Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Em Cuba, Lula declara que prefere Obama a McCain

 

Lula já manifestara uma queda pela candidatura de Barack Obama à Casa Branca. Ainda não soara, porém, tão enfático quanto agora.

 

De passagem por Havana, o presidente deixou claro que, se votasse nos EUA, optaria pelo rival do republicano John McCain:

 

“Claro que a decisão do país é soberana, mas existe uma ponta de alegria na mente silenciosa de cada um de nós, se um negro for eleito nos Estados Unidos”.

 

Comparou Obama, veja você, a si próprio a a outros dois companheiros latinos:

 

“Assim como o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia um índio, a Venezuela o Chávez, seria extraordinário ter um negro à frente da maior economia do mundo”.

 

Lula foi à ilha para consolidar uma parceria entre a Petrobras e a estatal cubana de petróleo, a Cupet.

 

Desenhado no início do ano, em outra visita de Lula, o casamento da Petrobras com a Cupet custará ao Brasil investimentos iniciais de US$ 8 milhões.

 

Discursando ao lado de Raul Castro, irmão e sucessor de Fidel, Lula defendeu a suspensão do embargo dos EUA a Cuba.

 

Comentou um comunicado da ONU, divulgado há dois dias, em que a entidade voltou a condenar o bloqueio. Tratou a peça com menoscabo:

 

“Já estamos acostumados a ver que as decisões da ONU são cumpridas apenas quando há interesse dos grandes”.

 

O curioso é que, em pronunciamento recente na Assembléia Geral da ONU, Lula valorizara a mais não poder a capacidade de interferência da Casa na crise global.

 

Dissera o seguinte: "Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós".

Ou seja, o lero-lero do presidente deve agora ser chamado pelo verdadeiro nome: era mera "marolinha" retórica.

 

Sobre a crise, Lula declarou, no discurso de Havana, que o Estado, depois de “tripudiado” por três décadas, assume ares de força redentora.

 

“O mercado é um ovo sem gema, é vazio. Agora é o Estado quem vai salvar tudo”.

 

Aproveitou para exercitar um de seus esportes prediletos: socou o FMI. Disse que, durante anos a fio, levantou faixas de “fora, FMI”.

 

Mas só depois de chegar à presidência pôde declarar, a plenos pulmões: “Adeus, FMI”.

 

Esquivou-se de mencionar as boas vindas que seu dá ao Federal Reserve, que acaba de pôr à disposição do BC brasileiro US$ 30 bilhões.

 

Ao retribuir o discurso, Raul Castro foi econômico nas palavras. Referindo-se a Lula, brincou: “Não sou tão inteligente quanto ele”.

 

PS.: Antes de retornar ao Brasil, Lula avistou-se com o ditador aposentado Fidel Castro. "Se depender da cabeça política, ele está tão bem e tão preparado quanto estava antes", disse.

Escrito por Josias de Souza às 18h29

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Alcançada pela ‘marolinha’, Vale corta a produção

Denis Balibouse/Reuters
 

 

A Cia. Vale do Rio Doce anunciou nesta sexta (31) um corte na sua produção de minério de ferro.

 

A empresa passou na lâmina 30 milhões de toneladas métricas anuais. A redução vale a partir deste 1º de novembro.

 

A providência foi justificada pela necessidade de ajustar a produção ao cenário econômico mundial, às voltas com o fantasma da desaceleração.

 

Já neste sábado (1), a Vale paralisa as atividades de algumas de suas minas de ferro, em Minas Gerais.

 

Confirma-se, assim, algo que o presidente da Vale, Roger Agnelli (foto), anunciara há uma semana.

 

Ele antecipara a suspensão da produção em minas que cospem ferro de qualidade mais baixa, a custos de produção mais altos.

 

"No futuro, esses minérios poderão enfrentar dificuldades de colocação, tendo em vista a redução de demanda já verificada”, anotou a empresa em comuinicado.

 

“Essa é uma ação que visa adequar a oferta da Vale à situação de mercado, evitando a estocagem desnecessária de produtos.”

 

Os empregados das minas postas em estágio de ponto-morto entram em “férias coletivas”.

 

Otimista, Roger Agnelli prevê que a crise global será intensa apenas por mais alguns meses. Acha que haverá alguma recuperação a partir de 2009.

 

"Alguns acham que [a crise] pode durar dois anos. Eu acho que os próximos três ou quatro meses terão uma intensidade fortíssima. E a recuperação poderá vir no segundo trimestre de 2009".

 

A conferir.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Banca dos EUA tem dívida bilionária com executivos

Deve-se a encrenca financeira em que se meteu o planeta a um despacho depositado numa encruzilhada da história.

 

O governo conservador dos EUA, crente da divindade do mercado, confiou o leme de sua economia à “mão invisível” de uma banca sem controle.

 

Envenenado, o sistema foi buscar o antídoto no bolso do cidadão. As primeiras doses do processo de desintoxicação dos EUA sorveram US$ 125 bilhões do Estado.

 

A grana foi empurrada para dentro dos livros contábeis de nove casas bancárias. Escriturações que anotam dívidas bilionárias dos bancos com seus executivos.

 

Estimativa feita pelo diário ‘Wall Street Journal’ revela um quadro de arrepiar os cabelos de qualquer contribuinte americano em dia com o fisco.

 

Os gigantes da banca dos EUA, que recebem injeções de verbas públicas, acumulam dívidas de mais de US$ 40 bilhões com seus executivos.

 

É dinheiro de vantagens salariais e de pensões especiais auferidas na fase pré-crise. A lei que autorizou o Tesouto americano a comprar ações de bancos traz um escudo.

 

Por iniciativa do Congresso, injetou-se no projeto da Casa Branca um artigo que restringe a remuneração futura dos mandachuvas dos bancos.

 

A lei não trata, porém, das dívidas passadas. Farejando o cheiro de queimado, duas autoridades tomaram, nesta semana, uma providência acauteladora.

 

Exigiu-se dos nove bancos que já estão recebendo dinheiro do Tesouro dos EUA que informem quanto planejam pagar em salários e bônus aos seus executivos.

 

Deve-se a providência ao presidente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados, Henry Waxman, e ao procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo.

 

O receio óbvio é o de que a grana do contribuinte acabe estacionando nos bolsos daqueles que, em última análise, produziram a encrenca.

 

No Brasil, o governo já baixou duas medidas provisórias de socorro à banca. Uma, já aprovada pela Câmara, autoriza o BC a conceder empréstimos a pequenos bancos.

 

Outra, ainda não levada a voto, permite ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal adquirir ações de bancos encalacrados.

 

Não no texto das medidas provisórias nemhum vestígio de preocupação com a remuneração dos gestores das instituições financeiras.

 

Como dinheiro não tem carimbo, nada impede que um naco da grana que será subtraída da bolsa da Viúva desça às contas pessoais dos meninos do papelório.

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Para PSB, Ciro deve ser considerado antes de Dilma

  Folha
Reunida em Brasília para analisar a conjuntura pós-eleições municipais, o PSB decidiu trilhar um caminho que vai na contramão dos planos de Lula.

 

O PSB deseja que o nome de seu presidenciável, Ciro Gomes (CE), seja considerado opção preferencial do consórcio governista à sucessão de Lula.

 

Líder do partido no Senado e um dos membros da Executiva, Renato Casagrande (ES) resumiu o sentimento da Executiva numa frase:

 

“Há uma escassez de candidatos. Se o PT não tem uma candidatura viável, por que o Ciro não pode ser o candidato da base do governo?”

 

A pretensão contrasta com uma articulação iniciada por Lula ainda durante a campanha municipal.

 

O presidente tenta unificar os 14 partidos que o apóiam em torno de uma única candidatura presidencial. A candidatura da ministra petista Dilma Rousseff.

 

Os planos de Lula foram explicitados no último dia 3 de outubro, numa conversa privada que manteve com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

 

O presidente rogou a Cristovam que não tornasse a concorrer ao Planalto, como fizera em 2006. Por que?

 

Lula explicou acha conveniente que o consórcio de legendas governistas vá às urnas de 2010 fechado com Dilma.

 

Disse que o ideal seria que essa unidade fosse materializada já no primeiro turno da eleição. Algo que, a depender da vontade do PSB, pode não ocorrer.

 

Sob a presidência de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, a Executiva do PSB discutiu também o papel que o partido vai desempenhar na sucessão interna da Câmara e do Senado.

 

No Senado, embora penda para a candidatura de Tião Viana (PT-AC), os socialistas preferiram empurrar a deliberação para dezembro.

 

Fará o mesmo em relação à Câmara. Ali, o interesse do governismo é representado pela candidatura de Michel Temer (PMDB), apoiada pelo PT. Por ora, o PSB mantém os pés longe dessa canoa.

 

De resto, o PSB tenta, na Câmara e no Senado, atrair o PDT e o PC do B para uma estratégia comum. “A eleição será em fevereiro. Temos três meses pela frente”, disse Casagrande.

 

“Não há razão para pressa. É preciso debater aprofundadamente o que desejamos do Congresso, que perdeu muito espaço nos últimos anos para o Executivo e para o Judiciário”.

Escrito por Josias de Souza às 03h54

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Paes reafirma promessas e anuncia choque de ordem

 

- Folha: BC pune banco que segurar crédito

 

- Estadão: Governo admite economizar menos para aliviar crise

 

- JB: BC aperta bancos em dia de trégua

 

- Correio: Três homens e um destino

 

- Valor: Governo reduz o superávit de 2009 para 3,8%

 

- Gazeta Mercantil: Bancos médios cortam pessoal e empréstimos

 

- Estado de Minas: Consumidor de BH vai às compras mesmo na crise

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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(I)liquidez bancária!

Dalcío
 

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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Em jantar, senadores do PMDB adotam planos anti-PT

Bancada deseja candidato próprio, não 'parceria' com Dilma

Maioria se opõe à ‘cessão’ da  presidência  do  Senado ao PT

‘Informei ao Lula que é impossível o PT ganhar’, disse Renan

 

Antônio Cruz/ABr

Na casa de Valter Pereira (esquerda), Renan pregou contra entrega do Senado ao PT

 

Dezoito dos 20 senadores que compõem a bancada do PMDB reuniram-se num jantar. Deu-se na casa de Valter Pereira (MS), na noite de quarta (29).

 

O propósito inicial era uniformizar a posição a ser adotada pelo PMDB na briga pelo comando do Senado.

 

Mas o repasto acabou enveredando para um debate sobre o futuro da legenda. Produziram-se dois consensos. Ambos afastam o PMDB do PT:

 

1. Os senadores defenderão junto ao comando do partido a idéia de que o PMDB compareça à sucessão de Lula com um presidenciável próprio.

 

Rejeitou-se a idéia de uma coligação com o PT de Dilma Rousseff. Um probema para Lula, que deseja extrair dos quadros do PMDB um vice para sua preferida.

 

2. A bancada peemedebista não abre mão de eleger o próximo presidente do Senado. Considerou-se fora de questão a hipótese de um acordo com o PT;

 

Novo problema para Lula, empenhado em acomodar no comando do Senado o companheiro Tião Viana (PT-AC).

 

A certa altura, Renan Calheiros (AL) informou aos colegas que havia telefonado para o presidente. “Informei ao Lula que é impossível o PT ganhar a presidência do Senado”.

 

Em privado, Renan diz cobras e lagartos de Tião Viana. No jantar, porém, esquivou-se de citar o nome do desafeto.

 

Renan tampouco fez menção às negociações que abriu com PSDB e DEM, para pôr de pé a candidatura de José Sarney (MA).

 

Presente ao jantar, Sarney voltou a simular desinteresse: “Não sou candidato. Estou fora disso”.

 

De resto, os senadores puseram-se de acordo quanto à necessidade de desvincular a disputa do Senado da eleição para a presidência da Câmara.

 

Ali, o PMDB levará à consideração do plenário o nome do seu presidente, Michel Temer (SP). Nesse pedaço da discussão, Pedro Simon (RS) interveio.

 

Considerou que chega a ser “injusto” que Temer, com a autoridade de que dispõe, tenha de condicionar a sua postulação a condições ditadas desde o Senado.

 

É sabido que pelo menos três senadores peemedebistas defendem a tese de que, no Senado, o partido deveria se compor com Tião Viana.

 

Gerson Camata (ES), um dos defensores da idéia, não disse palavra a respeito. Jarbas Vasconcelos (PE), outro adepto da tese, não deu as caras.

 

E Simon, o terceiro integrante do grupo, limitou sua participação à defesa de Temer e da candidatura presidencial própria.

 

Sobre a sucessão, um dos presentes levou à mesa a grande debilidade do PMDB: a falta de nomes com musculatura política para arrostar a empreitada.

 

É algo que não parece causar incômodo. Valter Pereira, o anfitrião da noite, resumiu o sentimento geral da bancada:

 

“De fato, falta um nome. Mas olhemos à nossa volta. Quem é que tem esse nome? Há um único nome que se destaca dos demais: Lula...”

 

“...Mas essa história de transferência de prestígio do Lula para um poste não existe. No PSDB, há um embrião de candidatura. E fica nisso”.

 

Prevaleceu na reunião o sentimento de que o PMDB precisa cuidar da lapidação de um candidato. O nome mais mencionado foi o de Sérgio Cabral, governador do Rio.

 

É justamente um dos peemedebistas que freqüentam a lista de vices que Lula procura para Dilma Rousseff.

 

Os senadores do PMDB decidiram realizar reuniões mensais da bancada. A próxima será na residência oficial do atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (RN), na primeira quinzena de novembro.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Em sessão do Senado, Meirelles expõe as suas dores

Montagem sobre fotos de Lula Marques
 

 

Nas últimas semanas, Henrique Meirelles mastiga o pão que Belzebu amassou.

É ele quem, da cabine de comando do BC, segura o leme da “Nau Marolula”.

 

Ouve o mau tempo rosnar. Enxerga o negrume das nuvens. Fareja a fatalidade.

 

Quando quer saber o rumo que o governo vai tomar, o mercado se vira para Meirelles.

 

É visto como uma bússola. Foge do catastrofismo. Mas não se desprende da realidade.

 

Nesta quinta (30), o Senhor-crise exibiu em público os efeitos da faina sobre o corpo.

 

Deu-se durante uma sessão da comissão de Economia do Senado.

 

Meirelles fez caras e bocas. Esticou braços e pernas. Levou as mãos à face.

 

Parecia guiado pela dor. A grande dor. Uma dor que não faz concessões à plasticidade.

 

A certa altura, Meirelles reclinou o rosto. Era como se uivasse por dentro.

 

Espremeu o nariz contra a bancada. Beijou os papéis à sua frente.

 

Antes, Meirelles traduzira em cifras o tamanho da crise financeira global.

 

Dissera que, de setembro pra cá, as Bolsas de Valores do mundo amargaram prejuízos de notáveis US$ 32 trilhões.

 

Informara que, no Brasil, para conter a cavalgada do dólar, o BC já despejou no mercado US$ 32,8 bilhões.

 

No instante em que Meirelles se controcia diante das câmeras, o ministro Guido Mantega reconhecia que a economia brasileira vai pisar no freio.

 

Meirelles deixou no Senado a imagem de um personagem à beira do limite.

 

No início da noite, o BC divulgaria decisão que teve a aparência de um chute no pau da barraca.

 

Bancões que não usarem o refresco do compulsório para socorrer banquinhos menores serão punidos. O dinheiro será retido. E não renderá um ceitil às casas bancárias em falta.

 

Depois da fase do vai ou racha, Meirelles informa ao mercado que a coisa precisa voltar ao normal. Ainda que rachada.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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BNDES faz que vai, não vai, mas está na bica de ir

Stock Images
 

 

O signatário do blog é um crédulo. Confia em tudo o que pinga dos lábios das autoridades governamentais.

 

Em 24 de outubro, o repórter encantou-se com o espírito solidário de Luciano Coutinho.

 

Presidente do BNDES, o professor Coutinho acenara com a hipótese de lançar bóias ao mar da crise, para resgatar os náufragos do dólar.

 

"É uma parte de empresas exportadoras, que tinham gestão financeira mais sofisticada que entraram nesse tipo de derivativo...”

 

“...É um conjunto limitado e é um processo que está em curso”. O velho e bom BNDES iria à encrenca como força auxiliar da banca privada.

 

Em 27 de outubro, o repórter, rendido à sua mania de dar crédito a tudo o que ouve, espantou-se com a firmeza de Guido Mantega.

 

Depois de uma reunião com Lula, o ministro da Fazenda assegurou que o BNDES não seria posto a serviço de especuladores.

 

"O governo não vai salvar nenhuma empresa [...]. As empresas que ousaram no mercado financeiro e no mercado futuro têm de pagar o preço de sua ousadia, e não será o governo que vai cobrir isso".

 

Em 28 de outubro, o repórter admirou-se com a capacidade de adaptação do professor Coutinho. Com subordinação inaudita, ele se recompôs:

 

"O BNDES não está fazendo operações de socorro. O BNDES não é hospital para fazer operações de socorro..."

 

"...Nós não estamos bancando prejuízo de empresas. Acho que a imprensa não leu direito e interpretou dessa forma".

 

Com a carapuça sobre a calva, o repórter dava por entendido que o professor Coutinho fora vítima da irresponsabilidade da mídia. E que a Viúva não seria enfiada em encrencas privadas.

 

Súbito, nesta sexta (30), um dos diretores do BNDES, João Carlos Ferraz, vem aos holofotes para admitir que o bancão, de fato, tenciona acudir as vítimas da marolinha cambial.

 

Eis o que declara o subordinado do professor Coutinho: "Se os projetos [de investimento das empresas] forem comprometidos, nós vamos estudar corretamente cada caso..."

 

"...Vamos discutir o caso dessas empresas à luz de seus projetos de investimento, à luz da sua situação".

 

O signatário do blog encontra-se agora em apuros. Quer porque quer exercitar os seus pendores de crédulo. Mas não sabe mais em que acreditar.

 

O repórter suspeita que, sob Lula, o BNDES tenha se convertido em morada preferencial de velha conhecida do brasileiro: a mãe Joana.

 

A casa oficial de créditos já transformara um Paulinho em Paulão de R$ 520 milhões.

 

Já cacifara com R$ 2,6 bilhões um negócio telefônico (Oi-BrT) trançado à margem da lei.

 

E parece estar na bica de enfiar no seu balanço um pedaço do mico dos derivativos cambiais.

 

É delicada a situação. Ou o governo põe ordem na casa ou o repórter estará irremediavelmente desmoralizado.

Escrito por Josias de Souza às 18h23

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Câmara sacode, finalmente, a sua árvore genealógica

  José Cruz/ABr
Há 15 dias, instado a discorrer sobre as providências que a Câmara adotaria para livrar-se do neporismo, Arlindo Chinaglia (PT-SP) recorreu ao lero-lero:

"Eu não tenho informação de nenhum caso de nepotismo. Todos os que nós descobrimos ou alguém descobrir serão resolvidos...”

 

“...Os alertas foram dados, mas têm certas coisas que a gente só sabe quando alguém torna público".

 

Ao saber que a cavalaria do Ministério Público estava a caminho, Chinaglia teve de fazer por pressão o que não fizera por obrigação.

 

Decidiu sacudir a grande, a gigantesca, a frondosa árvore genealógica da Câmara. Foram ao solo, por ora, 102 parentes de deputados e de servidores graduados.

 

Somando-se a esse número os 86 parentes que já haviam sido exonerados no Senado, chega-se à grande família do Legislativo: 188 pessoas.

 

Fica demonstrado que, no Congresso, não havia esse negócio de “Mateus, primeiro os teus”. Nada disso. Ali, subverteu-se o provérbio:

 

“Mateus, primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, etc., os teus”.

 

Se a Procuradoria da República observar direitinho, acaba encontrando mais gente. Nepotismo não é praga que acabe do dia pra noite.

 

A coisa fugiu ao controle desde o dia em que Deus decidiu nomear o filho Dele para a Santíssima Trindade.

Escrito por Josias de Souza às 16h20

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Pissssssssssss! Silêncio. Tem deputado trabalhando

Pissssssssssss! Silêncio. Tem deputado trabalhando

Lula Marques/Folha
 

 

Deve-se a Nelson Rodrigues uma definição lapidar de trabalho. Disse o cronista:

 

“Sua muito o sujeito que ganha pouco. E sua pouco o sujeito que ganha muito...”

 

“...Pode parecer um jogo de palavras, mas esta é, vos digo, uma verdade eterna...”

 

“...Há uma relação nítida e taxativa entre a transpiração e o ordenado”.

 

A foto acima resulta de um flagrante captado pelas lentes do repórter Lula Marques na tarde desta quarta (29).

 

Na cena, a faina de um deputado no seu local de “trabalho”, o plenário da Câmara.

 

Ele se chama "Professor Sétimo". Foi eleito pelo PMDB do Maranhão.

 

De volta do recesso branco, como que exausto do próprio ócio, Sétimo há de ter perguntado aos seus botões:

 

Para que fingir que estou trabalhando se isso dá quase tanto trabalho quanto trabalhar?

 

Súbito, o Professor Sétimo decidiu matar o tempo da quarta numa soneca remunerada.

 

Com seu gesto, tonificou a “verdade eterna” de que falara Nelson Rodrigues.

 

De fato, “há uma relação nítida e taxativa entre a transpiração e o ordenado”.

Escrito por Josias de Souza às 04h39

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Câmara tenta salvar deputado cassado e irrita TSE

  Folha
Em franco desrespeito a uma decisão do TSE, a Comissão de Justiça da Câmara decidiu, por 30 votos a 5, preservar o mandato de um deputado cassado pelo TSE.

Ele se chama Walter Brito. Foi eleito pelo DEM da Paraíba. No curso do mandato, trocou as agruras da oposição pelas benesses do governismo, filiando-se ao PRB.

 

Acionado pelo DEM, o TSE decidiu impor a Walter Brito os rigores da fidelidade partidária. Condenou-o à perda do mandato.

 

Em março, o tribunal enviara ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o teor de sua decisão. Esperava-se que o deputado pulador de cerca fosse substituído pelo suplente.

 

Já lá se vão sete meses. E nada. Em vez de expurgar Walter Brito do convívio do Legislativo, Chinaglia optou por enviar uma consulta à Comissão de Justiça.

 

E, num flerte com o absurdo, a comissão aprovou, nesta quarta (29), parecer que recomenda não a cassação, mas a preservação do mandato do infiel.

 

Informado acerca do inusitado, o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, soltou fumaça pelas narinas. Está inconformado com a decisão.

 

Ayres Britto vai levar o caso aos demais ministros do tribunal. Cogita tomar providências para assegurar que a Câmara cumpra a deliberação do TSE.

 

O parecer redentor da Comissão de Justiça foi elaborado pelo deputado Regis de Oliveira (PSC-SP).

 

Ele sustenta que a ordem do TSE contém "diversas inconstitucionalidades". Alega, de resto, que tramitam no STF duas ações contra a imposição da fidelidade partidária.

 

Menciona também um recurso protocolado no Supremo pelo próprio Walter Brito contra a decisão do TSE que determinou a perda do mandato dele.

 

Para Regis, não se pode mandar o deputado ao olho da rua antes que o STF se pronuncie.

 

O diabo é que, no tocante ao recurso de Walter Brito, o Supremo já se manifestou. Em decisão datada de 11 de setembro de 2008, o tribunal considerou-o infiel.

 

E manteve a punição que fora imposta ao deputado pelo TSE. Ou seja, além de afrontar a Justiça Eleitoral, o parecer da Câmara insurge-se contra deliberação do próprio STF.

 

Como se fosse pouco, a Câmara oferece aos legislativos estaduais um péssimo exemplo.

 

Não há notícia de Assembléia Legislativa que tenha se negado a mandar ao olho da rua deputados estaduais condenados no TSE por infidelidade.

 

Resta agora saber o que destino Arlindo Chinaglia dará ao parecer que encomendara à Comissão de Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 03h37

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Ação inédita com os EUA libera US$ 30 bi ao Brasil

 

- Folha: Brasil mantém juros; EUA cortam

 

- Estadão: EUA ajudam Brasil a reforçar caixa

 

- JB: Mais recursos para o Rio

 

- Correio: Professora acusada de promover aula de violência

 

- Valor: US$ 30 bilhões do Fed vão reforçar política cambial

 

- Gazeta Mercantil: Troca entre BC e Fed traz US$ 30 bi para reservas

 

- Estado de Minas: Uma multa por minuto no anel

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h40

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Fim de linha!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Serra e Aécio apóiam Temer na ‘sucessão’ da Câmara

  Folha
Os tucanos José Serra e Aécio Neves converteram-se em cabos eleitorais de Michel Temer (PMDB-SP) na disputa pela presidência da Câmara.

De olho em 2010, os governadores vislumbraram no apoio a Temer uma forma de manter desobstruídos os canais de negociação com o PMDB.

 

A dupla joga o peso de seu prestígio junta à bancada de deputados no adensamento do cesto de votos de Temer.

 

Também na cúpula do tucanato, a opção por Temer é vista como a alternativa mais conveniente.

 

Em privado, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), advoga a tese de que os tucanos, tanto quanto possível, devem cultivar a simpatia de setores do PMDB.

 

Na eleição passada, vencida por Arlindo Chinaglia (PT-SP), o tucanato disputara a cadeira de presidente da Câmara com um nome próprio: Gustavo Fruet (PSDB-PR). Não cogita repetir a estratégia.

 

Além de assegurar a Temer a maioria dos votos dos deputados tucanos, o movimento do PSDB fez brilhar uma luz vermelha na sala de comando do petismo.

 

A direção do PT decidiu desautorizar a pregação da ala do partido que exigia reciprocidade do PMDB do Senado, em troca do suporte dado a Temer na Câmara.

 

Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, informou a Temer que os votos dos deputados do PT independem do posicionamento que venha a ser adotado pelos senadores do PMDB.

 

A exemplo de Aécio e Serra, Berzoini mira 2010. Tenta sufocar ruídos que possam prejudicar uma futura aliança com o PMDB na sucessão de Lula.

 

Ao petismo do Senado, fechado com a candidatura de Tião Viana (PT-AC), não restou senão esquecer a “muleta” da reciprocidade.

 

Tenta-se agora cultivar a dissidência que se abriu na bancada de senadores do PMDB contra o veto que o grupo de Renan Calheiros (PMDB-AL) impôs a Tião Viana.

 

Pelo menos três senadores peemedebistas levaram o pé atrás ao tomar conhecimento dos movimentos de Renan: Gerson Camata (ES), Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).

 

Renan tricota com os líderes da oposição –José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM)—a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) ao comando do Senado. Em público, Sarney diz que não quer.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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BC interrompe ciclo de alta de juros e mantém taxa

 

 

Acossado pela crise, o Copom (Conselho de Política Monetária) decidiu interromper a série de altas nas taxas de juros que iniciaria em abril.

 

Em reunião concluída há pouco, o presidente do BC, Henrique Meirelles, e os diretores da instituição decidiram manter os juros nos atuais 13,75% ao ano.

 

A decisão foi unânime. Vai na linha do que desejava Lula. Era também o que vinha sendo previsto pelo mercado. Em nota, o BC escreveu:

 

"Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés".

 

As preocupações do BC com a inflação se mantêm. Sobretudo num cenário em que o dólar mostra-se irascível. Por isso os juros não foram podados.

 

A crise global injetou em cena, de resto, um fantasma novo: a perspectiva de recessão nos EUA e Europa e de desacelaração da economia no Brasil.

 

Por isso optou-se por não subir de novo os juros. Com a manutenção da taxa, os gestores do BC ganham tempo. Podem observar melhor a encrenca até dezembro, quando o Copom fará a última reunião do ano.

Escrito por Josias de Souza às 20h25

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FED abre uma linha de crédito de R$ 30 bi para o BC

  Antônio Gaudério/Folha
O Federal Reserve, banco central dos EUA, abriu uma linha de crédito de swap no valor de US$ 30 bilhões.

 

Trata-se, em português claro, de um empréstimo do governo americano para o BC brasileiro.

 

Swap, vocábulo da língua inglesa, significa troca. Ou seja, o FED se dispõe a entregar dólares ao BC, recebendo como garantia o equivalente em reais.

 

Os dólares do FED, disponíveis até abril de 2009, serão usados pelo BC sempre que necessário.

 

Munido dos dólares do FED, o BC passa a dispor de mais munição para promover leilões de dólares no Brasil, freando a disparada da moeda americana.

 

Na semana passada, o BC anunciara que, para segurar a cotação do dólar, lançaria mão de até US$ 50 bilhões.

 

A troca de reais por moedas de outros países está prevista na medida provisória 443, aquela que autorizara o BB e a CEF a comprar ações de bancos privados.

 

Em crises passadas, o governo brasileiro costumava recorrer ao FMI. Hoje, Lula jacta-se de não dever mais nenhum tostão ao Fundo.

 

Súbito, o BC pendura-se nas arcas do governo americano. Não o faria se fosse desnecessário. Há uma vantagem na nova operação.

 

Diferentemente do que fazia o FMI, o FED cede dólares ao BC sem meter o bedelho nos rumos da política econômica do Brasil.

 

Seja como for, aos pouquinhos, vai virando pó o lero-lero da alegada auto-suficiência do Brasil. Tese escorada na abundância das reservas internacionais do país.

 

Na crise atual, não há país auto-suficiente. Só há interdependência. 

Escrito por Josias de Souza às 19h34

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Yeda vai ao STF contra piso nacional de professores

  Fábio Pozzebom/ABr
A governadora Yeda Crusius (PSDB), do Rio Grande do Sul, comprou uma briga indigesta.

Ela protocolou no STF uma ação contra a lei que fixou em R$ 900 o piso nacional dos professores.

 

Para a governadora, a lei recém-aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula seria “inconstitucional”.

 

Sustenta que o Estado não tem como pagar o novo piso. Alega que, ao aprová-lo, os congressitas deixaram de levar em conta benefícios que já compõem os vencimentos dos professores.

 

O governo gaúcho insurge-se também contra o artigo da lei que reserva 30% da carga horária dos professores para atividades extraclasse.

 

Neste ponto, alega-se que, para implementar a regra, o Estado teria de contratar 27 mil novos professores.

 

Yeda não é a única executiva estadual que torce o nariz para a lei do piso dos professores.

