Josias de Souza

Bastidores do poder

 

PF impede réu no caso Detran-RS de sacar R$ 200 mil

  AL/RS
O lobista Lair Ferst foi surpreendido pela Polícia Federal, nesta quarta (30), no instante em que tentava sacar no banco a quantia de R$ 200 mil.

 

Coisa estranha para alguém que se encontra com os bens e as contas bancárias bloqueadas judicialmente.

 

Ferst é apontado pela PF e pelo Ministério Público como um dos principais responsáveis pelo esquema que sorveu cerca de R$ 46 milhões das arcas do Detran gaúcho.

 

Denunciado, ele foi convertido em réu pela Justiça. Pilhado na tentativa de saque, alegou que o dinheiro viria de um empréstimo.

 

Ao farejar a movimentação, a PF armou a contra-ofensiva. Acionado, o Judiciário autorizou o bloqueio dos valores.

 

Abriu-se agora, uma investigação nova dentro da velha. É o que diz o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto:

 

“Quando foi informado à Justiça Federal que ele ia sacar esses valores, é porque havia suspeita de que possa não haver origem lícita...”

 

“...Quem emprestou esse dinheiro, se realmente emprestou, terá de explicar de onde vieram esses valores. A linha de investigação é com relação à lavagem de dinheiro.”

 

Ferst já requereu o desbloqueio dos R$ 200 mil. Nos próximos dias, será intimado para prestar depoimento.

 

O mesmo deve ocorrer com o suposto provedor do “empréstimo”, cujo nome não foi revelado pela polícia.

Escrito por Josias de Souza às 20h29

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A penúltima de Chávez: nacionalização do Santander

O companheiro Hugo Chávez anunciou para “breve” a nacionalização do Banco da Venezuela.

 

Trata-se de uma casa bancária pertencente ao grupo espanhol Santander.

 

A novidade veio na forma de um discurso presidencial. Foi transmitido por rádio e TV.

 

"Vamos nacionalizar o Banco de Venezuela. Chamei o [grupo Santander], para que comecemos a negociar", disse Chávez.

 

A providência não é banal. O Banco da Venezuela ocupa posição de destaque no sistema financeiro do país.

 

Estima-se em US$ 700 milhões os investimentos do banco na terra de Chávez. O que equivale a algo como R$ 1,1 bilhão.

 

"Eles queriam vender o banco a um banqueiro venezuelano”, alega Chávez. “Mas eu, como chefe de Estado, disse não. Que o vendam ao governo, ao Estado.”

 

Curiosamente, a investida de Chavéz ocorre dias depois de ele ter recomposto suas relações com o rei de Espanha, Juan ‘por que não te calas’ Carlos.

 

O próprio presidente venezuelano prevê que a nacionalização gerará na Espanha "uma verdadeira campanha" contra ele.

 

"Não faltarão os meios de comunicação da Espanha (...) para prejudicar as relações que acabamos de retomar."

Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Revista colombiana expõe ‘laços’ das Farc no Brasil

  Revista Cambio
O semanário Cambio, da Colômbia, teve acesso a um lote de 85 e-mails extraídos do laptop de Raúl Reyes, líder das Farc morto em março.

A partir do conteúdo dessas mensagens eletrônicas, a revista construiu o que batizou de “O dossiê brasileiro.”

 

Quem lê a introdução fica de cabelos hirtos. Começa assim:

 

“O computador de Raúl Reyes revela que os vínculos das Farc com altos funcionários do governo do Brasil, entre eles cinco ministros, chegaram a níveis escandalosos.”

 

Avançando-se na leitura, percebe-se que a reportagem, que ecoou nas agências internacionais, não chega a justificar o estrépito da introdução.

 

As mensagens pescadas na máquina de Reyes cobrem um período de nove anos –de fevereiro de 1999 a fevereiro de 2008.

 

Mencionam nove personagens ligados ao governo Lula e ao PT. Eis os nomes:

 

1. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil;

2. Celso Amorín, ministro das Relações Exteriores;

3. Marco Aurélio García, assessor internacional da Presidência;

4. Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula;

5. Paulo Vanucci, secretário de Direitos Humanos da Presidência;

6. Perly Cipriano, subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos;

7. Selvino Heck, assessor especial da Presidência;

8. Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e presidente do PSB;

9. Erika Kokay, deputada distrital do PT no DF;

10. Maria José Maninha, deputada federal do PT do DF.

 

Não há mensagens diretas dos personagens a Reyes ou a outros líderes das Farc. O que há são citações de seus nomes nas trocas de e-mails.

 

“O personagem central dos correios” eletrônicos, conta a revista Cambio, é um ex-padre: Olivério Medina, conhecido como "Cura Camilo."

 

É uma espécie de das Farc no Brasil. Em 2005, quando já colecionava oito anos de residência no país, foi preso em São Paulo.

 

A Colômbia pediu sua extradição. Mas, casado com uma brasileira, “Cura Camilo” obteve status de refugiado político. E o STF negou o pedido para que fosse extraditado.

 

Os e-mails enviados por “Cura Camilo” revelam, em verdade, os esforços que empreendeu para aproximar-se do governo de Lula, empossado em 2003.

 

Num deles, datado de 25 de setembro, “Cura Camilo” conta a Raúl Reyes que Lula telefonara para Paulo Vanucci, o secretário de direitos Humanos da Presidência.

 

No telefonema, o presidente teria informado a Vanucci que ligara para o advogado Ulisses Riedel, “felicitando-o pelo êxito jurídico em sua brilhante defesa a favor do meu refúgio [no Brasil]”.

 

Riedel defendia “Cura Camilo” no processo de extradição. É certo que um pedaço do PT, simpatizante das Farc, defendia vivamente a permanência dele no Brasil.

 

Difícil saber, porém, se o telefonema de Lula ocorreu de fato ou se é fruto da criação de um porta-voz da guerrilha que tenta exibir aos chefões das Farc um presstígio que talvez não tivesse.

 

Em outro e-mail, “Cura Camilo” escreve:

 

“É possível que me visite um assessor especial de Lula chamado Selvino Hech, que, junto com Gilberto Carvalho, foi outro que nos ajudou bastante.”

 

Mais adiante, em nova correspondência eletrônica, anota:

 

"Estive conversando com a deputada federal Maria José Maninha [PT-DF]. Combinamos que vai me abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurelio García."

 

O chanceler Celso Amorim foi ao dossiê da revista colombiana por conta de um e-mail que faz menção a encontro que não se sabe se ocorreu. É de 22 de fevereiro de 2004.

 

Foi escrito por personagem identificado como José Luis. Anota: "Por intermédio do lendário líder do PT Plínio Arruda Sampaio [hoje no PSOL], chegamos a Celso Amorim...”

 

“...Plínio mandou nos dizer [...] que o ministro está disposto a receber-nos. Que tão logo tenha um espaço em sua agenda nos recebe em Brasília.”

 

Noutro e-mail enviado a Raúl Reyes em 4 de junho de 2005, o mesmo “José Luis” cita José Dirceu, à época ainda na chefia da Casa Civil.

 

“Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (dirigente do PT), me disse que vinha da parte do ministro da presidência José Dirceu...”

 

Disse “que, por motivos de segurança, eles haviam combinado que as relações não passariam pela secretaria de Relações Internacionais, se dariam diretamente, através do ministro, com a representação de Breno."

 

Diz a revista que os tentáculos das Farc no Brasil alastraram-se para o Ministério Público e até para o Judiciário. Há aqui, um toque de exagero. 

 

O pretenso “elo” com o Ministério Público resulta de e-mail enviado por “Cura Camilo” a Raúl Reyes em 22 de agosto de 2004.

 

No texto, um “Cura Camilo” ainda inquieto com a possibilidade de ser extraditado para a Colômbia relata encontro que mantivera com o procurador da República Luiz Francisco de Souza.

 

Personagem conhecido. Algo folclórico. Simpático ao PT, infernizou a gestão FHC com um sem-número de ações. “Cura Camilo” contou:

 

O Luiz Francisco “me deu o seguinte conselho: andar com uma máquina fotográfica e, se possível, com uma filmadora, para, em caso de voltar a ser parado por um agente de informação, fotografá-lo e gravá-lo, tendo o cuidado de não permitir que o agente agarre a máquina ou a filmadora. Que, em relação com o sucedido, façamos uma denúncia dirigida a ele, como procurador, para fazê-la chefe da PF e à Abin.”

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Esquema cobrava R$ 200 mil para furar fila de transplante

 

- Folha: Gilberto Gil troca governo pela carreira após cinco anos

 

- Estadão: Itamaraty teme aumento dos subsídios agrícolas nos EUA

 

- JB: R$ 250 mil: o preço de uma vida na fila do transplante

 

- Correio: Vitor, 9 anos, morto por cães de guarda da família

 

- Valor: Substituição tributária enche caixa dos Estados

 

- Gazeta Mercantil: Dados sobre poços do pré-sal podem ser vendidos

 

- Jornal do Commercio: Tráfico na classe média

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Linguagem cifrada!

Orlandeli
 

PS.: Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Junto com ministério da Pesca, Lula cria 297 cargos

Novidades vieram por meio de uma 'medida provisória'

Contratações, sem concurso,  custam R$ 14 mi anuais

Despesa chega na hora em que BC recomenda 'cortes'

 

De passagem por Salvador, na quarta (29), Lula anunciara a elevação do status da secretaria da Pesca.

 

Nesta quinta (30), foi ao "Diário Oficial da União" a nova denominação do órgão: "ministério."

 

Deu-se por meio de uma medida provisória. No meio do texto, injetou-se um “contrabando” inesperado.

 

Criaram-se, junto com a nova pasta, 297 cargos e gratificações. A maioria -150- vai para a Pesca.

 

O resto, foi distribuído assim: 

 

1. Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência: 66 novos cargos e 27 gratificações;

 

2. Ministério da Fazenda: 12 cargos;

 

3. Ministério da Integração Nacional: 16 cargos;

 

4. Ministério da Saúde: 9 cargos, incluindo uma nova secretaria;

 

5. Ministério da Indústria e Comércio: 8 cargos;

 

6. Banco Central (Até tu?!?): 8 cargos;

 

7. Gabinete de Segurança Institucional da Presidência: 1 nova secretaria.

 

São cargos de confiança. As nomeações serão feitas sem a realização de concursos públicos.

 

O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), mobilizou os técnicos do partido para calcular o custo da MP.

 

Representará um gasto adicional de cerca de R$ 14 milhões por ano. Antes disso, as despesas com pessoal já apontavam para o alto.

 

Só no primeiro semestre de 2008, a folha de salários da União subiu 7,7%: R$ 59,6 bilhões entre janeiro e junho.

 

A cifra não inclui os reajustes salariais já concedidos pelo ministério do Planajemento a uma série de categorias.

 

A engorda dos contracheques rema na contramaré do esforço do Banco Central para segurar a inflação.

 

Adotada como remédio para frear a demanda, a subida de juros não se faz acompanhar de uma contenção nos gastos públicos.

 

O crescimento das despesas globais da União (9,8% entre janeiro e junho) escora-se no estupendo desempenho da Receita Federal.

 

Mesmo sem a CPMF, o fisco foi buscar no bolso das pessoas físicas e na caixa registradora das empresas R$ 281,7 bilhões até o sexto mês de 2008. (16,7% a mais do que no ano passado).

 

A oposição grita, esperneia, promete erguer barricadas no Congresso contra a medida provisória dos novos cargos. 

 

Mas fica nisso. Na Câmara, Lula dispõe de maioria folgada. No Senado, a maioria é apertada.

 

Mas, também ali, o governo vem conseguindo saltar os obstáculos que conduzem às arcas do Tesouro.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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STF manda soltar deputados acusados de homicídio

  Folha
De volta das férias, o presidente do STF, Gilmar Mendes, deferiu pedido de habeas corpus em favor de dois deputados estaduais de Alagoas.

 

O primeiro se chama Antonio Ribeiro de Albuquerque. O outro, Cícero Ferro. A dupla é acusada de homicídio.

 

Presidente da assembléia alagoana, Antonio Ribeiro foi arrancado da cadeira por decisão do Tribunal de Justiça do Estado.

 

O mesmo tribunal determinou o afastamento do colega Cícero Ferro.

 

Os dois não são os únicos deputados encrencados na assembléia. Longe disso.

 

A casa abriga acusados de práticas que vão do tradicional desvio de verbas públicas ao furto, passando pelo homicídio.

 

Dos 27 parlamentares alagoanos, onze já amargaram indiciamento da Polícia Federal.

 

Nos casos de Antonio Ribeiro e Cícero Ferro, Gilmar Mendes esquivou-se de “adentrar o exame da discussão sobre a existência ou não de elementos que justifiquem a prisão temporária.”

 

O ministro considerou que o o magistrado que mandara prender, um juiz estadual, não tinha competência para fazê-lo.

 

Configurou-se, no dizer de Gilmar Mendes, “flagrante constrangimento ilegal.” Daí a concessão do habeas corpus.

 

Decisão tomada na noite de terça (29). Mas só divulgada nesta quarta (30).

 

PS.: Divulgou-se também nesta quarta (30) decisão do Supremo sobre um outro pedido de habeas corpus.

 

Despacho de 22 de julho. Dia em que Gilmar Mendes ainda se encontrava em férias.

 

Respondia pelo plantão do STF o colega Cezar Peluso. Foi-lhe à mesa pedido de liberdade do empresário Ricardo Luiz Paranhos.

 

Foi em cana há na Operação Telhado de Vidro. É acusado de desviar verbas sociais dos programas de Saúde da Família e de Erradicação do Trabalho Infantil.

 

Peluzo i-n-d-e-f-e-r-i-u o pedido. Manteve o suspeito, preso há 130 dias, atrás das grades. Até segunda ordem.

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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MP denuncia o líder de Lula por ‘crime financeiro’

  Folha
Os senadores já dispõem de assunto para quando retornarem do recesso parlamentar.

 

Deve-se ao procurador-geral Antonio Fernando de Souza o fornecimento da matéria-prima.

 

Ele denunciou o líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), perante o STF.

 

Acusa-o da prática de crimes contra o sistema financeiro. Coisa antiga, ocorrida entre 94 e 96.

 

O processo corre em segredo de Justiça. Sabe-se, porém, que trata de empréstimos contraídos pelo senador junto ao Banco da Amazônia.

 

Em valores da época, a conta alça à casa dos R$ 3,5 milhões. Dinheiro público, injetado em empresa micada.

 

A firma chamava-se Frangonorte. Tinha Jucá como sócio. O caso ganhou as manchetes na época em que o senador foi nomeado ministro da Previdência de Lula.

 

Acossado por esta e por outras denúncias, Jucá viu-se compelido a desembarcar da Esplanada.

 

Migrou do escândalo para o posto de líder de Lula na Câmara Alta.

 

É improvável que a denúncia do Ministério Público leve o Planalto a substituir Jucá.

 

O senador é dotado de cintura roliça. Sob FHC, desempenhara as funções de vice-líder.

 

Hoje, ele é PMDB. Ontem era tucano de carteirinha. Graças à sua mobilidade, Jucá é protagonista de uma piada recorrente em Brasília.

 

Diz-se que ainda não é possível saber quem será o próximo presidente da República.

 

Mas algo se pode dizer sem medo de errar: Jucá será o líder do novo governo no Legislativo.

Escrito por Josias de Souza às 19h36

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Avacalharam a única fila mista: de ricos e de pobres

Fila, no Brasil, é coisa de pobre. Assim é nos postos do INSS e nas paradas de ônibus.

 

A única fila em que a bugrada tem a companhia de patrícios abastados é a de transplantes.

 

Nela há os sem-nada, que esperam por uma cirurgia do SUS, gratuita.

 

Nela há também os com-tudo, que aguardam pelo órgão, para ir à mesa de cirurgia dos hospitais privados.

 

Cogitou-se, lá atrás, modificar os critérios da fila única. Houve barulho. E os espertos se retraíram.

 

Descobre-se agora que, no Rio, arrumaram um jeito de avacalhar a única fila democrática do país.

 

A Polícia Federal desbaratou um esquema urdido com o propósito de furar a fila.

 

Funcionava assim: pagando-se um pedágio de R$ 200 a R$ 250 mil, ia-se ao topo da fila de transplantes de fígado.

 

Prendeu-se um doutor, Joaquim Ribeiro Filho, acusado de comandar o malfeito. O ministério Público já formulou a denúncia.

 

No texto, a Procuradoria da República informa que, enquanto a quadrilha se locupletava duas famílias pobres caíram em desgraça.

 

Foram à cova um par de crianças que, à falta de grana, feneceram antes que lhes chegassem os fígados novos.

 

O crime descoberto no Rio é espantoso. Mas as vítimas são de uma classe que não costuma despertar muio interesse.

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Acusado de fazer xixi na rua, o réu recorre ao STF

Senso de humor, como se sabe, é aquele sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

 

Assim, melhor conter as gargalhadas diante do caso que se relatará a seguir. É coisa séria. Deu-se no Carnaval passado, na cidade mineira de Diamantina.

 

Júnio Cançado Dias pulava em meio a uma multidão estimada em 40 mil pessoas. Súbito, bateu-lhe uma vontade de urinar.

 

Resolveu esvaziar a bexiga na rua, à vista de quem quisesse ver. A polícia pilhou-o, por assim dizer, com a mão na “botija.”

 

Conduzido à delegacia local, foi autuado. Na seqüência, foi levado às barras dos tribunais pelo Ministério Público.

 

O crime? “Ato obsceno.” Coisa prevista no Código Penal, artigo 233. A denúncia foi devidamente recebida pela juíza da comarca local.

 

Julga daqui, recorre dali o xixi do cidadão Cançado Dias foi respingar, veja você, no STF.

 

Defensor de Cançado, Kilder Eustáquio de Araújo protocolou no Supremo um pedido de habeas corpus.

 

Pede o cancelamento do processo. A petição chegou ao tribunal em 21 de julho. Lá se vão dez dias. E nada.

 

No intervalo de 48 horas, o STF livrou Daniel Dantas de duas estadias na cadeia. Cançado, porém, não está em cana.

 

Talvez por isso ainda não tenha merecido o despacho redentor de um ministro do Suprema Corte.

 

O advogado do incontinente argumenta em seu arrazoado que, em pleno Carnaval, só havia dois banheiros à disposição do público.

 

Quantidade obviamente insuficiente para dar vazão às pulsões urinárias dos cerca de 40 mil foliões de Diamantina.

 

Bem verdade, admite o defensor de Cançado, que havia outros três sanitários. Mas ficavam fora do local onde se apresentavam as bandas de música.

 

O advogado arremata: “Concluiu-se que não foi dado nenhum amparo para a população local ou para os turistas que freqüentaram a cidade durante o Carnaval.”

 

A despeito disso, anota a peça de defesa, as vítimas da falta de estrutura de Diamantina são condenadas de “maneira absurda.”

 

Estima-se que cada ministro da mais alta corte do país receba anualmente um volume de 10.000 novos processos para julgar.

 

O fenômeno faz do STF o supremo retrato do caos do Judiciário brasileiro.

 

Uma imagem tragicamente acomodada sobre a mesa de cada um dos 11 ministros que integram o tribunal.

 

Como se fosse pouco, o STF agora é chamado a decidir até sobre a urina que carnavalescos vertem nas quinas de meio-fio.

 

Chega-se à constatação desoladora: para o sistema judicial do Brasil ficar bom, é preciso fazer outro.

 

Enquanto os especialistas buscam soluções, convém proibir a venda de cervejas e líquidos afins no Carnaval de rua.

 

PS.: Em despacho levado ao sítio do STF em 1º de agosto de 2008, o ministro Gilmar Mendes decidiu mandar ao arquivo o pedido de habeas corpus. Entendeu que cabe à Justiça mineira deliberar sobre o tema, nao ao Supremo.

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Lula diz que Gil vai ‘priorizar o que é importante’

Gilberto Gil levou os pés à soleira. Logo mais, em conversa com Lula, vai oficializar o seu desembarque do ministério da Cultura.

 

Lula já o trata como ex-ministro: "O Gil teve uma grande recaída que é voltar a ser artista. Gil voltou a priorizar o que é importante."

 

Traduzindo: para Lula, a pasta da Cultura, por desimportante, que não vale o cancelamento de uma dúzia de shows.

 

A despeito do comentário do chefe, Gil deixa um legado na Cultura. Não tem o peso de sua obra musical. Mas vai sobreviver à saída dele do governo.

 

O signatário do blog arrisca-se a prever que a obra de Gil no ministério vai durar bastante. Vai durar, por baixo, uns bons 30 dias.

 

Antes que a coisa caia no esquecimento, o repórter lança um desafio aos seus 22 leitores.

 

Responda rápido: qual foi a maior realização de Gilberto Gil nos cinco anos e meio de governo Lula?

 

PS.: Atualização feita às 18h45- Depois de avista-se com Lula, no Planalto, Gilberto Gil confirmou que deixa mesmo o ministério da Cultura.

 

Será substituído interinamente por Juca Ferreira, atual secretário-executivo da pasta.

Escrito por Josias de Souza às 15h59

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Campanha de tucanos traz a marca da esquizofrenia

Vereadores têm 2 tipos de santinhos: com e sem Alckmin

Dois deles decidiram não aparecer na TV com o candidato

Nas ruas, adotam discurso dúbio, que pende para Kassab

Para atenuar a dualidade, priorizam ataques a Marta e PT

 

 

Líder da bancada do PSDB na Câmara de vereadores de São Paulo, o tucano Gilberto Natalini fez campanha, nesta terça (29), num bairro da periferia da cidade.

 

Chama-se Cidade Júlia. Um amontoado urbano. Algo como 80 mil moradias, dispostas de forma desordenada.

 

Na próxima segunda (4), começam as obras do primeiro parque público do bairro. Um empreendimento que mobiliza as atenções do vereador Natalini há arrastados três anos.

 

Convenceu o governador José Serra (PSDB) a ceder um terreno do Estado. E obteve do prefeito Gilberto Kassab (DEM) o dinheiro que financiará o empreendimento.

 

Filiado ao PSDB, Natalini deveria pedir aos moradores de Cidade Júlia que votassem no tucano Geraldo Alckmin. Mas viu-se enredado num dilema. Um embaraço que ele próprio define como “surreal.”

 

“Eu, vereador Gilberto Natalini, conquistei aquela praça para comunidade. Consegui o convênio do Estado com a prefeitura...”

 

“...É difícil chegar para o eleitor daquela comunidade e dizer: ‘Olha, agora o nosso candidato não é mais o prefeito Kassab. Agora tem outro aqui, do meu partido, o Geraldo.”

 

O drama de Natalini é compartilhado pela maioria dos tucanos com assento na Câmara de Vereadores paulistana.

 

Defenderam o apoio a Kassab até a última hora. Mas foram vencidos pela determinação de Geraldo Alckmin de disputar a prefeitura.

 

Numa campanha municipal, os vereadores funcionam como elo entre o candidato e os líderes comunitários e de associações de bairro. São peças-chave na guerra das ruas.

 

No caso do PSDB, a dicotomia entre o prestígio a Kassab e o apoio a Alckmin injeta no dia-a-dia dos vereadores tucanos um drama de contornos esquizofrênicos.

 

“O candidato do nosso partido disputa a prefeitura com o candidato do nosso governo”, resume Natalini. “É uma situação surrealista.”

 

O surreal plantou no quintal de Alckmin e de Kassab uma confusão que, no limite, serve à campanha rival da petista Marta Suplicy.

 

São 12 os vereadores tucanos que disputam a reeleição. Só dois entregaram-se de corpo e alma à campanha de Alckmin: Tião Farias e José Rolim. O primeiro aderiu por convicção. O outro, por pressão.

 

Outros dois, Natalini e Ricardo Teixeira, decidiram, segundo apurou o repórter, realizar campanhas “solteiras”, dissociadas do candidato a prefeito tucano.

 

Natalini e Teixeira não vão nem mesmo gravar participações na propaganda televisiva do PSDB. “No meu caso, digo que está decidido”, atesta Natalini.

 

“Não vou gravar participações para a TV. A esquizofrenia se entranhou na minha alma. Para a minha campanha é péssimo. Vou perder votos. Mas não tem jeito. Estamos trabalhando de forma amalucada.”

 

Quanto aos demais vereadores tucanos, a maluquice é generalizada. A maioria já decidiu dar as caras na TV. Alguns já gravaram suas participações.

 

Nas ruas, porém, muitos distribuem dois tipos de santinho eleitoral: num deles, posam ao lado de Geraldo Alckmin. Noutro, estão sozinhos. Uma solidão imposta pela lei.

 

Sujeitam-se à arrostar penalidades aqueles que fizerem campanha aberta por um candidato que não seja o escolhido na convenção do partido.

 

Os vereadores que pendem para Kassab adotam o discurso típico de quem se equilibra sobre o muro. “Temos dois públicos”, sintetiza o líder Natalini.

 

“Gasto a maior parte do meu tempo dando explicações ao eleitor. Dá um trabalho desgraçado. Digo que tem o candidato do partido, que é o Geraldo...”

 

“...E explico que também tem o candidato do governo que ajudamos a eleger, que é o Kassab. Tenho de falar a verdade para o eleitor.”

 

Numa tentativa de atenuar a dubiedade, o vereador tucano carrega no discurso anti-PT. Criador do apelido “Martaxa”, Natalini explica:

 

“Deixo claro ao eleitor que a nossa prioridade é impedir que a Marta e o PT retornem ao comando da prefeitura de São Paulo. Esse é o eixo da minha campanha.”

 

O diabo é que, do ponto de vista prático, a divisão entre o candidato ‘demo’ e o postulante tucano não traz senão benefícios políticos à campanha de Marta.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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As manchetes desta quarta

 

 

- Globo: TRE e polícias criam força especial para as eleições

 

- Folha: Fracassa acordo de comércio global

 

- Estadão: Fracasso na OMC faz Brasil rever política de comércio

 

- JB: Brigalhada em Genebra causa prejuízo ao Brasil

 

- Correio: O arsenal suspeito da PMDF

 

- Valor: Fracasso de Doha abre nova fase de conflito comercial

 

- Gazeta Mercantil: Bancos perdem receita com mercado de IPO

 

- Estado de Minas: Chacina em Betim deixa seis mortos

 

- Jornal do Commercio: Bandidos resgatam internas da Fundac

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

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Quém! Quém! Quém!

Angeli

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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AMB dá braço a torcer e leva Kassab à ‘lista suja’

  Folha
Gilberto Kassab passou, nesta terça (29), da condição de “kassador” à de “kassa”.

 

Na semana passada, o candidato ‘demo’ apressara-se em tirar uma casquinha de Marta Suplicy (PT) e de Paulo Maluf (PP).

 

Alardeara, na internet e em panfletos, a inclusão dos rivais na “lista suja" da Associação dos Magistrados Brasileiros.

 

Súbito, descobriu-se que Kassab respondia, também ele, a um processo judicial.

 

Explica daqui, justifica dali a AMB dissera que não incluiria o nome do prefeito em sua lista.

 

Criticada a mais não poder, a associação de juízes deu a mão à palmatória.

 

A partir de agora, a lista inclui, além dos sujos, o mal lavado. Veja aqui o quadro de São Paulo, já com o nome do novo integrante.

Escrito por Josias de Souza às 19h47

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Lula ‘proíbe’ o PT de ‘proibir’ o uso de sua imagem

Sérgio Lima/Folha
 

 

Lula abespinhou-se com o PT. Ficou irritado ao saber que setores do partido reivindicam exclusividade no uso da imagem dele na campanha de 2008.

 

Informou a ministros e auxiliares que vai proibir o PT de proibir partidos “aliados” do Planalto de levarem o seu rosto aos cartazes e à propaganda televisiva eleitoral.

 

Um dos que foram se queixar ao presidente é o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Ele apóia, em Salvador, a candidatura re-eleitoral do prefeito João Henrique (PMDB).

 

Informou a Lula que o candidato do PT, Walter Pinheiro, ameaçara recorrer à Justiça para retirar das ruas da capital baiana os outdoors do PMDB.

 

Sai painéis em que o partido de Geddel tenta aproximar a imagem de seu candidato à de Lula. Algo que o presidente prometeu assegurar.

 

Nesta terça (29), a propósito, Lula viajou justamente para Salvador, onde petistas engalfinham-se com peemedebistas.

 

Deu entrevista a um diário local, o jornal “A Tarde”. Falou de temas variados –da segurança pública à reforma tributária, passando pelas Farc.

 

A certa altura, Lula foi instado a comentar o esforço dos candidatos a prefeito para pegar carona em seus índices de popularidade.

 

Ao responder, considerou “natural” o fenômeno. E não fez distinção entre o PT e os outros 14 partidos que gravitam em torno do Palácio do Planalto.

 

“É natural que os candidatos e partidos que dão sustentação política a esse projeto de desenvolvimento e redução das desigualdades tenham, em alguma medida, o reconhecimento da população.”

 

Diferentemente do PT, Lula deseja e estimula que os candidatos governistas despejem no âmbito municipal os “êxitos” de seu governo.

 

Acha que há muito a ser exibido. Na entrevista de Salvador, listou alguns exemplos:

 

“O fato é que a atuação do governo tem mudado para melhor a vida das pessoas, criando oportunidades e gerando mais emprego e renda, acesso à educação, saúde, saneamento e à casa própria...”

 

“...Nada menos do que 9,7 milhões de brasileiros deixaram a pobreza absoluta nos últimos cinco anos...”

 

“...Outros 23,5 milhões passaram a viver num padrão de classe média, com renda entre R$ 1.062 e R$ 2.017. Desde 2003, foram criados 6,2 milhões de empregos com carteira assinada...”

 

“...O ProUni já colocou na universidade 385 mil jovens de baixa renda. As pessoas estão vendo as obras de saneamento e habitação em suas comunidades...”

 

“...Só em 2007, um milhão de famílias adquiriram casa própria...”

 

“...Os médicos do programa Saúde da Família chegam em suas casas com o atendimento básico que já cobre mais de 90 milhões de brasileiros.”

 

Na véspera, antes de voar de Brasília para Salvador, Lula dissera que não faz o menor sentido que o PT queira agora “monopolizar” a sua imagem. “Isso eu não vou deixar.”

