Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

2010 ganhou um personagem imprevisível: a ‘crise’

2010 ganhou um personagem imprevisível: a ‘crise’

El Roto/El Pais
 

 

Quem percorre o noticiário à procura de explicações simples e de previsões definitivas sobre o futuro da economia deve tentar a leitura do horóscopo.

 

É igualmente inútil. Mas dá menos trabalho e é mais divertido.

 

Desde que a ruína dos EUA ganhou as manchetes, o Brasil vem sendo perseguido por dois boatos. Num, o país é sugado pelo furacão.

 

Noutro, é salvo pela solidez de sua economia. O primeiro boato é macumba de quem quer ver a caveira política de Lula.

 

O segundo é quiromancia de quem quer afastar do debate político os efeitos da crise internacional sobre os planos que Lula esboçou para 2010.

 

Antes da crise, Lula enxergava a própria sucessão como um pudim. Agora, rumina o receio de chegar ao final do mandato numa situação análoga à do FHC de 2002.

 

Entre as poucas coisas farejáveis em meio à crise está a sólida e inescapável certeza de que a economia vai murchar. Vale para o mundo. E também para o Brasil.

 

Qual será o tamanho do tombo? Confira na seção de horóscopo. E ignore todas as convicções disponíveis nas páginas econômicas.

 

São tão confiáveis quanto as certezas extraídas da conjunção dos astros.

 

Mais fácil, por ora, prever o passado. Quando FHC fez o Plano Real, o Brasil dispunha de muitos problemas, inflação alta e algum patrimônio público.

 

Ao cabo de oito anos de tucanato, o Brasil debelara a inflação, torrara o patrimônio e continuava submetido a muitos problemas.

 

Os eleitores de 2002 se deram conta de que, embora a inflação já não os roubasse à noite, a carga tributária e a ruína do Real lhes tiravam o dinheiro do bolso à luz do dia.

 

A despeito do cenário ruinoso, FHC achou que poderia impor José Serra aos aliados de então. Deu na eleição de Lula.

 

Os impostos continuaram roendo o bolso do brasileiro. A ruína perdurou até meados de 2004.

 

Mas Lula fez parte do que FHC prometera e não entregara: distribuiu renda e tonificou o PIB. Daí a superpopularidade.

 

O planeta entrou, de novo, num período de instabilidade econômica. No passado, crises localizadas: Ásia, Rússia, México... Agora, uma crise de dimensões planetárias.

 

A despeito das encrencas vindas de fora, a decadência de FHC decorreu dos equívocos de FHC. Brilhante na concepção, o Real desandou graças aos erros do governo.

 

Lula pode alegar que não tem nada a ver com a ameaça de desordem que assedia o Brasil de hoje. É coisa integralmente importada. Verdade. Mas só até certo ponto.

 

Se FHC se perdeu pela ação, Lula perde-se por não ter agido mais e melhor enquanto durou a bonança internacional. Desperdiçou as oportunidades da sua hora.

 

Preferiu o vai ou racha às reformas. Agora, vai ter de ir mesmo rachado. Reage ao fato consumado. Volta a apelar, por exemplo, pela reformulação do sistema tributário.  

 

Lula ainda dispõe de alguma margem de manobra na seara econômica. Demorou, mas a ficha já lhe caiu. No campo político, ganha uma adversidade com a qual não contava.

 

Na semana passada, em conversa com um amigo, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), constatou: “A crise devolve o PSDB ao jogo da sucessão”.

 

Se chegar a 2010 patinando na faixa de 2%, 3% de expansão do PIB, Lula oferecerá ao tucanato um discurso à Zé Kéti. Algo assim: Os próximos anos não serão iguais ao que passou.

 

Dias atrás, depois de avistar-se com Lula e com a futura adversária Dilma Rousseff, o tucano José Serra pôs-se a discorrer sobre a crise, na soleira do Planalto.

 

Era como se quisesse dizer aos repórteres: Eu sei como fazer. Confirmando-se o pior, Dilma, mais técnica do que política, também poderá dizer coisa parecida.

 

O fato é que, ao decidir entre um ou outro, os mais de "mil palhaços no salão" estarão de olho num novo e imprevisível personagem de 2010: a crise.

Escrito por Josias de Souza às 20h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Meirelles prevê que crise produzirá efeitos até 2010

Meirelles prevê que crise produzirá efeitos até 2010

Elza Fiúza/ABr
 

 

Instado a traçar o melhor e o pior cenário para a economia mundial pós-crise global, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse o seguinte:

 

“O melhor cenário seria uma contenção rápida da crise financeira, com recuperação gradual da disponibilidade de crédito e da atividade econômica ao longo de 2009 e 2010...”

 

“...O pior cenário seria a agudização da crise, o aumento do protecionismo, o nacionalismo exacerbado e as tensões políticas vigentes na década de 30 do século passado.”

 

Ou seja, para Meirelles, ainda que seja contida rapidamente, a encrenca financeira vai impor sacrifícios que se estenderão até 2010, ano de sucessão presidencial no Brasil.

 

Meirelles falou aos repórteres Marcio Aith e Giuliano Guandalini. A entrevista foi às páginas de Veja (só assinantes). Vão abaixo os principais trechos:

 

As armas do BC: O Banco Central dispõe de mais de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais, depósitos compulsórios volumosos, uma posição substancial no mercado de dólares futuro, além de poderes para efetuar posições de redesconto sem limitações. Portanto, temos munição mais do que suficiente para enfrentar as questões de liquidez do mercado.

 

Os riscos de contágio: A crise externa é severa, e ninguém estará imune a ela. Além dos fatores mencionados anteriormente, temos uma dívida pública cadente como porcentual do PIB e o BC comprometido com o controle da inflação. É preciso também enfatizar que o governo brasileiro é credor líquido em moeda estrangeira, e, em momentos de crise internacional com depreciação do real, a dívida pública cai. Esse é outro fator estabilizador importante.

 

As razões da subida do dólar: A falta de dólares nos mercados interbancários internacionais provocou um desequilíbrio momentâneo entre oferta e demanda de dólares. Exportadores que haviam apostado na desvalorização da moeda americana tiveram que comprar dólares para fechar a posição perdedora no mercado futuro, reforçando esse desequilíbrio. A queda do preço das commodities também parece ter contribuído para esse movimento. Finalmente, o aumento da aversão ao risco internacional fez com que investimentos retornassem aos países de origem. Por outro lado, os fundamentos sólidos da economia brasileira tenderão a prevalecer.

 

A demora da reação do BC: O BC sempre é criticado por atuar demais ou de menos. Nossa política de ampliação das reservas, por exemplo, foi muito criticada por analistas que não previam a possibilidade de crise. Neste episódio, o BC usou diversos instrumentos à sua disposição conforme foi necessário. Isso não significa que o BC tenha metas para a taxa de câmbio. Tentativas no passado de controlar a taxa de câmbio foram malsucedidas. Nossa atuação visa apenas a reagir a mercados disfuncionais, isto é, sem liquidez.

 

As diferenças entre o modelo cambial do pós-real e o atual: [...] Naquela época o Brasil tinha um regime de câmbio controlado e o BC vendia qualquer quantidade de dólares a uma taxa predeterminada. Hoje o país tem câmbio flutuante e fundamentos mais sólidos. O aumento da taxa de câmbio é um fator estabilizador nos fluxos cambiais na medida em que estimula exportações de bens e serviços e desestimula importações dos mesmos [...].

 

O caso das empresas endivididas em dólar: Não houve ajuda a nenhuma empresa ou setor [com a intrvenção do BC no mercado de câmbio]. O BC atua visando a regularizar a liquidez nos mercados de câmbio, cujo desequilíbrio persistente poderia provocar uma crise de graves conseqüências para o país, como tivemos no passado. As intervenções beneficiam a economia brasileira como um todo, os cidadãos e as empresas em funcionamento no país. Além disso, o Tesouro tem tido ganhos cambiais expressivos, e até o momento não houve dispêndio de um centavo público.

 

A diferença entre os bancos brasileiros e os estrangeiros: O sistema bancário americano sofreu perdas substanciais no sistema hipotecário, e essa é a causa dos problemas. Os bancos europeus também vêm sofrendo perdas importantes no mercado imobiliário americano. Os bancos brasileiros não têm empréstimos nesse setor. As questões de liquidez no Brasil são reflexo da liquidez externa, e providências estão sendo tomadas. Não há problemas de solvência bancária no país. Note-se que a MP 442 visa a lidar com problemas de liquidez, não de solvência.

 

As ações do BC para proteger os bancos: O BC já reduziu depósitos compulsórios, efetuou vendas de dólares nos mercados à vista e futuro e está provendo linhas de liquidez em dólares. E está preparado para tomar outras medidas, caso necessário.

 

A MP 442 e velho Proer: Não [são iguais]. O Proer visou a proteger os depositantes e o país de perdas existentes no sistema financeiro, tal como está sendo feito em outros países. A MP 442 é totalmente transparente, e seu objetivo é apenas enfrentar problemas de liquidez, e não de solvência, de instituições que tenham carteiras de boa qualidade para oferecer ao BC.

 

O melhor e o pior cenário para a economia mundial: O melhor cenário seria uma contenção rápida da crise financeira, com recuperação gradual da disponibilidade de crédito e da atividade econômica ao longo de 2009 e 2010. O pior cenário seria a agudização da crise, o aumento do protecionismo, o nacionalismo exacerbado e as tensões políticas vigentes na década de 30 do século passado.

 

O principal canal de contágio no Brasil: A contração do crédito, que teria efeito contracionista sobre a atividade econômica, e a pressão cambial, que poderia ter efeito inflacionário. Nossas ações visam exatamente a mitigar esses impactos sobre a economia.

Escrito por Josias de Souza às 19h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Congresso eleva estimativa de arrecadação da União

 

A CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso tomou uma decisão inusitada.

 

Decidiu elevar a previsão de arrecadação tributária da União para o ano de 2009.

 

Em sua proposta, o governo anotara estimativa de receita de R$ 808,9 bilhões.

 

A comissão de Orçamento tonificou a cifra. Elevou-a para R$ R$ 818,1 bilhões.

 

Em meio à crise financeira global, injetou-se uma receita extra de R$ 9,2 bilhões.

 

A decisão, aprovada há três dias, representa uma ofensa à lógica.

 

No ano de 2009, a coleta de impostos de 2009 deve diminuir. Só um milagre a faria maior.

 

O Orçamento fora elaborado pelo ministério do Planejamento numa fase pré-crise.

 

Incluíra-se no texto uma estimativa de crescimento econômico de 4,5% para 2009.

 

Pretensão que a crise converteu em fumaça, reconhecem técnicos do próprio governo.

 

O FMI reestimou para baixo a previsão de crescimento do Brasil para 2009: 3,5%.

 

Há no mercado quem aposte em índice ainda menor, abaixo dos 3%.

 

De uma coisa ninguém duvida: o PIB de 2009 será menor do que o de 2008.

 

Em função do desaquecimento da economia, a arrecadação tributária tende a murchar.

 

Foi em meio a esse sólido consenso que os congressistas elevaram a previsão de receita da União.

 

A decisão terá, obviamente, de ser revista antes da votação do texto final do Orçamento, no plenário.

 

Prevê-se para novembro uma rediscussão dos dados, à luz da realidade inóspita.

 

Antes dessa revisão, a comissão terá de aprovar uma versão preliminar do Orçamento de 2009.

 

A votação está marcada para a próxima terça-feira (14).

 

Vai a voto um texto preparado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS).

 

Relator-geral do Orçamento, Delcídio parece conservar or pés no chão.

 

Fala, por exemplo, em aumentar a meta de superávit primário, fixada em 3,8% do PIB.

 

Acha que, diante da crise, o governo terá de ser mais austero.

 

Significa dizer que terá de reduzir despesas e e tonificar a poupança destinada ao pagamento dos encargos da dívida pública.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

BC contabiliza 30 bancos com problemas de liquidez

Miran
 

 

Pelas contas do Banco Central, chega à casa das três dezenas o númro de bancos brasileiros às voltas com dificuldades de liquidez financeira.

 

São essas instituições, todas de médio e pequeno porte, os alvos da medida provisória 422, editada por Lula há seis dias.

 

Apelidada de “Proer do Lula”, a MP dá poderes ao BC para prover socorro financeiro a bancos encalacrados. Como garantia, os socorridos darão carteiras de crédito de sua clientela.

 

Dá-se à operação o nome de redesconto. É algo que já fazia parte do arsenal do BC desde a década de 60. Mas considerou-se que dificuldades jurídicas emperravam a avaliação das carteiras dadas em garantia dos empréstimos.

 

A MP veio para tornar mais célere esse processo, convertendo o redesconto em ferramenta efetiva de combate a um dos efeitos da crise global no Brasil: o estancamento do crédito interbancário.

 

Uma autoridade com gabinete no Planalto informou ao blog o seguinte: o presidente do BC, Henrique Meirelles, esclareceu a Lula que não há no Brasil bancos insolventes.

 

Uma casa bancária torna-se insolvente quando a soma de seus ativos é menor do que o total de suas dívidas. É o que ocorre com os bancos que foram à breca nos EUA e na Europa.

 

No Brasil, o que há, disse Meirelles a Lula, são bancos ilíquidos. Falta-lhes dinheiro para tocar o negócio. Um fenômeno provocado pela sequidão do crédito interbancário.

 

Antes da edição da MP do socorro, o BC oferecera aos bancos grandes um estímulo para que comprassem as carteiras de empréstimo das instituições menores.

 

Os bancões que adquirissem carteiras dos banquinhos, assumindo os riscos dos empréstimos, teriam desconto no depósito compulsório.

 

O compulsório é o mecanismo que obriga os bancos a recolher ao BC um pedaço dos depósitos e aplicações captados junto à clientela.

 

O problema é que nenhum banco privado grande se dispôs a transacionar com os bancos menores. Só Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal abriram negociações.

 

Somando-se as três mexidas que o BC fez no compulsório, liberaram-se cerca de R$ 60 bilhões para o sistema bancário. Porém, o grosso desse dinheiro ficou "empoçado" no caixa dos bancos.

 

A crise açulou a aversão ao risco. E fez minguar o fluxo dos empréstimos, seja de um banco para outro, seja dos bancos para seus clientes.

 

Por isso o BC levou a medida provisória 442 à prateleira. Espera não precisar usar em grande escala. Mas não hesitará em lançar mão dela em caso de necessidade.

 

Embora ainda pendente de votação no Congresso, a MP já está em vigor. Começou a vigir na última terça (7), quando foi publicada no “Diário Oficial”.

 

Os partidos de oposição desejam emendar a MP. Mas ninguém fala em votar contra a medida.

 

PSDB e DEM se dispõem a aprovar no Congresso essa e outras providências que visem dotar o governo de instrumental para se contrapor à crise global.

