Josias de Souza

Bastidores do poder

 

As manchetes deste domingo (11/01)

- Globo: Favelas crescem 3 milhões de metros quadrados no Rio

- Folha: Valor de imóvel financiado pode subir

- Estadão: Total de indústrias dispostas a demitir é o maior desde 99

- JB: Governo do Rio investiga fraude em Manguinhos

- Correio: Nova mordomia no Senado

- Valor: Lula quer governadores na campanha anticrise

- Gazeta Mercantil: Auditorias de grande porte serão auditadas

- Veja: Como não ser o pato da vez

- Época: Amor e sexo por toda a vida

- IstoÉ: O terrorismo de Israel

- IstoÉ Dinheiro: Onde e como investir em 2009

- CartaCapital: A razão Agredida

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 06h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O blog impõe 'férias coletivas' aos seus 22 leitores

  Orlandeli
Atento ao debate em torno da necessidade de flexibilizar os direitos trabalhistas, o blog resolveu adotar uma posição de vanguarda.

Diante da iminente destruição do que resta da gloriosa era Vargas, o repórter sai na frente.

Até o próximo dia 12 de janeiro, vai desfrutar do direito adquirido de receber os vencimentos sem a contrapartida do derramamento de suor.

Assim, nas pegadas do movimento iniciado pela indústria automobilística, o blog impõe férias coletivas aos seus 22 leitores.

Nesse intervalo, o repórter tentará pôr de pé o velho sonho de converter-se de pessoa física em banco.

Está convencido de que, por qualquer ângulo que o governo analise o seu drama, há de considerá-lo um empreendimento à beira da crise sistêmica.

Falta de cabelos, fundas olheiras, nanismo financeiro. O repórter não é ambicioso. Deseja estrear no mercado como um banco pequeno.

Miúdo o bastante para habilitar-se a um desses empréstimos de liquidez previstos na medida provisória 442.

Busca-se, com a brevidade necessária, assegurar a liquidação de posições vendidas, em face da rigidez que a crise global impôs aos mercados. Sobretudo o doméstico.

PS.: Ciente do risco de não ser encaixado numa linha de crédito oficial, o repórter cultivará um Plano B.

Virá a este recanto virtual sempre que possível, para liberar os comentários e atualizar as manchetes do dia.

Sabe que blog é como pronto-socorro. Não fecha nunca. Sob pena de o responsável, em plena crise, descer à UTI do desemprego.

PS.2: Ilustração via blog do Orlandeli

Escrito por Josias de Souza às 06h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Concretismo Econômico

  Stock Images

2008 caminhava a pleno vapor

Na altura do terceiro trimestre,

                            u  as nuvens!

                         o

                       l

                   a

                c

             s

O PIB e

6,8%

Bom!

Ótimo!!

Contudo,

Sobreveio

A marolinha

Junto, o freio

O país definha

O bonito vira feio

O Sólido vira farinha

Da certeza resta receio

O avião era uma galinha

Pânico, horror. Megafobia!!

A encrenca desce a escadaria

O ex-império, surpresa, foi à breca

Micou, estupefação, o Lehman Brothers

'Wall Street', espanto, já não é mais a meca

Ruíram a América, a Europa 'and all the others'

O capitalismo, quem diria, converteu-se em meleca

2009, prepare-se, é o ano do d

                                               e

                                               s

                                               p

                                               e

                                               n

                                               c

                                               a

                                               r

Tenha calma, você não está só

Integra o 'todo' da globalização

É fim de ciclo, dinheiro virou pó

As horas vão e vêm, vêm e vão

Ó tempo, escasseia o pão-de-ló

No tic-tac do relógio cava-se o n

                                                  e

                                                     c

                                                        r

                                                          ológio.

Escrito por Josias de Souza às 06h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Cinco previsões 'infalíveis' para 2009. Pode cobrar!

1. Conforme alardeado por Lula, o Produto Interno Bruto crescerá 4% no próximo ano -desde que o percentual apurado não seja inferior;

2. É possível que Dilma Rousseff, a preferida de Lula, suba nas pesquisas. Isso, naturalmente, se ela não em(pac)ar nos níveis atuais ou decrescer;

3. Pode ser que José Serra prevaleça como candidato oficial do PSDB à sucessão de Lula, na hipótese de não perder a vaga para Aécio Neves;

4. Michel Temer (PMDB-SP) pode mesmo ser eleito presidente da Câmara, contanto que não perca a vaga para nenhum outro candidato;

5. No Senado, Tião Viana (PT-AC) pode virar presidente. Diante da divisão do PMDB, é possível que o candidato petista se torne um fator de unificação dos partidos -desde que não divida, colocando a vitória em risco.

Como se vê, excluídos os inúmeros fatores que, por imprevisíveis, não se pode prever, 2009 será um ano muito previsível.

Escrito por Josias de Souza às 06h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

2008 em frases: 'As roupas da Ruth eu pagava'

AP/Granma

Janeiro

- "Estou limpo. Esse processo já é coisa do passado. Vou trabalhar com gastronomia, que é o que eu gosto." (Silvinho Pereira, ex-secretário-geral do PT, depois de fechar acordo judicial para sair do banco de réus do mensalão em troca de serviços comunitários).

- "Rezem para mim. O negócio está feio. Estou saindo satisfeito porque sou assim mesmo, mas que a coisa é preta, é." (Vice- presidente José Alencar, na saída do hospital Sírio-Libanês, depois de sessões de quimioterapia contra o câncer).

Fevereiro

- "Não me despeço de vocês. Desejo combater como soldado das idéias. Continuarei escrevendo sob o título 'Reflexões do companheiro Fidel'. Será uma arma a mais em nosso arsenal". (Fidel Castro, descendo à tumba, imaginando-se ainda detentor de um 'arsenal' de idéias aproveitáveis).

- "Me parece que o uso do cartão corporativo se transformou numa espécie de mensalinho para alguns privilegiados do governo." (José Agripino Maia, líder do DEM).

- "Não tem com que se preocupar. As roupas da Ruth, era eu mesmo quem pagava." (FHC, ao comentar a CPI que investigaria gastos com cartões corporativos).

- "Para nós, quanto menor a transparência, maior é o grau de segurança." (General Jorge Felix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, sobre a conveniência de manter à sombra as faturas dos cartões do Planalto).

- "Transparência, no governo Lula, é como lingerie de bordel: o que revela é sempre um escândalo." (Roberto Jefferson, presidente do PTB).

- "Um homem negro não ficaria muito tempo na posição de presidente dos Estados Unidos. Provavelmente o matariam." (Doris Lessing, escritora britânica, Nobel de Literatura, referindo-se ao então pré-candidato democrata Barack Obama).

Março

- "Nossa economia é resistente e, a longo prazo, confio que continuará crescendo, porque seus fundamentos são sólidos". (George Bush, risonho, discorrendo sobre o futuro no instante em que a crise engolia o presente. O dos EUA e o do resto do mundo).

- "Sabemos que estamos em forte desaceleração." (Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, em locução premonitória).

- "Essa crise é trinta vezes mais forte do que a da Malásia, porque é na maior economia do mundo (...). E até agora não aconteceu nada com nosso querido Brasil." (Lula, numa versão preliminar do presidente-marolinha).

- "Senhor ministro da Defesa, mova dez batalhões até a fronteira com a Colômbia, de imediato, batalhões de tanques. Eles que não pensem em fazer o mesmo aqui, porque seria muito grave, seria motivo de guerra." (Hugo Chávez, em meio à crise provocada pelo ataque do Exército colombiano a guerrilheiros das Farc, em solo equatoriano).

- "Hugo Chávez tem mais peso na língua do que nos fatos." (Alfonso Gómez Méndez, líder do Partido Liberal da Colômbia, de oposição a Uribe).

- "Do ponto de vista prático, a Colômbia poderia ter pedido ao Equador que fizesse a prisão [de Raul Reyes, das Farc, morto na operação]. Mas isso não aconteceu." (Lula).

- "Já se escutam com força as trombetas da guerra." (Fidel Castro, como que desejoso de ver o circo pegar fogo na América Latina).

- "Se eu vier a me candidatar à Presidência da República, minha candidatura não será anti-Lula, mas pós-lula." (Aécio Neves, governador de Minas e presidenciável do PSDB).

- "Há uma patrulha ideológica que tenta implodir pontes para o diálogo entre o PT e o PSDB, mas, nem que fosse uma pinguela, eu iria ajudar a construir." (Aloizio Mercadante, um dos poucos petistas que se animaram a defender a aliança do PT com Aécio, em Minas).

- "Não há uma pessoa humana embrionária. Mas embrião de pessoa humana." (Ministro Carlos Ayres Britto, do STF, ao justificar o voto favorável à liberação das pesquisas com células-tronco).

- "Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia estabelecida na Constituição." (Lula, irritado com o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que enxergara propósitos eleitoreiros no programa Territórios da Cidadania).

- "O que eu disse, repito: no ano eleitoral não podemos ter incremento, alargamento de programas sociais. O programa pode ser elogiável, mas tem época em que não deve ser implantado. As regras jurídicas não são de fachada. Paga-se um preço por viver em uma democracia." (Marco Aurélio Mello, dando de ombros para a irritação de Lula).

- "Nós estamos em estol. Nessa velocidade, qualquer coisa que sair errada te leva para o chão." (Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, valendo-se de uma analogia aeronáutica -"perda total da sustentação"- para fazer soar os tambores da crise americana).

Abril

- "A Dilma é uma espécie de mãe do PAC". (Lula, num pa©mício no Rio, exibindo a munição da candidata à sua sucessão).

- "Vim para mostrar o aumento do PIB e para botar o PIB na mesa." (Guido Mantega, posando de macho em encontro com economistas de agências de avaliação do risco-país, nos EUA).

- "Eu queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente que hoje animam, sem dúvida, este comício." (Dilma Rousseff, a dodói de Lula, trocando as bolas em cerimônia oficial do PAC, em Belo Horizonte).

- "Estou com a gripe Dilma Rousseff. Exige um dossiê de remédios." (Rita Lee, durante um show).

- "Se não fiz dossiês em 2005, na época em que precisava fazer enfrentamentos, por que os faria agora? A quem pode interessar isso agora?" (Lula, tirando o corpo fora da nova trapalhada de seus aloprados).

- "O Lula deseja fazer seu sucessor. Mas eu digo que, se você perguntar aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que Lula fique mais tempo no poder." (O vice José Alencar, num ataque de febre continuísta).

Escrito por Josias de Souza às 06h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

2008 em frases: 'Eu não soube que era travesti'

  Lucas Dolega/EFE
Maio

- "Reconheço que saiu da minha máquina, mas foi sem dolo nem má-fé. Tive uma surpresa quando percebi que tinha enviado." (José Aparecido Nunes Pires, ex-funcionário da Casa Civil, com dificuldades para explicar como o arquivo com o dossiê anti-FHC foi parar na caixa de e-mails de André Fernandes, assessor do tucano senador Alvaro Dias).

- "Ele só falava para mim que foi a Erenice [Guerra] que preparou um dossiê. Ele usou um banco de dados seletivo. Ele me contou que no dia 8 de fevereiro foi chamado para fazer isso." (André Fernandes, arrastando a secretária executiva da Casa Civil, lugar-tenente de Dilma, para o centro da encrenca do dossiê).

- "O Lula nunca fez um gesto de diálogo, nunca. Definiram, a meu ver equivocadamente, o PSDB como adversário principal. Foram buscar apoio no que havia de mais podre na política brasileira, e deu no mensalão." (FHC, esquecendo-se, em entrevista a Ricardo Kotscho, que também recorrera a aliados 'podres').

- "É como um cofrinho. Você tem o seu salário e faz as suas despesas. No fim do mês, o que sobrar vai ser colocado em um cofrinho." (Guido Mantega, explicando a jornalistas, em linguagem infantil, como funcionaria o Fundo Soberano).

- "Em nenhum momento soube que era travesti. Sou completamente heterosexual". (Ronaldo, o 'Fenômeno', tentando explicar o inexplicável).

- "A parte íntima da vida dele não interessa a ninguém, e ele não nos deve satisfação. A vida é assim: complexa e bonita, como os travestis." (Caetano Veloso, o especialista em assuntos aleatórios, saindo em socorro do craque).

- "Eu não brinco com democracia, porque toda vez que se brinca com democracia a gente quebra a cara. A alternância de poder é importante. Toda vez que um dirigente político se acha imprescindível e insubstituível, está começando a nascer um pequeno ditadorzinho dentro dele." (Lula, em Manaus, em pajelança do PAC, chutando a macumba do terceiro reinado).

- "Eu tinha 19 anos. Fiquei três anos na cadeia. E fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousa dizer a verdade para interrogador compromete a vida dos seus iguais." (Dilma Rousseff, no Senado, dando o troco a uma provocação inábil do 'demo' José Agripino Maia).

- "Os esforços do Fed nos últimos nove meses me lembram a antiga série de TV MacGyver, cujo herói saía de situações difíceis montando dispositivos inteligentes com objetos caseiros e fita adesiva." (O economista Paul Krugman, farejando a encrenca que resultaria dos 'arranjos improvisados' do banco central americano diante de uma crise até então apenas imobiliária).

- "Ninguém consegue fazer tudo em oito ou dez anos." (Lula, numa recaída continuísta).

- "Eu não sei nem falar direito a palavra [investment grade], mas, se a gente for traduzir isso para uma linguagem que os brasileiros entendem, o Brasil foi declarado um país sério." (Lula, decodificando para o eleitorado do Bolsa Família o significado da elevação do Brasil ao grau de investimento pela agência Standard & Poor's).

- "Não estou certo do que vou fazer depois de deixar a Presidência. Logo após o seu mandato, o vice-presidente Al Gore ganhou um Oscar e um Prêmio Nobel. Quem sabe eu poderia ganhar um prêmio. A loteria, por exemplo." (O presidente George Bush, fazendo piada para jornalistas na fase pré-crise).

Junho

- "Em nome de Serra, venho trazer essa saudação a Geraldo Alckmin." (Alberto Goldman, vice-governador tucano de São Paulo, em plena convenção do DEM, trocando o nome do candidato 'demo' Gilberto Kassab pelo do tucano Alckmin).

- "Nós estaremos juntos de qualquer forma. Se não for agora, de imediato, será daqui a noventa dias. Por isso, trago esta saudação ao companheiro Geraldo Kassab." (Goldman, no mesmo discurso, trocando as bolas pela segunda vez).

- "Eles adotaram aquilo que o comunicador de Hitler, Joseph Goebbels, dizia: uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade. E como mentem. Eles agora querem inventar trocando as letras, chamando de CSS." (O senador Mão Santa, do PMDB piauiense, erguendo barricadas contra a recriação da CPMF, que acabaria empacada na Câmara).

- "São as mesmas forças que mataram Getúlio, fizeram Jango renunciar e expulsaram Brizola do país. Isso faz parte da vida, e eu não fujo da luta." (Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, tentando dar verniz histórico à trapaça do desvio de verbas do BNDES).

- "A situação é gravíssima. Tem algum termo mais forte que gravíssimo?" (Inocêncio Oliveira, corregedor da Câmara, qualificando o escândalo que enredou o colega Paulinho. Um escândalo que, depois, o Conselho de Ética mandaria ao arquivo).

- "Ninguém que tiver cometido algum erro vai ser protegido por nós, não vamos salvar a pele de ninguém." (José Serra, o governador tucano de São Paulo, prometendo isenção na apuração do esquema de pagamento de propinas da multinacional Alstom, que fez negócios durante o governo Covas).

- "A causa é maior que o cargo, que está a serviço da causa" (Marina Silva, explicando a razão do desembarque do ministério do Meio Ambiente).

- "O Minc já falou em uma semana mais do que a Marina falou em cinco anos e meio." (Lula, na posse de Carlos Minc, realçando as diferenças do sucessor de Marina).

- "Os amigos daqui me advertiram de que há uma ordem de captura... [Mas me disseram que] a cúpula do governo, com apoio de Celso Amorim, estava a par. Eles não apoiariam uma captura por crimes políticos." (Trecho de e-mail de Olivério Medina, 'embaixador' das Farc no Brasil, pescado no computador de Raúl Reyes, o mandachuva das Farc, morto por soldados colombianos no Equador).

Escrito por Josias de Souza às 06h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

2008 em frases: 'Que crise? Vai perguntar pro Bush!'

Thomas Coex/AFP

Julho

- "Nessa questão da sucessão à Presidência,, eu estou subordinado ao presidente Lula, que, como é óbvio, não me tem como pré-candidato." (O ministro petista da Justiça Tarso Genro, num rompante de realismo político).

- "Se você ligar para mim, quem vai atender vai ser o Gilberto Carvalho. Peça a Deus para seu telefone não estar sendo gravado, senão vai aparecer sua conversa." (Lula, abespinhado com o grampo que da Satiagraha, que pilhou conversa do seu chefe-de-gabinete com um dos advogados a soldo de Daniel Dantas, o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh).

- "Espero que Daniel Dantas tenha o mais amplo direito de defesa, que consiga provar que é inocente." (Tarso Genro, na fase em que a PF ainda não transformara o investigador Protógenes em investigado).

- "Este magistrado tem consciência de que, como funcionário público, serve ao povo, verdadeiro legislador e juiz, e para corresponder à sua confiança não abre mão dos deveres inerentes ao cargo que ocupa." (Fausto Martin de Sanctis, o juiz da Satiagraha, depois de mandar prender Naji Nahas, Celso Pitta, Daniel Dantas e Cia).

- "Saí do país usando meu passaporte, com carimbo e tudo." (O sem-banco Salvatore Cacciola, tentando negar que fugira do Brasil para a Itália).

- "É ilusão pensar que inflação elevada não vá levar à redução da atividade econômica. Já conhecemos essa história no Brasil." (O presidente do BC, Henrique Meirelles, justificando a política de juros lunares como tática de combate à inflação).

- "Se eles nos congelarem, não haverá mais petróleo para os EUA. E o preço do petróleo vai a US$ 300 o barril." (O companheiro Hugo Chávez, numa fase em que não lhe passava pela cabeça que a cotação do petróleo roçaria os US$ 50).

Agosto

- "Da mesma forma que a gente faz a reforma agrária na terra, vamos fazer uma reforma aquária, na água." (Lula, justificando a inacreditável proposta de converter a Secretaria da Pesca em ministério).

- "Se fosse por importância econômica, seria melhor criar o ministério da Banana, que movimenta 7 milhões de toneladas por ano." (O líder tucano José Aníbal (SP), expondo o ridículo do projeto, que seria, depois, retirado pelo Planalto).

- "Agora posso dizer o que quiser; xingar, se eu quiser; dizer que amo, dizer que odeio. Não preciso ser politicamente correto, no sentido da ética pública." (Gilberto Gil, depois de bater em retirada do ministério da Cultura).

- "Precisamos tratar um pouco melhor os nossos mortos. Esse martírio nunca vai acabar se a gente não aprender a transformá-los em heróis." (Lula, atiçando a polêmica da revisão da Lei da Anistia. Um debate que agora quer abafar).

- "Temos de fazer uma lei adequada ao nosso país. Não adianta querer fazer lei de país civilizado porque este país não o é." (O juiz da Satiagraha, Fausto Martin De Sanctis, num rasgo de sinceridade na CPI dp Grampo).

- "Nós deixamos ainda mais claro, ainda mais explícito que o nepotismo é proibido em toda a administração pública brasileira." (O ministro Carlos Ayres Britto, do STF, nas pegadas da decisão que proibiu o nepotismo nos três poderes).

- "Toda polícia do mundo usa algemas. Temos que garantir a integridade do preso, do policial e de terceiros." (O diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, abespinhado com a decisão do Supremo que limitou o uso de algemas em operações policiais).

- "O importante é que cumpram as decisões do Supremo. Se ele cumpre de bom humor, de mau humor, se cumpre rindo ou se cumpre chorando, essa é uma outra questão." (Gilmar Mendes, o presidente do STF, dando de ombros para os queixumes da PF).

- "Eu digo todo dia: governo para todos, não discrimino ninguém. Mas faço como a minha mãe. Se eu tiver um bife, não tem um filho mais bonito que vai comer sozinho, não. Todos vão dar uma lambidinha." (Lula, na inauguração de uma universidade no Ceará).

- "Não sou amarelão." (O ginasta Diego Hypólito, justificando a queda que converteu em fiasco uma das esperanças de ouro da delegação brasileira nas olimpíadas de Pequim).

Setembro

- "Vayanse al carajo yankees de mierda, que aqui hay um pueblo digno". (Hugo Chávez, valendo-se de um linguajar que transforma o 'sifu' de Lula em vocábulo de criança).

- "O Brasil está preparado para enfrentar uma situação adversa dos mercados. Mas não existe descolamento completo de nenhuma economia." (Henrique Meirelles na ilha de realismo do BC).

- "Que crise? Vai perguntar pro Bush!" (Lula, em resposta a jornalista que lhe perguntaram o que achava da crise).

- "Todos os que achavam que havia uma luz no fim do túnel agora se dão conta de que é uma locomotiva, que vem em sua direção." (Peer Steinbrueck, ministro das Finanças da Alemanha).

- "O Brasil estaria de quatro, em outra situação." (Guido Mantega, comparando a crise atual com as encrencas financeiras que engolfaram a gestão FHC).

- "Temos de pôr as barbas de molho. O ministro [Mantega] não tem barba, mas tem de ficar um pouco mais alerta antes que a barba cresça." (FHC, evitando se dar por achado).

- "Para mim, o modelo é contínuo. Um modelo sem a presença de ilhas. Os índios brasileiros são visceralmente avessos a qualquer idéia de nichos, guetos, cercas, muros, viveiros." (Carlos Ayres Britto, ao relatar o processo da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol).

Escrito por Josias de Souza às 06h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

2008 em frases: 'Aqui, se chegar, será marolinha'

Rogério Cassimiro/Folha

Outubro

- "Graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico." (Lula, em nova demonstração de otimismo surreal);

- "Nós vamos ter alguns problemas momentâneos, mas temos robustez suficiente para superar essa imensa fase de contágio com uma pequenininha gripe." (Dilma Rousseff, aderindo ao lero-lero do chefe).

- "Aqui, se a crise chegar, vai ser uma marolinha." (Lula, proferindo aquela que teria potencial para vencer qualquer concurso de frase do ano).

- "É um empréstimo de mais de 200 milhões de dólares para um projeto que não presta." (Rafael Correa, presidente do Equador, mostrando os dentes pela primeira vez ao BNDES, às voltas com o risco de calote).

- "Agora quero que se dane!" (Geraldo Alckmin, já reduzido a uma terceira colocação nas pesquisas paulistanas, ao ser informado de que a cúpula do PSDB soltaria uma nota de apoio à candidatura dele).

- "Escreve aí: a Marta vai ganhar." (Lula, numa demonstração de que se sai melhor como presidente do que como vidente).

- "Se uma jornalista não pode ser prefeita, por que um torneiro mecânico pode ser presidente?" (Micarla de Sousa, depois de surrar o petismo na disputa pela prefeitura de Natal, rebatendo críticas que Lula fizera a ela).

- "O importante em relação a um candidato é o caráter. Se ele é solteiro, viúvo, divorciado, casado, se tem filhos ou não, é a vida pessoal de cada um." (O 'demo' Gilberto Kassab, reagindo a insinuações levadas ao ar na propaganda da rival petista Marta Suplicy).

- "Eu acho muito importante saber a trajetória, o DNA de uma candidatura, e a biografia de um candidato." (Marta Suplicy, tentando dar ares de normalidade ao que era deplorável).

- "Agora vamos vencer a máquina estadual, a federal e a Universal." (Fernando Gabeira, antes de ser vencido pelas máquinas estadual e federal).

Novembro

- "O PT não perdeu na capital. Deixou de ganhar." (Aloizio Mercadante, o senador petista).

- "Quem vence em São Paulo vence as eleições." (Sérgio Guerra, o presidente do PSDB, pegando carona na vitória da parceria Serra-Kassab).

- "Ninguém falou mal do governo, ninguém falou mal do presidente Lula." (Lula, faturando o refresco que lhe deram os candidatos a prefeito de todos os partidos).

- "Yes, we can" (Barack Obama, já eleito, repisando o bordão de sua campanha).

- "Há uma diferença muito grande entre ganhar uma eleição e governar um país como os EUA. Vamos esperar que ele tome posse para ver o que vai acontecer." (Lula, com ares de quem conhece do riscado).

- "Se Obama fracassar, a frustração será tão grande que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos." (Lula).

 - "Obama é jovem, bonito e também bronzeado." (Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, festejando, à maneira dele, a eleição de Barack Obama).

- "O presidente eleito, Obama, será presidente de todos os americanos. O fato de ele ser negro vem em segundo plano, mesmo que isso confira à sua eleição um caráter histórico." (Colin Powell, republicano, negro, ex-secretário de Estado da gestão Bush, soltando fogos pela vitória do democrata Obama, a quem manifestara apoio).

Dezembro

- "Não dá para identificar de onde vem essa força. Há diversos colaboradores do bandido Daniel Dantas com a tentativa de produzir provas por meio de investigações. E isso durante todo o processo". (Protógenes Queiroz, enigmático, falando sobre as pressões que diz ter recebido enquanto esteve à frente da Satiagraha).  

- "Vamos usar todos os mecanismos para repudiar esta dívida ilegítima e corrupta." (Rafael Correa, presidente do Equador, renegando o financiamento do BNDES).

- "A questão da dívida externa dos países da região é um tema que já está instalado na agenda internacional." (Fernando Lugo, presidente do Paraguai, dando sinais de que é a próxima encrenca companheira).

- "Na medida em que todo mundo fala em crise, toma café de crise, almoça crise, janta crise, dorme com crise e acorda com crise, isso vai criando um determinado pânico na sociedade, e as pessoas começam a se retrair." (Lula, agora já impressionado com o vulto da marolinha).

- "Em 2010, 2011, não estarei mais aqui [em São Paulo]. Meu mandato termina em 2010." (José Serra, deixando claro que o que lhe interessa não é a reeleição para o Bandeirantes, mas a eleição para o Planalto).

- "Para êxito do governo, Dilma é a sacerdotisa do serviço público." (José Sarney, desafeto de Serra, afagando a preferida de Lula na inauguração de um trecho da Ferrovia Norte-Sul, no Tocantins).

- "Ganhamos musculatura e acumulamos força para o período mais difícil." (Guido Mantega, festejando o PIB de 6,8% do terceiro trimestre e admitindo, finalmente, que haverá tempos difíceis).

- "É melhor reduzir temporariamente a jornada e os salários do que perder o emprego." (Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, alvejando os direitos da CLT).

- "Não sei o que o sujeito disse, só vi seus sapatos. Se querem saber, eram 42." (George Bush, riso amarelo, reagindo às sapatadas de que foi alvo no Iraque).

- "Gente, por favor. Ninguém tire os sapatos porque, aqui, como é muito calor, a gente vai perceber antes de alguém decidir jogá-lo, por causa do chulé." (Lula, na entrevista da cúpula da América Latina e do Caribe, fazendo piada com a desgraça alheia).

- "Quero dizer, com toda a serenidade, que a crise não nos assusta. O país está preparado e tem comando. Seguiremos acompanhando com lupa a situação da economia, 24 horas por dia. O que tiver que ser feito será feito. No tempo certo e na dose adequada. E sempre dialogando com o país". (Lula, tranqüilizando o país num discurso natalino exibido em rede de rádio e TV).

Escrito por Josias de Souza às 05h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Há um cheiro diferente no ar. Chulé ou conspiração?

Karim Kadim/AP

Enquanto a imprensa se ocupa de coisas sem importância -a sapatada do repórter iraquiano em Bush, por exemplo-, coisas sérias deixam de ser noticiadas.

A mega-popularidade de Lula e a auto-indulgência do país deixam o brasileiro feliz. Mas algo de muito incomum acontece em Brasília.

Diz-se que nada saiu nos jornais porque as versões sobre uma incipiente conspiração dos sapatos são, por ora, desencontradas.

Não há um consenso sobre o que realmente aconteceu. Suspeita-se que tudo tenha começado no Congresso.

Um senador contou que tirara os sapatos no plenário. Coisa corriqueira. Sempre cultivara o hábito de descansar os pés. Naquela tarde, porém...

Quando foi recalcá-los, não os encontrou. Chegou a pensar em roubo. Mas se deu conta de que os calçados tinham dado no pé ao ouvir o relato de um colega.

Saíra apressado do gabinete. Estava atrasado para a "ordem do dia". Receava perder a votação da emenda que recriou 7.343 vagas de vereador.

Na altura do túnel que dá para o Salão Azul do Senado, um par de sapatos, vindo do corredor das comissões, o atacou.

O pé direito, apontando para ele, dizia para o esquerdo: "Deixa que eu chuto". Conseguira fugir. Mas temia pelo que estava por vir.

Um turista jurou ter visto várias botinas correndo em volta da Praça dos Três Poderes. Pulavam freneticamente. Batiam os calcanhares no ar.

Um assessor de Lula disse que uma gangue de pés de chinelo tentou barrar a entrada do carro dele na garagem do Planalto. Estavam fora de controle.

Um segurança assegurou ter pilhado alguns deles no instante em que cheiravam uma substância estranha. Era cola de sapateiro, supunha.

Um grupo de mocassins ronda a sede do Banco Central. Outro grupo, liderado por um par de tênis, foi visto nos arredores do ministério da Fazenda.

Para evitar o pânico, as autoridades do governo exibem calma simulada. Mas, em segredo, o governo já cogita editar uma medida provisória.

Deve ter dois artigos:

Artigo 1º: É proibido tirar os sapatos em público.

Parágrafo único: Armários e sapateiras devem ser mantidos, obrigatoriamente, na chave.

Artigo 2º: Sapatos, botas, botinas, tênis, mocassins, sapatilhas, alpercatas, sandálias, chinelos e assemelhados, quando pilhados em atos de vandalismo, sujeitam os donos à pena de um a três anos de detenção.

O Brasil, como se sabe, não é o Iraque. Lula não é Bush. Mas o seguro, como se diz, morreu de velho.

PS.: O signatário do blog sugere aos seus 22 leitores que respondam na caixa de comentários: A julgar pelo que fizeram em 2008, em que personagens você daria uma sapatada?

Escrito por Josias de Souza às 05h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

O bom velhaco!

Orlandeli

Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 05h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em um mês, foram para o 'beleléu' 40 mil empregos

Pelicano

O dado é oficial. Saltou de um arquivo do ministério do Trabalho, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Só no mês de novembro, sumiram do mapa do emprego formal 40.821 vagas. Desemprego no penúltimo mês do ano é coisa que não se via desde 2002.

Em 2007, o mesmo Caged anotara um novembro prenhe de contratações: 124.554. A economia varou 2008 com o pé no acelerador.

Ao longo do ano, assinaram-se 2,1 milhões de carteiras de trabalho. São notícias do retrovisor, contudo.

O pára-brisas exibe a silhueta de um 2009 acerbo. Novembro é prenúncio do que está por vir.

PS.: Ilustração via sítio Movimento das Artes.

Escrito por Josias de Souza às 17h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB prepara recurso ao STF contra Fundo Soberano

O ano legislativo terminou com uma pendência fiscal. O governo aprovou o Fundo Soberano. Mas não conseguiu dotá-lo de fundos.

Na semana passada, em entrevista com Lula, os repórteres o inquiriram sobre a encrenca. E o presidente: "Haverá uma medida provisória".

A MP ainda não foi editada. Mas o PSDB já encomendou aos seus advogados a redação de uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade).

O líder tucano Arthur Virgílio (AM) disse ao blog que a ação será protocolada no STF assim que Lula levar a assinatura à anunciada medida provisória.

"Se baixar MP, vamos ao Supremo na mesma hora", diz Virgílio. "A ADI já está encomendada. Sai do forno no comecinho desta semana".

A crônica do passivo judicial anunciado envolve R$ 14,2 bilhões. Dinheiro que o governo poupou ao longo de 2008.

Lula e o ministro Guido Mantega (Fazenda) desejam injetar a verba no Fundo Soberano. A idéia é converter os recursos em investimentos.

O tucanato quer coisa diversa. Acha que os bilhões, hoje aprisionados na rubrica do superávit fiscal, deve ser usado para abater os juros da dívida pública.

A encrenca nasceu na última sessão do Congresso. O governo enganchara no Orçamento de 2009 um projeto que despejava os R$ 14,2 bilhões no fundo.

Esqueceu, porém, de mobilizar o seu exército parlamentar. Sob o comando de Virgílio, a tropa tucana ameaçou obstruir a sessão.

Desarmado, não restou ao governismo senão recuar. O projeto que fornia o Fundo Soberano foi retirado da pauta. Aprovaram-se apenas matérias consensuais.

"De madrugada, quando aprovaram a criação do Fundo Soberano atropelando a oposição, nós avisamos que haveria troco", rememora Virgílio.

"O pessoal do governo gosta de assistir filme cult. Eles não viram Rocky Balboa. Não se deram conta de que uma luta tem pelo menos dez rounds".

Às voltas com um fundo desprovido de fundos, Lula optou por levar uma MP ao ringue. Não são negligenciáveis as chances de o PSDB prevalecer na arena do STF, onde será travado o terceiro round.

Em duas ações análogas, o Supremo deu ganho de causa à oposição. Entendeu que o governo não pode usar medidas provisórias para injetar créditos suplementares no Orçamento.

Antes de saber das intenções do tucanato, Aloizio Mercadante (SP), que assume a liderança do PT em fevereiro, dissera ao repórter o seguinte:

"Estão transformando algo que é essencial para o país em objeto de disputa política. O PSDB reage ao Fundo Soberano de forma parecida com a reação da nossa base no caso da Nossa Caixa..."

"...Parte da base dizia: 'Não vamos aceitar que a Nossa Caixa seja vendida porque o [José] Serra está guardando dinheiro para eleição. Erro..."

"...Agora a oposição diz que é contra o Fundo Soberano porque o dinheiro é para a eleição. Outro erro..."

"...Veja se tem cabimento o governo guardar R$ 14,2 bilhões para 2010 e deixar o país atravessar 2009 com a desaceleração e o desemprego que já estamos assistindo!"

Para Mercadante, na ânsia de criar embaraços a um fundo destinado a investir em meio à crise, a oposição prejudica o país e a si própria.

"A crise será sentida por todos. Inclusive pelos governadores de oposição, que terão queda de receitas e vão ser pressionados pelo desemprego..."

"...O problema será mais duramente sentido -social e economicamente- em São Paulo, que é a base industrial do Brasil".

O Estado é também a base eleitoral do governador José Serra, o presidenciável do PSDB mais bem-posto nas pesquisas de opinião.

Escrito por Josias de Souza às 03h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Articuladores do Senado ignoram a 'opção' Garibaldi

Lula Marques/Folha

Mergulhado no recesso, o Senado volta-se integralmente para as negociações em torno da cadeira de presidente.

Oficialmente, há dois candidatos: Tião Viana (PT-AC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). Mas os principais negociadores agem como se só houvesse um.

Pendurada numa dúvida legal, a recandidatura de Garibaldi não emplacou nem mesmo dentro do partido dele.

À luz do dia, a pretensão de Garibaldi é vendida como uma unanimidade no PMDB. À sombra, caciques do partido informam que a coisa não é para valer.

Renan Calheiros (PMDB-AL) diz à oposição que Garibaldi apenas esquenta uma cadeira que será ocupada por outro candidato: José Sarney (PMDB-AP).

Um pedaço da oposição, representado pelo PSDB, já cansou do vaivém de Renan. E aprofunda a negociação com Tião Viana.

Um almoço reservado reuniu, há quatro dias, o candidato do PT e os dois negociadores do tucanato: Sérgio Guerra (PE) e Arthur Virgílio (AM).

Desceram aos detalhes. Esboçaram a repartição dos cargos na direção e nas comissões do Senado. Virgílio, que atirava contra Tião, foi à mesa desarmado.

O diálogo tucano-petista prosseguirá nesta semana. Guerra e Virgílio vêm a Brasília só para isso. Devem ter novo encontro com Tião.

O candidato petista aproximou-se também de José Agripino Maia (RN), líder e negociador do DEM. Visitou o gabinete dele na semana passada.

Não foi uma conversa minudente como a que Tião teve com os tucanos. Mas Agripino, até então avesso a um acerto com o petista, disse: "As portas não estão fechadas".

E quanto a Garibaldi e PMDB? "Muita gente não acredita que ele seja candidato, como não acredita que Sarney será", diz, em privado, o tucano Sérgio Guerra.

"Se Sarney for o candidato do PMDB, ele ganha", raciocina, a portas fechadas, o  'demo' Agripino Maia. "Mas..."

"Mas, na indefinição, nós não vamos ficar condenados a dialogar só com um lado, deixando o Tião Viana, que quer conversar conosco, falando sozinho".

Ou seja: se o PMDB optasse por Sarney, teria o apoio instantâneo do DEM. Teria enormes chances de arrastar também as fichas do PSDB. E o pôquer do Senado estaria definido.

Fixando-se em Garibaldi, o PMDB empurra a oposição para o colo de Tião Viana. A costura começa a receber pontos que, depois, será difícil de desfazer.

Preto no branco, Tião Viana dispõe, por ora, de 32 votos. Para prevalecer no plenário, precisa de 41. Faltam-lhe nove votos.

A conta não inclui ainda o governista PTB, dono de sete votos. Quem segura a bancada é o líder Epitácio Cafeteira (MA), unha e cutícula com Sarney.

Sem Sarney, o PTB pende para Tião. Restariam, então, dois votos. Francisco Dornelles (RJ), único senador do PP, ainda não disse como vota. Se for de Tião, fica faltando um.

Pelo menos sete senadores do PMDB informam nos subterrâneos, protegidos pelo anonimato, que vão de Tião se o partido insistir em Garibaldi.

Neste caso, o jogo estaria jogado. Na hipótese de um acerto de Tião com a oposição, a mão iria definitivamente à taça.

Afora o quinta-colunismo do PMDB e o pé atrás da oposição, Garibaldi ganhou na semana passada um adversário de peso: Lula.

Em café da manhã com jornalistas, o presidente levou o dedo à ferida da recandidatura de Garibaldi. Disse que a pretensão não tem amparo legal.

Garibaldi coleciona escritos de advogados que sustentam o contrário. Mas nem o PMDB parece disposto a comprar uma briga que só se resolve com um acórdão do STF.

De resto, Sérgio Guerra, o presidente do PSDB, desembarca em Brasília decidido a injetar no debate dois ingredientes intocados: idéias e projetos.

"Essa conversa do Senado está muito pobre", diz ele. "É preciso mudar a qualidade da discussão. Qual é a plataforma dos candidatos? O que pretendem fazer?"

São, de fato, perguntas irrespondidas. No no Senado e também na Câmara. Dá-se preferência à repartição de cargos nas Mesas e nas comissões.

E sonega-se à platéia meia dúzia de palavras sobre o futuro das Casas legislativas.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Globo: Polícia ataca finanças do tráfico na Cidade de Deus

- Folha: Obama amplia pacote para salvar emprego

- Estadão: Crise vai brecar crescimento da classe média

- JB: Rio recebe hoje Lula e Sarkozy

- Correio: Caixa reduz juros de 21 tipos de empréstimos

- Valor: Lula e Sarkozy dão início hoje a ação estratégica

- Gazeta Mercantil: Commodities lideram queda de preço dos produtos exportados

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sapatinhos!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sob crise, governo já injetou R$ 363 bi na economia

O Planalto e a Fazenda têm ojeriza pelo vocábulo "pacote". Brasília foge da palavra como o gato que, escaldado, esquiva-se da água fria.

Em reação à marolinha, o governo prefere manusear o conta-gotas. Uma liberação de compulsório aqui, uma linha de crédito ali, uma mexida tributária acolá...

De pacotinho em pacotinho, já se chegou a um pacotão. Injetaram-se na economia algo como R$ 363,3 bilhões. Deve-se o levantamento à equipe da Agência Brasil.

É a mão visível do Estado tapando os buracos cavados pela mão invisível do mercado. E o diabo é que parece não haver outro remédio.

Até o FMI, velho defensor do torniquete fiscal, agora receita a abertura de comportas.

Ouça-se, a propósito, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn:

"Estou particularmente preocupado com o fato de que nossa previsão, já muito negativa, vai ser ainda mais negativa se um estímulo fiscal apropriado não for colocado em prática".

Ele se refere à economia mundial, não só à brasileira. De cara com o pior, ele diz que, para evitar o muito pior, seria preciso um superpacote equivalente a 2% do PIB global.

Coisa de US$ 1,2 trilhão. Ou, em reais, R$ 2,9 trilhões.

Escrito por Josias de Souza às 22h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Atraso de obra do PAC impõe prejuízos à Petrobras

A julgar pelo que diz o governo, o PAC não é um mau programa. A platéia é que deixa muito a desejar. Veja abaixo o que informa a seção Painel, na Folha:

"Encalhado- Está parado no porto cearense de Pecém o Golar Spirit, navio da Petrobras com 75 mil metros cúbicos de gás natural liquefeito.

A carga, importada de Trinidad e Tobago, deveria ter sido desembarcada em setembro passado.

Mas o terminal de regaseificação, obra do PAC inaugurada com pompa por Lula em agosto, até agora não entrou em operação.

Enquanto espera, a Petrobras tem despesas com o arrendamento do navio e taxas portuárias que, segundo estimativas, chegam a US$ 50 mil por dia.

A empresa reconhece o problema, mas, alegando cláusulas de confidencialidade, não confirma esse valor.

Cheia- Segundo a Petrobras, também contribuiu para o atraso no desembarque o fato de que a operação se tornou "economicamente desvantajosa".

O gás iria para usinas termoelétricas, usadas como alternativa às hidrelétricas. Mas o preço da energia caiu em razão das chuvas, que encheram os reservatórios.

A profecia- De Lula, em agosto: "O terminal vai ser inaugurado dentro de 10 ou 15 dias. Eu não vou fingir inaugurar uma coisa para amanhã dizerem :"Lula inaugura uma obra que não está pronta'".

Escrito por Josias de Souza às 16h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gaspari: 'O exame do Ipea reprova seu comissariado'

Vai abaixo, por indispensável, um pedaço da coluna servida pelo repórter Elio Gaspari na Folha:

"Em 2000, o Banco Central armou um concurso para 300 analistas e, na prova de títulos, desqualificou a Unicamp, considerada um ninho de pensamento crítico da ekipekonômica tucana. Felizmente a armação foi desfeita.

Agora o comissariado do Ipea foi por um caminho parecido e piorado. Abriu um concurso para 62 vagas de técnico de planejamento (R$ 11 mil mensais) e submeteu os candidatos a uma prova que ofendeu o idioma, banalizou a qualificação dos candidatos e beneficiou conhecimentos de almanaque.

