Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Repórter decreta auto-recesso e vai à pré-campanha

Repórter decreta auto-recesso e vai à pré-campanha

Hazir Reka/Reuters
 

 

Uma leitora pergunta ao signatário do blog por que não disputa a presidência da República. Grafomaníca, ela é insistente.

 

Não passa um dia sem que envie um e-mail. Às vezes dois. Assina-os assim: Ana Mabel. Às vezes modifica o sobrenome: Má...Bel.

 

Tem português escorreito. Dedica-se a espinafra o repórter. Contesta-o com pertinácia inaudita. Encerra as mensagens com um arremate invariável:

 

“Dentro de um jornalista tão cheio de opiniões deve haver um presidente da República adormecido...”

 

“...Duvido que, nos seus instantes de reclusão, à frente do espelho, não se imagine dentro dos sapatos do primeiro mandatário. Vá à luta!” O repórter topou o desafio.

 

Vai aproveitar o benefício das férias –concessão da era Vargas que extinguirá depois de eleito—, para preparar o lançamento oficial da candidatura ao Planalto.

 

Percebeu que se trata de um reclamo nacional. Pelo menos na caixa de e-mails e no seio da família.

 

Primeiro, a filiação partidária. Avesso às legendas disponíveis, optou por fundar uma nova agremiação: PP do B. “Partido da Praia (mais) Bela”.

 

Nome sonoro. Luminoso como o PSOL. E igualmente extremista. É a favor da cerveja extremamente gelada e do bolinho de bacalhau extraordinariamente quente.

 

Ao planejar o contato inaugural com as bases, o repórter pensou numa viagem ao estrangeiro. O risco de rejeição seria menor.

 

Mas, para evitar que os rivais o chamem de covarde, optou por uma beira de mar nacional. Deixará o périplo internacional para janeiro de 2011.

 

Já se vê a bordo de um Aerolula rebatizado de Aerosouza. Espaço generoso para as pernas. Cardápio variado. A garrafa de vinho à disposição.

 

Antes de tomar o rumo da praia, o repórter vai ao banco. É preciso cobrir o saldo negativo. Mixaria: R$ 94,15. Mas não se deve dar adversários munição para contestar-lhe as contas.

 

Quando chegar ao destino, entre uma consulta ao camarão e um contato com a lagosta, vai elaborar a lista de ministeriáveis.

 

Por ora, só uma decisão: o Mantega fica na Fazenda. Nada mais prazeroso para um presidente recém-empossado do que poder demitir o Mantega. De chofre.

 

Para vice, Ana, a leitora dos e-mails corrosivos. Nome curto. Palíndromo. Pode ser lido de trás para diante. Vem do hebraico.

 

Daí a grafia Hannah. Como em Hannah Arendt. Significa “cheia de graça”. Tem tudo para emplacar.

 

Por precaução, o repórter vai decorar o improviso com que recusará, em caráter definitivo, sua indicação pelo PP do B.

 

Suponha que o Serra, o Aécio, o Ciro e a Dilma não abram mão da vice. Não restará senão a alternativa de retomar, em duas semanas, a velha rotina do blog.

 

Para desassossego de Má...Bel.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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São Lula X dragão!

Angeli
 

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 00h34

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Briga jurídica põe em risco fundo de apoio à infância

Briga jurídica põe em risco fundo de apoio à infância

Sam Dean/AP
 

 

Pouca gente sabe de sua existência. Chama-se FIA. Significa “Fundo para a Infância e Adolescência”.

 

Destina-se ao financiamento de entidades que se ocupam de dar amparo à infância desassistida. Entidades governamentais e do chamado terceiro setor.

 

Previsto no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), o FIA é abastecido com verbas públicas e doações de pessoas físicas e jurídicas. Há FIAs nos Estados e nos municípios.

 

O grosso do dinheiro vem das empresas, que abatem as doações do Imposto de Renda, até o limite de 6%. A coisa parecia decolar quando sobreveio um impasse.

 

Confusão que envolve três atores: as empresas doadoras, os conselhos estaduais e municipais dos direitos da infância e o Ministério Público.

 

Há um quarto personagem, coadjuvante: as crianças. São elas, por ora, as principais vítimas da refrega.

 

Vai abaixo um resumo da encrenca, levantada pela Andi (Agência de Notícias dos Direitos da infância):

 

 

1. O impasse: as empresas que se dispõem a doar dinheiro para o FIA –entre elas a Petrobras e a Telefônica— reivindicam o direito de escolher as entidades beneficiadas.

 

Integrantes do Ministério Público torcem o nariz para esse procedimento, que chamam de “doação vinculada”. Afirmam que a verba deve compor um caixa único do FIA.

 

A definição das entidades a serem aquinhoadas com os recursos seria prerrogativa exclusiva e intransferível dos conselhos estaduais e municipais.

 

 

2. Contra-argumento: as empresas alegam que já se submetem às regras. Só destinam verbas a entidades devidamente cadastradas pelos conselhos.

 

Apenas não abrem mão de definir, entre todas credenciadas a receber, aquelas que julgam merecedoras de suas doações.

 

 

3. Resultado prático: No Rio de Janeiro, Estado em que a pressão do Ministério Público é mais candente, as doações para o FIA são infinitamente menores do que as realizadas em São Paulo.

 

O FIA gerido pelo município do Rio amealhou em 2007 R$ 332,8 mil. O de São Paulo obteve uma cifra 120 vezes maior: $ 40 milhões.

 

O FIA submetido ao conselho estadual do Rio granjeou doações de R$ 584,2 mil. O de São Paulo, R$ 6 milhões.

 

Deve-se a um decreto editado pela prefeitura de São Paulo em 2005 a robustez do fundo municipal. O documento autorizou a “doação vinculada”, como querem as empresas.

 

O resultado foi estupendo. Antes do decreto, a arrecadação média do FIA paulistano era de R$ 2,5 milhões por ano. Depois dele, a coisa deu um salto.

 

Coletaram-se R$ 12 milhões em 2005, R$ 22 milhões em 2006, e, no ano passado, os notáveis R$ 40 milhões.

 

 

A despeito das evidências, o Ministério Público bate o pé. Ouça-se, por exemplo, o que diz a promotora do Rio de Janeiro Leila Machado Costa:

 

"As pessoas falam que não confiam no que o conselho vai fazer com o dinheiro. Isso é um absurdo..."

 

"...Essa discussão passa pela credibilidade das instituições. O que precisa é fortalecer os conselhos e cobrar transparência de suas ações..."

 

"...O empresário diz que quer saber onde o dinheiro vai ser aplicado, assim como todos nós queremos. Isso se faz através de prestação de contas."

 

Janice Dias, gerente de Programas Sociais da Petrobras, rebate. Diz que a “doação vinculada” respeita a legislação e não enfraquece os conselhos:

 

"Quem escolhe o projeto é o conselho, não somos nós", afirma Janice. Só em 2007, a Petrobras doou R$ 40,3 milhões a entidades credenciadas em 195 FIAs municipais e estaduais de todo país.

 

No Rio, mercê da renitência do Ministério Público, as doações da Petrobrás caíram de R$ 4,8 milhões, valor de 2006, para R$ 3,3 milhões em 2007.

 

Sérgio Mindlin, diretor-presidente de outro grande doador, a Fundação Telefônica, vaticina: "O que achamos é que se esse problema progredir, as empresas vão parar de doar dinheiro...”

 

“...As empresas não confiam que o dinheiro colocado no fundo sem nenhuma destinação específica será bem aplicado."

 

A encrenca chegou a Brasília. Tornou-se objetivo de discussão do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança), vinculado ao ministério da Justiça.

 

Cogita-se a edição de um decreto do governo federal. Que viria para pôr ordem na bagunça.

 

Resta saber se o Ministério Público irá sossegar caso o decreto confirme a prerrogativa das empresas de dizer onde desejam ver aplicado o dinheiro de suas doações.

Escrito por Josias de Souza às 00h24

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Horário político anti-eleitoral de Geraldo Alckmin

Escrito por Josias de Souza às 22h32

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Horário político anti-eleitoral de Marta Suplicy

Escrito por Josias de Souza às 22h31

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Horário político anti-eleitoral da Gilberto Kassab

Escrito por Josias de Souza às 22h31

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Arma-se no Senado a guerra do bigode contra a calva

 

A lista é maior. Mas são dois os candidatos não-declarados à presidência do Senado que importam. Por ordem alfabética: José Sarney, o bigode; e Tião Viana, a calva.

 

Um personagem que costuma rodar a maçaneta da sala de Lula sem prévio anúncio avisa:

 

“É a grande batalha legislativa do final de 2008 e início de 2009. Um teste para a capacidade do PMDB e do PT de prolongar a coabitação sob o mesmo teto.”

 

A eleição será em fevereiro do ano que vem. Prevê-se que as adagas serão desembainhadas em novembro. Lula insinua, nos subterrâneos, que perfilará do lado do bigode.

Escrito por Josias de Souza às 22h02

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Prado abre janela para modernidade de Cy Twombly

Prado abre janela para modernidade de Cy Twombly

Cy Twombly
 

 

Templo de Goyas, Velázquez e El Grecos, o Museu do Prado, uma das grandes casas de arte do mundo, decidiu abrir uma janela para a modernidade.

 

Pendurou numa de suas salas, doze grandes telas do artista norte-americano Cy Twombly. Ali permanecerão por três meses, até 28 de setembro.

 

Os quadros contêm a visão do autor sobre a célebre batalha de Lepanto. Foi o maior combate do século 16. Deu-se em 1571. As galés da uma “Liga Cristã” prevaleceram sobre o exército Otomano, em Lepanto, na Grécia.

 

É programa recomendável para quem vai a Madri. Para os que não vão, há um consolo. O Prado levou à rede um vídeo com as peças de Twombly. Está disponível aqui.

 

PS.: Há mais de Twombly na Tate Modern, de Londres.

Escrito por Josias de Souza às 20h11

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Cresce risco de Câmara deixar CSS para 2º semestre

Parte dos líderes que apóiam o governo na Câmara se desinteressou da CSS. Em conversa com o blog, dois deles disseram que a proposta pode ir à geladeira.

Acham que a votação a toque de caixa já não se justifica. Por três razões:

 

1. Lula não demonstra o mínimo interesse pela matéria. Nem em público nem privadamente;

 

2. São exíguas as chances de a recriação da CPMF passar no Senado. Os deputados arrostariam o desgaste de ressuscitar a contribuição defunta inutilmente;

 

3. O próprio líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), joga no time da barriga, que deseja empurrar a encrenca para depois das eleições de outubro.

 

Para que seja considerado aprovado pelos deputados, o projeto que traz a CSS pendurada no texto depende da votação de um artigo.

 

Não é um artigo qualquer. Trata-se de um “destaque” de autoria do DEM. O partido pede que seja suprimida da proposta a parte que estabelece a base de cálculo da CSS.

 

Na prática, impede a cobrança do novo tributo caso venha a ser aprovado. Sem a base de cálculo, a CSS, já aprovada, se tornaria um apêndice inócuo.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), dissera que pretendia concluir rapidamente a análise do projeto. Já deu, porém, meia-volta.

 

Para prevalecer sobre a oposição, o governo precisa de quorum alto. Algo que terá dificuldades de obter nas próximas semanas.

 

Até 18 de julho, quando entra em recesso, o Congresso sofrerá um processo de esvaziamento contínuo.

 

Primeiro, as festas juninas e as convenções municipais. Depois, o início das campanhas para prefeito. Há cerca de 140 deputados-candidatos.

 

Há, de resto, outro complicador: chegam ao plenário da Câmara uma medida provisória e um projeto de lei que traz o selo da urgência.

 

São matérias que, pela lei e pelo regimento, têm preferência na fila de votação. Terão de ser analisadas antes da CSS.

 

Entusiasta da nova contribuição para a Saúde, o próprio líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), reconhece que a coisa pode demorar mais do que desejaria.

 

Fala em “duas semanas”. A julgar pelo que disseram ao repórter os outros dois líderes governistas, Fontana é demasiadamente otimista.

 

Falam em reserva, para não se indispor com o amigo.

Escrito por Josias de Souza às 18h55

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Concreto armado!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h52

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As manchetes deste sábado

 

- JB: TRF: Exército continua na Providência

- Folha: Operação da PF em 7 Estados investiga deputados e prefeitos

- Estadão: Quadrilha desviava dinheiro do PAC em 7 Estados

- Correio: Fraude milionária em obras do PAC

- Gazeta Mercantil: PF prende executivos da Agrenco

- Valor: Multis se unem na Europa contra biocombustíveis

Escrito por Josias de Souza às 04h48

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Da polícia, a guerra da CNA migra para as manchetes

‘Veja’ diz que entidade pagou gasto eleitoral de senadora

  Veja/Reprodução

 

Conforme noticiado aqui, a disputa pelo comando da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) aportou, nesta sexta-feira (20), numa delegacia de polícia de Brasília.

 

Candidata à presidência da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) diz que seu correio eletrônico foi violado. Em privado, acusa o rival Fábio Meirelles.

 

Atual presidente da CNA, Meirelles é candidato à reeleição. Está em desvantagem na disputa. Dos 27 votos em disputa, dispõe de seis.

 

O troco de Meirelles veio nas páginas da última edição de Veja, levada à internet na madrugada deste sábado (21).

 

Assinada pelo repórter Diego Escosteguy, a reportagem (só para assinantes) traz o seguinte título: “Tem boi na linha”.

 

O subtítulo anota: “Surgem evidências de que a CNA bancou a campanha eleitoral da senadora Kátia Abreu.”

 

A revista teve acesso a documentos internos da CNA. “Apontam fortes evidências de que a entidade bancou ilegalmente despesas da campanha” de Kátia Abreu, diz o texto.

 

Deu-se na campanha de 2006, que levou a representante do Estado de Tocantins ao Senado. Envolve dispêndios de R$ 650 mil.

 

O dinheiro migrou, segundo Veja, das arcas da CNA para a caixa registradora da Agência Talento, a mesma que assinou as peças publicitárias da campanha de Kátia.

 

A agência emitiu duas notas. Uma de R$ 350 mil. Outra de R$ 300 mil. No corpo dos documentos, descreve assim os serviços supostamente prestados à entidade:

 

“Produção de peças para a campanha de estímulo do voto consciente do produtor rural nas eleições 2006”.

 

“O problema é que, dentro ou fora da CNA, não há vestígio da tal campanha de ‘voto consciente’, informa Veja.

 

Fábio Meirelles, o rival da senadora na CNA, afirmou: "Abrimos uma investigação para descobrir por que os pagamentos foram feitos". Prometeu resposta para 15 dias.

 

Dono da agência Talento, o publicitário César Carneiro assegura que os serviços foram prestados. Mas diz não ter guardado cópias das peças.

 

Quanto à campanha de Kátia Abreu, o marqueteiro disse à revista que trabalhou de graça: "Ela não me pagou e eu nunca cobrei. Foi um bônus".

 

Kátia Abreu disse coisa diferente a Veja: "Quem pagou os serviços da Talento foi a minha campanha ou o comitê do partido no estado".

 

O repórter foi à prestação de contas levada pelo DEM à Justiça Eleitoral. Não encontrou nenhum vestígio de pagamento à agência Talento.

 

A senadora assegurou a Veja que a campanha da CNA de “estímulo do voto consciente do produtor rural” foi feita.

 

Foi organizada, segundo ela, por Antônio de Salvo, que presidia a CNA em 2006. Diz ter feito a intermediação com o dono da agência Talento. Mas...

 

...Mas a campanha, segundo Kátia Abreu, acabou não sendo veiculada. Por que? "É que, com a morte do antigo presidente, perdeu-se o clima, o interesse", diz a senadora.

 

Como se vê, vai longe a guerra da CNA. Uma confederação que dispõe de orçamento anual de cerca de R$ 180 milhões. Dinheiro recolhido compulsoriamente de 1,7 milhão de produtores agrícolas em atividade no país.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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Eleição interna da CNA vira crise e chega à polícia

  Fábio Pozzebom/ABr
A disputa pela presidência da CNA (Confederação Nacional de Agricultura) foi parar na delegacia de polícia.

A entidade máxima dos produtores rurais brasileiros está em pé de guerra. Uma guerra que opõe dois grupos.

 

Nesta sexta-feira (20), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), candidata à presidência da CNA, protocolou na Polícia Civil de Brasília uma representação.

 

Ela sustenta que o seu correio eletrônico privativo foi “violado”. Está convencido de que foi vítima de crime de “violação de privacidade e de correspondência”.

 

Embora não o cite na representação, a senadora aponta na direção de Fábio Meirelles, atual presidente da CNA, que disputa a reeleição.

 

Em diálogos reservados que manteve com seus pares na CNA, Kátia Abreu atribui a Meirelles a “invasão” de sua caixa de e-mail. Há mais.

 

Segundo apurou o blog, a senadora acusa o oponente, a portas fechadas, de vasculhar nos arquivos da CNA documentos para usar no que chama de “campanha suja”.

 

A própria Kátia Abreu e outros dirigentes da CNA abordaram Fábio Merielles sobre o tema. Foi uma conversa tensa. Meirelles negou as acusações.

 

A representação da senadora foi recebida pelo delegado Érico Vinicius Mendes. É diretor-adjunto da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado da polícia de Brasília.

 

De resto, à revelia de Meirelles, três diretores da CNA bloquearam o sistema de computação da entidade e mandaram lacrar a sala de controle do Centro de Processamento de Dados.

 

Justificaram o gesto com o argumento de que é preciso evitar que seja apagado o rastro da suposta “violação” do computador de Kátia Abreu.

 

Assinam a decisão: a própria Kátia, que ocupa na CNA a função de “vice-presidente de secretaria”; Renato Simplício, primeiro vice-presidente, e Pio Guerra, diretor-executivo.

 

A crise trouxe a Brasília, nesta sexta-feira, 13 dos 27 presidentes de federações estaduais da CNA. Decidiram convocar para a próxima segunda (23) uma reunião de emergência do conselho da entidade.

 

Vai à mesa a proposta de contratar a empresa de auditoria Price Waterhouse, para inspecionar o sistema informatizado da CNA.

 

Instado a assinar a autorização para que a Price fosse contratada, Fábio Meirelles esquivou-se a fazê-lo. Daí a convocação do conselho.

 

Na origem da controvérsia está uma carta de apoio de seis presidentes de federações de agricultura em apoio à candidatura de Kátia Abreu, contra Meirelles.

 

O texto foi elaborado no dia 9 de junho, em Salvador (BA). No mesmo dia, a convite da federação baiana de agricultura, Kátia Abreu fez uma palestra na cidade.

 

Foi informada sobre a carta, mas como faltava uma assinatura, só recebeu o texto dias depois, por e-mail. É esse documento que a senadora diz ter sido extraído clandestinamente de sua caixa de correio.

 

Um dos signatários da carta contou à senadora ter sido procurado por emissário de Meirelles para instá-lo a retirar a assinatura do texto.

 

De resto, passaram a circular a informação de que Kátia Abreu estaria se servindo da estrutura da CNA para fazer sua campanha.

 

A senadora subiu nas tamancas. E decidiu levar o caso da “invasão” de seu e-mail à polícia. O que levará à praça pública uma refrega que, até aqui, vinha sendo travada longe da platéia alheia ao agronegócio.

 

A eleição para a presidência da CNA só vai ocorrer em novembro. Serão mais cinco meses de guerra. Uma guerra que era fria. Mas que começa a esquentar.

Escrito por Josias de Souza às 21h51

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TRF cassa a liminar que retirava Exército do morro

Foi ao lixo a liminar expedida há dois dias pela juíza federal Regina Coeli Medeiros. Aquela que mandava o Exército retirar-se do morro da Providência, no Rio.

 

Cassou-a, a pedido da Advocacia da União, o TRF. Há, porém, uma nuance na decisão do Tribunal Regional Federal.

 

Autor do despacho que anulou a liminar da juíza, o desembargador Castro Aguiar, presidente do TRF, estipulou um prazo de validade para sua decisão.

 

Só vale até a próxima quinta-feira, 26 de junho. Até lá, o governo terá de apresentar uma solução alternativa.

 

Mais: o desembargador circunscreveu a área de atuação do Exército. Só pode agir na rua Barão da Gamboa, onde se realizam as obras de recuperação de casas da favela.

 

Nada de soldados no restante do morro. Nada de confusões com atividades próprias da polícia.

 

Anota o desembargador a certa altura, que o Exército "não poderá alinhar-se em situação de exercício de segurança pública, nem em situação de garantia da lei e da ordem...”

 

“...Resguardada apenas sua atuação meramente administrativa, no restrito âmbito do que requer a consecução do convênio (referente ao projeto Cimento Social) e a segurança do pessoal e do material militares envolvidos".

 

Vai abaixo, por relevante, a íntegra da decisão do magistrado:

 

“A Defensoria Pública da União ingressa com ação civil pública, objetivando a imediata retirada do Exército do Morro da Providência, mantendo-se, contudo, o pessoal técnico-militar (engenheiros, arquitetos etc), sob pena de multa diária de R$10.000,00. Sustenta que o Exército não teria autorização para o exercício da segurança pública.

A Juíza, ao deferir o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, determinou a imediata substituição do Exército pela Força Nacional de Segurança Pública, oficiando a Advocacia Geral da União para imediato cumprimento da decisão. A AGU, por sua vez, postula, perante esta Presidência, a suspensão dos efeitos da referida decisão.

Devo salientar, em primeiro plano, que inúmeras autoridades administrativas federais com poderes decisórios mantiveram contato comigo, observando as dificuldades de cumprimento imediato da decisão, pelas implicações que a questão oferece, e acenam com solução conciliatória perante os interesses envolvidos.

De parte a parte, os argumentos são ponderáveis, de modo que não me é possível simplesmente atentar para um ponto, sem levar em consideração o todo, o conjunto, seja no aspecto administrativo propriamente dito, seja quanto à questão jurídica em si, ou da segurança pública, ou da garantia da lei ou da ordem.

A decisão de primeiro grau, por exemplo, determina a pronta retirada do Exército, mas com a manutenção de todo o pessoal técnico-militar e como que convoca a Força Nacional de Tarefa para atuação na área. Ora, a obra está sendo realizada pelo Exército e não por uma empresa privada e os militares, segundo dito, estariam apenas dando apoio ao trabalho, ali, do Exército.

De qualquer modo, não faz sentido retirar a instituição militar do local, deixando lá seu pessoal (engenheiros, arquitetos etc). Segundo se sabe, são os próprios militares que estão realizando a obra, embora com aproveitamento também de mão de obra do local.

Por outro prisma, o Judiciário não pode, neste caso, exercendo função que não é sua, de caráter administrativo, determinar que atue no local a Força Nacional de Tarefa, ou seja, um programa de cooperação de segurança pública, com diretrizes próprias e comando definido. Com efeito, o Judiciário não pode assumir as funções de administrador, determinando quem vai atuar na segurança do local. Aliás, a Defensoria Pública nem requereu isto, tendo feito referência, corretamente, à Polícia Militar.

Como se vê, a questão é complexa. Não me parece seja possível que se possa determinar, por decisão judicial antecipatória, que a Força Nacional seja acionada para fazer a segurança de pessoal e material das Forças Armadas.

Ora, estando ciente das providências que a Administração Federal já está tomando para solução conciliatória e até que esta se defina nos seus exatos contornos, para nova apreciação, dou efeito suspensivo à decisão ora sob análise, colocando-a nos seguintes termos:

1. a decisão de primeiro grau fica suspensa, até o dia 26 de junho, inclusive, tempo em que a Administração Federal apresentará solução definitiva ao problema;

2. a atuação do Exército no Morro da Providência não poderá alinhar-se em situação de exercício de segurança pública, nem em situação de garantia da lei e da ordem, resguardada apenas sua atuação meramente administrativa, no restrito âmbito do que requer a consecução do convênio e a segurança do pessoal e do material militares envolvidos (Rua Barão da Gamboa, especificamente onde estão sendo realizadas as obras).

Comunique-se. Cumpra-se.


Rio de Janeiro, 20 de junho de 2008.

Joaquim Antônio Castro Aguiar

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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Safadeza no PAC leva PF a prefeituras e Congresso

A Polícia Federal está em crise. Crise de rótulos. São tantas as operações, que já não sabe que nome dar a elas. Inaugurou uma fase zoológica. Ou ornitológica.

 

Os delegados cometeram grave injustiça. Batizaram de João-de-Barro uma mega-operação destinada a desbaratar safadezas de ratazanas contra obras do PAC.

 

Foram às ruas, nesta sexta (20), cerca de 1.000 agentes. Cumprem 231 mandados de busca e apreensão. Caçam 38 suspeitos com prisão decretada.

 

Estão sendo varejadas 119 prefeituras brasileiras. Localizam-se em sete Estados: SP, RJ, ES, RN, MG, GO e TO.

 

Em Brasília, os agentes foram à Câmara. Recolheram papéis e um laptop nos gabinetes de dois deputados: João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG).

 

Apura-se o desvio de verbas repassadas pela União a prefeituras. Parte da grana foi destinada à construção de estações de esgoto.

 

Outro naco foi reservado para o levantamento de casas populares –daí, talvez, a infâmia imposta ao João-de-Barro.

 

Somando-se tudo o que foi repassado às obras sob suspeição, chega-se a R$ 700 milhões. Há mais R$ 2 bilhões por liberar.

 

Descobriu-se que o PAC, programa novo, com um ano e meio de idade, já foi apropriado por velhas e conhecidas malfeitorias.

 

Coisas assim: compras superfaturadas, obras sub-dimensionadas e casas pagas e não construídas. As verbas públicas malversadas migravam para bolsos privados.

 

Está-se diante de um tipo nefasto de crime. Rouba-se dinheiro reservado às comunicadas mais pobres dos municípios. Gente sem casa e sem esgoto.

 

A natureza do delito reforça o despropósito da menção ao João-de-Barro. Um passarinho que, por trabalhador, merecia melhor sorte.

 

Em outros tempos, a crise moral teve símbolo mais adequado: o morcego. Um Morcego Negro, assim, em maiúsculas. Era o nome do avião de PC Farias, o maleiro de Collor.

 

Animal repelente, o morcego rivaliza com o rato. Aliás, na origem etimológica, ele é o próprio rato. Vem do latim mure (rato), mais cego. Um rato que não enxerga.

 

Considerando-se que parte dos atuais crimes envolvem obras de esgoto, o rato talvez fosse mais adequado para dar nome à operação da PF. Deixem o João-de-Barro fora dessa.

Escrito por Josias de Souza às 17h49

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Lula promete participar da campanha de Marta em SP

  Alan Marques/Folha
A perspectiva de formalização de uma aliança, em São Paulo, entre o PT e o “bloquinho” (PSB, PDT e PCdoB) produziu uma mudança nos planos de Lula.

 

O presidente decidira manter distância do palanque da petista Marta Suplicy. Agora, prepara uma meia-volta.

 

Em reunião com as cúpulas dos quatro partidos, na noite de terça-feira (17), Lula prometera: havendo a conciliação entre as legendas, participaria da campanha.

 

A promessa fora feita em resposta a uma pergunta do presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), que enxerga no envolvimento de Lula um tônico para Marta.

 

Lula soou em timbre taxativo. Disse que se os partidos tivessem o bom senso de se unir, não hesitaria em envolver-se diretamente na campanha paulistana.   

 

Nesta quinta-feira (19), ao ser informado por um assessor de que Aldo Rebelo (PCdoB) concordara em abrir mão de sua candidatura para ser vice de Marta, Lula festejou:

 

“Finalmente essa gente parecer que está tomando juízo”. Mais tarde, o presidente receberia uma outra informação que o deixou, no dizer do assessor, “possesso.”

 

Reunida em Brasília, a Executiva do PT ratificou o veto à aliança com Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, nas eleições municipais de Belo Horizonte.

 

No encontro de terça-feira, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, exigira do PT demonstrações de desprendimento.

 

Para Eduardo, não seria razoável que o “bloquinho” se abraçasse a Marta em São Paulo caso o PT mantivesse o veto mineiro à coligação com o PSDB.

 

Em Belo Horizonte, o “cabeça de chapa” é Márcio Lacerda, do PSB. O vice é o deputado estadual Roberto Carvalho, do PT.

 

Berzoini alegou dificuldades estatutárias para rever a proibição a qualquer acerto que envolvesse Aécio na coligação mineira. Lula reagiu com uma expressão de calão raso.

 

“Você avocou essa merda para a direção nacional e agora diz que não dá para resolver?”.

 

Eduardo Campos levou à mesa a suspeita de que o PT estaria interessado, na verdade, em prejudicar a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB-CE).

 

Márcio Lacerda, o candidato socialista apoiado por Aécio e pelo prefeito petista de Belo Horizonte Fernando Pimentel, é amigo de Ciro.

 

Lacerda foi secretário-geral de Ciro à época em que o presidenciável do PSB ocupou o posto de ministro da Integração Nacional. Berzoini negou as segundas intenções.

 

Presente à reunião de terça, Renato Rabelo, presidente do PC do B, disse que certas decisões devem ser tomadas pelas direções partidárias de forma corajosa.

 

Lula apertou a mão de Rabelo. Um gesto que os presentes interpretaram como reforço à contrariedade quanto ao comportamento da direção petista, considerado desastroso.

 

A exemplo do PSB, também o PC do B cobrou na reunião o apoio do PT à sua candidata na disputa pela prefeitura do Rio, a deputada comunista Jandira Feghali.

 

Ela disputa com Marcelo Crivela (PRB) a liderança nas pesquisas. Mas o PT insiste em manter a candidatura do deputado estadual Alessandro Molon, visto como um azarão.

 

Nesta quinta, embora não contasse com o pretendido “desprendimento” petista, Eduardo Campos ficou tiririca ao saber que o PT ratificara o veto a Aécio em Minas.

 

Fez chegar o descontentamento aos ouvidos de Lula. A despeito disso, seguem avançados os entendimentos para acomodar Aldo, o ex-candidato do bloquinho, na chapa de Marta.

 

PSB, PDT e PC do B haviam combinado que caminhariam juntos em São Paulo. Porém, o PDT do deputado Paulo Pereira da Silva roeu a corda. Decidiu acertar-se com o PT.

 

E Aldo, dono de irrisório 1% nas sondagens eleitorais, ficou sem chão. Preferiu recuar. O bloquinho leva em conta um detalhe que enche os olhos.

 

Marta Suplicy vai às urnas de 2008 de olho em 2010. Sonha com uma candidatura ao governo do Estado ou ao Planalto. E o vice herdará a prefeitura.

 

Nesta sexta (20), dirigentes paulistanos do PT, PSB, PDT e PSB se reúnem para detalhar os termos da provável aliança. Que todos esperam selar até terça-feira (24).

 

Confirmando-se a concórdia, O PT pretende cobrar de Lula o cumprimento à promessa de arregaçar as mangas por Marta.

Escrito por Josias de Souza às 04h10

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As manchetes desta sexta

 

- JB: Gastos de projetos sociais sob suspeita

- Folha: Lula quer mais verbas para alimentos contra inflação

- Estadão: 11 militares são indiciados por assassinato de jovens no Rio

- Gazeta Mercantil: Brasil pode liderar produção de leite em 5 anos, prevê Parmalat

- Valor: Multis se unem na Europa contra biocombustíveis

Escrito por Josias de Souza às 04h06

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A voz do povo!

Clayton
 

PS.: Via sítio de O Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h50

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Governo libera R$ 78 bilhões para crédito agrícola

Governo libera R$ 78 bilhões para crédito agrícola

Tenta-se produzir mais comida para conter a inflação

A maior fatia irá para os grandes produtores: R$ 65 bi

A agricultura familiar terá um pedaço menor: R$ 13 bi

 

O governo prepara para o dia 3 de julho o anúncio do plano de financiamento da safra para o biênio 2008-2009. Será feito pelo próprio Lula, no Planalto.

 

Vai soar como música aos ouvidos dos produtores rurais –os grandes e os pequenos. Uma melodia com o timbre de moeda sonante.

 

Preocupado com a pressão que os preços dos alimentos vêm exercendo sobre a taxa de inflação, o governo decidiu tonificar o crédito agrícola oficial.

 

Deseja-se produzir o que um auxiliar do presidente definiu como “choque de oferta.” Algo que produza a estabilização dos preços e até algumas reduções.

 

No total, pretende-se facultar aos produtores rurais acesso a empréstimos oficiais de R$ 78 bilhões. Uma parte com juros subsidiados pelo Tesouro. Taxas de 6,7% ao ano.

 

O dinheiro será repartido da seguinte maneira:

 

 

1. Agronegócio: os produtores de porte médio e grande terão à disposição créditos de R$ 65 bilhões. Até aqui, estimava-se que ficariam em R$ 58 bilhões.  

