Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Diálogo captado por um pernilongo, em Washington

Diálogo captado por um pernilongo, em Washington

Laura passara a madrugada em claro. Era noite de eleição. Não conseguira pregar os olhos. Ao entrar no quarto, para abrir as cortinas, o mordomo encontrou-a de cenho crispado.

Como o sono do marido, por profundo, resistisse à luz, Laura o sacudiu com as mãos da impaciência.

 

Que é isso?! Quer me matar de susto?!

Ouvi gritos no meio da noite, George.

Gritos, Laura?

Gritos.

Impossível. Somos dois. Eu não gritei. Você gritou?

Não.

Pois é. Sonhou.

Ouvi fogos no meio da noite, George.

Fogos, Laura?

Fogos.

Impossível. A coisa vai bem. O pacote já surte efeitos. Mas não mandei soltar fogos. É cedo. Você sonhou.

Ouvi fanfarras no meio da noite, George.

Fanfarras, Laura?

Fanfarras.

Impossível. Decerto esqueceu a TV ligada. Ou sonhou.

Vi uma multidão no meio da noite, George. Vi pessoas dançando. Vi um mar de faixas –“Yes, we can”. Vi cartazes com a imagem de um negro.

Viu tudo isso, Laura?

Vi.

Não viu. Sonhou.

Vi, George. Fui até a janela. E vi.

Você afastou o cobertor no meio da noite, levou os pés ao chão, calçou as sandálias, vestiu o roupão, caminhou até a janela, abriu as cortinas e olhou em direção à rua, para ver, com seus próprios olhos, o que se passava lá fora?

Sim.

Ora, francamente, Laura. Você estava procurando, heim, minha filha! Vai ser curiosa assim lá no Texas!

 

Por cortesia, Barack Obama ainda não disse. Mas sua primeira providência ao tomar posse será mandar erigir, no gramado da Casa Branca, um mármore de Bush, seu maior cabo eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 21h08

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Casamento de filha de Tasso leva o poder ao Ceará

Casamento de filha de Tasso leva o poder ao Ceará

  Balada In
Encontra-se em Fortaleza, neste sábado (8), a nata financeira e política da nação.

 

O poder foi assistir à celebração do casamento de Carla Queiroz Jereissati e Benjamin Holanda de Oliveira (foto).

 

Ela, filha de Renata e do tucano Tasso Jereissati. Ele, filho de um casal de médicos: Tânia e César Oliveira.

 

Convidaram-se cerca de 1.700 pessoas. A lista inclui banqueiros, industriais, magistrados, políticos e um infatigável etc.

 

Há na festa três presidenciáveis. Ciro Gomes (PSB) tanto pode se defrontar com o desafeto José Serra, que o processa, como com Aécio Neves, que o corteja para vice.

 

Um candidato à presidência do Senado já deu as caras: Tião Viana (PT). Seu principal rival, José Sarney (PMDB), embora convidado, ainda não apareceu.

 

Roçam cotovelos na capital cearense políticos de coloração pluripartidária.

 

De governistas inveterados –Renato Casagrande (PSB) e Romero Jucá (PMDB)—a oposicionistas inflamados: José Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (PSDB).

 

A cúpula do Judiciário também acorreu a Fortaleza: os presidentes do STF, Gilmar Mendes; e do STJ, César Asfor Rocha. E Ellen Gracie, a ex-presidente do Supremo.

 

As togas se arriscam a cruzar na festa com um passivo que podem vir a julgar: a encrenca da “BrOi”.

 

A supertele está representada no Ceará pela figura bonachona do tio da noiva, Carlos Jereissati, barão telefônico da Oi.

 

Terminou há pouco o pedaço religioso da festa. Deu-se num templo de nome sugestivo: Capela do Pequeno Grande.

 

O ambiente, por exíguo, combina mais com a primeira do que com a segunda parte do nome da capela.

 

A igreja, com capacidade para cerca de 300 pessoas, revelou-se pequena demais para a grande lista de convidados. Muitos, fugindo do relento, prefeririam dirigir-se direto para o cenário pagão do casamento.

 

O jantar, assinado pelo buffet La Maison, ocorre na mansão dos Jereissati, assentada no elegante bairro das Dunas.

 

PS.: Foto via sítio Balada In.

Escrito por Josias de Souza às 20h58

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Lula: Estado paga conta da ‘aventura’ dos mercados

  Rodrigo Paiva/Reuters
Lula discursou na abertura da reunião do G20, que se realiza em São Paulo.

 

Bateu no mercado. E louvou a ressurreição do Estado-regulador.

 

A platéia era ilustre: ministros de Fazenda e presidentes de bancos centrais das maiores economias do mundo –as desenvolvidas e as emenergentes.

 

O discurso de Lula durou cerca de 15 minutos. Atribuiu a crise à ganância de um mercado fora de controle e à inépcia do Estado em domá-lo.

 

A crise "é conseqüência da crença cega na capacidade de auto-regulação dos mercados e, em grande medida, na falta de controle sobre as atividades de agentes financeiros...”

 

“...Por muitos anos especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que não tinham em negócios mirabolantes. Todos estamos pagando por essa aventura..."

 

“...Esse sistema ruiu como um castelo de cartas e com ele veio abaixo a fé dogmática no princípio da não intervenção do Estado na economia...”

 

“...Muitos dos que antes abominavam um maior papel do Estado na economia passaram a pedir desesperadamente sua ajuda".

 

A saída está, no dizer de Lula, na “ação coordenada” dos governos e no redesenho da “arquitetura financeira mundial”.

 

Lula ofereceu aos presentes um esboço do novo desenho. Passa, acredita ele, pela reformulação de organismos multilaterais como o FMI e o Banco Mundial.

 

Passa também pela criação de novas entidades do gênero. Passa, por último, pela audição de países emergentes como o Brasil, hoje ignorados pelas nações ricas.

 

Para Lula, o G7, grupo que congrega as nações mais ricas do planeta, já não tem condições de liderar, sozinho, o jogo econômico do mundo.

 

"Precisamos aumentar a participação dos países emergentes nos mecanismos decisórios da economia mundial...”

 

“...Deveremos revisar o papel dos organismos existentes ou criar novos de forma a fortalecer a supervisão e a regulação dos mercados financeiros..."

 

"...Está na hora de uma nova governança, mais aberta e participativa. E o Brasil está pronto para isso".

 

O encontro de São Paulo é preparatório de uma outra reunião do G20. Acontecerá em Washington, no dia 15 de novembro, sob os auspícios de um moribundo George Bush.

Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Serra critica gestão do ex-tucano Meirelles no BC

‘Temos a maior taxa de juros do mundo. Eu diminuiria’

Especulação ‘é conseqüência da política errada do BC’

‘Pego dólar, troco por reais e aplico nos juros siderais’

 

Marcello Casal/ABr

 

José Serra se autodefine como um economista em “férias da profissão”. A despeito disso, retomou o seu passatempo predileto: o exercício do contraponto econômico.

 

Nessa matéria, o governador de São Paulo está mais próximo da esquerda do petismo do que da maioria do tucanato.

 

Chama-se Henrique Meirelles o novo alvo preferencial de Serra. Antes, criticava-o à sombra. Agora, bate no ex-tucano que preside o Banco Central à luz do Sol.

 

De cada dez grão-tucanos nove vêem em Meirelles um anteparo para a “inépcia” do ministro Guido Mantega (Fazenda). Serra é o único a discordar da teoria do escudo.

 

Em entrevista aos repórteres Maria Isabel Hammes e Sebastião Ribeiro, o presidenciável do PSDB tornou explícito o que era dissimulado.

 

Serra disse que o dinheiro que deveria irrigar o sistema de crédito continua “empoçado” na tesouraria dos bancos.

 

Atribuiu o fenômeno aos “juros siderais” providos pelo BC de Meirelles: “Com a taxa de juros do Brasil, é muito mais fácil pegar o dinheiro e, em vez de emprestar, aplicar em juros...”

 

“...Temos a maior taxa de juros do mundo. Aliás, é o único país com uma taxa assim, porque todos os outros países baixaram no meio da crise, e o Brasil, não”.

 

Os repórteres quiseram saber de Serra o que teria feito com os juros se a definição taxa estivesse sob sua responsabilidade. E Serra, seco: “Teria diminuído”.

 

Serra vê o dedo do BC também na encrenca dos derivativos cambiais. Além dos “juros siderais”, faz reparos à “taxa de câmbio arrochada” da fase pré-crise global.

 

Ele esmiúça o raciocínio: “Os exportadores começaram a perder dinheiro e foram criados mecanismos de compensação...”

 

“...Então, o exportador começou a antecipar receita de exportação com empréstimo. Digamos: vendo o produto e vou receber em fevereiro...”

 

“...Pego dólar hoje, troco por reais e aplico na maior taxa de juros do mundo. E, no final do processo, quando vou comprar dólar para pagar a quem emprestou, compro um dólar mais barato por causa da sobrevalorização...”

 

“...Esse esquema eliminou o cálculo econômico da transação, que envolve produção, custo, produtividade. Criou um esquema de especulação, ou melhor, financeiro com o beneplácito do BC...”

 

“...No momento em que, em vez de ganhar dinheiro vendendo, você ganha especulando, pode cometer exageros. Mas isso foi conseqüência da política errada do Banco Central”.

 

Serra não livra a cara de Meirelles nem na acumulação de reservas internacionais, um dos orgulhos do presidente do BC.

 

É “bom”, concede o governador tucano. “Mas as reservas, se não tivesse arrocho cambial, seriam até mais elevadas. Porque já estamos com déficit em conta corrente...”

 

“...O Brasil conseguiu o milagre de produzir déficit de conta corrente no balanço de pagamentos com alta de preços dos nossos produtos de exportação...”

 

“...Isso é uma façanha mundial, um caso para se fazer tese de mestrado. Como um país gera déficit comercial tendo alta dos preços dos seus produtos?”

Em 2003, Meirelles abdicou de uma cadeira de deputado pelo PSDB de Goiás para assuumir o BC de Lula.

 

Hoje, o ex-tucano está para a era Lula assim como Pedro Malan estava para fase FHC. É, por assim dizer, o esteio liberal da administração.

 

Sob FHC, Serra freqüentou a zona cinzenta do contraponto à equipe econômica, um território marcado pelo alto índice de mortalidade administrativa.

 

Não chegou a ter a sorte de um Clovis Carvalho, defenestrado da Casa Civil depois de chamar Malan de covarde: "Excesso de cautela pode ser sinônimo de covardia".

 

Mas Serra também flertou com o cemitério. Começou o governo tucano como um poderoso ministro do Planejamento. Terminou como ministro da Saúde.

 

Agora, ao atirar em Meirelles, Serra tenta se firmar como alternativa ao cargo de nomeador de equipes econômicas. 

 

Em pleno gozo das "férias da profissão", o economista tucano vai à pré-campanha sucessória com a cara do contraponto econômico.

Escrito por Josias de Souza às 19h03

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PSDB apressa a organização da prévia Serra X Aécio

PSDB apressa a organização da prévia Serra X Aécio

  Fotos:Sérgio Lima e Leonardo Wen
A direção do tucanato se auto-impôs um prazo para a montagem das prévias que definirão o nome do candidato do PSDB à sucessão de Lula.

