Lula abre baile sucessório e oposição entoa Noel
El Roto/El Pais
No Brasil, são três as evidências que permitem a um presidente da República detectar a chegada da síndrome do fim do mandato: 1) súbito, o inquilino do Planalto começa a beber cafezinho frio; 2) descobre que os aliados estão desembarcando; e 3) vê brotar à sua volta um irrefreável burburinho acerca da sucessão presidencial.
Sob Lula, tudo acontece às avessas. O cafezinho que chega da copa do Planalto queima-lhe a língua. Legendas como o PMDB o bajulam como nunca. Quanto à gafieira sucessória, o presidente animou-se, ele próprio, a convidar os adversários para a contradança.
Surpreendidos com a movimentação do rival, PSDB e DEM levam Noel Rosa à vitrola:
“Agora vou mudar minha conduta, eu vou pra luta
Pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bru.....ta, pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”
A estratégia de Lula deu um nó na cabeça dos rivais. Uma parte do PSDB já se deu conta de que precisa “refinar” o discurso. Sob pena de o excesso de ódio converter a legenda em escrava do inimigo.
O núcleo partidário capitaneado por Aécio Neves, leva a calibragem retórica às fronteiras do paroxismo. É como se o governador de Minas buscasse um timbre que não o faça corar se o inimigo vier a se tornar um pós-amigo.
Mesmo o DEM –ou parte expressiva dele— já se deu conta de que pode estar injetando veneno demais no pudim. Sua banda de música executa uma partitura à UDN. No Congresso, dá trabalho. Ajudou, por exemplo, a fulminar a CPMF.
Longe de Brasília, porém, os ‘demos’ levam uma sova de Lula. No papel de neo-Getúlio, o presidente roubou do ex-PFL o grosso do eleitorado dos fundões do Brasil, seduzido pelo Bolsa Família. O fenômeno é mais nítido no Norte e, sobretudo, no Nordeste.
Além de deixar atônicos os inimigos, Lula confunde os amigos. Com dois anos e meio de antecedência, levou mãe Dilma ao pa©lanque. Fez de uma boa ministra uma péssima candidata. Transformou-a em alvo instantâneo. E a chefona da Casa Civil arde na fogueira do dossiê.
O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), compadre do presidente, freqüentador do Alvorada, promete para esta semana a apresentação da emenda-companheira do terceiro mandato. Vai à prateleira como alternativa. Nos subterrâneos da Câmara, avolumam-se os adeptos. No Senado, insinuam-se as barricadas.
O PSDB, partido de amigos integralmente composto de inimigos, freqüenta as pesquisas como a mais vistosa alternativa de poder. Mas, sem rumos, pode virar a legenda mais bem cotada para a derrota de 2010.
Com a popularidade nas nuvens, Lula sonha com o momento em que os tucanos vão ter de cantar, com pequenas adaptações, a parte final do samba de Noel:
“Agora, eu não ando mais fagueiro,
Pois eleição não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapacei.....ro, não consigo voto pra levar
Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa eu vou pro samba que o Lula me convidou?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo,
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa eu vou pro samba que o Lula me convidou?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”
Escrito por Josias de Souza às 19h44
Wilson Dias/ABr
Membro do diretório nacional do PT, o prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva, já se anima a dizer em público algo que um número crescente de companheiros de partido sussurram entre quatro paredes: “O terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.”
Expressando-se no plural, João Paulo afirma: “Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a proposta de emenda constitucional do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil [...]. Vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula, para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.”
Em menos de uma semana, o prefeito petista é o quarto personagem a desfraldar, nos arredores de Lula, a bandeira do terceiro mandato. O primeiro foi o vice-presidente José Alencar (PRB). Depois dele, o deputado cassado José Dirceu (PT-SP). Na seqüência, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) voltou à boca do palco para informar que apresentará, nos próximos dias, a emenda que abre uma janela para a continuidade.
João Paulo preside a FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Nesta sexta (4), a frente realizou, em Niterói (RJ), sua 52ª Reunião Geral. Foi o repórter Ricardo Miranda, que acompanhava o encontro para o diário Correio Braziliense (só para assinantes) quem ouviu o prefeito petista sobre Lula e 2010. Vai abaixo a entrevista, veiculada neste sábado (5):

- O senhor defende o terceiro mandato?
Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a PEC do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil. Acho que foi normal quando se defendeu um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso, por isso vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.
- A bandeira é luta isolada de algumas poucas pessoas dentro do partido ou já conta com apoios de peso?
Não tratei disso diretamente com o presidente Lula em nossa conversa (semana passada, em Recife). Mas acredito que, pelo momento extraordinário que o Brasil está vivendo, pelo nível de estabilidade, não podemos arriscar perder este momento da história política e econômica do Brasil. Um filho do povo fazendo uma extraordinária gestão, dando estabilidade financeira ao Brasil, gerando empregos, levando o desenvolvimento a patamares que há muito não se via.
- Já combinaram isso com o presidente?
O presidente até hoje tem se colocado como um soldado do partido e tem o sentido de missão. Acredito que ele será sensível ao clamor não apenas do PT, mas dos partidos que essencialmente formam sua frente. Entendemos que a Presidência da República tem um nível de stress muito grande, muita tensão, onde se percebe claramente o que nós chamávamos na ditadura militar de “ódio de classe”, onde se vê setores do DEM e do PSDB com o preconceito estampado em cima do presidente.
- Fala-se que a ministra Dilma seria o nome favorito do partido.
O partido ainda não acumulou uma discussão mais profunda sobre esse tema. Mas o terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.
- Um terceiro mandato agora não seria um golpe?
