Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Lula sai do confronto do Congresso como derrotado

  Antônio Cruz/ABr
Não importa o resultado. Vença quem vencer, Lula sairá da guerra em que se converteu a troca de comando no Legislativo com o semblante da derrota.

 

No presidencialismo à brasileira, tisnado pela hipertrofia do Executivo, é usual que o Planalto meta-se em disputas que deveriam ser exclusivas do Congresso.

 

Na cruzada deste início de 2009, Lula desceu ao front com dois objetivos:

 

1. Estabelecer o equilíbrio congressual entre PMDB e PT, os dois sócios majoritários do consórcio governista.

 

2. Afastar o PMDB, tanto quanto possível, da zona de influência do tucano José Serra, adversário provável de Dilma Rousseff, a pré-candidata oficial para 2010.

 

Não conseguiu nem uma coisa nem outra. Observe-se primeiro o cenário da Câmara.

 

Ali, vencendo ou perdendo, o PMDB de Michel Temer vai a 2010 como um equilibrista em cima do muro. Pode descer de qualquer lado.

 

Sob influência de Serra, PSDB e DEM juntaram-se ao PT no blocão que dá suporte a Temer. Em caso de sucesso, a oposição será sócia do empreendimento.

 

Na hipótese de derrota, a conta será debitada, sobretudo, ao petismo, que flerta com a traição. Uma perfídia tonificada pelos movimentos erráticos de Lula no Senado.

 

Foi ali, nos subterrâneos do Senado, que se desenhou o Waterloo de Lula. Primeiro, o presidente açulou a candidatura de Tião Viana.

 

Depois, acomodou Tião numa trilha que o conduziria para um hotel sinistro de beira de estrada, com Anthony Perkins na portaria.

 

Em quatro oportunidades, Lula ouvira de José Sarney: “Não serei candidato”. Deu crédito à lorota. Diante da meia-volta de Sarney, submeteu Tião ao assédio da faca.

 

No momento em que a “Psicose” que regia a (des)articulação do Planalto transformava Tião Viana numa espécie de Janeth Leigh a caminho do chuveiro, surgiu o PSDB.

 

Depois de quase fechar com Sarney, o tucanato, sentindo-se desatendido, bandeou-se para a tropa de Tião.

 

Com esse gesto, a cavalaria tucana como que resgatou um renegado Tião do epílogo de fita de Hitchcock que o Planalto traçara para ele.

 

O triunfo de Sarney, agora incerto, imporá a Lula a hegemonia congressual do PMDB, que o presidente queria evitar. Uma hegemonia errática.

 

A gula de Sarney restabeleceu o abismo que separa o PMDB do Senado do peemedebismo da Câmara.

 

Os dois grupos disputam, aos tapas, o posto de interlocutor do partido na sucessão de Lula.

 

De resto, Sarney reacomodou na vitrine o ex-quase-cassado Renan Calheiros, que volta a se impor, com seu estilo morde-e-assopra, como interlocutor incontornável e incômodo de Lula.

 

A vitória de Tião, se vier, chegará a despeito de Lula, não por causa dele. O candidato petista vai à crônica da guerra como devedor do oposicionista PSDB.

 

Nos arredores de Lula, diz-se que, numa disputa que opõe dois governistas, o presidente estaria condenado à vitória no Senado. Tolice.

 

Lula está na bica de converter-se num dos vitoriosos mais perdedores dos baixios políticos de Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Sarney reclama a Dilma de interferência do Planalto

Os operadores do PMDB esforçam-se para passar a idéia de que a migração do PSDB para as fileiras inimigas do PT não tirou o sono de José Sarney.

 

Não é bem assim. A movimentação de Sarney denuncia um quê de preocupação.

 

Na noite passada, o candidato telefonou para Dilma Rousseff.

 

Queixou-se, em timbre acerbo, de um suposto movimento do chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, em favor da candidatura rival de Tião Viana.

 

Um aliado de Sarney contou ao blog que o senador detectou sinais de que Carvalho estaria cabalando votos para o amigo petista.

 

Algo que, no dizer de Sarney, caracterizaria uma “traição” do Planalto a ele. Segundo apurou o repórter, Dilma repassou a queixa adiante.

 

Em conversa com Gilberto Carvalho, a chefe da Casa Civil relatou o que ouvira de Sarney. E ficou nisso, por ora.

 

Na véspera, Carvalho recebera em seu gabinete um “emissário” de Sarney: o senador Gim Argello (DF), líder do PTB.

 

Argello entregara ao auxiliar de Lula a pauta de exigências elaborada pelo tucanato. “Veja o que o Tião assinou para o PSDB e que o Sarney se recusou a assinar”, disse.

 

Pediu que o texto do PSDB fosse levado ao conhecimento de Lula.

 

Neste sábado, como que a desdenhar da revoada tucana, Sarney disse que, na guerra do Senado, valoriza mais o corpo-a-corpo do que o apoio institucional de partidos.

“Não conto com partidos. O Senado tem uma característica, que é a convivência dentro da Casa...”

 

“...De maneira que todos sabem julgar as pessoas e os partidos são secundários neste momento de decisão”.

Escrito por Josias de Souza às 18h57

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‘Acho que o tempo do Sarney já foi’, declara Simon

  Marcello Casal/ABr
O alto comando da campanha de José Sarney afirma que só haverá uma defecção no PMDB.

 

Diz-se que, entre os 20 senadores da legenda, apenas o protodissidente Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) vai votar em Tião Viana.

 

Neste sábado, descobriu-se que o PMDB pode reservar pelo menos mais uma surpresa desagradável para Sarney.

 

A assessoria de Pedro Simon (PMDB-RS) levou ao blog que leva o nome do senador um texto em que ele declara:

 

"Acho que o tempo do Sarney já foi. Ele ficou quatro anos na presidência do Senado, foi presidente da República. Tem que haver uma renovação".

 

Inquirido sobre o apetite de Sarney, que deseja ser alçado à cadeira de presidente do Senado pela terceira vez, Simon fez troça:

 

“O Sarney não nasceu com aquilo virado pra Lua, ele nasceu com a Lua naquele lugar. Onde ele entra dá tudo certo pra ele".

 

Perguntou-se a Simon se vai votar em Sarney. E ele, ainda às voltas com as delícias do recesso: "Eu vou ver o mar agora. Coisa ruim eu vou deixar para segunda-feira".

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Arthur Virgílio: ‘Não vale a pena ganhar com Sarney’

  Sérgio Lima/Folha
O líder do PSDB, falou ao blog na madrugada deste sábado (31).

Disse que, com o tucanato, Tião Viana passou a ter “boas chances” de prevalecer no Senado.

 

Mas não pareceu preocupado com a hipótese de uma eventual vitória de José Sarney.

 

“Concluímos que não vale a pena ganhar com o Sarney”, afirmou.

 

De resto, disse que, diferentemente do DEM, o PSDB não sofre de “PTfobia”. Abaixo, a entrevista:

 

 

 

- Sarney se disse perplexo. Havia um pré-acordo do PSDB com ele?

As conversas estavam avançadas.

 

- Por que a coisa desandou?

A negociação desandou quando o presidente Sarney foi mais evasivo do que o senador Tião Viana em relação às propostas que levamos para ambos. Percebemos que, ainda que ele assinasse, viraria letra morta.

 

- Por que?

As forças que compõem o entorno do presidente Sarney significam o establishment do Senado, tudo o que a gente quer mudar.

 

- Refere-se a Renan Calheiros?

O Renan e outros personagens, como o senador Gim Argello [PTB-DF]. E mais: a gente percebia que eles faziam pouca distinção entre o nosso partido e outros que não têm o peso simbólico do PSDB. Temos muito orgulho do que somos.

 

- O time de Sarney diz que ele se elege mesmo sem o PSDB.

Essa conversa de dizer que não precisam de nós é sinal de doença psicológica. Então por que negociavam conosco? São masoquistas? Deveriam, agora, estar mais tranquilos. Noto que não estão. Começam a soltar uma certa bílis. Fazem coisas que me estarrecem.

 

- Por exemplo.

O senador Gim Argello foi, como emissário do Sarney, ao Planalto. Não sei se é o melhor interlocutor. O Sarney já foi presidente da República. Deveria ter interlocutores mais consolidados. Eles põem o senador Wellington Salgado [PMDB-MG] pra falar contra nós. Bela pessoa. Liderou a tropa de choque do Renan. Há um método viciado em torno do Sarney. Ele não muda as linhas de direção da Casa. Está comprometido com elas.

 

- Em que momento concluíram que a negociação com Sarney era um equívoco?

A certa altura da conversa com eles eu disse ao Renan: por favor, liberem a gente. Não estamos avançando. Tenho certeza de que eles achavam que estávamos blefando.

 

- Quando fez essa observação?

No final dessa reunião penosa em que nós percebemos que, com Sarney, estaríamos colaborando para a manutenção da mesmice.

 

- Refere-se à reunião de quarta (28), com Sarney, Roseana e Renan?

 Exatamente.

 

- Não o incomoda a divergência que se estabeleceu com DEM?

Todos sabem da relação fraterna que tenho com o Zé Agripino [Maia, líder do DEM]. Vejo ele dizendo que vão ganhar até sem nós.

 

- Lamentou que Agripino tivesse dito isso?

É a primeira vez que a gente diverge. Não tenho nenhuma vontade de ficar revendo os assuntos do Renan, mas o Zé Agripino foi tão duro com ele àquela altura. E percebemos que o Renan está voltando a mandar no Senado. Então, quando ele disse ‘vocês perdem’, me leva à reflexão. Primeiro não sei se perdemos. Segundo, pouco se me dá se perder.

 

- Como assim?

Decidimos que não queremos ganhar com eles. Se vamos ganhar com o Tião Viana é outra história. Acho que temos boas chances. Mas concluímos que não vale a pena ganhar com Sarney. Não queremos ganhar com aquele grupo.

 

- O sr. negociou com Renan por quatro semanas. O que mudou?

Eu me dei conta do equívoco que estávamos cometendo naquela última reunião, quando eu vi todos juntos. Percebi que estavávamos negociando com o establishment, que queríamos mudar. Não foi um sentimento só meu. O Sérgio [Guerra] também ficou incomodado.

 

- Restarão cicatrizes na relação com o DEM?

De minha parte não. Eu não manifestei nenhum incômodo pelo fato de eles terem fechado a negociação antes da gente. Temos muitas afinidades e uma lealdade recíproca. Mas quando há diferenças é preciso explicitá-las. Do contrário, teríamos de fazer uma fusão, o que não é o caso. Nossa aliança tem tudo para ser duradoura. Eles acabaram de ter uma demonstração de apreço do Serra, em São Paulo, na eleição do [Gilberto] Kassab.

 

- O DEM argumenta que não se deve apoiar um inimigo como o PT.

Respeito. Mas não vejo os outros como aliados. Entendo que nossos aliados no PMDB estão mais na Câmara do que no Senado. O que não nos impediu de conversar com o Sarney seriamente. Divergimos. Mas, no que depender de mim, a parceria com o DEM será mantida. Gosto muito deles. Gosto tanto que preferia não vê-los nessa foto. Preferia que estivessem na outra foto, conosco. Creio que, nessa questão do Senado, uma senhora chamada opinião pública não deve estar longe de nós. Mas sei que as contradições que o DEM tem com o PT são viscerais.

 

(A entrevista continua no texto abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 06h19

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‘Vencemos o preconceito, não sofremos de PTfobia’

Arthur Virgílio disse que, para apoiar Tião Viana, candidato do PT, o PSDB venceu o preconceito que separa as duas legendas.

“Não sofremos de PTfobia”, disse.

 

 

- É fato que Sarney se negou a prover os cargos reivindicados pelo PSDB?

Isso é uma mentira. Eles dariam tudo o que a gente quisesse e mais o resto. Até porque um homem com a idade do presidente Sarney merecia estar dormindo a essa hora. Mas, preocupado, está bem acordado [Virgílio conversou com o repórter à 1h, já na madrugada deste sábado]. Então, isso é uma balela de baixo nível. 

 

- Não negaram ao PSDB a comissão de Relações Exteriores?

Eles estavam buscando todas as fórmulas para nos contemplar. Buscavam uma maneira de não deixar mal o Garibaldi [Alves]. Também acho que ele não deve ficar mal. Foi um grande presidente do Senado. Merece uma comissão importante. Falaram em dar a comissão de Relações Exteriores para o ex-presidente Fernando Collor [PTB-AL]. Acho prematuro. No lugar dele, eu não postularia. Depois de tudo o que houve, a forma como ele deixou a presidência [da República]... Eu teria mais cuidado. Mas creio que não farão. A terceira escolha, pela proporcionalidade, é nossa. E podemos escolher a comissão de Relações Exteriores. Não há pecado em discutirmos quais comissões devem ser nossas. No pau, sem negociação, a gente tem, pelo tamanho da bancada, a terceira escolha. Vale para a Mesa e para as comissões.

 

- Não receia perder espaço com Tião Viana?

O Tião me perguntou: o que você acha que a bancada precisa para ser contemplada. Eu disse: nada. Basta que você cumpra os compromissos assumidos conosco. Nossas posições nós vamos buscar fazendo valer o princípio da proporcionalidade.

 

- Podem ficar sem a comissão de Economia, não?

Eu estava cheio de dedos quando telefonei para o Tasso [Jereissati, candidato do PSDB à comissão de Economia]. Queria dizer a ele que não era a hora de discutirmos a comissão de Economia. O Tasso nem deixou que eu completasse o raciocínio. Ele me disse: ‘Arthur, esse não é o nosso esquema’. O Tasso está constrangido. Tem amizade com o Sarney. Mas foi empurrado para essa negociação por nós. Ele tinha mais simpatia pelo Tião.

 

- Por que a decisão de apoiar Tião Viana foi tomada em Recife?

Havia uma reunião programada do Sérgio [Guerra] com o Tasso, que voltava do exterior. Eles conversariam com o Jarbas Vasconcelos [senador dissidente do PMDB, pró-Tião]. Eu disse ao Tasso, pelo telefone: Dessa vez o Jarbas está certo. E ele: ‘Não me diga que você acha isso! Arthur, a opinião pública deseja que a gente marche com o projeto do Tião’. Eu estava em Brasília. Ele falou: ‘Vem pra cá’. Eu fui. Chegamos a um entendimento em cinco minutos.

 

- Entre os tucanos, o sr. era o mais envolvido coma opção Sarney, não?

É verdade. Eu dizia: não tem lógica, em princípio, a gente apoiar o PT. Só que me convenci de que não dava. O senador Renan é líder do PMDB. Temos de dialogar com ele. Mas me dei conta de que a moldura que ele montou não era a minha. Na reunião com eles, fiquei inquieto. Depois, chego no meu gabinete e encontro uma carta do senador Tião Viana. Uma resposta à nossa pauta de reivindicações. Adorei a resposta. Gostei muito. Demonstrou consideração. Faço o quê? Finjo que não recebi?

 

- O Sarney se negara a subscrever?

Não quis subscrever, embora dissesse que concordava com as linhas gerais.

 

- Como foi o seu contato com a Roseana Sarney?

Liguei pra ela, pra informar da nossa decisão. Disse: Olha, Roseana, já tive problemas de relacionamento com seu pai. Não tenho mais. Falei que a reunião que tivemos com eles foi definitiva pra mim. Disse que eu não era o único que estava amargurado.

 

- Os demais integrantes da bancada foram ouvidos?

Sim. Telefonamos para todos eles. Alguns disseram que iam votar em Sarney contrariados. O senador Álvaro [Dias, PR] discrepou, mas disse que seguirá o partido. O senador Papaleo [Paes, AP], que tem uma situação peculiar no Amapá, também divergiu.

 

- O time de Sarney diz que terá pelo menos quatro votos do PSDB. Procede?

Acho muito difícil ter traição do nosso lado. É melhor eles cuidarem da horta deles. Isso demonstra uma certa preocupação e muita insegurança.

 

- A divergência do senador Papaleo será acatada?

Pra mim ele disse que seguiria o partido. Depois, em público, disse que votará em Sarney. Não gostei do método. Vou buscar os votos da minha bancada. Houve concordância. Quero 12 dos 13 votos. Se puder convencer o Papaleo eu o farei.

 

- Ao optar por Tião Viana, os srs. esqueceram 2010?

Fomos bem entendidos pela bancada. Não houve diferenças.

 

- Serra e Aécio foram consultados?

O Sérgio Guerra havia conversado com eles antes. Mas nós, no Senado, conquistamos uma posição muito boa. Respeitamos os nossos governadores e o presidente Fernando Henrique. Mas a bancada opera com autonomia. Não há hierarquias entre nós. Isso ficou muito claro na votação da CPMF. E os nossos candidatos à sucessão presidencial minimizaram os efeitos eleitorais desse processo do Senado.

 

- Não é contraditório que o PSDB vote num candidato do PT?

Nosso partido tem espírito público. Não quero dizer que outros, como o DEM, não tenham. Digo que nós temos. A ponto de apoiar uma pessoa do PT por entender que é o melhor para o Senado. Talvez o PT possa fazer uma autocrítica sobre a atitude deles em relação a nós. Quem sabe possamos estabelecer um diálogo de nível mais alto. O Tião é meu amigo. Mas não era ele que estava em jogo. Era o PT. Vencemos o preconceito. Não sofremos de PTfobia. No segundo turno contra o Collor, votei no Lula. Teríamos feito composição com Lula em 94 se ele não tivesse cometido a tolice de desancar o Plano Real. O vice dele talvez fosse o Tasso Jereissati. Hoje, divergimos de detalhes da forma como ele governa. O que não nos impede de exercitar nosso espiríto público.  

 

- Acha que Sarney, se eleito, faria mal ao Senado?

Não digo que ele queira fazer mal ao Senado. Ele disse a nós uma frase forte: ‘Não vou enodoar a minha biografia’. Não tenho dúvida de que foi sincero. Mas é preciso analisar as condições: a base dele não quer mudança nenhuma. Que me perdoem eles. Mas essa não é a minha praia. Tentam nos espicaçar. Quanto mais insistirem nessa linha, mais eu irei esmiuçar as razões que nos levaram a pular fora.

Escrito por Josias de Souza às 06h08

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Protecionismo abre o 1 º confronto da era Obama

 

- Folha: Em 9 anos, homicídio cai 66% em SP

 

- Estadão: Governo prepara ofensiva para baixar spread bancário

 

- JB: Barack Obama tira US$ 1 bi do Brasil

 

- Correio: Pardais ganham painéis de alerta

 

- Valor: Itaipu e térmicas trazem reajuste maior de energia

 

- Gazeta Mercantil: BB vai liberar R$ 2,5 bi para estimular venda de carro usado

 

- Estado de Minas: Novo mínimo injetará R$ 23 bi na economia

 

- Jornal do Commercio: Celpe vai pedir 8% de reajuste

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 05h33

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Tucanagem!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 05h27

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Lula em Belém (PA): quem pariu a crise que a embale

Escrito por Josias de Souza às 19h52

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

  Geraldo Magela/Ag.Senado
1. Ó Paim ó: Empurrado por aposentados e por entidades do movimento negro, o senador Paulo Paim (PR-RS) ensaia uma candidatura ao Planalto.

 

Interlocutores de Paim afirmam que ele se pôs “à disposição”. Considera “uma honra” ter o nome lembrado como alternativa à sucessão de Lula. Te cuida, Dilma!

 

2. “Ainda não”: Levada a tiracolo por Lula para o Fórum Social Mundial, em Belém, Dilma viveu momentos de presidenciável. Foi ovacionada.

 

Simpática a mais não poder, permitiu-se até participar de uma sessão informal de autógrafos. “Já é a candata do PT?” E Dilma, prenhe de humildade: “Ainda não”. Então, tá!

 

3. Mico americano: A classe média dos EUA vive situação análoga à do mico leão dourado brasileiro. Obama age para evitar a extinção do americano médio.

 

Constituiu uma força-tarefa para avaliar o quadro e traçar medidas para socorrer a classe média.

 

4. Poço: O anúncio da intenção de criar um santuário para proteger o consumidor americano chega num instante delicado.

 

Um momento em que Obama se dá conta de que o fundo do poço é apenas mais um estágio da crise.

 

A economia dos EUA, imersa em recessão desde o final de 2007, arrostou uma contração de notáveis 3,8% no quarto trimestre de 2008.

 

Confrontada com o flagelo, a Casa Branca admite: a crise já chegou a todos os setores da atividade econômica.

5. Bem-vindos: Num instante em que a Espanha volta a deportar brasileiros que aterrissam em seu território, Lula oferece a outra face do Brasil.

 

 

Informa que o governo prepara um projeto de anistia a todos os imigrantes ilegais que vivem no país.

 

 

Ensina: "Este país aqui é um país que tem lição a dar ao mundo sobre tratamento de imigrantes". Melhor assim.

6. Lula ululante: Instato pela Itália a rever o refúgio político dado por Tarso Genro a Cesare Battisti, Lula bateu o pé.

 

Agora, quando inquirido sobre o tema, o presidente recorre a uma resposta que Nelson Rodrigues tacharia de óbvio ululante. Diz:

 

“A Itália tem o direito de recorrer ao poder Judiciário. É o direito dela. Na hora que a Justiça tomar a decisão, seja qual for ela, nós não discutimos mais e respeitamos a decisão”.

Escrito por Josias de Souza às 18h57

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Sarney envia a Lula carta do PSDB, que Tião assinou

  Folha
Líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF) pediu para ser recebido no Planalto.

 

Recebeu-o, às 15h30 desta sexta (30), Gilberto Carvalho (foto), chefe de gabinete de Lula.

 

Argello apresentou-se a Carvalho como emissário de José Sarney.

 

Trazia nas mãos a “pauta política” do PSDB. Disse algo assim:

 

“Trouxe para você, Gilberto, para que chegue às mãos do presidente Lula...”

 

“...Veja o que o Tião [Viana] assinou para o PSDB e que o Sarney se recusou a assinar!”

 

Argello é um “soldado” da candidatura de Sarney ao comando do Senado.

 

Lidera uma bancada de sete senadores, dos quais três pendem para Tião.

 

Opera em combinação com Roberto Jefferson, presidente do PTB, fechado com Sarney.

 

A visita de Argello ao Planalto dá uma idéia do ambiente vivido no Senado.

 

Depois de quase fechar com Sarney, o PSDB bandeou-se para o lado de Tião.

 

A migração do tucanato vitaminou Tião e eletrificou a disputa.

 

O alto comando de Sarney tenta evitar que o Planalto arregace as mangas por Tião.

 

Daí a “embaixada” de Argello junto a Carvalho.

 

Vende-se a carta do PSDB, subscrita por Tião, como um atentado contra o governo.

 

No texto, o tucanato expõe 12 exigências aos candidatos a mandachuva do Senado.

 

Entre eles: Independência em relação ao Executivo, rejeição ao terceiro mandato de Lula...

 

...E rejeição “sumária” de medidas provisórias que não sejam urgentes e relevantes.

 

Tião Viana, além de subscrever a pauta, entregou aos tucanos uma resposta por escrito, na qual acata todas as exigências.

 

Sarney não assinou. Mas, em reunião com o líder e o presidente do PSDB –Arthur Virgílio e Sérgio Guerra—disse que concordava com os termos do documento.

Escrito por Josias de Souza às 18h13

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Sarney se diz ‘perplexo’ com o apoio do PSDB a Tião

  Alan Marques/Folha
José Sarney falou ao repórter Lauro Jardim. Vai abaixo um resumo da entrevista:
 

 

- Por que quer voltar à presidência do Senado?

Estou atendendo a um pedido quase irresistível dos partidos e de quase todo o Senado.  Quero prestar um serviço à sociedade e continuar o processo de modernização do Senado [...]. Além disso, estamos entrando num ano de crise econômica, que será profunda. Tenho, com a minha experiência, condições de ajudar a governabilidade do país.

 

- Não teme o desgaste de uma derrota?

Disputar essa eleição não deve ser encarado como uma busca pelo poder. E sim como um gesto de humildade. Desde que deixei a presidência da República, já disputei diversas eleições.

 

- Diante de um Senado dividido, retiraria a candidatura?

Não há divisão alguma.

 

- O que acha de Renan Calheiros como homem público?

O Renan foi líder no Senado duas vezes, foi ministro e é um político importante no país.

 

- Tião Viana disse: "Ele [Sarney] está pensando que o Senado é um fundo de quintal. Tem gente que tem uma visão patrimonialista da vida pública". O que achou?

Eu o conheço há muito tempo, mas não conhecia essa face grosseira do Tião. O que ele disse foi falta de respeito.

 

- Por que  o PSDB fechou com Tião Viana?

Eu me faço a mesma pergunta. Recebi com perplexidade essa decisão.

 

- Quantos votos acha que terá entre os 13 senadores do PSDB?

Não faço este tipo de cálculo. Respeito muito os senadores do PSDB. 

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Cristovam sugere a Sarney que se retire da disputa

  Sérgio Lima/Folha
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) decidiu fazer uma sugestão ousada a José Sarney (PMDB-AP).

 

Para Cristovam, Sarney “se engrandeceria” se abandonasse a disputa pela presidência do Senado, em nome da “unidade”.

 

São quatro os argumentos do senador:

 

1. “O apoio do PSDB tornou a candidatura de Tião Viana (PT-AC) viável. Portanto, Sarney pode perder...”

 

“...Mas, ainda que não perca, seria muito ruim para o Sarney, a essa altura da biografia dele, ganhar com um Senado dividido...”

 

“...Para quem queria ser o candidato da unanimidade, é péssimo”.

 

2. Vantagem: “Nada tenho de pessoal contra o Sarney. Ao contrário. Teve papel respeitável no final do regime militar. No governo, portou-se corretamente durante os cinco anos...”

 

“...Por isso mesmo, acredito que Sarney se engrandeceria se dissesse: Olha, vamos superar esse negócio de eleição, vamos ter um candidato de unidade...”

 

“...E o candidato que representa essa unidade é Tião Viana, que se lançou a bastante tempo, tem agora chances reais de vitória e representa o novo no Senado”.

 

3. “Da forma como a candidatura dele evoluiu, Tião Viana não vai ficar devendo nada ao Planalto. Será um presidente independente...”

 

“...Tião tem a chance de vencer a despeito do Planalto e graças ao apoio PSDB, partido de oposição...”

 

“...Foram os votos do PSDB e os outros que estão vindo por conta desse apoio que tornaram viável a vitória de Tião Viana”.

 

4. “A maneira como o Sarney se apresentou dá a impressão de que sua eleição traria de volta pessoas que o povo não quer ver na direção do Senado...”

 

“...Refiro-me a Renan Calheiros. A eleição de Sarney soaria como uma terceira absolvição de Renan. E isso traria um impacto negativo junto à opinião pública”.

 

Cristovam reconhece que é “improvável” que Sarney lhe dê ouvidos. “Mas, realisticamente, parece cada vez mais provável que Tião pode vencer”.

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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Sem PSDB, conta de Sarney anota folga de 5 votos

Pela contabilidade de Tião, faltam 3 votos para a vitória

 

José Cruz/ABr

 

A adesão do PSDB à candidatura de Tião Viana (PT-AC) levou o comando da campanha de José Sarney (PMDB-AP) a se debruçar sobre a máquina de calcular.

 

Os senadores são contados em 81. Bastam 41 para eleger o presidente. Antes do gesto do tucanato, o time de Sarney estimava que ele prevaleceria sobre Tião com cerca de 55 votos.

 

Refeitas as contas, estima-se agora que, mesmo sem o suporte do tucanato, Sarney ainda dispõe de pelo menos 46 votos –cinco além do necessário.

 

Se as contas da tropa de Sarney estiverem corretas, Tião Viana colecionaria no plenário apenas 35 votos, já computados os tucanos.

 

Mas a contabilidade de Tião não bate com a de Sarney. O candidato do PT, tido como morto no início da semana, exibia na noite passada ânimo renovado.

 

Em privado, Tião dizia aos correligionários que, tonificada pelo PSDB, sua planilha de votos somava 38 senadores –três aquém do que necessita.

 

Como sói acontecer em períodos pré-eleitorais, somando-se os votos que Sarney imagina ter com os votos que Tião acha que terá chega-se a um número implausível.

 

Senão vejamos: 46 de Sarney + 38 de Tião = 84 votos. Como só há 81 senadores, estão sobrando na soma três eleitores. Alguém mente. Ou se ilude.

 

De concreto, tem-se apenas a constatação de que o movimento do PSDB produziu um notável estreitamento da diferença que separa Tião Viana de José Sarney.

 

Por ora, é possível dizer: 1) Tião livrou-se da derrota por goleada; 2) O petista tem até domingo (1) para virar os votos que lhe faltam –três, pelas suas contas; seis, pela aferição de Sarney.

 

Parece pouco. Mas não é coisa fácil de se obter em três dias. A eleição está marcada para a próxima segunda-feira (2), às 10h.

 

Na reunião em que o PSDB decidiu migrar de Sarney para Tião, o tucano Tasso Jereissati (CE) fez uma previsão aos colegas Arthur Virgílio (AM) e Sérgio Guerra (PE).

 

Tasso disse que, submetido a uma contabilidade apertada, Sarney desistiria de concorrer à presidência do Senado até domingo (1).

 

Em seus diálogos privados, um redivivo Tião Viana fazia a mesma aposta. Afirmava que seu rival não jogaria a biografia numa eleição de resultado incerto.

 

O blog ouviu na noite passada dois integrantes do alto comando de Sarney. Riram-se do vaticínio de Tasso e de Tião. Disseram que Sarney irá, sim, à sorte dos votos.

 

Brasília terá um final de semana elétrico. Coordenador da própria candidatura, Tião Viana, em contato com os colegas, leva sua lábia às raias do paroxismo.

 

A partir deste sábado (31), Tião vai dispor da ajuda de Jarbas Vasconcelos (PE). Dissidente do PMDB, Jarbas virá do Recife para Brasília. Só para auxiliar o petista.

 

Aparentemente avesso à idéia de renúncia insinuada nas predições de Tasso e de Tião, Sarney terceirizou a tarefa de cabalar votos.

 

Serve-se dos bons préstimos da filha, Rosena Sarney (PMDB-MA), e do ex-quase-senador-cassado Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Reconduzido à liderança do PMDB, Renan tornou-se uma espécie de centro-avante da candidatura Sarney. Tião Viana lhe inspira os instintos mais primitivos.

 

De volta à vitrine, Renan fará o que for necessário para impor um revés a Tião. O jogo, que parecia jogado, ganhou nova dinâmica na noite passada.

 

Rifado por Lula, o petista Tião Viana foi como que ressuscitado –suprema ironia!— pelo PSDB, adversário potencial do petismo e do Planalto na sucessão de 2010.

Escrito por Josias de Souza às 04h40

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Crise já provoca medo de nova onda protecionista

 

- Folha: Governo quer comprar e revender casa popular

 

- Estado: Senado dos EUA defende plano mais protecionista

 

- JB: Juros do BC devem cair a 9% este ano

 

- Correio: “A briga está boa”

 

- Valor: Itaipu e térmicas trazem reajuste maior de energia

 

- Gazeta Mercantil: BB vai liberar R$ 2,5 bi para estimular venda de carro usado

 

- Estado de Minas: Quadrilha que clonava carros tinha até policial

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Adorno!

Via O Povo Online".

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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PSDB divide a oposição e decide apoiar Tião Viana

Elza Fiuza/Br

 

O PSDB optou por apoiar a candidatura do petista Tião Viana (AC) à presidência do Senado.

 

O líder tucano Arthur Virgílio (AM) já comunicou a decisão ao candidato petista.

 

Deu-se num telefonema disparado pouco antes das 22h desta quinta.

 

Antes, Virgílio discara para Roseana Sarney (MA), filha e coordenadora da campanha de José Sarney (PMDB-AP), o rival de Tião.

 

A deliberação do PSDB foi tomada em reunião realizada no Recife (PE), na casa de Sérgio Guerra (PE), presidente do partido.

 

Além de Virgílio e Guerra, participou do encontro o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Os outros senadores tucanos foram consultados pelo telefone. Exceto Mário Couto (PA). Em viagem ao exterior, Couto não foi localizado.

 

Há pouco, o senador Arthur Virgílio confirmou ao blog: "Nossa decisão está tomada. Apoiaremos o senador Tião Viana..."

 

"...Fizemos a opção que consideramos melhor e mais adequada para o Legislativo..."

 

"...O senador Tião Viana se comprometeu conosco a aprofundar uma agenda de reformulação do funcionamento do Legislativo". 

 

Ouvido pelo repórter, Tião disse que “o elo” do entendimento que celebrou com o tucanato “foi a carta-compromisso do PSDB”, que, na véspera, subscrevera e respondera. 

“O PSDB me informou que não reivindica nada além disso”. E quanto aos cargos na mesa diretora e nas comissões do Senado?

 

Tião responde: “Esse assunto, o PSDB me informou que vai tratar dentro do que está previsto nas regras da proporcionalidade das bancadas.”

