Com uma diferença: não lê Eça de Queiroz no original.

 

Sustentado por uma coligação partidária com fins lucrativos, o presidente deseja que os jornais pintem a lama de cor-de-rosa.

Escrito por Josias de Souza às 21h14

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Pedro Simon pede em plenário que Sarney se afaste

Escrito por Josias de Souza às 20h17

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Em 14 anos, Senado oculta 623 atos administrativos

Mesa diretora decide anular um ‘regularizar’ os outros 662

Foi divulgado, finalmente, o relatório do grupo constituído pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes para esquadrinhar os atos secretos editados no Senado desde 1995.

 

A íntegra está disponível aqui. Ocupa 67 folhas. Contabiliza em 663 os atos administrativos que passaram por baixo da mesa em 14 anos.

 

Em reunião realizada na tarde desta terça (23), a Mesa diretora do Senado decidiu anular apenas um desses atos. Os os 662 serão "regularizados".

 

Conclui-se que a ocultação dos papéis pode ter sido fruto de erro. Mas admite-se que há "indícios" de que o malfeito foi deliberado.

 

"A ausência de publicação pode ser originada pela simples falha humana, erros operacionais, deficiência na tramitação e publicação dos atos...”

 

“...Todavia, o uso indiscriminado de boletins suplementares, entre os quais 312 não publicados, contendo 663 atos [...] constituem indícios de que tem havido deliberada falta de publicidade de atos".

 

Quem são os responsáveis? O mundo sabe que a encrenca transitou pelas mesas de dois ex-diretores: Agaciel Maia (direção-geral) e João Zoghbi (Recursos Humanos).

 

O relatório, porém, se esquiva de dar nome aos bois. Apenas recomenda a abertura de procedimento administrativa para identificar os responsáveis.

 

E quanto aos senadores? Bem, nesse ponto os integrantes do grupo foram peremptórios.

 

O texto anota que não foi encontrada nenhuma determinação de senadores ou de integrantes da Mesa Diretora para que os atos não fossem publicados.

 

Terminada a reunião da Mesa, José Sarney, o pseudopresidente do Senado, comunicou ao plenário as decisões que foram tomadas. Assista abaixo: 

Escrito por Josias de Souza às 19h32

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Sob crise, Mesa diretora do Senado afasta 2 diretores

  José Cruz/ABr
Uma gigantesca e roliça interrogação paira sobre o prédio do Congresso. Terá o Senado condições de superar a crise?

 

A dúvida divide a platéia, integrada por contribuintes brasileiros, em dois grupos: os que duvidam de tudo e os que já não duvidam de nada.

 

Nesta terça (23), a Mesa que dirige o Senado decidiu afastar dois diretores: Alexandre Gazineo (direção-geral) e Ralph Campos (Recursos Humanos).

 

A decisão foi anunciada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI).

 

Gazineo e Campos haviam assumido os respectivos postos depois do afastamento dos antigos titulares: Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

 

Não tiveram nem tempo de esquentar a cadeira. Foram engolfados pelo escândalo dos atos secretos.

 

Perderam os cargos, não os empregos. São servidores de carreira.

 

Para o lugar de Gazineo foi nomeado Haroldo Tájra, um servidor lotado na primeira-secretaria do Senado, hoje chefiada por Heráclito.

 

Tájra conviveu com um rol de antecessores de Heráclito, entre eles os primeiros secretários Carlos Wilson (PT-PE), Romeu Tuma (PTB-SP) e Efraim Morais (DEM-PB).

 

Para a cadeira de Campos foi indicada Dóris Marize Romariz Peixoto. Participou da comissão que esquadrinhou os atos secretos.

 

Antes, servira como chefe de gabinete da ex-senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), que deixou o Senado para assumir o governo do Maranhão.

 

Dóris assessorava Roseana quando a filha de Sarney alojara em seu gabinete, secretamente, Maria do Carmo de Castro Macieira, sua prima por parte de mãe.

 

A nomeação secreta da prima de Roseana, sobrinha de José Sarney, fora assinada pelo então Todo-Poderoso Agaciel Maia.

 

Ficou boiando na atmosfera do Senado a sensação de que trocou-se um par de seis por uma dupla de meia dúzia.

 

Os novos diretores vão aos cargos como chefes temporários. Ficarão por pelo menos 90 dias. Podem ser confirmados. Ou não.

Escrito por Josias de Souza às 18h06

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PSOL colhe assinaturas para CPI da ‘Máfia do Senado’

  José Cruz/ABr
Único representante do PSOL no Senado, José Nery (PA) decidiu propor a criação de uma nova CPI. Ele a chama de “CPI da Máfia do Senado”.

 

O requerimento está pronto. Sugere que sejam investigados três temas:

 

1. Os atos administrativos secretos do Senado;

 

2. Os contratos de prestação de serviço firmados na era Agaciel Maia;

 

3. Os empréstimos consignados celebrados sob o ex-diretor de Recursos Humanos João Zoghbi.

 

Nery começou a coletar assinaturas na tarde desta terça (23). Precisa de 28 jamegões. O dele e mais 27.

 

Sugere que a investigação recue a 1995, primeiro dos 14 anos da era Agaciel Maia.

 

No texto de justificativa do seu pedido de CPI, José Nery anota: “Há algum tempo a imagem do Senado tem sido deteriorada continuamente...”

 

Vive “...de escândalos em escândalos [...]. O último escândalo diz respeito à existência de atos secretos [...]”.

 

O senador prossegue: “Estas atitudes só são possíveis com a conivência dos servidores que ocupam cargos estratégicos [...] e pode envolver senadores também”.

 

Resta saber: A) Quantos senadores irão rubricar o requerimento? B) Reunidas as assinaturas, a CPI será instalada? A CPI da Petrobras, com 32 assinaturas, ainda não desceu do telhado.

Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Atos secretos envolveram 37 senadores desde 1995

Relação inclui beneficiários e os que assinaram os papéis

Prática é associada também a grupo de 24 ex-senadores

Lista traz os nomes de filiados de nove partidos políticos

 

Sérgio Lima/Folha

 

É grande o rol de senadores envolvidos, direta ou indiretamente, no escândalo da burocracia clandestina do Senado.

 

Notícia levada nesta terça-feira (23) às páginas do Estadão pelos repórteres Leandro Colon e Rosa Costa informa:

 

Desde 1995, pelo menos 37 senadores figuram como beneficiários ou signatários de atos secretos do Senado. Freqüentam a relação também 24 ex-senadores.

 

O escândalo é pluripartidário. Encontram-se no caldeirão de malfeitos políticos filiados a nove legendas: PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR.

 

Os nomes emergem de atos administrativos antigos. Documentos que permaneciam à sombra e foram publicados, com data da retroativa, nos últimos 30 dias.

 

Nesta terça, a Mesa diretora do Senado recebe o relatório da comissão constituição em 28 de maio para esquadrinhar os atos editados em segredo.

 

Detectaram-se cerca de 650 papéis sonegados à Opinião Pública. A prática foi coonestada por todos os presidentes e primeiros-secretários dos últimos 14 anos.

 

José Sarney, que diz desconhecer os atos secretos, é signatário de alguns deles. Heráclito Fortes, que encomendou o levantamento, também.

 

Eis alguns exemplos colecionados pelos repórteres:

 

1. Em março de 2007, Lia Raquel Vaz de Souza foi transferida secretamente do gabinete de Demóstenes Torres para o de Delcídio Amaral.

 

Lia é parente de Valdeque Vaz de Souza, um dos principais assessores de Agaciel Maia, ex-diretor-geral. Delcídio e Demóstenes afirmam que nem a conhecem.

2. Documento secreto de 6 de dezembro de 1996, trata do controle de frequência dos servidores lotados nos gabinetes dos senadores.

 

Traz a assinatura do presidente de então, José Sarney. É rubricado também pelos integrantes da Mesa da época, entre eles Renan Calheiros.

 

3. Em 1998, toda a Mesa presidida por Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007 assinou a criação sigilosa de oito cargos de confiança.

 

4. Cinco anos mais tarde, sob Sarney, criaram-se mais 25 cargos por meio de ato administrativo secreto.

 

5. Em 21 de fevereiro de 2005, sob a presidência de Renan Calheiros, o Senado dotou os gabinetes dos 81 senadores de sete novos cargos de confiança.

 

Gente que entrou pela janela, sem concurso, com vencimentos mensais de R$ 9,9 mil. Tudo em segredo.

 

6. Senadores licenciados, os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) valeram-se de atos secretos para nomear parentes e amigos.


Os senadores que figuram como beneficiários de atos secretos, com ou sem o consentimento pessoal, são os seguinte:

- Aldemir Santana (DEM-DF)
- Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)

- Augusto Botelho (PT-RR)
- Cristovam Buarque (PDT-DF)
- Delcídio Amaral (PT-MS)
- Demóstenes Torres (DEM-GO)
- Edison Lobão (PMDB-MA)
- Efraim Moraes (DEM-PB)
- Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
- Fernando Collor (PTB-AL)
- Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
- Gilvam Borges (PMDB-AP)
- Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado (ministro)
- João Tenório (PSDB-AL)
- José Sarney (PMDB-AP)
- Lobão Filho (PMDB-MA)
- Lúcia Vania (PSDB-GO)
- Magno Malta (PR-ES)
- Marcelo Crivella (PRB-RJ)
- Maria do Carmo (DEM-SE)
- Papaléo Paes (PSDB-AP)
- Pedro Simon (PMDB-RS)
- Renan Calheiros (PMDB-AL)
- Roseana Sarney (PMDB-MA, hoje governadora do MA)
- Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
- Serys Slhessarenko (PT-MT)
- Valdir Raupp (PMDB-RO)licenciado (ministro)
- Wellington Salgado (PMDB-MG)

Os senadores que freqüentam a lista por ter assinado, consciente ou inconscientemente, atos secretos como integrantes da Mesa diretora são:

- Antonio C. Valadares (PSB-SE)
- César Borges (PR-BA)
- Eduardo Suplicy (PT-SP)
- Garibaldi Alves (PMDB-RN)
- Heráclito Fortes (DEM-PI)
- Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
- Paulo Paim (PT-RS)
- Romeu Tuma (PTB-SP)
- Tião Viana (PT-AC)

 

Levado ao pelourinho, o ex-diretor-geral Agaciel Maia dissera que os senadores não ignoravam a existência de atos não publicados.

 

A julgar pelo tamanho da lista, parece mesmo improvável que todo o Senado ignorasse a prática.

Escrito por Josias de Souza às 04h43

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Senadores denunciam chantagem de ex-diretor

 

- Folha: Ato secreto elevou verba de senadores

 

- Estadão: Atos secretos envolvem 35 senadores

 

- JB: Fogo no Senado

 

- Correio: A ofensiva evangélica no DF

 

- Valor: CEF atinge limite e busca aquisições

 

- Jornal do Commercio: A noite mais esperada pelos nordestinos

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Companheiros!

Clayton

Via O Povo Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Equipe de Richa responde ao vídeo com outro vídeo

  Folha
Alvejado por um vídeo que levanta a suspeita de formação de caixa dois em sua campanha, Beto Richa (PSDB) respondeu à acusação com outro vídeo. 

Nesta segunda (22), dois coordenadores da campanha reeleitoral do prefeito tucano de Curitiba vieram à boca do palco.

 

São eles: Fernando Ghignone, coordenador financeiro da campanha; e Ivan Bonilha, coordenador jurídico.

 

Disseram que Richa é alvo de uma “armação política”. Exibiram aos jornalistas uma espécie de contra-vídeo.

 

Na gravação, Ghignone e Bonilha, os dois coordenadores tucanos, aparecem conversando com Rodrigo Oriente, um ex-funcionário da prefeitura de Curitiba.

 

Disseram que Rodrigo ajudou a fazer a filmagem que mostra a distribuição de dinheiro a dissidentes do PRTB num comitê que deu suporte a Beto Richa.

 

Na fita gravada pelo tucanato, Rodrigo diz que os computadores que continham a gravação comprometedora fora apreendido pela polícia civil paranaense.

 

Diz que estava sendo procurado por pessoas interessadas em prejudicar a campanha de Beto Richa ao governo do Estado.

 

E envolve na suposta “trama” dois novos personagens. Um deles é auxiliar do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB).

 

Chama-se Luiz Fernando Delazari. É secretário de Segurança Pública do governo paranaense.

 

O outro personagem é um grãotucano: o senador Alvaro Dias, que disputa com Richa a vaga de candidato do PSDB ao governo do Paraná.

 

Sem saber que estava sendo gravado, a certa altura Rodrigo Oriente diz aos dois coordenadores da campanha tucana:

 

"Delazari [o secretário de Estado de Requião] sustenta que eu sou um cara que tô correndo risco de vida porque ele acha que vocês vão me matar..."

 

"...Já tem uma pessoa que, pelo que escutei, vai ser vice-governador junto com o Álvaro Dias. Na eventualidade de não ser Beto o candidato".

 

O coordenador financeiro Ghignone disse aos repórteres que foi procurado por Rodrigo Oriente no mês passado. Por isso decidiu gravá-lo.

 

Em entrevista que concedeu nesta segunda ao programa “Paraná TV”, Rodrigo diz coisa diversa. Foi procurado, não procurou.

 

A guerra de vídeo não explica o essencial: de onde veio o dinheiro distribuído à sombra a 23 ex-candidatos a vereador num comitê de campanha de Richa?

 

O coordenador financeiro Ghignone diz que o comitê central do PSDB deu dinheiro a comitês periféricos que atuaram na campanha. Coisa miúda.

 

No dizer de Ghignone, dinheiro para “reembolso de gasolina e pequenas despesas”. Não disse, porém, quanto, como e de onde veio o dinheiro.

 

São coisas que o Ministério Público e a Justiça Eleitoral têm a obrigação de esclarecer. Há uma invesigação em curso.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Lixo tóxico produzido pela língua de Minc custa caro

  Folha
O Brasil, como se sabe, é um belo, um fantástico, um maravilhoso ponto no mapa. Ideal para erguer uma nação.

 

E Brasília é o pedaço do Brasil onde a incompetência é uma inabilidade que, exercida com refinada competência, dificulta a construção do país.

 

Vem daí que, nas últimas semanas, o ministro Carlos Minc não tem cuidado senão do seu meio ambiente particular.

 

Dedica a maior parte do seu tempo a eliminar da atmosfera o lixo tóxico que sua língua expeliu.

 

Na semana passada, foi à Comissão de Segurança da Câmara para explicar as razões que o levaram a defender a legalização da maconha. A audiência virou piada.

 

Nesta quarta (24), Minc volta à Câmara. Dessa vez, vai à Comissão de Agricultura. Os deputados querem saber por que chamou de “vigaristas” os agronegociantes.

 

Tendo diante de si um país por fazer, deputados e ministro passarão horas debatendo a tolice. E você é quem paga a conta!

Escrito por Josias de Souza às 00h08

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Garotinho filia-se ao PR e oferece ‘palanque’ a Dilma

  Folha
Em passado recente, o eleitor tinha de fazer meia dúzia de raciocínios transcendentes para entender o universo da política.

 

Tinha de decidir, por exemplo, se a social-democracia responderia às dúvidas que o socialismo foi incapaz de responder...

 

...Se a ética da responsabilidade prevaleceria sobre a ética da convicção, se isso, se aquilo.


Hoje, a coisa é bem mais simples. Figuras como Karl Marx e Max Weber tornaram-se descartáveis.

 

Falidas as ideologias, o templo da política consolidou-se como uma congregação de homens de bens.

 

Vigora nas relações entre os partidos a lógica do negócio. Tudo está subordinado a ela, inclusive os escrúpulos.

 

Nesta segunda (22), o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, filiou-se PR. Será, de novo, candidato a governador.

 

Como o PMDB, seu antigo partido, vai às urnas com Sérgio Cabral, Garotinho trocou de legenda. Trocou também de discurso.

 

Antes, desancava Lula. Agora, desfralda a bandeira branca. Oferece seu palanque à presidenciável oficial, Dilma Rousseff.