Golpe “eles” deram na ditadura militar, aquilo era golpe. Se o terceiro mandato fosse um golpe, golpe maior teria sido o segundo mandato de Fernando Henrique. Qual a diferença? Não podemos fazer política com dois pesos e duas medidas.
Escrito por Josias de Souza às 17h46

- JB: Polícia nega reforço de segurança aos postos
- Folha: Dilma agora fala em espionagem
- Estadão: Governo teme PF na investigação do dossiê
- Globo: Informações contraditórias complicam versão de Dilma
- Gazeta Mercantil: Mercado de resseguros no Brasil atrai 11 companhias
- Correio: Muito grito, pouco dito
- Valor: Dados da indústria revelam riscos menores de inflação
- Jornal do Commercio: 4.000 desabrigados no estado
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.
Escrito por Josias de Souza às 03h38
Thiago Recchia
PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.
Escrito por Josias de Souza às 03h32
Imagens:Revista Época
Num instante em que o governo busca explicações para o vazamento dos dados que compõem o dossiê com gastos da era FHC, descobre-se algo que deve intoxicar ainda mais as relações do governo com a oposição: a Receita Federal destacou um auditor ligado ao PT para varejar a contabilidade do PSDB.
Deve-se a descoberta ao repórter Leandro Loyola. A notícia consta da última edição da revista Época (só para assinantes). A exemplo das despesas de Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, os dados fiscais do PSDB são protegidos por sigilo legal. A despeito disso, vazaram. Foram às páginas da Folha, em reportagem veiculada no dia 19 de fevereiro de 2008.
O jornal obteve e divulgou, legitimamente, informações com alto grau de interesse público. Levou aos seus leitores detalhes de infrações que o fisco atribuíra ao tucanato. Revelou, por exemplo, que o partido fora autuado em cerca de R$ 7 milhões. Uma das irregularidades apontadas referia-se à inclusão de R$ 476 mil em notas fiscais frias na contabilidade da campanha presidencial de José Serra (PSDB-SP), em 2002.
Chama-se Julio Severino Bajerski um dos auditores que a Receita destacou para verificar a regularidade das contas do PSDB. Executou o trabalho em parceria com a colega Maria Aparecida Gerolamo. Bajerski tem ligações notórias com o PT. Nas eleições de 2004, candidatara-se, sob o guarda-chuva da legenda de Lula, a uma cadeira de vereador, no município gaúcho de Santo Ângelo.
Bajerski não obteve votos suficientes para se eleger. Ostenta, hoje, a condição de suplente de vereador. Em 11 de dezembro de 2007, 70 dias antes de as informações sigilosas do PSDB chegarem ao noticiário, o auditor petista divulgou na internet, por meio de um sítio de classificados, anúncio no qual informava que havia perdido, na rodoviária de Porto Alegre (RS), uma mala com equipamentos eletrônicos e documentos (veja imagem abaixo).
Coincidência? “Você tem de buscar informações na Secretaria da Receita Federal”, disse Bajerski ao repórter de Época. “Esse assunto é sigiloso.” A revista ainda tentou, em outros dois contatos telefônicos, obter esclarecimentos adicionais do auditor. Porém, ele desligou o telefone abruptamente. E mais não disse.
A auditoria da Receita na escrituração do PSDB é parte de uma operação que alcançou outros seis partidos políticos. O trabalho fora iniciado nas pegadas do escândalo do mensalão, em 2005. Inicialmente, envolvia apenas quatro legendas governistas: PT, PP, PTB e o PL (depois rebatizado de PR). Na seqüência, decidiu-se estender a varredura fiscal à escrituração do PSDB, PMDB e PFL (hoje DEM).
Conforme noticiado aqui em 21 de dezembro de 2007, encontraram-se irregularidades em todos as legendas fiscalizadas. O fisco suspendeu a imunidade tributária dos sete partidos. Curiosamente, só os dados do PSDB foram pendurados nas manchetes.
Ouvido a respeito da indicação de um auditor petista para inspecionar as contas do PSDB, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel declarou: “Não é ilegal, mas é, no mínimo, antiético. É como a ONU indicar um russo para cuidar da Tchetchênia.”
Em nota oficial, a Receita informou que seus “servidores e colaboradores podem exercer atividade político-partidária”. Acrescentou: “Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com excesso ou valeu-se do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal.” Vai abaixo cópia do “Termo de Notificação Fiscal” que traz as assinaturas da auditora Maria Aparecida Gerolamo e do auditor petista Julio Severino Bajerski.


Escrito por Josias de Souza às 03h14
Nesta sexta-feira (4), em entrevista, Tarso Genro admitiu acionar a Polícia Federal para apurar o vazamento de dados da Casa Civil. Condicionou a providência à solicitação de “alguma autoridade.” No instante em que o ministro falava os repórteres, no Rio, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) formalizava, em Brasília, um pedido para que a PF entre imediatamente no caso.
Sob FHC, Jungmann foi ministro do Desenvolvimento Agrário. Condição que fez questão de realçar em sua petição. No texto, refere-se ao dossiê com gastos da gestão tucana como peça destinada a “chantagear os membros da oposição” para, “supostamente”, neutralizar a ação dos adversários políticos na CPI dos Cartões.
Para o deputado, está-se diante da suspeita de “utilização indevida e ilegal de informações de Estado –algumas delas sigilosas–, para utilização meramente política.” Por isso, pede “à Polícia Federal a instauração de inquérito policial, com a finalidade de investigar a real existência do dossiê e também para identificar os responsáveis pelo vazamento das informações.”
Há uma semana, Jungmann protocolara pedido de idêntico teor na Superintendência da capital pernambucana. A direção da PF informou, porém, que, graças à greve dos Correios, o documento não pôde ser remetido a Brasília. Para eliminar o que considera uma “desculpa”, o ex-ministro optou por renovar o requerimento, dessa vez nos guichês do DPF (Departamento de Polícia Federal), na capital.
