Josias de Souza

Bastidores do poder

 

FHC expõe em artigo o drama da oposição ‘anti-Lula’

  Fotos: Folha, AP e EFE
Lula frequenta o gramado da política como palmeira solitária. Falta à oposição um discurso capaz de perfurar o escudo de superpopularidade que o reveste.

 

Em artigo veiculado neste domingo (1º), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como que desnuda o drama dos opositores de Lula.

 

FHC analisa os movimentos de Lula, reconhece o desnorteio da oposição e insinua que não será fácil erigir o discurso do contraponto.

 

O presidente de honra do PSDB identifica um fenômeno novo: “O descolamento entre a política e a realidade das pessoas”.

 

Anota o obvio: “As oposições, além de articularem um discurso programático [...], deverão expressá-lo de forma a sensibilizar o eleitorado”.

 

Acha que, para se contrapor a Lula, já “não basta a crítica convencional e a discussão da política, tal como ela ocorre no Congresso, nos partidos e na mídia”.

 

Escreve que “é preciso buscar os temas da vida que interessem ao povo”. E expõe um dos dramas da oposição: a indefinição quanto ao candidato de 2010.

 

Sabe-se que FHC prefere José Serra a Aécio Neves. Mas, por razões obvias, ele evita explicitar sua predileção no artigo.

 

Limita-se a repisar a debilidade. Diz que “a comunicação emotiva [da plataforma oposicionista] requer ‘fulanizar’ a disputa”.

 

Por que? “Para atribuir ao candidato virtudes que despertem o entusiasmo e a crença” da platéia.

 

Na abertura do artigo, FHC ironiza Lula: “Andou na moda falar de decoupling para dizer, em simples português, descolamento entre a economia brasileira e a internacional...”

 

“...Os efeitos da crise em nossa economia fizeram o termo sair de moda. Foi substituído por expressão mais terna, marolinha”.

 

Para FHC, “o sistema financeiro central quebrou”. Mas, no Brasil, “o governo prefere passar em marcha batida sobre o que nos azucrina”.

 

Afirma que Lula “faz o decoupling à moda brasileira: descola a economia da política, precipita o debate eleitoral e, nele, vale o discurso vazio”.

 

Na sequência, faz uma analogia com a “campanha bolivariana pela reeleição perpétua, uma quase caricatura da política”.

 

“O significado da democracia se esboroou na ‘consulta popular’. Se o povo quer o bem-amado para sempre, pois que o tenha e, como disse nosso presidente Lula...”

 

“...Se a prática ainda não é boa para o Brasil é questão de tempo. Quando a cidadania amadurecer encontrará a fórmula de felicidade perpétua”.

 

FHC conta que assistiu pela TV, “por acasado”, ao último comício de Hugo Chávez. “Confesso, fascinei-me...”

 

“...Ele chegou, simpático como sempre, um pouco mais gordo que o habitual, vestindo camisa-de-meia vermelha, abraçando a toda gente, sorrindo...”

 

“...Foi direto ao ponto: ‘Hoje não falarei muito, vamos cantar!’. E entoou uma canção amorosa de melodia fácil, repetindo o refrão ‘amor, amor, amor...’

 

...Falou familiarmente com a plateia e finalizou: amor é votar sim no domingo! [...] Não pude deixar de reconhecer no estilo algo que nos é habitual: o modelo Chacrinha de animação de auditório. Funciona, e como!”

 

No dizer de FHC, o “descolamento entre a política e a realidade”, embora irracional, “liga o ator com a plateia e com a sociedade”.

 

FHC prossegue: “Há algo de encantatório no modo pelo qual a política do gesto sem palavras [...] funciona substituindo o discurso tradicional”.

 

Da Venezuela, FHC saltou para os EUA. Comparou a cerimônia de posse Barack Obama “como Imperador de todos os americanos [...]” a “uma grande cena romana”.

 

Mencionou o discurso feito por Obama na primeira visita dele ao Congresso. “O que foi dito sobre a crise econômica e sobre o futuro foi menos importante do que o reafirmar o ‘yes, we can’ [...]”

 

Acrescentou: “Mesmo que o castelo financeiro esteja desabando, a América vencerá, era a mensagem”.

 

Em vez do discurso à Chacrinha”, que atribuiu a CHávez, FHC anotou que, no caso de Obama, “o símile é outro:...”

 

“...A invocação do pastor, a reafirmação da fé, e não a troca simbólica de favores, do bacalhau, da bolsa família ou da canção de amor”.

 

De resto, FHC manifesta o receio de que o mesmo “possa vir a ocorrer no Brasil”. E reproduz a pergunta que embatuca a oposição: “Que discurso fazer?”

 

Identificou na entrevista de Jarbas Vasconcelos traços de um discurso “racional”, que expõe o “desmanche das instituições” e o “enlameamento cotidiano da política”.

 

Resolve? Acha que não. Bate no ouvido e volta. “É como nos computadores quando se envia um e-mail e surge o aviso: a caixa está cheia”.

 

O que fazer? A resposta de FHC revela mais dúvidas do que certezas: As legendas de oposição “precisam inventar uma maneira de comunicar a indignação e as críticas que toque na alma das pessoas. Este é o enigma da mensagem política”.

 

Como se vê, nem mesmo o luminar do tucanato, espécie de oráculo da oposição, sabe ao certo o que fazer para erigir um dicurso alternativo ao de Lula.

 

De concreto, apenas a convicção de que é preciso “fulanizar a disputa”, definindo o nome do adversário de Dilma Rousseff.

 

Alguém capaz de despertar o “entusiasmo” do bacalhau e a “crença” do pregador. Sem esses ingredientes, constata, “a caixa de entrada das mensagens da sociedade continuará a dar o sinal de estar cheia [...]”.

Escrito por Josias de Souza às 22h41

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Dirceu e a penhora: ‘Recorro para defender direito’

O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) considera “absurda” a decisão judicial que resultou na penhora do imóvel em que está assentada a sua casa, em Vinhedo (SP).

 

Está em jogo o pagamento de R$ 120 mil a um perito que atuou em ação popular movida por Dirceu, em 1989, contra o governo Quércia.

 

Dirceu perdeu na primeira e na segunda instância. E a Justiça cobra dele o pagamento  do trabalho do perito.

 

Em conversa com o repórter, Dirceu disse: “Se perder a causa, vou pagar. O fato de estar recorrendo não quer dizer que não quero pagar...”

 

“...Estou defendendo um direito, que envolve o futuro da ação popular. Para que serve esse tipo de ação? Para que qualquer um do povo demande contra governantes...”

 

“...Se a ação é popular, como é que eu vou pagar as custas? Se prevalecer esse entendimento, não vai ter mais ação popular no Brasil”.

 

Dirceu exemplifica: “Suponha o caso de uma associação de bairro que queira fiscalizar o meio-ambiente...”

 

Essa associação entra com uma ação popular. Perde a ação. Vai pagar as custas? Se for assim, não tem mais ação popular no Brasil. Vira ação de quem tem poder econômico”.

 

De resto, Dirceu diz que não moveu “uma palha” para que a ação prescrevesse. “Isso é problema da Justiça brasileira. Essa ação era para ser julgado em um ano”.

 

Compara a morosidade do caso de São Paulo com a lentidão do processo do mensalão: “Quero ser julgado. Estou submetido a uma situação absurda...”

 

“O Supremo [Tribunal Federal] tomou a decisão de julgar todo mundo. Apenas seis réus têm mandato. Todos os demais poderiam ser julgados pela primeira instância...”

 

“...Meu interesse é de ser julgado logo, o mais cedo possível. Estou no limbo da vida político-institucional do país. Quero retomar a minha vida”.

 

Dirceu levou ao seu blog um texto sobre o caso da penhora. Está dispoível aqui.

Escrito por Josias de Souza às 20h51

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Justiça ‘penhora’ casa de Dirceu para cobrir dívida

  Sérgio Lima/Folha
O Tribunal de Justiça de São Paulo mandou à penhora a casa do ex-ministro José Dirceu. Está assentada num condomínio elegante de Vinhedo (SP).

 

Deseja-se utilizar o imóvel para saldar uma dívida judicial atribuída a Dirceu. Coisa de R$ 120 mil.

 

Deve-se a revelação da novidade ao repórter Ricardo Feltrin. Ele conta que a sentença é nova, mas o processo é antigo. Arrasta-se há 20 anos, desde 1989.

 

É querela de uma época em que Dirceu, um aguerrido deputado estadual, era estilingue, não vidraça. Movia processos, não era processado.

 

Pois bem, esse Dirceu de ontem decidira patrocinar uma ação popular contra o governo paulista de Orestes Quércia (1987-1990).

 

Na ação, Dirceu questionara a compra de três dezenas de caminhões, feita pela Secretaria de Segurança da gestão Quércia.

 

Julga daqui, recorre dali, Dirceu perdeu a parada. Amargou derrotas na primeira e na segunda instância do Judiciário.

 

O diabo é que, ao longo do processo, houve a necessidade de contratar os bons préstimos de um perito judicial. A coisa não saiu de graça.

 

E é Dirceu quem vai ter de pagar a conta, estimada em R$ 120 mil. Daí a penhora da casa.

 

O doutor Luiz Carlos Bueno de Aguiar, advogado de Dirceu, diz que vai recorrer. Quer salvar a casa e livrar o cliente da dívida.

 

“Não vou permitir que a única casa em nome do ex-ministro seja penhorada para pagar uma dívida que está prescrita".

 

São mesmo tortuosos os caminhos do destino. Neste processo, nascido na fase estilingue, Dirceu pede a prescrição.

 

No processo do mensalão, da fase vidraça, Dirceu não pede, porque ficaria feio. Mas é sério candidato ao mesmo benefício da prescrição.

Escrito por Josias de Souza às 05h35

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Coleta de tributos definha e já afeta os municípios

  João Wainer/Folha
Levantamento feito pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) indica que a crise econômica está roendo o bolo de tributos recolhidos pela Receita Federal.

 

Nesta sexta-feira (27), o Tesouro Nacional depositou nas contas das prefeituras a última parcela do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) de fevereiro.

 

Os prefeitos receberam R$ 4,109 milhões. Menos do que os R$ 4,327 milhões que haviam pingado nas arcas municipais em fevereiro de 2008. Queda de 5%.

 

O FPM é fornido com 22,5% de tudo o que a União consegue arrecadar com o Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados.

 

“Ficou evidente que as receitas federais (IR e IPI), que servem de base para o cálculo do fundo, estão numa forte tendência de declínio”, anotou a CNM em seu levantamento.

 

“É uma queda significativa, já que o repasse do FPM de fevereiro de 2007 para 2008 havia crescido 15,4%”, disse, em nota, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

 

O dinheiro repassado pela União é usado nas cidades para cobrir despesas essenciais –educação e saúde, por exemplo.

 

Eleita ou reeleita em outubro do ano passado, a nova safra de prefeitos terá de rebolar no ritmo da crise.

 

“Neste ano, os prefeitos terão de cortar algumas despesas, principalmente no custeio, e não contarão com um superávit primário tão expressivo como nos anos anteriores”, diz Ziulkoski.

 

De resto, a lipoaspiração do FPM é prenúncio de que o fisco levará às manchetes nos próximos dias uma má notícia para o governo: a arrecadação federal definha.

 

Em análises internas que fizera no final de 2008, a equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda) estimara que a crise bataria no fisco.

 

Porém, o time de Mantega previra que a coleta de impostos só começaria a cair no segundo trimestre de 2009. Deu chabu.

 

Em janeiro, a arrecadação global caiu quase 6,5% em relação ao mesmo mês de 2008. O FPM, em consequência, murchou 3%.  

 

Em fevereiro, a julgar pelo cheiro de queimado que exala dos números colecionados pela confederação de municípios, o tombo pode ser ainda maior. A ver.

Escrito por Josias de Souza às 04h51

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Ministro quer ações em massa para punir torturador

Planalto prepara comercial com mães de desaparecidos

 

Elza Fiúza/ABr

 

O ministro Paulo Vannuchi (Secretaria Especial de Direitos Humanos) reacendeu a polêmica sobre a abrangência da Lei de Anistia.

 

A seis meses do aniversário da lei, que completa 30 anos em agosto, Vannuchi defendeu uma tese controversa.

 

Sugere que a resistência do Judiciário brasileiro em reinterpretar a lei, de modo a punir torturadores da ditadura, seja vencida pelo cansaço.

 

Vanucchi instou as vítimas da repressão militar, seus familiares e as entidades de direitos humanos a abarrotarem os escaninhos do Judiciário de processos.

 

“Na Argentina, Uruguai e Chile os familiares criaram centenas de ações”, disse o ministro. “No Brasil, temos três, quatro, meia dúzia”, comparou.

 

Até aqui, vem prevalecendo na Justiça a tese de que nem torturadores nem militantes de esquerda podem ser punidos. A anistia, por irrestrita, alcançaria a todos.

 

O ministro diz, no entanto, que sua secretaria e a pasta do colega Tarso Genro (Justiça) manterão aceso o debate até que o STF se manifeste sobre o tema.

 

Acha que só a “saturação” produzida por uma onda de processos pode levar o Supremo a fazer uma releitura da lei. Algo que permita a punição de torturadores.

 

Vannuchi falou no Rio, na abertura do 8º Anistia Cultural, evento no qual foram analisados pedidos de indenização de 21 estudantes banidos de universidades.

 

Afora a defesa da impetração de ações em massa, o ministro sugeriu que seja intensificada a pressão social pela revelação de papéis da ditadura.

 

Documentos que possam levar aos corpos de desaparecidos políticos. Segundo Vannuchi, o Planalto vai lançar, até maio, o Projeto Memórias Reveladas.

 

Consiste num banco de dados que franqueará ao público o acesso a 14 arquivos estaduais da época da ditadura.

 

Simultaneamente, será divulgado um edital de convocação aos donos de acervos pessoais, instando-os a transferir o papelório para os arquivos públicos.

 

O projeto está sendo tocado por dois ministros: Franklin Martins (Comunicação Social) e Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

Vannuchi contou, de resto, que Franklin prepara um comercial de TV sobre o tema. A peça será estrelada por mães de desaparecidos políticos.

 

Elas aparecerão segurando fotografias dos filhos e clamando por informações que possam levar ao paradeiro dos corpos.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Economia encolhe 6,2% em três meses nos EUA

 

- Folha: EUA aumentam controle do Citigroup

 

- Estadão: Obama anuncia retirada do Iraque e 'nova era' na região

 

- JB: Justiça suspende demissões

 

- Correio: Embraer vai à briga no TRT para demitir

 

- Valor: Concessões de energia serão renovadas com tarifa menor

 

- Gazeta Mercantil: Dresdner é vendido ao fundador do Garantia

 

- Estado de Minas: Torcedor será vigiado o jogo todo nos estádios

 

- Jornal do Commercio: Kombeiros vão a júri popular

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Linha de transmissão!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Antes de demitir Embraer deveria negociar, diz juiz

 Miran

 

O presidente do TRT de Campinas, desembargador Luís Cândido Martins Sotero da Silva, suspendeu as 4.270 demissões feitas na semana passada pela Embraer.

 

A decisão é liminar (temporária). Vale até a quinta-feira (5) da semana que vem. Nesse dia, será feita uma audiência de conciliação.

 

No despacho em que deferiu a liminar pedida pelos sindicatos, Luís Cândido Sotero não nega à Embraer o direito de demitir. Porém...

 

Porém, o desembargador, que preside o TRT de Campinas, realça o princípio da "impossibilidade de se proceder a demissões em massa sem prévia negociação sindical".

 

Na prática, o magistrado encampa a principal queixa dos sindicatos: a de que a fábrica de aviões teria se esquivado de abrir uma mesa de negociação.

 

A intervenção da Justiça do Trabalho no caso deve resultar em pouca coisa. A Embraer decidiu recorrer contra a liminar. Diz que não volta atrás nos cortes.

 

Na audiência conciliatória imposta pelo TRT, a empresa fará a força a "negociação" que não quis fazer por vontade própria.

 

Os demitidos podem até arrancar um ou outro benefício rescisório adicional. E ponto. Respeitados os direitos trabalhistas, não há lei que proíba uma empresa de mandar trabalhadores ao olho da rua.

 

PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

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Dilma, em SC: ‘Oposição quer interditar o governo’

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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Para defender Lula e Dilma, a AGU recorre a Serra

  Marcello Casal/ABr
A Advocacia Geral da União decidiu levar ao pé da letra o axioma segundo o qual a melhor defesa é o ataque.

 

Para defender Lula e Dilma na ação que lhes movem o PSDB e o DEM, o advogado-geral José Antônio Dias Toffoli arrastará para a briga dois governadores de oposição.

 

Tucanos e ‘demos’ acusaram o presidente e a ministra de converter um encontro com prefeitos, em Brasília, em ato de campanha. Campanha fora de época.

 

Na resposta a ser endereçada ao TSE Toffoli afirma que a pajelança com os prefeitos foi ato de governo, não de partido político. Nada a ver com campanha.

 

De resto, Toffoli esgrime três argumentos:

 

1. Prefeitos do PSDB e do DEM também acorreram a Brasília;

 

2. O encontro foi prestigiado pelo governador do DF, o ‘demo’ José Roberto Arruda;

 

3. O governador tucano José Serra também reuniu prefeitos do interior de São Paulo. Para Sérgio Guerra, presidente do PSDB, a comparação é despropositada.

 

Toffoli é experimentado em querelas eleitorais. Antes de virar advogado-geral da União, prestou serviços ao PT.

 

Sua atuação nesse caso, aliás, suscita uma interrogação: não seria mais razoável que a defesa de Lula e Dilma fosse custeada pelo PT?

 

As responsabilidades do advogado-geral são definidas na Lei Complementar de número 73, de 1993. Reza o seguinte:

 

Art. 4º - São atribuições do Advogado-Geral da União: 

I - dirigir a Advocacia-Geral da União, superintender e coordenar suas atividades e orientar-lhe a atuação; 
II - despachar com o Presidente da República; 
III - representar a União junto ao Supremo Tribunal Federal; 
IV - defender, nas ações diretas de inconstitucionalidade, a norma legal ou ato normativo, objeto de impugnação; 
V - apresentar as informações a serem prestadas pelo Presidente da República, relativas a medidas impugnadoras de ato ou omissão presidencial; 
VI - desistir, transigir, acordar e firmar compromisso nas ações de interesse da União, nos termos da legislação vigente; (Ver Lei 9.469, 10/07/97) 
VII - assessorar o Presidente da República em assuntos de natureza jurídica, elaborando pareceres e estudos ou propondo normas, medidas e diretrizes; 
VIII - assistir o Presidente da República no controle interno da legalidade dos atos da Administração; 
IX - sugerir ao Presidente da República medidas de caráter jurídico reclamadas pelo interesse público; 
X - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida pelos órgãos e entidades da Administração Federal; 
XI - unificar a jurisprudência administrativa, garantir a correta aplicação das leis, prevenir e dirimir as controvérsias entre os órgãos jurídicos da Administração Federal; 
XII - editar enunciados de súmula administrativa, resultantes de jurisprudência iterativa dos Tribunais; 
XIII - exercer orientação normativa e supervisão técnica quanto aos órgãos jurídicos das entidades a que alude o Capítulo IX do Título II desta Lei Complementar; 
XIV - baixar o Regimento Interno da Advocacia-Geral da União; 
XV - proferir decisão nas sindicâncias e nos processos administrativos disciplinares promovidos pela Corregedoria-Geral e aplicar penalidades, salvo a de demissão; 
XVI - homologar os concursos públicos de ingresso nas Carreiras da Advocacia-Geral da União; 
XVII - promover a lotação e a distribuição dos Membros e servidores, no âmbito da Advocacia-Geral da União; 
XVIII - editar e praticar os atos normativos ou não, inerentes a suas atribuições; 
XIX - propor, ao Presidente da República, as alterações a esta Lei Complementar; 
§ 1º - O Advogado-Geral da União pode representá-la junto a qualquer juízo ou Tribunal. 
§ 2º
- O Advogado-Geral da União pode avocar quaisquer matérias jurídicas de interesse desta, inclusive no que concerne a sua representação extrajudicial. 
§ 3º - É permitida a delegação das atribuições previstas no inciso VI ao Procurador-Geral da União, bem como a daquelas objeto do inciso XVII deste artigo, relativamente a servidores. 

 

PS.: Atualização feita às 19h45 desta sexta (27) - A resposta preparada pela AGU foi ao TSE no início da noite. Pede que a ação seja extinta ou, em caso de condenação, que seja aplicada multa mínima.

 

Em nota, o PSDB afirma que a comparação com Serra é descabida.

Escrito por Josias de Souza às 17h46

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Em novo pa©mício, Lula inaugura obra e exibe Dilma

Alheio à chiadeira oposição, Lula promoveu nesta sexta (27) mais um pa©mício. Deu-se em Florianóspolis (SC).

 

O evento guiou-se pelo roteiro básico, composto de três itens: um pretexto, uma candidata e um púlpito.

 

O pretexto foi a inauguração da linha submarina de transmissão de energia elétrica que integra a capital catarinense ao Sistema Interligado Nacional.

 

Está funcionando desde dezembro de 2008. Recebeu dinheiro do PAC. Coisa de R$ 172 milhões.

 

Dilma Rousseff, a candidata, compôs a cena armada sobre o pa©lanque, o púlpito. Lula fez o que mais lhe apraz: discursou.

 

Repisou teclas que vem apertando desde a fase em que a crise ainda era, para o Brasil, uma “marolinha”.

 

Atacou os operadores do papelório –"quebraram no mundo inteiro [...], foram irresponsáveis, especularam, ganharam dinheiro sem produzir um parafuso”.

 

Realçou o papel de cavalaria atribuído ao Estado –“Agora quem é que vai salvá-los? É o Estado, que não prestava”.

Jactou-se da “solidez” da economia brasileira. Acha que o Brasil vai à reunião do G-20, em Londres, no dia 2 de abril, com “autoridade moral”.

 

Autoridade bastante para ensinar às nações ricas “como se cuida de um país”. Fez analogias com o passado.

 

"É muito interessante como eles sabiam dar palpite quando era o Brasil que estava em crise...”

 

“...Era como se nós fôssemos um bando de analfabetos e eles fossem graduados, doutorados, para ensinar como a gente tinha que cuidar da nossa economia”.

 

A oposição, que anda sobressaltada com a movimentação de Lula e Dilma, talvez tenha de reforçar o estoque de calmantes.

 

Ao longo de 2009, os pa©mícios vão se incorporar à paisagem. Pelo cronograma do Planalto, pretende-se realizar pelo menos uma inauguração por semana.

Escrito por Josias de Souza às 16h43

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TRT tenta conciliação entre Embraer e os demitidos

Stock Images

 

Acionada por quatro entidades sindicais, a Justiça do Trabalho fará uma audiência para tentar harmonizar os intereses da Embraer e de seus 4.270 demitidos.

 

O encontro de “conciliação” deve ser marcado para quinta-feira (5) da semana que vem, às 10h.

 

Acontecerá no prédio do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, sediado em Campinas.

 

Antes, o tribunal terá de decidir sobre um pedido de liminar incluído na ação sindical. Deseja-se a anulação imediata de todas as demissões.

 

A ação foi ajuizada nesta quinta (26). Já tramita nos escaninhos do TRT de Campinas com o número 309/2009-000.

 

São signatários da ação duas centrais (Força Sindical e Conlutas) e dois sindicatos de metalúrgicos (São José dos Campos e Botucatu).

 

Um grupo de sindicalistas foi recebido pelo desembargador federal do trabalho Luis Carlos Cândido Martins Sotero da Silva.

 

Em nota, informou-se que o desembargador prometeu para as próximas 48 horas uma decisão sobre o pedido de liminar. E agendou a audiência de conciliação para a próxima semana.

 

Na ação contra a Embraer, as entidades sindicais alegam que foram ignoradas pela fábrica de aviões.

 

A empresa teria podado 20% de sua folha salarial sem ao menos esboçar interesse em abrir negociação com os sindicatos.

 

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos alega que, por dois meses, tentou negociar, sem sucesso, soluções que preservassem os empregos.

 

Na última quarta (25), depois de reunir-se com Lula e três ministros, o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, disse que as demissões serão mantidas.

 

Se essa posição for reafirmada na mesa de conciliação do TRT, a ação dos sindicatos irá a julgamento no pleno do tribunal, integrado por 12 desembargadores.

 

PS.: Atualização feita ao meio-dia desta sexta (27): O TRT de Campinas deferiu a liminar pedida pelos sindicatos. As demissões da Embraer foram suspensas até a próxima quinta (5), dia em que será feita a audiência de conciliação.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Obama leva déficit a US$ 1,7 tri e pede mais verba para guerras

 

- Folha: Obama amplia déficit e prioriza social

 

- Estadão: EUA projetam déficit de US$1,75 tri

 

- JB: Cortes nos EUA beneficiam Brasil

 

- Correio: Hora de regularizar

 

- Valor: Concessões de energia serão renovadas com tarifa menor

 

- Gazeta Mercantil: Dresdner é vendido ao fundador do Garantia

 

- Estado de Minas: Pacote anticrise chega a US$ 15 tri

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Governo companheiro!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Deputado prepara um discurso anti-Jarbas na Câmara

  José Cruz/ABr
Velho adversário de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) na política pernambucana, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) decidiu chamar o senador para a ‘briga’.

 

Em telefonema a Michel Temer (SP), presidente da Câmara e do PMDB, Silvio Costa pediu horário para discursar da tribuna na próxima semana.

 

Afirma que vai “mostrar quem de fato é o senador” Jarbas Vasconcelos. Acusa-o, por exemplo, de ter feito caixa dois no início da década de 90.

 

Nessa época, Silvio Costa era vereador no Recife. E já se estranhava com o prefeito Jarbas.

 

Depois, eleito deputado estadual, Silvio Costa integrou-se na Assembléia Legislativa pernambucana à bancada que fazia oposição ao governador Jarbas.

 

Agora, a bordo de um mandato de deputado federal, Silvio Costa pega em lanças contra o senador Jarbas.

 

Os primeiros tiros do desafeto foram disparados num instante em que Jarbas se encontra em Lisboa.

 

Coube ao também deputado federal Raul Henry (PE), secretário-geral do PMDB de Pernambuco, sair em defesa de Jarbas.

 

Segundo Henry, Costa move-se por encomenda. Estaria a serviço dos opositores de Jarbas na política pernambucana, à frente o governador Eduardo Campos (PSB).

 

Aliado incondicional de Jarbas, Henry diz que Costa “não faz outra coisa em seu mandato que não seja prestar serviço fazendo trabalho sujo”.

 

“Silvio Costa é conhecidamente um político irresponsável e leviano”, disse Raul Henry. “Ele está desqualificado para esse debate [sobre ética]...”

 

“...Tenta atingir moral e pessoalmente o senador Jarbas. Não vamos entrar nesse debate com ele. Ele não merece entrar nesse debate”.

 

Silvio Costa não se deu por achado: “Lamento que o deputado Raul Henry tente explicar o inexplicável...”

 

“...Não fiz nenhuma acusação no campo pessoal ao senador Jarbas. Fiz apenas uma releitura do passado do senador...”

 

“...Proponho ao deputado Raul Henry que fiquemos no debate político. Mas, se ele quiser ir para o campo pessoal, eu jogo qualquer jogo com ele”.

 

Em Brasília, Silvio Costa é fiel soldado do consórcio partidário que dá suporte congressual a Lula. Pega em lanças, sobretudo, nas CPIs.

 

Na CPI dos Cortões Corporativos, por exemplo, foi um dos mais ferrenhos defensores do Planalto e da ministra Dilma Rousseff.

 

Ao manifestar o desejo de ocupar a tribuna da Câmara na semana que vem, Silvio Costa tenta empanar um discurso anticorrupção que Jarbas fará no Senado.

 

A favor do senador pesa um fato: não há vestígio de processo judicial ou de ação do ministério público que tenha Jarbas Vasconcelos como réu ou acusado.

Escrito por Josias de Souza às 19h36

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TSE notifica Lula e Dilma sobre ação de PSDB e DEM

  Divulgação
Lula e a candidata dele à presidência, Dilma Rousseff, receberam nesta quinta (26) uma notificação do TSE.

 

Foi expedida pelo ministro Arnaldo Versiani (foto), relator da ação protocolada na quarta-feira (18) da semana passada pelo PSDB e DEM.

 

Tucanos e ‘demos’ acusam o Planalto de ter convertido um encontro com prefeitos, em Brasília, num palanque eleitoral para Dilma.

 

Campanha antecipada, ao arrepio da lei, eis a acusação. Na notificação que mandou ao Planalto, Versiani faculta a Lula e Dilma a chance de apresentar defesa.

 

Embora seja opcional, a resposta do presidente e da ministra será feita. O prazo estipulado pelo TSE é de 48 horas.

 

O advogado da União diz que a ação é "descabida". Quanto a Lula, não parece lá muito preocupado com os movimentos dos rivais. Permite-se inclusive brincar com o tema.

 

Há coisa de dez dias, o presidente recebeu em seu gabinete a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), espécie de coveira da emenda da CPMF.

 

Kátia fora a Lula na condição de presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

 

A certa altura, um diretor da entidade, que acompanhava a senadora, convidou o presidente para uma visita à sede da CNA, em Brasília.

 

E Lula, entre risos: “Posso levar a Dilma?”

