Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Conab leiloa 55 mil toneladas de arroz nesta 2ª

Numa tentativa de segurar o avanço do preço do arroz, a Conab (Cia. Nacional de Abastecimento) vai leiloar, nesta segunda-feira (5), parte de seu estoque. Vão ao martelo 55 mil toneladas de arroz.

 

Paulo Morceli, gerente de alimentos básicos da Conab, crê que a providência vai conter os preços. Pendurada no organograma do ministério da Agricultura, a companhia de abastecimento tem entre suas atribuições a tarefa de regular o mercado.

 

“A venda dos estoques públicos vai colaborar para que o mercado atinja um preço base, bom para produtor e consumidor", diz Morceli. Em matéria de arroz, a Conab tem muita bala na agulha. Mantém em estoque 1,4 milhão de toneladas.

 

O lote que vai a leilão nesta segunda está armazenado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo o governo, não há risco de desabastecimento. O diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento da Conab, José Maria dos Anjos, diz que, "até fevereiro de 2009, final do ciclo da cultura, o mercado interno contará com 13,8 milhões de toneladas de arroz."

 

A movimentação da Conab ocorre num instante em que o mundo se debruça sobre uma crise planetária de alimentos. Neste sábado (3), o relator da ONU para temas relacionados ao direito à alimentação, Olivier de Schutter, voltou a içar ao primeiro plano da crise a polêmica em torno dos biocombustíveis.

 

Schutter defendeu a suspensão de novos investimentos na produção de biocombustíveis. A interrupção dos aportes financeiros duraria até a conclusão de negociações mundial sobre o prejuízo que a produção dos combustíveis alternativos impõe ao plantio de alimentos.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Lula, Dilma e Serra inauguram um hospital no Piauí

José Cruz/ABr
 

 

A capital do Piauí será, nesta segunda-feira (5), palco de uma cerimônia inusitada. Depois de quase duas décadas de espera, a população de Teresina vai ganhar um hospital para atendimentos emergenciais. Além de Lula, vão à inauguração a petista Dilma Rousseff –projeto de presidenciável do Planalto— e o tucano José Serra, candidato mais bem-posto da oposição à sucessão de 2010.

 

Os convites a Lula e Dilma foram feitos pelo governador do Piauí, Wellington Dias, que é do PT. Serra foi “convocado” pelo prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, filiado ao PSDB. O petismo local torceu o nariz. Mas o hospital é municipal. E o prefeito Mendes valeu-se de um subterfúgio monetário para justificar a presença de Serra.

 

Alegou que, no período em que foi ministro da Saúde de FHC (1998 a 2002), Serra mandou dinheiro para a continuidade das obras do HUT (Hospital de Urgências de Teresina). O Pronto Socorro, como o povo local prefere chamar o hospital, começou a ser construído há 18 anos, quando o inquilino do Palácio do Planalto era José Sarney.

 

Ao longo de todos esses anos, a obra recebeu verbas da União, do Estado e do município. Custou quase R$ 30 milhões. E o prefeito tucano argumentou que é justo, muito justo, justíssimo que Serra participe dos festejos da inauguração.

 

Para não parecer partidário, o tucano Sílvio Mendes convidou outros ex-ministros da Saúde que, de algum modo, contribuíram para que a obra chegasse ao final. O petista Humberto Costa e o cardiologista Adib Jatene informaram que não poderão dar as caras.

 

Além de inaugurar o hospital, Lula vai assinar no Piauí quatro convênios do programa Territórios da Cidadania. Coisa de R$ 700 milhões. Será montado também em Teresina mais um pa©lanque.

 

Lero vai, lero vem, travou-se durante a semana uma segunda polêmica: Serra poderia discursar? O prefeito tucano disse que sim, claro que poderia. Na dúvida, a equipe do governador petista decidiu consultar o Planalto. A palavra final foi dada por Lula. Dono de temperamento acomodatício, o presidente mandou dizer quem nem se importava com a presença de Serra nem se opunha a que o governador de São Paulo discursasse. Assim, se quiser, Serra vai falar.

 

A inauguração do hospital está marcada para as 10h. Lula e sua comitiva desembarcam em Teresina na própria segunda. Serra é aguardado para a noite deste domingo (4).

 

O governador paulista será recepcionado, entre outros, pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI), adversário de Lula e arqui-inimigo do PT do Piauí. Heráclito, a propósito, também deve comparecer à solenidade hospitalar –a convite do prefeito Silvio Mendes.

 

A presença de Serra encaixa-se na estratégia traçada pelo governador para atenuar uma das fragilidades de seu projeto presidencial: a baixa taxa de conhecimento que amarga nos Estados do Nordeste. Nos últimos meses, Serra abriu frinchas em sua agenda para visitar o Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Sua equipe já organiza nova viagem a Pernambuco.

 

O PSDB costuma dizer que, ao levar Dilma a tiracolo em suas viagens, Lula como que antecipou em dois anos e meio a disputa presidencial. O petismo lê a conjuntura de outra maneira: “O Serra é governador de São Paulo. Por que ninguém questiona essas viagens dele ao Nordeste?”, pergunta, por exemplo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Como se vê, a campanha de 2010, de fato, já começou. 

Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Aos pouquinhos, Lula prova que ridículo não existe

Aos pouquinhos, Lula prova que ridículo não existe

Animação de Ueslei Marcelino sobre fotos de Lula Marques
 

 

Neste domingo (4), a Stock Car realiza uma de suas provas no autódromo de Brasília. Vão à pista 34 pilotos. Envergam as corres de 17 equipes.

 

Ao lado de sua mulher, Marisa, Lula recebeu os automobilistas em palácio. Envergava um paletó adornado com bordado indígena -presente do companheiro Evo Morales. Instado um dos visitantes, levou à cabeça o boné de uma equipe.

 

Como que enciumado, um outro piloto reivindicou o mesmo privilégio. Depois dele, outro... E mais outro... E outro mais... Súbito, o presidente da República pôs-se a experimentar, um após o outro, os bonés de todas as 17 equipes.

 

Entre risos, Lula recordou a polêmica que ateará nos meios políticos ao deixar-se fotografar, no primeiro reinado, com um boné do sempre controverso MST. "Será que agora [os jornalistas] vão ter argumento para me criticar?"

 

Ainda outro dia, o presidente brincava com uma bola de basquete ao lado do cestinha Oscar Schmidt, no Itamaraty. Agora, mais essa. Pendurado em índices lunares de popularidade, Lula vai demonstrando ao país, aos pouquinhos, que o ridículo não passa de ficção. Quem ousa desafiá-lo conquista a glória.

Escrito por Josias de Souza às 03h55

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As manchetes deste sábado

- JB: Ameaçada a transmissão exclusiva do Brasileirão

- Folha: Bolsa tem dia de recordes após grau de investimento

- Estadão: Agência de risco pede corte de gastos no País

- Globo: Capital externo aumenta e bolsa bate novo recorde

- Gazeta Mercantil: Grau de investimento atrairá recurso externo

- Correio: Sobrou para quem anda de ônibus

- Valor: Setor privado já corta custos com o grau de investimento

- Jornal do Commercio: Empresas de ônibus pedem novo aumento

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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Presidente de ferro!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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Lula cogita apoiar mais de um candidato em 2010

Sérgio Lima/Folha
 

 

Em diálogo com governador filiado a uma das legendas que lhe devotam fidelidade, Lula revelou que deve apoiar mais de um candidato nas eleições presidenciais de 2010. Tende a adotar o que chamou de “Fórmula Pernambuco.”

 

Referia-se à forma como lidou com um dilema das eleições de 2006. Naquele ano, dois ex-ministros mediram forças pelo governo de Pernambuco: Humberto Costa (Saúde), do PT, e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), do PSB.

 

No primeiro turno, Lula prestigiou a ambos. Deu um jeito de abrigá-los em seu palanque presidencial. O candidato petista ficou pelo caminho. Abalroado pelo escândalo dos Vampiros, Humberto Costa foi de favorito a terceiro colocado.

 

No segundo turno, Lula despejou todo o seu prestígio na campanha do aliado Eduardo Campos. Ajudou-o a prevalecer sobre o adversário Mendonça Filho, do então PFL. Prevê a adoção de comportamento semelhante para a sucessão presidencial.

 

Na conversa com o governador, Lula lamentou que os partidos que lhe dão suporte legislativo não estejam conseguindo se entender nas eleições municipais de 2008. Lastimou, sobretudo, os desencontros entre PT e PMDB.

 

Citou especificamente o caso da cidade de São Paulo. Mencionou dois fatos: o apoio do PMDB de Orestes Quércia ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição, escorado no apoio do governador tucano José Serra; e a resistência do chamado bloquinho (PSB, PCdoB e PDT) em apoiar a candidatura petista de Marta Suplicy.

 

São prenúncios, na opinião de Lula, de que dificilmente os seus principais aliados chegarão a 2010 unidos. Cada um acalenta seu projeto presidencial próprio. Deixou antever que não abrirá mão de ter o seu candidato. Mas também disse que não o anima a idéia de bater de frente com os competidores nascidos de legendas “da base”, como se refere ao consórcio partidário que se formou em torno de seu governo.

 

Citou o exemplo de Ciro Gomes, o presidenciável do PSB. “Se o Ciro for candidato, como posso me opor a ele?” Daí os pendores que nutre pela ressurreição da “Fórmula Pernambuco.” O essencial, segundo diz, é evitar que o Planalto caia em mãos inamistosas –como as do tucano José Serra, por exemplo.

 

Os comentários feitos por Lula entre quatro paredes contrastam com as afirmações que fez em público. No domingo passado, jornais dos Diários Associados veicularam entrevista com o presidente. A certa altura, Lula falou sobre a hipótese de ter de lidar com mais de uma candidatura governista. Disse o seguinte:

 

“O PSB, por exemplo, é um aliado histórico e tem candidato à Presidência, o deputado Ciro Gomes, um candidato forte porque já foi candidato duas vezes [...]. É bem possível que outros partidos queiram lançar candidato. E vocês jamais me verão reclamar de um partido querer lançar candidato [...]. Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato.”

 

A menção à “Fórmula Pernambuco” indica que Lula terá candidato, mas não deixará de prestigiar outros que pertençam a legendas que, hoje, gravitam à sua volta. Num eventual segundo turno contra o PSDB, que se afigura como hipótese muito provável, quebrará lanças pelo governista mais votado, seja ele quem for. Elegendo-o, evitará descer à crônica das eleições com a cara de derrotado. De resto, acomodará em sua cadeira um personagem que não ousará, ao menos em tese, lhe criar problemas.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Estado mais rico da Bolívia decide sobre autonomia

  BBC
Em meio a uma crise que rói a autoridade do presidente boliviano Evo Morales, a população de Santa Cruz vai às urnas neste domingo (4). Decidirá, em referendo, se o Departamento –como os bolivianos chamam os seus Estados— deve ou não se declarar “autônomo” em relação ao governo central de La Paz.

 

Santa Cruz é o pedaço mais próspero do mapa boliviano. Fica na região Leste do país. Faz fronteira com o Brasil. Abriga 25% da população da Bolívia. É rico em soja, petróleo e gás. Responde por cerca de 40% de toda a arrecadação tributária que nutre as arcas da administração Evo Morales.

 

Estão aptas a votar 930 mil pessoas. O voto não é, porém, obrigatório. Se a maioria dos eleitores disser “sim” à autonomia, estará autorizando o governo de Santa Cruz, chefiado pelo oposicionista Ruben Costas, a pôr em prática um estatuto de 168 artigos, distribuídos em 56 páginas.

 

Trata-se, na prática, de um tratado de independência administrativa e financeira. Autoriza a administração de Santa Cruz a reter a coleta de tributos, hoje gerida por La Paz. Submete a controle local a exploração dos recursos naturais e a definição das leis sobre a propriedade de terras, ameaçadas pelo plano de reforma agrária do governo.

 

Diferentemente do Brasil, um país federativo, a Bolívia é uma nação unitária. Os Departamentos estão integralmente submetidos às regras ditadas desde La Paz. Na prática, o estatuto que vai a voto em Santa Cruz tem os efeitos de uma constituição estadual.

 

O presidente Evo Morales trata o referendo deste domingo como um movimento “separatista.” Tacha-o de “racista”, contrário aos interesses da maioria da população, os 60% que, como ele, têm origem indígena. Diz que a votação é "ilegal". Não será, portanto, reconhecida, qualquer que seja o resultado. Seus auxiliares conclamam a população a boicotar as urnas.

 

A encrenca está apenas no começo. Nas pegadas de Santa Cruz, outros três Departamentos farão referendos para decidir sobre a autonomia: Beni e Pando, em 1º de junho; Tarija, em 22 de junho.

 

Juntos, esses quatro Departamentos compõe a chamada região Oriental, a mais rica da Bolívia. Que se contrapõe à região Ocidental, a mais pobre, onde vivem, em cinco Departamentos -La Paz, Oruro, Potosi, Chuquisaca e Cochabamba- os povos indígenas.

 

Supondo-se que o “sim” à autonomia prevaleça nos quatro Departamentos abastados, Evo Morales estará diante do mais retumbante desafio à sua autoridade de presidente. Ainda que não reconheça a legalidade das votações, estará diante de um fato político.