Exemplificando, primeiro pela agressão ao idioma, numa pérola pinçada por Madame Natasha:

"Considerando aspectos da configuração das redes urbanas regionais no Brasil e do imbricamento dessa morfologia com a economia produtivista nacional, julgue os itens que se seguem (...)".
A prova agrediu a complexidade do pensamento do sociólogo Francisco de Oliveira ao atribuir-lhe a afirmação de "não haver capitalismo monopolista sem o Estado".

Tudo bem, mas Dadá Maravilha poderia ter dito a mesma coisa. (Nunca é demais lembrar que em 2003 Nosso Guia mandou tirar um texto de Oliveira de um livro publicado pelo Instituto da Cidadania.)

Uma questão mostra a opção por conhecimentos inúteis: "Uma política de conservação dos cavalos-marinhos deve ser voltada para o Gerenciamento Costeiro e Marinho e a Fiscalização Contra o Comércio Ilegal, dispensando uma articulação com a Política Nacional de Recursos Hídricos e as práticas agrícolas no Continente". Certo ou errado?

Esse concurso atraiu 8.000 jovens que estudaram a sério e querem servir ao Estado. Não deveriam ser testados por examinadores rudimentares, até mesmo desleixados.

Acusar os comissários de terem produzido um teste de conhecimento esquerdista é elogio impossível. A prova é apenas burra.

Durante a ditadura, foi o rigor acadêmico do Ipea, associado a uma certa tolerância com o pensamento dissidente, que preservou o acervo intelectual de uma geração de economistas como Pedro Malan."

Escrito por Josias de Souza às 16h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição se arma para barrar Venezuela no Mercosul

Aprovado na Câmara, projeto acirra os ânimos do Senado

  Baptistão
O projeto de decreto legislativo que autoriza o ingresso da Venezuela no Mercosul vai atear fogo no Senado no início de 2009.

Na Câmara, a despeito de uma discreta oposição do PSDB e do DEM, a proposta passou com suavidade. Deu-se na última quarta (18).

Entre os senadores, o governo terá de arregaçar as mangas. Sob pena de ser surpreendido.

A oposição já esboça a barricada. "Somos contra", diz José Agripino Maia (RN), líder do DEM. "Faremos o que for necessário para impedir".

"Não vemos razões -nem políticas nem econômicas- que justifiquem a admissão da Venezuela no Mercosul", ecoa Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.

Para complicar, também um pedaço do PMDB, maior legenda do consórcio governista, torce o nariz para Hugo Chávez. À frente José Sarney (PMDB-AP).

Nessa matéria, Sarney não é um opositor negligenciável. Foi sob a presidência dele (1985-1990) que o Mercosul foi criado.

Na Câmara, a maioria do governo é folgada. No Senado, a derrubada da CPMF, em dezembro de 2007, mostrou que o Planalto não é imbatível.

As primeiras pedras no caminho de Hugo Chávez surgirão já no primeiro estágio da tramitação da proposta: a Comissão de Relações Exteriores.

Hoje, é presidida por Heráclito Fortes (DEM-PI). Em 2009, deve passar às mãos de Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Ambos se opõem ao ingresso da Venezuela.

Desde logo, planeja-se confiar a relatoria do projeto ao tucano Tasso Jereissati (CE), outro senador avesso à abertura das portas do Mercosul para a Venezuela.

O protocolo de adesão dos venezuelanos ao mercado comum foi assinado em julho de 2006, em Caracas. Precisa, porém, ser referendado pelos Legislativos.

Os congressos da Venezuela, da Argentina e do Uruguai já deram o OK. O do Paraguai ainda não votou. Mas prevê-se que será aprovdo. No Brasil, a tramitação está pelo meio.

No Senado, o governo talvez tenha de suar a camisa para evitar que os números lhe sejam adversos no painel eletrônico.

PS.: Ilustração via blog do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Globo: Projetos na Câmara criam 37 mil cargos por R$ 1,3 bi

- Folha: Em meio à crise, gás para indústria em SP subirá 19%

- Estadão: Governo tenta evitar que calote afete bancos

- JB: Um feliz Natal, apesar da crise

- Correio: Uso do cheque especial aumenta com a crise

- Valor: Petrobras confirma plano de US$ 31 bi para refinarias

- Gazeta Mercantil: Autopeças recebem R$ 3 bilhões do BB

- Veja: Darfur - À espera do Salvador

- Época: Talento & perseverança

- IstoÉ: Por que o ser humano é generoso

- IstoÉ Dinheiro: Ele também roubou seu dinheiro?

- CartaCapital: O triste fim de uma era

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cosa Nostra!

Millôr

Via sítio Millôr Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sarkozy fecha acordos na área da Defesa com Brasil

Eric Gaillard/Reuters

O presidente da França Nocolas Sarkozy desembarca no Brasil nesta segunda (22).

Vem para assinar contratos pré-negociados e celebrar acordos de cooperação.

Na área da Defesa há um par de negócios muito aguardado pelas Forças Armadas:

1. O primeiro prevê a construção, em parceria do Brasil com a França se submarinos.

Serão quatro submarinos convencionais e o casco do primeiro submarino com propulsão nuclear do Brasil.

Um detalhe distingue o negócio de transações anteriores, informa o ministério da Defesa.

O Brasil não está simplesmente comprando equipamento militar. Os submarinos serão construídos no país, com transferência de tecnologia francesa.

Não há, por ora, informações quanto ao custo da brincadeira.

2. O segundo contrato na área da Defesa envolve a Helibrás. É a única fábrica de helicópteros da América Latina.

Controlam-na o grupo francês Eurocopter e o governo de Minas Gerais.

A acerto prevê a fabricação de 50 helicopeteros -modelo EC-725 Cougar. Serão feitos no município mineiro de Itajubá.

Depois de prontas, as máquinas serão compradas pelo Ministério da Defesa. Vão equipar as Forças Armadas.

O custo, também neste caso, é uma incógnita.

De resto, Sarkozi e Lula vão assinar acordos de cooperação para tentar reprimir a exploração ilegal de ouro na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

Noutro acordo, fixarão as bases para a criação de um centro de estudos da biodiversidade na Amazônia e de um centro de cooperação policial.

Por último, os ministros da Educação do Brasil (Fernando Haddad) e da França (Xavier Darcous) assinarão acordo de parceria no ensino profissionalizante.

Escrito por Josias de Souza às 20h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Moacyr Scliar: 'Um pedido [de adulto] a Papai Noel'

 Orlandeli

Vai abaixo artigo do escritor gaúcho Moacyr Scliar, expoente da Academia Brasileira de Letras.

Trata de sonho, realidade e milagre. Um milagre natalino. É açúcar para o final de semana. 

"As crianças vêem o Papai Noel como um velhinho simpático, bonachão, que aparece uma vez por ano trazendo presentes.

Um adulto, se acreditasse em Papai Noel, pensaria de outra maneira. Pensaria no Papai Noel como uma figura real, claro, porque adultos de há muito deixaram para trás a imaginação infantil. E isso geraria muitas perguntas.

É casado, o Papai Noel? Se é casado, por que a mulher dele nunca aparece? E como será a mulher dele?

Uma mulher simpática, bonachona, dadivosa, uma verdadeira Mamãe Noel, ou quem sabe é uma megera, sempre disposta a brigar com o marido e a acusá-lo ("Não me venha com essa história que você passou a noite entregando brinquedos, que eu não acredito").

E filhos? Será que o Papai Noel tem filhos? E como será que esses filhos o vêem? Será que também o acusam, com frases tipo: "Meu pai se interessa por todos os filhos, menos por nós"?

E a vida cotidiana do Papai Noel, de que maneira transcorre? Diz a lenda que ele tem uma gigantesca fábrica de brinquedos no Pólo Norte.

Se isso é verdade, como está enfrentando a crise? Está mantendo a produção, ou vai dar férias coletivas para os empregados?

E como será o seu relacionamento com o sindicato da categoria? O que tem a dizer sobre a redução do IPI?"

Para continuar a leitura, pressione aqui...

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

'Caso vereadores': STF pede informações a Chinaglia

O STF solicitou a Arlindo Chinaglia (PT-SP) que explique o porquê de ter se recusado a assinar a promulgação da proposta que recria 7.343 vagas de vereadores.

O pedido de informações foi enviado ao presidente da Câmara pelo ministro Celso de Mello, decano do Supremo.

Esse é o primeiro despacho formal do ministro no mandado de segurança impetrado pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). A íntegra pode ser lida aqui.

Garibaldi pedira, por meio da Advocacia do Senado, que o STF lhe concedesse uma liminar.

Uma decisão provisória, que lhe permitisse promulgar imediatamente a proposta de emenda à Constitucição que amplia o número de vereadores no país. Proposta aprovada por ampla maioria no Senado

Porém, Celso de Mello entendeu que, antes de tomar qualquer decisão, é essencial ouvir as razões que inspiraram a recusa da Mesa da Câmara.

Como o Supremo entrou em recesso, a decisão pode ficar para fevereiro. Eis o que diz, em síntese, o despacho de Celso de Mello.

1. O mandado de segurança de Garibaldi é cabível. O passivo envolve uma questão constitucional. E cabe ao Supremo dirimir controvérsias dessa natureza.

Celso de Mello anotou: "Esse particular aspecto da controvérsia parece afastar o caráter 'interna corporis' do procedimento em questão..."

"...Legitimando-se, desse modo, o exercício, pelo Supremo Tribunal Federal, da jurisdição que lhe é inerente, em face da natureza jurídico-constitucional do litígio".

2. Quanto ao pedido de liminar, o ministro decidiu pautar-se pela "prudência". Considerou que é "altamente recomendável que se ouça previamente" a Câmara.

Daí o pedido de informações enviado a Chinaglia, que preside a Mesa diretora da Casa.

Celso de Mello esclareceu, de resto, que o deferimento do pedido de liminar "implicaria o esgotamento do próprio objeto" do mandado de segurança.

Em jurisdiquês, a linguagem dos advogados, é o que se chama de decisão "satisfativa".

Significa dizer que, se fosse atendido antes que a Câmara pudesse se manifestar, Garibaldi poderia promulgar a proposta dos vereadores.  

E não haveria mais o que ser discutido quando o Supremo fosse julgar o mérito da ação do Senado.

Um julgamento que precisa passar pelo pleno do tribunal, composto por onze ministros.

Não há no despacho de Celso de Mello referência a prazos para que a Câmara envie uma resposta ao STF.

O relator do caso é o ministro Carlos Alberto Direito, que já havia saído em férias quando o mandado de segurança de Garibaldi aportou no STF, nesta sexta (19).

Por isso o processo foi às mãos de Celso de Mello.

Escrito por Josias de Souza às 17h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Temer só perde na Câmara se houver 142 'traições'

Lula Marques/Folha

A dois meses da eleição para a presidência da Câmara, a contabilidade da disputa é francamente favorável ao candidato Michel Temer (PMDB-SP).

O deputado fechou a semana com o apoio declarado de 12 partidos. Além do PMDB, estão com Temer: PT, PSDB, DEM, PPS, PR, PTB, PV, PSC, PTC, PHS e PTdoB.

Juntas, essas legendas abrigam 398 deputados. Temer precisa de 257 votos para prevalecer já no primeiro turno. Sobram-lhe 141 votos.

Ou seja, para que Temer saia derrotado da sucessão de Arlindo Chinaglia (PT-SP), é preciso que haja 142 Silvérios do seu lado.

Como o voto é secreto, quem disser que põe a mão no fogo pelos aliados arrisca-se a sair chamuscado. Mas parece improvável que as traições cheguem a tanto.

Os dois principais adversários de Temer são Ciro Nogueira e Aldo Rebelo. Manejam os votos do PP e das legendas que integram o bloquinho: PCdoB, PSB, PDT, PRB e PMN.

Esses seis partidos somam 108 votos. Um quarto deputado, Osmar Serraglio (PMDB-PR) entrou na briga, como candidato "avulso", nesta sexta (19).

Para que Ciro, Aldo e Serraglio consigam empurrar a eleição para o segundo round, precisam angariar 258 votos.

Na ponta do lápis, teriam de pescar 150 traidores nas legendas que se acertaram com Temer. De resto, precisariam assegurar a fidelidade de 100% os seus aliados.

Temer se diverte: "Meus adversários falam das traições a que estou sujeito. E não contam com nenhuma traição do lado deles".

Precavidos, os estrategistas de Temer trabalham com uma espécie de "índice de traição". Fixaram-no em 30%.

Aplicando-se o índice ao cesto de votos de Temer (398), chega-se a uma traição potencial de 120 deputados.

Subtraindo-se esse contingente de quintas-colunas dos quadros dos 12 partidos fechados com Temer, ainda sobrariam 278 votos.

Ainda que se confirmasse essa torrente de traições, Temer ainda somaria 21 votos além do mínimo necessário de 257.

Os adversários de Temer enxergam no PT e no DEM os dois maiores ninhos de Judas do candidato favorito.

A bancada do PT soma 80 votos. Ciro Nogueira estima que vai pescar 40 votos na bancada do DEM. Façam-se as contas: 80 + 40 = 120.

Supondo-se que toda a bancada do PT traísse Temer e que Ciro conseguisse atrair a simpatia de quatro dezenas de 'demos', ainda não se chegaria às 142 defecções necessárias para arrancar a vitória de Temer.

Os adversários de Temer vão à disputa pendurados na aposta da traição. O candidato do PMDB vai à eleição com o apoio institucional da maioria dos partidos.

Organizada como um superbloco, a locomotiva de Temer negocia a repartição dos demais cargos da Mesa diretora da Câmara.

Algo que ajuda a amarrar os votos. Por exemplo: na última quinta (18), negociadores do PT fecharam com Temer a participação da legenda na mesa.

Para a vaga de primeiro-vice presidente, indicou-se Marco Maia (PT-RS). Para o posto de terceiro-secretário, Odair Cunha (PT-MG).

Nesse encontro, que contou com a presença do líder do PT, Maurício Rands (PE), o partido de Lula tratou de tranqüilizar Temer. O petismo jura que não vai trair.

Por duas razões: 1) A eleição de Temer interessa a Lula; 2) Ao PT não interessa criar desavenças com o PMDB, espécie de "namoradinha" de 2010.

Três dias antes, Temer estivera com o próprio Lula. Ouviu dele a seguinte frase: "Ô, Temer, não tenha a menor preocupação. O PT inteiro vai votar com você. Interessa para o governo".

Algo que destoa de comentários que lideranças do PSB dizem ter ouvido do presidente, que teria condicionado a fidelidade a Temer ao comportamento do PMDB no Senado.

De resto, a cúpula do DEM assegura a Temer que, na seara 'demo', as traições não passarão de dez. A direção do PSDB conta em três os traidores.

A se confirmar esse quadro, o jogo estaria jogado. Para que a taça seja arrancada da mão de Temer, os partidos teriam de se revelar aglomerados de trapaceiros.

Escrito por Josias de Souza às 04h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Globo: Lula: país não precisa de mais sete mil vereadores

- Folha: Bush socorre montadoras com US$ 17 bi

- Estadão: Lula diz que juros vão baixar no início do ano

- JB: Chuva deixa 30 mil desalojados no Rio

- Correio: Distritais criam bairro chique só para servidor

- Valor: Petrobras confirma plano de US$ 31 bi para refinarias

- Gazeta Mercantil: Autopeças recebem R$ 3 bilhões do BB

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Casa de Horrore$!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Repórter da Globo dá tapa em entrevistado, ao vivo

A moda da "sapatada" ainda não pegou no Brasil. Mas o repórter Márcio Canuto, da Globo, deu um tapa na cara de um entrevistado.

Deu-se em São Paulo, defronte do hotel que hospeda Madonna. O repórtern entrevistava um fá da cantora, vindo de Fortaleza.

A idolatria por Madonna custara-lhe a demissão. Canuto perguntou: "E o emprego?" O entrevistado: "Que se foda".

Sobreveio o tapa do repórter no entrevistado. Ouvida, a Globo minimizou o episódio:

"O repórter Márcio Canuto é conhecido pela informalidade em suas reportagens. A TV Globo entende que o repórter em nenhum momento ofendeu ou usou de violência".

Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 02h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

O voto de cada senador no 'projeto dos vereadores'

Apenas seis senadores ousaram acomodar o interesse do contribuinte acima da conveniência dos vereadores.

Na votação da proposta que recriou 7.343 vagas nas câmaras municipais, anotaram "não" no painel eletrônico:

1) Álvaro Dias (PSDB-PR); 2) Cristovam Buarque (PDT-DF); 3) Kátia Abreu (DEM-TO); 4) João Pedro (PT-AM); 5) Raimundo Colombo (DEM-SC); e 6) Tião Viana (PT-AC).

Os outros senadores presentes à sessão votaram "sim". Gilvan Borges (PMDB-AP), que pressionara a tecla "abstenção", foi ao microfone para retificar o voto: "sim".

Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, ambos do PT de São Paulo, criticaram a ausência de imposição de limites para as despesas das câmaras municipais.

Na hora de votar, porém, a dupla disse "sim". A votação foi feita em dois turnos. Houve senadores que votaram apenas num round.

Na turma do "não", por exemplo, Álvaro Dias só votou no primeiro turno. Cristovam, só no segundo.

Na turma do "sim", Renan Calheiros só deu as caras no painel na rodada final.

A lista abaixo, organizada por Estado, traz os nomes de todos os senadores que ajudaram a aprovar a proposta no segundo turno (58 no total).

O signatária do blog optou por essa lista por que ela é mais completa do que a do primeiro turno. Eis os nomes da turma do "sim":

1. Alagoas: Ada Mello (PTB) e Renan Calheiros (PMDB);

2. Amazonas: Arthur Virgílio (PSDB) e Jefferson Praia (PDT);

3. Amapá: Gilvam Borges (PMDB) e Papaléo Paes (PSDB);

4. Bahia: Antônio Carlos Junior (DEM) e César Borges (PR-BA);

5. Ceará: Inácio Arruda (PCdoB), Patrícia Saboya (PDT) e Tasso Jereissati (PSDB);

6. Distrito Federal: Adelmir Santana (DEM) e Gim Argello (PTB):

7. Espírito Santo: Gerson Camata (PMDB), Magno Malta (PR) e Renato Casagrande (PSB);

8. Goiás: Demóstenes Torres (DEM), Lúcia Vânia (PSDB) e Marconi Perillo (PSDB);

9. Maranhão: Roseana Sarney (PMDB);

10. Mato Grosso: Serys Slhessarenko (PT), Gilberto Goellner (DEM) e Jayme Campos (DEM);

11. Mato Grosso do Sul: Delcídio Amaral (PT) e Valter Pereira (PMDB);

12. Minas Gerais: Eduardo Azeredo (PSDB) e Wellington Salgado (PMDB);

13. Pará: Flexa Ribeiro (PSDB) e José Nery (PSOL);

14. Paraíba: Cícero Lucena (PSDB);

15. Paraná: Flávio Arns (PT) e Osmar Dias (PDT);

16. Pernambuco: Marco Maciel (DEM);

17: Piauí: Heráclito Fortes (DEM), João Vicente Claudino (PTB) e Mão Santa (PMDB);

18. Rio de Janeiro: Francisco Dornelles (PP), Marcelo Crivella (PRB) e Paulo Duque (PMDB);

19. Rio Grande do Norte: José Agripino (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM);

20. Rio Grande do Sul: Paulo Paim (PT), Pedro Simon (PMDB) e Sérgio Zambiasi (PTB);

21. Roraima: Augusto Botelho (PR), Mozarildo Cavalcanti (PTB) e Romero Jucá (PMDB);

22. Rondônia: Expedito Júnior (PR), Fátima Cleide (PT) e Valdir Raupp (PMDB);

23. Santa Catarina: Ideli Salvatti (PT) e Neuto do Conto (PMDB);

24. São Paulo: Aloizio Mercadante (PT) e Eduardo Suplicy(PT);

25. Sergipe: Antônio Carlos Valadares (PSB) e Virgílio de Carvalho (PSC);

26. Tocantins: João Ribeiro (PR) e Leomar Quintanilha (PMDB).

O placar a favor da emenda só não foi mais elástico por que houve 19 ausências.

Vale recordar: A proposta que recria 7.343 vagas de vereador havia sido votada na Câmara em 28 de março.

Entre os deputados, apenas dez se animaram a votar contra. Houve 359 votos a favor. Anotaram-se quatro abtenções.

O texto da Câmara incluía um artigo que reduzia as despesas das prefeituas com as câmaras de vereadores.

No Senado, esse pedaço do texto foi suprimido. Converteu-se num projeto à parte, chamado tecnicamente de "PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Paralela". Para ser votada sabe Deus quando.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senado leva ao STF a ação do caso dos vereadores

Como prometido por Garibaldi Alves, a Advocacia do Senado levou ao STF, nesta sexta (19), um mandado de segurança contra decisão da Câmara.

Garibaldi quer obrigar, pela via judiciária, Arlindo Chinaglia a assinar a promulgação do projeto que recria 7.343 vagas de vereador no país.

O principal argumento do Senado, exposto no mandado de segurança levado ao Supremo, é o seguinte:

"Admitir que a Mesa da Câmara possa limitar o poder decisório do Senado é desequilibrar o sistema bicameral do legislativo brasileiro".

Deputados e senadores estão de acordo quanto à ampliação das câmaras municipais. A divergência diz respeito ao custo da novidade.

A Câmara injetara no projeto um artigo que reduz as despesas das prefeituras com os legislativos municipais.

No Senado, esse artigo foi arrancado da proposta. E passou a tramitar em projeto separado, sem data para a votação.

Sob a presidência de Chinaglia, a Mesa da Câmara decidiu não assinar o ato que promulgaria o projeto, convertendo-o em lei.

Daí o mandado de segurança do Senado. Um recurso que foi à mesa do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Garibaldi tem pressa. Mas Menezes Direito não tem prazo pare decidir.

Escrito por Josias de Souza às 21h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Descarte de remédio pode contaminar meio ambiente

Escrito por Josias de Souza às 20h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Serraglio desafia PMDB e entra na briga da Câmara

Alan Marques/Folha

No entra-e-sai da disputa da Câmara, surgiu um novo postulante à presidência.

Osmar Serraglio (PMDB-PR) retirou sua candidatura do armário nesta sexta (19).

O ex-relator da CPI dos Correios vai à disputa em situação dicotômica.

Tomado pelo número de votos, Serraglio é, por assim dizer, um franco-azarão.

Observado pelo ângulo do discurso, merece um naco de atenção da platéia.

O deputado diz que se distinguirá dos rivais pela qualidade da proposta.

Defende uma funda reestruturação da Câmara. Fala em "nova dinâmica".

Diz coisas assim: "Temos que agilizar o processo [legislativo]"...

"...Precisamos produzir menos leis, mais inteligentes e mais eficazes".

Contabiliza em 10.600 os projetos que transitam pelos escaninhos da Câmara.

Desse total, algo como 500 estão prontos para ir ao voto, em plenário.

Serraglio acha que se deveria instituir um sistema de acompanhamento das leis aprovadas pelo Congresso.

De resto, tenta justificar a rebeldia que o faz um insurreto dentro do PMDB de Michel Temer.

Diz que a eventual eleição de Temer submeteria a Câmara ao risco de uma crise.

Por que? Temer será ator no enredo de 2010. E Serraglio acha que o mandachuva da Câmara deveria ficar fora dessa peça.

"O presidente da Câmara não pode entrar no debate de uma futura eleição presidencial..."

"...Eu acho que deve ficar de fora, afinal qual é o quadro? Temos o Serra e a Dilma..."

"...O PMDB de São Paulo já fez sua opção pelo Serra. Se temos tudo à mão para evitar essa polêmica, por que não evitar?"

Pode-se concordar ou discordar de Serraglio. Mas ele não é personagem que mereça a indiferença.

A graça de virar presidente da Câmara ele talvez não consiga alcançar.

Mas, com alguma sorte, talvez consiga produzir o milagre de introduzir na disputa o debate. Coisa, por ora, sonegada à platéia.

Escrito por Josias de Souza às 20h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jornalista ucraniano joga bota em autoridade da Otan

  Reprodução
Oleg Soskin, diretor de um instituto ligado à Otan, acabara de discursar.

Falara na inauguração de um centro de informação. Descia do palanque quando...

Subitamente, foi agredido pelo repórter Igor Dimitriev, a serviço de uma TV ucraniana.

O ataque foi, primeiro, verbal. Em timbre grosseiro, o jornalista vociferou:

"Vejo aqui tantas meninas bonitas. Por que vocês gastam seu tempo escutando esses homossexuais velhos, carecas e estúpidos?..."

"...Agora vou ensinar o que é preciso fazer com esses palhaços".

Levou as mãos ao pé, descalçou uma bota e atirou-a na direção de seu alvo.

A exemplo de Bush, brindado com um par de sapatos dias atrás, Oleg Soskin desviou-se da bota.

O repórter foi arrancado da sala pelos seguranças, sob gritos.

Depois, disse que recorreu à bota para "devolver à política mundial o tema do sapato."

Um tema que, segundo ele, foi trazido à "arena internacional" não por Muntazer al-Zaidi, o repórter iraquiano, mas por "Nikita Kruschev".

Referia-se ao gesto do velho líder soviético, que, ao discursar na ONU, bateu com o sapato na bancada.

Como definir o sujeito? Sem dúvida um revolucionário. Revolucionário da molecagem.

O signatário do blog tomou uma decisão. Quando convidado a participar de entrevistas, irá descalço.

Primeiro, para tranqüilizar a autoridade. Segundo, para não cair em tentação.

Escrito por Josias de Souza às 19h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Malha fina da Receita pescou 361.451 contribuintes

Divulgação

No ano da graça de 2008, a malha fina do fisco pescou 361.451 declarações.

O número é alto. Mas no ano passado havia 118.261 a mais no rol dos encalacrados.

Na maior parte dos casos, a Receita fiscou contribuintes por duas razões:

1. Omissões de rendimentos (44,07%);

2. Divergências do IR retido na fonte (30,78%).

A encrenca poderia ter sido maior. Inicialmente, retiveram-se 906.046.

Porém, informados, muitos contribuintes se acertaram com o fisco. E foram liberados.

Foi à rede bancária, nesta semana, o 7º e último lote de restituição do IR.

Se você achava que tinha dinheiro a receber e a grana não pingou na conta, convém acordar.

Esse ardor que você está sentindo entre a cabeça e o tronco pode ser a corda a roçar-lhe o pescoço.

PS.: Ilustração via "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas".

Escrito por Josias de Souza às 18h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula jura que não falou com Dilma sobre a sucessão

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Nada mais escorregadio, nada mais traiçoeiro do que a entrevista coletiva.

A entrevista não é senão uma sucessão de poses e de máscaras.

Às vezes, exagera-se. Tome-se o caso de Lula. Falou aos jornalistas nesta sexta (19).

Foi uma entrevista-café. Cerca de uma hora e meia. Coisa descontraída.

Lero vai, lero vem a conversa estacionou em Dilma Rousseff, a dodói de Lula.

O presidente fez pose: jura que ainda não escolheu a ministra como sua candidata.

Depois, máscara na face, disse que nem mesmo conversou com Dilma a respeito.

Ao comentar as pesquisas que o acomodam nas nuvens, Lula fez mais pose.

Disse que não se deixa seduzir pela popularidade. Difícil de acreditar, ele admite:

"Se eu disser que sou insensível às pesquisas, vocês não precisam acreditar".

Terceiro mandato? "Não trabalho com essa hipótese absurda."

Torça-se para que, ao menos neste caso, não seja mais uma pose.

Volta em 2014? Não, não. Nem Planalto nem Senado. Máscara, não há dúvida.

Falou da brigalhada pelas presidências da da Câmara e do Senado.

Na Câmara, receia que o excesso de candidaturas produza um desastre à Severino.

No Senado, torce o nariz para o vaivém do PMDB e para a recandidatura de Garibaldi.

Quando a conversa evoluiu para a economia, disse que logo virão novas medidas.

Quais? Não quis informar. Sua preocupação é o PIB do próximo ano.

Súbito, relaxou a pose, deixou escorregar, por um átimo de segundo, a máscara.

Admitiu estar preocupado com o que está por vir no primeiro trimestre de 2009.

Desaconcelhou a adesão à histeria econômica. Não se deve "ter medo de especulação".

O "povo brasileiro", afirmou, deve "ter esperança que nós iremos vencer mais uma".

Voltou a fazer piada com a desdita do companheiro Bush.

Disse que, se a moda pega no Brasil, jogaria sapatos em jornalistas inconvenientes.

Depois, gargalhou. E ajeitou: "Não jogaria sapato em ninguém".

Lula estava leve. Tirou fotos dos repórteres. O riso lhe saía frouxo. Chega ao final de 2008 de bem com a vida.

Quer tirar uns dez dias de férias. Antes, aguarda por informações sobre a saúde do vice, que voltou ao leito do hospital.

Escrito por Josias de Souza às 17h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

Globo: Senado ignora a crise e aprova na madrugada pacote de gastos

- Folha: Lula não vê motivos para demissões nas empresas

- Estadão: Orçamento corta R$ 4,8 bi do PAC

- JB: Maia é obrigado a cancelar sua festa

- Correio: Condomínios entram na lei

- Valor: Petrobras confirma plano de US$ 31 bi para refinarias

- Gazeta Mercantil: Autopeças recebem R$ 3 bilhões do BB

- Estado de Minas: Farra termina antes de começar

- Jornal do Commercio: HR sem solução

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Padrasto Noel!

Paixão

Via Gazeta do Povo. 

Escrito por Josias de Souza às 03h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula receia que parte do PT 'traia' Temer na Câmara

Lula Marques/Folha

Lula foi informado previamente de que Aldo Rebelo (PCdoB-SP) entraria na briga pela presidência da Câmara.

A novidade chegou ao presidente por meio de um expoente do PSB. Lula levou o pé atrás. Manifestou simpatia pela candidatura de Michel Temer (PMDB-SP).

A conversa evoluiu para uma análise da conjuntura do Congresso. O interlocutor de Lula mencionou o risco que uma dupla vitória do PMDB representaria para o governo.

Referia-se à insistência do partido de Temer de reivindicar o comando das duas Casas legislativas. O tema é caro ao presidente.

Lula acha que, no Senado, o PMDB deveria abrir espaço para o petista Tião Viana (AC). Mas e se eles insistirem na candidatura própria?

Diante da pergunta, Lula saiu-se com um comentário sintomático: "Se isso acontecer, o Temer pode não ter nem cinco votos do PT".

A bancada de deputados do PT soma 80 votos. O vaticínio de Lula soou exagerado. Mas a hipótese de traição converteu-se em estratégia do grupo de Aldo.

Sobretudo depois que os sendores do PMDB abraçaram a candidatura reeleitoral de Garibaldi Alves (RN). Um primo de Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara e lugar-tenente de Temer.

O núcleo de apoio de Aldo é o bloquinho (PSB, PCdoB, PDT, PRB e PMN). São todos partidos governistas.

Dois deles -PSB e PCdoB- são velhos aliados de Lula e do PT. E passaram a cortejar petistas insatisfeitos com a gula do PMDB.

A tentativa de sedução concentra-se, por ora, em dois nichos do PT: o petismo do Nordeste e o naco da bancada paulista ligado a Marta Suplicy.

Aldo foi vice na chapa de Marta na campanha à prefeitura de São Paulo. Uma disputa em que o PMDB de Orestes Quércia freqüentou o palanque do rival Gilberto Kassab (DEM).

Aposta-se que as rusgas da eleição paulistana renderão votos a Aldo. De resto, tenta-se atrair descontentes do pedaço nordestino da bancada do PT.

Uma gente que estaria insatisfeita com os rumos da parceria PMDB-PT. Primeiro porque o acordo privilegiaria os interesses do petismo de São Paulo, origem de Arlindo Chinaglia.

Em segundo lugar, porque o PT do Nordeste flerta com a tese de que a vitória de Temer joga azeitona na empada do tucano José Serra.

Diz-se que, para 2010, Temer estaria muito mais próximo de um acerto com o tucanato do que com Dilma Rousseff, a candidata de Lula.

Há ainda a interferência de problemas paroquiais. Por exemplo: na Bahia, o PT do governador Jaques Wagner estranha-se com o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima, um velho amigo de Temer. Daí para a traição na Câmara, é um pulo.

Aldo entrou na disputa, em princípio, para tentar empurrar para um segundo turno contra Temer o amigo Ciro Nogueira (PI), candidato do PP.

Hoje, porém, o bloquinho já acalenta o sonho de acomodar o próprio Aldo, não Ciro, no segundo turno.

A estratégia do grupo sofreu um revés nesta quinta (18): 24 horas depois de ter oficializado sua candidatura, o deputado Milton Monti (PR-SP) deu meia-volta.

Foi pressionado pela direção do PR, que fechou com Temer a manutenção de Inocêncio Oliveira (PR-PE) na segunda-vice-presidência da Câmara.

A saída de Monti e, pior, a adesão dele a Temer, faz decrescer as chances do segundo turno. 

Aldo e Ciro estimulam o surgimento de novas candidaturas. Torcem para que Osmar Serraglio (PMDB-SP), que há meses ameaça entrar na briga, retire suas pretensões do armário nas próximas horas.

Escrito por Josias de Souza às 03h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Anatel aprova a compra da 'Brasil Telecom' pela 'Oi'

Como previsto, levantou vôo a BrOi -resultado da absorção da Brasil Telecom pela Oi.

Nas pegadas da assinatura do decreto de Lula, a Anatel aprovou a operação.

Deu-se nesta quinta (18), penúltimo dia útil antes de uma data fatal.

Venceria no domingo (21) o prazo para a regularização do negócio.

A decisão da Anatel livrou a Oi do pagamento de uma multa de R$ 490 milhões.

É quanto a empresa teria de entregar a acionistas da BrT se a Anatel não desse o OK.

O surgimento da supertele depende agora apenas da anuência do CADE.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica não há de criar problemas.

É o que se deduz da boa vontade com que o governo trata os barões da telefonia.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Garibaldi decide recorrer ao STF contra Chinaglia

Antônio Cruz/ABr

Transformou-se em passivo judicial o impasse político em torno do projeto que recria 7.343 cadeiras de vereador no Brasil. Coisa aprovada pelo Senado de madrugada.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), decidiu recorrer ao STF contra o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Garibaldi já deu ordens à Advocacia do Senado para que prepare a ação, um mandado de segurança. Será protocolado nesta sexta (19).

Em telefonema a Gilmar Mendes, presidente do Supremo, Garibaldi informou acerca do impasse. E esclareceu a natureza da ação que será ajuizada.

A petição vai incluir um pedido de liminar. Garibaldi deseja obter do Supremo decisão que lhe permita promulgar imediatamente o projeto que recriou os postos de verador.

Algo que pretendia fazer já nesta quinta (18), não fosse o fato de Chinaglia ter se recusado a assinar a promulgação.

Garibaldi acaba de comunicar sua deliberação também ao plenário do Senado. "Tomei essa decisão levando em cosideração precendetes do próprio Supremo e do Congresso".

Citou dois casos: "a reforma do Judiciário e a da Previdência". Propostas que, a exemplo do projeto dos vereadores, foram aprovadas no Senado com supressões em relação ao que viera da Câmara.

Para Garibaldi, "considerar que a Mesa de qualquer uma das Casas Legislativas possa recusar-se a promulgar uma emenda regularmente aprovada é conceder um verdadeiro poder de veto."

Um poder que, no dizer de Garibaldi, "não é previsto constitucionalmente".

Curiosamente, a encrenca dos vereadores nasceu no Judiciário, em 2004. Primeiro, no STF. Depois, no TSE.

Os dois tribunais decidiram reduzir o número de vereadores no país. Sob críticas dos congresistas, que acusaram o Judiciário de "legislar".

Agora, envolto numa atmosfera de crise, o Congresso vai bater às portas do Judiciário que criticara.

Um detalhe deixou Garibaldi especialmente abespinhado: Chinaglia não se dignou a lhe dar um mísero telefonema antes de anunciar que não assinaria a promulgação do prejeto dos vereadores.

Chinaglia fez mais e pior, na opinião de Garibaldi: deixou de atender aos telefonemas dele, disparados durante a manhã desta quinta.

Só no período da tarde, "quando o fato já estava consumado", Chinaglia se dignou a trocar com Garibaldi meia dúzia de palavras.

Escrito por Josias de Souza às 19h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fundo Soberano ficou sem fundos para o ano de 2009

Lula Marques/Folha

Aproveitando-se de um conchilo do governo, a oposição barrou, nesta quinta (18), a aprovação de um projeto que destinava R$ 14,2 bilhões ao Fundo Soberano.

Com isso, o Orçamento da União para o exercício de 2009 foi aprovado sem que o dinheiro fosse canalizado para o fundo, como pretendia o Planalto.

"O Fundo Soberano ficou sem fundos", disse ao blog o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Ouvido pelo repórter, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) reagiu: "Estão tranformando uma questão essencial para o Brasil em mera disputa política".

De madrugada, em meio a uma sessão tensa, o governo prevalecera sobre a oposição na votação do Senado que sacramentou a criação do Fundo Soberano.

Faltava, porém, destinar ao fundo os R$ 14,2 bilhões resultantes de uma poupança extra que o governo diz ter feito ao longo de 2008.

Terminada a batalha noturna, foi a voto, já na manhã desta quinta, a proposta de Orçamento da União para 2009.

O governo enganchara nessa proposta um outro projeto de lei (PL 54/2008), que fornia o Fundo Soberano com os R$ 14,2 bilhões.

O problema é que a tropa governista não deu as caras no plenário. Aproveitando-se do cochilo, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), mostrou as armas.

Se o consórcio governista insistisse em levar o projeto 53 a voto, o tucanato pediria a contagem dos congressistas presentes -verificação de quorum, no jargão parlamentar.

A sessão era conjunta, com deputados e senadores. O vazio do plenário saltava aos olhos. Se a verificação de presença fosse feita, a sessão cairia.

Sentindo o cheiro de queimado, o governo teve de recuar. Preferiu retirar o projeto que destinava recursos ao Fundo Soberano a vê-lo derrotado.

"De madrugada, eles aprovaram o Fundo no Senado, na base da truculência. De manhã, dormiram na sessão do Congresso", ironizou Sérgio Guerra.

"A falta de quorum era evidente", reconheceu Aloizio Mercadante. "É um problema crônico nas votações de Orçamento, feitas no final do ano". Como resolver o problema?

Ouça-se Mercadante: "O governo saberá como agir. Reiniados os trabalhos, no ano que vem, a gente aprova na Comissão de Orçamento e leva de novo ao plenário".

Escute-se agora Sérgio Guerra: "O governo pode cair na besteira de editar uma medida provisória. Mas o STF já nos deu ganho de causa em duas ações. Créditos suplementares não podem ser feitos por medida provisória".

Por ora, o que há de concreto é que faltam fundos ao recém-criado Fundo Soberano. Dinheiro que o governo considera essencial para atenuar os efeitos da crise.

"As pessoas não se deram conta da gravidade da crise internacional e do impacto que ela terá na economia brasileira", preocupa-se Mercadante.

"Já estamos assistindo às férias coletivas e às demissões, que chegam em volume não-desprezível. Estamos ouvindo o apito da panela de pressão".

Mercadante repisa algo que dissera de madrugada, na sessão de votação do Fundo Soberano:

"Esses R$ 14,2 bilhões vão ter que ir para o investimento. Como caiu a dívida pública para 35,5% do PIB, nós temos alguma margem fiscal..."

"Podemos ver quais são os projetos com maior capacidade de multiplicar a atividade econômica. Principalmente os de logística e infra-estrutra...

"...Se conseguirmos manter esses investimentos na crise, destinando os recursos para setores que têm grande impacto no nível de atividade econômica, vamos amenizar a crise e preparar o país para o futuro".

Escrito por Josias de Souza às 19h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Adiada a recriação de 7.343 'cadeiras' de vereador

Divulgação

Espanto, surpresa, estupefação: a Câmara tomou uma decisão maiúscula. Chutou o balde, por assim dizer.

Reunida nesta quinta (18), a Mesa diretora da Câmara negou-se a assinar a promulgação da emenda que recria 7.343 vagas nas câmara de vereadores.

Aprovada no mês passado pela própria Câmara, a proposta fora referendada nesta madrugada pelo Senado.

Ao término da votação, sob palmas de galerias apinhadas de suplentes de vereador, Garibaldi Alves, o presidente do Senado, proclamara:

"O projeto será promulgado nesta quinta-feira". Deu chabu.

Os senadores extirparam da proposta um artigo que viera da Câmara. Reduzia os gastos das câmaras municipais em cerca de R$ 1,5 bilhão.

Em reação, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e os demais integrantes da Mesa negaram-se a apor o jamegão no ato de promulgação.

Para os deputados, a alteração feita pelos senadores, por relevante, precisa ser submetida a nova votação na Câmara.

No momento, senadores desancam deputados em discursos no plenário. Disse, por exemplo, Expedito Filho (PR-R):

"não podemos permitir que a Câmara rasgue o que aprovamos aqui. Os vereadores saíram daqui com a felicidade de menino que ganha pirulito. Roubaram o pirulito".

Relator do projeto dos vereadores, César Borges (PR-BA) ecoou o colega: "Realmente, é um desrespeito ao Senado o que o presidente da Câmara está fazendo".

Mão Santa (PMDB-PI) bateu abaixo da linha da cintura: "O Luiz Inácio disse que tinha 300 picaretas na Câmara. Acho que aumentou".

Referindo-se ao petista Chinaglia, o senador acrescentou: "Na época do escândalo do mensalão, o Luiz Inácio disse que estava rodeado de aloprados. Ôoooo verdade!"

Enquanto perdurar a briga entre senadores e deputados, o contribuinte estará a salvo. A viúva voltará à alça de mira no instante em que eles chegarem a um acordo.

Vida longa à desavença.

PS.: Ilustração via "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas".

Escrito por Josias de Souza às 17h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Com 3 meses de atraso, Câmara dá adeus ao 'infiel'

Lula Marques/Folha

Se dependesse apenas de Arlindo Chinaglia e Cia., a ampulheta engoliria toda a água do mar e o deputado cassado Walter Brito continuaria flanando pela Câmara.

O paraibano Brito, 26 anos, era suplente. Veio a Brasília graças à renúncia do titular, Ronaldo Cunha Lima, o encrencado pai do não menos encalacrado governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Pois bem, Brito era filiado ao DEM, uma legenda tratada a pão e água pelo governo. Decidiu pular a cerca.

Foi ao colo macio do PRB, um partido que já nasceu no berço de ouro governista. Traído, o DEM foi aos tribunais. Pediu que lhe fosse devolvido o mandato do infiel.