 

PS.: Atualização feita às 2h33 de quinta-feira (30): o STF divulgou no portal que mantém na internet notícia sobre a ação contra o piso salarial dos professores.

 

O texto informa que a iniciativa não é patrocinada apenas por Yeda Crusius. São subscritores da ação cinco governadores de Estado.

 

Além da governadora gaúcha, acomodaram o jamegão sobre o documento: Roberto Requião (Paraná), Luiz Henrique da Silveira (Santa Catarina); André Puccinelli (Mato Grosso do Sul) e Cid Gomes (Ceará).

 

Informaram que, embora não assinem a ação, outros cinco governadores apóiam a iniciativa: José de Ancheita Jr. (Roraima), José Serra (São Paulo), Marcelo Miranda (Tocantins), Aécio Neves (Minas Gerais) e José Roberto Arruda (Distrito Federal).

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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O 'ex-inquisidor’ encontra o ‘ex-chefe da quadrilha’

Fotos: Sérgio Lima/Folha
 

 

Eleito prefeito do Rio, o ‘ex-pefelê’, ‘ex-tucano’ e atual ‘peemedebê’ Eduardo Paes avistou-se, no Planalto, com Lula.

 

Foi o encontro do ex-inquisidor da CPI dos Correios com aquele que chamara, no auge do mensalão, de “chefe da quadrilha”.

 

Numa evidência de que, em política nada se perde, nada se transforma, tudo se adapta, o ex-atirador de pedras agora quer acomodar uma pedra sobre o passado.

 

Com o padrinho Sérgio Cabral a tiracolo, Paes declarou: "Nós vamos olhar para frente...”

 

“...Aqui está o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, que vai tratar de governar junto com o presidente da República, que o apoiou durante o segundo turno".

 

Antes de confraternizar-se com o ex-desafeto, Lula recebera o prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB).

 

Embora tenha sido eletrificado por um circuito elétrico que juntou PSDB e PT, o “poste” mineiro foi ao presidente acompanhado apenas por um dos pólos.

 

Só apareceu no Planalto o atual prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT). Aécio Neves (PSDB) não deu as caras.

 

Escrito por Josias de Souza às 17h29

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Banco Central passa os juros na lâmina... nos EUA

 

O Federal Reserve, banco central dos EUA, decidiu, nesta quarta (29), reduzir a taxa básica de juros da economia americana. Caiu de irrisórios 1,5% para reles 1% ao ano.

 

A decisão foi unânime. Não houve voz dissonante entre os dez integrantes do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), uma espécie de Copom americano. Deseja-se tonificar o consumo em meio à crise.

 

A novidade chega no mesmo dia em, no Brasil, o mercado financeiro aguarda com viva expectativa a decisão do BC em relação aos juros brasileiros.

 

O veredicto, no caso brasileiro, sai daqui a pouco. O Copom (Conselho de Política Monetária) encontra-se reunido em Brasília.

 

A depender da vontade de Lula, a direção do BC deveria interromper o ciclo de elevação dos juros iniciado no último mês de abril. Se ser para baixar, que a taxa estacione nos atuais 13,75% ao ano. A ver.

Escrito por Josias de Souza às 16h47

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Lula leva Petrobras a Havana e se encontra com Fidel

Divulgação
 

 

Lula inicia na noite desta quarta (29) mais uma viagem internacional. Embarca em São Paulo, depois de participar da cerimônia de abertura do Salão Intercional do Automóvel.

 

Nesta quinta (30), Lula amanhece em El Salvador. Dali, embarca, no início da tarde, para Cuba, onde fica até sexta (31).

 

Em El Salvador, Lula participa da 18ª edição da Cúpula Ibero-Americana. Definido antes do recrudescimento da crise, o tema da cúpula é "Juventude e Desenvolvimento".

 

Um tema que tende a ser soterrado pela encrenca financeria que conspira contra o desenvolvimento do planeta.

 

Em Havana, o presidente vai testemunhar a assinatura de acordos entre a Petrobras e a Cia. Cubana de Petróleo (Cupet).

 

Será a terceira visita de Lula a Havana desde que assumiu a presidência, em 2003. Foi na segunda visita, ocorrida em janeiro de 2008, que a Petrobras aportou em Cuba.

 

Nessa ocasião, a estatal brasileira assinou com a cubana Cupet um acordo de cooperação, prevendo a prospecção de petróleo, a fabricação de lubricantes e o refino de óleo na ilha.

 

O novo acordo vai marcar o início das atividades da Petrobras no pedaço cubano do Golfo do México. Pretende-se extrair óleo de águas profundas. Algo que a Petrobras sabe fazer como poucas empresas no mundo.

 

Lula aproveita a passagem por havana para avistar-se, na sexta (31), com o companheiro Fidel Castro, agora de pijamas.

Escrito por Josias de Souza às 16h12

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Contra Fundo Soberano, oposição retoma a obstrução

Mantega não conseguiu convencer a oposição a aprovar o seu 'Fundo Soberano' 

 

Em contraste com a atmosfesra de concórdia que levou à aprovação da MP de socorro aos bancos, o plenário da Câmara volta a ficar intoxicado nesta quarta (29).

 

Vai a voto o projeto de lei 3674. Cria o Fundo Soberano do Brasil. Algo “essencial”, diz o governo. Absolutamente “desnecessário”, rebate a oposição.

 

Reunido com líderes partidários nesta terça (28), o ministro Guido Mantega (Fazenda) tentou demover as resistências ao projeto. Não conseguiu.

 

A despeito da perspectiva de quebra de lanças, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), decidiu manter a votação da proposta.

 

O DEM acena com a retomada da tática da obstrução. Deve ser acompanhado pelo PSDB, também contrário à criação do fundo.

 

Em minoria, a oposição não dispõe de votos para prevalecer sobre o consórcio partidário que dá suporte a Lula na Câmara.

 

Mas, esgueirando-se pelas frinchas do regimento interno da Câmara, a oposição dispõe de munição para infernizar a vida do governo, retardando a votação a mais não poder.

 

Se bem sucedida, a obstrução pode impedir que a votação ocorra nesta quarta. Na quinta (30), os deputados debandam de Brasília.

 

E a encrenca seria transferida para a próxima semana, já conturbada pela votação, na quarta (5), da MP 443, que autoriza BB e CEF a comprar ações de bancos.

 

A pauta da sessão desta quarta (29) inclui outros projetos que, em tempos de crise, soam temerários. Prevêem a criação de 7.938 novos cargos na administração pública.

 

São 2.800 vagas de professor universitário, 5.000 cargos técnicos em universidades federais e 138 postos no ministério da Integração Nacional.

 

Ainda que sejam necessários, os novos cargos chegam ao plenário num instante em que a oposição insiste na conveniência de o governo cortar despesas.

 

Somando-se todos os cargos, reestruturações de carreiras, concessão de gratificações e incorporação de benefícios, o governo já plantou no Orçamento despesas que, até 2011, somam algo como R$ 100 bilhões.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Pacto entre Cesar e Paes inicia transição pacífica

 

- Folha: Governo pode adiar tributo para empresa

 

- Estadão: Empresas pedem prazo maior para os impostos

 

- JB: Combate à dengue começa em 15 dias

 

- Correio: Otimismo em alta nas bolsas

 

- Valor: Desmonte de operações cambiais alivia mercado

 

- Gazeta Mercantil: Bolsas de valores disparam em dia de boas notícias

 

- Estado de Minas: Colégios criam lista para barrar aluno devedor

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Nau Marolinha!

Guto Cassiano
 

Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Sobre Serra, ‘demos’, mosca e sucessão presidencial

Lula Marques/Folha
 

 

O governador tucano José Serra abalou-se até Brasília nesta terça (28). Foi avistar-se com o colega José Roberto Arruda, único governador do DEM.

 

O pretexto do encontro foi a celebração de um convênio na área de habitação popular. Arruda decidiu aproveitar no Distrito Federal idéias aplicadas em São Paulo.

 

Na prática, a passagem de Serra pela Capital deixou no ar a impressão de que o presidenciável do PSDB age para soldar a aliança com o DEM, já desenhada na parceria 'demo'-tucana em torno de Gilberto Kassab.

 

A sensação é tonificada pelo fato de que a tribo ‘demo’ enxerga em Arruda qualidades de um potencial candidato a vice-presidente da República.

 

Espremido pelos repórteres, Serra desconversou: "Não estou especulando para 2010 [...]. São dois anos. Ainda falta muito tempo".

 

No instante em que concedia a entrevista, Serra viu posar sobre sua calva uma mosca, captada pelas lentes do sempre atento repórter Lula Marques.

 

O inseto tinha a coloração usual, entre o preto e o cinza. Mero disfarce, contudo. Tratava-se, em verdade, da velha e boa mosca azul.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Câmara aprova MP que autoriza BC a socorrer bancos

Folha
 

 

Beneficiando-se da boa vontade da oposição, o governo conseguiu aprovar a medida provisória 442, que havia sido editada por Lula em 6 de outubro.

 

A MP autoriza o Banco Central a socorrer bancos encalacrados com empréstimos, recebendo como garantia carteiras de crédito das instituições acudidas.

 

Exceto pelo PSOL, todos os partidos de oposição votaram a favor. O PSDB ameaça obstruir. Mas a bancada tucana foi amaciada por uma decisão de última hora.

 

O relator da MP, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), concordou em acrescentar ao seu parecer uma emenda que rejeitara na véspera.

 

É de autoria do deputado Paulo Renato Souza. Prevê a indisponibilidade dos bens dos controladores dos bancos socorridos em caso de inadimplência.

 

Além dessa emenda, acrescentada às pressas, já no calor da discussão em plenário, Rodrigo Loures acolheu outras emendas.

 

Uma delas, do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), obriga o BC a enviar relatórios trimestrais ao Legislativo, para prestar contas dos empréstimos concedidos aos bancos.

 

Outra, do senador Pedro Simon (PMDB-RS), impõe ao presidente do BC, Henrique Meirelles, o comparecimento mensal em audiências conjuntas das comissões econômicas da Câmara e do Senado.

 

Meirelles terá de prover os congressistas de informações sobre o gerenciamento da crise. A regra vale enquanto perdurar a encrenca financeira.

 

A medida provisória segue agora para o Senado, que deve ratificá-la. Na Câmara, programou-se para 5 de novembro a votação da segunda MP anticrise, a 443.

 

Trata-se daquela MP que permite ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal adquirir ações de bancos privados e, no caso da CEF, também de construtoras.

 

Para aplainar o terreno desta segunda votação, o ministro Guido Mantega (Fazenda) fez um périplo pelo Congresso. Reuniu-se com líderes no Senado e, depois, na Câmara.

 

Há, também neste caso, boa vontade da oposição. Mas PSDB, DEM e PPS não abrem mão de emendar a medida provisória.

 

A emenda mais relevante será apresentada pelo DEM. Limita a validade da medida provisória a dois anos, renováveis por igual período caso a crise perdure.

 

Da forma como está, no dizer de ACM Neto (BA), líder do DEM, a MP é “um cheque em branco” para que BB e CEF façam o que bem entender.

 

O PSDB deseja inserir na MP artigos que garantam o controle do Legislativo sobre as transações que serão realizadas pelos bancos oficiais.

Escrito por Josias de Souza às 01h41

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Brasília registra o dia mais quente de sua história

Brasília registra o dia mais quente de sua história

Lula Marques/Folha
 

 

Brasília esteve literalmente frita nesta terça (28). Não bastassem as labredas da crise, a cidade viveu o dia mais quente de sua história.

 

A temperatura bateu em 35,8º C. Desde que foi criado, em 1961, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) jamais registrara semelhante fornalha.

 

Como se fosse pouco, a umidade relativa do ar declinou a níveis saarianos: 13%. Ai de gente ou bicho que não se adapte ao calorão num dia assim.

 

Melhor não não brigar com o termômetro. De passagem pela Esplanada, o repórter Lula Marques pilhou a esperteza de um pássaro.

 

Pezinhos pousados sobre a grama estorricada, o espertalhão mantinha-se longe da faina. Protegia a carcaça plúmbea sob a copa de uma árvore.

 

Converteu em oásis o que parecia uma apenas nesga de sombra.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Temer e Tião aticulam suas candidaturas em jantares

De volta a Brasília depois de enerrada a refrega eleitoral, deputados e senadores voltam a digerir os seus conchavos em torno de boas mesas.

 

Na noite desta terça (28), o deputado Michel Temer (PMDB-SP) testa o apoio do bloco governista à sua candidatura em jantar na casa do colega Luciano Castro (RR), líder do PR.

 

Simultaneamente, o senador Tião Viana (PT-AC) confere a unidade do PT em torno do nome dele num jantar no apartamento de Eduardo Suplicy (PT-SP).

 

Para o repasto pró-Temer, foram convidados os líderes de todos os partidos que integram o consórcio governista.

 

As primeiras dificuldades surgiram já na fase de organização. Um dos convidados, Mário Negromonte (BA), líder do PP, avisou que não pretende dar as caras.

 

O partido de Negromonte não deseja jantar com o Temer. Quer, na verdade, jantar o Temer. Levará ao plenário da Câmara a candidatura de Ciro Nogueira (PP-PI).

 

“Por mais admiração que eu tenha pelo Temer, não posso comparecer a esse jantar. Nosso candidato à presidência da Câmara é o Ciro”, disse Negromonte ao repórter.

 

Novos contratempos devem surgir quando a refeição estiver sobre a mesa. Márcio França (SP), líder do PSB e expoente do bloco que inclui PC do B e PDT, diz o seguinte:

 

“Temos posição aberta na disputa pelo comando da Câmara. Não excluímos nem mesmo a hipótese de lançar um candidato do nosso bloco”.

 

França diz recear que a parceria entre PMDB e PT em torno do nome de Temer perpetue um processo que vem alijando as demais legendas na Câmara.

 

Quando nomeiam relatores de qualquer coisa importante, o quadro fica fechado entre PT e PMDB. A gente precisa pedir pelo amor de Deus para sermos notados...”

 

“Eles meio que combinaram que é tudo o que é relevante deve ser definido entre eles. Todos os outros partidos ficam de fora”.

 

No apartamento de Suplicy, refeição e política tendem a ser menos indigestas. Não que a candidatura de Tião Viana já tenha sido digerida no Senado.

 

Longe disso. Mas vão à mesa apenas senadores petistas. A maioria já convecida de que a vez, no âmbito partidário, é de Tião Viana.

 

Em timbre diplomático, Suplicy contemporiza: “Serão convidados os 12 senadores do PT, para um diálogo franco e aberto...”

 

“Está inteiramente aberta a possibilidade de qualquer senador ser candidato à presidência [do Senado]. Vários senadores têm credenciais para ser presidente...”

 

“...Entre eles está o Tião Viana, atual vice-presidente, que, como presidente interino, se conduziu muito bem. Ele tem o respeito de todos”.

 

Ideli Salvatti (SC), líder do petismo no Senado, engole as meias palavras de Suplicy e vai ao ponto: “A bancada do PT está fechada com o Tião”.

 

O problema do PT é outro: a articulação de Renan Calheiros (PMDB-AL) para construir, com a oposição, uma alternativa que impeça Tião Viana de sentar-se na cadeira de presidente.

 

PS.: Fotos - Folha (Temer) e Agência Senado (Tião).

Escrito por Josias de Souza às 20h01

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Mantega: a crise é ‘forte’ e ‘mundo vai desacelerar’

Elza Fiúza/ABr
 

 

Um dia depois de ter recomendado aos brasileiros que consumissem, Guido Mantega pintou a crise global com as cores do realismo.

 

Acha que a encrenca será longeva e terpa efeitos nefastos sobre a economia mundial:

 

“Vamos ter um forte impacto na atividade econômica, na economia real, e no mundo todo vai desacelerar e isso está ficando nítido agora”.

 

Em verdade, isso não “está ficando nítido agora”. O governo é que trazia os olhos embaçados.

 

Esse Mantega de timbre realista surgiu no 3º Encontro Nacional da Indústria, um evento promovido pela CNI, em Brasília.

 

O ministro informou que, nesta quarta (29), o conta-gotas que o governo vem manejando no combate à crise vai pingar mais uma providência.

 

Trata-se de uma linha de crédito destinada a prover capitral de giro a construtoras de moradias. Coisa de R$ 3 bilhões. Dinheiro das arcas da Caixa Econômica Federal.

 

Em resposta a um pedido de Armando Monteiro, presidente da CNI, Mantega disse que o governo estuda também a hipótese de postergar a data do recolhimento de tributos federais.

 

Em meio à secura do mercado de crédito, seria uma forma de reter no caixa das empresas por um prazo maior o dinheiro que elas terão de repassar ao fisco.

 

Presente ao encontro, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) realçou a importância do papel do governo no enfrentamento da crise.

 

“Acho que o Estado tem que ser o grande parceiro do setor produtivo neste momento”, disse Mercadante. Avalia que a ação deve sustentar-se sobre três pilares:

 

1) Restabelecer o sistema de crédito; 2) Manter a estabilidade econômica; 3) E incentivar a produção e o crescimento.

 

Outro convidado da CNI, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), imprimiu à sua participação um timbre de ameno oposicionismo.

 

Acha que as medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo "não estão acima do necessário”. Discorda, porém, do método:

 

"Surpresas, como a edição de medidas provisórias uma atrás da outra, algumas radicais, não trazem confiança".

 

Para Tasso, o governo errou ao injetar as construtoras na medida provisória que permite ao BB e à CEF adquirir ações de instituições privadas.

 

O senador faz uma distinção entre construtoras e casas bancárias: "Um banco, quando quebra, vai levando os outros. É um caso diferente".

 

Como se vê, trava-se em Brasília uma peculiar luta de boxe. Uma luta em que a Viúva entra com a cara.

Escrito por Josias de Souza às 18h55

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PMDB elabora plano para ter 'presidenciável próprio'

PMDB elabora plano para ter 'presidenciável próprio'

  José Cruz/ABr
Cobiçado por PT e PSDB, o PMDB decidiu deflagrar uma estratégia para tentar pôr de pé uma candidatura própria à sucessão de Lula.

 

O primeiro efeito prático da decisão será o sobrestamento das negociações com petistas e tucanos.

 

“Não vamos entregar a rapadura com dois anos de antecedência”, diz Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara.

 

Segundo o deputado, seria inadmissível que o PMDB, depois de vitaminado pelas urnas municipais, não almejasse construir uma alternativa partidária.

 

“O PMDB é, hoje, o partido com o maior número de prefeitos e vereadores. Tem as maiores bancadas da Câmara e do Senado”, diz Henrique Alves.

 

“É natural que o partido tenha o seu projeto nacional”. O tema será debatido, segundo ele, na Executiva do PMDB, em reunião a ser marcada.

 

Henrique Alves diz que, como sócio do consórcio político que dá suporte congressual ao governo, o “parceiro prefenrencial do PMDB para 2010 é o presidente Lula”.

 

Alega, porém, que, assim como o PMDB, também o PT não dispõe, por ora, de um presidenciável competitivo.

 

“A ministra Dilma [Rousseff] vem se esforçando para reforçar a atividade política. Reconheço isso. Mas não se pode dizer, por enquanto, que ela seja competitiva”.

 

Na seara governista, diz Henrique Alves, só há uma “candidatura natural”: a de Ciro Gomes (PSB). “Ele já disputou a presidência, tem um recall grande nas pesquisas”.

 

Diante da “carência de nomes”, abre-se um espaço, acredita o líder do PMDB, para que o partido se movimente para construir a sua própria opção.

 

Algo que seria, segundo ele, tão inevitável quanto necessário. “Até para que o PMDB vá à mesa de negociação de 2010 numa posição mais forte”.

 

E quais seriam os nomes disponíveis no PMDB? Henrique Alves menciona um: “O governador Sérgio Cabral [Rio de Janeiro] é uma dessas alternativas”.

 

De resto, Henrique Alves anucia para os próximos meses a realização de uma série de “eventos regionais” promovidos pelo PMDB.

 

“Queremos tirar os nossos governadores dos seus Estados, fazendo com que eles percorram o país...”

 

“...O Sérgio Cabral precisa sair um pouco do Rio, tem de se mostrar mais, por exemplo, no interior do Nordeste...”

 

“...O mesmo raciocínio vale para personagens como o Paulo Hartung [governador peemedebista do Espírito Santo] e para o Luiz Henrique [governador de Santa Catarina]”.

 

A exemplo de Luiz Henrique, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), põe a costura da “candidatura própria” à frente da negociação com outras legendas.

 

Um plano que esbarra em obstáculos insondáveis. A começar por São Paulo, Estado de Temer.

 

Ali, o presidente do diretório estadual, Orestes Quércia já fechou com a candidatura presidencial do governador oposicionista José Serra (PSDB).

 

Instado a dizer se o PMDB dispõe de alternativa com o potencial de votos de Serra, Quércia diz:

 

"Não tem. Temos pessoas importantes como o [Roberto] Requião e o Jarbas Vasconcelos. Não temos assim... um Serra".

 

Vai abaixo um quadro que dá uma idéia do poder de fogo do PMDB, um partido cuja força aparente contrasta com a ausência de um projeto nacional de poder:

 

Escrito por Josias de Souza às 17h35

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56% dos candidatos ‘apoiados’ por Dilma malograram

 

 

Desde que seu nome foi às manchetes como preferida de Lula para 2010, mãe Dilma vem se esforçando para transpor as fronteiras que separam o técnico do político.

 

Na campanha municipal, levou o rosto a 23 palanques. Dos candidatos que apoiou, 13 (56%) naufragaram nas urnas.

 

A derrota mais doída para Dilma foi a de Porto Alegre. Ali, a petista Mario do Rosário foi derrotada pelo prefeito José Fogaça (PMDB), reeleito.

 

Outro infortúnio acerbo foi o de Natal. Dilma quebrou lanças por Fátima Bezerra (PT), batida já no primeiro turno por Micarla de Sousa (PV).

 

Micarla teve entre seus cabos eleitorais o senador José Agripino Maia (DEM), a quem Dilma gostaria de ter ajudado a derrotar.

 

Antes do início da campanha, dizia-se que a mineira Dilma, por ordem de Lula, só faria campanha em Porto Alegre, cidade-berço de sua militância política.

 

Porém, o PT acabou empurrando a chefona da Casa Civil para outras cidades. O presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), reconhece o esforço:

 

"A ministra Dilma cumpriu 95% de tudo o que o PT pediu durante a campanha, mesmo com a sua pesadíssima agenda de governo...”

 

Ela “...agregou bastante à sua imagem dentro do PT, já que defendeu com afinco candidatos do partido que ela mal conhecia".

 

Resta saber se o PT agregou à imagem da ministra algo além da aura de infortúnio.

 

Escrito por Josias de Souza às 16h34

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Ideli: Apoio do PT a Temer depende de suporte a Tião

  Valter Campanato/ABr
Líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC) diz abertamente algo que era apenas susurrado nos subterrâneos.

 

“A sucessão no Senado será tratada pelo PT em conjunto com a eleição para presidente da Câmara”.

 

Significa dizer que os votos dos deputados petistas em Michel Temer (PMDB-SP) estão condicionados ao apoio dos senadores peemedebistas a Tião Viana (PT-AC).

 

Até aqui, a resolução da encrenca vinha sendo postergada pelas eleições municipais. “Agora esse assunto vem para o primeiro plano”, disse Ideli ao blog.

 

Michel Temer evoca em seu favor um documento que reproduz acordo firmado na Câmara entre o seu PMDB e o PT de Ideli e Tião.

 

O papel traz a assinatura de três grão-duques do petismo: Ricardo Berzoini, presidente da legenda, Marco Aurélio Garcia, vice-presidente, e Arlindo Chinaglia.

 

Trata-se de um compromisso do PT de apoiar um candidato do PMDB à presidência da Câmara em troca do apoio peemedebista à eleição de Chinaglia, ocorrida em 2006.

 

“Esse documento não faz menção ao Senado”, diz Temer. Ideli dá de ombros: “É lógico que não é assim...”

 

“...Em política, tem o que está escrito e o que é subentendido. E o que está subentendido é a reciprocidade no Senado...”

 

“...Até porque não há como o PMDB, por mais fortalecido que tenha saído das urnas, controlar as duas Casas do Congresso...”

 

“...É preciso levar em conta que o PMDB participa de uma coalização de governo, com muitos partidos. E não é razoável nem adequado que pretenda a hegemonia”.

 

No último sábado (25), Berzoini reuniu-se com Temer. Reafirmou o compromisso de dois anos atrás. Mas rogou pelo apoio a Tião Viana.

 

O que incomoda o PT é o movimento capitaneado por Renan Calheiros (PMDB-AL), com o endosso de José Sarney (PMDB-AP), contra a assunção de Tião no Senado.

 

Renan traz Tião atravessado na traquéia. Alega que o senador petista, quando exerceu interinamente a presidência do Senado, deu curso a seis representações contra ele.

 

Representação que, na opinião de Renan, deveriam ter sido arquivadas. Daí a aversão que nutre à candidatura de Tião Viana.

 

Enrolado na bandeira de Temer, Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, diz que o veto de Renan a Tião é “pessoal, não político”.

 

Afirma que a prioridade do partido é mesmo acomodar Temer na cadeira de presidente da Câmara. Acredita que a posição dos peemdebistas do Senado deve evoluir para o entendimento com o PT.

 

Ideli lembra de um jantar ocorrido há coisa de três semanas. Deu-se no Palácio da Alvorada. Reuniu em torno da mesa Lula e o comando do PMDB, deputados e senadores.

 

“Nesse jantar, o presidente deu o seu recado. Foi muito claro. As coisas estão conectadas na Câmara e no Senado. Ele aguarda a reciprocidade. E apóia o Tião”.

 

De resto, Ideli diz que os 12 senadores do PT estão unidos em torno de Tião Viana. O mesmo se dá, segundo ela, com os demais partidos do consórcio governista.

 

Afirma já ter conversado com os líderes do PSB (Renato Casagrande), do PP (Francisco Dorneles), do PC do B (Inácio Arruda) e do PR (João Ribeiro). Falta ouvir Marcelo Crivella, do PRB, que não deve opor resistência.

 

Os representantes do governismo lembraram a Ideli apenas que é preciso definir a representação de cada legenda nos demais cargos de direção do Senado.

 

Definido o rateio, o único nó a ser desatado seria a ameaça do PMDB de juntar-se à oposição para lançar um candidato capaz de se contrapor a Tião Viana no plenário.

 

Eis aí um bom teste para a unidade do consórcio que gravita em torno de Lula. Uma constelação de legendas que o presidente diz que manterá unido até 2010.

Escrito por Josias de Souza às 04h27

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- Globo: Paes descumpre promessa e já abre o governo a partidos

 

- Folha: Banco contraria Lula e segura crédito

 

- Estadão: Ibovespa cai ao nível de 2005 com perdas de 60% no ano

 

- JB: Paes: ordem é evitar a crise

 

- Correio: Dólar em alta tira remédios de farmácias no DF

 

- Valor: Montadoras já se ajustam ao ritmo da desaceleração

 

- Gazeta Mercantil: Bancos antecipam balanços para demonstrar solidez

 

- Estado de Minas: Lacerda vai assumir sem medida 'feroz'

 

- Jornal do Commercio: Estado antecipa 13º para novembro

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Banho de realidade!

Tiago recchia
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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Relator exclui os bens dos donos dos bancos de MP

Alega-se que leis já prevêem responsabilidade solidária

Para Fazenda, menção afugentaria bancos da UTI do BC

De 74 emendas, só uma  dezena  deve  ser  aproveitada

Duas delas obrigam BC a  prestar  contas ao  Congresso

Chinaglia deseja votar a  medida provisória  nesta terça

 

Folha

Câmara deve votar nesta terça MP que autoriza o Banco Central a socorrer bancos 

 

Deputado de primeiro mandato, o administrador Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) concluiu na noite desta segunda (27) a missão mais relevante e de sua curta carreira política: o relatório da medida provisória 442.

 

Trata-se daquela MP que autoriza o Banco Central a socorrer bancos em dificuldades com empréstimos em reais e em dólar –operações de redesconto, no jargão técnico.

 

Foram penduradas na MP 74 emendas. No meio da noite, ainda às voltas com a redação de seu relatório, Rodrigo Loures disse que aproveitaria no máximo 12.

 

Entre as emendas excluídas há três que tratam de um tema considerado vital pelos oposicionistas PSDB, DEM e PPS.

 

Têm redações diferentes. Mas o conteúdo é comum: prevêem que donos e gestores de bancos socorridos respondam com seus bens caso deixem de pagar os empréstimos do BC.

 

Rodrigo Loures disse ao repórter que optou por excluir a exigência porque já há leis prevendo a “responsabilização solidária” dos controladores em caso de inadimplência.

 

Antes de se debruçar sobre o relatório, o deputado participara, à tarde, de uma reunião com técnicos do ministério da Fazenda. Entre eles o secretário-executivo Nelson Machado, segundo na hierarquia da pasta.

 

Informado sobre as emendas que atrelavam o patrimônio de banqueiros aos empréstimos do BC, Machado disse que a providência seria desnecessária.

 

E manifestou o receio de que, incluída na MP, a regra patrimonial acabe afugentando bancos às voltas com problemas de liquidez da “UTI” montada no BC.

 

Depois de aconselhar-se com sua equipe, com a assessoria da Câmara e com “dois juristas amigos”, Rodrigo Loures se convenceu da desnessidade das emendas.

 

Arrisca-se a atear fogo na oposição. As emendas recusadas são de autoria de Paulo Renato (PSDB-SP) e dos líderes do DEM, ACM Neto (BA), e do PPS, Fernando Coruja (SC).

 

No lote de emendas que o relator decidiu agregar ao relatório há duas que obrigam o Banco Central a prestar contas ao Legislativo.

 

Uma, de autoria de Gustavo Fruet (PSDB-PR), estabelece que o BC terá de enviar ao Congresso relatórios trimestrais com o detalhamento das operações de socorro bancário.

 

Rodrigo Loures anotará que, em função do sigilo bancário, os nomes dos bancos acudidos pelo BC não precisarão constar dos documentos de prestação de contas.

 

Outra emenda, de inspiração de Pedro Simon (PMDB-RS), impõe o comparecimento periódico do presidente do BC ao Congresso, para prestar contas do gerenciamento da crise bancária.