Escrito por Josias de Souza às 18h52

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Brasil terá de reconstruir ponte com países do G20

Jochen Luebke/EFE
 

 

Deu-se o pior: fracassaram as negociações do acordo de liberalização do comércio mundial.

 

A coisa vinha sendo discutida há mais de uma semana, na Organização Mundial do Comércio.

 

Os debates foram apresentados, desde o início, como vitais para o futuro da chamada Rodada de Doha.

 

Leva esse nome porque foi lançada, sete anos atrás, em Doha, capital do Qatar.

 

Nesta terça (29), o presidente da OMC, Pascal Lamy, viu-se compelido a reconhecer que deu em nada a nova tentativa de acordo.

 

Além de conspurcar a conciliação, o fiasco de Genebra compromete a unidade do chamado G20.

 

Trata-se de um grupo que reúne 23 nações ditas emergentes. Foi constituído em 2003, no alvorecer do governo Lula.

 

Traz, na ponta, Brasil, Índia e China. Vinham jogando de mãos dadas. Mas, na foto de Genebra, o chanceler Celso Amorim foi à foto do lado do bloco dos países ricos.

 

Pascal Lamy apresentara, na última sexta (25), um texto que se imagina capaz de produzir a conciliação.

 

Amorim topou. Índia e China torceram o nariz. A vizinha Argentina também virou a cara. A imprensa portenha chegou a tachar o Brasil de “traidor.”

 

Ao alinhar-se ao texto de Lamy, o negociador de Lula comprou um risco.

 

O chanceler brasileiro achou que a proposta, embora não fosse a ideal, representava um avanço. E fez o que pôde para atrair os parceiros do G20.

 

Consumada a discórdia, o Brasil terá, agora, de reconstruir suas pontes com os demais emergentes.

 

Impossível? Não. A economia brasileira tem musculatura bastante para não ser ignorada. É o que dizem os entendidos.

 

Mas o conserto da fissura de Genebra não virá por gravidade. Torça-se para que o custo fique apenas na lábia.

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Aumentam os ‘assaltos bancários’ de dentro pra fora

Stock Images
 

 

Há no Brasil dois tipos de assalto bancário:

 

1. De fora pra dentro;

2. De dentro pra fora.

 

Pesquisa realizada pelo BC detectou um aumento exponencial nos assaltos do segundo tipo.

 

As casas bancárias já vinham encostando juros escorchantes na jugular de correntistas indefesos.

 

Em junho, a onda de violência recrudesceu. Na média, os juros passaram de 47,4% para 49,1% ao ano.

 

Desde abril de 2007 que a clientela não era alcançada por uma taxa de tão grosso calibre.

 

Entre todas as vítimas, as que mais padecem são os viciados em cheque especial.

 

Dessa turma, os chefões das bocas de juros passaram a cobrar, em junho, taxas anuais de 159,1%. Em 17 de julho, a coisa já atingira os 162,4%.

 

No empréstimo pessoal, os juros anuais bateram, em junho, em 51,4% ao ano. Na compra de veículos, chegaram a 31,1%.  

 

No ano da graça de 2007, os bancos amealharam no Brasil lucros de R$ 45,4 bilhões -35,9% acima do que fora auferido no ano anterior.

 

A cifra consta de balanços repassados ao BC por 101 instituições financeiras.

 

Mostram que a receita dos bancos com a cobrança de juros foi de notáveis R$ 179 bilhões.

 

Exibem também o tamanho do estrago feito pelas tarifas bancárias. Subtraíram dos bolsos dos correntistas R$ 55,9 bilhões no ano passado.

 

Os lucros da banca brasileira, por generalizados, ocorrem à revelia das decisões gerenciais adotadas por uma ou outra instituição.

 

Eles chegam trazidos pelo ambiente em que se processam os negócios bancários.

 

Uma atmosfera em que se misturam a altíssima remuneração propiciada pelos títulos do governo e as taxas “spreads” extorsivos.

 

“Spread” é a diferença entre o custo dos bancos ao captar dinheiro na praça e as taxas que cobram no instante em que emprestam a mesma grana.

 

Quando o empréstimo é para empresas, o “spread” costuma passar dos 14 pontos percentuais.

 

Nos empréstimos às pessoas físicas, a taxa vai além dos 50 pontos percentuais.

 

Assim, da próxima vez que for conversar com o gerente de seu banco, convém perguntar onde fica o botão do alarme.

 

Dependendo do que ele disser, aperte o botão e saia correndo. É caso de polícia.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

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Pirotecnia do ‘boi pirata’ vira um passivo judicial

Ibama tenta vender 3.046 cabeças há dois meses e meio

Três leilões organizados pela Conab resultaram em fiasco

Tentou-se reduzir o preço em 60%, mas a Justiça proibiu

 

O Ibama vive, desde a primeira quinzena de junho, um pesadelo.

 

Não consegue se livrar de um problema criado pelo estilo pirotécnico do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente).

 

Recém-desembarcado em Brasília, o substituto de Marina Silva anunciara, na início de junho, uma ação espetacular.

 

O governo passaria a apreender os bois criados em propriedades ilegais na Amazônia. Minc batizou a iniciativa de “Operação boi pirata”.

 

Dias depois, o Ibama apreenderia, em Altamira (PA), um rebanho de 3.046 cabeças. Pastavam ilegalmente numa reserva ecológica chamada Terra do Meio.

 

Coisa fina: 1.455 vacas, 192 touros, 909 novilhos, 486 bezerros e quatro bois (um par de carreiros e outro de murrucos). Nomeou-se um funcionário do Ibama como fiel depositário dos animais.

 

“Em tese, é o mais novo milionário, com 3.000 cabeças de gado”, ria-se o delegado federal Jorge Eduardo, que participara da apreensão.

 

Anunciou-se a intenção de leiloar o rebanho. O dinheiro seria revertido para o Fome Zero (sim, o programa ainda existe!). Um mês. Dois meses e meio. E nada.

 

Súbito, a piada perdeu a graça. Nesta segunda (28), depois de duas tentativas frustradas, o governo promoveu, por meio da Cia. Nacional de Alimentos, o terceiro leilão. Novo fiasco.

 

A antepenúltima tentativa ocorrera em 21 de julho. Estipulara-se como lance inicial o valor de R$ 3,151 milhões. Nesta penúltima, reduziu-se a cifra em 60%: R$ R$ 1.445 milhão.

 

A pechincha não evitou o mico. Dessa vez, o vexame foi tonificado por uma decisão judicial. Proferiu-a o desembargador Olinto Herculano de Menezes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

 

A liminar do juiz Olinto chegou quando faltava uma hora para o início do novo leilão. O texto continha termos peremptórios.

 

Anotava que não deveria ser aceito “nenhum lance inferior ao preço de mercado, como tal entendido o valor mínimo de R$ 3.151.530,35, cotado para o leilão não exitoso do dia 21/07/2008”.

 

A exemplo do que ocorrera nas tentativas anteriores, nenhum comprador deu as caras. O Ibama jura que, no final de semana, três interessados haviam inspecionado o rebanho.

 

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Flávio Montiel, atribui esse infortúnio à decisão judicial. Alega que a liminar do desembargador “retraiu os interessados.”

 

Marcou-se para a próxima terça-feira (5), o quarto leilão dos “bois piratas”. Antes disso, a Procuradoria-Geral do Ibama recorrerá contra a decisão judicial que impediu a venda na bacia das almas.

 

Os advogados do governo alegarão que, depois da apreensão do rebanho, pecuaristas da região colocaram à venda 10 mil cabeças. O que teria puxado para baixo o preço do gado em Altamira.

 

O Ibama imagina que o leilão da próxima semana será o último. Uma previsão que está pendurada num leque de condicionantes.

 

Primeiro, será necessário derrubar a liminar do TRF. Depois, será preciso desmontar as armadilhas que, obviamente, os pecuaristas armaram no caminho de Carlos Minc.

 

O pesadelo está apenas no começo. Em sabatina promovida pela Folha, no dia 23 de junho, Minc jactara-se de já ter apreendido 12 mil cabeças de gado.

 

Se não consegue levar ao martelo as primeiras 3.046, imagine-se o tamanho da encrenca que terá para leiloar as outras 8.954!

 

Aos pouquinhos, o marketing bovino do ministro vai tomando o caminho do brejo.

Escrito por Josias de Souza às 03h41

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Estado avisa TRE que aceita força-tarefa para eleições

 

- Estadão: Mulheres-bomba matam 57 em ataques no Iraque

 

- JB: PF protege juíza eleitoral

 

- Correio: Brasileiros torram US$ 5,5 bi no exterior

 

- Valor: Juros elevados atraem capital de curto prazo

 

- Gazeta Mercantil: Como Júnior tornou-se um gigante com marcas populares

 

- Estado de Minas: Perueiros voltam a atacar em BH

 

- Jornal do Commercio: Com Lei Seca, menos acidentados no HR

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Pedala, Cabral!

Aliedo
 

PS.: Via blog do Aliedo.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Lula inaugura, em Salvador, 1ª usina de biodiesel

Sérgio Lima/Folha
 

 

Lula desembarcou em Salvador na noite desta segunda (28). Tomou um helicóptero e foi jantar na casa do governador petista Jaques Wagner.

 

Nesta terça (9), o presidente inaugura a primeira usina de biodiesel da Petrobras, na cidade baiana de Candeias.

 

A agenda é administrativa, mas está impregnada de política. Lula terá de se equilibrar entre dois candidatos: Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (PMDB).

 

A dupla representa a seara governista na disputa pela prefeitura de Salvador. Além da disputa que travam entre si, tentam prevalecer sobre o oposicionista ACM Neto (DEM), líder nas pesquisas.

 

Depois da solenidade da Petrobras, Lula participará de uma formatura e lançará um plano de desenvolvimento da pesca. Tudo com a dupla de candidatos a tiracolo.

 

É uma forma indireta de descumprir a promessa de não se meter nas eleições municipais.

 

Nos próximos dias, o presidente estará na São Paulo da petista Marta Suplicy. Aí mesmo é que o compromisso irá para os ares.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Filme sobre vida de Bush chega junto com a eleição

Filme sobre vida de Bush chega junto com a eleição

Saiu o primeiro trailer de “W.”, um filme de Oliver Stone sobre a trajetória de George Bush.

 

Chega às salas de projeção em novembro, às vésperas do encontro do eleitor americano com as urnas.

 

Em meio à atmosfera de fim de feita vivida na Casa Branca, Stone traça um perfil realista do inquilino que sai.

 

O enredo evolui da juventude de Bush –temperada à base de bebedeiras, detenção e arengas familiares—até a chegada do personagem ao poder.

 

Num dos diálogos, Bush, o filho, é admoestado por outro Bush, o pai: "Quem você pensa que é, um Kennedy? Você é Bush, haja como um!"

 

O filme decerto não ajuda à causa do republicano John McCain. Se bobear, vira peça da campanha “mudancista” do democrata Barack Obama.

 

PS.: A quem interessar possa há aqui um texto com a opinião do repórter sobre a era Bush.

Escrito por Josias de Souza às 20h52

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Acordo dá 45% das vagas do PAC ao Bolsa Família

O governo abriu uma perspectiva de emprego para a clientela do Bolsa Família.

Decidiu-se que 45% das vagas abertas nas obras do PAC serão destinadas a beneficiários do programa.

 

O acordo foi costurado com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil).

 

Participaram dos entendimentos representantes de três ministérios: Casa Civil, Trabalho e Desenvolvimento Social.

 

Antes de obter o emprego, os brasileiros pendurados no Bolsa Família terão de fazer um curso de capacitação.

 

Curso já previsto num programa oficial. Chama-se Planseg (Plano Setorial de Qualificação). Prevê investimentos de R$ 145 milhões.

 

Espera-se “qualificar” cerca de 180 mil pessoas nas 12 regiões metropolitanas do país. Só em São Paulo, há 44 mil “alunos” potenciais.

 

A idéia é que saiam do curso em condições de exercer em sua plenitude ofícios como os seguintes:

 

Pintor, azulejista, encanador, carpinteiro, mestre-de-obras, desenhista, eletricista, operador de trator, gesseiro, auxiliar de escritório e almoxarife.

 

No momento, o governo estrutura os cursos. Repassa informações a 1.200 gestores estaduais e municipais do Bolsa Família.

 

Essa fase inicial foi deflagrada nesta segunda (28), nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza.

 

Termina no dia 13 de agosto, em Belo Horizonte. Até lá, espera-se que 240 municípios estejam em condições de iniciar os cursos profissionalizantes.

 

As aulas começam na segunda quinzena de setembro. Terão duração de 200 horas, divididas em duas fases: 80 horas de teoria e 120 de lições práticas.

 

Na reunião preparatória de São Paulo, uma das que foram realizadas nesta segunda, o representante de Brasília teve uma preocupação especial.

 

Para não afugentar os futuros alunos, José Crus, assessor técnico do Ministério do Desenvolvimento Social, avisou:

 

“Aquele que for participar do Planseq não perderá o benefício do Bolsa Família.” Mais: “Os alunos receberão lanche e auxílio em dinheiro para freqüentar os cursos.”

Bom que seja assim. Porém, o desdobramento óbvio da iniciativa é –ou deveria ser— a emancipação do pobre que hoje depende da ajuda oficial.

 

Pela lógica, uma vez empregado, o aluno deixaria o Bolsa Família, dando lugar a miseráveis ainda não contemplados com o Bolsa Família.

Escrito por Josias de Souza às 19h37

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Lula agora pede pressa na mudança da lei do grampo

O pedido do presidente foi feito nesta segunda (28), em reunião da coordenação política do governo.

 

Entre os presentes, estavam Tarso Genro e José Múcio. Foi a eles que Lula se dirigiu.

 

Pediu ao titular da Justiça e ao operador político do Planalto que se entendam com o Congresso.

 

Lula quer ver votado o quanto antes o projeto que altera a lei 9.296. Foi baixada em 96, ainda sob FHC.

 

É essa lei que regula a realização de escutas telefônicas no Brasil. Para o governo, carece de uma modernização.

 

O projeto que sugere as mudanças já foi inclusive enviado ao Congresso. Deu-se no último mês de abril.

 

Detalhes da proposta foram veiculados aqui no blog. Há no Legislativo uma tendência favorável.

 

Deputados e senadores têm sido, nos últimos anos, alvos dos grampos geridos pela PF. O que ajuda a compor a maioria pró-moderação.

Escrito por Josias de Souza às 17h16

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Contas externas têm seu pior resultado da história

 

 

O governo realiza, desde 1947, um balanço mensal de todos os negócios do Brasil com o exterior.

 

Ajuda a aferir o grau de vulnerabilidade externa. No primeiro semestre de 2008, o resultado é azedo: déficit de US$ 17,4 bilhões.

 

Em termos nominais, é o pior resultado em 61 anos. Vai à série “nunca na história desse país”.

 

Nos seis primeiros meses do ano passado, festejava-se um superávit de US$ 2,5 bilhões.

 

Mixuruca. Mas superávit é sempre superávit. Os números são fortemente influenciados pela queda do dólar.

 

A propósito, o dólar barato faz a festa da classe média brasileira. Tornou-se uma espécie de "Bolsa Miami".

 

Embora negativos, os números revelados pelo Banco Central devem ser relativizados.

 

Mantida a tendência, o déficit pode virar uma grande encrenca no futuro. Hoje, porém, o Brasil dispõe de um escudo monetário poderoso.

 

O BC acumulou reservas internacionais de notáveis US$ 205 bilhões. Bem mais do que os US$ 37 bilhões de que dispunha em 2002, último ano da era FHC.

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Negociações da OMC voltaram a ‘subir no telhado’

  BBC
Um imenso, um gigantesco ponto de interrogação voltou a perambular pelos salões da OMC.

 

As negociações para destravar o comércio mundial entram em seu oitavo dia sem um consenso no horizonte. vista.

 

Até a última sexta (25), caminhava-se para um entendimento em torno de uma proposta.

 

Proposta formulada por Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio.

 

Entre os que pendiam para a concordância estava o chanceler brasileiro Celso Amorim. Porém...

 

Porém, representantes de outras nações emergentes ergueram barricadas contra a proposta.

 

Entre os países que torceram o nariz estão a Índia e a Argentina, parceiros tradicionais do Brasil.

 

Também a China faz restrições ao texto do diretor-geral da OMC.

 

Neste domingo, o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, jogou novas fichas sobre o pano verde.

 

Nath atraiu para o lado dos descontentes uma centena de países. Embora ausentes da reunião, têm peso.

 

Exigem que a proposta inclua dispositivos de proteção para seus vulneráveis mercados agrícolas.

 

Pascal Lamy teve de dar um passo atrás. Admitiu que o texto de sexta-feira terá de ser refeito.

 

A representante de Comércio dos EUA, Susan Sshwab, expressou assim o seu desalento:

 

"Tínhamos um acordo na sexta com um resultado bem-sucedido...”

 

“...Não era perfeito, mas tinha um equilíbrio relativo, respaldado pela maioria dos participantes..."

 

“..."Infelizmente alguns poucos mercados emergentes decidiram que queriam reequilibrar a favor de outros assuntos...”

 

“...Este balanço é tão delicado que, se for esticado de um lado, será desequilibrado do outro...”

 

“...Portanto se rompeu o único pacto de êxito que tínhamos até agora".

 

Celso Amorim mantém-se retoricamente otimista. Um otimismo calculado, contudo.

 

“Claro que não resolvemos muitos dos assuntos que estavam pendentes...”

 

“...Mas o fato de que o barco segue e não afundou já é uma boa notícia neste estágio...”

 

“...Mantenho minha estimativa de 65%, 75% (de chances de chegar a um acordo final).”

 

Os representantes de 30 países que se encontram em Genebra voltam à mesa nesta segunda.

 

PS.: Atualizações feitas às 18h30 desta segunda (28). É noite alta em Genebra. As negociações devem entrar pela madrugada. No momento, impera o pessimismo. O entendimento está por um fio

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: TSE discutirá proposta de força-tarefa eleitoral no Rio

 

- Folha: SP bate recorde e multa 1 motorista a cada 6 segundos

 

- Estado: China e Índia emperram acordo na OMC

 

- JB: Tráfico agora bloqueia TER

 

- Correio: Brasília livre das vans

 

- Valor: Crédito à exportação fica mais caro, restrito e curto

 

- Gazeta Mercantil: Brasil pesquisa ouro, diamante e fosfato no mar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

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'Sua ligação é muito importante pra nós!'

Novaes
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Lula ‘chegará’ à campanha municipal por meio da TV

Sérgio Lima/Folha
 

 

Lula havia declarado, no início da semana passada, que não participaria da campanha municipal de 2008.

 

“Eleições, tô fora”, dissera o presidente. Não é bem assim. Ele achou uma maneira de se fazer presente.

 

Decidiu autorizar o uso de sua imagem na propaganda eleitoral televisiva de candidatos “aliados.”

 

O recurso será empregado mesmo nas praças em que as legendas governistas vão às urnas como rivais.

 

Tome-se o exemplo de Salvador. Há dois lulistas na briga: Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (PMDB).

 

Nenhum deles terá Lula no palanque. Mas ambos poderão usar e abusar da imagem dele na TV.

 

O Lula de carne e osso só dará as caras em municípios estratégicos e locais que não ofereçam risco.

 

A São Paulo da petista Marta Suplicy entra na categoria de cidade “estratégica”.

 

A São Bernardo do também petista Luiz Marinho, noves fora a ausência de risco, é “berço” do presidente.

 

Integrantes da cúpula do PT tentam estender a Dilma Rousseff o critério que Lula impôs a si mesmo.

 

O presidente limitou a presença física de Dilma à campanha da petista Maria do Rosário, em Porto Alegre.

 

O petismo tenta agora arrastar a “mãe do PAC” para outras cidades. O PT quer levá-la à televisão.

 

Em São Paulo, dirigentes do PT consideram “essencial” a participação da ministra na campanha de Marta.

 

A presença do presidente na campanha, ainda que virtual, funcionará como uma espécie de tira-teima.

 

Vai-se perceber, aqui e ali, qual é a capacidade de Lula de transferir a terceiros a simpatia que a maioria dos eleitores lhe devota.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Grande demais, esperteza de Kassab ‘engole’ o dono

  Leo Caobelli/Folha
Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas de São Paulo na terça (22) e na quarta-feira (24) da semana passada.

 

Recolheram as intenções de voto que rechearam as planilhas de pesquisa divulgada na quinta.

 

Deve-ser à repórter Renata Lo Prete a descoberta da "penúltima" do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

 

Candidato à reeleição, Kassab enviou e-mail às 26 subprefeituras. O conteúdo foi às páginas da Folha (assinantes).

 

O prefeito encomendou aos subordinados uma “ação” para tentar influir nos resultados da pesquisa.

 

O primeiro passo era identificar “o ponto” onde estariam postados os pesquisadores. Foi detalhista.

 

Recomendou que as investidas fossem feitas “principalmente no período da manhã”, quando seria maior o número de entrevistas.

 

“Mas também no período da tarde”, frisou Kassab no e-mail. Pilhado, o prefeito saiu-se com uma desculpa andrajosa.

 

Não negou o teor do e-mail. Mas disse que tratou-se de uma "ação preventiva". Queria "evitar maldades".

 

Que maldades? Kassab diz que "pessoas ligadas ao PT" costumam provocar tumultos em locais de pesquisa.

 

Os tumultos de ocasião visariam influir negativamente na percepção do público em relação à sua administração.

 

Em relação à pesquisa, a movimentação de Kassab não lhe rendeu coisa nenhuma.

 

Na sondagem anterior, tinha 13%. Caiu para 11%, nem atrás de Marta (36%) e Alckmin (32%).

 

Foi no campo jurídico que a iniciativa produziu resultados. Ivan Valente, candidato do PSOL, decidiu representar contra Kassab.

 

Por que? "Está mais do que evidente que o prefeito usou a estrutura municipal para tentar intimidar pesquisadores e cercear o livre direito de manifestação política das pessoas."

 

É como diz o brocardo: a esperteza, quando é grande demais, termina engolindo o dono.

Escrito por Josias de Souza às 22h50

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Governo estuda criação de nova estatal: ‘Lixobras’

Ao conceder a licença ambiental prévia para o reinício das obras de Angra 3, o Ibama lançou no ar uma polêmica incômoda:

 

O que fazer com o lixo atômico?

 

Os ambientalistas do governo exigem “solução definitiva” para o problema.

 

A turma do setor energético vira a cara: nessa matéria, solução perene é coisa que nem os países ricos acharam.

 

Súbito, surge uma informação inquietante: o governo estudo criar uma nova estatal.

 

Teria a atribuição de gerenciar os rejeitos radioativos. Tem até nome provisório: Empresa Brasileira de Rejeitos.

 

Vale lembrar uma frase de Delfim Netto, que entende de Estado como poucos:

 

“Se o governo comprar um circo, o anão começa a crescer.”

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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Ora, meninas, não há dúvida: Capitu traiu Bentinho!

Ora, meninas, não há dúvida: Capitu traiu Bentinho!

A faina diuturna impede o repórter de ver TV como gostaria. Um noticiário aqui. Um especial ali. Algo da programação a cabo acolá. E fica nisso.

 

Numa dessas incursões esporádicas, o signatário do blog deu de cara com uma discussão sobre Dom Casmurro. Foi capturado pelo tema.

 

As meninas do “Saia Justa”, do canal GNT, encontraram no centenário de Machado de Assis pretexto para visitar –ou revisitar— a obra-prima do mestre.

 

Grande idéia. Uma maneira de instilar na platéia uma ponta de desejo pelo que há de mais belo na literatura brasileira.

 

Primeiro, a conversa gravitou em torno dos “olhos de ressaca” de Capitu. Lero vai, lero vem surgiu a pergunta: afinal, a personagem traiu ou não Bentinho?

 

A indagação ficou boiando no ar. Nenhuma consideração peremptória. Quem acompanhou até o fim saiu da frente da TV com a pulga a saltitar atrás da orelha.

 

Pois bem. O repórter, por enxerido, decidiu meter sua colher no debate. É relevante demais para ser abandonado assim, envolto numa bruma de dúvidas.

 

O adultério de Capitu é incontroverso, eis o que se deseja realçar. Traiu Bentinho com seu melhor amigo. Bem verdade que Machado não chegou a pintar no livro uma cena de alcova.

 

O flagrante seria grosseiro demais para o mestre das entrelinhas. Mas as evidências da traição saltam das páginas de Dom Casmurro com uma limpidez de água de bica.

 

No capítulo 106 –“Dez libras esterlinas”— Capitu fala dos encontros que mantivera, às escondidas, com Escobar. No 113 –“Embargos de Terceiros”—, é impossível não ver o adultério.

 

De resto, não se deve perder de vista que Bentinho, do modo como o concebeu Machado, é estéril. No capítulo 99 —“O filho é a cara do pai”—, a avó, dona Glória, rejeita o neto “torto”.

 

Portanto, meninas, não há margem para dúvidas: Capitu traiu Bentinho! Creiam em Machado de Assis.

 

Discussão bizantina? Não, não. Absolutamente. Maitê Proença, a certa altura, lembrou que o debate girava em torno de personagens de uma ficção. Erro.

 

Nada mais palpável, nada mais real do que a ficção de Machado de Assis. E viva a liberdade de trair. E de ser fiel, quando valer a pena.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

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Ministro-réu recebe do STJ R$ 348 mil sem trabalhar

Ministro-réu recebe do STJ R$ 348 mil sem trabalhar

À espera de julgamento, Paulo Medina ganha sem trabalhar

Réu da ‘Operação Furacão’, ele pensou em retornar à ‘ativa’

Ouviu o advogado, que o aconselhou a manter o ‘resguardo’

Recolhimento regiamente remunerado:  R$ 23,2 mil mensais

Processo dorme sobre a mesa de Cezar Peluso, do Supremo

 

  Folha
Ele é o suspeito mais ilustre de duas mega-operações policiais: Hurricane (Furacão, em inglês) e Têmis (nome da deusa da Justiça na mitologia).

 

Ganharam as manchetes nos últimos dias de abril de 2007. Produziram a maior devassa já sofrida pela Justiça brasileira.

 

Acusado de vender sentença para a máfia do jogo carioca, Paulo Medina, ministro do STJ, freqüentou as primeiras páginas durante semanas.

 

Começa, porém, a escorregar para a zona sombreada da memória da platéia.

 

Deve-se o esquecimento a um fenômeno bem brasileiro: a lentidão do Judiciário.

 

Beneficiado pelo privilégio de foro, Paulo Medina foi denunciado pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza perante o STF.

 

Arrastou consigo outros réus, entre eles três desembargadores. E viu-se constrangido a deixar, aos 64 anos, uma cadeira que ocupava no STJ desde 2001.

 

Deixou a poltrona, não o contracheque. Continuou recebendo os vencimentos: R$ 23,2 mil por mês.

 

Primeiro, pediu licença médica, válida a partir de 20 de abril de 2007. Dias depois, em 3 de maio, o STJ aceitou o seu pedido de afastamento.

 

Lá se vão cinco meses. E nada de julgamento. Nesse período, sem verter uma gota de suor, o ministro levou ao bolso R$ 348 mil.

 

Há cerca de um mês, Paulo Medina considerou a hipótese de retomar as atividades no STJ. Seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, desaconselhou.

 

De volta ao trabalho, o ministro retornaria também ao olho do furacão. E seria um juiz manco. Desistiu.

 

Além dos autos do STF, Paulo Medina responde a processo administrativo. A pena máxima, nesse caso, é a aposentadoria compulsória.

 

Ou seja, ainda que condenado, o ministro terá como reprimenda o recebimento perpétuo dos salários. Algo comum no Judiciário.

 

Cezar Peluso, relator, no STF, do processo em que Paulo Medina é réu, não tem prazo para dar sentença. A expectativa é a de que o faça antes do final do ano.

 

Um detalhe injeta mais delonga num processo já demorado: os réus anexaram aos autos várias argüições de nulidade das provas.

 

Alegam que os agentes da PF trabalharam à margem da lei. Coisa de gente que, por encrencada, tenta derrubar o processo antes da análise do mérito das acusações.

 

Paulo Medina preferiu evitar esse tipo de chicana. Ouviu, de novo, os conselhos de seu defensor.

 

Para o advogado Almeida Castro, no caso de seu cliente, a restauração da autoridade de juiz depende de uma absolvição cabal, que “enfrente o mérito do processo”.

 

Advogado, irmão do ministro do STJ e réu no mesmo processo, Virgílio Medina preferiu o caminho inverso. É um dos que questionam a legalidade das provas.

 

Argumenta nos autos que seu escritório de advocacia foi devassado. Ele é sócio da banca Borges, Beildeck e Medina Advogados.

 

Fica no número 121 da Rua do Ouvidor, no centro do Rio. Foi varejado, em alto estilo, por três agentes da PF. Ação típica de filme americano.

 

Deu-se na madrugada de 23 de novembro de 2007. Os policiais não arrombaram a porta do escritório. Abriram-na com delicadeza. Permaneceram no recinto por uma hora e meia.

 

Saíram sem deixar vestígios da visita. Antes, munidos de equipamentos de última geração, filmaram e fotografaram evidências.

 

Com uma copiadora portátil, reproduziram documentos, agendas e folhas manuscritas. Na opinião de Virgílio Medina, escritório de advocacia é -ou deveria ser- inviolável.

 

É improvável que Cezar Peluso dê ouvidos a esse tipo de arenga. Partiu dele a autorização para que a PF esquadrinhasse o escritório na calada da noite. De resto, recolheram-se provas vitais para o julgamento.

 

Virgílio Medina fora pilhado em conversas vadias, ouvidas pela PF por meio de grampos telefônicos. Soara ao telefone negociando decisões judiciais do irmão Paulo Medina.

 

Uma delas, segundo a PF, se concretizou. Trata-se de liminar em favor da empresa Betec Games, que logrou liberar 900 máquinas de caça-níqueis apreendidas no Rio.

 

Nas páginas do inquérito da Operação Furação, informa-se que a liminar de Paulo Medina, revogada mais tarde pelo STF, fora negociada por Virgílio Medina com o advogado da Betec.