Julga daqui, recorre dali, o TSE decidiu, em 23 de março: Brito teria mesmo de devolver a cadeira de deputado aos 'demos'.

Desde então, o suplente do suplente, um tal de Major Fábio (DEM-PB), aguarda pelo dia da sua posse. E nada.

Em 4 de setembro, o TSE enviou ofício a Chinaglia. Lembrou-o de que teria de dar adeus a Walter Brito e boas vindas ao Major Fábio.

Só nesta quinta (18), premido por uma intimação, Chinaglia decidiu se coçar. Com três meses e 14 dias de atraso, levou o assunto à Mesa diretora da Câmara.

E o suplente Brito foi devolvido à Paraíba. Alvíssaras. Uma novela a menos no entulho em que se converteu o noticiário político.

Escrito por Josias de Souza às 16h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aprovado pelo Senado, Fundo Soberano vai à sanção

  Moreira Mariz/Ag.Senado
Sob atmosfera tensa, o Senado aprovou, às 4h47 desta quinta (18), o projeto que cria o "Fundo Soberano".

Como já havia sido aprovado pela Câmara, o projeto vai à mesa de Lula, para a sanção.

Com isso, o governo poderá dispor, em 2009, de R$ 14,2 bilhões.

Dinheiro que vem de um alegado excesso do superávit primário.

Relator da proposta no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que essa poupança extra será convertida em investimentos. Uma forma de atenuar os efeitos da crise.

Se a oposição tivesse prevalecido, o dinheiro teria de ser usado obrigatorimente para abater os juros da dívida pública.

Os oposicionistas PSDB e DEM tentaram obstruir a votação. Pediram que fosse verificado o quorum da sessão.

O governo levou ao painel eletrônico o número de senadores necessário ao prosseguimento da votação.

Em minoria, a oposição assistiu à aprovação numa votação simbólica dos líderes. O PSDB enganchou na proposta cinco emendas.

A bancada governista rejeita-as em bloco. Sem debates. Se ao menos uma delas houvesse sido aprovada, o projeto teria de voltar à Câmara.

E não haveria tempo para que os deputados aprovassem as alterações do Senado antes do recesso legislativo de fim de ano.

Incomodado com o ritmo de toque de caixa, Tasso Jereissati (PSDB-CE) alfinetou Mercadante.

Autor de uma emenda que propunha a alteração da natureza do fundo -de privado para público-Tasso perguntou a Mercadante por que opinara pela rejeição.

Mercadante insinuou que a oposição não manifestara interesse em aperfeiçoar a proposta em fases anteriores.

De resto, o senador petista disse que, sem tempo para fazer uma nova votação na Câmara, não restava ao governo senão evitar alterações no Senado.

Tasso subiu nas tamancas. Tachou de "falso" o discurso de Mercadante. Disse que, por trás do caráter privado do fundo, escondem-se segundas intenções.

"O governo terá recursos abundantes fora do Orçamento, sem controle e fiscalização, para investir da maneira e da forma que queira, inclusive em período eleitoral..."

"...Se é privado, não precisa seguir a lei eleitoral. Isso tudo é uma desfaçatez. Não confio mais na seriedade do governo e dos seus líderes. Não contem mais comigo para coisa nenhuma".

Mercadante muniu-se de panos quentes. Disse que o debate pode ser retomado no ano que vem.

Postando-se ao lado de Tasso, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), disse, em timbre ameaçador: "Esse não é o nosso último encontro..."

"...Haverá outras votações. Se quisermos, podemos obstruir tudo. Aqui no plenário e nas comissões".

Escrito por Josias de Souza às 05h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De madrugada, Senado cria 7.343 vagas de vereador

Projeto será promulgado nesta 5ª e já vale para janeiro de 2009

Lula Marques/Folha

Em votação concluída às duas e meia da madrugada desta quinta (18), o Senado aprovou o projeto que cria 7.343 novas cadeiras de vereador no país.

Foi ao lixo uma conquista de 2004. Naquele ano, nas pegadas de uma decisão do STF, o TSE reduzira o número de vereadores no Brasil de 59.267 para 51.924.

Os senadores votaram sob pressão das galerias, apinhadas de suplentes de vereadores. Suplentes que, convertidos em titulares, assumem em janeiro.

Um dos argumentos usados pelos senadores para recriar as vagas foi o de que o Judiciário reduzira o número de vereadores, mas não mexera nos gastos.

Um problema que seria facilmente solucionado se, em vez de ressuscitar vereadores, o Congresso reduzisse o percentual de gastos das câmaras municipais.

Deu-se, porém, o oposto. Na versão aprovada pelos deputados federais, o projeto continha um artigo que podava as despesas das prefeituras com os vereadores.

Atrelava-se o custo das câmaras a percentuais de receita das prefeituras. No Senado, o relator César Borges (PR-BA) passou esse artigo na lâmina.

Alegou que a redução, por expressiva, inviabilizaria o funcionamento de muitas câmaras de vereadores.

Aloizio Mercadante (PT-SP) ainda tentou injetar no projeto uma emenda que limitava os gastos com vereadores ao montante dispendido em 2008.

Seguiu-se uma chiadeira generalizada. Alegou-se ora que a emenda não poderia ser inserida em plenário ora que a modificação devolveria o projeto à Câmara.

E a emenda de Mercadante foi retirada. Diz-se que voltará a ser discutida no ano que vem, depois do recesso natalino do Legislativo.

Em tese, a supressão de um artigo, feita por César Borges, forçaria o retorno da proposta à Câmara. Mas o Senado deu de ombros.

Sob a alegação de que a essência da proposta permaneceu inalterada, decidiu-se promulgá-la já nesta quinta (18), convertendo-a em lei.

Houve outras anomalias. A recriação das cadeiras de vereador veio na forma de uma emenda à Constituição. Coisa que exige votação em dois turnos.

O primeiro turno exigiria a realização de cinco sessões, em dias alternados. O segundo, demandaria a realização de mais três sessões.

Pois bem, mediante acordo de lideranças, os senadores realizaram as oito sessões numa única madrugada, com intervalos de escassos três minutos entre uma e outra.

Alegou-se que a ressurreição dos postos de vereador era um imperativo. Por que? A decisão do Judiciário teria deformado o sistema representativo nos municípios. Lorota.

A inspiração é de outra. Vereador funciona no município como cabo eleitoral de deputados e senadores. Daí o ritmo frenético e o placar generoso.

A exemplo do que ocorrera na Câmara, a proposta passou no Senado com folgas.

No primeiro turno, o placar foi: 54 votos a favor, cinco contra e uma abstenção.

No segundo, a lavada ampliou-se: 58 a favor, cinco contra e uma abstenção.

Está irritado? Pois houve mais: aproveitou-se a madrugada para aprovar o projeto que regulariza a criação de 57 novos municípios. 

Escrito por Josias de Souza às 04h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Globo: Petróleo tem maior corte de produção da História

- Folha: Governo libera até R$ 95 bi para crédito

- Estadão: Bancos terão R$ 95 bi a mais para emprestar

- JB: Rio acelera desmatamento

- Correio: Aumento de servidor fica para depois...

- Valor: Juro zero nos EUA muda mercado e dólar desaba

- Gazeta Mercantil: Governo injeta mais R$ 100 bi na economia

- Estado de Minas: Minas debaixo d'água

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sapateando!

Ique

Via JB Online. Nesta quarta, Lula fez piada com o drama do companheiro Bush.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Codefat libera R$ 6 bi para micro e pequena empresa

Contra demissões, conselho recomenda 'bolsa qualificação'

  Isabella Silva/MTB
Reunido no ministério do Trabalho, o Codefat liberou nesta quarta (17) R$ 6 bilhões para micro e pequenas e empresas.

O dinheiro será provido pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Vai ao caixa das empresas em 2009, por meio de empréstimos de bancos oficiais.

No mês passado, o Codefat (Conselho Deliberativo do FAT) já havia liberado, com o mesmo propósito, R$ 4 bilhões.

Assim, as empresas de pequeno porte vão dispor, a partir de 1º de janeiro, de linhas de crédito de até R$ 10 bilhões.

O presidente do Codefat, Luiz Fernando Emediato, explicou que a providência visa atenuar os efeitos da crise sobre o nível de emprego.

"São empréstimos adicionais que os bancos poderão conceder para gerar emprego e renda aos trabalhadores..."

"...Com esta medida [...], o Codefat está fazendo a sua parte pela geração de emprego, em defesa do trabalhador".

A crise permeou a reunião do conselho, integrado por representantes do governo, das centrais sindicais e de entidades patronais.

Discutiu-se na reunião a perspectiva de aumento do desemprego em 2009. Sobretudo no primeiro trimestre do ano. Algo que será monitorado pelo ministério do Trabalho.

O secretário de Políticas de Emprego do ministério, Ezequiel Nascimento, informou que o governo pretende conceder parcelas adicionais do seguro-desemprego.

Hoje, o seguro pode pagar de três a cinco parcelas mensais, conforme a faixa salarial do trabalhador desemprego. Pretende-se autorizar a concessão de mais duas parcelas.

A legislação autoriza esse par adicional de parcelas. O FAT dispõe de R$ 1,1 bilhão para atender a essa demanda. O que é considerado suficiente.

Na reunião desta quarta, o Codefat já autorizou o adicional de duas parcelas para trabalhadores de Santa Catarina.

Brasileiros mandados ao olho da rua por conta da enchente. O ministério do Trabalho estima gastar R$ 12,5 milhões.

De resto, o Codefat recomendou que empresas e trabalhadoras recorram a um ao "Bolsa qualificação" como alternativa à demissão.

Trata-se de um programa criado na crise econômica de 1999, sob FHC (conheça as regras). Funciona assim:

1. A empresa negocia com os sindicatos de trabalhadores a solicitação de Bolsa Qualificação;

2. Havendo acordo, a empresa é autorizada a suspender os contratos de trabalho pelo período de cinco meses;

3. Nesse período, os empregados participam de cursos de qualificação. Recebem o equivalente ao seguro-desempre (mínimo de R$ 415 e máximo de R$ 776,46);

4. O empregador paga pelo curso, mas deixa de recolher os encargos sociais.

Desde que foi criado, há nove anos, o Bolsa Qualificação já beneficiou 54 mil trabalhadores. Em 2008, foram 6.984.

O governo de Santa Catarina enviou ao Codefat um plano de requalificação de trabalhadores infelicitados pelas cheias. A proposta foi acolhida.

A idéia é recorrer justamente ao Bolsa Qualificação. Pretende-se beneficar cerca de 5 mil desemrpegados. Receberão o valor mínimo da bolsa: R$ 415.

Escrito por Josias de Souza às 02h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MPF pede aumento da pena de 'lugar tenente' de DD

  Folha
O procurador da República Rodrigo de Grandis encaminhou nesta quarta (17) uma petição ao Tribunal Regional da 3ª Região, sediado em São Paulo.

No texto, pede a "reforma parcial" da sentença que condenou três personagens da Operação Satiagraha: Daniel Dantas, Humberto Braz e Hugo Chicaroni.

Requer o aumento da pena de prisão imposta a Humberto Braz e a elevação das multas impostas pelo juiz Fausto de Sanctis (na foto) aos três sentenciados.

O juiz De Sanctis impôs pena mais severa a Daniel Dantas: prisão de dez anos, em regime fechado, e multa de R$ 1,18 milhão.

Quanto a Braz e Chicarone, condenou-os a sete anos, um mês e dez dias de cadeia, em regime semi-aberto.

Distinguiu-os apenas no tamanho da multa: R$ 877,7 mil para Braz e R$ 292,5 mil para Chicaroni.

Para o procurador De Grandis, o magistrado "não agiu com o costumeiro acerto ao equiparar as condutas" de Humberto Braz e Hugo Chicaroni.

Ele sustenta que as culpas de Braz são maiores que as de Chicaroni. O primeiro, alega o procurador, "agiu como verdadeiro lugar-tenente" de Daniel Dantas.

Por isso, requer o aumento da pena de prisão de Humberto Braz para pelo menos oito anos de prisão. Em regime fechado, não semi-aberto.

De resto, requer o aumento da multa dos três sentenciados. Sem especificar valores, pede que "sejam aplicadas de forma integral para os três réus".

A sentença que o Ministério Público deseja ver reformada é a primeira da investiação da Satiagraha. Trata da tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal.

Suborno de R$ 1 mihão, oferecido ao delegado Victor Hugo Ferreira. Dinheiro provido, segundo a sentença, por Daniel Dantas, para que o nome dele e da irmã, Verônica Dantas, sumissem do inquérito.

Além da petição do procurador, o TRF terá de deliberar sobre recursos dos condenados.

Entre eles um recurso assinado por Nélio Machado, advogado de Daniel Dantas. Ele pede a anulação da sentença.

Pressionando aqui, você chega à íntegra da petição do procurador Rodrigo de Grandis.

Escrito por Josias de Souza às 00h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Boa notícia: STF mantém piso nacional de professor

O STF julgou nesta quarta (17) a ação ajuizada por cinco governadores contra a lei que fixa em R$ 950 o piso nacional dos professores.

A notícia produzida no plenário do Supremo só não é integralmente benfazeja porque o recurso dos governadores foi parcialmente acolhido.

Manteve-se o essencial: o piso foi considerado constitucional. Entra em vigor no di 1º de janeiro de 2009, como previsto na lei 11.738, sancionada em julho.

Mas sustou-se a vigência do artigo da lei que destinava um terço da carga horária do professor para atividades extra-classe -preparação de aulas e correção de provas, por exemplo.

Os signatários da ação -governadores de MS, SC, PR, RS e CE-alegaram que o ajuste da carga horária os obrigaria a contratar novos professores.

E não haveria nem dinheiro disponível nem tempo para ajustar os orçamentos. O relator do processo, Joaquim Barbosa, votou pela manutenção integral da lei.

Porém, um pedaço do plenário, majoritário, optou por conceder a liminar (decisão temporária) na parte que tratava da concessão de tempo de planejamento das aulas.

Assim, a vigência dessa parte da lei fica suspensa até que o tribunal julgue o mérito em termos definitivos. Não há prazo para que isso ocorra.

Escrito por Josias de Souza às 20h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Saúde limita publicidade de remédio com celebridade

O ministério da Saúde baixou uma resolução que torna mais rigorosa a publicidade de medicamentos.

Regulamentou-se, por exemplo, a participação de "celebridades" em comerciais de remédios.

Atores, esportistas e famosos em geral poderão participar de propagandas de medicamentos isentos de prescrição.

Porém, não podem mais emprestar a imagem ou a voz a peças que recomendem expressamente o uso do remédio propagandeado.

É vedado às celebridades fazer qualquer tidpo de orientação. Há mais.

Nos comerciais exibidos na TV, a celebridade terá de verbalizar, ela própria, as advertências exigidas na nova resolução.

Por exemplo: em comerciais de "dipirona sódica", o protagonista terá de dizer:

"Não use este medicamento durante a gravidez e em crianças menores de três meses de idade".

O ministro José Gomes Temporão (Saúde), explicou as razões que inspiraram as normas:

"As estatísticas mostram que a cada 42 minutos há uma pessoa intoxicada pelo consumo de medicamento no Brasil..."

"...O estímulo ao consumo e a falta de informação adequada colocam em risco a saúde da população".

As novas começam a vigorar em seis meses. Vai abaixo um resumo das principais:

1. Proíbe-se o uso de expressões como "tome", "use" ou "experimente", na forma de merchandising (propaganda subliminar), em filmes, peças de teatro e novelas;

2. Além do alerta tradicional ("Ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado"), as propagandas terão de conter advertências sobre os princípios ativos dos medicamentos.

3. mudaram-se as regras que disciplinam a distribuição de "amostras grátis" de remédios.

Amostras de anticoncepcionais deverão conter, obrigatoriamente, 100% do conteúdo da apresentação original do medicamento;

Nos casos de amostras de antibióticos, o produto distribuído gratuitamente deve conter quantidade suficiente para o tratamento integral de um paciente.

Para os demais medicamentos sob prescrição, continua a valer o mínimo de 50% do conteúdo original.

4. A resolução reforça algo que já é eticamente condenável. Proíbe-se que o patrocínio de laboratórias a eventos científicos e campanhas seja condicionado à prescrição de medicamentos pelos médicos participantes dos eventos;

5. Peças publicitárias de medicamentos que interferem na atividade sensorial e motora dos usuários terão de conter advertência que alerte para os perigos de dirigir automóveis e operar máquinas;

6. Proíbe-se a associação do uso de remédios a excessos etílicos ou gastronômicos;

7. Publicidades com comparações de preço só poderão ser feitas entre medicamentos "intercambiáveis" (Vale para remédios de referência e genéricos).

Escrito por Josias de Souza às 19h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB oficaliza Garibaldi como candidato no Senado

Lula Marques/Folha

Reunida na tarde desta quarta (17), a bancada do PMDB oficializou Garibaldi alves como seu candidato à presidência do Senado.

Deu-se depois de um apelo feito a José Sarney para que aceitasse entrar na disputa. Como a resposta foi negativa, foi-se de Garibaldi.

Atual presidente do Senado, Garibaldi vai à disputa em meio a uma dúvida que pode se converter em passivo judicial.

Reza a Constituição que é vedada a reeleição à presidência da Câmara e do Senado numa mesma legislatura.

Resta saber se o PT, do candidato Tião Viana (AC), vai recorrer ao STF, como prometera a líder da legenda Ideli Salvatti (SC).

Na Câmara, o candidato peemedebista Michel Temer recebeu nesta quarta apoios anunciados na véspera.

Incorporaram-se à caravana de Temer os oposicionistas DEM, PSDB e PPS (foto abaixo). Além dos governistas PTB e PV. Ao todo, Temer já dispõe do apoio de 11 legendas.

Também nesta quarta, os rivais de Temer, como previsto, vieram à boca do palco para firmar um pacto.

Aldo Rebelo (PCdoB), Ciro Nogueira (PP) e Milton Monti (PR) vão à sorte dos votos para tentar impedir que a Câmara continue sob o tacão da dobradinha PMDB-PT.

Instado a comentar a tática dos adversários, Temer diz que não vai mudar a sua estratégia.

Lula Marques/Folha

Escrito por Josias de Souza às 18h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo adota medidas para elevar crédito bancário

O governo baixou novas providências para prover crédito bancário em meio à crise.

São duas as medidas. Baixaram-nas o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional.

Estima-se que resultarão num acréscimo de R$ 87 bilhões em créditos já em 2009.

Na prática, os bancos foram autorizados a operar com nível de risco mais alto do que os atuais.

Pressionando aqui, você chega aos detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 17h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Evo defende um ultimato da América Latina a Obama

  EFE
Os mandachuvas da América Latina e do Caribe estão reunidos na Bahia há três dias.

Nesta quarta (17), o companheiro Evo Morales saiu-se com uma sugestão inusitada.

Deseja que os colegas dêem uma espécie de ultimato a Barack Obama. Coisa assim:

1. Fixa-se um prazo para que os EUA suspendam o embargo econômico a Cuba;

2. Desatendidos, os signatários retirariam de Washington os seus embaixadores.

Lula tratou de tomar distância da ziguizira boliviana.

Obama, que só assume em 20 de janeiro, deve estar tremendo dentro dos sapatos. 

De quebra, Evo distribuiu açoites linguais aos adeptos de modelos capitalistas.

"Só temos dois caminhos. Estes modelos econômicos devem mudar..."

"...Ou devem ser estimulados movimentos revolucionários em nosso países".

Sem querer -ou querendo, nunca se sabe-o companheiro fustigou o anfitrião.

Para sorte de Lula, seu governo está a salvo. Já não há revolucionários no Brasil.

A esquerda ex-armada ou está cassada e acomodada no banco de réus do STF ou ocupa-se da chefia da Casa Civil.

O resto da esquerda -do ex-PT ao neo-PCdoB- encontram-se à sombra do Estado.

Ou seja, afora a ofensa ao contribuinte brasileiro, que paga a pajelança da Bahia, Evo soou comicamente inofensivo.

Escrito por Josias de Souza às 16h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB do Senado discute opção Garibaldi e novo líder

A julgar pela movimentação da noite passada, será tensa a reunião da bancada de senadores do PMDB, marcada para a tarde desta quarta (17).

Vão à mesa dois temas espinhosos: a recandidatura de Garibaldi Alves (RN) à presidência do Senado e a escolha do novo líder do partido.

Entre quatro paredes, Romero Jucá (RR), líder de Lula no Senado, adiantou a colegas que vai se posicionar contra a pretensão de Garibaldi.

Para Jucá, deve-se respeitar a Constituição, que proíbe a recondução do presidente da Casa no meio de uma mesma legislatura.

De resto, Jucá desenvolve um raciocínio de alta voltagem. Diz que a reeleição de Garibaldi abriria caminho para o terceiro mandato de Lula.

Por que? Reelegendo-se agora, Garibaldi se credenciaria para disputar o cargo pela terceira vez em 2011. Seria, então, o início de uma nova legislatura.

E não haveria proibição constitucional. Pelo menos quatro personagens já se reelegeram nessas circunstâncias:

Um na Câmara: Ulysses Guimarães. E três no Senado: José Sarney, Antonio Carlos Magalhaes e Renan Calheiros. Em timbre de provocação, Jucá diz que, abrindo-se a porteira para Garibaldi, será difícil fechá-la para Lula.

O argumento faz eco na oposição. "A questão é muito séria e pode abrir precedente perigoso", concorda José Agripino Maia (RN), líder do DEM.

Como se fosse pouco, o encontro do PMDB será eletrificado por uma disputa em torno da liderança do partido no Senado.

Valdir Raupp (RO), que responde pela liderança, deseja ser reconduzido ao posto. Mas é desafiado por Renan Calheiros (AL).

Decidido a retornar ao centro do palco, Renan quer a cadeira de Raupp. Aconselhou-o a adiar o embate. Até a noite passada, porém, Raupp não arredara o pé.

A bancada do PMDB é composta de 20 senadores. Para virar líder, basta que um senador arraste para o seu lado 11 votos -o dele e mais dez.

Raupp acha que dispõe de cacife suficiente. Renan, por sua vez, ameaça levar ao pano verde 14 fichas. Um dos dois está blefando.

Garibaldi vai ao encontro munido de uma carta de Francisco Rezek. No texto, o ex-ministro do STF diz que é juridicamente "defensável" a tese de que, como presidente-tampão, Garibaldi poderia disputar a reeleição.

Mas o próprio Rezek condiciona o arranjo à conjuntura política. E diz que, havendo contestação, o passivo vai ao STF. Ali, escreve ele, "o deslinde da matéria é imprevisível".

Tião Viana (AC), o candidato do PT ao comando do Senado, observa o desarranjo do PMDB a uma distância regulamentar.

Enquanto espera por uma definição, Tião vai colecionando apoios. Nesta terça (16), incorporou-se à sua caravana o PR.

Estima-se que nas próximas horas também o PTB deve declarar apoio ao petista.

Excluídos os senadores do PMDB, Tião já levou ao cesto 33 votos de colegas do consórcio governista.

Separam o candidato do PT da vitória escassos oito votos.

Com sua indefinição, o PMDB leva os oposicionistas PSDB e DEM a flertar com Tião.

Acertando-se com a oposição, o petista iria à cadeira de presidente mesmo sem o PMDB.

Uma candidatura como a de José Sarney (PMDB-AP) poderia subverter o aparente favoritismo de Tião.

Garibaldi diz que, por Sarney, abriria mão de sua recandidatura.

O problema é que o cacique-mor da tribo dos pemedebês quer ser ungido. E a unanimidade é mercadoria que o Senado não parece disposto a entregar a Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 04h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Globo: Que país é este, em que se rouba flagelado?

- Folha: Juro nos EUA cai para quase zero

- Estadão: Para combater recessão, EUA deixam juros perto de zero

- Correio: A crise deles...EUA reduzem taxa de juros a 0,25% ao ano... e a nossa: R$ 44 milhões para apartamento de deputado

- Valor: Redução de custo tira o sono de empresários e executivos

- Estado de Minas: As duas faces de uma tragédia anunciada

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Flagelo moral!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 02h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aldo lança candidatura e complica a vida de Temer

Adversários de Temer firmam nesta 4ª um pacto de reciprocidade

Sérgio Lima/Folha

Ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) decidiu concorrer de novo ao cargo.

Com a novidade, cresce a hipótese de a disputa ser definida apenas no segundo turno.

Um complicador para Michel Temer (PMDB-SP), tido como candidato favorito.

Para envenenar ainda mais a refrega, os três adversários de Temer firmarão um pacto.

O trato será anunciado às 11h desta quarta (17), na sala da liderança do PSB.

Prevê a reciprocidade entre Aldo, Ciro Nogueira (PP-PI) e Milton Monti (PR-SP).

Quem for ao segundo turno contra Temer terá o apoio automático dos outros dois.

Trafega pelos subterrâneos uma quinta candidatura: a de Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Em diálogos privados, Serraglio mostrou-se simpático à idéia do pacto.

Mas não se comprometeu em dar as caras no ato de anúncio formal do acordo.

Nesta terça (16), os oposicionistas PSDB, DEM e PPS aderiram a Michel Temer.

A notícia da entrada de Aldo na briga empanou as comemorações.

Aldo é movido pelo ânimo da revanche. Quer dar o troco no esquema que o derrotou.

Quando presidente, tentou a reeleição. Foi batido por Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Atribui a derrota à parceria PT-PMDB, reproduzida agora em torno de Temer.

Para tornar-se presidente da Câmara, um deputado precisa obter ao menos 257 votos.

Os apoiadores de Aldo estimam que ele terá algo como 100 votos no primeiro turno.

A turma de Ciro Nogueira acha que ele não sai da eleição com menos de 150 votos.

E o pessoal de Milton Monti estima que o PR dará a ele pelo menos 35 votos.

Se a conta estiver certa, os três controlam um cesto de 285 votos.

São 27 além do necessário para empurrar a disputa para o segundo turno.

"Será uma outra eleição", anima-se Ciro Nogueira. "O Michel pode ter menos votos do que terá no primeiro turno".

Os rivais de Temer tratam as três candidaturas alternativas como se fosse uma.

"É a chapa ACM -Aldo, Ciro e Monti", brinca Márcio França (SP), líder do PSB. Ele acrescenta:

"Nós, do bloquinho [PSB, PCdoB, PDT, PRB e PMN], éramos os franco derrotados contra o franco favorito. Agora, junto com os outros candidatos, entramos no jogo..."

"...Na prática, formou-se um blocão, que inclui a gente [Aldo], o PP [de Ciro Nogueira] e o PR [de Milton Monti]". 

No final de semana, Temer parecia convencido de que Aldo não comprometeria o prestígio que granjeou como presidente da Câmara nessa disputa.

Temer fazia duas contas. Na pessimista, estimava que teria 278 votos.

Na outra soma, mais otimista, previa uma eleição folgada: 340 votos.

A natureza secreta do voto injeta na disputa da Câmara uma incômoda fluidez.

Tome-se o exemplo da bancada do DEM. Possui 55 deputados. A cúpula prometeu entregar 40 votos a Temer.

"Se eu tiver menos de 40 votos no DEM, renuncio ao meu mandato", desdenha Ciro Nogueira.

Pela contabilidade dos aliados do candidato do PP, Temer não dispõe de mais de 180 votos.

Seria o bastante para passar ao segundo turno. Mas insuficiente para vencer a eleição.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

TSE dá 24 horas para Chinaglia se livrar de 'infiel'

  Folha
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), desmoralizou um dos axiomas mais caros da rotina republicana.

Diz-se que decisão judicial não se discute, cumpre-se. Para o mandachuva da Câmara, a coisa não é bem assim.

Chinaglia recorre a todos os estratagemas para atingir o subterfúgio de manter nos corredores do Legislativo um deputado cujo mandato micou.

Chama-se Walter Brito (PRB-PB) o protegido de Chinaglia. Perdeu o mandato em 23 de março. O TSE julgou-o "infiel" -trocara o oposicionista DEM pelo governista PRB.

Em 4 de setembro, o TSE determinara a Chinaglia que devolvesse o mandato de Brito ao DEM, empossando o suplente.

Decorridos mais de três meses, Chinaglia vem dando de ombros. Alega que há recursos judiciais do deputado cassado pedentes de julgamento no STF.

Nesta terça (17), a 2ª turma do Supremo, integrada por quatro dos 11 ministros do tribunal, esmigalhou as pretensões do deputado pulador de cerca.

Por unanimidade, a turma do STF decidiu que vale a decisão do TSE. Mais: repisou a óbvia tecla de que Chinaglia deve dar posse imediata ao suplente.

O diabo é que, uma vez mais, Chinaglia subverteu o axioma. Disse que vai aguardar pelo julgamento de um derradeiro recurso judicial protocolado por Brito no STF.

Reunido em sessão plenária na noite desta terça (17), o TSE rodou a baiana. Em deliberação unânime, decidiu intimar Chinaglia a cumprir a determinação judicial.

Deu prazo: 24 horas. "Improrrogáveis". Sob pena de arrostar "as sanções penais cabíveis" [o ministro Eros Grau foi voto vencido na menção às sanções].

Para simples mortais, descumprimento de ordem judicial costuma dar até cadeia. Para Chinaglia, por ora, não deu em coisa nenhuma.

Resta saber que sanções o TSE imporá a Chinaglia caso ele continue se fingindo de morto. Pressionando aqui, você ouve trechos da sessão do TSE.

Escrito por Josias de Souza às 00h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senado manda ex-vice na chapa tucana para o TCU

  Lula Marques/Folha
Ex-ministro de FHC, ex-senador do DEM e ex-candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin, o pernambucano José Jorge está na bica de virar ministro do TCU.

O nome dele foi aprovado há pouco pelo Senado. Prevaleceu sobre o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO): 41 votos contra 34. Houve um voto nulo.

Antes de acomodar-se na cadeira de ministro do Tribunal de Contas, José Jorge terá de ser referendado pela Câmara dos Deputados. Algo que deve ocorrer até o início de 2009.

Chama a atenção o número de votos dados a Quintanilha: 34 colegas optaram por um senador de biografia sombrosa.

José Jorge, hoje presidente da CEB (Cia. Energética de Brasília) vai ao TCU sem as nódoas de Quintanilha.

Mas repete-se um prática que infelicita a corte de contas. Sai, por aposentadoria, o ministro Guilherme Palmeira, ex-senador do PFL. Entra outro político.

Um tribunal que deveria ser técnico, continuará apinhado de políticos em fim de carreira. O contribuinte merecia melhor sorte.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comissão aprova fim da reeleição e mandato maior

  Antônio Cruz/ABr
A Comissão de Justiça da Câmara aprovou nesta terça (16) parecer favorável ao fim do estatuto da reeleição.

Pelo texto, o presidente, os governadores e os prefeitos passariam a ter mandados de cinco anos, não de quatro, como é hoje.

O signatário do parecer é o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Ele reuniu num único texto diversas propostas que tramitam na Câmara.

O texto incluía três projetos que, se levados adiante, abriam brecha para a aprovação do terceiro mandato.

Farejando o cheiro de queimado, a oposição levou o pé atrás. E propostas que abriam a janela para a re-reeleição de Lula foram rejeitadas.

Deputados governistas tentaram derrubar a votação por meio de um pedido de verificação do quorum.

Porém, o presidente da comissão, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez ouvidos moucos para o alarido. E o parecer foi aprovado sem o veneno da reeleição indefinida.

Coube à Comissão de Justiça apenas atestar a constitucionalidade das propostas inseridas no parecer de João Paulo.

Agora, o texto segue para uma comissão especial, a ser constituída. Dali, vai ao plenário da Câmara.

Um deputado do baixo clero governista chamado Carlos Willian (PTC-MG), na foto lá do alto, bradou o seguinte:

"Se eu for da Comissão Especial, vou apresentar proposta do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva..."

"...Quem tem que decidir é a população do Brasil. Eu não sei porque a oposição está com medo do Lobo Mau".

Durma-se com um barulho desses.

Escrito por Josias de Souza às 19h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Taxa de juros cai para irrisórios 0,25%...lá nos EUA

O Federal Reserve (Banco Central americano) anunciou nesta terça (16) mais uma poda na taxa anual de juros.

A taxa era de 1%. Caiu para 0,25%, com margem para chegar a zero. Com a providência, tenta-se reanimar a economia dos EUA.

Uma economia que, descobriu-se dias atrás, está em recessão desde dezembro do ano passado.

Uma economia que, no mês passado, "produziu" o notável volume de 533 mil desempregados.

Onze em cada dez petistas torcem para que o ânimo de Bem Barnake, presidente do FED, invada a lama de Henrique Meirelles, mndachuva do BC brasileiro.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Arrecadação da Receita recua pela 1ª vez em 5 anos

Em novembro, a Receita Federal foi buscar no bolso dos brasileiros e no caixa das empresas R$ 54,729 bilhões.

A cifra, embora ainda vistosa, é 1,85% menor do que o arrecadado em novembro do ano passado (R$ 55,762 bilhões).

É a primeira vez desde janeiro de 2004 que o fisco registra um declínio na arrecadação de um mês, quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

Se comparado com o mês de outubro (R$ 65,729 bilhões), o resultado de novembro embute queda de arrecadação de 16,74%.

Até aqui, todos os meses de 2008 haviam registrado recordes de coleta em relação ao período imediatamente anterior.

Tudo considerado, tem-se o seguinte: a "marolinha" engolfa o fisco antes mesmo da virada do ano.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em novembro, Previdência teve déficit de R$ 4,2 bi

  João Wainer/Folha
A Previdência Social registrou em novembro um déficit de R$ 4,224 bilhões. O buraco é 53,9% maior do que o verificado no mesmo mês do ano passado.

São dados oficiais. Foram divulgados nesta terça (16) pelo Ministério da Previdência. A arrecadação total da Previdência em novembro somou R$ 13,559 bilhões. Um recorde.

A cifra supera a coleta de novembro de 2007 em 7,5%. As despesas do mês, porém, fecharam em R$ 17,783 bilhões -15,8% a mais do que o registrado no ano passado.

Vem daí o buraco de R$ 4,224 bilhões. No acumulado do ano (janeiro a novembro), a coleta da Previdência somou R$ 143,656 bilhões -9,2% acima de 2007.

As despesas em onze meses, contudo, alçaram à casa dos R$ R$ 182,468 bilhões -3,5% a mais do que no ano passado.

Feitas as contas, o buraco acumulado no ano é, por ora, de R$ 38,812 bilhões. O número é salgado, mas a Previdência espera fechar o ano com uma "boa notícia".

Helmut Schwarzer, secretário de Políticas de Previdência Social, acha que, depois de escriturados os números de dezembro, o déficit da Previdência será de cerca de R$ 36,5 bilhões.

Um buraco de dimensões homéricas (1,27% do PIB). Mas, se confirmado, será menor do que a estimativa que o governo anotara no Orçamento da União: R$ 44 bilhões.

Schwarzer atribui o "feito" a dois fatores: a qualidade da gestão e o bom comportamento do mercado de trabalho.

Disse que, a despeito da crise global, foram criados 60 mil novos postos de trabalho com carteira assinada em outubro passado.

O diabo é que outubro marca no calendário o recrudescimento da crise. Desde então, as estimativas são envenenadas pela perspectiva do desemprego.

Algo que tende a tornar mais encarnados os já vermelhos números da Previdência Social.

Escrito por Josias de Souza às 17h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em novembro, indústria paulista pôs 34 mil na rua

Divulgação

O nível de emprego na indústria paulista caiu 0,19% em novembro, na comparação com o mês anterior.

Em números absolutos, foram ao olho da rua 34 mil trabalhadores. Desde janeiro não se via coisa parecida. Ruim? Pois vai piorar.

A Fiesp previa para 2008 um crescimento do emprego na indústria de São Paulo de algo entre 2,5% a 3%. Reduziu a estimativa para 1,5%.

Divulgado pela CNI, um outro lote de previsões indica que o trabalhador continuará entrando pelo cano em 2009.

A confederação das indústrias estima que o PIB de 2009 crescerá 2,4%. Bem menos que os 5,7% estimados para 2008. 

Imposta pela crise financeira global, a desaceleração começará a ser sentida já nos indicadores referentes aos últimos meses de 2008.

A CNI prevê para o último trimestre do ano um resultado negativo de 1,5%. Ou seja, a economia entra em 2009 com o freio de mão puxado. O documento da CNI está disponível aqui.

Estima-se que a taxa de desemprego no país vai crescer de 7,9% (previsão de 2008) para 8,2% em 2009. Índice que roça o que foi anotado em 2007: 9,3%.

PS.: A foto que ilustra o texto vem do "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas".

Escrito por Josias de Souza às 15h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Orçamento de 2009 prevê investimentos de R$ 47,2 bi

  Alan Marques/Folha
Ficou pronto o relatório final do projeto de Orçamento da União para o exercício de 2009.

Redigiu-o o senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator-geral da Comissão Mista de Orçamento.

O texto anota que os gastos da União no próximo ano serão de R$ 1,658 trilhão.

A cifra é R$ 6,5 bilhões inferior à que o governo previra na peça que enviara ao Legislativo em agosto.

Deve-se a redução à reestimativa de receitas que teve de ser feita depois que explodiu a crise global.

A íntegra do texto de Delcídio foi levada ao sítio da Comissão de Orçamento. Vão abaixo alguns dos dados mais relevantes:

1. Total de gastos: como já mencionado, fixou-se em R$ 1,658 trilhão o montante de gastos da União para 2009;

2. Cortes: Delcídio passou na lâmina despesas de R$ 15,42 bilhões. Mas um pedaço do dinheiro cortado foi realocado em outras rubricas, sobretudo para cobrir emendas de parlamentares. 

Por isso a redução em relação ao que o governo orçara antes da crise ficou em apenas R$ 6,5 bilhões;

3. Despesas primárias: Delcídio fixou em R$ 750,9 bilhões as chamadas despesas primárias da União -R$ 5,4 bilhões a menos do que estipulara o governo.

O grosso do corte vai incidir sobre as arcas de governadores e prefeitos. Reduziram-se em R$ 3,4 bilhões as transferência da União para Estados e municípios;

Os outros R$ 2 bilhões foram suprimidos de despesas de repartições públicas federais.

4. Pessoal: Nas dotações destinadas à cobertura da folha de pagamentos do governo, o relator passou na lâmina R$ 420 milhões. Um sinal de que o governo pode postergar reajustes e adiar concursos;

5. Funcionamento da máquina: Delcídio cortou algo como R$ 9,6 bilhões de rubricas destinadas ao custeio da máquina pública, fixando-as em R$ 539,05 bilhões.

Porém, o corte não resultou em economia efetiva. Foi realocado, praticamente em sua integralidade, em investimentos;

6. Investimentos: Graças a essa reacomodação de rubricas, o montante de investimentos para 2009 foi orçado em R$ 47,26 bilhões -R$ 9,27 bilhões acima do que previra o governo.

7. Emendas de parlamentares: Convém levar o pé atrás em relação a esse aparente reforço nos investimentos públicos.

O tônico de R$ 9,27 bilhões foi destinado à cobertura de despesas criadas por emendas enganchadas no Orçamento pelos parlamentares. Emendas individuais e de bancadas.

Há emendas defensáveis. Mas não se deve esquecer que é nesse nicho do Orçamento que costumam brotar escândalos como o dos Vampiros, o das Sanguessugas e o de empreteiras como a Gautama.

De resto, como o Orçamento é autorizativo, não impositivo, o governo pode bloquear a execução das emendas dos congressistas. É, aliás, o que costuma fazer rotineiramente.

Pretende-se aprovar o texto de Delcídio na Comissão de Orçamento até esta quarta-feira (17). Depois, o projeto segue para o plenário.

Precisa ser aprovado em sessão conjunta do Congresso, com a participação de deputados e senadores.

Algo que terá de ser feito até o final desta semana. Sob pena de atrasar o recesso natalino de deputados e sendores.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Globo: Carga tributária bate recorde apesar de alívio de impostos

- Estadão: Empresas renegociam direitos trabalhistas

- Correio: Lei seca no Natal terá PM à paisana

- Valor: Captação externa cai ao menor nível desde 2002

- Gazeta Mercantil: Fabricantes de celulares adiam entregas para 2009

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Também quero!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 01h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Boa notícia: você já pode dar 'sapatadas' em Bush

  Reprodução
Foi ao ar, nesta segunda (15), uma brincadeira divertida.

Propicia a qualquer um o gostinho de atirar sapatos na cara de George Bush.

Traz duas vantagens sonegadas ao inspirador do jogo, o repórter Muntazer al-Zaidi, da TV Al-Bagdadia, sediada no Egito:

1. Mesmo quem tem má pontaria acaba acertando o alvo.

2. Ninguém corre o risco de ser agarrado por agentes do serviço secreto americano.

Cada rodada dura 20 segundos. Nesse intervalo, você pode alvejar Bush tantas vezes quantas conseguir.

Basta pressinar a o mouse na imagem do repórter. O signatário do blog logrou acertar 11 sapatadas. Marca insignificante. Houve quem cravasse 54.

Nesta segunda (15), o gesto do atirador de sapatos ganhou as manchetes do mundo. No Iraque, milhares de pessoas foram às ruas. Pediram a liberação do jornalista, que continua preso.

Também as mulheres americanas do Code Pink, grupo pacifista que se opõe à guerra no Iraque, se solidarizam com Muntazer. Vão levar sapatos à Casa Branca nesta quarta (17).

A eleição do democrata Barack Obama já deixara claro que a relação de Bush com a opinião pública se esmigalhara.

Faltava um símbolo para a ruína. Os sapatos de Muntazer al-Zaidi supriram essa lacuna.

Escrito por Josias de Souza às 01h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Demora do PMDB faz oposição flertar com Tião Viana

Fábio Pozzebom/ABr

O vaivém do PMDB na disputa pela presidência do Senado começa a inquietar a oposição.  

PSDB e DEM já consideram a hipótese de uma composição com o candidato do PT, tião Viana (AC).

O tucanato já negocia com Tião, nos subterrâneos, posições na Mesa diretora e nas comissões do Senado.

Nesta terça (16), também o DEM, entre todas as legendas a mais avessa ao petismo, discutirá a opção de se compor com Tião.

O debate será levado a uma reunião da bancada 'demo' pelo líder José Agripino Maia (RN).

Agripino disse a um amigo o seguinte: "Na reunião com a minha bancada, vou definir claramente a alternativa: ou Tião ou PMDB..."

É a primeira vez em meses que Agripino inclui Tião no seu rol de "alternativas". "Não vou ficar a reboque das cofusões peemedebistas", diz, entre quatro paredes.

O que empurra a oposição para o flerte com Tião é a necessidade de definir a participação de cada partido nos postos de relevo do Senado.

