Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Congresso e Casa Branca tentam costurar o Plano B

 

 

Emissários do governo George Bush e lideranças do Congresso americano retomaram nesta terça (30) as negociações para tentar aprovar um pacote anticrise.

 

Concebido para retirar Wall Street do atoleiro, o pacotaço interessa, em verdade, ao mundo inteiro.

 

Todos os mercados estão submetidos aos estilhaços da encrenca iniciada nos EUA.

 

Sem a alternativa de uma boa medida provisória, sem um PMDB à mão e sem o sempre providencial auxílio de um líder à Romero Jucá, Bush faz o que lhe resta: discursa.

 

Com a autoridade ao rés do chão, o presidente do caos dirigiu à platéia o seu quarto discurso em menos de uma semana.

 

Repetiu o timbre apocalíptico das falas anteriores. Lembrou que, graças à rejeição do megapacote na Câmara, o mercado financeiro dos EUA perdeu, num dia, algo como US$ 1 trilhão.

 

Bem mais do que os US$ 700 bilhões que o governo deseja usar na compra de papéis micados das casas financeiras que se encontram com a água a caminho da testa.

 

Diz-se que o Plano B, em fase de negociação, pode ser levado a voto já nesta quarta (1). A julgar pelo nível de insensatez que impregna a atmosfera da ex-potência, melhor levar o pé atrás.

Escrito por Josias de Souza às 20h11

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Longe de São Paulo, Serra mergulha na campanha

  Silva Jr./Folha
Avaro nas manifestações de apreço pela candidatura de Geraldo Alckmin, o governador José Serra tem sido generoso com candidatos de cidades situadas longe de São Paulo.

 

Nesta terça (30), por exemplo, Serra desfila o seu prestígio ao lado de políticos que concorrem a prefeituras de cidades do interior de Pernambuco.

 

O governador desembarcou no Recife, a capital pernambucana, pela manhã. Antes do almoço, assinou um convênio de cooperação tributária com o colega Eduardo Campos (PSB).

 

No restante do dia, entrega-se a uma atividade que se negou a fazer durante todo o primeiro turno da eleição paulistana: vai às ruas, para pedir votos.

 

Neste momento, Serra está no município de Abreu de Lima. Participa de uma caminhada ao lado do candidato Flávio Gadelha.

 

Gadelha concorre à prefeitura local pelo PMDB. Além de Serra, leva a tiracolo os senadores Sérgio Guerra (presidente do PSDB), Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Marco Maciel (DEM).

 

Dali, Serra vai a Jaboatão dos Guararapes. Nova caminhada. Dessa vez de “mãos dadas” com um candidato tucano: Elias Gomes.

 

A maratona pernambucano-eleitoral de Serra vai entrar pela noite. Em Santa Cruz do Capiberibe, o governador paulista vai escalar o palanque em comício do candidato Edison Vieira, do PSDC.

 

Em Belo Jardim, novo comício. Serra discursará em apoio à candidatura de Marcos Coca Cola, que disputa o cargo de prefeito pelo DEM.

 

Mais do que ajudar os candidatos pernambucanos, Serra tenta sair em auxílio de si próprio. Está de olho não em 2008, mas em 2010.

 

O governador de São Paulo disputa metros de asfalto com o colega de Minas, Aécio Neves. Que já passou por Pernambuco, quatro dias atrás.

 

Serra e Aécio travam, nos subterrâneos, uma disputa renhida pela vaga de candidato oficial do PSDB à sucessão de Lula.

 

A dupla faz da eleição municipal uma espécie de ante-sala da corrida presidencial. Com uma diferença: diferentemente de Serra, Aécio não excluiu São Paulo do seu périplo.

 

Atrás de Serra nas pesquisas, Aécio preocupou-se em prevalecer sobre o contendor na quilometragem de viagens.

 

Só na semana passada, Aécio visitou, além de Recife e arredores: Fortaleza, São Luiz, Teresina e João Pessoa. Antes, já estivera em Curitiba e Santa Catarina.

 

Para completar, Aécio abriu a semana em São Paulo, ao lado de um Alckmin a quem Serra sonegou apoio no primeiro round da eleição municipal.

Escrito por Josias de Souza às 17h00

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A partir desta terça, eleitores não podem ser presos

Começa nesta terça (30) a contagem regressiva para as eleições municipais que ocorrerão no domingo (5).

 

Vão abaixo as principais regras assentadas na Lei das Eleições. Traz o número 9.504. Foi sancionada sob FHC, em outubro de 1997.

 

1. Terça-feira (29):

 

Nenhum eleitor poderá ser levado ao cárcere ou mesmo detido pela polícia. A proibição vigora até 48 horas depois do encerramento da votação de domingo.

 

A lei só abre três exceções: prisões efetuadas em flagrante delito; em função de sentença criminal condenatória por crime inafiançável; ou por desrespeito a salvo-conduto.

 

Termina o prazo para que partidos e coligações indiquem aos juízes eleitorais os seus representantes no Comitê Interpartidário de Fiscalização.

 

2. Quinta-feira (2):

 

A partir desse dia, os juízes eleitorais estão autorizados a expedir salvaguardas em favor de eleitores que sofrerem qualquer tipo de violência capaz de influir na sua sua liberdade de votar;

 

Termina o suplício da xaropada despejada pelos candidatos no tapete da sala dos brasileiros por meio da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A novela volta a ser exibida em seu horário normal;

 

É o último dia para a realização de comícios e de debates entre candidatos;

 

3. Sexta-feira (3):

 

É o último dia para a publicação de anúncios de candidatos em jornais impressos;

 

Expira também o prazo para a veiculação de peças publicitárias dos candidatos em suas páginas institucionais na Internet;

 

4. Sábado (4):

 

É a data limite para a substituição de candidatos a prefeito e a vice-prefeito. A regra vale para os casos em que o postulante anterior tenha sido declarado “inelegível”, renunciado, morrido ou tenha arrostado o indeferimento ou cancelamento de seu registro pela Justiça Eleitoral;

 

É o último dia para a entrega da segunda via do título de eleitor;

 

Termina a propaganda eleitoral por meio de alto-falantes ou amplificadores de som;

 

Os candidatos ficam proibidos de realizar carreatas e distribuir panfletos e outras peças de campanha.

 

No domingo (5), disputarão a preferência do eleitor cerca de 380 mil candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador.

 

O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, disse que conta com a realização de uma eleição "tranqüila, participativa, limpa, bem disputada e refletida". Pressionando aqui, você ouve o ministro.

Escrito por Josias de Souza às 03h48

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‘Não subestimamos a crise’, diz Henrique Meirelles

‘Não subestimamos a crise’, diz Henrique Meirelles

  Marcello Casal/ABr
"Não subestimamos a crise de maneira alguma. Estamos sintonizados, minuto a minuto, com o que está acontecendo no mundo todo...”

 

“Estamos atentos às possíveis consequências da crise para o Brasil, preparados para levar isso em conta."

 

As palavras acima foram pronunciadas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em palestra a empresários, na cidade de Belo Horizonte.

 

Meirelles abrira o primeiro dia útil da semana num encontro a portas fechadas com Lula, no Planalto. E fechou com a palestra, aberta a filiados da Câmara de Dirigentes Lojistas de BH.

 

Entre um fato e outro, deu-se o desastre da segunda-feira (29): a rejeição do superpacote de US$ 700 bilhões da Casa Branca pelos deputados americanos.

 

O signatário do blog conversou, à noite, com um dos empresários que presenciaram a exposição de Meirelles.

 

Preocupado com as repercussões da crise no cotidiano de seus negócios, o personagem tivera o cuidado de tomar nota das principais declarações de Meirelles.

 

Ele ditou para o repórter as considerações que considerou relevantes:

 

1. Meirelles se disse “surpreso” com a rejeição do megapocote de socorro a Wall Street pelos deputados americanos;

 

2. Classificou o quadro da economia mundial como “muito volátil”;

 

3. Em função dessa volatilidade, acha que fez bem ao esquivar-se de fazer, nos últimos dias, “previsões sobre a evolução da conjuntura internacional”;

 

4. Repisou a tecla de que o Brasil está, hoje, mais bem preparado para enfrentar a crise do que em momentos do passado;

 

5. Graças à solidez dos indicadores econômicos, disse o presidente do BC, o Brasil pode lidar com a crise sem perder a “serenidade”.

 

6. Fez uma ressalva: “Isso não quer dizer que devemos subestimar o quadro, porque estamos diante de uma crise da maior gravidade."

 

7. Como evidências de que o país pode manter-se sereno diante da crise, Meirelles citou dados que, a seu juízo, revelam que a vulnerabilidade do Brasil é pequena;

 

8. “Hoje temos uma posição credora no mercado futuro de derivativos”;

 

9. “Não temos dívida cambial doméstica”;

 

10. “Na área externa, a dívida total do país é menor do que as reservas internacionais";

 

11. Meirelles anteviu uma redução no ritmo das transações comerciais no mundo. Algo que, admite, pode puxar para baixo o volume das exportações brasileiras;

 

12. Previu também o fechamento das torneiras que fazem escoar os empréstimos no exterior. Mas acha, de novo, que o Brasil sofrerá menos do que outros países;

 

13. Para dar consistência à sua crença, Meirelles lembrou que “pouco menos de 10%” do crédito doméstico brasileiro é bancado com recursos vindos do exterior.

 

Nesta terça (30), Meirelles volta a acompanhar o “minuto a minuto” da crise a partir de Brasília. Ele participa, na Capital, de reunião do Conselho Monetário Nacional.

 

Nos EUA, a Casa Branca tenta levar a voto na Câmara, até a próxima quinta (2), uma nova versão do superpacote anticrise.

 

O eventual insucesso da empreitada pode reduzir a pó um documento divulgado nesta segunda (29) pelo Banco Central brasileiro.

 

Chama-se “Relatório de Inflação”. A íntegra está disponível aqui. O documento contém estimativas econômicas feitas a partir de um cenário anterior a 12 de setembro.

 

Já envelhecidas, portanto, visto que não consideram a atmosfera de borrasca irradiada desde os EUA depois dessa data.

 

Num dia em que o dólar bateu em R$ 1,96, o BC manteve em R$ 1,80, por exemplo, a projeção da taxa de câmbio.

 

Estimou que a inflação de 2008 será de 6,1%, ligeiramente menor do que a taxa que previra em seu relatório anterior, divulgado em junho: 6,2%.

 

O BC passou a trabalhar com uma taxa de juros de 13,75% para o ano de 2008. Antes, previra 12,25%.

 

Para 2009, o BC manteve a previsão de que, no primeiro trimestre do ano, a inflação acumulada em 12 meses será de 5,7%. No final do ano, estaria em 4,8%.

 

Mau sinal para aqueles que esperam uma meia-volta na tática do BC de combater o veneno da inflação com outro veneno: a subida dos juros.

 

Meirelles e sua equipe vêm repetindo à saciedade que desejam trazer a inflação para o centro da meta (4,5%), já em 2009. Algo que só será obtido com mais juros. A conferir na próxima reunião do Copom, daqui a um mês.

 

De resto, o relatório do BC reviu para cima a previsão de crescimento do PIB em 2008. Em junho, trabalhava com a perspectiva de crescimento da economia de 4,8%. Agora, crava 5%.

 

E quanto ao PIB de 2009? Para não perder a “serenidade”, melhor não arriscar. Num cenário em que já há gente no mercado prevendo taxas inferiores a 3%, qualquer previsão soaria como exercício de quiromancia.

 

PS.: A abertura dos mercados asiáticos, na madrugada desta terça (30), deu seqüência ao naufrágio da véspera. As bolsas de olhinho puxado submergiram

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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As manchetes desta terça

 

- Globo: O pior dia na história das bolsas

 

- Folha: Congresso dos EUA rejeita pacote de US$ 700 bi; Bolsas despencam

 

- Estadão: Congresso dos EUA veta pacote e mercados entram em pânico

 

- JB: Após colapso, EUA correm atrás de Plano B

 

- Correio: O homem que derreteu o mundo

 

- Valor: Sobra aos EUA opção de cortar juro

 

- Gazeta Mercantil: Plano Paulson é rejeitado e mercados entram em colapso

 

- Estado de Minas: Impasse nos EUA apavora o mercado

 

- Jornal do Commercio: Economia em pânico

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Bushada!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Juiz abre processo contra Lacerda, Pimentel e Aécio

Por ordem do juiz-diretor do Foro Eleitoral de Belo Horizonte, Roberto de Freitas Messano, expediram-se nesta segunda-feira (29) quatro notificações.

 

Foram endereçadas ao candidato a prefeito Márcio Lacerda (PSB); ao vide dele, Roberto de Carvalho (PT); e aos dois esteios políticos da dupla: o governador tucano Aécio Neves e prefeito petista Fernando Pimentel.

 

O juiz informou aos quatro que foi aberto contra eles na Justiça Eleitoral um processo para apurar a prática de suposto abuso de poder, de autoridade e de poder econômico nas eleições municipais.

 

São infrações previstas na Lei Eleitoral. Os acusados terão cinco dias para apresentar as respectivas defesas.

 

Deve-se o pedido de investigação ao Ministério Público Eleitoral mineiro. A denúncia traz assinatura de quatro promotores.

 

São eles: Lílian Marotta, Aléssio Guimarães, Sérgio Eduardo Barbosa de Campos e Magali Albanesi Amaral.

 

De acordo com notícia veiculada no sítio do TRE de Minas Gerais, o juiz Roberto Messano atendeu apenas parcialmente ao pedido dos promotores.

 

Concordou que há na peça acustória elementos que justificam a abertura do processo. Mas negou-se a conceder uma liminar pedida pelo Ministério Público.

 

Os promotores queriam que, até o julgamento final do processo, a propaganda eleitoral de Márcio Lacerda, apontado nas pesquisas como favorito, fosse retirada do ar.

 

Ao justificar o indeferimento da liminar, o juiz anotou: “...se ao final chegar-se à conclusão de que não assiste razão ao órgão ministerial, já se terá causado prejuízo irreparável aos candidatos a prefeito e a vice...”

 

“...Até porque também se, ao final, procedente for a pretensão do MPE haverá a declaração de inelegibilidade dos representados, além da cassação do registro dos candidatos diretamente beneficiados pela interferência do poder econômico e pelo desvio ou abuso do poder de autoridade”.

 

O texto levado à rede pelo TRE não traz detalhes do processo. Não se sabe, por ora, que abusos teriam cometido o candidato Lacerda, o vice Roberto e os padrinhos Aécio e Pimentel.

 

Sabe-se apenas que, na Justiça Eleitoral brasileira, numa escala de zero a dez, a chance de um processo como esse resultar em condenação situa-se em algum lugar na faixa abaixo de zero.

 

Por coisa mais palpável, o DEM levou até o TSE um pedido de cassação do registro da candidatura de Eduardo Paes, que disputa a prefeitura do Rio pelo PMDB.

 

Nesta segunda (29), os ministros do TSE decidiram, por unanimidade, mandar ao arquivo a ação contra Paes.

Escrito por Josias de Souza às 23h58

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Ibope: popularidade de Lula bate em notáveis 80%

  Ricardo Nogueira
A bolsa cai, o salário no fim do mês diminui, as árvores tombam, a terra treme.

 

Só a popularidade de Lula parece imune a abalos no Brasil dos dias que correm.

 

Nas pegadas do Datafolha e do Sensus, chega agora a pesquisa do Ibope.

 

A avaliação positiva do presidente subiu de 72%, em junho, para 80%, em setembro.

 

Repetindo: oito em cada dez brasileiros estão felizes da vida com o desempenho de Lula.

 

Avaliam-no melhor do que o governo dele, considerado ótimo ou bom por 69%.

 

No Nordeste, Lula é aprovado por 92% dos entrevistados. No centro-oeste, onde a aprocação é menor, o índice estaciona em impressionantes 74%.

 

Não é à toa que a oposição no Brasil anda sumida. Foi vista pela última vez num desses municípios dos fundões do Brasil.

 

Vive do dinheirinho que recebe do Bolsa Família. Dedica-se a apartar brigas de vizinhos e ao jogo de damas.

 

O papel de oposição no Brasil, hoje, é exercido por George Bush e pelos congressistas dos EUA.

 

Suspeita-se, em Brasília, que a Casa Branca e o Congresso dos EUA armaram um complô para desacreditar a política econômica do Brasil.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Em SP, empresários apostam na vitória de Kassab

Realizou-se nesta segunda (29), em São Paulo, um encontro de 302 presidentes de empresas nacionais e multinacionais com negócios no Brasil.

 

Foi um almoço-debate, no hotel Renaissance. Coisa promovida pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais).

 

A certa altura, os organizadores do repasto fizaram uma sondagem eleitoral. Perguntou-se aos presentes em quem vão votar na eleição para prefeito de São Paulo.

 

Eis a intenção de voto da fina flor do PIB nacional:

 

1. 48% disseram que vai votar no tucano Geraldo Alckmin;

 

2. 45% afirmaram que optarão pelo candidato ‘demo’ Gilberto Kassab;

 

3. Escassos 4% declararam preferir a petista Marta Suplicy.

 

Perguntou-se também ao grupo de 302 empresários quem eles acham que vai sair vencedor nas eleições municipais paulistas.

 

A grossa maioria (61%) disse acreditar que a disputa será vencida por Kassab. Outros 21% apostaram em Alckmin. E apenas 16% jogaram suas fichas no triunfo de Marta.

 

Coube ao professor Fernando Meirelles, da Fundação Getúlio Vargas, a compliação e a divulgação dos dados da pesquisa.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

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No Brasil, o governo responde à crise com otimismo

  Marcello Casal/ABr
A despeito dos tremores que se seguiram à rejeição do pacote redentor na Câmara dos EUA, o governo brasileiro mantém o otimismo.

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) chega mesmo a dizer que o megapacote de US$ 700 bilhões vai acabar sendo aprovado pelos congressistas americanos.

 

"Eu acredito que o Congresso americano ainda vai aprovar esse pacote de socorro e, tão logo isso aconteça, nós teremos uma distensão da situação internacional...”

 

“...Nós vamos ter uma recomposição do crédito, em bases inferiores a anteriormente, porém, não vai haver o estresse que nós estamos vivendo no dia de hoje."

 

E quanto ao Brasil? A despeito da queda cavalar registrada na Bovespa, Mantega disse que a economia está funcionando normalmente.

 

Repisa o lero-lero de que a economia brasileira está em posição confortável. "Estamos com uma situação fiscal bastante sólida...”

 

“...A inflação está sob controle, dentro do limite superior da meta, então estamos com uma situação favorável para enfrentarmos essa situação internacional maior".

 

Mais: "Embora haja esses problemas que eu mencionei, a economia está funcionando normalmente, o mercado doméstico está bem, as empresas estão sólidas...”

 

“...Os bancos brasileiros estão sólidos e o governo estará pronto para responder aos problemas na medida em que eles se colocarem".

 

Na manhã desta segunda (29), antes do tufão deflagrado pela votação na Câmara dos EUA, Lula reunira-se, no Planalto, com auxiliares da área econômica.

 

Entre eles o próprio Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois, Lula voou para o Rio. Já em solo carioca, o presidente disse:

 

"Os países emergentes, que fizeram tudo certo, não podem agora ser vítimas do cassino que eles fizeram nos EUA..."

 

"...Está na hora do Congresso dos EUA assumir a responsabilidade que lhe cabe. Eles que criaram o rombo e, então, eles é que têm de cobrir o buraco".

 

Ecoando Mantega, Lula se disse tranqüilo: "Sabemos da gravidade da crise mas estamos seguros de que as exportações e importações continuam indo bem...”

 

“...Nossa indústria continua indo bem. Estamos conscientes do que está acontecendo, mas estamos tranqüilos".

 

Na posição que ocupam, Mantega e Lula talvez não tenham outra alternativa senão tentar injetar uma dose de otimismo na cena brasileira.

 

Mas talvez convenha temperar as declarações com uma pitada de realismo. Sob pena de ficar em posição semelhante à do português da anedota.

 

Aquele que, ao entrar para a Aeronáutica, na divisão de pára-quedismo, recebe a primeira aula prática.

 

“Estamos a dois mil metros de altura. Seu equipamento já foi checado. Você vai saltar por aquela porta...”

 

“...Ao puxar a primeira cordinha, o pára-quedas se abrirá. Na improvável hipótese de não abrir, puxe a segunda cordinha...”

 

“...Se ainda assim o pára-quedas não abrir, puxe a terceira cordinha. E ele, com certeza se abrirá. Haverá um jipe à sua espera lá embaixo”.

 

O sujeito salta. Puxa a primeira cordinha. E nada. Puxa a segunda. Nada. A teceira. E o pára-quedas não se abre. Só então bate uma preocupação no pára-quedista noviço:

 

“Ai, Jesus! Agora só falta o jipe não estar lá embaixo!”

Escrito por Josias de Souza às 18h18

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Partos em adolescentes caíram 26,7% em dez anos

Boa notícia: no período de 1997 a 2007, o número de partos realizados pelo SUS em adolescentes (10 a 19 anos) caiu 26,7%.

Em 1997, os partos feitos em mulheres dessa faixa etária somaram 720.338. No ano passado, já haviam caído para 527.341.

 

No primeiro semestre de 2008, os partos em adolescentes financiados pelo SUS atingiram a marca de 275.892.

 

Por que as estatísticas melhoraram? Thereza de Lamare, coordenadora da área técnica que cuida de adolescentes e jovens no Ministério da Saúde, atribui o fenômeno a um conjuunto de fatores:

 

1. Acesso aos métodos contraceptivos;

 

2. Aumento da cobertura do Programa Saúde da Família, que leva informações relacionadas à vida sexual e saúde reprodutiva a comunidades às capitais e ao interior;

 

3. Ações preventivas e de orientação sexual adotadas nas escolas públicas;

 

4. Aumento na capacitação de equipes de saúde para lidar com a saúde sexual e reprodutiva de jovens e de adolescentes;

 

Deu-se na região Sul a maior redução no número de partos em jovens e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos.

 

Nesse pedaço do mapa do Brasil, ocorrem 90.759 partos em 1997, contra 58.448 realizados em 2007. Queda de 35,6%.

 

Vêm a seguir as regiões Centro-Oeste (34,1%), Sudeste (32,4%), Nordeste (22,6%). Na região Norte, a redução foi pequena, quase imperceptível: 6,7%.

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Deputados rejeitam o ‘superpacote’ da Casa Branca

Richard Drew/AP
 

Operadores de Wall Street grudaram na face um semblante de incredulidade

 

Depois de viver um final de semana de “vai ou racha”, o Congresso dos EUA informou o seguinte a George Bush e ao resto do mundo: agora vai ter que ir mesmo rachado.

 

Deu-se o que ninguém esperava: os deputados americanos rejeitaram o pacotaço de US$ 700 bilhões concebido para salvar a economia americana do caos.

 

O plano de Bush, já remendado no Congresso, recebeu 228 votos contra e 205 a favor. O pedaço da Câmara que disse “não” está dividido assim: dois terços de republicanos e 40% de democratas.

 

Um frêmito de pânico varre o mundo financeiro. No Brasil, houve repercussão instantânea:

 

A Bolsa de São Paulo despencou 10,5%. Depois, foi ao subsolo: queda de 12%. No final do pregão, voltou ao rés do chão, fechando com queda de 9,36%.

 

Coisa ruim assim não se via há nove anos. Vai abaixo um gráfico que retrata o sobe-desce da Bovespa nessa segunda-feira de infortúnio histórico.

 

 

Na quinta-feira (25) da semana passada, em discurso transmitido pela TV, George Bush pintara um quadro apocalíptico:

 

"Sem ação imediata do Congresso, os EUA podem afundar em um pânico profundo...”

 

"...Esse esforço de resgate não se destina a preservar alguma empresa ou setor em particular. Ele pretende preservar a economia como um todo.”

 

Ou seja: vem aí a fase do “pânico profundo”. A propósito, o índice Dow Jones, que mede o desempenho de Wall Street, armagou a maior queda de sua história.

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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Até ACM Neto já usa Lula como ‘garoto propaganda’

  Antônio Cruz/ABr
A frase é de Magalhães Pinto, uma raposa mineira de outrora: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.”

 

Na eleição municipal de Salvador, há uma nuvem demasiado irrequieta: ACM Neto. Difícil acompanhar-lhe a movimentação sem um quê de espanto, de estupefação.

 

Depois de gastar duas semanas num zigue-zague retórico para desculpar-se da promessa de dar “uma surra” em Lula, ACM Neto deu uma pirueta no céu de Salvador.

 

Nesta segunda (29), a coordenação da campanha do neto de ACM levou ao ar, na televisão, uma publicidade estrelada por ninguém menos que Lula.

 

A peça dura algo como 15 segundos. Exibe um discurso no qual o presidente afirma que prefeitos, ainda que de oposição, não serão discriminados por Brasília.

"O que importa é a qualidade do projeto que vocês apresentarem", diz o Lula que o DEM adotou como garoto propaganda.

Na seqüência, irrompe no vídeo uma legenda, realçada pela voz do locutor: "Ou seja, vote no candidato com as melhores propostas".

Dias atrás, num comício em São Paulo, Lula chamara o DEM de “oportunista”. Rodrigo Maia (RJ), presidente da tribo ‘demo’, exigira respeito.

ACM Neto mostra que em política tudo é permitido, inclusive enaltecer aqueles que faltam com o respeito.

Escrito por Josias de Souza às 16h14

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Pacote deixa EUA ‘dependentes’ do capital externo

Alan E. Cober
 

 

O sucesso do superpacote de socorro a Wall Street não depende apenas do Congresso americano e do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.

 

Depende também dos bancos centrais da China e do Oriente Médio, além de investidores externos.

 

Por que? Como informa o repórter Bob Davis, do ‘The Wall Street Journal’, “os EUA estão se voltando para outros governos e investidores estrangeiros.”

 

Washington busca “compradores para uma boa fatia dos até US$ 700 bilhões em dívida do Tesouro que seria vendida para financiar a operação de salvamento.”

 

Os EUA vivem um momento singular de sua história financeira. Durante meio século, o país defendera um sistema financeiro global, sem fronteiras geográficas para o dinheiro.

 

Porém, previa-se que financeiras e bancos americanos atuariam como salva-vidas das finanças do mundo. Dá-se agora exatamente o oposto.

 

Com suas casas bancárias indo à breca, com água acima da linha do nariz, são os EUA que necessitam de socorro externo.

 

“Uma das principais razões que levaram o Fed e o Tesouro a intervir para salvar as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac”, informa o ‘Journal’, foi...

 

...A necessidade de “tranquilizar a China, dona de cerca de US$ 1 trilhão em papéis de dívida americana, quanto à segurança desses títulos”.

 

Há dez anos, os EUA coordenaram uma operação financeira de socorro a países adiáticos.

 

Hoje, às voltas com as mazelas que marcam o ocaso da gestão George Bush, o país flerta com o risco de se tornar o maior devedor de alto risco do mundo.

 

É uma reviravolta sem precedentes.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 03h10

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As manchetes desta segunda

- Folha: EUA votam megapacote após acordo

- Globo: Congresso anuncia acordo e vota pacote hoje nos EUA

- Estadão: EUA fecham pacote anticrise

- JB: Pressão acelera acordo nos EUA

- Valor: Pacote americano prevê reembolso das perdas

- Gazeta Mercantil: Fechado acordo de socorro dos EUA e crise se alastra na Europa

- Correio: As vítimas da crise no Brasil

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

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Retrato de uma família que socializa!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Serra diz que só vai entrar na briga de SP no 2º turno

  José Cruz/ABr
Em conversa com um grão-duque do tucanato envolvido na campanha de Geraldo Alckmin o governador José Serra reforçou um aviso que já parecia claro:

 

Não dará as caras na campanha municipal paulistana nos poucos, pouquíssimos dias que restam para o fim do primeiro turno.

 

O pedaço do tucanato que ainda mantinha o cavalo na chuva, à espera do “companheiro” de partido, foi aconselhado a recolher o animal ao estábulo.

 

Serra também disse, contudo, que mergulhará de cabeça na campanha ao longo do segundo turno.

 

Os meios-fios da cidade já sabem, até eles, por quem torce o governador.

 

Mas Serra disse que arregaçará as mangas mesmo que o escolhido do eleitorado para medir forças com a petista Marta Suplicy seja Alckmin e não o ‘demo’ Gilberto Kassab.

 

Exceto por uma gravação anódina levada ao ar no início da propaganda televisiva de Alckmin, Serra não moveu uma palha fina pelo candidato de seu partido.

 

Ao contrário. O governador desmentiu Alckmin, em nota, quando ele insinuou que Kassab virara vice de sua chapa, na eleição municipal de 2004, por imposição do DEM.

 

O desmentido de Serra soou como declaração de voto: "Gilberto Kassab foi um vice-prefeito leal e solidário, e à frente da prefeitura seguiu à risca nosso programa de governo."

 

Ao justificar-se, na conversa com o grão-tucano que o procurou, Serra disse que Alckmin como que o forçou a soltar a nota.

 

Curiosamente, o alheamento de Serra não se verifica em outras praças. Ao longo do primeiro turno, o governador gravou cerca de 200 declarações de apoio para candidatos tucanos espalhados pelo Brasil.

 

Em São Paulo, enquanto Serra preserva os próprios calcanhares, a troca de caneladas entre Alckmin e Kassab foi uma das principais atrações de debate realizado na noite passada pela TV Record.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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OMS diz a Temporão que vai rever dados da malária

  Marcello Casal/ABr
O ministro José Gomes Temporão (Saúde) encontrou-se neste domingo (28) com a diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margareth Chan.

 

Ouviu dela o compromisso de corrigir os dados de um relatório que incluiu o Brasil no rol dos 30 países com maior incidência de malária no mundo.

 

O encontro de Temporão com Margareth ocorreu em Washington. O ministro repisou ao vivo críticas que seu ministério fizera, por meio de nota, na semana passada.

 

Temporão não se conforma com o teor do estudo da OMS, divulgado em 18 de setembro. A entidade estimou em 1,4 milhão os casos de malária no Brasil em 2006.

 

Pelas contas do governo brasileiro, houve 549.184 casos notificados de malária, não 1,4 milhão. Mais: em vez de aumentar, a malária estaria em declínio no Brasil.

