Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Governo elabora pacote para deter alta de alimentos

MDA/Divulgação
 

 

Por ordem de Lula, reuniram-se nesta quarta-feira (30), em Brasília, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). Discutiram a crise de alimentos que se espraia pelo mundo. Acertou-se que, nas próximas semanas, o governo anunciará um pacote de providências para aumentar a produção brasileira.

 

Entre as providências em cogitação estão: 1) Aumento do crédito; 2) Aperfeiçoamento do sistema de garantia de preços à produção agrícola; 3) Ampliação dos seguros concedidos aos agricultores; e 4) Medidas de estímulo à modernização das lavouras.

 

A discussão ocorre no instante em que as pastas da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário definem os seus respectivos planos de safra. No pacote que começa a ser esboçado, o governo planeja dar atenção especial a oito tipos de produtos: arroz, feijão, milho, mandioca, trigo, leite e carne (bovina e de aves).

 

Na avaliação do governo, expressa em declarações de Guilherme Cassel, a crise, além de séria, tem tudo para ser longeva. Coisa para cinco a dez anos. Diz o ministro do Desenvolvimento Agrário:

 

“Uma análise geral aponta que esta crise é real e tem muitas razões, entre elas o fator especulativo, questões climáticas no mundo e o aumento da demanda dos países em desenvolvimento. Esses fatores jogam os preços para cima. Por isto, sabemos que esta crise pode ser de longa duração. Os fundos de ações, especialmente depois da crise norte-americana, migraram para as commodities, comprando até três safras antecipadas. Isto nos aponta que a crise pode ser de cinco a 10 anos”.

 

Embora menos sujeito aos efeitos da crise, o Brasil não está imune a ela. Longe disso. Citando dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), Cassel diz que, nos últimos 36 meses, o preço dos alimentos subiu, no mundo, uma média de 83%. No Brasil, a alta foi de 25%. Há impacto direto no comportamento da inflação, que aponta para cima. Daí a decisão do governo de agir.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Petrobras aumenta gasolina e governo reduz a Cide

Como previsto, os preços dos principais derivados do petróleo subiram. A partir desta sexta-feira (2), a gasolina sobe 10%; o diesel, 15%. Simultaneamente, o ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou uma providência que visa impedir que os reajustes tonifiquem os índices de inflação.

 

Segundo Mantega, o governo vai reduzir o valor da Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), que incide sobre os preços dos combustíveis. No caso da gasolina, o valor da Cide cairá de R$ 0,28 para R$ 0,18 por litro. Com isso, diz o ministro, o impacto do aumento da gasolina no bolso do consumidor será “zero”.

 

E quanto ao diesel? Bem, neste caso, a redução da Cide será menor –cai de R$ 0,07 para R$ 0,03 por litro. O que fará com que o peso do reajuste de 15% decretado pela Petrobras seja reduzido, no bico da bomba, para 8,8%. Cabe recordar que caminhão é movido a diesel. Portanto, não foi eliminado por completo o risco de repasse do reajuste para os preços dos produtos que cortam o país nas carrocerias.

 

A poda na Cide privará o Tesouro de uma arrecadação estimada entre R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões. Nesse momento, porém, a prioridade do governo é manter sob controle os indicadores inflacionários.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Brasil obtém o troféu do ‘grau de investimento’

A economia brasileira obteve, nesta quarta-feira (30), um título que acomoda o Brasil no seleto grupo dos países que oferecem segurança a investidores estrangeiros. A Standard & Poor’s, uma das principais agências de avaliação de risco do planeta, concedeu ao Brasil o título de “investment grade” (grau de investimento).

 

Trata-se de um feito notável. Que se torna ainda mais vistoso por ter chegado num instante em que o mundo ainda digere os efeitos da crise financeira que rói a economia dos EUA. Significa dizer que, aos olhos da Standard & Poor’s, o Brasil tornou-se um bom pagador. Chega com atraso. Mas chega.

 

Em conseqüência, o país passa a ser visto como porto seguro, muito seguro, seguríssimo para a realização de investimentos externos. O que deve fazer com que sejam despejados no mercado nacional recursos provenientes de grandes fundos internacionais que só investem o dinheiro de sua clientela em praças estáveis. A notícia teve repercussão instantânea na bolsa.

 

No comunicado que emitiu para informar a novidade ao mercado, a agência norte-americana de risco diz que a elevação do grau do Brasil decorre da "maturidade das instituições do Brasil e da política monetária", além da "melhoria das tendências de crescimento" econômico do país.

 

Contribuiu para a elevação da nota do Brasil o fato de o país ter equacionado o problema da dívida externa. Uma dívida que, nas palavras da agência de risco, “caiu dramaticamente”. Em fevereiro, o Banco Central anunciara que o Brasil tornara-se credor externo líquido. Ou seja, acumulara reservas internacionais em cifras que superam o valor da dívida.

 

O texto da Standard & Poor’s faz ressalvas. Anota, por exemplo, que a dívida pública brasileira "permanece mais alta do que os outros com outros países BBB". A despeito disso, a agência acomodou a classificação de risco do Brasil na categoria “estável”. Algo que, considerando-se a metodologia da agência, sinaliza a perspectiva de que a nova classificação atribuída à economia brasileira não será alterada nos próximos dois anos.

 

Os economistas de dentro e de fora do governo já esperavam que o Brasil atingisse o grau de investimento. Havia dúvidas, porém, acerca da data em que isso ocorreria. A maioria esperava que a nova classificação só viesse em 2009, depois de digerida completamente a crise dos EUA. Assim, a decisão da Standard & Poor’s pegou o mercado de surpresa.

 

Em termos políticos, a novidade empurra para dentro da biografia de Lula um êxito com potencial para preservar o prestígio do presidente nas alturas. Pode-se argumentar que Itamar Franco e FHC, responsáveis pelo Plano Real, gênese da virada econômica brasileira, são donos de um pedaço dessa vitória.

 

Mesmo o mais contumaz oposicionista terá dificuldades para negar, porém, que, ao preservar e aprofundar, naquilo que é essencial, as boas práticas da gerência econômica, Lula amealha os louros com méritos. Teve, por exemplo, a sensatez de manter no comando do Banco Central, sob críticas do naco esquerdista do PT, o economista e ex-deputdo federal tucano Henrique Meirelles.

Escrito por Josias de Souza às 17h56

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A mão que porta o cartão é sócia da mão que recebe

Examinando o papelório enviado pelo governo à CPI dos Cartões, uma dupla de deputados deparou-se com situação curiosa: há entre os servidores autorizados a manusear cartões corporativos 473 sócios de 452 casas comerciais que transacionam com o governo.

 

Do finzinho de 2002 ao início de 2008, essas 452 empresas receberam do erário R$ 651,13 milhões. Desse total, R$ 615,42 mil foram às suas caixas registradoras em pagamentos feitos por meio de cartões corporativos. Pagamentos feitos por 1.104 servidores.

 

Resta agora verificar se há no grupo de pagadores mãos que pagaram de um lado do balcão e receberam do outro. Ou servidores que, no exercício de suas funções públicas, fizeram tráfico de influência em favor das empresas de que são sócios.

 

Deve-se o esmiuçar de dados aos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ). Sampaio, um promotor licenciado, diz que, em certos casos, um servidor público pode associar-se a empresa privada. Desde que não exerça cargo gerencial.

 

Não há na legislação em vigor vedação explícita a que o mesmo servidor use o cartão do governo para adquirir serviços e mercadorias em sua própria empresa. Porém, Sampaio ressalva: "O princípio constitucional da moralidade não permite que o Poder Público faça compras em estabelecimentos dos quais esse servidor seja sócio".

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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Lula entrega uma comenda ao verdadeiro ‘Mão Santa’

Lula entrega uma comenda ao verdadeiro ‘Mão Santa’

Animação sobre fotos de Alan Marques
 

 

O senador Mão Santa (PMDB-PI) é o mais barulhento adversário de Lula. Não há dia que não discurse. Da tribuna, os ataques ao presidente saem-lhe em catadupas.

 

Assim, não é difícil imaginar o prazer que sentiu Lula ao condecorar, nesta terça-feira (29) um outro Mão Santa. O verdadeiro, o autêntico, o Mão Santa escocês, diria Nelson Rodrigues.

 

A santidade das mãos do senador, médico obstetra, é algo de que todo brasileiro não-piauiense desconfia. A divindade das mãos de Oscar Schmidt é coisa de que ninguém duvida. Foi provada dentro de quadra, aos olhos de multidões.

 

Só nas 326 partidas em que vestiu a camiseta da seleção brasileira de basquete, Oscar encestou 7.693 pontos. Um espanto! Daí o apelido. Daí também o mérito que o levou a receber, das mãos do presidente da República, uma comenda do Itamaraty.

 

Com a Ordem de Rio Branco (grau de Oficial) já espetada no paletó, o Mão Santa amistoso retribuiu o reconhecimento com um presente. Deu a Lula uma bola. Bola de basquete.

 

Embora esteja mais afeito à bola de futebol, esporte de sua predileção, Lula tratou a bolona com intimidade inaudita. Natural. Anda inflado o presidente. Traz enterrada na alma uma bola muito mais cheia do que a que recebeu de Oscar.

 

Em condições normais, Lula, um pernambucano atarracado, jamais ousaria desafiar, nem de brincadeira, o gigante brasileiro do basquete. Mas o Lula dos últimos dias, colosso das pesquisas, não é um presidente de havaianas. Não, não. Absolutamente.

 

Até o último final de semana, o presidente desfilava um modesto salto anabella. Depois da pesquisa Sensus, divulgada na véspera do encontro com Oscar, levou aos pés o salto agulha -um perigo.

 

O trançar de braços com Oscar há de ter-lhe adicionado alguns centímetros na popularidade. O bastante para levá-lo a tramar, para 2010, o aniquilamento eleitoral do Mão Santa "inautêntico" do Senado y otras cositas más.

Escrito por Josias de Souza às 04h37

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As manchetes desta quarta

- JB: Rio tem 6 das 17 piores escolas de medicina do país

- Folha: Piores em medicina incluem 4 federais

- Estadão: Área de devastação dispara em 2 Estados

- Globo: Medo de inflação faz governo adiar o aumento da gasolina

- Gazeta Mercantil: Sindicalistas buscam novas bandeiras para velhas lutas

- Correio: Só parte dos servidores tem aumento garantido

- Valor: Negociação de reajustes é intensa nas indústrias

- Estado de Minas: Inflação ameaça sair do controle

- Jornal do Commercio: Em 15 dias, três ladrões mortos por vítimas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

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Sobremesa!

Thiago Rechia
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Lula vê equívocos no PT e teme prejuízos para 2010

Alan Marques/Folha
 

 

Lula tornou-se, nas últimas semanas, um dos mais vigorosos críticos do PT. Acha que o partido vem cometendo uma série de equívocos na condução das alianças para a eleição municipal de 2008. “Erros” que, na sua opinião, terão reflexos negativos na costura da estratégia que idealizou para a sucessão presidencial de 2010.

 

O repórter conversou com dois personagens que privam da intimidade do presidente. Um ministro e um congressista. Ambos tiveram a oportunidade de dividir com Lula impressões sobre o desenrolar das articulações que precedem o fechamento de coligações e a escolha dos candidatos a prefeito.

 

Vão abaixo algumas das preocupações de Lula, segundo o relato dos dois interlocutores:

 

PMDB: Para Lula, o PT afasta-se perigosamente daquele que poderia ser o grande aliado do governo no projeto de 2010. Diz que, nos três maiores colégios eleitorais do país –São Paulo, Minas e Rio—o petismo só conseguiu juntar-se ao PMDB na capital fluminense. Credita o feito não ao PT, mas ao governador Sérgio Cabral (PMDB), que “teve a grandeza” de sacrificar uma opção pessoal (Eduardo Paes), para prestigiar um candidato petista (Luiz Molon) que, a julgar pelas pesquisas, não chega a ser um portento eleitoral;

 

São Paulo: Lula não se conforma com o fato de o PT ter deixado escapar a aliança com o PMDB de Orestes Quércia. Algo que dava como favas contadas. Acha que o partido foi claudicante com Quércia. O que facilitou, a seu juízo, o acerto do ex-governador com Gilberto Kassab (DEM) e dificultou o desafio de Marta Suplicy (PT). De todas as disputas municipais, a paulistana é a que tem maiores reflexos na eleição presidencial, acredita o presidente. “Ali, nós não podíamos ter cometido erros”, disse. Lamenta que o pé atrás do petismo em relação a Quércia tenha impedido o partido de enxergar a “importância estratégica” do PMDB de São Paulo, agora submetido á área de influência do governador tucano José Serra, o rival oposicionista mais bem-posto nas pesquisas;

 

Minas: na opinião de Lula, o PT comete em Belo Horizonte pecado inverso ao que foi cometido na capital paulista. Em São Paulo, diz ele, o partido subestimou Serra. Em Minas, estaria superestimando Aécio Neves. Lula acha que, na hipótese de Aécio migrar para o PMDB, que considera “remota”, seria um aliado, não um inimigo. De resto, acredita que, ainda que permaneça no PSDB, vai infernizar a vida de Serra. O que já justificaria um tratamento diferenciado do PT;

 

Minas 2: O presidente avalia que, a pretexto de prejudicar a estratégia presidencial de Aécio, a direção nacional do PT adiciona veneno às já intoxicadas relações com o PSB de Ciro Gomes, outro potencial aliado de 2010. Mercê de conversas que teve com os “amigos” do PSB, Lula parece convencido de que a intransigência do PT fará com que o partido de Ciro opte por Aécio. Na prática, diz ele, a candidatura mineira de Márcio Lacerda (PSB) só existe se atrelada ao prestígio de Aécio. Para complicar, Lula diz que o PT terminará empurrando também o PMDB mineiro para o colo de Aécio. O PMDB do ministro Hélio Costa (Comunicações) enxergaria nas desavenças do PT com Aécio uma vereda de oportunidades. Trilha que poderia levar um peemedebista à posição de vice na chapa idealizada pelo governador tucano. Sob aplausos do PSB;  

 

Salvador: Lula enxerga na capital baiana um outro “erro” do PT. Não compreende a aversão do partido à composição com João Henrique, o candidato do PMDB do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) à prefeitura de Salvador. Diz que entenderia o gesto do partido se houvesse na cidade um petista com chances de vitória. Algo que, segundo diz, “não existe.” Neste caso, afirma Lula, seu partido deveria tratar a questão local com olhos de quem tem a ambição de construir com o PMDB um plano de dimensão nacional. Vê no episódio a reiteração de um antigo "vício": a dificuldade atávica do PT de aceitar alianças que nao tragam na cabeça da chapa um petista;

 

Fator Dilma: um grupo de petistas, entre eles o prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, buzina nos ouvidos do presidente a seguinte tese: por trás da movimentação do PT, estaria uma suposta resistência à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff. Abespinhada com a preferência de Lula pela chefe da Casa Civil, o partido estaria privilegiando em 2008 o projeto de sua direção nacional em detrimento dos interesses do Planalto. A reação de Lula é de descrédito. “Parece tão absurdo, que prefiro não acreditar.”

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Charles recebe comitiva de políticos da Amazônia

  Reuters
Um grupo de governadores e congressistas brasileiros foi a Londres para “vender” a Amazônia. Deseja-se atrair investidores para projetos que desenvolvam a região sem devastá-la. Algo que tem enorme apelo na Europa.

 

Nesta quarta-feira (30), a comitiva será recebida pelo príncipe Charles, herdeiro do trono britânico. Charles, aliás, abriu as portas de sua residência oficial, a Clarence House, para que a delegação brasileira pudesse mercadejar o seu peixe aos investidores, em exposições que se realizaram ao longo desta terça-feira (29).

 

Integram a comitiva de “mercadores” da Amazônia três governadores: Ana Júlia (PT), do Pará; Waldez Góes (PDT), do Amapá; e José de Anchieta Júnior (PSDB), de Roraima. Entre os congressistas estão Tião Viana (PT-AC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM).

 

Charles usa parte de seu tempo vago, que não é pouco, para lapidar a imagem da família real. Como parte desse esforço, comanda uma instituição chamada Rain Forest. Dedica-se à proteção das florestas tropicais que ainda estão de pé. Dá ênfase especialíssima à Amazônia. Em fevereiro, discursando no Parlamento Europeu, Charles defendeu a criação de um fundo global voltado à preservação desse tipo de bioma.

 

O príncipe se dispõe a servir de intermediário entre os interesses da região Amazônica e os bolsos dos capitalistas britânicos e do resto da Europa. O encontro de Londres deve desdobrar-se numa segunda reunião, dessa vez no Brasil. Espera-se que Charles venha a Belém (PA) no meio do ano de 2008, provavelmente em julho. Espera-se que atrás dele venham as libras. Bilhões delas, para tonificar as tentativas de exploração sustentável da Amazônia.

 

No encontro desta terça, os parlamentares puderam aferir a carga de preconceito que impregna a visão do europeu sobre a Amazônia. Em conversa com Arthur Virgílio, um investidor londrino disse que o problema da Amazônia brasileira é o brasileiro. Não teria necessária consciência da importância da preservação.

 

O senador respondeu que os grandes desmatamentos ocorreram sob a ditadura militar. Hoje, disse Virgílio, há empresas com tecnologia para, mediante boas parcerias econômicas, explorar a floresta sem devastá-la. Quanto ao povo, disse o senador ao interlocutor, “sabe conviver com a natureza de maneira sábia.”

 

Virgílio, diplomata de formação, arrematou em timbre que não se ouve nos arredores da escola de Rio Branco: “Tenho muita vontade de que o senhor vá investir na nossa região. Mas se quer que eu troque de povo, prefiro que não vá e que fiquemos com povo que está lá.”

Escrito por Josias de Souza às 00h48

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Marta tenta afastar espada que ameaça candidatura

  Sérgio Lima/Folha
Pende sobre a cabeça de Marta Suplicy uma espada. Espada de Dâmocles, que ameaça o deseja da ministra petista de disputar as eleições para a prefeitura de São Paulo.

 

De olho em 2008, Marta ainda não conseguiu resolver uma pendência de 2004, ano em que perdeu a prefeitura para o tucano José Serra. As contas de campanha da ministra foram rejeitadas pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

 

Marta recorreu ao TSE. Mas, em fevereiro, o tribunal manteve a rejeição das contas. O mérito do recurso da ministra nem chegou a ser analisado pelo tribunal. Considerou-se que a decisão tomada em São Paulo, de caráter administrativo, não comportava recursos a Brasília.

 

Nesta terça-feira (29), a ministra protocolou no TSE um novo recurso, dessa vez contra a decisão de fevereiro. Pede que seu recurso seja admitido, analisado e julgado pelos ministros do tribunal. Em caso de nova recusa, abre-se caminho para que os advogados de Marta recorram ao STF.

 

Marta corre contra o tempo. Depois de rejeitar a prestação de contas relativa às arcas eleitorais da campanha de 2004, o TSE aprovou uma resolução que prevê o seguinte: políticos com contas rejeitadas não poderão obter o registro de novas candidaturas. Ou seja, Marta não poderia disputar as eleições deste ano.

 

No momento, trava-se no TSE uma discussão em torno da resolução. Discute-se se a proibição vale desde já ou só para as eleições de 2010. A polêmica será decidida no voto. Dois ministros já votaram: um pelo adiamento da proibição; outro contra. Um terceiro pediu vista do processo, adiando a decisão, que deve ser tomada nos próximos dias.

 

Prevalecendo a proibição, Marta corre o risco de ir às urnas com a candidatura sub judice. Recorrendo ao STF, poderia obter o registro do TSE sob o argumento de que a rejeição de suas contas estaria, ainda pendente de julgamento. Neste caso, se eleita, a posse dependeria do deslinde da encrenca judicial.

Escrito por Josias de Souza às 20h39

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Executiva do PSB aprova aliança com Aécio em BH

  Folha
Parceiro do PT no consórcio que dá suporte legislativo a Lula, o PSB deu de ombros para o veto do petismo nacional à aliança com o PSDB de Aécio Neves na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Reunida em Brasília, a Executiva nacional do PSB expediu nota a favor da ampliação da aliança mineira, “inclusive com o PSDB.”

 

O candidato do PSB em Belo Horizonte é Márcio Lacerda, secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio. Foi lançado pelo governador, com o apoio do prefeito petista Fernando Pimentel. O casamento de Pimentel com Aécio foi, porém, proibido pela direção nacional do PT.

 

Os dirigentes do PSB não se opõem à inclusão do PT na aliança mineira. Mas não abrem mão de Aécio. Decidiu-se dar tempo ao tempo, na expectativa de que o petismo nacional reveja o veto imposto a Aécio. Expira em 30 de junho o prazo para que as legendas cheguem a algum tipo de acordo.

 

Em público, os mandachuvas do PSB evitam dizer o que farão caso o PT mantenha a cara virada para Aécio. Em privado, porém, dizem que, nessa hipótese, quem vai pular fora da aliança é o PT, não Aécio. Delegou-se a deliberação final ao diretório estadual do PSB, cuja maioria está fechada com Aécio.

 

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (foto), presidente do PSB, deixa antever o caminho a ser adotado pelo seu partido em Minas: "O diretório do PSB local nos diz que agradece o apoio do PT, mas que é insuficiente", disse o governador. "Se for mantida uma posição excludente, quem vai tomar uma posição é o Diretório Estadual e o candidato [Márcio Lacerda]."

 

Campos acrescentou: "O entendimento é o de que a aliança do PT com o PSB é insuficiente para ganhar as eleições. A eleição em Belo Horizonte é complicada." O senador Renato Casagrande (ES), líder do PSB no Senado e membro da Executiva do partido clareia ainda mais o futuro: “A viabilidade da candidatura do Márcio Lacerda depende do apoio do Aécio.”

 

Ou seja: ou o PT nacional engole Aécio ou terá de providenciar um candidato próprio à prefeitura de Belo Horizonte. Tem em seus quadros um nome capaz de disputar com chances de êxito: Patrus Ananias. Porém, o ministro do Bolsa Família, que já foi prefeito da capital mineira, não parece disposto a trocar a vitrine da Esplanada pelos recônditos da administração municipal.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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ONU compõe força tarefa contra crise de alimentos

  El Roto/El Pais
Os habitantes mais bem-postos do planeta não se dão conta da existência dele. Mora onde o olho não alcança, no ermo das entranhas. É ferida exposta que não se vê. É espaço baldio entre o esôfago e o duodeno.

Traz de suas próprias origens uma certa vocação para a tragédia. Não deve ser por outra razão que vem do grego: "stómachos". Se pudesse dar entrevista, resumiria assim o oco de sua existência: "É dura a vida de víscera."

 

Nesta terça-feira, a ONU e o Banco Mundial esboçaram a criação de uma força tarefa para guerrear contra a crise global de alimentos. Para pôr a coisa em movimento, precisa-se, porém, de dinheiro: R$ 2,5 bilhões.   

 

"Se os fundos que solicitamos aos doadores não forem plenamente cobertos, corremos o risco de presenciar ainda mais o aumento da fome, da desnutrição e do surgimento de distúrbios sociais em uma escala sem precedentes", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

 

Estima-se que a crise possa adicionar ao exército dos desafortunados algo como 100 milhões de estômagos. Tristes personagens. Têm inveja do coração que, quando sofre, é de amor. Pobres tripas flageladas, não têm tempo para sentimentos assim, tão abstratos. Padecem de certo pragmatismo estomacal. Só têm apreço pelo concreto: o feijão, o arroz, a carne...

 

A maior fatalidade da era pós-industrial é a fome. Pode-se objetar que a fome sempre existiu. Sim, de acordo. A fome é mesmo antiga como o tempo. Mas ela não comove mais, eis a novidade. O mundo tem solidariedades mais urgentes.

 

O mandachuva da ONU queixa-se de falta de investimento dos países no setor agrícola. Reclama dos subsídios de países ricos aos seus agricultores, que distorcem o comércio, desestimulando a produção de alimentos em nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento. Deblatera-se, de resto, contra os biocombustíveis.

 

Em texto divulgado nesta terça, a ONU pede a “revisão” da política de produção de combustível alternativo. Só nos EUA, o Estado investe US$ 7 bilhões para subsidiar a produção de etanol. Etanol feito a partir do milho, em detrimento da produção de ração de bicho e comida de gente.

 

Nessa matéria, o Brasil vai deixando, aos pouquinhos, o banco de réus. A própria ONU já isenta o etanol brasileiro, produzido à base de cana-de-açúcar, de responsabilidade direta na atual crise mundial de alimentos.

 

A propósito, o Brasil terá, em 2008, um recorde histórico na produção de cana: entre 607,8 milhões e 631,5 milhões de toneladas. A maior parte (55%) vai para a produção de combustível. Outro lote expressivo será transformado em açúcar. O resto vai virar cachaça, rapadura, semente e muda.

 

Afora a absolvição da cana, o Brasil tem na crise uma rara oportunidade. Tem terra, clima, tecnologia e mão-de-obra para tonificar ainda mais a produção da comida que escasseia no mundo. Pode tornar-se lenitivo para os seres humanos que dançam ao ritmo da emergência.

 

Pessoas cujo mundo cabe no intervalo entre uma refeição e outra. Cidadãos cujo relógio biológico, por caprichoso, só tem tempo para certas horas: a hora do café, a hora do almoço, a hora do jantar... À falta de comida, o relógio enlouquece. Passa a anunciar a chegada de cada novo segundo aos gritos.

 

O mundo deve meia dúzia de gestos a essa gente que tem as paredes internas bombardeadas por jatos de suco gástrico. Do contrário, essa gente acaba trocando o inferno da fome pelo paraíso. Vai, finalmente, para o céu. Um céu que há de ter a aparência de uma imensa cozinha. Tão farta que lhe propicie uma fome de rico, dessas que se resolvem abrindo a geladeira.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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As manchetes desta terça

- JB: Tráfico infiltra-se no PAC

- Folha: Lucro enviado ao exterior e investimento são recordes

- Estadão: Contas externas do Brasil têm déficit de US$ 10,7 bi

- Globo: Orçamento não permite dar a servidor o que Lula prometeu

- Gazeta Mercantil: Bradesco lucra R$ 2,1 bilhões no trimestre

- Correio: DF flagra 4 bêbados por dia ao volante

- Valor: Lula aprova novo modelo para reforma trabalhista

- Estado de Minas: PBH vai arrombar casas infestadas pela dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Clark Kent, quentíssimo!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h17

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Gilmar Mendes livra Serra e Malan de condenações

Presidente do STF anulou ações de ‘improbidade’ no Proer

Num dos processos, ex-ministros haviam sido condenados

Decisão livra acusados de ‘ressarcir’ R$ 300 mi ao Tesouro

 

Folha
Na terça-feira (22) da semana passada, véspera de assumir a cadeira de presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes julgou um processo que repousava sobre sua mesa havia mais de dois anos. A causa envolvia duas ações judiciais contra ex-ministros do governo FHC. Entre eles José Serra (Planejamento e Saúde), Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil).

 

Gilmar Mendes, ele próprio um ex-ministro da gestão tucana (Advocacia-Geral da União), mandou ao arquivo o par de ações que pesavam sobre os ombros dos ex-colegas de governo. Escorou-se num precedente aberto noutra sentença do Supremo. Sentença da lavra de Nelson Jobim, outro ex-ministro de FHC (Justiça), que passou pelo STF antes de assumir, sob Lula, o ministério da Defesa.

 

Nas ações que Gilmar Mendes anulou, os ex-integrantes do governo tucano figuravam como réus por suposta prática de improbidade administrativa. O Ministério Público acusara-os, em 2002, de patrocinar atos lesivos às arcas do Tesouro. Os processos remetiam a fatos antigos, ocorridos em 1995, nas pegadas do Plano Real. Ocasião em que o governo editou o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).

 

Deu-se o seguinte:

 

1. O Ministério Público ajuizara as duas ações em escaninhos distintos: uma foi à 20ª Vara Federal de Brasília. A outra, à 22ª Vara.

 

2. No primeiro processo, Serra, Malan, Parente, ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central foram acusados de autorizar indevidamente o erário a bancar o pagamento de até R$ 5 mil, a título de ressarcimento, aos correntistas de três casas bancárias que amargaram intervenção do BC: Econômico, Mercantil e Comercial de São Paulo. Utilizaram-se recursos das reservas monetárias do Tesouro. Providência que, na visão da Procuradoria da República, não poderia ter sido adotada “sem prévia autorização” do Senado;

 

3. No segundo processo, o Ministério Público considerara ilegal o socorro financeiro do BC a dois bancos alcançados pelo Proer: Econômico e Bamerindus. De acordo com as cifras da época, a intervenção nessas duas instituições custara ao Tesouro R$ 2,975 bilhões. Além de Serra, Malan e Parente, foram ao banco de réus três ex-presidentes do BC: Gustavo Loyola, Francisco Lopes e Gustavo Franco.

 

4. Em 11 de abril de 2002, conforme já fora noticiado aqui no blog, Serra, Malan e Parente amargaram uma condenação no primeiro processo, aquele que tratava do ressarcimento dos correntistas de bancos sob intervenção. Cada acusado foi sentenciado a devolver à Viúva R$ 200 milhões. Hoje, submetida a atualizações monetárias, a cifra roça a casa dos R$ 300 milhões;

 

5. À época da condenação, Serra era prefeito de São Paulo. Preparava-se para anunciar a disposição de concorrer ao governo do Estado. Inconformados, os réus recorreram ao STF. Pediram a anulação dos dois processos, um deles ainda pendente de julgamento. No texto do recurso, invocou-se decisão anterior do Supremo. O tribunal havia anulado uma condenação imposta a outro ministro de FHC, Ronaldo Srdenberg (Assuntos Estratégicos), hoje presidente da Anatel;

 

6. A Justiça condenara Sardenberg a ressarcir despesas relativas ao uso de jatinhos da FAB em viagens de turismo. Coube a Nelson Jobim julgar o caso no Supremo. O ministro sustentara a tese de que a lei de improbidade administrativa, invocada para condenar Sardenberg, não podia ser aplicada contra “agentes políticos”. Um ministro de Estado só poderia ser julgado por “crime de responsabilidade”;

 

7. Quando processados por improbidade, os ministros são julgados por juízes comuns, da primeira instância do Judiciário. Enquadrados por “crime de responsabilidade”, como queria Jobim, ganhavam automaticamente o privilégio de foro. Ou seja, só poderiam ser julgados pelo STF. Guiando-se por esse raciocínio, Jobim anulara a condenação que havia sido imposta ao ex-colega Ronaldo Sardenberg;

 

8. Os recursos referentes aos processos do Proer foram parar, por sorteio, na mesa de Gilmar Mendes. De saída, ele concedeu uma liminar, sustando a condenação que havia sido imposta a Serra, Malan e Parente até que o processo fosse julgado no mérito, em termos definitivos;

 

9. O julgamento do mérito veio há uma semana. Mencionando expressamente o precedente criado pela sentença de Jobim, Gilmar Mendes determinou o arquivamento também das ações de improbidade contra as autoridades que conduziram o Proer. Em sua decisão, o novo presidente do STF anota que, na ação que já havia resultado em condenação dos ex-ministros, era preciso levar em conta um detalhe: “os efeitos de tais sanções em muito ultrapassam o interesse individual dos ministros envolvidos.” Lembra que a condenação impunha responsabilidade “individual de quase R$ 300 milhões”. Algo que, por si só, demonstra “o absurdo do que se está a discutir.”

 

10. A decisão de Gilmar Mendes, justa ou injusta, abre caminho para a anulação de mais de 10 mil processos judiciais. São ações de improbidade movidas contra autoridades federais, estaduais e municipais. Estão submetidas ao julgamento de juízes de primeiro grau. Consagrado o princípio de que “agentes políticos” devem ser processados não por improbidade, mas por crime de responsabilidade, ex-ministros, ex-governadores e ex-prefeitos podem agora invocar o direito a foro especial –os Tribunais de Justiça, para prefeitos; o STJ, para governadores; ou o STF, para ministros. Embora tenha sido sacramentada há uma semana, a sentença de Gilmar Mendes só ganhou a página mantida pelo STF na internet nesta segunda (28).

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Comissão de Ética vai ao fígado de Dilma Rousseff

  Sérgio Lima/Folha
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República enviou ofício a Dilma Rousseff. No texto, pede à chefona da Casa Civil explicações sobre o vazamento do dossiê com gastos secretos de FHC e dona Ruth. Deu-se à ministra um prazo curto: dez dias.

O episódio faz lembrar um outro ofício da mesma comissão. Recebeu-o, em dezembro de 2007, Carlos Lupi. Lia-se no papel que o acúmulo da cadeira de ministro com a poltrona de presidente de partido era coisa que não condizia com as boas práticas republicanas.

 

Solicitou-se a Lupi que optasse por um dos dois assentos. Não optou. Abespinhada, a comissão produziu outra carta. Endereçou-a, dessa vez, a Lula. Pedia a demissão de Lupi. Não foi demitido.

 

Decorridos três meses, o que era apenas polêmico tornou-se um escárnio. Inquirida sobre a encrenca, Dilma pontificou: "Acredito que essa questão do ministro Lupi tem que ser avaliada com muita tranqüilidade. Com menos fígado e mais racionalidade."

 

Marcílio Marques Moreira, então presidente da Comissão de Ética, não gostou nem da rima nem da desmedida “tranqüilidade”. Pediu o boné. A pasta de Lupi foi às manchetes como provedora contumaz de verbas públicas para entidades ligadas ao PDT. Lupi licenciou-se do comando do partido. Hoje, é um ilustre investigado da CGU e do TCU.

 

Na vaga de Marcílio, acomodou-se o homem de leis Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF. Nesta segunda-feira (28), ele explicou a natureza do ofício endereçado a Dilma. Não se fez, disse ele, nenhuma análise de mérito sobre o dossiê. Só depois das explicações é que se vai verificar se há malfeito a ser punido.

 

Suponha-se que Dilma se digne a responder. Imagine-se que a comissão se convença de que está diante de algo passível de repirmenda. Ainda assim, a coisa dará em nada. Depois da frase de Dilma –“menos fígado, mas racionalidade”—a ética na administração pública e a comissão que a vigia nunca mais serão as mesmas.

 

O Planalto vem tratando o dossiê com “racionalidade” à Lupi. A sindicância que Dilma montara para elucidar o vazamento de dados sigilosos empurrou suas conclusões para o final de maio. Não convém correr o risco de concluir algo que seja, depois, desmentido pela Polícia Federal.

 

Ou Sepúlveda Pertence e os membros da Comissão de Ética aderem aos “racionais”, ou logo, logo vão ficar com uma inconfundível cara de Marcílio Marques Moreira.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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Cid Gomes pede desculpas, mas não admite o erro

“No casamento”, ensinou o cronista Nelson Rodrigues, “o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.” Que o diga Cid Gomes (PSB).

 

Nesta segunda-feira (28), o governador do Ceará veio à boca do palco para comentar, com atraso, a infausta viagem de dez dias que realizou à Europa. Coisa fina. Jatinho particular. As hospedarias mais luxuosas que o bom gosto é capaz de prover e o dinheiro –público, no caso—pode pagar.

 

El Cid disse ter incluído a sogra na caravana a pedido da mulher (assista). Já estava evidenciado que o governador é o genro que toda mãe pediu a Deus. Descobre-se agora que, como marido, deixa a desejar. Podendo assumir o malfeito, preferiu transferir o ônus à mulher, que não recebeu um mísero voto do povo cearense.

 

É sabido que todo dinheiro –público, neste caso, insista-se—não cobre 10% das desculpas esfarrapadas construídas para justificar um malfeito. El Cid, porém, exagerou: criou o pedido de perdão pelo pecado nao cometido.

 

O governador desculpou-se. Mas, curiosamente, não deu o braço a torcer: “Eu peço desculpas pelo constrangimento que essa questão causou ao povo cearense. É por isso que eu peço desculpas. Não me consta que eu tenha cometido nenhuma ilegalidade. Não se aponta nenhuma lei, nenhuma regra que eu tenha descumprido.”

 

Se El Cid feriu a lei é algo que o Ministério Público logo, logo vai informar. Mas há constatações que dispensam o suor de auditores e investigadores. O governador deu bom dia à imoralidade. 

 

Além da sogra, a caravana européia incluiu as mulheres de dois assessores da administração de El Cid. Queimaram-se nas turbinas do jatinho R$ 388,5 mil. Nada de que se arrependa o governador:

 

“O vôo é cobrado por quilômetro e não por número de passageiros. As despesas pessoais da mãe de minha esposa e dos demais passageiros, que não cumpriam missão oficial, bem como suas hospedagens, não foram pagas com dinheiro público e, portanto, nada custaram ao Estado.”

 

A lorota não resiste a uma comparação oferecida pelo próprio El Cid. Depois do périplo europeu, o governador foi à Ásia. Voou, dessa vez, em aviões de carreira. A custos mais baixos do que os da aeronave privativa. Nada de mulheres. Nem sinal da sogra.

 

Entre uma vilegiatura e outra, o governador foi questionado sobre o vôo da sogra. "Demagogia barata", dera de ombros. Coisa de oposicionista desocupado, aos quais não se submeteria.

 

As "desculpas" de El Cid tardaram. Mas, à sua maneira, o governador se rendendo à "demagogia barata." De volta da Ásia no sábado, o bom genro negou-se a responder aos questionamentos sobre a sogra. Precisa recolher informações, alegara.

 

O adiamento conduziu a duas coincidências incômodos: 1) Neste 28 de abril, festeja-se o Dia da Sogra; 2) El Cid falou aos jornalistas na Assembléia Legislativa do Ceará. Na seqüência, abriu um leilão para contratar as empresas que erguerão duas cadeias no Ceará. Tem-se a impressão de que o governador ainda não pôs os pés no solo cearense. É como se estivesse no mundo da Lua.

Escrito por Josias de Souza às 20h26

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No Rio, chefe do tráfico é preso com crachá do PAC

  Rafael Andrade/Folha
Tiroteios entre policiais e traficantes tornaram-se, no Rio, parte da paisagem. O desta segunda-feira (28) aconteceu no morro do Pavão-Pavãozinho, no lendário bairro de Copacabana. A novidade é que, dessa vez, a troca de balas levou à interrupção das obras do PAC.

 

Numa evidência da ilimitada capacidade do tráfico de se moldar à realidade que o cerca, um dos detidos pela polícia portava, veja você, um crachá desse pedaço do PAC, iniciado em novembro de 2007, com a presença de Lula. O “dono” do crachá não é um qualquer.

 

O pseudo-vigia da construtora OAS, que conduz as obras na favela, é ninguém menos que um dos chefões da bandidagem: Adauto do Nascimento Gonçalves, conhecido pela mimosa alcunha de Pit Bull. Era só o que faltava: um criminoso plantando bananeira em obra do PAC. Esse é mesmo um país de empreendedores!

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Lula: ‘Ninguém faz tudo em oito anos de mandato’

Nova pesquisa revela que popularidade de Lula cresceu

Dados mostram também que maioria topa ‘3º mandato’

 

 

Por encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), os pesquisadores do instituto Sensus foram, de novo, às ruas. Descobriram o seguinte: 1) entre fevereiro e abril, a aprovação ao governo subiu de 52,7% para 57,5%; 2) a aprovação à atuação de Lula, que já roçava as nuvens (66,8%), escala a estratosfera: 69,3%.

 

Descobriu-se mais: a maioria dos eleitores brasileiros apóia a permanência de Lula num terceiro mandato. Entre os 2.000 entrevistados, 50,4% declararam ser a favor do terceiro reinado. Uma minoria situada no patamar de 45,4% mostrou-se avessa à tese do poder longevo.

 

No mesmo dia em que os números voltaram a lhe sorrir, Lula disse, em Guarulhos (SP), do alto de mais um pa©mício: "Ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou dez anos.” Para evitar desvirtuamentos interpretativos, o presidente clarificou: “É preciso que a gente tenha um grupo de pessoas que assuma compromissos e que cada um faça mais do que o outro."

 

Lula começou falando da gestão de Elói Pietá, o prefeito petista de Guarulhos. Elói Pietá (PT), que se desempenha o seu último mandato: "Nós agora temos que trabalhar para que quem vier no lugar do Elói faça mais que o Elói. Não pode fazer igual ou menos."

 

Depois, o presidente inseriu a si mesmo no discurso: "Quem vier depois de mim... Só tenho que pedir a Deus para que seja uma pessoa mais abençoada que eu e faça mais que eu. Que olhe para os pobres mais que estou olhando."

 

Em entrevista publicada na véspera, Lula classificara a pregação em torno do terceiro mandato de “uma coisa obscena.” A oposição, porém, continua com o pé atrás. O deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, por exemplo, afirma: “O Lula já se definiu que uma metamorfose ambulante. Quem garante que daqui a pouco não estará dizendo e fazendo coisa diferente?

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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Serra é vaiado e Lula diz que PAC não é eleitoral

 

 

A onda do pa©lanque chegou a São Paulo. Lula abriu o seu expediente em Osasco. Foi “inaugurar” assinaturas em ordens de serviço do Programa de Aceleração do Crescimento. O petismo local, como sói, providenciou a platéia.

