Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Hélio Costa manda cancelar seu cartão corporativo

Incomodado com a polêmica em torno dos gastos com cartões de crédito, o ministro Hélio Costa (Comunicações) adotou uma providência extrema: mandou cancelar o cartão que servia para o custeio de suas despesas. Acha que o “benefício” não paga o risco do desgaste.

 

Diferentemente de outros colegas de ministério, Hélio Costa não manuseia o cartão pessoalmente. Há no ministério quatro funcionários autorizados a portar cartões bancados com verbas públicas. Um deles, Francisco Cavalcanti, vinha se responsabilizando pelas despesas do ministro. É esse cartão que Hélio Costa mandou cancelar.

 

O ministro mandou levantar o valor dos extratos atribuídos à sua pasta. Verificou que, de 2007 em diante, foram despendidos R$ 281 mil. Desse total, R$ 234 mil referem-se a despesas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Os outros R$ 47 mil encontram-se anotados nos extratos do ministério.

 

E quanto a Francisco Cavalcanti, o funcionário que realiza os gastos em nome de Hélio Costa? Realizou, desde janeiro de 2007, despesas de R$ 1.918,40. Nada comparável aos R$ 171.500 atribuídos à colega Matilde Ribeiro, ministra da Integração Racial. Ainda assim, Hélio Costa disse a auxiliares, em privado, que prefere pôr a mão no bolso a ver o nome associado a notícias malévolas.

 

Dos R$ 1.918,40 gastos por Francisco Cavalcanti, o auxiliar de Hélio Costa, R$ 1.165,00 referem-se a saques em dinheiro vivo. Procedimento que o governo, em nova regulamentação anunciada nesta quinta-feira (31), decidiu restringir.

 

Há na fatura associada ao nome do ministro gastos de natureza variada. Por exemplo: uma fechadura com controle remoto para o gabinete, R$ 930; Diária no Hotel Mercury (SP), R$ 232,63; Aquisição de colheres, pratos de sobremesa e tábua circular, R$ 242; café da manhã, copos descartáveis, guardanapos, sucos e refrigerantes para o serviço de bordo em dois vôos realizados em jatinhos da FAB: um deles para Macapá, R$ 170,70; outro para Santiago (Chile), de novo R$ 170,70. Nas duas viagens, Hélio Costa estava acompanhado de sete pessoas.

 

Hélio Costa tira os pés da canoa dos cartões no instante em que já se fala até em abrir CPI no Congresso para apurar supostos desvios. Uma iniciativa que o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), apressou-se em ironizar: "Com toda a sinceridade, acho que não é o caso. Vai fazer o quê? Convocar um ministro de Estado para explicar o gasto de R$ 8,30 com uma tapioca? Vai virar a CPI da Tapioca?", indagou, referindo-se a uma conta paga pelo ministro Orlando Silva (Esportes) com o cartão corporativo numa tapiocaria de Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 23h58

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Ministro contesta relatório da Human Rights Watch

Ministro contesta relatório da Human Rights Watch

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

O ministro Tarso Genro (Justiça) discorda da principal conclusão do relatório anual da Human Rights Watch. Divulgado nesta quinta-feira (31), o documento afirma, no capítulo dedicado ao Brasil, que o país continua convivendo com a impunidade. Para o ministro, a ONG limita-se a constatar o “óbvio.” Ele reconhece: “Ainda existe impunidade no Brasil.” Mas afirma que a entidade deixou de considerar algo que, a seu juízo, também é muito visível: “Nos últimos dez anos, houve uma reação do Estado Brasileiro”. Como resultado, diz o ministro, “a situação é, hoje, muito melhor do que era”. Leia abaixo a entrevista que Tarso concedeu ao blog 

 

 

- Concorda com a visão de que a impunidade viceja no Brasil?

Discordo desse juízo. Nos últimos dez anos, houve uma reação do Estado Brasileiro. Isso levou à melhoria dos níveis de punibilidade e da qualidade da investigação. Melhorou o aparato institucional do Estado.

- Inclui a gestão FHC?

Sim. É nítido que, nos últimos 10, houve um conjunto de gestores públicos –de governadores ao governo federal— que revitalizaram as suas instituições de segurança. É óbvio que existe impunidade no Brasil. É uma impunidade muito elitizada. Os mecanismos do Poder Judiciário ainda são insuficientes para dar conta, com rapidez, de todas as demandas. Mas há uma melhora substancial.

- O que melhorou?

Muita coisa. Por exemplo: essa geração atual de governadores é surpreendentemente atenta a questões ligadas à segurança pública. A construção de penitenciárias, a formação de policiais, a adoção de políticas preventivas... Tanto é verdade que a proposta do Pronasci foi rapidamente assinada pelos 11 Estados que nós selecionamos. Foi do [José] Serra [governador tucano de São Paulo] à Yeda Crusius [governadora tucana do Rio Grande do Sul].

- O relatório da ONG reconhece  avanços, mas diz que remanesce impunidade.

O que eu digo é que, hoje, a punição ocorre mais do que antes. É absolutamente visível a melhoria do sistema investigatório na esfera federal, por meio do trabalho da Polícia Federal. Na medida que os processos vão para o Poder Judiciário, entram num ritual que foge do controle do Poder Executivo. É preciso respeitar. Há reformas processuais que precisam ser feitas para a agilização dos processos. Mas mesmo na esfera punitiva do Judiciário as coisas melhoraram. Hoje, temos grandes processos, envolvendo pessoas de alta relevância pública. É uma demonstração de que há uma reação também do Judiciário em relação à impunidade.

- Está se referindo ao processo do mensalão?

Não apenas esse. Falo de todos os processos. Temos processos criminais, na área de delitos financeiros, casos que envolvem políticos de todos os partidos. Isso passou a constituir uma pauta da sociedade. A impunidade se faz sempre no silêncio. E hoje temos uma ampla divulgação dos processos, o que ajuda a inibir a impunidade.

- Acha que a questão é de tempo?

É uma questão que passa pelo amadurecimento das instituições. Que passa pela reforma do sistema penal. É necessário reduzir os prazos para o término dos processos. Mas é inegável que há uma reação positiva. A constatação que fez a Human Rights vem do óbvio. Ainda existe impunidade no Brasil. E não será amanhã que esse quadro vai mudar. É indispensável notar, porém, que há, sim, uma reação da sociedade e das instituições. O quadro é hoje muito melhor do que aquele que se verificava nas décadas de 70 e 80.

- O que falta?

A situação da impunidade no Brasil vai melhorar efetivamente quando as elites econômicas, sociais e políticas forem claramente puníveis. E isso já está acontecendo.

- Está acontecendo? Há os processos, mas ainda não houve punição.

Já tem punições. Não gosto de citar nomes. Mas aquele pessoal vinculado ao Banco Central, da gestão Fernando Henrique, está condenado [caso Marka FonteCindam]. Há vários outros processos com condenação, muita gente denunciada. Mas é um ritmo lerdo do Judiciário. Isso não é atribuível aos juízes, mas a um sistema deformado, que privilegia os estratos da sociedade que têm condições de pagar advogados bem treinados. Temos de aperfeiçoar o processo punitivo, para que todos sejam iguais, concretamente, perante a lei. Os criminosos pobres, em regra, são punidos. Às vezes mesmo sem condenação, pela violência policial, de forma ilegal.

- Em resumo...

Em resumo, eu digo que a impunidade vai terminar no Brasil. Mas não é pra já. Esse é um processo tão complexo quanto a consolidação da democracia. E acho que o relatório da Human Rights não atenta para essa especificidade. Mesmo nas condições adversas que temos hoje, do sistema legal, não há um reconhecimento de que a situação é muito melhor do que era.

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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CGU diz que gestão FHC gastava mais com cartões

Em reação a denúncias, ministros anunciam mudanças

 

Emparedado pelo noticiário, o governo decidiu fazer por pressão o que não fizera por obrigação. Montou-se em Brasília, a toque de caixa, uma operação para tentar arrancar a gestão Lula do córner em que se encontra desde que começaram a pipocar nas páginas dos jornais e revistas notícias sobre as malfeitorias escondidas nas dobras dos extratos dos cartões de crédito corporativos.

 

Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Hage (Controlador da União) anunciaram, em entrevista, mudanças nas regras que regulam o uso dos cartões. Restringiram-se, por exemplo, os saques em dinheiro. Antes, a CGU, órgão chefiado por Hage, divulgara um informe para tentar demonstrar que, sob FHC, gastava-se mais com cartões do que sob Lula.

 

O levantamento da CGU engloba apenas os gastos com suprimentos de fundos para as repartições públicas. Despesas que, na contabilidade oficial, são chamadas de “Tipo B”. Leva-se em conta que os cartões não são portados apenas por ministros de Estado. Há na administração pública 7.145 funcionários autorizados a utilizar cartões. Alguns deles manuseiam mais de um cartão. O número total de cartões é de 13.567.

 

O texto da CGU, veiculado no portal mantido pela repartição na Internet, diz o seguinte: “Enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento de fundos foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente, a partir de 2003 esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões”.

 

O documento traz o total das despesas realizadas na gestão Lula ano a ano: Em 2003, a conta de suprimento de fundos foi de R$ 145,1 milhões; em 2004, R$ 145,9 milhões; em 2005, R$ 125,4 milhões; em 2006, R$ 127,1 milhões; e em 2007, R$ 176,9 milhões. A despeito do aumento verificado no ano passado, a CGU preocupou-se em enfatizar que, “ainda assim”, as despesas estão “muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002”, últimos anos da gestão FHC.

 

Os cartões corporativos foram criados pelo governo tucano de FHC, em 2001. Destinavam-se justamente a substituir as chamadas contas do “Tipo B”. Antes, o servidor recebia dinheiro vivo, deposita em sua conta bancária e emitia cheques pessoais à medida que realizava os gastos.

 

Dizia-se ontem e repete-se hoje que os cartões dão mais transparência ao gasto público, facilitando a fiscalização. O problema é que a facilidade levou ao exagero. De 2006 para 2007, as despesas feitas por meio de cartões de crédito corporativos cresceu 129%, alçando à casa de impressionantes R$ 75,6 milhões.

 

De resto, alguns ministros levaram o exagero às fronteiras do paroxismo. É o caso de Matilde Ribeiro. A ministra da Integração Racial foi arrancada da obscuridade depois que se descobriu que ela gastara, em 2007, R$ 171.500. Sacara o cartão nos estabelecimentos mais improváveis: do Free Shop às choperias.

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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Sobre o Brasil, a omelete e o sacrifício dos ovos

Quem tem acesso a publicações estrangeiras já deve ter notado: o Brasil é visto lá fora como uma espécie de centauro. A metade homem, nariz empinado, é aceita nos melhores salões do liberalismo globalizado. A metade cavalo, com as patas enfiadas na lama, não entra em nenhuma festa.

Vez por outra um jornal ou uma ONG estrangeira publica uma notícia ou um relatório para lembrar que o Brasil precisa limpar os pés. Nesta quinta-feira (31), o papel de chato coube à Human Rights Watch –uma dessas ONGs que não se comprazem em atestar a qualidade da omelete. Prefere analisar a integridade dos ovos.

 

A entidade divulgou o seu relatório anual sobre violações dos direitos humanos no mundo. Na parte do documento dedicada ao Brasil, anota-se que, a despeito dos avanços, o país ainda desfila pelo mundo um semblante vergonhoso. O Brasil tem a cara da impunidade.

 

"Apesar de o governo brasileiro ter feito esforços para tratar dos abusos de direitos humanos, raramente aponta os responsáveis", escreve a Human Rights Watch. “As violações aos direitos humanos raramente são investigadas."

 

O texto recorda que, em 2004, aprovou-se uma emenda constitucional que transferiu para a esfera federal a apuração dos crimes contra os direitos humanos. Mas lembra que, até o momento, “não houve transferências desse tipo."

 

O relatório reconhece que houve avanço no combate ao trabalho escravo –“De janeiro a agosto [de 2007], o Ministério do Trabalho libertou mais de 3,4 mil trabalhadores”—, mas lamenta: “Até agosto de 2007, ninguém foi punido por manter trabalhadores em condições escravas”.

 

O documento repisa, de resto, um tema recorrente: "As condições subumanas, violência e superlotação que historicamente caracterizaram as prisões brasileiras." Localiza em São Paulo uma contabilidade macabra: "A polícia matou 201 pessoas na primeira metade de 2007, de acordo com dados oficiais. Quinze policiais foram mortos no mesmo período."

 

Tudo considerado, o relatório confere ao Brasil o status de cozinheiro incômodo. Reconhece-se que a qualidade da omelete que salta de sua frigideira não é ruim. Mas o país continua sendo intimado a explicar o sacrifício dos ovos.

Escrito por Josias de Souza às 16h16

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Pílula do dia seguinte é ‘inaceitável’, diz CNBB

Millôr
 

 

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) decidiu engrossar o coro do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, contra o uso da pílula do dia seguinte durante o Carnaval. Em nota veiculada no sítio do órgão máximo da Igreja, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família classificou a distribuição do medicamento aos foliões de providência “moralmente inaceitável”.

 

O texto é assinado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Antônio Augusto Dias Duarte. Médico de formação, ele sustenta que o medicamento que será distribuído por prefeituras pernambucanas é abortivo. “Trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita ‘desprotegida’, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez.”

 

Anota, de resto, que a pílula contém “altas doses” de hormônios femininos (estrogênio) e masculinos (testosterona). E afirma, em timbre de alerta: “O uso desses hormônios em alta dose pode acarretar sérias complicações à saúde da mulher, como os tromboembolismos.”

 

Segundo dom Dias Duarte, a pílula do dia seguinte provoca “um aborto químico”. Que, na opinião dele, é “tão gravemente imoral quanto o aborto cirúrgico”. O religioso arremata: “Por tudo isso, o uso da pílula do dia seguinte é moralmente inaceitável, ainda mais quando sua distribuição é feita de maneira indiscriminada e com o uso do dinheiro público.”

 

A manifestação da Pastoral para a Vida e a Família da CNBB veio a público nesta quarta-feira (30), mesmo dia em que que o juiz José Viana Ulisses Filho, da 6ª Vara da Fazenda Pública de Recife, negou o pedido de liminar contra o uso da pílula do dia seguinte em Pernambuco. Com a decisão, manteve-se inalterado o plano de distribuição do medicamento em quatro municípios pernambucanos: Recife, Olinda, Paulista e Jaboatão.

 

A ação que resultou na decisão do juiz Ulisses Filho fora movida pela Aduseps (Associação dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde). Antes, dom José Cardoso Sobrinho, o arcebispo de Olinda e Recife, tentara, sem sucesso, convencer o Ministério Público de Pernambuco a tomar providências judiciais contra a distribuição do contraceptivo.

 

Ao apoiar a posição de seu representante para a região de Olinda e Recife, a CNBB compra briga com o ministro José Gomes Temporão. O titular da pasta da Saúde classificara de “lamentável” a posição do arcebispo. É por posicionamentos como esse, dissera Temporão, que cada vez mais os jovens se distanciam das paróquias.

 

“A prefeitura está correta e a Igreja está equivocada, mais uma vez”, afirmara Temporão. “A prefeitura está fazendo uma coisa que está dentro do protocolo do Ministério da Saúde. A pílula do dia seguinte é usada apenas sob prescrição médica, por orientação médica. Aí é uma questão de saúde pública e não religiosa."

 

"Eles estão corrompendo a juventude, desviando a juventude da lei de Deus", respondera dom José Cardoso Sobrinho. “Qualquer problema humano é também religioso." Para o arcebispo, a distribuição das pílulas “viola os direitos fundamentais e induz a população a praticar o mal".

 

PS.: Ilustração via sítio do Millôr Fernandes.

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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As manchetes desta quinta

- JB: Expurgo na PM

- Folha: Coronéis da PM afrontam governo do Rio

- Estadão: União Européia suspende compras de carne do Brasil

- Globo: Coronéis mantêm o desafio com renúncia coletiva na PM

- Gazeta Mercantil: Ganhos históricos em 2007 premiam acionista de banco

- Correio: Polícia do DF indicia 50 agentes e delegados

- Valor: Apesar da crise, crédito externo continua farto

- Estado de Minas: Chuva ameaça 200 áreas em BH

- Jornal do Commercio: Jogo do bicho está suspenso no estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Efeito 'coceira'!

Guto Cassiano
 

PS: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Enquanto as árvores caem, o governo bate cabeças

Na questão do desmatamento da Amazônia, o governo revela-se uma canoa a três. Um das passageiras, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente), olha para um lado. Outros dois, o colega Reinhold Stephanes (Agricultura) e o próprio Lula remam na outra direção.

Nesta quarta-feira (31), Lula vocalizou em público algo que vinha afirmando entre quatro paredes. Pela manhã, em solenidade no Itamaraty, pôs panos quentes sobre o levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) –aquele que detectara a derrubada de 3,235 km2 de selva amazônica no último trimestre de 2007.

 

Disse que, em verdade, o que o Inpe fez foi alertar o governo, que tomou o aviso como sinal de que não pode descuidar do problema. Para o presidente, os dados mostram a existência de um “tumorzinho”. O que não autoriza ninguém a dizer que há um “câncer” no coração da Amazônia.

 

De resto, o presidente segurou o remo que vinha sendo manuseado, em esforço solitário, pelo ministro Stephanes. Disse que, antes de uma averiguação minuciosa, não se pode acusar os plantadores de soja e os criadores de gado pelo desmatamento.

 

À noite, de passagem por São Paulo, Lula voltou a falar do flagelo do desmatamento. O que era “tumor” virou uma simples “coceira” (veja o vídeo lá no alto). “A notícia é uma notícia preocupante. É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais grave. Por enquanto, nós temos todas as condições de controlar, de saber quem são as pessoas”, disse o presidente.

 

Sem saber das declarações do chefe, Marina Silva voltou a responsabilizar a soja e a pecuária pela abertura de clarões na floresta. Disse que não acredita em coincidências. Referia-se ao fato de a motosserra ter intensificado suas atividades justamente no momento em que os preços dos grãos e da carne experimentaram uma alta no mercado internacional.

 

Depois de sobrevoar a floresta, na altura de Mato Grosso, a ministra disse que a devastação é mesmo “preocupante”. O colega Tarso Genro (Justiça), que acompanhou Marina no sobrevôo, anunciou para 20 de fevereiro o envio de uma força tarefa da Polícia Federal à Amazônia.

 

Enquanto os abatedores de árvores aniquilam a floresta, o governo leva à lona o ditado segundo o qual a união faz a força. Em Brasília, parece se guiar por um brocardo diferente: a união faz a farsa.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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PT levanta gastos de publicidade da gestão Kassab

  Luciano Amarante/Folha
O petismo começou a estocar munição contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que ensaia uma candidatura à reeleição em São Paulo. Valendo-se de informações disponíveis nos computadores da Câmara Municipal, o partido da ministra Marta Suplicy (Turismo) farejou um aumento “extraordinário” nos gastos da prefeitura com publicidade.

 

Verificou-se que, entre 2006 e 2007, as despesas da gestão Kassab com a promoção das “realizações” do prefeito foram tonificadas em 117%. Empenharam-se gastos de R$ 66,9 milhões. Desse total, R$ 58,5 milhões já saíram das arcas do município. Para 2008, Kassab anotou na rubrica de publicidade uma previsão de gastos de R$ 36,5 milhões.

 

Nada mal para quem, com 13% das intenções de voto, segundo o Datafolha, precisa crescer e aparecer para convencer o rival tucano Geraldo Alckmin (26%) a abdicar de ter o seu nome inscrito na cédula de 2008.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

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Mônaco discute nesta quinta extradição de Cacciola

  Folha
A Corte de Apelações de Mônaco marcou para esta quinta-feira (31) uma nova audiência para analisar o pedido de extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. Será a quarta tentativa de julgamento do pedido formulado pelo governo brasileiro. As outras três resultaram em adiamento.

 

O blog conversou com um diplomata que acompanha o caso. Ele informou que, embora o governo brasileiro torça por um desenlace imediato do caso, não há certeza de que a sentença saia nesta quinta. Disse, de resto, que o Brasil forneceu às autoridades de Mônaco todos os documentos de que precisam para decidir favoravelmente à extradição.

 

A última audiência em que o caso Cacciola esteve em pauta ocorreu em 6 de dezembro de 2007. Foi adiada porque a defesa do ex-banqueiro alegara problemas na tradução dos documentos vindos do Brasil, um calhamaço de 553 páginas. O tribunal encomendou uma nova tradução.

 

O diplomata ouvido pelo repórter disse ter sido informado de que a tradução já teria sido preparada. Não haveria mais empecilhos para a conclusão do julgamento. O advogado contratado por Cacciola, Frank Michel, diz coisa diferente. Ouvido pela BBC, ele declarou que juízes da Corte de Apelação podem solicitar novo adiamento, o quinto.

 

Segundo Frank Michel, a tradução da papelada levada aos autos só ficou pronta há dois dias, na terça-feira (29). Os juízes precisariam de mais tempo para analisar todo o material. O defensor de Cacciola avisa que, havendo nova postergação, vai pedir a libertação de seu cliente.

 

Cacciola foi recolhido à cadeia de Mônico, com uma aprazível vista para o mar, em 15 de setembro de 2007. "Nada justifica uma detenção tão longa. O Sr. Cacciola não pode ser punido porque as autoridades brasileiras não traduziram corretamente os documentos do processo", diz o advogado Frank Michel.

 

Frustrando-se a extradição de Cacciola –seja por conta de uma eventual liberação, seja pela negativa do pedido formulado pelo Brasil—continuará pendente de execução a sentença exarada pela Justiça brasileira contra o banqueiro. Ele foi condenado a 13 anos de prisão, em 2005, no processo que apurou as malfeitorias praticadas no Banco Central durante o governo FHC.

 

Como se recorda, o Banco Marka, de Cacciola, foi à breca em 1999, nas pegadas da desvalorização do câmbio. O BC socorreu-o, junto com outra instituição financeira encrencada, o FonteCindam. Sentindo o cheiro de queimado, Cacciola, dono de cidadania italiana, fugiu para a Itália em 2000. Foi julgado e condenado à revelia.

 

PS.: Como temiam todos, a corte de Mônaco adiou novamente, nesta quinta (31) a decisão sobre o caso Cacciola. A coisa ficou para 19 de fevereiro. A boa notícia é que foi negado um pedido de habeas corpus protocolado pelo advogado do sem-banco foragido.

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Justiça mantém a distribuição de ‘pílulas’ em PE

Prevaleceu o bom senso em Pernambuco. O juiz José Viana Ulisses Filho, da 6ª Vara da Fazenda Pública de Recife, negou o pedido de liminar contra a distribuição de pílulas do dia seguinte no Carnaval pernambucano. Assim, fica mantida a iniciativa adotada pelas prefeituras de quatro municípios: Recife, Olinda, Paulista e Jaboatão.

 

A ação contra a distribuição das pílulas fora movida pela Aduseps (Associação dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde). A entidade fez coro com o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho. À testa de uma campanha contra a iniciativa das prefeituras, Dom Sobrinho chegou mesmo a ameaçar de excomunhão os católicos que comparecerem aos postos de Saúde para obter a pílula.

 

A Igreja foi além: requereu ao Ministério Público de Pernambuco a adoção de medidas judiciais contra a distribuição da pílula do dia seguinte. Em sacrossanta deliberação, a promotora Ivana Botelho mandou ao lixo o pedido. Apoiou-se no óbvio: para além dos dogmas religiosos, está-se diante de uma questão de saúde pública.

 

Antes de tomar a decisão, a promotora Ivana muniu-se de um parecer médico. Atesta que o medicamento não é abortivo. Visa apenas evitar a fertilização horas depois do ato sexual. Foi informada, de resto, que a distribuição da pílula não se dará de forma aleatória. Antes de receber a medicação, a paciente terá de passar por uma consulta médica.

 

A decisão do juiz José Viana deixou inconformada a presidente da Aduseps, René Patriota. Ela anunciou que a entidade vai recorrer ao Tribunal de Justiça de Pernambuco: “O juiz entendeu que não há provas de que a pílula seja abortiva, mas eu não entendo desse modo. Queremos ouvir do Ministério da Saúde e do fabricante do remédio quais os mecanismos de atuação deste remédio.”

Escrito por Josias de Souza às 18h33

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União Européia suspende compra de carne brasileira

  BBC
Deu-se o pior: depois de muito ameaçar, a União Européia vai decretar, a partir desta quinta-feira (31), a suspensão de compra de carne proveniente do Brasil. O bloqueio vai vigorar por tempo indeterminado.

 

Má notícia para os exportadores de carne. Os negócios com os países europeus alçam a casa de US$ 1,4 bilhão por ano. Boa notícia para os consumidores brasileiros. Vai sobrar carne no mercado interno. E o preço tende a baixar.

 

A União Européia optou pela providência draconiana porque acha que o governo brasileiro não merece crédito. Algo que o mnistério da Agricultura considerou "injustificável". Em dezembro de 2007, em visita ao Brasil, técnicos europeus detectaram falhas no sistema de controle sanitário do gado.

 

Bruxelas, sede da União Européia, fixou um prazo para que o Ministério da Agricultura realizasse inspeções nas fazendas. Esperava receber, em fevereiro, uma lista de estabelecimentos que operam dentro dos conformes.

 

As autoridades européias estimaram que, em prazo tão curto, o Brasil não conseguiria inspecionar mais do que 300 fazendas. Porém, Brasília enviou a Bruxelas uma lista bem mais fornida: 2.681 propriedades. As autoridades européias levaram os dois pés atrás.

 

Optou-se por acomodar o selo da dúvida sobre toda a lista brasileira. Ou seja: aos olhos da União Européia, não há mais nenhuma fazenda confiável no Brasil. Programou-se para 25 de fevereiro a visita de uma nova missão técnica ao Brasil. Antes disso, não será adquirido nenhum quilo de carne brasileira.

 

Quando a coisa volta ao normal? "Será um processo longo e o calendário dependerá do número de fazendas, das complexidades de cada uma, dos problemas que podemos detectar", diz o comissário europeu de Saúde, Markos Kiprianou.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

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Justiça abre novo processo contra casal da Renascer

O juiz substituto da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Márcio Rached Millani, abriu, a pedido do Ministério Público, novo processo contra Estevam e Sônia Hernandes. O casal que comanda a Igreja Renascer responderá pelos crimes de evasão de divisas e falsidade ideológica.

 

A denúncia contra Sônia e Estevam fora apresentada pelo Ministério Público em novembro do ano passado. Depois de analisá-la, o juiz Millani decidiu inaugurar o processo. Deu-se há três dias, na última segunda-feira (28).

 

A acusação envolve os mesmos dólares que levaram o casal da Renascer à prisão nos EUA. Há um ano, em janeiro de 2007, a bispa e o apóstolo, como Sônia e Estevam se autodenominam, foram detidos no aeroporto de Miami. Informaram na alfândega que não levavam dinheiro na bagagem.

 

Apertados, reconheceram que carregavam mais de US$ 10 mil. Revistados, verificou-se que traziam do Brasil US$ 56.467. Até num porta-CDs e na capa de uma bíblia havia dinheiro. Desceram ao xilindró, prestaram depoimento, saíram em liberdade vigiada e, finalmente, amargaram uma condenação de 140 dias de cana cada um, alternados com igual período de prisão domiciliar.

 

No Brasil, decidiu-se abrir processo porque também ao embarcar para Miami, no aeroporto de Cumbica, a bispa e o apóstolo esquivaram-se de declarar ao fisco que levavam valores para fora do país. Reza a lei 9.069, de 1995, que o viajante é obrigado a informar à Receita Federal, ao entrar ou sair do país, o porte de mais de R$ 10 mil em moeda estrangeira.

 

A nova encrenca judicial torna mais densa a ficha corrida da bispa e do apóstolo no Brasil. Em 2006, a dupla chegou a ter a prisão preventiva decretada. Porém, em dezembro daquele ano, Sônia e Estevam obtiveram no Superior Tribunal de Justiça uma liminar que revogou o pedido de prisão. Por isso puderam dar as caras em público e embarcar, no mês seguinte, para os EUA, rumo ao pesadelo de Miami.

 

No momento, Sônia e Estevam cumprem um revezamento que lhes foi imposto pela Justiça norte-americana. Ela está atrás das grades, depois de um período de prisão domiciliar. Serão 140 dias de reclusão. Ele, que já cumpriu os seus 140 dias de cana, encontra-se recluso em casa. Encerrado o vaivém, o casal será retido em Miami por mais dois anos -prazo em que estarão em liberdade condicional.

Escrito por Josias de Souza às 14h05

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As manchetes desta quarta

- JB: Agência de inteligência do governo investiga 25 ONGs

- Folha: Cai o número de homicídios no país

- Estadão: Crédito atinge recorde de 34% do PIB

- Globo: Cai comandante da PM que não puniu subordinados

- Gazeta Mercantil: Oi e Br T informam ao governo plano de fusão

- Correio: Devassa na farra do cartão corporativo

- Valor: Divergências paralisam exportação de carne à UE

- Jornal do Commercio: Justiça define hoje se libera ou proíbe a distribuição de pílula na folia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Pires
 

PS.: Via blog do Pires.

PS. 2: São Pedro tem sido inclemente com São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Nelson Jobim fecha parceria militar com a França

Antônio Cruz/ABr
 

 

Em viagem a Paris, o ministro Nelson Jobim (Defesa) cavou uma trincheira que, aos olhos das Forças Armadas brasileiras, é promissora. Pôs-se em marcha uma parceria de transferência de tecnologia militar.

 

Ao Brasil, interessa a construção de submarinos nucleares de defesa e helicópteros. A França persegue, naturalmente, a venda de artefatos bélicos. Não há, por ora, detalhes do acordo. Não se sabe, por exemplo, quanto o Brasil se dispõe a gastar.

 

O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, parece entusiasmado: “Queremos que o Brasil seja o parceiro estratégico da França na América do Sul. E que a França seja o parceiro privilegiado do Brasil na Europa”, disse ele, depois de acompanhar Jobim num encontro com o presidente Nicolas Sarkozy.

