Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Quando a Igreja pode representar 'riscos' à saúde

Quando a Igreja pode representar 'riscos' à saúde

 

Uma das características da Igreja Católica, como se sabe, é a aversão a mudanças. Isso vem desde sempre. Atravessa a história. No começo do século 16, a Igreja preferiu emagrecer, expelindo fiéis, a atualizar-se. Igrejas cristãs dissidentes submeteram-na a uma lipoaspiração de fiéis.

 

No Brasil, país novidadeiro, o bloqueio da Igreja a tudo que cheire a modernidade está ruindo. O catolicismo experimenta, à revelia de Roma, uma profunda reforma. Ocorre não no templo, mas na alma de seus freqüentadores. Isso ficou bem demonstrado em pesquisa realizada pelo Datafolha há dez anos, em 1997.

 

A serviço do instituto, os pesquisadores foram às portas de igrejas do Rio e de São Paulo. Ouviram os católicos. Só os “praticantes”, como se diz. Confirmou-se o que, intuitivamente, todos já pressentiam: os católicos brasileiros praticam a religião à sua maneira.


O católico seleciona os dogmas que deseja seguir. Fecha os olhos para pontos cruciais da doutrina da Igreja. Há “fiéis” que chegam mesmo a pôr em dúvida a existência do inferno (48% dos entrevistados) e até a virgindade de Maria (6%).

 

Há outros que, contra a pregação do clero, admitem do uso de camisinha (90%). Aceitam com naturalidade o casamento informal –constituído longe do altar (64%). Acham, aliás, que a mulher não precisa casar virgem (55%). No ano passado, o Datafolha voltou às ruas, dessa vez para realizar um levantamento de âmbito nacional. O descasamento entre as posições da Igreja e da sociedade ficou ainda mais evidente.


Foi em meio a esse cenário de reforma invisível que o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, resolveu insurgir-se contra a decisão de prefeituras pernambucanas de distribuir, no Carnaval, a pílula do dia seguinte. Tachou de abortivo um medicamento que os médicos chamam de contraceptivo.

 

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) ainda tentou injetar racionalidade na cena: "As prefeituras estão corretas e a Igreja está equivocada, mais uma vez. A pílula do dia seguinte é usada apenas sob prescrição médica. Aí é uma questão de saúde pública e não religiosa." Não é à toa, provocou o ministro, que os jovens estão se afastando das paróquias.

 

O arcebispo não se deu por achado: "Eles estão corrompendo a juventude, desviando a juventude da lei de Deus. Qualquer problema humano é também religioso." Repetiu o que dissera antes: a distribuição da pílula "viola os direitos fundamentais e induz a população a praticar o mal".

 

Poder-se-ia fustigar dom José Sobrinho recorrendo à bíblia. O Livro dos livros anota em Êxodo 21:22-25: "Se alguns homens brigarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte [há traduções em que o vocábulo ‘aborte’ é substituído pela expressão ‘dê a luz antes do tempo’], não resultando, porém, outro dano, este certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e pagará segundo o arbítrio dos juízes; mas se resultar dano, então darás [como pena] vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe".

 

A julgar por esse trecho, a bíblia considera o aborto ou a agressão ao feto –punível com uma simples multa—menos grave que os “outros danos” –esses sim sujeitos aos rigores da Lei de Talião. Mas combater um clérigo com as armas da própria Igreja seria demasiado traiçoeiro.

 

Melhor usar outros argumentos. Argumentos para os quais os “fiéis” da Igreja estão cada vez mais atentos. Estima-se que nascem no Brasil, a cada ano, mais de 2,7 milhões de pessoas. Cerca de 250 mil mulheres internam-se por complicações resultantes de abortos –espontâneos ou voluntários. Nada menos que 50 mil são adolescentes.

 

Cruzando-se as internações por aborto, catalogadas pelo ministério da Saúde, com a taxa bruta de natalidade, captada pelo IBGE, chega-se a um dado alarmante: algo como 1 milhão de abortos inseguros ocorrem anualmente no Brasil.

 

Num ambiente assim, um Estado que negasse assistência às voltas mulheres estaria cometendo um atentado contra a saúde pública. Às voltas com uma gravidez indesejada, a mulher dificilmente irá ajoelhar-se diante do púlpito de dom José Sobrinho. A queixa ao arcebispo não resolve o problema.

 

Se for bem-posta, com dinheiro no banco, a mulher vai à clínica particular, retira o feto e ninguém fica sabendo. Se for pobre, compra uma cartela do abortivo Cytotec no primeiro camelô. Havendo complicações, vai ao matadouro clandestino. E dali, muitas vezes, para o leito do hospital público. Ou, pior, para a cova.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Lula troca o 'mar' metafórico pelo mar autêntico

  Arquivo/Folha
Convidado pelo governador Sérgio Cabral para assistir aos desfiles das escolas de samba cariocas, Lula chegou a hesitar. Pensou em dar as caras no camarote que o governo fluminense mantém no Sambódromo. Porém, cedeu a reflexões pessoais e a ponderações de auxiliares argutos.

 

Prevaleceu o bom senso. Carnaval não combina com os rigores daquilo que José Sarney costuma chamar de “liturgia do cargo” presidencial. O último presidente da República que pisou no sambódromo, Itamar Franco, foi às páginas dos jornais ao lado de uma senhorita desprovida de calcinha. De resto, ainda ecoam na memória de Lula as vaias com que o carioca o brindou na abertura do Pan.

 

Tudo considerado, Lula achou melhor trocar o "mar" metafórico de uma Brasília seca, banhada de problemas, pelas delícias de um encontro com o mar propriamente dito. O presidente desembarcou no Guarujá na manhã deste sábado (2). Chegou acompanhado da mulher, Marisa. Recolheu-se no Forte dos Andradas, uma instalação militar de 1942.

Escrito por Josias de Souza às 18h43

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Orlando 'Tapioca' Silva devolve verba do cartão

Ministro dos Esportes diz ter restituído R$ 30,8 mil

 

  Leandro Moraes/Folha
Menos de 24 horas depois de Matilde ‘Erro Administrativo’ Ribeiro ter virado ex-ministra, o titular da pasta dos Esportes, Orlando Silva convocou os repórteres, em pleno sábado (2) de Carnaval, para fazer um anúncio solene: mandou devolver à Viúva tudo o que torrara com o cartão de crédito corporativo desde o dia em que pisou no ministério. O ministro disse que deu ordem ao seu gerente no Banco do Brasil para transferir de uma aplicação pessoal para as arcas do Tesouro a importância de R$ 30.870,38.