 

Como em qualquer comício convencional, também no pa©mício a audiência não é inofensiva. O brasileiro que se dispõe a desperdiçar nacos do seu tempo ouvindo –de pé e sob o Sol—o palanfrório que costuma jorrar desse tipo de evento não é um cidadão qualquer.

 

É gente que tem lá as suas predileções políticas. É gente que traz enterrada dentro de si uma meia dúzia de trevas interiores. O melhor é não provocá-las. O governador tucano José Serra, porém, decidiu pagar pra ver o que há dentro da alma dessa gente.

 

Convidado, Serra foi ao pa©lanque de Osasco. Ousou discursar. Não deu outra. Foi vaiado. Antes dele, a ministra petista Marta Suplicy (Turismo) recebera efusivos aplausos.

 

Na seqüência, Lula como que repreendeu os súditos. Disse que a transposição do “ clima eleitoral” para os eventos relacionados ao PAC “não é legal”. Sob pena de permitir que "alguns maus jornalistas possam fazer valer as suas teses." Ou, por outra: "Daqui a pouco a Justiça Eleitoral pensa que eu tô fazendo campanha", disse o presidente.

 

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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As manchetes desta segunda

- JB: - Dengue provoca protestos no Rio

- Folha: BNDES quer fusão entre laboratórios nacionais

- Estadão: PF envolve mais um deputado no caso BNDES

- Globo: PT de Minas desafia direção e fecha acordo com Aécio

- Gazeta Mercantil: MEC descobre 3 milhões de fantasmas

- Correio: Aliados pedem definição de Lula sobre candidato

- Valor: Italianos e russos na disputa da FAB

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h26

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Fome Zero!

Benett
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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PSB quer manter Aécio na aliança de Belo Horizonte

A Executiva nacional do PSB não tem a menor intenção de acompanhar o veto imposto pelo PT à aliança com o PSDB de Aécio Neves em Belo Horizonte. A maioria do colegiado de 18 pessoas que dirige o PSB considera o apoio do governador tucano crucial para o êxito de Márcio Lacerda (foto), o candidato do partido à prefeitura da capital mineira.

 

“Só temos condições de ganhar a eleição em Belo Horizonte se juntarmos todo mundo, inclusive o Aécio”, disse ao blog o senador Renato Casagrande (ES). Ele é líder do PSB no Senado e membro da Executiva da legenda, que se reúne nesta terça-feira (29), especialmente para discutir o caso mineiro.

 

De acordo com o que apurou o repórter, a tendência da direção nacional do PSB é a de adotar, nesse primeiro momento, uma posição política. Tentará conciliar os interesses do PT com os de Aécio. Mais adiante, porém, prevalecendo o impasse, o partido tende a ficar com o governador tucano, não com o petismo.

 

Casagrande esquiva-se de falar sobre o futuro. “Temos tempo”, diz ele. Mas não esconde o dilema a que foi submetido o seu partido: “Márcio Lacerda, o nosso candidato, é fruto da unidade que foi produzida em Belo Horizonte. Ele é secretário [de Desenvolvimento Econômico] do governo Aécio. Não podemos ignorar isso.”

 

O líder do PSB acrescenta: “A decisão do PT tenta atingir o Aécio nos planos dele para 2010, mas acaba atingindo também o PSB [que tem em Ciro Gomes a sua alternativa presidencial]. O PT tem autonomia para fazer o que achar melhor. Mas o PSB precisa cuidar dos seus interesses. E a prefeitura de Belo Horizonte é um ponto importante para o nosso partido.”

 

No encontro da Executiva, Casagrande vai defender a busca de uma acomodação do PT. Sem dispensar, contudo a contribuição de Aécio. “A aliança com o PT é importante, mas precisamos preservar também a participação do Aécio”, diz ele.

 

Vai-se chegar a um impasse. A direção nacional do PT transformou o veto a Aécio numa questão de honra. Acha que, prestigiando a parceria com o tucanato mineiro, a eventual vitória de Márcio Lacerda injetará uma azeitona na empada de Aécio, um dos candidatos do PSDB à sucessão de Lula.

 

Para complicar o que já não era simples, o diretório do PT em Belo Horizonte aprovou, neste domingo (27), a indicação do deputado estadual Roberto Carvalho (PT-MG) para compor, na condição de vice, a chapa de Márcio Lacerda (PSB), o candidato de Aécio. Presente à reunião, Fernando Pimentel, o prefeito petista de Belo Horizonte e fiador da aliança PT-PSDB em torno do “socialista” Lacerda, insistiu na defesa da parceria eleitoral com Aécio.

 

Nos subterrâneos, o PSB receia que, excluído da aliança, Aécio dê de ombros para Márcio Lacerda e opte por lançar outro candidato a prefeito: o deputado estadual tucano João Leite. Visto como bom gestor, Lacerda não é o que se poderia definir como um campeão de votos. É, por assim dizer, um “poste” de Aécio. Dissociado do governador, tenderia a perder luminosidade. Ou seja, se o PT nacional esticar a corda, o PSB penderá para Aécio.

 

Curiosamente, Lula não vê na parceria mineira os riscos que a Executiva nacional do PT enxerga. Na semana passada, telefonou para Aécio. Disse que considerara um “erro” o veto do PT. Depois, entrevistado por repórteres de jornais que integram o condomínio dos Diário Associados, o presidente respondeu assim a uma pergunta sobre a parceria mineira:

 

“Cada partido, na sua cidade e no seu Estado, tem que determinar a política que ele entende que seja mais conveniente. O que estou entendendo? Que é conveniente para o Aécio fazer a aliança com o Fernando Pimentel [prefeito petista de BH] e é conveniente para o Pimentel fazer a aliança com o Aécio. Como o Aécio tem o controle do PSDB e o Pimentel mostrou ter o controle do PT, os dois fizeram aliança. Eu acho normal para disputar a prefeitura. A gente não pode também ficar querendo que Roraima e Pernambuco se envolvam no acordo que Minas Gerais fez.”

 

A aliança não tem significado nacional?, perguntou-se a Lula. E ele: “Eu não vejo assim. Obviamente que quem fez pode pensar que tem.” Aécio, de fato, imagina que tem. A Executiva nacional do PT também. Idem para a direção do PSB, com uma diferença: Márcio Lacerda, além de secretário de Aécio, é unha e cutícula com Ciro Gomes, o presidenciável do PSB.

 

Sob Lula, Lacerda foi secretário-executivo de Ciro na pasta da Integração Nacional. Antes, coordenara a campanha presidencial de Ciro, em 2002. Assim, entre ficar com Aécio e apoiar o veto petista, o PSB não hesitará em cravar a primeira alternativa.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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PSDB formaliza candidatura Alckmin em 5 de maio

  Folha
Geraldo Alckmin acertou com a cúpula nacional e com a direção municipal do PSDB o dia do lançamento formal de sua candidatura ao cargo de prefeito de São Paulo. Será daqui a uma semana, em 5 de maio. Seu nome será aprovado em reunião da Executiva do partido na capital paulista.

 

Com isso, Alckmin pretende enterrar o falatório acerca da possibilidade de desistir da disputa. Nesta segunda-feira (28), para evitar que o diz-que-diz continue a alçar vôo nos sete dias que faltam para a reunião da Executiva, os partidários de Alckmin realizam um ato de apoio a ele. Será num auditório chamado “Espaço Veneza”, na região central de São Paulo.

 

As especulações que roem a postulação de Alckmin tonificaram-se na semana passada, depois que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) obteve o apoio do PMDB de Orestes Quércia. Sob aplausos invisíveis de José Serra. Embora tucano como Alckmin, Serra joga o seu prestígio na reeleição de Kassab.

 

Com o assentimento do candidato, o pedaço do PSDB que está com Alckmin prepara uma espécie de arapuca para Serra. Algo que force o governador a apoiar, ao menos em público, a opção partidária. Planeja-se o seguinte:

 

Depois de receber, finalmente, a chancela formal do PSDB paulistano, Alckmin será aclamado num ato público a ser realizado antes do fim de maio -espera-se que aconteça até o dia 20. A coisa foi concebia para transbordar as fronteiras de São Paulo.

 

A idéia é arrastar para o ato pró-Alckmin os principais grão-duques do tucanato – de Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra, a Sérgio Guerra, mandachuva de fato; de Arthur Virgílio, líder no Senado, a José Aníbal, líder na Câmara; de Aécio Neves, governador de Minas, a –surpresa (!), pasmo (!!), estupefação (!!!)—José Serra, chefe do Executivo paulista.

 

Em conversa com o repórter, um auxiliar de Serra brincou: “É preciso ver como vai estar a agenda do governador no dia do evento. A defesa dos interesses do Estado tem exigido do governador muitas viagens. Algumas delas para o exterior.”

 

A despeito do oba-oba urdido por Alckmin e seu grupo, o candidato tucano continua padecendo de graves fragilidades políticas. Vai à campanha tendo contra si as máquinas do Estado e do município. E faltam-lhe, por ora, aliados capazes de tonificar o seu tempo de TV.

 

Hoje, o tucano dispõe de escassos 3min de propaganda eleitoral. É menos da metade do tempo de publicidade de Kassab que, vitaminado pelo PMDB, levou ao embornal algo como 7min30s de tempo de TV. Alckmin precisa, desesperadamente, de alianças. Cobiça o PTB (2min de televisão) e o chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB, 4min de propaganda). Este último é assediado também pelo PT de Marta Suplicy.

 

Neste domingo (27), Alckmin participou de missa em memória do padrinho político Mário Covas. Celebrou-a um pároco conhecido como padre Ticão. Era velho amigo de Covas, que costumava chamá-lo de "padre Pidão." Uma alusão aos pedidos de ajuda para obras sociais que o prelado custumava encaminhar ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Se estivesse vivo, Covas teria feito aniversário de 78 anos em 21 de abril. Daí a missa. Além de Alckmin, compareceram familiares de Covas e políticos tucanos. Entre eles o deputado federal José Aníbal, líder da legenda na Câmara. Em conversa com o blog, Anibal disse ter encontrado um Alckmin animado com o desafio da campanha. Festejou a decisão de oficializar a candidatura em 5 de maio. "Esse ambiente de indefinição só interessa aos adversários", disse.

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Senado tenta corrigir projeto da Saúde na terça

  José Cruz/ABr
Conforme noticiado aqui, está errado o projeto que o Senado aprovou para aumentar o orçamento da Saúde. Do modo como foi redigida, longe de aumentar, a proposta retira R$ 5 bilhões das arcas da Saúde já em 2008. Nesta terça-feira (29), a encrenca será levada ao plenário. A correção depende de nova votação dos senadores, que haviam aprovado o erro por unanimidade.

 

O relator do projeto, Augusto Botelho (PT-RR, na foto), foi buscar no regimento interno do Senado uma janela para a solução. Encontrou-a no artigo 325. Trata exatamente “erro em texto aprovado e com redação definitiva.” Manda que o presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), devolva a proposta às comissões, sugerindo “o modo de corrigir o erro.”

 

Em carta ao repórter, Botelho explicou que, submetido a um regime de urgência, o projeto poderá ser corrigido no próprio plenário, sem ter de descer às comissões. Já conversou com Garibaldi a respeito. Combinou-se que a questão será dividida com o plenário na sessão da próxima terça-feira.

 

O projeto problemático foi aprovado em 9 de abril. É de autoria do senador Tião Viana (PT-AC). Em seu relatório, Augusto Botelho, médico há 35 anos, manteve inalterada a espinha dorsal da proposta original, que injetará nos cofres da Saúde um adicional de R$ 23 bilhões. O erro escalou o projeto por meio de uma emenda.

 

O propósito era bom: escalonar os percentuais o aumento de receita ao longo dos próximos anos, num processo a ser concluído em 2011. O problema é que, nessa emenda, utilizou-se um conceito de receita que, prevalecendo, rói o orçamento da Saúde em vez de fortalecê-lo.

 

“Naquele momento [da votação], não nos demos conta”, diz Augusto Botelho. “Felizmente, durante a consolidação da redação final do projeto, fase final antes do envio à Câmara, foi detectada a incompatibilidade dos termos. Na próxima terça-feira, em sessão deliberativa, farei um apelo ao Presidente Garibaldi para que, tão logo a pauta seja desobstruída, o plenário vote novamente a redação originalmente proposta no meu parecer, que atinge o objetivo de todos nós, senadores: o aumento dos recursos para a saúde pública.”

 

Corrigido o equívoco, há um segundo obstáculo a ser transposto. O projeto não informa de onde virá a verba extra da Saúde. Lula já avisou: se chegar ao Planalto assim, sem definição de fonte de receita, o projeto será vetado.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

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Lula cogita pagar adiantado a energia do Paraguai

 

 

Fernando Lugo, o presidente eleito do Paraguai, tem encontro marcado com Lula no dia 15 de agosto. Pedirá, como se sabe, o aumento do preço do pedaço de energia que recebe de Itaipu, não utiliza e vende ao Brasil. Disposta a ajudar, Brasília esboça a oferta que fará a Lugo.

 

Prevê o seguinte: o tratado de Itaipu Binacional, firmado em 1973, seria mantido intacto. Os preços pagos ao Paraguai tampouco seriam modificados. O que a administração Lula se dispõe a fazer é antecipar os pagamentos.

 

O Brasil deve oferecer também ao novo presidente paraguaio uma mãozinha do BNDES. O bancão abriria uma linha de crédito para o Paraguai construir uma linha de transmissão de energia de Itaipu até a capital Assunção.

 

Em troca, seria exigido de Lugo o incremento da colaboração entre as polícias paraguaia e brasileira. Deseja-se conter o contrabando de armas, drogas e mercadorias. Aos pouquinhos, vai-se chegando a termos aceitáveis.

 

Parece razoável que o Brasil, uma potência quando comparado à insignificância econômica do Paraguai, se disponha a auxiliar o vizinho. O que não dá é para engolir o lero-lero de que atenta contra a integridade dos contratos.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Preço da gasolina pode ter reajuste acima de 5%

O cheiro do aumento de preço impregna a atmosfera há semanas. Há dois dias, foi tonificado por declarações de Lula. Referindo-se aos derivados de petróleo, o presidente disse:

 

“Nós temos uma defasagem. Para que possamos tomar medidas de aumento de qualquer coisa na área de combustíveis, precisamos ver qual implicação vai ter na inflação.”

 

No dia seguinte, Lula negaria o óbvio. Suas declarações, diria 24 horas depois, não representam um sinal de que o governo esteja na bica de anunciar um aumento da gasolina e do dieesel. É lorota.

 

A Petrobras já fez a conta do aumento. Alega que é preciso encurtar a distância que separa os preços praticados aqui dentro com a cotação internacional do barril de petróleo, hoje roçando a casa dos US$ 120.

 

Estima-se que o aumento preconizado pela estatal vá ficar acima dos 5%. A encrenca será decidida na mesa de despachos de Lula. Desautorizando o reajuste, o presidente empurra a defasagem para dentro da escrituração da Petrobras.

 

Autorizando-o, enfia o aumento da gasolina e do diesel no preço de todos os produtos que dependem de transporte rodoviário para chegar até o consumidor. Inaugura-se um efeito dominó que vai bater na inflação. E daí para a taxa de juros.

Escrito por Josias de Souza às 20h13

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Lula diz que ainda não escalou Dilma como candidata

Presidente deu entrevista a jornais dos Diários Associados

Começo da campanha: ‘Será depois das eleições de 2008’

Sucessor: ‘Pode ficar certo de que governo terá candidato’

Dilma Roussef? ‘Não sei quem está dizendo que é a Dilma’

Rivais: Aécio e Serra  ‘não podem  ficar sozinhos na praia’

Que acha da idéia do 3º mandato?  ‘É uma coisa obscena’

 

Sérgio Lima/Folha

 

Lula falou a uma equipe de jornalistas do grupo Diários Associados. A entrevista durou uma hora e vinte minutos. O ponto central foi a sucessão de 2010. Mas o presidente falou sobre outros temas candentes: os juros e o dossiê, por exemplo. Vão abaixo trechos das declarações de Lula, extraídas do Correio Braziliense (só para assinantes):

 

- Na pele de eleitor: “[...] Outro dia não sei quem foi que achou absurdo eu dizer que queria fazer meu sucessor. Houve alguém que ficou estarrecido. Ele deveria ficar estarrecido se eu não quisesse fazer. Penso em fazer o sucessor à Presidência da República. Trabalho para isso. Agora, eu tenho uma base muito heterogênea. Com que o presidente precisa contar neste momento? Com a hipótese de que a gente consiga montar uma chapa única da base aliada.”

 

- E se houver mais de um candidato? “O PSB, por exemplo, é um aliado histórico e tem candidato à Presidência, o deputado Ciro Gomes, um candidato forte porque já foi candidato duas vezes [...]. É bem possível que outros partidos queiram lançar candidato. E vocês jamais me verão reclamar de um partido querer lançar candidato [...]. Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato.”

 

- Por que Dilma?  “Eu não estou dizendo que será a Dilma. Não sei quem está dizendo que é a Dilma. É muito difícil a gente tentar lançar alguém candidato sem que tenha uma discussão com o partido ou com os aliados. Se você perguntar das qualidades da Dilma, vou dizer para você uma coisa: existem raríssimas pessoas no Brasil com a capacidade gerencial da companheira Dilma Rousseff. Rarísssimas [...]. Eu acho uma figura extraordinária. Agora, entre ser uma figura extraordinária para gerenciar e ser candidata à Presidência é uma outra conversa, porque aí entra um ingrediente chamado política, que exige outras credenciais. Eu não estou discutindo isso agora. No momento certo, provocarei a discussão.”

 

- Quando será o momento? “Será depois das eleições de 2008. Terminada a eleição para as prefeituras, a partir do ano que vem todo mundo tem que saber claramente que vamos começar a campanha de 2010, sem que o presidente participe diretamente, porque tenho muita coisa para fazer, mas os partidos precisarão começar a sair a campo, porque se não fica uma situação desigual.”

 

- Oposição: “O PSDB tem dois candidatos já postos, o [José] Serra e o Aécio [Neves]. Não se sabe se o [Geraldo] Alckmin quer ser ou não. Ou seja, a oposição não pode ficar nadando na praia sozinha. É preciso colocar mais gente nessa praia, e acho que os partidos vão colocar.”

 

- Aécio no PMDB seria alternativa? “É muito difícil para o presidente da República discutir em tese. É preciso primeiro saber se o PMDB quer. Segundo, saber qual é o tempo em que ele faria isso, porque isso aos olhos do povo não é uma coisa simples [...]. Obviamente que o governador de Minas tem condições de pleitear ser candidato a presidente, como tem o governador de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. Agora, primeiro tem o confronto interno, que não é uma coisa fácil. E certamente o Aécio não vai correr do jogo antes de o jogo ser jogado. Ele vai ter que disputar. Se ele perde e depois tenta sair, aí realmente é um tiro pela culatra.”

 

- E quanto ao terceiro mandato? “Eu acho que é impensável, se você quiser consolidar a democracia no Brasil, pensar em terceiro mandato. Porque hoje você pensa em terceiro mandato, amanhã pensa em quarto mandato, daqui a pouco está pensando em quinto mandato. E isso é uma coisa obscena para a sustentabilidade da democracia no Brasil [...]. A oposição que está com medo do terceiro mandato é a oposição que achava que meu mandato tinha acabado em 2005.”

 

- O vazamento do dossiê: “Achar que este governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth [Cardoso], contra o Fernando Henrique Cardoso, é não ter dimensão de que, se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem. E que certamente, se investigados, teriam muitas coisas… Eu não fiz porque fui vítima disso a vida inteira. O que estamos fazendo é um banco de dados [...]. Agora, se alguém consegue pegar um documento e vender como dossiê, ou entrega para um senador e para um deputado, eu não posso fazer outra [coisa] a não ser apurar, para saber o que aconteceu [...]. Posso ter todos os defeitos, mas se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é ter uma relação política leal.”

 

- Carestia e alta dos juros: “Não me peça para discutir o Banco Central. Você pode discordar da visão que o Banco Central está tendo de que a inflação daqui a um ano será de 6% ou 7%, ou você pode concordar. Então, cabe ao governo, em vez de ficar choramingando, tomar atitudes para evitar que os preços da comida subam. Naquilo que são preços que dependem do governo as coisas estão mais ou menos controladas. Então, eu acho que não há necessidade de a gente ter medo da inflação [...]. Precisamos aumentar a produção. Não está acontecendo isso [excesso de demanda] no Brasil. Não está acontecendo. Porque tem muitos investimentos. Esses investimentos num primeiro momento são consumo, porque você tem que comprar as coisas para construir uma fábrica, mas num segundo momento se tornam oferta [...]. Nós não queremos truncar o crescimento. Daí a minha preocupação com o aumento dos juros.”

Escrito por Josias de Souza às 05h40

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Serra e Aécio vão às previas tucanas em igualdade

  Sérgio Lima/Folha
A dois anos e meio da sucessão de 2010, José Serra figura em todas as pesquisas eleitorais como franco favorito. Aécio Neves amarga uma constrangedora terceira colocação. Na queda-de-braço que travam pelo controle da máquina do PSDB, porém, os dois ostentam uma igualdade que contrasta com a sondagem pública.

 

Dissemina-se pelo tucanato a impressão de que não são negligenciáveis as chances de que, numa eleição prévia, o azarão Aécio prevaleça sobre Serra. Atento ao risco, o governador de São Paulo abriu janelas em sua agenda para correr os Estados. Algo que Aécio já vinha fazendo desde 2007 e que intensificou neste ano.

 

Serra arrosta dificuldades mesmo no diretório de São Paulo, Estado que governa. Ali, embora majoritário, Serra vê o pedaço do partido fiel a Geraldo Alckmin bandear-se para o lado de Aécio. A secção mineira, em contraposição, devota fidelidade canina a Aécio.

 

Estrategistas do partido começaram a mapear a disputa que se avizinha. Na extremidade inferior do mapa, verifica-se que, se a disputa fosse hoje, Aécio bateria Serra no Rio Grande do Sul, perderia em Santa Catarina e dividiria ao meio o Paraná. No outro extremo do país, Serra tem dificuldades de entrar.

 

No Estado do Amazonas, Serra é praguejado como inimigo da Zona Franca de Manaus. Ali, Aécio tende a disputar votos não com seu rival número um, mas com o amazonense Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, que declara-se disposto a disputar a vaga presidencial. Não há aferição confiável nos demais Estados da região Norte. Mas imagina-se que não estejam alheios ao discurso anti-São Paulo que impregna o Amazonas.

 

No Nordeste, verifica-se flagrante equilíbrio entre os dois principais contendores tucanos. No diretório do Ceará, protegido por barricadas erguidas pelo senador Tasso Jereissati, Aécio anula Serra. Na Bahia, dá-se o oposto. Ajudado pelo deputado Jutahy Magalhães Jr., um amigo de décadas, Serra é favorito.

 

O Rio Grande do Norte pende para Serra. Pernambuco, para Aécio. A Paraíba é uma incógnita. Em 2006, o governador tucano Cássio Cunha Lima ficou ao lado da candidatura presidencial de Alckmin, contra Serra. Agora, não se sabe que posição irá adotar. Na dúvida, os dois candidatos fazem-lhe a corte.

 

A engrenagem partidária da Paraíba, de Alagoas, e de Sergipe está dividida entre Serra e Aécio. A posição do Piauí é, por ora, ignorada. Mais ao centro, Serra é majoritário em Mato Grosso do Sul. Há uma divisão na máquina do partido em Mato Grosso. Goiás aguarda por uma definição do senador Marconi Perilo, mandachuva do tucanato local.

 

Conhecido como um partido de cúpula, o PSDB parece decidido a democratizar a escolha de seu candidato às eleições de 2010. A realização de prévias foi aprovada pela Executiva nacional tucana, ainda sob a presidência de Tasso Jereissati (CE), o inimigo cordial de Serra. Sérgio Guerra (PE), substituto de Tasso, toma agora as providências para que a consulta ocorra.

 

Entre a saída de Tasso e a chegada de Guerra, sobreveio a decisão de Arthur Virgílio de submeter seu nome a teste. Aécio soltou fogos. Com três candidatos, diz ele, a prévia, antes apenas conveniente, passou a ser imprescindível. Na semana passada, Virgílio foi aos EUA especialmente para testemunhar a disputa dos democratas Barack Obama e Hillary Clinton na prévia da Pensilvânia.

 

Nas pesquisas que captam a intenção de voto de todo eleitorado, a vantagem de Serra é devastadora. Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 31 de março, o governador paulista lidera em todos os cenários. Seus percentuais oscilam entre 36% e 38%. Aécio balança entre 11% e 14%. Fica atrás de Ciro Gomes (PSB) e até de Heloisa Helena (PSOL).

 

É curioso que, submetido a tais indicadores, Aécio consiga ombrear com Serra na disputa interna. Fica a impressão de que o discurso anti-São Paulo e a propalada antipatia de Serra, quando confrontadas com o também lendário jeitinho mineiro de fazer política, encontra eco nas engrenagens do partido.

 

Atento aos fenômenos, Serra resolveu se mexer. Nos últimos três meses, esteve no Ceará, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Prepara nova visita a Pernambuco. Move-se como se estivesse decidido a encurtar a distância que separa a curva das pesquisas externas dos gráficos que medem os votos internos. Tempo não lhe falta. A eleição ainda é um ponto longínquo no calendário. O problema é que Aécio não está e não vai ficar imóvel.

Escrito por Josias de Souza às 03h40

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As manchetes deste domingo

- JB: Propaganda de bebidas leva jovens para o vício

- Folha: Cidades que desmatam lideram violência

- Estadão: Governo estuda antecipação de pagamentos ao Paraguai

- Globo: Governo terceiriza a ONGs política indigenista do país

- Gazeta Mercantil: Cosan surpreende e compra ativos da Esso por US$ 1 bi

- Correio: Exclusivo: Lula exorcisa as tentações

- Valor: Oi e BrT fecham acordo para criar tele nacional

- Veja: Fernando Lugo, do Paraguai, exige cinco vezes mais dinheiro por Itaipu

- Época: O que está por trás do acordo entre Quércia e Kassab

- IstoÉ: Exclusivo: O espólio secreto de ACM

- IstoÉ Dinheiro: A vitória do etanol

- Carta Capital: A guerra da comida

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Povos da Floresta!

Ique
 

PS.: Via sítio do JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Pelo menos 10 serão indiciados no acidente da TAM

Antônio Gaudério/Folha
 

 

Nove meses depois da tragédia com o Airbus-A320 da TAM, em Congonhas, a Polícia Civil de São Paulo diz ter reunido provas para indiciar pelo menos dez pessoas no inquérito que apura os responsáveis pela morte de 199 pessoas. A informação foi divulgada pelo delegado Antônio Carlos Menezes Barbosa, do 27º DP de São Paulo.

 

Responsável pelas investigações, Menezes Barbosa participou, neste sábado (26), do oitavo encontro dos familiares das vítimas do vôo JJ 3054. Deu-se em Porto Alegre, num auditório do Hotel Embaixador (assista aqui à reportagem da RBS).

 

O delegado esquivou-se de mencionar os nomes dos prováveis indiciados. Disse apenas que serão acusados de lesão corporal e homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Previu para junho a conclusão do inquérito. De resto, afirmou que a tragédia poderia ter sido evitada se uma regra da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) tivesse sido respeitada.

 

Trata-se da norma que proibia o pouso, em Congonhas, de aeronaves com os freios auxiliares travados. “Se a norma tivesse sido obedecida, o avião não pousaria em Congonhas e, conseqüentemente, poderia não haver acidente”, disse Menezes Barbosa.

 

O delegado disse ainda que tenta, há dois meses, inquirir Milton Zuanazzi, o ex-presidente da Anac que renunciou no auge da crise aérea. Deseja ouvi-lo justamente sobre a norma que diz ter sido desrespeitada.

 

Zuanazzi diz que não recebeu nenhuma intimação. Afirmou também que, na época do acidente, a norma mencionada por Menezes Barbosa ainda não estava em vigor.

Escrito por Josias de Souza às 21h37

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O ‘desarmador de adversários’ e o ‘ladrão de pipoca’

O ‘desarmador de adversários’ e o ‘ladrão de pipoca’

Deve-se a José Serra a melhor, a mais precisa definição de José Serra. Ao discorrer, em 2002, sobre sua infância, vivida no bairro paulistano da Mooca, Serra disse que era “bonzinho em casa, briguento na rua e barulhento na escola”. No futebol, “não era bom para driblar, mas para desarmar”.

 

O auto-retrato está assentado nas páginas de "O Sonhador que Faz." Trata-se de uma espécie de biografia consentida. Escreveu-a o repórter Teodomiro Braga. Serviu-se de sessões de entrevistas com o biografado.

 

Deve-se a Lula a melhor, a mais límpida qualificação de Orestes Quércia –o filho de uma lavradora com um balconista de mercearia, que fez da política trampolim para erigir um império.

 

Num debate televisivo ocorrido nas eleições de 1994, Quércia fustigou o rival petista: “O Lula nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca.” Ouviu uma resposta que, ainda hoje, ecoa: “É verdade que eu nunca dirigi um carrinho de pipoca, mas também nunca roubei a pipoca.”

 

Pois bem. O “ladrão de pipoca” é, hoje, uma nódoa de prontuário lavado. Depois de cortejado pelo próprio Lula, que o recebera em palácio, Quércia converteu-se, nas eleições municipais de 2008, em objeto de desejo dos principais candidatos à prefeitura de São Paulo.

 

Pelo apoio de Quércia, ajoelharam no milho os favoritos Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Também o governador tucano José Serra adotou a posição genuflexa. Com uma diferença: foi ao solo com meniscos alheios. Mandou aos grãos os joelhos do apadrinhado Gilberto Kassab (DEM).

 

Depois de saborear o assédio múltiplo, Quércia deu-se ao luxo de escolher a parceria que lhe pareceu mais conveniente, aquela que lhe dará a mais confortável candidatura ao Senado em 2010. Há coisa de dez dias, informara à direção do PMDB: “Vou fechar com a Marta.” Produziu-se, porém, uma reviravolta.

 

Entrou em cena o menino da Mooca, hoje um político “bonzinho” em público, “briguento” com os subordinados e “barulhento” nos subterrâneos de seu próprio partido. Na articulação política, como nas peladas de menino, Serra não é “bom para driblar”. Seu negócio continua sendo o “desarme.”

 

Serra opera com a sutileza de zagueiro de várzea. Prefere mandar os adversários à maca a receber bolas pelas costas. Foi driblado por Alckmin, que ousou se contrapor a Kassab. Foi fintado também por Aécio Neves, que se atrevera a meter o bedelho na seara paulistana. Súbito, tomado de impaciência inaudita, Serra foi às canelas.

 

Com as digitais de Kassab, o governador acertou-se com Quércia. De um só golpe, roubou o oxigênio de Alckmin e acercou-se de um pedaço do PMDB, partido que parecia flertar por inteiro com o projeto Aécio-2010.

 

É certo que Serra deu bom dia à incoerência. Mas zagueiro que é zagueiro importa-se com o resultado, não com o método. Em 1988, supostamente incomodados com a má fama do “ladrão de pipoca”, alguns ilustres dissidentes do PMDB –à frente FHC, Mário Covas, Franco Montoro e José Serra—enrolaram-se na bandeira da ética.

 

Fundaram o PSDB, uma legenda que se pretendia imaculada. Ontem, quando inquirido sobre a má fama que serviu de pretexto para que os tucanos criassem asas, Quércia exaltava-se. Num programa Roda Viva, quase saiu no braço com um jornalista que o inquiriu sobre o patrimônio (assista no vídeo lá do alto).

 

Hoje, munido do novo prontuário que lhe deram os acusadores do passado, Quércia já nem precisa se exaltar. Certa vez, referiu-se à revoada do tucanato histórico assim: "Eles não me atacavam por corrupção, mas porque eu dominava a política de São Paulo e não dava espaço pra eles.”

 

Noves fora os movimentos incongruentes, os últimos lances da partida de São Paulo deixaram no ar a sensação de que o PSDB, ao mesmo tempo em que se recompõe com o velho inimigo, volta a exercitar o seu esporte predileto: briga consigo mesmo, cobre a si próprio de pancadas.

 

Diz o senso comum que “errando é que se aprende”. O tucanato adaptou o brocardo: “Errando é que se aprende... A errar.” O PSDB carrega sobre os ombros dois fracassos presidenciais: 2002, com Serra, e 2006, com Alckmin. Desponta no gramado de 2010, de novo, dividido.

 

Vai à peleja como candidato favorito a ser derrotado pelo adversário. Algo que, dessa vez, imporá vexame maior. Com Lula fora do jogo, os pássaros arriscam-se a tomar uma goleada de um “poste.”

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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A foto do sábado: o encontro dos dois ‘paralelos’

Luiz Carlos Murauskas/Folha
 

 

O cotidiano de um político não é senão uma sucessão de poses. Faz pose do instante em que escova os dentes até o momento em que leva a cabeça no travesseiro. Impossível saber se o seu ódio ou a sua cordialidade é ou não representado.

 

Neste sábado, Lula e Serra, dois projetos paralelos condenados a um (re)encontro no infinito de 2010, trocaram sorrisos. Deu-se no lançamento da campanha de vacinação de idosos contra a gripe, em São Bernardo do Campo (SP).

 

Serviu-se aos fotógrafos uma bela pose: o braço que carrega o poste expôs-se -de mentirinha, claro- à seringa mais eletrificada da oposição. Um observador incauto poderia enxergar na foto o encontro do passado iminente com o futuro saliente.

 

Em política, porém, uma pose só ganha ares de paisagem definitiva depois de uma infinidade de olhares. O sujeito que está hoje aqui amanhã pode estar ali. Exige-se do observador uma paciente, uma lenta acomodação ótica.

 

A propósito, o braço, que não é bobo, menosprezou os últimos movimentos da seringa. Disse que é uma “insanidade” enxergar na seqüência de poses municipais de 2008 os presságios da cena fatídica de 2010.

Escrito por Josias de Souza às 19h37

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As manchetes deste sábado

- JB: Secretário de Saúde proíbe filhos de usarem repelentes

- Folha: Com R$ 2,6 bi do BNDES, Oi compra a Brasil Telecom

- Estadão: Arrecadação do governo sobe 13% no 1º trimestre

- Globo: Governo estuda aumento de 3% a 5% para gasolina

- Gazeta Mercantil: Cosan surpreende e compra ativos da Esso por US$ 1 bi

- Correio: Crise de alimentos põe ONU e Lula em alerta

- Valor: Oi e BrT fecham acordo para criar tele nacional

- Estado de Minas: Diretório de BH desafia cúpula e quer aliança

- Jornal do Commercio: Dobra o número de mortes por dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h56

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Travessia!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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PSB reúne Executiva para decidir entre Aécio e PT

  Folha
O tucano Aécio Neves terá um final de semana trabalhoso. Vetado pelo PT nacional, ele agora sua a camisa para segurar do seu lado o PSB. É o partido ao qual está filiado Márcio Lacerda, o candidato-poste do governador mineiro à prefeitura de Belo Horizonte.

 

Embora tenha proibido o petismo mineiro de associar-se ao PSDB de Aécio, a direção nacional do PT recomenda vivamente a manutenção da aliança com o PSB de Lacerda. Aécio ou PT?, eis a dúvida que passou a rondar os socialistas.

 

O PSB convocou para terça-feira (29) da semana que vem uma reunião de sua Executiva nacional. Será em Brasília. Espera-se que o encontro produza uma resposta à interrogação que ameaça descarrilar o trenzinho partidário que Aécio pôs em movimento.

  

Dá-se com o PSB algo semelhante ao que ocorreu com o PT. Em Minas, o partido quer manter o seu vagão ligado à locomotiva de Aécio, um governador que está de bem com as pesquisas de opinião. A direção nacional, porém, está dividida. Um pedaço dela pende para o PT.

 

Pelo telefone, Aécio tricota com a cúpula do PSB. Serve-se da amizade que o une ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (na foto), presidente da legenda. Recorre também às boas relações que cultiva com Ciro Gomes. O presidenciável do PSB é ardoroso defensor da candidatura de Lacerda, que, antes de compor o secretariado de Aécio, servira-lhe como assessor no ministério da Integração Nacional, sob Lula.

 

As primeiras impressões de Aécio indicam que o PSB não deve fugir de seu guarda-chuva. Eduardo Campos consulta-se com ninguém menos que Lula. Em telefonema a Aécio, ocorrido depois da decisão do PT nacional, Lula disse ao governador ter considerado o veto um erro de seu partido.

 

Antes de se acertar com Aécio, o prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, aconselhara-se com o presidente da República. Ouvira de Lula palavras de estímulo à composição local com o PSDB. Recomendara apenas que Pimentel tentasse acomodar na super-aliança o PRB do vice-presidente José Alencar e o PMDB.

 

Resta agora saber se, consumada a encrenca, o presidente se animará a conspirar abertamente contra a deliberação da Executiva nacional petista. Não parece interessado em comprometer a autoridade nacional com a resolução de refregas municipais.

 

Se optar por Aécio, como espera o governador mineiro, o PSB como que forçará o PT a lançar um candidato próprio à sucessão de Pimentel. O prefeito petista anuncia a intenção de recorrer à Justiça Eleitoral contra o veto à aliança com o PSDB. Mas o eventual processo, por lento, tende a ser superado pelo fato consumado de uma nova candidatura.

 

O problema é que faltam candidatos ao PT. O nome mais vistoso do partido é Patrus Ananias, o ministro do Bolsa Família. Mas ele não parece interessado em trocar a vitrine de Brasília, onde está exposto como alternativa de “poste” para 2010, pela vidraça municipal.

 

O PMDB do ministro Hélio Costa (Comunicações) observa a pendenga a uma distância calculada. Nem tão longe que pareça desinteressado. Nem tão perto que demonstre sofreguidão. Candidato ao governo de Minas em 2010, Hélio Costa parece pender para Aécio.

 

A menos que o PT apresente uma candidatura minimamente viável, o PMDB cogita pular dentro da locomotiva do governador tucano. De preferência no assento de vice de Márcio Lacerda.

Escrito por Josias de Souza às 03h35

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Capitalismo à brasileira: um mega-negócio ilegal

 

 

Em “O Espírito das Leis”, Montesquieu (1689-1755) anotou: “Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda parte.” O autor ficaria corado se lhe fosse dado, num retorno momentâneo ao mundo dos vivos, desembarcar no Brasil de hoje.

 

Aqui, boas ou ruins, as leis nem sempre são executadas. A telefônica Telemar/Oi acaba de anunciar a aquisição da ex-concorrente Brasil Telecom. Negócio de R$ 5,8 bilhões. Que ainda pode alçar à casa dos R$ 12,3 bilhões.

 

Há um quê de anarquia na mega-aquisição: ela foi feita à margem da lei. Assinaram-se os contratos ao arrepio da chamada Lei de Outorgas. Uma peça que proíbe operadoras de telefonia fixa de comprarem congêneres que operam em outras praças. Por que? Para tonificar a concorrência. Ou, por outra, para proteger o consumidor.

 

Curiosamente, anuncia-se aos quatro ventos que Lula baixará um decreto alterando as regras. Ou seja, a ilegalidade está na bica de ser legalizada. A segurança é tamanha que o velho e bom BNDES animou-se a borrifar nas arcas da empresa compradora R$ 2,569 bilhões em verbas da Viúva.

 

Trançada assim, nas coxas do capitalismo à brasileira, a transação evoca os tempos da privatização do Sistema Telebrás –outro negócio que misturou interesses privados e públicos “no limite da irresponsabilidade”, sob FHC. Hoje, como ontem, a platéia assiste a tudo acomodada em dois assentos: o de consumidor e o de contribuinte.

 

Diz-se que pode haver redução de preços. Porém, o comunicado que trouxe o negócio ao nível do meio-fio não menciona o vocábulo “tarifa.” A certa altura, anota o seguinte:

 

"A Telemar entende que a complementaridade dos serviços telefônicos fixos comutados, dos serviços de telefonia móvel e dos serviços de comunicação de dados prestados pela Telemar e pela BrT permitirá a obtenção de economias de escala e de escopo que resultarão no melhor atendimento das necessidades do mercado e dos consumidores."

 

Onde se lê "economias de escala", leia-se aumento dos lucros. Ganha o "Troféu Ingenuidade" o brasileiro que for capaz de apostar um níquel na tese de que o lero-lero do "melhor atendimento das necessidades do consumidor" será traduzido em redução de preços.   

 

Assim como as transações entre os executivos das duas telefônicas –a compradora e a comprada—, o decreto que Lula pretende editar vem sendo urdido à sombra. Bem longe dos olhares de quem paga conta de telefone. Nenhuma discussão à luz do Sol. Transparência de cristal cica.