 

Segundo Temporão, a diretora-geral da OMS reconheceu a existência de distorções no estudo. E prometeu revisar os dados.

 

A revisão, segundo o relato do ministro, será feita em conjunto com a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e com o próprio ministério.

 

Temporão foi a Washington para participar 48ª reunião do Conselho Diretor da OPAS. Nesta segunda (28), o ministro assume a presidência do conselho.

 

Em almoço realizado neste domingo, representantes da OPAS informaram a Temporão que os equívocos do relatório da OMS não se restringem ao Brasil.

 

Uma revisão feita por técnicos da OPAS constatou a contabilização superestimada de casos de malária em todos os países das Américas.

 

Exageros gritantes: entre 200% e 400% além dos números reais. Daí a decisão da OMS de corrigir o estudo que veio à luz na semana passada.

 

No caso brasileiro, a OMS teria desconsiderado informações providas pela rede de 3.290 laboratórios e 41.046 aentes que controlam a malária nos 807 municípios da Amazônia Legal.

 

É nessa região que se concentram 99,7% das notificações de malária no Brasil. De acordo com o ministério da Saúde, em sua versão mais grave –a P.falciparum—, a malária teria declinado 46,2% no primeiro semestre de 2008.

 

Na forma mais branda da doença a redução de casos nos primeiros seis meses de 2008 teria sido de 35,2% na comparação com o mesmo período de 2007.

 

Resta agora aguardar pela revisão prometida pela OMS, para tirar a prova dos nove.

Escrito por Josias de Souza às 21h06

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Obama abre dianteira de oito pontos sobre McCain

  Chris Carlson/AP
Sondagem divulgada neste domingo (28) pelo instituto Gallup informa que Barack Obama ampliou a vantagem que o separa do rival John McCain.

 

Segundo o instituto, Obama dispõe agora de 50% das intenções de voto, contra 42% atribuídos a McCain. Uma dianteira de oito pontos percentuais.

 

Os resultados emergem de pesquisa telefônica feita pelo Gallup. Chama-se “tracking”. O instituto ouve diriamente algo como mil eleitores. E consolida os resultados a cada três dias.

 

Esta última consolidação, que tem margem de erro de dois pontos (para mais ou para menos), inclui a opinião de 2.719 eleitores ouvidos entre quinta-feira (25) e sábado (27).  

 

Um período em que os americanos foram submetidos a dois fatos relevantes na formação da tendência de voto:

 

1. A negociação do pacote de socorro a Wall Street, que despeja US$ 700 bilhões do contribuinte americano em papéis podres de instituições financeiras;

 

2. O primeiro debate televisivo entre os dois candidatos, realizado na noite de sexta (26).

 

Há quatro dias, o “tracking” do Gallup registrava um empate entre Obama e McCain. Ambos apareciam na sondagem com 46% dos votos.

 

Desde então, McCain recuou quatro pontos percentuais. E Obama oscilou quatro pontos para o alto.

 

Aos pouquinhos, o democrata Obama vai incorporando ao seu cesto de votos os efeitos de uma crise associada à gestão George Bush, um presidente republicano como McCain.

 

O Gallup prevê que o eleitor será submetido, nas próximas semanas, a outros fatos que têm potencial para bulir com as intenções de voto.

 

Menciona, por exemplo, a decisão final do Congresso sobre o pacote de socorro ao mercado financeiro e a realização de mais três debates –mais dois presidenciais e um entre os candidatos a vice.

Escrito por Josias de Souza às 18h27

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Após maratona negociadora, sai pré-acordo nos EUA

Lauren Victoria Burke/AP
 

 

O anúncio foi feito às 12h30 deste domingo (horário de Washington). Depois de uma maratona de reuniões, chegou-se a um entendimento em torno do superpacote.

 

Vieram à boca do palco congressitas republicanos e democratas –entre eles a mandachuva Nancy Pelosi. Pelo governo, compôs a foto o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson.

 

Introduziram-se modificações na proposta da Casa Branca: limites à remuneração de executivos de companhias falidas, liberação do socorro em parcelas e sob supervisão, auxílio a mutuários encrencados, etc.

 

Manteve-se, porém, o coração da picanha: R$ 700 bilhões em verbas públicas para a aquisição de papéis podres. A maior intervenção financeira da história do Estado norte-americano.

 

Há detalhes por acertar. A coisa precisa ganhar agora a forma de um projeto de lei. Na seqüência, terá de ser votada nas duas casas legislativas.

 

Neste ponto, Washington produziu versões desencontradas. Inicialmente, assegurou-se que a votação ocorreria até esta segunda (29). Depois, começou-se a dizer que, no Senado, o pacotaço não passa antes de quarta (1).

 

Seja como for, atingiu-se um primeiro objetivo estratégico. O simples anúncio de que o impasse está na bica de ser superado deve acalmar os mercados. A começar do asiático, o primeiro a abrir o balcão de negócios.

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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PT lidera a disputa nas capitais e grandes cidades

Faltam sete dias. Entra-se agora em ritmo de contagem regressiva. Bons presságios para alguns. Maus agouros para outros tantos.

 

A julgar pela correção das pesquisas, o PT chega à beira das urnas muito bem-posto. Como nunca antes na história desse país.

 

Em 79 das cidades mais importantes do país, o partido de Lula lidera ou reúne chances de passar ao segundo turno em 33.

 

É mais do que o PMDB (22 cidades), o PSDB (20), o DEM (12), o PDT (9), o PP (7) e o PSB (6).

 

Deve-se o levantamento ao repórter Fernando Rodrigues. Ele mantém na rede uma página com as pesquisas de opinião disponíveis no país.

 

As 79 cidades que compõem a jóia da coroa municipal incluem as 26 capitais e os 53 municípios onde há mais de 200 mil eleitores.

 

Reúnem 46,8 milhões de eleitores. O equivalente a 36,4% dos brasileiros aptos a votar para prefeito no próximo domingo.

Escrito por Josias de Souza às 15h57

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Crise ameaça investimentos em infra-estrutura no Brasil

 

- Folha: Governo prevê expansão menor em 2009

 

- Estadão: Crise vai impor controle mais rígido do sistema financeiro

 

- JB: Brasil: melhor do que China, Rússia e Índia

 

- Correio: Brasília inchada... ... e desigual

 

- Valor: Crédito de curto prazo para empresas mingua

 

- Gazeta Mercantil: Disputas políticas adiam aprovação de ajuda a bancos

 

- Veja: Depois do desastre...

 

- Época: Exclusivo: As cartas de Machado de Assis

 

- IstoÉ: Médiuns

 

- IstoÉ Dinheiro: Como salvar seu dinheiro

 

- Carta Capital: Ele não salva ninguém

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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Cena de campanha!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Após comício de Lula, piora posição do PT em Natal

Pesquisas indicam que partido pode perder já no 1º turno

 

  Maurício Lima/FP
Em vez de subir, Fátima Bezerra, a candidatado PT à prefeitura de Natal (RN), caiu nas pesquisas depois do comício estrelado por Lula.

 

O presidente esteve em Natal há nove dias. Encontrou uma Fátima Bezerra em ascensão. A distância que a separava da rival Micarla Souza (PV) estreitava-se.

 

O empurrão de Lula produziria, no dizer do petismo local, a ansiada “virada”. Deu-se, porém, o inverso. Fátima caiu em duas pesquisas.

 

E Micarla, apoiada pelo proto-oposicionista José Agripino Maia (DEM), subiu. Retornou a patamares que, se mantidos, podem dar-lhe a vitória no primeiro turno.

 

As pesquisas que constataram o revertério foram veiculadas neste sábado (27). Respondem pelos dados dois institutos locais: Certus e Consult.

 

Eis os dados do Certus: Micarla, com 44,63%, abriu 17,5 pontos percentuais de vantagem sobre Fátima, com 27,13%.

 

Mantidos esses números, a candidata do PV prevaleceria sobre a adversária petista no primeiro turno. O percentual de votos atribuído a ela supera o volume de intenção de votos de todos os outros candidatos somados: 39,27%.

 

Às vésperas do comício de Lula, o mesmo instituto Certus atribuíra a Micarlos 40% dos votos. E a Fátima, 31,14%. Nesse cenário, haveria segundo turno.

 

Agora, os dados do instituto Consult: com 47% das intenções de voto, Micarla aparece 17,92 pontos percentuais à frente de Fátima, com 29.08%.

 

Também aqui, o cenário é de vitória da candidata “verde” no primeiro turno. Considerando-se apenas os votos válidos, ela prevaleceria na eleição com 54%.

 

Lula transformara sua passagem por Natal numa ode à vingança. Desancara Agripino Maia no comício. Lembrara a atuação dele na derrubada da CPMF, no Senado.

 

Disse que viajara a Natal para um “acerto de contas”. Enfatizou que, para obter o escalpo de Agripino, voltaria à cidade tantas vezes quantas fosse preciso.

 

A sete dias da realização do primeiro turno, já não há mais tempo para que o presidente mande tirar o Aerolula do hangar.

 

Resta rezar para que as pesquisas estejam erradas ou para que um milagre produza o segundo turno em Natal. Do contrário, o ervide em Agripino terá de ser adiado para 2010.

 

Se prevalecer na capital potiguar, Micarla não deixará mal apenas Lula. Encontram-se no palanque do PT também o PSB da governadora Vilma Faria e o PMDB do presidente do Senado, Garibaldi Alves.

Escrito por Josias de Souza às 00h25

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Sob Bush, a Casa Branca virou Casa de Mother Joan

Sob Bush, a Casa Branca virou Casa de Mother Joan

El Roto/El Pais
 

 

Faltam 95 dias para George Bush trocar a Casa Branca pelo ostracismo do Texas. Parece pouco. Não para Bush, contudo.

 

O relógio do presidente dos EUA já não tem ponteiros. Tem espadas. Espetam o mundo. E o dono, que se dedica a matar o tempo, à espera do caminhão de mudança.

 

Aguarda-o um verbete acerbo na enciclopédia. Desce aos livros na condição de mandatário maldito. Fará companhia a Herbert Hoover, o presidente da crise de 1929. Republicano como ele, embora mais decente.

 

Quem dá as cartas na Casa Branca não é Bush. É Mother Joan quem segura o baralho. O pseudopresidente imaginou que poderia legar ao sucessor a ruína econômica que cevou. Mãe Joana não deixou.

 

A veneranda senhora levou ao freezer a tese de que o capitalismo pós-muro de Berlim conduziria o mundo ao Éden econômico. À medida que penetra o imponderável, o planeta é tomado pela sensação de que algo diferente precisa ser feito. O quê?

 

Não há ainda uma resposta clara e definitiva. Mas sabe-se que a coisa deve começar por um exame de consciência. Em certa medida, já começou a ser feito nas páginas de "A Crise do Capitalismo", um livro editado no Brasil pela Campus.

 

Escreveu-o o mega-investidor George Soros, visto na década de 90 como uma espécie de terrorista das finanças internacionais. No livro, Soros acusa seu país de praticar o "fundamentalismo de mercado". Anotou:

 

"Como única potência militar remanescente e potência econômica mais poderosa, os EUA estão dispostos a tomar parte de organizações -como a Organização Mundial do Comércio...”

 

Organismos “que abrem mercados e, ao mesmo tempo, oferecem proteção ao capital investido; no entanto, os EUA resistem energicamente a qualquer infração de sua própria soberania em outras esferas...”

 

“...Dispõem-se a interferir nos assuntos internos de outros países, mas não estão prontos a submeter-se às regras que procuram impor aos demais".


Soros prossegue: "Pode parecer chocante, mas creio que a atual postura unilateralista dos EUA constitui uma séria ameaça à paz e à prosperidade mundiais".

 

Para Soros, os EUA poderiam se converter em "poderosa força para o bem". Bastaria que adotassem uma mentalidade "multilateral". Ele prossegue:


"O sistema capitalista global gerou um campo de jogo muito desigual. A distância entre ricos e pobres está aumentando. Isso é um perigo, pois um sistema que não oferece alguma esperança e benefícios aos perdedores corre o risco de ver-se dilacerado por atos de desespero".

À reflexão econômica precisa somar-se um questionamento da mania dos EUA de estender os limites de sua segurança a localidades tão distintas quanto Coréia, Vietnã e Iraque.

 

Se conseguir juntar as duas pontas do problema, a sociedade americana pode não encontrar respostas instantâneas para o seu drama. Mas estará diante de um bom começo.

 

Um começo que o destino sonegou ao major John Paul Stapp. Selecionado pela Força Aérea dos EUA como cobaia de testes para medir a resistência humana a grandes acelerações, Stapp desafiou a velocidade pilotando um trenó com propulsão de foguete.


Em 1949, bateu o recorde de aceleração. Não pôde, porém, festejar o feito. Os acelerômetros do trenó-foguete não funcionaram. Stapp encomendou ao engenheiro que o ajudava, o capitão Edward Murphy Jr., diligências para identificar a falha.

 

Descobriu-se que um técnico ligara os circuitos do veículo ao contrário. No relatório em que informa sobre o malfeito, o capitão Murphy Jr. anotou: "Se há mais de uma forma de fazer um trabalho e uma dessas formas redundará em desastre, então alguém fará o trabalho dessa forma".

 

Depois, em entrevista, o major Stapp batizou de "Lei de Murphy" o diagnóstico do auxiliar. Resumiu-o assim: "Se alguma coisa pode dar errado, dará".

 

Coube a Mãe Joana ligar os circuitos da gestão Bush ao contrário. Produziram-se desastres em velocidade de fazer inveja a Stapp.

 

A era Bush começou em fraude. Tendo perdido nas urnas por uma diferença de mais de 500 mil votos, foi à Casa Branca escorado numa decisão controversa da Suprema Corte.

 

Ao logro seguiu-se a ruína. Noves fora as indagações ainda pendentes de resposta, bóia na atmosfera caótica uma sólida certeza: George Bush vai à galeria de ex-presidentes como um dos retratos mais funestos que a Casa Branca já produziu.

 

Graças a Mother Joan, a Lei de Murphy foi levada às fronteiras do paroxismo. Se alguma coisa podia dar errado nos EUA, sob Bush, nada deu certo.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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Em Salvador, o Datafolha detecta um empate triplo

Dá-se em Salvador uma disputa no estilo três mosqueteiros às avessas: um contra todos, todos contra um.

 

O “um” da equação é ACM Neto (DEM), herdeiro político de ACM avô. Sob o “todos”, estão João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT).

 

João e Walter representam forças que tentam empurrar o “carlismo” definitivamente para as páginas dos livros de história.

 

O peemedebista vai às urnas com o apoio do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), velho adversário de ACM, o avô, na política baiana.

 

O petista tenta terminar um trabalho iniciado por Jaques Wagner (PT) ao prevalecer sobre Paulo Souto (DEM), o candidato de ACM, na eleição estadual de 2006.

 

De acordo com o Datafolha, há em Salvador um tríplice empate: ACM Neto (25%), João Henrique (23%) e Walter Pinheiro (21%) roçam cotovelos no topo da pesquisa.

 

Pode-se dizer, com alguma dose de certeza, que haverá segundo turno na capital baiana. Mas é impossível asseverar quem vai disputá-lo.

Escrito por Josias de Souza às 18h23

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Petismo flerta com o ‘impensável’ em Porto Alegre

  Fábio Pozzebom/ABr
O PT entrou na disputa pela prefeitura de Porto Alegre às voltas com um cenário idílico.

 

De um lado, a governadora tucana Yeda Crusius, mais preocupada em defender-se das denúncias que a assediam do que em se meter na briga municipal.

 

De outro lado, um Lula hiperpopular, no jeito para ser levado à propaganda eleitoral como evidência de que o PT no poder é meio caminho para a felicidade.

 

No meio, um prefeito querendo se reeleger: José Fogaça (PMDB). Não é galinha morta, como se diz. Mas tampouco tem cara de Beto Richa, o tucano que disputa em Curitiba com índices superiores a 70%.

 

Pois bem, o PT foi de Maria do Rosário. Cara meio fechada, mas bonita. Deputada federal. Atuante. Dona de produção legislativa acima da média.

 

Tudo parecia conspirar a favor do retorno do petismo à prefeitura da capital gaúcha. Uma cidade que o PT dominou por quatro gestões consecutivas, até 2004.

 

Súbito, surgiu diante do partido de Lula algo que Drummond chamaria de uma “pedra no caminho”. Pedra jovem, bonita, de verbo fácil.

 

Manuela D'ávila, eis o nome da pedra. Disputa a prefeitura pelo PC do B. Empatada com Maria do Rosário no segundo lugar, ameaça deixar o PT fora do round final da disputa.

 

PT fora do segundo turno em Porto Alegre é algo que não se vê faz 20 anos. O simples flerte com o impensável deixa de cabelos hirtos os grão-duques do petismo local.

 

Entre eles o ministro Tarso Genro (Justiça), que rumina o projeto de candidatar-se ao governo gaúcho caso não encontre brechas para encaixar os seus planos presidenciais.

 

Neste sábado, o Datafolha pôs na rua uma nova pesquisa. José Fogaça lidera, com 35%. Maria do Rosário oscilou um ponto para cima. Foi de 18% para 19%.

 

E a pedra Manuela (na foto) continua ali, nas cercanias do segundo turno, com ameaçadores 18%.

 

Para desassossego do PT, a variável Lula parece surtir, entre os gaúchos, efeito mais brando do que o verificado em cidades nordestinas.

 

Para complicar, Manuela impediu que o PT monopolizasse a imagem do presidente. Associou-se, também ela, a Lula.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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No Rio, Gabeira sobe e embola disputa por 2º lugar

Chama-se Fernando Gabeira o personagem da semana na cena eleitoral do Rio. Tomou o elevador.

 

Segundo o Datafolha, Gabeira (15%) ultrapassou Jandira Feghali (13%). E vai ao encalço de Marcelo Crivella (18%).

 

A margem de erro da pesquisa é de três pontos pecentuais, para cima ou para baixo.

 

Significa dizer que, na prática, Gabeira, Jandira e Crivella têm chances de passar ao segundon round.

 

O que diferencia Gabeira dos rivais, nesse estágio da disputa, é o fato de que ele se encontra na ascendente. Crivela cai e Jandira estacionou.

 

Lá no alto, sobranceiro, à espera de oponente, está o ex-‘demo’, ex-tucano e agora peemedebista Eduardo Paes.

 

O líder subiu mais dois pontos em uma semana. Foi de 27% para 29%. Se o TSE não atrapalhar, está com dois pés no segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 16h46

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Kassab abre vantagem sobre Alckmin em pesquisas

De acordo com o Datafolha, dianteira é de quatro pontos

Segundo o Ibope, diferença é  ainda maior:  cinco pontos

 

  Luiz Guadagnolise/Secom
Gilberto Kassab (DEM) obteve um novo trunfo na briga que trava com Geraldo Alckmin (PSDB) por uma vaga no segundo turno da eleição paulista.

 

Em duas pesquisas divulgadas neste sábado –Datafolha e Ibope—Kassab já aparece à frente de Alckmin.

 

Nas duas sondagens o candidato tucano amealhou 20% das intenções de voto. O rival ‘demo’ surge com 25% no Ibope e com 24% no Datafolha.

 

À espera do adversário com quem vai dividir o ringue no segundo turno, Marta Suplicy (PT) obteve 35% no Ibope e 37% no Datafolha.

 

A rigor, Kassab e Alckmin estão numa situação que os estatísticos chamam de “empate técnico.”

 

A margem de erro das duas pesquisas é de três pontos percentuais –para mais ou para menos.

 

Considerando-se o levantamento do Ibope, em que aparece mais bem-posto, Kassab pode estar próximo do teto da margem de erro (28%). Mas também pode roçar o piso (22%).

 

Quanto a Alckmin, dispõe de um cesto de votos recheado com alguma coisa entre 17% e 23% da preferência dos eleitores.

 

Seja como for, é a primeira vez que Kassab abre vantagem sobre o rival tucano. Nas pesquisas anteriores aparecera ora abaixo ora empatado com percentual idêntico.

 

O Datafolha traz, de resto, uma péssima notícia para Marta: fechou o tempo para a candidata petista no segundo turno.

 

Seja qual for o rival, esboça-se uma briga encardida. Hoje, tanto Alckmin quanto Kassab estão tecnicamente empatados com Marta. À frente dela em termos numéricos, contudo.

 

Alckmin está três pontos à frente de Marta: 48% a 45%. Kassab, apenas um: 47% a 46%.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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74% dos americanos acham que Congresso deve agir

74% dos americanos acham que Congresso deve agir

Mas 54% cobram alterações no ‘pacotaço’ da  Casa Branca

Querem, por exemplo, socorro a devedores da casa própria

4 em cada 10 dizem que esta é a  pior crise  que já viveram

 

Stock Images

 

A maioria esmagadora dos americanos (74%) acha que a economia dos EUA vai piorar nos próximos anos se o Congresso não aprovar nenhuma medida para combater a crise que se abateu sobre o mercado financeiro.

 

No entanto, mais da metade da sociedade americana (54%) deseja que os congressistas aprovem um plano diferente do que foi proposto pela administração George Bush.

 

Os dados constam de uma pesquisa feita em parceria do jornal USA Today com o instituto Gallup. O resultado da sondagem foi divulgado nesta sexta (26).

 

As entrevistas foram feitas na noite de quarta-feira (24). Um dia antes da reunião covocada pela Casa Branca, para discutir a crise.

 

Um encontro que acomodou em torno da mesa Bush e as principais lideranças do Congresso. Entre elas os senadores-candidatos John McCain e Barack Obama.

 

A pesquisa ajuda a entender a hesitação dos congressistar em referendar, tal como proposto por Bush, o supercote que destina US$ 700 bilhões do contribuinte ao socorro de instituições financeiras falidas.

 

Perscrutou-se a opinião dos americanos acerca de duas alterações que os congressistas cogitam injetar no pacote da Casa Branca.

 

1. 63% dos entrevistados consideram muito importante incluir no pacote limites à remuneração de executivos de instituições financeiras socorridas pelo governo.

 

Outros 18% acham que a poda nos vencimentos dos executivos tem alguma importância. Percentual menor de americanos acha que o tema tem pouca importância (9%) ou é irrelevante (7%).

 

2. 49% dos americanos atribuem muita importância à inclusão no plano do governo de medidas que socorram os patrícios às voltas com dificuldades para pagar as prestações da casa própria.

 

Para 31% dos entrevistados, o auxílio aos mutuários encalacrados tem alguma importância. Uma minoria acha que o tema tem pouca importância (10%) ou é irrelevante (9%).

 

A pesquisa revela ainda que o americano está ciente da gravidade da encrenca. Quatro em cada dez americanos (40% dos entrevistados) consideram que esta é a maior crise financeira que já viram na vida.

 

Outros 22% enxergam a crise à sua volta, embora não a considerem como a mais grave que já testemunharam.

 

De resto, a sondagem demonstra que os americanos acompanham com vivo interesse o noticiário sobre a crise.

 

Apenas 7% disseram não ter nenhum interesse pelas notícias. Os demais seguem as novidades muito de perto (43%), de perto (37%) ou à distância (13%).

 

Não é à toa, como se vê, que os congressistas e os candidatos à sucessao dos EUA mantêm um olho no pacote de Bush e outro na reação das ruas.

Escrito por Josias de Souza às 03h35

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Empresas brasileiras têm perdas recordes na bolsa

 

- Estadão: Kassab abre 5 pontos sobre Alckmin

 

- JB: Caem os casos de bala perdida no Rio

 

- Correio: Tiros em frente a escolas atingem duas estudantes

 

- Valor: Crédito de curto prazo para empresas mingua

 

- Gazeta Mercantil: Disputas políticas adiam aprovação de ajuda a bancos

 

- Jornal do Commercio: Governo endurece com greve da saúde

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Planador!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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McCain e Obama revelam-se menores do que a crise

Larry W. Smith/EFE
 

Terminado o espetáculo do primeiro debate entre John McCain e Barack Obama, restou a impressão de que a crise é maior do que a capacidade de ambos de lidar com ela.

Em tese, seria só mais um problema para a sociedade americana resolver. Mas, na prática, é bem mais do que isso.

 

Como ensina George Bush, a incapacidade pessoal, quando hospedada na Casa Branca, torna-se uma dor de cabeça de dimensões planetárias.

 

Sob a mediação do jornalista Jim Lehrer, os candidatos foram convidados a discorrer sobre a crise que incendeia os mercados logo no início da contenda.

 

Num instante em que o governo prepara-se para enterrar US$ 700 bilhões do contribuinte num buraco privado, McCain e Obama se entregaram ao debate de miudezas.

 

McCain acenou com o corte de gastos públicos. Chegou mesmo a mencionar um tipo de despesa chamada por lá de "earmarks."

 

São gastos injetados por congressistas no Orçamento preparado pelo Executivo. Coisa de US$ 18 bilhões por ano. “Peanuts”, diria um americano. Café pequeno, dizemos nós.

 

Obama desperdiçou um naco do tempo que lhe coube para informar que combaterá a crise podando os impostos pagos por americanos que ganham até US$ 250 mil anuais –95% da população. Mais “peanuts”.

 

Nenhuma palavra sobre a incúria de um mercado financeiro sem rédeas. Nada sobre o peso dos EUA na economia global. Nem sinal de um esboço de redesenho do sistema apodrecido. Coisa nenhuma acerca da ineficiência da fiscalização oficial.

 

A certa altura, o mediador Jim Lehrer tentou trazer os contendores à realidade. Disse que não enxergara na fala de ambos, nada que se parecesse com uma explicação objetiva acerca das mudanças que a crise provocaria em suas respectivas plataformas.

 

E McCain: vou congelar os gastos públicos. Obama redargüiu. Disse que o rival empunhava um machado diante de um problema que exige bisturi. Melhor, disse ele, rever os programas de curto prazo. E ponto.

 

De resto, McCain tratou da crise como se lidasse com uma dinamite lançada sabe-se lá por quem.

 

Obama tentou, num par de intervenções, lembrar ao telespectador que o adversário, cacique da mesma tribo republicana de Bush, ajudou a acender o pavio.

 

Faltou, porém, ênfase à decantada oratória de Obama. Bem-sucedido na tática de se dissociar do desastre, McCain não se deu por achado.

 

Tratou de celebrar o fato de a crise ter aproximado republicanos de democratas na busca conjunta de uma solução.

 

Nesse ponto faltou, de novo, competência retórica a Obama. Esquivou-se de lembrar que os republicanos –McCain à frente— dificultam a costura do entendimento necessário à aprovação do superpacote no Congresso.

 

Tudo considerado, produziu-se um debate sem vencedores. Houve, em contrapartida, dois perdedores. O eleitor e, sobretudo, George Bush.

 

Bush e sua administração apanharam indefesos. McCain portou-se como personagem de uma fábula de Esopo. Aquela sobre os dois peregrinos que deram de cara com um urso na estrada.

Um deles, apavorado, refugiou-se no alto de uma árvore. O outro se jogou no chão, fingindo-se de morto. O urso chegou perto, soprou-lhe algo na orelha e foi embora.

 

O McCain da fábula desce da árvore e pergunta: "O que é que o urso cochichou no seu ouvido?"

 

E Bush: "Ele me aconselhou a não viajar mais com quem abandona os amigos na hora do perigo". Moral: É na dificuldade que se prova a lealdade.

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Previ já perdeu R$ 10 bilhões com a crise dos EUA

A Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) já perdeu cerca de R$ 10 bilhões com a crise iniciada em Wall Street e irradiada para o mundo.

 

Antes do início do terremoto que estremece o mercado, a carteira de renda variável da Previ, lastreada em ações, somava R$ 90 bilhões. Hoje, encontra-se em R$ 80 bilhões.

 

Os números foram revelados por Sérgio Rosa, o presidente da Previ, maior fundo de pensão do país. Deu-se num evento promovido pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio).

 

Por ora, a Previ não esboçou nenhuma aletração no seu plano de investimentos. “Nós achamos que o valor das ações vai voltar” aos patamares de antes da crise, disse Sérgio Rosa.

 

A exemplo de todos os investidores submetidos ao sobe-desce das bolsas de valores, Sérgio Rosa está de olho na negociação que mobiliza a Casa Branca e o Congresso dos EUA.

 

“Se não tiver uma solução para a crise financeira  americana, sem dúvida nenhuma, os impactos vão se agravar, no mundo todo, na decisão de crédito. Mas eu acho que o Brasil tem folga muito grande ainda.”

 

Sérgio Rosa admite o óbvio: no curto prazo, a queda da cotação das ações terá reflexos no balanço da Previ. “Nada que afete o pagamento de benefícios, liquidez”, pondera.

 

A crise afeta “o valor da carteira.” Algo que, acredita Sérgio Rosa, será revertido. “Acreditamos que as empresas em geral –como Petrobras, Vale, Perdigão, Embraer, CPFL, tudo isso—eu acho que vai recuperar o valor no médio prazo.”

Escrito por Josias de Souza às 20h39

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Cias aéreas amargaram perdas de R$ 1,27 bi em 2007

 

A Anac (Agência Nascional de Aviação Civil) divulgou nesta sexta (26) a última edição do seu Anuário do Transporte Aéreo. Refere-se ao ano de 2007.

 

Informa o seguinte: no ano passado, as empresas aéreas que operam no Brasil arrostaram perdas de R$ 1,27 bilhão.

 

Um resultado operacional negativa bem superior ao que fora registrado em 2006, ano em que as perdas somaram R$ 173 milhões.

 

O anuário da ANAC anota dados extraídos de demonstrações financeiras remetidas à Agência por 23 companhias que operam no mercado da aviação civil.

 

“Em 2007, não houve alteração no universo das empresas operadoras do Sistema de Transporte Aéreo Regular”, anota o levantamento da Anac.

 

“Ocorreu apenas a consolidação das operações daquelas que se tornaram concessionárias ao longo de 2006.”

 

“Com o encerramento das operações do Grupo Varig (Varig, Rio Sul e Nordeste), em 2006, houve uma concentração significativa em torno de duas empresas (Gol e TAM).”

 

Houve também, de acordo com a Anac, uma “redução de participação das empresas brasileiras no mercado internacional.”