 

Sob a aparência de despredimento, o tucanato almeja pelo menos três cargos: a primeira vice-presidência do Senado e o comando das comissões de Economia e de Relações Exteriores.

 

São posições que, na véspera, Tião dissera aos tucanos que conseguiria prover.

 

A decisão do PSDB representa um inédito racha no bloco partidário que faz oposição a Lula no Senado. 

 

Horas antes, o DEM formalizara o apoio a Sarney. Esperava-se que o tucanato fosse no mesmo rumo.

 

Mas as relações da cúpula tucana com Sarney haviam saído dos trilhos já na quarta, conforme noticiado aqui.

 

Embora lamente a opção do parceiro, José Agripino Maia (RN), o líder do DEM, disse que a parceria com o PSDB não sofrerá abalos.

 

"Nossas convergências são permanentes e nossas divergêncis são pontuais", afirmou Agripino.

 

O PSDB dispõe de 13 votos no Senado. Noves fora o risco de pelo menos duas traições, ao migrar para Tião o tucanato injeta ânimo numa candidatura que Lula abandonara à própria sorte.

 

Os aliados de Sarney sustentam que, mesmo sem o PSDB, o morubixaba peemedebista já disporia de votos suficientes para prevalecer em plenário. A ver.

 

De perceptível, por ora, apenas a sensação de que, vitaminado pelo PSDB, Tião Viana voltou ao jogo. 

Escrito por Josias de Souza às 22h20

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DEM formaliza o apoio a Sarney na disputa do Senado

Reunida nesta quinta (29), a bancada de senadores do DEM ratificou algo que seu líder, José Agripino Maia (RN) já negociara: o apoio a José Sarney (PMDB-AP).

 

Assim, Sarney ganha 14 votos potenciais. A votação é secreta. Pode haver traição. Mas os senadores ‘demos’ assumiram o compromisso de respeitar a posição partidária.

 

Agripino vinha negociando o apoio a Sarney desde o final do ano passado. Numa fase em que o candidato ainda dizia que não iria à disputa.

 

O líder ‘demo’ dialogava com o próprio Sarney e com o centro-avante dele, Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Formalizado o apoio, Agripino justificou a decisão do partido com o discurso antipetista que caracteriza o DEM.

 

"O senador Sarney é um homem de diálogo, não é petista, não tem alinhamento com o Executivo...”

 

“...O senador Tião [Viana] é integrante do PT, que já detém o Executivo. Ter a presidência da República e do Congresso é um pouco demais".

 

Curiosamente, ao declarar-se “neutro” na disputa, Lula facilitou a progressão de Sarney.

 

Hoje, o candidato apoiado pelo DEM parece mais conveniente ao Planalto do que o rival petista Tião Viana.

 

Confirmando-se a eleição de Sarney, o DEM beliscará, entre outras posições, dois dos cargos mais cobiçados do Senado.

 

Acomodará Heráclito Fortes (DEM-PI) na primeira secretaria. É uma espécie de prefeitura do Senado, que gere um orçamento de mais de R$ 2 bilhões.

 

Para a cadeira de presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) vai o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Escrito por Josias de Souza às 19h28

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MP de filantrópicas é o 1º 'desafio' legislativo do ano

Sérgio Lima/Folha

 

A medida provisória 446, que trata de entidades filantrópicas, será o primeiro abacaxi a ser descascado pelo novo presidente da Câmara.

 

Na quarta-feira (4) da semana que vem, a MP chega ao plenário da Câmara. E nada poderá ser votado antes que ela seja apreciada. Dá-se o que os congressistas chamam de "trancamento de pauta".

 

Editada por Lula em novembro, a MP 446 fora devolvida ao Planalto pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), agora em fim de gestão.

 

Imaginou-se que a medida provisória estivesse morta. O governo acenara com a hipótese de modificar o texto. Era lorota.

 

Na última segunda (26), conforme noticiado aqui, o ministério do Desenvolvimento Social levou ao Diário Oficial uma resolução baseada na MP que Garibaldi devolvera.

 

Renovaram-se, de uma tacada, os certificados de filantropia de 4.100 entidades supostamente benemerentes.

 

As renovações foram feitas de forma automática, sem que os processos das filantrópicas fossem analisados. Algo que a MP de Lula autorizara.

 

Estima-se que, entre as 4.100 entidades beneficiadas, cerca de 2.000 encontram-se enroladas em investigações policiais e em auditorias do fisco.

 

São filantrópicas de fancaria. Ainda assim, ganharam do governo o privilégio de continuar desfrutando da isenção tributária concedida a entidades do gênero.

 

A renovação do certificado de pseudofilantrópicas, mesmo daquelas que se encontram sob investigação, também fora autorizada pela MP editada por Lula.

 

Na prática, o novo presidente da Câmara, seja ele quem for, terá de decidir se a devolução protagonizada por Garibaldi deve ou não prevalecer.

 

A atitude do presidente do Senado, que responde também pela presidência do Congresso, fora às manchetes como um gesto de afirmação do Legislativo.

 

Se optar por dar curso legislativo normal à medida provisória “devolvida”, o novo presidente da Câmara pode ser tachado de submisso ao Executivo.

 

No Senado, o presidente da CPI das ONGs, Heráclito Fortes (DEM-PI), classificou a renovação dos certificados de 4.100 filantrópicas como uma “afronta”.

 

Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, disse coisa diversa. Lembrou que apresentara à Comissão de Justiça um recurso contra a decisão de Garibaldi.

 

O recurso ainda não foi apreciado pela comissão. Portanto, afirma Jucá, a MP 446 continua em vigor. E a resolução que deu prontuário limpo a filantrópicas sujas tem “amparo legal”.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

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STF autoriza Itália a se manifestar sobre caso Battisti

 

Em despacho divulgado nesta quinta (29), o ministro Cezar Peluso, do STF, autorizou o governo italiano a levar ao processo do caso Battisti uma manifestação formal.

 

Peluzo atende a um pedido da Itália. Foi feito por meio de uma petição do advogado Nabor Bulhões, contratado pela embaixada italiana em Brasília.

 

Roma não se conforma com o refúgio político que o ministro Tarso Genro (Justiça) concedeu ao ex-terrorista Cesare Battisti.

 

De resto, o governo de Silvio Berlusconi quer evitar que Battisti ganhe o meio-fio. Condenado à prisão perpétua na Itália, ele encontra-se detido em Brasília.

 

O Supremo deu à Itália um prazo de cinco dias para se manifestar nos autos. Peluso considerou que, como autor do pedido de extradição de Battisti, o Estado italiano tem direito ao “contraditório”.

 

O ministro requisitou, de resto, cópia integral da decisão do Conare (Comitê Nacional para Refugiados) sobre o caso Battisti.

 

O Conare negara a Battisti o status de refugiado político. Por três votos a dois, o comitê considerou-o um criminoso comum.

 

Na decisão que gerou a polêmica que se encontra pendurada nas manchetes Tarso Genro reviu a posição do Conare.

 

Também nesta quinta (29) foi ao sítio da InstoÉ uma entrevista com Battisti, encarcerado no presídio da Papuda.

 

Acusado de participação em quatro homicídios, ele diz: "Eu nunca matei ninguém". Leia aqui a entrevista.

 

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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Sarney esnoba PSDB, que já ameaça fechar com Tião

José Cruz/ABr

O Senado amanhecera nesta quarta (28) às voltas com a perspectiva de uma definição antecipada da disputa pelo comando da Casa.

 

Dava-se de barato que o PSDB, guindado à condição de fiel da balança, formalizaria o apoio a José Sarney, do PMDB.

 

No meio da tarde, o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR) chegara a divulgar uma nota informando que o partido já havia fechado com Sarney.

 

Deu chabu, contudo. No final da noite, sentindo-se esnobada por Sarney, a cúpula do PSDB já flertava com Tião Viana, o candidato do PT.

 

Ao longo do dia, Sérgio Guerra (PE) e Arthur Virgílio (AM), presidente e líder do PSDB, respectivamente, haviam se reunido com Tião e Sarney.

 

Pediram a ambos três cargos de direção: a vice-presidência do Senado e o comando das comissões de Assuntos Econômicos e de Relações Exteriores.

 

Tião Viana aquiesceu prontamente. Sarney agiu como se já não dependesse dos 13 votos do PSDB para prevalecer na briga do Senado.

 

Acompanhado da filha Roseana, Sarney deixou no ar a hipótese de entregar alguns dos cargos pretendidos pelo PSDB a  senadores de outras legendas.

 

A vaga de vice, por exemplo, poderia ser usada noutra composição. A presidência da comissão de Relações Exteriores talvez fosse cedida a Fernando Collor (PTB-AL).

 

Tião Viana, ao contrário, além de prometer os cargos pretendidos pelo PSDB, comprometeu-se, por escrito, a atender a 12 pré-condições programáticas do tucanato -da independência do Legislativo à rejeição do terceiro mandato.

 

À noite, em conversa com um amigo, o tucano Sérgio Guerra disse: “A conversa do Tião é mais simples. Ele diz que topa e explica como vai fazer...”

 

“...A conversa do Sarney não é tão simples. Há muitos partidos envolvidos. Várias lideranças. E o Sarney não assume a dianteira da negociação”.

 

O líder tucano Arthur Virgílio encerrou a quarta-feira numa segunda reunião com Tião Viana. O diálogo foi testemunhado pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

 

Virgílio fez ver a Tião que a negociação com Sarney esbarrara em contratempos.

 

Lero vai, lero vem Virgílio disse ter ouvido de Roseana Sarney uma informação surpreendente.

 

A filha de Sarney lhe dissera que Aloizio Mercadante (SP), novo líder do PT no Senado, procurara o pai dela.

 

Mercadante teria manifestado o interesse de abrir negociação com o morubixaba do PMDB. Algo que, se verdadeiro, idicaria a intenção de rifar a candidatura de Tião Viana.

 

Aturdido com a novidade, Tião tocou o telefone para Mercadante. Relatou-lhe o que acabara de ouvir de Virgílio.

 

Mercadante negou que houvesse conversado com Roseana. Reconheceu que respondera a um telefonema de Sarney.

 

Assegurou, porém, que não dissera nada que pudesse soar como traição ao companheiro de partido. Ao contrário.

 

Mais cedo, Tião Viana estivera, a convite, no Palácio do Planalto. Reunira-se com Gilberto Carvalho.

 

O chefe de gabinete de Lula queria sentir a temperatura da disputa que opõe os dois candidatos governistas no Senado.

 

Tião fora franco. Dissera que continuaria na briga. Reconhecera o potencial de Sarney. Mas ponderara que, com o apoio do PSDB, iria ao plenário com chances de vitória.

 

O PSDB dá toda a pinta de que, no final, acabará optando por Sarney. Mas, ao adiar a decisão, sob queixas, deu inesperada sobrevida à candidatua petista de Tião Viana.

Escrito por Josias de Souza às 06h28

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Lula amplia Bolsa Família um dia após cortar o Orçamento

 

- Folha: Lula amplia Bolsa Família e dá merenda para jovens

 

- Estadão: FMI derruba previsão de crescimento para o Brasil

 

- JB: O choque da violência

 

- Correio: Debate sobre praça chega ao Planalto

 

- Valor: Distribuição de lucros cresce em plena crise

 

- Gazeta Mercantil: CVM quer mais transparência nas assembléias

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Lixão!

Angeli

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

Charles Ommanney/Getty Images

 

1. Luz: Ao assumir, Obama encontrou a matéria-prima básica para criar um país inteiramente novo. Verificou que caos não lhe falta.

 

Oito dias depois da posse, Obama arrancou da Câmara dos EUA a aprovação do primeiro pacotaço econômico da nova gestão: US$ 819 bilhões. A coisa foi ao Senado.

 

 

2. Túnel: Enquanto Obama providencia a luz, o FED (Banco Central dos EUA) tenta escorar o que restou do túnel. Manteve a taxa de juros na faxia de zero e 0,25%.

 

Tenta-se reanimar a economia. O diabo é que, com o desemprego a roçar-lhe a nuca, o americano foge das lojas.

 

 

3. Clientela: Lula empurrou para dentro do cadastro do Bolsa Família 1,3 milhão de novas famílias.

 

Supondo-se que cada uma disponha de quatro membros com mais de 16 anos, o presidente afagou, de uma tacada, 5,2 milhões de eleitores.

 

 

4. Irrelevantes: Em nova edição, o Fórum Econômico Mundial levou a Davos, na Suíça, 2,5 mil convidados, entre empresários, economistas e chefes de Estado. Gente pessimista.

 

O tema de 2009 é: “Moldando o mundo pós-crise”. Tenta-se tatear o futuro sem saber o que será feito do presente.

 

Pesquisa feita entre os empresários presentes indica que a crise será longeva: três anos, no mínimo. Evidência de que Davos tornou-se o irrelevante levado longe demais.

 

 

5. Desnecessários: Concebido como contraponto de Davos, o Fórum Social Mundial ocorre em Belém, capital paraense.

 

Neste ano, cinco presidentes darão as caras: Além de Lula, os companheiros Chávez (Venezuela), Evo (Bolívia), Lugo (Paraguai), e Correa (Equador). Uma turma do barulho! 

Cândido Grzybowski, diretor do Ibase e fundador do fórum social, diz que “Davos se tornou irrelevante”.

 

Verdade. Mas Grzybowski ainda não se deu conta de que a maioria de sua tribo, ao buscar em Marx a resposta para os desacertos do capital, responde ao irrelevante com o desnecessário.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Tião sobe o tom: ‘Sarney não tem autoridade moral’

  Folha
Confirmado como candidato à presidência do Senado, José Sarney insinuou que o rival Tião Viana deveria desistir.

 

Perguntou-se a Sarney se a disputa com Tião não prejudicaria a aliança entre PMDB e PT em torno do governo Lula.

 

E ele: "Não sei. Acabei de entrar na disputa. A disposição do presidente [Lula] é que haja um candidato apenas".

 

Insinuou que, "em nome da unidade das forças que apóiam o governo", o adversário petista deveria retirar-se do ringue.

 

Abespinhado, Tião Viana disse ao blog o seguinte:

 

“O Sarney não tem autoridade moral para fazer um pedido desses. Sobretudo depois de ter dito a mim, cinco vezes, que não seria candidato e que votaria em mim...”

 

“...A chance de eu desistir é zero. Qualquer que seja o resultado, sou candidato. Estou com votos suficientes para disputar a eleição para ganhar...”

 

“...A toalha está no canto do ringue e lá vai permanecer. Continuaremos lutando. Não tem essa de jogar a toalha.”

 

Como se vê, a atmosfera do Senado ferve. No centro do caldeirão encontra-se a bancada do oposicionista PSDB, cujos votos decidirão a disputa entre os dois governistas.

Escrito por Josias de Souza às 20h56

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Petistas antevêem pelo menos 20 ‘traições’ a Temer

Apesar do cheiro de defecções, peemedebista é o favorito

 

Lula Marques/Folha

 

Em público, a direção do PT afirma e reafirma que, na briga pela presidência da Câmara, os votos de seus 78 deputados vão para Michel Temer (PMDB-SP).

 

Longe dos holofotes, dois grãopetistas ouvidos pelo blog estimaram que haverá algo entre 20 e 25 traíções a Temer na bancada do PT.

 

Um pedaço do petismo traz a boca encharcada com o sangue da vingança. É gente que não se conforma com o apetite exibido pelo PMDB no Senado.

 

Para os petistas insurretos, a candidatura de José Sarney pode servir a Lula. Porém, vêem a puxada de tapete que infelicita Tião Viana como uma agressão ao PT.

 

A natureza do voto, secreto, é um convite à proliferação de Silvérios. De resto, também o relógio conspira contra os interesses de Temer.

 

A eleição dos novos comandantes da Câmara e do Senado está marcada para a próxima segunda (2). Começa às 10h.

 

No Senado, serão contados 81 votos. Na Câmara, 513. Entre os senadores, o nome do novo mandachuva será conhecido antes do término da votação dos deputados.

 

Se a simples perspectiva de vitória de Sarney já açula os instintos revanchistas do PT, imagine-se o que pode ocorrer depois de confirmado o eventual nocaute de Tião Viana.

 

A despeito da perspectiva de defecções, Michel Temer vai à sorte dos votos na condição de favorito.

 

Dos 20 partidos com assento na Câmara, 14 associaram-se ao bloco que dá suporte a Temer. Juntos, somam 428 votos –171 além do que precisa.

 

Para tornar-se presidente, Temer tem de amealhar, no mínimo, 257 votos. Os operadores de sua campanha estimam que não terá menos do que 298.

 

Um número que já embute as eventuais traições do PT e de outras legendas periféricas do consórcio governista.  

 

Ciro Nogueira (PP-PI), o rival de Temer supostamente mais bem-posto entre os deputados, diz, em privado, que a contabilidade da turma de Temer está errada.

 

Pelas contas de Ciro, Temer terá algo próximo de 210 votos. Algo que, se confirmado empurraria a disputa para um encarniçado segundo turno.

 

Ciro diz aos amigos que, na contabilidade mais pessimista, colecionará 180 votos. Seria, então, o segundo colocado. E mediria forças com Temer no round final.

 

Temer trata os adversários –além de Ciro, concorrem Aldo Rebelo (PCdoB) e Osmar Serraglio (PMDB)—com deferência.

 

A despeito do propalado favoritismo, Temer recusa-se a levar a mão à taça antes da hora. Diz que eleição só se define depois da apuração.

 

Porém, mesmo nos diálogos privados, Temer não contempla o cenário de segundo turno esboçado por seus rivais.

 

Curiosamente, embora apoiado por Lula, o que dá um aparente conforto à candidatura de Temer é a perspectiva de arrebanhar a maioria dos votos de PSDB e DEM.

 

Tucanos e ‘demos’ alinharam-se ao PMDB de Temer de olho numa eventual parceria nas eleições presidenciais de 2010.

 

Para a oposição, qualquer resultado será bem-vindo. Trabalha-se pela vitória do deputado. Mas um eventual insucesso não será de todo malvisto.

 

Se arrostar uma derrota que parece improvável, Temer e o pedaço do PMDB que lhe devota fidelidade estarão mais próximos da oposição do que do Planalto.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Num almoço pago por você, Sarney ‘saiu do armário’

Marcello Casal/ABr

 

Revelou-se nesta quarta-feira (28), em Brasília, um nu que, por anunciado, não produziu um mísero espanto.

 

Depois de negar cem vezes o interesse pelo comando do Senado, José Sarney despiu-se do manto diáfano que escondia, sob camadas de subterfúgios, todas as suas segundas intenções.

 

A candidatura de Sarney saiu do armário num almoço da bancada do PMDB. Na semana passada, dizia-se que o repasto seria na casa do ex-não-candidato.

 

Deu-se, porém, na residência oficial da presidência do Senado, cuja despensa é fornida com verbas da Viúva. Serviram-se bacalhau ao forno e filé mignon ao funghi.

 

Antes de forrar os estômagos, os senadores do PMDB testemunharam o streep tease. Além de Sarney, ficou nu o anfitrião Garibaldi Alves.

 

A nudez de Garibaldi foi mais contrangedora que a de Sarney. Diferentemente do “novo” candidato, o ex-recandidato não queria se despir.

 

Coube a Renan Calheiros, o centro-avante de Sarney, puxar as vestes de Garibaldi. Desnudou-o com requintes de crueldade.

 

Renan, a propósito, volta ribalta do Senado revestido com a carapaça que mais lhe apraz: o poder. Ele volta a se impor a Lula como um interlocutor inevitável.

 

Aos jornalistas, Sarney disse: "Sou candidato. Agora começa a campanha". Lorota. A campanha desenrola-se desde o final do ano passado.

 

Acrescentou: "Eu não queria, resisti. Mas, entendo minha candidatura como importante neste momento de crise mundial". Palanfrório.

 

Sarney queria. Sempre quis. A “crise mundial” é motivação de fachada. Em verdade, o protocandidato almeja três objetivos não-declarados:

 

1. Quer recuperar o terreno perdido no Maranhão, hoje dominado pelos adversários de província;

 

2. Busca um escudo de proteção política contra as investigações do Ministério Público e da PF, que farejam os calcanhares do filho Fernando Sarney;

 

3. Deseja impor-se como protagonista das articulações de 2010.

 

Sarney vai ao centro do palco do Senado com a cara de favorito. Um favoritismo tonificado pelos movimentos de Lula.

 

Escorado num suposto distanciamento da disputa, Lula tirou o chão de Tião Viana (PT-AP).

 

A golpes de “isenção”, o presidente pode ter ferido de morte a candidatura petista.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Tucanato executa no Senado últimos passos do ‘balé’

O PSDB é, por assim dizer, uma legenda lésbica de si mesma. Diante do espelho, o tucanato treme em cima dos sapatos.

 

A disputa pelo comando do Senado tonificou a auto-estima tucana. Fiel da balança, a legenda é cortejada pelos dois concorrentes.

 

Sabendo-se desejada como a última bolacha do pacote, a tribo tucana administra a sua notiredade.

 

Sabe-se que os votos do PSDB definirão a disputa. Sabe-se também que o tucanato move suas plumas na direção de José Sarney.

 

Porém, antes de jogar-se no colo do PMDB, os tucanos decidiram prolongar a glória do assédio. Executam um balé que inclui o enjeitado Tião Viana, do PT.

 

Os tucanos elaboraram uma lista de 12 exigências. Por exemplo: independência do Legislativo, rejeição ao terceiro mandato e melhoria da imagem do Senado.

 

Valores tão perseguidos quanto o amor verdadeiro, a amizade sincera e a vida eterna. Nem Sarney nem Tião haverão de opor resistências.

 

Com seu bailado de última hora, o PSDB foge do efeito manada. A multidão, mesmo quando pequena como a do Senado, produz um fulminante nivelamento por baixo.

 

Daí o esforço do tucanato para distinguir-se em meio ao plenário de 81 senadores. A legenda tenta dar cara aos seus 13 decisivos votos.

 

O bailado tucano inclui um movimento só executado atrás das cortinas. Além da dúzia de pré-condições explicitadas em público, há quatro exigências de coxia.

 

A legenda reivindica a vice-presidência do Senado, a quarta secretaria e o comando das comissões de Economia e de Relações Exteriores.

 

Nesse ponto, as pulsões tucanas mimetizam os movimentos da multidão. Que, no Senado, tem um quê de fluvial. Escoa invariavelmente na direção dos cargos.

 

Sarney já se comprometeu a entregar tudo o que deseja a avis rara. Tião se dispõe a fazer o mesmo.

 

O diabo é que o candidato do PT leva uma desvantagem sobre Sarney. Embora benquisto pela maioria, Tião é um petista.

 

Aos olhos do tucanato, o PT é um adversário incontornável de 2010. O PMDB, em contrapartida, é um aliado possível. Daí a inclinação do PSDB por Sarney.

 

Vencida a fase do espetáculo de autovalorização, o tucanato promete anunciar sua posição ainda nesta quarta (28).

 

Confirmando-se a opção por Sarney, o anúncio dará à disputa do Senado uma indefectível aparência de jogo jogado.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Governo renova certificados de 4.100 filantrópicas

Ato baseia-se em MP que Garibaldi devolvera ao Planalto
Cerca de 2.000 entidades estavam em situação ‘irregular’

Guto Cassiano
De uma tacada, o governo renovou os certificados filantrópicos de 4.100 entidades supostamente benemerentes.

 

Estima-se que cerca de 2.000 estejam enroladas em investigações do Ministério Público e da PF e em auditorias do fisco e do INSS.

 

A renovação dos certificados foi baixada por meio da resolução número 3 do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social).

 

O órgão pende do organograma do ministério do Desenvolvimento Social, chefiado pelo petista Patrus Ananias.

 

Editada em 23 de janeiro, a resolução do CNAS foi publicada na edição do Diário Oficial da última segunda-feira (26). A íntegra está disponível aqui.

 

O documento baseia-se na medida provisória 446, assinada por Lula em 7 de novembro de 2008.

 

Trata-se daquela MP que, a pretexto de aperfeiçoar o modelo de concessão de benesses tributárias, concedera perdão a filantrópicas de fancaria.

 

Trazida à luz em notícia veiculada aqui no blog, a MP resultou em estrepitosa polêmica.

 

Submetido à chiadeira, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), decidira, em 19 de novembro de 2008, devolver a MP ao Planalto.

 

O governo acenara com a hipótese de reformular a MP. E nada. Imaginava-se que, com sua decisão, Garibaldi houvesse descarrilado o trem da alegria da filantropia. Engano.

 

Romero Jucá (PMDB-RR) recorrera contra a decisão de Garibaldi. O recurso continua até hoje pendente de votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

 

E o governo considerou que, a despeito da devolução, a MP 446 continua em pleno vigor. Daí a renovação em massa dos certificados de filantropia.

 

A resolução que deu sobrevida às filantrópicas baseia-se no artigo 37 da MP 446.

 

Esse artigo anota que os pedidos de certificado de filantropia já protocolados, mas ainda não analisados até a edição da MP, são considerados como “deferidos”.

 

Esse mesmo artigo traz enganchado um “parágrafo único” onde se lê:

 

“As representações em curso no CNAS [Conselho Nacional de Assistência Social], propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput, ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores”.

 

Significa dizer que todos os pedidos de certificado filantrópico que estavam pendentes de análise foram deferidos sem análise.

 

Mesmo nos casos em que os requerentes sejam acusados das mais desavergonhadas irregularidades. Malfeitorias como as que foram pilhadas na Operação Fariseu, da PF.

 

Na época em que a MP viera à luz, a secretária executiva do ministério do Desenvolvimento Social, Arlete Sampaio, concedera entrevista ao blog.

 

Ela dissera que seria “impossível” analisar, até dezembro de 2008, todos os processos pendentes de julgamento.

 

Afirmara também que, diante das suspeitas de irregularidades, os membros do CNAS estavam “com medo de julgar”.

 

PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 03h56

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Taxa de confiança da indústria é a menor em 10 anos

CNI prevê ‘desaceleração do ritmo da atividade industrial’

 

Divulgação

 

O esforço do governo para estimular a retomada dos investimentos privados não surtiu, por ora, os efeitos desejados. Os industriais continuam pisando em ovos.

 

O taxa de confiança dos empresários da indústria brasileira atingiu, neste primeiro mês de 2009, o mais baixo índice em dez anos.

 

A mediação é feita pela CNI (Confederação Nacionalda Indústria). Chama-se ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial). 

 

O ICEI varia no intervalo de 0 a 100. O otimismo dos entrevistados vai caindo à medida que os valores se apoximam de 50.

 

Abaixo desse patamar, segundo a metodologia da CNI, entra-se no campo do pessimismo. O ICEI tem periodicidade trimestral.

 

O índice de janeiro de 2009 caiu 5,1 pontos em relação ao de outubro de 2008. 

 

Migrou de um otimismo cambaleante (52,5 pontos) para a zona de pessimismo (47,4 pontos). Leia o texto da CNI aqui.

 

O índice de outubro do ano passado já havia atingido o nível mais baixo desde julho de 2005. O de janeiro de 2008 é o menor desde janeiro de 1999.

 

No levantamento de outubro passado, os industriais ouvidos pela CNI anteviram três fenômenos:

 

1) Queda no consumo dos seus produtos; 2) redução na previsão de compra de matérias-primas; e 3) demissão de pessoal.

 

Diante do recrudescimento do pessimismo dos industriais, a CNI anota:

 

“A falta de confiança afetará, negativamente, o nível de investimento e a demanda das indústrias por insumos e matérias-primas...”

 

“...Consequentemente, espera-se a manutenção da tendência de desaceleração do ritmo da atividade industrial, bem como da economia brasileira como um todo”.

 

Vem aí um aumento no número de demissões. Em dezembro de 2008, só em São Paulo, as indústrias mandaram 130 mil trabalhadores ao olho da rua.

 

Para compor o ICEI deste mês de janeiro, a CNI ouviu executivos de 1.407 empresas –749 pequenas, 444 médias e 214 grandes.

 

Verificou-se que o pessimismo é maior entre as empresas de médio porte (45,3 pontos) e as grandes indústrias (47,3 pontos).

 

Entre as pequenas indústrias, o índice de confiança (49,5 pontos) roça a fronteira de 50 pontos que divide as zonas de pessimismo e otimismo.

 

As campeãs do pessimismo industrial são as montadoras de automóveis (ICEI de 39,8 pontos). A indústria de papel e celulose (40,3 pontos) vem logo a seguir.

 

O pé no freio não é exclusividade do setor privado. Nesta terça (27), o governo determinou o bloqueio de R$ 37,2 bilhões em gastos previstos no Orçamento de 2009.

 

Do total congelado R$ 22,6 bilhões referem-se a despesas de custeio. Outros R$ 14,6 bilhões eram destinados a investimentos.

 

PS.: Ilustração via Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Crise faz governo bloquear R$ 37,2 bi do Orçamento

 

- Folha: Ganho dos bancos cresce; inadimplência é recorde

 

- Estadão: Itália chama embaixador de volta e agrava crise com Brasil

 

- JB: O reboque voltou

 

- Correio: Niemeyer na trincheira: “Não abro mão”

- Valor: Governo vê 'barbeiragem' e vai mudar licenças prévias

 

- Gazeta Mercantil: Arrecadação é maior que o PIB do agronegócio

 

- Estado de Minas: BH confirma 20 casos de dengue

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Barreira da língua!

Tiago Recchia

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Temer dissocia a disputa na Câmara do apoio a Dilma

Lula Marques/Folha

 

Otimista a mais não poder, Michel Temer (SP), candidato do PMDB à presidência da Câmara, diz que a hipótese de sofrer traições do PT é um “risco zero”.

 

Apegado à palavra de dirigentes petistas, acha que a disputa do Senado –José Sarney (PMDB-AP) X Tião Viana (PT-AC) –não resultará em defecções na Câmara.

 

Presidente do PMDB, cujo apoio em 2010 é disputado por PT e PSDB, Temer tenta dissociar o jogo legislativo da partida a ser jogada na sucessão de Lula.

 

A despeito de contar com o apoio institucional do PT e também do PSDB, Temer diz que não assumiu nenhuma obrigação futura.

 

“Não vejo nenhuma relação da disputa na Câmara com 2010”, diz o deputado. “Esse é um assunto para o final de 2009...”

 

“...Temos conversado muito sobre isso, mas evidentemente que não é assunto para ser tratado agora”.

 

Não há um compromisso do PMDB com Dilma Rousseff, a candidata de Lula? “Compromisso, não”, afirma Temer.

 

“Nós temos uma ligação, hoje, com o governo. Houve uma coalizão governamental. Pode haver uma tendência para esta direção...”

 

“...Mas isso vai dependenr muito da reunião que o partido venha a fazer no final de 2009, começo de 2010, para tratar desse assunto”.

 

Os comentários de Temer foram feitos em entrevista à CBN (ouça). A certa altura, explicou por que considera impróprio amarrar a disputa do Congresso a 2010.

 

“Não vejo nenhuma relação entre uma coisa e outra. Até porque essas coisas podem mudar, muitas vezes, no mês que antecede as eleições”.

 

Ou seja, o PMDB, a namoradinha da sucessão, agirá com o pragmatismo de sempre. Vai se compor com o presidenciável que tiver mais chances de vitória.

 

Dentro do PT, Temer é visto como personagem perigosamente próximo de José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 20h45

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Lula e Dilma visitam Alencar, que ainda está sedado

Escrito por Josias de Souza às 19h40

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PT já vê em Dilma candidata 'viavel' e 'competitiva'

Lançada por Lula e recebida com um pé atrás por setores do petismo, a candidatura presidencial de Dilma Rousseff já foi absorvida pela direção do PT.

 

Embora Dilma frequente as pesquisas ainda na casa de um dígito, o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), a vê como uma candidata “competititiva”.

 

“A ministra Dilma tem demonstrado um grande compromisso com o projeto liderado pelo presidente Lula”, diz Berzoini.

 

“Por isso mesmo, ela é hoje o nome cotado dentro do PT e fora do PT também como uma candidatura viável e competitiva”.

 

Acha que Dilma, uma vez confirmada pelo PT no ano que vem, terá "todas as condições" de representar o bloco governista na sucessão de 2010.

 

Dilma vai às urnas, no dizer de Berzoini, como símbolo da “continuidade das mudanças apresentadas pelo presidente Lula no processo político de 2002 e em 2006”.

 

Mudanças que, em 2010, estarão “sob avaliação dos eleitores”. Berzoini arremata seu raciocínio:

 

“Esse é o jogo. E a ministra Dilma tem todas as condições de liderar o nosso bloco político em 2010, fazendo desse processo um processo de politização e dicussão política clara com a sociedade”.

 

As declarações de Berzoini foram feitas em entrevista à Rádio Gaúcha (ouça). Falou também sobre a disputa pelo comando da Câmara e do Senado.

 

Otismista, disse que Tião Viana (AC), o candidato do PT à presidência do Senado, ainda reúne condições de prevalecer sobre o rival José Sarney (PMDB-AP).

 

Na Câmara, a despeito de a “candidatura tardia” de Sarney ter desagradado o PT, Berzoini repisa a tecla de que o petismo manterá o apoio a Michel Temer (PMDB-SP).