 

Em ambiente sério, o mercado e o governo deveriam respeitar a lógica do calendário. Primeiro a alteração das regras. Só depois o fechamento do negócio. A mudança das normas é conveniente? Por que não demonstrar a necessidade à bugrada? De preferência antes de o BNDES empurrar um par e meio de bilhões em arcas privadas!

 

Sob Lula, o governo vai além do que previra Balzac (1799-1850) em “A Casa Nucingen”: “As leis são as teias de aranha pelas quais as moscas grandes passam e as pequenas ficam presas.” Aqui, as moscas graúdas nem precisam forçar a teia. O Estado cuida de removê-las.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Lula festeja ‘carro verde’, com cheiro de ‘cachaça’

 

Lula visitou nesta sexta-feira a nova planta industrial da indústria petroquímica Braskem. Fica em Paulínia, município paulista. Vai produzir, com derivados de biocombustíveis, um tipo novo de plástico, a ser usado em automóveis. “Carros verdes”, segundo a denominação do presidente, com “cheiro de cachaça.”

 

Para Lula, o novo produto ajudará o Brasil no combate às críticas aos biocombustíveis: "A Braskem vai produzir o plástico verde, com sabor 51, ou com sabor Velho Barreiro, ou com sabor sei lá o que. Nós precisamos comprar esta briga enquanto nação brasileira e obrigar eles a dizer qual é a verdadeira razão pelo aumento do preço dos alimentos."

Escrito por Josias de Souza às 20h33

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Aécio tenta atrair PMDB para chapa que PT vetou

  Leonardo Wen/Folha
O veto da direção nacional do PT à aliança com o PSDB de Aécio Neves abriu janela para o ingresso do PMDB na chapa de Márcio Lacerda (PSB), o candidato patrocinado pelo governador tucano em Belo Horizonte. O vice de Lacerda, que seria indicado pelo PT, pode vir agora do PMDB.

Aécio já tricota a alternativa. Pode representar uma limonada diante da coleção de limões que a semana lhe reservou. Acertando-se com o PMDB, Aécio daria o troco no rival tucano José Serra, a quem atribui a costura do acordo que uniu o peemedebista Orestes Quércia ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo.

 

Em linha direta com Aécio, o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), passou a considerar, em seus diálogos privados, a hipótese de o pedaço mineiro do partido se acertar com Aécio. Na noite passada, em conversa com um amigo, Temer disse que o desacerto do PT com Aécio “pode abrir oportunidade para o PMDB indicar o vice” na chapa de Márcio Lacerda.

 

Ao desembarcar do “bonde” de Aécio, o PT obriga-se a construir uma candidatura própria para a disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. O grão-petismo imagina que o PMDB será seu sócio na empreitada. Mas pode dar com os burros n’água, como se diz. Hoje, o PMDB parece mais próximo de Aécio.

 

Reunido nesta sexta-feira (25), o diretório do PMDB em Belo Horizonte decidiu atribuir ao ministro Hélio Costa a tarefa de negociar a participação do partido nas eleições de outubro. Na contramão do movimento protagonizado pela direção do PT, o partido busca aproximar-se de Aécio. Em nota, o PMDB cita expressamente o nome do governador.

 

Diz o texto: “O diretório municipal de Belo Horizonte, por meio de sua Executiva, identifica no senador e Ministro Hélio Costa, uma liderança de grande expressão nacional [...]. Por isso, solicitou-se a ele que estabelecesse um diálogo com todos os partidos, com todas as instância partidárias do PMDB, com o governador Aécio Neves e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acerca da sucessão municipal na capital.”

Escrito por Josias de Souza às 18h24

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Emenda aprovada no Senado retira R$ 5 bi da Saúde

Emenda aprovada no Senado retira R$ 5 bi da Saúde

Sérgio Lima/Folha
 

 

Lula, a Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional e a imprensa discutem, há 15 dias, um falso problema. Refere-se a um projeto do senador Tião Viana (PT-AC). Foi aprovado, por unanimidade, no Senado. Visava injetar no orçamento da Saúde, até 2011, cerca de R$ 23 bilhões. Sem saber de onde tirar tanto dinheiro, o governo mobilizara seus aliados na Câmara para derrubar a proposta.  

 

Pois bem. Do modo como foi redigido, o projeto não acrescenta um mísero níquel nas arcas da Saúde. Ao contrário. Retira do orçamento gerido pelo ministro José Gomes Temporão mais de R$ 5 bilhões já no ano de 2008. Deve-se a trapaça a um erro de redação. Equívoco que passou batido pelos senadores na hora em que a proposta foi votada.

 

Nesta quinta-feira, desinformado sobre o erro, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), telefonou para Tião Viana. Disse que submeteria o projeto ao voto dos deputados a despeito da aversão do Planalto. Simultaneamente, Lula, também mal informado, reuniu no Planalto ministros e líderes dos partidos que o apóiam.

 

O presidente foi taxativo: ou os deputados indicam a fonte do dinheiro ou o projeto de Tião Viana teria de ser esmagado. "Respeitando o equilíbrio fiscal, o governo obteve o reconhecimento do país e do mundo”, disse Lula. “Não vejo razão para modificar esse comportamento agora.”

 

No Senado, o petista Tião Viana contorcia os miolos às voltas com o verdadeiro problema. Tentava providenciar a correção da proposta desastrosa que o Senado aprovara. Sob pena de impor à Saúde uma marcha a ré orçamentária. Pendurado ao telefone, o senador negociava com os lideres da oposição –Arthur Virgílio (PSDB) e José Agripino Maia (DEM)—a correção do erro. Algo que depende de nova votação.

 

Eis o DNA do problema: o projeto original de Tião Viana previa um acréscimo de 10% no orçamento do ministério da Saúde. O percentual incidiria sobre a receita bruta da União no exercício corrente. No plenário, injetou-se no projeto uma emenda que substituiu a receita bruta do ano em curso por receita líquida do ano anterior. Deu-se o desastre.

 

Deve-se a um técnico do Ministério da Saúde a descoberta do malfeito. Em contato com Tião Viana, o servidor alertou-o para o fato de que a proposta, do modo como fora redigida, reduziria em mais de R$ 5 bilhões os já combalidos cofres da Saúde. Alcançados por Viana, Virgílio e Agripino Maia demonstraram boa vontade. Disseram que não se opõem à realização de nova votação.

 

Chama-se Augusto Botelho (PT-AP) o senador que converteu o projeto de Tião Viana de solução em problema. Botelho fora escalado para atuar como relator da proposta do amigo na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Manteve a redação original. No plenário, porém, os líderes concluíram que a vitamina ao orçamento da Saúde deveria ser administrada em doses graduais.

 

O relator Augusto Botelho encomendou à assessoria a emenda do gradualismo. O dinheiro extra adensaria o caixa da Saúde em valores que variariam de R$ 8 bilhões a R$ 11 bilhões em 2008. A partir daí, o orçamento seria tonificado ano após ano. Em 2011, o adicional atingiria uma cifra em torno de 23 bilhões. Do modo como foi aprovado, porém, em vez de acréscimo, haveria subtração.

 

No encontro do Planalto, Lula, deputados e ministros chegaram a debater alternativas para cobrir as despesas que, em verdade, a proposta do Senado, não criara. Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara, sugeriu a recriação do imposto do cheque, com alíquota de 0,20%. Lula não opôs resistência, desde que a recriação do tributo seja embutida na proposta de reforma tributária que tramita no Ciongresso.

 

Esgrimiu-se uma outra idéia: a imposição de sobretaxas ao comércio de cigarros e bebidas alcoólicas. O presidente, de novo, não pareceu avesso à iniciativa. Deixou claro, porém, que a solução, seja ela qual for, deve ser construída no Legislativo. Com a detecção do erro cometido no Senado, todo esse debate caiu no vazio. O governo e seus aliados erguiam barricadas contra um inimigo inexistente. O problema que se apresenta agora é outro.

 

Numa frase: o que fará o Senado para evitar que a proposta festejada por toda a comunidade médica retire dinheiro da Saúde? Se vingarem os entendimentos conduzidos por Tião Viana, o senador Augusto Botelho formulará, na próxima semana, uma “questão de ordem” ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Reconhecerá o erro e pedirá uma nova votação.

Escrito por Josias de Souza às 05h30

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As manchetes desta sexta

- JB: Ondas gigantes no Rio. (pág. 1)

- Folha: PF prende 10 acusados de desviar verbas do BNDES

- Estadão: Mercado de etanol se fortalece com dois supernegócios

- Globo: Conselheiro do BNDES é preso por fraude

- Gazeta Mercantil: Cosan surpreende e compra ativos da Esso por US$ 1 bi

- Correio: Comércio macabro

- Valor: Oi e BrT fecham acordo para criar tele nacional

- Jornal do Commercio: Arrastão na porta de escolas na Zona Sul

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h24

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Pesadelo!

Paixão
 

PS.: Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h23

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Kassab não é ‘bagaço’, diz líder do tucanato em SP

Kassab não é ‘bagaço’, diz líder do tucanato em SP

Divulgação
 

 

Geraldo Alckmin cancelou reunião que marcara com os vereadores que representam o PSDB na Câmara Municipal de São Paulo. Ocorreria nesta quinta-feira (25). Mas o candidato alegou dificuldades de agenda. Lorota. Decidido a manter-se na disputa pela prefeitura, Alckmin achou melhor postergar o encontro com uma má notícia. Dos 12 vereadores tucanos, 11 defendem o apoio do PSDB à reeleição de Kassab.

 

O blog entrevistou o vereador Gilberto Natalini (à direita na foto lá do alto). Ele é líder da bancada de vereadores tucanos. Disse que seus liderados querem a manutenção da aliança tucano-democrata. Esquiva-se de declarar, desde logo, apoio à reeleição de Gilberto Kassab (DEM). Mas suas palavras como que atraiçoam o desejo dos vereadores. Natalini diz coisas assim:

 

“Não podemos ser fariseus da política [...]. Você tem uma pessoa, chupa ela como bagaço de laranja. Depois que não tem mais caldo, você chuta e joga no lixo. É isso o que estão querendo fazer com o Kassab. Não digo que ele tenha que ser o cabeça de chapa. Mas temos que tratá-lo com a mesma fidalguia com que ele nos trata. Seria um erro ético brutal do PSDB não levar em conta a vontade e os desejos dele. Temos de sentar à mesa e discutir. Não dá para tomar posição unilateral.”

 

Natalini diz que os vereadores do PSDB desejam que o partido decida no voto se vai às urnas de 2008 solteiro, com Alckmin, ou amarrado ao DEM de Kassab. Segue abaixo a entrevista:

 

 

- Por que não houve o encontro dos vereadores com Alckmin?

Eu recebi uma ligação do assessor dele dizendo que tinha problema de agenda. Pediu para adiarmos o encontro.

- Marcou outra data?

Ficou pré-acertado que deve ser na semana que vem. Mas a data não foi marcada.

- Por que os vereadores tucanos defendem a aliança com o DEM?

Ajudamos a combater a gestão da Marta [Suplicy] na prefeitura. Para nós, o pior dos mundos é o retorno do PT ao comando da cidade. Só eu, entre processos e judiciais e representações no Ministério Público, movo 102 ações contra a gestão da Marta. Então, não podemos criar as condições para o retorno dela.

- A divisão produziria esse retorno?

Esse é o nosso temor. Achamos que duas candidaturas podem facilitar a vitória do PT.

- Por que não apóiam a aliança com Alckmin na cabeça de chapa?

Não achamos adequado discutir nomes na primeira fase. Agora, o essencial é demonstrar a necessidade de uma única candidatura. Se vamos para a discussão colocando um nome na mesa, não estaríamos fazendo negociação.

- Pelas minhas contas, dos 12 vereadores do PSDB, só um apóia Alckmin...

Tenho a minha preferência pessoal. Mas, nesse momento, para construir uma única candidatura, achamos que é melhor não expressar o nome. Somos linha de frente desse processo. Os vereadores do PSDB constituem a principal base de sustentação do governo municipal. Mais do que a própria bancada do DEM. Temos um compromisso com essa gestão, que começou com o José Serra. O titular, hoje, é o Kassab, mas nós consideramos a gestão como do PSDB.

- Por que?

Os melhores quadros do PSDB estão na prefeitura. Ocupamos 80% do secretariado e das subprefeituras. Não podemos considerar o Kassab como um aliado qualquer. Ele manteve o programa de governo do Serra. Não mudou uma vírgula. Não trocou as pessoas. Essa é uma gestão com a qual nós temos responsabilidade até 31 de dezembro. Não podemos, por uma eventualidade eleitoral, abandonar a prefeitura. Se tivermos duas candidaturas, o que vai acontecer? Os tucanos, por questão ética, terão de deixar a administração. Não é uma questão de fisiologismo. É responsabilidade para com a cidade. Não dá para chegar agora, de maneira irresponsável, e sair a toque de caixa, com uma candidatura nossa, independentemente de ter conversado com o prefeito Kassab.

- Mas o Alckmin tem conversado com o Kassab, não?

A candidatura do Geraldo Alckmin é uma postulação. Dele e de um grupo de pessoas. Também existe a postulação do Kassab. O que nós queremos é que essas duas postulações se transformem em uma.

- Não lhe parece sonho?

De jeito nenhum. A realidade concreta, a ameaça de vitória do adversário, o compromisso com a cidade e a necessidade de caminharmos juntos com a candidatura de José Serra, em 2010, obriga a que transformemos isso que você chama de sonho em realidade. Esse é o trabalho que a bancada de vereadores está fazendo. Queremos uma candidatura só. O nome nós nao discutimos publicamente nessa fase. Definida a manutenção da aliança, vamos chegar a critérios para a escolha do candidato. O que não for escolhido vai ter que aceitar.

- Não lhe parece que razoável que vereadores do PSDB se postem ao lado do tucano Alckmin?

Se fizéssemos isso, estaríamos renegando os quatro anos de governo que o PSDB foi em São Paulo. Kassab não é do nosso partido, mas seguiu a linha do PSDB, manteve todo os quadros tucanos, conservou os compromissos que tinha com o PSDB, seguiu o programa de governo do Serra. Se o partido caminha com uma candidatura unilateral, sem exaurir a discussão com o prefeito, que também é pré-candidato, estaremos dispensando tratamento inadequado a um aliado que demonstrou fidelidade e dedicação a nós. Teve comportamento irrepreensível. Não dá para passar por cima disso.

- E quanto ao Alckmin?

O Geraldo é um grande quadro do PSDB. Teve 43 milhões de votos na última eleição. É um patrimônio do partido. Essa nossa discussão não é para destruir o Geraldo. É exatamente o contrário. Ele tem todas as qualificações para ser o prefeito. E também tem para ser, de novo, governador. Seria um passeio para nós termos o Geraldo como candidato a governador de São Paulo em 2010. Assim como vai ser um passeio se tivermos um candidato único agora, na disputa para prefeito. Seja Alckmin ou Kassab. Podemos ganhar no primeiro turno. Se demorar essa pendenga, aí pode ficar difícil.

- Por que só um dos 12 vereadores tucanos, Tião Farias, defende a candidatura Alckmin?

O Tião Farias explicitou o apoio ao Alckmin. Quanto aos demais, não posso dizer. São opiniões. Como líder, não posso tratar desse tipo de assunto. Nossa posição pública é de defesa da aliança com um candidato só.

- Alckmin está mais bem posto nas pesquisas. Não deveria encabeçar a aliança?

Foi o próprio Alckmin quem sempre disse que ‘treino é treino e jogo é jogo.’ Não sei de onde se tirou esse critério de que quem está em primeiro na pesquisa deve encabeçar a chapa. Em política, isso não é critério. Pesquisa é uma fotografia. Sou cirurgião. E digo que não se pode operar um paciente apenas pela radiografia. É preciso ter um conjunto de exames, para precisar o diagnóstico até o dia da operação. A pesquisa é apenas um exame. Você pode matar o doente se for operar por um exame só. A pesquisa, sozinha, é um critério temerário. Sejamos claros: a taxa de ótimo e bom da gestão Kassab bate em 40%. Na hora em que isso se transformar em campanha, ele não vai ficar com 15%, 16% de intenção de voto. Ele vai subir. Temos de tomar cuidado com esse negócio de que pesquisa ganha eleição. O meu critério é o da unidade. Se rompermos a aliança vitoriosa com o DEM, estaremos favorecendo a aventura e abrindo a possibilidade para o retorno do PT. Não posso concordar com isso.

- O que fazer?

Não podemos ser fariseus da política. O que é um fariseu político? Você tem uma pessoa, chupa ela como bagaço de laranja. Depois que não tem mais caldo, você chuta e joga no lixo. É isso o que estão querendo fazer com o Kassab. Não digo que ele tenha que ser o cabeça de chapa. Mas temos que tratá-lo com a mesma fidalguia com que ele nos trata. Seria um erro ético brutal do PSDB não levar em conta a vontade e os desejos dele. Temos de sentar à mesa e discutir. Não dá para tomar posição unilateral.

- E se houver, como parece que haverá, duas candidaturas?

Sou fundador do PSDB. Quem assinou a minha ficha de filiação foi o Mario Covas. Jamais trabalharia contra um candidato do meu partido. Mas veja a esquizofrenia que será criada. O PSDB é base de apoio do prefeito. Estamos na rua com ele há dois anos. Agora, na véspera da eleição, eu vou dizer para o povo: o Kassab pra lá e nós pra cá. Qual é o discurso que nós e o Geraldo Alckmin vamos ter se o governo foi eleito pelo PSDB e cumpre o nosso programa? E quanto aos tucanos que estão na equipe do prefeito, vão abandonar um governo que é nosso? Não é um governo de outro, caramba! É nosso. O Kassab é apenas parte dele. Duas candidaturas, do ponto de vista médico, é algo esquizofrênico.

- Suponha que os dois candidatos decidam ir ao primeiro turno separados.

Candidatura majoritária não tem candidato que decide sozinho. Ninguém pode dizer: eu sou candidato e dane-se.

- Pretende pedir ao partido que opte, no voto, entre a candidatura própria e a aliança?

Claro. Os vereadores encaminharam à direção municipal, em janeiro, uma indagação sobre os destinos da aliança com o DEM. Ainda não obtivemos resposta. Vamos defender a aliança até o último minuto do segundo tempo.

- Querem uma votação?

A nossa bancada defende a aliança em todas as instâncias. E vamos continuar defendendo. Achamos que é importante para o partido, para a cidade e para o Brasil, porque costura a aliança para presidência em 2010, com o Serra.

Escrito por Josias de Souza às 02h41

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Em 48 horas, planos de Aécio sofrem dois reveses

  Luiz Carlos Murauskas/Folha
A semana que termina foi acerba para o governador tucano de Minas Gerais. Produziram-se nas últimas 48 horas duas péssimas notícias para Aécio Neves.

 

Em São Paulo, valendo-se do ‘demo’ Gilberto Kassab como escada, José Serra pôs um pé na nau do PMDB. Em Belo Horizonte, a embarcação que unira o tucanato de Aécio ao petismo de Fernando Pimentel começou a fazer água.

 

Nesta quinta-feira (24), a Executiva municipal do PMDB, sob o tacão de Orestes Quércia, aprovou, por unanimidade, a aliança com Gilberto Kassab. Com mãos alheias, Serra esmurrou as pretensões do “correligionário” Geraldo Alckmin, unha e cutícula com Aécio.

 

Quase que simultaneamente, a Executiva Nacional do PT baixou resolução proibindo a aliança do PT com o PSDB nas eleições municipais de 2008. O documento manda ao telhado a mega-aliança que Aécio urdira para eleger um de seus secretários, Márcio Lacerda, do PSB de Ciro Gomes.

 

Vindas assim, de uma golfada, as más notícias ganham a forma de onda. Não chega a ser um tsunami. Mas a estratégia presidencial de Aécio foi sacolejada de uma forma nada desprezível.

 

Nesse momento, está em frangalhos a bandeira do pós-lulismo, na qual Aécio vem tentando enrolar-se. O governador mineiro empenha-se em demonstrar que é um tucano com maior capacidade de agregação do que Serra.

 

Aécio tenta solidificar a tese segundo a qual, diferentemente do rival, pode atrair para o seu barco a marujada que, acomodada no governo Lula –um transatlântico na iminência de atingir o ancoradouro—, procura nova embarcação para 2010.

 

O flerte de Aécio com a direção nacional do PMDB vai continuar. Mas restou demonstrado que o eventual aliado do futuro continua sendo, no presente, o velho navio de sempre, submetido a comandos múltiplos. Inconfiável, portanto.

 

Mandachuva do PMDB paulista, Orestes Quércia mantém com Michel Temer (SP), o presidente nacional da legenda, um contrato não-assinado. Reza o seguinte: Temer não se mete nos assuntos de São Paulo e Quércia não interfere nas decisões nacionais.

 

Maior estimulador do namoro do PMDB com Aécio, Temer esperava que, em São Paulo, inviabilizado o entendimento com o PT de Marta Suplicy, Quércia se acertasse com o PSDB de Geraldo Alckmin. Jamais com Kassab, o ‘demo’ que cresce à sombra de Serra.

 

Consolidada a manobra, Temer decidiu, segundo confidências feitas a amigos, manter o trato verbal que firmara com Quércia: não se mete nos assuntos de São Paulo. Quércia, porém, porta-se de modo diverso. Já fala abertamente do apoio nacional a Serra. Nem sinal de Aécio.

 

Em Belo horizonte, a fidalguia de Aécio com o petismo do prefeito Fernando Pimentel, uma relação que vem de longe, deve ser mantida. Agora, porém, à margem da oficialidade partidária. Mercê do veto imposto pela Executiva Nacional, o PT mineiro terá de embarcar em outra canoa, sob pena de arrostar uma intervenção.

 

Tudo considerado, chega-se à conclusão de que Aécio terá de recolher a embarcação e providenciar o reparo do casco. Vinha navegando um mar de estratagemas, imaginando que atingiria todos os seus subterfúgios.

 

O horizonte de 2010, por longínquo, ainda está descortinado à sua frente. Mas restou demonstrado que a travessia lhe reserva mais rochedos do que supunha ou gostaria. A semana que chega ao fim vai à folhinha como uma regata em que José Serra prevaleceu.

Escrito por Josias de Souza às 19h47

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TCU decide fiscalizar as negociações sobre Itaipu

O plenário do Tribunal de Contas da União tomou duas decisões em relação à hidrelétrica de Itaipu: 1) vai inspecionar o cumprimento do tratado firmado entre Brasil e Paraguai em abril de 1973; 2) vai acompanhar as negociações que serão abertas entre os dois governos, para rediscutir, a pedido do recém-eleito presidente paraguaio Fernando Lugo.

 

Na inspeção do contrato, pretende-se verificar especialmente o cumprimento das cláusulas econômicas. Os auditores vão verificar o nível de endividamento de Itaipu Binacional e o fluxo de pagamento do débito externo. De resto, deseja-se obter detalhes acerca do aproveitamento da energia produzida pela hidrelétrica pelos dois sócios.

 

Deve-se a decisão a uma proposta do ministro Marcos Vilaça. Ele lembrou aos demais ministros o conteúdo do artigo 6º do tratado de Itaipu. Nesse trecho, o documento remete para um anexo identificado pela letra “C” a fixação das “bases financeiras e de prestações de serviços de eletricidade de Itapipu.”

 

Vilaça esmiuçou o anexo. E concluiu: “As disposições nele contidas poderão ser revistas após 50 anos de sua assinatura, ou seja, somente depois de abril de 2023, levando-se em conta o grau de amortização das dívidas de Itaipu e a relação das potências contratadas pelo Brasil e Paraguai.”

 

Daí a preocupação com o debate em torno da revisão dos valores pagos pelo Brasil ao Paraguai a título de remuneração dos excedentes de energia não utilizados pelo país vizinho. O TCU fixou prazo de 15 dias para que seus auditores apresentem ao tribunal relatório com detalhes sobre três tópicos:

 

1. A situação do Tratado, quanto o cumprimento atual das cláusulas econômicas;

2. O nível de endividamento da empresa binacional e o fluxo de pagamento da dívida;

3. A forma como vem ocorrendo o aproveitamento pelo Brasil e Paraguai da energia produzida.

 

Quanto às negociações entre os dois governos, decidiu-se que os auditores destacados para acompanhar o processo produzirão relatórios em periodicidade quinzenal. A decisão será comunicada ao Itamaraty, ao ministério das Minas e Energia, à direção da estatal Eletrobrás e às presidências do Senado e da Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 18h01

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PF apura prostituição e flagra assédio ao BNDES

  Raimundo Pacco/Folha
A Polícia Federal recolheu ao cárcere, nesta quinta (24), nove pessoas em São Paulo. Entre elas, informa Mario César Carvalho, um prestigiado advogado: Ricardo Tosto (foto).

 

Deu-se à operação uma denominação imaculada: Santa Tereza. Fora montada para perscrutar crimes sexuais: tráfico de mulheres e prostituição. Súbito, os investigadores foram dar no BNDES.

 

Descobriu-se que as arcas do bancão oficial estavam sendo violadas. Facilitava-se a liberação de empréstimos em troca de percentagem de até 5%.

 

Entre as operações que pareceram espúrias aos olhos da PF estão: um empréstimo de R$ 130 milhões a uma prefeitura de São Paulo e outro de R$ 220 milhões a uma empresa varejista.

 

Como uma investigação de prostituição virou escândalo financeiro? Segundo versão recolhida na PF, o doutor Tosto teria mencionado as supostas traficâncias do BNDES em diálogo com uma prostituta cujo telefone teria sido grampeado.

 

O advogado é conselheiro do BNDES. Ele representa a Força Sindical no conselho da instituição. Vai-se agora a uma segunda fase do caso.

 

Logo, logo a Justiça manda soltar os detidos. Que borrifarão no noticiário as suas versões para os fatos. Submetido ao contraditório, o leitor vai tirar suas próprias “confusões”. Até que o Ministério Público decida se oferece ou não uma denúncia.

 

PS.: No Espírito Santo, desenrola-se outra operação da PF em torno de perversão nada santa. Neste caso, detectou-se um novo estupro aos cofres da Previdência.

Escrito por Josias de Souza às 16h43

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As manchetes desta quinta

- JB: Google entrega os pedófilos do Orkut.

- Folha: Tomate, morango e alface têm excesso de agrotóxico

- Estadão: Defesa vai controlar ONGs na Amazônia

- Globo: Crise pode fazer Brasil taxar a exportação de alimentos

- Gazeta Mercantil: Brasil teme calote de dívida pelo Paraguai

- Correio: Militares terão até 137,83% de aumento.

- Valor: Taxas de CDBs disparam e captação bate recordes

- Estado de Minas: BH anda a 21 km por hora

- Jornal do Commercio: Tumulto e feridos no Aníbal Bruno

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h34

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Cresce pressão para que Alckmin desista da disputa

  Lula Marques/Folha
A perspectiva de fechamento de um acordo do DEM com o PMDB de Orestes Quércia tonificou o cerco a Geraldo Alckmin. A novidade reacendeu as articulações para tentar convencer o candidato tucano a retirar-se da disputa paulistana, declarando apoio à reeleição do prefeito ‘demo’ Gilberto Kassab.

Nesta quinta-feira (24), de volta de uma viagem de dois dias a Curitiba (PR), Alckmin deve reunir-se com a bancada de vereadores do PSDB paulistano. São 12 os tucanos com assento na Câmara Municipal de São Paulo. Só um, Tião Faria, está do lado de Alckmin. Todos os demais defendem a manutenção da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. A começar de Natalini, líder da bancada tucana.

 

A reunião com os vereadores foi marcada, desmarcada e remarcada. Partidários de Alckmin avaliam que ele não deveria receber os tucanos da Câmara Municipal, aliados de Kassab, no mesmo dia em que o prefeito deve posar para fotos ao lado de Quércia. Até as 21 h de ontem, porém, a reunião estava de pé.

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também deseja reunir-se com Alckmin. Quer estimulá-lo a refletir mais sobre a nova conjuntura. Privadamente, diz que o melhor para Alckmin seria guardar-se para a disputa ao governo de São Paulo, em 2010.

 

Alckmin se finge de morto. Não emitiu, por ora, sinal de que pretenda desistir. Ao contrário. Deseja encerrar o lero-lero em torno de sua candidatura até a próxima semana. Antes, deve reunir-se com Kassab.

 

Em duas reuniões anteriores, Alckmin e Kassab combinaram que voltariam a conversar no final de abril. Consolidado o cenário de candidaturas apartadas, cada um cuidaria da própria vida, reencontrando-se apenas num eventual segundo turno.

 

Aferrada a esse calendário, a direção municipal do PSDB estima que o derradeiro encontro entre os dois candidatos vai ocorrer até quarta-feira (30) da semana que vem. Programa-se para os primeiros dias de maio a realização de uma reunião do diretório paulistano do partido, para referendar as pretensões de Alckmin.

 

Onze dos 12 vereadores tucanos acham, porém, que há uma decisão que precede o lançamento de candidaturas. “Nós pedimos, desde janeiro de 2008, que o partido decida, antes, se a aliança com o DEM será ou não mantida”, disse um dos vereadores ao blog, sob o compromisso do anonimato.

 

Ele comparou: “Funciona como um casamento. Quando alguém contrai núpcias, assume compromissos, põe uma aliança no dedo. Não pode simplesmente casar com outros ou decidir que vai viver sozinho sem antes descasar formalmente. O partido precisa definir, em alguma de suas instâncias, se a aliança será ou não rompida.”

 

Como se vê, agora mais do que nunca, o PSDB consolida-se como um agrupamento de amigos integralmente composto de inimigos.

Escrito por Josias de Souza às 04h13

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Agarrado à saia da 'mãe'!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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Deputado petista leva a Lula idéia de recriar CPMF

Tributo teria alíquota de 0,20% e financiaria a Saúde

Proposta é de autoria do líder do governo na Câmara

Será analisada, nesta quinta, em reunião no Planalto

 

  José Cruz/ABr
Quatro meses depois de o Senado ter enterrado a CPMF, surge na Câmara a idéia de ressuscitar o imposto sobre o cheque. Dessa vez, seria definitivo, não provisório. Em vez de 0,38%, a alíquota seria de 0,20%. A arrecadação, estimada em cerca de R$ 20 bilhões anuais, reforçaria o orçamento da pasta Saúde.

 

O autor da proposta é Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara. Ele disse ao blog que, por ora, não se trata de uma proposta de governo. “É a posição de um líder da área da Saúde, não do líder do governo”, afirmou o deputado, que é médico. “Conversei com outros líderes, que apóiam a iniciativa. Sabem que a Saúde precisa de mais recursos.”

 

Nesta quinta-feira (24), Fontana vai expor sua idéia a Lula. Será numa reunião no Planalto. Encontro do qual participarão os demais líderes de legendas governistas e pelo menos dois ministros: José Gomes Temporão (Saúde) e Guido Mantega (Fazenda). Vai à mesa uma proposta aprovada há duas semanas pelo Senado, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC).

 

A proposta de Viana, vice-presidente do Senado, foi aprovada pela unanimidade dos senadores. Destina-se a resolver o problema de inanição de verbas da Saúde. No pleno federal, destina ao setor um adicional de cerca de R$ 20 bilhões anuais a partir de 2009. A proposta será submetida agora à análise da Câmara.

 

A disposição dos deputados é de aprovar. Há, porém, um problema. O governo alega que o projeto de Tião Viana não informa de onde vai sair o dinheiro. PSDB e DEM contra-argumentam que os sucessivos recordes de arrecadação da Receita Federal são mais do que suficientes para cobrir as despesas.

 

“O discurso da oposição não condiz com a responsabilidade orçamentária de médio e longo prazo”, refuta Henrique Fontana. É em meio a esse impasse que ocorreu ao líder de Lula sugerir a recriação do imposto do chegue com alíquota menor. Planeja formalizá-la na forma de emenda à proposta de Tião Viana.

 

Na reunião do Planalto, a idéia de Fontana deve gerar controvérsia. “É complicado recriar a CPMF”, diz, por exemplo, Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara. “É uma matéria vencida. O governo está em dificuldades. Vamos ouvir a posição do presidente Lula.”

 

Afora os contatos que realiza entre os colegas de Câmara, Fontana busca apoio fora do Legislativo. Atraiu, por exemplo, a adesão de Osmar Terra (PMDB). Vem a ser secretário de Saúde da governadora gaúcha Ieda Crusius (PSDB). É também presidente do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde.) De resto, o líder de Lula crê que o novo imposto do cheque terá a simpatia de personalidades como o cardiologista Adib Jatene, ex-ministro da Saúde de FHC e pai da velha CPMF.

 

A encrenca da Saúde não é o único constrangimento que o Senado acomodou no colo de Lula. Junto com a proposta de Viana, os senadores aprovaram outros dois projetos. O autor é, de novo, um petista: Paulo Paim (PT-RS). Num deles, estendeu-se os reajustes do salário mínimo às aposentadorias e pensões pagas pela Previdência. Noutra, extinguiu-se o fator previdenciário, criado sob FHC para reduzir o valor das aposentadorias.

 

O governo alega, também nesse caso, que Paim esquivou-se de dizer de onde sairão os recursos para financiar a generosidade. Só haveria duas alternativas: ou a Câmara enterra os projetos ou Lula terá de vetá-los. Algo complicado de fazer num ano de eleições. Paim diz estar aberto para ouvir propostas alternativas. O veto puro e simples, diz ele, “é a pior solução.”

Escrito por Josias de Souza às 01h15

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Kassab confirma que fechou aliança com Quércia

  Folha
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) confirmou que fechou mesmo um acordo com o PMDB de Orestes Quércia. Diplomático, disse que deseja inserir na articulação o PSDB de Geraldo Alckmin.

 

"A aliança com o PMDB não é com o Democratas. Ela está sendo feita com o candidato do PSDB e DEM", disse Kassab. "No PSDB, o candidato é o Geraldo Alckmin. Se ele for o candidato [da aliança], contará com o nosso apoio porque o importante é manter a aliança".

 

Trata-se, obviamente de uma lorota. A única hipótese de inserção do tucanato na costura ‘demo’-peemedebista seria a desistência de Alckmin de levar o seu nome à cédula de 2008. Alternativa que os aliados do ex-governador se apressam em refutar.

 

"Já estamos conversando com outros partidos, como o bloquinho [PSB, PCdoB e PDT], o PTB e o PV", afirmou o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), lugar-tenente do candidato tucano. "Alckmin é um candidato forte nas pesquisas e popularmente forte, por isso buscamos alianças fortes para ele."

 

DEM e a ala do PSDB alinhada a Alckmin travam agora uma queda-de-braço pela definição da data da oficialização das candidaturas. A Kassab interessa protelar, para submeter o rival a um processo de desidratação política: "Decidiremos tudo até o dia 30 de junho."

 

A Alckmin interessa apressar. "A orientação da Executiva Nacional é para que as candidaturas sejam anunciadas o quanto antes, para que seja possível articular alianças e iniciar as campanhas o quanto antes", disse Silvio Torres.

 

Ao atrair Quércia para o seu lado, além de se fortalecer como opção a Alckmin, Kassab impôs uma derrota ao petismo. Os operadores da candidatura de Marta Suplicy (PT) davam de barato que o PMDB paulistano cairia no colo da ministra do Turismo. Resta agora saber, para além do tempo de TV, se a sociedade com Quércia dá ou tira votos.

Escrito por Josias de Souza às 18h15

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Lula: Celeiro do mundo, Brasil sofre leviandades

 

O presidente discursou, nesta quarta-feira (23), na solenidade de comemoração dos 35 anos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Falou sobre a crise de alimentos que ronda o planeta. Disse que, em vias de tornar-se “celeiro do mundo”, o Brasil deve ter “disposição política” para enfrentar as “leviandades” de que vem sendo vítima. Acha, por exemplo, que o petróleo é um vilão mais saliente do que os biocombustíveis. De concreto, por ora, tem-se apenas o seguinte: o "celeiro do mundo" está às voltas com problemas no abastecimento de arroz

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Governo passa na faca verbas da Saúde e Educação

Conforme havia prometido, o governo passou na lâmina um naco do Orçamento aprovado pelo Congresso para o ano de 2008. Foram bloqueados gastos que alçam à casa de R$ 19,192 bilhões.

Eis alguns dos ministérios mais atingidos pela faca:

 

Cidades: R$ 2,720 bilhões;

Saúde: R$ 2,594 bilhões;

Turismo: R$ 2,233 bilhões;

Defesa: R$ 1,905 bilhão;

Educação: R$ 1,612 bilhão.

Integração Nacional: R$ 1,271 bilhão;

Transportes: R$ 1,015 bilhão.

 

Como de praxe, o governo faz gato-sapato do Orçamento que o Congresso fingiu aprovar. Manteve-se a pantomima de anos anteriores. De um ano para o outro só muda o tamanho do talho.

 

Em 2005, a lâmina alcançara R$ 15,9 bilhões; em 2006, R$ 14,2 bilhões; em 2007, R$ 16,4 bilhões. Não se imagine que o objetivo é o enxugamento das despesas públicas. Dos R$ 18,192 bilhões fatiados em 2007, R$ 16,9 bilhões já foram reacomodados em despesas novas.

 

Em termos percentuais, a maior facada foi imposta ao orçamento gerido pela ministra-companheira Marta Suplicy. A pasta do Turismo tinha R$ 2,629 bilhões para gastar. Dinheiro tonificado por emendas de deputados e senadores. Depois do corte, sobraram escassos R$ 395 milhões.

 

A lâmina levou 85% do dinheiro de Marta. Se a ministra tinha alguma dúvida quanto à conveniência de trocar a Esplanada pelo palanque municipal de São Paulo, não tem mais. As arcas do ministério ficaram pequenas demais. Nelas já não cabem as ambições política de Marta.

 

O orçamento da Saúde, que era de R$ 43,250 bilhões, ficou, depois da lipoaspiração, em R$ 40,656 bilhões. Tudo o que o Congresso injetara acima do limite mínimo de gastos previsto na Constituição foi à faca.

 

No topo do ranking dos cortes, com uma poda de R$ 2,720 bilhões, o ministério das Cidades manteve a salvo o dinheiro destinado aos projetos do PAC. É o que diz o ministro Márcio Fortes: “É importante assinalar que seguem as obras básicas de saneamento e habitação nos volumes já anunciados, que já foram ou estão sendo contratados e estão sendo objeto, inclusive, de início de obras.”

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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‘Fechei com o Kassab’, diz Orestes Quércia a amigo

  Folha
Nem Marta Suplicy (PT) nem Geraldo Alckmin (PSDB). Na disputa pela prefeitura de São Paulo, o mandachuva do PMDB vai de Gilberto Kassab (DEM). Cisca daqui, esparrama dali, Orestes Quércia foi bicar o milho disponível no terreiro do terceiro colocado nas pesquisas.

 

Deve-se a descoberta a Renata Lo Prete. “Fechei com o Kassab”, eis a frase que foi soprada nos ouvidos da repórter. Pronunciou-a, em diálogo com amigo, um Quércia supostamente decidido.

 

Confirmando-se o inesperado, Kassab vai à TV com um tempo de generosos sete minutos e 30 segundos. Mais do que os cerca de quatro minutos de Marta. Bem mais do que os três minutos de Alckmin.

 

Tempo de propaganda eleitoral não é, como se sabe, sinônimo de vitória na urna. Mas o PMDB é um desses elefantes que incomodam muita gente. Confirmando-se a opção de Quércia, os tucanos que entoam a Valsa do Adeus sob a janela de Alckmin subirão o volume. E o grupo dos que querem desligar o candidato da tomada tende a aumentar.

Escrito por Josias de Souza às 07h26

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As manchetes desta quarta

- JB: Epidemia de dengue já é a pior da história

- Folha: Terremoto assusta São Paulo

- Estadão: Terremoto de 5,2 graus assusta São Paulo

- Globo: Amorim diz que país tem de ser 'generoso' com Paraguai

- Gazeta Mercantil: Indústria se une por farinha mais barata

- Correio: Aumento de 30% ameaça tornar arroz indigesto

- Valor: Funcef e Petros disputam 20% do consórcio de Jirau

- Estado de Minas: Justiça liberta prefeito das malas de dinheiro

- Jornal do Commercio: Luz sobe 2,87%

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h06

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Blindagem!

Paixão
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Procuradoria e PF montam estratégia anti-pedofilia

Google entrega à CPI dados secretos de 3.261 suspeitos

Relator da comissão repassará informações ao MP e à PF

Arma-se repressão inédita a pedófilos que usam internet

 

Advogado da empresa Google Brasil, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) confirmou ao blog: na manhã desta quarta-feira (23), serão entregues à CPI da Pedofilia do Senado um lote de CDs com dados pessoais, fotos e vídeos de 3.261 álbuns sigilosos. Encontram-se armazenados no sítio de relacionamento Orkut. Coisa até aqui sigilosa. A abertura constitui fato inédito.

 

Expostos por força da quebra de sigilo que foi imposta pela CPI há 15 dias, os álbuns virtuais escondem suspeitos da prática do crime de pedofilia. Estatística levantada pelo Ministério Público estima que, das 56 mil denúncias de difusão de sexo infantil por meio da internet, 90% ocorrem via Orkut.