 

Herdeiras de passageiros da Varig, TAM e Gol comportaram-se de modo distinto. A primeira não escapou ao vermelho. A outra teve em 2007 ganhos inferiores aos de 2006.

 

Vai abaixo o desempenho das duas gigantes em relação aos vôos domésticos:

 

1. TAM: Entre janeiro e dezembro de 2007, registrou uma “receita de vôo” de R$ 4.949.544.183. As “despesas de vôo” somaram R$ 5.246.052.864. Resultado negativo: R$ 296.508.681. Em 2006, a mesma conta resultara em ganhos de R$ 269.825.733;

 

2. Gol: Entre o primeiro e o último mês de 2007, amealhou uma “receita de vôo” de R$ 3.974.801.336. Na coluna de “despesa de vôo”, anotou R$ 3.727.377.563. O resultado do ano foi positivo em R$ 247.423.773. Um ganho muito inferior ao que obtivera em 2006: R$ 580.240.930.

 

Segundo a Anac, o crescimento da oferta de vôos (19,3%) superou em cinco pontos percentuais o aumento da demanda (14,3%).

 

Com isso, o índice de aproveitamento dos serviços oferecidos pelas emprsas aéreas, que fora de 72% em 2006, caiu para 69% no ano passado.

 

São números que ajudam a entender o céu turvo que troveja sobre o desempenho do setor.

 

Pressionando aqui, você chega ao Anuário que a Anac acaba de retirar do forno.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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MST se ‘mobiliza’ pela nacionalização do pré-sal

Steferson Faria/Divulgação
 

 

Até o MST foi hipnotizado pelo pré-sal. A entidade dos sem-terra dedica ao petróleo a última edição de seu boletim informativo, o “Letra Viva.”

 

Começou a circular há dois dias. Sob o título “O Petróleo tem que ser nosso!”, defende a seguinte tese:

 

O “gerenciamento” da exploração do petróleo detectado em águas profundas “deve ser controlado pelo povo e administrado a partir dos interesses nacionais.”

 

Para assegurar que isso ocorra, o MST anuncia sua mais nova bandeira: “O primeiro passo é fazermos grandes mobilizações por um novo marco regulatório para o setor” petrolífero.

 

Num instante em que a Petrobras contabiliza em R$ 600 bilhões o montante de investimentos necessários à exploração das reservas do pré-sal, o MST insurge-se contra o capital privado –o nacional e o estrangeiro.

 

Diz o boletim: “Uma das heranças malditas do governo Fernando Henrique Cardoso, a Lei do Petróleo, aprovada em 1997, aumentou a influência de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, e colocou uma riqueza fundamental sob as regras do mercado internacional, comprometendo a soberania nacional.”

 

Embora Lula tenha constituído um grupo interministerial para sugerir mudanças na legislação e assegure que os lucros petrolíferos terão destinação social,  o MST leva o pé atrás:

 

“Esperamos que as palavras do presidente sobre o pré-sal não virem letra morta, entrando para a coleção de promessas não-cumpridas pelo governo, como a reforma agrária.”

 

Além das “grandes mobilizações”, o MST esboça uma segunda linha de ação:

 

“As forças populares, movimentos sociais, sindicatos, estudantes, associações, organizações não-governamentais e todos os homens e mulheres que defendem os interesses nacionais devem organizar comitês por todo o país...”

 

“...Para discutir o destino do petróleo e das nossas riquezas naturais, cobrando o presidente Lula e fazendo pressão...”

 

Pressão “...contra as grandes empresas e o imperialismo dos Estados Unidos, que não querem mudanças que garantam a soberania nacional e a justiça social no nosso país.”

 

Ou seja, ao guindar o pré-sal à condição de prioridade retórica do governo, Lula ainda não produziu senão marola. A conclusão dos estudos sobre a matéria, prevista para 19 de setembro, foi adiada.

 

Mas o presidente já logrou açular os ânimos dos chamados movimentos sociais, velhos aliados do petismo. Com a bandeira da terra já um tanto esgarçada, o MST enfia sua foice agora num novo Eldorado, situado nas profundezas do oceano.

Escrito por Josias de Souza às 16h13

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Aperte os cintos, o acordo do superpacote ‘micou’

Alan E. Cober
 

 

Depois de anunciar um pré-acordo que parecia acomodar uma luz no fim do túnel em que se enfiou a economia mundial, os líderes do Congresso dos EUA deram meia-volta.

 

George Bush enfiou-se sob os lençóis, nesta quinta-feira (25), com uma atmosfera de pesadelo à sua volta.

 

Reunião que se estendeu pela noite, no Congresso, deixou no ar a incômoda sensação de que as negociações do dia não produziram nem mesmo o túnel. Que dirá luz!

 

Pendurados na expectiva de aprovação do superpacote concebido para dar cabo da crise, os mercados do mundo acordam sobressaltados nesta sexta (26).

 

Para desassossego da Casa Branca e surpresa generalizada, atribui-se o desacerto a uma resistência do Partido Republicano, a legenda de Bush.

 

No final da manhã desta quinta, tudo parecia se encaminhar para o entendimento. Reuniram-se no Congresso lideranças republicanas e democratas.

 

Ao final de um econtro de cerca de duas horas, anunciou-se um pré-acordo. Adicionaram-se mudanças à proposta do governo. A coisa dependia apenas do desfecho de uma outra reunião, na Casa Branca.

 

Encontro histórico. Além de congressistas, sentaram-se à volta da mesa: Bush, o presidente prestes a sair, e os dois candidatos à cadeira dele: McCain e Obama. Disseminou-se uma onda de otimismo que contagiou o Brasil.

 

Súbito, sobreveio o impasse. O que cheirava a acordo virou, depois do encontro presidencial, uma fedentina que alçou o superpacote no alto do telhado.

 

De volta à arena do Congresso, os líderes fizeram nova reunião, noturna. Um encontro que tranformou os diálogos de Bush com seu travesseiro em conversa de doido.

 

O presidente foi dormir sob o barulho das barricadas que seu próprio partido ergueu no Legislativo. Se conseguiu dormir, há de ter acordado com a cabeça inchada.

 

No final da manhã desta sexta –11h30 pelo horário de Washington; 12h30 pelo relógio de Brasília—os grão-duques do Congresso dos EUA realizam nova reunião. Mais uma.

 

Tenta-se superar o impasse, viabilizando  aprovação do socorro a Wall Street antes da abertura dos mercados na segunda-feira.

 

Um dia marcado no calendário com o número que evoca o ano do grande crash: 29. Como se fosse pouco, há um complicador adicional.

 

Nesta sexta, o Congresso americano deveria entrar em recesso. Só retornaria depois de 5 de novembro, dia da eleição presidencial.

 

Para votar o mega-pacote nas duas casas do Legislatvo, deputados e senadores talvez tenham de arregaçar as mangas no final de semana.

 

Enquanto isso, o sistema bancário dos EUA derrete. Foi à breca o Washington Mutual. É a segunda maior casa bancária dos EUA na sua categoria.

 

O estrondo só não foi maior porque um outro banco americano, o JP Morgan, comprou o Washington Mutual. Negócio banhado na bacia das almas. A instituição falida saiu pela bagatela de US$ 1,9 bilhão.

 

Cabe agora uma pergunta: Quem consegue dormir com um barulho desses? Não há pré-sal-de-frutas que atenue as reviravoltas do estômago. 

 

PS.: Ilustração via Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Disputa eleitoral nos EUA dificulta socorro a bancos

 

- Folha: Republicanos travam pacote nos EUA

 

- Estadão: Partido de Bush resiste ao pacote

 

- JB: Congresso esfria a crise dos EUA

 

- Correio: Sexo, drogas & Vergonha

 

- Valor: Crédito de curto prazo para empresas mingua

 

- Gazeta Mercantil: Disputas políticas adiam aprovação de ajuda a bancos

 

- Estado de Minas: A hora da verdade

 

- Jornal do Commercio: Sem Lula, PT faz comício no Recife

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Saída pela esquerda!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Virgílio acusa governador do Amazonas de corrupção

  Folha
Artur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, protocolou no Ministério Público uma representação contra o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB).

 

Acusa-o de corrupção. Entregou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, em Brasília, um dossiê com cerca de 700 páginas.

 

Noves fora o papelório, Virgílio repassou ao procurador-geral um DVD. Contém o depoimento de uma pessoa chamada Renata Barros.

 

Vem a ser ex-mulher do empresário Rosinei Barros, um amigo do governador amazonense. Renata acompanhou Virgílio na reunião com o procurador-geral.

 

No vídeo, Renata diz que o relacionamento do ex-marido ultrapassa as fronteiras da amizade. Rosinei Barros seria “testa-de-ferro” de Eduardo Braga.

 

O empresário seria “sócio” do governador num esquema montado para fraudar licitações públicas no Amazonas.

 

Entre as supostas fraudes mencionadas por Renata há a venda superfaturada de combustíveis a órgãos públicos do Estado.

 

Rosinei, o ex-marido de Renata, seria beneficiado em licitações dirigidas. Depois, venderia combustível ao Estado em valores acima dos praticados pelo mercado.

 

A diferença seria rateada, segundo Renata, entre o empresário e o governador. De resto, a ex-mulher do empresário acusa o Eduardo Braga de um leque de malfeitos que vai de fraudes fiscais à lavagem de dinheiro.

 

Virgílio é adversário político de Eduardo Braga. Deve se confrontar com ele nas urnas de 2010. Ambos serão candidatos ao Senado.

 

O governador acomoda as denúncias encampadas por Virgílio no campo da disputa política. Afirma que as acusações contra ele são "caluniosas." Diz ter condições de demonstrar sua inocência.

 

Virgílio já vinha alvejando o desafeto da tribuna do Senado. Agora, porém, as acusações foram materializadas numa acusação formal.

 

Caberá ao procurador-geral Antonio Fernando decidir o destino a ser dado aos papéis e ao vídeo que compõe a representação formulada pelo tucano.

 

Renata Barros alega que resolveu denunciar os supostos negócios do ex-marido com o governador porque teme por sua segurança e pela integridade física de sua filha.

 

Uma filha de dois anos, que resultou de seu relacionamento com Rosinei. Eduardo Braga, segundo ela, seria padrinho do casamento desfeito e também da menina.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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93% dos projetos de vereadores do Rio são banais

 

 

Entre 2005 e 2008, os 50 vereadores que compõem a Câmara Municipal do Rio apresentaram 2.978 projetos. Aprovaram-se 1.572.

 

Desse total, apenas 209 (7%) trataram de temas com alguma relevâncias para a vida dos cariocas ou para o funcionamento da prefeitura.

 

O resto (93%) compõe um lote de projetos que foram ao arquivo ou, quando aprovados, não tiveram a menor relevância.

 

Na menos que 1.612 projetos formulados por vereadores cariocas propunham coisas tão banais quanto o batismo ou rebatismo de logradouros, fixação de datas comemorativas, homenagens a pessoas ou entidades, etc.

 

Deve-se a análise dos projetos à Tranparência Brasil. A entidade já divulgara estudo semelhante sobre a produção legislativa de São Paulo. Ali, verificou-se que a taxa de irrelevância dos projetos é de 91%.

 

A lista dos projetos que recheiam os arquivos da Câmara de Vereadores do Rio está disponível aqui.

Escrito por Josias de Souza às 23h51

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Bloqueados US$ 46 mi de Daniel Dantas na Inglaterra

  Folha
A pedido do ministério da Justiça, autoridades do Judiciário britânico determinaram o bloqueio de cerca US$ 46 milhões pertencentes a Daniel Dantas.

 

O bloqueio foi confirmado nesta quinta (25) por autoridades judiciárias da Inglaterra. O pedido de retenção do dinheiro fora formulado pelo Ministério Público.

 

Deu-se no âmbito das investigações relacionadas à Operação Satiagraha. O objetivo é evitar que o fundador do Opportunity se desfaça dos recursos antes da conclusão do processo.

 

Um processo em que Daniel Dantas responde, entre outros delitos, pelo crime de evasão de divisas.

 

Coube à Secretaria Nacional de Justiça, órgão vinculado à pasta de Tarso Genro, enviar o pedido à Inglaterra. Valeu-se de um acordo de cooperação judiciciária que o Brasil mantém com aquele país.

 

O objetivo final do Ministério Público é o de obter a repatriação do dinheiro caso Daniel Dantas venha a ser condenado pela Justiça brasileira.

Escrito por Josias de Souza às 19h25

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STF devolve a irmão de Requião cargo de secretário

  Fábio Pozzebom/ABr
O ministro Cezar Peluso (foto), do Supremo, reconduziu ao cargo de secretário de Transportyes do Paraná o irmão do governador Roberto Requião.

Eduardo Requião de Mello e Silva fora ejetado da poltrona de secretário por uma sentença proferida pelo titular da 1ª Vara da Fazenda Pública da comarca de Curitiba.

 

Alegou-se que a presença de Eduardo no governo do irmão afrontava a súmula do STF que proibiu o nepotismo no serviço público.

 

O secretário-irmão foi bater às portas do Supremo. E seu recurso foi acatado por Peluzo. Por ora, em decisão liminar (temporária), sujeita a confirmação na hora em que o tribunal for julgar o mérito do recurso.

 

Ao justificar a concessão da liminar, Peluso reviveu uma tese que já havia sido suscitada na época da edição da súmula do STF:

 

“Os secretários estaduais são agentes políticos.” Mantêm com o Estado um “vínculo de natureza igualmente política.”

 

Por isso “escapam à incidência das vedações impostas pela Súmula” do nepotismo.

 

Nesse diapasão, os senadores e deputados que resistem em demitir a parentela vão acabar criando o cargo de “secretário de Estado para o assessoramento especial dos gabinetes parlamentares.”

 

Soa absurdo. Mas no Congresso o absurdo por vezes assume ares de hedionda normalidade.

Escrito por Josias de Souza às 18h16

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Saúde lança ‘pacote’ para ampliar os transplantes

  Folha
O ministro José Gomes Temporão (Saúde) anunciou nesta quinta (25) um lote de medidas para estimular a doação de órgãos e tonificar o número de transplantes.

 

A principal providência é o reajuste dos valores pagos pelo SUS às equipes médicas que realizam transplantes.

 

Instituiu-se também uma bonificação de 100% para os procedimentos hospitalares que resultem na concretização efetiva de tranplantes.

 

Hoje, o ministério da Saúde reserva R$ 500 milhões de seu orçamento anual para o financiamento de transplantes.

 

Estima-se que, com as novas medidas, esse valor será elevado em R$ 60 milhões por ano. Pressionando aqui você chega a um texto que traz os detalhes do pacote.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

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Ministério condena uso eleitoral do Bolsa Família

  Orlandeli
O Ministério do Desenvolvimento Social divulgou uma nota que se destina a propalar o óbvio: é crime usar o Bolsa Família para fins eleitorais. Diz o texto:

 

“Tentativas de troca de votos com promessas de inscrição da família no cadastro único ou pressões para votações em determinados candidatos para não perderem o benefício configuram crime eleitoral.”

 

Acrescenta: “Atos como esses devem ser denunciados ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral, parceiros na Rede Pública de Fiscalização do programa e responsáveis pela investigação de denúncias eleitorais.”

 

A manifestação do ministério chefiado por Patrus Ananias chega nas pegadas de uma notícia que demonstrou factualmente algo de que todos já suspeitavam: o Bolsa Família tornou-se o pilar de um novo voto de cabresto no Nordeste.

 

Em périplo por Estados nordestinos, o repórter Eduardo Scolese reuniu um feixe de evidências de exploração política do programa nesta eleição municipal.

 

Além de uma simples nota, o ministério poderia, ele próprio, acionar a engrenagem de investigação do Estado.

 

Ainda que não queira reportar-se diretamente ao Ministério Público, Patrus tem a alternativa de tocar o telefone para o colega Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União.

 

Uma inspeção emergencial nos municípios onde há indícios de malfeitorias não faria mal a ninguém. Exceto, claro, aos malfeitores.

 

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 17h05

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Congressistas roçam acordo sobre pacote nos EUA

Alan E. Cober
 

No âmbito do Congresso, republicanos e democratas já se puseram de acordo em relação ao essencial.

Agora, os dois partidos levarão os termos do entendimento ao Tesouro dos EUA e à Casa Branca.

 

Se tudo correr bem, o superpacote de socorro a Wall Street deve ser aprovado nesta sexta (26).

 

Embora não se tenha divulgado os detalhes da negociação, sabe-se que a coisa vai funcionar, essencialmente assim:

 

O governo Bush entra com o plano, o Congresso com os votos, a banca com os papéis podres e o contribuinte americano entra o bolso.

 

Trava-se em Washington uma luta de boxe a quatro em que o contribuinte entra com a cara. Vai ao ringue já sabendo o tamanho do hematoma: US$ 700 bilhões.

 

Ainda nesta quinta (25), Bush recebe na Casa Branca os dois candidatos à sua sucessão –John McCain e Barack Obama— além de outros líderes do Congresso.

 

O encontro deve funcionar como coroação do entendimento. Para gáudio do mundo financeiro.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery

Escrito por Josias de Souza às 16h03

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Dilma: com pré-sal Brasil elimina pobres em 18 anos

José Cruz/ABr
 

 

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) reuniu-se com diretores da Caixa Econômica Federal num hotel de Brasília.

 

Deu-se nesta quarta (24). A preferida de Lula para 2010 discursou. Disse que o dinheiro do pré-sal vai ajudar o Brasil a erradicar a pobreza em menos de 18 anos.

 

Disse que, valendo-se de programas já existentes –“Bolsa Família”, “infra-estrutura” e “educação”—o país eliminaria “definitivamente” a miséria num prazo de 15 a 18 anos.

 

Mas o dinheiro resultante da exploração comercial do petróleo armazenado em águas profundas será usado, segundo Dilma, ‘para encurtar o processo.”

Curioso. A própria Petrobras reconhece que as plataformas encomendadas para extrair óleo e gás do pr-e-sal só estarão operando em capacidade plena no ano da graça de 2017.

 

Ou a ministra dispõe de informação privilegiada, ainda desconhecida da platéia, ou terá de explicar melhor o que a faz discorrer com tanta proficiência sobre uma verba que só estará disponível no final do mandato do sucessor do sucessor de Lula.

 

Dilma falou também sobre a crise que rói os pilares de Wall Street e faz estremecer os mercados do mundo.

 

Repisou a cantilena de que a economia brasileira, por "forte e robusta", está preparada para arrostar os efeitos da turbulência.

 

Ecoando Lula, Dilma voltou no tempo, estacionando na era FHC: “Vivemos um momento extraordinariamente diferente do de crises anteriores — da crise da Rússia, da Ásia e da Argentina — nas quais o Brasil também esteve mergulhado.”

acha que a crise americana não pode ser motivo, no Brasil, de "desconfiança". Comparou a CEF às instituições que financiam casas próprias nos EUA:

 

“Não se pode dizer que uma instituição como a Caixa não tenha recursos para investir. Isso não ocorre, no Brasil, e não ocorrerá...”

 

“Os bancos, as instituições financeiras [nos EUA] têm seus problemas, mas não são iguais à Caixa...”

 

“A Caixa tem outro tipo de intervenção na área da construção civil e da construção de moradias e na coordenação de projetos governamentais na área de saneamento.”

De resto, previu que o PIB brasileiro, em alta, está a salvo. Disse que o país expetrimenta “um processo de crescimento que veio para ficar.”

 

Fez, por último, uma concessão à realidade. Disse que as avaliações de Brasília sobre a crise "não significam que o governo esteja de olhos fechados."

 

Admitiu que a situação no mercado internacional precise ser monitorada. Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Procurador sugere manter registro de Eduardo Paes

  TSE/Divulgação
Com a candidatura a prefeito do Rio pendurada num processo que corre no TSE, Eduardo Paes (PMDB) obteve um trunfo.

 

Instada a se manifestar sobre os autos, a Procuradoria Geral Eleitoral emitiu um parecer favorável à manutenção da candidatura de Eduardo Paes.

 

Assina o texto o vice-procurador-geral eleitoral, Francisco Xavier Pinheiro Filho (foto). Ele sustenta a tese de que deve ser arquivada a ação movida pelo DEM.

 

Alega que a data da saída de Eduardo Paes do governo do Rio, essência do questionamento feito pelo DEM, já foi considerada regular pelo TRE fluminense.

 

Acha que a revisão da sentença proferida no Rio exigiria o exame de novos fatos e provas. Algo que, segundo diz, não pode ser feito por meio de um recurso especial, o instrumento de que se valeu o DEM.

 

O parecer de Francisco Xavier foi às mãos do ministro relator do processo, Eros Grau, que pode acatar ou ignorar a argumentação do procurador.

 

O tribunal depende agora da conclusão do voto de Eros Grau para julgar, em termos definitivos, o pedido de impugnação da candidatura de Eduardo Paes.

 

O julgamento terá de ocorrer, obrigastoriamente, antes da realização do primeiro turno, marcado para 5 de outubro.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: BC deixa mais dinheiro com bancos para não faltar crédito

 

- Folha: BC libera dinheiro para compensar crise no exterior

 

- Estadão: BC põe R$ 13 bi no mercado e reduz pressão sobre bancos

 

- JB: Vitória da Democracia

 

- Correio: Reação ao intolerável

 

- Valor: BC combate concentração de recursos nos grandes bancos

 

- Gazeta Mercantil: Toda economia está em perigo, adverte Bush

 

- Estado de Minas: Mineira vive mais, estuda mais e não quer se casar

 

- Jornal do Commercio: Tempo quente no guia eleitoral

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Contramaré!

Dalcío
 

Via Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Bush: sem pacote EUA afundam em pânico profundo

  Mark Wilson/EFE
Em discurso noturno transmitido pela TV, George Bush referiu-se à crise em timbre soturno.

 

Não poderia ter soado mais explícito: "Sem ação imediata do Congresso, os EUA podem afundar em um pânico profundo..."

 

"...Esse esforço de resgate não se destina a preservar alguma empresa ou setor em particular. Ele pretende preservar a economia como um todo."

 

Abandonando o estilo costumeiramente altaneiro, Bush viu-se compelido a reconhecer: os EUA estão "imersos em uma grave crise financeira."

 

O discurso tem endereço certo. Visa amolecer as resistências do Congresso à aprovação do superpacote que despeja US$ 700 bilhões.

 

Um embrulho que enfia verbas públicas numa operação de salvamento de casas financeiras que foram à breca.

 

Bush realçou a contradição. Disse ter "profunda crença nas trocas comerciais livres.” Por isso, opõe-se “a qualquer intervenção do governo."

 

No entanto, afirmou, "não são circunstâncias normais” as vividas pelo país. “Os mercados não estão funcionando corretamente. Há uma disseminação da perda da confiança."

 

A interveção estatal –“urgente”, no dizer de Bush— tornou-se incontornável para evitar o pânico financeiro e a recessão.

 

Segundo o presidente dos EUA, uma eventual recusa do Congresso em referendar o mega-pacote levaria ao caos.

 

Bush anteviu a perda de poupanças, o aumento dos despejos, o agravamento do desemprego, o fechamento de empresas.

 

Numa frase: os EUA vão mergulhar em "uma longa e dolorosa recessão", vaticinou George Bush.

 

O discurso de Bush como que aplainou o terreno para um encontro que ocorrerá nesta quinta (25), na Casa Branca.

 

Aconselhado pelo senador John McCain, candidato republicano à sucessão presidencial, Bush se reunirá com líderes do Congresso.

 

Entre eles o próprio McCain e o rival dele na disputa pela Casa Branca, o também senador Barack Obama, do oposicionista partido Democrata.

 

Antes mesmo da conversa com Bush, McCain e Obama divulgarm, nesta quarta (23) um comunicado conjunto. Pregam a conciliação no Legislativo, de maioria democrata.

 

"Esse é o tempo de superarmos a política pelo bem do país”, anota o texto. “Não podemos nos arriscar a uma catástrofe econômica."

 

Corre-se contra o tempo. O Congresso dos EUA entra em recesso nesta sexta (26). O planeta reza para que, antes disso, o pacotaço seja aprovado.

 

Do contrário, o “pânico profundo” de que fala Bush ultrapasarrá as fronteiras dos EUA. Fronteiras que, no território financeiro, são fluidas e elásticas.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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TSE nega registro a ex-vereador baiano analfabeto

  TSE/Divulgação
Em sessão realizada na noite desta quarta (24), o TSE indeferiu o registro de candidatura de um ex-vereador Analfabeto.

 

Chama-se Antônio Raimundo Pereira dos Santos. Mas atende pelo apelido de Marcelo Dedão. É filiado ao PRB, o partido do vice-presidente José Alencar.

 

A despeito de ser analfabeto, Dedão exercera o mandato de vereador, na cidade de Lençóis (BA), entre 2000 e 2004.

 

Sob a alegação de que Dedão já fora vereador, o TRE da Bahia deferira a candidatura dele nas eleições municipais de 2008.

 

Aferrado à lei, que permite aos analfabetos votar, mas nega-lhes o direito de disputar votos, o Ministério Público levou o caso ao TSE.

 

Coube ao ministro Marcelo Ribeiro (na foto) relatar o processo. Ele esgrimiu a tese de que a confirmação da candidatura do analfabeto representaria a reiteração do erro que permitira a Dedão exercer um primeiro mandato de vereador.

 

“Ele foi [vereador] uma vez erradamente, porque não conheço nenhum caso de ‘desalfabetização”, ironizou o ministro.

Escrito por Josias de Souza às 00h10

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Equador ameaça dar calote de US$ 200 mi no BNDES

Rafael Correa, o presidente do Equador, disse que analisa “seriamente” a hipótese de não pagar um empréstimo concedido pelo BNDES ao seu país.

 

O empréstimo – “mais de US$ 200 milhões”, segundo o próprio Correa— foi aplicado na construção da hidrelétrica equatoriana de San Francisco.

 

Obra tocada pela empresa brasileira Norberto Odebrecht. Que apresentou problemas e descambou para uma crise que já mobiliza o Itamaraty e preocupa Lula.

 

Ao justificar a cogitação de levar o BNDES no beiço, Correa alegou que não vê sentido em honrar um empréstimo usado num “projeto que não presta."

 

Insinuou que o crédito, além de concedido “por meio da Odebrecht”, teria “graves irregularidades.”

 

“Há dinheiro que nem sequer entrou no país [Equador].” Trata-se, no dizer de Correa, de “um dinheiro que [o BNDES] empresta à empresa.”

 

A hidrelétrica de San Francisco foi paralisada um ano depois de concluída. Não gera energia desde o dia 6 de junho.

 

Técnicos do governo detectaram falhas “estruturais” ca construção. E exigem da Odbrecht o pagamento de prejuízos estimados em US$ 43 milhões.

 

Em nota,  Odebrecht contraargumenta que, no primeiro ano de funcionamento, a hidrelétrica foi operada pelo Equador acima da sua capacidade.

 

Reconhece a existência de “alguns problemas pontuais na obra.” Problemas que atribui ao projeto de engenharia, de responsabilidade do governo do Equador.

 

Esclarece, de resto, que assumiu prontamente os reparos. Pretendia concluir o trabalho em 4 de outubro. Mas sobreveio a ocupação militar da obra, determinada por Rafael Correa.

 

Por ordem de Lula, o chanceler Celso Amorim enfiou a colher da chancelaria brasileira na crise.

 

De Nova York, onde se encontra, Lula passou a mão na cabeça do companheiro Correa. Comparou o Equador a um irmão mais novo:

 

''Não tem jeito. O Brasil tem o papel de ser cobrado, porque somos o maior...”

 

“...Você imagina na sua casa, com seus irmãos menores, quando você morava com três, quatro irmãos, você podia estar certo, mas eles ficavam te cobrando coisas.''

 

Triste sina a do Brasil. Evo Morales beliscou a Petrobras. Fernando Lugo tenta morder Itaipu. Agora, Correa quer dar o cano no BNDES.

Escrito por Josias de Souza às 23h20

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Pedido de vista adia julgamento da reserva Pataxó

  Wilson Dias/ABr
Deu-se com a área dos Pataxó Hã-Hã-Hãe o mesmo que ocorrera com a reserva indígena de Roraima.

 

A exemplo do que fizera Carlos Ayres Britto, relator no STF do caso Raposa Serra do Sol, também Eros Grau, que relata o processo dos Pataxó, votou com os índios.

 

Eros considerou procedente o pedido da Funai para que sejam retirados os produtores rurais (não-índios) da reserva Caramuru-Paraguaçu, no sul da Bahia.

 

Antes que o plenário do tribunal pudesse se pronunciar, o ministro Carlos Alberto Direito pediu vista do processo, para analisá-lo com mais vagar. E a decisão teve de ser adiada.

 

Menezes Direito portou-se exatamente como fizera no julgamento da Raposa Serra do Sol. Ao justificar o novo pedido de vista, o ministro disse que a semelhança dos temas tratados nos dois processos justifica uma análise conjunta.

 

Assim, abre-se a perspectiva de que os autos que interessam aos Pataxó retornem ao plenário do Supremo junto com o processo que envolve índios e arrozeiros de Roraima.

 

Mantida a previsão já feita por Gilmar Mendes, presidente do STF, espera-se que os julgamentos ocorram até novembro.

Escrito por Josias de Souza às 20h04

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91% da atividade de vereadores de SP é irrelevante

Composição L/Georges Rado
 

 

Entre 2005 e 2008, os 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo apresentaram 3.021 projetos. Desse total, foram aprovados 892.

 

Entre as propostas aprovadas, apenas 23% (206) tratavam de matérias com algum tipo de impacto direto na vida da população da cidade e no cotidiano da prefeitura.

 

Os outros 77% (686 projetos) ou não foram aprovados ou versavam sobre temas irrisórios, sem nenhuma importância prática.

 

Por exemplo: 1.202 projetos tratavam da nomeação de logradouros, de homenagens, da fixação de datas comemorativas e outra banalidades.

 

Considerando-se a totalidade dos 3.021 projetos, chega-se a um quadro desalentador: foi de 8,6% o índice de produção legislativa dos vereadores com algum sentido prático para a coletividade.

 

Ou seja: a taxa média de improdutividade da Câmara Municipal do maior e mais importante município do país –materializada no texto das propostas inúteis— alcança 91,4%.