 

Na melhor hipótese, vai à mesa de negociações, com a disposição de ceder nacos de poder às administrações locais. No pior cenário, enfrenta o desafio à bala, com o risco de mergulhar a Bolívia num conflito civil de proporções imprevisíveis. Uma semana atrás, em discurso aos militares bolivianos, Evo Morales conclamou-os a defender a "unidade" do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Chávez ‘reestatiza’ a maior siderúrgica dos Andes

  Lula Marques/Folha
Hugo Chávez, presidente da Venezuela, baixou decreto nacionalizando a Sidor (Siderúrgica do Orinoco). Vem a ser a maior produtora de aço da comunidade andina de nações.

 

A empresa havia sido privatizada há dez anos. Volta agora ao controle do Estado. Por que? Segundo Chávez, para que a empresa se coloque à frente da construção do socialismo e impulsione a “revolução bolivariana.”

 

A fundamentação, como se vê, é tão distanciada dos fundamentos econômicos quanto distante está o socialismo à Chávez da lógica que rege a modernidade política. Na véspera, o companheiro-índio Evo Morales, empurrara para dentro do Estado boliviano três petrolíferas e uma telefônica multinacionais.

 

Bom para Lula. O presidente brasileiro vai fincando raízes na América Latina como um ex-esquerdista que, rendido à lógica do mercado, recusa-se a rasgar dinheiro. Que venham os investidores!

Escrito por Josias de Souza às 17h59

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Aumento do diesel encarece transporte de cargas

Começaram a vigorar nesta sexta (2) os novos preços da gasolina e do diesel. Como má notícia não costuma andar desacompanhada, vai aqui uma outra: o reajuste do óleo vai encarecer o transporte de cargas em algo como 3% a 4%. Significa dizer que, a despeito das negativas oficiais, logo, logo você sentir os reflexos da encrenca nas gôndolas dos supermercados.

 

A estimativa de aumento do frete vem da CNT (Confederação Nacional dos Transportes). O vice-presidente da entidade, Nilton Gibson, estima que o reajuste do frete chegará primeiro ao transporte de grãos. E, num segundo momento, a todo o resto da safra.

 

Levando-se em conta que trator e ônibus urbano também são movidos a diesel, não é preciso ser um gênio da matemática para intuir que a mordida no bolso do consumidor, sobretudo o mais pobre, será doída. De resto, é preciso aferir o impacto da encrenca na curva da inflação.

Escrito por Josias de Souza às 17h43

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Serra cria em São Paulo espécie de ‘Bolsa Trator’

  Gilberto Marques/Divulgação
A coisa foi anunciada há três dias, numa feira de agricultura, em Ribeirão Preto. Mas quase não foi notada. José Serra criou um programa destinado a tonificar a colheita da safra 2008-2009. Inclui uma espécie de “Bolsa Trator”.

 

A Nossa Caixa, casa bancária do Estado, oferece financiamentos para a aquisição de 6.000 tratores. Até aí, nada demais. A novidade é que os empréstimos terão taxa de juro zero.

 

Abriram-se também outros dois tipos de linha de crédito: 1) empréstimos de até R$ 3 mil, para que os agricultores comprem laptops e equipamentos de informática. Juros camaradas: 3% ao ano; 2) financiamentos de até R$ 100 mil, para obras de infra-estrutura nas fazendas, também a juros anuais de 3%.

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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As manchetes desta sexta

- JB: Investimentos no Brasil duplicarão

- Folha: Exportadores temem invasão de dólares

- Estadão: Ações brasileiras sobem até 9,72% na bolsa de NY

- Globo: PF diz que Paulinho recebeu propina no escândalo BNDES

- Gazeta Mercantil: Grau de investimento atrairá recurso externo

- Correio: PF apura pagamento de propina a políticos.

- Valor: Setor privado já corta custos com o grau de investimento

- Jornal do Commercio: Dengue - achados mais de seiscentos novos focos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h59

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Mastigando a crise!

Lovatto
 

PS.: Via blog do Lovatto.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Meirelles articula candidatura ao governo de Goiás

Meirelles articula candidatura ao governo de Goiás

Presidente do BC informou a Lula sobre seus planos

Ouviu palavras de estímulo e pedido: ‘Seja discreto’

Em segredo, discute estratégia com líderes goianos

Se tudo der certo, entrega o cargo no final de 2009

 

Elza Fiúza/ABr

 

Henrique Meirelles costuma comparar o seu papel no governo ao de um goleiro no time de futebol. Gaba-se de ter conseguido defender o país dos riscos que rondam a grande área da economia. Há três meses, o guardião das balizas inflacionárias decidiu ir ao ataque.

 

Centro-avante de si mesmo, Meirelles aventura-se num campo em que o rigor matemático conta pouco. Enveredou pelos sinuosos caminhos da política. O presidente do Banco Central informou a Lula que deseja disputar o governo de Goiás, seu Estado natal, nas eleições de 2010.

 

Recolheu do chefe palavras de estímulo. Que interpretou como uma perspectiva de apoio. Ouviu também um pedido para que fosse discreto em suas articulações. Ambição política é coisa que, em tese, não condiz com a frieza que se exige de um comandante do Banco Central.

 

Munido do beneplácito do presidente da República, Meirelles foi aos subterrâneos. Ali, vem se encontrando secretamente com as principais lideranças políticas de Goiás. Move-se com desenvoltura suprapartidária.

 

A julgar pelo que diz nesses encontros, Lula lhe teria feito uma confidência: no baralho da sucessão presidencial, Meirelles seria uma espécie de curinga. Uma carta que o presidente poderia levar ao pano verde como elemento surpresa.

 

Meirelles tomou nota. Mas não parece ter levado a sério. Arma seu próprio jogo. Já na fase de montagem da estratégia, identificou dois adversários de peso: o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o ex-senador Íris Rezende (PMDB-GO).

 

São dois ex-governadores do Estado. Têm a pretensão de disputar a sucessão estadual em 2010. Numa tentativa de driblar a dupla, Meirelles esboça uma aliança com o atual governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), com quem conversa amiúde.

 

Alcides foi eleito em aliança com o tucano Perillo, a quem sucedeu. Hoje, porém, vive às turras com o mentor. Aproximou-se de Lula, que vem brindando sua administração com generosos repasses de verbas federais.

 

Meirelles cogita filiar-se ao PP, a legenda do governador. Concorreria ao Executivo estadual em coligação com o PMDB local. Alcides Rodrigues e Íris Rezende comporiam a chapa como candidatos ao Senado. Se os planos vingarem, o presidente do BC terá de sentar praça no PP até outubro de 2009, um ano antes da eleição. Pela lei, será obrigado a deixar o BC.

 

Embora pouco afeito às tramas da política, Meirelles não é neófito na matéria. Em 2002, foi às urnas como candidato do PSDB à Câmara. Estima-se que tenha feito a campanha mais cara de Goiás. Elegeu-se com a maior votação do Estado: 183 mil votos.

 

Antes que pudesse assumir a cadeira de deputado, foi convidado por Lula para dirigir o BC. Renunciou ao mandato, desfiliou-se do PSDB e tornou-se o principal fiador da estabilidade econômica.

 

Em 2006, na virada do primeiro para o segundo reinado de Lula, Meirelles esboçara a intenção de deixar o governo para disputar a sucessão goiana. Dissuadido pelo presidente, permaneceu em Brasília. E foi à caderneta de Lula na condição de credor.

 

Em todas as suas conversas, Meirelles menciona uma preocupação que soa obsessiva: não vai permitir que sua atuação como centro-avante do próprio projeto político conspurque a missão que se auto-impôs como goleiro da economia.

 

No último dia 16, Meirelles demonstrou que fala sério: patrocinou a elevação da taxa de juros de 11,25% para 11,75%. As críticas ainda soavam quando, na última quarta-feira (30), o presidente do BC converteu-se numa espécie de Rogério Ceni da economia.

 

O gol do goleiro veio na forma de um título inédito: a concessão ao Brasil, pela agência de risco Standard & Poor's, do grau de investimento. O desafio de Meirelles é, agora, converter heterodoxia econômica em capital político.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

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Bush quer gastar US$ 770 mi com crise de alimentos

  Reuters
Os EUA, como se sabe, freqüentam a crise de alimentos que sacode o planeta no papel de vilão. Diferentemente do Brasil, que extrai biocombustível da cana, os americanos extraem álcool do milho. Enche o tanque dos carros e esvazia o cocho dos bichos e a mesa das gentes.

 

Numa tentativa de se reposicionar em cena, George Bush encaminhou ao Congresso, nesta quinta-feira (1), pedido de autorização para gastar US$ 770 milhões no combate à crise da comida. É pouco. Mas deve ser adicionada a verbas já autorizadas anteriormente.

 

Só no ano passado, a Casa Branca gastou US$ 2,1 bilhões no auxílio alimentar a 78 países. Nessa matéria, não há nação que gaste mais. E não parece plausível que, em 2009, sob crise, gaste-se menos.

 

“Estamos trabalhando para garantir que os cidadãos mais pobres recebam a comida de que necessitam”, disse Bush, ao anunciar o envio do pedido ao Congresso. “Em alguns dos países mais pobres do mundo, a alta dos preços pode significar a diferença entre comer no dia-a-dia ou ir para a cama com o estômago vazio”.

 

O Congresso deve assentir. Quem aprova o orçamento que prove a máquina de guerra norte-americana, não há de negar comida ao mundo. Se não o fizer por solidariedade genuína, há de fazê-lo por conveniência de marketing.

Escrito por Josias de Souza às 20h18

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Roraima move nova ação contra Raposa Serra do Sol

  Folha de Boa Vista
O processo contra a demarcação das reserva indígena Raposa Serra do Sol, que corre no STF, ganhará novas páginas na próxima quarta-feira (7). O governador de Roraima, Anchieta Júnior (PSDB), vai protocolar no tribunal uma ação civil contra o decreto do governo que delimitou as terras dos índios.

 

A nova ação será assinada pelo procurador-geral do governo de Roraima, Luciano Queiroz (na foto). O Supremo concedera prazo até 9 de maio para que o Estado representasse contra a reserva. A ação chegará ao tribunal dois dias antes.

 

Segundo o procurador-geral Queiroz, o texto conterá “provas” capazes de demonstrar que a demarcação, do modo como foi feita, é passível de anulação. Diz que o processo contém “nulidades várias”. Entre elas o laudo antropológico produzido pela Funai para justificar a entrega das terras aos índios. Uma peça “imprestável”, nas palavras de Queiroz.

 

A Raposa Serra do Sol foi demarcada sob Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Mas o processo só foi definitivamente homologado sob Lula, em 2005. Curiosamente, a guerra judicial contra o ato foi aberta por ação judicial movida, em 2005, por um petista, o senador Augusto Botelho (PT-RR). Que agora será adensada por nova ação de um tucano, o governador Anchieta Júnior.

 

Relator da ação patrocinada por Augusto Botelho, o ministro Carlos Ayres Britto determinou, por meio de liminar, a suspensão da operação que a Polícia Federal organizara para retirar produtores de arroz que resistem em deixar área indígena. O processo ainda depende, porém, de um julgamento do mérito.

 

Um dos pontos centrais da ação que será ajuizada pelo governo de Roraima é a alegação de cerceamento de defesa. Na época da demarcação, ainda no governo FHC, o Estado encaminhara à União uma série de recursos administrativos. Que, segundo o procurador Anchieta Júnior, não foram analisados.

 

A Funai estava ao ministro da Justiça da época, Nelson Jobim, hoje ministro da Defesa de Lula. Jobim excluíra da área de reserva as fazendas com titulação comprovada, as vilas e as sedes de municípios.

 

O Estado, porém, não se dera por satisfeito. Alegara que era preciso considerar também as terras não tituladas. Algo que continua sendo objeto de reivindicação. Segundo Luciano Queiroz, o que se discute não é a propriedade, mas o direito à posse das terras.

 

Na última segunda-feira (28), a Procuradoria da República enviou ao STF o seu parecer sobre a demarcação da reserva. O documento foi anexado ao processo movido pelo senador Augusto Botelho. Assina-o o vice-procurador Roberto Gurgel, sob endosso do procurador-geral Antonio Fernando de Souza.

 

No texto, o Ministério Público considera que a demarcação foi “plenamente regular”. Anota que a Constituição assegura aos índios o usufruto das terras por eles tradicionalmente ocupadas. Trata-se, na opinião do procurador-geral de Roraima, de mera “tese jurídica.”

 

Eis o que diz Luciano Queiroz: “A Procuradoria-Geral da República defende as comunidades indígenas. O Estado de Roraima também as defende e se orgulha de ter em seu território essa pluralidade de etnias e comunidades. Entretanto, não pode concordar com a forma como essas demarcações vêm ocorrendo, com a interferência de Organizações Não-Governamentais. O Brasil é maior do que as ONGs e do que os interesses internacionais. A soberania nacional e a integridade do território brasileiro devem ser respeitadas como manda a Constituição da República Federativa do Brasil.”

 

Há no STF uma tendência a descaracterizar o caráter “contínuo” da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. Confirmando-se essa linha de ação, seriam preservados os nacos de terras ocupados por famílias não-indígenas. Entre elas os arrozeiros que a PF planeja desalojar. Seja qual for a decisão, haverá barulho em Roraima.