 

Os gestores da Google vinham se recusando sistematicamente a compartilhar informações com autoridades brasileiras. Daí o ineditismo do gesto. Ouvido pelo repórter, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da CPI, disse que irá repassar todo o material para o Ministério Público e para a Polícia Federal.

 

Pretende-se deflagrar uma repressão aos pedófilos em dimensões jamais vistas no Brasil. Simultaneamente, os senadores preparam alterações na legislação. Mudanças que visam facilitar a punição dos exploradores do sexo com crianças.

 

Demóstenes credita a súbita boa vontade dos administradores do Orkut à interferência de Thomaz Bastos: “Fui um crítico severo da atuação do ministro no governo Lula. Mas não posso deixar de reconhecer o papel central que ele desempenhou na mudança de comportamento da Google. Devemos isso, em grande medida, a ele.”

 

A disposição da empresa será submetida a novo teste numa reunião que se realizará na tarde desta quarta. Depois de entregar os dados secretos à CPI, em Brasília, representantes da Google vão à sede do Ministério Público Federal em São Paulo. Ali, discutirão com um time de procuradores, à frente Sérgio Suiama, os termos de um compromisso.

 

Chama-se, no jargão técnico, TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). O objetivo é estabelecer regras que permitam à Procuradoria da República e à Polícia Federal obter da empresa, sem delongas, informações vitais para os inquéritos que apuram a prática de pedofilia. Convidado, Demóstenes tomará um avião para São Paulo. Viaja especialmente para testemunhar a celebração do acordo.

 

Deve-se a uma ONG chamada Safernet a circunscrição da apuração, no estágio atual, a exatos 3.261 álbuns do Orkut. A entidade dedica-se ao recebimento de denúncias de pedofilia na rede. Entre 29 de novembro de 2007 e 31 de março de 2008, realizou 6 mil operações de busca na internet. Logrou capturar os perfis dos responsáveis pelos álbuns agora submetidos a investigação.

 

Vem daí a convicção de que os dados que serão entregues pela Google permitirão intensificar o combate à pedofilia. As informações serão anexadas a apurações que já estão em curso. Entre elas a chamada Operação Carrossel, deflagrada pela PF no final do ano passado.

 

“Temos agora nas nossas mãos a prova material do delito”, festeja Demóstenes Torres. O senador é assessorado em seu trabalho por especialistas na matéria. Gente requisitada ao próprio Ministério Público e à PF. Daí a linha direta que estabeleceu com as duas repartições.

 

Nesta terça-feira (22), Demóstenes recebeu em seu gabinete a visita de um promotor e de um juiz do Estado de Goiás. A conversa tonificou no senador a convicção de que as leis brasileiras reclamam aperfeiçoamento. “Eles me disseram que o artigo 244 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que permite a punição do abuso sexual contra crianças, vem sendo mal interpretado por alguns tribunais”.

 

Demóstenes explica: “Certos magistrados entendem que somente aquele que tem relação de comando sobre os menores –o aliciador, o cafetão—está sujeito a punição. Quem pratica o ato sexual fica impune. Se comparamos com o crime de homicídio, chegamos ao seguinte absurdo: quem empresta o revólver pode ser punido. Quem puxa o gatilho, não está ao alcance da lei. São absurdos como esse que nos levam à convicção de que a legislação precisa ser aperfeiçoada.”

 

PS.: Como previsto no texto acima, os dados sigilosos do Orkut foram repassados à CPI da Pedofilia.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Lula recebe membros do STF para jantar no Alvorada

Sérgio Lima/Folha
 

 

A pretexto de render homenagens Ellen Gracie, Lula ofereceu um jantar aos ministros do STF. Dos 11 juízes que compõem o plenário do tribunal, sete foram indicados pelo atual presidente da República. Algo que não tem proporcionado vida fácil ao governo. O que é bom, muito bom, ótimo para a democracia, submetida ao velho e bom sistema de pesos e contrapesos.

 

Carlos Ayres Britto, um dos indicados de Lula, acaba de suspender a operação de retirada de arrozeiros da área indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Joaquim Barbosa, outro juiz que foi ao STF sob Lula, produziu o notável voto que levou ao banco dos réus a “quadrilha” do mensalão.

 

Autor da denúncia que atazana os mensaleiros, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza também dividiu a mesa do Alvorada. O relator Barbosa, porém, não deu as caras no jantar. Além dele, outros dois ministros do STF faltaram ao repasto: Celso de Mello, decano do tribunal, e Marco Aurélio Mello. Este último foi alvo de críticas acerbas do presidente da República.

 

Mello, que tem assento também no TSE, enxergara motivação eleitoral num programa recém-lançado pelo Planalto, o Territórios de Cidadania. Abespinhado, Lula aconselhou-o, do alto de um pa©lanque, a trocar a magistratura pela política. Dias depois, o PT protocolou no Conselho Nacional de Justiça uma representação contra o ministro, ainda pendente de análise.

 

Ellen Gracie deixa a presidência do STF nesta quarta-feira (23). Daí o jantar. Em cerimônia marcada para as 16h30, assume o comando da Corte o colega Gilmar Mendes. Curiosamente, o cerimonial da presidência evitou dar ao jantar patrocinado por Lula uma conotação de boas-vindas a Mendes.

 

O novo presidente do Supremo foi Advogado-Geral da União na gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso, que o indicou para o tribunal. Na semana passada, relatando ação movida pelo PSDB, Gilmar Mendes tachou de inconstitucionais as medidas provisórias editadas por Lula para abrir “créditos extraordinários”.

 

O julgamento foi suspenso quando o placar registrava cinco a três. Contra o governo. Falta um escasso voto para que o STF imponha a Lula a proibição de lançar manejar verbas orçamentárias por meio de medidas provisórias. Como se fosse pouco, Gilmar Mendes acaba de endereçar ao Executivo uma lote de declarações azedas.

 

Em entrevista às páginas amarelas de Veja, o substituto de Ellen Gracie torceu o nariz para o lero-lero do terceiro mandato. E contestou a tese do ministro Tarso Genro (Justiça) segundo a qual não há nada demais em um gestor público elaborar dossiês.

 

“Fazer coleta de informações às quais eu tenho acesso simplesmente porque estou no governo, para uma finalidade política eventualmente de constrangimento ou de chantagem, pode não ser crime”, espetou Mendes. “Mas certamente não é uma atitude eticamente louvável. É uma atitude preocupante, que revela uma concepção autoritária e certo patrimonialismo.”

 

Gilmar Mendes arrematou: “Embute-se nela o entendimento de que as informações que estão ao meu alcance pelo fato de eu estar no governo, o que é circunstancial, podem ser usadas para as finalidades que eu entender devidas. Isso é preocupante. Se alguém pensa assim, talvez tenha de repensar seu conceito de democracia. Talvez essa pessoa esteja lendo muito Lenin e Trotsky – e deveria ler mais Popper.”

 

O novo comandante do STF esteve no Alvorada. Encontrou entre os convidados o amigo Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo, hoje ministro da Defesa. Mas também avistou-se com Tarso Genro. Não se sabe sobre o que falaram. Espera-se que não tenham perdido a oportunidade de dialogar sobre as vantagens e desvanstagens do ideário esquerdista, em contraposição à filosofia de timbre liberal.

Escrito por Josias de Souza às 00h37

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Itamaraty volta a 'piscar' para Lugo, do Paraguai

  Jamil Bittar/Reuters
Emparedado pelo novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, o governo brasileiro voltou a piscar. Nesta terça-feira, o Itamaraty reafirmou algo que o chanceler Celso Amorim dissera na véspera: o Brasil está aberto a negociações para que o governo paraguaio aufira o “máximo de benefícios” de Itaipu.

 

Na véspera, Lula dissera que o tratado que selou a parceria Brasil-Paraguai não seria alterado. Nas pegadas da fala do chefe, Amorim disse coisa aparentemente diversa: "Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo."

 

Agora, o Itamaraty diz que Lula e Amorim, diferentemente do que parece, não estão se desentendendo no mesmo idioma. Informa-se que a elevação do preço que o Brasil paga ao Paraguai pode ser acertada sem mexer no texto do tratado original.

 

Como que decidido a demonstrar que toda tentativa de governo é um ato de desorganização, irrompe em cena o ministro Edson Lobão (Minas e Energia). Ele também se expressa em português. Mas fala uma língua muito diferente da de Amorim. Diz que a tarifa que vem sendo paga ao Paraguai é "justa". E acrescenta: "O pensamento atual é no sentido de manter as tarifas como estão". Durma-se com uma algaria dessas!

 

O tratado que fixou os pilares de Itaipu Binacional é de 1973. Ano em que os dois países eram presididos por um par de ditadores. Garrastazu Médici aqui. Alfredo Strossner lá. O texto foi aprovado pelos legislativos dos dois países. Não é uma peça que possa ser modificada por meio de canetadas. Longe disso.

 

Para erigir a hidrelétrica, contraiu-se dívida externa. Coisa de US$ 27 bilhões. Sem crédito, o Paraguai escorou-se no Banco do Brasil, que financiou a sua parte no empreendimento. Financiamento camarada, com taxas de juros anuais de 6%. Coube ao Brasil bancar 100% do financiamento que viabilizou Itaipu.

 

Hoje, a energia produzida pela hidrelétrica supre 20% da demanda brasileira. E eletrifica 95% do Paraguai. Por força de contrato, os paraguaios vendem o excedente ao Brasil. Recebe preço de custo: US$ 45,31 por megawatt, em valores de hoje.

 

Desse valor, US$ 42,5 são carreados ao abatimento do naco de dívida de responsabilidade do Paraguai. Uma dívida que só será liquidada em 2023. Sobram US$ 2,81 por megawatt às arcas paraguaias. São essas as cifras que o presidente eleito Lugo deseja elevar.

 

Enxergar a sociedade de Itaipu apenas pelos valores auferidos pelo Paraguai é, por assim dizer, uma desonestidade intelectual. Não fosse pelo Brasil, o Paraguai jamais teria transformado recursos naturais em energia. O vizinho deve à generosidade do Brasil, o fato de não estar às escuras.

 

Assim, é incompreensível que o Itamaraty entre no lero-lero de Fernando Lugo. Antes mesmo da primeira reunião, diz-se que o desejo é o de oferecer ao Paraguai o “máximo de benefícios.” Como se as vantagens já oferecidas ao longo do processo fossem miúdas. Ora, francamente!

Escrito por Josias de Souza às 18h28

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Sem CPMF, arrecadação da Receita deve subir 7,2%

A despeito do sepultamento da CPMF, a coleta de impostos e contribuições federais deve ser, em 2008, 7,2% maior do que a que se verificou em 2007. Significa dizer que o fisco amealhará um adicional de notáveis R$ 31,8 bilhões.

 

A estimativa é da própria Receita Federal. Consta do relatório de receitas e despesas deste ano. A cifra baseia-se na perspectiva de crescimento do PIB de 2008, estimado pela secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda em 5%.

 

Aos pouquinhos, vai ficando claro que o terrorismo tributário difundido pelo governo em dezembro do ano passado, quando a CPMF rui no Senado, era despropositado.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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A Dilma, o Eclesiastes: chegou o ‘tempo de falar’

José Cruz/ABr
 

O Livro dos livros traz, em Eclesiastes (3, 1-8), inestimáveis ensinamentos sobre o tempo. Tudo tem o seu tempo. Tudo tem a sua ocasião.

Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de erguer; tempo disso e tempo daquilo. Tempo de calar e tempo de falar...

 

O governo tenta prover uma escala particular de tempo para Dilma. Tempo de plantar banco de dados e tempo de colher dossiê; tempo de vazar e tempo de negar o vazamento; tempo de calar e tempo de permanecer calada.

 

O silêncio da ministra, por anti-bíblico, vai produzindo barulho ensurdecedor, incompatível com as pretensões da personagem. Pretensões, como se sabe, presidenciais.

 

Ora, se Lula e seus operadores acham que Dilma não consegue entabular meia dúzia de explicações críveis sobre encrenca tão comezinha, como resistirá o "poste" às pichações de uma campanha eleitoral?

 

Nesta terça-feira (22), Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, marcou para dia 30 de abril a ida de Dilma à Comissão de Infra-Estrutura. Há ali dois requerimentos de convocação da ministra –uma para falar sobre PAC. Outra, sobre o dossiê.

 

Jucá quer limitar a inquirição ao PAC. Apresentou requerimento para anular a outra convocação. Algo que já causa incômodo até ao sereno presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

 

“Acho que está havendo é um excesso de proteção à ministra. A ministra é a mãe do PAC, mas agora há um paternalismo muito grande em torno da ministra, para que ela não fale, para que ela não possa dizer alguma coisa. A ministra certamente merece dos líderes do governo essa dedicação toda, mas tem hora que uma dedicação como essa não serve, termina não servindo nem à ministra, nem ao país e nem ao governo.”

 

O diabo é que o Senado já nem é o problema mais urgente da ministra. A essa altura, até a Polícia Federal, aparentemente alheia ao paternalismo oficial, já prepara a oitiva de mãe Dilma.

Escrito por Josias de Souza às 16h26

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As manchetes desta terça

- JB: Dengue corrói imagem do país

- Folha: Lula contraria paraguaio e diz não renegociar Itaipu

- Estadão: Brasil já admite renegociar tarifa de Itaipu com Paraguai

- Globo: Lula nega mas Amorim admite renegociar o Tratado de Itaipu

- Gazeta Mercantil: Demora para conseguir CNPJ faz surgir mercado paralelo

- Correio: Paraguai imita Bolívia e põe Brasil na parede

- Valor: ICMS antecipado cria atrito entre a indústria e o varejo

- Jornal do Commercio: Defesa de casal denuncia polícia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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(Dil)Marilyn!

Ique
 

PS.: Via sítio do JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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FHC sonda Alckmin sobre hipótese de desistência

  Folha
Geraldo Alckmin cobra pressa do PSDB no lançamento de sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Quer tudo resolvido até a semana que vem. Surgiu, porém, uma articulação que rema em sentido oposto.

 

Procurado por lideranças do DEM, Fernando Henrique Cardoso comprometeu-se a sondar Alckmin sobre a possibilidade de ele abrir mão da disputa. Apoiaria a pretensão reeleitoral do prefeito ‘demo’ Gilberto Kassab. Em troca, seria apoiado, em 2010, na eleição para o governo de São Paulo.

 

O apelo para que FHC realizasse uma derradeira tentativa de restabelecer a aliança tucano-democrata foi feito há sete dias. Deu-se numa conversa reservada, em São Paulo. Foram ao ex-presidente dois grão-duques do DEM: o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) e o senador Marco Maciel (PE).

 

O diálogo foi testemunhado pelo governador tucano José Serra, incansável defensor da tese segundo a qual o PSDB deveria fechar com Kassab. A articulação parece, porém, uma iniciativa natimorta. A hipótese de Alckmin desistir é inexistenete, afirmam dois partidários do ex-governador ouvidos pelo repórter.

 

“O Geraldo [Alckmin] já mostrou pra essa gente, na campanha presidencial de 2006, que não é pessoa de fugir de dificuldades”, disse um deles. “O que espanta é que, a essa altura do campeonato, o Fernando [Henrique] e o Serra estejam participando de conversas desse tipo”, chateou-se o outro.

 

Nesse último esforço para demover Alckmin, foram à mesa dois argumentos. Um é óbvio: a divisão entre tucanos e ‘demos’ serve aos interesses do PT de Marta Suplicy, um "inimigo comum".

 

O segundo raciocínio embute, por assim dizer, uma dose de terrorismo eleitoral: Alckmin teria muito a perder na refrega municipal de 2008. Faria melhor se não submetesse sua biografia a riscos até, preservando-a para o desafio maior, em 2010.

 

Kassab, ao contrário, só teria a ganhar. Prevalecendo sobre Marta, imporia ao petismo uma humilhação. Batido por ela, o prefeito acumularia o "ativo eleitoral" da super-exposição pública. O que lhe facilitaria a vida em disputas futuras –para o Senado, por exemplo.

 

Só faltou combinar com os russos. Ou, por outra, faltou acertar com Alckmin, o russo-mor. A julgar pelo que dizem os tucanos que lhe são próximos, o ex-governador enxerga no verbo “desistir” um quê de ofensa pessoal. Imaginava que a fase dos apelos já estivesse superada. De FHC e Serra não espera senão respeito pessoal e apego à opção partidária.

 

A prevalecer o entendimento de Alckmin, é Kassab quem deveria desistir, não ele, que está mais bem-posto nas pesquisas eleitorais. Como esse cenário parece descartado, deseja realizar, com certa urgência, o já combinado terceiro encontro dele com Kassab. Uma reunião para selar o pacto de boa convivência no primeiro turno. Algo que facilite a reunificação de PSDB e DEM num segundo turno que todos já dão como inevitável.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Alencar volta a vergastar a política de juros do BC

  Marcello Casal/ABr
Numa de suas crônicas, Paulo Mendes Campos discorre sobre o drama de um amigo. Padecia de pressão alta. Por ordem médica, submetia-se a uma dieta dos infernos. 
Certa vez, numa roda de bate-papo, o personagem disparou: “Vocês ficam aí dizendo que bom mesmo é mulher. Bom mesmo é sal!”

 

O que leva um sujeito a definir o que é bom mesmo? A necessidade de cada um. Por exemplo: para o empresário José Alencar, dono da Coteminas, a maior indústria têxtil do país, bom mesmo é juro baixo.

 

Nesta segunda-feira, na pele de presidente em exercício da República, Alencar voltou a bater na equipe do Banco Central. Chamou de “equivocada” a tática de combater a inflação com uma dieta à base de juros salgados.

 

Alencar insinuou que pode haver adjetivação até mais adequada do que a sua para definir a estratégia adotada pelo BC. Lembrou que a economista Maria da Conceição Tavares chama a política de Henrique Meirelles e sua equipe de "imbecil”.

 

“Eu tenho falado que ela é equivocada, ainda não cheguei a esse adjetivo, mas ao lado dela [Maria da Conceição] estarei bem acompanhado, porque é uma das que mais conhecem de economia", disse.

 

Mineiro como o cronista Mendes Campos, o vice de Lula soltou a língua em Ouro Preto (MG). Foi à cidade para participar de uma festança promovida pelo governaor Aécio Neves (PSDB). Distribuíram-se medalhas da Inconfidência, a mais alta comenda do Estado de Minas.

 

Embevecido com a atmosfera festiva das alterosas, José Alencar animou-se a mencionar, de novo, outro item que compõe a sua relação do que é bom mesmo: a continuidade de Lula.

 

"Se perguntar aos brasileiros o que é que eles desejam, eu creio que a resposta será: desejamos que o Lula continue por mais tempo no poder", afirmou. Depois, resaltou que não é esse o desejo de Lula. Ele "quer fazer o sucessor". Ora, se é assim, por que Alencar não vira o disco?

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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Novo presidente do Paraguai testa humor do império

  AFP
A história das relações do Brasil com o Paraguai não é uma datilógrafa ascética. É uma personagem suja e inconfiável. Prefere a versão ao fato. Sonega a verdade sobre passgens vitais.

 

Tome-se o exemplo da Guerra do Paraguai, travada no Século 19. Sabe-se que o Brasil prevaleceu sobre o vizinho valendo-se de métodos que não o dignificam. Vem daí o pavor do Itamaraty em abrir os seus arquivos secretos.

 

Para o paraguaio médio, tudo o que lhes coube em termos de destino –sobretudo a miséria e a tragédia—está irremediavelmente ligado ao Brasil. Mal comparando, o Planalto está para o Paraguai assim como a Casa Branca está para as nações pobres do mundo. O império, neste caso, somos nós.

 

Em meio a esse sentimento de aversão à "dominação", que é crescente, os paraguaios elegeram neste domingo (21) um novo presidente: Fernando Lugo. O triunfo do oposicionista Lugo, um ex-bispo católico que se expressa em timbre esquerdista, pôs fim a mais de 60 anos de predomínio do Partido Colorado.

 

Sobre o palanque, Lugo escalou em direção ao Brasil. Enrolou-se na bandeira da renegociação do tratado de Itaipu Binacional. O tema permeou toda a campanha. Formou-se no caldeirão da imprensa paraguaia um caldo anti-Brasil.

 

Reza o contrato que o Paraguai, sócio de Itaipu, se obriga a vender ao Brasil os excedentes de energia elétrica produzidos pela hidrelétrica. Assunção recebe anualmente algo como US$ 300 milhões. É pouco, reclama Lugo. Muito pouco, pouquíssimo.

 

O novo presidente reivindica um reajuste gordo. Fala em valores que oscilam de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. Nesta segunda-feira (21), já entronizado na posição de mandatário eleito, Lugo disse a jornalistas brasileiros que pretende “discutir Itaipu ao máximo”. Espera encontrar no Brasil "racionalidade" Se necessário, pode requisitar a mediação de um terceiro país. Não exclui nem mesmo a hipótese de recorrer a tribunais internacionais.

 

Da África, onde se encontro, Lula deu resposta imediata. Disse que não vai ceder. “Nós temos um tratado. E o tratado vai se manter.” Mais tarde, o chanceler Celso Amorim, que acompanha Lula na viagem a Gana, piscou. Na contramão do chefe, Amorim disse que o tratado pode, sim, ser revisitado e até revisto.

 

"Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo", disse o chanceler brasileiro. “Vai haver uma atitude normal de conversa”, acrescentou o ministro. Busca-se “encontrar soluções para um país com o qual temos uma relação muito próxima.”

 

Lula, como se vê, precisa chamar o seu auxiliar para uma conversa.

Escrito por Josias de Souza às 17h40

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Governo fará auditoria internacional no setor aéreo

Apu Gomes/Folha
 

 

Nove meses depois do acidente com o Airbus da TAM, que matou 199 pessoas, o Ministério da Defesa está finalizando os procedimentos para realizar uma auditoria no setor de aviação civil. O governo decidiu contratar uma empresa internacional.

 

A informação foi repassada pelo próprio ministro Nelson Jobim (Defesa) a deputados da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Ele resumiu assim o objetivo da contratação: Vamos “verificar onde estão as deficiências, onde temos de promover ajustamentos.”

 

Jobim revelou-se preocupado com “o crescimento brutal que está acontecendo no tráfego aéreo no Brasil”. Segundo ele, há, hoje. “1.950 vôos diários controlados pelo sistema” submetido à gestão da Aeronáutica. Mais: há, nas palavras do ministro, “um crescimento exponencial em torno de 15% ao ano.”

 

“Ou seja, teremos, ainda em 2008, um acréscimo de 150 vôos. Isso nos leva a discutir a infra-estrutura aérea”, acrescentou Jobim na reunião com os deputados. Quem ouviu o ministro ficou com a impressão de que a atmosfera de tranqüilidade nos aeroportos não autoriza a conclusão de que a crise aérea acabou. Longe disso.

 

O levantamento das “deficiências” e a realização dos “ajustes”, como reconheceu o próprio ministro, ainda estão por ser feitos. O Comando da Aeronáutica sempre foi avesso à idéia de realizar uma auditoria externa no setor aéreo.

 

A julgar pelas palavras do ministro, porém, a renitência foi vencida. Jobim não informou aos parlamentares o nome da firma de auditoria que pretende contratar. Tampouco deu detalhes do processo de escolha. Limitou-se a dizer que será “uma empresa internacional.”

 

A CPI do Caos Aéreo do Senado incluíra em seu relatório final a sugestão de auditoria externa. O tema chegou a ser tratado pelo relator da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), em audiência com Jobim.

 

Em outubro do ano passado, a Ifatca (Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo) meteu a sua colher no assunto. Numa entrevista à BBC, Cedric Murrell, vice-presidente da entidade, defendeu a seleção de uma equipe “multinacional” de auditores: ''Reconhecemos a soberania brasileira, mas acreditamos que existam autoridades competentes capazes de integrar tal equipe [de auditoria] tanto no Brasil como no exterior.''

 

Marc Baumgartner, presidente da Ifatca foi além. Disse que "é uma questão de tempo" até que outro acidente aéreo aconteça no Brasil. Segundo ele, o governo brasileiro consumiu “muita energia” na punição dos controladores de vôo, mas não teria tomado providências capazes de corrigir as falhas do sistema aéreo.

 

Jobim reagiu, à época, de forma azeda. Tachou de “jogo político” a avaliação de Baumgartner. E pôs em dúvida a isenção da Ifacta: "Não podemos atribuir isenção alguma a este tipo de manifestação. Elas têm um objetivo político de criar um ambiente para resolver questões salariais."

 

Também no Brasil ouviram-se críticas à suposta letargia do governo. Milton Zuanazzi, que renunciou à presidência da Anac em 31 de outubro de 2007, disse, no mês passado, que nada mudou na Agência Nacional de Aviação Civil:   

 

“Todas as decisões que eu tomei como presidente, inclusive aquelas que anunciaram que seriam revogadas, todas elas voltaram atrás”, disse Zuanazzi. “Nós estamos vivendo a mesma política da minha gestão.”

 

Carlos Camacho, diretor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, afirmou, também no mês passado, o seguinte: “Os problemas [do setor aéreo] foram resolvidos à brasileira, de forma emergencial. Ou seja, correm o risco de se repetir.”

 

“A crise passou, mas a capacidade do setor não foi ampliada”, ecoou Alessandro Marques de Oliveira, diretor do Núcleo de Competição e Regulação do Transporte Aéreo do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). A simples intenção de contratar uma empresa internacional de auditoria revela que o governo não tira por completo a razão de seus críticos.

Escrito por Josias de Souza às 04h56

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As manchetes desta segunda

- JB: Lula critica ataque dos ricos a biocombustível

- Folha: Boca-de-urna indica vitória oposicionista no Paraguai

- Estadão: ONU culpa países ricos por falta de alimentos

- Globo: Lula pede taxa para petróleo

- Gazeta Mercantil: Giro de ADRs em NY supera o da Bovespa

- Correio: Espionagem na Infraero

- Valor: Novas jazidas vão modificar regulamentação do petróleo

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h52

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A grande família!

Orlandeli
 

PS.: Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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Brasília faz 48 anos e ingressa na ‘Idade Média’

Brasília faz 48 anos e ingressa na ‘Idade Média’

 

JK

Céu

Ermo

Sonho

Cerrado

Alvoroço

Niemeyer

Dá, não dá

Lúcio Costa

Modernidade

Mexe, remexe

Risca e rabisca

Ah! Plano Piloto

Ou vai ou racha!

Lobbies, trejeitos

Jeitinhos, arranjos

‘Quanto levo nisso?’

Início do novo Brasil

O público privatizado

Desbravamento moral

Canteiro de obras: lama

Máquinas e tratores: lama

Movimentos pesados: lama

Uma cleptocracia emergente

País de inocentes e cúmplices

De repente, o cerrado vira mar

Mar de gente; humilde e ingente

Gente pungente; daqui, dali, d’acolá

Cimento, tijolo, ferro, aço e vidro

Suor, lágrima, ‘concreto amado’

Grita, sussurra, bate e levanta

Horizonte largo, tempo curto

Correria, pressão, algaravia

Avenidas, prédios, euforia

Monumentos curvilíneos

Teatro, eixos, Catedral

Supremo e Congresso

O Palácio do Planalto

Praça dos ‘poderes’

Lá se vão 48 anos

A cidade é duas

A modernidade

A Idade Média

Absenteísmo

Clientelismo

Espertezas

Culpados?

Ora, nós!

O voto

Vesgo

Torto

Cego

Oco

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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Paim tem saudade do tratamento que teve de FHC

Paim tem saudade do tratamento que teve de FHC

  Geraldo Magela/Ag.Senado
O senador petista Paulo Paim (RS) tem a cara de uma causa. A causa dos aposentados. Defende a classe há arrastados 30 anos. Teve muitos embates. Mas nenhum deles deixou-o mais desgostoso do que a guerra que o governo Lula abriu contra dois projetos que logrou aprovar há duas semanas.

 

Paim diz ter saudades do “tratamento respeitoso” que lhe dispensavam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Pedro Malan (Fazenda).

 

“O Malan sempre foi muito respeitoso. O próprio presidente Fernando Henrique, devo reconhecer, sempre foi respeitoso”, disse Paim ao blog. “[...] Nunca enfrentei um debate como esse de agora, desqualificado.” Em público, o mínimo que os ministros de Lula disseram dos propetos de Paim é que são “irresponsáveis”. Em privado, foi dito muito mais.

 

Na linha de frente das críticas, estão dois ministros companheiros: Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Marinho (previdência), ambos petistas. “Fui deputado federal junto com o Paulo Bernardo. Fui sindicalista com o Luiz Marinho. Fui vice-presidente e secretário-geral da CUT. O mínimo que espero de companheiros é um tratamento respeitoso, sem ofensa pessoal”, queixa-se Paim. Abaixo, a entrevista:

 

 

- Uma de suas propostas estende os reajustes do salário mínimo aos aposentados. Diz-se que não há dinheiro. Concorda?

Não, em hipótese nenhuma. Venho discutindo esse tema não é de hoje. Na bancada do PT e nas instâncias de governo. Avisei que a matéria seria votada. Todos sabiam.

- Avisou aos ministros Bernardo e Marinho?

Claro. Até o Palácio do Planalto.

- Com quem falou no Planalto?

Houve reunião da bancada do PT com o presidente Lula, há umas duas semanas. Falei com ele, avisei.

- E o presidente?

Ele disse: ‘Olha, Paim, vou pedir pra que o ministro Marinho converse com você sobre isso. Tivemos duas reuniões. Não avançou um entendimento.

- Estima-se um déficit previdenciário de R$ 44 bilhões para 2008. Isso não o preocupa?

Está totalmente equivocado esse raciocínio. Discuti com eles isso. Primeiro: eu tenho uma PEC [proposta de emenda à Constituição] que trata do problema. É a PEC 29. Quero aprovar. O que diz? Recursos da seguridade social ficariam na seguridade social. Em 2007, o superávit da seguridade, onde está a Saúde e a Previdência, foi de R$ 62,7 bilhões. Se esse dinheiro ficasse na seguridade, não teríamos problema. Mas o governo usa para fazer superávit primário. Acontece há décadas. Não critico apenas esse governo. Estou citando fatos. Os dados não são meus. São da Anfip [Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal].

- Mas se acontece há décadas, acha que vai mudar agora?.

Vou te dizer o que o Malan me disse: ‘Paim, vocês têm toda razão. Tudo bem. Então, quando vocês chegarem ao governo, façam. No nosso governo, não vamos fazer.’ O pior é que chegamos ao governo e continuamos não fazendo.

- O vaticínio do Malan está se concretizando?

O pior é que é verdade. E tínhamos condições de fazer. Nos últimos 15, 20 anos, nunca a economia esteve tão bem. Conseqüentemente, nunca se arrecadou tanto para o caixa da seguridade social. Mais de 8,5 milhões de pessoas que estavam na informalidade tiveram suas carteiras assinadas. Nós estamos arrecadando mais. Se quiser, dá pra fazer.

- Outro projeto seu acaba com o fator previdenciário, criado sob FHC. O governo diz que não dá.

Claro que dá! Basta adotarmos a idade mínima [para aposentadoria]. Tive a ousadia de tratar desse tema numa outra proposta de emenda à constitucição, que também está para ser votada. Mostrei para o ministro [Luiz] Marinho. Eu tiro o fator previdenciário, mas coloco a idade mínima.

- Qual seria a idade mínima para aposentadoria?

Para quem entrou no sistema a partir de 2003, seria de 55 anos para mulheres e 60 para homens. Exatamente como é para o servidor público. Estou querendo votar. Mostrei a proposta também param as centrais sindicais. É a primeira vez que o Congresso vai enfrentar o debate da idade mínima desde 1999.

- Acha que a idade mínima substitui o fator previdenciário?

Claramente. Acabaria com essa novela. É bom para todo mundo. Todos sabem que é esse o caminho. Fator previdenciário só existe no Brasil. Na oposição, o PT foi vigorosamente contra. Fizemos vigílias, distribuímos cartazes com os nomes de quem votou a favor...

- Por que combate o fator previdenciário?

Temos hoje milhares de pessoas se aposentando equivocadamente pelo fator previdenciário. Essas pessoas vão se arrepender no futuro. Qual é o raciocínio? O camarada que tem 45, 48 anos decide se aposentar pelo fator. Recebe aposentadoria num valor que é a metade do que ele teria direito. Volta a trabalhar. Fica com dois vencimentos, o salário e a aposentadoria. Só que, à medida que os anos avançarem, o salário vai acabar. E vai ter que viver com a aposentadoriazinha pela metade.

- O governo também diz que o fim da CPMF diminuiu a arrecadação.

Fui dos que defenderam a manutenção da CPMF da tribuna. Perdemos. O que aconteceu? Mesmo sem a CPMF, a Receita Federal está arrecadando muito mais do que arrecadava no mesmo período do ano passado, com CPMF. Prova de que a economia está bombando, como diz a moçada. A Receita arrecada como nunca. Se temos condições de investir em todos os programas sociais, por que não olhar para os aposentados, que trabalharam durante toda uma vida e colaboraram para que chegássemos a esse momento.  

- Acha que seus projetos serão rejeitados na Câmara?

Muito difícil. Seria um absurdo. Creio que a Câmara não vai entrar nessa. Acho que o melhor que o governo faria seria apresentar alguma contraproposta.

- Admite discutir?

Claro que sim. Ouço dizer que já falam em alternativas. Não sou sectário. Vejo o que é melhor para o país. Se vierem com uma proposta concreta, vamos discutir. O que não dá é imaginar que vai ficar como está. Pode-se derrotar a mim, aos senadores e aos deputados. Mas não derrotam o movimento dos aposentados. Vai ficar um embate permanente. Até que venha uma proposta aceitável.

- Quantos aposentados há no Brasil?

Mais ou menos 25 milhões. Desses, entre 17 milhões e 18 milhões estão na faixa do salário mínimo. Uma faixa que, há cinco anos, tinha 12 milhões de aposentados. A tendência é todo mundo passar o ganhar o salário mínimo a partir de 2030. O que vai acontecer? As pessoas vão se convencer de que o melhor é contribuir apenas sobre um salário mínimo e fazer uma previdência privada. Há um desestímulo à previdência pública. Esse é o jogo.

- Está decepcionado?

Estou nessa luta há quase três décadas. Já vi de tudo. Mas claro que não está sendo o que eu sonhava que podia acontecer, em matéria de Previdência, num governo nosso.   

- Os ministros chamam seus projetos de irresponsáveis. O que acha?

Isso eu confesso que não gostei. Gostaria que o debate fosse mais respeitoso. Não quis responder no mesmo nível. A ofensa pessoal desqualifica a eles e a mim, se eu entrasse nesse jogo.

- No governo passado, foi tratado assim?

Nunca. O Malan sempre foi muito respeitoso. O próprio presidente Fernando Henrique, devo reconhecer, sempre foi respeitoso. Nunca enfrentei um debate como esse, desqualificado. Fui deputado junto com o ministro Paulo Bernardo. E fui sindicalista com o ministro Luiz Marinho. Fui vice-presidente e secretário-geral da CUT. O mínimo que espero de companheiros é um tratamento respeitoso, sem ofensa pessoal.

- Em ano eleitoral é difícil derrotar melhorias previdenciárias, não?

Sem apresentar nenhuma alternativa, acho que é difícil.

- Restaria ao presidente vetar.

O que não é bom. Falo como parlamentar da base do governo. Nem quero pensar nisso. Acho que dá para construir algo que atenda ao interesse de todos.

Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Jobim: ‘Terra demarcada não é propriedade de índio’

Jobim: ‘Terra demarcada não é propriedade de índio’

Ministro revela na Câmara o que pensa sobre os índios

Para ele, uma ‘demarcação não é entrega de soberania’

Sob FHC, ele editou decreto que deu voz a ‘não-índios’

No STF, suspendeu um processo de demarcação em MS

Hoje, defende debate da mineração dentro de reservas

Suas opiniões o aproximam do general Augusto Heleno

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Ao criticar a política indigenista do governo, o general Augusto Heleno, comandante Militar da Amazônia, provocou a ira dos defensores dos direitos dos povos indígenas. A pedido de Lula, o ministro Nelson Jobim (Defesa) convocou o general a Brasília. Reuniu-se com ele, a portas fechadas, na noite de sexta-feira (18). Depois, deu o caso por “encerrado”.

 

Não se sabe o que conversaram Jobim e Heleno. Sabe-se, porém, que o ministro tem, sobre a matéria, opiniões que mais o aproximam do que afastam do general. Em 1996, quando era ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, Jobim foi, ele próprio, alvo de ataques acerbos dos aliados da causa indígena.

 

Assinou, em 8 de janeiro daquele ano, o decreto 1.1775. O documento fixa regras para os processos de demarcação das terras indígenas. Traz no artigo 9º a previsão de manifestações das partes contrariadas, os chamados “não-índios.” Há 12 dias, Jobim recordou o episódio, ao falar a deputados federais, numa reunião da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

 

“Quando ministro da Justiça, alterei substancialmente o fórum de demarcação de terra indígena, assegurando o contraditório”, disse ele. “[...] Apanhei por causa disso [Leia sobre a pancadaria aqui e aqui]. Todo mundo me acusou, dizendo que eu era isso, que eu era aquilo. Não dei bola, até porque não dou bola para acusação. [...] Tenho couraça de crocodilo. [...] Não dou a mínima bola. Hoje não se fala mais.”

 

No encontro com os deputados, que ocorreu antes da palestra em que o general Heleno tachou de "lamentável, para não dizer caótica" a estratégia ingenista oficial, Jobim expôs raciocínios que permeiam o pensamento médio das Forças Armadas, expresso nos rompantes do comandante Militar da Amazônia. Deu-se em resposta a observações do deputado Ruy Pauletti (PSDB-RS).

 

O parlamentar mencionou a Amazônia. Sem citar a reserva Raposa Serra do Sol, falou especificamente de Roraima, Estado em que se encontram assentadas as terras que suscitam tanta polêmica. “Vamos perceber que as riquezas minerais, que lá são abundantes, vão estar, quase todas elas, dentro das áreas indígenas.” Pauletti falou também do interesse internacional que a região desperta.

 

Na resposta, Jobim disse coisas assim:

 

1. Demarcações: “Não podemos radicalizar, porque a radicalização se torna da seguinte forma: demarca a terra indígena. Segmentos que apóiam o setor indígena começam a dizer que aquilo é propriedade deles. Não é. Não é.”

 

2. Propriedade: “Uma coisa é a propriedade da terra, que é da União; outra coisa é o usufruto vitalício dessa terra à comunidade indígena. Então, terra indígena é terra de propriedade da União concernente ao uso indígena.  

 

3. Soberania: “Os europeus destruíram suas florestas e seus índios, agora querem discutir a nossa. [...] Não tivemos aqui nenhum Custer, não tivemos Little Bighorn. [...] Nós não podemos criar na perspectiva de tentar verificar que demarcação de terra indígena é entrega de soberania. Não é. Temos de tratar desse assunto.”

 

4. Riquezas: “Temos que enfrentar, discutir o problema de mineração em terra indígena, como vamos tratar desse assunto. É importante? É. Faz parte de um processo eventual de um grande plano de auto-sustentabilidade da Amazônia? Pode fazer.”

 

5. Zonas de fronteira: “Alguns confundem terra indígena com terra de fronteira, com faixa de fronteira. ‘Ah! Não pode ter terra indígena em faixa de fronteira’. Se não pode ter terra indígena em faixa de fronteira, não pode ter propriedade particular em terra de fronteira. Faixa de fronteira não significa propriedade. Significa possibilidade de uso diferenciado, disciplinado, intervencionista para preservar o espaço nacional. É isso.”

 

Fica claro, pelo timbre de suas declarações, que o ministro não cerra fileiras entre os que advogam, de modo incondicional, os interesses dos índios. Longe disso. E não são posições de agora. Jobim as traz entranhadas em sua biografia. Depois do decreto que assinara sob FHC, ele foi alçado a uma cadeira do STF. Ali, voltaria a tratar de demarcações indígenas. E, de novo, açularia os ânimos dos militantes da causa indígena.

 

Por exemplo: em julho de 2005, época em que presidia o Supremo, Jobim concedeu liminar sustando os efeitos de um decreto que Lula assinara quatro meses antes. Tratava da demarcação de terras da tribo dos Guarani Kaiowá, no município de Antônio João (MS). O ministro atendeu a mandado de segurança impetrado por 16 pecuaristas que atuavam dentro da área atribuída aos índios. Seguiram-se novos protestos e mais protestos, tingidos de comoção.