 

A análise dos projetos e a contabilização do que é relevante e irrelevante foi deita pela Transparência Brasil. Pressionando aqui você chega a um quadro com a lista das propostas.

 

O estudo revela que, diferentemente dos vereadores, a prefeitura submeteu à apreciação da Câmara Municipal paulistana 137 projetos cujo teor afetava diretamente a vida dos munícipes.

 

Desse total, aprovaram-se 85. Uma taxa de sucesso de 62%. Algo que conduz a uma conclusão óbvia: assim como em Brasília quem dá as cartas no Congresso é o Planalto, em São Paulo a dono do baralho é o Executivo Municipal.

 

Enquanto os vereadores se afogam num mar de propostas fúteis, a prefeitura legisla.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Garibaldi fixa data para o fim do nepotismo: 10/10

Miran
 

 

Como prometera, Garibaldi Alves (PMDB-RN), o presidente do Senado, enviou aos gabinetes dos senadores cópia da súmula do STF sobre nepotismo.

 

Junto com o documento do Supremo, foi um ofício assinado por Garibaldi. No texto, ele pede aos colegas que confirmem à Mesa do Senado, por escrito, que não empregam parentes.

 

A despeito de a súmula do STF ser clara, límpida como água de bica, Garibaldi deixa os colegas recalcitrantes à vontade para encaminhar à Mesa dúvidas que ainda possam ter quanto à situação de um ou outro parente.

 

Nestes casos, anota o ofício de Garibaldi, caberá à Mesa decidir se os apaniguados serão ou não afastados do Bolsa-Viúva.

O presidente do Senado deu um prazo aos colegas: “Estimaria que o referido expediente fosse encaminhado à presidência até o da 10 de outubro próximo.”

PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 18h08

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‘Secura’ externa leva BC a ‘regar’ mercado interno

  Paulo Brasil
Aos pouquinhos, vai ruindo o papo furado de que o Brasil está imune à crise. O Banco Central, por exemplo, não dá ouvidos à parolagem.

 

Submetido à evidência de que o mercado de crédito perigava virar um Saara, o BC tratou de mexer no depósito compulsório dos bancos.

 

O compulsório é uma das ferramentas de que dispõe o BC para regular o volume de dinheiro em circulação na economia.

 

Os bancos são obrigados a recolher às arcas do BC um pedaço do dinheiro que recebem de sua clientela na forma de depósitos e aplicações financeiras.

 

Quando quer “enxugar” a praça, restringindo o crédito, o BC sobe o compulsório. Quando é necessário injetar dinheiro na economia, como agora, o BC abre a torneira do compulsório.

 

Em nota, o BC informou que as providências adotadas nesta quarta têm um “caráter pontual.” O texto não deixa dúvidas quanto ao ponto que se deseja atingir:

 

As medidas visam “preservar o sistema financeiro nacional dos efeitos da restrição de liquidez que vem sendo observada no sistema financeiro internacional.”

 

O BC estima em R$ 13,2 bilhões o volume de dinheiro que permanecerá em circulação depois das decisões que adotou. Bom saber que, sob a camada de discursos vazios, tem gente no governo levando a crise a sério.

Escrito por Josias de Souza às 16h36

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Julgamento do TSE pode provocar reviravolta no Rio

Julgamento do TSE pode provocar reviravolta no Rio

DEM questiona candidatura Eduardo Paes, 1ª no Datafolha

Chegou a Brasília um passivo judicial que pode convulsionar o processo eleitoral do Rio de Janeiro a poucos dias do primeiro turno.

 

O DEM protocolou no TSE um pedido de impugnação da candidatura de Eduardo Paes (PMDB). Não são nada negligenciáveis as chances de um infortúnio de Paes.

 

Candidato do governador Sérgio Cabral à prefeitura carioca, Paes lidera as pesquisas. No último Datafolha, de 18 de setembro, aparece com 26%.

 

Oito pontos à frente do segundo colocado, Marcelo Crivella (PRB), a quem o Datafolha atribuiu 18% das intenções de voto.

 

Eduardo Paes freqüenta as páginas dos autos submetidos à análise do TSE em posição desconfortável. Discute-se no processo uma questão comezinha: o prazo de desincompatibilização.

 

Reza a legislação eleitoral que candidatos a cargos eletivos têm de deixar os postos que ocupam no Executivo quatro meses antes da eleição.

 

Eduardo Paes era secretário de Esportes do governo Sérgio Cabral. Teria de se desvincular do cargo até o dia 4 de junho.

 

O problema é que a edição do dia 4 de junho de 2008 do Diário Oficial do Estado do Rio não trouxe nenhum ato de Sérgio Cabral exonerando Eduardo Paes.

 

Tampouco na edição de 5 de junho havia vestígio do afastamento do candidato do posto de secretário de governo.

 

Só em 6 de junho, dois dias depois do prazo legal de desincompatibilização, circulou o Diário com a exoneração de Eduardo Paes.

 

Recorreu-se a um subterfúgio. O Diário Oficial que anota a saída de Eduardo Paes do governo foi apresentado como “complementar” à edição do dia anterior.

 

Mais: a exoneração do candidato foi feita com data retroativa a 4 de junho, data prevista na lei. 

 

Pior: em 5 de junho, dia em que já não seria mais secretário de Esportes do Rio, Eduardo Paes cumpriu uma agenda oficial em Atenas (Grécia).

 

Integrou a delegação de autoridades brasileiras que foram defender a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016.

 

Pior ainda: Eduardo Paes recebeu diárias do Estado para custear suas despesas em Atenas. Algo que ele próprio reconheceu ao restituir o dinheiro às arcas públicas depois de ter virado candidato.

 

O caso de Eduardo Paes já foi julgado pelo TRE do Rio. Ali, a candidatura foi mantida por um placar de quatro votos a dois.

 

O par de votos contrários a Eduardo Paes estimularam o DEM a levar o processo ao TSE, instância em que os julgamentos tendem ser mais rigorosos.

 

Deve-se ao prefeito ‘demo’ César Maia a gana do DEM em acomodar uma pedra na trajetória de Eduardo Paes, um personagem que iniciou sua trajetória política no ex-PFL.

 

Na fase de costura das coligações, o grupo de César Maia firmou com o PMDB um pré-acordo. Previa o apoio à candidata do DEM, Solange Amaral, que iria às urnas com um vice do PMDB.

 

Eduardo Paes, que se transferira do PSDB para o PMDB de olho na prefeitura, fez o que pôde para jogar areia no entendimento.

 

Na última hora, Sérgio Cabral acabou se compondo com o PT. O governador indicou para vice do petista Alessandro Molon o chefe de sua Casa Civil, Regis Fitchner.

 

Cabral chegou mesmo a exonerar Fitchner. Dessa vez, na data regulamentar: 4 de junho. Porém, o acordo PT-PMDB foi rompido em reunião realizada no dia seguinte, 5 de junho.

 

E Sérgio Cabral viu-se na contingência de ressuscitar a opção Eduardo Paes. Daí os atropelos que propiciaram ao DEM a vingança contra Paes, materializada no processo de impugnação da candidatura.

 

Um processo que, se for bem sucedido, nem irá beneficiar Solange Amaral. A candidata de César Maia amarga irrisórios 5% no Datafolha.

 

Os maiores beneficiários de um eventual infortúnio de Eduardo Paes seriam Marcelo Crivella e dois candidatos que aparecem tecnicamente empatados na terceira colocação: Jandira Feghali (13%), do PC do B; e Fernando Gabeira (11%), do PV.

 

Nos próximos dias, todos os olhos do Rio estarão voltados para o plenário do TSE. Em tese, o tribunal teria de julgar o processo até esta quinta-feira (25). O relator é o ministro Eros Grau.

 

É grande, porém, a fila de julgamentos pendentes: cerca de 3.000. O que pode empurrar a decisão telativa ao Rio para as vésperas do primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Congresso dos EUA exige punições e ameaça pacote

 

- Folha: Sem pacote, EUA prevêem série de falências

 

- Estadão: Congresso resiste e tenta mudar pacote de Bush

 

- JB: O grande confronto

 

- Correio: Sexo com crianças vendido a R$ 3 no coração de Brasília

 

- Valor: Crise externa quebra o ritmo de investimentos

 

- Gazeta Mercantil: Congresso dos EUA quer mudar plano anticrise

 

- Estado de Minas: Multa de trânsito chegará a R$ 1.625

 

- Jornal do Commercio: Juiz cassa registro de João da Costa

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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Mascate!

Ique
 

Via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

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STF julga caso análogo ao da Raposa Serra do Sol

José Cruz/ABr
 

Comitiva de índios Pataxó já se encontra em Brasília, para assistir à sessão do STF 

 

Vai a julgamento nesta quarta-feira (24), no Supremo, um processo que se arrasta pelos escaninhos do tribunal há 26 anos.

 

Envolve questões em tudo semelhantes às pendências judiciais de um outro caso rumoroso: o da reserva indígena Raposa Serra do Sol, de Roraima.

 

O tema é exatamente o mesmo: uma área indígena. Chama-se Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu. Fica no Sul da Bahia.

 

O passivo judicial também é idêntico: tenta-se expulsar da área os brasileiros não-índios. São proprietários rurais. Dedicam-se à criação de gado e à lavoura de cacau.

 

A decisão que vier a ser tomada pelos ministros do STF como que sinalizará a posição do tribunal no caso da Raposa Serra do Sol, que deve voltar à pauta em novembro.

 

O processo da Bahia foi proposto pela Funai em 1982. Ano em que o inquilino do Planalto era o general João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura.

 

A Funai pede ao STF que anule títulos de propriedades rurais concedidos pelo governo da Bahia dentro da área indígena destina à tribo dos Pataxó Hã-Hã-Hãe.

 

Alega que a área dos Pataxó (cerca de 3.200 índios) tem 54,1 mil hectares. Mas somente 18 mil hectares estariam sendo efetivamente ocupados pela tribo.

 

O resta da terra foi rateado entre produtores rurais. Que argumentam, por sua vez, dispor de titulação provida pelo governo baiano entre 1978 e 1982.

 

Os não-índios alegam, de resto, que a área indígena não teria sido efetivamente demarcada.

 

Um processo de demarcação de 1926, conduzido pelo governo da Bahia, não teria sido concluído.

 

O Incra sustenta que a área foi, sim, demarcada. Deu-se em 1937, no já extinto SPI (Serviço de Proteção ao Índio), uma repartição federal.

 

Embora não houvesse na época o conceito de "reserva contínua", aplicado na demarcação da Raposa Serra do Sol, discute-se nos autos baianos a mesmíssima coisa.

 

No processo de Roraima, o STF terá de decidir se plantadores de arroz podem ou não permanecer na área reservada aos índios. O relator, Carlos Ayrs Brittto, votou pela expulsão.

 

Mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista feito por outro ministro: Carlos Menezes Direito. 

 

No caso da Bahia, reivindica-se a expulsão de pecuaristas e cacaueiros.

 

Se optar pela saída deles da área Pataxó, o Supremo abrirá precedente que justificará, depois, a expulsão também dos rizicultores de Roraima. E vice-versa.

Escrito por Josias de Souza às 01h43

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STJ nega habeas corpus e mantém Cacciola em cana

  Folha
O sem-banco Salvatore Cacciola amargou nesta terça (23) mais uma derrota judicial.

 

Deu-se na sexta turma do STJ. Por quatro votos a um, negou-se ao preso um pedido de habeas corpus.

 

Assim, o ex-dono da banco Marka continuará desfrutando das facilidades da hospedaria de Bangu 8.

 

Cacciola está na bica de se converter em exemplo de cana longeva.

 

Está virando estrela de um enredo que, no Brasil, só costuma ser protagonizado por pobres.

 

Somando-se a cadeia de Mônaco (273 dias) ao xadrez de Bangu 8 (66 dias), chega-se a um calabouço de 339 dias.

 

Faltam, portanto, escassos 26 dias para que Cacciola faça aniversário de um ano atrás das grades.

Escrito por Josias de Souza às 20h38

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Barrada candidatura de petista favorito no Recife

  Divulgação
O juiz Nilson Guerra Nery, da 8ª Zona Eleitoral do Recife, provocou um terremoto político na cidade.

A escassos 12 dias do primeiro turno, o magistrado impugnou a candidatura a prefeito de João da Costa (PT), na foto.

 

Vem a ser o favorito na disputada. No último Datafolha, de 18 setembro, cravara 48% das intenções de voto.

 

Empurrado por gravações de apoio de Lula e pelo suporte do governador Eduardo Campos (PSB) e do prefeito João Paulo (PT), Costa subira 11 pontos em um mês.

 

Deixara para trás o ex-líder nas pesquisas, Mendonça Filho (DEM), a quem o Datafolha atribuíra 24%.

 

Nos últimos dias de agosto, a candidatura de João da Costa havia sido abalroada pela denúncia de uso ilegal da máquina da prefeitura do Recife.

 

Denúncia ratificada por laudos da Polícia Federal, encampada pelo Ministério Público Eleitoral e ratificada agora pelo juiz Nilson Guerra.

 

Eis o coração da encrenca: funcionários graduados da secretaria de Educação da prefeitura enviaram e-mails convocando servidores para atos da campanha do PT.

 

Coisa registrada em computadores da secretaria, apreendidos e periciados pela PF. Eis o que diz Andréa Nunes Padilha, a promotora que se ocupa do caso:

 

"Os laudos comprovam, sem sombra de dúvidas, o uso da máquina pública pelos servidores detentores de cargos comissionados da Secretaria de Educação.”

 

Ouça-se agora o juiz Nilson Guerra: “Os servidores fizeram da Secretaria de Educação uma sucursal do Ponto 13". Referência ao número que identifica o PT na eleição.

 

Além de impugnar a candidatura de João da Costa, o juiz condenou-o a três anos de inelegibilidade.

 

O petismo irá recorrer ao TRE de Pernambuco. Seja qual for o resultado, a pendenga vai morrer nos escaninhos do TSE, em Brasília.

 

Resta agora saber se a Justiça Eleitoral, sempre tão permissiva, vai ter peito de excluir da disputa um candidato favorito.

Escrito por Josias de Souza às 20h08

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Procurador contesta lei que beneficiou as ‘centrais’

  Folha
Em parecer enviado ao STF, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza tachou de “inconstitucional” a lei que deu mais dinheiro às centrais sindicais.

 

Trata-se da lei que, a pretexto de regular o funcionamento das centrais, obrigou o governo a destinar a elas parte do imposto sindical pago pelos trabalhadores.

 

Aprovada pelo Congresso em março, a lei foi sancionada por Lula no início de abril. Em petição assinada por seu presidente, Rodrigo Maia, o DEM foi bater às portas do STF.

 

Abriu-se no Supremo um processo, que caiu na na mesa do ministro Joaquim Barbosa. Como manda a praxe, Joaquim requisitou a opinião do Ministério Público.

 

Daí o envio ao Supremo do texto que traz a chancela do procurador-geral da República. Um texto que, na essência, concorda com a alegação do DEM.

 

Para Antonio Fernando de Souza, uma alteração da “magnitude” da que foi imposta pela nova lei só poderia ter sido feita por meio de uma emenda à Constituição.

 

Se for seguida pelo STF, a manifestação do procurador-geral vai azedar uma sobremesa recém-servida às centrais sindicais: o acesso ao quindim do imposto sindical.

 

É uma mordida compulsória, da qual os trabalhadores não têm como fugir. Já vem subtraída do contra-cheque de quem tem carteira assinada.

 

Rende anualmente algo como R$ 1 bilhão. A nova lei empurrou cerca de R$ 100 milhões desse doce para dentro das arcas das centrais sindicais.

 

Antes, só os sindicatos, as federações e as confederações de trabalhadores tinham acesso à partilha.

 

A inclusão das centrais é, no dizer de Antonio Fernando, uma “afronta à estrutura vigente.” Constitui uma “intervenção estatal indevida em favor de entidades privadas.”

“Em resumo”, diz o procurador-geral, “a contribuição sindical compulsória é destinada ao custeio do sistema confederativo de representação sindical, no qual não se incluem as centrais sindicais...”

 

“...Ademais, não há respaldo constitucional para que certa associação seja contemplada com contribuições de caráter compulsório, uma vez que tal situação caracteriza, em última análise, filiação compulsória [do trabalhador], vedada pelo princípio da liberdade de associação.”

 

Munido do parecer do mandachuva do Ministério Público, o ministro Joaquim Barbosa vai agora redigir o voto que será submetido à deliberação do STF.

 

Não há, por ora, data prevista para o julgamento. De concreto, tem-se apenas o seguinte: subiu no telhado a lei que foi fesjada nos salões do Congresso com um coquetel patriconado pela Força Sindical do deputado Paulinho (PDT-SP).

Escrito por Josias de Souza às 19h17

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Washington é uma 'Brasília sem medida provisória'

  Mitchu Dumke/Reuters
A ex-poderosa capital dos EUA, quem diria, virou uma grande Brasília.

 

Faz lembrar os tempos em que o brasileiro ia dormir com receio de acordar num país de ponta-cabeça.

 

A exemplo das autoridades brasilienses da era dos pacotes mal embrulhados, dois grão-duques da gestão Bush batem ponto no Congresso.

 

Ben Bernanke, mandachuva do Federal Reserve; e Henry Paulson, secretário do Tesouro norte-americano, foram ao Senado (foto).

 

Falaram diante do Comitê Bancário. Pediram pressa na aprovação do superpacote de US$ 700 bilhões.

 

A dupla usou uma arma muito encontradiça na Brasília de outrora: o terror econômico. Disseram, em suma, que a alternativa ao socorro do governo aos bancos é o caos. Disse Bernanke:

 

"A ação do Congresso é urgentemente requerida para estabilizar a situação e evitar o que pode, de outra forma, ter sérias conseqüências para os nossos mercados financeiros e nossa economia."

 

Ecoou Palson: "Nós precisamos agora tomar novas ações que vão além, precisamos agir de forma decisiva para tratarmos de forma fundamental e compreensiva a raiz da causa desta turbulência."

 

Dois escassos detalhes diferenciam a Washington dos dias que correm da Brasília dos pacotes:

 

1. Para o bem ou para o mal, falta ao ordenamento jurídico dos EUA uma ferramenta análoga às nossas velhas e boas medidas provisórias do Brasil.

 

Se dispusesse de uma MP, Bush poderia portar-se como um franco atirador do Planalto. Primeiro daria o tiro. Depois, providenciaria as explicações;

 

2. Falta também à Casa Branca um consórcio governista à brasileira. Às voltas com dois grandes agrupamentos partidários –Republicanos e Democratas— Bush não tem um PMDB a quem recorrer. Falta-lhe um bom Romero Jucá.

 

Não se ouve nos corredores do Congresso dos EUA, de resto, aquele tilintar de verbas e cargos que costuma compor a trilha sonora nas votações de Brasília.

 

Não que os congressistas norte-americanos não sejam dados às tentações do varejo. O problema é que Bush, na bica de ser devolvido ao ostracismo do Texas, não tem muito a oferecer.

 

Enquanto não sai um acerto na ex-casa-grande, resta à senzala acompanhar o temporal que troveja em suas Bolsas.

 

Sim, porque os especuladores que aqui gorjeiam são os mesmos que gorjeiam lá. A platéia, aturdida, olha para o mercado de ações como quem observa um bebê.

 

A Ásia dormiu bem? A Rússia soluçou? Nova York teve febre? A Bovespa fez cocô mole ou duro?

Escrito por Josias de Souza às 17h40

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ONU tornou-se o desnecessário levado longe demais

 

Há muito que se especula sobre o futuro da ONU. O debate tonificou-se depois que os EUA invadiram o Iraque sem pedir licença ao organismo.

Noutros tempos, o prédio das Nações Unidas, que fica em área nobre de Nova York, ainda se prestava a outras serventias.

 

Perdendo a utilidade diplomática, daria um belo shopping center. Agora, numa fase em que o povo americano mal tem dinheiro para a casa própria, nem pra isso o ONU serve mais.

 

Pois bem, discursando na abertura da 63ª Assembléia Geral da ONU, Lula discorreu sobre o tremor financeiro que abalou os pilares de Wall Street e distribuiu trincas pelo mundo.

 

O presidente misturou em sua fala o óbvio ao onírico. Primeiro, um naco de obviedade extraído do discurso de Lula:

 

“A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos, em uma sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam economia mundial.”  

 

Acha que chegou a "hora da política." Cobra uma solução global. Pede a ação dos governantes, em especial dos que chefiam os países diretamente envolvidos na crise.

 

Agora, dois pedaços de sonho presentes no discurso de Lula:

 

1. “É preciso implantar soluções globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, para que haja mecanismos de controle e total transparência...”;

 

2. "...Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve vir uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós".

 

Ora, se for esperar por uma “resposta vigorosa” da ONU, o mundo financeiro pode começar a recolher os seus cacos.

 

Depois de Lula, falou George Bush. Preferiu repisar o velho lero-lero contra o terrorismo alheio a explicar o terror monetário que ajudou a cevar.

 

Sobre a crise, limitou-se a dizer, com vagueza hedionda, que está tomando providências.

 

"Posso garantir a vocês que meu governo e nosso Congresso estão trabalhando juntos para aprovar rapidamente a legislação que permite esta estratégia...”

 

“...E estou confiante de que vamos agir dentro da urgência necessária." Lula lamentou. Esperva mais do companheiro Bush.

 

"Imaginei que o presidente, na sua última aparição na sede das Nações Unidas (...), ia fazer um discurso de despedida e falar um pouco da crise econômica, o que é que o governo americano pretende fazer."

 

Bobagem. Natural que Bush tenha sido vago. Com o caminhão de mudança à porta da Casa Branca, tratou de honrar a fama de senhor das guerras.

 

O quociente de inteligência de suas armas supera o de seu cérebro. Acha que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações.

 

Menos ainda na ONU, uma espécie de desnecessário levado às últimas conseqüências. Só mesmo Lula para acreditar que virá dali algum tipo de “resposta vigorosa” à crise.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Congresso força Casa Branca a ceder no superpacote

Tesouro já concorda em submeter ‘socorro’ a supervisão

 

Alan E. Cober
 

 

A administração Bush cedeu às pressões do Congresso dos EUA e ficou mais próxima do fechamento de um acordo para a aprovação do superpacote de US$ 700 bilhões.

 

Coube ao Tesouro norte-americano, acossado por um Legislativo de maioria oposicionista (Democrata), assumir as concessões.

 

São duas as principais, ambas exigidas pelos democratas:

 

1. O governo concordou em permitir que o programa de socorro aos bancos seja submetido a uma supervisão mais rígida;

 

2. Topou também providenciar mais ajuda aos mutuários norte-americanos que convivem com o risco de perder a casa própria;

 

Noutro ponto, embora o martelo ainda não tenha, governo e Congresso estão muito próximos de um acerto:

 

O Tesouro já se mostra disposto a incluir no pacote a previsão de que o governo assuma participações acionárias nas empresas que se beneficiarem do socorro.

 

De resto, remanesce o impasse em relação a dois tópicos do mega-pacote:

 

1. O Congresso deseja impor limites à remuneração dos executivos dos empresas financeiras socorridas pelo pacote;

 

2. O Legislativo quer também aprovar, junto com o pacote, mudanças na lei de falências e concordatas. Algo que permita aos juízes promover ajustes nas condições das hipotecas.

 

Deve-se o lote de informações acima aos repórteres Gregg Hitt, Deborah Solomon e Michael M. Phillips.

 

O texto da trinca encontra-se disponível no sítio do diário ‘The Wall Street Journal’ (infelizmente em língua inglesa).

 

Há muita coisa em jogo no debate que domina a cena de Washington, anotam os reportes. Para os dois lados –governo e Congresso.

 

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, despejou sobre os congressistas advertências sombrias acerca das conseqüências da falta de medidas.

 

Pior: deixou claro que o governo não dispõe de um ‘Plano B’.

 

A despeito dos vaticínios de Paulson, o Congresso deseja exercer controle sobre o socorro às casas financeiras de Wall Street.

 

O debate injetou incerteza numa atmosfera que, no final de semana, parecia rumar para a tranqüilidade.

 

A ausência de detalhes sobre a proposta do governo e a perspectiva de impasse no Congresso produziram uma queda na média do índice Industrial Dow Jones de 3,27% –ou 372,75 pontos.

 

Foi ao lixo metade de todos os ganhos do fim da semana passada, quando a Casa Branca lançara na praça a informação de que dispunha de um plano.

 

A hostilidade ao plano, informa o ‘Journal’ não se restringiu ao Congresso. Estendeu-se a empresários, acadêmicos e analistas de tendências variadas.

 

Algo que enfraquece o poder de negociação do governo em relação aos tópicos ainda pendentes de acerto.

 

O limite à remuneração de executivos foi defendido até por John McCain, o senador que concorre à Casa Branca pelo partido Republicano, governista.

 

Não é só: o também republicano senador Richard C. Shelby, membro do Comitê Bancário do Senado, repisou sua discordância em relação ao superpacote.

 

Shelby acha que o plano não é "nem prático, nem abrangente.” A despeito de “seu custo enorme".  

 

O democrata Barney Frank, que preside o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, disse que as lideranças de seu partido não têm a intenção de brecar o pacote.

 

Diz ele: "Concordamos que é preciso agir rápido. Compreendemos que as escolhas erradas do mercado nos deixaram numa situação em que algo precisa acontecer."

 

A intenção é a de votar o feixe de medidas na Câmara e no Senado até o final da semana. Resta agora aguardar pelo fechamento da negociação em torno dos pontos em que ainda há divergências.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 03h37

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Incerteza sobre pacote gera instabilidade nos mercados

 

- Folha: Indefinição sobre pacote esfria mercado

 

- Estadão: Países ricos rejeitam ajuda global a bancos

 

- JB: Governo vai aumentar multa por embriaguez

 

- Correio: Petróleo em disparada

 

- Valor: Tesouro aceita supervisão e "resgate" avança nos EUA

 

- Gazeta Mercantil: Petróleo tem alta histórica de US$ 16,37

 

- Estado de Minas: Crise já ameaça até bolso do Papai Noel

 

- Jornal do Commercio: Greve de servidores fecha ambulatórios

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h31

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Para americano ver!

Paixão
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Para líder tucano, só 'unidade' salva PSDB em 2010

Para líder tucano, só 'unidade' salva PSDB em 2010

José Aníbal atribui popularidade de Lula a três fatores

‘Tem a ver com sorte, astúcia e pragmatismo’, afirma

Acha que, em 2010, presidente será ‘um eleitor forte’

Considera ‘muito provável’ que Dilma vá ao ‘2º turno’

Condiciona o êxito do tucanato à unidade Serra-Aécio

 

  Folha
O líder do PSDB na Câmara falou ao blog na noite desta segunda (22), sob o impacto da pesquisa Sensus: popularidade de Lula em 77,7% e aprovação do governo em 68,8%. Vai abaixo a entrevista do deputado José Aníbal (PSDB-SP):
 

 

- A que atribui a alta popularidade de Lula?

Tem a ver com sorte, astúcia na propaganda e pragmatismo na economia.

- Como assim?

Na eleição passada o Lula criou o biocombustível. Agora, veio com o pré-sal. Ele percebeu, antes de todo mundo, que o pré-sal é um ovo do Colombo em termos políticos. E se não de em nada? Não tem a menor importância. Ele fica alimentando isso. Cria um clímax. Faz da mera possibilidade uma certeza absoluta de que o país será um dos maiores exportadores de petróleo do mundo no curto prazo. E fatura os dividendos políticos.

- Não atribui importâncias aos programas sociais?

Claro que sim. O Lula demorou pra perceber. Começou o governo perdendo tempo com o Fome Zero. Mas logo notou a importância da rede de proteção social iniciada no governo Fernando Henrique.

- Isso não foi correto?

Está certo. Ele pegou o cadastro dos quatro programas criados pelo Fernando Henrique: Bolsa Alimentação, Bolsa Escola, Vale Gás e combate ao trabalho infantil. E unificou tudo num único programa.

- E quanto ao desempenho da economia?

Nesse ponto entra o pragmatismo do Lula. Ele não tem nenhum compromisso de natureza ideológica, zero. É um pragmático.

- Isso é bom ou ruim?

Na economia foi bom. Essa qualidade o levou a se empenhar para preservar os fundamentos econômicos, contra tudo o que preconizava no passado. Isso não é coisa só do [Antônio] Palocci. É do Lula. Se não fosse o Palocci seria outro. O pragmatismo do Lula está na Carta ao Povo Brasileiro. Ali está o Lula por inteiro –um sindicalista objetivo, negociador, que busca resultados.

- Então, a seu juízo, a popularidade do presidente está fundada num tripé?

Exatamente. Empregou o pragmatismo na economia e na fusão dos programas sociais. Vale-se de uma intuição para a propaganda que nenhum outro tem. Além disso, teve sorte e não tem compromisso com nada e com ninguém, só com ele mesmo. Mistura tudo isso com o vento a favor que sopra na economia mundial e chega-se a esse índice de popularidade.

- A crise nos EUA não representa uma virada no ambiente favorável?

Claro que sim. Mas ainda não surtiu efeitos no Brasil. Além disso, o Lula, de novo, constrói o discurso à sua maneira. Num primeiro momento, ele disse: ‘Isso é problema do Bush.’ Depois, teve de admitir: ‘Bom, sempre que os EUA entram em crise devemos nos preocupar.’  É óbvio que se essa crise se aprofunda, acaba afetando o Brasil.

- Não acha que falta discurso ao PSDB para se contrapor ao Lula?

Discurso o PSDB tem. O que falta ao partido é unidade.

- Qual é o discurso?

Se você ligar para qualquer liderança nacional nossa, vai ver que todas têm uma boa reflexão. Com começo, meio e fim. O que falta pra nós é uma ação mais combinada, mais convergente. Precisamos nos comportar de modo mais unitário, em conjunto.

- Falta de unidade é problema para 2010, não?

Sim. O grande problema nosso para 2010 chama-se unidade.

- Refere-se a José Serra e Aécio Neves?

Exatamente. Não há outro caminho pra nós em 2010 que não seja a unidade entre Serra e Aécio.

- Lula prevaleceu duas vezes sobre um PSDB desunido –Serra, em 2002; e Alckmin, em 2006. O que o leva a crer que haverá unidade em 2010?

