Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

PSDB olha para 2010 e vê pudim onde só há veneno

PSDB olha para 2010 e vê pudim onde só há veneno

Diz o senso comum que “errando é que se aprende”. O PSDB, que não gosta do brocardo, adaptou-o. Um tucano diz: “Errando é que se aprende... A errar.” Com dois fracassos presidenciais a pesar-lhe sobre os ombros (2002 e 2006), o partido da pseudo-social-democracia decidiu apostar, de novo, no erro. Achou que poderia congelar a sucessão presidencial. Não deu. E voltou a exercitar o seu passatempo predileto: briga consigo mesmo, bica a si próprio.

 

Recorde-se, por elucidativo, um barraco de 2002. Presidindo a escassez –faltava luz, dinheiro, emprego e dólar barato—, FHC escolhia um nome para sucedê-lo. Oscilava entre Tasso Jereissati e José Serra. Pendia para o segundo. Numa certa noite, o príncipe recebeu no Alvorada um grupo de grão-duques tucanos: Tasso, Aloysio Nunes Ferreira, Pimenta da Veiga e Almir Gabriel.

 

Tasso exalava tensão. Acabara de chegar dos EUA. Fora a Cleveland, para checar as coronárias, como faz todos os anos. Ausentara-se do país por dez dias. Nesse período, não conversara com jornalistas. A despeito disso, os jornais estavam apinhados de notícias acerca de articulações e queixumes que não fizera nem vocalizara.

 

Abespinhado, Tasso derramou sua insatisfação sobre o tapete da sala contígua à biblioteca do Alvorada. Disse que não faria papel de bobo. Além do noticiário falso, irritara-se com a ajuda que o então ministro Serra dava a Sérgio Machado, seu inimigo na província cearense.

 

A certa altura, Aloysio Nunes, hoje membro do secretariado do governador Serra, interveio. Tentou pôr panos quentes. Tasso saltou da cadeira: “O senhor, meu caro Aloysio, não venha aqui posar de estadista francês. Você não é. (...) Safadeza. Molecagem. Você diz que não toma partido na minha disputa com o Serra, mas passa o dia no Palácio do Planalto plantando notinhas em coluna de jornal a favor dele e contra mim.”

 

Aloysio não se deu por achado: “Você me respeite. Eu tenho história...” E Tasso: “Eu sei bem qual é a sua história. Enquanto eu fazia das tripas coração para eleger este aqui presidente (apontou para FHC), em 1994, você rodava o Brasil de braços dados com o Quércia.”

 

Deve-se ao repórter Luiz Costa Pinto o relato do diálogo reproduzido acima. Jamais foi desmentido pelos protagonistas. O resto é história. FHC foi de Serra. Tasso e seu grupo conspiraram contra. Quando a canoa fez água, meio PSDB –FHC inclusive— fez corpo mole. Dessa divisão e da avidez do eleitorado por mudanças nasceu o primeiro triunfo presidencial de Lula.

 

Em 2006, coube a Geraldo Alckmin o papel de Tasso. Prevaleceu sobre Serra (ele, de novo), aos trancos e barrancos. Graças à tenacidade pessoal e à sensação do rival de que, com Lula praticamente reeleito, o melhor era estocar munição para a disputa seguinte.

 

Cavalgando uma legenda eternamente dividida, Alckmin não fez feio. Abandonado pelos seus, foi ao segundo turno com a ajuda dos aloprados do PT. Surrado por Lula, viu Serra (sempre ele) esmigalhar os aliados que deixara na máquina estatal paulista. Agora, tenta manter sob os pés um tapete municipal que Serra (ele novamente) esmera-se em puxar.

 

Já se pode sentir o cheiro de 2010. Odor de queimado. Agora, é em Aécio Neves que Serra (olha ele aí de novo) tenta vestir a fantasia de neo-Tasso, a roupagem de Alckmin pós-pós. No meio do caminho, graças à refrega da CPMF, Serra ganhou um novo contendor: Arthur Virgílio. Dotado de fome presidencial inaudita e bem-posto nas pesquisas, o governador paulista vai à luta interna com bom cacife. Mas já não pode simplesmente arrastar as fichas. Terá de submeter-se ao pôquer das prévias, num pano verde conflagrado.

 

A julgar pela popularidade de Lula, ninguém se fará na próxima sucessão falando mal do governo. Ou vende esperança semelhante à que FHC, graças ao Real, levou aos seus dois palanques ou se arrisca a tropeçar num presidente de bem com a bugrada e decidido a acomodar no Planalto alguém que lhe facilite a vida em 2014.

 

Inebriado pelo veto legal à tripla eleição de Lula, o tucanato olha para 2010 e enxerga um pudim. Engano. O que o aguarda é um pote de veneno. O veneno de sua própria divisão. O PSDB nao tem do que se queixar. Sobram-lhe candidatos. Mas terá de domar e adoçar o bico. Faltam-lhe mensagem e método.

Escrito por Josias de Souza às 20h17

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STF pede explicações a Lula sobre norma da Receita

  Folha
O STF divulgou neste sábado decisão tomada na véspera por sua presidente. A ministra Ellen Gracie determinou que, em dez dias, Lula remeta ao tribunal explicações sobre uma portaria da Receita Federal –aquela que obrigou bancos e administradoras de cartões de crédito a repassar ao fisco os dados dos correntistas com movimentação semestral superior a R$ 5 mil (pessoas físicas) e R$ 10 mil empresas).

 

A decisão da Receita foi questionada em ação movida pela OAB. A entidade alega que é inconstitucional o artigo 5º da Lei Complementar 105, de 2001. Foi nesse artigo que a Receita se baseou para obrigar as instituições financeiras a lhe repassar os dados de seus correntistas. Uma decisão que, para a OAB, acaba com o princípio do sigilo bancário no país.

 

A norma da Receita foi baixada depois que o Senado derrubou a CPMF. O fisco se valia dos dados do imposto do cheque para mapear o movimento bancário dos contribuintes, detectando indícios de sonegação. Sem o tributo, viu-se compelida a baixar a nova portaria, agora contestada no Supremo.