 

Chama-se Sérgio Luzio Marques de Araújo. Pagou pela decisão, segundo a PF, R$ 600 mil. Na incursão noturna ao escritório, encontraram-se elementos que corroboram a transação.

 

Recolheram-se, por exemplo, anotações sobre a liminar de R$ 600 mil. De resto, os agentes fotocopiaram a declaração de IR de Virgílio Medina. Exercício de 2005. Anota um repasse R$ 440 mil para o irmão-ministro.

 

Na defesa de Paulo Medina, o advogado Almeida Castro repisa a tecla de se trata de um empréstimo. Algo tão legal os dois irmãos registraram a operação em suas respectivas declarações de IR.

 

O ministro Paulo Medina tem a seu favor o fato de não ter feito uma mísera menção ao comércio de sentenças nos diálogos telefônicos bisbilhotados pela PF.

 

Nas conversas com o irmão, não há referências às decisões tomadas pelo ministro no STJ. Tampouco há diálogos do ministro com empresários do jogo ilegal. Algo que permite a seu advogado sustentar a tese de que, se negociou sentenças, Virgílio Medina agiu à revelia do ministro.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Milícia usa homens armados para pedir votos em favelas

 

- Folha: Jovem sonha em obter emprego e casa própria

 

- Estadão: Colômbia passou dados sobre ação das Farc no Brasil

 

- JB: Restaurantes declaram guerra contra a inflação

 

- Correio: Polícia mata três pessoas a cada 48 horas

 

- Veja: Cadê os bebês?

 

- Época: O que o delegado Protógenes foi aprender em Brasília

 

- IstoÉ: 6 caminhos para a felicidade

 

- IstoÉ Dinheiro: André Esteves de volta ao jogo

 

- Carta Capital: O tropeço de Eike

 

- Exame: A bolsa virou mico?

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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Proteção suprema!

Orlandeli
 

PS.: via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 01h00

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Obama fala de pontes para platéia que almeja muros

Obama fala de pontes para platéia que almeja muros

Rainer Jenses/EFE
 

 

Favorito na corrida à Casa Branca, Barack Obama produziu, na última quinta-feira, uma bela página da oratória política.

 

Falou em Berlim, para uma platéia notável –100 mil pessoas, informaram algumas publicações; 200 mil, noticiaram outras.

 

A certa altura, pôs-se a construir analogias em torno dos escombros do Muro de Berlim. Mencionou o fantasma dos muros da pós-modernidade.

 

Muros "entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos e muçulmanos e judeus." São paredes que "não podem continuar de pé."

 

A hora, disse Obama, é de "construir pontes” ao redor do planeta. Nada mais sensato. Nada mais improvável, contudo.

 

Alvo das finas palavras de Obama, a Europa traz nas mãos a colher de pedreiro. Mas não a utiliza nas pontes. Constrói novos muros.

 

Só mudou a matéria-prima. Antes, a argamassa era ideológica. Agora, a mistura junta exclusão com burocracia.

 

O muro de Berlim e as barreiras ideológicas do passado destinavam-se a impedir que os reféns do comunismo fugissem para o Ocidente.

 

Os novos muros visam conter não a saída, mas a entrada. Uma “invasão” de refugiados do subdesenvolvimento.

 

Nisso, a Europa iguala-se aos EUA de Obama, às voltas com o muro da fronteira com o México.

 

Os novos muros negam ao trabalho mal remunerado o mesmo direito universal de ir e vir concedido ao capital global.

 

Apresenta-se como vantagem da era contemporânea a liberdade do dinheiro de passear pelo mundo. A pecúnia não tem pátria. Vai para onde ganha mais.

 

Aos pobres sonega-se a ousadia da desenvoltura. Quem ousa pular os novos muros é tratado com prisão, humilhação e deportação.

 

Obama falou para uma Europa que, um mês antes, aprovara, no Parlamento Europeu, uma lei que endurecera o tratamento a imigrantes nos 27 países do velho continente.

 

No dia seguinte à fala do candidato, a Itália declarou estado de emergência em "todo o território nacional.” Por que?

 

“Devido ao persistente e excepcional afluxo de cidadãos estrangeiros", vindos de países que não desfrutam do privilégio de pertencer à União Européia.

 

"Eu sei que não pareço com os americanos que já falaram aqui”, disse Obama aos berlinenses. “A história que me trouxe aqui é improvável."

 

De fato, o candidato é dono de biografia rara. Conta a história de alguém que prevaleceu sobre as próprias circunstâncias.

 

Filho de pai queniano com mãe branca americana, traz na pela as cores da África. A avó paterna acompanha o seu êxito desde uma choupana paupérrima do Quênia.

 

Abandonado pelo pai, conviveu com um padrasto oriental. Que o arrastou, aos seis anos, para a Indonésia. Aos 10, retornou para o Havaí.

 

Negro, descendente de muçulmanos, Obama transformou em conto de fadas um enredo que bem poderia tê-lo conduzido ao consumo de crack e às ruas.

 

Dono de dois canudos luminosos –da Universidade de Columbia e de Harvard—, ele chega às portas da Casa Branca graças à generosidade da sociedade americana.

 

Generosidade de uma fase em que os EUA construíam pontes com o mundo. Coisa do passado.

 

Hoje, a despeito dos belos discursos, a prioridade do pedaço rico do mundo é o muro.

 

Nos dias que correm, o pai queniano de Obama talvez não conseguisse pular o muro.

Escrito por Josias de Souza às 18h33

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Há um casarão no caminho da tucana Yeda Crusius

  Fábio Pozzebom/ABr
Se lhe fosse dado observar o vaivém da governadora do Rio Grande do Sul, Carlos Drummond de Andrade decerto definiria o novo drama de Yeda Crusius assim:

 

No meio do caminho de Yeda tem uma casa


Tem uma casa no meio do caminho de Yeda

 

Casa vistosa. Grande. Elegante. Confortável.

 

Comprada por Yeda depois de seu triunfo nas urnas, no final de 2006, e antes de sua posse, no alvorecer de 2007.

 

O valor declarado da operação é R$ 750 mil. É nesse ponto que a casa ganha a forma de uma pedra no caminho de Yeda.

 

Juntando tudo o que a governadora informara à Justiça Eleitoral que possuía antes da eleição, chega-se a um patrimônio inferior ao valor da casa.

 

Como se fosse pouco, o repórter Diego Escosteguy trouxe à luz uma novidade que acomoda ao redor da casa de Yeda, já envolta numa bruma de assombro, uma dose extra de mistério.

 

A novidade foi às páginas da última Veja (assinantes). Está expressa num documento.

 

“Instrumento particular de promessa de compra e venda de imóvel”, anota o cabeçalho (veja cópia abaixo).

 

Refere-se ao mesmo imóvel adquirido por Yeda. Revela algo que se passara quatro meses antes do fechamento da transação.

 

O proprietário do casarão, Eduardo Laranja (que nome!), negociava a casa por R$ 1 milhão. Nada demais, não fosse por um detalhe:

 

Laranja (!?!?!) encontrara um comprador. Chama-se José Luís Borsatto. Daí o compromisso de “compra e venda”.

 

Ouvido, José Luís, o ex-futuro comprador, disse:

 

"Quando consegui todo o dinheiro, o corretor me disse que tinha vendido o imóvel à governadora." Por quanto? "Foi R$ 1 milhão.”

 

Com o novo documento em mãos, o advogado do PSOL, Pedro Ruas, planeja entregá-lo ao Ministério Público. Que já investiga a encrenca.

 

Por que caiu tanto o valor do imóvel no instante em que a governadora resolveu adquiri-lo?

 

Há muitas explicações possíveis: da lavratura de uma escritura ilegal à generosidade do vendedor.

 

Antes de responder à nova pergunta, Yeda ainda precisa dar conta da questão original:

 

De onde veio o dinheiro que bancou a compra de sua casa?

 

A governadora saiu-se, até aqui, com duas tentativas de explicação:

 

1. Dissera, lá atrás, que arrumara dinheiro vendendo um carro e dois apartamentos.

 

Verificou-se que um dos imóveis jamais saíra do nome da governadora. Nem podia. Está retido por um bloqueio judicial.

 

2. Dias atrás, Yeda encaminhou ao Ministério Público dados mais pormenorizados.

 

Diz-se, porém, que, na ponta do lápis, há ainda um buraco de cerca de R$ 200 mil nas contas.

 

Não resta senão voltar a Drummond:

 

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma casa
tinha uma casa no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma casa.

 

Escrito por Josias de Souza às 18h11

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Falta de estrutura é um vício ‘corriqueiro’ na PF

Falta de estrutura é um vício ‘corriqueiro’ na PF

Reforço dado à Operação Satiagraha é exceção, não regra

Maioria dos casos, depois do ‘show’, vira um ‘banho-maria’

Denúncia de falsa filantropia é adiada há mais de 4 meses

No PA, Computadores retidos aguardam perícia há 2 anos

Críticas à PF crescem entre procuradores e até delegados

 

Ordem Serrada/Chico Quintas Jr.

 

As desavenças do delegado Protógenes Queiroz com a cúpula da Polícia Federal deram visibilidade a um problema que se tornou corriqueiro: a falta de estrutura do braço policial do Estado.

 

Protógenes queixa-se de não ter tido apoio na fase final da Operação Satiagraha. Pedira 50 policiais. Seriam usados na análise de material recolhido em 56 batidas de busca e apreensão. E nada.

 

Só depois do afastamento de Protógenes do caso que envolve Daniel Dantas, espécie de suspeito-mor da República, o governo viu-se compelido a deslocar os 50 agentes que sonegara.

 

Decisão calculada. Tomada sob holofotes. Para esvaziar a alegação de “obstrução”. Mas que está longe de se constituir numa regra. 

 

Nos últimos oito dias, o blog conversou com três procuradores da República e dois delegados da PF. Informaram o seguinte:

 

Passada a fase do espetáculo, a maioria das operações da Polícia Federal perde-se nos desvãos da desestrutura. A escassez de gente e de suporte técnico tornou-se uma regra.

 

Tome-se o exemplo da Operação Fariseu. Desencadeada em 13 de abril, desbaratou uma quadrilha que vinha propiciando isenção tributária a cerca de 60 falsas entidades filantrópicas.

 

Na fase do show, a PF mobilizou 200 policiais -seis prisões, 27 endereços vasculhados. Já lá se vão quatro meses e 13 dias. E nada da análise do material apreendido. 

 

Apenas dois delegados foram mobilizados para a tarefa. O Ministério Público deslocou um auditor fiscal que lhe prestava serviços. Requisitou-se o socorro da Receita Federal, que ainda nao veio.  

 

Há dois meses, a AGU (Advocacia Geral da União) informou à Procuradoria da República que acionaria na Justiça os agentes públicos envolvidos nos malfeitos da Operação Fariseu.

 

Foi aconselhada pelo próprio Ministério Público a pisar no freio. Faltam ao caso provas que tonifiquem os indícios registrados num sem-número de escutas telefônicas (conteúdo já veiculado aqui).

 

Há no Pará um outro caso revelador da falta de estrutura que rói os inquéritos da PF. Refere-se a uma operação batizada de Galiléia. Foi pendurada nas manchetes em 25 de abril de 2006.

 

Envolve uma quadrilha acusada de fraudar licitações na Companhia Docas do Pará. Prejuízo ao erário estimado em R$ 7 milhões. Dezessete presos; 53 batidas de busca e apreensão.

 

Mercê da letargia da PF, só em 26 de abril de 2007, exatamente um ano depois do show, o Ministério Público pôde formular uma denúncia.

 

Foram às barras dos tribunais 19 pessoas e nove empresas. Mas até hoje, mais de dois anos depois da deflagração da operação policial, há computadores apreendidos que não foram submetidos a perícia.

 

A essa altura, o processo corre no TRF (Tribunal Regional Federal de Brasília). E ainda não se sabe se os computadores intocados contêm ou não provas relevantes para o caso.

 

Um dos procuradores ouvidos pelo repórter disse que desenvolveu um método peculiar para tentar contornar as deficiências da PF.

 

Quando submetido à demora na análise de material apreendido nas operações, o procurador formula a sua denúncia com as evidências disponíveis.

 

Mas inclui na peça pedidos para que o juiz determine a realização das perícias pendentes. Quando é agraciado com o surgimento de novas provas, o procurador providencia um aditamento da denúncia.

 

A esperteza produz um vaivém processual que retarda o julgamento dos casos. O aditamento faculta aos advogados dos acusados o direito à dilação dos prazos de defesa.

 

Os dois delegados da PF ouvidos pelo blog ecoaram as críticas de Protógenes Queiroz. Disseram que, sob Paulo Lacerda, hoje na direção da Abin, a PF experimentou um processo de modernização.

 

Intensificaram-se as operações. Aperfeiçoaram-se os métodos de investigação. Mas a produção de provas continua esbarrando na falta de estrutura, sobretudo a escassez de recursos humanos.

 

Ao término do mandato de FHC, a PF dispunha de um quadro funcional de 9.289 pessoas. Sob Lula, o número cresceu: 11.749 em 2005; 15.000 em 2007. Mas as queixas remanescem.

 

Cresceu o número de funcionários. Mas também cresceram as demandas da polícia. Aos velhos crimes –corrupção, tráfico de drogas e contrabando de armas—adicionaram-se novos delitos.

 

Entre eles os crimes ambientais, delitos praticados na internet, lavagem de dinheiro e malfeitos financeiros como os que se encontram sob apuração no caso que envolve Daniel Dantas.

 

Avolumam-se as ações de nomes exóticos –Sanguessuga, Vampiro, Hidra, Anaconda, Furacão, Têmis, Navalha, Sucuri, Matusalém, Zaqueu, Pandora, Isaías, Matusalém e um interminável etc.

 

Porém, sob a poeira do espalhafato, há poucas, pouquíssimas, quase nenhuma condenação. O atual diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa costuma invocar uma escassa exceção.

 

Luiz Fernando participou diretamente da prisão do sem-banco Salvatore Cacciolla, um réu da era FHC. Beneficiado por um habeas corpus do STF, Cacciola refugiara-se na Itália.

 

No ano passado, depois da prisão de Cacciolla, em Mônaco, antes da extradição, Luiz Fernando passou a realçar o fato de que, a despeito da fuga, o ex-dono do banco Marka fora condenado a 13 anos de cana.

 

“Não houve impunidade”, dizia o mandachuva da PF. “Ele está preso em razão das provas produzidas por nós.” Um dos procuradores que se ocuparam do caso diz coisa diversa.

 

Afirma que, não fosse pelo Ministério Público, Cacciola não estaria encrencado. A mobilização da PF, segundo ele, foi obtida a fórceps, sob intensa pressão dos procuradores.

 

A falta de estrutura conduz a um nefasto jogo de empurra. A PF alega que, mal ou bem, faz o seu trabalho. E atribui à ineficácia de procuradores e à benevolência do Judiciário a ausência de punições.

 

O Ministério Público queixa-se da inanição das provas que recebe da polícia. Fenômeno que oferece ao Judiciário álibi para absolver e munição para alvejar a “espetacularização” da PF.

Escrito por Josias de Souza às 12h09

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As manchetes deste sábado

 

- Globo: Rocinha: candidato do tráfico já responde a 14 ações penais

 

- Folha: Lei seca poupa R$ 4,5 mi em 1 mês a hospitais em SP

 

- Estadão: SP precisa de mais de R$ 1,4 bi para ensino.

 

- JB: Os vereadores do crime

 

- Correio: Um terço do pessoal da UnB está irregular

 

- Valor: Após atingir pico, preço das commodities começa a cair

 

- Gazeta Mercantil: Juro alto leva Bovespa para o menor nível desde janeiro

 

- Jornal do Commercio: Usuário paga pela greve dos Correios

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h06

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Tráfico de votos!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 05h03

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STF concede a Greenhalgh acesso a processo de DD

O ministro Cezar Peluso, do STF, autorizou o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) a consultar o processo da Operação Satiagraha.

 

A decisão foi tomada menos de 24 horas depois de Greenhalgh ter requerido ao Supremo que estendesse a ele o que já concedera a Heráclito Fortes (DEM).

 

Na petição que protocolara no tribunal, Greenhalgh desdenhara do segredo judicial que recobre o processo:

 

“Embora se diga serem sigilosos, a imprensa continua diuturnamente divulgando trechos de suas peças...”

 

Trechos “...com referências ao nome do peticionário [Greenhalgh], sem que a este seja dado conhecer o inteiro teor de tudo quanto exista registrado a seu respeito”.

 

O pedido formulado antes pelo senador Heráclito Fortes fora deferido pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, que saiu em férias.

 

Coube então Cezar Peluso, agora responsável pelo plantão do Supremo, estender a decisão do colega a Greenhalgh.

 

No despacho, Peluso autorizou Greenhalgh e seus advogados a “tomar apontamentos e extrair cópias dos elementos de seu interesse” no processo.

Escrito por Josias de Souza às 20h53

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‘Lista suja’ da AMB exclui processo contra Kassab

Candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) figura como co-réu em processo que corre no Tribunal de Justiça de São Paulo.

 

A despeito disso, foi excluído da “lista suja”, que a Associação dos Magistrados do Brasil divulgou na última terça (22).

 

Falou-se, aqui e ali, do processo que pendia sobre a cabeça de Kassab. Dizia-se que havia sido extinto.

 

A repórter Rosanne D'Agostino, do UOL (assinantes), decidiu escarafunchar o assunto. Descobriu que o caso continua pendente de julgamento.

 

A coisa começou em 1997. Kassab era secretário de Planejamento do prefeito de então, Celso Pitta, preso e solto na Operação Satiagraha.

 

A reputação de Pitta era roída à época por uma CPI que apurava malfeitorias na negociação de títulos públicos.

 

A pretexto de defender a administração municipal, o prefeito mandou publicar nos grandes jornais uma peça publicitária.

 

O Ministério Público acusou-o de fazer promoção pessoal com verba pública. Abriu contra ele uma ação civil pública.

 

O promotor de Justiça Sérgio Turra Sobrane enxergou nos anúncios um atentado contra os princípios da administração pública, previstos na Lei de Improbidade.

 

Kassab foi ao banco de réus, na condição de co-responsável, por ter concordado com a liberação do dinheiro.

 

Condenados na primeira e na segunda instância do Judiciário, os réus amealharam vitórias no STJ.

 

Depois, obtiveram no Tribunal de Justiça, em 7 de maio de 2008, a anulação das condenações.

 

Entendeu-se que a publicidade de Pitta era informativa, não promocional. Há, porém, um recurso ainda à espera de julgamento.

 

Por isso, o processo continua vivo. Sobreveio, então, a pergunta inevitável:

 

Por que diabos a AMB excluiu Kassab de uma “lista suja” que traz os nomes de Marta Suplicy e Paulo Maluf?

 

A associação de magistrados argumenta que só foram empurrados para dentro da lista os candidatos que respondem a processos listados nos tribunais como ações de "improbidade administrativa".

 

O caso de Kassab, diz a entidade, é uma "ação civil pública." Bobagem, responde Sérgio Turra, o promotor que levou o candidato ‘demo’ às barras dos tribunais.

 

"A ação de improbidade é uma espécie de ação civil pública e esta ação [contra Kassab] deve, sim, ser incluída na lista."

 

Nas pegadas da divulgação da lista da AMB, a turma de Kassab apressou-se em extrair dela o máximo proveito eleitoral.

 

No sítio que mantém na internet, a campanha do prefeito defendeu a divulgação da lista. E reproduziu notícias sobre o caso. O TRE mandou que a coisa fosse tirada do ar.

 

A equipe do candidato distribuiu, de resto, panfletos com os seguintes dizeres: "Sujou! Associação de juízes inclui marta, Maluf e mais 13 em lista suja” (veja imagem lá no alto).

 

Fica-se agora com a impressão de que a lista da AMB, do modo como foi feita, dá margem a que sujos se insurjam contra mal lavados. Muda apenas a quantidade de sujeira.

Escrito por Josias de Souza às 20h30

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MST pega onda Daniel Dantas e surfa em suas terras

  Leo Caobelli/Folha
Um grupo do MST invadiu nesta sexta a Fazenda Maria Bonita.

 

Fica em Eldorado dos Carajás, no Pará. Pertence a uma agropecuária de nome imaculado.

 

Agropecuária Santa Bárbara, eis a razão social. É um braço do grupo Opportunity.

 

Líder do MST no Pará, Ulisses Manaças explicou assim a ação dos sem-terra:

 

"No dia 25 de julho, dia nacional do trabalhador rural, resolvemos ocupar uma das fazendas até então tidas como do grupo Santa Bárbara...”

 

Alega que as terras são públicas. E acrescenta: “As terras públicas são para a reforma agrária."

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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Justiça suspende um dos processos contra Cacciola

  Divulgação
A decisão foi tomada na quinta (24). Mas só veio à luz nesta sexta (25).

 

A juíza federal Simone Schreiber suspendeu um dos processos abertos contra Salvatore Cacciola.

 

Corre na 5ª Vara Federal Criminal do Rio. Trata de crime contra o sistema financeiro.

 

Nada a ver com o caso que inspirou Mônaco a extraditar o sem-banco para o Brasil.

 

Este corre na 6ª Vara do Rio. E cuida da análise de outro delito: gestão fraudulenta.

 

Deve-se a suspensão do primeiro processo a uma petição do defensor de Cacciola.

 

Carlos Ely Eluf, advogado do réu célebre, alega desrespeito ao acordo de extradição.

 

O documento prevê, segundo diz, que seu cliente foi devolvido ao Brasil para responder apenas ao processo da 6ª Vara.

 

Como a juíza Simone intimara Cacciola para prestar depoimento nesta sexta, Eluf oficiou à magistrada.

 

Convenceu-a. Além de cancelar a inquirição, a juíza mandou o processo ao freezer.

 

Simultaneamente, o advogado enviou documentos para seu colega Frank Michel, em Mônaco.

 

Frank oficiou à Procuradoria Geral do principado. Que, segundo Eluf, pediu explicações ao governo brasileiro.

 

Não é só: escorada no texto do acordo de extradição, a defesa de Cacciola trama uma esperteza.

 

O ex-banqueiro responde a três processos. Deseja-se que dois deles sejam mandados ao arquivo.

 

Alega-se que Cacciola só teria contas a prestar no caso que motivou sua extradição.

 

De resto, tenta-se obter na Justiça um habeas corpus que arranque Cacciola de Bangu 8, onde se encontra trancafiado desde 18 de julho.

Escrito por Josias de Souza às 16h14

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Protógenes promove um strip-tease da PF ao ar livre

 

PS.: Leia mais sobre a dança dos véus na PF aqui

Escrito por Josias de Souza às 12h32

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Comentário de Stephanes azeda o humor de Amorim

Como que decidido a subverter o provérbio, o chanceler Celso Amorim enviou um recado ao colega de Esplanada Reinhold Stephanes.

Quando um quer, dois brigam, eis o que deu a entender um Amorim nada diplomático.

 

Não bastasse a queda-de-braço que trava na OMC, o chanceler foi abalroado por um comentário do ministro da Agricultura.

 

Stephanes dissera que a negociação para descongestionar o comércio global “não servirá para nada.”

 

Mais: afirmara que a abertura comercial virá “por razões de mercado”, não por intervenções da diplomacia.

 

O sangue de Amorim fervilhou: “Se ele realmente pensa isso, então deve achar que estou me divertindo aqui.”

 

O governo é mesmo um barco sui generis. Uns olham prum lado. Outros remam pro outro. Falta timoneiro.

Escrito por Josias de Souza às 04h56

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Marta aposta no ‘efeito Lula’ e na propaganda de TV

PT já dá de barato que a sua candidata estará no 2º turno

Prioridade é ampliar vantagem sobre Alckmin no 1º round

Algo que espera obter com ajuda do Planalto e publicidade

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Lula tornou-se um fetiche do PT de São Paulo.

 

O presidente entra na estratégia de Marta Suplicy como peça-chave.

 

Será levado à propaganda televisiva.

 

Participará de eventos de rua, com Marta a tiracolo.

 

E subirá no palanque da candidata.

 

Não há, por ora, o acerto de detalhes.

 

Mas, privadamente, Lula já assentiu.

 

Diz que fará o que estiver ao seu alcance para ajudar Marta.

 

O PT acha que, com o envolvimento do presidente, produzirá uma mexida nos números das pesquisas.

 

Marta lidera todas as sondagens. O partido trata a presença dela no segundo turno como favas contadas.

 

Há, porém, dois problemas: é pequena a vantagem de Marta sobre Geraldo Alckmin no primeiro turno.

 

Tão pequena que, na terminologia técnica dos estatísticos, nem pode ser chamada de vantagem. É “empate técnico”.  

 

E, na segunda rodada, Alckmin continua freqüentando as sondagens eleitorais na condição de franco favorito.

 

Daí a pretensão do petismo de aproveitar a primeira fase da campanha para adensar o cesto de votos de Marta. Mira-se o segundo turno, não o primeiro.

 

Além de enganchar a imagem de Marta à de Lula, o PT joga todas as suas fichas na propagando eleitoral de TV e rádio.

 

As peças só vão ao ar a partir de 19 de agosto. Mas já foram gravados programas-piloto.

 

Estão sob a responsabilidade do jornalista João Santana. O mesmo que cuidou do marketing da campanha re-eleitoral de Lula em 2006.

 

Para refinar o discurso, os programas estão sendo exibidos a platéias selecionadas. São as famosas pesquisas qualitativas.

 

Funciona assim: atraídos por salgadinhos, refrigerantes e brindes, grupos de eleitores são reunidos em salas fechadas.

 

Ali, avaliam os vídeos de campanha, discutem, condenam e aprovam o que vêem. São observados pelos estrategistas da campanha.

 

Há nessas salas um grande vidro, semelhante àquele que a polícia instala em cabines dedicadas à identificação de criminosos.

 

O pessoal do marketing vê o eleitor, mas não pode ser enxergado por ele. O método permite ajustar o discurso à vontade da clientela.

 

No caso de Marta, identificaram-se duas fragilidades: a candidata tem, aos olhos do eleitor, a cara da arrogância.

 

De resto, carrega sobre os ombros o ônus de ter elevado taxas e impostos durante sua primeira passagem pela prefeitura de São Paulo (2000-2004).

 

Para atenuar a rejeição, tenta-se agora transformar arrogância em firmeza.

 

Vai-se, de resto, realçar na TV o que o PT chama de “realizações” de Marta quando prefeita.

 

A idéia do partido é a de realizar uma campanha “propositiva”. Ataques a adversários, só quando houver necessidade de revidar agressões.

 

Parte-se do pressuposto de que o eleitor não aprecia a baixaria. Especialmente a classe média paulistana.

 

Um pedaço do eleitorado que tem simpatias por Alckmin. E que Marta deseja seduzir.

 

Na cabeça do petismo, Alckmin também deve realçar as propostas em detrimento dos ataques frontais.

 

A grande dúvida é quanto ao comportamento de Gilberto Kassab. Imagina-se que venham daí os principais ataques a Marta.

 

Por que? Estacionado no terceiro lugar das pesquisas, o candidato do DEM tentaria polarizar com Marta.

 

Não é algo que chegue a preocupar a cúpula do PT. Torce-se, aliás, para que Kassab cresça.

 

Primeiro porque, segundo informam as pesquisas, Marta ganharia dele no segundo turno.

 

Segundo porque o petismo acredita que, se crescer, Kassab roubará votos de Alckmin, não de Marta.

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Ata do tráfico prova imposição de candidato único na Rocinha

 

- Folha: Marta e Alckmin polarizam disputa

 

- Estadão: Juiz manda MST pagar R$5,2 milhões à Vale

 

- JB: Opressão eleitoral em ata do tráfico

 

- Correio: Tiro na inflação atinge casa própria

 

- Valor: Após atingir pico, preço commodities começa a cair

 

- Gazeta Mercantil: Juro alto leva Bovespa para o menor nível desde janeiro

 

- Estado de Minas: Ação contra máfia deve parar obras em 114 cidades de Minas

 

- Jornal do Commercio: Mega-Sena para R$ 52 milhões

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Lupa!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Datafolha: Marta e Alckmin ainda em empate técnico

Acaba de sair mais uma pesquisa do Datafolha.

 

Revela que a petista Marta Suplicy e o tucano Geraldo Alckmin continuam na liderança da disputa paulistana.

 

Ela, com 36%, ligeiramente à frente dele, com 32%.

 

Como a margem de erro da sondagem é de três pontos –para mais ou para menos—configura-se um quadro de empate técnico.

 

Eis os números do Datafolha:

 

1. Marta Suplicy (PT): 36%

2. Geraldo Alckmin (PSDB): 32%

3. Gilberto Kassab (DEM): 11%

4. Paulo Maluf (PP): 8%

5. Soninha Francine (PPS): 2%

6. Ciro Moura (PTC): 1%

7. Ivan Valente (PSOL): 1%

 

Houve pequenas oscilações em relação à pesquisa anterior.

 

Por exemplo: caiu de sete para três pontos a vantagem de Marta (antes com 38%) sobre Alckmin (31%).

 

Kassab, o terceiro colocado, oscilou para baixo. Tinha 13%. Agora tem 11%.

 

O índice de Soninha variou para cima: de 1% para 2%.

 

A despeito do discreto vaivém, os números do Datafolha revelam um cenário estático.

 

Não resta senão aguardar pela propaganda televisiva. É a principal ferramenta de que dispõem os candidatos para tentar mover os miolos do eleitor.

 

Manteve-se também o cenário do segundo turno.

 

Numa eventual disputa entre PT e PSDB, hoje a mais provável, Alckmin continua prevalecendo sobre Marta: 51% contra 43%.

 

Na pesquisa anterior, os percentuais eram, respectivamente, 50% e 45%. Ampliou-se de cinco para sete pontos a vantagem de Alckmin. Dentro da margem de erro.

 

Contra Kassab, a sorte de Marta viraria. Num embate direto contra o candidato ‘demo’, a petista venceria a eleição. Teria 52% dos votos, contra 37% atribuídos ao rival.