Vivemos nesse período a que você se refere uma fase em que a afirmação do projeto do partido ficou menos importante do que os candidatos. Não assumimos o que fizemos de bom. As duas campanhas foram importantes, mas se apresentaram dissociadas do que o partido tinha conquistado.

- Envergonharam-se da fase FHC?

É o que eu acho. Deixamos de agregar ao nosso discurso conquistas importantes e inegáveis. Aí entra o Lula com o estilo Carta ao Povo brasileiro. O que ele sinalizou: ‘Olha, pessoal, nós vamos fazer o nosso dever de casa direitinho.’

- Não acha que, mantida a popularidade, Lula chega a 2010 com chances de fazer o sucessor?

Ele é, sem dúvida, um eleitor forte.

- Dificilmente deixará de levar Dilma Rousseff pelo menos ao segundo turno, não acha?

Ele diz que vai eleger. É preciso considerar que o quadro será outro. Não sei se pior ou melhor pra ele. Mas é muito provável que ele consiga levar alguém para o segundo turno. Ele e a máquina que se formou em torno dele. O Lula exerce poder hegemônico sobre o PT. Os chamados partidos aliados estão totalmente dependentes dele, que negocia tudo. Juntando ele e essa máquina, evidentemente, dá densidade para uma candidatura presidencial.

- Como enfrentar?

Por isso falo de unidade. Para nós, hoje, competência tornou-se sinônimo de unidade. Se tivermos unidade, principalmente entre Serra e Aécio, juntamos o partido inteiro, agregamos outras forças políticas e ganhamos a eleição.

- Refere-se a uma chapa puro sangue?

Não necessariamente. O essencial é que os dois estejam juntos. E quando digo juntos, quero dizer juntos pra valer. Pra nós, não tem outro caminho.

- Que tipo de país acha que Lula vai entregar?

O Lula é extremamente conservador, não entra em bola dividida. Não fez e não fará nenhuma das reformas importantes. Vai entregar, ele sim, a herança maldita. É licencioso. Opera com o momento. Está entrando mais dinheiro? Então gasta mais, desbragadamente. E deixa a bomba para o próximo.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Cinco senadores mantêm parentes no ‘bolsa-Viúva’

  Fábio Pozzebom/ABr
Garibaldi Alves, o presidente do Senado está tiririca da vida. Não se conforma com a renitência de alguns colegas afastar os parentes da bolsa da Viúva.

 

Para esfregar o óbvio no nariz dos recalcitrantes, Garibaldi decidiu distribuir entre seus pares cópias da súmula do STF que impõe o fim do nepotismo.

 

Espera que a parentela remanescente esteja apartada das cadeiras que usurpam no Senado até a próxima sexta-feira.

 

Vão abaixo ocupam os casos de desrespeito. Acima dos nomes dos senadores infratores há um link. Conduz aos e-mails deles.

 

É uma oportunidade para que você, que paga a farra, dê um empurrãozinho nas excelências que ainda não se deram por achadas:

 

1. Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR): Defensor da criação de uma "cota" para parentes, mantém no gabinete mulher, filho e sobrinho;

 

2. Almeida Lima (PMDB-SE): ex-lugar tenente do boiadeiro Renan Calheiros, conserva dois sobrinhos pendurados na folha do Senado;

 

3. Augusto Botelho (PT-RR): emprega um irmão no gabinete;

 

4. Adelmir Santana (DEM-DF): injetou uma filha nos quadros da diretoria-geral do Senado. Neste caso, a exoneração deve ser feita pelo diretor-geral Agaciel Maia;

 

5. Efraim Morais (DEM-PB): já exonerou seis parentes. Mas ainda emprega o marido de uma sobrinha.

 

Se isso ocorre no Senado, casa de 81 mandatos, imagine-se o que estará acontecendo numa Câmara habitada por 513 deputados.

 

Arlindo Chinaglia (PT-SP) prometera que a parentela seria expurgada. Ainda não veio à boca do palco, porém, para prestar contas.

Escrito por Josias de Souza às 20h45

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Pacote dos EUA deveria ter vindo antes, afirma Lula

 

 

Reza um velho brocardo goiano que, em terra estranha, boi deve mugir como vaca.

 

Em Nova York, Lula subverte o provérbio. Muge como se desejasse dar lições ao touro de casa.

 

Considerou “adequadas” as medidas esboçadas pelo governo Bush para deter a crise que esfumou o prestígio de Wall Street.

 

Mas disse que o pacote deveria ter sido embrulhado antes:

 

"Precisamos torcer para que a crise americana seja a menor possível. Se isso tivesse sido feito antes, a crise teria sido muito menor."

 

Como previsto, Lula confirmou que mencionará a encrenca financeira no discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU.

 

"Obviamente, eu não poderia vir à sede da ONU sem falar um pouco da situação mundial..."

 

"...A situação não é tranqüila. Precisamos alertar os agentes mundiais sobre a crise. A gente tem que tomar alguma medida já."

 

Acha que os bancos centrais de diferentes países precisam se mexer, para "controlar e regular o sistema financeiro mundial."

 

Só assim, diz Lula, "a especulação e a jogatina” deixarão de ser prioridades de “determinadores setores do sistema financeiro mundial."

 

Resta agora saber como irá mugir George Bush, segundo a discursar na ONU, logo depois de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

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Ipea: 13,8 milhões de patrícios tomaram o elevador

Andy Warhol
 

 

Entre 2001 e 2007, 13,8 milhões de brasileiros subiram de faixa social.

 

É o que informa um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

 

O trabalho está escorado em dados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007, divulgada na semana passada pelo IBGE.

 

Eis o que diz o Ipea:

 

1. Dos 13,8 milhões de patrícios que ascenderam socialmente, 74% (10,2 milhões) migraram da classe de renda baixa (até R$ 545,66 de renda familiar) para o andar intermediário;

 

2. 3,6 milhões de pessoas pularam da classe intermediária (de R$ 545,66 a R$ 1.350,82) para a o andar da pirâmide em que se situam os brasileiros mais afortunados (renda familiar superior a R$ 1.350.82).

 

Embora carregue os dois anos finais da gestão FHC, o estudo do Ipea ajuda a entender o porquê da subida dos índices de popularidade de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

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São Lula 'Imaculado' da Silva’ é maior que o governo

  Baptistão
Rumo à canonização, Lula foi bafejado nesta segunda (22) por mais uma pesquisa de sonhos.

 

Nas pegadas do Datafolha, que atribuíra à gestão Lula aprovação de notáveis 64%, foram à ruas também os pesquisadores do instituto Sensus.

 

Captaram um índice ainda mais positivo para o governo: 68,8%. Um recorde. A avaliação pessoal de Lula é ainda mais portentosa: 77,7% de aprovação.

 

Lula já roça a popularidade que exibia no início do primeiro mandato, em 2003. Naquele ano, com o verniz das urnas ainda fresco, o presidente cravara 83,6%.

 

A despeito do halo de imagem sacra que flutua sobre sua cabeleira, Lula ainda não conseguiu alçar ao primeiro posto da pesquisa um sucessor ao seu gosto.

 

Segundo o Sensus, aos olhos de hoje, só Lula bateria o tucanato na sucessão de 2010. Sem ele, José Serra, com índices superiores a 38%, venceria em todos os cenários.

 

Mãe Dilma Rousseff, dodói do presidente, ainda é, na visão dos eleitores uma sub-Heloísa Helena. No cenário mais provável, figura na pesquisa em quarto lugar, com 8,4%.

 

O governista mais bem-posto na pesquisa é Ciro Gomes (PSB). Está em segundo, com 17,4%. Com Aécio Neves no lugar de Serra, Ciro salta para primeiro: 24,9%.

 

Nesse cenário, Aécio fica em segundo (18,2%); HH mantém-se em terceiro (13,4%) e Dilma remanesce em quarto: 8,6%.

 

É cedo, porém, para aferir o potencial de transferência de voto de Lula em sua própria sucessão. 2010 ainda é uma página longínqua na folhinha. O presidente ainda não arregaçou as mangas.

 

Um indicativo de que os ventos podem mudar emerge da propensão dos eleitores em relação às eleições municipais deste ano.

 

De acordo com o Sensus, 44,1% dos eleitores declaram-se dispostos a votar em candidatos a prefeito e a vereador apoiados por Lula.

 

Mais: 75,3% dizem que votarão em candidatos de partidos associados ao consórcio que gravita em torno do governo, de olho na manutenção de programas sociais como o Bolsa Família.

 

Ou seja, em 2006, Lula é o grande cabo eleitoral. Nada faz crer que, mantida a popularidade lunar até 2010, o presidente não consiga acomodar no coração do eleitor um(a) sucessor(a) ao seu gosto.

 

PS.: Ilustração via sítio do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 17h02

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TSE detecta ‘notas frias’ na escrituração do PSDB

Dalcío
 

 

O mar não está para tucanos. Técnicos da Justiça Eleitoral pescaram notas geladas na prestação de contas enviada ao TSE pelo PSDB.

 

A contabilidade é de 2000. Mas até hoje não foi julgada pelo tribunal. Já lá se vão arrastados oito anos.

 

As notas micadas foram emitidas por uma empresa do próprio tesoureiro da legenda, Márcio Fortes. Chama-se Marka Serviços de Engenharia. Fortes, como sói, nega o malfeito.

 

Está desativada desde 96. Daí a aparência glacial dos papéis. Um papelório que já havia sido considerado inidôneo também pela Receita Federal.

 

O fisco, aliás, mergulhara um pouco mais fundo nas contas do PSDB. Farejara problemas também nas arcas presidenciais de José Serra, relativas à campanha de 2002.

 

Os técnicos do TSE recomendam ao tribunal a rejeição das contas do tucanato. A punição prevista para esses casos é a interrupção dos repasses do Fundo Partidário.

 

Grana provida pela Viúva. No caso do PSDB, coisa de mais de R$ 15 milhões. A encrenca vai agora a julgamento, no plenário do TSE.

 

PS.: Ilustração via sítio do Dalcío.

Escrito por Josias de Souza às 15h29

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Lula inclui a crise dos EUA em seu discurso na ONU

Alan Marques/Folha
 

 

Como de praxe, caberá ao presidente brasileiro fazer o discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU. Em sua 63ª edição, o encontro será aberto nesta terça (23), às 9h.

 

Lula decidiu incluir em seu discurso referências à crise que eletrocutou Wall Street e distribuiu choques no mercado financeiro em nível mundial.

 

Preparado pelo Itamaraty e revisado no Planalto, o pronunciamento de Lula usa expressões fortes.

 

O texto refere-se à crise como um “naufrágio” financeiro, fruto da “irresponsabilidade” de especuladores.

 

Num instante em que a Casa Branca discute com o Congresso dos EUA a adoção de um mega-pacote de US$ 700 bilhões, Lula defenderá a extensão do debate a organismos multilaterais, como a ONU.

 

Dirá que, para além das implicações econômicas, o tema deve ser discutido também sob uma ótica política.

 

Um debate que conduza a uma solução global e que envolva também os países que, embora não sejam responsáveis pela crise, são afetados por ela.

 

Por um desses caprichos do protocolo, caberá a George Bush discursar depois de Lula. No circuito diplomático, considera-se inevitável que o presidente dos EUA reserve um naco de sua fala à encrenca financeira.

 

Além da crise, Lula retomará os velhos temas de sempre: fome, pobreza, meio-ambiente, biocombustíveis, reforma do Conselho de Segurança da ONU e a retomada do diálo no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

 

Lula viajou para Nova York, cidade-sede da ONU, na tarde deste domingo (21). Permanecerá na cidade por quatro dias.

 

Na quarta (24), a crise financeira volta à agenda. A pedido da Grã-Bretanha, organizou-se para esse dia um encontro destinado especificamente a discutir o drama financeiro.

 

Por ora, além de Lula, confirmaram-se as presenças de representantes de outros quatro países: a idealizadora Grã-Bretanha, Índia, China e Austrália. Tenta-se arrastar para a reunião também a Rússia.

 

Afora o encontro na cena da assembléia da ONU, não está prevista nenhuma reunião privada de Lula com Bush. Prevê-se apenas uma conversa do chanceler Celso Amorim com a secretária de Estado Condolezza Rice.

Escrito por Josias de Souza às 04h14

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As manchetes desta segunda

- Folha: EUA estendem ajuda a bancos estrangeiros

- Globo: Brasileiro vive mais de 11 anos com saúde precária

- Estadão: EUA pedem a outros países que também socorram bancos

- JB: Tráfico e militares se encontram na favela

- Correio: Cinco mil vagas temporárias no comércio

- Valor: Congresso interfere em plano do Tesouro dos EUA

- Gazeta Mercantil: Congresso dos EUA quer auditar a ajuda aos bancos 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h03

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Neocapitalismo!

Pelicano
 

Via sítio Movimento das Artes.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Pacote dos EUA embrulha até os bancos estrangeiros

Alan E. Cober
 

 

O superpacote que a Casa Branca enviará ao Congresso será grande o bastante para embrulhar também os ativos pobres de bancos estrangeiros.

 

"Sim, eles deverão [ser incluídos]”, informa Henry Paulson, o secretário do Tesouro dos EUA. A razão? “Porque se uma instituição financeira tem operações nos EUA...”

 

Se “...contrata pessoas nos EUA e se está embaraçada com a falta de liquidez dos ativos, sofre o mesmo impacto do povo americano, como qualquer outra instituição."

 

Paulson reconhece que o plano, por caro (US$ 700 bilhões), vai doer no bolso do contribuinte. Mas diz que o custo seria maior se o governo não agisse.

 

De resto, Palson contou que os EUA pressionam outros países para que adotem solução análoga à que está sendo construída em Washington.

 

"Nós temos um sistema financeiro global e nós estamos conversando de forma agressiva com outros países em todo o mundo, e encorajando-os a tomar medidas similares, e acredito que grande parte deles irá [adotar]."

 

Por sorte, o sistema bancário do Brasil, tão bem nutrido, mantém-se longe dessa encrenca. O contribuinte brasileiro não suportaria mais um Proer.

 

PS.: Ilustração via Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Após recesso, Câmara vota criação de 3.070 cargos

  Beto Barata
Vencida a fase do “recesso branco”, uma folga escorada em justificativas eleitorais, a Câmara terá de deliberar sobre um lote de 15 projetos.

 

Foram enviados ao Legislativo pelo Planalto, no final de agosto. Juntos, representam um pacote de criação de novos cargos no Executivo.

 

São ao todo 3.070 novas vagas –510 nomeações políticas e 2.560 de provimento técnico, por concurso público.

 

Prevê-se também a abertura de 148 funções gratificadas. Remunerações adicionais que serão injetadas no contracheque de servidores promovidos.

 

A despesa anual prevista para depois que todos os cargos estiverem preenchidos, em 2009, é de R$ 378,5 milhões, assim distribuídos:

 

1. R$ 335,2 milhões para os cargos destinados a servidores copncursados;

 

2. R$ 41 milhões para os cargos em comissão, nomeados politicamente;

 

3. R$ 2,3 milhões para as novas funções bafejadas com gratificações.

 

A apreciação do pacote no Congresso deve seguir a lógica de outras propostas que abriram vagas na administração pública.

 

Acontecerá o seguinte: a oposição vai subir no caixote. A platéia ouvirá inflamados discursos contra o excesso de gastos e o inchaço da máquina pública.

 

Os governistas dirão que a gestão Lula precisa qualificar os serviços que presta ao contribuinte.

 

Vencida a fase do lero-lero, o lote de projetos será aprovado. Exatamente como aconteceu com propostas análogas que os precederam.

Escrito por Josias de Souza às 20h59

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Kassab prova que pode engolir sapo sem indigestão

  Leo Caobelli/Folha
Um político, como se sabe, às vezes é obrigado a engolir sapos. Kassab revelou-se um especialista na matéria.

 

Foi capaz de engolir um sapo. Sapo barbudo, no seu caso. E ainda deu uma aula sobre a arte de disfarçar a indigestão.

 

A eficiência eleitoral de Kassab é algo, por ora, pendente de comprovação. Em culinária exótica, porém, o candidato revela-se um gourmet insuperável.

 

Em clara referência a Kassab e ao DEM, o partido do candidato, Lula pespegou o epíteto de “oportunista.”

 

Com a ofensa atravessada na traquéia, o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), regurgitou uma nota azeda. “Respeito é bom e todo mundo gosta” cobrou.

 

Kassab, porém, não se deu por achado. Parece não ter tanto apreço pelo respeito. Mais: ele nem se sentiu desrespeitado.

 

Divergindo frontalmente de Rodrigo Maia e da lógica, Kassab acha que Lula "não se referiu a nós.” Portanto, declara-se “muito tranqüilo."

 

Disse que mantém com o presidente relações assemelhadas às que o unem ao dodói José serra.

 

"Minha relação com o governo do Estado e com o governo federal é a melhor possível, de muita cooperação e continuará sendo assim."

 

Como se vê, mesmo o eleitor que não entende xongas de política pode perceber as politicagens que permeiam a disputa eleitoral em São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Alckmin é acometido de um súbito surto de otimismo

  Folha
Num instante em que sua candidatura parece ir de mal a pior, Alckmin esforça-se para fazer crer que o quadro não é tão grave. Iria, no máximo, de pior a mal.

 

Discursando para um grupo de mulheres do aliado PTB, o candidato tucano mostrou que pode ser acusado de tudo, menos de falta de otimismo.

 

Deu de ombros para o fato de que o ‘demo’ Kassab, antes lá atrás nas pesquisas, agora lhe morde os calcanhares. Previu uma “virada” no primeiro turno.

 

Para o segundo round, fase em que se imagina livre dos gols contra de Serra e Cia., Alckmin anteviu uma vitória “de goleada” sobre a petista Marta.

 

"Hoje nós temos a metade do tempo na TV [dos adversários]. No segundo turno vai ser igual [o tempo]. Aí a vitória vai ser de goleada..."

 

"A eleição é daqui a dois domingos. Agora é que vai realmente ter uma definição. Eu estou crescendo na hora certa", disse Alckmin.

 

Em verdade, o candidato não está crescendo como diz. Freqüenta as sondagens eleitorais ora em condição estacionária ora em queda.

 

Pode virar o jogo? Claro que sim. Pesquisa, afinal, não é urna. Mas, por enquanto, o otimismo exacerbado de Alckmin soa como maluquice de candidato.

 

É como se, depois de despencar do penúltimo andar de um prédio alto, o candidato, em queda livre e a poucos metros do chão, dissesse algo assim:

 

“Bem, se não me machuquei até aqui, não será nesse pedacinho que falta que eu irei me esborrachar.”

Escrito por Josias de Souza às 19h37

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Diretoria da Anatel recebe novo PGO nesta semana

A proposta de reformulação do PGO (Plano Geral de Outorga) da telefonia deve ser submetida ao conselho diretor da Anatel até a próxima sexta-feira (26).

 

O novo texto derruba uma proibição contida no anterior. Vai ao lixo o veto que impede a junção de telefônicas que operam em regiões diferentes do país.

 

Com isso, fica desimpedido o caminho para a homologação da compra da Brasil Telecom pela Oi.

 

Embora anunciada em 25 de abril, a criação da supertelefônica não tem amparo legal. Daí a alteração do PGO, um conjunto de normas concebido em 1998, nas pegadas da privatização do sistema Telebrás.

 

O conselho deliberativo da Agência Nacional de Telecomunicações é composto de cinco diretores. Espera-se que a aprovação da mudança ocorra por unanimidade.

 

Três diretores torciam o nariz para a proposta. Mas informa-se no Ministério das Comunicações que o governo já teria conseguido “amolecer” esses votos.

 

Estima-se que a votação ocorrerá até o dia 15 de outubro. Em tempo para evitar que os barões da Oi –Carlos Jereissati (La Fonte) e Sérgio Andrade (Andrade Gutierrez)—tenham de amargar um prejuízo de R$ 500 milhões.

 

É esse o valor da multa prevista no contrato celebrado em abril, para o caso de a compra da Brasil Telecom não ser confirmada em 365 dias.

 

O negócio terá de ser referendado pela mesma diretoria da Anatel, depois que Lula der o seu aval à mudança do PGO.

 

Mas a simples aprovação do novo plano de outorgas, feita sob medida para ajustar a lei às conveniências da transação privada, funcionará como um indicativo de que o governo não deseja empanar o negócio.

 

A Anatel analisa a hipótese de impor contrapartidas à Oi. Mas o veto à compra da Brasil Telecom é algo que já não passa pela cabeça de ninguém.

 

Daniel Dantas, o suspeito-geral da República, aguarda com vivo interesse o fim da novela.

 

Acionista da BrT, ele concordou em se retirar da sociedade para viabilizar a fusão com a Oi. Depois que a transação obtiver as bênçãos do governo, Dantas receberá a parte dele. Ficará R$ 1 bilhão mais rico.

Escrito por Josias de Souza às 18h33

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Na semana do superpacote, EUA hospedam o mundo

George Bush vive, como se sabe, o ocaso de seu mandato. A sucessão arde à sua volta. E o cafezinho chega-lhe frio aos lábios.

 

Como se fosse pouco, o destino reservou a Bush um vexame adicional para esta fase em que o caminhão de mudança já manobra defronte da Casa Branca.

 

Na semana em que os EUA anunciarão o superpacote de socorro a Wall Street, Nova York será convertida numa espécie de hospedaria do mundo.

 

Graças à realização da 63ª sessão da Assembléia Geral da ONU, a cidade receberá presidentes, ministros e diplomatas de todo o planeta.

 

Serão testemunhas dos efeitos do derretimento da superpotência. Vão assistir in loco à derrama de US$ 700 bilhões em verbas públicas num buraco privado.

 

Bush será o segundo presidente a discursar na reunião da ONU. O primeiro, como de praxe, será Lula, o mandatário do Brasil.

 

Será difícil para o Bush de 2008, um presidente marcado pela ruína financeira, despejar sobre a platéia da ONU as lições de moral de anos anteriores.

 

Pode até fazê-lo, mas corre o risco de cavar risos marotos na face de rivais que não querem senão ver a sua caveira. Rivais como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

 

A pose de xerife do mundo não condiz com um Bush que legará ao sucessor a elevação do limite do endividamento do governo de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões.

Escrito por Josias de Souza às 17h29

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Embaixador dos EUA negociava com Brasil na Bolívia

  EFE
Na quarta-feira (17) da semana passada, Lula apoiou publicamente a decisão de Evo Morales de expulsar da Bolívia o embaixador dos EUA,
Philip Goldberg (foto).

 

Disse o seguinte: "Se for verdade que o embaixador dos EUA fazia reunião com a oposição do Evo Morales, o Evo está correto de mandá-lo embora."

 

Levado ao pé da letra, o raciocínio de Lula talvez justificasse também a expulsão do embaixador brasileiro em La Paz, o carioca Frederico Cezar de Araújo.

 

Em sua primeira entrevista depois da expulsão, Philip Goldberg, agora devolvido a Washington, confirmou ter conversado com dois oposicionistas bolivianos.

 

Ouviu de um deles, o governador Rubén Costas (Santa Cruz), queixas quanto à ausência de negociação com Evo Morales.

 

Philip Goldberg relata: “Eu disse a ele que ia a La Paz falar com o embaixador do Brasil sobre o esforço de mediação e fazer algo para possibilitar o diálogo.”

 

Ou seja, a ser verdade o que diz o embaixador dos EUA, não havia uma “conspiração”, mas uma ação pró-entendimento, envolvendo o colega brasileiro.

 

Coisa bem diferente do que disse Lula ao endossar o gesto extremo do companheiro Evo Morales:

 

"Não é de hoje e é famosa a interferência das embaixadas americanas em vários momentos da história do continente americano”, disse Lula.

 

“Então, eu acho que houve um incidente diplomático, se o embaixador estava tendo ingerência na política lá, o Evo está correto."

 

A conversa de Philip Goldberg com Rubén Costas ocorreu em Santa Cruz. Foi testemunhada por outra governadora de oposição, Savina Cuéllar (Chuquisaca).

 

Deu-se pouco antes do referendo que ratificou o mandato presidencial de Evo Morales. O embaixador dos EUA rememora:

 

“Não fiquei por muito tempo em Santa Cruz, porque não queria más interpretações antes do referendo...”

 

“...Dois membros proeminentes de MAS [partido que apóia Evo] me acusaram publicamente de ter mudado para Santa Cruz durante esse período, para dirigir o referendo...”

 

“...Não foi só uma mentira evidentemente intencional. A principal razão para ir a Santa Cruz foi porque tínhamos que abrir as Olimpíadas Especiais que nós financiamos...”

 

“...Foi então que passei pelo gabinete do governador Costas, porque temos, além de habilidade, obrigação de conversar com opositores, tanto quanto com gente do governo, em qualquer país onde nos encontremos.”

 

No encontro, diz Philip Goldberg, falou-se de programas de ajuda dos EUA para a região de Santa Cruz e de "assuntos conjunturais” do país.

 

Foi quando o governador Rubén Costas mencionou a falta de diálogo com o governo, arrancando do interlocutor a promessa de recorrer à embaixada do Brasil.

 

“Isso é o que fazem os diplomatas”, afirma Philip Goldberg. “Isso não é subversivo, é a prática da diplomacia. Se outros não querem entender o que é a prática da diplomacia, não é problema nosso.”

 

Hoje, os governadores Rubén Costas (Santa Cruz) e Savina Cuéllar (Chuquisaca), que tricotavam com o embaixador dos EUA, encontram-se com os cotovelos acomodados sobre uma mesa de negociação aberta por Evo.

 

Uma negociação acompanhada por representantes de nações amigas. Entre eles o embaixador brasileiro Frederico Cezar, que viajou para Cochabamba a fim de testemunhar um entendimente que, agora, parece próximo.

Escrito por Josias de Souza às 03h23

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Crise: empresas perderam US$ 215 bilhões no Brasil

 

- Folha: Lula reabre compra de Petrobras com FGTS

 

- Estadão: Pacote dos EUA prevê socorro de US$ 700 bi

 

- JB: Campanha não empolga eleitor

 

- Correio: A Brasília que joga

 

- Valor: Dólar dispara e leva BC a intervir

 

- Gazeta Mercantil: Bancos Centrais injetam recursos e mercados reagem

 

- Veja: Eu salvei você

 

- Época: O pior já passou?

 

- IstoÉ: “ASK BUSH” Que crise?

 

- IstoÉ Dinheiro: O fim de Wall Street

 

- Carta Capital: O dia do crack, na maior crise financeira desde 1929

 

- Exame: Até onde vai esta crise (e como ela pode afetar o Brasil)

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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O rei está nu!

Paixão
 

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Tachado por Lula de oportunista, DEM pede 'respeito'

José Cruz/ABr

 

O DEM acusou o golpe. Espicaçado por Lula, o partido contra-atacou com uma nota. Assina-a o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia.

 

No título da nota, um brocardo: “Respeito é bom e todo mundo gosta.” Na última frase, um golpe abaixo da linha da cintura:

 

“Melhor faria [Lula] se refletisse sobre o oportunismo de eleger-se presidente do Brasil prometendo agir com ética, para tornar-se chefe do governo do mensalão e do cuecão.”

 

Mais cedo, em comício da candidata petista Marta Suplicy, em São Paulo, Lula tachara o DEM de “oportunista.” Daí a reação.

 

Na véspera, em outro comício, dessa vez em Natal, Lula investira contra José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado e crítico contumaz do governo.

 

“Melhor faria o presidente Lula da Silva se respeitasse a Oposição, que não participa do porão de negócios do seu governo”, anota Rodrigo em seu texto.

 

Afirma que “o presidente não perdoa o Democratas porque o partido ajudou a derrotá-lo no Senado, votando, de forma unânime, pelo fim da CPMF.”

 

Ficou sem resposta uma provocação de Lula: “Eu ando pelo Brasil inteiro. Até o pessoal do DEM está com fotografia minha...”

 

“...De dia, eles me xingam na Câmara e no Senado. E de noite, distribuem santinhos do Lula nas ruas das cidades.”

 

Vai abaixo a íntegra da nota de Rodrigo Maia:

 

Respeito é bom e todo mundo gosta


O Presidente da República confunde divergência política com campeonato de canelada e agride o Democratas. 

 

De modo arrogante e autoritário - porque julga que o país lhe dá trela e lhe protege por causa dos seus índices de popularidade - o presidente Lula da Silva tenta desrespeitar a Oposição.

 

Em nome da boa convivência democrática, melhor seria deixar o presidente Lula, com toda a sua superioridade inexistente, falando sozinho.

 

Cumpre, no entanto, lembrar ao país que o presidente não perdoa o Democratas porque o Partido ajudou a derrotá-lo no Senado votando, de forma unânime, pelo fim da CPMF, imposto injusto que pesava no bolso do trabalhador brasileiro.

 

Melhor faria o presidente Lula da Silva se respeitasse a Oposição que não participa do porão de negócios do seu governo.

 

Melhor faria ainda se refletisse sobre o oportunismo de eleger-se presidente do Brasil prometendo agir com ética para tornar-se chefe do governo do mensalão e do cuecão.

 

Rodrigo Maia

Presidente dos Democratas

Escrito por Josias de Souza às 01h16

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Jobim reafirma: Abin tem aparatos que 'grampeiam'

  Fábio Pozzebom/ABr
Engana-se quem pensa que o laudo da Polícia Federal pôs fim à novela que tem como protagonistas os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Jorge Félix (GSI).

 

Jobim informa que, até terça (23), enviará à CPI do Grampo “outros elementos.” São papéis que atestam “as compras feitas” pela Abin.

 

O ministro joga querosene numa fogueira que se imaginava a caminho da extinção:

 

“Pelo menos umas cinco ou seis, alguns técnicos afirmam que aquilo tem capacidade de fazer interceptações [telefônicas]”.

 

Mas, afinal, que técnicos são esses? “São pessoas conhecidas minhas”, limita-se a dizer Jobim.

 

E quanto ao laudo da PF, que examinou 16 equipamentos, está errado? Jobim sugere que nem todos os aparatos da Abin foram periciados: “Está correto [o laudo] em cima dos instrumentos examinados.”

 

O ministro volta a manusear o galão de querosene: “Os dados que nós temos são outros. Então, nós vamos enviar agora à CPI todos os elementos...”

