Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Vai a voto MP que desfigura a lei do desarmamento

Vai a voto MP que desfigura a lei do desarmamento

  AP
Nelson Rodrigues dizia que todo ser humano é “um assassino falhado.” Para ele, “não há ninguém, vivo ou morto, que não tenha concebido a sua fantasia homicida”. Numa de suas proclamações do óbvio, o cronista anotou: “O melhor de nós já pensou em matar e já se imaginou matando.”

 

Na última quarta-feira, os cerca de 30 mil habitantes da bucólica cidade finlandesa de Tuusula, a cerca de 40 km da capital Helsinque, foram apresentados ao óbvio. O estudante Pekka-Eric Auvines (foto), 18, sujeito de aparência “normal”, pôs-se a disparar contra alunos e professores de uma escola local. Portava uma arma calibre 22. Dispunha de 389 balas. Usou 69. Matou oito pessoas –cinco garotas, dois garotos e a diretora da escola. Em seguida, atirou contra a própria cabeça.

 

No comando de um país consternado, o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, anunciou, no dia seguinte, uma revisão da lei que regula o porte de armas no país. O mesmo Vanhanen vinha recusando-se a alterar a lei. Alegava que, embora 56% dos finlandeses possuam armas de fogo –a terceira taxa mais alta do planeta, superada apenas pelos EUA e pelo Iêmen—, os índices de criminalidade no país eram baixos.

 

Corta para o Brasil. A Câmara dos Deputados prepara-se para votar, na próxima semana, uma medida provisória que modifica cerca de duas dezenas de artigos, parágrafos e incisos do Estatuto do Desarmamento, promulgado em 2003. Confiou-se a relatoria da proposta a um deputado simpático aos fabricantes de armas: Pompeo de Mattos (PDT-RS).

 

Entre as novidades que se pretende injetar no jovem estatuto estão, veja você, a concessão de facilidades para os portadores de armas calibre 22. O mesmo diâmetro da pistola usada pelo estudante Auvines para levar à cova oito pessoas, além dele próprio. Pretende-se, por exemplo, dispensar da apresentação de exames psicológicos e testes de tiro os brasileiros interessados em adquirir uma arma de cano longo com calibre igual ou inferior ao 22.

 

Qualquer desequilibrado mental que já possua um rifle 22 vai poder comprar outro sem que o Estado tenha a possibilidade de verificar-lhe a sanidade. Parte-se do pressuposto de que as armas de baixo calibre não oferecem riscos à vida. Uma premissa que o finlandês Auvines provou inverídica.

 

Sob um pretexto louvável –a prorrogação do prazo para o recadastramento de armas de 31 de dezembro de 2007 para 2 de julho de 2008— a medida provisória do governo converteu-se numa espécie de cavalo dos gregos pronto a invadir o Estatuto do Desarmamento, levando na barriga uma penca de perversidades.

 

Além das gentilezas com os portadores de armas 22, há no texto do deputado coisas assim: permissão para que agentes prisionais e auditores da Receita andem armados diuturnamente, inclusive fora do horário de serviço; autorização para que membros das forças armadas, mesmo os de pijama,  portem armas durante as 24 horas; permissão para que guardas municipais de cidades com mais de 50 mil habitantes andem armados mesmo depois do expediente, etc., etc. e tal.

 

Diz-se que, no Brasil, as leis não pegam. Estudo feito pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americano) demonstrou que o caso do Estatuto do Desarmamento firmava-se como boa exceção. Em 2004, o Brasil experimentou um declínio de 5,2% na sua taxa de homicídios. Salvaram-se, só naquele ano, 2.669 vidas.

 

A despeito disso, arma-se agora o que o deputado Raul Jungamann (PPS-PE) chama de “pacto pela morte”. Junta, de um lado, o lobby das armas. E, de outro, uma bancada suprapartidária que conspira em tempo integral contra o esforço do desarmamento.

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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Para Lula, governo falhou na negociação com PSDB

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Antes de voar de volta do Chile para o Brasil, Lula falou aos repórteres. Instado a comentar as negociações do governo com o tucanato em torno da CPMF, insinuou que o acordo foi envenenado por um deslize dos negociadores: "O bom acordo é aquele que você faz em silêncio e depois você anuncia o resultado dele, da forma, eu diria, consagradora."

 

Evocando os tempos de sindicalista, Lula acrescentou: "Eu nunca acreditei em qualquer acordo que você faça pela imprensa. Desde os anos de 1975, quando eu negociava com o presidente do sindicato, se uma notícia saísse antes de você fazer a negociação, a negociação estaria atrapalhada. Por quê? Porque isso cria ciumeiras internas, porque isso cria debates desnecessários."

 

Embora o presidente não os tenha mencionado, foram os seus líderes na Câmara, José Múcio (PTB-PE), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), os autores do vazamento do que se discutia com o PSDB a portas fechadas. Os termos do frustrado acerto foram ao cristal líquido da internet e às páginas dos jornais antes de chegar, em caráter oficial, aos ouvidos do grão-tucanato.

 

Seja como for, Lula acha que o seu consórcio partidário tem bala na agulha para entregar ao governo o imposto do cheque prorrogado: "Nós temos maioria para votar a CPMF." E se o painel eletrônico do Senado provar o contrário? “[...] Estou tranqüilo, até porque eu, como democrata, aprendi que a gente, quando manda uma coisa para o Congresso Nacional, a gente ganha ou a gente perde." Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Veja aqui como chegar ao âmago do sentido da vida

Veja aqui como chegar ao âmago do sentido da vida

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Rei da Espanha para Chávez:‘Por que não te calas?’

  Baptistão
Foi animada a sessão de encerramento da 17ª Cúpula Ibero-Americana, no Chile. Hugo Chávez topou com duas vozes dispostas a reagir às suas diatribes. O presidente venezuelano repetiu neste sábado uma ofensa que já havia proferido na véspera. Chamou de “fascista” o ex-primeiro-ministro da espanhol José María Aznar.

 

Adversário de Aznar desde a época em que, ainda no poder, o líder espanhol decidira enviar tropas ao Iraque, junto com EUA e Grã-Bretanha, Chávez esmerou-se na indelicadeza. Contou que, em diálogo privado que mantivera com Aznar, mencionara a necessidade de apoiar as nações pobres do mundo. “Esses se foderam”, teria ouvido como resposta.

 

Atual primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Zapatero não se conteve. Exigiu respeito. “Pode-se estar em lados opostos de uma posição ideológica”, disse Zapatero a Chávez. “E não serei eu a estar próximo das idéias de Aznar, mas ele foi eleito pelos espanhóis e exijo respeito”. 