 

Veja abaixo os dados levantados pelo Datafolha em outras quatro capitais:

 

Rio de Janeiro

 

1. Marcelo Crivella (PRB): 24%

2. Jandira Feghali (PCdoB): 16%

3. Eduardo Paes (PMDB): 13%

4. Fernando Gabeira (PV): 7%

5. Solange Amaral (DEM): 5%

 

Belo Horizonte:

 

1. Jô Moraes (PCdoB): 20

2. Leonardo Quintão (PMDB): 9%

3. Marcio Lacerda (PSB): 6%

4. Vanessa Portugal (PSTU): 6%.

Curitiba:

 

1. Beto Richa (PSDB): 72%

2. Gleisi Hoffmann (PT): 12%

3. Fábio Camargo (PTB): 3%

 

Recife:

 

1. Mendonça Filho lidera (DEM): 30%

2. Carlos Eduardo Cadoca (PSC): 22%

3. João da Costa (PT): 22%

4. Raul Henry (PMDB): 7%

Escrito por Josias de Souza às 20h16

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Em ata, traficante dita as normas eleitorais no Rio

A Polícia do Rio realizou nesta quinta (24) uma incursão na favela da Rocinha. Buscava bandidos, drogas, armas, motos e carros roubados.

Súbito, os policiais deram de cara com um documento que feriu a rotina. Um texto preparado pelo chefão do tráfico local, Antônio Francisco Lopes, o Nem.

 

O texto tem nove itens. Num deles, o traficante ordena a líderes comunitários que se eximam de agendar visitas à favela de políticos que não disponham do apoio da bandidagem.

 

Segundo a polícia, chama-se Luiz Cláudio de Oliveira um dos candidatos que desfrutam do apoio do tráfico. Concorre à câmara de vereadores. É filiado ao PSDC.

 

Apreendido na casa da namorada de Nem, o documento torna explícito um fenômeno já fartamente identificado: o torniquete a que estão submetidos os eleitores pobres dos morros cariocas.

 

De um lado, são espremidos pelos traficantes. De outro, são pressionados pelas milícias comandadas por policiais que flertam com a delinqüência.

 

Nesta quinta (24), presidente da Comissão de Defesa da Câmara, Raul Jungmann (PPS-PE), discutiu a encrenca numa reunião com o diretor interino da PF, Romero Menezes.

 

O nome do traficante Nem foi à mesa. Ao discorrer sobre o flagelo da coação aos eleitores, Jungmann deu nome a certos bois já bem conhecidos do carioca.

 

"No caso da Rocinha, o traficante Nem, e no caso do Complexo do Alemão, o Jorginho, líder comunitário que tem ligações com o tráfico...”

 

Eles “estariam fechando essas comunidades, essas favelas, impondo-se como candidatos...”

 

“...E, como tal, passariam a ter um poder derivado do controle das obras do PAC nas duas localidades, o que é da maior gravidade."

 

O delegado Romero comprometeu-se a repassar os dados ao setor de inteligência da Polícia Federal. Providência desnecessária.

 

A superintendência da PF no Rio dispõem de um sem-número de denúncias sobre a ação eleitoral dos criminosos. Há dois dias, soube que foi aberta uma investigação.

 

Resta agora saber se o Estado conseguirá prevalecer nas áreas em que, graças à ausência do chamado Poder Público, o crime acha-se no direito de dar as cartas.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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Justiça condena MST a pagar R$ 5,2 milhões à Vale

Três líderes paraenses do MST foram condenados a pagar uma indenização salgada à Cia. Vale do Rio Doce: R$ 5,2 milhões.

 

Autor da sentença, o juiz federal Carlos Henrique Borlido, de Marabá, deu prazo para o pagamento: escassos 15 dias.

 

Eis os nomes dos condenados: Luis Salomé de França, Eurival Carvalho Martins e Raimundo Benigno Moreira.

 

A trinca comanda o MST no sul do Pará. Foi sob a liderança deles que militantes do movimento obstruíram uma linha férrea da Vale.

 

Estrada por onde trafegam os trens que transportam minério de ferro do Pará até o porto maranhense de Itaqui.

 

O mesmo juiz concedera liminar à Vale, em abril, proibindo o MST de bloquear a estrada de ferro da Vale. Algo que ocorrera duas vezes ao longo de 2007.

 

Na sentença que agora à luz, o magistrado considerou que a ordem judicial foi desrespeitada. Daí a condenação.

 

Aos olhos da lei, o MST não existe. Sem personalidade jurídica, o movimento escora-se em associações e cooperativas legalizadas.

 

Ao impor a condenação aos líderes do MST –gente de carne e osso, com RG e CPF—, o juiz Borlido expôs os riscos a que estão sujeitos os mandachuvas dos sem-terra.

 

O MST disse que vai recorrer. Alega que a sentença representa a "criminalização" dos movimentos sociais que lutam "contra as injustiças no campo e por um Brasil melhor.”

 

Difícil será explicar em quê o transporte de minério contribui para o agravamento das “injustiças no campo”. E como o bloqueio de ferrovias ajuda a erigir “um Brasil melhor.”

Escrito por Josias de Souza às 18h58

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Notícia recria ambiente típico da velha Guerra Fria

Notícia recria ambiente típico da velha Guerra Fria

Guardian
 

 

A coisa começou na última segunda-feira (21). Citando fonte bem-posta, o jornal russo Izvestia veiculou uma notícia cabeluda.

 

Informou-se que Moscou cogita usar instalações assentadas na ilha de Cuba para reabastecer aviões militares.

 

Aeronaves de um tipo estratégico: os bombardeiros Tupolev-160 (foto no alto). São conhecidos como “cisnes brancos”. Transportam ogivas nucleares.

 

Seria uma reação de Moscou aos planos dos EUA de instalar uma espécie de escudo antimísseis norte-americano no Leste Europeu.

 

O governo russo desmentiu a notícia. Havana, porém, guardou obsequioso silêncio. O presidente Raul Castro, irmão e sucessor de Fidel, não disse palavra.

 

E a notícia continuou ecoando pelo mundo. Nesta quinta (24), por exemplo, foi às páginas do diário britânico The Guardian.

 

Na última terça (22), indicado para comandar a Força Aérea dos EUA, o brigadeiro Norton Schwartz falou a uma comissão do Senado norte-americano.

 

Cavalgando a notícia do Izvestia, ele disse: a hipótese de reabastecimento de aviões russos em Cuba "é algo que cruza um limite, cruza uma linha vermelha para os EUA".

 

Em reação às palavras do brigadeiro, Fidel Castro animou-se a levar à rede um artigo de timbre provocativo. Saiu nesta quarta (23), no sítio Cuba Debate.

 

Fidel festeja o travar de mandíbulas do irmão: "Raúl fez muito bem em manter um silêncio digno (...). Não é preciso dar explicações nem pedir desculpas ou perdão.”

 

Aproveita para desancar o barulho do brigadeiro Schwartz. Disse que os comentários do novo comandante da Força Aérea dos EUA compõem a estratégia anti-Cuba.

 

Uma "estratégia maquiavélica (...). Se você disser que sim, eu te mato. Se disser que não, dá na mesma, te mato do mesmo jeito."

 

O caso traz do fundo para as beiradas do baú da memória o episódio da crise dos mísseis. Deu-se, como se recorda, em 1962.

 

Um ano em que os EUA e a velha União Soviética estiveram na bica de deflagrar a Terceira Guerra Mundial.

 

Sob Nikita Khurschov, os soviéticos plantaram mísseis em Cuba, que fica a escassos 170 km da Flórida.

 

O pedaço mais radical da administração John Kennedy defendia uma resposta drástica de Washington. O presidente deu ouvidos ao bom senso.

 

Arrancou-se de Khurschov o compromisso de retirar os mísseis de Cuba. Em troca, os EUA removeram os mísseis que haviam posicionado na Turquia.

 

Torça-se para que o desmentido de Moscou seja sincero. O mundo não merece reviver atmosfera tão fora de moda.

Escrito por Josias de Souza às 18h15

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SP sobe 37 postos em lista de cidades ‘mais caras’

  Renato Stockler/Folha
A empresa Mercer divulgou o seu levantamento anual sobre o custo e vida nas principais cidades do mundo. A desvalorização do dólar chacoalhou a lista.

 

São Paulo, graças valorização do real, subiu 37 posições no ranking da carestia. No ano passado, 62ª cidade mais cara do planeta. Agora, ocupa a 25ª colocação.

 

Deu-se coisa semelhante com o Rio. Subiu 33 posições –do 64º lugar para o a 31ª posição do ranking.

 

O levantamento inclui 143 cidades. Compara o custo de 200 itens. Entre eles: aluguéis, restaurantes e combustíveis.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, Moscou ocupa o topo da lista. É a cidade mais cara do mundo. Ali, o cafezinho, por exemplo, custa o olho da cara: US$ 10,40. Em reais: R$ 16,60.

 

As cidades dos EUA marcham em sentido contrário. Graças ao derretimento progressivo das cotações do dólar, tornaram-se mais baratas.

 

Vai abaixo um extrato da lista coletada pela Mercer:

 

. Moscou

. Tóquio

. Londres

. Oslo

. Seul

. Hong Kong

. Copenhague

. Genebra

. Zurique

10º. Milão

22º. Nova York

25º. São Paulo

31º. Rio de Janeiro

138º. Buenos Aires

143º. Assunção

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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Vazamentos de usinas nucleares preocupam França

Num instante em que o governo brasileiro se prepara para retomar as obras de Angra 3, convém desperdiçar um naco de tempo com notícias que vêm da França.

 

Há naquele país 59 usinas nucleares. Respondem por 75% de toda energia elétrica consumida pelos franceses.

 

Pois bem. O Crrirad, órgão independente de fiscalização, diz estar preocupado com o número de vazamentos ocorridos em usinas nucleares da França.

 

Registraram-se quatro casos nas últimas das semanas. Dois deles num complexo chamado de Tricastin.

 

Num deles, algo como cem funcionários foram expostos a baixas doses de radiação. Saíram “levemente contaminados” por partículas radioativas vazadas de um cano.

 

Antes disso, vazara de outro cano de Tricastin um líquido contendo urânio não enriquecido. Algo que levara ao fechamento temporário de um dos reatores da usina.

 

Registraram-se, de resto, outros dois incidentes. Numa usina gerida pela empresa de energia Areva, vazou um líquido com urânio levemente enriquecido.

 

Noutra usina, a Saint-Alban, 15 funcionários foram expostos a elementos radioativos. Coisa “não danosa”, no dizer dos responsáveis pela instalação.

 

Já no primeiro dos quatro incidentes, o ministério do Meio Ambiente da França determinara a realização de testes em todas as usinas nucleares do país.

 

Cabe a pergunta: estarão as usinas brasileiras bem servidas em matéria de prevenção? Reze-se para que sim.

Escrito por Josias de Souza às 16h32

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Quem quer ser prefeito do município de São Paulo?

Escrito por Josias de Souza às 04h19

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Chega ao STF ação contra a lei que regula grampos

Chega ao STF ação contra a lei que regula grampos

Supremo analisa se escutas ferem direito à privacidade

Discussão foi provocada por ação protocolada pelo PTB

 

 

Em 2008, a polícia grampeou em todo país 409 mil telefones. Só a Polícia Federal bisbilhotou 49 mil aparelhos.

 

Escutas legais, autorizadas pela Justiça. Que se mostraram, na maioria dos casos, essenciais para desvendar os delitos sob investigação.

 

O PTB, partido presidido pelo deputado cassado Roberto Jefferson (RJ), acha, porém, que há um excesso de escutas telefônicas. E decidiu recorrer ao STF.

 

Membro do consórcio que dá suporte legislativo a Lula, o partido ajuizou no STF, nesta quarta (23), uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a lei 9.296/96.

 

Trata-se da lei que regula os grampos telefônicos no Brasil. Traz a assinatura do ex-presidente Fernando Henrique e de Nelson Jobim, que foi seu ministro da Justiça.

 

O PTB tacha de “inconstitucionais” cinco tópicos da lei. Se o STF der razão à legenda, o recurso à escuta como ferramenta de investigação será, na prática, inviabilizado.

 

Não é só: o partido se insurge também contra a interceptação de sistemas de informática (computadores) e de telemática (e-mails e mensagens de celular).

 

São recursos que foram fartamente utilizados, por exemplo, no curso das investigações que desaguaram na Operação Satiagraha.

 

“Os chamados grampos telefônicos se banalizaram e se multiplicaram por todo o país, gerando um efeito utilitarista e nocivo”, anota o PTB em sua ação.

 

Para o partido do coordenador político de Lula, José Múcio (PTB-PE), o grampo não deveria ser regra, mas exceção.

 

Uma exceção a ser utilizada “apenas em casos de extrema gravidade”. Mas que “virou incidente corriqueiro no foro criminal, mesmo quando [...] é desnecessário".

 

Eis os tópicos da lei que são questionados pelo PTB:

 

1. Informática e telemática: o parágrafo único do artigo 1º da lei 9.296/96 autoriza expressamente a interceptação “do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática.”

 

Para o PTB, trata-se de afronta à Constituição, que "garantiu a inviolabilidade do sigilo das comunicações privadas de uma maneira geral, excetuando apenas os das comunicações telefônicas".

 

Ou seja, a prevalecer esse entendimento, apenas a voz que soa dos aparelhos telefônicos estaria sujeita ao grampo.

 

Nada de e-mails. Nada de mensagens escritas transmitidas via celular.

 

2. Diálogos telefônicos: O artigo segundo da lei trata das hipóteses em que a escuta telefônica “não será admitida”.

 

O inciso terceiro desse artigo anota: quanto “o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.”

 

Para o PTB, a regra, por “genérica”, não indica “expressamente os casos em que a interceptação poderia ser possível.”

 

Na ação, o partido advoga que o grampo só deveria ser autorizado na investigação de crimes considerados graves, não para qualquer delito punível com prisão.

 

3. Atuação do juiz e do MP: nesse ponto, o PTB questiona o artigo 3º da lei. Primeiro o caput, que autoriza o juiz a autorizar um grampo “de ofício” (por iniciativa própria).

 

Depois, o inciso segundo, que faculta ao Ministério Público requerer a realização de escutas no curso da “instrução processual penal.”

 

Para o PTB de Jefferson e Múcio, essas regras “ferem o principio da imparcialidade”. E criam “a figura do juiz inquisidor, inaceitável diante do processo acusatório adotado no Brasil".

 

4. Prazos: o partido se insurge, de resto, contra o inciso 2º do artigo 4º da lei. Prevê: “O juiz, no prazo máximo de 24 horas, decidirá sobre o pedido [de grampo].”

 

É um tempo demasiado exíguo, na opinião do PTB. "Visa impedir, por meio de um prazo desproporcional, que o magistrado tenha a possibilidade de sequer examinar os autos".

 

Embora questione pontos específicos da lei, o PTB sugere que o Supremo declare inconstitucional, se julgar que é o “melhor”, toda a lei das interceptações telefônicas.

 

O partido pede que seja expedida uma liminar –decisão temporária, proferida antes do julgamento definitivo do mérito da causa.

 

Embora flerte com o absurdo, o processo força o STF a se pronunciar a respeito. O caso será distribuído a um ministro escolhido por sorteio. O resultado é incerto.

 

De concreto, sabe-se apenas que o tribunal está apinhado de ministros críticos da utilização supostamente abusiva dos grampos.

 

Uma crítica que encontra eco no Congresso. Casa que abriga um sem-número de parlamentares já pilhados em conversas vadias captadas por grampos.

 

O próprio ministério da Justiça enviara ao Legislativo, em abril, um projeto que sugere alterações à lei do grampo. Foi noticiado aqui.

 

Novesfora a encrenca das interceptações, a operação Satiagraha, tisnada por Gilmar Mendes com um vocábulo forte –“Espetacularização”—, produziu mais dois efeitos.

 

O próprio Gilmar incluiu na pauta do STF o julgamento de um processo que pode ensejar a regulamentação do uso de algemas. Será julgado em 6 de agosto.

 

De resto, por inspiração do mesmo Gilmar, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) apresentou nesta quarta (23) projeto que reformula a lei do abuso de autoridade. A íntegra está disponível aqui.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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As manchetes desta quinta

 

- Globo: Líder do MST apóia candidato de curral eleitoral da Rocinha

 

- Estado: BC endurece e faz maior alta de juros desde o início de 2003

 

- JB: Ibama atrasa Angra 3

 

- Correio: Remédio amargo contra inflação: + 0,75

 

- Valor: Preços de bens exportados batem recorde de 30 anos

 

- Gazeta Mercantil: Copom surpreende e eleva Selic em 0,75 ponto, para 13%

 

- Estado de Minas: Tombamento provoca racha no mercado central

 

- Jornal do Commercio: Crédito mais caro

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Ator coadjuvante!

Paulo Caruso
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Copom pesa a mão e eleva os juros para 13% ao ano

 

 

O mercado apostava numa alta de 0,5 ponto. Engano. O Comitê de Política Monetária elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual.

 

Com isso, os juros saltaram de 12,25% para 13% ao ano. Decisão unânime. Não houve entre os diretores do BC uma única voz dissonante.

 

Em nota, a decisão foi justificada assim:

 

"Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés."

 

É a terceira alta consecutiva na taxa Selic. E não vai ficar nisso. Estima-se, antes do Natal, os juros cheguem a um patamar mínimo de 4,25%.

 

Submetido ao risco de que a inflação fique acima da meta fixada para 2008 –6,5%, já considerados os dois pontos de tolerância—, o BC acha que não há outro remédio.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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PF analisa representação contra o doutor Protógenes

Já aportou na Corregedoria da Polícia Federal a representação que Heráclito Fortes (DEM-PI) prometera mover contra o delegado Protógenes Queiroz.

O senador acusa o ex-responsável pela Operação Satiagraha de ter vazado ilegalmente informações contidas no inquérito.

 

Vazamentos que associaram Heráclito à “organização criminosa” do amigo Daniel Dantas.

 

“Safadeza”, vocifera o senador. Embora utilize linguajar mais polido, Délio Lins e Silva, o advogado de Heráclito, também mira abaixo da linha da cintura. Ele escreveu:

 

"Não poderia o requerente calar-se e deixar que continue o absurdo de se divulgar, criminosamente, informações obtidas por meio de interceptação telefônica...”

 

“...Especialmente de terceiras pessoas, mormente se a elas são dadas interpretações maliciosas, levianas e mentirosas...”

 

Interpretações “...desprovidas de qualquer suporte fático ou jurídico, destinadas única e exclusivamente a manchar a imagem de pessoas de bem."

 

Heráclito tenta injetar uma onda de calor no freezer em que o governo acomodou o delegado Protógenes.

 

Submetida às dores de um inquérito iniciado em ritmo de espetáculo, a PF está agora diante de um dilema incômodo.

 

Ou prova que Heráclito ajudou Daniel Dantas a delinqüir ou entrega o escalpo de seus vazadores.

 

De resto, continua boiando sobre o caso a hipótese de ser içado da primeira instância do Judiciário para o STF.

 

Munido de autorização do presidente do STF, Gilmar Mendes, o advogado de Heráclito vai agora mergulhar nas páginas do processo.

 

Se a leitura produzir a sensação de que o cliente figura nos autos com a cara de um “investigado”, Lins e Silva pode encaminhar ao Supremo uma petição pedindo que o tribunal avoque o processo.

 

Enquanto isso, mercê do barulho paralelo produzido nas franjas da própria PF, Daniel Dantas, o investigado-mor, vai escorregando para o silencia do segundo plano.

 

Levado ao banco de réus em ação inspirada na tentativa de compra de um delegado, o mandachuva do Opportunity trabalha para desqualificar o inquérito.

 

Torça-se para que a PF e o Ministério Público disponham de munição para falar grosso. De preferência nas páginas do processo.

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Serra indica ‘provedores’ para as arcas de Alckmin

Stock Images
 

 

No Brasil, como se sabe, campanhas eleitorais movimentam dois tipos de dinheiro: o oficial e o paralelo.

 

Diplomático, o dinheiro oficial adula todos os candidatos. Pragmático, o dinheiro paralelo é mais seletivo. Acerca-se mais de uns do que de outros.

 

Há dez dias, o governador José Serra fez um movimento temerário: indicou a Geraldo Alckmin nomes de potenciais provedores para as arcas municipais tucanas.

 

O gesto é imprudente pelo seguinte: o empresário que vier a abrir o bolso estará de olho não na campanha do candidato, mas nos cofres geridos pelo governador.

 

Nos subterrâneos, a turma de Alckmin vinha ruminando o receio de que o baronato paulista privilegiasse o adversário Gilberto Kassab.

 

Não por boniteza, mas por precisão, diria Guimarães Rosa. Terceiro colocado nas pesquisas, o candidato ‘demo’ não decolou. E não se sabe se conseguirá alçar vôo.

 

Mas muitos “doadores” têm negócios a acertar com o município, gerido Por Kassab. E com o Estado, administrado por um Serra simpático à reeleição dele.

 

O eleitor não vê. Mas, longe dos holofotes, realizam-se em São Paulo e alhures aqueles curiosos jantares que costumam marcar os períodos pré-eleitorais.

 

Jantares em que empresários chegam para comer e terminam mordidos. Torça-se para que as encrencas recentes tenham ensinado alguma coisa aos coletores de campanha.

 

O bom senso recomenda moderação naquele tipo de verba que Delúbio Soares batizou de “não contabilizada”.

 

No Brasil, caixa dois ainda não terminou em algemas. Mas pelo menos já produz constrangimentos.

 

Que o digam Eduardo Azeredo e os integrantes da quadrilha delúbio-valeriana dos 40, já devidamente acomodados no mega-banco de réus do STF.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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Juiz barra treze candidatos em teste de português

El Roto/El Pais
 

 

Deu-se no município mineiro de Poço Fundo. O juiz eleitoral da comarca local criou um “pobremão” para os candidatos às eleições municipais.

 

O magistrado Válter José Vieira convidou os postulantes a participarem de um teste de língua portuguesa. Coisa simples. Um ditado banal.

 

Os candidatos foram instados a escrever a seguinte frase: "O ministro Gilmar Mendes soltou pela segunda vez Daniel Dantas".

 

Reprovaram-se 21 candidatos. O juiz deu-lhes uma segunda chance. Outro ditado: "A realização de qualquer ato de propaganda partidária ou eleitoral".

 

Dessa vez, escorregaram no idioma 13 políticos –12 candidatos a vereador e um a vice-prefeito. Em conseqüência, o juiz impugnou-lhes a candidatura.

 

Ele explicou a decisão com um comentário singelo: “Muito simples, um ditadozinho só. Não fiz nem matemática. Simplesmente não sabiam escrever.”

 

Imagine você se a moda de Poço Fundo pega no resto do país. Quantos serão os candidatos impugnados?

Escrito por Josias de Souza às 17h38

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145 municípios têm eleições de uma ‘andorinha só’

A informação é do TSE: em 145 municípios há apenas um candidato à prefeitura local. O eleitor não tem opção: ou opta pelo sujeito ou vai de voto branco.

 

O fenômeno ocorre em municípios pequenos, com menos de 200 mil eleitores. Estão assentados em 19 Estados.

 

São cidades como Lagoa Santa (GO), Santiago do Sul (SC), Lavandeira (TO), Viçosa (RN) e Jardim Olinda (PR).

 

Pela lei, nos municípios menores serão declarados eleitos os candidatos que obtiverem a maioria dos votos, descontados os brancos ou nulos.

 

Nos próximos dias, os computadores do TSE continuaram mastigando dados repassados pelos TREs. Pode haver, aqui e ali, uma mudança de cenário.

 

Mantidas as candidaturas solitárias, os postulantes vão às urnas em condições privilegiadas.

 

Imagine-se, porém, o vexame a que será submetida uma dessas andorinhas que, embora sós, não consigam fazer nas urnas o seu verão.

Escrito por Josias de Souza às 17h13

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Lula sobre a peleja municipal: ‘Eleições, tô fora!’

Fábio Pozzebom/ABr
 

Em linguagem zoológico-científica, o consórcio partidário que gravita em torno de Lula poderia ser definido assim:

Agrupamento de mamíferos, da família dos felídeos (Felis cattus domesticus), digitígrados, de unhas retráteis...

 

...Domesticados à base de cargos e verbas, vivem atulhados em receptáculo de formato oblongo, amarrado em cima e costurado no fundo e dos lados.

 

No português das ruas: um saco de gatos. Com um complicador: vez por outra aparece entre os felinos um outro tipo de mamífero: roedor, de feições murídeas.

 

Pois bem. Para evitar os arranhões próprios de toda refrega eleitoral, Lula decidiu guardar distância dos palanques de sua turma.

 

Já dissera em privado. E, nesta quarta (23), alardeou sob os holofotes: “Eleições, tô fora!”

 

Embora não o diga publicamente, Lula planeja abrir duas escassas exceções. Fará campanha em São Paulo, para Marta Suplicy; e em São Bernardo, para Luiz Marinho.

 

Ainda assim, não está claro, por ora, se vai apenas gravar peças para a propaganda televisiva ou se pretende dar as caras nos palanques da dupla.

 

O presidente estendeu a abstinência eleitoral à ministra Dilma Rousseff, por ora o “poste” petista no qual joga suas fichas para 2010.

 

Dilma não fará campanha senão no Rio Grande do Sul, Estado onde milita politicamente. Um jato de água fria nos comitês dos inúmeros candidatos petistas que queriam posar ao lado da mãe do PAC.

Escrito por Josias de Souza às 16h11

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Ibama abre polêmica sobre ‘lixo nuclear’ de Angra 3

Instituto autoriza obras, mas exige solução para ‘rejeitos’

Sem isso, diz que negará, depois, a licença de instalação

Ministério das Minas e Energia acha exigência ‘descabida’

Paradas desde 84, obras recomeçam apesar da discórdia

Conclusão está prevista para 2014 e vai custar R$ 7,3 bi

 

Eletronuclear

Vaso reator da Usina de Angra 3, um dos equipamentos já adquiridos pelo governo

 

Três anos e dois meses depois de ter recebido, em maio de 2005, os estudos sobre o impacto ambiental de Angra 3, o Ibama vai autorizar a construção da usina nuclear.

 

Prevê-se para esta quarta-feira (23) o anúncio da concessão da licença ambiental para a retomada das obras, interrompidas há 24 anos, desde 1984.

 

Há, porém, um problema. O Ibama, órgão que pende do organograma do Ministério do Meio Ambiente, fará nada menos que 60 exigências.

 

Uma delas foi recebida pelas autoridades energéticas do país como coisa de ecologista radical. Diz-se que é impossível de ser cumprida.

 

O instituto condiciona o funcionamento futuro da usina à apresentação de uma solução “definitiva” para o tratamento do chamado “lixo nuclear”.

 

É algo que o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), por exemplo, considera absolutamente “descabido”.

 

Lobão alega que nem mesmo os países desenvolvidos –os EUA entre eles—encontraram uma saída para essa encrenca.

 

O Ibama dá de ombros para as ponderações. Ameaça negar, mais tarde, as licenças necessárias para o pleno funcionamento de Angra 3.

 

Chama-se “licença prévia” o documento que será emitido agora. Depois, terão de ser liberados mais dois papéis: a “licença de instalação” e a “licença de operação.”

 

A julgar pelo andar da carruagem, as exigências do Ibama, ainda que descumpridas, tendem a ser atropeladas pelas contingências.

 

O governo já importou a maioria dos equipamentos de Angra 3. Custaram US$ 750 milhões. Em reais: R$ 1,2 bilhão. Cerca de 30% do empreendimento já foi realizado.

 

Estudos feitos pela Agência Nacional de Energia Elétrica indicam que, para fugir do apagão, o Brasil precisa gerar, até 2015, pelo menos 3.000 MW de energia por ano.

 

Angra 3 tem potencial de geração de 1.350 MW. Responsável pelo complexo nuclear brasileiro, a Eletronuclear avalia que, com “pequenas modificações no projeto”, a nova usina produzirá 10,9 milhões de MW/h por ano.

 

Não é pouca coisa: equivale a um terço de todo o consumo de energia elétrica de um Estado do porte do Rio de Janeiro.

 

Num cenário como esse, a cara feia do Ibama, espelhada na “licença prévia” a ser divulgada nesta quarta, tende a virar letra morta num futuro bem próximo.

 

É mais fácil o governo trocar toca a cúpula do Ibama –ou do ministério do Meio Ambiente— do que deixar de pôr em operação uma Angra 3 já pronta para funcionar.

 

O cronograma das obras prevê que a conclusão se dará em 66 meses –ou 5,5 anos. Começando agora, fica pronta em meados de 2014.

 

Ou seja: o início da operação é coisa para ser decidida pelo presidente a ser eleito em 2010. A menos que a senadora Marina Silva (PT-AC) venha a ser eleita sucessora de Lula, é improvável que o Ibama prevaleça.

 

E quanto ao lixo atômico? O ministro Edison Lobão diz que os “rejeitos” de Angra 3 terão o mesmo destino da caca produzida por Angra 1 e Angra 2.

 

Serão acondicionados em depósitos gigantes, em formato de piscina, com sistema de resfriamento especial.

 

Ali permanecerão, queira ou não o Ibama, até que a ciência mundial encontre uma maneira de reciclar o lixo atômico. Por ora não há senão estudos. Nada de solução.

 

Serviço: Se você tem especial interesse na matéria, basta pressionar aqui para ler o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) de Angra 3. Apertando aqui, você chega ao EIA (Estudo de Impacto Ambiental). Foram esses dois documentos que a Eletronuclear submeteu à análise do Ibama. Um aviso aos navegantes: as peças são longas, eminentemente técnicas e enfadonhas.  

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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As manchetes desta quarta

 

- Globo: Deputado de milícia tinha arsenal em casa

 

- Folha: Candidatos criticam 'lista suja', incluindo Marta e Maluf

 

- Estadão: Juízes lançam lista de candidatos ficha-suja

 

- JB: Milícia mandou a currais eleitorais R$ 17 milhões

 

- Correio: Nossas guerras

 

- Valor: Ações e renda fixa atraem investidor asiático ao Brasil

 

- Gazeta Mercantil: Metas entram na política de transparência

 

- Estado de Minas: Crédito, de tão fácil, já paga até seqüestro

 

- Jornal do Commercio: Drama no mar

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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Protogeladeira!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

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EUA entregam 'anel'; Brasil quer 'mão', quiçá 'braço'

Prossegue em Genebra a negociação da Organização Mundial do Comércio para tentar destravar a chamada rodada de Doha.