“Não será por falta de pedido que o governo vai deixar de mobilizar a PF. Agora, eles já têm dois”, fustiga Jungmann.
Escrito por Josias de Souza às 01h27
Alan Marques/Folha
Cortejado pelo PT de Marta Suplicy, pelo PSDB de Geraldo Alckmin e pelo DEM de Gilberto Kassab, Orestes Quércia reúne sua tropa neste sábado (5). Vai juntar num congresso do PMDB candidatos a prefeito e a câmaras de vereador de todo Estado.
A organização do encontro mostra que, sob Quércia, o PMDB não vai às urnas municipais a passeio. A reunião deste sábado, marcada para as 9h30, no Novotel Jaraguá, encerra um ciclo de encontros municipais e regionais, nos quais estruturaram-se as candidaturas e afiaram-se as armas.
Depois de montar o exército, Quércia quer “motivar” a soldadesca. Vão à mesa estudos com o mapeamento dos problemas das cidades paulistas. Abrangem nove áreas –da habitação e saneamento à educação e cultura.
Na capital, Quércia tricota um acordo que lhe garanta, além da indicação do vice, uma vaga na chapa de 2010. Quer concorrer a uma cadeira no Senado. A depender os resultados de 2008, cabos eleitorais não lhe faltarão.
Escrito por Josias de Souza às 00h58
A revelação de que o dossiê com gastos da gestão FHC saiu pronto dos computadores da Casa Civil forçou a ministra Dilma Rousseff a convocar uma entrevista coletiva. Foi uma entrevista confusa, nada esclarecedora. A ministra estava nervosa. De tudo o que foi dito, o essencial é o seguinte:
1. A encrenca mudou de patamar. Referindo-se às planilhas digitais que a Folha estampou em suas páginas, Dilma disse que parte das informações bate com o conteúdo do “banco de dados” da Casa Civil. Deixou no ar, porém, a hipótese de que um outro naco possa ter sido “adulterado”. Bobagem. O que foi ao jornal é, precisamente, o que se encontra armazenado nos computadores da Casa Civil. A ministra reconheceu que o problema agravou-se: “Até agora, supusemos que se tratava de algo periférico. Na hipótese, que vamos considerar, de esse fac-símile ser sério, foi cometida uma ação criminosa aqui na Casa Civil.”
2. Num primeiro momento, Dilma disse: “Há a possibilidade de um computador da Casa Civil, um bem público, ter sido invadido.” Ficou no ar a impressão de que a ministra se referia a uma “invasão” praticada remotamente, a partir de computador instalado fora do prédio do Planalto. Instada a esclarecer a dúvida, Dilma praticamente descartou essa hipótese: “Eu perguntei isso de forma exaustiva aqui. Foi respondido que 90% dos casos de vazamento não ocorrem por invasão. Alguém de dentro tem acesso. Como isso é uma estatística, é alguém de dentro que tem acesso.”
3. Aparentemente, as informações veiculadas pela Folha ofereceram novas pistas à ministra. Ela informou que determinou o “isolamento” de cinco computadores da Casa Civil. As máquinas serão varejadas pelo ITI (Instituto de Tecnologia da Informação), um órgão subordinado à própria Casa Civil. “Sabemos que tinha numero ‘X’ de pessoas que tinham acesso ao banco de dados. Não vou divulgar esse número. Mas achamos que as práticas de segurança podem ser melhoradas. Hoje, separamos alguns computadores para essa auditoria. Vamos analisar esses computadores. São cinco. Veremos quem mexeu, como mexeu.”
4. Além de acionar o ITI, Dilma passou a cogitar a hipótese de requisitar os bons préstimos da Polícia Federal. Uma idéia que o governo rejeitava. Antes de decidir, a ministra disse que conversará com o colega Tarso Genro (Justiça), para saber “como seria feita essa auditoria”. Diz que, caso seja chamada a agir, a PF vai investigar nao a confecção de dossiê, mas o vazamento de dados. Mais cedo, o próprio Tarso admitira, pela primeira vez, a entrada da PF no caso. Desde que haja uma solicitação formal.
5. Dilma voltou a negar que tenha fabricado dossiês. O que fez, reiterou, foi ordenar a composição de um banco de dados com as despesas e as respectivas prestações de contas de cartões de crédito corporativos e das contas tipo B, de suprimento de fundos. A presidenciável predileta de Lula considera-se vítima: “A pessoa e a instituição que está sendo prejudicada nesse processo é o governo e a Casa Civil. Acho que tem direção certa, é endereçado a mim. Uma tentativa clara de atribuir à Casa Civil a responsabilidade pelo quê? Por um suposto dossiê.”
6. Em reforço à sua tese, Dilma menciona dois detalhes: a) exceto pelos gastos de FHC e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, todas as outras despesas mencionadas no dossiê, feitas por ex-ministros, não são protegidas por sigilo. Segundo ela, serão inclusive envidas à CPI. b) não seria tola o bastante para deixar digitais como as que estão impressas nas planilhas veiculadas nesta sexta-feira: “É tudo muito estranho. Parece aquela história do agente secreto com crachá. Ele é tão obvio que usava crachá. É estranho alguém fazer dossiê na Casa Civil e tirar esse retrato. É como se tivesse uma assinatura. Nós não fizemos dossiê. Fizemos banco de dados.”
7. Sem mencionar o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que admitira ter manuseado cópia do dossiê, Dilma pespegou: “Até agora não apareceu o vazador de forma explicita. O que se sabe é que um senador da oposição recebeu. Foi insinuado que havia o conhecimento de um deputado da situação. Esse, até agora, não apareceu.”