 

O modelo da disputa estará pronto em dois meses. “A gente vai desenvolver rapidamente essa questão”, disse ao blog Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

 

“Em 60 dias teremos esse assunto definido. Há estudos prontos. E achamos que esse é o caminho para o caso de não haver um acordo”.

 

Sem alarde, os tucanos protocolocaram uma consulta no TSE. Deu-se bem antes das eleições municipais. A resposta do tribunal ainda não chegou.

 

Recorreu-se à Justiça Eleitoral para saber o que pode e o que não pode ser feito à luz da legislação. Eis um par de dúvidas:

 

Os pré-candidatos tucanos podem fazer campanha antes da convenção do partido? A legenda pode coletar dinheiro privado para custear as prévias?

 

Sérgio Guerra deixa claro que o objetivo do PSDB não é a disputa. As prévias vão à prateleira como alternativa à falta de um acordo entre José Serra e Aécio Neves.

 

“100% do partido quer o acordo. Mas, se não houver, precisamos ter à disposição um procedimento formal, definido com antecedência”.

 

Tenta-se fugir do improviso que marcou a escolha dos dois últimos presidenciáveis do PSDB: Serra, em 2002; e Geraldo Alckmin, em 2006.

 

Na disputa de 2006, a escolha foi confiada a um triunvirato: Aécio, FHC e Tasso Jereissati, que presidia o PSDB à época.

 

A trinca deixou-se fotografar ao lado de Serra, que media forças com Alckmin, numa mesa do Massimo, uma fina casa de repastos de São Paulo.

 

A despeito das negaças, o jantar foi aos jornais como reunião definidora da escolha de um adversário para Lula.

 

Coisa trançada entre goles de vinho caro (Amarone della Valpolicella) e dentadas num prato sofisticado (paleta de cordeiro).

 

Inquirido por jornalistas sobre a ausência de Alckmin, FHC injetou na cena uma dose de escárnio que deixou no partido um travo de vinho avinagrado:

 

“Onde está o governador [Alckmin]?”, questionou um repórter. E FHC: “Está no palácio”.

 

“O senhor o convidou?”, insistiu o jornalista. “Ele disse que tinha de levantar cedo amanhã”, encerrou FHC, arrancando risos dos presentes.

 

Agora acomodado na posição de Alckmin da vez, Aécio Neves olha para o passado com uma ponta de arrependimento. “O triunvirato foi um erro”, diz.

 

Em parte, deve-se à insistência de Aécio a decisão de montar as prévias. O governador mineiro não admite que Serra prevaleça sobre ele apenas por fazer melhor figura nas pesquisas de opinião.

 

Em privado, Aécio diz que Serra pode até vir a ser o candidato. Mas "Minas terá de ser convencida, não derrotada” num acordo de caciques.

 

Tasso, que prefere Aécio a Serra, encomendou os primeiros estudos sobre prévias antes de deixar o comando do PSDB, em dezembro de 2007.

 

FHC, que mal consegue disfarçar a predileção por Serra, ainda não veio à boca do palco para dizer o que acha das prévias.   

 

Sérgio Guerra, otimista, diz que “o entendimento é possível”. Mas dá de barato que “tanto Serra quanto Aécio vão consumar a intenção de ser candidatos”.

 

E acha que, à falta de um acordo, o partido não pode e não deve recorrer a improvisações. Daí a pressa definir o formato da disputa.

Escrito por Josias de Souza às 03h37

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Sem anunciar equipe, Obama cobra ação rápida de Bush

 

- Folha: Obama defende ajuda à classe média

 

- Estadão: Banco do Brasil negocia compra de três bancos

 

- JB: Obama: "Não vai ser fácil nem rápido sair do buraco"

 

- Correio: Prepara-te para o que vem, Obama

 

- Valor: Balanços mostram lucros históricos e futuro incerto

 

- Gazeta Mercantil: FMI e governo cortam projeções para o PIB

 

- Estado de Minas: Vereadores de BH gastam o triplo na campanha

 

- Jornal do Commercio: IPTU sobe 6,41%

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h27

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Fantoche!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Obama: ‘Não será rápido nem fácil sair do buraco’

  Jason Reed/Reuters
Depois de passar a campanha vendendo sonhos, Barack Obama ofereceu aos eleitores, em sua primeira entrevista como presidente eleito, um choque de realidade.

 

Disse: "Algumas decisões que tomaremos serão difíceis. Não será rápido e não será fácil para nós sairmos do buraco em que estamos”.

 

Fixou algumas prioridades. Entre elas a criação de empregos, a melhoria do seguro-desemprego e a aprovação de um plano de estímulo ao consumo da classe média.

 

Algo que reponha a economia americana, às portas de uma recessão, nos trilhos do crescimento.

 

Obama mostrou que não briga com o óbvio: "A perda de empregos tem um impacto óbvio na confiança do consumidor, na capacidade das pessoas de comprar bens e serviços...”

 

“...E isso pode ter um efeito em cascata muito grande." Daí a prioridade à retomada do crescimento e à abertura de novos postos de trabalho.

 

O plano de estímulo ao consumo de bens e serviços, mencionado na entrevista, envolve uma cifra (US$ 100 bilhões) aparentemente incompatível com o tamanho do “buraco”.

 

Perguntou-se ao presidente eleito se gostaria de ver o pacote aprovado ainda sob George Bush, antes de sua posse, marcada para 20 de janeiro de 2009.

 

E Obama: "Gostaria que fosse aprovado logo." Se não der, "será a primeira coisa que eu farei quando assumir como presidente".

 

O sucessor de Bush deu indicações de que não está satisfeito com a gestão do pacotaço anticrise (US$ 700 bilhões) aprovado recentemente pelo Congresso americano.

 

"Vamos rever a implementação de um programa financeiro dentro da administração desse governo para assegurar se os esforços estejam de fato atingindo a sua meta.”

 

E qual seria a meta? “Estabilizar os mercados financeiros, protegendo os contribuintes, ajudando os donos de imóveis e não ajudando as pessoas que não precisam de ajuda."

 

Sob Bush, o dinheiro vem sendo usado para socorrer bancos que dobraram os joelhos.

 

De resto, um pedaço do pacote serviu para que o Tesouro comprasse ações de instituições financeiras privadas. Algumas delas de aparência sólida.

 

A certa altura, o democrata Obama deu a entender que governará sem dispensar o auxílio dos rivais republicanos.

 

"Não vai ser rápido sair do buraco onde estamos, mas vamos colocar de lado o partidarismo para corresponder as expectativas de depositaram em nós".

Escrito por Josias de Souza às 20h13

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PT planeja buscar ‘aproximação’ com a classe média

  Tuca Vieira/Folha
O diretório nacional do PT, instância diretiva máxima da legenda, reúne-se nesta sexta (7) e sábado (8), em Brasília.

 

O encontro tem dois propósitos: avaliar o desempenho do partido nas eleições municipais e traçar uma estratégia para a sucessão presidencial.

 

Na primeira fase dos debates, um tema monopolizou as atenções: o distanciamento do petismo em relação à classe média.

 

Cobe a Marco Aurélio Garcia, assessor internacional de Lula e vice-presidente do PT, puxar o fio da meada.

 

Mencionou a existência, em setores da classe média, de um fenômeno que chamou de “sentimento anti-PT”. Algo que, disse ele, a legenda tem de superar antes de 2010.

 

A tarefa envolve, no dizer de Marco Aurélio, um “esforço intelectual”. Mas é “substancialmente política.”

 

Nas pegadas de Marco Aurélio, o prefeito petista de Recife, João Paulo, levou o dedo a outras duas feridas que doem na alma do petismo.

 

Acha necessário que o partido reveja o modo como se relaciona com a imprensa e com as legendas de oposição. Diz que o partido precisa reagir às críticas com naturalida pragmática.

 

A prevalecer o sentimento expresso nas palavras de Marco Aurélio e João Paulo, o PT dá um primeiro passo importante na resolução de seus problemas. Pelo menos já admite que eles existem.

 

O partido tem diante de si um desafio extraordinário. Pela primeira vez em 20 anos, vai às urnas presidenciais de 2010 sem Lula.

 

E não será dando as costas aos setores médios da sociedade ou farejando conspiração em cada centímetro das páginas dos jornais que conseguirá construir um nome alternativo.

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Em meio à crise, Brasil busca união dos emergentes

Alan E. Cober
 

 

Os olhos do mundo financeiro se deslocam para São Paulo neste final de semana. Reliza-se na cidade a reunião anual do G-20 Financeiro.

 

Criado em 1999, nas pegadas da crise da Ásia, o G-20 reúne ministros de Fazenda e presidentes de bancos centrais de países emergentes e desenvolvidos.

 

A crise atual, por grandiosa, intimou os governos a agirem de maneira coordenada. Algo que vitaminou o G-20, conferindo-lhe uma importância que jamais tivera.

 

Por uma dessas casualidades do destino, o Brasil ocupa a presidência rotativa do grupo neste ano de 2008, na pessoa do ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Beneficiado pelo calendário, o Brasil tenta firmar-se como líder dos emergentes, sobretudo do chamado BRIC –a sigla que une Brasil, Rússia, índia e China.

 

O governo brasileiro enxerga na crise uma oportunidade para que os emergentes passem a ser mais ouvidos pelo pedaço rico do mundo, de onde vem a encrenca.

 

Deseja-se, por exemplo, ampliar o número de cadeiras do G-8, o grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, mais a Rússia.

 

Defende-se também a criação de novos organismos multilaterais, que possam impor regulação aos mercados, acima dos governos.

 

A adesão da Índia às teses brasileiras é provável. A Rússia, que já integra o G-8, pode levar o pé atrás. A China é uma incógnita.

 

Donos de reservas internacionais estimadas em US$ 2 trilhões, os chineses costumam olhar mais para o próprio umbigo. A atual crise talvez sirva para ampliar-lhes o campo de visão.

 

O encontro deste final de semana é preparatório para uma outra reunião do G-20, a realizar-se em Washington, o olho da crise, daqui a uma semana.

 

Reunião sugerida por George Bush, que difere da São Paulo pela presença dos chefes de Estado do G-20. Lula já confirmou presença.

 

Em fim de mandato, desmoralizado pela crise, Bush prestaria um serviço ao grupo se convidasse para a reunião de Washington o presidente eleito Barack Obama.

 

O Brasil leva à rodada de São Paulo três propostas: a reconstituição do sistema financeiro mundial, a instituição de um novo modelo de regulação dos mercados e a adoção de políticas públicas expansionistas.

 

A despeito das diferenças que exibem entre quadro paredes, o ministro Guido Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles, vão ao encontro com um discurso afinado.

 

PS.: Ilustração via Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 18h23

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De abacaxi, Pimentel vira batata quente para o PT

  Folha
Na fase de montagem das chapas municipais, Fernando Pimentel era visto pela direção nacional do PT como um abacaxi.

 

A parceria do prefeito petista de Belo Horizonte com o governador tucano de Minas, Aécio Neves, resultou numa representação à Executiva Nacional do PT.