Escrito por Josias de Souza às 18h15

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Fundo de furnas retira a troca de diretores da pauta

  Roberto Jayme/Reuters
Reunido na tarde desta quinta (26), o conselho deliberativo do fundo de pensão de Furnas retirou de pauta a proposta de substituição de dois gestores.

 

Com isso, resultou em malogro a terceira tentativa empurrar para a área de influência do PMDB o cofre da Fundação Real Grandeza.

 

Cofre vistoso. O patrimônio do fundo soma R$ 7,3 bilhões, dos quais R$ 6,3 bilhões estão livres para investimento.

 

Armara-se um palco que acomodaria no colo do PMDB a presidência e a diretoria de investimentos do fundo de Furnas.

 

Na noite passada, em reunião com o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), Lula desarmara a bomba.

 

A ordem do presidente ao ministro soara clara. A dança de cadeiras deveria ser adiada. A despeito disso, havia uma proposta sobre a mesa.

 

Só o conselho do fundo poderia mandá-la à gaveta. Daí a manutenção da reunião desta quinta, marcada desde a semana passada.

 

O encontro realizou-se em meio a um protesto dos servidores de Furnas (veja imagens no rodapé). Funcionários ativos e aposentados postaram-se na porta de entrada da estatal, no Rio.

 

Ouviram-se discursos apinhados de ataques ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao ministro Lobão, do PMDB de José Sarney.

 

Em Brasília, Lobão participou de solenidade no Planalto (foto lá no alto). A julgar pelos sorrisos que exibiu ao lado de Lula e da colega Dilma Rousseff, o ministro não acrescetará rugas à face por conta da encrenca de Furnas.

Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Inadimplência de pessoa física é a maior desde 2002

Divulgação

 

Dados divulgos nesta quinta (26) pelo BC indicam que continua subindo a inadimplência no crédito bancário.

 

O calote nos empréstimos subiu de 4,4% em dezembro de 2008 para 4,6% em janeiro de 2009. É o maior patamar desde agosto de 2007 (4,7%).

 

Quem mais passou os financiamentos no beiço foram as pessoas físicas. Nesse segmento, as operações com atraso de mais de 90 dias subiram de 8% para 8,3%.

 

É o mais vistoso índice de inadimplência em empréstimos pessoais desde maio de 2002, mês em que se havia anotado um de 8,4%.

 

Entre as empresas, a inadimplência subiu de 1,8% para 2% --pouco abaixo dos 2,2% anotados em novembro de 2007.

 

O BC também informou que, em janeiro, os empréstimos bancários atingiram a impressionante marca de R$ 1,229 trilhão.

 

Uma pendura que corresponde a 41,2% do PIB brasileiro. Há um ano, o total de empréstimos somava 34,2% do PIB.

 

Juntando-se as duas pontas, tem-se o pior dos mundos: para uma dívida cada vez maior, o brasileiro exibe capacidade de pagamento cada vez menor.

 

Num cenário assim, não resta aos bancos senão abrir uma gigantesca mesa de negociação.

 

Sabem que, sob crise, se puxarem demasiado a borracha do estilingue, acabam matando a galinha dos ovos de barro.

De resto, a inadimplência não conspurcou o otimismo oficial. Ouça-se o ministro Guido Mantega (Fazenda):

 

"Eu não vi a inadimplência super alta. Eu vi uma pequena elevação. É normal que em janeiro e fevereiro haja isso...”

 

“...Você tem vencimentos de pagamentos de IPTU, IPVA. Isso não significa nenhuma deterioração importante da economia brasileira".

 

Moral: nos olhos dos outros, falta de dinheiro é refresco.

 

 

Serviço: pressionando aqui você chega à íntegra da nota divulgada pelo BC. A ilustração do texto vem do "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas", de Everton Ballardin e Marcelo Zocchio.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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GM leva ao balanço de 2008 prejuízo de US$ 30 bi

Ultimamente os executivos da General Motors zanzam feito baratas tontas em torno dos cofres de Washington.

 

Depois de permitir que a empresa assumisse responsabilidades financeiras acima de suas possibilidades, pedem socorro ao Estado.

 

Nesta quinta (26) descobriu-se o tamanho da mancha vermelha que tinge o balanço da GM: R$ 30,9 bilhões em 2008.

 

Em 2007, o pejuízo já havia alçado à casa dos US$ 38,7 bilhões. Recuando-se até 2005, o precipício da GM mede mais de US$ 70 bilhões de profundidade.

 

No vaivém de Washington, a montadora já logrou beliscar US$ 13,4 bilhões do contribuinte americano. Quer mais.

 

A dúvida é: não estaria o Tesouro dos EUA enfrentando o megaincêndio da GM armado de conta-gotas?

Escrito por Josias de Souza às 16h02

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Igreja proíbe deputado de atuar como padre na PB

  Marcello Casal/ABr
Até esta quarta-feira (25), o deputado federal Luiz Couto (PT-PB) dividia-se entre o exercício do mandato parlamentar e o sacerdócio.

 

Padre desde 1976, Couto celebrava missas aos sábados e domingos na paróquia de São José Operário, em João Pessoa. Porém...

 

Porém, Dom Aldo di Cillo Pagotto, arcebispo da Paraíba, cassou de Couto o direito de atuar como sacerdote da Igreja.

 

Além das missas, o deputado está agora formalmente proibido de celebrar batizados, casamentos ou qualquer outra atividade própria de um padre.

 

A mão de ferro do arcebispo paraibano pesou sobre Luiz Couto depois que o deputado concedeu uma entrevista.

 

Falou ao sítio brasiliense "Congresso em Foco". E teve as declarações reproduzidas num jornal da Paraíba: "O Norte".

 

Na boca de um deputado, as palavras de Couto soaram sensatas. Nos lábios de um padre, ecoaram polêmicas.

 

O deputado-padre declarou-se contrário ao celibato –"Não tem fundamentação bíblica. Deveria ser optativo"...

 

Manifestou-se a favor dos preservativos –"Defendo o uso da camisinha como uma questão de saúde pública..."

 

Atacou a discriminação aos homossexuais –"Devemos lutar no dia-a-dia contra o preconceito e a intolerância".

 

Não produziu nenhuma ofensa ao senso comum. Longe disso. Mas buliu com uma trinca de dogmas da Igreja.

 

O Vaticano, como se sabe, tem sólidas e divergentes posições sobre o casamento de padres, a contracepção e a união de seres humanos do mesmo sexo.

 

Para devolver ao deputado petista as atribuições de padre, Dom Aldo di Cillo Pagotto exige "retratação". Eis o que escreveu o arcebispo, em nota:

 

“Preposto à Arquidiocese da Paraíba, vejo-me na grave obrigação de suspender o referido sacerdote do uso de Ordem em nossa circunscrição eclesiástica...”

 

“...Porquanto, por suas afirmações sumárias, e enquanto perdurem sem retratação explícita, provoca confusão entre os fiéis cristãos...”

 

“...E contraria ‘in noce’ as orientações doutrinais, éticas e morais sustentadas pela Igreja Católica".

 

Como deputado, Luiz Couto rendeu homenagens ao bom senso. Como padre, frangou um sábio mandamento de Carlos Heitor Cony.

 

Ex-seminarista, Cony ensinou: "Ser católico não é para quem quer, é para quem pode".

Escrito por Josias de Souza às 04h12

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Força Sindical decide acionar a Embraer na Justiça

  Folha
Sindicatos filiados à Força Sindical vão recorrer à Justiça contra as 4.200 demissões promovidas pela Embraer.

 

Anunciada em nota, na sexta-feira (20) passada, a decisão foi ratificada nesta quarta (25) pelo presidente da Força, Paulo Pereira da Silva.

 

A ação trabalhista será protocolada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo.

 

Pretende-se invocar um precedente aberto pelo próprio tribunal num processo julgado em dezembro do ano passado.

 

Envolveu a Amsted Maxion Fundição e Equipamentos Ferroviários. A empresa demitira 600 trabalhadores. Teve de reintegrá-los.

 

Por que? O TRT paulista considerou que as demissões deveriam ter sido comunicadas previamente ao sindicato.

 

Na decisão, a juíza Ivani Contini Bramante anotou: "A despedida coletiva não é proibida, mas está sujeita ao procedimento de negociação coletiva".

 

Compelida a readmitir os funcionários que mandara ao olho da rua, a Amsted Maxion foi à mesa com o sindicato.

 

No curso da negociação, a empresa ofereceu um adicional recisório de R$ 1,5 mil. E os trabalhadores concordaram com o desligamento.

 

A ação contra a Embraer visa coisa semelhante. Deseja-se obter a readmissão e, depois, arrastar a empresa para a mesa de negociação.

 

Busca-se uma composição que, segundo a Força Sindical, a Embraer não se dispôs a promover antes de passar na lâmina 20% de sua folha de pagamento.

 

Nesta quarta (25), depois de avistar-se com Lula, o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, referiu-se às demissões como um fato consumado. Sem volta.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Ministro fala em bandidagem no fundo de pensão de Furnas

 

- Folha: Faculdade privada perde aluno e quer auxílio do BNDES

 

- Estadão: Bancos reservam R$ 7 bi para se proteger de calotes

 

- JB: Salgueiro derruba Beija-Flor

 

- Correio: Folia com Lei Seca: recorde de multas

 

- Valor: Aumentam acordos para cortar jornada e salário

 

- Gazeta Mercantil: Sindicatos vão à Justiça contra a Embraer

 

- Jornal do Commercio: Bancos já tomaram 100 mil automóveis

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Carnaval fora de época!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Leia aqui detalhes sobre o feriadão que Brasília se autoconcedeu.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Lula suspende dança de cadeiras no fundo de Furnas

Antônio Cruz/ABr

 

Subiu no telhado a bruxaria urdida para empurrar o fundo de pensão de Furnas no caldeirão em que ardem os intere$$es do PMDB.

 

O repórter Lauro Jardim informa que foi adiada a dança de cadeiras no fundo Real Grandeza, que estava marcada para as 14h desta quinta (26).

 

Lula levou o pé ao freio numa reunião com o ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Deu-se na noite desta quarta de cinzas (25).

 

A protelação desarmou uma encrenca que começaria com uma greve geral do funcionalismo de Furnas e poderia terminar em apagão moral.

 

O exercício de um mandato e meio parece ter ensinado alguma coisa a Lula. A palavra Furnas faz rodar na memória do presidente um programa conhecido.

 

A estatal elétrica está na raiz do curto-circuito que resultou, em 2005, no incêndio do mensalão.

 

Sob FHC, Furnas era comandada por Dimas Toledo. Um personagem cuja fama era a de trazer no bolso pelo menos dois governadores e algo como 30 parlamentares.

 

Na virada do governo, o PT tomou-se de amores por Dimas. Manteve-o. A certa altura, Lula pediu a Roberto Jefferson (RJ), mandachuva do PTB, um nome para a vaga.

 

Na versão de Jefferson, José Dirceu, à época chefão da Casa Civil, torceu o nariz: “O Dimas já transferia dinheiro para o PT. Entregava dinheiro ao Delúbio Soares”.

 

Intriga daqui, conspira dali, Jefferson saiu-se com a entrevista-bomba à repórter Renata Lo Prete.

 

Se tiver um pingo de juízo, Lula ainda vai transformar o adiamento das mudanças no fundo de Furnas em cancelamento.

Escrito por Josias de Souza às 00h28

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Dirigente da Embraer vai a Lula e mantém demissões

Ricardo Stuckert/PR

 

Dizia-se que as 4.200 demissões na Embraer haviam tirado Lula do sério. Se irritação houve, já passou.

 

Nesta segunda, junto com três ministros, Lula reuniu-se com Frederico Fleury Curado, presidente da fábrica de aviões.

 

Pediu assistência aos demitidos. Mas não apelou por readmissões. Nem adiantaria. Para a Embraer, as dispensas constituem jogo jogado.

 

Retaliações? Nem pensar. O governo informa que serão mantidas as linhas de financiamento do BNDES à Embraer.

 

Produziu-se no Planalto uma pantomima. Deve-se ao repórter Elio Gaspari o melhor retrato do embuste.

 

Sob o título “O Massacre da Embraer foi morte anunciada”, Gaspari levou às páginas da Folha (assinantes) o texto que vai abaixo:

 

 

“Há uma semana, diante da notícia do Massacre da Embraer, no qual foram destruídos 4.000 empregos, Lula indignou-se.

 

Segundo a narrativa de sindicalistas que estavam com ele, Nosso Guia teria dito: 'É um absurdo que uma empresa que recebeu recursos do BNDES ao longo dos últimos anos, ao primeiro sinal de problemas, promova este enorme corte, sem uma única conversa com alguém do governo, sem nos procurar'.


De duas uma: Lula está fazendo teatro (a melhor hipótese), ou disse a verdade, revelando que não tem ideia do que acontece no país e no seu governo. Pior: seus ministros do Trabalho, do Desenvolvimento e da Fazenda também não.


A informação de que a Embraer pretendia demitir 4.000 funcionários era pública desde dezembro do ano passado. Foi revelada pelo repórter Julio Ottoboni, referindo-se a um boletim interno da empresa.

 

Ottoboni informou o tamanho da carnificina -'4.000 funcionários', e a época, o início de 2009. Lula e seu ministros podem dizer que não leem jornal, mas a informação constou da sinopse que a Radiobrás organiza diariamente.


Os sindicalistas de São José dos Campos sabiam do plano da Embraer e dizem que tentaram negociar com a empresa mecanismos semelhantes aos que têm protegido milhares de empregos.

 

José Lopez Feijóo, da executiva da CUT, contou que a Embraer chegou a marcar um encontro com o ministro Guido Mantega, mas não apareceu. Discutiriam a qualidade dos sambas-enredo das escolas?

Quem diz que foi surpreendido ofende a quem lhes dá crédito. Com o tempo vai-se saber quem conversou com quem. Por enquanto, fica a possibilidade de ter havido um acordo tácito: a Embraer faz o massacre, eu digo que não sabia, falo mal de seus diretores durante uma semana e depois voltamos às práticas de sempre.


Que práticas? Desde o tempo dos generais a Embraer é uma queridinha do palácio. Se o presidente precisa de um cenário para bombar os avanços tecnológicos de seu governo, marca um evento em São José dos Campos e aparece na foto ao lado de jatos, robôs e máquinas fantásticas.

 

Quando o tucanato precisou bombar sua publicidade, os marqueteiros selecionaram um plantel de bem-sucedidos para ilustrar anúncios pelo Brasil afora. Na lista, o presidente da Embraer.

A intimidade do Planalto com a Embraer chegou ao apogeu em 2004, quando Nosso Guia encomendou o AeroLula à empresa europeia Airbus, ao preço de US$ 56,7 milhões.

 

Presidindo um país onde funcionava a quarta maior fábrica de aviões do mundo, teria sido razoável encaminhar o pedido à Embraer. Empregaria 400 pessoas durante seis meses.

 

Segundo o Planalto, o Airbus era essencial porque sua autonomia permitia voos diretos até Paris ou Nova York. Considerando que esses trajetos não são frequentes, ficava pelo menos a dúvida.

 

Ela foi desfeita pela Embraer, que se apressou em respaldar a decisão, informando que não produzia o tipo de avião pedido, nem pretendia fazê-lo nos próximos cinco anos. Caso raro de empresa amparando uma preferência pelo concorrente.

George Bush e Henry Paulson, seu secretário do Tesouro, fizeram muitas besteiras, mas nunca lhes passou pela cabeça armar um jogo ao fim do qual pudessem dizer que não sabiam que o banco Lehman Brothers estava quebrado".

Escrito por Josias de Souza às 22h56

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PMDB deve assumir o controle de fundo de R$ 7,3 bi

  Fotos: ABr e Folha
Num instante em que o país ainda saboreia os ecos do Carnaval, o PMDB está na bica de assumir o controle de mais um cofre.

 

Um cofre de 7,3 bilhões, instalado na Fundação Real Grandeza. Trata-se do fundo de pensão dos funcionários de duas estatais: Furnas e Eletronuclear.

 

Reúne-se nesta quinta (26), às 14h, o Conselho Deliberativo do Real Grandeza. Vai à mesa a proposta de troca de dois dirigentes do fundo.

 

Deseja-se desalojar Sérgio Wilson Fontes e Ricardo Nogueira, respectivamente presidente e diretor de investimentos do Real Grandeza.

 

A dupla será substituída por Eduardo Henrique Garcia. É gerente financeiro de Furnas. No fundo de pensão, assumirá dois postos.

 

Eduardo Henrique será presidente efetivo do Real Grandeza. E responderá interinamente também pela diretoria de investimentos.

 

Por trás da dança de cadeiras está o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na foto lá do alto. É uma espécie de mandachuva da bancada fluminense do PMDB na Câmara.

 

A manobra conta com o aval do ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Senador licenciado, Lobão foi à Esplanada por indicação de José Sarney (PMDB-AP).

 

O PMDB move-se à sombra. Não assume publicamente o interesse pelo domínio das arcas do Real Grandeza.

 

Comportou-se do mesmo modo em 2007. Naquele ano, valendo-se de uma manobra congressual, Eduardo lograra arrastar Furnas para a cota do PMDB.

 

Eduardo Cunha relatava na Câmara a emenda que propunha a renovação da CPMF. Ameaçara produzir um texto contrário aos interesses do Planalto.

 

Para amolecer as resistências do deputado, Lula concordou em entregar a ele a ao seu grupo a presidência de Furnas.

 

Foi ao cargo Luiz Paulo Conde. Ex-prefeito do Rio, cria de César Maia (DEM), Conde migrara para o PMDB.

 

Arquiteto, Conde não trazia na biografia nenhum conhecimento específico que justificasse a nomeação para a maior fornecedora de energia elétrica do país.

 

Desde então, o PMDB de Eduardo Cunha, ligado no Rio à ala do ex-governador Antony Garotinho, vem tentando achegar-se ao cofre do Real Grandeza.

 

Tentara uma vez, em novembro de 2007, três meses depois da posse de Conde. Tentara de novo em setembro do ano passado. E nada.

 

Vai-se nesta quinta (26) à terceira tentativa. Agora sem Conde, arrancada da presidência de Furnas por problemas de Saúde.

 

Chama-se Carlos Nadalutti Filho o substituto de Conde no comando de Furnas. É um técnico. Mas ascendeu ao posto com o aval do PMDB ‘garotinho’ de Eduardo Cunha.

 

Carlos Nadalutti determinou aos representantes de Furnas no conselho do Real Grandeza o reencaminhamento da proposta de substituição dos dirigentes.

 

Nada a ver com os apetites do PMDB, alega Carlos Nadalutti. Invoca-se uma razão vaga: dificuldades de relacionamento.

 

Sérgio Wilson Fontes e Ricardo Nogueira, o presidente e o diretor de investimentos que se deseja desalojar estão em pleno gozo de seus mandatos.

 

Os dois foram guindados aos respectivos postos em agosto de 2005. O mandato de ambos só expira em outubro de 2009.

 

Do ponto de vista técnico, não há razões objetivas para a substituição de Sérgio Wilson e de Ricardo Nogueira.

 

Chegaram ao Real Grandeza em 2005. Desde então, o fundo acumula rentabilidade de cerca de 80% sobre seu patrimônio.

 

Um patrimônio vistoso: R$ 7,3 bilhões, dos quais cerca R$ 6,5 bilhões compõem a parte não-imobilizada –disponível para investimentos.

 

Dessa vez, a proposta de troca-troca no Real Grandeza foi formalizada dois membros do conselho deliberativo do fundo.

 

O primeiro chama-se Victor Albano Esteves. Ele preside o conselho. O segundo é o conselheiro Wilson Neves dos Santos, que representa a Eletronuclear.

 

A adesão de Wilson Neves à proposta é o principal indício de que, nesta terceira tentativa, a manobra com cheiro de PMDB vai prevalecer.

 

Há no conselho do Real Grandeza seis pessoas –três representam as estatais e três eleitos pelos funcionários.

 

Até aqui, embora represente a Eletronuchelar no conselho, Wilson Neves vinha jogando do lado dos servidores. A mudança de lado abre caminho para a mudança.

 

Sentindo o cheiro de queimado, um representante de furnas pulou fora do conselho na semana passada: Ronaldo Neder.

 

Deveria ser substituído na votação desta quinta pelo suplente Marcos Vinicius Vaz. Mas ele também renunciou à cadeira.

 

Para evitar contratempos, Furnas acomodou na cadeira do conselheiro Ronaldo Neder o chefe de gabinete da presidência da estatal: Luiz Roberto Bezerra.

 

Assim, está montada a cena que deve dar ao PMDB o cofre do Real Grandeza. Ganha relevo uma pergunta do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE):

 

“Qual é a explicação lógica, a justificativa racional para que um partido como PMDB reivindique o comando e diretorias financeiras de uma estatal como Furnas?”

 

Aliado de Jarbas na articulação de uma frente suprapartidário anticorrupção, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) decidiu converter Furnas num dos itens da pauta do grupo.

 

PS.: Por ordem de Lula, a reunião do conselho do fundo de pensão de Furnas foi adiada.

Escrito por Josias de Souza às 18h53

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Jarbas prepara discurso sobre 'corrupção na política'

Fábio Pozzebom/ABr

 

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) parece mesmo decidido a tornar-se um personagem incômodo no Congresso.

 

Para evitar que o alarido das baterias amorteça as declarações que sacudiram Brasília na fase pré-carnavalesca, o senador decidiu subir à tribuna do Senado.

 

Prepara um discurso azedo. Pretende detalhar as perversões que desvirtuam a ação dos partidos políticos. Práticas que arranhou em entrevista veiculada há dez dias.

 

Para Jarbas, não se deve permitir que o Carnaval funcione como anestésico contra um debate que considera “urgente e inevitável”.

 

O senador trata a corrupção como “um tumor”, que precisa ser “lancetado”. No discurso, pretende ultrapassar as fronteiras do PMDB.

 

Vai mencionar, por exemplo, um flagelo que infelicita os governos estaduais e também o federal: o assédio dos partidos às arcas do Estado.

 

“Por que determinados partidos procuram governadores e presidentes da República para pedir espaço em diretorias financeiras de estatais?”, pergunta Jarbas.

 

“Qual é a explicação lógica, a justificativa racional para que um partido como PMDB reivindique o comando e diretorias financeiras de uma estatal como Furnas?”

 

A resposta às questões que o senador vai levantar, por óbvia, é conhecida até dos mármores que forram o prédio do Senado.

 

Os políticos acercam-se dos cofres das estatais para desviar verbas públicas. Em português claro: para roubar.

 

Jarbas conhece o problema de perto. Conta que, à época em que governou Pernambuco, legendas que o apoiavam apresentaram demandas do gênero.

 

Diz ter resistido: “Jamais admiti entregar estatal a partido político. Minas escolhas sempre recaíram sobre nomes técnicos”.

 

Dirá no discurso que o Congresso deveria aprovar uma lei que impusesse pela força o que muitos governantes deixam de fazer por bom senso.

 

“Deveríamos ter uma norma consagrando o entendimento de que diretoria financeira de estatal –pequena, média ou grande— nunca pode ir para partido político”.

 

Acusado pelo PMDB de produzir acusações “genéricas”, Jarbas dá de ombros. Diz que não é “auditor”. Acrescenta:

 

“Não estou atrás de nomes para dar. Meu interesse é o de combater práticas danosas, extirpar do meio político os usos e os costumes perniciosos”.

 

Afora o discurso, o senador articula com os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) a constituição de um grupo suparpartidário anticorrupção.

 

Conforme noticiado aqui, a trinca organiza para a semana que vem um encontro no qual a ação do grupo será esboçada.

 

Mal acomodado nos quadros do PMDB, Jarbas vai ao encontro com uma preocupação:

 

“Essa reunião não pode ser confundida como o embrião de um novo partido. Isso pode até surgir mais à frente, não nessa fase...”

 

“...Agora, todo o nosso esforço deve se voltar para o combate à corrupção e às práticas políticas nocivas...”

 

“...É preciso desnudar diante dos olhos da nação esse esquema nefasto dos partidos para alcançar os cofres do Estado”.

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Estandarte é do Salgueiro

 

- Folha: Inadimplência sobe e bancos retomam 100 mil veículos

 

- Estadão: ‘Vamos nos reconstruir’, diz Obama ao Congresso

 

- JB: Dia de festejar a vitória

 

- Correio: Crise já ameaça o reajuste do servidor

 

- Valor: Empresas sofrem perdas com reavaliação de ativos

 

- Gazeta Mercantil: Produção de autopeças reacelera em janeiro

 

- Jornal do Commercio: Ainda tem o Bacalhau

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Ressaca!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Aprovação de Obama cai abaixo dos 60% pela 1ª vez

 

A taxa de aprovação à gestão de Barack Obama é declinante, informa o Gallup.

 

Pesquisa divulgada nesta terça (24) revela que o índice caiu para 59%.

 

Era de 70% em janeiro, mês da posse. Na última sexta (20), batera em 63%.

 

É a primeira vez que índice cai a patamares inferiores a 60%.

 

A nova sondagem foi feita entre sábado (21) e segunda (23).

 

Ouviram-se 1.553 americanos. Só adultos, com 18 anos ou mais.

 

O índice de desaprovação a Obama oscilou para cima um ponto percentual.

 

Foi de 24% na sexta passada para 25% nesta terça.

 

O percentual de entrevistados que disseram não ter opinião subiu de 13% para 16%.

 

Ou seja: por ora, aumentam mais as dúvidas em relação a Obama do que as críticas.

 

  Evan Vucci/AP
A pesquisa veio à luz no mesmo dia em que o presidente discursou no Congresso (foto).

 

Obama pediu união e, otimista, disse que os EUA vão emergir da crise “mais fortes”.

 

Para atrair o apoio dos oposicionistas republicanos apelou para o "amor pela América".

 

Prometeu cortes orçamentários capazes de produzir uma economia de US$ 2 trilhões em dez anos.

 

Falou também de uma nova era na política externa.

 

Em outra pesquisa, feita em parceria com o diário USA Today, o Gallup perguntara o que as pessoas queriam ouvir de Obama. Deu o óbvio.

 

Três em cada quatro americanos (74%) manifestaram o interesse de escutar algo sobre os desafios econômicos que assediam o país.

 

No topo das preocupações estão quatro temas: Emprego (18%), a crise bancária (15%)...

 

...Detalhes sobre o uso do dinheiro público do pacote econômico aprovado pelo Congresso (14%) e a crise no sistema de financiamento da casa própria (11%).

 

Vai ficando claro que a aprovação ao trabalho de Obama, ainda alta, não pode ser confundida com resignação.

 

No discurso desta terça (24), Obama pediu paciência diante da crise. Coisa arriscada. Insistindo nessa tecla, o presidente arrisca-se a deixar a paciência furiosa.

Escrito por Josias de Souza às 01h03

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STJ autoriza o filho de Sarney a consultar processo

Investigado pela Polícia Federal, Fernando Sarney (foto), um dos filhos do presidente do Senado, obteve uma vitória no STJ.

 

A 6ª turma do tribubal autorizou Fernando, executivo das empresas da família Sarney, a ter acesso aos autos do inquérito que corre contra ele.

 

Pesa contra Fernando a suspeita de envolvimento em crimes variados. Por exemplo: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude em licitações e corrupção.

 

Ele nega as acusações. E vinha tentando ter acesso ao processo, que corre na 1ª Vara da Justiça Federal de São Luiz (MA).

 

O pedido fora negado pelo juiz de pimeiro grau e também pelo TRF da 1ª Região, sediado em Brasília. Daí o recurso ao STJ.

 

Ralator do pedido de habeas corpus ajuizado pelos advogados do filho de José Sarney, o ministro Paulo Gallotti, do STJ, anotou em seu voto:

 

“Certo é que não se mostra viável, em um Estado democrático de direito, subtrair do investigado o acesso a informações que lhe interessam diretamente”.

 

O voto de Gallotti foi acolhido pela unanimidade dos integrantes da 6ª turma do STJ. A decisão, tomada na quinta-feira (19) da semana passada, só agora vem à luz.

Escrito por Josias de Souza às 19h14

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Simon: ‘O PMDB se oferecerá a quem pagar mais’

  Fotos: Folha
O senador Pedro Simon (RS) disse que o PMDB, seu partido, olha para a sucessão presidencial de 2010 com visão negocial.

 

A legenda oscila entre o apoio a Dilma Rousseff (PT) ou a adesão a José Serra (PSDB). Na opinião de Simon, vai optar por aquele que “pagar mais”.

 

"O PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais e quem ganha mais", disse Simon à repórter Amália Goulart.

 

As declarações de Simon chegam nas pegadas da entrevista em que Jarbas Vasconcelos (PE) dissera que “boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”.

 

Curiosamente, a primeira reação de Simon deixara irritado o próprio Jarbas, seu amigo e, como ele, fundador do PMDB.

 

Simon afirmara que as perversões do PMDB não eram diferentes das práticas de outras legendas.

 

Agora, em sua nova manifestação, Simon repisou a tecla de que todos os partidos farejam vantagens. Mas, a exemplo do que fizera Jarbas, mirou o PMDB.

 

Simon criticou o deputado Michel Temer (SP), presidente da legenda. Disse que "o comando partidário não está à altura do partido".

Acha que, submetido aos interesses de sua caciquia, o PMDB rendeu-se à “política de quem paga mais”. Acrescentou: “Eles ficam esperando para ver quem paga mais".

 

De original em relação à fala de Jarbas, Simon pronunciou uma obviedade que seu companheiro de partido não realçara.