 

No ranking da card-mania, Orlando Silva ocupa a terceira colocação. Considerando-se só o ano de 2007, pagou com o cartão do governo R$ 20,1 mil. Menos que os dispêndios do colega Altemir Gregolin (Pesca): R$ 22,6 mil. Muito abaixo das despesas anotadas nos extratos da ex-ministra Matilde: R$ 171,5 mil.

 

Ninguém supera Orlando Silva, porém, em exotismo. No mês de maio do ano passado, o titular dos Esportes, guindado à Esplanada por indicação do PC do B, sacou o cartão custeado pelo contribuinte brasileiro para pagar uma conta de R$ 8,30 numa tapiocaria de Brasília. Um acinte.

 

O ministro martelou neste sábado -leia aqui e aqui- o mesmo bumbo que fizera soar ao longo da semana pré-carnavalesca: a tapioca foi um erro. Mostrou aos repórteres um cartão pessoal, parecido com o governamental. Alegou que foi a semelhança entre os dois retângulos de plástico que o teria conduzido ao “erro.”

 

De resto, Orlando Silva disse que continuará usando o cartão de crédito corporativo. Disse também que levou a mão ao bolso não por considerar que tenha exorbitado no uso dos cartões, mas porque decidiu exibir toda a sua indignação. Abespinhou-se, segundo disse, com o fato de a imprensa ter questionado sua “vida política.”

 

Bobagem do ministro. O que se questiona não é a sua carreira política. Discute-se coisa bem diferente: a facilidade com que o dinheiro que o contribuinte ganha suando sai assobiando dos cofres de Brasília.

 

Deve-se à imprensa, aliás, a abertura de auditoria da CGU, do TCU e do Ministério Público, para esquadrinhar os gastos com cartão. Inclusive os de Orlando Silva. Que terá de informar, por exemplo, porque sacou o cartão governamental do bolso para pagar refeições em restaurantes chiques de São Paulo em dias em que sua agenda não registrava nenhum compromisso oficial.

Escrito por Josias de Souza às 17h50

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As manchetes deste sábado

- JB: Bebida dribla lei seca nas estradas

- Folha: Escândalo dos cartões de crédito derruba ministra

- Estadão: Farra dos cartões derruba ministra

- Globo: Gastos com cartão derrubam ministra

- Gazeta Mercantil: Crise com EU derruba preço do boi no País

- Correio: Ministra pede para sair após farra do cartão

- Valor: Fragilidade impede Anatel de avaliar a fusão das teles

- Jornal do Commercio: Cai a ministra que "estourou" cartões

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

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Um lugar que abunda no Carnaval!

 

PS.: Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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Governo se move para abafar a ‘CPI dos cartões’

Marcello Casal/ABr
 

 

Para Lula, é “uma questão de lógica”. Em diálogo com um auxiliar, nesta sexta-feira (1), o presidente desenvolveu o seguinte raciocínio: Não é possível que o governo, “com o apoio que tem no Congresso”, permita que a oposição instale “uma CPI como essa, sem o menor sentido.” Referia-se à comissão de inquérito proposta pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), para investigar os gastos do governo com cartões de crédito.

 

Não foi por acaso que Lula e o alto comando do governo, sob a gerência de Dilma Rousseff (Casa Civil), imprimiram à gerência da crise dos cartões a marca da celeridade. Num intervalo de cinco dias, demitiu-se uma ministra –Matilde Ribeiro (Igualdade Racial)— e anunciou-se a edição de portaria com regras mais rígidas para o uso dos cartões. Tudo em tempo para tentar minar o bote da oposição antes do reinício do ano Legislativo. Nas palavras de Lula, o governo precisa fazer prevalecer em 2008 “uma agenda positiva”.

 

Daí a decisão de sufocar a CPI dos cartões no nascedouro. Na quinta-feira (31), o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) ironizara a iniciativa de Carlos Sampaio. "Com toda a sinceridade, acho que não é o caso [de CPI]. Vai fazer o quê? Convocar um ministro de Estado para explicar o gasto de R$ 8,30 com uma tapioca? Vai virar a CPI da Tapioca?" Referia-se a uma conta paga com o cartão governamental pelo ministro Orlando Silva (Esportes) numa tapiocaria de Brasília.

 

“A ironia do ministro foi dita justamente no momento em que ele anunciava novas regras para o uso dos cartões, depois de mobilizar todo o seu ministério. Será que a portaria editada pelo governo é a portaria da tapioca?”, devolveu o tucano Sampaio, em conversa com o blog. “É evidente que o problema é sério. Não pode ser tratado à base de ironias. Merece a atenção do Congresso.”

 

A disposição revelada por Lula em seus diálogos privados é a de cobrar fidelidade dos aliados do governo. O diabo é que parte dos congressistas associados ao consórcio governista queixa-se de que o governo não os vem tratando como aliados. O Planalto demora-se em levar ao diário oficial os nomes acomodados nas listas repassadas ao ministro José Múcio (Coordenação Política).

 

O Congresso retoma suas atividades, na próxima Quarta-feira de Cinzas (6), sob o signo da chantagem. “Se deseja unidade, o governo precisa dar vazão às nomeações”, disse ao blog um cacique do PMDB. “Do contrário, fica difícil impedir que o nosso pessoal assine um pedido de CPI.” Do ponto de vista do governo, o jamegão de deputados e senadores governistas num requerimento urdido pelo tucanato é injustificável.

 

Primeiro porque Lula não tem se furtado a ceder nacos de sua administração aos partidos. Acaba de entregar a vistosa pasta das Minas e Energia ao peemedebista Edison Lobão. Segundo porque não haveria razão objetiva para que o Congresso se meta a investigar um problema que já mereceu medidas corretivas do próprio governo e encontra-se sob apuração da CGU, do TCU e até do Ministério Público.