 

Passada a eleição, o candidato de Pimentel e Aécio, Márcio Lacerda (PSB), é prefeito eleito. E a representação, ainda por descascar, virou batata quente.

 

Nesta sexta (7), a Executiva petista decidiu não decidir. Preferiu devolver a batata fumegante ao diretório belorizontino do PT.

 

O PSB do prefeito eleito Márcio Lacerda observa a movimentação do petismo com vivo interesse. Não vê em Pimentel nem abacaxi nem batata. Enxerga uma uva.

 

Faltando chão a Pimentel no PT, o PSB está pronto a estender-lhe um tapete vermelho. Planeja convertê-lo em candidato ao governo de Minas, em 2010. Contra o PT.

Escrito por Josias de Souza às 16h51

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Solidário com dono, cão de Bush morde um repórter

 

Faltam 73 dias para que George Bush vire página virada. Uma eternidade.

 

A essa altura, Bush é o maior interessado em abreviar o suplício.

 

E pudesse, claro, deixaria o ocaso para amanhã. Mas sabe que ele chegou anteontem.

 

O presidente americano vive aquela fase em que já não há objetivos, só memórias.

 

As páginas dos jornais, carregadas de crise, pesam-lhe como chumbo.

 

Testemunha do mundo cão da Casa Branca, Barney decidiu solidarizar-se com o dono.

 

O cachorro de Bush trocou as reflexões psicãológicas pela ação.

 

Nesta sexta (7), Barney deu uma dentada no dedo do repórter Jon Decker, da Reuters.

 

Fez o que o próprio Bush faria se não estivesse submetido aos rigores do protocolo.

 

Resta demonstrado que o cão, de fato, é o melhor amigo do homem.

 

Mesmo que esse homem seja George Bush.

 

Bush há de mudar o discurso. Em vez de ‘Oh, God!’, sua expressão predileta, passara a exclamar: ‘Oh. Dog!’.

 

Pressionando aqui, você vvê as imagens da investida de Barney contra a mídia.

Escrito por Josias de Souza às 16h06

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As manchetes desta sexta

 

- Folha: Sem ordem judicial, PF quebra sigilo telefônico

 

- Globo: Bush acelera medidas contra a crise para ajudar Obama

 

- Estadão: Empresas têm mais prazo para pagar impostos

 

- JB: Mais R$ 19 bi para empresas

 

- Correio: R$ 40 bilhões para turbinar a economia

 

- Valor: Balanços mostram lucros históricos e futuro incerto

 

- Gazeta Mercantil: FMI e governo cortam projeções para o PIB

 

- Estado de Minas: Lula baixa pacotaço

 

- Jornal do Commercio: Nova campanha pelo desarmamento

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Alforria!

Lute
 

Via blog do Lute.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Em segredo, Lula e Sarney discutem briga do Senado

  Lula Marques/Folha
Lula e José Sarney reuniram-se reservadamente nesta quinta (6). Conversaram sobre um tema que opõe os dois principais partidos do consórcio governista.

 

PT e PMDB medem forças no Senado pela vaga de presidente da Casa. O petismo apresenta o nome de Tião Viana (AC). O peemedebê vai de Sarney (AP).

 

Lula apóia Tião. Diz, contudo, que evoluiu para o nome do petista depois que Sarney lhe dissera que não tinha interesse em comandar o Senado.

 

Conversa fiada, porém. Noves fora outras evidências, o desejo de Sarney está impresso nas pegadas de Roseana (PMDB-MA), que articula a candidatura do pai.

 

Não se sabe, por ora, qual foi o resultado prático do tête-à-tête de Lula com Sarney. De concreto, tem-se apenas que a conversa não desintoxicou o ambiente.

 

Os senadores do PT continuam agarrados a Tião. E os do PMDB não admitem abrir mão do posto que hoje é ocupado por Garibaldi Alves (PMDB-RN).

 

O petismo acha que vai acabar prevalecendo pelo cansaço. Avalia-se que Sarney deseja algo que jamais conseguirá obter no Senado: a unanimidade.

 

Os senadores peemedebistas dão de ombros. Sustentam que, inviabilizado Sarney, levarão à boca do palco um outro nome.

 

O roçar de lanças ecoa na Câmara. Ali, PT e PMDB estão, em tese, unidos em torno da candidatura de Michel Temer (PMDB-SP). Coisa acertada por escrito.

 

Embora a cúpula petista tenha ratificado o que se encontra deitado sobre o papel, um pedaço do PT ameaça roer a corda caso o parceiro insista em controlar as duas Casas.

 

Eventuais traições são facilitadas pela natureza do voto. Os presidentes da Câmara e do Senado serão escolhidos em fevereiro em votações secretas.

 

Um detalhe inquieta Lula: a desenvoltura com que o PMDB tricota, no Senado, com os oposicionistas DEM e PSDB. Quem segura as agulhas é Renan Calheiros (PMDB-AL), unha e cutícula com Sarney.

 

Arma-se uma encrenca que costuma terminar em cargo. Primeiro, estica-se a corda. Depois, quem perder o cabo-de-guerra exige um ministério como compensação. 

 

Sarney e sua turma já escolheram a pasta. Querem a cadeira do desafeto Tarso Genro (Justiça). 

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Dantas prevaleceu no Supremo com folga: nove a um

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Deu-se o esperado: os ministros do STF endossaram o par de liminares expedidas por Gilmar Mendes, em julho, para livrar Daniel Dantas da cadeia.

 

Dos onze ministros do Supremo, dez participaram da sessão vespertina desta quinta (6). Nove ratificaram as decisões de Gilmar.

 

Houve uma única e solitária voz divergente. O ministro Marco Aurélio Mello indeferiu o segundo pedido de habeas corpus de Daniel Dantas.

 

No mais, o julgamento converteu-se numa sessão de desagravo do presidente do tribunal e de críticas à ação da PF e do juiz Fausto de Sanctis, que atua na Satiagraha.

 

As críticas mais acerbas pingaram dos lábios dos ministros Eros Grau, relator do processo, e Celso Mello, decano do STF.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Obama leva o processo de transição para a internet

Barack Obama deve um pedaço de seu êxito à internet. Em campanha, usou a rede para amealhar doações e para flechar o coração do eleitor jovem.

 

Eleito, Obama continua cavalgando o cristal líquido com rara desenvoltura. Sua equipe levou ao ar o sítio Change (Mudança).

 

Pretende-se converter o espaço em fonte de informações sobre a fase de transição da administração Bush para o governo Obama, que se inicia em 20 de janeiro.

 

Estão ao alcance do mouse: sala de imprensa, blog, os 25 temas que compõem a agenda de prioridades do novo governo, perfis do presidente eleito, do vice e do gabinete de transição.

 

O portal também convida os navegantes para um mergulho. Convida-os a compartilhar opiniões sobre o futuro e casos da campanha eleitoral.

 

De resto, o sítio da transição traz uma novidade alvissareira: recolhe currículos de pessoas interessadas em ocupar cargos na equipe de transição e na nova administração.

 

Cargos de confiança, preenchidos sem concurso. Coisa que, no Brasil, é reservada à companheirada e aos apadrinhados do consórcio. Atenção: aceitam-se candidatos estrangeiros.

 

Se mais não fizer em sua carreira, Obama já pode se vangloriar de um feito: vem se servindo da internet com maestria inaudita.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

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Para Dieese, salário mínimo deveria ser de R$ 2.014

KK Arora/Reuters
 

 

Pesquisa de preços realizada pelo Dieese em 17 capitais revelou que, depois de dois meses em queda, os preços dos alimentos voltaram a subir em outubro.

 

Comparando-se o custo da cesta básica ao valor do salário mínimo, verifica-se que o trabalhador brasileiro enfrenta, assim como as empresas, sério problema de liquidez.

 

A compra da ração alimentar do mês consumiu, em outubro, 54,14% do salário mínimo líquido, descontada a contribuição previdenciária.

 

Mais do que em setembro (52,45%). Bem mais do que era desembolsado um ano atrás (48,89%).

 

Para o Dieese, considerando-se o preço da cesta básica, o salário mínimo deveria ter sido, em outubro, de R$ 2.014,73.

 

Ou seja, 4,85 vezes o piso nacional em vigor, de R$ 415,00. Só assim seria respeitada a Constituição.

 

Reza o texto constitucional que o salário mínimo deve assegurar as despesas de um trabalhador e sua família com: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

 

De acordo com o levantamento do Dieese, referência do petismo no passado, apenas em duas capitais houve queda nos preços da cesta básica: Brasília (-0,27%) e João Pessoa (-0,28%).

 

Nas outras 16 capitais pesquisadas, registrou-se aumento dos alimentos. As altas mais expressivas ocorreram em Fortaleza (8,07%), Natal (7,99%), Manaus (5,79%), Salvador (4,80%) e Vitória (4,13%).

 

A cesta básica mais cara do país é a de Porto Alegre (239,82). Foi nesse valor que se baseou o Dieese para calcular o que seria o salário mínimo ideal.

 

A segunda cesta mais cara do país é a de São Paulo (R$ 238,15). A terceira, Florianópolis (R$ 228,44).

 

Os menores valores foram encontrados em Recife (R$ 169,40) e João Pessoa (R$ 177,32). Presionando aqui, você chega à íntegra do relatório do Dieese.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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Bolsa-Crédito já destinou R$ 29 bilhões a empresas

Animação sobre fotos de Sérgio Lima/Folha
 

Em meio à secura da crise, Lula 'aumenta a liquidez' do ministro Guido Mantega

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou nesta quinta (6) a abertura de mais uma linha de crédito para empresas.

 

Coisa de R$ 10 bilhões. Dinheiro destinado a financiar, por meio de empréstimos do BNDES, exportadores brasileiros.

 

Somando-se outras duas linhas abertas no Banco do Brasil –R$ 5 bilhões para pequenas empresas e R$ 4 bilhões para montadoras de carros— chega-se a R$ 19 bilhões.

 

Considerando-se providências adotadas no alvorecer da crise –R$ 7,5 bilhões do BB para Agricultores e R$ 3 bilhões da CEF para construtoras—, chega-se a R$ 29,5 bilhões.

 

É essa, por ora, a cifra destinada pelo governo ao Bolsa-Crédito, um pacote emergencial, embrulhado para prover liquidez ao mecado.

 

Todos os setores econômicos que correram o pires por Brasília levaram algum. Dá-se de barato que, se deixados à míngua, a atividade econômica minguaria.

 

Em verdade, as casas bancárias estatais agem para contornar a secura de crédito imposta pelos bancos privados.

 

Um fenômeno que se mantém a despeito de o Banco Central ter aberto as torneiras do empréstimo compulsório. E que levou Lula a criar, nesta quinta (6), uma espécie de gabinete de acompanhamento da crise.

 

O anúncio da linha de crédito nova, a de R$ 10 bilhões, foi feito por Mantega durante reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).

 

Depois de discursar, o ministro foi vitimado, ele próprio, pela atmosfera desértica. Foi socorrido por Lula, que lhe entregou um copo d’água.

 

"O presidente está irrigando a economia, para que ela tenha mais liquidez", reagiu Mantega, entre risos.