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Marta é vaiada na festa de 1º de Maio da ‘Força’

  Fernando Donasci/Folha
Em ritmo de campanha, a ministra petista Marta Suplicy (Turismo) foi à festa organizada pela Força Sindical, para festejar o 1º de Maio. Ao discursar, a pré-candidata do PT à prefeitura paulistana foi brindada com uma sonora vaia (vídeo disponível aqui).

 

O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da central sindical, interveio. Pediu à platéia, estimada em 1 milhão de pessoas, que ouvisse a ministra. “Ela é nossa convidada. Não sobe no palco quem é contra trabalhador”, disse.

 

Nada feito. Marta retomou o microfone. E as vaias recomeçaram. A ministra não terminou o discurso. "Não [fiquei constrangida]. Um pequeno grupo vaiou. Muita gente aplaudiu. Não dá para ir a uma reunião desse porte e não ter algumas pessoas que vaiam. Isso você tem de saber antes de vir. É normal, é natural", resignou-se.

 

O prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à releição com o apoio do governador tucano José Serra, não deu as caras. Segundo Paulinho, ele não foi convidado. Deve estar gradecendo o "desconvite". Geraldo Alckmin, cuja candidatura deve ser oficializada pelo PSDB na segunda-feira (5), foi a outro evento, na Praça Ermelino Matarazzo. Em entrevista negou atritos com Kassab.

 

"Eleição não é guerra. Eleição é um ato de amor às pessoas e à cidade. Não haverá nenhum problema, nenhum atrito", disse Alckmin. Então, tá! Kassab, a propósito, continua propugnando pela manutenção da aliança tucano-democrata em São Paulo. Aliança que desaguaria, obviamente, na candidatura dele. Um sonho que, a escassos quatro dias da oficialização da candidatura Alckmin, ainda contagia um pedaço do PSDB

 

PS.: Depois de passar pelo ato organizado pela Força Sindical, Marta foi a um outro, promovido pela CUT. Ali, em meio a uma platéia mais afinada com o seu PT, os ouvidos da ministra foram massageados por relaxantes e prazerosos aplausos.  

Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Evo nacionaliza três petrolíferas e uma telefônica

O presidente Evo Morales, da Bolívia, decidiu festejar o 1º de Maio bem ao seu modo: nacionalizou, por decreto, três multinacionais do ramo petrolífero e uma operadora telefônica. As canetadas foram dadas à luz do Sol, numa praça pública de La Paz.

 

O governo boliviano passou a deter o controle acionário –50% das ações mais uma—da Chaco (antes controlada pela British Petroleum), da Transredes (que pertencia à britânica Ashmore e à anglo-holandesa Shell).

 

A Companhia Logística de Hidrocarbonetos, até ontem controlada por investidores peruanos e alemães, passou a ser 100% da Bolívia. O mesmo ocorreu com a telefônica Entel, uma filial boliviana da italiana Telecom.

 

Na Venezuela, Hugo Chávez celebrou a data decretando um aumento de 30% do salário mínimo. Passou a valer o equivalente a US$ 372. Uma cifra incompatível com as chamas inflacionárias que roem a economia do país. Em Cuba, os trabalhadores foram brindados com a ausência de Fidel Castro. Mais: Raul Castro esquivou-se de discursar.

Escrito por Josias de Souza às 15h55

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PT pede socorro a Lula para montar coligação de SP

Depois do PMDB, Marta deve perder o PR para Kassab

O PTB, outro ‘aliado’ de Brasília, negocia com Alckmin

PSB e PDT também resistem à idéia de compor com PT

Presidente não parece propenso a atender aos apelos

 

  Alan Marques/Folha
A direção do PT pediu socorro a Lula. O partido deseja que o presidente entre no jogo eleitoral paulistano. Quer que ele ajude a convencer os “aliados” de Brasília a integrar a coligação de Marta Suplicy em São Paulo.

 

O petismo levou ao Planalto um apelo de contornos dramáticos. Argumentou que a entrada em cena do presidente é o único modo de o PT se contrapor à movimentação do governador tucano José Serra, empenhado em reeleger o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

 

Depois de perder o PMDB, o PT vê fugir-lhe também a perspectiva de uma composição com o PR. Embora gravite em torno do governo Lula, o PR pende para um acerto com a dupla Serra-Kassab. Exatamente como fez Orestes Quércia.

 

Em diálogo direto com Lula e em reuniões com ministros palacianos, os operadores do PT esgrimiram a seguinte tese: Serra tornou-se um fator de desequilíbrio em São Paulo. Cavalga duas máquinas poderosas: a estadual e a municipal. O que lhe confere um poder de sedução que o PT paulista não tem.

 

O negociador do PR é o ex-deputado mensaleiro Valdemar da Costa Neto. Um personagem que não sabe o que é ideologia. Guia-se por vantagens. Já informou ao PT que se inclina na direção do Palácio dos Bandeirantes.

 

A aflição do PT aumenta à medida que se aproxima do final a fase de fechamento das coligações. O PR era, depois de Quércia, a aposta que o partido de Lula considerava mais segura. Todos os outros “aliados” do plano federal torcem o nariz para Marta.

 

O PTB do ministro José Múcio (Coordenador Político de Lula) está, em São Paulo, sob o jugo de um deputado estadual que tem horror ao PT. Chama-se Campos Machado. É unha e cutícula com o tucano Geraldo Alckmin, cuja candidatura será oficializada na próxima segunda-feira (5).

 

O chamado bloquinho (PSB, PCdoB e PDT) trabalha com duas opções. Nenhuma delas se chama Marta Suplicy. Ou lança uma candidatura própria –hoje a hipótese mais provável— ou se acerta com Alckmin. Em São Paulo, a prioridade desse grupo, sob influência da candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB), é prejudicar Serra.

 

No esforço para convencer Lula a descer à planície da disputa municipal, o PT argumenta que a ação de Serra desvirtua o sentido da coalizão partidária que se formou em Brasília.

 

O PT alega que o presidente teria de lembrar às legendas que o apóiam que a coalizão tem, no longo prazo, um objetivo que transcende ao mero provimento de suporte congressual ao governo federal. Que seria o de se acertar em torno de uma candidatura à sucessão presidencial.

 

O diabo é que, em outras praças, o PT faz o oposto do que cobra dos “aliados” em São Paulo. Nega apoio ao PMDB em Salvador e em Campo Grande. Investe contra a viabilidade da candidatura do PSB em Belo Horizonte. O próprio Lula desaprova o comportamento do PT.

 

Quando confrontado com o drama do PT paulistano, Lula demonstrou disposição de conversar. Não moveu, porém, um dedo. A última abordagem direta ao presidente ocorreu há cinco dias. Na última segunda-feira, o apelo foi renovado, dessa vez a ministros do PT. Até agora, nada.

Escrito por Josias de Souza às 04h00

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As manchetes desta quinta

- JB: Brasil atinge grau de investimento

- Folha: Brasil vira investimento seguro

- Estadão: Brasil já é grau de investimento

- Globo: Brasil se torna país mais seguro para investimentos

- Gazeta Mercantil: Sindicalistas buscam novas bandeiras para velhas lutas

- Correio: "O Brasil foi declarado um país sério"

- Valor: Negociação de reajustes é intensa nas indústrias

- Jornal do Commercio: Mais médicos e leitos contra a dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h55

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Vira-casaca!

Duke
 

PS.: Via sítio de O Tempo.

PS.2: Visite também o blog do Duke.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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Evidência do acerto da tese do companheiro Darwin

 

PS.: Pressionando aqui, você vai à segunda parte da entrevista de Lula no Show de Calouros, na campanha presidencial de 1989. 

Escrito por Josias de Souza às 01h15

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Lula festeja: ‘Brasil foi declarado um país sério’

 

Horas depois do anúncio de que o Brasil obtivera o título de “grau de investimento”, Lula aproveitou a primeira aparição pública prevista na agenda para soltar fogos. Deu-se em Maceió, na reunião do conselho deliberativo da Sudene. "É uma conquista do povo brasileiro, que esperou por isso durante tantos e tantos anos", disse o presidente. "É o aval de que passamos a ser donos do nosso nariz e podemos determinar a política que acharmos convenientes para o Brasil." A julgar pelo que diz a economista que coordenou a análise da Standard & Poor’s, a agência de risco que promoveu o Brasil, Lula deveria ter dividido os louros com FHC -confira abaixo.

 

Escrito por Josias de Souza às 00h35

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São Lula ‘Imaculado’ da Silva dá indulgência a Cid

  Wilson Dias/ABr
A Presidência da República oferece àquele que a ocupa uma tribuna de alta ressonância. Algo que Theodore Roosevelt chamou de "bully pulpit" (púlpito formidável). Amplificado pelo eco que produz na TV, no rádio e nos jornais o verbo presidencial costuma alçar às alturas.

 

Nesta quarta-feira, Lula armou seu púlpito em Maceió. Discursou na reunião do conselho deliberativo da Sudene. O auditório estava pleno de convidados. A platéia incluía quatro ministros e onze governadores de Estado.

 

Em meio ao anúncio de créditos para o Nordeste, o presidente, como que movido pela aura de santidade que lhe conferem as pesquisas, sentiu-se à vontade para distribuir uma indulgência. São Lula remiu os pecados de Cid Gomes (PSB), o governador do Ceará.

 

Para Sua Santidade o presidente, a imprensa peca ao explorar a caravana aérea patrocinada por El Cid. "Certamente, se ao invés da sua sogra você tivesse levado um empresário no avião, não teria tido problemas", disse Lula, sob aplausos. "Não estou dizendo que é certo levar sogra ou não. O que estou dizendo é que as pessoas [os jornalistas] precisam dar a informação e deixar o povo julgar."

 

São Lula desperdiçou boa parte de sua fala para esmiuçar o caso da sogra. Disse coisas assim:

 

"Tem coisa muito mais importante –não que a sogra não seja importante— que você [Cid Gomes] faz e que nunca apareceu nacionalmente";

 

"Nós precisamos, de vez em quando, ter coragem de dizer algumas coisas que precisam ser ditas, porque senão a pessoa humilde não sabe que um avião alugado não é alugado por pessoa. Um avião é alugado por quilometragem, ele pode ter um passageiro ou pode ter dez, o preço é o mesmo”;

 

"Quem já alugou avião aqui sabe disso. Você poderia ter levado a sua sogra como poderia ter me levado. O que eu acho estranho é que poder-se-ia ter dado a notícia: a sogra do governador viajou com ele. Não. Fazem disso uma tese";

 

"Eu acho que isso não contribui com a política, porque na hora que as pessoas começam a denegrir a imagem do político, o que vem depois é pior do que o político. O que vem depois não é mais sadio";

 

"Nós não podemos permitir que um companheiro da qualidade do Cid seja mostrado a nível nacional apenas porque atendeu a um pedido da mulher para levar a mãe da mulher. Portanto, a minha solidariedade companheiro. Eu sei o que é isso e você tem a minha solidariedade."

 

Quando cunhou a expressão "bully pulpit", Theodore Roosevelt quis dizer que o presidente da República deve vigiar o que diz. Suas palavras precisam irradiar a luz do bom exemplo. Não é a primeira vez que Lula passa a mão na cabeça de políticos e gestores públicos pilhados em práticas ruinosas.

 

Nada parece abalar, porém, a popularidade de São Lula. A devoção é mesmo algo sublime. Não há sentimento mais belo. Quando dedicada a um santo fictício, aí mesmo é que ela se torna comovente. Reverenciemos, pois, os que, mãos postas, cultuam incondicionalmente o presidente.

Escrito por Josias de Souza às 23h55

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Governo elabora pacote para deter alta de alimentos

MDA/Divulgação
 

 

Por ordem de Lula, reuniram-se nesta quarta-feira (30), em Brasília, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). Discutiram a crise de alimentos que se espraia pelo mundo. Acertou-se que, nas próximas semanas, o governo anunciará um pacote de providências para aumentar a produção brasileira.

 

Entre as providências em cogitação estão: 1) Aumento do crédito; 2) Aperfeiçoamento do sistema de garantia de preços à produção agrícola; 3) Ampliação dos seguros concedidos aos agricultores; e 4) Medidas de estímulo à modernização das lavouras.

 

A discussão ocorre no instante em que as pastas da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário definem os seus respectivos planos de safra. No pacote que começa a ser esboçado, o governo planeja dar atenção especial a oito tipos de produtos: arroz, feijão, milho, mandioca, trigo, leite e carne (bovina e de aves).

 

Na avaliação do governo, expressa em declarações de Guilherme Cassel, a crise, além de séria, tem tudo para ser longeva. Coisa para cinco a dez anos. Diz o ministro do Desenvolvimento Agrário:

 

“Uma análise geral aponta que esta crise é real e tem muitas razões, entre elas o fator especulativo, questões climáticas no mundo e o aumento da demanda dos países em desenvolvimento. Esses fatores jogam os preços para cima. Por isto, sabemos que esta crise pode ser de longa duração. Os fundos de ações, especialmente depois da crise norte-americana, migraram para as commodities, comprando até três safras antecipadas. Isto nos aponta que a crise pode ser de cinco a 10 anos”.