 

Disse que a fisiologia que marca a ação do PMDB não nasceu sob Lula. Deu-se coisa semelhante na gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso.

 

"O PMDB fez de tudo para agradar o Fernando Henrique e conseguiu ‘carguinhos’. Agora faz a mesma coisa com Lula".

 

Simon disse que o declínio moral do PMDB começou em 1994, na sucessão do então presidente Itamar Franco.

 

O senador recordou que, naquela ocasião, o ex-governador Orestes Quércia (SP) assumira o comando do PMDB.

 

Segundo Simon, Quércia, hoje presidente do diretório do PMDB em São Paulo, medira forças com José Sarney, agora presidente do Senado, pelo comando da legenda.

 

“A política não era mais como na época do Ulysses [Guimarães]”, disse Simon. “Passou a ser uma política de quem paga mais”.

 

O que fazer? Simon acha que os atuais mandachuvas do partido deveriam bater em retirada: "O PMDB poderia fazer uma limpa".

 

"Isto que estamos passando é uma vergonha", lamuriou-se o senador. Acha que a limpeza que preconiza deveria vir de baixo para cima.

 

"Impossível não é”, ecredita Simon. “As bases pensam como nós". Na falta de uma pesquisa, é difícil saber o que pensam as bases do PMDB. Porém...

 

Porém, hoje parece mais provável o alijamento de personagens como Jarbas e Simon do que o processo de higienização do PMDB.

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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As manchetes desta terça

 

- Globo: A aventura da criação

 

- Folha: EUA querem mais controle sobre bancos

 

- Estadão: Governo dos EUA garante bancos, mas bolsa despenca

 

- Correio: CGU investiga comissionados

 

- Valor: Citi coloca à venda fatia de R$ 2,5 bi na Redecard

 

- Gazeta Mercantil: Embraer demite 4.273, mas mantém investimento externo

 

- Jornal do Commercio: Arrastão do frevo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Bloco de apoio!

 Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Lula amplia vitrine expondo-se em jornais regionais

  Wilson Dias/ABr
O púlpito da presidência dá ao inquilino do Planalto uma visibilidade inaudita. Qualquer espirro do presidente vira notícia.

 

Sob Lula, a vitrine presidencial, que já era ampla, tornou-se ainda mais larga e vistosa.

 

O presidente adotou a prática de “falar” para os jornais regionais. Foram 19 “entrevistas” em 2008; oito nesse início de 2009, informa o Painel.

 

São “entrevistas” sui generis. Não são pedidas, mas oferecidas pelo Planalto a jornais sediados nas praças que serão visitadas por Lula, não raro junto com Dilma Rousseff.

 

Os diários são instruídos a enviar à presidência cinco perguntas. As respostas seguem por escrito. Normalmente viram manchete de primeira página.

 

É bom, muito bom, é ótimo que o Planalto dê atenção à mídia regional. Cabe, porém, uma pergunta: será que Lula responde pessoalmente aos questionários?

 

Seja como for, o resultado deve funcionar como um poderoso antídoto contra azia.

 

Diante de um espirro do presidente, a grande “imprensa golpista” dirá que é gripe. Jornais pequenos tendem a gritar ‘saúuuuuude’.

Escrito por Josias de Souza às 23h06

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Exposição exibe a história da espionagem na Rússia

Escrito por Josias de Souza às 22h11

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EUA detalham 'novo' programa de socorro a bancos

Em comunicado divulgado nesta segunda (23), o governo dos EUA esmiuçou o plano de socorro a instituições financeiras.

 

A coisa fora anunciada há 13 dias. Sabia-se que teria três etapas e que custaria ao contribuinte americano US$ 1,5 trilhão. Sabe-se agora:

 

1. O programa começa a ser retirado do papel nesta quarta (25);

 

2. O objetivo final é "garantir que os bancos tenham o capital e a liquidez que precisem para oferecer o crédito necessário para restaurar o crescimento econômico";

 

3. Os bancos americanos que necessitem de socorro serão compelidos, primeiro, “a se voltar para fontes privadas de capital";

 

4. Não havendo dinheiro privado à disposição, “o aporte de capital será oferecido pelo governo";

 

5. A torneira das arcas públicas não jorrarão à farta. A idéia é que o dinheiro fique disponível, para servir como um suporte para eventuais perdas além do esperado;

 

6. Pretende-se usar a verba pública para assegurar empréstimos a clientes com boa classificação cadastral;

 

7. Como garantia aos aportes financeiros, as casas bancárias soocorridas darão ao governo ações preferenciais em volume e em valor correspondente;

 

8. Significa dizer que, na prática, o Estado será sócio dos bancos. Para capitalizar os bancos, admite-se a hipótese de converter ações prefereneciais em ordinárias;

 

9. No comunicado desta segunda, descartou-se a alternativa de estatização integral de bancos;

 

10. Diz o texto: "Como a economia funciona melhor quando as instituições financeiras são bem geridas no setor privado, o pressuposto fundamental do programa é o de que os bancos devem permanecer em mãos privadas".

 

11. Na última sexta (20), o presidente do Comitê Bancário do Senado dos EUA, Christopher Dodd, dissera coisa diferente sobre a estatização bancária;

 

12. Segundo Dodd, alguns bancos poderiam ser assumidos pelo Estado "por um período curto".

 

13. "Eu não acho isso bom, de forma alguma, mas posso ver que é possível que venha a acontecer", dissera Dodd. "Estou preocupado que acabemos por ter de fazer isso, ao menos por um curto período."

 

14. A encrenca bancária está na origem da crise financeira que se irradiou dos EUA para o mundo. Tenta-se debelar o incêncio desde George Bush. E nada.

 

15. Neste início de 2009, 14 bancos americanos já foram à breca. A bruxa ronda agora duas casas de peso: o Citigroup e o Bank of America. Daí os novos movimentos da Casa Branca, agora sob Barack Obama.

 

16. A despeito da veiculação do comunicado oficial, a Bolsa de Nova York caiu. Atingiu o nível mais baixo em 12 anos. A coisa vai ecoar no mercado brasileiro, na reabertua dos negócios depois do Carnaval.

Escrito por Josias de Souza às 21h47

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Grupo pluripartidário articula frente anticorrupção

  Fotos: Folha
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e dois deputados –Fernando Gabeira (PV-RJ) e Gustavo Fruet (PSDB-PR)— iniciaram um novo movimento no Congresso.

 

A trinca se reuniu na semana passada, nas pegadas da entrevista em que Jarbas dissera que “boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”.

 

Decidiram organizar, já na primeira semana de março, um encontro suprapartidário. O objetivo é formar uma frente parlamentar anticorrupção.

 

Pelas contas de Gabeira, o grupo pode atrair algo em torno de 30 congressistas de oposição, entre deputados e senadores.

 

A idéia, disse Gabeira ao blog, é inaugurar um movimento que, nascido no Congresso, “demonstre capacidade de se articular com a opinião pública”.

 

“Nesse estágio, vamos nos concentrar no combate à corrupção e as práticas políticas nocivas”, declarou Jarbas ao repórter.

 

“Precisamos lutar contra a decadência do Congresso”, ecoou Gabeira. “Além disso, é necessário colocar na agenda da campanha a importância da renovação de quadros”.

 

Para Gabeira, a precipitação da atmosfera de 2010 deve ajudar na formação da nova frente parlamentar.

 

“A campanha eleitoral já começou de um lado”, diz o deputado. “Talvez seja conveniente que a oposição também exponha as suas perspectivas”.

 

Gabeira prossegue: “Nossa idéia é atrair umas 30 pessoas, de diferentes partidos. È perciso reunir forças”.

Escrito por Josias de Souza às 13h48

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Império com Lula

 

- Folha: EUA fecham bancos e podem estatizar

 

- Estadão: Europeus querem mais US$ 500 bi para o FMI

 

- JB: Show na Sapucaí

 

- Correio: Bloco do bafômetro leva 2 foliões por hora

 

- Valor: Citi coloca à venda fatia de R$ 2,5 bi na Redecard

 

- Gazeta Mercantil: Embraer demite 4.273, mas mantém investimento externo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 09h22

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Duo elétrico!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Enquanto o Brasil samba, Europa debate crise global

 

Num momento em que o Brasil tira o pé da realidade para cair no samba, líderes de seis países europeus reuniram-se para debater saídas para a crise.

 

Decidiram propor um reforço para as arcas do FMI. Querem que o Fundo disponha de US$ 500 bilhões para usar em ações contra a crise.

 

Se for efetivado, o aporte dobraria a disponibilidade de recursos do FMI. A idéia será levada pela União Européia à reunião do G-20.

 

Trata-se do grupo que congrega os mandachuvas das nações ricas e dos principais países emergentes, entre eles Brasil, China e Índia.

 

Num primeiro encontro, realizado no final do ano passado, em Washington, o G-20 marcara a próxima reunião para 2 de abril, agora com a presença de Barack Obama.

 

A crise ocupa o primeiro plano também nos EUA. O diário "Wall Street Journal" informa que a Casa Branca planeja estatizar um pedaço (40%) do Citigroup.

 

São ruídos que, por aqui, só devem ser ouvidos quando cessar o baticum, na Quarta-feira de Cinzas.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Isolado por esquema 'antivaia', Lula chega à Sapucaí

Marcelo Sayão/EFE

 

A despeito da megapopularidade de Lula, a assessoria do Planalto cercou-o de cuidados para evitar que fosse vaiado na Marques de Sapucaí.

 

Armou-se em torno de Lula um escudo de discrição. Eis os cuidados que foram adotados:

 

1. Diferentemente do que ocorrera na abertura dos Jogos Panamericanos, em 2007, o locutor oficial do Sambódromo não anunciou a chegada do presidente;

 

2. Escolheu-se uma hora estratégia para o deslocamento de Lula até o camarote do governador Sérgio Cabral (PMDB);

 

3. O presidente aguardou até que a Império Serrano, primeira escola a desfilar, já estivesse evoluindo na avenida, sob aplausos das arquibancadas;

 

4. De resto, o carro que conduzia Lula estacionou ao pé do camarote, em área protegida por grades e tapumes, a salvo dos olhares do público.

 

Lula chegou pouco depois de 21h30. Levava a tiracolo a primeira-dama Marisa Letícia.

 

Ele trajava roupa clara e chapéu panamá. Ela, calça jeans e blusa azul e branco, as cores da Beija-Flor, escola do coração do primeiro-casal.

 

Adotaram-se também providências para evitar o contato de Lula com Anísio Abrão David.

 

Patrono da Beija-Flor, Anísio é frequês de caderneta da Polícia Federal. Bicheiro e mercador de caça-níqueis, foi em cana quatro vezes, três das quais sob Lula.

 

O camarote oficial do governo do Rio foi dividido em dois. O acesso à ala reservada a Lula foi restrito a autoridades e familiares do presidente.

 

Lula é aguardado na concentração das escolas. Neguinho da Beija-Flor convidou-o para padrinho de seu casamento, que ocorrerá na avenida.

 

Embora o Planalto não tenha confirmado a presença de Lula, a movimentação de agentes de segurança é prenúncio de que o convite de Neguinho pode ter sido aceito.

 

PS.: Chegada a hora do casamento de Neguinho, Lula nao deu as caras.  

Escrito por Josias de Souza às 00h44

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Turma do Bolsa Família foge da ‘profissionalização’

O governo lançou no ano passado um programa que tinha a aparência de porta. Uma porta de saída para a clientela do Bolsa Família.

 

A idéia era oferecer cursos profissionalizantes para os brasileiros pobres. Conforme noticiado aqui, chegou-se mesmo a firmar uma parceria com a iniciativa privada.

 

Pretendia-se reservar 45% dos empregos criados em obras do PAC para os pobres pendurados no cadastro do Bolso Família.

 

Idealizaram-se cursos para profissões como: pintor, azulejista, encanador, carpinteiro, mestre-de-obras, desenhista, eletricista, tratorista, gesseiro, etc.

 

Tomada pelo que estava escrito no papel, a iniciativa parecia condenada ao êxito. Vista pelo resultado, tornou-se um fiasco.

 

O plano subiu no telhado por duas razões: foi atropelado pela crise global e, mais grave, fenece por falta de interesse dos candidatos a emprego.

 

Deve-se ao repórter Roldão Arruda a revelação: das 370 mil pessoas selecionadas pelo goveno como alunos portenciais dos cursos, só 18,5 mil (5%) demonstraram interesse.

 

Por que? Na opinião do governo, as pessoas receiam que, matriculando-se nos cursos profissionalizantes, perderão o capilé do Bolsa Família.

 

De nada adiantou o governo assegurar que ninguém seria desligado or programa senão depois que ficasse caracterizada a efetiva inserção no mercado de trabalho.

 

Consolida-se a impressão de que será mais difícil do que se imaginava retirar do Bolsa Família o caráter meramente assistencialista.

 

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Congresso engaveta leis de moralização da política

Sérgio Lima/Folha

Carnaval. Boa hora para esmiuçar o "Samba do Legislativo Doido". É o hino do bloco dos sujos. Serve de enredo para a “Unidos da Desfaçatez”.

 

Começa com o ruído das ruas. Um batuque algo desconexo. Intima o Congresso ao centro da roda. Põe os parlamentares para rebolar. Súbito, acaba em cinzas.

 

Vão abaixo três passagens acrescentadas recentemente ao velho samba:

 

 

1.Compasso do voto aberto: Em 5 de setembro de 2006, a Câmara aprovou, em primeiro turno, emenda constitucional extinguindo o voto secreto no Legislativo.

 

Coisa urgente e necessária. Sob a sombra do voto secreto, os deputados tinham acabado de absolver o 11º colega mensaleiro.

 

Na bica de um reencontro com as urnas, que se daria dali a um mês, a Câmara produziu uma votação apoteótica: 383 a zero.

 

O voto aberto convertera-se em súbita unanimidade. Faltava apreciar a emenda em segundo turno. Mas a excitação do plenário prenunciava uma barbada. Engano.

 

Já lá se vão dois anos e cinco meses. E nada da segunda votação. Levada à gaveta ainda na presidência de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a emenda do voto aberto nunca mais viu a luz do Sol.

 

Sob Arlindo Chinaglia (PT-SP), permaneceu em cativeiro. Em pleno vigor, o voto secreto, depois de socorrer a turma do mensalão, rendeu duas absolvições a Renan Calheiros.

 

Michel Temer (PMDB-SP), o sucessor de Chinaglia, ainda não fez menção de abrir a gaveta. Natural. As ruas silenciaram.

 

 

2.Compasso do suplente: Em 9 de abril de 2008, a comissão de Justiça do Senado aprovou um projeto que impõe limites à farra dos suplentes.

 

Relator, Demóstenes Torres (DEM-GO) pegara pesado. Sugerira a extinção pura e simples do suplente.

 

Em casos de vacância, iria à cadeira do Senado o deputado federal mais votado. Mais: senador que aceitasse cargo de ministro teria de renunciar ao mandato.

 

Não se chegou a tanto. Mas avançou-se. A proposta aprovada na comissão de Justiça manteve os suplentes. Só que converteu-os em “senadores-tampão”.

 

Morrendo o titular, o suplente ocupa a cadeira no Senado apenas até a eleição seguinte. Mesmo que o pleito seja municipal. Proibiu-se, de resto, o suplente-parente.

 

A votação se deu sob pressão das ruas. Três meses antes, Edison Lobão Filho (MA) assumira a cadeira de Edison Lobão (PMDB-MA), o pai, convertido em ministro de Lula.

 

Lobinho chegara como o 174º suplente a ganhar os corredores do Senado sem ter amealhado um mísero voto. E  trazia consigo um pegajoso rastro de denúncias.

 

Pois bem, aprovada na comissão, a proposta foi à mesa de Garibaldi Alves, que presidia o Senado. Dali deveria ter seguido para a votação em plenário. Não seguiu.

 

Daqui a um mês e meio, a gaveta da suplência fará aniversário de um ano. Sucessor de Garibaldi, José Sarney parece mais propenso a passar a gaveta na chave do que a abri-la.

 

 

3. Compasso do ficha suja: Em 8 de julho de 2008, empurrada pelo noticiário, a comissão de Justiça do Senado, de novo ela, aprovou um projeto redentor.

 

O texto, produzido por Demóstenes Torres, de novo ele, resultara da fusão de 21 propostas. Dormitavam nos escaninhos do Senado.

 

Eis a principal novidade: políticos de ficha suja seriam impedidos de disputar eleições depois de condenados na primeira instância do Judiciário.

 

Acabava o lero-lero de que, para inabilitar um candidato picareta, era necessário aguardar pela manifestação de todas as instâncias judiciais –da primeira à última.

 

A inovação chegava em boa hora. Avizinhavam-se as eleições municipais de 2008. Só no Congresso, havia 88 candidatos a prefeito –11 eram réus em ações penais.

 

Aprovou-se na comissão de Justiça um requerimento de urgência, para que o projeto fosse direto para o plenário do Senado. Porém...

 

Porém, ao passar pela mesa de Garibaldi, a proposta escorregou para a gaveta. E lá permanece há seis meses e 22 dias, agora sob Sarney.

 

 

Assim se desenrola, em ritimo de partido baixo, o “Samba do Legislativo Doido”. Quando a rua batuca, cantarola-se Noel: "Agora vou mudar minha conduta..."

 

Mexe daqui, rebola dali, a coisa caminha bem até o instante em que soa a pergunta: "Mas com que roupa?"

 

Nesse ponto, o Congresso engata o breque. E opta por permanecer nu.

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Liesa tem 60 oficiais da PM fazendo segurança privada

 

- Folha: Crise deve punir salários mais altos

 

- Estadão: Retomada do crédito não chega ao consumo

 

- Correio: Como salvar o seu bolso

 

- Valor: Citi coloca à venda fatia de R$ 2,5 bi na Redecard

 

- Gazeta Mercantil: Embraer demite 4.273, mas mantém investimento externo

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 00h26

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Mudo, cego e surdo!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 00h18

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Visita de Lula à Sapucaí mobiliza Exercito e 400 PMs

  ABr
Lula vai à Marques da Sapucaí, neste domingo (22), cercado por um megaesquema de segurança.

 

O governo do Rio, gerido por Sérgio Cabral (PMDB), mobilizou cerca de 400 policiais militares.

 

Os agentes vão ocupar dois complexos residenciais que ficam nas imediações do Sambódromo: as favelas da Mineira e de São Carlos.

 

Mobilizaram-se, de resto, o esquema de segurança pessoal de Lula e a seção de Inteligência do Comando Militar do Leste, do Exército.

 

A convite de Cabral, Lula assistirá ao desfile das escolas de samba do Grupo Especial. O desfile de domingo inclui a Beija-Flor, escola da predileção de Lula.

 

Um suspense bóia na atmosfera da avenida. Lula foi convidado para ser padrinho de casamento do sambista Neguinho da Beija-Flor.

 

O Planalto confirma o recebimento do convite. Mas há notícia sobre se Lula vai ou não aceitar a deferência.

 

Neguinho trata a questão como favas contadas: “Lula é Beija-Flor, meu amigo e nunca foi à avenida...”

 

“...Ele vai estar lá no dia e não custa nada a ele descer cinco minutos ao carro de som para a cerimônia, que vai ser rápida, antes do desfile da nossa escola.”

 

Como se vê as arquibancadas do Rio terão muito mais a testemunhar do que a beleza alegórica das escolas e o nu apoteótico das madrinhas de bateria.

Escrito por Josias de Souza às 19h31

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A ‘carnavalização’ da política, na visão de Romano

Aviso: A entrevista com Roberto Romano tem 15min34s de duração. Vale a audição.  

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Inquérito da PF liga Sarney a ‘desvios’ da Gautama

  Folha
Pendurada nas manchetes em maio de 2007, a “Operação Navalha” agora só aparece no noticiário de raro em raro.

 

Mas, em silêncio, a investigação prossegue. A Polícia Federal continua empilhando provas contra Zuleido Veras (foto), o dono da Gautama.

 

Zuleido, você deve se lembrar, comandava um esquema que fraudava obras públicas. O pedaço ainda inédito do inquérito reúne documentos de arrepiar.

 

Num trecho do processo, o sobrenome Sarney irrompe com incômoda fluidez.

 

Os detalhes foram trazidos à luz em reportagem de Otávio Cabral e Diego Escosteguy, de cujo trabalho as informações relatadas aqui foram extraídas.

 

Entre as obras esquadrinhadas pela PF está a ampliação do aeroporto de Macapá (AP). Foi licitada pela Infraero no final de 2004, depois de um pedido de José Sarney a Lula.

 

Eleito senador pelo Amapá, o maranhense Sarney tem em Macapá, a capital do Estado, seu principal reduto eleitoral.

 

Natural, portanto, que se empenhasse para dotar a cidade de um aeroporto mais bem aparelhado. O inusitado veio a seguir.

 

A Gautama, construtora de Zuleido, sagrou-se vitoriosa na licitação da Infraero. Um certame fraudado, a PF acusa.

 

O contrato embute, de acordo com a polícia, um superfaturamento de R$ 50 milhões. A PF colecionou provas que permitiram farejar o rateio do butim.

 

Há no inquérito, por exemplo: comprovantes de depósitos bancários, gravações de diálogos telefônicos e planilhas de pagamento de propina.

 

Numa das planilhas, recolhida em batida policial na casa de Zuleido, anotou-se a derrama de R$ 500 mil em campanhas eleitorais do Amapá.

 

A PF suspeita que o rateio tenha sido feito sob orientação de José Sarney, identificado na planilha de Zuleido com a sigla “PR” (presidente).

 

Há mais: a polícia informa que um personagem identificado como José Ricardo, lobista da Gautama, chegava mesmo a despachar no gabinete do senador Sarney.

 

Há pior: segundo a PF, um dos encarregados de cobrar os óbulos da Gautama era Ernane Sarney. Vem a ser irmão do atual presidente do Senado.

 

Ernane Sarney figura no inquérito como beneficiário de um depósito de R$ 30 mil de Zuleido. Não é só.

 

A voz do irmão do senador Sarney soa num dos diálogos captados por grampos telefônicos realizados pela PF.

 

A conversa é de abril de 2007. Ernane Sarney falava ao telefone com tesoureiro da Gautama. Ele pediu dinheiro:

 

“Vocês estão me enrolando. Já não estava tudo na mão? Eu tô com a corda no pescoço aqui, rapaz, o doutor também tá com a corda no pescoço", queixa-se o irmão de Sarney.

 

Há também nas páginas do inquérito comprovantes de depósitos para assessores de outros três senadores do PMDB:

 

Renan Calheiros (AL), líder da legenda; Valdir Raupp (RO), ex-líder; e Roseana Sarney (MA), líder de Lula no Congresso.

 

Há também, segundo a PF, anotações que açulam a suspeita de que Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, foi beneficiário de repasses monetários da Gautama.

 

A reportagem de Otávio Cabral e Diego Escosteguy chega nas pegadas da entrevista em que Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) dissera, há uma semana, coisas assim:

 

1. "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção";

 

2. "A maioria de seus quadros se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas";

 

3. O PMDB é "uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos";

 

4. José Sarney "vai transformar o Senado em um grande Maranhão";

 

5. Renan Calheiros "não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais líder do partido".

 

Sacudido pelas palavras de Jarbas, a Executiva do PMDB soltou uma nota curiosa. No texto, o partido informa que não daria “maior atenção” à entrevista de Jarbas.

 

Classificou as declarações de um mero “desabafo”. Alegou que, “em razão da generalidade das alegações”, não havia o que fazer.

 

Querendo fazer algo, o PMDB pode recorrer à influência que exerce sobre o governo Lula para compulsar as páginas do inquérito da PF.

Escrito por Josias de Souza às 18h33

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No Recife, Dilma diz que sua plástica é um sucesso

Leia sobre o tema aqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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Lupi trama contra 'mandato' do patronato no Codefat

Manobra envolve controle de patrimônio de R$ 158 bi do FAT

 

  Fotos: Folha
Uma manobra do ministro Carlos Lupi (Trabalho) ateou fogo no Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).

 

Criado para gerir as verbas do FAT, cujo patrimônio atual passa de R$ 158 bilhões, o conselho tem composição tripartite.

 

Interam-no quatro repesentantes do governo, quatro das centrais sindicais e quatro de organizações patronais.

 

Governo, trabalhadores e patrões revezam-se na presidência. A dança de cadeiras ocorre a cada dois anos.

 

Hoje, responde pela presidência do conselho Luiz Fernando Emediato. Representa a Força Sindical.

 

Vem a ser a central sindical presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o ‘Paulinho da Força’. É filiado ao PDT, partido do ministro Lupi.

 

Pois bem, o mandato de Emediato expira em agosto. Pelo rodízio, vai ao comando do Codefat um representante do patronato.

 

São as seguintes as entidades patronais com assento no Codefat: CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNC (Confederação Nacional do Comércio)...

 

...CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras) e CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

 

Entre as quatro confederações, só a CNA ainda não logrou ocupar a presidência do conselho. O que faz da entidade uma candidata natural à cadeira.

 

No momento, a CNA é presidida por Kátia Abreu (DEM-TO). Trata-se da senadora que relatou a emenda da CPMF, convertida numa espécie de Waterloo do governo.

 

O que fez Lupi? Enviou à Casa Civil de Dilma Rousseff um decreto que versa sobre o Codefat. O texto tem um pedaço inocente e outro esperto.

 

Na parte inofensiva do decreto, Lupi sugere a ampliação do Codefat. Em vez de quatro representantes de cada setor, haveria seis.

 

No naco esperto, o ministro Lupi acaba com o rodízio na presidência do conselho. O Codefat passaria a ter um presidente fixo, imutável.

 

Quem? O próprio ministro do Trabalho passaria a exercer as funções de mandachuva do conselho.

 

Dilma levou o pé atrás. Até as centrais, incluindo a Força Sindical do pedetista Paulinho, olham de esguelha para a manobra. O patronato nem se fala.

 

Na última segunda (16), Kátia Abreu foi a Lula, junto com três diretores da CNA. A senadora evitou tratar do tema na conversa com o presidente.

 

Mas, decidida a arrastar a presidência do Codefat para a sua CNA, Kátia Abreu pega em lanças, nos subterrâneos, contra a manobra de Lupi.

 

Vale-se de um argumento técnico: cabe ao Codefat, além de ditar as diretrizes, fiscalizar a alocação das verbas do FAT.

 

Alçado à presidência do conselho, o ministro do Trabalho se converteria numa espécie de fiscal de si mesmo.

 

De resto, os opositores da idéia de Lupi argumentam que o ministério do Trabalho já desempenha a secretaria-executiva do Codefat.

 

A despeito das reservas de Dilma, Lupi mira as arcas do FAT num instante em que a crise global deu ao Fundo de Amparo ao Trabalhador especial realce.

 

Abastecido, sobretudo, pela coleta do PIS e do PASEP, o FAT converteu-se em colchão para atenuar os efeitos da ex-marolinha sobre a economia brasileira.

 

Pela lei, o dinheiro do fundo é direcionado ao custeio do seguro-desemprego e do abono salarial.

 

De resto, pelo menos 40% do bolo do FAT vai para as arcas do BNDES, para financiar projetos empresariais considerados de relevo para o desenvolvimento econômico.

 

Em 31 de dezembro do ano passado, o saldo de recursos do FAT anotado na escrituração do BNDES era de notáveis R$ 116,2 bilhões.

 

As cifras do FAT são grafadas sempre assim, na casa dos bilhões. Noves fora o patrimônio de R$ 158 bilhões, o fundo dispõe de orçamento anual de R$ 42 bilhões.

 

Daí o olho gordo de Lupi, gestor de um ministério cujo orçamento gira em torno de R$ 1 bilhão por ano.

 

Para que o decreto de Lupi se converta em realidade, é preciso que Lula aponha o seu jamegão sobre o documento.

 

O texto chegou ao Planalto faz cinco meses. A julgar pela demora, Lula está pensando mais de dez vezes antes de chancelar a esperteza de seu ministro.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Janeiro cruel na economia

 

- Folha: Crise derruba investimento estrangeiro na produção

 

- Estadão: Desemprego aumenta e chega a 8,9% em janeiro

 

- JB: A maior festa popular do planeta

 

- Correio: Desemprego tem aumento recorde

 

- Valor: Citi coloca à venda fatia de R$ 2,5 bi na Redecard

 

- Gazeta Mercantil: Embraer demite 4.273, mas mantém investimento externo

 

- Jornal do Commercio: O dia Dele

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Senhor popularidade!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Dilma ‘pulará’ o Carnaval no Recife, longe de Lula

O Carnaval dividiu Lula e a ministra-candidata Dilma Rousseff.

 

A tiracolo do chefe em nove de cada dez pa©mícios, a dodói de Lula fará vôo solo.

 

A convite do governador Sérgio Cabral (PMDB), o presidente vai ao Rio.

 

Neste domingo (22), assiste ao desfile da Beija Flor, escola de sua predileção.

 

Dilma optou pelo Recife (PE). Convidou-a o governador Eduardo Campos (PSB).

 

Diz-se que a preferida de Lula, por durona, tem a cintura desprovida de roldanas.

 

No ano passado, deputados do PMDB deram de presente à ministra um bambolê.

 

Na folia recifense, a serventia do mimo será submetida a um teste definitivo.

 

Por ora, sabe-se que Dilma acompanhará o mexe-mexe à distância.

 

Testemunhará o Carnaval de rua pernambucano desde a sacada da prefeitura de Olinda.