 

Nesta terça-feira, segundo dia do encontro, a representação dos EUA se dispôs a reduzir de U$ 17 bilhões para US$ 15 bilhões a cota anual de subsídios agrícolas.

 

Para o chanceler brasileiro Celso Amorim, é pouco, muito pouco, pouquíssimo. Ele sugere como “razoável” o patamar de US$ 13 bilhões.

 

No popular: Susan Schwab, a negociadora de Washington, entregou um anel. E Amorim quer mais que um dedo. Almeja a mão, quiçá o braço.

 

Curiosamente, há três dias Amorim esgrimia números diferentes.

 

Dizia que, mantido como queria os EUA, o texto sob negociação iria permitir à Casa Branca tonificar os seus subísidios de R$ 7 bilhões para R$ 13 bilhões. Cifra que, então, considerava intragável. E, agora, se dispõe a engolir.

 

Amorim vai do ataque à defensiva quando o debate migra para a abertura de mercados emergentes para os produtos industrializados das nações ricas.

 

EUA e Europa querem injetar no acordo que está sendo negociado na OMC uma esperteza batizada de “cláusula de não concentração.”

 

Se aprovada, a tal cláusula limitaria a margem de manobra dos países emergentes na hora de adotar medidas de proteção a setores de seu parque industrial.

 

É algo em que Amorim não quer nem ouvir falar. “Cláusula de anti-concentração é uma má idéia”, diz ele.

 

Nessa matéria, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, joga em dobradinha com a colega dos EUA.

 

Nesta quarta, Amorim receberá um aliado relevante. Chega para a reunião o ministro indiano do Comércio, Kamal Nath.

 

O embate da OMC vai durar até sábado. Na véspera, o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, fará circular um texto com o resultado das negociações.

Escrito por Josias de Souza às 20h27

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Garibaldi arquiva pedido de impeachment de Gilmar

Marcello Casal/ABr
 

 

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) acomodou na trilha do arquivo o pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, presidente do STF.

 

A coisa fora protocolada na semana passada por militantes da CUT do Distrito Federal. Tinha, desde o nascedouro, a aparência de um tiro n’água.

 

A hipótese de o Congresso dar curso ao pedido da CUT era tão vigorosa quanto a chance de Daniel Dantas ser mantido atrás das grades.

 

Garibaldi serviu-se de um parecer do advogado do Senado, Alberto Cascais. Para ele, faltou ao pedido fundamentação jurídica.

 

Antes de ser mandado à gaveta, o caso ainda terá de ser submetido, depois do recesso parlamentar, à Mesa diretora do Senado, de composição pluripartidária.

 

A mesa vai referendar a posição de Garibaldi. É certo como o nascer do Sol a cada amanhecer.

Escrito por Josias de Souza às 19h08

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AMB solta a lista dos candidatos com ficha ‘suja’

Relação de São Paulo inclui Paulo Maluf e Marta Suplicy

 

A Associação dos Magistrados do Brasil levou à rede, nesta terça (22), mais uma ferramenta para o eleitor que deseja exercitar o voto consciente.

 

Trata-se de uma lista com os nomes dos candidatos a prefeito e a vice-prefeito que respondem a processos judiciais.

 

Por ora, foram à relação os candidatos das capitais. Mas a associação de magistrados planeja estender o levantamento às cidades com mais de 200 mil eleitores.

 

Estima-se que, em agosto, quando a coisa estiver concluída, haverá na lista algo como 350 candidatos.

 

O quadro da AMB foi organizado de forma que o eleitor possa fazer a consulta por Estado.

 

Na relação de São Paulo, há dois nomes vistosos: Paulo Maluf (PP) e Marta Suplicy (PT). Veja aqui. A coligação de Marta tachou a iniciativa de "arbitrária", "tendiciosa" e "leviana".

 

Maluf, em nota, tambpem condenou a divulgação da lista. Desqualificou os processos em que figura como réu: "As acusações nesses processos não tem base legal, jurídica ou administrativa...”

 

“...O Estado de Direito seria melhor conduzido sem politização dos juízes. Juízes não devem se meter em política. Juiz só fala nos autos." E o eleitor, convém recordar, fala nas urnas.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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Deputado ‘miliciano’, eis a novidade que vem do Rio

  Fabiano Veneza/Alerj
A polícia do Rio prendeu, na madrugada desta terça (22), o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM), na foto. Acusa-o de comandar uma milícia.

 

A prisão de Natalino, recolhido a uma cela de Bangu 8, mobilizou três dezenas de policiais.

 

Cercaram a casa do deputado. Lá dentro, realizava-se o que a polícia chamou de “reunião de milicianos”.

 

Houve troca de tiros. Sete suspeitos conseguiram fugir. Outros seis foram às algemas.

 

O deputado ‘demo’ e mais cinco. Entre eles dois PMs, um agente penitenciário e foragido da lei.

 

Chama-se Fábio Pereira de Oliveira o foragido alcançado pelos policiais. Levou um tiro na mão.

 

Fabinho Gordo, como é conhecido, fazia a segurança do deputado preso.

 

Natalino Guimarães é, ele próprio, um ex-policial. No último dia 11, fora expulso da corporação. Justamente porque, informou-se então, chefiava uma milícia.

 

Um irmão de Natalino, Jerônimo Guimarães, é vereador pelo PMDB. Policial aposentado, ele teve a pensão cassada pelo Estado.

 

A polícia acusa Jerônimo de dividir o comando da milícia com o irmão Natalino.

 

Milícia é o apelido que os cariocas deram aos grupos paramilitares que vendem pseudoproteção nos morros cariocas. É uma espécie de neo-esquadrão da morte.

 

Os milicianos cavalgam a ineficiência da polícia. Nos morros do Rio, eles se confundem, em método e em truculência, com a bandidagem do tráfico.

 

Controlam até o voto. Constrangem nos morros os candidatos que julgam estar dissociados de seus interesses. Algo que já se encontra sob investigação da Polícia Federal.  

 

Dá-se um fenômeno que foi muito bem resumido numa frase do relatório preliminar escrito pelo fiscal da ONU para temas relacionados a execuções sumárias.

 

Chama-se Philip Alston. Esteve no Brasil em 2007. O resumo do que viu ficou pronto há pouco mais de um mês. Referindo-se ao Brasil, não apenas ao Rio, ele anotou:

 

"Uma das principais razões da ineficiência da polícia na proteção dos cidadãos diante das gangues está no fato de freqüentemente aplicar violência excessiva e contraproducente quando está de serviço. Fora do serviço, participa daquilo que resulta no crime organizado".

 

Na visita que fizera ao Rio, em novembro de 2007, o fiscal das Nações Unidas recebera do comando da polícia um presente inusitado: uma miniatura do caveirão.

 

Vem a ser um carro blindado. Tem a aparência dos veículos de transporte de valores. Traz nas laterais orifícios para que os policiais acomodem os fuzis. Dali, realizam os disparos.

 

Na lataria externa há o desenho de uma caveira, adornada com dois revolveres e um facão. No teto do caveirão, uma caixa de som faz soar uma gravação.

 

O áudio provoca um frêmito de pânico nos moradores das favelas: "Vim buscar sua alma."

 

Não é sem razão que os morros cariocas vêm preferindo entregar a alma às milícias, que expandem os seus tentáculos até o ambiente dos partidos e das casas legislativas. É a definitiva criminalização da política.

Escrito por Josias de Souza às 17h34

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Lula agora exige ‘restauração’ da hierarquia na PF

Lula agora exige ‘restauração’ da hierarquia na PF

Planalto quer que inquérito da Satiagraha seja ‘saneado’

Deseja-se excluir dos autos supostos excessos retóricos

Busca-se, por exemplo, legitimar o negócio da supertele

 

Sérgio Lima/Folha

 

Afastado do comando da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz deixou no inquérito que traz a sua assinatura um legado de problemas para o governo.

 

O principal deles é a aura de suspeição que Protógenes acomodou ao sobre um negócio caro ao governo: a fusão da Brasil Telecom e da Oi.

 

A transação, ainda pendente de acertos legais, dará origem a uma supercompanhia telefônica de capital nacional, que tem as bênçãos de Lula.

 

Entre quatro paredes, o presidente revela-se inconformado com os procedimentos adotados por Protógenes na condução das investigações.

 

Diz que o delegado subverteu a hierarquia da Polícia Federal, sonegando de seus superiores detalhes cruciais da investigação.

 

Revela certa inconformidade com a parceria que o delegado estabeleceu com a Abin de Paulo Lacerda, à revelia da cúpula da PF.

 

Nas palavras de um assessor do presidente, “é preciso restaurar a ordem, em nome da preservação da imagem da Polícia Federal.”

 

Na visão do presidente, revelada ao blog pelo auxiliar que priva de sua intimidade, as prioridades de Roberto Saadi, o delegado que substituiu Protógenes, são as seguintes:

 

1. “Restaurar o respeito à hierarquia na Polícia Federal”;

 

2. “Sanear o inquérito, retirando dele as ilações infundadas do delegado Protógenes”;

 

3. “Acrescentar aos indícios revelados pelos grampos telefônicos provas capazes de levar Daniel Dantas a uma condenação judicial.”

 

De saída, as preocupações de Lula resultaram num reforço da equipe que cuidará da análise do material recolhido em 58 batidas de busca e apreensão.

 

Destacaram-se para a missão cerca de 50 agentes federais. É um dos maiores contingentes já reunidos pela PF em torno de uma investigação.

 

Uma forma de neutralizar a acusação de Protógenes, formalizada em representação ao Ministério Público, de que o trabalho de investigação estaria sofrendo um boicote.

 

O desafio que se auto-impôs o governo é o de convencer o Ministério Público de que nem todas as “ilações” de Protógenes encontram correspondência nas provas.

 

Parte-se do pressuposto de que o delegado “exagerou”, por exemplo, ao empurrar o “problema” Daniel Dantas para as cercanias do gabinete de Lula.

 

Nesse ponto, entram as preocupações do Planalto com o negócio que envolve a viabilização da supertele.

 

Em relatório datado de 26 de junho, o delegado Protógenes, agora dedicado exclusivamente a um curso de aperfeiçoamento, arrastara para o centro da encrenca do Opportunity a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

Anotou que o ex-deputado petista Eduardo Greenhalgh valera-se de sua influência no Planalto para exercer “tráfico de influência” e “lobby” em favor da venda da Brasil Telecom para a Oi.

 

Eis o que diz um trecho do texto escrito por Protógenes: "Devido à sua condição anterior de ex-deputado federal e membro do PT [Greenhalgh], freqüenta a ante-sala do gabinete da Presidência da República...”

 

Busca “...apoio para negócios ilícitos do grupo [Opportunity], notadamente no gabinete da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho...”

 

Mais: “Convém mencionarmos que a fusão entre a Brasil Telecom e a Oi, efetuada recentemente, foi objeto de diversas tratativas entre os integrantes da organização criminosa.”

 

O delegado chegou a pedir a prisão de Greenhalgh, negada pelo juiz Fausto de Sanctis.

 

Protógenes chegou a contabilizar as tentativas de assédio do ex-deputado petista em favor do negócio no Planalto: quatro vezes.

 

Protógenes avança no juízo de valor. Classifica a intervenção de Greenhalgh como "fundamental na criação da supertele, gentilmente elogiada por todos do grupo, em especial pelo cabeça da organização, Daniel Dantas".

 

Dantas figura na transação como beneficiário de um pagamento de cerca de R$ 1 bilhão. Cifra recebida para que concordasse em deixar a composição societária da Brasil Telecom.

 

A exclusão e Dantas é algo que o governo vinha tentando desde 2005. Nos subterrâneos, ao se justificar perante amigos do PT, Greenhalgh diz que não fez nada condenável.

 

Ao contrário. O ex-deputado petista julga ter contribuído para viabilizar algo beneféfico ao país, ao contribuir para o desembarque de Daniel Dantas da BrT, viabilizando a efetivação do negócio da supertele.

 

Uma transação que ainda depende de ajustes legais. O Plano de Outorgas da telefonia, editado sob FHC, proíbe que uma mesma operadora exerça o controle de mais de uma área de concessão no país.

 

A Anatel topou mudar as regras. Abriu uma consulta pública que expira em 1º de agosto. Depois disso, o ministério das Comunicações terá de redigir um novo texto.

 

Será enviado a Lula, a quem cabe dar a palavra final sobre a alteração. Daí o receio do presidente. Ele não quer apor sua assinatura a um documento que venha a ser tisnado como produto de lobby espúrio.

 

Como se vê, não é simples a tarefa do delegado Saadi, substituto de Protógenes. Antes de provar as culpas de Daniel Dantas, terá de demonstrar que o colega que o antecedeu cometeu excessos. Precisará ser convincente, uma vez que seu trabalho é supervisionado pelo Ministério Público.

 

Disso depende a efetivação da supertele. Uma companhia que, se viabilizada, terá 49,8% de seu capital controlado pelo governo, por meio do BNDES e dos fundos de pensão de empresas estatais.

Escrito por Josias de Souza às 03h44

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As manchetes desta terça

 

- Globo: PF vai apurar formação de currais eleitorais do crime

 

- Folha: Arrecadação cresce 10% e bate recorde

 

- Estadão: Arrecadação do governo aumenta 10,4% no semestre

 

- JB: Os 7 pecados de César Maia

 

- Correio: Depois da Lei Seca vem mais arrocho

 

- Valor: Consórcio de jirau promete mais R$122 mi em royalties

 

- Gazeta Mercantil: Lucro da mandioca deve superar o da soja

 

- Estado de Minas: Turismo agora se faz em Euro

 

- Jornal do Commercio: Reajuste de 63,97% nas multas de trânsito

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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PF: Polícia Faccional!

Angeli
 

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Lula planeja indicar um ‘pai’ para o PAC Social

  José Cruz/ABr
Lula reuniu convocou à sua sala 16 ministros. Discutiu com eles o andamento dos programas sociais do governo. Concluiu-se que a coisa está mal parada.

 

Para assegurar o cumprimento das metas oficiais, o presidente manifestou no encontro o desejo de criar um comitê gestor para coordenar as ações sociais.

 

Coisa parecida com o que ocorre no Programa de Aceleração do Crescimento, cuja gerência foi confiada a “mãe” Dilma, a chefona da Casa Civil.

 

São dois os ministros cotados para assumir a condição de “pai” do PAC Social: Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).

 

Ambos são petistas. Os dois de Minas. Patrus, comandante do Bolsa Família, é uma das alternativas que o PT guarda em seu armazém de “postes” para 2010.

 

Compuseram a mesa de reuniões do Planalto, além dos ministros “sociais”, os comandantes de ministérios econômicos. Entre eles Guido Mantega (Fazenda).

 

Vários dos presentes queixaram-se de falta de dinheiro para manter em dia as metas traçadas pelo governo. O queixume coincide com o anúncio de um novo recorde na coleta do fisco.

 

Lula recomendou aos presentes parcimônia na criação de novos programas. Quer prioridade para a efetivação dos que já existem.

 

De resto, o presidente disse aos auxiliares que a arrecadação extra de tributos “não será guardada nos cofres”. Algo que deixou animados os presentes.

 

O presidente renovou no encontro o seu apreço pelo setor social. Disse que pretende legar ao sucessor um relatório alvissareiro sobre os avanços obtidos nessa área.

Escrito por Josias de Souza às 00h53

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Tarso: ‘Lula não me tem como pré-candidato’ a 2010

  Wilson Dias/ABr
O caldeirão do petismo está fervilhando.

 

O naco do PT que se opõe a Tarso Genro vê no vaivém do companheiro o vulto de um candidato.

 

O ministro da Justiça finge-se de morto"Nessa questão da sucessão à Presidência eu estou subordinado ao presidente Lula...”

 

E Lula, “...como é óbvio, não me tem como pré-candidato. Estou totalmente fora disso."

 

Em política, como se sabe, por vezes é necessário lançar mão de todos os estratagemas, para atingir os subterfúgios.

 

Por ora, é o que cabe a Tarso, um traço nas pesquisas, fazer. O próprio Lula já tratou de arrancar Dilma Rousseff do centro do palco.

 

Apanhou demais a pobre. Agora mesmo, o delegado Protógenes Queiroz, convenientemente desembargado da Satiagraha, meteu-a no inquérito.

 

Insinua que Dilma teria agido para azeitar a fusão da Brasil Telecom com a Oi. Um negócio que renderá R$ 1 bilhão a Daniel Dantas. É o preço para que ele se retira da BRT.

 

À espera de uma palavra de Lula, os “postes” do PT –Tarso e Dilma entre eles— agem de modo muito peculiar.

 

Esforçam-se para parecer o que são. Levam em conta que os outros podem não ser o que parecem. Ou pior: podem ser e parecer.

Escrito por Josias de Souza às 20h01

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EUA acenam com concessões na OMC; Brasil duvida

Começou nesta segunda (21) a reunião da OMC convocada para tratar do comércio mundial. Tenta-se destravar a chamada rodada de Doha.

Pressionando aqui você tem uma idéia do que está em jogo. Trava-se uma queda-de-braço entre países ricos e emergentes.

 

Neste primeiro dia, ainda sob os ecos da analogia nazista que Celso Amorim construíra no sábado, a representante da Casa Branca, Susan Schwab, saiu-se com um aceno:

 

"Sabemos que temos que fazer muito mais contribuições. E o faremos. Os EUA têm uma posição de liderança total e manterão essa posição."

 

Para países como o Brasil, Washington faria mais passasse na lâmina os subsídios que concede aos seus produtos agrícolas. É aí que a leitoa torce o rabo.

 

Susan leva sua própria promessa ao telhado no instante em que enxerga na pregação anti-subsídios mera desculpa de quem deseja manter seus mercados fechados para os produtos industriais dos países ricos.

 

Ouça-se o que disse a madame: "Qualquer estudo que se considere deixa claro que, em uma negociação comercial...”

 

“...Não é com o corte de subsídios, e sim com a abertura dos mercados, que se pode contribuir mais com o crescimento e o desenvolvimento econômicos."

 

Diante do lero-lero, o chanceler brasileiro tachou de “totalmente inútil” esse primeiro dia de reunião.  

 

Já no sábado, na rodada preparatória, Celso Amorim levara à mesa os números. Hoje, os EUA despejam sobre suas lavouras US$ 7 bilhões em subsídios.

 

Mantido o texto da proposta que está sendo discutida em Genebra, o valor do refresco que a gestão Bush aos agricultores saltaria para US$ 13 bilhões.

 

Daí o timbre pouco diplomático do ministro de Lula. "Talvez tenha sido uma reunião necessária, era preciso fazê-la, mas realmente e totalmente inútil...”

 

“...Não ouvi nenhuma idéia nova, nenhuma sugestão. Esperemos amanhã." A julgar pelo trote da carruagem, talvez seja necessário aguardar um pouco mais.

Escrito por Josias de Souza às 18h32

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Primeira foto de Cacciola na cadeia: não tem preço

  Divulgação
Salvatore Cacciola completa nesta segunda (21) o seu quinto dia de Bangu 8. Já não traz no rosto o sorriso que exibira na semana passada, ao desembarcar no Brasil.

 

No último final de semana, o sem-banco teve de fazer uma pose que não imaginara grudar no álbum de sua existência. Tirou sua primeira foto como presidiário. Divulgou-a o diário "O Dia".

 

Trazia as madeixas aparadas. Cenho circunspecto. Uniforme comum a todos hóspedes de Bangu: da cintura pra cima, camiseta branca; pra baixo, caixa jeans.

 

Cacciola divide uma cela com 32 presos. Não se compara à cana mansa de Mônaco. Mas, para os padrões nacionais, é coisa fina. Compatível com a clientela. Gente com canudo universitário.

 

Cadeia ampla: 125 m². Duas instalações sanitárias –uma com chuveiros e outras com privadas. Direito a televisão no quarto. A tela é mixuruca: 14 polegadas.  

 

Mas dá pra acompanhar, em “A Favorita”, o desenrolar da arenga que opõe Flora, uma ex-presidiária, a Donatela, uma candidata ao xilindró.

Escrito por Josias de Souza às 17h22

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Poesia

Poesia

O nome é Otário

Apelido: contribuinte

É ídolo do salafrário

O velho e o seguinte

 

Desvio, superfaturamento

Roubo, formação de quadrilha

Emendas ao Orçamento

Tesouro submetido à matilha

 

A grana do besta é suada

Salário menor que o mês

Não merecia a patacoada

De patrão, virou freguês

 

Da Viúva só conhece o apetite

Sonha tocar-lhe os seios

Por ora, obteve uma gastrite

Paga os fins e, meu Deus, os meios

 

Anda agitado, tomado de aflição

Todo mês a mesma displasia

Arrecadação, mais arrecadação

Já sem prosa, refugia-se na poesia

Escrito por Josias de Souza às 15h00

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As manchetes desta segunda

 

- Globo: Acusações de Amorim enfraquecem Brasil na OMC

 

- Folha: Perícia no caso Dantas deve levar até 4 meses

 

- Estadão: Lula abre cofre para aliados em ano eleitoral

 

- JB: Investidor aposta R$ 122 bilhões no Rio

 

- Correio: R$ 35 milhões jogados fora

 

- Valor: Alianças ideológicas e menos candidatos marcam eleições

 

- Gazeta Mercantil: Rio de Janeiro receberá mais de R$ 100 bi de investimentos

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h22

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O show tem que continuar!

Novaes
 

PS.: Bia sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h21

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Amorim cita nazismo e adota diplomacia da canelada

  Jamil Bittar/Reuters
O vocábulo diplomacia é peculiar. Traz injetado no nome o próprio significado. É coisa que, para funcionar, precisa ser macia.

 

Pois bem. Para surpresa generalizada, o chanceler brasileiro Celso Amorim trocou os velhos punhos de renda pelo bico do sapato.

 

Deixou em pele viva a canela dos representantes dos países ricos numa reunião preparatória de um debate na OMC (Organização Mundial do Comércio).

 

Na mesa, a velha pendenga entre ricos e emergentes. Nós aferrados à defesa da redução de subsídios dos produtos agrícolas.

 

Eles agarrados à tese de que já cederam o bastante e que cabe agora aos países em desenvolvimento abrir seus mercados para os produtos industrializados.

 

Um discurso que Amorim, acertadamente, trata como falacioso. O diabo é que o representante do Brasil entendeu de comparar a negociação para a rodada de Doha à propaganda nazista.

 

O chanceler de Lula citou a máxima de Joseph Goebbels. O ministro de propaganda de Hitler dizia que uma mentira, repetida à exaustão, acaba passando por verdade.

 

Descendente de judeus que sobreviveram ao holocausto, a chefe de comércio dos EUA, Susan Schuwab, saltou da cadeira.

 

Um porta-voz do governo norte-americano traduziu assim o desconforto: "Estamos todos aqui para negociar de forma efetiva. E esse tipo de comentário maldoso não tem lugar nessas negociações."  

 

Amorim bem que tentou retomar a maciez. Mas, qual um zagueiro de time de várzea, ele voltou às canelas. Disse:

 

"Se ofendi alguém, eu lamento, não foi minha intenção. Mas mantenho: repetir uma distorção faz com que as pessoas acreditem que ela é a verdade."

 

Como se vê, o Brasil –ou o pedaço do país representado pelo Itamaraty— já se considera forte o bastante para prescindir da diplomacia. Acha-se em condições de prevalecer no grito. Ou na porrada.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Heráclito teve reunião com Abin antes da Satiagraha

Heráclito teve reunião com Abin antes da Satiagraha

Senador conversou, reservadamente, com Paulo Lacerda

Perguntou se agentes secretos seguiam Verônica Dantas

Chefe da Agência negou algo que depois se revelaria real

Estava em curso a ação que levou grupo de DD ao xadrez

 

  Marcello Casal/ABr
Entre os mistérios escondidos nos subterrâneos da Operação Satiagraha há uma inusitada reunião. Deu-se na segunda quinzena de maio, numa sala do Senado.

 

Chamado por Heráclito Fortes (DEM-PI), o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência foi à sala do senador. Tiveram uma conversa tensa.

 

Como que desconfiados um do outro, Heráclito e Lacerda se fizeram acompanhar de assessores. Um de cada lado.

 

O senador disse ao mandachuva da Abin que havia sido informado de que agentes secretos da agência estavam no encalço de uma amiga dele, no Rio.

 

O nome da amiga? Verônica Dantas, irmã e parceira de negócios de Daniel Dantas. Lacerda negou. E, no curso da conversa, pôs-se a maldizer Daniel Dantas.

 

O chefão da Abin traz o ex-banqueiro atravessado na traquéia desde maio de 2006. A ira nasceu de uma reportagem veiculada naquele mês pela revista Veja.

 

O texto tratava de um papelório supostamente reunido por Daniel Dantas. Continha dados, que se revelariam falsos, sobre contas bancárias de autoridades no exterior.

 

Entre essas autoridades estavam o presidente Lula, o então ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Paulo Lacerda, à época diretor-geral da PF.

 

Diante da insistência de Heráclito, Lacerda disse que verificaria se havia agentes seus no encalço da irmã de Dantas. Comprometeu-se a dar resposta.

 

Tratava-se de desconversa. Antes de trocar a PF pela Abin, Lacerda incumbira o delegado Protógenes Queiroz de investigar Dantas e sua gente. No curso da apuração, Protógenes pediu socorro ao ex-chefe, à revelia da atual direção da PF.

 

Depois de se reunir com Lacerda, Heráclito encontraria, nas imediações do plenário do Senado, um outro amigo: Guilherme Henrique Sodré.

 

Vem a ser um publicitário que, segundo a PF, age como lobista de Daniel Dantas. Sodré parecia inquieto com a movimentação da Abin no Rio. Heráclito tranqüilizou-o.

 

O senador contou que Lacerda negara o envolvimento da agência. Sodré levou o pé atrás. Disse a Heráclito que recebera informação segura, dando conta do contrário.

 

Atribuiu a certeza à origem do dado: vinha do ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, que conversara com “alguém do Planalto”.

 

A PF captou em grampo, no dia 28 de maio, um diálogo que indica quem seria o “alguém” citado por Guilherme Sodré: Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete de Lula.

 

Cerca de meia hora depois do encontro de Heráclito com o publicitário vinculado a Daniel Dantas, um assessor de Paulo Lacerda telefonou para o gabinete do senador.

 

Quem conta é o próprio Heráclito: “Meu chefe de gabinete ouviu do chefe de gabinete dele um pedido de desculpas...”

 

“...O Lacerda mandou dizer que eles estavam dando uma busca lá, para prender um russo. Eu vi que era sacanagem.”

 

Heráclito adiciona ao caso um detalhe que aproxima a encrenca ainda mais do Planalto: “O agente que a Abin tinha mobilizado é um oficial da PM de Minas...”

 

“...Ele estava cedido à Abin. E já havia trabalhado como segurança na campanha eleitoral do Lula.” Quem disse? quis saber o repórter. “O Guilherme Sodré”, respondeu o senador.

 

O blog perguntou também a Heráclito por que decidira chamar Lacerda ao seu gabinete. E ele: “Fui procurado por um familiar da Verônica Dantas, que é minha amiga...”

 

“...A família estava preocupada. Dizia que ela estava sendo seguida há três dias. Suspeitavam de seqüestro...”

 

“...Chamei o Lacerda porque sou presidente de uma comissão do Congresso que cuida desses assuntos de inteligência.”

 

Refere-se à CCAI (Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência). “Eu achava que o Lacerda não estava sabendo. E queria alertá-lo...”

 

“...Na conversa comigo, ele negava. Mas estava irritado. Ia pra cima do Daniel Dantas. Nunca vi uma raiva tão grande de uma pessoa como aquela.”

 

Mas quem estava sendo seguido não era Humberto Braz, assessor de Daniel Dantas? Responde o senador:

 

“A conversa que me chegou era diferente. O Humberto Braz tinha conversado com a Verônica. Disse que deixaria os filhos na escola e ia se encontrar com ela...”

 

“...Eles foram pra pegar a Verônica. É a conclusão que tenho sobre esse episódio. Não sei nem quem é Humberto Braz...”

 

“...Quero que ele se dane. Minha preocupação era a Verônica. Sou amigo dela. As filhas dela são amigas da minha. Quem acionou foi a família.”

 

Àquela altura, a investigação que adornaria com algemas os pulsos de Daniel Dantes e de gestores do Opportunity, entre eles Verônica, ainda não tomara o noticiário.

 

Mas um texto da repórter Andréa Michael, veiculado na Folha de 26 de abril, levantara a lebre. Dava conta de que Dantas tornara-se “alvo” da PF.

 

Trazia detalhes. Coisas assim: “Além de Dantas, os principais alvos da investigação da Polícia Federal são o sócio dele Carlos Rodemburg...”

 

“...Sua irmã e também parceira de negócios, Verônica Dantas, além do empresário e especulador Naji Nahas.”  Tudo se confirmaria, com precisão milimétrica, em 8 de julho, quando foi deflagrada a Operação Satiagraha.

 

PS.: Leia mais sobre o tema no texto abaixo.

Escrito por Josias de Souza às 03h17

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Senador do DEM deseja trazer o caso para o Supremo

Senador do DEM deseja trazer o caso para o Supremo

  Wilson Dias/ABr
Aproveitando-se do recesso parlamentar, Heráclito Fortes (DEM-PI), voou para Nova York. Antes de embarcar, há quatro dias, ele tomou uma precaução.

Assinou uma procuração que dá plenos poderes a seu advogado, Délio Lins e Silva, para pedir ao STF que avoque o processo da Operação Satiagraha.

 

Nesta semana, munido de autorização do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, Lins e Silva vai esquadrinhar os autos à procura de menções ao nome de seu cliente.

 

Se encontrar algo que se pareça com uma investigação contra o senador, o advogado voltará ao STF.

 

Em nome de Heráclito, pedirá que o processo migre da primeira para a última instância do Judiciário.

 

Congressistas desfrutam do chamado privilégio de foro. E puxam consigo, por um mecanismo que os advogados chamam de "conexão", todos os demais implicados no processo.