 

A OAB argumenta na ação que protocolou no STF que a norma da Receita, na prática, pôs fim ao sigilo bancário. Uma ofensa a princípios como o devido processo legal, previsto no artigo 5º da Constituição. Segundo a opinião da Ordem dos Advogados, o sigilo dos correntistas de banco só pode ser quebrado mediante ordem judicial. Assim mesmo “quando existir suspeita de possíveis delitos.”

 

Em seu despacho, Ellen Gracie esclarece que, embora a OAB solicite do tribunal uma decisão liminar (provisória), ela preferiu submeter o processo a uma deliberação final do plenário do Supremo.

 

Antes de submeter o caso à análise dos outros dez magistrados que integram o Supremo, a ministra dará prazo de cinco dias para que a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República tenham a oportunidade de se manifestar nos autos. Esse prazo começa a ser contado depois que chegarem ao tribunal as explicações que Ellen Gracie solicitou a Lula.

Escrito por Josias de Souza às 20h00

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As manchetes deste sábado

- JB: OAB vai ao Supremo conta quebra de sigilo

- Folha: Desmatadores desafiam governo

- Estadão: Crédito oficial facilitou o desmatamento

- Globo: Delúbio: toda cúpula do PT sabia de caixa 2 em 2002

- Gazeta Mercantil: Fornecedores de teles brigam por R$ 14 bi

- Correio: Consursos

- Valor: Crise muda as formas de financiar investimentos

- Jornal do Commercio: Petrobrás faz concurso para refinaria de Suape

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Leia da $elva!

Omar Turcius
 

PS.: Via sítio BrazilCartoon.

PS.2: O flagelo amazônico, como sói, ecoou no exterior. Mas, a despeito da má fama, os desmatadores não parecem nem um pouco intimidados com a cara feia do governo. Até porque há evidências de que é o próprio governo quem financia a mão que opera a motosserrra.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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MP apura gastos de ministros com cartão de crédito

O Ministério Público do Distrito Federal decidiu investigar os gastos dos ministros de Estado com os cartões de crédito bancados pelo erário. A investigação foi aberta na quinta-feira (24). Mas só nesta sexta (25) a notícia foi divulgada.

Decidiu-se perscrutar os extratos dos cartões depois das reportagens que revelaram indícios de abusos. A coisa brotou no domingo e ecoou durante a semana. A portaria que instaurou a investigação anota que, se confirmados, os malfeitos caracterizam “imoralidade administrativa.”

 

Quando abusivos, diz ainda o texto do Ministério Público, os gastos ferem normas fixadas pelo próprio governo, por meio de uma portaria do Ministério do Planejamento. O procurador que vai acompanhar o caso será designado nos próximos dias. Dependendo do que for apurado, pode ser aberto um processo judicial.

 

Além de verificar a legalidade dos gastos, o Ministério Público decidiu elaborar uma recomendação sobre o uso dos cartões. O texto será enviado ao Palácio do Planalto pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Trará um cotejo das normas já baixadas pela pasta do Planejamento com recomendações feitas pelo Tribunal de Contas da União.

 

Não é a primeira vez que a Procuradoria da República se debruça sobre os cartões corporativos. Já abrira investigação do gênero em 2005. Deu-se a pedido do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). A apuração restringiu-se, porém, a gastos efetuados no âmbito da presidência da República.

 

A primeira investigação, conduzida pelos procuradores Eliana Pires Rocha e Carlos Henrique Martins, resultou num pedido para que o TCU realizasse uma tomada de contas especial. A auditoria do tribunal vasculhou despesas feitas entre 2002 e 2004. Concluído o trabalho, o tribunal expediu um acórdão com um lote de recomendações ao governo.

 

Ao analisar o trabalho dos auditores do TCU, os procuradores notaram que a análise limitou-se à regularidade de documentos fiscais. Solicitou-se ao tribunal que faça nova auditoria, dessa vez com o objetivo de verificar se os gastos são ou não compatíveis com as necessidades do Estado.

 

De resto, os procuradores requisitaram à Casa Civil os nomes de todos os portadores de cartões corporativos do Planalto. Obtidos os nomes, requisitaram-se à Receita Federal os dados fiscais dos funcionários. Todo esse material encontra-se sob análise. Não há, por ora, conclusão.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Marta tenta repetir em SP a aliança que apóia Lula

Primeiro objetivo da ministra é tonificar o tempo de TV

O segundo é assegurar que Lula pise em seu palanque

 

  Antônio Gaudério/Folha
Superada a fase da decisão –ela já disse ao seu pessoal que vai às urnas— Marta Suplicy e o PT se movem para costurar em São Paulo uma aliança tão ampla quanto a que dá suporte a Lula em Brasília.

 

Vai-se perseguir o entendimento pelo menos com PMDB, PSB, PC do B, PDT, PTB e PP. Busca-se, primeiro, tempo de TV. Depois, dar condições a Lula para freqüentar o palanque de Marta.

 

Na reunião ministerial de quarta-feira (23), o presidente informou que vai tomar partido nas eleições para prefeito. Mas só poderá fazê-lo de maneira explícita nos municípios em que as legendas do consórcio governista estiverem unidas.

 

Afora os obstáculos normais, há, no caso de Marta, uma dificuldade adicional. A ministra quer conquistar aliados sem suar o tailler. Informou ao petismo que não deixa o ministério antes de maio, em data próxima do prazo legal: 5 de junho. E, como ministra, acha que não fica bem deixar as digitais nas agulhas do tricô partidário.

 

Por ora, quem realiza os contatos políticos, por dever de ofício e por delegação, é o presidente do diretório do PT no Estado de São Paulo, Edinho Silva. É Marta até a medula. Sua primeira providência foi procurar o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia. Conforme noticiado aqui, conversaram na última terça (22).

 

O PMDB já decidiu que não terá candidato. Prefere a coligação. Oscila entre Marta, o tucano Geraldo Alckmin e o ‘demo’ Gilberto Kassab. A situação é diferente em relação a outros potenciais aliados de Marta.