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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2,4 milhões de empregos vão sumir na AL em 2009

 Guto Cassiano

 

Estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho desenha um 2009 de borrasca para a América Latina e o Caribe.

 

Estima-se que a crise financeira internacional vai produzir na região algo como 2,4 milhões de desempregados.

 

Inverte-se uma curva benfazeja que começara a embicar para o alto em 2003. Naquele ano, a taxa de desocupação no continente era de 11,2 %.

 

Foi decaindo nos anos subsequentes, até estacionar em 7,5% no ano passado. Coisa de 15,7 milhões de desempregados. 

 

Deve-se a redução do desemprego ao crescimento da economia. Em 2008, os países da América Latina e do Caribe cresceram, juntos, a uma taxa média de 4,6%.

 

Em 2009, prevê a OIT, a coisa vai desandar. O crescimento médio despencará para a casa de 1,9%. O que fará o índice de desemprego subir dos atuais 7,5% para 8,3%.

 

Daí o acréscimo de 2,4 milhões pessoas à legião de desempregados. Chama-se Panorama Laboral o estudo da OIT. Tem periodicidade anual.

 

O documento foi elaborado com base em dados disponíveis até novembro de 2008. Algo que, em relação ao Brasil, resulta num cenário defasado.

 

Anota-se, por exemplo, que o ministério do Trabalho registrara, até novembro, a criação de 2,1 milhões de novos empregos formais no Brasil.

 

Registra-se a perda de 40,8 milhões vagas em novembro. Mas o sumiço de vagas de dezembro –mais de 650 milhões— não consta do documento.

 

Citando números da Cepal, a OIT escreve em seu relatório que todos os países da América Latina e do Caribe arrostarão quedas no desempenho de seus PIBs.

 

No Brasil, o crescimento econômico cairá dos 5,9% registrados em 2008 para 2,1%.

 

Um número que coincide com as previsões do mercado (2%) e destoa das estimativas do ministério da Fazenda (4%).

 

- Serviço: Pressionando aqui você chega à integra do estudo da OIT. Infelizmente, foi redigido em espanhol.

- PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 17h39

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Itália chama embaixador no Brasil de volta a Roma

  Folha
A diplomacia, como indica o próprio nome, funciona melhor quando é macia.

 

E, no momento, as relações do Brasil com a Itália têm a textura de uma lixa.

 

Nesta terça (27), a chancelaria italiana determinou o retorno a Roma do seu embaixador em Brasília, Michele Valensise (foto).

 

Para o comum dos mortais, o diálogo, antes de descambar para o tapa, perde-se na acidez das palavras.

 

Com os diplomatas a coisa é diferente. Antes da palavra mais acre e do esvoaçar de luvas de pelica, há o estágio da pausa.

 

Dá-se à pausa o apelido de “convocação do embaixador para consultas”. É como se o país ofendido dissesse ao outro:

 

“Já não tenho o que discutir com você. Agora só converso com os meus botões. Ou resolve a encrenca ou terei de engrossar”.

 

A convocação do embaixador italiano chega menos de 24 horas depois de ter vindo à luz o teor de um parecer do procurador-geral da República sobre o caso Battisti.

 

No texto, enviado ao STF, Antonio Fernando de Souza recomenda o arquivamento do processo de extradição de Cesare Battisti, agora um refugiado político no Brasil.

 

O expediente de chamar de volta o embaixador é usual na diplomacia. Recentemente, o Itamaraty fizera o mesmo em relação ao Equador.

 

Uma resposta à ameaça do presidente-companheiro Rafael Correia de dar o beiço no BNDES.

 

Na ocasião, para realçar a gravidade do gesto, o chanceler Celso Amorim dissera: "Quem conhece as práticas diplomáticas sabe exatamente o que isso significa".

 

Pois bem, convertido agora em Equador da Itália, o governo brasileiro vê-se diante de uma encrenca que ganhou dinâmica de bola de neve.

 

Nascida na mesa do ministro Tarso Genro (Justiça), escorreu pelos escaninhos diplomáticos, rolou sobre a mesa de Lula e estacionou no Supremo.

 

Prevê-se para o dia 2 de fevereiro a deliberação do tribubal. Não são negligenciáveis as chances de Battisti ser brindado com um veredicto açucarado.

 

Nessa hipótese, restará à Itália conformar-se ou partir para retaliações que, no limite, podem levar ao rompimento de relações diplomáticas com o Brasil.

 

Agarrado à decisão de Tarso Genro, Lula está em posição análoga à do sujeito que torce pelo Vasco sentado na arquibancada do Flamengo.

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Obama fixa meta verde para reduzir emissões da frota

 

- Folha: Governo aumenta burocracia para frear importação

 

- Estadão: Multinacionais anunciam 86 mil demissões pelo mundo

 

- JB: 70 mil perdem emprego em menos de 24 horas

 

- Correio: Xô, terceirizados

 

- Valor: Brasil impõe licença prévia para 60% das importações

 

- Gazeta Mercantil: Desemprego avança e mostra o tamanho da crise no mundo

 

- Estado de Minas: Mundo investe mais no Brasil

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h44

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Serra decide não intervir por Tião Viana no Senado

  Dalcío
Rifado pelo Palácio do Planalto, Tião Viana, o candidato do PT à presidência do Senado, ficou nas mãos do PSDB.

 

A cúpula do PT avalia que, sem os 13 votos da bancada de senadores tucanos, Tião deve ser batido pelo rival José Sarney (PMDB-AP).

 

Nos últimos dias, o petismo passou a assediar o governador José Serra (São Paulo), presidenciável do PSDB mais bem-posto nas pesquisas.

 

O PT esperava que Serra, velho desafeto de Sarney, se animasse a arregaçar as mangas por Tião.

 

Em dois diálogos telefônicos com o próprio Tião Viana, Serra mostrou-se simpático à candidatura dele. Mas ficou nisso.

 

A uma semana da queda-de-braço do Senado, Serra não pediu voto a nenhum dos 13 senadores do PSDB.

 

Mais: o governador tucano de São Paulo recomendou expressamente a pelo menos um dos mandachuvas da bancada tucana no Senado: “Tira meu nome dessa história”.

 

Um pedido que deixa os senadores do PSDB à vontade para optar por Sarney. 

 

Para complicar, o governador mineiro Aécio Neves, outro presidenciável do PSDB, também não se animou a comprar briga com Sarney.

 

Procurou-o o ex-governaor petista do Acre, Jorge Viana, irmão de Tião. Mas Aécio, como Serra, preferiu manter distância da arenga do Senado.

 

Há na bancada do PSDB pelo menos cinco senadores simpáticos a Tião. O mais poderoso é Tasso Jereissati (CE).

 

Mas, diante da indiferença de Serra e Aécio e da vontade da maioria, nem Tasso nem os demais parecem dispostos a quebrar lanças pelo candidato petista.

 

A essa altura, as divisões do tucanato estão restritas à partilha dos cargos.

 

O líder tucano Arthur Virgílio (AM) levou a Sarney um nome para a primeira vice-presidência da Casa: Marconi Perillo (PSDB-GO).

 

Em diálogos privados, Álvaro Dias (PSDB-PR) abespinhou-se. Achava que o partido deveria ter dado preferência ao nome dele, não ao de Perillo.

 

Álvaro Dias é, hoje, o segundo vice-presidente do Senado. Um cargo que assumiu há dois anos, meio a contragosto.

 

Almejava a primeira vice. Mas, na ocasião, o PSDB metera-se numa composição partidária e optara por ceder a primeira vice a Tião Viana.

 

Agora, Álvaro achava que deveria ser compensado. Entre quatro paredes, vai chiar. Mas deve mesmo ser preterido por Marconi.

 

Se fechar com o PSDB, como tudo faz crer, Sarney estará virtualmente eleito. Além dos votos tucanos, irá ao plenário com o apoio do seu PMDB e do DEM.

 

Como o voto é secreto, Tião ainda rumina a expectativa de obter os votos de cinco senadores do PMDB.

 

Renan Calheiros (PMDB-AL), o centro-avante da candidatura Sarney, desdenha da aposta. Move-se para restringir a perpectiva de defecção a um mísero nome: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

 

PS.: Ilustração via sítio do Dalcío.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Preferência de Lula por PMDB irrita o PT e os ‘aliados’

 

Uma marolinha de irritação varre os subterrâneos do consórcio governista.

 

Atribiu-se a exasperação à forma como Lula se rendeu à hegemonia do PMDB.

 

A onda começa no PT e contagia os partidos da periferia esquerdista da aliança que provê suporte congressual ao governo –PSB e PC do B, sobretudo.

 

Deve-se a chiadeira à iminência do triunfo do PMDB na disputa pelo comando das duas Casas do Congresso –Michel Temer, na Câmara; e José Sarney, no Senado.

 

Entre quatro paredes, lideranças do PT acusam Lula de retirar o chão de Tião Viana (AC), o candidato do partido à presidência do Senado.

 

Diz-se que o alegado distanciamento de Lula é mera fachada. Acusa-se o presidente de ter capitulado às manobras de Sarney e de Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Algo que, na visão do PT, custará caro ao governo. No período que lhe resta de mandato, o presidente ficaria submetido às “chantagens” da dupla.

 

Sem dispor, na visão do petismo, da mínima segurança de que, em 2010, o PMDB não caia no colo do presidenciável tucano José Serra, contra Dilma.

 

PSB e PC do B acham que, ao eleger o PMDB como parceiro prioritário, Lula como que se distanciou do pólo situado na ala mais à esquerda de sua aliança.

 

Diferentemente do PT, que só alveja Lula em privado, nos outros partidos a irritação começa a transbordar.

 

Ouça-se, por exemplo, o que disse ao blog o senador Renado Casagrande (ES), membro da direção nacional do PSB:

 

“Essa relação do presidente com o PMDB está nos preocupando muito. Ficou comprovado que PMDB é o parceiro preferencial do Planalto”.

 

Para dar uma idéia do abismo que se abre, Casagrande revelou: “Já tem gente no PSB defendendo coligação com o Serra”. Gente da direção nacional.

 

Fechado com a candidatura de Tião Viana, a cúpula do PSB avalia que Lula errou ao facilitar a vida de Sarney.

 

Volte-se a Casagrande: “Vá lá que o governo tenha uma relação diferenciada com o PMDB. É o maior partido...”

 

“...Mas jogar todas suas fichas numa carta só é no mínimo uma imprudência. Convém manter boas relações com os partidos de esquerda”.

 

Agora, mais do que nunca, acha Casagrande, o PSB precisa brandir a candidatura presidencial do deputado e Ciro Gomes (CE).

 

A despeito da insatisfação, o futuro do PT parece irremediavelmente amarrado à vontade de Lula. Para 2010, o partido terá de engolir Dilma Rousseff.

 

A hipótese de que o agastamento de PSDB e PC do B resulte em rompimento é nula. Não há convicção nem mesmo quanto à solidez da alternaiva Ciro Gomes.

 

Mas a algaravia que sacode o porão do consórcio governista demonstra que Lula terá mais trabalho do que gostaria no dia seguinte às eleições internas do Congresso.

 

O tucanato observa os desencontros a uma distância regulamentar. Prepara o bote em cima do PMDB. E acha que pode enganchar ao vagão de 2010 outros “aliados” de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Saída divina!

Lute

Via blog do Lute.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

  Folha/Reuters
1. Na linha: Obama discou para Lula. Falaram por 25 minutos. Sabe-se da conversa o que o Planalto divulgou. De mais relevante dois temas: Doha e biocombustíveis.

 

Sobre Doha, Obama revelou o desejo de destravar a negociação sobre liberalização do comércio mundial. Uma forma de enfrentar a crise. Música.

 

Sobre biocombustíveis, revelou-se simpático à parceria com o Brasil. Mais música. Sobretudo depois das notas desafinadas que Hillary Clinton andou emitindo.

 

Lula convidou Obama para visitar o Brasil em abril. Nada feito. Alegou agenda cheia. Ficaram de conversar em Washington, em março.

 

 

2. Meia-volta: O procurador-geral Antonio Fernando de Souza enviou ao STF um novo parecer sobre o caso Cesare Battisti.

 

No texto anterior, posicionara-se a favor da extradição. Agora, acha que, diante da concessão de refúgio político a Battisti, o Supremo deve arquivar o processo.

 

 

3. Volta e meia: Decidido a dividir a boca do palco com seus críticos, Tarso Genro disse que o caso Battisti virou luta política. Coisa de neoliberal sem bandeira.

 

 

4. Petronews: Sempre que a crise aperta, a Petrobras providencia o refresco. A estatal anuncia agora a descoberta de reservatórios de gás acima do pré-sal, em Santos.

 

 

5. Agroreais: O governo injetará R$ 700 milhões nas arcas de cooperativas agrícolas. O martelo foi batido em reunião de Reinhold Stephanes com Guido Mantega.

 

A grana virá do BNDES. É bem menos do que os R$ 2 bilhões que Stephanes prometera. Ainda não se sabe de onde tirar o R$ 1,3 bilhão que falta.

 

6. Roupa suja: Lula puxou a orelhas de Reinhold Stephanes e Carlos Minc. A dupla bate boca pelos jornais desde o final de semana.

 

Rotulado de ruralista, Stephanes subiu nas tamancas: “Ou ele não entendeu nada ou não foi correto comigo”. Disse que não tinha mais o que conversar com o colega.

 

Minc devolveu: “Eu acho o ministro Stephanes, experiente, ele tá ligeiramente descompensado”. Lula ordenou o fim da arenga. Lavagem de roupa suja, só em casa.

7. Sinais vitais: Depois de passar 17 horas na mesa de cirurgia, o vice José Alencar “respira por aparelhos e mantém todos os sinais vitais normais”.

 

Boletim médico informa que, considerando-se o tipo de operação, considerada radical, o estado de saúde de Alencar é “estável”.

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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Obama começa a reverter política climática de Bush

Nesses primeiros dias de gestão, Barack Obama dedica-se a duas frentes: a gestão da crise e o desmonte do entulho do retrocesso deixado por George Bush.

 

Nesta segunda (26), Obama abriu o caminho para a reversão da política ambiental do antecessor. Tomou duas providências:

 

1. Mandou a Agência de Proteção Ambiental dos EUA reconsiderar sua decisão em relação a um pedido feito pela Califórnia.

 

O Estado solicitara autorização para impor limites mais rigorosos à emissão de dióxido de carbono de automíveis.

 

Sob Bush, o pedido fora negado. Uma decisão que frustrou o início de uma onda. Algo entre 12 e 18 Estados tencionavam imitar a Califórnia.

 

O movimento renasce nas palavras de Obama: "O governo federal precisa trabalhar em conjunto, e não contra os Estados, a fim de reduzir as emissões de gás-estufa..."

 

"...A Califórnia mostrou liderança arrojada e bipartidária por meio de seu esforço para impor padrões do século XXI. E mais de doze Estados seguiram a sua liderança."

 

2. Obama determinou ao Departamento de Transporte que fixe padrões de eficiência aos combustíveis veiculares.

 

A coisa valeria a partir de 2011. Mas o presidente deseja que a política esteja pronta já em março. Quer dar 18 meses à indústria automobilística para se ajustar.

 

Ao menos na retórica, Obama não deixa margem a dúvidas: "Os dias de relutância de Washington terminaram...”

 

“...A minha administração não vai negar os fatos. Seremos guiados por eles". Alvíssaras!

Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Só nesta 2ª, foram ao ‘olho da rua’ 50 mil no mundo

Reuters

 

Até bem pouco, quando o capital especulativo ainda inundava o mundo, vivia-se a ilusão de que a maré alta fazia subir todos os barcos.

 

Descobertas as mandracarias do mercado sem controle, sobreveio a grande seca. E as embarcações jogam ao mar o “fardo”, o “excesso de carga”.

 

Só nesta segunda (26), o afogamento coletivo atingiu pelo menos 50 mil pessoas.

 

O número pode passar de 70 mil se considerados os dados sobre emprego divulgados por montadoras de automóveis do Japão.

 

Tudo isso ocorre sob os olhares atônitos de um sindicalismo fraco e uma esquerda irrelevante.

 

A Caterpillar, fabricante americana de máquinas para o setor de construção, mandou ao olho da rua, de uma canetada, 20 mil empregados. Pasmo!

 

Na Europa, multinacionais e casas bancárias anunciaram que 17.200 empregos serão passados na lâmina. Estupefação!

 

A fase de maré baixa chegou também às praias brasileiras. A Fiesp informa que, no mês passado, a indústria paulista lançou ao mar 130 mil vagas.

 

A federação patronal declara-se surpresa. Imagine-se o assombro dos desempregados. A coisa deve piorar nos próximos meses.

 

O próprio governo estima que, neste 2009, o Brasil viverá um primeiro trimestre de horrores.

 

Em meio à atmosfera de borrasca, o único negócio com chance de prosperar talvez seja a fabricação de bóias e botes salva-vidas.

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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‘Qualquer juiz absolveria Battisti’, afirma Tarso Genro

  Sérgio Lima/Folha
O ministro Tarso Genro (Justiça) acha que se desvirtuou o debate suscitado pelo refúgio político que concedeu ao ex-terrorista italiano Cesare Battisti.

 

Na opinião de Tarso, a polêmica escorregou do campo jurídico para a seara política. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o ministro disse:

 

“Qualquer juiz que examinasse o processo criminal absolveria o Battisti por insuficiência de provas...”

 

“...Naquela oportunidade de violência que ocorreu lá [na Itália] de parte a parte, obviamente eu acho que é plenamente justificável que se pensasse daquela maneira...”

 

“...Mas hoje, qualquer juiz que examine um processo daquele tipo, daquela época, certamente não estará influenciado”.

 

Contratado pela embaixada da Itália no Brasil, o advogado Nabor Bulhões rebate a opinião de Tarso:

 

“A Corte Europeia de Direitos Humanos julgou, em 2006, a legitimidade das condenações na Itália e a legitimidade da extradição concedida pelas três instâncias francesas...”

 

“...A Corte Europeia de Direitos Humanos não é um tribunal nem da Itália nem da França. É a corte instituída pelos estados europeus para implementar os direitos humanos e não perseguir as pessoas...”

 

“...E a corte europeia disse que Battisti teve amplíssima defesa tanto na Itália, quanto na França...”

 

“...Não há nos autos do processo de refúgio qualquer elemento que autorize se afirmar idoneamente que Cesare Batistti não teve direito a defesa”.

Escrito por Josias de Souza às 17h05

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Sarney promete ao DEM cargo com verbas de R$ 2 bi

Sérgio Lima/Folha

Candidato do PMDB à presidência do Senado, José Sarney (AP) comprometeu-se a entregar para o DEM um dos cargos mais cobiçados da Mesa diretora.

Chama-se primeira secretaria. Cuida da administração do Senado. Gere um orçamento anual de mais de R$ 2 bilhões.

Passam pela mesa do primeiro secretário: a folha salarial do Senado, contratos milionários de aquisição de bens e serviços...

...Viagens dos senadores, verbas de gabinete, gestão de apartamentos funcionais e um interminável etc.

Hoje, a primeira secretaria é comandada pelo senador 'demo' Efraim Morais (PB). Deve passar às mãos de Heráclito Fortes (DEM-PI).

Sob Efraim, o Ministério Público abriu pelo menos cinco investigações. Envolvem da contatação irregular de servidores terceirizados a supostas fraudes em contratos.

Heráclito, o provável substituto de Efraim, deixará a presidência da Comissão de Relações Exteriores, reivindicada pelo PSDB, que planeja entregá-la a Eduardo Azeredo (MG).

Rival de Sarney na disputa pelo comando do Senado, o petista Tião Viana (AC) ofereceu a Primeira Secretaria ao PSDB.

A oferta foi vista como uma tentativa de Tião de provocar cizânia na seara oposicionista, indispondo o PSDB com o DEM.

O tucanato prefere ocupar na Mesa o cargo de primeiro vice-presidente, a ser entregue a Marconi Perilo (PSDB-GO).

Depois da primeira secretaria, por ordem de importância, o DEM reivindica a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

A pretensão submete Sarney e o centro-avante da candidatura dele, Renan Calheiros (PMDB-AL), a uma constrangedora saia justa.

Depois de mandar à cucuia a recandidatura de Garibaldi Alves (PMDB-RN), Renan e Sarney acenaram com a hipótese de acomodá-lo num posto de primeira grandeza.

Garibaldi ambiciona justamente a CCJ, comissão da qual os 'demos' não abrem mão. Sarney tem dificuldades para contrariar o DEM, seu parceiro de primeira hora.

Renan coordena, em nome de Sarney, a negociação dos cargos com os líderes dos demais partidos. Torra os miolos para arrumar uma acomodação para Garibaldi.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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As manchetes desta segunda

- Globo: Pacote acaba com firma reconhecida mais uma vez

- Folha: Crise reduz arrecadação e afeta planos dos Estados

- Estadão: FMI prevê pior ano desde a 2ª Guerra

- JB: Mais de mil vetos dormem na gaveta

- Correio: Dois carros clonados a cada três dias no DF

- Valor: Vendas e produção de PCs, caem, após anos de recorde

- Gazeta Mercantil: Descontos seguram importações em alta

- Jornal do Commercio: Defensor de direitos humanos executado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h40

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Com que roupa?!?!?

Pelicano

Via blog Movimento das Artes.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Governo prevê juros de 10,75% para o final de 2009

A taxa Selic, que serve de baliza para os juros cobrados pelo mercado, deve continuar declinando nos próximos meses.

Análise feita pelo ministério da Fazenda e repassada a Lula estima que os juros básicos da economia cairão para 10,75% até o final do ano.

Na última quarta (21), o Copom reduziu a taxa de 13,75% para 12,75% ao ano. O corte de um ponto percentual foi o maior desde dezembro de 2003.

Para que a previsão da Fazenda se confirme, os juros terão de cair, nos próximos meses, mais dois pontos percentuais. 

Integrado pela cúpula do BC -o presidente Henrique Meirelles e seus diretores- o Copom tem tratado os juros com independência inaudita.

Lula sempre expõe a Meirelles o seu ponto de vista, não raro a favor da queda dos juros. Mas jamais interveio de modo a impor sua vontade ao BC.

Agora, o presidente espera que a novidade anunciada pelo Copom na semana passada represente o início de um longevo ciclo de baixa.

Lula trata a previsão da Fazenda (10,75%) como teto. Torce para que, até dezembro, o pé-direito da taxa de juros possa ser medido na casa de um dígito.

A crise conspira a favor de uma confluência de opiniões. Normalmente em campos opostos, Fazenda e BC parecem remar agora na mesma direção.

Na nota que divulgou na quarta, o Copom anunciou a chegada de "processo de flexibilização da política monetária".

Resta saber se a "flexibilização" com que trabalha o BC tem o mesmo tamanho do amolecimento que consta dos estudos da Fazenda.

Para a equipe do ministro Guido Mantega, a poda consistente dos juros é essencial para que a economia se recupere, já no final de 2009, do baque que vai sofrer nos dois primeiros trimestres do ano.

Escrito por Josias de Souza às 20h36

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

  AP
1. Asilo: Num mundo em mutação constante, em que socialistas viram direitistas em pleno voo, ideologias bem velhinhas vêm morar na América Latina.

Neste domingo, os bolivianos foram às urnas para dizer, em referendo, se aceitam a nova Constituição aprovada sob Evo Morales. O "sim" deve prevalecer.

O texto dá a Evo permissão para reeleger-se. No papel, iça a maioria pobre, de origem indígena, ao primeiro plano da vida institucional.

A oposição apressa-se em apontar "fraude" na votação. Evo Morales exige "respeito". O Brasil, pra variar, pode sair no prejuízo.

Tomada pelo ponto de vista do governo, a nova Constituição é um tratado de boas intenções. Vista pelo lado prático, é o caminho mais longo entre o projeto de país e sua realização.

2. Previsões: Exaustos da própria inutilidade, organismos financeiros internacionais dedicam-se a nova atividade: a lamentação depois do fato.

O FMI está prevendo um 2009 terrível. O Fundo vai rever sua previsão de crescimento do mundo de 2,2% para algo em torno de 1% e 1,5%.

3. Calvário: O vice José Alencar voltou à mesa de cirurgia neste domingo (25). Tenta-se arrancar de seu abdome um novo tumor cancerígeno. A operação pode durar 20 horas. Boletim médico diz que a coisa é complexa.

4. História: Na bica de virar mero verbete de enciclopédia, o ditador cubano Fidel Castro começa a descobrir que a posteridade pode não ser um refúgio seguro.

O ex-guerrilheiro cubano Daniel Alarcón Ramírez, o "Benigno", acusa Fidel de ter traído Che Guevara a mando de Moscou.

Alarcón Ramirez diz que a morte de Che resultou de uma conspiração urdida por Fidel e pela velha União Soviética. 

5. 'Uuuuuuuu...': Sob chuvas, a cidade de São Paulo está fazendo aniversário de 455 anos. Em meio aos festejos, a velha senhora não consegue esconder algumas de suas rugas.

Na missa comemorativa, um grupo de moradores do centro da cidade postou-se defronte da Catedral da Sé. Gritavam: "O povo na rua, a culpa é do Kassab".

Compõem as 34 famílias que estão prestes a ser desalojadas pela prefeitura de um edifício chamado Mercúrio.

O prefeito 'demo' contornou a algaravia valendo-se de uma entrada lateral da igreja. Na saída, balcucionou meia dúzia de palavras que não permitem antever o destino das famílias que perderão o teto:

"A prioridade do uso dos recursos públicos, de todos aqueles que querem uma cidade melhor, é para que, com suas ações, procurem reduzir desigualdades sociais que ainda existem na cidade".

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Gaspari: Os atravessadores atrapalham Lula e Obama

Baptistão

Vão abaixo dois pedaços da coluna de Elio Gaspari, na Folha (só assinantes), que acomodam Obama na cena brasileira:

"Lula e Barack Obama têm tudo para se entender, desde que decidam cuidar das prioridades das relações entre os seus governos.

Se deixarem a agenda cair nas mãos de atravessadores, pequenas vaidades criarão grandes problemas e questões secundárias serão transformadas em atritos.

O primeiro sintoma dessa anomalia surgiu há poucas semanas, quando Roberto Mangabeira, ministro do-sei-lá-o-quê desceu em Washington para discutir Cuba, defesa e etanol com assessores de Obama.

Sua credencial estaria no fato de ter sido professor do atual presidente quando ele estudava em Harvard. Tudo bem, mas quando o ex-aluno não tem tempo para receber o ex-professor, a etiqueta recomenda que o mestre tome o caminho de casa.

Mangabeira não foi a única vaidade da feira. Em dezembro, o chanceler Celso Amorim acusou o presidente eleito de "se esconder atrás de formalidades", permitindo o funeral da Rodada Doha.

Está certo que o doutor jogou sua sorte nessa negociação comercial. Caso ela chegasse a bom termo, quem sabe, estaria credenciado para suceder o atual diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Deu errado, paciência.

O chanceler brasileiro não deve dar aulas ao presidente eleito dos Estados Unidos. Primeiro, porque não adianta. Segundo, porque é ridículo.

Do outro lado do balcão, dona Hillary Clinton mostrou que poderá detonar o programa de cooperação do Brasil e dos Estados Unidos em torno da produção de etanol.

Pela primeira vez em mais de 50 anos um projeto desenvolvimentista brasileiro teve o apoio de Washington. Ficou no palavrório de Nosso Guia e de George Bush, mas já foi alguma coisa.

Em cima de um programa de estímulo à produção de etanol pode-se construir uma nova fase das relações entre os dois países. Na busca do envenenamento, é só continuar na trilha seguida pela senhora Clinton.

Ela defende os subsídios ao etanol americano (de milho) e associa o brasileiro (de cana) a dificuldades ambientais. Esse tipo de prepotência é a semente do antiamericanismo na América Latina.

Lula e Obama têm muito em comum, até mesmo em alguns sofrimentos que a vida lhes impôs. Ambos foram abandonados pelo pai (no caso do presidente americano, o avô de sua mulher também largou a família por 14 anos).

Por caminhos diferentes, chegaram ao topo da montanha contrariando a história e o jogo do andar de cima. Podiam combinar uma coisa: não fazer nada enquanto não conversarem".

- Barack lá, Bush cá: "Tem muita gente boa aplaudindo Barack Obama porque ele proibiu a prática de torturas contra presos. O suplício mais conhecido era a simulação de afogamento.

Um pedaço dessa mesma plateia emocionou-se com a valentia do Capitão Nascimento no filme "Tropa de Elite" e com o poder de persuasão de seus sacos de plástico.

É um novo tipo de esquizofrenia política. O sujeito é Obama nos Estados Unidos e George Bush no Brasil".

PS.: Ilustração via blog do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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Para apoiar Sarney, PSDB exige a vice e 2 comissões

Sérgio Lima/Folha

Convertido em fiel da balança da disputa pela presidência do Senado, o PSDB está a um passo de fechar com José Sarney (AP), o candidato do PSDB.

Os tucanos exigiram de Sarney três postos. Se forem atendidos, fecharão as portas para Tião Viana (AC), o candidato do PT. Eis as posições reivindicadas pelo PSDB:

1. Primeira vice-presidência: O tucanato deseja acomodar na cadeira o senador Marconi Perilo (PSDB-GO);

2. Comissão de Assuntos Econômicos: O PSDB não abre mão de entregar a presidência dessa comissão ao senador Tasso Jereissati (CE);

3. Comissão de Relações Exteriores: Para o comando dessa comissão, os tucanos indicaram Eduardo Azeredo (MG).

As exigências do PSDB foram levadas a Sarney pelo líder tucano Arthur Virgílio (AC). O candidato mostrou-se receptivo.

Sarney condicionou o atendimento das exigências apenas a um acerto com os líderes dos demais partidos que o apóiam.

Incumbiu-se Renan Calheiros (AL), virtual novo líder do PMDB e centro-avante de Sarney, de conduzir a articulação que deve levar à formalização do acordo.

Fixou-se a próxima quarta-feira (28) como data limite para a conclusão das negociações. Nesse mesmo dia, Sarney reúne o PMDB num almoço.

O encontro servirá para oficalizar a candidatura de Sarney e sacramentar a saída de Garibaldi Alves (PMDB-RN) do jogo.

No dia seguinte, quinta-feira (29), reunem-se as duas bancadas de oposição: a do PSDB e a do DEM.

No caso dos 'demos', que já fecharam com Sarney, o encontro da bancada será mera formalidade. Vai-se apenas ratificar o decidido.

Quanto aos tucanos, se forem atendidos em suas reivindicações, tendem também a derramar os seus 13 votos no colo de Sarney.

É essa a tendência de Arthur Virgílio e do presidente do PSDB, Sérgio Guerra. A dupla recebera, no final de 2008, delegação da bancada para tratar do tema.

Confirmando-se a adesão do PSDB a Sarney, só por um milagre o petista Tião Viana prevaleceria na disputa pelo comando do Senado.

Dentro do próprio PT a posição do PSDB é vista como definidora do jogo. Vem daí o esforço de Tião Viana para arrastar para o centro da disputa o governador José Serra.

Tião já teve duas conversas telefônicas com Serra, que não se bica com Sarney. Deve ter uma terceira.

Parte-se da avaliação de que um pedido de Serra, hoje o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas, poderia inverter a tendência da bancada do PSDB.

Por ora, Serra não se moveu na direção pretendida por Tião. Parceiros de 2010, líderes do PSDB e do DEM duvidam que o governador venha a fazer o pedido.

Ainda que Serra peça, não é negligenciável a hipótese de não ser atendido. No final de 2007, Serra recomendara a aprovação da CPMF. Os senadores tucanos votram contra.

De resto, o sarneyzista DEM também mexe os seus pauzinhos em São Paulo. Jorge Bornhausen (DEM-SC) esteve com o ex-presidente FHC.

O petista Jorge Viana, ex-governador do Acre e irmão do candidato do PT, também foi a FHC. Contou a lideranças petistas ter ouvido dele palavras de apreço a Tião.

A julgar, porém, pelo telefonema de apoio que FHC deu a Sarney na sexta (23) a embaixada de Bornhausen teve mais sucesso.

Na fase em que o candidato do PMDB inda era Garibaldi Alves, Tião Viana colecionara algo como seis promessas de voto no DEM e dividira ao meio a bancada do PSDB.

Com Sarney, afirmam lideranças 'demos' e tucanas, a chance de haver defecções seria pequena, muito pequena, mínima.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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As manchetes deste domingo

- Globo: Judiciário ignora crise e quer mais R$ 7,4 bi para pessoal

- Folha: Inadimplência de empresas registra maior alta desde 99

- Estadão: Queda veloz na exportação assusta governo e indústria

- JB: A desordem mora ao lado

- Correio: Praça na Esplanada inflama Brasília

- Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas

- Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança

- Veja: Aborto - Os médicos rompem o silêncio

- Época: Como segurar seu emprego na crise

- IstoÉ: Como usar melhor seu tempo

- IstoÉ Dinheiro: Votorantim assume papel global

- CartaCapital: Obama e a realidade

- Exame: O mundo que ele criou

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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Atlas!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 00h56

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História do PMDB é a negação das teorias de Darwin

Michael Caronna/Reuters

Num instante em que o mundo celebra o 200º aniversário do nascimento de Charles Darwin, o PMDB converteu-se em prova política dos desacertos do cientista.