 

 

2. Agricultura familiar: o ministério do Desenvolvimento Agrário logrou empurrar para dentro do pacote um programa chamado "Mais Alimentos".

 

 

Prevê a destinação de R$ 13 bilhões para o Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar). Uma parte vai para a aquisição de máquinas. Outra, para o financiamento da lavoura.

 

O pacote creditício de R$ 78 bilhões é servido aos agricultores no rastro de um outro refresco. Anunciou-se no mês passado a renegociação de R$ 75 bilhões em dívidas de agricultores.

 

Livres do selo de inadimplentes, mesmo os produtores pendurados em dívidas poderão se candidatar a novos créditos. Uma festa. Que a bancada ruralista do Congresso ainda considera "insuficiente".

 

O governo espera que as providências elevem em 5% a perspectiva atual de produção de grãos na próxima safra, que é de 143,3 milhões de toneladas.

 

Pretende-se dar especial atenção à produção de arroz, feijão, soja, trigo e milho. Imagina-se que, além de prover o mercado interno, o Brasil conseguirá exportar mais.

 

De resto, o pacote a ser anunciado por Lula vai incluir o reforço do orçamento da Conab (Cia Nacional de Abastecimento). Terá cerca de R$ 3 bilhões para a recomposição dos chamados estoques reguladores.

 

Devem ser tonificados também os preços mínimos assegurados pelo governo a produtos que compõem a cesta de alimentos básicos. Entre eles o arroz e o feijão.

 

Os detalhes do plano foram discutidos em reunião realizada nesta quinta-feira (19), no gabinete de Lula. Um encontro em que foi analisada a conjuntura econômica.

 

As medidas foram expostas pelos ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário).

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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PSDB aceita o registro da chapa pró-Kassab em SP

  Folha
Depois de uma quinta-feira (18) de muita conversa, o tucanato de São Paulo produziu um “termo de ajuste de conduta” para a convenção municipal que escolherá o candidato do partido à prefeitura.

 

Acertou-se que vão a voto duas chapas. A primeira é encabeçada por Geraldo Alckmin. A outra prevê a coligação do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab (DEM).

 

O acordo firmado nesta quinta prevê quatro tópicos. São os seguintes:

 

1. Vereadores: assegurou-se aos onze vereadores tucanos que se opõem a Alckmin o direito de acesso a uma chapa única do partido. Antes, ameaçava-se retaliar os defensores da coligação com Kassab, negando-lhes legenda;

 

2. Justiça: o grupo de tucanos pró-Kassab protocolara na Justiça uma ação com pedido de liminar. Reivindicavam a garantia de manutenção das 424 assinaturas do abaixo-assinado a favor da coligação com o DEM. Os signatários vinham sendo pressionados a retirar o nome da lista. Decidiu-se validar as assinaturas. E os adversários de Alckmin comprometeram-se em retirar a ação judicial;

 

3. Civilidade: os dois grupos firmaram uma espécie de armistício. Nada de novos disparos de parte a parte. Pretende-se que a atmosfera de civilidade se mantenha durante a convenção, marcada para o próximo domingo (22);

 

4. Duas chapas: combinou-se, de resto, que haverá mesmo uma disputa. A direção do PSDB, que ameaçava vetar a tese de apoio à junção com o DEM, cedeu. Vão a voto: a candidatura própria, com Alckmin, ou a coligação, com Kassab na cabeça de chapa. A prevalecer o acordo, os vencidos apoiarão automaticamente os vencedores.

 

O acordo foi selado em reunião que teve dois representantes de cada bloco. Pelo pedaço do partido que quer Kassab: o secretário de Esportes de São Paulo, Walter Feldman; e o líder da bancada de vereadores tucanos Gilberto Natalini.

 

Pela ala alinhada à candidatura Alckmin: os deputados federais Júlio Semeghini e Edson Aparecido.

 

Antes, os vereadores que torcem o nariz para Alckmin reuniram-se com os presidentes nacional e estadual do PSDB –respectivamente o senador Sérgio Guerra e o deputado Mendes Thame.

 

Guerra e Thame fizeram um apelo ao bom senso. E comprometeram-se a atuar como fiadores do acerto.

 

A aceitação da chapa pró-Kassab é uma derrota de Geraldo Alckmin. O candidato e seu grupo diziam que isso jamais ocorreria.

 

Primeiro, afirmavam que Alckmin seria candidato único. Sobreveio a novidade do abaixo-assinado de tucanos a favor da aliança com o DEM.

 

O grupo de Alckmin dizia que o documento era ficção. Depois, passou a afirmar que não reuniria assinaturas suficientes. Agora, os partidários do ex-governador vêem-se obrigados a aceitar uma convenção com disputa.

 

Alckmin sustenta que dispõe de votos para prevalecer no domingo. Gilberto Natalini, o líder dos vereadores pró-Kassab afirma coisa diferente: “Vamos para disputa com boas perspectivas de vitória.”

 

O governador tucano José Serra, Kassab desde criancinha, está no estrangeiro. Retorna a São Paulo no sábado, em tempo de participar da convenção. Adivinhe em que chapa ele vai votar.

Escrito por Josias de Souza às 20h32

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Mantega: meta de inflação para 2008 será cumprida

  Marcello Casal/ABr
Lula convocou a equipe econômica ao seu gabinete nesta quinta-feira (19). Discutiram por mais de três horas a conjuntura, envenenada por uma inflação turbinada.

 

Coube ao ministro Guido Mantega (Fazenda) resumir aos repórteres as conclusões do debate feito a portas fechadas, com a participação de economistas de fora do governo.

 

Contou, em síntese, o seguinte: o governo considera que as providências já adotadas até aqui são suficientes para segurar a inflação de 2008 dentro da meta.

 

A meta anual de inflação é de 4,5%. Há, porém, uma tolerância de dois pontos percentuais. Há quem aposte que, em 2008, a carestia ultrapassará o teto de 6,5%.

 

E Mantega: "A gente continua cumprindo as metas e continuará perseguindo a obtenção. Estamos conseguindo, apesar de termos aumentado um pouco a média inflacionária."

 

Nada de novas restrições ao crédito, disse o ministro. De novo, só um programa a ser anunciado por Lula no início de julho, para estimular a produção de alimentos.

 

Mantega esforçou-se para realçar que o combate à inflação não se limita à alta de juros. Há mais.

 

Lembrou que o governo já elevou a previsão de superávit primário (economia feita para pagar os juros da dívia pública) de 3,8% para 4,3%.

 

Para assegurar o cumprimento do novo percentual, haverá cortes no Orçamento. O ministro não especificou as rubricas que serão passadas na lâmina.

 

Disse apenas que a tesoura não alcançará o PAC. Embora não se tenha falado sobre o Bolsa Família na reunião, é certo que os benefícios do programa serão reajustados.

 

O objetivo do governo, segundo o ministro, não é o de parar a economia. Tenta-se dosar a pisada no freio, de modo a manter o crescimento do PIB nos arredores de 5%.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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Governador de RO propõe uma versão verde da CSS

  Marcello Casal/ABr
Os governadores dos dois Estados apontados como campeões do desmatamento estiveram em Brasília nesta quinta-feira (19).

 

Ivo Cassol (Rondônia) e Blairo Maggi (Mato Grosso) à Comissão de Meio Ambiente da Câmara. A certa altura, Cassol (na foto) saiu-se com uma proposta, digamos, esdrúxula.  

 

Sugeriu, veja você, a criação de uma CSS para custear ações de combate ao desmatamento.

 

"Não estão criando a CSS para financiar a saúde? Já que todos falam do desmatamento, por que não podemos ter um imposto com alíquota de 0,01%, 0,02%, não importa...”

 

“...Mas que possamos, com o fundo, estimular os proprietários de terras para serem os guardiões das florestas."

 

O repórter suspeita que, se a preservação das florestas depender da criatividade do governador de Rondônia, a Amazônia logo, logo vai virar deserto.

Escrito por Josias de Souza às 17h40

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Senadores trocam Brasília pelas quadrilhas estaduais

Sérgio Lima/Folha
 

 

A tentativa de ressuscitar a CPMF eletrificou de novo a atmosfera do Senado. Diz-se que oposição e governo não se entendem sobre coisa nenhuma.

 

Não é bem assim. Reunidos na sala do presidente do Senado, Garibaldi Alves, os líderes partidários pudeseram-se de acordo pelo menos em relação a um tópico.

 

Os senadores concordaram em se autoconceder uma semana de recesso. Significa dizer que terão licença para faltar. Mantendo intactos, obviamente, os contracheques.

 

Alegou-se que a semana que vem será marcada pelas convenções partidárias. Como se fosse pouco, há as festas juninas.

 

Garibaldi veio à boca do palco para informar que não convém aos parlamentares, sobretudo os da região Nordeste, deixar de dar as caras nos festejos de São João.

 

Ele disse: "Pegar mal, não pega. Mas também não pega bem se alguém deixar de aparecer (ouça).”

 

O signatário do blog, cidadão brasileiro como os senadores, considera-se um injustiçado. Embora nascido em São Paulo, tem raízes paternas na Bahia.

 

Embora não seja chegado a quadrilhas, o repórter acha revoltante que os provedores de seus vencimentos não o procurem para avisar que está liberado para fartar-se, por uma semana, de canjica e quentão. 

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Bejani mordeu um pedaço do bom-bocado de Delúbio

 

 

O homem, sabem todos, é produto da evolução. E a evolução, a despeito de ter tido todo o tempo do mundo, andou cometendo equívocos.

 

Partindo do chimpanzé, a evolução chegou à Gisele Bündchen. Mas deixou por aí alguns seres biologicamente esquisitos.

 

Difícil, por exemplo, distinguir certos políticos do protoprimata. Para sorte dos estudiosos, o espécime pós-moderno tem hábitos alimentares diferentes.

 

Em vez de folhas e frutas, alimentam-se de verbas sujas. Preferem o dinheiro de má origem às bananas de boa procedência.

 

Ainda outro dia, foi recolhido à jaula o penúltimo equívoco da evolução: Carlos Bejani. Era prefeito de Juiz de Fora (MG). Viu-se compelido a renunciar.

 

Sabia-se que pertence à espécie dos petebês. Descobre-se agora que é um petebê especial. Sofreu os efeitos do mensalão, aquela mutação genética decorrente do cruzamento com os petês, em 2005.

 

Roberto Jefferson, o petebê-mor, revela que Bejani mordiscou R$ 750 mil das arcas "não contabilizadas" providas pela parceria delúbio-valeriana.

 

Coisa acondicionada naquela supermala de R$ 4 milhões, que Jefferson já admitira ter recebido. Recusara-se a dizer quem havia mordido do bom-bocado.

 

Abriu, porém, uma exceção para o caso de Juiz de Fora: "Está registrado nas minhas anotações. Foram R$ 750 mil para o Bejani", disse ao Painel o mandachuva dos petebês.

 

A evolução faz que não é com ela. Depois que criou a Gisele Bündchen, lavou as mãos. O eleitor, que poderia fazer algo a respeito, também parece não estar nem aí.

Escrito por Josias de Souza às 16h10

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As manchetes desta quinta

- JB: Exército poderá pagar multa diária

- Folha: Justiça manda Exército desocupar morro no Rio

- Estadão: Justiça manda Exército sair de favela carioca

- Globo: Juiz manda força nacional substituir Exército em favela

- Gazeta Mercantil: Governo estuda formas para segurar crédito

- Valor: BNDES reduz participação em investimentos privados  

- Estado de Minas: Brasil no cartel do petróleo

- Jornal do Commercio: Maioria das indústrias investe na produção

Escrito por Josias de Souza às 11h49

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Tenente para traficantes: ‘Eu trouxe um presentinho’

Escrito por Josias de Souza às 04h35

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Blindados!

Thiago Tecchia
 

PS.: Via sítio do Correio do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 04h14

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Garibaldi prepara, em segredo, alternativas à CSS

Garibaldi prepara, em segredo, alternativas à CSS

Presidente do Senado tenta conciliar oposição e governo

Pediu à consultoria da Casa opções à recriação da CPMF

Nesta quinta, vai receber a versão preliminar do projeto

Prevê taxação de bebidas, do fumo e dos carros de luxo

 

Marcello Casal/ABr

 

Sem alarde, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), mobilizou sete servidores da consultoria técnica do Congresso para pôr de pé um leque de alternativas à CSS.

 

Nesta quinta-feira (19), Garibaldi deve receber uma versão preliminar da proposta. O texto passa longe da ressurreição da CPMF.

 

Prevê a taxação de bedidas alcoólicas, do cigarro e dos carros de luxo. Propõe, de resto, o aumento do Imposto de Renda pago pelos empresários sobre dividendos.

 

O objetivo de Garibaldi é levar aos líderes partidários do Senado uma proposta que concilie os interesses de governistas e de oposicionistas.

 

O governo insiste na tese de que é preciso arrumar dinheiro para viabilizar a aplicação do projeto que regulamenta a emenda 29, tonificando o orçamento da Saúde.

 

A oposição torce o nariz para a fórmula construída na Câmara: a volta da CPMF, com nova denominação (CSS) e com uma alíquota menor (0,10% em vez de 0,38%).

 

Como mediador da encrenca, Garibaldi tenta assumir o papel de algodão entre os cristais. Busca um meio-termo que evite a intoxicação da atmosfera do Senado.

 

Vão abaixo detalhes da proposta que o presidente do Senado vai receber da Consultoria Legislativa do Congresso:

 

 

1. O montante: a primeira coisa que os técnicos mobilizados por Garibaldi fizeram foi estimar a arrecadação que a CSS propiciaria ao governo caso fosse aprovada.

 

Foram à calculadora. E verificaram que a nova contribuição teria um potencial arrecadatório de cerca de R$ 8 bilhões.

 

Uma cifra menor do que os R$ 10 bilhões que vêm sendo propagandeados pela bancada governista na Câmara.

 

 

2. As alternativas: encontrou-se na CIDE (Contribuição sobre Intervenção no Domínio Ecfonômico) uma das saídas para evitar a volta da CPMF, já derrubada pelo Senado.

 

Criada em 2001, a CIDE é cobrada sobre a comercialização de petróleo e seus derivados. Agora sobre as bebidas, o cigarro e os carros de luxo.

 

 

3. As bebidas: pela proposta da consultoria do Congresso, a CIDE das bebidas alcoólicas teria alíquotas diferenciadas, calculadas segundo o teor alcoólico. Bebidas com menor percentagem de álcool –cervejas e vinhos, por exemplo— pagariam menos do que as demais, como uísque e vodca. Prevê-se que a nova contribuição pode render até R$ 2,5 bilhões ao fisco;

 

 

4. O fumo: os técnicos mobilizados por Garibaldi vão sugerir alternativas de alíquotas para a CIDE dos cigarros. Adotando-se a mais alta, a perspectiva de arrecadação é de R$ 1,3 bilhão;

 

 

5. Os carros de luxo: a proposta prevê a criação de uma CIDE para veículos de luxo. Só seriam taxados carros de passeio movidos a gasolina.

 

De acordo com os critérios adotados pelos técnicos a serviço de Garibaldi, a maioria dos automóveis sujeitos à nova taxação é importada.

 

Não se trata de nenhum novo IPVA. A contribuição seria cobrada no ato da venda do carro. Estimatima-se que a providência renderia ao fisco algo como R$ 1 bilhão;

 

 

5. Os dividendos: perscrutando a legislação do Imposto de Renda, os técnicos do Congresso se depararam com algo que classificaram como uma “distorção”.

 

Os dividendos pagos pelas empresas a seus sócios são taxados pela Receita Federal com uma alíquota de 15%.

 

É menos do que os 27,5% cobrados de um assalariado de classe média. Decidiu-se sugerir a equiparação do IR pago a título de dividendos ao dos salários.

 

Com essa providência, estima-se que a União terá uma arrecadação adicional de algo como R$ 4 bilhões;

 

 

6. A cereja do bolo: somando-se a previsão de arrecadação da correção do IR dos dividendos à coleta com as CIDEs das bebidas, do fumo e dos carros de luxo chega-se a uma cifra de R$ 8,8 bilhões.

 

Um valor maior do que os R$ 8 bilhões que, pelas contas da equipe do Congresso, seriam amealhados com a eventual criação da CSS.

 

A despeito disso, o projeto que será encaminhado a Garibaldi sugere um rol de providências que, na opinião de seus autores, facilitará a cobrança da dívida ativa da União.

 

O cadastro da dívida ativa registra débitos de cerca de R$ 600 bilhões. São impostos e contribuições de empresas e pessoas físicas inadimplentes.

 

Submetido às atuais regras de cobrança, o governo só consegue reaver anualmente algo como 1% do total da dívida. Os técnicos sugerem a simplificação do modelo.

 

Avaliam que, se adotodas, as medidas permitirão ao governo recuperar cerca de R$ 1 bilhão a mais por ano. O que elevaria a conta das verbas adicionais da Saúde para R$ 9,8 bilhões.

 

 

Em privado, Garibaldi diz ser contra a CSS. Mas, como presidente do Senado, ele não vota. Decidiu levar a alternativa aos líderes com a cautela de um “magistrado”.

 

Caberá aos líderes decidir se adotam ou não a proposta. Garibaldi já conta com a adesão de pelo menos um dos líderes.

 

Renato Casagrande (ES), do governista PSB, já disse que considera inoportuna a idéia de recriar a CPMF. Sugere a busca de alternativas. Entre elas justamente a taxação de bebidas, cigarros e carros de luxo.

Escrito por Josias de Souza às 03h59

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‘Sou a governadora mais mal paga do país’, diz Yeda

  Fábio Pozzebom/ABr
No seu “Claro Enigma”, Carlos Drummond de Andrade pôs como epígrafe um verso de Paul Valéry.

 

Diz assim: “Les événements m'ennuient”. Os acontecimentos me entediam. Ou me chateiam, numa tradução sem amarras.

 

Mutatis mutandis, dá-se coisa semelhante com Yeda Crusius. Como que exausta da própria crise, a governadora tucana parece estar à procura de novas encrencas.

 

Na noite desta quarta-feira (18), discursando para prefeitos gaúchos, Yeda sapecou: “Sou a governadora mais mal paga do país e a Assembléia vai consertar isso...”

 

“...Está na hora de dizermos aos nossos secretários, aos nossos diretores e presidentes de autarquias, de fundações e de estatais que eles vão ter um salário digno...”

 

“...E para eles poderem ter, é preciso aumentar o salário da governadora.” Quanto ganha Yeda Crusius? R$ 7.140.

 

Não é, convenhamos, nenhuma fortuna. Admita-se que a governadora olhe para o contracheque de seus congêneres com uma ponta de inveja.

 

O que espanta é a falta de sensibilidade política da governadora. A hora não parece propícia para que a governadora se converta em sindicalista de si mesma.

 

O contribuinte gaúcho pode perguntar aos seus botões: Considerando-se as suspeitas de ofensas às arcas estaduais, não estariam a governadora e seus auxiliares ganhando mais do que merecem?

 

Vai ter senso de oportunidade assim lá em Porto Alegre!

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Justiça determina a retirada do Exército do morro

A Justiça Federal determinou nesta quarta-feira (18) a retirada imediata das tropas do Exército do morro da Providência, no Rio.

 

Deve-se a decisão a uma ação movida pela Defensoria Pública da União. A petição foi assinada pelo defensor André Ordacgy. Ele pediu que à Justiça agisse imediatamente, por meio de liminar.

 

Foi atendido pela juíza Regina Coeli, da 18ª Vara Cível Federal do Rio (íntegra da decisão aqui). Mais cedo, Lula admitira, em entrevista, a saída do Expercito, "se necessário". Dissera que o assunto seria estudado com calma (assista lá no alto).

 

A Constituição veda o emprego do Exército em atividades típicas de polícia. O governo alega que, no caso específico, dá-se algo diferente.

 

Os soldados estariam tocando um projeto de natureza social. Balela, na opinião de André Ordacgy.

 

Para o defensor da União, o episódio da detenção de três jovens moradores do morro deixou evidente o caráter policial da empreitada.

 

Anota o texto da ação: "Está mais do que claro que no morro da Providência o Exército faz funções de polícia...”

 

“...A Constituição atribui funções de segurança pública às Polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal, Rodoviária Estadual e Corpo de Bombeiros...”

 

“...O Exército tem outra atribuição, não menos digna, que é a proteção da pátria, e desde 1999, atividades de apoio logístico, e obras de engenharia."

 

Noutro trecho, o defensor argumenta: "No momento [em que foram detidos] os jovens voltavam de uma festa era madrugada...”

 

“...Não tinha nenhuma obra acontecendo. Ainda foram parados e revistados pelos militares, o que já é uma atitude típica de instituições autorizadas para funções de segurança pública".

 

Não se discute na ação o comportamento criminoso dos militares. São 11. Chama-se Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade o tenente que estava no comando.

 

Entregram os três jovens a traficantes de outra favela, o Morro da Mineira. Que se encarregram de torturá-los e de matá-los.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Chinaglia defende, em plenário, a ‘queda do Dunga’

Chinaglia defende, em plenário, a ‘queda do Dunga’

  Lula Marques/Folha
A Câmara tenta concluir, nesta quarta-feira (18), o processo de votação do projeto que tonifica o orçamento da Saúde e traz num de seus artigos a CSS.

 

Iniciada pela manhã, a sessão teve de ser suspensa para que o Congresso recepcionasse o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito.

 

Depois de comandar uma sessão solene, com a presença do príncipe, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PR-SP), reabriu os trabalhos ordinários.

 

Os desputados revezam-se na tribuna. Falam contra e a favor da ressurreição da CPMF. Discurso vai, pronunciamento vem Chinaglia saiu-se com essa:

 

“Vamos apressar o passo. Senão não vamos contribuir para a queda do Dunga.” Referia-se ao jogo marcado para a noite desta quarta: Brasil X Argentina, pelas eliminatórias da Copa. Uma partida que ameaça a votação.

 

“Que é isso, presidente, nós vamos ganhar da Argentina!”, redargüiu um deputado.

 

O corintiano Chinaglia não se deu por achado: “E quem disse que ganhar da Argentina é suficiente? Que temor reverencial é esse?”

 

Outro deputado bradou: “Não faça isso, presidente. O Dunga é competente. Ele é da minha terra.”

 

E Chinaglia, em timbre de lamento: “Fiz um teste. Mas parece que o treinador está com prestígio aqui na Casa. Acho que ele não vai cair não.”

 

Travado assim, numa atmosfera aparentemente imprópria, o debate parece extemporâneo. Há, porém, certa coerência. O futebol e a política são igualzinhos: não têm lógica.

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Meirelles admite: inflação pode ficar acima da meta

Elza Fiúza/ABr
 

 

Pela primeira vez, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconheceu que a inflação de 2008 pode fechar acima da meta fixada pelo governo.

 

Mierelles foi cuidadoso. Disse que falava em tese. E reafirmou que o BC está tomando as providências que considera adequadas. Mas admitiu. Ouça-se Meirelles:

 

"O Banco Central está atento e pronto para agir. O mercado acha que é uma possibilidade menor. Mas sempre existe, na teoria, esta possibilidade..."

 

"Não fazemos nossa previsão. Isso compete aos mercados. Nós agimos e, basicamente, estamos dizendo que se for necessário, agiremos novamente...”

 

"...Não há dúvida que o momento requer atenção e também ação."

 

A meta de inflação para 2008 é de 4,5%. Com tolerância de dois pontos percentuais. Ou seja, o teto é 6,5%.

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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Ibama apreende ‘bois piratas’ em estação ecológica

No início do mês, nas pegadas de sua posse no ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc prometera:

 

O governo passaria a apreender gado criado em áreas impróprias. “Bois piratas”, no dizer de Minc.

 

Pois bem. Na semana passada, a Polícia Federal “laçou” um rebanho de 3.000 cabeças. Deu-se em Altamira (PA), numa unidade de conservação ecológica.

 

Gestor da unidade, Walber Feijó explicou "...A área tinha sido autuada e embargada. O dono descumpria o embargo..."

 

"...Um servidor do Ibama é o depositário fiel das cabeças de gado. Em tese, é o mais novo milionário com 3.000 cabeças de gado. É brincadeira nossa com ele..."

 

"...O Ibama deve fazer a retirada do gado. Depois deve pôr a leilão, e o dinheiro será doado ao Fome Zero, como quer o Minc, ou destinado a um fundo de meio ambiente..."

 

Como se vê, Carlos Minc começa a dar o ar de sua graça. É de supor que o dono do gado não será assistirá a tudo sem mugir.

 

Suponha-se que ele obtenha uma liminar. Vai ao alto do telhado o leilão que o governo planeja fazer. E cria-se um novo problema. O que fazer com o rebanho até que a Justiça dê uma palavra final. 

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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As manchetes desta quarta

- JB: Comércio sente o efeito da inflação

- Folha: Governo pede desculpas e mantém Exército no Rio

- Estadão: Venda da VarigLog foi ilegal, admite documento da Anac

- Globo: Ministro sobe favela e pede perdão por crime de militares

- Gazeta Mercantil: Déficit na balança do petróleo sobe 630%, para US$ 2,75 bi

- Valor: Ritmo de consumo vigoroso puxa indústria no Nordeste  

- Estado de Minas: TCE abriu brecha para máfia atuar

- Jornal do Commercio: BNDES ensaia a morte da TJLP

Escrito por Josias de Souza às 06h58

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Tropa de elite!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h19

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Esperteza da oposição força o governo a obstruir CSS

No Senado, oposicionistas e governistas trocaram papéis

PSDB e DEM propõem nesta quarta tramitação acelerada

Acossado pelo risco de derrota, o líder de Lula quer adiar

Dicotomia será exposta em reunião marcada para esta 4ª

 

  Sérgio Lima/Folha
O presidente do Senado, Garibaldi Alves, convocou para esta quarta-feira (18) uma reunião dos líderes partidários –os governistas e os oposicionistas.

 

O pretexto do encontro é a negociação de uma pauta consensual. Garibaldi deseja definir os projetos que serão levados a voto no plenário.

 

Alega que é preciso construir uma agenda de trabalho para os dias que antecedem o início do recesso parlamentar. Os congressistas sairão em férias no dia 18 de julho.

 

José Agripino Maia (RN) e Arthur Virgílio (AM), líderes do DEM e do PSDB, levarão à mesa uma sugestão urdida nesta terça-feira (17).

 

A oposição quer apressar no Senado a análise da proposta que tonifica o orçamento da Saúde. Um projeto que, na Câmara, ganhou um adereço novo: a CSS.

 

PSDB e DEM desejam votar a proposta até 17 de julho. Antes do recesso e das eleições municipais de outubro.

 

"Chegou a hora de a onça beber água", diz Agripino Maia. "O governo não quer a CSS? Então, vamos ao voto." 

 

Sentindo o cheiro de queimado, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, avisou aos colegas governistas que pretende se insurgir contra a esperteza.

 

Dá-se no Senado oposto do que se verificou na Câmara. Ali, em franca minoria, tucanos e ‘demos’ armaram um salseiro no plenário.

 

Ajudados pelo também oposicionista PPS, os deputados do PSDB e do DEM bloquearam a mais não poder a votação da proposta de recriação da CSS.

 

Conseguiram protelar a aprovação uma, duas, três vezes. Só na semana passada o governo conseguiu se impor. Ainda assim, pela estreita margem de dois votos.

 

No Senado, inverte-se a equação. A maioria governista é flácida. Pelas contas de Jucá, se for levada a voto imediatamente, a CSS será rejeitada pelos senadores.

 

Daí o esforço do operador do Planalto para jogar a votação da encrenca para depois das eleições municipais de outubro.

 

Avalia-se que, vencida a fase do reencontro dos políticos com as urnas, as resistências à ressurreição da CPMF tendem a esmorecer.

 

A proposta ainda não foi enviada ao Senado. Embora os deputados já tenham aprovado o texto base da lei, restam quatro artigos por votar.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou para as 11h desta quarta a retomada da análise do projeto que inclui a criação da CSS.

 

Na mesma hora, os líderes partidários do Senado iniciarão o encontro no gabinete de Garibaldi. O comportamento dos deputados oposicionistas está condicionado ao resultado da reunião do Senado.

 

Na improvável hipótese de prevalecer a tese da votação a toque de caixa, a oposição se dispõe a levantar as barricadas da Câmara. Do contrário, manterá a tática.

 

Jucá conta com as armadilhas do calendário para neutralizar a manobra da oposição. Na semana que vem, os festejos de São João conspiram contra a presença de senadores nordestinos em Brasília.

 

Na semana seguinte, vence o prazo do registro de candidaturas às prefeituras. Embora poucos senadores sejam candidatos, todos têm interesses a defender nos seus Estados.

 

Nos dias subseqüentes, o Congresso estará na bica de entrar em recesso. E o projeto da CSS, ainda que votado na Câmara e enviado ao Senado, vai à gaveta governista de Jucá.

 

E o governo será pendurado nas manchetes na incômoda posição de responsável pela obstrução de uma proposta pela qual quebrou lanças na Câmara. 

 

PS.: atualização feita às 15h desta quarta (18)- Como previsto, Garibaldi reuniu os líderes em seu gabinete. A oposição levou à mesa a idéia de votar logo a CSS. Jucá não se deu por achado. Sem bala na agulha, a tropa governista quer mesmo adiar o tiroteio para depois das eleições.

Escrito por Josias de Souza às 04h13

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Líder de partido governista revela voto contra a CSS

Líder de partido governista revela voto contra a CSS

  Folha
“Se tiver que votar a CSS no Senado, da forma como está proposta, voto contra”.

 

A frase não é de nenhum líder da oposição. Foi dita ao blog por Renato Casagrande (ES).

 

Ele lidera no Senado a bancada do PSB. Uma legenda associada ao consórcio que dá suporte legislativo a Lula.

 

Casagrande vinha dizendo que considera “inoportuna” a idéia de recriar a CPMF.

 

Agora, dá um passo adiante ao dizer que, mantida a proposta, votará contra.

 

 

- Por que considera 'inoportuna' a CSS?

O governo enviou ao Congresso uma proposta de reforma tributária. Está na Câmara. Prevê a extinção de todas as contribuições. Entendo que não é oportuno recriar, com outro nome, a CPMF, que é uma contribuição.

- Como vota?

Se tiver que votar a CSS no Senado, da forma como está proposta, voto contra.

- Compartilha da tese de que é preciso encontrar nova fonte para a Saúde?

Na forma como foi aprovada no Senado, a regulamentação da emenda 29 obriga o governo a destinar 10% de sua receita bruta para a Saúde. Reconheço que, com isso, tornou-se necessário encontrar fontes suplementares de financiamento.

- O que fazer?

Entendo que podemos buscar caminhos diferentes da CSS. Pode-se, por exemplo, aumentar a taxação de produtos supérfluos: cigarros, bebidas e carros de luxo, por exemplo. O governo poderia também criar novas faixas para o Imposto de Renda. É preciso analisar todas as alternativas.

- Por que não a CSS?

Essa contribuição tornou-se uma espécie de filho feio. Ninguém quer assumir a paternidade. O governo não assume. O Senado acabou de extinguir a CPMF. Vamos recriar? Penso que podemos estar desperdiçando energias com algo que, se aprovado, pode ser derrubado depois no Supremo. O que colocaria o Congresso, de novo, em posição constrangedora.

- Não receia ser incompreendido pelo resto do bloco governista?

Minha posição é a de que temos de encontrar a fonte alternativa de recursos reclamada pelo governo. Apenas acho que a CSS não é o caminho. Há alternativas. A CSS acabou virando um bode na sala. Prejudica o essencial, que é a análise da reforma tributária.

- O adiamento da votação para depois da eleição muda o cenário adverso do Senado?

Tenho a impressão de que, votando agora ou depois, o risco de rejeição da CSS no Senado é grande.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Roberto Teixeira faz exigências para falar ao Senado

  Folha
O primeiro-amigo Roberto Teixeira (foto) deve dar as caras, nesta quarta-feira (18), na comissão de Infra-Estrutura do Senado. Será argüido sobre o caso Varig.

 

Advogado, Teixeira foi contratado pelo grupo que adquiriu a VarigLog e, posteriormente, a Varig. Grupo composto pelo fundo norte-americano Matlin Patterson e por uma trinca de “sócios” brasileiros.

 

Foram todos “convidados” a prestar esclarecimentos à comissão do Senado nesta quarta. Teixeira impôs duas condições:

 

1. Disse que só iria se pudesse falar aos senadores sozinho;

 

2. Exigiu que sua inquirição ocorresse depois da oitiva dos três empresários que se associaram ao fundo dos EUA na compra da Varig.