 

Se for ao asfalto, Dilma arrisca-se a roçar cotovelos com Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

 

Depois da entrevista arrasa-quarteirão, Jarbas decidiu descansar em Lisboa.

 

Antes da viagem, porém, sacudirá o esqueleto no velho e bom Galo da Madrugada.

 

Cruzando com Jarbas, Dilma pode trocar idéias sobre o PMDB.

 

Para o senador, o partido está mais para o “bandolê” do que para o bambolê.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Sérgio Naya é encontrado morto num hotel de Ilhéus

  Ichiro Guerra/Folha
Velho conhecido dos baixios da política brasiliense, o ex-deputado federal Sérgio (PP-MG) tornou-se figura nacional em 1998.

 

Sua notoriedade foi esculpida na poeira do Palace 2, edifício que sua empresa, a Sersan, erguera e que foi abaixo na Barra da Tijuca, no Rio.

 

Sob os escombros da argamassa de fancaria de Sérgio Naia feneceram oito brasileiros. Perderam o teto 150 famílias.

 

Naya teve o mandato passado na lâmina. Chegou a puxar 126 dias de cana –26 em 1999 e quatro meses em 2004.

 

Porém, no vaivém da Justiça brasileira, cega e com a balança desregulada, Naya colecionou mais vitórias que derrotas.

 

Levado ao banco de réus, foi absolvido. Inconformado, o Ministério recorreu. Condenaram-no, então, a dois anos e oito meses de prisão.

 

Cana leve, em regime semi-aberto. Que acabou sendo substituída pela prestação de serviços comunitários e pagamento de multa.

 

Os desabrigados do Palace 2 foram à luta pelas indenizações. Processos arrastados. Muitos obtiveram o direito a reparações –de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão.

 

Naya alegou que não dispunha da grana. Confiscados, seus bens começaram a ser levados a leilão, num processo que perdura até os dias que correm.

 

Nesta sexta, Naya foi encontrado morto numa cama de hotel de Ilhéus (BA). Suspeita-se que lhe faltou o coração, que muitos supunham não ter.

 

Seja como for –infarto ou qualquer outra causa—, Naya vai ao plano do desconhecido na condição de devedor.

 

Se existe Justiça divina, o ex-deputado há arrostar castigos hediondos. Neste domingo (22), o desabamento do Palace 2 faz aniversário de 11 anos.

Escrito por Josias de Souza às 21h56

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Ex-marolinha já envenena as estatísticas do IBGE

Ao chegar ao Brasil, no final de 2008, a crise global secou o crédito bancário.

 

Depois, a crise engoliu o cronograma de investimentos das empresas.

 

Agora, em seu efeito mais doloroso, a crise mastiga a folha de pagamento.

 

O veneno começa a aparecer no caldeirão estatístico do IBGE.

 

Pesquisa realizada nas seis maiores regiões metropolitanas do país constatou:

 

1. Entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, a taxa de desemprego saltou de 6,8% para 8,2%;

 

2. A diferença de um mês para o outro –1,4 ponto percentual— é a mais alta desde 2002, quando o levantamento do IBGE começou a ser feito.

 

Janeiros costumam ser amargos. No primeiro mês de cada ano, vão à rua os empregados temporários admitidos no final do ano anterior.

 

Esse janeiro de 2009, porém, foi “atípico e mais cruel”, disse Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa do IBGE.

 

"É um janeiro diferente, com muitas dispensas na construção, além do que geralmente é observado no comércio...”

 

“...Não há dúvidas que existe um cenário econômico que alterou o mercado de trabalho".

 

Reunido com ministros de áreas sociais, Lula acusou o golpe. Queixou-se da má notícia da véspera: a decisão da Embraer de demitir 4 mil trabalhadores.

 

Um detalhe tonificou a irritação de Lula: a fábrica de aviões é freguesa de caderneta do BNDES. O que faz do governo uma espécie de sócio das demissões.

Escrito por Josias de Souza às 20h51

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Senado vai ao Carnaval sem votar nada em fevereiro

Em mês de produtividade zero, senadores levam R$ 1,3 mi

Somando-se 'verba indenizatória', despesa vai a R$ 2,5 mi

 

Sérgio Lima/Folha

 

Nesta sexta-feira (20), o Senado completa 18 dias de absoluta improdutividade. Nada foi votado no plenário. Nenhuma das 11 comissões se reuniu.

 

Os senadores voltaram do recesso de final de ano em 2 de fevereiro. Nesse dia, elegeu-se José Sarney (PMDB-AP) para a presidência da Casa. E foi só.

 

A maioria dos senadores deixou Brasília entre quarta (18) e quinta (19). O expediente parlamentar só será retomado depois do Carnaval, em 3 de março.

 

A despeito da inatividade, os 81 senadores receberão o salário do mês: R$ 16,5 mil por cabeça. Ou R$ 1,336 milhão no total.

 

Considerando-se que, além do contracheque, há a verba indenizatória de R$ 15 mil, a Viúva vai gastar R$ 2,551 milhões para remunerar o nada.

 

“Se tivéssemos esticado o recesso, teríamos feito papel menos constrangedor”, disse, na última quarta, um resignado Osmar Dias (PR), líder do PDT.

 

“Só não digo que antecipamos o Carnaval porque o ambiente aqui combina mais com o de um velório”, ecoou, no dia seguinte, Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB.

 

Deve-se a paralisia do Senado a um rol de encrencas fomentadas por Renan Calheiros (AL), líder do PMDB.

 

Para colecionar os votos que permitiram a Sarney prevalecer sobre o rival Tião Viana (PT-AC), Renan vendeu terrenos na Lua, como se diz.

 

Prometeu a diferentes partidos cargos na Mesa diretora e nas comissões. O problema é que levou à gôndola das negociações subterrâneas mercadoria alheia.

 

Tradicionalmente, os cargos no Legislativo são distribuídos segundo o critério da proporcionalidade. Quanto maiores as bancada, melhores as posições.

 

Entre outras tratativas, Renan prometera ao PR uma secretaria na Mesa que cabe ao PDT. Comprometeu-se a instalar o PTB numa comissão que pertence ao PSDB.

 

A resolução do quiproquó da Mesa consumiu uma semana. O PDT ficou com a secretaria. O PR teve de contentar-se com uma suplência.

 

Suplência que pertencia ao PT, que já a havia cedido ao PRB, que ficou a ver navios.

 

No front das comissões, a guerra foi inaugurada na de Relações Exteriores. Foi às manchetes na forma de um cabo-de-guerra entre Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Fernando Collor (PTB-AL).

 

Ao perceber que Renan o metera numa roubada, Collor desistiu de medir forças com Azeredo. E passou a mirar a comissão de Infra-Estrutura.

 

Uma comissão que, pela proporção das bancadas, pertence ao PT, que indicara Ideli Salvatti (SC), que disputava o posto com Valdir Raupp (PMDB-RO).

 

Um Raupp que acabou sendo triturado por Renan, que empurrou Collor para a briga com a petista Ideli. Em meio ao furdunço, os líderes cobraram a mediação de Sarney, que preferiu fingir-se de morto. 

 

 

Durante todo o mês de fevereiro, Sarney simulou normalidade. Abriu as sessões plenárias pontualmente às 16h. E repetiu uma pantomima imutável.

 

Anunciava a abertura da “ordem do dia”, como os senadores se referem à lista de projetos pendentes de votação. Declarava a falta de quorum.

 

E, minutos depois de tê-la aberto, dava por encerrada a “ordem do dia”, franqueando os microfones para a discurseira dos senadores inscritos para ocupar a tribuna.

 

Assim foi consumido todo o mês de fevereiro. Que terminou sem um acordo entre o PT de Ideli e o PTB de Collor.

 

Essa e outras brigas foram adiadas para depois do Carnaval. Uma fase em que a conta bancária dos senadores já estará forrada com os vencimentos obtidos na folia pré-carnavalesca.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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Sarney fala em ‘acabar’ com a verba indenizatória

  Alan Marques/Folha
Acossado por repórteres, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse meia dúzia de palavras a chamada verba indenizatória paga aos congressistas.

 

Disse o seguinte: “Temos que encontrar um meio de acabar com a verba indenizatória, que tem criado tantas discussões e problemas”.

 

Dá-se o apelido de “indenização” ao complemento salarial que a Câmara e o Senado pagam aos parlamentares a título de ressarcimento de despesas.

 

Despesas supostamente relacionadas ao exercício do mandato –aluguel de escritórios, combustível e contratação de serviços diversos.

 

Cada congressista tem direito a R$ 15 mil por mês. Os repasses são feitos mediante apresentação de notas fiscais e recibos.

 

Uma papelada que, por malcheirosa, o Congresso sempre manteve a sete chaves, longe dos olhos da opinião pública.

 

Nesta semana, a direção da Câmara decidiu expor os gastos na internet. Mas só a partir de abril. O baú do passado permanece lacrado.

 

No Senado, casa em que os gastos continuam à sombra, Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) apresentou um projeto melindroso.

 

A pretexto de acabar com as tais verbas, Mozarildo sugere que elas sejam parcialmente incorporadas aos contracheques dos congressistas.

 

Hoje, noves fora a moradia e as cotas de passagem aérea, de telefone e de correio, o salário de deputados e senadores é de R$ 16,5 mil.

 

Pela proposta de Mozarildo, passariam a receber o mesmo que os ministros do STF: R$ 24,5 mil.

 

Os repórteres acercaram-se de Sarney justamente para perguntar-lhe o que achava da "saída Mozarildo".

 

E ele: “Não sei se essa é a melhor fórmula, mas temos que encontrar um meio de acabar com a verba indenizatória, que tem criado tantas discussões e problemas...”

 

“...Não sei se será esse o meio. Não posso dar somente minha opinião, tenho que ouvir os colegas. Mas acho sensato a gente pensar em um caminho melhor”.

 

A “audição dos colegas” vai desembocar no óbvio: a maioria dos deputados e senadores não cogita abrir mão da prebenda da Viúva.

 

Portanto, prepare-se: vem aí, embrulhado em discurso pseudomoralizador, um tônico salarial para os congressistas.

 

PS.: No último mês de janeiro, em pleno recesso parlamentar, os deputados torraram R$ 4,8 milhões em verbas "indenizatórias". Quem "indeniza", nunca é demasiado lembrar, é você, caro leitor.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Embraer alega crise sem precedentes e demite 20%

 

- Folha: Embraer corta 20% dos funcionários

 

- Estadão: Falta dinheiro no FAT para ampliar seguro-desemprego

 

- JB: Violência atravessa o samba

 

- Correio: Bebedeira estimula surtos de violência

 

- Valor Econômico: Citi coloca à venda fatia de R$ 2,5 bi na Redecard

 

- Gazeta Mercantil: Embraer demite 4.273, mas mantém investimento externo

 

- Estado de Minas: Receita prepara supermalha fina

 

- Jornal do Commercio: Saúde ganha reforço

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Rumo ao Sambódromo!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Na PB, José Maranhão anuncia auditoria e demissões

  Sérgio Lima/Folha
Horas depois de acomodar-se na cadeira de governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB) assinou o seu primeiro decreto.

 

Mandou ao olho da rua todos os servidores de confiança que serviam à gestão do governador cassado Cássio Cunha Lima (PSDB).

 

Foram ao meio-fio secetários de Estado e servidores comissionados, de confiança. Mais de mil pessoas. O decreto da razia foi publicado nesta quinta (19).

 

Ao dar posse ao novo secretariado, José Maranhão anunciou que fará uma auditoria nas contas do Estado.

 

Disse que não está interessado em caçar bruxas. Apenas quer saber, em minúcias, como se encontram as arcas da Paraíba.

 

Nas pegadas da cassação de Cunha Lima, escala o cadafalso do TSE, na noite desta quinta (19), o governador maranhense Jackson Lago (PDT).

 

Se o mandato de Lago for passado na lâmina, quem assume o governo do Maranhã é Roseana Sarney (PMDB). Há na fila da guilhotina do TSE sete governadores.

 

PS.: Atualização feita às 20h33 - O TSE adiou pela segunda vez o julgamento do processo referente ao caso de Jackson Lago.

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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A crise ‘engoliu’ mais 101 mil empregos em janeiro

  Folha
O ministério do Trabalho divulgou nesta quinta (19) as últimas estatísticas do emprego formal. Dados referentes a janeiro de 2009.

 

A ex-marolinha consumiu 101.748 vagas com carteira assinada em todo país. É bem menos do que as 654.946 vagas fechadas em dezembro de 2008.

 

Mas trata-se do pior resultado para um mês de janeiro desde 1996. De resto, perda de vagas no primeiro mês do ano era coisa que não se via desde janeiro de 1999.

 

A lâmina da crise pesou mais fortemente na indústria. Nesse setor, foram ao olho da rua 55.130 pessoas. Vêm a seguir o comércio (50.781) e a agricultura (12.101).

 

Na construção civil, o resultado de janeiro foi positivo (11.324 novas contratações). Num recorte por Estado, os maiores lideram o ranking das demissões.

 

Governado pelo presidenciável José Serra (PSDB), São Paulo foi ao topo com um saldo negativo de 38.676 postos de trabalho.

 

Sob o pré-candidato Aécio Neves (PSDB), Minas Gerais ocupa o segundo lugar na lista. Ali, perderam-se 26.800 empregos com carteira assinada.

 

Submetido à gestão de Sérgio Cabral (PMDB), uma das opções de vice para Dilma Rousseff, o Rio de Janeiro amargou a perda de 16.538 vagas.

 

Em texto levado ao seu portal, a pasta do Trabalho preferiu ler os dados de janeiro com olhos de Alice: “Janeiro mostra início da recuperação do emprego no Brasil”.

 

Na nota oficial, dá-se realce não às demissões, mas às admissões de janeiro: 1,2 milhão. De resto, o texto aponta para o retrovisor pré-crise:

 

“Nos últimos 12 meses, foram gerados 1.207.535 novos empregos (+3,94%). Entre 2003 e 2008 foram criados 7.619.224 postos de trabalho”.

 

E quato ao futuro? O ministro Carlos Lupi soou otimista: "Estou falando há quatro meses que reagiremos em março. Mudaremos a curva e voltaremos a ter saldo positivo de empregos”.

 

Enquanto não chegam as águas de março, a Embraer anunciou nesta quinta (19) uma decisão que adiciona veneno no caldeirão em que fervem as estatísticas de fevereiro.

 

A empresa vai demitir 20% de sua força de trabalho. Coisa de 4 mil pessoas sem contracheque.

Escrito por Josias de Souza às 17h34

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Para Tarso, o apoio de Lula é ‘obstáculo’ para Dilma

Fábio Pozzebom/ABr

 

O ministro Tarso Genro (Justiça) enxerga o apoio de Lula a Dilma Rousseff com olhos de originalidade.

 

Em entrevista ao diário espanhol El Pais, Tarso referiu-se assim à colega da Casa Civil:

 

“É uma boa candidata, tem boa capacidade de gestão. Mas, sobretudo, tem o maior obstáculo que um candidato à presidência pode ter: o apoio de Lula”.

 

Para Tarso, o suporte de Lula vai “afetar muito” Dilma. Para realçar o peso do presidente no processo sucessório, o ministro lança um olhar sobre a oposição.

 

Diz que nenhum dos candidatos oposicionistas se diz “contra Lula”. Preferem se apresentar como postulantes a um governo “pós-Lula”.

 

 . Antes, dizem que alçar o relevo que o presidente assumiu no processo de sua própria sucessão, o ministro afirma:

 

“Nenhum dos candidatos [de oposição] diz que o faz contra Lulaque se aDiz que, mesmo na Acha que a Dilma como “uma boa cndidata” ao Planalto.

 

Perguntou-se a Tarso quais são, então, as chances de Dilma prevalecer na disputa presidencial.

 

E o ministro: “É preciso respeitar nossos rivais, porque têm um candidato forte, que é José Serra...”

 

Serra é “....uma pessoa que, por sua visão, se enquadra no que sempre se considerou como o setor mais de centro-esquerda do governo anterior, de FHC”.

 

Quem lê o Tarso de Madri fica tentado a suspeitar que o Tarso de Brasília está com inveja de Dilma.

 

Mas o titular da pasta da Justiça, ex-frequentador da lista de opções presidenciais do governo, diz ter recebido com naturalidade a opção de Lula.

 

“Sou um político com certa experiência. Sei que essas questões não se resolvem por uma relação pessoal...”

 

“Nos últimos 15 meses, verifiquei que o presidente Lula procurava um candidato que não criasse uma polarização dentro do PT...”

 

“E eu, junto com quatro ou cinco companheiros, tivemos uma oposição muito forte à direção anterior do partido”.

 

Tarso disse que entende “perfeitamente” a opção de Lula. “Nunca faço uma romantização das posições políticas a partir de relações pessoais de amizade”.

 

Ah, bom!

 

- PS.: Atualização feita às 17h30: De volta ao Brasil, Tarso Genro distribuiu uma nota sobre a entrevista de Madri. Diz ter sido mal interpretado pelo entrevistador. Onde se lê "obstáculo" deve-se ler "vantagem".

 

Como se vê, o El Pais parece ter aderido à "imprensa golpista" que viceja no Brasil.

Escrito por Josias de Souza às 16h17

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Aécio vai sugerir a Serra que percorram juntos o país

  Divulgação
Aécio Neves pretende procurar José Serra depois do Carnaval. Vai sugerir que, na campanha das prévias tucanas, os dois viajem pelo país juntos.

 

Trata-se de um gesto de concialiação. Chega nas pegadas da aceitação de Serra de disputar a vaga de candidato do PSDB a 2010 em eleições primárias.

 

"Para mostrar que o nosso sentimento de unidade é muito forte, pretendo convidar o governador José Serra para andarmos juntos pelo país...”

 

“...Acho que isso seria uma sinalização muito clara de que o PSDB quer construir propostas...”

 

Uma demostração de “que estaremos unidos no momento da eleição, qualquer que seja o nosso candidato".

 

Aécio anunciara, no início do ano, a intenção de participar de atos políticos fora de Minas Gerais. Pretende iniciar o ciclo de viagens em março. Faria uma por mês.

 

A julgar pelo que diz em privado, Serra tem outros planos. Acha que, por ora, deve se concentrar no governo de São Paulo.

 

Serra mostra-se avesso à idéia de contribuir para a antecipação da atmosfera de campanha. Uma tese com a qual Aécio diz concordar.

 

O tucano de Minas acha, porém, que as viagens da dupla de pré-candidatos serviriam para mobilizar o que chama de “bases do partido” para a disputa presidencial.

 

As declarações do governador mineiro foram feitas nesta quarta (18), depois de uma reunião com todo o seu secretariado.

 

Foi um encontro azedo. Provocou-o uma erosão no volume de arrecadação tributária do Estado.

 

Submetida à crise, a máquina coletora de Minas acumula perdas de R$ 517 milhões no recolhimento que estimara para o ICMS.

 

Daí a convocação da equipe. Aécio deu a seus secretários e aos presidentes de estatais mineiras uma boa e uma má notícia.

 

A má: Diferentemente do que ocorrera em anos anteriores, não haverá em 2009 suplementações orçamentárias.

 

A boa: O governo de Minas não precisará fazer cortes no Orçamento. Executará tudo o que fora previsto em 2008, inclusive investimentos de R$ 11 bilhões.

 

O pedaço alvissareiro do anúncio está condicionado, porém, às previsões do mercado, recolhidas em pesquisa do Banco Central e reunidas num boletim chamado Focus.

 

Ouça-se o secretário da Fazenda de Minas, Simão Cirineu: “O último relatório do Banco Central prevê que a inflação será de 4,5% e o PIB crescerá 1,5%...”

 

“...E nós teremos, então, um crescimento de arrecadação de 6% [contra os 10% projetados no orçamento]...”

 

“...Estamos apostando que isso vai acontecer e que vamos conseguir recuperar os dois ou três meses perdidos em termos de arrecadação”.

 

Espremendo-se as declarações do secretário, chega-se ao sumo: "Estamos apostando". Numa aposta, pode-se acertar ou errar.

 

Errando-se, Aécio talvez tenha de convocar uma nova reunião de seu secretariado. E, a exemplo de Serra, pode ser que tenha de priorizar a gestão de Minas em detrimento do périplo pré-eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Hidrelétrica privada terá 69% de recursos públicos

 

- Folha: Carga dos impostos aumenta e bate recorde

 

- Estado: Pacote imobiliário de Obama ajudará 9 milhões de famílias

 

- JB: Rio resiste à crise

 

- Correio: 6 mil vagas no serviço público

 

- Valor: Desvios na política regional deixam buraco de R$ 12,2 bi

 

- Gazeta Mercantil: Varejo prevê inflação com novo ICMS

 

- Estado de Minas: Chefe de bando matou até senador

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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Marimbondos de fogo!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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‘Pajelança’ com os prefeitos custou R$ 1,8 mi à Viúva

  José Cruz/ABr
Na definição do poeta gaúcho Mario Quintana, “a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer”.

 

Na semana passada, o governo levara ao noticiário uma dessas verdades de memória fraca.

 

Informara-se que o Encontro Nacional de Prefeitos, nome fantasia do pa©tóide idealizado por Lula, custara à Viúva R$ 253 mil. Era lorota.

 

Deve-se à repórter Rosa Costa a descoberta da crise oficial de amnésia. Ela trouxe à luz uma fatura de R$ 1,349 milhão.

 

Quantia que, somada à importância admitida anteriormente, elevou a despesa da pejelança para R$ 1,602 milhão.

 

Pilhado no contrapé, o Planalto mandou à boca do palco o ministro José Múcio, coordenador político de Lula.

 

O ministro admitiu que, de fato, o "prefeitaço" não custara apenas R$ 253 mil. Tampouco saíra por R$ 1,602 milhão.

 

Na realidade, disse Múcio, a coisa toda sorvera das arcas da União algo em torno de R$ 1,8 milhão.

 

Levando-se em conta que a cifra mencionada por Múcio ainda não inclui despesas feitas pela CEF e pelo BB, a conta é ainda maior. Deve roçar a casa dos R$ 2,5 milhões.

 

Uma evidência de que Lula teria outras despesas a cortar antes de chegar ao "batom de dona Dilma" e ao seu próprio "corte de unha".

 

De resto, chega-se a um incômodo diagnóstico. O governo não é propriamente mentiroso. Apenas imagina-se dono de um tipo especial de verdade: a verdade múltipla.

 

Os rituais administrativo-eleitorais não são, porém, uma exclusividade de Brasília. Nesta quarta (18), o governador-candidato José Serra também fez a sua pajelança.

 

No mesmo dia em que a oposição foi ao TSE para pedir punição a Lula e Dilma, Serra reuniu prefeitos e secretários de Saúde de 523 municípios paulistas.

 

O governador tucano derramou-se em críticas ao governo federal. Disse que prefeituras do PT “pirateiam” projetos do Estado.

 

Nenhuma conotação eleitoral, naturalmente. “Nada do que estou dizendo é coisa para mídia”, disse Serra. “Esta é uma reunião de trabalho”. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Na Paraíba, o roto assume a cadeira do esfarrapado

  ABr/Folha
A Paraíba já se encontra sob nova direção. Saiu Cássio Cunha Lima (PSDB), cassado na véspera pelo TSE.

 

Entrou José Maranhão (PMDB), que responde a nada menos que oito processos na Justiça Eleitoral.

 

A troca de cadeiras entre o esfarrapado Cunha Lima e o roto Maranhão foi precedida de um tumulto político-judicial.

 

Diplomado pela manhã, no TRE paraibano, José Maranhão teve de conviver, durante toda a tarde, com a ameaça de não ser empossado pela Assembléia Legislativa.

 

A Assembléia é presidida pelo deputado estadual Arthur Cunha Lima (PSDB), primo do governador cassado.

 

Logo cedo, Arthur pediu licença da Assembléia e assumiu a cadeira de governador, até então vaga. Simultaneamente, a Assembléia protocolou uma ação no STF.

 

Submetido aos Cunha Lima, o legislativo paraibano queria que fosse convocada uma eleição indireta. Um pretexto para retardar a posse de Maranhão, que teve de renunciar ao mandato de senador.

 

Outras três ações deram entrada no Supremo. Uma do cassado Cunha Lima. Outra do vice José Lacerda Neto (DEM), também passado na lâmina pelo TSE, e uma terceira do PSDB.

 

A despeito de todo o esperneio, prevaleceu a ordem do TSE: a posse de José Maranhão, segundo colocado nas eleições de 2006, deveria ser imediata.

 

No início da noite, o deputado Ricardo Marcelo (PSDB), presidente interino da Assembléia, viu-se compelido a dar posse a um inevitável José Maranhão.

 

Em discurso, o novo governador foi ao revide. Maranhão disse que Cunha Lima patrocinava a "pilhagem do Estado".

 

Afirmou que a Paraíba vivia sob a "lei da selva". De resto, declarou que seu mandato fora "usurpado" na eleição de 2006.

 

Na vaga de José Maranhão, assume no Senado o suplente Roberto Cavalcanti Ribeiro. É filiado ao PRB, partido que integra o consórcio governista como sócio minoritário.

 

Cavalcanti Ribeiro chega a Brasília, também ele, devendo explicações. Responde a vários processos por suspeita de corrupção.

 

Entre as acusações que lhe pesam sobre os ombros está a de ter participado de um esquema que produziu o cancelamento ilegal de créditos da União.

 

Como se vê, mudam as legendas. Mas o odor é sempre o mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Aprovada lei do airbag obrigatório em carros novos

 

A Câmara aprovou projeto de lei que torna obrigatório o airbag dianteiro –para o motorista e o passageiro—em todos os automóveis.

 

O projeto já havia sido aprovado no Senado. Para que se converta em lei, depende apenas da sanção de Lula.

 

Pelo texto aprovado, a incorporação do airbag terá de ser feita em todos os carros novos destinados ao mercado brasileiro –os nacionais e os importados.

 

A instalação do equipamento em todos os automóveis será feita de modo gradativo, num prazo de cinco anos.

 

Caberá ao Contran (Conselho Nacional de Trânsito) estabelecer o cronograma a ser seguido pelas montadoras de automóvel.

 

Hoje, o airbag não consta do rol de itens obrigatórios dos veículos.

 

Sancionada a lei, será inserido numa lista que já inclui: cinto de segurança, encosto de cabeça e dispositivo de controle de emissão de gases poluentes e ruídos.

Escrito por Josias de Souza às 19h03

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Câmara cede e resolve divulgar o CNPJ de empresas

É reconfortante constatar que os deputados lêem o noticiário. Melhor: eles reagem ao que lêem.

 

Nesta quarta (18), a direção da Câmara decidiu levar à internet o CNPJ das empresas que beliscam pedaços da chamada verba indenizatória.

 

Na véspera, decidira-se que esse dado seria sonegado à platéia. Deve-se a meia-volta à gritaria que ecoou das manchetes.

 

O recuo revela um traço alvissareiro: os deputados são alfabetizados. E outro nem tão auspicioso: faz-se em reação às notícias o que se deixou de fazer por convicção.

 

Melhor assim, contudo. Veja-se, a propósito, o caso do Senado. Ali, a gritaria é a mesma. Mas os senadores, que também sabem ler, fingem-se de surdos.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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Mantega aos partidos: houve ‘recuperação modesta’

Joedson Alves/AFP

 

Reuniu-se nesta quarta-feira (18), no Palácio do Planalto, o conselho político do governo. Integram-no presidentes e líderes dos partidos do consórcio governista.

 

A pedido de Lula, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, discorreram sobre a crise.

 

Mantega disse que já houve uma “recuperação modesta” da economia brasileira. Meirelles informou que sua prioridade é reduzir o spread bancário.

 

O spread é a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros que cobram de sua clientela. Juros altos demais, na opinião do governo.

 

Lula pediu aos líderes governistas que evitem alimentar divergências com a oposição. Encareceu que se concentrem na votação de projetos anticrise.

 

Entre as matérias que o presidente deseja ver aprovadas está o pacote habitacional. Prometeu desembrulhá-lo nos próximos 15 dias.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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Lula ergue bandeira branca; oposição vai à Justiça

Gervásio Baptista/ABr

 

Como haviam prometido na semana passada, PSDB e DEM protocolaram nesta quarta (18) uma representação contra Lula e Dilma Rousseff no TSE (foto).

 

Na noite da véspera, Lula desfraldara uma bandeira branca: "Acho que temos de ter uma evolução política. Temos de saber a época de brigar, disputar e governar".

 

Na ação levada à Justiça Eleitoral, a oposição retrata outra Lula. Um presidente que, para promover sua presidenciável, passa por cima da lei.

 

Para tucanos e ‘demos’, Lula aproveita-se da estrutura do Estado para realizar campanha política antecipada, fora dos prazos legais.

 

Roberto Magalhães (DEM-PE), disse: “Se por acaso for legitimada pelos tribunais esse tipo de campanha extemporânea, então é melhor que a ministra [Dilma] seja candidata única...”

 

“...Não há oposição, não há partido que possa enfrentar a máquina do governo, com a presença de um presidente bem avaliado, durante dois anos nas televisões, nas ruas...”

 

“...Nas praças, nas inaugurações, preenchendo todo o espaço que a oposição não poderia preencher porque não tem a máquina do governo”.

 

O curioso é que o Lula do dia anterior, um cordeiro se comparado ao lobo pintado pela oposição, revelara-se justamente ao lado de um governador do DEM.