 

Pela lei, deputados e senadores só podem ser investigados com autorização do STF, a quem cabe processá-los e julgá-los. “Não disponho de alternativa”, diz Heráclito.

 

“Como senador, não tenho outra instância a recorrer a não ser o Supremo. Se sou atingido de algum modo, só tenho essa instância para ser julgado.”

 

No despacho em que autorizou Heráclito e seu advogado a acesso ao processo, o próprio presidente do STF tratou o senador como “investigado.”

 

Gilmar Mendes anota que Heráclito é referido “expressamente” no inquérito como “um dos possíveis envolvidos nos fatos investigados.” Daí o direito de folhear os autos.

 

Confirmando-se a requisição do advogado de Heráclito, o processo deve mesmo migrar para o STF. Nessa hipótese, ganharia outra dimensão.

 

Em vez do procurador Rodrigo de Grandis, teria de atuar no caso o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza.

 

E o processo passaria das mãos do juiz federal Fausto de Sanctis, de São Paulo, para a alçada do STF, em Brasília.

 

“Agora, o pânico deles [PF e Ministério Público] é justamente esse. Estão insinuando que eu quero puxar o caso do Daniel Dantas para o Supremo. Como se eu tivesse opção. Ora, não posso optar coisa nenhuma. É a lei..."

 

"Quero ver as vísceras desse processo. Estou agindo em legítima defesa. O Supremo é a minha única instância possível. Já disse e repito: se acharem uma gravação que me comprometa, eu entrego o meu mandato...”

 

“...Estou na vida pública há 25 anos. Sempre tive cuidado com essas coisas. Não seria agora que eu ia entrar numa molecagem.”

 

Heráclito consta do inquérito da PF como elo do Opportunity e de Daniel Dantas no Congresso. “Uma sacanagem”, no dizer do senador.

 

Num dos grampos em que a voz de Heráclito foi captada pela PF, o senador telefonou para o celular do “amigo” Carlos Rodenburg, sócio do Opportunity.

 

O aparelho estava desligado. E Heráclito deixou um recado. Segundo a PF, disse que estava com o ministro Nelson Jobim (Defesa). Que estaria “preocupado com a segurança” dele.

 

Heráclito dá a versão dele: “O Carlos Rodenburg é muito amigo da mulher de Jobim. Eles fizeram um curso juntos, uma pós-graduação, em Nova York. São amigos. Convivem...”

 

“...O Rodenburg estava se separando da mulher. Fora de casa. Encontro com o casal Jobim, num coquetel, em Brasília. E eles me perguntam como está o Carlos Rodenburg...”

 

“...Eu disse que não sabia, que não tenho conversado com ele. Na hora, fiz uma ligação para o Rodenburg. Deu na caixa postal...”

 

“...Eu dexei o recado, em tom de brincadeira: ‘Olha, Carlinhos , eu estou aqui com o Jobim. Nós estamos preocupados com a sua integridade, não falei com a sua segurança...”

 

“...Foi uma brincadeira. Tenho a impressão de que, se tocar a fita toda do grampo, vai aparecer eu dizendo: está todo mundo aqui com medo de a alemã [a mulher de Rodenburg é descendente de alemães], que é brava, lhe cortar o saco.”

 

Heráclito acrescenta: “É por essas e outras que eu me sinto no direito de desconfiar de tudo o que essa gente diz.”

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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As manchetes deste domingo

 

- Globo: Ações da Polícia Federal ficam paradas na Justiça

 

- Folha: PF espionou PF durante a investigação, diz relatório

 

- Estadão: Pesquisa Ibope mostra empate técnico entre Marta e Alckmin

 

- JB: O Rio dos sonhos da cultura carioca

 

- Valor: Investimento em pequenas hidrelétricas atinge R$ 15 bi

 

- Gazeta Mercantil: Rigor americano no consumo faz preço do petróleo despencar

 

- Veja: Show dos bilhões – As vitórias do Brasil na globalização

 

- Época: Bebês prematuros

 

- IstoÉ: Os trapalhões

 

- IstoÉ Dinheiro: Como tomar uma BUD

 

- Carta Capital: A dupla que incomoda

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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Foro privilegiado!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Ibope: candidato de Aécio e Pimentel é só 3º em BH

Na fase de costura das alianças partidárias para a disputa pela prefeitura de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB) freqüentou o noticiário como candidato imbatível.

 

Ganhou a aparência de supercandidato graças ao apoio de duas lideranças de peso: o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT).

 

Pesquisa do Ibope, cujos números vieram à luz neste sábado (19) esboça um qudro bem diverso. Lacerda figura na sondagem num modesto terceiro lugar, com ralos 8%.

 

À frente dele estão Jô Morais (PCdoB), primeira colocada, com 17% das intenções de voto; e Leonardo Quintão (PMDB), o segundo, com 14%.

 

Ainda que se considere a margem de erro da pesquisa (três pontos percentuais para mais ou para menos), Lacerda permanece em terceiro.

 

Na hipótese mais otimista, alçaria, no máximo, uma segunda colocação. Ainda assim, empatado com o peemedebista Quintão, em 11%.

 

Para que esse cenário menos adverso se materializasse, seria preciso que a margem de erro da pesquisa favorecesse Lacerda com três pontos para cima. E desfavorecesse Quintão com três pontos para baixo.

 

Os números são quentes como pãozinho recém-saído do forno. Os pesquisadores do Ibope foram às ruas da capital mineira entre segunda (14) e quarta-feira (16).

 

Lacerda pode até prevalecer na disputa de Belo Horizonte. Mas, a julgar pelos primeiros números ditados pelas ruas, não será o passeio que se imaginava.

 

Adversário de Aécio na briga interna pela vaga de presidenciável do PSDB em 2010, José Serra deve estar rindo de orelha a orelha.

Escrito por Josias de Souza às 21h03

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O preço do teatro da Polícia Federal é a impunidade

O preço do teatro da Polícia Federal é a impunidade

Orlandeli
 

 

A algaravia que ecoa dos corredores da Polícia Federal não é o barulho da guerra do Estado contra o crime organizado.

 

O que se ouve é o tiroteio produzido pelo excesso de marquetagem. Sob Lula, o trabalho da PF ganhou ares de thriller televisivo.

 

Primeiro, monta-se o teatro de operações. Depois, grita-se para a platéia que há incêndio no teatro. No fim, percebe-se que, na verdade, havia teatro no incêndio.

 

Na campanha re-eleitoral de 2006, o PT converteu a PF em peça de sua engrenagem de propaganda. Uma forma de remediar a má fama que se enganchara à legenda no ano anterior.

 

“Com Lula, a Polícia Federal vem desmantelando quadrilhas”, dizia o locutor num dos programas eleitorais de um presidente que trazia atrás de si um rastro pegajoso: Waldomiro, mensalão, dossiê...

 

Propalavam-se na campanha números grandiloqüentes: 74 operações da PF de janeiro a agosto de 2006; 1050 prisões...  

 

A polícia trabalhava em ritmo frenético naquele ano. Média de dez operações por mês. O frenesi se intensificava à medida que a folhinha roçava as urnas.

 

Na semana que antecedeu a eleição, houve quase uma operação por dia. O ano terminaria com 167 ações da PF; 2.673 prisões.

 

Em 2007, manteve-se o diapasão. Eis o balanço divulgado por Tarso Genro em dezembro do ano passado: 188 operações (incremento de 7,5%); 2.876 presos.

 

Falta algo à coletânea oficial: o número de condenados, a quantidade de enjaulados por sentença judicial e as cifras restituídas às arcas da Viúva.

 

As prisões, por temporárias (cinco dias) ou provisórias (no máximo 81 dias), desvaneceram-se.

 

Os condenados –se existem— não chegaram a ocupar uma sinapse do cérebro do observador. Desnecessário mencionar a devolução da grana surrupiada.

 

O balanço de 2008 aguarda pela chegada de dezembro. Mas não há mês, não há semana em que um novo escândalo não seja pendurado nas manchetes.

 

Eles chegam na forma de novas exibições da PF, no melhor estilo Tropa-de-Elite. Segue-se a divulgação –em conta-gotas— dos grampos com conversas vadias.

 

Os diálogos chegam aos borbotões. Só no ano passado, os grampos legais alçaram a casa dos 409 mil. Desse total, 49 mil estavam sob a alçada da PF de Tarso Genro.

 

Vencida a fase dos vazamentos, vêm as denúncias do Ministério Público. É quando começa a dar as caras o fenômeno escondido atrás do espalhafato: a fragilidade das provas. Descobre-se, então, que sobrou barulho e faltou política.

 

O Executivo atribui a escassez de resultados ao Judiciário. A PF prende, os tribunais soltam. O Ministério Público acusa e as togas, depois de sentar em cima, absolvem.

 

Num ambiente em que a tentativa de compra de um delegado –captada em áudio e vídeo— resulta em habeas corpus, é forçoso reconhecer: a legislação penal e o sistema jurídico brasileiros favorecem o criminoso endinheirado.

 

Ao freqüentar o noticiário do caso Daniel Dantas com entrevistas de calçada, Gilmar Mendes ainda injetou na cena jurídica um quê de “espetacularização” política.

 

Mas também é certo que a PF não vem conseguindo transformar em provas todas as suspeitas que joga no ventilador.

 

Reconheça-se, porque é de justiça, que houve notável melhoria no aparato de investigação do Estado. Daí o incômodo causado pelos desencontros da Satiagraha.

 

Com a exposição das fraturas internas da PF, o governo virou mais uma página da crônica policial brasileira. Pra trás.

 

O preço do teatro sai caro à platéia, que financia a peça. Tudo somado, o custo da pantomima é a impunidade.

 

PS.: Ilustração via sítio do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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Para seduzir Uribe, Lula endossa o repúdio às Farc

Lula Marques/Folha
 

 

“Que as pessoas comecem a compreender que a forma mais fácil de chegar ao poder é disputar eleições, como eu, que perdi três vezes, até chegar à Presidência.”

 

A frase é de Lula. A defesa da via institucional como meio de chegar ao poder foi uma referência direta às Farc, a narcoguerrilha que se opõe ao governo da Colômbia.

 

Lula falou aos jornalistas em Bogotá. Tinha ao seu lado o colega colombiano Álvaro Uribe. Antes da entrevista conjunta, conversaram a portas fechadas.

 

No encontro privado, Uribe concordou em aderir ao Conselho de Defesa Sul-Americano. Uma proposta do Brasil, para a qual a Colômbia vinha torcendo o nariz.

 

Uribe impôs três condições:

 

1. que a tomada de decisões do Conselho de Defesa só ocorra por consenso dos países membros;

 

2. que o novo organismo envolva apenas as forças institucionais das nações signatárias;

 

3. que os países que aderirem ao conselho patrocinem um “rechaço total aos grupos violentos”.

 

Foi por conta desse último item que Lula se viu compelido a pronunciar meia dúzia de palavras de condenação à via armada adotada pelas Farc.

 

A despeito da concordância de Lula, corroborada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, que contatada por Uribe pelo telefone, a condenação aos métodos das Farc é ponto controverso.

 

É preciso saber se outros países que se dispõem a aderir ao tal Conselho de Defesa endossarão os métodos violentos e extra-institucionais das Farc. Entre eles a Venezuela de Hugo Chavez e o Equador de Rafael Correa.

 

Lula permanece na Colômbia até este domingo (20). Dia em que os colombianos comemoram a sua Independência.

 

A data será marcada por manifestações ao redor do país a favor da libertação dos reféns que as Farc ainda mantêm em cativeiro na selva colombiana.

 

Numa demonstração de que não se deu por achado, o grupo narcoguerrilheiro seqüestrou, nesta sexta (18), mais dez pessoas.

 

Na entrevista coletiva deste sábado, Uribe disse que conta com a ajuda do Brasil para mediar um acordo de paz com as Farc, quando e se os guerrilheiros optarem pela via pacífica.

 

Perguntou-se a Lula o que achou da decisão do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de abrir negociações com as Farc à revelia do governo Uribe.

 

E Lula: “O Brasil só moverá um dedo para fazer qualquer coisa se a Colômbia autorizar.” Bom, muito bom, ótimo que seja assim.

Escrito por Josias de Souza às 19h57

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Governo engaveta processos de falsas filantrópicas

Governo engaveta processos de falsas filantrópicas

Negligência produziu prejuízo de R$ 2 bilhões ao Tesouro

Ministério da Previdência retém a análise de 2.063 casos

Alguns deles esperam por julgamento há mais de 5 anos

Tratam de entidades que fisco e INSS acusam de 'fraude'

Ministério Público pede providências e cogita abrir ação

 

  Liechtenstein
Trava-se no ministério da Previdência, longe dos olhares do contribuinte, uma luta do governo contra o governo.

 

Repetindo: o Estado está golpeando a si próprio.

 

A refrega já produziu um prejuízo R$ 2,1 bilhões ao INSS e à Receita Federal.

 

Depois de submetida a atualizações monetárias, a cifra vai aumentar.

 

É dinheiro devido por 2.063 entidades. Elas se dizem filantrópicas.

 

Mas, em visitas aos seus livros contábeis, fiscais do Estado verificaram que todas praticam benemerência de fancaria.

 

A despeito do veredicto dos fiscais, as pseudofilantrópicas obtiveram no CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) um certificado que as mantém no maravilhoso mundo da isenção tributária.

 

O CNAS é um órgão que pende do organograma do ministério do Desenvolvimento Social. Encontra-se sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público.

 

Em operação que levou o apelido de “Fariseu” e foi deflagrada no último mês de março, detectaram-se indícios de que o colegiado foi carcomido pela corrupção. Os detalhes do caso foram noticiados aqui.

 

Antes mesmo das descobertas da Operação Fariseu, inconformado com a concessão de certificados filantrópicos a entidades que não fazem filantropia, o INSS já vinha recorrendo ao ministro da Previdência.

 

Esse tipo de recurso, endossado pela Receita, está previsto na lei 9.784/99. Daí os 2.063 processos pendentes de um veredicto do titular da Previdência.

 

Num misto de descaso, incúria e inépcia, a pasta da Previdência mantém os processos na gaveta. Estão ali por um período muito superior aos 30 dias previstos em lei.

 

Alguns deles aguardam por uma decisão há mais de cinco anos. Para complicar, o STF decidiu que o prazo de decadência das dívidas fiscais, que o governo imaginava ser uma década, é de cinco anos.

 

Ou seja, mercê de sua própria negligência, o governo perdeu o direito de cobrar algumas das dívidas escondidas sob as mesas da Previdência.

 

O absurdo assume ares de inaceitável quando se considera que o próprio governo estima em algo como R$ 40,5 bilhões o déficit previdenciário de 2008.

 

Pela lógica, uma Previdência assim, em petição de miséria, deveria grudar nos calcanhares de seus devedores com a sanha de um gato em perseguição ao rato. Porta-se, porém, com a ligeireza de um cágado manco.

 

Apresentado ao despautério, o Ministério Público chamou para depor a consultora jurídica da Previdência, Maria Abadia Alves. Deu-se em 7 de maio de 2008.

 

Tocou ao procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado a tarefa de ouvir a consultora. Ele integra força tarefa criada para esquadrinhar, junto com a PF, os meandros da filantropia.

 

Ouvida, a consultora jurídica Maria Abadia alegou falta de estrutura para julgar os processos das entidades apontadas como falsas filantrópicas pelos fiscais.

 

Antes de seguir para a mesa do ministro, os processos têm de passar pela consultoria. Ali, a coisa empaca, segundo a consultora, porque a repartição não dispõe de: “Chefe de gabinete, assessores e contadores”.

 

O apoio administrativo também “é insuficiente”: quatro servidores. Que “não têm capacitação para a elaboração de expedientes corriqueiros.”

 

Quanto à lotação de advogados, o quadro considerado ideal pelo governo seria de 27 profissionais. A consultoria jurídica da Previdência dispõe só de 14.

 

Segundo Maria Abadia, ainda na época em que o ministro da Previdência era Luiz Marinho (PT-SP), enviou-se à AGU (Advocacia Geral da União), em abril, ofício requisitando pelo menos 3 contadores.

 

De resto, foram endereçados à AGU, a quem cabe prover a estrutura das consultorias jurídicas dos ministérios, outros quatro ofícios solicitando mais advogados. E nada.

 

Diante do quadro esboçado pela consultora Maria Abadia, o procurador Pedro Machado remeteu, por intermédio do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, um ofício à AGU.

 

No texto, o procurador da República dá prazo de dez dias para a adoção de providências saneadoras.

 

O blog fez contato com a AGU. O órgão esquivou-se de comentar a encrenca. Alegou que, até o momento, não recebeu a correspondência do procurador da República.

 

O repórter contatou também o ministério da Previdência. Pediu para falar com o ministro ou com a consultora jurídica. Não obteve resposta. Compreensível. É duro encontrar explicação para o inexplicável?

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Procuradoria investiga se houve boicote a delegado

 

- Globo: Delegado acusa PF de obstruir investigações no caso Dantas

 

- Estadão: Delegado acusa PF de boicote no caso Dantas

 

- JB: Migrantes da violência

 

- Correio: Flagrantes por embriaguez explodem no DF

 

- Valor: Impasses rondam a reunião ministerial para salvar a rodada de Doha

 

- Gazeta Mercantil: Rigor americano no consumo faz preço do petróleo despencar

 

- Estado de Minas: PF indicia três conselheiros do TCE de Minas

 

- Jornal do Commercio: Delegado faz queixa formal por ter sido afastado da operação Satiagraha

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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De banqueiro a decorador!

Ique
 

PS. Ilustração via sítio JB Online. Leia mais sobre o tema aqui.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Antes de deixar o caso, Protógenes indicia D.Dantas

Prestes a cruzar a porta de saída do inquérito da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz indiciou Daniel Dantas e nove diretores do Opportunity.

 

Deu-se nesta sexta (18), depois da inquirição dos suspeitos, em São Paulo. Foram acusados de gestão fraudulenta e formação de quadrilha.

 

Durante a inquirição, que durou cerca de seis horas, Dantas e os outros acusados esquivaram-se de responder às perguntas do delegado.

 

Em documento que fez questão de entregar a Protógenes, o advogado Nélio Machado justificou o silêncio de seus clientes: Alega que o inquérito está apinhado de "vícios insuperáveis."

 

Fez menção a "fatos estranhos, inusitados e irregulares que permeiam a investigação" desde fevereiro de 2007.

 

Realçou os vazamentos –“abusivos" e "ilícitos", segundo ele. De resto, alegou “intolerável” cerceamento à sua própria atividade.

 

"O exercício da profissão [do advogado] está sendo violado", escreveu Nélio Machado.  

 

O indiciamento dos suspeitos é o derradeiro passo da primeira fase da investigação. O gesto indica que, na visão do delegado, carrearam-se para as páginas do inquérito indícios de materialidade dos crimes.

 

Depois dos indiciamentos, Protógenes entregou o seu relatório Fechou-o, segundo disse, para cumprir determinação de Lula e em respeito à orientação de seus superiores.

 

Curiosamente, a despeito do relatório extemporâneo do delegado, que agora deixa o caso, a encrenca está apenas começando. E está longe de terminar.

 

Há na sede paulista da PF quase meia tonelada de papéis e equipamentos apreendidos nas batidas de busca e apreensão realizadas há duas semanas.

 

É daí que o Ministério Público espera extrair elementos para reforçar os indícios esboçados nos grampos telefônicos.

Escrito por Josias de Souza às 21h13

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Acionado pelo dr. Protógenes, MP apura ‘obstrução’

O bate-cabeças que opõe o delegado Protógenes Queiroz à cúpula da PF e do governo converteu-se numa espécie de marcha da insensatez.

 

Em representação formal, protocolada nesta sexta (18), Protógenes diz ter sido afastado do inquérito sobre Daniel Dantas.

 

Afirma mais e pior: falta, segundo ele, estrutura para a condução das investigações. A escassez seria de recursos humanos e também materiais.

 

Não restou ao Ministério Público senão abrir procedimento formal, para apurar se, por trás do que diz Protógenes, há, além de queixumes, o desejo de obstrução das investigações.

 

Vai-se do insensato ao patético. Num instante em que deveria se concentrar no aperto dos nós de uma investigação intrincada, o governo põe-se a travar uma queda-de-braço consigo mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Advogado do ‘inadmissível’ critica o ‘impensável’

  Raimundo Paccó/Folha
Nélio Rodrigues, o advogado de Daniel Dantas, enxergou na movimentação atabalhoada de Brasília matéria-prima para a defesa de seu cliente.

 

"Freqüento o ambiente da PF há mais de 30 anos e não vejo ministro de Estado e presidente da República falando de investigação...”

 

“...Nunca vi um presidente da República convocando reunião para tratar de um assunto como este. Se Lula está insatisfeito, ele que mude, que altere ministério."

 

O advogado aproveitou para tirar uma casquinha da investigação que enreda o seu cliente: "Esse inquérito é medieval e me manifesto contra esse inquérito medieval."

 

Dá-se o previsível: O vaivém do governo, impensável, oferece munição à defesa de Daniel Dantas, dono de ficha corrida inadmissível.

 

O dr. Nélio Rodrigues, advogado bem-posto e regiamente remunerado, faz o seu papel. Resta à platéia indagar: conseguirá o Estado fazer o que dele se espera?

 

Daniel Dantas é Midas de um Brasil “medieval”, para usar vocábulo ao gosto de seu defensor. Vem de uma fase que se deseja extirpar: o tempo do empresariado cartorial.

 

Fez-se nas dobras da privatização tucana, uma fase em que os negócios eram trançados “no limite da irresponsabilidade”.

 

Sob Lula, ainda pendurado nas arcas dos fundos de pensão, o Midas medieval viu-se compelido a acercar-se do petismo.

 

Agarrou-se ao esquema delúbio-valeriano, achegou-se ao compadre Roberto Teixeira, pingou algum no negócio do primeiro-filho. Fez e aconteceu.

 

O diabo é que má fama não resulta, por si só, em condenação judicial. Para isso, exige-se a produção de provas. Aí entra o aparato investigativo do Estado.

 

Por ora, noves fora o caso da tentativa de compra de um delegado –registrada em vídeo e áudio—há muito barulho e pouco resultado.

 

Nesta sexta (18), o dr. Nélio conduziu seu cliente à terceira sessão de interrogatório. Logo na entrada, avisou-se que DD responderia ao barulho, de novo, com o silêncio.

 

É do jogo. Resta saber o que tem a PF a dizer. Espera-se que fale por meio de provas, carreadas para os autos.

 

Não será com o impensável que se vai condenar um inadmissível do porto de Daniel Dantas.

Escrito por Josias de Souza às 18h25

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El Pais vê Brasil como ‘a menina bonita’ do pedaço

O título da reportagem é uma pergunta: A América Latina está vacinada contra a crise?

 

O texto que vem abaixo destaca, com ares de surpresa, o bom desempenho dos países da região diante do “tsunami econômico” que vem dos EUA.

 

Quanto a esta terra de palmeiras e sabiás, o principal diário da Espanha é categórico: diz não restar dúvida de que “O Brasil é a menina bonita da América Latina.”

 

Realça o crescimento do PIB (5,4%) em 2007. E impermeabiliza a imagem de Lula com uma demão de verniz:

 

“Se em termos políticos podemos falar em uma guinada para a esquerda na América Latina, o que na verdade deu frutos foi uma política econômica mais própria de uma esquerda pragmática, que tem sua principal liderança no governo brasileiro de Lula”.

 

Quando se olha no espelho, nem sempre o Brasil se vê assim, com contornos tão harmônicos.

 

Há a inflação. Faz o país arrastar uma das pernas. Algo que deve puxar para aquém dos 5% o crescimento econômico de 2008.

 

Há a corrupção desenfreada. Faz escorrer pela face da nação o pus da sem-vergonhice de seus criminosos.

 

Há a violência urbana. Expõe pedaços do mapa brasileiro a constrangimentos em publicações respeitáveis como a “The Economist”.

 

Há isso. Há aquilo. Mas, se algo serve de consolo, comparando-se o Brasil com o que está à sua volta, de fato passa por menina bonita. Ou, mais adequado: menos feia.

 

A Argentina, sob as saias de Cristina Kirchner, está um caco. Exceto pelo Chile e, com alguma boa vontade, o México, não parece haver no continente “menina” em condições de disputar um concurso de beleza conosco.

 

PS.: Ilustração via sítio do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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As manchetes desta sexta

 

- Globo: Tráfico executa PMs para roubar armas

 

- Folha: PF libera apenas trechos de diálogo com delegado

 

- Estadão: PF vê indícios de lavagem em conta de Dantas

 

- JB: Rio cobra saída para guerra

 

- Correio: Planalto pesa a mão sobre delegado da PF

 

- Valor: Investimento em pequenas hidrelétricas atinge R$15 bi

 

- Gazeta Mercantil: Rigor americano no consumo faz preço do petróleo despencar

 

- Estado de Minas: Governo insiste que delegado pediu para sair

 

- Jornal do Commercio: Calote cresce 6,1%

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Pantomima!

Duke
 

PS.: Via sítio de "O Tempo".

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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Câmara vai requisitar a íntegra da gravação da PF

  Danilo Verpa/Folha
O ministro Tarso Genro (Justiça) refere-se à polêmica que resultou na saída do delegado Protógenes Queiroz (foto) da Operação Satiagraha como uma “novela”.

 

“Uma novela exagerada demais”, diz Tarso. Ao divulgar trechos da gravação da reunião em que o tema foi discutido, o governo esperava escrever o último capítulo.

 

Não conseguiu. A Comissão de Defesa Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara decidiu requisitar a íntegra do áudio da reunião.

 

O encontro entre representantes da cúpula da PF e os delegados responsáveis pelo inquérito que tem Daniel Dantas como principal suspeito ocorreu na última segunda (14).

 

Nesta quinta (18), por ordem de Lula, divulgaram-se trechos do áudio. Mas só vieram à luz quatro minutos de um encontro de cerca de três horas.

 

Em telefonema a Tarso Genro, o presidente da Comissão de Segurança da Câmara, Raul Jungmann (PPS-PE), comunicou que requisitaria a íntegra da gravação.

 

O ministro aquiesceu. Disse que não vê problemas em atender ao pedido. Fez, porém, uma ressalva.

 

Segundo Tarso, há na conversa trechos em que são discutidos desdobramentos de investigações policiais.

 

Disse que, por razões óbvias, essa parte da gravação precisa permanecer em sigilo. Jungmann concordou.

 

Na seqüência, o deputado conversou, também pelo telefone, com o diretor-geral interino da PF, Romero Menezes.

 

Romero substitui o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa, que saiu em férias. Participou, junto com Tarso, da reunião em que Lula mandou divulgar trechos da fita.

 

Jungmann reproduziu ao mandachuva interino da PF o diálogo que acabara de ter com o ministro. Informou-o acerca da requisição da fita pela comissão da Câmara.

 

A exemplo de Tarso, Romero disse ao deputado que, resguardados os trechos referentes a investigações em curso, não vê problemas na divulgação do resto da fita.

 

A despeito da boa vontade de Tarso e Romero, a decisão de divulgar apenas trechos editados da gravação não foi casual.

 

Há no restante da fita, além dos alegados dados sigilosos, trechos que expõem as fraturas que dividem a PF.

 

Resta agora saber se o resto da gravação será mesmo entregue à comissão da Câmara, quando for requisitada.

 

Com o Congresso em recesso, Jungmann terá de protocolar o seu requerimento junto a uma comissão pluripartidária designada para cuidar da rotina legislativa durante o período de férias.

 

De resto, fica no ar uma indagação: se o ministro da Justiça e o comandante da PF não vêem inconveniente em divulgar o restante da gravação, por que diabos o governo trouxe à luz escassos quatro dos 180 minutos da reunião? 

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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STF concede a Heráclito Fortes acesso ao inquérito

  Folha
O presidente do STF, Gilmar Mendes, determinou que as páginas do inquérito da Operação Satiagraha sejam abertas para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

 

Além de folhear o processo, Heráclito e os advogados dele foram autorizados a tirar cópia dos autos. Leia aqui a íntegra do despacho de Gilmar Mendes.

 

Heráclito recorreu ao Supremo depois que seu nome foi pendurado nas manchetes como personagem ligado a Daniel Dantas e ao Opportunity.

 

Para apressar a decisão, os advogados do senador pegaram carona no mesmo habeas corpus em que Gilmar Mendes determinara o acesso de Daniel Dantas aos autos.

 

Os defensores de Heráclito pediram que a decisão fosse estendida ao senador. Argumentaram que seu cliente figura no inquérito como “investigado”.

 

Socorrendo-se do noticiário, os advogados realçaram que, além de mencionar trechos de grampos em que o nome de Heráclito é citado, o inquérito insinua a vinculação do senador com a “quadrilha” sob investigação.

 

Anotaram que Heráclito chegou mesmo a ser incluído pela PF em “organograma elaborado sobre a teórica organização criminosa.”

 

Gilmar Mendes endossou os argumentos dos advogados de Heráclito: “Constitui fato público e notório a menção ao nome do senador [...] em diversas passagens dos autos atinentes ao inquérito policial...”

 

O ministro anota que pode-se “acessar o inteiro teor do relatório elaborado pela autoridade policial em diversos meios de comunicação...”

 

Afirma que Heráclito é referido “expressamente” no inquérito como “um dos possíveis envolvidos nos fatos investigados.” Daí o direito do senador de ter acesso aos autos.

 

O despacho de Gilmar Mendes cria um novo embaraço para a Polícia Federal. Pela lei, os congressistas dispõem de privilégio de foro.

 

Significa dizer que só podem ser investigados e processados mediante autorização do STF, o foro em que são julgados os parlamentares.

 

Mais: o eventual envolvimento de deputados e senadores nas investigações teria de ser imediatamente comunicado ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, a quem cabe representar contra eles no STF.

 

O blog ouviu, nesta quinta (17), dois ministros do Supremo. Ambos levantaram uma suspeita.

 

Desconfiam que a PF, em combinação com o Ministério Público, esteja retardando a comunicação ao procurador-geral para evitar que o caso migre da primeira instância do Judiciário para o STF.

 

Há no tribunal jurisprudência segundo a qual todos os suspeitos de investigações que envolvam parlamentares devem ser processados, por conexão, no STF.