 

Embora menos sujeito aos efeitos da crise, o Brasil não está imune a ela. Longe disso. Citando dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), Cassel diz que, nos últimos 36 meses, o preço dos alimentos subiu, no mundo, uma média de 83%. No Brasil, a alta foi de 25%. Há impacto direto no comportamento da inflação, que aponta para cima. Daí a decisão do governo de agir.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Petrobras aumenta gasolina e governo reduz a Cide

Como previsto, os preços dos principais derivados do petróleo subiram. A partir desta sexta-feira (2), a gasolina sobe 10%; o diesel, 15%. Simultaneamente, o ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou uma providência que visa impedir que os reajustes tonifiquem os índices de inflação.

 

Segundo Mantega, o governo vai reduzir o valor da Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), que incide sobre os preços dos combustíveis. No caso da gasolina, o valor da Cide cairá de R$ 0,28 para R$ 0,18 por litro. Com isso, diz o ministro, o impacto do aumento da gasolina no bolso do consumidor será “zero”.

 

E quanto ao diesel? Bem, neste caso, a redução da Cide será menor –cai de R$ 0,07 para R$ 0,03 por litro. O que fará com que o peso do reajuste de 15% decretado pela Petrobras seja reduzido, no bico da bomba, para 8,8%. Cabe recordar que caminhão é movido a diesel. Portanto, não foi eliminado por completo o risco de repasse do reajuste para os preços dos produtos que cortam o país nas carrocerias.

 

A poda na Cide privará o Tesouro de uma arrecadação estimada entre R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões. Nesse momento, porém, a prioridade do governo é manter sob controle os indicadores inflacionários.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Brasil obtém o troféu do ‘grau de investimento’

A economia brasileira obteve, nesta quarta-feira (30), um título que acomoda o Brasil no seleto grupo dos países que oferecem segurança a investidores estrangeiros. A Standard & Poor’s, uma das principais agências de avaliação de risco do planeta, concedeu ao Brasil o título de “investment grade” (grau de investimento).

 

Trata-se de um feito notável. Que se torna ainda mais vistoso por ter chegado num instante em que o mundo ainda digere os efeitos da crise financeira que rói a economia dos EUA. Significa dizer que, aos olhos da Standard & Poor’s, o Brasil tornou-se um bom pagador. Chega com atraso. Mas chega.

 

Em conseqüência, o país passa a ser visto como porto seguro, muito seguro, seguríssimo para a realização de investimentos externos. O que deve fazer com que sejam despejados no mercado nacional recursos provenientes de grandes fundos internacionais que só investem o dinheiro de sua clientela em praças estáveis. A notícia teve repercussão instantânea na bolsa.

 

No comunicado que emitiu para informar a novidade ao mercado, a agência norte-americana de risco diz que a elevação do grau do Brasil decorre da "maturidade das instituições do Brasil e da política monetária", além da "melhoria das tendências de crescimento" econômico do país.

 

Contribuiu para a elevação da nota do Brasil o fato de o país ter equacionado o problema da dívida externa. Uma dívida que, nas palavras da agência de risco, “caiu dramaticamente”. Em fevereiro, o Banco Central anunciara que o Brasil tornara-se credor externo líquido. Ou seja, acumulara reservas internacionais em cifras que superam o valor da dívida.

 

O texto da Standard & Poor’s faz ressalvas. Anota, por exemplo, que a dívida pública brasileira "permanece mais alta do que os outros com outros países BBB". A despeito disso, a agência acomodou a classificação de risco do Brasil na categoria “estável”. Algo que, considerando-se a metodologia da agência, sinaliza a perspectiva de que a nova classificação atribuída à economia brasileira não será alterada nos próximos dois anos.

 

Os economistas de dentro e de fora do governo já esperavam que o Brasil atingisse o grau de investimento. Havia dúvidas, porém, acerca da data em que isso ocorreria. A maioria esperava que a nova classificação só viesse em 2009, depois de digerida completamente a crise dos EUA. Assim, a decisão da Standard & Poor’s pegou o mercado de surpresa.

 

Em termos políticos, a novidade empurra para dentro da biografia de Lula um êxito com potencial para preservar o prestígio do presidente nas alturas. Pode-se argumentar que Itamar Franco e FHC, responsáveis pelo Plano Real, gênese da virada econômica brasileira, são donos de um pedaço dessa vitória.

 

Mesmo o mais contumaz oposicionista terá dificuldades para negar, porém, que, ao preservar e aprofundar, naquilo que é essencial, as boas práticas da gerência econômica, Lula amealha os louros com méritos. Teve, por exemplo, a sensatez de manter no comando do Banco Central, sob críticas do naco esquerdista do PT, o economista e ex-deputdo federal tucano Henrique Meirelles.

Escrito por Josias de Souza às 17h56

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A mão que porta o cartão é sócia da mão que recebe

Examinando o papelório enviado pelo governo à CPI dos Cartões, uma dupla de deputados deparou-se com situação curiosa: há entre os servidores autorizados a manusear cartões corporativos 473 sócios de 452 casas comerciais que transacionam com o governo.

 

Do finzinho de 2002 ao início de 2008, essas 452 empresas receberam do erário R$ 651,13 milhões. Desse total, R$ 615,42 mil foram às suas caixas registradoras em pagamentos feitos por meio de cartões corporativos. Pagamentos feitos por 1.104 servidores.

 

Resta agora verificar se há no grupo de pagadores mãos que pagaram de um lado do balcão e receberam do outro. Ou servidores que, no exercício de suas funções públicas, fizeram tráfico de influência em favor das empresas de que são sócios.

 

Deve-se o esmiuçar de dados aos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ). Sampaio, um promotor licenciado, diz que, em certos casos, um servidor público pode associar-se a empresa privada. Desde que não exerça cargo gerencial.

 

Não há na legislação em vigor vedação explícita a que o mesmo servidor use o cartão do governo para adquirir serviços e mercadorias em sua própria empresa. Porém, Sampaio ressalva: "O princípio constitucional da moralidade não permite que o Poder Público faça compras em estabelecimentos dos quais esse servidor seja sócio".

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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Lula entrega uma comenda ao verdadeiro ‘Mão Santa’

Lula entrega uma comenda ao verdadeiro ‘Mão Santa’

Animação sobre fotos de Alan Marques
 

 

O senador Mão Santa (PMDB-PI) é o mais barulhento adversário de Lula. Não há dia que não discurse. Da tribuna, os ataques ao presidente saem-lhe em catadupas.

 

Assim, não é difícil imaginar o prazer que sentiu Lula ao condecorar, nesta terça-feira (29) um outro Mão Santa. O verdadeiro, o autêntico, o Mão Santa escocês, diria Nelson Rodrigues.

 

A santidade das mãos do senador, médico obstetra, é algo de que todo brasileiro não-piauiense desconfia. A divindade das mãos de Oscar Schmidt é coisa de que ninguém duvida. Foi provada dentro de quadra, aos olhos de multidões.

 

Só nas 326 partidas em que vestiu a camiseta da seleção brasileira de basquete, Oscar encestou 7.693 pontos. Um espanto! Daí o apelido. Daí também o mérito que o levou a receber, das mãos do presidente da República, uma comenda do Itamaraty.

 

Com a Ordem de Rio Branco (grau de Oficial) já espetada no paletó, o Mão Santa amistoso retribuiu o reconhecimento com um presente. Deu a Lula uma bola. Bola de basquete.

 

Embora esteja mais afeito à bola de futebol, esporte de sua predileção, Lula tratou a bolona com intimidade inaudita. Natural. Anda inflado o presidente. Traz enterrada na alma uma bola muito mais cheia do que a que recebeu de Oscar.

 

Em condições normais, Lula, um pernambucano atarracado, jamais ousaria desafiar, nem de brincadeira, o gigante brasileiro do basquete. Mas o Lula dos últimos dias, colosso das pesquisas, não é um presidente de havaianas. Não, não. Absolutamente.

 

Até o último final de semana, o presidente desfilava um modesto salto anabella. Depois da pesquisa Sensus, divulgada na véspera do encontro com Oscar, levou aos pés o salto agulha -um perigo.

 

O trançar de braços com Oscar há de ter-lhe adicionado alguns centímetros na popularidade. O bastante para levá-lo a tramar, para 2010, o aniquilamento eleitoral do Mão Santa "inautêntico" do Senado y otras cositas más.

Escrito por Josias de Souza às 04h37

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As manchetes desta quarta

- JB: Rio tem 6 das 17 piores escolas de medicina do país

- Folha: Piores em medicina incluem 4 federais

- Estadão: Área de devastação dispara em 2 Estados

- Globo: Medo de inflação faz governo adiar o aumento da gasolina

- Gazeta Mercantil: Sindicalistas buscam novas bandeiras para velhas lutas

- Correio: Só parte dos servidores tem aumento garantido

- Valor: Negociação de reajustes é intensa nas indústrias

- Estado de Minas: Inflação ameaça sair do controle

- Jornal do Commercio: Em 15 dias, três ladrões mortos por vítimas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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Sobremesa!

Thiago Rechia
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Lula vê equívocos no PT e teme prejuízos para 2010

Alan Marques/Folha
 

 

Lula tornou-se, nas últimas semanas, um dos mais vigorosos críticos do PT. Acha que o partido vem cometendo uma série de equívocos na condução das alianças para a eleição municipal de 2008. “Erros” que, na sua opinião, terão reflexos negativos na costura da estratégia que idealizou para a sucessão presidencial de 2010.

 

O repórter conversou com dois personagens que privam da intimidade do presidente. Um ministro e um congressista. Ambos tiveram a oportunidade de dividir com Lula impressões sobre o desenrolar das articulações que precedem o fechamento de coligações e a escolha dos candidatos a prefeito.

 

Vão abaixo algumas das preocupações de Lula, segundo o relato dos dois interlocutores:

 

PMDB: Para Lula, o PT afasta-se perigosamente daquele que poderia ser o grande aliado do governo no projeto de 2010. Diz que, nos três maiores colégios eleitorais do país –São Paulo, Minas e Rio—o petismo só conseguiu juntar-se ao PMDB na capital fluminense. Credita o feito não ao PT, mas ao governador Sérgio Cabral (PMDB), que “teve a grandeza” de sacrificar uma opção pessoal (Eduardo Paes), para prestigiar um candidato petista (Luiz Molon) que, a julgar pelas pesquisas, não chega a ser um portento eleitoral;

 

São Paulo: Lula não se conforma com o fato de o PT ter deixado escapar a aliança com o PMDB de Orestes Quércia. Algo que dava como favas contadas. Acha que o partido foi claudicante com Quércia. O que facilitou, a seu juízo, o acerto do ex-governador com Gilberto Kassab (DEM) e dificultou o desafio de Marta Suplicy (PT). De todas as disputas municipais, a paulistana é a que tem maiores reflexos na eleição presidencial, acredita o presidente. “Ali, nós não podíamos ter cometido erros”, disse. Lamenta que o pé atrás do petismo em relação a Quércia tenha impedido o partido de enxergar a “importância estratégica” do PMDB de São Paulo, agora submetido á área de influência do governador tucano José Serra, o rival oposicionista mais bem-posto nas pesquisas;

 

Minas: na opinião de Lula, o PT comete em Belo Horizonte pecado inverso ao que foi cometido na capital paulista. Em São Paulo, diz ele, o partido subestimou Serra. Em Minas, estaria superestimando Aécio Neves. Lula acha que, na hipótese de Aécio migrar para o PMDB, que considera “remota”, seria um aliado, não um inimigo. De resto, acredita que, ainda que permaneça no PSDB, vai infernizar a vida de Serra. O que já justificaria um tratamento diferenciado do PT;

 

Minas 2: O presidente avalia que, a pretexto de prejudicar a estratégia presidencial de Aécio, a direção nacional do PT adiciona veneno às já intoxicadas relações com o PSB de Ciro Gomes, outro potencial aliado de 2010. Mercê de conversas que teve com os “amigos” do PSB, Lula parece convencido de que a intransigência do PT fará com que o partido de Ciro opte por Aécio. Na prática, diz ele, a candidatura mineira de Márcio Lacerda (PSB) só existe se atrelada ao prestígio de Aécio. Para complicar, Lula diz que o PT terminará empurrando também o PMDB mineiro para o colo de Aécio. O PMDB do ministro Hélio Costa (Comunicações) enxergaria nas desavenças do PT com Aécio uma vereda de oportunidades. Trilha que poderia levar um peemedebista à posição de vice na chapa idealizada pelo governador tucano. Sob aplausos do PSB;  

 

Salvador: Lula enxerga na capital baiana um outro “erro” do PT. Não compreende a aversão do partido à composição com João Henrique, o candidato do PMDB do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) à prefeitura de Salvador. Diz que entenderia o gesto do partido se houvesse na cidade um petista com chances de vitória. Algo que, segundo diz, “não existe.” Neste caso, afirma Lula, seu partido deveria tratar a questão local com olhos de quem tem a ambição de construir com o PMDB um plano de dimensão nacional. Vê no episódio a reiteração de um antigo "vício": a dificuldade atávica do PT de aceitar alianças que nao tragam na cabeça da chapa um petista;

 

Fator Dilma: um grupo de petistas, entre eles o prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, buzina nos ouvidos do presidente a seguinte tese: por trás da movimentação do PT, estaria uma suposta resistência à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff. Abespinhada com a preferência de Lula pela chefe da Casa Civil, o partido estaria privilegiando em 2008 o projeto de sua direção nacional em detrimento dos interesses do Planalto. A reação de Lula é de descrédito. “Parece tão absurdo, que prefiro não acreditar.”

