Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Para DEM, Lula deveria evitar o tema ‘sonegação’

 

No vídeo, o Lula da véspera, que, no Espírito Santo, dissera que só o “PFL” e “os sonegadores” são contra a CPMF. Aqui, o Lula desta sexta-feira (30), que, de passagem pelo Rio, voltou a trovejar sobre a pefelândia, hoje abrigada sob o guarda-chuva do DEM: “Não podem os partidos políticos ficar reféns do discurso de um partido como o PFL, que não tem nada a perder.”

“O presidente Lula está apavorado com a perspectiva de ser obrigado a governar com responsabilidade, sem a gastança imoral que caracteriza seu desgoverno”, respondeu o senador José Agripino Maia, líder do DEM. “Quem não pode seguir refém da extorsiva carga tributária é o Brasil. E que o presidente não nos insulte porque estamos defendendo o crescimento do país.”

 

Lula voltou a bater abaixo da linha da cintura: "Tem uma parte dos que são contra a CPMF por que a CPMF é um imposto mais justo para combater sonegadores no país." Agripino revidou na mesma região: “Seria melhor o presidente se calar a respeito de assuntos como a sonegação de impostos. Ou será que ele esqueceu que, na campanha dele à Presidência da República, o PT pagou ilegalmente R$ 10,5 milhões a Duda Mendonça no exterior sem nada declarar à Receita Federal?”

 

Estrategicamente, Lula esquivou-se, pela segunda vez, de mirar no PSDB, parceiro “oposicionista” do DEM. Natural. O presidente ainda espera pescar, segundo os seus operadores políticos, dois ou três votos bicudos no Senado. De resto, Lula parece não enxergar no tucanato aquele furor que fez o ex-PT, sob seu comando, fechar questão contra a CPMF de FHC.

Escrito por Josias de Souza às 23h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Venezuela decide na urna se quer o Chavez ‘eterno’

  Jorge Silva/Reuters
Cerca de 16 milhões de venezuelanos irão às urnas neste domingo para dizer, em referendo, “sim” ou “não” à reforma constitucional que concede superpoderes a Hugo Chávez e abre uma janela para que o compañero se perpetue no poder. A julgar pelo resultado das pesquisas, o país está dividido ao meio.

 

A última sondagem, realizada pelo instituto Hinterlaces, atribui ao “não” (46%) uma ligeira e inexpressiva vantagem sobre o “sim” (45%). Nessas horas que antecedem a manifestação do eleitor, opositores e apoiadores de Chávez medem forças nas ruas.

 

A avenida Bolívar, antes reduto exclusivo do chavizmo, foi tomada na noite passada por milhares de adeptos do “não”. Antes divididos, os adversários de Chávez agora estão estrategicamente unidos.

 

Em resposta, os partidários do “sim” encheram a mesma avenida Bolívar nesta sexta-feira (30), na última grande manifestação antes do referendo. Chávez, como sói, canta vitória. A oposição empenha-se para convencer os eleitores a comparecer às urnas. A ausência e a abstenção jogam água no moinho do presidente.

 

A refrega venezuelana ocorre no instante em que se discute no Congresso brasileiro se a Venezuela deve ou não ser admitida no Mercosul. A proposta tramita na Câmara. Já passou por duas comissões: a de Relações Exteriores e a de Constituição e Justiça. Está pronta para ser votada no plenário. Deve ser aprovada.

 

É no Senado que as pretensões de Chávez devem encontrar maior resistência. A oposição prepara-se para erguer barricadas contra a proposta. Mesmo senadores governistas torcem o nariz para a admissão da Venezuela no bloco econômico liderado pelo Brasil. A mais notória voz governista a se contrapor às intenções de Chávez é a de José Sarney (PMDB-AP).

 

Precursor do Mecosul, o ex-presidente diz que o resultado do referendo deste domingo terá forte influência sobre a decisão do Senado. "O ingresso vai depender do plebiscito, porque se o plebiscito aprovar essas cláusulas constitucionais, abrirá uma discussão e dificilmente a Venezuela atingirá a cláusula democrática para ser aprovada pelo Congresso brasileiro", diz Sarney, contrapondo-se inclusive ao pensamento de seu neo-guru Lula, para quem há excesso de democracia na Venezuela de Chávez.

Escrito por Josias de Souza às 20h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Morar em favela deixará de ser vergonha, diz Lula

AFP
 

 

Há 88 anos, num de seus célebres discursos, Rui Barbosa (1849-1923) já realçava o infortúnio que se esconde atrás da moradia precária. As palavras de Rui foram assentadas nas páginas de “Presença na Política”, de Gilberto Amado. Ele disse:

 

“As tristes arapucas de retalhos de zinco, latas de querosene e caixas de sabão, onde se atestam criaturas humanas como sacos em tulhas, numa promiscuidade inconcebível que lembra os quadros do tráfico negreiro; os covis de sarrafos e folhas de flandres se agacham e dependuram vacilando à encosta de morros suspeitos como canis de rafeiros mal-tratados onde entes humanos se dão a si mesmos a ilusão de estarem ao abrigo das intempéries, das sevandijas, dos bichos daninhos, que por toda parte os varejam e infestam”.

 

A despeito da longevidade do flagelo da moradia precária, Lula anunciou, nesta sexta-feira (30), que os problemas dos brasileiros que vislumbram o Rio desde os morros acabaram. "Rico quando mora em morro é chique”, disse o presidente. “Pobre na favela é vergonha. Vamos mudar isso."

 

Com sua frase, Lula recobriu de demagogia uma solenidade meritória. Ao lado do governador fluminense, Sérgio Cabral (PMDB), o presidente foi ao complexo Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Ali, anunciou a liberação de 35,2 milhões para obras de urbanização. O que parecia uma solenidade de governo, ganhou ares de campanha eleitoral fora do prazo.

 

Lula ainda dispõe de três anos de mandato. É prazo obviamente insuficiente para eliminar a vergonha das favelas. Mas é tempo suficiente para que muitos outros discursos sejam pronunciados. Dêem um microfone e uma multidão ao presidente e ele dará ao país um demagogo.

 

PS.: Depois de pisar a favela, Lula aproveitou a viagem ao Rio para visitar o arquiteto Oscar Niemeyer, um compromisso que não constava de sua agenda. Na entrada, espremido por jornalistas, falou do tema da hora, a CPMF. E voltou a fustigar o seu alvo predileto: o DEM.

Escrito por Josias de Souza às 17h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sarney quer Lobão no ministério de Minas e Energia

  Lula Marques/Folha
O ministério de Minas e Energia está na bica de retornar às mãos do PMDB. Ou, mais precisamente, está prestes a ser reacomodado no colo de José Sarney (PMDB-AP). Em meio ao lufa-lufa da CPMF, a cúpula do PMDB encaminhou ao Planalto o nome de Edison Lobão (MA). É velho aliado e protegido de Sarney. Começou a flertar com o cargo de ministro em 16 de outubro, dia em que pulou a cerca do DEM, para atirar-se nos braços do PMDB.

 

Lula vinha driblando o PMDB havia seis meses, desde que a Operação Navalha levara à bandeja a cabeça de Silas Rondeau. O presidente argumentava que, se não fosse denunciado pelo Ministério Público, Rondeau, outro afilhado de Sarney, retornaria ao comando da pasta de Minas e Energia. A Procuradoria da República decidiu, porém, que vai, sim, denunciar Rondeau.

 

Rondeau responderá à suspeita de beneficiar a construtora Gautama, de Zuleido Veras, em troca de propina. Uma acusação que o ex-ministro vem negando enfaticamente. A despeito do bololô em que se vê envolto o primeiro indicado de Sarney, Lula não parece constrangido de confiar o ministério a um segundo apadrinhado do senador.

 

O PMDB tem pessa. Gostaria que a nomeação ocorresse antes da votação da emenda da CPMF. Lula prometeu o cargo. Mas ainda não se comprometeu com a data. Parte de seus auxiliares o aconselha a adiar a impressão do nome do novo ministro no Diário Oficial para depois da renovação do imposto do cheque.

 

Desde a saída de Rondeau, os negócios de Minas e Energia vêm sendo geridos, para desassossego do PMDB, por um interino petista: Nelson Hubner, ligado à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Por ordem do Planalto, Hubner vem represando as nomeações que o PMDB deseja fazer para estatais do setor elétrico, entre elas a Eletrobrás, a Eletrosul e a Eletronorte. O partido de Sarney quer furar esse dique.

 

Sarney chegou a costurar a candidatura de Lobão à presidência do Senado, em substituição a Renan Calheiros (PMDB-AL). Porém, antes que o nome decolasse, o DEM foi à Justiça Eleitoral para requerer de volta o mandato do infiel Lobão. E a candidatura murchou antes de ter brotado. A abertura de uma vaga na Esplanada dos Ministérios foi ao topo de prioridades.

Escrito por Josias de Souza às 15h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Permanentemente provisório!

Orlandeli
 

PS.: Via blog do Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 04h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Propinoduto envolve políticos

- Folha: Brasil é um dos piores em ciências

- Estadão: Quem teme a CPMF é sonegador, diz Lula

- Globo: Brasil é o 52º de 57 países no aprendizado de ciências

- Gazeta Mercantil: Lojas ficam sem conversor à beira da estréia da TV digital

- Correio: A gasolina vai subir 6% e o álcool, 9%

- Valor: Ritmo da indústria puxa a economia e eleva juros

- Estado de Minas: Lula e oposição batem boca

- Jornal do Commercio: Soterramento mata operário

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula ‘caça’ quatro votos para evitar fim da CPMF

Governo se auto-impôs prazo para a ‘virada’: sete dias

Deseja-se garantir 50 votos até a próxima quinta-feira

Em reunião sigilosa, Planalto admite risco de insucesso

 

O ministro José Múcio, novo coordenador político de Lula, reuniu um grupo de senadores governistas no Planalto. Fez com eles uma análise do mapa da guerra da CPMF. Chegou-se à seguinte conclusão: em contagem regressiva para a batalha final no plenário do Senado, o governo ainda não dispõe de tropa para enfrentar a oposição.

 

O Planalto precisa de um reforço de três senadores para atingir o número mínimo exigido para a aprovação da emenda: 49 votos. Mas acha que, para evitar surpresas, convém recrutar pelo menos um “soldado” de reserva. Deseja apresentar-se para o confronto com um exército de 50 senadores. Para atingir o objetivo, Lula decidiu reunir-se, ele próprio, com senadores recalcitrantes. Vai abaixo um resumo da encrenca:

 

1. Abertura do paiol: nas últimas duas semanas, o governo lançou mão de todas as armas de que dispõe. Arrastou para o campo de batalha governadores aliados e de oposição. Exigiu que os ministros fossem à linha de frente. Carlos Lupi (PDT), por exemplo, disse aos cinco senadores de seu partido que ficará em posição "constrangedora" caso algum deles vote contra a CPMF. Insinuou que seria compelido a demitir-se do ministério do Trabalho. De resto, o Planalto mandou empenhar um lote de emendas orçamentárias que já roça a casa dos R$ 600 milhões. Como se fosse pouco, levou ao balcão cargos do porte do ministério das Minas e Energia, prometido, uma vez mais, ao PMDB. E passou a difundir a ameaça de impor retaliações a senadores insurretos.

 

2. Baixas na oposição: armado até os dentes, o governo produziu uma lipoaspiração na lista de potenciais aliados da oposição. Pedro Simon (PMDB-RS) deu meia-volta. Prometera, por escrito, votar contra a CPMF. Mas, há dois dias, disse ao proto-dissidente Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que não pode ignorar a penúria fiscal do Rio Grande do Sul. Geraldo Mesquita (PMDB-AC), depois de flertar com a oposição, insinuou que, se Simon não for, ele também não vai. Por precaução, tucanos e ‘demos’ riscaram Simon e Mesquita de sua lista;

 

3. A tropa dos contra: na reunião sigilosa do Planalto, os comandantes da tropa de Lula reconheceram que, a despeito da eliminação das “gorduras”, a oposição ainda dispõe de 34 votos –14 do DEM, 13 do PSDB, um do PSOL e seis de governistas sublevados. O Planalto jogou a toalha em relação a três dos “traidores”: Jarbas Vasconcelos, Mão Santa (PMDB-PI) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Mas joga pesado para reverter os votos dos outros três: Cesar Borges (PR-BA), Expedito Júnior (PR-RR) e Romeu Tuma (PTB-SP). Além disso, cuida para que a debandada não aumente. Olha de esguelha para dois senadores do PDT do ministro Carlos Lupi: Jefferson Peres (AM) e Osmar Dias (PR). A dupla ainda condiciona o voto a um compromisso do governo de reduzir os seus gastos correntes. Lula ordenou ao ministro Guido Mantega (Fazenda) que receba o PDT para uma conversa na próxima segunda-feira.

 

4. Operação PSOL: o governo tenta seduzir para o seu lado até mesmo o senador José Nery (PA). Único representante do PSOL no Senado, Nery andou dizendo, nos subterrâneos, que receia que a extinção da CPMF imponha cortes aos investimentos sociais do governo. Quem ouviu ficou com a impressão de que o voto dele não está tão decidido quanto imagina a oposição. Nery queixou-se de que nenhum líder de oposição o havia contactado para conversar sobre CPMF. O governo armou em torno do senador um movimento de assédio. E a oposição tratou de armar o contra-assédio. O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), telefonou para Nery nesta quinta-feira (29). Combinou de encontrá-lo na próxima terça-feira (4). Receoso, Agripino discou também para a presidente do PSOL, Heloisa Helena. Contrária à CPMF, HH desembarcará em Brasília na quarta-feira (5), para checar as convicções de seu senador.

 

5. Operação PSDB: no esforço para obter os quatro votos de que precisa, o Planalto montou acampamento nas cercanias do tucanato. Roga aos governadores tucanos que ajam para virar ao menos três votos de sua bancada: Eduardo Azeredo (MG), João Tenório (PB) e Cícero Lucena (PB). O DEM pôs as barbas de molho. Mas, pelo telefone, Sérgio Guerra, presidente do PSDB, deu, nesta quinta, um conselho a lideranças do parceiro de oposição: “Durmam tranqüilos”. Ouvido pelo blog, Guerra afirmou: “Não há nenhuma negociação em curso com a bancada de senadores do PSDB. Nenhum senador está autorizado a fazê-lo. Nossa posição é irreversível.” O repórter apurou que é intensa a troca de telefonemas entre os governadores e a cúpula da bancada tucana. Porém, só um governador, Cássio Cunha Lima (Paraíba), evoluiu das ponderações para o pedido de voto. Telefona quase que diariamente para Cícero Lucena. Mas o senador bateu o pé. Diz que está decidido a ajudar a enterrar o imposto do cheque. 

 

6. Operação DEM: além do governador Blairo Maggi (PR), o próprio José Múcio envolveu-se no esforço para atrair para as fileiras governistas dois senadores 'demos’: Jayme Campos e Jonas Pinheiro, ambos de Mato Grosso. Jayme parece irredutível. Diz que nada o fará dissentir de seu partido. Jonas soa mais maleável. No final da tarde de quarta-feira (28), Jonas foi o pombo-correio de um recado de Múcio para Jayme. O coordenador político de Lula mandou dizer que gostaria de viajar a Cuiabá, neste sábado (1), para ter uma conversa sigilosa com Jayme. A sondagem chegou aos ouvidos de José Agripino Maia, o líder do DEM. O próprio Jayme disse a Agripino que avisara ao ministro que, por educação, não deixaria de recebê-lo. Mas deixou claro que Múcio “perderia o seu tempo.”

 

7. Calendário: na hipótese de obter os 50 votos que deseja, o governo pleiteará que a votação da emenda da CPMF, em primeiro turno, seja antecipada para quinta (6) ou sexta-feira (7) da semana que vem. Terá de vencer a resistência de Tião Viana (PT-AC). O presidente interino do Senado estima que a votação só ocorrerá do dia 14 de dezembro em diante.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vestida, Mônica Veloso vende menos de dez livros

Renato Stockler/Na Lata
 

 

Nua, a ex-amante de Renan Calheiros não chegou a bater, no imaginário dos fanáticos, as capas de Playboy que desnudaram mulheres como a Feiticeira, a Tiazinha e a Adriane Galisteu. Mas não se pode dizer que Mônica Veloso tenha feito feio.

 

Vestida, porém, a mãe da filha de Renan fez menos sucesso do que desejava. Lançou na noite passada, num restaurante chique de São Paulo, a obra "O Poder Que Seduz." A casa estava cheia. Mas, segundo relato do repórter Rodrigo Bertolotto, do UOL (só assinantes), venderam-se menos de dez livros.

 

Há livros que, quando o leitor larga, não consegue mais pegar. No caso da peça escrita por Mônica Veloso, aparentemente, o leitor não deseja largar antes mesmo de pegar.

"Quem achar que o livro é oportunista, eu vou respeitar”, disse a autora. “Aceito a crítica, mas eu tinha que lançar agora para aproveitar as vendas de Natal. De outra forma, só iria sair em março, depois das férias."

 

Mônica terá mais quatro oportunidades para “aproveitar as vendas de Natal.” Prepara-se para lançar o livro no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Salvador. De resto, “O Poder que Seduz” encontra-se nas estantes das livrarias. Se vai seduzir, ainda não se sabe.

Escrito por Josias de Souza às 18h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: só ‘PFL’ e ‘sonegadores’ querem fim da CPMF

 

 

Na guerra da CPMF, Lula esforça-se para assumir o papel de chefe supremo da ordem dos Jedi. E tenta acomodar na cabeça dos adversários a máscara der Darth Vader. De passagem pelo Espírito Santo, o presidente disse que o imposto do cheque só tem dois inimigos: “o PFL, que não tem nada a perder e não tem perspectiva de futuro; e alguns sonegadores.”

 

Esquivando-se de chamar a pefelândia pelo novo nome –“Democratas”—, Lula disse que a legenda “torce todos os dias para as coisas não darem certo nesse pais.” Por isso, segundo ele, “ficam agora com o discurso de que é muito imposto.” E quanto ao PSDB, parceiro dos ‘demos’ na cruzada contra o “império luláctico”?

 

Bem, Lula age como se estivesse convencido de que o tucanato acabará migrando do “dark side” para o “light side”. Parece dar de barato que votos tucanos pingarão no cesto do governo. Não mede esforços para que isso ocorra. Chegou mesmo a incluir o PSDB no Programa Bolsa Emenda. Em nota, o DEM reagiu. Chamou o pretenso Jedi de "cínico" e "mentiroso".

Escrito por Josias de Souza às 16h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT vai às urnas no domingo; Berzoini é o favorito

Ricardo Stuckert/PR
 

 

O partido de Lula realiza no domingo (2) uma eleição interna. Diz-se que o PT renovará a sua direção. Mas, curiosamente, é o velho, representado por Ricardo Berzoini (SP), que desponta como favorito.

 

Ao todo, há sete petistas disputando a presidência da legenda. Mas só três, além de Berzoini, têm peso para influir no resultado: José Eduardo Cardoso, Gilmar Tatto e Valter Pomar. A Folha entrevistou-os. Lendo-se o que disseram, depreende-se que a disputa não se resolverá no primeiro turno.

 

É certo que Berzoini vai ao segundo turno. Também é certo que, juntos, os rivais do atual presidente do PT têm cacife para arrancá-lo do cargo. O que não se sabe é se terão competência para superar as divergências e reunir as suas fichas em torno de um nome capaz de dar cabo da hegemonia do chamado Campo Majoritário, pai do mensalão e mãe do dossiêgate, os dois escândalos que enodoaram a era Lula.

 

Berzoini, Cardoso, Tatto e Pomar revelam-se preocupados com a estruturação do PT para as eleições de 2008. Lidam, de resto, com uma interrogação que atormenta os miolos de todos os petistas: o que fazer em 2010, ano em que o PT não terá mais como levar à vitrine eleitoral o seu quadro mais vistoso?

 

Os quatro candidatos respondem à indagação do mesmo modo: sem Lula, dizem, o PT terá de construir um nome alternativo. Nenhum deles contempla a hipótese de o partido apoiar uma alternativa presidencial não-petista. Algo que Lula considera normal e até provável.

 

É no campo ético que as divergências afloram. Isolado, Berzoini acha que os escândalos são coisa do passado. Para Cardoso, a página das transgressões ainda não foi virada. Pomar apresenta uma evidência de que o passado recente ainda convulsiona o PT. Diz que Berzoini é um candidato que “passa a maior parte do tempo se defendendo.” Tatto ecoa: “Não dá para dizer que não aconteceu nada”.

Escrito por Josias de Souza às 04h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Polícia descobre novo propinoduto

- Folha: Investimento estrangeiro é recorde

- Estadão: Investimento estrangeiro no Brasil vai chegar a US$ 35 bi

- Globo: Novo propinoduto no Rio deixa rombo de R$ 1 bi

- Gazeta Mercantil: Ganho com investimento em produção supera renda fixa

- Correio: DF tem um carro para cada 2,6 moradores

- Valor: TAM faz troca de comando e quer resgatar imagem

- Estado de Minas: Violência envergonha jovens

- Jornal do Commercio: Presídios terão R$ 19 milhões

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fernandes
 

PS: A charge vem do fotoblog do Fernandes, que vale a visita.

PS.: A julgar pelo que disse nesta quarta (28) numa entrevista televisiva, Lula continua acalentando a perspectiva de dar milho aos tucanos. Aliás, o presidente já está alimentando a avis rara da política nacional.

Escrito por Josias de Souza às 03h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Renan prepara, de novo, sua renuncia à presidência

Renan Calheiros (PMDB-AL) pretende renunciar à presidência do Senado no início da próxima semana. A informação foi repassada pelo próprio senador lideranças do PMDB. O gesto é parte do acordo não-declarado que Renan fez com o consórcio governista, para obter, na próxima terça-feira (4), a absolvição no segundo processo em que é acusado de quebrar o decoro parlamentar.

Alertado acerca da intenção de Renan, o presidente interino do Senado, Tião Viana, prepara-se para convocar eleições internas. A escolha do sucessor de Renan terá de ocorrer cinco dias úteis depois da renúncia. Ou seja, confirmando-se a intenção do senador de abdicar do cargo no dia do julgamento, o plenário terá de indicar um substituto no dia 11 de dezembro. Repete-se agora o quadro que se havia desenhado uma semana atrás.

 

Renan programara sua renúncia para 22 de novembro, data em que deveria ter sido julgado. Mas foi surpreendido pela manobra de Arthur Virgílio (AM). Relator do processo na comissão de Justiça, o líder do PSDB retardou por uma semana a emissão de seu parecer, apresentado apenas nesta quarta-feira (28). Com isso, forçou Renan a renovar o seu pedido de licença, que expirou no dia 26. E embaralhou o julgamento do senador com a votação da emenda da CPMF.

 

A data prevista para a eleição do substituto de Renan não é boa para o governo. Estima-se que, dias depois, entre 14 e 18 de dezembro, o plenário votará, em primeiro turno, a renovação da CPMF. E o Planalto receia que o processo sucessório resulte em escaramuças que, mal administradas, podem engrossar o cesto de votos contrários ao imposto do cheque.

 

Cabe ao PMDB, dono da maior bancada (20 senadores), a indicação do nome do substituto de Renan. Embora a eleição já bata à porta, o partido ainda não se fixou num nome. Por ora, o único peemedebista a reivindicar o posto foi Garibaldi Alves (PMDB-RN), na foto lá no alto. Sobreviveu a uma articulação de José Sarney (PMDB-AP) em favor do nome de Edison Lobão (PMDB-MA). Mas, nos últimos dias, surgiram dois nomes "novos": Neuto de Conto (PMDB-SC) e Valter Pereira (PMDB-MS).

 

Por incrível que possa parecer, quem dá as cartas no processo de escolha do novo presidente do Senado é o próprio Renan Calheiros. O senador considera-se absolvido. Um sentimento que perpassa todos os partidos com assento na Casa. Graças à emenda da CPMF, cuja aprovação, se quiser, pode inviabilizar, Renan tem o Planalto nas mãos. De resto, mantém o poder de influência sobre a maioria do PMDB.

 

Decidido a levar suas pretensões às últimas conseqüências, Garibaldi Alves se deu conta de que a viabilidade de seu nome passa por Renan. Avisado de que o presidente licenciado do Senado não admitiria a escolha de um substituto que lhe fosse hostil, Garibaldi viu-se compelido a executar, nesta quarta-feira (28), um movimento constrangedor.

 

No primeiro julgamento de Renan, realizado em setembro, embora pudesse dispor do sigilo do voto, Garibaldi fizera questão de declarar, em discurso enfático, proferido do alto da tribuna do Senado, que votaria pela cassação. Agora, avisa que tende a fazer o contrário. Alega que já passou "a crise que ameaçava colocar a Casa de cabeça pra baixo."

 

Afirma, de resto, que o próprio Jefferson Peres (PDT-AM), relator do processo em que Renan é acusado de comprar duas rádios e um jornal por meio de laranjas, "reconheceu que não há provas muito evidentes". Bobagem. O relatório de Peres é explícito. Diz que há, sim, indícios eloqüentes do malfeito. Recomenda expressa e enfaticamente a cassação. O que Garibaldi deseja é amolecer as resistências de Renan. Daí o gesto incoerente.

 

O Planalto, que torcia o nariz para Garibaldi, passou a considerá-lo como uma opção menos pior. Receia que, derrotado, o senador engrosse o pelotão anti-CPMF. Além disso, o governo passou a considerar um detalhe que vinha lhe passando despercebido. Vitorioso, Garibaldi tende a fazer sombra no Rio Grande do Norte à liderança de José Agripino Maia (DEM-RN), hoje um dos mais ferozes adversários de Lula no Senado.

 

Nas eleições de 2010, o eleitor potiguar terá de mandar para o Senado dois senadores. Há três candidatos: Garibaldi, Agripino e a governadora do Estado, Vilma Maia. Dá-se como favas contadas a eleição de Vilma. E imagina-se que, eleito presidente do Senado, Garibaldi tenderá a prevalecer sobre Agripino.

 

A oposição aguarda pela decisão do PMDB para decidir o que fazer. Em diálogos preliminares, PSDB e DEM avaliaram que a escolha de Garibaldi é a que menos serve aos seus interesses na guerra da CPMF. Prefeririam que os peemedebistas lançassem um nome com menos densidade. Nesta hipótese, além de conquistar o voto de um Garibaldi ferido, lançariam uma candidatura alternativa, para marcar posição e tumultuar a arena governista às vésperas da votação do imposto do cheque.

Escrito por Josias de Souza às 02h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Afastado no Pará o delegado que ofendeu a vítima

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), afastou do cargo, nesta quarta-feira (28), o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Raimundo Benassuly. Na véspera, o delegado tachara de débil mental a adolescente L.A.B., 15, detida por quase um mês numa cela com mais de duas dezenas de homens, no município paraense de Abaetetuba.

A frase que custou o cargo a Benassuly foi pronunciada numa audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. Como que ansioso para justificar o injustificável, o agora ex-delegado-geral dissera aos senadores que a menina violada na prisão “tem certamente alguma debilidade mental", porque "em nenhum momento ela manifestou sua menoridade pena.”

 

Ouvida a respeito da frase, Ana Júlia, que também se encontrava em Brasília, disse que o que ocorrera em Abaetetuba não tem justificativa. Mas esquivou-se de informar se manteria ou não o delegado Benassuly no cargo. De volta a Belém, providenciou o inevitável afastamento do auxiliar.

 

A decisão da governadora foi noticiada no portal do governo do Pará não como uma demissão, mas na forma de um afastamento a pedido. O texto diz que o delegado “colocou o seu cargo à disposição [...], por reconhecer que se expressou de maneira inadequada na audiência” do Senado.

 

A notícia reproduz um trecho da carta que o delegado afastado entregou à governadora. Benassuly reconhece que não soube lidar com as palavras ao “expressar minha preocupação e indignação quanto ao estado de saúde, no presente e futuro, da menor que foi destituída de todos os seus direitos como ser humano em uma carceragem na cidade de Abaetetuba”.

 

A despeito de ter afastado o auxiliar, Ana Julia o elogiou pelos serviços prestados, “com ética e dedicação, durante estes onze meses que esteve à frente da Polícia Civil.” De resto, a governadora, que voltara de Brasília com a promessa de Lula de liberar R$ 89,9 milhões, anunciou a decisão de demolir a carceragem da delegacia de Abaetetuba, local que serviu de palco para a barbárie cometida contra a adolescente.

 

No lugar do centro de atrocidades será erguido, segundo Ana Julia, um “centro de triagem” de presos, “com espaço físico para receber, em condições adequadas, presos masculinos e femininos”. Anunciou-se, de resto, a reforma e ampliação do presídio feminino de Ananindeua, que passará a dispor até de “um berçário”. A julgar pelos movimentos da governadora, o governo do Pará parece despertar de seu torpor.

Escrito por Josias de Souza às 21h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A primeira vítima da guerra da CPMF é a verdade

El Roto/El Pais
 

Numa guerra, a primeira vítima é, invariavelmente, a verdade. Não é diferente no caso da CPMF. Governo e oposição trombeteiam vitória. Para prevalecer sobre os adversários, o Planalto precisa anotar no painel eletrônico do Senado pelo menos 49 votos. Para melar o triunfo de seu rival, a oposição precisa dispor de 33 votos.

A composição do Senado é inelástica. Há na Casa 81 senadores. Portanto, alguém está mentindo. Para quem observa de longe, é inútil tentar identificar os mentirosos. Até porque todos são. Nos corredores do Congresso, a arte da mentira desenvolveu-se de tal forma que todos acreditam em si mesmos e ninguém acredita em ninguém.

 

Como previsto, PSDB e DEM realizaram nesta quarta-feira (28) uma reunião com os dissidentes do consórcio governista. Acorreram ao encontro cinco senadores filiados a legendas enganchadas no Planalto: Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Romeu Tuma (PTB-SP) e Expedito Júnior (PR-RO).

 

Somando-se esse naco de dissidentes à tropa oposicionista, de 27 senadores, chega-se a 32 votos. Com mais um, a CPMF iria, em tese, para o beleléu. E, a julgar pelos dados precários disponíveis, tucanos e ‘demos’ dispõem de mais votos. Para citar apenas dois exemplos: César Borges (PR-BA) e José Nery (PSOL-PA).

 

O que faz dos números da oposição uma mentira à espera de comprovação é a desconfiança com que os próprios líderes tucanos enxergam a convicção de alguns de seus supostos aliados. Por trás da suspeita esconde-se um detalhe funesto: a própria oposição admite que alguns de seus "soldados" carregam, no mais profundo recôndito da alma, um caráter capaz de sensibilizar-se com o tilintar de verbas e dos cargos.

 

De todo modo, a mentira da oposição, por ora uma verdade pendente de comprovação, leva sobre a mentira do governo uma grande vantagem: é uma mentira com rosto. Os votos supostamente contrários à CPMF têm cara. Apresentaram-se à luz dos holofotes no par de reuniões que a oposição logrou realizar.

 

A mentira do governo não tem, por ora, densidade de carne e osso. Em privado, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, diz que o governo não dispõe senão de 33 votos absolutamente seguros. A conta subiu para 34 nesta quarta, com a adesão de Cristovam Buarque (PDT-DF). De resto, falta cara à conta que Jucá ostenta em público. Ou, por outra, a contabilidade do líder governista tem a face difusa de um governista padrão –um senador que condiciona as suas convicções à capacidade do governo de atender às suas pretensões.

 

Só a batalha final trará à luz a verdade escondida sob as sucessivas camadas de mentira recobertas pelo debate da CPMF. Só no acender das luzes do painel eletrônico, o país saberá se a vitória está com o governo ou com a oposição. E mesmo esta derradeira verdade será acomodada num pedestal de mentiras. Nem todos os votos contra ou a favor do imposto do cheque estarão assentados na convicção dos senadores. Longe disso: parte expressiva dos votos oculta interesses que, por inconfessáveis, precisam ser mentidos. Não há a essa altura, nenhum senador em dúvida. O que há é uma legião de senadores à espera de ser convencido$.

Escrito por Josias de Souza às 19h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cristovam fecha acordo e decide dizer ‘sim’ à CPMF

  Sérgio Lima/Folha
Às voltas com uma contabilidade que ainda não lhe permite festejar a aprovação da CPMF, o governo amealhou, nesta quarta-feira (28), mais um voto. Depois de fechar um acordo que prevê novos aportes no orçamento da educação, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) declarou que vai teclar “sim” no painel eletrônico do Senado.

 

O entendimento que seduziu Cristovam foi firmado com o ministro Guido Mantega (Fazenda). Está assentado, por ora, em bases frágeis. Prevê que o governo dará apoio à tramitação legislativa de um projeto de emenda constitucional. Uma proposta que, se vier a ser aprovada, vai imunizar a educação da regra que permite à Fazenda beliscar 20% de todas as rubricas orçamentárias protegidas pela Constituição.

 

Reza o artigo 212 da Constituição que o governo é obrigado a aplicar na educação pelo menos 18% de toda a arrecadação tributária. O que daria algo como R$ 22,8 bilhões anuais. Numa esperteza iniciada sob FHC e mantida sob Lula, o governo vem driblando esse tipo de despesa com piso fixado no texto da Constituição.

 

A pasta da Fazenda mune-se de uma ferramenta chamada DRU (Desvinculação das Receitas da União). Trata-se de uma espécie de pé-de-cabra administrativo. Com ele, a equipe econômica invade os cofres que contam com a proteção do escudo constitucional, arrancado deles 20% de tudo a que teriam direito.

 

O projeto que o governo promete priorizar é de autoria da senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT. Dorme nas gavetas do Senado deste 2003. Prevê que o orçamento da educação ficaria longe do campo de ação do pé-de-cabra da DRU. A redução seria gradual. Em 2008, em vez de 20%, o governo reteria apenas 15% das verbas da educação. Em 2009, a retenção cairia de 15%, para 10%. No ano seguinte, iria a 5%. E, em seguida, para zero.

 

Ou seja, a partir de 2011, a lógica voltaria a imperar: o orçamento da educação seria integralmente aplicado na educação. “Com isso, me sinto mais à vontade para aprovar a CPMF”, diz Cristovam. O senador faz duas ressalvas:

 

1. “Eu vou votar, mas não deixarei de continuar batendo numa tecla que considero importante. Para atingir os 18% previstos na Constituição para a educação, o governo está patrocinando uma farsa: o governo tinha alardeado que a verba do Fundeb [fundo de apoio ao ensino básico], que é de cerca de R$ 3,8 bilhões, seria dinheiro novo. Mas, na verdade, o dinheiro do Fundeb apenas cobre uma parte do que a DRU retira do setor. A mim, por ora, me satisfaz, porque no ano que vem vamos chegar aos 18% previstos na Constituição. Mas cou continuar dizendo essas verdades por aí.” 