 

Antes, o ministro estendera à iniciativa privada outro copo providencial: confirmou que o governo vai prorrogar o prazo para o recolhimento de tributos das pessoas jurídicas.

 

Um refresco que adicionará ao capital de giro das empresas R$ 21 bilhões, segundo as contas do Ministério da Fazenda.

Escrito por Josias de Souza às 16h14

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STF 'julga' decisão de Gilmar Mendes no caso Dantas

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

O plenário do STF julga na tarde desta quinta (6) o mérito do pedido de habeas corpus que tirou da cadeia Daniel Dantas e toda a cúpula do Opportunity.

 

Será uma sessão curiosa. Os ministros do Supremo terão de avaliar decisões tomadas pelo próprio presidente do tribunal, Gilmar Mendes.

 

Em síntese, os dez colegas de Gilmar terão de dizer se ele acertou ou errou ao assinar a liminar que tornou sem efeito mandados de prisão da Operação Satiagraha.

 

Vai abaixo um resumo da encrenca, que consta do primeiro item da pauta do STF:

 

1. Antes mesmo da deflagração da Operação Satiagraha, Daniel Dantas e a irmã dele, Verônica, foram bater às portas do Judiciário;

 

2. Inicialmente, protocolaram um habeas corpus no TRF-3, sediado em São Paulo. Citando notícias de jornal, pediram acesso a “eventual” investigação da PF contra eles;

 

3. O TRF deu de ombros para o pedido. E os irmãos Dantas foram à instância judicial seguinte: o STJ. Que também indeferiu o habeas corpus;

 

4. Recorreram, então, ao STF. O processo tramitava normalmente quando, de súbito, a PF pôs na rua a Operação Satiagraha;

 

5. Deu-se em 8 de julho. Foram em cana, por ordem do juiz Fausto de Sanctis, Daniel, Verônica e outros suspeitos ligados ao Opportunity;

 

6. No mesmo dia, os advogados de Daniel Dantas levaram ao Supremo uma petição modificando os termos do habeas corpus;

 

7. Antes, pediam para ter acesso preventivo a investigações que supunham existir. Passaram a reivindicar a libertação de Daniel e Verônica;

 

8. Em despacho noturno, assinado no dia das prisões, Gilmar Mendes deferiu o HC. Embora beneficiasse apenas Daniel e Verônica, o pedido seria estendido depois aos outros detidos da Satiagraha;

 

9. Como o presidente do Supremo manifestara-se por meio de decisão liminar (temporária), em pleno recesso do Judiciário, o tribunal precisa agora se pronunciar sobre o mérito da causa;

 

10. Algo que, a essa altura, já nao tem sentido prático. As prisões eram temporárias. Durariam cinco dias. E já são decorridos quatro meses;

 

11. A própria Procuradoria Geral da República levou aos autos uma peça em que reconhece a “prejudicialidade” do processo, em função do “fato superniente do transcurso do prazo da prisão temporária”;

 

12. A despeito disso, o Ministério Público pede ao STF que “reconheça” que Gilmar Mendes errou. Não poderia ter julgado o pedido de habeas corpus;

 

13. Por que? A Procuradoria menciona duas razões: a) O pedido de liberdade não constava do HC original; b) Ao aceitá-lo, Gilmar Mendes atropelou “a ordem dos processos nos tribunais”, decidindo sobre algo que não fora apreciado pelas instâncias inferiores. Deu-se o que os advogados chamam de “supressão de instâncias”.

 

Parece improvável que, a essa altura, os ministros do Supremo se animem a reprovar uma decisão que rendeu críticas e motivou um levante de magistrados contra Gilmar Mendes.

 

De todo modo será divertido e até didático ouvir os argumentos jurídicos que os colegas de Gilmar Mendes irão desfiar diante das câmeras da TV Justiça na tarde desta quinta (6).

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Mundo celebra a nova cara dos EUA

 

- Estadão: Obama começa a escolher equipe para enfrentar a crise

 

- JB: Presidente eleito vai atacar a crise econômica ainda antes da posse

 

- Correio: O mundo sorri...

 

- Valor: Gastar ou cortar, o dilema de Obama

 

- Gazeta Mercantil: “A mudança chegou à América”

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Terapia de grupo!

Escrito por Josias de Souza às 01h41

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República ‘estreita inimizades’ em cadeira apertada

República ‘estreita inimizades’ em cadeira apertada

Animação sobre fotos de Lula Marques
 

 

Na política, só existe um amigo verdadeiramente sincero: o amigo do alheio. No mais, não há senão inimigos cordiais.

 

Por um desses caprichos do protocolo, os mandachuvas dos três Poderes viram-se compelidos a estreitar suas inimizades nesta quarta (5).

 

Deu-se na sala de visitas do gabinete da presidência do Senado, nos instantes que antecederam uma sessão convocada para marcar os 20 anos da Constituição de 88.

 

Por sorte, o aperto vitimou políticos e um assemelhado. É gente que, tendo inimigos, trata-os de maneira tal como se em breve tivesse de ser amigo deles.

Escrito por Josias de Souza às 00h26

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PF vareja apartamentos de Protogenes e de seu filho

  Lula Marques/Folha
Protógenes Queiroz teve, nesta quarta (5), o seu dia de Daniel Dantas. Ex-caçador, o delegado converteu-se em caça da Polícia Federal.

 

Dormia no quarto de um hotel que lhe serve de teto em São Paulo. Foi retirado da cama, pouco depois das 6h, por um time de agentes e delegados.

 

Munidos de ordem judicial, os federais varejaram o apartamento. Levaram um laptop, um rádio comunicador e o celular do ex-mandachuva da Operação Satiagraha.

 

Em ações simultâneas, outros agentes federais cumpriam mais onze mandados judiciais de busca e apreensão.

 

Devassaram endereços de colegas que integraram a equipe da Satiagraha. Viraram do avesso um segundo apartamento de Protógenes, em Brasília.

 

Até um filho de Protógenes, de 21 anos, recebeu a visita matutina da PF. Mora no Rio. Costuma hospedar o pai.

 

Protógenes e seus ex-colaboradores são alvos de uma investigação aberta na Corregedoria da PF. Coisa conduzida pelo delegado Amaro Lucena.

 

Apura-se a suspeita de vazamento de informações sigilosas da Operação Satiagraha. Investiga-se também a denúncia de realização de grampos telefônicos ilegais.

 

Para adicionar uma dose extra de inusitado à cena, só falta o delegado Protógenes protocolar um habeas corpus preventivo no STF. O delegado considera-se vítima de uma "violência".

Escrito por Josias de Souza às 23h29

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Lula faz mea-culpa pelo voto contra a Constituição

  EFE
Parodiando Raul Seixas, Lula já se autodefiniu como “metamorfose ambulante”.

 

Nesta quarta (5) o presidente teve nova oportunidade para demostrar que, de fato, converteu-se de um ser em outro.

 

Deu-se em cerimônia dedicada a celebrar o aniversário de 20 anos da Constituição de 88.

 

Uma Constituição que, como deputado federal, Lula renegara. Seguindo a orientação do PT, votara contra o texto.

 

"Nós do PT, naquela época, votamos contra o texto. Depois houve discussão se iríamos assinar ou não...”

 

“...Eu disse que não tinha sentido. A gente participou dois anos da constituinte, ganhamos salários, como pode o filho nascer e a gente não registrar?”

 

Não assinou, contudo. Agora, governando sob o texto renegado, faz o mea-culpa.

 

“Hoje, sou um homem que compreendeu melhor do que antes que todos os defeitos que essa Constituição possa ter, para todos que estão governando, ela é um garante da democracia do nosso país".

 

Depois de discursar no plenário do Congresso, Lula fez o que se negara a fazer duas décadas atrás: plantou uma árvore no bosque da Constituinte, inaugurado por Ulysses Guimarães.

 

De quebra, ao remodelar o seu passado, o presidente tentou associar o gesto ao futuro. Disse aos congressistas que o rodeavam que dedicava a árvore a Barack Obama.

Escrito por Josias de Souza às 19h34

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Em belo discurso, McCain prevalece sobre a derrota

Em belo discurso, McCain prevalece sobre a derrota

Stephan Savoia/AP
 

 

Quem quiser alcançar a dimensão histórica do que se passa nos EUA precisa dedicar um naco do seu tempo à leitura do discurso do derrotado.

 

Surrado por Barack Obama, John McCain soube perder. Melhor: soube vencer a derrota, digerindo-a com rara e fina elegância.

 

Apreciar o discurso do vencido traz uma vantagem adicional. Tira-se proveito de uma peça cuja riqueza está em expor a pobreza do debate político.

 

McCain falou para correligionários machucados. A primeira referência que fez a Obama arrancou vaias da platéia.

 

Poderia ter saciado a sede de sangue do seu exército com um pronunciamento de timbre vingativo. Preferiu oferecer ataduras.

 

McCain calou os apupos com nobreza. “Há pouco, tive a honra de telefonar para o senador Barack Obama, para parabenizá-lo”, disse.

 

“Em uma disputa tão longa e difícil quanto foi a dessa campanha, o sucesso dele demanda meu respeito por sua habilidade e perseverança”.

 

A história é uma senhora seletiva. Pouca coisa sobrevive aos corredores frios da posteridade. Protagonista do circunstante, McCain revelou-se digno de ir à estante.

 

Em vez de quebrar lanças contra a história, o derrotado ajudou a escrevê-la: “Esta é uma eleição histórica...”

 

“...Reconheço o significado especial que ela tem para os afro-americanos e para o orgulho todo especial, que deve ser deles nesta noite”.

 

Recordou os tempos em que “velhas injustiças” foram impostas aos negros americanos. Coisas que “mancharam a reputação” dos EUA. E foi ao miolo do fenômeno:

 

“A América está hoje a um mundo de distância do fanatismo cruel e apavorante daqueles tempos...”

 

“...Não há melhor prova disso do que a eleição de um afro-americano para a presidência dos Estados Unidos”.

 

Em vez de necropsiar a própria derrota, McCain pôs-se a enaltecer o triunfo alheio. “O senador Obama alcançou um grande feito para si mesmo e para este país. Eu o aplaudo por isso.”

 

Recordou a morte da avó do rival, ocorrida na antevéspera da eleição. Disse que, “na presença do Criador”, a velha senhora haveria de estar “muito orgulhosa do bom homem que ela ajudou a criar”.

 

McCain realçou divergências: “O senador Obama e eu tivemos e discutimos sobre nossas diferenças, e ele prevaleceu. Muitas dessas diferenças permanecem”.

 

Na seqüência, teve a sabedoria de acomodar o interesse público acima das desavenças: “Estes são tempos difíceis para o nosso país...”

 

“...E eu prometo a ele [Obama] nesta noite fazer tudo em meu poder para ajudá-lo a nos liderar através dos muitos desafios que vamos encarar”.

 

Nos parágrafos finais de seu discurso, McCain, podendo escolher um dos Napoleões que a historigrafia lhe ofecere, optou pelo Napoleão da coroação, não o de Waterloo.

 

“Hoje, fui um candidato ao posto mais alto do país que amo tanto. E, nesta noite permaneço um servo. Isso é benção suficiente para qualquer um...”