 

Embora o microfone de Chávez estivesse mudo, ele tentou atalhar a admoestação de Zapatero. Algo que irritou o rei da Espanha, Juan Carlos. “Por que não te calas?”, perguntou o monarca a Chávez. Há um vídeo disponível aqui. Contrafeita, a anfitrião Michelle Bachelet passou a palavra ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

 

Ortega ofereceu a Chávez a oportunidade de usar parte de seu tempo para responder os espanhóis. E ele: Com a verdade não ofendo nem temo. O governo da Venezuela se reserva o direito de responder a qualquer agressão.” Em seguida, o próprio Ortega pôs-se a alfinetar a delegação espanhola.

 

Criticou acerbamente a empresa espanhola Unión Fenosa, que opera no mercado de energia da Nicarágua. Disse que, hoje, não permitiria o seu ingresso no país. De resto, apoiou os ataques de Chávez a Aznar, criticando-o pela aliança que fez com os EUA. E defendeu o direito de Chávez de expressar-se livremente em relação ao ex-primeiro-ministro da Espanha, que “fez e continua fazendo campanha contra a Venezuela.”

 

Juan Carlos retirou-se do plenário, irritado. Só voltaria mais tarde, para a solenidade de encerramento. Privou-se de ouvir as últimas palavras de Ortega. Olhando fixamente para Zapatero, o presidente da Nicarágua espetou: “Se nós temos que vos respeitar, vocês têm de se dar ao respeito.”

 

As ofensas, quando proferidas sem resposta, são como escrituras na areia. Respondidas, ganham a consistência da inscrição no mármore. Chávez tem todo o direito de achar o que bem entender sobre quem quer que seja. Porém, ao despejar no ambiente austero de uma cúpula internacional o seu lero-lero de botequim, acabou voltando para a casa com o seu pedaço de mármore. À margem do rififi, os países que participaram do encontro do Chile firmaram um acordo.

 

PS.: A ilustração desse texto vem do blog do Baptistão, que vale a visita. 

Escrito por Josias de Souza às 18h14

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Lula já fala, veja você, num Brasil membro da Opep

  AP/BBC
O petróleo subiu à cabeça de Lula. Inebriado pela descoberta da província petrolífera de Tupi, Lula exagera no cacarejo. Ou segura a onda ou acaba tirando do brasileiro o gosto pela expectativa do ovo que a Petrobras promete botar.

Um dia depois de ter sido apelidado pelo compañero Hugo Chávez de “magnata do petróleo”, Lula disse o seguinte: “Logo, logo o Brasil vai participar da Opep. E obviamente que se o Brasil participar da Opep nós vamos brigar para que baixe um pouco o preço do petróleo, porque é uma das contribuições que os países ricos em petróleo podem dar.”

 

Ora, o óleo farejado pela estatal brasileira encontra-se a cerca de 7 mil metros de profundidade. Estima-se que serão necessários mais dois ou três anos para comprovar a sua capacidade real de produção. E mais quatro ou cinco anos para trazer à tona, em volumes expressivos e a custos competitivos, a riqueza submersa.

 

É tempo suficiente para que Lula complete o seu segundo mandato, dê posse ao sucessor e desfrute da aposentadoria de quatro. Depois, se os votos ainda lhe jorrarem das urnas e se as previsões da Petrobras se confirmarem, talvez possa sonhar com a filiação à organização dos países exportadores de petróleo a partir de 2014. Até lá, bem que poderia deixar o brasileiro festejar em paz uma promissora perspectiva de êxito.

Escrito por Josias de Souza às 17h00

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As manchetes deste sábado

- JB: Chávez pede união com "magnata do petróleo"

- Folha: Governo quer fatia maior do petróleo

- Estadão: Novas regras tiram múltis do leilão do petróleo

- Globo: Juiz manda prender de novo 43 PMs acusados de tráfico

- Gazeta Mercantil: Nova reserva de óleo pode valer US$ 48 bi

- Correio: GDF investiga duplo emprego de professor

- Valor: Disputa bilionária envolve depósitos judiciais no país.

- Estado de Minas: Quadrilha de BH roubava contas bancárias no País

- Jornal do Commercio: Contratações na saúde questionadas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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Compañeros!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Bolívia descumpre acordos com Brasil,diz Itamaraty

Bolívia descumpre acordos com Brasil,diz Itamaraty

Documento revela que problemas não se restringem ao gás

Vão de embaraços a brasileiros aos mistérios sobre a coca

 

Reuters

 

O texto ocupa 11 páginas. É assinado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, segundo homem na hierarquia do Itamaraty. Redigiu-o há 54 dias, por requisição da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Revela que os contenciosos que envenenam as relações do Brasil com a Bolívia vão além dos problemas relacionados ao fornecimento de gás. Muito além.

 

Envolvem, por exemplo, o descumprimento de um acordo bilateral firmado em 2005. Previa a regularização de imigrantes ilegais. Desde então, informa o documento do Itamaraty, o departamento de imigração da Polícia Federal brasileira regularizou a situação de 38 mil bolivianos que viviam irregularmente no Brasil. A Bolívia, em contrapartida, não legalizou nenhum dos brasileiros que residem em seu território à margem da lei –estima-se que são 35 mil.

 

“O governo de La Paz reconhece estar atrasado na implementação do acordo”, anota Samuel Pinheiro, responsável pela secretaria-geral do Itamaraty. “Alega falta de recursos humanos e materiais [...]”, além da “inexistência de regulamentação específica” que permita dar conseqüência prática ao acordo diplomático. O embaixador menciona, no condicional, uma informação vaga: “Autoridades migratórias do Departamento de Pando [norte da Bolívia] teriam iniciado a regularização de alguns brasileiros ali residentes.” Quantos? Não há vestígio de números.

 

Os dados repassados por Samuel Pinheiro à Câmara respondem a uma série de perguntas formuladas pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE) e convertidas num requerimento de informações da Câmara. Perguntou-se, por exemplo, como anda a situação de dois tipos específicos de brasileiros: os fazendeiros que plantam soja e criam gado na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra (cerca de 100 famílias) e os agricultores familiares que vivem na localidade de Pando (algo como 7 mil famílias).

 

Quanto aos fazendeiros, o documento do Itamaraty anota que, em missão oficial realizada em abril de 2007, um diplomata brasileiro “tomou conhecimento das incertezas que afligem os brasileiros [...], sobretudo no que toca à reforma agrária que o governo de La Paz pretende implementar.” O Itamaraty considera-se de mãos atadas. Alega que só poderá agir, se for o caso, depois que for aprovada a nova Constituição boliviana, cuja tramitação legislativa está empacada há três meses.