 

Múcio bem que tentou serenar os ânimos da tropa oficial. Mas não conseguiu desovar as reclamadas nomeações antes do Carnaval, como pretendia. No Congresso, receia-se que a encrenca dos cargos seja empurrada para março. “Se isso acontecer, vai ser um deus nos acuda”, antevê o líder peemedebista. Afora o torniquete que deseja impor à CPI dos cartões –ou da tapioca—, o Planalto quer ver rapidamente aprovada a medida provisória que elevou de 9% para 15% a alíquota de CSLL das instituições financeiras. Foi editada, como se recorda, para recompor parte da arrecadação de tributos que escoou pelo ralo da extinção da CPMF.

 

Alheia aos anseios de Lula, a oposição arma-se para novas batalhas. Sampaio parece seguro de que obterá as assinaturas para pôr de pé a proposta da CPI. PSDB e DEM tramam, de resto, erguer barricadas em plenário contra o reajuste da CSLL. Mais: planeja-se a derrubada da medida provisória que instituiu a TV Pública. O ambiente de concôrdia que permeara a aprovação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), no ocaso do ano Legislativo de 2007, dissipou-se durante o recesso parlamentar. 

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Em depoimento à Justiça, Valério complica Dirceu

Em depoimento ao juiz Alexandre Buck Medrado Sampaio, da 4ª Vara Criminal Federal de Belo Horizonte, Marcos Valério apresentou, uma vez mais, versão que contradiz a do ex-chefão da Casa Civil José Dirceu. Valério disse ter sido informado de que Dirceu tinha conhecimento dos empréstimos contraídos em duas casas bancárias –BMG e Rural—, para fornir as arcas clandestinas do PT.

Na semana passada, depondo em São Paulo, Dirceu repetira que não sabia dos empréstimos. Valério disse coisa diferente: segundo a versão do empresário, Silvinho Pereira, ex-secretário geral do PT, lhe informara que Dirceu sabia, sim, dos empréstimos.

 

Presente à audiência em que Valério foi inquirido, o advogado Rodrigo Dall'acqua, um dos integrantes da equipe de defesa de Dirceu, considerou esse trecho do depoimento irrelevante do ponto de vista processual. Em conversa com o blog, Dall'acqua afirmou que, em depoimentos anteriores, o próprio Silvinho negara ter dito a Valério que Dirceu saberia dos empréstimos.

 

Segundo relato do repórter Ronildo de Jesus (só para assinantes do UOL), Valério também disse ao juiz Alexandre Buck, que o inquiriu por delegação do STF, algo que já declarara à CPI dos Correios e ao Ministério Público: contou ter intermediado uma reunião de Dirceu, então superministro de Lula, com a diretoria do Banco Rural. Trataram, segundo disse, de assuntos de interesse do banco.

 

Valério também corroborou declarações feitas por Delúbio Soares à Justiça, na semana passada. Afirmou que o ex-tesoureiro do PT lhe dissera que a cúpula do partido de Lula tinha pleno conhecimento dos empréstimos que irrigaram o mensalão. Neste ponto, Rodrigo Dell'acqua, a advogado de Dirceu, recolheu uma afirmação que intressa à defesa de seu cliente. Diferentemente do que dissera sobre Silvinho, Valério afirmou que Delúbio nunca lhe disse que Dirceu sabia dos empréstimos. Deu a entender que, para ele, o mais relevante era que a direção do PT soubesse.

 

O juiz Alexandre Buck também perguntou a Valério sobre o socorro que prestou a Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de José Dirceu. Valério reconheceu que intercedera em favor de Maria Ângela. Ajudou-a a obter um emprego e um empréstimo imobiliário, que ela usou para trocar de apartamento. O juiz quis saber se fora Dirceu quem pedira o favor a Valério. Ele respondeu que o pedido partira de Silvinho Pereira. O juiz perguntou, então, se o objetivo de Valério era o de agradar Dirceu, à época o ministro mais poderoso da Esplanada. Ele disse que não. Seu objetivo, afirmou, era o de fazer média com o PT, cujas contas de publicidade eleitoral ambicionava.

 

Aos pouquinhos, os depoimentos dos réus vão carreando para o processo do mensalão as mesmas contradições que permearam o escândalo do primeiro reinado de Lula. Fulano sabia. Beltrano não sabia. O cidadão "X" pediu isso e aquilo em benefício do sujeito "Y". Alguém, obviamente, está mentindo. Caberá ao ministro Joaquim Barbosa e aos outros dez magistrados que integram o plenário do Supremo decidir a quem pertencem os maiores narizes.

Escrito por Josias de Souza às 22h03

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Lula incorpora Nascimento e grita: ‘Pede pra sair’

Marcello Casal/ABr
 

 

Escalada por Lula para promover a integração racial no Brasil, Matilde Ribeiro atingiu, nesta sexta-feira (1), o mais sublime estágio de comunhão com os infelizes de todas as cores. A ministra perdeu o emprego. Integrou-se, afinal. Pertence agora à imensa tribo dos sem-contracheque.

 

Matilde foi vítima do amadurecimento de Lula. Antes, sempre que um auxiliar era alçado ao noticiário em posição constrangedora, o presidente o cozinhava em banho-Maria. Com Matilde, deu-se o oposto. Ela migrou das páginas dos jornais para o microondas em escassos cinco dias. Foi incinerada.

 

Lula como que incorporou o espírito do Capitão Nascimento. Depois de crivar Matilde de recados, chamou ao gabinete presidencial a número um nos gastos com cartões de crédito (R$ 171.500 só em 2007). “Número Um, pede pra sair”, gritou Lula Nascimento da Silva. "Pede pra sair, número Um." E Matilde saiu.

 

O presidente portou-se diante do problema como nunca antes na história do seu governo. Matilde era uma ministra longeva. Chegara à Esplanada no ano inaugural da era petista, 2003. Em cinco anos, não produzira nada que pudesse ser levado à vítrine. Em cinco dias, converteu-se na personificação da card-mania que acomete o governo. Virou cadáver político. E a Esplanada não é lugar para defuntos.

Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Sobre Carnaval, estradas, bebidas e oportunidades

 

 

Há pessoas que só bebem ocasionalmente, nos momentos oportunos. Há também as pessoas que consideram oportunas todas as ocasiões em que bebem. Inclusive quando estão ao volante.