 

“Nesta noite, mais do que em qualquer outra noite, tenho em meu coração nada mais que amor por esse país e por todos os seus cidadãos, tenham apoiado a mim ou ao senador Obama...”

 

“Desejo boa sorte ao homem que foi meu oponente e será meu presidente. E peço a todos os americanos [...] que não se desesperem diante das atuais dificuldades...”

 

“...Mas que acreditem, sempre, na promessa e na grandeza dos EUA, porque nada é inevitável aqui”.

 

Como se vê, McCain é o tipo de personagem que vale cada minuto de curiosidade. Já valia antes, aliás.

 

Em 1967, McCain pilotava um avião da Marinha sobre o Vietnã. Foi abatido. Amargou cinco anos e meio numa solitária.

 

Os inimigos moeram-lhe os ossos. Hoje, não consegue levantar os cotovelos acima dos ombros. Com o discurso da derrota, mostrou que sabe conservar a cabeça erguida.

 

Submetido à tortura de guerra, não entregou ao inimigo um mísero nome. Recusou a liberdade em troca de uma abertura de bico.

 

Aos que enxergam heroísmo na jornada vietnamita, McCain responde com humildade de servo: "Você não precisa ser um sujeito brilhante para ser derrubado por uma bateria antiaérea."

 

Neste 2008, abatido pelo míssel da novidade Obama, o velho marinheiro cavou na trincheira da enciclopédia um verbete de destaque.

 

Com o discurso de um sujeito brilhante, McCain prevaleceu sobre a derrota.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Em outubro, a fuga de dólares foi a maior desde 99

O entra-e-sai de dólares no Brasil deixou, em outubro, um saldo negativo de US$ 4,639 bilhões.

 

É o pior resultado do fluxo cambial desde janeiro de 1999, mês em que a fantasia do real a US$ 1,20 virou pó e FHC decretou a sua maxidesvalorização.

 

Naquela época, o déficit cambial fora de US$ 8,587 bilhões. Hoje, sob câmbio flutuante, a maxi foi imposta pela crise global.

 

A despeito dos números ruins de outubro, encharcados pela ‘marolinha’, o saldo é positivo quando considerado o acumulado do ano: US$ 12,549 bilhões.

 

Coisa mixuruca, porém, quando comparada ao saldo positivo anotado no mesmo período do ano passado: US$ 76,7 bilhões.

Escrito por Josias de Souza às 16h26

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Líderes ressuscitam debate sobre o fim da reeleição

Divulgação
 

Lideres governistas tentam mastigar a reforma política num almoço, em Brasília

 

Brasília voltou a debater um tema que parecia enterrado: o fim do instituto da reeleição e a ampliação dos mandatos executivos de quatro para cinco anos.

 

O assunto foi ressuscitado num almoço que reuniu líderes e presidentes dos partidos que integram o consórcio que dá suporte a Lula no Congresso.

 

Deu-se na casa do líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA). Além dos mandachuvas dos partidos, estava presente José Múcio, o coordenador político de Lula.

 

Decidiu-se unir forças para tentar aprovar no Congresso, finalmente, uma reforma política.

 

No pedaço da discussão reservado à reeleição e ao tamanho dos mandatos, produziu-se um quase consenso.

 

Exceto pelo presidente em exercício do PDT, deputado Viera da Cunha (RS), todos os participantes do almoço manifestaram simpatia pela mudança de regras.

 

Uniram-se em torno da tese, por exemplo, os presidentes dos dois maiores partidos do Congresso: Michel Temer (SP), do PMDB, e Ricardo Berzoini (SP), do PT.

 

O assunto ressurge nas pegadas de uma eleição marcada pelo signo da reeleição. Cerca de 70% dos prefeitos que buscaram a renovação do mandato prevaleceram nas urnas.

 

Negromonte, o anfitrião do almoço, resumiu assim o sentimento que permeou o debate:

 

“É uma covardia o sujeito disputar eleições sentado na cadeira, com a caneta na mão. Gasta o que pode e o que não pode. A disputa é desigual”.

 

A exemplo dos líderes de legendas que gravitam à sua volta, Lula também se declara a favor de uma reforma do sistema eleitoral. É a enésima vez que isso ocorre.

 

O interesse do presidente, por retórico, já virou folclore. Dá-se com a reforma política algo semelhante ao que ocorre com a reforma tributária: pouca gente leva a sério.

 

Os líderes governistas se esforçam para mostrar que a coisa agora vai ser diferente. Marcou-se nova reunião para daqui a duas semanas.

 

Por ora, produziu-se apenas um esboço de estratégia. Prevê o seguinte:

 

1. Processo: deseja-se fazer uma reforma política em três tempos. Primeiro, seriam votadas as mudanças consensuais.

 

Depois, as propostas que, embora polêmicas, podem unir uma maioria em torno delas. Num terceiro momento, iriam a voto os projetos envenenados pela polêmica.

 

2. Comissão mista: vai-se encomendar aos presidentes da Câmara e do Senado a constituição de uma comissão mista.

 

Seria composta por deputados e senadores. Uma forma de evitar que uma Casa se insurja contra decisões tomadas pela outra.

 

Os membros da comissão teriam a atribuição de fazer a triagem das propostas de modificação da legislação eleitoral.

 

Além do fim da reeleição, outros temas parecem unir os partidos do governo. Um deles envolve a fidelidade dos políticos aos partidos pelos quais se elegeram.

 

Forma-se uma maioria disposta a abrir uma “janela” na lei, permitindo a migração partidária nos 30 dias que antecedem as convenções em que são oficializadas as candidaturas.

 

De resto, caminha-se para um consenso também quanto à necessidade de instituir o financiamento público das campanhas.

Escrito por Josias de Souza às 04h42

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Voto em massa por Obama

 

- Estadão: Número recorde de americanos vai às urnas em eleição histórica

 

- JB: Emprego resiste à crise

 

- Correio: Partido de Obama tem vitória histórica

 

- Valor: Medidas surtem efeito e mercados sentem alívio

 

- Gazeta Mercantil: Aracruz assume perdas e renegocia dívidas

 

- Jornal do Commercio: Obama sai na frente

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h39

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O cara!

Lovatto
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Desafio de Obama é entregar os sonhos que vendeu

Desafio de Obama é entregar os sonhos que vendeu

Emmanuel Dunand/AFP
 

 

Barack Hussein Obama é o 44º presidente dos EUA. John McCain reconheceu a derrota em discurso pronunciado na madrugada desta quarta-feira (5).

 

O novo presidente vai à Casa Branca, em janeiro, com a cara de gerente de crise. A maior crise financeira desde o crash de 29.

 

Obama prevaleceu sobre McCain vendendo sonhos. Seu grande desafio será converter o onírico em real.

 

Nos discursos de campanha, Obama dirigia-se, primeiro, ao coração de suas platéias. Só depois captuva-lhes as mentes.

 

Ficou a impressão de que sua fala carece de densidade. Numa fase em que Hillary Clinton ainda media forças pela vaga do Partido Democrata, Bill Clinton disse:

 

“Você pode fazer campanha em poesia, mas governa em prosa”. A metáfora do marido de Hillary resume o drama de Obama.

 

O triunfo nas urnas tanto pode convertê-lo em estadista como em fiasco. Por ora, sabe-se apenas que os eleitores americanos decidiram optar pela ousadia.

 

A América fez uma concessão ao improvável. Acomodou no comando do império a mais vistosa novidade produzida pela política americana nos últimos tempos.

 

Some-se à ascensão meteórica de Obama a cor da cútis do novo presidente e tem-se uma exata dimensão do novo.

 

Para os padrões brasileiros, Obama é mulato –filho de um negro queniano com uma americana branca do Havaí.

 

Aos olhos do mundo, trata-se do primeiro negro a sentar-se na poltrona de presidente da economia mais importante do planeta. Não é pouca coisa.

 

Será no mínimo divertido observar as mãos brancas, que se julgam superiores, tendo de apertar, ao redor do mundo, a mão retinta de Obama.

 

De resto, convém torcer para que Obama consiga provar-se capaz na dura liça do cotidiano administrativo.

 

O êxito do novo presidente americano faria bem não só aos EUA, mas ao mundo.

 

Em julho passado, falando para uma multidão de cerca de 200 mil pessoas, em Berlim, Obama pontificara:

 

"Eu sei que não pareço com os americanos que já falaram aqui. A história que me trouxe aqui é improvável".

 

Antes, esmerara-se na construção de analogias em torno dos escombros do Muro de Berlim. Mencionara o fantasma dos muros da pós-modernidade.

 

Muros "entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos e muçulmanos e judeus". São paredes que, no dizer de Obama, "não podem continuar de pé".

 

A hora, dicursara Obama, é de "construir pontes” ao redor do planeta. Nada mais sensato. Nada mais improvável, contudo.

 

Hoje, apenas o dinheiro dispõe de liberdade para passear pelo mundo. A pecúnia não tem pátria. Vai para onde ganha mais. Daí a natureza global da crise.

 

Aos pobres que ousam pular os muros da pós-modernidade sonega-se a mesma desenvoltura. A eles são reservadas a prisão, a humilhação e a deportação.

 

É nesse mundo que une o capital e divide as pessoas que o fenômeno Obama irrompe como novidade alvissareira.

 

Impossível desconhecer que há, de fato, um quê de poesia na trajetória do sucessor de George Bush. O alerta de Clinton não é despropositado. Longe disso.

 

Mas é preciso admitir que faltava à política, nos EUA e no mundo, uma dose daquele tipo de inspiração que conduz ao verso. Resta saber como será a migração para a prosa.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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CNJ quer que juiz ignore nomes de operações da PF

  Fábio Pozzebom/ABr
Sob a presidência de Gilmar Mendes, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tomou uma resolução inusitada.

 

Prevê que os juízes criminais de todo país devem esquivar-se de anotar em seus despachos os nomes das operações da Polícia Federal.

 

Gilmar Mendes, que preside também o STF, alegou que é preciso “manter a imparcialidade do juiz”.

 

Acha que, por trás dos nomes criativos da PF, escondem-se, por vezes, “propósitos políticos inequívocos”.

 

Como exemplo, Gilmar citou a “Operação Têmis”, que encrencou um grupo de magistrados.

 

Para o mandachuva do CNJ e do Supremo, ao evocar a deusa da Justiça, a PF teria desejado insinuar que todo o Judiciário estaria carunchado.

 

Aos pouquinhos, a aversão de Gilmar Mendes à PF vai extrapolando do campo da prudência para a seara da implicância.

 

Pode-se batizar a decisão tomada pelo CNJ de diferentes maneiras. No ambiente austero do CNJ, a vigilância à PF, mesmo quando levada às raias do paroxismo, é chamada de Critério.

 

Fora dali, todo mundo tende a chamar o excesso de Bobagem. Carinhosa e respeitosamente.

Escrito por Josias de Souza às 01h28

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Para Tarso, a mídia conspira a favor de José Serra

José Cruz/ABr
 

 

Tarso Genro, grão-duque do petismo, levou ao sítio do partido uma análise sobre as recém-encerradas eleições municipais.

 

No texto, o ministro da Justiça defende o PT, desdenha do êxito do PMDB e investe contra a cobertura jornalística.

 

Ele anota que “uma parte da mídia optou por desencadear uma verdadeira ofensiva” contra o PT.

 

Acha que houve um esforço conjugado para “decretar uma suposta derrota eleitoral do PT e do governo do presidente Lula”.

 

Mais que isso: “Alguns articulistas da grande mídia foram além.” Alçaram o tucano José Serra “à condição de grande vitorioso das eleições de 2008”.

 

Para Tarso, uma “clara tentativa de fortalecer” a candidatura do governador tucano “à sucessão presidencial de 2010”.

 

O ministro vê antipatias e simpatias onde não há senão lógica jornalística. Como todas as demais legendas, o PT ganhou e perdeu.

 

Ao percorrer os infortúnios da legenda, Tarso produz uma análise que cuja profundidade pode ser atravessada por uma formiguinha, com água pelas canelas.

 

Limita-se a reconhecer: “[...] Poderíamos ter obtido um resultado mais favorável em algumas capitais”. E mais não diz.

 

Nada, por exemplo, sobre o Waterloo em que se converteu a sua Porto Alegre. Nenhuma consideração elaborada sobre o desempenho da dupla Kassab-Serra.

 

Ao discorrer sobre os êxitos de seu partido, o ministro é mais expansivo: o “PT foi o maior vitorioso entre as 79 cidades com mais de 200 mil habitantes e governará 21 destes municípios”.

 

“...Fomos o partido que mais cresceu em número absoluto de prefeituras – obtivemos 148 vitórias a mais do que em 2004”.

 

Tudo verdade. Mas, ao passar à margem do naufrágio do petismo paulistano, o ministro como que negligencia o essencial. Coisa perigosa para um “estrategista”.

 

No pedaço do texto dedicado ao PMDB, Tarso escreve: “Afirmar que o PMDB sai fortalecido do processo eleitoral é reproduzir uma conclusão trivial”.

 

O óbvio, tem razão o ministro, é trivial, notório, vulgar. Ótimo que a mídia, ao tropeçar no óbvio, tenha cumprido a obrigação de noticiá-lo.

 

Pior teria sido se os repórteres não houvessem se dado conta de que o óbvio é tão “trivial” quanto o óbvio.

 

Que impacto terá essa trivialidade “na concretização, ou não, de uma eventual aliança PT-PMDB em 2010”?

 

Nesse ponto, é Tarso quem se rende ao óbvio: “Esta é, sem dúvida, uma definição em aberto, que dependerá do desfecho de diversos debates políticos previstos para o próximo período.”

 

Ou seja, o ministro reproduz uma impressão encontradiça na “grande mídia”: o PMDB, sócio majoritário do consórcio governista, é embarcação guiada pela bússola do pragmatismo.

 

Nada impede que, em 2010, o “trivial” identifique no tucanato um refúgio mais seguro do que o colinho de um petismo privado da opção Lula.

 

É como se, a exemplo de certos “articulistas da grande mídia”, o ministro reconhecesse que o PSDB de José Serra entrou num jogo que parecia jogado.

Escrito por Josias de Souza às 21h08

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Com Obama ou McCain, EUA vão rosnar para o Brasil

Paul Sakuma/AP

 

Os americanos formam filas diante das urnas para escolher um novo gerente para sua ruína.

 

Seja quem for o eleito, o Brasil terá problemas. Prevê-se que os EUA tendem a ceder aos seus pendores protecionistas.

 

Tradicionalmente, o Partido Democrata de Barack Obama é visto como mais protecionista que o Republicano de John McCain.

 

Na visão do governo brasileiro, essas diferenças serão, porém, soterradas pela crise global.

 

Eleito Obama ou McCain, a prioridade do novo presidente será o combate à crise.

 

A Casa Branca só terá olhos para perspectiva de recessão que ronda a economia americana.

 

Com isso, vão para o segundo plano os temas que inquietam países como o Brasil. Entre eles a imigração e a abertura comercial.

 

Para complicar, estima-se que o novo Congresso dos EUA, eleito também nesta terça (4), será majoritariamente Democrata. Mais protecionista, portanto.

 

Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil em Buenos Aires e em Paris, brinca: "Pode-se dizer que o ideal, para o Brasil, seria um McBama".

 

Ele explica: McCain parece mais propenso a reduzir os subsídios agrícolas nos EUA. Durante a campanha, manifestou interesse pelo etanol brasileiro.

 

Obama, em contrapartida, está mais próximo do Brasil na macrodiplomacia. Identifica-se com o Itamaraty em temas como meio ambiente e desarmamento.

Escrito por Josias de Souza às 19h32

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FGV: 50,5% dos brasileiros não dispõem saneamento

Mário Henrique Simonsen dizia que brasileiro é otimista entre o Natal e o Carnaval.

 

Lula aposta que, a despeito da crise global, o Natal de 2008 será “extraordinário”.

 

Alheias ao drama financeiro, as escolas de samba preparam um fevereiro festivo.

 

Estudo divulgado nesta terça (4) pela FGV dá ao país um motivo refrear a euforia.

 

Mais da metade da população brasileira (50,56%) ainda não dispõe de saneamento.

 

O dado refere-se a 2007. Um ano em que se registrou avanço na matéria.

 

Em 2006, o índice que mede o déficit de saneamento no país era de 53,23%.

 

Houve, portanto, um avanço de 5,02 pontos percentuais. O maior desde 1992.

 

Até então, a média anual de redução do défict de rede de esfoto era de 1,32%.

 

Mantido esse ritmo, o déficit de saneamento seria reduzido à metade em 56 anos.

 

Preservado o ritmo de 2007, o prazo cai para 25 anos.

 

O governo lançou, em 2003, o PAC. Destina R$ 10 bilhões anuais a obras de saneamento.

 

É pouco, informa a FGV. Para universalizar o serviço seriam necessários cinco PACs.

 

Há, de resto, um problema adicional: de todo o esgoto coletado no país, apenas um terço é devidamente tratado.

 

Assim, se quiser, o brasileiro pode manter o otimismo natalino-carnavalesco de que falava Simonsen.

 

Afinal, o país não precisa ser tão pessimista: quase metade das fezes produzidas no Brasil já escoa em manilhas apropriadas.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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MP da estatização bancária terá ‘prazo de validade’

Lula Marques/Folha
 

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pretende levar a voto, nesta quarta (5), a medida provisória 443.

 

Trata-se daquela MP baixada por Lula para autorizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica a comprar ações de bancos. E, no caso da CEF, também de construtoras.

 

O relator da MP é um dos réus do mensalão: o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), na foto.

 

Antecipando-se aos colegas, que só começam a chegar a Brsília nesta terça (4), João Paulo já respirava os ares secos da Capital no primeiro dia da semana.

 

Gastou boa parte da segunda-feira (3) em reuniões com técnicos da pasta da Fazenda, do BB e da CEF. O deputado tem diante de si uma missão espinhosa.

 

Precisa deglutir 111 emendas penduradas por congressistas na medida provisória. Em privado, admite que, para amaciar a oposição, vai incorporar algumas no relatório.

 

A principal delas é a que prevê a fixação de um prazo para a vigência da lei que resultará da aprovação da MP.

 

A questão cronológica consta de pelo menos oito emendas, todas formuladas pela oposição. Prevêem prazos que vão de seis meses, renováveis por mais seis, a dois anos.

 

Embora se mostre sensível à idéia, João Paulo ainda não havia definido, até a noite passada, que prazo de validade pretende acatar. O relatório fica pronto nesta terça.

 

No Senado, começa o debate em torno da outra medida provisória anticrise, a 442. É aquela que dá poderes ao BC para conceder empréstimos a bancos sem liquidez.

 

Já foi aprovada pelos deputados. Prevê-se que será ratificada também pelos senadores.

 

Mas, antes de chegar a ela, o Senado precisa se livrar de uma pauta que inclui 45 itens, incluindo outras cinco medidas provisórias.

 

Otimista, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), acha que dá para votar a MP 442 ainda nesta terça (4). Difícil.

Escrito por Josias de Souza às 02h49

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Itaú e Unibanco se fundem e iniciam expansão no exterior

 

- Folha: Fusão de Itaú com Unibanco cria maior banco do Brasil

 

- Estadão: Competição estrangeira e crise levam Itaú e Unibanco à fusão

 

- JB: Nasce um gigante das finanças

 

- Correio: Obama ou McCain – Disputa voto a voto na América

 

- Valor: Fusão cria megabanco de R$ 575 bi

 

- Gazeta Mercantil: Fusão Itaú-Unibanco fortalece setor em crise

 

- Estado de Minas: Começa a fusão de bancos no Brasil

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Candidatos a gerente da crise!

Ique
 

Via JB Online. Pressione aqui para conhecer os detalhes da eleição do presidente da crise.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Governo estima arrecadar R$ 10 bi a menos em 2009

  João Wainer/Folha
Em reunião realizada nesta segunda (3), no Planalto, Lula foi apresentado ao primeiro espeto que a crise global deve cravar nas arcas da União: R$ 10 bilhões.

 

É quanto o governo estima arrecadar a menos em tributos no ano de 2009. Um tombo provocado pelo desaquecimento da economia brasileira.

 

A cifra foi levada à mesa de reuniões da sala de Lula pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento).

 

Deu-se durante o encontro semanal do presidente com os ministros que integram a coordenação de governo.

 

A previsão de queda na receita do fisco reforça a necessidade de retirar da gaveta um utensílio que Lula não gosta de manusear: a faca.

 

O governo terá de cortar despesas que anotara no Orçamento submetido à análise do Congresso. Uma peça confiada à relatoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS).

 

Antecipando-se ao óbvio, Delcídio vem pressionando, há semanas, a tecla da “austeridade”.

 

Além do comportamento dos tributos, outros indicadores forçarão o governo a repaginar o Orçamento do próximo ano, elaborado na fase pré-crise.

 

Delcídio incluíra entre esses indicadores a cotação do petróleo. Na versão original do Orçamento, o governo estimara que o barril de óleo custaria uma média de US$ 120 em 2009.

 

Coisa do passado. O preço vem definhando. A dois meses do final de 2008, o preço do barril de petróleo no mercado internacional já roça os US$ 60.

 

Nesse ritmo, vai definhar também a arrecadação do governo com o pagamento de royalties petrolíferos. A queda de receita é estimada, por baixo, em algo como R$ 5 bilhões.

 

A perspectiva de ter de conviver com um caixa miúdo no ano que vem explica a sofreguidão com que o governo tenta aprovar no Congresso o projeto que cria Fundo Soberano.

 

O ministério da Fazenda destinou ao fundo R$ 14 bilhões. Dinheiro já poupado ao longo de 2008. Mas que só poderá ser usado no ano que vem se o projeto for aprovado pelos congressitas.

 

Já passou na Câmara. Encontra-se agora no Senado. Ali, enfrenta o fogo cerrado da oposição, que prefere ver o dinheiro usado no abatimento dos juros da dívida pública.

 

Com ou sem Fundo Soberano, o governo flerta com a faca. Já se sabe o que não será passado na lâmina: as verbas do PAC e o dinheiro de programas como o Bolsa Família.

 

Antes do final de novembro, Paulo Bernardo deve apresentar a reprogramação das despesas , informando em que rubricas a faca será enfiada. O Congresso precisa aprovar o Orçamento antes do Natal.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Na muda, Gabeira faz mistério sobre futuro político

  Folha
Formou-se em torno de Fernando Gabeira (PV-RJ) um denso consenso: o deputado saiu das eleições municipais muito maior do que entrou.

 

Passou-se, então, a especular sobre o uso que Gabeira fará, em 2010, do “capital político” que amealhou nas urnas de 2008.

 

A cúpula do PSDB, partido que se coligou com o PV de Gabeira no Rio, já sonha com a reedição da parceria na disputa pelo governo do Estado.

 

Como pássaro na muda, Gabeira prefere fazer mistério. Diz que, além do governo, tem à disposição outras alternativas:

 

“Em tese, eu tenho várias possibilidades: o Senado, o retorno à Câmara e até a possibilidade de voltar a ser jornalista”, diz o deputado, entre risos.

 

A sério, Gabeira diz que pretende se concentrar, em 2009, na crise global:

 

“Assim como propus uma frente municipal em que as divergências ideológicas e políticas fossem colocadas em segundo plano, também na crise devemos tentar o máximo de cooperação...”

 

“...Temos de reagir aos problemas como país. Não é possível que a gente transforme a crise num embate menor de PSDB versus PT.”

 

E depois de 2009? “Acho que ano de 2009 vai ser tão decisivo que a gente tem que aplicar toda a energia nele...”

 

“...Se colocar a questão de 2010 agora, pode envenenar as possbilidades. É mais prudente trabalhar com a crise e, depois, lá do meio para o final, decidir o que fazer”.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

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Governo deve rever posição sobre a Lei de Anistia

  Sérgio Lima/Folha
Lula reuniu-se, nesta segunda (3), com o ministro Tarso Genro (Justiça) e com o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli.

 

Foi à mesa um tema que, embora pertença ao passado, insiste em não passar: a punição de agentes do Estado que torturaram os “inimigos” da ditadura militar.

 

Depois da reunião, Tarso informou que a Advocacia Geral da União, repartição dirigida por Toffoli, deve rever o seu entendimento acerca da matéria.

 

Instada a manifestar-se num processo que corre em São Paulo, a AGU levara aos autos parecer no qual anota que o crime de tortura foi alcançado pela Lei da Anistia.

 

Não seria, portanto, passível de punição. O Ministério Público defende no processo uma tese diametralmente oposta.

 

A Procuradoria pede a responsabilização de dois ex-mandachuvas do DOI-Codi: os militares reformados Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel.

 

Tarso, que é a favor da punição, referiu-se assim à revisão do ponto de vista da AGU: "Essa correção deverá ser feita de maneira técnica".

 

Simultaneamente, corre no STF uma ação que deve acomodar uma pedra sobre a polêmica. Foi protocolada pela OAB.

 

No texto, a Ordem dos Advogados contesta o primeiro artigo da Lei da Anistia (6.683/79).

 

Nesse trecho, a lei considera como conexos e, portanto, sujeitos ao perdão, os crimes "de qualquer natureza" praticados por motivação política no período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.

 

Relator do processo, o ministro Eros Grau requereu, nesta segunda (3), informações à Presidência da República e ao Congresso.

 

Algo que terá de ser feito em cinco dias. Depois, o ministro enviará o processo ao Ministério Público, para que o procurador-geral Antonio Fernando de Souza dê sua opinião.

 

Só então Eros Grau vai redigir o voto que será submetido à apreciação do plenário do Supremo.

 

Se o tribunal entender que o perdão da anistia alcançou a tortura, a questão estará encerrada. Do contrário, será definitivamente aberta na Justiça brasileirra uma janela para o passado.

 

Tudo indica que há no Supremo uma maioria a favor do perdão amplo, geral e irrestrito. Ouça-se, por exemplo, o que diz Gilmar Mendes, presidente do STF:

 

"Repudio qualquer tentativa de manipulação ou tentativa de tratar unilateralmente os casos de direitos humanos...”

 

“...Direitos humanos valem para todos: presos, presidiários, presos políticos, da mesma forma".

 

Dias atrás, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), torturada pela ditadura, disse que são “imprescritíveis” esses crimes.

 

Ao que Gilmar Mendes responde: "Essa discussão sobre imprescritibilidade é uma discussão com dupla face, porque o texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível".

Escrito por Josias de Souza às 19h17

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À saída do Planalto, Kassab defende união pró-Serra

  Sérgio Lima/Folha
Como previsto, Gilberto Kassab (DEM) avistou-se com Lula nesta segunda (3).

 

Disse ter tratado de questões “administrativas”. Leia-se: passou o chapéu.

 

O prefeito reeleito de São Paulo deseja garantir o repasse de verbas federais.

 

Entre as obras bafejadas com recursos de Brasília está a expansão do metrô.

 

Na saída do encontro, o apadrinhado de José Serra pôs-se a discorrer sobre política.

 

Disse que "não é o momento de discutir a sucessão presidencial” de 2010.

 

Mas, contrariando a si mesmo, tratar do tema com desenvoltura inaudita.

 

Defendeu a inclusão do PMDB numa aliança em torno do tucano José Serra.

 

Lembrou que a aliança que o manteve na cadeira de prefeito já inclui o PMDB.

 

A junção, segundo ele, também "vai muito bem” na esfera estadual.

 

“É natural” que o mesmo arranjo se reproduza em âmbito federal.

 

Mesmo “sabendo que um dos partidos [o PMDB] tem proximidade com o governo Lula”.

 

Em 2002, o PMDB fechara com Serra, contra Lula. Nada mais conveniente.

 

Com Serra, o PMDB pôde desfrutar, até a última gota, das benesses da era FHC.

 

Depois, como sói, a legenda deu vazão aos seus pendores fisiológicos.

 

E converteu-se, sob Lula, em sócio majoritário do consórcio governista.

 

Difícil dizer, a essa altura, com quem vai se acertar o PMDB em 2010.

 

Fácil prever, contudo, que, perdendo ou ganhando, o partido se aninhará no governo. De novo.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Fusão Itaú-Unibanco gera maior banco do hemisfério

  Folha
A coisa começou a ser costurada há um ano e três meses.
Em segredo, como convém às transações bancárias. A crise global deu o empurrãozinho final.

 

Tudo combinado, os Setúbal do Itaú, e os Moreira Salles do Unibanco, vieram à boca do palco para alardear a novidade: fundiram suas casas bancárias.

 

Juntos, Itaú (segundo maior banco brasileiro) e Unibanco (quarto) vão ao mercado como a maior instituição financeira do hemisfério Sul.

 

Há muito que o Unibanco freqüentava os balcões financeiros como uma instituição à venda. Flertara com gigantes da banca estrangeira.

 

E acabou optando por uma fusão genuinamente nacional. É possível que a Casa fundada pelo embaixador Moreira Salles carregasse problemas em seu balanço.

 

Mas, embora fechada em meio à crise global, a fusão com Itaú rende homenagens à Viúva, deixando-a de fora do negócio, como convém. O ministro Guido Mantega (Fazenda) soltou fogos. Os bancários levaram o pé atrás.

 

Só neste domingo (2), véspera do anúncio, Lula e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram informados de que a transação fora concluída.

 

Espera-se que novas fusões e transações bancárias ocorram no Brasil. Torça-se para que em nenhuma delas o contribuinte tenha de entrar como sócio.

 

Os primeiros sinais, porém, não trazem bons agouros. Autorizado por medida provisória a adquirir ações de instituições privadas, o Banco do Brasil já negocia com o Banco Votorantim, que passeia pela crise com os joelhos dobrados.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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As manchetes desta segunda

- Globo: Cariocas consideram van o melhor transporte

 

- Folha: Governo conclui estudo para adiar tributo de empresa

 

- Estadão: Crédito escasso ameaça 324 grandes obras no País

 

- JB: Crise dificulta crédito para as empresas

 

- Correio: Repetência custa R$ 10 bi ao Brasil

- Valor: Empréstimo a empresas encolhe e juros disparam

- Gazeta Mercantil: Petrolífera descumpre regra de nacionalização

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h16

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O fim da crise!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 01h03

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‘Hoje, eu ganharia’ de Temer, afirma Ciro Nogueira

‘Hoje, eu ganharia’ de Temer, afirma Ciro Nogueira

  Agência Câmara
O nome dele não freqüenta as manchetes como o de Michel Temer (PMDB-SP). Mas Ciro Nogueira (PP-PI) está em campanha pela presidência da Câmara há dois anos.

 

Dá-se de barato que o acordo PMDB-PT e o apoio de Lula fazem de Temer o franco favorito. Há nexo no raciocínio.

 

Mas convém lembrar: Severino Cavalcanti, o último “azarão” tratado com desdém em Brasília, virou zebra.

 

Em disputa posterior, Aldo Rebelo, derradeiro candidato apoiado por Lula, perdeu para Arlindo Chinaglia.

 

Ao blog, Ciro Nogueira disse: “Se a eleição fosse hoje, eu ganharia do Michel com facilidade”. Vai abaixo a entrevista:

 

   

- Acha que pode prevalecer sobre Michel Temer?

Creio que sim. Minha candidatura é a única que está sendo construída dentro da Câmara. A do Michel corre por fora da Casa. Baseia-se exclusivamente num acordo feito dois anos atrás entre PT e PMDB.

- O que quer dizer com ‘fora da Casa’?

No último mês, o Michel se preocupou mais em articular a eleição do presidente do Senado do que em se eleger presidente da Câmara. É preciso que todos os candidatos debatam os problemas da nossa Casa, que interessam aos deputados.

- Há outras candidaturas além da sua e da de Michel Temer?

O [Osmar] Serraglio [PMDB-PR] me disse que será candidato. A Rita [Camata, PMDB-ES] me disse que talvez coloque o nome dela.

- Isso era antes de o PMDB oficalizar o nome de Temer, não?

O Serraglio conversou comigo na semana passada. Me disse que o momento correto para lançar candidaturas é dezembro. Eu concordo.

- De onde vem a convicção de que pode virar presidente?

Perceba que tudo o que se constrói em torno de Michel é baseado em 2010. PSDB e PT querem o apoio do PMDB na disputa presidencial. Converso com os deputados. Eles querem saber o que será feito para valorizar o trabalho da Casa.

- Os deputados não se interessam por 2010?

Sinto que a maioria não quer eleger um presidente da Câmara com base única e exclusivamente num projeto partidário de poder.

- Como assim?

O projeto do Michel é o de se tornar um superlíder do PMDB. E a eleição de um presidente da Câmara não pode se voltar para a defesa do interesse partidário, que passa pela votação das matérias em troca de cargos.

- Deputado não quer cargo no Executivo?

A Câmara perdeu boa parte de suas prerrogativas graças a esse agachamento, que leva a uma promiscuidade nas relações entre Legislativo e Executivo.

- Seu partido comanda o Ministério das Cidades. Não é contraditório?

Não vejo nada demais em um parlamentar ou um partido fazer indicações para compor o Executivo. O que digo é que o presidente da Casa não pode se envolver nisso. Imagine se o Gilmar Mendes [presidente do STF] fosse pedir um cargo ao Lula. É essa promiscuidade que eu combato.

- Para se eleger, precisa de 257 votos. Já dispõe desse número?

Não quero ser pretencioso. Mas, se a eleição fosse hoje, eu ganharia do Michel com facilidade.

- A eleição será em fevereiro. Receia que o quadro mude?

Toda eleição está sujeita a riscos. Não posso desmerecer a candidatura do Michel. É forte. O Serraglio também é um homem respeitadíssimo. Muita coisa pode acontecer. Só espero que seja uma disputa interna, sem influências externas ou uso da máquina.

- Ofereceram-lhe um ministério para desistir da disputa?

Não quero entrar nessa discussão. Descartei completamente essa hipótese. Mas ainda exploram isso. Os deputados sabem que quero presidir a Câmara.

- Que importância atribui ao fato de o voto ser secreto?

É fundamental. Todas as tentativas de mudar a regra, para tirar a autonomia dos deputados, não prosperaram. Isso me dá a segurança de uma votação isenta.

- O fato de não dispor do apoio do Planalto não o prejudica?

Meu partido [PP] integra a base do governo. Se for analisar as minhas votações, creio que talvez eu tenha votado mais com o governo do que o próprio Michel.

- A posição do Lula não importa?

O Lula pode ter suas simpatias. Se ele pudesse escolher, não seria nem eu nem o Michel. É preciso lembrar que, na disputa passada, o Lula apoiou o Aldo [Rebelo, PCdoB], que perdeu a disputa.

- O seu apoio a Aldo será retribuído agora?

Creio que a maioria do bloquinho [PCdoB, PSB e PDT] vai votar comigo. O Aldo é um de meus maiores conselheiros.

- De onde vêm os seus votos?

Tenho votos em todas as legendas, algumas mais, outras menos. Tenho uma minoria do PMDB. Em outros partidos, tenho a quase totalidade dos votos.

- Tem votos no PSDB?

A maioria.

- No DEM?

A quase totalidade.

- No PT?

A grande incógnita é o desfecho desse problema da reciprocidade do PMDB ao PT no Senado. Tenho trabalhdo muito o PT. Minha expectativa é boa. Mas não tenho a mesma certeza que tenho em relação a outros partidos.

- Não receia que a experiência conte a favor de Temer?

O Michel é mais velho do que eu. Já presidiu a Câmara uma vez. Mas eu o encaro como um remédio que não surtiu efeito. Eu sou uma fórmula nova. Estou no meu quarto mandato federal. Tenho mais tempo de Mesa do que o Michel. Sou novo, vou fazer 40 anos, inexperiente jamais.

- A amizade com Severino Cavalcanti não o descredencia?

Não vejo acolhimento na Casa a esse tipo de observação. É falta de argumento. Sou amigo do Severino, mas não compartilho com ele os pontos de vista. Somos de gerações diferentes. Na eleição passada, ele ficou com o Arlindo [Chinaglia]. Eu coordenei a campanha do Aldo [Rebelo]. Quero ser avaliado pelo que proponho e pelo que vou fazer. Muitos irão se surpreender.

- O que propõe de tão surpreendente?

Vou apresentar, por escrito, em dezembro. Fazer isso agora seria encurtar o mandato do Arlindo [Chinaglia]. Quero reverter um fenômeno que diminui o Parlamento: a perda de nossa prerrogativa de legislar.

- Refere-se ao excesso de medidas provisórias?

Não apenas isso. Quero que os parlamentares voltem a legislar. Hoje, perdemos essa atribuição para o Executivo e também para o Judiciário. Temos de responder à altura.

- Que resposta seria essa?

Desejo, por exemplo, dar os primeiros passos na direção de um Orçamento impositivo. Imagine como será o Parlamento se o deputado e o senador puder votar sem a possibilidade de ser coagido com o argumento de que o Executivo não vai liberar a sua emenda. Será uma revolução.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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Lula recebe Gilberto Kassab, o ‘hipócrita’, nesta 2ª

  Folha
Gilberto Kassab (DEM) não perde tempo. Encontra-se com Lula já nesta segunda-feira (3). Será no Planalto, por volta do meio-dia.

 

A reunião ocorre apenas oito dias depois de o prefeito ‘demo’ ter aplicado em Lula e no PT a mais constrangedora sova da última jornada eleitoral.

 

O DEM recebe a notícia da conversa com naturalidade: “O governo municipal tem o dever de conversar com o governo federal”, diz Rodrigo Maia, presidente da legenda.

 

Entre os temas que Kassab levará à conversa com Lula, esclarece Rodrigo Maia, está o problema do endividamente da prefeitura de São Paulo.

 

São Paulo já levou a sua capacidade de endividamento ao limite do permitido. Para obter novos financiamentos, só com autorização expressa do Tesouro Nacional.

 

“A crise financeira global está batendo à nossa porta. Todo mundo precisa se preparar para ela”, diz o presidente do DEM.

 

Em sua última aparição na campanha de Marta Suplicy, às vésperas do segundo turno, Lula chamara de “hipócritas” os rivais da companheira.

 

Referia-se à acusação de que Marta teria sido preconceituosa ao permitir que seu comitê levasse ao ar uma peça publicitária com insinuações homofóbicas.

 

“Eu ainda vou criar o dia da hipocrisia neste país", prometera. Quem sabe o presidente aproveita a visita de Kassab para cumprir o apalavrado.

 

Ou, se preferir, Lula pode servir-se da conversa entre quatro paredes para inquirir Kassab acerca das grandes dúvidas do petismo: “Você é casado? Tem filhos?”

Escrito por Josias de Souza às 00h31

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A 48 horas da eleição, Gallup dá vantagem a Obama

Reuters
 

 

Sondagem diária produzida pelo Gallup e divulgada neste domingo (2) informa que, há dois dias da eleição, Barack Obama conserva-se à frente do rival John McCain.

 

O candidato democrata (51%) chega à reta final oito pontos percentuais à frente do postulante republicano (43%). Obama prevalece sobre McCain também em outras pesquisas.

Escrito por Josias de Souza às 17h08

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EUA estão na bica de se livrar de um grande flagelo

El Roto/El Pais
 

 

Vão abaixo duas fatias do quindão servido pelo repórter Elio Gaspari neste domingo (2), na Folha (assinantes):

 

 

“- Presente: Faltam dois dias para se saber o nome do sucessor de George Bush. Quem quiser, pode pegar na internet relógios contando os dias, horas e segundos para a partida do pior presidente da história americana. Hoje, faltam 78 dias.


Há vários modelos. Basta passar "Bush countdown clock" no Google.

 

 

“- A conta: Não se sabe o que Bush pretende fazer da vida, mas perderá muito tempo explicando-se.

Charlotte Dennett, uma advogada do Vermont pretende processá-lo pelas mentiras que contou para invadir o Iraque.

 

Até aí, nada demais porque sempre há um alguém batalhando por 15 minutos de fama. O caso agravou-se porque o promotor Vincent Bugliosi associou-se à senhora.

Bugliosi vive na Califórnia e ganhou 105 dos 106 casos em que litigou. Pediu 21 penas de morte e ganhou todas.

 

Ele escreveu "O Processo contra George Bush por Assassinato", livro boicotado pela imprensa americana, levado às listas de mais vendidos por emissoras de rádio e pela internet.

Antes que ele seja confundido com um aventureiro, vale lembrar que seu trabalho anterior, "Resgatando a História", com 1.612 páginas e outras tantas num CD de notas, é a melhor reconstituição do assassinato do presidente John Kennedy.

 

A conclusão: o crime foi cometido por Lee Oswald sozinho, e o resto é conversa fiada.

Escrito por Josias de Souza às 16h36

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Previsões oficiais injetam crise no cenário de 2010

Previsões oficiais injetam crise no cenário de 2010

Zhang Dali
 

 

Lula foi compelido a incluir no cenário da sucessão presidencial uma variável que não constava dos seus planos até meados de setembro.

 

Projeções oficiais farejam um 2010 azedo. Técnicos do governo prevêem que os efeitos da crise serão sentidos de maneira mais dramática justamente no ano da eleição.

 

Na última terça-feira (28), como que rendido às avaliações que lhe chegam à mesa, Lula disse a um governador: “A eleição será mais dura do que a gente imaginava”.

 

Iniciada do meio para o final de setembro, a ruína que envenenou a saúde financeira do planeta não chegará a comprometer o desempenho do Brasil em 2008.

 

O governo continua estimando para o ano em curso um PIB ao redor de 5%. Aposta-se que o bom desempenho do ano repercutirá sobre o começo de 2009.

 

Os lucros amealhados pelas empresas na fase pré-crise continuarão pingando nas arcas da União no primeiro semestre do próximo ano.

 

A partir daí, prevêem os técnicos, a desaceleração da economia brasileira começará a roer o IRJP (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas).

 

E o governo vai a 2010 com uma arrecadação tributária declinante. Vale dizer: Lula chega ao ano da sucessão com menos bala na agulha.

 

O presidente encomendou à equipe econômica uma reavaliação do Orçamento de 2009. Espera ter os dados em mãos antes do final de novembro.

 

Lula já fixou as linhas gerais da estratégia que adotará para evitar que a “marolinha” financeira engolfe o plano de fazer de Dilma Rousseff uma presidenciável competitiva.

 

Eis alguns dos princípios definidos pelo presidente:

 

1. Definhando as receitas, o governo não hesitará em cortar os gastos;

 

2. A lâmina será seletiva. Ficam de fora obras de infra-estrutura e programas sociais. O PAC e o Bolsa Família são, no dizer de Lula, “intocáveis”;

 

3. Tampouco o aumento do salário mínimo (12%, em fevereiro de 2009) será alcançado pela faca;

 

4. Na contramão da retração das empresas, o governo pretende pisar no acelerador em 2009, ao preço de uma redução no superávit fiscal;

 

5. Em vez de poupar o equivalente a 4,3% do PIB, como previsto na versão inicial do Orçamento de 2009, a economia será de, no máximo, 3,8%.

 

6. Com isso, o governo passará a dispor de algo como R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões para investir. Numa fase em que o empresariado estará com o pé no freio;

 

7. A esse valor podem ser acrescidos, se necessário, os R$ 14 bilhões que a Fazenda destinou, em 2008, ao Fundo Soberano. Daí a pressa em aprovar o fundo no Congresso.

 

Lula age de olho no ânimo do brasileiro. Tenta salvar a boa avaliação que as pesquisas de opinião lhe atribuem.

 

Não pode evitar que a economia murche. Mas acha que pode impedir que ela definhe.

Escrito por Josias de Souza às 03h10

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As manchetes deste domingo

- Folha: Banqueiro prevê alta dos juros após medida do BC

- Estadão: Indústria reclama do crédito e vai reduzir investimentos

- Correio: Impunidade diplomática nas ruas de Brasília

- Valor: Governo reduz o superávit de 2009 para 3,8%

- Gazeta Mercantil: Bancos médios cortam pessoal e empréstimos

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Salto 15!

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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