 

Incoerência? Não para Garotinho. Na política, disse ele, "tudo pode e vai mudar".

 

Lembrou que o ex-tucano Eduardo Paes, hoje prefeito do Rio pelo PMDB e aliado de Lula, fizera ataques pessoais ao filho do presidente no passado.

 

Garotinho acrescentou: “Eu e Lula, que já fomos grandes amigos, tivemos problemas políticos e nos separamos. Acredito que tudo pode e vai mudar".

 

Sobre Dilma, disse: "Ela tem tudo para ser a minha candidata. Desde que ela deseje o nosso palanque no Rio de Janeiro, será o palanque dela".

 

Se fosse possível tirar um retrato da alma de Garotinho, a imagem evidenciaria que, em política, o cinismo também pode ser uma forma de resignação. 

Garotinho é um político que é a favor de tudo e visceralmente contra qualquer coisa. Desde que ganhe a chave do cofre.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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Virgílio para Sarney: ‘V. Exa. não precisa sobreviver’

Há uma fome de limpeza no ar. A reiteração da indecência, um caso se sucedendo ao outro, expôs no Senado a cara de um monstro medonho: a impunidade.

 

O país deseja transformar a cleptocracia brasileira numa democracia real. Nesta terça (23), o Senado reúne sua mesa diretora.

 

Não será uma reunião banal. Vai-se discutir, uma vez mais, o que fazer com a esclerose que toma conta do Senado.

 

Os senadores dirão ao país de que matéria-prima são feitos. Hoje, tem-se a impressão de que são feitos de amoralidade e cumplicidade.

 

Há, porém, um problema: a perversão perdeu no Senado aquele ton-sur-ton que propiciava aos delinqüentes o escudo da indistinção.

 

No Senado dos dias que correm, a cafajestice tem cara de cafajestice. O repugnante tem cara de repugnante. A imundície tem cara de lama.

 

Diante de um cenário assim, tão claramente sujo, só há duas alternativas: ou o senador empunha o frasco de detergente ou se associa à conivência.

 

Na semana passada, Sarney dissera que a crise não era dele, mas do Senado. O plenário ouviu calado.

 

Nesta segunda (22), as diferenças começaram a emergir. Acossado por “chantagens” que atribui ao Todo-Poderoso Agaciel Maia, Arthur Virgílio escalou a tribuna.

 

Chamou os ex-diretores Agaciel e João Zoghbi pelo nome: “bandidos”, “camarilha”, “ladrões”, “corja”... Pediu a demissão da dupla. E disse o óbvio: não agiram sozinhos.

 

Há senadores por trás dos dois ex-diretores, disse Virgílio. Dirigiu-se a Sarney, que, a seu pedido, presidia a sessão.

 

O líder tucano disse ao presidente do Senado que, dissociando-se da “camarilha”, o terá como aliado. Protegendo-a, o terá como “adversário ferrenho”.

 

Virgílio disse que não hesitará em levar Sarney ao Conselho de Ética se julgar que é o caso. Afirmou que Sarney “não precisa sobreviver”, o Senado sim.

 

Virgílio apontou as “chatagens” de Agaciel como causa do silêncio dos senadores. Provocadas, as vozes começaram a soar.

 

Cristovam Buarque foi ao microfone para informar que, de fato, considerava-se chantageado.  

 

“Esse tipo de coisa obriga a gente a radicalizar. Começa a dar impressão de que quem não toma posições firmes tem rabo preso. Não tenho rabo preso”, disse.

 

Depois, ocupando ele próprio a tribuna, Cristovam sugeriu que Sarney se licencie do cargo por dois meses, até que sejam apurados os malfeitos.

 

Pedro Simon negou Virgílio. Disse que, quando silencia, o faz por conta própria, não em função de chantagens.

 

Dirigindo-se a Sarney, Simon espegou: “Estamos atingindo o limite do limite. Alguma coisa precisa ser feita. Estamos no fundo do poço.

 

Na semana passada, Sarney dissera que não havia atos secretos no Senado. O plenário, de novo, silenciou.

 

Virgílio agora fala: “Aquela desculpa abobalhada, tola, atrasada, retardada, atoleimada, aquela parvoíce de que não havia atos secretos cai por terra...”

 

“...Tanto que o senador Heráclito Fortes [primeiro-secretário] sai do hospital para vir dizer à casa quais são os atos secretos. Há atos secretos”.

 

Sim, há atos secretos. O que fazer? É essa a resposta que o Senado dará nesta terça.

Vai-se descobrir, então, de que material são feitos os senadores.

 

Acossado pelos novos pronunciamentos, Sarney abandonou a “parvoíce” da inexistência de atos secretos.

 

Saiu-se à Lula: “Ninguém mais do que eu teve maior surpresa. Eu não sabia disso. Nunca pensei que isso existisse”.

 

Acrescentou: “Ninguém vai acobertar ninguém. Vamos punir. E estamos fazendo isso”.

 

Ficou boiando no ar uma pergunta: O que será feito dos senadores que, no dizer de Virgílio, estão por trás dos malfeitores?

Escrito por Josias de Souza às 19h51

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Atos secretos do Senado elevaram salário de Agaciel

  José Cruz/ABr
Uma das primeiras lições que uma mãe ensina ao filho é o cuidado que ele deve ter com o manuseio do dinheiro.

 

O dinheiro é sujo, eis a lição. Depois de tatear uma nota que passara por mãos desconhecidas, impregnando-se de micróbios, o bom filho deveria lavar as suas.

 

Com o tempo, mercê do pânico das mães prestimosas, o dinheiro foi sendo extinto.

 

Foi substituído pelos cartões de crédito e pelos impulsos eletrônicos.

 

No Senado, o dinheiro ganhou um formato ideal, que mãe nenhuma foi capaz de prever. Ali, as notas viraram “atos secretos”.

 

Nada mais anti-séptico do que o dinheiro convertido em papéis que não podem ser tocados nem pelo olho de estranhos.

 

Deve-se ao repórter Leonardo Souza a penúltima descoberta sobre as serventias dos atos higienizados do Senado.

 

Serviram para tonificar os contracheques do ex-todo-poderoso-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia.

 

Responsável pela edição dos atos clandestinos, Agaciel usou-os para elevar o próprio salário. Beleza.

 

Dos computadores do Senado, o dinheiro viajou pelo éter e estacionou, na forma de registros eletrônicos, na conta bancária de Agaciel.

 

Ao prestar contas à Receita Federal, o ex-super-diretor infomou que recebera do Senado, no ano da graça de 2006, R$ 415 mil.

 

Coisa de R$ 31,9 mil por mês, incluindo o 13º salário. Um valor que supera o teto da administração pública: R$ 24,5 mil, o salário dos ministros do STF.

 

No último mês de março, quando se descobriu que Agaciel sonegara a posse de uma mansão de R$ 5 milhões, ele havia informado que recebia R$ 18 mil líquidos.

 

A julgar pelos dados armazenados nos arquivos do fisco, era lorota. A despeito de tudo, Agaciel diz: “Não há nada de errado nos meus vencimentos”.

 

No passado, a psicanálise costumava atribuir todos os males do mundo às mães. Com o tempo, elas foram sendo anistiadas.

 

Fica claro agora que, ao menos no caso dos contribuintes brasileiros, as mães falharam gravemente.

 

A prevalecer o que diz Agaciel, fica provado que, no Senado, nenhum dinheiro é sujo.

Escrito por Josias de Souza às 06h11

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Sindicância ouve o chefe de ‘publicações’ do Senado

Começa a trabalhar nesta segunda (22), a comissão de sindicância que vai apurar os responsáveis pela burocracia clandestina do Senado.

 

Uma das primeiras providências do grupo será ouvir o depoimento do chefe do Serviço de Publicação do Senado, Franklin Paes Landim.

 

Em entrevista veiculada pela Folha na última sexta (19), Landim revelara como funcionou a fraude dos atos secretos.

 

Os documentos chegavam às suas mãos com o carimbo de “publique-se”. Nem todos, porém, ganhavam as páginas do boletim do Senado.

 

Os ex-diretores Agaciel Maia (direção-geral) e João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos, indicavam a Franklin os atos que deveriam ser mantidos em segredo.

 

Depois de colher o depoimento de Franklin, a comissão pode convocar também Agaciel e Zoghbi.

 

O grupo foi constituído por um José Sarney que se viu compelido a dar uma resposta ao noticiário. Tem sete dias para concluir a apuração.

 

Integram o grupo três servidroes do Senado: Alberto Moreira de Vasconcellos Filho, Gilberto Guerzoni Filho e Maria Amália Figueiredo da Luz.

 

Aguarda-se para esta segunda (22), a divulgação do relatório preparado por outro grupo de trabalho, formado por ordem do primeiro-secretário Heráclito Fortes.

 

O documento traz o resultado de uma pesquisa feita nos boletins do Senado referentes aos últimos 15 anos.

 

O esquadrinhamento começou a ser feito em 28 de maio. Detectaram-se mais de 600 atos sonegados ao público.

 

Os achados foram acomodados num CD entregue apenas a Heráclito e a Sarney. A comissão esquivou-se de adotar o termo “aos secretos”.

 

Preferiu tratar os documentos ocultos como papéis não publicados. Um eufemismo que atende aos caprichos de Sarney.

 

Em eterna briga com os fatos, Sarney considera que atos que resultaram em despesas efetivas não podem ser considerados secretos.

Escrito por Josias de Souza às 05h17

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Conselho do Irã reconhe ‘irregularidades’ na eleição

  Reuters/AP
A foto ao lado exibe os quatro candidatos que foram às urnas no Irã no último dia 12 de junho.

 

Em sentido horário: o “vitorioso” Mahmoud Ahmadinejad e os oposicionistas Mir Hossein Mousavi, Mohsen Rezai e Mehdi Karubi.

 

Depois de declarar que a reeleição de Ahmadinejad havia sido limpa, o Conselho de Guardiães deu meia-volta.

 

Instância constitucional suprema do Irã, o conselho admitiu que houve irregularidades na apuração dos votos.

 

O surpreendente reconhecimento veio à luz na noite deste domingo (21), manhã de segunda-feira no Irã.

 

Foi levado ao sítio do canal estatal Press TV. A notícia traz uma declaração do porta-voz do conselho, Abbas Ali Kadkhodai.

 

Ele diz que, por ora, não é possível "determinar se esse montante [de votos irregulares] é decisivo para [alterar] os resultados da eleição".

 

Seja como for, a pressão das ruas começa a surtir efeito. Os candidatos oposicionistas haviam listado 646 fraudes.

 

O Conselho dos Guardiões diz ter verificado que, em 50 cidades, o número de votos superou a quantidade de eleitores inscritos. Coisa de 3 milhões de votos.

 

Essas cinco dezenas de cidades micadas estão entre as 170 onde Mohsen Rezai, um dos presidenciáveis derrotados, dissera ter havido problemas.

 

Mousavi e Karubi, os outros dois derrotados, haviam exigido a anulação do pleito. O conselho dera de ombros.

 

Admitira apenas a recontagem aleatória de 10% dos votos. Algo que pode mudar diante do reconhecimento de que a fraude foi maior.

 

É improvável que o regime dos aiatolás concorde com a tese de que a eleição precisa ser anulada. Mas terá de dar uma resposta mais convincente às fraudes.

 

A encrenca, de repercussão planetária, ganhou uma imagem-símbolo. Corre o mundo, via Youtube, o vídeo que registra a morte da jovem Neda.

 

Foi captado no sábado (20), por meio de uma câmera de celular. Neda assistia, ao lado do pai, às manifestações que ocorriam nas ruas de Teerã.

 

Uma bala varou-lhe o peito. Suspeita-se que o tiro tenha partido da arma de um integrante da milícia islâmica que auxilia a polícia na repressão de manifestantes.

 

 

Neste domingo (21), os protestos arrefeceram. Em mensagem na web, Mousavi, o segundo colocado, pediu a continuidade das manifestações.

 

"Protestar contra mentiras e fraude é um direito seu", anotou. Teve o cuidado de recomendar calma:

 

"Em seus protestos, continuem a mostrar comedimento. Eu espero que as forças armadas evitem danos irreversíveis".

Escrito por Josias de Souza às 04h52

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Senado pagou até reforma da cozinha com atos secretos

 

- Folha: Irã admite ao menos 10 mortes em protestos

 

- Estadão: Aumenta pressão para abrir todos os arquivos do Araguaia

 

- JB: Dez brasileiros do voo 447 são identificados

 

- Correio: Ricas ou pobres elas cansaram de ser agredidas

 

- Valor: Qualificação sobe e salário diminui nas contratações

 

- Estado de Minas: Descaso deixa cidades sem verba da educação

 

- Jornal do Commercio: Brasil dá um passeio na Itália

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Eco!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Vídeo levanta suspeitas de 'caixa dois' de Beto Richa

  Gazeta do Povo/Reprodução
Prefeito de Curitiba e candidato do PSDB ao governo do Paraná, Beto Richa está às voltas com uma denúncia de caixa dois.

 

O malfeito foi registrado em vídeo. Exibe a distribuição de dinheiro a 23 pessoas num comitê que participou da campanha de Richa, em 2008

 

A verba não consta da prestação de contas que a tesouraria do PSDB levou à Justiça Eleitoral. Daí a suspeita de caixa dois.

 

O conteúdo do vídeo foi às páginas do "Gazeta do Povo", um dos principais jornais do Paraná.

 

A divulgação das imagens forçou o prefeito tucano a demitir três pessoas.

 

São elas: Manassés Oliveira, secretário de Assuntos Metropolitanos; Raul D’Araújo Santos, superintendente da mesma secretaria; e Alexandre Gardolinski, assessor da secretaria de Emprego e Trabalho.

 

Vai abaixo um relato do episódio que eletrifica o cenário político paranaense:

 

1. No centro da encrenta está um partido nanico, o PRTB. Em Curitiba, a legenda era afinada com Beto Richa;

 

2. Porém, a direção nacional do PRTB decidiu se coligar com outro candidato: Fábio Camargo. Concorreu à prefeitura pelo PTB;

 

3. Acertado com o tucano Beto Richa, um pedaço do PRTB de Curitiba divergiu do apoio formal dado ao petebista Fábio Camargo;

 

4. Richa era prefeito. Disputava a reeleição. O PRTB local já participava de sua gestão. Controlava, por exemplo, a secretaria de Trabalho e Emprego;

 

5. Manassés Oliveira, o filiado do PRTB que Richa nomeara para o comando da secretaria de Trabalho, licenciara-se do cargo para candidatar-se a vereador;

 

6. Para surpresa generalizada, Manassés e outros 27 candidatos a vereador decidiram desistir de suas candidaturas;

 

7. Rejeitaram a coligação com o PTB de Fábio Camargo, desfiliaram-se do PRTB e mantiveram o apoio a Beto Richa;

 

8. Os dissidentes do PRTB inauguraram um núcleo da campanha tucana de Richa. Chamava-se “Comitê Lealdade”;

 

9. Funcionava numa casa do bairro curitibano do Ahú. O próprio Beto Richa participou da inauguração;

 

10 Richa confiou a coordenação do comitê a Alexandre Gardolinski, um dos dissidentes do PRTB;

 

11. Descobre-se agora, nove meses depois da reeleição de Richa, que a “lealdade” dos dissidentes pode não ter sido motivada apenas por afinidade política;

 

12. Veio à tona um vídeo de conteúdo devastador. Exibe a distribuição de dinheiro vivo à turma que debandou do PRTB;

 

13. O rateio ocorreu numa sala d “Comitê Lealdade”. A gravação foi feita pelo “coordenador” Alexandre Gardolinski;

 

14. Nas imagens, 23 ex-candidatos a vereador, aqueles que se desligaram do PRTB para apoiar Richa, aparecem recebendo dinheiro;

 

15. Entre os personagens pilhados estavam o pagador Gardolinski, o secretário Manassés Oliveira (recebe em nome dele e de terceiros) e o superintendente Raul D’Araújo Santos;

 

16. Na última quinta (18), quando soube que o vídeo chegara às mãos de jornalistas, Beto Richa demitiu os três da prefeitura;

 

17. No total, nove dos dissidentes do PRTB ganharam cargos na prefeitura de Richa em janeiro de 2009. Entre eles Gardolinski, Manassés e  D’Araújo Santos;

 

18. Ouvido, Alexandre Gardolinski, o coordenador que distribuiu o dinheiro e fez a filmagem, disse que o dinheiro serviu para custear “eventos” de campanha.