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Charles recebe comitiva de políticos da Amazônia

  Reuters
Um grupo de governadores e congressistas brasileiros foi a Londres para “vender” a Amazônia. Deseja-se atrair investidores para projetos que desenvolvam a região sem devastá-la. Algo que tem enorme apelo na Europa.

 

Nesta quarta-feira (30), a comitiva será recebida pelo príncipe Charles, herdeiro do trono britânico. Charles, aliás, abriu as portas de sua residência oficial, a Clarence House, para que a delegação brasileira pudesse mercadejar o seu peixe aos investidores, em exposições que se realizaram ao longo desta terça-feira (29).

 

Integram a comitiva de “mercadores” da Amazônia três governadores: Ana Júlia (PT), do Pará; Waldez Góes (PDT), do Amapá; e José de Anchieta Júnior (PSDB), de Roraima. Entre os congressistas estão Tião Viana (PT-AC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM).

 

Charles usa parte de seu tempo vago, que não é pouco, para lapidar a imagem da família real. Como parte desse esforço, comanda uma instituição chamada Rain Forest. Dedica-se à proteção das florestas tropicais que ainda estão de pé. Dá ênfase especialíssima à Amazônia. Em fevereiro, discursando no Parlamento Europeu, Charles defendeu a criação de um fundo global voltado à preservação desse tipo de bioma.

 

O príncipe se dispõe a servir de intermediário entre os interesses da região Amazônica e os bolsos dos capitalistas britânicos e do resto da Europa. O encontro de Londres deve desdobrar-se numa segunda reunião, dessa vez no Brasil. Espera-se que Charles venha a Belém (PA) no meio do ano de 2008, provavelmente em julho. Espera-se que atrás dele venham as libras. Bilhões delas, para tonificar as tentativas de exploração sustentável da Amazônia.

 

No encontro desta terça, os parlamentares puderam aferir a carga de preconceito que impregna a visão do europeu sobre a Amazônia. Em conversa com Arthur Virgílio, um investidor londrino disse que o problema da Amazônia brasileira é o brasileiro. Não teria necessária consciência da importância da preservação.

 

O senador respondeu que os grandes desmatamentos ocorreram sob a ditadura militar. Hoje, disse Virgílio, há empresas com tecnologia para, mediante boas parcerias econômicas, explorar a floresta sem devastá-la. Quanto ao povo, disse o senador ao interlocutor, “sabe conviver com a natureza de maneira sábia.”

 

Virgílio, diplomata de formação, arrematou em timbre que não se ouve nos arredores da escola de Rio Branco: “Tenho muita vontade de que o senhor vá investir na nossa região. Mas se quer que eu troque de povo, prefiro que não vá e que fiquemos com povo que está lá.”

Escrito por Josias de Souza às 00h48

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Marta tenta afastar espada que ameaça candidatura

  Sérgio Lima/Folha
Pende sobre a cabeça de Marta Suplicy uma espada. Espada de Dâmocles, que ameaça o deseja da ministra petista de disputar as eleições para a prefeitura de São Paulo.

 

De olho em 2008, Marta ainda não conseguiu resolver uma pendência de 2004, ano em que perdeu a prefeitura para o tucano José Serra. As contas de campanha da ministra foram rejeitadas pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

 

Marta recorreu ao TSE. Mas, em fevereiro, o tribunal manteve a rejeição das contas. O mérito do recurso da ministra nem chegou a ser analisado pelo tribunal. Considerou-se que a decisão tomada em São Paulo, de caráter administrativo, não comportava recursos a Brasília.

 

Nesta terça-feira (29), a ministra protocolou no TSE um novo recurso, dessa vez contra a decisão de fevereiro. Pede que seu recurso seja admitido, analisado e julgado pelos ministros do tribunal. Em caso de nova recusa, abre-se caminho para que os advogados de Marta recorram ao STF.

 

Marta corre contra o tempo. Depois de rejeitar a prestação de contas relativa às arcas eleitorais da campanha de 2004, o TSE aprovou uma resolução que prevê o seguinte: políticos com contas rejeitadas não poderão obter o registro de novas candidaturas. Ou seja, Marta não poderia disputar as eleições deste ano.

 

No momento, trava-se no TSE uma discussão em torno da resolução. Discute-se se a proibição vale desde já ou só para as eleições de 2010. A polêmica será decidida no voto. Dois ministros já votaram: um pelo adiamento da proibição; outro contra. Um terceiro pediu vista do processo, adiando a decisão, que deve ser tomada nos próximos dias.

 

Prevalecendo a proibição, Marta corre o risco de ir às urnas com a candidatura sub judice. Recorrendo ao STF, poderia obter o registro do TSE sob o argumento de que a rejeição de suas contas estaria, ainda pendente de julgamento. Neste caso, se eleita, a posse dependeria do deslinde da encrenca judicial.

Escrito por Josias de Souza às 20h39

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Executiva do PSB aprova aliança com Aécio em BH

  Folha
Parceiro do PT no consórcio que dá suporte legislativo a Lula, o PSB deu de ombros para o veto do petismo nacional à aliança com o PSDB de Aécio Neves na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Reunida em Brasília, a Executiva nacional do PSB expediu nota a favor da ampliação da aliança mineira, “inclusive com o PSDB.”

 

O candidato do PSB em Belo Horizonte é Márcio Lacerda, secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio. Foi lançado pelo governador, com o apoio do prefeito petista Fernando Pimentel. O casamento de Pimentel com Aécio foi, porém, proibido pela direção nacional do PT.

 

Os dirigentes do PSB não se opõem à inclusão do PT na aliança mineira. Mas não abrem mão de Aécio. Decidiu-se dar tempo ao tempo, na expectativa de que o petismo nacional reveja o veto imposto a Aécio. Expira em 30 de junho o prazo para que as legendas cheguem a algum tipo de acordo.

 

Em público, os mandachuvas do PSB evitam dizer o que farão caso o PT mantenha a cara virada para Aécio. Em privado, porém, dizem que, nessa hipótese, quem vai pular fora da aliança é o PT, não Aécio. Delegou-se a deliberação final ao diretório estadual do PSB, cuja maioria está fechada com Aécio.

 

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (foto), presidente do PSB, deixa antever o caminho a ser adotado pelo seu partido em Minas: "O diretório do PSB local nos diz que agradece o apoio do PT, mas que é insuficiente", disse o governador. "Se for mantida uma posição excludente, quem vai tomar uma posição é o Diretório Estadual e o candidato [Márcio Lacerda]."

 

Campos acrescentou: "O entendimento é o de que a aliança do PT com o PSB é insuficiente para ganhar as eleições. A eleição em Belo Horizonte é complicada." O senador Renato Casagrande (ES), líder do PSB no Senado e membro da Executiva do partido clareia ainda mais o futuro: “A viabilidade da candidatura do Márcio Lacerda depende do apoio do Aécio.”

 

Ou seja: ou o PT nacional engole Aécio ou terá de providenciar um candidato próprio à prefeitura de Belo Horizonte. Tem em seus quadros um nome capaz de disputar com chances de êxito: Patrus Ananias. Porém, o ministro do Bolsa Família, que já foi prefeito da capital mineira, não parece disposto a trocar a vitrine da Esplanada pelos recônditos da administração municipal.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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ONU compõe força tarefa contra crise de alimentos

  El Roto/El Pais
Os habitantes mais bem-postos do planeta não se dão conta da existência dele. Mora onde o olho não alcança, no ermo das entranhas. É ferida exposta que não se vê. É espaço baldio entre o esôfago e o duodeno.

Traz de suas próprias origens uma certa vocação para a tragédia. Não deve ser por outra razão que vem do grego: "stómachos". Se pudesse dar entrevista, resumiria assim o oco de sua existência: "É dura a vida de víscera."

 

Nesta terça-feira, a ONU e o Banco Mundial esboçaram a criação de uma força tarefa para guerrear contra a crise global de alimentos. Para pôr a coisa em movimento, precisa-se, porém, de dinheiro: R$ 2,5 bilhões.   

 

"Se os fundos que solicitamos aos doadores não forem plenamente cobertos, corremos o risco de presenciar ainda mais o aumento da fome, da desnutrição e do surgimento de distúrbios sociais em uma escala sem precedentes", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

 

Estima-se que a crise possa adicionar ao exército dos desafortunados algo como 100 milhões de estômagos. Tristes personagens. Têm inveja do coração que, quando sofre, é de amor. Pobres tripas flageladas, não têm tempo para sentimentos assim, tão abstratos. Padecem de certo pragmatismo estomacal. Só têm apreço pelo concreto: o feijão, o arroz, a carne...

 

A maior fatalidade da era pós-industrial é a fome. Pode-se objetar que a fome sempre existiu. Sim, de acordo. A fome é mesmo antiga como o tempo. Mas ela não comove mais, eis a novidade. O mundo tem solidariedades mais urgentes.

 

O mandachuva da ONU queixa-se de falta de investimento dos países no setor agrícola. Reclama dos subsídios de países ricos aos seus agricultores, que distorcem o comércio, desestimulando a produção de alimentos em nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento. Deblatera-se, de resto, contra os biocombustíveis.

 

Em texto divulgado nesta terça, a ONU pede a “revisão” da política de produção de combustível alternativo. Só nos EUA, o Estado investe US$ 7 bilhões para subsidiar a produção de etanol. Etanol feito a partir do milho, em detrimento da produção de ração de bicho e comida de gente.

 

Nessa matéria, o Brasil vai deixando, aos pouquinhos, o banco de réus. A própria ONU já isenta o etanol brasileiro, produzido à base de cana-de-açúcar, de responsabilidade direta na atual crise mundial de alimentos.

 

A propósito, o Brasil terá, em 2008, um recorde histórico na produção de cana: entre 607,8 milhões e 631,5 milhões de toneladas. A maior parte (55%) vai para a produção de combustível. Outro lote expressivo será transformado em açúcar. O resto vai virar cachaça, rapadura, semente e muda.

 

Afora a absolvição da cana, o Brasil tem na crise uma rara oportunidade. Tem terra, clima, tecnologia e mão-de-obra para tonificar ainda mais a produção da comida que escasseia no mundo. Pode tornar-se lenitivo para os seres humanos que dançam ao ritmo da emergência.

 

Pessoas cujo mundo cabe no intervalo entre uma refeição e outra. Cidadãos cujo relógio biológico, por caprichoso, só tem tempo para certas horas: a hora do café, a hora do almoço, a hora do jantar... À falta de comida, o relógio enlouquece. Passa a anunciar a chegada de cada novo segundo aos gritos.

 

O mundo deve meia dúzia de gestos a essa gente que tem as paredes internas bombardeadas por jatos de suco gástrico. Do contrário, essa gente acaba trocando o inferno da fome pelo paraíso. Vai, finalmente, para o céu. Um céu que há de ter a aparência de uma imensa cozinha. Tão farta que lhe propicie uma fome de rico, dessas que se resolvem abrindo a geladeira.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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As manchetes desta terça

- JB: Tráfico infiltra-se no PAC

- Folha: Lucro enviado ao exterior e investimento são recordes

- Estadão: Contas externas do Brasil têm déficit de US$ 10,7 bi

- Globo: Orçamento não permite dar a servidor o que Lula prometeu

- Gazeta Mercantil: Bradesco lucra R$ 2,1 bilhões no trimestre

- Correio: DF flagra 4 bêbados por dia ao volante

- Valor: Lula aprova novo modelo para reforma trabalhista

- Estado de Minas: PBH vai arrombar casas infestadas pela dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Clark Kent, quentíssimo!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h17

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Gilmar Mendes livra Serra e Malan de condenações

Presidente do STF anulou ações de ‘improbidade’ no Proer

Num dos processos, ex-ministros haviam sido condenados

Decisão livra acusados de ‘ressarcir’ R$ 300 mi ao Tesouro

 

Folha
Na terça-feira (22) da semana passada, véspera de assumir a cadeira de presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes julgou um processo que repousava sobre sua mesa havia mais de dois anos. A causa envolvia duas ações judiciais contra ex-ministros do governo FHC. Entre eles José Serra (Planejamento e Saúde), Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil).

 

Gilmar Mendes, ele próprio um ex-ministro da gestão tucana (Advocacia-Geral da União), mandou ao arquivo o par de ações que pesavam sobre os ombros dos ex-colegas de governo. Escorou-se num precedente aberto noutra sentença do Supremo. Sentença da lavra de Nelson Jobim, outro ex-ministro de FHC (Justiça), que passou pelo STF antes de assumir, sob Lula, o ministério da Defesa.

 

Nas ações que Gilmar Mendes anulou, os ex-integrantes do governo tucano figuravam como réus por suposta prática de improbidade administrativa. O Ministério Público acusara-os, em 2002, de patrocinar atos lesivos às arcas do Tesouro. Os processos remetiam a fatos antigos, ocorridos em 1995, nas pegadas do Plano Real. Ocasião em que o governo editou o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).

 

Deu-se o seguinte:

 

1. O Ministério Público ajuizara as duas ações em escaninhos distintos: uma foi à 20ª Vara Federal de Brasília. A outra, à 22ª Vara.