Além da presidência, as posições mais cobiçadas são a vice-presidência do Senado, a primeira-secretaria e o comando das comissões de Justiça e de Assuntos Econômicos.

Agripino e o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), negociam há semanas com a caciquia do PMDB, à frente Renan Calheiros (AL).

O problema é que a cada semana o PMDB lança na praça um novo balão de ensaio. Primeiro, acenou-se com a candidatura de José Sarney (AP).

Sarney diz que não quer. É lorota. Ele não deseja outra coisa. Mas almeja uma unanimidade que o Senado não vai dar a ele.

Depois, sobreveio o nome de Pedro Simon (RS). Lançado por Renan, um velho desafeto, Simon levou o pé atrás. E a novidade murchou.

Agora, emerge a recandidatura de Garibaldi Alves. Até oposicionistas simpáticos a Tião Viana, como Demóstenes Torres (DEM-GO), recohecem: "Ele é um candidato leve".

Porém, as dúvidas jurídicas que envolvem a pretensão de Garibaldi convertem o nome "leve" na perspectiva de um pesado passivo judicial.

"Não teríamos dificuldade de votar no Garibaldi", diz Sérgio Guerra, presidente do PSDB. "Mas, primeiro, temos de saber se o nome dele é juridicamente viável".

"Nós não vamos dar passo nenhum até ver essa questão jurídica esclarecida", ecoa Agripino. "Até que tudo se esclareça, não vamos demonstrar nem simpatia nem antipatia".

Renan Calheiros, hoje o maior desafeto de Tião Viana no Senado, enxerga na movimentação de Garibaldi a chance de empurrar a definição do PMDB para janeiro.

A eleição no Senado será no comecinho de fevereiro. Mas a oposição emite sinais de que talvez não tope esperar até a última hora.

De resto, um ingrediente regional conspira contra a opção Garibaldi. Em 2010, três personagens disputarão as duas cadeiras reservadas ao Rio Grande do Norte no Senado.

São eles: o próprio Garibaldi, Agripino Maia e a governadora do Estado, Vilma Farias (PSB). Prevê-se uma eleição apertada.

E não interessa a Agripino ajudar Garibaldi a se manter na vitrine da presidência do Senado até 2010.

Por razões diversas, o senador Jarbas Vasconcelos (PE), um dissidente da bancada do PMDB, também não se entusiasma com o nome de Garibaldi:

"Mantenho meu voto em Tião Viana. Fico com ele porque o vejo como a melhor alternativa política e também administrativa", diz Jarbas.

"Gostaria que a coisa estivesse limitada à política. Mas não está. O Senado virou um frege [bagunça, baderna, confusão]. Isso precisa mudar".

Nesta terça (16), Jarbas reúne em seu apartamento um grupo de senadores simpáticos a Tião.

Na quarta (17), Garibaldi Alves tenta arrancar da bancada do PMDB o apoio formal ao nome dele. Se depender de Renan Calheiros, Garibaldi vai cozinhar em banho-maria.

Escrito por Josias de Souza às 21h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Voluntários e até soldados desviam donativos em SC

Reprodução de imagem da RBS mostra soldado selecionando donativos para si

Num primeiro momento, a tragédia de Santa Catarina revelou a face solidária do brasileiro.

Numa segunda fase, o infortúnio traz à luz a outra face dos habitantes dessa terra de palmeiras inundadas e sabiás afogados.

Enviaram-se para os flagelados donativos a mais não poder. Vieram de todas as regiões do país. Uma parte não vai chegar às vítimas das cheias.

Imagens captadas pela RBS mostram até soldados do brioso Exército brasileiro enchendo mochilas com peças de roupa e calçados enviados ao desafortunados (assista aqui).

"Voluntários" que passaram incólumes pela desgraça estão se apropriando do que há de melhor nas montanhas de donativos.

Diante das imagens que expõem o impensável, as autoridades prometem providências, detalhadas numa nota à imprensa. É de perguntar: por que não agiram antes dos furtos?

O brasileiro costuma valorizar o brocardo segundo o qual "uma mão lava a outra". O diabo é que o resto do corpo, sobretudo a cabeça, continua sujo.

Assim, um voluntário pode ser um larápio que ainda não encontrou um tênis bonito em meio aos donativos. Um soldado é um fora da lei que ainda não chegou à roupa certa.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Meirelles sinaliza um PIB bem mais murcho para 2009

  Sebastião Moreira/EFE
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participou de um seminário nesta segunda (15), em São Paulo.

Ao discorrer sobre a crise, sinalizou para uma redução expressiva do PIB de 2009, em relação ao de 2008, estimado em mais de 5%.

"Não seria surpresa, acredito, que seja divulgado um número substancialmente inferior a 2008", disse Meirelles.

"Há desaceleração por causa dessa situação [de crise], que não é trivial..."

"...Precisa ser gerenciada com cuidado para não criar desfuncionalidades que piorem muito a [própria] situação ou piorem o futuro".

Meirelles comparou a crise a uma epidemia. Disse que não convém administrar todos os remédios numa única dose.

De resto, aproveitando-se da analogia médica, disse, em timbre de lamento: "Seria bom se não tivesse efeito colateral".

Escrito por Josias de Souza às 17h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Popularíssimo, Lula carrega poste pouco conhecido

Montagem sobre fotos de Alan Marques

Divulgou-se nesta segunda (15) mais um par de pesquisas. Uma do Ibope. Outra do Sensus.

A exemplo do que detectara o Datafolha, Lula está muito bem na foto. Como de hábito, a imagem do presidente é melhor do que a do governo dele.

Na sondagem do Ibope, o governo foi avaliado como ótimo ou bom por 73% dos entrevistados. A aprovação de Lula foi a notáveis 84%.

Nas tabelas do Sensus, o governo é aprovado por 71,1% dos brasileiros. E Lula belisca um índice de aprovação de 80,3%.

Os números colecionados pelos pesquisadores do Sensus indicam que Lula vai ter de derramar algum suor para carregar o "poste" Dilma Rousseff.

Quase metade da população (47,8%) desconhecem a chefe da Casa Civil. Mas a pesquisa traz outros dados que indicam que Lula não é um eleitor qualquer.

Nada menos que 43,9% dos entrevistados declaram que poderiam votar num candidato apoiado por Lula.

Desse total, 15,6% declaram-se dispostos a votar "exclusivamente" no presidenciável indicado por Lula.

Esses 15,6% constituem o índice potencial de transferência líquida de votos de Lula para Dilma. O bastante para acomodar a ministra no segundo turno de 2010.

A despeito de todo o prestígio de Lula, se a eleição presidencial fosse hoje, o tucano José Serra prevaleceria com folga em todos os cenários. Só perderia se o cndidato do governo fosse o próprio Lula.

Num eventual segundo turno contra Dilma, Serra venceria facilmente: 53,7% contra 14,5%. Votos brancos, nulos e indicisos somam 21,9%.

O levantamento do Sensus traz uma novidade em relação ao Datafolha: o tucano Aécio Neves, embora com um cesto de votos menos fornido que o de Serra, não faz feio.

Num segundo round contra Dilma, Aécio turno contra Dilma, Aécio também se sairia melhor: 32,3% contra 20,2%.

Com Serra, o PSDB venceria o primeiro turno com 46,5% dos votos numa disputa contra Heloísa Helena (12,5%) e Dilma (10,4%).

Com Aécio (25,3%), o tucanato continuaria tendo mais que o PSOL de HH (19,1%) e o PT de Dilma (12,9).

Se em vez de Dilma o representante do governo fosse Ciro Gomes, do PSB, Serra prevaleceria com 44%. HH (14,6%) amealharia mais votos do que Ciro (10,1%).

Neste cenário com Ciro, o tucanato também venceria se fosse às urnas com Aécio Neves (24,3%). Ciro (14,9%) aparece, de novo, abaixo de HH (19,2%).

Tudo considerado, pode-se concluir o seguinte:

1. Vai-se desenhando para 2010 uma nova queda-de-braço PT X PSDB;

2. Embora ainda seja uma sub-HH, Dilma dificilmente estará fora do segundo turno se Lula mantiver o prestígio pessoal em patamares próximos dos atuais;

3. A despeito de Serra ostentar índices de voto mais vistosos, Aécio não é "galinha morta";

4. Como alternativa do campo governista, Ciro Gomes definha antes mesmo de declarar-se candidato.

5. A manutenção da cena atual está condicionada aos reflexos da crise global sobre a economia brasileira a partir de 2009.  

Por ora, o brasileiro parece satisfeito com as respostas de Lula. Mas a platéia está preocupada com a inflação e o desemprego.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TSE julga nesta 3ª cassação do governador do MA

Marcello Casal/ABr

Depois do paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB), vai ao patíbulo do TSE o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT).

Será julgada nesta terça (16) a ação movida contra Lago pela coligação da candidata derrotada por ele, Roseana Sarney (ex-PFL, hoje PMDB).

A principal acusação é a de que José Reinaldo Tavares (PSB), governador do Maranhão à época da eleição, teria usado a máquina do Estado em favor de Lago.

O "abuso do poder econômico e de autoridade" teria se materializado na forma de celebração de convênios do Estado com prefeituras.

Ex-ministro de José Sarney e ex-vice-governador de Roseana, José Reinaldo brigou com a família que o iniciara na política.

Na eleição de 2006, segundo a ação, Reinaldo teria beneficiado com os convênios supostamente "eleitoreiros" três candidatos anti-Sarney: além de Jackson Lago, Edson Vidigal (PSB) e Aderson Lago (PSDB).

O Ministério Público encampou a tese da acusação. Em parecer de 15 folhas, o vice-procurador Eleitoral Francisco Xavier Pinheiro Filho recomendou:

1. A cassação do mandato de Jackson Lago e do vice dele, Luiz Carlos Porto (PPS);

2. A posse de Roseana Sarney, segunda colocada na eleição.

A defesa de Lago é feita por Francisco Rezek, ex-ministro do STF e ex-presidente do próprio TSE.

Em memorial enviado ao relator do processo, ministro Eros Grau, Rezek classifica a ação contra seu clinete como "tentativa de golpe de Estado pela via judiciária".

Rezek ironiza a celeridade que o vice-procurador Eleitoral Francisco Xavier imprimiu ao processo que interessa aos Sarney.

Levantamento feito pela defesa constatou que o representante do Ministério Público só precisou de 16 dias para examinar 50 volumes. Coisa de 15 mil páginas.

Descobriu também que outros processos levados à análise do mesmo Francisco Xavier não vêm tendo a mesma prioridade.

Por exemplo: o procurador reteve por cerca de um ano ação contra o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT).

Devolveu-a ao TSE com o alerta de que Déda e o vice dele não haviam sido intimados para apresentar defesa.

Ouvidos os acusados, o processo retornou à mesa de Francisco Xavier em 15 de maio passado. E lá permanece até hoje.

Afora o realce que dá ao "tempo admiravelmente exíguo" que marca a tramitação do caso de Jackson Lago, Rezek tenta desqualificar o trabalho do procurador no mérito.

Anota que Francisco Xavier produziu uma "peça contaminada por gritantes contradições e equívocos jurídicos".

Sustenta, por exemplo, que, não foram beneficiados com os convênios tachados de "eleitoreiros" nem a capital, São Luís, nem a segunda maior cidade do Estado, Imperatriz.

Justamente as "principais responsáveis pela vitória de Lago." Nessas localidades, diz Rezek, seu cliente "venceu com as maiores diferenças de votação que teve a seu favor".

De resto, Rezek afirma que, a prevalecer o entendimento de que os convênios visavam favorecer três candidatos, teriam de ser anulados os votos de todos eles.

Neste caso, iriam ao lixo mais da metade dos votos "depoistados" pelo eleitor maranhense nas urnas de 2006. O que levaria à realização de novo pleito, não à posse de Roseana Sarney.

É que, segundo o entendimento de Rezek, o Código Eleitoral brasileiro determina que, "se a nulidade atingir dimensão superior à metade dos votos, haverá novas eleições".

São essas as questões sobre as quais os ministros do TSE terão de decidir nesta terça.

Escrito por Josias de Souza às 03h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Folha: Decreto não barra venda de tele par estrangeiro

- Globo: Alta do dólar elevará preço de energia e remédios

- Estadão: São Paulo deve rever leilão de rodovias

- JB: Shoppings ignoram crise

- Valor: S.A. terá de detalhar salário dos executivos

- Gazeta Mercantil: Linha do BC poderá custar até US$ 20,5 bi

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aves de mau agouro!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Por muito pouco, Bush não levou sapatada no Iraque

Leia sobre o tema aqui, aqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 01h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB e DEM oficalizam apoio a Temer na quarta-feira

  Folha
PSDB e DEM preparam-se para declarar o apoio conjunto à candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara.

O anúncio será feito nesta semana, num evento já pré-agendado para quarta-feira (17).

Com isso, a dobradinha que dará suporte à candidatura presidencial tucana, em 2010, mantém a política de boa vizinhança com o PMDB.

E Temer solidifica a condição de favorito na disputa interna da Câmara.

O deputado vai à disputa, em fevereiro de 2009, com o apoio de Lula e das principais lideranças partidárias.

Formalmente, já estão com Temer, além de PMDB e PT, o PTB, o PV e o PSC. Agora, virão PSDB e DEM.

É possível que na mesta quarta também o PSB do presidenciável Ciro Gomes (CE) se incorpore à caravana de Temer.

Ficariam de fora o PP de Ciro Nogueira (PI), rival de Temer na briga pela presidência, e um pedaço do PR, comprometido com Milton Monti (PR-SP), outro candidato.

O apoio das cúpulas partidárias não assegura necessariamente a vitória Temer. O voto em plenário é secreto.

Mas o PMDB costura acordos que inibem as traições em massa. Por exemplo: Temer assegurou a vice-presidência da Câmara ao PT, a primeira-secretaria ao PSDB e a terceira ao DEM.

De resto, comprometeu-se com o PSB a "democratizar" a escolha dos relatores de projetos relevantes.

Prometeu o seguinte: para cada dois projetos confiados a deputados do PMDB e do PT, destinará dois a parlamentares do chamado bloquinho (PSB, PDT, PCdoB, PRB e PMN).

Ciro Nogueira, o rival mais temível de Temer, joga suas fichas num eventual segundo turno. Acha que, se a eleição escorregar para o segundo round, Temer "terá menos votos do que no primeiro."

Temer dá de ombros: "Não acredito em mudanças de posição. Quem vota em mim vota em qualquer circustância".

Para reduzir o risco de segundo turno, os aliados de Temer tentam demover Osmar Serraglio (PMDB-PR) da idéia de concorrer ao comando da Câmara.

"O PMDB tem 94 deputados. Desses, 92 votaram a favor da minha candidatura. Foi uma decisão quase unânime", diz o próprio Temer.

"O Serraglio, respeitadíssimo por todos nós, não apareceu na reunião. Pela circunstância de ser um peemedebista, não ficaria bem para o partido se ele fosse candidato".

Escrito por Josias de Souza às 00h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Recandidatura de Garibaldi deve ir parar na Justiça

  Folha
A intenção de Garibaldi Alves de se recandidatar à presidência do Senado está a um passo de se converter num passivo judicial.

O PT do candidato Tião Viana (AC) já anuncia a intenção de recorrer à Justiça caso Garibaldi insista em se apresentar como candidato.

"Se esta candidatura não for questionada por pessoas do PMDB, será contestada [pelo PT]", apresasse-se em dizer a líder petista Ideli Salvatti (SC).

"Não vamos admitir uma nova afronta [à legislação], como a que o Garibaldi fez, naquele arroubo de devolver a medida provisória das filantrópicas ao governo".

Garibaldi decidiu se recandidatar depois de ouvir a opinião do ex-ministro do STF Francisco Rezek. Deu-se na última quinta-feira (11).

Divulgou-se erroneamente que Rezek teria emitido um parecer sobre o caso. Não é bem assim. Em verdade, ele forneceu a Garibaldi apenas uma impressão oral.

O repórter conversou há pouco com Rezek. Ouviu dele o seguinte: "O senador Garibaldi me mostrou um texto que expõe uma tese...

"...O texto, muito bem escrito, é de um advogado cujo nome não me recordo. Tinha a forma de uma consulta ao ex-ministro Paulo Brossard [do STF]..."

"...Dava seqüência a uma conversação prévia, visando a obter do ministro Brossard uma opinião sobre se ele concordava ou não com o exposto no texto..."

"...Um texto de mais ou menos três páginas. Depois de lê-lo, eu disse ao senador Garibaldi que aquela tese é perfeitamente defensável".

Chama-se Luiz Rodrigues Wandier o autor do texto manuseado por Rezek. Paulo Brossard, o verdadeiro destinatário, não pôde receber a peça.

Com problemas de saúde, Brossard foi hospitalizado na mesma quinta-feira em que Garibaldi decidiu socorrer-se de Rezek.

São dois os argumentos expostos nas três folhas redigidas pelo advogado Wandier. A mais relevante é a que realça a natureza excepcional da presidência de Garibaldi.

Ouça-se Rezek: "No caso específico de Garibaldi, essa consulta ao Borsdard lembra que quem foi eleito presidente no início da legislatura foi Renan Calheiros...

..."Portanto, nos termos da regra constitucional, Renan seria irreelegível, não Garibaldi. Renan, entretando, numa circunstância rara, renunciou ao cabo de dez meses..."

"...Num figurino atípico, numa liturgia totalmente excepcional, sem as sessões preparatórias, Garibaldi foi eletio para o mandato tampão..."

"E passou a exercer a presidência pelos 14 meses que restaram do mandato de Renan. Por esse motivo é duvidosa a aplicabilidade da regra da não-reeleição a Garibaldi..."

"...Não foi Garibaldi o eleito no início da legislatura. Não é ele que a regra constitucional declara claramente insuscetível de reeleição posterior subseqüente".

O segundo argumento exposto no texto que Brossard não pôde receber diz respeito a precedentes já abertos na Câmara e no Senado.

Na Câmara, Ulysses Guimarães já foi reeleito para a presidência. No Senado, José Sarney, ACM e o próprio Renan Calheiros.

Na conversa co Garibaldi, Rezek considerara que também esse pedaço do texto daria acolhida à recandidatura do senador.

Mas o repórter lembrou a Rezek que Ulysses, Sarney, ACM e Renan foram reeleitos no final do quadriênio que marca o período de uma legislatura.

Dá-se agora coisa diferente. A próxima sucessão interna do Senado ocorre no meio da legislatura, quando são decorridos apenas dois anos de mandato.

"Esse dado me passara despercebido", disse Rezek. "Nesse caso, remanesce como único argumento o fato de o mandato de Garibaldi ser complementar ao de Renan..."

"...Reside aí a originalidade no caso de Garibaldi. É defensável a tese de que ele se habilite como candidato para um biênio completo..."

"...O Senado estará interpretando a regra constitucional, em primeira mão, quanto à questão do mandato tampão. Tudo dependerá rigorosamente do cenário político".

E se houver questionamento judicial? Nesta hipótese, explica Rezek, caberá ao STF dar a palavra final. "Não dá para fazer a menor idéia de qual seria o resultado".

Rezek lembra recorre à memória: "Que me lembre, o Supremo tratou uma única vez desse assunto..."

O que decidiu o tribunal? "Disse apenas que essa questão da reeleição [para as mesas da Câmara e do Senado] é uma norma, não um princípio constitucional..."

"...É uma norma que, estabelecida na Constituição para o Congresso, não se impõe por cópia às casas legislativas dos Estados..."

"...Quanto ao mais, não houve ocasião, ao que eu saiba, de o Supremo convalidar ou desautorizar a reeleição na quebra de legislaturas".

Rezek disse ao repórter que não irá redigir um parecer. Explica que deu sua opinião graciosamente.

"Não tem cabimento trabalhar profissionalmente para o presidente do Senado ou para o Senado. Dei a ele uma opinião".

Garibaldi dá de ombros para o risco de sua recandidatura ir parar no Supremo: "A legalidade, segundo estou informado, só pode ser questionada depois da eleição".

Escrito por Josias de Souza às 18h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Droga antiaids brasileira é sete vezes mais cara

Como se sabe, a estratégia adotada no Brasil para combater a proliferação da Aids tornou-se, por exitosa, uma referência mundial.

Porém, o sucesso do programa convive com uma distorção que envenena os custos impostos ao erário.

Os remédios genéricos anti-retrovirais produzidos no Brasil chegam a custar até sete vezes mais do que os similares fabricados em outros países.

O problema não é ignorado pelo Ministério da Saúde. Ali, alega-se que os remédios brasileiros são mais caros porque a produção é feita em menor escala.

Alega-se, de resto, que há dificuldades para a compra de matéria-prima e que faltaria ao país uma política industrial para o setor farmacêutico.

Suspeita-se que, sob o cipoal de desculpas, dorme um certo comodismo que infelicita a atividade dos laboratórios oficiais.

O grosso da verba do programa de combate à Aids (72%) é usado para comprar remédios protegidos por patentes.

Como os genéricos consumem uma fatia menor do orçamento, o debate sobre os custos acaba sendo negligenciado. Passa da hora de levar os números à mesa.

Deve-se ao ex-ministro José Serra (Saúde) o movimento que levou à quebra de patentes de medicamentos anti-aids. Vem daí o início da produção nacional.

O gesto desceu à crônica do combate à Aids no Brasil como raro exemplo de coragem na administração pública.

Arrisca-se a virar mero capricho se o gostinho da afronta continuar impondo custos adicionais ao contribuinte brasileiro.

Escrito por Josias de Souza às 17h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo quer tonificar o crédito imobiliário em 50%

  Sérgio Lima/Folha
A novidade será anunciada em janeiro de 2009. Quem informa é o ministro Guido Mantega.

O titular da Fazenda conversou com os repórteres Vinicius Torres Freire e Guilherme Barros, da Folha.

Vai abaixo um extrato da notícia produzida pela dupla:

1. Planeja-se aumentar para 900 mil, em 2009, o número de residências financiadas pela Caixa Econômica Federal e por casas bancárias privadas.

Não é pouca coisa. O ano de 2008 deve fechar com a marca de 600 mil moradias financiadas.

Ou seja, se for cumprida a promessa, o número de contratos de financiamento imobiliário crescerá 50%.

2. Além da tônico imobiliário, o ministro anuncia para janeiro investimentos para o setor de infra-estrutra. PAC 2?, perguntou-se a Mantega.

E ele: "Não tem nada de PAC 2, mas serão novidades importantes para o financiamento do setor".

3. De resto, Mantega informa que o BNDES vai dispor de R$ 110 bilhões para emprestar no ano da graça de 2009.

Nem tudo é dinheiro novo. O bancão já dispõe de R$ 50 bilhões. O ministro diz que o governo vai prover mais R$ 60 bilhões.

De onde virá a grana? Mantega não soube dizer. Mas soou peremptório. Disse que os cifrões vão aparecer, "custe o que custar".

Escrito por Josias de Souza às 03h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Modernidade tucana atura placidamente o arcaísmo

  AP
Vai abaixo um naco do quindão servido pelo repórter Elio Gaspari em seu artigo deste domingo (14), na Folha (só assinantes):

"- Falso Brilhante: O PSDB combate o mandarinato petista apresentando-se como o partido da modernidade, adversário dos interesses aparelhados e corruptos.

Tudo bem, mas os candidatos José Serra e Aécio Neves deveriam iniciar gestões para dar de presente ao PT os governadores tucanos José de Anchieta Jr. (Roraima) e Cássio Cunha Lima (Paraíba).

Um está com o mandato cassado pelo Superior Tribunal de Justiça. O outro é o paladino dos fazendeiros que invadiram terras da União em Roraima. Sua clarividência levou uma surra de 8 x 0 no Supremo Tribunal".

Escrito por Josias de Souza às 02h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula planeja 'vender' Dilma como Bachelet do Brasil

Em conversa com um grão-petista, Lula revelou parte da estratégia que pretende adotar na sua sucessão.

Vai injetar na disputa presidencial de 2010 um debate de gênero: testosterona versus estrogênio.

Apresentará Dilma Rousseff como uma espécie de Michelle Bachelet brasileira.

O presidente identifica semelhanças entre o Brasil de Lula e o Chile de Ricardo Lagos.

Lagos conduziu um governo de "concertación". Lula tem sob si uma "coalizão". Como Dilma, Bachelet foi ministra antes de eleger-se presidente.

Michelle Bachelet foi, primeiro, ministra da Saúde de Lagos. Depois, a despeito de ser filha de um general morto nos cárceres da ditadura Pinochet, foi à pasta da Defesa.

Prevaleceu como candidata do governo à sucessão de Lagos numa prévia disputada com outra mulher: Soledad Alvear, então ministra das Relações Exteriores.

Para Lula, aliando a apregoada "competência técnica" ao sexo de Dilma, o governo levará à sucessão um nome muito competitivo.

Acha que o fato de a ministra ser mulher funcionará como diferencial positivo: "Chegou a hora de o Brasil ter uma presidenta", diz.

No momento, Lula empenha-se em convencer os partidos que o rodeiam a se unirem já no primeiro turno de 2010.

Espera dobrar as resistências até meados de 2009. Na impossiblidade de acomodar todas as legendas ao redor de Dilma, espera ter ao menos o apoio do PMDB.

Mantém a pretensão de pinçar do maior partido do consórcio governista um candidato a vice para compor a chapa com Dilma.

Depois de eleita sucessora de Ricardo Lagos, Michelle Bachelet abriu um discurso ao povo chileno assim:

"Boa noite, amigos e amigas. Quem pensaria? Quem pensaria, vinte, dez ou cinco anos atrás, que o Chile elegeria uma mulher para presidente?".

Lula sonha com o dia em que Dilma pronunciará uma frase semelhante.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Globo: 'Royalties': Rio perderá R$ 1,2 bilhão em 2009

- Folha: Governo prepara pacote habitacional

- Estadão: Dobra número de empresas com excesso de estoques

- JB: O Natal de quem precisa de você

- Valor: Renúncia de R$ 8,4 bilhões busca estimular consumo

- Gazeta Mercantil: Renúncia fiscal vai liberar R$ 8,4 bilhões à economia

- Veja: Vida e morte de novela

- Época: Drogas, traição&morte

- IstoÉ: Energia verde

- IstoÉ Dinheiro: Ajuste, invente, invista

- Exame: O luxo descobre o Brasil

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Compre!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

8 em cada 10 brasileiros não ouviram falar do AI-5

O Brasil tem fama de país sem memória. Deve ser verdade.

O brasileiro lida com o seu passado como um garçom de lanchonete.

O sujeito é capaz de guardar um lote de pedidos sem anotá-los.

Memória prodigiosa? Não. O bom garçom é um mestre na arte de esquecer.

Só retém o essencial. Apaga de suas sinapses o que já não lhe é útil.

O famigerado AI-5 está fazendo aniversário. Quarenta anos.

Tinha tudo para passar à história como um passado que não passa.

No entanto, o país o trata como se ele não tivesse existido.

82% dos patrícios ignoram completamente o Ato Institucional nº 5.

Esquece-se que lembrar é, por vezes, tão essencial à vida quanto esquecer.

Não é à toa que Joaquim Nabuco criou a Nossa Senhora do Esquecimento.

"Notre Dame de l'Oubli", eis como ele a chamava, assim, em francês.

A santa do esquecimento protege os deserdados da história.

Permite que protagonistas de um passado sujo desfilem pelo presente com prontuários limpos.

Muitos deles estão aí mesmo, ao lado de Lula, posando de heróis da resistência.

Se você não quer bancar o garçom de lanchonete, convém inteirar-se.

Pressionando aqui, chega-se ao áudio da reunião que mergulhou o Brasil nas trevas.

Escrito por Josias de Souza às 23h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Neomendigos!

Adão

Via blog do Adão.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Socorro às montadoras tirou verbas dos municípios

Stock Images

O último pacote anticrise mal foi anunciado e já rende críticas ao governo. A chiadeira vem dos municípios.

Ao reduzir o IPI de automóveis, o ministério da Fazenda mexeu num vespeiro que inclui os prefeitos dos 5.564 municípios do país.

O IPI é um dos impostos federais que compõem o FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

O Tesouro Nacional é obrigado a repassar para as cidades uma fatia (17%) do bolo de tributos coletados pela Receita Federal.

Reunidos num seminário que acontece no Recife, os prefeitos do PSB, partido do presidenciável Ciro Gomes, queixaram-se da novidade.

Ouça-se, por exemplo, o que diz Valdomiro Lopes, prefeito eleito do município paulista de São José do Rio Preto:

"O presidente [Lula] está com boa vontade e o governo está fazendo sua parte no sentido de manter a economia em alta..."

"...Mas quando você tira o IPI dos carros, facilita a vida do empresário e acaba diminuindo os repasses para as cidades".

O prefeito reeleito da cidade gaúcha de Santana do Livramento, Wainer Machado, ecoa o colega de Rio Preto:

"Lamento que o governo tenha reduzido o IPI sobre os automóveis, pois ele é um dos fatores que compõem o Fundo de Participação dos Municípios..."

"...Isso mostra que somos nós que vamos ter que pagar a conta da crise".

Ricardo Coutinho, futuro prefeito de João Pessoa, capital paraibana, pressionou a mesma tecla:

"As cidades recebem 17% do bolo tributário nacional e são responsáveis por grande parte das ações públicas..."

Ações "...como saúde, educação, trânsito. E numa época como essa, a gente não pode arriscar diminuir a receita de um ente público já tão sacrificado quanto a prefeitura".

A manifestação dos prefeitos ajuda a explicar por que a reforma tributária é uma proposta que nunca avança no Brasil.

Na retórica, todos os gestores públicos brasileitos -presidente, governadores e prefeitos-são a favor da reformulação do modelo tributário.

Desde que a mudança conduza a uma elavação do bolo tributário destinado a cada um.

Escrito por Josias de Souza às 18h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em favela do Quênia, o lixo é convertido em energia

Escrito por Josias de Souza às 17h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Geddel: 'Renan Calheiros constrange e expõe PMDB'

  Valter Campanato/ABr
Liderança ascendente do PMDB, o ministro Geddel Veira Lima (Integração Nacional) perdeu a paciência com as manobras que o partido dele faz no Senado.

Para Geddel, joga-se no Congresso um jogo que pode "solidificar ou esgarçar a relação dos dois maiores partidos da base de Lula".

Em entrevista ao repórter Felipe Patury, de Veja, disse que é preciso encontrar uma "solução harmônica", sob pena de envenenar a parceria de 2010.

"O melhor para o governo", diz ele, "é que o PMDB fique com a Câmara [Michel Temer] e ceda o Senado" para o PT [Tião Viana].

Aos peemedebistas que ambicionam o controle das duas Casas com o propósito de transformar Lula em refém, Geddel reserva a acidez:

"Só acreditaria que Lula se tornaria refém se os líderes do PMDB fossem canalhas que quisessem chantageá-lo".

O ministro acha "justa" a ambição que se esconde atrás da costura de Renan Calheiros, general da tropa que almeja acomodar José Sarney no comando do Senado.

"Só que quem quer Justiça recorre às cortes, não faz política", Geddel ressalva. Sobre a suspeita de que os senadores do PMDB esticam a corda para arrancar mais cargos de Lula, ele diz:

"Se isso está ocorrendo, considero lamentável". Instado a comentar a pretensão de Renan de tornar-se líder do governo no Senado, o ministro afirma:

O "Renan está constrangendo e expondo o partido de forma desnecessária". Em suma: Geddel diz em público o que Lula e os petistas sussuram a portas fechadas.

Tomado pelo timbre, o ministro poderia ser confundido com um cabo eleitoral prematuro da presidenciável petista Dilma Rousseff.

Mas não é bem assim. Geddel diz que "o PMDB não vai apunhalar" Lula. "Mas também é ilusão achar que vai apoiar um petista para presidente em 2010, 2014, 2018..."

Segundo ele, "só não haveria dificuldade [em relação a 2010] se o candidato fosse o presidente Lula".

Como não é, "há setores do PMDB que não querem manter a aliança com o PT". O ministro diz que vai defender "o apoio ao candidato de Lula".

Porém, o ex-aliado de FHC e apoiador de Serra em 2002, deixa escancarada uma janela para a eventual composição do PMDB com o tucanato:

"A verdade é que os partidos costumam fazer alianças por um tempo determinado. O PMDB não é o PT..."

"...É legítimo, portanto, que em dado momento possa tomar uma atitude diferente".

Geddel não vê um projeto presidencial viável dentro do PMDB. Acha que "faltam lideranças nacionais no cenário político".

Na lista de líderes disponíveis, o ministro não inclui o nome de Dilma: "Hoje, as lideranças do país são Lula e o governador de São Paulo, José Serra..."

"...Há um quadro novo surgindo, mas ainda não testado nas urnas, que é [o governador de Minas Gerais] Aécio Neves..."

"...Fora esses nomes, a vida pública nacional é só aridez".

Escrito por Josias de Souza às 04h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Globo: AI-5 entre o falado e o escrito

- Folha: Governo decide garantir a operação de banco pequeno

- Estadão: Arrecadação cai e Receita faz blitz em grandes empresas

- JB: AI-5 40 anos

- Correio: Aprovado aumento do IPTU e do IPVA

- Valor: Renúncia de R$ 8,4 bilhões busca estimular consumo

- Gazeta Mercantil: Renúncia fiscal vai liberar R$ 8,4 bilhões à economia

- Estado de Minas: IPVA cai até 16%

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ânimo, rapazes!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Garibaldi decide disputar o Senado com Tião Viana

Garibaldi Alves (PMDB-RN), atual presidente do Senado, decidiu disputar a reeleição.

"O PMDB está perdendo muito tempo", disse Garibaldi ao blog.

"Se a bancada quer mesmo um candidato próprio no Senado, agora já tem".

Garibaldi passou a sexta-feira (12) pendurado ao celular.

Ligou para os outros 19 senadores que compõem a bancada do PMDB. Disse-lhes:

1. Dispõe de uma opinião jurídica que atesta a legalidade de sua pretensão;

2. Emitiu-a o ex-minsitro do STF Francisco Rezek;

3. Repassada oralmente, a opinião de Rezek será convertida num parecer formal.

4. Munido do parecer, Garibaldi quer que o partido referende a candidatura dele.

"Estou decidido a disputar. Falei com cada um dos senadores do PMDB pelo telefone. A grande maioria mostrou-se muito favorável..."

"...O próprio [José] Sarney, grande eleitor e, até então o possível candidato, também manifestou simpatia".

Garibaldi decidiu escorar sua candidatura num parecer jurídico porque há no Congresso fundadas dúvidas quanto à legalidade de seus planos.

Até aqui, vem prevalecendo o entendimento de que, em meio de legislatura, os presidentes da Câmara e do Senado não podem ser reconduzidos ao cargo.

Já houve casos de reeleição -Ulysses Guimarães, na Câmara; José Sarney e ACM, no Senado. Mas sempre na virada de uma legislatura para outra.

Agora surge a novidade do parecer de Rezek. "Ele não me deu detalhes", afirma Garibaldi. "Mas deixou claro que a possibilidade existe e não é  inconstitucional".

Para reforçar o entendimento de Rezek, Garibaldi encomendou a outro ex-ministro do STF um segundo parecer.

Como a análise ainda não foi concluída, o senador evita divulgar o nome do parecerista. "Só falo do Rezek porque ele me autorizou enfaticamente a revelar".

A dúvida que se tenta dirimir salta do parágrafo 4º do artigo 57 da Constituição. Anota o seguinte:

"Cada uma das Casas [Senado e Câmara] reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura..."

"...Para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de dois anos..."

"...Vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente".

Na opinião de Tião Viana (AC), candidato do PT à cadeira que Garibaldi deseja reter, o texto da Constituição é cristalino. Acha que Garibaldi está impedido de disputar a reeleição.

Garibaldi, porém, animado com o que ouviu de Francisco Rezek, pensa de outro modo.

O PMDB do Senado reúne sua bancada na quarta-feira (17) da semana que vem. "A decisão de levar o meu nome à bancada está tomada", disse Garibaldi ao repórter.

Já telefonou até para os líderes de oposição. Conseguiu falar com José Agripino Maia (RN), do DEM. Deixou recado para Arthur Virgílio (AM), do PSDB.

"Falarei com todos os líderes. Mas é apenas uma comunicação. A negociação de fato se dará de partido para partido..."

"Quero me tornar candidato oficial do PMDB. Tendo o apoio formal do partido, posso negociar com os outros".

Escrito por Josias de Souza às 23h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ciro: 'Reduzir tributos é erro; elevar juros, estupidez'

Wilson Dias/ABr

Ciro Gomes, o presidenciável do PSB, voltou a expor a cara na vitrine. E o fez à sua maneira, em timbre estrepitoso.

Quebrou o silêncio que se auto-impusera em relação à política econômica da era Lula.

Um silêncio obsequioso, que durou, pelas contas do próprio Ciro, seis anos.

Num encontro do PSB, no Recife, Ciro sentiu-se à vontade para mover os lábios.

Num instante em que o governo reage à crise podando impostos e preservando os juros, Ciro disso o seguinte:

"Reduzir tributos é uma resposta errada, aumentar juros é uma resposta estúpida. Acrescentou um concorrente interno que não precisava existir".

Vão abaixo trechos de uma entrevista do presidenciável veiculada pelo Diário de Pernambuco:

- O Brasil responde bem à crise? Ainda não. Gosto de ver o que o presidente Lula está fazendo ante uma crítica destrutiva dos velhos e de sempre setores aliados da mídia do Sudeste. O papel do presidente da República é animar a sociedade, porque uma fração central dessa crise é subjetiva, é uma crise de confiança [...]. O componente físico da crise também lá fora não tem a ver com o Brasil, porque o juro brasileiro é tão cronicamente alto há tanto tempo que neste mercado louco de derivativos que deu origem à crise internacional os bancos do Brasil não entraram. Porque aplicação financeira é um misto de segurança e rentabilidade. No Brasil, essa política ruinosa de juros ao longo de 25 anos garante segurança e altíssima rentabilidade. Então, os bancos brasileiros não foram e estão especulando com a crise. Essa primeira parte está correta, de tomar iniciativas, mas tem uma questão de modelo. Reduzir tributos é uma resposta errada, aumentar juros é uma resposta estúpida - acrescentou um concorrente interno que não precisava existir.

- Efeitos da crise no Brasil: Desta vez, não quebraremos. Graças ao Lula, nestes dois séculos, dada uma crise de liquidez internacional, pela primeira vez o Brasil não quebra. O efeito será que nós vamos cair para menos da metade a taxa de crescimento econômico. Não acredito que nós iremos crescer a mais de 2,5%. O que não é suficiente para garantir os ganhos de produtividade e a chegada de 2,6 milhões jovens ao mercado de trabalho. O que quer dizer que a taxa de desemprego que caiu em todos os meses do governo lula vai voltar a subir.

- Será candidato em 2010? 2009 vem depois de 2008 e 2010 só depois de 2009.

- E quanto a Dilma? A Dilma é uma pessoa extremamente qualificada, o PT é o principal partido do Brasil, com todos as suas virtudes e mazelas. Então, que eles se preparem para disputar a candidatura e que o capital político do Lula seja emprestado a esse ou aquele candidato e a ministra Dilma tem todas as qualidades. Para mim está dentro do normal, do previsto.

- E o PSB, não terá candidato? O partido tem o Eduardo Campos, que tem todos os talentos e tem uma vantagem com relação a mim, que é essa juventude extraordinária que não tenho mais. Enfim, nós temos vários nomes e o bom é isso, que nenhum de nós está obsessivamente querendo ser candidato. E todos nós, sendo chamados, teremos que ser.

- Qual será o desafio do próximo presidente? Tem o desafio de modelo econômico, que só é possível discutir com paz e com tranqüilidade pelo avanço extraordinário que o governo Lula representou. Por que o Brasil não vai quebrar desta vez? Todas as vezes ao longo de dois séculos, já no governo Fernando Henrique, nós quebramos três vezes. Todas as vezes que a liquidez internacional contraiu uma crisezinha qualquer, o brasil quebrava. Dessa vez, o Lula inverteu a equação. Nós temos mais reservas.

- O que acha da coalização PT-PMDB? A política que o Brasil precisa é volume? Eu acho que não. O PMDB tem grandes virtudes, mas ao mesmo tempo, grandes competições como base. Se essa coalisão PT-PMDB se dá pela contradição e não pelas virtudes, eu me preocupo. Aliás é antiga a minha preocupação, eu fiz essa mesma crítica com Fernando Henrique e a rigor é a mesma turma.

- Por que poupa Lula das críticas? Todos os grandes avanços do Brasil foram Lula contra (a própria máquina do) governo. O Banco Central do Brasil trabalha para contrair o crédito e Lula, para expandir o crédito do BNDES, da construção civil, do Pronaf (agricultura familiar), empréstimos consignados para os aposentados e assalariados do país.

Escrito por Josias de Souza às 20h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Dilma abre encontro petista com críticas à era FHC

Antônio Cruz/ABr

Nesta sexta (11), Dilma Rousseff trocou o expediente de ministra pela agenda de candidata.

Discursou na abertura de um encontro de prefeitos do PT, num hotel de Brasília.

Na aparência, a candidata é muito diferente da ministra. É mais risonha.

Foi vestida a caráter. Recobriu o corpo com um terninho vermelho-PT.

A troca dos óculos de aro grosso por lentes de contato deu-lhe um cenho menos sombrio.

No discurso, a presidenciável faz lembrar o presidente que constrói a candidatura dela.

Agarrada a imagens encontradiças nas falas de Lula, Dilma investiu contra o tucanato.

Para desancar a gestão de FHC, a candidatura recorreu à comparação:

"A nossa visão de Estado não é neoliberal", disse ela a certa altura.

"Somos um governo com responsabilidade fiscal, mas também social".

"Quando um governo [...] escolhe entre fazer ou não o Bolsa Família, ele escolhe fazer a política legítima".

Dilma realçou também diferenças econômicas. Disse que a situação atual é oposta à da fase pré-Lula:

"Nós, hoje, temos uma situação completamente diferente do que existia antes de 2003..."

"...Uma situação que construímos e a capacidade do governo de reagir perante a crise."

Interrompeu-se, no dizer da ministra-candidata, o "ciclo ocioso" do Brasil.

"Nas crises até 2001, 2002, a crise começava lá fora, contaminava o Brasil pelo câmbio..."

"...Éramos frágeis e quebrávamos. Aí íamos ao Fundo Monetário..."

E o FMI "mandava cortar investimentos sociais. A diferença é radical, temos todos os investimentos para reagir".

A aparição de Dilma teve efeitos instantâneos.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, viu-se compelido a afirmar: "Não há nenhuma resistência a ela no partido".