 

Partidos como o PDT, o PSB e o PC do B cultivam projetos próprios. Em São Paulo, longe do guarda-chuva de Lula, gostariam de comparecer ao primeiro turno da eleição municipal apartados do PT. Nesta sexta (25), Paulo Pereira da Silva (PDT) –o Paulinho da Força Sindical—pôs o seu bloco na rua.

 

O PTB é controlado por dois personagens que torcem o nariz para Marta e para o PT. No plano federal, a máquina da legenda é gerida pelo deputado cassado Roberto Jefferson, de mal com o petismo desde 2005, quando levou a boca ao trombone para denunciar o mensalão. Em são Paulo, o mandachuva do partido é Campos Machado, mais afeito a uma negociação com tucanos e democratas do que com os petistas.

Escrito por Josias de Souza às 00h20

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Sob Lobão, PMDB controlará orçamentos de R$ 26 bi

No Brasil, como se sabe, todos os políticos são patriotas. Só o patriotismo justifica o fato de o PMDB, desprezando os riscos de um apagão energético, tenha quebrado lanças para acomodar Edison Lobão na poltrona de ministro das Minas e Energia. Só o amor à pátria explica a gana com que o partido, depois de emplacar o ministro, disputa o controle das estatais energéticas.

 

A responsabilidade não será banal. Juntando-se Furnas –já confiada à boa gerência do ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde— às outras estatais que Lobão está na bica de entregar a apadrinhados do PMDB, chega-se a orçamentos de notáveis R$ 26,7 bilhões. É muito dinheiro. Mais da metade do que se pretendia arrecadar com a falecida CPMF.

 

Para a Eletrobras, deve ser nomeado Evandro Coura. É homem de José Sarney (PMDB-AP). Vem da iniciativa privada. Até outubro do ano passado, presidia o Grupo Rede, dono de oito distribuidoras de energia e 34 usinas hidrelétricas. Hoje, a empresa é gerida pela mulher dele, Carmem Pereira.

 

A Eletronorte deve ser entregue a Lívio Rodrigues de Assis. Traz na testa o selo de qualidade das indicações feitas pelo ínclito deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Lívio parece pouco afeito à seara energética. Hoje, é diretor do Detran do Pará. Mas o que é o preparo técnico diante da disposição de servir ao país?

 

Na Eletrosul, tudo indica que o PMDB foi ultrapassado pelo PT. A presidência da estatal que leva luz às fábricas e às residências dos Estados do Sul deve ser confiada ao ex-deputado Jorge Boeira. Ele deve a indicação à líder petista Ideli Sanvatti (SC), outra brasileira ávida por contribuir com os destinos da pátria.


De resto, o PMDB tende a emplacar Jorge Luiz Zelada, indicado pela bancada de deputados mineiros do partido para a diretoria Internacional da Petrobrás. Agora deixe a má vontade de lado e responda: são ou não são patriotas os políticos brasileiros?

Escrito por Josias de Souza às 18h08

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Dá vontade de dizer: Ora, senhores, vão todos à...

  Folha
Atenção, caro leitor: o texto a seguir foi escrito em linguagem semichula. Não é recomendável que você o leia desacompanhado. Se for adulto, chame uma criança. De preferência com menos de cinco anos.

 

O corregedor-geral Romeu Tuma já arregaçou as mangas. O PSOL já se prepara para formular uma nova representação. Vai à berlinda, dessa vez, o futuro senador Lobinho (DEM) –aquele que herdou a cadeira do pai dele, o Lobão (PMDB).

 

Vai começar tudo de novo: Corregedoria, Mesa do Senado, Conselho de Ética, puxa, repuxa, escolhe o relator, manobra daqui, conchava dali... Notícias penduradas nas manchetes dos jornais por semanas a fio.

 

Não fosse o repórter um sujeito educado, mandaria todo mundo pra outro lugar: pro chuveiro, pros subterrâneos onde se encontram as almas dos pecadores, pro excremento ou até à presença daquela senhora que, no exercício da profissão mais antiga do mundo, deu à luz personagens que desconhecem o nome do pai.

 

Porém, o signatário do blog, por comedido, não costuma lançar mão de exortações extremas. Não seria de bom tom. Resta fazer apenas o que lhe incumbe: noticiar o fato e anotar o que está por vir. No caso específico, o repórter sugere aos seus 22 leitores que perguntem à criança que está do lado o que vai acontecer. Ela lhes dirá: “Nada.”

 

A criança descerá aos detalhes. Esclarecerá que, acusado, Lobinho vai uivar: eu não sabia de nada. Os aliados dirão que ele é inocente. Os adversários pedirão o escalpo dele. E a Mesa do Senado porá fim à refrega. Expedirá um despacho informando que, segundo a praxe do Legislativo, nenhum senador pode ser molestado por delitos praticados antes do início do mandato.

 

Submetidos a mais uma pantomima, os leitores, que não têm a mesma classe do repórter, pedirão à criança que deixe a sala. Depois, gritarão: “Ora, ora, senhores senadores, vão todos à...”

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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As manchetes desta sexta

- JB: Políticos do Rio deram golpe de R$ 100 milhões

- Folha: Governo suspende licença de desmatamento em 36 áreas

- Estadão: Governo corta credito em áreas desmatadas

- Globo: Governo se divide sobre causa de desmatamento

- Gazeta Mercantil: Fornecedores de teles brigam por R$ 14 bi

- Correio: Enfim, boas novas na economia

- Valor: Crise muda as formas de financiar investimentos

- Estado de Minas: Caminho livre para a sucessão na PBH

- Jornal do Commercio: Emprego cresce acima da média

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h31

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Feliz (?!?!?) aniversário!