 

Como se vê, Jobim pode até ter atendido ao pedido de Lula. É possível que tenha admoestado o general Augusto Heleno. Mas há de ter-se pautado pelo dever de ofício. No íntimo, é possível que o ministro faça reparos à forma, mas não discorda tanto assim do conteúdo da fala do general.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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As manchetes deste domingo

- JB: Crise militar revela insatisfação com soldo

- Folha: Pesquisa mostra que 41% dos filhos não foram planejados

- Estadão: Etanol tem recorde de investimentos

- Globo: Profissão Vereador

- Gazeta Mercantil: Giro de ADRs em NY supera o da Bovespa

- Correio: Cúpula da Câmara partilha apartamentos de servidores

- Valor: Novas jazidas vão modificar regulamentação do petróleo

- Veja: Escândalo - A farra da ONG dos socialistas em Brasília

- Época: Quem faz a cabeça do presidente Lula em economia

- IstoÉ: A volta do movimento estudantil

- IstoÉ Dinheiro: O apetite insaciável das empresas de alimentos

- Carta Capital: O neoliberalismo está cercado

- Exame: O novo consumidor brasileiro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Futuro açucarado!

Dalcío
 

PS.: Via sítio do Correio Popular. 

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Reforma agrária virou o desnecessário irreversível

Reforma agrária virou o desnecessário irreversível

 

O vocábulo "revolução", como se sabe, tornou-se obsoleto. No passado, já saía dos lábios atirando. Era ouvir "revolução" e agachar, para escapar das balas. Com o ocaso da esquerda, depôs as armas. Hoje, inofensiva, a palavra pula amarelinha, de mãos dadas com a “ideologia”, uma companheira de arcaísmo.

 

Na nova era, marcada pelo sumiço da linha demarcatória que separava a esquerda da direita, Lula acordou no Planalto do lado de Sarney, Palocci incorporou Malan, Dirceu tricotou com Valdemares e outros azares.


Só numa repartição pública o passado não passou. No alvorecer de 2003, quando o primeiro reinado de Lula dava os primeiros passos, o Incra produziu um documento emblemático. No texto, "revolução" e "ideologia" compartilhavam a ilusão de que ainda conservavam o vigor dos velhos tempos.

O documento versava sobre a “reestruturação” da autarquia incumbida de gerir a reforma agrária. Tinha 31 páginas. Um latifúndio lingüístico. Improdutivo, dedicava-se à monocultura de abobrinhas. Pregava a necessidade de submeter a repartição a um novo "padrão político-ideológico".

Dizia coisas assim: "É imprescindível uma revolução organizativa. A grande maioria de nossas instituições públicas tem estado estagnada, sem mudanças significativas durante os últimos 50 anos [...] Requer-se [...] nada menos que uma revolução." Pregava uma burocracia em "convulsão intermitente".

Era o prenúncio de que a coisa desandaria. Aparelhara-se o Incra, segundo confissão expressa no documento, com pessoas selecionadas em processo que privilegiou "a militância política, sem avaliação quanto à experiência em gestão".

 

O avanço da reforma, anotava o texto de 2003, dependia da temperatura do caldeirão social. Quanto mais quente, melhor. "As manifestações de massa, de forma organizada, são o vetor central com vistas a atingir os objetivos."


Como se fosse pouco, o latinório “esquerdopata” do Incra de Lula investia contra o agronegócio. Afirmava que, mantida a tendência de "ampliação maciça de grandes propriedades rurais, com alto grau de mecanização", o êxodo para as cidades seria tonificado, gerando mais desemprego e concentração de renda.

 

Para o Incra, o próprio sistema político estava sob risco. O sufoco econômico poderia corroer "a arrecadação necessária à implementação dos programas sociais indispensáveis à manutenção do regime".

 

A solução, apregoava o texto, passaria pelo fortalecimento da pequena propriedade rural e pela mobilização da "sociedade civil" por "serviços básicos". Fortalecidos, os ruralistas miúdos produziriam alimentos para o consumo interno. Reunidos em cooperativas, exportariam a produção excedente.

 

Decorridos cinco anos e quatro meses, o que se vê? O agronegócio viceja. É a mola propulsora do crescimento do PIB. A arrecadação do fisco bate recordes sucessivos, mesmo depois do enterro da CPMF.

 

Os programas sociais foram à vitrine como grande diferencial da era Lula. Nacos das classes “D” e “E” ascenderam à letra “C”. O êxodo, segundo o IBGE, inverte-se gradativamente. O brasileiro vai agora da metrópole para o interior. O regime, noves fora o lero-lero do terceiro mandato, esbanja solidez.

 

Só o Incra não mudou. O mesmo esquerdismo "démodé". A mesma ineficiência. O caldeirão continua fervendo, em novo abril “vermelho”.

 

O MST, no passado, se distinguia por ter dado voz aos miseráveis dos fundões do Brasil, exibindo-os nas ruas das grandes cidades, em marchas épicas. Hoje, o movimento não passa de cáften daqueles que ajudara a içar do limbo social.

 

O segundo reinado se encaminha para o terço final. Ainda é tempo, porém, de pôr ordem na desordem. A reforma agrária reclama um processo de despolitização. Pede um tratamento técnico. Suplica pela interrupção da política de distribuição de terras. Roga pelo socorro aos brasileiros já assentados.

 

Ajuda sincera, capaz de transformar os reféns do MST em produtores de verdade. Gente equipada para disputar fatias de um mercado interno em crescimento.

 

O atual modelo de reforma agrária faliu. Mais que isso: apodreceu. Não é de hoje, aliás. Com sua estratégia descolada da realidade, o Incra converteu o interminável processo de distribuição de terras numa espécie de desnecessário irreversível.

Escrito por Josias de Souza às 19h41

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Meirelles compara a elevação dos juros a uma dieta

  Antônio Cruz/ABr
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comentou a última elevação da taxa de juros. Deu-se neste sábado (19), numa palestra no Rotary Club de Goiás, seu Estado. Comparou a tática do Copom (Conselho de Política Monetária) a uma dieta.

 

"Todos têm de comer bem. Mas se você está exagerando um pouquinho, tem de tomar uma atitude para manter a situação saudável", disse Meirelles. O BC atuaria, na analogia de seu presidente, como um médico.

 

Para Meirelles, não se pode comprometer o “sério” programa brasileiro de controle da inflação. “Esse é um patrimônio básico da nação: o poder da moeda. Quando se organiza isso [a inflação], todo o resto da economia se desorganiza.”

 

A metáfora digestiva de Meirelles teve o objetivo de alcançar toda a platéia, composta de pequenos empresários, profissionais liberais e também donas de casa. Nem todos familiarizados, portanto, com o economês, a língua dos economistas.

 

O diabo é que, no afã de tornar-se claro, o presidente do BC terminou se contrapondo a uma declaração que Lula fizera nove dias atrás. De passagem por Haia, na Holanda, o presidente dissera que a alta mundial no preço de alimentos leva a uma “inflação boa”.

 

"A inflação sobre os alimentos é decorrente do fato de que as pessoas estão comendo mais", declarara Lula. "Ora, na medida em que mais gente começa a comer carne, produtos de soja, trigo... se a produção de alimentos não aumentar, obviamente que nós vamos ter inflação."

 

Na mesma entrevista, instado a comentar a alta dos juros, àquela altura uma mera possibilidade, Lula dera de ombros: "Não será nem a redução de 0,25 (ponto percentual) nem a manutenção (dos juros) em 11,25 nem o aumento de 0,25 que trará qualquer transtorno à economia brasileira."

 

O aumento, como se sabe, veio. Mas a “dieta” foi mais severa do que se supunha. Os juros subiram não 0,25, mas meio ponto percentual. Neste sábado (19), Lula voltou ao tema, de novo numa viagem ao exterior. Disse, desde Gana, que não há razão para nervosismo. E defendeu a autonomia do Banco Central.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Em Gana, Lula mercadeja política de biocombustível

Valter Campanato/ABr
 

 

Lula não cabe em Brasília. Continua rolando de paisagem em paisagem, de idioma em idioma. No Brasil, é um mercador do PAC. No estrangeiro, alardeia as vantagens do biocombustível. Neste sábado, o presidente encontra-se na África.

 

Assinou com o presidente de Gana, John Kufuor, dois pares de acordos bilaterais. Tratam de combate à Aids, manejo florestal, cultivo de mandioca e, claro, biocombustíveis.

 

Numa colhe de chá aos repórteres que o acompanham, Lula deitou falação contra os aataques da comunicadade internacional aos supostos danos que o biocombustível impõe à produção de alimentos. O presidente acomodou todas as culpas nos ombros dos EUA.

 

"As políticas de biocombustíveis só têm um equívoco, que é a decisão americana de produzir álcool do milho", disse ele. "Certamente que isso reflete no preço de um produto que é importante para a ração animal, que é o milho."

 

O repórter Fábio Zanini, que trocou recentemente o conforto da cobertura jornalística brasiliense por um périplo africano, acompanha a passagem de Lula por Gana. Grudou os olhos num personagem que costuma passar despercibido: Sérgio Ferreira, o tradutor de Lula.

 

Zanine ficou com pena de Sérgio. Não é fácil verter para outro idioma. John Kufuor se expressa em língua inglesa. Do alto de sua informalidade, Lula chamou-o de “companheiro”. E o tradutor: “colleague” (colega) e “brother” (irmão).

 

A partir deste domingo, Lula participa de uma reunião da Unctad. Disse que só foi ao encontro porque ele se realiza “em gana”. O tradutor Sérgio Ferreira entendeu “engana”. Empacou. Lula fuzilou-o com os olhos: “Estou dizendo que a reunião é em Gana”, repetiu. Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Lula amarga vaia no casamento da filha de Dilma

Eduardo Lima/Folha
 

Dilma, elegantéeeeeeerrima, chega à igreja, para o casamento da filha Paula

 

Ao chegar para a cerimônia de casamento de Paula, filha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Lula foi vaiado por curiosos que se aglomeravam na porta da Igreja São José, no centro de Porto Alegre (RS). Além do presidente, também a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB-RS) foi recepcionada com apupos, informa a repórter Simone Iglesias (só para assinantes da Folha).

 

Paula Rousseff, advogada, casou-se com Rafael Covolo, administrador de empresas. A presença de ministros, governadores e congressistas deu à cerimônia ares de acontecimento do ano na capital gaúcha e demonstrou o prestígio da mãe da noiva.

 

O Aerolula pousou em Porto Alegre no início da noite, à 19h52. Junto com o presidente e a primeira-dama Marisa vieram quatro ministros: Guido Mantega (Fazenda), Celso Amorim (Relações Exteriores), Altemir Gregolin (Pesca) e Franklin Martins (Comunicação). Dilma viajara antes, em avião de carreira.

 

Cercado de seguranças, Lula chegou à igreja em carro blindado, com os vidros fechados. Esquivou-se de acenar para os curiosos. Daí, talvez, a vaia. Entrou pelo pátio lateral e desceu a uma sala localizada no subsolo da paróquia, reservado a autoridades.

 

O casamento foi cercado de discrição. Proibiram-se as câmeras fotográficas. As empresas contratadas para a organização da festa e decoração da igreja tiveram de assinar contrato com cláusula de sigilo. Eventuais vazamentos desobrigam os noivos do pagamento da fatura. Estima-se que, entre ato religioso e festejos, a conta tenha ficado em algo como R$ 200 mil.

Escrito por Josias de Souza às 04h58

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Mangabeira sobre plano de defesa: ‘Armemo-nos!’

Mangabeira sobre plano de defesa: ‘Armemo-nos!’

‘Quem tem força é quem pode decidir’, ecoou Jobim

‘Nossa posição é radical [...], de sermos arrogantes’

‘Porque só é respeitado aquele que levanta o rosto’

‘Quem se abaixa, quem se curva, leva um pontapé’

 

Ricardo Stuckert/PR

 

As frases acima constam de um documento oficial da Câmara dos Deputados. Tem 64 folhas. Contêm a transcrição do áudio de uma reunião dos ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) com deputados federais. Durou três horas e onze minutos. Deu-se há 11 dias, na Comissão de Relações Exteriores.

 

Os ministros esmiuçaram para os deputados o Plano de Defesa Nacional. Vem sendo preparado, nos subterrâneos, há seis meses. Foi confiado a um comitê interministerial. Preside-o Jobim. Coordena-o Mangabeira. Será anunciado por Lula no próximo 7 de Setembro, dia da Independência.

 

Foi uma exposição franca. Jamais se havia falado sobre a matéria com tamanha abertura. “É preciso correr um risco calculado de chegar próximo ao limite daquilo que se possa discutir publicamente”, disse Mangabeira. O plano é ambicioso.

 

Não se trata de mero reaparelhamento das Forças Armadas. Busca-se dar ao país uma aparência de potência bélica regional. Ouça-se Jobim: “O Brasil é importante na América do Sul e no mundo, e sua importância tem de ser averbada ao continente, para que não tenhamos aquela coisa do Terceiro Mundo, em que os problemas se solucionam nos fóruns internacionais, sem a nossa participação.”

 

Foi além: “Nossa posição é radical, no sentido, inclusive, de sermos arrogantes, porque só é respeitado aquele que levanta o rosto, porque aquele que se abaixa e se curva acaba mostrando uma parte do corpo para levar um pontapé.”

 

Escute-se agora Mangabeira: “Temos dito às Forças Armadas que o objetivo [...] não é equipá‑las. O objetivo é transformá-las.” Num instante em que Hugo Chávez, presidente da Venezuela, torra R$ 4,5 bilhões em equipamentos bélicos, o Brasil não parece disposto a ficar atrás.

 

“Vivemos num mundo em que a intimidação ameaça tripudiar sobre a cordura”, disse Mangabeira. “Neste mundo, os meigos precisam andar armados. Armemo-nos! Armemo-nos consolados e fortalecidos por uma convicção: o Brasil está predestinado a engrandecer‑se sem imperar.” Jobim como que endossou o colega: “Quem tem força e que pode dialogar é quem pode decidir.”

 

A estratégia militar brasileira difere da venezuelana num ponto: “Não vamos a um supermercado internacional para tirar da prateleira e comprar instrumentos. Não. Queremos a capacitação nacional, mesmo que isso eventualmente nos custe mais”, disse Jobim. O Brasil busca parcerias com potências militares. Estabelece como pré-condição a transferência de tecnologia.

 

Foi com esse objetivo que Jobim e Mangabeira foram, ora juntos ora separadamente, à França, à Grã-Bretanha, à Rússia, aos EUA e à Índia. Num caminho inverso ao que foi seguido por FHC, busca-se sob Lula reestruturar o parque de indústrias bélicas do Brasil. Será, nas palavras de Mangabeira, uma “reorganização radical”.  

 

Há no Brasil dois tipos de indústrias de armas: as estatais e as privadas. Quanto às que pertencem ao Estado, o objetivo é modernizá-las: em vez de produzirem “no chão tecnológico, devem produzir no teto tecnológico, na vanguarda, aquilo que as empresas privadas não podem fabricar a curto prazo de forma rentável”, informou Mangabeira.

 

Quanto às privadas, o governo pretende pôr um pé em suas composições acionárias por meio da aquisição de “golden shares” –expressão inglesa que significa “ação dourada”. Dá ao adquirente, no caso o Estado brasileiro, o poder de veto em votações que visem deliberar sobre temas de interesse estratégico. Sem descer a detalhes, os ministros revelaram também a intenção de conceder vantagens fiscais a fabricantes privados de armamentos.

 

Mas, afinal, contra quem se arma o Brasil? A pergunta foi formulada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), autor do requerimento que levou os ministros à Câmara. Jobim repisou algo que dissera no início de sua exposição. O Brasil, disse ele, não tem inimigos externos. A principal preocupação é a proteção do território e das fronteiras marítimas e terrestres do país. Demonstrou-se especial preocupação com a Amazônia.

 

“Hoje, existem guerras regionais controladas, com espaço físico controlado, que não se contaminam”, disse o ministro da Defesa. “Até aí não tem problema. Mas, se começar a ultrapassar, se houver hipótese e possibilidade de ultrapassar a situação regional, quais são as iniciativas brasileiras de mobilização e resguardo? Como fazemos? Vamos esperar acontecer?”

 

Jobim completou: “Essa é questão que não depende de nós. Não queremos saber disso, mas, no entanto, aquela situação pode repercutir em nós. E quais são os resguardos que temos, que tipo de posição assumiremos em termos de resguardo da nossa estrutura territorial? Isso é uma questão. Não há mistério.”

 

Mangabeira mencionou a “hipótese” de “penetração das fronteiras do Brasil por forças irregulares ou paramilitares, com ou sem a complacência de um Estado limítrofe.” Falou da possibilidade de “uma guerra assimétrica na Amazônia.” Ou ainda a chance de ocorrer uma invasão “das fronteiras, operada por um Estado fronteiriço, com o patrocínio velado de uma grande potência. Quer dizer, uma grande potência por trás usando como marionete o Estado limítrofe.”

 

Jobim referiu-se ao narcotráfico e injetou na conversa um “inimigo” inesperado: “A questão do terrorismo é um problema que nós não temos internamente, mas podemos ter externamente. Temos que examinar esse assunto exatamente dentro do plano estratégico de defesa. Quando se fala em forças assimétricas, em guerras assimétricas é exatamente disso que se trata.”

 

Um detalhe importantíssimo escapou à discussão. Quanto vai custar ao erário toda essa brincadeira? Mangabeira chegou a roçar o tema. Mas não apresentou uma mísera cifra: “No que diz respeito ao orçamento, devo dizer que o projeto vem antes do dinheiro”, disse ele.

 

Insinuou que o governo pensa grande: “Serei muito direto. Há tradição de mini-reformas de defesa no Brasil. As Forças Armadas pedem equipamento caro ao governo da época, e o governo da época dá um pouquinho da lista, para acalmá-las. Isso não serve ao país é uma enganação perigosa. O sentido do nosso trabalho, agora, é sair dessa para outra. É isso o que estamos tentando fazer.”

 

Complicado, convenhamos, para um Brasil às voltas com dificuldades para atender até mesmo às demandas salariais das Forças Armadas.

Escrito por Josias de Souza às 04h16

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As manchetes desta sábado

- JB: Polícia conclui que pai e madrasta mataram Isabella

- Folha: Pai e madrasta são indiciados no caso da morte de Isabella

- Estadão: Lula promete desocupar reserva

- Globo: Lula promete a índios manter reserva atacada por general

- Gazeta Mercantil: Giro de ADRs em NY supera o da Bovespa

- Correio: Polícia indicia pai e madrasta de Isabella

- Valor: Novas jazidas vão modificar regulamentação do petróleo

- Jornal do Commercio: Pai e madrasta de Isabella indiciados

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Camuflagem!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 04h04

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‘A Vale é poder prepotente’ e Lula um ‘ignorante’

Escrito por Josias de Souza às 20h01

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MST causa prejuízo de US$ 20 mi à mineradora Vale

  Folha
Ano após ano, o MST vira o país de ponta-cabeça no mês de abril. Os números e as informações impressionam. Invadem-se prédios públicos e instalações privadas. Ocupam-se até pedágios, tão distanciados do interesse agrário quanto a Lua da terra.

 

Diz-se que o abril é “vermelho.” Uma cor bem apropriada. Serve para tingir, por exemplo, o prejuízo de US$ 20 milhões que a paralisação da ferrovia de Carajás injetou no balanço da Cia. Vale do Rio Doce.

 

Simboliza também a cor do rosto do contribuinte brasileiro, enrubescido de raiva quando submetido à evidência de que a conta da balbúrdia é espetada na bolsa da Viúva, generosa nos repasses de verbas ao movimento. Só não ficam vermelhas as “autoridades” públicas. Essas preferem o amarelão da inércia.

 

Tome-se, por eloqüente, o caso do ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). Diante de uma provocação-companheira de João Pedro Stedile, o mandachuva do MST –o governo Lula precisa “criar vergonha na cara” e honrar os compromissos com os sem-terra—o ministro como que passou a mão na cabeça do ofensor.

 

Para Cassel, o MST é respeitável. Responde à provação de Stedile com uma candura inaudita: "Tenho certeza que a gente vem avançando muito em reforma agrária. Aposto na continuidade do trabalho." Trabalho? Nome demasiado pomposo para a tarefa de enxugar gelo. A fuzarca, diz o MST, vai continuar.

 

Num ambiente assim, de tamanha complacência, soa despropositada a tentativa de reprimenda de Lula no general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que se animou a criticar a política indigenista do governo. Política, aliás, altamente criticável. É compreensível que o presidente queira preservar a hierarquia das Forças Armadas. Mas como convencer os uniformes a permanecerem calados diante da algaravia irreprimida?

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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No Brasil, o velho só tem valor se for com gelo

Orlandeli
 

 

Na era da novidade, o país já não tem olhos para os seus velhos. Assim, causou surpresa que, na semana passada, o Senado tenha aprovado dois projetos de lei beneficiando os aposentados. Ambos de autoria do senador-companheiro Paulo Paim (PT-RS).

 

Mais surpreendente foi a reação do governo. Lula mandou erguer barricadas na Câmara contra as duas propostas. Uma estende aos velhotes pendurados na Previdência os reajuste do salário mínimo. Outro acaba com o fator previdenciário, concebido sob FHC, com o propósito deliberado de puxar pra baixo os benefícios, na hora da aposentadoria.

 

“Irresponsabilidade”, dissera, já na primeira hora, o ministro petista Paulo Bernardo (Planejamento). “São projetos que não têm a mínima chance de serem colocados em prática", ecoa, agora, o minsitro Luiz Marinho (Previdência), ex-presidente da CUT.

 

O argumento de que falta caixa ao governo não é negligenciável. Ao contrário, é central. O divertido é perceber que o PT só tenha descoberto isso agora, assim, de súbito. Sob FHC, o partido de Lula endossava de olhos fechados qualquer proposta que viesse de Paulo Paim. Fez vigília contra o fator previdenciário. Agora...

 

Resta a sensação de que, no Brasil, embriagado com tanta incoerência, o único velho que tem o seu valor reconhecido é o escocês de 12 anos. Ou de 18 anos. Ou de 21 anos. Com duas pedrinhas de gelo. Não é à toa que o brasileiro foge para a previdência privada.

 

PS.: Ilustração via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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Algo bem mais divertido do que Alckmin X Kassab

Algo bem mais divertido do que Alckmin X Kassab

 

Mal comparando, dá-se na campanha presidencial dos EUA o mesmo que acontece na refrega eleitoral do município de São Paulo. Lá, os democratas dividem-se entre Obama e Hillary, enquanto o republicano McCain cresce. Aqui, a petista Marta cavalga transforma em trampolim a refrega entre dois supostos aliados: o tucano Alckmin e o 'demo' Kassab. A diferença é que o arranca-rabo norte-americano, além de valer a Casa Branca, é bem divertido.

 

PS.: Vídeo (em língua inglesa, infelizmente) via blog TV Política.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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As manchetes desta sexta

- JB: Tribunal notifica candidatos a prefeito por campanha ilegal

- Folha: Real lidera valorização ante o dólar

- Estadão: MST pára ferrovia e faz onda de invasões

- Globo: Lula repreende general por ataque à política indigenista

- Gazeta Mercantil: Giro de ADRs em NY supera o da Bovespa

- Correio: Abril do Barulho

- Valor: Novas jazidas vão modificar regulamentação do petróleo

- Estado de Minas: Obras do PAC em BH viram comício de Dilma

- Jornal do Commercio: Ofensiva contra a dengue no Recife

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Os não-candidatos em plena não-campanha!

Thiago Recchia
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h18

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Governo quer dar ciência a suspeito sobre grampo

Governo quer dar ciência a suspeito sobre grampo

Pasta da Justiça manda ao Congresso nova lei da escuta

Projeto abre gravações a investigados antes da denúncia

Proíbe uso de conversas entre os suspeitos e advogados

Limita interceptação a 60 dias, renováveis por até 1 ano

Pune os vazamentos dos diálogos com até 4 anos cadeia

 

Já está no Congresso projeto de lei elaborado pelo governo para regulamentar a realização de escutas telefônicas no país. Foi enviado pelo ministério da Justiça. Contém normas que impõem mais rigor às autorizações judiciais e prevêem salvaguardas de direitos dos investigados. Regras que não estão previstas na lei 9.296, de 1996, que se pretende revogar.

 

O projeto vai ao Legislativo nas pegadas de uma revelação feita, em março, pela CPI dos Grampos da Câmara: só em 2007, foram feitos 409 mil grampos telefônicos oficiais em todo país. O blog obteve cópia do projeto do governo. Traz 25 artigos. Mais do que o dobro dos 12 artigos contidos na lei de 1996, sancionada sob FHC. Vai abaixo um resumo do conteúdo do projeto:

 

1. Ciência ao acusado: é uma das principais novidades. Consta do artigo 16. Estabelece que, encerrado o prazo da escuta telefônica, o juiz dará prazo de dez dias para que o Ministério Público requisite “diligências complementares”. Não havendo pedido de aprofundamento da investigação, o juiz será obrigado a intimar os investigados ou seus advogados. Entregará a eles “cópia de todo o material” recolhido nas escutas telefônicas. Hoje, os suspeitos tomam conhecimento de que seus telefones foram interceptados depois que os procuradores da República encaminham ao Judiciário uma denúncia formal contra eles;

 

2. Prazo da escuta: o projeto limita a realização de escutas telefônicas ao período de 60 dias. Abre-se a possibilidade de renovação do grampo por períodos sucessivos de 60 dias. Mas o juiz terá de autorizar, por escrito e de forma fundamentada, cada uma das renovações. E impõe-se um ano como prazo máximo da uma escuta. Hoje, há grampos que extrapolam os 365 dias. Na nova lei, abre-se uma única exceção: “Quando se tratar de investigação relativa a crime permanente, enquanto não cessar a permanência”;

 

3. Corregedorias: outra novidade contida no projeto é a previsão de intervenção das Corregedorias Judiciárias. Para evitar abusos na execução de grampos, elas passam a dispor, “a qualquer tempo”, de poderes para “proceder a análise sobre a necessidade de continuação” das interceptações telefônicas. Se concluírem que devem ser interrompidas, podem recorrer ao juiz que as autorizou;

 

4. Proteção aos advogados: a legislação em vigor permite que sejam utilizadas como provas as gravações de diálogos dos suspeitos com seus advogados. Pelo novo projeto, esse tipo de conversa ganha proteção legal. Não poderão mais ser utilizadas nos processos, ainda que contenham teor comprometedor;

 

5. Ampliação das modalidades de escuta: o projeto equipara “às comunicações telefônicas todas as formas de telecomunicação, como a transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza.” Ficam sujeitas a interceptação, assim, de e-mails a dados enviados por fax. Prevê-se também a realização de escutas ambientais, presenciais ou à distância. Fica tudo sujeito aos rigores da nova lei;

 

6. Autorização judicial: o projeto torna mais rigoroso o procedimento de concessão de autorização do juiz para a realização de um grampo. Hoje, admite-se até a escuta solicitada por meio de pedido verbal, reduzido a termo depois da autorização do juiz. Pelo projeto, o pedido do Ministério Público ou da autoridade policial terá de ser feito obrigatoriamente por escrito. Mais: terão de ser observados cinco pré-requisitos. Entre eles a demonstração de que as provas pretendidas não podem ser obtidas por outros meios que não a escuta. Do juiz também se exige que fundamente a sua autorização. Terá de indicar os indícios de crime e de participação do investigado, além do número a ser interceptado. Só nos casos em que o suspeito passar a utilizar um outro aparelho telefônico é que o pedido de nova interceptação poderá ser formulado verbalmente. Ainda assim, quando ficar caracterizada a urgência;

 

7. Criminalização do vazamento: o projeto conserva o caráter sigiloso das escutas telefônicas, algo já previsto na lei em vigor. Mantém também a pena de dois a quatro anos de cadeia para os responsáveis pelo vazamento do conteúdo das escutas. Numa versão anterior, elaborada no primeiro mandato de Lula, previa-se a extensão da pena para os jornalistas que divulgassem os grampos. Algo que não consta do projeto enviado ao Congresso.

 

8. Destruição das gravações: pelo projeto, nenhuma gravação poderá ser destruída antes do “trânsito em julgado” do processo. Ou seja, o conteúdo das escutas terá de ser preservados até o fim dos processos, quando não houver mais nenhum recurso judicial possível. Ficarão sob a guarda do juiz, depositadas nos cartórios das varas judiciais.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Adepto do ‘Bolsa Juros’, Lula ri do que pede choro

 

Lula amanheceu nesta quinta-feira (17) com torcicolo. Coisa chata. Capaz de azedar o humor de qualquer um. Mas o presidente ostentou, durante todo o dia, um sorriso fácil nos lábios. Mesmo quando teve de imobilizar o pescoço, num pa©mício, em Belo Horizonte.

 

Para explicar à platéia o artefato que trazia abaixo do queixo, Lula fez pilhéria com o Corinthians e com o Banco Central. Disse que não sabia se atribuía o torcicolo ao “massacre” que o Goiás infligira ao seu time ou à subida dos juros, decretada na véspera.

 

Quanto ao Corinthians, nada a opor. Virou mesmo uma piada. Em relação aos juros, o caso não é de riso, mas de choro. Ao elevar a taxa selic para 11,75%, o Banco Central jogou água fria na fervura de PIB que vinha de um aquecimento de 5,3%. A choradeira foi generalizada –da Fiesp às centrais sindicais.

 

Só um tipo de brasileiro tem razões para sorrir: o “rentista.” O que talvez explique o bom humor de Lula. O presidente é um dos beneficiários do “Bolsa Juros.” A maior parte do seu patrimônio está protegido sob os juros da dívida pública. Uma dívida que, agora, é feita pelo governo dele.

 

Visto sob a ótica das declarações de rendimentos entregues à Justiça Eleitoral, Lula é um homem bem-posto, muito bem-posto, põe bem-posto nisso. Em 2002, ano em que o eleitor lhe entregou o primeiro mandato, o ex-torneiro mecânico acumulava patrimônio de R$ 423 mil. Desse total, R$ 117,5 mil (28%) encontravam-se sob a sombra do guarda-chuva dos títulos públicos.  

 

Em 2006, ao ser eleito para o segundo reinado, Lula levou aos arquivos do TSE uma declaração de rendimentos 98% mais gorda: R$ 839 mil. A essa altura, suas aplicações penduradas na taxa de juros provida pelo Banco Central já somavam R$ 474,6 mil –ou 56% de todo o patrimônio. Tornara-se, já então, um “rentista” clássico.

 

Há exatos cinco anos, três meses e 18 dias, Lula manda à conta bancária o grosso de sua renda mensal, composta de uma aposentadoria especial e do salário de presidente: R$ 15.928, em valores atuais, noves fora os descontos de praxe. O contracheque do Planalto é de R$ 11.420. A aposentadoria, arrancada da viúva graças à poda de um mandato sindical e a 51 dias de cana macia, sem pancadaria, amargada em 1980, rende R$ 4.508.

 

Mercê de todas as regalias que o cercam –cartão corporativo, carro na porta, avião no hangar, ternos no armário e geladeira sempre cheia—é de supor que, a essa altura, o patrimônio de Lula, adensado pelos juros de Henrique Meirelles, já tenha ultrapassado a casa do milhão de reais. Assim, não há torcicolo que lhe conspurque o humor.

Escrito por Josias de Souza às 00h27

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Dilma rasga o véu e chama ato pelo nome: ‘comício’

  Antônio Cruz/ABr
Lula fez mais uma de suas viagens nesta quinta-feira (17). Dessa vez, montou o pa©lanque em Belo Horizonte. Trazia a tiracolo, de novo, Dilma Rousseff. Cada vez mais solta, a ministra, por ora o poste mais viável do PT, fez até discurso. A certa altura, ela chamou o ato pseudo-administrativo pelo verdadeiro nome.

"Eu queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente, que hoje animam, sem dúvida, esse comício", disse Dilma. Na sua vez de discursar, Lula voltou a espinafrar a oposição.

 

Disse que seus adversários gostariam que ficasse em Brasília, ouvindo-os vociferar contra seu governo. Mas, entre trancar-se no gabinete e viajar pelo país, encontrar-se com o “povo”, prefere a segunda alternativa.

 

Repetiu-se na capital mineira o script das outras viagens: chegada festiva, pa©lanque, assinaturas de convênios e discursos. Ah, sim, houve uma mudança. Dilma foi promovida. Agora já não é só mãe do PAC. É também avó e tia do programa.

 

"A Dilma é na verdade a mãe, a avó e a tia do PAC, porque eu aprendi que, se a gente anuncia uma obra e não fica atrás dela o tempo inteiro, essa obra não acontece", disse Lula. De resto, negou que esteja em campanha. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 22h46

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Falta um voto para que STF derrube uma MP de Lula

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

O STF começou a julgar, na tarde desta quinta-feira (17), uma das ações movidas pela oposição contra medidas provisórias editadas por Lula. O relator, ministro Gilmar Mendes (foto), votou pela suspensão dos efeitos da MP, que trata da abertura de créditos extraordinários de R$ 5,4 bilhões.

 

Apenas oito dos onze ministros do Supremo estavam presentes à sessão. Cinco votaram pela suspensão da vigência da medida provisória. Além do relator Gilmar Mendes: Carmem Lúcia, Carlos Ayres Britto, Eros Grau e Marco Aurélio. Outros três ministros divergiram de Mendes: Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Ricardo Lewandowiski.

 

Como o quórum mínimo para a deliberação do tribunal é de seis votos, o julgamento teve de ser interrompido. Será retomado em outra sessão, quando estiverem presentes os ministros que se ausentaram nesta quinta: Ellen Gracie, Menezes Direito e Celso de Mello. Basta que um deles concorde com Gilmar Mendes para que o governo amargue mais uma derrota jurídica histórica.

 

Está em julgamento uma ação direta de inconstitucionalidade protocolada pelo PSDB. Questiona uma única medida provisória. Mas a decisão do STF servirá de baliza para todas as outras de mesma característica. Analisa-se, por ora, apenas o pedido de liminar formulado pelo tucanato. Significa dizer que a suspensão da MP, se vier a prevalecer, terá caráter temporário, até que o processo seja julgado no mérito.

 

Está em discussão um tipo específico de MP: as que são baixadas pelo governo para abrir "créditos extraordinários". Em português claro: autorizam o Executivo a realizar gastos supostamente imprevisíveis. Correspondem a cerca de 25% de todas as medidas provisórias exitadas sob Lula. São, hoje, a principal dor de cabeça do Congresso.

 

Deu-se na sessão do STF o que fora previsto em texto veiculado aqui na noite passada: Gilmar Mendes produziu um voto francamente desfavorável aos interesses do Planalto. Considerou que os gastos arrolados na medida provisória eram absolutamente previsíveis. Classificou-os como “despesas correntes.” Deveriam ser submetidas ao Legislativo em projetos de lei, não em medida provisória.

 

O relator lembrou que, “no atual modelo, a edição de uma medida provisória, sem que haja decisão do Congresso, leva ao trancamento de pauta.” O que, no limite, “propicia ao presidente da República a possibilidade de paralisar o Congresso.” Nas palavras de Gilmar Mendes, a sistemática de tramitação das medidas provisórias tornou-se “uma roleta russa com todas as balas no revólver.”

 

Mesmo ministros contrários à suspensão da medida provisória questionada na ação do PSDB concordaram com o relator no que diz respeito às distorções do modelo. Apenas avaliaram que não cabe ao Supremo pronunciar-se sobre a encrenca. O problema seria do Congresso Nacional.

 

Ouça-se o que disse, por exemplo, o ministro Cezar Peluso: “Eu também sou crítico do modelo de medidas provisórias. Acho que poucas pessoas não o são. Mas acho também que a crise do modelo é de responsabilidade do Congresso. É ele que tem a responsabilidade política de resolver a crise do modelo que ele próprio aprovou.”

 

Falando na seqüência, Marco Aurélio Mello pôs-se de acordo quanto à avaliação do quadro de crise –“Estamos diante um verdadeiro impasse institucional”—, mas discordou do encaminhamento proposto por Peluso –“Não pode o Supremo se despedir do papel de guardião da Constituição [...]. Dentro da nossa ordem jurídica e constitucional a ultima palavra é do Supremo.”

 

Ao todo, há no STF oito ações movidas pela oposição contra medidas provisórias de crédito extraordinário. São sete do PSDB e uma do DEM. Duas delas foram mandadas ao arquivo por Menezes Direito, um dos ausentes na sessão desta quinta. É de supor que, por coerência, o ministro divergirá de Gilmar Mendes no instante em que for votar.

 

Restarão os votos de Ellen Gracie e Celso de Mello, que atua como relator numa das ações ajuizadas pelo PSDB. A posição desses dois ministros é uma incógnita. Porém, basta que um deles penda para o voto de Gilmar Mendes para que o STF tome mais uma decisão que antecipa providências que o Congresso se esquiva de adotar.

 

Reza a Constituição que cabe ao Congresso dizer se uma medida provisória é ou não urgente e relevante. No caso dos créditos extraordinários, a Constituição acrescenta um terceiro adjetivo: a MP precisa tratar de despesas “imprevisíveis”. O texto oferece, a título de exemplo, três parâmetros eloqüentes: “guerra”, “comoção social” e “calamidade pública.”

 

Ou seja, os próprios congressistas deveriam ter mandado ao lixo as medidas provisórias que o Executivo vem editando aos borbotões, num processo que se acentuou na gestão FHC e foi mantido sob Lula. Se o Legislativo cumprisse a sua obrigação, não haveria a alegada crise do trancamento de pauta. Como deputados e senadores resistem em exercitar o poder que o povo e a Constituição lhes conferem, arriscam-se a receber mais uma ordem do Poder Judiciário. Um novo vexame.

Escrito por Josias de Souza às 18h32

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As manchetes desta quinta

- JB: Comércio do Rio perdeu R$ 28 bi com a violência

- Folha: BC surpreende e juro sobe 0,5 ponto

- Estadão: BC decide por alta mais forte dos juros para deter inflação

- Globo: Inflação em alta leva BC a subir os juros após 3 anos

- Gazeta Mercantil: Quebra de contratos põe em xeque venda de energia elétrica

- Correio: A morte em preto-e-branco

- Valor: Custo de captação de banco aumenta e encarece crédito

- Jornal do Commercio: Sport é tri

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Brasil grande!

Lute
 

PS.: Via blog do Lute.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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STF pode impor limites para as medidas provisórias

STF pode impor limites para as medidas provisórias

Supremo inclui o tema na pauta da sessão desta quinta

Processo trata de MP que abre ‘créditos extraordinários’

Relator é Gilmar Mendes, eleito novo presidente do STF

Privadamente, ele sinalizou posição adversa ao governo

 

O STF pode impor ao Congresso um novo constrangimento. O tribunal incluiu na pauta da sessão desta quinta-feira (17) o julgamento de um processo que trata de um tipo especial de medida provisória: aquelas que o governo edita para abrir “créditos extraordinários”. Respondem por cerca de 25% de todas as MPs enviadas por Lula ao Legislativo.

 

O julgamento ocorre no instante em que os congressistas se perdem no vaivém de um debate interminável. Discute-se justamente o que fazer para retirar um Congresso soterrado por medidas provisórias da condição de apêndice do Palácio do Planalto.

 

Dependendo da decisão que vier a adotar, o STF pode fazer algo que o Congresso, se quisesse, já poderia ter feito: impor limites ao ímpeto do governo de legislar por meio de medidas provisórias. Vai abaixo um resumo do que está em jogo:

 

1. Vai a julgamento no Supremo uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade). Foi protocolada em 12 de março de 2008. Assina-a o PSDB. Ganhou o número 4048. No texto, o partido questiona a legalidade de medida provisória baixada por Lula em 18 de dezembro de 2007. Trata da abertura de créditos extraordinários de R$ 5,4 bilhões. É inconstitucional, alega o tucanato;

 

2. A ação foi à mesa de Gilmar Mendes. Vem a ser o novo presidente do Supremo. Daqui a uma semana, assume a cadeira de Ellen Gracie, que, nesta quarta-feira (16), despediu-se da função. Nos últimos dias, em diálogos privados, Gilmar Mendes deu claras indicações de que pode adotar em seu voto uma posição contrária aos interesses do Planalto;

 

3. O ministro sinalizou que consideraria inconstitucionais as medidas provisórias que tratam da abertura de créditos extraordinários. Se não mudou de idéia, será essa a posição que Gilmar Mendes submeterá à apreciação dos outros dez ministros que compõem o plenário do STF;

 

4. O caso submetido ao crivo de Gilmar Mendes compõe um lote de oito ações de conteúdo similar. O PSDB é signatário de sete. O DEM assina uma. Juntas, questionam medidas provisórias que abriram créditos extraordinários de R$ 25,1 bilhões;

 

5. As ações ganharam relatores distintos, definidos por sorteio. No último dia 1º de abril, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito mandou ao arquivo duas delas: uma do PSDB (R$ 1,25 bilhão) e outra do DEM (R$ 12,5 bilhões). Não chegou a analisar o mérito da causa. Apenas considerou que a ação direta de inconstitucionalidade não é o mecanismo adequado para questionar matérias relacionadas ao Orçamento da União;

 

6. Outros cinco relatores –Celso de Mello, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto—decidiram aguardar a defesa do governo. Gilmar Mendes, porém, pediu que a ação que lhe fora confiada fosse levada a julgamento. O que vai ocorrer nesta quinta. A ação do PSDB, número 4048, é o terceiro item de uma pauta de 14 processos.

 

7. A edição de medidas provisórias é regulada pelo artigo 62 Constituição. Anota que MPs só podem ser baixadas pelo presidente “em caso de relevância e urgência”. O parágrafo 1º do mesmo artigo relaciona as situações em que o governo não pode lançar mão de medidas provisórias. Proíbe, por exemplo, que sejam usadas para tratar de “diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares”.

 

8. O parágrafo 3º do artigo 167 da Constituição abre exceções. Estabelece: “A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública.” São, como se vê, casos especialíssimos. As ações protocoladas pela oposição no STF questionam MPs em que o Planalto abriu, em caráter extraordinário, créditos para cobrir despesas supostamente previsíveis. Beneficiam a Justiça Eleitoral e diversos ministérios. Entre eles os da Saúde, Transportes, Relações Exteriores, Meio Ambiente, Transportes e Integração Nacional.

 

9. A mesma oposição que recorre ao Supremo editou, a mais não poder, o tipo de medida provisória que agora questiona. Estima-se que, nos últimos 13 anos, o Palácio do Planalto criou, por medida provisória, “créditos extraordinários” de R$ 232 bilhões. Desse total, R$ 119 milhões constaram de MPs assinadas nos oito anos de mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso. Em cinco anos e três meses, Lula abriu créditos de R$ 113 bilhões.

 

10. Se o STF decidir interromper a farra, o Congresso estará novamente submetido a um fenômeno que os especialistas chamam de “judicialização da política”. Terá de fazer por pressão o que não fez por obrigação. Algo semelhante ao que ocorreu com a imposição da fidelidade partidária e com a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. Temas que, à falta de regulamentação do Legislativo, foram definidos pelo Supremo.

 

11. Só nesta quarta-feira (16), depois de arrastada negociação, a comissão de Justiça da Câmara aprovou a primeira versão do projeto que estabelece um novo rito para a tramitação das medidas provisórias. O projeto, ainda sujeito à fricção da votação no plenário da Câmara, será submetido, depois, à análise do Senado. Não há no texto uma mísera linha sobre as medidas provisórias de créditos extraordinários, hoje a principal dor de cabeça do Legislativo e o tema submetido à deliberação do STF.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Depois de 3 anos, BC volta a elevar taxa de juros

Com receio de que a inflação lhe fuja ao controle, o Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros da economia. Subiu meio ponto percentual, de 11,25% para 11,75%. É a primeira subida da taxa selic desde maio de 2005.

 

 

 

A decisão foi endossa por todos os integrantes do Copom. Em seu comunicado, o Conselho de Política Monetária deixou claros os seus motivos. Há no primeiro escalão do BC um certo pânico com a curva ascendente das taxas de inflação.

 

Diz o texto: "Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectiva para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés. O comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado."

Escrito por Josias de Souza às 22h40

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Verba de gabinete de deputados sobe para R$ 60 mil

  Lula Marques/Folha
O cronista Nelson Rodrigues costumava dizer que “há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.” No que diz respeito aos deputados federais, o dinheiro bem sempre antes. Quanto á boa ação...

 

Nesta quarta-feira (16), o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciou o reajuste da verba de gabinete dos deputados. Passou de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil mensais.

 

Considerando-se que a prebenda é extensiva a 513 gabinetes, espetou-se na bolsa da Viúva, veneranda e indefesa senhora, uma conta de mais de R$ 400,1 milhões por ano.

Dinheiro destinado à contratação de assessores.

 

Noves fora os assessores do quadro permanente do Legislativo, cada deputado pode contratar até 25 auxiliares. Gente de “confiança”, que vai à folha de pagamentos sem passar pelo crivo de um concurso público.

 

Há os que levam a coisa a sério. Mas também há os que contratam parentes, aderentes e cabos eleitorais. Na surdina, ainda há deputados que, por baixo da mesa, embolsam parte do vencimento que se destinaria aos assessores.

 

O aumento da verba de gabinete foi decidido em reunião da Mesa diretora da Câmara, um colegiado com representação pluripartidária. Foi uma decisão unânime. Que pode ser mimetizada pelo Senado, pelas assembléias estaduais e pelas câmaras de vereadores.

 

O dinheiro já foi. O eleitor espera agora pela “boa ação” de que falava Nelson Rodrigues. E espera... E espera... E espera... E espera... Convém puxar uma cadeira.

Escrito por Josias de Souza às 19h38

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TSE pode atenuar regra que proíbe Marta de disputar

O Tribunal Superior Eleitoral iniciou, na noite passada, um debate crucial para o futuro político da ministra Marta Suplicy (Turismo). Discute-se a resolução 22.715, editada pelo TSE em 28 de fevereiro de 2008.

 

Prevê que políticos com contas de campanha rejeitadas pelo tribunal não podem registrar nova candidatura. Levado ao pé da letra, o documento impede Marta de concorrer à prefeitura de São Paulo em 2008. Ela teve as contas da campanha de 2004 rejeitadas pela Justiça Eleitoral.

 

Porém, o TSE está a um passo de atenuar o teor de sua própria resolução, facilitando a vida de Marta. Na sessão realizada na noite desta terça-feira (15), o tribunal abriu o debate de um processo administrativo protocolado sob o número 19.899.

 

Nesse processo, discute-se, basicamente, se a norma imposta pela resolução de fevereiro vale para 2008 ou só para eleição de 2010. Relator da matéria, o ministro Ari Pargendler submeteu ao plenário do tribunal um relatório que, se aprovado, abre caminho para a formalização da candidatura municipal da petista Marta Suplicy.

 

Para Pargendler, a resolução só se aplica a prestações de contas futuras, não às que já foram analisadas pelo TSE, ainda que tenham sido rejeitadas. “Minha posição”, disse o minsitro, “é de que nós não podemos apenar alguém sem que a norma seja anterior ao fato.”

 

“Portanto”, concluiu Pargendler, “entendo que essa inibição na obtenção da quitação se refere só ao exercício de 2009, quando a prestação de contas é relativa ao exercício de 2008, senão nós estaríamos atingindo fatos passados com base numa lei posterior.”

 

O parecer de Pargendler foi contestado pelo presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello. Para ele, a resolução do tribunal apenas interpretou a legislação em vigor. Uma legislação que fora aprovada em 1997. Aplicável, portanto, à campanha de 2004, aquela em que as contas de Marta Suplicy foram rejeitadas.

 

“Como ninguém pode deixar de observar a legislação, alegando a ignorância a respeito, nós teríamos a aplicação [da resolução do TSE] sem decepção para a sociedade brasileira”, disse Marco Aurélio. A prevalecer o entendimento do presidente do TSE, Marta Suplicy não poderia ser candidata nas eleições de 2008.

 

“Esse vai ser o meu voto sobre o tema”, fez questão de antecipar Marco Aurélio. “Me preocupa muito um recuo agora, entendendo-se que editamos a resolução não para as eleições de 2008, mas para as eleições de 2010. Seria muito cedo e a nossa resolução seria temporã se ela realmente ganhasse essa conotação.”

 

Antes que os ministros pudessem deliberar, Marco Aurélio sugeriu que a sessão fosse suspensa. Disse que a decisão, por relevante, deveria ser tomada por todos os membros efetivos do plenário do tribunal. Havia dois ministros ausentes. Entre eles Carlos Ayres Britto, que já foi eleito novo presidente do TSE, cargo que vai assumir em 6 de maio.

 

“Creio que deveríamos aguardar a presença do ministro Carlos Ayres Britto, já que ele participou da aprovação da Resolução”, disse Marco Aurélio. A despeito do adiamento, o tema permanece em pauta. Pode ser decidido ainda nesta semana. Antes de encerrar a sessão, Marco Aurélio recorreu à literatura para expressar o seu receio quanto aos riscos de um eventual recuo do TSE:

 

“E eu me lembro de uma passagem de um romance de John Steinbeck, com o título 'O inverno da nossa desesperança'. No final desse romance, nas últimas folhas, ou na última folha, nós temos uma máxima que é muito verdadeira: 'Quando uma luz se apaga' - e ela se apagará para a sociedade brasileira se recuarmos nessa matéria – 'é muito mais escuro do que se ela jamais houvesse brilhado'”.

Escrito por Josias de Souza às 18h41

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No Brasil, quanto tempo Cacciola ficará em cana?

  Alan Marques/Folha
O cárcere brasileiro é o cárcere que o Judiciário permite. O grande, o maior, o mais nefasto escândalo das cadeias não são os que estão lá. São os que não estão. Os brasileiros bem-postos, supernutridos, brancos e elegantes estão sub-representados na cana. Para esses patrícios, o Código de Processo Penal é uma lei que não pegou.

 

A Justiça de Mônaco deu a sua contribuição para a correção de mais essa distorção brasileira. Aprovou a extradição do sem-banco Salvatore Cacciola. O embarque depende agora de uma palavra do Albert II. Que deve ser dada em 20 ou 30 dias.

 

O governo brasileiro já está de prontidão. O ministro Tarso Genro (Justiça) informa que, sacramentada a extradição, Cacciola, condenado a 13 anos de xadrez e foragido desde 2000, será trazido de volta em 48 horas.

 

Ainda que por pouco tempo, o brasileiro vai se sentir desagravado de velhas humilhações. Pena que pode durar pouco. No Brasil, Cacciola estará, de novo, submetido às leis e à Justiça brasileira. Voltará a usufruir da sensação de onipotência que acode os bem-nascidos da pátria.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

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Parece que foi ontem!

Escrito por Josias de Souza às 15h52

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Lula quer derrubar na Câmara aumento a aposentado

  Rodrigo Pavan/Folha
Os operadores políticos de Lula foram orientados a repassar ao consórcio partidário que dá suporte ao governo na Câmara uma determinação constrangedora. Em pleno ano eleitoral, o presidente encomendou aos deputados a derrubada de um projeto que beneficia algo como 25 milhões de aposentados e pensionistas da Previdência. Parte dos “aliados” não parece disposta a arrostar o desgaste.

 

Deve-se o constrangimento a uma esperteza da oposição. Na semana passada, DEM e PSDB desmontaram a barricada que haviam erguido no plenário do Senado. Toparam votar as medidas provisórias que travavam a pauta de votações. Na seqüência, com votos favoráveis de tucanos e ‘demos’, aprovou-se um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS), velho defensor da causa dos aposentados.

 

A proposta de Paim é uma espécie de cavalo de Tróia. Invadiu, na forma de emenda, um projeto que o governo apresentara, para fixar em lei a política oficial de recomposição do salário mínimo: reajustes pela inflação, acrescidos de percentuais calculados segundo a variação do PIB. Com o auxílio da oposição, Paim estendeu os reajustes a aposentados e pensionistas da Previdência.

 

O líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), chiou. Em discurso candente, Aloizio Mercadante (PT-SP) alertou aos colegas que as arcas previdenciárias não suportariam a súbita generosidade. Lembrou que a Previdência convive, em 2008, com uma perspectiva de déficit de R$ 44 bilhões. O Senado fez ouvidos moucos. E a proposição do petista Paim foi aprovada sob intensos festejos de governistas e, sobretudo, de oposicionistas.

 

Enviado à Câmara, o aumento aos aposentados converteu-se em embaraço para os deputados governistas. A determinação de Lula é peremptória. Quer o sepultamento da proposta. Um pedido que nem todo mundo parece disposto a atender: “Se é contra, o governo deveria ter agido no Senado”, disse ao repórter um expoente do PMDB, o maior partido do consórcio governista. “Os senadores posam de bonzinho e nós é que vamos ser os carrascos dos aposentados? Não dá. O presidente, se achar que deve, que arque com o desgaste de vetar a emenda do Paim, senador do partido dele.”

 

O governo está debruçado sobre a máquina de calcular. Vai repassar aos deputados que o apóiam uma estimativa do impacto da emenda Paim sobre as contas da Previdência. De antemão, o Planalto avisa que, mantida a encrenca criada no Senado, fica comprometida a estratégia de recuperação do salário mínimo. Se não for atendido pelos deputados, não restará ao presidente senão vetar a proposta nascida do PT. É precisamente o que deseja a oposição, ávida por indispor Lula com o eleitorado.

 

A tática de PSDB e DEM ficou ainda mais cristalina no aluvião de votos que os senadores das duas legendas despejaram sobre uma outra proposta de autoria de Paulo Paim. Aprovou-se a extinção do chamado fator previdenciário. Trata-se de um mecanismo criado sob Fernando Henrique Cardoso. Com votos favoráveis do PSDB e do então PFL e sob oposição cerrada do ex-PT. Submete o cálculo das aposentadorias a um cesto de critérios que inclui a idade, o tempo de contribuição do beneficiário e a expectativa de vida da população brasileira.

 

É outra proposta que Lula deseja ver derrubada na Câmara. Nesta terça-feira (15), informado com ataques que o ministro petista Paulo Bernardo (Planejamento) dirigira ao Senado, Paulo Paim lembrou que, na gestão passada, o PT opusera-se de modo intransigente ao fator previdenciário. Não se conforma com o fato de que, no governo, Lula agora queira preservar o que antes criticava.

 

A bancada governista planeja retardar tanto quanto possível a chegada das propostas de Paim ao plenário da Câmara. Tática arriscada. Quanto mais próxima a votação da dos projetos estiver da eleição de outubro, mais difícil derrubá-las. Argumenta-se que há na Casa um lote de 13 medidas provisórias por apreciar. Elas têm precedência sobre todas as outras matérias. A oposição se diverte.

 

O deputado ACM Neto (BA), líder do DEM na Câmara, anuncia aos quatro ventos a disposição de suspender a obstrução, desde que seja para apressar a votação das teses caras a Paim e ao ex-PT. José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, tenta revestir a esperteza de lógica. Argumenta que a oposição deseja apenas permitir ao governo que gaste bem o dinheiro público, destinando-o a causas nobres. Nada mais nobre do que tonificar o orçamento doméstico dos aposentados.

Escrito por Josias de Souza às 04h00

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As manchetes desta quarta

- JB: Campanha eleitoral irregular já está na rua

- Folha: Pai e madrasta serão indiciados no caso Isabella

- Estadão: Anúncio da ANP valoriza petroleiras em todo o mundo

- Globo: MP apura se houve crime com ações da Petrobrás

- Gazeta Mercantil: É forte apetite externo por dívida do Brasil

- Correio: Petrobrás e Furnas vão preencher 6.882 vagas

- Valor: Bancos enfrentam menor liquidez e fundos perdem

- Estado de Minas: Senado convoca Dilma para explicar o dossiê.

- Jornal do Commercio: Base cochila e oposição convoca Dilma

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h52

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Pa©mícios!

Thiago Recchia
 

PS.1: Via sítio da Gazeta do Povo.

PS.2: O TSE mandou ao arquivo a ação em que o DEM acusava Lula de usar eventos oficiais com propósitos eleitorais.

Escrito por Josias de Souza às 03h46

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Em nota oficial, direção do PT repudia o 3º mandato

  PT/Divulgação
Reunida nesta terça-feira (15), em Brasília, a Executiva Nacional do PT decidiu adotar uma posição formal sobre a tese do terceiro mandato. Posicionou-se enfaticamente contra a idéia, que tem como porta-bandeira o deputado petista Devanir Ribeiro (SP), compadre de Lula.

 

Para o PT, a re-reeleição é “manobra antidemocrática” e “casuística”. Um dia depois de PSDB e DEM terem decidido que não votarão nenhuma proposta que verse sobre alterações nas regras eleitorais, o partido de Lula deixou falando sozinhos os petistas que flertam com a idéia prorrogacionista.

 

“Realizamos, em setembro de 2007, nosso 3º Congresso e esta questão não foi proposta por nenhum dos 937 delegados presentes”, diz o partido, em nota divulgada depois da reunião da Executiva. “Por isso, o PT desautoriza qualquer manifestação nesse sentido por parte de seus filiados.”

 

No texto, o PT recorda que, em 1997, “foi contra o casuísmo da emenda da reeleição”, que permitiu ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, renovar o próprio mandato no pleito seguinte, realizado no ano seguinte. E acrescenta:

 

“A aprovação popular ao nosso governo e a extraordinária popularidade do presidente Lula não incentiva a repetir a manobra antidemocrática de FHC, PSDB e PFL (atual DEM) na década passada.”

 

Não há no documento nenhuma menção à nova idéia abraçada por Devanir Ribeiro. O deputado coleta assinaturas para apresentar emenda constitucional prevendo o fim da reeleição e a extensão do mandato do presidente e dos governadores de quatro para cinco anos. Algo que pode abrir caminho para que Lula e os atuais executivos estaduais permaneçam em suas cadeiras por mais um ano.

 

A Executiva do PT também decidiu acomodar no alto do telhado a aliança costurada em Belo Horizonte pelo prefeito petista Fernando Pimentel e pelo governador tucano Aécio Neves. Um acordo que prevê o apoio à candidatura municipal de Márcio Lacerda (PSB), secretário do governo Aécio e amigo do presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE).

 

No âmbito municipal, a aliança já foi aprovada pelo PT. Mas a Executiva nacional firmou o entendimento segundo o qual a deliberação está “em desacordo com as diretrizes da política de alianças”. Em outra nota, a Executiva petista escreveu: “A decisão de Belo Horizonte depende de [...] deliberação da instância nacional.” A decisão final será tomada em encontro do diretório nacional do PT, marcado para quinta-feira (24) da semana que vem.

 

De resto, a Executiva do PT aprovou mais duas notas. Numa, impõe condições para a mudança do rito de votações de medidas provisórias, Noutra, condena aumentos na taxa básica de juros da economia. Esta segunda deve ser ignorada solenemente pelo Comitê de Política Econômica do Banco Central.

 

Reunido em Brasília, o Copom deve anunciar nesta quarta (16) sua decisão acerca da taxa de juros. Todo o mercado aguarda por uma subida. A dúvida é se a alta será de 0,25% ou de 0,5%.

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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Sobre MPs, vazamento, dengue e manuseio da língua

Brasília está apinhada de prefeitos. Participam da 11ª Marcha à capital. A solenidade de abertura atraiu as principais autoridades do Executivo e do Legislativo. Beneficiado pela precedência no discurso, o presidente do Senado e do Congresso vociferou contra as medidas provisórias. Garibaldi Alves (PMDB-RN) escalou em direção a Lula:

 

 

 

O presidente não seu deu por achado. Disse que, a depender dele, vai-se chegar a “um ponto de equilíbrio” na edição das medidas provisórias que soterram o Congresso, convertendo deputados e senadores em despachantes dos interesses do Planalto. O presidente aproveitou para tirar, como de hábito, uma casquinha de FHC, sob cuja gestão inventou-se o mecanismo do “trancamento de pauta”:

 

 

 

Além de Garibaldi, vários prefeitos antecederam Lula na tribuna. Abordaram temas sobre os quais o presidente se preparara para falar. Lula não perdeu a piada. Falando para uma platéia que incluía a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), às voltas com uma nova convocação do Senado para explicar-se sobre o dossiê anti-FHC, disse que deve estar ocorrendo vazamento também de seus discursos:

 

 

 

Na véspera, Lula freqüentara o noticiário com palavras acerbas em relação aos prefeitos. Em seu programa semanal de rádio, ele responsabilizara os executivos municipais pelo avanço da dengue. Ali, cara a cara com os prefeitos, tratou de ajeitar as coisas. Disse que desejou, em verdade, fazer um chamamento para o combate coletivo ao mosquito, envolvendo municípios, Estados e União:

 

 

 

Súbito, Lula pendurou em seu discurso a expressão francesa “en passant” (de passagem). Sob risos, aproveitou para enaltecer a própria “evolução lingüística.” Uma evolução “extraordinária”. Uma resposta aos críticos:

 

Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Dilma deve ‘cacarejar’ no ‘terreiro’ de Mão Santa

A assessoria do Planalto prepara uma viagem de Lula a Teresina. O presidente vai à capital do Piauí nos primeiros dias de maio. Planeja assinar protocolos do PAC e inaugurar um hospital na cidade. Lula deseja levar a tiracolo a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

Chamada de “galinha cacarejadora” pelo senador Mão Santa (PMDB-PI), Dilma pode, assim, adensar a comitiva que vai ciscar no terreiro do desafeto. Ajudará a “botar” o Hospital de Emergências, vulgarmente chamado de Pronto Socorro de Teresina.

 

Trata-se de um “ovo” que o povo do Piiiiiiiiiiauí, como Mão Santa costuma se referir ao Estado, aguarda há arrastados 18 anos. A obra vem sendo “cacarejada” desde que o inquilino do Planalto era José Sarney. Custou cerca de R$ 30 milhões.

 

Sob Lula, liberaram-se R$ 4 milhões, para equipar a unidade, dotada três UTIs, três salas de cirurgia e 289 leitos. Dinheiro extraído do orçamento gerido pelo ministro José Gomes Temporão (Saúde), que também deve integrar a comitiva de Lula. Por ironia, Mão Santa é médico. Terá dificuldades para vociferar contra os “cacarejos” que ecoarão por todo o Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiauí.

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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‘Eu sou autoridade, não sou subordinado à CVM’

A “autoridade” do título é Haroldo Lima, diretor-geral da ANP. Tornou-se celebridade mundial ao anunciar a suposta descoberta, pela Petrobras, de um novo mega-campo petrolífero na Bacia de Santos. Um dia depois de eletrificar o noticiário e de sacudir as bolsas de São Paulo, Nova York, Madri e Londres, a “autoridade” deu de ombros para as críticas.

 

Haroldo ‘Autoridade’ Lima esteve, nesta terça-feira (15), na comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Ali, indagado acerca da lambança da véspera, disse: "Não fiz anúncio de nada. Eu sou autoridade, não sou subordinado à Comissão de Valores Mobiliários. Sou membro do governo e estava falando para um público especializado."

 

Depois, em entrevista, declarou que nem sabe onde fica a Bolsa de Valores. Esclareceu que apenas ecoara informações já veiculadas, em fevereiro, por uma publicação dos EUA, a revista “World Oil” (ouça).

 

Na manhã da véspera, em palestra na FGV, a potoca da “autoridade” era outra. O diretor da Agência Nacional de Petróleo mencionara informações recebidas, em caráter extra-oficial, de fonte da própria Petrobras. Só depois de ter sido desautorizado pela estatal é que Haroldo Lima pôs a revista norte-americana na roda.

 

Haroldo Lima, um ex-deputado federal do PC do B da Bahia, foi indicado por Lula para ocupar a cadeira de diretor-geral da ANP. Referendado pelo Senado, ele tem mandato. Ou seja, não pode ser ejetado do posto, embora merecesse.

 

Assim, resta à platéia a opção de suportá-lo. Além de aguardar pela conclusão das pesquisas da Petrobras. Tem-se, por ora, apenas a previsão infalível da “autoridade”: pode ser que a estatal brasileira esteja na bica de enfiar suas perfuratrizes num manancial de óleo jamais visto na história desse país. Isso, evidentemente, na hipótese de as pesquisas não demonstrarem o contrário.

 

Os técnicos lidam com muito imprevisíveis. E, quando há imprevisíveis, é impossível prever. Mas Haroldo Lima, descobre-se agora, é uma “autoridade”. De Bolsa de Valores não entende lhufas. Seus conhecimentos petrolíferos ainda estão pendentes de confirmação. Mas a autoridade no ramo da quiromancia já é inquestionável.

 

PS.: Na noite desta terça-feira (15), O Ministério Público Federal informou acerca da instauração de um "procedimento administrativo" destinado a apurar se Haroldo 'Autoridade' Lima cometeu "ilegalidade" e se as declarações dele causaram dano ao patrimônio público.

Escrito por Josias de Souza às 17h16

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Senadores convocam Dilma para explicar o dossiê

  Folha
A oposição surpreendeu o governo, de novo, na Comissão de Infra-estrutura do Senado. Aprovou-se um requerimento que convoca a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para dar explicações sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

 

A mesma comissão já havia aprovado um outro pedido de convocação da ministra. O motivo alegado, porém, era outro. Dilma falaria sobre o andamento das obras do PAC. Dessa vez, o requerimento menciona especificamente o dossiê.

 

O novo pedido de convocação foi apresentado pelo senador Mário Couto (PSDB-PA). Teve a adesão instantânea do presidente da comissão, o também tucano Marconi Perilo (PSDB-GO, na foto).

 

Aproveitando-se de novo cochilo do consórcio governista, majoritário na comissão de Infra-estrutura, Perilo levou o pedido do colega a voto num instante em que estavam presentes apenas três senadores oposicionistas. Foi uma votação no estilo vapt-vupt. Quando o governo se deu conta, Dilma já estava, de novo, convocada.

 

Romero Jucá (PMDB-RR), o líder de Lula, esperneou. Mas nao teve jeito. Marconi Perilo encerrou a sessão antes que fossem analisados dois pedidos de Jucá. Num deles, pedia a transformação da primeira convocação -aquela destinada a ouvir a minsitra sobre o PAC- em mero convite. Noutro, solicitava o cancelamento do requerimento urdido para inquirir Dilma sobre o dossiê. 

 

Ao tomar conhecimento da manobra, Ideli Salvatti (SC), líder do PT, classificou-a de “repetição de um golpe”. Alega que dossiê não é um tema afeto à comissão de Infra-estrutura. O requerimento, segundo ela, fere o regimento que rege o funcionamento do Senado. Prometeu recorrer ao plenário do Senado, para derrubar o requerimento de Mário Couto.

Escrito por Josias de Souza às 16h46

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O apelido escolhe-se a gosto, mas o nome é dossiê

Há nos porões do Planalto um encanamento algo atrabiliário. Ora pinga bruxarias em ritmo de conta-gotas. Ora as despeja aos jorros, como se almejasse afogar alguém.

 

Na Casa Civil, o inextricável amontoado de canos foi carinhosamente apelidado de "banco de dados". Mas fora dali todo mundo o chama pelo nome que consta da certidão: dossiê. Por extenso: Dossiê de Despesa dos Cardoso. Até a Polícia Federal já chama a encrenca de encrenca mesmo, sem subterfúgios, revela a repórter Andréa Michael.  

 

Para a equipe do delegado Sérgio Menezes, que conduz o inquérito do vazamento, o que entornou não foi um lote de informações organizadas segundo critérios técnicos. Despejaram-se despesas recolhidas a dedo.

 

Na tentativa de enquadrar os responsáveis, a PF guia-se, nesse primeiro momento, pelo teor do decreto 4.553, editado em dezembro de 2002, no apagar das luzes da era FHC. Regula “a salvaguarda de dados, informações, documentos e materiais sigilosos de interesse da segurança da sociedade e do Estado...” Prevê:

 

1. Repartições públicas que lidam com informações sigilosas precisam constituir comissão incumbida de analisar os dados periodicamente, dando-lhes destino adequado e definindo a forma de acesso. A PF quer saber se há coisa parecida na Casa Civil;

 

2. Os sistemas informatizados que armazenam dados secretos devem ser dotados de senhas (“chaves de segurança”, nas palavras do decreto) e criptografia (sistema de codificação). Para a PF, as máquinas que borrifaram despesas de FHC e de dona Ruth na atmosfera brasiliense talvez não sejam assim tão inexpugnáveis;

 

3. Reza ainda o decreto: "Todo aquele que tiver conhecimento, nos termos deste decreto, de assuntos sigilosos, fica sujeito às sanções administrativas, civis e penais decorrentes da eventual divulgação dos mesmos". Se dispuser de um candidato a neo-Delúbio, o governo pode erigir na presidência um dique de responsabilidades. Do contrário, o excesso de porosidade bem pode transformar em pântano o entorno da fortaleza de mãe Dilma, assentada no quarto andar do Planalto, a um lance de escadas do gabinete presidencial. 

 

Dependendo dos rumos que a invesigação da PF tomar, Lula, Dilma & Cia. podem se arrepender daquele lero-lero de que toda despesa relacionada ao presidente e aos familiares dele é segredo de Estado. Melhor: quem sabe o Planalto ainda resolve homenagear Sua Excelência o contribuinte, informando-lhe onde e como gasta o dinheiro que subtrai do do seu bolso.

 

Tudo às claras. Tintim por tintim. Dindim por dindim. Do presidente atual e do anterior. Lula e FHC. Transparência de cristal tcheco! Limpidez de água bica. Já pensou?

Escrito por Josias de Souza às 07h04

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As manchtes desta terça

- JB: No Brasil, o terceiro maior campo de petróleo do mundo

- Folha: ANP vaza achado de novo megacampo

- Estadão: ANP surpreende com anúncio de novo megacampo

- Globo: Anúncio precipitado de campo da Petrobras pode ter punição

- Gazeta Mercantil: Anúncio de megacampo põe ANP e Petrobras em desacordo

- Correio: Estudantes Radicalizam. Aumenta cerco a Fundações

- Valor: Governadores tentam ampliar limite das PPPs

- Estado de Minas: Bolsa-família não tira crianças da rua em BH

- Jornal do Commercio: Jaboatão confirma morte por dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h59

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Seletividade!

Orlandeli
 

PS.: Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 05h50

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Oposição mira em Lula e acerta em Serra e Aécio

Oposição mira em Lula e acerta em Serra e Aécio

PSDB e DEM fecham contra mudanças de regras eleitorais

Objetivo é abater idéia de dar a Lula um terceiro mandato

Tiro resvala, porém, em plano de presidenciáveis tucanos

Governadores de SP e MG planejavam dar fim à reeleição

 

  Carol Guedes/Folha Imagem
As cúpulas dos dois maiores partidos de oposição reuniram-se nesta segunda-feira (14), em São Paulo. Fixaram regras de convivência para as eleições municipais, refinaram a tática de combate à gestão Lula, avaliaram a conjuntura econômica e fecharam questão quanto a um ponto: não admitirão votar nenhuma proposta que verse sobre alterações nas regras eleitorais em vigor.

 

O súbito apego à legislação eleitoral em vigor visa evitar a abertura de frinchas que permitam a passagem do terceiro mandato de Lula. Um sonho que o presidente diz não acalentar, mas que é cultivado por uma penca de correligionários. Ao mirar em Lula, tucanos e ‘demos’ acabaram abatendo um plano de dois aliados.

 

Em meio a uma disputa interna pela vaga de candidato do PSDB à sucessão de 2010, os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas) haviam acertado o seguinte: na hora própria, moveriam os seus exércitos para tentar aprovar no Congresso uma emenda dando cabo da reeleição. Uma maneira de evitar que, decidida a candidatura de um, o outro não tenha de esperar oito anos até que a fila presidencial volte a andar.  

 

O bloqueio às reformas eleitorais foi sugerido pelo deputado ACM Neto (BA), líder do DEM. E obteve a concordância instantânea de todos os presentes à reunião. Entre eles Fernando Henrique Cardoso. Foi na gestão de FHC, sob denúncias de compra de votos, que o instituto da reeleição foi injetado na Constituição brasileira. Por convicção ou constrangimento, FHC sempre se declarou contrário à alteração da regra.    

 

Além de levantar barricadas contra o terceiro mandato, os dirigentes do PSDB e do DEM acertaram o seguinte:

 

1. Eleições municipais: tucanos e ‘demos’ lidam com litígios em algumas ds principais praças eleitorais do país. Por exemplo: São Paulo, Rio, Salvador, Recife e Goiânia. Deliberaram que, onde não der para acertar os ponteiros, vão fixar regras de convivência para o primeiro turno. Busca-se uma campanha civibilizada, sem "fogo amigo." De modo que fique mais fácil a a recomposição da parceria no segundo turno. Embora não tenham mencionado especificamente a refrega paulistana, as regras valerão também para Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (PSDB). Parte-se do pressuposto de que ambos serão candidatos. Mas o adversário comum é o PT. Que, em São Paulo, atende pelo nome de Marta Suplicy;

 

2. Ativismo de Lula: os dirigentes do PSDB e do DEM puseram-se de acordo em relação a uma obviedade. Rendidos às evidências, concluíram que Lula antecipou deliberadamente o debate sobre a própria sucessão. De bem com as pesquisas, o presidente converte atos administrativos em comícios. Testa a aceitação de "mãe" Dilma Rousseff. Para se contrapor ao que um dos presentes batizou de “ativismo” de Lula, PSDB e DEM decidiram expandir sua atuação para além das fronteiras do Congresso. Planejam: a) organizar atos públicos em grandes cidades; b) visitar obras que, embora alardeadas pelo governo, não saíram do papel; c) realçar conflitos agrários produzidos pelo MST, aliado tradicional do petismo;

 

3. Obstrução e denúncias: decidiu-se também que, no Congresso, a obstrução das atividades dos plenários da Câmara e do Senado será mais seletiva. Vai-se tentar desencavar projetos de interesse popular que, apresentados por congressistas aliados do governo, não têm o apoio do Planalto. Uma maneira de constranger o presidente a mobilizar o seu consórcio partidário contra proposições dos próprios governistas. Deseja-se também caracterizar a obstrução, quando houver, como uma tentativa da oposição de abrir janelas no paredão de medidas provisórias, para arejar o ambiente legislativo com uma agenda positiva. De resto, decidiu-se manter de pé o interesse pela apuração da encrenca dos cartões corporativos. A partir de pesquisa feita por deputados das duas legendas na papelada que o governo enviou à CPI dos Cartões, concluiu-se que há o que investigar. Nessa matéria, vai-se intensificar também a cobrança por explicações sobre o vazamento de gastos sigilosos da gestão FHC;

 

4. O fim da bonança econômica: Fez-se no encontro de São Paulo uma avaliação da conjuntura econômica. Concluiu-se que, nos próximos anos, o desempenho do PIB não igualará a marca de 2007, quando o crescimento foi de 5,3%. Escorados em avaliações de economistas ligados às duas legendas, PSDB e DEM estimaram que a crise financeira dos EUA terá reflexos na economia da China. E, por tabela, respingará no Brasil. A começar pelo desempenho das commodities agrícolas, que padecerão restrições de preço e de demanda no mercado internacional. Efeitos que, se confirmados, reforçariam o discurso da oposição em favor de ajustes internos. Pretende-se, por exemplo, bater bumbo pelo corte de despesas públicas e incremento dos investimentos.

 

Participaram do encontro os tucanos FHC, Sérgio Guerra, Arthur Virgílio, José Aníbal e Marisa Serrano; e os ‘demos’ Jorge Bornhausen, Rodrigo Maia, José Agripino Maia, ACM Neto e Marco Maciel. O grupo decidiu repetir o encontro de avaliação da conjuntura. Fixou-se uma periodicidade mensal. 

 

Veja abaixo as declarações protocolares feitas à saída da reunião. Deixam claro que, em São Paulo, a oposição fará, ao menos no primeiro turno, um enorme esforço para abrir caminhos para dona Marta. Coisa de cavalheiros. À moda antiga. Com inimigos assim, quem precisa de amigos?

 

  

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Governo devolve R$ 26,3 mil ao ministro da tapioca

  Valter Campanato/ABr
A Controladoria-Geral da União encerrou a análise dos extratos do cartão corporativo do ministro Orlando Silva (Esportes), aquele que deixara R$ 8,30 na caixa registradora de uma tapiocaria, em Brasília. Concluiu-se o seguinte:

 

1. Entre 2006 e 2008, o ministro pagou com cartão R$ 34,3 mil. Os gastos estão divididos assim: R$ 13,3 mil com alimentação; R$ 20.6 com hospedagem; e R$ 454,43 com táxis;

 

2. Foram consideradas irregulares despesas no montante de R$ 8,4 mil –R$ 6,9 mil da cota de alimentação (incluindo a tapioca); e R$ 1,5 mil relativo às despesas com hospedagens;

 

3. Nas pegadas do noticiário sobre a perversão dos cartões, Orlando Silva anunciara, em entrevista, a devolução ao erário de toda a verba que gastara –R$ 34,3 mil. Antes, já tinha devolvido R$ 8,30 da tapioca, R$ 352,25 de hospedagem e R$ 2,50 da diferença de uma nota fiscal. Feitas as contas, a CGU concluiu que devem ser devolvidos ao ministro R$ 26,3 mil;

 

4. O ministro ainda não se deu por satisfeito. Diz que restou demonstrado que as regras para o uso de cartões corporativos não estão suficientemente claras. Quer de volta também os R$ 8,4 mil tisnados pela CGU. Afirma que aguarda por uma manifestação do Tribunal de Contas da União.

Escrito por Josias de Souza às 21h07

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Macaco Simão revela: Marisa virou a 'mulher-sofá'

Escrito por Josias de Souza às 20h30

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Estudantes decidem manter reitoria sob ocupação

El roto/El Pais
 

 

A despeito de já colecionarem os escalpos do reitor Timothy Mulholland e do vice-reitor Edgar Mamiya, os estudantes da UnB decidiram manter abertas as trincheiras abertas no prédio da reitoria. Decisão tomada em assembléia, nesta segunda-feira (14), e levada ao ar no blog da Ocupação.

 

Exige-se agora o atendimento de uma outra reivindicação: eleições internas paritárias. Hoje, o reitor é escolhidos em votação na qual a opinião dos professores tem mais peso (70% dos votos) do que a dos alunos (15%) e servidores da universidade (15%). Deseja-se que todos os votos tenham o mesmo peso.

 

A guerra, como se sabe, é um remédio ao qual recorrem os povos e as comunidades acometidas por doenças graves. Se não devolveu a sanidade ao ambiente acadêmico, o afastamento da cúpula da UnB teve –ou deveria ter tido— o efeito de um calmante.

 

Deve-se a Carlos Drummond de Andrade um sábio ensinamento sobre a matéria: “Toda guerra é ganha pelos generais e perdida pelos soldados.” É hora de os praças da tropa estudantil começarem a refletir sobre a ação do alto comando. Sob pena de permitir que o remédio seja convertido em veneno.

 

Em encontro iniciado nesta segunda, o Conselho Universitário começou a analisar alternativas de nome para ocupar a reitoria temporariamente, até a nova eleição. Há três nomes sobre a mesa. Chama-se Sepúlveda Pertence a melhor alternativa. Para uma universidade submetida à necessidade de apurar malfeitos, nada mais conveniente do que um ex-ministro do STF.

 

De resto, o ministério da Educação anunciou uma mudança no funcionamento das fundações universitárias: as entidades não poderão mais repassar verbas e bens às universidades. Providência tardia, mas essencial. O governo, como de hábito, faz por pressão o que nao fizera por obrigação.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

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Dilma dribla oposição e retarda sua ida ao Senado

  Sérgio Lima/Folha
Convocada para prestar esclarecimentos na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a ministra Dilma Rousseff tirou os senadores da oposição para dançar. Esperava-se que a chefona da Casa Civil fosse ao Senado nesta quarta-feira (16). Na semana passada, o Planalto admitira a possibilidade. Dois pra lá.

 

Na seqüência, a “mãe” do PAC mandou dizer que viajaria para a Ásia. E, nesta segunda-feira (14), Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, informou que Dilma só dará as caras na comissão em 29 de abril. Dois pra cá.

 

No vai da valsa, o governo espera que, até o final do mês, o caso do dossiê já esteja a caminho do feezer. Trata-se de uma posta arriscada.

 

Depois de resistir, o governo viu-se compelido a envolver a Polícia Federal na apuração do vazamento de despesas sigilosas da gestão FHC. A providência retirou o episódio do cercadinho de uma reles sindicância que Dilma mandara abrir.

 

Nada assegura que o inquérito não vá encaminhar a encrenca do dossiê para o microondas. Para complicar, há outros dois requerimentos de convocação de "mãe Dilma" em comissões do Senado -um na de Meio Ambiente e outro na de Fiscalização e Controle. O consórcio governista terá de se mobilizar para derrubá-los.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

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Petrobras não confirma reserva anunciada pela ANP

  Fábio Pozzebom/ABr
Em nota oficial, a Petrobras esquivou-se de confirmar a informação de que teria descoberto na Bacia de Santos o terceiro maior campo petrolífero do mundo, com 33 bilhões de barris de óleo. No texto, a companhia informa que desenvolve “programa exploratório” na “área denominada Carioca”. Mas esclarece: “Dados mais conclusivos sobre a potencialidade da descoberta somente serão conhecidos após a conclusão das demais fases do processo de avaliação (...).”

 

As pesquisas ocorrem num “bloco” constituído por duas áreas. Por ora, perfurou-se, na maior delas, apenas o primeiro poço. Resultou na descoberta já anunciada pela Petrobras em 5 de setembro de 2007. “Na ocasião”, diz a nota, “foi informado ao mercado que são necessários novos investimentos, que contemplariam a perfuração de novos poços (...)”

 

O plano de avaliação do campo Carioca, diz a Ptrobras, “está em fase final de elaboração e deve ser protocolado na ANP nos próximos dias.” Prevê “a perfuração de novos poços” e “novos estudos geológicos, para comprovar a abrangência da descoberta.” Só então a companhia vai dispor de “dados mais conclusivos”, que “serão informados ao mercado oportunamente.”

 

Com sua nota, a Petrobras tenta jogar água numa fervura provocada por declaração feita nesta segunda-feira (14) pelo diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo), Haroldo Lima (na foto). Ao participar de um seminário promovido pela FGV, Lima anunciara, candidamente, “a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos.”

 

Nas palavras do mandachuva da ANP, a Petrobras lograra descobrir “o terceiro maior campo do mundo na atualidade.” Definiu assim o achado: “É algo do Oriente Médio.” Na rabeira da frase, adicionou: “Mas nada está confirmado."

 

As “informações oficiosas” do diretor-geral da ANP produziram reflexos instantâneos no mercado. As ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo dispararam. Pela manhã, amargavam perdas de 1,7%. Turbinadas pelo efeito Haroldo Lima, registravam, pouco antes das 17h, altas que variavam de 5,5% (ações preferenciais) a 7,3% (ações ordinárias). A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) chiou.

 

A algaravia provocada pelo dirigente da ANP pode ser resumida numa palavra: desastre. Informações como a descoberta de reservas petrolíferas, por relevantes, exigem comunicação meticulosa, submetida a procedimentos rígidos. O episódio evidencia um flagelo governamental: o aparelhamento político das agências reguladoras. Haroldo Lima é um ex-deputado federal. É filiado ao PCdoB da Bahia. Caso típico de pessoa errada, no lugar errado.

Escrito por Josias de Souza às 17h32

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As manchetes desta segunda

- JB: Rio leva dengue à Baixada

- Folha: Reitor deixa UnB depois da invasão de alunos

- Globo: Reitor renuncia e MEC agora vai controlar fundações

- Gazeta Mercantil: Ações com mais liquidez têm os maiores ganhos durante a crise

- Correio: Timothy renuncia. MEC escolhe novo reitor

- Valor: Mineração, siderurgia e bancos lideram em lucro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 05h13

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Balde expiatório!

Dalcío
 

PS.: Via sítio do Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 23h45

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Para Ideli, oposição tenta ‘dar um cavalo-de-pau’

Para Ideli, oposição tenta ‘dar um cavalo-de-pau’

Líder do PT identifica ‘divergências entre PSDB e DEM’

Diz que é grande ‘desgaste de Virgílio’ entre tucanos

Afirma estar evidente que ‘discurso anti-Lula não cola’

Declara que intransigência ‘vai ter um preço eleitoral’

Acha que ‘vitória da Marta’ a faz ‘alternativa’ de 2010

 

  Valter Campanato/ABr
A senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado, falou ao blog neste domingo (13). Comentou o encontro que as cúpulas do PSDB e do DEM realizam nesta segunda-feira (14), para tentar redefinir o papel da oposição: “Eles vão ter que dar um cavalo-de-pau. Eles precisam de uma rotação de 180 graus.” Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Como interpreta o debate da oposição?

Desde o final do ano passado que a gente percebe grande divergência entre PSDB e DEM. Falo do Senado, que conheço. Há um grande desconforto de parcela do PSDB com o fato de o DEM dar o norte da oposição. Parte do PSDB percebe que, para o DEM, não há nada a perder. Eles não governam nada, não têm perspectiva eleitoral nenhuma. Quando houve o enfrentamento da CPMF, o [líder tucano] Arthur Virgílio peitou praticamente todo o PSDB. Ele se confrontou com o ex-presidente do partido, Eduardo Azeredo, com o presidente da época, Tasso Jereissati, e com aquele que seria o futuro presidente, Sérgio Guerra. Além do poder partidário, ele enfrentou o poder institucional. Todos os governadores tucanos sinalizaram que queriam a CPMF. O Arthur Virgílio fez aquela operação toda, inclusive ameaçando renunciar à liderança do partido.

- Não tem dúvidas de que a bancada do PSDB queria aprovar a CPMF?

Isso é muito claro. Na reta final, tivemos duas reuniões, madrugada adentro, com a participação do Sérgio Guerra [presidente do PSDB], do Arthur Virgílio, do Antonio Palocci [PT-SP] e do governador Eduardo Campos [Pernambuco]. Fechava o acordo de madrugada. Quando amanhecia o dia, o Fernando Henrique entrava na parada e desmanchava tudo, tendo o Arthur Virgílio como porta-voz. Soube-se depois que o Fernando Henrique estava articulado com o Jorge Bornhausen. Mesmo dentro da bancada do PSDB, o desgaste do Arthur Virgílio é muito grande. Está cada vez mais insustentável a posição que ele tem adotado.

- Diz isso baseada em quê?

No que ouço dos próprios senadores tucanos. Há incômodo de pessoas como Cícero Lucena [PSDB-PB, licenciado por razões de saúde], na Lúcia Vânia [PSDB-GO]... O próprio Marco Perilo [PSDB-GO] fez jogo duplo. Sentou na mesa com o presidente Lula, na casa do governador [José Roberto] Arruda (DEM) e depois teve que recuar.

- A que atribui o desconforto da oposição?

A situação deles é complicada. Diferentemente do que ocorreu em 2006, quando houve renovação de apenas 1/3 das cadeiras do Senado, em 2010 a renovação será de 2/3. O incômodo acontece porque a intransigência vai cobrar uma fatura lá na frente. Muita gente começa a sentir que não há como fazer o enfrentamento na base do anti-Lula.

- A fatura a que se refere é a cobrança do eleitor?

Claro. O discurso anti-Lula não cola mais. Vai ter um preço eleitoral. Não será pequeno. Ou vai um pouco para a linha do Aécio [Neves, governador tucano de Minas], que fala em pós-Lula, ou adota um outro rumo.

- O que espera do encontro de cúpula do PSDB e do DEM?

Uma reunião em que vão estar o Fernando Henrique e o Jorge Bornhausen [DEM-SC], que capitanearam todo esse processo de endurecimento que tenta interditar o governo talvez não chegue a grandes resultados.

- Acha que está havendo interdição do governo?

Pegue os principais programas de cunho social. Em todos os casos, o DEM recorreu ao Supremo [Tribunal Federal] para tentar barrar. Foi assim com a demarcação de quilombos, com o Prouni, com o Territórios da Cidadania... É um tipo de caminho que pode servir para o DEM. Mas eu pergunto: serve para o PSDB?

- Portanto, espera pouco do encontro desta segunda-feira?

Não sei como é que eles vão equacionar essas questões. Eles vão ter que dar um cavalo-de-pau. Eles precisam de uma rotação de 180 graus.

- Não acha que precisa haver oposição?

Claro, mas a gente vem insistindo faz tempo que há uma série de questões que merecem atenção da própria oposição. São problemas na área da Saúde, na definição das portas de saída do Bolsa Família... Os últimos dados do IBGE mostraram que melhorou muito a distribuição de renda, mas tem problemas resistentes. Por exemplo: o trabalho infantil, o acesso à habitação e ao saneamento... São questões que, se a oposição quisesse trabalhar numa linha construtiva, nós poderíamos avançar. Não sei se eles vão por aí. Se forem, acho melhor para o país. Mas tenho dificuldade de enxergar como é que eles vão dar esse cavalo-de-pau.

- Acha mais fácil trabalhar em conjunto com o PSDB?

Sim, até porque já houve muitos momentos na história em que a gente teve proximidade com o PSDB. Nunca com o DEM. Poderíamos ter alguns pactos, alguns entendimentos. Note que, dentro do PSDB, com boa ou com má intenção, o Aécio vem tentando construir uma ponte com o PT, talvez por perceber que nosso partido ainda não tem um nome consolidado para 2010. Por mais oportunista que isso possa parecer, não é um oportunismo que deixe de dar liga. Lá em Minas deu liga. Todos sabem que, oficiosamente, lá em Minas, o jeitinho mineiro de fazer as coisas vem funcionando.

- Esse jeitinho mineiro pode ser replicado no plano federal, em 2010?

O Aécio está apostando claramente nisso. Dentro do PT já tem muita gente incomodada com essa aposta. Eu, de minha parte, tenho a convicção de que o PT não deixará de ter candidato para 2010. O problema, para o Aécio, é que ele procura alternativas para a luta interna dele com o [José] Serra [governador tucano de São Paulo].

- Acredita que o PT terá um nome viável para 2010?

Acho que a disputa de 2008 poderá fazer muitos estragos na oposição e abrir perspectivas para nós. Uma derrota do PSDB na capital de São Paulo não será qualquer derrota. A vitória da Marta, que vai se configurando como algo cada vez mais possível, coloca um nome petista no cenário nacional. Ganhar na capital contra o [Gilberto] Kassab (DEM) e o [Geraldo] Alckmin (PSDB) e ainda, por tabela, derrotar o Serra não é pouca coisa.

- O PT e Lula parecem desconsiderar Marta como alternativa presidencial.

Alternativa eleitoral é a que acontece, a que se impõe. Você pode ter predileções, mas a alternativa é aquela que demonstra ter viabilidade.

- Marta pode vir a ser essa alternativa?

Eu creio que sim. Começa a surgir esse desenho. A história da Dilma [Rousseff, chefe da Casa Civil] não está definida. A visibilidade e os resultados do PAC continuarão muito fortes. Esse episódio dos cartões corporativos, vazamento e tal, ainda vai ter algum ruído, mas vai ser suplantado. Na população, o interesse por isso é zero. E estamos muito longe da eleição. Isso tudo vai ser diluído. Para mim, a dificuldade maior da Dilma não é essa. A dificuldade dela é a de nunca ter passado por um processo eleitoral. Um tipo de experiência que outras lideranças do PT têm de sobra: a própria Marta, o Patrus [Ananias, ministro do Dezenvolvimento Social], o Tarso [Genro, ministro da Justiça]... Isso faz diferença. Fazer campanha e pedir votos não é para qualquer um.

- O que espera da investigação do dossiê?

O grave, nessa história, toda não é quem fez ou não fez dossiê. O grave é que ficou demonstrado que, na sala onde se decide o destino do país, onde são feitas as conversas mais reservadas do país, pode haver vazamento. Isso é algo de extrema gravidade.

- Não acha grave a elaboração de um dossiê com viés nitidamente político?

Quem está manipulando informações de um banco de dados pode construir esse tipo de papel sem que haja uma determinação superior.

- Quando se dará a definição do PT quanto ao nome para 2010?

Não tem pressa. Para que o Lula seja o grande eleitor do seu sucessor, ele precisa que as ações do governo avancem ainda mais. A partir do momento que começa a ficar clara a predileção, a briga pela vaga se acentua. Tem outros nomes. O PMDB não está quieto, o Ciro [Gomes, PSB] está aí. Para o Lula, o melhor seria decidir a candidatura em abril de 2010.

- E para o PT?

Como não temos ainda nenhum nome que sobressaia, o melhor é deixar a fila se movimentar.

- A palavra do presidente será crucial?

Vai ter grande peso. Mas lembro que já teve ocasião em que a palavra do presidente não foi aceita pelo partido. Lembro a disputa pela presidência da Câmara. Lula era Aldo [Rebelo, PCdoB] até o último momento. E o partido bancou o Arlindo [Chinaglia, PT]. O que foi uma decisão acertadíssima.     

Escrito por Josias de Souza às 23h14

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Reitor oficializa renúncia e UnB escolhe novo nome

  Ueslei Marcelino/Folha
Prevaleceu, por ora, o bom-senso. O reitor Timothy Mulholland transformou o pedido de licença por 60 dias em renúncia definitiva ao cargo. Formalmente, caberia ao governo indicar um substituto temporário. Mas, em reunião realizada neste domingo (13), o ministro Fernando Haddad (Educação), decidiu delegar a atribuição a uma comissão de professores, alunos e servidores da universidade.

 

A comissão se reunirá por dois dias. Espera-se que, até terça-feira (15), chegue-se a um entendimento. Havendo consenso, o governo referendará o acordo. E o indicado dirigirá a UnB por 180 dias, até a eleição de um novo reitor. Se prevalecer o dissenso, o Ministério da Educação exercerá sua prerrogativa de escolha.

 

O novo cenário parece aconselhar a deposição das armas e o desarmamento dos espíritos.

Escrito por Josias de Souza às 23h06

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Procuradoria exigirá da PF nome de autor do dossiê

São cada vez menores as chances de o inquérito do dossiê se restringir à identificação do autor do vazamento de despesas relativas à era FHC. Se a Polícia Federal, por iniciativa própria, não investigar também os autores do levantamento, o Ministério Público irá requisitar diligências complementares.

É o que informa José Robalinho, procurador da República lotado no Distrito Federal. Caberá ao Ministério Público decidir, com base nos achados da PF, se formula ou não denúncia contra eventuais indiciados.

 

O procurador Robalinho, que atua na área criminal, disse que as apurações não ficarão restritas à identificação de quem vazou o documento. Afirma que é procedimento “corriqueiro” da Procuradoria a requisição de diligências complementares, sempre que julga necessário.

 

Antes de Robalinho, também o delegado Sandro Torres Avelar, presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), dissera que é “improvável” que a investigação da PF pare no vazador. “Quem vazou vai ter que informar como obteve a informação. Se era responsável pelo manuseio cotidiano dos computadores, será questionado acerca de quem foi que determinou que ele juntasse aquelas informações. Aí a coisa vai subindo. Não tem como dizer onde vai parar.”

 

São manifestações que se contrapõem a uma assertiva de Tarso Genro. O ministro da Justiça vem declarando que a Polícia Federal vai investigar apenas o vazamento de informações. A feitura de dossiês, disse o ministro reiteradas vezes, não é crime.

Escrito por Josias de Souza às 20h48

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Para Delfim, Lula ‘salvou o capitalismo brasileiro’

João Wainer/Revista Poder
 

 

Poucas pessoas foram tão demonizadas pelo ex-PT quanto ele. Ex-ministro de três presidentes de farda –Costa e Silva, Médici e Figueiredo— Delfim Netto era visto como uma espécie de personificação do capital na guerra contra o trabalho. Hoje, tornou-se um dos principais conselheiros de Lula, a quem devota admiração inaudita.

 

Na bica de comemorar aniversário de oito décadas, Delfim falou ao repórter José Roberto Toledo. A entrevista vale o desperdício de um naco do domingo. Nela, o ex-czar da economia enaltece Lula, desanca FHC, perscruta 2010 e antevê que os próximos PIBs do Brasil serão quase tão gordos quanto ele: “5%, 6% ao ano.” Sem prejuízo do acesso ao original, vai abaixo, um extrato das teorias “delfinianas”:

 

Lula: trata-se, na opinião de Delfim, de uma “inteligência absolutamente privilegiada”, “um sobrevivente.” Afirma que o presidente petista “salvou o capitalismo brasileiro.” Logrou um feito “elementar”: aumentou “a igualdade de oportunidades”. Além das qualidades pessoais, recebeu “uma mãozinha de Deus”. Resume-o numa frase: “O Lula é o Darwin Andando.” Acha que o protótipo da evolução da espécie à brasileira é beneficiado por uma vantagem providencial: “Nunca leu Karl Max.”

 

FHC: para Delfim, o principal legado do intelectual tucano foi um Brasil “falido”. Traduz a falência em números: “Fernando Henrique entregou o país com a inflação rodando a 30% [ao ano], com as exportações crescendo a 4,5% [ao ano], com a dívida externa crescendo a 6,5% [ao ano], e US$ 17 bilhões de reservas. Tanto que para o Fernando iria ser ‘Lula, o Breve’: em seis meses ia ter inflação em 100%, ele ia ter de voltar ao Fundo Monetário, e o Fernando ia ser chamado de volta para salvar o Brasil. O que aconteceu de 2002 para 2003? Durante oito anos de Fernando, a exportação cresceu 4,5%, no primeiro ano Lula, cresceu 22%. Houve uma explosão no mundo, houve o aparecimento da China, da Índia… Essa é que é a ‘mãozinha de Deus’. E hoje você está em uma situação de bonança que é quase inacreditável. Você está com reservas de US$ 193 bilhões, está com as exportações crescendo de 17% a 18% [ao ano], felizmente as importações estão crescendo a 45%, de tal forma que esse superávit comercial vai diminuir mesmo. O que melhorou, na verdade, foi isso, o resto não mudou nada. Nem sequer a política cambial é melhor do que a anterior.”

 

2010: Delfim enxerga três candidatos nos arredores de Lula: os ministros petistas Dilma Rousseff (Casa Civil) e Patrus Anananias (Desenvolvimento Social); e o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE). Na seara oposicionista, vê outros dois: os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas). Espremendo-se as declarações de Delfim, depreende-se que ele parece atribuir mais chances de êxito a Serra e Aécio. Classifica Dilma como “a mais eficiente ministra do governo”. Mas “nunca foi submetida a eleição.” Os presidenciáveis tucanos, além de dispor de “um recall enorme”, realizam “bons governos”. Acha, porém, que a dupla tem contra si o PSDB, que é “uma coisa insondável.” O “recall” de Patrus, ex-prefeito de Belo Horizonte, seria “apenas local, não nacional.” Quanto a Ciro, Delfim considera que ultrapassou a fase do “azarão.” “Corre por fora”. Também dispõe de “recall”. O problema é que Ciro, “de vez em quando, tropeça nele mesmo.”

 

Economia: para Delfim, “o Brasil tem todas as condições de continuar crescendo entre 5% e 6% ao ano.” De onde vem o otimismo? “Os fatores que abortam o crescimento não vão aparecer. O Brasil poderá ter muitas surpresas, mas eu acho que o Lula está prevenindo a maior de todas as surpresas, que é a eventual queda dos preços dos produtos agrícolas e minerais que são exportados. Esse programa exportador industrial que está sendo montado pelo Miguel Jorge (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) se destina a começar a construir de novo um setor exportador industrial enérgico.”

Escrito por Josias de Souza às 04h35

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Alckmin se impacienta e cobra definição do PSDB

Tucanato tenta antecipar reunião com direção do DEM

Mas os partidários de Kassab não têm a mesma pressa

 

  Sérgio Lima/Folha
A característica mais notável de Geraldo Alckmin é a serenidade. Em parte, foi graças a essa calma proverbial que o colunista Zé Simão pespegou-lhe o apelido de “picolé de chuchu.” Pois nos últimos dias o pré-candidato tucano à prefeitura de São Paulo exibe um temperamento apimentado. Súbito, tornou-se uma pilha de nervos.

 

De olho nas pesquisas que apontam a ascensão da rival petista Marta Suplicy, Alckmin impacienta-se com a demora do PSDB em tornar oficial a sua candidatura. Há três semanas, concordara, meio a contragosto, em protelar a definição até o final de abril. Mudou de idéia. Já defende até a convocação imediata de uma pré-convenção tucana.

 

Premido pelas inquietações do candidato, o presidente do PSDB na cidade de São Paulo, José Henrique Lobo, tenta, há uma semana e meia, marcar uma reunião com a direção do DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição. Os ‘demos’, porém, vêm se esquivando de Lobo. Não exibem o mais remoto sinal de pressa.

 

Deve-se ao tucano Lobo a organização de dois almoços entre Kassab e Alckmin. Foram à mesa a pretexto de analisar a hipótese de manutenção da aliança tucano-democrata. No último repasto, combinou-se que voltariam a trançar os garfos nos últimos dias de abril.

 

Até lá, prevalecendo a hipótese de duas candidaturas, ao menos negociariam um pacto de convivência no primeiro turno da eleição. Coisa civilizada, sem agressões de parte a parte. De modo a facilitar a reaglutinação das duas legendas no segundo turno, que, segundo se imagina, será travado com um inimigo comum: o PT.

 

Nesse meio tempo, Marta escalou as sondagens eleitorais. Para o Datafolha, ultrapassou Alckmin em um ponto percentual. Na aferição do Ibope, abriu uma dianteira de oito pontos. Daí a inquietação de Alckmin.

 

Embora tente antecipar as negociações com o DEM, a cúpula municipal do PSDB contrapõe ao desassossego de Alckmin o argumento de que nada o impede de pôr a candidatura na rua. Em sua versão apimentada, o picolé de chuchu responde assim: “Não posso ser candidato de mim mesmo.”

 

José Henrique Lobo, o presidente municipal do PSDB, tentou agendar para a semana passada um encontro com Rodrigo Maia (RJ) e Jorge Bornhausen (SC), respectivamente presidente e presidente de honra do DEM. A reunião chegou a ser marcada. Mas Rodrigo Maia a desmarcou, sob o pretexto de que precisava acompanhar a mãe, levada inesperadamente a uma mesa de cirurgia.

 

Nesta segunda-feira (14), Maia e Bornhausen estarão em São Paulo. Participam de um encontro reservado das cúpulas do PSDB e do DEM. Acomodados no divã pela crescente popularidade de Lula, os partidos buscam um novo norte oposicionista. Os 'demos' poderiam, se desejassem, esticar a permanência na cidade, para se avistar, finalmente, com Lobo. Não afastam a hipótese. Mas tampouco deram certeza de que a conversa vá ocorrer.

 

Em privado, os líderes do DEM avaliam que a indefinição jogo água no moinho de Kassab. Esgrimem o seguinte raciocínio: o crescimento de Marta Suplicy demonstra que a empreitada municipal submete Alckmin a um risco concreto de derrota.

 

Os ‘demos’ imaginam que, com o correr dos dias, Alckmin terminaria se convencendo de que ganharia mais se concordasse em se preservar para a disputa pelo governo de são Paulo, em 2010. Agora, apoiaria Kassab, que não tem tanto a perder.

 

Vem daí a irritação de Alckmin. Comunicou ao PSDB –nas esferas municipal, estadual e nacional—, que não abre mão de levar o nome à cédula já em 2008. Acha que Kassab também está decidido a disputar. E pensa que não há mais razão que justifique a delonga. Quer apressar as coisas.

 

Resta agora saber se Lobo conseguirá arrastar os dirigentes do DEM para uma reunião ainda nesta semana. Na seqüência, teria de convencer o próprio Kassab a antecipar o almoço que, segundo combinara com Alckmin, só aconteceria nos últimos dias de abril.

 

Os dirigentes do PT e a ministra Marta Suplicy (Turismo) acompanham a refrega tucano-democrata à distância. Trazem sorriso nos lábios. Simultaneamente, o petismo costura alianças com outros partidos. Cortejado por Alckmin, Kassab e Marta, Orestes Quércia, mandachuva do PMDB, o aliado mais cobiçado, informou aos correligionários que pende para um acerto com o PT.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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As manchetes deste domingo

- JB: Eleições no Paraguai discutem o Brasil

- Folha: Preços de alimentos sobem até 168% em SP

- Estadão: CPI investiga mais de 100 autoridades ligadas a ONGs

- Globo: Juros altos atraem máfias estrangeiras para o Brasil

- Gazeta Mercantil: BC deve subir Selic depois de quase 3 anos

- Correio: Vice-reitor da UnB também pede pra sair

- Valor: Déficit do petróleo pesa na balança e pode ir a US$ 8 bi

- Veja: "2026, é Lula outra vez...!"

- Época: Até quando ele vai sorrir?

- IstoÉ: Guerra no Planalto

- IstoÉ Dinheiro: O Brasil na tela da Intel

- Carta Capital: Esperanças para a saúde

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

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Operação Tibet!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Gisele, Beauvoir, o nu, o leilão e o inimigo macho

Gisele, Beauvoir, o nu, o leilão e o inimigo macho

  Irving Penn/Efe
No tomo II de “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir anotou o seguinte: “Foi pelo trabalho que a mulher transpôs, em grande parte, a distância que a separava do macho; é só o trabalho que pode garantir-lhe uma liberdade concreta.” Certo, muito certo, certíssimo.

 

Veja-se o caso de Gisele Bündchen. Trabalhando, permitiu-se posar nua, em 1999, para as lentes de Irving Penn (foto ao lado). Submetido a semelhante imagem, não há macho que não seja tomado pelo fundo desejo de transpor distâncias.

 

A foto de Gisele foi ao martelo na casa de leilões Christie’s, de Nova York. Arremataram-na pela bagatela de US$ 67 mil. Algo como R$ 113 mil. Não se sabe quem comprou. Decerto algum macho ávido por aproximação, ainda que em sonho.

 

Já vai longe o tempo de madame Beauvoir. Hoje, os únicos “machos” inimigos de mulheres como Gisele, são os grandes costureiros. Com seus panos caros, extinguem traços notáveis de feminilidade. E conspiram contra o encurtamento das distâncias.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Alunos da UnB dão aula sobre valor da anormalidade

Vice-reitor da universidade também pede afastamento

Ricardo Marques/Folha

Perversão e rotina convivem no Brasil sob atmosfera de cordial normalidade. A cordialidade é tamanha que o brasileiro mal consegue distinguir, na administração pública, as imoralidades perversas das providências rotineiras. 

Na UnB, a rotina da perversão tornou-se uma emergência no instante em que se descobriu que os gestores da universidade haviam jogado no fundo de lixeiras de R$ 1.000 o vocábulo recato. O magnífico reitor e sua turma esqueceram de maneirar.

Nada dizia mais sobre a UnB do que o estado a que chegara o seu corpo docente. Em fevereiro, quando o escândalo se insinuava no noticiário, os professores foram instados a se manifestar. Afundados num pântano de rotineira normalidade, aprovaram, entre risos, a permanência do reitor.

 

Súbito, os alunos se deram conta da falta que lhes fazia o anormal. Decidiram virar a rotina de pernas pro ar. Ocuparam a reitoria. Deram de ombros para uma ordem judicial de desocupação. Amargaram o corte de água e luz. Resistiram. 

 

Depois de uma semana, o anormal começou a prevalecer sobre o normal. A estudantada insurreta obteve o escalpo do reitor Timothy Mulholland, agora já desprovido do apoio dos professores.

 

Neste sábado (13), depois de lavar a reitoria e as rampas de acesso com água e sabão (foto), os estudantes obtiveram o segundo troféu: a cabeça do vice-reitor Edgar Miamya. Em tese, reitor e vice afastaram-se por 60 dias. Na prática, não reúnem condições de voltar aos cargos. Cabe agora ao Ministério da Educação indicar um gestor temporário para a UnB.

 

O que fica de todo o episódio e dos desdobramentos que estão por vir é uma inestimável aula dos estudantes ao resto do país: o que envenena o Brasil é a normalidade que impregna o ar. Às vezes, algo de profundamente anormal precisa acontecer para que a perversão não seja confundida com a rotina.

Escrito por Josias de Souza às 01h08

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PF abre inquérito para investigar fantasma do PSDB

A encrenca foi levantada em auditoria feita pela Receita Federal. Uma empresa fantasma chamada Gold Stone injetou R$ 527 mil em notas fiscais geladas na escrituração da campanha presidencial de José Serra, em 2002. Acionada, a Polícia Federal instaurou inquérito formal para apurar o malfeito.

 

O repórter Leonardo Souza informa que, ao tentar encontrar a Gold Stone, o fisco deu de cara com uma alma de outro mundo. Não tem registro na Junta Comercial. Jamais recolheu tributos. Não apresentou escrituração formal que pudesse ser perscrutada pelos fiscais. Fantasma, enfim.

 

Mexe daqui mexe dali, os auditores lograram localizar o único sócio de carne e osso da empresa. Chama-se Octavio Moya Claro. Morava num casebre de Jardim Colombo, em São Paulo. Não dispunha de papéis que comprovassem a atividade da Gold Stone.

 

Entre a ação da Receita, que autuou o PSDB em cerca de R$ 7 milhões, e a abertura do inquérito da PF, descobriu-se que um dos auditores que vasculharam as arcas tucanas é ligado ao PT. Levantou-se a suspeita de que ele tenha vazado informações sigilosas. Algo que, por si só, não invalida o teor dos achados.

Escrito por Josias de Souza às 20h46

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Proposta do Senado para os suplentes é meia-sola

Proposta do Senado para os suplentes é meia-sola

Lula Marques/Folha
 

 

Tudo na vida é uma questão de hábito. O cidadão pode afeiçoar-se até ao inaceitável. Mais que isso: o inadmissível, quando aceito, passa a ser cultivado como um vício incontornável. Tome-se o exemplo do Senado. Mergulhado num mar de perversões, afeiçoou-se até ao cheiro de peixe podre.

 

Há, hoje, no baixio da Câmara Alta, 16 senadores sem voto. Fantasmas, por assim dizer. Suplentes, se quisermos homenagear o jargão oficial. Preenchem 20% dos 81 assentos do Senado. Repetindo: 20% dos senadores não dispõem de um mísero voto.

 

Na semana passada, a Comissão de Justiça do Senado debruçou-se sobre o flagelo.  Produziu uma proposta que cultiva, com zelo inaudito, o defeito. Chegou-se a uma meia-sola que forra os passos do vício.

 

Eis o que prevê a emenda: 1) em vez de dois, haveria apenas um suplente por senador; 2) não poderiam ser indicados para a suplência parentes até o segundo grau; 3) em caso de impedimento definitivo –por morte, cassação, renúncia ou eleição para outro cargo— o suplente assumiria um mandato tampão. Na eleição subseqüente, o povo escolheria um substituto.

 

Parece uma grande mudança. Mas não é. Oferece menos do que o Pacote de Abril. Baixado sob Geisel, em tempos de ditadura, o famigerado decreto militar previa que, no impedimento do titular, assumia a vaga de senador o segundo mais votado da legenda. E ponto.

 

Para virar lei, a emenda constitucional costurada na comissão de Justiça –foro, a propósito, apinhado de suplentes— ainda precisa ser aprovada pelos plenários do Senado e da Câmara. E o que é ruim pode ficar pior.

 

Arma-se uma resistência à idéia de preencher pelo voto as cadeiras de senadores eleitos para outros cargos executivos –prefeito, governador ou vice-governador, por exemplo. Nesta hipótese, só se recorreria ao voto nos casos de morte ou de renúncia por motivos não-eleitorais.

 

A comissão de Justiça do Senado deu de ombros para a ousadia. Mandou ao lixo proposta de Demóstenes Torres (DEM-GO) que proibia senadores de trocar o Legislativo pela Esplanada dos Ministérios. Arquivou outra idéia de Demóstenes: a ressurreição da regra que previa a posse do segundo mais votado.  Sepultou, de resto, proposta de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que propôs a substituição do senador pelo deputado federal mais votado no Estado.

 

Restou demonstrado o seguinte: decorridos 23 anos do início da redemocratização, a maioria do Senado fará o que estiver ao seu alcance para preservar os seus senadores biônicos. Chamam-se, agora, suplentes. Mas conservam a mesma natureza antidemocrática. É gente sem voto.

 

Já ouviu falar em Carlos Dunga (PTB-PB)? Conhece Gilberto Goellner (DEM-MT)? Sabe quem é Virginio de Carvalho (PSC-SE)? Pois é. Suplentes! Decerto já notou a presença de Wellington Salgado (PMDB-MG). Há de tê-lo visto na milícia de Renan Calheiros. Há de tê-lo ouvido pedindo um “chinelinho novo” a Lula. Pois é. Suplente!

 

Você deve ter reparado também a chegada de Edison Lobão Filho (MA), o Lobinho. Já sentou na cadeira do pai sob ordens do DEM: “Pede pra sair.” Saiu. Mas só da legenda. Sem partido, sumiu em meio ao mar de suplentes que inunda o Senado. Só tem visibilidade na folha de salários. Pois é. Mais um suplente!

 

Tampouco Gim Argello (PTB-DF) deve ter escapado à sua percepção. Foi à vaga de Joaquim Roriz, que renunciara para livrar-se da cassação, carregando, ele próprio, um pegajoso rastro de suspeições atrás de si. Pois é. Outro suplente!

 

Nessa matéria, não há partido imune. Há os suplentes parentes. Há os suplentes financiadores de campanha. Há os suplentes amigos. Só não há suplentes com voto. A perversão dos suplentes, por interminável, não cabe num artigo. Exige espaços generosos, que só o Senado, ermo de bom senso, pode prover.

 

PS.: A Transparência Brasil levou à rede um estudo sobre a encrenca dos suplentes. Vale a leitura.

Escrito por Josias de Souza às 19h17

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Raul muda mais em 2 meses do que Fidel em 50 anos

  AFP/BBC
Cuba respira a doce brisa da mudança. E o jornal oficial do regime anuncia que vem vindo mais novidade por aí.

 

Já no discurso de posse, Raul Castro anunciara a intenção de derrubar proibições. A última dele foi permitir que funcionários públicos comprem as casas que ocupam por cessão do Estado. Mais: vão poder legá-las aos filhos.

 

Em dois meses, Raul produziu mais mudanças do que o irmão em cinco décadas. De tanto andar em via única, Fidel já não dispunha de itinerário. Queria mesmo era permanecer no volante. A saúde não deixou.

 

Sob Raul, o regime já anunciou mudanças na agricultura e a permissão para que cubanos se hospedem em hotéis antes destinados exclusivamente a estrangeiros. Também permitiu que a população tenha acesso irrestrito a telefones celulares, eletrodomésticos, DVDs e computadores.

 

Moribundo, Fidel já deve estar se queixando: “Daqui a pouco, o Raul autoriza o povo a pensar. E essa joça acaba virando uma democracia.” Até a filha de Raul, Mariela Castro, já pôs as manguinhas de fora.

Escrito por Josias de Souza às 19h13

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‘Não dá para limitar investigação’, diz delegado

‘Não dá para limitar investigação’, diz delegado

Presidente da Associação da PF fala sobre o dossiê

‘É improvável que apuração pare em quem vazou’

‘É impossível trabalhar com esse tipo de restrição’

‘Delegado que conduz o inquérito é sério e isento’

 

  Valter Campanato/ABr
Sandro Torres Avelar (foto) preside a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal). Conhece como poucos os meandros da PF. Cioso da imagem da corporação que representa, acompanha os desdobramentos dos casos mais relevantes. Falou ao blog sobre o recém-inaugurado inquérito do dossiê com gastos da gestão FHC.

 

De saída, disse o que pensa do colega Sérgio Menezes, delegado designado para presidir o inquérito do dossiê. “É profissional sério, firme e competente. É respeitado no Departamento de Polícia Federal pela marca da isenção.”

 

Sandro Avelar acrescentou: “A partir do momento que o Sérgio Menezes foi designado para esse inquérito, ficou demonstrado que não há pré-disposição para cerceamentos. Primeiro, porque ele não admitiria qualquer tipo de imposição. Segundo, porque não há como circunscrever uma investigação como essa.”

 

Quer dizer que a investigação não vai parar na identificação de quem vazou as informações? “É improvável que isso ocorra”, disse Sandro Avelar. “É impossível trabalhar com esse tipo de restrição.”

 

Nesse ponto, a opinião do presidente da ADPF contrasta com a de Tarso Genro. O ministro dissera que a PF apuraria apenas o vazamento de informações sigilosas sob a guarda da Casa Civil da presidência da República. “Esse tipo de inquérito, a gente sabe onde começa. Mas não sabe onde vai parar”, acentua Sandro Avelar.

 

Onde começa? “A essa altura, o delegado está puxando o fio do novelo. Os computadores serão submetidos a perícia [a PF recolheu sete máquina na Casa Civil, cinco laptops e dois equipamentos de mesa]. Depois, ele deve ouvir as pessoas que manuseavam esses computadores.”

 

Acha que será necessário ouvir Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, apontada como a servidora que ordenou a coleta dos dados? “Estou fora dessa investigação. Falo em tese. Em seus depoimentos, as pessoas que tiveram contato direto com os computadores provavelmente vão informar quem está acima delas, quem teria dado a determinação. Neste caso, pode ser necessário ou não ouvir os superiores hierárquicos.”

 

Mas a apuração não pode parar na identificação da pessoa que vazou os dados? insistiu o repórter. E Sandro Avelar: “Dificilmente tem como terminar essa investigação no nome de quem vazou. A não ser que quem vazou tenha, por conta própria, buscado essas informações. E ele vai ter que ter uma razão muito boa, que convença o delegado. Creio que dificilmente pára por aí.”

 

Onde vai parar? “Quem vazou vai ter que informar como obteve a informação. Se era responsável pelo manuseio cotidiano dos computadores, será questionado acerca de quem foi que determinou que ele juntasse aquelas informações. Aí a coisa vai subindo. Não tem como dizer onde vai parar.”

 

Na opinião do delegado Sandro Avelar, o caso do dossiê envolve aspectos políticos, éticos e criminais. À Polícia Federal, só interessam os últimos. “Há um distanciamento entre o que é antiético e o que é criminoso”, disse o presidente da ADPF. “O fato de um gestor público reunir informações de que dispõe não é crime. A forma como essas informações são utilizadas é que pode se constituir num delito.”

 

Aqui, a opinião de Sandro Avelar coincide com a de Tarso Genro que, desde o início da semana, vem afirmando que “fazer um dossiê não é um ato criminalizável.” Sem se referir diretamente aos comentários do ministro, seu superior hierárquico, o delegado Avelar fez uma ponderação adicional.

 

Ele sustentou a tese de que, a depender do que for apurado no inquérito, “quem mandou levantar os dados, ainda que não possa ser responsabilizado pelo vazamento, pode sofrer prejuízos políticos, por conta dos aspectos éticos envolvidos na questão.” Esse tipo de debate, porém, não interessa à PF. Para a polícia, repetiu Sandro Avelar, “há um distanciamento nítido entre o que é antiético e o que é criminoso.”

 

Em viagem ao exterior, Lula repisou a tecla de que a Casa Civil fez um "banco de dados", não dossiê. Disse que a coleta de informações continuará a ser realizada. E afirmou que deseja saber "quem é que anda roubando documento" do Planalto.

Escrito por Josias de Souza às 04h24

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As manchetes deste sábado

- JB: Cidade da Música: R$ 1 milhão todo mês

- Folha: Lula dá aval a aumento de juros

- Estadão: STF pode reduzir extensão de reserva indígena de Roraima

- Globo: Lula já admite que taxa de juros volte a subir

- Gazeta Mercantil: BC deve subir Selic depois de quase 3 anos

- Correio: Crônica de um crime que o país inteiro julga, mesmo sem provas

- Valor: Déficit do petróleo pesa na balança e pode ir a US$ 8 bi

- Jornal do Commercio: Estado Reserva 100 leitos para dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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Jogos brasilienses!

Thiago Recchia
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 04h10

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Em 5 anos, Congresso gastou R$ 6,4 mi com 21 CPIs

O Congresso realizou nos últimos cinco anos 21 Comissões Parlamentares de Inquérito. Custaram à Viúva R$ 6,4 milhões. Não se pode dizer que todas as CPIs resultaram em pizza. A dos Correios, por exemplo, colecionou dados que compõem a denúncia do Ministério Público contra a “quadrilha dos 40” do mensalão.

 

Nessa matéria, porém, os êxitos parecem menos vigorosos do que os fracassos. Impossível deixar de anotar que o Legislativo vem torrando o ervanário público na aquisição de orégano. Deputados e senadores produzem as pizzas mais caras da praça.

 

Agora mesmo, diante da mussarela levada ao forno na CPI mista dos Cartões, o Senado acaba de inaugurar uma segunda CPI dos Cartões, exclusiva de senadores. São, nas palavras de Garibaldi Alves (PMDB-RN), “duas irmãs gêmeas”. A primeira comissão caminha para o fracasso. É o que se depreende das declarações de sua presidente, a senadora Marisa Serra (PSDB-MS).

 

Estima-se que a segunda CPI vai custar ao erário mais R$ 200 mil. Dinheiro jogado fora, insinua Garibaldi: “Quem garante que essa nova [comissão] vai ter sucesso?” (ouça). Para o líder tucano Arthur Virgílio (PSDB-AM), cada senador “vai cumprir com o seu dever da maneira que pode.” E o dever da oposição, diz ele, é o de investigar o escândalo dos cartões "até o final."

Escrito por Josias de Souza às 23h02

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Lula: 3º mandato é ‘bobagem’ e ‘falta de assunto’

  Marcello Casal/ABr
De passagem pela Holanda, Lula foi instado a falar sobre a tese do terceiro mandato. Aproveitou o ensejo para exercitar o seu passatempo preferido: espinafrar a oposição. Entre uma pancada e outra, pronunciou um enfático, claro, límpido repúdio à idéia de concorrer à re-reeleição (ouça).

 

Para Lula, a discussão sobre terceiro mandato é "bobagem" e "falta de assunto da oposição." Esquece-se de que o patrono do lero-lero é o deputado-companheiro Devanir Ribeiro (PT-SP), seu compadre, freqüentador do Alvorada.

 

Nas palavras de Lula, os políticos que se inquietam com a hipótese da re-reeleição "são os mesmos que, no ano passado, achavam que eu não ia conseguir terminar o meu mandato." Mais: "São as pessoas que não achavam ruim quando os militares ficaram 23 anos de poder. Aliás, usufruíram muito desses 23 anos".

 

O zumbido prorrogacionista chega aos ouvidos do presidente como música: “Obviamente, para quem é político, é muito melhor você sair pra rua com as pessoas gritando 'Fica Lula' que com algumas dizendo 'Fora o candidato'”.

 

Mas, ao menos na retórica, não deixou dúvidas quanto ao apego às regras. “Oito anos de governo é tempo suficiente para a gente executar um programa de governo. São suficientes para executar qualquer programa de governo." Completou: "Não me interessa, não é prudente, a legislação brasileira já prevê apenas uma reeleição."

 

Lula foi ainda mais explícito: "Pobre do governante que começa a achar que é imprescindível ou insubstituível. Está nascendo dentro dele uma pequena porção de autoritarismo ou de prepotência. E isso eu não carrego na minha bagagem política."

Escrito por Josias de Souza às 22h42

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O gato de mãe Dilma subiu no telhado do Planalto

Superior hierárquico da Polícia Federal, o ministro Tarso Genro (Justiça) desdobra-se, desde o início da semana, para defender uma tese: a confecção de dossiês não constitui crime. O delito, diz ele, se restringe ao vazamento de dados sigilosos.

 

Já na terça-feira (8), em entrevista à Rádio Gaúcha (ouça), o ministro dizia que dossiê é algo que “um administrador pode ou não fazer, deve ou não fazer, dependendo das circunstancias, por decisão política (...)”.

 

Nesta sexta-feira (11), o Correio Braziliense traz declarações de um Tarso Genro mais enfático: "Fazer um dossiê não é um ato criminalizável". O crime, ele repisa, está em "vazar documentos e não fazer o dossiê".

 

Tarso prossegue: "Fazer relatórios, organizar dossiês de natureza política, coletar dados, fazer anotações para uso do administrador, nada disso é um tipo penal. Seria criminalizável, por exemplo, vazar documentos para alguém fazer dossiê. Novamente o crime seria vazar os documentos e não fazer o dossiê.”

 

Em viagem a São Paulo, o ministro voltou à carga: "A PF (Polícia Federal) se restringe à lei quando faz uma investigação, e não existe no Código Penal brasileiro um crime chamado dossiê. Não existe uma notificação penal chamada dossiê, lamento pela oposição e pela imprensa, que insistem nessa história."

 

Faça-se, por oportuno, um resumo da encrenca do dossiê. A coisa veio à tona nas páginas de Veja, que revelou a existência de levantamento de 13 páginas com gastos exóticos de FHC e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

 

Descobriu-se que informações contidas no dossiê já haviam vazado, de forma esparsa, para colunistas e repórteres. A Folha descobriria em seguida que partira de Erenice Guerra, número dois de Dilma, a ordem para que os dados da gestão tucana fossem colecionados.

 

Sobreveio a informação, veiculada também na Folha, de que o dossiê era maior. Em vez das 13 folhas iniciais, tinha 27 páginas. Constam de planilhas eletrônicas. O jornal reproduziu algumas dessas planilhas, extraídas dos computadores da Casa Civil. Foi esse desdobramento que forçou a entrada da Polícia Federal no caso. Providência que Tarso vinha se recusando a adotar.

 

Admita-se que o ministro da Justiça esteja certo. Fazer dossiê pode. O crime é o vazamento. Resta saber:

 

1. Por que Dilma, em telefonema a Ruth Cardoso, dissera que não existia nenhum dossiê?

 

2. Não foge à razoabilidade a suposição de que a ministra, mandona a mais não poder, desconhecia a ordem que Erenice, sua lugar-tenente, dera à equipe da Casa Civil?

 

3. Que sentido há em desencavar do arquivo morto do Planalto os dados de FHC, da forma como foram dispostos, privilegiando-se o exótico, se não havia interesse em utilizá-los como munição?

 

4. Se a número dois de Dilma centralizava a coleta de informações, por que permitiu que algumas delas virassem “tiros” de advertência nas páginas dos jornais?

 

Tudo considerado, chega-se à insofismável evidência de que o gato da chefona da Casa Civil escalou o telhado. Ou aparece um ‘Delúbio’ do dossiê, alguém que se disponha a assumir todas as culpas, ou a presidenciável predileta de Lula estará em péssimos lençóis.

 

De concreto, tem-se, por ora, a constatação de que Dilma tornou-se uma espécie de sub-Dilma. A depender do que venha a concluir a PF, a Toda Poderosa da Casa Civil talvez tenha de recorrer ao bordão predileto de Lula: "Eu não sabia." O prestígio de um gestor público, de resto, não se mede apenas pelos delitos que comete. Pesa também a análise de suas decisões e o contorno ético e moral de que são revestidas.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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As manchetes desta sexta

- JB: Epidemia de dengue começa a ceder no Rio

- Folha: Alta nos preços de alimentos preocupa líderes mundiais

- Estadão: Investigação do dossiê abre guerra de facções no Planalto

- Globo: Pressão de estudantes força a saída de reitor

- Gazeta Mercantil: BC deve subir Selic depois de quase 3 anos

- Correio: Reitor pede pra sair...

- Valor: Déficit do petróleo pesa na balança e pode ir a US$ 8 bi

- Estado de Minas: Máfia agiu para mais 27 prefeituras

- Jornal do Commercio: Execução ao meio-dia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h12

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Fuuuuiiiiiii!

Pelicano
 

PS.: Via sítio Movimento das Artes.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Acuada, a oposição se reúne em busca de um ‘rumo’

Acuada, a oposição se reúne em busca de um ‘rumo’

PSDB e DEM discutem mudança de estratégia na segunda

Tenta-se esboçar plano para retirar os partidos do ‘córner’

Articulada por FHC e Bornhausen, discussão ocorre em SP

 

Orlandeli

 

Conforme já noticiado aqui, Lula acha que sua vida vem sendo facilitada pela “falta de rumo” dos adversários. O presidente não está só em sua avaliação. A opinião é compartilhada por PSDB e DEM, as duas maiores legendas da oposição.

 

À procura de um norte, tucanos e ‘demos’ realizam no final da tarde de segunda-feira (14), em São Paulo, uma reunião de cúpula. Será comandada pelos presidentes de honra dos partidos: Fernando Henrique Cardoso e Jorge Bornhausen.

 

Além da dupla, haverá mais seis participantes. Do lado do PSDB: Sérgio Guerra, presidente do partido, e os líderes Arthur Virgílio (Senado) e José Aníbal (Câmara). Pelo DEM: o presidente Rodrigo Maia e os líderes José Agripino Maia (Senado) e ACM Neto (Câmara).

 

Olhando para o retrovisor, os opositores de Lula vão inventariar os próprios erros e tentar projetar planos para o futuro. “Vamos refinar a estratégia”, disse um tucano ao repórter. “Está claro que a renitência em obstruir e esbravejar está passando para a sociedade um sentimento de inutilidade da oposição”, ecoou um ‘demo’.

 

Numa palavra, a oposição vai tentar sair do córner. No plano nacional, busca-se uma estratégia para se contrapor à fúria inauguratória de Lula. Parte-se da avaliação de que o presidente antecipou a corrida sucessória ao converter eventos pseudo-administrativos em pa©lanques.

 

Na esfera municipal, tenta-se fixar um modus vivendi que facilite a convivência nas praças em que a oposição está dividida. O exemplo mais eloqüente é o da cidade de São Paulo. Quem melhor resume a encrenca é Arthur Virgílio. Diz que, divididos, Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) candidatam-se ao papel de cavalheiros à antiga: “Vão acabar facilitando a eleição de uma dama”, afirma, referindo-se à petista Marta Suplicy.

 

No cenário legislativo, é Agripino Maia quem produz a melhor sinopse do drama vivenciado pela oposição: “A estratégia centrada só em CPI e em obstrução tornou-se viciada”, diz ele. “CPI também. Obstrução quando for conveniente. Mas precisamos tratar de outros assuntos.”

 

Neste ponto, há, de novo, uma coincidência com a avaliação que Lula faz em privado. O presidente dá de ombros para temas como obstrução, CPIs e o dossiê com gastos da era FHC. “O povo não quer saber de nada disso”, disse Lula a um ministro. “As pessoas querem saber do crescimento da economia, das oportunidades de trabalho e do aumento do salário.”

 

Antes mesmo do entendimento que planeja costurar em São Paulo, a oposição protagonizou, na noite da última quarta-feira (9), uma súbita mudança de planos. Cavalgando projetos de autoria de dois expoentes do petismo –Tião Viana (PT-AC) e Paulo Paim (PT-RS)-, PSDB e DEM despejaram votos no aumento das verbas da Saúde e na extensão dos reajustes do salário mínimo às aposentadorias e pensões do INSS.

 

A coisa foi decidida em almoço da bancada do DEM e ganhou a adesão dos tucanos. Surpreendida, a bancada governista foi no vai da valsa. E o governo vê-se agora às voltas com a necessidade de alterar, na Câmara, as propostas dos aliados petistas.

 

O projeto de Tião Viana regulamenta a chamada emenda 29. Se for ratificado pelos deputados, sem alterações, obrigará o governo a adicionar ao orçamento da Saúde, já em 2008, a bagatela de R$ 7,5 bilhões. Dinheiro que a Fazenda diz não estar disponível.

 

Quanto à proposta de Paulo Paim, estima-se que, se for referendada pelos deputados, aumentará os gastos da Previdência em algo como R$ 3,5 bilhões ao ano. Uma despesa que o governo alega ser incompatível com o caixa previdenciário, às voltas com uma perspectiva de déficit de cerca de R$ 40 bilhões em 2008.

 

Nesta quinta-feira (10), o líder ‘demo’ ACM Neto apressou-se em informar que, na semana que vem, a oposição vai levantar a obstrução que vem patrocinando na Câmara, para facilitar a apreciação das duas propostas que vêm do Senado.

 

À bancada governista restará a constrangedora atribuição de se contrapor a iniciativas tão populares como o aumento da verba da Saúde e o acréscimo das aposentadorias. Um papel que, no passado, era reservado ao PT, opositor intransigente da gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso.

 

PS.: Ilustração via sítio do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

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Deputados preparam aumento da verba de gabinete

Num instante em que você brinca de esconde-esconde com a Receita Federal, tentando não expor no Imposto de Renda nada além do necessário, a Câmara anuncia que vai aumentar a verba de gabinete dos deputados. A coisa vai passar sem resistências. Ao menos por ora, não houve um cristão que se animasse a chiar.

 

Hoje, destina-se mensalmente a cada um dos 513 gabinetes R$ 50.815. Dinheiro para remunerar assessores sem concurso. Gente de confiança. Alguns poucos, de tão confiáveis, chegam mesmo a devolver ao chefe, por baixo da mesa, parte do que recebem a título de remuneração.

 

Dá-se num instante em que o Banco Central pressiona a Fazenda, nos subterrâneos, para apertar os cintos da Esplanada. A equipe de Guido Mantega simula austeridade. Acaba de anunciar uma tesourada de R$ 19,4 bilhões no Orçamento da União.

 

Uma cifra que, somada aos R$ 12,6 bilhões que o Congresso cortara por conta própria, indicaria uma “economia” de notáveis R$ 32 bilhões. Grafa-se o vocábulo “economia” assim, entre aspas, porque tudo não passa de empulhação. A maior parte do corte destina-se, em verdade, à cobertura de novas despesas, não incluídas no Orçamento que acaba de ser aprovado pelos congressistas.

 

Como se vê, o dinheiro que você ganha com o suor da camisa o governo, com a ajuda diligente da Câmara, vai gastar como um estróina.

Escrito por Josias de Souza às 23h35

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Denunciados por improbidade os vampiros de 2004

O contribuinte brasileiro começa a suspeitar de perda de memória quando não consegue mais lembrar dos últimos escândalos. Foi aos escaninhos da 5ª Vara da Justiça Federal de Brasília uma denúncia do Ministério Público contra integrantes de uma quadrilha pilhada em 2004, a máfia dos Vampiros.

 

Quatro anos depois de o tema ter freqüentado as manchetes, foram acusados de improbidade administrativa sete pessoas e três empresas. Fraudaram, segundo a Procuradoria da República, licitações para aquisição de derivados de sangue. Cavaram na bolsa da Viúva um buraco de R$ 27 milhões.

 

Considerando-se todos os escândalos que vieram depois, a memória de quem paga impostos vai se tornando absolutamente obsoleta. Já não há espaço no cérebro para tantas recordações. Sobrevive na lembrança apenas o último replay.

Escrito por Josias de Souza às 18h43

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Festa de centrais sindicais evidencia erro de Lula

As centrais sindicais ofereceram na noite passada um coquetel no salão negro do Congresso. Na festa, comemorou-se a aprovação do projeto que deu existência legal às entidades. Celebrou-se também uma decisão tomada por Lula.

 

Ao sancionar o projeto, convertendo-o em lei, o presidente vetou artigo que submetia à fiscalização do TCU a aplicação do imposto sindical, dinheiro subtraído do bolso de todos os trabalhadores com carteira assinada, sindicalizados ou não. A festa foi, em si mesma, prova do equívoco de Lula.

 

O rega-bofe das centrais, do qual a CUT diz não ter participado, foi embalado à base de saborosos espumantes, vinhos de boa cepa, e escoceses longevos –12 anos. “Aqui é que vota e nós precisamos ganhar também a opinião no Congresso Nacional e nada melhor do que homenagear com bebida e comida", disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical.

 

A conta da patuscada sindical foi de R$ 17,5 mil. Não poderia haver evidência mais eloqüente de que as centrais deveriam ter sido submetidas à fiscalização do tribunal de contas. Lidam com verba que, se não é pública, é parafiscal –ou seja, tem natureza simular à de um tributo. Quem vai fiscalizar?

Escrito por Josias de Souza às 18h05

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Premido pelos alunos, reitor da UnB pede pra sair

  Ueslei Marcelino/Folha
Os estudantes da UnB deram uma aula magna aos “professores” da universidade. Ensinaram que nem sempre dá para assistir à degradação em volta com o distanciamento de ‘scholars’, como se ninguém tivesse nada a ver com coisa nenhuma.

Com a reitoria momentaneamente ocupada pela magnificência dos estudantes, o reitor Timothy Mulholland pediu pra sair. Saída temporária, diz ele. Por 60 dias. Lorota. Não volta mais.

 

A estudantada insurreta festejou. Mas manteve o verbo em riste. Exigia a renúncia, não a licença. De resto, queria também o escalpo do vice-reitor Edgar Miamya, lugar-tenente de Mulholland.

 

Reunidos em assembléia, os mesmos professores que, em fevereiro, haviam mandado ao lixo a proposta de afastamento do reitor agora renderam homenagens ao bom senso. Aprovaram, por ampla maioria, o afastamento temporário do reitor. Estenderam a providência ao vice-reitor e a cinco decanos.

 

O comando da Universidade de Brasília ruiu diante de barricadas que uniram alunos de camisetas partidárias a estudantes da geração ‘MarxDonald’s’. A despeito do êxito, os revoltosos hesitam em deixar a reitoria. Arriscam-se a tisnar a vitória com a mácula da intransigência.

 

O melhor que têm a fazer os estudantes é enrolar as bandeiras e liberar a trincheira. Convém que a saída seja lenta. Para que a marcha vitoriosa não seja confundida com uma batida em retirada. Ficará claro que, se for preciso, as barricadas podem ser reerguidas.

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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As manchetes desta quinta

- JB: Bancos antecipam aumento de juros do cheque especial

- Folha: PF prende 16 prefeitos suspeitos de corrupção

- Estadão: 16 prefeitos são presos pordesvio de verbas

- Globo: Inflação vai além do previsto e BC poderá subir juros logo

- Gazeta Mercantil: BNDES repassa 108% mais em recursos para exportação

- Correio: As ceias nada santas do senhor reitor

- Valor: Com aquisições, Parmalat tenta voltar ao topo

- Estado de Minas: PF prende 13 prefeitos em MG

- Jornal do Commercio: Morte por dengue deixa Estado em alerta

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h31

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FH²OC!

Ique
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Lula recomenda a Dilma que pare de falar em dossiê

  Folha
Deve-se a Lula a decisão da ministra Dilma Rousseff de não mais falar sobre o dossiê que vazou do Planalto com gastos da gestão FHC. Em conversa privada com a chefe da Casa Civil, ocorrida há quatro dias, o presidente recomendou o silêncio. Tenta evitar que se aprofunde o desgaste de uma auxiliar que trata como alternativa sucessória para 2010.

 

No final de semana, Lula avaliara com outros integrantes de sua equipe a entrevista coletiva que Dilma concedera na sexta-feira (4). A ministra fora ao encontro dos repórteres nas pegadas da edição da Folha que trouxe a reprodução de planilhas eletrônicas saídas dos computadores da Casa Civil. Restou no Planalto a impressão de que Dilma não se saiu bem.

 

Lula atribui parte do infortúnio da ministra à má vontade da mídia. Ele bate duro. Diz que a imprensa “construiu” uma “tese”: de que o Planalto montou um dossiê. E não dará o braço a torcer. Ainda que reste comprovado que o que há é um mero “banco de dados”, versão sustentada por Dilma.

 

Na última terça-feira, a ministra deixou evidenciado que vai seguir à risca o conselho do chefe. Questionada, de novo, sobre o dossiê, ela saiu pela tangente: "Eu não vou dar essa entrevista. Enquanto ela [a Polícia Federal] estiver investigando, eu não falo."

 

Arma-se para a próxima semana um teste de fogo para Dilma. Operadores políticos do Planalto negociam a ida da ministra à Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Convocada graças a um cochilo dos aliados do governo, ela não tem como fugir do embate. Vai ao Legislativo, em tese, para falar sobre o PAC. Mas será crivada de perguntas sobre o dossiê, das quais tucanos e ‘demos’ não abrem mão.

 

Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, diz que não vai permitir que o objetivo da sessão seja desvirtuado. Alega que o requerimento que convocou a ministra menciona exclusivamente o PAC. E diz que é sobre isso que ela vai falar. Nada mais.

 

A sessão será concorrida. Há no regimento dispositivos que permitem aos governistas bloquear indagações que fujam do script. A oposição, porém, acha que o eventual silêncio da ministra será ainda mais devastador para a imagem dela do que a produção de respostas sobre o dossiê.

 

Avalia-se que, falando, Dilma não dirá nada além do que já disse. Calando, como que passará um atestado de insegurança. Daí a decisão de fustigar a ministra. Mesmo entre os aliados do Planalto, a estratégia de montar em torno da ministra um círculo de proteção é vista com reservas.

 

“Ora, se ela não tiver condições de enfrentar meia dúzia de perguntas da oposição, como poderá se apresentar depois como candidata à presidência?”, pondera o líder de um dos partido que integram o consórcio governista. A suposta fragilidade de Dilma é, precisamente, o que desejam realçar os senadores do PSDB e do DEM.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Oposição ‘muda de assunto’ e Senado abre o cofre

Aprovou-se projeto que tonifica orçamento da Saúde

Estendeu-se o reajuste do ‘mínimo’ aos aposentados

 

  Geraldo Magela/Ag.Senado
Atendendo aos reclamos do governo, PSDB e DEM perfilaram-se, na noite desta quarta-feira, ao lado dos projetos de dois expoentes do petismo. Aprovou-se, num piscar de olhos, proposta de Tião Viana (PT-AC) que injeta R$ 23 bilhões no orçamento da Saúde até 2011. Mais: foi de roldão emenda de Paulo Paim (PT-RS). Enganchou num projeto do Planalto emenda que estende os reajustes do salário mínimo aos aposentados do INSS.

 

Curiosamente, coube a José Agripino Maia (RN), líder do DEM, sugerir à mesa que apressasse a análise de emendas provisórias que travavam a pauta, para chegar às propostas dos petistas. Obteve o apoio entusiasta do colega Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB. Aloizio Mercadante (PT-SP) e Romero Jucá (PMDB-RR), que, até a véspera, reclamavam da tática obstrucionista da oposição, puseram-se a fazer reparos aos projetos dos seus colegas de bancada.

 

Jucá disse que a proposta de Tião Viana cria dificuldades para o governo ao vincular receitas do Orçamento à área da Saúde. Espera que a Câmara, próximo estágio do projeto, promova ajustes. Mercadante ponderou que os aposentados não poderiam receber os mesmos percentuais de reajuste do salário mínimo. Disse que o projeto de Paulo Paim não indica a fonte da nova despesa. Lembrou a providência agravará os desequilíbrios de caixa da Previdência, já às voltas com um déficit anual de cerca de R$ 44 bilhões.

 

O governo cobrava da oposição que deixasse de birra e começasse a tratar de temas que interessam ao brasileiro. Por uma noite, tucanos e ‘demos’ mudaram de assunto. A julgar pela cara feia de Jucá e de Mercadante, o Planalto talvez preferisse a manutenção da operação padrão oposicionista.

Escrito por Josias de Souza às 00h18

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Governo cogita criar o ‘serviço social obrigatório’

 

O ministro Mangabeira Unger aparece pouco. Natural. É ocupado, muito ocupado, ocupadíssimo. Titular da pasta de Assuntos Estratégicos, dedica-se a pensar no que é que o Brasil vai ser quando crescer. Ou, por outra, tenta pôr de pé a profecia de Stefan Zweig. Trata-se, como se sabe, daquele escritor austríaco que, depois de escrever o livro "Brasil, País do Futuro", suicidou-se, em fevereiro de 1942, na cidade de Petrópolis (RJ). Não suportou o presente.

 

Nesta quarta-feira (9), Mangabeira veio à boca do palco. Revelou tópicos do Plano Nacional de Defesa, que tricota em parceria com a equipe do colega Nelson Jobim (Defesa). A certa altura mencionou as idéias levadas à prancheta acerca do serviço militar. Uma delas prevê o aproveitamento de jovens excedentes num serviço social obrigatório. Assista à explicação lá no alto.

 

A idéia não é má. Mas, submetida a um cotidiano de muitas outras urgências, a chance de ser posta em prática é próxima de zero. Se não estiver abaixo desse patamar. Presente à mesma entrevista, Nelson Jobim ofereceu outros detalhes do plano de defesa. Foi instado, de resto, a se manifestar sobre coisa que pode, essa sim, tornar-se real. Perguntou-se ao ministro como seriam recebidos narco-guerrilheiros das Farc que se animassem a cruzar as fronteiras do Brasil. E Jobim: “À bala.” Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 23h05

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Quércia desistiu de reclamar: ‘Lula virou santo’

Cada vez mais próximo de uma composição com a petista Marta Suplicy, o mandachuva do PMDB paulista, Orestes Quércia, tem muitas queixas do relacionamento que seu partido mantém com Lula. “Pode-se dizer que aconteceu tudo, menos a coalizão que ele prometeu”, diz aos companheiros de partido.

 

Para Quércia, o PMDB “não participa das decisões fundamentais do governo.” Acha, de resto, que o fato de o partido ter cavado cinco pastas na Esplanada não significa que esteja convenientemente representado em Brasília.

 

Quércia desce aos exemplos. Segundo a sua ótica, quem indicou o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) foi o governador petista da Bahia, Jaques Wagner. Quem “fez” Edison Lobão (Minas e Energia) foi José Sarney. Em suma, diz ele, “não foram nomeações discutidas e deliberadas pelo PMDB.”

 

O que fazer?, perguntam os amigos a Quércia. E ele: “Nada. Essa questão do governo federal não se altera nunca mais. Agora o Lula virou santo. Não tem mais jeito!” Como se vê, o ex-governador, demonizado pelo PT em outros tempos, tem sacrossantas razões para se render ao catecismo petista. Noves fora, evidentemente, a indicação do vice de Marta e a segurança de suporte à candidatura de senador que pretende lançar em 2010.

Escrito por Josias de Souza às 19h52

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Lula diz que não quer, mas o amigão não desiste

Devanir Ribeiro (PT-SP) iniciou, nesta quarta-feira (9), a coleta de assinaturas para a apresentação da emenda-companheira que acaba com a reeleição e estica o mandato de governadores e do presidente de quatro para cinco anos. Ele não esconde suas reais intenções: quer porque quer manter Lula no Planalto, se possível cavando um terceiro mandato.

 

Mas Lula não disse aos senadores do PDT que não deseja semelhante esperteza? “Não tenho certeza se ele falou isso mesmo”, dá de ombros Devanir. “Amizade é amizade, política é política”, acrescenta. Pressione aqui para ouvir uma entrevista do deputado à Rádio Gaúcha.

Escrito por Josias de Souza às 19h21

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CPI aprova quebra de sigilo de páginas do Orkut

Em sessão realizada nesta quarta-feira (9), a CPI da Pedofilia aprovou a quebra de sigilo de 3.261 páginas virtuais. Guardam álbuns aos quais só têm acesso os usuários e “amigos” admitidos por eles.

 

Deve-se a decisão, inédita no mundo, a uma suspeita levantada pela ONG Safernet. Alega-se que, sob o manto da privacidade proporcionada pelo Google, as páginas são utilizadas para difundir pornografia infantil.

As informações terão de ser abertas até o próximo dia 23. "Vamos cumprir a determinação da quebra de sigilo. Ainda estamos avaliando as questões técnicas e vamos trabalhar para entregar os dados em tempo hábil", afirmou Alexandre Hohagen, diretor-presidente da empresa Google Brasil, inquirido pela CPI.

Também presente à sessão, o diretor de Comunicação do Google, Felix Ximenes, disse, em entrevista à CBN, que a intenção da empresa é colaborar com o esforço para coibir a pedofilia (ouça). 

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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PF desmonta gang que desviava verbas municipais

O Departamento de Polícia Federal deve um pedido de desculpas a Manuel Bandeira. Desrespeitou-o ao batizar sua última operação com o nome de "Pasárgada". Uma alusão ao poema mais conhecido do poeta dos poetas: “Vou-me Embora pra Pasárgada.”

A Pasárgada de Bandeira é uma espécie de contrafação do Paraíso. O Éden do poeta é insinuado já na primeira estrofe: “Vou-me embora pra Pasárgada/Lá sou amigo do rei/Lá tenho a mulher que eu quero/Na cama que escolherei.”

A operação da PF, deflagrada nesta quarta-feira (9), insurge-se contra uma quadrilha que desvia verbas do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Dinheiro de impostos federais, repassados pela União. Estima-se em R$ 200 milhões o montante surrupiado.

Foram em cana, por ora, 44 suspeitos. Entre eles um juiz federal, nove advogados, quatro procuradores municipais, quatro funcionários do Judiciário, um gerente da Caixa Econômica Federal, um lobista e 14 prefeitos.

Por que meter Manuel Bandeira numa encrenca como essa? A Pasárgada do poeta “tem tudo, é outra civilização.” (...) “Tem telefone automático/Tem alcalóide à vontade/Tem prostitutas bonitas/Para a gente namorar.”

Veja bem, até as prostitutas, em Pasárgada, são “para a gente namorar”, não para a cópula remunerada, para a sem-vergonhice desbragada. O que fazia a quadrilha desmontada pela PF? Arrombava cofres públicos. No Éden do poeta, não há espaço para semelhante perversão. O ruído que se ouve ao fundo é o de Manuel Bandeira revirando no túmulo.

Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Mandachuvas do Google depõem na CPI da pedofilia

A CPI da pedofilia do Senado ouve nesta quarta-feira (9) os depoimento de dois dirigentes da empresa Google do Brasil: o diretor-presidente Alexandre Hohagen e o diretor de Comunicação Felix Ximenes. A dupla será inquirida acerca da proliferação de páginas que difundem a pornografia infantil no sítio de relacionamento Orkut.

 

De acordo com dados repassados à CPI pela ONG Safernet, haveria no Orkut mais de 3.000 páginas dedicadas à pedofilia. São espaços virtuais que só podem ser acessados por pessoas autorizadas por seus proprietários, mediante senha. A Polícia Federal e o Ministério Público alegam que o Google, que gere o Orkut, vem se recusando sistematicamente a revelar os nomes dos clientes suspeitos da prática de crime.

 

Os gestores do Google refutam a acusação. Alegam que a base de dados da empresa fica nos EUA. De resto, argumentam que os dados dos usuários só podem ser repassados mediante ordem judicial. No ano passado, a empresa firmou acordos com o Ministério Público em quatro Estados: Rio, Minas, Pernambuco e Ceará.

 

Os acordos facilitam o bloqueio de páginas virtuais cujo conteúdo seja considerado suspeito. A empresa compromete-se também a preservar os dados dos usuários por períodos determinados, para, se for o caso, atender a requisições judiciais. O procurador da República Sérgio Suiama, de São Paulo, considera a providência insuficiente.

 

Suiama argumenta que a empresa deve responder solidariamente pelos delitos comprovados. E a aceitação da tese de que os conteúdos estão armazenados em bases de dados geridas desde os EUA inviabiliza a proposição de ações judiciais no Brasil. Suiama estará presente à sessão da CPI.

 

Os diretores do Google serão assistidos durante a audiência pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula. Em linha direta com os senadores que integram a CPI, a Polícia Federal, órgão que já foi subordinado a Thomaz Bastos, defende a aprovação de uma lei que torne obrigatório o fornecimento dos dados cadastras de usuários suspeitos pelos provedores de internet.

 

A PF alega que, hoje, provedores como o Google, na prática, se auto-regulam, decidindo o que deve ou não ser repassado às autoridades brasileiras. A PF e o Ministério Público advogam também a tese de que os dados de usuários suspeitos devem ser preservados por um período não inferior a três anos.

Escrito por Josias de Souza às 04h18

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As manchetes desta quarta

- JB: Dengue derruba turismo do Rio

- Folha: Ministro admite uso eleitoral do PAC

- Estadão: Polícia Federal apreende computadores da Casa Civil

- Globo: Secretário prevê epidemia de dengue também em 2009

- Gazeta Mercantil: Empresas enfrentaram 442 dias de greve em três anos

- Correio: Denunciado - Ministério Público processa reitor da UnB

- Valor: Novos IPOs vão testar mercado no pós-crise

- Estado de Minas: Dengue se alastra em BH

- Jornal do Commercio: Condenados e livres

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h13

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Investigação hidráulica!

Dalcío
 

PS.: Via sítio do Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Lula: oposição está ‘sem rumo’ e vai levar ‘sova’

Lula: oposição está ‘sem rumo’ e vai levar ‘sova’

Presidente avalia que ‘ataques’ dos rivais o ajudam

Alheio às críticas, diz que visitará todos os Estados

Acha que oposição vai diminuir nas urnas de 2008

Em segredo, PSDB e DEM discutem troca de tática

 

  Ricardo Stuckert/PT
A julgar pelo que diz entre quatro paredes, Lula está pouco se lixando para temas como dossiê, CPIs e medidas provisórias. “O povo não quer saber de nada disso”, afirmou a um de seus ministros. “As pessoas querem saber do crescimento da economia, das oportunidades de trabalho e do aumento do salário. Essas coisas que não interessam à oposição.”

 

O presidente disse a seu ministro, com o qual o repórter conversou, que PSDB e DEM estão “sem rumo”. Segundo seu raciocínio, a oposição imaginou que, depois de prevalecer na votação da CPMF, conseguiria “encurralar” o governo “no grito”. Lula acrescentou: “Eles imaginavam que eu ia ficar quietinho.” Não ficou.

 

O presidente pôs-se a viajar pelo país. Transforma eventos pseudo-administrativos em comícios. Sobre o pa©lanque, espinafra a oposição. Calibra as palavras. Faz questão de realçar que a derrubada da CPMF o impediu de implementar o que chama de PAC da Saúde.

 

Alheio à ação em que o DEM pede ao TSE que o impeça de continuar em campanha, Lula planeja novas viagens. Estima que, até dezembro, terá percorrido todos os Estados da federação. Já foi a 14, desde janeiro. Nesta terça-feira (8), em reunião com a bancada do PDT, Lula resumiu o que vem expondo, há semanas, aos auxiliares e aos  políticos que lhe são mais próximos.

 

O presidente voltou a insinuar que falta rumo à oposição. Queixou-se da mídia. Disse que os jornais “construíram” a tese do dossiê contra a gestão FHC e se recusam a abandoná-la. Ecoando os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça), Lula declarou que o que existe no Planalto é um “banco de dados”. E o delito a ser apurado é o vazamento de informações sigilosas, não a feitura de um dossiê. O responsável, disse ele, será identificado e punido.

 

De resto, Lula considerou um erro –mais um— da oposição a insistência em abrir uma segunda CPI dos Cartões. Em diálogos anteriores, o presidente dissera que o discurso de timbre moral, que considera “vazio”, não encontra ressonância na sociedade. Algo que, acha ele, ficará claro nas eleições municipais de 2008.

 

Lula avalia que PSDB e DEM sairão das urnas menores do que são hoje. No dizer do presidente, a oposição vai levar uma "sova.". Transformou em causa pessoal as campanhas das principais capitais. Dedica especial atenção a São Paulo, onde quer impor derrota ao tucanato, e ao Rio, cidade na qual deseja dar "uma lição" no esquema político do prefeito Cesar Maia (DEM).  

 

Reservadamente, tucanos e ‘demos’ já acusam o golpe. Reconhecem a necessidade de refinar a estratégia, para se contrapor a um presidente cuja popularidade alça aos céus. REservadamente, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), atribui a boa aceitação do presidente a três fatores: 1) a preservação dos pilares econômicos erigidos sob FHC. Obra que credita especialmente à gestão do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda); 2) a bonança externa que permeou todo o primeiro mandato de Lula e que encontra-se sob ameaça graças à crise dos EUA; e 3) o “ativismo” político do presidente.

 

Em conversas com correligionários, Virgílio passou a defender que, em resposta à mobilidade de Lula, lideranças da oposição passem a organizar eventos políticos fora de Brasília. No âmbito do Senado, partiu do líder tucano, na semana passada, a sugestão para que Garibaldi Alves (PMDB-RN), presidente do Senado, promovesse em sua residência um encontro de líderes, para costurar uma agenda legislativa.

 

A reunião, realizada nesta terça, resultou em nada. No plenário, expoentes do governismo –Ideli Salvatti (PT-SC) e Aloizio Mercandate (PT-SP), por exemplo— não se cansam de afirmar que a tática obstrucionista da oposição empurra para o segundo plano os temas que realmente "interessam ao país". As bancadas do PSDB e do DEM cogitam destacar alguns de seus melhores quadros para se ocupar dos temas que ultrapassam a agenda fiscalizatória.  

 

Em seus diálogos privados, Lula dá a entender que, depois da aprovação do Orçamento da União de 2008, não precisa mais do Congresso. Uma tese que é corroborada pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), nos diálogos que mantém com seus colegas.

 

Para Tião, a oposição não atentou para o fato de que já não há, no Legislativo, projetos cruciais para o governo. Nem mesmo a proposta de reforma tributária. O senador petista lembra aos colegas que a Receita bate sucessivos recordes de arrecadação. No encontro com PDT, aliás, Lula disse que, se não for votada até julho, a reformulação do sistema de cobrança de tributos não sairá mais do papel. Não pareceu preocupado.

 

Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM e um dos mais ferozes adversários de Lula e do PT adiciona à análise de Tião Viana detalhes que reforçam a perspectiva de bonança legislativa do governo. Lembra, sob reserva, que, em 2009, serão eleitos para as presidências da Câmara e do Senado um peemedebista e um petista - provavelmente o deputado Michel Temer (PMDB-SP) e o próprio Tião Viana (PT-AC). Ou seja, Lula terá no comando do Congresso, até 2010, dois aliados fiéis. 

 

Na conversa com a bancada do PDT, Lula disse que não lhe passa pela cabeça abraçar a tese do terceiro mandato. Disse que rompe com o PT se o partido insistir na tese. A oposição está convencida do contrário. Tanto que já cogita organizar um evento para se contrapor a duas idéias: a re-reeleição e a prorrogação dos mandatos dos atuais gestores executivos por um ano, a mais nova bandeira do deputado-companheiro Devanir Ribeiro (PT-SP). Leia aqui a íntegra da emenda de Devanir, que consultou Lula antes de começar a coletar assinaturas para apresentá-la.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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Lula diz que ‘rompe’ se PT insistir no 3º mandato

  Fábio Pozzebom/ABr
Lula reuniu-se nesta terça-feira (8) com a bancada de senadores do PDT. Instado a falar sobre o movimento prorrogacionista que prospera nos subterrâneos do seu partido e adjacências, o presidente teria dito algo alentador: “Se o PT me obrigar ao terceiro ao terceiro mandato, eu rompo com o PT."

 

A frase de Lula foi relatada aos repórteres pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), um dos que participaram do encontro. "Eu fiquei convencido de que ele não quer saber de um terceiro mandato", disse o senador.

 

Para afastar todas as dúvidas, Lula bem que poderia fazer um apelo ao compadre Devanir Ribeiro (PT-SP). O deputado, freqüentador do Alvorada, amigo dos tempos do sindicalismo do ABC, decerto não resistiria a um pedido do presidente para pôr fim ao lero-lero da emenda-companheira que promete protocolar na Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 19h46

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Aberta no Senado 2ª CPI para ‘investigar’ Cartões

  Fábio Pozzebom/ABr
Acossado pelos líderes do PSDB e do DEM, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), criou a segunda CPI dos Cartões. Diferentemente da outra, que é mista, a nova comissão será integrada apenas por senadores. Serão 11 os seus membros. O prazo de funcionamento será de 180 dias. Vai custar à Viúva R$ 180 mil.

 

Embora contrário à duplicidade de investigações, Garibaldi não teve como deixar de criar a nova comissão. O requerimento estava escorado em 32 assinaturas, cinco além do que exige o regimento. Nove dos signatários são dissidentes da bancada governista.

 

A oposição exigiu que a segunda CPI fosse constituída porque considera que, na primeira, o trator governista impede que a apuração avance. O problema é que, também na nova comissão, o governo, por majoritário, vai manejar a patrola. Dos 11 membros, as legendas oposicionistas indicarão apenas três.

 

Tucanos e demos apostam na perspectiva de abertura de dissidências na CPI. Acham que a nova, na nova comissão haverá mais equilíbrio. Algo que, a depender do governo, não irá ocorrer. Sobretudo porque, já no requerimento de constituição da nova comissão os adversários exibem a disposição de alcançar a jugular de Lula.

 

Por exemplo: a lista de temas a serem investigados inclui, já no item número dois, o questionamento ao caráter sigiloso das despesas do Planalto. Questiona-se a tese do ministro Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) segundo a qual “quanto menos transparência, mais segurança.” O item número quatro prevê a apuração de gastos de R$ 55 mil, nos últimos nove meses, com cartões de crédito manuseados por seguranças de Lurian, a filha de Lula.

 

Nos próximos dias, o noticiário será tomado pela disputa em torno dos cargos de comando da nova CPI: presidente e relator. O governo anuncia que deseja ocupar os dois postos. A oposição contra-argumenta que, mercê do tamanho de sua bancada, tem direito de indicar um dos dois dirigentes.

 

De resto, os partidos precisam indicar os seus representantes na nova CPI. Uma providência que a bancada governista vai retardar a mais não poder. Pelo regimento, se a demora for demasiada, o presidente do Senado tem a prerrogativa de fazer, ele próprio, as indicações. Será pressionado pela oposição. Resta saber até que ponto Garibaldi está disposto a afirmar sua “independência” em relação ao Planalto.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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Para Tarso Genro, administrador pode fazer dossiê

  Sérgio Lima/Folha
O ministro Tarso Genro (Justiça) reiterou nesta terça-feira a decisão de restringir ao vazamento de dados as investigações da Polícia Federal sobre o dossiê com gastos da gestão FHC. Repetiu que a PF não se ocupará da apuração dos responsáveis pela feitura do dossiê.

 

Ao justificar o posicionamento do governo, o ministro disse que dossiê é algo que “um administrador pode ou não fazer, deve ou não fazer, dependendo das circunstancias, por decisão política (...)”. O raciocínio de Tarso foi exposto em entrevista à repórter Ana Amélia, da Rádio Gaúcha.

 

Eis o que disse o ministro: “Se a Polícia Federal for transformada em policia política, ela vai ter que investigar indicações em abstrato em todos os lados, de todas as áreas. Veja o seguinte: Investigar dossiê. O que é um dossiê? Dossiê não é tipo penal. Dossiê é um arrolamento de documentos que um administrador pode ou na fazer, deve ou não fazer, dependendo das circunstancias por decisão política do administrador.”

 

O ministro perguntou: “Se a Polícia Federal investigar existência de dossiê, vai ter que investigar também a existência de um contra-dossiê? Vai ter que fazer investigação sobre o senador Álvaro Dias [PSDB-PR], que obteve um documento ilegal e que vazou esse documento? Isso aí não tem mais fim. Isso aí é característica dos regimes totalitários. São as investigações em abstrato, que transformam uma política de Estado em polícia política.”

 

Tarso Genro concluiu: “Então, o que a polícia tem que fazer é investigar um determinado tipo criminal. Qual é o tipo criminal que está colocado agora? É roubo de informação. O resto é debate político.” Pressionando-se aqui, pode-se ouvir a íntegra da entrevista do ministro da Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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As manchetes desta terça

- JB: Gastança de César custa 26 mil médicos

- Folha: PF investigará só vazamento de dossiê

- Estadão: Investigação da PF se limita ao vazamento do dossiê anti-FHC

- Globo: PF vai apurar quem vazou, mas não quem fez o dossiê

- Gazeta Mercantil: Os fundos apostam na área de infra-estrutura

- Correio: Rebeldia, tapas e pontapés na UnB

- Valor: Governo pára negócio de R$ 10 bi na área de energia.

- Estado de Minas: Conta de luz fica 17,1% mais barata.

- Jornal do Commercio: Lula Promete ajuda para desabrigados

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h35

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