Impossível deixar de anotar que, por ora, o governo não se encontra em pose confortável na foto do dossiê. Tida e havida como uma espécie de personificação da eficiência, a ministra na qual Lula vinha depositando fichas presidenciais não consegue controlar os próprios computadores. De resto, parece inevitável a entrada da Polícia Federal no caso. Não faz sentido que a Casa Civil investigue a si mesma.
Escrito por Josias de Souza às 19h03
Sérgio Lima/Folha
Os repórteres Leonardo Souza e Marta Salomon obtiveram uma versão ampliada do dossiê com gastos feitos pelo Planalto na gestão FHC. Foi extraída diretamente do banco de dados da Casa Civil de Dilma Rousseff. Tem 27 páginas, 14 além das 13 folhas divulgadas até aqui.
O novo papelório demonstra o seguinte: a parte do dossiê que já veio a público é idêntica ao conteúdo das planilhas extraídas diretamente dos computadores do Planalto. não foi alterada nenhuma vírgula.
Cai por terra a versão segundo a qual os dados que chegaram às mãos de congressistas poderiam ter sido organizados de maneira diversa daquela registrada nos arquivos eletrônicos da presidência da República. Não houve adulteração nem na ordem dos dados nem na forma como as informações foram anotadas.
Os dados do Planalto foram acomodados em 27 planilhas do programa de computador Excel. Num dos campos, trazem a sigla “PR” (Presidência da República). Informam a hora e o dia em que os dados começaram a ser levados ao computador pela Casa Civil: 15h28 de 11 de fevereiro de 2008.
Nessa data, embora ainda não houvesse sido instalada, a CPI dos Cartões tornara-se irreversível no Congresso. Mercê dos esforços de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, o governo lograra obter da oposição o compromisso de recuar a apuração ao ano de 1998, início da gestão FHC.
As novas planilhas desencavadas pelos repórteres anotam 532 lançamentos de despesas realizadas entre 1998 e 2002. Foram recuperadas no arquivo morto do Planalto, a partir de uma ordem de Erenice Guerra, a secretária-executiva da Casa Civil, número dois de Dilma Rousseff.
Digitalizadas no intervalo de uma semana, as planilhas agrupam dispêndios atribuídos a FHC, à ex-primeira dama Ruth Cardoso e a três ministros palacianos do governo tucano: Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência; Clóvis Carvalho, ex-chefe da Casa Civil; e Arthur Virgílio, líder tucano que exerceu o cargo de secretário-geral da Presidência.
Lendo-se o documento digital, percebe-se que foi concebido seguindo uma lógica política, não administrativa. Deu-se preferência a gastos exóticos –aquisição de bebidas alcoólicas, por exemplo. Listaram-se também pagamentos feitos à chef de cozinha Roberta Sudbrack, que preparava o cardápio dos Cardoso no Alvorada.
O papelório obtido pelos repórteres exibe as planilhas da Casa Civil na forma em que se encontravam no dia 18 de fevereiro, mais de um mês antes de a revista Veja divulgar uma parte dos dados. Dois dias depois, em 20 de fevereiro, num jantar com empresários, a ministra Dilma Rousseff dissera que o governo não escutaria calado aos ataques da oposição. O governo, ela antecipara aos comensais, reunia informações sobre os gastos da era tucana.
Há dois dias, a Casa Civil foi instada a se manifestar sobre a descoberta dos novos documentos. Manteve, por meio de uma nota, a versão que sustentara antes: "A planilha de 13 páginas, mencionada pelo jornal em suas reportagens, contém informações que constam no banco de dados, como reconhecemos desde o início. No entanto, ela não confere com as nossas nem na seqüência nem na forma de organização das informações. Tal fato sugere a possibilidade de ter sido montada com fragmentos da base de dados."
Uma investigação minimamente séria poderia comparar a planilha maior com a versão enxuta. O governo, porém, recusa-se a envolver a Polícia Federal no episódio. O caso está sendo “apurado” por uma comissão de sindicância composta de servidores da própria Casa Civil, da Controladoria-Geral da União e da Advocacia-Geral da União.
Escrito por Josias de Souza às 05h23

- JB: Médicos cobram segurança à noite nos postos de saúde.
- Folha: Arquivo da Casa Civil detalha dossiê
- Estadão: Governo trava CPI, mas Senado convoca Dilma
- Globo: Número de médicos na rede pública do Rio é um mistério
- Gazeta Mercantil: Mercado de resseguros no Brasil atrai 11 companhias
- Correio: Como as escolas do DF foram no Enem
- Valor: Dados da indústria revelam riscos menores de inflação
- Estado de Minas: Pátio da Funasa vira foco de dengue em BH
- Jornal do Commercio: Chuva enche as barragens
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.
Escrito por Josias de Souza às 04h14
Dalcío
PS.: Via sítio do Correio Popular.
Escrito por Josias de Souza às 04h09
Legendas da ‘esquerda lulista’ se afastam de Marta
PSB, PDT e PCdoB articulam candidatura não-petista
Bloco analisa três nomes: Erundina, Paulinho e Aldo
No ‘plano B’, Alckmin e Kassab vêm antes de Marta
Folha
A eleição municipal de São Paulo deve produzir alianças políticas tão surpreendentes quanto o acordo esboçado por PT e PSDB na cidade de Belo Horizonte. Sócios do consórcio partidário que dá suporte a Lula no Congresso, PSB, PDT e PCdoB estão, hoje, mais próximos de Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) do que de Marta Suplicy (PT).
Marginalizados pelo PT em Brasília, os três partidos constituíram no Legislativo o que chamam de “bloquinho” de esquerda. Reúne 78 congressistas. Une-os a expectativa de poder representada pela candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB-CE). Um nome para o qual o grupo integrado por Marta –entre 25% e 30% PT— torce o nariz.