2. “Já fui enganado pelo governo uma vez. Fechei um acordo, para aprovar um aumento de salário mínimo que considerava insatisfatório, com o compromisso de aumento dos recursos para a área social. Acertei as coisas com o [Antonio] Palocci [então ministro da Fazenda] e, depois, o Lula vetou o acordo que nós havíamos feito. Por isso, já avisei ao ministro Carlos Lupi [titular da pasta do Trabalho e presidente do PDT]: o senhor é o avalista desse acordo”.

A despeito das ressalvas, o voto de Cristovam o governo já tem. E quanto as outros quatro senadores do PDT? Bem, eles estão muito felizes com as promessas feitas ao "Sr. Educação", mas exigem algo mais. Em reunião com o ministro Carlos Lupi, o líder da bancada, Jefferson Peres (AM), disse que espera um compromisso do governo quanto à redução dos gastos correntes da União. Ficou-se de agendar um encontro de Peres com Guido Mantega. 

Escrito por Josias de Souza às 18h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Explicando Henrique Cardoso!

 

PS: Pressionado aqui, você lê sobre o troco de Lula a FHC.

PS 2: O vídeo foi "pescado" no blog TV Política, que vale a sua visita.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição reúne nesta 4ª os dissidentes governistas

  Alan Marques/Folha
Um dia depois de arrancar de suas próprias bancadas o compromisso de votar unidas contra a CPMF, o PSDB e o DEM planejam para esta quarta-feira (28) uma segunda reunião anti-CPMF. O objetivo dessa vez é atrair os membros de partidos governistas que, por dissidentes, se dispõem a ajudar a enterrar o imposto do cheque.

 

A nova reunião está marcada para as 14h30. Será no gabinete da liderança do DEM, mesmo local do encontro da véspera (foto). Já confirmaram presença Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Expedito Júnior (PR-RO) e Romeu Tuma (PTB-SP). Foram convidados também Pedro Simon (PMDB-RS) e Mão Santa (PMDB-PI).

 

O objetivo da oposição é produzir uma nova demonstração de força na guerra que trava com o governo. Pretende-se, segundo as palavras de um grão-tucano, “amarrar” os senadores que se declaram contra a CPMF. Entende-se que, uma vez expostos, esses senadores não teriam mais como ceder aos encantos da sedução do Planalto, movida a cargos e verbas.

 

A idéia de realizar a nova reunião, agora com a presença dos senadores de outras legendas, nasceu no encontro de tucanos e ‘demos’, nesta terça (27). Sugerida por Mário Couto (PSDB-PA), foi aceita por aclamação. De início, planejava-se organizar a coisa para a próxima semana. Mas, em telefonema a José Agripino Maia (RN), líder do DEM, Arthur Virgílio (AM), líder dos tucanos, sugeriu que a nova reunião fosse feita imediatamente.

 

A oposição diz ter computado entre 33 e 35 votos contrários à CPMF. Confirmando-se a conta, o governo, que precisa de 49 votos para renovar o imposto do cheque até 2011, já estaria derrotado. Mas, a despeito da aparente unidade alardeada pela oposição, PSDB e DEM ainda cultivam, entre quatro paredes, uma divergência fundamental.

 

Agripino Maia está seguro, seguríssimo de que o placar adverso ao governo não está sujeito a alterações. Virgílio já não tem tanta certeza. A portas fechadas, o líder tucano disse aos colegas de oposição que não subestima o poder de fogo do governo. “Já fui ministro e sei como essas coisas funcionam”, afirmou. Afora o apelo dos cargos e das verbas, Virgílio lembrou que há outros fatores em jogo.

 

Mencionou, em timbre respeitoso, as dúvidas que tem, por exemplo, em relação ao voto de Pedro Simon. Embora o senador tenha declarado, em nota, que votaria contra a CPMF, Virgílio afirma ter conhecimento de que ele pode retroceder, sob o argumento de que não teria como desconhecer a realidade fiscal do seu Estado, o Rio Grande do Sul, cujo erário encontra-se em petição de miséria.

 

Curiosamente, o Rio Grande é governado pela tucana Yeda Crusius. Ela era, até bem pouco, uma empedernida defensora da aprovação da CPMF. Agora, porém, ressentida por não ter recebido o apoio do petismo para aprovar, na Assembléia gaúcha, o aumento de tributos estaduais, diz que o PSDB deve mesmo dar o troco na votação do Senado.

 

Mercê das divergências, produziu-se na reunião desta terça uma solução intermediária. Decidiu-se suspender a obstrução de plenário, permitindo que a emenda da CPMF siga o seu curso. Evitou-se, porém, assumir qualquer tipo de compromisso com o encurtamento dos prazos regimentais, tática defendida por parte da tribo ‘demo’.

 

Pelas contas de Virgílio, o primeiro turno da votação da CPMF deve ocorrer por volta do dia 17 de dezembro. Até lá, haverá tempo de sobra para verificar se a pressão do governo surtiu ou não efeitos. Ao menor sinal de derrota, a oposição retomaria sua operação padrão, para tentar protelar a votação para 2008. O que obrigaria o governo a reiniciar do zero a tramitação legislativa da CPMF.

 

O imposto do cheque, inserido na Constituição como provisório, expira em 31 de dezembro de 2007. Na hipótese de não haver deliberação até o final do ano, o governo seria privado de pelo menos três ou quatro meses de arrecadação do tributo, amargando um prejuízo estimado em cerca de R$ 14 bilhões. E a oposição entraria o Ano Novo fortalecida para exigir de Lula a realização de uma reforma tributária.

Escrito por Josias de Souza às 04h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Por CPMF, governo libera meio bilhão em 23 dias

No mesmo dia em que o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) levou a boca ao trombone para denunciar que o Planalto tentara seduzi-lo com a liberação de emendas orçamentárias, descobre-se que há no Senado uma legião de colegas que, em silêncio, recebem o seu quinhão. Deve-se aos repórteres Silvio Navarro e Adriano Ceolin, da Folha (só assinantes), a revelação de que, só nos primeiros 23 dias de novembro, o governo levou ao balcão das emendas a bagatela de R$ 513,4 milhões. Vai abaixo o texto:

 

 

"Correndo contra o calendário para conseguir aprovar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado, o governo destinou R$ 514,3 milhões em verbas federais para atender emendas parlamentares até a última sexta-feira, valor que representa quase o triplo (197%) do liberado em outubro. Senadores acusaram a Casa Civil de cooptar votos.

O detalhamento do 'empenho' (compromisso de gastos) das emendas parlamentares do Orçamento aponta ainda que R$ 207 milhões foram liberados só na semana passada, segundo dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União) coletados pelo DEM.

A primeira denúncia de que o governo estaria negociando com emendas partiu de Geraldo Mesquita (PMDB-AC), que integra o grupo dos 'rebeldes' do PMDB cujos votos para aprovar a CPMF são considerados incertos. Ele relatou ter sido procurado pelo subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marcos Lima, para negociar a liberação de emendas.

'Um funcionário do Planalto ligou várias vezes para o meu gabinete. Depois, insistiu e foi ao meu gabinete. Eu não lhe dei essa liberdade', diz Mesquita. 'É tão escandaloso, que até tenho dúvida se realmente ocorreu ou se o senador [Mesquita] interpretou mal', disse Jefferson Péres (PDT-AM).


A Secretaria de Relações Institucionais negou, em nota, que tenha usado a liberação de emendas como 'moeda de troca' e classificou as afirmações de Mesquita como resultantes de uma 'falha de comunicação'. 'Em nenhum momento a liberação de emendas foi utilizada como moeda de troca.'

A nota diz que a secretaria lamenta a 'falha de comunicação' no contato com o gabinete de Mesquita. 'Como o próprio senador admitiu, não houve nenhuma conversa entre o senador e o dirigente da secretaria. O dirigente da secretaria foi recebido cordialmente no gabinete do parlamentar e, como foi informado que o senador estava satisfeito com relação a suas emendas, deixou as dependências imediatamente.'

A pedido do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), o corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP), disse que abrirá investigação. 'O governo tem de explicar que não estamos diante de um novo caso Waldomiro Diniz', diz o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), referindo-se ao cargo de Lima, que já foi ocupado por Waldomiro. Para o líder do DEM, José Agripino (RN) 'é a evidência do uso de dinheiro público para aprovar a CPMF'.


O campeão de emendas empenhadas em novembro é o PMDB, com R$ 25,4 milhões -R$ 18,5 milhões só na semana passada. Maior bancada (20 senadores), o partido é vital para a aprovação da CPMF. O PTB também obteve grande desempenho: dos R$ 6 milhões, em novembro, R$ 5 milhões foram liberados na semana passada."

Escrito por Josias de Souza às 03h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: As duas faces do Brasil

- Folha: ONU inclui Brasil no grupo de elite da qualidade de vida

- Estadão: Leilão de novas áreas de petróleo levanta R$ 2,1 bi

- Globo: ONU põe Brasil no clube de países desenvolvidos

- Gazeta Mercantil: OGX, de Eike Batista, supera Petrobras em leilão histórico

- Correio: Brasil na elite da qualidade de vida

- Valor: Sem CPMF, governo cogita elevar IR e cortar superávit

- Estado de Minas: ONU põe Brasil no grupo de maior desenvolvimento

- Jornal do Commercio: Aníbal Bruno sem novos presos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Clube Privê!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A pedido de Lula, Maggi tenta cooptar votos do DEM

Governador oferece até verba para campanha de senador

 

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR) entrou na guerra da CPMF. Por solicitação de Lula, ele tenta virar os votos de dois senadores oposicionistas de seu Estado. Ambos são do DEM: Jayme Campos e Jonas Pinheiro. O primeiro parece resistir às investidas do governador. O segundo balança em suas convicções.

 

Em conversa reservada que manteve na semana passada, Jonas Pinheiro revelou a um interlocutor que Maggi lhe fizera uma proposta tentadora. Em troca do voto favorável à CPMF, o governador prometeu-lhe assegurar a vaga de senador em sua coligação, nas eleições de 2010. Comprometeu-se inclusive a prover o financiamento da campanha do senador.

 

Como prêmio pelas gestões que realiza nos subterrâneos, Maggi pediu a Lula que determine ao ministério da Fazenda a liberação da renegociação da dívida do erário mato-grossense, estimada em R$ 5 bilhões. Seria feito o seguinte: Mato Grosso pagaria o débito à União de uma vez. E o Tesouro Nacional autorizaria o Estado a capitalizar-se por meio da colocação de títulos no mercado financeiro.

 

Maggi expôs sua proposta numa reunião com Lula, realizada em segredo. Argumentou que o refinanciamento da dívida do Estado seria um argumento a mais para justificar a virada dos votos dos senadores ‘demos’. A dupla Jayme-Jonas, segundo o governador, não teria como se contrapor ao interesse do Estado que representam no Senado.

 

Lula ficou de analisar o pedido do governador. Numa primeira análise, a Fazenda concluiu que a operação sugerida por Maggi fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nesta terça-feira (27), Jayme Campos e Jonas Pinheiro participaram da reunião conjunta das bancadas do DEM e do PSDB. O encontro fora convocado justamente para checar a confiabilidade dos votos dos senadores das duas legendas, empenhadas em enterrar o imposto do cheque.

 

De saída, José Agripino Maia (RN), líder do DEM, informou que todos os presentes teriam de se manifestar, para dar segurança aos demais. Quando chegou a vez de Jonas Pinheiro, ele lembrou que havia interesses do Estado de Mato Grosso em jogo. Mencionou a renegociação da dívida, pleiteada Blairo Maggi. Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, interveio. Disse a Jonas que, se o governo federal estiver condicionando a rolagem da dívida de Mato Grosso à aprovação da CPMF, a operação teria de ser enquadrada no Código Penal. "Jonas, isso tem nome: é chantagem", afirmou. 

 

Jonas Pinheiro não disse nada a respeito das outras vantagens que o governador lhe oferecera. E afirmou que, a despeito dos interesses do Estado, seguiria a orientação de seu partido (o DEM fechou questão contra a CPMF). A manifestação do senador, por tímida, inspirou desconfiança em alguns dos parceiros tucanos presentes à reunião.

 

Deu-se coisa diversa com Jayme Campos. Fez questão de levantar-se da cadeira. De pé, disse enfaticamente que não se sente compromissado com as negociações de Maggi e Lula. Afirmou que votará contra a CPMF qualquer que seja o resultado da investida do governador. Informada sobre as promessas de Maggi a Jonas -inclusive a parte que envolve o financiamento de campanha-, a cúpula do DEM usa a aparente firmeza de Jayme Campos para constranger o colega.  

 

Blairo Maggi esteve em Brasília na semana passada. Sua movimentação dá uma idéia dos métodos a que o Planalto se vê compelido a adotar para tentar engordar o seu cesto de votos no Senado. Hoje, pelas contas de Romero Jucá, reveladas em privado, o governo disporia de exíguos 43 votos absolutamente seguros. Para aprovar a CPMF, precisa de 49. Daí a operação de varejo deflagrada pelo governo.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Delegado paraense insinua que a culpada é a vítima

Folha
 

A menina L.A.B., 15, presa com mais de 20 homens, em Abaetetuba (PA)

 

Sabe-se, desde a semana passada, que as autoridades de segurança do Pará não têm nada a ver com o martírio da adolescente que conviveu com mais de 20 homens numa cela de delegacia paraense. O país cobra, porém, um culpado –ou culpados.

 

Busca-se freneticamente um demônio, qualquer demônio, para lhe devolver a guarda de todas as culpas. Alguém que possa eximir uma delegada, uma juíza, uma secretária de segurança, uma governadora, um governo inteiro do exame de todo o mal. A começar pelo mais difícil dos exames: o auto-exame.

 

Deve-se ao delegado geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benalussy, a descoberta do demônio, esta deidade de mil e uma utilidades. Atende pelas iniciais L.A.B.. Veste saias. Tem 15 anos. Sim, ela mesma. A culpada de o Brasil ter escalado o noticiário internacional como uma nação de selvagens é justamente a vítima da selvageria.

 

Em audiência pública realizada no Senado, o delegado Benalussy declarou que a menina L.A.B. “tem certamente alguma debilidade mental". Por que? Ora, porque "em nenhum momento ela manifestou sua menoridade penal" às autoridades que a trancafiaram na cela com mais de 20 marmanjos.

 

Cezar Britto, presidente nacional de OAB, estranhou: "Mata-se [o índio] Galdino e dizem 'desculpa, pensei que era um mendigo'. Ataca-se uma empregada doméstica, 'desculpe, pensei que era uma prostituta'. Agora se diz a mesma coisa, 'não sabia que era uma adolescente', como se fosse menor o crime de ter uma mulher sendo estuprada sob os olhos coniventes do aparelho estatal."

 

A governadora Ana Júlio Carepa desautorizou o subordinado Benalussy. Mas esquivou-se de dizer se vai afastá-lo de suas funções. Quanto a L.A.B., a grande culpada, aguarda pelo resultado dos exames que irão informar se contraiu Aids ou se saiu grávida do cárcere paraense de Abaetetuba. De concreto, por ora, tem-se apenas que as autoridades do Pará não têm nada a ver com nada.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aberta formalmente a tramitação da CPMF no Senado

Wilson Dias/ABr
 

Começou, finalmente, a tramitação da emenda da CPMF no plenário do Senado. Graças à decisão dos partidos oposicionistas de levantar a obstrução, os senadores votaram as duas últimas medidas provisórias que travavam a discussão acerca da prorrogação do imposto do cheque até 2011. E o presidente interino Tião Viana (PT-AC) pôde abrir a primeira das cinco sessões de debate da CPMF.

Coube a Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, o primeiro discurso sobre a matéria. Anunciou que, vencidas as cinco sessões debate, a oposição, como previsto, apresentará emendas ao projeto da CPMF. O que forçará a devolução da proposta à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

 

“Acredito piamente que teremos voto para rejeitar esse imposto”, disse Virgílio. “Mas quero fazer o debate qualificado. Agora é hora de discutir o mérito, não de contar votos [...]. Temos muitos dias de debates pela frente. O PSDB é a favor de que se discuta essa matéria aqui e na comissão de Justiça. Que se cumpram os prazos regimentais, para que esta Casa vote com consciência. Nada de senta e levanta. Nada de trocar isso por aquilo”.

 

Pelas previsões de governo e oposição o primeiro turno da votação da CPMF deve ocorrer entre 15 e 17 de dezembro. O Segundo turno pode arrastar-se até o final do ano. “Já avisei à minha família. Não tenho nenhum preconceito de passar o Natal e o Ano Novo com meus companheiros”, disse Virgílio. “Se não for quebra de decoro, parlamentar a gente abre uma champanhe aqui mesmo, no plenário. Se for, abrimos um refrigerante diet. Mas vamos participar ativamente desse debate.”

 

Nas pegadas de Virgílio, outros senadores tucanos revezam-se na tribuna do Senado. Todos eles falam contra a CPMF. Em reunião prévia, o tucanato decidira marcar posição já nesta sessão inaugural da CPMF, para deixar claro que, embora não tenha fechado questão contra o tributo, os 13 senadores do partido votarão contra a CPMF. Mais cedo, tucanos e ‘demos’ reuniram suas duas bancadas. Foi nesse encontro que decidiram suspender a obstrução. Acham que já dispõe de votos para prevalecer sobre o governo. Algo que o Planalto, nos próximos dias, vai esforçar-se para desmentir.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tião manda apurar ‘assédio’ do Planalto a senador

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), requereu à Corregedoria da Casa, chefiada por Romeu Tuma (PTB-SP), a apuração da denúncia feita por Geraldo Mesquita (PMDB-AC). O senador disse ter sido assediado pelo Planalto. Afirmou que um funcionário graduado da presidência da República o procurou para oferecer-lhe a liberação de emendas parlamentares em troca do voto favorável à emenda quue prorroga a CPMF.

 

A notícia acerca do cerco palaciano a Geraldo Mesquita, veiculada pelo repórter Weiller Diniz, foi reiterada ao blog em entrevista do senador. De resto, Mesquita acaba de relatar o fato a todo o Senado. Em discurso que acaba de pronunciar, do alto da tribuna, ele disse que já tratara do assunto em duas oportunidades, nos dias 16 e 23 de novembro. Avisara acerca “do processo fisiológico de liberação de emendas ao Orçamento da União”.

 

Mesquita repetiu: “O fato ocorreu. [O subchefe da assessoria parlamentar do Planalto, Marcos Lima] ligou antes e depois do dia 16 de novembro. Duas, três, quatro vezes. A essa altura do campeonato, quando estamos prestes a votar a emenda da CPMF, isso me cheira a assédio, beira à tentativa de corrupção.”

 

Tião Viana decidiu acionar o corregedor-geral Romeu Tuma depois de ter sido provocado pelo líder do governista PDT, Jefferson Peres (AM). “Esse fato é gravíssimo e precisa ser apurado”, disse Peres. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), informou ao plenário que vai apresentar um requerimento de convocação do ministro José Múcio, novo coordenador político de Lula, para que explique ao Senado a ação de Marcos Lima.

 

O servidor, que era subordinado do antecessor de José Múcio, Walfrido dos Mares Guia, foi mantido na subchefia de Assuntos Parlamentares da Presidência da República pelo novo ministro. Ao anunciar a decisão de convocar Múcio, Virgílio aproveitou para soldar o voto de Geraldo Mesquita contra a CPMF: “A tentativa de influência indevida termina levando o senador Geraldo à única opção cabível, que é o voto contra a CPMF.”

Escrito por Josias de Souza às 18h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senador acusa governo de oferecer verbas por voto

Senador acusa governo de oferecer verbas por voto

  Célio Azevedo/Ag.Senado
Filiado ao PMDB, um partido associado ao consórcio governista, o senador Geraldo Mesquita (AC) pende para o voto contra a CPMF. Nos últimos dias, passou a sofrer um assédio do Planalto. Afirma o subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, Marcos de Castro Lima, tentou cooptá-lo, em troca da liberação de emendas orçamentárias. Marcos Lima é subordinado do coordenador político do governo. Auxiliava o ex-minsitro Walfrido dos Mares Guia. Foi mantido pelo sucessor dele, José Múcio.  

 

“Nesse momento, discutir esse assunto de emendas, nomeação de cargo de não sei quem, pra mim, isso cheira e beira à tentativa de corrupção. É uma coisa inteiramente inadequada”, disse Mesquita ao blog. Autor de emendas que destinam cerca de R$ 6 milhões ao seu estado, o senador diz: “O governo libera emendas para quem é da cozinha à fanfarra. E fica tentando colocar no balcão dos negócios todos os demais”.

 

Sob Lula, a prática da troca de emendas por votos tornou-se usual, numa reiteração de fenômeno verificado em administrações anteriores. O incomum é que um senador, submetido ao assédio governamental, denuncie a prática. Segue a entrevista de Geraldo Mesquita:

 

 

- Quem o procurou?

Foi o Marcos Lima [subchefe de assuntos parlamentares da Presidência da República]. Se você me pergunta quem é esse cara, eu se cruzar com ele no corredor, não sei quem é. De 15 dias para cá, ele ficou ligando para o meu gabinete, pedindo audiências, para tratar de liberação de emendas.

- Ele deixou claro que o tema seria esse?

Ele disse à Cláudia, minha chefe de gabinete. Eu pedi a ela que respondesse que eu não o receberia. Se quiser vir tomar um café, conversar sobre qualquer outra coisa, eu converso. Mas sobre isso eu não tato. O governo perdeu o timing. Não é só com ele. Não quero dar uma de gostosão. Mas, sobre esse assunto, não converso nem com ministro. Esse não é o momento.

- Que dia o Marcos Lima o procurou?

Foi na semana passada, se não me engano na quarta-feira. Eu estava despachando no meu gabinete. A Claudia, minha chefe de gabinete, avisou: senador, o sujeito ia entrando aqui, tive de interrompê-lo e dizer que não é assim. Ela já tinha avisado a ele, em diversas ocasiões, por minha ordem, que não trataria desse assunto de emendas. E ele insistindo, insistindo, insistindo...

- O Marcos Lima entrou no seu gabinete?

Foi entrando, meu gabinete é aberto. Se a Claudia não se colocasse na frente dele ele tinha entrado na minha sala.

- Então ele não chegou a falar com o sr.?

Não. Eu não o receberia de forma nenhuma. O que ele dizia pelo telefone, para a minha chefe de gabinete, é que queria conversar comigo sobre a liberação das emendas. A Claudia disse a ele: Olha, o senador não quer conversar sobre esse assunto nesse momento.

- Acha que o momento é impróprio?

Nesse momento, discutir esse assunto de emendas, nomeação de cargo de não sei quem, pra mim, isso cheira e beira à tentativa de corrupção. É uma coisa inteiramente inadequada.

- O governo não o procurou antes?

Essa visita [de Marcos Lima] é emblemática do que ocorre no Brasil. Durante o mandato, o governo trata o senador com descaso e desrespeito. Governo escolhe quatro ou cinco cabeças coroadas e acha que a interlocução com eles resolve todos os seus problemas. Até hoje tem resolvido. Mas isso não pode ser assim indefinidamente. Isso é equivocado, é desrespeitoso. O governo libera emendas para quem é da cozinha à fanfarra. E fica tentando colocar no balcão dos negócios todos os demais.

- Acha que uma liberação agora pode ser vista como compra de voto?

É isso mesmo. É essa a realidade. Cito inclusive um caso que se passou comigo. O senador [Aloizio] Mercadante, a quem prezo muito, me abordou, em março ou abril deste ano. Ele me disse: ‘você precisa voltar a dialogar com o governo. Posso marcar uma audiência com o ministro [Walfrido] dos Mares Guia? Eu disse: claro, marque o encontro. Em respeito a você, eu vou lá tomar um café com o ministro. O Mercadante não voltou mais a falar no assunto. Agora, recentemente, antes de Mares Guia sair do ministério, ligaram de lá do Planalto perguntando se aquela audiência que o Mercadante tinha marcado em março ou abril, se eu gostaria de realizar. Respondi: agradeça ao ministro, mas agora não quero mais.

- Vai votar contra a CPMF?

Esse pessoal está empurrando a gente contra a parede. Pelo respeito que tenho a alguns colegas, o próprio Mercadante, eu estava inclinado a conversar, a gente tem que ter responsabilidade. Mas esse pessoal está me empurrando para o outro lado.

- Há uma expectativa no Senado de que o sr. vote contra a CPMF. Procede?

É procedente, muito procedente. Essa é a minha tendência e esse talvez seja o meu caminho. Quero apenas, por consideração a alguns colegas, conversar e expor o meu ponto de vista. Dizer o quanto estou irritado com essa situação toda, para que ninguém diga depois que não avisei.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

O Brasil, veja você, não sabe onde fica o Brasil

O Brasil, veja você, não sabe onde fica o Brasil

 

PS.: Via blog TV Política.

Escrito por Josias de Souza às 03h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Divididos, PSDB e DEM reúnem as suas bancadas

 

 

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), que apressar a votação da emenda da CPMF. Acha que a oposição tem votos para ganhar. Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, prefere a tática da obstrução. Crê que, na hora “H”, o poder de sedução do governo vai acabar prevalecendo. E prefere postergar a decisão, impondo ao governo o incômodo de varar o Ano Novo sem a renovação do imposto do cheque.

 

Conforme noticiado aqui na semana passada, tucanos e ‘demos’ tentarão unificar a estratégia nesta terça-feira (27). Por sugestão de Agripino, acatada por Virgílio, os dois partidos promovem, ao meio-dia, um mega-encontro de suas bancadas. São 13 senadores do PSDB e 14 do DEM. Pretende-se aferir a confiabilidade de cada voto.

 

Parte-se do pressuposto de que a oposição não terá chances de prevalecer sobre o governo se não conseguir amarrar ao menos os seus próprios votos –27 no total. A esse contingente, pretende-se somar mais oito supostos adversários do imposto do cheque: 1) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), 2) Mão Santa (PMDB-PI), 3) Pedro Simon (PMDB-RS), 4) Geraldo Mesquita (PMDB-AC), 5) Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), 6) José Nery (PSOL-PA), 7) César Borges (PR-BA) e 8) Expedito Junior (PR-RO).

 

Confirmando-se todos os votos que a oposição imagina ter, chega-se a 35 senadores –dois além do necessário para impedir que o governo obtenha os 49 votos de que precisa para aprovar a CPMF. “É hora de apressarmos o passo”, diz Agripino. “Continuo achando que protelar é melhor do que votar”, discrepa Virgílio. O líder tucano argumenta que é preciso checar até que ponto alguns dos senadores que constam da lista da oposição seriam capazes de resistir à pressão e às vantagens que o governo pode oferecer.

 

Embora divirja de Agripino, Virgílio concorda com o colega num ponto: na guerra que travam contra o governo, é essencial que unifiquem a estratégia. “Até o final desta semana, ou nós evoluímos para a posição do DEM ou eles evoluem para a nossa. Vamos ter o mesmo ponto de vista. Não há hipótese de ficarmos divergentes.”

 

A opinião de Virgílio coincide com a de Sérgio Guerra (PE), novo presidente do PSDB. Mas há no tucanato quem penda para o lado de Agripino. É o caso, por exemplo, Álvaro Dias (PSDB-PR). A exemplo dos colegas ‘demos’, Dias receia que, a essa altura, quanto mais demorar a votação, mais tempo terá o governo para tentar virar votos.

 

Nesta segunda-feira (26), numa rodinha de senadores, perguntou-se a Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula, se ele já se sente seguro para enfrentar a batalha do plenário. E Jucá: “Hoje, ainda não”. De quantos votos o governo dispõe?, quis saber um colega de Jucá. Com absoluta segurança, respondeu Jucá, só tem 43 –seis a menos do que precisa o governo.

 

Há dúvidas no PDT –Jefferson Peres (AM), Osmar Dias (PR) e Cristovam Buarque (DF)—; no PTB –Romeu Tuma (SP); e no próprio PMDB de Jucá –Valter Pereira (MS). Interrogações que, com o correr dos dias, o Planalto espera aplainar.

Escrito por Josias de Souza às 03h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: Palácio adia reforma e insiste na CPMF

- Folha: 80% dos estádios precisam de reformas nas estruturas

- Estadão: Sucre fica sem governo e amplia caos na Bolívia

- Globo: Vereador preso pode ter sido protegido por policiais do Rio

- Gazeta Mercantil: Obras do PAC chegam a 60% da meta de 2007

- Correio: Trânsito de Brasília avança para o caos

- Valor: Varejo adota ousadia para aumentar vendas de Natal

- Estado de Minas: Natal dos importados

- Jornal do Commercio: Desgaste ameaça a Ilha e o Arruda

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Barbarizando Henrique Cardoso!

Angeli
 

PS.: Um pouco mais de Enrolando Henrique Cardoso aqui.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula já se prepara para hipótese de perder a CPMF

Receio de derrota leva o presidente a adiar projetos

Marcello Casal/ABr

 

Em público, Lula e seus auxiliares afirmam que não têm dúvidas quanto à aprovação da CPMF no Senado. Em reunião realizada nesta segunda-feira com quatro ministros, o presidente da República considerou, pela primeira vez, a hipótese de perder a arrecadação do imposto do cheque, estimada em R$ 40 bilhões para o ano de 2008.

 

Precavido, Lula determinou o adiamento de projetos e de iniciativas que, a seu juízo, dependem do tamanho da receita. Em conversa com um dos ministros que estiveram na reunião com o presidente, o blog apurou algumas das decisões.

 

1. Orçamento da União: o governo já enviou ao Congresso o orçamento para o ano de 2008. Prevê receitas de R$ 1,4 trilhão e despesas no mesmo montante. Nesse universo, a CPMF é um grão de areia. Mas Lula concluiu o óbvio: se o tributo não for prorrogado, o governo terá de voltar à prancheta. Presente à reunião desta segunda, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), deu razão ao chefe. E o presidente disse que, na fila de prioridades do governo, a votação da CPMF precisa vir antes do Orçamento. No curso da reunião, deixou antever que, frustrada a receita da CPMF, seus auxiliares terão de se virar para manter intactos pelo menos três rubricas: a que prevê os investimentos na Saúde, as verbas destinadas às obras do PAC e o orçamento do Bolsa Família;

 

2. Pacote para a indústria: nos últimos meses, a equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda) gastou parte de seu tempo na elaboração de um pacote de desonerações tributárias. A idéia é desafogar setores da indústria que foram prejudicados com a apreciação do real frente ao dólar. O pacote custaria à União uma perda de arrecadação estimada entre 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões. Pretendia-se anunciar o conjunto de medidas nos primeiros dias de dezembro, antes da votação da CPMF. No encontro desta segunda, Lula deu meia-volta. Determinou a Mantega que mantenha o pacote na gaveta. Acha que o governo não pode se dar luxo de abrir mão de receita antes de saber se vai ou não contar com os R$ 40 bilhões da CPMF. Presente à reunião, o ministro da Fazenda deu-lhe razão.

 

3. Salário da Polícia Federal: depois de autorizar o reajuste da folha de salários de agentes de delegados da PF, o governo defrontou-se com reivindicação semelhante dos funcionários administrativos da polícia. Paralisa daqui, negocia dali, o Planalto concordara em enviar ao Congresso uma medida provisória aumentando os contra-cheques desses servidores. Paulo Bernardo sugeriu e Lula concordou em adiar também esse reajuste até que o Senado decida o que fazer com a CPMF.

 

4. Emendas de parlamentares: antes de se demitir da coordenação política do governo, empurrado pela denúncia do tucanoduto, Walfrido dos Mares Guia deixou esboçada uma planilha com as emendas orçamentárias apresentadas pelos senadores. A exemplo do que fizera na Câmara, o governo amarrou a liberação das verbas ao cronograma de votação da CPMF. Na primeira quinzena de novembro, foram empenhados cerca de R$ 320 milhões. O empenho é a fase que antecede o pagamento efetivo. Privilegiaram-se as emendas coletivas em detrimento das individuais. Entre os autores misturam-se senadores governistas e oposicionistas. O presidente recomendou ao ministro José Múcio (PTB-PE), sucessor de Mares Guia, que dê meia-trava nas liberações. Deseja privilegiar, nessa fase, os senadores que se disponham a votar a favor da CPMF.

 

A despeito das providências preventivas, Lula recomendou aos ministros, inclusive a José Gomes Temporão (Saúde), do PMDB, também presente à reunião, que auxiliem o governo na guerra que vem sendo travada no Senado. Uma guerra que o Planalto considera difícil, mas não impossível de ser vencida. Nos próximos dias, o próprio Lula vai arregaçar as mangas. Chamará para conversar senadores individualmente e bancadas.

 

Para o presidente, seu envolvimento direto deixará claro aos "aliados" que claudicam em suas convicções governistas que a CPMF é prioridade zero. Ansiosos por obter vantagens do governo, os partidos associados ao consórcio lulista festejaram a decisão.

 

Também na reunião desta segunda, Lula decidiu descumprir a promessa de enviar ao Congresso, até 30 de novembro, a proposta de reforma tributária. Assumido durante a frustrada negociação com o PSDB, o compromisso fora renovado, na seqüência, em encontro de Guido Mantega com líderes de partidos governistas. Prevaleceu, porém, o entendimento de que a proposta, por polêmica, mais atrapalharia do que ajudaria no embate da CPMF. Segundo a senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT, foram os próprios senadores governistas que aconselharam o Planalto a optar pelo adiamento. A oposição, como sói, chiou.

Escrito por Josias de Souza às 01h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Obstrução do PSDB adia,de novo,tramitação da CPMF

Wilson Dias/ABr
 

 

A oposição voltou a prevalecer sobre o governo no Senado. Convocada para votar duas medidas provisórias que retardam a leitura da emenda da CPMF, a sessão caiu graças à obstrução do líder Arthur Virgílio (AM), do PSDB. Ele pediu a verificação do quorum, obrigando o presidente interino Tião Viana (PT-AP) a contar os senadores presentes.

 

Para que a sessão fosse mantida, o governo precisava arrastar para o plenário 41 senadores. Porém, foram anotadas no painel eletrônico apenas 39 presentes. Adiou-se, assim, uma vez mais, o início da tramitação da emenda do imposto do cheque.

 

A sessão foi marcada pelo tumulto. Tião Viana chegou a declarar que a primeira medida provisória levada a voto fora aprovada. Servindo-se do regimento, ele contou dois senadores do PSDB que, embora não houvessem digitado seus nomes no painel, mantiveram-se no plenário.