Quem vê o que aconteceu com o PMDB nos últimos anos, fica tentado a levar o pé atrás em relação à Teoria da Evolução pela Seleção Natural.

Uma passada de olhos pelo quadro de lideranças do PMDB, que supostamente representam o que o partido tem de melhor, impõe uma conclusão inexorável;

Pelo menos na tribo dos peemedebês, o homem brasileiro parou de evoluir. Pior: tomou um caminho inverso ao que fora esboçado na grande teoria.

Lá atrás, o PMDB tinha a cara de Ulysses Guimarães. Ficou com a cara do Quércia. Foi adornado com o bigode de Sarney...

...Ganhou a sobrancelha de Jader -o Barbalho. Migrou para a face brejeira de Renan... Interrompa-se a lista aqui, para não cansar o leitor.

Foi assim, afrontando a ciência, que aquele PMDB que combatera a ditadura -que a Arena de Sarney ajudava a disfarçar-, virou o PMDB dos dias que correm.

Registre-se, em homenagem à lógica, que o PMDB, tomado por seu peso numérico, tem todo o direito de reivindicar o comando do Senado.

Mas precisava apresentar-se com a cara do Sarney, à sombra do Renan? Bem verdade que, a certa altura, pendurou-se nas manchetes o nome de Pedro Simon.

Num concurso de beleza, Simon daria vexame. Mas, numa eleição para o cargo máximo do Legislativo, até que não faria feio.

O diabo é que Simon não passava de mais uma jogada de Renan. Uma maneira de divertir o Senado enquanto se alinhavada a costura em torno de Sarney.

Sarney reivindica o retorno à vitrine por razões só explicitadas a portas fechadas. Deseja recuperar o terreno que perdeu no Maranhão.

De resto, busca um escudo para as investigações que a Polícia Federal de Tarso Genro realiza nas cercanias dos negócios do filho, Fernando Sarney.

Nenhuma palavra à platéia sobre o futuro do Senado, hoje com os joelhos grudados no chão. Discute-se apenas a partilha dos cargos de direção, das comissões.

Se fosse possível tirar um retrato do que se passa em torno da dupla Sarney-Renan, a imagem evidenciaria que, em política, o cinismo pode ser uma forma de resignação.

Tricotam com Renan todos os que, há bem pouco, pediam a cabeça dele da tribuna do Senado. É como se a ex-virtude já não se importasse em dar as mãos à indecência.

Cercado de PMDB por todos os lados, Lula, valendo-se de uma suposta "isenção", joga água no moinho de Sarney. FHC também ligou para manifestar simpatia.

Tudo se passa sob o manto diáfano da indulgência de parte da imprensa. Realce-se a volta de Renan ao primeiro plano. Esquece-se o passivo que o levara ao ostracismo.

Assim, cortejado por governo e oposição, alisado pelo noticiário, o PMDB assegura os cargos presentes e os futuros. Sob Dilma, Serra ou quem quer que seja.

Observando o retorno de Sarney à ribalta do Senado, puxado pela gola por um Renan redivivo, um macaco haveria de perguntar a Darwin:

- Será que valeu a pena?

- Serviço: Fica aberta até 19 de abril, no Museu de História Natural de Londres, a esposição "Darwin, Grande Idéia". Há um aperitivo aqui. Cambridge mantém na rede um portal com as obras do cientista. Está disponível aqui, infelizmente em língua inglesa.

Escrito por Josias de Souza às 18h57

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Gato recebia R$ 20 por mês do Bolsa Família em MS

Leia sobre o tema aqui.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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'Não aceito tentativa de rolo compressor', diz Aécio

  Folha
A desenvoltura com que José Serra mira em 2010 tonificou em Aécio Neves o desejo de disputar com ele a vaga de presidenciável ofical do PSDB.

Aécio encomendou estudos, prepara-se para correr o país e se diz bem-posto no partido para disputar uma prévia com Serra.

"Estou pronto para ser o candidato, se o caminho for esse. Com a mesma tranquilidade, estou pronto também para não ser, se for o caso".

Só não aceita a tentativa de imposição de um "rolo compressor". Sobre Dilma Rousseff, a candidata de Lula, Aécio diz:

"Não sei se alguém que nunca disputou uma eleição, que tem um temperamento forte como o dela, terá condições de enfrentar uma campanha nacional".

Vai abaixo a entrevista concedida por Aécio ao blog:

- Alguma mudança de planos em relação a 2010? Se houve foi no sentido de firmar uma posição. Quem tiver melhores condições deve ser o candidato do PSDB. E me dou ao direito de achar que devemos esperar até o final do ano.

- Como se dará a decisão? Não pode ser construída no atropelo, em razão exclusivamente dos indicadores de pesquisa, que trazem, claramente, um recall.

- Como recebe a postulação de José Serra? O Serra tem todo o direito de postular. Só que temos de acertar entre nós o momento e a forma da decisão. Além das pesquisas, outras questões têm de ser consideradas.

- Que questões? Por exemplo, a capacidade de aglutinar outras forças políticas.

- Considera-se mais capaz de aglutinar? Acho que eu tenho um diálogo talvez mais natural com partidos que hoje estão confortáveis sob o guarda-chuva do presidente Lula e amanhã podem não estar. Essa costura que fizemos na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte, com o PSB, não é uma coisa à toa. Com o PDT também tenho um bom diálogo...

- De que modo isso interfere na decisão do PSDB? Tomaremos essa decisão num ambiente que é diferente do de hoje. No segundo semestre, sentiremos os efeitos da crise de forma mais profunda. Até lá, as pessoas poderão estar dizendo: 'Olha, precisamos de uma grande convergência, para construir uma agenda nova para o Brasil. Pode ser que haja ambiente para uma solução que aponte para um futuro que não leve em conta apenas o recall de pesquisas. Da mesma forma que respeito a postulação do Serra, quero que respeitem a minha.

- Não valoriza as pesquisas? O que me preocupa são os raciocínios simplistas. Do tipo: Se estamos na frente na pesquisa, já ganhamos a eleição. Uma coisa é o recall da largada eleitoral. Outra coisa é a capacidade de crescimento.

- Acha que pode crescer? Tenho comigo uma pesquisa que mostra o Serra com 40% a 43%, dependendo do cenário, com uma taxa de conhecimento de 90%. Eu apareço com 25%, com uma taxa de conhecimento de 46%. Tem espaço para o meu crescimento. Se vai ocorrer ou não é uma coisa a ser verificada.

- Sérgio Guerra lhe pediu para desistir das prévias?

Ao contrário. Isso não passou nem perto da nossa conversa. Discutimos justamente a o contrário. Tratamos da regulamentação das prévias.

- Então, é certo que haverá prévias? O compromisso da direção do partido é de regulamentar a prévia até março. Serão estabelecidos os prazos, a forma e o formato do colégio eleitoral. Quanto à realização, vai depender da existência ou não de disputa.

- Considera a hipótese de se convencer de que a hora é de Serra? Pode acontecer o inverso também. O Serra, que tem os pés no chão, pode se convencer de que a hora é do Aécio.

- Não lhe parece difícil que Serra abra mão? Acho que a tendência é de que ele vá em frente. Mas, de minha parte, não perco nada em construir a minha trajetória.

- Quais são as chances do PSDB em 2010? Creio que temos uma grande chance. Mas nada é tão simples. Precisamos mostrar para as pessoas por que é melhor votar de novo no PSDB. Não dá para se acomodar achando que, porque estamos na frente nas pesquisas, já ganhamos a eleição.

- Que chances atribui a Dilma Rousseff? Vejo um aspecto positivo na candidatura dela. Teremos uma campanha de alto nível. Pensando no Brasil, seja comigo ou com o Serra, teremos um debate qualificado. O que não sei é se alguém que nunca disputou uma eleição, que tem um temperamento forte como o dela, terá condições de enfrentar uma campanha nacional, com todas as cascas de banana que certamente serão colocadas à sua frente.

- O apoio de Lula não atenua as deficiência? O candidato não será o Lula, mas a Dilma. Entre nós e eles, creio que há muito mais dificuldade do lado de lá.

- Com o peso do governo, Dilma vai ao segundo turno, não? Depende. Nessa eleição, as opções ficaram muito restritas. Não há a perspectiva de termos um grande número de candidatos. Num cenário assim, em que há grande chance de ocorrer uma polarização entre duas candidaturas, pode haver uma espécie de segundo turno no primeiro.

- Quais serão os efeitos da crise no processo sucessório? A crise limita um pouco a influência do presidente. Não falo apenas do Lula. Vale para todos os governantes, inclusive para nós. O presidente sempre terá alguma influência, mas pode ser menor. Isso já ficou demonstrado nas eleições municipais. O sentimento de muitos era o de que Lula seria uma espécie de Midas. Todo candidato tocado por ele viraria ouro. Estão aí os casos de São Paulo, de Natal e outros a demonstrar que não é bem assim.

- O que acha da forma como o governo Lula lida com a crise? Acho que está lidando de forma adequada. Não é do meu feitio criticar apenas porque estou no outro campo. Acho que demoramos um pouco a inverter a lógica dos juros. Fizemos o caminho inverso ao do resto do mundo até essa última reuniao do Copom. Creio que já poderia ter baixado os juros há uns 30 dias, sinalizando com a continuidade dessa inversão. No mais, creio que o governo tem agido.

- O PSDB conseguirá evitar o erro da desunião? Só depende de nós. Todos temos os nossos projetos. Mas também temos espírito público para sair disso unidos. Só não aceito a tentativa de impor o rolo compressor. Não cabe dizer que já está resolvido, que será São Paulo, que São Paulo manda. Esses argumentos não me sensibilizam.

- Que argumentos o sensibilizam? Temos de verificar, no momento da decisão, qual o nome mais apropriado para a conjuntura. Essa coisa de São Paulo, numa eleição nacional, será explorada. Não por nós, mas pelos adversários. Há um certo enfado das soluções paulistas.

- Em caso de prévias, considera-se bem-posto na base do partido? Sim. Do contrário não estaria insistindo nisso. Sinto que há um sentimento de mudança de ciclo, de descontração de poder. Isso joga contra São Paulo e a favor de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. A ultima pesquisa Vox Populi feita em minas me dava 83% de aprovação.

- Quais são seus planos? Vou viajar o país. Estou construindo, com um grupo de pessoas, um conjunto de propostas.

- Quando inicia as viagens? Em março, a partir da regulamentação das prévias.

- Já traçou o roteiro? Não. Mas o início será pelo Nordeste. Percebo nas pesquisas que tenho algo como 36% no Sudeste, onde sou mais conhecido, e 17% no Nordeste. É onde meu índice de conhecimento é menor.

- Quantas viagens fará? Farei dois ou três Estados por mês. Sem muita pressa, mas mostrando que o jogo ainda não está definido.

- Quando o PSDB vai escolher o candidato? No final de 2009. O ideal é fazermos as prévias ali por novembro. Seria bom para o nosso partido se entrássemos em 2010 já com essa decisão tomada. Até para que, na hipótese de restar alguma aresta, haja tempo de superar.

- Podem restar arestas? Estaremos juntos sem nenhuma dificuldade. Só quero ter o direito de discutir essa questão à luz da realidade do momento. Sem imposições. Estou pronto para ser o candidato, se o caminho for esse. Com a mesma tranquilidade, estou pronto também para não ser, se for o caso.

Escrito por Josias de Souza às 03h44

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As manchetes deste sábado

- Folha: Petrobras anuncia plano recorde de investimento 

- Estadão: Brasil faz célula-tronco sem embrião

- JB: Lei seca no maracanã

- Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas

- Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança

- Estado de Minas: Grande BH terá piscinões para evitar enchentes

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Racistas anônimos!

Angeli

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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Dilma 'inaugura' ordem de serviço em Pernambuco

  Jorge Araújo/Folha
Lula recomendou a Dilma Rousseff, sua presidenciável, um relaxamento na agenda de trabalho de 2009.

O presidente quer que sua candidata percorra o país. Uma forma de forjar a imagem de uma líder nacional.

Dilma parece ter tomado a orientação do chefe ao pé da letra. Abalou-se de Brasília para Perambuco.

Foi, por assim dizer, "inaugurar" uma ordem de serviço.

Participou de pajelança organizada pela Petrobras para marcar a assinatura da "autorização de início de serviço" de uma obra.

Trata-se da casa de força da Refinaria Abreu e Lima. Um empreendimento cuja inauguração, antes prevista para 2010, foi empurrada para 2011.

Dilma foi cortejada como candidata. Prometeu manter e ampliar as obras do PAC. Propagandeou o programa habitacional que o governo está na bica de lançar: 500 mil casas por ano, em 2009 e 2010.

Foi uma beleza. Porém, ou o governo acelera as obras do PAC ou logo a chefe da Casa Civil, no compreensível afã de fazer-se conhecida, estará capitaneando solenidades de aperto de parafusos.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Itália pede ao STF para ser ouvida no 'caso Battisti'

  AP
Continua acesa a polêmica em torno do refúgio concedido ao Brasil pelo ex-terrorista italiano Cesare Battisti.

Nesta sexta (23), o governo italiano protocolou uma petição no STF. Pede acesso ao processo de extradição de Battisti.

Roma deseja ser ouvida pelo Supremo sobre a decisão do ministro Tarso Genro (Justiça), que garantiu a Battisti o status de "refugiado".

Também nesta sexta, os advogados de Battisti, entre eles Luiz Eduardo Greenhalgh, reforçaram no STF o pedido para que seu cliente seja posto em liberdade.

Lula respondeu à carta-protesto que recebera do presidente italiano Giorgio Napolitano.

No texto, Lula expressa respeito pelo sistema judiciário italiano. Mas sustenta a posição de seu ministro da Justiça.

Diz que a decisão escora-se na Constituição e na legislação infra-constitucional do Brasil. Ou seja, não lhe passa pela cabeça rever o despacho de Tarso Genro.

O blog apurou que o STF deve deferir o pedido de vista formulado pela Itália. O caso deve levado ao plenário dotribunal no próximo dia 2 de fevereiro.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Vídeo mostra instante em que teto da Renascer ruiu

Pressionando aqui você chega aos detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 22h13

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No STF, investigação contra Renan tem 29 volumes

Folha

Depois de um 2007 turbulento e de um 2008 de ostracismo, Renan Calheiros (PMDB-AL) programou para si um 2009 de glórias.

Pôs de pé a candidatura do amigo José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado. Em fevereiro, assumirá a liderança do PMDB na Câmara Alta.

Junto com Renan, voltam à vitrine as suspeitas que rondam o senador. Embora absolvido duas vezes por seus pares, ele é protagonista de um inquérito.

Corre no STF, em segredo. Renan frequenta os autos na condição de "indiciado". Curiosamente, o processo foi aberto a pedido do próprio Renan.

Deu-se em agosto de 2007, numa fase em que a lamina da cassação ainda roçava o pescoço de Renan.

O senador desejava afastar de si a suspeita de que usara notas frias em transações com gado.

Queria provar que não era de má origem o dinheiro que usara para pagar a pensão da filha que tivera em relacionamento extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso.

Súbito, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza decidiu ampliar a apuração das malfeitorias atribuídas a Renan.

E o processo virou-se contra o Senador. Já acumula 29 volumes. Vai além das denúncias que o Senado preferiu ignorar.

Noves fora os negócios pecuários, há nos autos papéis requisitados a vários órgãos públicos.

Entre eles os ministérios da Integração, Esporte, Turismo e Cultura, além dos Correios e da Sudene.

Há, de resto, documentos com informações bancárias e fiscais. Vieram da Receita Federal, Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), BC e Bradesco.

Instado a comentar a encrenca, Renan disse que não quer "falar sobre essas coisas". Natural. O que o senador quer agora é voltar à ribalta.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Governo quer elevar investimentos em R$ 18 bilhões

Stock Images

O governo deseja elevar os investimentos públicos no ano de 2009 em R$ 18 bilhões.

Deseja-se que parte desses investimentos seja provida pela Petrobras.

O conselho de administração da estatal veio a Brasília para expor a Lula o seu plano de investimento para o período 2009-2013.

Outra parte dos R$ 18 bilhões pretendidos pelo governo virá na forma de um reforço no orçamento do PAC.

O governo já dispõe de uma versão preliminar da lista de obras que terão o borderô tonificado.

Em 2008, a Petrobras investira o equivalente a 1,1% do PIB. Coisa de R$ 33 bilhões.

Para 2009, o governo deseja empurrar a cifra para as cercanias de 1,4% do PIB. Um adicional de R$ 9 bilhões.

Quanto às obras bancadas diretamente pela União, os investimentos de 2008 somaram 0,9% do PIB.

Em reais: cerca de R$ 26 bilhões. Desse total, apenas R$ 7,8 bilhões foram despejados nas obras do PAC.

Para 2009, a idéia do governo é a de elevar sua cota de investimento direto também para algo em torno de 1,4% do PIB. Mais R$ 9 bilhões.

Esse dinheiro seria integralmente carreado para obras do PAC cujo cronograma de execução esteja avançado.

Cogita-se também substituir obras atrasadas por projetos novos.

Essas iniciativas integram o esforço de Brasília para atenuar os efeitos da crise sobre a economia brasileira.

Somam-se a outras medidas já anunciadas -o aumento da carteira de empréstimos do BNDES em R$ 100 bilhões-e ainda por anunciar -o plano habitacional.

PS.: A Petrobras divulgou na noite desta sexta (23) o seu plano de investimentos para o período 2009-2013. Soma extraordinários US$ 174 bilhões.

A versão anterior anotava US$ 112,4 bilhões. Assim como subiu, pode descer, caso a crise econômica se agrave.

Pressionando aqui, você chega à nota divulgada pela estatal.

Escrito por Josias de Souza às 16h02

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Roberto Jefferson pede votos para Sarney no Senado

 AP
O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), cassado nas pegadas do escândalo do mensalão, tornou-se cabo eleitoral de José Sarney (PMDB-AP).

Na briga pela presidência do Senado, Jefferson joga no time de Renan Calheiros (PMDB-AL), o centro-avante da candidatura de Sarney.

Presidente do PTB, Jefferson move-se para despejar os sete votos da bancada de senadores da legenda no colo de Sarney.

No momento, Jefferson sua a camisa para virar a cabeça de três senadores petebistas que prometeram voto a Tião Viana (AC), o candidato do PT.

Tenta-se evitar também que Fernando Collor (PTB-AL), supostamente indeciso, ceda ao assédio do candidato petista.   

Chama-se Gim Argello (DF) o operador de Jefferson. É o líder do PTB no Senado. Alega nos subterrâneos que a opção por Sarney é respaldada pelo Planalto.

Argello diz aos companheiros de bancada que não recebeu do ministro José Múcio, coordenador político de Lula e filiado ao PTB, nenhuma orientação em contrário.

Afirma, de resto, ter ouvido da própria ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a presidenciável de Lula, algo assim: "Qualquer decisão que vocês tomarem será boa".

Argello mora no Lago Sul, bairro chique de Brasília. Sua casa fica na vizinhança da residência oficial de Dilma.

Adepta das caminhadas matinais, a ministra por vezes encontra-se com o líder do PTB, um "atleta" de ocasião.  

Se verdadeira, a frase que Argello atribui a Dilma funciona como evidência de que o Planalto jogou Tião Viana aos leões.

O grupo de Renan difunde nos corredores do Senado a "notícia" de que Sarney já disporia de 58 votos. Mas a disputa tem os contornos de uma guerra.

Fechada com Sarney, a direção do DEM intimou uma senadora licenciada a reassumir o mandato em 30 de janeiro, dois dias antes da eleição.

A convocada se chama Maria do Carmo. É senadora por Sergipe. Afastara-se por problemas de saúde.

Embora não esteja inteiramente restabelecida, Maria do Carmo voltará ao Senado para desalojar o suplente Virgínio de Carvalho (PSC-SE), um eleitor de Tião Viana.

Entre todas as legendas, a mais disputada é o PSDB. Com 13 senadores, o partido tornou-se o fiel da balança na queda-de-braço pelo comando do Senado.

A bancada tucana está dividida. Pelo menos seis senadores pendem para Tião. Mas a direção deliberou que, seja qual for a opção, a legenda terá de votar unida.

O líder Arthur Virgílio (PSDB-AM) opera em favor de Sarney. Tião associa os esforços brasilienses a investidas que extrapolam os limites do Senado.

O candidato petista acinou o irmão Jorge Viana (PT), ex-governador do Acre. Ele tem ótimo trânsito com os tucanos.

Tem diálogo fácil especialmente com o governador tucano de Minas, Aécio Neves, e com o ex-presidente FHC.

Conversou com ambos. E disse ao irmão não ter detetectado sinais de aversão ao nome dele.

De resto, o próprio Tião esforça-se para estreitar relações com tucanos e 'demos' ilustres. Há dois dias, falou por telefone com o presidenciável José Serra.

Nesta quarta (22) tocou o telefone para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Deixou recado.

Kassab devolveu a ligação. Mas alcançou Tião num instante em que o candidato embarcava num vôo de Brasília para o Acre. Devem se conversar nesta quinta (23).

Escrito por Josias de Souza às 05h00

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Empréstimo da casa própria subirá para R$ 500 mil

 AFP
O plano habitacional que o governo anunciará na semana que vem tem como alvo prioritário o brasileiro pobre. Mas trará um mimo à classe média.

O governo deve anunciar a elevação do valor dos imóveis que podem ser financiados com recursos do FGTS. Hoje, o limite é de R$ 350 mil. Vai a R$ 500 mil.

A clientela de baixa renda será brindada com subsídio governamental na aquisição da casa própria.

Pretende-se assegurar aos brasileiros com renda de até R$ 2.500 o financiamento de 100% do valor do imóvel.

Trabalha-se com a idéia de aproximar as prestações do valor dos aluguéis pagos pelos compradores.

Planeja-se também instituir um fundo que garanta o pagamento das mensalidades da clientela pobre que perder o emprego.

Além de tonificar os empréstimos para a compra de casas prontas, o governo deve conceder estímulos à aquisição de material de construção.

Esse tipo de material deve ser incluído no rol de produtos passíveis de financimento por meio de empréstimos do chamado microcrédito.

Vai-se facilitar também o acesso dos consumidores pobres a um programa da Caixa Econômica Federal chamado Construcard. Oferece empréstimos de até R$ 25 mil.

De resto, o governo deve reduzir a alíquota de tributação que incide sobre a construção de moradidas populares. Hoje, está fixada em 7%.

As providências vêm sendo esboçadas desde o ano passado. Foram expostas a Lula numa reunião realizada na noite passada.

O governo vinha trabalhando com a meta de financiar a compra de 900 mil novas moradias ainda no ano de 2009.

Ouvidos, construtores ponderaram que a pretensão pode não ter conexão com a realidade.

Analisa-se agora a hipótese de fixar a meta de 1 milhão de casas. Mas o horizonte seria esticado para dois anos: 2009 e 2010.

Em 2008, foram financiadas cerca de 600 mil moradias. Casas novas e usadas.

O valor dos empréstimos somou cerca de R$ 30 bilhões, dos quais mais de R$ 20 bilhões vieram das arcas da Caixa Econômica Federal.

O governo pretende aumentar o montante em pelo menos 50%. Incluindo os financiamentos da CEF e da rede privada de bancos.

Com isso, além de reduzir o déficit habitacional, acha que vai atenuar o flagelo do desemprego.

Faz-se também um cálculo político. Imagina-se que, ao prover aos brasileiros a realização do sonho da casa própria, Lula mantém sua popularidade a salvo dos efeitos da crise.

Escrito por Josias de Souza às 03h48

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As manchetes desta sexta

- Globo: Tesouro dá R$ 100 bi para BNDES socorrer empresas

- Folha: BNDES terá mais R$100 bi para investir

- Estadão: BNDES vai ter R$100 bi para 'PAC privado'

- JB: R$ 100 bi para criar empregos

- Correio: R$ 100 bi na praça

- Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas

- Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança

- Estado de Minas: Grande BH declara guerra à dengue

- Jornal do Commercio: Mutirão alivia crise na ortopedia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h39

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Com a 'rainha' na barriga!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

Joe Raedle/Getty Images-AFP

1. Solução: Sob Bush, bastava olhar para Guantânamo pra não acreditar na possibilidade de paz mundial.

Obama parece decidido a dar fim à tática de responder ao excesso com mais truculência. Mandou fechar a base americana em Cuba. E proibiu a tortura.

2. Problema: Guantânamo deve desaparecer em um ano. Resta saber o que será feito dos 245 prisioneiros trancafiados em suas celas.

Na véspera, Obama solicitara a suspensão dos processos. Espera agora que a Europa, para além de aplaudi-lo, aceite receber uma parte dos presos.

3. Trombone: Decidida a manter vivo o estrépito, a Itália mantém a boca grudada ao trombone. O chanceler Franco Frattini voltou a apelar a Lula.

Repisou o pedido de revisão do refúgio político dado a Cesare Battisti. Disse que considera a idéia de chamar de volta a Roma o embaixador da Itália no Brasil.

Uma idéia nascida na véspera. Que ecoou e reecoou de forma instantânea. O STF deve descascar o abacaxi em 2 de fevereiro.

4. Refresco: Em estudo desde o ano passado, está na bica de ser levado à vitrine o Bolsa-Geladeira. Visa podar o consumo de energia e tonificar as vendas do eletrodoméstico. A idéia veio de Cuba. 

5. Espuma: Em resposta à onda de desemprego, o ministro Carlos Lupi criou um "grupo de trabalho". Vai fisvalizar o uso das verbas do FAT e do FGTS.

Para Carlos Lupi, empresa que recebe verba pública não pode demitir. Beleza. Mas o que diabos estão fazendo os já existentes Codefat e Conselho Curador do FGTS?

6. Onda: A concessão de seguro-desemprego aumentou 15,6% em 2008. Gastou-se R$ 14,718 bilhões. Em 2007, o benefício sorvera R$ 12,733 bilhões.

7. Calvário: Às voltas com um novo tumor no abdome, o vice José Alencar internou-se de novo no hospital Sírio Libanês. Os médicos avaliam a hipótese de nova cirurgia.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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Governo anuncia bloqueio de US$ 2 bi da Satiagraha

Muita gente se cansa do amor. O trabalho também leva ao enfado.

Nos últimos tempos, até os ideais provocam uma certa fadiga.

Só não apareceu até agora alguém cansado de dinheiro.

Assim, nenhuma punição dói mais no malfeitor do que a imposta ao bolso.

Nesta quarta (22), o ministéio da Justiça divulgou informação alvissareira.

O Brasil obteve no estrangeiro o bloqueio de mais de US$ 2 bilhões em dinheiro sujo.

Grana relacionada às malfeitorias sob investigação na Operação Satiagraha.

Um pedaço -cerca de U$ 500 milhões- encontra-se depositado nos EUA.

Quanto aos outros detalhes -nomes de pessoas e de países- o governo não divulga.

Alega exigências internacionais e a necessidade de preservar as investigações.

O Ministério Público confirma que as contas bloqueadas são do Opportunity.

A Procuradoria contesta, porém, o montante divulgado pela pasta de Tarso Genro.

Só confirma o bloqueio de US$ 46 milhões na Inglaterra e R$ 450 milhões nos EUA.

De resto, reconhece a retenção de R$ 545,7 milhões aqui mesmo, no Brasil.

Tudo coisa do ano passado.

Ao que parece, a cooperação da equipe de Tarso é mais azeitada com os governos estrangeiros do que com os procuradores da República.

PS.: O Opportunity enviou ao blog uma nota sobre a novidade divulgada pelo ministério da Justiça. Vai abaixo a íntegra:

"Se foi pedido bloqueio de recursos administrados pelo Opportunity no exterior, o pedido é infundado e arbitrário.

O Opportunity administra recursos captados através de conceituados bancos estrangeiros.

Só aceita aplicações de bancos provenientes de países que fazem parte do "Schedule 3 Countries" - aqueles que possuem legislação e procedimentos de combate à lavagem de dinheiro reconhecidos internacionalmente.

Instituições internacionais investem no Brasil de forma análoga ao Opportunity, que segue as normas no tocante à origem dos recursos como os demais.

Os dez maiores intermediários de investimentos internacionais no Brasil, segundo a CVM, são: Citibank DTVM, HSBC CTVM, Itaubank, Itaú, Santander, Deutsche Bank, UBS Pactual, Credit Suisse DTVM, Banco Barclays, Credit Suisse Hedging-Griffo CV.

O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, afirmou à imprensa que autoridades estrangeiras concederam bloqueios a seu pedido.  

O Opportunity não foi notificado sobre esse bloqueio, se ele foi concedido de forma cautelar e sob quais argumentos.

Se confirmadas as declarações do secretário, o Opportuniy vai  demonstrar às autoridades brasileiras e estrangeiras a total ausência de justificativas legais para o bloqueio.

A operação Satiagraha, deflagrada em julho de 2008, foi marcada por ilegalidades, abusos de poder, falsa imputação de crimes, acusações levianas, uso ostensivo da mídia, vazamento de informações  e a utilização da força policial a serviço de interesses privados".

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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BNDES tem mais R$ 100 bi para emprestar até 2010

Fábio Pozzebom/ABr

Quando se apresenta com sua cara definitiva, o inevitável é coisa indiscutível.

Diante de um pé d'água, não resta senão abrir o guarda-chuva e procurar abrigo.

Assim também com a crise. A tormenta chegou? Pois não adianta discutir o inevitável.

A única coisa a fazer é fugir da inércia e tentar se molhar o mínimo possível.

Nesta quinta (22), o governo abriu um toldo para o empresariado nacional.

A novidade foi anunciada pelo ministro Guido Mantega (Fazenda).

Decidiu-se transferir R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional para as arcas do BNDES.

O dinheiro vai virar empréstimos à iniciativa privada ao longo dos próximos dois anos.

Pretende-se liberar R$ 50 bilhões em 2009 e importância idêntica em 2010.

"Não faltará recurso para investimento no Brasil", disse Mantega.

"Vamos estar com a oferta acima da demanda e com custos reduzidos, taxas abaixo das do mercado".

O crédito será, agora, condicionado à manutenção e geração de empregos.

Segundo Mantega, vai-se exigir a "explicitação" do volume de empregos de cada empreendimento financiado com verbas públicas.

Depois, diz o minsitro, o governo pretente fazer "a fiscalização".

No campo das boas intenções, a contrapartida é justa e necessária.

O diabo é que, no Brasil, boas intenções costumam ser conspurcadas pelos fatos.

Resta observar a "explicitação" e torcer para que haja mesmo alguma "fiscalização".

Escrito por Josias de Souza às 17h07

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Para a Fazenda, o crescimento volta no final de 2009

Arko Datta/Reuters

Escorado em projeções feitas pela equipe do ministério da Fazenda, o governo estima que a economia brasileira retomará a curva de crescimento no final de 2009.

Pelas projeções da Fazenda, repassadas a Lula, o Brasil vai conviver, no primeiro trimestre do ano, com uma espécie de chuva de canivetes.

Colecionará indicadores econômicos amargos. O segundo trimestre seria menos pior do que o primeiro.

E a situação começaria a melhorar de forma visível a partir de julho, no início do terceiro trimestre.

Tomado pelas previsões do mercado, o PIB brasileiro será miúdo em 2009: algo como 2%. Visto pelas lentes da equipe de Guido Mantega, chegará aos 4%.

O argumento oficial é o de que o pessimismo do mercado desconsidera o ânimo do governo no gerenciamento da crise.

Diz-se que Brasília não está e não ficará inerte. Longe disso. Agirá com a energia que o cenário exige. Daí a aposta de que o trem voltará aos trilhos no final do ano.

Acredita-se que, somando-se o desempenho de outubro, novembro e dezembro, o PIB do último trimestre de 2009 pode alçar a casa dos 6%.

Algo que compensaria os indicadores minguados dos primeiros meses do ano. E confirmaria os 4% de crescimento anual pretendidos pelo governo.

No curtíssimo prazo, são três as iniciativas que o governo pretende adotar para romper o pessimismo supostamente exacerbado:

1. Juros: Haverá, segundo a equipe da Fazenda, um abrandamento da política monetária.

Alega-se que os efeitos inflacionários da alta do dólar foram compesados pela queda do nível de atividade da economia e pela redução nos preços das comoddities.

Por isso o Copom teria reduzido em um ponto percentual a taxa Selic, que foi de 13,75% para 12,75%. Diz-se que novas quedas estão por vir.

2. Investimentos: O governo planeja tonificar os investimentos em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Vai-se privilegiar as obras que estão em estágio mais avançado. Sobretudo as que se referem a projetos de infra-estrutra;

3. Habitação: Anuncia-se para a semana que vem a divulgação de um ambicioso plano de estímulo a projetos de construção de casas populares.