 

O ‘demo’ José Roberto Arruda, que governa o Distrito Federal, visitava uma escola na companhia do presidente.

 

A certa altura, Arruda agradeceu o tratamento “suprapartidário” que Lula dispensa aos governadores, evitando discriminar os gestores de oposição.

 

Servindo-se da deixa, Lula sapecou: "Eu sou de um partido, o Arruda é de outro. O [José] Serra [de São Paulo] e o Eduardo Campos, de Pernambuco, de outro...”

 

“...Se a gente não assumir a responsabilidade de que a gente tem a vida inteira para brigar e apenas quatro anos para governar e temos de governar juntos, quem perde é a sociedade".

 

É o mesmo discurso que Lula empregara no encontro com cerca de 4.000 prefeitos, na semana anterior. Uma pajelança que serve de mote para a ação contra ele no TSE.

 

Para a oposição, a megareunião de prefeitos não foi senão uma vitrine para a promoção da ministra-candidata Dilma.

 

A representação foi à mesa do ministro Arnaldo Versiani, a quem caberá relatá-la no TSE.

 

PSDB e DEM pedem o enquadramento de Lula e Dilma no parágrafo 3º do artigo 36 da Lei Eleitoral. Prevê multa de R$ 53,2 mil a quem faz campanha ilegal.

 

Para Ricardo Berzoini, presidente do PT, a ação é reveladora. Acha que "a oposição está passando recibo antes da hora". Para Dilma, PSDB e DEM tentam "interditar o governo".

Escrito por Josias de Souza às 16h57

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Para beneficar Collor, Renan tumultua a base de Lula

  Fotos: Folha e Ag.Senado
A pedido do Planalto, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, tenta resolver uma briga do governo contra o governo.

 

Deve-se a encrenca a uma articulação comandada por Renan Calheiros (sempre ele!), com o endosso de José Sarney.

 

No centro da cizânia está, de novo, Fernando Collor (PTB-AL). Empurrado por Renan, ele decidiu medir forças com Ideli Salvatti (SC), ex-líder do PT.

 

Está em jogo agora a presidência da Comissão de Infra-Estrutura. Tomado pelo tamanho da bancada (12 senadores), o PT de Idelli tem direito à cadeira.

 

Mas Renan e Cia. decidiram mandar às favas o critério da proporcionalidade das bancadas, que, por tradição, rege a distribuição de cargos no Senado.

 

Antes de se fixar na Infra-Estrutura, Collor pleiteara a presidência de uma outra comissão, a de Relações Exteriores.

 

Nesse caso, quem tem direito à vaga é o PSDB (13 senadores), que decidiu entregá-la a Eduardo Azeredo (MG).

 

Collor planejara ir à sorte dos votos contra Azeredo. Verificou-se, porém, que seria surrado pelo tucanato, em aliança com o PT e com o DEM.

 

Em campo desde o final de semana passado, Sarney, do alto da presidência do Senado, empenhou-se para cavar uma colocação para Collor.

 

Deu-se, então, a reviravolta que converteu Collor num problema do PT, não mais do PSDB.

 

Jucá chamou ao seu gabinete os líderes das legendas governistas. Todos deram as caras. Menos Renan, que lidera o PMDB.

 

Renan criara a celeuma ao trocar o apoio do PTB a Sarney pela acomodação de Collor numa comissão vistosa. Armado o salseiro, finge-se de morto.

 

Nos subterrâneos, porém, há um Renan vivo, muito vivo, vivíssimo. Ausentou-se da reunião de Jucá porque, antes, costurara uma teia de suporte a Collor.

 

Amarrara o apoio do DEM. Na briga Collor X Azeredo, os ‘demos’ carreariam os seus votos para o tucano.

 

Na refrega de Collor contra Idelli, os votos ‘demos’ viraram anti-PT. Líder da bancada petista, Aloizio Mercadante (SP), foi a José Agripino Maia (RN).

 

Mandachuva do DEM, Agripino informou a Mercadante que, havendo disputa, seus liderados votarão em Collor, contra Idelli.

 

Agripino alegou que não cabe a ele, um líder da oposição, resolver problemas da seara governista.

 

A portas fechadas, Jucá tentou convencer Mercadante a desistir da comissão de Infra-Estrutura. Lero vai, lero vem decidiu-se chamar Ideli Salvatti à sala.

 

Gim Argello (DF), líder do PTB, disse que Collor, que já cedera a comissão de Relações Exteriores para o tucano Azeredo, não poderia ser preterido uma segunda vez.

 

Ideli achou graça. “Preterido em quê? Quem tem direito à comissão não é o PTB, mas o PT”. Disse, de resto, que tivera o nome chancelado por sua bancada.

 

Só se curvaria se a os colegas petistas, em nova deliberação, resolvessem abrir caminho para Collor.

 

Escorado nos votos angariados por Renan, Argello disse que, no limite, o PTB iria à disputa. Sentindo a corda esticar, Romero Jucá armou-se de panos quentes.

 

O líder de Lula deu a reunião por encerrada. Marcou-se um novo encontro para esta quarta (18), na esperança de que a concórdia brote dos travesseiros.

 

À noite, antes de recostar a cabeça sobre as penas de ganso, o petismo foi à máquina de calcular.

 

Descobriu que, com o apoio do PMDB e do DEM, Collor prevaleceria sobre Idelli pela diferença de um voto.

 

Eleitor do PMDB, Jucá poderia desequilibrar o jogo em favor de Idelli. No encontro dos líderes, Jucá dissera que, sobrevivendo o impasse, votaria contra Collor.

 

Lembrou a sua condição de líder do Planalto. E afirmou que não poderia nem votar contra o partido do presidente nem desrespeitar o critério da proporcionalidade.

 

Em meio à refrega, o plenário do Senado está paralisado. Ali, não se votou coisa nenhuma desde 2 de fevereiro, dia em que Sarney virou presidente da Casa.

 

“Se tivéssemos prorrogado o recesso, não faríamos um papel tão feio”, disse, na cara de Sarney, Osmar Dias (PR), líder do PDT.

 

Na tarde desta terça (17), ouviu-se no plenário um coro de líderes. Revezando-se no microfone, todos encareceram a Sarney que convocasse uma reunião para resolver o impasse das comissões.

 

E Sarney: “Ninguém mais do que eu está interessado na harmonia da Casa. Não tenho feito outra coisa senão dizer aos lideres que procurem uma solução. Mas, infelizmente, isso não depende do presidente”.

 

No Senado de Sarney e Renan a coisa funciona assim. Quem pariu a encrenca não a embala.

Escrito por Josias de Souza às 04h32

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Serra afirma que aceita disputar prévias com Aécio

  Sérgio Lima/Folha

José Serra informou aos dois principais dirigentes do PSDB que aceita medir forças com Aécio Neves numa eleição prévia.

 

A realização de prévias é uma exigência de Aécio. Serra, mais bem-posto nas pesquisas, torcia o nariz.

 

Deu-se por convencido na última segunda-feira (16), durante um jantar realizado em São Paulo.

 

Dividiram a mesa com Serra: Fernando Henrique Cardoso e Sérgio Guerra, presidente de honra e presidente do PSDB, respectivamente.

 

O assentimento de Serra vai produzir duas conseqüências:

 

1. O tucanato divulgará até o final de março as regras da disputa interna. O esboço está pronto. Aguarda-se apenas a resposta do TSE a uma consulta feita pelo partido;

 

2. Vai ao arquivo a idéia de antecipar o nome do candidato do PSDB à sucessão de Lula. A definição não sai antes do final do ano. Pode ficar para o início de 2010.

 

Antes do jantar se segunda-feira, Sérgio Guerra conversara com Aécio. O governador de Minas repisara em privado o que diz e repete em público. Exige as prévias.

 

A obstinação de Aécio foi repassada a Serra, que decidiu ceder. Receava que uma eventual recusa fosse ao noticiário como um sinal de fraqueza.

 

O modelo das prévias tucanas, ainda por divulgar, foi desenhado por um grupo que está debruçado sobre o tema desde o início de 2008. É integrado por três pessoas:

 

Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB (ligado a FHC), e os deputados Rodrigo de Castro (homem de Aécio) e Luiz Paulo Velloso Lucas (do grupo de Serra).

 

A definição de Serra matou no nascedouro um movimento que se espraiava pelas cúpulas do PSDB e do DEM, parceiro do tucanato no projeto presidencial.

 

Lideranças como FHC e Jorge Bornhausen, presidente de honra do DEM, defendiam uma escolha breve do candidato.

 

A pregação intensificou-se depois que Lula decidiu levar à vitrine, com antecedência de mais de dois anos, a sua candidata, a ministra Dilma Rousseff.

 

Sentindo o cheiro de queimado, Aécio apressou-se em dizer que o PSDB erraria se amarrasse os seus movimentos ao frenesi de Lula.

 

O governador mineiro prepara-se para correr o país a partir de março. Aguarda apenas pela aprovação das regras da prévia pela Executiva do PSDB.

 

No repasto com FHC e Sérgio Guerra, Serra disse que tampouco ele trabalhava com a idéia de se lançar como candidato de maneira apressada.

 

Agora, a cúpula tucana imagina dividir o noticiário com Lula e Dilma intensificando a oposição ao governo e trombeteando a novidade das prévias.

 

De resto, não foi definitivamente arquivada a pretensão de chegar ao candidato por consenso. Apenas ficou decidido que essa hipótese depende de uma rendição de Aécio.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Montadoras pedem mais US$ 21 bilhões a Obama

 

- Folha: Montadoras dos EUA preveem maos 50 mil demissões

 

- Estadão: Montadoras dos EUA pedem mais US$ 21,6 bi

 

- JB: Governador caça quem protege o meio ambiente

 

- Correio: Câmara abre caixa-preta. Mas não muito...

 

- Valor: Capital externo volta, mas bolsa tem queda de 4,77%

 

- Gazeta Mercantil: Cinco mil advogados se unem contra Madoff

 

- Estado de Minas: Cerco ao novo cangaço

 

- Jornal do Commercio: Vai com tudo, Leão!

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Cuspindo abelhas!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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TSE confirma a cassação de governador e vice da PB

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou na noite desta terça (17) uma decisão que tomara em dezembro do ano passado.

 

Cassaram-se os mandatos de Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Lacerda Neto (DEM), respectivamente governador e vice-governdor da Paraíba.

 

A decisão foi unânime. Rejeitaram-se todos os sete recursos apresentados por Cunha Lima, Lacerda Neto e seus partidos.

 

Os gestores do governo paraibanom governador e vice, foram à guilhotina por conta de malfeitorias eleitorais.

 

A principal delas foi a distribuição, em pleno período eleitoral, de cheques emitidos por órgão público chamado FAC (Fundação de Ação Comunitária).

 

Na seqüência, o tribunal discutiu se haveria ou não a necessidade de convocar nova eleição. Prevaleceu o entendimento de que não há necessidade.

 

Vai à cadeira de governador, no lugar de Cunha Lima, o senador José Maranhão (PMDB), segundo colocado na eleição.

 

Os cassados Cunha Lima Lacerda Neto ainda podem recorrer ao STF. São escassas, porém, as chances de êxito.

Escrito por Josias de Souza às 21h20

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José Alencar recebe alta médica e deixa o hospital

Escrito por Josias de Souza às 19h42

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Mesa da Câmara adota transparência de cristal cica

Em Brasília, como se sabe, todos os gastos são pardos.

 

Na semana passada, a Câmara pendurara nas manchetes uma promessa alvissareira.

 

Dizia-se que seriam levados à internet os gastos com a chamada verba indenizatória.

 

Dinheiro da Viúva. Coisa de R$ 15 mil mensais. Multiplicados por 513 deputados.

 

Tomados pelo gogó, os deputados pareceram fora de si.

 

Vistos sob a ótica da decisão final, enxegou-se o que têm por dentro.

 

A Mesa diretora da Câmara abraçou a transparência de cristal cica.

 

Decidiu-se divulgar na rede apenas o seguinte:

 

1. O valor de cada gasto;

 

2. A natureza da despesa (combustível, aluguel, contratação de pesquisa, etc.);

 

3. Os nomes das empresas beneficiárias do pagamento.

 

Permanecerão à sombra os números do CNPJ dos fornecedores.

 

Não virão à luz nem as datas das compras nem os números das notas fiscais.

 

Por que? Primeiro, para embaçar a curiosidade do contribuinte.

 

Segundo, para dificultar a ação de repórteres bisbilhoteiros.

 

Em entrevista, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse:

 

"Se isso não acabar [com as críticas], não sabemos mais o que fazer".

 

Saber sabe. Fazer, porém, exige uma dose extra de destemor político.

 

O PSOL propusera a divulgação das notas fiscais. Todas as notas. Simples assim.

 

Pela decisão da Câmara, serão divulgados apenas dados do futuro, a partir de abril.

 

As despesas do passado ficam guardadas nas catacumbas da Câmara.

 

Como se vê, os deputados só admitem ser vistos até certo ponto. O ponto de interrogação.

Escrito por Josias de Souza às 19h15

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PT recorre contra ‘propaganda eleitoreira’ de Serra

Antecipada em mais de dois anos, a refrega eleitoral de 2010 achega-se aos escaninhos da Justiça.

 

Dias depois, a oposição informou que questionará no TSE o uso da máquina governamental como alavanva promocional de Dilma Roussef.

 

Nesta terça (17), o PT foi à forra. Líder petista na Assembléia Legislativa de São Paulo, o deputado Roberto Felício foi ao Ministério Público contra o tucano José Serra.

 

Felício questiona a legalidade de uma propaganda televisiva da Sabesp, estatal paulista de água e esgoto. A peça foi levada ao ar em âmbito nacional.

 

Por que diabos uma estatal de São Paulo paga pela veiculação de uma peça publicitária em outros Estados?

 

A finalidade é “eleitoreira”, acusa o líder do PT. Há publicidade tem a "nítida intenção" de favorecer o governador Serra, presidenciável do PSDB.

 

O petismo não está só. O TRE do Rio, uma das praças brindadas com o comercial da Sabesp, já requisitara informações às emissoras Globo e Bandeirantes.

 

Munido dos dados, o tribunal analisará se a estatal foi ou não utilizada com o propósito de promover eleitoralmente o pré-candidato Serra.

 

A Sabesp expediu uma nota. Anota, entre outras coisas, que um par de leis estaduais autoriza a veiculação de propagandas em âmbito regional, nacional e até interncional.

 

"Ou seja, a empresa está legalmente amparada para prestar seus serviços em outros Estados e países". Beleza.

 

Se tomado ao pé da letra, esse lero-lero pseudolegalista justificaria até a veiculação de peças da Sabesp nos EUA, na China, no inferno.

 

Bóia no ar a pergunta: Por que o contribuinte de São Paulo, que não deseja da Sabesp senão água na torneira e esgoto na porta, deve financiar tais extravagâncias?

 

Embora procurado, Serra não disse palavra. Ruim, muito ruim, péssimo. A platéia mereceria meia dúzia de palavras do governador-candidato.

Escrito por Josias de Souza às 18h17

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Procuradoria vai à Justiça contra 45 filantrópicas

Ações pedem anulação de certificados dados irregularmente

 

Guto Cassiano
O Ministério Público Federal abriu, em Caxias do Sul (RS), as primeiras 45  ações judiciais contra entidades beneficiadas pela chamada “MP das filantrópicas”.

 

Trata-se da medida provisória 446. Foi editada por Lula em novembro do ano passado. Concedeu anistia a filantrópicas de fancaria. Muitas sob investigação da PF.

 

Com base nessa MP, o ministério do Desenvolvimento Social renovou 7.100 certificados de filantropia.

 

Beneficiaram-se entidades de ficha limpa e também as envolvidas em malfeitorias detectadas pela PF, pela Receita e pelo INSS.

 

Os certificados foram aprovados sem que os processos das entidades fossem analisados. Mistutou-se num mesmo cesto o joio e o trigo filantrópico.

 

Deve-se ao procurador da República Fabiano Moraes a iniciativa do ajuizamento do lote de 45 ações civis públicas.

 

Ele moveu uma ação individual para cada entidade com sede no município gaúcho de Caxias do Sul, onde está lotado.

 

Explica que não discute nas ações se as entidades estão ou não em dia com suas obrigações constitucionais.

 

Reclama do “fato de não terem sido analisados os pedidos” de renovação dos certificados de filantropia. Foram “simplesmente deferidos”.

 

Embora relacionadas às filantrópicas de Caxias do Sul, as ações do procurador Fabiano, se acatadas pelo Judiciário, terão repercussão nacional.

 

Eis o que pede o procurador nas ações:

 

1. Que seja declarada a “inconstitucionalidade” do artigo da medida provisória que permitiu a renovação automática de 7.100 certificados filantrópicos;

 

2. Que sejam anuladas as resoluções que renovaram automaticamente os certificados filantrópicos;

 

3. Que sejam cancelados os certificados das 45 entidades sediadas em Caxias do Sul;

 

4. Que o governo cumpra a obrigação de julgar os processos filantrópicos pedentes de análise na época em que foi editada a medida provisória.

 

Embora “devolvida” ao Planalto por Garibaldi Alves (PMDB-RN), à época presidente do Congresso, a MP das filantrópicas continuou surtindo efeitos legais.

 

No último dia 10 de fevereiro, a Câmara derrubou a MP. Deveria ter aprovado um decreto legislativo regulando os atos praticados enquanto a MP vigorou.

 

Esse decreto, porém, não foi votado. De modo que continuam de pé as resoluções que deram sobrevida a 7.100 entidades filantrópicas.

 

- Serviço: Pressionndo aqui, chega-se a um texto que traz os nomes das 45 filantrópicas levadas à Justiça pelo Ministério Público Federal.

- PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 17h02

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MP apura suspeita de fraude em concurso da Marinha

Escrito por Josias de Souza às 05h24

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Sarney busca uma ‘colocação’ para Collor no Senado

José Sarney (PMDB-AP) decidiu, finalmente, envolver-se numa crise que envenena as relações no Senado há 16 dias, desde que foi eleito para a presidência da Casa.

 

A encrenca envolve uma disputa pelo controle da comissão de Relações Exteriores, uma das mais importantes do Senado.

 

De um lado, o PSDB tenta emplacar na presidência da comissão o senador Eduardo Azeredo (MG). De outro, o PTB pega em lanças por Fernando Collor (AL).

 

Conforme já comentado aqui, é a briga do sujo contra o mal lavado. Que começou ainda na fase de costura da candidatura de Sarney.

 

Para engrossar o cesto de votos que permitiu a Sarney prevalecer sobre Tião Viana (PT-AC), Renan Calheiros (sempre ele!), prometeu a comissão ao PTB de Collor.

 

O problema é que, considerando-se o tamanho das bancadas (13 tucanos contra sete petebistas), o posto pertenceria, por tradição, ao PSDB de Azeredo.

 

Estabelecido o impasse, Sarney adotou um comportamento olímpico. Fez que não era com ele. Empurrou o problema para o colo dos líderes partidários.

 

A querela paralisou o plenário do Senado. Rebelado, o PSDB obstruiu as sessões. Condiciona as votações ao desatamento do nó.

 

Receoso de que o Senado embicasse em nova semana de inércia, Sarney decidiu arregaçar as mangas. A ficha lhe caiu no último final de semana.

 

Em telefonemas a senadores da oposição, Sarney acenou com a hipótese de acomodar Collor em outra comissão, não mais na de Relações Exteriores.

 

Fechado com o PSDB, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN) mandou dizer que tudo bem. Desde que o PMDB não se aventurasse em bulir nas suas posições.

 

Com 14 senadores, os ‘demos’ consideram como sua, por exemplo, a comissão de Justiça, posto que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está ansioso por ocupar.

 

O tucanato, já impaciente, exige uma definição de Sarney nesta terça-feira (17). Na falta de um acordo, mostra-se disposto a disputar a comissão no voto.

 

O PSDB acha que dispõe de votos para impor uma surra a Collor na comissão de Relações Exteriores.

 

Além do apoio do DEM, o líder tucano Arthur Virgílio (AM) obteve a promessa de voto da bancada do PT.

 

A disputa, se vier a ocorrer, se dará no âmbito da própria comissão. O voto é secreto. Sem nenhuma traição, Azeredo bateria Collor pela diferença de um escasso voto.

 

Num dos telefonemas que disparou no final de semana, Sarney disse a Heráclito Fortes (DEM-PI) que não lhe agrada ver Collor, um ex-presidente da República, envolvido numa refrega de resultado incerto.

 

Uma preocupação curiosa. Sobretudo quando se recorda que, na campanha em que virou presidente, Collor referiu-se a Sarney, seu antecessor no Planalto, com adjetivos nada lisonjeiros –“ladrão”, por exemplo.

 

Resta agora saber: 1) Se Sarney conseguiu cavar uma nova colocação para Collor; 2) Se Collor aceitará trocar a comissão de Relações Exteriores por outra.

Escrito por Josias de Souza às 05h18

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Bornhausen diz que ‘falta foco’ na oposição a Lula

Para líder do DEM, PSDB deve apressar escolha do candidato

 

Divulgação

 

Em palestra na Associação Comercial de São Paulo, o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, expôs o desnorteio da oposição.

 

Disse que “falta foco” às legendas que se opõem a Lula. Em linguagem compatível com o período pré-carnavalesco, disse que é preciso pôr “o bloco na rua”.

 

Afirmou que o PSDB, dividido entre José Serra e Aécio Neves, precisa definir o quanto antes quem será o seu candidato à sucessão de 2010.

 

"Cabe resolver”, disse ele. Num prazo que “não pode ser muito curto”, mas que tampouco pode ser “muito longo”.

 

A indefinição do tucanato é, no dizer de Bornhausen, prejudicial ao bloco da oposição –composto, por ora, de três legendas: PSDB, DEM e PPS.

 

Bornhausen revelou em público uma inclinação que, até aqui, só manifestara em privado. Pende para Serra, em detrimento de Aécio.

 

Para justificar-se, recuou à disputa municipal de 2008. Disse que a vitória do ‘demo’ Gilberto Kassab, em São Paulo, fez de Serra "o maior vitorioso da eleição".

 

Flertando com o óbvio, Bornhausen disse que a definição sobre o candidato é coisa do PSDB. “Não vamos opinar”, exagerou.

 

Depois, disse que, se lhe fosse dado sugerir um caminho, recomendaria uma composição entre os dois pré-candidatos tucanos.

 

Ecoando declarações cada vez mais encontradiças na cúpula tucana e na base de Serra, Bornhausen opôs à tese das prévias, cara a Aécio.

 

"Não temos aqui no Brasil, como nos EUA, a tradição de prévias e primárias", disse. Acha que um processo do gênero poderia desaguar em “desgaste”.

 

Durante a palestra, Bornhausen fez uma aposta de risco. Previu que, submetida aos efeitos da crise, a popularidade de Lula, hoje acima dos 80%, vai “despencar”.

 

Na opinião de Bornhausen, Lula vem prevalecendo sobre a oposição na guerra da comunicação. Por que? Beneficado pelo cargo, “utiliza a mídia diariamente”.

 

Acha que a oposição erra ao concentrar sua resposta na discurseira do Congresso, para a qual a sociedade dá pouca ou nenhuma atenção.

 

Sugere uma mudança de tática: a utilização do horário televisivo de que dispõem os partidos de oposição para atacar o que chama de “erros” de Lula na gerência da crise.

 

Pelas contas de Bornhausen, PSDB, DEM e PPS têm direito, pela lei, a "100 minutos de mídia”. Refere-se aos programas partidários anuais.

 

Defende uma combinação de discurso. Um ajuste do foco. De modo a que a trinca oposicionista fale a mesma língua na TV.

 

Dizer o quê? Eis a fórmula Bornhausen: Quando a crise pipocou, Lula não cortou despesas de custeio, não cancelou concursos...

 

...Manteve os reajustes salariais de servidores e permitiu que fossem injetadas no Orçamento da União emendas de parlamentares.

 

Com isso, diagnosticou Bornhausen, o Banco Central não pôde ousar na administração da taxa de juros. Reduziu-a apenas de 13,75% para 12,75%.

 

Sobre Dilma Rousseff, Bornhausen disse que faltam à candidata de Lula votos próprios. “Votos de raiz”, disse ele.

 

O crescimento de Dilma nas pesquisas depende, na avaliação de Bornhausen, da capacidade de Lula de transferir votos e do êxito do marketing.

 

Antes de encerrar a palestra, Bornhausem discorreu sobre a entrevista em que Jarbas Vasconcelos, por assim dizer, desnudou o seu PMDB.

 

Para Bornausen, Jarbas foi injusto com José Sarney. Desconsiderou o papel de Sarney na transição do regime militar para a era de governos civis.

Escrito por Josias de Souza às 04h30

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Obama exige de montadoras plano para evitar concordata

 

- Folha: BB irá atuar no crédito à habitação de baixa renda

 

- Estadão: Brasil oferece crédito para evitar barreiras da Argentina

 

- JB: Doze projetos que podem mudar o Rio

 

- Correio: STF dá reajuste a servidor aposentado

 

- Valor: Consórcios fazem as pazes e viram parceiros no Madeira

 

- Gazeta Mercantil: Venda de carro cresce e freia onda de demissão

 

- Estado de Minas: Chega de selvageria

 

- Jornal do Commercio: Mais ônibus na folia

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h25

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Resposta à moda do PMDB!

Tiago Recchia

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

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Serra mede forças com Lula na ‘gincana da bondade’

Milton Michida/Divulgação

 

Apenas quatro dias depois de ter anunciado um pacote anticrise de R$ 20 bilhões, o governador José Serra saiu-se com mais uma “bondade”.

 

Veio à boca do palco para informar que decidiu reajustar o salário mínimo do Estado em percentual superior ao que foi concedido ao piso nacional.

 

A providência, por trivial, poderia ter sido divulgada em comunicado ditado pelo governador no recôndito do gabinete.

 

Mas o presidenciável tucano, que mede forças com Lula numa espécie de “gincana de bondade”, preferiu o espalhafato de uma solenidade sob holofotes.

 

O novo mínimo nacional fora baixado por Lula em medida provisória, ainda pendente de votação no Congresso.

 

Começou a vigorar em 1º de fevereiro. Passou de R$ 415 para R$ 465. Reajuste de 12,05%, que resultou num acréscimo de R$ 50.

 

Em São Paulo, há três pisos salariais. O mais baixo passou de R$ 450 para R$ 505. Aumento de 12,22%, que produziu acréscimo de R$ 55.

 

Serra valeu-se de um projeto. Que depende de aprovação na Assembléia Legislativa. Espara-se que comece a vigorar em 2 de abril.

 

Levou-se ao portal eletrônico do governo paulista um texto sobre a generosidade de Serra.

 

Num intervalo de sete parágrafos, anotou-se três vezes que o aumento do governador é maior que o reajuste do presidente.

 

Só no quarto parágrafo a tecla é repisada duas vezes. Anota que os trabalhadores paulistas receberão salários superiores “ao mínimo nacional” e à “média nacional”.

 

Dois parágrafos acima, já se havia escrito que, em São Paulo, a remuneração está “acima do salário mínimo nacional”.

 

No afã de realçar o feito do governador-candidato, a notícia oficial propagou uma lorota. Diz o texto: “O reajuste do salário mínimo nacional foi de 11,29%”.

 

Mentira. O aumento previsto na medida provisória de Lula foi, em verdade, de 12,05%.

 

Coisa já miúda. Que a notícia da equipe de Serra cuidou de rebaixar em 0,76 ponto percentual. Coisa feia.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Chamado de corrupto, PMDB finge que não é com ele

  Folha
Uma das características mais curiosas da corrupção se observa nos partidos políticos. O corrupto está sempre nas outras legendas.

 

No último final de semana, numa entrevista ao estilo arrasa-quarteirão, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) subverteu a praxe.

 

Olhou de relance para o quintal dos vizinhos: “A corrupção está impregnada em todos os partidos”.

 

Mas lançou um olhar especialmente severo para o gramado ao se redor: “Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”.

 

Citou Renan Calheiros: “Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido”.

 

Mencionou José Sarney: “A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador [...]. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão”.

 

Pois bem, chamado para a briga por um dos seus, o PMDB decidiu fingir que não é com ele. Em nota, a Executiva da legenda disse que “não dará maior atenção” ao tema.

 

Em entrevista, Michel Temer (SP), presidente do partido, disse que são demasiado “genéricas” as acusações do colega Jarbas.

 

Como dirigente da legenda, Temer não cogita pedir a expulsão de Jarbas. Havendo uma representação formal de outro filiado, dará curso a ela.

 

De resto, não se ouviu durante o dia uma mísera palavra de Renan. Nada de Sarney. Silêncio de velório.

 

Aqui e ali, ecoaram manifestações de desconforto e de perplexidade. Ponto. Só não ficou nisso porque Jarbas decidiu manter os lábios grudados no trombone.

 

“Eu não retiro nada do que eu disse, quem quiser me processar, procure o conselho de ética do partido", repisou o senador, um sobrevivente do velho MDB.

 

Os repórteres cobraram nomes. E Jarbas: "Como posso citar nomes? É um número muito volumoso, eu não vim ficar como auditor do PMDB no Congresso...”

 

“...Eu não disse que todo o PMDB era corrupto, mas grande parte. É nos escalões superiores que a corrupção vive".

 

A reação do PMDB aos ataques de Jarbas é tão amena que extinguiu-se em relação ao partido até o benefício da dúvida.

 

O absurdo e a perversão adquiriram no PMDB uma doce, persuasiva e admirável naturalidade.