 

Virgílio saltou da cadeira. Disse que, embora o regimento autorize a contagem dos oposicionistas presentes, a praxe do Senado é a de omitir da contagem os senadores do partido que se declara em obstrução. Viana respondeu que a prática mencionada pelo líder do PSDB só é válida quando há um aviso expresso de obstrução. Alegou que Virgílio havia apenas solicitado que fosse feita a checagem do quorum. Mas não se declarara em obstrução.

 

O líder do PSDB rodou a baiana. Afirmou que Tião equivocara-se. Disse que havia, sim, pronunciado o vocábulo “obstrução”. O que forçou o presidente a requisitar as notas taquigráficas da sessão. Enquanto aguardava pela transcrição, Virgílio avisou que, a prevalecer o “desapreço” com a oposição, recrudesceria a tática obstrucionista. “Juro pela minha mãe que, desse jeito, a CPMF não passa”, deblaterou.

 

Tião Viana apressou-se em afirmar que, confirmando-se o pedido de obstrução de Virgílio, não hesitaria em desdizer o que dissera, anulando a aprovação da medida provisória. Vieram as notas da taquigrafia. E nada do pedido de obstrução do PSDB. Virgílio foi ao microfone: “Tentei duvidar de mim mesmo, mas os senadores que estão à minha volta confirmar que eu declarei a obstrução.”

 

Determinou-se à assessoria da presidência do Senado que revisse o vídeo da sessão. E a tecnologia saiu em socorro de Arthur Virgílio. Verificou-se que, de fato, ele, além de pedir a verificação do quorum, havia informado que o PSDB encontrava-se em obstrução. E, para desassossego do governo, a sessão foi encerrada. A votação será retomada nesta terça-feira (27).

 

Além de constranger o governo, o êxito da oposição oferece à platéia uma amostra do que será a tramitação da CPMF no Senado. Os partidos governistas somam na Câmara Alta 53 senadores, contra 28 da oposição. A sessão desta segunda fora convocada na sexta-feira. Tião avisara a todos que haveria votação. Ainda assim, os aliados do Planalto não lograram levar ao plenário os 41 votos de que precisavam. Lula está sendo cozinhado em banho-maria pelos próprios "aliados". Para amolecer as resistência$, o Planalto terá de levar a sua generosidade às últimas conseqüências.

Escrito por Josias de Souza às 19h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sem voto, Lula encosta a barriga no balcão da CPMF

Sérgio Lima/Folha
 

 

Premido pelo tempo e pela falta de votos para aprovar a emenda da CPMF, Lula prepara-se para encostar, ele próprio, a barriga no balcão do Senado. Reunido com os ministros que compõe a equipe de coordenação de governo, o presidente foi aconselhado a envolver-se diretamente no jogo parlamentar. E deu indicações de que deve seguir recomendação.

 

Oficialmente, o Planalto chama a ação do presidente de “corpo-a-corpo”. Trata-se de um eufemismo para barganha. Somando-se todos os senadores dos partidos associados ao consórcio governista, tem-se um cesto de 53 votos. Quanto além dos 49 necessários à aprovação da emenda que estica o imposto do cheque até 2011.

 

O problema é que parte dos supostos aliados do governo condiciona o voto ao atendimento de certos pleito$. O governo mostra-se disposto a atendê-los. Mas os senadores já não confiam nos intermediários. Exigem a palavra de Lula. Daí o “corpo-a-corpo” presidencial.

 

No Senado, o presidente interino Tião Viana (PT-AC) confirma que, além dos contratempo$ de sempre, o governo corre contra o relógio. Acha que ainda há tempo para aprovar a CPMF. Mas acrescentou: "Estamos no limite. O governo não pode permitir que haja protelação. Se não, teremos prejuízos significantes." Ou seja, vai rolar a fe$ta. Já se ouve ao fundo o tilintar das verbas e dos cargos. O céu é o limite.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A penúltima do Chávez: criou o freezer diplomático

Desde que chegou ao poder, Hugo Chávez traz sempre uma tempestade no bolso. Antes, ele as sacava de raro em raro. Agora, tomado de grande perturbação, o presidente venezuelano tem sempre à mão um trovão. Ele os troveja agora em ritmo alucinante.

O penúltimo raio de Chávez tem as feições de uma piada. O compañero criou a diplomacia de geladeira. Anunciou que estão “congeladas” as relações da Venezuela com a Colômbia. Estendeu a providência glacial à Espanha.

 

Simultaneamente à abertura do freezer, Chávez ateou fogo na alma de Álvaro Uribe, o colega colombiano. Chamou-o de “mentiroso” e “cínico”. Disse que Uribe deu “uma cusparada” na Venezuela. E anunciou estar preparado para “qualquer coisa”. Quanto à Espanha, reiterou a exigência de que o rei Juan Carlos peça desculpas pelo já célebre “Por que não te calas?”

 

Em resposta, o presidente da Colômbia acusou Chávez de tramar a instalação de um governo da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) na Colômbia. Seu propósito, declarou, é o de "incendiar" e "se expandir" pelo continente.

 

Na Espanha, o governo convidou o embaixador venezuelano a explicar-se. Queria saber que diabos significa “congelamento” de relações. A julgar pela resposta do embaixador, tudo não passa de mais uma piada de Chávez, a penúltima. Nada mudou, disse o representante da Venezuela em Madri.

 

No Brasil, receoso de que os trovões de Chávez acabem por envenená-lo de vez com o Congresso, o governo-companheiro de Lula mandou à geladeira o projeto de ingresso da Venezuela no Mercosul. Antes apressado, o governo agora adota a o ritmo da tartaruga manca.

Escrito por Josias de Souza às 17h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Presas são vítimas de abusos em mais cinco Estados

Diz-se que o brasileiro é bom. Mas a toda hora, a todo minuto há no Brasil bons que nos atropelam com sua bondade. No Pará, a crueldade dos bons lançou uma menina de 15 anos numa cela com mais de duas dezenas de marginais. Teve-se a sensação de que a bondade chegara ao seu ápice. Bobagem. Descobre-se agora que os paraenses não estão sós. Há brasileiros bons também em outros Estados.

A bondade é comum a pelo menos outros cinco Estados: Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo. Aos pouquinhos a bondade brasileira vai perdendo a sua delicadeza. Leia, a propósito, texto dos repórteres Kleber Tomaz e Rogério Pagnan, da Folha (só assinantes): 

 

 

“A violência sexual sofrida por uma jovem presa numa cela com 20 homens em Abaetetuba (137 km de Belém) não é um fato isolado e exclusivo do Pará. Um relatório produzido por entidades brasileiras de defesa das mulheres e entregue à OEA (Organização dos Estados Americanos) em março deste ano aponta situações de abuso e violência contra presas em pelo menos cinco Estados. O Pará não foi citado na época.

 
No Rio Grande do Norte e na Bahia, as mulheres têm de dividir a cela com travestis e adolescentes homens. O documento relata que, em Mato Grosso do Sul, onde há uma cadeia mista na cidade de Amambai (porém com celas separadas por sexo), um funcionário manteve relações sexuais com uma presa dentro da cela, na presença de dez mulheres.


Há ainda casos de cadeias femininas em que só há funcionários do sexo masculino. O relatório cita problemas em outros dois Estados: Rio e Pernambuco. Apesar de não estar no relatório enviado à OEA, em São Paulo há ao menos uma cadeia mista (homens e mulheres na mesma unidade, em celas separadas), em Ubatuba.

 
Além da Pastoral Carcerária Nacional, participaram da elaboração do relatório o Centro de Justiça e Direito Internacional e o Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas.


Os dados do documento são de 2006, mas, de acordo com a advogada Luciana Zaffalon Cardoso, coordenadora do grupo interministerial criado para discutir políticas públicas para mulheres presas, a situação encontrada nos presídios continua inalterada. "Não se observou nenhuma mudança ainda em relação às denúncias." As entidades relatam que as detentas são às vezes obrigadas a fazer sexo com os próprios presos ou com os funcionários.


Assim como a jovem do Pará que disse ter feito sexo com os presos em troca de comida, as detentas violentadas também trocam o corpo por benefícios, segundo o documento. ‘As mulheres que sofrem violência sexual ou trocam relações sexuais por benefícios ou privilégios não denunciam os agressores por medo, uma vez que vão seguir sob a tutela de seus algozes’, diz trecho do relatório.


O texto sugere que os problemas podem não ser limitados aos cinco Estados, ao citar a falta de dados oficiais ‘sobre quantas e quais são as unidades prisionais que ainda possibilitam essa convivência’. E destaca que as presas não estão livres de abuso mesmo onde há a separação de sexo por celas.


Em Paulo Afonso (BA), por exemplo, duas presas ficaram grávidas dentro da cadeia (onde não são permitidas visitas íntimas). Lá, elas são trancadas com adolescentes infratores no mesmo pavilhão -que é separado do espaço dos outros presos por uma grade. Há um carcereiro para 80 pessoas presas.


O delegado titular de Paulo Afonso, Idelbrando Alves da Silva, 46, afirma que, mesmo com a separação, há poucas semanas um preso e uma detenta foram flagrados fazendo sexo na grade. ‘A presa passou a noite algemada para não fazer mais isso.’ A divisão foi construída há seis meses. Antes, ficavam todos no mesmo pavilhão -mulheres e adolescentes no pátio; homens adultos, nas celas.


Na cadeia de Mossoró (RN), travestis são presos com mulheres pois não são aceitos pelos presos. E em Mesquita (RJ) e Recife não há carcereiras. A Defensoria Pública de São Paulo diz que não é rara a necessidade de intervenção do órgão para remover detentas em unidades destinadas para homens. Para os defensores, uma das preocupações é ocorrer rebeliões, e, no tumulto, as mulheres serem violentadas.

Escrito por Josias de Souza às 16h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- JB: Ações da PF cresceram 1.700% em quatro anos

- Folha: Presa sofre abuso sexual em 5 Estados, diz relatório

- Estadão: Nova Carta boliviana causa confrontos e mais mortes

- Globo: Bolívia aprova Constituição e protestos fazem 3 mortos

- Gazeta Mercantil: Fundos compram pequenas empresas para criar grupos

- Correio: Brasília incha e entorno encolhe

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bicão!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo não terá nenhum voto tucano, dizem líderes

Arthur Virgílio: ‘Se for preciso, nós fechamos questão’

Sérgio Guerra: ‘Nossos 13 votos serão contra a CPMF’

 

  Elza Fiúza/ABr
Lula e seus operadores políticos continuam a apostar que pelo menos quatro dos 13 senadores do PSDB vão votar a favor da emenda da CPMF. Em público, ninguém dá nome aos bois. Em privado, mencionam-se os tucanos João Tenório (AL), Cícero Lucena (PB), Eduardo Azeredo (MG) e Lúcia Vânia (GO).

 

O Planalto chega mesmo a insinuar, nos subterrâneos, que o próprio Tasso Jereissati (CE), que deixou a presidência do PSDB na última sexta-feira (23), pode ajudar o governo a esticar a vigência do imposto cheque até 2011. O blog ouviu dois dos principais líderes tucanos sobre o assunto.

 

Sérgio Guerra (PE), novo presidente do PSDB; e Arthur Virgílio, líder dos tucanos no Senado, afirmam que o governo faz jogo de cena. Asseguram que, na hora “H”, Lula vai quebrar a cara. Não terá, segundo dizem, um mísero voto do partido.

 

Alheio às manifestações, o governo continua empenhado em capturar tucanos. Monta uma armadilha atrás da outra. Vale-se de dois argumentos: 1) todos os governadores do PSDB querem que a CPMF sobreviva; 2) na reunião em que decidiu –por nove votos contra quatro— interromper as negociações com o governo, a bancada do PSDB não fechou questão.

 

“Se for preciso, nós fechamos questão”, disse Arthur Virgílio ao repórter. “Se não fechamos é porque temos absoluta convicção dos 13 votos. Não estamos vendo necessidade de fechar questão”. Sérgio Guerra ecoa Virgílio: “Não cogitamos fechar questão porque temos absoluta certeza de que teremos os 13 votos da bancada. Nós sempre votamos do mesmo jeito”.

 

Em “parlamentês”, o idioma dos parlamentares, o “fechamento de questão” é uma ferramenta de que dispõem as legendas para obrigar os seus filiados a seguir a orientação partidária. Sob pena de arrostar punições que podem ir da mera advertência ou suspensão até a expulsão. Parceiro do tucanato na guerra congressual contra a CPMF, o DEM fechou questão. Nem por isso ficou livre do assédio governista.

 

A julgar pelo que dizem reservadamente, os tucanos que o Planalto considera cooptáveis corroboram as previsões de Virgílio e Guerra. Tome-se o exemplo de João Tenório (AL). É chegadíssimo ao governador tucano de alagoas, Teotônio Vilela Filho, aliado de Lula. A mulher do senador, Fernanda, é irmã do governador.

 

A despeito das relações familiares e de amizade, Tenório soa no Senado como um dos mais aguerridos adversários da CPMF. Dono da maior produtora de água de coco do país, o senador defende a redução da carga tributos que a União impõe às empresas. E vê no fim da CPMF uma oportunidade para forçar o governo a fazer uma reforma tributária.

 

O senador Cícero Lucena (PB) encontra-se na órbita de influência do governador tucano da Paraíba, Cássio Cunha Lima. Lula recebeu Cunha Lima em audiência na quinta-feira (22). Prometeu-lhe verbas do PAC. E instou-o a ajudar o governo com a CPMF. Noves fora os ataques que o governador fez aos senadores de seu partido que tramam contra o tributo, a investida de Lula não produziu efeitos práticos. Ouvido pelos colegas depois do encontro palaciano, Lucena, que votara contra as negociações tucano-governistas na reunião da bancada, disse que mantém a posição anti-CPMF.

 

Quanto a Eduardo Azeredo (MG) e Lúcia Vânia (GO), torciam para que o partido fechasse um acordo com o governo. Na reunião da bancada, votaram a favor da continuidade da negociação. Mas, vencidos, informaram à cúpula que não ousarão dissentir da opinião da maioria na hora de votar em plenário.

 

Diferentemente do que ocorre nos processos de cassação de mandato, a votação da CPMF, uma emenda constitucional, é aberta. O que não facilita a vida de eventuais traidores. Dizer que vai votar de um jeito e votar de outro jeito pode significar a execração do quinta-coluna. Execração pública e interna.

 

Para complicar os planos do Planalto, José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB, não dirigiram à bancada de senadores nenhum pedido peremptório. Lula aposta no poder de influência da dupla para virar votos tucanos. Mas os governadores de São Paulo e de Minas movem-se no tabuleiro com uma discrição que destoa da confiança que o Planalto depositou neles. Não ousaram dar um xeque mate na bancada. Ao contrário.

 

Serra e Aécio manifestaram suas preocupações com os efeitos do extermínio da CPMF, mas deixaram os senadores à vontade para jogar o jogo parlamentar que mais lhes aprouver. Em encontro reservado que mantiveram com lideranças tucanas do Senado, na quinta-feira (22), os dois governadores foram informados de que a o voto da bancada é irreversível. Disseram que, a essa altura, uma meia-volta significaria a desmoralização do partido. Presente à reunião, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concordou.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cidade sabia que a menina fora servida a marginais

‘Se delegada pôs e juíza manteve, denunciar pra quem?’

Marlene Bergamo/Folha

A menina L. (centro), ao lado da mãe biológica e da mãe adotiva

 

Nada diz mais sobre o Estado brasileiro do que o estado a que chegou o Estado brasileiro. Encontra-se afundado num pântano de normalidade. E não se dá conta da falta que lhe faz o anormal.

Em 1988, alvorecer dos “novos” tempos, Ulysses Guimarães batizou a atual Constituição de ''cidadã''. Poderia tê-la chamado onírica. Constituição dos sonhos. Ou, por outra, Constituição dos pesadelos.

 

''...O direito à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária...'' Estamos perpassando o Brasil do artigo 227 da Constituição, onde crianças e adolescentes estão ''a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência e opressão''.

 

Corta para o Brasil extra-constitucional de Abaetetuba, cidade paraense assentada a 130 km de Belém. De uma das ruas, avista-se a carceragem, um galpão de 80 metros quadrados. Ali, a menina L., 15 anos, atarracada em seus menos de 1,40 m, corpo mal recoberto pela sainha curta e pela blusinha que prenunciava os seios adolescentes, foi jogada num calabouço junto com três dezenas de homens. O inferno de L. durou cerca de 20 dias.

 

Um detalhe confere ao inaceitável um quê de inacreditável. A menina foi aviltada nas dependências de um Estado gerido por uma mulher, Ana Júlia Carepa. Quem a mandou para a cela foi outra mulher, a delegada Flávia Verônica Pereira. A decisão recebeu o endosso de uma terceira mulher, a juíza Clarice Maria de Andrade.

 

As repórteres Laura Capriglione e Marlene Bergamo estiveram em Abaetetuba. Descobriram que o inaceitável, depois de autorizado pelo inacreditável, ganhou ares de intolerável. Ninguém na cidade ignorava que os marmanjos delinqüentes usavam e abusavam da menina no interior da cadeia.

 

"Era um show isso daqui. Todo mundo sabia que a menina estava lá no meio daqueles homens todos, mas ninguém falava nada", relatou uma mulher às repórteres. "Antes de comer, os presos se serviam dela", lembrou outra moradora. “Ela gritava e pedia comida para quem passava, chamava a atenção para si, e, como ela era conhecida por aqui, não dava para ignorar", aditou uma terceira habitante de Abaetetuba.

 

E por que ninguém fez nada? A tia de um dos presos que dividiram a cela com L. responde: "Medo de morrer. Aqui todo mundo tem medo. Se a delegada põe uma menina na cela com os homens, e a juíza mantém ela lá, quem sou eu pra denunciar. Aliás, denunciar para quem?"

 

Como se vê, o que envenena o Brasil é a incômoda normalidade que impregna o ar. Algo de profundamente anormal precisa acontecer para que o país seja salvo. Até que a anormalidade nos alcance, estamos todos condenados a viver entre o Brasil onírico da Constituição de 88 e o Brasil cruel que assassinou a alma da menina L.. Há entre os dois brasis um Estado omisso e uma sociedade entorpecida. Ambos são inocentes culpados. Ou, se preferir, culpados inocentes.

 

PS.: Por uma dessas ironias que transformam os meios promocionais em algo ferramenta de eficácia demoníaca, o boletim “Em Questão”, editado pela presidência da República, alardeia que, neste domingo (25), festeja-se o Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres.

Escrito por Josias de Souza às 19h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Amei Renan loucamente’, escreve Mônica em livro

‘Amei Renan loucamente’, escreve Mônica em livro

J.R. Duran/Playboy
 

 

Depois de posar nua para a Playboy, Mônica Veloso, a ex-amante de Renan Calheiros, prepara-se para desnudar, em livro, os detalhes de seu romance com o senador. A obra chama-se “O Poder que Seduz.” Será lançada na próxima quarta-feira (28). Alguns dos principais trechos foram antecipados pela coluna da repórter Mônica Bergamo, da Folha (só assinantes). O blog os reproduz abaixo:

 


"Música, perfume e um certo torpor. Champanhe na mão, conversávamos e sorríamos após o jantar [na casa do senador Ney Suassuna]. Havíamos brindado por mais um ano, o intenso ano de 2002 (...) Cercado por jornalistas, o senador Eduardo Suplicy falava, empolgado, sobre o programa Renda Mínima e a indicação de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central. Mais um pouco, o próprio Meirelles chegou (...) O vento agitando as cortinas, o barulho de cristais e porcelanas como rumores longínquos vindos da sala. Era como se fôssemos as únicas pessoas no mundo."

 


"Naquele momento, o senador Renan Calheiros olhou nos meus olhos e passou a dizer coisas que gostei de ouvir (...) Elogiou meus traços, a pele sempre bronzeada e os cabelos longos. Depois, ao reparar que eu estava sem aliança, perguntou se havia me separado, o que confirmei. Então, ele fez um ar de compreensão e respondeu que sabia o que eu estava sentindo, pois também estava se separando."

 


"[Num segundo encontro, num jantar, em fevereiro] Seus olhos brilharam quando me viu e, indiferente aos outros convidados, não os tirou mais de mim durante o jantar. Parecia uma criança, estava encantado, feliz. (...) Ele verbalizou sua liberdade de maneira clara, que não deixava a menor dúvida. Não usava aliança, não estava se comportando como alguém que se preocupa com uma outra relação. (...) Íamos a exposições, lançamentos de livros, restaurantes, jantares na casa de amigos, e aos almoços da bancada do PMDB às quartas-feiras. Depois passou a me levar ao Senado, onde eu era tratada com a maior deferência."

 

 

"Houve um momento, bem no começo da nossa relação, em que pensei em desistir (...) Renan era mais velho que eu e não tinha o gosto pela cultura, pelo cinema, que eu queria em um homem. Não era antenado com as coisas modernas, não vibrava com as novidades, as tendências, só falava sobre política (...) O celular tocou. Era ele, radiante como uma criança por ter tomado café com o presidente (...)."

 

 
"No mundo pode haver milhões de rosas, mas para o Renan eu era uma rosa única, que ele tratava com devoção comovente. Fazia as mais belas declarações de amor, me ligava várias vezes durante a noite para contar seus passos, cantarolava "Eu Sei que Vou Te Amar" ao telefone (...) Não sei se um dia ele admitirá isso, mas sei do quanto ele gostou de mim."

 


"Ele também fazia pequenas coisas para me agradar. No início da relação, por exemplo, estava meio gordinho, e por achar que perder peso seria importante para mim, o que não é, procurou um médico no Rio e começou a dieta da proteína. Em pouco tempo estava nove quilos mais magro."

 


"Como qualquer casal apaixonado, tínhamos nossos códigos, nossos momentos e nossas músicas(...) Nossa música marcante foi a do filme "Lisbela e o Prisioneiro". Misturávamos as nossas vozes com a do Caetano e cantávamos, baixinho, olhando no fundo dos olhos do outro: "Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer, e te querendo eu vou tentando me encontrar...".

 


"[No Dia dos Namorados] Lembro-me que usava um vestido rosa-clarinho, decotado nas costas, e um creme que dava um tom dourado à pele. Invenções de mulher que adora uma novidade, ainda mais quando está apaixonada e querendo agradar o homem amado. Ele elogiou o vestido e ficou impressionado com os brilhinhos do creme, que grudavam no paletó de terno risca de giz azul-marinho que ele estreava naquela noite."

 


"Um de seus sonhos mais freqüentes era ir comigo para o Carnaval da Bahia. Não no camarote: queria ir no chão, no estilo sem lenço e sem documento. Totalmente largado."

 


"[Num jantar com amigos] também relembrou ao presidente Sarney minha participação na campanha da Roseana. Por fim, alegre, brincava: "Porque alguém tem que trabalhar nessa família". Sim, não posso negar que eu sonhava construir uma família com o Renan. Ele me falava do sonho de ter uma menina (...) O Renan parecia ser o homem que eu sempre mereci."

 


"Alguns, depois de olhar bem para o meu rosto, perguntam: "Como uma mulher tão bonita como você pôde gostar de um homem tão feio como Renan?" (...) Não sou tão linda e nem o Renan é tão feio. Depois, o que é mais importante: mulheres não gostam de homens somente pela beleza (...) Parece bobo, piegas, como uma adolescente falando, mas o fato é que amei o Renan loucamente, como jamais pensei ser capaz. Amei com a alma, com tudo que há de mais puro no meu ser."

Escrito por Josias de Souza às 03h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

‘Contei sobre a gravidez, ele entrou em pânico’

‘Contei sobre a gravidez, ele entrou em pânico’

J.R. Duran/Playboy
 

 

Seguem abaixo outros trechos do livro “O Poder que Seduz”, de Mônica Veloso:

 


"[Em dezembro de 2003] descobri que estava grávida, carregava no ventre o resultado de meu amor com Renan."

 


"Quando contei sobre a gravidez, ele entrou em pânico. Dizia ser impossível. Afinal, argumentou, não éramos mais crianças. Fiquei muito triste com a sua reação. Pela primeira vez, percebi que o amor era lindo, mas a política, para ele, era tudo."

 


"Eu não acreditava que o homem que eu amava, que de tão meigo comigo passei a chamar de "docinho", agia daquela forma (...) Ele sumiu por 20 dias. Não o procurei. Passou Natal, Réveillon e nada do Renan."

 

 

"O celular tocou (...) [era] Renan, bem humorado, me chamando de doutora Mônica (...) [disse] que me amava demais e que encontraríamos uma forma de administrar a novidade e a vinda de uma filha, sim, porque ele tinha certeza de que a menininha que tanto sonhou, enfim, estava a caminho."

 


"Ele prometeu que depois da campanha do desarmamento se "organizaria", o que em bom português queria dizer que se separaria para ficarmos juntos"

 


"Decidimos, então, que eu me mudaria para uma casa alugada no Lago Norte, e lá vivi como reclusa, preocupada em esconder minha gravidez."

 


"[Uma colunista do "Jornal de Brasília", do Distrito Federal] deu uma nota dizendo que eu estava grávida e a criança era filha do senador Renan Calheiros (...) Pediram-me para redigir uma nota, de próprio punho, negando que o filho fosse do Renan. Escrevi, chorando (...) quando ficamos sozinhos, pela primeira vez vi o Renan chorar."

 


"Então, para me precaver, apenas para o caso de ele se recusar a admitir a paternidade, gravei algumas conversas que tivemos durante a gravidez (...) Nunca usei os diálogos para nada, muito menos para fazer chantagem, como insinuaram."

 


"Continuamos nos relacionando. Ainda havia amor entre mim e Renan, sim, mas o encanto tinha acabado. Desde o final de 2003 eu sabia que ele, ao contrário do que me dizia, mantinha uma relação conjugal estável (...)."

 


"Em dezembro de 2005, com o fim do nosso relacionamento, o Renan passou a pagar a pensão, via doc, a partir do Senado [antes disso, os recursos eram entregues a Mônica em dinheiro vivo, pelo lobista Cláudio Gontijo], mas reduziu o valor de R$ 8 mil para R$ 3 mil. Acho que qualquer pessoa que tenha uma pensão reduzida em 67% brigará pelos seus direitos, até porque não eram meus, mas de sua filha (...) Renan se mostrava inflexível e isso impedia um acordo. No final de 2006, decidi entrar com um pedido de revisão de pensão."

 


"Não creio que a humilhação do senador tenha sido maior do que a de uma mulher que carregou uma filha na barriga e teve de se esconder, como se fosse uma criminosa."

 


"O convite da "Playboy" podia ser encarado como um bálsamo em meio a tanto sofrimento. Minha auto-estima estava massacrada (...) Nunca me imaginei saindo na capa de uma revista masculina. Mas quando isso acontece, mexe com a sua cabeça, causa um certo torpor."

 


"A maioria das mulheres que pensa em roupa íntima e sensual pensa no vermelho. Pois eu prefiro a lingerie preta, branca ou bege. Por outro lado, um belo jeans, com uma camiseta branca, dependendo do sutiã de rendas que estiver por baixo, é extremamente charmoso e eu diria até provocante"

 

 

"Nunca imaginei que diria isso, mas a verdade é que tive orgulho de fazer a "Playboy'(...) A beleza venceu a feiúra, a alegria esmagou a tristeza, o aconchego superou a indiferença."

Escrito por Josias de Souza às 03h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Dólar baixo aquece consumo no Natal

- Folha: Empresas de capital aberto têm lucros recordes em 2007

- Estadão: Com 17% já devastados, Amazônia ainda compensa todo o CO² do País

- Globo: Lula diz que sem gastar não consegue governar

- Gazeta Mercantil: Betim terá a maior fábrica de automóvel

- Correio: Máfia da feira usou até padaria no contrabando

- Valor: Governo prepara MP para evitar um 'apagão postal'

- Veja: Pesquisa inédita - Veja-Sensus - Radiografia dos militares

- Época: O que o congresso do PSDB muda no cenário político do país

- IstoÉ: Mares Guia denunciado

- IstoÉ Dinheiro: Dólar - O amargo declínio da moeda americana

- Carta Capital: O CD já era

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Piscina probática!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Caso do Pará é ‘uma tripla brutalidade’, diz Tarso

Caso do Pará é ‘uma tripla brutalidade’, diz Tarso

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

O ministro Tarso Genro (Justiça) ficou triplamente contrariado com a revelação de que uma adolescente de 15 anos foi presa por 24 dias numa cela com 20 homens, no Pará. Classificou o episódio como “uma tripla brutalidade”: (1) uma menina, (2) lançada na cela masculina, (3) por ação de uma mulher, delegada.

 

Em entrevista ao blog, Tarso disse que o “sistema penitenciário está totalmente falido.” Reconheceu que a prática da tortura nas prisões é, ainda hoje, “recorrente.” Afirmou, de resto, que “prevalece na sociedade a sensação de que criminoso tem que ser morto, tratado como animal”. Acha que “um certo setor da classe média, esquece que isso, em vez de diminuir a violência aumenta”.

 

Quanto ao flagelo da falta de prisões femininas no Pará, o ministro disse que a União tem verbas para socorrer a governadora Ana Júlia Carepa, do Pará. “Se ela me trouxer [um projeto], será acolhido”. As considerações do ministro encontram-se expostas nos dois textos que vão a seguir:

 

 

- O achou do caso do Pará?

Temos muitos vícios no sistema prisional do país. Não são recentes nem excepcionais. O que é excepcional nesse caso é a brutalidade de colocarem uma menina no meio de prisioneiros. Isso não é uma coisa recorrente no Brasil.

- Teve notícia de algo semelhante depois de se tornar ministro da Justiça?

Nem antes nem depois. Já houve casos de mulheres presas nessas circunstâncias. Mas uma menina eu nunca tinha ouvido falar.

- A que casos de mulheres se refere?

Casos que eu soube por meio de leitura de livros e de estudos de referência.

- Imaginou que ainda estivessem ocorrendo?

Não. E muito menos com uma jovem, que foi colocada na cela de maneira deliberada e, se não me engano, a delegada responsável era uma mulher. Estamos diante de uma tripla brutalidade.

- No Pará, há uma única penitenciária feminina. A governadora Ana Júlia disse que irá procurá-lo nos próximos dias. Há algo que a União possa fazer?

Um dos projetos do Pronasci [Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania] prevê exatamente a construção de presídios para jovens apenados, que podem ser do sexo masculino ou feminino. O Pronasci tem recursos de 1,350 bilhão para o ano que vem. Dinheiro novo, fora do orçamento do ministério. Desse total, previmos gastar com esse projeto em torno de R$ 135 milhões especificamente com esses novos presídios. Essa parte do dinheiro será investida em 11 Estados. Serão, no total, 34 mil vagas. O Pará está entre esses 11 Estados.

- Só nesses 11 Estados há necessidade de presídios?

Há nos outros também. Mas esses são os piores. Por isso foram selecionados para o Pronasci.

- Portanto, a União pode ajudar a governadora.

Se a governadora me trouxer propostas para projetos nessa área, poderá, sim, ser atendida, a partir de janeiro de 2008. Se o governo do Pará desejar, pode inclusive utilizar parte desses para fazer celas especiais de mulheres, com todas as condições para o encarceramento provisório, inclusive no tocante à higiene, à assistência e à proteção da mulher.

- A governadora chegou a lhe telefonar?

Falou comigo. Ela me narrou o fato, se não me engano, na quarta-feira. Depois, me perguntou se esse tipo de questão poderia ser convertido em projetos do Pronasci. Eu disse que sim. Já assinamos inclusive o ‘convênio guarda-chuva’ com o Pará. Nesse convênio, são autorizados investimentos em projetos análogos, desde que tenham o mesmo sentido. Disse que ela poderia apresentar projetos tanto de construção de presídios femininos quanto de reforma de delegacias para adaptá-las para mulheres.

- É de supor, então, que a governadora trará os projetos.

Se ela trouxer, será acolhido. No dia que ela for ao ministério, será recebida. Eu nunca deixo de receber nenhum governador. (leia mais no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 02h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Para ministro, tortura é ‘recorrente’ nas prisões

Para ministro, tortura é ‘recorrente’ nas prisões

- Disse que há outros vícios no sistema prisional. Quais são?

Isso que aconteceu no Pará, lamentavelmente, é mais um fato que decorre das violações de direitos humanos. Essas violações ocorrem de várias formas nas prisões brasileiras. Nosso sistema penitenciário está totalmente falido. Pior do que isso: temos um sistema inquisitorial de polícia que é medieval.

- Por que medieval?

Porque tem como ponto de partida sempre a confissão do acusado, que é uma prova medieval. Ela encaminha todo o processo de investigação a partir do que disse o acusado. E normalmente o que disse o acusado após passar por pressões físicas e psicológicas que norteiam o processo de investigação.

- Deve-se valorizar a prova material em detrimento da testemunhal?

Sim. Quando temos o ponto de partida na confissão do acusado e não numa investigação de inteligência, isso leva a autoridade policial a forçar uma confissão, para resolver o inquérito a partir do que foi declarado pela pessoa.

- Concorda com o relatório da ONU que disse haver nas prisões brasileiros tortura ‘disseminada e sistemática’?

Não é verdadeira a informação de que a tortura nos presídios é sistemática. Isso pode ter acontecido no Brasil há 15, 20, 30 anos atrás. Hoje, pode-se dizer que é recorrente e comum acontecer.

- O que produziu essa mudança?

Depois da Constituição de 88, houve uma reação de diversos governos e de diversos partidos. Essa reação tem, em alguns aspectos, melhorado o sistema prisional.

- Uma Melhoria aquém do desejado, não?

Sim, mas é preciso analisar as razões. Essa melhora não acompanhou o aumento da população carcerária. Então acaba se tornando algo residual.

- Quantos são hoje os presos no país?

Em torno de 400 mil, para uma capacidade que só daria para abrigar metade desse total. Se cumpríssemos todos os mandados de prisão, iríamos, no mínimo, dobrar essa população carcerária.  E mais: dentro desse número de 400 mil presos, que não é preciso, mas é em torno disso, temos muitas pessoas em prisão ilegal, que já deveriam ter sido soltas. Ou seja, temos presos que deveriam que estar soltos e soltos que deveriam estar presos.

- Acha que iniciativas como o Pronasci resolverão o problema das prisões?

Só a médio e longo prazo. Os recursos que a União vai investir têm que ser acompanhados por investimentos dos Estados. Não adianta abrirmos vagas para jovens, retirando-os dos presídios tradicionais, se mantivermos esses presídios tradicionais como fábricas de criminosos. Minha avaliação é de que isso não tem efeito imediato. Mas, a partir do ano que vem, se os governadores apresentarem os projetos, a situação já vai melhorar. Vamos, pelo menos, separar os jovens.

- Hoje, a lei de execuções penais está sendo cumprida?