Fala-se em prover financiamento para algo como 900 mil a 1 milhão de residências até o final de 2009.

Lula traz um olho na economia e outro na política. Quer eleger Dilma Rousseff em 2010. Sabe que o agravamento da crise serve ao projeto do tucano José Serra.

Serra é, hoje, o candidato mais bem-posto nas pesquisas. Decidido a converter Dilma numa presidenciável competitiva, Lula agarra-se às previsões da Fazenda.

Com toda a razão, o presidente acha que o êxito de seu projeto político está condicionado à capacidade do governo de responder adequadamente à crise.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

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As manchetes desta quinta

- Globo: Obama congela salários, limita o lobby e intervém em Guantánamo

- Folha: Juro cai um ponto; BC indica mais cortes

- Estadão: Juros têm maior corte em 5 anos

- JB: Pancada nos juros

- Correio: Juros caem para salvar empregos

- Valor: BC reduz juro em 1 ponto e descarta cortes maiores

- Gazeta Mercantil: Decisão do Copom força bancos a reduzir juros

- Estado de Minas: Logo na primeira canetada, Obama congela salários

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h50

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O que é isso companheiro!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Lula quer acomodar Fernando Pimentel no ministério

  Folha
O ex-prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, deve ganhar uma cadeira na Esplanada dos Ministérios.

Lula procura um cargo para encaixar Pimentel. Gosta dele. Como administrador, considera-o competente.

Como político, acha que possui qualidades pouco encontradiças no PT. Pimentel é, no dizer de um auxiliar de Lula, um "conciliador".

Foi graças a esses pendores acomodatícios que Pimentel construiu as pontes que o ligaram ao governador tucano de Minas Aécio Neves.

Contra a vontade da direção nacional do PT, Pimentel aliou-se a Aécio em torno da vitoriosa candidatura de Márcio Lacerda (PSB), eleito prefeito de BH em 2008.

Lula decidiu atrair Pimentel para Brasília movido por segundas intenções. Deseja envolvê-lo na candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

Mineiro como Dilma, Pimentel militou ao lado da chefe da Casa Civil na luta armada contra a ditadura. Hoje, mantém com ela as melhores relações.

Para Lula, o ex-prefeito está talhado para envolver-se no projeto "Dilma 2010". Imagina que ele pode inclusive coordenar a campanha da ministra.

Daí, sobretudo, a idéia de aproveitar Pimentel num cargo de primeiro escalão. O ex-prefeito esteve com Lula há três dias.

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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Em meio à 'marola', o BC passa os juros na lâmina

Que os juros cairiam, todos já sabiam. Ou suspeitavam. O que surpreendeu foi o tamanho do corte: um ponto percentual. 

A decisão de baixar a Selic, a taxa básica de juros, de 13,75% para 12,75% ao ano dividiu os membros do Copom (Comitê de Política Monetária).

O dissenso está expresso no placar apertado. Cinco diretores do BC votaram pela poda de 1%. Quatro queriam redução mais modesta: 0,75%.

Em nota, o BC informou que a queda anunciada nesta terça (21) "inicia um processo de flexibilização da política monetária".

A despeito do corte, o Brasil ainda é o campeão mundial dos juros, à frente da Hungria.

Não parecia haver outro caminho para o Copom. Esperava-se, aliás, que a picada descendente tivesse sido aberta já no final do ano passado.

Havia, é verdade, o temor de que a desvalorização do real resultasse em mais inflação. Porém, a crise, por severa, inibiu o consumo. E os preços influenciados pela cotação do dólar caíram. 

Com a marolinha a engolfar a economia brasileira, agora às voltas com a onda de demissões, seria espantoso se o BC mantivesse os juros estáticos.

Aí não haveria senão a alternativa de mandar cercar o prédio e trocar o letreiro da fachada. Algo assim: H O S P Í C I O.

Ao passar os juros na lâmina, o BC situou a Selic em patamar inferior aos 13% que ostentava em setembro do ano passado, quando a taxa fora elevada pela última vez.

Dias depois, sobreveio o agravamento da crise internacional. Que, no Brasil, mostrou os dentes pra valer em dezembro, sorvendo 654 mil empregos formais.

O Copom volta a se reunir no início de março. A julgar pelo que já admite o próprio Lula, a reunião ocorrerá nas pegadas da divulgação de indicadores amargos.

O primeiro trimestre de 2009, diz Lula, será "difícil". Bom que o presidente já se permita pronunciar o vocábulo.

O primeiro passo para resolver um problema é, como se sabe, reconhecer que ele existe.

PS.: Seguiu-se ao anúncio do Copom uma novidade alvissareira. Várias casas bancárias do país, privadas e públicas, informaram que vão reduzir os juros que cobram da clientela. A ver.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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Ministro italiano quer tirar o embaixador no Brasil

Os italianos que reclamam do refúgio político concedido a Cesare Battisti não permitem que se passe um dia sem uma nova reclamação contra o governo brasileiro.

É como se trabalhassem com a idéia de que o tamanho e o acúmulo de agravos fossem levar à reversão do despacho do ministro Tarso Genro (justiça).

Nesta quarta (21), voltou a encostar os lábios no trombone o ministro italiano da Defesa, Ignazio La Russa.

Ele disse que vai sugerir ao gabinete de Silvio Berlusconi que mande chamar de volta a Roma o embaixador da Itália no Brasil.

Coisa semelhante ao que fez o Brasil com seu embaixador no Equador quando o governo companheiro de Rafael Correa ameaçou dar o beiço no BNDES.

"Considero factível essa possibilidade, a qual submeterei ao ministro de Relações Exteriores, Franco Frattini", disse La Russa, o titular da pasta da Defesa.

Dias atrás, ao sair em defesa de Tarso Genro, Lula dissera que, mesmo a contragosto, os italianos teriam de respeitar a decisão do Estado brasileiro.

Eles não parecem dispostos a respeitar. Julgam-se desrespeitados.

Escrito por Josias de Souza às 19h52

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DEM se nega a ceder CCJ, pretendida por Garibaldi

  Rafael Andrade
Atropelado por José Sarney (PMDB-AP), o ex-recanditado Garibaldi Alves (PMDB-RN) deseja agora se tornar presidente de uma comissão de relevo no Senado.

O objeto dos desejos de Garibaldi é a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Mas o senador pode ficar sem ela.

No comando da comissão de Justiça, o DEM não abre mão de reter o posto nesta legislatura. José Agripino Maia (DEM-RN), já ergueu suas barricadas.

Hoje, a CCJ é presidida por Marco Maciel (DEM-PE). Os 'demos' podem substituí-lo por Demóstenes Torres (DEM-GO). Mas não admitem entregar o osso a Garibaldi.

O segundo nicho de poder mais importante do Senado é a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Também aqui, as chances de Garibaldi são mínimas.

Primeiro porque o atual presidente do Senado não é versado em ciência econômica. Segundo porque a presidência da CAE está no colo de Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Hoje, quem preside a CAE é Aloizio Mercadante (PT-SP). Vai deixar o posto para assumir a liderança do PT.

Defensor da candidatura de Tião Viana (PT-SP), Tasso acertou com o petista sua indicação para a poderosa CAE.

Na briga com Tião, Sarney tenta atrair os votos de um PSDB por ora dividido. E não será contrariando Tasso que vai conseguir seduzir o tucanato.

Assim, depois de ser humilhado pela candidatura de Sarney, que lhe jurara que não entraria na disputa, Garibaldi arrisca-se a mergulhar no ostracismo.

Marcou-se para a quarta-feira (28) da semana que vem a reunião da bancada do PMDB em que o nome de Sarney será ungido.

Será num almoço, na casa de Sarney. Marcará também a já declarada renúncia à quase-candidatura de Garibaldi.

Depois de deixar Garibaldi de calças curtas, Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL), seu ponta-de-lança, cercam o companheiro de partido de mimos.

A dupla promete acomodar Garibaldi numa comissão poderosa. Terão dificuldades para entregar a mercadoria.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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PDT decide migrar de Aldo para Temer e apoiar Tião

Valter Campanato/ABr

Reuniu-se nesta quarta (21), em Brasília, o comando do PDT. Foi à mesa a troca de comando nas duas casas do Congresso. Decidiu-se:

1. Câmara: Antes alinhado à candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB), o PDT migrou para Michel Temer (PMDB).

Com isso, Temer vai ao plenário com o apoio não mais de 12, mas de 13 legendas: PMDB, PT, PSDB, DEM, PPS, PR, PTB, PV, PSC, PTC, PHS, PTdoB e agora o PDT.

O voto é secreto. Um convite às traições. Mas com essa sopa de letras a apoiá-lo, Temer teria de ser apunhalado por mais de 150 Silvérios para perder a disputa.

2. Senado: De namoro com a candidatura de Tião Viana (PT) desde o ano passado, o PDT oficailizou o casamento com o petista.

Tião vai à sorte dos votos com o apoio de seis partidos: PT, PSB, PRB, PR, PSOL e PDT. É pouco.

Para prevalecer sobre José Sarney (PMDB), Tião precisa fabricar um lote de Judas no partido do rival e no oposicionista DEM.

De resto, terá de atrair para o seu lado o PSDB de José Serra, velho desafeto de Sarney. No Senado, o tucanato será o fiel da balança.

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Obama pede e juiz susta julgamentos de Guatânamo

Mark Wilson/Efe

Derrotado numa eleição para governador da Califórnia, Richard Nixon reuniu a imprensa. Despediu-se da política: "Vocês não terão mais Richard Nixon para chutar".

Nos seus últimos meses de Casa Branca, George Bush era um pato manco, como os americanos se referem aos presidentes fracos. Hoje, é cachorro morto.

As coisas não serão mais as mesmas sem um Bush para ser chutado. Barack Obama abre sua administração infligindo ao antecessor os últimos pontapés.

Nesta quarta (21), no seu primeiro dia de expediente na Casa Branca, Obama pediu a suspensão, por 120 dias, dos processos de presos detidos em Guantânamo.

O juiz militar Patrick Parrish acatou a solicitação do presidente. Autoridades européias festejaram.

Guantânamo, uma velha base militar americana assentada em Cuba, converteu-se num calabouço hediondo.

Há ali algo como 245 prisioneiros. Gente acusada de vínculos com a Al Qaeda e o Taleban.

Submetidos a leis de exceção, os presioneiros podem ficar detidos por anos a fio sem uma acusação formal.

Recebem um tratamento que avilta os direitos humanos. Sob Bush, instituiu-se o chamado "interrogatório extremo".

Funciona assim: o prisioneiro é deitado sobre uma prancha de madeira. Capuz na cabeça, é atado à maca por correias apertadas nos pés e na barriga.

Sobre o rosto encapuzado, vai uma toalha dobrada em três. Em seguida, despeja-se água sobre a boca e o nariz da vítima.

Submetido à técnica, o sujeito confessa até as peraltices da infância. É tortura? O jornalista britânico Christopher Hitchens decidiu verificar.

Ofereceu-se como voluntário para uma experiência inusitada. Recrutou um grupo de militares veteranos e entregou-se como cobaia de uma simulação de afogamento.

A experiência foi documentada em vídeo (disponível abaixo). Depois, Hitchens escreveu um depoimento. Foi às páginas da Vanity Fair.

Já no título do artigo, o veredicto de Hitchens: "Acreditem, é tortura". O jornalista resistiu a escassos 11 segundos de suplício. Por sorte, tratava-se de simulação.

Em campanha, Obama prometera fechar Guantânamo. O pedido de suspensão dos processos indica que falava sério. Tomara!

No front econômico, acossado por um cenário de terra arrasada, Obama saiu-se com uma primeira medida de impacto.

Ele determinou o congelamento dos salários dos funcionários públicos que recebem mais de US$ 100 mil (R$ 235 mil) por ano.

Não resolve o problema da crise. Mas afaga a alma do contribuinte americano.

Escrito por Josias de Souza às 16h47

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Disputas na Câmara e Senado viram ensaio de 2010

Lula Marques/Folha

O tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff não dispõem de mandatos legislativos. Ele, como se sabe, governa São Paulo. Ela chefia a Casa Civil.

Mas todas as peças do xadrez em que se converteu a disputa pelos comandos da Câmara e do Senado são movidas em função dos interesses de Serra e Dilma.

No centro do tabuleiro encontra-se o PMDB. Sem um nome competitivo para 2010, o partido serve-se da corte que lhe fazem petistas e tucanos.

No Senado, medem forças José Sarney (PMDB) e Tião Viana (PT). São dois aliados de Lula. Mas o presidente optou por lavar as mãos.

E a definição da arenga que convulsiona o consórcio governista depende agora dos humores do oposicionista PSDB. A legenda de Serra foi convertida em fiel da balança.

Em conversa com o ministro José Múcio, coordenador político de Lula, o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, resumiu o drama do tucanato.

Guerra disse a Múcio que Tião faria mais pela recuperação da imagem do Senado do que Sarney. Mas indagou: "Quem vai ficar com a gente em 2010, o PMDB ou o PT?"

Fechado com a candidatura presidencial de Serra, o também oposicionista DEM planeja despejar votos em Sarney. E empenha-se para arrastar o PSDB para a empreitada.

Na última segunda (19), Serra recebeu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB).

O presidenciável tucano derramou-se em elogios ao petista Tião Viana. Três dias antes, Serra conversara, pelo telefone, com o próprio Tião. Combinaram um encontro.

Serra é desafeto de Sarney. Desentenderam-se em 2002, ano em que uma operação da PF transformara em pó a candidatura presidencial de Rosena Sarney.

Pai da ex-presidenciável, Sarney enxergara as digitais de Serra na operação policial. A despeito das negativas, a relação entre os dois desandou.

Na Câmara, Serra ajudou a empurrar o PSDB para dentro da campanha de Michel Temer, candidato do PMDB à presidência da Casa.

No Senado, o governador não parece convencido de que a associação com Sarney seja bom negócio. Daí o interesse do petista Tião Viana em conversar com Serra.

Dividida entre Sarney e Tião, a bancada de 13 senadores do PSDB converteu-se em fiel da balança no Senado. E Tião imagina que Serra pode operar a seu favor.

O problema é que, além de Sérgio Guerra, também o líder do tucanato no Senado, Arthur Virgílio (AM), pende para Sarney.

Dos EUA, onde se encontra, Virgílio telefonou para José Agripino Maia (RN), líder do DEM. Disse que defenderá na bancada tucana a opção por Sarney.

Virgílio estimou que, sem os senadores do PSDB, Sarney já disporia de 37 votos. Estaria a quatro votos do placar que assegura a vitória: 41.

O cálculo é otimista. Desconsidera as defecções de senadores do PMDB e do DEM, que prometeram voto a Tião. Mas num ponto Virgílio está certo.

Os votos do PSDB decidirão a disputa no Senado. Algo que deixa Tião em situação dicotômica. Petista, ele passou a depender dos votos tucanos para se manter vivo na disputa.

Em parte, deve-se a Lula o constrangimento imposto a Tião. O presidente poderia ter pedido a Sarney que se eximisse de disputar. Preferiu, porém, não fazê-lo.

Sarney e Lula conversaram na última segunda (19). Em quatro conversas anteriores, Sarney dissera que não seria candidato. Nesta última, informou ter mudado de idéia.

Em reunião com os ministros que integram a coordenação de governo, nesta terça (20), Lula relatou o teor do diálogo fatídico da véspera.

Dissera a Sarney que respeitaria a decisao dele. Não pediria a Tião Viana que se retirasse da disputa. Mas tampouco encareceria a Sarney que não fosse à sorte dos votos.

Com esse gesto, Lula açulou a suspeita de que estaria puxando o tapete de Tião, a quem já declarara apoio.

Ouvido pelo blog, um ministro do PMDB, o partido de Sarney, soou aturdido. Disse que, a pedido de Lula, trabalhava, no Senado, pelo petista Tião.

Agora, está convencido de que o presidente joga a favor do duplo comando do PMDB no Congresso -Temer na Câmara e Sarney no Senado.

Com essa equação, disse o ministro, o PMDB estaria como que obrigado a atender aos apelos de Lula para associar-se à candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

Confrontado com a supeita de que Lula o teria rifado, Tião não se deu por achado. "Tenho certeza de que, se fosse senador, Lula votaria em mim..."

"...Além disso, sou grato ao presidente pelo que fez e faz pelo Brasil, não pelo que possa vir a fazer por mim".

Alheio aos desencontros de Lula com o petismo, Agripino Maia, o líder do DEM, move-se para atrair o tucano José Serra para o "projeto Sarney".

Conversou pelo telefone com o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC), espécie de fiador dos entendimentos da tribo dos 'demos' com Serra.

Bornhausen ficou de conversar com FHC, presidente de honra do tucanato. Ficou de acionar também o prefeito 'demo' Gilberto Kassab, unha e cutícula com Serra.

Tenta-se armar um cerco a Serra, para convencê-lo de que é melhor ter no Senado um Sarney aberto ao diálogo com a oposição do que um Tião incondicionalmente alinhado ao Planalto.

De sua parte, Lula esforça-se agora para que a confusão do Senado não contamine a Câmara. Marcou para o final de semana que vem um café com os deputados do PT.

Pretende pedir-lhes que, a despeito da trama urdida por Sarney contra Tião, não deixem de honrar o compromisso firmado com Michel Temer.

Escrito por Josias de Souza às 04h42

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As manchetes desta quarta

- Globo: Obama anuncia reconstrução dos EUA e promete era de paz

- Folha: Obama toma posse com promessa de reconstruir os EUA e liderar o mundo

- Estadão: Obama promete nova era de responsabilidade nos EUA

- JB: O presidente da esperança

- Correio: O que ele quer mudar

- Valor: Obama prevê tempos difíceis

- Gazeta Mercantil: Obama promete ação e audácia

- Estadão: Em busca do orgulho perdido

- Jornal do Commercio: Tolerância, esperança e paz

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h39

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World pizza!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h37

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DEM autoriza Serra a oferecer vaga de vice ao PMDB

  Fernando Donasci/Folha
José Serra, o presidenciável do PSDB mais bem-posto nas pesquisas, deseja disputar o apoio do PMDB em pé de igualdade com a petista Dilma Rousseff, candidata de Lula.

Cortejado por tucanos e petistas, o PMDB já recebera de Lula vários acenos para que indique o vice de Dilma. Serra decidiu fazer a mesma oferta.

Integrantes da cúpula do DEM, parceiro preferencial de Serra, informaram ao governador de São Paulo que, para atrair o PMDB, abrem mão da vaga de vice.

A parceria de Serra com os 'demos' consolidara-se no ano passado, com o apoio do governador à vitoriosa campanha reeleitoral do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Ficara entendido que, viabilizando-se como candidato do PSDB ao Planalto, Serra iria às urnas de 2010 com um vice do DEM a tiracolo. A coisa mudou.

Em articulação conduzida pelo ex-senador Jorge Bornhausen (SC) e endossada por lideranças como o senador José Agripino Maia (RN), o DEM liberou Serra.

Para a caciquia do DEM, o êxito é mais importante do que a vice. E considera-se que, com o tempo de TV do PMDB, as chances de vitória são bem maiores.

Cuidou-se para que a novidade chegasse aos ouvidos do deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, um ex-aliado de Serra nas eleições presidenciais de 2002.

Candidato à presidência da Câmara com do governo e de 14 legendas -entre elas o PT, o PSDB e o DEM- Temer registrou a informação.

Mas não planeja tratar do assunto senão no segundo semestre. Hoje, covém ao PMDB estimular a corte de Serra e de Dilma.  

Também Serra trabalha com a perspectiva de que os acertos de 2010 só começarão a ser delineados no quarto final do calendário de 2009.  

Antes, Serra age para afastar de si a imagem de personagem desagregador. Daí ter convidado Geraldo Alckmin para integrar o seu secretariado.

Daí também o esforço que empreende para manter com Lula e o governo dele uma relação amistosa e cooperativa.

Serra tenta mostrar-se tão conciliatório quanto o governador tucano de Minas, Aécio Neves, com quem disputa a vaga de presidenciável do PSDB.

Na campanha municipal do ano passado, com a ajuda do DEM, Serra superara rusgas antigas com Orestes Quércia.

Ao patrocinar a aliança do PMDB de Quércia com o DEM de Kassab, Serra pôs um pé na cozinha peemedebista.

Agora, quer chegar à casa de visitas, firmando com o PMDB nacional um acordo para 2010.

Terá de enfrentar o poder de sedução do governo Lula, hoje convertido num ninho de peemedebistas. Por ora, tem a seu favor o momentâneo favoritismo nas pesquisas.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Obama: 'Mundo mudou e precisamos mudar com ele'

Getty Images

Discusos de posse são normalmente impregnados de boas intenções. Que depois são conspurcados pelos fatos. A fala inaugural de Barack Obama não fugiu à regra.

Fino, abriu o discurso com palavras de agradecimento a George Bush, de triste memória. Agradeceu-lhe pelo serviço prestado à nação (?!?!) e pela transição tranqüila.

Em seguida, pôs-se a realçar diferenças. A começar pela reiteração do compromisso de retirar as tropas americanas do Iraque. Algo que será feito "responsavelmente".

Reafirmou também a intenção de "forjar a paz" no Afeganistão. "O mundo mudou, e precisamos mudar com ele", disse Obama, diante de mais de 2 milhões de pessoas.

Mandou, porém, um recado aos terrostistas. "Nós não vamos pedir desculpas por nosso estilo de vida nem vamos hesitar em defendê-lo..."

"...E, para aqueles que buscam aumentar seus alvos induzindo terror e assassinando inocentes, dizemos a vocês, agora, que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado. Vocês não irão nos ultrapassar, e nós os derrotaremos."

Ao enveredar pela seara econômica, Obama usou um vocábulo que dá indica o tamanho do desafio. Disse que é preciso "refazer" o país.

"Começando hoje, nós precisamos nos levantar, sacudir a poeira e começar o trabalho de refazer os EUA", disse.

Acenou com "medidas ousadas e rápidas". Anunciou uma "nova era de responsabilidade". Pintou a crise com cores fortes. Os problemas "são sérios e muitos".

Preparou o espírito da platéria para um esforço longevo: Os problemas "não serão vencidos facilmente ou em um curto espaço de tempo".

Pediu aos americanos que privilegiem a "esperança" em detrimento do "medo". Acenou com uma fase de aumento da regulação dos mercados.

"Nossa economia está enfraquecida, uma consequência da ganância e irresponsabilidade da parte de alguns..."

"...Mas também de nosso fracasso coletivo de fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era".

O dia será longo para Obama. Ele pretende participar dos dez bailes oficiais que movimentarão a noite de Washington. Promete dançar até as 3h de quarta (21).

É um bom começo para uma gestão que exigirá jogo de cintura do titular. Nos próximos quatro anos, Obama vai ter que rebolar para evitar que a expectativa depositadas nele resultem em frustração.

- Serviço: Pressionando aqui, você chega à tradução da íntegra do discurso de Obama.

Escrito por Josias de Souza às 18h50

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Sob Obama, o portal da Casa Branca tem até um blog

Com a rapidez que caracteriza a internet, o portal da Casa Branca tornou-se a primeira vitrine da gestão Barack Obama.

Mal começara a cerimônia de posse de Obama, foi ao ar,  às 12h01 (15h01 no horário de Brasília), o despacho inaugural do Blog da Casa Branca, a principal novidade do novo sítio.

Sob o título "A mudança chegou ao WhiteHouse.gov", o texto é assinado por Macon Phillips, diretor de Nova Mídia da Casa Branca.

Ele informa que, sob Obama, "uma das primeiras mudanças é o novo sítio da Casa Branca".

Um espaço a ser usado pelo presidente e pela administração dele para "conectar-se com o resto da nação e com o mundo".

A exemplo do que fizera na campanha e na fase de transição, Obama parece decidido a retirar da internet todo o proveito político que a rede pode prover.

O novo sítio da Casa Branca traz um formulário para que os "navegantes" ofereçam idéias ao governo. Ou simplesmente para que enviem perguntas, comentários e reclamações.

A idéia, diz o cabeçalho do formulário, é criar a "mais aberta e acessível administração da história americana".

Com a nova ferramenta, Obama tenta manter viva a imensa comunidade virtual que se formou em torno dele. Um grupo composto, sobretudo, por jovens americanos.

Escrito por Josias de Souza às 17h54

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Na posse, Obama prega 'cultura da responsabilidade'

Jim Young/Reuters

Barack Obama, 47 anos, toma posse nesta terça (20) como o 44º presidente dos EUA. O primeiro de origem negra.

No discurso inaugural, Obama vai convidar o país a abraçar a cultura da responsabilidade.

Será uma resposta à era de excessos que, a seu juízo, fomentou a maior crise financeira dos EUA desde a grande depressão dos anos 30.

A posse de Obama está cercada de simbolismos. A começar do juramento, previsto para o meio-dia (15h no horário de Brasília).  

Obama vai jurar respeito à Constituição americana com a mão reposada sobre a bíblia que pertenceu a Abraham Lincoln.

O gesto será executado do lado oposto ao monumento do memorial de Lincoln, no mesmo local onde, há 45 anos, discursou Martin Luther King Jr.

Foi nesse discurso que Luther King convocou a nação a julgar seu povo pelo caráter, não pela cor da pele. Um sonho que a eleição de Obama tornou real.

A multidão presente à cerimônia pode ser a maior já reunida na história da capital americana.

Segundo os repórteres Laura Mecklere Jonathan Weisman, de cujo texto, no "The Wall Street Journal", as informações expostas aqui foram extraídas, a platéia deve alçar à casa dos 2 milhões.

Sem contar a legião que assistirá à posse pela TV, ao redor do mundo. Será, estima o WSJ, "a maior celebração de posse de um presidente da história americana".

Coisa "equivalente ou até mesmo mais grandiosa que a Marcha para Washington liderada por Martin Luther King em 1963, a posse de Lyndon Johnson, em 1965, e os protestos contra a guerra do Vietnã no fim da década de 60".

Nesta segunda (19), véspera da posse, Obama passou o dia celebrando o aniversário de Martin Luther King. Marcou a data como um dia de trabalho comunitário.

Calça jeans, camisa branca, mangas arregaçadas, Obama homenageou Luther King pintando uma abrigo de meninos de rua (veja foto lá no alto).

Obama ensaiou a mensagem que vai ler no seu juramento: depois de uma amarga divisão partidária, chegou a hora da união dos americanos.

Uma unidade que precisa materializar-se na forma de uma nova cultura do serviço comunitário.

"Diante da crise que enfrentamos e das dificuldades experimentadas por todos, não podemos nos dar ao luxo de ficar com as mãos desocupadas", disse.

"Todos têm de se envolver. Todos terão de contribuir. E acho que o povo americano está preparado para isso."

Não se espera que Obama toma nenhuma decisão nesta terça. O trabalho só começa na quarta. Sua assessoria antecipou alguns dos primeitos atos:

1. Ordenará à equipe de segurança nacional que prepare retirada das tropas do Iraque em 16 meses. Uma de suas principais promessas de campanha;

2. Nos próximos dias, assinará decretos determinando o início do processo de fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba;

3. Recverterá restrições impostas por George Bush ao financiamento estatal de pesquisas com céluas-tronco;

4. Vai restabelecer um programa de financiamento de programas de planejamento familiar no exterior.

Com essas providências, Obama pretende demarcar com nitidez as diferenças entre a nova gestão e os desatrosos anos da administração Bush, que desce ao verbete da enciclopédia como uma das mais impopulares da história dos EUA.

Na seara econômica, noves foras os esforços que empreenderá para aprovar um novo pacote de mais de US$ 800 bilhões, Obama deve concentrar-se na transparência.

Planeja editar novas regras para forçar os beneficiários de socorro do governo a dar informar com maior clareza como estão sendo utilizados os recursos públicos.

Pretende, de resto, pressionar as instituições financeiras a transferir de seus cofres para a economia real as verbas recebidas do Estado.

O primeiro compromisso de Obama nesta terça (20) será um café da manhã na Casa Branca, com Bush.

Depois do juramento, participará de um almoço no Congresso e de uma parada de bandas de estudantes do segundo grau.

Os festejos da posse terminam à noite, com dez bailes oficiais e um incontável número de festas extra-oficiais.

Derrotado por Obama na campanha presidencial, o senador republicano John MacCain é um dos personagens que estarão sentados atrás de Obama na hora do julgamento.

O convite a McCain é parte da estratégia do substituto de Bush para sinalizar na direção da pretendida união nacional.

Nesta segunda (19), em suas aparições públicas, Obama preocupou-se em realçar o tema da unidade.

Num encontro com estudantes de uma escola de Washington, ele disse: "Estou fazendo uma promessa para vocês, como novo presidente, de que vamos colocar o governo para funcionar..."

"...Mas não posso fazer isso sozinho. Michele [mulher de Obama] não pode fazer isso sozinha. Há um limite para o que o governo pode fazer. Se ficarmos esperando que alguém faça alguma coisa, as coisas nunca são feitas".

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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As manchetes desta terça

- Globo: Governo exigirá manutenção de emprego para cortar impostos

- Folha: Indústria concentra demissão recorde

- Estadão: Corte de vagas é o maior desde 92

- JB: Obama - Reforma começa pela economia

- Correio: Obama renova o sonho por um mundo melhor

- Valor: Aracruz fecha acordo para pagar dívida de US$ 2,6 bi

- Gazeta Mercantil: Demissões chegam a 654 mil em dezembro

- Estado de Minas: O sonho não acabou...

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Dilma do B!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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PSDB virou o 'fiel da balança' na disputa do Senado

José Cruz/ABr

A entrada de José Sarney (PMDB-AP) na briga pela presidência do Senado e a decisão de Tião Viana (PT-AC) de manter sua candidatura criou uma situação inusitada.

A queda-de-braço entre os representantes dos dois maiores partidos do consórcio governista será definida pela oposição. O PSDB tornou-se fiel da balança.

Sarney era avesso à disputa. Queria que seu nome fosse ao plenário como candidato único. Mudou de idéia.

O que o animou a rever a posição foi a perspectiva de reunir em torno de si os votos de três legendas: o seu PMDB e os oposicionistas DEM e PSDB.

Para eleger-se presidente do Senado, um candidato precisa de pelo menos 41 votos dos 81 senadores.

O PMDB dispõe de 20 "eleitores". Tucanos e 'demos', com 13 senadores cada um, somam 26. Com esses 46 votos, Sarney estaria eleito.

O problema é que, na fase em que Sarney manteve sua candidatura no armário, Tião Viana avançou sobre o eleitorado do rival.

O candidato petista obteve a promessa de voto de quatro peemedebistas: Jarbas Vasconcelos (PE), Gerson Camata (ES), Pedro Simon (RS) e Paulo Duque (RJ).

Tião seduziu também pelo menos cinco senadores demos: Jayme Campos (MT), ACM Jr. (BA), Kátia Abreu (TO), Marco Maciel (PE) e Eliseu Resende (MG).

Se Tião não for traído, o cesto de votos de Sarney minguaria de 46 para 37 votos. Com mais três votos que espera beliscar no PTB -Gim Argelo (DF), Romeu Tuma (SP) e Epitácio Cafeiteira (MA)- Sarney amealharia 40. Precisaria de mais um voto.

A pergunta é: o PSDB dará seus 13 votos a Sarney? A bancada tucana está dividida. Dos treze senadores do partido, seis pendem para Tião.

São eles: Tasso Jereissati (CE), Mário Couto (PA), Marisa Serrano (MS), Flexa Ribeiro (PA), Eduardo Azeredo (MG) e Lúcia Vânia (GO).

A despeito da divisão, o PSDB deliberou que terá posição unitária. Algo que, se for levado a ferro e fogo, fará com que todos os seus 13 senadores tucanos votem unidos.

Se a opção for por Sarney, Tião Viana estará em apuros. Se, no entanto, o tucanato optar pelo petista, Sarney vai ao plenário em posição menos confortável do que gostaria.

Na noite desta segunda (19), Sarney encontrou-se com Lula. Disse ao presidente que reconsiderou a idéia de não ser candidato.

Foi uma conversa sem testemunhas. Os dois desceram o elevador do Planalto juntos. Lula foi para o Alvorada sem conversar com nenhum assessor.

Não se sabe ao certo, portanto, o que Lula disse a Sarney. Mais cedo, Tião Viana também fora ao Planalto. Reunira-se com Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete de Lula.

Carvalho dissera a Tião que Lula informaria a Sarney que preferia distanciar-se da disputa a ter de pedir ao petista que retirasse a candidatura dele.

Sarney teve pelo menos um encontro privado depois da conversa com Lula. Seu interlocutor revelaria mais tarde que o senador pareceu-lhe contrafeito.

O diálogo com Lula deve ter sido mais acerbo do que Sarney poderia supor. O senador disse que tiraria os próximos dias para ruminar a conjuntura.

Seja como for, Sarney deu nesta segunda (19) passos que podem ter convertido sua candidatura numa trilha sem volta.

Antes da reunião com Lula, conversara com Garibaldi Alves (PMDB-RN), por ora o único candidato oficial do PMDB à cadeira de presidente do Senado.