 

“...E existe uma série de instrumentos que oferecem essa possibilidade [de fazer grampos]. Pelo menos são informações de técnicos que examinaram os instrumentos que foram adquiridos.”

 

Na quarta (24), a CPI dos Grampos pretende reinquirir Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional e superior hierárquico da Abin.

 

Nesse dia, se Jobim cumprir a promessa, os deputados da CPI já terão em mãos os documentos sobre os tais equipamentos aptos a grampear. E a fogueira arderá, uma vez mais, sob holofotes.

Escrito por Josias de Souza às 21h01

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Surge suposta ‘namorada brasileira’ de John Mccain

Surge suposta ‘namorada brasileira’ de John Mccain

  Zero Hora
Num livro de memórias escrito em 99 –“Fé dos Meus Pais”— John McCain conta que, na mocidade, teve uma namorada brasileira.

 

A rede de TV ABC News foi atrás. E localizou, no Rio, Maria Gracinda Teixeira de Jesus (na foto).

 

Hoje entrada em anos, Gracinha, 77, jura de pés juntos e dedos descruzados que é ela a ex-namoradinha de McCain. Chamava-o assim: “Doce de coco.”

 

Agora levada às páginas dos jornais brasileiros (aqui e aqui), Gracinha refere-se ao candidato à Casa Branca em timbre afetivo e pouco republicano:

 

“Ele era gostosinho, carinhoso e romântico.” Ou ainda: “Ele beijava muito bem.”

 

Segundo conta, conheceram-se num almoço a bordo do no navio português Vera Cruz, ancorado na Praça Mauá, em 1957.

 

Três anos antes, Gracinha candidatara-se a Miss Distrito Federal de 1954. Antes, em 1949, fora eleita, aos 17, Rainha do Comércio do Rio.

 

A versão de Gracinha difere do relato de McCain. No livro, o candidato diz ter conhecido seu amor brasileiro numa festa do ‘hy society’, no Pão de Açúcar.

 

"Nós dançamos no terraço admirando a paisagem da baía até 1h”, anotou McCain. A certa altura, “senti que a sua bochecha estava úmida...”

 

“...‘Qual o problema?’, perguntei. ‘Nunca mais vou vê-lo novamente’, ela retrucou. Eu disse a ela que estaria na cidade por mais oito dias...”

 

“...E ficaria com ela o tempo que ela quisesse. Mas ela rejeitou, dizendo: ‘Não, eu não posso vê-lo nunca mais.’"

 

Gracinha sugere que o trelelê com McCain teria sido mais profundo, chegando inclusive aos lençóis.

 

Ela conta que tinha um Cadillac Eldorado conversível azul-turquesa –nas páginas do livro, McCain refere-se a um Mercedes.

 

Segundo Gracinha, o casal passeou de carro pela Barra da Tijuca. Por vezes, os passeios teriam terminado na casa dela.

 

“Ele era uma graça, um amor de pessoa, adorava passear comigo. Foi um amor grande, mas aí ele viajou e acabou. Do contrário poderia estar com ele até hoje.”

 

E se fosse a primeira-dama dos EUA? “Não gosto de política, ia cuidar de bichos, de crianças e idosos. E ficar de olho no John sempre. Ter ciúmes daquele homem é uma coisa normal.”

 

Caso McCain prevaleça sobre Barack Obama, Gracinha planeja enviar-lhe um telegrama. Vai assinar assim: "Seu grande amor do Brasil".

Escrito por Josias de Souza às 20h20

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A crise deve resultar numa fase de maior regulação

A crise deve resultar numa fase de maior regulação

Alan E. Cober
 

 

O futuro é como tela virgem diante do pintor. Sabe-se que, do branco brotará uma pintura. Entre um traço e outro, pode-se arriscar um palpite: vai ficar feia. Ou bonita.

 

Mas nem ao artista é dado adivinhar os contornos finais da própria obra. Não antes dos últimos movimentos do pincel.

Assim também com a economia. Autoridades norte-americanas estão debruçadas, neste final de semana, sobre o rascunho da tela que será exposta nos próximos dias.

 

Por ora, há sobre o cavalete apenas um borrão. Analistas rufam nas páginas dos jornais previsões para gostos variados. Impossível, porém, desconsiderar a fluidez da cena.

 

De concreto, tem-se o seguinte: 1) Ainda não foi descoberta uma vacina para a maldição dos ciclos econômicos; 2) Vem aí uma fase marcada pelo aperto na regulação.

 

A atmosfera carregada da semana passada pairou sobre o sonho do capitalismo moderno como nuvem carregada em cima de casa destelhada.


Nuvens, como se sabe, são como os próprios ciclos econômicos. Vão e vêm. A estiagem que embalava a prosperidade dos EUA experimentou, há um ano, uma virada.

 

Deu-se uma tempestade de trovões anunciados. No início de 2000, Alan Greenspan já começara a prever, com antecedência de oito anos, que desceriam os raios.

 

Greenspan acumulava na época duas funções. Uma formal: presidente do Federal Reserve. Outra informal: oráculo da economia globalizada.

 

Do alto da autoridade dupla, Greenspan vaticinara: "É essencial que o atual período de relativa estabilidade internacional seja aproveitado da melhor forma possível para reduzir os riscos potenciais mais evidentes para uma crise".

 

"Não podemos prever com precisão a natureza da próxima crise financeira internacional. Mas que haverá uma é tão certo quanto a persistente imprudência financeira humana".

A crise chegou. E veio embalada pela “imprudência financeira” de um sistema cujos vícios Alan Greenspan viu avolumarem-se.

 

Respira-se agora, dependendo do ponto de vista, uma atmosfera de fim de ciclo ou de início de nova era. Na curva entre os dois conceitos, uma constatação unânime:

 

Junto com as instituições financeiras que micaram nos EUA foi à breca o postulado segundo o qual o sistema capitalista moderno, por auto-regulável, empurraria o mundo pós-Guerra Fria à prosperidade eterna.

 

Ruiu também o lero-lero de que ao Estado caberia apenas agir para atenuar os efeitos nocivos do sistema: pobreza, fome, desemprego... Exclusão social, enfim. Os pecados do mercado, o próprio mercado, livre de amarras, cuidaria de purgar.

 

Os fatos desmentiram, uma vez mais, as boas intenções. Noves fora o custo exportado para o resto do planeta, as perversões escondidas atrás da nova crise vão morrer no bolso do contribuinte norte-americano.

 

A analogia com o passado é inevitável. O colapso de 1929 interrompera um boom econômico que começara 33 anos antes, em 1896.

 

A mega-crise de 1974 repetira, 45 anos depois, a tremedeira de 1929. Agora, separado de 1974 por 34 anos, 2008 desce aos livros com cara de terremoto.

 

O diabo é que agora já não há nem mesmo o contraponto da visão marxista de uma sociedade voltada para o bem-estar, em detrimento do lucro. Faliram também as utopias.

 

Em meio à falência também das utopias, o capitalismo tampouco foi capaz de prover uma resposta a Marx. Espera-se, então, que o Estado providencie ao menos um feixe de mecanismos mais rigorosos de controle.

Algo que permita enxergar a tempestade antes que ela troveje sobre as arcas públicas. Ou, por outra, um sistema que pelo menos estique o intervalo entre um e outro ciclo de maturação da “imprudência financeira humana".

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 19h12

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Lula mergulha gostosamente no saco de gatos de SP

AP
 

 

A campanha eleitoral de São Paulo virou um receptáculo de felídeos domésticos.

 

O receptáculo é oblongo. E os felídeos têm uma cor que mescla o branco e o preto.

 

Em resumo: um saco de gatos pardos, eis o que virou a disputa paulistana.

 

Não fosse pelo tamanho das unhadas, seria difícil distinguir uns dos outros.

 

Neste sábado (20), Lula fez uma visita ao saco.

 

O presidente trazia na extremidade dorsal dos dedos não unhas, mas lâminas.

 

Durante a semana, Kassab e Alckmin achegaram-se a Lula. Cada um a seu modo.

 

Kassab chegou mesmo a divergiu, em público, de Rodrigo Maia, presidente do DEM.

 

Disse que não se deve fazer oposição cega a Lula, que tem sido correto com São Paulo.

 

Levou uma lanhada de Lula: “Eu ando pelo Brasil inteiro. Até o pessoal do DEM está com fotografia minha...”

 

“...De dia, eles me xingam na Câmara e no Senado. E de noite, distribuem santinhos do Lula nas ruas das cidades. Eles não têm lado porque são oportunistas."

 

Alckmin dissera na TV que o problema não é Lula, mas o PT. E o presidente: "Hoje eles dizem: 'Ah o Lula tudo bem, mas o PT não sei das quantas'. Estão brincando com nossa inteligência."

 

De resto, segue o festival de unhadas de Alckmin em Kassab e vice-versa.

 

Nesse nicho do saco, é Alckmin quem se encontra mais arranhado.

 

Ele dissera que José Serra, quando candidato a prefeito, em 2004, não queria Kassab na vice.

 

O nome teria sido imposto a Serra. Um “golpe” da tribo ‘demo.’

 

Serra viu-se compelido a distribuir uma nota que vale por muitas unhadas.

 

Diz o texto: "Gilberto Kassab foi um vice leal e solidário. E, à frente da prefeitura, seguiu à risca nosso programa de governo."

 

Kassab, por vivo, fingiu-se de morto: “Não vou comentar”. Quer deixar Serra em posição confortável.

 

Alckmin esboçou uma batida em retirada. Disse que deseja por um “ponto final” no arranca-rabo.

 

Difícil. Ultimamente, Alckmin parece mais afeito a outros tipos de ponto: o de exclamação e, sobretudo, o de interrogação.

 

Quanto a Serra, adota em São Paulo comportamento inverso ao de Lula. Foge do saco como gato escaldado de água fria.

 

O governador tucano converteu-se numa espécie de gênio às avessas.

 

Quem já não ouviu histórias de gênios querendo sair da garrafa? Pois Serra escreve o conto do gênio que não deseja senão manter-se enterrado na garrafa.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Um supermercado só para pobres; pobres austríacos

Um supermercado só para pobres; pobres austríacos

Escrito por Josias de Souza às 17h15

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EUA: 43% dizem que a crise não interfere no voto

EUA: 43% dizem que a crise não interfere no voto

29% declaram que crescem chances de votar em Obama

23% afirmam que aumenta hipótese de optar por McCain

 

Susan Walsh/AP

 

Quatro em cada dez eleitores dos EUA afirmam que a crise que rói os pilares de Wall Street não tem impacto sobre a decisão que irão tomar na corrida pela Casa Branca.

 

O dado foi detectado em pesquisa do Gallup, divulgada nesta sexta (19). Segundo o instituto, a crise financeira que faz tremer o país pode resultar em benefício eleitoral para Barack Obama.

 

Mas, por ora, a perspectiva de vantagem é efêmera, ligeira, quase imperceptível. Apenas 29% afirmam que a crise reforça a opção de voto em Obama.

 

Para 23% dos entrevistados, o terremoto na economia tonifica a propensão de votar no outro candidato: John McCain.

 

A maioria (43%) diz que a turbulência econômica não vai interferir na escolha do candidato à sucessão de George Bush. Outros 5% não quiseram opinar.

 

O Gallup captou um outro dado relevante: o eleitorado norte-americano está dividido ao meio quanto à capacidade dos dois candidatos de lidar com a crise.

 

Para 43%, Obama gerenciará melhor a crise se for acomodado na cadeira de presidente.

 

Percentual praticamente idêntico de eleitores (42%) vê em McCain um candidato mais bem preparado para pelejar com a crise.

 

Os números ajudam a entender o porquê de o democrata Obama não ter disparado nas sondagens eleitorais.

 

Pela lógica, a crise deveria impor maiores prejuízos à campanha do republicano McCain, unido por liames partidários à desastrosa administração Bush.

 

McCain não conseguiu sair ileso da crise. Mas os danos impostos à candidatura dele são ínfimos se comparados ao tamanho da encrenca financeira.

 

O Gallup realiza pesquisas diárias para aferir o desempenho dos dois candidatos. Farejou, na última segunda-feira (15), uma leve reversão nos índices.

 

Na liderança da sondagem desde que o Partido Republicano referendara seu nome como candidato oficial, McCain começou a perder terreno para Obama.

 

De acordo com o Gallup, a semana chegou ao fim com Obama (49%) à frente de McCain (44%).

 

Mas a vantagem de cinco pontos amealhada por Obama roça a margem de erro da pesquisa diária, que é de 3%.

 

Tudo considerado, o Gallup conclui: tudo indica que a crise está apenas reforçando posições que já existiam antes de o drama econômico ganhar o noticiário.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

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- Folha: Bolsas disparam à espera de megapacote

 

- Globo: Após depressão, socorro oficial leva euforia a Bolsas

 

- Estadão: Plano dos EUA para crise terá 'centenas de bilhões de dólares'

 

- JB: Cofre aberto para a crise

 

- Correio: Motorista infrator terá punição gradual

 

- Valor: Dólar dispara e leva BC a intervir

 

- Gazeta Mercantil: Bancos Centrais injetam recursos e mercados reagem

 

- Jornal do Commercio: Estado corta salário de 2.142 servidores

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h18

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De Maluf a Marta!

Angeli
 

Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 04h13

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Rascunho de certas notícias do dia passadas a sujo

   Alan E. Cober
1.
Lulomania: à espera da resolução do enigma do primeiro turno –Alckmin ou Kassab?—, Marta cuida para não ser devorada no segundo round.

 

Neste sábado (20), a candidata petista vai ao palanque, de novo, com Lula a tiracolo.

 

No topo das pesquisas, Marta poderia, em tese, relaxar e gozar.

 

As mesmas sondagens, contudo, farejam um segundo turno bem menos róseo para o petismo. Assim, melhor não facilitar.

 

 

2. Lulofobia: De passagem por Mossoró (RN), Lula fez troça da inquietude da oposição com seus confortáveis índices de popularidade.

 

"Se os adversários estão preocupados porque as coisas estão dando certo esperem para ver o que vai acontecer nesse país até 2010, depois do pré-sal, do trem-bala, depois das obras do PAC estarem todas concluídas."

 

Repetiu que registrará seus "feitos" em cartório. Por que? Para inspirar no sucessor, que espera seja “da continuidade”, uma “preocupação”:

 

“Se um presidente que não tem diploma universitário fez tudo isso, eu, que tenho diploma, tenho que fazer mais”, dirá o sucessor aos seus botões, segundo a crença de Lula.

 

 

3. Lulotônico: Numa esticada até Natal (RN), Lula escalou o palanque de Fátima Bezerra (PT). De acordo com o Ibope, a petista (28%) ainda come poeira.

 

Embora em movimento ascendente, continua na rabeira da rival “verde” Micarla de Sousa (45%), apoiada pelo proto-oposicionista José Agripino Maia.

 

Para o petismo, a presença de Lula funcionará como espécie de tônico da virada. Agripino dá de ombros: “Não vai fazer diferença nenhuma.”

 

Ao discursar, Lula não fez segredo dos motivos que o levaram a Natal. O presidente quer o escalpo de Agripino:

 

“Eles derrotaram a CPMF achando que tinham me derrotado. Mas eles não sabem que nordestino que nasce pobre tem as costas calejadas. E eu não cheguei à presidência de graça..."

 

‘‘...Meu papel, como presidente da República, não é levantar a voz para ninguém, mas esse cidadão que coordena a campanha adversária, que transborda em ódio contra o governo federal, eu sabia que esse dia chegaria.”

 

Anunciou que o instinto de vingança o fará voltar: “Em 2010, vamos fazer o ajuste de contas em Natal. Virei quantas vezes for necessário para derrotá-lo.’’

 

 

4. Sangue: Em meio à campanha internacional pela pacificação da Bolívia, um cacique da tribo governamental de Evo Morales levou a mão ao tacape.

 

Líder do governo no Senado, Felix Rojas Gutierrez disse que nem tudo vai à mesa de negociação. A reforma agrária, por exemplo, está fora.

 

Será feita, segundo ele, com sangue: “Todo parto implica sangue. E o nascimento de um novo país também implica sangue...”

 

Sangue derramado “...sobre as cinzas de uma sociedade decadente, com uma classe latifundiária que veio se aproveitando nos últimos tempos [...] para encher os seus bolsos...”

 

“...Agora os pobres do país, no comando do governo, vão conseguir, finalmente, construir sobre as cinzas desta sociedade decadente uma nova sociedade, com eqüidade, justiça e sem pobres.”

 

 

5. Tortura: Nem depois de saborear cada letra do laudo da PF que desmentiu Nelson Jobim na novela dos grampos, o general Jorge Félix livrou-se da marcação do Congresso.

 

A CPI do Grampo reconvocou o mandachuva do GSI para mais uma daquelas torturantes sessões de inquirição. Será na próxima quarta (24).

 

Nesse ritmo, o general ainda acaba transferindo seu gabinete do Planalto para a planície do Legislativo.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Evo pede a expulsão de rivais ‘refugiados’ no Acre

A administração Evo Morales pediu ao governo companheiro de Lula que expulse do Acre os bolivianos acusados de envolvimento nos confrontos de Pando.

Receosos das sanções de La Paz, vários opositores do governo boliviano cruzaram a fronteira com o Brasil.

 

Refugiaram-se em duas cidades acreanas: Epitaciolândia e, sobretudo, em Brasiléia.

 

Dias atrás, Brasília já dera uma mãozinha a Evo ao negar um pedido de asilo político ao governador de Pando, Leopoldo Fernández, agora preso na capital boliviana.

 

Fernández e o grupo dele são acusados de responsabilidade no massacre que resultou em pelo menos 17 mortes e no sumiço de 106 pessoas.

 

Alfredo Rada, ministro do Interior da Bolívia, refere-se ao grupo assim: "Gente considerada criminosa." Que “participou de forma direta no massacre em 11 de setembro".

Daí o pedido ao governo Brasileiro para que devolva à Bolívia os cidadãos que devem explicações à Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 18h01

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Procon gaúcho impõe uma multa de R$ 971 mil à TAM

Apu Gomes/Folha
 

 

Sob a alegação de que a TAM demorou demais a divulgar a lista das vítimas da tragédia do vôo 3054, o Procon do Rio Grande do multou a companhia.

 

Multa acerba: R$ 971.031,60. Mas cabe recurso. A TAM tem prazo de dez dias para contestar a penalidade.

 

Procedente de Porto Alegre, o avião que conduzia os passageiros do vôo 3054 espatifou-se em Congonhas (São Paulo), no dia 17 de julho de 2007.

 

O acidente produziu 199 cadáveres. Para o Procon gaúcho, ao demorar mais de seis horas para liberar a lista das vítimas, a TAM causou suplício adicional aos familiares.

 

Teria havido "recusa injustificada em prestar serviço.” Um “defeito na prestação de informação". A TAM ainda não se manifestou.

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Carlismo conserva os ‘sinais vitais’ em Salvador

 

 

Em 2006, ao prevalecer sobre Paulo Souto (DEM) na disputa pelo governo baiano, o petista Jaques Wagner impôs dura derrota ao grupo de ACM.

 

Com a morte de ACM, ocorrida pouco depois, imaginou-se que, junto com o líder, descera à cova também a linhagem política dele.

 

Pois bem, representado na eleição municipal de Salvador pelo ‘demo’ ACM Neto, dodói do avô, o carlismo sacode no leito. Exibe os seus sinais vitais.

 

Na última sondagem do Datafolha, ACM Neto manteve-se na liderança, com 27%. Vêm atrás dele João Henrique (PMDB), com 22%; e Walter Pinheiro (PT), com 20%.

 

A pesquisa acomodou Pinheiro no elevador. Subiu quatro pontos. A 16 dias do primeiro turno, esboça-se a perspectiva de um confronto PT X DEM no segundo turno.

 

Dá-se coisa semelhante em São Paulo. Ali, empatado com Geraldo Alckmin (PSDB) em 22%, o ‘demo’ Gilberto Kassab aproxima-se de um segundo round contra a petista Marta Suplicy (37%).

 

Arma-se também em Recife um cenário de segundo turno do PT de João da Costa contra o DEM de Mendonça Filho.

 

Com uma diferença: ao contrário de Kassab, que sobe, Mendonça desce. Partira de um patamar de 30%. Hoje, amealha 22%, contra notáveis 48% atribuídos ao rival petista.

 

De resto, vem do Rio a novidade mais vistosa captada pelo Datafolha. Outrora azarão, Eduardo Paes, um ex-tucano que se aninhou no PMDB, sob as asas do governador Sérgio Cabral, isolou-se na liderança.

 

Com 26%, Paes abriu oito pontos de vantagem sobre o preferido de Lula e antigo favorito Marcelo Crivella (PRB), agora com 18%.

 

Digna de nota também é a subida de Fernando Gabeira. Escalou três pontos percentuais. Foi a 11%. Encontra-se agora em empate técnico com a terceira colocada, Jandira Feghali (PCdoB), que tem 13%.

 

Um detalhe pode alterar, na última hora, a cena da eleição carioca: a candidatura do líder Eduardo Paes encontra-se pendurada num passivo judicial.

 

Questionada pelo DEM do prefeito César Maia, a postulação de Paes depende, ainda, de uma palavra final do TSE. Imagine-se o sururu que sobreviria de uma eventual impugnação.

 

Não deixe de se informar sobre os números captados pelo Datafolha em outras três vitrines da eleição municipal: Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Universal indenizará herdeiros de uma mãe-de-santo

Stock Images
 

 

A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a pagar indenização de R$ 145.250 aos herdeiros de uma mãe-de-santo baiana.

 

A sentença foi ratificada, por unanimidade, pela 4ª turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

 

O nome da mãe-de-santo é Gildásia dos Santos e Santos. Uma foto dela foi veiculada, em 1999, pela Folha Universal, jornal da igreja do auto-proclamado bispo Edir Macedo.

 

A imagem de mãe Gildásia serviu de ilustração para uma notícia que tinha o seguinte título: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes.”

 

A ialorixá morreu em 2000. Mas os herdeiros dela –marido e seis filhos— decidiram levar a Universal às barras dos tribunais. Alegram ofensa à honra.  

 

A 17ª Vara Cível da Bahia deu razão aos herdeiros. Condenou a Igreja Universal a pagar uma indenização salgada: R$ 1,4 milhão.

 

Mais: a Folha Universal foi condenada a publicar, em dois números, uma retratação à mãe-de-santo.

 

A Universal recorreu. E o processo foi escalando as instâncias do Judiciário, até aportar no STJ. Ali, manteve-se a condenação, mas atenuou-se a sentença.

 

A indenização foi reduzida de R$ 1,4 milhão para R$ 145.250 –R$ 20.750 para cada herdeiro. Em vez da retratação dupla, a Folha Universal terá de veicular apenas uma.

 

Seja como for, a macumba editorial da Universal virou-se contra o macumbeiro, lesando-lhe o bolso.

Escrito por Josias de Souza às 15h44

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Resposta dos EUA à crise: socialização de prejuízos

Alan E. Cober
 

 

O governo e o Congresso dos EUA se juntaram para tentar produzir um feixe de medidas contra a crise financeira que eletrifica os mercados mundiais.

 

A coisa será costurada ao longo do final de semana. Uma das providências sob análise prevê a adoção de um remédio amargo para o contribuinte norte-americano.

 

Estuda-se a criação de uma agência governamental com poderes e dinheiro para assumir o passivo de instituições financeiras micadas.

 

A tal agência encamparia os bancos encalacrados, engoliria o lado podre dos balanços e devolveria a parte boa ao mercado.

 

Em bom português: será uma mega-socialização dos prejuízos que envenenam o sistema bancário dos EUA.

 

Estima-se em cerca de US$ 1 trilhão o custo da brincadeira. Uma conta a ser espetada na tabuleta do Tesouro norte-americano.

 

o secretário do Tesouro, Henry Paulson, "Este país é capaz de se unir e realizar as coisas rapidamente quando é preciso, pelo bem do povo americano".

 

"Agora estamos trabalhando para combater um risco sistêmico e a tensão em nossos mercados de capitais”, diz Henry Paulson, o secretário do Tesouro.

 

Em uma frase, Paulson expõe o miolo da picanha que foi levada à grelha:

 

“Falamos de um enfoque integral, que exigirá uma nova legislação, para enfrentar os ativos sem liquidez nos Estados Unidos."

 

O presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA) ecoa Paulson:

 

"Nos unimos para trabalhar em uma rápida solução, que ataque o foco do problema: os ativos sem liquidez dos balanços das instituições financeiras."

 

Confirmando-se a receita desse churrasco que reserva ao cidadão norte-americano apenas sal grosso, a perspectiva é de que o furacão dê uma trégua.

 

O que inquieta os mercados ao redor do mundo é a iminência de uma surpresa a cada esquina.

 

Se a Casa Branca assegura que vai engolir todos os micos –inclusive os que estão por vir—cessam, em tese, as dúvidas que embalam a onda de pânico.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery

Escrito por Josias de Souza às 03h32

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Bolívia busca 106 pessoas ‘desaparecidas’ em Pando

Blog da Amazônia
 

 

O governo boliviano recebeu de uma entidade sindical camponesa uma lista macabra.

 

Traz os nomes de 106 pessoas “desaparecidas”. São moradores do Estado de Pando.

 

Foi nesse pedaço do mapa boliviano que a crise política produziu cadáveres.

 

Inicialmente, La Paz estimara os mortos em 30. Depois, 15. Agora, 17.

 

O governo já falava em 106 desaparecidos. Mas não exibia os nomes.

 

Nesta quinta (18) surgiu a lista. Foi elaborara por uma entidade sindical.

 

Chama-se Federación Sindical Única de Trabajadores Campesinos de Pando.

 

O documento foi entregue a uma autoridade do governo Evo Moales: Waldo Albarracín.

 

Na foto lá do alto, Albarracín aparece ao lado de uma camponesa.

 

Ele ocupa o cargo de Defensor do Povo. É uma espécie de ombudsman do governo.

 

A reunião em que a lista foi entregue foi testemunhada por Altino Machado.

 

Trata-se de um jornalista brasileiro, baseado no Acre. É titular do Blog da Amazônia.

 

De acordo com os relatos feitos a Albarracín, há entre os desaparecidos até crianças.

 

Na véspera, uma TV de La Paz, o Canal 7, informara que o governo destacara 85 pessoas para realizar uma busca aos desaparecidos de Pando.

 

É justamente o que pediram os representantes da federação camponesa.

 

Ouvido pela emissora, Albarracín disse que as buscas sanearão as dúvidas quanto ao número de cadáveres.

 

De uma coisa o governo boliviano parece não ter dúvidas: acusa o governador de Pando, Leopoldo Fernández, de ser o mandante das mortes.

 

Ferrenho opositor de Evo Morales, Fernández encontra-se detido em La Paz.

 

Quanto à perspectiva de punição, Albarracín, o Defensor do Povo, disse o seguinte aos camponeses:

 

“Imaginemos que nossas investigações não resultem na condenação dos responsáveis pelo massacre...”

 

“...Caso isso aconteça, nós poderemos apelar ao Tribunal Internacional de Haia, na Holanda, e à OEA.”

 

O massacre de Pando foi um dos itens que constaram da nota conjunta dos presidentes da Unasul.

 

Reunidos em Santiago, na última segunda (15), nove presidentes, entre eles Lula, decidiram enviar à Bolívia uma comissão para investigar as mortes.

 

A atmosfera intoxicada de Pando, que se encontra sob estado de sítio, empurra a encrenca para dentro do Brasil.

 

Bolivianos e brasileiros residentes em Pando buscam refúgio na fronteiriça cidade de Brasiléia, no Acre.

 

José Alvani, da Secretaria de Articulação Institucional do governo do Acre, informa:

 

“Nós já recebemos mais de mil bolivianos, além de um grupo brasileiro com 30 homens, mulheres e crianças.”

 

Os brasileiros encontram-se alojados no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia (veja foto abaixo). Não querem retornar à Bolívia.

 

Refugiaram-se também na acreana Brasiléia partidários do governador Leopoldo Fernández. Fogem das represálias de La Paz.

 

Blog da Amazônia

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Dólar dispara e vai a R$ 2

 

- Estadão: BC decide vender US$ 500 milhões

 

- JB: Menos 3 milhões de pobres

 

- Correio: Segura o dólar!

 

- Valor: Dólar dispara e leva BC a intervir

 

- Gazeta Mercantil: Bancos Centrais injetam recursos e mercados reagem

 

- Estado de Minas: Dólar já faz brasileiro rever vôos ao exterior

 

- Jornal do Commercio: Fuga em massa é abortada

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Contra o furacão, guarda-chuvas!

Novaes
 

Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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TSE veta candidatura a vereador de filho de Lula

  Folha
Numa eleição em que onze em cada dez políticos cobiçam o apoio de Lula, a intimidade com o presidente tornou-se pesadelo para um candidato a vereador de São Bernardo.

 

Chama-se Marcos Cláudio Lula da Silva. Filho de Marisa Letícia, ele foi adotado pelo presidente quando tinha 3 anos.

 

No mês passado, o TRE de São Paulo negara o pedido de registro da candidatura de Marcos Lula. O motivo: como filho do presidente, ele seria inelegível.

 

O candidato recorreu ao TSE. Que, na noite desta quinta (18), manteve o veto à participação de Marcos Lula nas eleições.

 

A proibição é inspirada no parágrafo 7º do artigo 14 da Constituição. Eis o que reza o texto:

 

São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, de governador de Estado (...), de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

 

Prevaleceu no TSE a tese segundo a qual o “território de jurisdição” de Lula é o Brasil inteiro.

 

Ou seja: Marcos Lima não pode concorrer nem em São Bernardo nem em qualquer outro município brasileiro.

 

Os advogados do filho do presidente prometem levar o caso até o STF. Terão de correr. Faltam 17 dias para a eleição.

 

É o cúmulo da ironia: o candidato mais chegado a Lula foi atropelado pela intimidade hereditária.

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Lula: ‘Quarta Frota está quase em cima do pré-sal’

 

De passagem pela cidade gaúcha de Rio Grande, Lula revelou-se preocupado com a presença militar dos EUA na costa marítima da América Latina.