“O que há de diferente nesta eleição municipal em relação às outras é que, no passado, nossos apoios seriam automáticos, com o PT. Dessa vez, não serão”, disse ao blog o deputado federal Márcio França (SP), presidente do PSB no Estado de São Paulo.
Líderes dos partidos do “bloquinho” reuniram-se há três dias, em Brasília. Chulearam uma estratégia que vem sendo costurada desde o ano passado. Em relação a São Paulo, decidiram que, para o primeiro turno, tentarão pôr de pé uma candidatura única das três legendas.
Há três opções: a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB); o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical; e Aldo Rebelo (PCdoB), ex-presidente da Câmara. Exceto por Erundina, que ainda não deu uma palavra final, os outros dois mostram-se animados para a disputa.
Deliberou-se que o “bloquinho” encomendará, na primeira semana de junho, uma pesquisa de opinião. Serão testados na sondagem apenas os nomes do grupo –os três ou, em caso de desistência de Erundina, apenas os de Paulinho e Aldo. O que estiver mais bem-posto será o candidato, com o apoio dos demais.
Segundo Márcio França, “é remota” a hipótese de a trinca de partidos apoiar em São Paulo, já no primeiro turno, um candidato de fora do “bloquinho.” Reconhece, porém, que “há pressões de todos os lados”. Começam no PT e se estendem ao PSDB e até ao DEM. Márcio França já teve uma reunião com Kassab. Conversou também com emissários de Alckmin.
De concreto, tem-se, por ora, a decisão de tentar viabilizar um nome próprio e, em caso de mudança de estratégia, manter a união do bloco. “Qualquer que seja a nossa decisão, ela será tomada em conjunto”, diz Márcio França.
O deputado detalha as afinidades políticas do “bloquinho” na refrega eleitoral paulistana: “Há uma boa relação com Aécio Neves [governador tucano de Minas], que nos empurra para o [Geraldo] Alckmin. E começa a surgir uma boa relação com o DEM. Um eventual apoio nosso ao [Gilberto] Kassab pode funcionar como o empurrão que falta para ele entrar definitivamente na disputa.”
E quanto à hipótese de aliança com o PT de Marta Suplicy? “Formamos um bloco no Congresso como contraponto à mudança de posição do PT em relação a nós. Eles decidiram tratar o PMDB como aliado preferencial. Na medida que o PT fez essa opção, nós fizemos o caminho de juntar os aliados tradicionais em outro campo. Se a gente se coliga com eles e, depois, eles se acertam com o PMDB, ficamos no papel da mulher traída que volta para os braços do antigo marido. É uma coisa chata.”
A despeito da aparente aversão do “bloquinho” ao petismo, o presidente do diretório paulista do PT, Edinho Silva, não entregou os pontos. Reuniu-se, separadamente, com dirigentes do PCdoB e do PDT. Teve conversa telefônica com Márcio França, o dirigente do PSB no Estado de São Paulo. E pretende manter aceso o diálogo.
“O entendimento com esses partidos é relevante pra nós”, disse ao repórter o petista Edinho, que, além de presidir o PT no Estado, é prefeito de Araraquara (SP). “Até pela simbologia política. Seria muito ruim para o PT uma ruptura que levasse partidos como o PCdoB e o PSB a estruturarem um outro caminho. O mesmo vale para o PDT, que tem uma configuração específica em cada região, mas que, assim como os demais, faz parte do campo progressista nacional.”
Márcio França serve-se de uma curiosa analogia, para explicar o distanciamento das legendas do “bloquinho” em relação ao PT, outrora um aliado preferencial do grupo. Conta que, dias atrás, esteve no Piauí, para dar uma palestra. Viajando de carro, notou que havia muitos jegues abandonados na estrada, alguns deles mortos por atropelamento. Construiu a seguinte imagem:
“Antigamente, os sertanejos usavam muito o jegue como meio de transporte. Com a estabilização da economia, passaram a ter acesso ao crédito. E trocaram os animais pela moto. Soltaram os jegues. Soltos, os animais vão para a estrada. E se colocam no caminho das motos de seus antigos donos. Muitos morrem atropelados. Fenômeno parecido aconteceu com os partidos menores. Enquanto tinham utilidade, todo mundo estava na garupa. Depois, apareceu uma maquininha melhor, um PMDB numericamente mais expressivo. E fomos abandonados. Só não perceberam que, quando o pessoal fica solto, atrapalha a viagem da caravana. A gente vai pra pista. A troca de amigos velhos por um amigo novo tem custo. Não vai sair de graça.”
Escrito por Josias de Souza às 04h01
Fábio Pozzebom/ABr
No mesmo dia em que sua tropa soterrou 29 requerimentos formulados pela oposição, o governo enviou à CPI dos Cartões 102 caixas repletas de documentos. Nada protegido por sigilo. Nada dos extratos da presidência da República.
Luiz Sérgio (RJ), o relator petista da comissão (na foto), inspecionou pessoalmente a chegada do papelório –72 caixas do ministério do Planejamento e 30 da pasta da Previdência. "São basicamente notas fiscais e comprovantes de gastos dos funcionários que sacaram o dinheiro na boca do caixa", disse ele.
Por ordem da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a Esplanada começou a despejar no Congresso também os documentos requisitados por ex-ministros da era FHC. O ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, remeteu para Raul Jungmann (PPS-PE), ex-titular da pasta, algo como 2.800 folhas de papel.
Jungmann diz que, nesta sexta-feira (4), às 10h30, receberá os repórteres para informar que decidiu abrir a documentação que lhe diz respeito. Ficará à disposição de quem quiser escarafunchar.