Não, não. Só é cumprida de maneira muito esparsa. Há inclusive uma metragem quadrada para as celas, previstas em estudos e acordos internacionais, que não é cumprida aqui no Brasil.

- O que dizer da previsão legal de educação e do treinamento profissional dos presos?

Temos avanços em algumas regiões. Alguns deles muito significativos. Mas são insignificantes em relação às nossas necessidades.

- Acha que a sociedade está preocupada com a melhoria das condições carcerárias?

Essa não é uma política que dê prestígio imediato para o governante. O que prevalece na sociedade é a sensação de que criminoso tem que ser morto, tratado como animal. Só que esse senso comum, muito típico de um certo setor da classe média, esquece que isso, em vez de diminuir a violência aumenta. Aumenta a criminalidade e o potencial de agressividade do criminoso. E o Estado se transforma num Estado criminoso. O Estado não pode agir de modo emocional, sob pena de não cumprir as suas funções públicas.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Governo confia Sudam a servidora que já quis punir

Governo confia Sudam a servidora que já quis punir

Depois de investigada 2 vezes, advogada é promovida

Suspensa das funções uma vez, levou União à Justiça

Punida uma 2ª vez, salvou-se da pena pela prescrição

 

  O Grito/Edvard Munch
A sigla Sudam tornou-se sinônimo de bandalheira. Confiada por FHC a apadrinhados de Jader Barbalho (PMDB-PA), ganhou o noticiário como um dos mais notórios ninhos de escândalos da era tucana. Descobriu-se que convivia com malfeitorias contemporâneas e antigas. Juntas, resultaram em desvios estimados em R$ 3 bilhões.

 

Premido pelos fatos, o governo extinguiu a Sudam. Depois, recriou-a. Sobreveio a ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia), rebatizada mais tarde de Nova Sudam. Sob o verniz do “novo”, remanesce o legado do “velho”: um punhado de ações judiciais e cerca de 400 contratos que, por força de lei, precisam ser honrados. Há pelo menos 14 lotes de incentivos fiscais em vias de ser liberados. Coisa de R$ 53,8 milhões.

 

Para que o velho não se misturasse ao “novo”, criou-se no Ministério da Integração Nacional um órgão para cuidar do espólio da Sudam e da Sudene, sua congênere nordestina. Chama-se Departamento de Gestão dos Fundos de Investimento. No último dia 11 de outubro, nomeou-se para gerente regional desse departamento, em Belém (PA), a doutora Cilene de Jesus Neves Jardim. É uma sobrevivente da velha Sudam. Não passou incólume pelo terremoto.

 

Cilene assinou dois pareceres que a levaram a responder a processos administrativos. Depois de perscrutados por comissões disciplinares, os dois documentos foram considerados contrários aos interesses do Estado. Recomendou-se, nos dois casos, que a doutora fosse punida com suspensão de 45 dias. Por que? “Por deixar de exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo e inobservar normas legais e regulamentares.”

 

As duas portarias punitivas foram editadas pela Advocacia da União já sob Lula –em 3 de fevereiro de 2003 e em 6 de janeiro de 2005. Nenhuma delas pôde, porém, ser efetivamente aplicada. A pena de 2003 foi revogada pela Justiça, em decisão ainda passível de recurso. A punição de 2005, embora anotada “nos assentamentos funcionais da servidora”, frustrou-se porque a lentidão do governo levara à prescrição da “pretensão punitiva.”

 

Sobre o que versavam os pareceres de Cilene? Um deles, assinado em co-autoria com outros procuradores, foi usado pela Sudam para fundamentar a liberação de verbas para Paraíso Agroindustrial e Alimentos Ltda., um empreendimento que se revelaria uma arapuca. Na Justiça, Cilene argumentou que o parecer jurídico que leva sua assinatura condicionara o repasse de recursos à averiguação dos aspectos técnicos, econômicos e financeiros do projeto. Uma análise que cabia a outros setores da Sudam realizar, não aos procuradores.

 

A juíza federal Vera Lúcia Machado, de Belém, deu razão a Cilene. Condenou o Estado a pagar R$ 20 mil à servidora, como reparação moral. A sentença é recente. Datada de 27 de julho de 2007, ainda comporta recurso da Advocacia da União. E quanto ao segundo parecer? Neste caso, Cilene autorizara a Sudam a firmar convênio de cooperação técnica com a CTI Amazônia, entidade gerida José Arthur Guedes Tourinho.

 

O mesmo Tourinho que, por indicação de Jader Barbalho, comandava a Sudam. Soterrado por denúncias, Tourinho foi removido do órgão por FHC. Antes, liberara R$ 320 mil para a CTI Amazônia. De um lado do balcão, assinara o contrato como agente público. Do outro, como beneficiário do repasse. Cilene argumentou, também neste episódio, que seu parecer não autorizara a Sudam a entregar dinheiro à CTI Amazônia. Tratara apenas de cooperação técnica. A despeito da defesa, a comissão que apurou o caso recomendou a suspensão da servidora. Pena que não pôde ser aplicada porque há havia decorrido o prazo de prescrição.

 

É certo que, por decisão judicial ou por prescrição, Cilene vem prevalecendo sobre a pretensão do governo de puni-la. É certo também que a Advocacia da União, depois de tentar suspender a servidora, terá agora de recorrer contra a sentença que a fez credora de indenização do Estado. É certo, por último, que o mesmo governo que acusara a doutora de emitir pareceres controversos, agora a promove a chefe regional do departamento que cuida dos abacaxis da velha Sudam.

 

O repórter foi ao ministro Geddel Vieira Lima (Desenvolvimento Nacional), para tentar compreender a lógica que levou à promoção. E ele: “Não estou sabendo disso.” Remeteu o inquiridor a Vitorino Luis Domenech Rodrigues, chefe do Departamento de Gestão dos Fundos de Investimento e responsável direto pela escolha de Cilene. Ele disse que a nomeou por razões administrativas. Quer dar mais “celeridade” à repartição. “O fato de ela ter respondido a um ou a dois processos disciplinares não é impeditivo. É algo a que qualquer um de nós está sujeito”, disse.

 

Vitorino explicou, de resto, que, antes de efetivar a nomeação de Cilene, a pasta do Desenvolvimento Nacional remetera, como de praxe, uma consulta à Casa Civil do Planalto. Deu-se em 1o de outubro. A resposta veio oito dias depois. Sem óbices. Ou seja, a mesma presidência da República que abriga a Advocacia da União –órgão que investigou, tentou punir e agora mede forças com Cilene na Justiça— liberou a promoção funcional da servidora. “Se houvesse algum impeditivo, a Casa Civil não teria liberado”, exime-se Vitorino.

Escrito por Josias de Souza às 19h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Calcanhar da popularidade de Lula é classe média

Orlandeli
 

 

O pobre o governo capturou com o Bolsa Família. O milionário não precisa do governo para desfrutar de sua pobreza de espírito. Resta o brasileiro de classe média. Divido entre o desejo de viver como rico e o pavor de ganhar como pobre, é esse cidadão médio que mais torce o nariz para Lula. Não é por outra razão que a classe média converteu-se em alvo do marketing governamental. Leia-se, a propósito, nota veiculada na seção Radar, da Veja (só assinantes):

 

 

“A classe média continua sendo o calo na popularidade de Lula. As pesquisas que o governo tem em mãos mostram que ela resiste ao discurso lulista. O Planalto não se conforma com a falta de unanimidade. Atribui essa insatisfação a dois fatores. Em primeiro lugar, a classe média ainda não teria se dado conta de que também está ganhando com o crescimento do país. Por isso, as campanhas publicitárias do governo baterão mais e mais nessa tecla. Até aí, o.k. O problema é o suposto segundo motivo para o nariz torcido: segundo assessores graduados de Lula, por puro preconceito a classe média ‘tradicional’ estaria incomodada com a classe média ‘emergente’, surgida neste governo. Isso explica a demagógica frase que Lula disse dias atrás: ‘Toda vez que a gente tenta ajudar os pobres aparece uma ciumeira’.

Escrito por Josias de Souza às 18h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mulher em cela de homem é comum, diz governadora

  Divulgação
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), corre atrás do prejuízo. A repercussão internacional do caso da adolescente detida por quase um mês numa cela em que abrigava 20 marmanjos fez a governadora evoluir do interior do palácio para o meio-fio. Suspeita-se que a adolescente, estuprada no calabouço, esteja grávida.

Espremida por jornalistas, Ana Júlia reconheceu que casos do gênero se repetem no Estado “há algum tempo." Vai abaixo o texto da repórter Sílvia Freire, da Folha (só assinantes). Você também pode ler manifestações da governadora aqui e aqui.

“A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), admitiu ontem que casos como o da adolescente que ficou presa por quase um mês na mesma cela com 20 homens, na cidade de Abaetetuba, ocorrem no Estado ‘há algum tempo’.

 

‘Essa é uma prática lamentável, que, infelizmente, já acontece há algum tempo. Mas é bom tornar tudo isso público, para que toda a sociedade se mobilize e possamos acabar com essas práticas. O sistema de segurança vai investigar com rigor todas as denúncias’, disse a governadora, em nota publicada no site do governo.


Há pelo menos 11 anos o Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC), entidade de defesa dos direitos da mulher, denuncia casos semelhantes no interior do Estado. Em março deste ano, segundo Elisety Maia, coordenadora do MMCC e integrante do Conselho Estadual da Mulher do Pará, ocorreu um outro caso de uma mulher presa na carceragem de Abaetetuba.

 

‘Fizemos um requerimento colocando a situação ao Conselho Estadual da Mulher e apresentamos como solução a construção de uma delegacia da mulher no município e não houve providências’, disse Maia. Em 1996, o movimento denunciou o caso da presa Salma Simas, então com 40 anos, que dividiu uma cela com outros 35 homens durante sete meses.


Simas, presa sob acusação de matar o marido, afirmou na época que foi estuprada diversas vezes na cadeia. Uma primeira sindicância aberta para apurar o caso foi arquivada. A justificativa para colocá-la na cela com os presos foi a mesma dada agora: a falta de cela para mulheres na delegacia. Ela foi inocentada do crime depois.


Eliana Fonseca, representante do MMCC no Conselho Estadual da Mulher do Pará, disse que, nos últimos dez anos, o movimento já denunciou casos semelhantes ao da menina de Abaetetuba ocorridos em Altamira, Tucuruí e até mesmo em Abaetetuba.

 

‘O problema de mulher presa convivendo com homens no Pará não é de agora. Infelizmente teve que acontecer este caso com a adolescente para o problema vir à tona.’ Segundo ela, a participação de mulheres em crimes cresceu nos últimos anos, mas o Estado não ampliou as prisões femininas.


Ontem, em entrevista coletiva, a governadora se disse ‘indignada’ com a prisão da adolescente e afirmou que o Estado vai averiguar com rigor as responsabilidades. Ela disse que irá investigar todos as denúncias que surgirem.

Menina sairá do Estado: Na madrugada de ontem, chegou a Belém do Pará missão da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, ligada à Presidência da República, chefiada pela advogada Márcia Ustra Soares, 42. Missão: retirar a menina e seus pais do Pará e colocá-los no serviço nacional de proteção a testemunhas, longe de potenciais agressores.


A menina fez também um teste de gravidez para constatar se está esperando um filho. É possível que ela tenha engravidado na prisão. Ela disse ter sido estuprada pelos presos no período em que esteve detida.


Resultado do exame da arcada dentária atestou que ela tem em torno de 15 anos. O teste foi feito para tirar a dúvida sobre a idade dela. A delegacia em Abaetetuba informou que, ao ser presa, ela disse ter 19 anos.

Escrito por Josias de Souza às 04h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Com apoio de FHC, PSDB mantém voto contra CPMF

Senadores dizem a Serra e Aécio que não voltam atrás

Sérgio Lima/Folha

 

Longe dos olhos da imprensa, numa residência de Brasília, reuniram-se na última quinta-feira (22) as principais lideranças do PSDB. Deliberaram, em termos finais, sobre a posição a ser tomada pelo partido na votação da CPMF. Solidificou-se no encontro a decisão de votar contra a emenda que prorroga o imposto do cheque até 2011.

 

Estavam presentes Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves, Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio. Deve-se a FHC, sob cuja gestão criou-se a CPMF, a mais eloqüente intervenção contra a renovação da contribuição. Disse, sem meias palavras, que convém ao PSDB ajudar a derrubar o tributo.

 

Para FHC, sem os R$ 40 bilhões proporcionados pela coleta da CPMF, Lula será compelido, finalmente, a conter os gastos correntes de seu governo e a fazer uma autêntica reforma tributária. Disse estar convencido de que o fim do tributo pode levar a uma melhoria do “perfil da economia” brasileira.

 

Os governadores Serra (São Paulo) e Aécio (Minas) mostraram-se receosos de que a queda repentina da CPMF termine por prejudicar os Estados. Um deles mostrou-se especialmente preocupado com a hipótese de a União diminuir os repasses de verbas paraa  área da saúde. Os senadores ponderaram que, a essa altura, uma meia-volta na posição anti-CPMF os levaria -e junto com eles todo o partido- à desmoralização.

 

Ao final da discussão, a opinião de FHC e dos senadores prevaleceu sobre a dos governadores. Na próxima terça-feira, haverá uma mega-reunião entre as bancadas do PSDB (13 senadores) e do DEM (14). No encontro, pretende-se aferir a confiabilidade do voto de cada um. No que diz respeito ao tucanato, a cúpula tenciona produzir uma unanimidade contrária à CPMF.

 

Um dos senadores presentes ao encontro de grão-tucanos disse a Serra e Aécio que o governo esquivou-se de atender minimamente às reivindicações formuladas pelo partido. Afirmou que Lula, representado na frustrada negociação pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), não topou fixar em lei um redutor anual para os gastos públicos –0,2% por ano, segundo a proposta que o PSDB levara à mesa.

 

O mesmo senador lembrou que Mantega saiu-se com uma "esperteza". Contrapropôs limitar a redução dos gastos à folha de pagamento da União. Aceitar essa idéia significaria, segundo o argumento exposto na reunião tucana, indispor o PSDB com os servidores públicos. De resto, o governo não ofereceu uma desoneração tributária que pudesse ser esgrimida pelo PSDB como uma conquista capaz de justificar a posição anti-CPMF.

 

Por último, lembrou-se que tampouco os pedidos específicos de Serra e Aécio –a redução da carga de tributos imposta às empresas estaduais de saneamento, por exemplo—mereceram uma resposta positiva de Mantega. Nesse cenário, o apoio da bancada de senadores tucanos à emenda da CPMF soaria a capitulação. Algo indefensável, na visão dos senadores.

 

Ao final da reunião, restou a impressão de que não há mais espaço para que os governadores tucanos convençam os senadores a voltar atrás. Na mesma quinta-feira, Serra reuniu-se com o ministro José Gomes Temporão (Saúde). Ouviu dele observações que revelam um grande receio de que o fim da CPMF desorganize o já combalido orçamento de sua pasta.

 

Na véspera, um outro governador tucano, Cássio Cunha Lima (Paraíba), reunira-se com Lula. O presidente prometeu-lhe verbas do PAC. E pediu ajuda na guerra da CPMF. A também tucana Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul, estivera com Mantega, na Fazenda. Com o caixa em petição de miséria, sem dinheiro nem para o 13º do funcionalismo estadual, Yeda obteve do ministro o compromisso de prover auxílio federal -parte em dinheiro, parte na forma de aval para um empréstimo internacional.

 

Embora simpática à posição de Lula em relação à CPMF, Yeda soou irritada a colegas de legenda. Desfilou inconformismo pelos bastidores do 3º Congresso do PSDB. Disse que, em Brasília, o governo petista, às voltas com sucessivos recordes de arrecadação, quer manter a CPMF. Mas no seu Estado, onde a coleta de tributos é incompatível com as necessidades mínimas da administração, o PT deu de ombros para as suas tentativas de obter na Assembléia gaúcha a melhoria da coleta de tributos.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Atraso faz o Rio pagar mais pelo reveillon

- Folha: Procurador pede investigação sobre secretário de Aécio

- Estadão: Cai número de alunos da rede pública na Fuvest

- Globo: Calote de microempresa derruba o lucro da Caixa

- Gazeta Mercantil: Betim terá a maior fábrica de automóvel

- Correio: Ensino no DF melhora, mas está longe do ideal

- Valor: Governo prepara MP para evitar um 'apagão postal'

- Jornal do Commercio: Planos de saúde vão cobrir mais serviços

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corpo-a-corpo!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Petista sujo festeja chegada do tucano mal lavado

A grande, a maravilhosa, a perfeita solidão exige a companhia ideal. Veja-se o caso do PT. Quando Lula abriu os salões do governo, a festa bombou. Casa cheia, gente saindo pelo ladrão, bateu no PT uma tremenda solidão. Ao cair em si, perambulara de colo em colo. Sentara nas coxas de Borbas, dera a mão a Valdemares. Esfregara-se em Janenes, roçara em outros azares. Provara-se, enfim, capaz de todas as abjeções. Mas não parecia confortável em sua solidão rodeada de más companhias.

 

Súbito, o Ministério Público empurrou para os arredores do PT um vizinho ansiado: o PSDB. Ah, glória suprema! Para um petista enrolado, a melhor forma de solidão é a companhia de um tucano encalacrado. De preferência um tucano como esse de agora, moído pela procuradoria da República, com o pé-direito da alta estima convenientemente rebaixado .

 

PT e PSDB encontraram-se na curva que leva ao fim da virtude. Antes trancado em seus rancores, Ricardo Berzoini (PT-SP) abriu as janelas da alma. A caminho do deserto da superioridade moral, achegou-se do neo-companheiro: “Eu creio que não há mais razão para que o PSDB possa ter qualquer aspiração a ser o paladino da ética", festejou.

 

Presidente do PT, na bica de renovar seu 'mandachuvinato', Berzoini, prenhe de humildade, exaltou as credenciais do grão-tucano Eduardo Azeredo. E o fez com prazenteira admiração: É “um importante governador do PSDB, que hoje é senador, e já foi presidente do partido." Oh, comunhão inaudita!

 

Sempre que dois seres humanos se identificam assim, de maneira tão profunda, precisam estar admiravelmente sós. Devem ser tratados como se formassem a primeira, a única, a última parelha da Terra.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bachelet diz na TV que está indignada com Chávez

  Alan Marques/Folha
A América Latina vive uma quadra curiosa. Os presidentes reúnem-se com freqüência. Vivem trocando telefonemas. Aqui e ali, firmam-se acordos bilaterais. Há uma aparente união de propósitos. Mas é um tipo muito especial de união. A União que faz a farsa.

Nesta sexta-feira (23), a presidente do Chile, Michelle Bachalet, fez críticas acerbas ao colega venezuelano Hugo Chavez. Primeiro, criticou-o por meter o bedelho onde não é chamado. Referia-se ao apoio que Chávez dera a Evo Morales, da  Bolívia, em suas pretensões de obter uma saída para o Pacífico.

 

As portas do oceano Pacífico foram fechadas para a Bolívia há mais de um século, depois de uma guerra que envolveu três povos: os chilenos, os bolivianos e os peruanos. Trata-se, na opinião de Bachelet, de um problema bilateral, que não diz respeito a Chávez.

 

Mas o que mais deixou irritada a mandatária chilena foi a posição esgrimida por Chávez na última reunião da Opep, a entidade que congrega os maiores produtores de petróleo do planeta. Em conversa com Chávez, Bachelet pedira que defendesse no encontro um acordo que levasse à queda nos preços do óleo, artificialmente elevados.

 

Chávez pareceu concordar com Bachelet. Porém, diante dos parceiros da Opep, fez exatamente o contrário do que lhe havia sido pedido. “Pedi para [ele] levar a voz dos latino-americanos (à reunião da Opep) e dizer que se havia de baixar os preços... quando leio na imprensa que ele contrariou, explicou que era um preço justo e que havia de subir mais", queixou-se Bachelet.

 

A contrariedade de Bachelet vem à tona no vácuo de decisão tomada na véspera pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. O governo colombiano investira Chávez na condição de mediador oficial de um acordo com os guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

 

Súbito, expansivo a mais não poder, Chávez pôs-se a telefonar diretamente para os comandantes militares colombianos. E Uribe, como que sentindo que a autoridade escapava-lhe por entre os dedos, tratou de desconstituir a mediação de Chávez, que lamentou.

 

No Congresso brasileiro, a proposta de inclusão da Venezuela no Mercosul avança celeremente. Já passou por duas comissões da Câmara. Está pronta para ser levada ao plenário. Depois, vai ao Senado. Imagine-se quão conciliatória será a participação do compañero Chávez nas futuras reuniões do Mercosul.

Escrito por Josias de Souza às 17h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ONU: ‘Tortura é sistemática nas prisões do Brasil’

  Getty Images
Em 2002, a ONG ACAT (Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura) enviou à ONU um maço de documentos. Continham dados sobre um flagelo brasileiro: a prática da tortura nos presídios. Munida das informações, a ONU pediu autorização para enviar um grupo de especialistas ao Brasil.

 

O pedido foi feito ainda em 2002, último ano de FHC. Enrola daqui embroma dali, só em 2005, já sob Lula, o governo brasileiro autorizou o ingresso dos técnicos da ONU nas cadeias do país. Entre 13 e 29 de julho de 2005, visitaram-se 28 calabouços em São Paulo, no Rio, na Bahia, em Minas e no Distrito Federal.

 

Nesta sexta-feira (23), passados dois meses e quatro meses da visita, a ONU divulgou um relatório com as conclusões de seus peritos. Chegaram a algo que Nelson Rodrigues chamaria de óbvio ululante: “Dezenas de milhares de pessoas são ainda mantidas em delegacias e em outros locais no sistema prisional onde a tortura e maus-tratos similares continuam a ‘ocorrer de forma disseminada e sistemática’.”

 

Em meio a tantos e tão reiterados absurdos, o brasileiro se espanta cada vez menos. Convertemo-nos numa sociedade de poucos, muito poucos, pouquíssimos espantos. Nessa matéria, aliás, não seria de espantar se, consultado em plebiscito, o brasileiro dissesse, de fronte alta, que é a favor da tortura de presos.

 

Não é sem motivo que ecoa no noticiário o caso da jovem que, presa por furto, foi recolhida a uma cela paraense junto com duas dezenas de marmanjos. O brasileiros precisa recuperar o hábito do ponto de exclamação.

Escrito por Josias de Souza às 16h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Asas de Azeredo não são as mesmas, mas o apetite...

Sérgio Lima/Folha
 

 

A denúncia do ‘tucanoduto’ podou as asas do tucano Eduardo Azeredo (MG). Mas não lhe roubou o apetite. Durante o dia, o senador esquivou-se de dar as caras no 3º Congresso do PSDB, aberto nesta quinta-feira (22), sob constrangimentos, em Brasília. À noite, porém, não hesitou em comparecer ao jantar oferecido ao tucanato pelo deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO). Sorridente, Azeredo serviu-se de generosos nacos de churrasco. Comida quase tão pesada quanto os termos da peça do procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Não deve ter dormido bem o senador.

Escrito por Josias de Souza às 03h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Mensalão tucano derruba ministro do governo Lula

- Folha: Procurador denuncia esquema de corrupção do PSDB; Walfrido cai

- Estadão: Denúncia de mensalão tucano derruba ministro de Lula

- Globo: Mensalão tucano de Minas derruba ministro de Lula

- Gazeta Mercantil: Betim terá a maior fábrica de automóvel

- Correio: Denúncia de Caixa 2 derruba Mares Guia

- Valor: Governo prepara MP para evitar um 'apagão postal'

- Estado de Minas: Walfrido se afasta após a denúncia de caixa 2

- Jornal do Commercio: Guerra à dengue

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Negociantes!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Procuradoria fará nova denúncia sobre tucanoduto

Segunda leva inclui vários empresários e ex-juiz

Envolve ainda Duda, Zilmar e gestores do Rural

 

  Folha
O trabalho do Ministério Público no caso do tucanoduto não se esgotou com a denúncia já protocolada no STF. O procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza encomendou à sua equipe a preparação de providências contra outros envolvidos no escândalo. É possível que o trabalho resulte em mais de uma nova denúncia.

 

Prevê-se que o grosso do trabalho adicional será feito pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais. Antonio Fernando já remeteu para a procuradoria mineira documentos que considera úteis para o desdobramento das apurações. Envolvem pessoas que, sem mandato eletivo ou funções ministeriais, não dispõe da chamada prerrogativa de foro.

 

Significa dizer que não precisam ser processados no STF. As novas denúncias podem ser ajuizadas na primeira instância do Judiciário. Entre os implicados estão o publicitário Duda Mendonça e a sócia dele, Zilmar Fernandes. Embora mencionada na denúncia já formalizada contra Eduardo Azeredo, Walfrido dos Mares Guia e outros 13 personagens, Duda e Zilmar não constaram do rol de acusados.

 

A exemplo do que ocorreu no caso do mensalão petista, a agência de Duda foi contratada para prestar serviços à campanha de Azeredo, em 1998. Contrato no valor de R$ 4,5 milhões. Mas só R$ 750 mil foram lançados na escrituração oficial da campanha. O resto transitou por baixo da mesa. O dinheiro proveio do esquema fraudulento montado por Marcos Valério e seus sócios.

 

Antonio Fernando de Souza deseja levar aos tribunais também os gestores do Banco Rural, instituição financeira já encrencada no mensalão do PT. Acusa-os de conceder "empréstimos fictícios" a empresas de Marcos Valério, para irrigar as arcas eleitorais da coligação de Eduardo Azeredo. Empréstimos liquidados com recursos desviados de empresas públicas mineiras e obtidos de empresas privadas com interesses junto ao governo do Estado.

 

O procurador-geral encomendou também o detalhamento das investigações em relação a essas empresas privadas que injetaram verbas nas arcas tucanas de Minas. Nesse ponto, as investigações vão alcançar a Samos Participações Ltda., firma na qual Walfrido dos Mares Guia detém 99% do capital. Emprestou R$ 507.134, para pagar dívida de campanha reclamada pelo ex-tesoureiro de Eduardo Azeredo, Cláudio Mourão.

 

O dinheiro foi obtido pela Samos por meio de empréstimo contraído em 26 de setembro de 2002 no Banco Rural. Operação avalizada pelo próprio Mares Guia e por Azeredo. O ex-coordenador político de Lula jamais reclamou a devolução do numerário. O dinheiro que foi entregue ao ex-tesoureiro, segundo o Ministério Público, como parte de uma “operação abafa.” Funcionou como uma espécie de cala boca, já que Mourão ameaçava “revelar as operações delituosas ocorridas em 1998”.

 

Por último, o procurador-geral quer que continuem a ser esmiuçados os repasses monetários feitos ao ex-juiz eleitoral Rogério Lanza Tolentino e à mulher dele, Vera Maria Soares Tolentino. A dupla recebeu, entre agosto e outubro de 1998, cinco pagamentos da coordenação financeira da campanha de Azeredo. Somaram R$ 302.350. Vieram, de acordo com o Ministério Público, do bolo de R$ 3,5 milhões desviados de empresas públicas mineiras.

 

Na época dos repasses, Rogério Tolentino era juiz eleitoral. Suspeita-se que, nessa condição, tenta votado a favor de Azeredo em processos que envolviam o candidato. O caso foi noticiado pela Folha em 30 de setembro de 2007. Ouvido na ocasião pelo repórter Frederico Vasconcelos, o ex-juiz disse que atuara como "advogado da agência SMPB, de Marcos Valério, entre 1988 e 2005." Daí os repasses, que seria meros pagamentos de honorários. Parte do dinheiro foi parar na conta da mulher, segundo ele, "por mera comodidade ou para evitar a cobrança de CPMF".

Escrito por Josias de Souza às 02h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PAC de Lula recebe,em Brasília,estímulo inusitado

PAC de Lula recebe,em Brasília,estímulo inusitado

Lula Marques/Folha
 

 

O Orçamento da União de 2007 reservou R$ 16,9 bilhões para as obras do PAC. Desse total, só 50% foi empenhado. E apenas R$ 2 bilhões foram efetivamente desembolsados. Somando-se a esse valor outros R$ 2 bilhões herdados do ano anterior, na rubrica de “restos a pagar”, os desembolsos totais de 2007, em pleno mês de novembro, não passam de R$ 4 bilhões. Ou seja, o PAC vem se revelando, por assim dizer, impotente.

 

É nesse contexto que uma rede de motéis de Brasília saiu em socorro de Lula. Ou quase isso: “Ajude o presidente, faça um PAC com a gente”, anota a mensagem do outdoor. A julgar pelo estímulo exposto ao lado do texto, o programa paralelo deve exibir, sob os lençóis, um crescimento mais vigoroso do que o oficial.

Escrito por Josias de Souza às 22h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Denúncia do tucanoduto encrenca barão do patronato

O nome dele é Clésio Andrade. Preside uma das mais poderosas casas do sindicalismo patronal: a CNT (Confederação Nacional dos transportes). Em 1998, foi à chapa do tucano Eduardo Azeredo como candidato a vice-governador de Minas. Indicou-o o PFL, hoje rebatizado de DEM. Segundo a denúncia do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, as digitais de Clésio Andrade estão impressas no tucanoduto desde os primórdios do “esquema criminoso.”

 

O procurador-geral anota em sua peça que, “no início do ano de 1996, as empresas [de publicidade] comandadas por Cristiano Paz e Ramon Hollerbach encontravam-se em dificuldades financeiras.” Os dois empresários incumbiram Marcos Valério [sempre ele] de encontrar um novo sócio para uma das firmas, a SMP&B, a mesma que, em 2005, estrelaria o escândalo do mensalão petista.

 

Valério jamais aturara no ramo publicitário. “Era um especialista na área financeira.” Segundo o Ministério Público, ajudou Cristiano Paz e Ramon Hollerbach a estruturar “uma empresa que, sob o manto formal de atuação na área de comunicação e publicidade, representava de fato uma empresa voltada principalmente para o ramo de lavagem de ativos financeiros. Essa atividade criminosa era desenvolvida em consórcio com instituições financeiras, notadamente o Banco Rural”.

 

Ainda de acordo com o procurador-geral, “identificou Clésio Andrade como o sócio perfeito.” Por que? “Empresário bem sucedido e com vários contatos políticos, especialmente no Estado de Minas Gerais, ele teria condições de alavancar os negócios de Cristiano Paz e Ramon Hollerbach”.

 

De início, Clésio torceu o nariz pra a sociedade proposta por Valério. O passivo da SMP&B “era enorme”. No curso das negociações, encontrou-se, porém, uma saída: decidiu-se criar uma nova empresa, a SMP&B Comunicação Ltda, “livre das dívidas da SMP&B Publicidade Ltda”. Clésio exigiu que Valério também participasse como sócio da nova empreitada.

 

Diz Antonio Fernando em sua denúncia: “Assim, tem início a parceria que resultaria, já em 1998, no desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões dos cofres públicos do Estado de Minas Gerais para a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, tendo como candidato a vice Clésio Andrade, e, anos mais tarde, nos fatos descritos na denúncia oferecida no inquérito n.º 2245”, o caso da quadrilha dos 40 do mensalão petista.

 

Clésio Andrade passou a figurar como sócio da nova SMP&B por meio da C.S. Andrade Participações (40%). Valério ingressou na sociedade com 10%. Ouvido no curso das investigações, Clésio Andrade disse que não tinha participação na gestão da empresa publicitária. Lorota. De acordo com o procurador-geral, um diretor da empresa do acusado participava diretamente da administração da agência.

 

Decorridos cerca de dois anos do ingresso de Clésio Andrade e Marcos Valério na SMP&B, “inicia-se a montagem do esquema que viabilizou o criminoso financiamento da campanha eleitoral” da chapa Azeredo/Clésio. Um esquema que, segundo o procurador-geral, funcionou assim:

 

1) desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais;

 

2) repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita arquitetada por Clésio Andrade, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, em conjunto com o Banco Rural;

 

3) utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro operados por Clésio Andrade, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, em conjunto com o Banco Rural, para garantir uma aparência de legalidade às operações referidas anteriormente, inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos.

 

À frente da CNT, Clésio Andrade costuma fustigar o governo. No início deste mês de novembro, baseando-se em dados coletados por sua confederação, ele reclamou da má conservação das rodovias: “Não se pode construir um país da magnitude do Brasil apenas com postos de pedágios, sem fortes investimentos públicos no aprimoramento das condições das rodovias federais”, escreveu, num texto veiculado no portal da CNT.

Cabe a pergunta: como construir um país em meio a esquemas que desviam dinheiro público para arcas espúrias de campanhas eleitorais?

Escrito por Josias de Souza às 20h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Com Mares Guia, Lula surfa a segunda onda aloprada

  Ueslei Marcelino/Folha
Depois de lidar com os seus próprios aloprados, Lula vê-se agora às voltas com o um aloprado nascido em seara alheia. O nome de Walfrido dos Mares Guia é mencionado na denúncia do tucanoduto 51 vezes. Está atolado do dedo mínimo do pé até a cabeleira. Sua participação nas perversões do PSDB mineiro é, segundo o procurador-geral Antonio Fernando de Souza, “comprovada”. Uma avaliação "injusta", diz o acusado

 

Com o insustentável a pesar-lhe sobre os ombros, o coordenador político de Lula fez o inevitável: pediu ao chefe para sair. E Lula optou pelo incontornável: aceitou o pedido do auxiliar. O presidente deve a Mares Guia um agradecimento.

 

A pressa do ministro livra Lula e o governo do contágio. Parece pouco. Mas é muita coisa. Desnecessário recordar que gente como o petista José Dirceu, o “chefe da quadrilha” dos 40, não teve a mesma preocupação. Dirceu manteve-se grudado na Casa Civil até o repto de Roberto Jefferson (PTB-RJ): “Sai daí rápido, Zé...”

 

Normalmente lento, Lula imitou Mares Guia. Submetido à evidência de que a coordenação política do governo não pode ficar acéfala num instante em que a CPMF corre riscos no Senado, o presidente agiu, também ele, com rapidez inaudita. Indicou para a vaga o deputado José Múcio (PE), do mesmo PTB de Mares Guia (aqui e aqui).

 

Múcio chega ao Planalto em hora acerba. Nesta quinta-feira (22), a bancada do partido dele desligou-se do bloco governista no Senado. Os senadores do PTB mantêm-se no consórcio governista, mas já não aceitam a submissão à líder do bloco, a petista Ideli Sanvatti (SC). Trata-se de uma reação tardia à decisão de Ideli de arrancar da comissão de Justiça do Senado Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), um adversário da CPMF.