 

2. No primeiro processo, Serra, Malan, Parente, ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central foram acusados de autorizar indevidamente o erário a bancar o pagamento de até R$ 5 mil, a título de ressarcimento, aos correntistas de três casas bancárias que amargaram intervenção do BC: Econômico, Mercantil e Comercial de São Paulo. Utilizaram-se recursos das reservas monetárias do Tesouro. Providência que, na visão da Procuradoria da República, não poderia ter sido adotada “sem prévia autorização” do Senado;

 

3. No segundo processo, o Ministério Público considerara ilegal o socorro financeiro do BC a dois bancos alcançados pelo Proer: Econômico e Bamerindus. De acordo com as cifras da época, a intervenção nessas duas instituições custara ao Tesouro R$ 2,975 bilhões. Além de Serra, Malan e Parente, foram ao banco de réus três ex-presidentes do BC: Gustavo Loyola, Francisco Lopes e Gustavo Franco.

 

4. Em 11 de abril de 2002, conforme já fora noticiado aqui no blog, Serra, Malan e Parente amargaram uma condenação no primeiro processo, aquele que tratava do ressarcimento dos correntistas de bancos sob intervenção. Cada acusado foi sentenciado a devolver à Viúva R$ 200 milhões. Hoje, submetida a atualizações monetárias, a cifra roça a casa dos R$ 300 milhões;

 

5. À época da condenação, Serra era prefeito de São Paulo. Preparava-se para anunciar a disposição de concorrer ao governo do Estado. Inconformados, os réus recorreram ao STF. Pediram a anulação dos dois processos, um deles ainda pendente de julgamento. No texto do recurso, invocou-se decisão anterior do Supremo. O tribunal havia anulado uma condenação imposta a outro ministro de FHC, Ronaldo Srdenberg (Assuntos Estratégicos), hoje presidente da Anatel;

 

6. A Justiça condenara Sardenberg a ressarcir despesas relativas ao uso de jatinhos da FAB em viagens de turismo. Coube a Nelson Jobim julgar o caso no Supremo. O ministro sustentara a tese de que a lei de improbidade administrativa, invocada para condenar Sardenberg, não podia ser aplicada contra “agentes políticos”. Um ministro de Estado só poderia ser julgado por “crime de responsabilidade”;

 

7. Quando processados por improbidade, os ministros são julgados por juízes comuns, da primeira instância do Judiciário. Enquadrados por “crime de responsabilidade”, como queria Jobim, ganhavam automaticamente o privilégio de foro. Ou seja, só poderiam ser julgados pelo STF. Guiando-se por esse raciocínio, Jobim anulara a condenação que havia sido imposta ao ex-colega Ronaldo Sardenberg;

 

8. Os recursos referentes aos processos do Proer foram parar, por sorteio, na mesa de Gilmar Mendes. De saída, ele concedeu uma liminar, sustando a condenação que havia sido imposta a Serra, Malan e Parente até que o processo fosse julgado no mérito, em termos definitivos;

 

9. O julgamento do mérito veio há uma semana. Mencionando expressamente o precedente criado pela sentença de Jobim, Gilmar Mendes determinou o arquivamento também das ações de improbidade contra as autoridades que conduziram o Proer. Em sua decisão, o novo presidente do STF anota que, na ação que já havia resultado em condenação dos ex-ministros, era preciso levar em conta um detalhe: “os efeitos de tais sanções em muito ultrapassam o interesse individual dos ministros envolvidos.” Lembra que a condenação impunha responsabilidade “individual de quase R$ 300 milhões”. Algo que, por si só, demonstra “o absurdo do que se está a discutir.”

 

10. A decisão de Gilmar Mendes, justa ou injusta, abre caminho para a anulação de mais de 10 mil processos judiciais. São ações de improbidade movidas contra autoridades federais, estaduais e municipais. Estão submetidas ao julgamento de juízes de primeiro grau. Consagrado o princípio de que “agentes políticos” devem ser processados não por improbidade, mas por crime de responsabilidade, ex-ministros, ex-governadores e ex-prefeitos podem agora invocar o direito a foro especial –os Tribunais de Justiça, para prefeitos; o STJ, para governadores; ou o STF, para ministros. Embora tenha sido sacramentada há uma semana, a sentença de Gilmar Mendes só ganhou a página mantida pelo STF na internet nesta segunda (28).

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Comissão de Ética vai ao fígado de Dilma Rousseff

  Sérgio Lima/Folha
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República enviou ofício a Dilma Rousseff. No texto, pede à chefona da Casa Civil explicações sobre o vazamento do dossiê com gastos secretos de FHC e dona Ruth. Deu-se à ministra um prazo curto: dez dias.

O episódio faz lembrar um outro ofício da mesma comissão. Recebeu-o, em dezembro de 2007, Carlos Lupi. Lia-se no papel que o acúmulo da cadeira de ministro com a poltrona de presidente de partido era coisa que não condizia com as boas práticas republicanas.

 

Solicitou-se a Lupi que optasse por um dos dois assentos. Não optou. Abespinhada, a comissão produziu outra carta. Endereçou-a, dessa vez, a Lula. Pedia a demissão de Lupi. Não foi demitido.

 

Decorridos três meses, o que era apenas polêmico tornou-se um escárnio. Inquirida sobre a encrenca, Dilma pontificou: "Acredito que essa questão do ministro Lupi tem que ser avaliada com muita tranqüilidade. Com menos fígado e mais racionalidade."

 

Marcílio Marques Moreira, então presidente da Comissão de Ética, não gostou nem da rima nem da desmedida “tranqüilidade”. Pediu o boné. A pasta de Lupi foi às manchetes como provedora contumaz de verbas públicas para entidades ligadas ao PDT. Lupi licenciou-se do comando do partido. Hoje, é um ilustre investigado da CGU e do TCU.

 

Na vaga de Marcílio, acomodou-se o homem de leis Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF. Nesta segunda-feira (28), ele explicou a natureza do ofício endereçado a Dilma. Não se fez, disse ele, nenhuma análise de mérito sobre o dossiê. Só depois das explicações é que se vai verificar se há malfeito a ser punido.

 

Suponha-se que Dilma se digne a responder. Imagine-se que a comissão se convença de que está diante de algo passível de repirmenda. Ainda assim, a coisa dará em nada. Depois da frase de Dilma –“menos fígado, mas racionalidade”—a ética na administração pública e a comissão que a vigia nunca mais serão as mesmas.

 

O Planalto vem tratando o dossiê com “racionalidade” à Lupi. A sindicância que Dilma montara para elucidar o vazamento de dados sigilosos empurrou suas conclusões para o final de maio. Não convém correr o risco de concluir algo que seja, depois, desmentido pela Polícia Federal.

 

Ou Sepúlveda Pertence e os membros da Comissão de Ética aderem aos “racionais”, ou logo, logo vão ficar com uma inconfundível cara de Marcílio Marques Moreira.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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Cid Gomes pede desculpas, mas não admite o erro

“No casamento”, ensinou o cronista Nelson Rodrigues, “o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.” Que o diga Cid Gomes (PSB).

 

Nesta segunda-feira (28), o governador do Ceará veio à boca do palco para comentar, com atraso, a infausta viagem de dez dias que realizou à Europa. Coisa fina. Jatinho particular. As hospedarias mais luxuosas que o bom gosto é capaz de prover e o dinheiro –público, no caso—pode pagar.

 

El Cid disse ter incluído a sogra na caravana a pedido da mulher (assista). Já estava evidenciado que o governador é o genro que toda mãe pediu a Deus. Descobre-se agora que, como marido, deixa a desejar. Podendo assumir o malfeito, preferiu transferir o ônus à mulher, que não recebeu um mísero voto do povo cearense.

 

É sabido que todo dinheiro –público, neste caso, insista-se—não cobre 10% das desculpas esfarrapadas construídas para justificar um malfeito. El Cid, porém, exagerou: criou o pedido de perdão pelo pecado nao cometido.

 

O governador desculpou-se. Mas, curiosamente, não deu o braço a torcer: “Eu peço desculpas pelo constrangimento que essa questão causou ao povo cearense. É por isso que eu peço desculpas. Não me consta que eu tenha cometido nenhuma ilegalidade. Não se aponta nenhuma lei, nenhuma regra que eu tenha descumprido.”

 

Se El Cid feriu a lei é algo que o Ministério Público logo, logo vai informar. Mas há constatações que dispensam o suor de auditores e investigadores. O governador deu bom dia à imoralidade. 

 

Além da sogra, a caravana européia incluiu as mulheres de dois assessores da administração de El Cid. Queimaram-se nas turbinas do jatinho R$ 388,5 mil. Nada de que se arrependa o governador:

 

“O vôo é cobrado por quilômetro e não por número de passageiros. As despesas pessoais da mãe de minha esposa e dos demais passageiros, que não cumpriam missão oficial, bem como suas hospedagens, não foram pagas com dinheiro público e, portanto, nada custaram ao Estado.”

 

A lorota não resiste a uma comparação oferecida pelo próprio El Cid. Depois do périplo europeu, o governador foi à Ásia. Voou, dessa vez, em aviões de carreira. A custos mais baixos do que os da aeronave privativa. Nada de mulheres. Nem sinal da sogra.

 

Entre uma vilegiatura e outra, o governador foi questionado sobre o vôo da sogra. "Demagogia barata", dera de ombros. Coisa de oposicionista desocupado, aos quais não se submeteria.

 

As "desculpas" de El Cid tardaram. Mas, à sua maneira, o governador se rendendo à "demagogia barata." De volta da Ásia no sábado, o bom genro negou-se a responder aos questionamentos sobre a sogra. Precisa recolher informações, alegara.

 

O adiamento conduziu a duas coincidências incômodos: 1) Neste 28 de abril, festeja-se o Dia da Sogra; 2) El Cid falou aos jornalistas na Assembléia Legislativa do Ceará. Na seqüência, abriu um leilão para contratar as empresas que erguerão duas cadeias no Ceará. Tem-se a impressão de que o governador ainda não pôs os pés no solo cearense. É como se estivesse no mundo da Lua.

Escrito por Josias de Souza às 20h26

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No Rio, chefe do tráfico é preso com crachá do PAC

  Rafael Andrade/Folha
Tiroteios entre policiais e traficantes tornaram-se, no Rio, parte da paisagem. O desta segunda-feira (28) aconteceu no morro do Pavão-Pavãozinho, no lendário bairro de Copacabana. A novidade é que, dessa vez, a troca de balas levou à interrupção das obras do PAC.

 

Numa evidência da ilimitada capacidade do tráfico de se moldar à realidade que o cerca, um dos detidos pela polícia portava, veja você, um crachá desse pedaço do PAC, iniciado em novembro de 2007, com a presença de Lula. O “dono” do crachá não é um qualquer.

 

O pseudo-vigia da construtora OAS, que conduz as obras na favela, é ninguém menos que um dos chefões da bandidagem: Adauto do Nascimento Gonçalves, conhecido pela mimosa alcunha de Pit Bull. Era só o que faltava: um criminoso plantando bananeira em obra do PAC. Esse é mesmo um país de empreendedores!

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Lula: ‘Ninguém faz tudo em oito anos de mandato’

Nova pesquisa revela que popularidade de Lula cresceu

Dados mostram também que maioria topa ‘3º mandato’

 

 

Por encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), os pesquisadores do instituto Sensus foram, de novo, às ruas. Descobriram o seguinte: 1) entre fevereiro e abril, a aprovação ao governo subiu de 52,7% para 57,5%; 2) a aprovação à atuação de Lula, que já roçava as nuvens (66,8%), escala a estratosfera: 69,3%.

 

Descobriu-se mais: a maioria dos eleitores brasileiros apóia a permanência de Lula num terceiro mandato. Entre os 2.000 entrevistados, 50,4% declararam ser a favor do terceiro reinado. Uma minoria situada no patamar de 45,4% mostrou-se avessa à tese do poder longevo.

 

No mesmo dia em que os números voltaram a lhe sorrir, Lula disse, em Guarulhos (SP), do alto de mais um pa©mício: "Ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou dez anos.” Para evitar desvirtuamentos interpretativos, o presidente clarificou: “É preciso que a gente tenha um grupo de pessoas que assuma compromissos e que cada um faça mais do que o outro."

 

Lula começou falando da gestão de Elói Pietá, o prefeito petista de Guarulhos. Elói Pietá (PT), que se desempenha o seu último mandato: "Nós agora temos que trabalhar para que quem vier no lugar do Elói faça mais que o Elói. Não pode fazer igual ou menos."

 

Depois, o presidente inseriu a si mesmo no discurso: "Quem vier depois de mim... Só tenho que pedir a Deus para que seja uma pessoa mais abençoada que eu e faça mais que eu. Que olhe para os pobres mais que estou olhando."

 

Em entrevista publicada na véspera, Lula classificara a pregação em torno do terceiro mandato de “uma coisa obscena.” A oposição, porém, continua com o pé atrás. O deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, por exemplo, afirma: “O Lula já se definiu que uma metamorfose ambulante. Quem garante que daqui a pouco não estará dizendo e fazendo coisa diferente?

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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Serra é vaiado e Lula diz que PAC não é eleitoral

 

 

A onda do pa©lanque chegou a São Paulo. Lula abriu o seu expediente em Osasco. Foi “inaugurar” assinaturas em ordens de serviço do Programa de Aceleração do Crescimento. O petismo local, como sói, providenciou a platéia.