 

PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

 

- Globo: Bolsa de Nova York tem a pior semana em 112 anos

 

- Folha: Bolsas perdem seis 'Brasis' na semana

 

- Estadão: G7 promete tudo para salvar os bancos

 

- JB: EUA compram ações de bancos em crise

 

- Correio: Dólar nocauteia BC, empresas e turistas

 

- Valor: Governo estima gastar US$ 20 bi das reservas

 

- Gazeta Mercantil: Mercados têm dia nervoso, mas surgem sinais de reação

 

- Jornal do Commercio: Mercado fecha semana de caos e incertezas

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O Natal será extraordinário!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nações ricas do mundo entregam a alma ao mercado

Eduardo Knapp/Folha
 

Num dia em que a Bolsa caiu 3,97%, BC disse socorro será aos bancos será ilimitado

 

Certas épocas comportam-se como doentes mentais. Daqui a cem, duzentos anos, a historiografia vai chamar a época atual de doida varrida.

 

Em marcha batida rumo a uma espécie de "capitalismo bolivariano", as sete maiores economias do mundo informaram: usarão "todos os instrumentos à disposição" para salvar os bancos.

 

Reunidos em Washington, a capital do ex-império, representantes do G7 divulgaram uma plataforma de rendição ao mercado. Anota cinco promessas:

 

1. Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência;

 

2. Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos;

 

3. Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios;

 

4. Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema;

 

5. Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).

 

Mais cedo, George Bush, pseudopresidente dos EUA, dissera que a Casa Branca ainda dispõe de ferramentas variadas para satisfazer as necessidades dos bancos.

 

Mais: disse que as usaria de forma "agressiva". Soou como uma espécie de Hugo Chávez do Norte. Um voraz estatizador de casas bancárias.

 

À noite, Henry Paulson, o secretário do Tesouto americano, como que decidido a converter a crise financeira global num pesadelo humorístico, anunciou:

 

Os EUA vão se tornar co-proprietários de bancos privados: "Estamos desenvolvendo estratégias (...) para adquirir participações nas instituições financeiras (...)".

 

Resta agora saber se esse ente conhecido como mercado vai se satisfazer com as novas regalias que lhe foram oferecidas.

 

Nos últimos dias, o mercado porta-se como se desejasse forçar os Estados mais poderosos do mundo a beber a água das sargetas.

 

Se o mercado continuar fazendo beicinho, os governos levarão à mesa a última carta de que dispõe: vão pôr à venda as mães de seus dirigentes para prover dinheiro à banca.

 

Difícil vai ser arranjar quem queira comprar Barbara Bush. Mas essa é outra história.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para 90% dos consumidores dos EUA crise vai piorar

  Antônio Gaudério/Folha
O pessimismo dos consumidores americanos atingiu o seu nível mais alto.

Pesquisa feita pelo Gallup informa que 90% deles acham que a crise financeira vai piorar.

 

Trata-se de um recorde. Há um mês, o índice se situava 12 pontos percentuais abaixo: 78%.

 

Subiu a despeito do megapacote de US$ 700 bilhões que a Casa Branca embrulhou para socorrer os bancos.

 

Tampouco o corte que os seis maiores bancos centrais do mundo fizeram nas respectivas taxas de juros contribuiu para adoçar os humores do americano.

 

A sondagem do Gallup, divulgada nesta sexta (10), mediu também o grau de confiança do consumidor.

 

Há um mês, quando a ruína econômica levou o governo a socorrer a Fannie Mae e da Freddie Mac, duas casas de financiamento da casa própria, tinha-se o seguinte quadro:

 

Segundo o Gallup, 38% dos consumidores afirmavam que sua condição econômica havia piorado.

 

Hoje, 59% dos entrevistados dão a mesma resposta quando inquiridos acerca de sua capacidade de ir às compras.

 

A subida de 21 pontos percentuais ajuda a entender porque o americano, consumidor contumaz, lacrou o bolso em meados de setembro. Imagina-se, com razão, à beira da recessão e do desemprego.

 

Ajuda a compreender também a distância que separa o candidato democrata à presidência, Barack Obama, do rival republicano, John McCain.

 

Com o fardo de George Bush a pesar-lhe sobre a campanha, McCain está, hoje, dez pontos percentuais atrás de Obama: 51% a 41%, segundo a última aferição do Gallup, divulgada também nesta sexta (10).

Escrito por Josias de Souza às 19h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Contra o PT, Marina Silva declara apoio a Gabeira

  Folha
Dois dias depois de o PT ter anunciado o apoio à candidatura de Eduardo Paes (PMDB), a companheira Marina Silva tomou outro rumo.

 

A ex-ministra do Meio Ambiente decidiu ficar do lado de Fernando Gabeira (PV). Senadora pelo Acre, Mariana não tem um mísero voto no Rio.

 

O suporte dela a Gabeira tem valor simbólico, contudo. "O meu apoio é pessoal”, disse Marina ao UOL.

 

“Eu respeito o PT do Rio, mas não poderia deixar de lado tudo o que ele [Gabeira] representa para uma visão atualizada no caminho da sustentabilidade ambiental.”

 

A ex-ministra disse ter comunicado sua opção ao presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP). Mostra-se disposta até em escalar o palanque de Gabeira.

 

"Se a minha presença for importante, para mim não será problema ir ao Rio. Tenho respeito pelo governador Sérgio Cabral [PMDB], mas não tenho dúvida que a minha opção é Gabeira...”

 

“...Nunca me omiti na minha trajetória política, por isso só quero a vitória do Gabeira. Sabendo que será uma grande contribuição para o Rio, eu não poderia ficar em silêncio neste momento, seria contraditório".

 

Mais contraditório do que o silêncio que Marina recusou foi o barulho que Lula decidiu fazer. O presidente gravou, a pedido de Sérgio Cabral, mensagem de apoio a Eduardo Paes.

 

Hoje no PMDB, o rival de Gabeira era secretário-geral do PSDB em 2005, ano em que o mensalão foi pendurado nas manchetes.

 

Sob os holofotes da CPI dos Correios, Paes foi implacável inquisidor do petismo. Numa das sessões, pespegou em Lula o epíteto de "chefe de quadrilha".

 

A culpa da "quadrilha" está sendo avaliada no STF. Quanto ao "chefe", vai ao horário eleitoral do Rio como cabo-eleitoral do acusador. É sapo engolindo sapo.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alcançado por avalanche, Marcos Valério vai em cana

 Folha
Equipes da Polícia Federal foram às ruas, nesta sexta (10), para cumprir 17 mandados de prisão e 33 ordens de busca e apreensão.

 

Deu-se à operação o nome de Avalanche. Entre os 17 brasileiros alcançados pelas rochas que desceram das encostas da Justiça está Marcos Valério.

 

Sim, sim. Exatamente. O velho e bom provedor das arcas do mensalão foi recolhido ao cárcere. Preso em Belo Horizonte, levaram-no para a hospedaria da PF em São Paulo.

 

A detenção do ex-parceiro de Delúbio Soares e Cia. nada tem a ver com as antigas traficâncias político-financeiras.

 

Valério encrencou-se dessa vez num esquema engendrado para livrar uma cervejaria de multa aplicada pelo fisco. Coisa de R$ 105 milhões.

 

Junto com ele, foram às grades despachantes aduaneiros, advogados, policiais civis e federais, além de empresários.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: ‘Vamos ter um Natal extraordinário no Brasil’

 

Lula falou aos portais de internet. Acima, um pedaço da entrevista (5min42s). Aqui, mais detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 16h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Enquanto o Brasil dormia, Bolsas da Ásia afundavam

  Bobby Yip/Reuters
Os mercados do Ocidente acordam sob o impacto de um tsunami econômico vindo do Oriente.

 

Todas as Bolsas de “Valores” da Ásia abriram seus balcões de negócios no subsolo. Amargavam fortes quedas.

 

A Bolsa de Tóquio, a mais musculosa da região, chegou a despencar 11,3%. Perto do meio-dia, operava num vermelho com cara de roxo: 10%.

 

Fechou com perdas de 9,62%. Um infortúnio dessas proporções é coisa que não se via na capital japonesa desde 1987.

 

As demais Bolsas asiáticas também arregalavam os olhinhos puxadinhos:

 

Hong Kong: A Bolsa abriu em queda de 7,7%;

 

Seul: Mergulho de 7,5% no início dos trabalhos;

 

Cingapura: Perdas superiores a 7%;

 

Xangai: Abriu as transações com 3,79% de perdas.

 

Antes de ser eletrocutado pela crise planetária, o mercado de compra e venda de ações trabalhava sob a inspiração de dois postulados básicos:

 

1. Compre sempre na baixa;

2. Venda sempre na alta.

 

A convulsão financeira adicionou uma nova máxima no manual dos operadores de Bolsa: Jamais abaixe para pegar o sabonete.

 

Vai abaixo um gráfico que dá uma idéia do risco a que estão submetidos os mercadores e os investidores do mercado acionário.

 

Escrito por Josias de Souza às 05h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula deve reduzir superávit para salvar PIB de 2009

Lula deve reduzir superávit para salvar PIB de 2009

Governo tenta assegurar crescimento de ‘pelo menos’ 4%

Para isso, cogita tonificar investimentos em R$ 19 bilhões

Planeja executar os novos gastos sem cortar as despesas

 

  Miran

 

Vencida a fase onírica da “morolinha” e da “gripezinha”, o governo preocupa-se agora com a longevidade da crise financeira global.

 

Já não há nos gabinetes de Brasília quem aposte na superação da crise que convulsiona as economias do planeta antes do final de 2009.

 

Lula e seus auxiliares econômicos passaram a inquietar-se com o curto e com o longo prazo. Entrou nas projeções a perspectiva de recessão nos EUA e na Europa.

 

Passou-se a considerar também os inevitáveis reflexos dessa reviravolta no crescimento das economias dos países emergentes, como o Brasil.

 

Elaborado numa fase em que a crise americana ainda não evoluíra para a metástase, o Orçamento de 2009 anotara estimativa de crescimento de 4,5% para 2009.

 

Em público, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) diz que a peça “não envelheceu com a crise”. Lorota.

 

Entre quatro paredes, o governo reconhece que a previsão de crescimento foi soterrada pela conjuntura. Há, no mercado, apostas para todos os gostos.

 

Variam de algo pouco acima dos 2% até alguma coisa em torno de 3,5%. Preocupado com o projeto político que esboçou para 2010, Lula quer mais.

 

O presidente não admite que o PIB de 2009 fique abaixo de 4%. Os desejos do presidente devolveram os técnicos da equipe econômica à máquina de calcular.

 

Abriu-se em Brasília uma discussão sobre o volume de gastos do governo para o ano que vem.

 

Parte-se do pressuposto de que o Estado terá de suprir os investimentos que escasseiam na iniciativa privada.

 

O debate caminha para uma redução da meta de superávit primário, nome que se dá à economia que o governo faz para pagar a rolagem da dívida pública.

 

Em 2008, Lula elevou a meta do superávit de 3,8% para 4,3% do PIB. Vem mantendo a escrita, graças aos sucessivos recordes de arrecadação de tributos.

 

No Orçamento de 2009, aquele que Bernardo considera jovial, manteve-se em 3,8% a meta de superávit.

 

Mas incluiu-se no texto um dispositivo que faculta ao governo aumentar a poupança em meio ponto percentual.

 

Esse excedente iria para o Fundo Soberano, ainda pendente de aprovação no Congresso. Lula quebra lanças pela aprovação célere desse fundo. Pediu a ajuda dos caciques do PMDB num jantar realizada na noite de quarta (8).

 

Mas, com fundo ou sem fundo, a idéia com a qual passou a trabalhar o governo é a de reter em seus cofres apenas o superávit regulamentar: 3,8%.

 

O resto da poupança, estimada em cerca de R$ 19 bilhões, seria despejada em projetos de infra-estrutura. Uma maneira de manter a economia aquecida e tentar atingir o PIB de 4% ansiado por Lula.

 

Prevalecendo essa estratégia, os investimentos do governo, orçados em cerca de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2009, saltariam para R$ 69 bilhões.

 

A esse valor se somariam as inversões que Lula espera assegurar por meio das empresas estatais. Sobretudo a Petrobras.

 

Embora a Petrobras esteja submetida à mesma secura de crédito que infelicita as demais empresas, o governo imagina que a estatal petrolífera está bem-posta na guerra por financiamento.

 

Em conversa com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli reconheceu que o Saara creditício tornou-se um empecilho para os planos expansionistas da empresa.

 

Porém, disse que, vitaminada pelo pré-sal, a Petrobras ocupa os primeiros lugares na fila dos tomadores de empréstimo.

 

Não há empresário ou economista que discorde de que o governo precisa mesmo elevar a sua capacidade de investir. Há, porém, uma diferença de enfoque.

 

Prevalece no mercado a tese de que Brasília teria de passar na faca os seus gastos, não reduzir o nível do superávit primário.

 

O corte de gastos, contudo, não é algo que tenha entrado nos planos do governo. Pelo menos por enquanto.

 

PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 04h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

 

- Globo: Uma questão de estilo

 

- Folha: Bolsa dos EUA tem queda recorde com perdas de empresas

 

- Estadão: Bolsa de NY despenca 7,3%, para o menor nível em 5 anos

 

- JB: R$ 34,5 milhões para não trabalhar 58 dias

 

- Correio: Crise atinge crediário, venda de carro e até vinho

 

- Valor: Governo estima gastar US$ 20 bi das reservas

 

- Gazeta Mercantil: Mercados têm dia nervoso, mas surgem sinais de reação

 

- Estado de Minas: Por que a internet ameaça seu filho

 

- Jornal do Commercio: 17 morrem à espera de UTI

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cadafalso bilionário!

Dalcío
 

Via Correio popular.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula pede e PMDB deve apoiar Tião Viana no Senado

Sérgio Lima/Folha
 

 

Em jantar com caciques do PMDB, Lula defendeu explicitamente o nome de Tião Viana (PT-AC) para a presidência do Senado no biênio 2009-2010.

 

Deu-se na noite de quarta (8), no Palácio da Alvorada. Um dia em que a bancada peemedebista ungira, à tarde, o nome de Michel Temer (PMDB-SP) para a sucessão na Câmara.

 

Lula elogiou a escolha de Temer. E disse que não seria uma “boa política” o PMDB reivindicar também o comando do Senado.

 

A menos, disse ele, que José Sarney (PMDB-AP) se dispusesse a concorrer. Presente, Sarney desconversou: “Isso é tarefa para gente mais jovem”.

 

Neste caso, emendou Lula, o melhor seria o PMDB concentrar-se na eleição de Temer na Câmara e abrir caminho para Tião Viana no Senado.

 

Além de Sarney, representavam o PMDB do Senado no repasto do Alvorada Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO) e Renan Calheiros (AL).

 

Nenhum deles se opôs ao nome de Tião. Sarney e Jucá chegaram mesmo a elogiar o colega petista. Eles esmiuçaram a Lula a estratégia que planejam adotar.

 

Desejam negociar com a oposição, em termos institucionais, o rateio dos cargos da Mesa diretora do Senado, respeitada a proporcionalidade das bancadas.

 

Só depois evoluiriam para a definição dos nomes. E o de Tião Viana iria ao primeiro lugar na fila de alternativas para o posto de presidente.

 

Teria de ser ungido por indicação de todo o consórcio governista, não apenas da bancada do PT.

 

Foi a primeira vez que o PMDB admitiu abrir mão da presidência do Senado. Até então, o partido vinha alegando que, como dono da maior bancada, teria a primazia na indicação do comandante da Casa.

 

O gesto prenuncia a superação de um problema que envenenava as relações internas do PMDB: a divisão entre as bancadas do partido na Câmara e no Senado.