 

19. Eventos de quem? Segundo Gardolinski, eventos de “todos os partidos que tinham afinidade com o prefeito” Richa. Citou PSDB, PDT, DEM e PR;

 

20. Gardolinski reconhece que as verbas não foram declaradas à Justiça Eleitoral. De onde veio a grana? Diz que foi doada por “amigos”;

 

21. Pode citar os nomes dos “amigos”? E Gardolinski: “Não, não posso. Seria indelicado com eles. Não seria elegante da minha parte”;

 

22. Manassés Oliveira, o secretário de Trabalho demitido por Beto Richa disse: “Esse dinheiro, o Alexandre Gardolinski passou para nós...”

 

“...E tinha autorização para cada ex-candidato gastar até R$ 800. Não sei quem autorizou. Não sei de onde vinha o dinheiro nem se foi declarado...”

 

“...O Gardolinski é que vai ter que explicar a origem do dinheiro”.

 

23. Em nota, Beto Richa manifestou-se assim: “Ao tomar conhecimento das imagens, determinei imediatamente o afastamento dos envolvidos...”

 

“...Esse tipo de atitude não tem nada a ver com o nosso jeito democrático e transparente de fazer política...”

 

“...Não vamos permitir que esse fato, que aconteceu num comitê independente que apoiava nossa candidatura à reeleição, seja explorado contra nossa administração, aprovada pela grande maioria dos cidadãos curitibanos”.

 

O tucano Beto Richa é visto como candidato favorito ao governo do Paraná, em 2010.

 

A campanha nem começou e já tem um contencioso a elucidar.

 

- Atualização feita às 23h33: Na noite deste domingo (21), o “Fantástico” veiculou trechos do vídeo comprometedor de Curitiba. Assista à reportagem abaixo:

 

Escrito por Josias de Souza às 22h05

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Sarney alega ter ‘plano’ e pede ‘voto de confiança’

Senador fala em 'enxugar' o Senado e 'sacrificar' Agaciel

 

  José Cruz/ABr
Premido por um noticiário que o apresenta como parte do problema do Senado, José Sarney tentará convencer os colegas de que ainda pode ser a “solução”.

 

Em reunião marcada para esta terça-feira (23), Sarney vai expor aos senadores que integram a Mesa diretora do Senado o seu roteiro para “superar” a crise.

 

O miolo da estratégia é a “reforma administrativa” do Senado. Sarney se refere à reestruturação como uma iniciativa “revolucionária”.

 

Algo que, segundo diz, servirá de “modelo” para a administração pública, em especial para as casas legislativas dos Estados e dos municípios.

 

Sarney acena com um “enxugamento” voraz do organograma do Senado, em cujos meandros estão pendurados mais de 9 mil servidores.

 

Um auxiliar do presidente do Senado disse ao blog que o chefe deseja reduzir esse contingente a menos da metade.

 

Sua meta é chegar a um corpo funcional equivalente a 40% do atual. Trazudida em números, a reforma mandaria ao olho da rua perto de 5,5 mil servidores.

 

Só os cerca de 2,5 mil funcionários concursados, que integram o quadro permanente do Senado, estariam livres da lâmina.

 

As demissões alcançariam, primeiro, o pedaço da folha que abriga os servidores “terceirizados”. Depois, chegaria ao nicho onde se escondem os “comissionados”.

 

Terceirizados são os funcionários contratatos por meio de empresas provedoras de mão-de-obra. Há 34 contratos em vigor.

 

Foram celebrados no mandarinato de Agaciel Maia, o ex-diretor-geral afastado em março. Dezesseis encontram-se sob auditoria interna. Há irregularidades em todos.

 

Comissonados são os assessores que entraram pela janela dos gabinetes dos senadores. Gente dita de “confiança”.

 

Os dois grupos –terceirzados e comissionados— incluem amigos, parentes e cabos eleitorais.

 

Boa parte recebe salário sem oferecer a contrapartida do trabalho. São fantasmas. Vão à mesa como um teste para os pendores “reformistas” dos senadores.

 

A estratégia de Sarney esbarra em dois obstáulos. O primeiro é a descrença. O outro é o relógio, que corre em ritmo eleitoral.

 

A incredulidade deriva do fato de que Sarney se dispõe a derrubar uma Casa que ele ajudou a construir.

 

Foi erigida sobre os pilares do compadrio. Presidente do Senado pela terceira vez, Sarney é visto pelos colegas como arquiteto, não como demolidor.

 

Agaciel Maia, o engenheiro da construção que apodrece diariamente nas manchetes, foi nomeado por Sarney, em 1995.

 

O segundo óbice diz respeito ao tempo da reforma. Sarney diz que não há como reestruturar a administração do Senado “em ritmo midiático”.

 

Afirma que o esboço da reforma administrativa consta do estudo feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Foi divulgado no mês passado.

 

Abriu-se um prazo de 30 dias para o recolhimento de sugestões. Chegaram, por ora, mais de 400. São idéias de funcionários e de senadores.

 

Pelo cronograma original, que Sarney deseja preservar, a FGV terá mais 30 dias para compilar as sugestões, incorporando ao estudo as que julgar aproveitáveis.

 

Constrangidos por um noticiário que expõe novas mazelas a cada 24 horas, os senadores cobram pressa.

 

Sarney e sua equipe enxergam na urgência uma motivação eleitoral. Dos 81 senadores, 54 terão de se submeter às urnas em 2010.

 

Receiam que o chorrilho de denúncias leve o eleitor a flertar com a renovação. Daí, imagina Sarney, a opção preferencial pelas providências de “apelo midiático”.

 

Sarney pedirá um voto de confiança aos colegas. Não se opõe a antecipar o que for possível. Cogita demitir o diretor-geral Alexandre Gazineo.

 

Na última sexta (19), dançou, a contragosto, no ritmo dos jornais. Anunciou a auditoria externa na folha de salários do Senado.

 

Prometeu a criação de um certo “Portal da Transparência”. E nomeou a comissão de sindicância que varrerá os atos secretos editados nos últimos 15 anos.

 

Em privado, Sarney diz e repete que não hesitará em levar ao pelourinho nem mesmo sua cria mais criticada: Agaciel Maia.

 

Como evidência de sua disposição, alega que impôs à sindicância dos atos ocultos um prazo exíguo: sete dias. Depois, diz ele, serão abertos processos administrativos.

 

Fala em abrir “todos os segredos” do Senado. É algo em que nem os senadores crêem. Que dirá a opinião pública.

 

Sarney e Renan Calheiros, seu principal aliado, são beneficiários diretos da teia de favores trançada por Agaciel.

 

Ainda outro dia, a dupla prestigiou o casamento da filha do pupilo. Sarney foi à Igreja na condição de padrinho.

 

A despeito da convicção generalizada de que Agaciel dispõe de escudos, Sarney diz que vai até o fim, “doa a quem doer”.

 

A expressão, por desgastada, serve menos para expressar um propósito e mais como símbolo do cinismo que permeia a política.

 

De resto, o “doa a quem doer” de Sarney talvez não resista a uma outra frase-lema dos escândalos brasileiros: “Eu estava apenas cumprindo ordens”.

 

Agaciel já insinuou que pode lançar mão do estratagema. Anda dizendo que “ninguém no Senado” pode alegar desconhecimento dos atos “não publicados”.

Escrito por Josias de Souza às 05h21

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Gaspari: ‘A diplomacia kung fu do doutor Amorim’

  Jamil Bittar/Reuters
Vai abaixo o texto de abertura da coluna que o repórter Elio Gaspari leva às páginas nesta domingo. É encontrável na Folha.

 

 

“Emoldurado pelo luxo asiático-stalinista do palácio do presidente Nursultan Nazarbayev, no Cazaquistão, o chanceler Celso Amorim fez a defesa do que seria a política "realista" de Nosso Guia em defesa dos direitos humanos dos outros:

 

‘É uma questão de concepção. Tem gente que quer (...) ficar em paz com sua consciência e purgar os pecados do colonialismo’.


O doutor Amorim cortejou o ditador do Zimbábue, agradou o soba do Sudão, recebeu o chanceler da Coreia do Norte e, num lance de audácia, convidou o presidente do Uzbequistão para dar um pulinho a Brasília.


Pode-se fazer de conta que Amorim não sabe quem é o presidente Nazarbayev, do Cazaquistão. Ele está no poder desde a época da falecida União Soviética, com direito a quantas reeleições quiser.

 

Como não há oposição no seu reino, em 2006 ele foi a Washington para dar queixa de Borat ao presidente George Bush. Estima-se que sua fortuna chegue a US$ 1 bilhão.

 

Prova não há, porque ele é homem cuidadoso. Durante uma visita do secretário de Estado americano, agendou uma importante conversa para a sauna (leia-se: só eu gravo).


Nazarbayev é um santo se comparado com outro convidado de Nosso Guia e de Amorim. Islam Karimov, presidente do Uzbequistão, esteve em Brasília em maio passado. Ele também está no poder desde o tempo da falecida União Soviética.

 

Como os demais tiranos, massacra a oposição e rouba o que pode, mas Karimov conquistou um lugar na galeria das atrocidades: em pelo menos um caso, sua polícia ferveu um opositor.

 

Ferveu, não confundir com jogar na água fervendo. Quem diz isso é um laudo de patologistas da Universidade de Glasgow.


Karimov só não se tornou um tirano do tipo Geni porque mereceu a proteção dos Estados Unidos, a quem quase certamente agradou hospedando uma central secreta de torturas da CIA.

 

Isso e mais as facilidades que concede a empresas mineradoras americanas. Sua filha está com a prisão preventiva decretada nos Estados Unidos por roubalheiras. George Bush não teve peito de convidar o companheiro Karimov para visitar Washington.


Quando no Brasil penduravam-se no pau-de-arara adversários da ditadura (inclusive um irmão de Nosso Guia), o secretário de Estado Henry Kissinger patrocinava uma política de simpatia "realista" com Brasília.

 

Anos depois, Jimmy Carter assumiu a Presidência dos Estados Unidos e pressionou Pindorama. À época, os hierarcas do Itamaraty diziam que sua iniciativa era colonialista e continuavam negando passaportes para exilados.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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Sarney, os parentes e o bom ladrão do padre Vieira

Guto Cassiano

 

No discurso da última terça-feira, Sarney referiu-se, a alturas tantas, aos parentes admitidos ou exonerados do Senado por meio de atos secretos. Mencionou a sobrinha de sua mulher e um neto. Há outros. Mas ele se ateve a esses dois.

 

Indagou: “E, por isso, querem me julgar perante a opinião pública deste país? É, de certo modo, a gente ter uma falta de respeito pelos homens públicos [...] Extrema injustiça!”

 

Em tempo de São João, brincar com querosene à beira da fogueira não é coisa que o bom senso recomende. Mas já que partiu de Sarney a iniciativa de açular o fogo, não será o repórter que vai levar a mão ao extintor.

 

Afora a discussão sobre a natureza sigilosa dos atos, há densas suspeitas de que os parentes de Sarney mordiam a Viúva sem o dissabor do derramamento de suor.

 

Presume-se que Sarney tenha desejado dizer algo assim: ainda que seja verdadeira a acusação, ainda que o nepotismo tenha sido fulminado pelo STF, é uma honra para mim, que, ao malversar, malverso pouco.


Fosse Adão o presidente do Senado, decerto ainda estaríamos no Éden, eis a tese escondida atrás do argumento de Sarney. Que crime, afinal, cometeu o primeiro homem? Roubou uma maçã. Uma reles e inocente maçã.

 

A tentativa de defesa de Sarney ganha ossatura antropológica quando vista sob a ótica de um clássico: o "Sermão do Bom Ladrão", do padre Antônio Vieira. Recorre-se a Vieira porque se trata de autor admirado por Sarney.  

 

Deus pôs Adão no paraíso, anotou Vieira, com poder sobre todos os viventes, como senhor absoluto de todas as coisas criadas. Exceção feita a uma árvore. Súbito, com a cumplicidade da protomulher, Adão provou do único fruto que não lhe pertencia.


"E quem foi que pagou o furto?", pergunta Vieira. Ninguém menos que Deus, materializado na pele de Jesus. Condenado à cruz, pregado entre ladrões, ofereceu um exemplo aos príncipes. Um sinal de que são, também eles, responsáveis pelo roubo praticado por seus discípulos.


Ao sobrepor a imagem do pequeno delito à do grande roubo, Sarney como que evocou outro trecho do "Sermão do Bom Ladrão".

 

Conta Vieira que, navegando em poderosa armada, estava Alexandre Magno a conquistar a Índia quando trouxeram à sua presença um pirata dado a roubar os pescadores. Alexandre repreendeu-o.

 

Destemido, o pirata replicou: "Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?".


Citando Lucius Annaeus Seneca, um austero filósofo e dramaturgo de origem espanhola, Vieira lapida o raciocínio: se o rei da Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, todos -rei, ladrão e pirata- merecem o mesmo nome.


Assim, o parente contrabandeado na folha, o suborno recebido de prestadores de serviço e a pilhagem milionária dos empréstimos consignados do Senado são irrupções de um mesmo fenômeno.

 

O tamanho do furto importa pouco. De troco em troco também se chega ao milhão. E quem se desonra no pouco mais facilmente o fará no muito, já dizia o Cristo.


A bordo de uma armada cujo comando divide com Renan Calheiros, o velho morubixaba do PMDB recorre a um contorcionismo vocabular perigoso.

 

Volte-se, por oportuno, a Vieira. Diz o sábio padre que são companheiros dos ladrões os que os dissimulam; são companheiros dos ladrões os que os consentem...

 

...São companheiros dos ladrões os que lhes dão postos e poderes; são companheiros dos ladrões os que os defendem; são companheiros dos ladrões os que hão de acompanhá-los ao inferno.


Sarney cava a própria sorte. Pode acabar inspirando a criação de uma inusitada escala ética. A escala São Dimas, em homenagem ao bom ladrão do Evangelho. Quem investisse com parcimônia contra a Bolsa da Viúva –de sobrinha a neto- estaria instantaneamente livre da sanha persecutória.

 

Antes do arremate, ouça-se mais um pouco do Sarney de terça-feira: “Eu não sei o que é ato secreto. Aqui, ninguém sabe o que é ato secreto...”

 

“...O que pode ter [...] são irregularidades da entrada em rede ou não entrada em rede de determinados atos da administração do Senado...”

 

“...Mas isso tudo relativo ao passado; nada em relação ao nosso período. Nós não temos nada que ver com isso”.

 

Nesse ponto, é como se Sarney, do alto de seus 79 anos, 55 dos quais decicados à política, rogasse à platéia: Quero que me tomem por bobo, não por malfeitor.

 

O Sarney do discurso de ocasião, pronunciado num instante em que a suspeição toca-lhe os sapatos, não é o político experimentado que todos supunham.

 

Elegera-se três vezes presidente do Senado como um articulador de mostruário, exemplo de sagacidade e competência.

 

Descobre-se agora que, em 1995, em sua primeira presidência, Sarney nomeara Agaciel Maia para gerir o Senado à sua revelia. Dito de outo modo: Sarney alçara Agaciel à direção-geral para fazê-lo de trouxa.

 

- PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Cade antecipa linha dura na análise de megafusões

 

- Folha: Auditoria vê novas fraudes no Senado

 

- Estadão: Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia

 

- JB: Restaurantes de luxo fora da lei

 

- Correio: Chinatown candanga

 

- Veja: Basta de impunidade!