 

Como em qualquer comício convencional, também no pa©mício a audiência não é inofensiva. O brasileiro que se dispõe a desperdiçar nacos do seu tempo ouvindo –de pé e sob o Sol—o palanfrório que costuma jorrar desse tipo de evento não é um cidadão qualquer.

 

É gente que tem lá as suas predileções políticas. É gente que traz enterrada dentro de si uma meia dúzia de trevas interiores. O melhor é não provocá-las. O governador tucano José Serra, porém, decidiu pagar pra ver o que há dentro da alma dessa gente.

 

Convidado, Serra foi ao pa©lanque de Osasco. Ousou discursar. Não deu outra. Foi vaiado. Antes dele, a ministra petista Marta Suplicy (Turismo) recebera efusivos aplausos.

 

Na seqüência, Lula como que repreendeu os súditos. Disse que a transposição do “ clima eleitoral” para os eventos relacionados ao PAC “não é legal”. Sob pena de permitir que "alguns maus jornalistas possam fazer valer as suas teses." Ou, por outra: "Daqui a pouco a Justiça Eleitoral pensa que eu tô fazendo campanha", disse o presidente.

 

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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As manchetes desta segunda

- JB: - Dengue provoca protestos no Rio

- Folha: BNDES quer fusão entre laboratórios nacionais

- Estadão: PF envolve mais um deputado no caso BNDES

- Globo: PT de Minas desafia direção e fecha acordo com Aécio

- Gazeta Mercantil: MEC descobre 3 milhões de fantasmas

- Correio: Aliados pedem definição de Lula sobre candidato

- Valor: Italianos e russos na disputa da FAB

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h26

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Fome Zero!

Benett
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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PSB quer manter Aécio na aliança de Belo Horizonte

A Executiva nacional do PSB não tem a menor intenção de acompanhar o veto imposto pelo PT à aliança com o PSDB de Aécio Neves em Belo Horizonte. A maioria do colegiado de 18 pessoas que dirige o PSB considera o apoio do governador tucano crucial para o êxito de Márcio Lacerda (foto), o candidato do partido à prefeitura da capital mineira.

 

“Só temos condições de ganhar a eleição em Belo Horizonte se juntarmos todo mundo, inclusive o Aécio”, disse ao blog o senador Renato Casagrande (ES). Ele é líder do PSB no Senado e membro da Executiva da legenda, que se reúne nesta terça-feira (29), especialmente para discutir o caso mineiro.

 

De acordo com o que apurou o repórter, a tendência da direção nacional do PSB é a de adotar, nesse primeiro momento, uma posição política. Tentará conciliar os interesses do PT com os de Aécio. Mais adiante, porém, prevalecendo o impasse, o partido tende a ficar com o governador tucano, não com o petismo.

 

Casagrande esquiva-se de falar sobre o futuro. “Temos tempo”, diz ele. Mas não esconde o dilema a que foi submetido o seu partido: “Márcio Lacerda, o nosso candidato, é fruto da unidade que foi produzida em Belo Horizonte. Ele é secretário [de Desenvolvimento Econômico] do governo Aécio. Não podemos ignorar isso.”

 

O líder do PSB acrescenta: “A decisão do PT tenta atingir o Aécio nos planos dele para 2010, mas acaba atingindo também o PSB [que tem em Ciro Gomes a sua alternativa presidencial]. O PT tem autonomia para fazer o que achar melhor. Mas o PSB precisa cuidar dos seus interesses. E a prefeitura de Belo Horizonte é um ponto importante para o nosso partido.”

 

No encontro da Executiva, Casagrande vai defender a busca de uma acomodação do PT. Sem dispensar, contudo a contribuição de Aécio. “A aliança com o PT é importante, mas precisamos preservar também a participação do Aécio”, diz ele.

 

Vai-se chegar a um impasse. A direção nacional do PT transformou o veto a Aécio numa questão de honra. Acha que, prestigiando a parceria com o tucanato mineiro, a eventual vitória de Márcio Lacerda injetará uma azeitona na empada de Aécio, um dos candidatos do PSDB à sucessão de Lula.

 

Para complicar o que já não era simples, o diretório do PT em Belo Horizonte aprovou, neste domingo (27), a indicação do deputado estadual Roberto Carvalho (PT-MG) para compor, na condição de vice, a chapa de Márcio Lacerda (PSB), o candidato de Aécio. Presente à reunião, Fernando Pimentel, o prefeito petista de Belo Horizonte e fiador da aliança PT-PSDB em torno do “socialista” Lacerda, insistiu na defesa da parceria eleitoral com Aécio.

 

Nos subterrâneos, o PSB receia que, excluído da aliança, Aécio dê de ombros para Márcio Lacerda e opte por lançar outro candidato a prefeito: o deputado estadual tucano João Leite. Visto como bom gestor, Lacerda não é o que se poderia definir como um campeão de votos. É, por assim dizer, um “poste” de Aécio. Dissociado do governador, tenderia a perder luminosidade. Ou seja, se o PT nacional esticar a corda, o PSB penderá para Aécio.

 

Curiosamente, Lula não vê na parceria mineira os riscos que a Executiva nacional do PT enxerga. Na semana passada, telefonou para Aécio. Disse que considerara um “erro” o veto do PT. Depois, entrevistado por repórteres de jornais que integram o condomínio dos Diário Associados, o presidente respondeu assim a uma pergunta sobre a parceria mineira:

 

“Cada partido, na sua cidade e no seu Estado, tem que determinar a política que ele entende que seja mais conveniente. O que estou entendendo? Que é conveniente para o Aécio fazer a aliança com o Fernando Pimentel [prefeito petista de BH] e é conveniente para o Pimentel fazer a aliança com o Aécio. Como o Aécio tem o controle do PSDB e o Pimentel mostrou ter o controle do PT, os dois fizeram aliança. Eu acho normal para disputar a prefeitura. A gente não pode também ficar querendo que Roraima e Pernambuco se envolvam no acordo que Minas Gerais fez.”

 

A aliança não tem significado nacional?, perguntou-se a Lula. E ele: “Eu não vejo assim. Obviamente que quem fez pode pensar que tem.” Aécio, de fato, imagina que tem. A Executiva nacional do PT também. Idem para a direção do PSB, com uma diferença: Márcio Lacerda, além de secretário de Aécio, é unha e cutícula com Ciro Gomes, o presidenciável do PSB.

 

Sob Lula, Lacerda foi secretário-executivo de Ciro na pasta da Integração Nacional. Antes, coordenara a campanha presidencial de Ciro, em 2002. Assim, entre ficar com Aécio e apoiar o veto petista, o PSB não hesitará em cravar a primeira alternativa.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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PSDB formaliza candidatura Alckmin em 5 de maio

  Folha
Geraldo Alckmin acertou com a cúpula nacional e com a direção municipal do PSDB o dia do lançamento formal de sua candidatura ao cargo de prefeito de São Paulo. Será daqui a uma semana, em 5 de maio. Seu nome será aprovado em reunião da Executiva do partido na capital paulista.

 

Com isso, Alckmin pretende enterrar o falatório acerca da possibilidade de desistir da disputa. Nesta segunda-feira (28), para evitar que o diz-que-diz continue a alçar vôo nos sete dias que faltam para a reunião da Executiva, os partidários de Alckmin realizam um ato de apoio a ele. Será num auditório chamado “Espaço Veneza”, na região central de São Paulo.

 

As especulações que roem a postulação de Alckmin tonificaram-se na semana passada, depois que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) obteve o apoio do PMDB de Orestes Quércia. Sob aplausos invisíveis de José Serra. Embora tucano como Alckmin, Serra joga o seu prestígio na reeleição de Kassab.

 

Com o assentimento do candidato, o pedaço do PSDB que está com Alckmin prepara uma espécie de arapuca para Serra. Algo que force o governador a apoiar, ao menos em público, a opção partidária. Planeja-se o seguinte:

 

Depois de receber, finalmente, a chancela formal do PSDB paulistano, Alckmin será aclamado num ato público a ser realizado antes do fim de maio -espera-se que aconteça até o dia 20. A coisa foi concebia para transbordar as fronteiras de São Paulo.

 

A idéia é arrastar para o ato pró-Alckmin os principais grão-duques do tucanato – de Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra, a Sérgio Guerra, mandachuva de fato; de Arthur Virgílio, líder no Senado, a José Aníbal, líder na Câmara; de Aécio Neves, governador de Minas, a –surpresa (!), pasmo (!!), estupefação (!!!)—José Serra, chefe do Executivo paulista.

 

Em conversa com o repórter, um auxiliar de Serra brincou: “É preciso ver como vai estar a agenda do governador no dia do evento. A defesa dos interesses do Estado tem exigido do governador muitas viagens. Algumas delas para o exterior.”

 

A despeito do oba-oba urdido por Alckmin e seu grupo, o candidato tucano continua padecendo de graves fragilidades políticas. Vai à campanha tendo contra si as máquinas do Estado e do município. E faltam-lhe, por ora, aliados capazes de tonificar o seu tempo de TV.

 

Hoje, o tucano dispõe de escassos 3min de propaganda eleitoral. É menos da metade do tempo de publicidade de Kassab que, vitaminado pelo PMDB, levou ao embornal algo como 7min30s de tempo de TV. Alckmin precisa, desesperadamente, de alianças. Cobiça o PTB (2min de televisão) e o chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB, 4min de propaganda). Este último é assediado também pelo PT de Marta Suplicy.

 

Neste domingo (27), Alckmin participou de missa em memória do padrinho político Mário Covas. Celebrou-a um pároco conhecido como padre Ticão. Era velho amigo de Covas, que costumava chamá-lo de "padre Pidão." Uma alusão aos pedidos de ajuda para obras sociais que o prelado custumava encaminhar ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Se estivesse vivo, Covas teria feito aniversário de 78 anos em 21 de abril. Daí a missa. Além de Alckmin, compareceram familiares de Covas e políticos tucanos. Entre eles o deputado federal José Aníbal, líder da legenda na Câmara. Em conversa com o blog, Anibal disse ter encontrado um Alckmin animado com o desafio da campanha. Festejou a decisão de oficializar a candidatura em 5 de maio. "Esse ambiente de indefinição só interessa aos adversários", disse.

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Senado tenta corrigir projeto da Saúde na terça

  José Cruz/ABr
Conforme noticiado aqui, está errado o projeto que o Senado aprovou para aumentar o orçamento da Saúde. Do modo como foi redigida, longe de aumentar, a proposta retira R$ 5 bilhões das arcas da Saúde já em 2008. Nesta terça-feira (29), a encrenca será levada ao plenário. A correção depende de nova votação dos senadores, que haviam aprovado o erro por unanimidade.

 

O relator do projeto, Augusto Botelho (PT-RR, na foto), foi buscar no regimento interno do Senado uma janela para a solução. Encontrou-a no artigo 325. Trata exatamente “erro em texto aprovado e com redação definitiva.” Manda que o presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), devolva a proposta às comissões, sugerindo “o modo de corrigir o erro.”

 

Em carta ao repórter, Botelho explicou que, submetido a um regime de urgência, o projeto poderá ser corrigido no próprio plenário, sem ter de descer às comissões. Já conversou com Garibaldi a respeito. Combinou-se que a questão será dividida com o plenário na sessão da próxima terça-feira.

 

O projeto problemático foi aprovado em 9 de abril. É de autoria do senador Tião Viana (PT-AC). Em seu relatório, Augusto Botelho, médico há 35 anos, manteve inalterada a espinha dorsal da proposta original, que injetará nos cofres da Saúde um adicional de R$ 23 bilhões. O erro escalou o projeto por meio de uma emenda.

 

O propósito era bom: escalonar os percentuais o aumento de receita ao longo dos próximos anos, num processo a ser concluído em 2011. O problema é que, nessa emenda, utilizou-se um conceito de receita que, prevalecendo, rói o orçamento da Saúde em vez de fortalecê-lo.

 

“Naquele momento [da votação], não nos demos conta”, diz Augusto Botelho. “Felizmente, durante a consolidação da redação final do projeto, fase final antes do envio à Câmara, foi detectada a incompatibilidade dos termos. Na próxima terça-feira, em sessão deliberativa, farei um apelo ao Presidente Garibaldi para que, tão logo a pauta seja desobstruída, o plenário vote novamente a redação originalmente proposta no meu parecer, que atinge o objetivo de todos nós, senadores: o aumento dos recursos para a saúde pública.”

 

Corrigido o equívoco, há um segundo obstáculo a ser transposto. O projeto não informa de onde virá a verba extra da Saúde. Lula já avisou: se chegar ao Planalto assim, sem definição de fonte de receita, o projeto será vetado.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

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Lula cogita pagar adiantado a energia do Paraguai

 

 

Fernando Lugo, o presidente eleito do Paraguai, tem encontro marcado com Lula no dia 15 de agosto. Pedirá, como se sabe, o aumento do preço do pedaço de energia que recebe de Itaipu, não utiliza e vende ao Brasil. Disposta a ajudar, Brasília esboça a oferta que fará a Lugo.

 

Prevê o seguinte: o tratado de Itaipu Binacional, firmado em 1973, seria mantido intacto. Os preços pagos ao Paraguai tampouco seriam modificados. O que a administração Lula se dispõe a fazer é antecipar os pagamentos.