Escrito por Josias de Souza às 21h10

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Lula testa sua popularidade no Carnaval da Sapucaí

O ‘maracanaço’ da abertura do Pan não causou traumas à memória de Lula.

 

O presidente está na bica de submeter sua popularidade a um novo teste de povo.

 

Lula decidiu passar o Carnaval no Rio. Vai à Marques de Sapucaí no domingo.

 

A convite do governador Sérgio Cabral, assistirá ao desfile da escola Beija-Flor.

 

O último presidente que cometeu semelhante aventura foi Itamar Franco.

 

Não ouviu vaias. Mas, solteiro, deixou-se fotografar ao lado de uma Liliam Ramos sem calcinha.

 

Um risco que Lula, beneficiado pelo escudo da primeira-dama Marisa Letícia, não corre.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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MP investiga 190 mortes em um hospital de Dourados

Zhang Dali Shaun Curry/AFP

 

O Ministério Público Federal abriu nesta segunda (16), no Mato Grosso do Sul, uma investigação espinhosa.

 

Visa apurar a suspeita de que, ao lomgo de 2008, cerca de 190 pessoas morreram num hospital público da cidade de Dourados.

 

Chama-se HUT (Hospital de Urgência Trauma). Estaria desaparelhado. Faltam-lhe neurocirgiões. Falta-lhe também uma UTI.

 

A relação entre a falta de estrutura e o excesso de mortes ganhou as manchetes da imprensa no último dia 6 de fevereiro.

 

Um jornal local –‘O Progresso’— e dois portais noticiosos –‘Douradosagora’ e ‘Douradosnews’— veicularam notícia sobre o caso.

 

O texto trazia declarações do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Wilson César Medeiros Alves. Atribuíram-se a ele declarações como a que se segue:

 

“Aconteceu um verdadeiro genocídio, envolvendo principalmente as pessoas mais humildes e que mais necessitam do atendimento do Sistema Único de Saúde”.

 

Em 9 de fevereiro, três dias depois da divulgação da notícia, o doutor Medeiros Alves divulgou uma nota. No texto, ele confirma que dera a entrevista.

 

Afirma que não pretendera fazer uma “denúncia”. Classifica de “extra-oficiais” os números que indicam a ocorrência de 190 mortes no hospital em 2008.

 

Ensaia um passo atrás ao tachar de “questionável” a associação das mortes com a desestrutura. Depois, dá um salto à frente:

 

“Não é de hoje que, nos bastidores da saúde, se cogita fazer um levantamento...”

 

Um levantamento capaz de atestar, “...de forma bastante segura, a relação da falta de leitos de UTI com vidas que se perderam ao longo desse período”. 

 

O procurador da República Raphael Otavio Bueno Santos decidiu tirar a prova dos nove. Partiu dele a iniciativa de determinar a investigação inaugurada nesta segunda-feira.

 

Como primeira providência, Bueno Santos deu prazo de cinco dias para que as autoridades prestem esclarecimentos ao Ministério Público.

 

Expidram-se ofícios às secretarias de Saúde do município e do Estado, ao Ministério da Saúde e à direção do Hospital Evangélico de Dourados.

 

Também o doutor Medeiros Alves, presidente do Conselho Municipal de Saúde, foi chamado a se explicar.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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PSDB e DEM se reúnem para reavaliar planos de 2010

Busca-se uma forma de reagir à ‘superexposição’ de Dilma 

  Carol Guedes/Folha
As cúpulas do PSDB e do DEM marcaram para depois do Carnaval um encontro de cúpula. Deve ocorrer no dia 5 de março, em São Paulo.

 

Vão à mesa os planos para a sucessão presidencial de 2010. Pretende-se reavaliar a estratégia, apressando o passo.

 

Tucanos e ‘demos’ tentam reagir à movimentação “prematura” de Lula. Estão inquietos com a súbita conversão de Dilma Rousseff de ministra em candidata.

 

Com dois postulantes ao Palácio do Planalto –José Serra e Aécio Neves—, a oposição assiste à ocupação solitária do noticiário por Dilma. Daí o incômodo.

 

A necessidade de estabelecer um contraponto à candidata de Lula faz crescer o movimento pela precipitação do desfecho da disputa entre Serra e Aécio.

 

Há nítida preferência no andar de cima das duas legendas pelo nome de Serra, mais bem-posto nas pesquisas.

 

Mas todos, a começar de Serra, parecem já ter compreendido os recados de Aécio: o governador de Minas precisa ser convencido, não vencido.

 

Avalia-se que, se for à disputa sem Aécio, um governador aprovado por cerca de 80% do segundo maior colégio eleitoral do país, Serra será um candidato à derrota.

 

Aécio bate o pé. Quer que a definição do PSDB se dê por meio de prévias. Serra e seus aliados torcem o nariz.

 

Mas à falta de um entendimento, mesmo os políticos pró-Serra do DEM começam a se conformar com a necessidade das prévias.

 

Inicialmente, trabalhava-se com a idéia de cozinhar a escolha do candidato em banho-maria até o final de 2009.

 

Porém, a movimentação de Lula faz ferver a mistura da oposição. E já há gente pregando que as prévias, se inevitáveis, devem ser feitas ainda no primeiro semestre.

 

Deve-se o agendamento do encontro de São Paulo a uma iniciativa do DEM. A legenda decidiu reunir o seu conselho político.

 

Trata-se de uma instância partidária presidida pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab. Congrega do presidente de honra Jorge Bornhausen aos líderes no Congresso.

 

No mesmo dia, os ‘demos’ irão ao encontro do grão-tucanato: FHC, presidente de honra do PSDB; Sérgio Guerra, presidente nacional; e outras lideranças.

 

Inicialmente, apenas o presidenciável José Serra participaria desse convescote tucano-democrata. Para não envenenar o pudim, planeja-se agora endereçar um convite a Aécio.

 

O governador mineiro terá de ser persuadido também da conveniência de antecipar os planos da oposição.

 

Em privado, Aécio diz que o PSDB erra ao condicionar sua estratégia ao vaivém de Lula e Dilma.

 

Para Aécio, a simples definição das regras das prévias, algo que lhe foi prometido para março, acomodaria a disputa que o opõe a Serra num leito de normalidade.

 

De resto, Aécio acha que a campanha interna, com a eventual realização de debates entre ele e Serra, surtirá dois efeitos benfazejos.

 

Primeiro, evitará os acertos de cúpula que fizeram desandar as candidaturas tucanas em 2002 e 2006.

 

Depois, levará a oposição a ocupar as manchetes da forma correta, pendurando nas manchetes não as picuinhas internas, mas as propostas alternativas ao projeto representado por Dilma.

 

O diabo é que, por ora, o tucanato não foi capaz nem sequer de esboçar essa pretensa alternativa. Serra e Aécio, aliás, têm cara de muita coisa, menos de oposicionistas.

Escrito por Josias de Souza às 05h26

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Prefeitura recruta mães para reforçar salas de aula

 

- Folha: Chávez obtém direito a reeleição ilimitada

 

- Estadão: Obama faz pressão sobre GM e Chrysler

 

- JB: US$ 100 bi sonegados

 

- Correio: Valério terá que pedir proteção contra PCC

 

- Valor: Governo vai criar estatal para projeto do trem-bala

 

- Gazeta Mercantil: Saúde financeira de hospitais em crise

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h23

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A direita também come criancinhas!

Angeli

Imagem via UOL.

Informe-se sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 05h21

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Chávez vence referendo e vira um candidato a Fidel

Fernando Llano/AP

 

O presidente venezuelano Hugo Chávez obteve neste domingo (15) o direito de disputar a reeleição tantas vezes quantas desejar.

 

Levada a referendo, a emenda constitucional que institui a reeleição ilimitada foi aprovada pela maioria dos votantes.

 

Apurados mais de 90% dos votos, o “sim” prevalecia sobre o “não” com a seguinte margem: 54,36% a 45,63%. A abstenção somava 32,95%.

 

No poder há dez anos, Chávez disputará o terceiro mandato já em 2012. Persegue o modelo do ditador cubano Fidel Castro, cuja presidência durou 49 anos.

 

Com uma diferença: o neo-Fidel não foge ao voto. O referendo deste domingo foi a 15ª eleição da Venezuela em uma década de Chávez.

 

Na versão folhetinesca da Venezuela atual, o poder não é tanto uma questão de punhos quanto de nádegas. O negócio de Chávez é continuar sentado.

 

A julgar pela incompetência da oposição venezuelana, ele não deixa a cadeira tão cedo.

Escrito por Josias de Souza às 02h50

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Notas vadias de um domingo de notícias vagabundas

Mastrangelo Reino/Folha

 

1. Veneno: No jantar oferecido por Marta a Dilma, na sexta (13), a candidata companheira comparou-se ao FHC da eleição de 1994.

 

Naquele pleito, empurrado pelo Real, o tucano voou de um ministério (Fazenda) para o Planalto, deixando pelo caminho um Lula que as pesquisas davam como favorito.

 

Pelo menos um grão-petista deixou o repasto com a impressão de que alguma coisa subiu à cabeça da presidenciável oficial do Planalto.

 

Lamentou que Dilma tenha apagado da memória o Serra de 2002, um tucano que também alçou vôo de um ministério (Saúde) e quebrou o bico.

 

De resto, o partidário cético de Dilma acha que, por ora, o PAC está mais para o programa de genéricos de Serra do que para o Real de FHC.

 

 

2. PMDB do S: Orestes Quércia tocou o telefone, neste domingo, para Jarbas Vasconcelos. Cumprimentou-o pela entrevista arrasa-quarteirão.

 

Noves fora uma ressalva aos ataques de Jarbas a Sarney, Quércia endossou o sabão em Renan, a razia no PMDB e as críticas ao governo de Lula.

 

O telefonema autoriza duas conclusões. A primeira: A exemplo de Jarbas, Quércia tonifica a impressão de que vai à cena de 2010 como militante do PMDB do Serra.

 

A segunda: Presidente da seccional paulista do PMDB, Quércia erguerá, em São Paulo, barricadas contra eventuais tentativas de retaliação partidária ao dissidente Jarbas.

 

 

3. PT do S: O ministro Celso de Mello segredou a colegas que cogita aposentar-se do STF. Faz par com Eros Grau, outro ministro que flerta com o pijama.

 

O advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, sente avizinhar-se a sua hora. Ele frequenta os subterrâneos no topo da lista de opções de Lula para uma vaga no STF.

 

Confirmando-se a nomeação, Toffoli iria ao tribunal como o primeiro representante do PT do Supremo. Já advogou para o partido.

 

De resto, Toffoli traz enganchada à biografia uma assessoria jurídica prestada ao ex-chefão da Casa Civil José Dirceu.

Escrito por Josias de Souza às 21h43

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Próxima pajelança da dupla Lula-Dilma será nos EUA

A caminho de 2010, o governo admite cometer todos os excessos. Menos o excesso de moderação.

 

Brasília é, hoje, um teatro sem platéia. Está todo mundo no palco. Vão abaixo duas notas reveladoras dessa fase exibicionista.

 

A primeira saiu na coluna do repórter Elio Gaspari. A outra, na seção Painel. Ambas na Folha (só para assinantes):

 

 

- Festa em NY: “Depois de ter canalizado algumas centenas de milhares de dólares num encarte da revista "Foreign Affairs", enfeitando-o com publicidade da Petrobras, do BNDES e da Embratur, o comissariado de informações do governo prepara um novo incentivo ao mercado editorial americano.

 

Planeja-se um festim bananeiro para acompanhar a visita de Nosso Guia a Nova York, em março.


Gastar dinheiro com publicidade em veículos sérios na busca de simpatia é uma variante do costume de jogá-lo pela janela.

O Planalto dispõe de R$ 150 milhões para promover a imagem do governo no exterior. Os arquivos do palácio informam: todas as iniciativas anteriores serviram para fazer a alegria de alguns bem-aventurados, e mais nada.

 

Um governo que tentou expulsar do país o correspondente do "New York Times" mostra que trocou a linha das bravatas gratuitas pela das besteiras remuneradas".

 

- PAC's mother: "Depois dos prefeitos, os CEOs. Dilma Rousseff será a principal palestrante de seminário que reunirá presidentes de empresas brasileiras e americanas em Washington em 17 de março, mesmo dia do previsto encontro entre Lula e Obama".

Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Jornal afirma que Valério pagou ‘pedágio’ ao PCC

  Folha
Marcos Valério, mentor do mensalão, teve de pagar “pedágio” a criminosos do PCC para sair vivo da penitenciária de Tremembé, em São Paulo.

 

A notícia está pendurada na manchete da edição deste domingo (15) do diário “Correio Brasiliense” (só assinantes).

 

Em reportagem assinada pelos repórteres Maria Clara Prates e Edson Luiz, o jornal afirma que, mesmo depois de solto, Valério continua sendo extorquido pelo PCC.

 

Valério traria no corpo sinais da violência que teria sofrido no período de calabouço –de 11 de outubro de 2008 a 14 de janeiro de 2009.

 

O jornal anota que Valério, espécie de arquivo ambulante do escândalo que sacudiu o governo Lula em 2005, teve “parte dos dentes da frente quebrados”.

 

De resto, teria sofrido “cortes profundos no corpo, feitos por estilete”. As informações são atribuídas a “fontes da Polícia Civil de São Paulo”.

 

O texto não faz menção ao valor que Valério teria repassado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que opera desde o interior das cadeias.

 

Informa-se que o acerto que resultou no pagamento do “pedágio” teria sido firmado em 9 de janeiro, cinco dias antes de Valério deixar a cadeia. 

Deu-se, segundo o jornal, numa conversa de cerca de 40 minutos de Valério com o Jeronymo Ruiz Andrade do Amaral, apontado pela polícia como advogado do PCC. 

Assim como Valério, Jeronymo estava preso em Tremembé. Fora à garra depois de ter sido pilhado tentado contrabandear componentes de celular para dentro da cadeia. 

Valério ganhou o meio-fio graças a uma ordem de soltura expedida pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do STF. 

Mesmo em liberdade, escreve o Correio, continua sendo extorquido pelo PCC. “Agora, também sua família está sob a mira do grupo criminoso”, diz a notícia. 

A reportagem anota também que, quando Valério ainda estava atrás das grades, a mulher dele, Renilda de Souza, temeu pela segurança do marido. 

Preocupada, Renilda teria pedido socorro a Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça no primeiro mandato de Lula. 

De acordo com o Correio, Renilda teve “pelo menos três encontros” com Thomaz Bastos antes que Valério fosse posto em liberdade. 

A prisão do ex-provedor das arcas clandestinas do PT nada teve a ver com o mensalão. Valério desceu ao calabouço graças a uma operação da PF batizada de “Avalanche”. 

Acusaram-no de tomar parte, junto com outras 16 pessoas, de um esquema que beneficiaria uma cervejaria enrolada com o fisco. 

Investigavam-se fraudes fiscais, espionagem e tentativa de montagem, por meio de acusações falsas, de um inquérito contra dois auditores do fisco paulista. 

Segundo a notícia do Correio Brasiliense, Valério –20 quilos mais magro e recluso— “se recusa a falar sobre as agressões” que teria amargado na cadeia. 

Marcelo Leonardo, advogado de Valério, nega a hostilidade e o pagamento de propina ao PCC. 

Ele reconhece que seu cliente encontrou-se com Jeronymo. Disse que o advogado do PCC fora “rever outros presos”. E acrescentou: “A conversa com meu cliente teve repercussão, porque ele é o mais famoso”. 

Segundo a reportagem, Marcelo Leonardo teria manifestado o receio de que a veiculação das informações atribuídas à polícia de São Paulo colocasse em risco a vida de Valério.

Escrito por Josias de Souza às 04h50

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Apesar de cirurgia, Roseana retém o posto de líder

A notícia de que Roseana Sarney (PMDB-MA) faria uma cirurgia depois do Carnaval alvoroça o Senado desde o final de 2008.

 

Abriu-se nos subterrâneos uma renhida disputa pelo posto de líder do governo no Congresso, exercido por Roseana.

 

Valdir Raupp (PMDB-RO), um dos pretendentes à função, parecia mais interessado na saúde de Roseana do que o infectologista David Uip, médico dos Sarney.

 

Atropelado por Renan Calheiros (PMDB-AL), que tomou-lhe a liderança do PMDB, Raupp passou a sonhar com a cadeira de Roseana.

 

Pois bem, a senadora informou ao repórter que, de fato, irá à mesa de cirurgia no mês que vem. Não tem, porém, a intenção de deixar a função de líder.

 

“A menos que o presidente Lula, que me convidou, decida me destituir”, diz Roseana. Ela planeja tirar apenas uma licença médica de 30 dias.

 

Lula dispõe de três líderes no Legislativo: Henrique Fontana (PT-RS) na Câmara, Romero Jucá (PMDB-RR) no Senado e Roseana no Congresso.

 

Fontana e Jucá carregam o piano. Roseana atua apenas nas poucas sessões em que se juntam os deputados e os senadores.

 

Ostenta o status de líder com a vantagem de desfrutar de uma rotina menos atribulada. Daí a cobiça em torno do cargo.

 

Além de Raupp, aventaram-se pelo menos mais dois pretendentes: Ideli Salvatti (PT-SC) e Osmar Dias (PDT-RS). Vão ficar na vontade.

 

Roseana é uma recordista do bisturi. Vai à faca pela 21ª vez. Cirurgia incômoda, para eliminar um aneurisma cerebral.

 

Uma tomografia revelou que a senadora traz no crânio uma artéria dilatada. Coisa de 6 milímetros.

 

Embora exista o risco de que o vaso se rompa, a opção cirúrgica não era obrigatória. Roseana optou por eliminar o problema, em vez de conviver com ele.

 

Parece serena. "Cirurgia é sempre desagradável. Na cabeça, muito mais. Mas estou confiante".

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Milícia tira alunos de sala para trabalhar em vans

 

- Folha: Calote de empresas dispara nos EUA

 

- Estadão: Bancos dos EUA têm rombo de US$ 4 tri

 

- JB: No Orkut, remédios abortivos proibidos

 

- Correio: O maior arquivo vivo do país em perigo

 

- Valor: Tesouro deve pôr capital no BB para aumentar crédito

 

- Gazeta Mercantil: Pacote paulista garante R$ 20 bi para o estado

 

- Veja: Eles é que mandam

 

- Época: Maconha-Por que é preciso debater a legalização da droga

 

- IstoÉ: Exclusivo – Aécio Neves candidato a presidente do Brasil: “Sou uma alternativa para o País”

 

- IstoÉ Dinheiro: Estes empresários estão passando por cima da crise

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Automutilação!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h34

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Com 27 partidos, Brasil vive bipartidarismo de fato

Maximo/El Pais

 

Os arquivos do TSE informam que há no Brasil 27 partidos políticos regularmente constituídos. À primeira vista, um espanto!

 

A realidade, porém, empurra o país para uma quadra política dicotômica. A despeito das quase três dezenas de legendas, vive-se um bipartidarismo de fato.

 

Nas últimas quatro eleições presidenciais, o que se viu foi uma disputa praticamente monopolizada por dois partidos: PSDB e PT.

 

O tucanato prevaleceu duas vezes com FHC. O petismo, sempre com Lula, triunfou primeiro sobre Serra e depois sobre Alckmin.

 

Em 2010, vai-se para uma espécie de tira-teima com cara de ‘déjà vu’. Sem Lula, o PT fabrica Dilma. O PSDB oscila entre Serra e Aécio.

 

Somando-se os dois mandatos de FHC e o par de gestões de Lula, chega-se a um período de 16 anos.

 

Com mais quatro anos de PT ou de PSDB, o bipartidarismo à brasileira fará aniversário de 20 anos em 2014.

 

E não há no horizonte sinais de que a coisa vá se alterar. Pelo menos nas eleições nacionais, tudo parece conspirar a favor dessa polaridade.

 

Chega-se, então, à pergunta fatídica: o duopólio que converteu o PSDB e o PT em provedores exclusivos de presidenciáveis é bom para o Brasil?

 

Ao fixar-se nas opções oferecidas pelas duas legendas, o eleitor brasileiro parece responder que sim, o bipartidarismo de fato seria bom.

 

PSDB e PT lograram fixar na cabeça do eleitorado a idéia de que são as únicas legendas que dispõem de projetos de país.

 

FHC, com o Real, domou a inflação. E foi premiado com dois mandatos. Lula adicionou à estabilidade econômica uma malha de proteção social. E também foi premiado.

 

Tudo leva a crer que a peleja de 2010 vai girar ao redor da plataforma da continuidade. Bom para o PT.

 

Ruim para o PSDB, que ainda não conseguiu responder à pergunta do samba de Noel: ‘Mas com que roupa?’

 

De resto, a rivalidade tucano-petista proporciona avanços e retrocessos. Avança-se porque já não parece haver espaço para um franco-atirador como Collor.

 

Retrocede-se porque, no poder, PT e PSDB igualam-se na perversão da baixa política. Convivem e até estimulam o fisiologismo e o clientelismo.

 

Sob FHC e sob Lula, petistas e tucanos chafurdaram no arcaísmo. Para sobreviver, legendas como PMDB, DEM e um imenso etc. engancharam-se aos projetos alheios.

 

Diz-se que a rendição dialética à imoralidade é inevitável. Sem ela, nenhum presidente obteria suficiente apoio no Congresso para governar.

 

É nesse tilintar de verbas e cargos que a profusão de partidos emerge como problema. Quanto mais partidos há, maior é o balcão, eis o drama do bipartidarismo à brasileira.

Escrito por Josias de Souza às 19h21

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Venezuela diz nas urnas se topa um Chavez ‘eterno’

  Baptistão
Em novo encontro com as urnas –o 15º em dez anos de Hugo Chávez—os venezuelanos vão tomar uma decisão capital.

 

Dirão, em referendo, se autorizam ou não o presidente da República a concorrer a tantas reeleições quantas desejar.

 

O atual mandato de Chávez termina em 2013. O companheiro já disse que, obtendo a reeleição eterna, planeja governar até 2030.

 

Portanto, o “referendo” deste domingo (15) é crucial tanto para o futuro de Chávez quanto para a oposição.

 

À oposição faltam nomes e um itinerário nítido. A viagem proposta por Chávez leva ao desfiladeiro do Socialismo do Século 21.

 

Mas, em essência, o que o atual presidente da Venezuela deseja mesmo é permanecer no volante. Vende a idéia do motorista único.

 

A democracia bolivariana da Venezuela é constituída de quatro poderes: Chávez, o Legislativo de Chávez, o Judiciário de Chávez e o petróleo.

 

Com a cotação do óleo ao rés do chão, Chávez dirige um Estado que, submetido à sua vontade imperial, não consegue produzir o essencial: comida.

 

Nada menos que 70% dos alimentos que vão à mesa dos venezuelanos são importados. Boa parte do Brasil.

 

A exemplo do que ocorrera em pleitos anteriores, a Venezuela vê-se, às vésperas do referendo, em meio a uma crise de desabastecimento.

 

Sumiram das gôndolas produtos tão essenciais quanto arroz, feijão, açúcar e até –espanto!, pasmo!!, estupefação!!!— o papel higiênico.

 

Coisa urdida pelo baronato anti-Chávez, para reforçar na cabeça do eleitor a fragilidade de uma "revolução" que, plena de ideologia, não chegou à geladeira.

 

PS.: Ilustração via blog do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 19h14

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Jarbas: ‘Parte do PMDB quer mesmo é corrupção’

  Antônio Cruz/ABr
Em política, o que os atores dizem sob holofotes nunca é tão importante quanto o que é cochichado por trás das cortinas.

 

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) virou personagem raro. Ele grita em cima do palco o que só se ouve no murmúrio das coxias.

 

Egresso do velho MDB, Jarbas é hoje um dissidente do PMDB. Desalentado com a política, deu ao repórter Otávio Cabral uma entrevista reveladora.

 

Vão abaixo algumas das declarações de Jarbas Vasconcelos:

 

 

- Sarney e a presidência do Senado: É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador [...]. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

 

- Rotina no Senado: Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan [Calheiros]. Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido.

 

- Renan na liderança do PMDB: Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

 

- A situação do PMDB: O PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.

Para que o PMDB quer cargos? Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

 

- O PMDB e a sucessão de 2010: O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo [Dilma Rousseff], já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de [José] Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.

 

- O governo Lula: Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. [...] O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país.

 

- A popularidade do presidente: O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre.

 

- O Bolsa Família: É o maior programa oficial de compra de votos do mundo. Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. [...] Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada, cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família.

 

- Os políticos: A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil. Por que há essa banalização dos escândalos? O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização.

 

- O PT: O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?".

 

- A corrupção: É um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

 

- As chances de Dilma: A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

 

- O Futuro pessoal: Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais.

Escrito por Josias de Souza às 17h39

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Meta política de Lula é alçar Dilma à casa dos 20%

  Folha
A depender de Lula, a irritação do PSDB e do DEM será levada, nos próximos meses, às fronteiras do paroxismo.

 

O Planalto monta para Dilma Rousseff uma agenda que tende a aproximá-la mais da condição de candidata do que da de ministra.

 

Passado o Carnaval, Dilma viajará aos Estados pelo menos uma vez por semana. Vai inspecionar obras, testemunhar a assuinatura de ordens de serviço, fazer e acontecer.

 

Dilma ganhará as ruas preferencialmente às sextas-feiras. Ora ao lado de Lula ora em incursões solitárias.

 

Em privado, Lula esmiúça suas segundas intenções: deseja tonificar os índices de intenção de voto de sua candidata.

 

Antevê um cenário promissor. Acha que, superexposta, Dilma pode escalar na pesquisas, até o final de 2009, índices situados nos arredores de 20%.

 

Nos subterrâneos, o Planalto encomendou pareceres jurídicos. Tenta proteger-se de problemas com a Justiça Eleitoral.

 

Ouvido informalmente pela assessoria de Lula, um bambambã do direito eleitoral deu um conselho ao governo.

 

Recomendou que a agenda de viagens de Dilma seja rigorosamente amarrada ao cronograma de obras do PAC.

 

Uma forma de proteger a ministra-candidata e o próprio governo de eventuais ações judiciais da oposição.

 

Acusado de utilizar a estrutura do Estado com propósitos eleitorais, o Planalto disporia do argumento de que, como gestora do PAC, Dilma é obrigada a zelar pelas obras.

 

Lula decidiu testar os limites da legislação eleitoral por razões de ordem prática. Embora avance nas pesquisas, Dilma, ainda, desconhecida da maioria do eleitorado.

 

Daí a opção por antecipar em quase dois anos a campanha presidencial.

 

Para Lula, a costura da aliança política que dará suporte a Dilma depende, em boa medida, da escalada da candidata nas pesquisas.

Escrito por Josias de Souza às 04h41

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Bancos dão trégua a Obama e suspendem despejos nos EUA

 

- Folha: Recessão se aprofunda na Europa

 

- Estadão: Para Lula, empresas demitem em excesso

 

- JB: Olimpíada trará ao Rio mais R$ 12,8 bi

 

- Correio: Classe média reage

 

- Valor: Tesouro deve pôr capital no BB para aumentar crédito

 

- Gazeta Mercantil: Pacote paulista garante R$ 20 bi para o estado

 

- Estado de Minas: Juvenil Alves é cassado

 

- Jornal do Commercio: Polícia da Suíça desmente advogada

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Pedra fundamental!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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PMDB deseja controlar o fundo de pensão de Furnas

Eletrificado no Congresso, o PMDB tenta instalar dois novos “pontos de luz” na planta baixa do Estado.

 

Um ala do PMDB da Câmara pleiteia a nomeação de um par de dirigentes do fundo de pensão de Furnas.

 

O fundo se chama Real Grandeza. Os postos aos quais o PMDB deseja levar as luzes de sua experiêcia são o de presidente e o de diretor de Investimentos.

 

Nesta segunda (16), um grupo de aposentados de Furnas reúne-se no Rio para erguer barricadas contra a manobra.

 

Atribui-se ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) o patrocínio do movimento que tenta aproximar o partido das arcas do fundo de pensão de Furnas.

 

Eduardo Cunha milita no pedaço “garotinho” do PMDB. É o mesmo deputado que, em 2007, acenara com uma rebelião anti-CPMF na Câmara.

 

Era chantagem. Queria, em verdade, que Lula acomodasse o ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde na presidência de Furnas.

 

O Planalto ajoelhou. Mesmo a contragosto, Lula acomodou o arquiteto Conde no comando de Furnas.

 

Por um desses azares da política, a saúde de Conde claudicou. E ele teve de deixar Furnas antes de conseguir instalar representantes do PMDB no fundo Real Grandeza.

 

Para o lugar de Conde, nomeou-se Carlos Nadalutti Filho. É um técnico, funcionário de carreira de Furnas. Mas só foi ao cargo depois que o PMDB deu o seu aval.

 

Agora, Nadalutti Filho tenta entregar ao partido o que Conde não teve tempo de prover: a presidência e a diretoria de Investimentos do fundo de pensão da estatal.

 

O pleito chegou à mesa do ministro Edson Lobão (Minas e Energia), um peemedebista da cota de José Sarney.

 

Se não for contido por Lula, o apetite elétrico do PMDB pode resultar em apagão. Furnas está na raiz da encrenca que transformou o mensalão em manchete de jornal.

 

Sob FHC, a estatal era gerida por Dimas Toledo. Um personagem que, curiosamente, o PT decidiu manter sob Lula.

 

A certa altura, Lula pediu a Roberto Jefferson (RJ), mandachuva do PTB, um nome para a vaga de Dimas.

 

Na versão de Jefferson, José Dirceu, à época madarim da Casa Civil, torceu o nariz: “O Dimas já transferia dinheiro para o PT. Entregava dinheiro ao Delúbio Soares”.

 

Em depoimento à Polícia Federal, Jefferson disse ter recebido de Dimas, ainda na era tucana, R$ 75 mil para sua campanha de deputado. “No caixa dois”, esclareceu.

 

“Dimas Toledo era o homem do PSDB em Furnas”, disse Jefferson à PF. Depois, converteu-se em homem do PT.

 

Considerando-se o histórico, Lula talvez devessee manter Furna$ longe do balcão de negócios da política. Pode perder meia dúzia de votos na Câmara. Mas livra-se de um novo curto-circuito.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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Arquivado processo contra Pallocci; faltam só dois

  Lula Marques/Folha
Investigado em três processos, o deputado e ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP) livrou-se de um.

 

Encrenca antiga, do tempo em que Palocci era prefeito de Ribeirão Preto. Envolve a contratação irrregular de uma agência de publicidade.

 

O inquérito fora aberto a pedido do Ministério Público. Mas o procurador-geral Antonio Fernando de Souza disse ao STF que nada foi provado contra Palocci.

 

À falta de provas, não restou ao ministro Celso de Mello, que cuidava do caso no Supremo, senão mandar os autos ao arquivo.

 

Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Palocci reza agora pelo arquivamento de mais dois processos.

 

Num é acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo. Noutro está enrolado num caso de caixa dois. De novo, coisa dos tempos de prefeito. 

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Lula: acusação da oposição é ‘absurda e pequena’

  Júnior Santos/Tribuna do Norte
Lula deu de ombros para a chiadeira do PSDB e do DEM. Disse que a acusação de que faz campanha fora de hora é “absurda e pequena”.

 

Na véspera, tucanos e ‘demos’ haviam informado que vão protocolar no TSE ações contra o uso da máquina pública para a promoção de Dilma Rousseff.

 

E Lula: "Eu, sinceramente, acho uma coisa tão absurda, uma coisa tão pequena. Uma pessoa só pode ser candidata depois que tiver a convenção do partido político.”

 

Lembrou que as convenções só ocorrerão em 2010. Sem mencionar-lhes os nomes, Lula cutucou os pré-candidatos tucanos –José Serra e Aécio Neves:

 

“Eu não quero crer que os candidatos deles irão ficar dentro de uma redoma de vidro agora, até quando houver a convenção do partido".

 

Para Lula, é natural que Dilma, sua candidata, participe das solenidades relacionadas a obras do PAC.

 

"É a Dilma que trabalha sábado e domingo, é a Dilma que trabalha até as 3h da manhã, é a Dilma que conversa com os governadores todos os dias...”

 

“...É a Dilma que conversa com os prefeitos, é a Dilma que vai ao Tribunal de Contas, é a Dilma que eu denominei, no Rio de Janeiro, 'a mãe do PAC'...”

 

É a Dilma “...que trabalha como ninguém jamais trabalhou para que as coisas aconteçam, [é ela] quem tem que viajar para fiscalizar as obras".

 

Segundo Lula, sua ministra só se tornará candidata no instante em que se afastar do cargo. "Até lá, ela é ministra e vai continuar exercendo o papel de ministra".

 

De resto, o presidente disse que são os seus rivais, não ele, que precisam pôr a campanha presidencial na rua:

 

"Quem tem interesse, nesse momento, em fazer campanha são eles, não sou eu. Eles têm como única obrigação fazer campanha e encontrar um discurso...”

 

“...Nós temos como obrigação máxima cuidar do Brasil, cuidar do povo brasileiro e administrar as coisas, porque até o dia 31 de dezembro de 2010 eu quero terminar as obras que nós iniciamos (ouça lá no rodapé)".

 

Nesta sexta (13), Lula voou de Pernambuco para o Rio Grande do Norte. Ali, inspecionou um assentamento de reforma agrária e um criatório de tilápias.

 

Vestia uma camisa “vermelho-petê”. Acompanhavam-no dois ministros: Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e Altemir Gregolin (Pesca).

 

Dilma era aguardada. Mas não deu as caras. Não há verbas do PAC nos empreendimentos visitados por Lula. Deslocara-se na noite da véspera do Recife para Porto Alegre.

 

Ali, sem Lula, a ministra-candidata deu o ponta-pé numa obra de expansão de linhas de trens urbanos. Essa, sim, com recursos do PAC.

 

Numa tentativa de reagir à visibilidade de Dilma, a oposição decidiu realizar em Brasília uma pajelança semelhante à que Lula promoveu nesta semana.

 

PSDB, DEM e PPS planejam levar à Capital cerca de mil prefeitos, deputados e vereadores. Como convidados de honra, José Serra e Aécio Neves. 

 

Que dirá a oposição se o PT resolver protocolar ações no TSE acusando os governadores de São Paulo e de Minas de levar o rosto à vitrine eleitoral em hora imprópria?   

Escrito por Josias de Souza às 18h53

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Governo quer fechar mais de 100 ONGs estrangeiras

 

Há no Brasil 167 ONGs estrangeiras autorizadas pelo ministério da Justiça a atuar no território brasileiro. Esse número vai cair para pouco mais de 60.

 

Deve-se a providência a um recadastramento feito pelo governo. Um esforço para jogar um facho de luz num setor que opera à sombra.

 

Chamadas a atualizar os seus dados, só metade das ONGs deu as caras. Ainda assim, apenas 63 entidades –38% do total—entregaram toda a papelada exigida pelo governo. 

 

Em março, vai ao Diário Oficial uma lista com os nomes das ONGs estrangeiras acreditadas pelo governo.

 

As demais receberão a visita da Polícia Federal. Serão fechadas. Vai abaixo um resumo dos acontecimentos que levaram a esse desfecho:

 

1. No primeiro semestre do ano passado, o governo assustou-se com informações de que ONGs estrangeiras praticavam biopirataria e compravam terras na Amazônia;

 

2. Em 4 de junho de 2008, o ministro Tarso Genro (Justiça) baixou uma portaria. Determinava o recadastramento das entidades;

 

3. Pela lei, ONGs de outros países só podem atuar no Brasil com autorização do ministério da Justiça;

 

4. O cadastro de ONGs do ministério anotava os nomes de 167 ONGs. Dados velhos, porém, do ano 2000;

 

5. A portaria de Tarso deu prazo de quatro meses para que as ONGs dessem sinal de vida e apresentassem um rol de documentos;

 

6. O governo queria saber: os nomes dos responsáveis pelas entidades, quem as representa no Brasil, seus planos de trabalho e a origem do dinheiro que as financia;

 

7. Os quatro meses estipulados pelo ministro venceram em novembro de 2008. Porém, a adesão das ONGs ao recastramento revelara-se pífia;

 

8. O ministro decidiu esticar o prazo por mais três meses. O novo prazo expirou há 12 dias, em 2 de fevereiro de 2009;

 

9. Das 167 ONGs registradas em 2000, um número próximo da metade respondeu ao chamamento do governo. No entanto, só 63 entregaram todos os papéis exigidos;

 

10. Curiosamente, não e recadastrou nenhuma ONG da região Norte, onde está assentada a Amazônia, principal foco de preocupação do governo;

 

11. O ministério explica a baixa adesão ao recadastramento de duas maneiras: ou parte das ONGs estrangeiras converteu-se em entidades nacionais ou há uma fuga da transparência;

 

12. A maioria das entidades que respondeu ao recenseamento do ministério da Justiça tem sede na região Sudeste –36,5% em São Paulo e 20,6% no Rio.

 

13. O governo ainda não revelou os detalhes escondidos atrás dos dados que recolheu. As informações estão, ainda, em fase de triagem;

 

14. As entidades ainda não foram separadas, por exemplo, por área de atuação.

 

15. Nos próximos 30 dias, o ministério ainda admitirá receber documentos de ONGs que, embora recadastradas, não enviaram a papelada completa;

 

16. Concluído o levatamento, será publicada no Diário Oficial a relação das ONGs estrangeiras autorizadas a continuar operando no Brasil;

 

17. As demais, por ilegais, serão fechadas. A lista correrá a Esplanada, para que os ministérios e órgãos públicos evitem repassar verbas às entidades descredenciadas;

 

18. De resto, encontra-se na Casa Civil uma minuta de decreto presidencial. O documento, a ser assinado por Lula, institui regras para a ação das ONGs.

 

19. Com esse conjunto de providências, o governo espera impor ordem a um setor que, segundo o diagnóstico oficial, fugia ao controle do Estado.

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Lula antecipa 2010 e ‘exibe’ Dilma aos nordestinos

Ricardo Stuckert/PR

 

Assentada no sertão de Pernambuco, a cidade de Salgueiro respirou uma atmosfera de campanha eleitoral nesta quinta (13).

 

Os alunos da rede pública de ensino foram dispensados. Em vez de assistir às aulas, testemunharam um comício travestido de solenidade oficial.

 

Armou-se o palanque num local de nome sugestivo: “Estação do Forró”. Ali, com Dilma a tiracolo, Lula inaugurou o nada.

 

Ou, por outra, o presidente inaugurou uma “ordem de serviço” para o início da segunda fase da ferrovia Transnordestina.

 

A platéia, estimada pela PM em 6.000 pessoas, foi atraída por Lula. Um chamariz que, em Pernambuco, desfruta de índices de popularidade que roçam os 90%.

 

Mas a estrela do dia era Dilma Rousseff, que, no momento, divide-se entre dois papéis: o de gestora do PAC e o de pré-candidata à sucessão do chefe.

 

A comitiva de Brasília incluía, além da “isca” Lula, oito ministros. Três manusearam o microfone.

 

Dois –Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Alfredo Nacimento (Transportes) enalteceram Dilma. Além deles, discursou a chefe da Casa Civil.

 

Nascimento referiu-se a Dilma como "a principal responsável” pela Transnordestina. Geddel enalteceu os pendores maternais da ministra-candidata.

 

Cotado para vice de Dilma, o peemedebista Geddel disse que a colega trata as obras do PAC –a Transnordestina entre elas—como “uma mãe que acalenta um filho”.

 

Geddel e Nascimento não chegaram a empolgar a platéia. Para dessassego da oposição, deu-se coisa diversa no discurso de Dilma.

 

A candidata de Lula foi efusivamente aplaudida. Sobretudo no momento em que pintou a Transnordestina com as cores da política.

 

Dilma disse que, tomada por “critérios financeiros e mercadológicos”, a ferrovia não teria saído do papel.

 

“Mas o presidente Lula”, disse ela, “tem compromisso com o povo brasileiro e especialmente com o povo do Nordeste”.

 

Depois de Dilma, Lula foi ao microfone. Súbito, um dos presentes lançou sobre o palanque uma camiseta do clube de futebol Salgueiro.

 

Experimentado nas artes da política, Lula, que se apresentou ao público em mangas de camisa, recobriu o torso com a as cores do time local. A multidão foi ao delírio.

 

Após inaugurar o nada, Lula prometeu ao povo de Salgueiro que voltará em abril, dessa vez para inspecionar um vir a ser: as obras da transposição do São Francisco.

 

O presidente posou para o fotógrafo oficial do Planalto, Ricardo Stuckert (veja lá no alto), a bordo de uma máquina.

 

Compunham a foto: Dilma; o presidente da Cia. Siderúrgica Nacional, Benjamim Steninbruch; e três governadores: Eduardo Campos (PE), Wellington Dias (PI) e Cid Gomes (CE).

 

De Salgueiro, Lula, Dilma e o resto da comitiva seguiram, de helicóptero, às expensas do erário, para o município de Escada, na zona da mata de Pernambuco.

 

Sobrevoaram a BR-101, que está sendo duplicada. O trecho vistoriado mede 28,5 km. Não há, por ora, asfalto. A obra encontra-se na fase de terraplanagem.

 

A despeito de inconcluso, o empreendimento de Escada, que também consta do cronograma do PAC, serviu para que Dilma escalasse o segundo palanque do dia.

 

Dessa vez, coube a Marcos Crispim, superintendente do DNIT em Pernambuco, adular a “mãe” do PAC. Ele realçou o “carinho” que Dilma dedica ao programa.

 

Quando o microfone lhe chegou às mãos, a ministra-candidata falou do futuro: "Essa obra vai ajudar tanto aos turistas quanto vai auxiliar a escoar a produção”.

 

Lula também discursou m Escada (veja o vídeo no rodapé). Tratou a crise financeira como um problema alheio -"Tô rezando mais pelo Obama do que por mim". Repisou a promessa de financiar um milhão de casas até 2010.

 

Por uma dessas ironias da política, Lula abriu a “operação-mostra-Dilma” no Estado de Sérgio Guerra, o senador que responde pela presidência do PSDB.

 

Guerra diz que Lula faz campanha eleitoral antecipada com dinheiro público. Afirma que, a pretexto de inagurar “coisa nenhuma”, o presidente afronta as leis.

 

Nesta quinta (12), o PSDB de Guerra e o DEM, parceiro de oposição do tucanato, decidiram questionar os métodos do governo no TSE.

 

Repete-se agora uma estratégia que a oposição já havia adotado na campanha presidencial de 2006, quando Lula surrou o tucano Geraldo Alckmin nas urnas.

 

Em resposta às ações judiciais de tucanos e ‘demos’, o Planalto vai utilizar a mesma justificativa de outrora: Lula não faz campanha. Apenas governa.

 

Alheio aos arroubos dos adversários, Lula exibirá sua candidata em mais dois Estados do Nordeste.

 

Nesta sexta-feira 13, depois de se desvencilhar de um resto de agenda na cidade do Recife, Lula acompanhará Dilma nos Estados do Rio Grande do Norte e de Sergipe.

 

O ano de 2009, como se vê, começa com um indisfarçável sabor de 2010.

Escrito por Josias de Souza às 03h56

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: STF agora solta réus de casos de estupro, roubo e estelionato

 

- Folha: Banco público se previne contra aumento de calote

 

- Estadão: STF pressiona Congresso para garantir aumento de 13%

 

- JB: Serra segue Lula e faz o PAC paulista

 

- Correio: Vaga fácil ressuscita a R$ 4 por hora

 

- Valor: Tesouro deve pôr capital no BB para aumentar crédito

 

- Gazeta Mercantil: Pacote paulista garante R$ 20 bi para o estado

 

- Estado de Minas: Prefeitura tem mil professores com diploma suspeito

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Lulalka-Seltzer!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Um rascunho do dia passado a sujo por um vira letra

Valter Campanato/ABr

 

1. Paredão: A oposição incomodou-se com o ritmo de Big Brother que Lula imprime à campanha de Dilma. PSDB e DEM querem mandar a dodói de Lula ao paredão do TSE.

 

 

2. Barba...: O STF liberou mais cinco condenados para recorrer em liberdade –um caso de estupro, duas apropriações indébitas, um assalto e um estelionato.

 

 

3. Cabelo...: Em decisão tomada na quarta (10) e divulgada na quinta (11), o Supremo excluiu Dilma Rousseff e Tarso Genro do rolo do dossiê antiFHC.

 

 

4. Bigode...: Pela enésima vez, Valdir Raupp (PMDB-RO) foi salvo pelo gongo no STF. Processo contra o senador foi adiado por um pedido de vista de Menezes Direito.

 

 

5. E costeleta...: Relator de processo contra o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), acusado de prevaricação, Ayres Brito opinou pela absolvição.

 

6. Profissional: O deputado Juvenil Alves (MG), ex-petista agora filiado ao PRTB, teve o mandato cassado pelo TSE por fraudes na escrituração de campanha. Cabe recurso.

7. Ruim: Pesquisa revela que bancos latinos e caribenhos prevêem que a crise será longeva. Para a banca, a encrenca pode durar três anos.

8. Pior: O FMI injeta pânico numa cena já horripilante: "O problema é que o efeito [da crise] na economia real, na sua maior parte, ainda está por vir".

9. Ex-marolinha: De passagem por Pernambuco, Lula rendeu-se ao obvio: 2009 será o ano "mais delicado e o mais perigoso”.

Escrito por Josias de Souza às 01h08

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MP da filantropia caiu, mas os malfeitos sobrevivem

Antes de rejeitada, medida deu sobrevida a 7 mil entidades

As irregularidades de pseudofilantrópicas foram anistiadas

Os certificados sangram erário  em  mais de R$ 2 bi por ano

 

Guto Cassiano

 

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, enviou ao Congresso, nesta quinta (12) um par de ofícios.

 

O primeiro foi encaminhado ao senador José Sarney (PMDB-AP), que acumula as presidências do Senado e do Congresso.

 

O segundo ofício vai à mesa do deputado Ricardo Barros (PP-PR). Ele foi o relator da medida provisória 446, conhecida como MP das filantrópicas.

 

Graças a um acordo dos líderes partidários, o plenário da Câmara mandou a MP às urtigas. Deu-se na sessão realizada na última terça (10).

 

Porém, nos ofícios que dirigiu a Sarney e a Ricardo Barros, o Ministério Público chama a atenção do Congresso para um “grave” problema.

 

Antes de ser rejeitada pela Câmara, a MP produzira atos do Executivo que, se mantidos, “terão um efeito nefasto”.

 

Permanece em vigor um lote de 13 resoluções editadas pelo governo com base na MP filantrópica.

 

São resoluções que, nas palavras do Ministério Público, servem-se “exatamente do que há de mais imoral e lesivo ao interesse público na Medida Provisória 446.”

 

Foi por meio desses documentos que o Ministério do desenvolvimento Social renovou os certificados de mais de 7.000 entidades supostamente filantrópicas.

 

Renovações feitas a toque de caixa, sem qualquer tipo de análise dos processos. Os ofícios do Ministério Público anotam:

 

“Algumas das entidades beneficiadas estão envolvidas em graves irregularidades”. A despeito disso, ganharam certificados que lhes dá isenção tributária.

 

Só a renuncia à cota patronal que deveria ser recolhida à Previdência sangra o erário em mais de R$ 2 bilhões por ano.

 

A título de exemplo, o Ministério Público repassa a Sarney e a Ricardo Barros os números relativos a 2007, armazenados nos computadores da Receita.

 

Somando-se todos os processos filantrópicos pendentes de julgamento em novembro do ano passado, quando Lula editou a MP, a isenção “alcança o montante de R$ 2.145 bilhões.”

 

0 que fazer? O Ministério Público aponta para uma saída prevista na Constituição. Rejeitada a MP, o Congresso precisa aprovar um decreto legislativo.

 

Um decreto que regule os atos produzidos pela MP que deixou de existir. Pode-se referendá-los ou anulá-los.

 

Para o Ministério Público, a moralidade recomenda a anulação das 13 resoluções que mantiveram mais de 7 mil entidades no maravilhoso mundo da isenção tributária.

 

Os ofícios que o procurador-geral Antônio Fernando remeteu ao Congresso são assinados por dois procuradores de Brasília: José Alfredo e Paulo Roberto Galvão.

 

A dupla integra uma força-tarefa constituída especialmente para investigar malfeitorias filantrópicas. Ou seja, sabem do que falam.

 

Resta agora verificar se o Congresso, submetido a um fortíssimo lobby filantrópico, vai dar ouvidos à razão.

 

Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra dos ofícios enviados pelo Ministério Público ao Congresso.

PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 19h47

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Serra anuncia um pacote de R$ 20 bi contra a crise

Dalcío
O governador tucano de São Paulo, José Serra, desembrulhou nesta quinta (12) um pacote anticrise.

 

Prevê investimentos de R$ 20,6 bilhões ao longo de 2009. O dinheiro será despejado em projetos voltados às seguintes áreas:

 

Metrô e trens: R$ 4.217 bilhões.

Transportes: R$ 5.045 bilhões.

Saneamento: R$ 2.540 bilhões.

Habitação: R$ 1.600 bilhão.

Educação: R$ 807 milhões.

Segurança: R$ 1.029 bilhão.

Outros: R$ 5.362 bilhões.

 

O governo paulista estima que conseguirá manter ou criar 858 mil empregos. Pressionando aqui, você chega à relação de providências divulgadas por Serra.

 

Ao chegar ao documento, note que ele está dividido em duas partes. A primeira contém “medidas já adotadas”. É coisa velha. Foi ao quadro para fazer volume.

 

A segunda parte –“Novas Medidas”—é, por assim dizer, o miolo da picanha levada ao forno por Serra nesta quinta.

 

A exemplo do PAC de Lula, há um quê de marquetagem eleitoral no programa anticrise de Serra.

 

O embrulho do governador inclui projetos que seriam tocados com a crise ou sem ela. São investimentos previstos no Orçamento de 2009, elaborado e votado no ano passado.

 

Em alguns casos, o Estado diz que está antecipando para o primeiro quadrimestre de 2009 despesas que só seriam feitas mais adiante.

 

Serão "antecipadas", por exemplo, as compras de bens duráveis (carros, computadores e móveis, etc.). Coisa de R$ 711 milhões.

 

Adiantou-se também o calendário de reformas de escolas, delegacias e outros prédios públicos. Gastos de R$ 876 milhões.

 

O cheiro de campanha exala também das declarações de Serra. Sem mencionar Lula, o presidenciável tucano faz analogias entre o Estado e a União.

 

"O governo de São Paulo não tem política monetária, cambial, nem mega instituições de crédito, mas está cumprindo sua parte”.

 

É como se Serra dissesse à platéia: Estou vivo e também sei enfrentar a crise e ocupar o noticiário.

 

Como que se antecipando às críticas, Serra disse, em discurso, que não age “para aparecer”. O Estado se mexe, segundo ele, “para cumprir sua obrigação”.

 

Serra poderia cumprir com a “obrigação” trancado no gabinete. Preferiu fazê-lo sob holofotes. É do jogo.

 

O governador seria um tolo se permitisse que Lula e a rival petista Dilma Rousseff monopolizassem as manchetes.

 

Mas Serra está liberado de dizer que não se move “para aparecer”. É um atentado contra a inteligência da platéia.

 

PS.: Ilustração via sítio do Dalcío.

Escrito por Josias de Souza às 17h38

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Neonazistas agridem uma brasileira grávida na Suíça

Escrito por Josias de Souza às 06h16

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Aturdido com avanço de Dilma, PSDB reavalia planos

El Roto/El Pais

 

A desenvoltura de Lula e a evolução da candidatura presidencial governista da ministra Dilma Rouseff desnortearam o tucanato.

 

O desnorteio do PSDB tornou-se explícito numa reunião sigilosa realizada na última segunda-feira (9), em São Paulo.

 

Em segredo, encontraram-se três grãotucanos: Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Guerra e Eduardo Jorge.

 

Na hierarquia do PSDB a trinca ocupa, respectivamente, os postos de presidente de honra, presidente nacional e vice-presidente executivo.

 

Reuniram-se, longe dos holofotes, no apartamento de FHC, na elegante Rua Rio de Janeiro, assentada no bairro paulistano de Higienópolis.

 

Conversaram por mais de duas horas. Chegaram a três conclusões aziagas:

 

1. Benefiado pela visibilidade que a vitrine do governo lhe porporciona, Lula logrou enganchar nas manchetes a candidatura da ministra Dilma (Casa Civil);

 

2. Falta ao PSDB um discurso oposicionista capaz de se contrapor à engrenagem oficial, referendada por mais de 80% dos eleitores do país;

   

3. Absorvido por disputas internas, o PSDB arrisca-se a contratar antecipadamente a derrota para uma formiga (Dilma) numa disputa à qual comparece com dois elefantes (José Serra e Aécio Neves).

 

O que fazer? É essa a pergunta fatídica que embatuca a cúpula do tucanato. O encontro secreto de segunda-feira não produziu nenhuma resposta peremptória.

 

Decidiu-se apenas criar no partido uma espécie de grupo de intelectuais tucanos. Um núcleo de pensadores capaz de prover ao tucanato um discurso de oposição a Lula.

 

Algo que possa prover à tropa da oposição armas retóricas para se contrapor à plataforma de Dilma, claramente enlaçada à perspectiva da continuidade da bem-avaliada gestão Lula.

 

Em diálogo telefônico com um amigo, depois da reunião na casa de FHC, Sérgio Guerra resumiu o drama do tucanato:

 

“Do lado do governo, há um projeto claro e em franco desenvolvimento. Pegaram a mulher [Dilma], pentearam o  cabelo dela e até operação plástica fizeram...”

 

“Enquando isso, do nosso lado, só há divisão. Não bastasse a decisão sobre as prévias [entre Serra e Aécio], estamos perdendo tempo até com com divisões na bancada”.

 

Sérgio Guerra referia-se ao melê que convulsiona as relações da bancada de deputados federais tucanos.

 

Inconformados com a recondução de José Aníbal (SP) ao posto de líder, um grupo de 19 deputados abriu uma dissidência.

 

“A gente tem que sair dessa pauta negativa o quanto antes”, disse o presidente do PSDB. “O outro lado está organizado. Não podemos nos dar ao luxo da divisão”.

 

Um pedaço do PSDB avalia que a única forma de o PSDB responder ao avanço da candidatura de Dilma Rousseff seria a antecipação da escolha do oponente da oposição.

 

O diabo é que os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais) estão muito longe de celebrar um acordo.

 

No papel de algodão entre os cristais tucanos, Sérgio Guerra promete aprovar na Executiva do PSDB, antes do final de março, um esboço de eleição prévia.

 

No íntimo, porém, o presidente nacional do PSDB sonha com um acordo entre Serra e Aécio. Um entendimento em que um abra mão da disputa em favor do outro.

 

A conciliação, porém, parece distante. Segundo colocado nas pesquisas, Aécio diz que não abre mão das prévias.

 

Favorito em todos os cenários das sondagens eleitorais, Serra simula concondância. Mas, nos subterrâneos, libera seus correligionários para bombardear as prévias.

 

Em meio ao lufalufa interno, o PSDB assiste ao avanço da candidatura rival. Apadrinhada por Lula, Dilma já foi absorvida pelo PT.

 

Já acomodada na casa dos dois dígitos das pesquisas, a candidata de Lula caminha em terreno cada vez menos acidentado.

 

Há cerca de 15 dias, em conversa com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Sérgio Guerra ouvira uma avaliação incômoda.

 

Vice-presidenciável do PMDB, Geddel disse ao presidente do PSDB que falta ao tucanato um discuso convincente de oposição.

 

Para Geddel, a candura com que tucanos como Serra se relacionam com Lula acaba por jogar água no moinho da continuidade que move a candidaura de Dilma.

 

O desafio do PSDB, na opinião do ministro do PMDB, seria o de erigir um discurso alternativo ao de Lula.

 

O tucanato precisaria apresentar um pudim que não exagerasse na dose de veneno. Sob pena de ser tachado, em meio à crise, de pregoeiro do “quanto pior melhor”.

 

É essa receita, tão óbvia quanto desconhecida, que o PSDB espera receber do grupo de intelectuais que decidiu constituir na reunião sigilosa de FHC, Sérgio Guerra, Eduardo Jorge.

Escrito por Josias de Souza às 05h58

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PT reclama do BC e ‘abre fogo’ contra Serra e Aécio

Antônio Cruz/ABr

 

"Olê, olê, olá, olá. Dilma, Dilma". Entoada no jantar que festejou os 29 anos do PT, a cantoria não deixou margem para dúvidas.

 

O petismo absorveu a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. A ponto de injetar o nome dela num refrão que era exclusivo de Lula desde a campanha de 1989.

 

Reunido durante dois dias, em Brasília, o diretório nacional do PT elaborou uma resolução política.

 

Foi aprovada na última terça (10). Mas só nesta quarta (11), o partido levou o texto ao seu portal na internet.

 

O miolo do documento gira em torno da crise financeira mundial. Flertando com o obvio, o texto anota que os efeitos da encrenca “terão decisiva incidência nas eleições de 2010”.

 

No geral, o PT aprova as ações anticrise adotadas pelo governo. Louva a “firmeza” de Lula e elogia o comportamento do ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

A resolução do PT abre uma única janela para a crítica. O texto desanca a instituição dirigida pelo ex-tucano Henrique Meirelles:

 

Diz o texto: “Destoa, nesse contexto, a postura do BC, que demorou demasiadamente para reduzir a taxa Selic [juros básicos da economia]”. Parágrafos adiante, o PT escreve:

 

“Reafirmamos que a redução rápida e forte da taxa Selic é fundamental para reduzir o custo da dívida no Orçamento da União e estimular investimentos...”

 

“...Não há razão técnica justificável para manter juros reais de mais de 7%, quando os principais bancos centrais do mundo praticam taxas próximas de zero ou negativas”.

 

De resto, o PT aproveita-se da crise para espinafrar as duas legendas de oposição.

 

Afirma que o modelo econômico que foi à breca, de cunho “neoliberal”, é representado no Brasil por PSDB e DEM.

 

“Os neoliberais que nos antecederam no governo do Brasil [...] precisam responder solidariamente pelo que acontece no mundo”, diz o texto.

 

O documento diz que foi graças às derrotas dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin que o Brasil alcançou “outro patamar” econômico, mais apropriado para o enfrentamento da crise.

 

O texto desliza para a provocação: “Agora, eles se recolhem, silenciosos, a despeito de sua irresponsabilidade e submissão anteriores [...]”.

 

O documento antecipa, com quase dois anos de antecedência, a plataforma petista para a sucessão presidencial de 2010.

 

“De um lado, as forças progressistas e de esquerda, que querem dar continuidade à ação do governo Lula...”

 

“...De outro lado, as forças neoliberais conservadoras e de direita, que, de 1990 até 2002, privatizaram, desempregaram e arrocharam o povo brasileiro [...]”.

 

O diretório do PT fez uma espécie de chamamento aos seus militantes: “É preciso enfrentar as medidas conservadoras” adotadas por governos estaduais tucanos.

 

Entre eles os de “José Serra [São Paulo] e Aécio Neves [Minas Gerais]”.

 

Como se vê, Dilma já dispõe de jingle, de suporte partidário, de padrinho político e de adversários. Faltam-lhe apenas os votos.

 

A candidata de Lula ainda está a léguas de José Serra, o oposicionista mais bem-posto nas pesquisas. Mas já escalou a casa dos dois dígitos na aferição das intenções de voto.

 

- Serviço: Pressionando aqui você chega à íntegra da resolução aprovada pelo diretório do PT.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Jovens da Zona Sul faziam tráfico de drogas e armas

 

- Folha: Demissão cresce; governo amplia seguro-desemprego

 

- Estadão: Demitidos na crise terão mais tempo de seguro-desemprego

 

- JB: Pacote dos desempregados

 

- Correio: E Lula ainda diz que isto não é campanha...

 

- Valor: Governo pretende apoiar exportador de países vizinhos

 

- Gazeta Mercantil: Fluxo cambial volta a ter saldo positivo

 

- Estado de Minas: Prefeitura põe sob suspeita diploma de 218 servidores

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Maquiagem!

Sponholz

Via sítio do Sponholz.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Sem rivais, ACM Neto é alçado à 2ª vice da Câmara

José Cruz/ABr

 

O deputado ACM Neto (DEM-BA) é o novo corregedor e segundo vice-presidente da Câmara.

 

Vitaminado pela ausência de rivais e pela mobilização noturna feita por seu partido, ACM Neto (DEM-BA) amealhou em plenário 404 votos.

 

Uma votação confortável. Precisava de 257 votos. Colecionou 147 além do necessário, espantando o fantasma do voto branco.

 

ACM Neto vai à Mesa diretora da Câmara na vaga do colega Edmar ‘castelo’ Moreira (DEM-MG), soterrado por denúncias.

 

Conforme compromisso assumido com a cúpula do DEM pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), permanece no organograma da segunfa vice a Corregedoria.

 

Assim, passarão pela mesa de ACM Neto todas as representações contra deputados pilhados em malfeitorias que tisnem o mandato.

 

Inclusive um eventual processo contra Edmar Moreira. Isso, claro, na improvável hipótese de algum partido tomar a inicaitiva.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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A conta da manicure de Lula deve ficar mais barata

  Lula Marques/Folha
Lula chegou ao Planalto, nesta quarta (11), com o polegar da mão esquerda imobilizado.

 

A novidade foi registrada pelas lentes dos fotógrafos numa cerimônia de recepção ao presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba.

 

Inquirido pelos repórteres, Lula disse que se machucara numa luta de boxe. A primeira-dama Marisa Letícia apressou-se em corrigir o marido.

 

"Brigamos e eu quebrei o dedo dele. Depois fiquei com dó e fiz o curativo", disse, entre risos, a mulher de Lula.

 

Perguntou-se a Marisa se o motivo da “briga” fora o assédio feminino de que lula fora alvo na véspera, em encontro com prefeitos e prefeitas.

 

E ela, dado asas ao chiste: "Tinha muita mulher em volta dele, quebrei o dedo dele".

 

A assessoria de imprensa do Planalto esclareceu que, em verdade, Lula imobilizara o dedão por conta de uma tendinite (inflamação de tendão).

 

Seja como for, o desconforto do presidente deve resultar em redução dos gastos públicos.

 

No discurso aos prefeitos, Lula dissera que, sob crise, o orçamento do PAC seria mantido intacto (assista lá no rodapé).

 

“Cortaremos o batom da dona Dilma, cortaremos o meu corte de unha, mas nenhuma obra do PAC, independentemente do tamanho, seja qual for, sofrerá corte”.

 

Ao menos no que diz respeito às suas cutículas, Lula já pode cumprir a palavra empenhada. Há em sua mão esquerda uma unha a menos a ser tratada.

 

É justo, muito justo, justíssimo que o presidente exija um desconto da manicure.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

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Lula reúne no Planalto os 14 partidos que o apóiam

  Sérgio Lima/Folha
Lula informou aos presidentes da Câmara e do Senado que pretende convocar nos próximos dias uma reunião do Conselho Político do governo.

 

Trata-se de um fórum informal. Integram-no os presidentes e os líderes dos partidos políticos que compõem o consorcio governista.

 

Passada a disputa pelo comando das duas Casas do Legislativo, Lula sente a necessidade de fazer o que define como “chamamento à unidade”.

 

Uma unidade que Lula considera essencial para pôs de pé a candidatura de sua presidenciável, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

Na noite passada, o ministro José Múcio, coordenador político de Lula, disse que a reunião poderia ocorrer ainda nesta quinta-feira (12).

 

A informação foi repassada por Múcio ao deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara.

 

Não houve, contudo, uma confirmação formal da data. A demora pode empurrar o encontro para a semana que vem.

 

Lula está especialmente preocupado em “curar” as feridas que se abriram nas relações do PMDB com o PT, os dois sócios majoritários de seu consórcio.

 

O petismo reclama pelos cantos do fato de o PMDB ter abocanhado as presidências da Câmara, com Michel Temer, e do Senado, com José Sarney.

 

Para a cúpula do PT, a hegemonia peedemebista desbalanceou, em seu prejuízo, o equilíbrio entre as legendas que dão suporte legislativo a Lula.

 

Acertado com Temer na Câmara, o PT tentara acomodar no comando do Senado o petista Tião Viana (AC). Um projeto que Sarney cuidou de mandar às urtigas.

 

Embora se inclua no rol dos que preferiam que Sarney tivesse se mantido longe da disputa, Lula acha que a hora do choro passou.

 

Em privado, o presidente diz que, depois de jogado o jogo, a hora é de olhar pra frente. Leia-se: olhar para 2010.

Lula preocupa-se também com o fosso que separa as legendas ditas de esquerda das mais conservadoras, todas abrigadas sob o imenso guarda-chuva de seu governo.

 

Partidos como PSB e PCdoB, parceiros tradicionais de Lula, julgam-se escanteados. Acham que o presidente dá-lhes as costas. Privilegia os interesses de PMDB e PT.

 

Interessado em acomodar no palanque de Dilma o maior número possível de partidos, já no primeiro turno, Lula manuseia panos quentes.

Escrito por Josias de Souza às 17h32

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Sob crise, prazo do ‘seguro-desemprego’ é ampliado

  Agência Brasil
O ministério do Trabalho vai aumentar em dois meses os prazos de pagamento do seguro-desemprego.

 

A providência beneficiará os trabalhadores dos setores econômicos mais afetados pela crise global.

 

Hoje, o benefício é pago aos desempregados por um período que varia de três a cinco meses. Esse prazo passará a variar no intervalo de cinco a sete meses.

 

Os valores do seguro-desemprego –entre RS$ 465 e R$ 870—permanece inalterado.

 

A concessão de duas parcelas adicionais do benefício aos desempregados foi aprovada nesta quarta pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).

 

Em entrevista, o ministro Carlos Lupi (Trabalho), na foto, disse que a novidade terá vigência temporária.

 

Normalizando-se a situação, tudo volta a ser como era antes. Piorando a crise, o governo pode dditar uma medida provisória ampliando o seguro-desemprego para dez meses.

Escrito por Josias de Souza às 16h51

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Novos tempos: neto de Brizola socorre neto de ACM

  Gilberto Nascimento/Ag.Câmara
Na selva política, o progressista é um animal extremamente parecido com o liberal. Mas a primeira espécie, por ser fácil de capturar, está praticamente extinta.

 

Depois que as ideologias foram queimadas em praça pública, vive-se uma fase politicamente liberada. Os conservadores comem as velhas esquerdas.

 

É sob essa atmosfera moderna que a Câmara oferece à platéia, nesta quarta (11), uma cena picaresca.

 

O deputado Brizola Neto (PDT-RJ), na foto, saiu em socorro do colega ACM Neto (DEM-BA). Nova evidência de que o inacreditável, em política, é absolutamente crível.

 

O neto de Antonio Carlos Magalhães foi indicado pelo DEM para ocupar o cargo vago com a renúncia do deputado Edmar ‘castelo’ Moreira.

 

Imaginando-se candidato único à segunda vice-presidência da Câmara, que inclui a Corregedoria, ACM Neto surpreendeu-se com o lançamento da candidatura avulsa do deputado Manato (PDT-ES).

 

Daí a intervenção do neto de Leonel Brizola. Auxiliado pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho), Brizola Neto, líder do PDT, encareceu a Manato que se retirasse da disputa.

 

Assim foi feito. Manato bateu em retirada. E o nome de ACM Neto vai a voto como única palmeira no plenário.

 

O ruído que se ouve ao fundo é produzido pelos avós. Leonel Brizola revira no túmulo. ACM gargalha.

Escrito por Josias de Souza às 16h16

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Receio de fiasco faz DEM pedir votos para ACM Neto

  Agência Brasil
Em articulação que entrou pela madrugada desta quarta (11), a cúpula do DEM pôs-se a cabalar votos para ACM Neto (BA).

 

Ex-líder dos ‘demos’ na Câmara, ACM Neto foi compelido pelo partido a aceitar a “candidatura” à segunda vice-presidência da Câmara.

 

Vai substituir o colega Edmar Moreira (DEM-MG), o deputado do castelo. Aquele que, soterrado por denúncias de malfeitorias, teve de renunciar ao posto.

 

O nome de ACM Neto vai a voto, no plenário da Câmara, no início da tarde desta quarta (11). Imaginou-se que seria candidato único.

 

Na noite desta terça, porém, o deputado Manato (PDT-ES) registrou-se como candidato avulso.

 

Antes mesmo da entrada de Manato em cena, deputados dos oposicionistas PPS e PSOL haviam deflagrado um movimento pelo voto em branco.

 

Há na Câmara 513 deputados. Para chegar à Mesa diretora da Casa, ACM Neto precisa amealhar pelo menos 257 votos.

 

A hipótese uma derrota do ex-líder do DEM é praticamente nula. Mas a cúpula do partido receia pelo vexame de uma votação miúda.

 

Daí a mobilização que entrou pela madrugada. Em movimento capitaneado pelo líder Ronaldo Caiado (DEM-GO), os ‘demos’ cobraram a fidelidade do “blocão”.

 

Blocão é o apelido dado ao consórcio de 14 partidos que alçou Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara.

 

Reniu legendas tão díspares quanto o DEM e o PT. Dominou a partilha pelos cargos da Mesa diretora da Câmara.

 

O grupo se desfez na semana passada, depois de encerrada a disputa pelo comando da Câmara.

 

Mas a renúncia de Edmar Moreira impôs a escolha de um novo segundo vice-presidente. E o DEM, dono da vaga, cobra a solidariedade dos partidos do ex-blocão.

 

Os ‘demos’ fixaram-se no nome de ACM Neto numa reunião com Michel Temer, na noite de segunda (9).

 

O encontro ocorreu num local inusitado: a casa da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), no Lago Sul, bairro chique de Brasília.

 

Roseana convidara Temer para um jantar com o pai dela, José Sarney (leia texto abaixo). E acabou tendo de dividir o repasto com a cúpula do DEM.

 

Foram à casa da filha de Sarney o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), o líder Caiado e o próprio ACM Neto.

 

Lero vai, lero vem verificou-se que o nome de Vic Pires (PA), primeira opção do DEM para a segunda vice-presidência, corria o risco de ser rejeitado pelo plenário.

 

Num instante em que Roseana mandara servir o bobó de camarão, prato de resistência da noite, a tribo ‘demo’ já se havia fixado no nome de ACM Neto.

 

O deputado fez doce. Simulou resistência. Antes que fosse servida a sobremesa, os ‘demos’ arrancaram de Temer um compromisso.

 

Exigiram que fosse mandada às urtigas a idéia de retirar do organograma da segunda vice-presidência a Corregedoria da Câmara.

 

Temer assentiu de pronto. No auge do escândalo do castelo, o presidente da Câmara flertara com a idéia de criar uma Corregedoria autônoma.

 

Chegou mesmo a estimular o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) a apresentar um projeto nesse sentido. Diante da oposição do DEM, Temer deu meia-volta.

 

Fala agora em constituir uma comissão para analisar o tema. Diz, de resto, que eventuais mudanças só valerão para a próxima legislatura.

 

Na manhã desta terça, depois de auscultar a bancada 'demo', Caiado demoveu as “resistências” de ACM Neto.

 

O neto do ex-todo-poderoso senador Antonio Carlos Magalhães topou submeter o seu nome à apreciação do plenário.

 

Resta agora saber se a articulação feita pelo DEM na noite passada conseguirá livrar a dinastia ACM do fiasco de uma vitória de Pirro.

Escrito por Josias de Souza às 04h48

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Temer e Sarney iniciam processo de ‘reaproximação’

  Reuters
Michel Temer e José Sarney encontraram-se na noite de segunda (9).

 

Reuniram-se em Brasília, na casa da senadora Roseana Sarney.

 

Foi o início de uma reaproximação que deve resultar na celebração de um armistício.

 

Na guerra pelo controle do Congresso, entre mortos e feridos salvou-se o PMDB.

 

Um PMDB dividido em dois, contudo –o partido da Câmara e o do Senado.

 

Os dois nacos da legenda disputam a primazia na interlocução de 2010.

 

O partido vai à mesa dos acertos da sucessão presidencial munido de um tesouro eletrônico.

 

Pertence ao PMDB a maior fatia do horário eleitoral de rádio e TV.

 

Daí a volúpia com que o partido é assediado por petistas e tucanos.

 

Por ora, é Temer quem dá as cartas. Além da Câmara, o deputado preside o PMDB.

 

Com a máquina do partido nas mãos, Temer segura a agulha da costura sucessória.

 

Sarney e seu grupo tramam a substituição de Temer no comando partidário.

 

Porém, o movimento urdido no Senado deve dar com os burros n’água.

 

A presidência de Temer no PMDB só termina no mês de março de 2010.

 

O deputado deve pedir licença da função. Mas renúncia é uma idéia que não o apraz.

 

No momento, convém a Temer e Sarney aparecer na foto enrolados numa hipotética bandeira branca.

 

Ganha-se tempo para tentar afinar a viola partidária na mesma frequência.

 

Havendo acordo, ótimo. Do contrário, a unidade, por falsa, será pré-datada.

 

Explode no final do ano, quando o PMDB terá de optar entre Dilma (PT) e Serra (PSDB).

 

Temer foi à casa de Roseana acompanhado por Wellington Moreira Franco, ex-governador do Rio, hoje diretor da CEF.

 

Sarney chegou com o ministro Edson Lobão (Minas e Energia) a tiracolo.

 

A conversa foi, porém, mais rasa do que se pretendia. Temer teve de receber na casa da filha de Sarney a cúpula do DEM.

 

Os ‘demos’ queriam acertar detalhes da substituição de Edmar Moreira, o deputado do castelo, na segunda vice-presidência da Câmara (leia texto acima).

 

O excesso de testemunhas fez com que Sarney se retirasse mais cedo, junto com Lobão.

 

Planeja-se para os próximos dias um encontro só de peemdebistas.

 

Sugerida por Temer e aceita por Sarney, a reunião vai juntar lideranças do PMDB da Câmara e do Senado, além de ministros do partido. Servirá para selar o cessar-fogo.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Vitorioso no Senado, Obama dá mais US$ 2 tri a bancos

 

- Folha: Bolsa reage mal a plano de Obama para bancos 

 

- Estadão: Plano de Obama para resgate de bancos desanima mercados

 

- JB: Barack Obama vence mas não convence

 

- Correio: Escola cara

 

- Valor: Mercados reprovam plano de Obama

 

- Gazeta Mercantil: Pacote bancário dos EUA de US$ 1,5 tri derruba bolsas

 

- Estado de Minas: O cheque de Obama em xeque

 

- Jornal do Commercio: EUA aprovam pacote de US$ 838 bilhões

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Papel de embrulho!

Tiago Recchia

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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Sob rotina de candidata, Dilma já demonstra cansaço

Lula Marques/Folha

 

Dilma Rousseff desdobra-se para conciliar a rotina de ministra à azáfama de pré-candidata à presidência.

 

Nesta terça (10), em encontro com cerca de 3.500 prefeitos, a ministra-candidata exibiu os primeiros sinais de cansaço.

 

Compelida a ouvir uma enfadonha e interminável fieira de discursos, Dilma travou uma guerra contra o sono. Uma briga captada pelas lentes do repórter Lula Marques.

 

Antes reclusa, Dilma agora precisa ver e ser vista. Na véspera, depois de dar expediente no Planalto, participara de um debate na sede do PT.

 

Na noite desta terça, a presidenciável de Lula terá de retardar novamente o encontro com os lençóis. Dilma é a estrela do jantar de aniversário de 29 anos do PT.

 

Cultora da música clássica e da boa leitura, a chefona da Casa Civil vê-se submetida a uma rotina que a faz modificar os velhos hábitos.

 

Não fosse por isso, o repórter recomendaria à ministra a leitura de Sodoma e Gomorra, de Proust (1871-1922), na competente tradução de Mário Quintana.

 

A certa altura de sua obra, Proust anota: “...Todo prazer tomado à custa do sono, fora dos hábitos, todo desregramento torna-se um fastio...”

 

“...O conversador continua a falar por polidez, por excitação, mas sabe já é passada a hora em que poderia ainda adormecer...”

 

“...E sabe também as censuras que dirigirá a si mesmo no decurso da insônia e da fadiga que se vão seguir”.

 

O embate de Dilma contra o sono está apenas começando. À medida que o calendário vai se aproximando de 2010, o relógio da candidata vai sofrendo uma metamorfose.

 

Logo, logo, no lugar dos ponteiros, haverá espadas.

Escrito por Josias de Souza às 21h31

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STF nega liminar contra o ‘refúgio’ dado a Battisti

  Fábio Pozzebom/ABr
O governo da Itália amargou um primeiro revés no processo de extradição de Cesare Battisti, que corre no Supremo.

 

Nesta terça (10), o ministro Cezar Peluso (foto), do STF, negou liminar contra o refúgio político concedido a Battisti pelo governo brasileiro.

 

A liminar fora solicitada na véspera, num mandado de segurança formulado pelo advogado Nabor Bulhões, a serviço da embaixada italiana em Brasília.

 

Bulhões alegara o ato do ministro Tarso Genro (Justiça), que dera status de refugiado a Battisti, poderia trazer “prejuízos” ao pedido de extradição.

 

Relator do processo, Peluso discordou. Disse que a extradição ainda não foi apreciada pelo STF. Não haveria, portanto, decisão irrecorrível.

 

Nada que possa, por ora, “sacrificar eventual direito subjetivo” do governo da Itália. A decisão do ministro, por liminar (temporária), não tratou do mérito da petição.

 

No texto do mandado de segurança, Nabor Bulhões se insurge contra a decisão de Tarso Genro. E o faz em termos duros.

 

Diz que o refúgio dado a Battisti é “manifestamente ilegal, inconstitucional e abusivo”.

 

Afirma que foi concedido com “o indisfarçável objetivo de obstar o seguimento do processo de extradição” de Battisti.

 

Peluso deu prazo de dez dias para que Tarso Genro responda ao recurso do governo italiano.

 

O ministro concedeu prazo idêntico para que os advogados de Battisti, se desejarem, também se manifestem nos autos.

 

Antes que o Supremo julgue o mandado de segurança, Peluso ainda terá de requerer a manifestação do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza.

Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Senado dos EUA dá a Obama pacotaço de US$ 838 bi

  Jason Reed/Reuters
Os senadores americanos aprovaram nesta terça (10) o pacotaço anticrise embrulhado pela Casa Branca.

 

Foi uma votação apertada. O governo precisav de 60 votos. Obteve 61, três dos quais dados por oposicionistas republicanos. Votaram contra 37 senadores.

 

O pacote viera da Câmara com valor diferente: US$ 819 bilhões. As alterações promovidas no Senado obrigam a realização de uma sessão conjunta.

 

Estima-se que as duas casas do Legislativo dos EUA avalizem o embrulho de US$ 828 bilhões até sexta-feira (13).

 

A coisa seguirá, então, para a sanção do presidente Barack Obama. Que passa a dispor das ferramentas que pedira para gerir a crise que rói a economia americana.

 

Até aqui, Obama vinha se queixando da lentidão do Congresso. Em entrevista concedida na noite passada, ele repisara as críticas.

 

Dissera que a “paralisia” em torno do pacote poderia “aprofundar o desastre”. A crise, Obama repisara, reclama “ação”. Que aja, então, a Casa Branca!

Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Imprensa ‘pensa que povo é marionete’, afirma Lula

Sérgio Lima

 

Em dicurso para uma platéia de prefeitos, Lula queixou-se da imprensa em tom de rara irritação.

 

“Hoje, eu estou meio frustrado. Tem dia que a gente acorda virado. Se deixar um pingo de suor cair no copo, vira limonada”.

 

O humor do presidente azedou depois que leu, nos jornais do dia, as reportagens sobre o megaencontro com os prefeitos.

 

“Fiquei triste como leitor”, disse Lula no discurso. “Estão abusando da minha inteligência”.

 

Dois tópicos do noticiário deixaram Lula especialmente abespinhado:

 

1. “Disseram que esse ato é para promover a dona Dilma Rousseff”;

 

2. “Disseram que eu ia fazer fazer um pacote da bondade [para os prefeitos]. Um [jornal] foi mais longe [...]. Disse que o presidente vai dar dinheiro até para prefeito bandido”.

 

Lula alteou a voz: “Ainda tem gente que pensa que o povo é marionete, é vaca de presépio, é comboio...”

 

“...Não percebem que o povo pensa com sua própia cabeça. Acabou o tempo em que alguém achava que podia interferir numa eleição porque é formador de opinião”.

 

No dizer do presidente, a imprensa é feita de “pessoas pequenas”. Afirmou que, de sua parte, não deve nada à mídia.

 

“Eu, graçass a Deus, na minha vida nunca tive bondade, nunca tive um favor, nunca [...]. Fui eleito porque suei cada gota de suor...”

 

“Suei cada gota de lágrima nesse país, para enfrentar o preconceito, o ódio dos de cima com os de baixo”.

 

Antecipando-se às críticas, Lula disse que poderia ter silenciado sobre as “insinuações” da imprensa. “Presidente da República precisa ter postura”, disse, com ar desdenhoso.

 

E pespegou: “Eu posso perder minha postura, mas não perco a minha vergonha e o meu caráter...”

 

“...Não posso permitir insinuações grotescas com uma reunião que tem o objetivo de mudar o patamar das relações entre entes federados desse país”.

 

Sobre a notícia de que daria dinheiro até para prefeitos desonestos, Lula disse: “É fácil julgar as pessoas...”

 

“...Não deram sequer uma oportunidade para vocês [prefeitos] provarem que não são os ladrões que eles escrevem que vocês são...”.

 

“...Não deram nem um dia, vocês nem tomaram conta da máquina. Não é possível que a gente se cale diante de tamanha aberração”.

 

Antes, o próprio Lula lembrara que a platéia não era feita apenas de prfeitos noviços.

 

Nunca antes na história do Brasil foram reeleitos tantos prefeitos...”

 

“Cerca de 40% dos prefeitos foram reeleitos; 60% são novos. E desses 60%, cerca de 50% foram apoiados pelos prefeitos que deixaram o poder...”

 

“...Na verdade, quase 65% de todos os prefeitos foram reeleitos ou eleitos pelo antecessor.” Ou seja, já “tomaram conta da máquina”.

 

De resto, Lula explicou por que chamou os prefeitos a Brasília: “Queremos abrir as portas do governo federal...”

 

Queremos “...consolidar uma relação tão forte entre prefeito e União que nenhum governo que venha depois de nós tenha coragem de desmontar essa relação”.

 

Mencionou quatro problemas que o deixam “angustiado”: a mortalidade infantil, o analfabetismo, o subregistro de crianças recém-nascidas e o cronograma do PAC.

 

Sobre o PAC, Lula afirmou que o programa cresce de importância com a crise. Pediu empenho dos prefeitos no acompanhamento das obras.

 

Repisou a tecla de que o orçamento do programa não sofrerá cortes. "Nenhuma obra do PAC irá sofrer redução por conta da crise...”

 

“...Cortaremos o batom da dona Dilma, cortaremos o meu corte de unha, mas nenhuma obra do PAC, independentemente do tamanho, seja qual for, sofrerá corte".

 

Espremendo-se as declarações de Lula, chega-se a uma dúvida e a um alívio.

 

Primeiro a dúvida: O batom de dona Dilma e a manicure do chefe dela são bancados pela Viúva?!?!?

 

Agora o alívio: dias atrás, Lula dissera à revista piauí que não lia jornais. Alegara que o noticiário lhe açulava a azia. Ao que parece, Sua Excelência voltou a correr os olhos pelas manchetes. Melhor assim.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Procurador bêbado dá carteirada diante das câmeras

Escrito por Josias de Souza às 03h41

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PT festeja 29 anos fechado com ‘projeto Dilma 2010’

Candidata será a estrela de um jantar para 1.200 talheres

 

Roosewelt Pinheiro/ABr

 

O PT comemora nesta terça (10) aniversário de 29 anos. Rendido à vontade de Lula, o partido encontra-se unificado em torno da candidatura de Dilma Rousseff.

 

Uma candidatura não declarada, que a ministra diz que não assume “nem amarrada”. Mas que, em reunião de seu diretório nacional, o PT deu como favas contadas.

 

O diretório petista encontrou-se nesta segunda (9), em Brasília. Os dirigentes petistas fizeram uma análise da conjuntura.

 

Na política, verificou-se que não há voz dissonante na cúpula do PT quanto à opção por Dilma, vista como algo irreversível para a sucessão de 2010.

 

Na economia, avaliou-se que o governo Lula portou-se com acerto diante da crise financeira global. Ouviram-se, porém, críticas ao Banco Central.

 

A reunião do diretório prossegue nesta terça (10). O PT deve aprovar uma resolução que pede a flexibilização da política monetária. Leia-se queda da taxa de juros.

 

Na noite passada, o diretório do PT promoveu, na sede brasiliense do partido, um debate sobre a crise. A debatedora Dilma fez um sucesso de refrigerante.

 

A chefe da Casa Civil discorreu sobre a crise com desenvoltura de candidata. A certa altura, lembrou uma frase dita por Lula num encontro com empresários:

 

Um bom governo combate a crise. Um governo excepcional aproveita as oportunidades da crise”.

 

Dilma contou à platéia detalhes da reunião do empresariado com Lula, ocorrida no final do ano passado.

 

Disse que os executivos das grandes empresas reconheceram no presidente “a única pessoa capaz de coesionar o país nesse momento” de turbulência econômica.

 

Algo que, no dizer de Dilma, “significa uma tomada de consciência de que nosso governo vem agindo corretamente e tomando as decisões corretas”.

 

Para a presidenciável de Lula, o governo está aniquilando o discurso da oposição e de parte da imprensa.

 

“Diziam que éramos bons para governar com o vento a favor, mas que não saberíamos o que fazer diante da crise econômica...”

 

“...Mas há, hoje, clara percepção de que o Brasil está em melhores condições do que qualquer outro país, e de que o governo está tomando as medidas necessárias para o enfrentamento” da crise.

 

O ápice dos festejos do aniversário do PT será um megajantar, em Brasília, nesta terça. Coisa para 1.200 talheres.

 

Lula não disse se vai. Sua eventual ausência realçará a presença de Dilma, vista como a grande estrela da noite.

 

Longe do fausto que marcou a era delúbio-valeriana, o PT foi buscar no bolso dos comensais o dinheiro para o repasto. Estima-se que custará cerca de R$ 100 mil.

 

O valor da “adesão” variou conforme o tamanho da conta bancária. A menor mordida saiu por R$ 200. A intermediária, R$ 500. A maior, R$ 1.000.

 

O dia foi organizado como uma passarela para Dilma. Antes do jantar consagrador, a candidata desfilará seu rosto reformado na abertura de um encontro com prefeitos.

 

Prefeitos de todo país, filiados a legendas governistas e de oposição. O sucesso da empreitada é certo como o nascer do Sol.

 

Para comprar a simpatia dos prefeitos, o governo vai desembrulhar em Brasília um pacote de bondades.

 

O afago mais vistoso do embrulho é uma medida provisória que prevê a rolagem de débitos previdenciários dos municípios por 20 anos. Um mimo de R$ 14 bilhões.

 

Em troca, o governo deseja amarrar as prefeituras a programas idealizados em Brasília. Entre eles o PAC, principal  peça do marketing eleitoral de "mãe" Dilma.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Lula dá a prefeitos devedores 20 anos para pagar ao INSS

 

- Folha: Crise provoca maior corte na indústria em 8 anos

 

- Estadão: Lula reúne 3.500 prefeitos e lança pacote de bondades

 

- JB: Demitidos por engano

 

- Correio: Crédito para casa própria de servidores - Lula turbina o voo de Dilma

 

- Valor: STF enfrenta a questão ambiental e libera obras

 

- Gazeta Mercantil: Madoff lesou pelo menos 20 brasileiros

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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