 

O Mares Guia das páginas da denúncia de Antonio Fernando de Souza é um personagem bem diferente do Mares Guia que freqüentava a cena política de Brasília como figura inatacável. Diz o procurador-geral, que, em conjunto com o tucano Eduardo Azeredo e outros malfeitores, Mares Guia delineou “o modo de atuação que seria empregado para viabilizar a retirada criminosa de recursos públicos da Copasa, Comig e Bemge”.

 

Vice-governador de Azeredo, Mares Guia foi à campanha de 1998, diz a denúncia, na condição de candidato a deputado federal e “coordenador geral” da chapa da coligação encabeçada por Azeredo. Diz o procurador-geral: “Foi ele, por exemplo, que formulou, ainda no início da campanha, o esboço contendo a estimativa de recursos que o processo eleitoral necessitaria. Recursos, diga-se de passagem, que foram supridos pelo esquema criminoso” urdido por Marcos Valério e seus sócios.

 

Era Mares Guia também, segundo a denúncia do Ministério Público, “um dos responsáveis por indicar as pessoas que receberiam os recursos da campanha, fruto dos crimes.” Como se fosse pouco, a peça do procurador-geral detalha a participação do agora ex-ministro numa operação financeira curiosa, muito curiosa, curiosíssima. Algo a que Mares Guia só se sujeitou porque, segundo a denúncia, “sabia da captação ilícita de recursos e concorreu para a engrenagem ilícita de financiamento” da campanha.

 

Deu-se o seguinte: Mares Guia negociou a contratação dos bons préstimos de Duda Mendonça (sempre ele) para a campanha de Azeredo. O contrato era de R$ 4,5 milhões. Mas desceu à escrituração da campanha como R$ 750 mil. Quitou-se a fatura publicitária com “numerário injetado criminosamente [na campanha] pelos mecanismos profissionais operados por Marcos Valério” e seus sócios.

 

Mais tarde, Cláudio Mourão, que atuara na campanha mineira como uma espécie de Delúbio Soares de Eduardo Azeredo, cobrou do candidato, já derrotado, o ressarcimento de despesas da campanha. “Atender à demanda de Cláudio Mourão significava impedir qualquer tipo de publicidade para os crimes perpetrados em 1998”, anota a denúncia do procurador.

 

Recorreu-se, de novo, a Marcos Valério (sempre ele), que repassou a Mourão R$ 750 mil. Depois, Valério foi parcialmente ressarcido por meio de um depósito de R$ 507 mil. Dinheiro que não caiu do céu. Veio da “empresa Samos Participações Ltda, cujo sócio majoritário, com 99% do capital, é Walfrido dos Mares Guia.”

 

A empresa de Mares Guia obteve os R$ 507 mil repassados a Marcos Valério por meio de um empréstimo. Foi contraído, em 26 de setembro de 2002, numa casa bancária conhecida: o velho e bom Banco Rural (sempre ele). A operação teve como avalistas o próprio Mares Guia e Eduardo Azeredo. Como se vê, o ex-auxiliar de Lula terá muito a explicar ao STF. Fez bem, muito bem em deixar o governo. A encrenca, por cabeluda, exige dedicação em tempo integral.

Escrito por Josias de Souza às 19h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Denúncia do procurador dobra o bico dos tucanos

  José Cruz/ABr
Nem FHC nem Serra nem Aécio. A grande estrela do 3o Congresso do PSDB é o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. A denúncia do tucanoduto trovejou sobre a festa do PSDB num instante em que o partido preparava-se para pôr o bico no trombone.

 

Planejara-se, por exemplo, demarcar as “diferenças” entre o PSDB e o PT na seara ética. Em documentos preparatórios, o PSDB mencionara a corrupção da era petista como parte da “herança nefasta” que será deixada por Lula. O procurador-geral tratou de chamar o feito à ordem, como dizem os advogados.

 

O grande protagonista da denúncia do Ministério Público (íntegra aqui) é o senador Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas e ex-presidente nacional do PSDB. Antonio Fernando acusa-o de ter constituído um pé-de-meia eleitoral espúrio na campanha de 1998, quando tentava reeleger-se governador mineiro. Algo que o denunciado nega.

 

O procurador-geral, bem a seu estilo, vale-se de vocábulos fortes, inequívocos. Refere-se às arcas de Azeredo como “esquema criminoso” de financiamento de campanha eleitoral. O envolvimento do senador é, na expressão de Antonio Fernando, “comprovado”. Diz que a verba espúria teve três origens:

 

1) “Desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais”;

 

2) “Repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita” arquitetada, entre outros, por Marcos Valério;

 

3) “Utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro”, operados, entre outros, por Valério e seus sócios, “em conjunto com o Banco Rural [sempre ele], para garantir uma aparência de legalidade às operações [...], inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos”.

 

Logo que o tucanoduto ganhou o noticiário, em 2005, nas pegadas das denúncias sobre o mensalão do governo petista, o PSDB alegara que uma coisa era uma coisa e outra coisa era outra coisa. Segundo o grão-tucanato, Azeredo fizera caixa dois, enquanto que Lula e o PT haviam desviado verbas públicas.

 

Noves fora o fato de que caixa dois também é crime, Antonio Fernando tratou de demonstrar que a coisa foi muito além. Nem menciona o problema das arcas paralelas. Trata de crimes como peculato e lavagem de dinheiro.

 

Demonstra, de resto, que foram borrifadas na contabilidade eleitoral de Azeredo pelo menos R$ 3,5 milhões em verbas públicas. O procurador distribuiu assim a tunga: R$ 1,5 milhão da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais); R$ 1,5 milhão da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais); e R$ 500 mil do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais).

 

Datada de terça-feira (20), a denúncia de Antonio Fernando foi protocolada no STF na quarta (21). E, para desassossego do PSDB, veio a público nesta quinta (22), mesmo dia em que o partido inicia o seu 3o Congresso. O tucanato paga com atraso a fatura de sua própria leniência. Dispensou a Azeredo um tratamento semelhante ao dispensado por Lula aos seus aloprados. Passou-lhe a mão sobre a cabeça e esquivou-se de puni-lo. Difícil ostentar agora o discurso da diferença ética.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dividido, PSDB discute seu futuro em congresso

El Roto/El Pais
 

 

Começa nesta quinta (22), em Brasília, o 3º Congresso do PSDB. Constam da pauta a reciclagem do programa da legenda e a renovação de sua direção nacional. O pano de fundo do encontro é a disputa entre José Serra e Aécio Neves pela vaga de candidato tucano à corrida presidencial de 2010. Vai abaixo um elucidativo texto dos repórteres Sílvio Navarro e José Alberto Bombig, da Folha (só assinantes):

 

 

“Após duas derrotas consecutivas na disputa pela Presidência, o PSDB inicia hoje um congresso para reformular suas diretrizes partidárias em meio a contradições com antigas bandeiras, dívida milionária na praça e uma queda-de-braço entre os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) que deve se estender até 2010.

O 3º Congresso do PSDB, que será seguido pela 9ª Convenção Nacional da sigla, em Brasília, acaba amanhã com a eleição do senador Sérgio Guerra (PE) para suceder Tasso Jereissati (CE) na presidência. Sua gestão vai durar dois anos, nos quais será definido o processo de escolha do candidato ao Planalto.

A três anos da eleição, já se fala abertamente no partido que o embate acabará em prévias: ‘Deixei a solução apontada: vamos fazer primárias’, disse Tasso. A tendência é que a tese das prévias seja testada em 2008 em João Pessoa (PB). ‘O partido não pode ter constrangimento com isso, não pode ter receio nem tratar com dedos. Se não houver composição vamos às prévias e ponto’, disse o deputado Gustavo Fruet (PR), escolhido por Guerra para ser seu vice imediato no partido.

Nesse cenário de ‘bomba-relógio’, a escolha de Sérgio Guerra foi estratégica. De perfil conciliador, mantém boa relação com os dois governadores, mas não é considerado alinhado a nenhum deles. Foi coordenador da campanha de Geraldo Alckmin (SP) em 2006. "O Sérgio não tem identidade nem com Serra nem com Aécio e ele constrói diálogo porque não tem um projeto pessoal nacional", avaliou Fruet.

A divisão dos cargos no partido foi marcada por disputas entre Serra e Aécio. Com o apoio da ala "serrista", o ex-prefeito de Vitória (ES) Luiz Paulo Vellozo Lucas ganhou a disputa ontem com o deputado federal Paulo Renato (SP) pela presidência do Instituto Teotônio Vilela. Em retaliação, Paulo Renato descartou assumir qualquer cargo na Executiva: ‘Tenho que aceitar a decisão, mas não aceito os métodos. Não se pode desrespeitar assim’.

Houve briga para diversos postos, da secretaria-geral, que ficará com o ‘afilhado político’ de Aécio, deputado Rodrigo Castro (MG), à Secretaria de Juventude, que ficará com Bruno Covas (SP). No caso desse último, a disputa foi acirrada com o indicado de Aécio, Geovani Pereira (MG), e um nome da cota do senador Marconi Perilo (GO), Leonardo de Souza.

Quem assume um posto espinhoso é o deputado Márcio Fortes (RJ), que herdará a tesouraria com uma dívida de cerca de R$ 20 milhões deixada só pela campanha de Alckmin.

A nova direção lidará com uma lista de conflitos sobre antigas bandeiras, como a reeleição, a CPMF e as privatizações de Fernando Henrique Cardoso. Criada quando FHC era ministro da Fazenda e recriada em sua primeira gestão na Presidência, a CPMF hoje é criticada pelos tucanos. A emenda que permitiu a reeleição passou no governo FHC e, hoje, a maioria do partido defende sua extinção com a ampliação do mandato para cinco anos.

No caso das privatizações, o manifesto do partido fala em defendê-las como legado, mas o tema é problemático especialmente na bancada da Câmara. Na eleição, o discurso de que o PSDB privatizaria o Banco do Brasil e a Petrobras atingiu em cheio Geraldo Alckmin.

Tucanos avaliam que haverá novo racha na escolha do novo líder da bancada na Câmara. O deputado José Aníbal (SP) pleiteia o posto, mas, apesar de ter se reaproximado de Serra, não é homem de sua confiança.

Escrito por Josias de Souza às 03h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição cogita agora apressar a votação da CPMF

DEM fez as contas e diz ter votos para derrotar governo

Antes de mudar tática, PSDB quer checagem dos dados

Estratégia será definida em reunião marcada para terça

 

  José Cruz/ABr
Em reuniões sigilosas realizadas nos três primeiros dias da semana, a cúpula do DEM elaborou uma planilha com os nomes dos senadores que se dispõem a votar contra a prorrogação da CPMF. Foram à folha de papel 35 nomes, dois além do necessário para derrotar o governo. A lista inclui 13 tucanos, 14 ‘demos’, um senador do PSOL e sete filiados a legendas do consórcio governista.

 

Na noite desta quarta-feira (21), os líderes José Agripino Maia (RN), do DEM; e Arthur Virgílio (AM), do PSDB, encontraram-se em segredo. Passaram os nomes em revista. A portas fechadas, Agripino defendeu enfaticamente uma reviravolta na estratégia da oposição. Em vez de obstruir o trabalho legislativo, a oposição agiria para apressar a votação da CPMF, surpreendendo o Planalto.

 

Virgílio, mais comedido, disse que não é hora de precipitações. Argumenta que o governo, com os cofres abertos e a caneta cheia, tem um poder de sedução que não pode ser desprezado. Condicionou a mudança de tática a um tête-à-tête individual com cada nome inserido na planilha anti-CPMF. Agripino concordou. E sugeriu que a checagem comece pelos 27 integrantes de suas próprias bancadas.

 

Decidiu-se realizar na terça-feira (27) da semana que vem uma mega-reunião com os 14 senadores do DEM e os 13 do PSDB. Os dois líderes exigirão dos liderados o compromisso de registrar “não” à CPMF no painel eletrônico do Senado. Em reserva, o tucanato põe em dúvida pelo menos dois votos do DEM: Jayme Campos (MT) e Jonas Pinheiro (MT). A tribo ‘demo’, por sua vez, olha de esguelha para um par de votos do PSDB: Lúcia Vânia (GO) e Eduardo Azeredo (MG).

 

Agripino e Virgílio asseguraram um ao outro que não haverá defecções em suas respectivas bancadas. Daí a decisão de colocar os senadores frente a frente. Na votação da CPMF, o voto será aberto. Imagina-se que, uma vez assumido o compromisso, não haverá mais espaço para recuos ou tergiversações. Sob pena de desmoralização do eventual traidor.

 

Ratificada a unidade do PSDB e do DEM, Agripino e Virgílio se incumbiriam de checar a confiabilidade dos demais oito votos que integram a planilha. O repórter descobriu o nome de sete deles: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Pedro Simon (PMDB-RS), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), José Neri (PSOL-PA), César Borges (PR-BA) e Expedito Junior (PR-RO). Não há, nem da parte de Virgílio nem de Agripino, dúvidas quanto à firmeza dos cinco primeiros. Quanto aos outros, deliberou-se que é preciso submetê-los ao crivo de uma última e definitiva conversa.

 

Para aprovar a CPMF, o governo precisa obter, num universo de 81 senadores, pelo menos 49 votos. Se a oposição tiver mesmo os 35 votos que imagina, o Planalto disporia apenas 46, três a menos do que necessita. Por isso os líderes oposicionistas passaram a considerar a hipótese de apressar o jogo. Pretende-se chegar a uma decisão final até o final da próxima semana. Enquanto deliberam, PSDB e DEM manterão a operação padrão que vêm impondo ao Senado.

 

Curiosamente, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, antes apressado, começa a emitir sinais de que precisa de mais tempo. Privadamente, admite que o governo, de fato, ainda não dispõe de votos para prevalecer no plenário. Nesta quarta-feira (21), Jucá jogou no ar a tese da convocação extraordinária do Congresso. Em condições normais, o Senado entraria em recesso depois de 20 de dezembro. Se vier a convocação, a atividade legislativa se estenderia até o último dia do ano.

 

Para complicar a missão de Jucá, há pelo menos mais cinco governistas que, por razões diversas, ameaçam votar contra a CPMF: Romeu Tuma (PTB-SP), Geraldo mesquita (PMDB-AC), Osmar Dias (PDT-PR), Jefferson Peres (PDT-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF). Na dúvida, a oposição evita contabilizar mais esses votos. Se vierem, vão à coluna do lucro.

Escrito por Josias de Souza às 03h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Vem aí nova crise do gás

- Folha: Incertezas sobre economia dos EUA derrubam bolsas

- Estadão: Comissão aprova a entrada da Venezuela no Mercosul

- Globo: Gastos do Ministério Público com pessoal crescem 114%

- Gazeta Mercantil: Briga de construtoras movimenta R$ 38 bi

- Correio: PF investiga 12 mil cheques pegos com a máfia dos importados

- Valor: Camargo se une a Endesa e acirra disputa por Madeira

- Estado de Minas: Aumenta o risco de faltar gás nos postos em janeiro

- Jornal do Commercio: Aníbal Bruno é o pior do País, segundo CPI

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Xepa!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

DEM recorre ao TSE para reaver mandato de Lobão

  José Cruz/ABr
O DEM protocolou no TSE um processo para tentar reaver o mandato do senador infiel Edison Lobão (MA), que migrou PMDB. Deu-se no início da noite desta quarta-feira (21). O tribunal vai escolher, por sorteio, um ministro para relatar o caso.

 

A ação do DEM pode significar um golpe de morte na pretensão do senador de tornar-se presidente do Senado. Aliado de José Sarney, Lobão emergia como uma das principais alternativas do PMDB à sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Curiosamente, o DEM não protocolou nenhuma ação contra os outros dois senadores que, a exemplo de Lobão, pularam a cerca: Romeu Tuma (SP), que foi para o PTB; e César Borges (BA), que se refugiou no PR.

 

Oficialmente, a direção do DEM alega que o caso de Lobão é diferente dos outros dois. O senador sempre pendera para o apoio ao governo, dissentindo aberta e reiteradamente das orientações do partido. De resto, formalizou sua saída da legenda por meio de uma carta que foi considerada excessivamente agressiva.

 

Há, porém, um argumento que ultrapassa a fronteira do oficial. Nos subterrâneos, o DEM espera contar com os votos de Romeu Tuma e de César Borges contra a emenda da CPMF. O blog apurou que, no caso de Borges, a negociação já chegou a bom termo.

 

Não há da parte da cúpula do DEM a menor intenção de reivindicar de volta o mandato de César Borges. O partido já providencia as explicações. Alega-se, por exemplo, que o diretório ‘demo’ da Bahia tem interesse em manter com o PR, novo partido de Borges, um bom relacionamento político. Diz-se que há planos de firmar alianças com a legenda em eleições futuras.

 

Quanto a Lobão, tornou-se delicada, delicadíssima a situação do senador. O repórter conversou há pouco com um dos ministros do TSE. Ele informou que, à luz das decisões da Justiça Eleitoral, corroboradas pelo STF, a infidelidade partidária sujeita o senador à perda de mandato.

 

Há uma circunstância atenuante: Lobão deixou o PFL em 16 de outubro. E a data-limite imposta pelo TSE para o início da vigência da regra da fidelidade partidária é o dia 25 de outubro. Em tese, o senador estaria livre de punição. O problema é que, em 28 de março de 2007, Lobão assinou o novo estatuto do DEM. Um estatuto que prevê expressamente a perda do mandato dos filiados que trocassem de legenda.

Escrito por Josias de Souza às 22h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Entrada da Venezuela no Mercosul avança na Câmara

  Marcelo Hernandez/AP
A admissão da Venezuela no Mercosul subiu mais um degrau da tramitação legislativa imposta pela Constituição. Depois de aprovada, dias atrás, pela Comissão de Relações Exteriores, foi referendada, nesta quarta-feira (21), também pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.

 

A aprovação foi folgada: 44 votos a favor; 17 contra. Houve intenso debate. Deputados do PSDB e do DEM argumentaram que a Venezuela, sob Hugo Chávez, não cumpre uma das exigências dos estatutos do Mercosul: a que impõe aos países membros do bloco o respeito aos valores democráticos.

 

Afora a contrariedade de tucanos e ‘demos’, o governo teve de lidar com uma demanda fisiológica do PMDB. O maior partido do consórcio governista aprovara a emenda da CPMF na Câmara sob a condição de obter a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Exploração da Petrobras.

 

Arrastado para o balcão, o Planalto prometera atender ao PMDB. Mas demora-se em resgatar a promissória. Por isso os peemedebistas voltaram a fazer cara feia. Ameaçaram pedir o adiamento da votação desta quarta. Foi necessário que José Múcio (PMDB-PE), líder de Lula na Câmara, entrasse em campo.

 

Nos subterrâneos, Múcio renovou o compromisso assumido lá atrás, durante a votação da CPMF. De resto, foi pessoalmente à comissão de justiça. Ali, esgrimiu o argumento de que a Venezuela está acima de Chávez: “Vamos aprovar. É necessário separar o discurso da pessoa física [do presidente Hugo Chávez] da relação do Brasil com a Venezuela. A Venezuela é um dos nossos principais parceiros comerciais", disse.

 

Serenados os ânimos mercadores do PMDB, a encrenca foi, finalmente, a voto. E passou. Segue agora para o plenário da Câmara. Será, de novo, aprovado. Vai, então, para o Senado, uma Casa em que a maioria governista é bem menos eloqüente. PSDB e DEM prometem barrar as pretensões de Chávez em relação ao Mercosul. O governo vai ter de rebolar para vencer as adversidades.

 

De resto, o Planalto terá de lidar, de novo, com a insaciável fome do PMDB. No Senado, além da demanda petroleira da Câmara, a bancada peemedebista exige que Lula lhe devolva a pasta das Minas e Energia, perdida à época em que a Operação Navalha levou à bandeja a cabeça de Silas Rondeau, o apadrinhado de José Sarney (PMDB-AP).

 

PS.: Na Venezuela, uma deputada, Íris Valera, invadiu o estúdio da rede oficial de TV para estapear o apresentador Gustavo Azocar (assista). A parlamentar acusa o jornalista de tê-la difamado em livro. Depois do rififi, transmitido ao vivo, ela desculpou-se. Não com o desafeto, mas com o povo venezuelano.

Escrito por Josias de Souza às 17h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Renan renova pedido de licença por mais 35 dias

Lula Marques/Folha
 

 

O que causa horror no Senado dos dias que correm é o “combinado” à sombra, o “acertado” entre quatro paredes. Quando o entendimento sombroso vem à luz, quando deixa o ambiente fechado, quando é solto numa esquina do Legislativo, o brasileiro treme em cima dos sapatos.

 

Foi o que sucedeu com a manobra que previa a troca da absolvição de Renan Calheiros por votos à emenda da CPMF. Para azeitar a trama, o senador comprometera-se a renunciar à presidência do Senado nesta quinta-feira (22), antes de escalar, pela segunda vez, o patíbulo do plenário do Senado.

 

Deu-se, porém, o contragolpe. Escalado para atestar a correção do processo contra Renan na comissão de Justiça, Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, pisou no freio, retardando o encontro de Renan com a guilhotina.

 

Renan enfiou na gaveta o esboço de discurso de renúncia que já redigira. E, nesta quarta-feira (21), renovou por mais 35 dias o seu pedido de licença. Na véspera, bufara privadamente. Queixara-se do interino Tião Viana (PT-AC). Ameaçara retornar imediatamente à cadeira de presidente.

 

Submetido ao diz-que-diz, Tião, um político de linguajar sóbrio, alteou o timbre. Disse que Renan “é detentor efetivo da condição de presidente do Senado”. Poderia retomar o posto se desejasse. “O que não pode é ficar um ambiente de especulação como se fosse um delírio paranóico de que tem perseguição para A ou para B”, afirmou, antes de arrematar: “Se alguém estiver aborrecido com o bom cumprimento do regimento, como se diz popularmente, dane-se (ouça)”.

 

Renan, que é coco, mas não é bobo, buscou refúgio na nova licença. Sabe que o assento de presidente já não cabe em seus horizontes estreitos. Retornando, atearia fogo num cenário que conflui para o perdão de todas as suas culpas.

 

Em nota, o senador recorreu ao sofisma. “Desde o primeiro momento, tenho adotado a postura de não interferir no processo, de modo que acatarei, com toda serenidade, o cronograma de tramitação que for estabelecido pela Mesa”.

 

Prosseguiu: “Por isso decidi permanecer licenciado da presidência do Senado Federal até a data de 29 de dezembro deste ano. Desta forma, fica claro que qualquer outra discussão a respeito da agenda legislativa do Senado, incluindo a CPMF, é questão exclusiva das lideranças partidárias, do governo e da oposição."

 

Bobagem. Renan continua pairando sobra a emenda da CPMF como uma ameaça ao governo. O Planalto contabiliza em meia dúzia os votos que o “aliado” poderia retirar do cesto governista caso venha a ser contrariado. Ou seja, Lula e seus operadores políticos continuam atados ao destino de Renan.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Deus é brasileiro, mas não sabe onde fica o Pará

Em cerimônia realizada nesta terça-feira (20), no Planalto, Lula repisou a velha máxima segundo a qual “Deus é brasileiro.” Pode ser. Mas, a julgar pelo drama que a polícia da governadora petista Ana Júlia Carepa impôs a uma jovem brasileira, o Todo-Poderoso não sabe onde fica o Pará. Leia abaixo o relato da repórter Sílvia Freire, da Folha (só assinantes):


"Uma jovem presa em flagrante por furto ficou detida em uma cela com cerca de 20 homens na delegacia de Abaetetuba, cidade a 137 km da capital Belém (PA), por pelo menos 26 dias.

Segundo o Conselho Tutelar do município, ela tem 15 anos e disse ter sido abusada sexualmente na prisão. A polícia, no entanto, diz que a jovem não tem 15, mas 19 anos.

O delegado Celso Viana, de Abaetetuba, justificou o fato de ela ter ficado presa com outros detentos porque a delegacia da cidade tem apenas uma cela. Apesar de Viana não ter feito o flagrante da jovem, disse que, ao ser presa, ela declarou que tinha 19 anos e que se chamava Lidiane da Silva Prestes.

O conselheiro José Maria Ribeiro Quaresma afirmou ter recebido uma denúncia anônima de que a garota dividia a cela com outros presos somente no último dia 14.
Ainda de acordo com ele, a jovem tem 15 anos, conforme uma certidão de nascimento em poder do órgão, mas com registro do nome diferente, que não foi divulgado.

A presa, ainda de acordo com o Conselho Tutelar, apresentava hematomas e queimaduras de cigarros pelo corpo. Ela foi submetida a exame de corpo de delito, mas o relatório ainda não foi concluído.

Quando o conselheiro foi à carceragem, o delegado disse que retirou a jovem da cela e a colocou numa sala, de onde, logo em seguida, ela fugiu. A garota foi encontrada três dias depois na região do cais e, apesar de a polícia dizer que ela tem 19 anos, foi levada a um abrigo de jovens, em Belém.

O delegado afirmou não se lembrar da data da prisão da jovem. Mas alegou que o pedido de transferência foi feito ao Judiciário no dia seguinte. Contudo, ele afirma não ter recebido autorização do órgão.

‘A autorização para que fosse transferida nunca chegou aqui. O delegado não pode tomar uma medida desta natureza [transferir um preso] sem receber uma ordem judicial.’

Sem queixa de abuso: Viana declarou também não acreditar que ela tenha sido submetida a abuso sexual, pois não fez nenhuma queixa aos agentes prisionais. Questionado se ela não teria tido medo de denunciar a agressão, ele disse que não.

No final da tarde, os juízes, promotores e defensores públicos de Abaetetuba divulgaram nota conjunta na qual afirmam que, pelos autos, Lidiane tem 19 anos e foi presa em 21 de outubro. Os integrantes do Conselho Tutelar não participaram dessa reunião.

Ainda segundo a nota, o pedido de remoção da jovem só foi encaminhado à Justiça no dia 7 de novembro, sem informar que ela dividia a cela com homens. Essa informação só foi levada ao Judiciário, ainda de acordo com a nota, pelo Conselho Tutelar no último dia 14.

A Secretaria da Segurança Pública do Pará determinou abertura de procedimento disciplinar às corregedorias da Polícia Civil e do Sistema Penitenciário do Estado."

Escrito por Josias de Souza às 03h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: Comércio do Rio perdeu R$ 125 milhões no feriadão

- Folha: Ciência faz célula-tronco sem embrião

- Estadão: Expansão econômica dos EUA será menor

- Globo: Câmara e Senado gastam R$ 16,4 milhões por dia

- Gazeta Mercantil: Compra de dólar pelo BC eleva dívida externa do setor privado

- Correio: Assassinato a 130Km por hora

- Valor: Cresce preocupação com as cédulas falsas de R$ 50

- Estado de Minas: Aumento da arrecadação supera ganho com CPMF

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Múltipla escolha!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB ameaça criar novas dificuldades para Lula

Dirigentes estaduais do partido reúnem-se na sexta

   

  Fernando Donasci/Folha
O encontro foi articulado por Orestes Quércia, presidente do diretório do PMDB de São Paulo. Será em Curitiba (PR), na noite de sexta-feira (23). O pretexto é organizar o partido para as eleições municipais de 2008. Mas o objetivo de Quércia é outro. Irritado com Lula, ele quer deflagrar um movimento para descolar o PMDB do Palácio do Planalto.

 

Para o governo, a articulação não poderia chegar em hora mais imprópria. Dá-se justamente no instante em que, acossado pela oposição, Lula derrama suor para arrebanhar votos a favor da emenda da CPMF no Senado.

 

A tese de Quércia é a de que, em troca de “uns carguinhos”, o PMDB vem arrostando um “enorme desgaste” por apoiar o governo. É hora, segundo diz, de o partido desatrelar-se do Planalto e distanciar-se do PT. Defende que o PMDB elabore uma estratégia própria para as eleições de prefeito, no ano que vem, e para a corrida presidencial, em 2010.

 

Foram convidados para a reunião desta sexta dirigentes do PMDB das 27 unidades da federação. Além do diretório paulista, o convite foi chancelado pelo PMDB de Pernambuco, submetido à liderança do senador dissidente Jarbas Vasconcelos, avesso a Lula; e pelo diretório do Paraná, controlado pelo governador Roberto Requião, amigo do presidente.

 

Antes de costurar o encontro dos dirigentes estaduais, Quércia propusera ao deputado Michel Temer (SP), a convocação do conselho político do PMDB, um colegiado mais amplo –inclui, além dos presidentes de diretórios, os governadores, os líderes no Congresso e os ex-presidentes do partido. Pela proposta de Quércia, a cúpula peemedebista se encontraria em Brasília.

 

Presidente nacional do PMDB e fiador do acordo que levou a legenda ao consórcio governista, Temer torceu o nariz para a idéia de Quércia. Disse que o momento era inadequado. Citou a votação da CPMF e o julgamento de Renan Calheiros (PMDB-AL). Mencionou o risco de que alguém propusesse o fechamento de questão contra o imposto do cheque ou um posicionamento explícito contra Renan.

 

Diante da negativa, Quércia pôs-se a articular o encontro dos dirigentes estaduais. Há duas semanas, avisou a Temer que faria uma reunião em São Paulo. Na semana passada, disse-lhe que o encontro, encorpado pela adesão de Jarbas e Requião, fora transferido para Curitiba.

 

Num telefonema a Temer, Requião argumentou que seria importante que ele, como presidente do partido, estivesse presente à reunião de Curitiba. O deputado ponderou ao governador acerca dos riscos do encontro: “É possível que apareça aí a tese do rompimento com o governo". E Requião: “Não, imagina, de jeito nenhum. Isso não vai acontecer.”

 

Nas pegadas de Requião, o próprio Quércia instou Temer a voar para Curitiba. O deputado pretextou dificuldades. Disse que terá, na mesma sexta-feira, um almoço com o governador Sérgio Cabral, no Rio. E talvez não conseguisse vôo para chegar a tempo à capital paranaense.

 

No Planalto, suspeita-se que, por trás do súbito anti-governismo de Quércia esteja um “carguinho”. O PMDB paulista reivindica o comando da Ceagesp, a companhia de entrepostos e armazéns gerais de São Paulo, que pende do organograma do Ministério da Agricultura. Hoje, para contrariedade de Quércia, a empresa é comandada pelo PT. O posto compõe a lista de reivindicações encaminhadas por Temer ao Planalto. Lula não fechou as portas. Mas demora-se em atender à reivindicação.

 

Nos diálogos privados que mantém com Temer, Quércia costuma invocar a lendária figura de Ulysses Guimarães. “No tempo do Ulysses, ele mandava no governo”, diz. E Temer: “Vivemos um momento histórico inteiramente distinto.” Ulysses presidiu o PMDB durante a gestão de José Sarney. Fiador da aliança que resultara na composição da chapa Tancredo Neves-Sarney, Ulysses converteu-se numa espécie de tutor de Sarney depois que Tancredo morreu. Mandava e desmandava no governo. Algo que, sob Lula, Temer, mesmo que quisesse, não teria como fazer.

 

A insatisfação de Quércia vem sendo farejada pelo Planalto há meses. O próprio Temer avalia, a portas fechadas, que o Planalto desdenhou do aliado. Chegou mesmo a recomendar a Lula que desse um telefonema para Quércia. O presidente prometeu ligar. Mas não ligou.

 

A despeito da arenga, nem Temer nem o Planalto crêem que Quércia tenha força bastante para empurrar o PMDB na direção da oposição. A aliança com o governo foi referendada pelo conselho político da legenda. Só Jarbas Vasconcelos votou contra. Disseram “sim” os presidentes de 27 diretórios estaduais, inclusive Quércia. Trabalha-se com a perspectiva de que a reunião urdida por Quércia não terá a mesma densidade. Seja como for, a simples marola leva inquietude ao governo.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT pune filiado que ganhou emprego de Aécio Neves

Sartre escreveu certa vez que “o inferno são os outros.” Nem sempre, nem sempre. Para um político apegado às boquinhas públicas, a grelha pode ser o convívio com a oposição. Veja-se, por exemplo, o caso do petista Tilden Santiago.

 

Amigo de Lula, Santiago foi recrutado para servir à pátria como embaixador do Brasil em Cuba. Devolvido a Belo Horizonte, sua cidade, Santiago foi acomodado pelo governador tucano Aécio Neves numa beirada de mesa da Cemig –a companhia energética de Minas.

 

O PT estrilou. A despeito dos afagos que costuma receber de Lula, Aécio é visto como inimigo por um naco do petismo de Minas. Para essa ala do partido, Santiago perdeu uma boa oportunidade de perder a oportunidade que Aécio lhe ofereceu.

 

Lero vai, lero vem, o PT exigiu que Santiago se retirasse da mesa servida por Aécio. Deu de ombros. Instaram-no, então, a licenciar-se do partido. Nada. Nesta terça-feira (20), o PT decidiu suspender a filiação de Santiago por 60 dias.

 

Ou seja, o inferno de Tilden Santiago é a dieta que o PT tenta lhe impor.

Escrito por Josias de Souza às 23h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Renan condiciona movimentos à data do julgamento

  Lula Marques/Folha
Surpreendido por uma manobra de Arthur Virgílio (PSDB-AM) no instante em que se preparava para renunciar à presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) viu-se compelido a mandar ao freezer a sua estratégia. "Eu não quero nada que me ajude, quero provar minha inocência. Quero um encaminhamento justo, humano. Eu vou aguardar que digam o calendário porque, só depois disso, vou dizer o que vou fazer."

 

Nos subterrâneos, Renan operava a troca de sua renúncia pela absolvição no processo em que é acusado de comprar empresas de comunicação alagoanas por meio de laranjas e com verbas de má origem. Cumprido o acerto, guiaria os passos dos senadores que lhe devotam fidelidade na trilha da aprovação da CPMF. Descumprido, tramaria contra o imposto do cheque.

 

Deu-se, então, a intervenção de Virgílio. Relator do processo na comissão de Justiça, o líder tucano postergou o desfecho do caso para o início de dezembro, amarrando os destinos de Renan nos calcanhares de Lula e do PT, empenhados em retirar do plenário do Senado o monturo de entraves à tramitação da emenda da CPMF.

 

Nesta terça-feira, Renan deu de cara com o algoz Virgílio no plenário do Senado (foto). Riu amarelo. Deu-lhe um abraço protocolar. Antes, negara aos jornalistas a costura do acordo para livrar o mandato dele, pela segunda vez, da lâmina. "Não tem absolutamente nada a ver. Eu quero provar a minha inocência, as minhas forças são todas direcionadas neste sentido." Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 19h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Obstrução da oposição derruba sessão do Senado

  Lula Marques/Folha
Tucanos e ‘demos’ acabam de oferecer ao Planalto mais uma demonstração de que a aprovação da emenda da CPMF no Senado não será o passeio que foi na Câmara. PSDB e DEM uniram forças para obstruir a pauta de votações. Contaram-se os senadores presentes. E a bancada governista não conseguiu anotar no painel eletrônico o número mínimo de senadores exigido para a continuidade das votações: 49. A sessão caiu.