 

PS.: Os paulistanos nutrem por São Paulo um ódio amoroso.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio

Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio

Acabou o armistício entre os 2 presidenciáveis tucanos

Para Aécio, Serra tenta se impor como ‘fato consumado’

‘No atropelo, ninguém ganha eleição’, disse a um amigo

Em resposta, iniciou uma articulação a favor das prévias

Em março, deflagra um cronograma de viagens pelo país

 

  Folha
Há um ano, em fevereiro de 2007, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves firmaram um armistício. Combinaram que só tratariam de 2010 depois que fossem abertas as urnas de 2008. O cessar-fogo acabou. Nove meses antes do prazo combinado, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a se bicar.

 

Ainda não foi disparado nenhum tiro em público. Mas Aécio decidiu reforçar o paiol. Iniciou a preparação para a guerra interna. Entre quatro paredes, o governador mineiro mostra-se incomodado com o que chama de “antecipação prematura do processo.” Acha que está em curso uma tentativa de transformar a candidatura presidencial do rival num “fato consumado”. E resolveu enrolar a bandeira branca.

 

A negociação de Serra para transformar Gilberto Kassab (DEM) em candidato à prefeitura paulistana foi o estopim que alvoroçou as plumas do tucanato. Serra tenta rifar Geraldo Alckmin (PSDB), alternativa tucana ao 'demo' Kassab, em troca do compromisso do DEM de apoiá-lo em 2010.

 

Para desassossego de Aécio, Fernando Henrique Cardoso veio ao meio-fio para defender a formalização da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República]”, disse FHC aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva.

 

Privadamente, Aécio tachou as declarações de FHC de “inábeis”, “desastradas” e “extemporâneas.” Acha que as palavras do ex-presidente expressam uma visão equivocada. Diz que, em 2010, o DEM, por pragmático, vai se compor com o PSDB "com ou sem Kassab." Há dois dias, em conversa com um amigo, o governador mineiro afirmou: “Não estou mais em idade de dizer amém a tudo o que acha o Fernando Henrique.” Aécio ressuscitou uma frase que ouvira do avô Tancredo Neves: “Ninguém é paulista na política impunemente.”

 

Aécio falou ao amigo em timbre de desabafo: “Estão tentando passar a idéia de que, resolvido o problema da prefeitura de São Paulo, está decidida a questão nacional. Não aceito imposições. No atropelo ninguém vai ganhar eleição. Se me derrotam no atropelo, não vão ter nenhum voto em Minas.”

 

Aécio pôs-se em movimento. Retomou contatos com partidos como o PMDB e PSB, que flertam com ele há tempos. Como não contempla a hipótese de deixar o PSDB, resolveu abraçar a tese das prévias. Festeja a decisão do senador tucano Arthur Virgílio (AM) de lançar-se como candidato ao Planalto. Acha que, com três postulantes, o partido não terá como se esquivar da prévia.

 

De resto, o governador mineiro elabora um cronograma de viagens pelo país. Começa a voar já em março. Num primeiro momento, priorizará os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No segundo semestre, subirá em palanques de candidatos tucanos às prefeituras de tantos municípios quantos consiga visitar.

 

Internamente, Aécio leva à mesa argumentos para tentar se contrapor à tese de que, à frente dele nas sondagens eleitorais, Serra é o melhor candidato do partido à sucessão de Lula. “Não estou convencido disso”, diz ele em privado. “Posso até não ser candidato se achar que não é o momento, se julgar que minha candidatura não é a que mais agrega. Mas não posso sair disso derrotado. Tenho que ser convencido, conquistado.”

 

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em dezembro, Aécio amealhou 15% das intenções de voto. É menos da metade do percentual atribuído a Serra –entre 33% e 38%, dependendo do cenário. O governador mineiro argumenta, porém, que o PSDB terá de levar em conta outros fatores.

 

Por exemplo: beneficiado pelo recall, Serra é conhecido por cerca de 90% do eleitorado brasileiro. Com uma taxa de conhecimento que gira ao redor dos 40%, Aécio acha que não pode ser considerado como uma carta excluída do baralho presidencial. Diz que a taxa de rejeição de Serra é maior do que a sua. Julga-se, além disso, em melhores condições de reunir em torno de si uma aliança partidária ampla, incorporando inclusive partidos que hoje gravitam em torno do governo Lula.

 

Por último, Aécio puxa da gaveta uma pesquisa que recebeu do instituto Vox Populi. Apresentou-a a um grão-tucano com quem conversou. O levantamento foi fechado em dezembro. Informa que 86% do eleitorado mineiro acha que ele deve se lançar na briga pelo Planalto.

 

Aécio conclui: “É algo muito sólido, que não posso ignorar, sob pena de ir para o suicídio. Se insistirem nessa tese de que, resolvido São Paulo está resolvido o Brasil, o Serra acaba se consolidando como o candidato anti-Minas. É uma visão míope. Anteciparam o processo de forma desastrada. Não deixaram opção aos aliados: ou aderem ao projeto de São Paulo ou não concordam e encaminham em outra direção. É o que vai acontecer.”

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Governo se mexe para tentar deter o desmatamento

  Alan Souto Maior Alves
Nos últimos cinco meses de 2007, foram ao chão as árvores que cobriam uma área de 3.235 km2 da floresta amazônica. O dado foi levantado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O mesmo órgão suspeita que a devastação pode ter sido ainda maior. Bem maior: 7.000 km2.

 

Premido pelas circunstâncias, Lula pôs-se em movimento. Tenta fazer pela pressão dos fatos o que o governo não fez por obrigação. O presidente convocou ao seu gabinete, nesta quinta (24), sete ministros e o diretor-geral da Polícia Federal. Depois de duas horas de reunião, foram anunciadas as providências. As medidas boas não são novas. E as novas não são boas.

 

Primeiro as novas: Lula ordenou que fosse divulgada a lista dos 36 municípios campeões do desmatamento. Estão assentados nos mapas de Mato Grosso (19), Pará (12), Rondônia (4) e Amazonas (1). Respondem por 50% do desmatamento detectado no ocaso de 2007. O presidente determinou, de resto, que os ministros envolvidos com a encrenca sobrevoem esses municípios;

 

Agora, as providências velhas: Lula mandou que seus auxiliares intensifiquem a implementação de medidas analisadas no ano passado e anunciadas em dezembro: Entre elas: embargo de propriedades onde houve desmatamento; controle da atividade agropecuária; criação de unidades de conservação; bloqueio de financiamentos para empresas que lidam com a derrubada de árvores; e recadastramento de fazendas situadas nas áreas desmatadas.