 

Para tentar frear os brasileiros do segundo tipo, o governo baixou uma medida provisória proibindo a venda de bebidas nas estradas. Tenta-se evitar no feriadão do Carnaval a repetição da carnificina ocorrida no Natal e no Ano Novo.

 

Pois bem, um juiz de Brasília concedeu liminar derrubando a proibição em todo Distrito Federal. De resto, há no STF, pendentes de julgamento, três mandados de segurança contra a medida provisória da goela seca.

 

Que os vendedores de bebida recorram à Justiça, é compreensível. Mas o juiz que derruba uma providência dessas, ora, francamente...

 

PS.: Durou dois goles a tentativa de juízes de primeiro grau de interromper, por meio de liminar, a medida  provisória da goela seca. A Advocacia da União recorreu. E, na noite desta sexta-feira (1), foram cassadas a liminar do DF e uma outra que fora expedida por um juiz do município gaúcho de Caxias do Sul. Tim-tim!

Escrito por Josias de Souza às 15h57

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As manchetes desta sexta

- JB: Presidente da Comissão de Ética dá ultimato a Lula

- Folha: Pacote do governo propõe endurecer as leis de trânsito

- Estadão: Pacote limita a farra com cartões do governo

- Globo: BC aperta crédito e avisa que os juros podem subir

- Gazeta Mercantil: Crise com EU derruba preço do boi no País

- Correio: Motoboy e servente sacaram no cartão

- Valor: Fragilidade impede Anatel de avaliar a fusão das teles

- Jornal do Commercio: Começa a proibição da venda de bebidas nas estradas federais

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h52

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Comunhão de raças!

 

PS.: Via sítio do jornal Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

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PF investiga a hipótese de assassinato de Jango

PF investiga a hipótese de assassinato de Jango

Apuração foi aberta por ordem do ministro da Justiça

O Procedimento antecede a abertura de um inquérito

Busca-se checar o depoimento de ex-agente uruguaio

Operação envolve a busca de informações no Uruguai

 

O ministro Tarso Genro (Justiça) recebeu, nesta quinta-feira (31), cópia do depoimento de Mario Neira Barreiro. Trata-se de um ex-agente do serviço secreto do Uruguai. Ele diz ter participado de uma operação que resultou no assassinato do ex-presidente brasileiro João Goulart (1918-1976). Depois de ler as declarações de Barreiro, o ministro chamou ao seu gabinete o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Deu-lhe uma ordem.

 

Tarso determinou ao mandachuva da PF que abra uma investigação formal. Trata-se de procedimento que o ministro define como “preliminar”. Nas próximas semanas, a PF se dedicará a checar detalhes do depoimento de Barreiro. Se concluir que as informações são verazes, será aberto um inquérito para apurar todas as circunstâncias que envolveram a morte de Jango, em 1976.

 

Para cumprir a ordem de Tarso Genro, a PF terá de realizar investigações no Uruguai, país em que Jango se exilou depois de ter sido deposto pelo golpe militar de 64. Será, nas palavras do ministro, um “trabalho discreto.” O governo brasileiro recorrerá a acordos de cooperação firmados com o país vizinho. Acordos que prevêem a troca de informação entre os aparatos policiais.

 

Barreiro foi interrogado pela própria PF na última quarta-feira (30). Na essência, o ex-agente uruguaio repetiu à polícia o que dissera à repórter Simone Iglesias. Disse ter participado de uma equipe batizada de “Centauro”. Sua missão era espionar Jango. Monitorou-o de 73 até o dia de sua morte.

 

Contou, de resto, que Jango não morreu de infarto, como registram os livros de história. Foi assassinado. Por ordem do governo brasileiro. Uma ordem que, segundo diz, foi repassada ao serviço secreto uruguaio pelo ex-delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) Sérgio Paranhos Fleury, que morreu em 1979.

 

Para matar Jango, segundo a versão de Barreiro, o serviço secreto do Uruguai adicionou comprimidos com ingredientes letais nos frascos de medicamentos que Jango tomava para controlar as coronárias. O ex-presidente teria ingerido um dos falsos medicamentos, fabricados com o propósito deliberado de simular um ataque cardíaco.

 

No depoimento à PF, colhido no presídio gaúcho de Charqueadas, onde cumpre pena por tráfico de armas, o ex-agente Barreiro recuou num ponto. Na entrevista que concedera a Simone Iglesias, publicada na edição da Folha do último domingo (27), o ex-agente uruguaio dissera que a ordem para assassinar Jango partira do então presidente Ernesto Geisel (1908-1996). À polícia, ele disse que o suposto envolvimento de Geisel decorre não de uma informação, mas de “impressão” que teve dos diálogos que manteve à época dos fatos.

 

A despeito de ter claudicado na versão sobre Geisel –“Pelo próprio depoimento dele se vê que essa história de que houve ordem do Geisel não tem fundamento”, diz Tarso Genro—, o depoimento do ex-agente uruguaio impressionou o ministro da Justiça. “Ele dá uma série de informações que parecem fazer sentido”, disse Tarso ao blog. “Algumas delas eu próprio testemunhei.”

 

O ministro conta que, ao exilar-se no Uruguai, na década de 70, passou 30 dias na fazenda de João Goulart. Deu-se em janeiro de 71. Jango era amigo do pai de Tarso, Adelmo Simas Genro. Haviam participado juntos da fundação do PTB no município gaúcho de São Borja. No convívio com ex-presidente, na fazenda uruguaia, o ministro diz ter presenciado uma rotina que condiz com o que afirma o ex-agente Barreiro.

 

“O Jango recebia três, quatro pessoas por dia”, rememora Tarso. “Eram compradores e vendedores de gado; brasileiros de direita, de esquerda e de centro; políticos uruguaios. A fazenda tinha uma pista de pouso. Aterrissavam lá e iam conversar com ele. O Jango não tinha nenhuma segurança. Isso ele [Barreiro] diz no depoimento. E as informações que ele passa conferem exatamente com o que eu vi e com o que eu conheço da personalidade do Jango.”

 

Daí a decisão do ministro de encomendar uma apuração: “Pedi para a PF fazer novas investigações preliminares, para consolidar alguns dados que constam do depoimento. Se esses dados se confirmarem, vai ser aberto o inquérito. Se não se confirmarem, não será aberto”, diz Tarso Genro.

 

Embora considere que o depoimento de Barreiro “tem coerência, tem lógica”, o ministro é cuidadoso ao se referir aos próximos passos da investigação: “Ele diz que foi treinado, desde os 17 anos, como agente da policia uruguaia, para cumprir determinadas tarefas. Isso é facilmente verificável. A partir dessas checagens, que envolverão outros dados, poderemos concluir que ele é um grande mentiroso e está tentando obter algum benefício penal ou que ele está falando a verdade. Se estiver falando a verdade, será aberto o inquérito.”

 

O suposto crime não está prescrito? “Não se trata de decidir, preliminarmente, se há ou não prescrição”, responde o ministro da Justiça. “Primeiro é preciso saber se houve ou não o delito. A partir daí é que se pode verificar se houve prescrição. Esse exame vai ser feito depois. O doutor Luiz Fernando [diretor da PF] vai designar alguém da confiança dele para conduzir a apuração preliminar. Depois, vamos verificar. Se os dados se confirmarem, definiremos como será feito o inquérito policial para averiguar se houve uma tentativa ou até o assassinato do presidente João Goulart.”

 

O ministro estima que a apuração preliminar da PF vai durar de 45 a 60 dias.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Ata do Copom indica que juros podem voltar a subir

  Renato Stockler/Folha
Como de praxe, o Banco Central divulgou, com uma semana de atraso, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O texto revela deixa antever que a hipótese de uma retomada da elevação das taxas de juros não está fora de cogitação. Longe disso.

 

Na semana passada, o Copom manteve os juros, pela terceira vez, no patamar de 11,25% ao ano. A ata revela, porém, uma inquietude dos diretores do BC com o comportamento da inflação. Prevalecendo a tendência de alta, os juros subirão.

 

Diz o texto: "Mesmo considerando que, no momento, a manutenção da taxa básica de juros é a decisão mais adequada, o comitê reitera que está pronto para adotar uma postura diferente, por meio do ajuste dos instrumentos de política monetária, caso venha a se consolidar um cenário de divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas."

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Hélio Costa manda cancelar seu cartão corporativo

Incomodado com a polêmica em torno dos gastos com cartões de crédito, o ministro Hélio Costa (Comunicações) adotou uma providência extrema: mandou cancelar o cartão que servia para o custeio de suas despesas. Acha que o “benefício” não paga o risco do desgaste.

 

Diferentemente de outros colegas de ministério, Hélio Costa não manuseia o cartão pessoalmente. Há no ministério quatro funcionários autorizados a portar cartões bancados com verbas públicas. Um deles, Francisco Cavalcanti, vinha se responsabilizando pelas despesas do ministro. É esse cartão que Hélio Costa mandou cancelar.

 

O ministro mandou levantar o valor dos extratos atribuídos à sua pasta. Verificou que, de 2007 em diante, foram despendidos R$ 281 mil. Desse total, R$ 234 mil referem-se a despesas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Os outros R$ 47 mil encontram-se anotados nos extratos do ministério.

 

E quanto a Francisco Cavalcanti, o funcionário que realiza os gastos em nome de Hélio Costa? Realizou, desde janeiro de 2007, despesas de R$ 1.918,40. Nada comparável aos R$ 171.500 atribuídos à colega Matilde Ribeiro, ministra da Integração Racial. Ainda assim, Hélio Costa disse a auxiliares, em privado, que prefere pôr a mão no bolso a ver o nome associado a notícias malévolas.

 

Dos R$ 1.918,40 gastos por Francisco Cavalcanti, o auxiliar de Hélio Costa, R$ 1.165,00 referem-se a saques em dinheiro vivo. Procedimento que o governo, em nova regulamentação anunciada nesta quinta-feira (31), decidiu restringir.

 

Há na fatura associada ao nome do ministro gastos de natureza variada. Por exemplo: uma fechadura com controle remoto para o gabinete, R$ 930; Diária no Hotel Mercury (SP), R$ 232,63; Aquisição de colheres, pratos de sobremesa e tábua circular, R$ 242; café da manhã, copos descartáveis, guardanapos, sucos e refrigerantes para o serviço de bordo em dois vôos realizados em jatinhos da FAB: um deles para Macapá, R$ 170,70; outro para Santiago (Chile), de novo R$ 170,70. Nas duas viagens, Hélio Costa estava acompanhado de sete pessoas.

 

Hélio Costa tira os pés da canoa dos cartões no instante em que já se fala até em abrir CPI no Congresso para apurar supostos desvios. Uma iniciativa que o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), apressou-se em ironizar: "Com toda a sinceridade, acho que não é o caso. Vai fazer o quê? Convocar um ministro de Estado para explicar o gasto de R$ 8,30 com uma tapioca? Vai virar a CPI da Tapioca?", indagou, referindo-se a uma conta paga pelo ministro Orlando Silva (Esportes) com o cartão corporativo numa tapiocaria de Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 23h58

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Ministro contesta relatório da Human Rights Watch

Ministro contesta relatório da Human Rights Watch

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

O ministro Tarso Genro (Justiça) discorda da principal conclusão do relatório anual da Human Rights Watch. Divulgado nesta quinta-feira (31), o documento afirma, no capítulo dedicado ao Brasil, que o país continua convivendo com a impunidade. Para o ministro, a ONG limita-se a constatar o “óbvio.” Ele reconhece: “Ainda existe impunidade no Brasil.” Mas afirma que a entidade deixou de considerar algo que, a seu juízo, também é muito visível: “Nos últimos dez anos, houve uma reação do Estado Brasileiro”. Como resultado, diz o ministro, “a situação é, hoje, muito melhor do que era”. Leia abaixo a entrevista que Tarso concedeu ao blog 

 

 

- Concorda com a visão de que a impunidade viceja no Brasil?

Discordo desse juízo. Nos últimos dez anos, houve uma reação do Estado Brasileiro. Isso levou à melhoria dos níveis de punibilidade e da qualidade da investigação. Melhorou o aparato institucional do Estado.

- Inclui a gestão FHC?