 

Lula celebrou a atmosfera de “unidade”. Disse que assim, unido, o PMDB fica mais forte e se consolida como parceiro prefencial para o projeto da sucessão de 2010.

 

Um projeto que estava representado na mesa do Alvorada por uma Dilma Rousseff risonha e solícita. Bem mais solta do que os colegas Tarso Genro e José Múcio, também presentes.

 

Lula lembrou que os 14 partidos que compõem a sua base congressual beliscaram nas urnas de domingo (5) cerca de 70% das prefeituras em disputa. Basta agora, disse ele, zelar para que essas legendas se mantenham juntas até 2010.

 

Para evitar ruídos, o presidente disse que só fará campanha no segundo turna na São Paulo de Marta Suplicy (PT) e nos municípios do ABC paulista.

 

Quanto aos ministros, estarão liberados para pedir votos apenas nos Estados onde têm militância política.

 

Algo que os deputados Michel Temer e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) consideraram sensato.

 

O PMDB mede forças com candidatos governistas em municípios estratégicos. Entre eles Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. E acham que não seria razoável que autoridades de Brasília se metessem nessas disputas.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ACM Neto negocia com Geddel o 'apoio' ao PMDB

  Folha
O DEM deve anunciar, na manhã desta sexta (10), o apoio à candidatura de João Henrique (PMDB) na disputa pela prefeitura de Salvador.

 

O movimento está sendo negociado por ACM Neto, derrotado no primeiro turno, com o ministro Geddel Vieira Lima, mandachuva do PMDB baiano.

 

Será um dos mais inusitados gestos já produzidos pela política baiana. Até aqui, o PMDB de Geddel e o DEM de ACM Neto eram como água e azeite.

 

Geddel notabilizou-se na Bahia como o mais fevoz adversário do grupo do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, que o chamava de “ladrão”.

 

Depois da morte de ACM, em junho de 2007, Geddel tornou-se o principal herdeiro do espólio do carlismo.

 

Em 2004, o PMDB de Geddel elegera na Bahia escassos 19 prefeitos. No último domingo, abocanhou 113 das 417 prefeituras do Estado.

 

O DEM de ACM, o avô, elegera notáveis 154 prefeitos quatro anos atrás. Emergiu das urnas de domingo passado com apenas 44 prefeituras.

 

Deu-se em Salvador a derrota mais doída. Excluído do segundo turno, ACM Neto passou a considerar duas alternativas: a neutralidade ou o apoio a João Henrique, o candidato do arquirival de seu avô.

 

A hipótese de o DEM dar suporte a Walter Pinheiro, que representa o PT no segundo round de Salvador, nem chegou a ser cogitada.

 

Para a tribo ‘demo’, o petismo é o inimigo número um. Vale para o Brasil. Aplica-se mais ainda à Bahia, Estado governado, desde 2006, pelo petista Jaques Wagner.

 

Nas últimas horas, ACM Neto manteve com Geddel uma negociação surpreendentemente cordial. O DEM marcou para as 11h desta sexta o anúncio de sua decisão.

 

O partido pende para a candidatura de João Henrique. Prevalece a percepção de que o eleitor de ACM Neto, majoritariamente avesso ao PT, cairá por gravidade no colo do PMDB.

 

Assim, não faria sentido que o DEM escalasse o muro. Entre o inaceitável e o impensável, os ‘demos’ estão na bica de optar por Geddel.

Escrito por Josias de Souza às 20h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

CMN fixa regras que vão nortear o ‘Proer do Lula’

 

 

Em reunião extraordinária, o CMN (Conselho Monetário Nacional) regulamentou, nesta quinta (9), a medida provisória 442.

 

Trata-se daquela MP que Lula editou na última segunda (6), dando poderes ao BC para socorrer bancos encalacrados.

 

A principal regra estabelece que o BC poderá imiscuir-se na administração das casas bancárias que recorrerem ao “Proer do Lula”, como o programa foi apelidado.

 

Ou seja: o banco que receber empréstimos públicos vai perder boa parte de independência operacional.

 

O Banco Central poderá, por exemplo, restringir a remuneração de acionistas e administradores das casas bancárias que vier a socorrer.

 

Inserida no lote de providências baixadas pelo governo em resposta à crise financeira que se espraia pelo mundo, a MP de Lula cria um sistema de redesconto.

 

O BC empresta dinheiro aos bancos em dificuldades e recebe em garantia, sobretudo, carteiras de empréstimos concedidos à clientela das instituições.

 

Vão abaixo algumas das principais decisões tomadas na reunião do CMN:

 

1. O BC poderá dar pitaco na administração cotidiana dos bancos;

 

2. Além de restringir a remuneração de acionistas e o salário dos administradores, o BC poderá exigir providências para a reposição de eventuais perdas de caixa;

 

3. Os bancos que se pendurarem no programa de socorro terão de consultar o BC antes de tomar decisões que impliquem a abertura de novos negócios;

 

4. A MP abrira o programa de socorro inclusive a bancos inscritos no cadastro da dívida ativa. O CMN decidiu que o BC poderá exigir a venda de ativos, para pagar as dívidas da instituição com o governo;

 

5. também poderá determinar a venda de ativos terá de consultar o BC para se aventurar em novos negócios e poderá, por fim, ter os seus ativos vendidos para pagar a dívida com o governo;

 

6. Os contratos de redesconto terão uma cláusula de recompra. Significa dizer que os bancos assumem o compromisso de recomprar do BC as carteiras de empréstimos dadas em garantia do socorro financeiro oficial;

 

7. Os empréstimos do BC aos bancos terão prazo máximo de vigência de 360 dias;

 

8. Para os empréstimos em reais, o governo cobrará dos bancos a taxa básica de juros (Selic), acrescida de percentual a ser definido pelo BC;

 

9. Nestes casos, o valor das carteiras dadas em garantia vai variar de 120% a 170%, conforme o nível de risco dos créditos. Assim, um banco que, por exemplo, tome emprestado R$ 100 milhões, terá de entregar carteiras de valor entre R$ 120 milhões e R$ 170 milhões;

 

10. Para os empréstimos em dólar, o BC poderá exigir como garantia títulos brasileiros emitidos em moeda americana ou títulos de outros países ou ainda papéis usados em empréstimos concedidos pelos bancos a exportadores (ACCs e ACEs);

 

11. Nesses casos, as garantias terão de cobrir 105% do valor do empréstimo do BC quando os títulos forem do Brasil. E entre 120% e 140% quando os papéis forem de nações estrangeiras.

 

As normas baixadas pelo CMN não atendem às condições impostas pela oposição para aprovar o “Proer do Lula” no Congresso.

 

Conforme noticiado aqui, na noite passada, o DEM apresentará pelo menos duas emendas à medida provisória.

 

Numa, obriga os bancos socorridos a repassar ao BC ações em volume idêntico ao valor do socorro.

 

Noutra, joga o patrimônio dos donos do banco no balaio das garantias e prevê a responsabilização criminal e cível dos gestores nos casos em que ficar comprovada a “gestão temerária”.

 

PS.: Ilustração via Blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Equador faz o Brasil evoluir de ‘barata’ a ‘lagartixa’

  Antônio Cruz/ABr
O governo brasileiro reagira com sangue de barata à decisão de Rafael Correa de fazer gato-sapato da construtora Odebrecht.

 

Animado, o presidente do Equador passou a brandir ameaças contra a Petrobras.

 

Tanto fez que, nesta quinta (9), Lula decidiu subir o tom.

 

Mandou cancelar uma viagem do ministro Alfredo Nascimento (Transportes) à cidade de Quito.

 

Nascimento voaria para a capital equatoriana no próximo dia 15.

 

Chefiaria uma missão de apoio financeiro do Brasil a obras de infra-estrutura viária no Equador.

 

Em nota, o Itamaraty informa: o embaixador brasileiro em Quito foi orientado a avisar à chancelaria equatoriana acerca do adiamento –“sine die”— da viagem do ministro.

 

Uma resposta aos "últimos desdobramentos envolvendo empresas brasileiras (...), que contrastam com a expectativa de solução favorável...”

 

Finalmente, o governo Lula demonstra que, confrontado com a tentativa de humilhação, também pode subir pelas paredes.

 

Não deixa de ser um avanço. Evoluiu-se do papel de barata para o de lagartixa. Pode não resolver. Mas já é um bom começo. Não demora e Lula estará rugindo como leão.

Escrito por Josias de Souza às 16h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No Rio, Gabeira abre 2º turno já empatado com Paes

 

 

Contados os votos dos cariocas, Eduardo Paes (PMDB) foi ao segundo turno da eleição munido de um balaio de votos 6,37% maior do que o cesto de Fernando Gabeira (PV).

 

Paes amealhara no domingo 31,98% dos votos válidos. Gabeira, 25,61%. O Datafolha informa que os dois contendores já estão empatados.

 

Gabeira tem agora 43% das intenções de voto. Eduardo Paes, 41%. Diz-se que há um empate porque a vantagem de Gabeira está dentro da margem de erro da pesquisa.

 

Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos os nulos, os brancos e os eleitores indecisos), Gabeira crava 51%, contra 49% atribuídos a Paes.

 

O ex-azarão Gabeira alcançou o adversário por uma razão singela: saiu-se melhor na divisão do espólio de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno (veja o quadro abaixo).

 

 

O quadro também expõe o fatiamento que o Datafolha fez do eleitorado por religiões. O pedaço católico é dividido ao meio entre os dois candidatos.

 

Entre os evangélicos, Eduardo Paes é o preferido. Gabeira prevalece sobre o rival, porém, no naco espírita e umbandista.

 

Há no Rio mais igrejas evangélicas do que terreiros de umbanda. A julgar pela subida de Gabeira, porém, o som dos atabaques pode sufocar o coro dos hinários neste segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Kassab abre uma vantagem de 17 pontos sobre Marta

  Luiz Guadagnoli/Secom
Ao emergir das urnas do primeiro turno com mais votos do que Marta Suplicy, Gilberto Kassab foi ao ringue do segundo round com a musculatura política tonificada.

 

Descobre-se agora, a escassos 18 dias da grande decisão, que o tônico do candidato ‘demo’ produziu uma vantagem inimaginável há algumas semanas.

 

O Datafolha traz à luz nesta quinta (9) pesquisa que atribui a Kassab uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre Marta.

 

A campanha mal recomeçou e Kassab já dispõe de 54% das intenções de voto, contra 37% amealhados por Marta.

 

Numa conta que exclui os votos nulos e brancos (5%) e os indecisos (3%), critério adotado pela Justiça Eleitoral na hora de aferir o resultado, a vantagem de Kassab sobe para 18 pontos.

 

No domingo, o candidato ‘demo’ obtivera 33,61% dos votos válidos na apuração oficial. Dispõe agora de 59%. Em três dias, seu desempenho foi anabolizado em 25 pontos percentuais.

 

A candidata petista, que amealhara 32,79% dos votos válidos no domingo, soma agora 41%. Subiu apenas oito pontos, 17 a menos que Kassab.

 

Como o balaio de votos nulos, brancos e indecisos é miúdo (8%), a margem de manobra do petismo é igualmente pequena.

 

Para vencer a eleição, "Marta não tem outra alternativa a não ser conquistar os eleitores de Kassab", diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

 

O caldeirão de São Paulo vai ferver nos próximos dias. O de Brasília também.

 

Ao escalar o palanque de Marta, Lula arrastou o pré-infortúnio municipal para a rampa do Planalto. Está na bica de testemunhar o acampamento da derrota em seu gabinete.

 

Um gabinete cujo carpete foi marcado, nesta quarta (8), pelos sapatos do governador José Serra. O mentor do algoz de Marta avistou-se com Lula e com Dilma Rousseff, sua provável adversária em 2010.

 

Serra foi tratar da liberação de recursos para projetos de infra-estrutura em São Paulo. Ao sair, subiu no caixote. Investiu, veja você, contra o ex-tucano Henrique Meirelles:

 

“O Banco Central foi lento e foi muito imprudente neste ano quando levou os juros para as nuvens e megavalorizou o câmbio...”

 

“...Mas, agora, não adianta olhar o que passou. Tem que olhar para frente e encontrar uma saída para essa situação, que eu acho perfeitamente exeqüível...”

 

“...Eu não acho que é a crise final do capitalismo. E muito menos para o Brasil. Eu acho que a gente consegue sair dessa situação crítica...”

 

“...Atuando com prudência e antecipando os acontecimentos. Tanto do ponto de vista monetário, quanto do ponto de vista fiscal”.

 

A depender da evolução da crise, Lula pode acolchoar o palanque de Dilma ou prover Serra da matéria-prima que falta ao seu discurso.

 

Ricardo Stuckert/PR

Escrito por Josias de Souza às 04h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição decide propor emendas ao ‘Proer do Lula’

Oposição decide propor emendas ao ‘Proer do Lula’

Sérgio Lima/Folha
 

 

Em reunião com líderes da oposição, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, convenceu-os a votar a favor da medida provisória 442.

 

Mas a oposição decidiu apresentar emendas à MP. A medida foi baixada por Lula na última segunda (3). Dá poderes ao BC para socorrer bancos em dificuldades.

 

Ganhou o apelido de “Proer do Lula.” Uma alusão ao programa de socorro bancário implentado em 1995, sob Fernando Henrique Cardoso.

 

A nova MP autoriza o BC a conceder empréstimos a bancos encalacrados, mesmo aqueles que estejam inscritos no cadastro de devedores da União.

 

O texto prevê que as instituições financeiras socorridos darão como garantia carteiras de crédito de sua clientela e ativos em moeda estrangeira.

 

Anota, de resto, outras duas modalidades de garantia, admitidas "em caráter complementar": ativos reais e aval de empresas coligadas ou de outros bancos.

 

A oposição acha pouco. O deputado José Carlos Aleluia (BA), vice-líder do DEM, informou ao repórter que seu partido prepara duas emendas:

 

1. A primeira injeta na medida uma regra segundo a qual os bancos socorridos pelo BC terão de entregar ao governo ações em valor correspondente ao montante do empréstimo;

 

2. A segunda emenda insere na MP sanções patrimoniais, criminais e cíveis para os gestores de banco que tenham incorrido no crime de “gestão temerária”.

 

“É preciso preservar o contribuinte brasileiro”, diz Aleluia. “Não se pode simplesmente dar dinheiro público a banco...”

 

“...Na fase em que obtiveram lucro, esses bancos remuneraram seus acionistas sem dar satisfação ao cidadão...”

 

“...Quanto aos diretores, enquanto lucraram com a especulação, tiveram altos salários. Está na hora de pagar pela imprudência.”

 

Parte-se do seguinte pressuposto: se o BC admite empurrar para dentro do seu balanço carteiras de títulos privados, é porque o crédito não é bom e seu dono está mal das pernas.

 

Do contrário, o banco não precisaria recorrer ao socorro oficial. “É um Proer envergonhado, uma espécie de redesconto do BC. Tudo bem. Mas não podemos correr riscos com dinheiro do contribuinte”, diz Aleluia.

 

Nesta quarta (8), a convite de Henrique Meirelles, foi à sede do BC, em Brasília, uma trinca de líderes da oposição na Câmara: José Aníbal (PSDB), ACM Neto (DEM) e Fernando Coruja (PPS).