 

Não se tratava de uma sessão trivial. Acomodado na cadeira de presidente, o interino Tião Viana (PT-AC) tentava levar a voto as quatro medidas provisórias que obstruem a pauta, impedindo o início da tramitação da emenda da CPMF no plenário.

 

Sob elogios do senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, Tião guiou-se pela máxima segundo a qual o recurso à obstrução, previsto no regimento, é um direito da minoria parlamentar. "Vossa Excelência porta-se de forma não-partidária, como magistrado", disse Virgílio a Tião. Antes, o líder tucano já havia cumprimentado o petista Tião à distância, por meio de gestos (foto).

 

O pretexto da oposição para bloquear as atividades do plenário é uma decisão tomada pela Câmara, na semana passada. Deputados governistas reinjetaram numa medida provisória artigo que fora arrancado do texto pelos senadores. Autoriza o governo a liberar verbas do PAC para prefeituras mesmo durante as eleições municipais de 2008.

 

Numa tentativa de amolecer a disposição obstrucionista da oposição, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, apressou-se em informar, no microfone, que combinara com a Casa Civil da Presidência e com o próprio Lula o veto ao artigo inconveniente. Em resposta, Arthur Virgílio disse que não tinha razões para duvidar da palavra de Jucá, mas preferia aguardar pela efetivação do veto. E declarou que o PSDB encontrava-se em obstrução.

 

Virgílio foi seguido por José Agripino Maia (RN), líder do DEM. Aferrado ao regimento, Tião Viana abriu a conferência das presenças por meio do painel eletrônico. E o governo não logrou arrastar para o plenário senadores em quantidade suficiente para manter a sessão de pé.

 

Abespinhada, Ideli Salvatti (SC), líder do PT, protestou. Disse que, em reunião realizada na semana passada, os líderes da oposição haviam assumido o compromisso de levantar a obstrução caso o governo se comprometesse em vetar o artigo da discórdia. Lamentou o descumprimento do acordo. “Talvez a mudança de posição tenha sido motivada pelo feriado prolongado”, ironizou.

 

Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, devolveu o sarcasmo. Disse que, em matéria de descumprimento de acordos, o governo é mestre. “O fio do bigode do líder Romero Jucá, infelizmente, não representa a palavra do governo”, disse. “Me recuso a ter a mesma santa ingenuidade dos senadores Arthur Virgílio e José Agripino, que ainda acreditam na palavra do governo. Prefiro acreditar em Papai Noel”, acrescentou, entre risos.

 

Virgílio interveio, mantendo o timbre de galhofa: “O Tasso tocou fundo na minha alma. Ele, que não é malicioso, mas de boa fé, acertou em cheio. Suas palavras coincidem com os conselhos de minha tia Finoca, que me dizia: ‘Ele é ingênuo de tanta boa vontade que tem’. Minha tia Finoca já morreu. Mas o Tasso está aqui para me alertar.”

 

Líder do governista PSB, Renato Casagrande (ES) puxou o debate de volta para o terreno dos riscos: “Em 20 dezembro, encerramos o ano legislativo. A tática obstrução funciona no Senado. O senador Arthur Virgilio, relator do processo do Renan na CCJ, também está jogando o assunto para a frente. Disse a ele que sou contrário a essa estratégia, que partidariza demais o processo. Podemos contaminar 2008 com um assunto que poderíamos resolver em 2007. Precisamos restabelecer o diálogo, para fazer um  cronograma das nossas votações: CPMF, Orçamento... A única maneira que temos de não contaminar 2008 é dialogarmos, para podermos apreciar as matérias, ganhando ou perdendo”.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Coleta de tributos do governo bate novo recorde

A tosquia imposta pelo governo às ovelhas que não conseguiram escapar do fisco rendeu mais uma vistosa rama de lã. O “contribuinte” foi tosado em R$ 54,779 bilhões em outubro. Incluem-se na conta os impostos, e as “contribuições”, inclusive a previdenciária. Trata-se de um recorde. Mais um. Nunca na história desse país a coleta de um mês de outubro rendera tanto.

 

Comparando-se com a tosa de setembro (R$ 48,626 bilhões), o bolo de lã cresceu 12,66%. Em comparação com outubro do ano passado (R$ 48,908 bilhões), o crescimento foi de 12%. Tomando-se a arrecadação total do ano de 2007 –de janeiro outubro—a arrecadação do fisco já soma 484,747 bilhões (10,1% a mais em relação aos dez primeiros meses de 2006).

 

São números que não ajudam no esforço do governo para emplacar a renovação da CPMF no Senado. A propósito, a CPMF rendeu ao governo, só ela, R$ 30 bilhões de janeiro a outubro, 10% a mais do que fora amealhado no mesmo período do ano passado.

Escrito por Josias de Souza às 16h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB quer evitar que aliado de Sarney suceda Renan

  Fábio Pozzebom/ABr
A manobra realizada nesta segunda-feira (19) por Arthur Virgílio (AM) teve dois alvos visíveis e um par de alvos ocultos. Às claras, o líder do PSDB mirou em Renan Calheiros (PMDB-AL), que se preparava para trocar a renúncia ao comando do Senado pela absolvição; e em Lula, que deseja eliminar os obstáculos à votação da CPMF. Às escondidas, Virgílio levou à alça de mira o desafeto José Sarney (PMDB-AP) e seu pupilo Edison Lobão (PMDB-MA).

 

Um dos articuladores da renúncia de Renan, Sarney opera nos subterrâneos para acomodar na cadeira de presidente do Senado o protegido Lobão. Algo que ocorreria, segundo os planos que traçara, na próxima semana, nas pegadas da votação do segundo processo contra Renan Calheiros, aquele em que é acusado de comprar empresas de comunicação alagoanas em sociedade secreta com o usineiro João Lyra.

 

Presidente da comissão de Justiça do Senado, Marco Maciel (DEM-PE) convidou Virgílio para relatar o processo de Renan, já aprovado no Conselho de Ética. Em condições normais, seria um procedimento vapt-vupt. Escalado para executar a mesma tarefa no primeiro processo de Renan (o da pensão custeada com verbas da Mendes Júnior), o tucano Tasso Jereissati (CE) apresentou o seu relatório no mesmo dia.

 

Virgílio, porém, enxergou na encomenda de Maciel uma avenida de oportunidades. Perguntou ao interlocutor se poderia “tencionar” o ambiente. Tensão é algo que não combina com a afabilidade de Maciel. Mas o DEM, partido do senador, não deseja senão convulsionar a tramitação da emenda que prorroga o imposto do cheque até 2011. E Maciel assentiu.

 

Na seqüência, Virgílio, num gesto de cortesia política, informou a Tião Viana (PT-AC), presidente interino do Senado, acerca de suas intenções. Disse que não apresentaria o seu relatório antes de quarta-feira (28) da semana que vem. Insinuou que um outro senador oposicionista deve pedir vista do processo, adiando a deliberação da CCJ para a primeira semana de dezembro. Uma fase do calendário em que, pelos planos de Lula, o governo já teria removido do caminho da CPMF o "problema Renan".

 

Além de acomodar o governo definitivamente no colo de Renan, Virgílio jogou, segundo suas palavras, “água no chope” de José Sarney. Para não deixar dúvidas quanto às suas intenções, o senador conversou também com o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), um ativo soldado da milícia congressual de Renan. Aconselhou-o a providenciar um peemedebista palatável para ocupar a cadeira de presidente do Senado.

 

Raupp e Renan, seduzidos por Sarney, aderiram à candidatura não-declarada de Lobão. Entre quatro paredes, o líder do PMDB enxerga defeitos em todos os outros pretendentes ao comando do Senado –os peemedebistas José Maranhão (PB), Pedro Simon (RS) e Garibaldi Alves (RN). Só vê virtudes no preferido de Sarney. Um nome que o PSDB e parte do DEM rejeitam.

 

Se quiser, o consórcio governista pode abortar a manobra de Virgílio. Basta que as legendas que dão suporte a Lula se associem num requerimento pedindo a transferência do processo contra Renan da comissão de Justiça para o plenário do Senado. Virgílio reconhece que o regimento faculta esse tipo de reação aos governistas. Mas avisou a Tião Viana: "Se isso acontecer, vamos sair do terreno da Convenção de Genebra e partiremos para a guerrilha do Vietnã. O que não seria bom para ninguém.”

 

Surpreendido, Renan Calheiros, que já esboçara o discurso de renúncia que leria na sessão de quinta-feira (22), ameaçou retomar a cadeira de presidente. Sabe, porém, que o retorno envenenaria ainda mais a atmosfera do Senado, pondo em risco uma absolvição que todos dão como certa.

 

Assim, o mais provável é que Renan renove o seu pedido de licença, que vence na próxima segunda-feira (26). Uma hipótese que prolongaria a interinidade de Tião Viana pelo menos até que fosse desatado o nó em que Arthur Virgílio amarrou, num mesmo embrulho, Renan, Lula, a CPMF, o PMDB, Sarney e Lobão.

 

Nas conversas que manteve com Tião e Raupp, Virgílio disse que, se quiser absolver Renan, o governo, o PMDB e, sobretudo, o PT terão de assumir o desgaste. “Essa conta nós não vamos pagar”, disse. Pela contabilidade de Renan, a absolvição virá com a ajuda de pelo menos dois votos tucanos e cinco ‘demos’.  

Escrito por Josias de Souza às 04h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: Alimentos sobem mais no fim do ano

- Folha: Negros morrem mais de violência; bancos, de doença

- Estadão: Projeto de reforma tributária sai até o final do mês, diz Lula

- Globo: Judiciário vai gastar, só em obras, R$ 1,2 bilhão

- Gazeta Mercantil: Bolsas desabam com novas perdas do setor financeiro

- Correio: Servidores brigam para incorporar gratificação

- Valor: BNDES quer até US$ 5 bi das reservas para empréstimos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Defeitos congênitos!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Neo-PSDB ataca ‘herança nefasta’ da gestão Lula

Partido anuncia seu ‘novo’ ideário político na sexta

Tucanato assume, finalmente, a defesa da era FHC

Documento oficial fala da ‘herança nefasta’ de Lula

 

Diego Castro

O PSDB jogou no seu portal eletrônico um documento que esmiúça as “novas idéias e bandeiras que serão defendidas pelos tucanos” nos próximos anos. O texto é uma espécie de abre-alas do novo programa do partido, a ser divulgado na próxima sexta-feira, no 3º Congresso da legenda. Depois de excluir FHC dos palanques de 2006, o partido assume, finalmente, a defesa dos oito anos de reinado do tucanato. E traça a plataforma de desqualificação da gestão Lula.

 

O documento do PSDB foi escrito a várias mãos. Entre elas as do próprio FHC e as do governador paulista José Serra, o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas eleitorais. Tenta-se grudar em Lula a pecha de chefe de um “governo conservador”. Afirma-se que tudo o que há de bom na atual gestão –da estabilidade econômica à política social— decorre de conquistas obtidas sob FHC.

 

Anota-se, de resto que Lula deixará para o sucessor “heranças nefastas”. Diz o texto a certa altura: “[...] Foi o governo que sucedeu o PSDB que obteve sucesso político em se associar aos resultados das medidas que combateu no passado. O mais grave, no entanto, é que esse governo deixa para o futuro problemas fiscais, de infra-estrutura e de ineficiência da máquina administrativa, entre muitos outros”.

 

É no descaso com a corrupção, porém, que o PSDB atribui a Lula o legado mais infausto: “Entre todas as heranças nefastas do governo que nos sucedeu talvez a pior delas seja a didática perversa que praticou, ensinando reiteradamente para toda a sociedade brasileira que os amigos do poder tudo podem, que são aloprados, coitados, nossa gente, enfim [...]. Quando os amigos do presidente da República são flagrados em ilicitudes e o presidente diz ‘todos fazem’, isso é uma mensagem para a sociedade: vale tudo, todos podem fazer de tudo [...].”

 

O texto exime-se de mencionar que o PSDB também passou a idéia de “vale tudo” ao contemporizar com o seu ex-presidente, Eduardo Azeredo, no instante em que se descobriu que ele engordara as arcas de sua campanha, em 1998, com um esquema análogo ao do mensalão, a mais grave transgressão ética da era Lula. De resto, a fisiologia que marca o relacionamento de Lula com o Congresso é a reiteração de um fenômeno observado também sob FHC. Mencione-se, por eloqüente, o caso da Sudam (desvios estimados em R$ 3 bilhões). Foi nessa repartição pública, confiada ao grupo de Jáder Barbalho (PMDB-PA), que a promiscuidade exibiu uma de suas faces mais "barbalhas."

 

Para o PSDB, o que há de bom na era Lula não é obra do petismo. “A maior parte dos principais avanços do Brasil no período recente ocorreu nos governos do PSDB”, diz o texto. “Sucedeu-nos um governo conservador, que não fez avançar uma só reforma, uma única novidade qualitativa relevante nas políticas públicas. Sua maior qualidade foi não ter destruído o arranjo recebido. O governo que nos sucedeu aderiu, tardia e oportunisticamente, às bandeiras lançadas há quase 20 anos pelo PSDB”.

 

“O conservadorismo e a falta de um projeto de país fizeram o Brasil perder oportunidades e ficar para trás no cenário internacional, que é o mais exuberante das últimas décadas”, acrescenta o texto do PSDB. “Desse governo, conhecemos até hoje apenas o projeto de poder e suas conseqüências nefastas para o Estado e a política em nosso país”.

 

O PSDB tenta fazer as pazes com o seu passado. Afirma que “praticamente tudo” o que defendia no seu programa inaugural, editado há 20 anos, foi executado nas duas gestões de FHC. Por exemplo: “controle da inflação”, “reorganização das finanças públicas e controle de gastos.” Passa, então, à defesa de temas que o encurralaram na campanha eleitoral de 2006. Retira do armário, por exemplo, as privatizações.

 

“Criamos agências reguladoras. E privatizamos, o que foi bom para o Brasil. Com as privatizações das telecomunicações, o Brasil pôde ingressar com o pé direito na era da Internet e do telefone celular. Empresas como a Embraer e a Vale do Rio Doce são competidoras mundiais de sucesso. As siderúrgicas expandem-se pelo mundo afora e deixaram de ser um encargo para o Tesouro. Livramos as empresas da infiltração dos partidos políticos”.

 

O texto acrescenta: “No governo do PSDB a Petrobrás tornou-se uma corporação moderna e a produção brasileira de petróleo deu um salto rumo à auto-suficiência, que este governo comemorou como se fosse conquista dele.” Nesse ponto, o documento comete o mesmo pecado que atribui a Lula. Passa a impressão de que a estatal petroleira experimentou na era tucana uma espécie de renascimento redentor. Esquece-se convenientemente dos feitos obtidos, por exemplo, sob o governo fardado de Ernesto Geisel.

 

E quanto ao futuro? “O PSDB deu pauta ao Brasil. Agora é preciso atualizar essa agenda”, diz o texto. “O PSDB será, mais uma vez, o instrumento para gerar o consenso nacional necessário para enfrentar os desafios do Brasil e vencê-los.” Entre as prioridades listadas no documento estão a educação –“Completar a revolução na educação, que nós apenas iniciamos”—, a Saúde –“Foi o governo do PSDB que colocou o SUS para funcionar [?!?!?]. Mas o SUS  precisa de mais recursos [...]”—e a reforma política –“Ou nós introduzimos o voto distrital ou não vai haver reforma política. Ou nós fazemos o financiamento público ou não vai parar a corrupção”.

 

Até o Bolsa Família, menina dos olhos de Lula, o PSDB diz que é obra sua. “Criamos a rede de proteção social com objetivos claros de promoção social”. O que Lula fez, na opinião do tucanato, foi desvirtuar a iniciativa: “O que se iniciou como estímulo à emancipação dos mais pobres ganhou ares, no governo seguinte, de uma concessão do presidente todo-poderoso. Isso significa o enfraquecimento dos direitos civis [...]. A autonomia final da população pobre precisa, necessariamente, de empregos.”

Escrito por Josias de Souza às 03h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Livro marca 60 anos de fotos da agência Magnum

Livro marca 60 anos de fotos da agência Magnum

Henri Cartier-Bresson
 

 

Certas fotografias, por belas, funcionam como um afago na alma. Outras, por dramáticas, têm o efeito de uma punhalada. Cerca de 400 imagens dos dois tipos foram assentadas nas páginas de Magnum, Magnum, que traz o selo da editora Thames & Hudson.

 

O livro marca o aniversário de 60 anos da agência Magnum, uma cooperativa fundada em 1947 por quatro luminares do foto-jornalismo: Robert Capa, David "Chim" Seymour, Henri Cartier-Bresson, e George Rodger. Hoje, há nos quadros da agência cerca de 80 profissionais.

 

A agência Magnum, embora velha de seus décadas, conserva o seu lema inaugural: “Ver as coisas de forma diferente”. Um preceito que levou ao congelamento de cenas como a exposta lá no alto, de 1948. Submetida às lentes de Bresson, uma simples reza de mulheres muçulmanas, na Índia, ganha ares de pintura renascentista.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Renan será absolvido, prevêem líderes do Congresso

Entre quatro paredes, os principais figurões do Senado –do presidente interino Tião Viana (PT-AC) aos líderes partidários—reconhecem: Renan Calheiros (PMDB-AL) deve ser absolvido, de novo. A opinião é compartilhada por políticos de todos os partidos, governistas e oposicionistas.

 

A exemplo do que ocorreu no primeiro julgamento, PSDB, DEM e PT já ensaiam o jogo de empurra. Tucanos e ‘demos’ tentam debitar o possível perdão a Renan na conta da boa-vontade do PT. O petismo, de seu lado, esgrime o argumento de que o cesto de votos pró-Renan será adensado por senadores “oposicionistas”.

 

Ao repassar os seus números com um mandachuva do PMDB, Renan revelou, na semana passada, que terá votos em todas as legendas. Há uma escassa exceção: o PSOL. Assim mesmo porque o partido de Heloisa Helena tem no Senado um único representante, o senador José Neri (PA). Se tivesse dois, Renan talvez tentasse seduzir-lhe o voto.

 

Em seus diálogos reservados, Tião Viana dá como certa a salvação de Renan. Sobretudo se ele renunciar à presidência do Senado antes do julgamento. Algo que admitiu que fará. Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, afirma, também sob reserva, que decresceu muito o ânimo punitivo do Senado.

 

Arthur Virgílio (AM), líder dos tucanos, foi escolhido nesta segunda-feira (19) para relatar na comissão de Justiça o novo processo contra Renan. Vai atestar a constitucionalidade do relatório de Jefferson Peres (PDT-AM), que recomendou a cassação de Renan e foi aprovado no Conselho de Ética por um placar acachapante: 11 a três .

 

A despeito de sua posição pessoal, Virgílio, também ele, reconhece que Renan deve arrebanhar votos também na bancada tucana. Tampouco a cúpula do DEM imagina que terá forças para deter o naco de sua bancada que se dispõe a livrar o mandato de Renan da lâmina.

 

Renan ainda dispõe do providencial auxílio do Palácio do Planalto. Lula e seus operadores políticos empenham-se em amaciar o PT. No primeiro julgamento, o petismo foi essencial para a absolvição. Contribuiu com votos e com abstenções. O governo espera que faça o mesmo agora. Em nome da CPMF.

 

Como se fosse pouco, Renan tem a seu favor um aliado impalpável: o voto secreto. No esconde-esconde do painel eletrônico do Senado, seus aliados podem dizer “não” à cassação sem ter de dar explicações à opinião pública. A sessão, dessa vez será aberta. Mas o voto continua protegido pela escuridão do sigilo.

 

Assim, admitem todos, só um milagre poderia produzir a cassação de Renan. O curioso é que mesmo os mais fervorosos defensores de Renan admitem que a segunda absolvição vai impor ao Senado um desgaste ainda maior do que a primeira. Mas são poucos os que parecem se importar com o descrédito.

 

Seja como for, na próxima quinta-feira (22), o Senado reúne-se para cumprir o ritual. Os senadores dirão ao país, uma vez mais, de que matéria-prima é feita a Câmara Alta do Legislativo. Confirmando-se a prevalência do “não”, eles dirão ao Brasil que o Senado é feito de conivência e cumplicidade.

 

PS.: Uma esperteza de Arthur Virgílio (AM), adiou os fogos que o Planalto pretendia soltar na quinta-feira. Armava-se a absolvição de Renan, a toque de caixa, para remover do plenário do Senado parte do entulho que ameaça a passagem da emenda da CPMF. Escolhido para relatar o processo na comissão de Justiça, Virgílio decidiu esticar os prazos regimentais. Avisou ao presidente interino Tião Viana que seu relatório só fica pronto na semana que vem.

 

Foi para o beleléu a idéia de julgar Renan na quinta. Pior: o relatório de Virgílio resultará num pedido de vista, a ser formulado por um oposicionista qualquer. No limite, o julgamento pode ser protelado por até 15 dias, invadindo o mês de dezembro. Tião Viana jogou já toalha quanto aos prazos. Renan, que se preparava para renunciar nesta semana, adiou a providência. E Lula pôs a barba de molho. Vivo, Carlos Drummond de Andrade diria: Há uma pedra no caminho da CPMF. Mais uma.

Escrito por Josias de Souza às 16h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- JB: Rio perde 50% de doação de órgãos para transplantes

- Folha: Poluição cresce mais que PIB no país

- Estadão: Crediário até 99 meses amplia acesso a carro zero

- Globo: Crescem os gastos e os cargos na Presidência

- Gazeta Mercantil: Patrimônio de estrangeiros quadruplica

- Correio: Jogador do Universo é achado morto no entorno

- Valor: Empresas assinam acordos para evitar punição no Cade

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Arma tecnológica!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Guiana acusa Venezuela de ataque em seu território

 

O compañero Hugo Chávez, como se sabe, está torrando US$ 4 bilhões para reequipar as Forças Armadas da Venezuela. Com que objetivo?, eis o que se perguntam todos os países vizinhos, inclusive o Brasil. A Guiana começou a descobrir as razões.

 

Neste domingo (18), o ministro das Relações Exteriores da Guiana, Rudy Insanally, disse que tropas venezuelanas executaram uma missão em águas territoriais guianenses. Apoiados pelo ar por um helicóptero, cerca de 40 soldados de Chávez destruíram duas dragas que faziam a extração de ouro.

 

De acordo com investigação militar realizada pela Guiana, a incursão teria ocorrido na última quinta-feira (15), nas águas do rio Cuyuni. Embora negue a invasão do território do vizinho, o embaixador da Venezuela na Guiana, Darío Morandy, admite a realização da operação militar. Alega que "a Venezuela está protegendo todos os recursos naturais”. Por isso, diz Morandy, o regime de Chávez empenha-se em “expulsar os mineiros ilegais da região."

 

Os militares brasileiros acompanham com vivo interesse as escaramuças entre Venezuela e Guiana. A despeito dos elogios de Lula, olham para Chávez de esguelha. Intuem que o presidente venezuelano não foi ao mercado de armas a passeio.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB empossa direção negociada com Serra e Aécio

Em encontro que começa na quinta (22) e termina na sexta-feira (23), o PSDB vai trocar os quadros de sua direção nacional. Na moldura de presidente, o retrato de Tasso Jereissati (CE) será substituído pelo de Sérgio Guerra (PE). Na de secretário-geral será encaixado o deputado Rodrigo Castro (MG), dodói de Aécio Neves. Na parede da sala de comando do Instituto Teotônio Vilela, braço acadêmico da legenda, deve ser dependurada a foto do deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES), queridinho de José Serra.

 

O deputado Gustavo Fruet (PR) deve ser guindado ao posto de primeiro vice-presidente. Paulo Renato (SP), ex-ministro da Educação da era tucana, deve ser o segundo vice. A pedido de FHC, Sérgio Guerra busca um espaço para pendurar na sala da nova Executiva Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário-geral da Presidência da República. O martelo dos nomes será batido nesta terça-feira (20).

 

A idéia é evitar disputas no Congresso que o tucanato fará nos dois últimos dias úteis desta semana. Sérgio Guerra imagina ter chegado a uma composição que promove um equilíbrio de forças entre José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis do partido. Reuniu-se com os dois governadores. 

 

Além de anunciar a nova direção, o PSDB vai divulgar na sexta um novo programa partidário. Num instante em que ainda ecoam em Brasília as justificativas para a frustrada negociação tucano-governista em torno da CPMF, vai ser divertido ouvir os discursos de timbre oposicionista que o grão-tucanato fará no congresso de quinta e sexta.

Escrito por Josias de Souza às 00h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Conferência pede que CPMF vá toda para a Saúde

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Terminou neste domingo a 13ª Conferência Nacional de Saúde. Na última plenária do encontro, delegados de todos os Estados aprovaram moção favorável à aplicação de toda a arrecadação da CPMF –cerca de R$ 40 bilhões—no setor de Saúde.

 

Nenhuma autoridade pública vai se incomodar com a opinião dos conselheiros da Saúde. Contanto que a manifestação não interfira no rateio da grana pelo Tesouro com o imposto do cheque. O grosso contuinuará passando longe da Saúde.

 

Aberta com um discurso de Lula, a conferência foi organizada pelo CNS (Conselho Nacional de Saúde). Trata-se de um órgão que, entre representantes do governo e da dita sociedade civil, reúne 49 pessoas. As atribuições estão fixadas em decreto. Mas, como o nome diz, as deliberações do colegiado têm o peso de um conselho. Que o governo insiste em não seguir fielmente.

Escrito por Josias de Souza às 23h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Judeu arremata ‘globo’ de Hitler por US$ 100 mil

Judeu arremata ‘globo’ de Hitler por US$ 100 mil

O globo terrestre da foto pertenceu a Adolf Hitler. Estava amoitado, havia mais de 60 anos, no sótão da casa do veterano norte-americano John Barsamian. Hoje com 91, ele integrou as tropas dos EUA no final da Segunda Guerra Mundial. À época com 28 anos, compôs o destacamento que fez ponto na cidade alemã de Berchtesgaden, onde o Führer mantinha um de seus centros de controle.

 

Terminada a guerra, Barsamian levou o globo para a Califórnia. A peça foi levada a leilão na semana passada. Foi ao martelo por US$ 100 mil –cerca de R$ 180 mil. Arrematou-a um empresário judeu chamado Bob Pritikin. "Está em jogo um montão de sentimentos”, disse Pritikin. “É um desses objetivos que devem ser considerados parte da história.”

 

De fato, o globo de Hitler é um valioso naco de história. Espanta que estivesse recebendo poeira no sótão da casa de um ex-soldado. Espanta mais ainda que tenha sido tratado como troféu privado. Estaria mais bem acomodado numa vitrine de museu. O veterano Barsamian pensa, evidentemente, de outro modo. Vai usar a grana do leilão para pagar as dívidas. Diz que doará uma parte para instituições benemerentes. Será?

Escrito por Josias de Souza às 22h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Congresso que substituir TSE no controle das urnas

Congresso que substituir TSE no controle das urnas

Comissão do Legislativo regularia a votação eletrônica

 

Uma subcomissão instituída na Câmara há sete meses prepara-se para divulgar nos próximos dias um relatório tão polêmico quanto mal divulgado. Sugere que o controle das urnas eletrônicas seja transferido do Tribunal Superior Eleitoral para uma “Comissão de Automação Eleitoral do Congresso Nacional”, a ser criada por lei.

 

Os idealizadores da novidade põem em dúvida a inviolabilidade das urnas eletrônicas. Sustentam que falta transparência ao processo eleitoral brasileiro. Atribuem a suposta obscuridade ao excesso de poderes do TSE. O tribunal acumularia atribuições que, além de excessivas, seriam incompatíveis entre si: baixa as normas que regem as eleições, administra o processo eleitoral e dá a palavra final nos processos que têm origem nos pleitos.

 

Em bom português, os deputados estão questionando a isenção da Justiça Eleitoral. E, a pretexto de resolver o suposto problema, sugerem que as regras do processo eleitoral eletrônico passem a ser definidas pelos próprios deputados e senadores, reunidos numa Comissão Eleitoral. Esquecem-se de um detalhe relevante: o congressista é parte interessada, muito interessada, interessadíssima no resultado das urnas. É como atribuir à raposa a gerência do galinheiro.

 

A esperteza começou a andar em fevereiro de 2007. O deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) propôs a realização de uma audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, para discutir a segurança das urnas eletrônicas. A tal audiência foi realizada no mês seguinte. A estrela do encontro foi Clóvis Torres Fernandes, professor da Divisão de Ciência da Computação do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

 

O professor Clóvis Torres realizara, no ano passado, um estudo sobre a votação eletrônica realizada em Alagoas. Trabalho feito por encomenda do usineiro João Lyra. Candidato ao governo do Estado, Lyra estava inconformado com o resultado das urnas. Embora fosse o candidato mais bem-posto nas pesquisas eleitorais, terminou derrotado por Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL).

 

Na audiência da CCJ, Clóvis Torres disse aos deputados que, ao periciar as urnas alagoanas, constatara vulnerabilidades em pelo menos 44% delas. O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) perguntou ao professor se ele tinha segurança para afirmar que os supostos problemas teriam resultado em fraude. A resposta foi negativa. Clóvis Torres reafirmou a sua convicção quanto à fragilidade das urnas eletrônicas, mas disse que os dados que coletara não permitem dizer que houve fraude efetiva.

 

Convidado a participar da audiência pública, Carlos Veloso, ex-ministro do STF e do TSE, fervoroso defensor da segurança da votação eletrônica, não apareceu. E a urna acabou ficando indefesa. Pressionando aqui, você chega à íntegra da ata da sessão da CCJ da Câmara.

 

No início de abril, aprovou-se por unanimidade um requerimento do deputado Geraldo Magela (PT-DF). Propôs a instalação de uma subcomissão, no âmbito da comissão de Justiça, para estudar a segurança da votação eletrônica no Brasil. Nomeou-se como relator da empreitada Vital do Rego (PMDB-PB). É o relatório desse deputado que será divulgado nos próximos dias. Ele não esconde a intenção de esvaziar o TSE e transferir para o Congresso o controle das urnas eletrônicas. Expôs suas idéias em reportagem veiculada dias atrás pela TV Câmara (assista).

 

Vital do Rego não foi nomeado relator da subcomissão por acaso. Ele já havia sido designado antes para relatar um projeto de lei complementar que trata do mesmo tema. Apresentou-o, em 2005, o deputado Severiano Alves (PDT-BA). Propõe que as eleições eletrônicas sejam regulamentadas e fiscalizadas por uma “Comissão de Comissão de Automação Eleitoral formada no Congresso Nacional”.

 

Ao justificar o teor de seu projeto, Severiano Alves anota que “a automação do processo eleitoral no Brasil foi desenvolvida de forma pioneira e, para orgulho do brasileiro, tem servido de exemplo” para outros países. Mas ele ressalva: “Não podemos acomodar-nos nos louros do pioneirismo na suposição de que teríamos construído um sistema perfeito e totalmente transparente”.

 

Para o deputado Severiano, a automação das urnas trouxe “o risco inerente provocado pela falta de domínio pela sociedade dos detalhes e peculiaridades das tecnologias de segurança envolvidas”. Acha que “a falta de transparência no processo eleitoral é muito perigosa”. E, a pretexto de “aumentar a eficiência do sistema, especialmente quanto à fiscalização do processo informatizado do voto”, propõe que o Congresso, e não o TSE, passe a ter “a competência exclusiva e prioritária” na regulamentação e fiscalização da matéria.

 

Passa da hora de lideranças sérias e repórteres prestarem um naco de atenção em mais esta manobra urdida na Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Cisco utilizou laranjas para doar R$ 500 mil ao PT

 

As coisas nem sempre são tão ruins quanto parecem. Às vezes, seguindo as pegadas do ruim, chega-se ao muito pior. No curso da Operação Persona, a PF captou, em grampos telefônicos, indícios de que a Cisco, beneficiária de supostas tramóias na CEF, doara uma grana ao PT por baixo da mesa. Era o ruim. Investiga daqui, escarafuncha dali, chegou-se ao pior. Deve-se o relato da encrenca aos repórteres Mario César Carvalho e José Ernesto Credencio, da Folha (só assinantes). Vai abaixo um extrato:

 

 

“Documentos apreendidos pela Polícia Federal e interceptações de conversas telefônicas apontam que a Cisco usou duas empresas de laranjas para doar R$ 500 mil para o PT. Em troca da doação, segundo interpretação de policiais, a Caixa Econômica Federal alterou o edital de leilão eletrônico para que empresa que distribui produtos da Cisco, a Damovo, vencesse a disputa. O contrato da Caixa é de R$ 9 milhões.

A Cisco é uma das maiores corporações do mundo em redes de computadores para a internet. Suas vendas somaram cerca de US$ 35 bilhões (R$ 62 bilhões) no ano fiscal encerrado em junho. As duas empresas, segundo a PF, também eram usadas como biombo para camuflar a Cisco no esquema de importação ilegal e de subfaturamento, para evitar impostos, de até 70% no valor de mercadorias exportadas pela sede da empresa, nos EUA.

A principal prova apreendida pela PF são dois recibos de doações de R$ 250 mil cada um para o diretório nacional do PT. Os papéis foram apreendidos na Operação Persona, que investiga fraudes em importações que podem ter dado prejuízo de R$ 1,5 bilhão ao Fisco.
(...)

Os recibos apreendidos estavam com Marcelo Naoki Ikeda, diretor de vendas da Mude, empresa-cabeça do esquema para beneficiar a Cisco, segundo a PF [...]. As empresas que assinam as doações, a ABC Industrial e a Nacional Distribuidora de Eletrônicos, não têm capacidade para doar R$ 250 mil, segundo a PF. Foram emitidos em agosto e setembro e assinados por Angela Silva, que integra a Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do PT, um apêndice do diretório nacional.

São fartos os indícios de que as empresas são de laranjas, segundo a investigação. A Nacional, por exemplo, foi aberta em março de 2006 e tem capital social registrado de R$ 100 mil. Seu suposto controlador, Gerson Orestes Soares Oliveira, que deteria 95% das ações da empresa, teve rendimentos de R$ 17.493,32 em 2006. O outro sócio, seu filho, no mesmo período, não teve renda.

A pergunta que a PF faz é: como alguém que ganha R$ 17,5 mil num ano doaria R$ 250 mil? A conclusão dos policiais é que ele não doou; alguém usou o nome da empresa. A outra suposta doadora, a ABC Internacional, tem como suposto sócio o ex-ferramenteiro Marcos Zenatti, que mora num conjunto residencial de classe média baixa em Guarulhos, na Grande São Paulo.
(...)