 

O drama dos brasileiros que vivem da agricultura familiar em Pando é ainda mais agudo. É gente pobre. Se estivesse no Brasil, seria clientela típica do Bolsa Família. Diz o texto do Itamaraty: “Correm o risco de ser desalojados das terras que ocupam por força da decisão do governo boliviano de aplicar o dispositivo constitucional de segurança da faixa de fronteira.”

 

Numa tentativa de evitar a expulsão em massa, Lula editou e o Congresso aprovou medida provisória destinando R$ 20 milhões a um projeto de agrovila para os brasileiros sob ameaça. O problema, diz o Itamaraty, é que “a viabilização da agrovila depende da arovação de lei na Bolívia que permita a posse de terras por estrangeiros no perímetro urbano da cidade” de Cobija, capital de Panda. E nada do projeto.

 

A Câmara também requisitou ao Itamaraty informações sobre a cooperação entre Brasil e Bolívia no combate ao tráfico de drogas. Os dados são, de novo, preocupantes. “Entre 2005 e 2006, a área de produção de folha de coca na Bolívia cresceu de 24.400 para 27.500 hectares”, informa o texto. Sob Evo, a Bolívia adotou a política de combater o narcotráfico, mas, simultaneamente, “valorizar” a folha de coca, destinando-a à “industrialização e exportação de produtos derivados.”

 

O diabo é que a Bolívia é hoje grande fornecedor de matéria-prima para a cocaína que abastece praças como o Rio e São Paulo e é exportada para outros países a partir do Brasil. E o governo de Evo Morales se recusa a compartilhar informações com o Brasil e com os organismos multilaterias de combate ao narcotráfico. O texto do Itamaraty dá detalhes encrenca: “A Bolívia foi suspensa, em julho de 2007, do Grupo Egmont”, entidade internacional que reúne órgãos de inteligência de 105 países, voltados à repressão da lavagem de dinheiro e do terrorismo.

 

“A pedido do Brasil, a expulsão foi postergada”, acrescenta o texto do Itamaraty. Enviou-se à Bolívia delegação integrada por brasileiros e chilenos. Avistaram-se com autoridades bolivianas entre 24 e 26 de junho de 2007. “Sem resultado”, anota Samuel Pinheiro. A recusa da gestão Evo em compartilhar informações ameaça a Bolívia de exclusão também do GAFISUD (Grupo de Ação Financeira da América do Sul).

 

O Brasil vem tentando, de sua parte, reativar as comissões mistas antidrogas que mantém com La Paz. O último encontro ocorreu em 2004, antes da posse de Evo Morales, em janeiro de 2006. Em fevereiro de 2007, numa visita ao Brasil, o presidente boliviano assinou comunicado conjunto comprometendo-se em relaizar, “no mais breve prazo possível, reuniao da comissão mista antidrogas.” Até agora, nada.

(Leia mais no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Deputado quer condições para os aportes na Bolívia

Deputado quer condições para os aportes na Bolívia

  Lúcio Távora/Folha
Autor do requerimento que resultou na produção do documento do Itamaraty, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) vai protocolar na Câmara um novo documento. Sugere que o Legislativo recomende ao governo brasileiro a imposição de condições para que a Petrobras volte a investir na Bolívia. Os novos aportes, já em fase de negociação, serão sacramentados em viagem de Lula a La Paz, marcada para 12 de dezembro. Abaixo, a entrevista do deputado ao blog:

 

 

- Que providências pretende adotar a partir das informações do Itamaraty?

Primeiro, quero chamar a atenção da opinião pública e do Congresso para o enorme desatenção do governo da Bolívia com os brasileiros que vivem lá. O princípio básico da diplomacia é a reciprocidade. E isso não está existindo.

- Refere-se ao acordo que previa a legalização de imigrantes ilegais?

Principalmente. O acordo é de 2005. O Brasil regularizou a situação de 38 mil bolivianos. Na Bolívia, não se tem notícia de um único brasileiro beneficiado. Farei um requerimento exigindo que seja suspensa a regularização de cidadãos bolivianos residentes no Brasil até que Bolívia tome providências efetivas de proteção aos brasileiros que o nosso vizinho vem tratando como marginais, sem proteção os direitos e a proteção que os bolivianos estão tendo aqui.

- E quanto aos outros problemas?

Precisamos exigir a correção de todas as assimetrias que marcam as relações entre Brasil e Bolívia. Há empresários brasileiros gerando riquezas em território boliviano nos setores de soja e pecuária. Construíram famílias em Santa Cruz de La Sierra. Muitos são casados com bolivianas. Em filhos nascidos lá. Pagam impostos na Bolívia. Não podem continuar na situação de pavor em que se encontram. Estive lá há cerca de três meses, em missão oficial da Câmara. Constatei o drama pessoalmente.

- Foi a Pando, onde residem os agricultores brasileiros pobres?

Sim. São brasileiros que se encontram em situação de absoluto desamparo, sob ameaças de expulsão. Fomos informados pelo serviço diplomático que outras comunidades na mesma situação, os peruanos, por exemplo, não sofrem os mesmos constrangimentos. Percebi um ambiente anti-brasileiro, estimulado pela desatenção do governo.

- E quanto à ausência de compartilhamento de dados sobre o narcotráfico?

É gravíssimo. Está havendo um desmantelamento dos organismos multilaterais de controle de lavagem de dinheiro e do narcotráfico. As áreas de plantio de coca crescem num cenário em que a Bolívia é a principal fonte de abastecimento dos narcotraficantes que atuam no Rio e São Paulo.

- O que fazer?

Considerando o conjunto da obra, vou apresentar na Comissão de Relações Exteriores um outro requerimento. Vou propor que o Brasil condicione a retomada de investimentos da Petrobras a ajustes da Bolívia no tratamento que dispensa aos brasileiros e no descaso com que trata a questão da droga. É preciso exigir reciprocidade da diplomacia boliviana. O Brasil e seus cidadãos vêm sendo tratados com um descaso inaceitável.

- O Congresso tem poderes para impor esse tipo de providência?

Nossos poderes são limitados. A Petrobras, embora controlada majoritamente pelo Tesouro, é uma empresa de economia mista. Mas o nosso gesto terá o peso de uma tomada de posição política. O Congresso Nacional precisa se posicionar em relação a essa situação vexatória. A Bolívia precisa se comportar como o país irmão que diz ser. Não é possível que o Brasil continue contribuindo para o desenvolvimento da Bolícia sem exigir respeito aos brasileiros que vivem lá em situação de insegurança e de medo permanente.

- na visita à Bolívia, esteve com alguma autoridade?

Conversamos longamente com o vice-presidente Alvaro García Linera. Todos esses temas foram tratados. A embaixada brasileira em La Paz registrou a conversa. Pôde registrar que García Linera reconhece, de maneira seca e ríspida, que a Bolívia não vem fazendo a sua parte no acordo legalização dos brasileiros. Diz que as terras dos brasileiros não serão tocadas. Mas, como reconhece o próprio Itamaraty, tudo está na dependência da aprovação de lei específica e da reforma constitucional. É nesse ambiente que o governo brasileiro comemora a retomada dos investimentos da Petrobras na Bolívia. Nossas autoridades comportam-se como o pianista do Titanic. Não se dão conta do grave impasse que permeia a constituinte boliviana. Um impasse que pode amplificar o clima de instabilidade e insegurança para os negócios que hoje impera na Bolívia.

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Jobim diz que OceanAir assumirá operações da BRA

O ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou no Rio uma novidade que pode funcionar como lenitivo para os desafortunados que adquiriram passagens aéreas da BRA. Segundo Jobim, a companhia OceanAir vai assumir as operações da congênere que foi à breca.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

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Governo apaga ‘digitais’ de FHC do Bolsa Família

O governo vai cancelar no final de novembro todos os 406.618 cartões de programas sociais com nomes remanescentes da gestão tucana de FHC –bolsa-escola e bolsa-alimentação, por exemplo. Para continuar recebendo o benefício, os representantes de famílias pobres terão de trocar os cartões antigos por um novo, que traz o selo exclusivo do Bolsa Família.

 

Criado sob Lula, em 2003, o Bolsa Família incorporou os programas que FHC criara. Ampliou-os e reuniu todos os beneficiários num cadastro único –hoje com 11 milhões de famílias. As pessoas que migraram das bolsas tucanas para o novo programa continuaram recebendo o benefício com os cartões antigos, que serão, agora, trocados.

 

Segundo Rosani Cunha, secretária nacional de Renda de Cidadania, o objetivo da troca de cartões é mesmo o de deixar claro para as pessoas que elas são beneficiárias do Bolsa Família. Por que? Para que haja “melhor compreensão sobre os princípios do programa, em especial no que se refere ao entendimento e ao cumprimento das condicionalidades nas áreas de saúde e educação.”

 

Novembro é o último mês em que serão autorizados saques com os cartões antigos. A partir daí, só terão acesso aos recursos os portadores dos cartões “Bolsa Família”. A troca vem sendo programada, segundo o governo, desde o início de 2006. Em texto veiculado no seu portal, o ministério do Desenvolvimento não esclarece quanto custou ao governo a substituição dos cartões antigos pelos novos.

Escrito por Josias de Souza às 16h03

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As manchetes desta sexta

- JB: Brasil descobre campo gigante de petróleo

- Folha: Petrobras anuncia megacampo de petróleo

- Estadão: Descoberta da Petrobras deve aumentar reservas até 2005

- Globo: Governo diz que descoberta fará país virar exportador de petróleo.

- Gazeta Mercantil: Nova reserva de óleo pode valer US$ 48 bi

- Correio: Brasil festeja reserva gigante de petróleo

- Valor: Disputa bilionária envolve depósitos judiciais no país.

- Jornal do Commercio: Emergências terão reforço de pessoal

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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Insaciável!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Segundo julgamento de Renan vai ocorrer em 13 dias

Segundo julgamento de Renan vai ocorrer em 13 dias

Senador cogita renunciar de vez à presidência do Senado

Em troca, tenta arrancar dos colegas uma nova absolvição

 

Lula Marques/Folha

Em troca da absolvição, Renan planeja engrossar a galeria de ex-presidentes

 

Será no próximo dia 22 de novembro, uma quinta-feira, o novo julgamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) no plenário do Senado. Tião Viana (PT-AC), presidente interino da Casa, começou a informar às principais lideranças acerca da escolha da data.

 

O próprio Renan, segundo apurou o blog, já foi cientificado de que, em 13 dias, será reconduzido ao cadafalso. Soube da novidade pelo amigo José Sarney (PMDB-AP). Decidiu intensificar a implementação da estratégia que esboçou para tentar livrar-se, de novo, da cassação.

 

Renan confidenciou a um seleto grupo de amigos –entre eles o próprio Sarney e Romero Jucá (PMDB-RR)— que cogita renunciar definitivamente à presidência do Senado. Planeja fazê-lo antes do julgamento.

 

A licença de Renan ao cargo de presidente, sacramentada em 11 de outubro, expira em 26 de novembro. Quatro dias, portanto, depois da data prevista para o novo julgamento. Na cabeça do senador, a renúncia funcionaria como um último gesto, para demonstrar aos partidos que não deseja criar mais problemas para o Senado.

 

Em troca, Renan espera obter da maioria dos senadores uma nova absolvição. Salvaria o mandato e os direitos políticos. Nas avaliações que vem fazendo com os colegas mais chegados, o senador concluiu que, levando a renúncia ao tabuleiro, multiplicam-se as chances de prevalecer no plenário.

 

O novo julgamento vai ocorrer dois meses e dez dias depois da célebre sessão em que o Senado absolveu Renan –40 votos a favor, 35 contra e seis abstenções—da acusação de servir-se de verbas da Construtora Mendes Júnior para pagar a pensão da filha que tivera com a ex-amante Mônica Veloso. Para que o mandato do senador seja passado na lâmina são necessários 41 votos. A votação será, novamente, secreta. Mas em sessão aberta.

 

Há no Conselho de Ética do Senado quatro processos pendentes de apreciação. Renan é acusado de: 1) ter comprado um jornal e duas rádios por meio de laranjas; 2) ter diligenciado nos subterrâneos para favorecer a Schincariol, encalacrada no INSS com uma dívida de R$ 100 milhões; 3) ter participado de um esquema de cobrança de propinas em ministérios geridos pelo PMDB; 4) ter encomendado a um assessor a espionagem de dois adversários: Marconi Perillo (PSDB-GO) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

 

Em privado, Tião Viana manifestou o desejo de promover no dia 22 um julgamento simultâneo de todos os casos. Os processos seriam votados separadamente, um após o outro. De acordo com o que apurou o repórter, Viana manifestará o seu desejo ao presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), em encontro previsto para o início da próxima semana.

 

O problema é que, de todos os processos, só um está na bica de sair do forno: o da compra das empresas de comunicação alagoanas. Relator do caso, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) prometeu aprontar o seu relatório no dia 14 de novembro, quarta-feira da semana que vem. Deve pedir a cassação do mandato de Renan. Pedido que será referendado pelo Conselho de Ética antes de seguir para o plenário.

 

A condução do novo julgamento de Renan será o penúltimo abacaxi que Tião Viana descascará na sua curta interinidade de 45 dias. Confirmando-se a renúncia do “coco”, restará um último ananás: a convocação de eleições internas para a escolha de um novo presidente para o Senado. Uma eleição que terá de ocorrer cinco dias depois da provável renúncia. É tudo o que deseja o Palácio do Planalto, ansioso por limpar o terreno em que será travada a guerra pela renovação da CPMF.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Governo cogita substituir traidor na CCJ do Senado

Armado para a guerra da CPMF, o governo começou a se preparar para a primeira batalha. Será na próxima terça-feira (13), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Nesse dia, vai a voto o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que recomenda o fim do imposto do cheque. Às voltas com o risco de amargar uma derrota, o Planalto trama em segredo a substituição de um desertor: Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), na foto.

 

Conforme noticiado aqui no blog, Mozarildo é uma das defecções que põem em risco a aprovação da emenda da CPMF no Senado. Para azar do Planalto, o senador é membro titular da comissão de Justiça. Líder do PT e do bloco do governo, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi escalada pelo Planalto para tentar virar o voto de Mozarildo. Ela já conversou com o líder do PTB, Epitácio Cafeteira (MA). Alertou-o para a possibilidade de ter de retirar o desertor da CCJ na marra.

 

Consultados a respeito da providência, líderes que integram o consórcio partidário do governo avaliaram que a medida extrema pode trazer mais prejuízos ao governo do que benefícios. Um dos que torceram o nariz foi Renato Casagrande (ES), líder do PSB. Segundo apurou o repórter, Casagrande disse aos colegas governistas, privadamente, que a retirada de Mozarildo da CCJ pode acirrar os ânimos da oposição, prejudicando o governo na batalha seguinte, no plenário do Senado.

 

Em outra linha, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, vem argumentando entre quatro paredes, que não se deve valorizar demasiadamente o resultado da CCJ. Ainda que perca, diz ele, o governo dispõe do recurso regimental de recorrer da decisão no plenário do Senado. A despeito das ponderações, prevaleceu no Planalto a tese de que uma derrota na comissão de Justiça, embora reversível, seria inconveniente. Daí a cogitação de afastar Mozarildo caso a providência se mostre indispensável. A decisão será tomada até a noite de segunda-feira.

 

Durante o final de semana, o Planalto tentará certificar-se das chances de vitória na votação do relatório de Kátia Abreu. Há na CCJ 23 senadores. Pelas contas da oposição, haveria um empate: onze votos a favor da CPMF e onze contra. Confirmando-se essa hipótese, o presidente da comissão, Marco Maciel (DEM-PE), daria o voto de minerva, contrário ao imposto do cheque. O problema é que a contabilidade oposicionista inclui Pedro Simon (PMDB-RS) no rol dos que votarão contra. E não é certo que isso ocorra.

 

Simon não revela o seu voto. Mas, em privado, mostra-se propenso a engrossar o cesto de votos do governo. Curiosamente, vêm do oposicionista PSDB os argumentos que empurram Simon para a bancada de senadores pró-CPMF. O senador mostra-se sensibilizado pelos argumentos da governadora tucana Yeda Crusius (Rio Grande do Sul). Às voltas com dificuldades financeiras, Yeda empenha-se para convencer os congressistas gaúchos da inevitabilidade da prorrogação da CPMF.

 

Além da deserção de Mozarildo e da interrogação que bóia sobre a cabeça de Simon, o governo tem outros três problemas na CCJ. Têm nome e sobrenome: Carlos Valadares (PSB-SE), Jefferson Peres (PDT-AM) e Valter Pereira (PMDB-MS). Para votar a favor da CPMF, a trinca exige de Lula o compromisso de reduzir a alíquota da contribuição, hoje de 0,38%. Embora avesso à idéia, o governo acena com a hipótese de enviar ao congresso um projeto contendo uma poda simbólica da alíquota, que passaria a ser de 0,36% em 2008.

 

O problema é que o projeto só iria ao Congresso depois da aprovação da emenda da CPMF. Renato Casagrande foi incumbido de amolecer o surto oposicionista do “liderado” Valadares. Informou ao governo que são boas as chances de demovê-lo. Valdir Raupp, líder do PMDB, ficou de aferir, até segunda-feira, os riscos embutidos nas ameaças de Valter Pereira. E o ministro Carlos Lupi (Trabalho), presidente do PDT, foi encarregado de pacificar Jefferson Peres.

Escrito por Josias de Souza às 20h29

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Dilma diz que Brasil pode virar exportador de óleo

O governo está eufórico. A Petrobras descobriu uma "nova e significativa província petrolífera no Brasil." Chama-se Tupi. Tem poços já detectados na bacia de Santos. Deve estender-se para as bacias do Espírito Santo e de Campos (RJ). A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) apressou-se em anunciar que a novidade deve converter o Brasil “de um país médio, que estava conseguindo a auto-suficiência [em petróleo], num país de proporções exportadoras, como os países árabes, a Venezuela e outros.”

 

Segundo Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, confirmando-se os cálculos da estatal, o novo veio petrolífero tem potencial para tonificar a produção atual do Brasil (14,4 bilhões de barris) em 5 a 8 bilhões de barris de petróleo. O suficiente, segundo ele, para elevar o país da 24a para a 8a ou 9a posição no ranking dos detentores das maiores reservas petrolíferas do mundo.

 

Num instante em que o noticiário está envenenado com informações sobre os riscos de crise energética que rondam o consumidor brasileiro, a novidade não deixa de ser alvissareira. Recomenda-se, porém, temperar a euforia oficial com pitadas de realismo. Uma coisa é detectar a existência de óleo. Outra coisa é arrancá-lo do fundo do oceano. O processo é lento e exige investimentos pesados.

 

A própria Petrobras estima que os primeiros resultados só devem começar a aparecer no final da gestão Lula. Prevê-se para 2010 ou 2011 uma extração-piloto na bacia de Santos. Se tudo der certo, resultará numa produção adicional de algo como 100 mil barris diários de petróleo. Nada que resolva, de resto, os dramas de curtíssimo prazo.

Escrito por Josias de Souza às 18h51

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Descobre-se agora o leite com vitamina de menos

Em outros tempos, quando o planeta ainda era habitado por sociedades primitivas, o homem –e, às vezes, até a mulher— rebolavam para prover a alimentação de suas unidades familiares. Tinham de recorrer ao faro e aos instintos quando saíam para a caça. E sempre voltavam com algo para dividir na intimidade da caverna.

 

Hoje, a coisa é mais simples. Ou, por outra, parece mais simples. Submetida a modernidades como as gôndolas, a mulher –e, às vezes, até o homem— vai às compras sem a necessidade de socorrer-se dos sentidos. Para encher a geladeira, basta ter dinheiro no bolso e paciência para percorrer os corredores do supermercado.

 

Informações divulgadas nesta quinta-feira (8) pelo ministério da Justiça dão uma idéia da falta que faz o faro aos homens e mulheres modernos. O DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) abriu um processo administrativo contra seis empresas do setor leiteiro. Estão levando às prateleiras caixinhas de leite com valor nutricional inferior ao que consta do rótulo.

 

A encrenca foi detectada em maio, bem antes da descoberta de que parte dos brasileiros estava comprando gato (ácido e água oxigenada) por lebre (leite). É estranho, muito estranho, estranhíssimo que o governo tenha esperado seis meses para agir contra a fraude da sonegação de carboidratos e proteínas aos consumidores de leite.

 

São seis as empresas encrencadas no DPDC: Parmalat Brasil S.A., Barbosa e Marques S.A., Big Leite Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., Ilcasa Indústria de Laticínios da Campina Grande S.A., Marajoara Indústrias de Laticínios Ltda e Cooperoeste (Cooperativa Regional Comercialização Extremo Oeste). Juntas, distribuem sete marcas de leite.

 

Levaram ao comércio leite com teor de carboidratos e de proteínas deficientes em percentuais que variaram de 25,7% a 52,89%. Eis as marcas que estão sob suspeição: Alimba, Parmalat, Total, Cilpe, Lebom, Marajoara e Cedrense. Da próxima vez que for às compras, o brasileiro talvez devesse sair de casa munido de tacape. Outra alternativa é eliminar os intermediários, recorrendo diretamente à vaca -com a devida cautela, para evitar riscos como os expostos no vídeo lá do alto.  

Escrito por Josias de Souza às 16h40

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Grupo pró Hugo Chávez resiste a estudantes na bala

Gregorio Marrero/AP
 

 

A resistência às reformas constitucionais implementadas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez ganharam nesta quarta-feira (7) um novo e perigoso ingrediente: apoiadores Chávez reagiram a uma passeata estudantil na bala. Vai abaixo reportagem veiculada pela Folha (só assinantes):

 

 

"Um grupo armado abriu fogo ontem contra estudantes no campus da Universidade Central da Venezuela (UCV), em Caracas, logo após protesto promovido por grêmios universitários contra a reforma constitucional proposta pelo governo Hugo Chávez. Ao menos oito pessoas ficaram feridas, pelo menos duas a bala, segundo o diretor-geral de Proteção Civil, Antonio Rivero.


'Não sabemos a origem. Em um momento, vi que chegaram os estudantes [que] foram agredidos por outros encapuzados. Não sei quem eram nem a que grupo pertenciam', disse Rivero à local Unión Radio.


Fotógrafos da agência americana Associated Press, que estavam no campus, disseram ter visto pelo menos quatro homens com rostos encobertos que atiraram em estudantes quando eles chegavam da marcha contra a reforma da Carta.


Não estava claro, até o fechamento desta edição, se as pessoas armadas já haviam deixado o campus. Segundo informações do vice-reitor da UCV, Edgar Narváez, parte delas continuava no prédio da Escola de Trabalho Social, onde teria começado o incidente. Um dos atiradores, ainda segundo Narváez, seria aluno da unidade.


Em relatos a meios de imprensa locais, estudantes e funcionários da universidade acusaram grupos pró-governo de haver "tomado" o edifício da Escola de Trabalho Social e começado a confusão.


Quando os tiros começaram, houve correria no campus. Um ônibus foi queimado. A Guarda Nacional não foi autorizada pelos dirigentes da UCV a entrar no campus, o maior do país. Pela lei venezuelana, forças de segurança do Estado não podem entrar em universidades, a menos que autoridades da instituição solicitem.


Narváez afirmou à radio Unión que havia conversado sobre a situação da universidade com o vice-presidente, Jorge Rodríguez, com ministros e com o prefeito de Caracas, Juan Barreto, que é chavista e professor da UCV. 'Eles vão estabelecer contato com os grupos que supostamente geraram toda essa violência para tratar de pôr fim ao que está acontecendo', disse o vice-reitor.


O ministro do Interior, Pedro Carreño, que havia negociado com os estudantes o esquema de segurança da marcha de ontem, afirmou na TV que os causadores da violência tinham sido os estudantes contrários ao governo (leia nesta página). Sites oficiais como a Agência Bolivariana de Notícias não noticiaram o episódio ontem.

Sem incidentes: Os tiros na UCV começaram após uma passeata sem incidentes que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Caracas. Ao final da marcha, uma comissão de estudantes entregou ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) um pedido formal para adiar o referendo sobre a reforma constitucional, marcado para 2 de dezembro. Cerca de 3.000 policiais acompanharam o ato.


Os grêmios estudantis promovem há duas semanas atos públicos massivos contra a reforma constitucional. Em vários deles houve confrontos entre estudantes, grupos chavistas e policiais.


O argumento dos estudantes para pedir o adiamento do referendo é o de que não haverá tempo suficiente para que a população avalie as mudanças na Carta propostas pelo presidente Hugo Chávez, entre elas a instituição da reeleição ilimitada. O projeto foi emendado por deputados chavistas e aprovado pela Assembléia Nacional na sexta-feira.

A presidente do Tribunal Supremo, Estela de Morales, disse que a petição terá análise imediata. Porém, como a corte é pró-Chávez, a possibilidade de adiamento é remota."

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Caso de veto à foto de Rogéria tem 'final infeliz'

  Luiz Garrido
Certas decisões de autoridades públicas deveriam ser censuradas. Ou, pelo menos, expostas ao público em envelopes plásticos escuros, lacrados. É o caso da deliberação tomada pela direção da Câmara dos Deputados pra resolver o impasse da exposição da foto do travesti Rogéria. O episódio, relado aqui no blog na tarde de quarta (7), teve um desfecho bem mais constrangedor do que a foto que se pretendia censurar.

 

Decidiu-se o seguinte, diferentemente das outras fotos que integram a exposição “Heróis”, do fotógrafo Luiz Garrido, a imagem de Rogéria (ao lado) foi confinada numa cabine. Na entrada, foi afixado um aviso com os seguintes dizeres: "Por determinação da Câmara dos Deputados, esta cabine acolhe a fotografia de Rogéria, cuja exibição aberta ao público não foi permitida".

 

Ouvida pela repórter Laura Mattos, da Folha (só assinantes), Rogéria, cujo nome de batismo é Astolfo Barroso Pinto (!), disse que o veto à sua foto a leva a "morrer de rir deste país". Deu um conselho aos jornalistas: "Vocês da imprensa têm que cair de pau (!!) neles." Vai abaixo a entrevista:

 

 

- O que achou de o Congresso ter decidido colocar a sua foto dentro de uma cabine?
Menina, acho muito engraçado, tenho que morrer de rir. Eles acabam dando mais publicidade para a foto.

- Em sua opinião, é censura?
É uma censura, sim. Quem tem que cair de pau neles são vocês da imprensa. Eu não posaria nua, de pau para fora, jamais, a não ser que me pagassem R$ 50 milhões para eu não me arrepender never [nunca]. Aquela foto é uma brincadeira com o Astolfo [Barroso Pinto, seu nome verdadeiro]. Fotografamos há cerca de três anos, e o Luiz Garrido [fotógrafo] nem achou que fosse fazer esse sucesso absoluto.

- Acha curioso que o Congresso se incomode com essa imagem?
É suspeito que o Congresso censure. Quando um cara tem consciência de sua masculinidade, esse tipo de coisa [a foto] não o afeta. Aí você coloca [no texto da reportagem] etc. Se eu estivesse de pau de fora, seria um acinte, mas é uma coisa engraçada. O governo não é chegado à arte, ele é chegado a banalidades.

- Você quer dizer os congressistas ou o governo?
Os dois. E que não saia nenhum processo para mim [por essas declarações] porque esse pessoal é filho da mãe. Mas os brasileiros gostam de mim porque nunca fiquei dentro do armário, nunca neguei que fosse homem, nunca fiz plástica ou escondi a idade, sou autêntica. Esse pessoal [do Congresso] ficou chocado porque eu sou honesta.

- Você foi vítima da censura no governo militar?
Nunca. Uma vez um delegado de polícia quis encrencar comigo e pedi ajuda para a dona Marina, uma censora. Ela mandou ele me deixar em paz e continuei o meu trabalho.

 

PS.: Incomodada com tanta polêmica, com tanto desgaste, a direção-geral da Câmara decidiu, na manhã desta quinta-feira (8), cancelar toda a exposição do fotógrafo Luiz Garrido. Rogéria, agora, nem na cabinete fechada nem fora dela. O mais curioso em toda essa história é o seguinte: os pelos pubianos de Rogéria teriam entrado e saído do Congresso sem que ninguém os percebesse se a Câmara não tivesse lançado sobre eles o facho de luminosidade de sua censura obscurantista.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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As manchetes desta quinta

- JB: CPMF deve cair no Senado

- Folha: Sobra emprego qualificado no país

- Estadão: Grupo armado reprime protesto na Venezuela

- Globo: Petrobras avisa que gás vai aumentar até 25%

- Gazeta Mercantil: Negócios com ADR do Brasil batem recorde

- Correio: Lula fará nova proposta para PSDB apoiar CPMF

- Valor: Petrobras não cumpre a meta de produção de gás

- Estado de Minas: Governo agora pede para abandonar o carro a gás

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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BRA(sil)!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Na ponta do lápis, governo só dispõe de 48 votos

Sem o PSDB, Planalto reconta os aliados tradicionais

Cinco potencias traições ameaçam emenda da CPMF

Guardada a sete chaves pelo governo, a planilha de votação da CPMF explica a reverência devotada pelo Planalto ao oposicionista PSDB. O consórcio que dá suporte a Lula no Congresso tem 53 senadores. São quatro votos a mais do que os 49 necessários à renovação do imposto do cheque. O problema é que há na lista dois dissidentes conhecidos e três potenciais traidores menos badalados. Confirmando-se as cinco defecções, a CPMF seria mandada para o beleléu.

 

Os dissidentes manjados são Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Mão Santa (PMDB-PI). Os quintas-colunas potenciais são Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Expedito Júnior (PR-RO). O governo já jogou a toalha nos casos de Jarbas e Mão Santa. Não desistiu, porém, dos outros três. Nas próximas semanas, pretende exceder-se nos afagos. Faz, no momento, um levantamento das emendas que cada um injetou no Orçamento. Mapeia, de resto, reivindicações que por ventura tenha deixado de atender num ou noutro ministério.

 

Mozarildo mostra-se, por ora, pouco suscetível a abordagens. Mede forças na política de Roraima com Romero Jucá (PMDB-RR), o líder de Lula no Senado. Em Brasília, tende a postar-se sempre no campo oposto ao do rival. As ameaças de Mesquita e Expedito, porém, são vistas como meras tentativas de “valorizar o passe”, na expressão de um dos operadores do Planalto.

 

Devolvido ao varejo dos pequenos -e grandes- favores e submetido, de novo, à contabilidade apertada, o governo foi surpreendido por uma outra novidade. Um princípio de incêndio que, se não for debelado, pode converter-se no Waterloo da emenda da CPMF. Dono de cinco preciosos votos no Senado, o PDT passou a condicionar o apoio ao imposto do cheque a duas reivindicações gerais e a uma exigência específica.

 

As gerais: o partido avisou ao ministro Guido Mantega (Fazenda) que só aprova a CPMF se o governo reduzir a alíquota da contribuição, hoje em 0,38%, e apresentar um plano de contenção dos gastos correntes da União. Agora, a condicionante específica: Cristovam Buarque (PDT-DF) condiciona o seu voto à separação entre a CPMF e uma outra encrenca chamada DRU (Desvinculação das Receitas da União).

 

A DRU permite ao governo reter 20% de todas as verbas públicas que têm algum tipo de vinculação constitucional. Inclusive o dinheiro destinado à Educação, uma área cara a Cristovam. O senador chama de “roubo” o naco do orçamento arrancado da Educação e transformado em caixa do Tesouro. E diz que, se a DRU for mantida na emenda da CPMF, vai votar contra.

 

Não é só: o senador César Borges (BA), seduzido pelo governo a trocar o oposicionista DEM pelo governista PR, meteu-se, nos bastidores, numa negociação com o seu antigo partido. Preocupado com o risco de perda do mandato, ele acena com a hipótese de votar contra a CPMF caso o DEM, em troca, desista de reivindicar o seu mandato na Justiça Eleitoral, por conta da infidelidade.

 

Há mais: o governo não tem convicção quanto ao voto de Pedro Simon (PMDB-RS). O Planalto acha que, naquela hora em que a onça bebe água, Simon vai votar a favor da CPMF. Mas o senador faz mistério. O silêncio de Simon inquieta tanto o governo quanto a oposição, que, até bem pouco, dava o voto dele como vela certa no túmulo do imposto do cheque.

 

Às voltas com tantas interrogações, o governo trama em segredo investidas na seara da oposição. Quer conquistar entre três e quatro votos de tucanos e ‘demos’. A cúpula do PSDB rumina dúvidas em relação à fidelidade da tucana Lúcia Vânia (GO). O DEM remói internamente os receios em relação a dois votos: Jaime Campos e Jonas Pinheiro, ambos de Mato Grosso. Ainda que Lúcia, Jaime e Jonas decidam pular a cerca, as contas do Planalto continuarão apertadas, muito apertadas, apertadíssimas.

 

Tudo considerado, tem-se no Senado um cenário muito diferente do que se verificou na Câmara. Entre os deputados, o governo prevaleceu na base da fisiologia. Não precisou negociar nada além de cargos e verbas. Entre os senadores, além de arrostar um segundo round de demandas fisiológicas, o Planalto terá de ceder na essência. Na negociação com o PSDB, levou à mesa concessões que, mesmo depois de o tucanato ter roído a corda, não podem mais ser arrancadas da pauta. E, se quiser assegurar os votos de senadores como os do PDT, talvez tenha de conceder algo mais além de emendas orçamentárias e vagas no organograma estatal.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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PMDB decide ‘tucanizar’ o seu governismo congênito

  Lula Marques/Folha
Ex-presidente do PSDB, o deputado José Aníbal (SP) aguardava com tensa expectativa o final da reunião dos senadores tucanos. Ao saber que os colegas haviam aprovado a interrupção das negociações com o governo, Aníbal abalou-se até o Senado. Foi de tucano em tucano. Cumprimentou um por um.

 

Súbito, Aníbal cruzou com um risonho Romero Jucá (PMDB-RR). Estranhou a alegria do líder de Lula no Senado. Interpelou-o: “Não estou entendendo. O PSDB rompe a negociação, decide votar contra a CPMF e você está nessa animação!” E Jucá: “Zé, quanto maior for a onda, mais eu surfo.”

 

Pois bem, a onda tucana mal arrebentou na praia do Senado e o PMDB já se equilibra em cima da prancha. Nos subterrâneos, cobra a fatura fisiológica. Exige que o PT ajude, de novo, a salvar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL). Cobra de Lula a devolução da pasta das Minas e Energia ao partido. E com ela todos os cargos que pendem do organograma do sistema Eletrobrás. Em público, o PMDB ensaia uma “tucanização” de seu governismo.

 

A exemplo do que fez o PSDB, o PMDB agora “condiciona” a renovação do imposto do cheque a uma série de condicionantes "programáticas". Em nota, a legenda fixou quatro pré-condições: a redução da alíquota de 0,38% da CPMF já em 2008; a redução da carga tributária nacional; a correção da perda de arrecadação imposta a Estados e municípios com compensação no Imposto de Renda de parte do recolhimento da CPMF e a manutenção da isenção para quem recebe até R$ 4.360.

 

Pelas contas do Planalto, 18 dos 20 senadores do PMDB dirão ‘sim’ à emenda da CPMF. As únicas defecções contabilizadas são as de Jarbas Vasconcelos (PE) e Mão Santa (PI). Há outras duas interrogações: Pedro Simon (RS) e Geraldo Mesquita Jr. (AC). Mas parece mesmo improvável que o PMDB venha a ser sacudido por um surto de oposicionismo tardio. O que não impede a platéia de se divertir com as evoluções dos surfistas do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 22h51

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Velho sindicalista matreiro X Novo político mineiro

Lula condena ‘pequenez’; Aécio exalta ‘boa vontade’

 

  Divulgação
Enquanto durou a negociação tucano-governista, o Planalto e o PSDB portaram-se como galinhas poedeiras. Com uma diferença: ficaram no cacarejo. Nada de ovo.

 

Uma semana atrás, no penúltimo encontro com o grão-tucanato, Guido Mantega foi arrancado da mesa do almoço por um telefonema. Na volta, disse que era Lula do outro lado da linha.

 

Voltando-se para Tasso Jereissati, manda-chuva do PSDB, Mantega disse: “O presidente pediu pra avisar que o champanhe já está gelando.” Ainda não havia acordo. Mas Lula já antevia o brinde.

 

Como se sabe, a base do tucanato emparedou a cúpula. Vitaminados pela animosidade dos colegas da Câmara, nove dos 13 senadores tucanos envenenaram a taça de espumante antes que fosse servida.

 

Nesta quarta-feira, como previsto, Lula foi a Belo Horizonte. Discursou durante a inauguração de um hospital. Sob os olhares do governador tucano Aécio Neves, condenou a “Pequenez política”. E filosofou:

 

“O fato de uma pessoa 'A' disputar eleição com 'B' não determina que serão inimigos para o resto da vida. Está determinado que se forem civilizados, o ganhador vai governar. O perdedor sabe que o outro vai governar quatro anos e que é preciso estabelecer uma política de convivência levando em conta benefício que se quer para o povo da cidade, do Estado ou do país. A política não é assim porque se semeia ódio, se semeia a mentira."

 

Depois, Lula encontrou-se privadamente com Aécio. Reunião sui generis. De um lado, o velho sindicalista matreiro. Do outro, o mais jovem representante da velha estirpe do político mineiro. Recorreram a todos os estratagemas para atingir os mais variados subterfúgios.

 

Mais tarde, Aécio falou aos jornalistas. Portou-se como se o ovo inexistente ainda estivesse na bica de ser botado. “Senti do presidente, sinceramente, boa vontade e disposição de conversar com a oposição. Agora essa boa vontade e essa disposição têm que se transformar em uma proposta concreta.”

 

O governador pareceu enxergar frestas numa porta que os senadores do seu partido consideram fechada: “Houve uma reação contrária dos senadores em relação à proposta extremamente tímida apresentada pelo governo. Disse isso ao