 

Ouviram uma longa explanação de diretores do BC. Depois, se reuniram com o próprio Meirelles. Saíram dispostos a votar a favor do neo-Proer, desde que “aperfeiçoado”.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), planeja levar a MP a voto já na próxima semana. Há, porém, um problema.

 

Antes da MP anticrise, há na fila de votação o projeto de lei que cria o Fundo Soberano. O líder de Lula na Câmara, Henrique Fontana, não abre mao de aprová-lo.

 

A oposição é visceralmente contra. Considera o fundo, do modo como foi proposto, é inconstitucional e desnecessário. Exige que o projeto seja retirado da pauta.

 

O impasse, que já havia se insinuado na véspera, tornou-se evidente numa reunião de Chinaglia com os líderes. O receio do presidente da Câmara é o de que a divergência resulte em obstrução das votações.

 

“Tenho a impressão de que, havendo obstrução, só depois do segundo turno das eleições municipais nós conseguiríamos votar essa medida provisória”, diz Chinaglia.

 

“Se isso acontecer, será um desastre para a Câmara. Se ficarmos aqui discutindo mecanismos regimentais de obstrução, será difícil pedir ao povo brasileiro que nos entenda.”

 

Chinaglia apelou aos líderes para que tentem chegar a um acordo até o final de semana. Simultaneamente, negocia a ida à Câmara do presidente do BC e do ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

A dupla deveria ter voado nesta quarta (8) para os EUA. Eles participarão, em Washington, da reunião anual do FMI e de um encontro do G-20 Financeiro, grupo que reúne ministros fazendários e presidentes dos BCs das maiores economias do mundo.

 

Súbito, a pedido de Lula, a viagem de Mantega e Meirelles foi adiada para esta quinta (9). Estavam em São Paulo. Viajariam à noite. Mas receberam ordem para retornar a Brasília.

 

Antes de voar para os EUA, terão novo encontro com Lula. Sabe-se, por óbvio, que tratarão da crise. Não houve, porém, nenhuma explicação formal do governo.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

 

- Globo: BCs fazem corte mundial de juros em ação inédita

 

- Folha: BCs cortam taxas de juro; Brasil aumenta crédito e vende dólar

 

- Estadão: Países fazem ação anticrise; BC põe R$ 23 bi no mercado

 

- JB: Mais R$ 23 bi na economia

 

- Correio: Fora de controle, dólar ameaça o Brasil

 

- Valor: BC derruba dólar em meio a nervosismo e especulação

 

- Gazeta Mercantil: Em ritmo de espera, empresas mudam planos para driblar crise

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Brincando com a crise!

Paulo Caruso
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

EUA também estudam estatização parcial de bancos

Alan E. Cober
 

 

O Departamento do Tesouro dos EUA analisa a hipótese de adquirir participação direta em vários bancos privados americanos.

 

A providência passou a ser considerada como alternativa para restabelecer rapidamente a confiança no sistema financeiro.

 

A notícia foi divulgada no final da noite desta quarta (8) pelo The New York Times. Segundo o jornal, o plano do Tesouro americano é preliminar.

 

Não há clareza sobre como vai funcionar. Mas seria semelhante à estatização bancária parcial anunciada pelo governo do Reino Unido também nesta quarta.

 

O governo britânico destinou US$ 87 bilhões à aquisição de ações preferenciais de bancos em dificuldades.

 

Disponibilizou, de resto, cerca de US$ 430 bilhões para o socorro a bancos com problemas de liquidez.

 

As fontes do jornal americano esclareceram que o megapacote de US$ 700 bilhões, aprovado pelo Congresso americano, não autoriza apenas a aquisição de papéis podres de instituições financeiras.

 

Confere ao Tesouro americano também poderes para injetar dinheiro diretamente nos bancos, mediante requisição.

 

Em troca, a lei dá ao governo o direito de assumir paticipação acionária nos bancos, inclusive nos que se mantêm saudáveis.

 

A novidade surge nas pegadas do fracasso do Tesouro em descongelar o sistema de crédito dos EUA.

 

Imagina-se que, com a injeção direta de dinheiro, os bancos seriam recapitalizados e retomariam os empréstimos interbancários e à clientela.

 

A simples cogitação do plano atribuído ao Tesouro dá uma idéia da dimensão que a crise financeira assumiu.

 

Ao mostrar-se insensível aos esforços de Washington, o mercado como que força o governo a produzir novos passos, um mais inimaginável do que o outro.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

BC mexe de novo no compulsório e libera R$ 23,2 bi

Stock Images
 

 

O Banco Central anunciou, nesta quarta (8), um novo refresco para os bancos. Promoveram-se duas mudanças nas regras do compulsório.

 

É a terceira mexida no compusório em 15 dias. Dessa vez, o BC projeta uma injeção de mais R$ 23,2 bilhões no sistema bancário.

 

Mira especialmente nos bancos de pequeno e médio porte, os mais afetados pela crise financeira internacional.

 

O compulsório obriga os bancos a recolher ao BC um pedaço dos depósitos e investimentos de sua clientela.

 

Trata-se de uma ferramenta que o BC utiliza para retirar dinheiro de circulação ou para umedecer o sistema financeiro, dependendo da necessidade.

 

No momento, o BC abre as torneiras. E o faz em conta-gotas. Um superconta-gotas. Juntas, as três alterações no compulsório liberaram cerca de R$ 60 bilhões.

 

Trata-se de um valor potencial. Que só vai virar realidade se os bancos reagirem conforme os desejos do Banco Central.

 

Algo que não vem ocorrendo. Um pedaço do compulsório liberado pelo BC, em vez de se converter em crédito, encontra-se empoçado no caixa-forte dos bancos.

 

Vai resultando em fracasso também uma outra providência adotada na semana passada. O BC concedera um desconto no compulsório para os bancões que se animassem a comprar as carteiras de empréstimos de bancos menores, às voltas com problemas de iliquidez.

 

Avessos ao risco, porém, os grandes bancos privados brasileiros não se animaram a adquirir os empréstimos da clientela das casas bancárias pequenas.

 

Em conseqüência, o governo ordenou a duas instituições públicas –o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal— que puxassem a fila.

 

BB e CEF encontram-se agora mergulhados na bacia das almas do sistema bancário. São, por ora, as duas únicas instituições que compram carteiras de bancos miúdos.

 

Nada de Bradesco. Nem sinal do Itaú. Nenhum vestígio do Unibanco. Péssimo presságio para o contribuinte brasileiro.

 

Eventuais prejuízos dos bancos oficiais vão à pendura da Viúva. Assim, reze para que as carteiras privadas adquiridas pelo BB e pela CEF tenham boa liquidez.

Escrito por Josias de Souza às 20h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chefão do tesouro americano anuncia novas quebras

Julian Stratenshult/EFE
 

 

Henry Paulson, o secretário do Tesouro dos EUA, voltou à boca do palco nesta quarta (8). Anunciou uma tempestade de ópera:

 

"Uma coisa é preciso reconhecer: mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar".

 

Assim, com a voz impregnada de tambores, metais e cornetas, mister Palson pediu calma à platéia:

 

"Todo esforço vai exigir uma análise cuidadosa, deliberação e transparência, e algum grau de paciência do povo americano."

 

O Congresso americano aprovara o megapacote de US$ 850 bilhões –US$ 700 bilhões dos quais confiados a Paulson—justamente para evitar essa tempestade de ópera.

 

Mas os mercados continuam submetidos a doses diárias de descargas elétricas. Não são relâmpagos de curtos-circuitos. São trovões de intensidade inaudita.

 

E o secretário Paulson converte-se de gerente de nuvens carregadas em pregoeiro de novos raios.

 

Tudo isso num dia em que Bush informa a Lula, pelo telefone, que os efeitos do superpacote começarão a ser sentidos em duas semanas e meia.

 

Uma fala da poderosa presidente da Câmara de Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, acomoda o otimismo de Bush na vala das tolices.

 

Nancy antevê, veja você, a necessidade de aprovação de um novo pacote no legislativo dos EUA. Coisa de mais US$ 150 bilhões.

 

Algo parecido com o embrulho de US$ 168 bilhões aprovado pelos congresistas em fevereiro passado. O objetivo seria levar dinheiro à mão dos americanos.

 

Um estímulo ao consumo, para tentar deter a recessão que se avizinha. Uma recessão que, se vier nas proporções que se anunciam, freará outras economias do mundo.

 

De resto, com os lábios no trombone, Henry Paulson esclareceu que partiu dele a idéia de reunir em Washington os representantes do G-20 Financeiro.

 

A reunião, prevista para sábado (11), em Washington, foi vendida no Brasil como iniciativa do ministro Guido Mantega (Fazenda). Lorota.

 

Paulson explicou que partiu dele a idéia. Discou para o Brasil, que exerce, em 2008, a presidência rotativa do G-20. E sugeriu a convocação do grupo.

 

Para quê? Para tentar descobrir "como agir coordenadamente a fim de minimizar os efeitos da turbulência nos mercados financeiros globais e a desaceleração econômica em nossos países".

 

Objetivos que, a julgar pelos raios expelidos pelo próprio secretário –“Algumas instituições financeiras [ainda] irão quebrar”—soam tão inatuais quanto irreais.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bush a Lula: pacotaço surtirá efeito em 2,5 semanas

O companheiro George Bush telefonou para Lula nesta quarta (8). Disse-lhe que os resultados do superpacote de US$ 850 bilhões logo começarão a aparecer.

 

Quando? Em duas semanas e meia, disse Bush. Lero vai, lero vem, Lula declarou ao pseudopresidente americano que o Brasil está preparado para enfrentar a crise.

 

O contato de Bush foi feito em resposta a um telefonema que Lula disparara para a Casa Branca no último final de semana.

 

Difícil saber qual dos dois expressou, no diálogo desta quarta, uma visão mais otimista. Bush e Lula aventuram-se num terreno movediço.

 

Emitem opiniões por conta própria, à revelia da realidade que os mercados esfregam na cara de ambos.

 

Numa atmosfera assim, tão acerba, aqueles que opinam por conta própria têm algo de suicida.

Escrito por Josias de Souza às 18h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A convite de Mantega, G-20 se reúne sábado nos EUA

Grupo congrega as 20 maiories  economias  do  planeta

‘Presidência rotativa’ é exercida pelo ministro brasileiro

Encontro é emergencial; objetivo é debater crise global

 

Marcello Casal/ABr

 

Ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais do “G-20 Financeiro” reúnem-se em Washington, neste sábado (11), para debater a crise financeira mundial.

 

A reunião foi marcada por sugestão do ministro Guido Mantega (Fazenda), que exerce neste ano de 2008 a presidência rotativa do grupo.

 

O G-20 Financeiro é um fórum informal. Integram-no os ministros da Fazenda e os presidentes dos bancos centrais de 19 países.

 

São as nações ricas do G-8 e os países ditos emergentes. Inclui também representantes da União Européia, do FMI e do Banco Mundial.

 

A entidade foi criada em 1999, justamente para tentar dar resposta às crises financeiras que roíam a economia mundial naquela época.

 

Nenhuma delas teve as proporções alcançadas pela encrenca atual, que nasceu nos EUA e se espraiou pelo mundo em velocidade inaudita.

 

Não se deve confundir o G-20 Financeiro com o outro G-20, fundado em 2003 pelos países em desenvolvimento, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio).

 

Mantega agendou o encontro para a capital dos EUA, para aproveitar a presença das autoridades financeiras dos países na reunião Anual do FMI, que começa nesta quinta (9).

 

O ministro brasileiro viajará para Washington na companhia do presidente do BC, Henrique Meirelles. Na manhã desta quarta, a dupla teve um encontro com Lula, no Planalto.

 

O presidente da República pediu aos auxiliares que defendam no G-20 a adoção de uma estratégia comum de combate à crise.

 

Lula anseia por algo que, de certo modo, já começou a ser feito, embora de forma incipiente. Nesta quarta (8), por exemplo, os seis maiores bancos centrais do mundo executaram uma ação coordenada.

 

Reduziram suas taxas de juros simultaneamente. No caso dos EUA, a taxa foi podada de 2% para 1,5%.

 

Além do FED, o banco central dos EUA, passaram os juros na faca outros cinco bancos centrais: o da União Européia e os do Canadá, Inglaterra, Suécia e Suíça.

 

A essa tentativa de reação coordenada à crise, somam-se iniciativas individuais de cada país.

 

Depois do pacotaço de US$ 850 bilhões aprovado nos EUA, vem da Inglaterra o gesto mais surpreendente.

 

Na contramão do liberalismo exacerbado da era Margareth Tatcher, o governo inglês anunciou nesta quarta (8) a decisão de nacionalizar parcialmente o seu sistema bancário, com água pelo nariz.

 

Vai usar 50 bilhões de libras –algo como US$ 87 bilhões— para comprar ações preferenciais dos bancos, capitalizando-os. Com isso, o Estado se torna, no Reino Unido, sócio da banca.

 

No Brasil, a cara feia da crise, que já se havia apresentado na forma da secura do crédito, mostrou, nos últimos dias, uma outra face: a careta cambial.

 

Às voltas com o novo bicho papão, o Banco Central brasileiro viu-se compelido, também nesta quarta (8), a vender dólares do mercado à vista.

 

Na tentativa de segurar a cotação de um dólar desembestado (chegou a R$ 2,48 no pior momento do dia), o BC realizou três leilões.

 

Usaram-se moedas americanas que compõem as reservas internacionais do Brasil. É coisa que não acontecia desde março de 2003.

Escrito por Josias de Souza às 15h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo cogita usar superávit para reforçar BNDES

Idéia é ‘irrigar’ as linhas de crédito aos exportadores

Dinheiro viria de montante poupado ‘acima da meta’

Tenta-se desencalhar o projeto do ‘Fundo Soberano’

 

  José Cruz/ABr
O deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara, reuniu-se nesta terça (7) com representantes do PSDB, DEM e PPS.

 

Propôs à oposição um acordo para desencalhar o projeto do governo que cria o Fundo Soberano.

 

O governo deseja usar um pedaço do superávit que destinou ao Fundo Soberano para reforçar a carteira de crédito do BNDES à exportação.

 

Fontana age a pedido de Lula. Ele esmiuçou a idéia aos líderes José Aníbal (PSDB), José Carlos Aleluia (DEM) e Fernando Coruja (PPS).

 

Depois, sintetizou-a ao blog: “O governo aumentou a meta de superávit primário [de 3,8% para 4,3% do PIB], gerando uma poupança extra...”

 

“...Se aprovamos o Fundo Soberano, vamos poder, nesse momento de crise, usar parte dessa poupança para financiar as exportações brasileiras...”

 

“...Pega algo como R$ 7 bilhões do fundo e coloca na mão do BNDES. Que vai emprestar aos exportadores e remunerar o fundo.”

 

Na conversa com os oposicionistas, Fontana estava acompanhado do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

 

Auxiliar do ministro Guido Mantega (Fazenda), Arno foi à Câmara com a missão de prover informações técnicas aos deputados. A oposição torceu o nariz.

 

Em vez de votar o Fundo Soberano, quer que o governo retire do projeto o selo de “urgência constitucional” que o acomoda no início da fila de votações.