 

Ao que parece, a França deseja que o acerto seja longevo: “O Brasil será uma das grandes potências do século 21. É com este país que desejamos firmar uma parceria estratégica de longo prazo”, disse o ministro Morin.

 

A movimentação de Jobim insere-se num ambiente de preocupação dos militares brasileiros com o desaparelhamento de sua tropa. Nos subterrâneos, diz-se que o país não pode ficar de braços cruzados enquanto o companheiro Hugo Chávez torra US$ 4 bilhões com a compra de armamentos. O diabo é que, diferentemente da Venezuela, o Brasil não dispõe de petrodólares.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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STF terá de decidir se ouve Lula sobre mensalão

  Folha
Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no STF, terá de tomar uma decisão delicada: caberá ao ministro decidir se Lula deve ou não depor sobre o escândalo que sacudiu o governo dele em 2005. Deve-se a saia justa ao deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Acomodado no banco dos réus, Jefferson decidiu arrolar Lula como sua testemunha.

 

Nesta terça-feira, o ex-deputado confirmou os seus planos. Em texto veiculado no blog que mantém na rede, Jefferson explicou assim a sua decisão: “Falei com Lula duas vezes sobre o mensalão - da primeira, estávamos ele, eu e o ex-ministro Walfrido [dos Mares Guia]; da segunda, ele, eu, o ex-ministro Aldo Rebelo e o atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.”

 

Jefferson prossegue: Lula “pediu ao Chinaglia que apenas monitorasse os acontecimentos. O Brasil quer saber dele por que, como chefe de Estado, não remeteu a informação à PF ou à Procuradoria Geral da República, como deveria. Por que minimizou a denúncia, se omitindo? Por quê?”

 

A Justiça vai começar a ouvir as testemunhas arroladas pelos réus da “quadrilha” do mensalão só depois que os próprios acusados forem inquiridos. Por ora, prestaram depoimento apenas 19 réus. Há ainda 20 oitivas por fazer. Nesta terça (29) o Supremo divulgou um balanço da encrenca.

 

Concluída esta primeira fase, Joaquim Barbosa irá se debruçar sobre as listas de testemunhas arroladas pelos réus. Serão 312 no total – oito para cada acusado. É nessa hora que o relator terá de decidir se ouve ou não Lula, como quer Jefferson.

 

Embora cassado pela Câmara, Roberto Jefferson é presidente nacional do PTB. Uma legenda que, a despeito das turbulências mensaleiras, manteve-se associada ao consórcio governista. O ministro José Múcio, coordenador político de Lula, é filiado à legenda de Jefferson.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Os gastos com cartões dão visibilidade ao ‘Nada’

Em Brasília, o Nada possui sólida existência. Despacha diariamente em certos gabinetes da Esplanada dos Ministérios. É difícil enxergar o Nada. Mas ele está lá. E como está!

Experimente-se alcançar todos os ministros com os olhos. Tente-se enxergá-los em seus assentos. Inútil. Na maioria dos casos, o olhar atravessará o Nada e irá bater no couro do espaldar da poltrona.

 

Nos últimos dias, porém, o Nada se tornou encontradiço. Ganhou densa visibilidade nas dobras dos extratos dos cartões de crédito corporativos. Descobriu-se que o Nada não está em Brasília a passeio.

 

Primeiro, o país tomou conhecimento da existência de Matilde Ribeiro, o Nada de saias. Agora, está sendo apresentado a Altemir Gregolin, o Nada de calças.

 

A xerifona Dilma Rousseff encomendou à CGU uma auditoria nas despesas anotadas no cartão de Altemir, ministro da Pesca (R$ 22,6 mil, em 2007). Na véspera, a Comissão de Ética Pública solicitara à mesma CGU que perscrutasse os gastos de Matilde, ministra da Integração Racial (R$ 171.500).

 

O uso dos cartões governamentais é, desde sempre, um escândalo esperando para acontecer. Ao pedir à CGU que arregace as mangas, o Planalto faz por pressão o que não fizera por obrigação.

 

Há, porém, um lote de perguntas boiando na atmosfera de Brasília. O vasto organograma do primeiro escalão anota os nomes de 37 ministros. Por que só dois terão os seus cartões virados do avesso? E os outros? O país não merece conhecer, por exemplo, os gastos da própria ministra Dilma?

 

De tão séria, a coisa já virou até piada!

Escrito por Josias de Souza às 20h07

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Governo bate o pé e insiste no corte de R$ 20 bi

Reunido com os ministros que integram a coordenação do governo, Lula voltou a debater, nesta terça-feira (29), os cortes que terão de ser feitos no Orçamento para compensar a falta da CPMF. Ao final do encontro, divulgou-se a notícia de que, para o presidente e seus ministros, a tesourada tem de ser mesmo de R$ 20 bilhões.

 

Resta agora convencer os membros da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Os deputados e senadores são, nessa matéria, os donos da tesoura. E, por ora, não parecem muito dispostos a entregar ao Planalto uma poda do tamanho que o governo deseja.

 

Conforme já noticiado aqui, a comissão orçamentária do Congresso reestimou a perspectiva de receita do Tesouro com a coleta de tributos em 2008. Escorada nos números que resultaram dessas contas, a comissão cogita cortar R$ 17 bilhões –R$ 3 bilhões a menos do que a estimativa oficial.

Escrito por Josias de Souza às 18h45

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Em ano eleitoral, Piauí transforma água em comida

Em ano eleitoral, Piauí transforma água em comida

R$ 2,5 mi destinados a carros-pipa pagam cestas básicas

 

Duke

 

O governador petista do Piauí, Wellington Dias, transformou em comida os R$ 2,5 milhões que recebera do governo companheiro de Lula para financiar a compra de água. Em vez encher carros-pipa para matar a sede das vítimas da seca no Estado mais pobre do país, a verba federal vai rechear a carroceria de caminhões com 50 mil cestas básicas.

 

Nesta quarta-feira (29), o próprio governador piauiense inspecionará o embarque das primeiras 5.000 cestas de alimentos. Serão enviadas a famílias pobres de dez municípios piauienses: 1) Flores do Piauí; 2) Itaueira; 3) Rio Grande do Piauí; 4) Gilbuéis; 5) São Julião; 6) Alegrete; 7) Ipiranga; 8) Redenção do Gurguéia; 9) Monsenhor Hipólito; e 10) Alvorada do Gurguéia.

 

A generosidade paga pelo Tesouro Nacional ocorre no alvorecer de um ano em que os beneficiários das cestas-básicas terão de escolher nas urnas os novos prefeitos e vereadores de suas cidades. E o governo piauiense não se faz de rogado. Esmera-se na divulgação: a distribuição de alimentos foi às páginas da imprensa local e ao sítio da secretaria de Defesa Civil do Estado.

 

A operação que resultou na transferência de R$ 2,5 milhões dos cofres de Brasília para as arcas da administração piauiense constitui um dos mais nítidos retratos da ineficiência do Estado. Deu-se o seguinte:

 

1. Em 28 de maio de 2007, o governo do Piauí enviou ao ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) o ofício número 89. Pedia socorro financeiro para acudir as vítimas da seca. Dos 223 municípios do Estado, 150 arrostavam severa estiagem. O flagelo da falta d’água infelicitava algo cerca de 1 milhão de piauienses;

 

2. Em 6 de julho de 2007, de passagem por Teresina, o ministro Geddel anunciou, diante de cerca de 200 pares de ouvidos que o observavam –entre eles os do governador Wellington—, que o Piauí receberia R$ 2,5 milhões. Graças ao anunciou, suspendeu-se um programa emergencial de fornecimento de água conduzido pelo Exército;

 

3. Em 9 de outubro de 2007, o ministério gerido por Geddel empenhou a verba que prometera ao Piauí: R$ 2.524.635,00. A nota de empenho foi registrada sob o código “2007NE900670”. Empenho, porém, não é sinônimo de liberação. Significa apenas que a reserva do dinheiro para a execução de uma determinada despesa;

 

4. Em novembro, a chuva começou a cair sobre o semi-árido do Piauí. São Pedro foi mais ágil que a burocracia oficial. Quando a verba de Brasília chegou a Teresina, os carros-pipa já não eram mais necessários;

 

5. Em tese, Wellington Dias deveria devolver a verba aos cofres do Tesouro. O empenho da pasta da Integração Regional é muito explícito ao anotar o “objeto” a que se destinavam os recursos: “Programa emergencial de distribuição de água potável, destinado a municípios do semi-árido piauiense, através de carros pipas.”

 

6. O uso do dinheiro para objetivos diversos daquele previsto no empenho não tem amparo na lei. No ano passado, quando os primeiros pingos de chuva começaram a tocar o solo ressequido do Piauí, o secretário da Defesa Civil do Estado, Fernando Monteiro, declarara o seguinte: “Caso o dinheiro não seja liberado antes de a chuva efetivamente chegar, justificaremos o investimento em outras melhorias para combater a seca no Estado, como a construção de cisternas e poços.” Mudou de idéia. Usa o dinheiro para comprar cestas básicas. Alega que a comida será entregue, “prioritariamente”, a famílias que ainda não foram cadastradas em programas sociais do governo.

 

PS.: Ilustração via blog do Duke.

PS.2: Em nota enviada ao repórter, a assessoria do governador Wellington Dias diz lamentar que “a ajuda às vítimas da estiagem no Estado tenha se transformado em mote de insinuação do uso da mesma para fins políticos-eleitorais”. Afirma que os municípios beneficiados com a distribuição de cestas básicas encontram-se em “estado de emergência” desde de maio de 2007. Por isso, “estão habilitados para receber auxílio federal.” Sustenta, de resto, que o ministério da Integração Nacional suspendera a ajuda ao Piauí porque o ano fiscal de 2007 encerrara em 21 de dezembro. O repasse só foi restabelecido na sexta-feira passada (25). O próprio ministério, diz a nota, redirecionou a verba dos carros-pipa para a compra de alimentos, via Conab.

Escrito por Josias de Souza às 18h08

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As manchetes desta terça

- JB: Investidor desafia a crise e busca crédito

- Folha: Remessa de lucros atinge recorde e chega a US$ 21 bi

- Estadão: Investimento estrangeiro de longo prazo bate recorde

- Globo: Dinheiro externo é recorde mas crise já provoca fuga de capital

- Gazeta Mercantil: Capital externo deixa déficit de US$ 1,8 bilhão no mercado

- Correio: Recurso estrangeiro afasta Brasil da crise

- Valor: Crise induz empresas a recomprar ações na bolsa

- Estado de Minas: Bebida sem controle nas BRs

- Jornal do Commercio: Dom José enfrenta a pílula na Justiça

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h57

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Malabares!

Baptistão
 

PS.: Via blog do Baptistão.

PS.2: Na noite desta segunda-feira (28), madrugada de terça no Brasil, Bush falou ao Congresso norte-americano. Diante do "momento de incertezas", pediu "confiança no crescimento". Ou seja, é tudo uma questão de fé. Assim, confie, irmão. Submetido aos humores da crise, o Brasil atravessa uma quadra dicotômica: os dólares entram por uma porta, aos borbotões, e saem por outra.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

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Matilde virou um ‘abacaxi’ para a CGU descascar

A ministra Matilde Ribeiro (Promoção da Igualdade Racial) converteu-se, como se sabe num abacaxi. Deu-se no instante em que se noticiou que, sob a atuação obscura da auxiliar de Lula, escondia-se um gasto de R$ 171.500 com o cartão de crédito corporativo no ano de 2007.

Reunida para analisar o problema, a Comissão de Ética Pública do governo concluiu que a fruta, por indigesta, merece um estudo mais acurado. Transferiu-se para a CGU (Controladoria-Geral da União) a incumbência de descascar a encrenca.

 

A decisão escora-se numa suspeita singela: a comissão concluiu que o caso da ministra não tem cara de mera transgressão à ética. Pode configurar um ilícito. Daí a sugestão de que a CGU destaque auditores para esquadrinhar os extratos do cartão da ministra.

 

Matilde não está só. Levantaram-se indícios de que a farra dos cartões intoxica outros ministérios. Parece haver na Esplanada uma plantação de ananás. O odor despertou o Ministério Público. Conforme já noticiado aqui, há, desde a última quinta-feira (24), uma investigação aberta na Procuradoria da República. Apura-se se houve "imoralidade adnministrativa".

Escrito por Josias de Souza às 03h17

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Sobre Chapeuzinho, vovozinha, os lobos e os lobões

Sobre Chapeuzinho, vovozinha, os lobos e os lobões

Paulo Ramos informa no seu blog “Quadrinhos” que chega às bancas nesta semana “Grimms Mangá”, de Kei Ishiyama. Faz, em 176 páginas, uma releitura de cinco contos célebres dos Irmãos Grimm.

 

Num deles, uma Chapeuzinho Vermelho pós-moderna engata um relacionamento romântico com o Lobo Mau depois de levar mantimentos para a vovozinha. Qualquer semelhança com o conto do Palácio do Planalto é mera coincidência.

 

Na tradução brasiliense, como se sabe, Lobão levou para a vovozinha, representada por um governo já entrado em anos, um cesto de votos do PMDB. E acabou enredando Chapeuzão Vermelho num relacionamento permeado de fisiológica promiscuidade.

 

A reinterpretação de Ishiyama contém humor e um certo arejamento lúdico. A versão de Brasília está impregnada de horror e estupefação. Que tende a aumentar à medida que os porquinhos forem se acercando dos cargos que Chapeuzão incumbiu Lobão de prover.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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Brasil é um dos últimos na redução do desemprego

Brasil é um dos últimos na redução do desemprego

No ranking da OIT, índice melhorou em dez países da AL

Brasil é o 8ª colocado, à frente só do Peru e do Equador

Situação melhora no continente pelo 5º ano consecutivo

Só no México o índice de desemprego cresceu em 2007

 

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou nesta segunda-feira (28), em Lima, capital peruana, a nova edição do “Panorama Laboral”. Refere-se ao ano de 2007. Informa que a taxa de desemprego urbano caiu pelo quinto ano consecutivo na América Latina e no Caribe. Na média, o índice foi reduzido em 0,6% —caiu para 8,5%, contra os 9,1% registrados na região em 2006.

 

O documento baseou-se em dados coletados de janeiro a setembro de 2007 em 15 países, onze latino-americanos e três caribenhos. Verificou-se uma queda generalizada do desemprego. Só no México houve leve crescimento do índice. Tomando-se o naco da América Latina onde houve decréscimo do desemprego, a queda foi maior no Panamá, Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile, Colômbia e Costa Rica. E mais modestas no Brasil, Equador e Peru.

 

Eis o ranking apresentado no documento da OIT:

 

1- Panamá - redução de 10.4% para 7.7%

2- Argentina - caiu de 10.7% para 8.8%

3 - Uruguai - foi de 11.9% para 10.0%

4 - Venezuela – de 10.5% para 9.0%

5 - Chile - 8.4% para 7.1%

6 - Colômbia - 13.2% para a 12.0%

7- Costa Rica - 6.0% para 4.8%

8- Brasil - 10.2% para 9.7%

9- Equador - 10.3% para 9.8%

10 - Peru - 8.8% para 8.7%

11- México – a taxa subiu de 3.6% para 3.8%.

 

Na semana passada, o IBGE informara que o desemprego fora de 9,3%, em 2007, nas seis maiores regiões metropolitanas do Brasil. Um índice ligeiramente inferior aos 9,7% anotados no texto da OIT, que manuseou informações relativas aos nove primeiros meses do ano passado. 

 

Entre os países do Caribe mencionados no estudo da OIT, dois registraram quedas na taxa de desemprego superiores às do Brasil –Jamaica (de 11,4% para 10,2%) e Honduras (de 5,2% para 4,1%). Outros dois anotaram índices de redução menores que o brasileiro –Barbados (de 8,7% para 8,9%) e Trinidad Tobago (de 7.0% para 6.3%).

 

Com a redução para 8,5%, a taxa média de desemprego no continente recuou a níveis semelhantes aos registrados na metade dos anos 90. A OIT estima em 17,6 milhões o número de desempregados na América Latina e no Caribe. A melhoria do quadro vem sendo contínua desde 2002, quando o índice de desemprego na região era 11,4%. Em cinco anos, o desemprego recuou 2,9%.  

 

O relatório da OIT anota que, mantendo-se a perspectiva de um crescimento econômico médio de 4,7% ao longo de 2008, o desemprego na América Latina e no Caribe pode cair ainda mais: iria de 8,5% para 7,9%. Jean Maninat, diretor da OIT, lembra, porém, que o mundo vive dias nebulosos: “Haverá uma alta dose de incerteza, gerada pela volatilidade da situação econômica internacional e pelos prognósticos de uma desaceleração e, inclusive, de uma recessão”, puxada pela economia dos EUA.

 

A despeito da melhoria do cenário em 2007, acompanhada de leve melhoria no valor dos salários reais, a OIT anota em seu relatório que há um “déficit de salário decente” na região. Na definição da entidade, é “decente” a ocupação que oferece ao trabalhador: rendimentos dignos, segurança no local de trabalho, proteção social para as famílias, liberdade para expressar opiniões e igualdade de oportunidades para mulheres e homens.

 

Segundo a OIT, persiste no continente a alta incidência de emprego informal. Em alguns países, a informalidade chega a 61,5%. Cerca de 39,2% dos trabalhadores da região ainda não dispõem de proteção de saúde e previdenciária.

 

O relatório ressalta que na região mantém-se um “déficit de trabalho decente”, das quais uma das principais manifestações é a persistência do emprego informal, que, segundo os dados disponíveis, em um grupo de países, afeta cerca de 61,5% dos trabalhadores ocupados urbanos, uma redução de 0,8 pontos percentuais em relação a 2005.

Por outro lado, cerca de 39,2% dos trabalhadores ocupados urbanos não tinham proteção em saúde ou pensões em 2006, uma proporção que aumenta de forma importante para o caso do emprego não assalariado, serviço doméstico e trabalhadores independentes. De resto, a taxa de desocupação é 1,6 vezes maior entre as mulheres. Pressionando aqui, você vai à íntegra do relatório da OIT. São 105 páginas. Infelizmente, só está disponível em espanhol.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Marco Aurélio manifesta-se contra norma da Receita

  Folha
A julgar pela opinião do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, deve ser derrubada a norma da Receita que obrigou bancos e administradoras de cartões de crédito a repassar ao fisco os dados dos correntistas com movimentação semestral superior a R$ 5 mil (pessoas físicas) e R$ 10 mil empresas). Em entrevista concedida nesta segunda-feira (28), o ministro disse:

 

“Temos uma jurisprudência, pronunciamentos do Supremo, no sentido da preservação de dados bancários. O Supremo vem proclamando que a quebra de sigilo só é possível mediante atuação de um órgão eqüidistante, o Estado juiz, ou seja: para ter-se o afastamento do sigilo [bancário], que é uma garantia constitucional do cidadão, é indispensável que se recorra ao Judiciário...” (ouça).

 

Embora tenha ressalvado que não está antecipando o seu “ponto de vista”, Marco Aurélio disse que “a jurisprudência do tribunal é conhecida de todos.” Afirmou, de resto, que ao requisitar os dados bancários de correntistas de maneira indiscriminada, o fisco acomoda “na vala comum todos os brasileiros, como se todos fossem salafrários.” Algo que, para ele, “não implica avanço cultural, mas sim retrocesso.”

 

A norma da Receita, editada para substituir os efeitos da CPMF no combate à sonegação de impostos, foi questionada pela OAB em ação protocolada no STF na semana passada. Na última sexta-feira (25), conforme noticiado aqui, a presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, deu prazo de dez dias para que Lula encaminhe ao tribunal explicações sobre a medida.

 

Em seu despacho, a ministra informou que, embora a OAB tenha requerido em sua ação uma decisão liminar (provisória), ela optou por levar o caso diretamente ao plenário do Supremo, que julgará o caso em termos definitivos.

 

Na mesma entrevista em que deu a sua opinião sobre a norma editada pela Receita, o ministro Marco Aurélio falou sobre a sobrecarga de processos que infelicita a rotina do STF. “É incompreensível”, disse ele, “termos um juiz do supremo liberando por ano cerca de 15 mil processos. É uma anormalidade, precisamos de uma correção de rumos.”

 

Defende um “enxugamento na competência do Supremo.” Entre os casos que deveriam deixar de ser julgados pelo tribunal Marco Aurélio relaciona os processos que envolvem políticos. Referindo-se à chamada “prerrogativa de foro” que beneficia deputados e senadores, o ministro afirmou: “Vivemos numa Republica, mas o princípio do tratamento igualitário não é observado.”

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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Em 2007, o Bradesco lucrou notáveis R$ 8 bilhões

Qual é a diferença fundamental entre o PSDB (Partido de Salvação dos Bancos) e o PT (Partidos da Transmutação)? Difícil dizer. A olho nu não se percebe. No poder, ambos deram vida boa à banca.

 

Nesta segunda (28), o Bradesco informou à tribo tapuia o tamanho do lucro que amealhou no ano da graça de 2007: R$ 8,010 bilhões. Uma marca que, nunca antes na história desse país, fora alcançada por uma casa bancária.

 

Considerando-se o tamanho de seus bancos, o Brasil já pode ser considerado uma nação supersubdesenvolvida. O Bradesco ocupa agora a sétima posição no ranking dos maiores bancos das Américas. Está atrás apenas do Bank of América, JP Morgan, Chase, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Wachovia.

 

Surpreso? Pois convém guardar parte do seu espanto para os próximos dias. Vem aí o anúncio do lucro do Itaú. Por ora, o principal concorrente privado do Bradesco ocupa a 9ª posição no ranking das Américas. Porém, a julgar pelo lucro que acumulara até o terceiro trimestre de 2007 (R$ 6,444 bilhões), vai tomar o elevador.

 

Não é sem motivo que, no Brasil, os bancos tornaram-se o sonho de consumo dos políticos em campanha. Tomando um lugar que era das empreiteiras, tornaram-se os maiores provedores das arcas partidárias.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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As manchetes desta segunda

- JB: Governo prevê derrota no STF e estuda nova CPMF

- Folha: Davos vê crise financeira com cautela e pessimismo

- Estadão: Novatas da Bolsa são as que mais perdem

- Globo: Governo dá R$ 2,8 bi a ONGs mas não fiscaliza

- Gazeta Mercantil: Investidor foge da turbulência da Bolsa e volta para renda fixa

- Correio: Escolas terão de divulgar gastos

- Valor: Crise abre espaço para exportador vender dólar

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Programa de Aceleração da Candidatura (da Dilma)!

 

PS.: Via blog TV Política.

PS.2: A propaganda eleitoral já está pronta. Só faltam os votos. Por ora, a companheira Dilma amarga escassos 2% das intenções de voto captadas pelas sondagens presidenciais.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Comissão de Orçamento mantém cortes em R$ 17 bi

Congresso resiste a pressão do governo, que quer R$ 20 bi

 

O comitê de arrecadação da Comissão Mista de Orçamento fechou suas contas. Concluiu que, mesmo depois da extinção da CPMF, a coleta de impostos vai injetar nas arcas do Tesouro Nacional R$ 682,7 bilhões no ano de 2008 –R$ 3 bilhões a mais do que os R$ 682,7 bilhões que o governo anotara no projeto de Orçamento que enviara ao Legislativo em agosto do ano passado, mês em que ainda se imaginava que a CPMF seria renovada.

 

Descontando-se o naco do bolo de tributos que a União será obrigado a repassar para Estados e Municípios, os técnicos do Congresso estimam que serão retidos nos cofres de Brasília R$ 561,86 bilhões. No projeto original do governo, aquele de agosto de 2007, o Ministério do Planejamento anotara uma cifra menor: R$ 558,13 bilhões. Ou seja, R$ 3,73 bilhões abaixo da estimativa a que chegou o comitê de arrecadação da comissão de Orçamento.

 

São esses os números que o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), relator do comitê de arrecadação, repassou à cúpula da Comissão de Orçamento. As contas já incorporam a arrecadação da CPMF de dezembro de 2007, que só ingressará nos cofres do governo neste mês de janeiro, e os R$ 10,4 bilhões que a Fazenda espera arrecadar durante o ano com a elevação do IOF e da CSLL, anunciada nos primeiros dias de 2008. A rigor, a despeito da derrubada da CPMF, os congressistas estariam lidando com um orçamento muito próximo do equilíbrio.

 

O problema é que, graças à expectativa de crescimento do PIB, foi necessário rever, para cima, o valor da economia que o governo terá de fazer para preservar a meta de superávit primário. De resto, foram tonificados os gastos sujeitos à variação das taxas de inflação e do aumento do salário mínimo. Somando-se as duas coisas, a comissão de Orçamento chegou à cifra de R$ 3,14 bilhões. Seria, ainda, café pequeno, não fosse um outro problema. Chama-se “emendas parlamentares”.

 

São de dois tipos: as individuais e as coletivas, assinadas por bancadas estaduais. Considerando-se as emendas que o deputado José Pimentel (PT-CE) já havia incorporado ao Orçamento àquelas que ele prometeu aos autores que iria contemplar, chega-se R$ 17,7 bilhões. O projeto original do governo reservara para o atendimento de emendas de congressistas R$ 7,7 bilhões. Ou seja, há um buraco de R$ 10 bilhões a ser coberto.

 

Somando-se esses R$ 10 bilhões aos R$ 3,14 que foi preciso reservar para o superávit fiscal e para o aumento das rubricas sujeitas à variação da inflação e do mínimo, chega-se a R$ 13,14 bilhões. Acrescendo-se a esse montante os R$ 3,73 bilhões resultantes do recálculo da receita líquida da União com impostos (depois de repassados a Estados e Municípios os pedaços que lhes cabem do bolo tributário), chega-se a um buraco de R$ 16,87 bilhões.

 

É esse, na opinião da Comissão de Orçamento, o tamanho do corte que precisa ser feito. Arredondando-se o número, chega-se ao montante de R$ 17 bilhões –R$ 3 bilhões a menos do que os cortes de R$ 20 bilhões que o governo previra. Como deputados e senadores não parecem dispostos a abrir mão de todas as suas emendas, a tesoura terá de alcançar também despesas do Executivo e do Judiciário. Quais? O deputado José Pimentel (PT-CE), relator-geral do Orçamento, faz mistério. Promete divulgar os dados só no dia 12 de fevereiro, a primeira terça-feira depois do recesso parlamentar.

 

Em conversa com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), o ministro Guido Mantega (Fazenda) rogou pela manutenção da facada de R$ 20 bilhões. O pedido foi repassado à cúpula da comissão de Orçamento. Que, por ora, não se mostra disposta a entregar ao governo um níquel além do estritamente necessário. A equipe de Lula dispõe de 15 dias para tentar reverter o quadro.

 

Curiosamente, Mantega sacode entre quatro paredes o lençol de um fantasma que, em público, ele minimiza: a crise econômica dos EUA. Na pregação dirigida ao Congresso, o ministro argumenta que os números resultantes das contas do comitê de arrecadação do relator Francisco Dornelles são meras estimativas. Previsões que, submetidas a um eventual temporal norte-americano, podem sofrer uma erosão.

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Sob Lula, governo vira ninho de ex-aliados tucanos

Para desassossego do petismo, o governo Lula convive com uma estranha simbiose (vá até a seção "Poder"). Mercê do pragmatismo do presidente, vicejam à volta do planalto espécimes que se haviam enraizado no poder ao longo da era FHC. Senão vejamos:

 

Edison Lobão, recém-admitido no PMDB e na Esplanada dos Ministérios, era planta da estufa congressual do governo tucano. Vegetava à época na horta pefelê.

 

Nelson Jobim, convertido em gerente de militares e de aviões de carreira, foi ministro da Justiça de FHC, a quem deve a assunção a uma poltrona no plenário do STF. É filiado ao PMDB. Mas conserva no bico, ainda hoje, uma curvatura tucana;

 

Solange Vieira, escolhida por Jobim para “despetizar” o comando da Anarc, a anárquica Agência Nacional de Aviação Civil, adorna o currículo com uma passagem pelo comando da Secretaria de Previdência Complementar na gestão FHC;

 

Reinhold Stephanes, aguerrido defensor dos ataques desferidos pela petista Marina Silva contra os produtores de soja e os criadores de gado, foi ministro da Previdência de FHC. Era, então, um legítimo pefelê. Agora, freqüenta a equipe de Lula na cota do PMDB;

 

José Múcio Monteiro, articulador político do neo-Mestre, também foi associado do consórcio partidário que dava suporte a FHC no Congresso. Chegou a presidir o ex-PFL. Antes, fora soldado do PSDB pernambucano. Agora, veste a camisa do PTB do deputado cassado Roberto Jefferson;

 

Romero Jucá, depois de breve e conturbada passagem pela pasta da Previdência, é líder de Lula no Senado. A serviço de FHC, desempenhara a mesma função. Hoje é PMDB. Ontem, era tucano de carteirinha. Mercê de sua desassombrada desenvoltura, o senador é protagonista de uma das mais velhas piadas de Brasília. Diz-se que ainda não é possível saber quem será o próximo presidente da República. Mas algo se pode dizer sem medo de errar: Jucá será o seu líder no Legislativo;

 

Roseana Sarney, líder de Lula no Congresso, também portava no Legislativo a bandeirinha do bloco de FHC. Era PFL. Agora é PMDB, como o pai, José Sarney. Carnaval vem, Carnaval vai, os Sarney sempre aparecem na fita sambando no ritmo do governo. Qualquer governo. Mesmo um governo gerido por um Lula que, no passado, associava o sobrenome mais famoso do Maranhão a malfeitorias variadas;

 

O peemedebista Geddel Vieira Lima, integrador nacional de Lula, era um dos mais aguerridos defensores de FHC na Câmara. Cultivava sólida aversão a Lula e ao PT. Súbito, associou-se à cruzada baiana do petista Jaques Wagner. Ganhou o ministério.

 

Henrique Meirelles acabara de eleger-se deputado federal pelo PSDB de Goiás quando recebeu o convite de Lula para dirigir o Banco Central. Retirou do peito os brasões tucanos e foi fazer o que gosta: cuidar das finanças. Arrosta, desde o 2003 inaugural, a aversão do PT. Sobrevive à bizarria com certo garbo.

 

Na presidência da Agência Nacional de Telecomunicações está o diplomata Ronaldo Sardemberg. Foi bi-ministro de FHC: de Assuntos Estratégicos e de Ciência e Tecnologia. Servia na representação brasileira na ONU no dia em que FHC, então chanceler, recebeu, em Nova York, o convite de Itamar Franco para tornar-se ministro da Fazenda. O telefonema de Itamar alcançou FHC na casa de Sardenberg, que oferecia ao amigo um jantar. Dali, FHC foi à Fazenda. De lá, à presidência da República.

 

Como se vê, para além do lero-lero ideológico, Lula e FHC têm muito, bastante, muitíssimo em comum. Une-os a mesma dose de pragmatismo e um certo gosto pelas relações fisiológicas.

Escrito por Josias de Souza às 21h06

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Atenção: quando for até o meio-fio, olhe para o céu

Atenção: quando for até o meio-fio, olhe para o céu

A recessão não é a única ameaça que os EUA impõem ao mundo. Descobriu-se que um satélite espião norte-americano perdeu a energia que o mantinha boiando no espaço. Contém material danoso à saúde. E ruma, desgovernado, em direção à Terra.

 

Estima-se que a encrenca cairá sobre o planeta entre fevereiro e março. Onde? Autoridades do governo Bush dizem que não é possível prever. "As agências apropriadas estão monitorando a situação", limitaram-se a informar.

 

Assim, quando acionar a descarga e ouvir um estrondo, olhe à sua volta. Se estiver vivo, corra até o vizinho, para verificar o estrago. De resto, convém não aventurar-se além da calçada sem dar uma boa olhada para o céu. Boa sorte!

Escrito por Josias de Souza às 19h02

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Uma análise lúcida de uma encrenca ‘translúcida’

  Antônio Cruz/ABr
Diz-se que determinado cenário é translúcido quando o manto de luz que o recobre não permite que se veja com clareza os objetos acomodados sobre o palco. É mais ou menos o que ocorre com os EUA.

 

A economia norte-americana encontra-se envolta em translúcidos vapores. Apertando-se os olhos, enxerga-se atrás da cortina uma locomotiva com as caldeiras em frangalhos. Impossível dizer, porém, se a máquina vai desacelerar, parar ou dar marcha à ré.

 

Sempre que instados a comentar a encrenca, as autoridades do governo Lula saem-se com explicações que têm cara de lógica, calda de lógica, grunhido de lógica, mas não é lógica. É blábláblá.

 

Há uma animadora exceção: Henrique Meirelles. Aos pouquinhos, o presidente do Banco Central vai se distanciando do logro oficial. Diz que o Brasil, vagão secundário da composição mundial, está, hoje, mais preparado para a tormenta. Mas não está imune.

 

Em entrevista aos repórteres Beatriz Abreu e Ribamar Oliveira, Meirelles disse o que vê atrás dos vapores: “A possibilidade de recessão é importante e está lá.” Confrontado com a certeza de alguns de que a China funcionará como anteparo para a crise, Meirelles concorda apenas até certo ponto. O ponto de interrogação:

 

“Qual é a capacidade, de fato, de a economia chinesa resistir a uma queda pronunciada das importações americanas de produtos chineses? De quanto será essa queda [...]? Qual será o impacto disso na economia da China? Quanto a China vai ter condições de absorver com o consumo doméstico? Qual será o efeito sobre a Índia e a própria Europa?”

 

Adiante das interrogações, Meirelles acomoda uma exclamação: “Existem graus diversos de possibilidades”, diz ele. Mas “certo impacto certamente terá, pois a economia americana é muito importante e grande importadora!”. Ora, se o impacto sobre a China, a Índia e a Europa é certo, o que dizer do Brasil?

 

“É uma crise séria”, diz Meirelles, de saída. Afirma que o BC está “monitorando” a borrasca. Observa-a “com serenidade”. Mas não foge aos seus efeitos: “Essa é a razão pela qual o Banco Central, tendo uma previsão para o crescimento em 2007 de 5,2%, fez uma previsão para 2008 de 4,5%. Por quê? Porque estamos assumindo a hipótese de que vai, de fato, haver uma desaceleração importante da economia americana, com reflexos em outras economias. Somado com outros fatores, dará essa taxa de crescimento [de 4,5%], que resume as nossas estimativas sobre os efeitos da crise americana no Brasil.”

 

Diferentemente de Meirelles, ministros como Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff adotam diante da crise comportamento semelhante ao do sujeito que deseja enterrar um um prego na parede e, para evitar dissabores aos dedos, segura o martelo com as duas mãos. Ou, por outra, vêem um corpo caindo do 30º andar e, verificando que ele se encontra na altura do 11º, declaram, aliviados: “Até aqui, tudo bem.”

 

Por todas as razões, o repórter recomenda aos seus 22 leitores que desperdicem um naco do domingo lendo os trechos mais relevantes da entrevista de Henrique Meirelles.

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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As manchetes deste domingo

- JB: Brasil vai combater terror internacional

- Folha: Crise não afeta investimento de empresas

- Estadão: Meirelles teme crise 'mais séria' na economia dos EUA

- Globo: Deputados do RJ beneficiam ONGs de aliados com milhões

- Gazeta Mercantil: Fornecedores de teles brigam por R$ 14 bi

- Veja: Exclusivo - O manual dos ladrões

- Época: Exclusivo - Preocupe-se - Documentos da Aeronáutica revelam que o risco de desastre aéreo não diminuiu

- IstoÉ: O culpado

- IstoÉ Dinheiro: A semana em que o mundo perdeu US$ 9,1 trilhões

- Carta Capital: O Brasil e a crise

- Exame: Em busca do carro do futuro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 04h52

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Pisando em obras!

Pelicano
 

PS.: Via sítio Movimento das Artes.

Escrito por Josias de Souza às 04h50

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Um retorno ao passado, para entender o presente

Um retorno ao passado, para entender o presente

O repórter aproveita a lassidão do domingo para convidar os seus 22 leitores a visitar uma página do passado. Embora amarelecida pelo tempo, diz muito sobre a política e os políticos.

 

São Paulo. 1985. Fernando Henrique Cardoso, ainda no PMDB, concorria à prefeitura de São Paulo. Seu principal contendor era Jânio Quadros, um político que muitos davam por morto.

 

À medida que a campanha avançava, Jânio esboçava sinais vitais. Embora confiante, FHC aderiu ao voto útil. Pedia aos eleitores de Eduardo Suplicy, à época sem chances de êxito, que trocassem o candidato petista por ele.

 

A certa altura, Regina Duarte foi convencida a levar a cara ao vídeo (assista lá no alto). Apelou à união dos eleitores, para impedir o retorno “das forças da corrupção e da ditadura.” Em meio a uma risível menção a Hitler a atriz ensinou: “Minha gente, votar no Suplicy agora é eleger o Jânio.”

 

Dias antes da eleição, certo da vitória, FHC deixara-se fotografar sentado na poltrona de prefeito. Sérgio Motta, coordenador de sua campanha, reservara, com imprudente antecedência, o salão do bufê paulistano Baiúca.

 

FHC não comemoraria apenas o triunfo municipal. Festejaria o alvorecer de um projeto ao governo de São Paulo. E, dali, à presidência da República. Dez dias antes do pleito, o candidato fora a uma festa do PMDB.

 

Espremido entre colegas de partido, intelectuais e artistas, FHC subiu no caixote: “Eu venci essa eleição.” Poucos deram atenção à observação solitária de um dos presentes. O velho Ulysses Guimarães conhecia Jânio Quadros. E o temia: “Está muito cedo para comemorar”, resmungara para uma multidão de ouvidos moucos.

 

No início da tarde de 15 de novembro, os temores de Ulysses soaram despropositados. As pesquisas de boca de urna davam FHC em confortável dianteira. Os risos e os decotes que se acercavam do candidato já o chamavam de "prefeito". A euforia durou até o início da abertura das urnas da Zona Leste de São Paulo.

 

Rodeado de computadores, Sérgio Motta espantava-se com os dados que o cristal líquido lhe cuspia na face. A Zona Leste, nas pesquisas um reduto de FHC, revelava-se um ninho de urnas janistas. Em timbre sobressaltado, Serjão deu-se por achado: “Acho que nos fodemos.”

 

À dúvida seguiu-se o desespero. Quando os convidados começaram a chegar para a festa do Baiúca, as urnas já haviam selado a derrota de FHC. O fracasso encontrou, a postos, 3 mil salgadinhos e 11 garçons, treinados para equilibrar, além dos acepipes, as travessas de um espaguete ao sugo que seria servido a 2 mil convidados. A comida exalava um cheiro de vexame.

 

No dia seguinte, ao digerir a derrota defronte dos repórteres, FHC culpou o petismo e Suplicy. “É uma pena que tenha sido necessário um desastre dessa natureza para que o PT entendesse que uma política de alianças é necessária.”

 

Ouvido, Lula rebateu: “Ele perdeu porque é prepotente, se aliou a um governador (Franco Montoro) incompetente e procurou a Fiesp antes dos sindicatos. Só quando estava com a corda no pescoço é que veio falar com o PT.”

 

Nos dias que se seguiram, FHC ruminaria, em privado, os efeitos de sua “prepotência”. Escanteara Orestes Quércia das decisões da campanha. Esnobara o apoio de dois partidos que haviam rastejado aos seus pés: PFL e PTB. Pediaram pouco. O PTB, uma vaga no Tribunal de Contas do Município. O PFL, a secretaria de Esportes na prefeitura de Mário Covas, cuja gestão atravessava o ocaso. Desprezadas, as duas legendas bandearam-se para o lado de Jânio Quadros, o morto-vivo. Muito vivo. Vivíssimo, segundo o diagnóstico das urnas.

 

A derrota ensinou a FHC que sinceridade e política não combinam. Num debate televisivo, Boris Casoy sapecara-lhe uma pergunta incômoda: “Acredita em Deus?” Hesitara na resposta. E Jânio atravessou o resto da campanha chamando-o de “ateu”. Pior: brandindo um exemplar da Playboy em que FHC admitira ter experimentado maconha –sem tragar, evidentemente— o rival chamava-o de “maconheiro”.

 

Dali a nove anos, às voltas com sua primeira disputa presidencial, FHC brincaria com Sérgio Motta: “Já sabemos como perder. Vamos ver agora se aprendemos a ganhar.” Ganhou. Dessa vez, sem hesitar nas negociações com aquele mesmo PFL que, em 85, enxergara como a encarnação do Tinhoso.

 

Em 2008, separado do fiasco por 22 anos, FHC leva o “aprendizado” ao limite do paroxismo. Embrulha num mesmo pacote as disputas municipal, estadual e presidencial. Condiciona o triunfo do amigo José Serra no ainda longínquo ano de 2010 à imediata submissão de Geraldo Alckmin. Roga ao “companheiro” de partido que fuja da cadeira de prefeito já na fase de pré-campanha. Quer que Alckmin ceda a vez a Gilberto Kassab, um legítimo ‘demo’.

 

Como se vê, são mesmo tortuosos os caminhos da política.

Escrito por Josias de Souza às 04h34

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Produtores rurais culpam governo por desmatamento

Documento da CNA diz que agricultor é ‘bode expiatório’

Acusa governo de ocultar os crimes dos assentamentos

Lembra que 76% das terras da Amazônia são do Estado

Sustenta área pública tornou-se uma ‘terra de ninguém’

 

Jorge Araújo/Folha

 

A CNA (Confederação Nacional da Agricultura) decidiu reagir às acusações de Marina Silva. A ministra do Meio Ambiente culpou os produtores de soja e os criadores de gado pelo avanço do desmatamento da floresta amazônica. Para a CNA, a ministra usa a soja e a pecuária como “bodes expiatórios”, para encobrir o verdadeiro culpado: o próprio governo.

 

No início da semana, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou ao mundo que, sob a falácia oficial de que o desmatamento reduzira-se no Brasil, dormitava um flagelo: nos últimos cinco meses de 2007, 3.235 km2 da floresta amazônica fora abaixo. Estima-se que os clarões abertos pela motosserra possam ter atingido uma área bem maior: 7.000 km2.

 

Contra a opinião do colega Reinhold Stephanes (Agricultura), Marina Silva apressou-se em pôr a culpa nos agricultores. Em reação, a CNA produziu uma “nota técnica”. Ficou pronta na última sexta. Aponta o governo como verdadeiro responsável pelo avanço do desmatamento. Anota o seguinte:

 

1. Governo é o dono da Amazônia: Em 16 de fevereiro de 2005, o ministério do Meio Ambiente remeteu a Lula a Exposição de Motivos número 14. Tratava do anteprojeto de lei que instituiu o modelo de exploração sustentável de florestas públicas.  Em 02 de março de 2006, o projeto, aprovado pelo Legislativo, converteu-se na lei 11.284. Informa-se na Exposição de Motivos e no texto da lei que, dos 502 milhões de hectares da Amazônia (número do IBGE), só 24% são terras privadas. Outros 29% são parques e áreas sob proteção legal. E 49% são terras públicas ou devolutas. Que, pela nova lei, o Estado se dispôs a explorar de forma “sustentável”;

 

2. “Terra de Ninguém”: a prometida exploração sustentável é, segundo a CNA, “incipiente”. Embora seja “o grande proprietário de terras amazônicas no Brasil”, o governo não cuida do que é seu. A nova lei esquivou-se do “principal problema”: a ocupação irregular de terras públicas”. Algo que continua ocorrendo “de forma mansa e pacífica”. Sem que o governo consiga “separar o que é público do privado”, combatendo efetivamente a grilagem predatória de terras. “É nítida a ausência do Estado em suas terras na Amazônia, que há vários anos, viraram terra de ninguém”, escreve a CNA em seu documento.

 

3. Crimes consentidos: pelas contas da CNA, os assentamentos de trabalhadores rurais sem terra ocupam 75 milhões de hectares –42 milhões dos quais na Amazônia. O governo, segundo a entidade, “oculta” a “exploração insustentável” que infelicita esses nacos de terra. O texto insinua que a venda de madeira tornou-se fonte de renda dos assentados: “Do que estão vivendo essas pessoas, que se encontram [...] favelizadas [...], sem qualquer espécie de apoio, orientação e assistência técnica?” O “caos” é, aos olhos da CNA, “garantido” pelo próprio governo. Lula editou, em 2007, um decreto (número 6.321), que “praticamente garante a manutenção da prática dos ilícitos ambientais, praticados nos assentamentos rurais, institucionalizando a impunidade.” Diz o decreto, em seu 12º artigo: "No caso de desmatamento ou queimada florestal irregulares de vegetação natural, o agente autuante embargará a prática de atividades econômicas sobre a área danificada, excetuadas as de subsistência...". A CNA empilha em seu documento uma série de indagações: “Qual o significado do termo ‘subsistência’? Seriam apenas os assentados rurais? E os outros produtores? Trabalham por ‘esporte’?”

 

4. A Floresta está virando carvão: além dos assentamentos rurais, a CNA acusa o governo de “blindar” um setor empresarial: a indústria do ferro gusa. Está promovendo a “incineração da floresta”. Contribui “ativamente para o desmatamento.” Há na Amazônia 14 empresas siderúrgicas. Seus fornos alimentam-se de carvão. “Consomem mais madeira do que toda a cadeia de indústrias de madeira da Amazônia (3.500 empresas).” Diz o texto da CNA: “Não se tem notícia [...] da aplicação de embargos ou penalidades significativas” à indústria do ferro, que “opera na ilegalidade, num jogo de empurra, por meio de fornecedores terceirizados [...].”

 

5. A soja, o boi e o bode: é falaciosa, sustenta a CNA, a acusação de que a soja e o boi são os vilões do desmatamento. Entram no enredo, diz a entidade, na condição de bodes. “Bodes expiatórios.” A cultura da soja, diz o texto, “ocupa 1,4% da Amazônia Legal” [70 milhões de hectares]. “Definitivamente, não pode ser considerada a vilã do desmatamento.” Quanto à agropecuária, carece de “um ordenamento territorial” que lhe sirva de referência. “Esse ordenamento é dado pelo Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) que, até o momento, não saiu do papel”. Segundo a pasta do Meia Ambiente, deve-se aos produtores de Mato Grosso a parte mais expressiva da devastação. Em carta do ministro da Agricultura, entidades agrícolas do Estado agradecem a defesa do ministro. E oferecem munição a Stephanes: “Na safra 2004/2005, a área plantada de soja foi de 6,1 milhões de hectares. No período 2007/2008, a extensão da sojicultura abrange 5,7 milhões de hectares –400 mil de hectares a menos. O rebanho bovino, que era de 26,172 milhões de cabeças segundo o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso, totaliza hoje 25,737 milhões, uma redução de 434.816 mil cabeças.”

 

Engolir sem questionamentos os dados recolhidos pela CNA e federações a ela coligadas pode levar à indigestão. Negar às entidades o direito de espernear corresponde, porém, à violação de um dos mais sagrados direitos: o direito de defesa. Foram à mesa dois pratos: o da ministra Marina e o dos produtores rurais. O brasileiro em dia com os seus tributos merece que o governo, senhor de todas as informações, volte à boca do palco para informar qual das duas louças, por asseada, merece crédito.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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PSDB olha para 2010 e vê pudim onde só há veneno

PSDB olha para 2010 e vê pudim onde só há veneno

Diz o senso comum que “errando é que se aprende”. O PSDB, que não gosta do brocardo, adaptou-o. Um tucano diz: “Errando é que se aprende... A errar.” Com dois fracassos presidenciais a pesar-lhe sobre os ombros (2002 e 2006), o partido da pseudo-social-democracia decidiu apostar, de novo, no erro. Achou que poderia congelar a sucessão presidencial. Não deu. E voltou a exercitar o seu passatempo predileto: briga consigo mesmo, bica a si próprio.

 

Recorde-se, por elucidativo, um barraco de 2002. Presidindo a escassez –faltava luz, dinheiro, emprego e dólar barato—, FHC escolhia um nome para sucedê-lo. Oscilava entre Tasso Jereissati e José Serra. Pendia para o segundo. Numa certa noite, o príncipe recebeu no Alvorada um grupo de grão-duques tucanos: Tasso, Aloysio Nunes Ferreira, Pimenta da Veiga e Almir Gabriel.

 

Tasso exalava tensão. Acabara de chegar dos EUA. Fora a Cleveland, para checar as coronárias, como faz todos os anos. Ausentara-se do país por dez dias. Nesse período, não conversara com jornalistas. A despeito disso, os jornais estavam apinhados de notícias acerca de articulações e queixumes que não fizera nem vocalizara.

 

Abespinhado, Tasso derramou sua insatisfação sobre o tapete da sala contígua à biblioteca do Alvorada. Disse que não faria papel de bobo. Além do noticiário falso, irritara-se com a ajuda que o então ministro Serra dava a Sérgio Machado, seu inimigo na província cearense.

 

A certa altura, Aloysio Nunes, hoje membro do secretariado do governador Serra, interveio. Tentou pôr panos quentes. Tasso saltou da cadeira: “O senhor, meu caro Aloysio, não venha aqui posar de estadista francês. Você não é. (...) Safadeza. Molecagem. Você diz que não toma partido na minha disputa com o Serra, mas passa o dia no Palácio do Planalto plantando notinhas em coluna de jornal a favor dele e contra mim.”

 

Aloysio não se deu por achado: “Você me respeite. Eu tenho história...” E Tasso: “Eu sei bem qual é a sua história. Enquanto eu fazia das tripas coração para eleger este aqui presidente (apontou para FHC), em 1994, você rodava o Brasil de braços dados com o Quércia.”

 

Deve-se ao repórter Luiz Costa Pinto o relato do diálogo reproduzido acima. Jamais foi desmentido pelos protagonistas. O resto é história. FHC foi de Serra. Tasso e seu grupo conspiraram contra. Quando a canoa fez água, meio PSDB –FHC inclusive— fez corpo mole. Dessa divisão e da avidez do eleitorado por mudanças nasceu o primeiro triunfo presidencial de Lula.

 

Em 2006, coube a Geraldo Alckmin o papel de Tasso. Prevaleceu sobre Serra (ele, de novo), aos trancos e barrancos. Graças à tenacidade pessoal e à sensação do rival de que, com Lula praticamente reeleito, o melhor era estocar munição para a disputa seguinte.

 

Cavalgando uma legenda eternamente dividida, Alckmin não fez feio. Abandonado pelos seus, foi ao segundo turno com a ajuda dos aloprados do PT. Surrado por Lula, viu Serra (sempre ele) esmigalhar os aliados que deixara na máquina estatal paulista. Agora, tenta manter sob os pés um tapete municipal que Serra (ele novamente) esmera-se em puxar.

 

Já se pode sentir o cheiro de 2010. Odor de queimado. Agora, é em Aécio Neves que Serra (olha ele aí de novo) tenta vestir a fantasia de neo-Tasso, a roupagem de Alckmin pós-pós. No meio do caminho, graças à refrega da CPMF, Serra ganhou um novo contendor: Arthur Virgílio. Dotado de fome presidencial inaudita e bem-posto nas pesquisas, o governador paulista vai à luta interna com bom cacife. Mas já não pode simplesmente arrastar as fichas. Terá de submeter-se ao pôquer das prévias, num pano verde conflagrado.

 

A julgar pela popularidade de Lula, ninguém se fará na próxima sucessão falando mal do governo. Ou vende esperança semelhante à que FHC, graças ao Real, levou aos seus dois palanques ou se arrisca a tropeçar num presidente de bem com a bugrada e decidido a acomodar no Planalto alguém que lhe facilite a vida em 2014.

 

Inebriado pelo veto legal à tripla eleição de Lula, o tucanato olha para 2010 e enxerga um pudim. Engano. O que o aguarda é um pote de veneno. O veneno de sua própria divisão. O PSDB nao tem do que se queixar. Sobram-lhe candidatos. Mas terá de domar e adoçar o bico. Faltam-lhe mensagem e método.

Escrito por Josias de Souza às 20h17

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STF pede explicações a Lula sobre norma da Receita

  Folha
O STF divulgou neste sábado decisão tomada na véspera por sua presidente. A ministra Ellen Gracie determinou que, em dez dias, Lula remeta ao tribunal explicações sobre uma portaria da Receita Federal –aquela que obrigou bancos e administradoras de cartões de crédito a repassar ao fisco os dados dos correntistas com movimentação semestral superior a R$ 5 mil (pessoas físicas) e R$ 10 mil empresas).

 

A decisão da Receita foi questionada em ação movida pela OAB. A entidade alega que é inconstitucional o artigo 5º da Lei Complementar 105, de 2001. Foi nesse artigo que a Receita se baseou para obrigar as instituições financeiras a lhe repassar os dados de seus correntistas. Uma decisão que, para a OAB, acaba com o princípio do sigilo bancário no país.

 

A norma da Receita foi baixada depois que o Senado derrubou a CPMF. O fisco se valia dos dados do imposto do cheque para mapear o movimento bancário dos contribuintes, detectando indícios de sonegação. Sem o tributo, viu-se compelida a baixar a nova portaria, agora contestada no Supremo.

 

A OAB argumenta na ação que protocolou no STF que a norma da Receita, na prática, pôs fim ao sigilo bancário. Uma ofensa a princípios como o devido processo legal, previsto no artigo 5º da Constituição. Segundo a opinião da Ordem dos Advogados, o sigilo dos correntistas de banco só pode ser quebrado mediante ordem judicial. Assim mesmo “quando existir suspeita de possíveis delitos.”

 

Em seu despacho, Ellen Gracie esclarece que, embora a OAB solicite do tribunal uma decisão liminar (provisória), ela preferiu submeter o processo a uma deliberação final do plenário do Supremo.

 

Antes de submeter o caso à análise dos outros dez magistrados que integram o Supremo, a ministra dará prazo de cinco dias para que a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República tenham a oportunidade de se manifestar nos autos. Esse prazo começa a ser contado depois que chegarem ao tribunal as explicações que Ellen Gracie solicitou a Lula.

Escrito por Josias de Souza às 20h00

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As manchetes deste sábado

- JB: OAB vai ao Supremo conta quebra de sigilo

- Folha: Desmatadores desafiam governo

- Estadão: Crédito oficial facilitou o desmatamento

- Globo: Delúbio: toda cúpula do PT sabia de caixa 2 em 2002

- Gazeta Mercantil: Fornecedores de teles brigam por R$ 14 bi

- Correio: Consursos

- Valor: Crise muda as formas de financiar investimentos

- Jornal do Commercio: Petrobrás faz concurso para refinaria de Suape

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Leia da $elva!

Omar Turcius
 

PS.: Via sítio BrazilCartoon.

PS.2: O flagelo amazônico, como sói, ecoou no exterior. Mas, a despeito da má fama, os desmatadores não parecem nem um pouco intimidados com a cara feia do governo. Até porque há evidências de que é o próprio governo quem financia a mão que opera a motosserrra.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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MP apura gastos de ministros com cartão de crédito

O Ministério Público do Distrito Federal decidiu investigar os gastos dos ministros de Estado com os cartões de crédito bancados pelo erário. A investigação foi aberta na quinta-feira (24). Mas só nesta sexta (25) a notícia foi divulgada.

Decidiu-se perscrutar os extratos dos cartões depois das reportagens que revelaram indícios de abusos. A coisa brotou no domingo e ecoou durante a semana. A portaria que instaurou a investigação anota que, se confirmados, os malfeitos caracterizam “imoralidade administrativa.”

 

Quando abusivos, diz ainda o texto do Ministério Público, os gastos ferem normas fixadas pelo próprio governo, por meio de uma portaria do Ministério do Planejamento. O procurador que vai acompanhar o caso será designado nos próximos dias. Dependendo do que for apurado, pode ser aberto um processo judicial.

 

Além de verificar a legalidade dos gastos, o Ministério Público decidiu elaborar uma recomendação sobre o uso dos cartões. O texto será enviado ao Palácio do Planalto pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Trará um cotejo das normas já baixadas pela pasta do Planejamento com recomendações feitas pelo Tribunal de Contas da União.

 

Não é a primeira vez que a Procuradoria da República se debruça sobre os cartões corporativos. Já abrira investigação do gênero em 2005. Deu-se a pedido do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). A apuração restringiu-se, porém, a gastos efetuados no âmbito da presidência da República.

 

A primeira investigação, conduzida pelos procuradores Eliana Pires Rocha e Carlos Henrique Martins, resultou num pedido para que o TCU realizasse uma tomada de contas especial. A auditoria do tribunal vasculhou despesas feitas entre 2002 e 2004. Concluído o trabalho, o tribunal expediu um acórdão com um lote de recomendações ao governo.

 

Ao analisar o trabalho dos auditores do TCU, os procuradores notaram que a análise limitou-se à regularidade de documentos fiscais. Solicitou-se ao tribunal que faça nova auditoria, dessa vez com o objetivo de verificar se os gastos são ou não compatíveis com as necessidades do Estado.

 

De resto, os procuradores requisitaram à Casa Civil os nomes de todos os portadores de cartões corporativos do Planalto. Obtidos os nomes, requisitaram-se à Receita Federal os dados fiscais dos funcionários. Todo esse material encontra-se sob análise. Não há, por ora, conclusão.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Marta tenta repetir em SP a aliança que apóia Lula

Primeiro objetivo da ministra é tonificar o tempo de TV

O segundo é assegurar que Lula pise em seu palanque

 

  Antônio Gaudério/Folha
Superada a fase da decisão –ela já disse ao seu pessoal que vai às urnas— Marta Suplicy e o PT se movem para costurar em São Paulo uma aliança tão ampla quanto a que dá suporte a Lula em Brasília.

 

Vai-se perseguir o entendimento pelo menos com PMDB, PSB, PC do B, PDT, PTB e PP. Busca-se, primeiro, tempo de TV. Depois, dar condições a Lula para freqüentar o palanque de Marta.

 

Na reunião ministerial de quarta-feira (23), o presidente informou que vai tomar partido nas eleições para prefeito. Mas só poderá fazê-lo de maneira explícita nos municípios em que as legendas do consórcio governista estiverem unidas.

 

Afora os obstáculos normais, há, no caso de Marta, uma dificuldade adicional. A ministra quer conquistar aliados sem suar o tailler. Informou ao petismo que não deixa o ministério antes de maio, em data próxima do prazo legal: 5 de junho. E, como ministra, acha que não fica bem deixar as digitais nas agulhas do tricô partidário.

 

Por ora, quem realiza os contatos políticos, por dever de ofício e por delegação, é o presidente do diretório do PT no Estado de São Paulo, Edinho Silva. É Marta até a medula. Sua primeira providência foi procurar o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia. Conforme noticiado aqui, conversaram na última terça (22).

 

O PMDB já decidiu que não terá candidato. Prefere a coligação. Oscila entre Marta, o tucano Geraldo Alckmin e o ‘demo’ Gilberto Kassab. A situação é diferente em relação a outros potenciais aliados de Marta.

 

Partidos como o PDT, o PSB e o PC do B cultivam projetos próprios. Em São Paulo, longe do guarda-chuva de Lula, gostariam de comparecer ao primeiro turno da eleição municipal apartados do PT. Nesta sexta (25), Paulo Pereira da Silva (PDT) –o Paulinho da Força Sindical—pôs o seu bloco na rua.

 

O PTB é controlado por dois personagens que torcem o nariz para Marta e para o PT. No plano federal, a máquina da legenda é gerida pelo deputado cassado Roberto Jefferson, de mal com o petismo desde 2005, quando levou a boca ao trombone para denunciar o mensalão. Em são Paulo, o mandachuva do partido é Campos Machado, mais afeito a uma negociação com tucanos e democratas do que com os petistas.

Escrito por Josias de Souza às 00h20

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Sob Lobão, PMDB controlará orçamentos de R$ 26 bi

No Brasil, como se sabe, todos os políticos são patriotas. Só o patriotismo justifica o fato de o PMDB, desprezando os riscos de um apagão energético, tenha quebrado lanças para acomodar Edison Lobão na poltrona de ministro das Minas e Energia. Só o amor à pátria explica a gana com que o partido, depois de emplacar o ministro, disputa o controle das estatais energéticas.

 

A responsabilidade não será banal. Juntando-se Furnas –já confiada à boa gerência do ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde— às outras estatais que Lobão está na bica de entregar a apadrinhados do PMDB, chega-se a orçamentos de notáveis R$ 26,7 bilhões. É muito dinheiro. Mais da metade do que se pretendia arrecadar com a falecida CPMF.

 

Para a Eletrobras, deve ser nomeado Evandro Coura. É homem de José Sarney (PMDB-AP). Vem da iniciativa privada. Até outubro do ano passado, presidia o Grupo Rede, dono de oito distribuidoras de energia e 34 usinas hidrelétricas. Hoje, a empresa é gerida pela mulher dele, Carmem Pereira.

 

A Eletronorte deve ser entregue a Lívio Rodrigues de Assis. Traz na testa o selo de qualidade das indicações feitas pelo ínclito deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Lívio parece pouco afeito à seara energética. Hoje, é diretor do Detran do Pará. Mas o que é o preparo técnico diante da disposição de servir ao país?

 

Na Eletrosul, tudo indica que o PMDB foi ultrapassado pelo PT. A presidência da estatal que leva luz às fábricas e às residências dos Estados do Sul deve ser confiada ao ex-deputado Jorge Boeira. Ele deve a indicação à líder petista Ideli Sanvatti (SC), outra brasileira ávida por contribuir com os destinos da pátria.


De resto, o PMDB tende a emplacar Jorge Luiz Zelada, indicado pela bancada de deputados mineiros do partido para a diretoria Internacional da Petrobrás. Agora deixe a má vontade de lado e responda: são ou não são patriotas os políticos brasileiros?

Escrito por Josias de Souza às 18h08

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Dá vontade de dizer: Ora, senhores, vão todos à...

  Folha
Atenção, caro leitor: o texto a seguir foi escrito em linguagem semichula. Não é recomendável que você o leia desacompanhado. Se for adulto, chame uma criança. De preferência com menos de cinco anos.

 

O corregedor-geral Romeu Tuma já arregaçou as mangas. O PSOL já se prepara para formular uma nova representação. Vai à berlinda, dessa vez, o futuro senador Lobinho (DEM) –aquele que herdou a cadeira do pai dele, o Lobão (PMDB).

 

Vai começar tudo de novo: Corregedoria, Mesa do Senado, Conselho de Ética, puxa, repuxa, escolhe o relator, manobra daqui, conchava dali... Notícias penduradas nas manchetes dos jornais por semanas a fio.

 

Não fosse o repórter um sujeito educado, mandaria todo mundo pra outro lugar: pro chuveiro, pros subterrâneos onde se encontram as almas dos pecadores, pro excremento ou até à presença daquela senhora que, no exercício da profissão mais antiga do mundo, deu à luz personagens que desconhecem o nome do pai.

 

Porém, o signatário do blog, por comedido, não costuma lançar mão de exortações extremas. Não seria de bom tom. Resta fazer apenas o que lhe incumbe: noticiar o fato e anotar o que está por vir. No caso específico, o repórter sugere aos seus 22 leitores que perguntem à criança que está do lado o que vai acontecer. Ela lhes dirá: “Nada.”

 

A criança descerá aos detalhes. Esclarecerá que, acusado, Lobinho vai uivar: eu não sabia de nada. Os aliados dirão que ele é inocente. Os adversários pedirão o escalpo dele. E a Mesa do Senado porá fim à refrega. Expedirá um despacho informando que, segundo a praxe do Legislativo, nenhum senador pode ser molestado por delitos praticados antes do início do mandato.

 

Submetidos a mais uma pantomima, os leitores, que não têm a mesma classe do repórter, pedirão à criança que deixe a sala. Depois, gritarão: “Ora, ora, senhores senadores, vão todos à...”

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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As manchetes desta sexta

- JB: Políticos do Rio deram golpe de R$ 100 milhões

- Folha: Governo suspende licença de desmatamento em 36 áreas

- Estadão: Governo corta credito em áreas desmatadas

- Globo: Governo se divide sobre causa de desmatamento

- Gazeta Mercantil: Fornecedores de teles brigam por R$ 14 bi

- Correio: Enfim, boas novas na economia

- Valor: Crise muda as formas de financiar investimentos

- Estado de Minas: Caminho livre para a sucessão na PBH

- Jornal do Commercio: Emprego cresce acima da média

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h31

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Feliz (?!?!?) aniversário!

 

PS.: Os paulistanos nutrem por São Paulo um ódio amoroso.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio

Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio

Acabou o armistício entre os 2 presidenciáveis tucanos

Para Aécio, Serra tenta se impor como ‘fato consumado’

‘No atropelo, ninguém ganha eleição’, disse a um amigo

Em resposta, iniciou uma articulação a favor das prévias

Em março, deflagra um cronograma de viagens pelo país

 

  Folha
Há um ano, em fevereiro de 2007, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves firmaram um armistício. Combinaram que só tratariam de 2010 depois que fossem abertas as urnas de 2008. O cessar-fogo acabou. Nove meses antes do prazo combinado, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a se bicar.

 

Ainda não foi disparado nenhum tiro em público. Mas Aécio decidiu reforçar o paiol. Iniciou a preparação para a guerra interna. Entre quatro paredes, o governador mineiro mostra-se incomodado com o que chama de “antecipação prematura do processo.” Acha que está em curso uma tentativa de transformar a candidatura presidencial do rival num “fato consumado”. E resolveu enrolar a bandeira branca.

 

A negociação de Serra para transformar Gilberto Kassab (DEM) em candidato à prefeitura paulistana foi o estopim que alvoroçou as plumas do tucanato. Serra tenta rifar Geraldo Alckmin (PSDB), alternativa tucana ao 'demo' Kassab, em troca do compromisso do DEM de apoiá-lo em 2010.

 

Para desassossego de Aécio, Fernando Henrique Cardoso veio ao meio-fio para defender a formalização da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República]”, disse FHC aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva.

 

Privadamente, Aécio tachou as declarações de FHC de “inábeis”, “desastradas” e “extemporâneas.” Acha que as palavras do ex-presidente expressam uma visão equivocada. Diz que, em 2010, o DEM, por pragmático, vai se compor com o PSDB "com ou sem Kassab." Há dois dias, em conversa com um amigo, o governador mineiro afirmou: “Não estou mais em idade de dizer amém a tudo o que acha o Fernando Henrique.” Aécio ressuscitou uma frase que ouvira do avô Tancredo Neves: “Ninguém é paulista na política impunemente.”

 

Aécio falou ao amigo em timbre de desabafo: “Estão tentando passar a idéia de que, resolvido o problema da prefeitura de São Paulo, está decidida a questão nacional. Não aceito imposições. No atropelo ninguém vai ganhar eleição. Se me derrotam no atropelo, não vão ter nenhum voto em Minas.”

 

Aécio pôs-se em movimento. Retomou contatos com partidos como o PMDB e PSB, que flertam com ele há tempos. Como não contempla a hipótese de deixar o PSDB, resolveu abraçar a tese das prévias. Festeja a decisão do senador tucano Arthur Virgílio (AM) de lançar-se como candidato ao Planalto. Acha que, com três postulantes, o partido não terá como se esquivar da prévia.

 

De resto, o governador mineiro elabora um cronograma de viagens pelo país. Começa a voar já em março. Num primeiro momento, priorizará os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No segundo semestre, subirá em palanques de candidatos tucanos às prefeituras de tantos municípios quantos consiga visitar.

 

Internamente, Aécio leva à mesa argumentos para tentar se contrapor à tese de que, à frente dele nas sondagens eleitorais, Serra é o melhor candidato do partido à sucessão de Lula. “Não estou convencido disso”, diz ele em privado. “Posso até não ser candidato se achar que não é o momento, se julgar que minha candidatura não é a que mais agrega. Mas não posso sair disso derrotado. Tenho que ser convencido, conquistado.”

 

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em dezembro, Aécio amealhou 15% das intenções de voto. É menos da metade do percentual atribuído a Serra –entre 33% e 38%, dependendo do cenário. O governador mineiro argumenta, porém, que o PSDB terá de levar em conta outros fatores.

 

Por exemplo: beneficiado pelo recall, Serra é conhecido por cerca de 90% do eleitorado brasileiro. Com uma taxa de conhecimento que gira ao redor dos 40%, Aécio acha que não pode ser considerado como uma carta excluída do baralho presidencial. Diz que a taxa de rejeição de Serra é maior do que a sua. Julga-se, além disso, em melhores condições de reunir em torno de si uma aliança partidária ampla, incorporando inclusive partidos que hoje gravitam em torno do governo Lula.

 

Por último, Aécio puxa da gaveta uma pesquisa que recebeu do instituto Vox Populi. Apresentou-a a um grão-tucano com quem conversou. O levantamento foi fechado em dezembro. Informa que 86% do eleitorado mineiro acha que ele deve se lançar na briga pelo Planalto.

 

Aécio conclui: “É algo muito sólido, que não posso ignorar, sob pena de ir para o suicídio. Se insistirem nessa tese de que, resolvido São Paulo está resolvido o Brasil, o Serra acaba se consolidando como o candidato anti-Minas. É uma visão míope. Anteciparam o processo de forma desastrada. Não deixaram opção aos aliados: ou aderem ao projeto de São Paulo ou não concordam e encaminham em outra direção. É o que vai acontecer.”

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Governo se mexe para tentar deter o desmatamento

  Alan Souto Maior Alves
Nos últimos cinco meses de 2007, foram ao chão as árvores que cobriam uma área de 3.235 km2 da floresta amazônica. O dado foi levantado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O mesmo órgão suspeita que a devastação pode ter sido ainda maior. Bem maior: 7.000 km2.

 

Premido pelas circunstâncias, Lula pôs-se em movimento. Tenta fazer pela pressão dos fatos o que o governo não fez por obrigação. O presidente convocou ao seu gabinete, nesta quinta (24), sete ministros e o diretor-geral da Polícia Federal. Depois de duas horas de reunião, foram anunciadas as providências. As medidas boas não são novas. E as novas não são boas.

 

Primeiro as novas: Lula ordenou que fosse divulgada a lista dos 36 municípios campeões do desmatamento. Estão assentados nos mapas de Mato Grosso (19), Pará (12), Rondônia (4) e Amazonas (1). Respondem por 50% do desmatamento detectado no ocaso de 2007. O presidente determinou, de resto, que os ministros envolvidos com a encrenca sobrevoem esses municípios;

 

Agora, as providências velhas: Lula mandou que seus auxiliares intensifiquem a implementação de medidas analisadas no ano passado e anunciadas em dezembro: Entre elas: embargo de propriedades onde houve desmatamento; controle da atividade agropecuária; criação de unidades de conservação; bloqueio de financiamentos para empresas que lidam com a derrubada de árvores; e recadastramento de fazendas situadas nas áreas desmatadas.

 

Registrou-se na reunião ministerial uma divergência: Marina Silva (Meio Ambiente) atribui o incremento da derrubada indiscriminada de toras ao avanço da soja e da agropecuária sobre a mata. Reinhold Stephanes (Agricultura) discordou. Discussão, a essa altura, bizantina. Não trará as árvores de volta.

 

Mais prático, o ministro Tarso Genro (Justiça) informou que, a partir do dia 21 de fevereiro, será reforçada a fiscalização e a vigilância ostensiva da Polícia Federal na região Amazônica. Pretende-se despachar para os Estados amazônicos um contingente de mais 780 agentes federais –acréscimo de 25% em relação ao efetivo atual.

 

PS.: Ilustração via sítio BrazilCartoon.

Escrito por Josias de Souza às 19h03

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Lula pede a aposentado o que não cobra de ministro

A propósito da passagem do aniversário de 85 anos da Previdência Social, Lula falou a uma platéia de aposentados, nesta quinta (24), no Planalto. Portou-se como o roto que fala aos esfarrapados.

 

O presidente deu um conselho aos brasileiros pendurados na folha de benefícios e pensões da Previdência: "Por reivindicação, vocês conquistaram cartão de crédito, alongaram o crédito consignado para 60 meses. Agora, precisa tomar cuidado com o cartão de crédito."

 

Lula foi ao ponto: “[...] Quando a gente não tem que botar a mão no bolso para gastar dinheiro, a gente vai gastando mais do que se tivesse que tirar uma notinha do bolso." As observações, por procedentes, suscitam uma pergunta. Uma questão que ficou boiando na atmosfera do salão de audiência públicas do Planalto:

 

Por que diabos o presidente não repassa o mesmo conselho aos seus ministros?, eis a indagação pendente de resposta. Munidos de cartões corporativos custeados pelo contribuinte, os integrantes do primeiro escalão vêm produzindo uma farra que pôs a oposição em estado de alerta.

 

Aos olhos de boa parte dos ministros de Lula, dinheiro público parece dinheiro grátis. O contribuinte sabe, porém, que a coisa lhe custa os olhos da cara. O presidente bem poderia ter aproveitado a "santa ceia" da véspera para admoestar os seus discípulos. Por que calou? Parece considerar que verba alheia em cartão de ministro é refresco.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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Dirceu continua o mesmo, do dedão aos 'cabelos'

Danilo Verpa/Folha
 

 

O José Dirceu pós-implante capilar fez, nesta quinta-feira (24), sua primeira aparição pública. Continua o mesmo, dos pés à cabeça. Observando-o, tem-se a impressão de que, assim como os meandros do mensalão, cabelo é uma coisa que nunca lhe passou pela cabeça.

 

Assim como a sua versão para o escândalo, os 6.700 fios que diz ter implantado no cucuruto não fizeram a menor diferença. Dirceu ainda não deixou a 2ª Vara Criminal de São Paulo. Porém, sabe-se, de antemão, que combinou com seu advogado que repetiria à juíza Sílvia Maria Rocha tudo o que já dissera antes.

 

Não viu nada, não tomou conhecimento de coisa nenhuma. Era ministro, não dirigente do PT. O emprego e o empréstimo que Marcos Valério intermediou para sua ex-mulher não caracterizam tráfico de influência. Longe disso. Blá-blá-blá...

 

O repórter apurou que Dirceu tentou adiar o depoimento desta quinta. Em petição dirigida ao STF, seus defensores alegaram que tinham outro compromisso em Curitiba (PR). Não haveria tempo hábil para o retorno a São Paulo.

 

Coube a Ellen Gracie, presidente do Supremo, analisar o pedido. Negou-o, sem pestanejar. Anotou em seu despacho que os transportes aéreos brasileiros oferecem vôos em quantidade razoável e em horários variados. Datada da última segunda-feira, dia 21, a decisão foi encaminhada à juíza Sílvia Rocha, que manteve a inquirição.

 

Além de Dirceu, outros réus do mensalão deram as caras na 2ª Vara Criminal de São Paulo. Um deles, Silvinho Pereira, livrou-se do depoimento. Negociou um acordo com o Ministério Público e foi excluído do rol de 40 réus do mensalão. Em troca, prestará serviços comunitários durante três anos.

 

PS.: Encerrado o depoimento de José Dirceu, soube-se, afinal, o que disse à juíza aquele que o procurador Antonio Fernando de Souza aponta como chefe da "organização criminosa". Como previsto, Dirceu negou, negou e negou

Escrito por Josias de Souza às 17h19

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Desemprego é o menor desde 2002; por outro lado...

Benett
 

 

A boa técnica ensina que o texto jornalístico deve ser enxuto. Há ocasiões, porém, em que a notícia reclama a companhia de um vocábulo supérfluo. É o caso de uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (24) pelo IBGE.

 

A pesquisa trata da situação do trabalho nas regiões metropolitanas. Impossível noticiá-la sem usar uma das convenções de linguagem mais abominadas nas redações de jornal: “Por outro lado.”

 

Diz o IBGE que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país foi, em 2007, de 9,3%. É o índice mais baixo desde 2002, ano em que o levantamento começou a ser feito. Por outro lado, o rendimento médio do trabalhador brasileiro no ano passado (R$ 1.145,08) foi menor do que o registrado cinco anos atrás (R$ 1.205,39).

 

Observadores mais benevolentes dirão: R$ 1.145,08 de média salarial! Nada mal! Por outro lado, o IBGE informa que, em 2007, as mulheres continuaram recebendo contra-contra-cheques com valores médios 70,5% abaixo dos montantes pagos aos homens.

 

Em quatro das seis regiões pesquisadas, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional: Porto Alegre (5,3%), Belo Horizonte (5,5%), Rio (6,1%) e São Paulo (8%); Por outro lado, o índice situou-se acima da média em duas regiões: Recife (9,9%) e Salvador (11,4%).

 

Registraram-se altas no nível de emprego de determinados setores: indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (5,4%); construção (12,6%); educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (4,3%); serviços domésticos (5,9%); e outros serviços (2,3%).

 

Por outro lado, outros setores amargaram um decréscimo: comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-0,7%); e serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (-4,2%).

 

Ou seja, a situação do emprego melhorou. Por outro lado, poderia ter melhorado muito mais. O mercado demonstra, aos pouquinhos, capacidade de reação. Por outro lado, vive-se a era do movimento sindical sem força, quase irrelevante.

 

PS.: Ilustração via blog do Benett.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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As manchetes desta quinta

- JB: Cedae desafia Dilma e aposta no carro a gás

- Folha: Em dia instável. Bovespa e Europa caem; Nova York fecha em alta

- Estadão: Devastação na Amazônia dispara

- Globo: Desmatamento é recorde após três anos de queda

- Gazeta Mercantil: ADR de emergentes sofrem com a ameaça de recessão

- Correio: Febre amarela: o maior avanço em quatro anos

- Valor: Governo rejeita operação da Vale para comprar a Xstrata

- Jornal do Commercio: Concurso na saúde vai abrir 1.500 vagas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h05

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Ministeriável!

Benett
 

PS.: Via blog do Benett.

PS.2: Reze-se para que o mosquito aceite logo uma vaga na Esplanada. Subiu para nove o número de cadáveres produzidos pelo maldito. 

Escrito por Josias de Souza às 04h03

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Contra a indigestão, Copom serve caldo de galinha

Arte Folha Online
 

 

Inspirado na sabedoria popular –cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém— o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu servir ao país uma canja. Pela terceira vez consecutiva, manteve em 11,25% a taxa básica de juros.

 

Afora o receio de que a inflação fuja ao controle, as autoridades monetárias do Brasil olham de esguelha para as nuvens espessas que se formam sobre a economia dos EUA. O temporal está armado. A dúvida é se será uma tempestade do tipo que leva as telhas da casa ou uma tsunami econômica que leva a própria casa.

 

A palavra da moda nos círculos financeiros do mundo é “decoupling”. Significa, na língua de Camões, “descolamento”. Em economês, a língua dos economistas, quer dizer que economias emergentes, como a do Brasil, estariam imunes à borrasca norte-americana.

 

Se você é do tipo que aprecia o jogo do contente, fique com as palavras de Dilma Rousseff. A chefona da Casa Civil diz que o PAC constitui uma “vacina” contra a crise. Os canteiros de obras do programa de Lula, que, por ora, só existem na ficção oficial, tonificariam o mercado interno. E o Brasil passaria ao largo da crise.

 

Se você prefere manter os pés na realidade, preste atenção às palavras de Henrique Meirelles. Por dever de ofício, o presidente do Banco Central conserva um sapato na canoa do discurso oficial. Diz que o Brasil está preparado para arrostar a crise. Mas, precavido, plantou o outro sapato em terra firme: “Não temos a ilusão de que o Brasil está imune a desenvolvimentos externos.”

 

Daí a opção pela canja. Resta agora saber se a galinha norte-americana, engordada à base de milho anabolizado, não chegará à mesa das finanças brasileiras. Nas últimas duas décadas, a economia dos EUA alimentou-se da especulação dos mercados de ações e imobiliário. A casa –com trocadilho, por favor— caiu.

 

Estima-se que os papéis de Wal Street estejam inflados em algo como 10%. A corrente da felicidade que amarrava os empréstimos imobiliários se rompeu. As maiores casas bancárias dos EUA já trouxeram à luz do dia prejuízos de US$ 353 bilhões. Outros estabelecimentos vasculham os porões à procura dos cadáveres.

 

O prejuízo traz o medo, que leva ao refinamento dos cadastros, que conduz à redução dos empréstimos, que enxuga o dinheiro em circulação, que produz o declínio do consumo, que leva ao desaquecimento da economia, que flerta com a recessão.

 

Sabia-se há tempos que a economia dos EUA, por insustentável, tinha encontro marcado com o chão. Especulava-se, porém, sobre o tipo de aterrissagem. A maioria dizia que seria uma “soft landing” (aterrissagem suave). Alguns poucos apostavam no “hard Landing” (pouso forçado). O nariz do avião aproxima-se da pista. E a turbulência prenuncia o pior.

 

Os partidários da tese do descolamento afirmam que os EUA já não têm o peso do passado. A pujança econômica de países como a China funcionaria como anteparo. Constituiria um mercado alternativo para as outras nações emergentes. Recomenda-se aos mais prudentes dar de ombros para esse tipo de trololó.

 

Às voltas com o fantasma da inflação, a China leva o pé ao freio. Cresceu à taxa de 11,4% em 2007. Programa algo menor para 2008: entre 8% e 9%. De resto, convém considerar dois detalhes:

 

1) O socialismo de mercado chinês sobrevive, em boa medida, da venda de seus produtos baratos para o resto do planeta. As exportações chinesas respondem por algo como 9% da economia do país. Ou seja, antes de comprar, os olhinhos puxadinhos querem vender. E os EUA são, hoje, o seu maior comprador; 2) o cidadão norte-americano destina ao consumo cerca de R$ 10 trilhões por ano. É quase nove vezes mais do que consomem os chineses. Ou seis vezes acima do consumo da China e da Índia juntas.

 

Portanto, meu caro, em meio a tantas dúvidas, desconfie das autoridades que observam a crise com fisionomia de aeromoça. Se você é do tipo que economiza para os dias ruins, aproveite a seiva do caldo de galinha do Copom para reforçar o pé de meia. Os dias que estão por vir serão piores.

 

Quando ouvir o lero-lero otimista de Lula e seus discípulos, agarre-se a um guarda-chuva. Se vier o Sol escaldante que o governo está prevendo, você atravessará a calçada à sombra.  

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Delúbio depõe sobre mensalão e nega os malfeitos

  Folha
Arquiteto auxiliar de um projeto malsucedido, Delúbio Soares continua cumprindo à risca o seu papel. Vai distribuindo plantas defronte das paredes, para disfarçar as rachaduras. Nesta quarta-feira (23), o ex-gestor das arcas clandestinas do PT prestou depoimento à Justiça Federal, em São Paulo. Pôs uma planta aqui, outra ali e, na saída, brindou os repórteres com um sucinto “boa noite.”

 

Convertido em réu pelo STF, Delúbio responde pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Inquiriu-o a juíza Sílvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal de São Paulo. Ele disse à magistrada que o mensalão não existiu. Reconheceu ter contraído empréstimos nos bancos Rural e BMG, com o auxílio de Marcos Valério. Negou, porém, que a grana tenha sido usada para comprar congressistas.

 

Repisando uma tese que já esgrimira na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro petista alegou que o dinheiro bancou despesas da posse de Lula, em 2003, viagens de militantes e despesas de campanhas eleitorais. Livrou a cara do amigo José Dirceu. Disse que o ex-chefão da Casa Civil desconhecia a existência dos empréstimos.

 

Nesta quinta-feira (24), a mesma juíza Sílvia Rocha vai inquirir José Dirceu. A audiência está marcada para as 14h30. Assim como Delúbio, o ex-ministro de Lula vai à 2ª Vara Criminal na condição de florista. Não viu, não sabia, não fez nem aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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Enviado de Marta vai a Quércia e propõe coligação

Enviado de Marta vai a Quércia e propõe coligação

Em público, a ministra Marta Suplicy (Turismo) faz suspense sobre se vai ou não concorrer à prefeitura de São Paulo. Nos subterrâneos, despachou um emissário para negociar com Orestes Quércia uma coligação do seu PT com o PMDB. Deu-se na terça-feira (23), no escritório de Quércia.

 

A conversa teve ares institucionais. Além de controlar o diretório do PMDB na capital paulista, Quércia é o presidente do partido no Estado de São Paulo. Por isso, o petismo escolheu para abrir a negociação o seu presidente estadual, Edinho Silva, prefeito de Araraquara.

 

Segundo apurou o blog, Edinho deixou claro a Quércia que falava autorizado por Marta Suplicy. Disse que a ministra já tomou a decisão dela. Será mesmo candidata à prefeitura paulistana. E deseja formalizar uma coligação com o PMDB.

 

Privadamente, Marta declarou a integrantes de seu agrupamento político que só dará as caras na campanha em maio, em data próxima do limite imposto pela lei para que deixe o ministério. Até lá, tricotará a portas fechadas.

 

O encontro de Edinho com Quércia ocorreu nas pegadas de contatos do mandachuva do PMDB com e o “prefeiturável” Geraldo Alckmin (PSDB). Conforme noticiado aqui, Alckmin e Quércia reuniram-se pelo menos duas vezes.

 

Os aliados da ministra do Turismo invocam a presença do PMDB no consórcio que dá suporte a Lula para argumentar que o mais lógico é que Quércia se acerte com Marta, não com Alckmin. Cortejado, o peemedebista se faz de difícil. Por ora, não fechou com nem com o PT nem com o PSDB.

 

Como de hábito, quer saber qual dos dois lados lhe será mais vantajoso. Além de indicar o candidato a vice, Quércia deseja assegurar vaga para o Senado numa coligação para 2010. De resto, decidiu dar tempo ao tempo.

 

Quércia quer saber se o governador José Serra (PSDB) não vai puxar o tapete de Alckmin. E se Lula não criará obstáculos para as pretensões de Marta. Tenta, de quebra, emplacar afilhados no organograma do governo federal.

 

O último que indicou foi Miguel Colassuono. O nome referendado pela raposa repousa na mesa do Lobão, o novo ministro das Minas e Energia. Há mais: além de PSDB e PT, também o DEM de Gilberto Kassab emite sinais de que gostaria de um entendimento com o PMDB.

 

De concreto, tem-se, por enquanto, apenas uma certeza: o PMDB não terá candidato próprio à prefeitura de São Paulo. Conforme já noticiado aqui, o presidente nacional da legenda, Michel Temer (SP), já reconhece que a tendência é mesmo a de fazer uma coligação.

Escrito por Josias de Souza às 23h25

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MP defende na Justiça fim de 'verba indenizatória'

A presidente do TRF (Tribunal Regional de Brasília), Assusete Magalhães, receberá nesta quinta-feira (24) parecer em que o procurador da República Odim Brandão Ferreira defende a extinção da verba indenizatória de R$ 15 mil paga mensalmente pelo erário a deputados e senadores. Munida do documento, a magistrada terá de decidir se acolhe ou não a ação movida pelo ex-deputado João Cunha (PMDB-SP) contra o pagamento do benefício.

 

O processo foi aberto em maio do ano passado. João Cunha defendeu na ação a tese de que a verba indenizatória, instituída a pretexto de ressarcir as despesas decorrentes do exercício do mandato parlamentar, é “inconstitucional”. Constitui, segundo ele, um complemento disfarçado de salário. O contra-cheque dos congressistas é de R$ 16,5 mil.

 

Em decisão tomada pela primeira instância do Judiciário, João Cunha obteve, por meio de uma liminar, a suspensão do pagamento da verba indenizatória. Mas a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu ao TRF. E a juíza Assusete Magalhães cassou a liminar. Alegou que a verba não se confunde com salário. Via o ressarcimento de despesas, comprovadas mediante apresentação de notas fiscais e recibos.

 

O TRF terá agora que julgar o processo em termos definitivos. E a juíza Assesete terá de manifestar-se de novo. Precisará dizer se concordar ou não com os argumentos levados aos autos pelo procurador Odim Brandão.

 

Para o representante do Ministério Público, os R$ 15 mil repassados aos congressistas constituem, sim, uma ilegalidade. Alega que deputados e senadores já dispõem de recursos para o custeio dos seus mandatos. Menciona o auxílio moradia e as cotas de passagens aéreas, de telefone, de correspondência e de impressão gráfica.

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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O Evangelho segundo Luiz Inácio ‘Cristo’ da Silva

Leonardo Da Vinci
 

 

Lula reuniu seus discípulos nesta quarta-feira (23). Abriu o encontro comparando-o, veja você à Santa Ceia. “Eu fico imaginando que, muitas vezes, nesta mesa aqui, que parece a Santa Ceia, todo mundo reunido, depois passamos um ano sem conversar.” Curioso, muito curioso, curiosíssimo.

 

A comparação de Lula soou imprópria. A começar pela composição da mesa. Jesus sentou-se com escassos 12 discípulos. Lula reuniu 37 em torno de si. Não seria educado, porém, recusar o convite à analogia feito por um presidente da República. Faça-se, portanto, um esforço.

 

Segundo o relato do livro de João, Jesus dirigiu-se aos apóstolos com afeto. Incutiu-lhes na alma aquele que seria o seu derradeiro ensinamento: “Um mandamento novo vos dou: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos tenho amado, amai-vos também uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”

 

À sua maneira, Lula também conclamou os ministros a amarem-se uns aos outros. É o único modo, imagina ele, de propagar convenientemente a mensagem do governo.

 

“Penso que, entre vocês, existe pouca conversa política. Eu diria que há quase meses e meses que vocês não conversam entre si, que não trocam idéias. Certamente as pessoas conhecem menos do que deveriam conhecer sobre o que o governo faz, porque o sistema de comunicação entre nós talvez não seja o mais perfeito ainda.”

 

Escalado para comunicar aos repórtes o que ocorrera por trás das portas da sala de reuniões do Planalto, o discípulo José Múcio traduziu as palavras do mestre. Disse que é preciso capitalizar "potencial político" dos ministros. É como se dissesse: "Nomeiem, senhores, usem a caneta."

 

Para facilitar a difusão do Evangelho segundo Lula ‘Cristo’ da Silva, o presidente fez chegar às mãos de seus discípulos uma cartilha. Funcionará como um catecismo. Contém as realizações que a gestão petista espargiu sobre a Terra. Servirá para que os profetas do novo mundo levem a palavra de seu Senhor até o rebanho das eleições municipais de 2008. O próprio Mestre participará do esforço para a difusão da mensagem.

 

Jesus estava casado aos seus discípulos na comunhão do amor a Deus. Entre os ministros e Lula, o neoCristo, não há propriamente um matrimônio. Une-os o patrimônio. Atraídos pelos bens da Viúva, sacrossanta senhora, aglomeram-se à volta do Senhor de todos os cargos, do Todo-Poderoso das verbas, 14 partidos políticos.

 

Ensina o Novo Testamento que a última ceia, a autêntica, a legítima, precedeu a Paixão e morte de Jesus. De acordo com as anotações de São João, numa prova de humildade, Cristo lavou os pés de seus discípulos. Lula não chegou a tanto. Lavou apenas a biografia de Edison Lobão, elogiando-o diante de seus pares e dando-lhe as boas-vindas à Esplanada.

 

Na ceia de Cristo, houve um anúncio dramático. Está descrito, em detalhes, nos livros de Mateus, Marcos, Lucas e João. Jesus anunciou aos discípulos que um deles iria traí-lo. Apontou Judas. “Eu vos declarei o quanto eu desejava realizar esta ceia convosco e, sabendo como as forças do mal e das trevas conspiraram para a morte do Filho do Homem, eu determinei compartilhar esta ceia convosco, nesta sala secreta [...]. Eu já vos disse repetidamente que devo retornar ao Pai. Agora a minha hora chegou, e não era necessário que um de vós me traísse, entregando-me nas mãos dos meus inimigos”.

 

Segundo o Livro dos Livros, Jesus acrescentou: “Entristeço-me de que esse mal tenha acontecido e até este momento eu esperei que o poder da verdade pudesse triunfar sobre o engano causado pelo mal, mas essas vitórias não são ganhas sem a fé do amor sincero à verdade. Eu gostaria de não ter de dizer essas coisas, nesta que é a nossa Última Ceia, mas desejei prevenir-vos sobre esses sofrimentos e, desse modo, preparar-vos para o que nos espera. Eu vos disse isso porque desejo que vos lembreis, depois que eu me for, de que eu sabia sobre todas essas conspirações maldosas, e que vos preveni sobre a traição feita contra mim. E tudo isso eu faço apenas para que sejais fortalecidos contra as tentações e provações que estão pela frente”.

 

Os inimigos de Lula já erguem a cruz de 2010. Muitos dos que estiveram na “ceia” do Planalto decerto preferirão o papel de Judas a ter de abraçar uma candidatura petista que padeça de inanição de votos. Mas Lula não chegou a apontar os traidores. Tampouco soou dramático. Longe disso. Lembrou aos discípulos que o seu fim é, ainda, um quadrado longíngüo na folhinha.

 

aqui tem representantes de vários partidos políticos. Nós somos de um partido político, estamos no governo e nós precisamos saber combinar essa nossa atuação na relação com todos os ministros, porque nós temos três anos de governo pela frente. Três anos não é pouca coisa. Três anos significa que nós temos todo o governo ainda por fazer”.

 

Na ceia cristã, depois de identificado por Jesus, Judas apressou-se em sair, para cumprir os  seus desígnios, amealhando os trinta dinheiros. Na ceia pós-moderna, Meirelles também deixou a mesa antes do lanche servido pela cozinha do Planalto. Embora o PT o identifique como um tucano infiltrado no governo, Meirelles não foi vender o chefe. Depois de um breve relato sobre a atmosfera de borrasca prenunciada pela recessão norte-americana, o discípulo Meirelles dirigiu-se à reunião do Copom, o Conselho de Política Monetária. Tenta livrar a economia da era Lula do calvário.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice

Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

 

  Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

 

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

 

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição em torno de Kassab.

 

Em diálogos que manteve com líderes do DEM, Serra tratou com naturalidade a possibilidade de figurar na cédula de 2010 ao lado de Aécio. Discorreu sobre o tema como se a hipótese já figurasse nos seus planos. Disse que é coisa para ser tratada mais adiante, não agora.

 

No momento, Serra concentra-se na costura de uma aliança tucano-democrata em torno de Kassab. Informou ao DEM que fará o que estiver ao seu alcance para pôr o acerto de pé. Disse, porém, que a evolução do entendimento depende da concordância de Alckmin, com quem planeja conversar depois do Carnaval.

 

Privadamente, lideranças do DEM e do próprio PSDB acham que Serra falhou no seu relacionamento com Alckmin. Em vez de abrir espaço para aliados do ex-governador na administração estadual, fechou as portas e afastou-se dele. Sugere-se que busque uma reaproximação.

 

Ainda que consiga arrancar Alckmin do caminho de Kassab, Serra terá muito a alinhavar se quiser de fato transformar Aécio Neves, hoje tão presidenciável quanto ele, em mero candidato a vice. Por enquanto, o maior aliado do governador de São Paulo, além do DEM e de FHC, é a pesquisa de opinião.  

 

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 1º de dezembro de 2007, Serra figurava como líder em todos os cenários montados pelo instituto. Ciro Gomes (PSB) aparecia em segundo, sempre à frente dos candidatos do PT. Trocando-se o nome de Serra pelo de Aécio, Ciro assume o primeiro lugar. E o PSDB desce para o terceiro. Aécio fica atrás de Heloísa Helena (PSOL).

 

Montou-se também um cenário em que Serra e Aécio concorrem entre si. Nessa hipótese, que dependeria de uma improvável mudança do governador mineiro para outra legenda, Aécio manteve-se na condição de sub-HH. Serra (33%) lidera; Ciro (19%) permanece em segundo; e HH (15%) fica em terceiro. Só então vem Aécio (11%).

 

Na opinião de dirigentes do DEM, aparentemente compartilhada por Serra, a manutenção desse quadro amoleceria eventuais resistências de Aécio à vice. Não é o que deixa antever a movimentação do governador de Minas. Em São Paulo, Aécio estimula Alckmin a bater o pé. Quanto a Brasília, disse em dezembro, 11 dias depois da divulgação do Datafolha, que se considerava pronto para assumir a candidatura presidencial.

 

De concreto, tem-se, por ora, apenas o seguinte: para as duas principais legendas da oposição a Lula, a eleição municipal de São Paulo converteu-se na ante-sala de 2010. Serra e Aécio firmaram, em meados do ano passado, um armistício.

 

Combinaram de deixar as diferenças no armário até a abertura das urnas municipais, em outubro de 2008. A fricção entre Kassab e Alckmin está como que forçando a porta do armário. Que começa a se abrir antes da hora marcada.

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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As manchetes desta quarta

- JB: EUA dão choque na crise

- Folha: EUA fazem corte emergencial de juros e diminuem perdas

- Estadão: Maior corte de juros dos EUA em 25 anos alivia mercados

- Globo: Corte inédito de juros não livra os EUA de recessão

- Gazeta Mercantil: Fed corta juro nos EUA e reduz tensão global

- Correio: Morador de Sobradinho tem morte suspeita

- Valor: Crise provoca instabilidade em juros do crédito no país

- Estado de Minas: PAC vira arma contra crise

- Jornal do Commercio: Lei seca nas Brs vai começar sem fiscalização especial

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Perdoe-os, Pai; eles não sabem o que fazem!

Guto Cassiano
 

PS.: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Petrobras conspira contra o seu próprio ‘êxito’

Petrobras conspira contra o seu próprio ‘êxito’

  Divulgação
O excesso de esperteza intoxicou a Petrobras. De petroleira, a estatal converteu-se em agência de publicidade. É, hoje, a principal provedora de “boas notícias” do Palácio do Planalto.

O governo está em apuros? O noticiário azedou? Acalme-se. Seus problemas acabaram! A Petro-Tabajara News tem uma novidade para pendurar nas manchetes. Tupi já deu pro gasto? Recorra-se a Júpiter.

 

Em novembro do ano passado, Lula estava acossado pela crise do gás. A Petrobras saiu-se com Tupi, um campo capaz de tonificar as reservas nacionais de óleo em 50%. Nos dias seguintes, viriam os detalhes.

 

Nada pra já, o país saberia nos dias seguintes. A Petrobras extraíra amostras de petróleo de boa qualidade em alto mar, a 7.000 metros de profundidade, em reserva distante da costa de Santos 180 km. Um feito notável.

 

Mas a viabilidade comercial do empreendimento depende de estudos adicionais e novos investimentos. Dinheiro em volume ainda não esclarecido. Sabe-se apenas que não será pouca grana. Longe disso.

 

Com alguma sorte, o país conhecerá a extensão real da jazida de Tupi num par de anos. Com mais sorte, saberá, em quatro ou cinco anos, se a extração de óleo em valores comerciais é ou não viável. Coisa para 2013 ou 2014.

 

Agora, com Edison Lobão atravessado na traquéia dos brasileiros e o fantasma da crise energética a sacudir o lençol sobre o Planalto, a Petrobras traz à tona o gás de Júpiter. E o faz, de novo, em timbre grandiloqüente.

 

Vizinha de Tupi, Júpiter pode tornar o Brasil auto-suficiente na produção de gás natural, informa a estatal. Quando? Daqui a seis anos. O gás está situado abaixo da camada de sal, sob rochas, a 5.252 metros de profundidade e a 290 km da costa. Ou seja: mais estudos e novos investimentos.

 

O Brasil poderá dar uma banana para a Bolívia? Impossível dizer a essa altura. A exemplo do petróleo de Tupi, o tempo dirá se o gás de Júpiter chegará ao continente em valores comerciais.

 

A petrolífera brasileira foi a primeira companhia a dominar a tecnologia de prospecção em águas profundas (2.000 metros). Dá gosto saber que começa a equipar-se também para a exploração em superprofundidade (até 7.000 metros).

 

A estatal não deveria permitir que seus êxitos sejam intoxicados pela esperteza política. O excesso de marquetagem retira do espetáculo o prazer que o brasileiro tem de festejar as poucas coisas boas que lhe chegam.

Escrito por Josias de Souza às 00h49

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DEM reforça a candidatura de Kassab em São Paulo

  Antônio Cruz/ABr
Como previsto, o alto comando do DEM reuniu-se nesta terça-feira (22) em São Paulo, cidade em que o ‘demo’ Gilberto Kassab e o tucano Geraldo Alckmin engalfinham-se por uma vaga de candidato às eleições municipais. O partido de Kassab adicionou azeite na frigideira em que está sendo flambada a candidatura própria.

 

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ) disse que o nome de Kassab só não vai à cédula de 2008 se o prefeito não quiser. E ele quer. Deseja muito. "Se o Kassab disser que topa, mesmo sem acordo com o PSDB, tem nosso apoio. Ele só não será o candidato se não quiser mais."

 

Rodrigo desdenhou da hipótese de Kassab vir a disputar a eleição na condição de candidato a vice. Uma hipótese que forçaria o prefeito a renunciar ao cargo. "Não é correto quem está na prefeitura renunciar. Se ele renuncia, ele assume que de fato o outro nome [Alckmin] tem mais condições de administrar São Paulo. Talvez tenha a mesma condição e qualidade. Mas mais [...] que o prefeito de São Paulo certamente nenhum outro candidato tem."

 

O próprio Kassab, com a prudência de quem ainda busca um entendimento com o tucanato, disse que ficará feliz se puder concorrer à reeleição. “Mas jamais será essa vontade pessoal que irá prevalecer nos entendimentos. [...] Não tem sentido nenhum nós não darmos prioridade à manutenção dessa aliança [com o PSDB]."

 

A refrega municipal ocorre na ante-sala da disputa presidencial de 2010. José Serra, por ora o tucano mais bem-posto nas pesquisas que antecipam as intenções de voto da sucessão de Lula, conspira contra o “companheiro” Alckmin. Vê na parceria com Kassab a chance de renovar mais adiante a coligação tucano-democrata. Serra, aliás, fez questão de prestigiar um jantar promovido pela tribo ‘demo’ na noite passada.

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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Dilma: Brasil será ‘um grande canteiro de obras’

  Folha
O governo planta alicerces, na expectativa de colher orgasmos na safra eleitoral de outubro de 2008. Nesta terça (22), Dilma Rousseff informou que já são 2.126 os canteiros de obras do PAC.

 

A grossa maioria dos empreendimentos (86%) encontra-se, segundo a chefona da Casa Civil, com o cronograma de execução em dia. Vive-se uma situação que a ministra definiu como “muito positiva”.

 

"O ano de 2008 será de muitas realizações. O país terá, de Norte a Sul, não só a contratação de obras em grande escala, mas um grande canteiro de obras em processo de viabilização." Canteiro que Lula começará a regar no mês que vem, em viagens ao redor do Brasil.

 

O cenário róseo esboçado por Dilma tinge-se de cinza no instante em que a análise desce aos números da execução orçamentária. No alvorecer de 2007, o governo reservara pouco mais de R$ 16 bilhões para investir nas obras do PAC. Nove meses depois, em setembro, só R$ 6,7 bilhões (45%) haviam sido empenhados. Como explicar? Simples. Sempre que há dificuldade para justificar algo com base em dados objetivos, deve-se recorrer a um ministro da área econômica.

 

Dilma escorou-se em Paulo Bernardo (Planejamento). E o colega tentou dar ao limão uma aparência de limonada. Disse que, entre setembro e dezembro de 2007, o volume de verbas empenhadas para o PAC cresceu 733%. Saltou-se de R$ 6,7 bilhões para algo como R$ 16 bilhões.

 

Há um detalhe: o empenho representa a reserva da verba, não a efetiva liberação. Na ponta do lápis, gastaram-se R$ 1,37 bilhão até setembro e R$ 4,756 bilhões até dezembro de 2007. Pouco, muito pouco, pouquíssimo.

 

Para 2008, o governo injetou no PAC mais R$ 18 bilhões. Grana que não será alcançada pela tesoura pós-CPMF. Prevê-se que as liberações serão mais céleres. Ainda que não sejam, a simples marola é suficiente para consolidar o nome da gerentona Dilma Rousseff como alternativa petista à sucessão de Lula.

 

A ministra reage à especulação “com profundo cansaço”. Ela diz: “Cansei de falar que não sou candidata. Sempre que isso é colocado, em vez de me beneficiar, prejudica o PAC." Reação de candidata, como se vê.

 

O PAC pode não fazer de Dilma uma heroína petista. Mas os adversários da ministra dentro do PT terão enorme dificuldade para destruir, em 2010, o pedestal em que Lula vai acomodando, aos pouquinhos, sua ministra mais poderosa. Restará a Dilma obter os votos que escasseiam no seu cesto.

 

Hoje, Dilma amealha nas pesquisas de opinião índices constrangedores: abaixo de 2% das intenções de voto. Uma taxa que deve subir no dia em que Lula pronunciar a seguinte frase: “A Dilma é a minha candidata.” Ciro Gomes (PSB) e seus partidários conspiram para que o presidente diga aos eleitores coisa diferente.

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Brasil sobe 27 posições em lista de morte infantil

Em 2006, morreram 9,7 milhões de crianças no mundo

Brasil somou 74 mil mortos com menos de cinco anos

Na lista que vai do pior ao melhor foi de 86º para 113º

 

A ONU divulgou nesta terça-feira a versão 2008 do seu Relatório Mundial da Infantil. Foi elaborado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Registra uma queda recorde na morte de crianças antes de completar cinco anos: foram 9,7 milhões de óbitos em todo mundo. É a primeira vez que o índice fica abaixo de 10 milhões. Em 1990, primeiro ano da contagem, as mortes de crianças somavam 13 milhões.

 

Os dados contidos no estudo, defasados em dois anos, referem-se a 2006. Foram perscrutados 194 países. O Brasil registrou avanços notáveis no combate à mortalidade de crianças com menos de cinco anos. Em 1990, a taxa de mortalidade era, nessa faixa etária, de 57 para mil nascidos vivos. Em 2006, a taxa de mortes caiu de 20 para cada mil nascidos. No total, morreram 74 mil crianças no país em 2006.

 

O Brasil avançou 27 posições no ranking do Unicef da taxa de mortalidade. Foi da 86ª posição para a 113ª. Nessa lista, ocupam os primeiros lugares os países com maiores taxas de mortalidade infantil. Quanto mais alta a colocação, mais próxima das nações que têm as menores taxas: Suécia, Cingapura, Espanha, Japão, Alemanha e Bélgica.

 

Na América do Sul, o Brasil só perde para outros três países: o Chile (148º colocado no ranking do Unicef, com nove mortes por mil nascidos vivos); o Uruguai (138º, 12 mortes por mil) e a Argentina (125º, 16 mortes por mil).

 

Pressionando aqui, você chega ao relatório com dados mundiais. Clicando aqui, chega-se ao “Caderno Brasil”, um apêndice que traz informações alentadas só sobre a situação da infância no Brasil. Há no caderno um ranking das 27 unidades da federação. Foram divididas de acordo com um índice criado pela ONU.

 

Chama-se IDI (Índice de Desenvolvimento Infantil). Leva em conta quatro indicadores: 1) número de crianças menores de 6 anos que tenham pais com escolaridade precária; 2) cobertura de vacinal de crianças com menos de um ano de idade; 3) mães com cobertura pré-natal; e 4) crianças matriculadas na pré-escola. O IDI pode variar de zero a um.

 

Neste último levantamento, os Estados que mais se aproximaram da taxa máxima do IDI foram São Paulo (0,856), Santa Catarina (0,828) e Rio de Janeiro (0,806). Verificou-se, porém, que todas as 27 unidades da federação lograram alcançar um IDI acima de 0,500. Ou seja, todos se situam agora num nível de desenvolvimento infantil médio. Em 1999, sete Estados tinham um desenvolvimento infantil abaixo desse patamar. Em 2004, esse número fora reduzido para um.

Escrito por Josias de Souza às 15h46

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Congresso reduz estimativa de corte para R$ 17 bi

Governo previra uma redução de gastos maior: R$ 20 bi

 

  Roosewelt Pinheiro/Abr
Caiu de R$ 20 bilhões para cerca de R$ 17 bilhões –ou até um pouco menos—a previsão de cortes que a Comissão de Orçamento do Congresso planeja fazer nas despesas do governo para 2008. Contra a vontade dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, a decisão será justificada por meio de uma reestimativa –para o alto— da arrecadação tributária da União.

 

Premido pela necessidade de ajustar as despesas públicas à realidade pós-CPMF, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) reuniu-se na noite passada, em pleno recesso, com técnicos da Comissão de Orçamento. Dornelles é o relator do comitê incumbido de estimar a arrecadação de impostos do governo. Farejou, segundo disseram os técnicos ao repórter, uma receita maior do que a prevista inicialmente.

 

A análise de Dornelles será concluída nesta quarta-feira (23). Nesse mesmo dia, ele repassará os novos dados ao relator-geral do Orçamento da União, deputado José Pimentel (PT-CE). Escalado para manusear a tesoura, Pimentel já foi informado, privadamente, do “excesso de arrecadação.”. Se quisesse, poderia manter os cortes no patamar anunciado pelo governo. Decidiu, porém, que não entregará um vintém além do necessário.

 

Essa é a terceira reestimativa de receita produzida por Dornelles. No projeto de orçamento que o governo enviara ao Congresso, previra-se uma arrecadação de impostos de R$ 682 bilhões para 2008. Dornelles foi à máquina de calcular. Chegou a um número maior: R$ 696 bilhões.

 

Refinando as contas, Dornelles deparou-se com um valor ainda mais vistoso: R$ 704 bilhões –R$ 22 bilhões acima da previsão do governo. No final da semana passada, o senador recebeu novos dados da Receita Federal. Voltou, pela terceira vez, à máquina de cálculo.

 

Embora as contas ainda estejam inconclusas, Dornelles já detectou, segundo apurou o blog, uma diferença a maior de pelo menos R$ 2 bilhões. O suficiente para reduzir a necessidade de corte de R$ 20 bilhões para R$ 18 bilhões.

 

Com a experiência de quem já esteve sentado na cadeira de secretário da Receita Federal, Dornelles se deu conta, de acordo com os técnicos que o assessoram, de um outro detalhe: toda a arrecadação da CPMF referente a dezembro de 2007 (cerca de R$ 1,5 bilhão) só vai entrar nos cofres do Tesouro neste mês de janeiro. Ou seja, é um dinheiro que será injetado no Orçamento de 2008.

 

Juntando-se os R$ 2 bilhões de excesso de arrecadação dessa terceira reestimativa, em fase final de conclusão, com o R$ 1,5 bilhão de CPMF que o governo contabilizará no final de janeiro, chega-se a R$ 3,5 bilhão. Verba novinha em folha, com a qual os responsáveis pelo corte não contavam. Daí a perspectiva de redução da poda orçamentária para algo em torno de R$ 17 bilhões ou um pouco menos.

 

Tudo considerado, chega-se ao seguinte cenário: Dornelles submeterá à comissão de Orçamento um adendo que trará uma reestimativa de receita da ordem de R$ 25,5 bilhões –os R$ 22 bilhões já detectados anteriormente, mais os cerca de R$ 3,5 bilhões descobertos agora. Parte desse valor terá de ser repassado pela União para Estados e municípios. Nas duas primeiras reestimativas, Dornelles previra que o governo federal reteria em seus cofres R$ 15,4 bilhões. Valor que vai subir depois de fechado o novo cálculo.

 

Fique-se, por ora, com os R$ 15,4 bilhões de excesso. Somando-se esse montante aos R$ 10,4 bilhões que o governo espera amealhar com a elevação do IOF e da CSLL, anunciada no início do ano, chega-se a R$ 25,8 bilhões. Faltariam, pelas contas dos técnicos que assessoram Dornelles, R$ 10,2 bilhões para cobrir integralmente a ausência do imposto do cheque.

 

O governo estimara em R$ 39,3 bilhões a arrecadação que teria com a CPMF em 2008 caso o tributo não tivesse sido derrubado pelo Senado. Dornelles trabalha com um número mais modesto: cerca de R$ 36 bilhões.

 

Seja como for, o peso dos cortes seria atenuado enormemente se os congressistas, numa homenagem ao bom-senso, concordassem em abrir mão de todas as emendas que apresentaram ao Orçamento –cerca de R$ 4 bilhões assinados individualmente por deputados e senadores e algo como R$ 15 bilhões referendados coletivamente por bancadas estaduais. O bom-senso, porém, é matéria-prima escassa no Congresso.

 

PS.: Sob o impacto dos novos cálculos que emergem da Comissão de Orçamento, o ministro Guido Mantega foi a campo, nesta terça (22), para tentar salvar a tesourada em R$ 20 milhões, sem a redução pretendida pelos congressistas. Vai conseguir? Provavelmente não.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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As manchetes desta terça

- JB: Crise derruba bolsas

- Folha: Bolsas da Europa têm pior dia desde 11/9; Bovespa cai 6,6%

- Estadão: Medo da recessão nos EUA se espalha e bolsas desabam

- Globo: Mercado financeiro treme

- Gazeta Mercantil: Contágio da crise americana provoca derrocada das bolsas

- Correio: Crise se alastra e apavora mercados

- Valor: Forte correção de preços leva pânico aos mercados

- Estado de Minas: PMDB exige mais cargos

- Jornal do Commercio: Lula proíbe venda de bebidas nas BRs

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Quanta diferença!

Liberati
 

PS.: Via blog do Liberati.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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Depois de fazer e acontecer, Jobim ‘desacontece’

Baptistão
 

 

Nelson Jobim assumiu o ministério da Defesa em 25 de julho de 2007. Chegou no melhor estilo “seus problemas acabaram.” Não conhecia em profundidade as mazelas do setor aéreo. Mas parecia ter o domínio absoluto das soluções.

 

Escolhido para substituir um inoperante Waldir Pires, Jobim cuidou de demarcar o terreno na primeira hora. "Aja ou saia”, eis o lema que ditou aos repórteres. “Faça ou vá embora.” Nas semanas seguintes, o novo ministro, munido de "carta branca" de Lula, fez e aconteceu. Agora, Jobim decidiu “desacontecer.”

 

O ministro deu meia-volta nas principais mudanças que anunciara nas operações de Congonhas e Cumbica, os dois aeroportos de maior movimento do país. Ao tomar posse, Jobim inaugurara na pasta da Defesa uma era singular , fundada no “eu”: “Tem que funcionar como orquestra. E o maestro sou eu”.

 

Ao explicar o recuo, nesta segunda-feira (21), o ministro evoluiu para uma fase mais, digamos, plural. Descobriu o “nós”: “Não é questão de que tenhamos errado, é que reassumimos o controle.” Jobim, de resto, desencavou um vocábulo que não constava de seu dicionário: “flexibilizar.”

 

No ano passado, numa fase em que as chamas do Airbus da TAM ainda ardiam na memória dos brasileiros, Jobim anunciara fundas alterações na rotina de Congonhas. Dera de ombros para a chiadeira das empresas: “Não há dúvida de que terão problemas, mas não será o problema dos mortos que tivemos neste ano.”

 

Proibiram-se, manu militari, o uso de Congonhas para conexões. Ali, só os vôos diretos, com percurso não superior a 1.000 quilômetros. Além de Jobim, Lula também dissera que, no limite, o aeroporto só operaria vôos regionais e diretos. Aviões fretados, os famosos charters, nem pensar.

 

Agora, num instante em que os 199 corpos de Congonhas começam a ser recobertos por camadas de esquecimento, voltam a pousar no coração de São Paulo, a partir de 16 de março, os aviões com escala. Retornam ao pátio também, aos sábados e domingos, os vôos fretados.

 

Em 2007, Jobim informara que seria aberta em Cumbica uma nova pista. Coisa “essencial” e “inadiável.” Agora, diz que a obra, por cara e inviável, foi às calendas. "A alternativa que vamos implementar é otimizar a capacidade do aeroporto, com a reconfiguração do pátio das aeronaves e do terminal. É uma questão de mexer no layout", alega.

 

Como solução definitiva para São Paulo, o ministro voltou a esgrimir o lero-lero do terceiro aeroporto. Algo que já havia sido prometido nas pegadas da tragédia da TAM. Onde? Ainda não as sabe. Quando? Só Deus sabe. Embora tenha se frustrado a primeira parte do do lema de Jobim -"faça"-, o ministro não exibe, por ora, a menor disposição de dar consequüência à segunda parte -"ou vá embora". 

 

PS.: Ilustração via blog do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 01h07

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‘De braços abertos’, Lula empossa ministro Lobão

Como previsto, Lula empossou, nesta segunda-feira (21), o novo ministro Edison Lobão (Minas e energia). Foi uma posse permeada pelo “não”. Lula disse que não está incomodado com a inépcia de Lobão em relação ao setor elétrico. Afirmou que o perfil político do novo auxiliar não constitui problema. Repetiu que não haverá novo apagão elétrico.

São falsas, segundo Lula, as notícias de que estaria incomodado com o fato de o PMDB ter atravessado Lobão em sua traquéia. "Houve insinuações de que estaria chateado. Só pode pensar isso de mim quem não me conhece. À medida que um companheiro é indicado por um partido político, me reservo o direito de receber essa pessoa de braços abertos."

 

Para o presidente, a presença de Lobão na Esplanada fará ruir a tese de que pastas técnicas não podem ser geridas por políticos. Trata-se, no dizer de Lula, de um “preconceito”. Semelhante àquele segundo o qual um metalúrgico não poderia exercer a presidência da República. Teve vida curta na memória do presidente, como se vê, o descalabro que resultou da gestão de Waldir Pires na pasta da Defesa e dos personagens nada afeitos à aviação que passaram pela direção da Anac.

 

"Eu estou convencido de que você exercerá sua pasta com a grandeza da sua carreira política e vai desmontar uma série de preconceitos. Como se todo técnico de futebol fosse o melhor jogador do time [...]. Com sua experiência política, você, Lobão, saberá detectar a inteligência viva e montar um ministério que possa ser motivo de orgulho para nosso país."

 

De resto, referindo-se ao apagão que tisnou a imagem da gestão FHC, Lula disse que o Brasil não vai reviver 2001. Chegou mesmo a ironizar os que levam os lábios ao trombone para ressoar o caos: "Se o mundo acabar vai ter apagão, se não chover nunca mais, vai ter apagão. Lobão vai ter a oportunidade de fazer uma comparação entre alguns pessimistas que vendem a idéia de faltará energia como em 2001 (assista)."

 

Curiosamente, rompendo a praxe, Lobão não discursou. Falou rapidamente aos repórteres. Apresentou-se como portador de uma "carta branca" de Lula. Mais uma. Só discursaria depois, na cerimônia de transmissão do cargo, já no prédio do ministério. Ali, Lobão começou a uirvar grosso. Disse que não será "tutelado" pela chefona da Casa Civil, Dilma Rousseff. Serviu-se em seguida de uma boa notícia que a Petrobras entregou-lhe de bandeja

 

No Planalto, a solenidade foi prestigiada por ministros e por políticos governistas, neo-governistas (Paulo Maluf, por exemplo) e supostos oposicionistas (o governador tucano de Alagoas, Teotônio Vilela Filho). Abalou-se até Brasília até o governador Jackson Lago (Maranhão), inimigo político de José Sarney, o padrinho de Lobão.

Em meio a tantas e tão ecléticas presenças, houve ao menos duas ausências notáveis. A primeira, foi a de José Sarney. Depois de ter acomodado Lobão no colo de Chapeuzinho Vermelho, o mandachuva do PMDB tenta se esconder na floresta da indistinção. A segunda ausência: Edison Lobão Filho, o Lobinho, também não deu as caras no Planalto. Informou-se que, envolto em denúncias, o primogênito do novíssimo ministro ainda não retornou de uma viagem aos EUA.

Herdeiro da cadeira de senador que era do pai, Lobinho promete para os próximos dias a divulgação de um dossiê para rebater as denúncias que se acercaram dele. Terá à sua volta uma penca de caçadores da verdade. Uma verdade com narizes gigantescos, olhos muito enormes, dentes muito grandes e uma boca de fazer medo.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Sobre governos, tributos, orçamento e falsidades

Diz-se que um dos maiores problemas da atualidade é a falta de credibilidade do governo. Aí começa o equívoco. “Da atualidade” por quê? O governo –qualquer governo— sempre foi pouco crível. Não acha? Então, esteja certo: convém procurar auxílio médico.

 

De plantão até 2010, o governo Lula conserva, com esmero inaudito, a má fama do gênero. Aos 45 minutos do segundo tempo de 2007, Lula prometera não recorrer ao aumento de tributos para compensar a perda da CPMF. No primeiro minuto de 2008, elevaram-se as alíquotas do IOF e da CSLL. Um beliscão que vai doer R$ 10,4 bilhões.

 

Não houve quebra de promessa, desconversara Guido Mantega. A palavra empenhada, segundo o ministro da Fazenda, só valia para o ano passado. Pois bem, nesta segunda-feira (21), Lula foi ao rádio para dizer o seguinte: “... Nós não vamos aumentar imposto. Não queremos aumentar imposto, mas vamos aumentar a eficiência da arrecadação...” Depois, reclamam das piadas.

 

De duas uma: ou o Planalto mandou rodar uma fita do ano passado ou Lula já não fala coisa com coisa. Nisso, aliás, o presidente não está só. Fazem-lhe companhia os seus ministros. Paulo Bernardo (Planejamento) dissera que, mercê da necessidade de cortar gastos, o governo cancelara os reajustes salariais que já havia programado. Mandara para o beleléu tanto os reajustes de servidores civis quanto os de militares.

 

O colega Nelson Jobim (Defesa) jura que a coisa não é bem assim. Disse nesta segunda que o reajuste dos militares voltará à mesa depois do Carnaval. "Este tema está mantido e estas conversas serão desenvolvidas com o Planejamento e a Presidência da República após recomposição do Orçamento, o que deverá ocorrer em fevereiro", disse.

 

A ser verdade, joga-se gasolina num fogaréu que arde no centro da Esplanada: a Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), que reúne cerca de 800 mil funcionários públicos civis, foi quem riscou o fósforo, ao informar, dias atrás, que a galera ensaia para fevereiro uma greve. Imagine o vulto que o movimento vai assumir caso o governo trate os militares de um jeito e os civis de outro. "O que nos estranha é que este governo tem vários interlocutores. Cada dia é um que fala a respeito dos servidores", queixa-se Sérgio Ronaldo da Silva, diretor da Condsef.

 

Como se vê, governos não merecem mesmo crédito. Pior: diante da onipotência das autoridades públicas, a clientela, além de pagar a conta, vê-se compelida a levar à face um olhar estrábico de pavor.

 

O atual governo tem todos os defeitos dos demais e mais um: a furiosa, a insana desfaçatez. Nos dias que correm, a palavra oficial tem algo de fluvial no seu abundante e desencontrado escoamento.

Escrito por Josias de Souza às 16h58

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As manchetes desta segunda

- JB: Rebelião conquista o Rio

- Folha: Um em cada cinco jovens não acaba o fundamental

- Estadão: Mercado já espera que BC aumente juros em 2008

- Globo: País desperdiça R$ 10 bi por ano em energia elétrica

- Gazeta Mercantil: Docas Investimentos controlará a Intelig

- Correio: UnB vai abrir mais de 1.300 novas vagas

- Valor: Vale estuda pagar Xstrata com ações preferenciais

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h13

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Um em cada 5 jovens abandonou ensino fundamental

El Roto/El Pais
 

 

Estudo realizado pela presidência da República atesta um flagelo brasileiro: um em cada cinco jovens de 18 a 29 anos abandonou os bancos escolares antes de concluir o ensino fundamental. A análise se refere a brasileiros que vivem nas cidades. Foi feita a partir de dados coletados pelo IBGE na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Demicílios).

 

Feitas as contas, verifica-se o seguinte: dos 34 milhões jovens urbanos, 7,4 milhões tiveram de um a sete anos de estudo –tempo insuficiente para a conclusão do ensino fundamental. Há mais e pior: 813,2 mil jovens residentes em centros urbanos são analfabetos.

 

O drama da subeducacional é maior nos cinco Estados do Nordeste. Encontra-se em situação mais vexatória Alagoas. Ali, a evasão de estudantes do ensino fundamental alcança 46% dos jovens. No lado oposto do rankink está São Paulo, onde a exclusão educacional é estimada em 15%.

 

Os dados estão sendo divulgados nas pegadas de um outro levantamento, feito pela Justiça Eleitoral, a partir de informações disponíveis nos computadores do TSE. Por esse levantamento, mais da metade (51,5%) dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros, tem baixa escolaridade. Não lograram concluir o ensino fundamental. Outros 6,46% são analfabetos.

Escrito por Josias de Souza às 04h05

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Em SP, PMDB pende para ‘uma aliança’, diz Temer

Em SP, PMDB pende para ‘uma aliança’, diz Temer

‘Dificilmente teremos candidato’, informa o deputado

Legenda é cortejada por Alckmin (PSDB) e Marta (PT)

 

Lúcio Távora/Folha

 

O PMDB de São Paulo tornou-se uma espécie de namoradinha do município. A legenda está sitiada por um cinturão de mesuras. Cortejam-na o PSDB de Geraldo Alckmin e o PT de Marta Suplicy. Disputam a primazia de uma aliança para a disputa da prefeitura da maior e mais importante cidade do país.

 

“Não há dúvida de que o PMDB está sendo disputado”, afirma o deputado Michel Temer (SP), presidente nacional da agremiação. Recebe a corte com naturalidade: “Dificilmente teremos candidato. E somos uma força significativa. Nossa perspectiva mais sólida é mesmo a de fazer uma aliança.”

 

Com quem? Temer diz que é cedo para dizer. “Até porque não estão definidas ainda as candidaturas.” Afirma, porém, que chegou a “hora de conversar.” Por enquanto, acha “difícil dizer para que lado vai o PMDB”. Estima que só “depois do Carnaval a coisa começa a se consolidar.”

 

Temer qualifica de “preliminares” as conversas realizadas até aqui. “Nada conclusivo.” Ele próprio foi procurado por emissários do PT, partidários da candidatura da ministra Marta Suplicy (Turismo). Manifestaram o interesse de aprofundar o diálogo. O tucano Geraldo Alckmin conversou diretamente com Orestes Quércia, presidente estadual do PMDB.

 

Aliado do governo Lula no plano nacional, o mais lógico seria que o PMDB se acertasse com o PT. Mas Temer não exclui a hipótese de um eventual entendimento com o tucanato. Lembra que, meses atrás, promoveu em sua casa, em Brasília, um jantar com presidentes e líderes de todos os partidos associados ao consórcio lulista.

 

O encontro foi feito por sugestão de Lula. O presidente recomendara que os partidos que gravitam à sua volta fizessem o possível para celebrar alianças “consangüíneas”, de governistas com governistas. “Chegamos a seguinte conclusão: será muito difícil que os partidos da base do governo façam acordos entre si em todos os municpiois”, rememora Temer. Ele resume assim o cenário esboçado no jantar:

 

“Deliberamos que não vamos deixar que as eventuais disputas municipais contaminem a alinaça nacional. É o cuidado que vamos ter. O primeiro ponto será fazer alianças onde for possível. Se não for possível, evitaremos que as questões locais contaminem o convívio federal. Isso ficou muito claro para todos os presidentes e lideres”.

 

No último pleito municipal, em 2004, o PMDB esteve na bica de celebrar um acordo com o PT em São Paulo. O partido de Lula foi à disputa representado pela mesma Marta que ensaia agora uma nova candidatura. O Planalto fazia gosto do casamento. Mas Marta deu para trás. Preferiu levar à cédula uma chapa puro sangue. Escolheu para vice o também petista Rui Falcão.

 

Marta foi batida nas urnas de 2004 por José Serra (PSDB), hoje no Palácio dos Bandeirantes. O PMDB terminou se aliando à malsucedida candidatura de Luiza Erundina (PSB). Restaram rusgas daquele processo. Nada, porém, capaz de inviabilizar um acerto entre PT e PMDB em 2008. “São coisas do passado”, releva Temer. “Em política, isso passa.”

 

Nas próximas semanas, o cerco ao PMDB tende a ser adensado. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição com o apoio cada vez menos velado de Serra, revela, em privado, a intenção de buscar, também ele, uma aliança com os peemedebistas.  

 

Afora o assédio de São Paulo, o PMDB começa a debater internamente as eleições no resto do país. Vale para os outros municípios a mesma regra enunciada por Temer: onde for possível, dar-se-á preferência ao acerto com partidos governistas. Onde não der, o PMDB não se furtará ao entendimento com oposicionistas, ora buscando a cabeça de chapa, ora sugerindo candidatos à vice.

 

Em dezembro, antes do início do recesso parlamentar, Temer foi procurado por Sérgio Guerra e Ricardo Berzoini, presidentes respectivamente do PSDB e do PT. Combinaram de conversar depois do Carnaval. É quando, nas palavras de Temer, “a coisa começa a se consolidar.”

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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Usina!

Henfil
 

 

O cartunista Henfil, gênio do gênero, morreu em janeiro de 88. Lá se vão duas décadas. O sítio Brazilcartoon inaugurou uma galeria permanente dedicada ao mestre. Vale a visita. Já conhece o trabalho do Henfil? Mate as saudades. Nunca viu? Não sabe o que está perdendo! 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Cresce no país uso de sala blindada contra grampos

Empresários, políticos, lobistas, doleiros e advogados encontraram um modo engenhoso de fugir aos grampos telefônicos e às escutas ambientais. Recorrem cada vez mais à instalação de salas blindadas em suas empresas ou escritórios.

 

Estima-se que, em 2007, foram construídas entre 90 e 100 ambientes do gênero em São Paulo e Brasília. Antes, a média de encomendas era de 30 por ano. As salas blindadas têm entre 30 e 40 metros quadrados. Custam de R$ 200 mil a R$ 250 mil. Diz-se que são inexpegnáveis à bisbihotice –seja ela oficial ou cladestina.   

 

“Agora você pode escolher entre entrar nu na piscina com seu cliente ou pagar pelo uso de uma sala blindada, totalmente imune a grampo telefônico ou ambiental”, diz Jorge Maia, diretor de tecnologia da B2T - Business to Technology, empresa pioneira no fornecimento das tais salas. “A paranóia existe, mas para todo veneno há um antídoto. Curiosamente, a B2T traz em seu catálogo de clientes até a Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 23h56

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Intimado, Dirceu depõe à Justiça sobre mensalão

Inquirição será feita por juíza que atuou no caso Maluf

 

  Sérgio Lima/Folha
O ex-ministro José Dirceu começa, finalmente, a prestar contas à Justiça. A juíza Sílvia Maria Rocha intimou-o a comparecer à 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Marcou a audiência para as 14h30 da próxima quinta-feira (24). O ex-chefe da Casa Civil de Lula será inquirido, pela primeira vez, no processo referente ao escândalo do mensalão.

 

Dirceu é acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha. Foi ao banco dos réus, junto com outros 39 acusados, há cinco meses, por decisão do STF. Deveria ser ouvido no próprio Supremo. Mas o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, optou por delegar à Justiça Federal a tarefa de inquirir os réus. Foi a forma que encontrou para dar mais celeridade ao processo.

 

Apontado pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza como chefe da “quadrilha” do mensalão, Dirceu é, entre todos os personagens da ação penal que corre no STF, o mais ilustre. Esta será a primeira vez que vai depor sobre o caso num foro judicial. Até aqui, só havia se defendido na Câmara.

 

Sempre negou envolvimento no mensalão. Não soou, por ora, convincente. Perdeu o mandato de deputado e agora tenta evitar uma condenação judicial. Estima-se que o veredicto será demorado. Não sai em menos de três ou quatro anos.

 

Os réus do mensalão estão sendo ouvidos por juízes de oito Estados e do Distrito Federal. A requisição das oitivas foi expedida pelo ministro Joaquim Barbosa em novembro de 2007. Ele dera 60 dias para o término da tarefa. O prazo expira no final do mês. Não será cumprido.

 

Pelo menos uma das inquirições vai extrapolar para o mês de fevereiro. Foi marcada para 1º de fevereiro, na comarca de Belo Horizonte, a oitiva de Marcos Valério, o empresário que ajudou o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares a fornir, com verbas de má origem, as arcas clandestinas do mensalão.

 

O depoimento de José Dirceu será conduzido pela mesma juíza que atuou nos processos que apuram as remessas ilegais de Paulo Maluf para contas no exterior. A magistrada Silvia Maria Rocha cuidou do caso Maluf até outubro do ano passado. Eleito deputado federal, Maluf passou a dispor de privilégio de foro. E os processos contra ele foram transferidos para o STF.

 

Afora o aspecto técnico, o depoimento de Dirceu chamará a atenção por uma razão estética. Será a primeira aparição pública do ex-mandachuva de Lula desde a cirurgia plástica a que ele se submeteu. Há dez dias, Dirceu passou cinco horas na mesa de cirurgia. Transplantaram-lhe 6.700 fios de cabelo da nuca para a região superior da cabeça. Logo, logo o país saberá se, além da cabeleira, Dirceu dispõe de novos argumentos de defesa.

Escrito por Josias de Souza às 20h39

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Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab

Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab

Alto comando da legenda quer candidatura 'irreversível'

 

  Folha
Num instante em que parte do PSDB hesita em apoiar o tucano Geraldo Alckmin, o DEM decidiu avançar uma casa no xadrez em que se converteu a pré-campanha para a prefeitura de São Paulo. O alto comando do DEM irá à capital paulista, na próxima terça-feira (22), para prestigiar o prefeito Gilberto Kassab (foto), candidato à reeleição.

 

Será um encontro do Conselho Político da legenda, integrado por suas principais lideranças –dirigentes, ex-dirigentes, líderes no Congresso e executivos –estaduais e municipais. O pretexto da reunião é a necessidade de fazer uma análise da conjuntura política. Serão discutidos: o cenário nacional pós-extinção da CPMF e a as eleições municipais de 2008.

 

Quanto ao caso de São Paulo, o partido pretende fixar uma posição terminativa. O conselho endossará a candidatura de Kassab e delegará ao próprio prefeito a tarefa de costurar os acordos políticos em torno do nome dele. Uma delegação apenas formal. Na prática, toda a ex-pefelândia está empenhada em pôr de pé a candidatura própria na maior capital do país.

 

Além de Kassab, o ‘demo’ mais envolvido na costura paulistana é Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Ele esteve com o governador José Serra, na semana passada, para informar que pretende procurar Geraldo Alckmin. Recebeu sinal verde. Verdíssimo.  

 

Bornhausen planeja avistar-se com Alckmin nos próximos dias. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura. Vai aconselhá-lo a concorrer o governo de São Paulo, em 2010. Uma equação que interessa a Serra, empenhado em costurar uma aliança tucano-democrata para a sucessão de Lula.

 

Além de Serra, o DEM conta com o apoio de um outro grão-tucano para tirar o ex-governador do caminho: FHC. O problema é que, por ora, Alckmin não emite o menor sinal de que pretenda abrir mão da disputa. Longe disso. Já deflagrou os contatos para erigir uma aliança em torno de si. Conforme noticiado aqui, reuniu-se duas vezes com Orestes Quércia (PMDB).

 

O PT observa a divisão entre ‘demos’ e tucanos com vivo interesse. Torce para que a desavença tenha vida longa. Idealiza um cédula com os nomes de Kassab e de Alckmin. Situação em que sua candidata, a ministra Marta Suplicy, teria a vida simplificada.

 

Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 9 de dezembro, Alckmin obteve 26% das intenções de voto, quatro pontos a menos que os 30% que amealhara na pesquisa anterior, feita quatro meses antes. O ex-governador tucano estava tecnicamente empatado com Marta (25%, um ponto acima dos 24% que alcançara em agosto de 2007). Kassab subiu, em dezembro, de 10% para 13%.

 

Num cenário sem Alckmin, Marta subiria, segundo o Datafolha, de 25% para 28%, tornando-se líder isolada. Mas passaria a ser acossada por Kassab, que, nessa hipótese, subiria de 13% para 20%. Daí a macumba do petismo para que PSDB e DEM se apresentem aos eleitores paulistanos cada um com o seu candidato.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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As manchetes deste domingo

- JB: Rio faz protesto inédito

- Folha: Mercado do álcool frustra produtor e retrai investidor

- Estadão: Crise fará Brasil crescer menos, já prevê governo

- Globo: Obras do PAC não andam e Rio deixa de investir R$ 9 bi

- Gazeta Mercantil: Medo de recessão americana faz Bovespa cair 10,7% no mês

- Correio: Descaso expôs 36 milhões à febre amarela

- Valor: Turbulências nas bolsas adiam um terço dos IPOs

- Veja: A supereconomia

- Época: Cuba - O sonho dos revolucionários, o pesadelo da vida real

- IstoÉ: Verão dos milionários

- IstoÉ Dinheiro: Negócios na passarela

- Carta Capital: Capitalismo à brasileira

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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José Gomes 'Amarelão'!

 

PS.: Ilustração via blog do Guto Cassiano.

PS.2: Neste sábado (19), o ministério da Saúde confirmou a oitava morte.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Ministro da Educação deixa um encontro sob vaias

Marcello Casal/ABr
 

 

Sabe-se que muitos dos professores que o país encarrega de educar os seus jovens não são propriamente pessoas educadas. Ministro da Educação, Fernando Haddad decerto não ignorava essa obviedade. Neste sábado, porém, o auxiliar de Lula deu de cara com a evidência de que falta aos educadores brasileiros o essencial: dar o exemplo.

 

Convidado a comparecer ao 30º Congresso Nacional da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Haddad foi recepcionado com uma estrepitosa vaia. Nem a presença da filha do ministro, que o acompanhava, inibiu os apupos, entusiasticamente entoados por professores ligados ao PSTU.

 

Aos uivos seguiram-se os gritos. Primeiro, enquanto Haddad entrava no ambiente: "Eu sou de luta, sou radical, não sou capacho do governo federal". Na seqüência, depois que o ministro já havia sentado: “Fora já daqui.” Haddad, que planejava discursar, desistiu. Bateu em retirada.

 

A própria presidente da CNTE, Juçara Vieira, tachou de "lamentável falta de educação de setores minoritários" o tratamento dispensado a Haddad. Quem já esteve com o ministro, sabe que se trata de pessoa de lhano trato, incapaz de um gesto indelicado.

 

O que talvez falte a Haddad é matricular-se num curso de rua. Desses que introduzem no currículo de uma pessoa algumas boas lições de malandragem. Aventurar-se num encontro apinhado de agitadores do PSTU...! Ora, ministro, francamente.

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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Ministra torra R$ 171 mil com cartão corporativo

Marcello Casal/ABr
 

 

Pouca gente sabe, mas o governo Lula dispõe de uma ministra que se dedica à promoção da igualdade racial. Chama-se Matilde Ribeiro. Chegou ao primeiro escalão em março de 2003. E não saiu mais. A despeito do poder longevo, o trabalho da ministra continua obscuro. Porém, o uso que Matilde faz do cartão de crédito corporativo saltou da obscuridade para as páginas de Veja (só para assinantes).

 

A revista lanço um providencial facho de luz sobre as faturas do cartão da ministra relativas ao ano de 2007. Gastou notáveis R$ 171.500 –o equivalente a R$ 14.300 mensais (valor superior ao salário da ministra, de R$ 10.700). Os extratos anotam despesas curiosas, muito curiosas, curiosíssimas. Dispêndios que Matilde fez e –nunca é demasiado recordar— você pagou. Estão distribuídos assim:

 

R$ 126 000 reais aluguel de carros
R$ 35 700 reais hotéis e resorts
R$ 4 500 reais bares, restaurantes e até padaria
R$ 460 reais free shop
R$ 4 800 reais despesas diversas
R$ 171 500 reais total

 

Matilde informou à revista que só usou o cartão corporativo para custear despesas decorrentes de viagens oficiais. “De fato, ela viaja tanto que poderia assumir o Ministério do Turismo”, ironiza Veja. “No ano passado, pagou 67 contas em hotéis – média de 5,5 contas por mês. É rara a semana em que ela não se hospeda em algum estabelecimento. Seu favorito é o confortável Pestana, um cinco-estrelas que enfeita a Praia de Copacabana. Ela esteve por lá 22 vezes no ano passado, ao custo total de R$ 10.000 reais”.

 

Por vezes, as despesas da ministra foram realizadas em ambientes que destoam do caráter oficial: bares, choperias, quiosques, restaurantes, rotisseries e até padarias. A reportagem anota: “No Rio de Janeiro, ela adora o restaurante Nova Capela, conhecido reduto da boemia carioca, e o bar Amarelinho, que se orgulha de servir o chope mais gelado da cidade”.

 

Prossegue o texto: “Em São Paulo, Matilde é assídua na padaria Bella Paulista, que fica aberta 24 horas por dia e é freqüentada pelos notívagos paulistanos. Nas refeições, ninguém pode acusá-la de abandonar a bandeira da igualdade racial: ela usou seu cartão dez vezes em restaurantes italianos, nove em árabes e três em japoneses”.

 

E quanto aos R$ 460 gastos no free shop, aquelas lojinhas nas quais os viajantes satisfazem suas pulsões consumistas no retorno de viagens internacionais? Matilde diz que, neste caso, o cartão governamental foi usado por engano. “O valor já foi ressarcido à União", disse ela.

 

Os gastos com os cartões do primeiro escalão do governo são realizados com a transparência de um cristal cica. A julgar pelos extratos da ministra Matilde, passa da hora de aprovar uma lei obrigando ministros e funcionários graduados a exibir na internet, mês a mês, as contas bancadas com dinheiro alheio.

Escrito por Josias de Souza às 22h50

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PF intimará filho de Sarney para dar explicações

As chuvas que escasseiam nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras abundam sobre as cabeças coroadas da política do Maranhão. Depois de alcançar Edison Lobão Filho, os raios e trovões despencam sobre Fernando Sarney, filho de José Sarney, responsável pelos negócios da família.

 

Deve-se ao repórter Vasconcelos Quadros a revelação de que Fernando Sarney será intimado pela Polícia Federal. Terá prestar esclarecimentos sobre “movimentações financeiras atípicas” detectadas pelo Coaf (Conselho de Acompanhamento de Atividades Financeiras).

 

A encrenca não é banal. As contas geridas por Fernando Sarney foram farejadas pelo Coaf em outubro de 2006, mês de eleições. Coisa de R$ 3,5 milhões. Além da PF, o filho de Sarney tem nos seus calcanhares a Receita Federal. Teve quebrados, com autorização judicial, os sigilos fiscal, telefônico e bancário.

 

O repórter Felipe Patury (só para assinantes de Veja) informa que, “nas últimas duas semanas”, Sarney, o pai, manteve duas conversas privadas com Lula. Tratou dos problemas que se acercaram do filho. Mostrou-se preocupado com supostos grampos telefônicos que a PF teria feito.

 

Apreensivo, Sarney teria dito que receia pela expedição de um mandado de busca e apreensão. Teme também “a divulgação de conversas telefônicas que Fernando teve com Silas Rondeau”, o afilhado político que teve de deixar o ministério das Minas e Energia depois de alcançado pela lâmina da Operação Navalha.

 

Advogado de Fernando Sarney, Antonio Carlos de Almeida Castro esclarece, porém, que “não há grampo telefônico” nas investigações. A PF obteve apenas extratos de contas telefônicas. Revelam os números dos interlocutores de Fernando, gestor da TV Mirante, a empresa dos Sarney que retransmite no Maranhão o sinal da Rede Globo.

 

A encrenca envolvendo Fernando Sarney ajuda a explicar por que o pai esquivou-se tanto de entrar de corpo e alma na disputa pela presidência do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 21h53

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Velho de 90 anos, Jeca Tatu sobrevive rijo e forte

Velho de 90 anos, Jeca Tatu sobrevive rijo e forte

Ele é “incapaz de evolução, impenetrável ao progresso”. Dispensa cadeiras. A natureza dotou-o “de sólidos, rachados calcanhares sobre os quais se senta.” Porta-se de modo peculiar. “Antes de agir, acocora-se.” Traz enterrado na alma o germe da mansidão. “Seu grande cuidado é espremer todas as conseqüências da lei do menor esforço - e nisso vai longe.”

Está-se falando, o leitor mais arguto já há de ter notado, de um personagem bem conhecido: o Jeca Tatu. Criado por Monteiro Lobato em 1918, ainda sobrevive. Rijo e forte, a despeito da aparência anêmica. Ressurgiu, impávido, nas dobras de um levantamento que a Justiça Eleitoral acaba de divulgar.

 

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mais da metade (51,5%) dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros, tem baixa escolaridade. São patrícios que não lograram concluir o ensino fundamental. Sabem, mal e mal, ler e escrever. Soma-se a esse contingente um naco de 6,46% de eleitores analfabetos. Coisa de 8,2 milhões de pessoas.

 

Juntos, os subeducados e os iletrados compõem 57,98% dos portadores de títulos de eleitor. Uma impressionante massa de neo-Jecas. Brasileiros com pouca ou nenhuma capacidade de resistência à esperteza, à hipocrisia e à marquetagem eleitoral. Algo preocupante num instante em que o país está na bica de escolher novos prefeitos e vereadores.

 

Lobato trouxera Jeca Tatu ao mundo nas páginas do célebre Urupês, livro de contos editado em 1918. Mas só no ano seguinte o personagem foi, de fato, notado. Deve o segundo nascimento a Rui Barbosa. Em 1919, em meio a uma malsucedida campanha à presidência da República, o Águia de Haia guindou Jeca Tatu à condição de símbolo do descaso dos governos com os brasileiros humildes.

 

Seguiu-se uma renhida polêmica. Até de impatriótico Monteiro Lobato foi acusado. Os ataques mais vigorosos vieram de dois autores: Leônidas Loiola, do Paraná, e Ildefonso Albano, do Ceará. Leônidas escreveu que Lobato fazia “campanha sistemática de depreciação e ridículo do homem e das coisas do Brasil.” Ildefonso criou Mané Chique-chique, o avesso de Jeca Tatu.

 

A polêmica ganhou tal vulto que o escritor Lima Barreto sentiu-se compelido a produzir uma crônica em defesa de Monteiro Lobato. “A Obra do Criador de Jeca Tatu” foi publicada no então Diário de Notícias, em maio de 1921. No texto, Barreto enxergou na obra literária de Lobato “um arco de horizonte muito mais amplo do que o do comum dos nossos escritores”.

 

“O que emana de suas palavras não é ódio, não é rancor, não é desprezo, apesar da ironia e da troça; é amor, é piedade, é tristeza de não ver o Jeca em condições melhores”, anotou Lima Barreto. A julgar pelos dados armazenados nos computadores do TSE, as condições do Jeca não se alteraram substancialmente.

 

O neo-Jeca já não é aquele caboclo rural de 1918. Muitos se mudaram para as periferias urbanas. Trocaram o arcaísmo da enxada pela modernidade do subemprego. Mas a descrição de Monteiro Lobato, tão cruel quanto atual, vem a calhar. Expressivo número de eleitores ainda “vegeta de cócoras.” Sobrevive sob densas camadas de ignorância e hipocrisia. Até quando?

Escrito por Josias de Souza às 20h44

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As manchetes deste sábado

- JB: Entidades querem investigar o IPTU

- Folha: Bush propõe pacote de US$ 150 bi contra recessão nos EUA

- Estadão: Pacote de Bush frustra mercados

- Globo: Bush tenta enfrentar crise com pacote de US$ 145 bi

- Gazeta Mercantil: Medo de recessão americana faz Bovespa cair 10,7% no mês

- Correio: Febre amarela tem novo caso em Goiás

- Valor: Turbulências nas bolsas adiam um terço dos IPOs

- Jornal do Commercio: Lombadas das BRs desativadas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Fumacê!

Pelicano
 

PS.: Via sítio do Pelicano.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Alckmin negocia apoio do PMDB de SP com Quércia

Alckmin negocia apoio do PMDB de SP com Quércia

Alheio às conveniências de José Serra e às opiniões de Fernando Henrique Cardoso, o tucano Geraldo Alckmin costura nos subterrâneos uma aliança que dê suporte à sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Idealiza uma parceria do seu PSDB com o PMDB de Orestes Quércia.

Alckmin já teve pelo menos duas reuniões com o próprio Quércia, que preside o PMDB no Estado de São Paulo. Esteve também com Bebeto Haddad, presidente do diretório peemedebista na capital paulista.

 

O tucano disse aos dois interlocutores que deseja concorrer à prefeitura paulistana em outubro de 2008. E manifestou o interesse de ter o PMDB do seu lado. Em privado, cogita entregar a um peemedebista a vaga de vice.

 

Nem Quércia nem Bebeto excluíram a hipótese de formalização de um acordo. O diálogo mantém-se, por ora, inconcluso. Será retomado em fevereiro, depois do Carnaval.

 

Alckmin move-se à revelia de Serra. De olho na corrida presidencial, o governador de São Paulo corteja o DEM. E a tribo ‘demo’, sabendo-se essencial para os planos futuros de Serra, condiciona uma eventual parceria em 2010 ao apoio do PSDB à candidatura municipal de Gilberto Kassab.

 

Guindado à prefeitura como vice, Kassab (DEM) tornou-se titular do posto em 2006, quando Serra decidiu rasgar um compromisso que assumira por escrito, trocando a cadeira de prefeito pela poltrona de governador. Kassab tomou gosto pela coisa. E quer porque quer se reeleger.

 

Há uma semana, para irritação de Alckmin, FHC associou-se publicamente aos planos de Serra. Em entrevista aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva, o ex-presidente disse que Alckmin deveria se resguardar para a disputar ao governo de São Paulo, em 2010. Afirmou que Kassab “tem sido bom prefeito”.

 

FHC acrescentou: “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República].” Reservadamente, Alckmin considerou descorteses as palavras de FHC.

 

Na última quarta-feira (16), em reunião com Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, e Arthur Virgílio (AM), líder do tucanato no Senado, Alckmin disse que se submeterá à decisão do partido. Mas mostrou-se muito propenso a concorrer à prefeitura. Sabe que, se bater o pé, o PSDB terá dificuldades para rifá-lo em nome do apoio a Kassab.

 

Observando a encrenca à distância, o governador Aécio Neves (Minas), que mede forças com Serra pela vaga de candidato ao Planalto, estimula Alckmin. Considera inconcebível que o PSDB puxe o tapete de um correligionário que traz na biografia um cacife eleitoral que o conduziu ao segundo turno da eleição presidencial de 2006.

 

Quanto ao PMDB, Quércia já informou aos seus pares que não quer entrar na refrega municipal como candidato. Prefere a formalização de uma boa aliança. No plano federal, o PMDB apóia o governo petista de Lula. É o maior partido do consórcio governista.

 

Porém, a cúpula da legenda avisou ao PT e ao próprio Lula que, em 2008, dará preferência às alianças com partidos da chamada base governista. Não hesitará, porém, em acertar-se com legendas de oposição nos municípios em que o casamento “consangüíneo” se mostrar inviável.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Chega ao STF ação contra quebra do sigilo bancário

Baixada no final do ano passado, a portaria da Receita Federal que obriga os bancos a entregar ao fisco dados bancários de seus correntistas sofreu nesta sexta-feira (18) sua primeira contestação judicial. Assinam a ação os advogados da CNPL (Confederação Nacional das Profissões Liberais).

Para a entidade, a portaria da Receita é inconstitucional. A CNPL invoca o parágrafo 12 do artigo 5º da Constituição. Sustenta que nesse trecho, o texto constitucional condiciona a quebra do sigilo bancário a autorização do Judiciário. A providência só poderia ser adotada nas hipóteses previstas em lei: investigações criminais ou instrução de processos penais.

 

Caberá agora ao Supremo dar a palavra final sobre a legalidade do documento da Receita. A primeira decisão a ser tomada diz respeito a um pedido de liminar solicitado pela CNPL. A entidade quer que o STF suspenda a vigência da decisão da Receita até que a ação seja julgada em termos definitivos.

 

O documento da Receita, alvo da contestação, fora editado nas pegadas da rejeição, pelo Senado, da emenda que prorrogava a vigência da CPMF até 2011. Sem o imposto do cheque, o fisco perdeu uma valiosa ferramenta de combate à sonegação. Valia-se dos dados da CPMF para cruzar a movimentação bancária com os dados do Imposto de Renda dos contribuintes, farejando os passos dos sonegadores.

 

À falta da CPMF, editou-se a portaria, para obrigar as instituições financeiras e as operadoras de cartões de crédito a repassar ao fisco os dados da movimentação financeira de pessoas físicas e empresas com movimento semestral superior a R$ 5 mil e R$ 10 mil, respectivamente.

Escrito por Josias de Souza às 17h51

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Bush divulga linhas gerais de pacote anti-recessão

 

George Bush veio a público nesta sexta-feira (18) para tratar de um tema que interessa ao mundo: o pacote de medidas destinadas a atenuar o risco de recessão da economia dos EUA. Esperava-se que ele fosse mais específico. Mas Bush limitou-se a um esboço.

 

Disse que o embrulho deve conter um lote de isenções tributárias equivalentes a 1% do PIB norte-americano. Coisa de US$ 145 bilhões. Pode chegar, segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, a US$ 150 bilhões.

 

As isenções beneficiariam empresas e pessoas físicas. O objetivo é injetar dinheiro na economia, estimulando o consumo. "Ao aprovar um pacote efetivo de crescimento, daremos uma injeção na veia, para manter um crescimento econômico fundamentalmente saudável", disse Bush. "Deixar que os americanos fiquem com mais de seu dinheiro deve fazer crescer os gastos com consumo."

 

As providências dependem da boa vontade do Congresso dos EUA. Documento elaborado pela Casa Branca já circula pelas mãos dos congressistas. Explica que o governo preferiu optar pela isenção tributária em vez de aumentar os gastos públicos.

 

O mundo olha com vivo interesse para a movimentação de Washington. A despeito da evolução de economias como a da China e a dos países da Comunidade Européia, os EUA ainda são considerados como uma espécie de locomotiva. Respondem por algo como 20% da economia mundial. Entrando em recessão, espalhará estilhaços ao redor do planeta. O Brasil também seria afetado. Considera-se, porém, que o país está, hoje, mais preparado para enfrentar a tormenta.

Escrito por Josias de Souza às 16h58

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Governo sente indisfarçáveis saudades da 'gorda'

  Lula Marques/Folha
Transita pelos gabinetes de Brasília uma senhora gorda e expansiva. Teve a morte decretada muitas vezes. Mas sempre renasce. Foi ao esquife pela ultima vez em dezembro do ano passado. E já volta a dar novos sinais de vida.

 

Sob aparência simpática, a gorda é traiçoeira. Com uma mão, empunha bandeirolas sociais. Com a outra, surrupia o dinheiro das contas bancárias. Seu último nome era CPMF. Agora, todo mundo a chama carinhosamente de Nova Fonte de Financiamento Para a Saúde.

 

Nesta sexta-feira (18), o ministro José Gomes Temporão (Saúde) disse que a gorda será objeto de debate na próxima reunião de Lula com seus auxiliares. "Semana que vem vai ter uma reunião ministerial”, disse ele, “Com certeza, essa questão vai ser tratada." Prepare o seu bolso, caro leitor. A gorda quer voltar. Já conta inclusive com numerosa claque. E quanto à reforma tributária? Ela está a caminho das calendas (ouça).

Escrito por Josias de Souza às 16h03

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As manchetes desta sexta

- JB: Pobres vão pagar IPTU ainda maior

- Folha: Bush anuncia hoje pacote para tentar evitar recessão

- Estadão: Bolsas caem mais e EUA lançam plano anti-recessão

- Globo: Arrecadação cresce 11%, quase duas vezes a CPMF

- Gazeta Mercantil: Medo de recessão americana faz Bovespa cair 10,7% no mês

- Correio: Exército entra na caça ao mosquito

- Valor: Turbulências nas bolsas adiam um terço dos IPOs

- Estado de Minas: Arrecadação compensa R$ 24,1 bilhões da CPMF

- Jornal do Commercio: Governo anuncia medidas antiapagão

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Funk do Suassuna!

Escrito por Josias de Souza às 03h27

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Virgílio apresenta-se como presidenciável em SP

Dois dias depois de ter comunicado ao governador tucano José Serra sua decisão de disputar o Planalto em 2010, o senador Arthur Virgílio (AM) escolheu justamente São Paulo para iniciar sua pré-campanha presidencial. O gesto inaugural será uma visita ao túmulo de Mário Covas, em Santos, nesta sexta-feira (18).

 

Na seqüência, Virgílio fará uma palestra para militantes tucanos e empresários, a convite do diretório do PSDB do Guarujá. Dirá à platéia por que decidiu concorrer à sucessão de Lula. A partir de fevereiro, pretende repisar o discurso incontáveis vezes, em viagens que planeja fazer pelo país.

 

Virgílio defende a tese de que o tucanato deve antecipar o debate presidencial. No encontro com Serra, o senador disse que não abre mão de disputar a vaga partidária com os outros dois presidenciáveis tucanos: o próprio Serra e o governador Aécio Neves (MG).

 

O senador disse também a Serra que solicitou a Sérgio Guerra (PE) a inclusão de seu nome nas sondagens eleitorais feitas por encomenda do partido. Presidente do PSDB, Guerra testemunhou o diálogo de Virgílio com Serra. Foi, segundo os participantes, uma conversa descontraída. Embora ostente a condição de tucano mais bem-posto ns pesquisas, Serra não esboçou nenhum esforço para demover o novo “concorrente”.

 

Além das viagens, Virgílio decidiu realizar, a partir do reinício do ano legislativo, em fevereiro, visitas aos principais órgãos de comunicação do país. Acha que seu primeiro desafio é convencer as pessoas de que sua candidatura presidencial não é nenhuma “jogadinha política.”

 

“Se alguém acha que estou para brincadeira, está enganado”, diz ele. “Farei uma campanha séria, um debate conseqüente. Completo 30 anos de vida pública em 2008. E não tenho vocação para fazer graça ou para me auto-ridicularizar.”

 

Na visita ao túmulo de Covas, Virgílio terá como cicerone Renata Covas, filha do ex-governador paulista. No Guarujá, será homenageado pelo tucanato local. Foi convidado para falar ao diretório por conta da atuação que teve na rejeição da emenda da CPMF, em dezembro.  

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Garibaldi compara Edison Lobão a Winston Churchill

Garibaldi compara Edison Lobão a Winston Churchill

No afã de defender o companheiro de partido da acusação de inépcia elétrica, o presidente do Senado torturou a lógica com um curto-circuito. Garibaldi Alves guindou Edison Lobão, veja você, ao mesmo patamar em que se encontra Sir Winston Churchill.

Ouça-se Garibaldi: “Churchill ganhou a guerra e não era general. Era um grande estrategista, um estadista, não era general. Portanto, Lobão pode ser um grande ministro de Minas e Energia. O José Serra não foi um grande ministro da Saúde?”

 

As palavras de Garibaldi são de calar um Maracanã lotado em dia de Fla-Flu. Mas deixar um presidente do Senado falando sozinho seria uma descortesia indesculpável. Assim, melhor aceitar a provocação. Lobão e Churchill...

 

Desprezem-se, por desnecessários, os detalhes. Acentue-se apenas o essencial. Lobão caminhou até o ministério de Lula com os pés de José Sarney. Deixou pelo caminho a convicção de despreparo e um filho-suplente com muito a explicar.

 

Churchill foi ao posto de primeiro-ministro da Grã-Bretanha equilibrando-se nos próprios sapatos. Chamavam-no de bêbado, oportunista e pé-frio. Pisou o preconceito e esmigalhou o favoritismo de um amigo do rei –Lord Halifax.

 

Lobão chega ao primeiro escalão para prover ao PMDB cargos nas estatais do sistema Eletrobras e na Petrobras. À malta, oferece a perspectiva de um reajuste da conta de luz. Churchill tinha ambições mais modestas e menos a ofertar: "Não tenho nada a oferecer, senão sangue, suor, trabalho duro e lágrimas".

 

O adversário de Lobão é a ameaça de racionamento de energia. No ano passado, valorizava-o. Discursou sobre ele duas vezes –primeiro, em abril; depois, em julho. Nas duas ocasiões, falou do “risco muito alto de apagão.” Foi mudando de opinião à medida que se aproximava da Esplanada. Até se desdizer integralmente. Agora, agarrado a São Pedro, afirma que as chuvas de verão derrotarão o fantasma.

 

O inimigo de Churcill chamava-se Adolf Hitler. Concentrou-se nele. Jamais o menosprezou. Quando Hitler marchava sobre Paris -a Bélgica já de joelhos, o exército britânico encurralado no porto de Dunquerque-, disse: "Ofereço visão, valentia e vitória". Quando a Europa parecia à mercê do Füher, reforçou a dose: "Vamos defender nossa ilha a qualquer custo, vamos lutar nas praias, vamos lutar nos campos e nas ruas, vamos lutar nas montanhas; nós nunca nos renderemos".

Lobão se autoconcedeu o prazo de 30 dias para concluir as nomeações de sua pasta. "Vou ouvir o PMDB e outros partidos aliados. Tanto quanto for possível, vou [atender às reivindicações do PMDB]. Desde que sejam boas, vou atendê-las", avisou. O triunfo do PMDB e demais "aliados" corresponderá, neste caso, a mais uma derrota dos bons costumes e a uma nova invasão do Tesouro Nacional.

 

Em período mais curto, Churchill cavou um lugar na historiografia. Seu apogeu encontra-se magnificamente descrito no livro “Cinco Dias em Londres: Negociações que Mudaram o Rumo da 2ª Guerra", do historiador norte-americano John Lukacs. Conta como Churchill preservou a Grã-Bretanha, acudiu a Europa e começou a livrar o mundo civilizado do nazi-fascismo. Tudo entre os dias 24 e 28 de maio de 1940.

 

No dia em que a folhinha alcançar 31 de dezembro de 2010, Lobão, Garibaldi e o PMDB de ambos serão notas de rodapé no capítulo dedicado à fisiologia que infelicitou a era Lula. Filhos de uma cruza do instante com o circunstante, não terão lugar na estante. Esse barulho que se ouve ao fundo é Sir Churchill revirando no túmulo. Revoltou-se com a afronta de uma comparação despropositada. Julga-se merecedor de companhias mais edificantes.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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Arrecadação de tributos em 2007 bate novo recorde

Marcello Casal/ABr
 

 

A Receita Federal amealhou no ano passado R$ 602,793 bilhões. Corresponde a notáveis R$ 1,65 bilhões por dia. Trata-se de um recorde. Mais um. Em 2007, ingressaram nos cofres do Tesouro 11,1% a mais do que em 2006 (553,668 bilhões).

 

Ao divulgar os dados, o secretário da Receita, Jorge Rachid, disse que a arrecadação deve continuar crescendo em 2008. Esquivou-se de fazer previsões. Limitou-se a dizer que o ritmo de crescimento deve ser menor. “Agora, evidentemente, temos que trabalhar com um cenário de realidade onde não temos CPMF.”

 

Rachid atribuiu o tônico arrecadatório ao crescimento da economia e ao aperfeiçoamento do combate à sonegação. Para Rachid,  (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), afirmou nesta quinta-feira. "Foi um crescimento virtuoso. Um crescimento saudável", disse.

 

É verdade. Mas a coisa seria ainda mais virtuosa, mais saudável se o avanço sobre o bolso do contribuinte não fosse acompanhado do crescimento dos gastos do governo. Gastando menos e melhor, o Estado poderia refinar os seus investimentos. Melhor: poderia pensar em aliviar a carga de tributos. Em vez disso, preferiu-se aumentar o IOF e a CSLL.

Escrito por Josias de Souza às 20h32

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Deputados gastam R$ 20 mi com viagens em 2007

Verba daria para pagar 5 voltas à Terra de cada deputado

 

A Transparência Brasil divulgou nesta quinta-feira (17) um estudo com informações que ajudam a compor a face média dos políticos brasileiros. Colecionaram-se dados referentes ao Congresso –Câmara e Senado—e às Assembléias Legislativas. A visão proporcionada pela leitura não é, como sói, alentadora.

 

Tome-se o exemplo da chamada verba de gabinete. São aqueles R$ 15 mil que os congressistas recebem todo mês para custear despesas relacionadas ao exercício do mandato. Nada a ver com salário nem com as tradicionais cotas de passagens, telefone, correspondência e auxílio moradia a que deputados e senadores fazem jus.

 

Considerando-se os 513 deputados, a Câmara gastou R$ 80 milhões com a verba de gabinete. Desse total, R$ 20 milhões foram aplicados na compra de passagens aéreas. Repise-se: nada a ver com o deslocamento dos deputados para os seus Estados.

 

Pelas contas da Transparência Brasil, essas duas dezenas de milhões de reais seriam suficientes para bancar cinco voltas de avião ao redor da Terra para cada um dos 513 deputados. Não parece razoável.

 

O segundo item que mais consome a verba de gabinete é o custeio do combustível dos deputados: R$ 16,7 milhões em 2007. Dividindo-se o montante entre os 513 deputados, cada um deles poderia rodar 73,8 milhões de metros de asfalto. De novo: parece absurdo. Sobretudo num instante em o mantra do corte de gastos ecoa por toda Brasília.

 

Embora não fique bem na foto, a Câmara leva uma vantagem sobre o Senado. Os deputados ao menos divulgam os gastos na internet. O Senado, nem isso. A divulgação patrocinada pelos deputados é precária. Não se tem acesso ao bolo de comprovantes de gastos, envenenado por centenas de notas fiscais frias e recibos mutretados. Mas nada excede em desfaçatez a obscuridade do Senado.

 

Pressionando aqui você chega à íntegra do estudo da Transparência Brasil. Vale a leitura. Está sem tempo agora? Pois reserve um naco do seu final de semana. Há muitos outros dados no texto –da freqüência dos parlamentares às pendências de muitos deles com a lei.

 

Percorrendo-se o documento, descobre-se, por exemplo, que algo como um terço dos assentos da Câmara é ocupado por deputados que têm pendências com a Justiça e/ou com os tribunais de contas. Na bancada de Tocantins, o percentual de deputados encrencados alça à casa dos 75%.

 

Entre os 81 senadores, somam 30 os que se encontram encalacrados com a Justiça. Em 15 dos 27 legislativos estaduais, o número dos que trazem a ficha tisnada chega a pelo menos um terço. Em sete Estados, bate em 40%. Em Goiás, chega a 70%. Triste, muito triste, tristíssimo. O pior é saber que o eleitor é responsável direto pelo descalabro.

Escrito por Josias de Souza às 19h46

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Contratado, Lobão ‘bate ponto’ na sala de Dilma

Depois, comenta: ‘Somos amigos há muitos anos...’

 

  Sérgio Lima/Folha
Menos de 24 horas depois de ter sido alçado por Lula à pasta de Minas e Energia, Edison Lobão já cumpre, desde a manhã desta quinta-feira (17), uma agenda de ministro –ou pré-ministro, já que só toma posse na próxima segunda. Seu primeiro compromisso não poderia ter sido mais simbólico. Reuniu-se, no Planalto, com a colega Dilma Rousseff.

 

Embora a chefe do Gabinete Civil tenha torcido o nariz para a nomeação de Lobão, o novo ministro passou a tratá-la como uma espécie de amiga de infância: “Minha relação com ela é a melhor possível”, disse, em entrevista à Rádio Gaúcha (ouça). “Somos amigos há muitos anos. Temos tido contatos freqüentes. Vou ter nela uma amiga e uma ministra coordenadora de todo governo que vai nos ajudar intensamente”.

 

Só depois de “bater ponto” na sala de Dilma, que paira sobre o “seu” ministério como uma sombra de Lula, é que Lobão sentiu-se à vontade para visitar o seu local de trabalho. Reúne-se nesta tarde com o interino Nelson Hubner, que está de saída. Vai inteirar-se dos desafios que o aguardam.

 

De um lado, o novo ministro é intimado pelas circunstâncias a tomar providências que afugentem o fantasma de falta de energia. Ele exala tranqüilidade: “Não vejo o risco maior de racionamento de energia”, diz, na contramão de alguns especialistas. Em outro flanco, Lobão é instado pelo PMDB, o partido dele, a apressar a ocupação do organograma da pasta.

 

Nesse terreno, que sabe ser movediço, Lobão move-se com a cautela de quem traz sobre os ombros três décadas de vivência política. Diz que nada será feito “de afogadilho”. Revela, a propósito, um naco do diálogo que manteve com Lula na noite da véspera.

 

Segundo Lobão, Lula deu-lhe “absoluta liberdade para gerenciar o ministério.” Fez, porém, uma “recomendação”: “Cuidado com indicação das pessoas que vão ocupar cargos sensíveis, de natureza técnica.” Curioso que o presidente não tenha tido, ele próprio, o zelo que prescreve ao novo auxiliar. Advogado e jornalista, Lobão é um neófito em temas energéticos.

 

Lobão trata de acomodar panos quentes sobre suas próprias deficiências. Diz e repisa que, como “bom administrador”, saberá cercar-se dos melhores quadros “técnicos”. Diz que tratará, primeiro, da equipe do ministério. Só depois evoluirá para as estatais penduradas na estrutura da pasta.

 

Quanto à primeira fase, faz de novo, uma reverência a Dilma: “Há secretários deixados pela ministra [ela geriu a pasta antes de ser transferida para a Casa Civil], que são bons e devem ser mantidos.”

 

E quanto às estatais energéticas? O ministro calibra o discurso: “Terei o cuidado de examinar indicações. Todas têm de ser de pessoas capacitadas”. Lobão diz que, “de modo geral”, vai “tentar colocar técnicos”. Se não for possível, aproveitará “alguns políticos.” O ministro não disse, mas o PMDB já lhe entregou uma lista de políticos. Todos capacitados, muito capacitados, capacitadíssimos.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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Posse de Lobão inaugura luta PT X PMDB por cargos

Partidos medem força pelas estatais do setor elétrico

Está em jogo um orçamento anual de mais de R$ 5 bi

 

Longe de pacificar, a nomeação de Edison Lobão para o ministério das Minas e Energia acendeu uma disputa entre os dois maiores sócios majoritários do consórcio governista: PMDB e PT. As legendas medem forças pelo controle das companhias elétricas, jóias da coroa estatal. Juntas, movimentam um orçamento estimado para 2008 em mais de R$ 5 bilhões. Tocam algumas das mais vistosas obras do PAC.

 

Lideranças do PT espantaram-se com uma expressão usada pelo ministro José Múcio, coordenador político de Lula, ao delimitar o raio de ação de Lobão. Disse que o novo ministro terá “carta branca” para recompor o organograma da pasta.

 

“Não aceitaremos pacificamente a desmontagem do ministério”, disse ao blog um mandachuva do petismo. “Não temos preocupações hegemônicas, mas consideramos essencial que os postos de direção das principais empresas do setor sejam ocupados pelo partido do ministro”, redargüiu um grão-peemedebista.

 

O PT controla no ministério agora confiado a Lobão cerca de três dezenas de cargos. Escorado na ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), espera salvar a maioria. Embora vencida na escolha de Lobão, um nome para o qual sempre torceu o nariz, Dilma tem a pretensão de funcionar como espécie de filtro de Lula na dança de cadeiras que se avizinha.

 

Ciente da fragilidade técnica de Lobão e do poder de fogo de Dilma, o PMDB foge da briga. Dispõe-se a negociar as nomeações. Aceita compartilhar o ministério com o PT. Concorda em manter a salvo do troca-troca os melhores quadros técnicos. Mas chega ao ministério com um lote de nomes dos quais não abre mão.

 

De cara, Lobão vai trocar o secretário-geral da pasta. Decidiu despachar Nelson Hubner. Ligado a Dilma, ele vinha respondendo interinamente pelo ministério desde que a cabeça de Silas Rondeau fora ceifada pela lâmina da Operação Navalha. Como demonstração de boa vontade, pretende-se acomodar no posto o engenheiro catarinense Márcio Zimmermann. Já é funcionário do ministério. Embora seja próximo de José Sarney, não é rejeitado por Dilma. Bem ao contrário.

 

Em contrapartida, as outras trocas já programadas pelo PMDB não agradam nem à chefona da Casa Civil nem ao PT. O comando da Eletrobrás Lobão deseja entregar a Astrogildo Quental, outro personagem que é unha e carne com Sarney. Sai Valter Cardeal, homem de Dilma.

 

A Eletrosul, Lobão quer confiar ao peemedebista Paulo Afonso, ex-governador de Santa Catarina. Sai Ronaldo Custódio, de novo um homem da confiança de Dilma. Para a Eletronorte, o novo ministro deseja nomear Lívio Rodrigues de Assis, um apadrinhado do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA).

 

No ano passado, o PMDB já havia cravado o ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde na presidência de Furnas. Foi uma das condições impostas pela bancada peemedebista para votar a favor da CPMF na Câmara.

 

Por conta da mesma votação, o partido arrancou de Lula o compromisso de nomear Jorge Luiz Zelada, dodói do PMDB de Minas Gerais, para a diretoria Internacional da Petrobras. Promessa que Lula vinha empurrando com a barriga e que Lobão chega à Esplanada decidido a honrar.

 

De resto, há uma velha demanda do PR, outro partido do consórcio lulista, aguardando na fila da fisiologia que se formou na porta do ministério das Minas e Energia. O PR quer emplacar Lúcio Alcântara, ex-tucano e ex-governador do Ceará, no comando da Chesf. Um pleito que, em reserva, Lobão mostra-se disposto a atender.

 

Dificilmente as barricadas que o PT vai armar conseguirão deter a marcha do PMDB rumo ao organograma das Minas e Energia. Apesar das resistências de Dilma, Lula convenceu-se de que ou atende o PMDB ou não terá mais sossego no Congresso. Restará ao PT zelar para que os prováveis novos comandantes de estatais não desalojem os petistas abrigados nas diretorias e em postos inferiores.

 

Essa briga promete. Será uma luta curiosa. Os partidos entrarão com os punhos. O contribuinte, com a cara. Ou, por outra, com o bolso. Entre jabs e esquivas, vão ao plano secundário os problemas do setor elétrico. Problemas cabeludos

Escrito por Josias de Souza às 04h14

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As manchetes desta quinta

- JB: Só boicote ao IPTU faz Cesar se mexer

- Folha: Estrangeiros tiram US$ 1,9 bi da bolsa

- Estadão: Saída de estrangeiros faz bolsa perder 8% em 16 dias

- Globo: Lobão vira ministro apesar de denúncias e crise energética

- Gazeta Mercantil: Comércio vai continuar em alta em 2008

- Correio: Febre amarela mata mais um brasiliense

- Valor: BNDES terá direito especial sobre ações de controle da Oi

- Estado de Minas: País tem 3 dos 4 piores aeroportos do mundo

- Jornal do Commercio: Promotores denunciam kombeiros

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Breu!

Guto Cassiano
 

PS.: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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‘Lobinho’ promete dar explicações antes de assumir

  O Imparcial
Suplente do pai, Edison Lobão Filho telefonou para lideranças do DEM, nesta quarta-feira (16), para informar que, antes de assumir a vaga de senador, entregará ao partido um “dossiê” para “refutar” as acusações que pesam contra ele. Dos EUA, onde se encontra, Lobinho, como o primogênito do novo ministro vem sendo chamado em Brasília, discou para José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, e para Rodrigo Maia (RJ), presidente da legenda.

 

Ficou claro nos telefonemas que o filho de Lobão, a depender apenas de sua vontade, não cogita abrir mão da cadeira de senador em favor do segundo suplente Remi Ribeiro (PMDB-MA). Prometeu apenas defender-se das acusações antes de tomar posse. Disse também que irá processar os meios de comunicação que veicularam informações contra ele.

 

Lobão pai, porém, disse coisa diferente. Em entrevista concedida no Planalto, declarou que seu filho vai, sim, assumir o seu lugar no Senado. Mas pode pedir licença em seguida. 

 

Agripino disse considerar prudente que Lobão Filho “não assuma antes de esclarecer ao país e ao partido as acusações de que é objeto”. No mesmo tom, Rodrigo Maia diz que o DEM não vai, por ora, nem acusar nem defender Lobinho. “Queremos esclarecimentos” (ouça).

 

Em privado, a cúpula ‘demo’ não parece disposta a conviver com o novo companheiro de bancada caso ele não consiga explicar-se de forma convincente. Qualquer providência só poderá ser adotada, porém, depois que o filho do ministro estiver acomodado na cadeira do pai.

Escrito por Josias de Souza às 20h52

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Lula convida, Lobão aceita e posse será na segunda

José Cruz/ABr
 

 

Como previsto, Lula convidou o senador Edison Lobão (PMDB-MA) para ocupar o posto de ministro das Minas e Energia. O convite foi prontamente aceito. Advogado e jornalista, sem nenhuma afinidade com o setor energético, Lobão assume a pasta na próxima segunda-feira (21). Dois dias depois, o novo inquilino da Esplanada participará da primeira reunião ministerial de 2008, prevista para quarta-feira.

 

Lobão, o neófito, assume as Minas e Energia num instante em que especialistas da área discutem a hipótese de o governo ter de promover um novo racionamento de energia. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez o que pôde para evitar que o apadrinhado de José Sarney (PMDB-AP) fosse alçado à condição de ministro. O PMDB bateu o pé. E Dilma teve de dar meia-volta.

 

O convite a Lobão foi precedido de um vaivém que deixou a direção do PMDB de cabelo em pé. A audiência do senador com o presidente fora marcada para as 18h. Lobão chegou a comparecer ao Planalto. Mas fora informado de que, cansado da viagem à Guatemala e a Cuba, Lula decidira adiar a conversa.

 

De volta ao Senado, Lobão comunicou o ocorrido à cúpula do partido. Em telefonemas ao ministro José Múcio, coordenador político de Lula, dois grão-peemedebistas disseram que o adiamento, se mantido, desgastaria Lobão e irritaria desnecessariamente o partido. Múcio interveio. Aconselhou Lula a formalizar de uma vez o convite que Dilma preferia que não fosse feito. E Lula, recuperado subitamente do cansaço, pediu que Lobão fosse chamado de novo ao Planalto. 

Escrito por Josias de Souza às 20h37

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Minas terá presídio gerido pela iniciativa privada

  Alan E. Cober
O governo de Minas Gerais anuncia nesta quinta-feira (17) a abertura de uma consulta pública para a construção de um megapresídio gerido pela iniciativa privada. Será erguido no município de Ribeirão das Neves, vizinho de Belo Horizonte. Terá capacidade para cerca de 3.000 presos.

 

Vencida a fase de consulta, será lançado, em abril, o edital de licitação, para a escolha de um consórcio privado. O certame seguirá o modelo da PPPs (Parcerias Público-Privadas). O vencedor arcará com os custos da obra e se credenciará para gerir a cadeia pelo prazo renovável de 27 anos.

 

O edital trará o preço máximo que o governo tucano de Aécio Neves admite pagar à empresa que vencer a licitação: R$ 76 milhões anuais. Inclui o custo da obra e a remuneração da gestão do presídio.

 

Na ponta do lápis, cada preso confiado aos cuidados da iniciativa privada custará ao erário mineiro R$ 2.100 por mês. Nas cadeias públicas, o mesmo preso custa R$ 1.700 mensais. O valor não inclui, porém, o custo da construção do presídio. Pelas contas do governo de Minas, sem a PPP, o preso da futura penitenciária de Ribeirão das Neves custaria R$ 2.500.

 

O blog conversou com o advogado Maurício Campos Júnior, secretário de Defesa Social de Minas Gerais. Ele é o responsável pelo sistema prisional do Estado. Disse que os valores previstos no edital de licitação constituem um teto. Espera que a disputa entre as empresas interessadas vá resultar numa redução dos valores.

 

O secretário Maurício Campos explicou ao repórter como vai funcionar a parceria entre o Estado e a iniciativa privada. O governo se responsabilizará pela definição das regras disciplinares, pela guarnição externa do presídio e pelo transporte dos presos. A empresa privada cuidará de todo o resto.

 

Passarão às mãos privadas, por exemplo: contratação de agentes penitenciários; alimentação, assistência médica e psicológica aos presos; e condução das iniciativas que visam a reintegração social dos presos –cursos educacionais e profissionalizantes, atividades recreativas e cultos religiosos.

 

Embora a gestão vá ser privada, haverá diretor nomeado pelo governo mineiro. Fará a ponte entre a empresa e o governo. Será responsável também pelas decisões administrativas que afetem o cotidiano dos presos –uma prerrogativa que, pela lei, é exclusiva do Estado.

 

De resto, a prisão terá um Conselho Consultivo, integrado por representantes da secretaria de Defesa Social, do Conselho de Criminologia e Política Criminal, do Conselho de Política Penitenciária, do Conselho Estadual de Direitos Humanos e da empresa privada.

 

O projeto que o governo mineiro submete nesta quinta à consulta pública foi estruturado depois de estudos que consideraram a experiência de outros países. Entre eles Grã-Bretanha, Chile, Nova Zelândia e África do Sul. Chegou-se a um modelo que traz duas novidades que o secretário Maurício Campos chama de “inovações relevantes”:

 

1.  Prêmio de gestão: O governo de Minas se dispõe a pagar um adicional de até 1,5% sobre o valor anual do contrato caso a empresa privada alcance níveis de excelência na gestão do presídio. A avaliação será feita pelo Conselho Consultivo da penitenciária, a partir de indicadores pré-definidos. Incluem, por exemplo: a contenção eficiente dos presos e segurança para quem trabalha na cadeia e para a comunidade à volta do presídio; impedimento de entrada de celular, armas nas celas; criação de condições para a reinserção social dos presos; e o uso de novas tecnologias de segurança.

 

2. Projeto aberto: o edital de licitação deixa integralmente a cargo da empresa vencedora a idealização do projeto arquitetônico do presídio. “É algo absolutamente novo”, diz Maurício Campos. “A idéia é de uma concessão por 27 anos. O parceiro privado não vai apenas construir. Terá os olhos voltados para a gestão da unidade. Se apresentássemos um projeto fechado, limitaríamos a adoção de evoluções em termos de arquitetura prisional, utilização de materiais mais resistentes ou equipamentos tecnológicos que facilitem a manutenção do presídio. Quanto maior for a agregação de tecnologia, menor será o custo da gestão cai. Achamos que isso trará mais competitividade à disputa”.

A iniciativa de Minas Gerais não é isolada. Na semana passada, também o Estado de Pernambuco, governado por Eduardo Campos (PSB), lançou uma consulta pública para a construção de um presídio submetido às regras da PPP. São Paulo, do tucano José Serra, prepara-se para fazer o mesmo. Em meio ao caos que se instalou nos presídios brasileiros, são iniciativas que merecem acompanhamento.

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Brasil promete US$ 1 bi, mas só entrega US$ 200 mi

 

Quando um governo –qualquer governo— consegue fazer alguém de idiota, é porque a vítima oferece a matéria-prima. Veja-se o caso da oposição brasileira. Entregou a DRU a Lula em troca da promessa de que não haveria aumento de impostos. A paulada veio nos primeiros dias de 2008. E Guido Mantega disse que o só valia para o ano anterior.

 

Com Cuba, o governo brasileiro exagerou. Já se sabia que a palavra de Brasília é produto sem garantia. Mas não se imaginava que pudesse ficar obsoleta em menos de 48 horas. Na antevéspera da chegada de Lula a Cuba, difundiu-se a “informação” de o Brasil abriria créditos de cerca de US$ 1 bilhão em favor da ilha de Fidel. Porém, noves fora as abobrinhas que Lula trocou com Fidel, a visita do presidente brasileiro só rendeu US$ 200 milhões. Em duas prestações.

 

Diz-se que a negociação de novos acordos vai prosseguir. Por sorte, Fidel já não é mais aquele. Por força da idade que lhe rouba a saúde, vai esperar sentado. Ou deitado.

 

PS.: Ouça aqui a avaliação da visita de Lula segunda a ótica peculiar de Zé Simão.

Escrito por Josias de Souza às 16h48

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As manchetes desta quarta

- JB: Editorial - Rio cidadão

- Folha: Prejuízo no Citigroup derruba bolsas

- Estadão: Medo de recessão nos EUA aumenta e derruba bolsas

- Globo: Mangabeira quer aqueduto entre Amazônia e Nordeste

- Gazeta Mercantil: Indicadores dos EUA assustam e derrubam bolsas no mundo

- Correio: Febre amarela mata mais três

- Valor: Mudanças na Lei das S.A. elevam carga tributária

- Estado de Minas: Recessão nos EUA arrasta bolsas

- Jornal do Commercio: Térmicas deixarão luz mais cara

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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Piada cabeluda!

Sponholz
 

PS.: Via sítio do Sponholz.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Virgílio informa ao PSDB que disputará o Planalto

Líder tucano decide confrontar Serra e Aécio em prévia

 

  Sérgio Lima/Folha
O senador Arthur Virgílio (AM) informou ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), que decidiu disputar a presidência da República em 2010. Deseja medir forças com os outros dois presidenciáveis tucanos –José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) –numa eleição prévia. Exigirá, de resto, que o partido inclua o seu nome nas sondagens eleitorais que vier a encomendar.

 

A disposição será formalmente comunicada a Serra e Aécio. No caso do governador de São Paulo a comunicação deve ser feita até o final da semana, provavelmente ainda nesta quarta-feira (16). Acompanhado de Sérgio Guerra, Virgílio deve dividir a mesa de almoço do Palácio dos Bandeirantes com Serra.

 

Em privado, Virgílio revela-se impressionado com os cumprimentos que vem recebendo dos eleitores depois de ter se transformado em protagonista da derrubada da CPMF no Senado. Contra a posição de Serra e Aécio, que conspiraram até a última hora em favor de um acordo do tucanato com Lula.

 

Virgílio pretende levar a candidatura presidencial definitivamente ao noticiário na reabertura do ano legislativo, em fevereiro. Já elabora o discurso. Entre quatro paredes, diz o seguinte: Quero que o PSDB ganhe em 2010. E desejo saber o meu tamanho. Se for bom para o partido, muito bem. Se não for, apoio quem for melhor. Mas não abro mão do direito de disputar.”

 

O senador repisa agora a mesma tese que esgrimiu para se contrapor aos governadores tucanos na votação da CPMF. Diz que “o PSDB é um partido sem donos”. Acrescenta que, “seja quem for o candidato à presidência, ele precisa saber que tem lideranças à sua volta.”

 

Aos olhos de hoje, parece improvável que Arthur Virgílio venha a solidificar-se como candidato oficial do PSDB à sucessão de Lula. Na última vez que disputou uma eleição majoritária, para o governo do Amazonas, o senador obteve algo como 5,5% dos votos. Seu “tamanho” atual será aferido pelas próximas pesquisas. Mas a simples disposição de disputar representa um novo problema para Serra, o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas.

 

Ao exigir a realização de prévias, Virgílio obriga Serra a transformar o prestígio externo em votos tucanos. Fica descartada a hipótese de repetição da cena de 2006, quando Geraldo Alckmin tornou-se candidato ao Planalto num jantar que reuniu no restaurante Mássimo, um dos mais caros de São Paulo, o triunvirato tucano composto por Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves.

 

O próprio Sérgio Guerra, alçado à presidência do PSDB no final de novembro de 2006, está decidido a preparar o partido para a realização de uma eleição primária semelhante à que é feita nos EUA. Como primeira providência, Guerra programa para os próximos meses um recadastramento dos filiados do PSDB, seguido de uma campanha de novas filiações.

 

Afora o “problema” Virgílio, Serra vê-se às voltas a “questão” Geraldo Alckmin. Nesta terça-feira (15), Serra recebeu a visita de Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Empenhado em viabilizar a re-candidatura do ‘demo’ Gilberto Kassab à prefeitura de São Paulo, Bornhausen disse a Serra que pretende procurar Alckmin para tentar demovê-lo da pretensão de concorrer ao cargo nas eleições municipais de 2008, sob pena de inviabilizar uma aliança do DEM com o PSDB em 2010.

 

Para desassossego dos partidários da candidatura de Alckmin, Bornhausen recebeu sinal verde de Serra. Nos subterrâneos, os aliados do governador de São Paulo conspiram abertamente em favor de Kassab. O ruído tende a se transformar em estrondo à medida que o calendário de 2008 avança.

 

Também nesta terça, em visita ao diretório tucano do Rio Grande do Norte, Sérgio Guerra disse que o objetivo do PSDB é o de ter candidatos próprios às prefeituras das principais capitais do país. Não há no mapa do Brasil capital mais relevante do que São Paulo. E não existe nos quadros do tucanato paulistano candidato mais vistoso do que Geraldo Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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Antes de deixar Cuba, Lula vê sua ‘paixão’ Fidel

Divulgação
 

 

Terminou na noite desta terça-feira (15) o mistério que cercou a visita de Lula a Cuba. Depois de padecer horas de indefinição, o presidente brasileiro avistou-se, finalmente, com o ditador cubano. Deu-se em local mantido sob sigilo. Foi um encontro a dois, testemunhado apenas por um intérprete.

 

Antes, Lula confessara aos jornalistas: "Eu sou da geração que é apaixonada pela revolução cubana." Depois, exagerou. Disse que Fidel, no “estaleiro” desde junho de 2006, exibiu lucidez "incrível" e saúde "impecável". Estaria "pronto para assumir o seu papel político em Cuba e seu papel histórico no mundo".

 

Lula contou que o ditador falou por duas horas, contra meia hora de palanfrório dele próprio. Na passagem por Havana, Lula esquivou-se de condenar a supressão de liberdades imposta pelo regime cubano. "Não damos palpite na política de nenhum país porque não queremos que as pessoas dêem palpite nas coisas do Brasil", desconversou.

 

Acrescentou: "Para nós o importante é que Cuba assinou o Protocolo de Direitos Civis e Políticos da ONU e vai assinar o Direito Econômico. Para nós é importante essa evolução política.”

 

A paixão, como se vê, cega.

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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PMDB espera que Lula convide Lobão nesta quarta

  José Cruz/ABr
De volta a Brasília, depois de visitar Guatemala e Cuba, Lula receberá, nesta quarta-feira (16), o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Deve convidá-lo formalmente para ocupar o cargo de ministro das Minas e Energia. É o que espera toda a cúpula do PMDB, incluindo José Sarney (AP), padrinho do virtual novo ministro.

 

Neófito na área, Lobão dedicou-se nos últimos dias à análise de textos sobre o setor elétrico. Só foi desviado da leitura emergencial por um outro assunto ainda mais premente: a contingência de ter de sair em defesa de seu primogênito, Edison Lobão Filho.

 

Suplente do pai, Edinho –como o filho de Lobão é tratado por amigos e familiares—ou Lobinho –como passou a ser chamado em Brasília— assumirá a vaga de senador caso se confirme o convite de Lula. E, antes que pusesse os pés no Senado, foi pendurado nas manchetes de revistas e jornais em posição constrangedora.

 

O futuro senador é investigado pelo Ministério Público. Uma das suspeitas que pesam contra Lobão Filho é a de que seria sócio oculto de uma distribuidora de bebidas maranhense, a Itumar. Deve ao fisco notáveis R$ 42 milhões. O filho nega a malfeitoria. O pai atribui as acusações à refrega política.

 

Nesta terça-feira (15), de passagem por Havana, Lula foi instado a comentar a iminente nomeação de Edison Lobão. Fez uma declaração dúbia. Deu a entender que a ascensão do senador à Esplanada ainda é coisa indefinida. "O problema é que o PMDB, por unanimidade, indicou o Lobão para ministro”, disse o presidente. “Mas eu disse que vai depender de uma conversa minha com o Lobão."

 

A suposta indefinição é mero jogo de cena. O blog ouviu, no Planalto, um auxiliar direto de Lula. Disse que a hipótese de Lobão não virar ministro é “inexistente.” Para o governo, as suspeitas que se acercaram de Lobinho não chegaram a comprometer a nomeação de Lobão. É o que espera a direção do PMDB.

 

Na semana passada, a cúpula do partido foi a Lula. Levou à mesa o nome de Lobão. E deixou o Planalto certa de que, no retorno de sua viagem, Lula o convidaria. Participaram do encontro o presidente do PMDB, Michel Temer (SP) e José Sarney (AP). Um recuo agora atearia fogo à bancada peemedebista do Senado –Casa em que a maioria do governo é precária. Tão precária que não foi capaz de assegurar ao governo a prorrogação da CPMF.

 

Confirmando-se o que parece inevitável, inaugura-se um outro problema. Diferentemente do pai, que trocou o DEM pelo PMDB, Lobinho continua filiado aos quadros do ex-PFL. E a tribo dos ‘demos’ não se mostra disposta a conviver com um novo senador-problema. Ecoando um debate travado nos subterrâneos do DEM, a senadora Kátia Abreu (TO) diz que, se não conseguir explicar as denúncias que lhe pensam sobre os ombros, Lobinho “será convidado a deixar o partido.” Do conjtrário, pode ser expulso.

 

Em privado, Lobão admite que, depois de tomar posse no Senado, o filho pode licenciar-se. Abriria o caminho para a posse do segundo suplente. Chama-se Remi Ribeiro. É filiado ao PMDB. Preside o diretório do partido no Maranhão. Está tão ou mais enrolado que o filho do futuro novo ministro.

 

Segundo apurou o blog, Remi Ribeiro foi indiciado pelo Ministério Público. É acusado de peculato. Teria se apropriado de recursos públicos supostamente desviados por meio de fraudes em licitações na prefeitura do município maranhense de São Bento, ao qual serviu como gestor financeiro. As malfeitorias teriam sido praticadas entre 89 e 92. Mas o inquérito que apurou as irregularidades só foi concluído há dois anos.

Escrito por Josias de Souza às 00h44

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DEM recorre ao STF contra empréstimo ao BNDES

  Folha
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) protocolou no STF, na tarde desta terça-feira (15), uma ação contra a medida provisória 414. Baixada por Lula em 4 de janeiro, a MP visa repassar para o caixa do BNDES R$ 12,5 bilhões do superávit financeiro do governo. Para a senadora, a providência é inconstitucional. O governo, segundo ela, não está autorizado a tratar de questões orçamentárias por meio de MPs.

 

Além do argumento jurídico, o DEM questiona, por meio da ex-relatora da emenda da CPMF, a prioridade conferida ao BNDES num instante em que o governo se vê às voltas com a necessidade de cortar gastos. Segundo o raciocínio de Kátia Abreu, se usasse os mesmos R$ 12,5 bilhões para compensar parte da arrecadação que perdeu com o fim da CPMF, o ministério da Fazenda não precisaria ter aumentado as alíquotas do IOF e da CSLL.

 

No relatório que apresentara na Comissão de Justiça do Senado, Kátia Abreu incluíra o uso de parte do superávit financeiro do governo (R$ 6 bilhões) no rol de providências que o governo poderia adotar depois da extinção da CPMF. Foi duramente criticada à época pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento).

 

Kátia Abreu também questiona na ação protocolada no Supremo a ausência der critérios para o repasse de recursos ao BNDES. Pelo texto da MP, caberá ao ministério da Fazenda definir as condições do empréstimo e o destino do dinheiro. Atribuições que, na opinião do DEM, são exclusivas do Senado. “O ministro Guido Mantega está achando que é senador. Mas, antes, ele precisa passar pelo teste das urnas”, ironizou a senadora.

A ex-relatora da CPMF também estranhou a pressa do governo em tonificar o caixa do BNDES, fornido normalmente com verbas provenientes do PIS/PASEP e do FAT. “Até parece que estão querendo ajudar a financiar a compra da Brasil Telecom pela OI”, disse ela. De resto, considerou um "escárnio" que Lula, em viagem a Cuba, tenha anunciado a abertura de linhas de crédito de cerca de US$ 1 bilhão -ou R$ 1,8 bilhão.

Escrito por Josias de Souza às 19h12

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Judiciário apresenta lista de cortes no fim do mês

Reunida com outros presidentes de tribunais superiores, a ministra Ellen Gracie, presidente do STF, pediu aos colegas que apresentem até 31 de janeiro a relação de rubricas orçamentárias que podem ser cortadas em função da extinção da CPMF. Fixaram-se duas balizas: 1) quem vai manusear a tesoura é o próprio Judiciário; 2) os cortes não podem ser “aleatórios”.

 

Ellen Gracie parece ter feito o dever de casa. Foi à reunião munida de números. Esgrimindo-os, sustentou a tese de que cortes despropositados podem provocar prejuízos ao Poder Executivo, em vez de economia.

 

Recordou-se no encontro o papel do Judiciário na cobrança da dívida ativa da União (Receita e INSS) e das multas impostas pela Justiça do Trabalho. Segundo a presidente do Supremo, a arrecadação proporcionada pelas decisões judiciais vem sendo maior do que os gastos com a manutenção da engrenagem judiciária.

 

Pelas contas de Ellen Gracie, a Justiça proporcionou o ingresso de R$ 13 bilhões nos cofres do governo, contra uma despesa de R$ 12,8 bilhões de todo o Poder Judiciário. Em 2005, as decisões judiciais carrearam para o Tesouro R$ 14 bilhões, contra uma despesa de R$ 11,6 bilhões.

Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Confirmada no PR mais uma morte por febre amarela

A secretaria de Saúde do Paraná confirmou nesta terça-feira (15) mais um caso de morte provocada por febre amarela. A vítima foi um morador do município de Maringá, assentado na região Noroeste do Estado. Trata-se do empresário Almir Rodrigues da Cunha, 47 anos.

Almir morrera na terça-feira (8) da semana passada. Só agora, porém, exames realizados pelo Laboratório Central do Estado do Paraná confirmaram que a causa da morte foi mesmo febre amarela. Com isso, já somam três as vítimas fatais da doença.

 

Antes do caso do Paraná, a febre amarela já causara a morte de um morador do Distrito Federal e outro de Goiás. Há um quarto caso, ainda pendente de confirmação, na Bahia. De resto, o ministério da Saúde realiza exames em outros 17 pacientes.

 

O secretário paranaense de Saúde, Gilberto Martin, tratou o episódio como um problema “importado”. Disse que Almir Rodrigues contraíra febre amarela numa cidade turística de Goiás: Caldas Novas. O empresário teria passado 20 dias nessa localidade, antes de retornar a Maringá.

 

PS.: Nas pegadas da notícia vinda do Paraná, o governo de Goiás confirmou mais duas mortes provocadas por febre amarela. Assim, subiu para cinco o número de vítimas fatais do mosquito.

Escrito por Josias de Souza às 16h51

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Previsões para um 2008 repleto de imprevisíveis

Previsões para um 2008 repleto de imprevisíveis

  Alan E. Cober
Janeiro: A essa altura, sabe-se que a liberdade do “contribuinte” para comemorar o fim de um tributo termina onde começa o arbítrio do governo de aumentar outros impostos. Pena. O sistema econômico começava a se organizar. Nem socialismo nem capitalismo. Rumava-se para a República Federativa do Crediário. Só duas classes sociais: credores, poucos, e devedores, muitos, muitíssimos. Dizia-se ‘sem entrada’ e o brasileiro já entrava. A festa acabou, irmão. O aumento do IOF soou como a badalada da meia-noite. O carro novo que você planejava comprar a prazo virou abóbora. Ou abacaxi. Tá com raiva? Experimente praguejar o Adão. Se o maldito tivesse recusado a fruta da Eva, ainda estaríamos no paraíso. Livres da indústria –da do vestuário à automobilística—e dos impostos. A oposição ainda fará cara feia por algum tempo. O PMDB, mais safo, continuará fazendo cara de bobo. “Estou preocupada com o PMDB”, dirá Dilma a Lula. “Mas o PMDB não está nos dando nenhum motivo de preocupação!”, dará de ombros o presidente. E Dilma: “É isso que me preocupa...” Prepare-se. Depois da febre amarela, vem aí o ministro Edison Lobão e o fantasma do racionamento de energia.

 

Fevereiro: Pouco a pouco, o barulho do surdo se transferirá para Brasília, sede de todos os blocos de sujos. A folhinha traz um quadradinho a mais. Normalmente, serviria apenas para compensar a defasagem acumulada entre os períodos de translação e rotação da Terra. Neste 2008 providencialmente bissexto, porém, o 29º dia terá outras serventias. Os pais –e as mães— das despesas vão dispor de 24 horas extras para conspirar contra a promessa de passar R$ 20 bilhões na faca. E o “contribuinte”, órfão, será intimado pelos tics e tacs adicionais a refletir sobre uma evidência insofismável: no escurinho das dobras do Orçamento, todos os gastos são pardos.

 

Março: Os jornais pendurarão a reforma tributária nas manchetes. Ninguém será contra. Mas os fatos desvirtuarão, de novo, as boas intenções. E a reforma sobreviverá como mero ideal retórico. O “contribuinte”, qual um neo-Prometeu, acorrentado à promessa jamais cumprida, continuará à espera de um Hércules que o liberte das bicadas que o fisco, abutre pós-pós, lhe desfere no fígado.

 

Abril: Os partidos definirão as regras para a escolha, em convenção, dos candidatos a prefeito. Das provetas partidárias começarão a saltar os pré-candidatos ideais. Em condições de laboratório, terão respostas para tudo. Com o correr das semanas, o eleitor se dará conta de que os “salvadores” não passam de ilusões fabricadas a frio.

 

Maio: A proximidade do meio do ano provocará comichões nos economistas. A partir de fatos e números inexplicáveis, tentarão explicar por que o PIB de 2008 crescerá menos que o de 2007. O debate conduzirá a um oxímoro –a figura de retórica que combina dois termos antagônicos, para chegar a um terceiro. Algo como a “inocente culpa”, cunhada por Cecília Meireles. No caso do PIB, teremos o “crescimento anão.” O tamanho do gnomo dependerá da musculatura da economia do gigante norte-americano.

 

Junho: Os partidos vão formalizar na Justiça Eleitoral as coligações para o pleito municipal. Em centenas de municípios, a Vovozinha irá para a cama com o Lobo Mau, sob os olhares atônitos de Chapeuzinho Vermelho. Do cruzamento nascerão inúmeros sacos de gatos. Ou, pior, centenas de sacos de ratos.  

 

Julho: Começarão os comícios. Os carros de som vão às ruas. Em discursos claros e diretos, os guias do povo darão pseudônimo aos bois.

 

Agosto: O início da novela será retardado pela propaganda eleitoral televisiva. Candidatos de “Duas Caras” cacarejarão os ovos que jamais serão botados.

 

Setembro: O eleitor, tomado de dúvida canina, hesitará entre morder ou abanar o rabo.  

 

Outubro: Abertas as urnas municipais, a democracia exibirá, ressalvadas as exceções, aquela velha vocação para levar a estupidez às extremas conseqüências.

 

Novembro: Sob o impacto do penúltimo atentado no Iraque, os EUA elegerão o novo síndico do mundo. O planeta vai trocar de perna. Sairá das coxas do republicano George Bush para um novo colinho, provavelmente democrata.

 

Dezembro: A dois anos da abertura das cortinas de 2010, a platéia começará a ouvir o barulho da montagem do cenário e o burburinho dos atores se posicionando em cena, para disputar o amor da República. Se ouvir uma batida de porta, é o Serra trancafiando o Aécio nos camarins de 2014. Se escutar um bate-boca é o PT se desentendendo consigo mesmo antes de se fixar em Dilma, único petista macho o bastante para arrostar o desafio da ausência de Lula na cédula.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 04h02

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As manchetes desta terça

- JB: Cresce boicote ao IPTU

- Folha: Chuva mata em São Paulo e deixa 15 mil desabrigados

- Estadão: Governo incentiva criação da CPMF

- Globo: Lula descarta apagão e diz que setor vive de boatos

- Gazeta Mercantil: Empresas globais temem novos riscos

- Correio: Nova morte por febre amarela

- Valor: Dantas forma um império com gado e terras no Pará

- Estado de Minas: Violência nas estradas

- Jornal do Commercio: Complexo de presídios ficará pronto em 2010

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h52

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Não arrisco!

Sponholz
 

PS. 1: Via blog do Sponholz.

PS. 2: Lula assegura que não há motivo para preocupação. Portanto, é melhor comprar uma lanterna.

Escrito por Josias de Souza às 03h50

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Depois de libertar 2 reféns, as Farc seqüestram 6

Baptistão
 

 

Não deu nem tempo de comemorar direito. Quatro dias depois da libertação de duas reféns –Clara Rojas e Consuelo González—, surge a notícia de que os narcoguerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) seqüestraram seis turistas colombianos no último fim de semana.

 

Segundo a marinha colombiana, foram arrastados para selva dois professores, uma bióloga, um estudante universitário e dois comerciantes. Todos cidadãos colombianos. Faziam turismo na província de Chocó no instante do seqüestro.

 

A nova ação das Farc acomoda no rol das piadas o apelo de Hugo Chávez para que a guerrilha colombiana seja excluída, contra todas as evidências, das listas de organizações terroristas. Para o presidente venezuelano, os malfeitores devem ser vistos como “forças insurgentes que têm um projeto político, um projeto bolivariano”, digno de respeito. Algo que, antes mesmo do novo seqüestro, o governo da Colômbia apressara-se em refutar.

 

Nesta segunda-feira (14), Lula pegou carona, com algum atraso, na pantomima montada por Chávez. "Na medida em que as Farc se dispõem a libertar dois reféns, ela está dando um sinal de que é possível libertar mais”, disse o presidente brasileiro em seu programa semanal de rádio.

 

“Portanto”, prosseguiu Lula, “o apelo que eu faço é que o governo colombiano e o meu amigo, o presidente [Álvaro] Uribe, mais os dirigentes das Farc se coloquem de acordo para que se possa libertar mais pessoas que estão seqüestradas, alguns há cinco anos, quatro anos, seis anos. Eu acho que é uma questão humanitária e o Brasil continuará contribuindo para que mais seqüestrados sejam libertados."

 

Então, tá! Ficamos assim.

 

PS.: Ilustração via blog do Baptistão.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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Cuba faz suspense sobre encontro de Lula com Fidel

Lula desembarcou na noite desta segunda-feira (14) em Havana sem saber se conseguirá avistar-se com o ditador Fidel Castro até o final da tarde desta terça (15), quando voará de volta para Brasília. Embora solicitado pela chancelaria brasileira, o encontro, que depende de autorização médica, não foi confirmado nem mesmo pelo Granma, jornal oficial do regime cubano.

 

A chegada de Lula ganhou a primeira página do Granma. No texto interno (português e espanhol), o jornal resume assim a agenda do presidente do Brasil: “Durante sua estada em nosso país, o presidente Lula da Silva terá conversações oficiais com o vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro, e percorrerá lugares de interesse histórico, científico e educacional”. Nada de Fidel.

 

Em sua passagem por Havana, Lula celebrará acordos que prevêem a abertura de créditos em favor de Cuba de até, veja você, US$ 1 bilhão. Dinheiro a ser aplicado em estradas, na melhoria da infra-estrutura hoteleira e na indústria farmacêutica cubana.

 

Espera-se, de resto, que seja assinado um acordo entre a Petrobras e a estatal cubana Cupet. Envolve a exploração de petróleo nas águas profundas no golfo do México e a construção de uma fábrica de lubrificantes.

 

Ou seja, com ou sem Fidel, a visita será, do ponto de vista de Havana, bastante rendosa. A última autoridade estrangeira a reunir-se com o ditador cubano foi o presidente venezuelano Hugo Chávez. Deu-se em dezembro passado. Se Lula deixar Havana sem trocar um dedo de prosa o compañero, as especulações sobre a saúde de Fidel ganharão instantaneamente o noticiário.

 

PS.: Ilustração via sítio Fotopg.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Alencar avisa a Lula que pode sofrer nova cirurgia

  Marcello Casal/ABr
Em diálogo reservado que manteve com Lula, o vice-presidente José Alencar avisou que não está descartada a hipótese de ter de submeter-se a uma nova cirurgia. Contou que os médicos detectaram o surgimento de um novo tumor em seu abdome.  Antes de recorrer à intervenção cirúrgica, tentam contornar o problema por meio de sessões de quimioterapia.

 

Lula dividiu com auxiliares sua inquietação com o drama vivido pelo vice. Disse estar confiante na plena recuperação do “companheiro”. Reproduziu uma expressão que ouvira do próprio Alencar: o novo tumor seria “muito miudinho.” Situa-se numa região do abdome chamada de “espaço retroperitonial”, onde se localizam os rins e as glândulas supra-renais.

 

Em outubro do ano passado, Alencar fora à mesa de cirurgia para extrair um tumor na mesma região abdominal. Se confirmada, a nova operação será a sétima cirurgia de câncer a que se submeterá José Alencar, a quarta desde que assumiu a vice-presidência da República, em 2003.

 

No último dia 3 de janeiro, Alencar, 76 anos, internara-se no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Submetera-se a sessões de quimioterapia. Deixara o hospital três dias depois. No sábado passado (12), porém, teve de internar-se novamente. Atribuiu-se o retorno ao hospital à suspeita de início de um “quadro infeccioso.”

 

Nesta segunda (14), Lula teve de ausentar-se do Brasil. Foi à Guatemala. Nesta terça (15), depois de passar por Cuba, retornará ao Brasil. As pessoas que visitaram Alencar no Sírio Libanês –os ministros Jorge Félix (Segurança Institucional), Marta Suplicy (Turismo) e a primeira-dama Marisa Letícia— disseram tê-lo encontrado "tranqüilo", em "ótimo" estado.

Escrito por Josias de Souza às 00h10

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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