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que, na pele de candidata, a ministra começa mal:

"Se a ministra quer ser candidata, tem que dizer o que pretende fazer. Esse discurso de olhar para trás é inadequado para quem quer pensar o futuro".

Escrito por Josias de Souza às 19h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois do 'sifu', Lula chama críticos de 'imbecis'

Jorge Araújo/Folha

Lula foi a Belo Horizonte nesta sexta (12). Estava, por assim dizer, cercado de plumas.

Tinha ao seu lado o governador mineiro Aécio Neves.

Entregou apartamentos populares erigidos numa avenida chamada Cardoso.

O logradouro fica em localidade de nome igualmente sugestivo: Aglomerado da Serra.

Envolvido por tantas imagens tucanas, Lula pôs-se a deblaterar contra seus críticos.

Nomeou-os como "comentaristas e articulistas". É "gente que toce" pela crise.

Uma semana depois do discurso do "sifu", Lula declarou:

"O imbecil não sabe que se a crise vier o derrotado não será o governo..."

O derrotado "será o País, que está experimentando o maior índice de crescimento da sua história".

No discurso de BH, Lula referiu-se a Barack Obama como uma espécie de pós-Lula.

"Na verdade, acho que ele vai fazer um PAC, acho que ele vai fazer um PAC lá..."

"...É que ele está prometendo criar 2 milhões de empregos até 2011..."

"...Somente este ano, no Brasil, de janeiro a outubro, nós criamos 2,2 milhões de empregos com carteira profissional assinada".

Dois dias depois de o Copom ter conservado os juros nas alturas (13.75%), Lula cobrou dos bancos uma redução nas taxas:

"A economia brasileira é sadia. Temos dinheiro no Tesouro para financiar o crédito, os bancos têm que baixar os juros..."

"...As indústrias têm que baixar os preços dos produtos, o número de prestações tem que caber no bolso do consumidor".

Dessa vez, para gáudio da platéia, Lula não recorreu a nenhuma "marolice". Ele agora já reconhece a crise.

Uma encrenca que "nasceu no coração da economia mais rica do planeta..."

"...É uma crise que os EUA estão exportando para o mundo..."

"...É preciso saber a que tamanho que ela pode chegar. E nós poderemos definir o tamanho que esta crise pode chegar ao Brasil".

Escrito por Josias de Souza às 18h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Contra a crise, São Paulo serve genéricos de Brasília

  Bruno Miranda/Folha
Sob FHC, José Serra foi o ministro dos genéricos.

Sob si próprio, Serra tornou-se o próprio genérico.

Submetido à crise global, o governador tucano de São Paulo freqüenta o noticiário como genérico de Lula.

Contra os males da crise, Serra vem servindo, em âmbito estadual, versões módicas de remédios que Lula administra na esfera federal.

Nesta sexta (12), o genérico voltou a mimetizar o genuíno. Serra baixou medidas análogas às contidas no pacote que Lula desembrulhara na véspera.

Os rótulos são ligeiramente diferentes. Mas as receitas contêm os mesmos princípios ativos anticrise: analgésicos tributários e tônicos creditícios.

A mistura vem diluída em generosas doses de  [#*+#&!*z*){ª}?/°+[]§£¹] antiCompom.  

Os remédios de São Paulo e de Brasília surtem os mesmos efeitos benfazejos no organismo da economia, debilitado pela crise.

Mas a fórmula de Serra provoca um curioso efeito colateral. Uma ziquizira política: o presidenciável do PSDB informa à platéia que a fórmula do presidente do PT é boa.

Escrito por Josias de Souza às 17h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Candidata, Dilma não dispensa nem 'jantar musical'

Valter Campanato/ABr

A noite foi animada por uma dupla de músicos gaúchos. A certa altura, Dilma Rousseff encomendou a execução de um tango: El Dia Que Me Quieras.

Estimulada por Lula, Dilma apressa o passo de presidenciável. Tenta abreviar a chegada do dia em que a queiram como candidata à sucessão do chefe.

Antes reclusa, a ministra agora recebe um número crescente de políticos em seu gabinete. Mais: ela vai gostosamente ao encontro deles.

Na noite de quarta (10), a sisuda Dilma desfilou sorrisos num jantar. Foi organizado com o propósito de prestigiar Tião Viana (AC), candidato do PT ao comando do Senado.

Deu-se no Lago Norte, bairro chique de Brasília, na casa de um assessor petista do Senado, o gaúcho José Pinto.

Dilma viu e foi vista por cerca de 25 senadores do consórcio governista. Entre eles um generoso Eduardo Suplicy (PT-SP).

Passos mansos, Suplicy aproximou-se dos músicos. Apoderou-se do microfone. E, súbito, pôs-se a cantar.

Entoou o clássico de Bob Dylan: 'Blowin' in the Wind. Uma peça que costuma despejar sobre platéias as mais variadas -de participantes de uma assembléia no Iraque a estudantes beneficados com o Prouni.

Antes de soltar a voz, Suplicy pespegou: "Dedico essa música à futura presidente do Brasil". O riso de Dilma, que já fluía com naturalidade, jorrou-lhe em catadupas.

Ao lado da ministra-candidata, um senador festejou: "Pelo menos o risco de uma prévia no PT já está afastado".

Suplicy soou mais afinado do que o "cantor" que assomou ao palco depois dele: o ministro José Múcio, coordenador político de Lula.

Múcio enfiou tímpanos abaixo um "pout-pourri" de Roberto e Erasmo Carlos. Incluiu "Amigo". Começa assim: "Você meu amigo de fé, meu irmão camarada..."

A presença do ministro num jantar dedicado a Tião Viana causara certa surpresa. À boca pequena, diz-se que Múcio torce o nariz para o senador petista.

"Agora quero ver se alguém se anima a dizer que não estou com você", disse Múcio a Tião. O ministro não era a única presença inusitada.

Foram ao jantar cinco senadores do PMDB: Garibaldi Alves (RN), Valdir Raupp (RO), Romero Jucá (RR), José Maranhão (PB) e Leomar Quintanilha (TO).

Exceto por Jucá, fechado com Tião, os demais defenderam, em reunião da bancada do PMDB realizada na semana passada, o lançamento de um candidato do partido.

Sentado na mesa de Tião, Garibaldi disse: "O Sarney está doido para ser [presidente do Senado]. Mas ele só quer se for ungido".

Depois, acrescentou: "Se a legislação me amparasse, eu também poderia ser". Entre risos, Tião Viana atalhou a prosa de Garibaldi: "Não pode".

Referia-se ao veto à reeleição de presidentes do Senado em meio de legislatura. A recondução ao cargo só é permitida na virada de uma legislatura para outra.

Para sorte de Dilma, também Lula convive com limitações de ordem legal. A Constituição proíbe a re-reeleição.

Daí o desejo do presidente de converter a ministra em continuadora de sua obra. Um projeto que faz surgir em Brasília uma nova Dilma.

Nesta sexta (12), a preferida de Lula volta a se vestir de presidenciável. Ela vai discursar na abertura de um encontro de prefeitos do PT.

Dilmar está no ar. Quer ver e ser vista. Sonha com o dia em que a queiram. A julgar pelo último Datafolha, faltam-lhe, por ora, votos. Mas pelo menos de uma prévia com Suplicy a ministra já se livrou.

Escrito por Josias de Souza às 05h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Disputa por lideranças abre crise no PMDB do Senado

Wilson Dias/ABr

O PMDB do Senado está imerso numa crise interna. O nome da encrenca é Renan Calheiros (AL).

Decidido a reassumir o papel de protagonista que perdera quando seu mandato esteve sob risco, Renan quer ser líder.

Levou à alça de mira o colega Valdir Raupp (RR), atual líder da bancada do PMDB no Senado. Renan quer tomar-lhe o posto.

Raupp pintou-se para a guerra. Resiste como pode. E Romero Jucá (RR), farejou na queda-de-braço um cheiro de queimado.

Líder de Lula no Senado, Jucá concluiu que também o posto dele tornou-se objeto de desejo de Renan.

A exemplo de Raupp, Jucá arma-se para o confronto. Reivindica de Lula sua manutenção na liderança do governo em 2009.

Na noite de quarta-feira (10), Jucá e Raupp deram as caras num jantar governista convocado para prestigiar a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado.

Ao saber da novidade, Renan ficou tiririca. O ex-quase-cassado joga todo o seu surpreendente prestígio num projeto alternativo ao de Tião. Quer ver na cadeira de presidente um nome do PMDB.

Tião Viana apressou-se em avisar a Renan que não há digitais suas na movimentação de Raupp e Jucá. Disse que não deseja meter o bedelho em questões internas do PMDB.

No jantar de quarta, ao qual compareceram cerca de 25 senadores, Raupp disse a Jucá que dispõe de 11 dos 20 votos disponíveis na bancada do PMDB.

Jucá aconselhou o colega a converter o alegado apoio numa lista de assinaturas. Algo que fulminaria a pretensão de Renan de virar líder do partido.

O diabo é que Renan alega dispor de 14 dos 20 votos do PMDB. Ou tem muito senador mentindo ou Raupp não sabe o que diz ou Renan blefa.

Até o final da noite desta quinta (11), Raupp não aparecera com a tal lista de apoio. Quanto a Jucá, teve encontro privado com Lula.

Foi ao Planalto acompanhado do governador de Roraima, José de Anchiera Júnior. Não se sabe se encontrou brecha para enfiar na reunião o tema da liderança. Um assunto que tornou-se vital para o senador.

Até a semana passada, Jucá trazia no bolso do colete a promessa do deputado Michel Temer (SP) de ceder-lhe a presidência do PMDB depois que estivesse acomodado na poltrona de presidente da Câmara.

O compromisso estava condicionado, porém, a um acerto do PMDB do Senado com a candidatura do petista Tião Viana. Uma retribuição ao PT, que, na Câmara, diz estar fechado com Temer.

Como os senadores peemedebistas, Renan à frente, insistem em pôr de pé uma candidatura alternativa à de Tião, o trato com Temer virou pó.

Ou Jucá arranca de Lula a renovação do mandato de líder ou arrisca-se a ficar fora da vitrine no ano pré-eleitoral de 2009. Uma fase em que Renan, o indestrutível, deseja dar as cartas.

Escrito por Josias de Souza às 03h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comissão aprova relatório com arrecadação menor

  Fábio Pozzebom/ABr
A Comissão de Orçamento do Congresso aprovou o relatório que estima a arrecadação de tributos para o ano de 2009.

O texto foi preparado pelo deputado Jorge Khoury (DEM-BA). Estima que a crise produzirá uma queda na coleta de tributos de R$ 15,34 bilhões.

Vem agora a parte mais espinhosa. O relator-geral do Orçamento, senador Delcídio Amaral (PT-MS), na foto, terá de definir os cortes.

Estima-se o tamanho da tesourada em R$ 10 bilhões. Delcídio informa que sua decisão não será solitária. Trabalha em dobradinha com o ministério do Planejamento.

Imagina que, assim, produzirá um relatório mais realista. Mantém-se a disposição de manter a salvo da tesoura os gastos sociais e os investimentos.

Curiosamente, a previsão de perda de receita (R$ 15,34 bilhões) foi feita antes do pacote anticrise desembrulhado pelo governo nesta quinta (11).

Um pacote cuja generosidade natalina custará ao fisco uma perda estimada pelo próprio governo em R$ 8,4 bilhões. Ou seja, ao menos em tese o buraco é maior.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Globo: Pacote pró-consumo reduz IR e isenta carro popular de imposto

- Folha: Pacote reduz IR e incentiva consumo

- Estadão: Classe média vai pagar menor imposto de renda

- JB: Contra a crise, menos imposto

- Correio: Natal do Lula tem crédito e carro zero

- Valor: Renúncia de R$ 8,4 bilhões busca estimular consumo

- Gazeta Mercantil: Renúncia fiscal vai liberar R$ 8,4 bilhões à economia

- Estado de Minas: Para iluminar o Natal e salvar 2009

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vendas!

Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Meirelles acenou a empresários com corte nos juros

Lula promoteu investimentos e pediu manutenção de empregos

Antônio Cruz/ABr

Durou cerca de quatro horas e meia a reunião de Lula e seus auxiliares econômicos com a nata do empresariado nacional.

Deu-se a portas fechadas, no Planalto, antes do anúncio do novo pacote anticrise baixado pelo governo.

O presidente assegurou a palavra a todos os executivos de empresas que quiseram falar. Trovejaram críticas contra a Selic, taxa de juros oficial.

Presente à reunião, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, fez um aceno aos queixosos. Disse que não está descartada a hipótese de redução da Selic.

Não se comprometeu, porém, com prazos. Afirmou que o BC vai recorrer à faca no momento em que estiver claro que há condições para passar os juros na lâmina sem comprometer as metas de inflação.

Na noite da véspera, sob a presidência de Meirelles, o Copom (Comitê de Política Monetária) mantivera os juros em 13,75% ao ano. Daí a chiadeira.

Ouviu-se na reunião do Planalto a avaliação de que, com a crise, o conservadorismo do BC já não se justificaria.

Lula escutou com muita atenção as observações dos convidados. Em certos momentos, tomou nota. Ao se manifestar, o presidente disse:

1. O governo fará o que for necessário para manter aquecido o consumo. Uma referência às medidas que seriam anunciadas depois da reunião e às providências que ainda estão por vir;

2. Está preocupado com a preservação do nível de emprego. Pediu aos empresários que conservem as suas folhas de pagamento;

3. O orçamento público de 2009 sofrerá ajustes. Mas os cortes incidirão sobre o custeio da máquina. Não há intenção de reduzir investimentos públicos;

4. Admitiu que não são boas as previsões oficiais para os primeiros três meses de 2009. Mas estimou que o cenário tende a melhorar nos meses subseqüentes;

O empresário que relatou os detalhes do encontro ao blog disse ter voltado "mais tranqüilo" para São Paulo.

Por que? Recolheu da conversa de Brasília a impressão de que o presidente se deu conta da gravidade da crise. E reage à encrenca "na direção correta".

Escrito por Josias de Souza às 01h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois da 'Abin Tabajara', uma 'Abin ginecológica'

Ao imprimir as digitais na Satiagraha, a Abin revelara o seu lado Tabajara.

Agora, a agência freqüenta o noticiário em nova fase. Uma fase ginecológica.

A PF esquadrinha os discos rígidos de cinco computadores recolhidos na agência.

Relatório preliminar informa que os investigadores deram de cara com o inusitado.

"Farta quantidade de arquivos de conteúdo pornográfico" eis o que achou a PF.

O Gabinete de Segurança Institucional, do general Jorge Félix, está em polvorosa.

Reagiu à notícia por meio da divulgação de uma nota à imprensa.

O texto divide-se entre a repulsa aos devassos e a decepção com quem os descobriu.

Aos arapongas tarados, a promessa de adoção de todas as "providências cabíveis".

À PF, palavras de desapontamento por ter permitido que dados sigilosos sejam "amplamente divulgados na imprensa".

O abespinhamento do pessoal do general Felix não é despropositado. Longe disso.

O material da Abin só deveria ser levado às bancas enrolado sacos de plástico preto.

Entende-se agora por que o general saltara da cadeira quando os computadores da Abin foi recolhidos em batida policial.

Os filmes pornôs são sempre muito parecidos. A obscenidade da Abin mantém a praxe.

Fica difícil saber em que pedaço do enredo entrou o contribuinte brasileiro.

Sabe-se apenas que o financiador do filme não freqüenta a cena em posição confortável.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

CNJ avalia punições a magistrados do Espírito Santo

  Folha
O Conselho Nacional de Justiça decidiu instalar procedimento para avaliar as acusações que pesam contra desembargadores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Deve-se a iniciaitiva ao corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp (foto), que também é ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A decisão é divulgada no mesmo dia em que o tribunal capixaba afastou de sua presidência o desembargador Frederico Guilherme Pimentel.

Ele é um dos magistrados que se encontram sob investigação do Ministério Público e da Polícia Federal.

A apuração corre sob a supervisão do STJ, que autorizou escutas telefônicas e determinou a prisão dos suspeitos.

O minsitro Dipp já requisitou ao STJ cópia do processo. Espera receber a papelada nos próximos dias.

O CNJ tem poderes para impor aos infratores punições disciplinares. É lento, contudo. Até hoje não decidiu, por exemplo, o que fazer com o ministro Paulo Medina.

Licenciado do STJ, Medina foi convertido em réu pelo STF. Mas até hoje continua recebendo salário integral, R$ 23,2 mil mensais.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo anuncia refresco tributário à classe média

  João Wainer/Folha
Noutros tempos, o Natal costumava ser uma festa movida a gestos de amor. Nos dias que correm, o Natal passou a ser um orçamento.

Nesta quinta (11), como previsto, o governo deu à classe média um presente natalino que tonifica o orçamento familiar, assediado pela crise.

O novo pacote anticrise traz também mimos às montadoras de automóveis e às empresas endividadas em dólar. Vão abaixo as providências inseridas no embrulho:

1. IRPF: Além das duas alíquotas de Imposto de Renda Pessoa Física já existentes -15% e 27,5%- foram criadas mais duas: 7,5% e 22,5%.

As novas faixas entram em vigor em 1º de janeiro de 2009. Fica assim o pagamento de IRPF conforme o nível de renda de cada um:

- Até R$ 1.434: isento do IRPF
- Acima de R$ 1.434 até R$ 2.150: alíquota de 7,5%
- Acima de R$ 2.150 até R$ 2.866: 15%
- Acima de R$ 2.866 até R$ 3.582: 22,5%
- Acima de R$ 3.582: 27,5%

O governo sustenta que todos os trabalhadores, mesmo os que recebem salários na faixa mais alta, serão benefiados.

2. IOF: Reduziu-se de 3% para 1,5% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras nos empréstimos para pessoas físicas.

A mudança vai vigorar por prazo indeterminado. Vai custar ao governo uma perda de arrecadação de R$ 2,560 bilhões em 2009.

3. IPI: Reduziram-se as alíquotas do Imposto de Produtos Industrializados cobrado das montadoras de automóveis. Ficou assim:

- Os carros populares (até 1.000 cilindradas) terão a tarifa reduzida de 7% para zero. 

- Os veículos de categoria intermediária (de 1.000 a 2.000 cilindradas) terão o IPI reduzido de 13% para 6,5% quando movidos a gasolina; e de 11% a 5,5% quando a álcool (incluem-se os modelos flex).

- Os automóveis de luxo (mais de 2.000 cilindradas) não serão beneiciados com a redução de IPI. Continuam pagando 25%.

A poda no IPI valerá apenas até 31 de março de 2009. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que as maiores montadoras comprometeram-se a:

A) Repassar o refresco tributário para os preços dos carros; B) Manter inalteradas as suas folhas de pagamento.

4. Dívidas em dólar: O Banco Central vai liberar US$ 10 bilhões das reservas internacionais para socorrer empresas brasileiras endividadas no exterior. Havendo necessidade, o aporte pode escalar os US$ 20 bilhões.

O dinheiro vai às arcas das empresas na forma de empréstimos para a rolagem das dívidas contraídas em moeda estrangeira.

São dois os objetivos do BC: atenuar a secura de crédito imposta pela crise e atenuar a busca por dólares no mercado interno.

No pedaço tributário, o pacote vai impor ao governo uma perda de arrecadação estimada em R$ 8,4 bilhões.

Guido Mantega informou que a generosidade de Brasília não se esgotou. Disse que na próxima semana serão anunciadas novas providências.

Um dos setores beneficados será o habitacional. "Essas medidas não são as últimas. O momento é de ousadia e rapidez", disse Mantega.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Câmara aprova e remete a 'Lei do Gás' para sanção

  Renato Stockler/Folha
Os deputados aprovaram nesta quinta (11), em votação final, o projeto 6.673, apelidado de "Lei do Gás".

Regula o transporte, a exploração, a estocagem, o processamento e a comercialização do gás natural no Brasil. O projeto segue para a sanção de Lula.

Depois de convertido em lei, deve atrair investimentos privados para o setor de gás. O texto cria o regime de concessão para a construção de novos gasodutos.

E autoriza empresas que produzem ou importam gás a construírem os seus próprios dutos, para transportar o produto.

Der resto, flexibilizou-se o monopólio na distribuição de gás, hoje sob a responsabilidade exclusiva dos Estados.

Grandes consumidores de energia passam a dispor da possibilidade de produzir gás natural para o consumo próprio.

Hoje, o auto produtor é obrigado a vender o gás às distribuidoras estaduais e recomprá-lo, encarecendo o processo.

Com a nova lei, as empresas terão de pagar às distribuidoras apenas uma tarifa pela manutenção dos dutos.

Numa das versões do projeto, concebida no Senado, o monopólio estatal na distribuição de gás havia sido preservado.

Produziu-se, porém, um grande acordo, que levou à flexibilização do modelo. O entendimento envolveu a União, os Estados e entidades como a CNI.

Na versão final, prevaleceu o modelo que dá liberdade a grandes consumidores privados de gás para comprar e transportar o produto por conta própria.

O projeto faculta às distribuidoras estaduais a incorporação de dutos privados à sua rede, mediante indenização.

Escrito por Josias de Souza às 17h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Adversários de Temer manobram para forçar 2º turno

Sérgio Lima/Folha

Os adversários de Michel Temer (PMDB-SP) manobram para levar a disputa pela presidência da Câmara para o segundo turno.

Chama-se Ciro Nogueira (PP-PI) o rival mais temido pelos partidários de Temer. Coleciona votos à margem das cúpulas partidárias.

Num embate direto com Ciro, Temer é visto como favorito. A disputa se tornaria mais acirrada, porém, se levada ao segundo round.

Por que? Todos os deputados que torcem o nariz para a dobradinha PMDB-PT, que dá suporte a Temer, despejariam votos no cesto de Ciro.

A eleição se dará em 1º de fevereiro. O que ajuda a converter a disputa numa incógnita é a natureza do voto: secreto.

Insuflado pela turma de Ciro, o deputado Milton Monti (PR-SP) embrenhou-se na disputa. Nesta quarta (10), a campanha dele ganhou os corredores da Câmara.

Luciano Castro (RR), o líder do PR, partido de Monti, prometera o apoio da bancada dele a Temer.

O movimento do "liderado" Monti mostra que uma parte da mercadoria negociada pelo "líder" Castro (42 votos) não será entregue.

Um quarto deputado anuncia a intenção de submeter o nome à apreciação dos colegas: Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Embora pertença ao mesmo PMDB de Temer, não há no regimento da Câmara artigo que impeça Serraglio de concorrer como candidato avulso.

O pedaço do PMDB fiel a Temer tenta demover Serraglio. Porém, não obteve êxito. Por ora, o ex-relator da CPI dos Correios parece inabalável.

Na noite desta quarta (10), Ciro Nogueira tentou atrair para a guerra um quinto candidato: Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Com Temer, Ciro, Monti e Serraglio, o segundo turno é provável. Adicionando-se Aldo, seria irreversível.

Ciro e Aldo dividiram a mesa do jantar. São amigos. Ciro foi coordenador da campanha em que Aldo perdeu a cadeira de presidente para Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Chinaglia prevaleceu graças a um acordo celebrado entre PT e PMDB. Um trato que prevê a retribuição do petismo, que agora acena com o voto em Temer.

Até dois dias atrás, Aldo cogitava virar candidato. Daria o troco ao esquema que o derrotou, ajudando Ciro a provocar o segundo turno.

Durante o jantar da noite passada, contudo, Aldo informou a Ciro que não jogará na manobra o prestígio de ex-presidente da Casa.

Para virar mandachuva da Câmara, um deputado precisa obter 257 dos 513 votos disponíveis. Na disputa realizada em 2005, foram à sorte do voto cinco deputados.

Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), obteve a maior quantidade de votos: 207. Severino Cavalcanti (PP-PE) beliscou 124. Virgílio Guimarães (PT-MG), 117...

...José Carlos Aleluia (DEM) amelhou 53; e Jair Bolsonaro (DEM), apenas dois. A disputa escorregou para o segundo turno.

Deu-se, então, o impensável. O desastre Severino Cavalcanti arrastou para a urna 300 votos dos 498 disponíveis na sessão. Bateu Greenhalgh com folga.

Temer não é Greenhalgh. É infinitamente mais lhano no trato. E os colegas o vêem como mais preparado que o ex-deputado petista.

Mas Ciro também não é Severino. É bem mais polido e nada primário. Em comum com Severino, além do partido, só o trânsito junto à massa de deputados invisíveis da Câmara.

De resto, um pedaço da oposição e até um naco do consórcio governista está incomodado com o duopólio imposto pela parceria PMDB-PT.

É grande a grita, por exemplo, no bloquinho (PSB, PDT, PCdoB, PRB e PMN). Os deputados queixam-se da primazia dada a petistas e peenedebistas na distribuição de relatorias de projetos importantes.

O caldo de insatisfação é encorpado pela resistência dos senadores do PMDB em confiar a presidência do Senado ao petista Tião Viana (AC).

Esticando a corda no Senado, o PMDB ajuda a compor o cenário dos sonhos de Ciro Nogueira.

Em privado, deputados petistas admitem que, protegidos pelo sigilo do voto, não hesitarão em trair Temer caso o PMDB insista reivindicar o posto almejado por Tião Viana.

Escrito por Josias de Souza às 04h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Globo: STF: terra é de índios, sem fazendeiros

- Estadão: STF mantém reserva indígena de Roraima

- Folha: Apesar de pressões, BC mantém juros

- JB: BC sustenta juros altos

- Correio: Imposto menor para combater a crise

- Valor: Desaquecimento e chuvas derrubam preço da energia

- Gazeta Mercantil: Embraer prepara-se para demitir 4 mil funcionários

- Estado de Minas: Justiça barra 13º para vereadores

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Câmara dos EUA aprova o $ocorro para montadoras

  Orlandeli
A Câmara de deputados dos EUA aprovou na noite desta quarta (10) um pacote de socorro às três gigantes da indústria de carros:

General Motors, Chrysler e Ford.

O embrulho contém US$ 14 bilhões em verbas do contribuinte americano.

É menos da metade do que pediam as montadoras.

Negociado sob George Bush, o refresco teve o apoio explícito do sucessor Barack Obama, que toma posse em 20 de janeiro.

O dinheiro vai às arcas dos fabricantes de carros na forma de empréstimos.

 Tenta-se evitar que 2,5 milhões de trabalhadores sejam mandados ao olho da rua.

O prazo de pagamento dos financiamentos será de sete anos.

Nos primeiros cinco anos, os juros serão camaradas: 5%.

Nos dois anos restantes, a taxa sobre para 9%.

As empresas darão ações em garantia.

Significa dizer que, na prática, Obama assumirá uma Casa Branca convertida em sócia das montadoras.

Para tentar assegurar o bom uso da verba pública, empurrou-se para dentro da administração das empresas um funcionário do Estado.

Antes mesmo de ser nomeado, esse personagem já recebeu o apelido de "czar do automóvel".

Terá poderes para vetar a venda de ações, novos investimentos e a celebração de contratos que excedam a cifra de US$ 100 milhões.

Até 1º de janeiro de 2009, o "cazar" terá de apresentar um plano de trabalho. Algo que deixe claro que, depois de socorridas, as empresas não irão à breca.

Na Câmara, a proposta passou fácil: 270 votos a favor e 170 contra. Vai agora ao Senado. Ali, o placar pode não ser tão elástico.

Curiosamente, os congressistas do Partido Republicano, de Bush, já agem como oposição. Boa parte dos republicanos torce o nariz para o refre$co às montadoras.

Entre os deputados, a maioria do Partido Democrata, de Obama, é elástica. Entre os senadores, contudo, os democratas prevalecem pela diferença de um mísero voto.

Para que a proposta passe no Senado, é preciso que receba o "sim" de pelo menos 60 dos 100 votantes com assento na Casa.

Um placar que só será alcançado se os democratas de Obama conseguirem seduzir algo como dez a 15 republicanos de Bush.

Espera-se que a definição do Senado saia antes do final de semana, para que a proposta possa ser enviada à mesa de Bush, a quem cabe sancioná-lo.

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Espírito natalino!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo anuncia pacote para estimular o consumo

Samir Baptista

Lula decidiu dar à classe média um presente de Natal. O governo deve anunciar nesta quinta (11) um pacote de redução de impostos.

As medidas recebiam os retoques finais na noite desta quarta (10). Visam aquecer o consumo, para atenuar os efeitos da crise.

O governo tenta evitar que a economia decresça demasiadamente no ano de 2009. Eis algumas das providências que devem ser anunciadas:

- Imposto de Renda das Pessoas Físicas: Hoje, vigoram duas alíquotas de IR: 27,5% e 15%. Devem ser criadas mais duas faixas.

Na manhã desta quinta, Lula baterá o matelo em relação aos percentuais. Pelas informações disponíveis, uma das novas alíquotas será de algo como 10%.

A outra deve ser fixada num percentual entre 22% e 25,5%. Essas novas faixas figorariam a partir do exercício fiscal de 2009.

- IPI de automóveis: O valor do Imposto sobre Produtos Industrializados varia conforme o modelo do carro. Hoje, as alíquotas vão de 7% (veículos populares) a 25% (de luxo).

O governo deve reduzir essas alíquotas. Coisa temporária, concebida para socorrer um dos setores mais afetados pela crise.

Em novembro, a venda de automóveis despencou 26%. Queda atribuída sobretudo à escassez de crédito ao consumidor.

Nesta quarta (10), em reunião com o ministro Guido Mantega (Fazenda), representantes das principais centrais sindicais fizeram um pedido.

Quem que o governo exija das empresas socorridas a contrapartida da preservação do emprego.

A Fazenda analisava na noite passada a hipótese de condicionar o benefício proporcionado pela redução de IPI de carros à manutenção da folha de salários.

- IOF: O Imposto sobre Operações Financeiras foi um dos que o governo aumentou em janeiro de 2008, para compensar as perdas que teve com a derrubada da CPMF.

A alíquota subiu de 1,5% para até 3,38%. Agora, submetido à nova realidade imposta pela crise global, o governo deve reduzir o percentual nas operações de crédito ao consumidor.

O objetivo não é senão o de estimular o brasileiro a contrair dívidas para satisfazer as suas pulsões consumistas.

Antes de ser divulgadas ao público, as medidas serão expostas por Lula em reunião com a nata do empresariado nacional.

Conforme já noticiado aqui, o presidente recebe em Brasília, nesta quinta (11), duas dezenas de pesos pesados do PIB.

Lula dirá aos convidados que o governo está fazendo a parte dele. E pedirá aos empresários que abandonem o catrastrofismo, retomando os investimentos.

As novas providências constituem uma parte do "armamento pesado" que Guido Mantega diz estar à disposição do governo para enfrentar a crise.

Se confirmado, o refresco tributário deve render, noves fora o pretendido tônico do consumo, um subproduto político: Lula afagará a classe média, um pedaço da sociedade que se julga preterido pelo governo.

A generosidade terá um preço. Vai custar uma redução na coleta de tributos de 2009. O valor não foi, por ora, divulgado.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Copom ignora Lula e mantém a taxa de juros: 13,75%

Lula, como se sabe, é o homem mais lúcido que ele conhece. Ainda assim, a diretoria do BC continua fazendo o avesso do que deseja o presidente.

Reunidos em torno da mesa do Copom, Henrique Meirelles e a diretoria do BC decidiram manter em 13,75% ao ano a taxa de juros.

Os mandachuvas da política monetária não deram colher de chá para Lula nem na fixação do "viés".

Se a coisa dependesse da vontade do presidente, o o Copom teria podado os juros ou, pelo menos, sinalizado a redução, por meio de um "viés de baixa".

Divulgou-se uma nota. No português empolado dos economistas, o texto informa o seguinte:

"Tendo a maioria dos membros do comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza..."

"...O Copom decidiu, por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento".

Traduzindo para o "sifuguês": Não se pode fazer a omelete do controle inflacionário sem chutar os ovos dos agentes econômicos.

Escrito por Josias de Souza às 23h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Índios prevalecem e STF adia anúncio do resultado

  Wilson Dias/ABr
Os índios da reserva Raposa Serra do Sol prevaleceram sobre os arrozeiros no julgamento do STF.

Oito dos onze ministros do Supremo votaram a favor da manutenção da natureza contínua da demarcação da reserva.

A maioria posicinou-se a favor também da cassação da liminar que suspendera, em abril, a ação da PF para retirar da reserva os produtores de arroz.

Porém, a proclamação do resultado teve de ser adiada. O ministro Marco Aurélio Mello pediu vista do processo.

Com isso, foram adiados para 2009, além da manifestação de Marco Aurélio, os votos de outros dois ministros: Celso de Mello e Gilmar Mendes.

A menos que os ministros que já se pronunciaram voltem atrás, o jogo está jogado. Não há mais possibilidade de reversão do resultado.

É preciso realçar que a já esboçada decisão favorável aos índios virá com ressalvas. As principais restrições foram anotadas no voto do ministro Carlos Alberto Direito.

Depois, o relator do processo, Carlos Ayres Britto, incorporou ao seu voto as ressalvas enunciadas por Alberto Direito. São 18 as condicionantes.

No finalzinho da sessão, um bate-boca eletrificou o plenário do Supremo. De um lado, Ayres Britto. De outro, Marco Aurélio.

Ayres Britto queria que fosse proclamado o resultado quanto à cassação da liminar que impede a PF de retirar os arrozeiros da reserva indígena.

Marco Aurélio sentiu-se desrespeitado. Para ele, numa decisão colegiada, o pedido de vista impõe o adiamento do veredicto integral.

Gilmar Mendes, presidente do STF, deu razão a Marco Aurélio. E a coisa foi postergada.

Assim, a despeito da vitória parcial dos índios, a PF fica impedida de agir até que o resultado seja formalmente proclamado.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nesta 6ª, Dilma abre 'pajelança' de prefeitos do PT

  Folha
A presidenciável de Lula começa a ser levada à vitrine pelo petismo.

Nesta sexta (12), Dilma Rousseff vai discursar na abertura de um encontro do PT.

Falará para uma platéia de prefeitos do partido, eleitos em outubro passado.

O encontro será num hotel de Brasília. Visa unificar a estratégia municipal da legenda.

Os prefeitos petistas assistirão a dois painéis:

1. "Governo Lula e os governos municipais": Um dos expositores será o governador petista da Bahia, Jaques Wagner;

2. "O protagonismo das cidades na execução de políticas sociais e desenvolvimento sustentado": Falam, entre outros, o ministro Luiz Barreto (ministro do Turismo) e o governador petista do Piauí, Welington Dias.

Na mesma sexta em que o PT exibe Dilma, o PSB estará reunido no Recife, para energizar a candidatura presidencial de Ciro Gomes.

PT e PSB travam uma disputa não-declarada pela primazia de indicar p presidenciável que vai a 2010 com as bênçãos de Lula.

Segundo a última pesquisa do Datafolha, Ciro continua ostentando a segunda colocação na preferência dos eleitores.

O deputado caiu, porém, entre cinco e seis pontos percentuais, dependendo do cenário. Dilma, ao contrário, subiu cinco pontos.

Escrito por Josias de Souza às 18h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aprovado projeto que cria firma de 'uma pessoa só'

  Ag. Câmara
A Câmara aprovou na tarde desta quarta (10) o projeto de lei que cria a figura do MEI (Micro Empreendedor Individual).

Na prática, tornaram-se legais no país as "empresas de uma pessoa só". A proposta, que já havia sido aprovada pelo Senado, vai à sanção de Lula.

Podem se enquadrar como MEI todos os microempresários que tenham obtido receita bruta de R$ 36 mil no ano anterior.

A eles será facultado requerer o enquadramento no Supersimples. Terão der ecolher mensalmente valores simbólicos de contribuições e tributos:

R$ 45,65 (11% do salário mínimo) a título de contribuição previdenciária;

R$ 1, se for contribuinte do ICMS;

R$ 5, se for contribuinte do ISS.

De resto, permite-se ao MEI ter apenas um empregado, com vencimento equivalente ao salário mínimo, recolhendo, contribuição previdenciária patronal de R$ 12,45.

Se for sancionada por Lula, a nova lei pode estimular a formalização de profissionais que hoje atuam na informalidade.

Coisa de 11 milhões de brasileiros. Gente como manicures, sapateiros, vendedores ambulantes, mecânicos, pedreiros, encanadores, marceneiros, feirantes, etc. 

Pelo projeto, as novas regras passam a vigorar a partir de 1º de julho de 2009.

O autor da proposta é o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP). No Senado, foi modificada pelo relator Adelmir Santana (DEM-DF).

As mudanças introduzidas no Senado (21 ao todo) foram ratificadas nesta quarta pelos deputados. A votação foi unânime: 346 votos.

Depois que receber o projeto, Lula terá 15 dias úteis para decidir o que fará com ele. Pode sancioná-lo ou vetá-lo parcial ou integralmente.

Líder governistas no Legislativo informam que o presidente deve sancionar a lei.

Escrito por Josias de Souza às 17h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois de um ano, popularidade de Cristina definha

  AFP
A presidência de Cristina Kirchner faz aniversário de um ano nesta quarta (10).

No teatro em que se converteu a Casa Rosada, Cristina está virando atriz sem platéia.

Prevalecera nas urnas com 45% dos votos. Ao assumir, atraíra o apoio de 56%.

Hoje, é aprovada por algo como 26% a 29% dos argentinos, dependendo da pesquisa.

Carrega atrás de si um rastro pegajoso de desacertos e de suspeitas.

O desacerto mais notório foi o aumento de impostos sobre as exportações agrícolas.

Rendeu-lhe bloqueio de estradas, panelaços, queda de ministro e derrota legislativa.

A suspeita mais constrangedora lateja demtro de uma mala de dólares -US$ 800 mil.

Dinheiro provido pelo companheiro Chávez e esquadrinhado nos tribunais de Miami.

Para piorar, sobreveio a crise global. Por sorte, Cristina ainda dispõe de marido.

Com a autoridade de eminência parda, Nestor Kirchner sai em defesa da mulher:

"Na Argentina, parecia que uma mulher não podia governar..."

"...Mas ela será a melhor presidente que o país já teve..."

"...Essa crise é internacional, não foi gerada por nós..."

"...Algum dia, certos meios de comunicação vão dizer a verdade".

Como se vê, a imprensa portenha, como a brasileira, também é "golpista".

Escrito por Josias de Souza às 16h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Reunido no Recife, PSB reativa o projeto Ciro-2010

  Folha
O PSB, partido de Ciro Gomes (CE), fará um encontro de três dias no Recife (PE). Começa nesta quinta (11). E vai até sábado (13).

Participam os membros do diretório nacional da legenda. Inicialmente, planejara-se um debate sobre a crise global.

Mas a última pesquisa Datafolha impôs um novo tema: a necessidade de reativar a candidatura presidencial de Ciro Gomes.

Na sondagem eleitoral, divulgada na segunda (8), Ciro conserva a posição de segundo colocado. Mas seu índice de intenções de voto decresceu.

Caiu entre cinco e seis pontos percentuais, dependendo do cenário. No quadro mais provável, que inclui o tucano José Serra (41%), Ciro aparece com 15%.

Em março, o mesmo Datafolha apurara uma taxa mais vistosa para Ciro: 20%. Internamente, o PSB atribui a queda ao sumiço de seu candidato.

Diz-se que Ciro se recolheu porque teve problemas de saúde, uma paralisia facial. Mas já está recuperado. E o PSB cobra dele o retorno ao noticiário.

A reunião do Recife será presidida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. É um dos que defendem a tese de que Ciro precisa dar as caras.

Uma tese que Renato Casagrande (ES), líder do PSB no Senado, vem brandindo há semanas. E que agora já se disseminou pelo partido.

O deputado Rodrigo Rollemberg (DF), que assume em fevereiro de 2009 a liderança do PSB na Câmara, acha que a crise tonifica o nome de Ciro.

"Para nós, a candidatura do Ciro é natural. Um partido que tem um nome com algo como 15 a 20 pontos de intenção de voto, não pode abrir mão da disputa..."

"...Sobretudo num momento como esse, de crise econômica. Ciro tem grande conhecimento de macroeconomia, foi ministro da Fazenda. Cresce como alternativa".

Em reuniões privadas, Lula tenta vender a idéia de que o consórcio partidário que dá suporte ao seu governo deveria apresentar-se em 2010 com um único nome.

O nome do presidente, como se sabe, não é o de Ciro, mas o da ministra petista Dilma Rousseff.

O problema é que a preferida do presidente freqüenta as pesquisas, por ora, como uma espécie de sub-Heloisa Helena.

No cenário que inclui Serra e Ciro, Dilma aparece com exíguos 8%. Bem atrás de HH. A candidata do PSOL, com seus 14%, encontra-se tecnicamente empatada com Ciro.

"Ninguém está querendo antecipar a campanha", diz Rodrigo Rolleeberg. "Antes, temos de fortalecer o nosso bloco (PSB-PCdoB-PDT-PRB e PMN)..."

"...Mas não se pode desconsiderar que o Ciro é, hoje, o candidato mais bem posicionado da base de apoio do presidente Lula".

Resta saber o que pensa Ciro Gomes disso tudo. Desde que o deputado tomou chá de sumiço, o próprio PSB rumina dúvidas quanto ao ânimo de seu "candidato".

Escrito por Josias de Souza às 04h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula chama empresários para pedir ‘investimentos’

  Marcello Casal/ABr
A nata do empresariado brasileiro desembarca em Brasília nesta semana.

Vem a convite de Lula, para uma reunião em que se fará uma análise da crise.

A lista de convidados inclui algo como duas dezenas de nomões de setores variados.

Há executivos de bancos, de construtoras, da indústria e do varejo.

O encontro deve ocorrer nesta quinta (11), no Palácio do Planalto.

Lula fará uma avaliação pessoal da conjuntura, seguida de um apelo.

Planeja repetir a portas fechadas algo que vem dizendo em público.

A crise exige coragem, não medo. Vai rogar aos convidados que tirem o pé do freio.

Um auxiliar do presidente disse ao blog que o chefe está inconformado.

Acha que o "pânico" que domina a cena brasileira não condiz com a realidade.

Considera essencial "desintoxicar" o ambiente. Daí o convite aos empresários.

Tenta-se evitar que, em 2009, a economia brasileira murche além do necessário.

Pelo lado do governo, participam do encontro, além de Lula, pelo menos três pessoas:

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; e o ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Indústria e Comércio).

Na cabeça de Lula, as empresas não reagem como devem aos estímulos do governo.

Auxiliado pelos ministros, o presidente passará em revista as medidas já adotadas.

Mais: levará à mesa um esboço das providências que estão por vir.

O governo ainda dispõe de "amamento pesado", disse Mantega no final de semana.

O paiol inclui novas liberações de compulsórios bancários ainda retidos no BC.