 

- Época: Irã 2.0

 

- IstoÉ: 57 mitos sobre sua saúde

 

- IstoÉ Dinheiro: Os segredos do Google no Brasil

 

- CartaCapital: Sarney, o romancista

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Senado do pau oco!

Ique

Via JB Online. Visite também o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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No Irã, ‘Flamengo X Vasco’ deu em banho de sangue

Reprodução do Blog de Andrew Sullivan

Composição de imagens captadas neste sábado (20), numa convulsionada Teerã

 

Lula, como se sabe, é um presidente de palavra fácil. Às vezes, usa o verbo para dizer nada.

 

Esquece-se de que “nada” é um desses vocábulos cujo significado pode ultrapassar tudo.

 

Num instante em que se insunuava nas ruas de Teerã o movimento de contestação às urnas que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad, Lula disse:

 

"Não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

 

Desde que Lula flertou com a tolice, o Irã vive protestos históricos. Estima-se que, ao longo da semana, algo como 1 milhão de iranianos foi às ruas.

 

É coisa que não se via desde a revolução islâmica de 1979. O governo responde à moda de qualquer ditadura: reprime, prende e mata opositores.

 

As manifestações são sufocadas pela polícia do regime e pela milícia que lhe dá suporte, o carniceiro movimento islâmico dos bassiji.

 

Só nos protestos deste sábado (20), os mortos foram contados em 19. Obtido na rede hospitalar de Teerão, o número pode ser maior.

 

As informações são de difícil checagem. A imprensa estrangeira trabalha sob severas restrições. Os repórteres foram impedidos de cobrir os protestos.

 

Servem-se de dados obtidos à sorrelfa e de mensagens e imagens levadas à web por jovens iranianos insurretos.

 

Imagens como as que irrompem do vídeo abaixo, veiculado no blog do repórter Andrew Sullivan, da revista norte-americana The Atlantic. 

Alimentada ao longo de anos de restrições às liberdades individuais, a revolta iraniana transbordou das urnas suspeitas da eleição presidencial.

 

Candidato à reeleição, o maluco Ahmadinejad mediu forças com o pseudoreformista Mir Hossein Mousavi. As pesquisas prenunciavam uma disputa renhida.

 

O comparecimento às urnas foi maciço: 85% dos eleitores. Ahmadinejad obteve uma vitória acachapante: 63,5% dos votos.

 

Mousavi exigiu a anulação do pleito. O ocidente levou o pé atrás. Só Lula deu crédito irrestrito à apuração de fancaria.  

 

Os indícios de fraude são densos. Ahmadinejad esteve sempre à frente na apuração. Mesmo nas zonas em que era nítida a preferência pelo rival.

 

Decorridos menos de vinte minutos do início da apuração, já se haviam contado 20% das cédulas. Tudo em papel. Nada de computadores. Contagem manual. Voto a voto.

 

O recorde de velocidade se deu longe dos olhos de curiosos. Não foi permitido nem o acompanhamento da oposição nem de observadores internacionais.

 

O aiatolá Ali Khamenei, a quem cabe dar a última palavra no Irã sobre qualquer assunto, proclamou que a vitória Ahmadinejad fora limpa.

 

Depois, premido pelas ruas, admitiu recontar 10% dos votos. Os protestos engrossaram. E Khamenei ordenou o endurucimento da repressão.

 

Não foi ouvido no meio-fio, que continuou ardendo em revolta. Uma insurreição que traz o semblante da juventude. E que já flerta com o recurso à greve geral.

 

A renitência de Mousavi, cujos pendores reformistas têm o formato de um ponto de interrogação, é mero pretexto.

 

A moçada iraniana vai à luta por liberdade. A despeito de o governo ter reduzido a velocidade da internet, os protestos são agendados e ecoados on-line.

 

Lula não percebeu, mas algo de diferente ocorre no Irã. Apoiado pelos punhos de aço dos aitolás, Ahmadinejad pode até se manter no poder.

 

Mas o sangue que escorre da repressão os insatisfeitos dificilmente será estancado sem aberturas e concessões.

 

O presidente brasileiro anunciou a intenção de visitar o Irã. Deveria apressar a viagem. Presenciaria cenas que talvez lhe ensinassem a cultuar o silêncio.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Uma semana estrelada por gente incomum e anormal

Escrito por Josias de Souza às 11h42

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Diretor-geral do Senado ameaça ‘processar’ Agaciel

Sérgio Lima/Folha

 

Nomeado em março para a cobiçada função de diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo está prestes a ser demitido.

 

Frequenta o escândalo dos atos secretos como signatário de vários dos documentos cuja publicidade o Senado sonegou à opinião pública.

 

Gazineo era o segundo de Agaciel Maia, o ex-diretor-geral, na época em que apôs o jamegão nos atos administrativos clandestinos.

 

Agora, as assinaturas devem lhe custar o cargo recém-conquistado. Com a cabeça a prêmio, o sucessor de Agaciel está a ponto de abrir guerra contra o ex-chefe.

 

Em conversa com um senador, na tarde desta sexta (19), Gazineo disse que cogita inclusive mover um processo judicial contra Agaciel.

 

Ensaia a providência como um gesto em defesa de sua honra. Não nega que tenha assinado atos secretos.

 

Alega, porém, que a decisão de não publicar foi tomada exclusivamente por Agaciel. Não acha justo que seja “enlameado” por algo que não lhe diz respeito.

 

Queixa-se do ex-diretor em timbre acerbo. Acha que Agaciel não moveu uma palha para isentá-lo dos malfeitos.

 

Gazineo diz que está sendo convertido em “bode expiatório” da crise do Senado. Acha que a demissão iminente não lhe faz justiça.

 

Emociona-se. Afirma que vive um drama pessoal. Que já afeta inclusive, segundo diz, a saúde da mãe, uma senhora de 90 anos.

 

A degola de Gazineo é um dos tópicos do leque de sugestões moralizadoras que, referendado por 20 senadores, foi entregue a Sarney.

 

O sucessor de Agaciel foi aconselhado a pedir demissão, antecipando-se ao que parece inevitável. Soube que Sarney já procura um substituto.

 

Gazineo é visto por um pedaço da bancada de Senadores como uma extensão de Agaciel. Daí a pressão para que seja afastado.

 

Daí também a cogitação do diretor de investir judicialmente contra o ex, que não o acudiu. Seria um modo de mostrar que não é o “seis” no lugar do “meia-dúzia”.

 

As desavenças que separam Gazineo de Agaciel são parte do pano de fundo da crise do Senado.

 

Além da pressão política, Sarney é assediado por uma guerra entre as diferentes “facções” que incrustaram no organograma do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 05h32

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Salário do mordomo de Roseana é pago pelo Senado

José Cruz/ABr

 

Depois que José Sarney disse que a crise é do Senado e não dele, tudo ficou desobrigado de fazer sentido em Brasília.

 

Apenas os fatos ainda se animam a manter viva a conspiração contra o vale-tudo semântico inaugurado por Sarney.

 

Deve-se aos repórteres Rosa Costa e Rodrigo Rangel a descoberta do penúltimo grão de sujeira escondido sob o tapete metafórico do Senado.

 

A dupla informa que o contracheque do mordomo da casa que Roseana Sarney mantém em Brasília é pago pelo Senado.

 

Espécie de faz-tudo da filha do presidente do Senado, o mordomo ganha algo como R$ 12 mil por mês.

 

Chama-se Amaury de Jesus Machado. Atende pelo sugestivo apelido de “Secreta”. Nos últimos dez dias, esteve ao lado de Roseana em São Paulo.

 

A primogênita de Sarney deixou o Senado em abril. Renunciou para assumir o governo do Maranhão, que ganhou no tapetão do TSE.

 

Embora devinculada do Senado, Roseana continuou servindo-se dos bons préstimos do mordomo “Secreta”.

 

Ouvida, a governadora maranhense declarou: "Ele é meu afilhado. Fui eu que o trouxe do Maranhão...”

 

“...Ele vai à casa quando preciso, uma duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem".

 

De fato, o “Secreta” não ganha mal. O diabo é que o dinheiro que pinga na conta dele sai do bolso do contribuinte.

 

O mordomo de Roseana tem um longo histórico de serviços prestados aos Sarney. Ganhou emprego no Senado nos anos 90.

 

Antes, trabalhou no Palácio da Alavorada, durante o mandarinato de Sarney. Foi requisitado para o gabinete de Roseana em 2003, quando ela virou senadora.

 

Deve-se a assinatura do ato que oficalizou o deslocamento ao ex-diretor-geral Agaciel Maia. Além da remoção, “Secreta” ganhou gratificação.

 

O empresário maranhense Mauro Fecury, suplente de Roseana e velho amigo de Sarney, manteve “Secreta”, o pseudoassessor, em seu gabinete.

 

Sarney faz um enorme esforço para domar a crise. A cada nova revelação, porém, vai ganhando a aparência de um jóquei cego montando a mula-sem-cabeça.

 

No Senado dos dias que correm, o velho e doce hábito do empresguismo desfaz o monge.

- Atualização feita às 19h30 deste sábado (20): Roseana Srney soltou uma nota. Diz que o “Secreta” não é seu empregado. Apenas frequenta sua casa.

 

"Na minha casa não existe mordomo. Nunca existiu. Ele sempre vem a nossa casa, onde é recebido como qualquer outro amigo querido. Frequentou e vai freqüentar minha casa".

 

Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 04h48

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Lula: quem desmatou a Amazônia não é bandido

 

- Folha: Com a crise, fome cresce e afeta mais de 1 bilhão

 

- Estadão: Mordomo de Roseana Sarney recebe R$ 12 mil do Senado

 

- JB: Um bilhão de famintos no mundo

 

- Correio: Um bilhão passam fome no mundo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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DNA da crise!

Lute

Via blog do Lute.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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Lula: desmatador não pode ser chamado de ‘bandido’

Lula está de volta ao país. Nesta sexta (19), visitou a cidade matogrossense de Alta Floresta.

 

Em cerimônia que reuniu dez ministros e autoridades de três Estados –Mato Grosso, Pará e Rondônia—, lançou um mutirão pela regularização de terras.

 

Chama-se “Arco Verde Terra Legal”. Inclui também um esforço social: emissão de certidões de nascimento e concessão de aposentadorias.

 

Sobre o palanque, Lula concedeu uma espécie de anistia retórica aos responsáveis pelo desmatamento na Amazônia.

 

Disse que não se deve chamar desmatador de “bandido”. Tinha atrás de si o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente).

 

O mesmo que, dias atrás, chamou de “vigaristas” os parlamentares que defendem no Congresso os interessentes de agronegociantes.

 

Na contramaré do ministro, Lula acha que é preciso enxergar o desmatamento com os olhos da história.

 

No passado, admitia-se desmatar. Agora, não mais. "Tivemos um processo de evolução e agora temos que remar ao contrário...”

 

“...Temos que dizer para as pessoas que se houve um momento em que podíamos desmatar, agora desmatar joga contra a gente".

 

Presente à cerimônia, o governador de Mato Grosso Blairo Maggi (PR) foi afagado por Lula.

 

Megaprodutor de soja, Maggi é execrado pelos ambientalistas. teve embates homéricos com Minc.

 

Para Lula, o governador está quaificado para “exercer qualquer cargo neste país”.

 

"O Blairo é um parceiro de primeira hora, tem sido um governador que tem tido um grau de companheirismo e de lealdade, e isso é recíproco...”

 

“...Nós vamos estar juntos em qualquer circunstância. O Blairo é quem escolhe o que ele vai querer ser na vida".

 

De resto, Lula atacou as ONGs que se opõem a MP da Amazônia. Aquela que autoriza a doação ou venda de terras da União ocupadas por posseiros e empresas na Amazônia.

 

Disse que não é verdade que a medida estimule a grilagem. Ao contrário, levará paz ao campo (Assista no vídeo grudado ao rodapé).

 

Enquanto Lula desautorizava Carlos Minc e adulava Blairo Maggi, o diretório nacional do PT expedia uma nota de apoio ao ministro petista do Meio Ambiente.

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Sarney ‘combate’ a crise com a cara da impotência

A crise do Senado é inqualificável. Muito fácil, portanto, de qualificar. É um conchavo da falta de pudor com a carência de escrúpulos, do qual a ética preferiu se abster.

 

Nesta sexta (19), José ‘a crise não é minha’ Sarney escreveu outra página inacreditável de um enredo impensável.  

 

Veio à boca do palco para desdizer o que afirmara há quatro dias. Na terça (16), dissera, da tribuna: “Aqui, ninguém sabe o que é ato secreto”.

 

Desautorizado pelo funcionário que cuida da publicação dos atos, Franklin Albuquerque Paes Landim, Sarney desistiu de negar o inegável.

 

Chamou aos repórteres para anunciar a abertura de uma sindicância. Depois, virá um inquérito administrativo. Tudo sob rigor inaudito.

 

A presidência de Sarney envelhece precocemente. Começou faz quatro meses e meio. Mas carrega os vícios de uma década e meia.

 

Sarney trava um pseudocombate contra um monstro que ajudou a criar. Comparece à briga com a cara da impotência.

 

Tornou-se uma espécie de nada com carro oficial. Virou a irresolução com status de presidente.

 

Falta-lhe a disposição de um zagueiro à moda antiga. Do tipo que mira o calcanhar do centro-avante já nas primeiras entradas.

 

Só pra deixar claro quem manda nos arredores da grande da área. Sarney, por comprometido, pegou leve. E toma gols desde fevereiro.

 

Não chutou Agaciel Maia da direção-geral. Sobreveio a mansão oculta de R$ 5 milhões. Afastou-o, mas sob elogios.

 

Sobrevieram as brigas internas, os privilégios inexplicáveis, a “mãe preta” de João Zoghbi e um interminável etc.

 

Súbito, saltou do monturo a mutreta dos atos secretos. Sarney ligou o piloto automático. Negou. Apareceu um neto. Disse que não sabia.

 

Surgiu uma sobrinha. E outra. Um irmão. De permeio, a filha de um amigo. Sem contar a apadrinhada do Renan.

 

Tornara-se difícil apagar a certeza de que Sarney agiria para honrar as concessões exdrúxulas que fizera à falta de senso.

 

No discurso de terça, subvertera a semântica para dizer que a crise não é sua, mas do Senado. Coisa do passado. Nada a ver com ele.

 

Rendido à ilógica, Sarney corre atrás dos fatos. Sobre os parentes, desconversa. Sobre modificações na direção-geral, passa a bola adiante.

 

É certo que, cedo ou tarde, senadores serão intimados pelos fatos a prestar contas pelos malfeitos. Sarney ocupa o primeiro lugar da fila.

 

Conselho de Ética? Não, não. Absolutamente. Para Sarney, o foro adequado é o STF.

 

Mede-se o tamanho do político pelo tipo de pergunta que é obrigado a responder. Sarney tornou-se um presidente-anão.

 

Sua gestão deslizou para o vácuo moral. De agora em diante, tudo será epílogo para Sarney.

 

Fraco e acuado, o tri-presidente do Senado, verá suas boas intenções perderem-se no mesmo abismo que sorveu as biografias de ACM, Jader Barbalho e Renan Calheiros.

Escrito por Josias de Souza às 17h22

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Senado escondeu atos de propósito, diz funcionário

Sérgio Lima/Folha

 

Na última terça-feira (16), do alto da tribuna do Senado, José Sarney discursara: "Eu não sei o que é ato secreto. Aqui, ninguém sabe o que é ato secreto".

 

Era lorota. Chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado, Franklin Albuquerque Paes Landim, sabe muito bem o que é ato secreto.

 

Para desassossego de Sarney, Franklin contou o que sabe aos repórteres Andreza Matais e Adriano Ceolin.

 

O depoimento vai à fogueira como um jato de gasolina. Segundo Franklin, os atos administrativos secretos do Senado foram escondidos de propósito.

 

Chegavam à sua mesa com um carimbo: “Publique-se”. Mas nem todos ganhavam a publicidade exigida pela Constituição.