 

Referiu-se especificamente à Quarta Frota naval dos EUA, despachada para a região a pretexto de combater o narcotráfico e auxiliar em missões de paz.

 

Para Lula, os EUA podem estar de olho, veja você, no tesouro do pré-sal. Disse já ter inclusive manifestado sua preocupação ao próprio George Bush.

 

"A Marinha joga um papel importante para proteger o nosso pré-sal, porque os homens já estão aí com a Quarta Frota quase em cima do pré-sal", disse Lula.

 

Acrescentou: "A nossa Marinha tem que ser a guardiã das nossas plataformas em alto-mar para fiscalizar esse patrimônio...”

 

“...Daqui a pouco chega um espertinho aí e fala: ‘Isso é meu, está no fundo do mar mesmo, ninguém sabe, isso é meu’."

 

Lula chegou mesmo a insinuar que, servindo-se de tecnologia ainda indisponível, forças alienígenas se aventurem a enfiar uma sonda no nosso pré-sal:

 

"Agora, tem uma sonda que fura verticalmente, depois vai na horizontal 5, 6 quilômetros. Nego, lá do país dele [Bush], vai tentar pegar o nosso petróleo aqui. Nós temos que tomar conta."

 

Considerando-se o histórico intervencionista dos EUA, o governo brasileiro faz bem em eriçar os cabelos com a presença a proximidade da Quarta Frota.

 

Mas daí a imaginar que Bush, já tisnado pela crise financeira, vá virar ladrão de petróleo... Ora, francamente.

 

O convívio com os companheiros Hugo Chávez e Evo Morales não tem feito bem a Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Para Gilmar, laudo da PF ainda ‘não isenta’ Abin

  Folha
Gilmar ‘Grampeado’ Mendes, o presidente do STF, voltou à boca do palco.

 

Comentou o resultado da perícia da PF em 16 equipamentos da Abin.

 

Embora o laudo afirme que a parafernália não faz grampo, Gilmar manteve o pé atrás:

 

"Isso diz pouco porque simplesmente diz sobre as maletas que foram apresentadas...”

 

“...Nós não sabemos se são todas as maletas de que a Abin dispõe...”

 

Não sabemos também ‘se não teriam a possibilidade de fazer a interceptação...”

 

“...Também ninguém afirmou que essa interceptação foi feita pela Abin, pela polícia, por pessoas contratadas...”

 

“...O que interessa é de fato aprofundar essas investigações."

 

De resto, Gilmar tachou de “ilegal” a participação direta de mais de cinco dezenas de servidores da Abin na Operação Satiagraha.

 

Ecoando o que dissera o amigo Nelson Jobim na véspera, em depoimento à CPI do Grampo, Gilmar esgrimiu o mesmo ponto de vista:

 

Acha que seria admissível, no máximo, que a PF requisitasse informações a outros órgãos. Servidores, não.

 

Aos pouquinhos, vai se formando um caldo viscoso que.

 

Uma gosma que, mais adiante, será usada pela defesa de Daniel Dantas, o suspeito-geral da República, para requerer a anulação das provas da Satiagraha.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Pelo tamanho da crise, ‘lucro’ de Obama é pequeno

  Chris Carlson/AP
A crise que expõe os pés de barro do mercado financeiro norte-americano empurrou o democrata Barack Obama de volta ao topo das pesquisas.

 

Pesquisa New York Times/CBS News, indica que Obama (48%) abriu cinco pontos percentuais de vantagem sobre o rival republicano John McCain (43%).

 

Noutra sondagem, feita pela Universidade Quinnipiac, Obama prevalece sobre McCain com margem menor: quatro pontos.

 

Parece óbvio que Obama lucra politicamente com a encrenca que engolfa a administração republicana de George Bush.

 

Porém, considerando-se o tamanho da crise, que se espraia por todo o planeta, o lucro é, por ora, pequeno, muito pequeno, exíguo.

 

Noves fora o velho preconceito de cor, Obama ainda é visto pelo eleitor norte-americano como um candidato menor do que o desafio gigantesco que assedia a nova presidência dos EUA.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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Em ato do PSOL, Protógenes faz pose de candidato

  Lula Marques/Folha
Alvo de uma sindicância aberta por ordem de Tarso Genro, Protógenes Queiroz tornou-se estrela da campanha de Luciana Genro, filha do ministro da Justiça.

 

O Genro pai faz severos reparos à atuação de delegado na Operação Satiagraha. Mas a Genro filha excede-se em elogios ao trabalho de Protógenes.

 

A convite do PSOL, Protógenes esteve em Porto Alegre. Foi fazer campanha para a filha do ministro, candidata a prefeita.

 

O delegado participou de um ato público. Gravou mensagem para a propaganda de TV.

 

Comprou adesivos de campanha. E, de quebra, fez pose, ele próprio, de candidato.

 

Dirigindo-se a uma platéia de militantes do PSOL, um cabo eleitoral de Luciana Genro anunciou:

 

“Olha o delegado que prendeu o Daniel Dantas aqui, pessoal!”

 

Apontava para um Protógenes de cenho austero, de terno escuro, gravata vermelha.

 

O delegado deu atenção especial aos fãs. Apertou mãos, posou para fotos.

 

Como que preocupado em erigir um discurso para futuros embates eleitorais, Protógenes tratou de lustrar a própria biografia.

 

Lembrou que participou do movimento das Diretas Já. Disse que, sob a ditadura militar, enfrentou a polícia em congressos da UNE.

 

Adensou a pregação com frases típicas de candidato. Coisas assim: “É preciso banir a corrupção do Brasil...”

 

“...Por ser o crime maior, cujas conseqüências são nossas mazelas sociais, como a saúde.” Citou Leonel Brizola e Ulysses Guimarães. Elogiou Sobral Pinto.

 

“O delegado aqui ao meu lado prendeu Paulo Maluf”, disse Luciana a certa altura.

 

E Protógenes, provocando risos na audiência: “Duas vezes.”

 

Mais: “Em 10 anos de combate ao crime organizado, só em São Paulo, eu prendi:...”

 

“...Um presidente da Câmara de Vereadores [Armando Melão], um prefeito [Celso Pitta] e um governador [Paulo Maluf]. Vejam só isso.”

 

Perguntou-se a Protógenes: “E se o mandarem para a fronteira, quando terminar a licença?”

 

O delegado não se deu por achado: “Tudo bem. Trabalhei na fronteira quando entrei na PF, há quase 10 anos. Lembro disso porque prendi o Hildebrando Paschoal lá.”

 

Hildebrando (ex-PFL) é aquele ex-deputado que ficou célebre pela truculência. Além de matar os desafetos, passava-os na moto-serra.

 

Protógenes não é, por ora, filiado a nenhum partido. A eleição de 2008 já não pode tê-lo como candidato. Mas o delegado, não resta dúvida, pôs um pé no palanque. Aguarda-o 2010.

Escrito por Josias de Souza às 17h49

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Perícia da PF: as maletas da Abin não ‘grampeiam’

  Lula Marques/Folha
Há coisa de duas semanas, Nelson Jobim soltou na sala de Lula uma inverdade.

 

A danada correu meio mundo antes que a verdade conseguisse calçar tênis.

 

Nesta quinta (18), a PF trouxe à luz o laudo de perícia feita em 16 equipamentos da Abin. Entre eles as famigeradas maletas.

 

O texto traz a chancela do confiável Instituto Nacional de Criminalística.

 

Anota: os equipamentos da Abin não têm capacidade para grampear telefones.

 

Jobim talvez tente agora envolver a mentira numa bruma de imprecisão. Não vai colar.

 

Engolida por Lula, a inverdade empurrou Paulo Lacerda para fora da Abin.

 

Pendurada nas manchetes, ela expôs ao ridículo o chefe do GSI, Jorge Félix.

 

Desmontada pela PF, a mentira desmoraliza o ministro da Defesa.

 

A perícia até encontrou entre a parafernália da Abin um equipamento que grampeia.

 

Só capta, porém, conversas que tenham origem em telefones fixos e analógicos.

 

Não teria como bisbilhotar o diálogo de Gilmar Mendes com Demóstenes Torres.

 

Ao falar com o senador, o presidente do STF estava pendurado a um celular digital.

 

Gilmar discara para sua secretária, no Supremo, que o transferira para Demóstenes, no Senado.

 

A secretária e o senador manusearam telefones fixos. Ambos igualmente digitais.

 

Ou seja: ainda que a bisbilhotice tenha partido de alguém da Abin...

 

...O equipamento usado não está entre os 16 que a Agência exibiu aos peritos da PF.

 

De resto, a perícia constatou que um dos equipamentos da Agência tem capacidade para fazer escutas ambientais.

 

O setor se Segurança do STF sustenta que Gilmar pode ter sido vítima também desse tipo de monitoramento.

 

Mas não veio à luz, por ora, nenhuma evidência material do delito.

 

É diferente do que ocorre no grampo na conversa entre o ministro e o senador.

 

Neste caso, a ilegalidade está estampada numa transcrição, cuja autenticidade é atestada pelos donos do diálogo. Tudo considerado, tem-se o seguinte:

 

Por ora, a PF conseguiu apenas desmontar a mentira de Jobim. A interrogação que justificou o inquérito continua de pé: Quem fez o grampo?

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: Crise financeira derruba Bolsas e paralisa crédito

 

- Globo: Brasil e Rússia perdem mais

 

- Estadão: Fuga de investidores provoca queda de 6,74% na Bovespa

 

- JB: Desconfiança anula socorro aos mercados

 

- Correio: IPTU vai subir 7,15%

 

- Valor: Crédito encolhe no mundo todo

 

- Gazeta Mercantil: Socorro bilionário à AIG falha e mercados mergulham na crise

 

- Estado de Minas: Temporal devastador

 

- Jornal do Commercio: Droga virtual surge na Internet

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Enigma eleitoral!

Orlandeli
 

Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Lula: Se rarear o crédito, BNDES emprestará mais

‘Nós estamos acompanhando essa crise  com lupa’

‘Na medida do necessário, vamos tomar  medidas’

‘Se rarear crédito lá fora, vamos arrumar  dinheiro’

‘Havendo recessão nos EUA, abala todos os países’

‘Não queremos brecar o crescimento da  economia’

‘Henrique Meirelles está  viajando para  Nova York’

 

Sérgio Lima/Folha

 

Lula concedeu entrevista à TV Brasil. Foi ao ar na noite desta quarta (18). Falou sobre a crise que sacode a economia dos EUA e se irradia pelo mundo.

 

Soou otimista: “O governo está preparado e o Brasil está preparado.” Mas temperou suas frases com uma pitada de realismo: “Todo cuidado é pouco.”

 

Disse que o governo acompanha a crise “com lupa.” Acenou com a hipótese de agir: “Na medida em que for necessário, nós vamos tomar medidas.”

 

Sem açodamento, contudo: “Nós não vamos tomar nenhuma medida precipitada.” Vai abaixo o essencial:

 

 

1. A crise e o Brasil: “O governo está preparado e o Brasil está preparado. Obviamente que nós sempre levamos em conta que, tendo recessão nos EUA, vai ter um abalo em todos os países, afinal de contas é a maior economia do mundo. Mas o Brasil nunca esteve tão preparado como está hoje. O Brasil diversificou a sua balança comercial. Nós, que tínhamos uma dependência de quase 30% da balança comercial com os Estados Unidos, hoje temos apenas 15% (...). O Brasil hoje é menos dependente da relação comercial com os Estados Unidos.”

 

2. Medidas energenciais: “Nós não vamos tomar nenhuma medida precipitada. Nós estamos acompanhando isso com lupa. O [presidente do BC, Henrique] Meirelles está viajando para Nova York. Tenho conversado com o ministro Guido Mantega [Fazenda] todo dia. Na medida em que for necessário, nós vamos tomar medidas.”

 

3. Escassez de crédito: “(...) Se rarear o crédito internacional e os empresários brasileiros tiverem dificuldade para tomar dinheiro emprestado, nós vamos ter que tomar uma decisão de arrumar mais dinheiro para que o BNDES possa emprestar.”

 

4. De onde virá o dinheiro? “Nós já tomamos a decisão de emprestar mais R$ 15 bilhões para o BNDES e também de pegar o fundo que nós criamos de desenvolvimento com o dinheiro do Fundo de Garantia para repassar uma parte para o BNDES fazer os investimentos. (...) Sabemos que empresas grandes como a Petrobras, a Vale do Rio Doce precisam de financiamento externo, mas na hora em que ele rarear nós vamos ter inclusive que mudar as normas do BNDES, que não pode emprestar uma determinada quantidade de dinheiro só para uma empresa, para que ele possa aumentar o volume de dinheiro emprestado.”

 

5. Mercado interno: “(...) Nós não queremos em hipótese alguma brecar o crescimento da economia. Estamos com um mercado interno sólido, ele dá substância à nossa economia e nós queremos que continue fortalecido. Por isso eu acho que o Brasil vai passar por essa sem sofrer as conseqüências que sofreria em outros momentos, quando nós estávamos mais débeis. Dessa vez, sem passar nenhum otimismo exagerado, eu acho que o Brasil está seguro, até porque temos um colchão de US$ 205 bilhões de reserva. E não queremos mexer na nossa reserva por conta disso.”

 

6. Convite ao consumo: “O que nós queremos é continuar fazendo a economia crescer, que o povo continue consumindo, continue comprando, porque aí nós vamos dar solidez à nossa economia.”

 

7. Alta dos juros e pessimismo interno: “Penso que o mercado vai ser surpreendido. Todo mundo sabe que as medidas tomadas pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda tinham como objetivo reduzir um pouco a demanda, porque ela estava muito aquecida. E nós começamos a ficar preocupados, porque na hora em que aumenta a demanda e você não tem a oferta, você pratica uma coisa que eu não quero, que é a inflação. Como nós temos muitos investimentos contratados, alguns em andamento, a nossa expectativa é que num curto prazo essas empresas que estão aumentando a sua capacidade de produção, e que hoje significam aumento de demanda, daqui a um ano estarão colocando o produto na rua, vão passar a ser oferta, e isso pode equilibrar a nossa economia, para que a gente não tenha nenhuma preocupação.”

 

8. Controle da inflação ou crescimento? As duas coisas são prioridade. E nós estamos provando que é possível a economia crescer, é possível distribuir renda e é possível controlar a inflação. Estamos provando que é possível exportar, ao mesmo tempo importar, crescendo o mercado interno. Esse é o sucesso da política econômica, é que você não precisa travar. Se você está tomando dois comprimidos, você pode tomar apenas um e meio. Aí nós vamos permitir que haja um ciclo duradouro de crescimento. É com essa hipótese que eu trabalho: o Brasil crescer 10 ou 15 anos a taxas entre 4% e 6%, um crescimento extraordinário.”

 

No pedaço da entrevista dedicado à política, Lula falou sobre 2010 e terceiro mandato.

 

Referiu-se a Dilma como “um dos quadros com capacidade gerencial como poucos na história deste país.”

 

“Merece” ser candidata. “Mas não sei se vai ser Dilma, porque também não discuti isso com ninguém ainda.”

 

E quanto a Ciro Gomes? “Tenho profundo respeito.” Mas...

 

“Neste momento, nem Ciro, nem Dilma, nem ninguém, porque neste momento eu não estou discutindo sucessão presidencial...”

 

“...Quando chegar o momento de discutir quem vai ser o candidato, (...) eu quero ver se é possível a gente construir uma candidatura única da base aliada. Esse é o meu sonho: presidente e vice da base aliada.”

 

Lula voltou a afastar se si a macumba da re-reeleição: “Penso que democracia é uma coisa tão séria que a gente não pode brincar com ela...”

 

“...Daqui a pouco alguém quer o terceiro mandato, o quarto mandato, o quinto mandato. Está de bom tamanho. (...) Eu já tive meu tempo.”

 

PS.: Se estiver interessado em ler a íntegra da entrevista de Lula, ela está disponível, subdividida em sete partes, aqui: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Escrito por Josias de Souza às 01h44

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CEF libera lista de bolsistas admitidos no ProUni

Saiu a relação dos alunos contemplados em seleção do Fies (Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior).

 

De um total de 5.235 inscritos, foram admitidos no ProUni (Programa Universidade para Todos) 4.494 bolsistas.

 

Coube à Caixa Econômica Federal, operadora do Fies, divulgar a lista. Os interessados podem conferir aqui.

 

Para que seja confirmado o acesso aos empréstimos do Fies, é necessário agora que as instituições de ensino ratifiquem as inscrições até a próxima segunda (22).

 

Os bolsistas não-selecionados podem recorrer da decisão até esta sexta (19). O resultado da apreciação dos recursos sai na própria segunda (22).

Escrito por Josias de Souza às 19h44

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Jobim reafirma que maletas estão aptas a grampear

  Fábio Pozzebom/ABr
Terminou há pouco o depoimento do ministro Nelson Jobim (Defesa) à CPI do Grampo.

 

Eis, em 20 tópicos, a essência do que já foi dito pelo ministro:

 

1. Jobim confirmou na CPI que, em reunião da coordenação de governo, informou que a Abin adquirira maletas.

 

2. Equipamentos comprados por meio de uma comissão de compras do Exército, localizada em Washington;

 

3. O ministro repetiu que recebera do Exército a informação de que os equipamentos da Abin estão aptos a realizar escutas telefônicas.

 

4. Na reunião da coordenação de governo, repassou a informação do Exército a Lula. O ministro Jorge Félix (GSI) pôs em dúvida;

 

5. Jobim entregou à CPI os papéis que entregara a Lula. Contêm as especificações técnicas das maletas da Abin. Lendo-os, infere-se que, de fato, captam telefonemas.

 

6. Para tirar a prova dos nove, o Exército periciou os equipamentos da Abin. A perícia está pronta. Mas Jobim disse não dispor de cópia. Aqui, registrou-se um impasse;

 

7. Pela manhã, falando à comissão do Congresso que fiscaliza a Abin, Jorge Félix dissera que Jobim entregaria o papelório da perícia do Exército à CPI do Grampo;

 

8. Jobim desmentiu Félix. Disse que nem mesmo viu o documento. E devolveu a bola ao general do GSI. A platéia ficou sem saber o que concluiu, afinal, o Exército;

 

9. O ministro da Defesa negou que as Forças Armadas disponham de maletas iguais às da Abin. Têm apenas, disse ele, equipamentos para “varreduras” de grampos;

 

10. A informação sobre as maletas foi decisiva para que Lula afastasse temporariamente a cúpula da Abin, incluindo Paulo Lacerda?

 

11. Jobim diz que não. Disse que pesou uma outra posição defendida por ele junto a Lula: havia provas de que agentes da Abin atuaram na Operação Satiagraha;

 

12. O ministro da Defesa deixou bem clara sua posição: o envolvimento direto da Abin na Satiagraha é ilegal. O mesmo vale para o pessoal da inteligência militar;

 

13. Tanto assim, disse Jobim, que a Aeronáutica abriu sindicância para apurar a extensão do envolvimento de um sargento na Satiagraha;

 

14. Para Jobim, seria admissível apenas que o delegado Protógenes Queiroz requisitasse dados a outras repartições públicas: COAF, Detrans, Abin, etc...

 

15. Daí, segundo Jobim, o afastamento dos dirigentes da Abin. Disse que estava clara a necessidade de investigar. E aconselhou o afastamento. Conselho acatado por Lula;

 

16. Em meio ao lufa-lufa da CPI, Jobim enveredou por um debate que envolve a imprensa. Defendeu alterações na lei que regula a atividade jornalística;

 

17. Jobim acha que deveriam ser punidos os veículos de comunicação que divulgam informações obtidas por meio de grampos ilegais;

 

18. Lançou dúvidas, de resto, sobre o direito constitucional do jornalista de manter o sigilo de suas fontes;

 

19. Disse que, diante da necessidade de apurar um crime, o direito à preservação da fonte pode não ser “absoluto”;

 

20. Mais: afirmou que o tema pode vir a ser objeto de discussão no STF. Declarou, sem especificar os casos, que o Supremo, submetido a “conflitos de valores constitucionais”, já “relativizou” outros direitos tidos como “absolutos”.

 

Eis aí um debate sibilino e perigoso. Está em jogo não a prerrogativa do repórter de salvaguardar as suas fontes, mas o inalienável direito do cidadão de ser informado.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

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Mulher de Lula encontra empresários em São Paulo

  Wilson Dias/ABr
Loquaz da intimidade familiar, a primeira-dama Marisa Letícia adota em público a mudez como marca pessoal.

 

Nesta quinta (18), a mulher de Lula vai quebrar o silêncio. Emprestará a voz a uma causa nobre.

 

Marisa vai encontrar-se com empresários, no escritório da presidência da República em São Paulo.

 

Fará um apelo às empresas para que se engajem no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.

 

Deve-se à iniciativa à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

 

O órgão está às voltas com a organização do 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

 

Será entre 25 e 28 de novembro, no Rio. A novidade neste ano é o realce que se tenta dar à participação das empresas.

 

Acompanhada do ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), a primeira-dama levará, de saída, duas sugestões aos empresários:

 

1. Que as empresas façam campanhas contra a exploração sexual;

 

2. Que coíbam esse tipo de violação em suas respectivas cadeias produtivas.

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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Planeta ‘ganhou’ 75 milhões de esfomeados em 2007

A maior fatalidade da era pós-industrial é a fome.

Pode-se objetar que a fome sempre existiu. Sim, de acordo.

 

A fome é mesmo antiga como o tempo. Mas ela não comove mais, eis a novidade.

 

O mundo tem, hoje, solidariedades mais urgentes.

 

Nesta quarta (17), a FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura, informou:

 

O número de famintos do mundo subiu, em 2007, de 850 milhões para 925 milhões.

 

Em um ano, o planeta passou a conviver com 75 milhões de subnutridos.

 

Atribui-se o fenômeno à alta no preço dos alimentos.

 

Faz-se em torno dos dados da ONU um silêncio vil.

 

A fome continua adormecida nas curvas do intestino de quem a sente.

 

Mas como ter olhos para tripas vazias se o sistema financeiro dos EUA derrete?

 

Para resolver a encrenca da fome, estima a FAO, é preciso investir US$ 30 bilhões.

 

Com essa grana, estima o organismo da ONU, daria para duplicar a produção de comida.

 

É menos da metade do valor injetado pelo Federal Reserve aa seguradora AIG: US$ 85 bilhões.

 

Mas a satisfação dos apetites do mercado é, obviamente mais emergencial.

 

Diferentemente das casas bancárias e seguradoras, o estômago traz nas origens uma certa vocação para a tragédia.

 

Não é por outra razão que vem do grego: "stómachos".

 

Se pudesse dar entrevista, resumiria assim o oco de sua existência: "É dura a vida de víscera."

 

Não é um drama que possa ser entendido por pessoas que matam a fome simplesmente abrindo a geladeira.

Escrito por Josias de Souza às 16h18

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No Rio, novo ‘caveirão’ dá vexame já na 1ª missão

Escrito por Josias de Souza às 12h59

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Número dois da PF não passou nem um dia no xadrez

Preso na tarde de terça (16), Romero Menezes, o número dois da PF, foi devolvido ao meio-fio no início da madrugada desta quarta (17).

 

O TRF de Brasília, que revogou o pedido de prisão à noite, privou Romero Menezes da sensação de ver o seu primeiro Sol quadrado.

 

No corre-corre do prende-e-solta, foram batidos todos os recordes do STF no caso Daniel Dantas.

 

Com uma diferença: ainda não se ouviu na PF nenhuma voz que se animasse a reclamar da ligeireza do quase sempre lerdo Judiciário. De duas uma:

 

1. O pedido de prisão de Romero Menezes –formulado pelo Ministério Público e acatado pelo juiz de primeiro grau— é inepto. Neste caso, deve-se um pedido coletivo de desculpas ao delegado;

 

2. Os indícios de malfeito são densos e a prisão de cinco dias era necessária para evitar prejuízo à coleta de provas. Nesta hipótese, falta ao caso atual aquela pitada de indignação cívica que costuma rodear as investigações da PF.

Escrito por Josias de Souza às 12h32

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EUA estatizam seguradora e ‘redimem’ Brasil de FHC

Mark Lennihan/AP
 

 

Uma decisão tomada em meio à crise que devora a saúde financeira dos EUA pôs fim a um velho mito.

 

Virou cinza o mito da peculiaridade brasileira, que fazia de nós uma sociedade diferente de todos os outros povos do planeta.

 

Até aqui, o Brasil era visto como país que contornava as suas crises recorrendo a soluções peculiares, que jamais seriam imitadas alhures.

 

A pecha foi soterrada na noite desta terça (16). Deu-se no instante em que o Federal Reserve (banco central dos EUA) decidiu socorrer uma seguradora privada.

 

Empurrou-se para dentro do balanço micado da AIG (American International Group) a bagatela de US$ 85 bilhões em verbas do contribuinte norte-americano.

 

O bastante para acomodar nas mãos do governo o controle de algo como 80% da seguradora, agora ex-privada.

 

A novidade veio nas pegadas de uma injeção governamental de US$ 200 bilhões em duas gigantes do mercado de financiamentos residenciais: Fannie Mae e Freddie Mac.

 

São providências que, até bem pouco, pareciam impensáveis no templo do liberalismo, na meca da livre iniciativa, no Éden do mercado auto-regulado.

 

Recorre-se lá a uma justificativa muito encontradiça aqui, no Brasil da era FHC: o governo precisa evitar o “risco sistêmico.”

 

O Estado encampa a encrenca, saneia o rombo, engole o prejuízo e devolve empresas financeiras saudáveis ao mercado.  

 

Raiou acima do Equador –quem diria!?!?!— um Proer made in America. Súbito, George Bush ganhou cara de FHC. Washington virou uma grande Brasília.

 

A transformação só não foi completa porque falta ao Congresso dos EUA uma oposição à PT.

 

De resto, falta ao FMI, que já não é o mesmo, coragem para exigir da Casa Branca a assinatura de uma daquelas famosas cartas de intenção.

 

Seja como for, o Brasil já não dispõe do monopólio da esquisitice econômica. Caiu, finalmente, o mito da jabuticaba. 

Escrito por Josias de Souza às 03h54

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Produção nas plataformas do pré-sal chega em 2017

Produção nas plataformas do pré-sal chega em 2017

  Divulgação
O barulho do governo em torno das mega-reservas do pré-sal só será convertido em produção comercial de óleo e gás no final da próxima década.

 

José Formigli, que ocupa na Petrobras a gerência-executiva de Exploração e Produção do pré-sal, deu uma idéia da distância que separa o ruído político dos resultados econômicos.

 

Nesta terça (16), falando na conferência Rio Oil & Gás, Formigli disse que, em 2017, três projetos pilotos e oito plataformas do pré-sal estarão em fase de produção.

 

"Será um marco histórico para a Petrobras, alcançando um valor de produção bastante significativo", disse ele.

 

Ou seja, o “marco histórico” do pré-sal é coisa para o penúltimo ano do mandato do sucessor do sucessor de Lula, que tomará posse em 2015.

 

Na véspera, em discurso feito na mesma Rio Oil & Gás, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já havia traduzido em cifras o desafio petrolífero.

 

Segundo Gabrielli, cada sistema produtivo necessário à exploração do pré-sal (plataformas e respectivos equipamentos) pede investimento de US$ 7 bilhões.

 

“E são muitos sistemas produtivos, até 60”, disse o presidente da Petrobras. Na ponta do lápis: 60 X US$ 7 bilhões = US$ 420 bilhões.

 

Não é por outra razão que a Petrobras foi às pranchetas para refazer o seu plano de investimentos estratégicos.

 

O plano anterior, que se pretendia válido até 2012, previa inversões de US$ 112 bilhões. Uma cifra que o pré-sal tornou risivelmente obsoleta.

 

“Os desembolsos serão gigantescos nos próximos 10 anos”, antevê Sérgio Gabrielli.

 

Na noite desta quarta (17) Lula voará para o Rio Grande do Sul. Vai participar de uma nova pajelança organizada pela Petrobras.

 

Mais uma oportunidade para que o presidente leve os lábios ao trombone, para festejar o ainda longínquo óleo do pré-sal.

 

Lula pernoitará numa pousada chamada Charqueada Santa Rita, em Pelotas. Na manhã de quinta (18), segue para a cidade de Rio Grande.

 

Ali funciona um estaleiro arrendado pela Petrobras. Junto com Gabrielli, Lula despachará para o Rio de Janeiro, via marítima, a plataforma P-53, encomendada há um ano.

 

O que une a cerimônia ao pré-sal é o fato de que também em Rio Grande será iniciada em breve a fabricação de dez plataformas do tipo FPSO.

 

Na sigla em inglês a FPSO é uma “Floating Production Storage.” São navios-tanque. Do tipo que, depois de adensados com outros apetrechos e equipamentos, sairão pelos US$ 7 bilhões orçados por Gabrielli.

 

Destinam-se exatamente à exploração do pré-sal. A encomenda foi aprovada pela diretoria da Petrobras na última segunda (15).

 

Tenta-se correr, para que a previsão do gerente-executivo José Formigli (produção em 2017) possa virar realidade.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: EUA estatizam 3ª maior seguradora do mundo

 

- Folha: Com US$ 85 bi, EUA salvam seguradora

 

- Estadão: BCs socorrem bancos com US$ 210 bi

 

- JB: US$ 375 bi contra a crise

 

- Correio: A crise a caminho do seu bolso

 

- Valor: Todo o mercado olha para a AIG

 

- Gazeta Mercantil: Fed mantém taxa de juros e acalma ânimo dos mercados

 

- Estado de Minas: Granizo destrói casas e espalha medo em Minas

 

- Jornal do Commercio: Médicos acordo fechado

 

 Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Vazamento!

Paulo Caruso
 

Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Alckmin alveja Kassab e Cia.: são ‘oportunistas’

Miran
 

As velhas sessões de acupuntura já não surtem efeito sobre Geraldo Alckmin.

 

As agulhadas das pesquisas subverteram o decantado estilo “zen” do candidato.

 

Nesta terça (16), Alckmin reagiu com hispidez a comentários feitos por Gilberto Kassab.

 

Em cerimônia de lançamento de programa de governo, ladeado por tucanos, Kassab esmerou-se nas espetadas.

 

Em discurso, o candidato ‘demo’ pediu uma salva de palmas para Serra.