Sim. É nítido que, nos últimos 10, houve um conjunto de gestores públicos –de governadores ao governo federal— que revitalizaram as suas instituições de segurança. É óbvio que existe impunidade no Brasil. É uma impunidade muito elitizada. Os mecanismos do Poder Judiciário ainda são insuficientes para dar conta, com rapidez, de todas as demandas. Mas há uma melhora substancial.

- O que melhorou?

Muita coisa. Por exemplo: essa geração atual de governadores é surpreendentemente atenta a questões ligadas à segurança pública. A construção de penitenciárias, a formação de policiais, a adoção de políticas preventivas... Tanto é verdade que a proposta do Pronasci foi rapidamente assinada pelos 11 Estados que nós selecionamos. Foi do [José] Serra [governador tucano de São Paulo] à Yeda Crusius [governadora tucana do Rio Grande do Sul].

- O relatório da ONG reconhece  avanços, mas diz que remanesce impunidade.

O que eu digo é que, hoje, a punição ocorre mais do que antes. É absolutamente visível a melhoria do sistema investigatório na esfera federal, por meio do trabalho da Polícia Federal. Na medida que os processos vão para o Poder Judiciário, entram num ritual que foge do controle do Poder Executivo. É preciso respeitar. Há reformas processuais que precisam ser feitas para a agilização dos processos. Mas mesmo na esfera punitiva do Judiciário as coisas melhoraram. Hoje, temos grandes processos, envolvendo pessoas de alta relevância pública. É uma demonstração de que há uma reação também do Judiciário em relação à impunidade.

- Está se referindo ao processo do mensalão?

Não apenas esse. Falo de todos os processos. Temos processos criminais, na área de delitos financeiros, casos que envolvem políticos de todos os partidos. Isso passou a constituir uma pauta da sociedade. A impunidade se faz sempre no silêncio. E hoje temos uma ampla divulgação dos processos, o que ajuda a inibir a impunidade.

- Acha que a questão é de tempo?

É uma questão que passa pelo amadurecimento das instituições. Que passa pela reforma do sistema penal. É necessário reduzir os prazos para o término dos processos. Mas é inegável que há uma reação positiva. A constatação que fez a Human Rights vem do óbvio. Ainda existe impunidade no Brasil. E não será amanhã que esse quadro vai mudar. É indispensável notar, porém, que há, sim, uma reação da sociedade e das instituições. O quadro é hoje muito melhor do que aquele que se verificava nas décadas de 70 e 80.

- O que falta?

A situação da impunidade no Brasil vai melhorar efetivamente quando as elites econômicas, sociais e políticas forem claramente puníveis. E isso já está acontecendo.

- Está acontecendo? Há os processos, mas ainda não houve punição.

Já tem punições. Não gosto de citar nomes. Mas aquele pessoal vinculado ao Banco Central, da gestão Fernando Henrique, está condenado [caso Marka FonteCindam]. Há vários outros processos com condenação, muita gente denunciada. Mas é um ritmo lerdo do Judiciário. Isso não é atribuível aos juízes, mas a um sistema deformado, que privilegia os estratos da sociedade que têm condições de pagar advogados bem treinados. Temos de aperfeiçoar o processo punitivo, para que todos sejam iguais, concretamente, perante a lei. Os criminosos pobres, em regra, são punidos. Às vezes mesmo sem condenação, pela violência policial, de forma ilegal.

- Em resumo...

Em resumo, eu digo que a impunidade vai terminar no Brasil. Mas não é pra já. Esse é um processo tão complexo quanto a consolidação da democracia. E acho que o relatório da Human Rights não atenta para essa especificidade. Mesmo nas condições adversas que temos hoje, do sistema legal, não há um reconhecimento de que a situação é muito melhor do que era.

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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CGU diz que gestão FHC gastava mais com cartões

Em reação a denúncias, ministros anunciam mudanças

 

Emparedado pelo noticiário, o governo decidiu fazer por pressão o que não fizera por obrigação. Montou-se em Brasília, a toque de caixa, uma operação para tentar arrancar a gestão Lula do córner em que se encontra desde que começaram a pipocar nas páginas dos jornais e revistas notícias sobre as malfeitorias escondidas nas dobras dos extratos dos cartões de crédito corporativos.

 

Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Hage (Controlador da União) anunciaram, em entrevista, mudanças nas regras que regulam o uso dos cartões. Restringiram-se, por exemplo, os saques em dinheiro. Antes, a CGU, órgão chefiado por Hage, divulgara um informe para tentar demonstrar que, sob FHC, gastava-se mais com cartões do que sob Lula.

 

O levantamento da CGU engloba apenas os gastos com suprimentos de fundos para as repartições públicas. Despesas que, na contabilidade oficial, são chamadas de “Tipo B”. Leva-se em conta que os cartões não são portados apenas por ministros de Estado. Há na administração pública 7.145 funcionários autorizados a utilizar cartões. Alguns deles manuseiam mais de um cartão. O número total de cartões é de 13.567.

 

O texto da CGU, veiculado no portal mantido pela repartição na Internet, diz o seguinte: “Enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento de fundos foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente, a partir de 2003 esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões”.

 

O documento traz o total das despesas realizadas na gestão Lula ano a ano: Em 2003, a conta de suprimento de fundos foi de R$ 145,1 milhões; em 2004, R$ 145,9 milhões; em 2005, R$ 125,4 milhões; em 2006, R$ 127,1 milhões; e em 2007, R$ 176,9 milhões. A despeito do aumento verificado no ano passado, a CGU preocupou-se em enfatizar que, “ainda assim”, as despesas estão “muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002”, últimos anos da gestão FHC.

 

Os cartões corporativos foram criados pelo governo tucano de FHC, em 2001. Destinavam-se justamente a substituir as chamadas contas do “Tipo B”. Antes, o servidor recebia dinheiro vivo, deposita em sua conta bancária e emitia cheques pessoais à medida que realizava os gastos.

 

Dizia-se ontem e repete-se hoje que os cartões dão mais transparência ao gasto público, facilitando a fiscalização. O problema é que a facilidade levou ao exagero. De 2006 para 2007, as despesas feitas por meio de cartões de crédito corporativos cresceu 129%, alçando à casa de impressionantes R$ 75,6 milhões.