 

Registrou-se na reunião ministerial uma divergência: Marina Silva (Meio Ambiente) atribui o incremento da derrubada indiscriminada de toras ao avanço da soja e da agropecuária sobre a mata. Reinhold Stephanes (Agricultura) discordou. Discussão, a essa altura, bizantina. Não trará as árvores de volta.

 

Mais prático, o ministro Tarso Genro (Justiça) informou que, a partir do dia 21 de fevereiro, será reforçada a fiscalização e a vigilância ostensiva da Polícia Federal na região Amazônica. Pretende-se despachar para os Estados amazônicos um contingente de mais 780 agentes federais –acréscimo de 25% em relação ao efetivo atual.

 

PS.: Ilustração via sítio BrazilCartoon.

Escrito por Josias de Souza às 19h03

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Lula pede a aposentado o que não cobra de ministro

A propósito da passagem do aniversário de 85 anos da Previdência Social, Lula falou a uma platéia de aposentados, nesta quinta (24), no Planalto. Portou-se como o roto que fala aos esfarrapados.

 

O presidente deu um conselho aos brasileiros pendurados na folha de benefícios e pensões da Previdência: "Por reivindicação, vocês conquistaram cartão de crédito, alongaram o crédito consignado para 60 meses. Agora, precisa tomar cuidado com o cartão de crédito."

 

Lula foi ao ponto: “[...] Quando a gente não tem que botar a mão no bolso para gastar dinheiro, a gente vai gastando mais do que se tivesse que tirar uma notinha do bolso." As observações, por procedentes, suscitam uma pergunta. Uma questão que ficou boiando na atmosfera do salão de audiência públicas do Planalto:

 

Por que diabos o presidente não repassa o mesmo conselho aos seus ministros?, eis a indagação pendente de resposta. Munidos de cartões corporativos custeados pelo contribuinte, os integrantes do primeiro escalão vêm produzindo uma farra que pôs a oposição em estado de alerta.

 

Aos olhos de boa parte dos ministros de Lula, dinheiro público parece dinheiro grátis. O contribuinte sabe, porém, que a coisa lhe custa os olhos da cara. O presidente bem poderia ter aproveitado a "santa ceia" da véspera para admoestar os seus discípulos. Por que calou? Parece considerar que verba alheia em cartão de ministro é refresco.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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Dirceu continua o mesmo, do dedão aos 'cabelos'

Danilo Verpa/Folha
 

 

O José Dirceu pós-implante capilar fez, nesta quinta-feira (24), sua primeira aparição pública. Continua o mesmo, dos pés à cabeça. Observando-o, tem-se a impressão de que, assim como os meandros do mensalão, cabelo é uma coisa que nunca lhe passou pela cabeça.

 

Assim como a sua versão para o escândalo, os 6.700 fios que diz ter implantado no cucuruto não fizeram a menor diferença. Dirceu ainda não deixou a 2ª Vara Criminal de São Paulo. Porém, sabe-se, de antemão, que combinou com seu advogado que repetiria à juíza Sílvia Maria Rocha tudo o que já dissera antes.

 

Não viu nada, não tomou conhecimento de coisa nenhuma. Era ministro, não dirigente do PT. O emprego e o empréstimo que Marcos Valério intermediou para sua ex-mulher não caracterizam tráfico de influência. Longe disso. Blá-blá-blá...

 

O repórter apurou que Dirceu tentou adiar o depoimento desta quinta. Em petição dirigida ao STF, seus defensores alegaram que tinham outro compromisso em Curitiba (PR). Não haveria tempo hábil para o retorno a São Paulo.

 

Coube a Ellen Gracie, presidente do Supremo, analisar o pedido. Negou-o, sem pestanejar. Anotou em seu despacho que os transportes aéreos brasileiros oferecem vôos em quantidade razoável e em horários variados. Datada da última segunda-feira, dia 21, a decisão foi encaminhada à juíza Sílvia Rocha, que manteve a inquirição.

 

Além de Dirceu, outros réus do mensalão deram as caras na 2ª Vara Criminal de São Paulo. Um deles, Silvinho Pereira, livrou-se do depoimento. Negociou um acordo com o Ministério Público e foi excluído do rol de 40 réus do mensalão. Em troca, prestará serviços comunitários durante três anos.

 

PS.: Encerrado o depoimento de José Dirceu, soube-se, afinal, o que disse à juíza aquele que o procurador Antonio Fernando de Souza aponta como chefe da "organização criminosa". Como previsto, Dirceu negou, negou e negou

Escrito por Josias de Souza às 17h19

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Desemprego é o menor desde 2002; por outro lado...

Benett
 

 

A boa técnica ensina que o texto jornalístico deve ser enxuto. Há ocasiões, porém, em que a notícia reclama a companhia de um vocábulo supérfluo. É o caso de uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (24) pelo IBGE.

 

A pesquisa trata da situação do trabalho nas regiões metropolitanas. Impossível noticiá-la sem usar uma das convenções de linguagem mais abominadas nas redações de jornal: “Por outro lado.”

 

Diz o IBGE que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país foi, em 2007, de 9,3%. É o índice mais baixo desde 2002, ano em que o levantamento começou a ser feito. Por outro lado, o rendimento médio do trabalhador brasileiro no ano passado (R$ 1.145,08) foi menor do que o registrado cinco anos atrás (R$ 1.205,39).

 

Observadores mais benevolentes dirão: R$ 1.145,08 de média salarial! Nada mal! Por outro lado, o IBGE informa que, em 2007, as mulheres continuaram recebendo contra-contra-cheques com valores médios 70,5% abaixo dos montantes pagos aos homens.