 

O Brasil deve oferecer também ao novo presidente paraguaio uma mãozinha do BNDES. O bancão abriria uma linha de crédito para o Paraguai construir uma linha de transmissão de energia de Itaipu até a capital Assunção.

 

Em troca, seria exigido de Lugo o incremento da colaboração entre as polícias paraguaia e brasileira. Deseja-se conter o contrabando de armas, drogas e mercadorias. Aos pouquinhos, vai-se chegando a termos aceitáveis.

 

Parece razoável que o Brasil, uma potência quando comparado à insignificância econômica do Paraguai, se disponha a auxiliar o vizinho. O que não dá é para engolir o lero-lero de que atenta contra a integridade dos contratos.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Preço da gasolina pode ter reajuste acima de 5%

O cheiro do aumento de preço impregna a atmosfera há semanas. Há dois dias, foi tonificado por declarações de Lula. Referindo-se aos derivados de petróleo, o presidente disse:

 

“Nós temos uma defasagem. Para que possamos tomar medidas de aumento de qualquer coisa na área de combustíveis, precisamos ver qual implicação vai ter na inflação.”

 

No dia seguinte, Lula negaria o óbvio. Suas declarações, diria 24 horas depois, não representam um sinal de que o governo esteja na bica de anunciar um aumento da gasolina e do dieesel. É lorota.

 

A Petrobras já fez a conta do aumento. Alega que é preciso encurtar a distância que separa os preços praticados aqui dentro com a cotação internacional do barril de petróleo, hoje roçando a casa dos US$ 120.

 

Estima-se que o aumento preconizado pela estatal vá ficar acima dos 5%. A encrenca será decidida na mesa de despachos de Lula. Desautorizando o reajuste, o presidente empurra a defasagem para dentro da escrituração da Petrobras.

 

Autorizando-o, enfia o aumento da gasolina e do diesel no preço de todos os produtos que dependem de transporte rodoviário para chegar até o consumidor. Inaugura-se um efeito dominó que vai bater na inflação. E daí para a taxa de juros.

Escrito por Josias de Souza às 20h13

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Lula diz que ainda não escalou Dilma como candidata

Presidente deu entrevista a jornais dos Diários Associados

Começo da campanha: ‘Será depois das eleições de 2008’

Sucessor: ‘Pode ficar certo de que governo terá candidato’

Dilma Roussef? ‘Não sei quem está dizendo que é a Dilma’

Rivais: Aécio e Serra  ‘não podem  ficar sozinhos na praia’

Que acha da idéia do 3º mandato?  ‘É uma coisa obscena’

 

Sérgio Lima/Folha

 

Lula falou a uma equipe de jornalistas do grupo Diários Associados. A entrevista durou uma hora e vinte minutos. O ponto central foi a sucessão de 2010. Mas o presidente falou sobre outros temas candentes: os juros e o dossiê, por exemplo. Vão abaixo trechos das declarações de Lula, extraídas do Correio Braziliense (só para assinantes):

 

- Na pele de eleitor: “[...] Outro dia não sei quem foi que achou absurdo eu dizer que queria fazer meu sucessor. Houve alguém que ficou estarrecido. Ele deveria ficar estarrecido se eu não quisesse fazer. Penso em fazer o sucessor à Presidência da República. Trabalho para isso. Agora, eu tenho uma base muito heterogênea. Com que o presidente precisa contar neste momento? Com a hipótese de que a gente consiga montar uma chapa única da base aliada.”

 

- E se houver mais de um candidato? “O PSB, por exemplo, é um aliado histórico e tem candidato à Presidência, o deputado Ciro Gomes, um candidato forte porque já foi candidato duas vezes [...]. É bem possível que outros partidos queiram lançar candidato. E vocês jamais me verão reclamar de um partido querer lançar candidato [...]. Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato.”

 

- Por que Dilma?  “Eu não estou dizendo que será a Dilma. Não sei quem está dizendo que é a Dilma. É muito difícil a gente tentar lançar alguém candidato sem que tenha uma discussão com o partido ou com os aliados. Se você perguntar das qualidades da Dilma, vou dizer para você uma coisa: existem raríssimas pessoas no Brasil com a capacidade gerencial da companheira Dilma Rousseff. Rarísssimas [...]. Eu acho uma figura extraordinária. Agora, entre ser uma figura extraordinária para gerenciar e ser candidata à Presidência é uma outra conversa, porque aí entra um ingrediente chamado política, que exige outras credenciais. Eu não estou discutindo isso agora. No momento certo, provocarei a discussão.”

 

- Quando será o momento? “Será depois das eleições de 2008. Terminada a eleição para as prefeituras, a partir do ano que vem todo mundo tem que saber claramente que vamos começar a campanha de 2010, sem que o presidente participe diretamente, porque tenho muita coisa para fazer, mas os partidos precisarão começar a sair a campo, porque se não fica uma situação desigual.”

 

- Oposição: “O PSDB tem dois candidatos já postos, o [José] Serra e o Aécio [Neves]. Não se sabe se o [Geraldo] Alckmin quer ser ou não. Ou seja, a oposição não pode ficar nadando na praia sozinha. É preciso colocar mais gente nessa praia, e acho que os partidos vão colocar.”

 

- Aécio no PMDB seria alternativa? “É muito difícil para o presidente da República discutir em tese. É preciso primeiro saber se o PMDB quer. Segundo, saber qual é o tempo em que ele faria isso, porque isso aos olhos do povo não é uma coisa simples [...]. Obviamente que o governador de Minas tem condições de pleitear ser candidato a presidente, como tem o governador de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. Agora, primeiro tem o confronto interno, que não é uma coisa fácil. E certamente o Aécio não vai correr do jogo antes de o jogo ser jogado. Ele vai ter que disputar. Se ele perde e depois tenta sair, aí realmente é um tiro pela culatra.”

 

- E quanto ao terceiro mandato? “Eu acho que é impensável, se você quiser consolidar a democracia no Brasil, pensar em terceiro mandato. Porque hoje você pensa em terceiro mandato, amanhã pensa em quarto mandato, daqui a pouco está pensando em quinto mandato. E isso é uma coisa obscena para a sustentabilidade da democracia no Brasil [...]. A oposição que está com medo do terceiro mandato é a oposição que achava que meu mandato tinha acabado em 2005.”

 

- O vazamento do dossiê: “Achar que este governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth [Cardoso], contra o Fernando Henrique Cardoso, é não ter dimensão de que, se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem. E que certamente, se investigados, teriam muitas coisas… Eu não fiz porque fui vítima disso a vida inteira. O que estamos fazendo é um banco de dados [...]. Agora, se alguém consegue pegar um documento e vender como dossiê, ou entrega para um senador e para um deputado, eu não posso fazer outra [coisa] a não ser apurar, para saber o que aconteceu [...]. Posso ter todos os defeitos, mas se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é ter uma relação política leal.”

 

- Carestia e alta dos juros: “Não me peça para discutir o Banco Central. Você pode discordar da visão que o Banco Central está tendo de que a inflação daqui a um ano será de 6% ou 7%, ou você pode concordar. Então, cabe ao governo, em vez de ficar choramingando, tomar atitudes para evitar que os preços da comida subam. Naquilo que são preços que dependem do governo as coisas estão mais ou menos controladas. Então, eu acho que não há necessidade de a gente ter medo da inflação [...]. Precisamos aumentar a produção. Não está acontecendo isso [excesso de demanda] no Brasil. Não está acontecendo. Porque tem muitos investimentos. Esses investimentos num primeiro momento são consumo, porque você tem que comprar as coisas para construir uma fábrica, mas num segundo momento se tornam oferta [...]. Nós não queremos truncar o crescimento. Daí a minha preocupação com o aumento dos juros.”

Escrito por Josias de Souza às 05h40

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Serra e Aécio vão às previas tucanas em igualdade

  Sérgio Lima/Folha
A dois anos e meio da sucessão de 2010, José Serra figura em todas as pesquisas eleitorais como franco favorito. Aécio Neves amarga uma constrangedora terceira colocação. Na queda-de-braço que travam pelo controle da máquina do PSDB, porém, os dois ostentam uma igualdade que contrasta com a sondagem pública.

 

Dissemina-se pelo tucanato a impressão de que não são negligenciáveis as chances de que, numa eleição prévia, o azarão Aécio prevaleça sobre Serra. Atento ao risco, o governador de São Paulo abriu janelas em sua agenda para correr os Estados. Algo que Aécio já vinha fazendo desde 2007 e que intensificou neste ano.

 

Serra arrosta dificuldades mesmo no diretório de São Paulo, Estado que governa. Ali, embora majoritário, Serra vê o pedaço do partido fiel a Geraldo Alckmin bandear-se para o lado de Aécio. A secção mineira, em contraposição, devota fidelidade canina a Aécio.

 

Estrategistas do partido começaram a mapear a disputa que se avizinha. Na extremidade inferior do mapa, verifica-se que, se a disputa fosse hoje, Aécio bateria Serra no Rio Grande do Sul, perderia em Santa Catarina e dividiria ao meio o Paraná. No outro extremo do país, Serra tem dificuldades de entrar.

 

No Estado do Amazonas, Serra é praguejado como inimigo da Zona Franca de Manaus. Ali, Aécio tende a disputar votos não com seu rival número um, mas com o amazonense Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, que declara-se disposto a disputar a vaga presidencial. Não há aferição confiável nos demais Estados da região Norte. Mas imagina-se que não estejam alheios ao discurso anti-São Paulo que impregna o Amazonas.

 

No Nordeste, verifica-se flagrante equilíbrio entre os dois principais contendores tucanos. No diretório do Ceará, protegido por barricadas erguidas pelo senador Tasso Jereissati, Aécio anula Serra. Na Bahia, dá-se o oposto. Ajudado pelo deputado Jutahy Magalhães Jr., um amigo de décadas, Serra é favorito.

 

O Rio Grande do Norte pende para Serra. Pernambuco, para Aécio. A Paraíba é uma incógnita. Em 2006, o governador tucano Cássio Cunha Lima ficou ao lado da candidatura presidencial de Alckmin, contra Serra. Agora, não se sabe que posição irá adotar. Na dúvida, os dois candidatos fazem-lhe a corte.

 

A engrenagem partidária da Paraíba, de Alagoas, e de Sergipe está dividida entre Serra e Aécio. A posição do Piauí é, por ora, ignorada. Mais ao centro, Serra é majoritário em Mato Grosso do Sul. Há uma divisão na máquina do partido em Mato Grosso. Goiás aguarda por uma definição do senador Marconi Perilo, mandachuva do tucanato local.

 

Conhecido como um partido de cúpula, o PSDB parece decidido a democratizar a escolha de seu candidato às eleições de 2010. A realização de prévias foi aprovada pela Executiva nacional tucana, ainda sob a presidência de Tasso Jereissati (CE), o inimigo cordial de Serra. Sérgio Guerra (PE), substituto de Tasso, toma agora as providências para que a consulta ocorra.

 

Entre a saída de Tasso e a chegada de Guerra, sobreveio a decisão de Arthur Virgílio de submeter seu nome a teste. Aécio soltou fogos. Com três candidatos, diz ele, a prévia, antes apenas conveniente, passou a ser imprescindível. Na semana passada, Virgílio foi aos EUA especialmente para testemunhar a disputa dos democratas Barack Obama e Hillary Clinton na prévia da Pensilvânia.

 

Nas pesquisas que captam a intenção de voto de todo eleitorado, a vantagem de Serra é devastadora. Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 31 de março, o governador paulista lidera em todos os cenários. Seus percentuais oscilam entre 36% e 38%. Aécio balança entre 11% e 14%. Fica atrás de Ciro Gomes (PSB) e até de Heloisa Helena (PSOL).

 

É curioso que, submetido a tais indicadores, Aécio consiga ombrear com Serra na disputa interna. Fica a impressão de que o discurso anti-São Paulo e a propalada antipatia de Serra, quando confrontadas com o também lendário jeitinho mineiro de fazer política, encontra eco nas engrenagens do partido.

 

Atento aos fenômenos, Serra resolveu se mexer. Nos últimos três meses, esteve no Ceará, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Prepara nova visita a Pernambuco. Move-se como se estivesse decidido a encurtar a distância que separa a curva das pesquisas externas dos gráficos que medem os votos internos. Tempo não lhe falta. A eleição ainda é um ponto longínquo no calendário. O problema é que Aécio não está e não vai ficar imóvel.

Escrito por Josias de Souza às 03h40

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As manchetes deste domingo

- JB: Propaganda de bebidas leva jovens para o vício

- Folha: Cidades que desmatam lideram violência

- Estadão: Governo estuda antecipação de pagamentos ao Paraguai

- Globo: Governo terceiriza a ONGs política indigenista do país

- Gazeta Mercantil: Cosan surpreende e compra ativos da Esso por US$ 1 bi

- Correio: Exclusivo: Lula exorcisa as tentações

- Valor: Oi e BrT fecham acordo para criar tele nacional

- Veja: Fernando Lugo, do Paraguai, exige cinco vezes mais dinheiro por Itaipu

- Época: O que está por trás do acordo entre Quércia e Kassab

- IstoÉ: Exclusivo: O espólio secreto de ACM

- IstoÉ Dinheiro: A vitória do etanol

- Carta Capital: A guerra da comida

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Povos da Floresta!

Ique
 

PS.: Via sítio do JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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