 

De resto, alguns ministros levaram o exagero às fronteiras do paroxismo. É o caso de Matilde Ribeiro. A ministra da Integração Racial foi arrancada da obscuridade depois que se descobriu que ela gastara, em 2007, R$ 171.500. Sacara o cartão nos estabelecimentos mais improváveis: do Free Shop às choperias.

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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Sobre o Brasil, a omelete e o sacrifício dos ovos

Quem tem acesso a publicações estrangeiras já deve ter notado: o Brasil é visto lá fora como uma espécie de centauro. A metade homem, nariz empinado, é aceita nos melhores salões do liberalismo globalizado. A metade cavalo, com as patas enfiadas na lama, não entra em nenhuma festa.

Vez por outra um jornal ou uma ONG estrangeira publica uma notícia ou um relatório para lembrar que o Brasil precisa limpar os pés. Nesta quinta-feira (31), o papel de chato coube à Human Rights Watch –uma dessas ONGs que não se comprazem em atestar a qualidade da omelete. Prefere analisar a integridade dos ovos.

 

A entidade divulgou o seu relatório anual sobre violações dos direitos humanos no mundo. Na parte do documento dedicada ao Brasil, anota-se que, a despeito dos avanços, o país ainda desfila pelo mundo um semblante vergonhoso. O Brasil tem a cara da impunidade.

 

"Apesar de o governo brasileiro ter feito esforços para tratar dos abusos de direitos humanos, raramente aponta os responsáveis", escreve a Human Rights Watch. “As violações aos direitos humanos raramente são investigadas."

 

O texto recorda que, em 2004, aprovou-se uma emenda constitucional que transferiu para a esfera federal a apuração dos crimes contra os direitos humanos. Mas lembra que, até o momento, “não houve transferências desse tipo."

 

O relatório reconhece que houve avanço no combate ao trabalho escravo –“De janeiro a agosto [de 2007], o Ministério do Trabalho libertou mais de 3,4 mil trabalhadores”—, mas lamenta: “Até agosto de 2007, ninguém foi punido por manter trabalhadores em condições escravas”.

 

O documento repisa, de resto, um tema recorrente: "As condições subumanas, violência e superlotação que historicamente caracterizaram as prisões brasileiras." Localiza em São Paulo uma contabilidade macabra: "A polícia matou 201 pessoas na primeira metade de 2007, de acordo com dados oficiais. Quinze policiais foram mortos no mesmo período."

 

Tudo considerado, o relatório confere ao Brasil o status de cozinheiro incômodo. Reconhece-se que a qualidade da omelete que salta de sua frigideira não é ruim. Mas o país continua sendo intimado a explicar o sacrifício dos ovos.

Escrito por Josias de Souza às 16h16

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Pílula do dia seguinte é ‘inaceitável’, diz CNBB

Millôr
 

 

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) decidiu engrossar o coro do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, contra o uso da pílula do dia seguinte durante o Carnaval. Em nota veiculada no sítio do órgão máximo da Igreja, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família classificou a distribuição do medicamento aos foliões de providência “moralmente inaceitável”.

 

O texto é assinado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Antônio Augusto Dias Duarte. Médico de formação, ele sustenta que o medicamento que será distribuído por prefeituras pernambucanas é abortivo. “Trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita ‘desprotegida’, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez.”

 

Anota, de resto, que a pílula contém “altas doses” de hormônios femininos (estrogênio) e masculinos (testosterona). E afirma, em timbre de alerta: “O uso desses hormônios em alta dose pode acarretar sérias complicações à saúde da mulher, como os tromboembolismos.”

 

Segundo dom Dias Duarte, a pílula do dia seguinte provoca “um aborto químico”. Que, na opinião dele, é “tão gravemente imoral quanto o aborto cirúrgico”. O religioso arremata: “Por tudo isso, o uso da pílula do dia seguinte é moralmente inaceitável, ainda mais quando sua distribuição é feita de maneira indiscriminada e com o uso do dinheiro público.”

 

A manifestação da Pastoral para a Vida e a Família da CNBB veio a público nesta quarta-feira (30), mesmo dia em que que o juiz José Viana Ulisses Filho, da 6ª Vara da Fazenda Pública de Recife, negou o pedido de liminar contra o uso da pílula do dia seguinte em Pernambuco. Com a decisão, manteve-se inalterado o plano de distribuição do medicamento em quatro municípios pernambucanos: Recife, Olinda, Paulista e Jaboatão.

 

A ação que resultou na decisão do juiz Ulisses Filho fora movida pela Aduseps (Associação dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde). Antes, dom José Cardoso Sobrinho, o arcebispo de Olinda e Recife, tentara, sem sucesso, convencer o Ministério Público de Pernambuco a tomar providências judiciais contra a distribuição do contraceptivo.

 

Ao apoiar a posição de seu representante para a região de Olinda e Recife, a CNBB compra briga com o ministro José Gomes Temporão. O titular da pasta da Saúde classificara de “lamentável” a posição do arcebispo. É por posicionamentos como esse, dissera Temporão, que cada vez mais os jovens se distanciam das paróquias.

 

“A prefeitura está correta e a Igreja está equivocada, mais uma vez”, afirmara Temporão. “A prefeitura está fazendo uma coisa que está dentro do protocolo do Ministério da Saúde. A pílula do dia seguinte é usada apenas sob prescrição médica, por orientação médica. Aí é uma questão de saúde pública e não religiosa."

 

"Eles estão corrompendo a juventude, desviando a juventude da lei de Deus", respondera dom José Cardoso Sobrinho. “Qualquer problema humano é também religioso." Para o arcebispo, a distribuição das pílulas “viola os direitos fundamentais e induz a população a praticar o mal".

 

PS.: Ilustração via sítio do Millôr Fernandes.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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As manchetes desta quinta

- JB: Expurgo na PM

- Folha: Coronéis da PM afrontam governo do Rio

- Estadão: União Européia suspende compras de carne do Brasil

- Globo: Coronéis mantêm o desafio com renúncia coletiva na PM

- Gazeta Mercantil: Ganhos históricos em 2007 premiam acionista de banco

- Correio: Polícia do DF indicia 50 agentes e delegados

- Valor: Apesar da crise, crédito externo continua farto

- Estado de Minas: Chuva ameaça 200 áreas em BH

- Jornal do Commercio: Jogo do bicho está suspenso no estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Efeito 'coceira'!