 

Em quatro das seis regiões pesquisadas, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional: Porto Alegre (5,3%), Belo Horizonte (5,5%), Rio (6,1%) e São Paulo (8%); Por outro lado, o índice situou-se acima da média em duas regiões: Recife (9,9%) e Salvador (11,4%).

 

Registraram-se altas no nível de emprego de determinados setores: indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (5,4%); construção (12,6%); educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (4,3%); serviços domésticos (5,9%); e outros serviços (2,3%).

 

Por outro lado, outros setores amargaram um decréscimo: comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-0,7%); e serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (-4,2%).

 

Ou seja, a situação do emprego melhorou. Por outro lado, poderia ter melhorado muito mais. O mercado demonstra, aos pouquinhos, capacidade de reação. Por outro lado, vive-se a era do movimento sindical sem força, quase irrelevante.

 

PS.: Ilustração via blog do Benett.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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As manchetes desta quinta

- JB: Cedae desafia Dilma e aposta no carro a gás

- Folha: Em dia instável. Bovespa e Europa caem; Nova York fecha em alta

- Estadão: Devastação na Amazônia dispara

- Globo: Desmatamento é recorde após três anos de queda

- Gazeta Mercantil: ADR de emergentes sofrem com a ameaça de recessão

- Correio: Febre amarela: o maior avanço em quatro anos

- Valor: Governo rejeita operação da Vale para comprar a Xstrata

- Jornal do Commercio: Concurso na saúde vai abrir 1.500 vagas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h05

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Ministeriável!

Benett
 

PS.: Via blog do Benett.

PS.2: Reze-se para que o mosquito aceite logo uma vaga na Esplanada. Subiu para nove o número de cadáveres produzidos pelo maldito. 

Escrito por Josias de Souza às 04h03

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Contra a indigestão, Copom serve caldo de galinha

Arte Folha Online
 

 

Inspirado na sabedoria popular –cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém— o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu servir ao país uma canja. Pela terceira vez consecutiva, manteve em 11,25% a taxa básica de juros.

 

Afora o receio de que a inflação fuja ao controle, as autoridades monetárias do Brasil olham de esguelha para as nuvens espessas que se formam sobre a economia dos EUA. O temporal está armado. A dúvida é se será uma tempestade do tipo que leva as telhas da casa ou uma tsunami econômica que leva a própria casa.

 

A palavra da moda nos círculos financeiros do mundo é “decoupling”. Significa, na língua de Camões, “descolamento”. Em economês, a língua dos economistas, quer dizer que economias emergentes, como a do Brasil, estariam imunes à borrasca norte-americana.

 

Se você é do tipo que aprecia o jogo do contente, fique com as palavras de Dilma Rousseff. A chefona da Casa Civil diz que o PAC constitui uma “vacina” contra a crise. Os canteiros de obras do programa de Lula, que, por ora, só existem na ficção oficial, tonificariam o mercado interno. E o Brasil passaria ao largo da crise.

 

Se você prefere manter os pés na realidade, preste atenção às palavras de Henrique Meirelles. Por dever de ofício, o presidente do Banco Central conserva um sapato na canoa do discurso oficial. Diz que o Brasil está preparado para arrostar a crise. Mas, precavido, plantou o outro sapato em terra firme: “Não temos a ilusão de que o Brasil está imune a desenvolvimentos externos.”

 

Daí a opção pela canja. Resta agora saber se a galinha norte-americana, engordada à base de milho anabolizado, não chegará à mesa das finanças brasileiras. Nas últimas duas décadas, a economia dos EUA alimentou-se da especulação dos mercados de ações e imobiliário. A casa –com trocadilho, por favor— caiu.

 

Estima-se que os papéis de Wal Street estejam inflados em algo como 10%. A corrente da felicidade que amarrava os empréstimos imobiliários se rompeu. As maiores casas bancárias dos EUA já trouxeram à luz do dia prejuízos de US$ 353 bilhões. Outros estabelecimentos vasculham os porões à procura dos cadáveres.

 

O prejuízo traz o medo, que leva ao refinamento dos cadastros, que conduz à redução dos empréstimos, que enxuga o dinheiro em circulação, que produz o declínio do consumo, que leva ao desaquecimento da economia, que flerta com a recessão.

 

Sabia-se há tempos que a economia dos EUA, por insustentável, tinha encontro marcado com o chão. Especulava-se, porém, sobre o tipo de aterrissagem. A maioria dizia que seria uma “soft landing” (aterrissagem suave). Alguns poucos apostavam no “hard Landing” (pouso forçado). O nariz do avião aproxima-se da pista. E a turbulência prenuncia o pior.

 

Os partidários da tese do descolamento afirmam que os EUA já não têm o peso do passado. A pujança econômica de países como a China funcionaria como anteparo. Constituiria um mercado alternativo para as outras nações emergentes. Recomenda-se aos mais prudentes dar de ombros para esse tipo de trololó.

 

Às voltas com o fantasma da inflação, a China leva o pé ao freio. Cresceu à taxa de 11,4% em 2007. Programa algo menor para 2008: entre 8% e 9%. De resto, convém considerar dois detalhes:

 

1) O socialismo de mercado chinês sobrevive, em boa medida, da venda de seus produtos baratos para o resto do planeta. As exportações chinesas respondem por algo como 9% da economia do país. Ou seja, antes de comprar, os olhinhos puxadinhos querem vender. E os EUA são, hoje, o seu maior comprador; 2) o cidadão norte-americano destina ao consumo cerca de R$ 10 trilhões por ano. É quase nove vezes mais do que consomem os chineses. Ou seis vezes acima do consumo da China e da Índia juntas.

 

Portanto, meu caro, em meio a tantas dúvidas, desconfie das autoridades que observam a crise com fisionomia de aeromoça. Se você é do tipo que economiza para os dias ruins, aproveite a seiva do caldo de galinha do Copom para reforçar o pé de meia. Os dias que estão por vir serão piores.

 

Quando ouvir o lero-lero otimista de Lula e seus discípulos, agarre-se a um guarda-chuva. Se vier o Sol escaldante que o governo está prevendo, você atravessará a calçada à sombra.  