Garibaldi perguntara a Sarney se era verdade que ele decidira mesmo ser candidato. Sarney brindou o interlocutor com um lero-lero que indicava que, sim, era verdade.

Depois, Sarney telefonou para o tucano Tasso Jereissati, que se encontra na Europa. Disse-lhe que deveria, de fato, lançar-se na disputa.

Tasso repassou a informação à cúpula do PSDB. A bola está agora com o tucanato. O líder tucano Arthur Virgílio também está no exterior. Volta ao país nesta sexta (23).

A ausência de Virgílio empurra a decisão do PSDB para a semana que vem. Até lá, é provável que Sarney simule indecisão.

Nesta terça (20), Lula reúne-se no Planalto com o vice José Alencar e com os ministros que integram a coordenação de governo.

Nesse encontro, o presidente deve fazer um relato da conversa que teve com Sarney na noite da véspera. Logo, logo os detalhes da reunião devem ganhar o noticiário.

PS.: Atualização feita às 14h30 desta segunda (20): O senador Marco Maciel (DEM-PE) manda dizer que é "homem de partido". Diz que votará no candidato que o DEM escolher.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Caso Batistti: Lula decide responder à carta da Itália

Lula decidiu responder à carta que lhe enviou no sábado (17) o presidente italiano Giorgio Napolitano.

Na carta, Napolitano queixara-se do refúgio político concedido ao ex-terrorista Cesare Batistti.

O presidente da Itália anotara que a decisão do ministro Tarso Genro (Justiça) causou-lhe "estupor" e "amargura".

A resposta de Lula seguirá também por carta. Quando? O Planalto não diz. Tampouco informa qual será o conteúdo. Não há, porém, sinal de que Lula vá recuar.

O refúgio a Battisti "é uma decisão soberana do governo brasileiro", disse, nesta segunda (19), Marcelo Baumbach, porta-voz do Planalto.

Brasília não pretende divulgar o teor da carta de Lula a Napolitano. Deixará a decisão a critério do governo italiano.

Lula abespinhou-se com o fato de Roma ter liberado trechos da carta de Napolitano antes mesmo que ela lhe chegasse às mãos. Decidiu portar-se de modo inverso.

Carta vai, carta vem, a crise diplomática que opõe o Brasil à Itália vai assumindo um vulto que envenena as relações além do desejável.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

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Alckmin aceita convite para integrar time de Serra

  Moacyr Lopes Jr./Folha
"O político brasileiro", ensinou o barão de Itararé, "é um sujeito que vive às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas".

Na omelete municipal de 2008, esmagado pelo grupo de José Serra, o tucano Geraldo Alckmin fez o papel de casca.

Pois Serra decidiu aproveitar a casca. O governador convidou e Alckmin aceitou integrar a equipe de governo do Estado de São Paulo.

Vai ocupar a secretaria de Desenvolvimento. Um posto que, hoje, é ocupado pelo vice-governador Alberto Goldman.

Deve-se a informação aos repórteres José Alberto Bombig e Fernando Barros de Mello.

Com seu gesto, Serra tenta curar as feridas que resultaram do apoio que dera à vitoriosa candidatura de Gilberto Kassab (DEM) à prefeitura de São Paulo.

Ao adular Alckmin, Serra reduz as chances de que se abra em São Paulo uma dissidência pró-Minas na disputa que trava com Aécio Neves pela vaga de presidenciável do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 17h12

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Em dezembro, sumiram 654 mil postos de trabalho

  Folha
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) veio à boca do palco nesta segunda (19) para anunciar um número acerbo.

A crise roeu 654.946 mil empregos com carteira assinada no último mês do ano de 2008. O pior resultado desde 1999, quando esse tipo de aferição começou a ser feita.

"Nós nunca perdemos tantos empregos como em dezembro e isso é o que provocou esse resultado", disse Lupi.

No sítio do ministério, o governo preferiu realçar o saldo positivo que resultou das contas do ano.

A despeito da perda recorde de empregos em dezembro, abriram-se no do ano de 2008 1,452 milhão de novas com carteira assinada.

O resultado é inferior ao de 2007 em 10,2%. De resto, ficou bem abaixo dos 2,1 milhões de empregos novos que o governo trombeteava até novembro passado.

Para 2009, o governo serve-se da quiromancia. Anuncia que, a despeito da crise, serão criados 1,5 milhão de empregos formais.

Em pajelança organizada para festejar o aniversário de dez anos do regime de câmbio flutuante, o presidente do BC, Henrique Meirelles, dedicou meia dúzia de palavras à crise.

Disse que a economia mundial vive momento "sério" e "grave". Reconheceu que o Brasil coleciona "uma série de indicadores preocupantes".

Mas Meirelles acha que "o governo está preparado para enfrentar os problemas e tomar as medidas necessárias".

Deve-se reconhecer, porque é de justiça, que Lula e sua equipe não estão de braços cruzados. O problema é que o governo não age. Apenas reage à crise.

Diante da surpresa da queda recorde de empregos, por exemplo, Carlos Lupi prometeu "atitudes fortes". Em referência à seara de Meirelles, disse ter certeza de que o BC reduzirá os juros na próxima quinta (22).

Em matéria de proteção do emprego, o governo poderia ter agido desde setembro passado, quando a crise começou a mostrar os dentes. Não agiu. Agora, reage.

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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Sarney informará a Lula que é candidato no Senado

  Alan Marques/Folha
Depois de muito vaivém, Lula receberá José Sarney (PMDB-AP) nesta segunda (19). O encontro está agendado para 19h.

Vai à mesa a disputa pela presidência do Senado. Em quatro conversas anteriores, Sarney dissera a Lula que não seria candidato.

Agora, dirá que mudou de idéia. Alega que está sofrendo intensa pressão do PMDB. É lorota.

Açulado por Renan Calheiros (PMDB-AL), Sarney move-se como candidato desde sempre. Informado acerca das intenções do "aliado", Lula já ensaiou a resposta.

O presidente dirá ao senador que já não tem como pedir a Tião Viana (AC), o candidato do PT, que retire a candidatura dele.

Assim, a menos que Sarney recue, desenha-se no Senado um embate entre PMDB e PT, os dois maiores partidos do consórcio governista.

Sarney começou a retirar a candidatura do armário na semana passada. Deu-se na quinta-feira (15).

Nesse dia, segundo apurou o repórter, Sarney disse à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) que a pressão que o PMDB exerce sobre ele é grande.

Pretextou também questões regionais. Seus inimigos na política maranhense o estariam fustigando. E convém a ele se reposicionar em Brasília.

Dilma levou o lero-lero de Sarney aos ouvidos de Lula, que decidiu tomar distância da disputa do Senado.

No final de semana, em entrevista ao blog, Tião Viana dissera, em timbre peremptório: "Se ele [Lula] pedir [a retirada da candidatura], minha resposta será negativa".

Tião afirmara, de resto: "Não tenho o menor receio [de disputar com Sarney]. Ele é senador como eu. Vamos ao voto".

Na manhã desta segunda (19), alertado para a disposição de Sarney, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) dobrou os joelhos.

Disse que não tem como medir forças com Sarney no PMDB. Deu a entender que vai retirar sua recandidatura.

Resta saber agora se Sarney levará às últimas consequências a disposição de concorrer.

O senador trabalhava com a perspectiva de que Lula interviesse em seu favor. Sonhava com a candidatura única.

Escrito por Josias de Souza às 16h12

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Marola de demissões faz Lula receber sindicalistas

Entre as reivindicações das centrais está a redução dos juros

Guto Cassiano/Gato no Telhado

Lula agendou para as 17h desta segunda (19) um encontro com os presidentes de seis centrais sindicais, entre elas a CUT e a Força Sindical.

Os sindicalistas vinham reivindicando uma conversa com o presidente desde o final do ano passado. O Planalto, porém, dera de ombros.

Em dezembro, Lula reunira-se com a nata do empresariado. Na cabeça do presidente, o essencial era combater o desânimo que roía os investimentos privados.

Mas a crise evoluiu para um segundo estágio. Agora, além de cuidar da irrigação do sistema de crédito, o governo é assediado pelo drama do desemprego.

Pela manhã, antes do encontro com Lula, o presidente da CUT, Artur Henrique, anuncia um calendário de mobilizações pela preservação do emprego.

A CUT começa a ganhar as ruas já nesta terça (20). Na quarta (21), as outras cinco centrais, à frente a Força, farão manifestações nas capitais pela queda dos juros.

Nesse dia, começa em Brasília a primeira reunião de 2009 do Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Na quinta (22), será divulgada a nova taxa de juros.

A exemplo dos empresários, os sindicalistas pressionam por uma redução expressiva da Selic, a taxa básica de juros. Hoje, está em 13,75% ao ano. Deve cair.

A queda foi sinalizada pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, em conversa com Lula. A dúvida é quanto ao tamanho da redução.

A julgar pelos negócios fechados no mercado futuro da BM&F, aposta-se que a poda não excederá a 0,75 ponto percentual. Os sindicalistas querem mais.

Nesta segunda, Lula recebe do ministro Carlos Lupi (Trabalho) os números de dezembro do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Será o pior resultado mensal da história do cadastro: em dezembro, sumiram do banco de dados oficial mais de 600 mil empregos com carteira assinada.

Prevê-se que a coisa deve piorar neste primeiro trimestre de 2009. Daí o alvoroço das centrais. Daí também a decisão de Lula de recebê-las em audiência.

Busca-se uma pauta consensual de ações que atenuem a marola que engolfa o emprego. Em gesto solitário, a Força Sindical abrira negociação com a Fiesp.

Foi à mesa uma proposta de acordo que prevê a redução de jornada de trabalho e o corte de salários. A CUT preferiu denunciar a manobra a participar dela.

Pressionado também por centrais menores, o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, adiou por dez dias os entendimentos com a Fiesp.

As duas maiores centrais vão divididas ao encontro com Lula. Em contraste com o pragmatismo da Força, a CUT leva uma pauta de reinvidicações de 30 itens.

Entre eles algumas propostas oníricas. Por exemplo: redução de jornada para 40 horas semanais sem redução dos salários, demissão zero...

...Revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal, fim do superávit primário e estatização de todas as instituições financeiras em estado falimentar.

Um único tema parece unir as centrais: a exigência de que os benefícios do Estado a empresas -tributários ou creditícios-sejam acompanhadas de uma contrapartida, a preservação dos empregos.

PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

PS.2: Pressione aqui para inteirar-se dos "resulados" da reunião dos sindicalistas com Lula.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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As manchetes desta segunda

- Globo: Hamas aceita trégua e Israel inicia a retirada

- Estadão: Hamas anuncia trégua; Israel começa a deixar Gaza

- JB: Paz na posse de Obama

- Correio: concursos em alta apesar da crise

- Valor: Grupo do governo tenta reativar estatal Telebrás

- Gazeta Mercantil: Empresas recorrem ao mercado de precatórios para saldar dívidas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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Eu sou você amanhã!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Três chanceleres e nem sinal de uma política externa

Stock Images

Do repórter Elio Gaspari, na Folha (só assinantes):

- Três em nada: "Nosso Guia não tem política externa que faça nexo, mas tem três chanceleres.

Um é o titular Celso Amorim. O outro é o assessor especial Marco Aurélio Garcia.

Agora, correndo por baixo, entrou o ministro do sei-lá-o-quê Roberto Mangabeira Unger.

O professor foi a Washington e encontrou-se com um assessor do presidente eleito Barack Obama, cujo nome não revelou.

Dessa conversa resultou uma preciosa informação: "Obama decidiu não se encontrar oficialmente com nenhum representante de outro país antes da posse".

Dias depois Obama reuniu-se com o presidente mexicano Felipe Calderón, com direito a fotografias.

Desse jeito o governo Lula não é apenas "o mais corrupto de nossa história nacional" (nas palavras de Mangabeira). É também o mais estabanado".

Escrito por Josias de Souza às 01h05

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Gabeira passa a vida em revista no Gordo Chic Show

Escrito por Josias de Souza às 20h01

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Bolívia exige teste de Aids de estudantes do Brasil

Andy Warhol

Universitários brasileiros residentes na cidade boliviana de Cochabamba vêm recebendo tratamento degradante de autoridades consulares locais.

Para ter o visto de permanência renovado, por exemplo, os estudantes têm de provar, uma vez por ano, que não estão infectados pelo HIV, o vírus da Aids.

A informação foi repassada pelos próprios estudantes a uma delegação de deputados federais que visitou a Bolívia no mês passado.

Raul Jungmann (PPS-PE), um dos integrantes da comitiva, vem publicando em seu blog, desde o final de dezembro, um "diário de viagem".

Um pedaço desse "diário", referente ao Paraguai, por onde a viagem começou, já havia sido reproduzida aqui.

Neste domingo, sob o título "Aidéticos", Jungmann relata o que ele e seus colegas viram ouviram em Cochabamba.

Estiveram na Univalle (Universidad Privada Del Valle). Há na instituição cerca de 400 brasileiros matriculados. Frequentam o curso de Medicina.

"Todos os anos, temos que nos submeter a um teste de Aids. Sem isso, não nos deixam ficar. Não podemos renovar os nossos vistos", disse um dos alunos.

Surpresos, os deputados quiseram saber se a exigência era estendida a alunos de outras nacionalidades.

"Não temos notícias que outros estudantes, de outros países, também tenham que fazer anualmente o teste de Aids", respondeu outro estudante brasileiro.

Em seu "diário" eletrônico, Jungmann evitou mencionar os nomes dos alunos. Teve receio de submetê-los a retaliações.

O teste anti-Aids não é o único constrangimento imposto aos brasileiros. Para ter os vistos renovados, eles também são vítimas de achaques e humilhações.

Um dos alunos contou que, ao tentar renovar o seu visto de permanência na Bolívia, tivera problemas com o preenchimento do formulário.

O atentende boliviano chamou-o de "brasileiro burro e imbecil". Outra aluna, que Jungmann permitiu-se identificar pelo prenome (Sarah), contou:

"Eu fui fazer um registro e me pediram duas cópias dos meus documentos. Então perguntei por que duas, se uma cópia não bastava..."

"...Aí, o cara falou: 'Agora são quatro'. Eu disse: mas por que? E ele: 'São dezesseis'. Mas...  'São cem agora, moça. Vai querer ou não?' É assim".

Os deputados prometeram levar as queixas dos estudantes às autoridades do governo companheiro de Evo Morales.

Houve queixas também quanto a um velho problema arrostado por brasileiros que se formam em países da América Latina e do Caribe.

De volta ao Brasil, os novos profissionais, a maioria deles médicos, têm dificuldade de validar os diplomas. "Eles são discriminados lá e cá", escreve Jungmann.

Desde meados da década de 90, jovens brasileiros recorrem a faculdades de países vizinhos para fugir do fantasma do vestibular.

Hoje, estima-se que há quase 10 mil brasileiros estudando em países da América Latina e do Caribe. Só na Bolívia, há algo como 6.000.

Submetem-se, por vezes, a um ensino de qualidade precária. E, ao retornar, têm dificldade para exercer a profissão no Brasil.

Na década de 70, o Brasil firmara um acordo de cooperação acadêmica que previa a validação automática dos diplomas obtidos em países latinos e caribenhos.

Porém, em 1999, sob FHC, o governo pulou fora desse acordo. Desde então, para ter o diploma reconhecido no Brasil, os formandos têm de prestar exames em universidades públicas brasileiras.

É alta a taxa de reprovação. Muitos dos que recebem bomba recorrem ao Judiciário. Sobretudo aqueles que iniciaram seus cursos antes de 1999.

Neste caso, na há propriamente discriminação. Tome-se o exemplo dos médicos. Parece razoável que, antes de clinicar no Brasil, os profissionais formados lá fora provem minimamente as suas aptidões.

Escrito por Josias de Souza às 19h02

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As manchetes deste domingo

- Globo: Crise reduz em R$ 65 bi investimentos no Brasil

- Folha: Indústria paulista fecha mais de 100 mil vagas

- Estadão: Empresas e sindicatos fazem acordo à margem das centrais

- JB: Obama faz do Brasil parceiro estratégico

- Correio: Boa sorte, Obama

- Valor: Citi é pressionado a vender ativos e encolhe no Brasil

- Gazeta Mercantil: Crise força empresas a reinventar função do RI

- Veja: Obama - Fim do império ou começo de mais um século americano?

- Época: O mito e a realidade

- IstoÉ: Começa a seleção genética

- IstoÉ Dinheiro: Temporada de caça

- CartaCapital: E lá se vai o czar do BC

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h11

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Obama assume com aprovação de 83%, diz Gallup

Emmnuel Dunand/AFP

Nesta terça (20), Barack Obama toma posse como o 44º presidente dos EUA. Chega à Casa Branca com uma taxa de aprovação notável.

Segundo o Gallup, 83% dos americanos aprovam a maneira como Obama conduziu a transição nos dois meses que separaram a eleição de sua posse.

O feito prestígio de Obama agiganta-se quando comparado aos índices que ostentavam no início do mandato os dois presidentes que o antecederam.

Em janeiro de 2001, o Gallup atribuíra a Bill Clinton o percentual de 61%. Antes, em 1993, Bill Clinton amealhara 68%.

Durante a campanha, Obama cavalgou a impopularidade de Bush. Serviu-se, por assim dizer, da crise. Seu slogam -"Yes, we can"- revelou-se premonitório.

Na presidência, Obama terá de evitar que a crise o devore. Precisa demonstrar que pode vencer, além de eleições, a adversidade.

Assedia-o um bordão no singular: "Yes, I Can". O eleitor fez a parte dele. E espera que Obama faça a sua.

Também nesse aspecto é flagrante o otimismo da platéia. O Gallup perguntou aos americanos se confiam na capacidade de Obama de tornar-se um bom presidente.

A maioria expressiva -64% - respondeu que sim. Ou seja, neste início de jornada, torcida não é problema para Obama.

Deposita-se mais confiança no presidente do que na equipe dele. Instados a qualificar o time montado por Obama os americanos mostraram-se divididos.

Para 45% dos entrevistados o gabinete é excelente (13%) ou acima da média (38%). Para 48% o time é apenas mediano (38%), abaixo da média (5%) ou fraco (5%).

Desde que foi eleito, em novembro, o jovem Obama, 47 anos, assistiu à deterioração da crise.

Acossado por uma recessão que rói o poder aquisitivo e a paciência de seu povo, os EUA ainda não superaram nem o primeiro estágio da crise, a encrenca bancária.

Nesta sexta (16), a quatro dias da posse festiva, o governo teve de borrifar US$ 349 bilhões nas arcas de dois gigantes ajoelhados: o Citigroup e o Bank of América.

Dias atrás, ao discorrer sobre o conteúdo de seu discurso de posse, Obama prometeu um pronunciamento "honesto". Deve pintar a crise com as cores da tormenta.

Antes, dissera que a hora é de "medidas dramáticas". Coisa para "já". Seu primeiro desafio será arrancar do Congresso a aprovação de mais um plano bilionário.

Um pacote de US$ 825 bilhões. A despeito da robustez, sem precedentes históricos, talvez não baste para debelar uma crise que o próprio Obama já antevê como longeva, com a qual os EUA terão de conviver "talvez por muitos anos".

Barack Obama vai à cadeira de George Bush obcecado por Franklin Delano Roosevelt (1933-1945).

O novo presidente esquadrinha com vivo interesse textos sobre os primeiros 100 dias do presidente que livrou os EUA da depressão provocada pelo crash de 29.

Só um milagre permitiria a Obama reter os 83% de aprovação que ostenta agora. Se conseguir evitar um tombo, já terá obtido um feito.

Neste sábado (17), como que pressentindo o que está por vir, Obama disse que cometerá alguns erros. Pediu paciência aos americanos. Um pedido que os desempregados terão certa dificuldade em atender.

Escrito por Josias de Souza às 01h36

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Pintura rupestre!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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Lula receia o reflexo eleitoral da alta do desemprego

Tarsila do Amaral

No célebre discurso do "sifu", proferido na noite de 4 de dezembro de 2008, Lula queixara-se da "colonização intelectual" de parte da elite brasileira.

Dissera que, aqui, valorizava-se mais a promessa de Obama de criar 2 milhões de empregos até 2011 do que as 2,1 milhões vagas abertas no Brasil em 2008.

Lula não suspeitava de que, àquela altura, os computadores do ministério do Trabalho começavam a processar dados que conspurcariam sua analogia.

Nesta segunda (19), o presidente recebe do ministro Carlos Lupi (Trabalho) os números cruzados pelo Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Será o pior resultado mensal da história do cadastro: em dezembro, sumiram do banco de dados oficial mais de 600 mil empregos com carteira assinada.

O índice de que se jactava Lula, válido até novembro, caiu de 2.107.150 empregos para algo pouco acima da marca de 1,5 milhão de empregos criados em 2008.

Em reunião com Lupi, na noite da última quarta (14), Lula foi informado sobre a novidade. Surpreendeu-se. Já intuía que a crise roeria o emprego.

Em novembro, o Caged já anotara a perda de 40.821 vagas. Mas Lula não antevira, nem em seus piores pesadelos, um dezembro tão azedo.

Produziu-se um ajuste instantâneo no discurso presidencial. No final do ano passado, Lula recomendava o consumo. Agora, fala em salvar empregos.

Em público, prevê um primeiro trimestre "difícil". Promete ação. Em privado, revela-se preocupado com os reflexos da crise sobre os planos eleitorais de 2010.

Natural. A popularidade que Lula espera transferir para Dilma Rousseff, sua candidata, está escorada num bolsão de simpatia formado pelos brasileiros mais humildes.

São justamente os primeiros na fila do desemprego. Gente que Lula, no afã de soar otimista, esqueceu momentaneamente.

O governo já socorreu exportadores, indústrias, construtores e montadoras de automóveis. Mas não levou à mesa a contrapartida da manutenção dos empregos.

Mandou ao Congresso um par de medidas provisórias anticrise. O candidato ao desemprego não frequentou os textos.

Antes do Natal, Lula reunira-se com a nata do empresariado. Nem sinal dos trabalhadores.

Só agora, depois que soaram as primeiras trombetas do desemprego, o ex-sindicalista decidiu receber os presidentes das centrais sindicais.

Depois, discutirá com a equipe econômica os detalhes de novas providências que pretende anunciar nas próximas semanas.

Age para tentar erigir um dique capaz de represar a crise em 2009. Espera entrar pelo ano eleitoral de 2010 distribuindo notícias alvissareiras.

Retorne-se ao pronunciamento do "sifu". Naquela noite de 4 de dezembro, Lula dissera: "Eu adoro uma crise [...], eu adoro ser provocado".

Não será por falta de provocação que o presidente vai deixar de reverenciar sua adoração.

Escrito por Josias de Souza às 22h09

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Caso Battisti: presidente italiano queixa-se a Lula

Divulgação

Giorgio Napolitano, presidente da Itália, enviou uma carta a Lula neste sábado (17). No texto, reclama da concessão de refúgio político a Cesare Battisti.

Napolitano usa palavras fortes. Anota que a decisão do ministro Tarso Genro (Justiça) causou-lhe "estupor e "amargura".

A íntegra da correspondência não foi revelado. Divulgou-se apenas um comunicado curto no sítio da presidência da Itália.

Diz o comunicado que, na carta endereçada a Lula, Napolitano lembra das garantias que o ordenamento constitucional italiano oferece aos acusados de atos de terrorismo.

O presidente italiano apresenta-se como "intérprete" da "grande comoção e reação" que a decisão de Tarso Genro, tachada de "grave", provocou em seu país.

Há dois dias, Lula defendera o despacho de Tarso Genro. Dissera que autoridades italianas poderiam não gostar, mas teriam de "respeitar" a decisão do Brasil.

Não é o que vem ocorrendo, contudo. Os italianos mantêm a boca grudada ao trombone. O sapo criado pela decisão de Tarso Genro parece grande demais para ser deglutido. A gritaria vinda da Itália é ruidosa e intermitente.

O refúgio concedido a Battisti, condenado na Itália por quatro homicídios, levou os advogados dele a protocolarem uma petição no STF.

Pedem: 1) Que Battisti seja posto em liberdade. Ele está detido no presídio da Papuda, em Brasília; 2) Que o processo de extradição do condenado seja extinto.

A petição foi à mesa do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Antes de decidir, ele requereu a manifestação do Ministério Público.

No despacho que endereçou ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza (íntegra aqui), Gilmar lembra decisão tomada pelo STF em caso análogo.

No caso mencionado pelo ministro, o Supremo reconhecera a condição de refugiado concedida pelo Conare (Comitê Nacional de Refugiados Políticos).

O caso de Battisti, afirma Gilmar Mendes, é diferente. O Conare negou refúgio ao italiano. Acionado, Tarso Genro reviu essa decisão, concedendo o refúgio.

"Essa nova situação, em que se observa a concessão de refúgio por ato isolado do ministro da Justiça, contrariando a manifestação do Conare, não foi debatida na Corte", anota Gilmar Mendes.

Cirou-se, no dizer do presidente do STF, um "precedente". O que exige "análise mais aprofundada". Daí a determinação para que o Ministério Público se manifeste.

Em parecer anterior, Antonio Fernando de Souza manifestara-se a favor da extradição. Agora, terá de dizer se mantém a opinião depois da novidade produzida por Tarso Genro.

O caso ainda vai render pano para muitas mangas.

PS.: Ilustração Via Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas.

Escrito por Josias de Souza às 19h25

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513 mil pediram o salário-desemprego em dezembro

Escrito por Josias de Souza às 04h54

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'Não tenho receio de disputar com o Sarney', diz Tião

Fábio Pozzebom/ABr

José Sarney (PMDB-AP) ainda não retirou do armário sua candidatura à presidência do Senado. Mas Tião Viana (PT-AC) já o enxerga como adversário.

Assediado pela especulação de que cederia a um pedido de Lula para que se retirasse da disputa, Tião soa peremptório.

Não crê que o presidente lhe faça o fatídico pedido. Mas declara: "Se ele pedir, minha resposta será negativa".

Tião guarda mágoa de Sarney. Ouvira dele, cinco vezes, que não seria candidato. Agora, se diz "triste" por não ter merecido a delicadeza de um telefonema.

"Talvez eu não mereça essa atenção, pela importância política dele", afirma Tião, em entrevista ao blog.

Sarney terá com Lula uma conversa definidora. Tião se diz preparado para tudo. Inclusive para um embate com o morubixaba do PMDB.

"Não tenho o menor receio. Ele é senador como eu. Vamos ao voto". Abaixo, a entrevista:

- Pode desistir da candidatura? A chance de isso acontecer é zero.

- E se Lula pedir? Ainda assim, a hipótese de eu desistir da candidatura é nenhuma.

- Acha que o presidente vai pedir? Não creio. Ele me conhece há mais de 20 anos. Tem respeito por mim. Tenho convicção de que não faria a indagação.

- E se fizer? Se ele pedir, minha resposta será negativa. Hoje, tenho a responsabilidade política de sustentar a indicação de cinco partidos e dos senadores que me apóiam.

- Quantas vezes Sarney lhe disse que não seria candidato? Cinco vezes. Conversei com o senador com a maior consideração e humildade.

- Acha que ele será candidato? Me causa um certo constrangimento saber por terceiros que ele faz um movimento de candidato. Lamento não ter recebido dele um simples telefonema cordial e fraterno. Como foi a nossa relação até agora.

- A que atribui a aversão de Renan Calheiros ao seu nome? Particularizo o caso do senador Renan. Ele foi claro comigo. Disse: 'Trabalharei com todas as forças por uma indicação do PMDB, que represente o partido nessa disputa de poder'. Espero que a disputa cotinue sendo travada em campo aberto e à luz do dia. Claro que temos métodos diferentes. Mas ele, até agora, agiu com clareza.

- Quais são as diferenças de método? São muitas: a maneira de olhar o Parlamento, as relações institucionais, a interface entre o Legislativo e o Executivo, a política regional, as concepções partidárias e programáticas...

- Distingue o comportamento de Renan do de Sarney? Sinto tristeza pela maneira como está sendo deflagrada a candidatuta do senador Sarney. Eu me preocupei em estabelecer com ele uma relação fraterna. E esperava no mínimo um telefonema dele me informando sobre as razões de sua candidatura. Não telefonou. Talvez eu não mereça essa atenção, pela importância política dele.

- Receia disputar com Sarney? Não tenho o menor receio. Ele é senador como eu. Vamos ao voto.

- A conversa de Lula com Sarney pode modificar o processo? Será uma conversa difícil. Depois de ouvir o senador Sarney, o presidente expressou uma expectativa em relação à eleição na Câmara e no Senado. Não havia uma candidatura do senador. Agora, há uma definição de pré-candidatura dele. Não sei qual será o desfecho. Estou preparado para qualquer resultado.

- Não receia que Lula apoie Sarney? Creio que seria muito difícil que, havendo dois candidatos da base governista, o presidente manifestasse preferência por um. Pode haver um distanciamento do presidente Lula do processo. Creio que ele tratará as duas candidaturas com respeito.

- Acha que a disputa deixará feridas? Tenho me relacionado com o senador Garibaldi Alves, que se apresentou como candidato do PMDB, com respeito e responsabilidade. Entrando o senador Sarney, o processo pode ser conduzido do mesmo jeito. A lesão causada ao equilíbrio político-partidário na Casa pode ser pequena, superável.

- Com Sarney, o PT deveria trair Michel Temer na Câmara? Acho que o PT deve cumprir os compromissos com a candidatura do deputado Michel Temer. Ele tem sido correto e sensível à necessidade de preservar o equilíbrio partidário. Trata com muito respeito a minha candidatura.

- Quais serão os reflexos dessa disputa na composição de 2010? Infelizmente, algumas pessoas tratam a disputa no Legislativo com os olhos voltados para 2010. A meu ver, deveríamos priorizar os interesses do Poder Legislativo.

- Sua vitória não beneficiaria Dilma Rousseff? Não posso prestar serviços nem à ministra Dilma nem ao governador José Serra. Tenho certeza de que, com o nível de responsabilidade dos dois, eles querem um Legislativo que reduza fortemente o índice de fisiologismo e faça avançar as reformas de Estado. O contágio de 2010 só prejudica o andamento do processo legislativo nos próximos dois anos.

- Que prejuízo pode haver? Em ambiente de disputa, podemos deixar de votar as reformas de Estado.

- Que reformas? A reforma política, a tributária, a agenda ambiental, a definição de marcos regulatórios importantíssimos. Sob crise, o país precisa de ajustes sólidos e ágeis. As questões eleitorais deveriam ser tratadas a seu tempo.

- Senadores do DEM acham que elegê-lo seria o mesmo que acomodar Lula na cadeira de presidente do Senado. Conseguiria manter-se independente? Sinto que há um preconceito, sobretudo do senador Agripino [Maia, líder do DEM], em relação ao PT. Isso se deve às brigas que ele teve com o presidente Lula durante o último processo eleitoral no Rio Grande do Norte. Vejo essa relação como algo maniqueísta.

- Conseguiria conduzir o Senado com independência? Não tenho dificuldade em afirmar a minha relação histórica com a figura humana e política do presidente Lula. Assim como fizeram Luiz Eduardo Magalhães e Aécio Neves, quando presidiram a Câmara, com Fernando Henrique Cardoso. Tenho também uma relação de respeito com o governador José Serra. Então, me sinto à vontade para defender os interesses do Legislativo. Com a responsabilidade que me cabe caso venha a ser eleito. Sei o que é um governo de coalizão. Mas também valorizo o papel de uma oposição ativa. É possível conduzir o processo legislativo com altivez e independência.

- Acha que vai prevalecer na disputa? Estou confiante. Minha meta é a de obter 52 votos.

- Já dispõe dos 52 votos? Há uma margem sólida de segurança que me permite dizer que estou em torno desta marca de 52 votos [para eleger-se presidente, um senador precisa de 41 votos].

- Sua conta inclui votos do PMDB? Sim. Votos honrosos e importantes. O PMDB tem 20 eleitores. Vários já me declararam apoio. Qualquer que seja o candidato apresentado por eles.

- Contabiliza votos da oposição? Sim. Dentro do DEM também terei votos importantes. E creio que o PSDB está sensível a um diálogo elevado. É hora de pensar no país e não em governo querendo destruir a oposição e vice-versa. Esse caminho só leva ao colo do fisiologismo.

Escrito por Josias de Souza às 04h30

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As manchetes deste sábado

- Globo: EUA socorrem bancos mas ações continuam em queda

- Folha: Maior banco dos EUA recebe ajuda de US$ 117 bilhões

- Estadão: Crise bancária se agrava nos EUA

- JB: Esperança de cessar-fogo

- Correio: Força-tarefa para regularizar lotes

- Valor: Citi é pressionado a vender ativos e encolhe no Brasil

- Gazeta Mercantil: Crise força empresas a reinventar função do RI

- Jornal do Commercio: Dia de transtornos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h20

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Em obras!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 04h18

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

  Sebastião Moreira/Efe
1. Pós-Moralinha: Esperava pelo pior? Pois convém preparar-se para o muito pior. Depois de fundir-se ao Real, o Santander anuncia a demissão de 400.