 

Antes que tivesse tempo de deliberar sobre as imposições de Teixeira, o presidente da comisssão de Infra-Estrutura, Marconi Perilo (PSDB-GO), foi informado do seguinte:

 

Liderados pelo empresário Marco Antonio Audi, os três sócios brasileiros da VarigLog, desafetos de Teixeira, mandaram dizer que não comparecerão à audiência do Senado.

 

Ou seja, o compadre de Lula faralará aos senadores exatamente como queria: sem o dissabor do contraditório.

 

Roberto Teixeira voltou às manchetes dos jornais porque Denise Abreu, ex-diretora da Anac, acusou-o de pressioná-la para que facilitasse a operação de venda da Varig.

 

Pressão exercida, segundo Denise, por meio da advogada Valeska, filha de Roberto Teixeira e afilhada de Lula.

 

Nas pegadas das acusações de Denise, o empresário Audi correu aos holofotes para declarar que Teixeira tivera importância capital no fechamento do negócio.

 

O compadre de Lula era, nas palavras de Audi, uma espécie de “Deus”. Abria “todas as portas” do governo. Virava inclusive a maçaneta do gabinete presidencial.

 

Sem a presença de Audi e dos outros dois “sócios” brasileiros do fundo Martlin Petterson –Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo—, Teixeira tende a nadar de braçada, como se diz.

 

Pela manhã, antes de saber que Teixeira falaria sozinho, Lula fizera uma avaliação do caso Varig. Deu-se em reunião com os ministros que integram a coordenação política do governo.

 

Concluiu-se no Planalto que as denúncias de Denise Abreu não produziram senão uma falsa crise. Mais: o depoimento de Teixeira não inspirava a mais remota preocupação.

 

À noite, um auxiliar de Lula informou ao chefe acerca da ausência de Audi e Cia.. Pescara a novidade no sítio do Senado. O presidente reagiu com um sorriso.

 

Para se justificar aos senadores, os empresários alegaram que têm um motivo forte para não arredar o pé de São Paulo.

 

Nesta quarta (18), o Tribunal de Justiça do Estado julga uma causa que tem tudo a ver com a encrenca.

 

Trata-se de um recurso que Marco Antonio Audi e seus dois companheiros de infortúnio ajuizaram contra uma liminar expedida pelo juiz José Magano, da 17ª Vara Civil de São Paulo.

 

A liminar afastou-os do controle da VarigLog. O que transformou o empresário Lap Chan, gestor do fundo Matlin Patterson, em senhor absoluto da companhia.

 

É esse passivo judicial que envenena as relações de Audi e seus sócios com Roberto Teixeira. O compadre de Lula postou-se na causa ao lado de Lap Chan. E os brasileiros, especialmente Audi, acusam-no de traição.

 

Lula não está sozinho na avaliação de que o caso Varig não decolou. A oposição, que cogitava até a hipótese de pedir a abertura de uma CPI, agora avalia que a coisa tem tudo para morrer nos hangares da comissão de Infra-Estrutura do Senado.

 

Antes, urdia-se a convocação da ministra Dilma Rousseff. Agora, prevê-se que talvez não se consiga arrastar para a comissão nem mesmo Erenice Guerra, a segunda da Casa Civil.

 

PS.: atualização feita às 16h desta quarta-feira (18) – Para evitar que Roberto Teixeira deitasse e rolasse, livre de qualquer perspectiva de contraditório, a oposição propôs o adiamento de sua inquirição.

 

Deseja-se, primeiro, ouvir os sócios brasileiros da VarigLog, em data a ser marcada. Contrariado, Teixeira deixou cópia da explanação que faria aos senadores.

 

Uma indicação de que pode não atender a um segundo convite da comissão de Infra-Estrutura (ouça).

 

De resto, o compadre do presidente aproveitou as luzes e os microfones que o seguiam para deitar falação. Isentou Lula e Dilma (ouça). Desancou Denise Abreu.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Decisão judicial viola os interesses dos (e)leitores

  Sérgio Lima/Folha
O juiz Francisco Carlos Shintate tomou nesta terça-feira uma decisão controversa, para dizer o mínimo.

 

O magistrado acolheu representações do Ministério Público Eleitoral contra a Folha, a Editora Abril e Marta Suplicy, candidata petista à prefeitura paulistana (íntegra aqui).

 

Marta concedeu entrevistas às duas publicações. Foram veiculadas em 4 de junho. E o juiz tachou as peças jornalísticas de “propaganda eleitoral”.

 

Impôs a Marta o pagamento de multa de R$ 42.564. Condenou o jornal e a editora a pagar R$ 21.282.

 

Com sua decisão, o juiz tenta impor aos meios de comunicação impressos uma lógica que, até aqui, só valia para emissoras de rádio e de TV.

 

A prevalecer o entendimento do magistrado, para levar a palavra dos candidatos aos seus leitores, jornais e revistas teriam de publicar, de uma tacada, entrevistas simultâneas com todos os candidatos.

 

A decisão é abusurda e desnecessária. Absurda porque pune o eleitor, sonegando-lhe a exposição das opiniões dos candidatos que disputam o seu voto.

 

Desnecessária porque, obviamente, Folha e Abril já veicularam ou ainda vão veicular entrevistas com os outros candidatos que têm alguma densidade eleitoral.

 

Em nota, a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) deu à sentenção do juiz Shintate o nome que ela merece: “censura”.

Escrito por Josias de Souza às 19h52

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‘Vamos votar CSS antes das eleições’, diz Agripino

  Lula Marques/Folha
Lideranças oposicionistas da Câmara e do Senado estão reunidas neste momento. Discutem a unificação da estratégia para a votação do projeto que recria a CPMF.

 

Antes de entrar para o encontro, José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, antecipou a conduta que se pretende adotar:

 

“Queremos que os deputados mandem logo o projeto da malfadada CSS para o Senado. É nosso desejo votá-la antes das eleições.”

 

Conforme já noticiado aqui, na noite passada, a oposição se deu conta de que a tática protelatória que vem adotando na Câmara serve, agora, aos interesses do governo.

 

“Desejo que a pauta seja desobstruída”, acrescenta Agripino. “Quero ver qual é o senador que vai votar a favor do aumento da carga tributária.”

 

A oposição receia que, passada a eleição, as resistências à CSS no Senado amoleçam. Ouça-se, de novo, Agripino:

 

“Queremos colocar em apreciação logo, para derrubar logo. Depois da eleição pode ser que alguns mudem de posição.”

 

Antes de seguir para o Senado, a votação do projeto que tonifica o orçamento da Saúde e que traz a CSS pendurada num de seus artigos precisa ser complementada na Câmara.

 

Nesta terça-feira (17), a fila de votações da Câmara inclui uma medida provisória. Matéria que tem preferência sobre todas as outras.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), propôs à oposição que suspenda a obstrução à votação da medida provisória. Com isso, a votação da CSS poderia ser complementada já na sessão de quarta (18).

 

A oposição condicionou a aceitação da proposta de Chinaglia ao resultado de seus líderes, ainda em curso. A julgar pelo que diz Agripino, PSDB e DEM devem dizer “sim” ao aceno de Chinaglia.

 

PS.: Atualização feita às 20h05 - Terminou há pouco a reunião dos líderes oposicionistas. Deliberaram o seguinte: topam apressar na Câmara a votação da proposta que inclui a CCS. Desde que o bloco governista concorde em apressar a votação do projeto também no Senado.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

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No Rio, delegado vincula militares a traficantes

Rafael Andrade/Folha
 

Parentes dos jovens mortos são recebidos no comando do Exército

 

O que parecia apenas inaceitável, começa a ganhar contornos de impensável. Ouça-se o que disse nesta terça-feira (17) o delegado Ricardo Dominguez:

 

"Há fortes indícios de que os militares tinham contato com os traficantes da Mineira, já que conseguiram entrar e sair da favela sem serem confrontados, sem problemas."

 

O delegado Dominguez é titular da 4ª Delegacia de Polícia do Rio. Cuida da apuração do envolvimento de militares do Exército na morte de três jovens.

 

São 11 os militares sob suspeição. Um tenente. Quatro sargentos. E seis soldados rasos.

 

Na noite de sábado (13), abordaram, no Morro da Providência, os três jovens. Detiveram-nos, sob a alegação de “desacato”.

 

No dia seguinte, descobriu-se que os detidos tinham virado cadáveres. Os corpos foram encontrados num aterro sanitário de Duque de Caxias.

 

Investiga daqui, apura dali, chegou-se ao inacietável: os militares entregaram os jovens da Providência a traficantes de uma favel rival: o Morro da Mineira.

 

Em depoimento à polícia, um dos militares disse que se desejava impor aos jovens um “corretivo”. E que corretivo! Espancamento. Tortura. Assassinato.

 

Sobreveio o impensável: a polícia fluminense requsitará à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos militares. Uma forma de atestar o vínculo com a bandidagem.

 

Como se fosse pouco, há ainda no caso um quê de abominável. O governo sempre alegou que o Exército não pode ser acionado em missões de segurança urbana.

 

Afora os entraves constitucionais, invocam-se argumentos ligados ao treinamento dos soldados: são preparados para a guerra, não para o exercício do poder de polícia. Teses que o ministro Tarso Genro (Justiça) repisou nesta terça (17).

 

Pois bem. O que faz o Exército no Morro da Providência? A resposta é clara como agu de bica: os militares policiam obras do governo federal.

 

O projeto chama-se Cimento Social. Recupera casas populares. As verbas são do PAC.  As obras são tocadas em regime de mutirão, sob supervisão e proteção do Exército.

 

Deve-se a idéia ao senador Marcelo Crivella. Expoente do PRB, partido do vice-presidente José Alencar, ele é candidato à prefeitura do Rio. Tem na Providência um celeiro de votos.

 

O comando do Exército manifestou-se contra o envolvimento de sua tropa na iniciativa. Mas Lula mandou fazer. E o ministro Nelson Jobim (Defesa) deu a ordem.

 

Chega-se, assim, ao abominável: meteu-se o Exército Brasileiro numa obra que serve aos interesses eleitorais de um senador que vai às urnas com o apoio de Lula.

 

Está-se diante de uma vistosa exceção. Não há vestígio da presença do Exército em nenhuma outra favela do país.

 

Os cadáveres deram visibilidade a uma anomalia que o brasileiro desconhecia. Agora, Lula se diz “indignado”. Despachou Jobim para o Rio. E o Exército começa a bater em retirada de uma encrenca em que não queria entrar. Sairá de fininho.

 

Tudo considerado, chega-se a uma conclusão inevitável: os 11 militares presos no Rio, por criminosos, devem ser tratados com os rigores da lei. Mas há muita gente nessa história que deve ao país um lote de explicações acerca do inexplicável.

Escrito por Josias de Souza às 18h15

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Cedido a Chinaglia, jatinho da FAB é ‘depenado’

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, foi à cidade paulista de Itapeva no último sábado (14). Deslocou-se nas asas da Força Aérea Brasileira.

 

Diz que estava em “missão oficial” (?!?!?). No fim do dia, de volta ao aeroporto local, o deputado foi abalroado por uma surpresa que o impediu de decolar.

 

O jatinho da FAB, um Learjet, fora “depenado” por malfeitores. Afanaram até peças da turbina.

 

Compelido a aguardar pela chegada de outra aeronave, que a FAB mandou vir de Recife, Chinaglia teve de dormir em Itapeva. Só foi “resgatado” no domingo.

 

Em outros tempos, poder-se-ia dizer que o caso é de “expropriação”.

Escrito por Josias de Souza às 16h32

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As manchetes desta terça

- JB: Brasil pode se beneficiar com crise

- Folha: Militares se envolveram na morte de jovens

- Estadão: Crédito imobiliário cresce 75,9% em 5 meses

- Globo: Tenente confessa crime e Exército entra em choque com moradores temporária de 11 militares

- Gazeta Mercantil: Acordo limita atuação de conselheiros

- Valor: Ritmo de consumo vigoroso puxa indústria no Nordeste  

- Estado de Minas: Pressão derruba Bejani. PF fecha cerca à máfia

- Jornal do Commercio: Mercado já prevê IGP-M de dois dígitos para o ano

Escrito por Josias de Souza às 07h12

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Partidos exigem presença de ministros em palanque

Na semana passada, reunido com todo o ministério, Lula fixou limites para a participação de seus auxiliares nas eleições municipais.

Ficou acertado que o seguinte: ministros só poderiam fazer campanha nos Estado em que nasceram ou naqueles em que têm domicílio eleitoral.

 

Sobreveio, porém, a chiadeira. Fizeram barulho principalmente o PP do ministro Márcio Fortes (Cidades) e o PR do ministro Alfredo Nascimento (Transportes).

 

As duas legendas querem que seus representantes na Esplanada freqüentem palanques em todo país.

 

Por trás do desejo de PP e PR está o PAC. Fortes e Nascimento controlam generosos pedaços do orçamento do PAC para 2008.

 

A pasta das Cidades dispõe de duas rubricas: R$ 1,78 bilhão gerido diretamente pelo ministério e mais R$ 446 milhões alocados na CBTU (Cia. Brasileira de Trens Urbanos).

 

Os Transportes controlam três rubricas: R$ 260 milhões em verbas diretas; R$ 123 milhões destinados à companhia de trens Valec e notáveis R$ 7 bilhões alocados no DNIT, o departamento que cuida da abertura e da manutenção de rodovias.

 

Para desassossego de Lula, que queria evitar a acusação de exploração política de um programa que é a menina de seus olhos, os partidos planejaram justamente o oposto.

 

Acossado pela pressão que vem de suas bases legislativas, o presidente convocou para esta terça-feira (17), uma nova reunião. Dessa vez apenas com parte do ministério.

 

Será às 11h, no Planalto. Além de Márcio Fortes e de Alfredo Nascimento, convocaram-se ministros que têm perfil político-partidário.

 

Entre eles Tarso Genro (Justiça), do PT; Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), do PMDB; e José Múcio (Coordenação Política), do PTB.

 

PS.: Como previsto, em reunião no Planalto, os ministros com filiação política encareceram a Lula que os autorize a fazer campanha onde bem entenderem. O presidente pediu tempo para pensar. Deve autorizar.

Escrito por Josias de Souza às 04h04

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Que venha a Argentina!

Paixão
 

PS.: Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Exército comete no Rio os erros que evitou no Haiti

 

PS.: Informe-se mais sobre o tema pressionando aqui, aqui, aqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Oposição cogita, agora, apressar a votação da CSS

  Beto Barata/Folha
Até aqui, a oposição fez o que pôde para retardar a tramitação do projeto que inclui a recriação da CPMF, rebatizada de CSS. Cogita, porém, alterar a estratégia.

 

Na Câmara, depois de amargar três adiamentos, o consórcio governista aprovou, na semana passada, o texto principal do projeto. Inclui o artigo que recria a CPMF.

 

Mas, para que a proposta seja enviada ao Senado, os deputados terão de votar ainda quatro destaques. O que é um destaque?

 

Trata-se de mecanismo previsto no regimento interno da Câmara. Permite aos deputados “destacar” pedaços do projeto, para que sejam votados separadamente.

 

A oposição serviu-se dos destaques justamente para retardar o envio da proposta ao Senado. Agora, PSDB, DEM e PPS discutem a hipótese de alterar a tática.

 

A oposição –ou parte dela—já se deu conta de que a protelação serve aos interesses do governo. Por que?

 

Às voltas com a resistência de senadores governistas, a tropa aliada de Lula trama retardar a votação da CSS no Senado para depois das eleições municipais de outubro.

 

Imagina-se que, livres do risco de retaliação do eleitorado, os senadores do consórcio partidário que dá suporte a Lula se animariam a dizer “sim” à volta da CPMF.

 

Farejando o cheiro de queimado, líderes da oposição, sobretudo os do DEM, passaram a considerar a conveniência de levar o projeto a voto no Senado antes da eleição.

 

Nesta terça-feira (17), o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), pretende procurar os líderes. Quer combinar a votação dos quatro destaques pendentes.

 

Antes de acertar-se com Chinaglia e com os líderes governistas da Câmara, os deputados de oposição vão sentir o pulso de seus pares no Senado.

 

Dependendo do resultado das consultas, os deputados do PSDB e do DEM podem levantar as barricadas que erigiram no plenário da Câmara.

 

A depender da vontade dos senadores do DEM, os obstáculos serão removidos. Resta acertar a mudança de estratégia com a cúpula do PSDB. O que será feito nesta terça.

 

No Senado, a oposição dispõe de uma vantagem que não teve na Câmara: o relator do projeto que traz em seu bojo a ressurreição da CPMF será um oposicionista.

 

A escolha do nome caberá ao presidente da Comissão de Justiça do Senado, Marco Maciel (DEM-PE). Ele pende para a indicação da colega Kátia Abreu (DEM-TO).

 

Vem a ser a mesma senadora que, em dezembro de 2007, relatou a emenda que propunha a renovação da CPMF. Deu, como se recorda, parecer contrário.

 

Dá-se agora o oposto do que ocorreu quando da análise da CPMF. Naquela ocasião, a oposição procrastinou. E o governo pisou no acelerador.

 

Agora é o líder de lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), quem acena com a hipótese de esticar o calendário.

 

Movido pelo interesse de jogar a votação da CSS para depois das eleições, Jucá avisa que não pretende abrir mão da realização de audiências públicas.

 

Antes de chegar ao plenário do Senado, o projeto terá de passar por três comissões: a de Assuntos Sociais, a de Assuntos Econômicos e a de Justiça.

 

Jucá considera indispensável, por exemplo, ouvir a opinião do ministro José Gomes Temporão (Saúde).

 

Sabe-se, de antemão, que Temporão é a favor. Mas Jucá quer porque quer ouvir o ministro.

Escrito por Josias de Souza às 03h03

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Governo estuda reajuste maior para os aposentados

Aumento seria acima da inflação e vigoraria em 2009

Simultaneamente, tenta-se sepultar a ‘emenda Paim’

 

Alan Marques/Folha

 

A aversão de Lula à proposta que estende o reajuste do salário mínimo a todos os aposentados envenenou as relações do governo com os brasileiros que dependem da Previdência para sobreviver.

 

Preocupado, o Planalto está à procura de um antídoto. Com o assentimento do presidente, analisa-se a hipótese de conceder um reajuste adicional aos aposentados e pensionistas que recebem mais do que o mínimo.

 

Estão nessa situação cerca de 8 milhões de pessoas. Em abril de 2008, tiveram seus benefícios reajustados em 5%. Um percentual que apenas corrigiu a variação da inflação anotada nos 12 meses anteriores: 4,97%.

 

No mesmo mês, os 17 milhões de aposentados que recebem a menor remuneração paga no país foram beneficiados com reajuste idêntico ao do salário mínimo: 9,21%. Passaram a receber R$ 415.

 

Foi para corrigir o que chama de “injustiça” que o senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou a emenda que estende a todos os benefícios previdenciários o percentual de reajuste do mínimo.

 

Aprovada no Senado por unanimidade, a proposta foi à Câmara. Ali, já foi votada por uma comissão constituída especialmente para analisá-la. Passou, de novo, por unanimidade. Encontra-se agora pronta para ser votada no plenário da Casa.

 

O Planalto trama contra a emenda. Lula disse que, se for aprovada, vai usar o poder de veto conferido ao presidente. Mas, para não se indispor de vez com os aposentados, autorizou a análise de concessão de aumento adicional.

 

A idéia, ainda em fase inicial de cozimento, é conceder aos “injustiçados” de que fala Paulo Paim aumento real. Acima da inflação, mas menor do que o percentual concedido ao salário mínimo.

 

Como não há, no Orçamento de 2008, previsão para esse tipo de gasto, a coisa valeria apenas para 2009. E não teria o caráter “vinculante” que a emenda do senador tenta instituir.

 

O estudo encontra-se em fase embrionária. Antes de deixar o ministério da Previdência, para mergulhar na campanha pela prefeitura de São Bernardo (SP), Luiz Marinho reuniu-se com dirigentes de entidades que representam os aposentados.

 

O encontro ocorreu em São Paulo. Serviu para que o então ministro constatasse o óbvio: os aposentados trazem acima do pescoço um cara de poucos amigos.

 

O deputado petista José Pimentel, substituto de Marinho na pasta da Previdência, pegou o bonde andando. Planeja realizar, ele próprio, novas reuniões com as entidades representativas dos aposentados.

 

Na seqüência, o tema será discutido com a equipe econômica do governo. É nessa fase que a porca tende a torcer o rabo.

 

Caberá a Lula mediar uma solução. Ou comprar briga com os aposentados, se ficar constatada a impossibilidade de chegar ao meio-termo redentor.

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Fardo tributário pesa 38,9% do PIB no 1º trimestre

  Renato Stockler/Folha
Os dados foram colecionados pelo IPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Indicam que, entre janeiro e março de 2008, tonificou-se a sanha arrecadatória.

 

O Estado beliscou do bolso de físicas e das caixas registradoras de empresas 38,9% de toda a riqueza produzida no país no primeiro trimestre.

 

Comparando-se com o mesmo período do ano passado, verifica-se que houve um aumento de 1,87 ponto percentual.

 

Tomando-se por base os valores nominais da coleta de tributos, descobre-se que houve crescimento de 16,75% — arrecadação de R$ 221,75 bilhões nos primeiros três meses de 2007; e de R$ 258,9 bilhões em 2008.

 

Os números vêm à luz às vésperas do reinício da tramitação, na Câmara, do projeto que tonifica o orçamento da Saúde e recria a CPMF, agora chamada de CSS.

Escrito por Josias de Souza às 19h26

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É inflação pra cá, inflação pra lá, inflação pra acolá!

  Luiz Carlos Murauskas/Folha
Eles só falam dela. Começou pela manhã, no programa ‘Café com o Presidente’. Depois de uma fase de superestímulo ao crédito e ao consumo, Lula recomendou moderação:

 

“Se a gente continuar consumindo mais do que a gente produz, o resultado é que a gente tenha uma inflação..."

 

Mais tarde, em homenagem que lhe prestou a Bolsa de Valores de São Paulo, Lula voltou ao assunto. Disse que o combate à nefasta é prioridade.

 

"O controle de inflação será prioridade em nosso governo e temos instrumentos para isso. Vamos controlar a inflação, mantendo crescimento sustentável...”

 

“...O Banco Central continua administrando a política monetária de modo que a garantir que a inflação dentro do intervalo especificado pelo governo...”

 

“...Olhando para além das turbulências, eu tenho confiança que o Brasil pode enfrentar a atual onda inflacionária mundial e continuar no rumo do desenvolvimento econômico e social."

 

No mesmo evento, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que, passada a fase de medidas duras, o Btrasil entra num círculo virtuoso.

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) ecoou as preocupações: "A inflação no Brasil subiu menos que em outros países...”

 

“...Isso demonstra o acerto da nossa política econômica, monetária e fiscal, que está combatendo essa inflação. Não dará trégua à inflação, não permitirá que ela se instale...”

 

“...Porém, ao mesmo tempo, não abortará o crescimento. Hoje, nós reunimos as condições que não tínhamos no passado."

Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Bejani, o prefeito de Juiz de Fora, pede pra sair

El Roto/El Pais
 

 

Como se sabe, o sistema de pilhagem que domina o setor público é antigo e bem-sucedido. Às vezes, porém, exagera-se. Foi o que se deu em Juiz de Fora (MG).

 

Sob Alberto Bejani (PTB-MG), a prefeitura da cidade migrou do estágio da rapinagem clássica para o de escândalo desbragado.

 

Exposto em rede nacional numa fita em que aparece mordendo propina de empresas concessionárias de ônibus, o prefeito pediu pra sair.

 

Foi uma renúncia atípica. Bejane rubricou o documento no calabouço, onde se encontra hospedado desde a última quinta-feira (12).

 

Já virou freguês da cana federal. Em dois meses, é a segunda vez que desfruta das facilidades da hospedaria.

 

Bejani saiu porque, se ficasse, seria corrido pelos vereadores. Varejado por uma CPI local, o prefeito arrostaria um pedido de impeachment.

 

Às vezes, o escândalo é tão escandaloso que fica impossível não reagir. Nem que seja com uma boca de nojo.

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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As manchetes desta segunda

- JB: Polícia pedirá prisão de 11 militares  

- Folha: Inflação já afeta 71% dos preços pesquisados

- Estadão: Inflação freia vendas no Norte e Nordeste

- Globo: Justiça decreta prisão temporária de 11 militares

- Gazeta Mercantil: Mais empresas brasileiras ampliam internacionalização  

- Correio: Flanelinhas privatizam estacionamento público

- Valor: Novo ciclo de riquezas virá com a potência do petróleo

- Estado de Minas: Os extremos da violência em BH

Escrito por Josias de Souza às 08h10

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Homem público!

Angeli
 

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h50

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Governo já prevê inflação acima de 6% até dezembro

Alta dos preços produziu súbita unificação de discurso

Antes crítica do BC, Fazenda agora apóia alta de juros

Avalia-se, porém, que tática demorará a surtir efeitos

 

  Edu Enfeldt
No acumulado de doze meses, contados de maio para trás, a inflação medida pelo IPCA bateu em 5,58%. Vai piorar, eis o que indicam as previsões do governo.

 

A despeito da resposta do Banco Central, que iniciou em abril um ciclo de alta da taxa de juros, dá-se de barato que, até dezembro, o índice anualizado da inflação deve ultrapassar os 6%.

 

A peleja do governo agora é para evitar que o índice feche o ano de 2008 acima de 6,5%. A meta inflacionária fixada pelo BC para o ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima.

 

Ou seja, se conseguir segurar o IPCA em 6,5% –ou um pouco abaixo disso—, o governo terá como sustentar o discurso de que se manteve dentro da meta. Algo que Henrique Meirelles, presidente do BC, transformou em questão de honra.

 

O recrudescimento da inflação produziu no governo um efeito até bem pouco inimaginável. A equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda) parou de desancar Henrique Meirelles e seu time.

 

Há agora em Brasília um discurso unificado. Outrora crítica da opção preferencial do BC pela elevação dos juros, a Fazenda como que deu o braço a torcer.

 

O problema é que, tanto na Fazenda como no BC, estima-se que o arrocho monetário não surtirá efeitos do dia para a noite. Os mais otimistas acham que a inflação começa a declinar em novembro.

 

Algo que os pessimistas acham que só virá no início de 2009. Preocupado, Lula prestigia a posição de Meirelles. Repassaram-se ao presidente dados que ratificam o que o presidente do BC vinha lhe dizendo entre quatro paredes.

 

A carestia já naos se restringe aos alimentos, vem afirmando, há quase um mês, o presidente do Banco Central. O presidente foi informado de que, de fato, a alta de preços generaliza-se.

 

Lula nunca foi de interferir nas decisões do Copom, o Conselho de Política Monetária, responsável pela política de juros. Mas jamais deixou de queixar-se a Meirelles nas ocasiões em que a taxa Selic era puxada para o alto.

 

Na última reunião, repetindo a dose de abril, o Copom apimentou os juros em 0,5 ponto percentual –foi de 11,74% para 12,25% ao ano. E Lula não repetiu as queixas costumeiras.

 

Na semana passada, o BC divulgou a ata da reunião. No texto, deixou antever que vai reforçar a dose:

 

"O Comitê acredita que a atual postura de política monetária, a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas.”

 

E Lula, de novo, não pronunciou uma palavra que pudesse ser entendida como crítica. Nem em público nem entre quatro paredes.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Câmara realiza audiência do ‘caso Alstom’ nesta 3ª

Hazir Reka/Reuters
 

 

A Câmara dos Deputados discute nesta terça-feira (17) um tema que o PSDB conseguiu interditar na Assembléia Legislativa de São Paulo: o caso Alstom.

 

A encrenca será debatida em audiência pública marcada para as 14h30, na Comissão de Desenvolvimento Econômico.

 

Tenta-se atrair para o ambiente legislativo uma apuração que vem sendo conduzida pelo Ministério Público –o Federal e o do Estado de São Paulo.

 

A Alstom é uma das maiores empresas do mundo nos setores de transporte e energia. Encontra-se sob investigação na Suíça e na França.

 

Acusam-na de pagar propinas a funcionários públicos e a políticos da Ásia e da América Latina para beliscar contratos milionários na esfera pública.

 

No Brasil, fez negócios com os sucessivos governos tucanos de São Paulo –de Mário Covas a José Serra, passando por Geraldo Alckmin.

 

As maiores suspeitas recaem, por ora, sobre os períodos de Covas e Alckmin. Uma delas envolve um suborno de R$ 3,4 milhões.

 

Dinheiro que, segundo investigadores suíços, molhou a mão de servidores públicos e políticos. E assegurou contratos com a Eletropaulo e com o metrô de São Paulo.

 

A Alstom também fechou negócios em outros Estados e em estatais federais. Entre elas a Eletrobrás.

 

Chama-se Aloísio Vasconcelos um dos convidados para a audiência pública da Câmara. Vem a ser presidente da Alstom no Brasil. Encontra-se afastado do cargo.

 

Em maio passado, foi incluído pelo Ministério Público no rol de 61 denunciados da Operação Navalha, aquela que esquadrinhou as malfeitorias da empreiteira Gautama.

 

Aloísio escalou o pólo passivo da denúncia não por conta dos negócios da Alstom, mas por atos que praticou à época em que presidiu, sob Lula, a Eletrobras.

 

Comandou a estatal entre o final de 2005 e todo o ano de 2006. Homem do PMDB, ganhara o posto por indicação dos senadores José Sarney e Renan Calheiros.

 

Na Eletrobrás, Aloísio era subordinado ao então ministro Silas Rondeau (Minas e Energia), outro apadrinhado de Sarney denunciado na Operação Navalha.

 

Autoras da denúncia, as subprocuradoras da República Célia Regina Delgado e Lindôra Araújo acusam Aloísio de ter propiciado o desvio de verbas do Luz para Todos, programa prioritário da gestão Lula.

 

Além de Aloísio, os deputados da Comissão de Desenvolvimento Econômico convidaram para a audiência desta terça dois membros do Ministério Público.

 

São eles: Silvio Marques, do MP de São Paulo; e Rodrigo de Grandis, do MP Federal. A dupla requisitou e obteve a papelada recolhida pela Procuradoria da Suíça sobre as estripulias da Alstom no Brasil.

 

De resto, a lista de convidados inclui o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.

 

Deve-se aos deputados Fernando Praciano (PT-AM) e Ivan Valente (PSOL-SP) a apresentação da proposta de audiência.

 

Um pedido que o presidente da comissão, Jilmar Tatto (PT-SP), não hesitou em levar a voto. Foi aprovado há 13 dias, por dez votos contra sete.

 

Tatto é velho aliado da candidata petista à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy. Está na briga para compor a chapa da ex-ministra do Turismo, na condição de vice.

 

É justamente para evitar que o caso Alstom vire um tema da campanha paulistana que o PSDB acionou a sua tropa de elite na Assembléia Legislativa.

 

Majoritário, o tucanato interditou o debate no Estado. A audiência da Câmara abre em Brasília um dique alternativo.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Índios da Raposa Serra do Sol buscam apoio europeu

 

Encontram-se na Europa duas lideranças indígenas de Roraima. Foram buscar apoio em favor da ratificação, pelo STF, do decreto que demarcou a reserva indígina Raposa Serra do Sol.

 

A turnê européia é capitaneada pelo "macuxi" Jacir de Souza, membro do CIR (do Con­selho Indígena de Roraima); e pela "wapichana" Pierlangela da Cunha, coordenadora da OPIR (Organização dos Professores Indígenas de Roraima).

 

Os líderes indígenas são ciceroneados pelo antropólogo espanhol Luis Ventura. Deu-se à cruzada o nome de “Anna Pata, Anna Yan”, que significa “Nossa Terra, Nossa Mãe.”

 

A turnê européia começou pela Espanha. Nos próximos dias, se extenderá à França, Inglaterra, Alemanha e Itália.

 

Na fase final, os representantes dos índios vão á Bélgica. Ali, serão recebidos no Parlamento Europeu.

 

A peregrinação encerra-se em Portugal, entre os dias 3 e 7 de julho. De Lisboa, o makuxi Jacir e a wapichana Pierlangela retornam a Roraima.

 

Além de suporte político, os índios pedem auxílio financeiro internacional. Alegam que precisam de dinheiro para a defesa de sua causa. Não se sabe, aliás, quem financia a turnê européia.

 

Demarcada sob FHC, a reserva indígena Raposa Serra do Sol foi ratificada por um decreto de Lula, em 2005. A despeito disso, produtores de arroz permaneceram na área.

 

Em ação movida no STF, o senador Augusto Botelho (PT-RR) questionou a demarcadação. Em petição protocolada no Supremo, o governo de Roraima fez o mesmo. O julgamento da causa, que ocorreria em junho, foi adiado para agosto.