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Delúbio depõe sobre mensalão e nega os malfeitos

  Folha
Arquiteto auxiliar de um projeto malsucedido, Delúbio Soares continua cumprindo à risca o seu papel. Vai distribuindo plantas defronte das paredes, para disfarçar as rachaduras. Nesta quarta-feira (23), o ex-gestor das arcas clandestinas do PT prestou depoimento à Justiça Federal, em São Paulo. Pôs uma planta aqui, outra ali e, na saída, brindou os repórteres com um sucinto “boa noite.”

 

Convertido em réu pelo STF, Delúbio responde pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Inquiriu-o a juíza Sílvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal de São Paulo. Ele disse à magistrada que o mensalão não existiu. Reconheceu ter contraído empréstimos nos bancos Rural e BMG, com o auxílio de Marcos Valério. Negou, porém, que a grana tenha sido usada para comprar congressistas.

 

Repisando uma tese que já esgrimira na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro petista alegou que o dinheiro bancou despesas da posse de Lula, em 2003, viagens de militantes e despesas de campanhas eleitorais. Livrou a cara do amigo José Dirceu. Disse que o ex-chefão da Casa Civil desconhecia a existência dos empréstimos.

 

Nesta quinta-feira (24), a mesma juíza Sílvia Rocha vai inquirir José Dirceu. A audiência está marcada para as 14h30. Assim como Delúbio, o ex-ministro de Lula vai à 2ª Vara Criminal na condição de florista. Não viu, não sabia, não fez nem aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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Enviado de Marta vai a Quércia e propõe coligação

Enviado de Marta vai a Quércia e propõe coligação

Em público, a ministra Marta Suplicy (Turismo) faz suspense sobre se vai ou não concorrer à prefeitura de São Paulo. Nos subterrâneos, despachou um emissário para negociar com Orestes Quércia uma coligação do seu PT com o PMDB. Deu-se na terça-feira (23), no escritório de Quércia.

 

A conversa teve ares institucionais. Além de controlar o diretório do PMDB na capital paulista, Quércia é o presidente do partido no Estado de São Paulo. Por isso, o petismo escolheu para abrir a negociação o seu presidente estadual, Edinho Silva, prefeito de Araraquara.

 

Segundo apurou o blog, Edinho deixou claro a Quércia que falava autorizado por Marta Suplicy. Disse que a ministra já tomou a decisão dela. Será mesmo candidata à prefeitura paulistana. E deseja formalizar uma coligação com o PMDB.

 

Privadamente, Marta declarou a integrantes de seu agrupamento político que só dará as caras na campanha em maio, em data próxima do limite imposto pela lei para que deixe o ministério. Até lá, tricotará a portas fechadas.

 

O encontro de Edinho com Quércia ocorreu nas pegadas de contatos do mandachuva do PMDB com e o “prefeiturável” Geraldo Alckmin (PSDB). Conforme noticiado aqui, Alckmin e Quércia reuniram-se pelo menos duas vezes.

 

Os aliados da ministra do Turismo invocam a presença do PMDB no consórcio que dá suporte a Lula para argumentar que o mais lógico é que Quércia se acerte com Marta, não com Alckmin. Cortejado, o peemedebista se faz de difícil. Por ora, não fechou com nem com o PT nem com o PSDB.

 

Como de hábito, quer saber qual dos dois lados lhe será mais vantajoso. Além de indicar o candidato a vice, Quércia deseja assegurar vaga para o Senado numa coligação para 2010. De resto, decidiu dar tempo ao tempo.

 

Quércia quer saber se o governador José Serra (PSDB) não vai puxar o tapete de Alckmin. E se Lula não criará obstáculos para as pretensões de Marta. Tenta, de quebra, emplacar afilhados no organograma do governo federal.

 

O último que indicou foi Miguel Colassuono. O nome referendado pela raposa repousa na mesa do Lobão, o novo ministro das Minas e Energia. Há mais: além de PSDB e PT, também o DEM de Gilberto Kassab emite sinais de que gostaria de um entendimento com o PMDB.

 

De concreto, tem-se, por enquanto, apenas uma certeza: o PMDB não terá candidato próprio à prefeitura de São Paulo. Conforme já noticiado aqui, o presidente nacional da legenda, Michel Temer (SP), já reconhece que a tendência é mesmo a de fazer uma coligação.

Escrito por Josias de Souza às 23h25

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MP defende na Justiça fim de 'verba indenizatória'

A presidente do TRF (Tribunal Regional de Brasília), Assusete Magalhães, receberá nesta quinta-feira (24) parecer em que o procurador da República Odim Brandão Ferreira defende a extinção da verba indenizatória de R$ 15 mil paga mensalmente pelo erário a deputados e senadores. Munida do documento, a magistrada terá de decidir se acolhe ou não a ação movida pelo ex-deputado João Cunha (PMDB-SP) contra o pagamento do benefício.

 

O processo foi aberto em maio do ano passado. João Cunha defendeu na ação a tese de que a verba indenizatória, instituída a pretexto de ressarcir as despesas decorrentes do exercício do mandato parlamentar, é “inconstitucional”. Constitui, segundo ele, um complemento disfarçado de salário. O contra-cheque dos congressistas é de R$ 16,5 mil.

 

Em decisão tomada pela primeira instância do Judiciário, João Cunha obteve, por meio de uma liminar, a suspensão do pagamento da verba indenizatória. Mas a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu ao TRF. E a juíza Assusete Magalhães cassou a liminar. Alegou que a verba não se confunde com salário. Via o ressarcimento de despesas, comprovadas mediante apresentação de notas fiscais e recibos.

 

O TRF terá agora que julgar o processo em termos definitivos. E a juíza Assesete terá de manifestar-se de novo. Precisará dizer se concordar ou não com os argumentos levados aos autos pelo procurador Odim Brandão.