 

Franklin revelou que recebia ordens para esconder uma parte dos atos. A determinação partia de dois ex-diretores do Senado.

 

Sim, exatamente, eles mesmos: Agaciel Maia, ex-diretor-geral, e João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos.

 

Minucioso, Franklin relatou que as ordens de Agaciel chegavam pelo telefone. As de Zoghbi, que despachava no mesmo andar, eram dadas pessoalmente.

 

Referindo-se especificamente a Agaciel, Franklin declarou: "Ele mandava guardar. Dizia: ‘Esse você não vai [publicar]. Você aguarda’”...

 

“... Com esse aguarda, às vezes mandava publicar, às vezes não. Podia ser amanhã, podia ser depois."

 

Franklin informou que alguns dos atos sigilosos do Senado permaneceram guardados durante "anos".

 

A coisa funcionava assim: diante de uma ordem para esconder determinado ato, Franklin o levava a uma pasta. Dali só saíam mediante nova orientação.

 

Quantos foram os atos secretos? No comando do setor de publicação há quatro anos, Franklin disse que nunca contou.

 

Comissão formada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) faz a contagem. Já contabilizou 623. Começaram a ser editados em 1995.

 

Nesse ano, eleito para a primeira de suas três presidências no Senado, Sarney nomeara Agaciel Maia para a direção-geral.

 

O mandarinato de Agaciel durou 14 anos. Teria durado mais, não fosse pela revelação de que escondera a posse de uma mansão avaliada em R$ 5 milhões.

 

Franklin decidiu quebrar o silêncio por receio de que a corda se rompa para o seu lado. "[...] Não vou pagar por isso. Eu vou dizer a verdade. Eu não temo nada".

 

Ele disse que “nunca” recebeu ordem de nenhum senador para esconder esse ou aquele ato administrativo. Só de Agaciel e de Zoghbi.

 

Em entrevista veiculada no último final de semana, Agaciel dissera que ninguém no Senado poderia alegar desconhecimento sobre a burocracia cladestina da Casa.

 

O ex-superdiretor afirmara que “as decisões foram referendadas por um colegiado”, a Mesa diretora do Senado.

 

Negara, porém, que o segredo fosse proposital: “O Senado publica por ano cerca de 60 mil atos e decisões administrativas. Pode acontecer alguma falha...”

 

“...Se houve mesmo, uma comissão nomeada pelo senador Heráclito Fortes deverá apontá-la. Posso apenas assegurar que nenhum ato ilegal foi baixado”.

 

Confrontado com as declarações do servidor Franklin, o lero-lero de Agaciel, repisado por Sarney no discurso de terça, ganha as feições de rematada mentira.

 

A maioria dos atos clandestinos serviu para criar cargos, aumentar salários e contratar ou exonerar parentes e amigos de senadores e de servidores graduados.

 

No discurso em que tentou saltar das labaredas, Sarney pontificara: "A crise do Senado não é minha. A crise é do Senado”.

 

A frase, que já não parecia fazer sentido, virou pó. Noves fora o fato de ter nomeado e mantido Agaciel enquanto pôde, Sarney comparece à crônica secreta como beneficiário.

 

Sabe-se, por ora, que pelo menos oito parentes do senador passearam pela folha de pagamento do Senado.

 

Desse total, pelo menos quatro foram contratados e/ou exonerados por meio dos famigerados atos secretos.

 

Resta a Sarney a defesa à moda Lula: “Eu não sabia”. Surge, então, a pergunta inevitável: Afora o presidente da República, quem se anima a acreditar?

Escrito por Josias de Souza às 04h46

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Collor busca alianças para se tornar relator de CPI

Tucanos e ‘demos’ acenam com o apoio ao ex-presidente

 

  Alan Marques/Folha
Desenrola-se nos subterrâneos do Senado uma articulação inusitada.

 

No centro da costura está o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).

 

Em privado, Collor manifestou o desejo de assumir a função de relator da CPI da Petrobras, cuja instalação vem sendo adiada há três semanas.

 

Obteve o apoio instantâneo das cúpulas do PSDB e do DEM.

 

E tenta atrair o suporte de Renan Calheiros (AL), líder do PMDB.

 

Collor tateia uma brecha que se abriu graças às rusgas que envenenam as relações de Renan com Aloizio Mercadante (SP), líder do PT.

 

Guiados pelo Planalto, Renan e Mercadante puseram-se de acordo quanto à conveniência de o governo controlar os dois postos de comando da CPI.

 

Acertou-se que o PT ficaria com a presidência e o PMDB com a relatoria. A desavença aflorou na hora de definir os nomes.

 

Mercadante sugeriu Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, para a cadeira de relator. O Planalto comprou a idéia. Renan torceu o nariz.

 

Governista como Jucá e aliado de Renan, Collor enxergou no impasse a oportunidade para apresentar-se como alternativa.

 

Uma opção que, levada aos ouvidos dos operadores do PSDB e do DEM, despertou interesse inaudito.

 

Na oposição, Collor é visto como um governista “diferenciado”. Avalia-se que o ex-presidente do impeachment deseja restaurar a biografia.

 

Imagina-se que, a despeito do apoio que dá a Lula, não vai à CPI com o ânimo de abafar as investigações a qualquer preço.

 

Ao menos da boca pra fora, as manifestações de Collor tonificam a crença da oposição. No final do mês passado, em entrevista ao blog, o senador dissera:

 

“Eu não farei parte de nenhuma tropa de choque na CPI”.

 

A oposição dispõe de três votos na CPI. Com o de Collor, quatro. O PMDB tem três –o de Jucá e outros dois, integralmente alinhados com Renan.

 

Na hipótese de o líder do PMDB se acertar com Collor, o ex-presidente amealharia pelo menos seis dos 11 votos disponíveis na CPI.

 

Resta saber como vai se comportar Renan. Nos últimos dias, o mandachuva do PMDB passou a raciocinar com a balança.

 

Num prato, acomodou a CPI da Petrobras. Noutro, a fogueira moral em que ardem o aliado Sarney, a estrutura burocrática do Senado e ele próprio.

 

Em tese, conviria a Renan apressar a instalação da CPI da Petrobras. As mazelas do Senado deixariam de monopolizar as atenções.

 

Receia, porém, desagradar Lula, que hipotecou apoio irrestrito a Sarney, um personagem que “não pode ser tratado como pessoa comum”.

 

Em conversa com Renan, o ministro José Múcio (Articulação Política) reiterou: ao governo interessa empurrar a CPI com a barriga.

 

A oposição já recuou na CPI das ONGs. Arthur Virgílio (PSDB-AM) topou devolver a relatoria da investigação ongueira ao relator-destituído Ignácio Arruda (PCdoB-CE).

 

A bola voltou aos pés dos líderes do consórcio governista. Que permanecem embolados no meio do campo.

 

Jucá sugeriu a data de 30 de junho para o início da investigação da Petrobras. A oposição gostaria que fosse antes. Mas não tem votos para se impor.

 

Renan ainda não se comprometeu com a data. Por ora, a única novidade levada à panela em que a CPI é cozinhada em banho-maria é o nome de Collor.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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Em nota, CNBB repudia a corrupção e a impunidade

Guto Cassiano

 

Num instante em que o Senado encontra-se imerso em denúncias, a CNBB divulgou uma nota de repúdio à corrupção.

 

Sob o título “A Superação da Corrupção na Política: Salvaguarda da Ética e da Democracia”, o texto abre com uma citação bíblica (Timóteo 6,10):

 

“Na verdade, a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro”.

 

O documento manifesta a “indignação” da entidade máxima da Igreja “diante das repetidas acusações de corrupção”.

 

Classifica “a corrupção e a decorrente impunidade” como as “grandes ameaças ao sistema democrático”.

 

Realça o fato de que “raramente se tem notícias sobre a restituição dos recursos e bens públicos usurpados”.

 

Não há menção explícita ao Congresso, mas uma referência genérica à reiteração dos malfeitos no âmbito dos “poderes constituídos”.

 

Faz alusão à “política” e às “exigências éticas do evangelho”. Empilha as “virtudes sociais” de que deveriam ser dotados os políticos:

 

“Competência, retidão, transparência e espírito de serviço”.

 

Repisa a tecla que motivou a nota: “A superação da corrupção exige pessoas e partidos com perfil íntegro para o exercício do mandado público”.

 

A CNBB critica a atuação da imprensa. Reconhece que tem “divulgado a prática de comprovada corrupção nos meios políticos como um círculo vicioso [...]”.

 

Mas ressalva: “Ao mesmo tempo em que a mídia funciona como caixa de ressonância, denunciando os males presentes na vida política...”

 

“...Muitas vezes pode semear na opinião pública a idéia da inutilidade do Congresso, desvalorizando a democracia”.

 

A Igreja defende a “reforma política”, um projeto que, no vaivém do Legislativo, foi mandado à cova pela enésima vez.

 

Conclama a sociedade a se engajar num “projeto de lei de iniciativa popular” que trate da reforma natimorta e também da vida pregressa dos candidatos –“Projeto Ficha Limpa”.

 

São três os signatários da nota: Dom Geraldo Lyrio Rocha, Dom Luiz Soares Vieira e Dom Dimas Lara Barbosa –respectivamente presidente, vice e secretário-geral da CNBB.

 

Integram Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Reuniram-se em Brasília de terça (16) a quinta (18).

 

- Serviço: pressionando aqui, você chega à íntegra do documento da CNBB.

- PS.: Ilustração via blogt do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Calote com cheques é o maior desde 1991

 

- Folha: Senado escondeu atos de propósito, afirma servidor

 

- Estadão: Terceiro mandato recebe veto de relator na Câmara

 

- JB: Caiu o uso da camisinha

 

- Correio: Lei seca leva 300 por mês à Justiça

 

- Valor: Oferta de ações faz avançar a pulverização do capital

 

- Estado de Minas: Onde mais se rouba carro na capital

 

- Jornal do Commercio: Mais policiamento nas Festas Juninas

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Os nós do Senado!

Ique

Via JB Online. Visite também o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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STF arquiva denúncia contra Palloci na ‘máfia do lixo’

  Folha
Foi ao arquivo, nesta quinta (18), uma das denúncias protocoladas contra Antonio Palocci (PT-SP) no STF.

 

Trata-se do caso em que Palocci foi acusado de receber propina mensal de R$ 50 mil de uma empresa de lixo (Leão&Leão) de Ribeirão Preto.

 

A encrenca é da década de 90. Ainda na fase de inquérito policial, uma testemunha contara em depoimento como funcionava o esquema.

 

Dissera que a verba era repassada pela empresa ao então secretário de Fazenda da gestão Palocci em Ribeirão.

 

Por ordem do prefeito, o dinheiro era borrifado nas arcas clandestinas de candidatos do PT.

 

Depois, em batida realizada na sede da Leão&Leão, a polícia recolheu uma planilha nos computadores da empresa.

 

O papel mencionava valores repassados a um certo Dr.. Na interpretação do Ministério Público, tratava-se do prefeito, o médico Palocci.

 

Instado pelo Supremo a se manifestar, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza opinou pelo arquivamento.

 

Disse que a simples menção a um par de letras –Dr.— não constitui prova cabal do envolvimento de Palocci na encrenca.

 

Relator do caso, Joaquim Barbosa endossou o parecer do procurador-geral:

 

“A denúncia carece em relação ao acusado Palocci de elementos que demonstrem sua efetiva participação nos fatos investigados”.

 

Acompanharam o voto de Joaquim outros oito ministros: Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau...

 

...Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Celso de Mello e Gilmar Mendes.

 

Houve uma única e escassa exceção. Marco Aurélio Mello posicionou-se a favor da abertura de ação penal contra Palocci.

 

Argumentou que, para a abertura da ação, não há a necessidade da existência de provas. Bastam os indícios. Foi à ata como voto vencido.

 

Resta agora ao Supremo decidir se abre ou não uma ação penal contra Palocci no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Escrito por Josias de Souza às 20h52

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Relator sugere a rejeição da emenda do '3º mandato'

José Cruz/ABr

 

Incumbido de relatar a emenda do terceiro mandato, o petista José Genoino (SP) portou-se com raro acerto.

 

Recomendou o arquivamento da macumba já na primeira encruzilhada, a Comissão de Constituição e Justiça.

 

Nesse estágio, cabe ao relator analisar a constitucionalidade da proposta. E Genoino foi assertivo.

 

Disse que a proposta do terceiro mandato, de autoria de Jackcon Barreto (PMDB-SE), "parece irremediavelmente fulminada de inconstitucionalidade”.

 

Por quê? Atinge “valores e elementos essenciais do Estado democrático republicano". Mais: "Agride o senso comum de justiça e a razoabilidade".

 

Genoino lembrou que já se havia posicionado contra o instituto da reeleição, aprovado sob FHC. Pelas mesmas razões, não concorda com a re-reeleição.

 

A emenda de Barreto sugere a realização de um plebiscito em setembro. E o relator acha que não se pode cogitar a mudança das regras do jogo no meio da partida.

 

"A relação entre maioria e minoria é uma relação que se estende no tempo e se altera pelas regras do jogo...”

 

“...Por isso que existe um princípio de que a democracia é a certeza das regras e a incerteza dos resultados".

 

Com a imagem ainda tisnada pelo escândalo do mensalão, Genoino como que aproveita a oportunidade para polir a própria biografia.

 

O texto do deputado terá de ser votado pela comissão, em data a ser marcada. Espera-se que a sessão ocorra antes do início do recesso do meio do ano.

 

- Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do parecer do relator.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

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PSOL já cogita acionar Sarney no Conselho de Ética

  Fábio Pozzebom/ABr
Advogados a serviço do PSOL começaram a analisar a viabilidade jurídica de uma representação contra José Sarney (PMDB-AP).

 

Presidido pela ex-senadora Heloísa Helena (AL), o PSOL cogita levar o presidente do Senado ao Conselho de Ética.

 

A legenda reúne dados capazes de fundamentar uma representação por quebra do decoro parlamentar.

 

Membro da Executiva Nacional do PSOL, o deputado Chico Alencar (RJ) disse ao blog que o partido “está fazendo uma análise bastante criteriosa”.

 

Afirmou que não faria sentido apresentar uma representação que não tivesse “condições reais” de prosperar.

 

Único senador do PSOL, José Nery (PA) subiu à tribuna na tarde desta quinta (18). Cobrou a elucidação das denuncias que assediam o Senado.

 

Disse que os escândalos reclamam a punição dos culpados. Sejam eles quem forem –“servidor, senador ou membros da Mesa”.

 

Ao final do discurso, Nery deixou claro que seu partido não exclui a hipótese de recorrer ao Conselho de Ética.

 

Segundo Nery, o PSOL aguardará as providências que Sarney promete adotar na semana que vem.

 

Repisou sugestões que apresentara na véspera. Entre elas a idéia de constituir uma comissão de senadores de todos os partidos.

 

O grupo conduziria, num prazo de 30 dias, investigação de todas as mazelas do Senado –de irregularidades em contatos aos atos administrativos secretos, já contabilizados em 623.

 

“A palavra está com a Mesa [diretora do Senado]. Ou nós fazemos o que temos de fazer ou a sociedade nos cobrará com juros e correção...”

 

“...Não basta anunciar medidas paliativas e inconsistentes, que sobrevivem apenas até o próximo escândalo”.

 

Repete-se com Sarney o que ocorrera com Renan Calheiros (PMDB-AL). Foi o PSOL a primeira legenda a investir contra Renan em 2007.

 

Iniciada em fevereiro passado, a terceira presidência de Sarney no Senado encontra-se sob denúncias há quatro meses e meio.

 

O escândalo que frequenta as manchetes no momento –o caso dos atos administrativos secretos—arrastou Sarney para o centro da fogueira.

 

Parentes do senador –um neto e duas sobrinhas. Nesta quinta (18), foi pendurado nas manchetes um irmão de Sarney.

 

Na última terça (16), em discurso de autodefesa, Sarney dissera que a crise é do Senado, não dele.

 

Nos subterrâneos, ouvem-se críticas a Sarney em todas as legendas. O PSOL é a primeira que esboça a intenção de converter os reparos numa representação formal.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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Pacote ‘moralizador’ ganha a adesão de 20 senadores

José Cruz/ABr

 

Elaborado na hora do almoço e exposto em plenário no meio da tarde, o pacote de “moralização” do Senado contava, na noite passada, com a adesão de 20 senadores.

 

Os idealizadores da proposta ainda tentam recolher novas assinaturas. Mas, seja qual for o resultado da empreitada, pretendem entregar a proposta ainda nesta quinta (18).

 

O texto será protocolado na Mesa diretora do Senado. José Sarney prometeu submetê-lo aos demais dirigentes da Casa na próxima terça (23).

 

Conforme noticiado aqui, a proposta sugere um feixe de providências –da demissão do diretor-geral Alexandre Gazineo à realização de auditorias e investigações externas.

 

Antes de ouvir os membros da Mesa, Sarney pode se reunir com os senadores que redigiram a proposta num encontro ocorrido no gabinete de Tasso Jereissati (PSDB-CE).

 

São oito senadores. Além do anfitrião, os tucanos Sérgio Guerra e Arthur Virgílio, os peemedebistas Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, o petista Tião Viana...

 

...o pedetista Cristovam Buarque e o socialista Renato Casagrande. Convidado, o ‘demo’ Demonstenes Torres não pôde comparecer. Mas aderiu ao texto.

 

O líder petista Aloizio Mercadante, outro senador que subscreveu a proposta, aconselhou Sarney a chamar o grupo para uma conversa.

 

Tasso também foi a Sarney. Disse-lhe que o movimento pró-reforma não é uma contestação à presidência. Nada de "Xô, Sarney". Visa o soerguimento do Senado.

 

Lero vai, lero vem, aventou-se a hipótese de organizar um almoço de Sarney com o “grupo dos nove”. Pode ocorrer ainda nesta quinta (18) ou na próxima terça (23).

 

No dedo de prosa que trocou com Sarney, Tasso disse só meia verdade. Não é fato que o grupo que reunira em seu gabinete não conteste o presidente do Senado.

 

Os senadores apenas concluíram que a renúncia é ato unilateral. Depende da vontade de Sarney. E como ele não cogita desgrudar da cadeira, seria inútil, por ora, exigir sua saída.

 

Preferiu-se acomodar sobre o papel o conjunto de propostas. Ainda que o grupo duvide da capacidade e do desejo de Sarney de promover uma verdadeira reforma.

 

No encontro a portas fechadas, ouviram-se críticas acerbas a Sarney. Fizeram-se referências depreciativas ao discurso que o senador fizera na véspera. Aquele em que disse que a crise é do Senado, não dele.

 

Cristovam chegou a levar à mesa a idéia de um pedido de licença do presidente. Simon, um dos mais cáusticos, insinuou que a gestão Sarney pode não chegar ao final.

 

Jarbas disse claramente que descrê dos alegados propósitos reformistas de Sarney e do grupo dele. Um raciocínio compartilhado por Tião Viana.

 

Sérgio Guerra contou que visitara Sarney. Fora à casa dele. Dividiram a mesa do café da manhã. Aconselhara-o a fazer ajustes radicais.

 

Nos subterrâneos, Renan Calheiros, líder do PMDB e –na visão de muitos— presidente informal do Senado, pôs em marcha uma estratégia dupla. Morde e assopra.

 

As mordidas são terceirizadas. Nesta quarta (17), por exemplo, foram desferidas por Wellington Salgado (PMDB-MG), um soldado raso da tropa de Renan.

 

Chamou de “teatro” a proposta que Tasso expôs em plenário. E saiu em defesa de Sarney, repisando a tecla de que as mazelas são de responsabilidade coletiva.

 

Quanto aos assoporos, Renan cuida de emiti-los pessoalmente. Tocou o telefone para Jarbas e Simon, dois dissidentes que não se submetem à sua liderança.

 

O pretexto do telefonema foi uma nota veiculada num jornal brasiliense.

 

Informava que Renan, em diálogo com Sarney, o aconselhara a valer-se do regimento para tentar limitar o acesso de Jarbas e Simon à tribuna.

 

Renan disse aos interlocutores que se tratava de uma “mentira”. Afirmou, de resto, que planeja chamar os desafetos para uma conversa. Disse estar “em falta” com ambos.

 

Em privado, Renan desdenha do pacote moralizador que os rivais puseram de pé. Diz que contém idéias que ele próprio e Sarney já haviam combinado adotar.

 

Sustenta que, na próxima semana, Sarney anunciará medidas que deixarão a imprensa e os adversários do Senado “surpresos”.

Escrito por Josias de Souza às 05h19

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Eleição terá propaganda e coleta de fundos via web

Os líderes dos partidos com representação na Câmara costuram um acordo para incluir a internet no projeto de reformulação da lei eleitoral.

 

O esqueleto do projeto de lei, conforme noticiado aqui, está pronto faz duas semanas. Redigiu-o Flávio Dino (PCdoB-MA).

 

O deputado não tratara, porém, do uso da internet na eleição. Algo que a maioria dos partidos considera indispensável.

 

Nos últimos dias, Dino recolheu sugestões. Move-se com delegação do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

 

O texto deve ser fechado no início da semana que vem. No que diz respeito à rede, deve prever o seguinte:

 

1. Candidatos e partidos poderão recolher fundos de campanha por meio da internet. Valerá só para doações de pessoas físicas;

 

2. Além da propaganda no rádio e na TV, será permitida a publicidade eleitoral em sítios mantidos por candidatos e partidos políticos na web;

 

3. Será vetada a veiculação na rede de propaganda paga.

 

Deve-se permitir, porém, que anúncios políticos veiculados em jornais e revistas sejam reproduzidos nas páginas eletrônicas dos veículos de comunicação;

 

4. A nova lei deve autorizar o envio de mensagens eletrônicas aos eleitores;

 

5. Provedores de intermet serão proibidor de vender ou ceder dados cadastrais de seus assinantes a partidos e candidatos.

 

Temer pré-agendou com os líderes a data da votação da nova lei. Se tudo correr como planejado, vai a voto em 30 de junho, uma terça-feira.

 

Trava-se uma corrida contra o tempo. Para que sejam aplicadas no pleito de 2010, as novas regras precisam ser aprovadas até o final de setembro.

 

Vencida a fase da Câmara, vai ao Senado. Que terá de aprovar o projeto tal como o receber. Do contrário, volta para a Câmara. E talvez não haja tempo.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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Senado abre o caminho para 7.343 novos vereadores

  Geraldo Magela/Ag.Senado
A foto ao lado expõe um raro momento de alegria desfrutado pelo pseudopresidente do Senado.

 

José Sarney foi adulado por suplentes de vereadores que lotavam as galerias do Senado na sessão desta quarta (17).

 

Os senadores aprovaram uma emenda à Constituição que pavimenta o caminho para a abertura de 7.343 vagas vereadores no país.

 

A emenda fixa limites para os gastos das Câmaras Municipais. Uma condição para que seja promulgada uma outra emenda, que aumenta o número de vereadores.

 

A novela dos vereadores começara na Justiça. O STF reduzira o número de vereadores. Não tratara, porém, dos gastos feitos pelos legislativos municipais.

 

Se o Brasil fosse um país regido pela lógica, as despesas cairiam. Porém, submetido à ilógica que costuma guiar a política, elas cresceram na maioria das cidades.

 

Pior: suplentes de vereador armaram um lobby no Congresso para que a decisão do STF fosse revertida. Queriam porque queriam tornar-se vereadores.

 

A pressão surtiu efeitos. Deputados e senadores vêem os vereadores como espécies de cabos-eleitorais de luxo. Poucos se atrevem a contrariá-los.

 

Vem daí que a Câmara aprovou a emenda recriando as 7.343 cadeiras que o STF extinguira.

 

Os deputados tiveram o cuidado, porém, de impor limites para os gastos das Câmaras. Atrelou-os a percentuais da arrecadação municipal.

 

Enviada ao Senado, a emenda da Câmara sofrera uma poda deletéria. Os senadores aprovaram a recriação das vagas, mas suprimiram o artigo que protegia as arcas.

 

Em fim de gestão, o ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tomou uma decisão sensata. Recusou-se a promulgar a emenda perneta.

 

Hordas de suplentes de vereadores passaram a bater ponto no Congresso. De gabiente em gabinete, exigiram uma solução.

 

Daí a emenda aprovada agora pelo Senado. Foi vendida como uma peça moralizadora.

Atrela os gastos com vereadores ao tamanho da população de cada cidade.

 

Municípios com até 100 mil habitantes gastarão 7% de toda a sua coleta, incluindo os repasses da União.

 

O percentual vai sendo reduzido à medida que aumenta a população –6%, 5%, 4,5%, 4%— até atingir o mínimo (3,5%), para cidades maiores. São Paulo, por exemplo.

 

Os senadores dizem que a coisa resultará em economia de R$ 1,4 bilhão para as cidades. Meia verdade.

 

A parte mentirosa consiste no seguinte: pela proposta da Câmara, que os senadores rejeitram, a economia seria maior.

 

Teria sido maior ainda se o Congresso capricasse ainda mais no corte de despesas sem sem recriar as vagas de vereadores.

 

Mas isso só teria sido possível se o Brasil fosse um país lógico. A emenda do Senado foi enviada à Câmara, que deve confirmar o ilógico.

 

Depois, os suplentes de vereador ficarão pendurados no STF. Caberá ao tribunal decidir se a recriação das cadeiras que extinguira vale imediatamente ou só para a próxima eleição.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Lula defende Sarney e faz críticas a denuncismo

 

- Folha: Lula apoia Sarney e ataca 'denuncismo'

 

- Estadão: Fed ganha 'superpoder' para controlar mercado nos EUA

 

- JB: Lei Seca poupou 796 vidas e R$ 6,9 bilhões

 

- Valor: Juros agora cairão pouco e devagar

 

- Jornal do Commercio: Recife é exemplo na guerra ao fumo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Irmandade secreta!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Em entrevista, Obama revela-se grande mata-moscas

Obama falava a um repórter da TV CNBC. Discorria sobre a encrenca do Irã. Uma mosca pôs-se a rondar o presidente dos EUA.

 

Incomodado, Obama tentou espantar o inseto. E nada. Súbito, o “inimigo” cometeu um erro: pousou na mão de Obama. Foi fatal.

 

Dono de um talento insuspeitado, Obama revelou-se um fantástico exterminador de moscas.

Escrito por Josias de Souza às 21h00

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Grupo de nove senadores propõe pacote moralizador

No plenário, Tasso enquadra Salgado, o colega ‘sem voto’

 

Lula Marques/Folha

 

O Senado, como se sabe, frequenta o noticiário como uma espécie de elefante à procura de um rajá, um líder que o monte.

 

Nesta quarta (17), um grupo de nove senadores reuniu-se para acomodar sobre o papel um itinerário para o elefante.

 

Coube a Tasso Jereissati (PSDB-CE) enunciar em plenário o roteiro anticrise esboçado pelo grupo.

 

Súbito, Wellington Salgado (PMDB-MG), um conhecido miliciano de Renan Calheiros (PMDB-AL), levou os lábios ao microfone.

 

Dirigindo-se ao pseudorajá José Sarney, que dirigia a sessão, Salgado disse que tentam responsabilizá-lo por “tudo o que acontece no Senado”.

 

Tachou de “teatro” o rol de sugestões que Tasso acabara de enumerar. Reduziu a iniciativa a um chororô de derrotados.

 

"Não há decisão, publicada ou não, que não passe pelo colégio de líderes e pela Mesa”, disse Salgado.

 

“Vivemos aqui um grande teatro. É uma lua de mel com a derrota. Quem perdeu, continua vivendo com a derrota".

 

Abespinhado, Tasso retomou a palavra. Disse que há, sim, um grupo de senadores que vêem a crise do Senado com “desconforto”.

 

“Muito desconforto”, enfatizou. “Não é pouco não”. Em seguida, traçou a linha divisória que separa o grupo de Salgado:

 

“Senador que nunca disputou uma eleição na vida não tem o mesmo desconforto daqueles que dependem da opinião publica”.

 

Salgado é um senador “sem voto”. É suplente do ministro Hélio Costa (Comunicações), de cuja campanha foi o principal financiador.

 

No Senado, Salgado alistou-se na milícia de Renan, protagonista de dois infrutíferos pedidos de cassação. Agora, ainda sob ordens de Renan, alinha-se a Sarney.

 

"A minha vida, do senador Suplicy e do Cristovam é diretamente relacionada ao pensamento que a opinião pública tem sobre nós”, reforçou Tasso.

 

“Nós temos, sim, que prestar satisfação à opinião pública brasileira e agir com humildade...”

 

“...Aqueles que nunca participaram de uma eleição, pensem três vezes antes de pensar sobre a opinião pública".

 

Além de Tasso, o grupo que propõe mudanças no Senado é integrado por: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Simon (PMDB-RS)...

 

...Cristovam Buarque (PDT-DF), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Tião Viana (PT-AC), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

 

Sugerem o seguinte:

 

1. Demissão do diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, um dos signatários de atos administrativos seretos;

 

2. Votação em plenário, se possível na próxima semana, do nome do substituto de Gazineo;

 

3. Afastamento de todos os outros gestores do Senado, para que o novo diretor-geral tenha “carta branca” e possa compor uma nova equipe;

 

4. Apresentação de um projeto de reforma administrativa. Seria exposta pelo novo diretor-geral, em plenário, numa sabatina que antecederia a aprovação do nome;

 

5. Fixação de metas para o diretor-geral. Entre elas redução de pessoal e suspensão imediata de todas as novas contratações.

 

6. Eliminação de todas as vantagens concedidas aos senadores que não sejam essenciais ao exercício do mandato;

 

7. Realização de reunião ordinária mensal do plenário, para deliberar sobre a pauta de votações do mês seguinte.

 

Uma forma de acabar com o lero-lero de que os senadores não sabem o que votam na hora em que são chamados a referendar decisões da Mesa diretora;

 

8. Contratação de auditoria externa para perscrutar todos os contratos firmados pelo Senado.

 

9. Investigação externa das denúncias que pesam sobre os ombros dos ex-diretores Agaciel Maia e João Zoghbi (Recursos Humanos).

 

No dizer de Tasso, a investigação pode ser feita “pela Polícia Federal” ou pela empresa de “auditoria externa à estrutura do Senado”.

 

10. Concluídas as apurações, adoção de providências que levem à punição dos malfeitos comprovados.

 

Depois de ouvir, Sarney disse a Tasso que submeterá as sugestões à Mesa, em reunião que fará na terça-feira (23) da semana que vem.

 

Assista no vídeo abaixo a um trecho do rififi que opôs Tasso a Salgado.

Escrito por Josias de Souza às 20h22

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Relator pede cassação de Edmar; E o filho: ‘Veado’

Sérgio Lima/Folha

Filho de Edmar Moreira (centro) chama Fonteles (esquerda), algoz do pai, de 'veado'

 

Reuniu-se nesta quarta (17) o Conselho de Ética da Câmara. Na pauta, o processo contra Edmar Moreira, o deputado do castelo.

 

Relator do caso, Nazareno Fonteles (PT-PI) fez o que deveria ser feito: recomendou que seja passado na lâmina o mandato do colega.

 

Considerou grave o fato de Edmar ter usado verbas da Câmara para contratar empresas de segurança de sua propriedade.

 

Para Fonteles, houve violação aos “princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da moralidade”.

 

Pior: o relator considerou que há indícios de que o serviço de segurança que Edmar diz ter contratado nem foi realizado.

 

A verba escorreu das arcas da Viúva para o bolso de Edmar. Quando tudo parecia caminhar nos trilhos, descarrilou.

 

Um pedido de vista do processo adiou a votação. O relatório de Fonteles só deve ser apreciado em agosto, depois do recesso parlamentar.

 

Como se fosse pouco, o deputado estadual Leonardo Moreira (DEM-MG), filho de Edmar, foi ao centro do palco. Protagonizou uma cena grotesca.

 

Junto com o pai, Leonardo achegou-se a Fonteles. Mão sobre os lábios disparou: “Você é um Veado”. Mostrou que a desqualifiação moral também pode ser um defeito genético.

 

Vai abaixo um trecho de entrevista concedida pelo relator Fonteles.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Na opinião de Lula, Sarney não é ‘pessoa comum’

Em viagem à Ásia, Lula trocou um dedo de prosa com os repórteres sobre a crise do Senado. Disse que não leu o noticiário sobre Sarney. Não leu e não gostou.

 

A pretexto de defender Sarney, disse que ele “tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.

 

Lula tem razão. Sarney não é um qualquer. Merece tratamento epecial. Mais rigoroso que o habitual.

 

Já entrado em anos, com 55 anos de política nas costas, já deveria saber: na administração pública, não há espaço para decisões secretas.

 

Lula revelou-se incomodado com a avalanche de denúncias: "Elas não têm fim e depois não acontece nada".

 

Certo, muito certo, certíssimo. Desde a posse de Sarney, em fevereiro, as mazelas do Senado chegam às manchetes em catadupas. E não acontece nada.

 

Referindo-se à burocracia clandestina do Senado, Lula disse: "Essa história tem que ser mais bem explicada. Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo...”

 

“...Quando tivemos o Congresso Nacional desmoralizado e fechado foi muito pior para o Brasil...”

 

“...Portanto é importante pensar na preservação das instituições e separar o joio do trigo. Se tiver coisa errada, que se faça uma investigação correta".

 

A encrenca, de fato, reclama explicações. Algo que spo virá com uma, duas, três, tantas investigações quantas sejam necessárias.

 

Lula ainda não se deu conta. Mas o Legislativo vem adotando um comportamento de alto risco.

 

O Senado, por exemplo, promove uma autoconspiração. É como se estivesse tomado por um instinto suicida.

 

Congresso fechado, como diz Lula, é “muito pior”. Vale a velha máxima de Churchill: a democracia é o pior regime imaginável com exceção de todos os outros.

 

Gerente de um consórcio partidário que reúne a maioria da Câmara e do Senado, Lula talvez devesse tentar convencer o Legislativo a parar de brincar de roleta russa.

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Audiência sobre maconha descamba para a 'comédia'

Valter Campanato/ABr

 

Carlos Minc, o “Polemizador-geral da República”, esteve na Comissão de Segurança Pública da Câmara.

 

Foi explicar sua parcipação na “Marcha da Maconha”, em 9 de maio, na praia de Ipanema.

 

Acusado de fazer a apologia da droga, o ministro do Meio Ambiente disse que não, de jeito nenhum, em absoluto.

 

“[...] Não fiz apologia da maconha. Pelo contrário. Não defendo que o cidadão fume maconha...”

 

“...Defendo mudanças na lei, para que o usuário tenha mais segurança, até para procurar tratamento”.

 

Autor do requerimento que levou Minc à Câmara, Laerte Bessa (PMDB-DF), um deputado que também é delegado de polícia, não se deu por convencido.

 

Reiterou a acusação de que o ministro fizera, sim, apalogia do crime. Marchara, segundo disse, ao lado de “doidões”.

 

Perpétua Almeida (PCdoB-AC) saiu em socorro de Minc. Disse que Bessa deveria convocar também FHC.

 

O ex-presidente defende idéias análogas às do ministro. Acha que o consumo de drogas é caso de saúde pública, não de polícia.

 

Ecoando Perpétua, Domingos Dutra (PT-MA) também defendeu a necessidade de chamar FHC à comissão.

 

Bessa deu de ombros. Munido das prerrogativas de deputado, falou como delegado. A seu juízo, Minc deveria ser “indiciado” criminalmente.

 

Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), promotor licenciado, interveio: “Se algum delegado o indiciar, o Ministério Público extingue o processo...”

 

“...A marcha [da maconha] foi autorizada por um juiz. Não há apologia alguma”.

 

Delegado como Bessa, o presidente da comissão, Alexandre Silveira (PPS-MG), tomou as dores do colega de ofício:

 

“O Ministério Público não pode extinguir o inquérito. Apenas opinar ao juiz pela extinção”.

 

Minc adicionou à controvérsia ingredientes etílico-sexuais: “O álcool é uma droga muito mais pesada do que a maconha, 20 vezes mais mortal...”

 

“...E tem aquela propaganda terrível, que fala sobre a disfunção erétil do macho, no popular clássico, a broxação”.

 

O ministro provocou o delegado-presidente. Perguntou a Silveira se teria coragem de propor uma lei proibindo o consumo de bebidas alcoólicas.

 

O deputado saiu pela tangente. Diferentemente do que ocorre com a maconha, disse ele, o Ministério da Saúde não classifica o álcool como entorpecente.

 

Nesse ponto, a deputada Marina Magessi (PPS-RJ), uma inspetora de polícia, arrastou Lula para o debate. Disse que uma lei anti-álcool teria vida curta.

 

“O presidente Lula vetaria qualquer coisa que proibisse o consumo de álcool”, a deputada enfatizou.

 

Seguiu-se uma cena que emprestou à audiência, já demasiado cômica, um quê de picaresco.

 

Marina Magessi folheava um maço de documentos. Atrapalhou-se no manuseio dos papéis. Justificou-se: “Eu já tô doidinha”.

Minc dirigiu à deputada palavras de estímulo: “Fique à vontade, fique à vontade”.

 

Como se vê, a audiência foi um completo barato. Coisa pra maluco nenhum botar defeito.

Escrito por Josias de Souza às 05h19

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Reunião dos ‘Brics’ produz mais espuma do que fato

Pressionando aqui, você chega a um texto que discorre sobre a reunião. Apertando aqui, você vai a uma peça que realça as potencialidades do grupo de emergentes.

Escrito por Josias de Souza às 04h24

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Em crise, Senado leva ao ar ‘campanha promocional’

Miran

 

Um dia depois de exibir o discurso de autodefesa de José Sarney, a TV Senado começa a mostrar uma campanha “institucional”.

 

Vai ao ar nesta quarta (17). Visa polir a imagem do Congresso. Não fará menções à crise moral que carcome o Senado e engolfa o seu presidente.

 

Vai enaltecer a importância do Parlamento, esmiuçando a atividade legislativa. Um assessor de Sarney disse ao blog que se trata de uma “produção doméstica”.

 

As peças foram elaboradas pelo setor de Comunicação Social do próprio Senado. Não há, por ora, informações disponíveis sobre o custo.

 

A iniciciativa chega num instante em que o bolo de denúncias que engasga o Senado ganhou a cereja do escândalo dos atos administrativos secretos.

 

A despeito disso, a equipe de Sarney diz que a propaganda não é produto da crise. Tampouco está vinculada ao agavamento da encrenca.

 

Diz-se que a idéia nasceu em março, segundo mês da gestão de Sarney. O mês em que Agaciel Maia foi exonerado do posto de diretor-geral.

 

Um afastamento feito sob pressão do noticiário. As manchetes tratavam da mansão milionária que Agaciel registrara em nome de João Maia, o irmão-deputado.

 

Desde então, os escândalos não cessaram. Horas extras no recesso, opacidade nos gastos, privilégios ocultos...

 

Por fim, a burocracia secreta que escondia a nomeação de parentes e amigos dos senadores. Entre eles o próprio Sarney e Renan Calheiros.

 

Sarney recorre a uma “arma” que ele próprio criou. A TV Senado nasceu em 1996, sob a primeira das três presidências do morubixaba do PMDB.

 

Hoje, chega a quatro milhões de lares servidos com TV por assinatura. Emite sinal para oito milhões de antenas parabólicas. É vista também em canal aberto de UHF.

 

O grosso de sua programação é ocupado pela transmissão das atividades do plenário.

 

Desde que assumiu, há quatro meses e meio, Sarney converteu-se de presidente do Senado em administrador de crises.

 

No discurso desta terça (16), adiou para a próxima segunda (22) a divulgação do relatório que quantifica os atos administrativos secretos.

 

A campanha promocional chega antes do provimento de respostas a esse penúltimo malfeito.

 

Nada mais eficiente para diminuir a confiança da platéia do que saber que o comercial que vende as maravilhas do Senado foi concebido sob pessoas que ajudam a envenenar o “produto”.

 

A Mesa diretora do Senado talvez devesse ampliar o tempo dedicado aos comerciais. A julgar pelas sessões dos últimos dias, a TV da Casa não terá nada mais bonito para exibir.

 

- PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Crise derruba arrecadação federal pelo sétimo mês

 

- Folha: Depósitos na poupança triplicam

 

- Estadão: Sarney vai à tribuna e diz que crise não é dele, é do Senado

 

- JB: Começam a ser pagas as indenizações do voo 447

 

- Correio: Distritais aprovam gastança

 

- Valor: Plano de safra dá força à 'classe média' rural

 

- Jornal do Commercio: Grevistas da Saúde desafiam o governo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Presidente secreto!

Ique

Via JB Online. Visite também o Blique, blog do Ique.

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Sarney decide expurgar sobrinha da folha do Senado

Depois de se auto-aprovar no exame de consciência, José Sarney desfez um dos malfeitos imputados a ele.

 

Em discurso, negara os atos secretos e de dissera que nada fez de errado. Mas mandou dispensar a sobrinha que ganhara, secretamente, um contracheque do Senado.

 

Chama-se Vera Portela Macieira Borges. Estava lotada no escritório de Delcidio Amaral (PT-MS) em Campo Grande.

 

Além de Vera, passaram pelo Senado um neto, outra sobrinha uma filha do amigão Silas Rondeau.

 

Uma evidência de que o presidente do Senado como que remodelou o provérbio. A versão à Sarney, ficou assim: Mateus, primeiro, segundo e terceiro os teus. Quarto, o do amigo teu.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Procuradoria vai mergulhar nas ‘sombras’ do Senado

Num instante em que o Senado hesita em se livrar da mentira impiedosa, o Ministério Público decidiu procurar a verdade cruel.

 

A procuradora da República Anna Carolina Resende abrirá um inquérito para tentar iluminar a burocracia sigilosa do Senado.

 

Pretende-se perscrutar os atos secreto baixados nos últimos 14 anos. O prazo coincide com o período de duração da era Agaciel Maia.

 

Junto com o Ministério Público costuma vir a Polícia Federal. A ação abusiva de alguns e a inação excesiva de outros fizeram do Senado um caso de polícia.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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Senado 'reage' a Sarney com covardia corporativa

  Moreira Mariz/Ag.Senado
Submetidos a um discurso em que José Sarney não anunciou uma mísera providência prática, os senadores reagiram com heróica passividade.

 

A maioria dos colegas que se pronunciou nas pegadas da fala de Sarney se permitiu dar um voto de confiança ao nada.

 

Ao dar crédito ao inacreditável, os senadores como que autorizaram a platéia a crer na crença de descrer.

 

De resto, quem acredita piamente no que não merece crédito se descredencia para piar depois.

 

Nada mais deletério do que a lamentação depois do fato.

 

Entre todos os que levaram os lábios ao microfone só Demóstenes Torres (DEM-GO) permitiu-se chamar a encrenca pelo nome correto.

 

“Temos problemas não só de vícios. Temos a prática clara de delitos aqui dentro [...]. Se há crimes, tem que ir para a cadeia quem cometeu os crimes”.

 

Demóstenes apontou o caminho das pedras: “O Ministério Público tem que ser chamado. A Polícia Federal tem que ser chamada”.

 

Mas mesmo Demóstenes soou condescendente ao se referir a Sarney. Deu-lhe um imerecido crédito de confiança:

 

“Vi com satisfação o discuso do presidente Sarney. Estou no aguardo das providênciais que vai tomar. Por quê?...”

 

“...Um homem com mais de 50 anos de vida pública, ex-presidente da República, só no Senado presidente três vezes, não pode compactuar com o erro, com o crime”.

 

Ora, Sarney não se limitou a coonestar os erros. Ajudou a criá-los. Beneficiou-se deles. Afastou Agaciel Maia por pressão, não por obrigação. Protege-o.

 

Sérgio Guerra, presidente do PSDB, também tratou Sarney como parte da solução, não do problema.

 

Disse que o Senado não está livre da “corrupção”. Ostenta uma estrutura inchada e inadequada. A certa altura, pronunciou a frase fatídica:

 

“Já falei sobre a crise com o presidente Sarney, que faz enorme esforço de superá-la”.

 

Afirmou também: “Não gosto de demissão de diretores. Eles não decidem nada sozinhos. Alguém decidiu com eles. Tem que ser punido também”.

 

Em seguida, o grãotucano se desdisse: “Mas não estou no capítulo da punição, do retorno ao passado. Estou preocupado com a construção de um Senado novo”.

 

Acrescentou: “Não dá para andar na rua e não poder dizer que é senador sem ser respeitado”.

 

Ora, como respeitar um Senado que deseja construir o novo sobre alicerces podres? Como olhar para o futuro sem punir o passado bandalho?

 

Aloizio Mercadante, líder do PT, falou do milagre –os 14 anos de Agaciel Maia— sem mencionar os santos –Sarney e Renan Calheiros, padrinhos do ex-diretor-geral.

 

Repisou uma proposta sensata: a imposição de um mandato para os superdiretores do Senado. Dois anos, renováveis por mais dois.

 

Dirigindo-se a Sarney, Arthur Virgílio, líder do PSDB, disse: “Não o julgarei pela nomeação de um neto”. Por que não?

 

Depois, concordou com Mercadante. Fustigou Agaciel Maia, um personagem incontornável. E tirou uma casquinha de Sarney. Coisa leve:

 

“No dia da sua eleição, quando admitiu que manteria o diretor-geral e o manteve, eu disse que não era adequado. E ficou provado que não havia condições de manter”.

 

Enxergou no discurso de Sarney uma certa anormalidade: “Não dá para entendermos como normal, que o presidente da Casa tenha de prestar contas”.

 

Mas viu no pronunciamento algo que a platéia talvez não tenha enxergado. Para Virgílio, Sarney “agiu de maneira presidencial”.

 

“Espero sinceramente que estejamos no caminho de encerrar a crise”.

 

Informou a Sarney que a bancada do PSDB apresentará um projeto fixando o mandato do diretor-geral. Sarney, que ouvia do plenário, aquiesceu: “Eu concordo”.

 

Numa evidência de que o PSDB é um aglomerado de amigos integralmente composto de inimigos, o tucano Papaleo Paes (AP) tratou de desdizer o seu “líder”.

 

Virgílio dissera: “Temos que colocar na cabeça que tem uma crise grave no Senado, que tem de ser enfrentada”.

 

Para o liderado Papaleo a crise não passa de invenção da imprensa: “Dizem que tem atos secretos. Por que denominaram assim?...”

 

“...Não existe nenhnum ato secreto. Pode haver falha técnica de funcionários. Todos esses cargos existem na Casa. As nomeações são corretas...”

 

“...Não há corrupção, malfeitoria de administradores. Eles falharam. Se alguém precisa ser punido. Que seja punido”.

 

Sarney tem responsabilidade? Claro que não. Trata-se de um “grande político, intelectual, homem que tem inteligência muito acima do normal”.

 

Pedro Simon, que em privado falava até da renúncia de Sarney, na tribuna apenas soprou: “A imprensa está cobrando...”

 

“...As manchetes batem no Sarney, na Mesa, atiram pedras. Não estou preoupado com isso hoje. Estou preocupado em mudar a imagem dessa Casa”.

 

O que fazer? Para Simon, basta que os atos da Mesa diretora passem a ser submetidos ao penário. Mas já não são? Sim, mas ninguém sabe o que está votando.

 

“O presidente Sarney diz que a culpa não é dele, é de todo o Senado. Eu digo: a culpa é minha. Os erros acontecem pela nossa ação ou pela nossa omissão. Eu sou coresponsável”.

 

Ficamos entendidos assim: Sarney não tem culpas a purgar. O responsável é Pedro Simon, um réu confesso! E todos os que, como ele, incorrem no pecado da omissão.