 

Heráclito não é o único parlamentar mencionado no inquérito. Há pelo menos mais três: o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) e os senadores Antonio Carlos Magalhães Jr. (DEM-BA) e Kátia Abreu (DEM-TO).

 

Kátia, a propósito, disse, em entrevista, que vai processar a União por “danos morais”. De resto, decidiu interpelar judicialmente as pessoas que a mencionaram em grampos captados pela PF.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Tarso expõe os ‘erros’ do inquérito de Protógenes

‘Esses excessos vão ter de ser apurados pela Corregedoria’

Fábio Pozzebom/ABr

O ministro Tarso Genro (Justiça), subiu o tom nas críticas que faz à atuação do delegado Protógenes Queiroz, desembarcado do comando do inquérito contra Daniel Dantas.

 

Antes, Tarso falava em “erros pontuais”, cometidos “aqui e ali”. Agora, o ministro é bem mais explícito. Fala abertamente sobre “erros” e “excessos”.

 

Equívocos e extrapolações que, nas palavras do ministro, “são atribuíveis, isso tem que ser verificado depois, ao próprio delegado que comandou o inquérito e que está no centro dessa confusão que está aí.”

 

A confusão a que se refere Tarso é a polêmica nascida do afastamento de Protógenes e dos delegados que o auxiliavam na investigação que desaguou na Operação Satiagraha.

 

O ministro insiste: Protógenes saiu porque quis. “O delegado Protógenes está causando uma certa estupefação em todos nós (...). Ele pediu na Justiça e ganhou uma liminar para fazer um curso de aperfeiçoamento...”

 

“...Esta liminar já foi deferida e, portanto, está na hora de cumpri-la. Aí, no momento em que a equipe dirigente da Polícia Federal reuniu o grupo que estava trabalhando no inquérito...”

 

Nessa hora, “...ele se propôs a manter a sua atividade em relação ao curso e, aos sábados e domingos trabalhar no inquérito. Ora, isso é impossível, não é? Então, os superiores dele disseram: olha, isso aí não é cabível.”

 

Os comentários do ministro foram feitos em entrevista à Rádio Gaúcha, uma das que Tarso concedeu nesta quinta (17). O áudio está disponível aqui. Leia sobre outra entrevista aqui.

 

O ministro divide o inquérito conduzido por Protógenes em duas partes. Um pedaço bom e outro ruim.

 

A parte boa, segundo ele, seria a coleta de provas. No naco que não presta, o ministro acomoda os “erros” e “excessos” do delegado Protógenes.

 

Vai abaixo um extrato da opinião do mandachuva do ministério da Justiça, superior hierárquico da PF:

 

O pedaço bom: "O inquérito, na verdade, tem dois aspectos. O Primeiro aspecto é uma prova técnica e gravada que ele tem, inclusive que já determinaram a denúncia, aceita pelo juiz...”

 

“...Portanto, o sr. Daniel Dantas é réu. Nesse aspecto, o inquérito tem boa coleção técnica. Ele tem um manancial de provas correto...”

 

O pedaço ruim: O inquérito “tem erros de excessos que foram cometidos, que são atribuíveis, isso tem que ser verificado depois, ao próprio delegado que comandou o inquérito, que está no centro dessa confusão que está aí.

 

“...Tem pessoas dizendo o seguinte: que esse inquérito está muito mal feito e que o delegado cometeu excessos. (...) Se forem confirmados, esses excessos terão de ser apurados pela corregedoria, depois, da Polícia Federal."

 

Pedido de prisão de jornalista: nesse ponto, o ministro comenta o pedido de Protógenes, negado pelo juiz do caso, de prisão da jornalista Andréa Michael, da Folha. Ela antecipara, em abril, a operação que a PF deflagrou há uma semana e meia.

 

“O exemplo da jornalista é um exemplo típico. É absolutamente absurdo pedir a prisão provisória, preventiva, seja lá o que for, de uma pessoa que estava fazendo uma investigação. E isso aí é originário do inquérito.”

 

A filmagem das prisões: “Tenho defendido esse inquérito. É um inquérito que tem uma robusta estrutura probatória em relação a esses réus. Mas ele [também] tem, inclusive, lições, que nós temos que tirar, de incorreções que foram cometidas...”.

 

“...Uma delas, muito grave inclusive. Aquela que alguém, que estava no iquérito, provavelmente privilegiou, como informante, uma pessoa que violou depois a regra que consta do manual da PF, para proteger a privacidade das pessoas custodiadas pelo Estado.”

 

Investigação de jornalistas: “...Num determinado momento, o delegado começou a investigar jornalistas. Uma coisa completamente fora de tom, fora de propósito...”

 

“...Coisa que ele poderia fazer, até, num outro inquérito, comunicando aos seus superiores o que está acontecendo...”

 

“...Mas fazer numa espécie de ampliação do universo da investigação, isso sim, poderia prejudicar o inquérito, se não tivesse provas contra os réus principais...”

 

Elucubrações ético-filosóficas: o ministro critica o tom utilizado pelo delegado no relatório que serviu de base para a decretação das prisões.

 

Acha que o timbre do delegado só não gera maiores prejuízos porque o Ministério Público, na formulação da denúncia, recobrará o diapasão técnico.

 

”Eu entendo que não prejudica por uma razão concreta: a base através da qual vai se desenvolver o processo penal é a denúncia do Ministério Público...”

 

“...A denúncia do Ministério Público não entra nesse tipo de apreciações subjetivas que estão sendo feitas, que apareceram no relatório [do delegado]...”

 

“...Elucubrações a respeito do mal e do bem, uma postura até, assim, meio estranha, de quem está fazendo uma investigação policial...”

 

“...A peça do Ministério Público é uma peça direta, que narra fatos e traz a capitulação. Portanto, é ela que vai guiar o processo penal...”

 

“...Então, embora tenham ocorrido essas incorreções, na minha opinião, na verdade, o inquérito oferece uma robusta base de provas para um processo bem feito...”

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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PF divulga 4 min da fita de reunião que durou 3 h

  Wilson Dias/ABr
Por ordem de Lula, o governo divulgou trechos da gravação feita na reunião em que foi decidido o afastamento dos delegados da Operação Satiagraha.

 

O áudio está disponível aqui. A reunião, realizada na última segunda (14), foi longa. Coisa de três horas.

 

Mas divulgaram-se apenas três trechos. Edição feita sob medida. Juntos, os pedaços da fita somam pouco mais de 4 minutos.

 

Mostram o seguinte:

 

1. O encontro serviu para que a cúpula da PF repassasse aos delegados, à frente o dr. Protógenes Queiroz, a avaliação que fizeram do trabalho.

 

Os “erros” enxergados pela direção do departamento de polícia no inquérito foram à mesa. Quais? Com os nacos de gravação que vieram a público, só dá para saber um deles.

 

2. Num dos trechos, sem mencionar a TV Globo, o delegado Protógenes expia a culpa por ter permitido que uma equipe da emissora registrasse cenas de prisão.

 

“...Houve a presença da imprensa aqui em São Paulo? Houve. Falhou? Falhou."

 

“...Quem falhou? O [Protógenes] Queiroz falhou porque o doutor Troncon [Roberto Troncon Filho, diretor de combate ao crime organizado da PF de Brasília] me depositou e eu firmei compromisso com ele, mas falhou ao meu controle."

 

3. Avaliou-se o andamento do inquérito. E o diretor Troncon, emissário da direção, como que decidido a restabelecer o liame hierárquico que vincula o inquérito a Brasília, foi ao ponto:

 

“(...) Tem que ter um alinhamento, uma sinergia completa com a chefia da delegacia, com a Dercor [Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado], com o superintendente [da PF em São Paulo], com o Defin [Divisão de Combate aos Crimes Financeiros] e comigo [da direção nacional]."

 

4. A certa altura, discute-se a possibilidade de o delegado Protógenes fechar o relatório do inquérito até sexta-feira (18). Ele afirma que é possível.

 

Lero vai, lero vem, Protógenes manifesta a intenção de não retornar ao caso depois do curso de aperfeiçoamento que fará a partir de segunda (21).

 

Pode ter sido uma reação de alguém que se sente desautorizado. Mas os trechos da gravação, editados de modo a realçar a jogada de toalha do delegado, não permitem saber.

 

Diz Protógenes na fita: “[...] E até mesmo depois [do curso] da academia [de polícia] eu não pretendo. A minha proposta é:...”

 

“...Eu fico até o final da operação, porque eu criei um problema para os meus colegas delegados, criei um grande problema, e eu acredito que para você [Troncon] também, e a minha proposta é essa...”

 

“...É permanecer a minha vinculação no seu gabinete, à sua disposição, até o final dos trabalhos, pra não ficar aquela pecha de que Brasília vem fazer operação nos Estados e deixa no meio do caminho...”

 

“...As minhas [investigações] nunca ficaram no meio do caminho. As minhas nunca ficaram. E, a exemplo dessa, não vai ficar...”

 

“...Só que com um diferencial. Eu não vou estar presidindo, eu não pretendo presidir nenhuma investigação. Aí ficaria uma coisa, um trabalho, coletando dados."

 

5. O delegado Troncon, superior hierárquico de Protógenes, trata de deixar claro que o prazo do colega se encerraria na sexta. Ele disse:

 

“Se eventualmente, dentro do desdobramento natural desse inquérito que você instaurou, se você concluir antes desse período de você ir pra academia, sem nenhum problema...”

 

“...Agora, se não conseguir, dentro da melhor técnica, se falar não, se requer mais tempo, requer maior análise, aí a gente passa pra um dos colegas."

 

A decisão de divulgar trechos da fita foi tomada no Planalto. Deu-se numa conversa de Lula com o ministro Tarso Genro (Justiça). Presente também o diretor-geral interino da PF, Romero Menezes.

 

Tudo considerado, pode-se concluir o seguinte: o governo estava decidido a retirar o inquérito das mãos de Protógenes. Enxergara erros e excessos no trabalho do delegado.

 

Na reunião de São Paulo, lavou-se muita roupa suja. Editou-se a fita para evitar a exposição total das fraturas internas que fragmentam a estrutura da PF.

 

Divulgaram-se os trechos em que; a) Protógenes admite explicitamente um erro; e b) fala em deixar o inquérito.

 

A pergunta é: por que a PF, tão expedita no vazamento de grampos telefônicos dos personagens de suas investigações, sonega à platéia a íntegra de uma fita que expõe os seus próprios podres?

Escrito por Josias de Souza às 19h18

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Cacciola diz que confia na Justiça! E você, confia?

Pedro Dias Leite/Folha
 

 

Nelson Gonçalves, se o visse, decerto cantaria:

 

Boemia, aqui me tens de regresso

E suplicante te peço a minha nova inscrição

Voltei pra rever os amigos que um dia

Eu deixei a chorar de alegria, me acompanha o meu violão

Boemia, sabendo que andei distante

Sei que essa gente falante vai agora ironizar

Ele voltou, o boêmio voltou novamente

Partira daqui tão contente por que razão quer voltar?...

 

Sim, ele voltou. Não foi por gosto. Chegou nos braços da Polícia Federal. Mas parecia leve.

 

Condenado a dez anos de cana, o sem-banco Salvatore Cacciola disse, na sede carioca da PF: “Confio na Justiça”.

 

Antes, afirmara: "Nunca fui um foragido. Fui para a Itália com passaporte. Saí do Brasil com passaporte e livre."

 

Preso oito anos atrás, tornara-se beneficiário de um habeas corpus do STF, expedido pelo ministro Marco Aurélio Mello. E bandeara-se para a Itália.

 

A decisão que o permitira alcançar o meio-fio seria revogada na seqüência. Mas Cacciola explica: “Aí decidi ficar.” Na Itália, obviamente.

 

Agora, Cacciola não deseja muito. Quer apenas aquilo que as leis e o sistema judicial brasileiro já proveram aos outros réus que coabitam com ele o mesmo processo. Diz ele o sem-banco:

 

"Estou voltando preso, mas é bom lembrar que outras pessoas que foram condenadas comigo neste processo estão trabalhando e livres, ganhando o seu dinheiro..."

 

"...Não estava fazendo nada diferente do que eles estão fazendo aqui. Respondo todos os processos e estou sempre à disposição da Justiça. A diferença é que eu estava na Itália."

 

Desembarcou no Rio com o mesmo garbo que exibia ao ser flagrado por lentes indiscretas na escala de Nice (veja foto lá no alto).

 

Não trazia grudado ao pulso nada que lhe parecesse incômodo. Aliás, quem o viu no vôo, procedente de Paris, achou que fazia boa estampa:

 

"Ele não estava algemado, estava acompanhado de alguns agentes e muito tranqüilo, com cara de férias", testemunhou a estudante Heloisa Helena de Almeida.

 

A partir desta quinta (17), as férias serão usufruídas na hospedaria da carceragem do Rio. Não tem o conforto da cana de Mônaco, com vista pro mar. Longe disso. Mas foi o que se pôde arranjar.

 

Cacciola passa por uma triagem no presídio Ary Franco, na zona norte do Rio. Dali, será conduzido às dependências de Bangu 8. É onde vai ficar.

 

Até segunda ordem, bem entendido. Há sempre a hipótese de sair um novo habeas corpus. Cacciola, afinal, confia na Justiça brasileira. Você não confiaria?

Escrito por Josias de Souza às 09h39

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Aliados de Ciro têm maior nº de candidatos em 2008

Segundo TSE, a disputa de outubro tem 296,4 mil políticos

A conta inclui os postulantes a prefeito, a vice e a vereador

Partidos do bloquinho vão às urnas com 69 mil postulantes

Na quantidade, estão à frente dos ‘rivais’ PMDB, PT e PSDB

 

  Lula Marques/Folha
Integrantes do consórcio que dá suporte político a Lula, as legendas do chamado “bloquinho” disputam as eleições de 2008 de olho em 2010.

Na era pós-ideológica, o bloquinho ainda se define como “de esquerda”. E acalenta o sonho de virar alternativa presidencial capaz de se contrapor ao PT e ao PSDB.

 

O núcleo do grupo é constituído por PSB, PDT e PC do B. Enganchadas nessas três siglas, vêm duas legendas menores: PRB e PMN.

 

O grupo dispõe de um presidenciável que, por ora, freqüenta as pesquisas na segunda colocação, atrás apenas do tucano José Serra: Ciro Gomes (PSB-CE).

 

Convencidos de que 2008 é ante-sala de 2010, os líderes do bloquinho se auto-impuseram duas prioridades:

 

1. Lançar o maior número de candidatos possível no pleito de 2008;

 

2. Fincar estacas nas regiões Sul e Sudeste, regiões onde estão localizados os Estados de maior colégio eleitoral e/ou de importância política vital para quem deseja alcançar o Planalto.

 

A julgar pelos números colecionados pelo TSE, o primeiro objetivo do grupo foi alcançados. Para roçar o segundo, falta o essencial: arranjar votos.

 

De acordo com os dados disponíveis nos arquivos da corte eleitoral, serão disputados em outubro 5.563 cargos de prefeito e de vice-prefeito, além de cerca de 52 mil vagas de vereadores.

 

Nesse universo, o bloquinho pôs de pé o maior número de candidaturas: 69.169. Bem mais do que o PMDB (42.757), e mais do que o do PT (42.757), do PSDB (33.018) e do DEM (27.490).

 

Considerando-se apenas o número de candidatos a prefeito, o bloquinho (2.459), só perde para o PMDB (2.633), que é o maior partido do país. Tem, de novo, mais candidatos do que PSDB (1.763), PT (1.609) e DEM (1.228).

 

“Essa base numérica nos dá um diferencial de que não dispúnhamos”, anima-se o deputado Márcio França (SP), líder do PSB na Câmara.

 

“Quem entende de política sabe que é no município que está fincada a base da disputa para os governos estaduais e para a presidência da República.”

 

Resta agora saber o quanto da quantidade obtida pelo bloquinho vai se transformar em qualidade. Em outras palavras: onde o grupo tem chances de triunfar?

 

Entra aqui o segundo objetivo do bloquinho: a entrada nas regiões Sul e Sudeste. Para Márcio França, as chances são “promissoras”.

 

Em Minas, o bloquinho está, de fato, bem-posto. Disputa a prefeitura de Belo Horizonte com Márcio Lacerda (PSB), o candidato do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel.

 

Subsidiariamente, vai às urnas da capital mineira com a candidatura de Jô Moraes (PCdoB). Para qualquer lado que decida pender o eleitor mineiro, o grupo já se considera acomodado na cadeira de prefeito.

 

Dá-se coisa semelhante na cidade do Rio de Janeiro, Ali, o bloquinho disputa a prefeitura com Marcelo Crivela (PRB) e Jandira Feghali (PCdoB), que figuram, respectivamente, no primeiro e no segundo lugares das pesquisas.

 

No Estado de São Paulo, o grupo lançou cerca de 200 candidatos a prefeito. Acha que pode eleger 100. Confirmando-se a previsão, abiscoitará algo como 25% do eleitorado do primeiro colégio eleitoral do país.

 

Na capital paulista, o bloquinho plantou, a pedido de Lula, Aldo Rebelo (PCdoB) na vice de Marta Suplicy (PT).

 

Em Curitiba, emplacou Luciano Ducci (PSB) como segundo de Beto Richa (PSDB).

 

São duas praças em que os titulares –Marta e Richa— concorrem com chances de vitória. E, uma vez eleitos, tendem a deixar os cargos em 2010 para vôos mais altos.

 

Em Porto Alegre, o bloquinho encampou a candidatura de Manuela Dávila (PCdoB), que disputa a vice-liderança com Maria do Rosário Caetano (PT).

 

Em Florianópolis, o grupo simpático a Ciro Gomes endossa a candidatura reeleitoal do prefeito Dário Berger. Egresso do PSB, ele se filiou, por conveniências locais, ao PMDB. Mas, politicamente, mantém-se fiel às origens.

 

“Conseguimos alcançar o nosso objetivo de estabelecer bases no Sul e no Sudeste”, festeja Márcio França.

 

Tudo considerado, tem-se o seguinte cenário: aos olhos de hoje, as eleições presidenciais tendem a reproduzir a polarização PT X PSDB que se materializou nas ultimas duas eleições.

 

O tucanato tem em José Serra, líder nas pesquisas, sua opção mais viável. O petismo vai com o “poste” que Lula indicar. Aposta na popularidade de Lula para chegar ao segundo turno.

 

E o bloquinho trabalha para oferecer a Ciro Gomes um colchão municipal que lhe permita manter-se na cena de 2010 como alternativa à polarização tucano-petista.

Escrito por Josias de Souza às 03h44

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: Lula critica delegado e exige sua volta

 

- Globo: Lula agora quer manter delegado que PF afastou

 

- Estadão: BC processa o banco de Daniel Dantas por lavagem

 

- JB: Juiz torna Daniel Dantas réu em caso de suborno

 

- Correio: Saem reajuste e 13º para servidor e aposentado

 

- Valor: Investidor pessoa física impede queda da bolsa

 

- Gazeta Mercantil: Polícia Federal vai investigar cotistas do Opportunity Fund

 

- Estado de Minas: Lula chama de volta delegado. Só jogo de cena

 

- Jornal do Commercio: Professor terá piso e servidor, reajuste

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Pop-star do crime financeiro!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Delegados da PF mantêm versão sobre ‘afastamento’

Escrito por Josias de Souza às 21h59

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Ibope: Marta e Alckmin 'tecnicamente empatados'

Num instante em que o noticiário político encontra-se monopolizado por novidades policiais, o Ibope soltou nova pesquisa eleitoral.

 

Revela o seguinte: a petista Marta Suplicy acumula 35% das intenções de voto. O tucano Geraldo Alckmin, 32%.

 

Como a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menor, o quadro é de “empate técnico.”

 

O candidato ‘demo’ Gilberto Kassab, antes sozinho no terceiro lugar, agora desfruta da inolvidável companhia de Paulo Maluf. A dupla aparece rigorosamente empatada: 11%.

 

O Ibope foi às ruas por encomenda do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo. Ouviram-se 602 pessoas entre os dias 12 e 14 de julho.

 

Na projeção do segundo turno, Alckmin (50%) ainda prevalece sobre Marta (41%). O tucano bateria também, com mais folga, Kassab: 59% contra 22%.

 

A julgar pelos números da pesquisa, Marta precisa acender uma vela para Kassab. Contra o adversário ‘demo’, a petista triunfaria no segundo turno: 50% contra 36%.

 

Para desassossego de José Serra, que prefere Kassab a Alckmin, o eleitorado parece torcer o nariz para a reeleição do preferido do governador.

 

Kassab comanda na campanha um autêntico transatlântico partidário. É puxado pelo DEM, empurrado pelo PMDB de Quércia e soprado pelo pedaço do PSDB controlado por Serra.

 

O arranjo propiciou a Kassab notáveis 19 minutos de propaganda televisiva, o dobro de seus principais rivais.

 

Ou o prefeito arranja uma boa mensagem para difundir na propaganda ou descerá à crônica eleitoral como comandante de um Titanic.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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Lula lança o MVP, 'Movimento Volta, dr. Protógenes'

Aos pouquinhos, o episódio do afastamento do delegado Protógenes Queiroz do caso Daniel Dantas vai se tornando um festival de meias verdades.

 

Nesta quarta (16), Lula veio à boca do palco para dizer que só a parte mentirosa foi pendurada nas manchetes.

 

O presidente chegou mesmo a lançar algo que pode ser chamado de MVP (Movimento Volta, dr. Protógenes). Disse Lula:

 

"Moralmente, esse cidadão tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações."

 

De acordo com a versão repassada ao Ministério Público e ao juiz Fausto de Sanctis, os delegados não saíram. Foram empurrados para fora do caso.

 

Deu-se numa reunião, em São Paulo. De um lado da mesa, Protógenes e dois delegados que o auxiliaram nas investigações: Karina Souza e Carlos Pelegrini.

 

Na outra ponta, dois integrantes da cúpula da PF, o diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Troncon, que voara de Brasília para a reunião; e o superintendente em São Paulo, Leandro Coimbra.

 

Pela versão borrifada na atmosfera pelos delegados, houve um “convite” para que se retirassem do caso. Abespinhado com o rumo do noticiário, Lula diz que é mentira:

 

"Quem contou essa mentira de que eles foram pressionados, eu espero que amanhã desmintam", exasperou-se o presidente.

 

"Eu estranhei a notícia e já falei com o ministro Tarso Genro para conversar com a Polícia Federal, porque eu acho que esse delegado tem de ficar no caso."

 

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. O nome do substituto de Protógenes já corre na praça: Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros da Superintendência da PF em São Paulo.

 

Instado por Lula, o ministro da Justiça acorreu aos holofotes para ecoar o chefe: "O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis”, disse Tarso Genro.

 

Segundo o ministro, Protógenes “manifestou, em diálogo com superiores, a sua vontade de sair.”

 

Tarso repisou: “A saída do delegado é uma iniciativa dele. Não há nenhum tipo de iniciativa dos diretores da Polícia Federal, dos seus superiores...”

 

A exemplo de Lula, também o ministro disse que considera que a saída de Protógenes “não é conveniente.”

 

Sabe-se que Luiz Fernando Corrêa, o diretor-geral da PF, queria o escalpo de Protógenes. Queixara-se, em privado, de que o subordinado lhe sonegara informações.

 

Pior: à sua revelia, Protógenes recorrera aos préstimos da Abin, chefiada por Paulo Lacerda, o ex-mandachuva da PF.

 

Tarso Genro também fizera reparos à atuação do delegado. Abrira sindicância para apurar a exposição de cenas de prisão às lentes das câmeras da TV Globo.

 

De resto, Lula reclamara, em reunião realizada há dois dias, dos “excessos” da PF. Realçara a desnecessidade das algemas e a inconveniência do vazamento de dados sigilosos.

 

Nesta quarta, o ministro da Justiça relevou os equívocos. Disse que não havia óbice para que Protógenes continuasse segurando as rédeas do caso, a despeito de ter cometido “aqui ou ali um eventual erro".

 

Como se vê, alguém está fazendo a platéia de boba. A PF, como sói, põe a culpa na imprensa. Criou-se um novo caso dentro do velho. A saída dos delegados –ou o afastamento—já merece um inquérito.

 

Procedimento rigoroso, capaz de identificar o(s) mentiroso(s). Diz-se que a reunião de São Paulo foi gravada. A ser verdade, a divulgação da fita seria um bom começo.

 

Seja como for, o signatário do blog apressa-se em aderir ao MVP. Para o bem ou para mal, quem pariu o inquérito deveria embalá-lo. Volta, dr. Protógenes!

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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Juiz aceita denúncia contra DD no caso do suborno

  Danilo Verpa/Folha
O juiz Fausto de Sanctis deu, nesta quarta (16), mais uma demonstração de que não lhe passa pe cabeça dar refresco a Daniel Dantas.

 

Converteu-o de acusado em réu no caso da tentativa de suborno de um delegado da PF: US$ 1 milhão, em troca do sumiço do seu nome do inquérito.

 

Junto com o dono do Opportunity, foram foram ao banco de réus o professor Hugo Chicaroni e Humberto Braz, assessor de DD.

 

A dupla foi pilhada, em áudio e vídeo, nos encontros que mantiveram com o delegado, que simulou aceitar a propina, para fisgar os “compradores”.

 

O UOL levou à rede a íntegra do despacho do juiz. Assinantes podem ler aqui. A novidade, que nos chega por meio da pena de Mônica Bergamo, vem à luz no mesmo dia em que Daniel Dantas presta novo depoimento.

 

Chegou com uma hora de atraso, em meio a uma azáfama de jornalistas. Defrontou-se com seu algoz, o delegado Protógenes Queiroz, que deixa o caso só na segunda (21).

 

Como previsto, Daniel Dantas não disse palavra. Esquivou-se de responder a todas as perguntas. Natural, muito natural, naturalíssimo. Deve ser mesmo complicado arranjar resposta ao que parece irrespondível!

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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A irmandade de Bangu festeja a chegada de Cacciola

  Alan Marques/Folha
O sem-banco Salvatore Cacciola está chegando. Na manhã desta quarta (16), a bordo de helicóptero alugado pela Viúva, deixou a cadeia mansa de Mônaco.  

 

Escoltado por agentes da Polícia Federal, fez escala em Nice, na França. E voa em direção a um xilindró inóspito do Rio.

 

Escaldados com as últimas ousadias da PF, os advogados do preso ilustre cercam-no de cuidados. Protocolaram um habeas corpus no STJ.

 

Pediram ao tribunal que assegurasse o seguinte a Cacciola: que não seja algemado, que não o enfiem na traseira de camburão, que tenha cela especial e que responda ao processo em liberdade!

 

Humberto Gomes Barros, presidente do STJ, já deu a sua decisão. Proibiu a PF de enfeitar os pulsos do sem-banco com um par de algemas. Considerou que, já entrado em anos, Cacciola, 64, não oferece riscos aos policiais.

 

Quanto ao camburão e à cela especial, negou provimento aos pedidos. E adiou a decisão sobre a liberdade. Mandou ouvir o Ministério Público.

 

Torça-se para que a Justiça propicie a Cacciola uma cana longeva. Só assim o Brasil poderá responder a uma incômoda pergunta:

 

As prisões brasileiras são ruins por que os ricos não as freqüentam ou os riscos não ficam nas prisões brasileiras porque elas são ruins?

 

O signatário do blog suspeita que, levada às últimas conseqüências, a disposição de processar e prender endinheirados produziria um fantástico efeito colateral.

 

Qualificando-se a população carcerária, haverá inevitável melhoria nas instalações e nos serviços.

 

Tome-se o exemplo de Cacciola. Condenado, refugiara-se na Itália, país de bons vinhos e de culinária primorosa.

 

Se a Justiça permitir que esquente lugar numa cela carioca, Cacciola não tardará a liderar um daqueles clássicos motins de refeitório.

 

Exigirá uma boa carta de vinhos, com opções de "Barolos", com um "Brunello di Montalcino" de boa cepa.

 

Baterá na mesa por um cardápio decente. E não admitirá engolir um fettuccine que não seja “al dente”.

 

Suponha-se que, no futuro, Cacciola ganhe a companhia de Daniel Dantas. Daí para a criação de hotelarias prisionais cinco estrelas –com sauna e piscina aquecida—será um pulo.

 

A irmandade de Bangu 1 e 2 não vê a hora... Por isso, saúda a aterrissagem de Cacciola no promissor sistema carcerário carioca.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

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Defesa de D. Dantas: juiz ‘suspeito’ e provas ‘ilegais’

  Fernando Donasci/Folha
Daniel Dantas presta depoimento nesta quarta (16). Em reuniões coordenadas pelo advogado Nélio Machado, os defensores esboçaram a linha de defesa.

 

De saída, sugeriram que o dono do Opportunity silencie diante de seus inquisidores.

 

Alegam que ainda não houve tempo para digerir as cerca de 7 mil páginas do inquérito.

 

Lorota. As acusações que pesam sobre os ombros de Daniel Dantas foram expostas à saciedade nos jornais e na TV.

 

Parte-se do pressuposto de que, a essa altura, o silêncio convém a Daniel Dantas. Melhor se resguardar e falar apenas na fase final do processo, em juízo.

 

Nesse meio tempo, a defesa do principal suspeito da Operação Satiagraha será feita apenas com a intermediação dos advogados, em petições escritas.

 

Segundo apurou o blog, os defensores do baqueiro decidiram argüir a suspeição do juiz Fausto de Sanctis e questionar a legalidade das provas obtidas pela PF.

 

São táticas usuais, de resultados incertos. Coisa de quem deseja ganhar tempo e convulsionar o processo.

 

Contra o juiz, pretende-se alegar que exorbitou ao expedir o segundo mandado de prisão de Daniel Dantas, por cima de um habeas corpus do STF.

 

Escorados em despacho de Gilmar Mendes os advogados de DD sustentam que o juiz valeu-se de artifícios para desrespeitar a ordem do presidente do Supremo.

 

Esgrimem a tese da “armadilha”, corrobarada por Gilmar. Afirmam que houve uma combinação para que a PF retardasse a liberação do banqueiro, para surpreendê-lo com a segunda detenção. O juiz, dizem os advogados, perdeu a insenção.

 

Quanto à suposta ilegalidade das provas, não há clareza quanto aos argumentos que os advogados levarão aos autos.

 

Para a PF, o Ministério Público e o ministro Tarso Genro (Justiça), as evidências reunidas contra DD, além de legais, são contundentes o bastante para encrencá-lo.

 

Uma das armas que a banca de advogados do dono do Opportunity cogita utilizar é o envolvimento da Abin no processo de investigação.

 

Sustentam que, acionada pelo delegado Protógenes Queiroz à revelia da direção da PF, a Agência Brasileira de Inteligência teria agido à margem da lei.

 

Um dos grandes nós que os defensores de DD terão de desatar é a proposta de suborno feita a um delegado da PF: US$ 1 milhão em troca da exclusão do nome do banqueiro e de dois familiares das páginas do inquérito.

 

Coisa documentada em áudio e vídeo. Sem contar a apreensão do dinheiro e o recolhimento ao cárcere de Humberto Brás, que a PF apresenta como preposto de DD.

 

Embora ligado ao Opportunity, Brás não será defendido pelos mesmos advogados de Daniel Dantas. Seu advogdo é Eduardo de Moraes, de outro escritório.

 

Tenta-se passar a impressão de que, diferentemente do que sustenta a PF, Daniel Dantas e Humberto Brás não jogam juntos.

 

Outra lorota. Segundo apurou o blog, a banca de Nélio Machado –o advogado de DD—e o escritório de Eduardo de Moraes –o defensor de Brás— vêm mantendo intenso diálogo.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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As manchetes desta quarta

- Globo: Delegados que investigaram Daniel Dantas deixam o caso

- Folha: Pressionado, delegado deixa caso Dantas

- Estadão: PF afasta delegados do caso Dantas

- JB: Guerra na PF derruba o algoz de Daniel Dantas

- Correio: Senado arquiva trem da alegria

- Valor: Indústria de veículos volta a concentrar projetos em SP

- Gazeta Mercantil: Óleo cai US$6 e Petrobras enfrentará greve nacional

- Estado de Minas: TRE ensina como denunciar abuso de candidatos

- Jornal do Commercio: Caem delegados que prenderam banqueiro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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Pássaro? Avião? Não, é o Super-Gilmar Mendes!

Dalcío
 

PS.: Via sítio do Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

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Gilmar articula nova lei sobre 'abuso de autoridades'

Deputado assume projeto idealizado por presidente do STF

  Lúcio Távora/Folha
A idéia brotou da cabeça de Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Ele a repassou a um deputado: Raul Jungmann (PPS-PE). Que vai convertê-la em projeto de lei.

O esboço da proposta está pronto. Foi elaborado com o auxílio de um ex-assessor de Gilmar Mendes.

 

Trata da alteração de uma lei que, velha de 43 anos, Gilmar acha que se tornou caduca. É a lei 4898, de 1965.

 

Define o crime de abuso de autoridade e fixa as punições. Avalia-se que a definição do delito ficou obsoleta e as penas, por brandas, tornaram-se risíveis.

 

Na tarde desta terça-feira (15), Jungmann telefonou para Gilmar. Avisou que estará concluída em uma semana a redação do projeto.

 

O deputado informou que, antes de protocolar a proposta na Mesa da Câmara, entregará cópias a três personagens:

 

O próprio Gilmar, o ministro Tarso Genro (Justiça) e o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza.

 

Depois, planeja promover uma audiência pública na Câmara. O presidente do STF comprometeu-se a comparecer.

 

Na seqüência do diálogo com o amigo Jungmann, que, como ele, serviu ao governo FHC, Gilmar cruzou a Praça dos Três Poderes.

 

Era aguardado no gabinete de Lula. Reuniu-se com o presidente, com Tarso Genro e com o ministro Nelson Jobim (Defesa), outro ex-colaborador de FHC.

 

Lero vai, lero vem, Gilmar levou à mesa a tese da atualização da lei do abuso de autoridade. Os interlocutores compraram o peixe que já fora vendido a Jungmann.

 

Na entrevista conjunta que concederam na sala de imprensa do Planalto, Gilmar e Tarso explicitaram a convergência:

 

"Iniciamos agora um novo ciclo, de menos debate público e mais voltado ao trabalho e a propostas", disse o ministro da Justiça.

Tarso fez referência explícita à atualização das normas que regem as escutas telefônicas e à responsabilização de agentes públicos que exorbitarem em sua autoridade.

O presidente do STF ecoou: "Precisamos discutir uma lei de responsabilidade civil do Estado para que o agente responda por eventual dano”.

Consolidou-se assim uma parceria que, se bem sucedida, envolverá os três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

A lei 4898, que se pretende atualizar, não inclui no rol de abusos passíveis de punição: o uso abusivo de algemas, a exposição de presos à mídia e o vazamento de dados sigilosos dos inquéritos.

São tópicos que Gilmar Mendes considera essenciais e que Jungamann tratou de contemplar em sua proposta. A lei velha fixa punições consideradas muito brandas.

Vão da simples advertência à detenção. Cana leve, porém: de dez dias a seis meses. Que o projeto vai agravar.

De resto, a lei de 1965 obriga as vítimas de abuso a se reportar ao superior hierárquico da autoridade infratora ou ao Ministério Público, a quem caberá tomar as providências.

Entende-se que o cidadão deve ter o direito de recorrer diretamente ao Judiciário, sem intermediários.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Na sala de Lula, Tarso e Gilmar estreitam inimizade

Wilson Dias/ABr
 

 

Quem ensinou foi o velho Ulysses Guimarães: “Em política, você não pode estar tão próximo que amanhã não possa estar distante, nem tão distante que amanhã não possa se aproximar.”

 

Nos últimos dias, Gilmar Mendes e Tarso Genro vinham se estranhando. Coisa sutil. Uma troca de socos de cetim, sobre o ringue dos jornais.

 

Nesta terça (15), sob o patrocínio de Lula, o presidente do STF e o ministro da Justiça reuniram-se para promover um ajuste de distância.

 

Como se desejasse dar uma demonstração de boa vontade a Gilmar, Lula convidou Nelson Jobim para a reunião.

 

O ministro da Defesa é unha e cutícula com o presidente do STF. A dupla coabitou o governo FHC. Ambos foram ao Supremo por indicação do ex-presidente.

 

Depois do encontro, que durou uma hora e meia, Gilmar e Tarso foram à sala de imprensa do Planalto. Queriam que os repórteres apalpassem a conciliação.

 

Na entrevista conjunta (foto lá no alto), anunciaram a celebração de um pacto. Vão unir esforços pela reforma do processo penal e atualização da legislação que pune os abusos de poder.

 

Instado pelos repórteres a comentar a saída de Protógenes Queiroz do caso Daniel Dantas, Tarso como que entregou o escalpo do delegado.

 

De volta ao Supremo, Gilmar debruçou-se sobre os pedidos de hábeas corpus dos únicos dois presos da Operação Satiagraha que continua no xilindró.

 

São eles: Hugo Chicaroni e Humberto Braz, os prepostos que tentaram, a mando de Daniel Dantas, comprar um delegado federal.

 

Diferentemente do que fizera com os outros 16 personagens recolhidos ao xilindró pela PF, dessa vez o presidente do STF negou o pedido de liberdade dos suspeitos.

 

Estabelecida a trégua, restou a imprenssão de que Tarso e Gilmar travaram um boxe sui generis. Uma briga em que o delegado Protógenes, golpeado pelo excesso de esperteza, entrou com a cara. O primeiro round foi vencido por Gilmar Mendes.

Escrito por Josias de Souza às 00h27

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Governo retira o delegado Protógenes do caso DD

  Danilo Verpa/Folha
O delegado federal Protógenes Queiroz já não responde pela Operação Satiagraha. Deixou o caso nesta terça (15).

 

Os outros dois delegados que trabalham com Protógenes na operação também devem deixar o caso.

 

A novidade chega um dia depois de Lula ter criticado, privadamente, o que chamou de “excessos” da Polícia Federal.

 

Na semana passada, depois de o presidente do STF, Gilmar Mendes, ter grudado na operação da PF o vocábulo “espetacularização”, Tarso Genro já havia piscado.

 

O ministro da Justiça mandara abrir sindicância interna, para apurar eventuais transgressões ao manual de procedimentos da PF.

 

O próprio Tarso considerara inadequada a primazia dada à equipe de reportagem da TV Globo na filmagem das prisões dos encrencados mais ilustres.

 

O normal em casos do gênero é que a filmagem seja feita por equipe da própria PF. Lula acrescentou à lista de reparos o uso de algemas e o vazamento de informações.

 

A versão oficial construída pelo governo para justificar o afastamento de Protógenes do caso passa ao largo das críticas.

 

Alega-se que o delegado terá de fazer um curso. Coisa supostamente obrigatória. Imperativa mesmo para aqueles que têm mais de dez anos de serviço.

 

Desafeto de Protógenes, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, saiu em férias. Escolheu hora providencial para o descanso. 

 

Achou tudo muito estranho? Bobagem. Deixa disso. O ministro Tarso Genro (Justiça) tem uma explicação definitiva: está-se diante de um complô de "coincidências."

Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Em 2 meses, desmatamento igual a 2 cidades do Rio

Guto Cassiano
 

 

O Inpe divulgou nesta terça (15) os números do desmatamento referentes ao mês de maio. Foi abaixo mais 1.096 km2 de floresta amazônica.

 

Trata-se de área ligeiramente menor do que a registrada no mês de abril: 1.123 Km2. Ainda assim, equivale a um território semelhante ao da cidade do Rio de Janeiro.

 

Ou seja, em escassos dois meses, a Amazônia perdeu em cobertura florestal o equivalente a duas cidades do Rio. Um acinte.

 

O Estado de Mato Grosso continua sendo o campeão do desmatamento: 646 km2. A seguir vem, como de hábito, o Pará: 262 km2.

 

PS.: ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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Só 3,49% do eleitorado concluiu ensino universitário

  Moacyr Lopes Jr./Folha
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta terça (15) o perfil do eleitor brasileiro. Há no país 130,4 milhões de pessoas aptas a votar.

 

Visto pelo ângulo do grau de escolaridade, o eleitor tem as seguintes feições:

 

Curso superior: apenas 4,6 milhões de eleitores (3,49% do total de portadores de título) têm diploma universitário.

 

Há outros 3,3 milhões que, embora tenham chegado ao banco de universidade, não obtiveram o canudo;

 

Analfabetos: pela lei, não são obrigados a votar. A despeito disso, 8 milhões de brasileiros analfabetos foram bater às portas da Justiça Eleitoral.

 

Obtiveram o título de eleitor e estão aptos a votar nas eleições para prefeito e vereador, em outubro.

Primeiro grau: a maioria do eleitorado (34,07%) possui apenas o “primeiro grau incompleto”. Estão nessa condição 44,4 milhões de detentores de título de eleitor.

Nesse universo, escassos 20,3 milhões dizem saber ler e escrever. Há, de resto, 10,1 milhões de eleitores que concluíram o primeiro grau.

Segundo grau: Somam 23,6 milhões (18,10% do total) os eleitores que têm o segundo grau incompleto. Outros 15,8 milhões (12,10%) concluíram esse estágio.

 

Fazendo-se um corte por gênero nos dados levados aos arquivos do TSE, verifica-se que cresceu o índice que mede o eleitorado feminino.

 

Elas já somam 51,8% do total de eleitores. Vai-se consolidando a maioria absoluta de mulheres detectada em levantamento de 2000, ano em que as eleitoras somavam 50,48%.

Escrito por Josias de Souza às 17h16

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Advocacia do Planalto defende um ‘suspeito’ da PF

Advocacia do Planalto defende um ‘suspeito’ da PF

  Elza Fiúza/ABr
Tramitam na Justiça Federal de Brasília dois processos de virar a cabeça do contribuinte brasileiro.

 

Um deles corre na 12ª vara da Capital. O outro, na 7ª vara.

 

No primeiro, a Polícia Federal acusa um personagem chamado Sílvio Iung (na foto) de corrupção.

 

No outro, advogados do Planalto tentam provar que Iung é um homem honesto.

 

Sílvio Iung ocupava, até quatro meses atrás, a cadeira de presidente do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social).

 

Trata-se de um colegiado que pende do organograma do ministério da Ação Social. Regula o funcionamento das cerca de 10 mil entidades filantrópicas do país.

 

O CNAS foi varejado por uma investigação da PF, acompanhada pelo Ministério Público. Apuração de quatro anos. Que desaguou na Operação Fariseu, deflagrada em março.

 

Pilhado em diálogos comprometedores, captados por meio de escutas telefônicas, Sílvio Iung viu-se compelido a pedir licença da presidência do CNAS.

 

Não volta mais. Na terça-feira (8) da semana passada, ele foi substituído pela servidora Valdete de Barros Martins, do ministério da Ação Social.

 

Entre as prioridades de Valdete está justamente a correção de malfeitorias detectadas pela PF na gestão do antecessor Silvio Iung.

 

As suspeitas foram detalhadas aqui no blog, em reportagens veiculada na madrugada de domingo (13) para segunda (14). Leia aqui e aqui.

 

Silvio Iung é acusado de ter participado de um conluio que facilitou a concessão de certificados de filantropia a falsas entidades filantrópicas.

 

Como essas entidades desfrutam do benefício da isenção tributária, estima-se que o malfeito tenha produzido um prejuízo de mais de R$ 2 bilhões ao erário.

 

Daí a ação judicial protocolada na 12ª Vara Federal de Brasília. No outro processo, uma ação popular que corre na 7ª Vara, Iung também figura no pólo passivo.

 

Sob sua presidência, o CNAS concedeu, supostamente de forma irregular, um certificado filantrópico à Fieo (Fundação Instituto de Ensino para Osasco).

 

Um advogado de Niterói (RJ) sustenta na ação que a instituição de ensino não destina 20% de sua receita bruta ao atendimento de alunos pobres, como exige a lei.

 

Afirma, de resto, que a escola remunera seus diretores. Algo que a lei veda a entidades consideradas filantrópicas.

 

Instado a se pronunciar acerca do mérito da ação popular, o Ministério Público pôs-se do lado do autor da petição, contra o CNAS e seu ex-presidente Sílvio Iung.

 

Coube ao procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado falar em nome do Ministério Público. Ele integra uma força tarefa que acompanha a apuração dos ilícitos detectados no CNAS.

 

O procurador Pedro levou aos autos da 7ª Vara um arrazoado de 34 folhas. No texto, advoga a continuidade da ação e estranha que a AGU (Advocacia Geral da União) tenha abraçado a defesa de Sílvio Iung, investigado no outro processo, aquele em que a PF o acusa de corrupção.

 

Diz o procurador Pedro Machado: “...Se afasta da lógica o fato de a AGU estar a defender a União do ‘risco’ de ser ressarcida de dano causado por ato ilícito do conselheiro do CNAS, réu nesta ação.”

 

Ele acrescenta: “Ora, o co-réu Sílvio Iung é suspeito de atos ilícitos que teriam resultado em dano vultoso ao erário...”

 

“...Está sendo investigado pela PF, que apura vários crimes que, em tese, teriam ocorrido no CNAS...”

 

Crimes como “...formação de quadrilha ou bando, advocacia administrativa e corrupção ativa/passica.”

 

Depois de reproduzir no seu texto um conjunto de diálogos comprometedores de Sílvio Iung, captados nos grampos da PF, o procurador “convida” a AGU, órgão que pende do organograma da Presidência, a “rever o seu posicionamento”, aderindo ao pólo ativo da causa, o córner dos acusadores.

 

Para realçar a incongruência da defesa que a advocacia do governo provê a Silvio Iung, o procurador lembra que o personagem nem mesmo é funcionário público.

 

Integram o CNAS 18 conselheiros –metade representa o governo; a outra metade é indicada por entidades filantrópicas.

 

Silvio Iung foi ao conselho por indicação da ISAEC (Instituição Sinodal de Assistência, Educação e Cultura). Uma entidade que controla rede de escolas ligada à Igreja Luterana.

 

Além dele, é réu na ação popular um outro ex-conselheiro do CNAS: Misael Lima Barreto. Foi o relator do processo que certificou a escola de Osasco como filantrópica.

 

Misael também encontra-se sob investigação da PF. Mas defende-se no processo com advogado próprio. É só no caso de Silvio Iung que o contribuinte é submetido à dicotomia de financiar, ao mesmo tempo, a investigação em que a PF o acusa de corrupção e a defesa em que a AGU esforça-se para provar que ele é honesto.

Escrito por Josias de Souza às 04h29

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Gilmar: Tarso é incompetente para opinar sobre caso Dantas

 

- Folha: Presidente do STF rebate Tarso Genro

 

- Estadão: Presidente do STF propõe nova lei contra abuso de poder

 

- JB: Favela impõe regra para a campanha

 

- Correio: PF monta ação contra vigias clandestinos no DF

 

- Valor: CVM restringe ação da S.A. com sede em paraíso fiscal

 

- Gazeta Mercantil: Agronegócio entra em crise de mão-de-obra no Paraná

 

- Estado de Minas: Motos demais

 

- Jornal do Commercio: Servidor agrava crise na Saúde

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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Cana fixa e rotativa!

Orlandeli
 

PS.: Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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A portas fechadas, Lula critica os ‘excessos’ da PF

  Fábio Pozzebom/ABr
Lula fez, em diálogos privados, críticas acerbas aos métodos usados pela Polícia Federal na Operação Satiagraha.

 

Abespinhou-se especialmente com dois aspectos: o “abuso” no uso das algemas e “o vazamento” para a imprensa de peças sigilosas do inquérito.

 

Considerou “falha grave” também o fato de a PF ter facultado a uma equipe da TV Globo a filmagem das cenas de prisão de alguns dos envolvidos.

 

Na semana passada, quando Gilmar Mendes, presidente do STF, queixara-se da “espetacularização” da ação da PF, Lula encontrava-se no exterior.

 

Embora informado acerca das reações à Satiagraha, ele evitou pronunciar críticas à polícia a céu aberto. Chegou mesmo a elogiar a atuação da PF.

 

De volta ao Brasil, porém, Lula pôs-se a fazer reparos. Reclamou, por exemplo, da tentativa de arrastar o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, para o centro do escândalo.

 

Algo que o fez recomendar a unificação do discurso oficial em defesa do auxiliar. Lula revela-se inconformado com o envolvimento do ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh com Daniel Dantas.

 

Reclamou do telefonema que Greenhalgh fez para Carvalho. Uma insensatez, afirma. Pediu cuidado no contato com "amigos" que buscam auxílio nos escaninhos do governo.

 

Mas, curiosamente, esquivou-se de fazer reparos ao comportamento de Carvalho, o auxiliar direto que se prontificou a buscar no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) as informações que o companheiro petista lhe solicitara.  

 

Lula repetiu os reparos à atuação da PF em reunião do grupo de coordenação política do governo, nesta segunda-feira (14). Referiu-se às algemas e aos vazamentos.

 

Presente ao encontro, o ministro Tarso Genro (Justiça), superior hierárquico da PF, ouviu os queixumes do presidente.

 

Quando lhe coube falar, Tarso fez um resumo positivo do inquérito e da operação que levou para trás das grades Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta e outros 15 personagens.

 

Segundo relato recolhido pelo repórter com um dos participantes da reunião do Planalto, Tarso considerou que os “deslizes” da PF não chegam a tisnar o êxito da investigação.

 

Dos 18 presos –incluindo Humberto Brás, o preposto de Daniel Dantas que se entregou no último domingo (13), só dois permanecem em cana.

 

Todos os demais alcançaram o meio-fio, beneficiados por alvarás de soltura expedidos por Gilmar Mendes, o presidente do STF.

 

A pinimba de Lula com os métodos da PF vem de longe. Tornaram-se agudas em maio do ano passado. Nas pegadas da Operação Navalha. Aquela que lancetou o tumor nascido das malfeitorias da empreiteira Gautama.

 

Homem de boas relações políticas, Zuleido Veras, o dono da construtora, encontrou em políticos do consórcio governista defensores aplicados.

 

Não ousaram pretextar a inocência do amigo, mas sentiram-se à vontade para vociferar contra a “truculência” da PF.

 

Gilmar Mendes, que também naquela época, ordenara a libertação de parte dos 48 detidos, foi alvejado por uma infâmia.

 

Aproveitando-se da presença de um homônimo de Gilmar nas páginas do inquérito, investigadores da PF espalharam a versão de que o ministro recebera mimos da Gautama.

 

“É canalhice”, Gilmar ergueu a voz. Bateu mais forte, tachando de “fascistas” os métodos da PF.

 

Incomodado com a facilidade com que vazaram do inquérito da Navalha informações comprometedoras contra Silas Rondeau, à época seu ministro das Minas e Energia, Lula associou-se aos críticos.

 

Numa reunião do conselho político, o presidente chegou a encomendar providências saneadoras. Mas Tarso Genro atribuiria os vazamentos a advogados que tiveram acesso aos autos.

 

Sobreveio a Operação Xeque Mate. Dessa vez, os grampos telefônicos da PF estabeleceram um vínculo entre um irmão de Lula e dois personagens.

 

Eram Nilton Servo e Dario Morelli. Este último, compadre de Lula. Nos grampos vazados, a dupla jactava-se de ter repassado R$ 15 mil a Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho de Lula.

 

Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado". Numa das conversas, o irmão de Lula fazia um apelo constrangedor: "Ô, arruma dois pau pra eu?"

 

Lula ficou incomodado com a exposição deletéria do irmão. Quando o inquérito chegou à fase da denúncia, o nome de Vavá foi excluído.

 

Verificou-se que, embora fosse um personagem “para ser usado”, não havia provas de que Vavá houvesse conseguido se valer de seu parentesco para abrir portas no governo.

 

Vem daí o nariz virado de Lula com a “espetacularização” de que fala Gilmar Mendes.

 

A propósito, o presidente recomendou aos auxiliares que evitem meter o bedelho na polêmica do prende-e-solta que rói as relações do presidente do STF com procuradores e juízes.

 

Para Lula, essa é uma briga do Judiciário. Não vê razões para que o governo se envolva na quizila.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Veja como DD tentou 'corromper' um delegado da PF

PS.: Leia mais aqui.

Escrito por Josias de Souza às 22h48

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Pendenga judicial ganha ares de crise institucional

  Leo Caobelli/Folha
Aos pouquinhos, vai ganhando ares de crise institucional a pendenga que opõe o presidente do STF, Gilmar Mendes, a juízes e procuradores.

 

A coisa ficara mal parada depois que Gilmar mandara soltar Daniel Dantas. Foi de mal a pior quando o banqueiro foi solto pela segunda vez.

 

E evoluiu de pior a muito pior quando se soube que Gilmar remetera o despacho do juiz Fausto de Sanctis, que mandara prender DD, ao Conselho de Justiça.

 

Nesta segunda-feira (14), soube-se que os procuradores da República tramam protocolar um pedido formal de impeachment do presidente do Supremo.

 

Para complicar, em manifestação de apoio ao juiz De Sanctis, com a presença dele (foto), magistrados de primeiro grau realizaram uma manifestação, em São Paulo. No ato, divulgaram um manifesto.

 

Documento representativo e ponderada. Traz a assinatura de mais de 400 juízes. Os signatários delimitam as fronteiras do gesto:

 

“Deve ficar bem claro que não estamos discutindo o mérito de nenhuma decisão judicial, mas sim a determinação do ministro presidente do STF de encaminhar cópias [dos despachos de De Sanctis] para órgãos correicionais...”

 

Na seqüência, o manifesto vai ao ponto: “Não podemos concordar com o ataque desferido contra a independência funcional que representa a abertura de procedimento investigatório a partir do próprio conteúdo de uma decisão judicial...”

 

“...Corregedoria, Conselho da Justiça Federal e Conselho Nacional de Justiça existem para apurar desvio de conduta de magistrado, não para investigar o que o juiz decide ou deixa de decidir. Sua liberdade decisória está no centro do sistema democrático.”

 

De passagem por São Paulo, Gilmar Mendes foi assediado pelos microfones. Primeiro, rebateu Tarso Genro.

 

No sábado, o ministro da Justiça criticara (por vias oblíquas, para usar vocábulo bem ao gosto de Gilmar Mendes) a decisão de soltar DD. Alertara para o risco de fuga do suspeito.

 

E Gilmar: "Eu não tenho nenhum conhecimento da crítica do ministro a respeito. E ele não tem competência para opinar sobre o assunto."

 

Sobre a hipótese de um pedido de impeachment: "Não tem nenhum cabimento Eu compreendo que os procuradores fiquem contrariados com a eventual frustração de algum resultado de seu trabalho. Mas...”

 

“...Mas isso não justifica nenhuma outra medida. Eu não tenho nenhum medo desse tipo de ameaça e retaliação."

 

E quanto aos juízes insurretos? "Não é natural que haja isso, até porque temos uma estrutura hierarquizada de Justiça. Mas...”

 

“Mas se houver, nós temos os mecanismos conhecidos da reclamação e da própria ação de habeas corpus."

 

Bons tempos aqueles em que os juízes de todas as instâncias só falavam nos autos. Seja como for, soa mesmo despropositada a idéia de impor qualquer tipo de punição ao juiz Fausto de Sanctis.

 

Assim como cobra reverência à decisão do STF, Gilmar Mendes bem poderia respeitar a independência funcional que a Constituição confere ao magistrado De Sanctis.

 

A coisa tende, porém, a serenar. Na opinião do ministro Nelson Jobim (Defesa), ex-presidente do STF, unha e cutícula com Gilmar, tudo não passa de intriga da mídia. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 20h42

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Chefe de gabinete de Lula solta nota sobre grampo

  José Cruz/ABr
Pilhado num grampo telefônico em diálogo suspeito com o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, Gilberto Carvalho viu-se compelido a se explicar.

 

Carvalho é chefe de gabinete de Lula. Greenhalgh, que, no passado, ganhara notoriedade defendendo presos políticos, hoje é um advogado a soldo do Opportunity.

 

O telefonema bisbilhotado em 29 de maio, segundo a PF; 28 de maio, de acordo com a versão do assessor de Lula, divulgada por meio de uma nota.

 

Nos documentos levados ao processo da Operação Satiagraha, a PF anota que os serviços prestados por Greenhalgh ao grupo de Daniel Dantas não eram advocatícios.

 

Para isso, sustenta a PF, Daniel Dantas “se serve dos advogados das empresas do grupo.” A Greenhalgh caberia, na visão da polícia, fazer...

 

“...A ligação entre pessoas do Executivo federal, empresas estatais (BNDES) e o D. Dantas para satisfação dos interesses financeiros mútuos e pessoais."

 

Uma tarefa para a qual, acha a PF, o ex-deputado era mais do que qualificado: "Luiz Greenhalgh, vulgo Gomes, é pessoa muito próxima ao (...) Gilberto Carvalho e à ministra Dilma Roussef."

 

No telefonema a Carvalho, Greenhalgh buscava informações acerca do cerco que a Abin armara em torno de Humberto Brás.

 

Brás é aquele preposta de Daniel Dantas que participou da tentativa de subornar um delegado (R$ 1 milhão), para arrancar do inquérito o nome do banqueiro e Cia.

 

Acionado, Carvalho foi ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, a repartição de cujo organograma pende a Abin. Depois, respondeu a Greenhalgh:

 

Gilberto: Luiz?
Greenhalgh: Oi...
Gilberto: O general [Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional] me deu o retorno agora... É o seguinte: não há nenhuma pessoa designada na Presidência... na Abin...com esse nome, a placa do carro não existe é fria, tá? Eles aqui acham que a única alternativa é que tenha sido caso de falsificarem documento... eles não consideram possível que seja da Abin, eu não falei com o Luiz Fernando ainda, mas não tem jeito... a polícia federal não usa a PM, eles não se misturam de jeito nenhum, ta? Então, eu acho que o mais provável é que o cara tava armando mesmo alguma coisa... Mas com documento falso que também no Rio é muito comum, porque daqui não tem, eu pedi, insisti, fiz com o máximo cuidado tal.
Greenhalgh: Deixa eu te falar uma coisa. Tá ouvindo o grito da menina?
Gilberto: O grito da vida.
Greenhalgh: Isso é o grito da vida realmente, linda, mas deixa eu te falar: seria bom dar um toque no Luiz Fernando [diretor-geral da PF] também hein!
Gilberto: Eu vou dá, eu vou dá, amanhã cedo eu tenho que falar com ele vou levantar isso dai também.
Greenhalgh: Tem um delegado chamado Protógenes Queiroz [responsável pela Operação Satiagraha] que parece que é um cara meio descontrolado.
Gilberto: Ele tá onde, o Protogenes, agora?
Greenhalgh: Aí, tá aí em Brasília.
Gilberto: Ah aqui em Brasília.
Greenhalgh: É o que saiu na Folha na matéria da Andréa Michael. Mas eu tô indo amanhã pra reunião do diretório.
Gilberto: Eu te vejo lá, eu tô indo no diretório também.
Greenhalgh: Legal...
(...)
Gilberto: Tá. Eu vejo você lá.
Greenhalgh: Grande abraço.
Gilberto: Valeu Luiz...
Greenhalgh: Obrigado.

 

No diálogo grampeado, como se vê, Carvalho comprometera-se a buscar informações adicionais com Luiz Fernando, o mandachuva da PF. Na nota, ele diz coisa diferente.

 

"Não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades."

 

De resto, delineia com traços mais precisos o quadro que pintara no diálogo com o companheiro Greenhalgh.

 

O sujeito que seguia Humberto Brás, no Rio, era um tenente da PM de Minas. Estava, de fato, a serviço da Abin. Eis o que informa agora o auxiliar de Lula:  

 

"Fui informado de que o referido tenente estava credenciado pelo GSI [Gabinete de Segurança Institucional], mas...”

 

“Mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao dr. Greenhalgh, que na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal."

 

Tudo muito confuso, como se vê. De certo apenas o seguinte:

 

1. O delegado Protógenes serviu-se da Abin como força auxiliar da investigação que conduz;

 

2. É notável a capacidade de Daniel Dantas de atrair para o seu lado as pessoas aptas a virar as maçanetas necessárias.

Escrito por Josias de Souza às 19h38

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