Guto Cassiano
 

PS: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Enquanto as árvores caem, o governo bate cabeças

Na questão do desmatamento da Amazônia, o governo revela-se uma canoa a três. Um das passageiras, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente), olha para um lado. Outros dois, o colega Reinhold Stephanes (Agricultura) e o próprio Lula remam na outra direção.

Nesta quarta-feira (31), Lula vocalizou em público algo que vinha afirmando entre quatro paredes. Pela manhã, em solenidade no Itamaraty, pôs panos quentes sobre o levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) –aquele que detectara a derrubada de 3,235 km2 de selva amazônica no último trimestre de 2007.

 

Disse que, em verdade, o que o Inpe fez foi alertar o governo, que tomou o aviso como sinal de que não pode descuidar do problema. Para o presidente, os dados mostram a existência de um “tumorzinho”. O que não autoriza ninguém a dizer que há um “câncer” no coração da Amazônia.

 

De resto, o presidente segurou o remo que vinha sendo manuseado, em esforço solitário, pelo ministro Stephanes. Disse que, antes de uma averiguação minuciosa, não se pode acusar os plantadores de soja e os criadores de gado pelo desmatamento.

 

À noite, de passagem por São Paulo, Lula voltou a falar do flagelo do desmatamento. O que era “tumor” virou uma simples “coceira” (veja o vídeo lá no alto). “A notícia é uma notícia preocupante. É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais grave. Por enquanto, nós temos todas as condições de controlar, de saber quem são as pessoas”, disse o presidente.

 

Sem saber das declarações do chefe, Marina Silva voltou a responsabilizar a soja e a pecuária pela abertura de clarões na floresta. Disse que não acredita em coincidências. Referia-se ao fato de a motosserra ter intensificado suas atividades justamente no momento em que os preços dos grãos e da carne experimentaram uma alta no mercado internacional.

 

Depois de sobrevoar a floresta, na altura de Mato Grosso, a ministra disse que a devastação é mesmo “preocupante”. O colega Tarso Genro (Justiça), que acompanhou Marina no sobrevôo, anunciou para 20 de fevereiro o envio de uma força tarefa da Polícia Federal à Amazônia.

 

Enquanto os abatedores de árvores aniquilam a floresta, o governo leva à lona o ditado segundo o qual a união faz a força. Em Brasília, parece se guiar por um brocardo diferente: a união faz a farsa.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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PT levanta gastos de publicidade da gestão Kassab

  Luciano Amarante/Folha
O petismo começou a estocar munição contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que ensaia uma candidatura à reeleição em São Paulo. Valendo-se de informações disponíveis nos computadores da Câmara Municipal, o partido da ministra Marta Suplicy (Turismo) farejou um aumento “extraordinário” nos gastos da prefeitura com publicidade.

 

Verificou-se que, entre 2006 e 2007, as despesas da gestão Kassab com a promoção das “realizações” do prefeito foram tonificadas em 117%. Empenharam-se gastos de R$ 66,9 milhões. Desse total, R$ 58,5 milhões já saíram das arcas do município. Para 2008, Kassab anotou na rubrica de publicidade uma previsão de gastos de R$ 36,5 milhões.

 

Nada mal para quem, com 13% das intenções de voto, segundo o Datafolha, precisa crescer e aparecer para convencer o rival tucano Geraldo Alckmin (26%) a abdicar de ter o seu nome inscrito na cédula de 2008.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

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Mônaco discute nesta quinta extradição de Cacciola

  Folha
A Corte de Apelações de Mônaco marcou para esta quinta-feira (31) uma nova audiência para analisar o pedido de extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. Será a quarta tentativa de julgamento do pedido formulado pelo governo brasileiro. As outras três resultaram em adiamento.

 

O blog conversou com um diplomata que acompanha o caso. Ele informou que, embora o governo brasileiro torça por um desenlace imediato do caso, não há certeza de que a sentença saia nesta quinta. Disse, de resto, que o Brasil forneceu às autoridades de Mônaco todos os documentos de que precisam para decidir favoravelmente à extradição.

 

A última audiência em que o caso Cacciola esteve em pauta ocorreu em 6 de dezembro de 2007. Foi adiada porque a defesa do ex-banqueiro alegara problemas na tradução dos documentos vindos do Brasil, um calhamaço de 553 páginas. O tribunal encomendou uma nova tradução.

 

O diplomata ouvido pelo repórter disse ter sido informado de que a tradução já teria sido preparada. Não haveria mais empecilhos para a conclusão do julgamento. O advogado contratado por Cacciola, Frank Michel, diz coisa diferente. Ouvido pela BBC, ele declarou que juízes da Corte de Apelação podem solicitar novo adiamento, o quinto.

 

Segundo Frank Michel, a tradução da papelada levada aos autos só ficou pronta há dois dias, na terça-feira (29). Os juízes precisariam de mais tempo para analisar todo o material. O defensor de Cacciola avisa que, havendo nova postergação, vai pedir a libertação de seu cliente.

 

Cacciola foi recolhido à cadeia de Mônico, com uma aprazível vista para o mar, em 15 de setembro de 2007. "Nada justifica uma detenção tão longa. O Sr. Cacciola não pode ser punido porque as autoridades brasileiras não traduziram corretamente os documentos do processo", diz o advogado Frank Michel.

 

Frustrando-se a extradição de Cacciola –seja por conta de uma eventual liberação, seja pela negativa do pedido formulado pelo Brasil—continuará pendente de execução a sentença exarada pela Justiça brasileira contra o banqueiro. Ele foi condenado a 13 anos de prisão, em 2005, no processo que apurou as malfeitorias praticadas no Banco Central durante o governo FHC.

 

Como se recorda, o Banco Marka, de Cacciola, foi à breca em 1999, nas pegadas da desvalorização do câmbio. O BC socorreu-o, junto com outra instituição financeira encrencada, o FonteCindam. Sentindo o cheiro de queimado, Cacciola, dono de cidadania italiana, fugiu para a Itália em 2000. Foi julgado e condenado à revelia.

 

PS.: Como temiam todos, a corte de Mônaco adiou novamente, nesta quinta (31) a decisão sobre o caso Cacciola. A coisa ficou para