 

Simon queria balanços semanais, em sessões conjuntas de duas comissões: a de Finanças da Câmara e a de Assuntos Econômicos do Senado. O relator optou pela periodicidade mensal.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pretende levar o relatório de Rodrigo Loures a voto na sessão plenária desta terça (28).

 

Antes, o texto será submetido à análise dos líderes partidários, em reunião na sala da presidência, no início da tarde. Ali deve começar o arranca-rabo.

 

Chinaglia informou aos líderes que o ministro Guido Mantega (Fazenda) participará da fase inicial da reunião.

 

Vai explicar por que diabos esquivou-se de informar aos deputados, quando esteve na Câmara na semana passada, sobre a edição de uma outra medida provisória, a 443, que autoriza o BB e a CEF a adquirir ações de bancos e construtoras alcançadas pela crise.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Presos 2 malucos que planejavam assassinar Obama

Emmanuel Dunand
 

 

Ao aceitar a nomeação do Partido Democrata como candidato à presidência dos EUA, em 15 de julho de 1960, John Kennedy discursou:

 

"Depois de oito anos de ininterrupta sonolência, a nação precisa de uma liderança democrata forte e criativa na Casa Branca".

 

Desde então, a cada quatro anos os democratas tentam convencer o país de que encontraram um novo Kennedy. O último foi Bill Clinton. O penúltimo, um Kennedy de ébano, chama-se Barack Obama.

 

O mundo está de olho nos EUA. Em meio à mais grave crise econômica desde o Crash de 29, o país escolhe o sucessor de George Bush.

 

Depois de “oito anos de sonolência”, interrompida apenas pelos ruídos da guerra, uma parte dos americanos parece enxergar em Obama “uma liderança democrata forte e criativa”.

 

Obama era um bebê de dois anos quando John Kennedy foi atingido pelos tiros disparados do sexto andar do Depósito de Livros do Texas, no centro de Dallas, em 22 de novembro de 1963.

 

Descobre-se agora que o serviço secreto dos EUA pode ter evitado que esse pedaço infausto da biografia do Kennedy autêntico se insinuasse no caminho do suposto neo-Kennedy.

 

Agentes americanos informam ter conseguido abortar um plano para passar Barack Obama nas armas.

 

Coisa urdida por dois jovens neonazistas: Daniel Cowart, 20 anos, e Paul Schlesselman 18.

 

Além do candidato, a dupla pretendia matar 102 negros americanos. Obama fecharia a série macabra, evitada pela prisão do par de malucos.

 

Os EUA são pródigos na produção de homicidas de celebridades. Em 30 de março de 1981, em ato solitário, um desequilibrado descarregou um calibre 22 na direção do presidente republicano Ronald Reagan.

 

Uma das balas levou Reagan à mesa de cirurgia. Um outro George Bush, vice de Reagan e pai do presidente atual, esteve na bica de repetir Lyndon Johnson, que assumira a Casa Branca depois do assassinato de Kennedy.

 

Depois de duas horas de cirurgia, porém, o país foi informado de que Reagan sobreviveria. Completou oito anos de mandato como um dos presidentes mais populares dos EUA.

 

A ameaça contra Obama reforça a inclinação dos americanos para o drama e a tragédia. A novidade é que a ameaça chega agora antes da mesmo da eleição.

 

Imagine-se a encrenca em que seria metido o ex-império se o candidato da esperança fosse detido não pelo voto, mas por disparos de dois racistas imbecis.

 

Obama costuma rejeitar as analogias que tentam fazer entre sua trajetória e a de Kennedy. Ganhou um motivo a mais para espantar a macumba.

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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Petistas e tucanos dão início ao ‘Fla-Flu’ de 2010

 

 

Na política, como no futebol, a vitória é anterior a si mesma. Começa na estratégia esboçada fora do campo.

 

Nas pegadas das urnas municipais, PT e PSDB começaram a mostrar as travas das chuteiras um para o outro.

 

Sérgio Guerra, presidente do PSDB, procurou realçar o que lhe parece ser uma vantagem.

 

O tucanato dispõe de dois candidatos: José Serra e Aécio Neves. O PT, acha ele, não tem nenhum.

 

Mas e quanto a Dilma? "As eleições demonstraram que a ministra Dilma tem liderança no governo, mas no PT não. Não fez sucesso esse negócio de o presidente eleger um poste".

 

José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, admite que o partido vai à sorte das urnas sem o seu maior capital político:

 

"As eleições de 2010 vão ser as primeiras sem o presidente Lula como candidato do PT à Presidência da República".

 

Cardozo, porém, soou otimista: "Nós temos condições de construir uma candidatura própria".

 

Ou seja, em matéria de candidatos o mal do PSDB é que tem excesso de cabeças (José Serra e Aécio) e carência de miolos para chegar à unidade.

 

O PT sofre da mesma carência, mas com uma cabeça, a de Lula. Que, não podendo concorrer, tentará fabricar um nome.

 

De resto, PSDB e PT flertam com um parceiro comum: o PMDB. “Acho que o campo na política nesses dois anos vai ser muito o PMDB”, diz Sérgio Guerra.

 

“...Vamos cultivar gente que tem a ver conosco lá dentro [do PMDB] e não tenho dúvidas de que o governo já faz isso".

 

E José Eduardo Cardozo: "Temos um diálogo com o PMDB. O que há são dificuldades regionais e não nacional...”

 

“...Certamente, em 2010, estaremos juntos. A situação regional é uma e a nacional, outra".

 

Trata-se o PMDB como uma Maria-vai-com-as outras, um gigante atoleimado. Forte, mas sem cabeça. Parece condenado a assistir ao Fla-Flu presidencial, de novo, da arquibancada.

 

PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 21h11

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Não havendo o que dizer, melhor cultivar o silêncio

  Sebastião Moreira/EFE
As autoridades governamentais perderam o prazer do silêncio. Ignoram que a mudez é, em certas ocasiões, uma virtude que pode torná-los bem menos desagradáveis.

 

Nesta segunda (27), com a crise a bafejar-lhe a nuca, Guido Mantega quebrou, uma vez mais, o silêncio.

 

O ministro da Fazenda foi aos microfones para recomendar ânimo ao brasileiro. Receitou um tipo específico de coragem: a coragem do consumo.

 

"Devemos procurar ter uma vida normal. Se todo mundo ficar preocupado e com medo, aí é que você vai criar um problema econômico...”

 

“...Você vai deixar de consumir e deixar de comprar um carro ou uma casa e, de fato, vai reduzir o nível de atividade [econômica]".

 

Ou seja, para Mantega, o futuro da economia brasileira não está amarrado aos destinos do mundo. Não, não. Absolutamente.

 

O PIB do Brasil só depende do brasileiro, eis a mensagem de Mantega. A salvação estaria no consumo.

 

Simultaneamente, o ministro reconheceu que a recessão nos EUA e na Europa vai deixando de ser mera perspectiva para tornar-se um dado da realidade:

 

"A redução do valor dos imóveis está diminuindo o poder aquisitivo da população americana e européia...”

 

“...E com isso é quase certo que haverá uma retração na atividade econômica e até mesmo uma recessão".

 

Ora, havendo recessão lá fora, nem por milagre o Brasil vai se livrar de uma retração da atividade econômica em 2009 e 2010. Quiçá em 2011.

 

Numa tentativa de atenuar os efeitos do inevitável, o governo brasileiro faz das tripas coração para prover liguidez (dinheiro) ao sistema de crédito bancário.

 

Enquanto Mantega recomendava o consumo, o Banco Central anunciava uma nova mexida nas regras do depósito compulsório.

 

Injetaram-se nas veias do sistema financeiro mais R$ 6 bilhões. Somando-se a liberações feitas anteriormente, o BC já liberou para os bancos algo como R$ 117 bilhões.

 

A despeito disso, o crédito continua escasso e caro. As exigências são maiores. E as taxas de juros mais amargas.

 

O sistema econômico vigente no Brasil não é, como se sabe, o socialismo. Aos pouquinhos vai deixando de ser o capitalismo.

 

Vive-se agora sob a égide do crediário. Os brasileiros se dividem em duas classes: alguns poucos credores e uma legião de devedores.

 

Basta ouvir a expressão “sem entrada” que o brasileiro vai entrando. A crise recomendaria mais cautela.

 

Junto com a retração virá o risco de perda de empregos. E o governo não vai pagar o carnê do crediário. Só se dispõe a salvar bancos e determinadas empresas. O consumidor ordinário que se vire.

 

Num cenário assim, tão turvo quanto incerto, deve-se louvar autoridade que, não tendo nada a dizer, se abstém de demonstrá-lo com palavras. Viva o silêncio!

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Mantega retorna à Câmara para desfazer ‘mal-estar’

Marcello Casal/ABr
 

 

Encerrada a temporada eleitoral, os deputados e senadores retomam suas atividades em Brasília premidos por uma agenda de tema único: a crise global.

 

Terão de descascar dois abacaxis: as medidas provisórias 442 e 443. A primeira autoriza o Banco Central a emprestar dinheiro a bancos.

 

A outra permite ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal comprar ações de bancos encrencados.

 

Nesta terça (28), vai a voto, no plenário da Câmara, a MP 442. Antes, lideranças da oposição exigiram a presença do ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Querem que ele explique porque sonegou ao Legislativo a informação de que o governo mandaria ao Diário Oficial a sgundo MP, a 443.

 

Foi editada na noite da última quarta-feira (22). Na tarde do mesmo dia, Mantega e o Henrique Meirelles, haviam se submetido a uma sabatina no plenário da Câmara.

 

Nem o ministro nem o presidente do BC disseram palavra sobre a medida que abre caminho para a estatização de bancos e construtoras. O que deixou irritada a oposição.

 

Num esforço para pacificar o ambiente, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), telefonou para Mantega. Convidou-o a retornar ao Legislativo.

 

O ministro concordou em participar de uma reunião com os líderes partidários, na sala da presidência da Câmara. Será na tarde da própria terça, dia da votação da 442.

 

A despeito da mudança de humores, a oposição mantém a intenção de aprovar as duas medidas provisórias. PSDB, DEM e PPS vão tentar, porém, emendar as MPs.

 

Deseja-se principal acrescentar artigos que prevejam a punição de executivos de bancos que tenham incorrido em gestão temerária.

 

Na MP da estatização bancária, planeja-se introduzir a novidade de um comitê gestor, para acompanhar a compra de ações de bancos, dando transparência mínima às operações.

 

Na quinta (30), Mantega e Meirelles retornarão ao Congresso. Dessa vez para prestar esclarecimentos aos senadores, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 04h11

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PMDB do Senado reivindica a cadeira de Tarso Genro

PMDB do Senado reivindica a cadeira de Tarso Genro

Demanda é capitaneada por Sarney, com o apoio de Renan

O Plano da dupla é deslocar Jobim da Defesa para a Justiça

 

  Marcello Casal/ABr
Em articulação subterrânea, a cúpula da bancada do PMDB do Senado trama contra a permanência de Tarso Genro no comando do ministério da Justiça.

 

O movimento é capitaneado por José Sarney (PMDB-AP), que conta com o auxílio de Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

É a mesma dupla que ergue barricadas contra a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado, sob a alegação de que o PMDB tem direito ao posto.

 

Sentindo o cheiro de queimado, senadores do PT despejaram sua contrariedade nos ouvidos do presidente da legenda, Ricardo Berzoini (SP).

 

Fiador de um acordo que prevê o apoio do PT à eleição de Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara, Berzoini passou a insatisfação adiante.

 

Avisou aos deputados do PMDB que, ser não for detida, a movimentação de Sarney e Renan pode levar o petismo a dar meia-volta no apoio a Temer.

 

Tarso Genro e o PT foram à alça de mira de Sarney por conta de uma questão policial. O senador insinua que o ministro usa a Polícia Federal para miná-lo politicamente.

 

Sarney enxerga as digitais de Tarso num inquérito em que a PF acusa um de seus filhos, Fernando Sarney, de traficar influência no governo federal. Coisa estritamente técnica, segundo a polícia, sem conotações políticas.

 

A investigação foi aberta em 2006. Apurava-se, então, denúncia de que as arcas eleitorais de Rosena Sarney, candidata derrotada às eleições do Maranhão, teriam sido borrifadas com verbas de má origem.

 

No curso do inquérito, a PF voltou-se para Fernando Sarney. Reuniu indícios de que o filho do senador e amigos dele estariam intermediando negócios privados nas franjas do Estado.

 

Agiam, segundo a PF, sobretudo em pedaços da administração pública submetidos à influência de José Sarney.

 

São citados no inquérito: ministério de Minas e Energia, Eletrobrás, Eletronorte, Valec (estatal do Ministério dos Transportes responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul) e Caixa Econômica Federal.

 

O desconforto de Sarney descambou para a irritação no último mês de agosto, quando a PF encaminhou à Justiça um pedido de prisão preventiva de Fernando Sarney.

 

A PF requereu também a detenção de um de seus agentes, Aluisio Guimarães Mendes Filho, acusado de vazar informações sigilosas do inquérito.

 

O juiz Neian Milhomem Cruz, da 1ª Vara Federal Criminal de São Luiz, indeferiu os pedidos de prisão. Mas, ainda que houvesse deferido, a ordem não surtiria efeito.

 

Antecipando-se à PF, Fernando Sarney obtivera no STJ um habeas corpus preventivo que impedia a polícia de levá-lo para trás das grades. O inquérito segue o seu curso.

 

A investida de Sarney contra Tarso também avança. Aliados do senador chegam mesmo a informar que Lula teria concordado em desalojar Tarso.

 

Mais: sustentam que o peemedebista Nelson Jobim seria deslocado da pasta da Defesa para o ministério da Justiça.

 

Acrescentam que, para a cadeira de Jobim, Lula nomearia o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), alagoano de nascimento e amigo de Renan Calheiros.

 

O repórter conversou com um auxiliar do presidente. Ele negou que Lula tenha cedido às investidas do PMDB do Senado. “O presidente não age sob pressão”, disse.

 

Seja como for, a aversão de Sarney e Renan a Tarso Genro e Tião Viana envenenam as relações PMDB-PT.

 

A atmosfera fica intoxicada justamente num instante em que, passada a temporada eleitoral, Lula tenta unificar o seu consórcio partidário em torno de um projeto único para 2010.

 

Projeto alicerçado em dois pilares: o PT de Dilma Rousseff e o PMDB, de cujos quadros Lula tenciona extrair um vice para a chefe da Casa Civil.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Diferença de 55 mil votos dá a Paes o desafio de unir o Rio

 

- Folha: Vitória de Kassab fortalece Serra; PMDB vence no Rio e cresce no país

 

- Estadão: Kassab é reeleito em São Paulo; PT perde redutos até na periferia

 

- JB: O prefeito é Paes

 

- Correio: Alunos discriminam negros, pobres e gays

 

- Valor: PMDB vai gerir R$ 47 bi nas cidades

 

- Gazeta Mercantil:  Crédito escasso favorece fundos de private equity

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Parque dos Dinossauros!

Novaes
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 01h48

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PMDB é vitorioso condenado ao papel de coadjuvante

 

Encerrado o segundo turno, o PMDB consolida-se como uma espécie de galinha muda da política brasileira.

 

Revelou-se uma máquina de botar ovos. Mas não dispõe de uma voz capaz de cacarejar, em 2010, o êxito retumbante de 2008.

 

O PMDB foi o partido que mais amealhou prefeituras: 1.201 no total, entre as quais seis capitias. Levou vitrines de peso:Rio, Porto Alegre e Salvador, por exemplo.

 

A despeito disso, falta-lhe um nome com musculatura política para arrostar um projeto presidencial. Está condenado ao papel de coadjuvante.

 

Entre as poucas previsões disponíveis uma que é incontroversa: o PMDB vai compor o rol de apoiadores do próximo presidente.

 

Vem sendo assim desde o fim do ciclo militar. Consolidada a redemocratização, o PMDB apoiou todos os governos –de Sarney a Lula.

 

Agora, o partido é cortejado por PT e PSDB, as duas legendas que devem medir forças na eleição de 2010.

 

Embora seja sócio majoritário do consórcio congressual de Lula, o PMDB tem pelo menos três cidadelas que resistem a uma composição com o petismo.

 

São Paulo de Orestes Quércia e Pernambuco de Jarbas Vasconcelos pendem para o tucanato de José Serra. Rio Grande do Sul de José Fogaça é uma incógnita.

 

Ou seja, além de muda, o PMDB é uma espécie galinha bêbada. Pode se aliar a um, a outro ou a ambos.

 

Passada a disputa, aninha-se ao governo de plantão. E se serve-se da estrutura do Estado para alimentar a máquina de votos que o faz o partido mais nacionalizado.

 

Noves fora o êxito do PMDB, a eleição de 2008 não produziu, em termos partidários, nem vitoriosos nítidos nem derrotados incontestes.

 

Em número de eleitos, o PSDB (786 prefeitos) vem em segundo lugar. O PT (559) em terceiro. O DEM (500) perdeu a quarta colocação para o PP (555).

 

Mas a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo deu ao ex-PFL a grande vitrine municipal do país. Um feito que a legenda jamais lograra obter.

 

 

Em número de capitais, o PT iguala-se ao PMDB: seis. Mas, exceto por Recife e Fortaleza, as capitais amealhadas pelo petismo têm pouco peso político: Rio Branco, Porto Velho, Palmas, e Vitória.

 

O PSDB conquistou quatro capitais. Uma é vistosa: Curitiba. As outras nem tanto: Teresina, São Luís e Cuiabá.

 

Tudo considerado, pode-se afirmar que 2008 terá pouca ou nenhuma influência sobre 2010.

 

Os contendores prováveis continuam os mesmos: PT e PSDB. As forças auxiliares também: PMDB e DEM.

 

Resta a definição dos nomes. Nessa matéria, o mal do PSDB é que tem excesso de cabeças (José Serra e Aécio Neves) e carência de miolos para chegar à unidade.

 

O PT sofre da mesma carência, com um agravante: Lula, a única cabeça disponível, não poderá mais concorrer.

 

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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Kassab: ‘Dedico a vitória ao amigo e líder Serra’

  João Wainer/Folha
Depois de esmigalhar Geraldo Alckmin e de eletrificar Gilberto Kassab, aplicando um curto-circuito no PT de Marta Suplicy, José Serra desfruta das luzes de seu poste.

 

Imiscui-se até na entrevista coletiva de Kassab. Embora filiado ao DEM, o prefeito fez um enorme esforço para transferir ao padrinho tucano as glórias do êxito pessoal.

 

“Tenho nele [Serra], hoje, um grande amigo e um grande líder. Dedico a ele essa vitória”.

 

Kassab apresentou-se como um prolongamento de Serra: “Não poderia deixar de regitrar a importância que tem o governador Serra nesse mandato...”

 

“Há quatro anos, Serra foi eleito prefeito com o compromisso com a cidade de São Paulo de tranformá-la...”

 

“...É muito gratificante, passando esses quatro anos nós, que dirigimos São Paulo, num primeiro momento Serra, dando os primeiros e fundamentais passos...”

 

“...E, depois, eu, dando seqüência a essas ações. Para nós dois é muito gratificante ver a população dando apoio para a gestão”.

 

Serra foi na mesma toada: “Para mim, pessoalmente, a vitória da nossa aliança é muito gratificante...”

 

“...Fui eleito há quatro anos e coube ao Kassab realizar a maior parte do mandato. O resultado expressa apoio ao nosso programa, que o Gilberto soube ampliar e inovar”.

 

Como já realçado aqui, a vitória de Kassab vai à crônica de 2008 como o primeiro grande lance de Serra para 2010. O governador mineiro Aécio Neves, que também elegeu o seu poste, segue medindo forças com Serra, mas a conjuntura não lhe é tão favorável.

 

Quanto a Marta, que se via como alternativa presidencial do PT, enterrou em São Paulo qualquer pretensão de fazer sombra a Dilma Rousseff.

 

Em rápida declaração, Marta reconheceu a derrota. Disse ter telefonado para Kassab. Deu-lhe os parabéns. Pediu à sociedade que fiscalize o cumprimento das promessas.

 

Em seguida, saiu de fininho. Fez que não ouviu uma pergunta sobre o seu futuro político. Natural. Não tem muito a dizer a esse respeito.

Escrito por Josias de Souza às 21h40

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Vitória de Paes revigora o plano de Lula para Cabral

  Rafael Andrade/Folha
Chamado de “chefe de quadrilha” por Eduardo Paes (PMDB), Lula engoliu a onfensa para apoiar o candidato do PMDB no Rio.

Por que? Jogava-se no Rio um lance que Lula considerava estratégico no xadrez da eleição presidencial de 2010.

 

O objetivo de Lula era livrar Sérgio Cabral (PMDB) do vexame que uma derrota para Fernando Gabeira (PV) empurraria para dentro da biografia do governador.

 

A eleição municipal carioca trincou o prestígio de Cabral. Levado às urnas pelas mãos do governador, Paes prevaleceu sobre Gabeira com margem estreitíssima (1,66% dos votos).

 

Mas, espantada a vergonha da derrota, Sérgio Cabral mantêm-se, aos olhos de Lula, como alternativa de vice para chapa presidencial de Dilma Rousseff em 2010.

 

No campo retórico, a cúpula do PMDB trata o governador do Rio como opção presidencial. Mas sabe que de vice ele não passa.

 

De resto, Gabeira sai da campanha maior do que entrou. Foi à sorte das urnas com cara de azarão. E por muito pouco não virou prefeito.

 

O ganho político é apenas pessoal, contudo. Coligados com o PV de Gabeira, PSDB e PPS não extraem da disputa do Rio nenhum ganho político.

 

Para o bem ou para o mal, o desempenho de Gabeira só pode ser debitado –ou creditado, dependendo do ponto de vista—ao próprio Gabeira.

 

O candidato verde navegou a onda que o fez roçar a vitória à margem dos partidos. Deu de ombros também para o marketing político.

 

Gabeira foi Gabeira. Perdeu. Mas deixou no ar uma certa impressão de que o eleitor carioca está de saco cheio da política tradicional.

 

Abre-se a perspectiva de uma surpresa nas eleições para o governo do Estado, em 2010.

Escrito por Josias de Souza às 20h19

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Fogaça frustra plano do PT de retomar velho reduto

  Sérgio Lima/Folha
Reeleito em Porto Alegre, José Fogaça (PMDB) impôs ao PT uma das mais doídas derrotas da eleição municipal de 2008.

 

O petismo controlara a prefeitura da capital gaúcha por arrastados 16 anos, num ciclo interrompido em 2004, quando da primeira eleição de Fogaça.

 

Neste ano, o PT acalentava o sonho de retornar à prefeitura. No primeiro turno, a postulante do PT, Maria do Rosário, raspara na trave.

 

Imaginava-se que, no segundo round, Lula despejaria o seu prestígio sobre a candidata. A pedido do PMDB, o presidente preferiu manter a discrição.

 

Só a 72 horas da votação Lula gravou uma mensagem de apoio a Maria do Rosário. A essa altura, a reeleição de Fogaça, que já parecia no papo, estava consolidada.

 

Associaram-se à derrota de Maria do Rosário alguns pesos pesados do petismo gaúcho. Entre eles os ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff, que fizeram campanha aberta.

 

Tarso é candidato em potencial ao governo gaúcho em 2010. Dilma desponta como candidata de Lula à sucessão presidencial.

 

Embora Fogaça seja filiado ao PMDB, sócio majoritário do consórcio governista, a vitória dele é festejada por lideranças do PSDB, maior adversário do governo.

 

O tucanato vê em Fogaça um peemedebista a ser cultivado. Estima-se que pode se converter em aliado do antipetismo tanto no âmbito estadual quanto na esfera federal.

 

Do ponto de vista estritamente partidário, Fogaça vai ao alto do bolo do PMDB, junto com o carioca Eduardo Paes e com o baiano João Henrique, como uma espécie de cereja.

 

Com a derrota de Leonardo Quintão (PMDB) em Belo Horizonte, Porto Alegre tornou-se, junto com o Rio e Salvador, uma das mais vistosas vitrines conquistadas pelo partido no segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 19h44

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Ibope: Kassab e Lacerda eleitos; Rio ‘indefinido’

Pesquisas feitas pelo Ibope na boca das urnas dá por definidas as eleições de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. E mantém o suspense em relação ao Rio.

 

Vão abaixo os resultados:

 

São Paulo:

- Gilberto Kassab (DEM): 60%

- Marta Suplicy (PT): 40%

 

Belo Horizonte:

- Márcio Lacerda (PSB): 56%

- Leonardo Quintão (PMDB): 44%

 

Rio de Janeiro:

- Eduardo Paes (PMDB): 51%

- Fernando Gabeira (PV): 49%

Aqui, tem-se um cenário de empate técnico.

 

Porto Alegre:

- José Fogaça: 57%

- Maria do Rosário: 43%

 

Salvador:

- João Henrique (PMDB): 57%

- Walter Pinheiro (PT): 43%

 

Florianópolis:

- Dário Berger (PMDB): 61%

- Espiridião Amin (PP): 39%

Escrito por Josias de Souza às 18h17

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Para FHC, Lula subestimou a crise financeira global

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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A ‘marolinha’ persegue Lula até em feriado eleitoral

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

A “marolinha” não larga mais do pé de Lula. Agarra-o até mesmo em dia de celebração democrática.

 

Neste domingo (26), ao pé da urna, o presidente foi arrastado para um tema qu se tornou permanente e obrigatório: a crise global.

 

Lula foi inqurido sobre a medida provisória 443, que abriu uma janela para que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estatizem bancos privados.

 

“Ninguém pretende estatizar bancos”, disse Lula “Ninguém vai dar dinheiro para banco”.

 

Ele esmiuçou o raciocínio: “Ao invés de você dar dinheiro para o banco, sem garantia, você compra ações daquele banco...”

 

“...A hora que aquele banco se recuperar, você vende as ações para aquele mesmo banco.”

 

Ou seja: o governo vai, sim, dar dinheiro a banco. Aposta que as casas bancárias beneficiadas vão se recuperar. E se forem à breca?

 

Lula também falou sobre as empresas brasileiras superendividadas em dólar. O BNDES discute com algumas delas a possibilidade de socorro.

 

A despeito disso, Lula afirma: “O que não dá é para a gente dar dinheiro para bancos ou empresas que apostaram em ganhar dinheiro fácil...”

 

Jura que não lhe passa pela cabeça “transformar a economia real em jogatina”. E acrescenta:

 

“Quiseram ganhar dinheiro sem produzir nenhum botão, nenhuma cabeça de alfinete e, obviamente, agora não vamos dar o dinheiro do Estado...”

 

Um dinheiro “que guardamos com tanta delicadeza e carinho” não será usado “para ajudar quem tentou praticar fraudes no sistema financeiro”.

 

O diabo é que, por ora, o governo não sabe o tamanho da encrenca dos deribativos.

 

Tampouco logrou separar os que praticaram o hedge (proteção) cambial legítimo dos que enxergaram no real fictício a chance de lucrar sem produzir botões e alfinetes.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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Lula: ‘Ninguém falou mal do governo’ na campanha

 

Para Lula, a campanha eleitoral encerrada neste domingo teve uma atipicidade. Esta foi uma eleição no mehor estilo “nunca antes na história desse país...”

 

"É a primeira campanha da história do Brasil em que todas as candidaturas, do PT ou do DEM, estão a favor do governo. Ninguém falou mal do governo federal".

 

O presidente tem razão. De fato, as eleições de 2008 estiveram a um milímetro do tédio. Todos os candidatos renderam homenagens a Lula.

 

A unanimidade acomodou todo mundo ao redor do presidente -dos pulhas incontestáveis aos supostos puros.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Eleições 2008 – Era Cesar termina com disputa voto a voto

 

- Folha: Datafolha aponta vitória de Kassab

 

- Estadão: Kassab chega como favorito em SP

 

- JB: Eleição histórica

 

- Correio: Violência contamina escolas brasilienses

 

- Valor: Crise já coloca em xeque os projetos de novos prefeitos

 

- Gazeta Mercantil: Vale tem o maior lucro líquido da história AL

 

- Veja: Beleza – A perfeição é possível. Mas é desejável?

 

- Época: Guia do turista verde

 

- IstoÉ: Psicopatas

 

- IstoÉ Dinheiro: Adivinha quem vem te salvar?

 

- CartaCapital: O Brasil cai na onda

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Coisa do 'Demo'!

Angeli

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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A saída? Declare-se uma pessoa extinta e vire banco

A saída? Declare-se uma pessoa extinta e vire banco

El Roto/El Pais
 

Banqueiros constituem uma casta injustiçada. Nada satisfaz mais à alma de um mortal do que a crítica aos mercadores da pecúnia.

 

Natural. O sujeito costuma atacar tudo o que lhe foge à compreensão. E um banco é, acima de tudo, algo incompreensível.

 

Há um quê de inexplicável no fenômeno que uma legião a guardar no mesmo lugar o seu dinheiro, confiando-o àqueles que vivem de extrair lucro do suor alheio.

 

A crise global expôs a verdadeira face dos banqueiros. Não merecem os ataques que recebem. São, em verdade, dignos de pena. Exercem uma atividade ingrata.

 

Ganham dinheiro, é verdade. Muito mais dinheiro do que os negociantes de outros ramos. Mas é justamente na exorbitância que reside o infortúnio do banqueiro.

 

Viciado no exorbitante, ele já não consegue ter uma vida normal. A exposição ao risco do lucro apenas razoável, normal, tem sobre ele o efeito de um veneno mortal.

 

Louvável, portanto, que os governos do mundo inteiro saiam em socorro da categoria. Injustas as críticas que começam a fazer ao governo Lula, engolfado pela marolinha.

 

Em vez de maldizer a banca e o presidente, o brasileiro deveria enxergar as oportunidades que a crise lhe apresenta. Pode virar colega dos banqueiros.

 

Os sem-terra, os sem-teto, os sem-emprego, até mesmo os degredados do cheque especial têm agora uma chance de virar o jogo.

 

Basta que se declarem extintos como pessoas físicas e se reorganizem como bancos. Estariam automaticamente credenciados para desfrutar do espírito solidário do BC.

 

Seria o fim das invasões de terras, das passeatas enfadonhas, das greves infrutíferas. Tudo se resolveria em bons almoços. Ou em reuniões de final de tarde, na sede do BC.