Quanto à CPI, desce ao anedotário de Brasília como um tipo novo de pizza: a pizza crua. A comissão definha sem ter levado ao forno um mísero resquício de apuração. Em mais de duas semanas de “trabalho”, não produziu senão pantomima.
Escrito por Josias de Souza às 00h12
Não parece, mas é o mesmo personagem. O presidente do pé na estrada, da língua solta e das diatribes. O Lula que viajou ao Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (3), porém, tinha algo de diferente em relação ao Lula das últimas semanas. Soou menos histriônico.
São tantos os palcos que, aos pouquinhos, o presidente vai ajustando o discurso à cara da platéia. Falando para um público universitário, discorreu sobre economia. Não disse nada que se assemelhasse com aquele “Bush, meu filho, resolve a tua crise.”
Disse que a hora é de “inquietações” e de “reflexões profundas.” Pediu "serenidade". Rendeu homenagens às evidências. Pronunciou coisas assim:
"Obviamente que o projeto do Brasil não está pronto ainda. Tem muita coisa a ser feita. É preciso muito investimento, muita serenidade neste momento em que a economia brasileira está bem, mas, os sinais da maior economia do mundo, não. Não podemos ficar exagerando no otimismo. É preciso que a gente tenha um olhar de lupa a cada santo dia para não permitir que a economia de um país como o Brasil seja contaminada pela crise americana."
Além da universidade, visitou uma plataforma e obras da Petrobras. Assinou, de resto, protocolos do programa Territórios da Cidadania e ordens de serviço do Programa de Aceleração do Crescimento.
Como os compromissos foram muitos e os microfones eram fartos, teve lá sua recaídas, que ninguém é de ferro. Como no instante em que, respondendo indiretamente aos opositores que desejam podar-lhe os passos, disse que não está manejando politicamente o PAC.
"Tem gente que acha que isso aqui é política, que eu estou tirando proveito político. Eu não tenho eleição para presidente, portanto, o que eu tenho são muitos investimentos do governo federal. Nós estamos viajando agora e vamos continuar viajando depois. Eu posso viajar com os governadores, com os secretários".
Com os pés fincados em mais um pa©lanque foi protagonista de uma cena de deixar tucano enrubescido. Tinha a seu lado a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB). A audiência a vaiou. E Lula saiu em defesa dela. Num dia em que o tucanato deu rasteira nos governistas para arrastá-la para uma comissão do Senado, mãe Dilma, que estava ao lado da governadora tucana, abraçou-a.
Mais cedo, no discurso que fizera em ambiente acadêmico, Lula falara sobre a sorte que muitos lhe atribuem. Ele quer mais: "Eu levanto todo dia pela manhã e peço a Deus que me dê cada dia mais sorte. Porque se eu tiver cada dia mais azar, eu acho que não apenas eu, mas o país entrará em uma situação muito difícil".
Nelson Rodrigues dizia que, “sem sorte, não se chupa nem um chica-bom. Você pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha.” Shakespeare fez escorrer dos lábios de Macbeth algo assim: “Se a sorte me quer rei, há de coroar-me sem que eu me mexa.”
Lula II, ao contrário de Macbeth mexe-se a mais não poder. Diz que não tem pela frente uma “eleição para presidente”. Porém, com tantos postes à sua volta, os amigos acham que ele pode vir a desejar uma. Ardentemente.
Escrito por Josias de Souza às 23h20
Garibaldi promete a leitura do requerimento para terça
Fábio Pozzebom/ABr
José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AB), líderes dos dois maiores partidos de oposição, formalizaram ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), a instalação imediata de uma segunda CPI dos Cartões. Dessa vez uma comissão exclusiva do Senado, sem a participação de deputados.
“Não vemos outra alternativa”, disse Agripino. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar que esse pedido fosse apresentado. Mas, na sessão de hoje da CPI Mista dos Cartões, a base governista nos negou a última alternativa. Está claro o comportamento do governo de não querer investigar.”
Virgílio ecoou Agripino: “Tínhamos uma enorme necessidade de fazer funcionar a comissão mista. Mas estamos vendo, semana após semana, que não se consegue convocar um simples ecônomo, muito menos autoridades. E os indícios apontam a necessidade de ouvir. Na impossibilidade, quero deixar claro que não abrimos mão de que seja lido imediatamente o requerimento da CPI do Senado.”
Garibaldi fez um apelo aos líderes oposicionistas para que a leitura do requerimento da nova CPI fosse transferida para a próxima terça-feira (8). Agripino e Virgílio bateram o pé. O presidente do Senado insistiu: "Será que eu não tenho autoridade? Pelo amor de Deus! Eu, como presidente desta Casa, não tenho condições de fazer um apelo para que um requerimento que está aqui há mais de 40 dias possa ser lido na terça-feira? Estou dizendo que será lido na terça, custe o que custar."
Diante da dramaticidade, os líderes do PSDB e do DEM assentiram. Na mesma terça, por sugestão de Virgílio, Garibaldi reunirá em sua residência as principais lideranças do Senado. O objetivo é tentar, pela enésima vez, a costura de um entendimento que pacifique as relações entre os partidos.
Ao atender ao apelo de Garibaldi, tanto Virgílio quanto Agripino disseram que não vão abrir mão da leitura do requerimento da CPI exclusiva do Senado. A posiçãoda dupla foi consolidada na manhã desta quinta (3). Reunida uma vez mais, a CPI Mista dos Cartões não produziu senão pantomima. O trator governista esmagou 29 requerimentos apresentados pela bancada oposicionista. Um dos requerimentos que foram ao arquivo pedia a convocação de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço direito de Dilma.
Escrito por Josias de Souza às 17h17
Ag.Senado
No Congresso, como se sabe, o sábado começa na quinta-feira. Minoritária, a oposição aproveita-se da preguiça que viceja nesses finais de semana precoces para fazer rodar os seus moinhos. Nesta quinta, os adversários do governo lograram atravessar na traquéia de Lula um requerimento de convocação de mãe Dilma.
A manobra havia sido urdida no final de semana. Para driblar o trator que o consórcio lulista deslocou para a CPI dos Cartões, PSDB e DEM decidiram fustigar o Planalto em outros foros. O cochilo que permitiu a convocação de Dilma ocorreu na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.
Coube ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentar o requerimento. Marconi Perillo (PSDB-GO), que preside a comissão, aproveitou-se da ausência dos representantes governistas para submeter o pedido a voto. E a ministra foi instantaneamente convocada.
Em tese, Dilma falará sobre o PAC. Na prática, será espremida sobre os gastos secretos da presidência. A ministra tem agora 30 dias para dar as caras no Senado. "Eles querem fazer uso político dessa situação, nós não vamos permitir", disse Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula, ao anunciar que tentará reverter o resultado do cochilo coletivo de sua tropa.
Escrito por Josias de Souza às 14h10
Divulgação
O PTB de São Paulo reúne sua comissão Executiva nesta sexta-feira (4). Vão à mesa duas alternativas: esperar pela oficialização da candidatura tucana de Geraldo Alckmin ou lançar um candidato próprio da legenda à prefeitura da maior cidade do país. Mandachuva do PTB paulista, o deputado estadual Campos Machado vai defender a segunda opção.
Em privado, Campos Machado já dá como favas contadas a sua pré-candidatura a prefeito. Velho amigo de Alckmin, o deputado firmara um pré-acordo de apoio ao tucano. Atribui o desembarque à demora na definição do tucanato, ainda às voltas com uma interminável negociação com o DEM de Gilberto Kassab, que postula a reeleição.
Nos subterrâneos, Alckmin se esforça para segurar o PTB. Agendou para o próximo dia 11 de abril um encontro reservado com Campos Machado. Mas o amigo deve dizer-lhe que as possibilidades de entendimento estão limitadas, a essa altura, ao segundo turno da eleição municipal. Apresentará sua própria candidatura como irreversível.
No encontro da Executiva petebista, nesta sexta, Campos Machado relatará encontro que manteve na quarta (1) com José Luiz Penna, presidente nacional do PV. Os verdes têm a pretensão de disputar a prefeitura de Guarulhos (SP). E Campos Machado enxergou na conversa a possibilidade de acomodar o PTB no projeto do PV em troca de um apoio do partido à sua candidatura em São Paulo.
De resto, Campos Machado dispõe da promessa de apoio do PSDC. O deputado dirá à Executiva de seu partido que o presidente do PSDC, José Maria Eymael, o pressiona por uma definição rápida. Por meio de um amigo comum, Alckmin mandou dizer ao czar do PTB estadual que pretende pôr sua candidatura na rua em 25 de abril. Uma data que Campos Machado considera tardia. Até lá, planeja estar, ele próprio, com a pré-campanha bem encaminhada.
Para azar de Alckmin, o PTB de São Paulo se confunde com a figura de Campos Machado. O deputado costuma brincar que a direção do partido no Estado está dividida em dois grupos: 90% dos petebistas o apóiam. Os outros 10% são seus aliados.
Escrito por Josias de Souza às 04h51

- JB: Congresso debate sumiço do prefeito
- Folha: Corte nos gastos pode chegar a R$ 30 bi
- Globo: Sindicatos celebram com Lula liberdade para gastar
- Gazeta Mercantil: Restrição a caminhões divide setor produtivo
- Correio: Governos receberam alerta contra dengue
- Valor: Venda parcelada no cartão dispara e preocupa bancos
- Estado de Minas: Tráfico espalha o medo
- Jornal do Commercio: Chuva isola comunidades no interior
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.
Escrito por Josias de Souza às 04h32
Guto Cassiano
PS.: Via blog do Guto Cassiano.
Escrito por Josias de Souza às 03h25
Inspeção descobre que execução financeira é baixa: 12%
Dado não bate com cronograma das obras: 86% em dia
Parte dos gestores nem sabe que as obras estão no PAC
Marcello Casal/ABr

Em 22 de janeiro de 2008, a pretexto de festejar o aniversário de um ano do PAC, Lula promoveu um megaevento no Planalto. Coordenadora do programa, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez um balanço das obras. Disse que 86% estavam com o cronograma de execução em dia, sem atrasos. Pode ser propaganda enganosa.
Nesta quarta-feira (2), decorridos 72 dias da festa do governo, o TCU levou ao sítio que mantém na internet um documento (íntegra aqui) que põe em dúvida as palavras da ministra, agora apelidada pelo chefe de "mãe do PAC". O tribunal verificou que, até setembro de 2007, apenas 12% das verbas orçamentárias destinadas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento haviam sido executadas.
Algo que, na opinião do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, não condiz com as informações oficiais sobre o andamento das obras: “A afirmação (...) de que 80% das ações do PAC estão com cronograma de execução em dia não se coaduna, em princípio, com o fato de que apenas 12% das dotações previstas para 2007 no orçamento fiscal haviam sido liquidadas quando corridos mais de 10 meses do ano”, anotou o ministro em seu voto.
A posição do TCU foi assentada no acórdão de número 429/2008. Refere-se ao processo 027.527/2007-8, aberto para fiscalizar o PAC. Atividade que o tribunal transformou em rotina. O voto de Zymler foi aprovado pelos colegas em sessão realizada no último dia 19 de março. Mas só agora o conteúdo vem a público. Em reportagem veiculada no dia 23 de janeiro, um dia depois do balanço festivo do Planalto, o repórter Humberto Medina já havia detectado indícios de maquiagem nos números do PAC.