 

A oposição prefere dar prioridade à votação da medida provisória anticrise, editada por Lula na noite de segunda (6). Contém um lote de medidas que o tucano José Aníbal chama de “Proer envergonhado”.

 

“Estranhei o comportamento da oposição. Espero que seja só um arroubo inicial”, disse Fontana.

 

Junto com Arno Augustin, o líder de Lula volta a se reunir com Aníbal, Aleluia e Coruja nesta quarta (8). “A preocupação que o presidente nos passou foi clara:...”

 

“Precisamos fazer tudo o que está sob a nossa responsabilidade para ajudar. Não controlamos o Congesso americano...”

 

“...Também não sabemos o que a Europa vai fazer para contornar a crise que chegou lá. Então, temos que fazer aqui no Congresso tudo o que puder servir de auxílio para que a economia brasileira sofra menos com o impacto da crise global”.

 

Além do Fundo Soberano, o Planalto encomendou a Fontana a aprovação da reforma tributária, outra proposta empacada na Câmara.

 

Valendo-se de informações que recebera de Guido Mantega, Fontana argumenta: "O ministro diz que, com outro sistema tributário, podemos ter um acréscimo de 10% no desempenho da economia...”

 

“...Se o PIB vai crescer 5%, cresceria 5,5%. Se crescer 4%, passaria para 4,4% e assim por diante”.

 

A idéia de enxugar os gastos públicos, considerada óbvia e necessária pela oposição, parece não constar do arsenal anticrise do governo.

 

PS.: Por falar em crise, as bolsas asiáticas, que abrem os negócios na hora em que o mercado brasileiro ainda dorme, emendaram na madrugada desta quarta (8) o terceiro dia consecutivo de quedas.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

 

- Globo: Dólar chega a R$ 2,31 e Lula recomenda manter consumo

 

- Folha: Governos ampliam socorro, mas nao seguram mercados

 

- Estadão: BC age, mas dólar dispara 5,09% e atinge R$ 2,31

 

- JB: Gabeira esconde Cesar da TV

 

- Correio: Como a crise afeta o brasiliense

 

- Valor: Mercado avalia perdas com dólar em derivativos

 

- Gazeta Mercantil: Empresas apostam no risco do dólar futuro

 

- Jornal do Commercio: Prefeito eleito teme saque em Jaboatão

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Crise, que crise?

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB lança Temer à presidência da Câmara nesta 4ª

  Folha
A bancada de deputados do PMDB reúne-se nesta quarta (8), em Brasília. Na pauta, o lançamento da candidatura de Michel Temer (SP) à presidência da Câmara.

 

Era algo que o partido pretendia fazer só em dezembro. Decidiu apertar o passo, porém, para conter o avanço de um adversário que cresceu além do desejado.

 

Chama-se Ciro Nogueira (PP-PI). Entrou na disputa com cara de azarão. Em silêncio, foi beliscando votos em proporção ameaçadora.

 

Um deputado e uma deputada do PMDB cruzaram o mês de outubro conspirando contra a pretendida unanimidade da bancada em torno de Temer.

 

Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Rita Camata (PMDB-ES) ameaçaram lançar seus nomes como alternativas à sucessão de Arlindo Chinaglia (PT-SP).

 

Contudo, ainda que levem a ameaça adiante, falta-lhes votos para fazer sombra Temer numa disputa interna. Sobretudo depois do resultado das urnas de domingo.

 

Sob a presidência de Michel Temer, o PMDB emergiu do primeiro turno municipal como o partido que mais elegeu prefeitos: 1.194 –140 além do que elegera em 2004.

 

Temer entra na disputa pelo comando da Câmara com um trunfo e um problema. A vantagem é o acordo que firmara, em 2006, com o petismo.

 

A primeira parte trato já foi honrada: com seus votos, o PMDB ajudou a eleger o petista Arlindo Chinaglia. Agora, cobra a reciprocidade prometida pelo PT.

 

O embaraço a ser administrado é a desavença subterrânea que azeda as relações do PMDB e do PT no Senado. Ali, o PT quer acomodar na presidência Tião Viana (AC).

 

Mas o PMDB, dono da maior bancada, reivindica para si a prerrogativa de indicar o sucessor de Garibaldi Alves (PMDB-RN).

 

A tendência é a de que se produza um acordo também no Senado. PMDB e PT têm, a essa alturaq, muitos interesses em comum.

 

O principal deles é a perspectiva de aliança para 2010. Lula já disse a Temer que deseja um peemedebista no papel de vice da chapa de Dilma Rousseff.

 

Por ora, Temer faz doce. Provocado, diz que o PMDB trabalha com pelo menos um par de alternativas. A composição com Lula é uma delas.

 

A outra hipótese, diz o deputado, é a de o PMDB lançar um candidato próprio à sucessão de Lula. Algo improvável, contudo.

 

Pródigo na produção de prefeitos, o PMDB não dispõe de um mísero nome em condições de entrar no jogo presidencial com alguma chance de êxito.

 

Hoje, o peemedebista mais bem-posto na cena nacional é o governador do Rio, Sérgio Cabral. É um dos nomes que Lula acalenta como alternativa de vice.

 

Mas o prestígio de Cabral será submetido a teste no segundo turno das eleições para a prefeitura carioca. O governador quebra lanças pelo candidato Eduardo Paes.

 

Se perder para Fernando Gabeira (PV), levado ao segundo turno por uma onda que se formou na boca das urnas do primeiro round, Cabral vai ao noticiário com cara de derrotado.

Escrito por Josias de Souza às 01h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Serra criou em SP o adultério partidário sem culpa

Reconheça-se: como no casamento, a união partidária já é dissolúvel na véspera. O PSDB é igual às outras legendas. Só que leva a fatalidade às últimas conseqüências.

 

Em 2002, Serra sufocou Tasso. Em 2006, foi sufocado por Alckmin. “Isso passa! Isso passa”, dizem sempre os tucanos do “deixa-disso”.

 

Bobagem. Dor de traição não passa. Fica enterrada na alma, sob camadas de cinismo. Como em certos casamentos, entre o desquite e a traição, recorre-se à segunda opção.

 

Súbito, a vítima de ontem torna-se o algoz de hoje. E, para o bom equilíbrio partidário, convém que a nova vítima aceite o seu papel.

 

Serra vai à crônica da eleição paulistana de 2006 no papel de marido violento: bateu, mas calado. E jamais disse a Alckmin: “Não chateia! Não amola!”

 

Agora, depois de eliminar, em 2008, o algoz de 2006, o governador flerta com 2010 de mãos dadas com o ‘demo’ Kassab, objeto da traição.

 

Serra ajudou a produzir algo que o PT vem tentando há anos, sem sucesso: uma derrota do PSDB em São Paulo, vitrine do tucanato.

 

De resto, o governador está na bica de proporcionar ao DEM um feito com o qual o ex-PFL sonha desde a sua fundação: uma vitória em São Paulo.

 

Nesta terça (8), decorridas menos de 48 horas da abertura das urnas, Serra saiu da toca (veja no vídeo lá do alto).

 

Para aplainar o terreno presidencial, Serra inventou um novo tipo de infidelidade política: o adultério partidário sem culpa.

Escrito por Josias de Souza às 00h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gallup: Obama está nove pontos à frente de MacCain

Sondagem divulgada nesta terça (7) pelo Gallup informa que Barack Obama abriu sobre John McCain uma vantagem de nove pontos percentuais.

 

Segundo o Gallup, Obama dispõe de 51% das intenções de voto dos eleitores americanos, contra 42% atribuídos a McCain.

 

Com isso, Obama retoma o mesmo patamar de nove pontos, o mais alto da campanha, que ostentava no final de julho.

 

Naquele mês, sob o impacto de uma bem sucedida viagem internacionalnível, Obama obtivera 49% na pesquisa do Gallup. McCain tinha, então, 40%.

 

A pesquisa vem à luz no dia em que os dois candidatos medirão forças no segundo de uma série de três debates na TV.

 

Os números do Gallup discrepam dos dados de uma outra pesquisa divulgada também nesta terça. Foi feita, em sociedade, pela Reuters, C-Spain e Zogby.

 

Nessa segunda sondagem, a dianteira de Obama (48%) sobre McCain (45%) seria de escassos três pontos percentuais.

 

Como a margem de erro da pesquisa é de 2,8 pontos, para mais ou para menos, os dois estariam em situação de empate técnico.

 

O Gallup realiza uma sondagem por dia. É chamada de “tracking”. Ouve diariamente cerca de mil eleitores. E vai consolidando os dados a cada três dias.

 

Os números divulgados nesta terça resultam da consolidação de 2.747 entrevistas realizadas entre sábado (4) e segunda (5). A margem de erro é de dois pontos.

Escrito por Josias de Souza às 20h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma diz a Geddel que não fará campanha na Bahia

  Rafael Andrade/Folha
Os ministros Geddel Vieira Lima e Dilma Rousseff trocaram um telefonema na tarde desta terça (7). Falaram de Salvador.

A chefe da Casa Civil disse ao mandachuva da Integração Nacional que não lhe passa pela cabeça envolver-se no segundo turno da disputa baiana.

 

Na véspera, dois deputados que estiveram no Planalto saíram dizendo que Lula determinara a Dilma que ajudasse o candidato petista Walter Pinheiro.

 

Associado à candidatura reeleitroal de João Henrique, do PMDB, Geddel estranhou. De Salvador, onde se encontra, tocou, primeiro, para José Múcio, coordenador político de Lula.

 

Múcio disse-lhe que prevaleceria em Salvador a mesma regra imposta por Lula no primeiro turno: havendo mais de um candidato governista, o Planalto manteria distância da refrega.

 

Geddel só sossegou, porém, depois de falar com a própria Dilma. Em Salvador, disse ela, não vai passar “nem pelo espaço aéreo”.

 

Nesta quarta (8), já em Brasília, Geddel deve avistar-se com Lula. Deseja renovar com o presidente o acordo de cavalheiros do primeiro turno.

 

No final de semana, o governador baiano, Jaques Wagner, petista como Walter Pinheiro, dissera que também ele procuraria Lula.

 

Para Jaques Wagner, a boa convivência do governismo na Bahia recomendaria que ele próprio e Geddel também se mantivessem eqüidistantes da disputa.

 

É algo que Geddel não parece disposto a aceitar. Acha que, na cena baiana, só não vale palavrão e golpe abaixo da linha de cintura. De resto, não vê problemas em que PMDB e PT joguem com as armas de que dispõem. Geddel culpa o petismo pela divisão da tropa de Lula na Bahia:

 

"Se o PT da Bahia tivesse permanecido [na administração João Henrique], como eu desejei, se tivesse ajudado a eleger João Henrique em primeiro turno e não tivesse deixado a administração [da prefeitura] aos 46 minutos do segundo tempo, nós já teríamos um equilíbrio absoluto."

Escrito por Josias de Souza às 18h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Anatel marca data da votação que libera a supertele

Será no próximo dia 16, uma quinta-feira, a reunião mais importante da história da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

 

Nesse dia, o conselho diretor da agência votará o novo PGO (Plano Geral de Outorgas).

 

Vai à mesa a mudança de regras que abrirá caminho para a formalização da compra da Brasil Telecom pela Oi.

 

A reunião será pública. É a primeira vez que isso ocorre na Anatel, cuja diretoria sempre produziu decisões a portas fechadas.

 

Esperava-se que a reunião ocorresse nesta semana. Pedro Jaime Ziller, o conselheiro que relata o processo na Anatel, voltar de um período de férias nesta segunda (6).

 

O relatório dele está pronto. A decisão de abrir as portas, porém, empurrou a votação para a próxima semana.

 

Nesta quarta (8), a Anatel publicará no Diário Oficial uma convocatória. Uma espécie de “convite à sociedade”.

 

A decisão de facilitar a vida da supertele está tomada. É pule de dez. Bom que a coisa seja feita às claras. Permite ao menos que a platéria ouça os argumentos.

Escrito por Josias de Souza às 18h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Eleitor de cidade paulista ‘cospe’ na própria imagem

O eleitor brasileiro às vezes comporta-e como um Narciso às avessas.

Investe contra a auto-imagem com fúria hedionda.

Veja-se, por exemplo, o caso de São José dos Campos.

 

Cidade próspera. Ditante 91 quilômetros de São Paulo, a vitrine industrial do país.

 

Se há pedaços do Brasil que precisam ser feitos, São José dos Campos não é um deles. Os moradores da cidade já a fizeram.

 

Pois bem, os eleitores desse naco pujante do mapa brasileiro acomodaram na câmara de vereadores local a ex-deputada federal Angela Guadagnin (PT).

 

Sim, ela mesma, a bailarina da pizza. Ela já chefiara a prefeitura local na década de 90. Depois, elegera-se deputada federal por duas vezes.

 

Em 2006, Ângela Guadagnin tentara renovar o mandato de deputada. Mas o eleitor, com o bailado do plenário da Câmara ainda fresco na memória, dissera “não”.

 

Agora, uma São José dos Campos convertida em anti-Narciso substitui o “não” por um surpreendente “sim”.

 

Ao dar à “bailarina” do mensalão um mandato de vereadora, o eleitor como que escarra na própria imagem.

 

Houve muitas outras cusparadas país afora. Nada menos que 45 políticos de “ficha suja” foram eleitos ou passaram ao segundo turno da eleição municipal.

Escrito por Josias de Souza às 16h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB paulista confirma apoio a Kassab no 2º turno

O PSDB ratificou em público o que uma parte do grão-ducado do partido já negociara nos subterrâneos.

Contrariando a tradição do muro, o tucanato colou os seus cacos e associou-se à candidatura de Gilberto Kassab (DEM) menos de 24 horas depois da abertura das urnas.

 

A despeito das feridas que ardem na alma de Geraldo Alckmin, refez-se em São Paulo a aliança tucano-democrata.

 

O governador José Serra já pode evoluir do apoio dissimulado para o suporte desbragado ao seu pupilo ‘demo’.

 

A decisão pró-aliança foi tomada em reunião do diretório municipal do PSDB. Alckmin não deu as caras. Tampouco planeja aparecer na pajelança programada para a tarde desta terça (7).

 

O tucanato tomou o rumo indicado por um par de conselheiras: a conveniência e a lógica. 

 

A lógica esfregou na cara dos tucanos um dado disponível nas pesquisas: mais de 70% dos eleitores que votaram em Alckmin no primeiro turno dizem que vão de Kassab no segundo.

 

A conveniência lembrou ao PSDB que, em São Paulo, não resta à legenda senão reunir forçar para tentar deter Marta Suplicy e, com ela, o PT.

Escrito por Josias de Souza às 03h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Lula, urnas de 2008 favorecem governo em 2010

Presidente faz troça do desempenho dos oposicionistas

 

Marcello Casal/ABr

Até reunião dedicada à crise política, Lula encontrou espaço para falar de eleições

 

Lula desfila entusiasmo e bom humor pelos corredores do Planalto. Festeja o desempenho dos “aliados” nas urnas de domingo. E tira sarro da oposição.

 

No geral, o presidente avalia que todas as legendas que gravitam na órbita do governo dele saíram da eleição maiores do que entraram.

 

Acha que foram fincadas em 2008 as estacas que vão sustentar, em 2010, o palanque presidencial da candidatura da ministra Dilma Rousseff.