 

Disse que, na prefeitura, manteve "milimetricamente" as promessas de Serra.

 

Afirmou, de resto, que Serra é seu "inspirador." Algo de que o governador tucano "se orgulha."

 

Depois, os repórteres inquiriram Alckmin sobre as picadas de Kassab.

 

E ele, abespinhado: "Kassab não tem nada a ver com o PSDB...”

 

“...Em 1996, quando Serra era candidato a prefeito, Kassab apoiou o Pitta...”

 

“...Em 1998, quando Covas foi candidato a governador, Kassab apoiou o Maluf."

 

Alckmin acomodou Kassab e os tucanos que o apóiam num mesmo balaio:

 

"É oportunismo por todos os lados."

 

Sobre o pedaço do tucanato que se aninha em torno de Kassab, Alckmin pespegou:

 

"Essas pessoas não ajudaram a fundar o partido, eles ajudaram a afundar."

 

Afundar, ainda não afundaram. Mas estão bem próximos disso.

 

Numa São Paulo conflagrada, a ascensão de Kassab nas pesquisas converteu tucano em porco espinho.

 

Pivô da discórdia, José Serra mantém-se, sobranceiro, longe dos espinhos. 

 

PS.: Ilustração via blog Miran Cartum.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

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Para PF, a prisão do número 2 ‘não era necessária’

  Valter Campanato/ABr
O diretor
de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Roberto Troncon, veio à boca do palco para dizer meia dúzia de palavras sobre a encrenca do dia.

Disse o seguinte sobre a prisão do colega Romero Menezes, segundo homem na linha hierárquica da PF:

 

"No entender da PF, não seria necessária [a prisão]...”

 

“...Mas a Justiça e o Ministério Público entenderam [que era necessária]...”

 

“...Em razão da posição que o diretor ocupa, foi interpretado de que poderia haver alguma interferência ou prejuízo para a coleta de provas."

 

Troncon esquivou-se de oferecer detalhes sobre a prisão do companheiro de trabalho.

 

Apenas confirmou que Romero Menezes é acusado do crime de advocacia administrativa.

 

Vem a ser o delito em que um servidor público se vale de sua função para obter vantagens. Para si ou para terceiros.

 

A platéia merecia explicações mais caudalosas da briosa Polícia Federal.

 

Ficou no ar a impressão de que, para a PF, cadeia e vazamento de informações, nos olhos dos outros, é refresco.

Escrito por Josias de Souza às 19h08

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Aversão a Agripino leva Lula à campanha de Natal

  Jorge Araújo/Folha
Está marcada para a próxima sexta (19) a nova incursão de Lula na campanha municipal de 2008.

 

O presidente participa, em Natal (RN), de um comício da candidata petista Fátima Bezerra.

 

O petismo potiguar enxerga na presença de Lula 'Eleições, tô Fora' da Silva uma espécie de tônico revigorante.

 

Espera-se que a “vitamina” produza uma ultrapassagem de Fátima sobre a rival Micarla de Sousa (PV).

 

Embora venha crescendo nas pesquisas, Fátima ainda amarga um incômodo segundo lugar.

 

Para além do auxílio a Fátima, o que leva Lula a Natal é um desejo indômito.

 

Desejo de retirar azeitona da empada do ‘demo’ José Agripino Maia.

 

Um dos mais vigorosos opositores de Lula no Senado, Agripino apóia Micarla em Natal.

 

Do outro lado, no palanque de Fátima, estão a governadora Vilma Faria e o presidente do Congresso Garibaldi Alves.

 

Em 2010, Vilma e Garibaldi disputarão com Agripino as duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado.

 

É nessa briga que Lula está mirando. O que puder fazer para dificultar a vida de Agripino, Lula fará.

 

De resto, Natal foi à lista de prioridades do PT.

 

Na última sexta (12), escalou o palanque de Fátima a toda-poderosa Dilma Rousseff.

 

De malas prontas, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, desembarca na cidade dois dias antes da chegada de Lula.

 

Em 27 de setembro, a poucos dias do primeiro turno, dará as caras na campanha o petista Fernando Haddad, ministro da Educação.

 

Com um arsenal desses, se não prevalecer em Natal, o PT terá convertido um insucesso local em fiasco federal.

Escrito por Josias de Souza às 18h33

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Posição de Chávez pôs em risco reunião da Unasul

  Baptistão
Por muito pouco, não resultou em fiasco o encontro da Unasul.

 

Hugo Chávez, sempre ele, pôs em risco a unidade do grupo.

 

Queria porque queria incluir na declaração final uma menção aos EUA.

 

Chávez, como se sabe, enxerga as digitais de Washington no rififi boliviano.

 

E fez o que pôde para deitar o nome de George Bush sobre a nota da Unasul.

 

Quem conta é o chanceler chileno Alejandro Foxley, que participou do encontro.

 

“Não compartilhamos do ponto de vista dele”, disse Foxley, nesta terça (16).

 

“Acreditamos que os problemas da região têm que ser solucionados na região...”

 

“Não me agrada ficar responsabilizando a terceiros.”

 

Foxley contou que, a portas fechadas, Chávez exigiu a menção aos EUA.

 

Disse que, “felizmente, ele não foi acompanhado pelo resto.”

 

O chanceler esquivou-se de informar, porém, quem defender o que no encontro.

 

“Não me agrada apontar o dedo para ninguém.”

 

Vencido o vezo histriônico da Chávez, a Unasul defronta-se agora com novo desafio.

 

Em uma interrogação: Como converter a “unidade” de uma nota em pacificação da Bolívia?

 

Nesta terça (16), um dia depois da celebração de Santiago, a atmosfera boliviana ficou um pouco mais intoxicada.

 

Enquanto o governo negociava em La Paz com representantes da oposição, militares prendiam em Pando um dos líderes da revolta.

 

Chama-se Leopoldo Fernández. Governa uma Pando sob estado de sítio.

 

É acusado de urdir os lances mais violentos da crise na Bolívia.

 

Movimentos que resultaram em pelo menos 30 cadáveres. Número parcial. Que muitos dizem estar aquém do real.

 

São mortes que não podem ficar impunes.

 

Resta saber se a oposição a Evo terá serenidade para reconhecer os excessos, admitindo a purgação de suas culpas.

 

A julgar pelo que se passa em Santa Cruz de La Sierra, outro ninho da opisição, a Bolívia parece longe da concórdia. Ali, os protestos contra Evo voltaram a ficar acesos.

 

PS.: Ilustração via sítio do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Polícia Federal prende número 2 da Polícia Federal

Elza Fiúza/ABr
 

 

O enredo da perversão brasileira ganhou, nesta terça (16), um toque de surrealismo.

 

A Polícia Federal recolheu ao cárcere da Polícia Federal o número 2 da Polícia Federal.

 

Sim, isso mesmo. Foi à garra o diretor-executivo da PF. Chama-se Romero Menezes.

 

Vem a ser o braço direito, o substituto imediato do diretor-geral Luiz Fernando Corrêa.

 

A detenção seguiu a cartilha do STF. Nada de algemas. Longe dos holofotes.

 

Na foto lá do alto, Romero Menezes aparece ao lado de Tarso Genro.

 

Cansou de despachar com o ministro em julho, quando Luiz Fernando, o número 1, estava em férias.

 

Foi um mês complicado, em que a PF viu-se sacudida pelos ruídos da Operação Satiagraha.

 

Pois bem. Descobre-se agora que a PF se deu conta de que dormia com um inimigo.

 

Romero Menezes foi em cana sob a suspeita de ter mantido relações impróprias com a EBX, empresa de Eike Batista.

 

A EBX encontra-se, ela própria, sob investigação da PF e do ministério Público do Amapá.

 

A PF ainda não esclareceu, com os necessários pormenores, o que fez, afinal, o Romero Menezes.

 

Promete-se algo mais sólido ainda para esta terça. Por ora, sabe-se que o delegado é acusado da prática de três delitos:

 

1) Advocacia administrativa: 2) Corrupção passiva: e 3) Tráfico de influência. Foi em cana também um irmão do delegado.

 

Na luta pela vida, nada é mais vital do que a escolha do lado em que lutar.

 

Romero Menezes, a julgar pelo que ocorre em Brasília, escolheu o lado de lá.

 

A pergunta que bóia na atmosfera envenenada da Capital é: por que diabos o delegado escalou o segundo posto na hierarquia da PF?

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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STJ deve julgar nesta 3ª habeas corpus de Cacciola

Divulgação
 

 

O sem-banco Salvatore Cacciola está muito próximo de completar aniversário de um ano como presidiário.

 

Somando-se a cadeia de Mônaco (273 dias) ao xadrez de Bangu 8 (59 dias), chega-se a um calabouço de 332 dias.

 

Faltam, portanto, escassos 33 dias para que Cacciola acumule um ano inteirinho atrás das grades.

 

Anuncia-se para esta terça (16), porém, uma decisão que pode fazer desandar o ajuste dessas contas.

 

Vai a julgamento, na sexta turma do STJ, mais um pedido de habeas corpus em favor de Cacciola.

 

O tema começou a ser discutido no final de agosto. Relatora do caso, Jane Silva votou contra a libertação.

 

Nilson Naves, que preside a sexta turma, votou pelo deferimento do pedido de hábeas corpus de Cacciola.

 

Quando o placar estava assim, empatado em um a um, Paulo Gallotti pediu a retirada do processo de pauta, para que pudesse analisá-lo com mais vagar.

 

É desse ponto que o julgamento será retomado. Falta colher o voto de outros três ministros: além de Gallotti, Og Fernandes e Maria Thereza de Assis Moura.

 

Se a defesa de Cacciola abiscoitar mais dois votos além do de Nilson Naves, o sem-banco ganhará o meio-fio. E o aniversário de um ano vai à cucuia.

 

Além do caso de Cacciola, há na pauta da sexta turma do STJ um outro processo momentoso.

 

Envolve um pedido de redução de pena de Suzane von Richthofen. Misturados num mesmo texto de apresentação, Cacciola e Suzane ganharam o sítio do STJ.

 

Foram apresentados como protagonistas de “julgamentos de grande repercussão nacional.”

 

Uma repercussão que tende a agigantar-se se Cacciola for posto na rua e se a pena de Suzane for podada.

 

PS.: Atualização feita nesta terça (19), às 16h05- Em função da morte do parente de uma desembargadoa, o julgamento que interessava a Cacciola foi adiado.

Escrito por Josias de Souza às 04h08

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As manchetes desta terça

 

 

- Folha: Maior quebra da história causa pior dia nas bolsas desde 11/9

 

- Globo: O novo 11 de Setembro do mercado

 

- Estadão: Quebra de banco nos EUA faz mercado global desabar

 

- JB: O mundo em pânico

 

- Correio: A pior crise desde 11/9

 

- Valor: Crise já atinge o crédito no Brasil

 

- Gazeta Mercantil: Derrocada do Lehman arrasta bolsas ao redor do mundo

 

- Estado de Minas: Como a crise pode afetar o Brasil

 

- Jornal do Commercio: Acordo à Vista

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Hospício de rico!

El Roto/El Pais

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Em meio à crise, ouça o que diz o mandachuva do BC

 

Mais do mesmo aqui.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Crônica de uma tragédia aérea que quase aconteceu

 

Leia mais sobre o tema aqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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Unasul dá apoio irrestrito ao governo Evo Morales

Declaração conjunta rechaça tentativa de ‘golpe civil’

Comissão acompanhará diálogo entre Evo e oposição

Outra comissão ‘investigará’ as  mortes de bolivianos

Negociação é condicionada à desocupação de prédios

 

  Eliseo Fernande/Reuters
Terminou há pouco, no Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, a reunião da Unasul (União de Países Latino-Americanos).

 

Durante cerca de cinco horas, os presidentes de nove países debateram a crise na Bolívia. Produziram uma declaração conjunta, aprovada por unanimidade.

 

O texto foi lido pela presidente chilena Michelle Bachelet. O signatário do blog assistiu pela internet. Bachelet ocupa a presidência pro tempore (temporária) da Unasul, criada em maio, em Brasília.

 

O documento lido poe ela é uma peça claramente pró Evo Moales. Que, a propósito, esteve presente ao encontro de Santiago. Diz baisicamente o seguinte:

 

1. Apoio a Evo: os chefes de Estado da Unasul expressaram “seu mais pleno e decidido respaldo ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratficado por uma ampla maioria em referendo.”

 

2. Golpe: os signatários do comunicado advertiram que “seus governos rechaçam energicamente e não reconhecem qualquer situação que implique em tentativa de golpe civil, a ruptura da ordem institucional ou comprometa a integridade territorial da Bolívia.”

 

3. Ocupações: a Unasul condenou expressamente “o ataque a instalações governamentais e à força pública por parte de grupos que buscam a desestabilização da democracia boliviana, exigindo a pronta devolução dessas instalações como condição para o início do processo de diálogo.’

 

4. Violência: os presidentes instaram “todos os atores políticos e sociais envolvidos [na crise] a que tomem todas as medidas necessárias para que cessem imediatamente as ações de violência, intimidação e desacato à institucionalidade democrática e à ordem jurídica estabelecida.”

 

5. Comissão: além de expressar “sua mais firme condenação ao massacre ocorrido no Departamento (Estado) de Pando”, os presidentes decidiram constituir, na Bolívia, “uma comissão da Unasul, para realizar uma investigação imparcial”. Algo que permita esclarecer esclarecer os fatos “com brevidade”, de modo “a garantir” que as mortes não fiquem “impunes.”

 

6. Diálogo: fez-se na nota conjunta “um chamamento ao diálogo, para estabelecer as condições que permitam superar a atual situação e negociar a busca de uma solução sustentável dentro do pleno respeito ao estado de direito e à ordem legal vigente.”não com brevidade   

 

7. Outra comissão: abubiou-se, de resto, que os presidentes decidiram criar “uma comissão aberta a todos os membros [da Unasul], coordenada pela presidência pro tempore [Michelle Bachelet], para acompanhar os trabalhos da mesa de diálogo.” Uma mesa, fizeram questão de anotar os presidentes, “conduzida pelo legítimo governo da Bolívia.”

 

Tudo considerado, a Unasul, criada há escassos quatro meses, mostrou a que veio na primeira oportunidade em que foi chamada a agir.

 

Produziu uma declaração na medida justa. Esquivou-se da maluquice de meter os EUA na crise doméstica da Bolívia.

 

Chamou pelo nome correto –tentativa de “golpe civil”— a movimentação daqueles que não conseguiram prevalecer sobre Evo Morales na urnas.

 

Condenou o que é digno de condenação: ocupação de prédios públicos, violência, mortes.

 

E defendeu o que merece ser defendido: a investigação dos excessos e a avertura de uma negociação capaz de pacificar a Bolívia.

Escrito por Josias de Souza às 00h26

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Terremoto nos EUA espalha ‘estilhaços’ pelo mundo

 

 

A crise do sistema financeiro dos EUA não é nova. Está pendurada nas manchetes há pelo menos um ano.

 

Nesta segunda (15), porém, o terremoto longevo registrou um abalo sísmico de proporções grandiosas.

 

Foi à breca o Lehman Brothers, a quarta maior casa bancária de investimentos dos EUA. Balançava há tempos.

 

Mas o mercado sonhava com solução semelhante à que fora adotada no caso Bears Stearns, comprado pelo JP Morgan com as bênção$ do Tesouro dos EUA.

 

A derrocada do Lehman espalhou em rastilho de pânico que se espraiou pelo mundo financeiro. As bolsas de valores foram as vítimas mais visíveis.

 

Noves fora algumas bolsas asiáticas, salvas momentaneamente por um feriado providencial, colecionaram-se tombos ao redor do mundo.

 

Em São Paulo, o Ibovespa espatifou-se. Depois de um alívio momentâneo experimentado na semana passada –alta de 8% em três dias—a bolsa recuou 7,59% só nesta segunda.

 

 

Pesadelo de tais proporções não ocorria desde setembro de 2001. A coisa só não foi pior porque o Bank of America anunciou a compra, por US$ 50 bilhões,  da Merrill Lynch, também mal das pernas.

 

A atmosfera sombria tende a se prolongar. Por que? Os mercados mundiais receiam que a quebra do Lehman tonifique um fenômeno apelidado de “risco sistêmico.”

 

Em português claro: no universo da alta finança, um grande banco possui vasos financeiros que o ligam a outros bancos.

 

A quebra de um pode levar outros à breca. Como todos sabem que há outros bancos micados nos EUA, o medo do efeito dominó aumenta.

 

Vai acontecer? Ninguém sabe. Mas o simples risco eletrifica os mercados. Nesta segunda, premido pelo agravamento da crise, George Bush veio à boca do palco.

 

Informou que a Casa Branca adotará providências para evitar que venha o armagedon financeiro.

 

De saída, o Federal Reserve (versão norte-americana do BC) comprou US$ 70 bilhões em títulos bancários. Uma maneira de injetar dinheiro no Saara monetário em que se converteu o sistema financeiro dos EUA.

 

E quanto ao Brasil? Bem, o ministro Guido Mantega (Fazenda), embora compare a encrenca atual com o crash de 29, diz que o Brasil está a salvo. Será?

 

A crise produz aqui e alhures dois fenômenos daninhos: o investidor estrangeiro, amedrontado, tende a fugir de mercados emergentes, como o brasileiro.

 

Lá fora, a fonte de dinheiro disponível para a captação de empreendedores, inclusive os do Brasil, tende a minguar.

 

Mantega alega que a economia brasileira, por “robusta”, ainda reúne condições de crescer em torno de 5,5% em 2008 e 4,5% em 2009.

 

Para que a quiromancia do ministro se torne real, o Brasil terá de se livrar de uma macumba.

 

Privado do investimento estrangeiro, o PIB brasileiro vai buscar vitamina no consumo do mercado interno. Aqui entra o despacho que espreita na encruzilhada.

 

Decidido a trazer, em 2009, a inflação para os arredores da meta anual de 4,5%, o Banco Central puxa para o alto as taxas de juros.

 

Iniciado em abril, o movimento de elevação dos juros deve se prolongar até o final do ano. Estima-se que a taxa chefará ao Natal na casa dos 14,75% ao ano.

 

Qual é o efeito da macumba? Justamente a redução do nível de consumo das famílias brasileiras.

Escrito por Josias de Souza às 20h07

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Jobim diz que deporá à CPI do Grampo nesta semana

A coisa estava marcada para quarta-feira (10) da semana passada.

 

Mas o ministro Nelson Jobim (Defesa) escapuliu.

 

Agora, Jobim assegura que desta semana não passa. Vai mesmo à CPI dos Grampos.

 

A audiência, marcada para a próxima quarta (18), pode ser secreta.

 

Graças ao adiamento, acumularam-se as encrencas sobre as quais Jobim será inquirido pelos deputados.

 

Antes, tinha de explicar apenas a declararção que fizera de que maletas adquiridas pela Abin tinham a capacidade de realizar grampos telefônicos.

 

Agora, deve pelo menos mais duas explicações:

 

1. Em sua última edição, a revista Época veiculou notícia segundo a qual também oficiais da ‘inteligência’ das Forças Armadas envolveram-se na Satiagraha, não apenas servidores da Abin;

 

2. O Globo noticiou que “investigadores” militares vêm realizando grampos sem o controle do Ministério Público Militar –237 escutas entre janeiro de 2007 e março de 2008.

 

Em ofício à CPI do Grampo, Jobim informara que as Forças Armadas haviam feito escassas sete interceptações telefônicas.

 

Como se vê, o ministro está mesmo devendo meia dúzia de palavras à platéia. Será uma pena se o depoimento de Jobim for mesmo realizado a portas fechadas.

Escrito por Josias de Souza às 18h43

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Em SP, promotoria abre inquérito no ‘caso Alstom’

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar um dos contratos celebrados pelo metrô paulista com a multinacional francesa Alstom.

 

A Alstom é acusada de pagar propinas no Brasil, para obter contratos em estatais federais e estduais. Entre elas o metrô de São Paulo.

 

O contrato posto agora sob investigação foi assinado em 1994, ano em que gopvernava São Paulo o então peemedebista Luiz Antonio Fleury, hoje no PTB.

 

Eleito naquele ano, o tucano Mario Covas substituiria Fleury no Palácio dos Bandeirantes em janeiro de 1995.

 

Deve-se à promotora Andréa Chiaratti Pinto a decisão de abrir inquérito neste caso específico. Que não é único.

 

Há outros contratos sob análise no próprio Ministério Péblico estadual e também no federal.

 

A representação que ensejou o despacho da promotora Andréa fora protocolada em julho pela bancada de deputados estaduais do PT.

 

No seu pedido, o petismo sustentara que o contrato (reforma do Centro de Controle Operação do Metrô) não estipulava prazo de término.

 

Mais: alegara que o valor "estimado" da obra não era definitivo, o que feriria a Lei de Licitações. De resto, o contrato foi engordado posteriormente por 12 “aditamentos.”

Escrito por Josias de Souza às 18h06

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OAB arquiva representação contra advogado de DD

Foi ao arquivo, nesta segunda (15) a representação que procuradores da República  protocolaram na OAB contra Nélio Machado, o advogado de Daniel Dantas.

 

Machado tachara de “má-fé” a decisão do procurador da República Rodrigo de Grandis que levou ao bloqueio de R$ 535,8 milhões de um fundo do Opportunity.

 

A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) tomou as dores de De Grandis. Considerou a declaração caluniosa. E representou à OAB.

 

A representação foi às mãos do advogdo Alberto Zacharias Toron, presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas da Advocacia.

 

Toron considerou "esdrúxulo" o documento da entidade de procuradores. Recomendou o arquivamento. Foi prontamente atendido pelo presidente da OAB, Cezar Britto.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Correa: Veremos se integração é efetiva ou ‘blablá’

  Antônio Cruz/ABr
Rafael Correa, presidente do Equador, começou a produzir polêmica já no desembarque em Santiago.

 

Mal pisara o solo chileno, e já fustigou: Qui vamos ver se a integração [latino-americana] é verdadeiramente efetiva ou puro blablá.”

 

Acrescentou: “Todos sabemos perfeitamente o que está acontecendo na Bolívia, aqui não cabe farisaísmo...”

 

“...Esses fantasmas que imaginávamos afastados da região voltam a aparecer em outras formas, com outras vestes, como outros espectros...”

 

“...Mas são os mesmos fantasmas de antanho (do passado). Jamais vamos aceitar as ditaduras, rompimentos da ordem democrática...”

 

“...Viemos aqui para respaldar clara, frontalmente, sem condições a democracia na Bolívia, representada pou um presidente com extraordinária legitimidade democrática, como Evo Morales.”

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que também já desembarcou em Santiago, deu nome aos “fantasmas” evocados por Correa: “O império norete-americano.”

 

Disse Chavez: “Na Bolívia, está em marcha uma conspiração internacional. Uma conspiração (...) dirigida pelo império norte-americano.”

 

Desde o final de semana, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, equilibra-se entre a moderação, personificada por ela própria e por Lula, e os arroubos à Chavez.

 

Bachelet tenta chegar a um meio-termo que evite que menções aos EUA sejam levadas à nota conjunta que será produzida na reunião da Unasul, que acontece nesta tarde, no Chile.

 

O próprio presidente boliviano Evo Morales enxerga as digitais de Washington na crise que envenena a atmosfera política de seu país. Expulsou o embaixador dos EUA em La Paz.

 

Nesta segunda (15), Evo aterrisou em Santiago a bordo de uma aeronave provida pela Venezuela de Chávez. Foi tachativo ao se referir ao movimento de seus opositores.

 

Chamou-o de tentativa de “golpe de Estado.” Mas, dessa vez, não citou George Bush:

 

“Agradeço a convocação da presidente pro tempore da Unsaul [Michelle Bachellet], para explicar aos presidentes sulamericanos sobre um golpe de Estado (...) de alguns Departamentos (Estados) durante os últimos dias...”

 

Golpe evidenciado, segundo Evo, com atitudes como “saque e roubo de instituições do Estado, tentativa de assalto à polícia nacional, às Forças Armadas ou atos e ações terroristas...”

 

Evo disse que mostrará aos colegas da região, “sobretudo, como alguns grupos praticam crimes de lesa humanidade massacrando os setores mais pobres do meu país, como é o movimento camponês indígena.”

 

É nessa atmosfera que se desenrola a reunião da União de Nações Sul-Americanas. O diário chileno El Mercurio disponibilizou em seu sítio um “minuto a minuto” do que se passa em Santiago. Está disponível aqui.

 

Último presidente a desembarcar em Santiago, Lula esquivou dos jornalista. Dirigiu-se rapidamente para o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno.

Escrito por Josias de Souza às 16h38

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Chile propõe que delegação da Unasul vá à Bolívia

  José Molina/El Mercurio
Anfitriã da reunião da Unasul, a presidente Michelle Bachelet (Chile) definiu na manhã desta segunda (15) a proposta que fará aos seus colegas agora à tarde.

 

Deve-se ao chanceler chileno Alejandro Foxley (foto) a divulgação dos detalhes. Depois de encontrar-se com Bachelet, Foxley informou:

 

1. A presidente chilena proporá aos demais presidentes da União de Nações Sul-Americanas a abertura de “uma mesa de diálogo” na Bolívia.

 

2. Sugerirá que as discussões entre Evo Morales e seus opositores sejam mediadas pela Unasul e supervisionadas pela OEA (Organização dos Estados Americanos);

 

3. Submeterá à apreciação dos colegas a idéia de uma visita de membros da Unasul à Bolívia. Havendo acolhimento, os próprios presidentes tratariam de indicar quem iria a La Paz;

 

Cuidadoso, o chanceler Alejandro Foxley teve a delicadeza de esclarecer o óbvio.

 

Disse que Bachelet deixará claro na reunião que “a autoridade legítima do governo boliviano é o presidente Evo Morales.”

 

De resto, disse que as idéias que serão expostas por Bachelet, atual presidente pro tempore da Unasul, não passam, por ora, de meras sugestões.

 

Estão condicionadas, obviamente, à aceitação dos demais presidentes. Entre eles o próprio Evo Morales.

Escrito por Josias de Souza às 15h31

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Lula defende na Unasul respeito às urnas e diálogo

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

Lula passou o domingo (14) envolvido com a crise que rói a estabilidade política da Bolívia.

 

Digeriu relatórios do Itamaraty, recheados com informações enviadas pela embaixada brasileira em La Paz.

 

Ordenou o reforço da presença militar na fronteira do Acre com a Bolívia.

 

Conversou, pelo telefone, com a presidente chilena, Michelle Bachelet, anfitriã da reunião de emergência da Unasul.

 

E discutiu com auxiliares a posição que levará para o encontro. Martelará, segundo disse, duas teclas:

 

1. O respeito às urnas bolivianas, que elegeram Evo Morales e ratificaram o mandato dele em plebiscito recém-realizado;

 

2. O aprofundamento de uma negociação franca entre Evo e seus opositores.

 

Para viabilizar a viagem a Santiago, Lula teve de cancelar a parte vespertina de sua agenda desta segunda.

 

Manteve apenas um compromisso que agendara há semanas. Participara, às 10h, da inauguração de uma fábrica de caminhões e ônibus da Volkswagen.

 

Será na cidade de Resende, no Rio de Janeiro. Não pretende retornar a Brasília. Dali, seguirá para a capital carioca.

 

Embarca para Santiago na Base Aérea de Santa Cruz. Deve decolar por volta do meio-dia.

 

Em tempo de pegar o início da reunião da União de Nações Sul-Americanas, marcado por Bachelet para as 15h30.

 

Lula tem sólidas razões para defender a costura de uma solução pacífica da arenga boliviana. Razões econômicas.

 

Deseja riscar do cenário as ameaças ao suprimento regular de gás boliviano ao mercado brasileiro.

 

Nessa área, o país ostenta uma incômoda dependência. Recebe da Bolívia 31 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. É metade de todo o gás consumido no Brasil.

 

Lula continua disposto a acomodar o Brasil na posição de mediador das negociações.

 

Mas, escaldado com uma recusa de Morales, encenada na semana passada, condiciona a participação brasileira a um pedido formal do governo boliviano.

Escrito por Josias de Souza às 02h49

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As manchetes desta segunda

- Folha: Verba do Petróleo não melhora nível da escola pública

- Globo: Poder paralelo faz TRE pedir tropas para 2ºurno no Rio

- Estadão: Impasse em negociação deixa Lehman à beira da liquidação

- JB: Só Solange quer a aprovação automática

- Correio: Concurso da PMDF vai abrir 1.500 vagas

- Valor: Crédito à construção bate recorde, mas falta recurso

- Gazeta Mercantil: Jazidas de Serra Pelada voltam à cena

- Jornal do Commercio: Igreja Batista chora seus mortos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Los Hermanos!

Lute
 

Via blog do Lute.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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Ameaça de golpe levou Bachelett a convocar Unasul

  Antônio Cruz/ABr
Realiza-se nesta segunda (15), em Santiago, a reunião emergencial da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

 

Criada em maio passado, a entidade reúne 12 países. A presidência pro tempore foi confiada à chilena Michelle Bachelet.

 

Coube a ela convocar o encontro. Reportagem do diário El Mercurio, do Chile, informa que Bachelet decidiu agir depois de uma conversa telefônica com Evo Morales.

 

O presidente da Bolívia contou à colega chilena que recebera de seu serviço de “inteligência” relatório informado sobre a iminência de uma tentativa de golpe.

 

O próprio Evo prometeu participar da reunião da Unasul. Além dele e da anfitriã, confirmaram presença outros sete presidentes da região:

 

1) Lula; 2) Cristina Kirschner (Argentina), 3) Hugo Chávez (Venezuela), 4) Álvaro Uribe (Colômbia), 5) Fernando Lugo (Paraguai) , 6) Tabaré Vázquez (Uruguai) e 7) Rafael Correa (Equador).

 

A reunião deve produzir uma moção de apoio ao governo de Evo, eleito por cerca de 53% dos bolivianos e ratificado em plebiscito por 67% dos eleitores.

 

De resto, a maioria dos presidentes, Lula entre eles, deve posicionar-se a favor da busca de uma solução negociada para do conflito boliviano.

 

Um conflito que já levou à cova, segundo contabilidade do governo da Bolívia, pelo menos 30 pessoas.