Policiais envolvidos na investigação acreditam que podem estar diante de um novo modelo de relação entre empresas e partidos. Se a investigação dependesse só dos documentos apreendidos, a PF jamais chegaria à Cisco. Aparentemente, a empresa terceirizou a doação porque empresas americanas envolvidas em corrupção em outros países podem ser punidas pela Justiça dos EUA.

O PT, depois dos episódios da GTech e do ‘mensalão’, parece ter mudado a forma de arrecadar. Nenhum militante aparece nas gravações. Quem fala com Carnevali Júnior sobre a doação é uma pessoa chamada Sandra, classificada pela PF como uma lobista. Sobre ele a polícia só sabe que usa um celular registrado em nome da Cisco.
A Cisco informou à Folha que se trata de Sandra Tumelero. Ela é gerente de contas da Cisco e já atendeu a Caixa e o Banco do Brasil.

 

PS.: A Cisco esquivou-se de explicar a patranha do uso de laranjas para pingar a grana nas arcas do PT. Em nota enviada à Folha desde a Califórnia (EUA), onde está assentada a sua sede, a empresa limitou-se a informar que vai afastar os dois funcionários mencionados na reportagem do jornal (Carlos Carnevali Júnior e Sandra Tumelero). Serão postos em regime de licença administrativa remunerada, até que a Cisco conclua uma investigação interna.

 

PS 2: Quanto ao PT, o tesoureiro da legenda Paulo Ferreira confirmou que o partido recebeu doações da ABC Industrial e da Nacional Distribuidora, as laranjas da Cisco. Deu-se neste ano de 2007, depois de um "esforço de arrecadação." Ferreira nega que o partido tenha trocado doações por mutretas em licitação da CEF. Diz, de resto, que o PT não tem "obrigação nem possibilidade de aferir se a empresa é suspeita de alguma irregularidade fiscal ou de outra natureza, tampouco se está sendo investigada pelos órgãos públicos." Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 08h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Guerra já fecha quiosques novos

- Folha: Cisco usou laranja para doar R$ 500 mil ao PT, afirma PF

- Estadão: Remédio vira droga mais usada pelos jovens

- Globo: Sem controle, mordomia se alastra nos 3 poderes

- Gazeta Mercantil: Fechamento de capital recua pela primeira vez desde 2004

- Correio: Distritais terão que devolver R$ 2 milhões

- Valor: Venda de ações da BM&F cria grupo de milionários

- Veja: Os segredos do sono

- Época: O futuro do trabalho

- IstoÉ: Como entender seus filhos do primogênito ao caçula

- IstoÉ Dinheiro: A nova fronteira do petróleo

- Carta Capital: De volta ao país do futuro

- Exame: Na mira dos caçadores de empresas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 08h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Presidentinho vermelho!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 08h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Por que 8 anos se podemos ter a felicidade eterna?

Por que 8 anos se podemos ter a felicidade eterna?

  Angeli
O projeto de poder do “democrata” Hugo Chávez inoculou na cena política latino-americana uma interrogação incontornável. O Brasil, por exemplo, já se pergunta: por que só oito anos? Os argumentos que Lula usou para defender o direito de Chávez à presidência eterna são os mesmos que um naco do petismo usa para justificar a continuidade de seu guru.

 

Ora, se a presidência de líderes como Chávez e Lula é a condição para o sucesso, por que devemos estipular um prazo fixo para o êxito? Não, não. Absolutamente. Nada de condicionar os interesses maiores da nação e o direito do povo à felicidade suprema a uma formalidade eleitoral.

 

O princípio da alternância no poder serve para trocar o que deu errado. E Chávez, como bem realçou Lula, deu certo, muito certo, certíssimo. Tanto que “a Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos. O que não falta é discussão.”

 

Não é sem razão que o compadre Devanir Ribeiro (PT-SP) defende a concessão de poderes a Lula para convocar, também ele, plebiscitos no Brasil. Que o povo diga o que quer. Justo, muito justo, justíssimo.

 

Afinal, Lula também deu certo. Que o digam as pesquisas de opinião. Ainda que permaneça no Planalto por 12 anos, 16 anos, 20 anos, terá sido por mérito. Jamais se poderá tachá-lo de autocrata. Está-se lidando com o velho e bom líder sindical, pedra no sapato da ditadura, democrata inconfundível.

 

Sob Lula, o Brasil parece ter alcançado o governo dos três is: ideal, infalível e insubstituível. Coisa definitiva. Para um governo assim, a democracia não é senão um estorvo. Lula fez muito bem em comparar:

 

“Por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher [ex-primeira-ministra britânica, que deu as cartas entre 1979 e 1990] ficou tantos anos no poder?” E o Felipe González, “que ficou tantos anos”? Por que “ninguém se queixa do Helmut Kohl, que ficou quase 16 anos?”

 

Esqueçam-se os detalhes. Grã-Bretanha, Espanha e Alemanha são parlamentaristas. Os primeiros-ministros não têm mandatos fixos. Podem ser destituídos num estalar de dedos. São países que convivem com regras constitucionais sólidas. Detalhes. Em nome da felicidade, ninguém pode se queixar de Chávez, hoje –ou de Lula, amanhã.

 

Entre nós, só dois tipos de pessoas reclamam do cheiro de terceiro mandato: 1) os brasileiros que ainda não estão preparados para a felicidade; e 2) as viúvas de FHC, enciumadas por só ter tido oito anos, os quatro últimos adquiridos na bacia das almas do Congresso.

 

Sob Lula, o governo chegou a um grau de perfeição tão eloqüente que o brasileiro já nem precisa apoquentar-se com o velho problema do uso da máquina do Estado em anos de eleição. Na semana passada, a Câmara aprovou medida provisória que autoriza o governo a distribuir livremente as verbas do PAC durante a refrega municipal de 2008.

 

Golpe baixo, gritou a oposição, ameaçando promover uma rebelião no plenário do Senado, às voltas com a votação da emenda da CPMF. Bobagem. O Estado ideal de hoje há de cuidar para que o cidadão seja protegido contra os abusos do Estado pecador de ontem.

 

De resto, a eleição de um vistoso bloco de prefeitos “aliados” vai tonificar o projeto da re-reeleição, seguida da re-re-reeleiçao. E, quem sabe, da re-re-re-reeleição. Bem verdade que Lula já disse que não quer. Mas a felicidade eterna que um governo definitivo pode proporcionar ao povo não pode sujeitar-se à vontade de um líder democrata. Dando-se 12 anos a Lula, ele terá a oportunidade de provar que, assim como Chávez, não é o tipo de político que quer 16 anos. Entregando-lhe 16 anos, aí mesmo é que o país vai saber o que é desapego ao poder.

Escrito por Josias de Souza às 19h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Governo dará R$ 10 milhões para nova sede da UNE

  Márcio Goldzweig
Em 31 de outubro de 2007, dirigentes da UNE foram recebidos por Lula. Pediram socorro ao governo. Um socorro monetário. A entidade estudantil quer dinheiro para pôr de pé sua nova sede, no velho terreno da Praia do Flamengo, no Rio. O projeto foi cedido por Oscar Niemeyer. Estima-se que vai custar algo como R$ 40 milhões. O governo está disposto a pingar no canteiro de obras, segundo apurou o blog, entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões.

 

Numa tentativa vã de evitar que a doação ganhe o noticiário na forma de um “cala boca” do governo, decidiu-se engendrar uma manobra. O Planalto encomendará a congressistas associados ao consórcio partidário que dá suporte a Lula no Legislativo emendas que injetem no Orçamento da União os repasses à UNE.

 

A UNE obteve, em maio deste ano, a posse definitiva do terreno da Praia Flamengo. Presenteado por Getúlio Vargas à entidade no início da década de 40, o prédio que servia de sede da UNE ardera em chamas no ano da graça de 1964, alvorecer da ditadura. E fora demolido em junho de 1980, por ordem dos militares. Invadida, a propriedade convertera-se em estacionamento.

 

Os estudantes foram à Justiça e, seis meses atrás, celebraram o anúncio de uma sentença que reconhece o direito da UNE à posse do terreno. Falta-lhe agora a verba para erigir o prédio de 13 andares desenhado nas pranchetas de Niemeyer. Cumprida a promessa de Lula, restará o desafio de coletar R$ 30 milhões. Pretende-se angariar fundos com uma campanha nacional de coleta. Anseia-se também pela ajuda de empresas estatais.

Escrito por Josias de Souza às 19h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cuba vê em Lula um cavalo de tróia dos repórteres

Lula, como se sabe, vai visitar Fidel Castro. A julgar pelo comportamento da embaixada de Cuba em Brasília, o regime de Havana receia que a comitiva do presidente brasileiro converta-se numa espécie de cavalo de grego, com a barriga apinhada de repórteres ávidos por invadir a tranqüilidade da Tróia ditatorial. Leia abaixo o que saiu na seção Radar, de Veja (só assinantes):

 

 

"Ditadura não costuma falhar quando tem oportunidade de provar seu autoritarismo. E Cuba não perdeu a chance: vários jornalistas que iriam acompanhar Lula em sua viagem à ilha de Fidel Castro na próxima quinta-feira haviam pedido visto à Embaixada de Cuba em Brasília. Todos foram negados. Só entra na ilha o jornalista que o Itamaraty indicar, informou o bedel da embaixada.

 

Como na quarta-feira passada a viagem foi adiada por trinta dias, não foi preciso o Itamaraty entrar em cena. O governo Lula, entretanto, já sabe que os jornalistas brasileiros deverão chegar e partir de Havana com o presidente. Nem um minuto a mais lhes será concedido.

 

Cuba, como toda ditadura, teme a imprensa livre, mas o caso dos boxeadores desertores presos no Brasil e mandados de volta depois do Pan atormenta especialmente o regime de Fidel. Aliás, essa viagem é fruto da vontade de Lula de encontrar-se com o enfermo ditador. A partir daí, é que foi montada uma agenda de acordos bilaterais que justificassem uma visita oficial ao país."

Escrito por Josias de Souza às 18h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Presidente do Ipea nega expurgo de pesquisadores

Marcello Casal/ABr
 

 

Lula causou impressão à platéia ao dar emprego a Roberto Mangabeira Unger. Confiou ao professor a gerência de um empório ministerial de Longo Prazo. Mesmo depois de ele ter dito que o presidente, "avesso ao trabalho e ao estudo", comandava o governo mais “mais corrupto da história.”

 

Mangabeira tomou posse faz cinco meses. Disse maravilhas sobre o futuro da pátria. Coisas assim: "O engrandecimento do Brasil soará em todos os recantos da Terra, como o grito de uma criança ao nascer, prometendo um novo começo para o mundo. Presos a seus afazeres, ansiosos para esquecer que morrerão, homens e mulheres pararão por um instante, perturbados por esperança inesperada. Ouvirão nesse grito a profecia do casamento da pujança e da ternura."

 

Ainda não se tem notícia sobre o que o professor anda fazendo pelo “engrandecimento do Brasil”. Mas já se ouvem os gritos. Não guardam semelhança com o berreiro de uma criança ao nascer. Têm a dramaticidade da morte. Emanam das entranhas do Ipea, vítima do cruzamento da soberba com a falta de compostura.

 

Como se sabe, Márcio Pochmann, a quem Mangabeira confiou o comando do Ipea, expurgou do instituto quatro pesquisadores –Regis Bonelli, Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho e Gervásio Rezende. De formação liberal, o quarteto vinha compondo partituras reducionistas para um governo que prefere tocar no timbre da expansão. Expansão da máquina. Expansão dos gastos. Expansão disso. Expansão daquilo.

 

Tudo, em princípio, normal. Criado em 1964, o Ipea acumulava 34 anos de culto à diversidade de pensamento. Aproximava-se, nesse aspecto, do ambiente acadêmico. A Diferença de pontos de vista, a dessemelhança de opiniões sobreviveu até à ditadura. Pois Mangabeira e Pochmann deram um basta à diversidade.

 

Caça às bruxas? Não, não. Absolutamente. Falando à repórter Elvira Lobato, da Folha (só assinantes), Márcio Pochmann disse que o que há é uma mudança de foco do Ipea. O planejamento de médio e longo prazo vai prevalecer sobre a análise conjuntural. “A perspectiva de curto prazo é importante para os bancos e para as empresas, mas o país precisa de elementos adicionais a isso", disse.

 

Está-se, segundo Pochmann, voltando às origens do Ipea, criado há três décadas pensar o longo prazo. Desde que assumiu a presidência, em agosto, o auxiliar de Mangabeira trocou os comandos de cinco das seis diretorias e da área de macroeconomia do Ipea. O que motivou o afastamento de quatro pesquisadores foram questões administrativas, assegura Pochmann. Dois, por aposentados, estariam trabalhando em situação irregular. Quanto aos outros dois, haviam sido cedidos pelo BNDES, por meio de um convênio que está na bica de expirar.

 

Uma incômoda coincidência desvirtua as questões administrativas do Ipea. Elas só desabam sobre as cabeças de quem pensa diferente. O discurso de posse de Mangabeira Unger começa, finalmente, a fazer sentido: “Presos a seus afazeres, ansiosos para esquecer que morrerão, homens e mulheres pararão por um instante, perturbados por esperança inesperada”. A esperança ainda é rala. Mas o inesperado...

Escrito por Josias de Souza às 18h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PAC da propaganda: Mais Brasil para mais brasileiros

Vem aí um novo PAC, o Plano de Aceleração da Comunicação. Vai injetar nas arcas das agências de publicidade e dos meios de comunicação algo como R$ 150 milhões por ano. Pretende-se varar os olhos dos observadores com mensagens sobre Bolsa Família, Prouni e PAC, o do crescimento. Vai abaixo um lote de notas veiculadas na seção Painel, da Folha (só assinantes):

 

 

PAC da publicidade: Às vésperas da nova licitação para definir as três agências que dividirão o bolo de R$ 150 mi anuais da conta de publicidade da Presidência, começou a ser veiculada na quarta passada, já sob protestos da oposição, a campanha "Mais Brasil para mais brasileiros", a cargo da Lew, Lara e da Matisse, agências que restaram do contrato do primeiro mandato.


A campanha reúne do Bolsa Família ao ProUni, passando pelo PAC. A idéia é mostrar uma "rede" unindo beneficiários de todos os projetos. A oposição reclama do tom político da campanha, que custou R$ 38 mi, e fala em ir à Justiça. Diz que a peça fere o artigo 37 da Constituição, que determina "caráter educativo, informativo ou de orientação social" na propaganda oficial, que não pode caracterizar "promoção pessoal".

 


Aos poucos: No mundo da publicidade, é dado como certo que Duda Mendonça, cuja agência era a "terceira perna" da conta-mãe da Presidência, entrará na licitação. A entrega das propostas está prevista para 17 de dezembro. O ensaio da volta do baiano à cena, pós-mensalão, foi na concorrência da Petrobras, cujo resultado sai em março do ano que vem.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Governos não usam verba contra dengue

- Folha: Oferta cai e álcool sobe 9% em duas semanas

- Estadão: Investimento estrangeiro sobe 81% em 6 anos

- Globo: Oposição convocará Pochmann para explicar expurgo no Ipea

- Correio: Terra em transe

- Valor: Venda de ações da BM&F cria grupo de milionários

- Jornal do Commercio: Mais uma morte em rebelião

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mão grande!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Planalto quer que Renan renuncie até quarta-feira

Empenhado em ajudar Renan Calheiros (PMDB-AL) a obter uma segunda absolvição, o governo opera para que o “aliado” renuncie à presidência do Senado até quarta-feira (21), véspera do julgamento do novo pedido de cassação. Contatado, Renan deu sinais de que concorda. Pediu, em contrapartida, que o Planalto ajude a acomodar a bancada de senadores do PT do seu lado.

 

Conforme já noticiado aqui no blog, Renan decidiu abdicar do comando do Senado. Informou a algumas das principais lideranças da Casa que não vai pedir a renovação do seu pedido de licença, que expira em 26 de novembro. Renunciará antes disso. Em troca, quer a absolvição. E acha que o PT, a exemplo do que ocorreu no primeiro julgamento, será decisivo para que saia do plenário, de novo, ileso.

 

A tese do Planalto é a de que, tendo tomado a decisão de renunciar, convém a Renan que a torne oficial antes da sessão em que será julgado, na quinta. Nas últimas horas, o senador emitiu sinais de que concorda com as ponderações do Planalto, que coincidem com a opinião de alguns de seus principais conselheiros -José Sarneu (PMDB-AP), por exemplo.

 

Mas Renan espera obter reciprocidade. O PT reúne sua bancada na próxima terça-feira (20). Vai discutir, de novo, o caso Renan. Os senadores petistas serão liberados para votar como bem entenderem. É precisamente o que deseja Renan Calheiros. Livre do fechamento de questão, ele espera arrancar pelo menos nove votos na bancada de 12 senadores petistas, incluindo abstenções e rejeições ao pedido de cassação.

 

Em privado, Renan revela-se surpreendentemente confiante de que será absolvido novamente. Diz que, a exemplo do que ocorreu no caso em que era acusado de pagar a pensão da filha com verbas da Mendes Júnior, terá votos em praticamente todas as legendas, inclusive nos oposicionistas PSDB e DEM. Algo que, aliás, os próprios líderes dos dois partidos admitem. São poucos, pouquíssimos os senadores que apostam na decapitação de Renan. Sobretudo considerando-se que o voto será, novamente, secreto.

 

Para sensibilizar os colegas, Renan espalha, nos subterrâneos, o seguinte raciocínio: cassando-o, o Senado praticamente o eliminará da cena pública. Juntando-se o que lhe resta de mandato, os oito anos de privação dos direitos políticos e o tempo que o separaria da eleição seguinte, amargaria um jejum eleitoral de 15 anos. “Não é justo”, diz. Alega que os pecados de que lhe atribuem -a posse de empresas de comunicação em nome de testas-de-ferro, por exemplo- são cometidos por uma penca de outros senadores. Mitos, muitíssimos de seus colegas concordam com ele.

 

De resto, Renan agarra-se à emenda da CPMF para assegurar que o empenho do governo em seu favor vá além da retórica. O senador não deixa dúvidas em seus diálogos privados que dispõe de munição para torpedear o imposto do cheque caso não seja absolvido. Submetido a um placar apertado, o Planalto não deseja, de fato, produzir marolas. Bem ao contrário.

 

Embora ostente uma imagem pública rota, Renan tem o governo nas mãos. Na prática, a maioria de três quintos (49 votos) necessária à renovação da CPMF depende agora de Renan. Absolvendo-o, o governo ainda terá de buscar os votos que lhe faltam -pelo menos quatro, na contabilidade mais realista; um, na conta otimista. Se Renan for cassado, a CPMF vai para as cucuias.

 

Estima-se que o senador tem poderes para afastar do cesto de votos pró-imposto pelo menos seis senadores. É o preço que Lula paga por ter permitido que as duas cartas –o caso Renan e a CPMF— fossem ao pano verde do Senado na mesma rodada. Quem dá as cartas é Renan.

Escrito por Josias de Souza às 21h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

CNBB veicula nota sobre risco de corrupção na Copa

A CNBB, instância máxima da Igreja católica no Brasil, veiculou no portal que mantém na internet um texto curioso. “De olho no bolo e na bola”, eis o título. Redigiu-o Dom Luiz Carlos Eccel, bispo da diocese de Caçador (SC).

 

Ele comenta duas notícias recentes: a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 –“Fiquemos de olho na bola”— e a descoberta da superprovíncia petrolífera de Tupi –“É preciso ficar de olho no bolo”.

 

Sobre a Copa, o bispo Eccel anota: “Corremos o risco de, anestesiados com a notícia, ficarmos apenas na posição de espectadores deslumbrados. Assim, como poderá trazer vantagens, as desvantagens são possíveis, pelo menos para a maioria da população. O velho ditado ‘pão e circo’ tem muito de real”.

 

Acrescenta: “A partir de agora, pessoas, grupos, empreiteiras... poderão lucrar freneticamente. O governo, em parceria com o setor privado, vai investir muito em infra-estrutura e o perigo da corrupção astronômica é iminente. Fiquemos vigilantes e na militância. A bola está rolando e não podemos ficar alheios, porque o povo também pode rolar”.

 

Sobre o petróleo, o prelado escreve: “O presidente da República disse, numa reportagem, que este é um presente de Deus para o Brasil. Eu tomo a liberdade de corrigir: é um presente de Deus para o povo Brasileiro. Devido à profundidade, esta riqueza começará a render no auge da Copa do Mundo. É preciso ficar de olho no bolo”.

 

Ele adita: “Desde já, equipes técnicas estão buscando o aperfeiçoamento da tecnologia, para que o bolo venha à tona. Concomitantemente, outras equipes da sociedade civil devem se organizar, pensando nas políticas públicas, para que este presente de Deus chegue ao povo que trabalha pesado para a grandeza desta nação e que normalmente recebe migalhas”.

 

O bispo arremata assim o seu texto: “De olho atento na bola e no bolo, para que no final do espetáculo não venha a ocorrer que as lonas do circo caiam e o povo também, como sói acontecer”.

 

Em reportagem publicada na edição que foi às bancas do planeta nesta sexta-feira  (16), a prestigiosa revista britânica The Economist sustenta que a descoberta do campo de petróleo de Tupi, num país já farto de recursos naturais, é mesmo uma dádiva dos céus. "Deus pode mesmo ser brasileiro, afinal", escreve a revista, com uma ponta de fina ironia. A julgar pela opinião do bispo Eccel, abrigada no sítio oficial da CNBB, a nacionalidade do Todo-Poderoso não é garantia de felicidade. É preciso ficar “de olho”.

Escrito por Josias de Souza às 18h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Brasileiros já somam 183,9 milhões, informa o IBGE

Em sete anos (2000-2007), o Brasil ganhou mais de 14 milhões de novos habitantes. Gente a granel. O suficiente para encher um estado do tamanho da Bahia. Vieram a este pedaço de mundo para reivindicar o que lhes cabe: um cartão do Bolsa Família, uma vaga na escola pública e, lá na frente –se o acaso não atrapalhar—, um esplêndido salário de fome.

 

Contadas as novas cabeças do rebanho, o país tem agora 183,9 milhões de bocas. Os dados foram repassados ao Tribunal de Contas da União. Vão servir para que o TCU refaça os cálculos que definem as cotas a que município tem direito no FPM, o fundo de participação dos municípios no bolo de tributos que a União é obrigada a repartir com as prefeituras.

 

Neste ano, o contagem do IBGE cobriu 5.534 cidades com até 170 mil habitantes. Representam a quase totalidade (97%) dos municípios do país. O Estado de São Paulo continua abrigando o maior e o menor município –a capital, com 10,8 milhões de habitantes e a cidadezinha de 804 moradores, apenas nove a mais do que fora registrado na contagem feira sete anos atrás (795).

 

Os novos brasileiros que o IBGE acaba de injetar nas estatísticas logo, logo descobrirão o que os patrícios mais velhos já sabem: não adianta perguntar o que o país pode fazer por eles. Quando tiverem idade para compor a PEA (População economicamente Ativa), basta que paguem as cerca de oito dezenas de tributos existentes e fiquem de bico calado.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobe e desce do Ipea segue primado da parcialidade

Nas pegadas da revelação do expurgo de economistas "desafinados" do Ipea, a seção Painel, da Folha (só assinantes) adiciona pimenta no vapatá cozinhado sob Roberto Mangabeira Unger. Leia:

 

 

Sobe e desce: O afastamento de pesquisadores do Ipea não-alinhados ao governo vem acompanhado pela promoção e exposição de outros nomes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada que trabalham em sintonia com o Planalto e mantêm relações próximas com o PT.

Foi o que ocorreu com recente pesquisa de Ricardo Pereira Soares e Carlos Álvares Campos Neto -que já ocupou cargos de alto escalão na gestão petista do DF e é filho de Lauro Campos (1928-2003), senador eleito pelo partido em 1994.

 

Enquanto o governo concluía o modelo de concessão que obteve baixos preços de pedágios nas estradas federais, o instituto divulgava com alarde estudo da dupla com críticas aos contratos das rodovias paulistas fechados pela gestão tucana no Estado, com foco em "privilégios" dados às empresas.

 


Reedição: O estudo dos pesquisadores do Ipea sobre os pedágios data de junho deste ano. Em 2006, porém, o senador Aloizio Mercadante (PT) já usava os dados, atribuindo-os ao instituto, em sua campanha ao governo de São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 03h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Após os elogios, Hugo Chávez pede aplausos a Lula

Jorge Silva/Reuters
 

 

Depois das declarações-companheiras que fez na última quarta-feira (14), Lula foi convertido no mais novo garoto-propaganda da democracia bolivariana de Gugo Chávez. Leia, a propósito, notícia veiculada na Folha (só assinantes):

 

 

“Hugo Chávez comemorou ontem as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas quais o brasileiro diz que não é possível criticar a Venezuela por falta de democracia.

Ao participar de um programa de rádio, Chávez -em campanha pela reforma constitucional que prevê o direito de reeleição ilimitada- leu ao vivo as frases do presidente brasileiro em sua defesa e completou: ‘Nosso modelo socialista é eminentemente democrático’.


Um dos trechos mais festejados por Chávez foi a definição de democracia apresentada por Lula com base no exemplo da Venezuela: ‘Eu acho que na democracia é assim, a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide e a gente acata o resultado. Porque senão não é democracia’.


O presidente da Venezuela pediu aplausos ao seu colega brasileiro assim que terminou de ler a declaração na rádio. As informações sobre a entrevista foram publicadas em texto distribuído pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e a Informação.


O informe também relata que ‘o chefe do Estado venezuelano destacou o companheirismo de Lula da Silva’ e afirma que Chávez deixou claro que ‘o modelo socialista que está em construção na Venezuela e que se fortalecerá com a aprovação do projeto de reforma constitucional apresentada em agosto passado e que será submetida a referendo no próximo dia 2 de dezembro é eminentemente democrático’.


A Venezuela enfrentou protestos de estudantes e entidades sociais contra a reforma constitucional proposta por Hugo Chávez. Outro trecho comemorado por Chávez, segundo o informe do governo, foi a defesa direta do venezuelano por Lula.

 

‘Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa, inventem uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela não é. Estou há cinco anos no poder e vou chegar a oito anos, eu participei de duas eleições (...). E na Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para quê, quatro plebiscitos, ou seja, o que não falta é discussão.’


Lula falou anteontem sobre o venezuelano ao ser questionado, no Itamaraty, se ficou constrangido devido à contenda entre Chávez e o rei Juan Carlos, da Espanha, no fim de semana, em reunião de cúpula no Chile.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Dengue cresce

- Folha: SP lidera invasões de sem-terra

- Estadão: Jobim defende projeto do submarino nuclear

- Globo: Número de pobres é o menor em 17 anos na América Latina

- Correio: 7 acidentes, 3 mortos, 9 feridos

- Valor: Venda de ações da BM&F cria grupo de milionários

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Programa Fome Mil!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jobim deflagra em dezembro missão ‘segura Chávez’

  Rogério Cassimiro/Folha
O ministro Nelson Jobim (Defesa) inicia no mês que vem, pelo Chile, uma série de visitas aos países da América do Sul. Oficialmente, o objetivo da empreitada é a discussão de um plano de segurança e defesa para o continente. Privadamente, Jobim refere-se à missão como uma contra-ofensiva diplomática ao aparelhamento militar da Venezuela.

 

Há duas semanas, em conversa com um deputado que priva de suas relações, Jobim disse que seu objetivo é semear as bases para o que chamou de plano de “contenção do Chávez”. O presidente venezuelano investe a notável quantia de US$ 4 bilhões na aquisição de armas, caças e otras cositas más.

 

Nesta quinta-feira (15), em palestra no Forte de Copacabana, no Rio, Jobim disse que deseja "discutir posições da região quanto ao critério da defesa.” Sem mencionar o nome de Chávez, afirmou que os países latino-americanos devem ter “uma concepção de uma política de defesa que seja integratória.”

 

Enigmático, o ministro acrescentou: “Não pensem que decisões internas sejam possíveis sem ter uma perspectiva regional. Essa é a concepção que nós temos.” Eventuais divergência regionais, disse Jobim, não impedem que se chegue a algum tipo de entendimento.

 

No mesmo dia em que Jobim falou de “integração” e de “concepção integratória”, Chávez reiterou, em entrevista, que a Venezuela vai implementar um programa nuclear. Terá, segundo disse, fins pacíficos, exatamente como os programas da Argentina, do Brasil e do Irã.

 

Jobim, de sua parte, realçou a decisão do governo brasileiro de reaparelhar as suas Forças Armadas. Não para tonificar a capacidade de intervenção do país, mas para produzir paz: “Quem não tem Forças Armadas equipadas não tem condições de ser protagonista da produção da estabilidade da paz mundial."

 

Na conta do reaparelhamento inclui-se a conclusão de um velho sonho da Marinha: o submarino nuclear. Jobim enxergou na descoberta do mega-província petrolífera Tupi um pretexto para revigorar o projeto, agora visto como essencial para proteger as águas que guardam em suas profundezas o tesouro da Petrobras: "Esse descobrimento aguça a necessidade de produzir energia nuclear para a produção de propulsores. Não para a área de guerra, de bomba atômica, essas coisas são bobagem."

 

É no mínimo inquietante que, numa região entrecortada por flagelos sociais, os governo estejam a discutir o adensamento de seus paióis. É o que se poderia chamar de “efeito Chávez.” Para sorte geral, o compañero é, segundo a concepção de Lula, exemplo de democrata.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Renan pode renunciar à presidência semana que vem

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

Renan Calheiros (PMDB-AL) informou a algumas das principais lideranças do Senado, governistas e oposicionistas, que vai renunciar à presidência da Casa. Desistiu da idéia de renovar o pedido de licença de 45 dias, que vence no próximo dia 26 de novembro. Abdicará ao comando da Casa antes dessa data. Em troca do gesto, espera obter a preservação de seu mandato.

 

O senador vai a julgamento no plenário do Senado, pela segunda vez, na próxima quinta-feira (22). Gostaria de renunciar à presidência no dia seguinte, quando a absolvição já estivesse no embornal. Foi aconselhado, porém, a bater em retirada antes de subir o cadafalso. Sob pena de açular os ânimos da oposição, receosa de que, livre da cassação, Renan atreva-se a reocupar o gabinete de presidente.

 

A iminência do novo julgamento provocou em Renan Calheiros uma curiosa metamorfose. Antes, comparava-se ao coco –“Para tirar o coco, não basta balançar o pé que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos.” Agora, soa num timbre que revela humildade inaudita.

 

Nos diálogos que manteve nas últimas horas, Renan diz coisas assim: “Estou há três anos cumprindo esse papel [de presidente do Senado]. Chega. Não quero mais saber disso. Se tiver oportunidade, no que ainda me resta de mandato, vou tentar me recuperar do que sofri politicamente com todo esse episódio.”

 

Alertado acerca das intenções de Renan, o presidente interino do Senado, Tião Viana, pôs-se a preparar a sucessão interna. Em consulta que fez à assessoria da Casa, foi informado de que, confirmando-se a renúncia, terá de convocar eleições para a escolha do substituto de Renan em exíguos cinco dias.

 

Ou seja, se Renan renunciar até a próxima quarta-feira (21), véspera de seu julgamento no plenário, Tião terá de preparar a eleição para a semana seguinte. Assim, a votação da emenda da CPMF, prevista para dezembro, já ocorreria sob nova direção. Algo que fez acender a luz amarela no Palácio do Planalto.

 

Lula e seus operadores políticos trabalham discretamente para livrar Renan da cassação. Imagina-se que, se tiver o mandato passado na lâmina, o senador pode causar ao governo problemas adicionais. Não teria dificuldades para arrastar meia dúzia de votos contra a CPMF. Algo que, numa votação de placar apertado, pode significar a rejeição à prorrogação do tributo.

 

O Planalto gostaria de ver José Sarney (PMDB-AP) acomodado na presidência do Senado. Sarney quer. Mas condiciona o envolvimento na empreitada a uma unanimidade que parece inexeqüível. Parte do PSDB, à frente Arthur Virgílio (AM), líder do tucanato, acena com a hipótese de erguer barricadas no plenário contra uma eventual candidatura de Sarney.

 

Mesmo no PMDB, o nome de Sarney não atravessa olimpicamente toda a bancada. Um bom naco de peemedebistas considera o senador algo personalista. Diz-se que, diferentemente do que fazia Renan, prioriza nos contatos com o governo os seus próprios interesses, em detrimento das reivindicações da bancada.

 

Afora Sarney, há uma penca de nomes alternativos: José Maranhão (PMDB-PB) é o preferido de Renan. O que leva parte da oposição a rejeitá-lo. Edison Lobão (PMDB-MA), aliado de Sarney, tenta erguer-se como espécie de terceira via. No início da próxima semana, PSDB e DEM discutirão a posição a adotar. No cesto das duas legendas há nomes como o de Pedro Simon (PMDB-RS), para o qual o Planalto torce o nariz, e Garibaldi Alves (PMDB-RN), mais aceitável aos olhos de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Preconceito infelicita duas professoras de MS

Nada mais obsceno do que o cérebro. Nada mais patético no ser humano do que a nudez da cabeça. Despido, o encéfalo expõe todas as curvas e reentrâncias do preconceito humano. O que é o preconceito senão a nudez sem Freud?

 

Em Campo Grande, capital sul-mato-grossense, duas professoras acabam de ser submetidas aos rigores da impudência dos neurônios nus. Trabalhavam numa escola pública rural. Súbito, decidiram saltar do armário. Assumiram um relacionamento homossexual.

 

Uma foi demitida. Outra, indemissível, foi afastada e posta à disposição da Secretaria de Educação. Aposentou-se. A escola, por municipal, está submetida ao prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho.

 

Ouvido, Trad Filho disse ter tomado conhecimento do relacionamento das duas professoras por meio de queixas formais. Foram formuladas pela direção da escola, por um professor e por um representante da Associação de Pais e Mestres.

 

O prefeito diz ter aberto uma sindicância. Durou quatro meses. Descobriu-se, segundo disse, que o relacionamento ocorria na escola. “Esse foi o problema”, alega Trad Filho. “Nós não discriminamos nenhum tipo de preferência sexual, mas dentro do ambiente escolar um relacionamento, tanto hetero quanto homossexual, não seria adequado. Não agimos com preconceito.”

O caso foi parar na Justiça. Primo do prefeito, o advogado José Trad foi contratado pelas professoras, que reivindicam indenização de R$ 250 mil por danos morais. Ele afirma que não houve nenhuma sindicância. Como se vê, não há nudez mais transcendente do que o preconceito.