 

O signatário do blog já decidiu. A partir de hoje, será banco. Por qualquer ângulo que analisem o seu drama, hão de considerá-lo um empreendimento à beira da crise sistêmica.

 

Não bastassem a falta de cabelos e o excesso de olheiras, há o nanismo crônico dos bolsos. Não há dúvida: está credenciado a requerer ao BC a sua carta patente.

 

Estréia no mercado como um banco pequeno. Miúdo o bastante para habilitar-se, imediatamente a um desses empréstimos de liquidez previstos na MP 442.

 

Se o governo achar conveniente, o repórter concorda em converter-se num ente estatal. Topa submeter as suas ações –inclusive as más ações— à análise criteriosa do BB e da CEF, enquadrando-se na MP 443.

 

O importante, para usar o jargão próprio, é que sejam adotadas, com a brevidade necessária, as medidas que assegurem a liquidação de posições vendidas, em face da rigidez que a crise global impôs aos mercados.

Escrito por Josias de Souza às 22h59

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Tese do ‘pós-Lula’, erigida por Aécio, perde força

Jorge Araújo/Folha
 

 

A julgar pelos dados que o Datafolha colecionou, Márcio Lacerda (59% dos votos válidos) vai prevalecer, finalmente, sobre Leonardo Quintão (41%).

 

O resutlado afasta das cercanias de Aécio Neves um vexame. Mas a estratégia política do governador tucano de Minas trincou.

 

Na briga que trava com José Serra pela vaga de presidenciável do PSDB, Aécio levara ao noticiário a tese do “pós-Lula”.

 

Baseia-se na percepção de que um “anti-Lula” não teria a mínima chance de chegar ao Planalto em 2010.

 

Na cabeça de Aécio, a aliança preferencial do tucanato em 2010 não seria com o DEM, mas com legendas que gravitam em torno de Lula.

 

Para mostrar-se mais agregador do que Serra, o governador mineiro não deixou por menos. Associou-se de cara ao PT do prefeito Fernando Pimentel.

 

Mais: dividiu com o parceiro petista o peso de um poste do PSB. Escolheu-o a dedo. Márcio Lacerda é amigo de Ciro Gomes (PSB-CE), o mais ácido desafeto de Serra.

 

De resto, Lacerda traz na biografia uma passagem pela Esplanada de Lula. Foi secretário-executivo de Ciro na pasta da Integração Nacional.

 

No quebra-cabeça montado por Aécio, Ciro poderia ser encaixado no espaço reservado ao vice de uma chapa presidencial.

 

Porém, a despeito das articulações feitas por Tasso Jereissati (PSDB-CE), outro desafeto de Serra, Ciro parece hoje mais próximo da candidatura própria do que de Aécio.

 

A parceria com Pimentel rendeu a Aécio apenas a ira do petismo nacional. E não há vestígio de legenda governista que se disponha a aderir às pretensões de Aécio.

 

O PMDB, que chegara a sonhar com uma filiação de Aécio, patrocina, em Belo Horizonte, a candidatura de Leonardo Quintão, rival de Lacerda.

 

No plano Nacional, o PMDB tricota a mais não poder com Lula. Em São Paulo, a legenda foi levada ao colo de Serra por Orestes Quércia.   

 

Para complicar, a crise financeira global fez subir no telhado a teoria do “pós-Lula”.

 

A percepção de que um candidato genuinamente oposicionista estaria fora da briga sucessória de 2010 já não parece tão sólida.

 

Os homores do eleitorado estarão condicionados, no médio e no longo prazos, ao comportamento da economia.

 

Em que patamar vai estacionar a popularidade de Lula se o desemprego aumentar? Quais serão os efeitos de eventuais PIBs miúdos no prestígio do presidente? São variáveis novas.

 

Interrogações que não faziam parte do xadrez no momento em que Aécio pôs de lado um anti-lulismo que ele agora terá dificuldades de representar.

Escrito por Josias de Souza às 22h15

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Vitória de Kassab põe de pé o projeto ‘Serra 2010’

Diego Padigruchi/Folha
 

 

A última pesquisa Datafolha dá à eleição de São Paulo um ar de fato consumado. Marta Suplicy chega ao dia ‘D’ numa condição singular.

 

Marta (40% dos votos válidos) tornou-se a candidata mais cotada para converter Gilberto Kassab (60%) em prefeito reeleito de São Paulo.

 

Sob o infortúnio do PT paulistano repousa o mais expressivo lance da estratégia presidencial de José Serra.

 

Além de encaçapar Kassab, o governador tucano arrastou para o seu lado Orestes Quércia, a quem coube indicar Alda Marcantônio, a quase futura vice-prefeita.

 

De uma tacada, Serra amarrou uma aliança com o DEM e comprometeu um pedaço do PMDB com o seu projeto nacional.

 

Logo o PMDB, sócio majoritário do consórcio que gravita em torno do Planalto. A legenda de cujos quadros Lula deseja extrair um vice para Dilma Rousseff.

 

É como se Serra dissesse a Lula: você pode até levar o PMDB, mas não o terá por inteiro.

 

Candidato ao Senado em 2010, Quércia obteve, à sombra de Serra, um conforto que o PT de Marta não foi capaz de prover.

 

O envolvimento de Lula na refrega paulistana não foi casual. O presidente vê em Serra o rival mais forte de Dilma, sua dodói.

 

Por isso fez o que pôde para ajudar Marta. Em privado, Lula já admite a derrota em São Paulo. Atribui o malogro a “erros” da candidata. Um exagero.

 

Marta errou muito, é certo. Mas o marketing da campanha dela, capitaneado pelo jornalista João Santana, errou muito mais.

 

Os equívocos começaram no instante em que a propaganda de Marta-2008 mimetizou jingles e imagens da publicidade de Lula-2006.

 

Apostou-se na transferência do prestígio do presidente para Marta. Algo que não se verificou.

 

Para complicar, a marquetagem mostrou-se incapaz de atenuar o grande calcanhar de Marta: a rejeição.

 

Para piorar um pouco mais, apelou-se, na reta final, para as insinuações insidiosas contra a vida privada de Kassab. 

 

Na outra ponta, cavalgando uma prefeitura com taxa de aprovação que roça os 60%, Kassab acabou virando um candidato leve.

 

Filiado ao DEM, Kassab gere uma máquina apinhada de tucanos. Na prática, a prefeitura da mais rica capital do país é uma extensão do Palácio dos Bandeirantes.

 

Numa fase em que se discute a viabilidade da “teoria do poste”, Serra mostrou, em São Paulo, que é possível eletrificar o nada.

 

Kassab tratorou o tucano Geraldo Alckmin, um ex-governador bafejado pelo recall de uma disputa presidencial. Passou por cima também do apoio de Lula a Marta.

 

Agora, está na bica de impor ao PT uma derrota na cidade em que o petismo se julgava mais forte. Está deflagrado o projeto Serra 2010.

Escrito por Josias de Souza às 20h58

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Meirelles: ‘Parem as piadas; a crise é muito séria’

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, proferiu em Miami (EUA) uma palestra.

 

Falou para investidores.  A certa altura, encareceu: "Paremos de fazer piadas a respeito. É uma situação muito, muito séria".

 

Referia-se, obviamente à crise que carcome as entranhas do mundo. Uma chaga que está “afetando a todos”.

 

Por sorte, as palavras de Meirelles foram pronunciadas alhures. Aqui, soariam como pito de subordinado em chefe.

 

No Brasil, o único personagem que enxergou na crise inspiração para piadas foi Lula ‘Marolinha’ da Silva.

 

De volta a esta terra de palmeiras e sabiás, Meirelles bem que poderia, a propósito, soprar na orelha do chefe:

 

“Presidente, em matéria de crise, convém trazer sempre suas opiniõs na coleira”.

Escrito por Josias de Souza às 10h06

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BC não revelará nomes dos bancos que vai socorrer

BC não revelará nomes dos bancos que vai socorrer

Informação foi repassada ao deputado relator da MP 442

Alega-se que operações têm proteção do ‘sigilo bancário’

Por ora, nenhuma instituição foi acudida por ‘redesconto’

 

Sérgio Lima/Folha

 

Chama-se Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) o relator da medida provisória 442, que permite ao BC socorrer bancos com empréstimos em reais e em dólar.

 

Loures corre contra o tempo. A votação está marcada para a próxima terça (28). Nesta sexta (24), o deputado se reuniu com uma equipe de técnicos do BC.

 

Foi informado de que, por ora, nenhum banco foi acudido pelo BC. Soube mais: quando o socorro for acionado, o contribuinte brasileiro não será informado do nome dos bancos.

 

“Se você revela o nome, quebra o banco. Seria melhor intervir direto”, diz Loures. Vai abaixo a entrevista concedida pelo deputado ao blog:

 

 

- Já decidiu como será o relatório?

Pretendo dispensar à matéria um tratamento técnico, sem partidarismos. O tema não comporta disputas entre situação e oposição. Assegurar a liquidez da econonomia não é função desse ou daquele governo. É responsabilidade de Estado.

- O que foi fazer no Banco Central?

Estive na sede do Banco Central em São Paulo. Participei de uma vídeoconferência com uma equipe do banco. Cinco ou seis estavam em Brasília. Dois aqui mesmo, em São Paulo. Começou às 3h45. Terminou às 5h30.

- Qual foi o objetivodo encontro?

Fui saber o que tinha motivado a edição da medida provisória 442. Saí convencido de que prevaleceu o princípio da precaução. É uma ferramenta adicional para enfrentar uma crise sem precedentes.

- Algum banco já recorreu ao redesconto?

A equipe do Banco Central me disse que não. E quando houver alguma operação, não vamos ficar sabendo o nome da instituição, em função do sigilo bancário.

- Não acha que falta de transparência?

Discordo da crítica. Colegas levantaram esse tema comigo. Também fiz esse questionamento na reunião do BC.

- A que conclusões chegou?

Saí convencido de que a MP veio justamente para dar mais segurança ao BC nas operações de redesconto. Qual limite da transparência nessa matéria é o da responsabilidade constitucional, que garante o sigilo da instituição que está recorrendo ao redesconto. Se você revela o nome, quebra o banco. Seria melhor intervir direto. Eu me convenci do argumento deles. Faltava a formatação da ferramenta para lidar com uma crise de grande escala. O texto da MP deu conforto ao BC para agir.

- Disseram quantos são os bancos que podem recorrer ao socorro?

Não. Nem eu dei a eles a oportunidade de criticar as emendas nem adentrei em temas que só dizem respeito ao Banco Central.

- Os problemas são apenas de liquidez ou há também insolvência?

Esse ponto ficou bem claro. Nesse momento, temos crise de liquidez, não de solvência. O BC admite que a crise é muito feia. Está trabalhando na sua missão: garantir a integridade do sistema financerio nacional.

- Falaram sobre a possibilidade de rejeição da medida provisória?

Eu perguntei: e se a gente perder essa votação. E eles: se perder, a gente vai ficar com uma condição menor de enfrentar a crise. Senti que estão apreensivos, mas contando com a aprovação da MP.

- E quanto à qualidade das carteiras de crédito que os bancos darão como garantia dos empréstimos do BC?

Disseram que têm como avaliar a qualidade das carteiras. Mas essa avaliação está sujeita à volatilidade dos indicadores. Na ótica deles o preocurante em relação às carteiras de crédito é que, se não puderem tratar desse assunto com serenidade e alguma celeridade, diante da mutação que a profundidade e o prolongamento da crise provoca nos indicadores, preferem nem tratar.

- O BC tem pressa, portanto.

Eles disseram que os próprios parâmetros para a compreensão do que é uma carteira boa são, hoje, diferentes do que eram ontem. Suponha que uma empresa tenha apresentado ao banco, na hora de contrair um empréstimo, um balanço com fechamento em outubro. Até que ponto se pode confiar na integridade desse balanço sem saber quais foram os efeitos da crise na empresa? A gente chega à seguinte situação: se você não fizer nada, deixar a naureza trabalhar, quando chegar no final do processo tudo já virou pó. É como um médico diante de um paciente em estado grave. Não sabe se mexe primeiro no coração ou se cuida antes da irrigação do cérebro.

- Já decidiu que emendas vai incorporar à medida provisória?

Ainda não. São 74 emendas. Vou analisar o conteúdo no final de semana. Se necessário, conversarei com os autores. É preciso definir critérios. Por exemplo: várias emendas tratam de questões agrícolas. Se o critério restringir a MP aos temas que digam respeito ao BC, essas emendas ficariam de fora. Crédito agrícola é assunto do ministério da Fazenda.

- Acha razoável incluir os bens dos gestores dos bancos no rol de garantias exigidas pelo BC?

Não lembro se há emendas tratando disso. Mas, para que não sejamos demagógicos, é preciso lembrar que a declaração de rendimentos desse pessoal do mercado financeiro costuma ter uma linha. O patrimônio não está na declaração pessoal. Então, isso pode parecer bom, mas, na prática, é jogar para a torcida.

-Planeja incluir a punição aos responsáveis por gestão temerária?

Alguns deputados falaram comigo. Acham que deveríamos marcar posição nessa área. É uma boa idéia. Mas não formei opinião sobre a pertinência do tema com essa MP.

- Sua intenção é a de aproveitar poucas emendas?

Não dá pra dizer ainda. Preciso do voto de todos aqueles que emendaram a MP, atendidos ou não. Faz parte do meu papel conciliar os interesses. Essa MP 442 é a ante-sala da 443 [que autoriza BB e CEF a adquirir participação em bancos privados]. Quero construir um ambiente que favoreça a aprovação das duas medidas.

- Quando fecha o relatório?

Vou trabalhar no final de semana. Na segunda-feira, tenho encontro com o pessoal do ministério da Fazenda. Entregarei o relatório, antes da votação em plenário, na reunião dos líderes com o presidente Arlindo Chinaglia, na terça-feira. Tenho pouco tempo. Mas o mercado também não dispõe de tempo. Essa é a primeira medida provisória da fase pós-crise. É urgente e relevante, como manda a Constituição. Sua aprovação sinaliza o alinhamento do Congresso com dois pontos fundamentias: o reconhecimento de que há uma crise grave. E a disposição de encará-la de frente. Temos que nos preocupar com o sistema financeiro como um todo, sem nos desviar com eventuais pedrinhas que surjam no caminho. Se tivermos a quebra de um banquinho que seja, em Minas, no Rio Grande do Sul ou no Pará, isso será amplificado. A crise de confiança já está instalada. Evoluiremos para o pânico, que pode levar as pessoas a confundirem o banquinho de não sei da onde com o Bradesco. Isso seria péssimo.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Dinheiro do Tesouro vai socorrer as construtoras

 

- Estadão: Indicadores da recessão global agravam queda dos mercados

 

- JB: Sobrou para o próximo prefeito

 

- Correio: E o real derrete!

 

- Valor: Crise já coloca em xeque os projetos de novos prefeitos

 

- Gazeta Mercantil: Vale tem o maior lucro líquido da história AL

 

- Estado de Minas: Mercado de luxo ignora a crise

 

- Jornal do Commercio: Raiva humana volta a atacar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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Picadeiro!

Paixão
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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BNDES joga ao mar bóias para os náufragos do dólar

O economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES, foi ao noticiário da crise, nesta sexta (24), com a cara de timoneiro de uma embarcação de resgate.

 

Disse que o bancão oficial que dirige cogita acudir (aqui e aqui) exportadores engolfados pelo maremoto dos derivativos cambiais.

 

Sem oferecer muitos detalhes, afirmou que o BNDES já abriu conversações com exportadores fulminados pela disparada do dólar.

 

"São empresas exportadoras que são robustas e de qualidade, que têm meios de solução com o sistema bancário privado e terão, se necessário, o suporte do BNDES...”

 

Suporte “...para que nenhum problema de liquidez inviabilize empresas de grande qualidade e potencial".

 

Difícil será distinguir aqueles que buscavam nos derivativos a proteção legítima de suas operações dos que levaram ao pano verde as fichas da especulação desmedida.

Escrito por Josias de Souza às 17h28

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Marta condena ‘salto alto’ e Kassab simula modéstia

Cristol Stache/AP
 

 

Em franca desvantagem nas pesquisas, Marta Suplicy (PT) ironizou o “salto alto” e a atmosfera de “já ganhou” em que está imersa a campanha de Gilberto Kassab (DEM).

 

Ela içou do baú o vexame que FHC plantou em sua biografia numa disputa municipal em que mediu forças com Jânio Quadros:

 

“Temos o exemplo do Fernando Henrique Cardoso, que sentou na cadeira antes da hora".

 

Prefeito, Kassab tenta manter-se acomodado numa poltrona que já ocupa. E, a despeito do favoritismo, deu razão à rival:

 

"Ela que está certa, é uma questão de respeitar o eleitor. Tanto ela quanto eu temos que ter humildade, porque as eleições acontecem no domingo."

 

A dois dias do encontro do eleitor com a urna, a única janela que se abre para a “reação” de Marta é um derradeiro debate. Ocorre na noite desta sexta, na Globo.

 

Se os institutos de pesquisa estão certos, só um nocaute de Marta ou um suicídio verbal de Kassab podem alterar a sensação de fato consumado.

 

PS.: Atualização feita neste sábado (25), à 0h57: Concluído o último debate televisivo da campanha, o único nocauteado foi o telespectador.

 

Marta e Kassab derramaram lama um sobre o outro. Revirou-se o estômago da platéia, mas não foi ao ar nenhuma cena capaz de produzir reviravoltas eleitorais.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

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O capitalismo catastrófico ou a catástrofe capital

O papel central do Estado na economia é o de promover a distribuição.

 

Sob o capitalismo, distribui favores de maneira desigual. Sob o socialismo, promove a distribuição igualitária das misérias.

 

A crise global trouxe à tona um novo sistema econômico: o Capitalismo Anárquico-Estatal.

 

Eis o seu primado doutrinário: Se a farinha é pouca, o pirão do mercado vem primeiro.

 

Antes, dizia-se que Estado moderno era Estado modesto. Agora, afirma-se que a modernidade está na no expansionismo.

 

No Brasil, a fila do socorro intervencionista do Estado é seletiva: primeiro a banca. Depois os exportadores, os agronegociantes e os construtores.

 

Nesta sexta (24), um novo pires achegou-se à fila. Industriais encomendaram a Lula a constituição de um fundo. Coisa de R$ 10 bilhões.

 

Dinheiro do BNDES, da Caixa Econômica, dos fundos de pensão das estatais... O pretexto é a necessidade de financiar projetos de infra-estrutura.

 

A Viúva vive uma quadra de assédio hediondo. Antes, a veneranda senhora convivia com o capitalismo catastrófico.

 

Agora, flerta com a catástrofe capital. O risco de tunga é iminente. Sobretudo quando se considera um detalhe muito importante:

 

O maior déficit do Estado não está nas arcas do Tesouro, mas entre as orelhas dos gerentes da chave do cofre.

Escrito por Josias de Souza às 16h13

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Lula cobra mapeamento de dívidas privadas em dólar

Lula cobra mapeamento de dívidas privadas em dólar

Presidente quer saber tamanho da encrenca dos derivativos

Câmara cogita criar comissão para buscar os dados 'in loco'

Deseja-se calcular o risco a que os bancos estão 'expostos'

 

Alan E. Cober

 

Lula está inquieto com à ausência de informações oficiais conclusivas sobre um problema que chama de “jogatina financeira”.

 

É como o presidente se refere aos contratos de derivativos firmados pelas empresas com os bancos nas operações de hedge (proteção) cambial.

 

O que é um derivativo? Como o próprio nome indica, trata-se da negociação de um ativo financeiro que deriva de um outro ativo.

 

O caso que tira o sono de Lula envolve empréstimos contraídos por exportadores brasileiros para financiar a venda de seus produtos no exterior.

 

São operações escoradas em papéis chamados de derivativos cambiais. Vencem no futuro, em prazos que variam, normalmente, de um a dois anos.

 

Mas o preço do dólar foi fixado no momento da celebração do contrato. Daí a suposta proteção às empresas contra variações abruptas na cotação da moeda americana.

 

Se o dólar fica abaixo da cotação prevista no contrato, além de financiar as suas operações, as empresas lucram na hora de resgatar o empréstimo.

 

Se o dólar dispara, como acontece agora no Brasil, ganham os bancos. Ao contrair os empréstimos, as empresas apostaram que o dólar ficaria estável, ao redor de R$ 1,80.

 

O problema é que, com o recrudescimento da crise global, o dólar desembestou. Nesta quinta (23) bateu em R$ 2,50. O Banco Central mostrou os dentes.

 

Informou ao mercado que está disposto a torrar US$ 50 bilhões para conter o dólar. E a cotação recuou para ainda expressivos R$ 2,30.

 

É essa oscilação cambial que transforma os derivativos numa espécie de bicho-papão da crise brasileira. Um monstrengo cujo tamanho o governo ainda não conseguiu dimensionar.

 

Por ora, só o nariz do monstro veio à tona. Mede R$ 5 bilhões. É o tamanho do prejuízo já anunciado pela Sadia, Aracruz Celulose e Votorantim.

 

Estima-se que, de corpo inteiro, o bicho é muito mais estarrecedor. Autoridades do governo falam em R$ 200 bilhões. Trata-se, porém, de um chute. Chute por baixo.

 

O que incomoda Lula é justamente o fato de o governo estar trabalhando, por assim dizer, no escuro. O problema, por gigantesco, não afeta apenas as empresas.

 

Pode comprometer também a saúde das casas bancárias. Por que? Os exportadores saíram da aventura tão encalacrados que podem não ter como saldar os empréstimos.

 

Alguns deles abriram negociação com os bancos. Outros já batem às portas do Judiciário. Ou seja, os contratos de derivativos podem virar um esqueleto no armário da crise.

 

Tudo isso num instante em que o governo leva à prateleira duas medidas provisórias –442 e 443—que prevêem o socorro a bancos.

 

Socorro que virá na forma de empréstimos no redesconto do BC e até por meio da compra de ações de instituições privadas pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

 

A apreeensão de Lula contagiou o Congresso, obrigado a votar as medidas provisórias. Nesta quinta (24), em meio à atmosfera opaca, lideranças da oposição começaram a costurar a formação de uma Comissão Externa do Legislativo.

 

Seria suprapartidária. Teria entre sete e nove membros. Sua missão: buscar nos órgãos públicos informações que retirem a venda dos congressistas.

 

Deve-se a idéia ao líder do PPS, Fernando Coruja (SC). Levou-a ao líder do PSDB, José Aníbal, que endossou o requerimento, a ser apresentado na semana que vem. O DEM também tende a aderir.

 

Receberiam a visita da comissão, por exemplo, o Banco Central, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o BB e a CEF. “A crise exige ação, não discursos”, justifica Coruja.

 

Apresentado à sugestão, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, recebeu-a com bons olhos. Disse a Coruja que, caso haja dificuldades para aprovar a comissão externa no plenário, ele próprio, como presidente, poderia adotar a iniciativa.

 

O diabo é que parte das informações reclamadas pelos deputados não chegou nem mesmo à mesa do presidente da República.

 

Um pedaço das operações de derivativo cambial foi contratado pelos exportadores brasileiros no exterior, por meio das chamadas off-shore.

 

São companhias abertas no exterior. Sujeitam-se à legislação local. Que as exime de prestar esclarecimentos ao Banco Central e à CVM.

 

Numa tentativa de contornar o sigilo, o BC brasileiro decidiu requisitar informações  a bancos centrais e órgãos reguladores do estrangeiro.

 

Ainda que o pedido seja atendido, os procedimentos devem demorar mais do que gostariam Lula e os deputados.

 

A votação da primeira medida provisória de socorro aos bancos, a 442, está marcada para a próxima terça (28). Chinaglia apressou-se em nomear relator da MP.

 

Será o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Indicado nesta quinta (23), terá quatro dias, incluindo o final de semana, para redigir o seu relatório.

 

Um tempo que não parece suficiente nem mesmo para analisar com o zelo devido as mais de 70 emendas que foram apresentadas à medida provisória.

 

PS.: Ilustração via Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: BC vai usar mais de US$ 50 bi para enfrentar alta do dólar

 

- Estadão: Congresso quer limitar MP que permite estatização de bancos

 

- JB: Confronto da cordialidade

 

- Correio: Real é atacado, BC reage e FMI oferece socorro

 

- Valor Econômico: Crise já coloca em xeque os projetos de novos prefeitos

 

- Gazeta Mercantil: Vale tem o maior lucro líquido da história AL

 

- Estado de Minas: Lacerda abre nove pontos de vantagem

 

- Jornal do Commercio: Mais US$ 50 bilhões para segurar o dólar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Seres fantásticos!

Paixão
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h32

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Garibaldi: Nepotismo acaba nesta sexta no Senado

 

O presidente do Senado anuncia para esta sexta (24) o fim da enfadonha contagem regressiva em que se converteu a demissão da parentela pendurada na bolsa da Viúva.

 

"Amanhã, daremos esse caso por encerrado diante da súmula do STF e da reclamação do procurador [geral da República]...”

 

“...Eu informei ao procurador [Antonio Fernando de Souza] que nós já cumprimos as observações feitas por ele....”

 

“...Adiantamos que o enunciado [aprovado pela Mesa do Senado, abrindo brechas para o salvamento de parentes] já foi anulado".

 

À sua maneira, Garibaldi vai descascando o abacaxi. Encontra-se em posição menos confortável o presidente da Câmara.

 

Arlindo Chinaglia (PT-SP) vem esgrimindo a tese de que cabe aos próprios deputados mandar ao olho da rua os parentes que entraram pela janela.

 

Sustenta que, à medida que forem sendo descobertos pela imprensa, os parentes infiltrados na folha de salários serão exonerados.

 

Ora, a experiência do Senado demonstra que a encrenca não será resolvida senão de cima pra baixo.

 

O lero-lero de que a iniciativa cabe a cada deputado levará a constrangimentos ainda maiores.

 

O vexame começou a ser desenhado nesta quinta (23). O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar a prática de nepotismo no Legislativo e no Executivo.

 

Estão à frente da apuração duas bravas procuradoras da República: Ana Carolina Roman se ocupará da Câmara; Ana Carolinna Resende cuidará do Senado e do governo.

 

A pedido da dupla de Anas, o procurador-geral da República expedirá ofícios requsitando informações ao Congresso e ao ministério do Planejamento.

 

Ou seja, Chinaglia arrisca-se a fazer por pressão o que não faz por obrigação.

 

PS.: Atualização feita às 15h05 de sexta (24): A comissão constituída por Garibaldi para perscrutar os casos de nepotismo no Senado encerrou os seus trabalhos.

 

Contabilizaram-se 86 demissões. Decidiu-se, de resto, criar antídotos para que a parentela não retorne à folha salarial da Casa.

Escrito por Josias de Souza às 19h59

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Oposição quer arrastar Dilma para epicentro da crise

  Folha
Vai a voto na próxima semana, na Comissão de Finanças da Câmara, um requerimento de convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

O pretexto é a necessidade de que Dilma explique como o governo vai fazer para preservar os investimentos do PAC em meio à crise.

 

O objetivo político é outro, contudo. Deseja-se, em verdade, atrair a candidata de Lula à sucessão presidencial para o centro do debate sobre a crise global.

 

Deve-se a iniciativa ao deputado Fernando Coruja (SC), líder do PPS. É dele o requerimento de convocação de Dilma.

 

O texto está pronto. Será protocolado na comissão na próxima terça (28), dia em que o Congresso retoma suas atividades, depois da temporada eleitoral.

 

Coruja diz que Dilma, sempre loquaz, “anda meio sumida”. Suspeita que o Planalto tenha acomodado na frente dela um escudo anticrise.

 

“O governo diz que os investimentos do PAC serão preservados. Ao mesmo tempo, sabe-se que as receitas da União vao diminuir. A ministra precisa explicar como será feita a mágica”.

 

O requerimento de Coruja pode ser convertido de “convocação” em “convite”. É algo que não causa incômodo no autor. “O importante é que ela venha à Câmara”, diz o líder do PPS.

Escrito por Josias de Souza às 19h21

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Lacerda usa Tom Cavalcanti para ‘satirizar’ Quintão

 

Numa tentativa de “desconstruir” a imagem do rival Leonardo Quintão (PMDB), o comitê de Márcio Lacerda (PSB) recorreu à sátira.

 

Saem os padrinhos Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT). Entra o humorista Tom Cavalcanti, amigo de Ciro Gomes, estrela do PSB de Lacerda.

 

Foi ao Youtube um vídeo gravado por Tom nesta quinta (23) um vídeo que Tom gravou há dois dias.

 

Fantasiado de Quintão, o humorista faz troça do principal bordão da campanha do peemedebista: "Gente cuida de gente".

 

O vídeo tornou-se um hit. Já foi visto por mais de 70 mil pessoas. O deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB), coordenador da campanha de Quintão, dá de ombros.

 

Afirma que Lacerda é que é “uma paródia”. Chama-o de “candidato laranja”. Uma espécie de testa-de-ferro de Aécio e Pimentel.

Escrito por Josias de Souza às 19h06

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Juiz recusa a cassação e impõe uma ‘multa’ a Kassab

  Éder Medeiros/Folha
Saiu barato para Gilberto Kassab (DEM) o pedido de impugnação formulado por Marta Suplicy (PT).

O juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral em São Paulo, negou-se a cassar a candidatura ‘demo’, como queria o petismo.

 

Limitou-se a impor a Kassab o pagamento de uma multa. Coisa mixuruca: R$ 5.320,50.

 

Discute-se no processo a acusação de que Kassab usou a máquina da prefeitura em proveito eleitoral.

 

Deu-se numa cerimônia em que, ao lado do padrinho José Serra, Kassab posou para fotos segurando um cheque gigante de R$ 198 milhões (veja foto no alto).

 

Dinheiro investido pela prefeitura em obras do metrô paulistano. Tratou-se, no dizer de Kassab, de um ato “administrativo”.

 

Conversa fiada, na opinião do juiz Martin Vargas. "Não havia a necessidade de exibição pública de uma réplica do cheque com o símbolo da municipalidade de São Paulo”, anotou o magistrado na sentença.

 

Para o juiz, “...essa notícia de mero ato administrativo de governo poderia ser feita com a simples exibição de nota de empenho e comunicação do repasse programado".

 

A despeito de ter enxergado motivação eleitoral na cerimônica, o juiz considerou que a pena de impugnação da candidatura seria “desproporcional”. Daí a imposição de multa.