Inclui também a redução de alíquotas e até isenção temporária de tributos.

Depois de expor o arsenal, Lula deseja ouvir as justificativas para o "pânico".

Quer saber por que os bancos dificultam os empréstimos, encarecendo-os.

Quer conhecer ouvir da boca dos responsáveis pelo PIB as razões do medo.

Acha que tem elementos para refutar uma a uma. Espera soar convincente.

Escrito por Josias de Souza às 03h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Globo: Crise freia país no auge do seu crescimento econômico

- Folha: Antes da crise, economia cresce 6,8%

- Estadão: PIB surpreende e cresce 6,8%

- JB: País cresce, apesar da crise

- Correio: Gastem! Lula faz apelo ao consumidor para salvar 2009

- Valor: País atrai talentos globais que tentam fugir da crise

- Gazeta Mercantil: Famílias recuam na gestão profissional

- Jornal do Commercio: A guerra pela água

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula Noel!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Câmara aprova a MP que reajusta 380 mil servidores

Folha

Concluiu-se nesta terça (9) a tramitação legislativa da medida provisória (441) que tonifica os contracheques de 380 mil servidores.

Em meio à crise, a MP vai impor ao Tesouro gastos extras de 10,5 bilhões até 2011. A proposta foi à sanção de Lula.

Os deputados já haviam aprovado a mesma MP numa primeira votação. Mas o Senado introduzira 22 emendas. E a proposta teve de retornar à Câmara.

Na semana passada, já havia sido remetida ao Planalto, para sanção, uma outra medida provisória (440) do mesmo gênero.

Tonificaram-se os contracheques de cerca de 91 mil funcionários públicos. Neste caso, o custo adicional é estimado em 21 bilhões até 2011.

Críticos contumazes do excesso de gastos do governo com o custeio da máquina, os partidos de oposição ajudaram a aprovar o par de MPs.

Não houve quem se arriscasse a comprar briga com os servidores. Há nas medidas provisórias artigos que condicionam o pagamento dos reajustes à receita tributária.

Nada impede, portanto, que o governo adie parte dos desembolsos caso a crise conspurque a coleta de impostos além do previsto.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governador 'vendia' a cadeira de Obama no Senado

  AP
Submetido a malfeitorias em série, o brasileiro converteu-se num Narciso às avessas.

Sem motivos para cultivar a auto-estima, habituou-se a cuspir na própria imagem.

Nesta terça (9), uma notícia vinda dos EUA ofereceu alento à alma nacional.

O Brasil não está só em suas perversões. O ex-império nunca foi santo.

Mas agora exagerou-se. Vendia-se, veja você, a vaga de Obama no Senado.

Em Illionois, quando um senador deixa o mandato pelo meio, é o governador quem indica o substituto.

Chama-se Rod Blagojevich o governador. O FBI ouvia-o por grampo há um mês.

Nesta terça (9), Blagojevich foi em cana. Levara a cadeira de Obama ao balcão.

Pedia dinheiro para si, para uma ONG que leva o seu nome e emprego para a mulher.

Não há evidências de envolvimento de Obama na tramóia. Longe disso.

Mas, antes que a encrenca viesse à luz, a assessoria do presidente eleito admitira que Obama discutira nomes com o governador pilantra.

Agora, diz-se coisa diversa: "Não tinha contato com o governador", eximiu-se Obama. "Não sabia o que estava acontecendo".

Não bastasse o "não sabia" de Obama, um outro detalhe aproximou o escândalo da realidade brasileira.

Horas depois de ser preso, o governador Blagojevich pagou fiança de US$ 4.500 e deixou a prisão.

Pior: avisou que não pensa em renunciar. Pela lei, embora indiciado, mantém a prerrogativa de indicar o substituto de Obama no Senado.

Escrito por Josias de Souza às 01h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ipea: Em 2040, o Brasil terá 55,5 milhões de idosos

Andy Warhol

Pesquisa feita pelo Ipea indica que a população brasileira envelhece rapidamente.

O estudo estima que, em 2040, haverá no Brasil 55,5 milhões de pessoas idosas.

Ao cabo de três décadas, os brasileiros com mais de 60 anos serão 27% da população.

Um contingente com força para definir, por exemplo, uma eleição presidencial.

Os dados, por eloqüentes, apontam para a uma necessidade premente.

É preciso planejar o financiamento das políticas públicas voltadas para o idoso.

Eis alguns dos números levantados pelo Ipea:

1950: Nesse ano, havia no Brasil apenas 2,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos. O contingente representava escassos 4,3% da população.

2000: Há oito anos, os idosos eram contados em 14,5 milhões -8,6% da população.

2040: Daqui a 32 anos, os idosos formarão um contingente de 55,5 milhões de brasileiros -26,8% da população.

Deve-se a coleção das informações a quatro pesquisadoras do Ipea:

Luciana Laccoud, Luseni Aquino, Analía Soria e Patrícia Dario El-Moor.

Produziram o livro "Envelhecimento e Depedência: Desafios para a Organização da Proteção Social". Foi lançado nesta terça (9).

Presente ao lançamento, Helmut Schwarzer, secretário de políticas do Ministério da Previdência, reconheceu:

"[...] Precisamos aprofundar os estudos e o planejamento de novas políticas para o idoso".

Perguntou-se a Schwarzer de onde virá o dinheiro. A resposta dá uma idéia do tamanho da encrenca.

Afora o ainda inexplorado petróleo do pré-sal, o secretário não soube mencionar uma mísera fonte.

O pré-sal, disse Schwarzer, "é um fator potencialmente possível, se existir. Mas, como ainda não existe, devemos pensar em outros fatores".

Que outros fatores? Ele não disse. Voltou ao pré-sal: "Quando existir, imagino que pode, sim, financiar elementos redistributivos da Previdência".

Serviço: Pressionando aqui você chega a uma sinopse do trabalho do Ipea. Apertando aqui, você vai à íntegra do estudo.

Escrito por Josias de Souza às 18h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PF prende presidente do Tribunal de Justiça do ES

Lula Marques/Folha

No Brasil, bons advogados são aqueles que conhecem a jurisprudência.

Advogados ótimos são aqueles que conhecem os juízes certos.

E advogados geniais são aqueles que conhecem os juízes tortos.

Nesta terça (9), a Polícia Federal pôs em cana um grupo de peso.

Dois desembargadores, um juiz, dois advogados, uma diretora de tribunal e um procurador.

Entre os sete neodetentos está o desembargador Frederico Pimentel.

Vem a ser o presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Operação Naufrágio, eis o nome da investigação que levou essa gente ao cárcere.

Puxou-se mais uma ponta do véu levantado nas operações Têmis e Furacão.

A suspeita atual reitera as anteriores: apura-se o comércio de sentenças judiciais. Negócio aparentemente próspero.

Sabia-se que a corrupção infesta o Executivo. Sabia-se que o Legislativo é micado.

Imaginava-se que os tribunais fossem a única maneira de obter justiça.

Sabe-se agora que não é bem assim. O nome do problema já não é corrupção.

O drama brasileiro passou a chamar-se promiscuidade.

Vá lá que a Justiça seja cega, mas não é admissível que lhe falte o olfato.

A cena, por malcheirosa, exige ação rápida e cirúrgica. Urge sanear as becas.

Generalizando-se a corrupção, que ao menos se restabeleça a justiça.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Crise atinge o PIB no elevador, perto da cobertura

O IBGE informa: o PIB brasileiro cresceu 6,8% no terceiro trimestre de 2008, em comparação como o mesmo período do ano passado.

A taxa acumulada dos últimos 12 meses -encerrados em setembro-registra um PIB tonificado em 6,3%. Coisa extraordinária, que não se via há décadas.

Considerando-se que o Copom tende a manter os juros em 13,75%, essa talvez seja a última boa notícia econômica do ano.

Mal comparando, é como se a economia brasileira estivesse dentro de um elevador. Que enguiçou subitamente. Há um esforço coletivo para evitar o pânico.

Suponha que o ano seja um prédio. O PIB subia em direção à cobertura, no 12º piso. Ali haveria uma festa de arromba.

Na altura de outubro, o 10º andar, a crise embarcou no elevador. E a coisa desandou. Os mais neuróticos só conseguem enxergar o botão de "emergência".

Sabe-se que, em 2009, não haverá nenhuma tragédia. O PIB não vai se sustentar em 6,3%, o acumulado nos 12 meses até setembro.

Mas o elevador também não vai despencar. Deve virar o ano na altura dos 5%. O governo diz que, em 2010, vai conseguir contornar a situação.

De concreto, tem-se o seguinte: o PIB de 5% previsto para 2009 é o ponto mais próximo que o Brasil conseguirá chegar da grande festa.

Trancafiados no elevador, os brasileiros se entreolham, apreensivos. Estão submetidos à força da crise. Funciona como a força da gravidade, que não admite ser desafiada.

Elevador é um lugar naturalmente constrangedor. Quando paralisado, produz silêncios e barulhos constrangedores.

A angústia só termina no fim da viagem. No momento, torce-se por uma descida controlada, que acabe antes do fosso.

Bóia no ar uma combinação tácita: já que o destino e a ruína dos EUA colocaram o Brasil nessa situação, convém que o país não faça nada para piorá-la.

Escrito por Josias de Souza às 16h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula quer que Copom baixe juros ou sinalize redução

  Sérgio Lima/Folha
Começa nesta terça (9) a última reunião de 2008 do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Como de costume, o encontro vai durar dois dias. No final da tarde desta quarta (10) sai a decisão sobre a Selic, taxa básica de juros da economia.

Hoje, os juros estão em 13,75% ao ano. Não há coisa semelhante no mundo. Lula acha que há espaço para uma redução da taxa.

Em privado, o presidente afirma: se, por excesso de zelo, o Copom optar pela manutenção dos juros, precisa pelo menos sinalizar a tendência de queda.

Em seus comunicados oficiais, além de informar a decisão sobre os juros, o comitê do BC dá ciência ao mercado sobre a tendência futura da taxa.

A indicação vem enganchada num vocábulo maroto: "viés". Pelos critérios do Copom, a taxa de juros pode vir sem viés, com viés de alta ou com viés de baixa.

Na opinião de Lula, compartilhada pela Fazenda, não havendo uma redução imediata dos juros, pelo menos o viés teria de apontar a intenção de corte no início de 2009.

Em matéria de juros, porém, a vontade do presidente nem sempre prevalece. Embora não disponha de autonomia legal, o BC ganhou, sob Lula, independência prática.

Submetido a decisões que o contrariam, Lula esperneia. Mas vem se submetendo às avaliações da diretoria do BC.

Dessa vez, o desejo de Lula escora-se em indicadores objetivos. Argumenta-se no Planalto que a inflação é cadente. O que permitiria um refresco nos juros.

Em novembro, o índice oficial de inflação (IPCA), medido pelo IBGE, foi de exíguos 0,36%.

O IGP-DI, aferido pela Fundação Getúlio Vargas, caiu de 1,09% em outubro para 0,07% em novembro.

Meirelles e sua equipe não costumam brigar com estatísticas. Mas levam à balança, além dos índices de inflação, o comportamento do câmbio.

O avanço da cotação do dólar sobre o real, que já ocorria antes da crise global, acentuou-se a partir de outubro. Ganhou a aparência de uma maxidesvalorização que passa de 60%.

A escalada da moeda americana resulta em aumento dos preços de produtos importados consumidos pelo brasileiro. Daí, em parte, o consevadorismo em relação aos juros.

Munido de dados que recebe da Fazenda e de informações providas por economistas que elegeu como conselheiros informais, Lula relativiza o peso da subida do dólar.

Entre quatro paredes, argumenta que a perspectiva de desaceleração da economia no primeiro trimestre de 2009 tende a compensar os efeitos inflacionários do câmbio.

Agora, não resta senão aguardar pela decisão dos mandarins do Copom. Seja qual for o veredicto, ele dificilmente será unânime.

Escrito por Josias de Souza às 04h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Globo: Paraguai quer agora dar calote de US$ 19 bi

- Folha: Expectativa de mais ajuda oficial faz Bolsas subirem

- Estadão: Crise provoca queda na arrecadação

- JB: Deflação já ameaça economia brasileira

- Correio: É o fim do espetáculo

- Valor: Reservas devem financiar rolagem de dívida externa

- Gazeta Mercantil: Redes de 3G derrubam ligações em SP

- Estado de Minas: 7.221 jovens motoristas perdem a carteira

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sifão!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 03h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição tenta retirar empreiteiras da MP de bancos

  AFP
Aprovada na Câmara, a medida provisória 443 vai a voto no Senado. Encontra-se na pauta desta terça-feira (9).

Foi a segunda MP anticrise baixada por Lula. Autorizou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar ações de instituições financeiras privadas.

Durante a tramitação legislativa, o texto ganhou um artigo que concede a empreiteiras que tocam obras do PAC um mimo de R$ 3 bilhões.

Dinheiro do Tesouro, a ser repassado às empresas pelo BNDES, a título de capital de giro. Trata-se, no dizer do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) de um "jabuti".

E jabuti, ensinava o ex-senador maranhense Virotino Freire, não sobe em árvore. Só alcança o galho levado por enchente ou por mão de gente.

No caso específico, o dono do jabuti é o PMDB. O autor da emenda empreiteira o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

Em minoria, os deputados do PSDB e do DEM não conseguiram deter a novidade. Os senadores das duas legendas voltarão à carga no Senado.

Deseja-se retirar da medida provisória um outro artigo de aparência exótica. Autoriza a Caixa Econômica a adquirir participação acionária em construtoras imobiliárias.

Neste caso, a excentricidade não nasceu no Legislativo. Veio no texto do Planalto. A oposição ganhou um aliado inesperado.

Nomeado relator da medida provisória no Senado, Valter Pereira (MS), do governista PMDB, também torce o nariz para a idéia de ver a Caixa como sócia de construtoras.

No relatório que levará ao plenário, Pereira deve restringir a participação da Caixa a projetos imobiliários específicos. Algo que a oposição parece disposta a aprovar.

De resto, José Agripino Maia (RN), líder do DEM, pretende ressuscitar no Senado uma proposta que não emplacou na Câmara.

A tribo 'demo' deseja que o socorro oficial a bancos enroscados na crise siga o modelo adotado nos EUA e em países da Europa.

O auxílio financeiro, quando necessário, seria provido diretamente pelo Tesouro, não pelo BB e pela Caixa. A tese tem poucas chances de prosperar.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PF flagra um réu do 'mensalão' com euros na cueca

O nome dele é Enivaldo Quadrado. É sócio da Bônus Banval, uma corretora que "lavou" parte do dinheiro que irrigou o esquema do mensalão.

Na madrugada de domingo (7) para segunda (8), ao desembarcar de um vôo procedente da Europa, Quadrado meteu-se em nova encrenca.

Em inspeção de rotina da PF, foi pilhado portanto 361.445 euros. Coisa de R$ 1,2 milhão. Trazia os maços de notas na cueca, nas meias, na cintura e numa valise.

Ao preencher um formulário padrão da Receita, Quadrado informara que não tinha valores a declarar. Estava redondadamente antoenganado.

Foi em cana. Perdeu os euros. E responderá a novo processo, além daquele em que figura como um dos 40 da "quadrilha" do mensalão.

Escrito por Josias de Souza às 01h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em meio à crise, Serra cria agência de investimento

  Folha
Num instante em que o empresariado leva o pé ao freio, o governador paulista José Serra, lançou a "Investe São Paulo".

Vem a ser uma "Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade". Uma entidade social de direito privado.

O objetivo, disse Serra, é o de "racionalizar" os projetos empresariais desenvolvidos pelo Estado em "parceria com a iniciativa privada".

A nova agência herda da Secretaria Estadual de Desenvolvimento uma carteira de 40 projetos de investimento, orçados em R$ 10 bilhões. Deseja-se dobrar a cifra.

Desde outubro, mês em que a crise global deu as caras, o presidenciável Serra trava com o presidente Lula uma gincana.

Um tenta demonstrar que tem mais coragem do que o outro -uma qualidade que escasseia justamente nos momentos em que viceja o pavor.

Escrito por Josias de Souza às 20h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Planalto restitui 'sifu' que apagara da fala de Lula

Na velha União Soviética, o regime costumava ajustar as fotografias às conveniências do ditador. Deve-se a Stalin o retoque mais famoso.

Mandou ajeitar uma foto histórica. Na imagem original, Lenin aparecia discursando para uma praça Vermelha apinhada tendo Trótski a seu lado.

Por ordem de Stalin, o camarada Trótski foi apagado da fotografia. Na semana passada, o Planalto protagonizara uma versão sonora da tática bolchevique.

A assessoria de comunicação da Presidência levara ao sítio oficial um discurso marquetado pela maquiagem.

Em pronunciamento que fizera no Rio, Lula injetara um inusitado "sifu" (corruptela de se fodeu).

Na transcrição do Planalto, a surpresa, que soara perfeitamente audível, foi substituída por um enigmático "inaudível".

Nesta segunda (8), a assessoria de Lula se deu conta do ridículo. Com cinco dias de atraso, ouviu o que o país inteiro já escutara.

Súbito, o "inaudível" da primeira versão deu lugar ao insubstituível "sifu". A verdade prevaleceu sobre a lorota no segundo parágrafo da página número sete da nova transcrição.

O Planalto atribui a tentativa de limpar a boca de Lula a um "erro", não à censura ou ao excesso de zelo. Quem errou? Bem, isso, por ora, é informação confidencial.

Escrito por Josias de Souza às 19h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Empréstimo consignado de aposentado cresce 15,3%

  João Wainer/Folha
No último mês de outubro, o volume de empréstimos consignados contraídos por aposentados do INSS cresceu em relação a setembro.

Bancos e financeiras credenciados junto ao INSS emprestaram à clientela da Previdência R$ 198,4 milhões em outubro.

No mês anterior, o volume de empréstimos fora de R$ 172 milhões. Um aumento, portanto, de 15,3%.

Os dados foram divulgados pelo próprio INSS. Têm defesagem de mais de um mês. Foi em outubro que a crise global deu as caras.

É preciso aguardar pelas informações relativas a novembro e dezembro para saber se a encrenca financeira afetou o ânimo de pensionistas e aposentados.

Lula e sua equipe vêm adotando um discurso de estímulo ao consumo, ainda que escorado no crédito.

Desde 2004, ano em que o empréstimo consignado do INSS foi regulamentado, o total de empréstimos alcança uma marca bilionária: R$ 23,713 bilhões.

Foram 14,97 milhões de operações. Encontram-se "ativas". Ou seja, as dívidas ainda não foram saldadas. O INSS não informou em seu comunicado o nível de inadimplência.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: Natal de 2008 será 'o melhor' do meu governo

  Antônio Cruz/ABr
Lula caminhava pelos meandros do seu mandato, pisando nos indicadores econômicos distraído, quando uma crise lhe caiu sobre a cabeça.

Era um meteoro que veio dos EUA. Deu-se uma explosão de verdades que estavam adormecidas.

A habilidade de Lula de lidar com a crise depende da capacidade do governo Lula de lidar com as suas próprias verdades.

Por ora, Lula agarra-se a uma verdade própria, peculiar, cor-de-rosa. Nesta segunda (8), o presidente voltou a prever um Natal fantástico.

Talvez o melhor dos seus seis anos de mandato. "Porque a economia está crescendo, tem uma crise que se apresenta pela frente, que nós saberemos cuidar dessa crise..."

"...Para não causar prejuízos, vamos fortalecer o mercado interno e vamos fazer com que a indústria nacional seja fortalecida".

Lula falou para uma platéia de militares. Participava de de confraternização de final de ano. Atribuiu o frêmito que uiva sobre a economia brasileira a um pânico injustificado.

"Tem uma crise verdadeira, mas também um pouco de pânico, aquela crise em que as pessoas, mesmo tendo recursos, não querem comprar, porque ouviram dizer que tem uma crise".

Contra o pânico, Lula recorre à quiromancia. Diz que a crise será "coisa do passado" já em 2010, ano da sucessão presidenmcial.

Vá lá que Lula atue como animador de auditório. É parte da função de um presidente tentar injetar ânimo na alma nacional.

Mas quando a marquetagem é muita, costuma voltar-se contra o mercador de ilusões.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Datafolha-2010: Serra amplia liderança e Dilma sobe

Passada a eleição municipal, o Datafolha foi às ruas para sondar o ânimo dos brasileiros, iluminando a trilha que conduz a 2010.

São três as novidades mais relevantes: José Serra (PSDB) reforçou o seu favoritismo. Lidera em todos os cenários, com taxas que variam de 36% a 47%.

Ciro Gomes (PSB) dobrou os joelhos. Mantem-se na segunda colocação, mas experimenta uma lipoaspiração de seus índices: caiu entre cinco e seis pontos.

Dilma Rousseff (PT), o poste preferido de Lula, exibe agora uma voltagem adicional de cinco pontos. Conforme o cenário, crava entre 7% e 12%. Heloísa Helena (PSOL) manteve-se estável.

Eis os principais cenários esboçados na pesquisa:

Cenário 1:

 

 

 

 

 

 

 

 

Cenário 2:

 

 

 

 

 

 

 

 

Cenário 3:

 

 

 

 

 

 

 

 

Cenário 4:

 

 

 

 

 

 

 

 

Cenário 5:

 

 

 

 

 

 

 

Na pesquisa espontânea, quando o eleitor é convidado a mencionar o seu preferido sem que o pesquisador exiba uma lista de nomes, o quadro é o seguinte:

- Lula: 25%; - Serra: 6%; - Aécio: 4%; - Dilma: 2%; - Ciro, HH e FHC: 1% cada um.

Como se vê, o nome de Lula, embora excluído da eleição, é o que primeiro brota da mente do brasileiro. O dado dá uma dimensão do apelo que teria a tese golpista do Lula-3.

Escrito por Josias de Souza às 05h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TSE recebe 7 'recursos' ligados ao caso Cunha Lima

  Folha
O TSE recebeu nada menos que sete recursos relacionados ao processo que levou à cassação do mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB).

Cinco petições tentam anular a cassação do governador e do vice dele, José Lacerda Neto (DEM).

As outras duas pedem ao tribunal a convocação de nova eleição. A sentença do TSE prevê a posse do segundo colocado no pleito de 2006: José Maranhão (PMDB).

O cipoal de recursos espreme a Justiça Eleitoral contra a parede. O caso Cunha Lima foi julgado em 20 de novembro.

O TSE confirmou, por unanimidade, decisão do TRE da Paraíba, que determinara o afastamento do governador por crime eleitoral.

Foram aceitas as evidências de que Cunha Lima, candidato à releição em 2006, distribuíra a eleitores R$ 3,5 milhões em cheques de um programa assistencial.

O tribunal decidira que Cunha Lima e o vice deveriam deixar o cargo imediatamente. Eventuais recursos seriam julgados com o governador fora do cargo.

Dias depois, o tribunal deu meia-volta. Manteve a cassação. Mas autorizou Cunha Lima a recorrer sentado na cadeira de governador.

O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, dera a entender que só caberiam recursos no STF. Não é, porém, o que se verifica.

As sete petições novinhas em folha aportaram no protocolo do TSE na noite da última sexta (5). Vai abaixo a lista:

1. Cássio Cunha Lima: Por meio de seus advogados, o governador cassado levou ao TSE um recurso que tem cara de coisa protelatória. Pede: a) que o tribunal reconheça contradições no julgamento; b) que sejam convocadas novas eleições; c) que o processo retorne ao TRE, que teria privado o vice-governador, também cassado, de exercer o seu direito de defesa; d) que sejam realizadas novas perícias em documentos e novo julgamento;

2. José Lacerda Neto: o vice-governador cassado pede a anulação do julgamento do TSE. Alega que há "vício insanável" no processo. Sustenta que não foi citado pela Justiça Eleitoral. E, por isso, não teve a oportunidade de se defender.

3. PSDB: o partido de Cunha Lima diz que, como parte interessada, deveria ter sido admitido no processo em sua fase inicial. Sustenta que o pedido foi negado. Trata-se de meia verdade. A legenda figura nos autos como "assistente". O tucanato pede que o processo seja anulado desde a sua origem.

4. DEM: o recurso do partido do vice José Lacerda vai na mesma linha. Pede a anulação do julgamento sob a alegação de que, como dono do mandato exercido por Lacerda, deveria ter sido admitido como parte do processo desde o seu início. De resto, endossa o argumento esgrimido na petição do vice, que não teria sido citado para apresentar sua defesa.

5. Gilmar Aureliano: trata-se do ex-presidente da FAC (Fundação de Ação Comunitária). Trata-se do órgão que distribuiu os cheques que escoram a cassação de Cunha Lima. Ele também pede a anulação do julgamento. Alega que houve "erro metodológico" em perícias contábeis. Sustenta que a aferição da distribuição dos benefícios considerados irregulares não poderia ter sido feita por amostragem.

6. PCB: o Partido Comunista Brasileiro é autor da ação que resultou na cassação de Cunha Lima e seu vice. Na nova petição, pede a convocação de novas eleições. Tenta evitar a posse do segundo colocado, o senador José Maranhão (PMDB).

7. PSOL: a legenda presidida pela vereadora Heloisa Helena (AL) reivindica ser admitida no processo. Caso o TSE acate esse primeiro pedido, pede, a exemplo do PCB, que sejam convocadas novas eleições, para "prestigiar o princípio da soberania do voto popular".

Confrontado com tantos recursos, o TSE está diante de um dilema: ou transforma as peças em recheio de arquivo, indeferindo-as em bloco, ou...

Ou se arrisca a esticar a pendenga até 2010, conservando no cargo, até o fim do mandato, uma dupla de gestores públicos que julgou infratora. Algo que, convenhamos, será sinônimo de desmoralização.

Escrito por Josias de Souza às 04h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Globo: Paes diz que Cesar deixa rombo de até 400 milhões

- Folha: Serra amplia vantagem para 2010 e Dilma sobe

- Estadão: Empréstimo de bancos a emergentes vai a US$ 4,9 tri

- JB: As pedras no caminho de Paes

- Correio: Plano Piloto tem quatro cracolândias

- Valor Econômico: Empresas reduzem capital para ter acesso a dividendos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Liquidação!

Benett

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula deve liberar R$ 2 bi para as cooperativas rurais

  Sérgio Lima/Folha
A pedido do ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), o governo deve liberar nos próximos dias uma linha de crédito para as cooperativas agrícolas.

Coisa de R$ 2 bilhões. Dinheiro do Tesouro Nacional, a juros camaradas de 6,75% ao ano. Que será convertido em empréstimos a pequenos e médios produtores.

A intenção do governo é a de prover capital de giro aos agricultores, atenuando os efeitos da secura do crédito sobre a atividade agrícola.

Ao lado da construção civil, a agricultura é vista como área estratégica pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Estima-se que o setor empregue 18 milhões de brasileiros.

Agricultura e Fazenda estudam outras medidas para socorrer o campo e suas adjacências. Uma das providências sob análise é a abertura de uma linha de crédito também para as empresas de fertilizantes.

O valor ainda não foi fechado. De acordo com informações repassadas a parlamentares da bancadas ruralista no Congresso, a cifra que se encontra sobre a prancheta da Fazenda é R$ 2,5 bilhões.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

STF conclui na 4ª julgamento da Raposa Serra do Sol

Lula Marques/Folha

O Supremo retoma nesta quarta (10) o julgamento do processo que questiona a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol (RR).

A decisão deveria ter saído em 27 de agosto. Porém, o pedido de vista de um dos ministros do STF, Carlos Menezes Direito, forçou o adiamento do veredicto.

A sessão será retomada do ponto em que parou. Depois de analisar o processo por mais de dois meses, Menezes Direito dará o seu voto.

Pode cocordar ou divergir do relator, ministro Carlos Ayres Britto. Antes do pedido de vista de Menezes Direito, Ayres Britto lera o voto dele.

Posicionara-se francamente a favor dos índios. A seu juízo o caráter contínuo da reserva é amparado em lei. Acha que a Constituição não foi desrespeitada.

O texto de Ayres Britto desapontou os arrozeiros, que reivindicam o direito de permanecer na reserva. Queriam que o ministro admitisse o fracionamento da área indígena. Porém, o relator foi noutra direção.

Anotou no seu voto que a demarcação fracionada da reserva, ao estilo "queijo suiço", afrontaria a Constituição brasileira

Em favor dos produtores de arroz, aventou apenas a hipótese de "indenização das benfeitorias." Ainda assim, só para aqueles que agiram "de boa fé".

Além do voto de Menezes Direito, terão de ser colhidas as opiniões dos outros nove ministrios que têm assento no plenário do Supremo.

O tribunal espera por casa cheia na quarta. Por precaução, decidiu fazer o credenciamento prévio dos repórteres interessados em acompanhar o julgamento.

Escrito por Josias de Souza às 18h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ex-doméstica troca cidade por assentamento do MST

Elis Regina Nogueira/Piauí

Nem só de excluídos do campo são feitos os assentamentos do MST. Dão guarida também a trabalhadores urbanos.

A última edição da revista Piauí traz o relato em primeira pessoa da ex-empregada doméstica Marta de Sousa P. da Silva.

Trocou uma casa própria de alvenaria na capital Campo Grande por um barraco de assentamento no município de Sindrolândia, nos fundões do Mato Grosso do Sul.

A vida de Maria começou a virar em 2005. O marido, Izaías, cismou de voltar para o campo. Trabalhava como motorista da Brahma havia 13 anos.

Fez as trouxas e agregou-se a um acampamento do MST. De início, Maria torceu o nariz: "Largou uma casa boa na cidade para ficar acampado no meio do nada".

Uma dúvida passou a aquecer-lhe os miolos: Ficar na casa de Campo Grande, que dividia com dois dos três filhos, ou juntar-se ao marido para viver num fim de mundo sem água nem luz? Preferiu abraçar a primeira opção.

Izaías vendeu o caminhão. Comprou uma caminhonete F-1000 usada. Esticou uma lona na carroceria. No acampamento do MST, era essa a sua moradia.

Ele não participara de nenhuma invasão. Quando chegara à fazenda de Sindolândia, a propriedade já estava apinhada de gente acampada.

No finalzinho de 2006, Izaías ganhou, finalmente, um lote do Incra. Maria passou a visitá-lo aos finais de semana. Depois, acabou se juntando ao marido.

"Minha casa na cidade tem tudo do bom e do melhor, mas eu não trouxe nada de lá, só a minha cama de casal e o colchão", ela conta.

Deixou a casa com os filhos. E não se arrepende. Ao contrário: "Isso aqui é uma maravilha [...]. Não volto mais para a cidade. Aqui só tenho o que preciso, e não aquilo que eu quero".

Pressionando aqui, você chega ao relato integral da saga de Maria, nas páginas da Piauí. Vale a leitura.

Maria é uma lulista de mostruário. "Acho uma beleza o governo dividir essas terras que estão sobrando e as pessoas poderem trabalhar no campo..."

"...Não entendo muito de política, mas votei no Lula nas duas vezes que ele foi presidente, e se pudesse votar nele novamente, votaria..."

"...Acho que tudo que ele fez pelo povo foi perfeito. Na minha idade, até hoje, nunca vi uma pessoa que tivesse ajudado tanto o povo como ele ajudou..."

"...A maioria das pessoas aqui no sítio recebe o Bolsa Família. Eu e meu marido não recebemos porque, graças a Deus, não precisamos"

Escrito por Josias de Souza às 17h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Meirelles: Brasil retoma o ritmo de cruzeiro em 2010

Elza Fiúza/ABr

A tropa econômica de Lula está mesmo decidida a exorcizar o pessimismo que se espraia pela economia brasileira.

Sem mencionar números, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, diz que o PIB brasileiro crescerá acima da média mundial em 2009.

Até aí, sua previsão não discrepa da média. Ninguém imagina que o Brasil sentirá a crise com a mesma intensidade dos EUA e dos países da Europa.

Mas Meirelles antevê mais: já em 2010, diz ele, a economia brasileira retomará a velocidade de cruzeiro. "Minha prioridade hoje é assegurar que isso aconteça".

Meirelles falou ao repórter Octávio Costa. Em certos momentos, deu vazão à vaidade:

"Em todas as reuniões a que vou, os colegas de outros bancos centrais e banqueiros privados fazem fila para elogiar a ação do BC brasileiro".

Em outros trechos da conversa, revelou detalhes ainda desconhecidos da mudança de rotina que a crise impôs ao cotidiano do BC:

"Na sexta-feira 10 de outubro, eu me encontrava em Washington com o pessoal do FED e cheguei à conclusão de que a restrição de crédito internacional se agravou ainda mais em decorrência da quebra do banco Lehman Brothers..."

"...Nosso mercado também não sabia dimensionar as perdas das empresas nacionais com derivativos. Havia sintomas de pânico..."

"...Previ que a segunda-feira no Brasil poderia ser muito perigosa. Tomei a decisão de voltar no sábado à noite..."

"...Pousei em São Paulo no domingo e convoquei uma reunião da diretoria para o próprio domingo, que terminou à meia-noite..."

"...Voltamos a nos reunir às sete horas da manhã da segunda-feira 13. Os americanos tinham tomado algumas medidas e as bolsas na Ásia abriram melhor..."

"...Pensei: o momento de intervir é já. Tínhamos de atirar pesado e decidimos liberar R$ 100 bilhões de depósitos compulsórios. Neste dia, o mercado se acomodou completamente".

A crise virou de ponta-cabeça também o dia-a-dia doméstico de Meirelles. Abandonou as sessões de pilates. Já não faz as costumeiras caminhadas. Agora, os períodos de folga confundem-se com o horário de expediente:

"Acordo às três da manhã, pego meu BlackBerry, despacho por uma hora e meia e mando e-mails para todo mundo..."

"...Solto as tarefas do dia. Quando a turma acorda pela manhã, já tem toda a pauta. Aí eu me acalmo e volto a dormir até as sete horas. O BlackBerry é melhor do que um Lexotan".

Ao reponder a uma derradeira pergunta, Meirelles, ex-deputado federal pelo PSDB de Goiás, deixou entreaberta a porta que pode reconduzi-lo, no futuro próximo, à política.

Como vão os planos de sair candidato ao governo de Goiás em 2010? "No momento, não penso nisso. Sou um homem de foco e agora meu foco está no curto prazo".

Escrito por Josias de Souza às 03h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mantega: 'Temos armamento pesado contra a crise'

Lula Marques/Folha

Contra todas as previsões, o ministro Guido Mantega (Fazenda) continua estimando para 2009 um aquecimento econômico de 4%.

No papel de "levantador de PIB", Mantega não receia fazer feio. Por que? "Falo em 4% porque o governo tomará as medidas necessárias para não deixar a produção cair".

O ministro avisa: "Não estamos dormindo". E dimensiona o paiol do governo: "Nós temos armamento pesado para enfrentar a crise".

Em entrevista aos repórteres Octácio Costa, Denize Bacoccina e Adriana Nicacio, Mantega expõe algumas das armas.

1. O Banco Central fará novas liberações do depósito compulsório para os bancos;

2. O governo pressionará os bancos para reduzir os juros cobrados da clientela;

3. Mesmo que a arrecadação de impostos caia, o governo não vai cortar investimentos.

4. A Petrobras manterá os investimentos do pré-sal.

5. O governo adotará medidas "para que todas as empresas invistam".

Vão abaixo alguns trechos da entrevista do ministro da Fazenda:

- O que espera para os próximos meses? Era esperada uma desaceleração. Independentemente da crise internacional, nós vínhamos de 2007 com a economia muito aquecida, a demanda crescendo 14%, o setor automobilístico crescendo 30%. Tudo isso era exagerado e poderia gerar desequilíbrio. O governo já vinha trabalhando para moderar esse crescimento. A crise recrudesceu e, em outubro, veio o choque financeiro [...]. Foi um freio de arrumação. Vamos ter uma desaceleração, mas ainda assim eu acho que teremos um Natal relativamente normal.

- Dentro do previsto? O Natal passado foi muito bom e nós teremos outro Natal muito bom [...]. Há uma reacomodação da economia à nova realidade, de crédito mais limitado e custo financeiro mais elevado. Com outro fenômeno, que é um medo do consumidor e do empresário, eu diria até quase pânico, dos países avançados, porque lá o cidadão está perdendo emprego. Isso contamina, em parte, o humor do brasileiro. Então caiu a confiança do consumidor, caiu a confiança do empresário. Passada essa perplexidade, a gente começa a enxergar melhor aquilo que vai ser a continuação desse processo, que não é tão terrível como o quadro que estão pintando [...].

- E quais são as perspectivas para 2009? A economia vai crescer menos que em 2007 e 2008. Não tenho dúvida [...].

- Podemos esperar um 2009 completamente desacelerado? Não. A desaceleração se dá no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009. Já tomamos medidas e vamos tomar novas medidas. O cenário aliviou, mas falta crédito ainda. O crédito não está no patamar suficiente. Vamos liberar mais recursos de compulsórios para irrigar mais a economia [...].

- Vai sobrar crédito para outras empresas? Vai, porque o Brasil tem uma vantagem que outros países não têm, que é o compulsório.

- Qual é o volume? Começamos com R$ 270 bilhões e hoje temos R$ 190 bilhões. Então, nós vamos continuar liberando.

- O governo prepara medidas para que o desemprego não piore? Para evitar isso, nós temos que manter o nível de atividade. O emprego é uma conseqüência. Como se mantém o nível de emprego? Primeiro, mantendo a construção civil funcionando, porque construção civil emprega muita gente. Segundo, mantendo a agricultura num nível de produtividade elevada, porque ela é responsável por 18 milhões de empregos [...].

- O que será feito para reduzir o custo do crédito? Nós vamos atuar em cima do spread. É até compreensível que, num primeiro momento, todo mundo tenha chutado para cima as taxas para se precaver, para restringir, mas agora as coisas estão normais. Não vai acontecer nada. Tem que baixar. Os bancos públicos já estão baixando.

- Quanto o PIB cresce no ano que vem? Depende do que nós fizermos. Se deixar na inércia, mesmo com a influência negativa que vem do exterior, a economia cresce pouco. Tem gente falando em 2%, 2,5%. Já vi de zero a 3%.

- O sr. continua falando em 4%? Eu falo em 4% porque o governo tomará as medidas necessárias para não deixar a produção cair. Por exemplo, o setor de construção. O governo está aumentando com o PAC o seu programa de obras em vários setores - saneamento, habitacional, infraestrutura. No ano que vem, eu garanto que não vamos cortar investimento. Mesmo que haja queda no crescimento da arrecadação, não iremos reduzir o investimentos. Isso vai manter a construção civil aquecida, e são obras no Brasil todo [...]. Então, quem diz que vai crescer zero acha que vai ter uma hecatombe, coisa que não vai acontecer. Não estamos dormindo.

- Em 2010 a economia retoma o crescimento? Retoma. Vamos ter que colocar em prática uma estratégia que dependa menos do cenário externo. Nosso mercado interno vai substituir uma parte do mercado externo [...]. Nós temos como fazer um ciclo diferente. Teremos uma política anticíclica. E nós temos armamento pesado para enfrentar a crise. Nós vamos continuar o pré-sal, a Petrobras vai ter investimento. Vamos viabilizar para que todas as empresas invistam.

- Os R$ 14 bilhões do Fundo Soberano vão para investimento ou para o superávit? Não irão para o superávit, isso eu garanto.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Globo: Desemprego no Brasil pode ir a 9% em 2009

- Folha: Crise reduz investimentos em R$ 40 bi

- Estadão: Governo prepara medidas para baixar custo do dinheiro

- JB: Rio lidera rota do tráfico de animais

- Correio: Crack, a droga que assombra Brasília

- Veja: A ética da nudez

- Época: As pessoas mais influentes do Brasil em 2008

- IstoÉ: Brasileiro do ano de 2008

- IstoÉ Dinheiro: Empreendedor do ano 2008

- CartaCapital: Condenado - Pela primeira vez, Daniel Dantas é sentenciado no Brasil

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 00h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Escolinha do professor Lula!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 00h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Krugman, Obama tem de gastar e elevar déficit

Alan E. Cober

O governo dos EUA está diante de um dilema: aumentar os gastos públicos agressivamente ou conter o enorme déficit orçamentário?

Os economistas dividiram-se. Um grupo defende que, ao assumir, em janeiro de 2009, Barack Obama deve pisar no acelerar, patrocinando a expansão fiscal.

Outro grupo manifesta preocupações com o fardo que a política expansionista vai impor às gerações futuras de americanos.

Ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano, Paul Krugman filia-se à corrente dos defensores da abertura de torneiras do Estado.

Em artigo distribuído pelo New York News Service e reproduzido aqui, Krugman afirma que a economia dos EUA continuará em queda livre caso a gestão Obama capitule diante dos "falcões do déficit" e encolha os seus planos fiscais.

Para Krugman, a preocupação com o déficit, "sob circunstâncias normais", "faz muito sentido". Mas ressalva: "As atuais circunstâncias estão muito além da normalidade".

Como que preocupado em demonstrar que não enlouqueceu, Krugman faz uma pergunta a si mesmo:

"O governo deve ter uma política permanente de grandes déficits orçamentários?". Ele responde: "Claro que não". Acrescenta:

"Mas neste momento temos um rombo no gasto privado: os consumidores estão redescobrindo as virtudes de poupar no mesmo momento em que as empresas, escaldadas por excessos passados e limitadas pelos problemas no sistema financeiro, estão cortando investimento..."

"...Com o tempo, essa lacuna poderá fechar, mas até que isso ocorra o gasto do governo terá de ser feito da forma mais eficiente possível..."

"...Caso contrário, o investimento privado e a economia como um todo irão despencar ainda mais".

Guardadas as devidas proporções, o debate que opõe gastos públicos à necessidade de conter a expansão do endividamento do Estado está presente também no Brasil.

No discurso da última quinta-feira (4), no Rio, aquele da "diarréia" e do "sifu", Lula soou mais próximo de Krugman que dos "falcões do déficit".

A certa altura, o presidente queixou-se dos "profissionais" que exercem uma atividade ainda "não cadastrada" no Ministério do Trabalho: "os analistas de plantão".

Aparecem, segundo Lula, junto com as crises. "Toda hora que tem qualquer negócio ele fala: 'É preciso fazer um ajuste fiscal, é preciso cortar gasto, é preciso cortar salário, é preciso enxugar a máquina pública'..."

"...Em um país em que ainda tem tudo por fazer, se você olhar este país apenas para 35 milhões, ou 40, ou 50 de potenciais consumidores, você pensa de um jeito..."

"...Mas se você olhar que este país ainda tem milhões de brasileiros que precisam adentrar em um mercado, que precisam conquistar a cidadania, você precisa..."

"...Quanto mais crise, mais investimento, quanto mais crise, mais possibilidade de geração de emprego..."

"...É por isso que nós assumimos um compromisso [...] de que a gente não vai deixar de investir nenhum centavo que está comprometido para investir".

Parece fora de dúvida que, submetido a uma crise que amedronta o investidor privado, o Estado deve atuar como indutor do desenvolvimento. Vale aqui e alhures.

O problema é definir a qualidade do gasto. Krugman dá a Obama, de graça, um conselho que vale para Lula:

A "expansão fiscal será ainda melhor para o futuro dos EUA se uma grande parte dessa expansão tomar a forma de investimento público..."

"...Construção de estradas, reforma de pontes e desenvolvimento de novas tecnologias, iniciativas que tornam a nação mais rica no longo prazo".

No Brasil, o governo fale de um PAC cuja cara o Brasil não vê com nitidez. E aprova no Congresso, com a conivência da oposição, projetos que tonificam os gastos com o custeio da máquina pública em plena crise.

PS.: Ilustração vi sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 00h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula de 2008 deveria recordar o Luiz Inácio de 1967

Tarsila do Amaral

A irreverência do carioca criou uma gíria para a demissão em massa: passaralho.

O professor Aurélio guindou a brincadeira à condição de verbete de dicionário.

O vocábulo voa macio no começo. Lembra a inocência de um passarinho.

É no timbre fálico das duas últimas sílabas que se insinua a encrenca.

Se a origem é aviária, a inspiração não há de ter vindo do canário. Nem do beija-flor.

O bicho guarda semelhança com o carcará, a ave que pega, mata e come.

No caso específico, come empregos. E voltou a lenvatar vôo neste finalzinho de 2008.

Para quem não sabe o que significa, vai abaixo o relato de alquém que viveu o drama:

"Eu sobrevivia fazendo bico para ganhar algum dinheiro. Eu comia o pão que o diabo amassou..."

"...Eu lembro que chegava na hora de comer e não tinha o que comer. Se tinha, era arroz e batatinha cozida no molho..."

"...Eu procurava trabalho nas empresas, fazia tudo a pé, não tinha dinheiro para ônibus..."

"...Tem coisa mais humilhante do que você sair com uma carteira profissional de manhã..."

"...E voltar com ela de tarde, com ela suadinha, sem arranjar emprego, meses após meses?..."

"...Eu às vezes parava no meio do caminho e chorava muito."

O depoimento é de um velho conhecido de Lula. Chamava-se Luiz Inácio da Silva.

Está disponível na biografia "Lula, o Filho do Brasil", da jornalista Denise Paraná.

Começa na página 83 e transborda para a folha 84. "Isso aconteceu na crise de 1965..."

"...Foi uma época muito difícil. Foi uma crise de desemprego muito, muito pesada".

O peso da crise iniciada em 15 de outubro de 2008 ainda não foi à balança.

Mas nada assegura que será mais leve do que a crise do marechal Castello Branco (1964-1967).

Na pele de gestor de marolas, o Lula-2008 deveria reler o Luís Inácio-1967.

Não vai resolver a crise. Mas talvez acione uma luz que parece apagada em Brasília.

Sob o ex-operário, o governo já socorreu exportadores e montadoras de automóveis.

Não levou à mesa, nem mesmo como cogitação, a contrapartida da manutenção dos empregos.

O Planalto mandou ao Congresso um par de medidas provisórias anticrise.

Numa, autorizou o BC a derramar dinheiro nas arcas de bancos ilíquidos.

Noutra, transformou o BB e a CEF em sócios potenciais da banca privada e de construtoras.

De novo, o candidato ao desemprego não freqüenta os textos senão como personagem longínguo.

O Lula de 2008 convida o trabalhar ao consumo. Não é mal que o faça. Porém...,

Porém, a vítima do passaralho talvez prefira a extensão do seguro-desemprego a um novo empréstimo consignado.

É o que se depreende das palavras de Luiz Inácio:

"Em 1965, eu fiquei parado um bom tempo. Era uma situação muito difícil, tinha muita miséria na minha casa..."

"...O cara desempregado, sem dinheiro, sem cigarro, sem poder tomar a sua cervejinha..."

"...É uma situação realmente de muita tristeza para um trabalhador".

Em tempo: No pior ano do marechal Castello, a economia brasileira cresceu 2,4%.

Escrito por Josias de Souza às 14h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

MP arquiva investigação sobre casa de Yeda Crusius

O Ministério Público gaúcho encerrou a investigação da compra da casa da governadora Yeda Crusius (PSDB).

O caso foi ao arquivo. Concluiu-se que não houve ilegalidade na aquisição, feita pouco antes de Yeda tomar posse, em 2006.

Coube ao procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Mauro Renner, a comunicação do fato.

"As suspeitas de irregularidades foram afastadas diante da idoneidade dos elementos de convicção coletados", disse.

Renner foi econômico nas palavras. Gastou algo como 25 minutos para ler as conclusões da investigação, tocada por uma dupla de procuradores.

Depois, retirou-se. Nada de entrevistas. Alegou que precisava dar ciência aos investigados.

Acha conveniente "estabelecer a respeitabilidade que essas pessoas merecem". Havia quatro pessoas no rol de investigados:

Yeda e o marido dela, Carlos Crusius; o ex-secretário-geral do governo gaúcho Delson Martini e o pai dele, Delacy Martini.

As dúvidas giravam em torno do valor da casa comprada pela governadora e da origem do dinheiro.

O procurador-geral Renner disse que todos os pontos foram acomodados em cima dos respectivos "is".

Segundo ele, restou demonstrado que Yeda se defez de patrimônio para honrar o pagamento da casa:

"Os valores angariados com os apartamentos de Brasília e de Capão, bem como com a venda do automóvel significaram de R$ 592 mil..."

"...Na ocasião, houve o pagamento de R$ 550 mil ao vendedor da casa e R$ 27 mil para quitar o ITBI, havendo ainda a sobra de R$ 15 mil".

Ouvida, Yeda reagiu assim: "A decisão do Ministério Público é para mim um momento muito importante..."

"...Um tomo da história deste governo está escrito para que todos o registrem como história e aprendam com essa história suas lições, eu inclusive..."

"...Eu e minha família tivemos de ter paciência. O que o Ministério Público hoje coloca a toda a sociedade recompõe um pedaço da minha história pessoal".

Porém, a bancada do PT na Assembléia Legislativa gaúcha ainda não se deu por satisfeita.

O petismo deve pedir a reabertura das investigações ao Conselho Superior do Ministério Público estadual.

Escrito por Josias de Souza às 12h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Indefinição do PMDB leva PSDB a negociar com Tião

  José Cruz/ABr
À espera de uma definição do cacique José Sarney (AP) e dos índios do PMDB, o tucanato abriu negociações com o candidato do PT à presidência do Senado, Tião Viana.

Nos subterrâneos, a cúpula do PSDB discute com Tião a divisão dos cargos na mesa diretora e nas comissões do Senado.

Eis o mapa do rateio:

1. Vice-presidência: o tucanato reivindica o segundo posto no comando do Senado, hoje ocupado pelo próprio Tião Viana. Pode não levar, contudo.

Tião negocia essa cadeira com o PMDB. O posto iria para o atual líder peemedebista, Valdir Raupp (RO).

Algo que abriria caminho para atender a um anseio de Renan Calheiros (AL): o retorno à liderança do PMDB.

2. Primeira-secretaria: Faltando-lhe a vice, o tucanato ficaria com o terceiro posto mais importante da mesa.

Dependendo do ponto de vista, pode ser considerada a cadeira mais relevante. É na primeira-secretaria que são ordenadas as despesas do Senado.

O órgão controla um orçamento anual de notáveis R$ 2,7 bilhões. O candidato do PSDB a gestor dessas arcas, hoje geridas pelo 'demo' Efraim Moraes (PB), é o senador Marconi Perillo (GO).

3. Comissão de Assuntos Econômicos: É uma das comissões mais cobiçadas do Senado. O PSDB deseja vê-la sob o comando de Tasso Jereissati (CE), na foto lá do alto ao lado de Tião.

O atual presidente é o senador petista Aloizio Mercadante (SP). Mas ele avisou que deseja retornar à liderança do PT em 2009. O que facilita a vida de Tião.

4. Comissão de Relações Exteriores: Para a presidência dessa comissão, o tucanato indicou o nome de Eduardo Azeredo. Hoje, quem comanda é o 'demo' Heráclito Fortes (PI).

Como de hábito, o tucanato observa a brigalhada do Senado a partir de seu ninho predileto: o muro.

Um pedaço do partido, Tasso Jereissati à frente, quer descer do lado da parede em que se encontra Tião Viana.

Outro grupo, que tem como expoente o líder Arthur Virgílio (AM), prefere uma composição com o PMDB.

O problema é que, desse lado do muro, não há um candidato fixo. O PMDB tornou-se uma usina de balões de ensaio.

Ao abrir conversações com Tião Viana, o PSDB diferencia-se do DEM, seu parceiro de oposição.

Mais do que isso: os tucanos negociam postos hoje submetidos ao comando de sendores 'demos'.

Entre quatro paredes, José Agripino Maia (RN), líder do DEM, dá de ombros para a movimentação de Tião.

Agripino diz que o candidato petista negocia uma mercadoria que não lhe pertence.

Lembra que a divisão da mesa e das comissões segue o critério da proporcionalidade. E seu partido é dono da segunda maior bancada da Casa.

Seja como for, enquanto o PMDB não surge com um "nomão", o PSDB sinaliza que não é avesso a uma composição com Tião Viana, o predileto de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 04h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A manchetes deste sábado

- Globo: Congresso e governo criam gastos extras em plena crise

- Folha: EUA fecham 533 mil vagas em 1 mês

- Estadão: EUA cortam 533 mil empregos

- JB: Uma cidade contra o crime

- Correio: Nomeação de aprovados em concurso corre risco

- Valor: União mantém seus planos para pré-sal, apesar da crise

- Gazeta Mercantil: Queda acelerada nas vendas deixa 300 mil carros nos pátios

- Estado de Minas: Vereadores correm para aumentar IPTU

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Boca suja!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gilmar Mendes volta a se estranhar com De Sanctis

  Alan Marques/Folha
Mal saiu do forno e a condenação de Daniel Dantas já escorrega para o segundo plano.

Voltam a monopolizar os holofotes Gilmar Mendes e Fausto de Sanctis.

Em ofício ao Ministério Público, o presidente do STF critica o juiz da Satiagraha.

Gilmar olha de esguelha para um trecho da sentença produzida por De Sanctis.

Afirma que o juiz divulgou na peça "informações oblíquas". Coisa séria, muito séria.

Sugere, no dizer de Gilmar, o "comprometimento da probidade" do Supremo.

O professor Aurélio traz várias acepções para o vocábulo "oblíquo".

Eis alguns dos significados: Malicioso; dissimulado, ardiloso; sinuoso.

O pedaço da sentença que deixou Gilmar abespinhado fala de um órgão do STF.

Secretaria de Segurança, eis o nome da repartição que está no centro da polêmica.

Ali trabalhava coronel de Exército Sérgio de Souza Cirillo.

É versado na área de inteligência e contra-inteligência.

Foi contratado sob Gilmar, em agosto de 2008. Dois meses depois, estava exonerado.

O coronel Cirillo trocou telefonemas com um dos encrencados da Satiagraha.

Qual deles? Hugo Chicaroni, condenado junto com Daniel Dantas, na mesma sentença.

Chicaroni é um dos personagens do vídeo que lastreia a decisão do juiz De Sanctis.

Aquele vídeo em que emissários de Dantas tentam subornar um delegado da PF.

Na casa de Chicaroni, a PF recolheu mais de R$ 1 milhão. Dinheiro vivo.

Foram nove as conversas telefônicas mantidas entre Chicaroni e o coronel Cirilo.

Ocorreram entre os dias 6 de junho e 7 de julho, véspera da deflagração da Satiagraha.

Antes, portanto, de o coronel começar a bater ponto no STF, em agosto.

A certa altura de sua sentença, o magistrado De Sanctis anotou o seguinte:

"Tal fato revela, pois, que os acusados [no processo contra Dantas], para alcançar seus objetivos espúrios..."

"...Dias antes de oferecer e pagar vantagem às autoridades policiais, atuavam sem medir esforços em suas ações..."

"...Na tentativa de obstrução e procedimento criminal, tentando espraiar suas ações em outras instituições".

É esse o trecho que Gilmar Mendes considerou "oblíquo".

Por isso, o presidente do Supremo escreveu ao procurador-geral da República.

Pediu a Antonio Fernando de Souza "a urgente apuração" dos "fatos de extrema gravidade".

Acha "importante que se esclareça":

1. "A conexão entre os contatos mantidos pelo servidor e um dos acusados no processo";

2. "Eventuais tentativas dos réus (ou outros interessados) de envolver infundadamente o nome da Corte [o STF] em atos ilícitos".

É bom mesmo que o Ministério Público acomode as coisas em pratos bem asseados.

A platéria não merece permanecer com esse criatório de pulgas atrás da orelha.

De resto, é preciso que Daniel Dantas, o ensaboado-geral da República, seja devolvido ao centro do palco.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Linguajar de Lula molesta os tímpanos do tucanato

Ao temperar um discurso feito no Rio com expressões de calão raso, Lula eriçou os tímpanos do tucanato.

Nesta sexta (5), o PSDB levou ao seu sítio um texto de reprimenda. Traz declarações de deputados do partido.

Entre eles o líder José Aníbal (SP), para quem Lula adota "comportamento inadequado".

Recorre ao "destempero verbal no trato de uma crise que não é imaginária, mas real".

De resto, diz Aníbal, Lula dá de ombros para o fato de que, levado pela mídia, seu "palavreado chulo e grosseiro" chega "à casa das famílias".

Ex-líder do tucanato na Câmara, Carlos Pannunzio (SP) também reprovou:

"Não é com baixo calão, mau gosto e linguajar de campo de futebol que vai se resolver a crise".

Natural que o PSDB torça os ouvidos. Mas convém lembrar um ensinamento de Nelson Rodrigues, cultor da palavra simples:

"Se eu tivesse que dar um conselho, diria aos mais jovens: Não façam literatice. O brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra".

A "diarréia" e o "sifu" foram os chocalhos do discurso de Lula. E o brasileiro, a julgar pelo que informa o Datafolha, está adorando.

Escrito por Josias de Souza às 19h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Protógenes agora vai cuidar de índios e sem-terra

  Lula Marques/Folha
Em férias, o delegado Protógenes Queiroz volta ao trabalho em janeiro.

Desligado da diretoria de Inteligência da PF, foi alocado em outra repartição.

Chama-se CGDI (Coordenação Geral de Defesa Institucional).

Dedica-se à resolução de encrencas relacionadas à "segurança institucional".

Coisas como conflitos envolvendo índios e trabalhadores rurais sem-terra.

Na CGDI, Protógenes estará subordinado ao chefe da Diretoria Executiva.

Vem a ser Roberto Troncon, o delegado que o afastou da Satiagraha.

Em meio a bordunas e foices, Protógenes aguardará a próxima surpresa.

Que virá do desfecho da investigação que corre contra ele na corregedoria da PF.

Nesse diapasão, o ex-algoz do suspeito-geral da República Daniel Dantas acaba mudando de ramo.

Genro por Genro, talvez se convença de que é melhor trocar Tarso por Luciana.

Convertido em ídolo do PSOL, Protógenes não demora a sentar praça no partido da filha do ministro da Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tucano Aécio reconhece os 'acertos' do petista Lula

  AP
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), veio à boca do palco, nesta sexta (5), para anunciar o nome de um novo secretário de sua gestão.

Acabou tendo que comentar a pesquisa Datafolha, que atestou a popularidade recorde de Lula: 70% de aprovação.

O presidenciável tucano atribuiu a boa imagem do presidente a um conjunto de fatores. Mencionou a "bendita herança" recebida de FHC.

Mas reconheceu os "acertos do governo Lula". Disse: "O Brasil vive um bom momento, a economia brasileira veio crescendo até aqui..."

"...Infelizmente não avançamos em determinadas reformas antes desse período de crise, que poderia ter acontecido..."

O bom que a economia brasileira "viveu" decorre, "...em boa parte, também, de uma certa bendita herança em relação à estabilidade econômica..."

Decorre dos "...marcos fundamentais da política macroeconômica e também dos acertos do governo Lula, que eu reconheço".

O veneno oposicionista da fala de Aécio foi gotejado no tempo verbal. "A economia brasileira veio crescendo até aqui". É como se perguntasse: Vai continuar?

Escrito por Josias de Souza às 17h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Americanos vêem sumir 533 mil vagas em novembro

Angeli

Nada mais obsceno do que o desemprego. Impõe às suas vítimas a nudez que ninguém pediu, que ninguém quer ver.

Divulgou-se nesta sexta (5) mais uma evidência de que os EUA vivem uma de suas mais despidas épocas.

Só em novembro, o ex-império assistiu ao fechamento de 533 mil vagas de trabalho. O pior número em 34 nos.

A taxa de desemprego alçou à casa dos 6,7%. Significa dizer que se encontram no olho da rua 10,3 milhões de americanos.

Deve-se o flagelo, em boa medida, à incúria da nefasta gestão de George Bush. Deu ao desemprego americano uma obscenidade inumana.

Escrito por Josias de Souza às 17h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apesar da crise, popularidade de Lula sobe para 70%

  Baptistão
O Datafolha leva à praça pesquisa que informa o seguinte: por ora, a crise global não roeu a popularidade de Lula.

Ao contrário, a taxa de aprovação do presidente subiu. Bateu em 70%. É o índice mais vistoso atribuído a um presidente desde 1990.

Nenhum dos mandarins da fase do Brasil redemocratizado alcançou feito semelhante. O recorde anterior era do próprio Lula: 64% de aprovação, em setembro passado.

Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas entre 25 e 28 de novembro. Coletaram dados que indicam que o prestígio de Lula é disseminado.

A popularidade do presidente é alta em todos os segmentos socioeconômicos e em todas as regiões do país.

É algo que já se verificava na pesquisa de setembro. A novidade é que Lula coleciona agora taxas ainda mais expressivas entre os brasileiros mais jovens (acréscimo de nove pontos)...

...Entre os mais escolarizados (mais nove pontos) e entre os moradores da região mais rica do Brasil, o Sudeste (de novo, mais nove pontos).

É no Nordeste que o apoio a Lula é mais alto. Nessa região, 81% dos entrevistados o avaliaram como ótimo ou bom.

Os números do Datafolha caem sobre a cabeça de seus adversários políticos como um jorro de água fria.

Fica demonstrado que a "marolinha" terá de se converter em maremoto para que a aprovação de Lula seja engolfada pela crise.

PS.: Ilustração via blog do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 04h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dividido, governo discute meios de ativar o consumo

  João Wainer/Folha
A perspectiva de retração do PIB nos três últimos meses de 2008 fez piscar a luz amarela nos gabinetes de Brasília.

Trava-se nos subterrâneos um debate sobre a conveniência de o governo adotar novas medidas anticrise.

Providências voltadas a tonificar o consumo, para evitar a corrosão do PIB do ano de 2009.

Depois de socorrer bancos ilíquidos e empresas submetidas à secura creditícia, a equipe de Lula volta os olhares também para as pessoas.

Um ministro ouvido pelo blog na noite desta quinta (4) contou que foi à prancheta a idéia de reduzir a alíquota do imposto de renda da pessoa física.

Hoje, a alíquota mais alta do IR é de 27,5%. Se adotada, a redução seria temporária. Valeria por um período de seis meses a um ano.

A idéia é dar um refresco ao contribuinte, estimulando-o a ir às compras. O problema, disse o ministro, é que a providência, por "extrema", divide o governo.

Só um pedaço da equipe de Lula flerta com a proposta. A outra parte acha que, sob crise, não é hora de abrir mão de receita tributária.

Ou seja, trata-se, por ora, de um estudo. Faz-se, no momento, uma análise que combina percentuais de redução do IR e o impacto sobre a arrecadação.

Há outras providências sob análise. Entre elas a poda do IOF, imposto que incide sobre as operações financeiras.

De resto, premido pelas centrais sindicais, Lula encomendou estudos sobre a ampliação do prezo do seguro desemprego, hoje fixado em cinco meses.

Em privado, Lula mostra-se irritado com a reação do empresariado brasileiro à crise. Acha que o medo é incompatível com a situação real do país.

Nesta quinta (4), em discurso no Rio, o presidente desfiou o rosário de informações que, a seu juízo, não vêm sendo sopesadas como deveriam:

"Hoje nós somos um país com a economia consolidada, nós somos um país com 207 bilhões de reservas..."

"...Nós somos um país com uma dívida pública que representa apenas 36% do PIB, quando um país desenvolvido, como a Itália, tem 105% do PIB de dívida pública..."

"...Um país desenvolvido como os EUA têm quase 70% do PIB na sua dívida pública".

"...Nós somos um país que tem uma exportação diversificada como em nenhum outro momento..."

"...Nós já tivemos, há 10 anos, os EUA representando quase 30% do fluxo da balança comercial brasileira, a Europa outros 30, e o mundo, o outro, quase não existia..."

"...Hoje, nós temos os EUA representando para nós apenas 14,5% da nossa balança comercial, a Europa 15% ou 16%..."

"...Na América Latina, crescemos de forma extraordinária. Nós crescemos na África, nós crescemos no Oriente Médio e nós crescemos na Ásia".

Em reuniões no Planalto, Lula cobrou do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, providências coercitivas para forçar os bancos a emprestar mais e a juros mais baixos.

No Rio, Lula disse que o BC já liberou para a rede bancária US$ 100 bilhões em empréstimos compulsórios.

A despeito disso, o "dinheiro fica mais caro, porque os bancos estão escolhendo só clientes seis estrelas, sete, oito...".

A portas fechadas, Lula diz que o "catastrofismo desmedido" das empresas impregna os jornais de notícias que disseminam o "terror". É "um tiro no pé", afirma.

No Rio, Lula disse: "É preciso alguém dizer para ele [o trabalhador] que ele vai perder o emprego exatamente por não comprar..."

"...Na hora em que ele não compra, a indústria não produz, o comércio não vende e em algum lugar vai estourar. E vai estourar exatamente na produção industrial".

Lula converteu-se em árbitro das divergências que permeiam o governo. Está convencido de que caberá ao Estado injetar na economia o ânimo que o mercado sonega.

É no gabinete presidencial, em reuniões que a crise tornou corriqueiras, que se materializa a divisão quanto à conveniência, o tamanho e o timing das novas medidas econômicas.

Escrito por Josias de Souza às 04h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Globo: Dólar sobe 42% na crise e já ultrapassa R$ 2,50

- Folha: Aprovação de Lula bate novo recorde

- Estadão: Dólar passa de R$ 2,50, maior valor desde 2005

- JB: Paz no morro e guerra no asfalto

- Correio: Farra liberada nos gastos da União

- Valor: União mantém seus planos para pré-sal, apesar da crise

- Gazeta Mercantil: Queda acelerada nas vendas deixa 300 mil carros nos pátios

- Estado de Minas: Lacerda admite adiar projeto de aumento do IPTU

- Jornal do Commercio: Estado vai contratar até 3.900 professores

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Marola S/A!

Guto Cassiano

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: um médico não diz ao paciente que ele 'sifu'

'Sou otimista, adoro  uma crise, adoro ser  provocado'

'Às vezes, eu me sinto como se fosse  o Dom Quixote,

'Parte da elite brasileira é colonizada intelectualmente'

'O mercado teve uma diarréia  daquelas, insuportável'

'O Brasil  vai sair dessa  crise 'por cima da carne seca'

Sérgio Lima/Folha

Lula trazia um pronunciamento escrito por assessores. Mas avisou: "Não tem nenhuma razão para eu ler esse discurso aqui".

Falaria sobre o Fundo Setorial do Audivisual, lançado no Rio, nesta quinta (4). Desistiu: "A pessoa menos indicada para falar de audiovisual seria eu".

Preferiu tratar de "um outro assunto". Brindou a platéia de produtores culturais e artistas com um improviso de 45 minutos sobre a crise global.

Em certos momentos, recorreu a um linguajar de botequim. Valeu-se de uma analogia médica para explicar o seu otimismo maroleiro.

"Se um de vocês fosse médico e atendesse a um paciente doente, o que vocês falariam para ele?..."

"...Olha, companheiro, o senhor tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência avançou, nós vamos dar tal remédio e você vai se recuperar..."

"...Ou você diria: meu, sifu [corruptela de 'se fodeu']. Vocês falariam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam".

Comparou o mercado a um adolescente rebelde. Do tipo que ignora os pais. Mas, à menor dificuldade, refugia-se em casa. "Aí é paizinho, mãezinha".

Depois, formulou uma metáfora fecal: "O mercado teve uma dor de barriga". E "não foi uma dor de barrigazinha, foi uma diarréia daquelas, braba, insuportável".

Arrematou: "Quando o mercado teve essa diarréia, quem é que eles chamaram para salvá-los? O Estado, que eles negaram durante 20 anos".

Embora grave -"maior do que 1929"- a crise é, no dizer de Lula, paradoxal. Surgiu "no coração dos países ricos [...]. E os países menos vulneráveis são os emergentes, dentre os quais o Brasil".

Num instante em que as empresas começam a demitir, Lula bravateou: "Em época de crise, a gente não se acovarda [...]. Eu sou um cidadão otimista".

Olhou para Sérgio Cabral, governador do Rio. E pespegou: "Você me conhece há muito tempo, Serginho. Você sabe que eu adoro uma crise..."

"...Eu adoro ser provocado, porque eu acho que é nesse momento que você prova se pode crescer ou não pode crescer".

Disse que conhece a crise de menino: "Eu sou originário de crise. Uma nordestina, quando tem o oitavo filho, é uma crise absoluta".

Alfinetou a imprensa: "Eu fico vendo [...] o que se escreve sobre a crise, o que se fala na televisão sobre a crise, o que se comenta no rádio..."

"...Tem um tipo de gente que parece que torce para que a crise venha e quebre o Brasil. Tem um tipo de gente que está doido para dizer...:

"...'Está vendo? Eu não falei que o Lula não sabia administrar o país? Eu não falei que o Lula não sabia cuidar da crise?'..."

Alvejou também os bancos. E revelouo teor de um telefonema trocado com o "companheiro Roger [Agnelli], presidente da Vale. 

Evocou as crises da era FHC -Ásia, Rússia e México. E alfinetou: "Essas três crises, juntas, importaram num aporte de recursos de US$ 200 bilhões. E vocês sabem que o Brasil quebrou duas vezes naquele período".

Na seqüência, jactou-se: "Essa crise agora já envolveu o equivalente a US$ 4 trilhões. E o Brasil não quebrou. Nem vai quebrar".

Lula sente-se só: "Às vezes eu me sinto como se fosse o Dom Quixote, sabe, às vezes eu me sinto sozinho tentando pregar o otimismo [...]".

Em versão atualizada de um fenômeno que Nelson Rodrigues chamava de "complexo de vira-lata", Lula disse que "parte da eleite brasileira é colonizada intelectualmente".

Queixou-se: valoriza-se aqui mais a promessa de Barack Obama de criar 2 milhões de empregos até 2011 do que as 2,1 milhões de carteiras assinadas no Brasil em 2008.

Num exemplo prosaico, Lula deu uma idéia do tipo de comportamento que pretende adotar na pele de animador de crise.

Contou ter recebido "outro dia" o dirigente da "federação do comércio de um determinado estado". Repreendeu-o:

"Você faz uma pesquisa, constata que aumenta a desconfiança do consumidor, divulga a pesquisa da desconfiança e não divulga nada para restabelecer a confiança. Que vendedor é você?"

Ensinou: "Ele deveria ter a pesquisa para tomar a decisão de chamar um publicitário e dizer: 'Faça uma pesquisa para motivar esse povo, se não eu vou fomentar que ele compre menos'."

Lula parece acreditar que, associando a marquetagem às medidas que o governo já adotou e ainda vai anunciar, o Brasil saírá da crise global "por cima da carne seca".

PS.: O áudio do improviso de Lula está disponível aqui. São 45min45s.

A versão impressa pode ser lida aqui. É peça obrigatória para quem deseja decifrar a alma do presidente.

Preparada pelo Planalto, a transcrição anota um "inaudível" no trecho em que Lula disse "sifu". É parola de assessor mais realista do que o rei.

No áudio, a versão popular do "se fodeu" não poderia soar mais nítida.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo libera, finalmente, R$ 45 milhões para SC

Valter Campanato/ABr

O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) assinou nesta quinta (4) a primeira liberação de verbas para socorrer os flagelados de Santa Catarina.

Foram enviados ao Estado R$ 45 milhões. Dinheiro previsto na medida provisória 448, que destinou, na semana passada R$ 1,6 bilhão para Estados do Sul e do Sudeste.

Geddel vinha retendo o dinheiro porque as autoridades estaduais tardaram em enviar a Brasília os documentos exigidos pela União.

Só na tarde desta quinta (4), o "Plano de Trabalho" do governo de Santa Catarina chegou à pasta da Integração Nacional.

"Fizemos um grande esforço para liberar essa primeira parcela o mais rápido possível", disse o ministro.

"Mesmo em situações dolorosas como essa em Santa Catarina, temos que liberar os recursos como manda a lei..."

"...O governo e o povo brasileiro têm que saber em que esses investimentos serão realmente aplicados".

Prevê-se que os R$ 45 milhões serão destinados a 65 municípios catarinenses. Os recursos servirão para: recuperação de ruas...

...Reconstrução de casas, escolas, postos de saúde, coleta de lixo e "demais obras necessárias para o retorno à normalidade" nos municípios afetados pelas cheias.

Escrito por Josias de Souza às 19h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Petrobras contraiu empréstimos de US$ 900 milhões

  Antônio Gaudério/Folha
A Petrobras informa que, para manter o seu programa de investimentos, contraiu empréstimos de US$ 900 milhões entre novembro e dezembro.

A divulgação da notícia visa espantar as notícias de que a estatal estaria às voltas com dificuldades para obter crédito.

Notícias que ganharam corpo depois que se soube dos empréstimos obtidos pela Petrobras, em outubro, na CEF (R$ 2 bilhões) e no BB (R$ 751 milhões).

Em nota divulgada nesta quinta (4), a Petrobras fez questão de informar os nomes das casas de crédito que lhe abriram as portas.

Há na lista instituições estrangeiras e uma nacional, dessa vez privada: o Bradesco. Vão abaixo as operações.

US$ 200 milhões: empréstimo fechado em 7 de novembro junto a um um pool de bancos estrangeiros, liderados pelo banco BNP Paribas. Prazo de 12 anos;

US$ 500 milhões: financiamento contratado em 1º de dezembro 08 com a EDC (Export Development Canadá), a agência de crédito à exportação canadense. Prazo de 12 anos;

US$ 200 milhões: operação fechada com o Bradesco em 3 de dezembro, na modalidade ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio). Prazo de resgate de um ano.

Segundo a Petrobras, o dinheiro dos empréstimos servirá para "manter a solidez" da empresa e "realizar seu programa de investimentos".

O "Plano de Negócios" da estatal para o período de 2008 a 2012 prevê investimentos de US$ 112,4 bilhões.

Na véspera da divulgação da nota da Petrobras, o próprio Lula fizera reparos ao empréstimo contraído junto à CEF.

O presidente disse que, ao atender à estatal petrolífera, a Caixa deixa de conceder empréstimos a pequenas empresas.

Escrito por Josias de Souza às 19h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: O Estado 'tem culpa' por jovem virar bandido

  Bruno Domingos/Reuters
O presidente foi ao Rio nesta quinta (4). Foi lançar, no complexo do Alemão, um progama social: "Territórios da Paz".

Em dicurso, Lula disse que o Estado não pode ser eximido de culpa nos casos em que jovens pobres aderem ao crime.

"Quando a gente vê um jovem de 25 anos sendo preso, esse jovem é vítima das políticas econômicas..."

É vítima "...das políticas sociais, das políticas educacionais. O Estado tem culpa do jovem ter virado bandido".

Na seqüência, Lula tratou de acomodar no assento de culpados todos os gestores públicos das últimas três décadas.

"É importante ter o entendimento político de porque o Brasil empobreceu tanto..."

"...Isso é resultado do descaso que os governantes dos últimos 30 anos tiveram com o povo pobre desse país".

O presidente, obviamente, se auto-excluiu do rol de governantes ineptos. A novidade é que já não atribui a "herança maldita" apenas a FHC.

No instante em que Lula discursava no Alemão, moradores das favelas da Maré realizavam uma manifestação.

Protestavam contra a morte de um menino de 8 anos. Foi abatido com um tiro na cabeça. Tiro supostamente disparado pela arma de um PM.

Neste caso, o menino pobre vai à cova antes mesmo de ter a oportunidade de optar entre a vida honesta e a bandidagem.

Escrito por Josias de Souza às 18h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois da 'marolinha', chega o 'choque de realidade'

Zhang Dali

Em períodos de crise, é grande, muito grande, enorme a oferta de parola.

Infelizmente, a fantasia é invariavelmente conspurcada pelos fatos.

Passada a fase do lero-lero marqueteiro, o governo começa a cair em si.

O ministro Carlos Lupi (Trabalho), por exemplo, já prevê a corrosão do emprego.

"O primeiro trimestre [de 2009] será brabo", diz o ministro.

Lupi está sendo otimista. A construção civil estima que a "brabeza" é coisa para já.

Ouça-se o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo:

"Notamos um aumento muito grande no número de demissões homologadas pelo sindicato desde a segunda semana de outubro".

A entidade estima que algo como 100 mil trabalhadores conhecerão o olho da rua.

A Vale do Rio Doce já passou na lâmina 1.300 postos de trabalho.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos está na bica de engrossar as estatísticas.

Prevê que haverá uma "carnificina" na folha do setor depois das festas de fim de ano.

Também no setor automobilístico, prenuncia-se uma atmosfera de borrasca.

Nesta quinta (4), a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) participou de um debate com sindicalistas.

No alvorecer da crise, a presidenciável de Lula encorpou a "marolinha" do chefe com a tese marqueteira da "pequenininha gripe".

Agora, ajusta o discurso à realidade. Diz: "Nós vamos tomar todas as medidas para evitar ao máximo o desemprego".

A certa altura, espremida pelos companheiros da CUT, Dilma lembrou que a ação de Brasília tem limites:

"Não podemos baixar uma medida provisória dizendo: que fique o emprego como está. Se fosse assim, seria muito fácil".

Avizinha-se um daqueles momentos em que a única coisa boa que os jornais vão informar é que a solução das palavras cruzadas sairá no dia seguinte.

Em períodos assim, o otimismo, quando exacerbado, soa como embuste ou delírio.

A primeira condição para alcançar um acordo que reduza os danos é falar o mesmo idioma.

Escrito por Josias de Souza às 17h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Renan usa discurso anti-Lula para mobilizar o PMDB

  Fábio Pozzebom/ABr
Em reunião realizada nesta quarta (3), o PMDB decidiu que terá um candidato à presidência do Senado.

A portas fechadas, Renan Calheiros (AL) fez a intervenção mais enérgica.

O "aliado" de Lula falou como se estivesse a caminho da oposição.

Renan disse aos colegas que é hora de o PMDB pensar menos no governo e mais em si mesmo.

Afirmou que a legenda já ajudou demais o governo. Aprova todas as medidas provisórias que aportam no Congresso.

Defendeu a tese de que o PMDB precisa ter fisionomia própria. Uma cara que seja compatível com o seu tamanho e com a sua importância.

Lembrou que se avizinha a eleição de 2010, para a qual o partido precisa se preparar adequadamente. Algo que exige a ocupação de todos os espaços.

De resto, Renan anteviu um cenário de borrasca para o ocaso da gestão Lula. A crise financeira, disse ele, será "muito mais séria do que se imagina".

O discurso de Renan deu o tom da reunião. Líder de Lula no Senado, Romero Jucá atreveu-se a esboçar um contraponto.

Disse que os senadores precisam pensar em Michel Temer (SP). Candidato à presidência da Câmara, Temer precisa dos votos do PT. E pode não tê-los se o PMDB se recusar a apoiar Tião Viana (PT-AC) no Senado.

As palavras dissonantes de Jucá foram repelidas com energia pelo baixo clero da bancada, incendiado pelo cardeal Renan. A certa altura, Geraldo Mesquita (AC), um desafeto de Tião Viana, bateu boca com Jucá.

Abrigaram-se na trincheira da candidatura própria também os ex-integrantes da tropa de choque que ajudou a livrar Renan dos recentes processos de cassação.

Almeida Lima (SE), o advogado da tropa de elite de Renan, defendeua confecção de uma ata da reunião. Era como se desejasse dispor de um registro formal, para cobranças futuras.

Wellington Salgado (MG), o suplente do ministro Hélio Costa (Comunicações), levou à mesa um argumento prosaico.

Disse que o partido deve reivindicar o comando do Senado porque é preciso assegurar a Garibaldi Alves (RN) uma nova vitrine para quando ele deixar a presidência da Casa.

"Nosso presidente tem de ter uma comissão importante", disse Salgado. De olho na presidência da Comissão de Justiça, Garibaldi tratou de engrossar o coro da candidatura partidária.

E quanto ao nome? Decidiu-se que isso fica para depois. Pedro Simon (RS), cogitado pelo neoaliado Renan como alternativa, limitou-se a defender o direito do PMDB ao posto.

Um dos presentes disse que não faltam nomes ao partido. Mesmo que Simon e o morubixaba José Sarney (AP) recusem o desafio.

Sarney ouvia a tudo calado. Só interveio no final. Rendeu-se à maioria que se formou em torno do candidato próprio. Evitou apresentar-se como postulante. Mas não disse nada que pudesse ser entendido como uma autoexclusão.

Há 15 dias, em reunião convocada por Michel Temer, Sarney jurara que não almejava o comando do Senado. Liberara Romero Jucá para tricotar o apoio a Tião Viana.

Antes, em reunião com Lula, Sarney comprometera-se a auxiliar na costura da composição do PMDB com Tião.

No encontro desta quarta, as palavras ditas a Temer viraram pó. E o compromisso assumido com Lula converteu-se em potoca.

Terminada a reunião, vendeu-se a candidatura própria como uma decisão unânime. Não foi bem assim.

Pelo menos um senador, o dissidente Jarbas Vasconcelos (PE), não se manifestou. Está, por ora, fechado com Tião Viana.

Disse a amigos que vai aguardar a escolha do nome do PMDB. Afirma que não vota em qualquer um.

Quem saiu ganhando com a decisão do PMDB? Renan, Sarney e os líderes da oposição que confabulam com a dupla: José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Quem perdeu? Jucá, Temer, Tião Viana e, sobretudo, Lula. Se o PMDB esticar a corda, o presidente será levado ao córner pelo mesmo Renan que ajudou a salvar. Ironias da política.

Escrito por Josias de Souza às 05h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Verba federal para SC continua retida na burocracia

 
 

Verba federal para SC continua retida na burocracia

Neiva Daltrozo/Secom

O excesso de chuva não é o único problema de Santa Catarina. Os flagelados catarinenses enfrentam um outro inimigo, invisível: a burocracia.

Nem o governo do Estado nem as prefeituras dos municípios inundados enviaram a Brasília os papéis necessários à liberação de verbas prometidas por Lula.

Em ofício datado de 26 de novembro, o ministério da Integração Nacional informou às autoridades catatinenses que reservara R$ 40 milhões.

Dinheiro para a assistência emergencial. Que seria acrescido de novas cifras à medida que a tragédia fosse exigindo.

Para pôr a mão no dinheiro, a equipe do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e os prefeitos catarinenses teriam de enviar a Brasília um lote de documentos.

Até a semana passada, eram 39 os papéis exigidos. Esse número caiu para quatro depois que Lula editou um decreto concebido para tornar mais ágil o processo.

O decreto saiu junto com a medida provisória em que o governo destinou R$ 1,6 bilhão para a assistência às vítimas de enchentes nos Estados do Sul e do Sudeste.

Pois bem, nem mesmo esse lote de quatro documentos chegou às mãos do minsitro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

São dois os documentos mais importantes: uma avaliação de danos e um plano de trabalho que deixe claro o que será feito com o dinheiro público.

Nesta quarta (3), Geddel expôs o seu drama à líder do PT no Senado, a catarinense Ideli Sanvatti. Geddel repetiu algo que dissera na véspera ao blog.

Sem o cumprimento das exigências mínimas, está impossibilitado de mandar para Santa Catarina o dinheiro reservado ao socorro dos flagelados.

Nesta sexta (5), haverá em Itajaí e Blumenau, dois dos municípios mais afetados pela enchente, um par de reuniões multisetoriais.

Vão à mesa o governador e prefeitos catarinenses; congressistas; e o ministro Márcio Fortes (Cidades). Ideli vai ao encontro armada para cobrar.

"Entendo a posição do ministro Geddel. É impossível colocar dinheiro público na mão de qualquer pessoa sem ter um detalhamento mínimo de como será aplicado..."

"...Vamos pressionar o governador e os prefeitos. Tem muita gente reclamando. Mas ninguém tem autoridade para reclamar se não cumpre antes a sua obrigação básica".

Nos próximos dias, a inepcia dos gestores públicos vai impor aos flagelados cararinenses um infortúnio adicional.

Lula está na bica de assinar um decreto que facilita às vítimas das enchentes o acesso ao FGTS. Porém...

Porém, esse dinheiro também permanecerá retido até que todo o processo burocrático do ministério da Integração Nacional esteja concluído.

Escrito por Josias de Souza às 03h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Globo: Governo prepara medidas contra onda de demissões

- Folha: Para governo e indústria, desemprego vai crescer

- Estadão: Câmara livra Paulinho e PF indicia mulher do deputado

- JB: Rio perde corrida contra a dengue

- Valor: Caixa desiste do projeto de comprar construtoras

- Gazeta Mercantil: Construtora paga mais para vender recebíveis

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Adornos natalinos!

Ique

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Câmara adia votação da reforma tributária para 2009

  Edson Santos/Ag.Câmara
O nariz virado da oposição prevaleceu sobre a vontade do governo.

O líder de Lula na Câmara, Henrique Fontna (PT-SP), jogou a toalha.

Ele se deu conta de que não havia consenso quanto à reforma nem entre os aliados.

Foi ao Planalto. Avistou-se com um Lula decidido a submeter a reforma tributária à sorte do voto.

Fontana ponderou que a bancada do governo, além de fluida, estava submetida ao regimento da Câmara.

Um regimento que oferece munição aos oposicionistas para levar a obstrução às raias do paroxismo.

Corria-se o risco de não votar coisa nenhuma. De volta à Câmara, Fontana topou o adiamento.

PSDB, DEM e PPS concordaram em devolver a matéria à pauta em março de 2009. Sem obstruções.

Até lá, vai-se tentar estreitar as diferenças. Coisa que não deve acontecer.

A reforma tributária é uma dessas matérias não que saem do papel porque todos são a favor dela.

Em vez de realizá-la, os atores preferem mantê-la viva em discurso, como um ideal retórico.

O adiamento levou Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara, a soltar fogos.

Com a rendição do governo, a oposição desfez as barricadas que erguera no plenário.

E Chinaglia prepara-se para levar a voto, antes do Natal, um lote de projetos.

Na próxima semana, Chinaglia negociará com os líderes o teor da pauta de final de ano.

Escrito por Josias de Souza às 01h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Petrobras: Lula tem o seu dia de Tasso Jereissati

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Nesta quarta (3), numa solenidade pública, Lula ecoou parte das críticas que o  tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) fizera à Petrobras na semana passada.

O presidente fez restrições ao empréstimo de R$ 2 bilhões que a estatal petroleira contraíra na Caixa Econômica Federal em outubro passado.

Acha que, ao atender à gigante Petrobras, a Caixa deixa de prover crédito à sua clientela tradicional.

"Eu, de vez em quando, vejo crítica: 'Mas a Petrobras tomou dinheiro emprestado na Caixa'. Qualquer um de nós vai tomar dinheiro aonde tem..."

"...Mas, vamos ser francos [...]: a Petrobras é tão poderosa que ela ir à Caixa pegar dinheiro, obviamente que ela vai tirar dinheiro de uma pequena empresa..."

Tira dinheiro "de uma consultoria, de uma empresa pequena da construção civil, do comércio".

Ou seja, depois de ter sido chamado de "terrorista financeiro" numa reunião de Lula com ministros, no Planalto, Tasso foi parcialmente redimido.

O senador levantara dúvidas quanto à saúde do caixa da Petrobras. Além do empréstimo da Caixa, a estatal beliscara R$ 751 milhões no Banco do Brasil.

Lula não chegou a tanto. Mas concordou com o senador na crítica ao desvio de finalidade da Caixa.

Além de empresas pequenas, Tasso recordara que a Caixa deveria dar prioridade a investimentos sociais: saneamento básico e casa própria, por exemplo.

Mais um pouco e Lula assina a ficha de filiação no PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 21h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vale mandará 1.300 empregados para o 'olho da rua'

  Marcos Issa/Bloomberg
A Cia. Vale do Rio Doce, maior mineradora do mundo, decidiu demitir 1.300 dos 62 mil empregados que mantém no mundo inteiro.

Do total de demitidos, 20% trabalham em Minas Gerais. Os outros, no resto do Brasil e no estrrangeiro.

Premida pela "marolinha", a companhia tomou outras deliberações:

5.500 empregados serão colocados em férias coletivas até fevereiro em sistema de rodízio -80% deles atuam em Minas Gerais;

1.200 empregados serão realocados em outras funções depois de treinados.

O "incêndio" que arde na folha de pagamentos da Vale fora insinuado numa fumaça que foi à atmosfera há dois meses.

Em outubro, a empresa anunciara que reduziria sua produção de minério de ferro. Conseqüência direta da queda na demanda global do produto.

Escrito por Josias de Souza às 19h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apesar da crise, Dilma diz que PAC será 'reforçado'

Lula Marques/Folha

A presidenciável de Lula foi à Câmara nesta quarta (3). Falou para os deputados numa reunião conjunta de seis comissões.

Disse que, a despeito da crise, o PAC não será apenas mantido, mas reforçado. O orçamento do programa, disse ela, será tonificado em 26% para 2010.

O diabo é que a chefe da Casa Civil lida com um bolo de recusos que não está inteiramente sob a gerência do Estado.

Eis de onde virá o dinheiro do PAC, segundo Dilma:

Empresas estatais: 56%;

Setor privado: 17%;

Governo federal: 7% da seguridade social e 16% do financiamento direto;

Estados e municípios: 4%.

A receita do Brasil contra a crise, disse Dilma, contém três ingredinetes: preservação do PAC, investimentos no pré-sal e manutenção dos programas sociais.

De novo, a ministra manuseia dados que independem da vontade oficial. Conta, por exemplo, com a subida no preço do petróleo, essencial para viabilizar o pré-sal.

"É desconhecimento do mercado achar que o petróleo vai ficar em US$ 40 o barril, isso vai subir e o pré-sal vai ajudar o Brasil na retomada do crescimento".

Nesta quarta (3), o barril do petróleo no mercado futuro de Nova York era negociado na faixa dos US$ 47.

Dilma tachou de "estarrecedora" a insinuação tucana de que a Petrobras passa por dificuldades financeiras.

"Qual é o problema de, num momento de dificuldade de crédito no mundo, a Petrobras recorrer a um banco que emprestou a taxas mais convidativas?..."

Referia-se ao empréstimo de RS$ 2 bilhões contraído pela Petrobras junto à Caixa Econômica Federal. "O estranho seria a Petrobras emprestar para a Caixa".

De resto, Dilma disse que a situação fiscal do governo brasileiro é de "fazer inveja a Margaret Thatcher".

Acenou com a hipótese de cortes no Orçamento: "Sempre há o que cortar. Se as empresas acham, o governo também pode achar".

Escrito por Josias de Souza às 18h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nem culpados nem inocentes, só restaram cúmplices

  Lula Marques/Folha
Prevaleceu a impudência. Por 10 votos contra 4, o Conselho de 'Ética' da Câmara mandou às favas o pedido de cassação do mandato do deputado Paulinho.

O que há de mais trágico na decisão não é o flerte com a desfaçatez. O mais sinistro é a ausência de surpresa. Todo mundo já sabia.

Cada vez que se reúne para decidir o que fazer com um de seus malfeitores, o Legislativo informa ao país de que matéria-prima é feito.

Não é feito de culpa. Tampouco de inocência. É feito de cumplicidade. Nem preto nem branco. O que há é um ton-sur-ton amoral.

Em passado remoto, o brasileiro ainda buscava alento na impressão de que o Congresso, como o colesterol, se dividia entre o ruim e o bom.

Constatar que os dois tipos são indistinguíveis é desalentador. Ou o colesterol bom prova que existe ou a degeneração será completa. E não haverá coração que aguente.

Abaixo, um resumo dos inquéritos que correm no STF contra Paulinho:

Escrito por Josias de Souza às 16h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula 'apanha' indefeso na 3ª vigília pró-aposentados

Moreira Mariz/Ag.Senado

Um político pode mudar. Pode até mudar radicalmente. Mesmo que uma migração do socialismo sindical para o pragmatismo liberal pareça exagerada.

Mas Lula jamais deve ter imaginado que seria surrado em vigílias comandadas pelo companheiro Paulo Paim (PT-SP).

Iniciada na noite de terça (2), arrastou-se até as 6h05 desta quarta (3) a terceira madrugada de vigília em defesa dos aposentados.

Lula e seu governo apanharam indefesos por mais de dez horas. Sob aplausos de uma platéia de cerca de 30 aposentados.

Gente inconformada com a recusa do governo do ex-PT de apoiar três projetos de Paim. Que tonificam pensões e aposentadorias da Previdência.

Dessa vez, até o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), deu as caras. Ficou até a meia-noite. Antes de sair, contou:

"Meu avô tem 85 anos. Durante toda sua vida contribuiu para a Previdência com o equivalente a dez salários mínimos. Hoje, recebe uma aposentadoria que não chega a dois salários".

Os microfones da tribuna do Senado não tiveram sossego. Os discursos jorraram, em catadupas, até o alvorecer.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze...etc., etc. e tal.

Lula e sua administração foram brindados com adjetivos acerbos. "Caloteiro" e "Estelionatário", por exemplo. Mas o vozerio não parece tirar o sono do presidente.

Por ora, incomodou-se apenas a Viúva. As três vigílias -duas até o nascer do Sol e outra encerrada à 1h- vão injetar na folha de pagamentos do Senado um bom adicional de horas-extras.

O cálculo, ainda por fazer, envolve um sem-número de funcionários obrigados a acompanhar os senadores em suas noitadas.

Gente da TV e da Rádio Senado, da Agência Câmara, dos gabinetes, da Mesa Diretora, do serviço de som, da Taquigrafia, o Cafezinho, disso e daquilo.

Não vai sair barato.

Escrito por Josias de Souza às 06h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sob 'julgamento', Paulinho conduz 'marcha' sindical

  Marcelo Justo/Folha
Nesta quarta (3), um personagem está fadado a roubar a cena brasiliense.

Na pele de deputado, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) será julgado pelos colegas.

Na condição de sindicalista, Paulinho da Força vai liderar uma marcha sobre a Capital.

No Conselho de Ética da Câmara, o deputado tenta salvar o próprio contracheque.

Nas ruas de Brasília, o sindicalista cobra do governo proteção para empregos alheios.

Paulo Pereira da Silva decidiu ausentar-se do julgamento por quebra de decoro.

Preferiu envergar o figurino de Paulinho. É como se desejasse dar uma demonstração de força.

Vai misturar-se a uma multidão arregimentada por cinco centrais: Força Sindical, CUT, UGT, CGBT e CTB. Defendem uma "pauta conunta" de 17 itens.

Alguns deles são de arrepiar os cabelos de Henrique Meirelles, o calvo presidente do Banco Central.

Por exemplo: redução imediata das taxas de juros, "controle do fluxo de capital externo e do câmbio" e "redução do superávit primário".

As centrais desejam também reacender em Lula a alma do velho sindicalista do ABC.

Exigem que o socorro a bancos e empresas seja condicionado à contrapartida da preservação dos empregos.

Cobram a ampliação do prazo do seguro-desemprego e fim do fator previdenciário, que inibe aposentadorias precoces.

Paulo Pereira da Silva deve ter mais sorte do que Paulinho.

São grandes as chances de o Conselho de Ética preservar o mandato do deputado.

Quanto à pauta do sindicalista, não há evidências de que venha a ser atendida.

Escrito por Josias de Souza às 05h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

 - Globo: Dantas é condenado a dez anos de prisão por suborno

 - Folha: Juiz condena Dantas por corrupção

 - Estadão: Crise mundial faz produção da indústria cair 1,7%

 - JB: Justiça condena, mas não prende

 - Correio: Daniel Dantas condenado a dez anos de prisão

 - Valor: Escassez de capital de giro amplia saques em fundos

 - Gazeta Mercantil: Justiça condena Dantas a dez anos de prisão

 - Estado de Minas: As mudanças que farão o IPTU ficar mais caro em BH

 - Jornal do Commercio: Mais um arrastão apavora motoristas

 Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tragédias!

Angeli

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dinheiro que Lula prometeu a SC ainda não chegou

James Tavares/Secom
Inspecionada por Lula, Itajaí é um dos municípios que aguardam a verba federal 
.
Há uma semana, depois de um sobrevôo de Lula a quatro cidades de Santa Catarina, o governo anunciou a edição de uma medida provisória de R$ 1,6 bilhão.

Dinheiro para socorrer as vítimas de enchentes em Estados do Sul e do Sudeste. A fatia destinada a Santa Catarina soma R$ 679 milhões.

Até o momento, não foi liberado nenhum tostão. Só nesta quarta (3), o ministro Geddel Veira Lima (Integração Nacional) começa a esboçar um cronograma.

"Vou ouvir o relato da Secretaria Nacional de Defesa Civil e começo a liberar efetivamente o dinheiro para Santa Catarina", disse Geddel ao blog.

Nesta terça (2), em aparte a um discurso de Ideli Salvatti (PT-SC), o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM, cutucou o governo.

Lembrou que o governo anunciara a liberação de R$ 90 milhões para Estados do Nordeste infelicitados por enchentes em abril de 2008.

"No Rio Grande do Norte, até agora, o dinheiro não chegou", disse Agripino a Ideli. "Conte com o nosso apoio para pressionar pela liberação da verba de Santa Cararina".

Na conversa com o repórter, Geddel admitiu que o dinheiro destinado aos flagelados das cheias nordestinas, de fato, ainda não chegou ao seu destino.

"O dinheiro está empenhado. O problema é que os Estados, o Rio Grande do Norte inclusive, não cumpriram as exigências previstas em lei..."

"...O Agripino ajudaria se mudasse a lei. A burocracia é excessiva? Eu diria que sim. Mas não fui eu que criei. O que não posso é agir fora da lei".

Geddel assegura disse que a coisa agora será diferente. Na semana passada, junto com a MP de R$ 1,6 bilhão, Lula assinou um decreto.

Segundo o ministro, esse decreto torna mais ágil o processo de liberação de verbas emergenciais. Reduziu-se a burocracia à apresentação de um único documento.

Chama-se Avadan (Avaliação de danos). Confirmados os prejuízos, o ministro pode liberar o dinheiro imediatamente.

"Para Santa Catarina, ninguém tem dúvidas de que o dinheiro será necessário. E nós vamos começar a liberar. O mesmo vale para a cidade de Campos, no Rio de Janeiro".

Porém, nem todo o dinheiro previsto na medida provisória de Lula está submetido a esse rito de liberação sumária.

A cifra anotada na MP (R$ 1,6 bilhão) foi alocada em quatro ministérios. A maior parte foi para a pasta de Geddel: R$ 720 milhões.

Desse total, apenas uma terça parte -cerca de R$ 240 milhões- destina-se às despesas ditas emergenciais.

Coisas como a reconstrução de casas, a realocação de famílias e gastos com a contratação de máquinas para a remoção de lama e entulho.

Todo o resto do dinheiro -algo como R$ 480 milhões- será submetido à burocracia tradicional.

Metade vai para a aquisição de cestas básicas, lençóis, colchões, barracas, remédios, etc. Compras que dependem da realização de pregões eletrônicos.

A outra metade será investida na prevenção de tragédias. O que exige a celebração de convênios da União com Estados e municípios.

"Esses convênios seguem os trâmites normais", diz Geddel. "Exige-se a apresentação de uma série de documentos". Em muitos casos, é encrenca para mais de um ano.

"As pessoas dizem que há muita demora. Esquecem que a necessidade de combater a corrupção impôs uma burocracia à liberação de dinheiro público..."

"...É muito documento. É muita exigência. Mas está na lei. E eu, como ministro, não posso e não vou desrespeitar a lei".

Nesta terça (2), Geddel participou, junto com Lula, de uma reunião com governadores do Nordeste. Deu-se no Recife (PE).

O ministro aproveitou para informar a alguns deles que, escorado no decreto assinado por Lula na semana passada, vai liberar agora as verbas da enchente nordestina de abril.

Pelo celular, Geddel foi alcançado pelos governadores Luiz Henrique (Santa Catariana) e Sérgio Cabral (Rio). Ambos pediram pressa.

Ouvida a Secretaria Nacional de Defesa Civil, nesta quarta (3), Geddel diz que vai "começar a soltar o dinheiro" reservado para os gastos emergenciais das enchentes atuais.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Câmara aprova a MP que reajusta 90 mil servidores

  Rodolgo Stuckert/Ag.Câmara
Em votação simbólica, a Câmara acaba de aprovar a medida provisória 440, que reajusta os salários de 90 mil servidores públicos.

O texto, já aprovado pelo Senado, vai agora à sanção de Lula. Estima-se em R$ 20,9 bilhões os gastos adicionais que o Tesouro terá até 2011.

Para que a votação fosse possível, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), teve de assumir um compromisso com a oposição.

Prometeu não convocar sessões extraordinárias na noite desta terça (2) e na manha de quarta (3), para votar o projeto de reforma tributária.

Com isso, PSDB, DEM e PPS levantaram a obstrução que realizavam em plenário. Retiraram todos os requerimentos protelatórios.

Mais cedo, Chinaglia tivera de tomar uma outra providência: mandou ao lixo o parecer do relator da MP 440, Marco Maia (PT-RS), lido em plenário na véspera.

Maia tachara de inconstitucionais duas emendas inseridas pelo Senado na MP dos servidores. Emendas que, um mês e meio atrás, o mesmo Maia considerara constitucionais.

Chinaglia restituiu o primeiro parecer. O que permitiu o debate e a aprovação das emendas vindas do Senado.

Concluída a votação, os líderes partidários puseram-se a debater a reforma tributária. A oposição insiste em empurrar o tema para 2009.

Os líderes governistas insistem em votar o projeto ainda neste mês. A votação terá de ser feita em dois turnos. O governo deseja assegurar pelo menos o primeiro turno.

Sem acordo, Chinaglia encerrou a sessão.

Escrito por Josias de Souza às 18h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSB, PDT e PRB decidem apoiar candidatura de Tião

  Ag.Senado
As bancadas do PSB, do PDT e do PRB no Senado decidiram apoiar a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado.

 

O apoio será formalizado ainda nesta terça (2). Vão ao cesto de Tião Viana oito votos: dois do PSB, cinco do PDT e um do PRB.

 

A eleição ocorrerá em fevereiro de 2009. Por ora, o petista freqüenta a cena como candidato único.

 

Mas o pedaço do PMDB comandado por Renan Calheiros (AL) tenta pôr de pé uma candidatura alternativa.

 

Para embaralhar o jogo, Renan lançou no ar um balão de ensaio. Tricotou com os oposicionistas DEM e PSDB o lançamento da candidatura de Pedro Simon (PMDB-RS).

 

Sentindo o cheiro de queimado que emana da manobra, Simon levou os dois pés atrás.

 

“Não fui convidado, se fosse não aceitaria. Esse pessoal não gosta de mim”, disse ele aos colegas que o procuraram.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula assina MP que perdoa dívidas de até R$ 10 mil

Jane de Araújo/Ag.Senado
 

 

O ministro Guido Mantega informou a líderes partidários no Sendo que Lula vai assinar nesta terça (2) medida provisória que anistia dívidas fiscais de até R$ 10 mil.

 

O perdão vale para pessoas físicas e para empresas. Nesta quarta (3), a MP será enviada ao Congresso.

 

Em reunião realizada na sala de Garibaldi Alves (PMDB-RN), presidente do Senado, o ministro da Fazenda disse que, junto com a MP, vão ao Congresso quatro projetos.

 

As proposts contêm, segundo Mantega, “medidas destinadas a simplificar bastante a vida do contribuinte brasileiro”.

 

“É um novo modelo de gestão da divida ativa brasileira”, disse o ministro. “Faz uma limpeza no cadastro e diminui os custos da cobrança”.

 

Na conversa com os congressistas, Mantega tratou também da crise global. Reconheceu que, nos próximos meses, a atividade econômica vai murchar.

 

À saída do encontro, um repórter perguntou ao ministro se o PIB de 2009 cresceria menos de 3%, como prevê o mercado. E ele: “Não acredito”.

Escrito por Josias de Souza às 17h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Advogado de Dantas já recorreu contra a condenação

  Lula Marques/Folha
Nélio Machado, o advogado de Daniel Dantas, já recorreu da sentença que condenou o seu cliente a dez anos de prisão.

 

No recurso, Nélio Machado pede a “anulação do julgamento”. Anota que o processo julgado pelo magistrado Fausto de Sanctis é “abolutamente nulho”.

 

Alega: 1) “Não houve o crime” imputado a Daniel Dantas; 2) houve “cerceamento de defesa”; e 3) “As provas são fraudadas”.

 

Vai abaixo a íntegra de uma nota divulgada há pouco por Nélio Machado:

 

 

A defesa de Daniel Valente Dantas afirma que o processo julgado pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo é absolutamente nulo.

 

Não houve o crime atribuído ao meu constituinte; sua defesa foi cerceada, as provas são fraudadas e o magistrado impediu a perícia indispensável à demonstração da improcedência da acusação.

 

A sentença desconsiderou a defesa como também no correr da ação penal indeferiu todos os seus requerimentos, desrpezando as denúncias de práticas abusivas e ilegais evidenciadas também pela participação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que não tem nenhuma atribuição constitucional ou legal para atuar em investigação penal.

 

O magistrado –cuja suspeição foi apontada desde cedo pela defesa—acabou agindo exatamente como se esperava. Sua inclinação era pública e notória.

 

Não foi surpresa a condenação. Esse era o objetivo e não o julgamento e muito menos a Justiça.

 

O Estado Demcorático de Direito não se compatibiliza com julgamentos arbitrários e ilegais, pois todos já sabiam do inevitável desfecho diante de um juiz suspeito.

 

A defesa já recorreu pedindo a anulação do julgamento.

 

Nélio Machado

 

A defesa de Daniel Dantas mostrou-se mais ágil do que o Ministério Público. O procurador Rodrigo de Grandis também deve recorrer da sentença.

 

Deseja aumentar as penas impostas por De Sanctis a Daniel Dantas e aos outros dois sentenciados. O recurso, porém, ainda está no estágio de estudo.

Escrito por Josias de Souza às 16h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Juiz sentencia Daniel Dantas a dez anos de prisão

  Moacyr Lopes Jr./Folha
Fausto de Sanctis, o magistrado que cuida dos processos da Satiagraha, emitiu nesta terça (2) a primeira sentença do caso.

 

Condenou Daniel Dantas, o ensaboado-geral da República, a dez anos de cana pela prática do crime de corrupção ativa.

 

Junto com o fundador do Opportunity, foram condenados Hugo Chicaroni e Humberto Braz. Sete anos de cana cada um.

 

A sentença refere-se ao caso de tentativa de suborno de um delegado da PF, Victor Hugo Rodrigues Alves.

 

De acordo com o juiz, a trinca Dantas-Braz-Chiacaroni ofereceu R$ 1 milhão ao delegado Rodrigues Alves.

 

Em troca, desejava-se arrancar do inquérito da Satiagraha os nomes do mandachuva do Oportunity e de familiares dele.

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público, acatada pelo juiz, Dantas entrou na malfeitoria como provedor da grana.

 

Quanto a Braz e Chicaroni, foram pilhados em filmagem da PF no instante do oferecimento do suborno.

 

De resto, uma parte do dinheiro foi apreendida no apartamento de Chicaroni.

 

Antes que você imagine que o Brasil é outro país, vai aqui um aviso: a sentença do juiz De Sanctis comporta recurso a instâncias superiores do Judiciário.

 

De resto, o magistrado exigiu-se de decretar a prisão imediata dos condenados. Facultou a eles responder ao processo em liberdade.

 

Se a coisa for adiante, logo teremos novas razões para preocupação. Sim, porque é improvável que o país venha a ser varrido por uma epidemia de probidade.

 

E nossas cadeias, pelo que se conhece delas, não estão preparadas para a revolução que se avizinha.


O signatário do blog antevê a cena: rebelada, a ala nobre dos presídios exigirá suítes individuais e melhoria do cardápio.

 

Batendo os talheres sobre a mesa, os neodetentos gritarão em coro: "Ar, ar, ar, cadê o caviar!"

Escrito por Josias de Souza às 16h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MP abre inquérito contra chefe-de-gabinete de Lula

Objetivo é apurar vazamento de informações da Satiagraha

 

  Folha
A procuradora da República Ana Carolina Roman, lotada em Brasília, abriu um inquérito civil para investigar Gilberto Carvalho, o chefe-de-gabinete de Lula.

 

Deve-se a novidade ao repórter Ricardo Brito (só assinantes do Correio).

 

A investigação visa apurar a suspeita de que Carvalho teria vazado dados sigilosos da Abin, relacionados à Operação Satiagraha.

 

Uma suspeita que nasceu de um grampo telefônico feito pela Polícia Federal em aparelho usado pelo ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

 

A serviço de Daniel Dantas, principal investigado da Satiagraha, Greenhalgh telefonara para o auxiliar de Lula em 28 de maio de 2008.

 

Queria saber se um agente da Abin, de codinome Marcos, fora acionado para seguir os passos de um cliente dele.

 

Greenhalgh não disse o nome do cliente. Mas tratava-se de Humberto Braz, um preposto de Daniel Dantas. Que, dois meses depois, seria pilhado numa tentativa de suborno de delegado da PF. Coisa de R$ 1 milhão.

 

Greenhalgh e Carvalho travaram o seguinte diálogo, captado pela escuta da PF:

 

 

Gilberto: Luiz?

Greenhalgh: Oi..

Gilberto: O general [Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional] me deu o retorno agora... É o seguinte: não há nenhuma pessoa designada na Presidência... na Abin...com esse nome, a placa do carro não existe é fria, tá? Eles aqui acham que a única alternativa é que tenha sido caso de falsificarem documento... eles não consideram possível que seja da Abin, eu não falei com o Luiz Fernando [diretor-geral da PF] ainda, mas não tem jeito... a polícia federal não usa a PM, eles não se misturam de jeito nenhum, tá? Então, eu acho que o mais provável é que o cara tava armando mesmo alguma coisa... Mas com documento falso que também, no Rio, é muito comum, porque daqui não tem, eu pedi, insisti, fiz com o máximo cuidado tal.

Greenhalgh: Deixa eu te falar uma coisa. Tá ouvindo o grito da menina?

Gilberto: O grito da vida.

Greenhalgh: Isso é o grito da vida realmente, linda, mas deixa eu te falar: seria bom dar um toque no Luiz Fernando também hein!

Gilberto: Eu vou dá, eu vou dá, amanhã cedo eu tenho que falar com ele vou levantar isso dai também.

Greenhalgh: Tem um delegado chamado Protógenes Queiroz [à época responsável pela Satiagraha] que parece que é um cara meio descontrolado.

Gilberto: Ele tá onde, o Protogenes, agora?

Greenhalgh: Aí, tá aí em Brasília.

Gilberto: Ah aqui em Brasília.

Greenhalgh: É o que saiu na Folha na matéria da Andréa Michael [refere-se a notícia que antecipara detalhes da Satiagraha, inclusive o pedido de prisão de Daniel Dantas]. Mas eu tô indo amanhã pra reunião do diretório [do PT].

Gilberto: Eu te vejo lá, eu tô indo no diretório também.

Greenhalgh: Legal...

(...)

Gilberto: Tá. Eu vejo você lá.

Greenhalgh: Grande abraço.

Gilberto: Valeu Luiz...

Greenhalgh: Obrigado.

 

O inquérito do Ministério Público foi aberto há uma semana. É conseqüência de uma representação formulada pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

 

Na petição, Sampaio pediu o afastamento liminar [antes do julgamento do mérito da causa] de Gilberto Carvalho.

 

O deputado alega que, ao repassar para Greenhalgh informações relacionadas à Abin, Carvalho teria incorrido em “improbidade administrativa”.

 

A procuradora ainda não deliberou sobre o pedido de afastamento do auxiliar de Lula. Por ora, apenas abriu o inquérito.

 

Ouvido, Carvalho disse que está pronto a fornecer ao Ministério Público todos os esclarecimentos que forem necessários.

 

Na época em que o conteúdo da PF viera à luz, ele já havia emitido uma nota de esclarecimento.

 

Em 3 de novembro, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República analisara a conduta de Carvalho. A conclusão foi a de que o chefe-de-gabinete de Lula não incorrera em “desvios éticos”.

Escrito por Josias de Souza às 04h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Manobra cria impasse em MP que aumenta servidor

  Laycer Tomaz/Ag.Câmara
A medida provisória 440 converteu-se no mais novo passivo político entre governistas e oposicionistas com assento na Câmara.

 

Por meio dessa MP, Lula concedera reajuste salarial a 90 mil servidores. Coisa de R$ 20,9 bilhões até 2011.

 

Aprovada pelos deputados em 15 de outubro, a MP voltou à Câmara porque, na semana passada, os senadores injetaram nela duas emendas.

 

Nesta segunda-feira (1º), discursando para um plenário esvaziado, o relator Marco Maia (PT-RS), na foto, apresentou um parecer.

 

Ele considerou “inconstitucionais” as duas emendas que o Senado injetou na MP. E sobreveio um impasse que deve eletrificar o plenário nesta terça (2).

 

O problema é que, na votação de outubro, o mesmo Marco Maia considerara “constitucionais” todas as 604 emendas enganchadas na MP 440.

 

Entre elas as duas que agora são tachadas de “inconstitucionais”. Maia as rejeitara no mérito, mas não apontara nenhuma incompatibilidade com o texto da Constituição.

 

A meia-volta do deputado petista visa inibir a ação de PSDB, DEM e PPS. A oposição planejava usar a MP dos servidores como ferramenta de obstrução.

 

Empenhada em jogar para 2009 a votação da reforma tributária, a oposição esticaria a mais não poder o debate sobre as emendas do Senado à MP dos servidores.

 

Prevalecendo a tese do relator, os planos da oposição caem por terra. Fixado o entendimento de que são inconstitucionais as emendas, vai-se direto à votação.

 

Arlindo Chinaglia apressou-se em consumar a manobra de Marco Maia. Teve de encerrar a sessão, por falta de quorum.

 

Mas deu por encerrada a fase de leitura do parecer e de discussão da MP. Planeja abrir a sessão desta terça colhendo os votos dos deputados.

 

“Não vamos aceitar”, disse ao blog José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara. “Tudo tem limites".

 

“O relator não pode dizer que são inconstitucionais emendas que ele próprio admitira como perfeitamente constitucionais um mês meio atrás”.

 

Aníbal completou: “Mantendo-se o voto do relator, essa medida provisória passa a conter um vício de origem. Para que aceitemos votar, é preciso sanar esse vício”.

 

O curioso é que o par de emendas que o Marco Maia deseja enterrar –sem o velório exigido pela oposição— brotou do próprio consórcio governista.

 

Uma é do senador petista Eduardo Suplicy (SP). O signatário da outra é Valdir Raupp (RO), lider do PMDB no Senado.

 

José Aníbal, o líder tucano, informou que exigirá que Chinaglia desate o nó. Deseja que seja modificado o relatório de Marco Maia.

 

O impasse está apenas no começo. Além da MP 440, chegou à Câmara a medida provisória 441. Também trata de reajustes salariais de servidores.

 

Retorna à Câmara não com duas, mas com 15 emendas aprovadas pelos senadores. É mais uma pedra no já acidentado caminho da reforma tributária.

 

Como se fosse pouco, Chinaglia acalenta o sonho de fechar 2008, último ano de sua gestão, com a aprovação de um ambicioso pacote de projetos. Há cerca de 50 na fila.

 

A oposição vai a uma reunião de líderes, nesta terça, disposta a debater a elaboração de uma pauta de votações. Desde que a reforma do sistema tributário seja empurrada para 2009.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

 

- Globo: Paes vai cancelar atos de Cesar no fim do mandato

 

- Folha: EUA têm 1ª recessão desde 2001

 

- Estadão: EUA admitem estar em recessão há um ano

 

- JB: Recessão abala os EUA

 

- Correio Braziliense: Temporada de golpes na Internet

 

- Valor Econômico: Crise dos derivativos muda governança nas empresas

 

- Gazeta Mercantil: Demanda reduzida eleva o estoque de aço

 

- Estado de Minas: Risco de morte entre jovens é menor em Minas

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Coelhona!

Ique
 

Via JB Online. Leia sobre o tema aqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fechado com Serra, FHC tenta se compor com Aécio

  Jorge Araújo/Folha
O tucanato, como se sabe, é um grupo de amigos integralmente composto de inimigos.

 

FHC tirou a noite desta segunda (1º) para tentar estreitar sua inimizade com Aécio Neves.

 

Presidente de honra do PSDB, FHC poderia atuar como árbitro da disputa que Aécio trava com José Serra.

 

Porém, perdeu a isenção ao revelar publicamente sua predileção por Serra.

 

O mineiro Aécio rodou a baiana. Soprou nos ouvidos da cúpula tucana que não admitiria ser moído num arranjo de caciques.

 

Antes de avistar-se com FHC, Aécio disse que ele terá "papel muito importante" na definição da candidatura do PSDB à sucessão de Lula.

 

Mas cuidou de delimitar o terreno: "Foi-se o tempo em que uma, duas, ou três pessoas indicavam os candidatos do partido..."

 

"...O PSDB cansou de perder eleições, até porque as decisões foram muito centralizadas...”

 

“...Eu faço aqui até a minha mea culpa. Eu participei de algumas dessas decisões".

 

Aécio estica a corda porque não abre mão de uma prévia. Se fincar o pé, o partido não terá como se esquivar de uma. Queiram ou não FHC e Serra.

Escrito por Josias de Souza às 00h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comercialização de veículos cai 22,3% em novembro

Marcelo Sayão/Efe
 

 

Submetida à secura do crédito ao consumidor, a industria automobilística amargou em novembro uma queda de 22,3% em suas vendas na comparação com outubro.

 

Recuando-se a novembro de 2007, a queda foi ligeiramente maior: 23,44%. São dados da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores).

 

Estão incluídas na conta as vendas de: carros de passeio, veículos utilitários leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários.

 

Disse Sérgio Reze, presidente da Fenabrave: “Sem dúvida a questão do crédito é o que pesa a situação...”

 

“...Ela não está tão grave quanto antes, mas nem todos os recursos anunciados pelo Banco do Brasil e a Caixa Econômica chegaram ao varejo”.

 

Reze acha que nem com reza o quadro deve alterar-se no curto prazo: “A situação não terá uma retomada rápida”, afirmou.

Escrito por Josias de Souza às 20h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senado ouve na 5ª dirigentes da Petrobras, CEF e BB

Lula Marques/Folha
 

 

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado marcou para esta quinta (4) a sessão que irá discutir a situação financeira da Petrobras.

 

Em contatos com o presidente da comissão, Aloizio Mercadante (PT-SP), comprometeram-se a comparecer ao Senado:

 

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras;

Maria Fernanda Coelho, presidente da Caixa Econômica Federal;
Antônio Francisco de Lima Neto, presidente do Banco do Brasil.

 

A presença da trinca decorre de um requerimento apresentado pelos tucanos Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM).

 

Na semana passada, Tasso levantara dúvidas quanto à solidez financeira da Petrobras.

Escorara suas suspeitas num empréstimo contraído pela estatal junto à Caixa.

 

Coisa de R$ 2,02 bilhões. Dinheiro para capital de giro. Depois, descobriu-se que também o BB havia emprestado à Petrobras R$ 750 milhões.

 

Nesta segunda (1º), em reunião da coordenação política do governo, Lula criticou o comportamento do tucanato.

 

Para Lula, o tucanato faz terrorismo econômico. A depender da disposição do presidente, o governo não vai apanhar calado.

 

Na conversa com os ministros que integram a coordenação, Decidiu-se que o governo não vai apanhar calado.

Escrito por Josias de Souza às 19h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Os EUA, veja você, estão em recessão e não sabiam

Dizia-se até ontem que a economia dos EUA estava na bica de mergulhar numa recessão. Bobagem. A tragédia já chegou. E faz algum tempo.

 

Segundo o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês), os EUA entraram em recessão no mês de dezembro de 2007.

 

Antes, portanto, do recrudescimento da crise financeira, ocorrido em meados de outubro de 2008.

 

O Nber é um dos principais institutos de economia dos EUA. Dedica-se justamente a determinar o início e o término dos ciclos recessivos.

 

Tem experiência no ramo. Fundado em 1920, publicou seu primeiro boletim sobre ciclos econômicos em 1929, ano do grande crash.

 

Em comunicado oficial, o Nber informa que reuniu o eu comitê na última sexta (28). Avaliou os números da economia americana. E concluiu:

 

"O comitê determinou que um pico na economia dos EUA ocorreu em dezembro de 2007...”

 

“...O pico marcou o fim do ciclo de expansão começado em novembro de 2001 e o início da recessão."

 

Como se vê, é mesmo grande, muito grande, enorme o desafio que espreita a gestão Barack Obama, cujo início se dará em 20 de janeiro de 2009.

Escrito por Josias de Souza às 18h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Anime-se: você também pode ser um 'economista'

Do jeito que a coisa caminha, qualquer um pode ser economista.

 

Quer enveredar pelos meandros da “ciência maldita”? É simples.

 

Sempre que tiver de explicar fatos e números que não entende, faça o seguinte:

 

1. Mistere os fatos e os números;

2. Teça com os fatos e com os números uma dedução incompreensível;

3. Puxe da dedução incompreensível duas premissas contraditórias entre si;

4. Quando menos esperar, você terá construído o seu próprio silogismo;

5. Desse silogismo, extraia uma ilação a esmo;

6. A partir da ilação, elabore uma conclusão ilógica.

 

Concluído o processo, você terá produzido uma previsão econômica. Tão infalível quanto qualquer outra.

 

Decerto haverá do seu lado quem faça cara de dúvida. Dê de ombros. Confie no seu taco.

 

Busque conforto nas previsões que outros economistas andam fazendo para o PIB de 2009.

 

Soube-se nesta segunda (1º) que especialistas da ONU estimam que o PIB do Brasil no próximo ano pode ser um “PIBinho”: 0,5%.

 

Pesquisa semanal feita pelo BC revela que operadores do mercado, que há sete dias previam um PIB de 3%, agora apostam em 2,8%.

 

E o ministro Guido Mantega (Fazenda), a despeito da crise global, continua jogando as fichas dele num “PIBão” de 4%.

 

Como se vê, a previsão econômica não passa de uma grande tentativa. E o economista não é senão um ficcionista.

 

Para você que é economista principiante, um conselho: não se preocupe com a realidade. A economia é atividade à prova de fracassos.

 

Ao fazer suas contas, o economista aperta os botões certos da calculadora.

 

Depois, tem de esperar para ver como vão se comportar essas coisas imprevisíveis que são as pessoas.

 

O sujeito vai cooperar? Vai gastar? Vai economizar? Vai correr ao banco? Vai confiar?

 

Portanto, se suas previsões malograrem, releve. A culpa não é sua.

 

A econômica é assim mesmo. Prevê o imponderável com precisão milimétrica.

 

Mas a precisão da ciência do economista só vai até onde começa o mistério do comportamento e da crendice do ser humano.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

 

- Folha: Desalojados pela chuva já são 85 mil em 3 Estados

 

- Globo: Estado paga até R$ 100 mil por imóvel em favelas do Rio

 

- Estadão: Forças Armadas montam operação de Guerra em SC

 

- JB: Lobistas na mira da lei

 

- Correio: Quinze concursos, 3.233 vagas

 

- Valor: Crise dificulta o crédito a plataformas da Petrobras

 

- Gazeta Mercantil: Bancos Oficiais avançam na oferta de crédito

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alagamento da alma!

Dalcío
 

Via Correio Popular. Em Santa Catarina, a contabilidade de domingo fechou com 114 mortes.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula anuncia metas para ‘redução do desmatamento’

José Cruz/ABr
 

 

Em solenidade marcada para esta segunda (1º), no Planalto, Lula vai lançar o Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

 

A principal novidade contida no plano é a fixação de metas para a redução do desmatamento no país.

 

Se a Casa Civil não modificou a versão que recebeu do Ministério do Meio Ambiente, as metas serão quadrienais:

 

Para o quadriênio 2006-2010, que coincide com o segundo mandato de Lula, o governo espera reduzir o desmatamento em 40%.

 

O período de comparação para esse primeiro ciclo será de uma década: 1996-2005. É sobre esse período que o percentual de queda no desmatamento terá de incidir. 

 

A partir daí, espera-se que a derrubada de árvores seja reduzida em 30% por quadriênio, na comparação com os quatro anos anteriores.

 

A novidade chega nas pegadas de uma má notícia, trazida à luz na última sexta (28) pelo ministro Carlos Minc (Meio Ambiente).

 

Em entrevista, Minc confirmara: entre agosto de 2007 e julho deste ano, houve um aumento de 3,8% na área desmatada da Amazônia Legal.

 

Nessa mesma entrevista, sem mencionar os percentuais, Minc referira-se ao estabelecimento das metas nacionais de desmatamento.

 

Dissera que, para que fossem atingidas, teria de haver um esforço conjunto dos governos federal, estaduais e até dos consumidores de madeira.

 

"As metas serão alcançadas se o governo fizer sua parte, os governos estaduais ampliarem o controle de zoneamento, e o consumidor também exigir recibo do plano de manejo...”

 

“...É um esforço planetário, porque o desmatamento da Amazônia é grande contribuição para o aquecimento do planeta, que a gente quer reverter".

 

A declaração do ministro soa como desculpa antecipada para o descumprimento das metas. Quando há muitos responsáveis, não há nenhum.

 

Amanhã, diante de números adversos, os governos estaduais culparão o federal, que culpará os governadores e, talvez, os consumidores.

 

Sob a algaravia de versões, a mata amazônica continuará indo abaixo.

 

PS.: Atualização feita às 18h05 desta segunda (1º): Como previsto, o governo anunciou o Plano Nacional de Mudnaças Climáticas.

 

Confirmaram-se as metas anotadas no texto acima: 40% de redução para o período de 2006 a 2010 e 30% para os quadriênios subseqüentes.

 

Otimista, o ministro Carlos Minc disse que pode haver queda na devastação das florestas de mais de 70% até 2017.  

Escrito por Josias de Souza às 02h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Judiciário abre o terceiro mutirão pró-conciliação

 

 

Começa nesta segunda (1º), em todo país, a Semana Nacional da Conciliação. Espera-se promover até sexta (5) mais de 100 mil acordos judiciais.

 

O mutirão é coordenado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Envolve três braços da justiça: a estadual, a federal e a do trabalho.

 

Esta será a terceira semana de conciliação. Em 2006, agendaram-se em todo país 83.900 audiências de conciliação. Produziram-se 46.493 acordos.

 

Em 2007, houve 227.564 audiências. Resultaram em 96.492 acordos. Neste ano, espera-se pôr fim a mais de cem mil litígios.

 

É quase nada se for levado em conta que o Judiciário recebe anualmente uma média de 24 milhões de novos processos.

 

Mas o CNJ imagina que, insistindo na tecla da conciliação, vai acabar incutindo na cabeça do brasileiro a cultura da composição, em detrimento da demanda judicial.

 

Na edição de 2008, a semana conciliatória será aberta com cerimônias simultâneas em cinco capitais: São Paulo, Florianópolis, Fortaleza, Belém e em Brasília.

 

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que preside também o CNJ, participa da solenidade de São Paulo.

 

Será ao meio dia. Num cenário que, por grandioso, dá uma idéia da ambição dos organizadores: o estádio do Pacaembu.

 

Espera-se atender no “megatribunal” improvisado no Pacaembu entre 3 mil e 5 mil pessoas diariamente.

 

Ali, as audiências de conciliação será conduzidas por 40 juízes. Mobilizaram-se cerca de 400 funcionários.

 

Vão à mesa ações judiciais envolvendo empresas de telefonia, bancos, concessionárias de serviços de água e luz e instituições de ensino.

 

Parte dos litígios envolve a renegociação de dívidas da casa própria. De resto, haverá na edição deste ano uma novidade em relação às duas anteriores.

 

Pela primeira vez, vai-se tentar a conciliação em ações judiciais que envolvem a Previdência Social. Esse tipo de passivo é um dos principais gargalos do Judiciário brasileiro.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

BUSCA NO BLOG


Twitter RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.