 

A Polícia Federal chegou a se deslocar para a região com a propósito de retirar os arrozeiros à força. O tempo fechou. E, em decisão liminar (temporária), o STF sustou a ação da polícia.

 

No início de maio, índios se confrontaram com seguranças do arrozeiro Paulo César Quartiero. Sob a alegação de que sua propriedade fora invadida, Quartiero mandou que seus funcionários reagissem a bala. A PF socorreu os feridos.

 

Além de produtor de arroz, Quartiero é prefeito do município de Pacaraima (RR) chegou a ser detido pela PF. Foi transferido para a carceragem de Brasília. Mas um habeas corpus determinou que fosse posto em liberdade.

 

O périplo europeu dos indígenas ganhou adesão instantânea de uma revista de Portugal. Chama-se Fátima Missionária. É cinqüentenária. Tem 33 mil assinantes.

 

Em sua página na internet, a publicação portuguesa veicula peças com viés nitidamente favorável à causa indígena. Ali, os arrozeiros são tratados como malfeitores.

 

“Os arrozeiros devem ser impedidos de continuar a enviar jagunços para abrirem fogo contra os indígenas que vivem pacificamente em suas terras” anota um dos textos da Fátima Missionária.

 

“A presença deles na área da Raposa Serra do Sol é altamente prejudicial. Produzem arroz sem nenhum cuidado ambiental, desviam cursos de água, utilizam produtos agrários tóxicos, destroem as matas ciliares...”

 

“...Abatem o património público, como as pontes, lançam bombas caseiras contra os índios. Para que cesse a violência, a intimidação e as sucessivas ameaças, as comunidades da Raposa Serra do Sol exigem que eles abandonem o seu território...”

 

A revista divulgou as peças que compõem o arsenal mobilizado simultaneamente à viagem dos líderes indígenas à Europa.

 

Há, entre outras peças: o “texto base” da campanha; um vídeo com o arranca-rabo ocorrido na propriedade do arrozeiro César Quetiero (assista lá no alto); uma carta a ser enviada a Lula; um abaixo assinado em favor da causa indígena, escrito pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos; e um texto de Frei Beto.

 

A missão européia dos índios deve tonificar a pregação dos arrozeiros e seus simpatizantes. Um discurso que pode ser resumido numa frase, dita por César Quartiero em 28 de maio:

 

"A questão dos índios está mal colocada. Existem ONGs que incentivam a violência dentro das comunidades."

Escrito por Josias de Souza às 20h13

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Yeda acusa Tarso de ‘conspiração’ e ministro reage

  Wilson Dias/ABr
Acossada por denúncias de corrupção em seu governo, a governadora Yeda Crusius (PSDB) jogou lenha federal na fogueira que arde no Estado do Rio Grande do Sul.

 

Yeda acha que está sendo vítima de uma conspiração. Enxerga a sombra do ministro petista Tarso Genro (Justiça) por trás do movimento.

 

Tarso é pai da deputada Luciana Genro (PSOL-RS). Candidata à prefeitura de Porto Alegre, Luciana protocolou, na semana passada um pedido de impeachment de Yeda.

 

Tarso é, também, chefe e amigo do delegado Ildo Gasparetto, mandachuva da Polícia Federal gaúcha, que investiga as malfeitorias que roem a administração estadual.

 

Todos eles –o ministro, a filha dele e o delegado— são originários, diz a governadora, da cidade de Santa Maria (RS). Yeda inquieta-se:

 

"Será que isso é coincidência? Será que é só porque todo mundo da investigação é de Santa Maria?"

 

As suspeitas da governadora tucana foram veiculadas na última edição de Veja (só para assinantes). Neste domingo, o gaúcho Tarso Genro reagiu.

 

“A governadora se mostra excessivamente tensa e instável (...) Os alvos que ela tem buscado atingir são equivocados”, disse o ministro.

 

Tarso negou que o delegado Gasparetto seja de Santa Maria. E deu de ombros para a tese conspiratória: “A Polícia Federal age dentro da legalidade.”

 

A menos que Yeda Crusius apresente à platéia algo além de vagas suspeitas, fica no ar a impressão de que a lenha da governadora visa levantar uma cortina de fumaça.

 

De concreto, tem-se, por ora, apenas as malfeitorias. As do Detran (R$ 44 milhões de desvios), já identificadas. E tantas outras, ainda sob apuração.

 

Yeda argumenta que as arcas do Detran começaram a ser violadas na gestão do antecessor Germano Rigotto (PMDB-RS). Tem razão. Mas só até certo ponto.

 

A apuração da Polícia Federal e do Ministério Público verificou que, de fato, os desvios começaram em 2003. Mas continuaram, a pleno vapor, depois da posse de Yeda, em 2006.

 

De resto, o único “conspirador” gaúcho conhecido é Paulo Feijó (DEM), o vice-governador de Yeda. Gravou e divulgou conversa comprometedora com o ex-chefe da Casa Civil Cezar Busatto.

 

Uma gravação que deixou evidente o rateio que Yeda fez de empresas e autarquias gaúchas entre os partidos que lhe dão suporte na Assembléia Legislativa.

 

A fita do vice Feijó produziu a instalação de uma força tarefa do Ministério Público. Novas investigações. Que levarão a outras perversões. Haja conspiração!

Escrito por Josias de Souza às 17h54

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‘Se Obama ganhar será grande evolução’, diz Lula

Alan Marques/Folha
 

 

Lula observa a cena eleitoral dos EUA com nítida simpatia pelo candidato democrata Barack Obama. Foi o que deixou antever em entrevista ao JB, veiculada neste domingo (15).

 

Instado a se posicionar, o presidente saiu-se com um “não posso dizer”. Na seqüência, porém, deixou evidente sua predileção por Obama:

 

“O Monteiro Lobato escreveu que um dia haveria uma disputa entre uma mulher e um candidato negro nos Estados Unidos ...”

 

“...É o que está acontecendo com o Barack Obama. Eu acho que é uma revolução na cabeça do eleitorado americano...”

 

“...Se Obama ganhar será mostra de grande evolução. Essa é a grande novidade desses últimos 100 anos da História...”

 

“...E Deus queira que, ganhando as eleições, ele possa ter uma política dos Estados Unidos diferente para América Latina...”

 

Lula brincou com o fato de o ministro Mangabeira Unger (Assusntos Estratégicos) ter sido professor de Obama em Harvard:

 

Disse que não telefonou para o candidato quando de sua vitória nas prévias em que mediu forças com Hillary Clinton. E acrescentou, entre risos:

 

“...Mas tem a vantagem que o Mangabeira Unger foi professor dele em Harvard. É um companheiro, indiretamente.”

 

De resto, Lula discorreu sobre a conjuntura interna. Disse que não sonha com um retorno à presidência da República.

 

Afirmou que, em 2010, não será candidato senão à aposentadoria. "O meu lema é o seguinte: dia 1º de janeiro de 2011, eu entregarei a presidência da República para alguém e vou para a minha casa conviver com a minha família..."

 

"...Não tenho tenho interesse de ser candidato a senador, a governador, a vereador. Nada."

 

Declarou que vai registrar em cartório um documento com suas "realizações". Entregará o papel ao sucessor e à imprensa.

 

Afirmou que ainda não se decidiu por Dilma Rousseff como melhor opção para sucedê-lo. Mas derramou-se em elogios à "capacidade gerencial" da ministra.

 

Repisou a tecla de que o governo não assumirá o interesse pela aprovação da CSS. Ainda que isso leve à rejeição do sucessor da CPMF no Senado.

 

E revelou que trabalha com a perspectiva de que o Brasil se torne a segunda ou terceira potencia petrolífera do mundo. Quer criar um fundo educacional com a renda do petróleo.

 

Pressionando aqui, você chega à entrevista.

Escrito por Josias de Souza às 03h46

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As manchetes deste domingo

- JB: Não sonho em voltar, afirma Lula

- Folha: Governo quer mais imposto de mineração

- Gazeta Mercantil: Mais empresas brasileiras ampliam internacionalização

- Correio: Filhos deste solo, sem a mãe gentil

- Valor: Queda no registro de patentes frustra política industrial

Escrito por Josias de Souza às 03h43

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Toma que o filho é teu!

Marco Aurélio
 

PS.: Via sítio da Zero Hora.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Por CSS, governo liberou R$ 328,6 mi em emendas

Por CSS, governo liberou R$ 328,6 mi em emendas

Só na última semana de maio, liberaram-se R$ 98 mi

Entre 2 e 11 de junho, dia da votação, mais R$ 92 mi

Maiores beneficiados foram os governistas PMDB e PT

As verbas constam de ‘empenhos’ registrados no Siafi

 

  Orlandeli
A votação da emenda que recria a CPMF, sob o apelido edulcorado de CSS, teve o condão de abrir os cofres do governo para os congressistas.

 

Em 45 dias –todo o mês de maio e os primeiros 11 dias de junho— o Planalto mandou empenhar R$ 324 milhões em emendas injetadas no Orçamento pelos parlamentares.

 

Foram R$ 236,6 milhões em maio. Dos quais R$ R$ 98 milhões apenas na última semana do mês, quando o debate sobre o novo tributo eletrizava a Câmara.

 

Mais R$ 92 milhões entre 2 de junho e o dia da votação, ocorrida na última quarta-feira (11). Para ser exato: R$ 91.870.283,86.

 

Houve um nítido incremento nas liberações à medida que o dia da votação ia se aproximando. Em abril, o governo liberara R$ 70,2 milhões.

 

Somando-se essa cifra de abril às demais, chega-se a um montante ainda maior de emendas empenhadas: R$ 398,8 milhões.

 

No Planalto, alega-se que uma coisa (o lote de emendas) nada tem a ver com a outra (a CSS). Argumenta-se que as liberações beneficiaram também os oposicionistas.

 

Os registros do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) desenham, porém, um quadro diferente do esboçado nas versões oficiais.

 

O blog obteve um detalhamento do dinheiro empenhado nos primeiros dias de junho. Há, de fato, emendas de congressistas da oposição.

 

Dois exemplos: 1) ACM Neto (BA), líder do DEM, foi aquinhoado com um empenho de R$ 324,6 mil; 2) José Aníbal (SP), líder do PDSB, foi aquinhoado com R$ 100 mil. Ambos votaram contra a CSS.

 

Correndo os olhos por todo o levantamento de junho, porém, tem-se a impressão de que a oposição freqüenta a lista apenas para dar ares de normalidade ao “Bolsa Emenda”.

 

As maiores beneficiárias são mesmo as legendas do consórcio governista. Vai abaixo a relação de junho:

 

PMDB: R$ 25,6 milhões;

PT: R$ 16,2 milhões;

PR: R$ 6,7 milhões;

PSB: R$ 5,9 milhões;

PP: R$ 3,7 milhões;

PSDB: R$ 3,5 milhões;

PTB: R$ 2,8 milhões;

PMN: R$ 2,8 milhões;

PV: R$ 2,65 milhões;

PDT: R$ 1,8 milhão;

PPS: R$ 1,2 milhão;

DEM: R$ 998 mil;

PCdoB: R$ 995 mil;

PTdoB: R$ 988 mil;

PHS: R$ 300 mil;

PSC: R$ 243,7 mil;

PSOL: R$ 100 mil;

PRB: R$ 79,5 mil.

 

Houve, de resto, a emissão de empenhos para emendas apresentadas em conjunto pela bancada dos deputados de São Paulo: R$ 15,4 milhões.

 

A despeito da abertura do cofre, a CSS foi aprovada pela escassa margem de dois votos. O governo precisava de 257. Anotou no painel eletrônico 259.

 

Um vexame quando se considera que, no ano passado, o governo amealhara notáveis 333 votos a favor da emenda que prorrogava a CPMF, derrubada depois no Senado.

 

Por ora, as emendas liberadas ganharam o status de notas de empenho. Significa que o governo reservou o dinheiro para gastar. Mas ele continua no cofre.

 

Até a efetivação do gasto, os contemplados continuam na coleira do Planalto. Conveniente. A proposta que ressuscita a CPMF ainda depende de outras votações.

 

Na Câmara, o projeto foi dividido em fatias. Aprovou-se, por enquanto, apenas o artigo que cria o velho tributo sob nova denominação. Falta votar mais quatro emendas.

 

Depois, a encrenca vai ao Senado. Ali, há dois problemas: os senadores são, tradicionalmente, menos suscetíveis aos encantos das emendas. E...

 

E a lei eleitoral proíbe o empenho de novos gastos a partir do final de junho. Novas liberações só poderão ser feitas depois das eleições municipais de outubro.

 

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Está preocupado com a inflação? Não? Pois deveria!

Está preocupado com a inflação? Não? Pois deveria!

Imagens Banco do Brasil
Medida pelo IPCA, índice do IBGE, que o governo adota como oficial, a inflação dos últimos 12 meses (até maio) bateu em 5,58%.

 

Parece pouco quando comparado aos 31,79% registrados em agosto de 1993. Mês em que FHC, ministro da Fazenda de Itamar, dava formato final ao Plano Real.

 

É quase nada quando confrontado com os 84% de dezembro de 1990. Mês em que Maílson da Nóbrega se descabelava no ministério da Fazenda de Sarney.

 

Descabelava-se a ponto de sugerir ao chefe, em reunião ministerial tensa, que antecipasse a posse do sucessor Fernando Collor.

 

Os brasileiros mais jovens, na casa dos 20 anos, têm dificuldade para entender por que os 5,58% de Lula foram pendurados nas manchetes como um sinal vermelho.

 

Só quem viveu sob o país da superinflação alcança os riscos escondidos atrás da carestia que voltou a tonificar os índices que medem a inflação.

 

Houve um tempo em que o Brasil era um país monotemático. O desafio econômico sufocava os demais. As demandas sociais vinham no fim da fila de prioridades.

 

Sob Sarney, os preços eram remarcados nas gôndolas à velocidade de três vezes ao dia. O sujeito recebia o salário e corria ao supermercado.

 

Era o tempo dos pacotes econômicos. Dormia-se com uma moeda e acordava-se com outra. Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, novamente Cruzeiro, Real...

 

A certa altura, chegou-se a tamanho grau de degenerescência monetária, que o governo foi compelido a trocar o visual das cédulas.

 

Impunha-se a brasileiros ilustres um massacre metafórico. A pretexto de venerar-lhes a memória, o Banco Central estampava no dinheiro efígies de filhos ilustres da pátria.

 

Arrancado do túmulo, o homenageado era lançado no mercado com um determinado valor e, no minuto seguinte, enredava-se numa ciranda que o consumia até a morte.

 

Depois de humilhado, o homenageado era substituído por uma cara nova. A última vítima foi o educador Anísio Teixeira. Ilustrou a nota de mil na fase em que o dinheiro chamava-se Cruzeiro Real.

 

Mercê dos constrangimentos, optou-se por interromper os ''assassinatos em série.'' Passou-se a imprimir notas ilustradas com o índio, o beija-flor, a garça, a arara, a onça...

 

O Real interrompeu a fase de desmoralização. Um feito obtido sob Itamar, ameaçado pela aventura cambial de FHC e devolvido aos trilhos na gestão de um Lula que teve a sabedoria de mandar ao lixo a cartilha econômica do ex-PT.

 

O Brasil passou a cuidar de seus outros flagelos. Não faria sentido retroceder agora. Daí o alarido dos 5,58%. O índice é tímido. E convém zelar para que continue assim.

 

Dá-se de barato no governo que, até dezembro, a inflação deve ultrapassar a marca dos 6%, distanciando-se da meta de 4,5%.

 

Providências adotadas agora demoram a surtir efeito. Há, de resto, a preocupação com a dosagem no manuseio do freio da locomotiva.

 

Sabe-se que a elevação dos juros não é –ou não deveria ser—o único remédio. Há mais a fazer. Muito mais.

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) deveria adotar como única ferramenta de trabalho uma tesoura. Ele sabe disso. Diz que os gastos públicos estão sendo contidos.

 

Porém, a julgar pelos indicadores do IBGE, o ministro leva no bolso, se muito, um canivete. A novíssima geração não merece. Os brasileiros mais antigos muito menos.

Escrito por Josias de Souza às 20h20

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Cercado de tucanos, Kassab vira o candidato do DEM

  Marcelo Justo/Folha
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), deixou de ser pré-candidato à reeleição. Tornou-se, neste sábado (14), candidato.

O nome de Kassab foi referendado numa convenção ‘demo’ apinhada de tucanos. Entre eles o vice-governador Alberto Goldman (PSDB), na foto ao lado do prefeito.

 

Simultaneamente e no mesmo local –a Assembléia Legislativa de São Paulo—também o PMDB de Orestes Quércia realizou sua convenção municipal.

 

Os peemedebistas ratificaram a opção pela aliança com Kassab. Vão ao palanque ao lado do DEM e de outras duas legendas que, em Brasília, dá suporte a Lula: PV e PP.

 

O DEM, como previsto, esquivou-se de aprovar o nome do vice de Kassab. Propositadamente, deixou-se a vaga em aberto, à espera de um tucano.

 

O PSDB realiza sua convenção no próximo dia 22. Vai à mesa o nome de Geraldo Alckmin. Que pode ter de enfrentar uma proposta alternativa de coligação com o DEM.

 

O nome de Serra foi pronunciado um sem-número de vezes na convenção ‘demo’. O vice Goldman fez questão de dizer que foi ao encontro em nome do governador.

 

No discurso, como que realçando a dicotomia vivida pelo tucanato paulista, Goldman chamou o DEM pelo antigo nome: PFL. Como se fosse pouco, trocou Kassab por Alckmin.

 

"O governador Serra, em nome dele, venho trazer a saudação aos companheiros do PFL e suas lideranças, consolidando a candidatura de Geraldo Alckmin. Desculpe, Gilberto Kassab."

 

A despeito do pedido de desculpas instantâneo, ouviu-se uma estrepitosa vaia.

Escrito por Josias de Souza às 19h53

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61,8% dos gaúchos apóiam atitude de vice de Yeda

Desaprovação ao governo tucano do RS alcança os 62,2%

 

  Wilson Dias/ABr
Ao gravar e divulgar conversa comprometedora que teve com o ex-chefe da Casa Civil da governadora Yeda Crusius (PSDB), o vice-governador Paulo Feijó (DEM) despertou reações antagônicas.

 

No universo da política, Feijó inspirou a ira. Seu partido, o DEM, abriu contra ele um processo disciplinar que, no limite, pode levar à sua expulsão dos quadros da legenda.

 

Na sociedade, porém, o comportamento atípico do vice de Yeda é visto com bons olhos. É o que demonstra pesquisa do instituto Fato, encomendada pelo Grupo RBS.

 

Eis alguns dos resultados:

 

61,8% aprovam o fato de o vice Feijó ter gravado e divulgado a conversa que levou à demissão o chefe da Casa Civil Cezar Busatto. Só 23,9% desaprovam o gesto;

 

59,6% acham que a atitude de Feijó foi legítima e que ele fez o que deveria fazer. Apenas 33,3% tacham o procedimento do vice de “antiético”;

 

75,5% consideraram “muito graves” os comentários feitos por Cezar Busatto no diálogo gravado. Acham que o teor da conversa compromete Busatto e o governo Yeda Crusius. Escassos 6,5% dos entrevistados acharam que o conteúdo da gravação não é grave;

 

62,2% dos gaúchos ouvidos desaprovam a gestão tucana de Yeda Crusius, iniciada em janeiro de 2006. Aprovam a gestão da governadora 23,9%;

 

16,4% acham que a ação de Yeda diante da crise que rói as entranhas de sua administração é ótima (3%) ou boa (13,4%). Para 36,8% dos entrevistados, a forma como a governadora vem lidando com a crise é regular. Para 20,7% é ruim. E para 22,4% é péssima;

 

44,7% dos entrevistados acham que Paulo Feijó deveria deixar o cargo de vice-governador para fazer oposição a Yeda fora do governo. Outros 31,7% avaliam que ele deve se manter no cargo mesmo fazendo oposição à governadora. Outros 10,1% dizem que ele sío deve ficar no cargo se parar fustigar a titular do governo.

 

79,7% dos gaúchos “concordam muito” (22,2%) ou “concordam” (57,5%) com a seguinte frase: “A CPI [que investiga desvios de verbas públicas no Denra-RS] causou muito desgaste para governo e poderá causar muito mais.”

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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As manchetes deste sábado

- JB: Mil crianças ficam sem apoio no Rio

- Folha: Acusado pela pf, filho de governadora do RN é preso

- Estadão: Taxas do Petróleo já provocam disputa  

- Gazeta Mercantil: Mais empresas brasileiras ampliam internacionalização  

- Correio: Cinco anos de perdão para devedores do INSS

- Valor: Queda no registro de patentes frustra política industrial

Escrito por Josias de Souza às 10h22

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Só 18 senadores governistas dizem ‘sim’ à neo-CPMF

Jochen Luebke/EFE
 

 

Em tese, o governo dispõe do apoio de 54 senadores, contra 27 da oposição. Para ressuscitar a CPMF, o Planalto precisa de 41 votos. Porém...

 

Porém, só 18 senadores associados ao consórcio de legendas governistas declaram-se dispostos a votar a favor na nova CSS, o nome que se deu à velha CPMF.

 

Deve-se a descoberta aos repórteres Adriano Ceolin e Lucas Ferraz. A dupla foi de senador em senador. Ouviu 52 dos 54 supostos aliados de Lula.

 

Desse total, 13 disseram, de bate-pronto, que vão votar contra e 15 declararam que estão em dúvida. Preto no branco, apenas 18 afirmam que votarão a favor do tributo.

 

Mantido esse cenário, a CSS se encaminha para o arquivo. Somando-se os 13 governistas que já decidiram votar contra aos 27 senadores tucanos e ‘demos’ e a José Nery, do PSOL, chega-se a 41 votos.

 

Como o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) não vota, adiciona-se à leva de 41 adversários do tributo mais um voto. Num universo de 81, sobram 39 votos para o governo. Adeus, CSS.

Escrito por Josias de Souza às 04h20

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TCU decide auditar ONGs que operam na Amazônia

Na surdina, o ministro Marcos Vilaça propôs e seus colegas de TCU aprovaram –por unanimida—a realização de uma auditoria nas ONGs que operam no Brasil.

 

O trabalho terá, nas palavras do autor da proposta, um “caráter estritamente reservado.” Irregularidades detectadas serão remetidas ao Ministério Público.

 

A decisão foi tomada na semana passada. Na sessão da última quarta-feira (11), Vilaça voltou ao tema. Detalhou a proposta que fizera dias antes.

 

Recomendou que os auditores dêem ênfase especial às ONGs que operam na região Amazônica.

 

Decidiu-se focalizar a lupa “nas áreas fronteiriças, em terras indígenas e em setores de segurança nacional’. Por exemplo: “exploração mineral e a pesquisa científica.”

 

O ministro obteve a informação de que a AGU (Advocacia Geral da União) realiza um estudo sobre aspectos legais que envolvem a ação das ONGs na Amzaônia.

 

Sugeriu que o TCU busque informações a respeito do estudo e proponha uma “articulação” entre o tribunal e a AGU. Busca-se o “trabalho conjunto.”

 

Os auditores serim informados acerca das conclusões da AGU. Em contrapartida, repassaria repartição, vinculada ao Planalto, os resultados de sua auditoria.

 

A sugestão foi, de novo, acatada pelo plenário do tribunal. Não há prazo para a conclusão da auditoria. Mas é certo que vem barulho pela frente.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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Era digital!

Millôr
 

PS.: Via sítio do Millôr Fernandes.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Governo corta R$ 1,5 bilhão do orçamento do PAC

Governo corta R$ 1,5 bilhão do orçamento do PAC

Em maio, estimava-se gastar R$ 17,3 bilhões em 2008

Em junho, a previsão foi reduzida para R$ 15,8 bilhões

Lula havia declarado que programa não sofreria cortes

 

  Folha
O governo começou o ano de 2008 em luto orçamentário. O enterro da CPMF levara à cova uma perspectiva de arrecadação de R$ 39 bilhões. Era preciso cortar gastos.

 

Em sucessivas reuniões, Lula estabeleceu limites para o facão. Ficariam a salvo da lâmina as verbas dos programas sociais e o dinheiro das obras do PAC.

 

Aprovado o Orçamento, em março, destinaram-se ao Programa de Aceleração do Crescimento R$ 17,3 bilhões. Grana a ser investida ao longo de 2008.

 

A previsão orçamentária foi levada ao Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) –um banco de dados que armazena todas as despesas da União.

 

Súbito, sumiu uma parte da verba. Sem alarde, entre meados de maio e o início de junho, o governo reduziu a programação orçamentária do PAC para R$ 15,8 bilhões.

 

Uma poda de R$ 1,5 bilhão. Contrariando as juras de Lula, o facão vitimou a programação orçamentária de quatro ministérios. Eis o detalhamento dos cortes:

 

Secretaria Especial de Portos: Tem status de ministério. Dispunha de R$ 565,4 milhões. Ficou com R$ 474,5 milhões. Redução de R$ 90,9 milhões;

 

Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.: A estatal pende do organograma da pasta dos Transportes. Recebera do PAC R$ 464,6 milhões. Ficou com R$ 123 milhões. Corte de R$ 341,6 milhões;

 

DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes): órgão vinculado ao ministério dos Transportes. Dedica-se à construção e manutenção de estradas. Geria R$ 7,8 bilhões do PAC. Restaram-lhe R$ 7 bilhões. Poda de R$ 801 milhões;

 

Ministério da Integração Nacional: até maio, a programação orçamentária do PAC destinava à pasta R$ 2,034 bilhões. Ficou com R$ 1,918 bilhão. Facada de R$ 115 milhões;

 

Ministério das Cidades: Recebera autorização para gastar R$ 1.873 bilhão. Sobrou R$ 1,783 bilhão. Perda de quase R$ 90 milhões.

 

O acesso ao Siafi é restrito. Só apalpa os dados quem dispõe de senhas: servidores graduados e congressistas.

 

Para desassossego do governo, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) mobilizou a equipe técnica de seu gabinete para acompanhar, com lupa, a execução financeira do PAC.

 

A senadora divulga a cada 15 dias uma peça que apelidou de “Pacômetro”. Até aqui, detectara lentidão nos gastos. À lerdeza soma-se agora a novidade do corte.

 

No último dia 5 de junho, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), mãe do PAC, divulgou o quarto balanço do programa, lançado em 2007.

 

Dilma já considerou o valor revisado do orçamento do programa para 2008: R$ 15,8 bilhões. E não disse palavra sobre o sumiço de R$ 1,5 bilhão. Fingiu-se de morta.

 

Nesta sexta-feira, os técnicos a serviço de Kátia Abreu divulgaram números atualizados do seu “Pacômetro”. Novesfora o corte, mantém-se a lerdeza nos gastos.

 

Até agora, numa fase em que o calendário já roça o meio do ano, o governo só conseguiu empenhar R$ 4,8 bilhões do orçamento do PAC (30,61%).

 

A emissão de notas de empenho significa que o governo reservou verba para pagar despesas já contratadas.

 

Mirando-se a coluna dos gastos efetivamente realizados, descobre-se que, por ora deixaram as arcas do Tesouro apenas R$ 199 milhões. Ou 1,26% de tudo o que o governo prevê gastar em 2008 nas obras do PAC.

 

Num cálculo mais abrangente, que inclui as verbas desembolsadas nos anos de 2007 e 2008, chega-se à cirfra de R$ 8,5 bilhões.

 

Corresponde a escassos 12,5% dos R$ 67,8 bilhões que o governo prometera aplicar em quatro anos.

 

Ou seja, visto assim, pelo lado da execução financeira, o principal programa da gestão Lula continua sendo um mero “pactóide.”

 

Os parcos avanços registrados nas obras de infra-estrutura do país devem ser atribuídos à iniciativa privada e à ação de estatais como a Petrobras e a Eletrobras.

 

As despesas lançadas no Orçamento da União continuam sendo executadas a passos de tartaruga manca.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

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Uma cabeça grande, para acomodar as ‘idéias fixas’

Uma cabeça grande, para acomodar as ‘idéias fixas’

Animação de Ueslei Marcelino sobre fotos de Ricardo Marques
 

 

O cotidiano de um presidente da República é uma sucessão de poses. Se bobear, faz pose até diante do espelho, ao escovar os dentes.

 

Um presidente é a faixa, o paletó, a gravata e a pose. Sempre foi assim. Mas, sob Lula, às vezes, exagera-se na pose. 

 

Em abril, bateu bola com o cestinha Oscar em pleno Itamaraty. Pose. Em maio, experimentou 17 bonés de pilotos de Stock Car, no Planalto. Poses.

 

Nesta sexta (13), Lula abriu o gabinete para Emerson Fittipaldi. O bi-campeão de Fórmula 1, de volta às pistas, agora na categoria GT3, corre no autódromo de Brasília.

 

A certa altura, Lula pôs-se, de novo, a recobrir as idéias fixas que esconde sob os cabelos com bonés de competição.

 

Experimentou um, dois, três. Súbito, levou à cuca o capacete do piloto Pedro Henrique, que acompanhava Fittipaldi. Aperta daqui, espreme dali, não entrou.

 

Com a rapidez que lhe é própria, Fittipaldi estendeu o seu capacete ao anfitrião. Dessa vez entrou. E a pose ergueu um dos bonés como se levantasse um troféu. Ufa, consegui!

Escrito por Josias de Souza às 00h34

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A perversão com as verbas públicas, de Norte a Sul

O noticiário político anda contaminado. Por isso, vai aqui um aviso: o texto abaixo contém cenas de devassidão explícita.

Contribuintes em dia com todas as taxas e impostos só devem se embrenhar pelos parágrafos que se seguem acompanhados por um médico.

 

A leitura pode provocar engulhos, náusea, ânsia... Abusa-se do erário de Norte a Sul, eis o que vai ficando claro.

 

A algaravia ultrapassa a fronteira que separa o constrangimento do escândalo. O grande tapete nacional ficou pequeno. Há muita sujeira em volta.

 

Rio Grande do Norte: A PF foi às ruas, nesta sexta-feira 13. Cumpriu 13 mandados de prisão e 42 ordens de busca e apreensão.

 

Entre os personagens recolhidos ao xilindró está Lauro Maia. Vem a ser o filho da governadora potiguar, Wilma Maia de Faria (PSB).

 

O rapaz está metido, segundo a polícia, num esquema de desvia verbas da Saúde. Dá-se por meio de contratos bichados de higienização hospitalar e locação de mão-de-obra.

 

A malfeitoria começou a ser esquadrinhada em 2005. Estima-se que os desvios alcem à casa dos R$ 36 milhões. Desse jeito, não há CSS que resolva a inanição de verbas da Saúde.

 

São Paulo: Deve-se aos repórteres Mário César Carvalho e José Ernesto Credencio a penúltima descoberta sobre o caso Alstom.

 

Um ex-diretor da multinacional francesa, o engenheiro eletricista José Sidnei Colombo Martini, tornou-se, em 1999, presidente de uma companhia do governo de São Paulo.

 

Chama-se EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia). Martini foi alçado ao comando da companhia por Mauro Arce.

 

Arce era, à época, secretário de Energia do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Hoje, integra a administração de José Serra (PSDB).

 

Dois anos depois da nomeação de Martini, deu-se o inusitado: o servidor autorizou o pagamento de um adicional à Alstom, sua ex-empregadora. Coisa de R$ 4,82 milhões.

 

Negócio fechado sem concorrência pública. A grana foi liberada a pretexto de remunerar a Alstom pelo armazenamento de seis transformadores.

 

Haviam sido adquidos da própria Alstom, por R$ 110 milhões. Alega-se que as obras que receberiam os transformadores atrasaram. Daí o aditivo.

 

A Alstom, como se sabe, é investigada na Suíça e na França sob a suspeita de ter obtido contratos mundo afora pagando propinas. Inclusive no Brasil.

 

Especialmente na São Paulo do tucanato. Não é à toa que a tropa de elite do PSDB na Assembléia Legislativa vem fulminando as tentativas de apuração da encrenca.

 

São Paulo 2: A direção nacional do PV (Partido Verde) incluiu nas prestações de contas enviadas ao TSE peças de deixar qualquer um vermelho –de vergonha ou de raiva.

 

São notas fiscais de 639 empresas fantasmas. Todas da cidade de Campina do Monte Alegre (a 230 km de São Paulo). Referem-se às escriturações de 2004 e 2005.

 

A fraude, levada às páginas pelos repórteres Sergio Torres e Alan Gripp, foi detectada Tribunal de Contas paulista. Checou-a a Polícia Civil. E ratificou-a o Ministério Público Estadual.

 

O esquema vem de longe. Foi urdido em 1992. Ano em que o PV foi alçado à prefeitura da cidade. À época, o procurador do município de Campina do Monte Alegre chamava-se Carlos Galeão Camacho.

 

Hoje, Camacho preside o diretório do PV na cidade de São Paulo. Ele responde a 23 processos criminais. Acusam-no de ter montado uma usina de criação de empresas fraudulentas.

 

Em Brasília, os "verdes" apóiam Lula. Em São Paulo, Camacho conduziu as negociações que converteram o PV num vagão da locomotiva eleitoral do prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.

 

O PV alega que os serviços descritos nas notas geladas foram efetivamente prestados. Jura que vai provar isso ao TSE. A ver.

 

Recorde-se que as arcas dos partidos são azeitadas com verbas do Fundo Partidário. Dinheiro que do Tesouro Nacional. Ou, por outra, grana do contribuinte.

 

Rio Grande do Sul: A crise que rói as entranhas do governo de Yeda Crusius (PSDB) ganhou o adorno de mais uma escuta telefônica.

 

Coisa captada pela PF em novembro do ano passado. Mas que ainda era desconhecida da platéia.

 

Os diálogos expõem o modo como o empresário Lair Ferst fazia lobby junto a empresas que transacionaram com o Detran-RS.

 

Ferst é tucano de carteirinha. Auxiliou na campanha de Yeda. Na conversa, acerta um encontro de executivos de uma empresa alemã com o então presidente do Dentram, Flácio Vaz Netto.

 

Para a PF, a fita manda ao telhado a alegação de Ferst de que não atuara na “quadrilha” que sorveu das arcas do Detran gaúcho R$ 44 milhões. O lobista é um dos 40 réus que respondem na Justiça pelos desvios.

 

Desvios que vêm de longe. Segundo a PF e o Ministério Público, começaram em 2003, quando o Estado ainda era governado por Germano Rigotto (PMDB). E prosseguiram em 2006 e 2007, já sob Yeda Crusius.

 

Em depoimento ao Ministério Público, nesta quinta (12), o vice-governador Paulo Feijó (DEM), voltou a manusear a metralhadora-amiga que aponta em direção a Yeda.

 

Forneceu elementos que devem levar as invesigações para outras repartições e autarquias públicas. O fedor tende a aumentar.

Escrito por Josias de Souza às 19h02

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Trapaças, mentiras, dinheiro alheio e vídeo taipe

Em vídeo comprometedor, prefeito menciona Zé Dirceu

 

O vídeo acima foi obtido numa batida da Polícia Federal. Divulgou-o a revista Época. Mostra o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), numa cena de corrupção explícita.

 

Chama-se Francisco José Carapinha o personagem que contracena com o prefeito Bejani. Conhecido como Bolão, ele é dono de uma empresa de ônibus.

 

Carlos Bejani e José ‘Bolão’ Carapinha foram recolhidos ao cárcere nesta quinta-feira (12). De acordo com a apuaração da PF, deu-se o seguinte:

 

1. Bolão ficara incubido de passar o chapéu junto a empresas de ônibus que operam em Juiz de Fora. Recolheria propina a ser entregue ao prefeito;

 

2. Em troca, o alcaide Bejane reajustaria o preço das passagens que doem no bolso dos usuários;

 

3. As filmagens, segundo a PF foram feitas pelo coletor Bolão. Há um lote de oito DVDs, gravados à revelia do prefeito, com câmera escondida;

 

4. O lote de DVDs expõe todo o ciclo do malfeito –da negociação ao pagamento da propina. A passagem de ônibus foi efetivametne reajustada em Juiz de Fora;

 

5. O prefeito Bejane não é cliente novo da PF. Fora detido, em abril passado, numa operação batizada de Pasargada. Em sua casa, a polícia recolhera R$ 1 milhão;

 

6. Solto graças a um habeas corpus expedido pelo Tribunal de Justiça mineiro, Bejane saiu-se com uma versão que, descobriria a PF, não passava de lorota;

 

7. O encrencado dissera que o dinheiro que escondia em casa viera da venda de uma fazenda. Investigada daqui, interroga dali a PF chegou às provas contidas nos DVDs;

 

8. Ao descobrir que o comparsa Bolão o filmara à sua revelia, Bejane obteve, não se sabe como, o resultado da filmagem. Guardou os DVDs num cofre da prefeitura. Não imaginava que o ambiente seria varejado pela PF;

 

9. No vídeo da propina, o protagonista Bejani comenta com o coadjuvante Bolão detalhes de um outro negócio que estava na bica de fechar;

 

10. Súbito, pinga dos lábios de Bejane um nome conhecido nacionalmente: José Dirceu (PT-SP). A fita é de 10 de maio de 2006;

 

11. Enquanto confere a grana recebida de Bolão, Bejane confidencia: “Eu tenho uma reunião com José Dirceu, três horas, em Belo Horizonte. Tô liberando setenta milhões”.

 

12. O prefeito acrescenta: "Setenta milhões! ‘Cê’ sabe quanto que dá isso? Sete milhões de comissão".

 

13. Naquele 10 de maio de 2006, Dirceu esteve mesmo em Belo Horizonte. Já era, então, um ex-ministro. A Câmara passara seu mandato de deputado na lâmina havia seis meses;

 

14. No texto que enviou à Justiça, a PF anota que a captação dos R$ 70 milhões mencionados pelo prefeito “teria sido intermediada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu”;

 

15. Sobre os R$ 7 milhões, a PF escreveu que teria entrado no negócio, “provavelmente a título de propina;

 

16. Eis o que disse Dirceu, por meio do advogado José Luiz Oliveira Lima: “Jamais prestei consultoria, fiz intermediações ou tive qualquer negócio com o prefeito [...]. Recebi ligações telefônicas do prefeito Bejani como recebo de outros prefeitos e parlamentares. Não me recordo de ter encontrado com ele no dia 10 de maio em Belo Horizonte”,

 

17. A PF verificou que, 50 dias depois do suposto encontro, o ministro Márcio Fortes (Cidades) desembarcou em Juiz de Fora. Foi assinar um contrato com a prefeitura;

 

18. Sob o número 0161600373, trazia um valor anotado: R$ 70 milhões. Dinheiro a ser usado na despoluição de um rio –R$ 63,2 milhões da Caixa Econômica Federal, mais uma contrapartida de R$ 6,3 milhões da prefeitura;

 

19. A Caixa já repassou às arcas da prefeitura de Bejane R$ 1,86 milhão desse contrato.

Escrito por Josias de Souza às 17h01

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As manchetes desta sexta

- Folha: Anatel dá aval a compra de tele pela Oi

- Estadão: Petrobrás descobre um novo campo de óleo leve em Santos  

- Globo: BC: juros vão subir enquanto for preciso  

- Gazeta Mercantil: Mais empresas brasileiras ampliam internacionalização  

- Correio: "O mercado da morte está loteado"

- Valor: Queda no registro de patentes frustra política industrial

- Estado de Minas: PF volta à carga e prende 14 da máfia das prefeituras

- Jornal do Commercio: Cruzada contra a CSS

Escrito por Josias de Souza às 08h13

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No Senado, o relator da neo-CPMF será da oposição

Indicação caberá ao DEM, que preside comissão de Justiça

Kátia Abreu, que relatou a ex-CPMF, está entre os cotados

Governistas vêem declarações de Lula como  ‘desastrosas’

 

  Wilson Dias/ABr
O governo terá uma dificuldade adicional para aprovar no Senado a CSS, novo apelido da velha CPMF. O relator da proposta será escolhido pela oposição.

 

Caberá ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça a escolha do senador a quem será confiada a relatoria.

 

Para desassossego do governo, quem preside a comissão é Marco Maciel (DEM-PE), na foto. Era visceralmente contrário à CPMF. Agora, pragueja a CSS entre quatro paredes.

 

Em privado, Maciel revela simpatia pelo nome da colega de legenda Kátia Abreu (DEM-TO). Uma senadora que ganhou notoriedade como relatora da CPMF.

 

A primazia na escolha do relator converte a oposição em ditadora do calendário. Pode apressar ou retardar a votação do projeto, conforme a sua conveniência.

 

A dúvida do momento é a seguinte: o melhor é votar a proposta da CSS logo ou convém adiar o embate para depois das eleições municipais de outubro?

 

Se achar que tem votos para enterrar o novo tributo, como fez com a CPMF, a oposição vai apressar. Se julgar avaliar que o governo pode prevalecer, vai adiar.

 

Antes de chegar à comissão de Justiça, a proposta terá de passar por duas instâncias: a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e a CAS (Comissão de Assuntos Sociais).

 

A primeira é presidida por Aloizio Mercadante (PT-SP), favorável à CSS. A segunda e comandada por Patrícia Sabóia (PDT-CE), que torce o nariz para o tributo.

 

Nessas duas comissões, ainda que a análise seja feita a toque de caixa, serão consumidos pelo menos 15 dias.

 

Na comissão de Justiça, se quiser, a oposição pode ganhar até 30 dias. Daí a importância da indicação do relator.

 

Na Câmara, onde a supremacia do governo é absoluta, a CSS passou com margem de escassos dois votos. No Senado, a maioria de Lula é bem mais fluida.

 

É por isso que governistas como o líder do PSB, senador Reanto Casagrande (ES) condicionam a ressurreição da CPMF a um empenho inaudito do governo.

 

Nos subterrâneos, o governo trama a favor da CSS. Na superfície, porém, Lula soa como se remasse contra a maré.

 

O presidente esforça-se para dissociar sua imagem da recriação do imposto do cheque. Nesta quinta-feira (12), Lula disse que o tributo é um "grande problema da bancada da Saúde" do Congresso.


Disse mais: "A CSS é uma criação do Congresso, o governo não participa de articulação.” Foi explícito: “O governo não vai articular, é um problema do Congresso.”

 

As declarações foram vistas pelos operadores governistas no Congresso como “desastrosas”. Eis o que declarou ao blog um líder de partido governista:

 

“Se o presidente lava as mãos, como vou convencer os meus liderados a votarem a favor de um projeto que aumenta a carga tributária da classe média”?

 

nos próximos dias, a oposição definirá o nome do relator da encrenca. Kátia Abreu tem a seu favor, além da preferência de Maciel, a simpatia da cúpula do PSDB.

 

Há, porém, dois entraves à indicação da senadora que ajudou a enterrar a CPMF em dezembro do ano passado.

 

Kátia flerta com a idéia de tirar uma licença do mandato de senadora. Deseja livrar-se da azáfama do Senado até outubro.

 

Candidata à presidência da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a senadora quer ter tempo livre. Um tempo que usaria também para dedicar-se às campanhas de postulantes a prefeituras de Tocantins, seu Estado.

 

De resto, há outros senadores ‘demos’ candidatos à vaga de relator da CSS. Entre eles Demóstenes Torres (DEM-GO).

 

De concreto, tem-se, por ora, o seguinte: seja qual for o relator escolhido, a preferência do bloco oposicionista na designação do nome vai à crônica da CSS no Senado como um problema adiconal para o governo.

Escrito por Josias de Souza às 04h50

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Neo-Behaviorismo!

Angeli
 

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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Petrobras anuncia a descoberta de mais uma jazida

  Moacyr Lopes/Folha
Está virando rotina. A Petrobras anunciou na noite desta quinta-feira (12) que encontrou uma nova jazida petrolífera na Bacia de Santos.

 

O poço fica a 310 km da costa de São Paulo, numa área exploratória batizada de Guará.

 

Extraiu-se uma amostra de óleo leve, de boa qualidade, em águas ultraprofundas, a 5 mil metros da superfície.

 

A novidade foi levada à página eletrônica da estatal às 21h36. O texto informa que a prospecção é feita em sociedade da Petrobras (45%) com outras duas empresas: BG Group (30%) e a Repsol (25%).

 

Em 5 de setembro do ano passado, a Petrobras já havia anunciado a descoberta de óleo na reserva Carioca. Guará fica ao lado. Juntas, as duas áreas compõem o bloco BM-S-9.

 

Segundo a Petrobras, assim que forem concluídas as prospecções iniciais de Guará, vai-se levantar o tamanho do investimento necessário para dimensionar a jazida.

 

Algo que, no caso da reserva Carioca, já está sendo feito, conforme previsto em plano aprovado pela Agência Nacional de Petróleo.

 

O governo estima que, considerando-se todas as descobertas recentes da Petrobras, o Brasil pode dispor de algo como 30 bilhões a 40 bilhões de barris adicionais de petróleo.

 

O suficiente para transformar o país na oitava potência petrolífera do mundo, à frente da Rússia. Vem daí a cogitação de utilizar parte dessa riqueza como lastro do propalado Fundo Soberano.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Anatel começa a mudar regra que impede ‘supertele’

Orlandeli
 

 

A Agência Nacional de Telecomunicações começou, nesta quinta-feira (12), a remover uma pedra que se encontra no caminho de um negócio bilionário.

 

Negócio que levará à criação no Brasil de uma supertelefônica, resultante da aquisição da Brasil Telecom pela Oi.

 

A pedra que a Anatel pôs em movimento se chama PGO (Plano Geral de Outorgas). Fixa um conjunto de regras que as telefônicas precisam seguir.

 

Uma dessas regras proíbe a junção de companhias de telefones fixos que operam em regiões diferentes do país.

 

Mantida a pedra, a fusão da BR Telecom com a Oi, anunciada em 25 de abril, iria para o vinagre. Não vai mais.

 

A diretoria da Anatel aprovou a mudança da tal regra. Decisão unânime. Que será submetida agora a uma consulta pública de 30 dias.

 

Depois, terá de ser ratificada por Lula, por meio da assinatura de um decreto. Nos subterrâneos, o presidente já disse que vai apor o jamegão no texto.

 

A novidade vem à luz exatos 35 dias depois de uma reunião noticiada aqui no blog em 9 de maio passado. Deu-se no gabinete do ministro Hélio Costa (Comunicações).

 

Sem alarde, foram ao encontro do ministro os principais executivos da La Fonte e da Andrade Gutierrez, empresas que controlam a Oi.

 

Eles informaram a Hélio Costa um detalhe que lhes apertava o bolso. O contrato de aquisição da Brasil Telecom pela Oi contém uma cláusula draconiana.

 

Prevê o seguinte: se a fusão da BR Telecom e da Oi não fosse efetivado em 365, teriam de pagar multa contratual de R$ 500 milhões.

 

Ou seja, a pedra PGO teria de ser removida. Previa-se, no dia da audiência dos empresários com o ministro, que a coisa conteceria em 30 dias.

 

Por muito pouco o autor da previsão não acertou no olho da mosca. Houve um atraso de cinco dias.

 

Considerando-se a encrenca envolvendo a Anac e a Varig, vai se solidificando a impressão de que, sob Lula, a independência das agências reguladoras depende das circustâncias.

 

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 00h50

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Se a Câmara der, Lula veta aumento de aposentado

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Conforme noticiado aqui, comissão especial da Câmara aprovou na noite passada projeto que estende a todos os aposentados reajuste igual ao do salário mínimo.

 

Proposta do senador Paulo Paim (PT-RS). Já aprovada pelo Senado. E que vai agora ao plenário da Câmara.

 

Pois bem. Nesta quinta-feira (12), instado a comentar a encrenca, Lula deu a entender que vai recorrer ao veto presidencial.

 

"O Congresso Nacional precisa ter a mesma responsabilidade que tem o Executivo. O presidente da República não gera recursos...”

 

“...O governo federal recolhe os tributos que a sociedade paga e faz a distribuição, de acordo com as necessidades. Um deles é pagar benefícios previdenciários...”

 

“...Ora, se o aumento concedido é maior do que a capacidade de arrecadação do próprio sistema, não tem como pagar."

 

O presidente insinuou que os congressistas deveriam se portar com mais responsabilidade.

 

"Eu gostaria que toda vez que as pessoas aprovam uma despesa aprovassem uma receita...”

 

“...É assim na minha casa e certamente é assim na sua casa. É assim na casa de cada brasileiro...”

 

“...Toda vez que a gente quer comprar alguma coisa, a gente vai ver se tem dinheiro, depois se o salário comporta a quantidade de prestações que vai fazer e depois a gente compra."

 

Resta agora saber se, depois de aprovar a recriação da CPMF, a maioria dos deputados terá peito para negar a gentileza de um reajuste mais generoso aos aposentados.

 

Chama-se Julio Delgado (PSB-MG) o deputado que preside a comissão que analisou e aprovou a proposta vinda do Senado.

 

No Planalto, ouviram-se critícas a Delgado. Diz-se que ele se aproveitou da mobilização da CSS para aprovar, na surdina, o aumento dos aposentados.

 

O deputado se defende (ouça).

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Ata do Copom informa: é hora da serpente dos juros

Guido Daniele
 

 

Contra o tigre da inflação, que está na espreita, o Banco Central decidiu soltar de vez a cobra dos juros. É o que sugere a ata da última reunião do Copom.

 

O encontro do Comitê de Política Monetária ocorreu na semana passada. Nele, os diretores do BC elevaram a taxa de juros de 11,75% para 12,25% ao ano.

 

"O Comitê acredita que a atual postura de política monetária [o aumento dos juros], a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas", anota a ata da reunião.

 

Em português claro: para evitar que o tigre mastigue a meta oficial de inflação, fixada em 4,5% para 2008, o BC não pretende recolher sua serpente tão cedo.

 

Conforme já noticiado aqui, está-se agora diante de um ciclo longevo de altas de juros. A ser mantido enquanto for necessário. Torça-se para que não haja exagero na dose.

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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‘Só Freud explica’ afirma Lula sobre Denise Abreu

Lula Marques/Folha
 

 

Lula se acha um presidente ótimo. Dá de barato que um cara ótimo como ele pode tudo. Até mesmo rodear-se de pessoas péssimas.

 

O diabo é que, às vezes, auxiliares péssimos, ao deixar o governo do presidente ótimo, põe-se a denunciar que há ao redor dele pessoas piores ainda.

 

É mais ou menos o que se passa com Denise Abreu. Em 2006, o presidente ótimo indicou-a para a diretoria da Anac.

 

No Senado, o nome dela foi prontamente aprovado. Senadores chegaram a sabatiná-la. Mas não fizeram muitas perguntas.

 

Afinal, Denise fora indicada pelo presidente ótimo. E, ainda que fosse péssima, não cabia senão ratificar-lhe a escolha.

 

Nesta quinta-feira (12), o presidente ótimo foi instado a comentar o depoimento que Denise Abreu dera, na véspera, à comissão de Infra-Estrutura do Senado.

 

Súbito, o presidente ótimo pôs-se a desqualificar a ex-diretora da Anac. Agora, até ele já a considera péssima. Mais: chama-a de mentirosa.

 

“O problema da mentira é que, quando você conta uma mentira uma vez, é obrigada a mentir a vida inteira para justificar aquela mentira.”

 

O presidente ótimo criticou também os senadores. Não entende por que passaram mais de oito horas espremendo a ex-assessora péssima.

 

“...O que percebi é que o resultado é como se você espremesse uma laranja que não tivesse caldo...”

 

“...Na verdade, ela [Denise] não tinha o que fazer. E como é que alguns senadores ficam tantas horas conversando?”

 

Como explicar tanta insensatez? O presidente ótimo lava as mãos: “Só Freud explica aquilo lá.”

 

Taí, talvez as explicações estejam mesmo em Freud. Sugere-se uma psicanálise de grupo. Auto-análise, eis o remédio.

 

Lula ‘ótimo’ da Silva buscaria nos mais recônditos recantos da mente explicações para o fato de desqualificar agora uma senhora que, antes, qualificara na Anac.

 

Se fizer uma introspecção profunda, Lula talvez conclua que não é razoável, mesmo para um presidente que se acha ótimo, escancarar as portas do governo para amigos.

 

Sobretudo para amigos como o primeiro-compadre Roberto Teixeira, visto por tanta gente como uma influência péssima.

 

Na roda de auto-análise, Dilma ‘pior ainda’ Rousseff refletiria sobre os mistérios que a fizeram convocar para reuniões na Casa Civil os diretores da Anac.

 

Num esforço psicanalítico, a ministra tentaria responder aos seus próprios botões uma pergunta incômoda: “Mas, afinal, essa não é uma agência reguladora independente?”

 

Também Denise ‘péssima’ Abreu só teria a ganhar com uma investigação psicológica –sistemática e profunda—de seus próprios processos mentais.

 

Decerto conseguiria explicar a si mesma porque calou por mais de um ano sobre episódios que agora são gritados, por “inaceitáveis”, aos quatro ventos.

 

Lula é mesmo um presidente ótimo. Matou a charada: “Só Freud explica.”

Escrito por Josias de Souza às 17h52

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As manchetes desta quinta

- JB: Aprovado clone da CPMF

- Folha: Por 2 votos, Câmara aprova nova CPMF

- Estadão: Pressão de Teixeira na Anac foi 'imoral', diz ex-diretora

- Globo: Nova CPMF passa por 2 votos; inflação é a maior em 12 anos

- Gazeta Mercantil: Alta de preço nas bolsas alimenta a inflação

- Correio: A inflação só aumenta...

- Valor: Nova lei contábil eleva a taxação de empresas

- Estado de Minas: Duro de engolir

- Jornal do Commercio: Sai a nova CPMF

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h14

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No Senado, oposição está a 7 votos de derrubar CSS

No Senado, oposição está a 7 votos de derrubar CSS

Lula Marques/Folha
 

 

PSDB e DEM voltaram à máquina de calcular. Feitas as contas, a oposição concluiu que está a sete votos de mandar ao tútumlo, no Senado, a CSS, nova versão da CPMF.

 

Há no Legistativo 81 senadores. Como o presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN) não vota, o número de votantes cai para 80.

 

Para aprovar a CSS, inserida num projeto de lei complementar, o governo precisa de 41 votos.

 

Oito a menos do que os 49 votos que não conseguiu obter para renovar, em dezembro de 2007, a emenda constitucional que renovava a CPMF.

 

Para rejeitar a CSS, a oposição precisa levar ao painel eletrônico do Senado pelo menos 40 votos “não”, seis além dos 34 que obteve no ano passado.

 

Juntos, tucanos e ‘demos’ dispõem de 27 senadores, 28 contando com José Nery (PSOL-PA). Há seis meses, enterraram a CPMF com o auxílio de seis dissidentes de legendas governistas:

 

1) Expedito Jr. (PR-RO); 2) Geraldo Mesquita (PMDB-AC); 3) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE); 4) Mão Santa (PMDB-PI); 5) Romeu Tuma (PTB-SP); e 6) César Borges (PR-BA).

 

Consultados pela oposição, José Nery, do PSOL, e cinco dos seis governistas que se insurgiram contra a CPMF em dezembro se dispuseram a repetir o gesto na votação da CSS.

 

Só o insurreto César Borges (PR-BA) ameaça dar pra trás. Computada a baixa, PSDB e DEM precisam de mais sete votos para enterrar a CSS.

 

A oposição acha que está na bica de obter o que precisa. Vai abaixo a relação de senadores que votaram a favor da CPMF e que, pelas contas da oposição, admitem dizer “não” à CSS:

 

1. João Vicente Claudino (PTB-PI);

 

2. Renato Casagrande (PSB-ES);

 

3. Osmar Dias (PDT-PR);

 

4. Delcídio Amaral (PT-MS);

 

5. Patrícia Sabóia (PDT-CE);

 

6. Flácio Arns (PT-PR);

 

7. Gerson Camata (PMDB-ES).

 

Somando-se os 28 oposicionistas (incluindo José Nery, do PSOL), os cinco governistas que se sublevaram contra a CPMF e os sete neo-dissidentes, chega-se ao placar mínimo de 40 necessário para a rejeição da CSS.

 

Resta agora saber se os sete novos potenciais desertores de fato converterão contrariedade em votos contrários à CSS.

 

Um deles, Renato Casagrande (ES), líder do governista PSB, não chega a antecipar o voto em público.

 

Mas afirma que, se o governo mantiver o grau de mobilização que exibiu na Câmara, as chances de arrancar a CSS do Senado são “próximas de zero.”

Escrito por Josias de Souza às 04h21

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Português e economês!

Pedro Motta
 

PS.: Via blog do Pedro Motta.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Comissão dá a todo aposentado o reajuste do mínimo

  Folha
Num dia em que as atenções estavam voltadas para a votação do projeto que recria a CPMF, começou a andar na Câmara um projeto que o governo vê como “explosivo”.

Trata-se da proposta que estende os reajustes do salário mínimo a todos os aposentados e pensionistas do INSS.

 

Sem alarde, a “encrenca” foi aprovada nesta quarta-feira (11) numa comissão especial da Câmara. Está agora pronta para ser levada a voto no plenário da Casa.

 

Tornou-se o primeiro pepino a ser digerido pelo novo ministro da Previdência -o deputado petista José Pimentel (foto), que acaba de ser acomodado na cadeira de Luiz Marinho, candidato à prefitura de São Bernardo (SP).

 

Lula torce o nariz para o projeto, embora seu autor seja o também petista Paulo Paim (RS). O Senado aprovou-o por unanimidade. “Se a Câmara referendar, terei de vetar”, já avisou o presidente da República.

 

No mês passado, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), prometera aos líderes que submeteria a proposta à deliberação do plenário ainda em junho.

 

Depois de ressuscitar um tributo, os deputados governistas terão dificuldade para rejeitar o afago aos aposentados. Sobretudo em ano eleitoral.

 

O governo diz que a generosidade não encontra amparo no Orçamento. No ano passado, as arcas da Previdência amargaram déficit de cerca de R$ 45 bilhões.

 

Em 2008, só até o mês de abril, o vermelho que tinge as contas previdenciárias somou R$ 12,7 bilhões. Daí a aversão de Lula ao projeto.

 

Estão pendurados na folha de benefícios da Previdência 25 milhões de brasileiros. Desse total, 17 milhões recebem o equivalente a um salário mínimo.

 

Em conseqüência, são beneficiários da política governamental de recuperação do salário mínimo.

 

Recebem reajustes anuais que, além de corrigir a inflação, incorporam aumentos reais, calculados pela variação do PIB dos dois anos anteriores.

 

Quanto aos benefícios pagos aos outros 8 milhões de aposentados, limitam-se à correção da defasagem imposta pela inflação. Nada de aumentos reais.

 

É essa a distorção que o projeto se dispõe a corrigir. E que o governo alega que não há como fazer, por absoluta inanição de caixa.

 

Se Chinaglia cumprir a promessa que fizera aos líderes, a proposta vai ao plenário nos próximos dias. E os partidos governistas ficarão diante de um dilema.

 

Manter a fidelidade ao governo ou fazer média com 8 milhões de eleitores? Eis a pergunta que os deputados terão de responder.

 

Se prevalecer a lógica, a tendência é de aprovação. O que transferiria para Lula o ônus de vetar a lei.

 

A bondade aos aposentados foi enganchada pelo senador Paim no projeto de lei número 01/2007. Veio do Palácio do Planalto.

 

O texto fixa as balizas da política de recuperação do salário mínimo. Coisa negociada com as centrais sindicais.

 

A extensão dos reajustes reais do mínimo a todos os aposentados é vista pelo governo como “contrabando” indesejável.

 

Para evitar que os deputados digam “sim” à emenda “clandestina” do petista Paim, aprovada no Senado com a ajuda da oposição, o governo talvez não escape de acenar com um meio termo.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Câmara aprova neo-CPMF com margem de 2 votos

Wilson Dias/ABr
 

 

Por um triz o governo não foi derrotado. A Câmara acaba de ressuscitar a CPMF em votação que teve um placar apertadíssimo: 259 contra 159, mais duas abstenções.

 

Para pôr de pé a CSS, como o imposto do cheque foi rebatizado, o consórcio que dá suporte legislativo a Lula precisava de 257 votos.

 

Ou seja, pingaram no painel eletrônico apenas dois votos além do mínimo necessário. Com três adesões, a oposição teria prevalecido. Pressionando aqui você fica sabendo como votou cada deputado.

 

Saltou do painel eletrônico da Câmara uma evidência: a recriação da CPMF não encantou todo o governismo. Longe disso.

 

O projeto seguirá para o Senado. Ali, a maioria lulista é flácida como pudim. Recorde-se que foram os senadores que mandaram a CPMF à cova, em dezembro de 2007.

 

As chances de o governo arrostar nova derrota não são negligenciáveis. Antes de chegar ao plenário do Senado, a proposta passará por três comissões.

 

O regimento oferece aos oposicionistas um sem-número de artifícios protelatórios. Será um processo arrastado. Periga ficar para o final do ano.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Lula: Dilma é ‘o nome do PT’ para sucessão de 2010

  Antônio Cruz/ABr
O relógio de Lula caminha adiante do calendário. Nesta quarta-feira (11), em almoço no Alvorada, o presidente antecipou decisão que, em tese, só teria de tomar em 2010.

 

Disse que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) é mesmo “o nome do PT” para a sucessão presidencial.

 

Repartiam a mesa com o presidente o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), o ministro Orlando Silva (Esportes) e o presidente do Comitê Olímpico Arthur Nuzzmann.

 

Discutia-se no repasto a candidatura do Rio como sede olímpica. Garfada vai, dentada bem Lula adicionou tempero político à conversa.

 

Desqualificou as acusações de Denise Abreu, a ex-diretora da Anac que depunha, naquele momento, na comissão de Infra-Estrutura do Senado.

 

“Ela era uma pessoa muito criticada num momento difícil e agora tentam mostrá-la como heroína”, disse o presidente.

 

Para Lula, Dilma converteu-se em alvo justamente por ser o poste mais eletrificado do PT.

 

Ao confiormar a condição de presidenciável da auxiliar, o presidente como que açula os ânimos dos praticantes de tiro ao alvo. Ou tiro à Dilma.

 

Terão longos dois anos e meio para aperfeiçoar a mira.

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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Câmara levanta tampa do caixão em que jazia a CPMF

Os deputados acabam de aprovar o projeto que regulamenta a emenda 29. Um tônico para o orçamento da Saúde.

 

É nesse projeto que está enganchada a proposta de recriação da CPMF, agora rebatizada com a edulcorada alcunha de CSS.

 

Separado do texto principal por uma emenda de destaque apresentada pela oposição, a ressurreição do imposto do cheque ainda não foi votada.

 

A perspectiva, porém, é de aprovação. O pedaço do texto já votado foi aprovado por 288 votos contra 124. Houve quatro abstenções.

 

Mantido o placar, ainda na noite desta quarta-feira (11) a CPMF saltará do caixão. Vai ao Senado, para nova rodada de votações, como uma morta-viva. Vivíssima.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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Denise Abreu reafirma as acusações contra Dilma

  Lula Marques/Folha
Foi um depoimento sóbrio. Quem esperava por recuos deu com os burros n’água. Quem torcia por novidades retumbantes quebrou a cara.

 

A ex-diretora da Anac Denise Abreu apenas ratificou tudo o que já dissera. Que não é pouca coisa. O depoimento dela, por consistente, manteve Dilma Rousseff na berlinda.

 

Denise Abreu chegou à Comissão de Infra-Estrutura do Senado munida de uma mala com 30 quilos de papéis. Franqueou-os aos senadores.

 

A detratora da ministra evitou diatribes que pudessem ser confundidas como vendita. Chegou mesmo a dizer que Dilma jamais lhe ordenou que fizesse isso ou aquilo.

 

O que a ministra fez, disse Denise, com impressionante riqueza de detalhes, foi questionar frontalmente providências que ela adotara na Anac.

 

Providências que contrariavam os interesses dos futuros compradores da Varig: o fundo norte-americano Martlin Patterson.

 

Denise exigiu, por exemplo, que os três sócios brasileiros do fundo comprovassem dispor de capacidade financeira para beliscar 80% das ações da Varig.

 

Pela lei, estrangeiros só podem controlar até 20% da composição societária de companhias aéreas. “Eu fui contestada” pela ministra, disse Denise.

 

A rigor, o relato de Denise não discrepa do roteiro escrito que Dilma entregara a senadores governistas na véspera. Coincidem nas datas e nos fatos.

 

O problema está nos detalhes. Informações que a ex-diretora conta, timtim por timtim, e que a ministra preferiu omitir em seu texto.

 

Por exemplo: as conversas em que Dilma pressionou Denise; as reuniões convocadas  por Erenice Guerra, a segunda da ministra; a movimentação de Roberto Teixeira, o compadre de Lula.

 

Tudo considerado, ficou evidente que há o que investigar. Permanece na atmosfera a impressão de que a Varig foi negociada numa bacia que incluía, além das almas, perversões que malbarataram a lógica.

 

A prevalecer o que diz Denise Abreu, o lucro privado prevaleceu sobre o interesse do Estado. Não é algo que vá se esclarecer no âmbito do Legislativo.