 

De resto, ele determinou que Kassab pare de veicular a publicidade do investimento no metrô em seu material de campanha.

 

O advogado de Kassab disse que vai recorrer ao TRE contra a decisão do juiz. Marta também pode recorrer, se quiser.

 

Por ora, foi afastada a hipótese de Kassab disputar o segundo turno da eleição paulistana sub judice.

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Indústria prevê demissões para os próximos 6 meses

Operários/Tarsila do Amaral
 

 

O contágio da crise global na economia brasileira produziu uma deterioração das expectativas da indústria nacional para os próximos seis meses.

 

Os executivos das indústrias incluíram no cenário que esboçam para o futuro próximo três variáveis que, antes da crise, não freqüentavam os seus planos:

 

1. Passaram a estimar uma queda no consumo dos seus produtos;

 

2. O cheiro de queimado levou à redução na previsão de compra de matérias-primas;

 

3. Subiu no telhado também a folha de salários. Trabalha-se agora em duas linhas: manter o número de empregados ou demitir pessoal.

 

O cenário turvo é revelado por uma pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

 

Foram entrevistados os gestores de 1.443 indústrias grandes, médias e pequenas de todo país. Deu-se entre os dias 30 de setembro e 20 de outubro.

 

O resultado veio à luz nesta quinta (23). Os dados foram publicados no boletim Sondagem Industrial, editado pela CNI. Está disponível aqui.

 

Para aferir o ânimo dos industriais, a CNI pede que atribuam um índice que indica o grau de confiança de cada um em relação aos temas.

 

O indicador varia no intervalo de 0 a 100. O otimismo dos entrevistados vai reduzindo à medida que os valores se apoximam de 50.

 

Abaixo desse patamar, segundo a metodologia da CNI, entra-se no campo do pessimismo.

 

A crise econômica planetária e a secura do crédito injetaram no cenário um lote de incertezas que levou à deterioração das expectavicas dos industriais.

 

No seu pedaço mais preocupante, a pesquisa revela que a expectativa dos industriais em relação ao consumo de seus produtos caiu do segundo para o terceiro trimestre de 2008.

 

Foi de 61,2 pontos para 53,5. Uma queda de 7,7 pontos. Que levou as indústrias a reverem os seus planos de compra de matérias-primas.

 

Nesse item, o índice despencou 8,3 pontos do segundo para o terceiro trimestre de 2008 –de 59,4 para 51,1 pontos.

 

O indicador caiu abaixo dos 50 pontos, linha que demarca a fronteira entre o otimismo moderado e o pessimismo, em relação a dois tópicos da pesquisa: exportações e empregos.

 

Significa dizer que os inudustriais esperam por uma queda de ambos nos próximos seis meses.

 

Quanto ao número de empregados, o índice de confiança medido pela CNI caiu de 54 pontos, ainda na zona de otimismo, para 49,8. Isso “indica a possibilidade de demissões nos próximos meses”, anota a CNI. 

 

O indicador das exportações, que já estava abaixo dos 50 pontos no segundo trimestre (48,1 pontos) manteve-se muito próximo disso no terceiro trimestre: 48,4 pontos.

 

Vai abaixo a lista dos 13 problemas que mais preocupam a indústria, segundo o que foi levantado pela pesquisa.

 

A ordem varia segundo o porto da empresa. A relação abaixo foi ordenada segundo a opinião expressa pelos executivos das grandes indústrias, com mais de 500 empregados:

 

1. Elevada carga tributária

2. Falta de matéria-prima

3. Competição acirrada de mercado

4. Alto custo da matéria-prima

5. Falta de demanda

6. Falta de capital de giro

7. Falta de trabalhador qualificado

8. Taxas de juros elevadas

9. Taxa de câmbio

10. Falta de financiamento de longo prazo

11. Capacidade produtiva

12. Distribuição do produto

13. Inadimplência dos clientes

Escrito por Josias de Souza às 17h16

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Oposição chia, mas deve aprovar a MP da estatização

Líder do PSDB diz que partido mantém desejo de ‘colaborar’

Tucano pede à Procuradoria que fiscalize compra de bancos

 

  Folha
José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, diz que seu partido continua “disposto a colaborar” com o governo, aprovando as medidas anticrise.

 

Segundo Aníbal, essa disposição não foi alterada depois da edição da medida provisória 443, que abre caminho para a estatização de bancos privados.

 

O repórter perguntou ao deputado se o tucanato vai votar a favor da nova MP. E Aníbal: “Creio que sim.”

 

Por que? “Qualquer acidente envolvendo banco, nesse momento volátil, será um desastre. Abriria uma onda de desconfiança difícil de controlar”.

 

Colega de bancada de Aníbal, o deputado tucano Paulo Renato (SP), ex-ministro da Educação de FHC, levou o pé atrás.

 

Como o líder da bancada tucana, Paulo Renato concorda com a necessidade de acudir a banca. Mas espanta-se com a forma da medida provisória.

 

Nesta quarta (22), Paulo Renato protocolou duas representações: uma na Procuradoria Geral da República; outra no Tribunal de Contas da União.

 

Pede que ao Ministério Público e ao TCU que fiscalizem as operações de compras de ativos privados pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Deve ser atendido.

 

O líder José Aníbal diz, por sua vez, que já encomendou à assessoria econômica do PSDB uma análise minuciosa do texto da nova medida provisória.

 

Afirma que o desejo de colaborar não exime o partido de tentar aprimorar a medida. Receia que, do modo como foi concebida, o Estado termine absorvendo ativos micados.

 

Acha que devem ser protegidas apenas as instituições que têm salvação. Empresas insolventes “têm mais é que quebrar”.

 

Depois, cuida-se de proteger os correntistas. O que é “inconcebível”, no dizer de Aníbal, “é a idéia de jogar dinheiro público em negócio irrecuperável”.

 

Aníbal acrescenta: “A principal motivação do PSDB nessa crise é a perservação do emprego e do salário dos brasileiros”.

 

Avalia que a secura no crédito interbancário e nos empréstimos a empresas e a pessoas físicas tem impacto direto sobre o que chama de “economia real”.

 

“Se a crise for bem administrada, esse impacto será atenuado. Do contrário, o desastre vai ser muito maior”. Daí a disposição de “colaborar”.

 

De resto, José Aníbal vocaliza uma crítica que é comum a toda a oposição. Queixa-se dos métodos do governo.

 

“O tratamento que eles estão dispensando ao Parlamento e à opinião publica é péssimo. Na terça, dia em que a MP foi assinada, estiveram na Câmara o [Henrique] Meirelles e o [Guido] Mantega...”

 

“...Não disseram uma palavra sobre a novidade. A certa altura, o presidente do Banco Central retirou-se da sessão. Disse que ia fechar o mercado...”

 

“...Coisa nenhuma. Ele foi fechar, na verdade, a medida provisória. Voltou depois e, de novo, não disse nada. Isso porque nós estamos querendo colaborar”.

 

Reclama também de Lula: “Essa história de o presidente dizer que o Natal será fantástico e que as pessoas devem continuar consumindo não resiste ao noticiário da TV...”

 

“...É uma loucura. O Lula diz que a situação está mravilhosa e, à noite, ao ligar a TV, as pessoas descobrem que a Bolsa caiu, o dólar subiu, os bancos estão quebrando...”

 

“...É preciso tratar a crise com a seriedade que ela requer. Não é uma matéria em que o presidente possa exercitar a sua já declarada vocação para metamorfose ambulante”.

Escrito por Josias de Souza às 03h55

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Lula diz que não, mas foi baixado o ‘Plano Meitega’

Embrulho contém duas MPs, três resoluções e um decreto

Prevê estatização de bancos, seguradoras e  construtoras

Libera R$ 111  bilhões retidos nos  depósitos compulsórios

Despeja US$ 23 bilhões nas operações de compra de dólar

Reforça em R$ 16,5 bilhões o  crédito agrícola e imobiliário

Repassa R$ 5 bilhões do Tesouro para  as arcas  do BNDES

 

Fernando Bizerra/EFE

 

O “Plano Meitega” de combate aos efeitos da crise global traz as digitais de (Mei)relles e de Man(tega). Lula e seus auxiliares o chamam pelo apelido: “Medidas pontuais”.

 

Porém, como o presidente ainda não baixou uma medida provisória decretando o fim da semântica, convém chamá-lo pelo verdadeiro nome: pacote.

O embrulho começou a ser amarrado em 19 de setembro, quatro dias depois que o banco americano Lehman Brothers foi à breca, dando início à crise que sacode o mundo financeiro.

 

O pacote braileiro inclui, por enquanto, duas medidas provisórias, três resoluções emergenciais do CMN (Conselho Monetário Nacional), meia dúzia de instruções normativas do Banco Central e um decreto presidencial.

 

Outras providências, em fase de elaboração, serão anunciadas nos próximos dias. Até a noite de terça-feira (21) o pacote do governo tinha feições ortodoxas.

 

Enveredou pela seara da heterodoxia no instante em que Lula apôs o jamegão na medida provisória 443.

 

Essa MP, levada em segredo às páginas do Diário Oficial que circulou na quarta (22), permite a estatização de instituições financeiras privadas.

 

Uma intervenção que será feita por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, autorizados a adquirir participações em bancos, seguradoras e companhias de previdência privada.

 

Sem contar a previsão de abertura de uma empresa de investimentos da CEF, para comprar empresas que operam no mercado da construção civil.

 

Nesta quinta (23), o Diário Oficial traz outra novidade: o decreto de Lula isentando do pagamento de IOF os investimentos estrangeiros e as operações de empréstimo no exterior.

  

Antes, o governo já editara a medida provisória 442. Prevê o socorro a bancos sem liquidez, facultando-lhes o recurso a empréstimos do BC em reais e em dólar.

 

Em reuniões emergenciais, o Conselho Monetário Nacional baixou uma trinca de resoluções. Uma delas regulou a MP 442, dando ao BC poderes para intervir na gestão dos bancos socorridos.

 

Outra direcionou os empréstimos em dólar do BC aos bancos que se disponham a aplicar o dinheiro no financiamento a exportadores.

 

A terceira elevou em R$ 5,5 bilhões o volume de recursos que os bancos são obrigados a aplicar em operações de crédito rural.

 

Antes, o governo já havia antecipado R$ 5 bilhões das linhas de crédito do Banco do Brasil voltadas ao financiamento do escoamento e comercialização da safra 2008/09.

 

De resto, despejara R$ 5 bilhões do Tesouro nos cofres do BNDES. Dinheiro destinado à concessão de crédito aos exportadores.

 

Há pelo menos mais duas providências que, embora já anunciadas, ainda estão pendentes de formalização: a abertura de duas novas linhas de crédito.

 

Uma, de R$ 2,5 bilhões, vai reforçar o custeio da safra agrícola. Outra, de R$ 4 bilhões, vai tonificar o caixa de construtoras com baixo capital de giro.

 

Somando-se tudo o que já foi ou será direcionado agricultores e construtores, chega-se, por ora, à cifra de R$ 16,5 bilhões.

 

Noves fora todas essas medidas, o “Plano Meitega” já produziu meia dúzia de instruções normativas do BC que buliram nas regras do empréstimo compulsório.

 

Foram devolvidos ao mercado R$ 111 bilhões em depósitos que os bancos são obrigados a reter no BC. Dinheiro da carteira de depósitos e aplicações das instituições financeiras.

 

De resto, na tentativa de domar um dólar que se mostra irascível, o BC foi às compras. Até terça (22), gastara, segundo o próprio Henrique Meirelles, US$ 22,8 bilhões.

 

Tudo considerado, é forçoso reconhecer que há na praça um pacote econômico de reação à crise planetária.

 

Algo incompatível com a “marolinha” que Lula enxergava quando o mercado financeiro dos EUA e da Europa começou a derreter, em meados de setembro.

 

Como arremate do pacote, vêm por aí inevitáveis cortes no Orçamento de 2009. A peça foi concebida na fase pré-crise. Submetida à perspectiva de queda na receita do fisco, terá de ser apresentada à tesoura.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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- Globo: Lula dá superpoderes a bancos oficiais e assusta o mercado

 

- Folha: Governo autoriza BB e Caixa a comprar bancos e empresas

 

- Estadão: BB e CEF podem estatizar bancos em dificuldade

 

- JB: Governo abre caminho para estatizar bancos

 

- Correio: O Brasil no olho da crise

 

- Valor: Crise se agrava e governo age

 

- Gazeta Mercantil: Caixa e BB recebem aval para comprar bancos

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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Marolas!

Dalcío
 

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Governo zera o IOF para investidores estrangeiros

  Antônio Gaudério/Folha
Lula assinou na noite desta quarta (22) mais uma das medidas anticrise que o governo vem baixando em conta-gotas.

 

Valendo-se de um decreto, o presidente isentou do pagamento de IOF as aplicações feitas por investidores estrangeiros no Brasil.

 

A alíquota, que era de 1,5%, foi reduzida a zero. Ficaram isentas de IOF, por exemplo, as aplicações em debêntures (papéis emitidos por empresas para se capitalizar) e de títulos públicos.

 

O decreto de Lula zerou o IOF também para empréstimos e financiamentos obtidos no exterior. Esse tipo de transação era taxada em 0,38% na entrada e na saída da moeda estrangeira no Brasil.

 

Na prática, o governo anulou alíquotas de IOF que instituíra em janeiro de 2008, nas pegadas da derrubada CMPF no Senado.

 

Naquela ocasião, além de reaver parte do que perdera com a extinção do imposto do cheque, o governo desejava conter a entrada de dólares no país.

 

Agora, deseja-se o oposto: com o dólar em disparada, trata-se o investidor estrangeiro a pão-de-ló, na esperança de atrair moeda estrangeira.

 

Mesmo que ao preço da perda de arrecadação do fisco. Foi o que explicou, à sua maneira, o ministério da Fazenda.

 

As mudanças no IOF visam, informa nota da pasta de Guido Mantega, “estimular a amplicação da oferta de moeda estranfeira, no atual contexto de forte retração das linhas de crédito internacionais”.

 

As aplicações em Bolsa de Valores, que já eram isentas de IOF –tanto para estrangeiros quanto para investidores brasileiros – permaneceu inalterada.

 

O decreto de Lula será publicado na edição desta quinta (23) do Diário Oficial. Entra em vigor imediatamente. Não há necessidade de aprovação no Congresso.

Escrito por Josias de Souza às 00h08

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No Rio, ainda empate, mas Gabeira oscila para baixo

Permanece acirrada a disputa pela prefeitura do Rio. Segundo o Datafolha, persiste o quadro de empate técnico.

 

Houve, porém, uma oscilação. Gabeira (41%), antes numericamente à frente de Eduardo Paes (44%), agora aparece atrás do rival.

 

Na sondagem anterior, divulgada na semana passada, Paes, com 42%, figurava atrás de Gabiera, então com 44%.

 

Considerando apenas os votos válidos –excluindo votos nulos, em branco e os eleitores indecisos—, Paes vai a 52%, contra 48% atribuídos a Gabeira.

 

Em Belo Horizonte, segundo o Datafolha, o quadro é, também, de empate técnico. Com uma novidade: Márcio Lacerda (PSB) aparece agora à frente do adversário.

 

A vantagem de Lacerda (45%) sobre Quintão (40%) é, segundo o Datafolha, de cinco pontos percentuais. Diz-se que há empate técnico porque a margem de erro da pesquisa é de três pontos, para o alto ou para baixo.

 

Na sondagem anterior, divulgada na semana passada, Lacerda amealhara 37%. Estava dez pontos atrás de Quintão, então com 47% das intenções de voto.

 

Em Salvador, o prefeito João Henrique (PMDB), candidato à reeleição, prevalece sobre o adversário Walter Pinheiro (PT): 50% a 40%.

 

Neste caso, a diferença, de dez pontos percentuais, está fora da margem de erro. Ou seja, se a eleição fosse hoje, João Henrique seria reeleito.

 

Considerando-se apenas os votos válidos, o atual prefeito da capital baiana amealha 56% dos votos. O adversário petista, só 44%.

Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Uma boa e uma péssima notícia para o ‘demo’ Kassab

Folha
 

 

Primeiro, a boa notícia que os ventos da quarta-feira (22) trouxeram para o candidato ‘demo’ Gilberto Kassab:

 

Em nova pesquisa, que acaba de sair do forno, o Datafolha informa que o rival da petista Marta Suplicy conserva uma dianteira de 18 pontos percentuais: 54% a 36%.

 

Numa conta que considera apenas os votos válidos, como faz a Justiça Eleitoral, Kassab (60%) prevalece sobre Marta (40%) com 20 pontos de frente.

 

Agora a péssima notícia que sacudiu o comitê ‘demo’: o Ministério Público Eleitoral deu parecer favorável ao pedido de impugnação da candidatura de Kassab.

 

O pedido fora protocolado pelos advogados da campanha de Marta em 17 de outubro. Alega-se que Kassab usa a máquina da prefeitura com propósitos eleitorais.

 

Menciona-se na ação uma pajelança ocorrida em dois dias antes: 15 de outubro. Kassab posou para fotos ao lado do padrinho tucano José Serra.

 

A dupla segurava algo que o prefeito chamou de “checão” –um cheque gigante de R$ 198 milhões. Símbolo dos investimentos da prefeitura em obras do metrô.

 

Para o promotor eleitoral Eduardo Rheingantz houve uso de "bens públicos móveis e imóveis para fins eleitorais".

 

O promotor anota: "De fato, fosse uma mera cerimônia administrativa de repasse de recursos [como sustenta Kassab], não precisava ser um espetáculo, que contou inclusive com artifícios visuais".

 

O promotor não dá a palavra final no processo. A peça dele vai às mãos do juiz, que pode dar-lhe razão ou discordar.

 

De resto, eventual condenação em primeira instância comportará recurso ao TRE e, depois, ao TSE.

 

A julgar pelo ritmo de tartaruga manca da Justiça, não é coisa que possa ser decidida antes da eleição, marcada para daqui a quatro dias.

 

Considerando-se o histórico de condescendência dos tribunais eleitorais, é improvável que um Kassab eventualmente eleito venha a perder o cargo por conta do “checão”.

 

Seja como for, Marta e o PT ganharam um argumento a mais para subir no caixote. Difícil, porém, encurtar uma distância do tamanho de 18 pontos percentuais. Ou de 17, se considerada a aferição do Ibope.

Escrito por Josias de Souza às 19h46

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STJ nega pedido de Cacciola, mantendo-o em Bangu

  Divulgação
Salvatore Cacciola vai permanecer na hospedaria de Bangu 8, no Rio. O STJ negou mais um pedido de habeas corpus do sem-banco.

 

São dois os principais argumentos esgrimidos pelos advogados de Cacciola no pedido para que ele fosse solto:

 

1. Ele é o único dos 13 acusados no processo que está em cana. Algo que fere o princípio da isonomia;

 

2. Cacciola não teria fugido para a Itália. Apenas se mudou para o seu país de origem.

 

Alegações risíveis, como se vê. Relatora do caso, a desembrgadora convocada Jane Silva anotou em seu voto que Cacciola não retornou ao Brasil por vontade própria.

 

Só voltou a dar as caras no país por conta do pedido de extradição enviado a Mônaco pelo governo brasileiro. Do contrário, continuaria foragido.

Ecoando a relatora, o ministro Arnaldo Esteves Lima lembrou que só Cacciola está atrás das grades porque, entre todos os acusados, ele foi o único que fugiu.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Ocultado pela crise global, Daniel Dantas ressurge

  Folha
A crise global, com seus riscos visíveis, concedera a Daniel Dantas a prerrogativa da invisibilidade. O suspeito-geral da República sumira do noticiário.

Nesta quarta (22), o homem invisível reapareceu. Materializou-se em audiência na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

 

Foi inquirido pelo juiz Fausto de Sanctis no processo originário da Operação Satiagraha. Aquele em que se apura a tentativa de suborno de um delegado.

 

Numa tentativa de preservar a momentânea e providencial invisibilidade, o mandachuva do Opoortunity protocolara no STJ um pedido de habeas corpus.

 

Coisa alentada. Mais de 200 páginas. Pedia a suspensão da inquirição desta quarta. O pedido foi, porém, negado.

 

Restou a Daniel Dantas manter a estratégia de sempre: o silêncio. Orientado por seus advogados, o encrencado eximiu-se de responder às perguntas.

Escrito por Josias de Souza às 18h14

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Pesquisa aponta ‘empate técnico’ em Belo Horizonte

Sondagem feita pelo instituto Datatempo/CP2 aponta uma reversão no quadro da eleição para a prefeitura de Belo Horizonte.

 

De acordo com a pesquisa, Leonardo Quintão (PMDB) dispõe agora de 39,95% das intenções de voto. Márcio Lacerda (PSB) obteve 39,83%.

 

A pesquisa foi realizada no último domingo (19) e na segunda (20). E foi publicada na edição desta quarta (22) do diário mineiro O Tempo.

 

Se confirmado, o empate entre Quintão e Lacerda injeta na cena eleitoral da capital mineira a possibilidade de uma reviravolta. Mais uma.

 

Apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), Lacerda fora às urnas do primeiro turno na condição de franco favorito.

 

Chegou-se a imaginar que poderia ganhar ainda no primeiro round. Deu chabu, no entanto. Além de passar à segunda fase, Quintão abriu larga vantagem sobre o rival.

 

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 17 de outubro, o candidato do PMDB aparecia dez pontos percentuais à frente do advesário do PSB: 47% a 37%.

 

O próprio Datatempo, em levantamento anterior, apontara uma dianteira de 14,39 pontos de Quintão sobre Lacerda.

 

Na nova pesquisa do instituto mineiro, Quintão cai 14,39 pontos percentuais. E Lacerda sobe 10,43.

 

Antes de tomar conhecimento dos números do Datatempo, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), dissera ao blog o seguinte:

 

“Nós vamos ganhar em Belo Horizonte. A eleição vai virar. A debilidade do candidato da oposição [Quintão] é grande. As chances de virada são reais”.

 

Resta agora aguardar pelos números de outros institutos de pesquisa e, mais importante, pela apuração dos votos das urnas do próximo domingo (26).

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Lula leva estatização bancária à caixa de utensílios

Equipes de marcianos visitam anualmente a Terra. Recolhem dados para rechear os estudos sobre o momento exato, a melhor hora para uma invasão.

 

As visitas se intensificaram depois que ficou claro que Marte será sempre um imenso terreno baldio. Infértil e inóspito.

 

Nesta quarta (22), em visita ao Brasil, uma missão de extraterrenos surpreendeu-se com a última do Lula: o governo ameaça estatizar bancos privados em dificuldades.

 

Um dos homenzinhos esverdeados rolou pelo chão. Gargalhava por todas as suas 26 bocas. Só lhe vinham à mente –de 1,80m de diâmetro— as críticas do ex-PT ao Proer de FHC.

 

Meteu-se a Viúva na encrenca bancária por meio de uma medida provisória. Foi publicada na edição do Diário Oficial desta quarta (22).

 

Autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a incorporar ou adquirir ações de bancos brasileiros privados. Em português claro: estatização.

 

Há mais: a medida provisória autoriza o Estado a empurrar para dentro da bolsa da Viúva, além de bancos privados, outras instituições alienígenas:

 

Entre elas seguradoras, instituições de previdência privada e de capitalização.

 

Não é só: A Caixa Econômica poderá comprar também ações de empresas do ramo imobiliário.

 

Guido Mantega veio à boca do palco. Queria esclarecer: “Não tem banco quebrando no Brasil. Isso não isenta o sistema financeiro de problema de liquidez...”

 

“...Se não tivesse, o BC não estaria devolvendo o compulsório, não haveria compra de carteira." Está montada a confusão:

 

Se o problema é de liquidez e não de solvência, se o BC já está agindo, por que diabos  por que diabos editou-se a medida provisória? Ouça-se o ministro da Fazenda:

 

"Não havia necessidade de que isso existisse, mas diante da situação de falta de liquidez no mercado brasileiro nós estamos tomando essa medida".

 

De resto, Mantega disse que, caso venha a adquirir algum banco, o governo pode revendê-lo mais adiante:

 

"É uma medida que responde à necessidade do momento, de crise de liquidez internacional que tem alguma repercussão no Brasil. Depois de restabelecidos o crédito, essas instituições poderão ser revendidas".

 

A equipe de marcianos que visita o Brasil concluiu que o momento da grande invasão está próximo. Decidiu-se iniciar o desembarque pelo Brasil.

 

Avalia-se que não será necessário exterminar os brasileiros. Um povo submetido a tantas excentricidades não há de estranhar a presença de alguns milhares de seres verdes.

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Contra PT e aliados, gestão Lula defende FHC no STF

El Roto/El Pais
 

 

Vai ao plenário do STF, nesta quarta (22), um processo sui generis. É o 11º item da pauta de julgamentos. Os autores da ação são PT, PDT e PC do B.

 

Trata-se de uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra o presidente da República, acusado de "omissão".

 

Deu entrada no tribunal na época em que o inquilino do Planalto era o tucano Fernando Henrique Cardoso.

 

Mas, graças à morosidade do Judiciário, o processo converteu-se num abacaxi para o governo Lula. Que foi intimado a descascá-lo.

 

Deu-se o inusitado: a Advocacia da União de Lula viu-se compelida a sair em defesa de FHC contra as acusações do PT e de duas outras legendas aliadas do atual governo.

 

No processo, os partidos alegam que o presidente “não tem envidado qualquer esforço no sentido de garantir em plenitude” a educação de qualidade no Brasil.


Sustentam que o governo se omitiu no cumprimento de preceitos constitucionais que asseguram a oferta de boa educação e a erradicação do analfabetismo.

 

Em memorial levado aos autos no último mês de maio, a Advogacia da União de Lula refuta a acusação. Diz que não é procedente nem em relação a FHC nem quanto a Lula.

 

O Supremo terá de decidir, em essência, se o presidente da República está em débito, por omissão, com o cumprimento de artigos do texto constitucional que tratam da educação.

 

Se a resposta for positiva, os partidos pedem que seja declarada a “omissão” do Executivo.

 

Mais: reivindicam que o STF fixe prazo de 30 dias para que o presidente adote “medidas para a oferta de educação de qualidade e para a erradicação do analfabetismo no Brasil”.

 

Em defesa de FHC, a Advocacia da União sustenta que ele não se omitiu. Lembra que, em dezembro de 1996, “entrou em vigor a Lei nº 9.394, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional”.

 

Não há, “portanto, omissão do Presidente da República [...] na regulamentação dos preceitos constitucionais referentes à educação”.

 

“Além disso”, prossegue a defesa, “também foi publicada a Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério)”.

 

Além de invocar a improcedência da ação, a Advocacia da União afirma que o processo “perdeu o objeto”. Primeiro porque apresenta estatísticas educacionais ultrapassadas, de 1991.

 

Segundo porque questiona um veto imposto por FHC à lei que instituiu um fundo que já nem existe mais.

 

Sob Lula, o Fundef foi substituído, em dezembro de 2006, pelo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

 

Os advogados do governo sustentam que, em vez de omissão presidencial, houve aperfeiçoamento do sistema. O Fundef, que vigiu até 2006, investia “apenas na educação do ensino fundamental, nas modalidades regular e especial”.

 

“O Fundeb, ao contrário, propicia a garantia da educação básica a todos os brasileiros, da creche ao final do ensino médio, inclusive àqueles que não tiveram acesso à educação em sua infância”.

 

A advocacia de Lula conclui que a investida das legendas aliadas contra FHC “não merece acolhida.”

 

Acha que o STF não deveria nem considerar a ação. Mas, caso decida apreciá-la, pede que “seja julgada totalmente improcedente”.

 

Ou seja, concebida como um disparo rumo a FHC, a ação do PT, PDT e PC do B transformou-se num tiro contra o próprio pé.

 

Terminou resultando na mais enfática defesa já feita pela gestão petista do modelo educacional instituído sob o tucanato.

Escrito por Josias de Souza às 04h22

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- Globo: Lula agora admite cortes se crise econômica piorar

 

- Folha: Lula já admite cortar Orçamento

 

- Estadão: BC já injetou US$ 22,7 bi no mercado e dólar ainda sobe

 

- JB: Lula admite cortar gastos

 

- Correio: Nepotismo derruba figurão do Senado

 

- Valor: Empresas procuram saída para crédito escasso e caro

 

- Gazeta Mercantil: BC já injetou US$ 23 bi para evitar recessão

 

- Estado de Minas: Trânsito mata três crianças por dia e fere 62

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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UTI Central!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Confiança da indústria cai ao pior nível desde 2005

Pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela: a confiança dos industriais brasileiros caiu ao seu pior nível desde 2005.

 

Por que? Segundo a CNI, são três as causas, todas associadas à encrenca iniciada nos EUA e espargida para o resto do mundo:

 

1. “O agravamento da crise financeira internacional”;

 

2. “O aumento das incertezas em relação ao cenário externo”;

 

3. “Os impactos da crise no mercado interno”.

 

A pesquisa da CNI realizada trimestralmente junto a 1.443 empresas industriais de todo país.

 

A partir da compilação dos dados, chega-se a um indicador que a confederação chama de ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial).

 

A composição do índice é escorada em quatro questões: duas medem a percepção dos industriais quanto às condições atuais da economia do país.

 

Outras duas aferem o ânimo dos empresários em relação às expectativas para os próximos seis meses com relação à economia e às próprias empresas.

 

Os entrevistados atribuem a cada quesito escores que vão de zero, o índice de confiança mais baixo, a 100, o mais alto.

 

Na pesquisa que a CNI acaba de divulgar, o ICEI ficou em 52,5 pontos no mês de outubro –5,6 pontos abaixo do índice de julho: 58,1.

 

O recuo é maior –7,9 pontos— quando comparado ao ICEI de outubro de 2007: 60,4 pontos. Aproxima-se do nível mais baixo dos últimos três anos: 50,7 pontos, anotados em julho de 2005.

 

A sondagem da CNI alcança empresas pequenas (20 a 99 empregados), médias (100 a 499 empregados) e grandes (mais de 500 funcionários).

 

Pela primeira vez desde 1999, ano em que o ICEI começou a ser medido, o índice de confiança das grandes empresas ficou abaixo do das pequenas indústrias.

 

O ICEI das gigantes foi, em outubro, de 51,5 –8,4 pontos menor do que o de julho. O índice das pequenas foi de 53,6. O das indústrias médias, 52,6 pontos.

 

Restou evidenciado, concluiu a CNI, que “a crise atingiu especialmente as grandes empresas”. Por que? “80% das indústrias de grande porte são exportadoras”.

 

É justamente nesse nicho que a secura do crédito imposta pela crise planetária bateu mais forte. Daí a reversão de ânimos.

 

Em relação à expectativa dos industriais para os próximos seis meses, o ICEI recuou 8,2 pontos entre o segundo e o terceiro trimestre de 2008: foi de 61,6 para 53,4 pontos.

 

Na parte que mede a expectativa dos executivos em relação ao futuro de suas empresas, o ICEI recuou 8,2 pontos: de 61,6 para 53,4. Uma “redução do otimismo”, no dizer da CNI.

 

A coisa piora quando é medida a expectativa dos industriais para o comportamento da economia do país nos próximos seis meses. Aqui, o ICEI cai de 55,4 para 46,7 pontos. Queda de 7,7 pontos.

 

Neste caso, ao situar-se abaixo dos 50 pontos, o índice revela, segundo a CNI, que “a avaliação dos empresários quanto à economia brasileira saiu do campo do otimismo para o do pessimismo pela primeira vez desde julho de 2005”.

 

Qual é a importância dessa pesquisa? Industriais menos otimistas –ou mais pessimistas—tendem a pisar no freio na hora de definir os investimentos de suas empresas.

 

Ou seja, a pesquisa da CNI tonifica a impressão, já generalizada, de que o PIB brasileiro tende a exibir taxa de crescimento mais modesta no ano de 2009.

 

Pressionando aqui você chega ao documento da CNI que traz o detalhamento da pesquisa.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Para segurar o dólar, BC já gastou US$ 22,8 bilhões

Laycer Tomaz/Ag.Câmara
 

A cifra foi revelada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em exposição feita no plenário da Câmara.

A julgar pelo irascibilidade do câmbio, o BC há de gastar mais do que os US$ 22,8 bilhões mencionados por Meirelles.

 

Nesta terça (21), o dólar teve valorização de quase 5%. Fechou o dia cotado a R$ 2,23. Desde agosto, a apreciação do câmbio chega a algo como 50%.

 

Meirelles foi à Câmara acompanhado do ministro Guido Mantega. O ministro da Fazenda pintou a crise com cores fortes. Só é comparável, disse, ao crash de 29.

 

Acha que o pior, mercê das providências adotadas nos EUA e na Europa, já passou. Mas reconheceu que, por conta da secura do crédito, a crise ainda vai dar “muita dor de cabeça”.

 

Vive-se agora o que Mantega chamou de “segunda fase” da crise. Que terá maior impacto sobre o Brasil. Mencionou dois efeitos:

 

1. O "secamento das linhas de crédito para o comércio exterior";

 

2. "Está ocorrendo um aumento da restrição de liquidez para firmas brasileiras".

 

O PIB de 2008, acredita Mantega, está salvo. O de 2009, ele já admite, terá de ser reavaliado. Otimista, estima algo entre 4% e 4,5%.

 

Meirelles mostrou-se especialmente preocupado com os bancos menores e com os exportadores. Disse, contudo, que o BC tem bala na agulha.

 

Lembrou que o governo adotou uma política de comprar dólares quando a moeda americana estava em baixa.

 

Com isso acumulou reservas internacionais que agora se converteram em munição contra a crise. Estratégia que, a seu juízo, mostrou-se acertada.

 

Se mérito há no debate da Câmara, ainda em curso, ele está na percepção que oferece à platéia de que o governo vai abandonando, aos pouquinhos, o lero-lero da marolinha.

Escrito por Josias de Souza às 18h36

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Rascunho de certas notícias do dia passadas a sujo

 

‘Marolando-lero’: Velho cultor do óbvio, Nelson Rodrigues, antes de descer à cova, constatara:

 

“Muitas vezes esbarramos, tropeçamos no óbvio. Pedimos desculpas e passamos adiante, sem desconfiar de que o óbvio é o óbvio”.

 

Lula andou tropeçando no óbvio. Passou adiante. Sem pedir desculpas. Eis senão quando, de repente, uma luz axiomática baixou no presidente.

 

Nesta terça (21), falando para platéia de acadêmicos e cientistas, Lula disse que, agravando-se a crise, o governo terá de cortar despesas. Alvíssaras! Hosanas!

 

Luz na escuridão: Otacílio Cartaxo, um recém-empossado secretário-adjunto da Receita Federal, já se deu conta da impossibilidade de esconder a luz na escuridão.

 

Em entrevista, disse que, neste ano, o crescimento da arrecadação pode ficar abaixo dos 10% que o governo previra.

 

Porém, não é um 2008 na bica de encerrar o que mais inquieta o fisco. "Nossa preocupação é para o próximo ano", afirmou Cartaxo.

 

"Se a crise reduzir a lucratividade das empresas, haverá redução da arrecadação e o IRPJ é o carro-chefe da arrecadação."

 

Ou seja, convém a Lula, já reconciliado com o óbvio, fazer as pazes também com a tesoura.

 

A nudez de paletó: instado por uma súmula do STF a dar cabo do nepotismo, o Senado preferiu recorrer à esperteza.

 

Com parentes saindo pelo ladrão, a Câmara Alta editou um expediente baixo. Reza o seguinte:

 

A parentela que entrou pela janela antes da posse do senador nepotista pode continuar sorvendo os salários da Viúva.

 

A esperteza, por grande demais, engoliu o dono. O procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza protocolou no STF uma reclamação.

 

Pede, em essência, que o Supremo obrigue o Senado a fazer por pressão o que não fez por obrigação.

 

Como parente com prazo de validade é coisa que ofende a lógica, os senadores foram ao noticiário em posição patética.

 

Nada mais patético, aliás, do que a nudez provecta. Sobretudo quando o nu se apresenta ao público de paletó e gravata.

 

Flerte com o absurdo: Nesta quarta (22), vão a julgamento no STJ quatro pedidos de habeas corpus ajuizados pelos advogados de Salvatore Cacciola.

 

Em dois pedidos, discute-se o uso de algemas. Coisa secundária. Noutro par de habeas corpus solicita-se a libertação do sem-banco Cacciola.

 

O STJ já negou outros pedidos de soltura do magano. Espera-se que mantenha o entendimento. Sob pena de expor o país a um vexame internacional.

 

Preso em Mônaco, Cacciola foi extraditado, a pedido do governo brasileiro, para que cumprisse a cana de dez anos a que fora condenado.

 

Imagine-se o absurdo de uma decisão judicial que venha a liberar Cacciola da condição de hóspede de Bangu 8. O Brasil não merece tamanha exposição.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

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Renan articula 'opção Sarney' contra Tião no Senado

Renan articula 'opção Sarney' contra Tião no Senado

Folha
 

 

Recolhido ao ostracismo desde que fora compelido a renunciar à presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) está de volta.

 

Retorna à cena movido por uma obsessão: deseja infernizar a vida de Tião Viana (PT-AC), impedindo-o de chegar ao comando do Senado.

 

Nos últimos dias, Renan vem se dedicando à costura de uma alternativa a Tião. Concentrou-se num nome: José Sarney (PMDB-AP).

 

Em público, Sarney simula desinteresse. Diz que não deseja retornar à presidência do Senado. Em privado, porém, estimula os movimentos de Renan.

 

A primeira providência do ex-quase cassado Renan foi arregimentar aliados dentro do próprio PMDB.

 

Advoga a tese de que o próximo mandachuva do Senado, a ser eleito em fevereiro de 2009, deve ser um peemedebista, não um petista.

 

Arrastou para o seu lado, além de Sarney, o líder de Lula na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR) e um pedaço expressivo do partido.

 

Na seqüência, Renan pôs-se a tricotar com lideranças dos oposicionistas PSDB e DEM. Encontrou terreno fértil para sua semeadura.

 

O comando do DEM prefere entregar a cadeira de presidente do Senado a Asmodeu do que contribuir para a assunção de Tião.

 

Detalhista ao extremo, Renan foi ter com senadores que privam da intimidade de Arthur Virgílio. Quis saber se o líder do PSDB ainda nutre aversão por Sarney.

 

Ouviu respostas que o animaram. Soube que o veto de Virgílio a Sarney, explicitado quando da eleição de Garibaldi Alves (PMDB-RN) é coisa do passado.

 

A resistência ao nome de Tião é menor entre os tucanos do que na tribo ‘demo’. Mas a maioria do PSDB tende a acompanhar o DEM no veto à idéia de entregar o leme do Senado ao PT.

 

Curiosamente, em jantar realizado no Palácio da Alvorada há cerca de 15 dias, Renan parecera concordar com um apelo feito por Lula em favor de Tião Viana.

 

Numa mesa que reunia a caciquia do PMDB no Congresso, Lula disse: “Sei que o Renan tem mágoas do Tião. Mas é preciso superar isso.”

 

E Renan: “Não tem mágoa nenhuma”. Disse que a presidência poderia ser entregue a um petista. Mas que o nome não poderia ser imposto ao Senado.

 

Teria de emergir de uma grande articulação, que envolvesse as legendas de oposição. Sob pena de comprometer o equilíbrio político da Casa.

 

Uma Casa, fez questão de realçar, em que a maioria do Planalton é frágil e apertada, em contraste com a folga que se verifica na Câmara.

 

Romero Jucá ecoou Renan. Na cabeça de Lula, ficara entendido que a ampla articulação de que falara Renan levaria água para o moinho de Tião.

 

Dá-se, porém, o oposto. Renan articula como nunca. Mas sempre contra o preferido de Lula. Tenta emplacar Sarney.

 

Se não der, vai de Romero Jucá. Ou de qualquer outro. Só não admite Tião Viana. De onde vem tamanha aversão?

 

O próprio Renan explica, nos diálogos que mantém entre quatro paredes. Traz sua ira guardada na geladeira desde a fase em que arrostou dois processos de cassação no Senado.

 

Nesse período, teve de se licenciar da presidência. Entregara o posto a Tião, que é vice-presidente do Senado.

 

Renan alega que, no curso de sua interinidade, Tião negou-se a mandar à gaveta meia dúzia de pedidos de abertura de novas investigações contra ele. Daí a repulsa.

 

Ao advogar o nome de Sarney, Renan escora-se em Lula. No jantar do Alvorada, o presidente dissera que, se Sarney topasse concorrer, não hesitaria em apoiá-lo.

 

“O Sarney seria uma opção suprapartidária”, concedera Lula. “Mas, infelizmente, já conversei com ele e me disse que não quer”.

 

Presente ao jantar, Sarney interveio, confirmando as palavras de Lula. No entanto, ele agora serve-se do ódio de Renan para testar a aceitação de seu nome.

Escrito por Josias de Souza às 04h14

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As manchetes desta terça

 

- Globo: TSE condena ataques na reta final da campanha

 

- Folha: Bancos oficiais ampliam empréstimos contra crise

 

- Estadão: Governo libera mais dinheiro para safra e construção civil

 

- JB: Um crime que abala o Rio

 

- Correio: Trânsito mata menos pelo 5º mês consecutivo

 

- Valor: BNDES dará socorro para giro com taxa de mercado

 

- Gazeta Mercantil: Empresas vencedoras refletem otimismo da economia do País

 

- Estado de Minas: Crise atrasa contratações de fim de ano

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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Perdigotos creditícios!

Tiago Recchia
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Crise põe de joelhos fábricas de brinquedo na China

Vincent Yu/AP
 

Polícia cerca sede do governo de Guangdong, em ato de desempregados  

 

A agência de notícias oficial da China, Xinhua, liberou na semana passada um informe de teor alarmante:

 

Em 2008, 3.631 exportadores de brinquedos chineses (52,7% das empresas do setor) fecharam as portas.

 

São três as principais causas da bancarrota: custos de produção elevados, aumentos de salários de funcionários e a valorização do yuan, a moeda da China.

 

O recrudescimento da crise nos EUA e na Europa reforçou o negrume de um cenário que já era trevoso.

 

A ultima companhia a abrir falência foi a Smart Union Group. Dava emprego a 7.000 mil chineses. Fornecia brinquedos para daus gigantes americanas: a Mattel e a Hasbro.

 

A Smart Union operava na província de Guangdong, no Sul da China, fronteira com Hong Kong. Uma região apelidada de “fábrica do mundo”.

 

A turbulência financeira iniciada nos EUA e irradiada para o resto mundo está encolhendo o vistoso parque industrial da “fábrica do mundo.”

 

Foi ali, em Guangdong, que a China deu, há 30 anos, os primeiros passos rumo ao capitalismo, distanciando-se do comunismo clássico.

 

A maioria das fábricas de brinquedo da China está assentada nessa província, convertida em laboratório das reformas econômicas encetadas pelo governo chinês.

 

Empresas de Hong Kong, Taiwan, EUA e Europa acorreram a Guangdong, atraídas pelos baixos custos de produção.

 

Passou-se a produzir na região de tênis e roupas íntimas a laptops e iPods. O cenário de prosperidade era turvado na última sexta-feira por manifestações de empregados demitidos da Smart Union Group.

 

Alguns deles foram ouvidos pelo repórter William Foreman, da Associated Press. É de Foreman a notícia da qual foram extraídas as informações relatadas aqui.

 

"Essa crise financeira na América vai nos matar. Ela já está tirando comida das nossas bocas", disse, por exemplo, Wang Wenming, um dos demitos.

 

A empresa vinha atrasando salários havia meses. Shao Xiaoping, outro chinês posto no olho da rua, resumiu assim o drama:

 

"A administração dizia que o problema era que nossos clientes americanos não estavam pagando pelos produtos que encomendavam, de modo que a companhia não tinha como nos pagar".

 

Um grupo de cerca de cem funcionários reuniu-se do lado de fora da empresa, um complexo de cinco andares.

 

Outro grupo maior –cerca de 2.000 pessoas—aglomerou-se defronte da sede do governo de Guangdong. Exigia-se o pagamento dos salários atrasados.

 

O prédio foi cercado por 50 policiais, munidos de escudos e cassetetes (veja foto lá no alto).

 

O aprofundamento da crise americana tonifica uma retração que já vinha tingindo de vermelho os balanços da China.

 

De acordo com dados oficiais, a taxa de crescimento das exportações chinesas caiu no primeiro trimestre de 2008. Foi a primeira queda em três anos.

 

Chan Cheung-yau, presidente do subcomitê de brinquedos e jogos da Associação dos Fabricantes de Brinquedos da China, sediada em Hong Kong, prevê dias piores.

 

Afirma que milhares de outras fábricas vão cerrar as portas na China em 2009. "O aperto do mercado de crédito tornou mais difícil para os fabricantes levantar recursos", diz Cheung-yau. "Isso criou um problema enorme de fluxo de caixa".

 

Como se vê, a marolinha parece ter chegado à China com dimensões tsunâmicas.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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A mente humana nas fronteiras da ‘irracionalidade’

 

Leia mais sobre o tema aqui.

Escrito por Josias de Souza às 01h12

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Lula: crise vai eleger o Obama presidente nos EUA

  Ricardo Stuckert/PR
Na semana passada, Lula fizera uma previsão surpreendente. "Podem escrever: Marta vai ganhar em São Paulo".

Se estiver certo, o presidente não terá antecipado apenas o triunfo da companheira. Passará à história como coveiro dos institutos de pesquisa.

 

Nesta segunda (20), Lula fez aposta menos arriscada: "Essa crise vai eleger o [Barack] Obama presidente dos EUA. Eleger um negro, o que não é pouca coisa".

 

Lula enxerga nas Américas ares de revolução semiológica: "Pode até ser que não tenha muita diferença ideológica e conceitual entre democratas e republicanos...”

 

“...Mas, do ponto de vista simbólico, esse mundo eleger um torneiro mecânico pela segunda vez no Brasil, eleger um índio na Bolívia e um negro nos EUA é demais".

Escrito por Josias de Souza às 00h56

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Carlos Lupi lança ‘marolinha’ com carteira assinada

  ABr
Em tempos de crise, é compreensível que autoridades governamentais tentem infundir ânimo na alma das pessoas.

 

Porém, às vezes exagera-se nos tambores e nos metais. Veja-se, a propósito, o caso do ministro Carlos Lupi (PDT).

 

Titular da pasta do Trabalho, Lupi levou os lábios ao trombone para anunciar o seguinte: o Brasil está protegido contra a crise financeira internacional.

 

Mais: os desdobramentos da encrenca não vão prejudicar o mercado de trabalho no país. “Só há possibilidade de esses números serem revistos se for para cima.”

 

Num instante em que Fazenda e o BC fazem das tripas coração para cavar um oásis no Saara do crédito, Lupi insinua que a alegada dificuldade dos exportadores é lero-lero.

 

“Essa crise está entrando no mundo agora. Não houve tempo hábil para isso. Há muita especulação, muita gente querendo ganhar dinheiro com a crise...”

 

“...É preciso ter tranqüilidade e confiança na economia brasileira, que vai muito bem”. No Brasil de Lupi, a pronta ação do governo cria “uma espécie de imunidade”.

 

Como ministro, Carlos Lupi produz análises econômicas com uma profundidade dessas que formiguinhas atravessam a pé, com água pelas canelas.

 

Como humorista, o ministro não faz feio. Acaba de criar a “marolinha” com carteira assinada.

Escrito por Josias de Souza às 00h22

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Governo esboça socorro à agricultura e à construção

Stock Images
 

 

Guido Mantega e Henrique Meirelles reuniram-se, nesta segunda (20), com executivos de bancos estatais. Desenharam no encontro novas medidas anticrise.

 

São três as prioridades do governo: crédito, crédito e mais crédito. De saída, Mantega anunciou a liberação de linhas de financiamento para agricultura e construção civil.

 

O financiamento da safra 2008/2009, já untado com R$ 7,5 bilhões do empréstimo compulsório dos bancos, será borrifado com novos R$ 2,5 bilhões.

 

Para as construtoras, informou o ministro, haverá um reforço creditício de algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. Dinheiro do BNDES e da Caixa Econômica, sobretudo.

 

Arma-se uma espécie de mutirão de crédito patrocinado pelos bancos oficiais –além da CEF e do BNDES, o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia.

 

Ouça-se Meirelles, o mandachuva do Banco Central: "Os bancos oficiais estão se preparando para aumentar sua participação na concessão de crédito...”

 

Dinheiro “...para o capital de giro das empresas, para pessoas físicas e consumo. E o BNDES, para investimentos".

 

O esforço do governo visa estancar a secura de crédito imposta pela crise global. A razão é óbvia, cristalina como água de bica.

 

Age-se agora para tentar evitar que a economia murche além da conta no próximo ano. Dá-se de barato que o PIB de 2009 será menor que o de 2008. É algo inelutável.

 

Na bica do fechamento do ano, o PIB de 2008 não padecerá os efeitos da crise. Estima-se que ficará ao redor dos 5%. O problema é 2008.

 

São encontradiços no mercado os operadores e economistas que apostas num PIB abaixo dos 3% para o ano que vem.

 

É na contramaré dessa gente que rema o governo, decidido a lutar para que a riqueza nacional cresça em patamares superiores a 4% em 2009.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

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No Rio, a campanha desce à zona do baixo meretrício

  Folha
O poeta falou que a prostituição é “a mais antiga das profissões”. Será? A campanha carioca oferece indícios de que talvez não seja bem assim.

 

Dando prosseguimento a uma pregação iniciada em debate televisivo da véspera, Eduardo Paes (PMDB) arrasta a refrega eleitoral do Rio para a beira do Mangue.

 

O candidato neolulista acusa o rival Fernando Gabeira (PV) de patrocinar, como deputado, um projeto que visaria a legalização “da profissão do cafetão”.

 

Paes serve-se do conteúdo de um panfleto anti-Gabeira distribuído a comunidades evangélicas do Rio. Assina a peça a vereadora Liliam Sá (PR), que se diz presbiteriana.

 

Entre outras insininuações, o panfleto acusa Gabeira de ser contra a criminalização da prostituição infantil.

 

Tenta-se confundir a cabeça do eleitor com dois projetos de lei apresentados por Gabeira na Câmara.

 

Num deles, de 1995, Gabeira sugeriu a revogação dos artigos 217 e 218 do Código Penal. O primeiro artigo define como crime o seguinte:

 

"Seduzir mulher virgem, menor de 18 anos e maior de 14, e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança".

 

O segundo tipifica como ato delituoso "corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 e menor de 18 anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo".

 

Nada a ver, portanto, com a legalização da prostituição infantil. Sedução e corrupção de menores são “crimes” de um Brasil de antanho.

 

Na era moderna, para o bem ou para o mal, a sexualidade precoce passou a ser um dado da realidade.

 

Contam-se nos dedos de uma mão os juízes que se animam a mandar para detrás das grades alguém que se aventure a ir para a cama com uma adolescente.

 

Ou seja, o que Gabeira sugere é que sejam mandados à cova artigos de um código já assassinado pelo tempo. Um tempo que Paes finge que não viu passar.

 

Noutro projeto, de 2003, Gabeira sugeriu a revogação de três artigos do Código Penal (228, 229 e 231) que tratam as prostitutas como criminosas.

 

O deputado teve o cuidado de manter intocado o artigo 230, que tipifica como crime o ato de tirar proveito da prostituição alheia, auferindo lucros.

 

De novo: pode-se concordar ou discordar da proposta de Gabeira. Mas dizer que o deputado quer legalizar o ofício de cafetão é desonestidade intelectual.

 

Ou, como prefere Gabeira, um gesto de “má-fé”. Algo que, diga-se em arremate, demonstra que não é prostituição, mas a política, a mais antiga das profissões.

 

A trajetória de Fernando Gabeira, impregnada de gestos ousados e idéias polêmicas, oferece ao eleitor conservador do Rio um sem-número de razões para votar em Eduardo Paes.

 

O rol de defeitos do candidato verde não inclui, porém, o vício da incoerência. Difícil dizer o mesmo do rival peemedebista.

 

Depois de achincalhar Lula –“chefe de quadrilha”—Paes apresenta-se na TV ao lado do ex-desafeto.

 

Ou seja, o candidato do PMDB como que legalizou a prostituição ideológica.

Escrito por Josias de Souza às 18h16

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Antes do 'Meio Ambiente', Minc preserva o 'conforto'

Antes do 'Meio Ambiente', Minc preserva o 'conforto'

  Folha
Nesta segunda-feira (20), o ministro Carlos Minc, carioca da gema, protagonizou uma cena tipicamente brasiliense.

 

Almoçou no Oliver, uma fina casa de repasto, assentada no interior do Clube de Golfe de Brasília.

 

Acomodou-se numa mesa que dá para uma imensa parede de vidro. A vista tem o gramado como piso e o céu da Capital como pé-direito.

 

O excesso de luz causou desconforto aos olhos do minisitro. Tentou os óculos escuros. Mas, fotofóbico, terminou trocando de lugar com sua acompanhante.

 

Já de costas para o meio ambiente, com a cara virada para o interior do restaurante, Minc encomendou ao garçom uma refeição leve:

 

Salada verde e robalo. Para acompanhar, uma taça de vinho extraído da uva Tempranillo, originária da Espanha.

 

O nome vem do vocábulo espanhol temprano: cedo. Muito adequado para a Tempranillo, uva de maturação precoce. Produz vinhos de baixa acidez.

 

Exalam aromas vegetais e frutados. São encorpados e de boa pigmentação. Descem redondos. Proporcionam paladar denso e persistente.

 

Enquanto o Minc satisfazia as pulsões do estômago, aguardava-o do lado de fora o motorista do ministério. Estacionara o carro oficial sob a copa de uma árvore.

 

A despeito da sombra, manteve ligados –durante todo o tempo de espera— o motor e o ar-condicionado do veículo.

 

Para evitar que o ministro do Meio Ambiente fosse submetido aos calores da atmosfera abafadiça de Brasília, queimou-se o combustível da Viúva e poluiu-se, além do necessário, o ar seco da Capital.

 

Natural. Antes de preservar o ambiente, é peciso salvar o conforto do ministro, que ninguém é de de ferro.

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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Serra manobra para dividir os grevistas da polícia

Serra manobra para dividir os grevistas da polícia

Governo oferece ‘vantagem’  aos policiais do interior

Proposta veio no domingo, à margem dos sindicatos

Comando de greve tem reunião nesta segunda-feira

‘Paralisação está mais forte’, diz cabeça de sindicato

 

Ordem Serrada/Chico Quintas Jr.

 

Quatro dias depois de mobilizar a tropa de choque da PM para bloquear uma passeata de policiais civis em greve, o governo Serra esboçou disposição de negociar.

 

A negociação é atípica, contudo. Foi aberta em pleno final de semana. Tem caráter informal. Envolveu apenas os policiais do interior do Estado.

 

Para complicar, os negociadores do governo, cujos nomes foram mantidos à sombra, passaram por cima dos sindicatos que representam os policiais.

 

O comando da polícia civil encomendou às seccionais do interior uma consulta aos grevistas. O governo se dispõe a conceder-lhes uma vantagem.

 

A coisa consiste no seguinte: além do reajuste de 6,5% que Serra admite conceder, seria eliminada uma das três faixas de uma gratificação chamada ALE (Auxílio de Local de Exercício).

 

Trata-se de um adicional calculado de acordo com o tamanho da cidade em que trabalha o policial. Hoje, há três faixas.

 

A menor é paga aos policiais de cidades com menos de 200 mil habitantes. A intermediária, vale para localidades com até 500 mil habitantes.

 

A mais alta vai ao contracheque dos policiais de municípios com mais de 500 mil moradores. A diferença entre uma faixa e outra é mixuruca: cerca de R$ 250.

 

O governo propõe a extinção da faixa mais baixa. Seriam mantidas apenas a intermediária e a alta. Em troca, pede a suspensão da greve.

 

Levado aos policiais do interior neste domingo (19), o aceno do governo não gerou grande entusiasmo. De resto, malogrou a tática de alijar os sindicatos da negociação.

 

Em telefonemas disparados durante o dia, a turma do interior manteve os mandachuvas da greve, na capital, informados acerca da movimentação do governo.

 

Ouça-se, por exemplo, João Batista Rebouças, presidente do Sipesp (Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo):

 

“Pelo que soube das pessoas que me ligaram do interior, a paralisação está mais forte do que nunca...”

 

“...Essa proposta não é nova nem resolve coisa nenhuma. Já tinha sido feita em agosto. Nossa reivindicação é clara: reajuste de 15% em 2009, 12% em 2009 e 12% em 2010...”

 

“...Não adianta o governo ficar jogando dessa maneira. O governo precisa apresentar uma proposta . Tem que ter proposta concreta. Não adianta ficar jogando...”

 

“...Se a intenção do governo fosse séria, chamariam as entidades e diriam: ‘nossa proposta é essa. Ponto. E a gente faria uma contraproposta...”

 

“...É assim que funciona uma negociação. Não tem segredo. O que há é falta de disposição do governador Serra de sentar à mesa com a polícia”.

 

Na manhã desta segunda (20), as 16 entidades que representam os policiais se reúnem para decidir os rumos da greve. São 14 sindicatos e duas associações.

 

A tendência é de manter a paralisação. Mais: tenta-se levar o movimento para além das fronteiras de São Paulo.

 

No final da tarde, presidentes de sindicatos de dez Estados vão discutir os detalhes de uma curzada de braços nacional em solidariedade à polícia de São Paulo.

 

Planeja-se uma greve de um dia das polícias civis de todos os Estados e do Distrito Federal. Seria no dia 29 de outubro.

 

Nesse mesmo dia, os grevistas de São Paulo fariam uma nova manifestação. Dessa vez na Assembléia Legislativa do Estado, para evitar novo confronto com a PM.

 

Sérgio Marcos Roque, presidente da Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP) é uma das vozes mais ponderadas do comando de greve.

Diz coisas assim: “O ânimo do nosso pessoal está bem acirrrado. Não é hora de colocarmos mais lenha na fogueira”.

 

Ele se esforça para enxergar a movimentação do governo com benevolência: “Não deixa de ser uma evolução. Pelo menos já se está negociando”.

 

Mas a boa vontade esbarra no tamanho da oferta. Sérgio Roque acha que a simples mexida nas faixas do adicional de localidade é “melhoria pequena”.

 

Daí a assertiva de João Batista Rebouças, o presidente do sindicato dos investigadores, de que “a paralisação está mais forte do que nunca.”

 

Rebouças estava na linha de frente da passeata de quinta-feira, aquela que resultou na guerra campal com a PM, nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes.

 

Irritou-se com a acusação de Serra de que a CUT, a Força Sindical e o PT estariam insuflando os policiais. “A greve é da polícia”, diz.

 

Reconhece que os grevistas serviram-se de um caminhão de som da Força Sindical. Mas dá de ombros: “Somos uma entidade pobre. Não temos carro de som...”

 

“...Quem quiser nos oferecer caminhão, microfone, coisas que custam caro, será muito bem-vindo. Se dou uma festa na minha casa e alguém chega com a cerveja, não vou mandar embora.”

 

João Rebouças ecoa Lula: “Ontem [sábado], até o presidente da República disse que o governador precisa parar com esse negócio de acusar terceiros e assumir as suas responsabilidades. Tem que negociar, democraticamente”.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Ausência de médicos fecha emergência do Miguel Couto

 

- Folha: Crise já ameaça R$ 28 bi em obras de infra-estrutura

 

- Estadão: Escassez de crédito ameaça safra 2009

 

- JB: Mesmo com crise, PAC será mantido

 

- Correio: Crise vai impedir 64,5 mil novas contratações

 

- Valor: BC pode usar taxa fixa para financiar comércio exterior

 

- Gazeta Mercantil: Bancos médios viram alvo de investidores

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Choque de gestão!

Duke
 

Via blog do Duke.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Invadida por hackers, a página de Lacerda sai do ar

A campanha eleitoral de Belo Horizonte estacionou na delegcia de polícia neste domingo (19).

 

O sítio mantido por Márcio Lacerda (PSB) na internet foi tomado de assalto, de madrugada, por hackers.

 

Invadida, a página saiu do ar. Continuava inacessível no instante em que esse texto dói produzido.

 

A assessoria do candidato do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito belorizontino Fernando Pimentel (PT) tomou três providências:

 

1. Acionou a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Informático da polícia civil de Minas Gerais;

 

2. Protocolou representação no TRE mineiro;

 

3. Pediu uma investigação formal da Polícia Federal.

 

O deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG), um dos coordenadores da campanha de Lacerda, enxerga no delito indícios de ação política.

 

Afirma que a invasão “pode beneficiar o candidato adversário". Ao esmiuçar suas suspeitas, Rodrigo roça a acusação frontal:

 

"Tem alguém querendo prejudicar a nossa campanha e criar um clima de instabilidade em Belo Horizonte, quando o candidato adversário começa a ficar em desvantagem...”

 

“...Nós já tomamos as medidas cabíveis e agora esperamos que se descubram os culpados".

 

Chama-se Leonardo Quintão (PMDB) o adversário de Quintão na refrega pela prefeitura da capital mineira.

 

Ao contrário do que diz Rodrigo de Castro, quem está “em desvantagem” não é Quintão, mas Lacerda.

 

Uma desvantagem que, segundo o Datafolha mede dez pontos percentuais: 47% contra 37%.

Escrito por Josias de Souza às 19h38

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Lula quer que BC interrompa ciclo de alta dos juros

O Banco Central passou a ser assediado por uma dúvida de contorno shakespeariano: elevar ou manter a taxa de juros?, eis a questão.

 

Em privado, Lula passou a defender a interrupção do ciclo de alta da taxa Selic. Não fala em reduzir, mas em manter os juros nos níveis atuais: 13,75% ao ano.

 

“A crise internacional recomenda uma parada para reflexão”, disse ao repórter um auxiliar do presidente, traduzindo o pensamento do chefe.

 

A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) está marcada para daqui a nove dias. Vai se estender, como de praxe, por dois dias: 28 e 29 de outubro.

 

Antes do recrudescimento da crise, dava-se de barato que os juros voltariam a subir. Agora, trava-se no governo um debate subterrâneo que alimenta a dúvida.

 

Além do Planalto, também um pedaço da equipe do Planalto avalia que não há clima para a elevação automática dos juros.

 

Embora não disponha de autonomia legal, o BC vem conduzindo a política monetária com rara independência. Por vezes, contrariou a opinião de Lula.

 

“Não há, da parte do presidente, a intenção de impor a sua vontade”, diz o auxiliar de Lula. “Mas a própria diretoria do BC deve ter lá as suas dúvidas”.

 

O argumento é o seguinte: o BC vem elevando os juros para frear o ritmo da demanda, adequando o consumo à capacidade da indústria de atendê-lo.

 

Com a crise global, a economia brasileira será naturalmente desacelerada. E novas elevações da taxa Selic poderiam impor uma pisada no freio além do necessário.

 

Daí a pregação em favor da manutenção do juro nos níveis atuais, até que se tenha mais clareza quanto aos efeitos da crise no Brasil.

 

O problema é que o BC mira a meta de inflação. Fixada em 4,5% do PIB, deve fechar 2008 próxima de 6,5%, teto da meta, que admite uma tolerância de dois pontos.

 

Para complicar, a instabilidade do dólar tem reflexos imediatos sobre o comportamento dos preços, tonificando a inflação.

 

Daí a dúvida quanto à próxima decisão do Copom. Além da reunião de outubro, o comitê fará, em dezembro, o último encontro do ano.

 

Para o Planalto, a prudência recomenda que os juros fechem 2008 nos atuais 13,75%.

 

Confirmando-se a necessidade de elevar a taxa, a decisão seria tomada no início de 2009. Imagina-se que, a essa altura, haverá mais clareza quanto à evolução da crise.

Escrito por Josias de Souza às 18h38

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Texto do Itamaraty revela descaso de Evo com Brasil

Texto do Itamaraty revela descaso de Evo com Brasil

Brasil regularizou situação de 42 mil bolivianos  ilegais

La Paz não resolveu drama de nenhum brasileiro ilegal

Fazendeiros brasileiros perderão terras em Santa Cruz

Agricultores pobres serão expulsos da zona fronteiriça

Resposta do Planalto:   socorro de US$ 230 mi à Bolívia

 

Roosewelt Pinheiro/ABr

 

Chamado por Lula de “irmão mais novo”, Evo Morales vem sendo tratado pelo Brasil à base de pão-de-ló. Em retribuição, a Bolívia oferece o descaso.

 

Em resposta à desatenção de La Paz, Brasília acentua a generosidade. O último gesto de apreço de Lula ganhou contornos monetários.

 

Em protocolo assinado no dia 17 de julho de 2008, o Brasil concedeu à Bolívia um empréstimo de US$ 230 milhões. Em reais: R$ 483 milhões.

 

Não é coisa de irmão para irmão. Nem de pai para filho. É negócio de avô para neto. O prazo de resgate da dívida é de 20 anos.

 

O prazo de carência é de quatro anos. Significa dizer que, nesse período, o governo Evo não precisará desembolsar um mísero ceitil.

 

O dinheiro do contribuinte brasileiro vai untar projetos de infra-estrutura no território boliviano. Financiará a exportação de bens e serviços.

 

Um pedaço do crédito (US$ 199 milhões) sairá do BNDES. A taxa de juros é açucarada: 3,15% ao ano.

 

O naco restante (US$ 31 milhões) escoará do Proex, um programa voltado ao financiamento de exportadores brasileiros. Os juros são ainda mais adocicados: 2,07% ao ano.

 

Os dados constam de um documento oficial do Itamaraty. Tem 11 páginas. É datado de 19 de setembro de 2008. Traz a assinatura do chanceler Celso Amorim.

 

Trata-se de uma resposta do Executivo a um requerimento de informações do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

 

O documento está disponível no blog do deputado. Leia a íntegra aqui.

 

Amorim utiliza uma linguagem macia. Ainda assim, o texto é revelador. Expõe em minúcias o descompasso que permeia as relações bilaterais entre Brasil e Bolívia.

 

Eis alguns exemplos:

 

1. Regularização de ilegais: Brasília e La Paz firmaram, em 2005, um acordo de regularização de imigrantes.

 

Desde então, 42 mil bolivianos que viviam ilegalmente no Brasil tiveram a situação regularizada. A Bolívia não entregou papéis a nenhum brasileiro.

 

Decorridos três anos da assinatura do acordo, a gestão Evo alega que os dados sobre a comunidade brasileira ainda estão sendo recolhidos.

 

Há, por ora, míseros 63 processos de regularização abertos. Nenhum deles resultou ainda em regularização efetiva da situação de patrícios que se aventuram na Bolívia.

 

2. Reforma agrária: Brasileiros que plantam soja e criam gado em Santa Cruz de La Sierra convivem, desde novembro de 2006, com o risco de perder suas terras.

 

Serão alcançados pela reforma agrária de Evo. O Itamaraty diz que “acompanha com atenção”. Alega que o início do processo depende da ratificação da nova Constituição.

 

3. Faixa de fronteira: Famílias de pequenos agricultores brasileiros sobrevivem do cultivo de terras na zona de fronteira, sobretudo em duas localidades: Beni e Pando.

 

São 336 famílias –243 compostas integralmente por brasileiros; 93 integradas por casais em que um dos cônjuges é boliviano.

 

La Paz decidiu remover essas famílias de sua fronteira, que considera zona de segurança. As que têm bolivianos devem ser incluídas no programa de reforma agrária.

 

As outras são consideradas “vulneráveis”. Para socorrê-las, o Planalto enviou ao Congresso, em abril de 2007, medida provisória liberando R$ 20 milhões.

 

Foi aprovada a toque de caixa na Câmara e no Senado. Em novembro de 2007, o Itamaraty depositou o dinheiro na conta da embaixada brasileira em La Paz.

 

A despeito da pressa, nenhum tostão foi aplicado até agora. Em maio, a Bolívia fez uma proposta de reassentamento das famílias. Longe da fronteira.

 

O Brasil não gostou. Prepara, segundo Amorim, uma “contra-proposta”. Quando fica pronta? “Em breve,” limita-se a informar o chanceler.

 

4. Drogas:  ONU “divulgou relatório que indica aumento na produção de coca na Bolívia pelo quinto ano consecutivo”, anota Amorim. Algo que preocupa enormemente o Brasil.

 

A Bolívia é grande fornecedora de matéria-prima para a cocaína que abastece praças como o Rio e São Paulo e é exportada para outros países a partir do Brasil.

 

O vizinho vinha se recusando a compartilhar informações com o Brasil e com os organismos multilaterias de combate ao narcotráfico.

 

Amorim informa em seu texto que, agora, a Bolívia “tem buscado reforçar sua imagem de país comprometido com a luta contra o narcotráfico (‘Cocaína cero’)...”

 

“...Ainda que mantenha sua política da valorização da folha de coca como expressão do patrimônio cultural”.

 

É a segunda vez que o Itamaraty remete à Câmara relatório sobre Bolívia. O texto anterior, já noticiado aqui, fez aniversário de um ano.

 

Fora motivado por um outro requerimento de informações do deputado Raul Jungmann. Relatava os mesmíssimos problemas. Dava conta da mesma ausência de soluções.

 

Entre um e outro relatório, produziu-se uma única e escassa novidade: o novo mimo de Lula a Evo, materializado no empréstimo de US$ 230 milhões.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Empresas têm ganhos em excesso com especulação

 

- Folha: Mantega descarta freio na economia

 

- Estado: Bancos prometem destravar crédito para empresas

 

- JB: Herança de Cesar

 

- Correio: Brasil tem um milhão de crianças viciadas

 

- Valor: Varejo e indústria discutem os repasses da alta do dólar

 

- Gazeta Mercantil: Sadia processará bancos por perdas com câmbio

 

- Veja: Câncer de Próstata

 

- Época: 100 horas de agonia

 

- IstoÉ: Terapia sexual

 

- IstoÉ Dinheiro: Cresça na crise

 

- Carta Capital: Lá vai o outro muro

 

- Exame: Para onde ir agora?

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Neo-bárbaro!

Angeli
 

PS. 1: Via UOL.

PS. 2: Enquanto Bush maltrata o gramado, os americanos se voltam para o provável sucessor.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Mas já? Por que tão cedo? Por que assim? Por que...

Arquivo Pessoal
 

 

Morreu Eloá Cristina Pimentel, 15 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital Municipal de Santo André às 23h30 deste sábado (18).

 

PS.: A PM paulista divulgou um CD contendo o áudio de conversas mantidas com Lindemberg Fernandes, o ex-namorado de Eloá. Pressionando aqui, você chega às gravações. 

Escrito por Josias de Souza às 00h52

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Lula: ‘Eu vou criar o dia da hipocrisia neste país’

  Raimundo Paccó/Folha
Como previsto, Lula protagonizou neste sábado (18) uma derradeira tentativa de derramar o seu prestígio sobre a candidatura de de Marta Suplicy.

 

Deu-se num comício, em São Paulo. Ao discursar, Lula soou contraditório. Primeiro defendeu Marta. Depois criticou a estratégia da campanha petista.

 

O presidente saiu em defesa da companheira ao refutar a acusação de que o comitê dela levou ao ar um comercial preconceituoso.

 

Referia-se à peça em que, a pretexto de estimular o eleitor a perscrutar a biografia de Gilberto Kassab, o petismo pergunta se o rival é casado, se ele tem filhos.

 

Para Lula, Marta é quem foi vítima de preconceito, não Kassab: "Eu estava fora [em viagem ao exterior] quando vi outro preconceito contra essa mulher...”

 

“...Tentando passar a idéia de que essa mulher tem preconceito contra o homossexualismo...”

 

“...Quando todos nós tínhamos preconceito, ela estava na TV Mulher defendendo as minorias."

 

Depois, dirigindo-se à militância que o ouvia, Lula insinuou que os ataques contra Kassab, longe de ajudar, atrapalham.

 

"Não precisa falar mal do outro. Falem bem dela. Só falamos mal do outro quando não temos nada melhor para mostrar."

 

Lula chegou mesmo a fazer reparos ao comportamento de Marta no primeiro debate televisivo do segundo turno.

 

Um debate em que a candidata petista irritou-se com um pedido de direito de resposta concedido a Kassab e outro negado a ela.

 

"Agora tem mais dois debates. Nesses, ela vai estar bem simpática, bem equilibrada".

 

A despeito da aparente contradição, Lula tachou de hipócrita a reação ao comercial que roçou a vida pessoal de Kassab.

 

"Ela [Marta] é acusada de preconceituosa? Eu ainda vou criar o dia da hipocrisia neste país".

 

Tão feio quanto defender o indefensável é legislar em causa própria.

 

PS.: No mesmo comício, Lula vergastou José Serra. Destilou inconformidade com o fato de o governador ter identificado as digitais do PT no levante da polícia civil de SP.

 

Para Lula, o que açulou os ânimos dos policiais foi a resistência de Serra em sentar-se à mesa com os grevistas.

 

Se ele não quer ser cobrado pelo povo, que não seja governador, disse Lula. Acrescentou: “O governador Serra, conhecendo como me conhece...”

 

“...Mantendo as relações que mantém comigo, não tinha o direito de acusar o PT de estar à frente dos grevistas. Espero que algum dia ele se desculpe por essa heresia”.

Escrito por Josias de Souza às 20h50

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PM tenta explicar desfecho trágico de Santo André

 

Comandante do Batalhão de Choque da PM de São Paulo, o coronel Eduardo Félix veio à boca do palco para dar um lote de explicações sobre o caso de Santo André.

 

Estava acomanhado do comandante do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) da PM, Adriano Jovenini. Eis o que disse, em essência, a dupla:

 

1. Eduardo Félix atraiu a encrenca para si –“Assumo toda e qualquer responsabilidade pelo ato”—defendeu a tropa—“Deixo claro que o Gate não atirou nas vítimas”— e atirou no vazio: “Fizemos de tudo para proteger a vida dos três".

 

Até aí, nada de estranho. O que se ouve é a voz de um militar brioso tentando dignificar a farda que veste.

 

2. Lindemberg Fernandes, o celerado que manteve duas meninas em cárcere privado por cinco dias, efetuara um disparo dentro do apartamento na manhã de sexta (17).

 

Por que a PM não agiu nesse instante? O coronel Félix alega que Lindemberg parecia, nessa hora, tranqüilo. Conversava com o negociador. Exibia bom humor. Tudo fazia crer, alega o coronel, que ele iria se entregar.

 

Neste ponto, é preciso cotejar as palavras do comandante da PM com outros testemunhos e com as fitas que registram o vaivém das negociações.

 

3. Adriano Jovenini, o comandante do Gate, acrescentou: os policiais têm como disntinguir, pelo som do tiro, uma bala disparada a esmo, que atinge o nada, de um projétil que penetra em algo ou em alguém.

 

“A equipe que ali estava [próxima do apartamento] pensou que ele disparou sem querer”, ecoou o coronel Eduardo Félix.

 

Sem querer? É, pode ser. Há, porém, uma dúvida: A ex-namorada de Lindemberg trazia duas balas no corpo. Uma na cabeça. Outra na virilha. Quem garante que uma delas não resultou desse disparo matutino?  

 

4. A invasão do apartamento, no início da noite de sexta, foi motivada por outro disparo. Nesse instante, alega coronel Félix, o rapaz “estava com outro humor". Por isso a PM reagiu de forma distinta.

 

Aqui, outra dúvida: no momento da invasão, ouviram-se três ruídos. Um mais forte: a detonação de explosivos que a polícia acomodara em torno da porta do apartamento.

 

Três mais fracos: sons compatíveis com disparos de arma de foto. O que causa estranheza é que as três balas parecem ter soado depois da explosão da porta, nenhuma delas antes. 

 

5. O cativeiro durou mais de cem horas. Por que a polícia não executou uma invasão planejada? Por que não agiu à noite, aproveitando-se do sono do algoz das meninas?

 

Segundo o coronel Félix, embora conhecesse a disposição dos cômodos do apartamento, a polícia não tinha como saber onde dormia o rapaz.

 

Ao deixar o cativeiro, a amiga de Eloá informara à PM que Lindemberg dormia cada noite num lugar diferente. Por vezes, trancava as duas no quarto.

 

Neste ponto, mais uma interrogação: as chances de êxito não seriam maiores? Tranfiadas num quarto, as vítimas de Lindemberg não estariam fora da alça de mira do rapaz?

 

6. Por que a polícia não adicionou sonífero na comida e na bebida enviada ao apartamento? Adriano Jovenini, o mandachuva do Gate, diz o seguinte:

 

Um sonífero não surte efeito instantâneo. E Lindemberg, antes de apagar por completo, poderia pressentir a manobra e dar cabo das duas moças. Faz sentido.

 

7. Por que diabos a polícia permitiu que a amiga da ex-namorada, depois de ter sido liberada do cativeiro, retornasse ao apartamento? Ouça-se o coronel Eduardo Félix:

 

"O Lindemberg exigiu presença dela e do irmão da ex-namorada, que é seu melhor amigo. Ela não parou no limite combinado. Ninguém esperava que ela queria entrar no apartamento".

 

Mais: "Eu colocaria meu filho no lugar da amiga. Veja bem, é uma decisão de quem está la.” Difícil de concordar.

 

Se o coronel admite submeter um dos seus a risco, é problema dele e do filho. Mas jamais poderia ter permitido que filha alheia retornasse a uma cena da qual saiu com um tiro no rosto.

 

8. Abespinhado com o cipoal de críticas, Adriano Jovenini, do Gate, disse: "Quem tem condições de avaliar somos nós. Claro que algumas vezes não temos 100% do resultado desejado". Errado. Qualquer contribuinte em dia com os seus impostos tem o direito de "avaliar" a ação da polícia que ajuda a remunerar.

 

Considerando-se as dimensões da tragédia, fica claro que a PM, tendo “condições de avaliar”, chegou a avaliações equivocadas. Tomando-se o caso pelo ângulo do “resultado”, chega-se a uma contabilidade macabra.

 

Havia três pessoas no apartamento. O jovem amaluco saiu ileso. Uma menina levou um tiro no rosto. A outra, alvejada na cabeça e na virilha, encontra-se à beira da morte. De fato, “não temos 100%”. Quanto teríamos: 10%? 5%? Daí para menos!

 

9. Lindemberg levou a cara à janela seis vezes. "Nós poderíamos ter dado o tiro”, reconheceu o coronel Félix. Por que não atitou?

 

“Era um garoto de 22 anos, sem antecedentes criminais e uma crise amorosa. Se nos tivéssemos atingido com um tiro de comprometimento, fatalmente estariam questionando por que o Gate não negociou mais...”

 

Perguntariam “...por que deram um tiro em jovem de 22 anos de idade em uma crise amorosa, fazendo algo em determinado momento em que se arrependeria para o resto da vida".

 

O coronel tem razão. Consumada a tragédia, parece óbvio que o tiro de misericórdia teria produzido um mal menor. Mas o que estariam dizendo agora aqueles que costumam condenar a truculência dos métodos policiais?

Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Governo vai abrir linha de crédito para construtoras

Estuda-se financimento de até R$ 3,5 bi para  o  setor

Tenta-se evitar risco de retração nessa área em 2009

 

O governo prepara para os próximos dias o anúncio de um lote de medidas para acudir as empresas de construção civil.

 

Considerado estratégico, o setor foi posto de joelhos pela crise global. Convive com o risco de paralisar obras e adiar projetos habitacionais.

 

A causa da retração é a secura que infelicita o mercado de crédito. O governo receia que, mantido esse cenário, haveria dispensa expressiva de mão-de-obra.

 

De resto, o desempenho da economia em 2009, que já se prenuncia pior do que o de 2008, seria ainda mais afetado. Daí a movimentação do governo.

 

O pedaço mais importante do pacote que está sendo embrulhado em Brasília é a abertura de uma linha de crédito para as construtoras às voltas com a iliquidez.

 

As primeiras estimativas indicam a necessidade de irrigar o setor com créditos de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,5 bilhões. É menos do que o setor diz necessitar: R$ 4 bilhões.

 

Para alcançar tais cifras, estuda-se, por exemplo, uma nova mexida no compulsório dos bancos. Uma intervenção cirúrgica. Voltada espeficiamente à construção civil.

 

Casas bancárias que se dispusessem a emprestar dinheiro a construtoras seriam comtempladas com novos descontos no depósito que são obrigadas a fazer no BC.

 

É uma forma de evitar que o esforço de reativação da construção fique restrito à Caixa Econômica Federal, principal agente financeiro do setor.

 

De resto, o governo pretende estimular construtoras que exibam melhores condições financeiras a adquirir empreendimentos imobiliários tocados por empresas mais encalacradas.

Escrito por Josias de Souza às 03h48

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: SP: resgate termina com refém em coma

 

- Folha: Kassab mantém vantagem sobre Marta

 

- Estadão: Governo vai garantir mercado de imóveis

 

- JB: Polícia erra e seqüestro acaba em tragédia em São Paulo

 

- Correio: Tudo errado - Desastre em operação anti-seqüestro

 

- Valor: Varejo e indústria discutem os repasses da alta do dólar

 

- Gazeta Mercantil: Sadia processará bancos por perdas com câmbio

 

- Estado de Minas: Cai diferença entre Quintão e Lacerda

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h40

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Polícia X Polícia!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h39

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Não esqueça: começa neste sábado horário de verão

El Roto/El Pais
 

 

Goste ou não, você terá de adiantar o seu relógio em uma hora à meia noite, na virada de sábado para domingo. Começa o horário de verão.

 

O objetivo, como se sabe, é poupar energia. Nessa época do ano, a luz natural é mais reluzente. Tenta-se forçar o usuário a aproveitá-la por mais tempo.

 

Estima-se que, no horário de pico, a energia poupada será, em média, de cerca de 5% do consumo em todo país.

 

Equivale a 2 mil megawatts. O suficiente para suprir o consumo de uma cidade com 5 milhões de habitantes. Os ponteiros só voltam ao normal em 15 de fevereiro de 2009.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Veja o que informa o Datafolha sobre SP, BH e RJ

Dois espetáculos, como se sabe, não cabem ao mesmo tempo num só palco. Ou numa única prefeitura.

 

Vem daí que a platéia, a nove dias da grande estréia, vai decidindo qual a peça que deseja manter em cartaz.

 

O Datafolha produziu uma nova rodada de pesquisas nos três principais tablados do país: São Paulo, Belo Horizonte e Rio.

 

Em dois deles o quadro parece mais consolidado. No terceiro, o eleitor ainda está dividido entre os dois candidatos a protagonista.

 

Em São Paulo, Gilberto Kassab (53%) ostenta dianteira de 16 pontos percentuais sobre Marta Suplicy (37%).

 

Marta, como sói, simula otimismo: "Preciso conquistar mais 8 pontos para ganhar a eleição...”

 

“...Estamos na metade do segundo turno, temos dois debates, nossa campanha está nas ruas e estou muito confiante".

 

A verdade, porém, é que a pesquisa revela um quadro estacionário. Há uma semana, os percentuais levantados pelo Datafolha eram praticamente iguais: 54% a 37%.

 

Também em Belo Horizonte, o expectador revela tendência de optar por Leonardo Quintão (47%), em detrimento de Márcio Lacerda (37%).

 

A ascensão de Quintão é uma das mais vistosas surpresas dessa temporada municipal. Passou boa parte do primeiro turno fora de cartaz.

 

Do meio para o final do ensaio, foi empurrado para os holofotes. Confirmando-se o favoritismo, atropelará o rival e os padrinhos dele: Aécio Neves e Fernando Pimentel.

 

No Rio, embora numericamente à frente, Fernando Gabeira (44%) mantém-se tenicamente empatado com Eduardo Paes (41%).

 

A exemplo do mineiro Quintão, Gabeira só entrou em cartaz na reta final do primeiro turno.

 

A dianteira de três pontos, por magra, ainda não assegura a Gabeira a vitória. Mas o mantém sob holofotes, no papel de ex-azarão.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Secretário de Segurança: ‘É uma imensa infelicidade’

Terminou em tragédia o seqüestro de Santo André (SP)

Polícia invade apartamento e duas reféns saem feridas

 

 Rivaldo Gomes/Folha
O secretário de Segurança de São Paulo, Ronaldo Marzagão, foi da euforia à consternação em questão de minutos.

 

“Vou dar a vocês uma boa notícia, em primeira mão: acabou o seqüestro de Santo André”, disse Marzagão a dois deputados federais que o visitaram nesta sexta (17).

 

Pouco depois, irrompeu na sala um assessor do secretário: “Tenho más notícias. Morreu a menina Eloá.”

 

Referia-se à ex-namorada de Lindemberg Fernandes Alves que, inconformado com o fim do namoro, a mantinha em cativeiro, junto com uma amiga.

 

“É uma infelicidade, uma imensa infelicidade”, lamuriou-se Marzagão. O secretário de Segurança foi, então, ao telefone.

 

Repassou a José Serra a informação que, se confirmada, injetará vexame num caso já marcado pela imperícia. “Me desculpe”, disse Marzagão ao governador.

 

Na seqüência, o secretário despediu-se das visitas e embarcou num helicóptero, rumo ao Palácio dos Bandeirantes.

 

A despeito, do comunicado de Marzagão a Serra, o governo paulista nega que a jovem, de 15 anos, tenha morrido. Está, na verdade, em estado gravíssimo. Mas viva.

 

O vaivém no gabinete do mandachuva da secretaria de Segurança de São Paulo foi testemunhado por dois deputados federais.

 

Raul Jungmann (PPS-PE) e Willian Woo (PSDB-SP), membros da Comissão de Segurança Pública da Câmara, tiraram a sexta-feira para se informar sobre a greve dos policiais civis paulistas.

 

Por isso foram a Marzagão, depois de se reunir com o comando dos grevistas. Enquanto conversavam, a polícia invadia o apartamento de Santo André.

 

Terminava o drama de um cativeiro de cerca de cem horas. E começava o drama da gestão Serra, às voltas agora um dos mais vistosos vexames da crônica policial de São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Governo breca projeto que eleva verbas da educação

Subiu no telhado o projeto de lei que retirava a DRU do caminho do orçamento da Educação.

 

A DRU (Desvinculação de Receitas da União) é umm mecanismo que permite ao Tesouro reter 20% das chamadas “verbas carimbadas”.

 

São gastos que contam com percentuais definidos. Alcançam, por exemplo, as áreas de saúde e educação.

 

No caso da Educação, o governo comprometera-se a acabar com a DRU. Uma eliminação gradual.

 

Começaria em 2009, com um acréscimo de R$ 2 bilhões no orçamento do ministério da Educação. E seria completada em 2011.

 

Aprovada por unanimidade no Senado, a proposta foi à Câmara. Ali, passou a enfrentar um bloqueio do governo.

 

A pedido do ministério do Planejamento, dois deputados governistas –José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Chico Lopes (PCdoB-CE)—pediram vista do projeto na Comissão de Justiça, impedindo a votação.

 

Se mantido, o bloqueio vai à crônica de Brasília como um passa-moleque de Lula na bancada de senadores do PDT, em especial no senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

 

A morte da DRU foi uma das condições impostas pelo PDT para votar a favor da CPMF no Senado. Cristovam foi à tribuna. Disse que decidira dar um voto de confiança a Lula. Por ora, vai quebrando a cara.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Queda no preço do petróleo não chegará às bombas

 

A crise global e o fantasma da recessão nos EUA e na Europa puxaram para baixo o preço do barril do petróleo no mercado internacional.

Custava US$ 120. Desceu a US$ 70. Um consumidor desavisado poderia esclamar: “Oba, vem aí a gasolina barata!” Melhor conter o entusiasmo, contudo.

 

Nesta sexta (17), perguntou-se ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) se a queda na cotação do petróleo vai chegar aos postos de gasolina brasileiros.

 

E ele: “Imediatamente, não. Não dá para sonhar com isso, imediatamente.”

 

Lobão alega que, quando o petróleo disparou, a gasolina não ficou mais cara. Por isso, também não vai ficar mais barata agora. Entçao, tá!

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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Em ato derradeiro, Lula testa seu prestígio em SP

 Alan Marques/Folha
Ulysses Guimarães dizia: “Em política, você não pode estar tão próximo que amanhã não possa estar distante, nem tão distante que amanhã não possa se aproximar”.

 

O raciocínio vale para os adversários. Aplica-se também aos aliados. Lula ignorou a máxima de Ulysses. A ousadia pode custar-lhe um pedaço do prestígio.

 

O presidente aproximou-se demais de certas campanhas. Já não pode mais simular distanciamento.

 

Achegou-se especialmente às candidaturas de Marta Suplicy, em São Paulo, e de Luiz Marinho, em São Bernardo.

 

Neste final de semana, Lula volta a pedir votos nas duas cidades –São Paulo no sábado; São Bernardo no domingo.

 

Na capital paulista, Marta Suplicy freqüenta as pesquisas na condição de candidata mais cotada para fazer do adversário ‘demo’ um prefeito reeleito. Em São Bernardo a disputa é renhida.

 

Confirmando-se os piores prognósticos, o prestígio de Lula descerá ao campo de batalha na condição de ferido, junto com os candidatos e o petismo.

Escrito por Josias de Souza às 17h39

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Bancos que BC socorrer terão de bancar exportações

Fernando Bizerra Jr./EFE

 

Em reunião extraordinária, o CMN (Conselho Monetária Nacional) aprovou resolução que autoriza o Banco Central a impor uma condição aos bancos que vai socorrer.

 

Nos casos em que o socorro for na forma de empréstimos em dólar, os bancos acudidos terão de aplicar o dinheiro no financiamento do comércio exterior.

 

A ajuda do BC a instituições financeiras com problemas de liquidez foi autorizada por meio da medida provisória 442, editada na semana passada e logo batizada de "Proer do Lula".

 

Prevê dois tipos de empréstimo: em reais ou em dólares, que virão das reservas internacionais do país.

 

Foi este segundo caso, o dos empréstimos em dólar, que o CMN regulou na reunião desta quinta (16). Não ficou claro, porém, como a coisa vai funcionar.

 

Em nota divulgada à noite, o BC informou que, nesta sexta (17), vai esclarecer como pretende agir para assegurar que os empréstimos em dólar se convertam em financiamentos aos exportadores.

 

A reunião do Conselho Monetário foi precedida de um encontro do ministro Guido Mantega (Fazenda) com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

 

Participaram da conversa assessores da Fazenda e diretores do BC. Discutiu-se justamente a escassez de crédito para o financiamento das exportações.

 

Esse é um dos venenos que a crise global inoculou no mercado brasileiro. Daí a decisão de reunir o CMN extraordinariamente.

 

“Nosso principal problema é a falta de liquidez, principalmente para financiar as exportações”, disse Guido Mantega, em nota.

 

O minsitro acha que, ao condicionar o socorro bancário em dólar ao financiamento das exportações, o governo faciliatará “o acesso ao crédito pelos exportadores e pelas empresas que possam estar tendo problemas de capital de giro.”

 

A “marolinha”, como se vê, leva o governo a rebolar mais do que previra Lula quando da chegada ao Brasil das primeiras ondas da crise. 

 

PS.: Atualização - Como pevisto, o BC detalhou nesta sexta (17) a providência adotadas pelo CMN na véspera. Informou que fará, na segunda (20), um leilão de empréstimos em dólar. Vão ao martelo US$ 2 bilhões.  

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Panfletos contra Gabeira levam a nomes do PMDB

 

- Folha: Policiais civis e PM se enfrentam

 

- Estadão: Governo tenta forçar retomada do crédito

 

- JB: Polícia contra polícia

 

- Correio: Calote se alastra a reboque da crise

 

- Valor: Varejo e indústria discutem os repasses da alta do dólar

 

- Gazeta Mercantil: Sadia processará bancos por perdas com câmbio

 

- Estado de Minas: A salvação da lavoura

 

- Jornal do Commercio: Jaboatão mais perto da intervenção

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h30

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Enquanto isso, nas delegacias de São Paulo...

 Dalcío

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 03h27

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Anatel aprova a mudança que legaliza a ‘supertele’

 

A Anatel aprovou na noite desta quinta (16) o relatório que modifica o PGO (Plano Geral de Outorgas) do setor de telefonia.

 

Como já era esperado, introduziram-se no texto regras que legalizam a posteriori um negócio já fechado: a compra da Brasil Telecom pela Oi.

 

Na principal alteração, os conselheiros da Anatel expurgaram do texto do PGO a regra que proibia uma mesma empresa de operar em mais de uma região do país.

 

Nesse ponto, a aprovação foi unânime. Os cinco conselheiros da Anatel se dividiram, porém, em relação a outro tópico.

 

Previa que as companhias telefônicas teriam de separar seus ativos de telefonia e de banda larga. Os dois serviços teriam de ser geridos por empresas distintas.

 

Na bica de converter-se numa supertele de capital nacional, a Oi erguera barricadas contra essa alteração. O ministro Hélio Costa (Comunicações) também era contra.

 

Colhidos os votos, registrou-se um empate. Dois conselheiros a favor: Pedro Jaime Ziller e  Plínio Aguiar. Outros dois contra: Ronaldo Sardenberg e Antônio Bedran.

 

Coube à conselheira Emília Ribeiro proferir o voto de minerva, contra a divisão dos negócios de telefonia e de banda larga.

 

Emília Ribeiro foi alçada à diretoria da Anatel por indicação do PMDB do ministro Hélio Costa. É apadrinhada do senador José Sarney (PMDB-AP).

 

Chegou à Anatel quando a reformulação do PGO já se encontrava em estágio avançado. O governo apressou-se em nomeá-la para evitar surpresas indigestas.

 

A estratégia revelou-se um sucesso. Emília acabou evitando que fosse injetado no novo plano uma regra que, embora não impedisse a supertele, contrariava os interesses da Oi.

 

Vencido o estágio da Anatel, o novo PGO vai agora às mão de Hélio Costa. Que já disse e redisse que irá referendá-lo. Seguirá, então, para a mesa de Lula.

 

Entrará em vigor depois que o presidente assinar um decreto sacramentando as alterações. Algo que, em privado, Lula também já disse que vai fazer.

 

É preciso, porém, que o presidente se apresse. Para que o contrato de compra da BrT pela Oi seja ratificado, o decreto de Lula tem de sair no Diário Oficial até 21 de dezembro.

 

Do contrário, a Oi terá de pagar aos acionistas da Brasil Telecom uma multa de cerca de R$ 500 milhões. Coisa que o governo está decidido a impedir que ocorra.

 

Até as teclas dos telefones de Brasília conspiram a favor da supertele. A certeza do negócio é tanta que o BNDES e o Banco do Brasil já injetaram dinheiro na transação.

 

Antes mesmo de ser formalizada, a supertelefônica já se converteu num passivo judicial. A Abramulti, associação dos provedores de Internet, levou o caso às barras dos tribunais.

 

Alega que as alterações no PGO vão frear a competição no setor de telefonia. A associação chegou a obter uma liminar que suspendia a votação da Anatel.

 

A agência conseguiu derrubar a liminar. Sobrevive, porém, o processo, que terá de ser julgado no mérito.

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Aécio abre o guarda-chuva para se proteger do poste

  Folha
Para cada jeito de montar uma campanha eleitoral vitoriosa há pelo menos 60 desculpas para escamotear a derrota.

 

Receoso de que um poste lhe caia sobre a cabeça, Aécio Neves tenta refugiar-se sob bons subterfúgios. E testa os seus estratagemas.

 

Entre as seis dezenas de desculpas disponíveis, o governador mineiro fixou-se, por ora, em duas:

 

1. A campanha do pupilo Márcio Lacerda (PSB) apresentou falhas. Daí o crescimento vertiginoso do rival Leonardo Quintão (PMDB), "muito mais eficiente".

 

"O candidato do PMDB soube, do ponto de vista pessoal, se posicionar na televisão com propostas que no futuro temos que ver se são exeqüíveis...”

 

“Do ponto de vista da relação com as pessoas [Quintão] se mostrou muito mais eficiente que o nosso candidato [...]”.

 

2. A teoria do poste não enfrenta dificuldades apenas em Belo Horizonte. Lula que é Lula também não está conseguindo fazer concreto voar.

 

"Por mais que as pessoas respeitem apoio, a avaliação do governo [federal] é a maior de todos os tempos, mas as pessoas querem escolher em quem votam...”

 

“...Isso serve para Belo Horizonte, São Paulo, Rio, e servirá para o Brasil em um futuro próximo...”

 

“...Essa eleição serve para desmistificar a tese de que há como se impor, e nem essa foi a nossa intenção".

 

Como bom mineiro, o governador zela para que nem todos os queijos sejam acomodados num mesmo balaio.

 

Embora Lacerda (33%) figure nas pesquisas 18 pontos percentuais atrás de Quintão (51%), Aécio simula otimismo:

 

"Ainda acredito na possibilidade de vitória do candidato Márcio Lacerda, acho que é quem está mais bem preparado [...].”

 

Depois, com jeitinho, afasta o poste dos ombros: "É a hora dele próprio, conversando com a população, mostrar que é o mais capaz para administrar Belo Horizonte”.

 

De resto, como em política nada se perde e nada se transforma, tudo se aproveita, Aécio atravessa a rua, em direção à outra calçada:

 

“O curioso é que o candidato que apoiei [Lacerda] teve 43% dos votos no primeiro turno e o que teve 41% [Quintão] disse que me apóia. É coisa que só a política mineira explica."

 

Espremidos os subterfúgios e perscrutados os estratagemas, fica entendido que Aécio Neves abriu o guarda-chuva.

 

Serve para dias de chuva. É excelente para dias de sol. Como diz o governador, “é coisa que só a política mineira explica." Ou não.

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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A equação de Serra: Polícia / Polícia + Caos = Política

Leia mais aqui. Abespinhadas com as declarações de José Serra, CUT e Força Sindical partiram para o ataque.

Escrito por Josias de Souza às 20h37

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Paes: ‘Fumei e não gostei’; Gabeira: ‘Hoje, só H2O’

 Folha
Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) sacudiram o chocalho da palavra em sabatina promovida pela Folha.

A certa altura foram arrastados para um tema que, numa cidade sitiada pelo tráfico, pesa –ou deveria pesar— como chumbo. Já fumaram maconha?

 

Paes saiu-se com uma rima em cinco tempos: "Já experimentei. Fumei, traguei e não gostei. Nunca mais usei".

 

Gabeira tratou de conjugar o uso da erva no passado. Por que parou? Não acha “razoável” que, sendo deputado, tenha “uma posição de desrespeitar a lei”.

 

"Eu posso ter efeitos semelhantes ao relaxamento da droga através da meditação", disse. "Tem uma droga que eu uso muito hoje, que é H2O."

 

E quanto à tese da legalização da maconha? Paes soou peremptório: "Acho que maconha é um mal para a sociedade...”

 

“...A droga está na raiz do problema desta cidade. A briga do traficante é pelo ponto de venda."

 

Gabeira, outrora ferrenho defensor da causa, agora se refugia no muro: "Só é possível decidir isso [legalizar ou reprimir] se houver uma polícia honesta e competente."

 

Noutro ponto da sabatina, abordou-se um outro tipo de droga: o veneno das alianças políticas. Paes –ex-PFL, ex-PSDB, hoje PMDB—recorreu ao contorcionismo retórico.

 

Como explicar o vaivém ideológico que o fez namorar o apoio de um Lula que chamara de “chefe de qudrilha” em 2005?

 

O candidato atribuiu a dança de siglas a "percalços". Acrescentou: "Aqui no Brasil os partidos não mantêm uma posição de coerência...”

 

“...Se estão na oposição, advogam umas teses; no governo, outras. Não dá para exigir a fidelidade partidária à fórceps quando o programa do partido não diz muita coisa."

 

Para sair das cordas, Paes fustigou o rival: “O candidato Gabeira tem alianças que não abre claramente para a população."

 

Referia-se ao prefeito Cesar Maia (DEM), cuja última réstia de popularidade foi levada nas asas dos mosquitos da dengue.

 

E Gabeira: "Eu não escondo os meus apoios, apenas não proíbo ninguém de me apoiar."

 

Ao referir-se a Lula, o ex-petista Gabeira foi tucano a mais não poder: "Eu não mudo as minhas posições. O que eu disse naquele momento [do mensalão], diria de novo...”

 

“...Mas não posso negar o meu passado de lutas junto até com o presidente Lula. Eu o apoiei 1989, quando iria até ser o vice dele...”

 

“...Fiz as caravanas com ele em 1994, apoiei em 1998 e sai do PV para apóia-lo em 2002...”

 

“...Se sai do PT [retonando ao PV] foi porque achei que nossos princípios não estavam sendo respeitados."

 

Ao eleitor, resta levar as palavras dos candidatos a um prato e o passado de cada um a outro. Campanhas políticas são, por assim dizer, assassinas do passado.

 

Em contato com o eleitor, o candidato tende a converte-se numa espécie de vulto sem passado.

PS.: O vídeo com a íntegra do debate está disponível aqui.

Escrito por Josias de Souza às 19h47

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Klabin é mais nova vítima do dólar: R$ 253 milhões

 Antônio Gaudério/Folha
Surgiu no mercado mais uma empresa candidata ao Bolsa-Dólar.

 

O repórter Murillo Camarotto informa que a Klabin fechou o terceiro trimestre com um vermelho de R$ 253,12 milhões.

 

No mesmo período do ano passado, a companhia amealhara lucros de R$ 177,52 milhões.

 

No campo operacional, o tombo foi justificado pela alta dos insumos: óleo combustível, produtos químicos e gás, por exemplo. Os custos subiram 22%.

 

Na seara financeira, atribui-se o escorregão ao peso do dólar, agora desembestado, na dívida da empresa.

 

Cerca de 50% do endividamento da Klabin está amarrado ao dólar. Com a disparada da moeda americana, o fardo passou a pesar R$ 381 milhões.

 

A Klabin desce ao Vale dos Caídos em reluzente companhia: Sadia, Aracruz e Votorantim.

 

O governo estima que o número de empresas engolfadas pela “marolinha” é bem maior: coisa de 250 logotipos.

Escrito por Josias de Souza às 18h14

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Em São Paulo, a polícia militar reprime a polícia civil

Em greve há um mês, os policiais civis de São Paulo decidiram marchar, nesta quinta-feira (16), rumo ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Foram à rua em passeata. Coisa de 2.000 agentes. Para fazer barulho, dois carros de som.

 

Para não deixar dúvidas quanto ao alvo, um caixão adornado com uma foto de José Serra e uma frase: com a dar plasticidade "Aqui jaz o ex-futuro presidente".

 

Súbito, os policiais civis se depararam com um bloqueio equipes da Polícia Militar. Gente da cavalaria e do batalhão de choque. Deu chabu.

 

Os militares cruzaram o caminho dos civis munidos de uma ordem expedida pelo governo do “ex-futuro presidente”: os manifestantes não deveriam alcançar o palácio.

 

Jogaram-se bombas de efeito moral. Dispararam-se balas de borracha. Produziram-se dois feridos. O trânsito, normalmente conturbado, passou a fluir em ritmo de tartaruga manca.

 

Numa tentativa de esfriar os ânimos, informou-se aos grevistas que o governo se dispunha a receber uma delegação. Nada feito. A marcha prosseguiu. Daí o rififi.

 

A despeito da azáfama, José Serra não se deu por achado. Ouvido num evento público, disse que, sob greve, não negocia.

 

"Gostaríamos de um acordo, mas com greve o acordo não é viável. Negociações em greve não são viáveis...”

 

“...O governo fez sua proposta clara, está disposta a mandar para a Assembléia Legislativa dentro das possibilidades existentes".

 

Está-se diante de um impasse que reclama bom senso de parte a parte. Greve em serviço essencial é coisa que incomoda.

 

Quando os grevistas têm porte de arma, a coisa incomoda muito mais.

Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Uma pitada de bom senso na salada esquizofrênica

Leia mais aqui.

Escrito por Josias de Souza às 16h33

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Para FHC, crise pode encolher popularidade de Lula

  Jorge Araújo/Folha
Para Guimarães Rosa, o ser humano deveria fazer pirâmides, não biscoitos.

 

FHC, naturalmente, acha que desenhou na enciclopédia os seus monumentos.

 

Pirâmides de confeitaria, costumam desdenhar Lula e o petismo.

 

Seja como for, FHC sempre cultivou o hábito de dar, aqui e ali, os seus pitacos.

 

Nesta quinta (16), o ex-pesidente veio ao meio-fio para falar de crise global.

 

Disse que a ficha de Lula demorou a cair: "Ah, ele subestimou...”

 

“...Ele imaginou que o Brasil era uma ilha. Disse várias vezes. O presidente disse, ministros disseram".

 

Afirmou que Lula exagera no papel de animador de auditório. E termina por soar irreal:

 

"Eu entendo que o presidente tem de dar ânimo ao país, mas o país percebe...”

 

“...Quando esse ânimo é à custa de algo que é irrealista eu acho que não é bom".

 

Elogiou as ações do BC do ex-tucano Henrique Meirelles. E sugeriu o uso da tesoura.

 

Acha conveniente que o Orçamento da União seja submetido a uma poda.

 

Sem bulir no social: "Em uma situação de crise é importante preservar a situação dos mais pobres..."

 

"...É preciso cortar gastos porque o fluxo de arrecadação de impostos vai diminuir".

 

Perguntaram-lhe se a crise terá impacto sobre a megapopularidade de Lula.

 

E FHC: "Tomara que não tenha [...]. Agora, obviamente, se a situação piorar muito, algum impacto tem. Mas isso depende da conduta do governo."

 

Difícil discordar dos comentários de FHC. Primeiro porque rendem homenagens ao óbvio.

 

Segundo porque seria uma temeridade arrostar com o ex-presidente um debate sobre crise e impopularidade. Nessa matéria FHC é expert.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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53% das empresas planejam postergar investimentos

A revista Exame realizou uma pesquisa para aferir o ânimo do empresariado brasileiro diante da crise global.

 

Ouviram-se executivos de grandes e médias empresas. A maioria (53%) informou que está revendo os planos de investimentos para os próximos três anos.

 

Pior: os investimentos previstos para 2009, 2010 e 2011 podem ser “postergados”. Abaixo, os principais achados da sondagem:

 

Impactos da crise nos negócios
- Já começaram, mas por enquanto são leves: 68%
- Outros: 32%

Principal preocupação
- Escassez do crédito: 50%
- Desvalorização do real: 23%
- Outros: 27%

Estratégia diante da crise
- Pôr o pé no freio e cortar custos:- 54%
- Outros - 46%

Projeção de vendas em 2009
- Está sendo revisada: 56%
- Não se altera: 33%
- Outros: 11%

Rentabilidade da empresa em 2009
- Deve diminuir: 57%
- Não se altera: 31%
- Deve aumentar - 12%

Planos de investimento para os próximos três anos
- Estão sendo revistos e podem ser postergados: 53%
- Outros: 47%

 

Os dados apenas tonificam uma sensação que já era densa: sacudido pela "marolinha", o PIB do Brasil deve murchar em 2009. É algo de que,aliás, já nem o governo duvida.

Escrito por Josias de Souza às 03h53

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Europa já articula novo acordo mundial para regular mercados

 

- Folha: Sinais de recessão assustam mercados

 

- Estadão: Sinais de recessão provocam forte queda nos mercados

 

- JB: Lula ameaça os bancos

 

- Correio: Trânsito sem lei para embaixadas

 

- Valor: Recessão assusta os EUA e volta o pessimismo global

 

- Gazeta Mercantil: Europa promete pacto global; bolsas têm queda violenta

 

- Jornal do Commercio: Crise ameaça concursos e reajuste de servidor

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Marolona!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Câmara autoriza Tesouro a injetar R$ 15 bi no BNDES

Na mesma sessão, aprovaram-se reajustes de R$ 29,3 bi

Proposta de ‘socorro’ aos bancos irá a voto  em no dia 28

Projeto que cria o Fundo Soberano será votado  no dia 29

 

Folha

 

A crise financeira global produziu na Câmara uma atmosfera de inusitada concórdia entre os partidos do governo e as legendas de oposição.

 

O governo concordou em mandar para o final da fila de votações o projeto que cria o Fundo Soberano. Em troca, a oposição depôs as armas, suspendendo a obstrução.

 

Graças ao armistício, foi possível votar medidas provisórias que se acumulavam na pauta. Eis as três mais relevantes:

 

1. BNDES: aprovou-se uma medida provisória que autoriza o Tesouro Nacional a capitalizar o BNDES em R$ 15 bilhões;

 

Dinheiro a ser usado pelo banco oficial de fomento para conceder empréstimos para viabilizar obras de infra-estrutura.

 

A oposição torcia o nariz para a proposta. Mudou de idéia. “Depois da crise, a capitalização do BNDES passou a fazer sentido”, disse José Carlos Aleluia (BA), vice-líder do DEM.

 

2. Reajustes (um e dois): aprovaram-se também duas medida provisórias que vão na contramaré da tese segundo a qual, acossado pela crise, o governo deveria cortar os seus gastos.

 

Os deputados autorizaram o Executivo a conceder reajustes salariais a um lote de categorias estratégicas do serviço público.

 

São reajustes escalonados. Começam agora, em 2008, e vão até 2011. Estima-se que o impacto nas arcas do Tesouro será, ao final, de R$ 20,4 bilhões.

 

Para complicar, o governo embarcou na medida provisória uma carona incompatível com o cenário de borrasca que se arma na economia.

 

Criaram-se 2.000 novos cargos na Polícia Federal. Uma idéia que constava de um projeto de lei e que terminou sendo enfiada na medida provisória.

 

A segundo medida provisória salarial autoriza o governo a tonificar os contracheques de 380 mil servidores. De novo, aumentos escalonados até 2011.

 

O impacto global é estimado em R$ 8,9 bilhões. Que, somados aos aumentos da outra MP, elevam o gasto-extra para a casa dos R$ 29,3 bilhões. A partir de 2009, os desembolsos estarão condicionados à disponibilidade de caixa.

 

Livres dessas medidas provisórias, os deputados podem tratar agora do “Proer do Lula”. É como a oposição se refere à medida provisória 442.

 

Autoriza o Banco Central a socorrer com empréstimos emergenciais os bancos com problemas de liquidez.

 

Marcou-se a votação para 28 de outubro, dois dias depois da realização do segundo turno das eleições municipais. Engancharam-se no texto-base mais de 50 emendas.

 

Traduzem o desejo da oposição de “aperfeiçoar” a proposta. A despeito disso, PSDB, DEM e PPS avisam, de antemão, que não se esquivarão de aprovar o socorro.

 

O consenso vai virar fumaça no dia seguinte, 29 de outubro, data em que vai a voto o projeto que institui o Fundo Soberano.

 

A oposição, neste caso, avisa que vai votar contra. Argumenta-se: não faz sentido que, em meio à crise, o governo destine R$ 14 bilhões de sua poupança para o tal fundo.

 

O governo contraargumenta: esse dinheiro pode ser aplicado justamente em ações pontuais anticrise.

 

Envolvido na negociação que resultou no adiamento da apreciação do Fundo Soberano, o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi contra. Queria que a proposta fosse aprovada imediatamente.

 

Pelo telefone, Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara, vez ver a Mantega que, se quebrasse lanças, o governo arrostaria em plenário a obstrução da oposição.

 

O ministro receava que o projeto fosse mandado às calendas. Pesou na decisão final um compromisso assumido pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

 

Chinaglia assegurou que não ocorreria com o Fundo Soberano o que já ocorreu com outros projetos esquecidos nas gavetas depois de retirados de pauta. Marcou, desde logo, o dia da votação.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Ministro admite, pela primeira vez, cortar os gastos

Marcello Casal/ABr
 

 

Aos pouquinhos, o governo vai abandonando aquele discurso blasé diante da crise.

 

O ministro Paulo Bernardo, mandachuva do Orçamento, já flerta com o facão.

 

Melhor: começa a admitir a hipótese de passar algumas despesas na lâmina.

 

Não exclui nem mesmo a hipótese de adiar reajustes e cancelar concursos públicos.

 

“Tirando o PAC e os programas sociais, podemos cortar em qualquer lugar...”

 

“...Um corte de R$ 1 bilhão no Orçamento da União pode parecer muito, mas não é...”

 

“...Pode-se cortar R$ 1 bilhão de forma linear...”

 

“...Se percebermos que uma despesa ficou muito prejudicada, podemos fazer um recomposição.”

 

A caída de ficha de Paulo Bernardo foi esboçada em entrevista à TV Brasil.

 

A meio caminho da reconciliação do ministro com a realidade, a ficha engasgou:

 

“Existe um certo pânico generalizado com a crise mundial...”

 

“...Mas é importante sabermos que nossa economia está funcionando normalmente.”

 

De resto, o ministro arrastou suas fichas para o pano verde de 2010.

 

Disse que quebrará a cara quem apostar que a crise derruba a popularidade de Lula.

 

“Se tem gente dizendo tomara que crise continue para ver se cai um pouco a popularidade do presidente Lula, está enganado...”

 

“...O presidente pode se consagrar como uma pessoa talhada para enfrentar turbulências.”

 

Impossível? Não. Basta que o presidente pare de tratar a crise a golpes de marketing.

 

O primeiro passo para “enfrentar a turbulência” é abandonr o lero-lero da “marolinha”.

 

Impossível resolver um problema sem reconhecer que o problema existe.

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Senado aprova a emenda que vai ‘salvar’ municípios

Conforme noticiado aqui, há no Brasil 57 municípios ameaçados de extinção.

 

São cidades criadas entre 1996 e 2000, à margem da lei. Ou o Congresso as salva...

 

...Ou sumirão do mapa em maio de 2009, por ordem do STF.

 

Na noite desta quarta (15), o Senado deflagrou a operação resgate.

 

Os senadores aprovaram uma proposta que regulariza a vida dos municípios encalacrados.

 

A encrenca vai agora à Câmara. A disposição é, também ali, de aprovar. A toque de caixa.

 

Está-se diante de um fato consumado. Ou, por outra, 57 fatos consumados.

 

Os municípios acabam de eleger prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.

 

Imagine o salseiro que essa gente armaria se senadores e deputados os deixassem sem mandato! 

Escrito por Josias de Souza às 23h06

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Durou apenas 48 horas a fase de 'euforia' das Bolsas

Itsuo Inouye/AP
 

 

Empurradas por injeções trilionárias dos governos da Europa e dos EUA nas veias do sistema bancário, as Bolsas do mundo reagiram como viciadas em transe, eufóricas.

 

Decorridas escassas 48 horas, o que parecia remédio infalível ganhou a aparência de pastilha Valda. Seguiu-se à sensação de bem-estar um novo surto depressivo.

 

Nas pegadas dos tombos das Bolsas européias e americana, a Bovespa despencou notáveis 11,39%. A maior derrapagem desde setembro de 1998.

 

O câmbio desembestou. O Banco Central viu-se compelido a ir, de novo, ao balcão. Graças a isso, o dólar fechou o dia em R$ 2,16.

 

Assim, a despeito das química$ administradas por governos encurralados, as coisas não voltaram a ser o que eram. Jamais serão o que já foram, aliás.

 

Lida-se agora com o bicho papão da queda da atividade econômica. Mercê da natureza global dos males econômicos, os países estão todos no mesmo barco existencial.

 

Um barco que parece condenado ao fundo.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Atenção: há no ar um incômodo cheiro de bolsa dólar

Escultura de Zhang Dali, fotografada por Shaun Curry/AFP
 

 

Algumas empresas brasileiras caminhavam pelo mercado, pisando nos dólares distraídas, quando uma explosão as sacudiu.

 

Era o estouro do câmbio. Foi pelos ares a fantasia do dólar domesticado de R$ 1,80. De agosto pra cá, registrou-se uma variação de mais de 50%.

 

O fenômeno injetou na crise que vem de fora uma encrenca genuinamente nacional: empresas que apostaram no Real forte foram postas de joelhos.

 

Por ora, freqüentam o vale dos caídos três gigantes da iniciativa privada: Aracruz (tombo de R$ 1,95 bilhão), Sadia (R$ 760 milhões) e Votorantim (R$ 2,2 bilhões).

 

É certo que outras empresas ajoelharam. Quantas? Ninguém sabe. Autoridades do governo falam em mais de 200.

 

Nesta quarta-feira (15), de passagem pela Índia, um ministro que integra a comitiva de Lula, Miguel Jorge (Desenvolvimento), disse o seguinte:

 

O governo brasileiro poderá socorrer — com empréstimos — empresas que micaram no mercado de derivativos.

 

“O princípio é o de não deixar as empresas ficarem desassistidas. Mas, também, eu diria que não iremos fazer isso a qualquer preço”.

 

Na véspera, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, também dissera que o governo não deixaria as empresas desassistidas.

 

O socorro, disse Garcia, será feito com responsabilidade e dentro de todos os parâmetros legais.

 

Empresa em crise não é coisa boa. Há empregos em risco. Mas daí a admitir-se como racoável a criação de um Bolsa-Dólar vai enorme distância.

 

Os empresários não consultaram a Viúva na hora de fazer suas apostas na estabilidade do Real. Poderiam ter auferido lucros extraordinários.

 

Perderam, contudo. É jogo jogado. Querer arrastar a veneranda senhora para o campo de batalha em meio ao tiroteio é covardia inaceitável.

 

Nessa área, a última aventura do Estado resultou em escândalo. O socorrido, Salvatore Cacciola, encontra-se hospedado em Bangu 8.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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Governistas desistiram de aprovar a ‘CPMF da Saúde’

Governistas desistiram de aprovar a ‘CPMF da Saúde’

  Orlandeli
A CSS (Contribuição Social para a Saúde) sumiu do noticiário da mesma maneira que escalara as manchetes: de repente.

 

Antes do recesso eleitoral, a nova CPMF era prioridade zero do consórcio governista na Câmara. Hoje, ninguém mais fala sobre ela.

 

Idealizador da proposta, Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula entre os deputados, reconhece: “A CSS não vai ser a prioridade desse momento”.

 

Ele alega que, submetido aos efeitos da crise global, o governo tem agora novas urgências. Cita o projeto que cria o Fundo Soberano e a reforma tributária.

 

“Como dizia Ulysses [Guimarães], as nuvens mudam de uma hora para outra”, disse Fontana ao repórter. Foi impreciso na citação e errou no autor.

 

A frase é: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.” Proferiu-a Magalhães Pinto, um contemporâneo de Ulysses.

 

Mas o que importa é o sentido do raciocínio de Henrique Fontana. Depois do tufão financeiro soprado desde os EUA, não restou nuvem sobre nuvem.

 

“Sei que, no Congresso, é impossível encaminhar vários temas ao mesmo tempo. Aprendi que é preciso trabalhar com foco. E, de fato, minha mente não estacionou na CSS”.

 

A crise é um bom pretexto. Mas a CSS subiu no telhado a despeito da encrenca financeira. É o que reconhecem lideranças governistas ouvidas pelo repórter nas últimas duas semanas.

 

Fontana fala em adiamento. Outros líderes falam em esquecer o projeto. Boa parte dos deputados governistas que votaram a favor do novo tributo antes do recesso já não se dispõe a repetir o gesto.

 

Como se recorda, o texto-base do projeto que institui a CSS foi aprovado em 12 de junho. Votação apertada: 259 a 159. Dois votos separaram o governo do naufrágio.

 

Antes de submeter o novo imposto às barricadas que se armaram contra ele no Senado, os deputados teriam de votar uma emenda –“destaque”, no jargão parlamentar.

 

Foi apresentado pelo DEM. E não é um “destaque” comezinho. Suprime do projeto o artigo que fixa a base de cálculo da CSS.

 

Prevalecendo esse “destaque”, o novo imposto –0,1% sobre as movimentações bancárias—não poderia ser cobrado.

 

É essa votação, adiada para depois do recesso, que os partidários do governo já não têm ganas de votar. Em verdade, ninguém mais trata do tema.

 

O repórter ouviu o deputado Pepe Vargas (PT-RS), relator da CSS, no último dia 3 de outubro, antevéspera do primeiro turno da eleição municipal.

 

“Esse assunto está em banho-maria desde junho”, disse Pepe. “Se tivéssemos forçado a barra, podíamos ter aprovado. Mas já estava se aproximando o período de baixo quorum. E quisemos arriscar”.

 

E agora? “Esse tema vai ter de voltar à pauta. Sob a forma da CSS ou de outra forma. Temos de equacionar o problema do financiamento da Saúde”.

 

Que outra forma poderia ser tentada? “A debate sobre a Saúde caminha paralelamente à discussão da reforma tributária...”

 

“...Buscamos um desenho em que haja redução da carga tributária.