 

Impressionou-se especialmente com o desempenho do PMDB, o partido que mais amealhou prefeituras no domingo.

 

Noves fora as disputas de segundo turno, o PMDB já elegeu 1.194 prefeitos –140 a mais do que elegera em 2004. De todas as legendas, “é a mais nacional”, disse Lula.

 

Descendo ao específico, Lula afirma que apenas três partidos encolheram no domingo: os oposicionistas PSDB, DEM e PPS.

 

“Só essa trinca se deu mal”, disse Lula, sorriso nos lábios, no meio de uma reunião convocada para discutir a crise econômica.

 

A maioria dos presentes –congresistas que integram o conselho político do governo—foi às gargalhadas. Algo que estimulou Lula a prosseguir.

 

Epicaçou, por exemplo, ACM Neto (DEM-BA), excluído pelo eleitor da disputa pela prefeitura da Bahia. Mais cedo, referira-se ao desafeto ‘demo’ em tom depreciativo.

 

“O baixinho valentão quebrou a cara”, afirmou. Uma alusão ao discurso em que, no auge do mensalão, o neto de ACM ameaçara sair no braço com o presidente.

 

Em meio à animação, Lula permitiu-se até elogiar o desempenho de Walter Pinheiro, o petista que ajudou a riscar o nome de ACM Neto da disputa.

 

Lula nunca foi com a cara de Pinheiro. A despeito disso, pediu a Dilma Rousseff que reforce a campanha dele no segundo turno.

 

A euforia de Lula está escorada num levantamento que desconsidera o peso político das prefeituras em disputa.

 

Sérgio Guerra, o presidente do PSDB, diz que o “bicho papão de Lula” se dissipou nas eleições de São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Em São Paulo porque Marta Suplicy, batida em número de votos pelo ‘demo’ Gilberto Kassab no primeiro turno, vai ao segundo turno com cara de derrotada.

 

No Rio porque o candidato de Lula, Marcelo Crivella (PRB), foi excluído da disputa por Fernando Gabeira (PV), apoiado pelo PSDB.

 

Lula dá de ombros para a perspectiva de o DEM manter Kassab na vitrine paulista. Prefere agarrar-se à contabilidade geral.

 

Na ponta do lápis, o DEM foi, entre as legendas consideradas grandes, a que mais perdeu prefeituras no domingo. Elegera cerca de 790 prefeitos em 2004. Conquistou 494 prefeituras no domingo.

 

Quanto ao PSDB, Lula prefere realçar a derrota de Geraldo Alckmin a reconhecer que o êxito de Kassab tonifica as pretensões presidenciais do governador José Serra.

 

O presidente agarra-se, de novo, à fotografia geral: o PSDB tinha 871 prefeituras. E só reteve 780 no primeiro turno.

 

Lula saboreia, de resto, o infortúnio do PPS de Roberto Freire. “Esse virou partido nanico”, espezinha. Manteve 132 das 306 prefeituras que conquistara quatro anos atrás.

 

Deve-se o esmagamento do PPS, na opinião de Lula, especialmente ao bom desempenho do PSB.

 

Sobretudo nas praças de Pernambuco, Estado governado pelo “amigo” Eduardo Campos (PSB), e do Ceará, submetido aos irmãos Cid (governador) e Ciro Gomes (deputado e presidenciável do PSB).

 

E quanto ao PT? Lula acha que seu partido cresceu menos do que deveria. Mas cresceu. Foi de cerca de 410 prefeituras para algo como 550.

 

Reconhece que a “política de alianças” fez com que o PT lançasse menos candidatos, consorciando-se com outras legendas governistas.

 

Uma estratégia que Lula considera acertada considerando-se os planos que traçou para 2010. Acha que o PT, depois de muito “murro em ponta de faca” enxergou a importância do jogo das “alianças”.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

 

- Globo: BC anuncia socorro a bancos em dia de pânico no mercado

 

- Folha: Crise se aprofunda na Europa e espalha pânico pelos mercados

 

- Estadão: BC ganha mais poder para socorrer bancos pequenos

 

- JB: Crise chega ao país

 

- Correio: Governo lança pacote contra desespero

 

- Valor: Governos tentam acalmar mercado

 

- Gazeta Mercantil: Circuit breaker

 

- Estado de Minas: Declarada a guerra do 2º turno em BH

 

- Jornal do Commercio: Eleição deixa Vitória em pé de guerra

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uni duni te, salamé mingúe!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dos 93 deputados que foram às urnas 66 naufragaram

  Beto Barata
Entre os candidatos a prefeito e vice-prefeito que foram às urnas no domingo (5) havia 93 deputados federais.

 

O eleitor virou a cara para a grossa maioria: naufragaram 66 deputados –ou 71% dos que levaram seu prestígio à vitrine municipal.

 

O nome mais vistoso do rol de rejeitados é o de ACM Neto (DEM-BA). O eleitor empurrou-o, na última hora, para fora da disputa pela prefeitura de Salvador.

 

Deu-se coisa parecida com a deputada Manuela D’ávila (PCdoB-RS), malsucedida numa peleja renhida pelo segundo lugar da eleição de Porto Alegre.  

 

Apenas 13 deputados (14%) conseguiram se eleger. Entre eles Renildo Calheiros (PCdoB). Irmão de Renan Calheiros, ele beliscou a prefeitura da bela Olinda (PE).

 

Outros 14 deputados (15% do total) carimbaram, no domingo, o passaporte para o segundo turno. No grupo dos que permanecem vivos na disputa, destacam-se seis:

 

1. Leonardo Quintão (PMDB-MG): foi à refrega eleitoral de Belo Horizonte com cara azarão. Ninguém ousava apostar uma pataca na candidatura dele.

 

Mineiro de fala mansa, Quintão comeu o minguau pelas beiradas, como se diz. Nos últimos dias da campanha, tomou o elevador.

 

Súbito, pôs-se a morder os calcanhares do rival Márcio Lacerda (PSB), o queridinho do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT).

 

2. Fernando Gabeira (PV-RJ): Antes de meter-se na disputa pela prefeitura do Rio, roeu-se em hesitações. Aconselhado por seus botões, foi, finalmente, à sorte das urnas.

 

No início da campanha, roçava o piso das pesquisas de opinião, abaixo dos dois dígitos. Quando tudo parecia perdido, uma “onda Gabeira” varreu o Rio.

 

Desbancou Marcelo Crivella (PRB), o dodói de Lula. E foi ao ringue do segundo round com musculatura para medir forças com Eduardo Paes (PMDB), candidato da máquina operada pelo governador Sérgio Cabral;

 

3. Walter Pinheiro (PT-BA): Embora petista, nunca foi lulista. O Planalto apostava que teria fôlego curto. Desautorizou-o a monopolizar a imagem do presidente.

 

Teve de dividir a popularidade de Lula com outro candidato governista à prefeitura de Salvador: João Henrique (PMDB).

 

Trata-se do atual prefeito da cidade. Concorre à reeleição apadrinhado pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

 

Walter Pinheiro flertou com a dúvida até o domingo da eleição. Abertas as urnas, festejou um feito: ajudou a matar o sonho do colega ACM Neto.

 

5. Maria do Rosário (PT-RS): Ameaçada por Manuela D’ávila até as vésperas do pleito, desbancou-a na virada da última curva.

 

Chega ao segundo turno com uma missão de recuperar a supramacia do PT em Porto Alegre. Difícil. Tem pela frente uma pedreira chamada José Fogaça (PMDB), prefeito e candidato à reeleição.

 

6. Aldo Rebelo (PCdoB-SP): Trocou o sonho da candidatura a prefeito pelo pesadelo de uma vice na chapa da petista Marta Suplicy.

 

Pesadelo por duas razões: Aldo traz o PT atravessado na traquéia. Acha que o partido o traiu na última disputa pela presidência da Câmara.

 

Engoliu a raiva a pedidos. Também porque a eventual eleição de Marta a levaria a flertar com vôos mais altos em 2010. E ele herdaria a prefeitura.

 

Não contava, porém, com a ascensão de Gilberto Kassab (DEM). O protegido de José Serra foi ao segundo turno com mais votos do que Marta.

 

Perto do desafio que assedia a dupla Marta-Aldo, a missão gaúcha da petista Maria do Rosário é café pequeno.

Escrito por Josias de Souza às 01h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula decide editar uma medida provisória ‘anticrise’

 

Convocados por Lula, representantes do consórcio partidário que dá suporte ao governo no Congresso estiveram nesta segunda (6) no Planalto.

 

Foram informados acerca dos detalhes de uma medida provisória que o governo decidiu baixar, nas pegadas de um dia tenebroso. Será publicada na edição desta terça (7) do Diário Oficial.

 

A MP contém um lote de providências anunciadas mais cedo pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) e pelo presidente do BC, Henrique Meirelles.

 

A entrevista da dupla está disponível no vídeo lá do alto. Aos que forem rodá-lo, um aviso: tem 18min 22s.

 

Pacote? Não, não. Absolutamente, esconjuraram deputados à saída do encontro. Vade retro!

Escrito por Josias de Souza às 23h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Partidos ficam em 2º plano na estratégia de Gabeira

Partidos ficam em 2º plano na estratégia de Gabeira

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Fernando Gabeira (PV) montou para o segundo round da eleição carioca uma estratégia que reserva papel secundário às alianças interpartidárias.

 

Normalmente, candidatos que passam à fase final de uma eleição em dois turnos costumam buscar acordos com as legendas derrotadas na primeira fase.

 

Gabeira decidiu subverter essa lógica. Já consorciado ao PSDB e ao PPS, vai buscar o apoio de indivíduos, não de partidos. Dá de ombos para as alianças formais.

 

Ele resume assim a estratégia: “Quero agregar indivíduos à minha campanha, para mostrar que existem pessoas interessadas em mudar o Rio...”

 

“...Os partidos nos ajudam se quiserem. Se não quiserem, a gente vai transformar a cidade apesar deles.”

 

Gabeira transpôs a fronteira que separava o primeiro do segundo turno com 25% dos votos válidos do Rio.

 

O rival dele, Eduardo Paes (PMDB), amealhou 32%. Diferença de sete pontos percentuais. Algo inimaginável há algumas semanas.

 

Em busca de votos que lhe permitam prevalecer sobre o adversário, Gabeira se debruçou sobre os mapas da eleição. Perscruta urna por urna.

 

De resto, faz uma conta que lhe parece estratégica. Tenta quantificar os votos do eleitorado dito de “esquerda”.

 

Ele soma os votos de candidatos derrotados –Jandira Feghali (PCdoB), Chico Alencar (PSOL), Alessando Molon (PT), etc—e estima em 20% o cesto da esquerda.

 

Gabeira acha que, seja qual for o posicionamento dos partidos no segundo turno, a maior fatia desse eleitorado migrará para a candidatura dele.

 

“Tenho a impressão de que vai haver movimentos dos partidos oficiais para apoiarem o [Eduardo] Paes. E um movimento dos simpatizantes de me apoiarem”.

 

Numa primeira leitura das urnas, Gabeira verificou o seguinte:

 

1. Se dependesse da Zona Sul do Rio, teria sido eleito no primeiro turno. Teve nessa área uma votação vigorosa. Por exemplo: 65% dos votos de Ipanema; 55% de Copacabana;

 

2. Foi bem votado também na Barra da Tijuca. Nesse bairro, onde mora Eduardo Paes, amealhou, em média, 55% dos votos;

 

3. Na Zona Norte, teve votação razoável: 35% em média. Chegou a cerca de 40% em algumas urnas;

 

4. O calcanhar da candidatura está na Zona Oeste, onde Gabeira teve, em média, escassos 14% dos votos.

 

É a região mais densa da cidade do Rio. Inclui bairros como Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz. Localizades que, por pobres, costumam valorizar a relação com o governo.

 

Governo que, no Rio, é representado por Sérgio Cabral (PMDB), padrinho da candidatura de Eduardo Paes.

 

No segundo turno, Gabeira tentará enfiar uma cunha nessa região. “Acho que, no segundo turno, os eleitores estão atentos aos candidatos...”

 

“...Os partidos podem dizer vote em fulano, mas os elitores não vão abrir mão de avaliar qual é o melhor”.

Escrito por Josias de Souza às 20h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Entenda melhor o que faz tremer o mercado no Brasil

Escrito por Josias de Souza às 19h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo recorre às reservas em nova reação à crise

Reuters
 

 

Na luta para atenuar os efeitos do terremoto financeiro internacional no Brasil, o governo ressuscita uma expressão que estava a caminho da cova: “Por outro lado”.

 

A economia brasileira é “robusta”. Por outro lado, reconhecem as autoridades de Brasília, o país não está imune à crise.

 

A balança comercial do Brasil exibe pujança inaudita. Por outro lado, o exportador brasileiro é submetido a uma hedionda escassez creditícia.

 

Lula afirmara há 15 dias que não pretendia lançar mão das reservas internacionais, hoje na casa de US$ 205 bilhões. Por outro lado, viu-se compelido a dar meia-volta.

 

Nesta segunda (6), o dólar pulou como cavalo indomado, e a Bovespa vagueou como bêbada solta na madrugada, rumo ao subsolo

 

Acossado, o governo veio à boca do palco para anunciar providênciasForam duas.

 

Ambas destinadas a socorrer exportadores às voltas com a atmosfera desértica que permeia o mercado internacional de crédito:

 

1. Guido Mantega e Henrique Meirelles, informaram que um pedaço das reservas será  usado para abrir um oásis no Saara a que se vê submetido o exportador;

 

Quanto? Não foi dito. Informou-se apenas que o dinheiro migrará do estrangeiro, onde se encontra depositado, para bancos brasileiros, que proverão os créditos.

 

Esclareceu-se, de resto, que a coisa será formalizada por meio de contratos que prevêem a recompra dos dólares da reserva mais adiante.

 

2. O ministro da Fazenda informou também que as arcas do BNDES serão tonificadas em R$ 5 bilhões. Dinheiro do Tesouro. De novo, para irrigar o crédito a exportadores.

 

Devagarinho, o governo vai compondo um embrulho anticrise. Buliu-se nas regras dos compulsórios dos bancos. Uma, duas, três vezes. Objetivo: pôr em circulação algo como R$ 36,5 bilhões. De quebra, acudir bancos médios e pequenos.

 

Injetaram-se, de resto, R$ 5 bilhões no bolo de crédito que o Banco do Brasil destina ao agronegócio. Agora, vieram as reservas e mais R$ 5 bilhões para o BNDES.

 

Lula e Mantega afirmam que a era dos pacotes é coisa do passado. Por outro lado, nada impede que o governo inove, fazendo um pacote em conta-gotas. Melhor isso, aliás, do que a inação.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Eleições custaram às arcas da Viúva R$ 523 milhões

Quem informa é o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto. Poderia ter custado menos. O pleito de 2004 sorvera dos cofres públicos R$ 420 milhões.

 

Mas é preciso reconhecer: considerando-se a magnitude do processo e a qualidade dos serviços -a rapidez na apuração, por exemplo-, R$ 523 milhões não é tanto dinheiro assim.