 

Para o representante do Ministério Público, os R$ 15 mil repassados aos congressistas constituem, sim, uma ilegalidade. Alega que deputados e senadores já dispõem de recursos para o custeio dos seus mandatos. Menciona o auxílio moradia e as cotas de passagens aéreas, de telefone, de correspondência e de impressão gráfica.

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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O Evangelho segundo Luiz Inácio ‘Cristo’ da Silva

Leonardo Da Vinci
 

 

Lula reuniu seus discípulos nesta quarta-feira (23). Abriu o encontro comparando-o, veja você à Santa Ceia. “Eu fico imaginando que, muitas vezes, nesta mesa aqui, que parece a Santa Ceia, todo mundo reunido, depois passamos um ano sem conversar.” Curioso, muito curioso, curiosíssimo.

 

A comparação de Lula soou imprópria. A começar pela composição da mesa. Jesus sentou-se com escassos 12 discípulos. Lula reuniu 37 em torno de si. Não seria educado, porém, recusar o convite à analogia feito por um presidente da República. Faça-se, portanto, um esforço.

 

Segundo o relato do livro de João, Jesus dirigiu-se aos apóstolos com afeto. Incutiu-lhes na alma aquele que seria o seu derradeiro ensinamento: “Um mandamento novo vos dou: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos tenho amado, amai-vos também uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”

 

À sua maneira, Lula também conclamou os ministros a amarem-se uns aos outros. É o único modo, imagina ele, de propagar convenientemente a mensagem do governo.

 

“Penso que, entre vocês, existe pouca conversa política. Eu diria que há quase meses e meses que vocês não conversam entre si, que não trocam idéias. Certamente as pessoas conhecem menos do que deveriam conhecer sobre o que o governo faz, porque o sistema de comunicação entre nós talvez não seja o mais perfeito ainda.”

 

Escalado para comunicar aos repórtes o que ocorrera por trás das portas da sala de reuniões do Planalto, o discípulo José Múcio traduziu as palavras do mestre. Disse que é preciso capitalizar "potencial político" dos ministros. É como se dissesse: "Nomeiem, senhores, usem a caneta."

 

Para facilitar a difusão do Evangelho segundo Lula ‘Cristo’ da Silva, o presidente fez chegar às mãos de seus discípulos uma cartilha. Funcionará como um catecismo. Contém as realizações que a gestão petista espargiu sobre a Terra. Servirá para que os profetas do novo mundo levem a palavra de seu Senhor até o rebanho das eleições municipais de 2008. O próprio Mestre participará do esforço para a difusão da mensagem.

 

Jesus estava casado aos seus discípulos na comunhão do amor a Deus. Entre os ministros e Lula, o neoCristo, não há propriamente um matrimônio. Une-os o patrimônio. Atraídos pelos bens da Viúva, sacrossanta senhora, aglomeram-se à volta do Senhor de todos os cargos, do Todo-Poderoso das verbas, 14 partidos políticos.

 

Ensina o Novo Testamento que a última ceia, a autêntica, a legítima, precedeu a Paixão e morte de Jesus. De acordo com as anotações de São João, numa prova de humildade, Cristo lavou os pés de seus discípulos. Lula não chegou a tanto. Lavou apenas a biografia de Edison Lobão, elogiando-o diante de seus pares e dando-lhe as boas-vindas à Esplanada.

 

Na ceia de Cristo, houve um anúncio dramático. Está descrito, em detalhes, nos livros de Mateus, Marcos, Lucas e João. Jesus anunciou aos discípulos que um deles iria traí-lo. Apontou Judas. “Eu vos declarei o quanto eu desejava realizar esta ceia convosco e, sabendo como as forças do mal e das trevas conspiraram para a morte do Filho do Homem, eu determinei compartilhar esta ceia convosco, nesta sala secreta [...]. Eu já vos disse repetidamente que devo retornar ao Pai. Agora a minha hora chegou, e não era necessário que um de vós me traísse, entregando-me nas mãos dos meus inimigos”.

 

Segundo o Livro dos Livros, Jesus acrescentou: “Entristeço-me de que esse mal tenha acontecido e até este momento eu esperei que o poder da verdade pudesse triunfar sobre o engano causado pelo mal, mas essas vitórias não são ganhas sem a fé do amor sincero à verdade. Eu gostaria de não ter de dizer essas coisas, nesta que é a nossa Última Ceia, mas desejei prevenir-vos sobre esses sofrimentos e, desse modo, preparar-vos para o que nos espera. Eu vos disse isso porque desejo que vos lembreis, depois que eu me for, de que eu sabia sobre todas essas conspirações maldosas, e que vos preveni sobre a traição feita contra mim. E tudo isso eu faço apenas para que sejais fortalecidos contra as tentações e provações que estão pela frente”.

 

Os inimigos de Lula já erguem a cruz de 2010. Muitos dos que estiveram na “ceia” do Planalto decerto preferirão o papel de Judas a ter de abraçar uma candidatura petista que padeça de inanição de votos. Mas Lula não chegou a apontar os traidores. Tampouco soou dramático. Longe disso. Lembrou aos discípulos que o seu fim é, ainda, um quadrado longíngüo na folhinha.

 

aqui tem representantes de vários partidos políticos. Nós somos de um partido político, estamos no governo e nós precisamos saber combinar essa nossa atuação na relação com todos os ministros, porque nós temos três anos de governo pela frente. Três anos não é pouca coisa. Três anos significa que nós temos todo o governo ainda por fazer”.

 

Na ceia cristã, depois de identificado por Jesus, Judas apressou-se em sair, para cumprir os  seus desígnios, amealhando os trinta dinheiros. Na ceia pós-moderna, Meirelles também deixou a mesa antes do lanche servido pela cozinha do Planalto. Embora o PT o identifique como um tucano infiltrado no governo, Meirelles não foi vender o chefe. Depois de um breve relato sobre a atmosfera de borrasca prenunciada pela recessão norte-americana, o discípulo Meirelles dirigiu-se à reunião do Copom, o Conselho de Política Monetária. Tenta livrar a economia da era Lula do calvário.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice

Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

 

  Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

 

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

 

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição