Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Lula abre baile sucessório e oposição entoa Noel

Lula abre baile sucessório e oposição entoa Noel

El Roto/El Pais
 

 

No Brasil, são três as evidências que permitem a um presidente da República detectar a chegada da síndrome do fim do mandato: 1) súbito, o inquilino do Planalto começa a beber cafezinho frio; 2) descobre que os aliados estão desembarcando; e 3) vê brotar à sua volta um irrefreável burburinho acerca da sucessão presidencial.

 

Sob Lula, tudo acontece às avessas. O cafezinho que chega da copa do Planalto queima-lhe a língua. Legendas como o PMDB o bajulam como nunca. Quanto à gafieira sucessória, o presidente animou-se, ele próprio, a convidar os adversários para a contradança.

 

Surpreendidos com a movimentação do rival, PSDB e DEM levam Noel Rosa à vitrola:

 

“Agora vou mudar minha conduta, eu vou pra luta
Pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bru.....ta, pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?

A estratégia de Lula deu um nó na cabeça dos rivais. Uma parte do PSDB já se deu conta de que precisa “refinar” o discurso. Sob pena de o excesso de ódio converter a legenda em escrava do inimigo.

 

O núcleo partidário capitaneado por Aécio Neves, leva a calibragem retórica às fronteiras do paroxismo. É como se o governador de Minas buscasse um timbre que não o faça corar se o inimigo vier a se tornar um pós-amigo.

 

Mesmo o DEM –ou parte expressiva dele— já se deu conta de que pode estar injetando veneno demais no pudim. Sua banda de música executa uma partitura à UDN. No Congresso, dá trabalho. Ajudou, por exemplo, a fulminar a CPMF.

 

Longe de Brasília, porém, os ‘demos’ levam uma sova de Lula. No papel de neo-Getúlio, o presidente roubou do ex-PFL o grosso do eleitorado dos fundões do Brasil, seduzido pelo Bolsa Família. O fenômeno é mais nítido no Norte e, sobretudo, no Nordeste.

 

Além de deixar atônicos os inimigos, Lula confunde os amigos. Com dois anos e meio de antecedência, levou mãe Dilma ao pa©lanque. Fez de uma boa ministra uma péssima candidata. Transformou-a em alvo instantâneo. E a chefona da Casa Civil arde na fogueira do dossiê.

 

O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), compadre do presidente, freqüentador do Alvorada, promete para esta semana a apresentação da emenda-companheira do terceiro mandato. Vai à prateleira como alternativa. Nos subterrâneos da Câmara, avolumam-se os adeptos. No Senado, insinuam-se as barricadas.

 

O PSDB, partido de amigos integralmente composto de inimigos, freqüenta as pesquisas como a mais vistosa alternativa de poder. Mas, sem rumos, pode virar a legenda mais bem cotada para a derrota de 2010.

 

Com a popularidade nas nuvens, Lula sonha com o momento em que os tucanos vão ter de cantar, com pequenas adaptações, a parte final do samba de Noel:

 

“Agora, eu não ando mais fagueiro,

Pois eleição não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapacei.....ro, não consigo voto pra levar
Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa eu vou pro samba que o Lula me convidou?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo,

Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa eu vou pro samba que o Lula me convidou?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?

Escrito por Josias de Souza às 19h44

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‘Terceiro mandato de Lula é plano A’, diz petista

  Wilson Dias/ABr
Membro do diretório nacional do PT, o prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva, já se anima a dizer em público algo que um número crescente de companheiros de partido sussurram entre quatro paredes: “O terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.”

 

Expressando-se no plural, João Paulo afirma: “Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a proposta de emenda constitucional do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil [...]. Vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula, para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.”

Em menos de uma semana, o prefeito petista é o quarto personagem a desfraldar, nos arredores de Lula, a bandeira do terceiro mandato. O primeiro foi o vice-presidente José Alencar (PRB). Depois dele, o deputado cassado José Dirceu (PT-SP). Na seqüência, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) voltou à boca do palco para informar que apresentará, nos próximos dias, a emenda que abre uma janela para a continuidade.

 

João Paulo preside a FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Nesta sexta (4), a frente realizou, em Niterói (RJ), sua 52ª Reunião Geral. Foi o repórter Ricardo Miranda, que acompanhava o encontro para o diário Correio Braziliense (só para assinantes) quem ouviu o prefeito petista sobre Lula e 2010. Vai abaixo a entrevista, veiculada neste sábado (5):

 

 

- O senhor defende o terceiro mandato?
Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a PEC do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil. Acho que foi normal quando se defendeu um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso, por isso vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.
- A bandeira é luta isolada de algumas poucas pessoas dentro do partido ou já conta com apoios de peso?
Não tratei disso diretamente com o presidente Lula em nossa conversa (semana passada, em Recife). Mas acredito que, pelo momento extraordinário que o Brasil está vivendo, pelo nível de estabilidade, não podemos arriscar perder este momento da história política e econômica do Brasil. Um filho do povo fazendo uma extraordinária gestão, dando estabilidade financeira ao Brasil, gerando empregos, levando o desenvolvimento a patamares que há muito não se via.
- Já combinaram isso com o presidente?
O presidente até hoje tem se colocado como um soldado do partido e tem o sentido de missão. Acredito que ele será sensível ao clamor não apenas do PT, mas dos partidos que essencialmente formam sua frente. Entendemos que a Presidência da República tem um nível de stress muito grande, muita tensão, onde se percebe claramente o que nós chamávamos na ditadura militar de “ódio de classe”, onde se vê setores do DEM e do PSDB com o preconceito estampado em cima do presidente.
- Fala-se que a ministra Dilma seria o nome favorito do partido.
O partido ainda não acumulou uma discussão mais profunda sobre esse tema. Mas o terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.
- Um terceiro mandato agora não seria um golpe?
Golpe “eles” deram na ditadura militar, aquilo era golpe. Se o terceiro mandato fosse um golpe, golpe maior teria sido o segundo mandato de Fernando Henrique. Qual a diferença? Não podemos fazer política com dois pesos e duas medidas.

Escrito por Josias de Souza às 17h46

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As manchetes deste sábado

- JB: Polícia nega reforço de segurança aos postos

- Folha: Dilma agora fala em espionagem

- Estadão: Governo teme PF na investigação do dossiê

- Globo: Informações contraditórias complicam versão de Dilma

- Gazeta Mercantil: Mercado de resseguros no Brasil atrai 11 companhias

- Correio: Muito grito, pouco dito

- Valor: Dados da indústria revelam riscos menores de inflação

- Jornal do Commercio: 4.000 desabrigados no estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Emergência!

Thiago Recchia
 

PS.: Via sítio da Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h32

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Auditor do PT fiscalizou PSDB; os dados vazaram

  Imagens:Revista Época
Num instante em que o governo busca explicações para o vazamento dos dados que compõem o dossiê com gastos da era FHC, descobre-se algo que deve intoxicar ainda mais as relações do governo com a oposição: a Receita Federal destacou um auditor ligado ao PT para varejar a contabilidade do PSDB.

 

Deve-se a descoberta ao repórter Leandro Loyola. A notícia consta da última edição da revista Época (só para assinantes). A exemplo das despesas de Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, os dados fiscais do PSDB são protegidos por sigilo legal. A despeito disso, vazaram. Foram às páginas da Folha, em reportagem veiculada no dia 19 de fevereiro de 2008.

 

O jornal obteve e divulgou, legitimamente, informações com alto grau de interesse público. Levou aos seus leitores detalhes de infrações que o fisco atribuíra ao tucanato. Revelou, por exemplo, que o partido fora autuado em cerca de R$ 7 milhões. Uma das irregularidades apontadas referia-se à inclusão de R$ 476 mil em notas fiscais frias na contabilidade da campanha presidencial de José Serra (PSDB-SP), em 2002.

 

Chama-se Julio Severino Bajerski um dos auditores que a Receita destacou para verificar a regularidade das contas do PSDB. Executou o trabalho em parceria com a colega Maria Aparecida Gerolamo. Bajerski tem ligações notórias com o PT. Nas eleições de 2004, candidatara-se, sob o guarda-chuva da legenda de Lula, a uma cadeira de vereador, no município gaúcho de Santo Ângelo.

 

Bajerski não obteve votos suficientes para se eleger. Ostenta, hoje, a condição de suplente de vereador. Em 11 de dezembro de 2007, 70 dias antes de as informações sigilosas do PSDB chegarem ao noticiário, o auditor petista divulgou na internet, por meio de um sítio de classificados, anúncio no qual informava que havia perdido, na rodoviária de Porto Alegre (RS), uma mala com equipamentos eletrônicos e documentos (veja imagem abaixo).

 

 

 

Coincidência? “Você tem de buscar informações na Secretaria da Receita Federal”, disse Bajerski ao repórter de Época. “Esse assunto é sigiloso.” A revista ainda tentou, em outros dois contatos telefônicos, obter esclarecimentos adicionais do auditor. Porém, ele desligou o telefone abruptamente. E mais não disse.

 

A auditoria da Receita na escrituração do PSDB é parte de uma operação que alcançou outros seis partidos políticos. O trabalho fora iniciado nas pegadas do escândalo do mensalão, em 2005. Inicialmente, envolvia apenas quatro legendas governistas: PT, PP, PTB e o PL (depois rebatizado de PR). Na seqüência, decidiu-se estender a varredura fiscal à escrituração do PSDB, PMDB e PFL (hoje DEM).

 

Conforme noticiado aqui em 21 de dezembro de 2007, encontraram-se irregularidades em todos as legendas fiscalizadas. O fisco suspendeu a imunidade tributária dos sete partidos. Curiosamente, só os dados do PSDB foram pendurados nas manchetes.

 

Ouvido a respeito da indicação de um auditor petista para inspecionar as contas do PSDB, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel declarou: “Não é ilegal, mas é, no mínimo, antiético. É como a ONU indicar um russo para cuidar da Tchetchênia.”

 

Em nota oficial, a Receita informou que seus “servidores e colaboradores podem exercer atividade político-partidária”. Acrescentou: “Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com excesso ou valeu-se do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal.” Vai abaixo cópia do “Termo de Notificação Fiscal” que traz as assinaturas da auditora Maria Aparecida Gerolamo e do auditor petista Julio Severino Bajerski. 

 

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Ex-ministro de FHC pede à PF inquérito sobre dossiê

Nesta sexta-feira (4), em entrevista, Tarso Genro admitiu acionar a Polícia Federal para apurar o vazamento de dados da Casa Civil. Condicionou a providência à solicitação de “alguma autoridade.” No instante em que o ministro falava os repórteres, no Rio, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) formalizava, em Brasília, um pedido para que a PF entre imediatamente no caso.

 

Sob FHC, Jungmann foi ministro do Desenvolvimento Agrário. Condição que fez questão de realçar em sua petição. No texto, refere-se ao dossiê com gastos da gestão tucana como peça destinada a “chantagear os membros da oposição” para, “supostamente”, neutralizar a ação dos adversários políticos na CPI dos Cartões.

 

Para o deputado, está-se diante da suspeita de “utilização indevida e ilegal de informações de Estado –algumas delas sigilosas–, para utilização meramente política.” Por isso, pede “à Polícia Federal a instauração de inquérito policial, com a finalidade de investigar a real existência do dossiê e também para identificar os responsáveis pelo vazamento das informações.”

 

Há uma semana, Jungmann protocolara pedido de idêntico teor na Superintendência da capital pernambucana. A direção da PF informou, porém, que, graças à greve dos Correios, o documento não pôde ser remetido a Brasília. Para eliminar o que considera uma “desculpa”, o ex-ministro optou por renovar o requerimento, dessa vez nos guichês do DPF (Departamento de Polícia Federal), na capital.

 

“Não será por falta de pedido que o governo vai deixar de mobilizar a PF. Agora, eles já têm dois”, fustiga Jungmann.

Escrito por Josias de Souza às 01h27

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Quércia reúne ‘tropa’ para ‘motivar’ PMDB em SP

  Alan Marques/Folha
Cortejado pelo PT de Marta Suplicy, pelo PSDB de Geraldo Alckmin e pelo DEM de Gilberto Kassab, Orestes Quércia reúne sua tropa neste sábado (5). Vai juntar num congresso do PMDB candidatos a prefeito e a câmaras de vereador de todo Estado.

A organização do encontro mostra que, sob Quércia, o PMDB não vai às urnas municipais a passeio. A reunião deste sábado, marcada para as 9h30, no Novotel Jaraguá, encerra um ciclo de encontros municipais e regionais, nos quais estruturaram-se as candidaturas e afiaram-se as armas.

 

Depois de montar o exército, Quércia quer “motivar” a soldadesca. Vão à mesa estudos com o mapeamento dos problemas das cidades paulistas. Abrangem nove áreas –da habitação e saneamento à educação e cultura.

 

Na capital, Quércia tricota um acordo que lhe garanta, além da indicação do vice, uma vaga na chapa de 2010. Quer concorrer a uma cadeira no Senado. A depender os resultados de 2008, cabos eleitorais não lhe faltarão.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Dilma: dossiê tem alvo certo; ‘é endereçado a mim’

 

 

A revelação de que o dossiê com gastos da gestão FHC saiu pronto dos computadores da Casa Civil forçou a ministra Dilma Rousseff a convocar uma entrevista coletiva. Foi uma entrevista confusa, nada esclarecedora. A ministra estava nervosa. De tudo o que foi dito, o essencial é o seguinte:

 

1. A encrenca mudou de patamar. Referindo-se às planilhas digitais que a Folha estampou em suas páginas, Dilma disse que parte das informações bate com o conteúdo do “banco de dados” da Casa Civil. Deixou no ar, porém, a hipótese de que um outro naco possa ter sido “adulterado”. Bobagem. O que foi ao jornal é, precisamente, o que se encontra armazenado nos computadores da Casa Civil. A ministra reconheceu que o problema agravou-se: “Até agora, supusemos que se tratava de algo periférico. Na hipótese, que vamos considerar, de esse fac-símile ser sério, foi cometida uma ação criminosa aqui na Casa Civil.”

 

2. Num primeiro momento, Dilma disse: “Há a possibilidade de um computador da Casa Civil, um bem público, ter sido invadido.” Ficou no ar a impressão de que a ministra se referia a uma “invasão” praticada remotamente, a partir de computador instalado fora do prédio do Planalto. Instada a esclarecer a dúvida, Dilma praticamente descartou essa hipótese: “Eu perguntei isso de forma exaustiva aqui. Foi respondido que 90% dos casos de vazamento não ocorrem por invasão. Alguém de dentro tem acesso. Como isso é uma estatística, é alguém de dentro que tem acesso.”

 

3. Aparentemente, as informações veiculadas pela Folha ofereceram novas pistas à ministra. Ela informou que determinou o “isolamento” de cinco computadores da Casa Civil. As máquinas serão varejadas pelo ITI (Instituto de Tecnologia da Informação), um órgão subordinado à própria Casa Civil. “Sabemos que tinha numero ‘X’ de pessoas que tinham acesso ao banco de dados. Não vou divulgar esse número. Mas achamos que as práticas de segurança podem ser melhoradas. Hoje, separamos alguns computadores para essa auditoria. Vamos analisar esses computadores. São cinco. Veremos quem mexeu, como mexeu.”

 

 

 

4. Além de acionar o ITI, Dilma passou a cogitar a hipótese de requisitar os bons préstimos da Polícia Federal. Uma idéia que o governo rejeitava. Antes de decidir, a ministra disse que conversará com o colega Tarso Genro (Justiça), para saber “como seria feita essa auditoria”. Diz que, caso seja chamada a agir, a PF vai investigar nao a confecção de dossiê, mas o vazamento de dados. Mais cedo, o próprio Tarso admitira, pela primeira vez, a entrada da PF no caso. Desde que haja uma solicitação formal.

 

5. Dilma voltou a negar que tenha fabricado dossiês. O que fez, reiterou, foi ordenar a composição de um banco de dados com as despesas e as respectivas prestações de contas de cartões de crédito corporativos e das contas tipo B, de suprimento de fundos. A presidenciável predileta de Lula considera-se vítima: “A pessoa e a instituição que está sendo prejudicada nesse processo é o governo e a Casa Civil. Acho que tem direção certa, é endereçado a mim. Uma tentativa clara de atribuir à Casa Civil a responsabilidade pelo quê? Por um suposto dossiê.”

 

6. Em reforço à sua tese, Dilma menciona dois detalhes: a) exceto pelos gastos de FHC e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, todas as outras despesas mencionadas no dossiê, feitas por ex-ministros, não são protegidas por sigilo. Segundo ela, serão inclusive envidas à CPI. b) não seria tola o bastante para deixar digitais como as que estão impressas nas planilhas veiculadas nesta sexta-feira: “É tudo muito estranho. Parece aquela história do agente secreto com crachá. Ele é tão obvio que usava crachá. É estranho alguém fazer dossiê na Casa Civil e tirar esse retrato. É como se tivesse uma assinatura. Nós não fizemos dossiê. Fizemos banco de dados.”

 

7. Sem mencionar o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que admitira ter manuseado cópia do dossiê, Dilma pespegou: “Até agora não apareceu o vazador de forma explicita. O que se sabe é que um senador da oposição recebeu. Foi insinuado que havia o conhecimento de um deputado da situação. Esse, até agora, não apareceu.”

 

Impossível deixar de anotar que, por ora, o governo não se encontra em pose confortável na foto do dossiê. Tida e havida como uma espécie de personificação da eficiência, a ministra na qual Lula vinha depositando fichas presidenciais não consegue controlar os próprios computadores. De resto, parece inevitável a entrada da Polícia Federal no caso. Não faz sentido que a Casa Civil investigue a si mesma.

 

Escrito por Josias de Souza às 19h03

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Dossiê com gastos de FHC saiu pronto do Planalto

  Sérgio Lima/Folha
Os repórteres Leonardo Souza e Marta Salomon obtiveram uma versão ampliada do dossiê com gastos feitos pelo Planalto na gestão FHC. Foi extraída diretamente do banco de dados da Casa Civil de Dilma Rousseff. Tem 27 páginas, 14 além das 13 folhas divulgadas até aqui.

 

O novo papelório demonstra o seguinte: a parte do dossiê que já veio a público é idêntica ao conteúdo das planilhas extraídas diretamente dos computadores do Planalto. não foi alterada nenhuma vírgula.

 

Cai por terra a versão segundo a qual os dados que chegaram às mãos de congressistas poderiam ter sido organizados de maneira diversa daquela registrada nos arquivos eletrônicos da presidência da República. Não houve adulteração nem na ordem dos dados nem na forma como as informações foram anotadas.

 

Os dados do Planalto foram acomodados em 27 planilhas do programa de computador Excel. Num dos campos, trazem a sigla “PR” (Presidência da República). Informam a hora e o dia em que os dados começaram a ser levados ao computador pela Casa Civil: 15h28 de 11 de fevereiro de 2008.

 

Nessa data, embora ainda não houvesse sido instalada, a CPI dos Cartões tornara-se irreversível no Congresso. Mercê dos esforços de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, o governo lograra obter da oposição o compromisso de recuar a apuração ao ano de 1998, início da gestão FHC.

 

As novas planilhas desencavadas pelos repórteres anotam 532 lançamentos de despesas realizadas entre 1998 e 2002. Foram recuperadas no arquivo morto do Planalto, a partir de uma ordem de Erenice Guerra, a secretária-executiva da Casa Civil, número dois de Dilma Rousseff.

 

Digitalizadas no intervalo de uma semana, as planilhas agrupam dispêndios atribuídos a FHC, à ex-primeira dama Ruth Cardoso e a três ministros palacianos do governo tucano: Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência; Clóvis Carvalho, ex-chefe da Casa Civil; e Arthur Virgílio, líder tucano que exerceu o cargo de secretário-geral da Presidência.

 

Lendo-se o documento digital, percebe-se que foi concebido seguindo uma lógica política, não administrativa. Deu-se preferência a gastos exóticos –aquisição de bebidas alcoólicas, por exemplo. Listaram-se também pagamentos feitos à chef de cozinha Roberta Sudbrack, que preparava o cardápio dos Cardoso no Alvorada.

 

O papelório obtido pelos repórteres exibe as planilhas da Casa Civil na forma em que se encontravam no dia 18 de fevereiro, mais de um mês antes de a revista Veja divulgar uma parte dos dados. Dois dias depois, em 20 de fevereiro, num jantar com empresários, a ministra Dilma Rousseff dissera que o governo não escutaria calado aos ataques da oposição. O governo, ela antecipara aos comensais, reunia informações sobre os gastos da era tucana.

 

Há dois dias, a Casa Civil foi instada a se manifestar sobre a descoberta dos novos documentos. Manteve, por meio de uma nota, a versão que sustentara antes: "A planilha de 13 páginas, mencionada pelo jornal em suas reportagens, contém informações que constam no banco de dados, como reconhecemos desde o início. No entanto, ela não confere com as nossas nem na seqüência nem na forma de organização das informações. Tal fato sugere a possibilidade de ter sido montada com fragmentos da base de dados."

 

Uma investigação minimamente séria poderia comparar a planilha maior com a versão enxuta. O governo, porém, recusa-se a envolver a Polícia Federal no episódio. O caso está sendo “apurado” por uma comissão de sindicância composta de servidores da própria Casa Civil, da Controladoria-Geral da União e da Advocacia-Geral da União.

Escrito por Josias de Souza às 05h23

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As manchetes desta sexta

- JB: Médicos cobram segurança à noite nos postos de saúde.

- Folha: Arquivo da Casa Civil detalha dossiê

- Estadão: Governo trava CPI, mas Senado convoca Dilma

- Globo: Número de médicos na rede pública do Rio é um mistério

- Gazeta Mercantil: Mercado de resseguros no Brasil atrai 11 companhias

- Correio: Como as escolas do DF foram no Enem

- Valor: Dados da indústria revelam riscos menores de inflação

- Estado de Minas: Pátio da Funasa vira foco de dengue em BH

- Jornal do Commercio: Chuva enche as barragens

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h14

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Ossos do ofício!

Dalcío
 

PS.: Via sítio do Correio Popular.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Legendas da ‘esquerda lulista’ se afastam de Marta

Legendas da ‘esquerda lulista’ se afastam de Marta

PSB, PDT e PCdoB articulam candidatura não-petista

Bloco analisa três nomes: Erundina, Paulinho e Aldo

No ‘plano B’, Alckmin e Kassab vêm antes de Marta

 

  Folha
A eleição municipal de São Paulo deve produzir alianças políticas tão surpreendentes quanto o acordo esboçado por PT e PSDB na cidade de Belo Horizonte. Sócios do consórcio partidário que dá suporte a Lula no Congresso, PSB, PDT e PCdoB estão, hoje, mais próximos de Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) do que de Marta Suplicy (PT).

 

Marginalizados pelo PT em Brasília, os três partidos constituíram no Legislativo o que chamam de “bloquinho” de esquerda. Reúne 78 congressistas. Une-os a expectativa de poder representada pela candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB-CE). Um nome para o qual o grupo integrado por Marta –entre 25% e 30% PT— torce o nariz.

 

“O que há de diferente nesta eleição municipal em relação às outras é que, no passado, nossos apoios seriam automáticos, com o PT. Dessa vez, não serão”, disse ao blog o deputado federal Márcio França (SP), presidente do PSB no Estado de São Paulo.

 

Líderes dos partidos do “bloquinho” reuniram-se há três dias, em Brasília. Chulearam uma estratégia que vem sendo costurada desde o ano passado. Em relação a São Paulo, decidiram que, para o primeiro turno, tentarão pôr de pé uma candidatura única das três legendas.

 

Há três opções: a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB); o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical; e Aldo Rebelo (PCdoB), ex-presidente da Câmara. Exceto por Erundina, que ainda não deu uma palavra final, os outros dois mostram-se animados para a disputa.

 

Deliberou-se que o “bloquinho” encomendará, na primeira semana de junho, uma pesquisa de opinião. Serão testados na sondagem apenas os nomes do grupo –os três ou, em caso de desistência de Erundina, apenas os de Paulinho e Aldo. O que estiver mais bem-posto será o candidato, com o apoio dos demais.

 

Segundo Márcio França, “é remota” a hipótese de a trinca de partidos apoiar em São Paulo, já no primeiro turno, um candidato de fora do “bloquinho.” Reconhece, porém, que “há pressões de todos os lados”. Começam no PT e se estendem ao PSDB e até ao DEM. Márcio França já teve uma reunião com Kassab. Conversou também com emissários de Alckmin.

 

De concreto, tem-se, por ora, a decisão de tentar viabilizar um nome próprio e, em caso de mudança de estratégia, manter a união do bloco. “Qualquer que seja a nossa decisão, ela será tomada em conjunto”, diz Márcio França.

 

O deputado detalha as afinidades políticas do “bloquinho” na refrega eleitoral paulistana: “Há uma boa relação com Aécio Neves [governador tucano de Minas], que nos empurra para o [Geraldo] Alckmin. E começa a surgir uma boa relação com o DEM. Um eventual apoio nosso ao [Gilberto] Kassab pode funcionar como o empurrão que falta para ele entrar definitivamente na disputa.”

 

E quanto à hipótese de aliança com o PT de Marta Suplicy? “Formamos um bloco no Congresso como contraponto à mudança de posição do PT em relação a nós. Eles decidiram tratar o PMDB como aliado preferencial. Na medida que o PT fez essa opção, nós fizemos o caminho de juntar os aliados tradicionais em outro campo. Se a gente se coliga com eles e, depois, eles se acertam com o PMDB, ficamos no papel da mulher traída que volta para os braços do antigo marido. É uma coisa chata.”

 

A despeito da aparente aversão do “bloquinho” ao petismo, o presidente do diretório paulista do PT, Edinho Silva, não entregou os pontos. Reuniu-se, separadamente, com dirigentes do PCdoB e do PDT. Teve conversa telefônica com Márcio França, o dirigente do PSB no Estado de São Paulo. E pretende manter aceso o diálogo.

 

“O entendimento com esses partidos é relevante pra nós”, disse ao repórter o petista Edinho, que, além de presidir o PT no Estado, é prefeito de Araraquara (SP). “Até pela simbologia política. Seria muito ruim para o PT uma ruptura que levasse partidos como o PCdoB e o PSB a estruturarem um outro caminho. O mesmo vale para o PDT, que tem uma configuração específica em cada região, mas que, assim como os demais, faz parte do campo progressista nacional.”

 

Márcio França serve-se de uma curiosa analogia, para explicar o distanciamento das legendas do “bloquinho” em relação ao PT, outrora um aliado preferencial do grupo. Conta que, dias atrás, esteve no Piauí, para dar uma palestra. Viajando de carro, notou que havia muitos jegues abandonados na estrada, alguns deles mortos por atropelamento. Construiu a seguinte imagem:

 

“Antigamente, os sertanejos usavam muito o jegue como meio de transporte. Com a estabilização da economia, passaram a ter acesso ao crédito. E trocaram os animais pela moto. Soltaram os jegues. Soltos, os animais vão para a estrada. E se colocam no caminho das motos de seus antigos donos. Muitos morrem atropelados. Fenômeno parecido aconteceu com os partidos menores. Enquanto tinham utilidade, todo mundo estava na garupa. Depois, apareceu uma maquininha melhor, um PMDB numericamente mais expressivo. E fomos abandonados. Só não perceberam que, quando o pessoal fica solto, atrapalha a viagem da caravana. A gente vai pra pista. A troca de amigos velhos por um amigo novo tem custo. Não vai sair de graça.”

Escrito por Josias de Souza às 04h01

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Papéis do governo soterram CPI; nada do Planalto

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

No mesmo dia em que sua tropa soterrou 29 requerimentos formulados pela oposição, o governo enviou à CPI dos Cartões 102 caixas repletas de documentos. Nada protegido por sigilo. Nada dos extratos da presidência da República.

 

Luiz Sérgio (RJ), o relator petista da comissão (na foto), inspecionou pessoalmente a chegada do papelório –72 caixas do ministério do Planejamento e 30 da pasta da Previdência. "São basicamente notas fiscais e comprovantes de gastos dos funcionários que sacaram o dinheiro na boca do caixa", disse ele.

 

Por ordem da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a Esplanada começou a despejar no Congresso também os documentos requisitados por ex-ministros da era FHC. O ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, remeteu para Raul Jungmann (PPS-PE), ex-titular da pasta, algo como 2.800 folhas de papel.

 

Jungmann diz que, nesta sexta-feira (4), às 10h30, receberá os repórteres para informar que decidiu abrir a documentação que lhe diz respeito. Ficará à disposição de quem quiser escarafunchar.

 

Quanto à CPI, desce ao anedotário de Brasília como um tipo novo de pizza: a pizza crua. A comissão definha sem ter levado ao forno um mísero resquício de apuração. Em mais de duas semanas de “trabalho”, não produziu senão pantomima.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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Lula fala de ‘sorte’, ‘inquietações’ e ‘reflexões’

 

Não parece, mas é o mesmo personagem. O presidente do pé na estrada, da língua solta e das diatribes. O Lula que viajou ao Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (3), porém, tinha algo de diferente em relação ao Lula das últimas semanas. Soou menos histriônico.

 

São tantos os palcos que, aos pouquinhos, o presidente vai ajustando o discurso à cara da platéia. Falando para um público universitário, discorreu sobre economia. Não disse nada que se assemelhasse com aquele “Bush, meu filho, resolve a tua crise.”

 

Disse que a hora é de “inquietações” e de “reflexões profundas.” Pediu "serenidade". Rendeu homenagens às evidências. Pronunciou coisas assim:

 

"Obviamente que o projeto do Brasil não está pronto ainda. Tem muita coisa a ser feita. É preciso muito investimento, muita serenidade neste momento em que a economia brasileira está bem, mas, os sinais da maior economia do mundo, não. Não podemos ficar exagerando no otimismo. É preciso que a gente tenha um olhar de lupa a cada santo dia para não permitir que a economia de um país como o Brasil seja contaminada pela crise americana."

 

Além da universidade, visitou uma plataforma e obras da Petrobras. Assinou, de resto, protocolos do programa Territórios da Cidadania e ordens de serviço do Programa de Aceleração do Crescimento.

 

Como os compromissos foram muitos e os microfones eram fartos, teve lá sua recaídas, que ninguém é de ferro. Como no instante em que, respondendo indiretamente aos opositores que desejam podar-lhe os passos, disse que não está manejando politicamente o PAC.

 

"Tem gente que acha que isso aqui é política, que eu estou tirando proveito político. Eu não tenho eleição para presidente, portanto, o que eu tenho são muitos investimentos do governo federal. Nós estamos viajando agora e vamos continuar viajando depois. Eu posso viajar com os governadores, com os secretários".

 

Com os pés fincados em mais um pa©lanque foi protagonista de uma cena de deixar tucano enrubescido. Tinha a seu lado a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB). A audiência a vaiou. E Lula saiu em defesa dela. Num dia em que o tucanato deu rasteira nos governistas para arrastá-la para uma comissão do Senado, mãe Dilma, que estava ao lado da governadora tucana, abraçou-a.

 

Mais cedo, no discurso que fizera em ambiente acadêmico, Lula falara sobre a sorte que muitos lhe atribuem. Ele quer mais: "Eu levanto todo dia pela manhã e peço a Deus que me dê cada dia mais sorte. Porque se eu tiver cada dia mais azar, eu acho que não apenas eu, mas o país entrará em uma situação muito difícil".

 

Nelson Rodrigues dizia que, “sem sorte, não se chupa nem um chica-bom. Você pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha.” Shakespeare fez escorrer dos lábios de Macbeth algo assim: “Se a sorte me quer rei, há de coroar-me sem que eu me mexa.”

 

Lula II, ao contrário de Macbeth mexe-se a mais não poder. Diz que não tem pela frente uma “eleição para presidente”. Porém, com tantos postes à sua volta, os amigos acham que ele pode vir a desejar uma. Ardentemente.

 

Escrito por Josias de Souza às 23h20

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Oposição pede abertura de CPI exclusiva do Senado

Garibaldi promete a leitura do requerimento para terça

 

  Fábio Pozzebom/ABr
José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AB), líderes dos dois maiores partidos de oposição, formalizaram ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), a instalação imediata de uma segunda CPI dos Cartões. Dessa vez uma comissão exclusiva do Senado, sem a participação de deputados.

 

“Não vemos outra alternativa”, disse Agripino. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar que esse pedido fosse apresentado. Mas, na sessão de hoje da CPI Mista dos Cartões, a base governista nos negou a última alternativa. Está claro o comportamento do governo de não querer investigar.”

 

Virgílio ecoou Agripino: “Tínhamos uma enorme necessidade de fazer funcionar a comissão mista. Mas estamos vendo, semana após semana, que não se consegue convocar um simples ecônomo, muito menos autoridades. E os indícios apontam a necessidade de ouvir. Na impossibilidade, quero deixar claro que não abrimos mão de que seja lido imediatamente o requerimento da CPI do Senado.”

 

Garibaldi fez um apelo aos líderes oposicionistas para que a leitura do requerimento da nova CPI fosse transferida para a próxima terça-feira (8). Agripino e Virgílio bateram o pé. O presidente do Senado insistiu: "Será que eu não tenho autoridade? Pelo amor de Deus! Eu, como presidente desta Casa, não tenho condições de fazer um apelo para que um requerimento que está aqui há mais de 40 dias possa ser lido na terça-feira? Estou dizendo que será lido na terça, custe o que custar."

 

Diante da dramaticidade, os líderes do PSDB e do DEM assentiram. Na mesma terça, por sugestão de Virgílio, Garibaldi reunirá em sua residência as principais lideranças do Senado. O objetivo é tentar, pela enésima vez, a costura de um entendimento que pacifique as relações entre os partidos.

 

Ao atender ao apelo de Garibaldi, tanto Virgílio quanto Agripino disseram que não vão abrir mão da leitura do requerimento da CPI exclusiva do Senado. A posiçãoda dupla foi consolidada na manhã desta quinta (3). Reunida uma vez mais, a CPI Mista dos Cartões não produziu senão pantomima. O trator governista esmagou 29 requerimentos apresentados pela bancada oposicionista. Um dos requerimentos que foram ao arquivo pedia a convocação de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço direito de Dilma.

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Governo dorme no ponto e oposição convoca Dilma

  Ag.Senado
No Congresso, como se sabe, o sábado começa na quinta-feira. Minoritária, a oposição aproveita-se da preguiça que viceja nesses finais de semana precoces para fazer rodar os seus moinhos. Nesta quinta, os adversários do governo lograram 
atravessar na traquéia de Lula um requerimento de convocação de mãe Dilma.

 

A manobra havia sido urdida no final de semana. Para driblar o trator que o consórcio lulista deslocou para a CPI dos Cartões, PSDB e DEM decidiram fustigar o Planalto em outros foros. O cochilo que permitiu a convocação de Dilma ocorreu na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.

 

Coube ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentar o requerimento. Marconi Perillo (PSDB-GO), que preside a comissão, aproveitou-se da ausência dos representantes governistas para submeter o pedido a voto. E a ministra foi instantaneamente convocada.

 

Em tese, Dilma falará sobre o PAC. Na prática, será espremida sobre os gastos secretos da presidência. A ministra tem agora 30 dias para dar as caras no Senado. "Eles querem fazer uso político dessa situação, nós não vamos permitir", disse Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula, ao anunciar que tentará reverter o resultado do cochilo coletivo de sua tropa.

Escrito por Josias de Souza às 14h10

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PTB reúne Executiva e se afasta de Alckmin em SP

  Divulgação
O PTB de São Paulo reúne sua comissão Executiva nesta sexta-feira (4). Vão à mesa duas alternativas: esperar pela oficialização da candidatura tucana de Geraldo Alckmin ou lançar um candidato próprio da legenda à prefeitura da maior cidade do país. Mandachuva do PTB paulista, o deputado estadual Campos Machado vai defender a segunda opção.

 

Em privado, Campos Machado já dá como favas contadas a sua pré-candidatura a prefeito. Velho amigo de Alckmin, o deputado firmara um pré-acordo de apoio ao tucano. Atribui o desembarque à demora na definição do tucanato, ainda às voltas com uma interminável negociação com o DEM de Gilberto Kassab, que postula a reeleição.

 

Nos subterrâneos, Alckmin se esforça para segurar o PTB. Agendou para o próximo dia 11 de abril um encontro reservado com Campos Machado. Mas o amigo deve dizer-lhe que as possibilidades de entendimento estão limitadas, a essa altura, ao segundo turno da eleição municipal. Apresentará sua própria candidatura como irreversível.

 

No encontro da Executiva petebista, nesta sexta, Campos Machado relatará encontro que manteve na quarta (1) com José Luiz Penna, presidente nacional do PV. Os verdes têm a pretensão de disputar a prefeitura de Guarulhos (SP). E Campos Machado enxergou na conversa a possibilidade de acomodar o PTB no projeto do PV em troca de um apoio do partido à sua candidatura em São Paulo.

 

De resto, Campos Machado dispõe da promessa de apoio do PSDC. O deputado dirá à Executiva de seu partido que o presidente do PSDC, José Maria Eymael, o pressiona por uma definição rápida. Por meio de um amigo comum, Alckmin mandou dizer ao czar do PTB estadual que pretende pôr sua candidatura na rua em 25 de abril. Uma data que Campos Machado considera tardia. Até lá, planeja estar, ele próprio, com a pré-campanha bem encaminhada.

 

Para azar de Alckmin, o PTB de São Paulo se confunde com a figura de Campos Machado. O deputado costuma brincar que a direção do partido no Estado está dividida em dois grupos: 90% dos petebistas o apóiam. Os outros 10% são seus aliados. 

Escrito por Josias de Souza às 04h51

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As manchetes desta quinta

- JB: Congresso debate sumiço do prefeito

- Folha: Corte nos gastos pode chegar a R$ 30 bi

- Globo: Sindicatos celebram com Lula liberdade para gastar

- Gazeta Mercantil: Restrição a caminhões divide setor produtivo

- Correio: Governos receberam alerta contra dengue

- Valor: Venda parcelada no cartão dispara e preocupa bancos

- Estado de Minas: Tráfico espalha o medo

- Jornal do Commercio: Chuva isola comunidades no interior

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h32

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Conexão dossiê: agente 86!

Guto Cassiano
 

PS.: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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TCU põe em dúvida o 'balanço' de Dilma sobre o PAC

Inspeção descobre que execução financeira é baixa: 12%

Dado não bate com cronograma das obras: 86% em dia

Parte dos gestores nem sabe que as obras estão no PAC

 

Marcello Casal/ABr

 

Em 22 de janeiro de 2008, a pretexto de festejar o aniversário de um ano do PAC, Lula promoveu um megaevento no Planalto. Coordenadora do programa, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez um balanço das obras. Disse que 86% estavam com o cronograma de execução em dia, sem atrasos. Pode ser propaganda enganosa.

 

Nesta quarta-feira (2), decorridos 72 dias da festa do governo, o TCU levou ao sítio que mantém na internet um documento (íntegra aqui) que põe em dúvida as palavras da ministra, agora apelidada pelo chefe de "mãe do PAC". O tribunal verificou que, até setembro de 2007, apenas 12% das verbas orçamentárias destinadas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento haviam sido executadas.

 

Algo que, na opinião do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, não condiz com as informações oficiais sobre o andamento das obras: “A afirmação (...) de que 80% das ações do PAC estão com cronograma de execução em dia não se coaduna, em princípio, com o fato de que apenas 12% das dotações previstas para 2007 no orçamento fiscal haviam sido liquidadas quando corridos mais de 10 meses do ano”, anotou o ministro em seu voto.

 

A posição do TCU foi assentada no acórdão de número 429/2008. Refere-se ao processo 027.527/2007-8, aberto para fiscalizar o PAC. Atividade que o tribunal transformou em rotina. O voto de Zymler foi aprovado pelos colegas em sessão realizada no último dia 19 de março. Mas só agora o conteúdo vem a público. Em reportagem veiculada no dia 23 de janeiro, um dia depois do balanço festivo do Planalto, o repórter Humberto Medina já havia detectado indícios de maquiagem nos números do PAC.

 

Os auditores do TCU inspecionaram 103 obras. Enviaram questionários aos gestores. Perguntaram se o fato de a obra sob seus cuidados ter sido incluída no PAC levara à agilização dos trabalhos. Para surpresa geral, os gerentes de 28 empreendimentos informaram que desconheciam que seus canteiros de obras haviam sido guindados à condição de jóias do PAC.

 

Dos 75 restantes, só 23 disseram que a inclusão da obra no programa prioritário da gestão Lula contribuíra para acelerar o cronograma. O ministro Zymler estranhou: "O fato de em 28 casos nem mesmo o gestor saber da inclusão da obra no PAC significa que a informação ainda não está fluindo adequadamente entre o órgão de planejamento do PAC e o pessoal de execução na ponta do programa."

 

No relatório que foi aprovado pela unanimidade de seus ministros, o TCU fez vários exercícios financeiros para tentar chegar a cifras que dessem credibilidade aos dados divulgados por "mãe" Dilma. Em nenhuma das projeções, porém, foi possível casar a execução financeira com o cronograma auspicioso que a ministra divulgara.

 

"Mesmo que se considere na execução orçamentário-financeira os pagamentos realizados a título de restos a pagar, a execução financeira continua baixa", anota o documento. "Somando os valores orçados para 2007 com os inscritos em restos a pagar, alcança-se a R$ 18,7 bilhões, enquanto os pagamentos montam a R$ 3,3 bilhões, ou 18% do total."

 

Incluindo-se na conta os recursos que teriam de vir de empresas estatais, “o percentual [de execução financeira] seria de 53% do valor total previsto”. Percentual ainda incompatível com a cena de normalidade anunciada pelo governo. Experimentou-se injetar na conta os “restos a pagar” do exercício de 2006 (R$ 17,5 bilhões). O percentual, neste caso, saltaria para 64%. Nada que empreste credibilidade aos dados oficiais que a festa de um ano pendurara nas manchetes dos jornais.

 

Depois da solenidade do Planalto, Lula pôs o pé na estrada. Com Dilma a tiracolo, monta pa©mícios até para assinar "ordens de execução" de obras ainda inexistentes. A movimentação do presidente levou o oposicionista DEM a protocolar no TSE um pedido de abertura de uma "investigação judicial." O partido acusa Lula de fazer campanha eleitoral ao arrepio da lei.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Isentada juíza que ignorou drama da menina do Pará

Folha
 

 

Você deve se lembrar do caso. Deu-se em Abaetetuba, nos fundões do Pará. Identificada pelas iniciais, a menina L.A.B., 15 anos, foi trancafiada numa cela masculina. Acusada de furto, ali permaneceu, por arrastados 23 dias, na companhia de duas dezenas de marmanjos.

 

Pois bem. Nesta quarta-feira (2), os desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará se reuniram para analisar a hipótese de impor algum tipo de punição à juíza Clarice Maria de Andrade. A magistrada é acusada de omissão. Embora soubesse do malfeito, nada fez para livrar a menor do suplício.

 

Adivinhe o que aconteceu? Havia 23 desembargadores presentes à seção do tribunal paraense. Sobre a mesa, um pedido de abertura de procedimento disciplinar contra a juíza Clarice. Produziu-se o seguinte placar: 15 desembargadores contra a abertura do processo administrativo; sete a favor; uma abstenção.

 

Inconformada com o arquivamento, a seccional da OAB no Pará informa que vai recorrer da decisão num foro brasiliense: o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Por ora, vai sendo consagrada a tese do abuso sem culpa.

 

A menina L.A.B. foi violada numa cela submetida aos bons préstimos de quatro mulheres: uma delegada, uma juíza, uma secretária estadual de Segurança e uma governadora. Durante semanas, sob holofotes da mídia nacional e internacional, simulou-se a busca por um demônio sobre cujas costas o Estado pudesse acomodar todas as culpas.

 

Agora, num instante em que o noticiário dá as costas para o Pará, consolida-se a impressão de que ninguém tem nada a ver com nada. A culpa decerto é da menina.

Escrito por Josias de Souza às 01h09

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‘Nada impede terceiro mandato’, diz José Dirceu

Pegue a tese do terceiro mandato. Considere o zunzum dos últimos dias. Tente separar o joio do trigo. O que é boato pra cá. O que é verdade pra lá. Difícil, não? Quase tão complicado quanto amarrar o vento ao pé de uma árvore.

 

Pois a coisa vai ficando cada vez mais intrincada. Nas pegadas do vice-presidente José Alencar, vem à boca do palco grão-petista José Dirceu. Esgrime a tese de que nada impede que seja injetado na Constituição o instituto da re-reeleição.

 

“(...) O PSDB e o PFL, hoje DEM, aprovaram um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso. Pior, fizeram-no no final do primeiro mandato. Para FHC mudaram as regras do jogo ao término do segundo tempo (...). Só para Lula é que é golpe e inconstitucional", provoca Dirceu.

 

Lula diz que está “cansado” de disputar eleições. Atribui a algaravia a desejos dos companheiros e a boatos dos inimigos. O diabo é que, no Brasil, o boato costuma ser ante-sala da verdade. Ou, por outra, o boato é a véspera do fato consumado.

 

Bem-posto nas pesquisas, o tucano José Serra arrepia as plumas: "A tese [de terceiro mandato] é um casuísmo que, a meu ver, não vai prosperar. A simples enunciação da tese já contribui para esquentar ritmos de campanha que não deviam estar existindo agora. Não tem cabimento a gente se voltar para campanha política eleitoral nacional ou estadual antes mesmo de uma campanha municipal."

Escrito por Josias de Souza às 00h23

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Dias: ‘Não sou James Bond’; Jucá: ‘Há espionagem’

Escrito por Josias de Souza às 21h53

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Senado escreve uma página digna de ser esquecida

O plenário do Senado viveu momentos deprimentes na tarde desta quarta-feira (2). A sessão começou com uma provocação e terminou em baixaria.

 

A provocação: o senador Tião Viana (PT-SP) instou o colega Álvaro Dias (PSDB-PR) a explicar-se sobre a notícia de que é ele o autor do vazamento do dossiê sobre gastos secretos da gestão FHC.

 

A baixaria: o senador Mão Santa (PMDB-PI) chamou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de “galinha cacarejadora”. Disse que extraiu a expressão das páginas do livro “Mein Kampf” (“Minha Luta”). O autor é Adolf Hitler. Foi ao prelo em 1924.

 

Em resposta a Tião Viana, Álvaro Dias subiu à tribuna. Reconheceu, em parte, algo que fora veiculado no blog do jornalista Ricardo Noblat: recebera mesmo uma cópia do dossiê com informações extraídas do “banco de dados” que Dilma Rousseff diz ter montado na presidência da República. Esquivou-se de confirmar, porém, se passou adiante o papelório, de 13 páginas, veiculado pela primeira vez pela revista Veja.

 

A admissão de Dias levou a bancada governista a pregar a ida dele à CPI -não como membro, mas na condição de depoente. De resto, as palavras do senador eletrificaram o ambiente. Em timbre ríspido, a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), disse: “Nenhum papel voa (...). Se tinha, aqui, alguém que portava e o senador reconhece que viu, que teve acesso, tem de identificar a fonte. É a melhor maneira de saber quem vazou.”

 

Dias não se deu por achado. Primeiro, disse que não reconhece em Idelli autoridade para questioná-lo. Depois, repetiu da planície o que dissera do alto do plenário: “Na segunda-feira, logo depois da circulação de Veja, eu afirmei que tinha visto o dossiê. Outros viram. Deixou de ser novidade há muito tempo. A própria ministra Dilma afirmara, num encontro com empresários, em fevereiro, que o governo não apanharia quieto, que estava levantado os gastos do governo passado.”

 

O senador tucano perguntou: “Por que questionar agora se sou fonte ou não? Nós é que temos de questionar: é lícito usar a máquina pública para elaborar dossiês contra adversários? Com que objetivo? Só pode ser para confundir e para insinuar que todos estão no mesmo balaio da indecência, para intimidar opositores.” De resto, disse que o governo se recusa a pôr a Polícia Federal no caso porque a comissão de sindicância aberta por Dilma permite chegar a uma “solução mais confortável”: “culpar um subalterno e poupar os responsáveis maiores.”

 

Seguiu-se um acalorado e intoxicado debate. "Se o senador Álvaro Dias não quer que sejam punidos inocentes, deveria dar o nome de quem vazou", espetou Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula. "Se eu soubesse quem vazou, diria", deu de ombros Dias.

 

O líder tucano Arthur Virgílio (AM) cobrou “responsabilidade e sensatez” de Ideli. Lembrou que, quando a líder petista fora alvo de acusações, ele próprio saíra em sua defesa. “Eu queria provas”. Disse ter feito o mesmo quando tentou-se envolver Aloizio Mercadante (PT-SP) na “armação” do dossiê que aloprados petistas negociavam com os mentores da máfia das sanguessugas, em 2006.

 

José Agripino Maia (RN), líder do DEM, pontuou acerca do “surrealismo” da discussão. “Aqui se falou em papel que voa. Como se o que interessasse fosse o vôo do papel e não o que está escrito no papel.”

 

Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, ecoou Agripino: “O governo sabe quem mandou montar o dossiê e quem o montou. Funcionário nenhum da Casa Civil ousa dar qualquer passo sem antes consultar a ministra Dilma. Nada disso estaria acontecendo se o governo fizesse o que realmente importa: abrir os dados, como se dispôs a fazer, na primeira hora, o presidente Fernando Henrique.”

 

Renato Casagrande (ES), líder do governista PSB, jogou gasolina numa fogueira cujas labaredas já roçavam o teto: “Dizia-se que a ministra Dilma, mesmo que não tivesse culpa, tinha responsabilidade pelo vazamento, como titular da Casa Civil. Agora tem a suspeita de que um parlamentar da oposição vazou o documento. Se continha dados sigilosos, o vazamento é crime. O parlamentar tem todo direito de preservar a sua fonte. Mas ele precisa se explicar. Eu não tive acesso a nenhum dossiê.”

 

Sobreveio, então, a intervenção galinácea de Mão Santa. Foi ao microfone para repetir algo que já dissera, da tribuna, na véspera. Citando o livro “Mein Kampf”, disse que havia, sob Hitler, pessoas que tinham a missão de propalar como prontas obras que estavam inacabadas. E pespegou em Dilma o epíteto de “galinha cacarejadora do PAC.”

 

Ideli Salvatti saltou da cadeira. Pediu a Romeu Tuma (PTB-SP), que presidia a sessão, que solicitasse à taquigrafia cópia da fala de Mão Santa. Insinuou que tomaria providências. Disse que não admitiria que, sob o manto da “luta política”, o colega ofendesse a ministra Dilma.

 

Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que Ideli se portava de modo preconceituoso em relação ao Piauí, Estado natal dele e de Mão Santa. Ideli respondeu que seu problema não era o Piauí, mas a ofensa à ministra. Tião Viana lembrou a Tuma que a presidência tem poderes para mandar retirar dos anais da Casa expressões de calão rasteiro ou impróprias. E nada.

 

Em meio ao deserto de bom-senso, Patrícia Sabaio (PDT-CE) irrompeu em cena como um oásis de sensatez. Apelou a Mão Santa que retirasse de seu discurso a expressão “galinha cacarejadora”. Arthur Virgílio, normalmente esquentado, associou-se a Patrícia no apelo.

 

Mão Santa, porém, impávido, manteve-se inflexível. Tuma saiu de fininho da presidência. Entregou o comando da sessão a Papaleo Paes (PSDB-AP). O debate seguia aceso quando Papelo fez o que lhe aconselhava o óbvio: encerrou a sessão.

 

Quem viu pela TV Senado ficou com a seguinte sensação: das chamas do plenário restarão apenas brasas. E debaixo delas, as cinzas de mais um lote de suspeitas pendentes de esclarecimento. Não serão abertas as despesas de Lula. Tampouco serão expostos os gastos de FHC –exceto aqueles já expostos no dossiê clandestino. Quem sai queimado, uma vez mais, é o interesse público. O contribuinte, que paga as despesas da presidência e o salário dos nobres congressistas, que vá lamber sabão.

Escrito por Josias de Souza às 20h43

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Para Lula, Dilma é vitima de chantagem política

 

Depois de almoçar no Itamaraty, Lula teve rápida conversa com os jornalistas. Falou, primeiro, sobre a encrenca do dossiê contendo gastos da presidência de FHC. Informações guardadas pela Casa Civil, sob o manto do sigilo. Na opinião do presidente, a ministra Dilma Rousseff é vítima de chantagem política. Afirma, de resto, que subtraiu-se dos computadores da presidência um “osso de galinha”. Que foi vendido à imprensa como “uma ossada de dinossauro.”

 

"A impressão que eu tenho é que alguém encontrou um osso de galinha e tentou vender para a imprensa como uma ossada de dinossauro. Aí, na hora que foi montado para saber que tamanho era o dinossauro foram perceber que era um franguinho."

 

Afora o “franguinho”, Lula falou sobre um monstro, o ser fantástico do terceiro mandato. "Eu sou o cidadão mais cansado de eleição. Se tem uma coisa que eu não gostaria de fazer era discutir eleições, porque cansei." Ah, bom!

 

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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De Garcia para Maia: ‘Vá cuidar dos seus mosquitos’

  Alan Marques/Folha
O avanço da Dengue não privou o prefeito do Rio, Cesar Maia, de seus contatos diários com o computador. Continua despachando, por e-mail, os boletins do seu ex-blog. Nesta quarta-feira (2), incluiu a seguinte nota:

“Durante as entrevistas que [Hugo] Chávez deu em Recife no dia 27 de março ele afirmou que, no computador de Raul Reyes [ex-número dois das Farc], estava foto de Marco Aurelio Garcia [assessor internacional de Lula] com narco-guerrilheiro morto. A imprensa latino-americana deu mais atenção a Chávez e talvez tenha passado despercebido pela imprensa brasileira, mais atenta a Lula.”

 

Ouvido, o auxiliar de Lula negou que tenha posado para foto ao lado de Reyes. E alfinetou: "Cesar Maia que cuide dos mosquitos dele. E não me obrigue a falar dele como meu aluno na faculdade de economia no Chile."

 

Enquanto isso, a dengue avança...

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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As manchetes desta quarta

- JB: O prefeito sumiu

- Folha: País quer que Lula fique mais tempo no poder, afirma Alencar

- Globo: Sem leitos da dengue, Rio já trata doentes no interior

- Gazeta Mercantil: R$ 62 bi para investimentos das estatais

- Correio: Mudança em plano de saúde vai sobrar para o consumidor

- Valor: BB planeja participar do capital de empresas rurais

- Estado de Minas: Samu demite agente por saque

- Jornal do Commercio: Plano de saúde antigo fora das novas regras

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h02

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Arquivo morto!

Ique
 

PS.: Via sítio do JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 03h31

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Sigilo de gastos do Planalto é parcial, afirma TCU

Sigilo de gastos do Planalto é parcial, afirma TCU

Tribunal decidiu sobre segredo dos cartões em 2006

Casa Civil alegara que despesas eram todas sigilosas

Ao deliberar, TCU sacramentou entendimento diverso

Divulgaram-se até dispêndios da segurança de Lurian

 

 

Sob orientação do Planalto, os partidos do consórcio governista derrubaram, na CPI dos Cartões, todos os requerimentos que pediam a abertura dos dados relativos a despesas da presidência da República -as de Lula e as de FHC. Alegou-se que as informações constituem um segredo de Estado.

 

A decisão, tomada nesta terça-feira (1º), contraria frontalmente um acórdão do Tribunal de Contas da União, órgão auxiliar do Congresso. Em sessão realizada no dia 22 de fevereiro de 2006, os ministros do TCU decidiram que o alegado segredo das despesas da presidência não é absoluto.

 

A pedido da comissão de Fiscalização e Controle do Senado, o TCU mobilizou os seus auditores. Determinou que fossem varejadas as despesas com cartões corporativos do Planalto. A auditoria alcançou os gastos feitos até o final de 2005. Recuou a setembro de 2002, mês em que, ainda sob Fernando Henrique Cardoso, a presidência da República começara a usar cartões de crédito.

 

No curso das apurações, a secretaria-executiva da Casa Civil, repartição chefiada por Erenice Alves Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff, enviou um ofício ao TCU. No documento, o Planalto pede ao tribunal que dê tratamento sigiloso às informações manuseadas pelos auditores.

 

Alega-se no texto que os dados são “direta ou indiretamente imprescindíveis a planos e operações de segurança do presidente e vice-presidente da República, seus familiares e de chefes de Estados e governos estrangeiros em visita ao nosso país.” Enviou-se também ao TCU uma “nota jurídica” do Gabinete de Segurança Institucional da presidência, chefiado pelo general Jorge Félix.

 

Diz a nota: “Vale destacar, também, que nem sequer valores nominais globais discriminados por natureza da despesa devem ser divulgados. Isso porque, insista-se, o valor global do gasto com munição, alimentação, hospedagem e deslocamento, por exemplo, presta-se à mensuração do contingente de homens envolvidos na segurança presidencial. Tal dado, por sua significação estratégica, não pode ser levado ao conhecimento público”.

 

Num primeiro momento, o relator do caso, ministro Ubiratan Aguiar, determinou que o processo deveria correr em segredo. Até que, coletadas todas as informações, o TCU tivesse “condições de decidir em definitivo acerca de quais elementos” deveriam “tramitar sob o caráter de sigilo”.

 

Depois de recolher e analisar as informações, o tribunal entendeu que o alegado sigilo não se sobrepõe ao “direito” do contribuinte brasileiro de saber “como e onde são aplicados os recursos oriundos da tributação da sociedade.”

 

“É sabido que a publicidade é princípio basilar do regime republicano”, anota o relatório final da auditoria do TCU. “Daí, os atos processuais não poderem furtar-se ao conhecimento público.” Identificaram-se “exceções constitucionais” à regra geral. Entendeu-se que o artigo 5º da Constituição determina a preservação dos dados sempre que estiver em jogo, por exemplo, “a segurança do Estado e da sociedade.”

 

Assim, para “harmonizar” o interesse público com o regramento constitucional, o TCU decidiu preservar, em dois anexos sigilosos, apenas os dados que continham “informações mais diretamente relacionadas aos temas” ligados à segurança. E deu publicidade a todo o resto.

 

Quem lê o acórdão (íntegra aqui), é informado de gastos que, a depender da vontade da Casa Civil, seriam mantidos longe da curiosidade pública. O montante anual de despesas com cartões corporativos, por exemplo. Sob FHC, entre setembro e dezembro de 2002, o Planalto gastou com cartões R$ 1,1 milhão. Em 2003, já sob Lula, os gastos da presidência somaram R$ 3 milhões (foram examinados messe ano apenas os documentos relativos a metade do exercício); em 2004, R$ 7,7 milhões; e, entre janeiro e julho de 2005, quando os auditores do TCU concluíram o seu trabalho, haviam sido gastos R$ 2,9 milhões.

 

A julgar pela conclusão do TCU, a CPI não encontrará nos cartões da presidência nada que possa ser caracterizado como grossa perversão. Pelo menos até 2005. “Do exame procedido, não se constatou a ocorrência de despesas que pudessem ser classificadas como de cunho estritamente pessoal”, anotaram os auditores. Fizeram uma única ressalva: não foram analisados detidamente os “gastos com alimentação, cerimonial, higiene e os utilizados em eventos sociais.”

 

Verificou-se que, no Planalto, a maior parte das despesas feitas com cartões referem-se a viagens presidenciais. Em 2004, por exemplo, os deslocamentos do presidente e de sua comitiva consumiram 78% de toda a verba dos cartões: R$ 5,9 milhões.

 

Fez-se a comparação dos custos de uma viagem de FHC e outra de Lula. O primeiro gastou R$ 79 mil num deslocamento de Brasília a São Paulo, em outubro de 2002. O segundo, gastou R$ 105,8 mil numa viagem ao município amazonense de Urucu, em abril de 2004. Se prevalecesse o entendimento do gabinete de Segurança Institucional da presidência, esse tipo de despesa jamais seria divulgada.

 

De resto, o relatório do TCU tornou públicos dados supostamente ainda mais "secretos", aos olhos do Planalto. Referem-se a despesas da equipe de segurança da família de Lurian, a filha de Lula, que mora em Florianópolis (SC). Mencionam-se até os nomes de empresas que locaram veículos ao Planalto. O relatório traz valores e marcas dos carros. Detectaram-se pagamentos em duplicidade e diárias excessivas de motoristas. À luz das justificativas da presidência, o TCU reviu uma parte das conclusões dos auditores.

 

De concreto, restou o entendimento, consagrado no acórdão do TCU, de que nem tudo o que o Planalto deseja manter em segredo deve ser escondido dos olhos do contribuinte. É precária, portanto, a estratégia esgrimida pela bancada governista na CPI dos Cartões. Seguindo a mesma lógica que guiou o trabalho dos auditores do tribunal, os congressistas podem perfeitamente perscrutar as despesas da presidência –as de FHC e as de Lula –sem pôr em risco a segurança nacional ou a integridade do presidente, do vice e dos familiares de ambos.

Escrito por Josias de Souza às 03h27

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Tarso eleva Cabral à condição de presidenciável

  Marcello Casal/ABr
Grão-duque do PT, o ministro Tarso Genro (Justiça) pôs na roda da disputa presidencial de 2010 um novo personagem: o governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB). Acha que, sob Cabral, o Rio tornou-se um contraponto a São Paulo e a Minas Gerais. Leia-se: uma alternativa a José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB.

 

Em entrevista à rádio Jovem Pan, Tarso disse que, ao articular uma aliança do PT com o PMDB na campanha municipal de 2008, Cabral logrou “colocar o Rio de Janeiro na disputa de um projeto nacional”. Cabral 2010? “A minha opinião pessoal é que o governador Sérgio Cabral tem capacidade, tem conhecimento, tem experiência para concorrer a qualquer cargo nacional.”

 

Sem mencionar os nomes de Serra e Aécio, Tarso disse que, desde as eleições de 2006, tem tentado “ajudar para que o Rio de Janeiro se movimente e se torne, ao lado de Belo Horizonte, ao lado de São Paulo, uma cidade que seja uma referência política para o país.”

 

Avalia que o objetivo foi alcançado: “Sem dúvida, nesse ultimo período, o Rio de Janeiro está voltando a ser um palco de uma cidade onde a política se torna não uma questão paroquial e regional. É uma questão nacional.” Algo que, na sua opinião, “eleva o nível do debate político.”

 

As observações do ministro foram feitas na rabeira de uma entrevista que teve como tema central a encrenca do dossiê. Tarso reiterou o entendimento segundo o qual, a menos que seja provocada, a Polícia Federal não deve se envolver na apuração do suposto vazamento de gastos sigilosos da gestão FHC. Informações armazenadas na Casa Civil da presidência da República.

 

Para o ministro, até agora, o problema do dossiê é mero “debate político.” Uma disputa “que está precipitando o debate da sucessão presidencial, o que é perfeitamente normal.”

 

Tarso acrescentou: “A oposição está num movimento muito forte de obstrução, não quer votar medidas provisórios, não quer votar projetos. Isso faz parte também do contencioso democrático (...).” Para o ministro, os adversários do governo atiram contra o próprio pé. “Diria até [que a crítica da oposição é feita] sem muito sucesso, porque o presidente está com muito prestígio e o governo também.”

 

De resto, o ministro classificou de “perversão” a tentativa de transformar a “disputa política” em torno do dossiê em “caso de polícia.” “Isso não pode ser assim. Nós vivemos num Estado democrático de direito, que tem princípios, tem instrumentos, tem formas adequadas de representar, tem formas normais e previsíveis para fazer qualquer investigação.” Pressionando aqui você ouve a entrevista de Tarso Genro.

Escrito por Josias de Souza às 20h52

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Vazamento de gás tóxico tumultua rotina da Câmara

Laycer Tomaz/Ag.Câmara
 

 

O vazamento de um gás tóxico levou ao prédio da Câmara personagens de aparência lunar. Eram funcionários do Corpo de Bombeiros, não deputados, embora muitos deles vivam no mundo da Lua.

 

Suspeita-se que o gás tenha saído de um equipamento de análises clínicas que estava sendo instalado no posto médico da Câmara. Durante uma parte da tarde, o anexo 3, onde funcionam as comissões, teve de ser desocupado.

 

Os bombeiros já autorizaram o retorno de funcionários e parlamentares. Recolheram-se amostras do gás. Serão analisadas pelo Centro de Informação Toxicológica do Distrito Federal.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

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Zé Alencar, o vice, flerta com a tese do 3º mandato

  Marcello Casal/ABr
As palavras que oferecem as rimas mais pobres, paupérrimas mesmo, são as que trazem enganchada na cauda a desinência ‘ão’. De tão fáceis, denunciam a pouca imaginação do poeta. Até os repentistas populares fogem do ‘ão’ com obstinação.

Súbito, alheio à sina da imperfeição, o vice-presidente José Alencar passou a enxergar solução onde não há senão confusão. O empresário mineiro, alçado à chapa de 2002 como companheiro de ocasião e mantido em 2006 por usucapião, flerta agora com um palavrão: prorrogação.

 

Nesta terça-feira, em entrevista à Rádio Bandeirantes, Alencar disse que, se dependesse do povo, Lula não deixaria o governo em 2010. Eis a frase do vice falastrão:

 

"O Lula tem feito muito. Mas falta muito por fazer. Sou um democrata. Não aceitamos conversar outra coisa que não seja discutir a democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor. Mas eu digo que se perguntar aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder. Porque está bem o Lula, vai bem o Lula. Raramente encontramos um cidadão como ele para dirigir o país."

 

“Perguntar ao brasileiro” é precisamente o que deseja o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), o compadre de Lula que, dia sim outro também, ameaça protocolar na Câmara o projeto que autoriza o presidente a convocar o plebiscito do terceiro mandato. Inquirido diretamente sobre a idéia, Alencar afirmou:

 

"Nos Estados Unidos tem quatro anos e mais quatro anos [de mandato]. Mas nos anos 30 o Roosevelt teve um terceiro mandato porque os EUA precisavam que ele continuasse."

 

O Brasil precisa do terceiro mandato? Alencar desconversou: "Por isso estamos preocupados com o trabalho. Estamos só começando. Só cumprimos o primeiro ano do segundo mandato. Não pode haver descontinuidade. Por isso ele [Lula] precisa fazer sucessor."

 

Diferentemente do que disse Alencar,  Franklin Delano Roosevelt não teve três, mas quatro mandatos. Eleito em 1932, nas pegadas do débâcle financeiro de 1929, foi reeleito em 1936, re-reeleito em 1940 e re-re-reeleito em 1944. Saiu do último mandato para o esquife.

 

Ao aderir à tese de um mandato no aumentativo, escorando os pendores golpistas à vontade do povão, Alencar tonifica a impressão de que a índole do atual governo é mesmo o diminutivo. Resta imitar Manuel Bandeira, que, certa feita, chegou a invocar Jesus Cristinho. Onde vai parar esse nosso Brasilzinho?

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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Governo fará corte de R$ 20 bilhões no Orçamento

Entre as atribuições do Congresso, diz-se que a mais importante é a análise e aprovação do Orçamento da União. Nada mais falso. Nessa matéria, a vontade dos congressistas não vale uma nota de três reais. Quem manda é o Executivo.

 

Aprovado pelo Congresso com atraso, o Orçamento de 2008 (gastos de R$ 1,36 trilhão) foi sancionado por Lula não faz nem dez dias. Pois bem. Nesta terça-feira (1º), o ministro Guido Mantega (Fazenda) informou que o governo vai passar a tesoura.

 

O corte será de R$ 20 bilhões. É necessário, segundo Mantega, para compensar a perda da CPMF. Uma compensação que o Congresso dizia já ter promovido. Quais as rubricas que serão passadas na faca? O ministro promete para os próximos dias a divulgação da reprogramação orçamentária.

 

Segue-se, assim, a praxe: o Executivo elabora o Orçamento. O Congresso finge que vota. Congressistas engancham, aqui e ali, verbas que vão sair pelo ladrão. O Executivo dá de ombros para o votado e executa o Orçamento como bem entende.

 

Mantega contou a novidade numa reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). Lula também discursou. Disse aos empresários com assento no conselho que o Brasil não está imune à crise que rói a saúde financeira dos EUA.

 

Num dia em que o consórcio governista esmagou a oposição, de novo, na CPI dos Cartões, o presidente comparou a encrenca norte-americana a uma comissão parlamentar de inquérito. “É como se fosse uma CPI. Todo dia aparece uma notícia, todo dia aparece uma denúncia, todo dia aparece uma coisa...”.

 

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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As manchetes desta terça

- JB: Procuram-se médicos

- Folha: Plano dos EUA prevê maior reforma desde a crise de 29

- Globo: Mortes por dengue sobem para 67 e Rio pede socorro

- Gazeta Mercantil: Megapacote ampliará poder do BC dos EUA

- Correio: Lula ataca oposição e monta defesa de Dilma

- Valor: Empresas ampliam busca de fornecedor no exterior

- Estado de Minas: Polícia e Samu no saque de carga

- Jornal do Commercio: Bancos driblam regras e elevam tarifas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h04

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Porta-retratos do descalabro!

Guto Cassiano
 

PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

PS. 2.: Lula atribui o inaceitável às três esferas de governo.

PS. 3: Confirmaram-se mais 13 mortes no Rio. Em todo Estado, o mosquito levou à cova 67 pessoas. Na capital, os cadáveres são contados em 44.

Escrito por Josias de Souza às 03h57

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Reunido com aliados, Lula reforça escudo de Dilma

Alan Marques/Folha
 

 

De volta da viagem que fizera ao Rio, Lula reuniu no Planalto, na noite desta segunda-feira (31), seis ministros e 15 lideranças do consórcio partidário que dá suporte ao governo no Congresso. Acertou-se que as legendas governistas tonificarão o escudo de proteção à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

Lançando mão de sua maioria, os aliados do Planalto vão bloquear todas as tentativas da oposição de arrastar a ministra para a CPI dos Cartões ou para qualquer outra comissão do Legislativo. Entende-se que Dilma não tem mais nada a esclarecer sobre o dossiê com gastos da gestão FHC, cuja elaboração é atribuída à Casa Civil.

 

O blog conversou com um dos líderes presentes à reunião. Contou que, no encontro, os parlamentares produziram uma espécie de “desagravo” a Dilma, que estava presente. Além da proteção à ministra, deliberou-se que tampouco serão admitidas as tentativas de convocação de duas servidoras da Casa Civil: Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da ministra; e a chefe de gabinete dela, Maria de La Soledad Bajo Castillo. Atribui-se a ambas participação na coleta de dados sobre a gestão FHC.

 

O governo unificou o discurso: diz que a Casa Civil compõe um banco de dados com as despesas feitas com cartões corporativos e com verbas da Conta B, de suprimento de fundos. Estão sendo levadas aos computadores informações deste governo e do anterior. Admite-se que os gastos levados ao dossiê que veio a público foram extraídos desse banco de dados. Mas alega-se que o levantamento é cladestino e teria sido urdido por personagem ainda desconhecido. Uma pessoa que teria agido com o propósito deliberado de prejudicar o governo e tisnar a imagem de Dilma.

 

Nesta terça-feira (1), a CPI dos Cartões realiza nova sessão. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou dois novos requerimentos. O primeiro sugere a convocação de Dilma. Na semana passada, a comissão enterrara pedido de teor idêntico, numa votação em que a bancada governista prevaleceu sobre a oposição por 15 votos contra sete. O segundo pedido de Dias propõe que seja ouvida Erenice Guerra.

 

Em contatos telefônicos que lhe consumiram a tarde desta segunda (31), a presidente da CPI, Marisa Serrano (PSDB-MS), concluiu que daria murro em ponta de faca se levasse a voto o par de requerimentos de Álvaro Dias. Decidiu acomodá-los no final da fila. Planeja submeter à apreciação da comissão os mais de 20 requerimentos que pedem a abertura de dados relativos a despesas do Planalto e dos 37 ministérios da Esplanada.

 

A reunião da comissão deve reproduzir a atmosfera beligerante que reinou na sessão da semana passada. Autor da maioria dos requerimentos pendentes de votação, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) acha que a oposição deve bater chapa na CPI, ainda que todos os pedidos sejam levados ao arquivo. “Se houver resistência, não nos restará senão denunciar à opinião pública aqueles que estão impedindo que a sociedade conheça o destino que o governo dá ao seu dinheiro.”

 

A estratégia da denúncia pura e simples não agrada ao DEM, parceiro de oposição do tucanato. “Na minha opinião, insistir nessa CPI, onde estamos em clara desvantagem, serve apenas para passar à sociedade a sensação de fraqueza da oposição”, diz, por exemplo, o líder José Agripino Maia (DEM-RN). Ele advoga a tese de que os oposicionistas devem jogar as suas fichas em foros onde têm chances efetivas de produzir resultados. Menciona o Ministério Público, a Mesa do Senado e as comissões regulares do Congresso.

 

Se depender da estratégia esboçada por Lula na reunião noturna do Planalto, a oposição encontrará uma faca pontiaguda em qualquer instância do Legislativo que venha a ser acionada. A determinação de Lula é a de que os governistas lancem mão de sua maioria –tanto na Câmara quanto no Senado. O presidente reiterou aos líderes que a mesma supremacia numérica dever ser usada para obter a aprovação das medidas provisórias que ainda tramitam pelos escaninhos do Parlamento.

Escrito por Josias de Souza às 03h41

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MP deve pedir explicação a ministros sobre dossiê

Procurador-geral planeja ‘requisitar’ dados por escrito

Cogita ouvir 3 auxiliares de Lula: Dilma, Tarso e Hage

Só então decide se abre ou não inquérito sobre o caso

 

  Folha
O procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza decide nos próximos dias o que fazer com uma representação formulada pelo PSDB. O tucanato pede a abertura de inquérito para investigar a confecção do dossiê com gastos sigilosos da gestão FHC. Em diálogos privados, Antonio Fernando disse que trabalha com três alternativas. Nenhuma delas passa pelo puro e simples arquivamento do pedido.

 

O chefe do ministério público revela que pende para a adoção da seguinte providência: deve requisitar explicações sobre o dossiê a pelo menos três ministros. Os auxiliares de Lula enviariam manifestações por escrito à Procuradoria da República. São eles: Dilma Rousseff (Gabinete Civil), Tarso Genro (Justiça) e Jorge Hage (Controladoria-Geral da União).

 

As outras duas alternativas, que o procurador Antonio Fernando acomoda em segundo plano, são: 1) abrir formalmente um procedimento investigatório antes mesmo da manifestação dos ministros; 2) remeter a representação do PSDB aos procuradores Eliana Pires Rocha e Carlos Henrique Martins Lima, delegando a eles a atribuição de requisitar dados sobre o dossiê. A dupla investiga, desde 2003, os gastos com cartões corporativos do governo.

 

A representação tucana foi protocolada no Ministério Público na semana passada. Nesta segunda-feira (31), o deputado Carlos Sampaio (SP), que é promotor licenciado e integra a Executiva nacional do PSDB, aditou à peça original uma nova petição. No texto, apresenta o que chama de “novas provas” da confecção do dossiê. Pede, de resto, a adoção de providências para apurar um “delito” que atribui a Tarso Genro.

 

Na visão de Sampaio, o ministro da Justiça teria incorrido em “crime de prevaricação” ao dizer, de forma peremptória, que a Polícia Federal não vai investigar a confecção do dossiê, atribuída ao Planalto.

 

“Em 21 anos de Ministério Público, nunca tinha visto um ministro da Justiça afirmar, diante das câmeras de TV, que a PF não investigará um caso. Ele não pode, como chefe maior da PF, determinar aos seus subordinados, que não investiguem fatos que lhes cheguem e que dêem, mesmo que de forma indiciária, a demonstração da ocorrência de um ilícito”.

 

Quanto às novas “provas” que Sampaio levou ao procurador-geral, na verdade meros indícios, destacam-se três:

 

1) Desencontro de versões: num primeiro momento, Dilma negara a existência de um dossiê. Chegara mesmo a telefonar para a ex-primeira-dama Ruth Cardoso para assegurar que o Planalto não confecionara nenhum levantamento clandestino de despesas do governo passado; depois, a chefe da Casa Civil e Tarso Genro disseram que os gastos da gestão FHC estavam sendo recuperados por determinação do TCU. Algo que, na seqüência, o próprio tribunal de contas negaria. Por último, o ministro José Múcio, coordenador político de Lula, reconheceu a existência do dossiê. Atribuiu-o a pessoa interessada em prejudicar o governo e a ministra Dilma;

 

2) Assessora da ministra: Sampaio levou à Procuradoria a notícia da Folha, segundo a qual foi Erenice Alves Guerra, a secretária-geral da Casa Civil, braço direito de Dilma, quem deu a ordem para que fossem levantados os dados da gestão passada;

 

3) Conhecimento prévio: o deputado tucano anexou à representação do PSDB a transcrição de trecho do depoimento que o ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria da União, prestara à CPI dos Cartões do Congresso. Antes da divulgação do dossiê, Hage insinuara que, escarafunchando os gastos do Planalto, os parlamentares chegariam a impropriedades ainda desconhecidas. Mencionou especificamente a aquisição de “caviar”. Um dos gastos exóticos atribuídos a FHC no dossiê é justamente a compra de caviar. “Juntei notas taquigráficas daquilo que falou o ministro Hage”, disse Sampaio. “Ele afirmou que, se investigássemos, o caso não ficaria apenas na despesa com a tapioca. A comissão chegaria ao caviar. Depois, o caviar aparece no dossiê. Ou o ministro tinha ciência do que estava para acontecer ou estamos diante de uma baita coincidência.”

 

O repórter perguntou a Carlos Sampaio o que acha da intenção do procurador-geral Antonio Fernando de Souza de requisitar informações aos ministros Dilma, Tarso e Hage antes de decidir se abre ou não um procedimento de investigação. E ele:

 

“Acho que seria o mais correto. Por dois motivos: primeiro, ao pedir informações aos ministros, o procurador evita o eventual uso eleitoral de um instrumento importantíssimo, que é a representação ao Ministério Público. Em segundo lugar, ele dá a oportunidade de os ministros se manifestarem, o que é absolutamente correto.”

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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DEM protocola ação contra Lula na Justiça Eleitoral

  TSE/Divulgação
O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, protocolou no TSE uma ação contra Lula. Acusa o presidente de fazer campanha eleitoral ilegalmente. Pede ao tribunal que determine a abertura de “investigação judicial.”

Há na ação do DEM um pedido de liminar. O partido deseja que o tribunal proíba Lula de realizar eventos fora de Brasília até 26 de outubro de 2008. Nesse dia, haverá o segundo turno das eleições municipais.

 

O DEM faz uma referência indireta à ministra Dilma Rousseff, apelidada por Lula de “mãe do PAC”. Na visão dos 'demos', o governo usa os programas sociais como mote para fazer campanha fora de época. “No caso, a utilização desses programas para fins eleitorais é tão evidente que o investigado [Lula] já o atribui a maternidade, como também já se refere ao pleito de 2010, posto que proclama que fará o sucessor”.

 

Num instante em que Lula coleciona um recorde atrás do outro nas pesquisas de opinião, o DEM pede ao TSE que imponha ao presidente um tipo de pena que, em política, é capital: a cassação do mandato presidencial e a declaração de inelegibilidade de Lula por três anos. Pede ainda a aplicação de multa por suposta afronta à legislação eleitoral –cerca de R$ 53 mil.

 

O DEM menciona especificamente Programa Territórios da Cidadania. Na ação, refere-se ao decreto que criou a novidade como “ato de flagrante ilegalidade”. Desrespeitaria o parágrafo 10 do artigo 73 da lei eleitoral (9504/97).

 

Eis o que anota a lei no trecho mencionado: “No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da administração pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa”.

 

O DEM alega, de resto, que Lula vale-se do novo programa para fazer campanha antecipada. A título de exemplo, cita evento realizado na capital do Ceará, em 28 de fevereiro. A escolha não foi casual. Nesse dia, Lula fez-se acompanhar no palanque de uma candidata petista à reeleição, a prefeita Luizianne Lins. Foi “um verdadeiro comício eleitoral, montado com dinheiro público, ao lado de aliados políticos, como a atual prefeita de Fortaleza”, acusam os 'demos'.

 

Quem conhece minimamente o histórico da Justiça Eleitoral sabe que são nulas as chances de o TSE cassar o mandato de Lula por conta dos pa©mícios que ele vem realizando. Se arrancar do tribunal uma reprimenda pública e a imposição de uma multa, o DEM já vai sair no lucro. A despeito disso, prevaleceu no partido oposicionista o etendimento de que não era possível continuar assistindo de braços cruzados à escalada eleitoral do presidente.

Escrito por Josias de Souza às 20h10

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Lula: ‘Enquanto a oposição xinga, a gente trabalha’

 

O presidente aproveitou sua passagem pelo Rio para montar mais um de seus pa©lanques. Deu-se em Duque de Caxias, baixada fluminense. A exemplo do que fizera na semana passada, Lula deu de ombros para a gritaria da oposição.

 

Como quem empurra uma barata seca com a lateral do sapato, Lula disse que há pessoas que não gostaria que ele estivesse ali, discursando a céu aberto. “Mas enquanto a oposição grita, xinga, a gente trabalha”, desdenhou. “E vamos ver quem vai produzir mais.”

 

Embora diga que não faz campanha eleitoral fora de hora, o presidente chamou Dilma à boca do palco. Repisou o apelido que pespegara na auxiliar, semanas atrás, ali mesmo, no Rio. E a mãe do PAC animou-se a grudar os lábios no microfone.

 

"O Brasil não crescia de forma continuada há quase 30 anos”, disse Dilma. “Estamos conseguindo colocar o crescimento na pauta deste país." A não-candidata distribuiu sorrisos e acenos.

 

Escrito por Josias de Souza às 19h00

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Cabral ‘troca bolas’ e chama Dilma de ‘presidente’

 

Lula continua com o pé na estrada. Nesta segunda-feira (31), encontra-se no Rio. Com mãe Dilma a tiracolo, deu o pontapé inicial nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

 

A certa altura, foi ao microfone o governador Sérgio Cabral (PMDB). Lero vai, lero vem, pôs-se a defender a chefona da Casa Civil. Se, antes do discurso, alguém perguntasse ao governador quais são os brasileiros mais preparados que conhece, ele teria respondido: Dilma Rousseff, Dilma Rousseff e Dilma Rousseff.

 

Ela “acredita no Brasil”, ela crê no “desenvolvimento econômico e social", ela tem “visão”, ela tem “obstinação”, ela é movida pela “dedicação ao povo brasileiro”, ela está impregnada de “algo absolutamente raro, que é ter habilidade política e conhecimento prático.”

 

Ao conduzir Dilma do assoalho do palanque às nuvens, Cabral, tomado de entusiasmo inaudito, acabou retirando, por um segundo, os pés da realidade. Com antecência de dois anos e meio, converteu a "não-candidata" em presidente da República. A petroquímica que acaba de ser deflagrada, disse o governador, "tem a rubrica da presidente”. Oooops!?!?! “Quer dizer, da ministra Dilma. Já estou confundindo as bolas”.

Escrito por Josias de Souza às 17h51

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Gretchen, candidata do PPS a prefeita de Itamaracá

Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Datafolha: Serra ainda lidera disputa presidencial

  Fernando Donasci/Folha
Em todos os cenários que incluem o seu nome, o governador tucano de São Paulo, José Serra, lidera a pesquisa feira pelo Datafolha para aferir a intenção de voto dos brasileiros. Dependendo do cenário, oscila entre 36% e 38%. O PT, seja qual for o “poste” escolhido para representá-lo, amarga sempre a quarta colocação.

 

A sondagem demonstra que o candidato mais competitivo do consórcio governista é Ciro Gomes (PPS). Contra Serra, crava 20%. Quanto Serra é substituído na cédula pelo colega tucano de Minas, Aécio Neves, Ciro passa à liderança, numa faixa que oscila de 28% a 32%, conforme o cenário.

 

Entre os “postes” do PT, o mais bem-posto é Marta Suplicy. Alcança 11%. A ministra Dilma Rousseff, até o momento o único “poste” a ser beneficiado por Lula com a versão eleitoral do Luz para (quase) Todos, crava na pesquisa a irrisórios de 3%.

 

Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas de todo país entre os dias 25 e 27 de março. Ouviram 4.044 pessoas. Vão abaixo os dados mais importantes de três dos principais cenários pesquisados. No primeiro, o PT é representado por mãe Dilma. No segundo, o representante do partido de Lula é o ministro Patrus ‘Bolsa Família’ Ananias. No outro, a candidata do petismo é a ministra Marta Suplicy (Turismo).  

 

 

- Serra: 38%

- Ciro: 20%

- Heloisa Helena: 14%

- Dilma: 3%

 

 

- Serra: 38%

- Ciro: 21%

- Patrus: 1%

 

 

- Ciro: 28%

- HH: 17%

- Aécio: 14%

- Marta: 11%

 

 

O diretor-presidente do Datafolha, Mauro Paulino, enxerga o cenário da disputa presidencial como um quadro mutável. Menciona pelo menos um protagonista capaz de produzir alterações na cena: "O ator principal, que é o Lula, ainda não entrou no jogo. A partir do momento em que ele defender um nome do PT, esse tabuleiro tende a mudar." De acordo com os dados levantados pelo Datafolha, o governo Lula é aprovado por 55% dos brasileiros.

Escrito por Josias de Souza às 04h28

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As manchetes desta segunda

- JB: Hospitais de guerra abrem hoje no Rio

- Folha: Serra mantém favoritismo para 2010

- Estadão: CPI dos cartões terá dados que complicam ministros

- Globo: Tribunais do tráfico desafiam a sociedade

- Gazeta Mercantil: Está na baixa renda a maior oportunidade para os bancos

- Correio: Câmara paga até enxoval para imóveis funcionais

- Valor: Captação no exterior se mantém, mas custo sobe

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h20

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Balão!

Novaes
 

PS.: Via sítio JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Oposição moverá lote de ações contra Dilma e Lula

Presidente será acusado no TSE de fazer campanha ilegal

Contra ministra, ação será por ‘crime de responsabilidade’

Dilma será acusada também de suposto ‘crime de ameaça’

 

Sérgio Lima/Folha

 

As cúpulas do DEM e do PSDB reúnem-se nesta segunda-feira (31), em Brasília, para deliberar sobre o patrocínio conjunto de um lote de ações contra Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Em telefonemas trocados no final de semana, dirigentes das duas legendas esboçaram a abertura de pelo menos três processos.

 

Mobilizada na última quinta-feira, a assessoria jurídica do DEM já redigiu as ações. Vão à mesa num encontro que vai reunir os presidentes e os líderes dos dois partidos na Câmara e no Senado. São as seguintes as iniciativas que a oposição irá adotar:

 

1. Campanha fora de época: tucanos e ‘demos’ vão à Justiça Eleitoral para acusar Lula de transformar eventos de cunho administrativo em atos de campanha eleitoral. Uma afronta à lei eleitoral, na visão dos oposicionistas. “O presidente diz que não está em campanha e faz um comício atrás do outro. Comícios financiados pelo erário”, diz José Agripino Maia (RN), líder do DEM. “Lula faz jogo duplo. Leva aos comícios uma candidata descartável, que chama de ‘mãe do PAC’. Promove a ele próprio e a ela, que será descartada se ele puder conseguir o terceiro mandato.”

 

2. Desrespeito ao cargo: em outra ação que será detalhada na reunião desta segunda, PSDB e DEM acusam Dilma Rousseff da prática de suposto crime de responsabilidade. Trata-se de delito tipificado na lei 1.079. Foi editada em 1950, sob Eurico Gaspar Dutra. Em caso de condenação, sujeita o infrator à perda do cargo e inabilitação para o exercício de qualquer função pública por até cinco anos. Relaciona, em seu artigo 9º, os “crimes de responsabilidade contra a probidade na administração”. Entre eles, anota o texto da lei, o de “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.” Diz Agripino Maia: “Ao ordenar a uma auxiliar direta [a secretária-executiva, Erenice Alves Guerra] o levantamento de dados da gestão Fernando Henrique, com objetivos que agora já estão claros, a ministra portou-se de maneira claramente ilegal”.

 

3. Dossiê e ameaça: PSDB e DEM discutirão na reunião, de resto, os detalhes de uma nova representação a ser protocolada no Ministério Público contra Dilma. Acusarão a ministra da prática de “crime de ameaça”. Está previsto no artigo 147 do Código Penal: “Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto –ou qualquer outro meio simbólico—, de causar-lhe mal injusto e grave.” Ouça-se, de novo, Agripino Maia: “A preparação de um dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique não teve a clara intenção de ameaçar a oposição.” Segundo a jurisprudência dos tribunais brasileiros, não é preciso que o mal se consume para que o crime de ameaça sujeite eventuais infratores à imposição das penas previstas em lei. Basta que a ameaça, um vez comprovada, seja considerada injusta e grave. A lei prevê pena de prisão –um a seis anos—ou multa, em valor a ser estipulado pelo juiz da causa. Como ministra, Dilma dispõe de foro especial. Só pode ser processada e julgada perante o STF.

 

Ao arrastar a queda-de-braço que trava com Lula para a esfera judicial, a oposição envereda por uma trilha de resultados incertos. Na hipótese de que as ações venham a prosperar, abre-se a oportunidade para que os acusados se defendam. Lula alega que não faz campanha. Diz que viaja pelo país para dar o ponta-pé inicial nas obras do PAC e nas iniciativas previstas no programa Territórios da Cidadania.

 

Dilma, por sua vez, refere-se ao noticiário em torno do dossiê das despesas da presidência tucana como um exercício em torno “do nada”. Alega que o Planalto organizou um “banco de dados”, não um dossiê. Classifica o vazamento de “criminoso”. E abriu sindicância para identificar os responsáveis.

 

Afora as ações judiciais, a oposição discutirá na reunião desta segunda a estratégia ser adotada na CPI dos Cartões. Volta à mesa o debate acerca da conveniência de um desembarque da bancada que representa a oposição na CPI. “Está claro que o governo, em maioria na comissão, não deseja investigar coisa nenhuma”, diz Agripino Maia. “Defendo que busquemos formas de tornar a investigação efetiva. Seja no foro que for: pode ser em outra CPI, exclusiva do Senado, na Comissão de Constituição e Justiça, na Comissão de Fiscalização e Controle, na mesa do Senado ou onde a apuração se mostrar viável. É algo que teremos de discutir de forma criteriosa.”

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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PT de BH transforma namoro com Aécio em noivado

  Folha
PT e PSDB trocaram alianças neste domingo (30). Namorador contumaz, o tucano Aécio Neves havia pedido o petismo em casamento municipal. Neste domingo (30), o PT topou evoluir do namoro para o noivado.

 

A decisão foi tomada no voto. Mediram forças duas chapas do PT de Belo Horizonte. Estampavam a divisão nos nomes. De um lado, a turma do "PT pelo entendimento." Do outro, o grupo que se auto-denominou "Prefeito é do PT, sem tucanos".

 

Alinhado às teses do prefeito petista Fernando Pimentel, o PT “com tucanos” prevaleceu com folga –2.424 votos (85%) contra 353 (15%). Lavada. 

 

O noivado político de Pimentel com Aécio vai à crônica das eleições municipais de 2008 como uma relação moderna. Tão explícita que, ultrapassando a fase ginecológica, produziu como filhote a candidatura de Márcio Lacerda, do PSB de Ciro Gomes.

 

O tucanato aceitou, sem traumas, os amores heterodoxos de seu filiado. Do lado petista, porém, há quem ainda considere possível manter as aparências. Bobagem. Pimentel e Aécio já estão na língua do povo. A união de papel passado depende da autorização de mais duas instâncias do PT: a municipal e a federal.

 

A votação deste domingo deixou claro que, no município, Pimentel traz o partido na mão. E, depois de tudo resolvido em âmbito local, com que cara a direção nacional do PT vai dizer não? Por mais que considere a relação com Aécio despuradorada, o grão-petismo -ou a maioria dele- tende a aceitar.

 

Assim, com a ajuda de Aécio, Pimentel abre uma picada que pode conduzi-lo, em 2010, ao governo de Minas. em retribuição, ajuda, ainda que modestamente, a pavimentar, com pedrinhas de brilhante lulista, a rua presidencial em que o governador tucano sonha desfilar suas pretensões.

Escrito por Josias de Souza às 00h55

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Preços de 24 mil remédios aumentam nesta segunda

Se você é um freqüentador de farmácias, vai sentir uma fisgada no bolso nesta segunda-feira (31). Anunciados há duas semanas, começam a vigorar agora os novos preços de uma lista de cerca de 24 mil medicamentos.

 

Os reajustes foram fixados em três faixas –a mais alta, de 4,61%; a intermediária, de 3,56%; e a mais baixa, de 2,52%. Na média, os medicamentos sobem 3,18%. Coisa definida pela Cemed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

 

Um exemplo: os consumidores de Prozac, que, depois de essa notícia, talvez tenham de aumentar a dose, pagarão R$ 131,46 pela caixa de 28 cápsulas que custava R$ 125,67.

Escrito por Josias de Souza às 19h59

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Governo anuncia em abril nova política industrial

O ministério do Desenvolvimento e o BNDES alinhavam os derradeiros detalhes da nova política industrial que Lula planeja pôr na rua ainda no mês de abril. Prevê benefícios estimados R$ 256 bilhões. Viriam na forma de financiamentos oficiais e corte de impostos.

Deseja-se dar um empurrão a empresas que operam em 24 setores da economia. Alguns, como a indústria naval e a de informática, devem ser mais beneficiados do que os outros. São quatro as principais metas do plano do governo, segundo informam os repórteres Valdo Cruz e Iuri Dantas:

 

1. Aumentar a taxa de investimento do país de 16,5% do PIB, registrado em 2006, para 21% do PIB, em 2010;

 

2. Elevar os gastos em pesquisa de 0,51% (2006) para 0,65% do PIB;

 

3. Crescer de 1,15% para 1,25% a participação das exportações brasileiras no mercado internacional;

 

4. Aumentar em 10% o número de micro e pequenas empresas exportadoras.

 

Nesta semana, o IBGE divulga os números referentes ao desempenho da produção da indústria no mês de fevereiro. O anúncio está previsto para a próxima terça-feira. Uma data infeliz: 1º de abril.

Escrito por Josias de Souza às 19h43

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Dilma deve migrar da ‘vitrine’ para a ‘prateleira’

  Antônio Cruz/ABr
Numa fase em que 2010 é um quadrado longínquo na folhinha, o verdadeiro presidenciável é um ser invisível. A elegância do jogo está em ajeitar a bola sem deixar nela nenhuma digital.

 

O ápice da elegância consiste em entrar em campo com a camiseta de candidato rente à pele, escondida sob uma outra veste qualquer. O elegante não pode deixar que percebam o quanto é elegante. A elegância tem de ser sigilosa. Um segredo insondável.

 

Ao levar Dilma à vitrine, Lula empurrou seu principal poste no gramado muito antes do prazo regulamentar. Súbito, a craque do escrete petista ganhou a aparência de um zagueiro de várzea. Pôs-se a distribuir caneladas. E a defender-se dos revides.

 

Deve-se à repórter Vera Rosa a notícia de que, acordando para o "erro", o Planalto prepara-se para arrancar Dilma da vitrine. A ministra vai voltar à prateleira. Pode ser tarde demais. Agora, é a oposição que não quer que a mãe do PAC saia de campo. Ou, por outra, quer que ela seja retirada de maca.

 

De resto, quem conhece a lógica das campanhas, enxerga no suposto "erro" de Lula uma dose de estratégia. Imagina-se que o presidente, político experimentado, não expôs Dilma de graça. Recorda-se um raciocínio exposto pelo professor Leôncio Martins Rodrigues, em 22 de janeiro de 2007, numa entrevista ao repórter Gabriel Manzano Filho.

 

Há um ano e três meses, o professor enxergava “no âmago” dos planos de Lula a busca de condições "para que, no devido tempo, comece a trabalhar por um terceiro mandato. Não é fácil acreditar que, dispondo de uma aprovação, digamos, de 60% ou 65% no seu último ano (...) ele mande parar as campanhas em favor de sua permanência. E ainda o discurso de movimentos populares e sindicais, de que se ele sair o neoliberalismo volta e estraga todo o progresso obtido... Volto a dizer: não estou prevendo que isso acontecerá. Estou advertindo para que os analistas e os eleitores pensem nisso com seriedade".

 

A popularidade de Lula, informa o Ibope, não é de 60% nem de 65%. Já bateu em 73%. “Ele faz um comício atrás do outro. Leva ao palanque a Dilma, mãe do PAC. Se colar, colou. Se não colar, vai buscar o terceiro mandato”, diz José Agripino Maia (RN), líder do DEM.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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As manchetes deste domingo

- JB: Classe média paga por ano 146 dias de imposto

- Folha: Marta sobe e divide liderança com Alckmin

- Estadão: Planalto vai tirar Dilma da vitrine eleitoral

- Globo: O tribunal do tráfico em ação

- Gazeta Mercantil: Venezuela vem buscar alimentos no Brasil

- Correio: Estratégia para blindar Dilma

- Valor: Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação

- Veja: A Classe Dominante

- Época: Ela Agüenta?

- IstoÉ: Dengue no Rio

- IstoÉ Dinheiro: Ele quer Briga!

- Carta Capital: Dias Difíceis para José Serra

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h10

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Baixa estação!

Guto Cassiano
 

PS.: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Acórdão do TCU contradiz versão de Dilma Rousseff

Ministra diz que tribunal pediu os gastos da gestão FHC

Documento citado por ela, porém, não contém ‘pedido’

Decisão de coletar os dados foi exclusiva da Casa Civil

 

Sérgio Lima/Folha

 

De passagem por Curitiba (PR), neste sábado (29), Dilma Rousseff foi espremida por repórteres. Crivaram-na, de novo, de perguntas sobre o dossiê que coleciona despesas palacianas atribuídas ao ex-presidente Fernando Henrique e à ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Além das negativas de praxe, a chefe da Casa Civil mencionou um documento: o acórdão 230/2006, do Tribunal de Contas da União.

 

Em vez de desfazer as suspeitas, o documento que a presidenciável de Lula trouxe à baila tonificou-as. O texto do TCU não condiz com o que Dilma afirmou. Bem ao contrário. Anota o oposto. Deu-se o seguinte:

 

1. Na entrevista, Dilma repisou a versão segundo a qual o Planalto organizou um “banco de dados”, não um dossiê. Chama-se Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos). Registra, eletronicamente, as despesas feitas com cartões de crédito corporativos e com verbas destinadas a suprir pequenos gastos da presidência da República;

 

2. Segundo a ministra, a base de dados do Suprim começou a ser alimentada em 2005, “por recomendação do TCU”. No ano seguinte, o tribunal teria pedido, por meio do acórdão 230, que o arquivo eletrônico retroagisse ao período FHC. “O TCU aprovou o banco de dados e pediu um recuo para 2002”, disse Dilma;

 

3. Diante da suposta determinação, Dilma diz ter ordenado à sua secretária-executiva, Erenice Alves Guerra, que cumprisse “tudo o que Tribunal de Contas pedir". Por isso não vê razões para demitir Erenice, apontada como autora da ordem que resultou na elaboração do dossiê. É nesse ponto que a versão da ministra começa a fazer água;

 

4. O signatário do blog obteve cópia do acórdão 230, citada por Dilma. Pode-se lê-lo clicando aqui. É datado de 22 de fevereiro de 2006, dia em que foi aprovado pelos ministros do TCU. Traz o resultado de uma auditoria nos cartões de crédito da presidência da República. Cobre o período de setembro de 2002, quando os cartões começaram a ser usados, ainda sob FHC, a julho de 2005, já sob Lula;

 

5. Percorrendo-se o texto, descobre-se que o Suprim é festejado pelos auditores do TCU não como o atendimento a uma exigência do tribunal, mas como uma “iniciativa do próprio gestor”, a Secretaria de Administração da Casa Civil. “Houve um nítido aprimoramento dos controles internos sobre a gestão dos cartões de pagamento”, anota o relatório;

 

6. Não há no documento do TCU uma mísera menção à necessidade de recuar os arquivos eletrônicos à gestão FHC. Na parte em que relaciona as recomendações que julgou conveniente fazer ao Planalto, o relator do processo, ministro Ubiratan Aguiar, escreveu: “Há que salientar que algumas questões abordadas no relatório dispensaram a formulação de proposta de encaminhamento, tendo em vista as providências já adotadas” pela Casa Civil. “Com destaque para o desenvolvimento do Sistema de Suprimento de Fundos, o Suprim”, fez questão de realçar o ministro;

 

7. Ou seja, diferentemente do que afirma Dilma Rousseff, a criação do “banco de dados” não foi determinada pelo TCU. Tampouco partiu do tribunal qualquer pedido para que os dados da era FHC fossem adicionados ao "banco de dados" da Casa Civil. Deve-se o par de providências à exclusiva deliberação da pasta gerida por Dilma;

 

8. A equipe de auditores do TCU encontrou um Suprim já em franca implantação. A coisa já estava automatizada. Os auditores descreveram a novidade em seu relatório: “A alimentação do sistema é descentralizada, iniciando-se pelo próprio portador do cartão e complementado com informações específicas pelos setores competentes da Secretaria de Administração” da Casa Civil. Já estavam cadastrados, àquela altura, todos os gastos de 2004 e as despesas relativas aos meses de janeiro a julho de 2005. Fez-se menção à coleta retroativa de dados. Mas o o Planalto pretendia recuar recuar só até o primeiro ano da administração Lula: “Relativamente a 2003”, informa o relatório do TCU, “os processos estavam sendo primeiramente desmembrados por portador, para que, então, pudessem ser lançados segundo o padrão adotado pelo sistema.”

 

9. A ausência de menções ao período FHC deixa evidente que, até a conclusão do trabalho do TCU, dois anos e três meses atrás, a Casa Civil de Dilma não esboçara a menor intenção de levar ao novo “banco de dados” as despesas realizadas na gestão do antecessor de Lula. Uma idéia que só ocorreu ao Planalto nos primeiros dias de fevereiro de 2008, uma fase em que a proposta de criação da CPI dos Cartões já estava pendurada nas manchetes dos jornais;

 

10. Resta a bruma de mistério. Há na praça uma planilha de computador que contém, esparramadas em 13 folhas, 295 despesas atribuídas a FHC, a Ruth Cardoso e a funcionários que passaram pelo Planalto na gestão tucana. Dilma reconhece que os apontamentos foram extraídos dos arquivos mantidos pela Casa Civil. O dossiê chegou ao Congresso, ganhou as páginas de Veja e tomou conta do noticiário. Como documento com pernas é algo que não existe, ficam no ar as perguntas: como os dados saltaram para fora do "banco de dados" da Casa Civil? Quem vazou as informações? Por ordem de Dilma, abriu-se, em 22 de março, uma sindicância para tentar responder às perguntas.

 

11. Há, porém, uma outra indagação que a ministra pode responder sem a necessidade de esperar pela sindicância: Por que a Casa Civil decidiu remexer a papelada da era FHC?

 

12. A pedido do TCU, como já restou demonstrado, não foi. Os auditores foram cavar os dados relativos a 2002, o último ano de FHC, nos computadores do Siafi, sistema eletrônico que armazena todos os gastos do governo. A propósito, o TCU informa em seu relatório que, no período coberto pela auditoria –2002 a 2005— “não se constatou a aquisição de bens ou o fornecimento de serviços de caráter estritamente pessoal”. Ressalva, porém, que não foram analisados os “gastos com alimentação, higiene, cerimonial e outros empregados em eventos sociais.”

Escrito por Josias de Souza às 00h15

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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