 

Dividindo-se a dinheirama pelo número de eleitores –128 milhões—chega-se a um valor unitário do voto bastante razoável: R$ 4,08. De resto, Britto deu explicações razoáveis para o aumento do custo:

 

1) há, hoje, mais eleitores; 2) adquiriram-se novas urnas eletrônicas; e 3) houve a necessidade de bancar o envio de tropas do Exército para assegurar a lisura do pleito em mais de quatro centenas de cidades.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Marco Aurélio Garcia sobre SP: Será ‘disputa renhida’

  Tuca Vieira/Folha
Vice-presidente do PT e assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia disse que o partido disputará o segundo turno em São Paulo “em condição não-ideal”.

Ele se disse surpreso com o desempenho de Gilberto Kassab (DEM) no primeiro round da eleição.

 

“Eu não esperava. Ainda que houvesse alguns indícios, nos últimos dez dias, de ascensão forte do Kassab”, combinada com “um estancamento” de Marta Suplicy (PT).

 

Lamenta: “Oxalá pudesse ter sido aquele cenário inicial, no qual ela [Marta] tinha uma vantagem muito mais pronunciada”.

 

Porém, aposta: “Não creio que todos os votos do [Geraldo] Alckimin vão se transferir [para Kassab]”.

 

Recorda: Entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2006. “Alckmin perdeu 3 milhões de votos, em termos absolutos”, para Lula.

 

Reconhece: Marta travará com Kassab, na capital paulistana, “uma disputa renhida, sem dúvida”.

 

Mas confia: “O Kassab se beneficiou de um tempo [de TV] muito grande. Agora, vamos ter a oportunidade de uma polarização mais forte...”

 

“...O tema do enfrentamento dos problemas sociais vai se colocar. A vatagem da Marta é grande. Há uma memória do que foi o seu governo. Houve grandes conquistas em matéria de educação e transportes, para citar apenas dois itens”.

 

A entrevista de Marco Aurélio foi concedida à Band News. Noves fora a apreensão com a refrega de São Paulo, ele festejou os resultados obtidos pelo petismo nas urnas.

 

“O PT elegeu a maioria dos prefeitos que tiveram resultado no primeiro turno [seis entre 15 capitais]. Um resutlado extraordinário nacionalmente...”

 

“...Se anlisarmos finamente os resultados nas pequenas cidades, será mais favorável ainda. E vamos em condições de alta competitividade em cidades como São Paulo e Porto Alegre”.

 

Marco Aurélio acha que, projetando-se os resultados para 2010, “os problemas estão colocados para a oposição”, não para o PT.

 

Ele esmiuçou o raciocínio: “Não gosto de comentar a situação de outros partidos. Mas os conflitos que essa eleição [de São Paulo] revelou no interior do PSDB são muito grandes...”

 

“...Como essas cicatrizes vão se resolver? Que impacto isso terá numa divisão que está se estabelecendo desde agora...”

 

“...O DEM, apesar de São Paulo, saiu fragilizado. A decadência do DEM no resto do país foi muito grande. Um exemplo disso é Salvador...

 

“...ACM Neto foi para o terceiro lugar. É a missa de sétimo dia do carlismo na Bahia. No que diz repeito às forças que estão em torno do governo, que têm uma forte tendência de coloigar-se em 2010, teremos um avanço importante”.

Escrito por Josias de Souza às 04h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O Lula ‘se arrebentou’ em Natal, revida Agripino Maia

  Lula Marques/Folha
Depois de ajudar a impor um revés à petista Fátima Bezerra na eleição de Natal, José Agripino Maia, líder do DEM, prepara-se para discursar no Senado.

 

Vai revidar os ataques que Lula fez a ele e à candidata Micarla de Souza (PV), que prevaleceu em natal, no primeiro turno, com o seu apoio.

 

“Não posso deixar de realçar o viés chavista de Lula. Ele é um títere. Não consegue respeitar a oposição. É truculento. É sobre isso que vou falar...”

 

“...O Lula veio a Natal para derrotar o líder da oposição. Ficou patente que, em política, a truculência é má conselheira. Ele se arrebentou.”

 

Abaixo a entrevista de Agripino:

 

 

- O comício de Lula teve influência na vitória de Micarla?

O Lula perdeu a cabeça e mostrou a sua face real. Desceu do olimpo do estadista, que nunca foi, para o lugar de sindicalista primário que ele é. Ele não admite oposição.

- Mas acha que isso prejudicou a candidatura de Fátima Bezerra (PT)?

Estava em curso um crescimento de Fátima. As pessoas começavam a compreender que ela havia reunido apoiadores fortes: a Wilma [de Faria, governadora], o Carlos Eduardo [Alves, prefeito de Natal] e o Garibaldi [Alves, presidente do Senado]. Mas o discurso de cirou um tumulto na cidade. Fez muita gente armar barricadas contra eles.

- Que tipo de gente?

Gente que gosta de mim e até gente que não gosta. Esse discurso provovou uma parada no crescimento da Fátima. Um contrasenso se considerarmos a musculatura dos aliados que ela reuniu. Lula estancou o processo de crescimento com o insulto que fez a mim e à candidata Micarla. Ele perturbou o processo.

- Realmente acha que isso teve peso eleitoral?

O que Lula fez em Natal foi patrocinar um grande acordo, um acórdão. Juntou Wilma e Garibaldi, para que os dois me derrotassem [na disputa pelo Senado, em 2010]. No afã de me derrotar, ele patrocinou esse acordão. Isso ficou ainda mais claro com o discurso em que ele dirigiu ofensas a mim. Esse acórdão foi derrotado pelo povo.

- A que atribui a raiva do presidente?

O ódio dele vem da CPMF, que nós derrotamos no Senado. No comício de Natal, ele discursou espumando de raiva. Ele disse: ‘Esperei muito tempo para esse ajuste de contas. Chegou o momento’. Disse que faço eu política suja, discursos na madrugada, numa referência à sessão noturna em que o Senado derrubou a CPMF. Disse que só prestava quem estava do lado dele no palanque.

- Pretende revidar?

O revide foi dado pelo povo de Natal. Eu farei um discurso do Senado. Será um discurso cuidadoso. Não quero prejudicar a administração de Micarla, que vai assumir a prefeitura. Mas não posso deixar de realçar o viés chavista de Lula. Ele é um títere. Não consegue respeitar a oposição. É truculento. É sobre isso que vou falar.

- O discurso será feito nesta semana?

Sim, na quarta ou quinta-feira. É preciso deixar claro o seguinte: O Lula veio a Natal para derrotar o líder da oposição. Falou em vitória no primeiro turno. Amargou uma derrota no primeiro turno. Ficou patente que, em política, a truculência é má conselheira. Ele se arrebentou.

Escrito por Josias de Souza às 03h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governador quer Lula como ‘mediador’ em Salvador

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Em Salvador, o trinfo dos governistas PMDB e PT sobre o oposicionista DEM converteu-se num problema difícil de administrar.

 

“A notícia política foi muito boa”, diz o governador petista Jaques Wagner. “Mas a presença de dois aliados no segundo turno de Salvador terá de ser administrada”.

 

A “administração” será, no dizer de Jaques Wagner, “sutil e difícil”. A tal ponto que o governador decidiu recorrer a Lula.

 

A prefeitura da capital baiana será disputada por João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT). A dupla empurrou para fora da disputa ACM Neto (DEM).

 

O “problema” é que as duas principais lideranças políticas que representam o governo na Bahia estão em lados opostos.

 

Jaques Wagner pende para Walter Pinheiro, petista como ele. E o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), do PMDB, quebra lanças por João Henrique.

 

O governador advoga a tese de que ele e Geddel deveriam manter uma distância regulamentar da disputa entre PT e PMDB. Sob pena de envenenar as relações.

 

“Se minsitro usa prestígio dele em favor do João, o PT, naturalmente, vai querer que eu entre na campanha do Pinheiro. Então, precisa saber qual será a combinação”.

 

Qual será a combinação? “Pretendo falar com o presidente Lula”, diz Jaques Wagner. “Vou conversar também com o Geddel...”

 

“...Tem que haver equilíbrio. Acho que o justo os comandantes de cada força se preservem. Deixa que os partidos disputem. E ponto”.

 

Esconde-se sob o debate do governismo gaúcho uma mal disfarçada disputa entre Wagner e Geddel pela supremacia na política baiana.

 

Aliados desde 2006, os dois podem virar adversários em 2010, na disputa pelo governo da Bahia.

 

Jaques Wagner disputará a reeleição. Geddel, embora não admita, considera-se em condições de almejar, ele próprio o Palácio de Ondina.

 

O governador dá de ombros para o diz-que-diz: “Um casamento depende da vontade de dois. Convidei o PMDB para entrar [no governo]. Se quiserem se convidar para sair, fiquem à vontade...”

 

“...O que sei é que política tem fila. Eu respeito todo mundo, mas tem uma liturgia do comando do processo. E o comando, nesse momento, é meu.”

Escrito por Josias de Souza às 02h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Globo: Rio derrota Cesar e Crivella; Paes e Gabeira vão a 2º turno

- Folha: Kassab chega na frente de Marta

- Estadão: Kassab cresce no fim e vai com Marta ao 2ºurno em SP

- JB: Paes 32% Gabeira 25%

- Correio: PMDB ganha força nas urnas. Já o PT...

- Valor: Eleições sancionam continuidade

- Gazeta Mercantil: Tim renova conselho e muda foco para cliente e rentabilidade

- Jornal do Commercio: Recife segue João

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Atirador!

Paixão
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT arremata 6 das 15 capitais definidas em 1º turno

 

Concluídas as apurações oficiais, as urnas consagraram, já no primeiro turno, 15 prefeitos de capitais. A maioria, seis, pertence aos quadros do PT.

 

PSDB, PMDB e PSB elegeram dois prefeitos cada um. PV, PP e PCdoB amealharam uma prefeitura cada.

 

Eis os nomes dos vitoriosos do PT: 1) Luizianne Lins (Fortaleza), 2) Raul Filho (Palmas), 3) Roberto Sobrinho (Porto Velho), 4) João da Costa (Recife), 5) Angelim (Rio Branco) e 6) João Coser (Vitória).

 

O PSDB reelegeu Beto Richa (Curitiba) e Silvio Mendes (Teresina). O PMDB elegeu Nelsinho Trad (Campo Grande) e Íris Resenden (Goiânia).

 

Os eleitos do PSB são: Iradilson Sampaio (Boa Vista) e Ricardo Coutinho (João Pessoa). O PP reelegeu Cícero Almeida (Maceió). E o PCdoB, Edvaldo Nogueira (Sergipe).

 

Noutras 11 capitais, a disputa transbordou para o segundo turno. A lista inclui as cidades econômica e politicamente mais importantes.

 

No segundo round, o PT disputa três capitais. O PMDB está no páreo em seis capitais. O PSB, em três. PSDB e PTB, em duas. PV, DEM e PDT, em uma.

 

Vai abaixo a lista das capitais em que a definição foi adiada pelo eleitor:

 

1) São Paulo: Gilberto Kassab (DEM) X Marta Suplicy;

2) Rio: Eduardo Paes (PMDB) X Fernando Gbeira (PV);

3) Belo Horizonte: Márcio Lacerda (PSB) X Leonardo Quintão (PMDB);

4) Porto Alegre: José Fogaça (PMDB) X Maria do Rosário (PT);

5) Florianópolis: Dário Berger (PMDB) X Esperidião Amin (PP);

6) Manaus: Amazonino Mendes (PTB) X Serafino Corrêa (PSB);

7) Brlém: Duciomar Costa (PTB) X José Priante (PMDB);

8) Macapá: Camilo Capiberibe (PSB) X Roberto Goés (PDT);

9) Salvador: João Henrique (PMDB) X Walter Pinheiro (PT) ;

10) São Luiz: João Castelo (PSDB) X Flavio Dino (PCdoB);

11) Cuiabá: Wilson Santos (PSDB) X Mauro Mendes (PR);

Escrito por Josias de Souza às 01h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Serra prevalece sobre Aécio no 1º teste rumo a 2010

 

José Serra bateu Aécio Neves na primeira grande batalha a céu aberto da guerra que travam pelo posto de candidato da oposição à sucessão de Lula.

 

Serra e Aécio foram à eleição municipal carregando candidatos pesados: Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo; Márcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte.

 

O pupilo de Serra vai ao segundo turno com cara de vitorioso. Lacerda, que, há duas semanas, era tido como pule de dez para o primeiro turno, arrosta uma surpresa.

 

O candidato de Aécio chega ao segundo round com um azarão, Leonardo Quintão (PMDB), a morder-lhe os calcanhares.

 

No início de agosto, o ‘demo’ Gilberto Kassab estava 33 pontos atrás da petista Marta Suplicy nas pesquisas de opinião.

 

No início da madrugada desta segunda (6), com 99% das urnas de São Paulo apuradas, Kassab somava mais votos (33%) do que Marta (32%).

 

Empurrado por Serra, Kassab entra no segundo turno embalado pela perspectiva de adensar ao seu cesto mais de 70% dos votos dados a Geraldo Alckmin (PSDB).

 

Marta, estacionada nas pesquisas há semanas, parece dispor de horizontes mais curtos. O prestígio que poderia herdar de Lula é um legado do primeiro turno.

 

O cenário mineiro é diverso. Lacerda amealhou 43% dos votos válidos. O rival Leonardo Quintão, até bem pouco fora do páreo, beliscou 41%. Assim como Kassab, chega ao segundo turno embalado.

 

Em São Paulo, Serra teve de empurrar Kassab meio às escondidas. Em Belo Horizonte, Aécio fez campanha explícita. Mais: teve o auxílio do prefeito petista da capital mineira, Fernando Pimentel.

 

Dono de índices de popularidade que passam dos 70%, Aécio ainda pode acomodar o poste Lacerda na prefeitura. Não fará sombra a Serra, porém, se Kassab impuser uma derrota a Marta em São Paulo.

 

A capital paulista é a grande vitrine do país. Ali, Aécio jogou suas fichas em Alckmin, cuja candidatura incensou. Perdeu. Emplacando Kassab, Serra reforçará a musculatura para 2010.

Escrito por Josias de Souza às 00h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Recife comprova a viabilidade da ‘teoria do poste’

Divulgação
 

Vem da capital de Pernambuco a principal contribuição para o debate da “teoria do poste”.

Foi eleito prefeito do Recife, no primeiro turno, o petista João da Costa.

 

É o grande poste dessas eleições. Desconhecido, entrou na disputa como candidato favorito a ser derrotado pelo rival demo Mendonça Filho (DEM).

 

Três personagens dispuseram-se a carregar o poste: o governador Eduardo Campos (PSB), o prefeito João Paulo (PT) e, à distância, Lula.

 

Na reta final, o juiz eleitoral Nilson Guerra Nery achou que a prefeitura petista do Recife exagerara na dose de energia usada para eletrificar o poste.

 

E João da Costa teve a candidatura impugnada, sob a acusação de uso eleitoral da máquina da prefeitura. Foi às urnas sub judice. Elegeu-se mesmo assim.

 

Moral: desde que haja quem se disponha a carregar, é possível eleger um poste. Ainda que seja eletrificado por meio de um ou outro “gato”.

Escrito por Josias de Souza às 23h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gabeira e Micarla têm ‘gosto de derrota’ para Lula

  Alan Marques/Folha
Uma dupla do PV –Fernando Gabeira, no Rio, e Micarla de Sousa, em Natal— impôs a Lula um incômodo par de derrotas.