Escrito por Josias de Souza às 21h25

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‘A crise é do Senado, não é minha’, diz José Sarney

A reputação de um político corresponde à soma dos palavrões que ele inspira nas mesas dos botecos.

 

Alvo dos mais desairosos comentários, José Sarney subiu à tribuna. Falou muito. Disse pouco, quase nada.

 

Tomado no seu conjunto, o discurso (íntegra aqui) rende, no máximo, material para um epitáfio. Uma lápide inspirada no Barão de Itararé:

 

“Aqui jaz um brasileiro que viveu às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas”.

 

No exercício de sua terceira presidência, Sarney teria bons motivos para avocar para si a responsabilidade pela crise, um pedaço que fosse.

 

Acha, porém, que a encrenca não lhe diz respeito: “A crise do Senado não é minha, a crise é do Senado”.

 

Na sua primeira presidência, em 1995, Sarney nomeou para a diretoria-geral Agaciel Maia, a quem se atribui o mafioso mecanismo da administração secreta.

 

Sarney passou uma borracha no passado: “Nenhum desses atos são da minha gestão”. E tratou de converter os malfeitos em obra coletiva:

 

“Todos nós somos responsáveis. Nós aprovamos aqui os atos da Mesa. O Senado, no seu conjunto, aprovou”.

 

Nos 14 anos da era Agaciel, o Senado editou algo como mil atos administraivos secretos.

 

Sarney deu à afronta constitucional a aparência de um deslize: “Não sei o que é ato secreto...”

 

“...O que pode ter é irregularidade da entrada em rede ou não de atos de administração...”

 

“...Tudo em relação ao passado. Nada do nosso período. Não temos nada a ver com isso”.

 

Sob a sombra frondosa da copa de folhas secretas caíram três frutos da árvore genealógica da família de Sarney.

 

Sem contar a nomeação de uma filha do amigo Silas Rondeau, foram pilhados um neto e duas sobrinhas do presidente. Sarney posou de injustiçado.

 

“É por isso que querem me julgar? Falta de respeito pelos homens públicos. Se temos erros, não devo deixar de ter erros. Mas esses constituem extrema injustiça”.

 

“É injustiça do país julgar dessa maneira um homem como eu, de vida austerta, de família bem composta [...]”.

 

Como um comandante de navio que se queixa do mar, Sarney reclamou da imprensa. Alvejou também empresários e corporações.

 

Disse que há “muita gente interessada em enfraquecer o Senado”. São “grupos econômicos, setores radicais da mídia, grupos corporativos radiciais”.

 

Açulou o instinto de sobrevivência dos colegas: “Nesse momento, devemos pensar no Senado. É nele que estou pensando”.

 

Embora já tenha em mãos o levantamento das malfeitorias secretas do Senado, Sarney não se dignou a submetê-lo ao melhor detergente: a luz do sol.

 

Adiou para segunda-feira a divulgação. Alegou que o primeiro-secretário Heráclito Fortes convalesce de uma cirurgia.

 

Com esse gesto, ganhou mais seis dias para organizar a desconversa que utiliza para lidar com a crise. Punições? Nada de concreto foi dito. Só generalidades do tipo "doa a quem doer".

 

O discurso de Sarney reforçou na cabeça do brasileiro, que paga a conta, a impressão de que o Senado de hoje não é mais coisa nossa. Tornou-se, por assim dizer, uma espécie de cosa nostra.

Escrito por Josias de Souza às 19h55

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Lula compara Irã em chamas a um Flamengo X Vasco

O mundo olha de esguelha para o resultado da eleição iraniana. Só Lula dá de ombros para as dúvidas.

 

"Veja, o presidente [Mahmoud Ahmadinejad] teve uma votação de 61,62%. É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude".

 

A votação “muito grande” é justamente um dos focos da suspeição. A apuração foi manual. Duas horas depois, Ahmadinejad já era tido como vitorioso.

 

A ONU pediu transparência. Barack Obama, com o pé atrás, se diz "perturbado". Mas Lula acomoda todo o mal estar numa singela analogia futebolística.

 

"Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova...”

 

“...Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

 

Enquanto Lula dá os seus chutes, o Irã arde em protestos. No final da noite passada, a imprensa oficial iraniana contabilizava em sete o número de mortos.

Escrito por Josias de Souza às 05h34

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Renan aconselha Sarney a fazer do ataque a defesa

Caso dos atos secretos leva o chefão do Senado às cordas

Líder do PMDB mobiliza tropa para fazer a defesa do aliado

Tasso articula grupo suprartidário para cobrar as punições

 

Fotos:ABr/Folha/Ag.Senado

 

A descoberta de que o Senado manteve por 14 anos uma burocracia secreta para distribuir favores a um pequeno grupo levou José Sarney às cordas.

 

Entronizado em sua terceira presidência há quatro meses e meio, o morubixaba do PMDB encontra-se acuado.

 

Nesta segunda (15), a palavra “renúncia” foi ouvida pela primeira vez no Senado. Pronunciou-a, em privado, o gaúcho Pedro Simon.

 

Dissidente do PMDB, o partido de Sarney, Simon vem soando entre quatro paredes sempre um tom acima das manifestações que se permite fazer em público.   

 

Acossado pela crise, Sarney ruminou seus rancores ao longo do final de semana. Nesta segunda, trancafiou-se no gabinete da presidência.

 

Atendeu a uns poucos telefonemas. E se reuniu com dois aliados de todas as horas: os líderes Renan Calheiros (PMDB) e Gim Argelo (PTB).

 

Aconselharam-no a se defender atacando. Renan pôs para rodar o hardware ao qual sempre recorre quando se vê em apuros. Primeiro, identifica os inimigos: PT e PSDB.

 

Na sequência, esboça uma reação que se escora em dois pilares: o ataque e a chantagem. Ameaça vazar para os jornais dados que constranjam os rivais.

 

Nas últimas semanas, Sarney dissera a amigos que estava arrependido de ter disputado a presidência do Senado com o petista Tião Viana.

 

Chegara mesmo a confidenciar a intenção de renunciar ao cargo em 2010, quando fará 80 anos. Depois da conversa com Renan e Argelo, Sarney mudou o rumo da prosa.

 

Agora, diz que vai à luta. Cogita ler no plenário uma resposta às denúncias que o lançaram no caldeirão dos malfeitos secretos do Senado.

 

Fala em modificar as regras daqui pra frente. Punições? Por ora, só cogita levar à bandeja a cabeça de José Grazineo, o sucessor de Agaciel Maia na direção-geral.

 

Caberá a Renan e Argelo executar o pedaço sujo da estratégia, que envolve o recurso à baixaria e à chantagem.

 

Na outra ponta, o grãotucano Tasso Jereissati organiza uma reunião suprapartidária. Fará um almoço nesta quarta (17).

 

Está convidando os senadores que, a seu juízo, têm disposição para confontar as mazelas que roem o prestígio do Senado.

 

Gente como Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon, Tião Viana, Cristovam Buarque, Renato Casagrande, Demóstenes Torres, Sérgio Guerra e Arthur Virgílio.

 

Tasso é velho amigo de Sarney. A despeito disso, participou, em fevereiro, da articulação que acomodou a maioria dos votos tucanos no colo de Tião Viana.

 

Nas pegadas do triunfo de Sarney, Tasso foi à presença do amigo. Levou consigo Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

 

Os dois aconselharam Sarney a esquecer as rugas da campanha, uma das mais encarniçadas da história. Pediram que “governasse” para todo o Senado.

 

Hoje, Tasso se diz “decepcionado”. Acha que Sarney tornou-se “prisioneiro” das vontades de Renan.

 

A idéia da reunião-almoço dos senadores que Renan identifica como “inimigos” foi urdida na noite de sexta (12).

 

Deu-se em Pernambuco, numa festa junina oferecida por Sérgio Guerra. Entre os mais de mil convidados, havia 12 senadores.

 

Acomodados na mesma mesa, Tasso e Jarbas Vasconcelos trocaram idéias sobre a encrenca do Senado.

 

Concluíram que o caso dos atos administrativos secretos levara a crise às fronteiras do paroxismo. Tasso mencionou a idéia de promover o encontro. Jarbas pôs-se de acordo.

 

“É preciso encontrar saídas”, disse Jarbas ao blog. “A gente pode ficar assistindo ao derretimento do Senado sem fazer nada”.

 

Para Jarbas, quem preside o Senado é Renan, não Sarney. “O Renan tem, hoje, mais poderes do que na época em que foi presidente...”

 

“...Renan lideran a bancada do PMDB, cerca de 16 senadores, tirando os dissidentes, e mais a bancada do PTB. O Sarney é refém do Renan”.

 

Nesta terça (16), o alarido que toma conta do Senado começará a ser içado dos subterrâneos para a tribuna.

 

Pelo menos três senadores planejam remexer o monturo dos atos secretos em discursos no plenário: o próprio Jarbas, Tião Viana e Arthur Virgílio.

 

A tropa da dupla Renan-Argelo promete intervir no debate. Algo que deve elevar uma temperatura que, no dizer de Virgílio, tem sido demasiado “amena”.

 

O líder Virgílio acusa colegas vistos pregoeiros da ética se “acocorar” diante da ameaça de abertura do baú de favores do ex-diretor-geral Agaciel Maia.

 

Uma divisão da tropa oposicionista favorece Sarney. José Agripino Maia, líder do DEM, não foi convidado para a reunião organizada por Tasso. Consideram-no ligado demais a Renan e Sarney.

 

Privadamente, Agripino diz que a reunião produzirá barulho, não soluções. Ele pretende se reunir com Sarney.

 

Acha que a crise exige “providências” que culminem com “punições”. Aconselhará Sarney a demitir a parentela pendurada secretamente na folha do Senado.

 

Contabilizados inicialmente em 300, os atos secretos saltaram para 500. Agora, diz-se que passam de mil.

 

Sacudindo-se os papéis, foram ao solo três frutos da árvore genealógica dos Sarney e dos Macieira, o tronco familiar de Marly, a mulher do presidente do Senado.

 

Reside aí o ponto fraco da pregação de Renan. A lista dos malfeitos não é obra de petistas e tucanos. Foi encomendada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM).

Escrito por Josias de Souza às 04h32

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Imposto menor já provoca falta de eletrodomésticos

 

- Folha: Obama quer mais controle sobre o sistema financeiro

 

- Estadão: Emergentes se alinham para aumentar influência global

 

- JB: R$ 11 bilhões para médias e pequenas empresas

 

- Correio: Terremoto no Senado

 

- Valor: Indefinições retardam licitação de Belo Monte

 

- Jornal do Commercio: Vice-governador sob ameaça de cassação

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h57

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Os ratos roeram a roupa dos reis da Roilândia!

Nani

Via blog Nani Humor.

Escrito por Josias de Souza às 03h54

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Tucano pede troca de governistas na CPI; PT ironiza

  José Cruz/ABr
Autor do pedido de criação da CPI da Petrobras, o tucano Álvaro Dias (PR) decidiu protocolar um novo requerimento na Mesa do Senado.

 

Invocando o regimento interno da Casa, Álvaro pede a Sarney que substitua os senadores governitas indicados para integrar a comissão.

 

Argumenta que o presidente do Senado tem a prerrogativa de fazer a troca quando a maioria impede a minoria de exercer o direito de abrir uma CPI.

 

Aloizio Mercadante (SP), líder do PT, rebate. Diz que a bancada do governo exerce o direito à obstrução.

 

Uma reação à “quebra do acordo” que assegurava a um senador governista a relatoria de outra CPI, a das ONGs.

 

“O direito à obstrução é um principio básico da vida parlamentar”, diz Mercadante.

 

Ele ironiza: “Se a obstrução na CPI permite ao presidente substituir os nossos senadores, a oposição terá de ser integralmente substituída no plenário do Senado...”

 

“...Eles não fazem outra coisa a não ser obstruir. Se eles podem obstruir, por que nós não podemos, mesmo sendo maioria? É um direito legítimo nosso”.

 

Mercadante volta a condicionar a abertura da CPI da Petrobras à devolução da relatoria das ONGs, hoje nas mãos de Arthur Virgílio (PSDB-AM), ao senador Ignácio Arruda (PCdoB).

Escrito por Josias de Souza às 19h55

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Justiça aceita denúncia contra mulher de Paulinho

  Folha
Mulher do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, Elza Pereira virou ré no processo que apura o desvio de verbas do BNDES.

 

Deve-se a decisão à juíza Silvia Maria Rocha, da 2ª Vara Federal de São Paulo. Ela acatou denúncia feita pelo Ministério Público contra Elza.

 

A mulher do deputado é acusada de lavagem de dinheiro. Cedeu a conta corrente da ONG Meu Guri para ocultar um pedaço da verba desviada: R$ 37,5 mil.

 

O depósito foi feito por João Pedro de Moura. Ele assessorava o deputado Paulinho.  Frequenta o escândalo como acusado de desvios de R$ 3 milhões.

 

Dinheiro extraído de liberações feitas pelo BNDES: R$ 130 milhões para a execução de obras em Praia Grande (SP) e R$ 220 milhões para a rede de lojas Marisa.

 

Foi ao banco de réus também o ex-prefeito tucano de Praia Grande, Alberto Mourão. É acusado de corrupção passiva e peculato (apropriação de verba pública).

 

Encrencado no mesmo escândalo, Paulinho foi absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara. Mas responde a inquérito no STF, foro em que são julgados os deputados.

Escrito por Josias de Souza às 18h16

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Procuradoria pede ‘intervenção’ nas prisões gaúchas

O procurador de Justiça do Rio Grande do Sul, Lenio Luiz Streck, disse que vai pedir intervenção federal no sistema prisional gaúcho.

 

O pedido será feito por meio de um ofício endereçado ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

 

O documento deve seguir de Porto Alegre para Brasília ainda nesta segunda (15). No texto, Lenio Streck relata um cenário de “caos” nos cárceres gaúchos.

 

A crise decorre da falta de cadeias. O déficit é estimado em 10 mil vagas. Diz o procurador gaúcho:

 

“O governo do Estado não tem dado conta do problema, é preciso que a União assuma a questão dos presídios no Rio Grande do Sul”.

 

Lenio Streck disse que, se pudesse, determinaria ele próprio a intervenção. Não pode, contudo.

 

Cabe ao procurador-geral Antonio Fernando decidir o que fazer com o pedido. Pode arquivá-lo ou levá-lo adiante.

 

Se decidir pela segunda hipótese, enviará o pedido ao STF. Reza a Constituição que é o Supremo que julga a procedência dos pedidos de intervenção federal nos Estados.

Escrito por Josias de Souza às 17h45

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Subprocurador-geral do DF abalroou até o bom senso

Escrito por Josias de Souza às 14h01

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Oposição cede nas ONGs para ter a CPI da Petrobras

  Folha
Dono da presidência da CPI das ONGs, o DEM prepara uma meia-volta na manobra que acomodou o líder tucano Arthur Virgílio (AM) na relatoria da comissão.

 

Em privado, o líder ‘demo’ José Agripino Maia (RN) antecipou o movimento a interlocutores com os quais conversou no final de semana.

 

O consórcio governista condiciona o início da CPI da Petrobras à devolução da relatoria das ONGs ao senador Ignácio Arruda (PCdoB-CE).

 

Para Agripino, a oposição precisa retirar o pretexto do caminho. Do contrário, arrisca-se a fazer o jogo do governo, empurrando a investigação petroleira às calendas.

 

Agripino discutirá o assunto com sua bancada, nesta terça (16). O tema constará também da pauta de uma reunião da bancada do PSDB.

 

Antes de devolver ao governo a cadeira de relator da CPI das ONGs, Arthur Virgílio vai, por assim dizer, capitalizar o gesto.

 

Pretende realçar ao longo da semana o “plano de trabalho” que apresentou na semana passada.

 

Um plano que sugere a ressurreição de linhas de investigação que o governista Ignácio Arruda mandara à gaveta.