 

A encrenca, por graúda, exige uma investigação feita em ambiente asséptico. Livre das cascas de banana próprias da política. É coisa para o Ministério Público.

 

PS.: Aos que tiverem interesse em ouvir a exposição de Denise Abreu no Senado, basta pressionar aqui (18m11s), aqui (17m7s) e aqui (23m10s).

 

PS.2: Depois de Denise Abreu, falaram aos senadores outros três personagens. Milton Zuanazi, ex-presidente da Anac, disse que Dilma "disse que o governo queria salvar a Varig". Mas defendeu os atos praticados no processo.

 

Leur Lomanto, outro ex-diretor da Anac; e João Ilídio, ex-procurador da agência negaram que tenha havido pressão do governo.   

Escrito por Josias de Souza às 17h56

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Inflação de maio tem maior alta desde 1996: 0,79%

Deshakal Chowdhury/AFP
 

 

O tigre está, definitivamente, à espreita. Em maio, o IPCA, índice oficial de inflação, teve alta de 0,79%. É mais do que esperava o mercado: 0,63%.

 

Desde 1996, o IBGE não captava semelhante alta num mês de maio. Vem daí a tentativa do Banco Central de segurar, por meio dos juros, o rabo do bicho.

 

Até o mês passado, a projeção da taxa de inflação para os 12 meses do ano estava em 5,04%. Agora, foi a 5,58%.

 

O BC trabalha com uma meta inflacionária de 4,5% para o ano de 2008. Ou seja, matreira, a fera vai escapando da jaula.

 

Os brasileiros mais jovens não imaginam o frio que corre pela espinha dos patrícios mais antigos no instante em que a inflação volta a insinuar-se nas gôndolas.

 

Para essa novíssima geração, que só conhece a inflação de ouvir dizer, é preciso explicar que, submetida aos humores do monstro, a lógica da mesa do pobre passa a funcionar assim:

 

Num primeiro momento, onde comem dois, passa comer um. Num segundo estágio, onde não come um, passam a não comer dois.

Escrito por Josias de Souza às 16h24

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As manchetes desta quarta

- JB: Milícia faz chantagem em Botafogo

- Folha: PIB cresce 5,8%, mas indica desaceleração

- Estadão: PIB mostra alta nos gastos de governo e freada no consumo

- Globo: TSE permite candidatos com ficha suja em 2008

- Gazeta Mercantil: Fundo francês Axxon compra gaúcha Guerra

- Correio: O espetáculo da gastança

- Valor: Oferta da Vale abre espaço para captação de US$ 80 bi

- Estado de Minas: Lá vai o Brasil subindo a ladeira

- Jornal do Commercio: Vandalismo em ações dos sem-terra

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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Apertem os cintos!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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Dilma adestra senadores para audiência sobre Varig

Dilma adestra senadores para audiência sobre Varig

Parlamentares ‘aliados’ encontraram ministra no Planalto

Receberam um ‘roteiro’ elaborado para isentar Casa Civil

Denise Abreu, ex-Anac, requisitou ‘segurança’ ao Senado

Detratora de Dilma chegou a Brasília carregada de papéis

Ela depõe, nesta 4ª, para a comissão de ‘Infra-Estrutura’

 

 

A convite do ministro José Múcio, coordenador político de Lula, um grupo de senadores foi ao Planalto nesta terça-feira (10). Grupo seleto. A nata do governismo.

 

Ao chegar, os senadores deram de cara com a toda-poderosa ministra-chefe da Casa Civil. Dilma Rousseff instruiu-os sobre como deveriam defender Dilma Rousseff.

 

Noves fora o falatório da ministra, os senadores receberam um “roteiro”. Traz detalhes do processo que resultou na venda da Varig. Tem sete páginas, obtidas pelo blog.

 

O documento de Dilma foi concebido como peça de defesa. Mas contém informações que podem fornir o paiol da oposição.

 

Por exemplo: quem lê o “roteiro” de Dilma, escrito na forma de tópicos, verifica que a venda da Varig foi autorizada no intervalo relâmpafo de quato dias.

 

A descrição da ministra começa em 19 de junho de 2006. Dia em que, segundo o texto, o juiz que conduzia o processo de falência da Varig comunicou-se com a Anac.

 

O magistrado Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, informou à agência reguladora da aviação civil que a Varig iria à breca dali a quatro dias, em 23 de junho.

 

O TGV (Trabalhadores do Grupo Varig), que adquirira a empresa havia 11 dias, não tinha caixa para prover os recursos necessários ao funcionamento da companhia.

 

“A Anac comunica ao governo e é organizado um plano de contingência”, diz o texto de Dilma. “Cria-se uma sala de gestão da crise no Ministério da Defesa.”

 

Reunida em 23 de junho, data que o juiz Ayub previra como fatal para a falência da Varig, a diretoria da Anac aprovou a transferência da Cia. aérea para o grupo Volo.

 

O Volo era representado por três cidadãos brasileiros –à frente Marco Antônio Audi— e pelo fundo norte-americano Matlin Patterson, gerido pelo chinês Lap Chan.

 

Segundo a ex-diretora da Anac Denise Abreu, Dilma a teria pressionado para abrir mão de exigências que comprometiam o fechamento do negócio.

 

De viva voz, a ministra assegurou aos senadores que jamais tratou do assunto em conversa direta com Denise Abreu.

 

Por escrito, o roteiro entregue por Dilma aos senadores exclui completamente a Casa Civil da jogada.

 

Tudo teria se processado numa triangulação cujos vértices foram: o juiz Ayub; a pasta da Defesa, gerida à época por Waldir Pires; e a Anac.

 

Pela lei, empresas aéreas devem ter 80% de suas ações controladas por brasileiros. Denise Abreu insinua que o grupo do patrício Marco Audi não tinha bala para tanto.

 

Os brasileiros seriam laranjas do fundo do Matlin Patterson, dos EUA. Exigiu a exibição do Imposto de Renda dos brasileiros. E Dilma teria pedido que esquecesse o assunto.

 

Lorota, informa o roteiro da ministra. A Volo alegara que a entrega do IR feria o sigilo fiscal. E a procuradoria-geral da Anac, em parecer de 23 de junho de 2006, dera razão à empresa.

 

Ainda de acordo com o texto de Dilma, os comproadores da Varig entregaram documentos, aceitos pela Anac, demonstrando que os brasileiros controlavam 80% da sociedade.

 

Mais: entregaram à Anac, documento assinado assegurando o seguinte: “Não existem contratos privados [de gaveta] que modifiquem essa situação.”

 

A situação atual contrasta com o quadro esboçado no texto da ministra. O fundo norte-americano Matlin Patterson detém o controle absoluto da Varig.

 

Depois das denúncias de Denise Abreu, a Anac expediu ordem para que o chinês Lap Chan, gestor do fundo, providencie, em 30 dias, a reformulação da composição acionária. A determinação foi reforçada, nesta terça, pelo ministro Nelson Jobim (Defesa).

 

Além de se auto-excluir da transação, Dilma esquivou-se de mencionar em seu texto o advogado Roberto Teixeira –compadre de Lula, amigo de três deécada do presidente.

 

Segundo Denise Abreu, a banca advocatícia de Teixeira atuou no caso como facilitador da compra da Varig. Disse ter sido pressionada por uma filha do advogado.

 

A foto estampada lá no alto, veiculada na última edição da revista Veja, mostra que, de fato, Teixeira tinha livre acesso à maçaneta do gabinete de Lula.

 

Captada depois da efetivação da venda da Varig, a foto estampa, da esqueda para a direita, os seguintes personagens:

 

Larissa, filha de Roberto Teixeira; Cristiano Martins, genro de Teixeira; o chinês Lap Chan, do fundo Matlin Patterson...

 

...Valeska, filha de Teixeira que esteve com Denise Abreu; Marco Audi, da VarigLog; Lula; Guilherme Laager, então presidente da Varig;  Eduardo Gallo, da VarigLog...

 

...Santiago Born, do Matlin Patterson; e o primeiro-amigo Roberto Teixeira. No rodapé, escrita a mão, uma dedicatória: "Para o amigo Marco Audi, um abraço do Lula."

 

A última das sete páginas que compõem o roteiro de Dilma tem o seguinte título: “A venda da Varig – Reunião da Anac”.

 

O texto anota que, em ata datada de 23 de junho de 2006, a Anac “aprova o pedido de autorização prévia pra a transferência das ações da empresa Varig [...]” para a Volo, que tinha como sócios os três brasileiros e o fundo norte-americano.

 

Antes, na página de número quatro, Dilma informara que a reunião da Anac ocorrera no Ministério da Defesa, não na Casa Civil. E a compra da Varig fora aprovada por “quatro a zero”.

 

Decisão unânime, portanto. Supostamente com o voto favorável da agora denunciante Denise Abreu. A ex-diretora da agência desembarcou em Brasília nesta terça (10).

 

Denise Abreu chegou à Capital com caixas apinhadas de documentos. Requesitara “segurança” à Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Fora atendida.

 

Dirigiu-se do aeroporto de Brasília para um hotel escoltada por três agentes da Polícia do Senado.

 

Na audiência marcada para as 10h desta quarta-feira, vai-se descobrir se a ex-diretora da Anac dispõe, de fato, de documentos capazes de fazer ruir a versão de Dilma.

Escrito por Josias de Souza às 04h01

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Lula defende a criação de novo tributo para Saúde

Em sessão intoxicada pelo dissenso, o consórcio governista tenta, de novo, aprovar na Câmara a proposta que recria a CPMF, agora rebatizada de CSS.

 

À tarde, o movimento pela ressurreição do chamado imposto do cheque ganhou uma adesão de peso.

 

Discursando em Campinas (SP), Lula sem dinheiro novo, é “humanamente impossível” tonificar o orçamento da Saúde (assista lá no alto).

 

Ou seja, insinuou em público algo que, em privado, vem deixando claro, claríssimo: se for aprovado sem a nova fonte, o projeto que regulamenta a emenda 29 será vetado.

 

Lula repisou as velhas críticas à derrubada da CPMF no Senado, em dezembro de 2007. Disse que o tributo foi à cova “por ódio”, apenas pela “vontade de que as coisas não dessem certo.”

 

De resto, o presidente aproveitou o discurso para instar os homens a cuidarem da saúde. Fez a apologia do exame de toque, para a detecção do câncer de próstata.

 

Reconheceu que, ao chegar à presidência, cuidava pouco da própria saúde. Mas se deu conta de que tinha um mandato a cumprir. E tomou jeito.

 

Hoje, Lula considera-se um homem saudável. “Com alguns problemitas”, que não quis mencionar (assista abaixo).

PS.: Valendo-se de uma sucessão de manobras regimentais, a oposição conseguiu adiar, pela terceira vez, a votação do projeto que traz em seu bojo a recriação da CPMF. A análise da encrenca foi adiada para a sessão desta quarta-feira. O consórcio governista afirma que agora vai!

Escrito por Josias de Souza às 20h27

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Avião explode ao aterrissar em aeroporto do Sudão

PS.: Leia sobre o acidente aqui.

Escrito por Josias de Souza às 18h03

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PIB cresce 5,8% no 1º trimestre de 2008, um recorde

 

Nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto somou R$ 665 bilhões. Uma cifra 5,8% maior do que a registrada no mesmo período de 2007. Ou 0,7% maior do que a anotada no último trimestre do ano ano passado.

 

Considerando-se 12 meses –de março de 2007 a março de 2008— o índice de crescimento do PIB foi também de 5,8%.

 

Desde 1996, ano em que o IBGE começou a fazer esse tipo de cálculo, é a maior variação já verificada na comparação entre períodos equivalentes.

 

É nos detalhes que as contas do IBGE mandam os seus principais recados. O primeiro diz respeito à demanda.

 

Verificou-se que o consumo, supraquecido no final do ano passado, segue agora uma curva cadente.

 

Entre outubro e dezembro de 2007, o consumo era de 8,7%. De janeiro a março de 2008, refluiu para 6,6%. O ministro Guido Mantega (Fazenda) solta fogos.

 

Um dos fatores que puxam a inflação para o alto é a incapacidade da indústria de responder aos desejos de consumo dos brasileiros. Por isso os fogos ministeriais.

 

As contas escondem, porém, uma má notícia: os gastos do governo sobem mais do que deveriam.

 

Comparando-se o último trimestre de 2007 com o primeiro de 2008, o aumento nas despesas do Estado foi de 4,5%.

 

Significa dizer que, enquanto o Banco Central tenta extinguir as chamas inflacionárias elevando os juros, o resto do governo joga gasolina na fogueira ao optar pelo gasto em detrimento do abatimento da dívida pública monumental.

 

Mantega justifica-se dizendo que as contas do IBGE incluem Estados e municípios, não apenas o governo federal. Que seja. O problema remanesce.

 

Falando sobre o PIB numa feira hospitalar de São Paulo, Lula adotou um discurso dúbio. Oscilou entre a grandiloqüência e a preocupação.

 

Primeiro disse que, na toada atual, o Brasil acabará sentando-se no G8 como protagonista, não como convidado eventual.

 

Depois, revelou-se atento à necessidade de compatibilizar a capacidade da indústria de levar produtos às prateleiras e a vontade dos consumidores de comprar. Assista ao discurso lá no alto.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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Quem acusa Dilma ‘não tem moral e ética’, diz Lula

De passagem por São Paulo, Lula trocou um dedo de prosa com os repórteres. A certa altura, permitiu-se dizer meia dúzia de palavras sobre o caso Varig.

 

Palavras duras: "As pessoas que estão fazendo ilações contra a ministra Dilma não têm sequer autoridade moral e ética...”

 

“...Eu acho abominável. E a história haverá de fazer o julgamento das ilações que estão sendo feitas contra a ministra Dilma (ouça aqui)."

 

Ora, ora, ora quem disparou contra Dilma? Denise Abreu. Não é uma detratora qualquer.

 

A companheira chegou à Casa Civil pelas mãos de Zé Dirceu. Depois, sob aplausos de Dilma, foi indicada por Lula para a Anac.

 

Espanta que, tendo estendido a mão à “falta de autoridade mora e ética”, o presidente queira agora tratá-la com os pés.

 

Só mesmo ressuscitando Oscar Wilde: “Quase todas as pessoas são outras pessoas. Seus pensamentos são alheios, suas vidas uma mímica, seus amores uma frase.” 

 

PS.: No Senado, governo e oposição preparam-se para o depoimento de Denise Abreu, nesta quarta-feira (11), como se fossem para um campo de batalha (ouça).

Escrito por Josias de Souza às 16h33

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PSOL protocola o pedido de impeachment de Yeda

‘Não posso aceitar práticas mafiosas’, diz o vice gaúcho

Paulo Feijó revela que aindadispõe de novas gravações

Ele admite divulgá-las, mas só o fará no ‘tempo devido’

Governadora reconhece que gerencia  uma 'crise ética'

Ônix age para tentar evitar a expulsão de Feijó do DEM

 

 

Reunida nesta segunda-feira (9), em Porto Alegre, a Executiva do PSOl no Rio Grande do Sul decidiu protocolar na Assembléia legislatica um pedido de impeachment da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB).

 

É, por ora, a conseqüencia mais extremada da crise que rói as entranhas da administração tucana. A decisão do PSOL foi comunicada pela deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) ao vice-governador gaúcho Paulo Feijó (DEM), adversário de Yeda.

 

 

Filha do ministro da Justiça, o também gaúcho Tarso Genro (PT), Luciana explicou a Feijó que a idéia do PSOL é a de provocar uma nova eleição. O que dependeria da renúncia do vice-governador.

 

Mais tarde, em entrevista, Feijó não se deu por achado. Disse que sua intenção não é a de prejudicar a governadora (?!?!). Reconheceu que a gravação que fez com o ex-chefe-do Gabinete Civil Cezar Busatto tem 1h 20min de duração.

 

Disse que só divulgou cerca de 20 minutos da conversa porque julgou que esse é o trecho que tem “interesse público”. De resto, não demostrou arrependimento:

 

Feijó lançou no ar uma pergunta: “De que outra forma esse submundo seria posto às claras?” Para dessassego de Yeda Crusius, insunou que dispõe de novas gravações.

 

A exemplo do diálogo que manteve com Busatto, captou as outras conversas sem o conhecimento dos interlocutores. Admite divulgá-las. Mas só “No devido tempo.”

 

Presidente do diretório estadual gaúcho do DEM, o deputado federal Ônix Lorenzoni tenta evitar que seu partido expulse Feijó de seus quadros.

 

À noite, em entrevista, Yeda Crusius confirmou ter solicitado a renúncia coletiva de seu secretariado. Vai nomear um “gabinete de transição”. Reconheceu que a crise tem contornos éticos.

 

“Pode chamar [o gabinete de transição de gabinete de crise. Nós estamos vivendo uma crise de ética”, disse ela.

 

Yeda acrescentou: “Este gabinete de transição tem até 15 dias para desenhar um contrato, uma carta de compromisso ético...”

 

“...Certamente, este novo contrato vai implicar ampla modificação nas indicações partidárias para cargos em comissão...”

 

“...Só podemos diminuir cargos em comissão se conseguirmos reformular as carreiras de Estado...”

 

Depende dessa reformulação e da recomposição da base de suporte legislativo da governadora a chance de êxito do pedido de impeachment a ser formulado pelo PSOL.

Escrito por Josias de Souza às 05h07

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As manchetes desta terça

- JB: Cabral: milícia e tráfico dominam parte do Rio

- Folha: Gasto militar no mundo cresce 45% em dez anos

- Estadão: Reaberta investigação sobre compra da Varig

- Globo: Contrato de gaveta revela acordo para enganar Anac

- Gazeta Mercantil: Produção de adubo cai, apesar de taxa sobre os importados

- Correio: O país da mesa farta e cara

- Valor: Nova barreira comercial da UE vai atingir o etanol

- Estado de Minas: Padres fora da eleição

- Jornal do Commercio: Muda o Código Penal

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h50

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Hangar Vip!

Ique
 

PS.: via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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Fundo Soberano pode incluir a receita do petróleo

Fundo Soberano pode incluir a receita do petróleo

Mentor da idéia, Mercadante quer a regulação imediata

Mantega compra a tese, mas hesita em adotá-la agora

 

Moacir Lopes/Folha

 

O governo passou a considerar a hipótese de utilizar a renda futura das novas reservas de gás e óleo da Petrobras como lastro do Fundo Soberano.

 

As jazidas recém-descobertas estão em fase de prospecção. Embora promissoras, são, por ora, um vir a ser. Mas o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) antecipa um debate inevitável.

 

O que fazer com o dinheiro que resultará da prosperidade petrolífera do Brasil? Em conversa com o ministro Guido Mantega (Fazenda), Mercadante fez uma sugestão.

 

Para o senador petista, um naco substancial dos recursos advindos do petróleo deveria lastrear o Fundo Soberano que o governo está na bica de propor ao Congresso, por meio de um projeto de lei.

 

“Entendo que parte substancial dos rendimentos desses novos campos deve constituir o Fundo Soberano”, disse Mercadante ao blog.

 

Que destino teria a renda do petróleo? “O dinheiro deve ser aplicado no exterior”, avança Mercadante. “E o resultado precisa ser utilizado com uma lógica inter-geracional.”

 

Como assim? “O petróleo é uma fonte não-renovável de riqueza”, prossegue o senador. “Não podemos jogar esses recursos no consumo imediato...”

 

“...Também não é aconselhável que desperdicemos esses recursos com o financiamento da máquina pública...”

 

“O ideal é que os rendimentos advindos do petróleo sirvam para financiar a educação, o avanço da ciência e da tecnologia e, talvez, um sistema de aposentadorias e pensões.”

 

A julgar pelo teor de uma entrevista que concedeu ao diário londrino Finantial Times, veiculada nesta segunda-feira (9), Mantega comprou a idéia de Mercadante. Diverge, porém, nos detalhes.

 

Aquilo que o senador deseja regulamentar já, o ministro estima que deve ocorrer dentro de três ou quatro anos. Prevê, de resto, destinação diversa para os recursos.

 

Para Mantega, depois de tonificado com os rendimentos do petróleo abundante, o Fundo Soberano serviria para a compra de divisas estrangeiras.

 

Divisas que prevê usar na concessão de créditos aos compradores de exportações brasileiras ou a empresas nacionais que investem em outros países.

 

Mantega ratificou a informação de que o governo enviará o projeto do Fundo Soberano ao Congresso ainda nesta semana. Não deixou claro, porém, se a proposta incluirá a pespectiva de lastro petrolífero.

 

Mercê de debates internos que envolveram o deputado Antonio Palocci (PT-SP), antecessor de Mantega na Fazenda, e o próprio Mercadante, o governo decidiu dar uma feição fiscal ao seu projeto de Fundo Soberano.

 

Servirá para constituir uma reserva que, na prática, eleverá a meta de superávit fiscal do governo em 0,5 ponto percentual.

 

A despeito disso, Mercadante avalia que não há prejuízo em incluir na proposta, desde logo, a regulação do uso futuro dos recursos que virão do petróleo.

 

“É acertada a decisão de aumentar o superávit, como forma de combater a alta da inflação. Uma inflação que é importada”, diz Mercadante.

 

O senador acrescenta: “Sem prejuízo do componente fiscal, o projeto do Fundo Soberano pode conter o desenho institucional do aproveitamento futuro dos recursos estratégicos do petróleo.”

 

Ou seja, se não vier na proposta original do governo, o componente petrolífero do Fundo Soberano será injetado no projeto, por meio de uma emenda, pelo senador Mercadante.

 

A utilização de rendimentos do petróleo não é algo inédito. Dos 15 maiores fundos soberanos existentes no mundo, oito são lastreados exclusivamente no petróleo.

 

Pressionando aqui, você chegará a uma tabela com o detalhamento desses fundos. O quadro traz os nomes dos países, os valores investidos, a origem dos recursos e a forma como são utilizados.

 

O maior fundo soberano com lastro no petróleo é o dos Emirados Árabes: U$ 875 bilhões. O menor, da Argélia, mantém depositados no exterior US$ 47 bilhões.

 

Na entrevista ao Finantial Times, Mantega avaliou que as novas reservas petrolíferas do Brasil devem produzir algo como 40 bilhões a 50 bilhões de barris de óleo.

 

O que permitira ao governo, segundo o ministro, carrear para o Fundo Soberano, em perído de até cinco anos, algo entre US$ US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões.

Mercadante prefere trabalhar com estimativa mais modesta. Reconhece que alguns bancos estrangeiros quantificam a produção futura de petróleo do Brasil em 50 bilhões de barris.

 

Mas acha mais prudente trabalhar com projeção que qualifica de “realistas”: 30 bilhões de barris de petróleo. Ainda assim, avalia que só as exportações desse petróleo extra e de seus derivados proporcionarão ao Brasil uma renda extraordinária de US$ 40 bilhões.

 

Dinheiro que, insiste o senador, precisa ser “comprometido, desde já, com as gerações futuras”, por meio de previsões de investimento em educação e em desenvolvimento científico e tecnológico.

 

Mercadante lembra que as novas reservas de petróleo e gás do Brasil estão localizadas nas profundezas do oceano, a seis mil metros da superfície, abaixo da camada de pré-sal. Algo que retardou a descoberta e que converteu o Brasil “numa potência petrolífera tardia.”

 

O senador sugere que o país transforme limão em liminada: “Se olharmos a história dos países que são grandes exportadores de petróleo, em geral, foi uma tragédia...”

 

“...A abundância gerou muitas divisas, apreciação do cambio, importação desmedida e exportações exíguas. Não desenenvolveram a industria, a agricultura e a tecnologia. São países que vivem do rentismo do petróleo...”

 

“Não podemos cometer os mesmos erros. O Brasil chega tardiamente a essa condição. Já acumulamos uma estrutura industrial. Avançamos na indústria aeronáutica, automotiva, de bens de capital...”

 

“Nos últimos seis anos, o Brasil se converteu num dos países que mais produziram e exportaram alimentos no mundo. Além disso, dispomos de outras matérias primas além do Petróleo...”

 

“...O Brasil não tem motivos para não cometer os mesmos equívocos de outros grandes produtores de petróleo. Podemos programar o nosso futuro. E hora de fazer isso é agora.”

Escrito por Josias de Souza às 03h11

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Planalto faz ‘protocolo’ do trabalho nos canaviais

Governo negocia texto com empresários e trabalhadores

  Joel Silva/Folha
Por ordem de Lula, o ministro Luiz Dulci (Secretário-Geral da Presidência) dedica-se à elaboração de um protocolo de boas práticas para a lavoura sucroalcooleira.

 

Dulci negocia o texto com patrões e empregados do setor. Os primeiros foram à mesa por meio da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

 

A mão-de-obra é representada na negociação pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

 

A iniciativa é parte da estratégia do governo para melhorar a imagem do etanol no exterior. Algo que Lula define como uma “guerra”.

 

No Brasil, a lavoura de cana oscila entre a mecanização e o trabalho semi-escravo. Nos dois casos, o trabalhador leva a pior.

 

A invasão das máquinas produz o desemprego massivo. A senzala pós-moderna conduz à degradação do ser humano.

 

Eis alguns dos pontos que Dulci tenta injetar no protocolo que o governo pretende ver firmado por empresas e sindicatos:

 

1. Segurança: deseja-se assegurar que os trabalhadores recebam os equipamentos adequados de proteção: luvas e botas, por exemplo;

 

2. Respeito às leis: pretende-se estimular a formalização do trabalho no setor, com assinatura em carteira;

 

3. Higiene e alimentação: tenta-se arrancar das empresas o compromisso de prover condições sanitárias –banheiros químicos, por exemplo—e refeições decentes, que aquele tipo de comida que dá nome à categoria: bóia-fria;

 

4. Transporte: busca-se extirpar da cena brasileira o velho caminhão de transporte de lavradores. Cogita-se oferecer às empresas que ainda se servem da iniqüidade estímulos para que substituam a frota por ônibus;

 

5. Reciclagem funcional: o governo se dispõe a firmar parceria com as indústrias do setor, para oferecer cursos de reciclagem à mão-de-obra que vem sendo mandada ao olho da rua pelas máquinas. O fenômeno da mecanização é visto como necessário e inevitável.

 

O governo estima que a indústria da cana emprega no Brasil cerca de um milhão de trabalhadores. Desse total, 500 mil atuam diretamente no corte da cana.

 

Diz-se que a maioria das usinas opera dentro da lei. O problema é que a minoria, quando pilhada em transgressões, impede que se consiga separar o açúcar do bagaço.

 

No final do mês passado, em relatório que correu o mundo, a Anistia Internacional apontou o dedo para os abusos a que ainda são submetidos os trabalhadores.

 

A entidade serviu-se de dados do próprio governo brasileiro. Citou casos de “resgates” feitos pela equipe de fiscais do Ministério do Trabalho em 2007.

 

Informou-se que foram salvos do trabalho semi-escravo 288 trabalhadores de seis plantações de cana em São Paulo; de 409 de uma destilaria de álcool de Mato Grosso do Sul; e mais de mil na fazenda da Pagrisa, no Pará.

Escrito por Josias de Souza às 00h33

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Lula sanciona leis que podem acelerar os processos

  Marcello Casal/ABr
Aprovados pela Câmara há 15 dias, os projetos que compõem o pacote de segurança pública foram convertidos em lei por Lula nesta segunda-feira (9).

 

As novas leis alteram o Código de Processo Penal. A principal novidade é a mudança na regra que dava direito a um segundo julgamento aos réus condenados a mais de 20 anos de prisão.

 

Com isso, tenta-se evitar a repetição de casos como o do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida.

 

Acusado de mandar matar a missionária norte-americana Dorothy Stang, o fazendeiro foi condenado a 29 anos de cana. Teve direito automático a um segundo júri.

 

Foi, então, absolvido. Saiu do tribunal livre, leve, solto...

Escrito por Josias de Souza às 20h43

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Gincana de lama, a penúltima novidade da política

Aos pouquinhos, a política brasileira vai se convertendo numa gincana de lama. Ganha aquele que consegue derramar sobre o adversário o balde mais cheio.

 

A degradação anda tão generalizada que já ameaça de extinção um velho primado do direito: o benefício da dúvida.

 

A oposição tucano-democrata prepara-se para manusear os seus baldes na oitiva dos personagens que lidaram com a venda da Varig. Negócio de “mãe” para filho.

 

Em defesa da ministra Dilma, a companheira Ideli Salvatti (PT-SC) apressa-se em juntar o lodo alheio:

 

"Eles [da oposição] vão ter de ter moral para investigar, por exemplo, com os casos do Rio Grande do Sul e Alstom. Não investigam nada."

 

Rodo vai, rodo vem, as malfeitorias vão se acumulando na quina superior das páginas dos jornais. Novas denúncias se sobrepõem às velhas. O ritmo é alucinante.

 

Deve-se ao repórter Rubens Valente a descoberta de que, na mesma São Paulo em que a Alstom criou bico, o Ministério Público apalpou uma planilha com inscrição incômoda: "Doação PT."

 

Somando a depoimentos já coletados, o documento reforça as suspeitas de que a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários) borrifou verbas nas arcas eleitorais clandestinas do petismo.

 

Por ora, o vocábulo “incorruptível” é definido assim, numa das acepções do Aurélio: “Íntegro, reto, austero.” Logo, logo o dicionário terá de anotar um novo significado:

 

“Incorruptível: um sujeito honesto que ainda não teve a oportunidade de manusear a chave de um cofre.” A coisa vai de pior a muito pior.

Escrito por Josias de Souza às 20h02

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Força-tarefa do MP vai investigar o governo gaúcho

  Marcos Eifler/Ag.AL
O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul decidiu constituir uma “força tarefa”, para investigar suspeitas de corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB).

 

Além de promotores de Justiça, vão participar do grupo a representação do Ministério Público no Tribunal de Contas do Estado e procuradores do Ministério Público Eleitoral.

 

Ao anunciar a novidade, nesta segunda-feira (9), o procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Mauro Renner, disse:

 

“O Ministério Público vai atuar no caso com exclusividade e priorizando a investigação dos desvios de recursos públicos...”

 

“...É o grande momento de buscar este aperfeiçoamento para que nas próximas eleições não ocorra financiamento [ilegal] de campanha.”

 

Estão na mira da força-tarefa pelos menos quatro órgãos públicos e estatais gaúchas: Detran, CEEE (Cia. Estadual de Energia Elétrica), Daer (Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem) e Banrisul (o banco estadual gaúcho).

 

Já nesta terça-feira (10), o Ministério Público pretende colher o depoimento de Paulo Feijó (DEM), vice-governador do Rio Grande do Sul.

 

Na última sexta (6), Feijó divulgou fita com a gravação de diálogo que mantivera em 26 de maio com Cézar Busatto (PPS), exonerado no sábado (7) da chefia da Casa Civil de Yeda.

 

Na conversa, gravada por Feijó sem o conhecimento de Busatto, o ex-auxiliar da governadora gaúcha reconhecera algo de que já se suspeitava.

 

Busatto admitira na fita que, submetidos a gestores indicados por partidos, órgãos públicos serviam como "fontes de financiamento" ilegal de campanhas políticas.

 

Um fenômeno que se verifica no atual governo e que ocorria também em gestões anteriores. Busatto depôs nesta segunda na CPI do Detran (foto lá no alto).

 

Ali, diante dos deputados estaduais, o ex-chefe da Casa Civil tratou de atenuar o que dissera na gravação feita à sua revelia.

 

"Fui impreciso e, com isso, dei margem a mal-entendidos quando me referi a financiamento de partidos políticos". 

 

Agora, ele esclarece que não quis dizer que os partidos têm cavado verbas ilícitas no governo gaúcho. Jogou a culpa no modelo político, não nas pessoas.

 

Busatto disse que seria hipócrita se desconsiderasse que o atual modelo dá margem a desvios.

 

"Não há como democratizar a política sem enfrentarmos com coragem a questão do financiamento de campanha e o loteamento de cargos nos órgãos públicos".

 

Considera-se vítima de uma “tocaia” urdida pelo vice Feijó: "Fui vítima de uma traição. Recebi uma facada pelas costas, mas sobrevivi e hoje me sinto mais forte".

 

Busatto desafiou o “traidor” a divulgar a íntegra da conversa gravada. Tem, segundo ele, mais de uma hora. Só vieram a público cerca de 20 minutos de conversa.

 

Segundo ele, o objetivo de Feijó é ocupar a cadeira de Yeda Crusius: Ele quer "aniquilar o Estado, desmontar o patrimônio imaterial que é a confiança dos gaúchos e o patrimônio material que é o Banrisul e, confirmado o ‘impedimento’ da governadora, assumir o governo do Estado".

 

A certa altura do depoimento, o ex-chefe da Casa Civil reagiu com rispidez ao ser indagado por uma deputada petista se não considerava que cometera "crime de Prevarização". Chamou-a a inquiridora de "carrasca". E a coisa descambou para o bate-boca.

  

Antes da confusão, longe do ambiente intoxicado da Assembléia Legislativa, Yeda Crusius participara da entrevista em que o procurador-geral de Justiça Mauro Renner anunciara a composição da força-tarefa anticorrupção. A governadora não disse palavra.

 

Informou-se, porém, que ela pôs à disposição do Ministério Público a equipe da CAGE (Contadoria e Auditoria-Geral do Estado).

 

De resto, Yeda diz que a governadora, que já afastara quatro auxiliares no sábado, fará uma ampla reformulação de seu secretariado. Coisa para .

Escrito por Josias de Souza às 18h38

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Em 3 meses, multas a 'desmatador' somam R$ 361 mi

  Guto Cassiano
A Polícia Federal repassou ao ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) os últimos números da Operação Arco de Fogo. Foi deflagrada em março, para combater o desmatamento.

 

Em pouco mais de três meses, colecionaram-se dados que impressionam:

 

1. Terras: Embargaram-se 359 áreas propriedades. Juntas, somam 63 mil hectares;

 

2. Árvores: Foram apreendidos 106 mil m3 de madeira. Desse total, 79,3 mil m3 em toras; e 26,7 mil m3 já processadas ilegalmente em serrarias;

 

3. Multas: o talonário dos fiscais do Ibama correu solto. Em quatro meses, lavraram-se R$ 361 milhões em multas.

 

Curiosamente, as estatísticas mais recentes do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que as labaredas da operação ainda nem chamuscaram o alvo.

 

Autoridades do setor receiam que o balanço da devastação da Amazônia em 2008 trará números mais acerbos do que os anotados em 2007.

 

Na semana passada, informou-se que, só em abril, mês subseqüente ao do lançamento da operação da PF, foi abaixo uma área de floresta do tamanho da cidade do Rio.

 

E o pior está por vir. Aguarda-se com apreensão o lote de dados relativos a maio, junho e julho. São meses em que a Amazônia fica seca. E o desmate é mais alto.

 

Não é por outra razão que o ministério do Meio Ambiente anuncia para os próximos dias a “intensificação” das ações federais na Amazônia.

 

A operação Arco de Fogo entra agora em sua terceira fase. Além dos agentes da PF e dos fiscais do Ibama, vão à mata policiais rodoviários.

 

De resto, acionou-se o Exército. Diz-se que prestará apoio logístico. Ajudará a transportar e a armazenar os bens ilegais apreendidos.

 

Além de madeira, planeja-se reter agora os grãos e até o gado encontrado em propriedades ilegais. Entrou-se na arriscada fase do espalhafato.

 

PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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As manchetes desta segunda

- JB: Projeto endurece punição no trânsito

- Folha: Governo federal repassa mais verba a prefeitos aliados

- Estadão: Petróleo vai render R$ 30 bi por ano ao País

- Globo: Bicho pagava propina até a delegacias, diz relatório

- Gazeta Mercantil: Saúde gera venda e atrai produção de máquina

- Correio: Senado enfrenta epidemia de licenças médicas

- Valor: Gastos disparam nos Estados e municípios

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h52

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Equilíbrio (In)sustentável!

Angeli
 

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Anvisa prepara regulamento sobre as células-tronco

Paralelamente, agência realiza um 'censo' de embriões

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu baixar uma resolução impondo regras às clínicas que armazenam células embrionárias para pesquisa.

 

O documento está praticamente pronto. Porém, antes de ser levado ao Diário Oficial, será submetido a uma consulta pública, para que interessados ofereçam sugestões.

 

Há no Brasil cerca de 120 clínicas habilitadas a lidar com a reprodução humana assistida. Elas já são obrigadas a observar os termos de outra resolução da Anvisa, a de número 33.

 

O documento, aliás, está sendo reformulado. O processo de aperfeiçoamento foi deflagrado na última sexta-feira (6).

 

Ora, se já existe esse conjunto de normas, por que baixar outra resolução? Renata Parca, gerente de Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa, explicou ao repórter:

 

“A resolução 33 trata tecidos e células germinativas que têm finalidades reprodutivas. A nova resolução vai tratar da manipulação de células-troncos embrionárias destinadas a pesquisas.”

 

O que dirá a nova resolução? “Vai abordar todos os critérios de coleta, processamento, armazenamento e disponilização das células voltadas à pesquisa”, Renata explica.

 

Mencionará os aspectos éticos envolvidos nas pesquisas? “Essa é uma questão que diz respeito à Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa)”, prossegue Renata.

 

“Mas é evidente que, como todas as pesquisas têm que ser comunicadas à Conep, vamos mencionar na resolução, a título de reforço, que o registro é necessário.”

 

De resto, esclarece a gerente da Anvisa, numa eventual “ação de fiscalização nas clínicas, o comprovante de registro da pesquisa na Conep será solicitada pelos fiscais”.

 

Quem faz a fiscalização? Ouça-se agora o médico Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques. Ele integra a diretoria da Anvisa. É superior hierárquico de Renata Parca:

 

“A tarefa de inspecionar periodicamente esses serviços é de responsabilidade de Estados e municípios,” diz ele. Informa que não se trata de um controle simples:

 

“É muito difícil fazer-se uma verificação individual detalhada. Suponha que o profissional da vigilância queira saber onde está determinado grupo de células...”

 

“...Ele não tem como verificar se é aquele grupo mesmo. A informação depende dos registros e das garantias do próprio estabelecimento...”.

 

“...É um ambiente bem difente do que as pessoas imaginam”, acrescenta Cláudio Maierovitch. “Parte-se do pressuposto de que os pesquisadores são pessoas sérias, que lidam com instituições abalizadas.”

 

Simultaneamente à elaboração da nova resolusão, a Anvisa realiza um trabalho inédito: uma espécie de recenseamento dos embriões existentes no país.

 

Hoje, ninguém sabe ao certo quantos são. As estimativas contêm variações absurdas: vão de 3.000 a 20 mil embriões.

 

No próximo dia 12 de agosto, a Anvisa vai dispor da informação exata. Nessa data, vence o prazo para que as 120 clínicas informem o número de embriões que produziram até 31 de dezembro de 2007.

 

Terão de esclarecer quantos foram destinados à reprodução humana; congelados; e descartados, por inviáveis. De resto, precisarão dizer se os embriões excedentes já foram destinados à pesquisa ou se continuam “estocados”.

 

Uma vez obtidos, os dados passarão a ser atualizados anualmente. As informações serão lançadas no SisEmbrio (Sistema Nacional de Produção de Embriões).

 

Foi criado no mês passado, por meio de uma outra resolução da Anvisa, número 29. “Nossa idéia é divulgar relatórios freqüentes”, diz Renata Parca.

 

“As inforamções servirão para que a sociedade saiba quantos embriões já foram doados para pesquisas e quantos ainda continuam preservados.”

 

Nem todos os embriões excedentes poderão ser usados pelos pesquisadores. Cláudio Maierovitch explica:

 

“A Lei de Biosegurança, ratificada pelo STF, permite a utilização dos embrições congelados por três anos ou mais até março de 2005. Depois desse prazo, há um vácuo. Só uma nova lei pode autporizar o uso.”

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Direção do DEM fará censura pública a vice de Yeda

  Itamar Aguiar/Piratini
Em reunião marcada para a próxima quarta-feira (11), a Executiva nacional do DEM dicutirá, em Brasília, a crise que convulsiona a política do Rio Grande do Sul.

 

O partido decidiu censurar publicamente um de seus filiados gaúchos mais ilustres: o vice-governador Paulo Feijó (foto). Discute-se agora a melhor maneira e fazê-lo.

 

Um pedaço do DEM defende a abertura de um processo de expulsão de Feijó. Outro naco da legenda acha que uma reprimenda já está de bom tamanho.

 

“A atitude do vice-governador não foi correta”, diz Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM. “Não se pode combater uma suposta ilegalidade cometendo outra.”

 

Rodrigo Maia se refere à puxada de tapete que o vice Feijó aplicou no chefe da Casa Civil Cezar Busatto (PPS). Recebeu-o em sua sala. E gravou a conversa, às escondidas.

 

Pior: tendo arrancado declarações comprometedoras de Busatto sobre malfeitorias praticadas em repartições públicas gaúchas, o vice Feijó entregou a fita ao PT.

 

“O DEM não aceita que se adote esse tipo de método nem contra o pior inimigo. Não é porque se trata de um filiado nosso que vamos contemporizar”, afirma Rodrigo Maia.

 

O presidente do DEM telefonou para Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, o partido da governadora Yeda Crusius.

 

Rodrigo conta: “Eu disse ao Sérgio Guerra que, para nós, é um constrangimento. Pedimos desculpas pelo que o nosso filiado está fazendo o governo gaúcho passar.”

 

Os embaraços produzidos pela “fita-bomba” do vice Feijó estenderam-se ao próprio DEM. O partido cancelou a convenção que faria em Porto Alegre na próxima terça (10).

 

O encontro fora convocado para oficializar a candidatura do deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) à prefeitura da capital gaúcha. Concluiu-se que “não há mais clima.”

 

Adiou-se a “festa” para o dia 26 de junho. Curiosamente, deve-se ao próprio Ônix a indicação de Feijó para compor com Yeda Crusius a chapa vitoriosa na eleição de 2006.

 

Agora candidato a prefeito, Ônix acaba de atrair para sua coligação o PP. Um partido que, na gravação de Feijó, aparece como responsável por desvios no Detran-RS.

 

Feijó pode ser expulso do DEM? “O estatuto permite”, diz Rodrigo Maia. “Não estou com isso na cabeça. Mas não posso assegurar que alguém não vá pedir.”

 

“O certo”, acrescenta o presidente dos ‘demos’, “é que o partido deixará bem claro que não aceita esse tipo de prática. É a primeira vez que ocorre. E não haverá outra.”

 

O vice deve calar-se diante do que considera irregular? Rodrigo afirma que conhece Yeda Crusius. “Convivi com ela na Câmara, quando era deputada. É pessoa séria.”

 

Mas pondera: “A crítica ao governo Yeda é um direito do vice-governador, por mais que isso nos incomode. Se ele tem indícios de desvios, é até um dever dele comunicar à governadora.”

 

Acrescenta: “Se ela não tomar as atitudes condizentes, ele deve encaminhar para o Ministério Público. O que não dá é fazer gravações pelas costas. Isso é inaceitável.”

 

Avisado de que o DEM está em pé de guerra contra ele, o vice Paulo Feijó refuta, em privado, as críticas. Diz que não há ilegalidade em gravar as próprias conversas.

 

Constrói o seguinte raciocínio: estava numa instalação pública, conversando sobre tema de interesse do governo, com um servidor que, a rigor, é seu subordinado.

 

Alega ter repassado a fita à Polícia Federal e à representação do Ministério Público no Tribunal de Contas do Estado.

 

O diabo é que repassou cópia também a uma deputada estadual do PT: Stela Farias. Das mãos de Stela, a gravação foi à CPI do Dentran, onde foi lida sob holofotes.

Escrito por Josias de Souza às 17h51

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Balas perdidas ou achadas?

Balas perdidas ou achadas?

 

PS.: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 05h50

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Gaspari: ‘José Serra Precisa afrouxar o Garrote’

Vai abaixo o pedaço intermediário da soborosa torta servida pelo repórter Elio Gaspari em sua coluna (só para assinantes da Folha):

 

 

“O governador José Serra precisa mandar que a maioria tucana na Assembléia Legislativa de São Paulo afrouxe o garrote com que asfixia a oposição.

 

Num só dia ela derrubou seis pedidos de convocação de cidadãos que poderiam oferecer explicações para que se entenda a denúncia de que nos anos 90 a empreiteira Alstom pagou propinas a hierarcas do governo do Estado. Coisa de US$ 6,8 milhões.

Esmigalharam até mesmo um pedido de informações ao Ministério Público e à Polícia Federal. Era apenas a prática da velha e boa prática parlamentar de fazer perguntas para obter respostas.

 

O jabaculê da Alstom foi descoberto numa investigação conduzida pelo governo suíço e ex-diretores da empreiteira reconheceram que distribuíam dinheiro mundo afora.

 

A Alstom forneceu equipamentos ao Metrô de São Paulo e à usina hidrelétrica de Itá, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.


Desde que o assunto foi para a vitrine, em maio, já apareceram uns dez nomes e localizou-se uma lavanderia de dinheiro.

 

Mark Pieth, presidente do Grupo Anticorrupção da OCDE, disse ao repórter Assis Moreira que, em 2005, no Estado de São Paulo, pessoas que eram responsáveis pela compra de equipamentos não pediram suborno para eles, mas sugeriram que a empresa fizesse "pagamento ou presente político", para o caixa de partido.


O tucanato paulista blinda seu armário de esqueletos de acordo com a doutrina que a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) enunciou logo depois da denúncia da maracutaia da VarigLog.

 

Quando ela soube que a oposição queria convocar a comissária Dilma Rousseff para explicar seu papel no episódio, respondeu: "Nem morta vou permitir a aprovação desse requerimento. Chega de inventar novidade para tumultuar e criar factóides".


Em São Paulo, a tentativa de saber alguma coisa sobre uma mordida de US$ 6,8 milhões foi chamada de "kit PT" por Serra.

 

Em Brasília, dois dias depois, a senadora petista chamou de "factóide" a denúncia de uma ex-diretora da Anac envolvendo o favorecimento da VarigLog.

Apesar de tudo, a bancada do governo mostrou-se mais flexível que o tucanato de São Paulo e concordou com a expedição de convites a 12 pessoas envolvidas no rolo aéreo.

 

Ou o senador Arthur Virgílio vem a São Paulo ensinar boas práticas aos tucanos, ou Serra vai a Brasília ensinar sua arte ao PT.

Escrito por Josias de Souza às 05h33

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Marta: ‘Eu me arrependo de algo que fiz, as taxas’

Marta: ‘Eu me arrependo de algo que fiz, as taxas’

Qual é o principal problema de São Paulo?  ‘O trânsito’

Aumentará a carga tributária? ‘Vou diminuir as taxas’

Deixará a prefeitura em 2010?  ‘Quero ficar oito anos’

Por que se acha melhor que adversários:  ‘Pelo perfil’

Tem imagem arrogante? ‘Às vezes desconfio que sim’

Como lidará com o ‘relaxa e goza’?  ‘É página virada’

 

Antônio Cruz/ABr

 

Prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004, a petista Marta Sulicy foi ao bolso do contribuinte. Criou taxas para o lixo e para a iluminação pública. Aumentou o IPTU.

 

Ao tentar se reeleger, foi batida pelo tucano José Serra, que se tornaria governador dois anos mais tarde. Por que perdeu?

 

“Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação”, diz Marta no instante em que se apresenta ao eleitor paulistano, de novo, como candidata.

 

Ela falou aos repórteres Alessandro Duarte e Alvaro Leme. Na entrevista, promete: “Vou diminuir as taxas [...]. A cidade vive outro momento, gente!”

 

Do alto de seus 63 anos, Marta apresenta-se como candidata capaz de prover a “nova atitude” que, segundo ela, São Paulo precisa. Vai abaixo um extrato das declarações:

 

 

– Por que quer voltar a ser prefeita? São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.

 

Qual é o principal problema da cidade? Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô [...].

 

- Como ex-prefeita, não se julg co-responsável pelo caos no trânsito? Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7 [...].

 

- Cogita instituir o pedágio urbano e ampliar o rodízio? Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade [...]. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo [...]. Se tivéssemos hoje R$ 10 bilhões para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento.

 

– Compromete-se a não aumentar o IPTU e a não criar outras taxas? Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.

 

- Vai cumprir o mandato até o final? Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos [...]. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.

 

- Então, não vai disputar o governo ou o Planalto em 2010? Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.

 

– Por que se acha melhor do que Alckmin e Kassab? Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado [...].

 

– Do que se arrepende de não ter feito na primeira gestão? Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas [...]. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada.

 

- Por que não foi reeleita em 2004? É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.

 

- Como contornar na campanha a rejeição à sua imagem? Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.

 

- Acha que a separação de Eduardo Suplicy e o casamento com Luis Favre pesou na rejeição? Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor [...]

 

– Como vai lidar com a exploração do ‘relaxa e goza’? Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz [...]. Quem é que nunca disse uma frase infeliz?

 

– Acha que tem uma imagem arrogante? Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar [...].

Escrito por Josias de Souza às 04h56

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Que fazer com o escalpo?!?!?

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h42

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As manchetes deste domingo

- JB: Governo prepara volta dos bingos

- Folha: SP e MT lideram venda de terras a estrangeiros

- Estadão: Sócios brasileiros compraram VarigLog sem gastar nada

- Globo: 'Pen drive' do bicho aponta R$ 35 milhões em propinas

- Gazeta Mercantil: Mesmo com preço em queda, usinas exportam mais etanol

- Correio: Donos de funerárias denunciam propina

- Valor: Juros sobem e demanda de crédito começa a cair

- Veja: Barack Obama – Ele pode ser o homem mais poderoso do mundo

- Veja São Paulo: Marta Suplicy - "Por que quero voltar a ser prefeita"

- Época: O impacto do escândalo da Varig no futuro político de Dilma

- IstoÉ: A ministra dos Grandes negócios

- IstoÉ Dinheiro: As marcas mais valiosas do Brasil

- Carta Capital: As classes C e D dão lucro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h37

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Ministro da Industria e Comércio critica neo-CPMF

  Folha
A idéia de ressuscitar a CPMF como fonte de financiamento da Saúde não é uma unanimidade nem na Esplanada dos Ministérios.

 

“Sou visceralmente contra aumento de imposto”, disse à repórter Carolina Bahia o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

 

Para ele, uma melhoria na gestão das verbas já existentes seria o bastante para prover ao ministério da Saúde o tônico orçamentário de que necessita.

 

Prevê que acontecerá com nova CSS o mesmo que ocorria com a velha CPMF: “Ficará no custo [das empresas], o que é um problema.”

 

O ministro diz que nem todos os produtos têm contribuído para o recrudescimento da inflação. Diz que os preços dos eletrodomésticos, por exemplo, caíram 20%.

 

Acha que o fim da CPMF pode ter ajudado: “O que causou essa redução? O aumento da competitividade, a importação de matéria-prima, novas máquinas mais produtivas, processos de produção mais modernos e, eventualmente, o 0,38% da CPMF.”

 

Miguel Jorge destoa do grosso do governismo justamente no instante em que o consórcio partidário de Lula prepara-se para medir forças com a oposição, de novo, no plenário da Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Obama aproxima-se da Casa Branca vendendo sonho

Obama aproxima-se da Casa Branca vendendo sonho

  Chris Carlson/AP
Ainda que não seja eleito sucessor de George Bush, Barack Hussein Obama já escreveu uma bela página na história política dos EUA.

É um erro medir o tamanho do feito que o candidato empurrou para dentro de sua biografia apenas pela cor de sua pele.

 

Relembre-se, por oportuno, uma passagem que, contada lá fora, foi reproduzida aqui pelo sempre atento repórter Elio Gaspari. Deu-se em 2004.

 

Bush recebia na Casa Branca um grupo de parlamentares. Na despedida, grudou os olhos num broche que a deputada Jan Schakowsky trazia na lapela do tailler.

 

O adorno continha um nome. Começava com “O”. Terminava com “ama”. Bush levou os dois pés atrás.

 

“É Obama, com B”, a deputada apressou-se em explicar. E Bush, com a alma serenada: “Bem, eu não o conheço.” “Vai conhecê-lo”, vaticinou a visitante.

 

Bem, Bush agora já sabe quem é Obama. Começaria a conhecê-lo naquele mesmo 2004, quando o político que confundira com o terrorista elegeu-se senador por Illinois.

 

Era, de fato, o início de uma escalada bombástica. Que explodiu como a mais vistosa novidade produzida pela política norte-americana nos últimos tempos. Há aqui um perfil do fenômeno.

 

Some-se, agora sim, a ascensão instantânea à cor da cútis de Obama. Tem-se, então, a exata dimensão do novo.

 

Para os padrões brasileiros, o candidato democrata é um mulato –filho de um negro queniano com uma branca norte-americana.

 

Aos olhos do mundo, porém, trata-se do negro que mais perto chegou da cadeira de mandachuva do Império. Já não é pouca coisa.

 

Mas, a julgar pelas pesquisas, a aventura de 2004 pode ir mais longe. Obama vai às urnas na condição de favorito a tornar-se o primeiro presidente negro dos EUA.

 

Prevalecendo o impensável, será no mínimo divertido observar as mãos brancas que se julgam superiores tendo que apertar, ao redor do mundo, a mão retinta de Obama.

 

Há um quê de poesia na trajetória do candidato. Obama cavalga a impopularidade de Bush vendendo sonhos. Entre eles o da união dos americanos de todas as raças e credos.

 

Orador fino, educado em duas das mais famosas fábricas de canudos dos EUA –Columbia e Harvard— Obama fala ao público no melhor estilo dos pastores evangélicos.

 

Ao discursar, dirige-se, primeiro, ao coração de suas platéias. Só depois tenta capturar-lhes as mentes. Diz-se, com certa razão, que sua fala carece de densidade.

 

Numa fase em que Hillary ainda alimentava a expectativa de prevalecer sobre Obama, Bill Clinton alfinetou o rival de sua mulher: “Você pode fazer campanha em poesia, mas governa em prosa.”

 

Pode ser. Mas é preciso reconhecer que falta à política, nos EUA e alhures, justamente uma dose daquele tipo de inspiração que conduz ao verso.

 

Assim, se o novato Obama conseguir furar o próximo obstáculo –a pedreira republicana chamada John McCain—, deve-se torcer para que ele produza uma administração iluminada.

 

Por duas razões: 1) fará bem não só aos EUA, mas ao mundo; 2) não se deve perder de vista que os famosos botões nucleares estarão a centímetros da mão escura de Obama.

Escrito por Josias de Souza às 19h17

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Crise força Yeda Crusius a afastar quatro auxiliares

Lista de demitidos inclui Busatto, o chefe da Casa Civil

  Fábio Pozzebom/ABr
Em meio à mais grave crise de sua administração, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), viu-se compelida a afastar quatro auxiliares. Yeda convocou os jornalistas, neste sábado (7), para informar que deixam sua equipe:

1) Cézar Busatto, chefe da Casa Civil; 2) Delson Martini, secretário-geral de Governo; 3) Marcelo Cavalcante, chefe do escritório de representação do governo gaúcho em Brasília; e 4) o coronel Nilson Bueno, comandante-geral da Brigada Militar.

 

Antes da entrevista, Yeda reunira-se com o seu conselho político. Integram-no líderes de partidos que dão suporte à sua administração na Assembléia Legislativa. Fez-se no encontro, a portas fechadas, uma avaliação da crise.

 

Àquela altura, a governadora já havia decidido promover a dança de cadeiras. O movimento tornara-se incontornável na véspera, depois que o vice-governador gaúcho, Paulo Feijó (DEM), divulgara uma fita-bomba contra o governo que integra.

 

De todas as baixas, duas doeram mais na governadora. A de Busatto, por razões políticas; e a de Martini, por motivos sentimentais.

 

O chefe da Casa Civil Busatto (PPS) era quem fazia a ponte do Palácio Paratini, a sede do governo gaúcho, com a Assembléia Legislativa. Gravado à sua revelia em diálogos constrangedores que mantivera com o vice Feijó, Busatto converteu-se num moribundo político instantâneo.

 

O secretário-geral Martini é um amigo da governadora de três décadas. Teve de ir ao olho da rua porque seu nome fora mencionado em conversa de dois personagens enrolados no escândalo do Detran-RS. Conversa telefônica, grampeada pela Polícia Federal.

 

O troca-troca promovido por Yeda é uma tentativa de responder à crise que ronda o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. A depender da oposição, capitaneada pelo PT e tonificada pelo “quinta-colunismo” do vice ‘demo’ Feijó, a encrenca não termina tão cedo.

 

A prioridade dos adversários da governadora passou a ser a inquirição de Busatto e Martini, dois dos assessores afastados, na CPI do Dentran, que se desenrola na Assembléia Legislativa.

  

Nesta segunda-feira (9), Yeda deve reunir-se novamente com seu conselho político. Deseja discutir alternativas de nomes para ocupar os cargos que ficaram vagos.

 

Ainda nesta sábado, deve levar ao ar nas emissoras de rádio e TV do Rio Grande do Sul uma mensagem sobre a crise. Foi gravada pela manhã.

 

A encrenca que rói as entranhas da administração de Yeda Crusius tem contornos sui generis. A governadora está condenada a uma convivência de mais dois anos e meio com um vice-governador que não a suporta. E vice-versa.

 

O diabo é que, eleito na mesma chapa de Yeda, Feijó é "indemissível". Ao gravar às escondidas um diálogo com o agora ex-chefe da Casa Civil, o vice-governador deu mostras de que sua aversão à "companheira" de governo contaminou-lhe o fígado.

 

Mal comparando, é como se, em Brasília, o vice José Alencar, de nariz virado com Lula, chamasse a minsitra Dilma Rousseff (Casa Civil) para uma conversa, gravasse o diálogo às escondidas e, depois, divulgasse a fita. 

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Governo livrou o comprador da Varig das dívidas

Governo livrou o comprador da Varig das dívidas

Fazenda isentou novo proprietário de débito bilionário

Decisão foi tomada à revelia de 3 pareceres contrários

 

Em 7 de junho de 2006, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu um parecer que acomodou nas nuvens o chines Lap Chan, representante do fundo norte-americano de investimento Matlin Patterson.

 

Associado a três empresários brasileiros, o fundo de Chan interessara-se pela compra da Varig. Havia, porém, um problema.

 

A companhia aérea devia à época cerca de R$ 7,9 bilhões ao governo e a empresas estatais e privadas.

 

Só os débitos com a Receita e com o INSS já inscritos no cadastro da Dívida Ativa da União alçavam à casa de R$ 2 bilhões. Encontravam-se em fase de cobrança judicial.

 

Envenenada pelas dívidas, a Varig não valia um tostão furado. Sem elas, era um negócio da China.

 

Pois bem. O parecer da Fazenda Nacional simplesmente isentou a Varig de seu passivo com o Estado. Dezessete dias depois, a companhia foi vendida.

 

Curiosamente, o documento da Fazenda Nacional, que azeitou o negócio, foi produzido à revelia de outros três pareceres da mesma Fazenda Nacional.

 

A trinca de textos ignorados fora produzida justamente para subsidiar o governo na decisão a ser tomada em relação à dívida da Varig.

 

Sustentavam a tese segunda a qual quem arrematasse a Varig levaria junto o passivo tributário. Entendimento diametralmente oposto ao que acabou prevalecendo.

 

Os textos que azedavam a venda da Varig haviam sido produzidos pela equipe de Manoel Felipe Brandão. Ele ocupava o posto de procurador-geral da Fazenda Nacional. Fora nomeado pelo ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda).

 

Súbito, no final de maio de 2006, Manoel Felipe foi substituído, já na gestão do ministro Guido Mantega, o sucessor de Palocci, por Luis Inácio Lucena Adams.

 

O texto final do governo sobre a Varig, aquele que livra os compradores do passivo tributário, traz a assinatura de Luís Inácio Lucena Adams, o novo procurador-geral da Fazenda Nacional.

 

O documento redentor foi enviado em 15 de junho de 2006 ao juiz Luiz Roberto Ayoub, o magistrado que conduziu o processo de falência da Varig.

 

Ayoub repassou o texto aos candidatos à compra da companhia aérea. Era a garantia de que não herdariam o passivo tributário.

 

O texto anotava que a divisão da Varig em duas companhias –uma antiga, que manteria a dívida, e outra nova, a ser leiloada—não caracterizava uma “cisão” empresarial, “(...) não havendo que se falar (...) em sucessão tributária.”

 

O procurador-geral Luís Inácio Lucena Adanms simplesmente ignorou os três textos produzidos sob o antecessor Manoel Felipe Brandão. São datados de 2005. Dias 10 de outubro, 17 de outubro e 15 de setembro.

 

O texto de 10 de outubro de 2005 dizia o seguinte: “Em que pese não estar consignado no referido plano [de venda da Varig] o termo ‘cisão’, a operação a que se reporta a ‘Velha’ Varig está (...) caracterizada como tal.”

 

O documento acrescentava: A “cisão resultará na responsabilidade solidária da Nova Varig pelos débitos tributários da sucedida (‘Velha’ Varig), por força da determinação legal (...).”

 

No texto assinado pelo procurador-geral Luis Inácio, anotou-se que, qualquer que fosse o resultado da recuperação da Varig, seriam “obrigatoriamente mantidos” na companhia “ativos e meios operacionais suficientes para, em conjunto com o valor mínimo em moeda corrente nacional estipulado para a alienação judicial, proporcionar meios para o integral pagamento dos credores (...).”

 

Um dos pareceres desconsiderados pelo novo procurador-geral dizia coisa distinta. Informava que o patrimônio da Varig, avaliado à época em R$ 257,7 milhões, era “manifestamente insuficiente” para quitar a dívida da empresa inscrita em dívida ativa [R$ 2 bilhões]”.

 

“Sem considerar aqueles débitos sob administração da Receita Federal e do INSS”, acrescentava o texto que o governo preferiu mandar ao lixo.

 

No período que antecedeu a saída de Manoel Felipe Brandão da Procuradoria da Fazenda Nacional e na fase que se seguiu à entrada na repartição de Luís Inácio Lucena Adams, deu-se em Brasília um fato digno de nota.

 

Realizaram-se na Casa Civil do Palácio do Planalto uma série de reuniões. Foram comandadas pela secretária Executiva Erenice Guerra, a segunda da ministra Dilma Rousseff.

 

Nesses encontros, a preposta de Dilma advogava a tese de que os passivos tributários da Varig eram irrecuperáveis.¨Por conseguinte, era preciso encontrar uma solução que viabilizasse a venda da empresa. E a "solução" foi encontrada.

Escrito por Josias de Souza às 05h45

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VarigLóquio!

Ique
 

PS.: Via síto do JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 05h38

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As manchetes deste sábado

- JB: Justiça libera cartões para cobrar juros sobre juros

- Folha: Petróleo tem alta recorde, e Bolsas caem no mundo

- Estadão: Casa Civil livrou comprador da Varig das dívidas antigas

- Globo: Petróleo tem a maior alta da História

- Gazeta Mercantil: Mesmo com preço em queda, usinas exportam mais etanol

- Correio: Carne e leite vão pesar no seu bolso

- Valor: Juros sobem e demanda de crédito começa a cair

- Jornal do Commercio: Mais crédito para a casa própria

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h36

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Em São Paulo, venda de carteiras provoca 44 baixas

  Fernando Donasci/Folha
Denúncias afloram em departamentos de trânsito desde que Cabral aportou as caravelas nesta terra de palmeiras e sabiás.

Por um desses azares da vida, encontram-se pendurados nas manchetes, simultaneamente, dois Detrans submetidos a governadores tucanos.

 

Nas pegadas dos malfeitos desencavados no Detran gaúcho, irrompeu o caso da venda de carteiras de motorista em São Paulo.

 

Estima-se que a quadrilha paulista tenha amealhado algo como R$ 1,3 milhão. Café pequeno perto dos R$ 44 milhões beliscados nas arcas do Sul.

 

Há, de resto, diferenças de patente. Perto dos salteadores gaúchos, que trazem nos ombros galões partidários, os de São Paulo têm a aparência de trombadinhas.

 

Seja como for, a governadora Yeda Crusius deveria voltar os olhos para o quintal de José Serra. Talvez se dê conta de que há momentos em que o melhor que se tem a fazer é agir dez vezes antes de pensar.

 

Há três dias, a Polícia Civil de São Paulo afastou o corregedor do Detran e dois delegados. Nesta sexta-feira (6), foram exonerados 14 delegados.

Escrito por Josias de Souza às 02h49

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Vice gaúcho divulga fita-bomba contra governo Yeda

Gravação contém diálogo do vice com chefe da Casa Civil

Falam sobre ‘esquemas’ partidários aboletados no Estado

Discorrem sobre como legendas apropriam-se das verbas

Em troca de apoio, Yeda seria conivente com malfeitorias

O ‘aliado’ PP desvia verbas do Detran; PMDB, do Banrisul

 

Valter Campanato/ABr

 

A crise ética que rói a reputação da administração tucana do Rio Grande do Sul chegou, definitivamente, à sala da governadora Yeda Crusius.

 

Deve-se a escalada a uma gravação divulgada na tarde desta sexta-feira (6) por ninguém menos que o vice-governador do Estado, Paulo Feijó (DEM).

 

A fita tem duração de cerca de 20 minutos. Contém um diálogo do próprio vice-governador com o chefe da Casa Civil de Yeda, Cézar Busatto (PPS). A íntegra da transcrição pode ser lida aqui.

 

Embora eleito na chapa de Yeda, Feijó afastara-se da governadora antes mesmo da posse, em janeiro de 2007. Por isso Busatto o procurou. Buscava uma reaproximação.

 

A conversa entre os dois ocorreu há 13 dias, em 26 de maio. Sem que o interlocutor soubesse, o vice Feijó gravou todo o diálogo. Agora, resolveu pôr a conversa na rua.

 

E o fez em grande estilo: providenciou para que a fita chegasse à CPI do Detran, instalada na Assembléia gaúcha para apurar desvios de R$ 44 milhões.

 

No curso do diálogo, o vice Feijó e o chefe da Casa Civil Busatto discorrem sobre os desvios com assombroso conhecimento de causa.

 

Feijó fala como se estivesse inconformado com a passividade da governadora: “Por que encobrir o Detran (...) antes de eu entrar na política, nós já sabíamos que havia esse esquema no Detran. Todo mundo sabia, era público, por que não querer mudar?”

Noutro trecho, Busatto admite: “Então, entre nós, podemos deixar isso claro. Eu não tenho dúvida de que o Detran é uma grande fonte de financiamento.”

 

E Feijó: “Do PP?”

Busatto: “Não é verdade? E o Banrisul, com certeza, né? Nesses quatro anos [...].”

 

Seis dias antes de receber o chefe da Casa Civil de Yeda em sua sala, Feijó defendera a troca da direção do Banrisul.

 

O banco estatal gaúcho encontra-se sob o comando do PMDB desde a gestão desde a gestão do antecessor de Yeda, o peemedebista Germano Rigotto. A governadora manteve a situação inalterada.

 

E o PMDB integra o bloco que sustenta a gestão Yeda na Assembléia Legislativa. Uma das razões que fizeram Busatto procurar Feijó foi o receio de que as críticas do vice-governador fomentassem uma nova CPI, dessa vez para vasculhar as arcas do Banrisul.

 

No diálogo com Feijó, gravado às escondidas, Busatto repisa uma tese que, por repetitiva, é velha conhecida do eleitor brasileiro: a perversão política seria o preço a pagar pelo suporte legislativo.

 

Busatto sugere a Feijó que se coloque no lugar de Yeda: “Se tivesse sentado naquela cadeira e, se não tiver 30 votos, mas 27 votos, 28 votos na Assembléia, eu não governo... Entende? É uma opção difícil.”

 

Em resposta, o vice-governador insinua que a inação da governadora pode esconder algo mais cabeludo: “Ok, politicamente eu concordo. Agora, eu não posso ser conivente com isso. Não na questão política, mas com a questão de roubo, desvio. Não pode. E ela [Yeda] está sendo [conivente]. Por questões políticas? Não sei. Ou por interesse financeiro? Não sei. Ou pelos dois?”

 

Lida numa sessão aberta da CPI, a transcrição da fita eletrizou a cena política de Porto Alegre nesta sexta-feira.

Um dia em que Yeda recebia visitantes ilustres de seu partido: o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB; e a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). Foram discutir eleições municipais. Acabaram engolfados pela crise.

 

O “gravado” Cézar Busatto, em entrevista, desancou o "gravador" Paulo Feijó. Disse que o “vice-governador é um mau-caráter. Ele não é um homem honrado.”

 

Mas o chefe da Casa Civil gaúcha não teve como negar o conteúdo da gravação, captado por um mini-gravador digital. Em nota rubricada pelo senador Pedro Simon, seu presidente no Estado, o PMDB diz que acionará judicialmente Busatto e Feijó.

 

Yeda mandou dizer, por meio do porta-voz Paulo Fona, que deve se pronunciar sobre a encrenca ainda no final de semana. Bom, muito bom, ótimo. Tem, de fato, bastante coisa a explicar.

 

Repete-se no Rio Grande do Sul um fenômeno que vai se tornando enfadonho no Brasil: a apropriação privada de arcas públicas. Um grupo de estudantes protestou defronte do Palácio Piratini. Pediu-se, desde logo, o impeachment da governadora.

 

No papel de “mocinho” infiltrado na “quadrilha”, o vice-governador Feijó fugiu dos repórteres. Depois de disparar o seu “fogo amigo”, limitou-se a divulgar uma nota.

 

No texto, escreveu: “Sofri forte assédio moral para me manter calado e para que me adaptasse a um sistema que aos olhos de todos os gaúchos de bem é imoral e insustentável.”

 

Bota insustentável nisso!

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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STF adere à ‘perseguição política’ contra Paulinho

  Folha
Agora é oficial: o ministro Carlos Ayres Britto (foto), do Supremo, autorizou a abertura de inquérito contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

 

Agora, munido da autorização suprema, o procurador-geral Antonio Fernando de Souza requisitará à Polícia Federal o aprofundamento das investigações sobre as traficâncias de Paulinho no BNDES.

 

Personagens identificados como prepostos do deputado foram pilhados pela PF beliscando propinas nos arredores das arcas do bancão oficial.

 

Presidente da Forças Sindical, um Paulinho cada vez mais fraco se diz vítima de “perseguição”. Pois bem. O STF acaba de aderir ao “complô”.

 

Uma trama que já envolvia os investigadores da PF e os procuradores do Ministério Público. O deputado há de ter munição para desmontar o poderoso conluio.

Escrito por Josias de Souza às 20h43

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Dilma: caso da Varig não é ‘fogo amigo’, é ‘inimigo’

  Sérgio Lima/Folha
Acusada de tráfico de influência na venda da Varig, Dilma Rousseff considera-se vítima de “fogo inimigo”. Foi o que disse numa entrevista à Rádio Gaúcha (ouça).

Eis o que disse a ministra: "Não acredito em fogo amigo. Acho que, mais uma vez, isso partiu de fogo inimigo."

 

Assim como José Aparecido, o vazador do dossiê anti-FHC, Denise Abreu, a nova “denunciante” da ministra, deve a passagem pelo governo a José Dirceu (PT-SP).

 

Daí a proliferação da tese de que a pólvora viria de paiol “amigo”. Dirceu apressa-se em dissociar o seu nome de mais essa encrenca.

 

Diz que a tese de que agiria nos subterrâneos para minar Dilma “sua entre o ridículo e o inverossímil” (ouça).

Escrito por Josias de Souza às 18h18

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Anatel suspende cobrança dos pontos extras de TV

Nos próximos dois meses, as empresas de TV por assinatura não poderão cobrar pelos pontos extras instalados nas residências dos usuários.

 

A decisão é da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Será publicada no Diário Oficial de segunda-feira (9).

 

Mas será aplicada, retroativamente, a partir de 2 de junho. Nos 60 dias de vigência da proibição, a agência decidirá o que fazer com os pontos extras.

 

Foi a forma encontrada pela Anatel para tentar superar uma polêmica suscitada por uma outra resolução, editada em dezembro de 2007.

 

Conforme já noticiado aqui, propalara-se a informação de que, a partir de 2 de junho, os pontos de TV adicionais sairiam de graça para os usuários.

 

As empresas entenderam, porém, que poderiam continuar realizando a cobrança, a pretexto de zelar pela manutenção dos pontos-extras.

 

Na prática, a proibição temporária da Anatel é o que se poderia chamar de uma não-decisão. Empurrou-se a encrenca com a barriga.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Yeda cogita demitir o assessor citado em 'grampo'

  Fábio Pozzebom/ABr
A governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) considera a hipótese de demitir o secretário-geral de sua gestão, Delson Martini.

Martini é um dos principais auxiliares de Yeda. Passou a balançar no cargo há dois dias, quando se descobriu que o nome dele é mencionado em grampo da PF.

 

As escutas telefônicas contêm diálogos de personagens envolvidos no caso do Detran-RS. Escândalo que produziu desvios estimados em R$ 44 milhões entre 2003 e 2007.

 

O nome de Martini veio à tona na CPI do Detran, instalada na Assembléia Legislativa gaúcha. Os deputados ouviram, em sessão pública, um lote de 34 escutas.

 

Numa delas, dois servidores denunciados pelo Ministério Público à Justiça discorrem sobre Martini. “parceiro na desgraça, na alegria e na bonança.”

 

Na manhã desta sexta-feira (6), a governadora reuniu-se com parte de sua equipe para discutir o futuro de Martini. A avaliação preponderante é de que a saída dele tornou-se inevitável.

 

Enquanto Yeda discute o que fazer com o auxiliar encrencado, a CPI do Detran divulgou, nesta sexta-feira (6), o teor de nova gravação.

 

Envolve, agora, ninguém menos que o vice-governador do Estado, Paulo Afonso Feijó (DEM). No grampo, ele conversa com o chefe da Casa Civil, Cézar Busatto.

 

O diálogo ocorreu em 26 de maio. O conteúdo aproxima ainda mais o lodo do palácio de governo gerido por Yeda Crusius. A temperança do clima de Porto Alegre é conspurcada pela alta temperatura da atmosfera política.

 

Você pode ter uma idéia do tamanho da encrenca visitando o blog da repórter Rosane Oliveira.

Escrito por Josias de Souza às 16h56

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As manchetes desta sexta

- JB: Brasileiro é predador do meio ambiente

- Folha: Reunião da ONU sobre a fome acaba em fracasso

- Estadão: Dilma impediu contestação da Infraero no caso Varig

- Globo: Documentos comprovam que venda da Varig atropelou Anac

- Gazeta Mercantil: Mesmo com preço em queda, usinas exportam mais etanol

- Correio: Força-tarefa contra máfia dos caixões

- Valor: Juros sobem e demanda de crédito começa a cair

- Estado de Minas: Onde a cesta básica é mais barata em BH

- Jornal do Commercio: Sobrou para o Náutico

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do dia.

Escrito por Josias de Souza às 10h13

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Evolução genética!

Duke
 

PS.: Via sítio de O Tempo.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Lula vê ‘fogo amigo’ em nova denúncia contra Dilma

Oposição planeja usar caso Varig para mirar no presidente

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Vai começar tudo de novo. Sai a denúncia do dossiê anti-FHC. Entra o caso da venda da Varig.

 

As cúpulas do PSDB e do DEM enxergaram na acusação pólvora suficiente para disparar contra o próprio Lula.

 

Farejando a movimentação inimiga, o presidente deu de ombros: “Vão quebrar a cara de novo”, disse a um auxiliar, na tarde desta quinta-feira (5).

 

Na mesma conversa, Lula declarou-se “intrigado” com a origem dos ataques à ministra Dilma Rousseff. Acha “curioso” que partam, invariavelmente, de pessoas ligadas ao PT.

 

No caso do dossiê, descobriu-se que o “espião com crachá” era o petista José Aparecido, levado à Casa Civil pelo ex-ministro José Dirceu.

 

Na encrenca da Varig, quem fornece munição ao inimigo é Denise Abreu, personagem que também fizera escala na Casa Civil antes de chegar à Anac. De novo, sob Dirceu.

 

Lula enxerga na sucessão de problemas indícios de fogo amigo. Associa a sucessão de más notícias à contrariedade de setores do PT com a superexposição obtida pela ministra-presidenciável.

 

Em diálogos privados, lideranças tucanas e ‘demos’ decidiram adotar uma estratégia apelidada por um deles de “escada”.

 

Pretende-se subir um degrau por vez. Vê-se como primeiro estágio a inquirição, na comissão de Infra-Estrutura do Senado, de 11 personagens ligados ao caso Varig.

 

Confirmando-se as denúncias feitas por Denise Abreu, a ex-diretora da Anac, o “degrau” seguinte será o advogado Roberto Teixeira.

 

Compadre de Lula, Teixeira foi definido como um “abridor de portas” por um dos sócios brasileiros do fundo norte-americano Matlin Patterson, que abiscoitou a Varig, supostamente beneficiado pela interferência da Casa Civil.

 

Padrinho de um dos filhos do presidente, o advogado Teixeira integra o rol de “convidados” a dar explicações à comissão do Senado.

 

Se a versão do tráfico de influência sobreviver às oitivas, a oposição vai ao “degrau” seguinte: Dilma Rousseff.

 

A idéia é arrastar a ministra novamente para a comissão de Infra-Estrutura. O mesmo foro em que foi questionada por mais de oito horas sobre o episódio do dossiê.

 

Em maioria na comissão, o bloco parlamentar de Lula prepara-se para resistir. No caso do dossiê, a convocação da ministra foi obtida graças a um cochilo dos governistas.

 

Agora, como diria Stanley Kubrick, o líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), está "de olhos bem abertos".

 

A oposição já ensaia o discurso: a eventual recusa a um novo comparecimento de Dilma no Senado será explorada como tentativa do governo de acobertar malfeitos.

 

Vai-se, então, ao último ao topo da “escada”: Lula. Um “degrau” que vem se mostrando impermeável a ataques.

 

O que há, por ora, são acusações que chegam desacompanhadas de documentos. Vocalizadas por Denise Abreu, foram, porém, corroboradas por outros personagens.

 

Há, de resto, uma evidência incômoda: embora a lei limite em 20% a participação de estrangeiros em companhias aéreas brasileiras, o fundo Matlin Patterson, dos EUA, exerce controle absoluto sobre a Varig.

 

Tanto assim que a Anac, agora sob nova direção, fixou, nesta quinta-feira (5) um prazo de 30 dias para que lhe seja apresentada uma nova composição societária da companhia.

Escrito por Josias de Souza às 02h50

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Escolha do vice de Marta vira briga doméstica do PT

  Alan Marques/Folha
Subiu no telhado o plano de acomodar um empresário na chapa de Marta Suplicy. A disputa pela vaga de vice converteu-se numa disputa doméstica do PT.

 

Nascera na direção do partido a idéia de dar à candidata petista um vice com capacidade para cavar votos na classe média.

 

Ouvido, Lula encantara-se com a iniciativa. Especulara-se sobre nomes. Na composição do perfil ideal, chegara-se a Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico.

 

Súbito, surgiram os narizes torcidos. Dá-se de barato que Marta, se eleita, não cumprirá o mandato até o fim. Disputará o governo estadual ou o Planalto, em 2010.

 

Ou seja, a posição de vice é ouro político. Quem vier a ocupá-la pode herdar, em dois anos, o controle do maior orçamento municipal da República.

 

Por ora, engalfinham-se pelo posto dois expoentes petismo ligado a Marta: o deputado federal Jilmar Tatto e o deputado estadual Rui Falcão.

 

A ala de Arlindo Chinaglia tenta animar o presidente da Câmara a entrar na refrega. E um pedaço do partido, minoritário, empenha-se pela solução externa.

 

A decisão terá de ser tomada até o final do mês.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Comissão do Senado ouve envolvidos no caso Varig

  Rafael Andrade/Folha
Antecipando-se à oposição, o consórcio partidário que dá suporte a Lula no Congresso propôs a convocação dos envolvidos no caso da venda Varig.

 

Serão ouvidos na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Tecnicamente, responderão à inquirição dos senadores como “convidados”.

 

A lista inicial, apresentada por Romero Jucá, o líder de Lula no Senado, continha quatro nomes.

 

No topo, Denise Abreu, a ex-diretora da Anac que acusa Dilma Rousseff de ter agido, nos subterrâneos, para beneficiar um fundo dos EUA.

 

A oposição injetou na relação de “convidados” de Jucá outros sete nomes. No alto, à altura do cabeçalho, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, cujo escritório assessorou os compradores da Varig.

 

De resto, “convidaram-se” ex-gestores da Anac, sócios brasileiros do fundo norte-americano Matlin Patterson e até o juiz que cuidou do processo de falência da Varig.

 

Só Dilma Rousseff não foi “convidada”. Blindagem? Não, diz Romero Jucá (PMDB-RR), o líder de Lula no Senado.

 

Se alguns dos envolvidos na encrenca repetirem no Senado o que vêm dizendo à imprensa, mãe Dilma será como que compelida a dizer meia dúzia de palavras.

 

Por ora, a chefe da Casa Civil limitou-se a declarar que são “falsas” as acusações de Denise Abreu.

 

O diabo é que, nas pegadas das declarações da ex-diretora da Anac, outros personagens vieram aos holofotes para corroborar as acusações.

 

Diz-se que há documentos. Se forem expostos à luz do Sol, a alegada “falsidade” terá de ser cotejada com o peso dos papéis.

Escrito por Josias de Souza às 19h27

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Paulinho: ‘Se eu falar cai a República de São Paulo’

Deputado acusa Serra e Kassab de tramarem contra ele 

  Marcelo Justo/Folha
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, encontra-se sitiado pela suspeição.

Foi investigado pela Polícia Federal. O Ministério Público acionou-o no STF.

 

Responde também a processo na Câmara por quebra do decoro parlamentar.

 

A despeito dos indícios que saltam dos grampos telefônicos e dos documentos colecionados ao longo da investigação, Paulinho se diz vítima de “perseguição.”

 

O presidente da Força Sindical vinha se esquivando, porém, de dar nome aos bois que supostamente o perseguem.

 

Nesta quinta-feira (5), em entrevista ao repórter Leandro Colon (só para assinantes do Correio Braziliense), Paulinho pôs na roda dois nomes.

 

Nomes de peso: José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), respectivamente governo do Estado e prefeito da cidade de São Paulo.

 

Paulinho afirma que sofreu uma investigação clandestina da Polícia Civil paulista em 2007, logo depois de receber em casa o prefeito Kassab para tratar de aliança política.

 

O deputado insinua que tem munição contra a dupla. Mas esquiva-se de levar todas as cartas ao pano verde.

 

“Não estou querendo falar agora. Se eu falar, cai a República de São Paulo”, limita-se a declarar.

 

De resto, diz ter sido vítima de uma investigação clandestina da Polícia Civil paulista, submetida ao governador.

 

E diz ter recebido visitas do prefeito Kassab. “Esteve na minha casa duas vezes [...]. Eu disse que nossa tendência era ter candidato. Depois disso, teve a perseguição.”

 

Vão abaixo os principais trechos das declarações de Paulinho:

 

- Envolvimento nos desvios do BNDES: O que tem nisso tudo? Uma ligação de uma pessoa, João Pedro [ex-assessor do deputado], para o Marcos Mantovani [dono da Progus, empresa ligada ao esquema]. Essa é a única verdade na história. Ele fala com outra pessoa e cita meu nome. O próprio João Pedro e o Mantovani disseram que usaram meu nome indevidamente.

- Sabia que João Pedro usava cartão de visitas de seu gabinete? Claro que não. Ele inventou o cartão. Falsificou um cartão meu para se apresentar como um assessor.

 

- Quem o estaria perseguindo? Passei a ser o deputado que articula as centrais sindicais. Isso incomoda empresários e políticos.

- Os políticos são do governo ou da oposição? Tem alguns da base, mas é a oposição. Eles me consideram um traidor.

- Era ligado ao PSDB de São Paulo. Quem o persegue é o tucanato paulista? Acho que sim. Mas vou dizer mais. Eu cometi uma falha [de não ter denunciado antes à imprensa] nesse processo todo. Começou com uma investigação sobre mim em São Paulo, em setembro no ano passado. Achei que era uma tentativa de seqüestro da minha filha. Ela me ligou e disse ‘pai, estou sendo seguida’. E eu falei para ela ir a uma delegacia [...]. Pensei que fosse seqüestro. Eu pedi para o coronel da Polícia Militar Wilson Consani Júnior verificar. Passaram uns dias, e ele me procurou. Disse: ‘Nós constatamos que é a Polícia Civil’. A polícia tinha uma casa alugada ali perto da sede do PDT, na Vila Mariana. Os caras se identificaram e disseram que quem os mandou foi o alto comando da Polícia Civil. Para me prevenir, fui ao Ministério Público e dei um depoimento no dia 18 de outubro. E procurei o Lupi [ministro do Trabalho, Carlos Lupi, então presidente do PDT]. Ele pediu para eu não denunciar. Não tinha como não falar que era o Serra, a Polícia Civil.

- Por que o PSDB teria feito isso? Nos mantivemos uma independência do PDT em São Paulo. Não compusemos com o Serra para governador, fui candidato a prefeito. Agora eles faziam questão de contar com nosso partido.

- Acusa o governo estadual? Alguém do governo está nisso. Tentaram o tempo todo controlar o nosso partido. Por isso, enfrentei para retirá-lo da base do Kassab. O Kassab esteve na minha casa duas vezes para dizer que não era candidato, mas queria manter uma boa relação conosco. Eu disse que nossa tendência era ter candidato. Depois disso, teve a perseguição em São Paulo.

 

Qual a relação disso tudo com as denúncias do caso BNDES? Se eu tivesse denunciado [a suposta perseguição de Kassab e Serra], eu falaria tudo o que aconteceu. E não estou querendo falar agora. Se eu falar, cai a República de São Paulo. Mas, se eu tivesse denunciado, tinha me prevenido dos supostos envolvimentos nessas coisas.

 

As acusações de Paulinho contra Serra e Kassab padecem, por ora, de um vício de origem: têm a vagueza própria das cortinas de fumaça.

 

Para ser levado a sério, o deputado teria de dizer algo mais. De resto, teria de demonstrar que o governador Serra e o prefeito tucano têm, juntos, um poder insuspeitado.

 

A dar-se crédito a Paulinho, a dupla controlaria a PF de Lula. Teria força também para se sobrepor à independência do Ministério Público.

 

De resto, Serra e Kassab alugariam a consciência do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, que remeteu ao STF o pedido de abertura de inquérito contra o deputado.

 

Serra reagiu assim: "Acho que o Paulinho deveria enfrentar os problemas dele de verdade. Porque ele está bastante ameaçado de cassação. Então faz isso para distrair a atenção."

 

Para Kassab, a acusação de Paulinho é "totalmente fantasiosa."

Escrito por Josias de Souza às 18h45

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Termina uma comissão pra lamentar, sem inquérito

  Antonio Cruz/ABr
O relatório final da CPI dos Cartões, aprovado nesta quinta-feira (5), desce à crônica brasiliense como uma peça de altíssimo valor filosófico.

 

Já foram enaltecidas aqui as qualidades literárias do texto do relator Luiz Sérgio (PT-RJ). Há mais a dizer, porém. 

 

O deputado diz que, em seu relatório, não pediu “a absolvição de ninguém.” Tampouco incriminou quem quer que seja.

 

“O que estou pedindo é que o resultado dessa CPI seja enviado ao Ministério Público e TCU, que, dentro das suas metodologias poderão, investigar.”

 

Os procuradores e auditores que forem escalados para descascar o relatório de Luiz Sérgio vão se defrontar, de saída, com uma questão semântico-filosófica.

 

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito serve, preponderantemente, pra lamentar ou pra inquirir?

 

A questão, por complexa, vai acabar no STF. Ali, a discussão sobre a utilidade da CPI, por complexa, ocupará os juízes pelos próximos cinco.

 

A erudição dos ministros do Supremo decerto fará com que o debate descambe para a dissecação do vocábulo “comissão”.

 

A palavra será virada do avesso, em todas as suas acepções. Inclusive as de número 7 e 8 do Aurélio:

 

Sete: “Retribuição ou gratificação paga pelo comitente ao comissionado”;

 

Oito: “Retribuição paga ao agente ou intermediário de uma transação.”

 

Surgirá, então, uma nova pergunta: numa CPI, qual é a influência que o “C” exerce sobre o “P” e o “I”?

 

Mais cinco anos de altercações jurídicas. Que podem levar à paralisia do sistema jurídico do país.

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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‘Ar verde’, ‘água benta’ e a ‘religião’ da Amazônia

 

PS.: Leia aqui sobre a cerimônia oficial de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Escrito por Josias de Souza às 15h27

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Para reaver CPMF, Planalto abre cofre de emendas

Governo promete rever vetos a rubricas de R$ 6 bi

Em maio, verbas empenhadas somam R$ 236,6 mi

Cifra é bem superior à do mês de abril: R$ 70,2 mi

 

  Orlandeli
Em público, Lula e seus ministros dizem que nada têm a ver com a recriação da CPMF. É coisa do Congresso, afirmam.

 

Em privado, o Planalto tenta amolecer resistências mostrando aos congressistas o caminho do cofre.

 

Negocia-se a liberação de emendas levadas ao orçamento de 2008 por deputados e senadores.

 

Corre-se contra o tempo. A lei eleitoral proíbe que a União libere verbas quatro meses antes de uma eleição.

 

Como haverá eleições municipais em outubro, o empenho das verbas que os parlamentares destinaram, em 2008, aos seus Estados e municípios precisa ser feito até o final de junho.

 

Como sinal de boa vontade, o Planalto levou o pé ao acelerador. Em maio, empenharam-se R$ 236,6 milhões em emendas de deputados e senadores. Para ser exato: R$ 236.646.409,80.

 

Desse total, R$ 98 milhões foram empenhados na última semana de maio. Cifra que supera em mais de três vezes o montante do "Bolsa Emenda" de abril: R$ 70,2 milhões. Na ponta do lápis: R$ 70.249.015,06.

 

A nota de empenho amarra o dinheiro a uma determinada despesa. Representa o compromisso formal do pagamento futuro. E a expectativa dos votos presentes, nos plenários da Câmara e do Senado.

 

Além de negociar no varejo, o governo dialoga no atacado. Foi ao balcão o ministro José Múcio, coordenador político de Lula.

 

Em conversas com dirigentes da Comissão de Orçamento do Congresso e com líderes partidários, Múcio comprometeu-se obter a revisão vetos que Lula impusera a duas rubricas inseridas no PPA.

 

Coisa de R$ 6 bilhões. Emendas coletivas (endossadas por bancadas estaduais multipartidárias) e individuais (assinadas isoladamente por deputados e senadores).

 

PPA é a sigla que identifica o Plano Plurianual. A versão modificada pelos vetos do presidente refere-se ao período de 2008 a 2011.

 

Espremido, o Planalto remeteu ao Congresso, no mês passado, dois projetos que ressuscitam, em rubricas análogas às que haviam sido vetadas, as emendas mandadas ao lixo.

 

Porém, ao correr a lupa pelo texto dos projetos, integrantes da Comissão de Orçamento se deram conta de que cerca de 180 emendas (R$ 4 bilhões) haviam sido desfiguradas no processo de ressurreição.

 

Dera-se coisa assim: verbas que os parlamentares haviam destinado à abertura de estradas novas terminaram reacomodadas em projetos de manutenção de rodovias já existentes.

 

Ou assim: emendas que endereçavam dinheiro para os currais eleitorais dos seus autores ressurgiram sem o carimbo regional. O governo as aplicaria onde bem entendesse.

 

Os líderes governistas foram, de novo, a Múcio. Lero vai, lero vem o ministro comprometeu-se a aparar as últimas arestas por meio de um decreto.

 

Múcio chegou mesmo a fixar uma data. Disse que o tal decreto sairia até 25 de junho. Em tempo para que as verbas pudessem ser empenhadas ainda em junho.

 

Oficialmente, o Planalto diz que a negociação das emendas nada tem a ver com o debate em torno da nova CSS, a nova sigla da velha CPMF.

 

Afirma-se que as tratativas seguem a critérios técnicos. Diz-se, de resto, que a emissão dos empenhos não se guia por uma lógica partidária. Então, tá!

 

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 07h37

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As manchetes desta quinta

- JB: Dilma volta á berlinda

- Folha: BC aumenta juros pela 2ª vez seguida

- Estadão: Anac considera ilegal controle estrangeiro na Varilog

- Globo: Rio Avança em Olimpíadas; falta agora o dever de casa

- Gazeta Mercantil: Dólar vale hoje metade da cotação de 1999

- Correio: Governo vai atrasar reajuste de servidor

- Valor: Quedas das matérias-primas provoca estragos na bolsa

- Estado de Minas: Tribunal vai abrir caixa-preta do lixo em BH

- Jornal do Commercio: Chuva e deslizamentos param o Recife

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h34

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Tributo a Galileu!

Angeli
 

PS.: Via UOL.

Escrito por Josias de Souza às 04h02

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Grupo de Serra reúne assinaturas para deter Alckmin

Nos subterrâneos, PSDB vive sua mais grave crise em SP

 

  Moacyr Lopes Jr./Folha
O PSDB de São Paulo marcou para 22 de junho sua convenção. Informou-se que o encontro cumpriria a formalidade de homologar a candidatura de Geraldo Alckmin.

 

Não é bem assim. Sem alarde, o grupo do governador José Serra recolhe assinaturas para levar à convenção tucana um projeto alternativo à candidatura municipal própria.

 

Trama-se aprovar uma coligação tardia do PSDB com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição. Ao tucanato caberia a indicação do vice.

 

Há três dias, reunido com a cúpula nacional do DEM, em seu apartamento, Kassab informou que o abaixo-assinado tucano pró-coligação já reúne 570 jamegões.

 

A ser verdade, faltariam algo como 30 assinaturas para alcançar a maioria na convenção do PSDB, composta de 1.200 delegados. Um desastre para Alckmin.

 

Kassab mantém-se informado acerca da coleta de assinaturas por meio de um interlocutor bem-posto: o tucano Aloísio Nunes Ferreira.

 

Aloísio é secretário de Governo da gestão Serra. Mantém com o governador um relacionamento do tipo unha e cutícula.  

 

Animado, Kassab reuniu-se com Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. Na presença do dirigente ‘demo’ Jorge Bornhausen, combinaram o seguinte:

 

Na convenção do DEM, marcada para 14 de junho, oito dias antes da reunião do PSDB, só o nome de Kassab será ratificado. A vaga do vice ficará reservada para um tucano.

 

A combinação com Quércia foi necessária porque Kassab lhe havia prometido a primazia na indicação do vice, caso o plano de desbancar Alckmin fizesse água.

 

Sentindo o cheiro de queimado, o presidente do diretório paulistano do PSDB, José Henrique Reis Lobo, pôs-se a enviar, há dois dias, carta aos convencionais tucanos.

 

Aos que ainda não rubricaram a lista urdida no Palácio dos Bandeirantes, o tucano Lobo pede que se esquivem de assinar.

 

Aos correligionários que já apuseram seus jamegões na lista, Lobo roga para que mandem apagar os rabiscos.

 

Oficialmente, Serra e Aloísio Nunes negam que a articulação anti-Alckmin traga as suas digitais. Lorota, a julgar pelo que diz Kassab entre quatro paredes.

 

A simples existência do abaixo-assinado intoxicou de vez as relações dos grupos de Alckmin e Serra. Abriu-se no PSDB paulista crise de desdobramentos imprevisíveis.

 

No limite, a encrenca pode desaguar na Executiva nacional do partido. Se a lista pró-Kassab vier a prevalecer na convenção tucano do dia 22, o grupo de Alckmin vai agir.

 

Para assegurar a candidatura de Alckmin, cogita-se requisitar uma intervenção de Brasília no diretório de São Paulo. Algo que, por ora, o senador Sérgio Guerra prefere nem cogitar.

 

“A direção nacional apóia o encaminhamento que vem sendo dado pelo Lobo, nosso presidente no município de São Paulo”, diz Sérgio Guerra, dirigente máximo do PSDB.

 

“Nosso candidato será o Geraldo [Alckmin]. A convenção vai sacramentar o nome dele. É com essa perspectiva que estamos trabalhando”, acrescenta o presidente nacional tucano.

 

Integrantes do grupo de Alckmin dizem que a ala de Serra blefa ao dizer que dispõe de 570 assinaturas. As adesões à composição com Kassab não passariam de 400.

 

Tenha 570 ou 400 rubricas, a lista que corre os subterrâneos do PSDB expõe um flagelo cada vez mais associado ao tucanato: a divisão interna.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Oposição manobra e votação da neo-CPMF é adiada

  Laycer Tomaz/Ag.Câmara
Na falta de votos, a oposição faz o que pode para provar, ao menos, que não existe problema tão grande que não caiba no dia seguinte.

 

Em manobra desfechada na noite desta quarta-feira (4), PSDB, DEM e PPS provocaram novo adiamento da recriação da CPMF, agora edulcorada sob novo nome: CSS.

 

A sessão começara às nove da manhã. Durante todo o dia, o consórcio governista anunciara que já dispunha de pelo menos 280 votos. Precisa de 257.

 

Protela daqui, enrola dali os oposicionistas foram cozinhando a Contribuição Social da Saúde até o meio da noite.

 

Simultaneamente, apresentaram-se ali mesmo, no plenário, nove emendas ao texto do relator Pepe Vargas (PT-RS), que fora lido da tribuna na hora do almoço.

 

O problema é que, antes de colher os votos dos deputados, o presidente da sessão, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tinha de ouvir a manifestação de algumas comissões.

 

Entre elas a Comissão de Seguridade Social. Para desassossego do consórcio lulista, o relator da matéria nessa comissão chama-se Rafael Guerra (PSDB-MG).