Deu-se menos de 24 horas depois de Lula admitir o sumiço de 600 mil postos de trabalho em dezembro de 2008. Os bancários fazem o que resta: protestam (foto).

2. Sine die: A Vale mandou às calendas o projeto de construção de um polo siderúrgico no Espírito Santo.

Investimento de US$ 5 bilhões, em sociedade com a chinesa Baosteel. É o segundo projeto micado pela crise. Antes, cancelara-se uma siderúrgica no Maranhão.

3. Geladeira: Foi ao freezer o pedido de liberdade de Cesare Battista. Gilmar Mendes, do STF, encomendou parecer do Ministério Público sobre a encrenca.

Não há prazo para a manifestação do procurador-geral da República. Assim, a Itália ganha tempo para reagir, esperneargritar, bradar, contra-atacarclamar.

Ainda que assegure o status de refugiado político, Battisti não estará livre do Judiciário. Descobriu-se que arrosta, no Brasil, processo por falsidade ideológica.

4. Microondas: Não bastassem os problemas que convulsionam a sua cozinha, o companheiro Evo Morales decidiu comprar briga alhures.

A Bolívia prepara, veja você, um processo contra a ofensiva de Israel em Gaza. Vai ao Tribunal Penal Internacional.

5. Bolivarianas: O governo venezuelano marcou para 15 de fevereiro o referendo popular da emenda que deu a Hugo Chávez a reeleição perpétua.

Calderón de La Barca dizia: "Todo poder é emprestado e há de retornar ao seu legítimo dono". Chávez deseja o empréstimo sem vencimento.

Escrito por Josias de Souza às 19h00

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EUA socorrem o Bank of America e o Citigroup

Em nova evidência de que, nos EUA, o fundo do poço é apenas uma etapa da crise, mais dois gigantes bancários abriram o bico.

A poucos dias da posse de Barak Obama, marcada para a próxima terça (20), o governo americano decidiu socorrer o Bank of America e Citigroup.

Coisa de US$ 439 bilhões. A despeito do refresco, as duas casas bancárias anunciam planos de enxugamento que mais parecem o sorvo de um gigante.

O Citi planeja mandar ao olho da rua, ainda em 2009, 52 mil empregados em todo o mundo. O Bank of Americana mandará para casa 35 mil funcionários em três anos.

Torça-se para que Obama não sofra de azia. Do contrário, logo, logo vai deixar de ler jornais. As más notícias chegam em catadupas.

Foi à breca a Circuit City, segunda maior cadeia de lojas de produtos eletrônicos dos EUA. Está presente em 28 Estados americanos. Funcionava há 59 anos.

Neste caso, ficarão sem emprego algo como 30 mil pessoas. A rede dobrara os joelhos em novembro do ano passado.

Foi ao balcão. Mas, em meio a uma recessão que injetou na alma do ameicano o medo do consumo, não houve quem se interessasse em comprar a Circuit City.

Deu-se, então, o curto-circuito. Se fosse um banco, a empresa talvez encontra-se lenitivo nas arcas do Estado americano. Como não é...

Escrito por Josias de Souza às 17h40

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Em evento com Garibaldi, Renan cita a opção Sarney

Ponta-de-lança da candidatura de José Sarney à presidência do Senado, Renan Calheiros já nem se preocupa em disfarçar suas intenções.

Nesta sexta (16), Renan dividiu os holofotes com Garibaldi Alves num evento realizado em Maceió (AL).

Instado a comentar a sucessão interna do Senado, Renan pôs-se a conjecturar sobre o nome que irá representar o PMDB na disputa.

A certa altura, disse: "Se puder ser o Garibaldi, é o Garibaldi. Se não puder, o PMDB vai indicar outro, e dentre os nomes está o do senador José Sarney".

Mas por que a dúvida em relação a Garibaldi? Renan colore a cena da puxada de tapete com tintas jurídicas:

"Desde o primeiro momento, isso ficou claro. Ele tem o apoio e o entusiasmo de todos nós..."

"...Se houver problema, não será de ordem política. Será óbice constitucional".

O "óbice" a que se refere Renan é a interpretação segundo a qual a reeleição numa mesma legislatura seria vedada pela Constituição.

As razões reais são, porém, outras. Renan retomará a liderança do PMDB em fevereiro. E quer Sarney na presidência para que seu grupo volte a dar as cartas no Senado.

Renan e Garibaldi toparam-se no 3º Fórum de Integração do Legislativo. Trata-se de evento anual.

Garibaldi discursou na abertura. A certa altura, especulou sobre a possibilidade de abrir também a próxima edição do encontro.

"Minha condição de candidato me permite dizer que eu posso estar me despedindo, mas posso não estar".

Entre risos, acrescentou: "Tudo vai depender de Renan Calheiros". Neste sábado, Sarney deve reunir-se com Lula. Dirá se é, afinal, candidato.

Ele quer ser. Mas condiciona a retirada de sua candidatura do armário à inexistência de adversários. Quer ser ungido num grande acordo.

O diabo é que Tião Viana, o candidato do PT, não parece disposto a bater em retirada. O curioso em todo esse enredo é o poder de fogo que volta a exibir Renan Calheiros.

Escrito por Josias de Souza às 16h42

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Itália decide recorrer ao STF contra refúgio de Battisti

A serviço da embaixada da Itália no Brasil, o advogado Nabor Bulhões prepara recurso ao STF contra a conversão de Cesare Battisti em refugiado político.

Bulhões foi acionado por ordem de Roma. Tenta-se reverter um despacho expedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, na última terça (13).

Tarso concedeu a Battisti o status de "refugiado político". A decisão (íntegra aqui) compromete pedido de extradição formulado pelo governo italiano, que corre no Supremo.

Nabor Bulhões pretende demonstrar que o ministro desconsiderou detalhes dos processos que resultaram na condenação de Battisti à prisão perpétua na Itália.

São dois os processos. O primeiro foi julgado em 1978. O outro, em 1979. Referem-se a quatro homicídios. São atribuídos a Battisti.

Para Roma, Battisti, ex-militante de um grupo chamado Proletários Armados para o Comunismo, não é senão um "terrorista", um "criminoso comum".

Na visão de Tarso, Battisti combatia um regime de "chumbo", foi condenado graças a leis de "exceção" e estaria sob risco de "perseguição" caso fosse devolvido à Itália.

De resto, o ministro aceitou um argumento da defesa de Battisti: o de que ele teria sido julgado sem que lhe fosse facultado o amplo direito de defesa.

Pela legislação brasileira, pessoas envolvidas em atos tipificados como terroristas não podem ser reconhecidos como refugiados políticos.

Ao levar em conta o histórico de Battisti, que, antes de fugir para o Brasil, em 2004, fora acolhido como exilado na França por uma década, Tarso desqualificou-o como terrorista.

Submetido ao recurso de Bulhões, que deve ser protocolado nos próximos dias, o STF terá de decidir se está diante de um criminoso comum ou político.

Em parecer anexado aos autos que tramitam no STF, o Ministério Público manifestara-se a favor da extradição de Battisti.

Também o Conare (Comitê Nacional para Refugiados Políticos) negara a Battisti o pedido de refúgio. Essa decisão foi, porém, revista pelo despacho de Tarso Genro.

Além do recurso ao STF, o governo italiano encaminhou ao Itamaraty um pedido de revisão da decisão do ministro no âmbito da administração pública brasileira.

Porém, a julgar por uma declaração feita por Lula nesta quinta (15), são nulas as chances de o governo revogar a deliberação do ministro da Justiça.

"É uma decisão do Estado brasileiro. Alguma autoridade italiana pode não gostar, mas terá de respeitar", disse Lula.

Também nesta quinta, os advogados de Battisti, entre eles o ex-deputado Eduardo Greenhalgh (PT-SP), apressaram-se em protocolar uma petição no STF.

No documento, pedem que seu cliente seja posto em liberdade. Preso no Rio, em março de 2007, Battisti encontra-se numa cela da penitenciária da Papuda, em Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 04h52

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Só Nixon bateu Bush em matéria de impopularidade

Charles Dharapak/AP

George Bush deixa a Casa Branca na próxima terça (20) levando para o Texas, seu Estado natal, uma marca acerba.

Depois de Richard Nixon, Bush é o presidente mais impopular da história dos EUA na fase pós-Segunda Guerra Mundial.

Bush termina o mandato com uma taxa de aprovação de escassos 34%. Seu trabalho foi reprovado por 61% dos americanos.

Nixon cravara 25% de aprovação e 66% de reprovação. Índices tonificados pelo pedido de renúncia, em agosto de 1974.

Uma renúncia que veio nas pegadas da explosão do célebre escândalo Watergate. E que funcionou como fuga de um impechament que se desenhava como inevitável.

Deve-se a revelação ao Gallup. De acordo com a coleção de dados do instituto, Bush chega ao fim do mandato em condições análogas às de Harry Truman e Jimmy Carter.

Ao deixar o governo, em 1952, Trumann -sob cuja gestão os EUA bombardearam Hiroshima e Nagasaki- amealhara aprovação de 32%. Dois pontos aquém de Bush.

Carter, o sucessor de Nixon, recebera aprovação de 34% dos americanos no término de seu mandato, em dezembro de 1980. Índice idêntico ao de Bush.

Porém, tanto Trumann (56%) quanto Carter (55%) haviam obtido índices de desaprovação menos expressivos que o atribuído a Bush (61%).

De acordo com o Gallup, os três presidentes americanos mais populares foram:

1. Clinton: aprovação de 66% e reprovação de 29% em janeiro de 2001;

2. Reagan: aprovação de 63% e reprovação de 29% em dezembro de 1988;

3. Eisenhower: aprovação de 59% e reprovação de 28% em dezembro de 1960.

Vai abaixo um quadro comparativo. O levantamento exclui dois presidentes que morreram no curso do mandato: Franklin Roosevelt e John Kennedy.

Roosevelt, presidente que recuperou a economia americana depois do crash de 29, morreu em abril de 1945. Kennedy foi assassinato em novembro de 1963.

Em matéria de popularidade, Bush 2º, o filho, desce a escadaria da Casa Branca em situação mais vexatóra do que a de George Bush 1º, o pai.

Em janeiro de 1993, quando mediu a popularidade do patriarca dos Bush, o Gallup detectara taxa de aprovação de 56%. A reprovação era de 37%.

Para completar o ultraje, Bush-filho termina o mandato com uma imagem bem pior do que a da mulher dele.

Segundo o Gallup, 76% dos americanos afirmam que têm uma opinião favorável acerca da primeira-dama Laura Bush.

Definitivamente, George Bush não deixará saudades.

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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As manchetes desta sexta

- Globo: Israel faz 110 ataques e atinge ONU, jornalistas e um hospital

- Folha: Israel ataca prédio da ONU e hospital

- Estadão:Israel mata líder do Hamas; prédio da ONU é atingido

- JB: Montadoras do Rio dão férias coletivas

- Correio: Como é caro manter os filhos na escola

- Valor: Citi é pressionado a vender ativos e encolhe no Brasil

- Gazeta Mercantil: Crise força empresas a reinventar função do RI

- Estado de Minas: A BH que abre vagas, investe e desafia a crise

- Jornal do Commercio: Estado anuncia uma cidade para a Copa

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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O novo PAC (Programa de Arrumação da Candidata)!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h27

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Lula prepara a alma da platéia para a 'marolinha'

  Wilson Dias/ABr
Lula comportou-se ao longo da semana como se desejasse preparar o brasileiro para más notícias.

Na segunda (12), avisou que o Brasil terá um primeiro trimestre de 2009 "preocupante". Revelou-se especialmente preocupado com os empregos.

Nesta quinta (15), reconheceu que o ministério do Trabalho está na bica de anunciar números cabeludos.

Dados referentes a dezembro de 2008. Que indicam um volume de fechamento de postos de trabalho acima do razoável.

Num discurso proferido em Mato Grosso do Sul, Lula disse: "Ainda não temos os dados oficiais..."

"...Mas nós vamos ter para o mês de dezembro, que na série histórica é por volta de 300, 400 mil demissões, nós vamos ter um pouco mais. Talvez cheguemos a 800 mil demissões".

Lula exagerou no tamanho da marola. Sua assessoria apressou-se em esclarecer que o levantamento da pasta do Trabalho indica, na verdade, a perda de 600 mil postos de trabalho.

Na próxima semana, Lula reúne-se com sua equipe econômica. Deve deliberar sobre novas medidas econômicas. A marolinha chegou.

Escrito por Josias de Souza às 00h32

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'Aliviado', Battisti vai retomar carreira de escritor

  AP
Os advogados de Cesare Battisti protocolaram há pouco, no STF, uma petição em que pedem que seu cliente seja posto em liberdade.

O pedido tornou-se possível depois que o ministro Tarso Genro (Justiça) concedeu a Battisti o status de refugiado político.

Recorreu-se ao STF porque é ali que corre o pedido de extradição formulado pelo governo da Itália contra Battisti.

Antes de levar a petição ao Supremo, os advogados, entre eles o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, visitaram Battisti na cadeia.

Preso pela Polícia Federal em março de 2007, no Rio, ele está detido na penitenciária da Papuda, em Brasília.

Alheio à reação do governo italiano, que cogita recorrer ao STF contra a concessão do refúgio, Battisti se diz "aliviado" com a decisão de Tarso Genro.

O ex-guerrilheiro, condenado à prisão perpétua na Itália por envolvimento em quatro homicídios, está armado agora de uma pena.

Deseja retomar a carreira de escritor. Prepara o seu segundo romance. Vai chamar-se "Pé no Muro".

Nesta quinta (15), Lula falou pela primeira sobre a ferida aberta nas relações do Brasil com a Itália. Não parece disposto a rever a decisão de Tarso Genro. Ao contrário:

"O ministro da Justiça, cumprindo obrigações que são pertinentes ao Ministério da Justiça, entendeu que esse cidadão deveria ficar e tomou decisão..."

"...É uma decisão do estado brasileiro. Alguma autoridade italiana pode não gostar, mas terá de respeitar".

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

  Mohammed Saber/Efe
1
. Bombas perdidas: Depois de sapatear sobre os apelos e as resoluções da ONU, Israel encontrou uma serventia para a entidade: converteu-a em alvo.

Despejou cinco bombas na sede da agência de refugiados da ONU na Faixa de Gaza. Bombardeou também um hospital local.

2. Artilharia anti-humanitária: Além de três feridos, o ataque de Israel à ONU destruiu os lotes de carga de ajuda humanitária (foto).

"Toda a comida que entrou em Gaza nos últimos dias está pegando fogo", disse, em Gaza, o porta-voz da agência da ONU Adnan Abu Hasna.

3. Foi mal: O atentado contra o bom senso foi perpetrado num instante em que o o secretário-geral da INU, Ban Ki-moon, visita Tel Aviv.

Ele se disse "revoltado". Ouviu do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak um pedido de desculpas e o reconhecimento de que fora cometido um "grave erro".

4. Veja bem: Mais tarde, o premiê de Israel, Ehud Olmert, tentou justificar o injustificável.

Disse que as bombas direcionadas à ONU foram respostas a disparos emitidos desde o prédio da entidade em Gaza. Uma "tolice", reagiu John Ging, diretor das Nações Unidas em Gaza.

5. Na mosca: Depois da barbeiragem, o Exército de Israel recolheu um "troféu". Matou o ministro do Interior palestino Said Siyam, integrante do governo do Hamas em Gaza.

Nessa região, viver tornou-se atividade de alto risco. Já foram à cova mais de mil palestinos.

E não se vislumbra no horizonte senão o insolúvel. A despeito da inferioridade militar, o Hamas segue disparando os seus foguetes

6. Irmandade: Sob Garibaldi Alves, o Senado contratou uma empresa potiguar para fazer clippings eletrônicos de notícias do Rio Grande do Norte, Estado do senador.

Vallério Vídeo, eis o nome da firma contratada. Pertence ao irmão de um assessor direto de Garibaldi. Belisca mensalmente R$ 3 mil da bolsa da Viúva. 

7. Negócio da China: Em visita à Bolívia, Lula afagou: "O presidente Evo tem sido fiel à sua palavra de que nunca faltará gás para o Brasil..."

"...Por isso, digo e repito que não faltarão investimentos e consumidores brasileiros para essa riqueza do povo boliviano".

Na semana passada, contra parecer técnico que recomendava a redução na importação de gás boliviano, O Brasil aumentou a cota.

Uma decisão "política", na definição do companheiro Marco Aurélio Garcia. Que resultou num grande negócio. Para os bolicianos, naturalmente.

Lula foi à Bolívia para inaugurar um trecho de rodovias. O pano de fundo é, de novo, "político". 

8. Risco de contágio: Da Bolívia, Lula voou para a Venezuela. Chega um dia depois de o Legislativo do país ter dado a Hugo Chávez dispositivo que permite a reeleição perpétua.

9. Arquivo lacrado: Beneficiado por decisão de Gilmar Mendes, presidente do STF, o ex-provedor de arcas Marcos Valério ganhou o meio-fio. Deu-se depois de três meses de cana.

A liberdade de Valério traz alívio para muita gente. Assim, solto, o personagem volta a ser, por assim dizer, um arquivo preso.

Escrito por Josias de Souza às 17h08

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Ao som de James Brown, Cabral entregou-se ao funk

Escrito por Josias de Souza às 03h55

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Itamaraty foi contra concessão de refúgio a Battisti

  France Presse
A decisão do ministro Tarso Genro de conceder refúgio político ao ex-terrorista Cesare Battisti não irritou apenas o governo da Itália.

Também o Itamaraty ficou aborrecido. Com uma escassa diferença:

O gabinete italiano de Silvio Berlusconi insurgiu-se abertamente contra a providência. A diplomacia brasileira se rói entre quatro paredes.

O blog conversou na noite desta quarta (14) com uma autoridade do ministério das Relações Exteriores.

Sob o compromisso do anonimato, disse o seguinte:

1. O Itamaraty é membro efetivo do Conare (Comitê Nacional para Refugiados). Exerce a vice-presidência do comitê.

2. Em novembro, quando o pedido de asilo de Battisti foi analisado pelo comitê, o Itamaraty posicionou-se franca e abertamente contra.

3. A posição prevaleceu no comitê por unanimidade. Foi acolhida inclusive pelos representantes da pasta da Justiça e da Polícia Federal.

4. Depois que Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Battisti, recorreu a Tarso Genro, o Itamaraty voltou a expor a sua posição contrária.

5. Informou, por exemplo, que o refúgio a Battisti, condenado a prisão perpétua na Itália por envolvimento em quatro homicídios, contraria acordos internacionais de combate ao terrorismo, firmados pelo Brasil.

6. Recordou que, em novembro, de passagem por Roma, Lula ouvira apelos de autoridades italianas para que o Brasil extraditasse Battisti.

No ministério da Justiça, alega-se que, antes de apor a assinatura do documento que assegurou refúgio a Battisti, Tarso Genro obteve o assentimento de Lula.

Nesta quarta (15), a decisão de Tarso rendeu o primeiro constrangimento ao Itamaraty.

O embaixador do Brasil em Roma, Adhemar Gabriel Bahadian, foi convidado pela chancelaria da Itália a dar explicações.

Nos próximos dias, deve aportar em Brasília um pedido formal do governo italiano para que Lula reveja a decisão de seu ministro da Justiça.

Se for mantida, a concessão do refúgio terá efeitos sobre o julgamento do pedido de extradição que corre contra Battisti no STF.

Não restará ao Supremo senão a alternativa de declarar-se impedido de extraditar um cidadão italiano acolhido pelo Estado brasileiro como refugiado político.

De resto, Battisti, preso desde março de 2007 -primeiro na carceragem da PF, depois na Penitenciária da Papuda, em Brasília- deve ser posto em liberdade.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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As manchetes desta quinta

- Globo: Demissões provocam atrito entre ministro e empresários

- Folha: Fiesp quer cortar jornada e salário sem garantir vagas

- Estadão: Grandes empresas apóiam corte de salários e jornada

- JB: Já passam de 1.000 mortos

- Correio: Férias no lixão - Crianças da Estrutural brincam de catar boneca

- Valor: Economia da AL desaquece e Brasil perde exportações

- Gazeta Mercantil: BC garante liquidez às linhas de exportação

- Estado de Minas: Acordo garante emprego em Minas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Deixa que eu corto!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Em reunião com PT, Lula vai pedir votos para Temer

Joel Saget/France Presse

Lula decidiu reunir-se com a bancada de deputados federais do PT no próximo dia 29 de janeiro -quatro dias antes da escolha dos presidentes da Câmara e do Senado.

No encontro, Lula pedirá aos "companheiros" que respeitem o acordo firmado com o PMDB. Deseja que os 81 deputados petistas votem em Michel Temer.

Até lá, o presidente espera ter descascado o abacaxi que azeda as relações de petistas e peemedebistas no Senado.

Acha, porém, que, ainda que o PMDB de José Sarney insista em criar problemas para o PT de Tião Viana, o trato firmado com Temer não deve desandar.

Temer, a propósito, esteve com Lula na noite de terça (12). Ouviu dele palavras tranquilizadoras. O presidente não deixou dúvidas quanto ao apoio do governo.

Trocaram impressões sobre a movimentação de Sarney. Lula lembrou que, em mais de uma oportunidade, ouvira de Sarney que não seria candidato.

Temer disse que, também a ele, Sarney dissera que não concorreria. A despeito disso, o desfecho da disputa do Senado foi condicionado a uma gripe de Sarney.

A doença foi usada por Sarney para adiar dois encontros que teria com Lula. Nesta quinta (16), o presidente embarca para a Bolívia. Depois, vai à Venezuela.

Retorna já nesta sexta (17). Na manhã de sábado (18), espera ter, finalmente, o tête-à-tête com Sarney. Vai repetir uma pergunta que já fez quatro vezes: Afinal, é ou não candidato?

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Gilmar Mendes manda a polícia soltar Marcos Valério

  Alan Marques/Folha
Menos de 24 horas depois de o TRF-3 ter negado um habeas corpus a Marcos Valério, o presidente do STF, Gilmar Mendes, mandou a polícia soltá-lo.

O ex-provedor de arcas petistas e tucanas estava preso desde outubro de 2008. Junto com ele, vai ao meio-fio o sócio Rogério Tolentino.

O pedido de liberdade foi à mesa de Gilmar Mendes porque é ele quem responde pelo expediente do Supremo nesses dias em que o Judiciário está em recesso.

O ministro estendeu a Valério e Tolentino um habeas corpus que concedera a Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho, encrencado no mesmo processo.

No recesso judiciário do ano passado, como se recorda, Gilmar Mendes mandara ao meio-fio, por duas vezes, Daniel Dantas, o suspeito-geral da República.

Escrito por Josias de Souza às 20h59

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Sarney adia conversa com Lula, que se diz irritado

  Lula Marques/Folha
A movimentação de José Sarney (PMDB-AP) para tentar tornar-se candidato único à presidência do Senado acomodou Lula no centro de uma pantomima.

Vão abaixo os últimos detalhes da encrenca:

1. Banho-maria: José Sarney está cozinhando Lula em fogo brando. Telefonou para o Planalto para pedir o adiamento da conversa que agendara com o presidente.

É o segundo adiamento. A desculpa é a mesma: Sarney alega que está gripado, muito grupado, gripadíssimo.

2. Lorota: A gripe é mero pretexto. Em verdade, Sarney vale-se de estratagemas para atingir seus subterfúgios. Evita Lula para não ser submetido a um xeque-mate.

3. Atchiiiiimm: Entre um espirro e outro, Sarney conduz, lépido e fagueiro, a costura de sua candidatura à presidência do Senado.

Deseja tornar-se uma palmeira solitária no gramado. Garibaldi Alves pode ser rifado, sob a alegação de que suas pretensões são juridicamente frágeis. O nome do problema é Tião Viana.

4. Azia: O vaivém começa a atacar o estômago sensível de Lula. Abespinhado, o presidente disse a auxiliares que cogita telefonar para Sarney.

O vírus da gripe, como se sabe, não viaja pelos fios telefônicos. A salvo do contágio, o presidente diria ao interlocutor que não pretende pedir a Tião Viana que renuncie.

Seria o golpe de misericórdia que Sarney tenta adiar. Em privado, o senador afirma que só será candidato se não houver disputa.

5. Sem volta: Para apressar o processo que Sarney tentar retardar, entrou em cena o presidente do PT, Ricardo Berzoini.

Em entrevista, disse que a candidatura petista de Tião Viana é coisa sem volta. Depois, mandou veicular no sítio do PT uma nota. Fala em "equilíbrio de forças".

Lembra que o PT está fechado com o peemedebista Michel Temer na Câmara. E pede bom senso:

"É mais do que razoável, portanto, que haja a contrapartida do apoio do PMDB à candidatura de Tião Viana à Presidência do Senado".

6. Surreal: Na noite da véspera, Sarney tocara o telefone para Michel Temer. Repetira que não é candidato. Atchiiiimmm!

Temer, que não está gripado, foi a Lula. O presidente renovou-lhe o apoio. Tranquilizou-o quanto ao prometido suporte do PT.

PS.: Atualização de 23h03 - Lula não discou para Sarney. Viaja ao exterior nesta quinta (15). Volta no dia seguinte. Espera avistar-se com Sarney no sábado. Se a gripe não piorar, claro. Atchiiiimmm!

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Violência ainda policial é um flagelo crônico no Brasil

A Human Rights Watch divulgou nesta quarta (14) o seu relatório anual sobre violações dos diretos humanos.

Coisa alentada: 564 páginas. Cobre 90 países. A exemplo do que ocorrera em anos anteriores, o Brasil figura no texto em posição constrangedora.

O texto aponta a reiteração de práticas como: violência policial, tortura, superlotação carcerária, o trabalho escravo e agressões no campo.

Eis alguns exemplos mencionados no relatório:

1. No Rio, a violência policial é crônica. No primeiro semestre de 2008, dos 757 homicídios dolosos -quando o atirador tem a intenção de matar- um em cada cinco foi cometido por policiais.

2. Os policiais cometem abusos mesmo quando não estão em serviço. Em Pernambuco, 70% dos homicídios foram cometidos por esquadrões da morte integrados por policiais.

3. O texto menciona casos levantados pela CPI do Sistema Carcerário. Eis um deles: Em Goiás, uma presa grávida foi submetida a chutes e choques elétricos.

4. Em pelo menos seis Estados - Rondônia, Piauí, Mato Grosso, Ceará, Maranhão e Goiás - a CPI detectou "cicatrizes de tortura" em presos.

5. O documento relembra um caso que foi às manchetes no Brasil: menina de 15 anos, presa em Abaetetuba (PA) e submetida a abusos sexuais em troca de comida.

6. A população carcerária brasileira cresceu 40% em cinco anos. Hoje, há 440 mil presos no país. Algo que leva a Human Rights a concluir:

"As condições inumanas, violência e a superlotação que historicamente caracterizam os centros de detenção brasileiros permanecem como alguns dos principais problemas de direitos humanos no país".

Serviço: pressionando aqui, você chega ao trabalho da ONG. Infelizmente, o material está grafado em língua inglesa.

Escrito por Josias de Souza às 18h48

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Garoto de 13 anos passa em 1º lugar na universidade

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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Itália pede a Lula que revogue 'refúgio' a Battisti

  AP
Ecoa nesta quarta (14), na Itália, a decisão do ministro Tarso Genro (Justiça) de concedeu "refúgio político" ao ex-terrorista Cesare Battisti.

O governo de Silvio Berlusconi não gostou da novidade. Algo previsível. Não poderia ser outra a reação de uma administração conservadora. As críticas ganharam um timbre acerbo.

Ouça-se, por exemplo, o vice-ministro do Interior da Itália, Alfredo Mantovano. Tachou de "grave e ofensiva" a deliberação de Tarso. "Um insulto".

Em texto veiculado no seu portal eletrônico, o Ministério das Relações Exteriores da Itália disse ter sido surpreendido. Pede a Lula que "reconsidere".

Em entrevista, Tarso disse sua decisão não levou em conta os aspectos políticos ou diplomáticos. Ateve-se, segundo diz, aos meandros jurídicos do processo.

"Estou tranquilo de que tivemos a decisão correta", diz o ministro. A correção, neste caso, não é questão incontroversa.

"É uma decisão absurda", discorda, por exemplo, o cidadão italiano Alberto Torregiani, que ficou tetraplégico graças a um atentado atribuído a Cesare Battisti.

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Lula discute 'guerra' do Senado com Sarney nesta 4ª

Lula Marques/Folha

Está marcada para a tarde desta quarta-feira (14) uma conversa espinhosa e, espera-se, definitiva. De um lado, Lula. Do outro, José Sarney (PMDB-AP).

Vai à mesa um tema caro aos dois interlocutores: a disputa pela presidência do Senado. Lula quer saber: afinal, Sarney é ou não é candidato?

É a quarta vez que a dupla senta-se à mesa para debater o mesmo assunto. Dois dos encontros anteriores tiveram testemunhas. Noutros dois, Lula e Sarney estavam a sós.

Em todas as oportunidades Sarney declarou que não desejava o posto de presidente do Senado. Lula fez que acreditou, embora sua intuição aconselhasse o contrário.

Convinha ao presidente dar crédito a Sarney. Lula idealizara um cenário conveniente ao governo: a Câmara sob o comando do PMDB e o Senado confiado ao PT.

Porém, os pressentimentos de Lula prevaleceram sobre os seus desejos. O declarado desinteresse de Sarney não era senão uma lorota.

Insuflado por Renan Calheiros (PMDB-AL), Sarney quer porque quer presidir novamente o Senado. O problema é que sonha em ser candidato único, de consenso. Algo improvável.

Lula não foi a única vítima da dissimulação de Sarney. Candidato à reeleição, Garibaldi Alves (PMDB-RN) submetera seu nome à apreciação da bancada.

Garibaldi deixara claro: se Sarney estivesse interessado no cargo, ele esqueceria a recandidatura. Na reunião do PMDB, Sarney soou, de novo, peremptório: não seria candidato.

Ele estava ao lado de Garibaldi (veja a foto lá no alto). Trocou cochichos com o colega. E a pretensão de Garibaldi, a despeito das dúvidas jurídicas que suscita, foi acolhida pela unanimidade da bancada.

Aferrado ao desejo de manter o equilíbrio do consórcio partidário que lhe dá suporte no Congresso, Lula ainda trabalha com a perspectiva de demover Sarney.

Foi o que deixou antever numa reunião realizada nesta terça (13), no Planalto. Um encontro de rotina, com os ministros que integram a coordenação de governo.

Um pedaço da reunião foi monopolizado pela crise econômica. Noutro, tratou-se de política -mais especificamente da urucubaca que convulsiona o Senado.

Lula recordou a última conversa que tivera com Sarney. Lembrou que o senador lhe dissera: não era nem viria a ser candidato à presidência do Senado.

O presidente concluiu: Ficaria muito mal para o Sarney uma mudança de posição a essa altura do campeonato.

A reunião de Lula com Sarney deveria ter ocorrido nesta terça (13). Foi adiada a pedido do senador, que pretextou uma gripe fortíssima.

Lula viu-se compelido a postergar também um jantar que pretendia oferecer à cúpula do PMDB. Para o presidente, a audição de Sarney tem precedência.

Passou-se a difundir, então, a versão de que todas as negociações haviam sido empurradas para a semana que vem. Era conversa fiada.

A pedido de Lula, o secretário particular Gilberto Carvalho já havia reagendado o encontro com Sarney.

A menos que o senador alegue um súbito e improvável recrudescimento da gripe, o diálogo ocorrerá nesta quarta.

Todo o desenrolar do processo sucessório do Senado parece condicionado a essa conversa. Com Sarney, o quadro é um. Sem ele, é outro.

Na dúvida, Renan Calheiros, espécie de lugar-tenente de Sarney, tratou de manter Garibaldi em suspenso.

Em reunião no Senado, Renan disse a Garibaldi que o PMDB continua fechado com ele. Mas deixou entreaberta a porta para uma meia volta.

Disse que Sarney seria candidato caso ficasse evidenciado que a recandidatura de Garibaldi não tem amparo legal.

Decidido a afastar-se do papel de bobo, Garibaldi encerrou o dia ao lado de Tião Viana, o candidato do PT. Em entrevista conjunta, a dupla disse aos repórteres que suas candidaturas são definitivas.

Imagina-se que Sarney, interessado em ser ungido pelo Senado, não vai se embrenhar numa disputa de resultado incerto.

Resta agora aguardar pelo resultado da reunião que o cacique do PMDB terá com Lula.

Escrito por Josias de Souza às 04h33

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As manchetes desta quarta

- Globo: Acordo em SP reduz jornada e salário para evitar demissão

- Folha: Emprego industrial tem maior queda em cinco anos

- Estadão: Hillary anuncia mudança na política externa dos EUA

- JB: Rio ganha R$ 4,7 bi para linhas do metrô

- Correio: Adeus, bolsa-chefia

- Valor: Custo do trabalho sobe e sinaliza mais demissões

- Gazeta Mercantil: Queda nas vendas de veículos acirra disputa em seguros

- Estado de Minas: Desemprego faz fila em BH

- Jornal do Commercio: Celpe vai parcelar resíduo em 12 vezes

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Remédio contra azia!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Deputados petistas sofrem assédio para trair Temer

A disputa pela presidência da Câmara ganhou ares de guerrilha parlamentar. Na briga pelo voto, mandaram-se às favas os acordos formais.

Amarrados à candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) por um pacto partidário, os deputados do PT são assediados, às ocultas, para mudar de lado.

Em desvantagem numérica, os rivais de Temer tentam extrair vantagem do desencontro que rói as relações de PT e PMDB no Senado.

O deputado Fernando Melo (PT-AC), por exemplo, foi surpreendido por um telefonema de Ciro Nogueira (PP-PI), entre os adversários de Temer o mais bem posto.

Ciro disse a ao petista Melo que era iminente o lançamento da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado.

Referiu-se à entrada de Sarney no jogo como uma perfídia, um golpe do PMDB contra o PT, que, no Senado, vai de Tião Viana (AC).

Na seqüência, Ciro jogou o anzol: Quero o seu voto, disse ele ao deputado petista, já que a bancada do PT não terá mais obrigações com o Michel Temer.

Fernando Ferro fez chegar aos ouvidos de Tião Viana, acreano como ele, o teor da conversa melíflua de Ciro Nogueira.

Tião aconselhou o amigo e companheiro de partido a relatar o ocorrido ao próprio Michel Temer.

A exemplo de Ciro Nogueira, também os partidários de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), outro candidato ao comando da Câmara, tentam tomar de assalto os votos do PT.

Vice da petista Marta Suplicy na última eleição municipal, Aldo espera que a proximidade histórica do seu partido termine por render-lhe votos.

Apoiado por 12 partidos, Temer está, em tese, eleito. Para que ele perdesse, seria preciso que surgissem ao  menos 142 Silvérios.

A cúpula do PT assegura a Temer que, no petismo, não haverá traições. Mas os desencontros que roem as relações de PT e PMDB no Senado atiçam os rivais.

De resto, entrou em cena José Dirceu. Um petista que perdeu o mandato de deputado, mas conservou a majestade dentro do partido.

Dirceu passou a advogar a tese de que o PT deve, sim, roer a corda que o amarra a Temer caso o PMDB insista em puxar o tapete do companheiro Tião Viana.

Há mais: petistas do porte de Arlindo Chinaglia (SP) suspeitam que o ministro José Múcio, coordenador político de Lula, esteja jogando o jogo do anti-petismo.

Nos subterrâneos, Múcio estaria conspirando a favor de Sarney no Senado. Uma forma de envenenar os planos de Temer e ajudar na estratégia de Ciro Nogueira.

Além de Chinaglia, também Tião Viana anda pelas tampas com Múcio. Diz que, pela manhã, o ministro faz declarações dúbias contra ele. À tarde, diz algo que lhe é frontalmente adverso.

Coisas assim: "O Congresso terá que se acostumar com a possibilidade de o mesmo partido [PMDB] comandar as duas Casas. Não é o ideal e não é comum, mas já aconteceu".

O curioso é que Lula, o "chefe" de Múcio, rema em outra direção. Para a Câmara, deseja a eleição de Temer. Para o Senado, a de Tião. Não lhe agrada a idéia de ter de conviver com um mesmo timoneiro nos dois lemes.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Tarso concede 'refúgio político' a Cesare Battisti

Ministro reviu uma decisão do Conare, que negara o pedido

  Evaristo Sá/France Presse
Em decisão solitária, o ministro Tarso Genro (Justiça) concedeu nesta terça (13) refúgio político no Brasil a Cesare Battisti (foto).

Trata-se de um cidadão italiano. Foi condenado à prisão perpétua na Itália -em 1978 e 1979- como autor ou co-autor de quatro homicídios.

Ex-militante de um grupo chamado PAC (Proletários Armados para o Comunismo), Battisti nega que tenha cometido os assassinatos.

Alega que não pôde exercer em sua plenitude o direito de defesa. Sustenta que as condenações decorrem de perseguição política do Estado italiano.

Preso pela Polícia Federal em março de 2007, no Rio, Battisti encontra-se detido numa penitenciária de Brasília.

Corre no STF um pedido de extradição formulado pelo governo da Itália. Em novembro do ano passado, o Conare negara a Battisti, por unanimidade, a condição de refugiado.

Conare é a sigla do Comitê Nacional para Refugiados Políticos. Trata-se de órgão pendurado no organograma do próprio ministério da Justiça.

O comitê entendera que não é procedente a alegação de Battisti de que sofre perseguição política em seu país.

Mais: o órgão classificara os delitos imputados a Battisti como crimes comuns, sem conotação política. Abrira-se o caminho para que o Supremo deportasse o condenado.

Advogado de Battisti, o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh recorrera contra a decisão. Um recurso dirigido ao Justiça, como faculta a lei.

A decisão de Tarso Genro, divulgada na noite desta terça (8), é o resultado do julgamento do recurso formulado por Greenhalgh.

Expediram-se cópias para a Polícia Federal e para o relator do processo no STF, ministro Celso de Mello.

Pressionando aqui você chega ao despacho do ministro da Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 21h27

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Câmara recua e anula 'benefícios' de R$ 34 milhões

Sérgio Lima/Folha

Em pleno recesso, a Mesa da Câmara adotara na semana passada duas providências dissociadas do bom senso. Graças à chiadeira, recuou.

Na primeira providência, a direção da Câmara liberara o pagamento de adicionais para seus servidores. Coisa de R$ 4 milhões por mês.

Fariam jus ao adicional os funcionários com cursos de mestrado e doutorado. Mas a prebenda fora estendida também a ocupantes de cargos de chefia.

Neste caso, embolsariam o adicional mesmo aqueles servidores que não têm nem sequer o curso superior. Uma gracinha!

Na segunda providência, a Câmara autorizara a contratação de um novo plano de Saúde para 12 mil servidores comissionados. Gente contratada sem concurso.

Neste caso, estimou-se em R$ 30 milhões a conta que seria espetada na bolsa da Viúva, veneranda e indefesa senhora.

De quebra, levantou-se a suspeita de que estaria em curso um direcionamento que beneficiaria a empresa Amil.

A suspensão das decisões deveria suscitar a explosão de fogos. Convém, porém, adiar os rojões. A encrenca não morreu. Foi apenas adiada.

No caso do pagamento dos adicionais, a Câmara só deu meia volta porque o sindicato dos servidores do Legislativo foi à Justiça para exigir pagamentos retroativos.

Quanto à contratação do plano de saúde, o recuo se deu não porque a Câmara tenha se convencido de que flertava com o despautério, mas porque decidiu-se refazer as contas.

Ou seja, já já os dois assuntos voltarão às manchetes.

Escrito por Josias de Souza às 19h35

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Em 9 anos, favelas do Rio crescem 3 milhões de m2

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

1. Alka-Seltzer: Lula não vai ler aqui. Mas a assessoria decerto já avisou: em novembro, diz o IBGE, o emprego na indústria teve a maior queda desde 2003. Haja sal de frutas! 

2. Não é comigo: Chefe de caldeiras da locomotiva industrial do país, José Serra foi instado a comentar a queda no nível do emprego das fábricas. Atribuiu a coisa à crise. 

Saltando de banda, Serra disse que, no Brasil, a gestão da política econômica é atribuição federal, não estadual. Foi como se dissesse: Perguntem ao Lula... 

3. Tucano X andorinha: Aos olhos do tucano Serra o ex-tucano Henrique Meirelles tornou-se uma tartaruga manca.

Serra tacha de é "equivocada e morosa" a política monetária do BC.

"O Brasil virou curiosidade mundial, porque todo o mundo está reduzindo os juros e nós estamos mantendo os juros mais elevados do mundo".

A essa altura, Meirelles é, na verdade, uma andorinha só, atacada dentro e fora do governo. Talvez devesse estudar os provérbios. Ou comprar um casaco. 

4. Arquivo molhado: embora tenha sobre sua calva o teto de uma cela, Marcos Valério é, hoje, um arquivo entregue ao relento.

Preso em outubro de 2008, o ex-provedor das arcas do PT passou o Natal e o Ano Novo no calabouço. Nesta terça (13), o TRF negou-lhe um novo pedido de liberdade.

Mesmo os arquivos mais resistentes, quando submetidos a longos períodos de intempéries, vêem-se compelidos a expor os segredos guardados no seu interior.

Tem muita gente torcendo para que o calvário de Valério chegue rapidamente ao fim. 

5. Etnia escória: O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) divulgou nesta terça (13) uma contabilidade macabra. Em 2008, 53 índios foram assassinados no Brasil.

Certo estava Augusto dos Anjos: "E o índio, por fim, adstrito à étnica escória / Recebeu, tendo o horror no rosto impresso / Esse achincalhamento do progresso / Que o anulava na crítica da História!..."

Escrito por Josias de Souza às 17h46

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Tião e Garibaldi se unem para tentar brecar Sarney

Adversários na briga pelo comando do Senado, Tião Viana (PT-AC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN) acabam de ter uma conversa, em Brasília.

Descobriram-se diante de um adversário comum: José Sarney (PMDB-AP). E buscam uma fórmula de neutralizá-lo.

Sabem que, auxiliado por Renan Calheiros (PMDB-AL), Sarney tenta se impor como candidato único à presidência do Senado. Deseja ser aclamado.

Por isso, Tião e Garibaldi cogitam produzir uma declaração pública reafirmando as respectivas candidaturas. Tática batizada de "porteira fechada".

Idéia de Tião. Que Garibaldi recebeu bem. Ficou de dar uma resposta até o final da tarde. Normalmente calmo, Garibaldi está tiririca.

Considera-se usado por Renan e Sarney. Acha que a dupla o está tratando como uma espécie de "candidato laranja", a ser convertido em bagaço tão logo a costura pró-Sarney esteja concluída.

Depois da capida em si, Garibaldi tenta esquivar-se do papel de bobo. Chamou Renan Calheiros para um tête-à-tête. Está marcado para as 16h desta terça.

Renan deve informar a Garibaldi que a candidatura dele subiu no telhado. Dirá o óbvio: o nome do PMDB é Sarney.

Se ouvir os conselhos de Pedro Simon (PMDB-RS), que lhe telefonou de manhã, Garibaldi não entregará a rapadura de graça.

Simon disse a Garibaldi que "Sarney é diabólico". Move o mundo de modo a acomodá-lo aos seus pés. "É preciso reagir a isso".

Antes, Simon tocara o telefone para Tião Viana. A mesma conversa: o sujeito é "diabólico", convém reagir, blábláblá... Um adendo: Simon disse a Tião que votará nele caso o PMDB esmague Garibaldi.  

Na véspera, Garibaldi tentara um contato telefônico com o próprio "diabo". Porém, sob a alegação de que está profundamente gripado, Sarney atalhou a conversa.

A mesma gripe foi usada por Sarney e seu grupo para provocar o adiamento de um jantar que Lula teria com a bancada do PMDB na noite desta terça (13).

É conversa fiada, suspeita um auxiliar petista de Lula. A desculpa da gripe seria parte da estratégia urdida para dar tempo à maturação da candidatura Sarney.

Como se vê, depois de afirmar, reafirmar, repetir e repisar que não seria candidato, José 'diabólico' Sarney está na bica de sair do armário. Resta agora saber se, com os pés na porta, Tião e Garibaldi conseguirão detê-lo.

Escrito por Josias de Souza às 14h04

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Lula acha que PT precisa 'ungir' Dilma, sem prévias

  Antônio Cruz/ABr
Meio a contragosto, Lula foi arrastado por Eduardo Suplicy (PT-SP) para o centro de um diálogo sobre sucessão presidencial.

Deu-se nesta segunda (12), a bordo do Aerolula. Depois de abrir uma feira de calçados, em São Paulo, Lula voava de volta para Brasília.

De carona no avião presidencial, Suplicy informou a Lula que, diferentemente do que fizera no passado, não pretende exigir que o PT realize prévias presidenciais.

Em 2002, Suplicy fora às prévias contra o próprio Lula. Na disputa com o "mito", amealhara algo como 15% dos votos dos filiados da legenda.

Agora, Suplicy está decidido a abraçar a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Lula tentou esquivar-se.

Disse a Suplicy que ainda não havia conversado sobre sucessão presidencial com Dilma. Seguiu-se um coro de risos.

Gargalharam, além de Suplicy, duas testemunhas de sua indiscrição: a própria Dilma e o ministro Franklin Martins (Comunicação Social).

Como o senador insistisse no tema, Lula permitiu-se fazer um par de observações:

1. Disse que, no PT, prévias costumam resultar em feridas. Citou as rusgas que remanescem de disputas gaúchas, travadas entre Tarso Genro e Olívio Dutra;

2. Acha que, se quiser seduzir aliados, o PT precisa apresentar-se unido, sem fissuras. Quem se animaria a se unir a um partido dividido?, indagou.

Ou seja, a depender da vontade de Lula, o PT terá de ungir o nome de Dilma Rousseff, sem nenhum tipo de marolinha.

Escrito por Josias de Souza às 04h25

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As manchetes desta terça

- Globo: Prefeituras perdem verba de moradia por falta de projetos

- Folha: GM começa demissão nas grandes montadoras

- Estadão: Lula prevê trimestre difícil e promete 'inventar' obras

- JB: Vem aí novo pacote anticrise

- Correio: Lembra da bolsa-chefia? Eles querem mais...

- Valor: Linhas externas voltam com prazo curto e custo alto

- Gazeta Mercantil: Exposição a derivativos cai, mas risco persiste

- Estado de Minas: E vem aí mais uma sapatada

- Jornal do Commercio: Boa Viagem vai mudar em fevereiro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Terra arrasada!

Lute

Via blog do Lute. Você é como o Lula? Notícias acerbas provocam-lhe azia? Então evite pressionar aqui.

Escrito por Josias de Souza às 03h23

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Dirceu: PT deve trair Temer se PMDB rejeitar Tião

  Sérgio Lima/Folha
Num instante em que Lula tenta extinguir o fogo que consome as relações do PT com o PMDB, José Dirceu (PT-SP) veio à boca do palco para jogar gasolina nas labaredas.

O ex-ministro acha que, na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, o PT deve tratar o parceiro com os rigores da lei de talião -olho por olho, dente por dente.

Para Dirceu, está claro que "o PMDB não quer apoiar Tião Viana (PT-AC)" no Senado. Prefere apostar na candidatura de José Sarney (PMDB-AP).

"E o PT", escreveu Dirceu em seu blog, "não pode fazer de conta que não está acontecendo nada". Deve dar o troco na Câmara, minando o cesto de votos de Michel Temer (PMDB-SP).

Dirceu avalia que a entrega do controle das duas Casas legislativas ao PMDB romperia "o equilíbrio de forças".

Algo que, segundo ele, "não passará sem uma forte reação na Câmara por parte dos partidos menores e mesmo do PT."

O ex-chefão da da Casa Civil trata a arenga do Congresso como a "ante-sala" de 2010. "Queiramos ou não, esse é um fato", anotou Dirceu. "Não adianta disfarçar".

Acha que, se não agir, "o PT corre o risco de ficar fora da presidência das duas Casas do Congresso e de não ter o apoio do PMDB em 2010".

Dirceu prossegue: "O PMDB parece dividido, como sempre, entre o projeto tucano [José Serra] e o do PT [Dilma Rousseff]".

Ele lembra que só nos anos de 2006 e 2007 "a ala peemedebista que havia apoiado o governo FHC [Michel Temer à frente] passou a integrar e a apoiar o governo Lula."

E enxerga indícios de que um pedaço do PMDB ensaia o apoio a Serra, como ocorreu na disputa presidencial de 2002.

Menciona "notícias" vindas da Bahia. "Já se dá como certa a aliança PSDB-DEM-PMDB pró-Serra", escreveu.

Uma aliança que passa pela "dobradinha" do ex-governador Paulo Souto (DEM) com o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).

Souto concorreria ao Senado. Geddel disputaria o governo da Bahia, contra a recandidatura do atual governador baiano, o petista Jaques Wagner.

Como arremate das inquietações que lhe vão na alma, Dirceu lança na atmosfera uma trinca de indagações:

"Até quando o PMDB, o governo e o PT vão manter essa disputa em silêncio? Até quando fingirão que não está ocorrendo nada? Até quando?"

Como se vê, Lula talvez tenha de reforçar o estoque de sal de frutas do Alvorada. Até 2010, o noticiário sucessório há de provocar-lhe intermináveis crises de azia.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Em apenas 4 dias, China fecha 91 sítios na internet

Entre os dias 8 e 10 de janeiro, o governo chinês retirou do ar 91 sítios com endereços na internet. Acusa-os de difundir conteúdo pornográfico e obsceno.

A notícia foi divulgada pelo portal China, mantido pelo Estado. E ecoou aqui. É parte de uma campanha oficial destinada a "purificar a rede".

Junto com os sítios sexuais, foi fechado o Bullog, um portal de blogs. Entre eles alguns mantidos por autores simpáticos a movimentos pró-democracia.

O fundador do portal, Luo Yonghao, credita a providência à divulgação de informações consideradas pelo governo "politicamente prejudiciais".

Os camaradas do PC chinês também têm lá os seus surtos de azia.

Escrito por Josias de Souza às 00h24

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Dilma reaparece em público com a cara 'remodelada'

Sérgio Lima e Jorge Araújo/Folha

Em se tratando de mulher, o meio é, por vezes, a mensagem. Tome-se o caso de Dilma Rousseff. Remodelada, tornou-se cara e coroa.

Aproveitando-se de um período de férias, a presidenciável de Lula submeteu-se a um procedimento chamado bioplastia de rejuvenescimento do rosto.

É coisa análoga a uma cirurgia plástica. Só que sem bisturi. Em vez dos cortes, injeta-se sob a pele uma certa quantidade de metacrilato.

Trata-se de um produto usado para corrigir imperfeições da face, sobretudo ao redor dos olhos, na área das bochechas, no queixo e no pescoço.

Nesta segunda (12), essa neo-Dilma exibiu-se pela primeira vez ao público e às lentes dos fotógrafos. Deu-se em São Paulo, numa feira de calçados -a Couromoda.

Além da restauração no "quadro", a ministra trocou a "moldura". No lugar do cabelo "armado", surgiu um penteado, por assim dizer, contemporâneo.

Apararam-se as pontas. Repicaram-se as mechas frontais, agora repousadas sobre a testa. Tingiram-se os fios de ruivo. De resto, sumiram os velhos óculos, substituídos por lentes de contato.

É assim, embrulhada para presente, que a candidata de Lula Dilma vai à vitrine presidencial. Agora só faltam os votos.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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O rascunho do dia passado a sujo por um vira-letra

Humberto

1. Abuso retórico: Lula disse a Mario Sergio Conti, da "piauí", que não lê o noticiário porque tem "problema de azia". Todo brasileiro de bom senso deveria imitá-lo.

Sugere-se que a abstinência comece pelas notícias que reproduzem a conversa mole de Lula. Provocam eructação ácida e aumento da salivação.

Vencido o estágio da marolinha, Lula ensaia a caída em si. Nesta segunda (12), disse no radiofônico 'Conversa com o presidente':

"Vamos ter um trimestre preocupante [...]. Precisamos garantir empregos, garantir salário e garantir renda..."

"...Esses são três componentes extraordinários para que a economia brasileira continue a crescer e o povo não seja vítima de uma crise que não foi causada pelo Brasil".

Considerando-se que o ministério do Trabalho fareja a eliminação de milhares de postos de trabalho já em dezembro de 2008, chega-se a uma dúvida de dar azia:

Do que é que Lula está abusando mais: da paciência da platéia ou da flexibilidade semântica do português?

2. Balanço da balança: O governo divulgou os números da balança comercial na alvorada de 2009: déficit de US$ 12 milhões nos primeiros onze dias do ano.

Especialistas ouvidos pelo BC estimam que, no final do ano, haverá um superávit de US$ 14,5 bilhões. Se estiverem certos, o saldo será US$ 24,7 bilhões inferior ao de 2008.

3. Dança de cadeiras: O comando do Bradesco vai mudar de mãos em março. Sai Márcio Cypriano. Entra Luiz Carlos Trabuco Cappi.

Na intimidade, o novo mandachuva da segunda maior casa bancária do país é chamado pelo sobrenome: Trabuco. Patronímico ou vaticínio? 

4. Mamão com açúcar: Três dos suplentes que assumiram mandatos na Câmara no lugar de prefeitos eleitos respondem a processos judiciais.

São eles: Jairo Vieira (DEM-MG), João Hermann (PDT-SP) e Geraldo Filho (DEM-SP), o Bispo Gê, ligado à igreja Renascer em Cristo.

Além do salário de R$ 16,5 mil, a trinca passa a desfrutar do privilégio de foro. Significa dizer que seus processos sobem ao STF.

Há no Supremo 288 inquéritos contra deputados e senadores. Mas, em toda a história centenária do tribunal, nenhum político foi condenado. 

5. Capítulo repetido: vai ar na noite desta terça (13) a reprise de um capítulo da novela do Senado. Como previsto, Lula convidou o PMDB para jantar no Alvorada.

Lula tenta livrar o seu governo das maldades de Renan Calheiros. Espécie de Flora do dramalhão político, Renan trama em favor de José Sarney, contra Tião Viana.

É improvável que se obtenha um acordo. Mas o repasto deve produzir uma vítima.

Quando for servida a sobremesa, Garibaldi Alves, que ainda se imagina candidato do PMDB, terá sido jantado pelo seu próprio partido.

6. Vítima de guerra: A contabilidade da guerra nefasta que se reinstalou há 17 dias na Faixa de Gaza indica que a tecnologia prevalece sobre a fé.

No lado palestino, os mortos são contados em mais de 900, dos quais 380 eram civis. No lado israelense, há, por ora, 13 cadáveres -três civis.

A despeito das evidências, o Hamas alardeia, em comunicado expedido nesta segunda (12): "Confirmamos ao nosso povo que a vitória está mais próxima do que nunca".

A lorota expõe o grau de insanidade que permeia o conflito. Como em todas as guerras, a maior vítima é a verdade.

Também a versão de Israel escora-se em meias verdades, privilegiando a metade que é mentira. O governo diz estar próximo de alcançar os seus objetivos.

Bobagem. Ao exibir a sua musculatura bélica, Israel matou mais. Mas inoculou nas mentes de crianças e adolescentes palestinos um ódio que lhe rende pelo menos mais duas gerações de inimigos.

PS.: Ilustração via Jornal do Commercio.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

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Renan já dispõe de votos para virar o líder do PMDB

  José Cruz/ABr
Depois de mais de um ano de ostracismo, Renan Calheiros prepara o seu retorno ao primeiro plano da política.

No final de 2007, Renan renunciara à presidência do Senado em troca da preservação de seu mandato. Em 2008, submergira.

Renan volta à vitrine no mês que vem. Será indicado líder da bancada do PMDB no Senado, impondo-se como interlocutor obrigatório do governo.

Atual líder do partido, Valdir Raupp vinha tentando se manter no posto. Alardeava que dispunha do apoio da maioria dos 20 senadores do PMDB.

Era lorota. Depois de receber a promessa de voto de dois senadores -Leomar Quintanilha e Geraldo Mesquita-, Renan subverteu a contabilidade de Raupp.

Com o par de adesões, o ex-quase-cassado já soma doze votos. Um além do necessário. O cesto tende a ser adensado pela desistência do rival.

Sentindo o cheiro de queimado, Raupp jogou a toalha. Ambiciona agora a cadeira de líder do governo no Congresso.

Trata-se de um posto figurativo, hoje confiado a Roseana Sarney. Às voltas com um aneurisma cerebral, Roseana desce à mesa de cirurgia depois do Carnaval.

A convalescença exigirá da filha de José Sarney um pedido de licença no Senado. O que abre caminho para a concessão do prêmio de consolação a Raupp.

Na liderança do governo no Senado, função mais relevante na faina diária do Legislativo, Lula deve manter o peemedebista Romero Jucá.

Político de sete instrumentos, Jucá tornou-se uma espécie de líder vitalício de todos os governos.

Serviu a FHC. Vem servindo a Lula. Deve servir ao próximo presidente, seja ele -ou ela- quem for.

Quanto ao retorno de Renan, apenas confirma, uma vez mais, a máxima de Magalhães Pinto.

Política é mesmo como nuvem. Você olha e vê um formato (o feitio de um sujeito babando na gravata, por exemplo). Olha de novo e já vê outra coisa.

Escrito por Josias de Souza às 03h53

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As manchetes desta segunda

- Globo: Prefeito baixa decretos para conter expansão das favelas

- Folha: Israel intensifica cerco e se diz perto do objetivo

- Estadão: Fundos privados de pensão perdem R$ 20 bi com a crise

- JB: Lazer com ordem, na praia e na noite

- Correio: Farra dos terceirizados dobra para R$ 1,8 bi

- Valor: Com 49% do Votorantim, BB terá que elevar capital

- Gazeta Mercantil: Crise força mineradoras a devolver áreas à União

- Jornal do Commercio: Trânsito caótico em Tamandaré

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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Cofre movediço!

Ique

Charge via JB Online. A poucos dias de sua posse, marcada para 20 de janeiro, Barack Obama contempla as promessas de campanha pelo retrovisor.

Submetido a um cenário econômico movediço, herança maldita de George Bush, ele alega que os compromissos de palanque terão de ser adiados.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Lula chama PMDB para 'discutir a relação' no Senado

  Fábio Pozzebom/ABr
A trama que se desenvolve em torno da cadeira de presidente do Senado tornou-se uma novela cansativa.

Nesta semana, para enfado da audiência, vai ao ar um capítulo repetido. Lula convocará o PMDB para mais uma reunião.

Pela enésima vez, o presidente tentará convencer a cúpula peemedebista a apoiar a candidatura do petista Tião Viana (AC).

O argumento de Lula, por repetitivo, não ajuda a quebrar o tédio. Alega que não convém à aliança governista que o PMDB comande as duas Casas do Legislativo.

Declara-se simpático à eleição de Michel Temer (PMDB-SP) na Câmara. E pondera, em nome do equilíbrio, que o Senado precisa ficar com o PT.

Lula tenta se desvencilhar das armadilhas urdidas por Renan Calheiros (PMDB-AL), uma espécie de Flora do enredo do Senado. Sem o charme de Patrícia Pilar.

Antes do Natal, durante um jantar de confraternização realizado em Maceió, Renan avisou que retiraria do armário a candidatura de José Sarney (PMDB-AP).

Dias depois, em conversa com auxiliar direto de Lula, Renan saiu-se com mais uma de suas maldades. Injetou 2010 na cena de 2009.

Disse que Michel Temer é figura próxima ao presidenciável tucano José Serra. E afirmou que ele próprio e Sarney estarão ao lado do nome que Lula indicar.

Em movimento casado, Sarney procurou, na semana passada, um grão-tucano simpático às pretensões de Tião Viana.

Disse-lhe que o PT é um partido pernicioso. Levou à mesa uma tese que costuma eriçar as plumas do tucanato.

No dizer de Sarney, a eventual ascensão de Tião Viana funcionaria como uma porta aberta para o terceiro mandato de Lula.

Na mesma conversa, Sarney simulou desinteresse pelo cargo. Disse que já obteve da vida tudo o que desejava. E não se dispõe a embrenhar-se numa disputa.

Voltou a mencionar a "alternativa" Pedro Simon (PMDB-RS). Sarney e Renan portam-se como se a recandidatura de Garibaldi Alves (PMDB-RN) não existisse.

Ou, por outra, a Flora e o Silverinha do Senado agem como se Garibaldi ocupasse o assento de candidato oficial do PMDB apenas para esquentar o lugar.

Sem vocação para o martírio da Donatela da TV, Michel Temer decidiu tomar distância da urucubaca do Senado. Avisou ao Planalto que não irá à reunião que Lula vai convocar.

Quanto a Tião Viana, tenta escrever o final da novela política à sua maneira. Cumpre o papel que lhe cabe. Converteu-se num pedinte de votos.

Pelas planilhas do PT, Tião já disporia do apoio de 52 senadores. Para prevalecer, precisa de 41. Ou seja, ainda que amargasse uma dezena de traições, estaria eleito.

O diabo é que, diferentemente de 'A Favorita', que termina nesta semana, a novela do Congresso ainda vai atazanar a paciência da platéia por mais três semanas.

Só no dia 2 de fevereiro o país conhecerá o desfecho do dramalhão político. Em privado, Tião Viana diz que aceita qualquer epílogo. Só não se dispõe a fazer o papel de bobo.

Os rivais do PMDB difundem o boato de que, no apagar das luzes, Lula apelaria a Tião para que abrisse mão da candidatura em favor de Sarney.

Há dois dias, o candidato petista disse a um amigo que não crê que o presidente venha a lhe fazer semelhante pedido. Mas, se fizer, ouvirá um "não" como resposta.

"Ainda que eu tivesse apenas cinco votos, não abriria mão do direito de disputar", disse Tião, em timbre peremptório.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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Secretário pessoal de Fernando Lugo militou no MST

Ele se chama Marcial Congo. Tem 58 anos.

Esquerdista de mostruário, tornou-se o auxiliar mais próximo do presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Congo (na foto à esquerda) não é um personagem de sala de espera. Entra sem bater.

Apresenta-se como secretário particular do presidente.

A imprensa paraguaia especula que ele também faz as vezes de guarda-costas de Lugo (à direita).

Só de raro em raro Congo fala com repórteres. Numa dessas ocasiões, disse algo que adensou a aura de mistério que o envolve.

Definiu-se como a "sombra" do presidente paraguaio, seu "grande amigo".

Para que não restasse nenhuma réstia de dúvida quanto à estima que nutre pelo amigo, disse que não hesitaria em sacrificar a própria vida por Lugo.

O acesso de Congo não se restringe à sede do governo paraguaio. Ele manuseia também as maçanetas da residência oficial do presidente.

Jamais foi visto de terno e gravata. Desfila em mangas de camisa. Prefere as sandálias de couro aos sapatos. Tem especial apreço por jaquetas. Serve-se delas para ocultar uma pistola que leva na cintura.

No último dia 5 de dezembro, em visita à capital paraguaia, uma comitiva de deputados brasileiros foi à Mburuvicha Roga, a casa oficial do presidente.

O encontro fora solicitado por Eduardo Santos, embaixador do Brasil em Assunção. Antes de chegar a Lugo, a delegação brasileira avistou-se com a "sombra" dele.

O secretário particular do presidente paraguaio trazia na mão esquerda, um walkie-talkie. Vestia camisa de manga curta. A ausência da jaqueta franqueou aos presentes a imagem da pistola (calibre 45) grudada na cinta.

Arrastando as sandálias, Congo encurtou a distância que o separava de um dos visitantes brasileiros, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

"Lembra-se de mim, ministro?" Jungmann pôs-se a perscrutar a fisionomia do interlocutor.

Os dentes pronunciados. Os óculos de aro circular. Os longos fios de cabelo, reunidos num rabo de cavalo, como uma espécie de esforço inócuo para compensar a calva frontal.

Tudo parecia familiar. Mas a memória de Jungmann o traía. O auxiliar de Lugo socorreu-o: "Marcial, do MST", dirigente "histórico" do movimento dos sem-terra no Rio Grande do Sul.

Ex-ministro da Reforma Agrária de FHC, Jungmann se deu, finalmente, por achado. Travara embates homéricos com o MST. Marcial Congo era um dos que estavam do outro lado.

Congo fizera-se conhecido dos paraguaios há cerca de 20 anos. Fora às páginas esportivas dos jornais locais como um vitorioso corredor de maratonas.

Ainda nos tempos de atleta, metera-se num seminário católico da ordem dos Franciscanos. Emigrara para o Brasil já na condição de ex-padre. A campanha presidencial de Lugo devolvera-o ao noticiário.    

Súbito, a sessão de reminiscências teve de ser interrompida. Os visitantes brasileiros foram convidados a entrar no aposento em que os aguardava Fernando Lugo.

Aos olhos do contribuinte, viagens de congressistas ao exterior se confundem com excursões turísticas bancadas pela Viúva.

No retorno ao Brasil, exige-se dos viajantes a elaboração de relatórios. Muitos dão de ombros para a convenção. Outros redigem textos inservíveis.

Jungmann decidiu inovar. Desde o último dia 31 de dezembro, o deputado publica em seu blog um "diário de viagem".

O encontro com o velho conhecido do MST está descrito no segundo texto da série. Há outros quatro relatos (aqui, aqui, aqui e aqui).

Nas últimas semanas, os serviços de "inteligência" do governo brasileiro ocupam-se de um tema caro ao Paraguai.

Gabinetes da Esplanada e do Planalto foram informados de que o MST e outros movimentos sociais decidiram apoiar a revisão do tratado de Itaipu. A presença de Marcial Congo no gabinete de Lugo ajuda a entender o gesto.

Nos próximos dias, o "diário" de Jungmann trará à luz os detalhes da passagem da delegação de deputados brasileiros pela Bolívia de Evo Morales.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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