Os auditores do TCU inspecionaram 103 obras. Enviaram questionários aos gestores. Perguntaram se o fato de a obra sob seus cuidados ter sido incluída no PAC levara à agilização dos trabalhos. Para surpresa geral, os gerentes de 28 empreendimentos informaram que desconheciam que seus canteiros de obras haviam sido guindados à condição de jóias do PAC.
Dos 75 restantes, só 23 disseram que a inclusão da obra no programa prioritário da gestão Lula contribuíra para acelerar o cronograma. O ministro Zymler estranhou: "O fato de em 28 casos nem mesmo o gestor saber da inclusão da obra no PAC significa que a informação ainda não está fluindo adequadamente entre o órgão de planejamento do PAC e o pessoal de execução na ponta do programa."
No relatório que foi aprovado pela unanimidade de seus ministros, o TCU fez vários exercícios financeiros para tentar chegar a cifras que dessem credibilidade aos dados divulgados por "mãe" Dilma. Em nenhuma das projeções, porém, foi possível casar a execução financeira com o cronograma auspicioso que a ministra divulgara.
"Mesmo que se considere na execução orçamentário-financeira os pagamentos realizados a título de restos a pagar, a execução financeira continua baixa", anota o documento. "Somando os valores orçados para 2007 com os inscritos em restos a pagar, alcança-se a R$ 18,7 bilhões, enquanto os pagamentos montam a R$ 3,3 bilhões, ou 18% do total."
Incluindo-se na conta os recursos que teriam de vir de empresas estatais, “o percentual [de execução financeira] seria de 53% do valor total previsto”. Percentual ainda incompatível com a cena de normalidade anunciada pelo governo. Experimentou-se injetar na conta os “restos a pagar” do exercício de 2006 (R$ 17,5 bilhões). O percentual, neste caso, saltaria para 64%. Nada que empreste credibilidade aos dados oficiais que a festa de um ano pendurara nas manchetes dos jornais.
Depois da solenidade do Planalto, Lula pôs o pé na estrada. Com Dilma a tiracolo, monta pa©mícios até para assinar "ordens de execução" de obras ainda inexistentes. A movimentação do presidente levou o oposicionista DEM a protocolar no TSE um pedido de abertura de uma "investigação judicial." O partido acusa Lula de fazer campanha eleitoral ao arrepio da lei.
Escrito por Josias de Souza às 02h46
Folha
Você deve se lembrar do caso. Deu-se em Abaetetuba, nos fundões do Pará. Identificada pelas iniciais, a menina L.A.B., 15 anos, foi trancafiada numa cela masculina. Acusada de furto, ali permaneceu, por arrastados 23 dias, na companhia de duas dezenas de marmanjos.
Pois bem. Nesta quarta-feira (2), os desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará se reuniram para analisar a hipótese de impor algum tipo de punição à juíza Clarice Maria de Andrade. A magistrada é acusada de omissão. Embora soubesse do malfeito, nada fez para livrar a menor do suplício.
Adivinhe o que aconteceu? Havia 23 desembargadores presentes à seção do tribunal paraense. Sobre a mesa, um pedido de abertura de procedimento disciplinar contra a juíza Clarice. Produziu-se o seguinte placar: 15 desembargadores contra a abertura do processo administrativo; sete a favor; uma abstenção.
Inconformada com o arquivamento, a seccional da OAB no Pará informa que vai recorrer da decisão num foro brasiliense: o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Por ora, vai sendo consagrada a tese do abuso sem culpa.
A menina L.A.B. foi violada numa cela submetida aos bons préstimos de quatro mulheres: uma delegada, uma juíza, uma secretária estadual de Segurança e uma governadora. Durante semanas, sob holofotes da mídia nacional e internacional, simulou-se a busca por um demônio sobre cujas costas o Estado pudesse acomodar todas as culpas.
Agora, num instante em que o noticiário dá as costas para o Pará, consolida-se a impressão de que ninguém tem nada a ver com nada. A culpa decerto é da menina.
Escrito por Josias de Souza às 01h09
Pegue a tese do terceiro mandato. Considere o zunzum dos últimos dias. Tente separar o joio do trigo. O que é boato pra cá. O que é verdade pra lá. Difícil, não? Quase tão complicado quanto amarrar o vento ao pé de uma árvore.
Pois a coisa vai ficando cada vez mais intrincada. Nas pegadas do vice-presidente José Alencar, vem à boca do palco grão-petista José Dirceu. Esgrime a tese de que nada impede que seja injetado na Constituição o instituto da re-reeleição.
“(...) O PSDB e o PFL, hoje DEM, aprovaram um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso. Pior, fizeram-no no final do primeiro mandato. Para FHC mudaram as regras do jogo ao término do segundo tempo (...). Só para Lula é que é golpe e inconstitucional", provoca Dirceu.
Lula diz que está “cansado” de disputar eleições. Atribui a algaravia a desejos dos companheiros e a boatos dos inimigos. O diabo é que, no Brasil, o boato costuma ser ante-sala da verdade. Ou, por outra, o boato é a véspera do fato consumado.
Bem-posto nas pesquisas, o tucano José Serra arrepia as plumas: "A tese [de terceiro mandato] é um casuísmo que, a meu ver, não vai prosperar. A simples enunciação da tese já contribui para esquentar ritmos de campanha que não deviam estar existindo agora. Não tem cabimento a gente se voltar para campanha política eleitoral nacional ou estadual antes mesmo de uma campanha municipal."
Escrito por Josias de Souza às 00h23
O plenário do Senado viveu momentos deprimentes na tarde desta quarta-feira (2). A sessão começou com uma provocação e terminou em baixaria.