 

Gabeira empurrou Marcelo Crivella (PRB), dodói de Lula na disputa carioca, para fora do segundo turno da disputa.

 

O êxito de Gabeira deixou a Lula duas alternativas, ambas muito desagradáveis:

 

1. Ficar ausente do segundo round da campanha carioca;

 

2. Apoiar Eduardo Paes (PMDB), um ex-tucano que, em 2005, achicalhava o presidente, o governo e o petismo na bancada da CPI dos Correios.

 

Micarla, eleita já no primeiro turno, atravessou na traquéia de Lula um aliado dela: José Agripino Maia (DEM).

 

Afora São Paulo, Natal foi a única capital em que Lula fez campanha franca e aberta. Foi ao palanque de Fátima Bezerra (PT).

 

Menos para apoiar a candidata petista, mais para desancar Agripino Maia, seu algoz no Senado e um dos artífices da derrubada da CPMF.

 

Deu chabu. Micarla derrotou, além da rival petista, toda a claque de estrelas que se formou em torno dela.

 

Além de Lula, foram arrastados, por exemplo: a governadora Wilma de Faria (PSB); o presidente do Senado, Garibaldi Alves; e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.

 

São os riscos que corre o presidente ao descer do Planalto para a planície de uma refrega meramente municipal.

 

Noutras praças, candidatos petistas e de legendas governistas que não tiveram a “ventura” de recepcionar Lula em seus palanques saíram-se melhor.

 

Foi o caso de Luizianne Lins (PT), reeleita prefeita de Fortaleza. Ou de João Coser (PT), reeleito em Vitória.

 

Ou ainda de João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), que foram ao segundo turno em Salvador, alijando da disputa ACM Neto (DEM).

Escrito por Josias de Souza às 22h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘O Lula perdeu feio’, afirma o presidente do PSDB

‘O Lula perdeu feio’, afirma o presidente do PSDB

  Paula Sholl
O senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, acompanha o resultado da apuração das urnas desde o Recife.

 

Submetido às pesquisas de boca de urna e à apuração parcial da Justiça Eleitoral, o dirigente tucano leu assim o resultado das urnas:

 

“Para nós, o mais importante é que o Lula perdeu feio.” Para ele, restou demonstrado que "não existe esse negócio de assombração do Lula".

 

Embora cuidadoso -"É preciso aguardar pela apuração oficial"-, Sérgio Guerra chama de "óbvia" a aliança do PSDB com o DEM de Gilberto Kassab, em São Paulo.

 

Afirma o seguinte: "Se ganhar em São Paulo - e vai ganhar-, a oposição sairá vitoriosa dessa eleição. Ponto".

 

Vai abaixo a entrevista que Sérgio Guerra concedeu ao blog:

 

 

- Diante da perspectiva de derrota de Alckmin, qual será o comportamento do PSDB em São Paulo?

Primeiro vamos esperar a conclusão da apuração. Para nós, o mais importante é que Lula perdeu feio.

- Por que?

O Lula perdeu feio em São Paulo, perdeu feio no Rio. E a votação do [José Fogaça], em Porto Alegre, está muito boa.

- Mas em Porto Alegre a petista Maria do Rosário foi ao segundo turno, não?

Sim, mas eles contavam com um Fogaça bem mais combalido.

- Quer dizer que a primeira leitura que faz das urnas é a de Lula foi derrotado?

Claro que sim. Como pode ser vitorioso um presidente que fica ausente da eleição do Rio de Janeiro e com a candidatura de Marta, em São Paulo, muito abaixo do que ele previa? Fica claro que não tem esse negócio de assombração de Lula.

- E quanto ao desempenho da oposição?

Se ganhar em São Paulo - e vai ganhar-, a oposição sairá vitoriosa dessa eleição. Ponto.

- Pelo que diz, em São Paulo, não há outro caminho para o PSDB senão a aliança com o DEM?

Isso é óbvio, mas é preciso aguardar pela apuração oficial das urnas. Não posso falar disso antes da divulgação do resultado. O que está claro em São Paulo é que há dois candidatos no campo da oposição [Alckmin e Kassab]. E qualquer um deles que for ao segundo turno chega para derrotar o PT e Lula, que é combatido pelos dois partidos, o PSDB e o DEM.

- O problema da aliança em São Paulo começa a ser tratado quando?

Confirmando-se a vitória do prefeito Gilberto Kassab, esse problema vai começar a ser tratado nesta semana, no nível estadual. É o nível em que esse problema deve ser tratado.

- A subida de Leonardo Quintão (PMDB), em Belo Horizonte, é uma novidade ruim para Aécio Neves, não?

Esse candidato não é contra Aécio. Ele ia para a TV e dizia que quem é verdadeiramente amigo do Aécio é ele. E, no segundo turno, o governador tem todas as condições de resolver essa questão.

Escrito por Josias de Souza às 19h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Beto Richa, de Curitiba, é o primeiro prefeito eleito

Divulgação
 

 

Com mais de 85% das urnas já apuradas pela Justiça Eleitoral na capital do Paraná, o prefeito Beto Richa (PSDB) foi reeleito com votação consagradora.

 

Filho do ex-governador e ex-senador José Richa, tucano histórico, Beto derrotou em Curitiba a petista Gleisi Hoffmann, mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento).

 

O eleitor premiou uma administração que avalia como muito boa. Os índices de aprovação da gestão Beto Richa ultrapassam os 80%.

 

Beto Richa consolida-se como liderança emergente do Paraná. Embora negue, dificilmente conseguirá resistir ao assédio para candidatar-se ao governo do Estado, em 2010.

 

Algo que submete o eleitor curitibano ao risco de amargar a furstração de ter escolhido um prefeito que pode renunciar ao cargo daqui a dois anos.

Escrito por Josias de Souza às 18h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Veja abaixo os resultados da boca de urna do Ibope

- São Paulo: A pesquisa de boca de urna confirmou que o segundo turno na capital paulista será disputado entre Marta e Kassab. Aos números:

 

Marta Suplicy (PT): 36% dos votos válidos;

Gilberto Kassab (DEM): 32%;

Geraldo Alckmin (PSDB): 21%.

 

- Rio de Janeiro: Pelo levantamento do Ibope, haverá segundo turno. Será disputado entre Eduardo Paes e, provavelmente, Fernando Gabeira.

 

Eduardo Paes (PMDB): 33% dos votos válidos;A maior É certo que   

Fernando Gabeira (PV): 23%;

Marcelo Crivella: 20%.

 

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menor. Por isso, embora Gabeira esteja mais bem-posto, só a apuração oficial dirá se ele está ou não no segundo turno.

 

Por que? Dentro da margem de erro, Crivela pode subir até para 22%. E Gabeira pode descer até 21%. Daí a dúvida.

 

- Belo Horizonte: A boca de urna do Ibope captou algo que já se verificara nas últimas pesquisas. Leonardo Quintão, do PMDB, subiu o elevador. E fulminou as chances de uma vitória de Márcio Lacerda (PSB) ainda no primeiro turno. Eis o resultado:

 

Márcio Lacerda: 45%;

Leonardo Quintão (PMDB): 38%.

 

- Porto Alegre: De acordo com o Ibope, confirmou-se na capital gaúcha o que já se havia previsto: haverá segundo turno. A adversária do atual prefeito José Fogaça deve ser a petista Maria do Rosário. Os números são os seguintes:

 

José Fogaça (PMDB): 39%;

Maria do Rosário (PT): 23%;

Manuela D’ávila (PCdoB): 19%.

 

A exemplo do que ocorre no caso do Rio, a margem de erro da pesquisa, de dois pontos, impede que se afirme peremptoriamente quem será a adversária de Fogaça.

 

- Salvador: de acordo com a boca de urna do Ibope, o segundo turno será disputado na capital baiana por dois candidatos governistas. Pela pesquisa, o ‘demo’ ACM Neto ficou de fora:

 

João Henrique (PMDB): 31%;

Walter Pinheiro (PT): 31%;

ACM Neto (DEM): 27%.

 

- Fortaleza: A boca de urna do Ibope informa que a eleição foi decidida já neste primeiro turno. Vitória do PT. Eis os números:

 

Luizianne Lins (PT): 53% dos votos válidos;

Moroni Torgan (DEM): 25%;

Patrícia Saboya (PDT): 15%.

 

- Recife: Confirmando o que indicacam onze em cada dez pesquisas, deu vitória do PT no primeiro turno. Eis o resultado:

 

João da Costa (PT): 54% dos votos válidos;

Mendonça Filho (DEM): 24%.

 

Aqui, é preciso lembrar que o candidato petista foi às urnas tendo sobre a cabeça a espada de uma impugnação imposta por juiz de primeira instância.

 

Acusado de utilização da máquina da prefeitura local, controlada pelo PT, João da Costa depende da anulação da sentença, nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral, para ser diplomado e tomar posse.

Escrito por Josias de Souza às 17h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Exército fere homem em comunidade pobre do Rio

  Moacir Lopes Jr./Folha
Átila Lourenço de Lima, 29 anos, segurança de um shopping-center carioca, foi ferido com uma bala de borracha disparada por soldado do Exército.

 

Deu-se na Cidade de Deus, no Rio. Houve um princípio de revolta. O tempo fechou. O Exército teve de pedir reforços.

 

Havia 150 soldados no local. Acionaram-se mais 60. A temperatura baixou. Até há pouco, moradores ainda tentavam fechar uma rua.

 

Inicialmente, informou-se que Átila fazia boca de urna. O coronel André Novaes, porta-voz do Exército, disse que, em verdade, ele tentou impedir a prisão de dois cabos eleitorais que faziam boca de urna. Daí a confusão.

 

Segundo o coronel, os próprios soldados levaram o ferido para o Hospital Lourenço Jorge.

 

Em Santa Catarina, dois eleitores morreram no instante da votação. Mortes naturais, contudo. Entrados em anos, ambos feneceram nas respectivas zonas eleitorais. Emoção? Desgosto? Difícil saber.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Até ex-governador é preso por fazer ‘boca de urna’

  Divulgação
João Alves (DEM), ex-governador de Sergipe, cacique político em decadência, foi em cana. Prenderam-no policiais militares de Aracaju, sob a acusação de fazer boca de urna.

 

Deu-se no instante em que o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, informava aos jornalistas, em Brasília, que 168 pessoas já haviam sido detidas neste domingo (5).

 

Todas por crimes eleitorais. Sobretudo a famigerada boca de urna e arregimentação de eleitores.

 

O dia da eleição, lembrou o ministro, é hora de “deixar o eleitor em paz”, para que ele possa “conversar com os seus botões”.

 

Mendonça Prado, candidato do DEM à prefeitura de Sergipe, que estava ao lado de João Alves na hora da detenção, também foi à garra. Mas foi solto na seqüência.

 

A assessoria do ex-governador alega que ele não fazia boca de urna. Apenas cumprimentava eleitores no instante em que passava um carro da PM.

Escrito por Josias de Souza às 15h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Berzoini sobre segundo turno: ‘Apoio não se recusa’

  Folha
Se Deus intimasse o PT a optar entre a coerência e a conveniência, entre o senso moral e o senso de oportunidade, Ricardo Berzoini daria essa fulminante resposta:

 

“Morram a coerência e o senso moral”.

 

Neste domingo (5), depois de votar, o presidente do PT abriu o leque das composições do segundo turno: "Apoio não se recusa".

 

Assim, se o Tinhoso quiser dar as caras para ajudar o PT no segundo turno –em São Paulo e alhures— será recebido com um tapete vermelho.

 

No passado, o petista autêntico tinha sempre uma lista de inimigos inconciliáveis no bolso.

 

Hoje, o petista de mostruário tem sempre à mão um rol de potenciais ex-adversários.

 

São os efeitos do óxido que se forma na superfície da pureza, quando exposta à ferrugem do poder.

Escrito por Josias de Souza às 15h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

 

- Globo: Quem vai dar jeito nisso?

 

- Folha: Marta e Kassab vão disputar 2º turno

 

- Estadão: Marta e Kassab chegam à reta final como favoritos ao segundo turno

 

- JB: Procura-se um síndico

 

- Valor Econômico: Receita alta explica onda de reeleições nas capitais

 

- Gazeta Mercantil: Mercados se retraem à espera do pacote

 

- Veja: O tamanho do estrago: Colapso financeiro? Não. Recessão? Talvez. Depressão econômica? Deus nos livre!

 

- Época: Crise financeira: Um guia para entendê-la – e fugir dela

 

- IstoÉ: Rachou! E como vai ser a reconstrução

 

- IstoÉ Dinheiro: US$ 850 bilhões – Isso apaga o incêndio?

 

- Carta Capital: Gilmar: às favas a ética

 

- Exame: A crise já está entre nós

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Há mais eleitores analfabetos do que com ‘canudo’

Cerca de 130 milhões de brasileiros portam 'título de eleitor'

Entre eles há uma legião de 8 milhões (6,13%) de iletrados

20,4 milhões (15,6%) lêem e escrevem  ‘mal e porcamente’

Somente 4,6 milhões (3,51%), concluíram  o curso superior

 

  Agência Câmara
Entre os eleitores que decidirão os rumos políticos dos municípios neste domingo (5) há 28,4 milhões sem nenhuma instrução ou com nível precário de educação formal.

 

Chega-se a esse número impressionante a partir da soma dos eleitores analfabetos (8 milhões) com os que lêem e escrevem "mal e porcamente" (20,4 milhões).

 

No topo da pirâmide educacional há escassos 4,6 milhões de eleitores com o ensino superior completo.

 

Somando-se os eleitores com canudo aos que entraram na universidade, mas não concluíram o curso (3,3 milhões), chega-se a 7,9 milhões de pessoas.

 

Em matéria de perfil educacional, o maior contingente é o de eleitores com o primeiro grau incompleto: 44,5 milhões de brasileiro (34,08% do total de votantes).

 

Vêm a seguir, os eleitores com ensino médio incompleto: 23,6 milhões (18,10%); os que concluíram o ensino médio: 15,8 milhões (12,20%); e os que terminaram o primeiro grau: 10,1 milhões (7,76%).

 

É essa massa que vai digitar nas urnas deste domingo (5) os números dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que darão as cartas nos 5.563 munícipios do país nos próximos quatro anos.

 

Do total de municípios, 936 (16,8%) são habitados por uma maioria de eleitores analfabetos ou semi-alfabetizados.

 

São pessoas que declararam ao TSE, na hora de obter o título de eleitor ou quando há recadastramento eleitoral, que são analfabetas ou que lêem e escrevem sem jamais ter sentado num banco de escola.

 

O quadro é especialmente dramático em Alagoas. Ali, os municípios com predominância de eleitores iletrados ou com baixa instrução somam 63%.

 

No Piauí, na Paraíba e em Pernambuco, os municípios submetidos à mesma precariedade educacional do eleitorado somam 53%.

 

Um eleitor de baixa escolaridade não é necessariamente um eleitor politicamente incapaz. Pode, obviamente, discernir entre os candidatos sérios e os enganadores.

 

Mas é inegável que o flagelo educacional brasileiro constitui terreno fértil para a proliferação da picaretagem política.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ritual do político capaz de tudo, até de ser eleito

Reinaldo
 

Via sítio da revista Piauí.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.