Escrito por Josias de Souza às 17h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ipea expurga economistas que divergem do governo

El Roto/El Pais
 

 

Submetido ao comando do quase ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, o Ipea vive novos tempos. Reconhecido pela independência que costumava conferir aos seus funcionários, o instituto oficial de pesquisas atravessa uma quadra de caça às bruxas. Deve-se a descoberta ao repórter Guilherme Barros, da Folha (só para assinantes). Vai abaixo a reportagem:  

 

 

“Quatro pesquisadores independentes e considerados não alinhados ao atual pensamento econômico do governo foram afastados nesta semana do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Rio, pela nova direção do instituto, vinculado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos, comandado por Roberto Mangabeira Unger.


São eles: Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli. Os dois primeiros, que estavam cedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foram informados de que seus convênios não seriam renovados no vencimento, em dezembro. Já para os outros dois, que estão no Ipea há 40 anos e faziam trabalhos regulares para o instituto, a alegação foi a de que eles já estavam aposentados.


Procurados pela Folha, por meio de suas assessoria de imprensa, os economistas Marcio Pochmann, presidente do Ipea, e João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do órgão, considerada a mais importante posição do instituto, e que fica instalada no Rio, não se pronunciaram.


A assessoria da Ipea confirmou a saída dos quatro pesquisadores, mas deu motivos diferentes dos que foram apurados pela Folha. De acordo com a versão oficial, Giambiagi e Tourinho teriam pedido para voltar para o BNDES, e, em relação aos outros dois, o Ipea informou que apenas estariam aposentados.


Segundo a Folha apurou, no entanto, Giambiagi e Tourinho teriam sido informados ou por Sicsú ou por seu assessor Renault Michel de que seus convênios com o BNDES não seriam renovados. Os dois já estavam cedidos ao Ipea pelo BNDES há vários anos.


Já Bonelli e Rezende, especialistas respectivamente em indústria e agricultura, foram convidados a deixar as salas que ocupavam no Ipea por já estarem aposentados. No governo Fernando Henrique Cardoso, Bonelli ocupou uma diretoria do BNDES, e Rezende, uma diretoria da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Para os quatro, a direção do Ipea alegou que havia irregularidades nos contratos deles com o instituto.


Os quatro pesquisadores tinham em comum também o fato de serem críticos do excesso de gastos do governo, o que contraria o pensamento tanto de Pochmann como de Sicsú, que se definem "desenvolvimentistas" e defendem um aumento da política de gastos públicos para acelerar o crescimento da economia.


O clima no Ipea é de indignação e desconforto com a saída dos quatro economistas. Ontem, pesquisadores do instituto organizaram um almoço de solidariedade, no Rio, aos quatro técnicos afastados. O ambiente era de preocupação com a nova orientação da direção do instituto.

Ditadura: Considerado um dos maiores centros do pensamento econômico do país, o Ipea, criado há 43 anos, sempre se caracterizou pela liberdade de pensamento. Mesmo no período da ditadura militar, o Ipea nunca deixou de exercitar a crítica -por exemplo, à política de distribuição de renda.


O ex-deputado Delfim Netto, que comandou a economia no período de 1979 a 1985, durante o regime militar, chegando a ser chamado de superministro, lamentou e criticou a saída dos quatro pesquisados do Ipea. Delfim foi até chamado por Pochmann -e aceitou- para assumir o cargo de conselheiro do Ipea.


’Tenho esses profissionais [os quatro pesquisadores afastados] em alta conta. São economistas dedicados à pesquisa, com boa formação acadêmica e trabalhos relevantes prestados à economia brasileira’, afirmou o ex-deputado.


Delfim lembrou-se do período do autoritarismo e de sua convivência com o Ipea, quando ministro: ‘Nunca houve censura de nenhuma natureza no Ipea. No período da ditadura, eles atacavam a ditadura à vontade e ainda recebiam aumento de salário. O que espero é que não haja nenhuma censura à pesquisa acadêmica que o Ipea tem produzido’.


Outros pesquisadores do Ipea, segundo a Folha apurou, pensam em deixar o instituto. O economista Ricardo Paes de Barros, um dos maiores especialistas do país da área social e um nome reconhecido internacionalmente, já está de passagem marcada para Chicago, nos Estados Unidos, onde irá permanecer por um tempo dando aulas e realizando seminários.

Escrito por Josias de Souza às 05h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Prefeitura recusa revisão de multas

- Folha: Lula defende democracia de Chávez

- Estadão: Conselho pede que senadores cassem Renan

- Globo: Malha aérea vai mudar de novo contra caos nas férias

- Correio: Máfia movimenta R$ 10 milhões por ano na Feira dos Importados

- Valor: Chuva alivia crise do gás e térmicas já são desligadas

- Jornal do Commercio: Força-tarefa será mantida em presídio

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 04h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Devaneios!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 04h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula chama sua base congressual de ‘queijo suíço’

Em privado, presidente diz que precisa ‘fechar buracos’

Governo detecta 14 senadores-problema; oito ‘graves’

 

  Folha
Ao tratar da guerra parlamentar que se formou em torno da emenda da CPMF, Lula oscila do otimismo desbragado à preocupação desmedida. Nesta quarta-feira (15), o presidente teve duas conversas ao pé de ouvido sobre o tema. Numa delas, com um auxiliar direto, revelou-se agoniado para “fechar os buracos” abertos em seu consórcio partidário –um “queijo suíço”, segundo suas palavras. Noutra, com um senador de suas relações, Lula mostrou-se confiante no “bom senso” dos senadores.

 

O governo detectou 14 votos cambaleantes em sua tropa de 53 aliados. Desse total, oito são considerados mais problemáticos que os demais. Limitando-se a oito, as defecções constituem um problema: na bica de enfrentar no Senado uma votação em que precisa de pelo menos 49 votos, o Planalto disporia, noves fora as pescaria que pretende fazer na oposição, apenas de 45. Estendendo-se a 13, as deserções acomodariam o governo na vizinhança de um desastre: teria de buscar na tropa inimiga pelo menos nove votos.

 

Eis aqui os oito senadores que mais apoquentam os operadores políticos de Lula: 1) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), 2) Mão Santa (PMDB-PI), 3) Pedro Simon (PMDB-RS), 4) Expedito Júnior (PMDB-RO), 5) Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), 6) Flávio Arns (PT-PR), 7) Patrícia Sabóia (PDT-CE) e 8) César Borges (PR-BA). São vistos como casos perdidos (Jarbas, Mão Santa e Simon), como empreitadas caras (Mozarildo e Expedito), como votos complicados de virar (Arns e Patrícia) e como problemas que fugiram ao controle do governo (César Borges).

 

Agora, os seis “aliados” que freqüentam a lista do Planalto na condição de votos que inspiram cuidados: 1) Jefferson Peres (PDT-AM), 2) Osmar Dias (PDT-PR), 3) Cristovam Buarque (PDT-DF), 4) Sérgio Zambiasi (PTB-RS), 5) Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e 6) Romeu Tuma (PTB-SP). A bancada do PDT, que o governo imaginava fechada com a CPMF, passou a rugir em timbre destoante. Zambiasi, Mesquita e Tuma fazem um ziguezague que inquieta o governo.

 

Com pressa, o governo decidiu agir em várias frentes. Aos senadores sensíveis aos apelos da fisiologia, oferecerá verbas e cargos. Aos programáticos, tentará levar no gogó. Pelas beiradas, vai trabalhar para convencer os governadores a exercerem pressão sobre os senadores de seus respectivos Estados, sejam eles governistas ou da oposição. Para Lula, é inconcebível que um governo como o dele, “ajustado” e “popular” não consiga arrancar do Senado a aprovação de uma emenda que todos sabem “indispensável”.

 

O presidente e seus assessores mais chegados fazem uma autocrítica. Acham que jogaram demasiadas fichas na frustrada negociação com o PSDB, açulando animosidades nas legendas associadas à coalizão governista e descuidando de casos específicos. No rol dos enciumados, o Planalto inclui o PDT. No grupo dos descuidados, arrola, por exemplo, César Borges e Romeu Tuma, dois senadores egressos do DEM.

 

Lula foi informado, nesta quarta-feira, de um boato que já ganhou os corredores do Senado: estariam avançadas as negociações de César Borges com sua antiga legenda. O senador trocaria a rejeição à CPMF pelo amolecimento da disposição do DEM em exigir da Justiça Eleitoral a punição de sua infidelidade. Romeu Tuma, um caso análogo, surpreendeu o governo ao solidarizar-se nesta quarta, em aparte no plenário do Senado, com a colega Kátia Abreu (DEM-TO), que tivera seu relatório, contrário à CPMF, rejeitado pela comissão de Justiça na véspera.

 

O Planalto surpreendeu-se também com a súbita entrada em cena do deputado cassado Roberto Jefferson (RJ). Presidente do PTB, Jefferson convocou para o dia 28 de novembro uma reunião da Executiva do partido. Confidenciou a pelo menos dois interlocutores que trama o fechamento de questão do governista PTB contra a CPMF. Os senadores Mozarildo Cavalcanti e Sérgio Zambiasi são membros da Executiva do PTB. Prevalecendo a intenção de Jefferson, passariam a dispor de respaldo partidário para cravar no painel eletrônico do Senado o voto contra o imposto do cheque.

 

Lula passou a cobrar de seus ministros partidários –Walfrido dos Mares Guia (PTB), Carlos Lupi (PDT) e Alfredo Nascimento (PR)—a restauração da fidelidade das respectivas legendas ao governo que os acomodou na Esplanada. A Mares Guia delegou, além da costura interna no PTB, o contato com os governadores. A Lupi encomendou, por meio de um auxiliar, o engajamento da bancada pedetista. A Nascimento, requisitou a virada do voto de Expedito Filho e a cooptação de pelos menos dois senadores filiados ao DEM: Jayme Campos (MT) e Jonas Pinheiro (MT), ambos muito afeitos ao DNIT, órgão que cuida da restauração de rodovias.

 

Lula se auto-incumbiu a tarefa de chamar os governadores à responsabilidade. Em privado, diz que o fim da CPMF significará a redução dos repasses de verbas federais aos Estados. Em público, começou a alardear o que considera uma obviedade. Pela manhã, em entrevista, realçou a “contradição” da bancada de senadores do PSDB, que ameaça rejeitar uma CPMF que todos os governadores tucanos querem ver aprovada. À noite, na abertura da 13ª Conferência Nacional da Saúde, disse que os adversários da CPMF terão de arcar com as conseqüências da eventual rejeição do tributo.

 

Com esse tipo de pregação, o presidente mira em especial os governadores tucanos José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas Gerais), Teotônio Vilela Filho (Alagoas), Cassio Cunha Lima (Paraíba) e Yeda Crusius (Rio Grande do Sul). De Serra espera que aja pelo alto, conversando com a cúpula do tucanato. De Aécio conta com a conquista do voto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). De Teotônio anseia pela virada do voto de João Tenório (PSDB-AL). De Cunha Lima aguarda pelo convencimento de Cícero Lucena (PSDB-PB). De Yeda, quer auxílio para tentar amaciar os votos de senadores gaúchos como Simon e Zambiasi.

 

Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) desdenha da tentativa do Planalto de cooptar votos tucanos no varejo. Afirma que a tática do governo, longe de dividir o tucanato, ajuda a soldar a convicção da bancada contra a CPMF. Diz que nem o governo erra ao apostar que o PSDB é um partido com donos. Sustenta que nem a bancada é suscetível a pressões externas nem os governadores se animariam a exigir este ou aquele comportamento dos senadores. "Eles já passaram pelo Congresso. Alguns foram líderes de bancada. Sabem como funciona a lógica do Parlamento", diz.    

Escrito por Josias de Souza às 03h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula defende Chávez e minimiza a reprimenda real

  Marcello Casal/ABr
Em entrevista que concedeu nesta quarta-feira (15), Lula tratou o compañero Hugo Chávez com extremo respeito. Elogiou-lhe a dignidade. Enalteceu-lhe a compostura democrática. Ou seja, o presidente brasileiro estava completamente fora de si.

Num instante em que parte do Congresso, à frente o protogovernista José Sarney, ameaça vetar o ingresso da Venezuela no Mercosul, sob a alegação de que o vizinho não respeita os valores democráticos, Lula saiu em defesa do amigo:

 

"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. Estou há cinco anos no poder. Vou chegar a oito anos. Eu participei de duas eleições. O que eu sei é que a Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos. O que não falta é discussão.”

 

Sem medo de ser feliz, Lula defendeu o direito de Chávez de alterar a Constituição para obter um “terceiro mandato.” Insinuou que os críticos são movidos a preconceito. “Por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher [ex-primeira-ministra britânica, que deu as cartas entre 1979 e 1990] ficou tantos anos no poder?”

 

Um dos repórteres esfregou o óbvio na cara de Lula. Lembrou que a Grã-Bretanha vive sob regime parlamentarista. Ou seja, o primeiro-ministro pode ser destituído a qualquer momento pelo Parlamento. Lula não se deu por achado: “É continuidade, não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema, o regime, de presidencialista para regime parlamentarista. Não importa o regime, mas o exercício do poder.”

 

Mencionou, além de Tatcher, dois outros ex-chefes de Estado de regimes parlamentaristas: o espanhol Felipe Gonzalez e o alemão Helmut Kohl. E injetou um abacaxi, o francês François Miterrand, no cesto de abóboras. “Ninguém se queixa do Felipe González, que ficou tantos anos; ninguém se queixa do Mitterrand, que ficou tantos anos; ninguém se queixa do Helmut Kohl, que ficou quase 16 anos”, disse Lula.

 

Quando escora seu argumento na trajetória de ex-primeiros-ministros longevos, Lula apenas tortura os meios para atingir um fim. Quando enfia Mitterrand na tortuosa peroração que erigiu para defender impensável, levou às últimas conseqüências a ofensa à lógica. A França é República semi-presidencialista. Eleito pelo povo, o presidente nomeia o primeiro-ministro.

 

François Mitterrand presidiu a França por 14 anos (1981-1995) porque obteve do povo dois mandatos. Mandatos que a Constituição da França fixa em sete anos. Desceu ao verbete da enciclopédia sem enodoar a biografia com alterações constitucionais de fancaria. Fez dois governos dignos de críticas, sobretudo o segundo. Mas não merece a desfeita de ser comparado a Chávez.

 

De resto, Lula considerou que “não houve exagero” da parte de Chávez ao chamar o ex-primeiro-ministro espanhol José María Asnar de “fascista”. “Houve uma fala do Chávez, que o rei achou que era demais, que era uma crítica ao ex-primeiro-ministro da Espanha que tinha apoiado o golpe venezuelano no primeiro momento. Essas coisas acontecem. Obviamente, a diferença qual é? Que o rei estava na reunião. Quem falou ‘cala-te’ foi o rei, não foi um de nós, porque, entre nós, nós divergimos muito”. As considerações de Lula vieram no vácuo dos últimos rugidos de Chávez na direção da Espanha. Bramidos tonificados por um sussuro de Evo Morales, o presidente da Bolívia (assista).

 

Chávez tem todo o direito de cultivar sobre Aznar a opinião que bem entender. Eleito democraticamente, foi vitimado, em 2002, por um golpe de generais sem tropa, apoiados por bando de empresários oportunistas, amparados por um naco de mídia parcial. Coisa inaceitável. Tão reprovável quanto o fracassado golpe que o coronel Chávez tentara aplicar dez anos antes, em 1992.

 

O que se discute é a má educação do compañero. Valer-se de uma cúpula internacional, realizada em terra estranha, para jogar na cara de José Luís ‘Exijo Respeito’ Zapatero e de Juan ‘Por que não te calas’ Carlos um episódio que não lhes diz respeito é coisa de histrião desgovernado. Lula disse: “Se nós dermos menos palpite nas regras do jogo dos outros países e olharmos o que nós estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando.” Tem razão. Mas daí a considerar a Venezuela de Chávez um exemplo de democracia vai enorme distância.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Líder do PTB quer ‘repensar’ apoio ao governo Lula

  José Cruz/ABr
O protogovernista Epitácio Cafeteira (MA), líder do PTB no Senado, enviou ao companheiro de bancada Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) uma carta de teor surpreendente. No texto, Cafeteira diz não ter sido consultado sobre a decisão que resultou na substituição de Mozarildo por Idelli Salvatti (PT-SC), na sessão em que a emenda da CPMF foi votada na comissão de Justiça do Senado.

 

Cafeteira anotou: “Tendo em vista esse lamentável fato, julgo ser este o momento ideal para que nós, membros da bancada do PTB no Senado, repensemos, serena e tranqüilamente, nossa participação no bloco de apoio ao governo.”

 

O líder do PTB foi além: “Entendo que nosso partido não está recebendo tratamento condizente com o seu tamanho [seis senadores], a sua representatividade e, principalmente, a sua grandeza nesta Casa [...]. Acredito, portanto, que, com o diálogo e com a contribuição de toda a bancada, possa agir com maior independência, atuando conforme nossas decisões internas e nossos compromissos e princípios partidários.”

 

A carta de Cafeteira a Mozarildo é datada de 13 de novembro. Nesse mesmo dia, o deputado-cassado Roberto Jefferson (RJ), presidente do PTB, expediu ofício convocando para o próximo dia 28 de novembro uma reunião da Executiva do partido. A pauta do encontro, conforme já noticiado aqui no blog, só tem dois itens:

 

1. Posicionamento e orientação da bancada no Senado sobre CPMF;

 

2. Apoio e desagravo ao senador Mozarildo Cavalcanti.

 

A pedido de Roberto Jefferson, o próprio Mozarildo convidou a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) para fazer uma exposição aos membros da Executiva do PTB. A senadora é autora do relatório que pediu a extinção da CPMF, derrotado na comissão de Justiça do Senado. Ao convidar Kátia para debulhar o seu parecer diante dos dirigentes do PTB, Jefferson como que manda um recado ao Planalto.

 

Num instante em que o Planalto, submetido a contas apertadas, vai de senador em senador para aliciar votos em favor da CPMF, o recado de Jefferson não é coisa que possa ser negligenciada. Sobretudo depois de ter sido adensado pela surpreendente carta de Cafeteira.

 

O PTB integra no Senado o bloco de apoio ao governo, liderado pela petista Ideli Sanvatti (SC). Foi de Ideli a decisão de afastar Mozarildo, contrário ao imposto do cheque, da CCJ. Substituiu-o pessoalmente. “Caso tivesse sido consultado sobre esse assunto, seria prontamente contrário à decisão tomada”, escreve Cafeteira em sua correspondência. Curiosamente, Cafeteira participou, ele próprio, da votação da CPMF na comissão de Justiiça. Votou contra o relatório de Kátia Abreu e a favor do texto alternativo, de Romero Jucá (PMDB-RR).

 

“Entendo que, desde que fui escolhido por meus pares para exercer a honrosa liderança do PTB nesta Casa, todas as deliberações de interesse do partido têm sido pautadas pelo consenso e pelo diálogo com todos os membros da bancada, dentro do espírito democrático”, anota ainda Cafeteira.

 

É mais um incêndio que Walfrido dos Mares Guia, coordenador político de Lula, terá de administrar. O ministro, a propósito, é filiado ao PTB. Desde o estouro do escândalo do mensalão, em 2005, Walfrido vem medindo forças com Roberto Jefferson.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Conselho de Ética pede, de novo, cassação de Renan

  Sérgio Lima/Folha
O Conselho de Ética acaba de aprovar, por 11 votos a três, o relatório do senador Jefferson Peres (PDT-AM), que recomenda ao plenário do Senado a cassação do mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL). Foi uma lavada. O caso segue agora para a comissão de Justiça e, dali, para o plenário, onde deve ser votado, segundo o presidente interino Tião Viana (PT-AC), em 22 de novembro.

 

Jefferson considerou que há evidências eloqüentes de que Renan valeu-se de “laranjas” para adquirir, em sociedade secreta com o usineiro João Lyra, um jornal e duas emissoras de rádio em Alagoas. Exceto pelos três representantes da milícia congressual de Renan com assento no conselho –os peemedebistas Wellington Salgado (MG), Almeida Lima (SE) e Valdir Raupp (RO)— todos os outros senadores, incluindo os petistas, referendaram o relatório pró-cassação.

 

Antes de aprovar o texto de Jefferson Peres, o conselho mandara ao arquivo um outro processo, aquele em que Renan era acusado de fazer lobby em favor da cervejaria Schincariol. Relatou-o o senador João Pedro (PT-AM). Na votação seguinte, o mesmo João Pedro engrossou o bloco dos que votaram favoravelmente ao relatório de Jefferson.

 

O fato de Renan voltar ao cadafalso não significa que será condenado. Recorde-se que, no primeiro processo –pagamento de pensões alimentícias com verbas da Mendes Júnior—, o Conselho de Ética também recomendara a cassação. E, no plenário, Renan foi absolvido.

 

São fortes as possibilidades de que, nos próximos dias, Renan Calheiros anuncie a renúncia ao cargo de presidente do Senado. A licença que pediu no mês passado vence em 26 de novembro. Renan e seu grupo imaginam que renúncia pode contribuir para uma segunda absolvição.

 

Nunca é demasiado recordar que a votação em plenário será, de novo, secreta. O Senado aprovou o projeto que torna abertas as sessões de julgamento dos senadores acusados de quebra do decoro parlamentar. Porém, as emendas constitucionais que instituíam o voto aberto não mereceram do Senado a mesma agilidade. Conclusão: no escurinho do painel eletrônico, tudo pode acontecer. Inclusive o impensável.

Escrito por Josias de Souza às 19h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Lula, PSDB é contraditório em relação à CPMF

Pela primeira vez, Lula jogou a toalha no esforço que empreendia para obter o apoio do PSDB à emenda que prorroga a CPMF até 2011. Nesta quarta-feira (14), o presidente realçou a “contradição” dos senadores tucanos, que decidiram votar em sentido contrário ao desejo dos governadores do partido. Mas, como que resignado, deixou claro que não pretende fazer nem apelos nem novas concessões.

 

Disse Lula: "Certamente acho que há uma contradição enorme dentro do PSDB porque a governadora do Rio Grande do Sul [Yeda Crusius] quer que aprove a CPMF, o governador da Paraíba [Cássio Cunha Lima] quer que aprove a CPMF. O [governador José] Serra quer que aprove a CPMF. O [governador] Aécio [Neves] quer que aprove a CPMF."

 

Perguntou: "Eu quero saber se os governadores do PSDB querem a CPMF, por que os senadores votariam contra? De qualquer forma pode ser que algum senador que seja senador em um Estado em que ele seja inimigo do governador, ele queira trabalhar contra. Mas se ele [senador] for pelo menos um brasileiro de bom senso que entenda a realidade dos Estados, certamente ele [senador] votará [a favor]".

 

De resto, Lula afirmou que não pretende avançar em relação às concessões enunciadas pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) na reunião que tivera, na véspera, com lideranças dos partidos associados ao consórcio governista. Se é assim, o Planalto arrisca-se a arrostar problemas não mais com o PSDB, mas com os seus próprios “aliados”.

 

Recorde-se que, na votação realizada na comissão de Justiça do Senado, o líder do PDT, Jefferson Peres (AM), declarou-se “insatisfeito” com os termos da negociação proposta por Mantega. Para votar a favor da CPMF, exige que o governo apresente um mecanismo legal de controle dos seus próprios gastos correntes.

 

Jefferson disse que não falava por toda a bancada do PDT, integrada por cinco senadores. “Talvez eu expresse a opinião de dois ou três senadores do meu partido”, disse. Ele declarou que, na CCJ, se absteria. No plenário, porém, converteria abstenção em voto contra o imposto do cheque caso o governo não avançasse em sua proposta. Ou Jefferson está blefando, o que não combina com o seu perfil, ou o governo está na bica de perder “dois ou três votos” que, num placar apertado, pode conduzir à derrota.

Escrito por Josias de Souza às 18h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nelson Jobim promete tranqüilidade nos aeroportos

  Folha
O ministro Nelson Jobim (Defesa) assegurou, nesta quarta-feira (14), que as autoridades responsáveis pelo setor aéreo estão a postos e devidamente preparadas para lidar com eventuais reincidências de encrencas nos aeroportos brasileiros durante o final de semana –esticado pelo feriado desta quinta.
"Provavelmente, teremos um tranqüilo final de semana."

 

"Evidente que a questão meteorológica nós não controlamos”, ressalvou Jobim. “No mais, está tudo sob controle." Ou seja, quem planeja viajar de avião deve pôr as barbas de molho. Nessa área, sempre que o governo disse ter as coisas “sob controle” a situação desandou. De resto, rogue-se aos céus para que as chuvas sejam leves.

Escrito por Josias de Souza às 17h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chávez ‘exige’ que Juan Carlos lhe peça desculpas

 

"O mínimo que ele deveria fazer era pedir desculpas e dizer ao mundo a verdade", eis o que disse o compañero Hugo Chávez nesta quarta-feira (14). Para o presidente venezuelano, as escusas do monarca espanhol Juan ‘por que não te calas’ Carlos deveriam ser extensivas à comunidade ibero-americana.

 

E se o rei não pedir perdão? Bem, neste caso, Chávez vai reavaliar as relações entre a Venezuela e a Espanha. Desde logo, afirma que os investimentos espanhóis “não são imprescindíveis" ao seu país. Chega mesmo a acenar com a hipótese de nacionalizar empresas pertencentes a súditos de seu novo desafeto.

 

Na véspera, Chávez dissera coisa ligeiramente distinta: "Eu não quero conflito com o rei." Repisara, de resto, a lorota de que não ouvira a admoestação de Juan Carlos, sentado a curtíssima distância dele na cúpula ibero-americana realizada no Chile: "Alguns dizem que desrespeitei o rei. Eu nem ouvi o rei. Só vi depois o que ele tinha dito."

 

"O rei teve sorte porque eu não o escutei”, acrescentara Chávez. “Eu poderia ter sido muito duro na resposta [...]. Alguns dizem que desrespeitei o rei. Eu nem ouvi o rei. Só vi depois o que ele tinha dito." De resto, Chávez tenta arrastar outros mandatários –Lula inclusive— para o epicentro de uma pinimba que é pessoal.

 

"Acredito que nós estivemos muito tempo calados. Há 500 anos, aqui nestas terras, se levantou um grito de rebeldia, e da Madri imperial saiu a ordem de que nos calássemos. A Fidel (Castro) e a mim, eles agüentavam. Mas agora chegou Evo (Morales), (Daniel) Ortega, Lula. Ele (o rei espanhol) estava cansado de ouvir a todos. O cale-se foi para todos nós. Nós não somos seus súditos, se é que ele ainda nos vê assim."

 

Se Lula tiver um pingo de juízo, fica longe dessa confusão. A sabedoria popular ensina que não se deve bater palmas para maluco dançar.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: Prefeitura programa mais multas e pardais

- Folha: Comissão aprova prorrogação da CPMF

- Estadão: Governo quer mais de 50% das receitas da megajazida

- Globo: Governo cede e tem primeira vitória para prorrogar CPMF

- Correio: PF prende 15 por contrabando no DF

- Valor: Chuva alivia crise do gás e térmicas já são desligadas

- Jornal do Commercio: Outro dia de cão

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Papai Noel existe!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

EUA torram US$ 1,5 tri com sua máquina de guerra

Quando um Estado decide ir à guerra, a primeira vítima é o pagador de impostos. Veja-se, a propósito, o caso dos contribuintes dos EUA. Foram alvejados em US$ 1,5 trilhão. É esse o custo da intervenção norte-americana no Iraque e no Afeganistão, segundo estudo feito pelo oposicionista Partido Democrata.

 

Traduzida em reais, a encrenca em que os EUA meteram os seus contribuintes alça à casa dos R$ 2,7 trilhões. É dinheiro graúdo. Corresponde a quase o dobro da dívida pública brasileira, estimada em R$ 1,5 trilhão. De acordo com os cálculos expostos no estudo, as duas guerras já custaram, em média, mais de US$ 20 mil para cada família norte-americana.

 

Analistas independentes receberam a estimativa do “custo imperialismo” com um pé atrás. Afirmam que é muito difícil calcular com tamanha precisão o impacto financeiro de uma guerra. Seja como for, barato é que não deve estar saindo.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo admite que ainda não tem votos para CPMF

  Glauco
Em público, o governo diz que já dispõe dos 49 votos de que necessita para aprovar a emenda da CPMF no Senado. O ministro Guido Mantega (Fazenda) chegou mesmo a afirmar que os votos do PSDB, cortejados por ele até bem pouco, não são mais necessários. Entre quatro paredes, porém, ouve-se coisa diferente.

 

A despeito das concessões que já fez, o Planalto contabiliza em 45 os senadores supostamente comprometidos com a renovação do imposto do cheque. O próprio Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula, deixou escapar o número num diálogo que manteve no Senado nesta terça-feira (13).

 

Deu-se logo depois da votação em que o relatório de Jucá, pró-CPMF, foi aprovado na comissão de Justiça. No instante em que cumprimentava o líder governista, uma senadora perguntou-lhe se o governo já estava preparado para o round seguinte, no plenário do Senado. E ele: “Só temos 45 votos.”

 

Curiosamente, o número governo chega a ser mais pessimista do que o da oposição. O DEM, porta-estandarte do bloco anti-CPMF, estima que Lula dispõe, por ora, de 48 votos, um a menos do que precisa. ‘Demos’ e tucanos não têm a pretensão de vencer. Querem apenas impedir que o Planalto ganhe.

 

Dito de outro modo: a oposição não precisa obter 49 votos. Luta para evitar que o consórcio partidário de Lula chegue a esse patamar. E acha que, mantido o quadro atual, vai conseguir. Contabiliza em sua tropa, por enquanto, 33 senadores. Estão distribuídos assim: 14 do DEM; 13 do PSDB; três do PMDB (Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e Mão Santa); um do PTB (Mozarildo Cavalcanti); um do PR (Expedito Júnior) e um do PSOL (José Neri).

 

É difícil imaginar que um senador como Expedito Júnior (PR-RO), filiado a uma legenda egressa do mensaleiro PL, vá votar contra o governo. O que dá segurança à oposição para incluí-lo na sua lista é a palavra de Paulo Skaff, presidente da Fiesp. Em diálogo com um dirigente do DEM, Skaff disse ter “amarrado” o voto de Expedito. A conferir.

 

Seja como for, a intranqüilidade do governo foi tonificada, nesta terça-feira (13), pela manifestação de Jefferson Peres (AM), líder do PDT. Para o Planalto, a legenda presidida pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho) já havia fechado questão em favor da CPMF. Não foi o que se verificou, porém, na votação da comissão de Justiça do Senado.

 

Membro da comissão, Jefferson Peres se absteve de votar. E avisou que sua abstenção será convertida em voto contra no plenário do Senado caso o governo não se comprometa com a adoção de um mecanismo legal de redução dos gastos correntes. Exigência que o PSDB já fizera e que o governo refutara. Além do líder do PDT, outros dois senadores do partido flertam com a rejeição à CPMF: Cristovam Buarque (DF) e Osmar Dias (PR).

 

No PMDB, Valter Pereira (MS) inspira dúvidas permanentes no governo. Como se fosse pouco, uma dupla de senadores que pulou a cerca do DEM para legendas do consórcio lulista –César Borges (PR-BA) e Romeu Tuma (PTB-SP)— também já não parecem confiáveis aos olhos do governo.

 

Borges e Tuma estão com a faca no pescoço. O DEM ameaça recorrer ao TSE para recuperar os dois mandatos. Em privado, César Borges disse a um senador do PSDB que admitiria posicionar-se contra a CPMF se a direção do DEM o deixar em paz. Tuma disse a um dirigente ‘demo’, também em reserva, que vai votar contra a prorrogação do imposto do cheque, uma posição que firmara, segundo diz, antes de mudar de legenda.

 

Às voltas com tantas dúvidas, o Planalto e seus operadores têm fundadas razões para ostentar inquietude. É preciso considerar, porém, que Lula está lidando com um Legislativo sensível ao tilintar de cargos e verbas. Instrumentos que, na Câmara, o Planalto não teve pejo de usar. Estima-se que a emenda da CPMF vá a voto no plenário do Senado, em primeiro turno, entre os dias 11 e 18 de dezembro. Ou seja, o Planalto dispõe de tempo para barganhar.

 

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) desdenhou da higidez da oposição. Disse que, na hora da colheita, sempre pingam alguns votinhos do PSDB e do DEM na horta do governo. Abespinhado, Demóstenes Torres (DEM-TO) dirigiu à líder do PT o mesmo comentário com que Juan Carlos, o monarca da Espanha, fustigou o compañero Hugo Chávez: “Por que não se cala?” Em verdade, porém, certos senadores ‘demos’ –os mato-grossenses Jaime Campos e Jonas Pinheiro, por exemplo—não parecem insuscetíveis aos instrumentos de sedução do governo.

 

Para fustigar o PSDB, Ideli diz que os governadores de Estado são favoráveis à prorrogação da CPMF. Embora não diga os nomes, refere-se em especial aos tucanos José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas) e Ieda Crusius (Rio Grande do Sul). Em resposta, Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, diz: “O PSDB não tem aiatolás. Do mesmo modo que não digo aos governadores onde devem fazer pontes, eles não me dizem como devo comandar a bancada.” Na votação da CCJ, os quatro votos tucanos foram despejados no relatório de Kátia Abreu, anti-CPMF. Entre eles o de Lúcia Vânia (PSDB-GO), uma senadora que freqüentava a lista do governo na condição de cooptável.

Escrito por Josias de Souza às 01h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo leva 1º round, mas sai do ringue arqueado

  J.Freitas/Ag.Senado
Como previsto, o governo levou o primeiro round da refrega da CPMF, na comissão de Justiça do Senado. Venceu por pontos, não por nocaute. Manobra daqui, reúne dali, promete d’acolá, o Planalto amealhou 12 votos. A oposição, nove.

 

Registraram-se dois golpes abaixo da linha da cintura: contrários ao imposto do cheque, Pedro Simon (PMDB-RS) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) foram empurrados para fora da área de combate. Uma dupla de proto-governistas -Ideli Sanvatti (PT-SC) e Valdir Raupp (PMDB-RO)- assumiu o lugar deles.

 

Não fosse pela abstenção de Jefferson Peres (PDT-AM), o Planalto teria cravado o placar que previra na noite da véspera: 13 a nove. Errou por um voto. Mas obteve o que desejava: autor do voto pró-CPMF, Romero Jucá (PMDB-RR) vai ao plenário do Senado na condição de relator. E o governo livrou-se de Kátia Abreu (DEM-TO), que o vinha torturando com os prazos regimentais.  

 

Embora vitorioso, o governo deixou o ringue da CCJ com a espinha arqueada. Ficou evidente que lhe fogem os votos. Jefferson Peres, falando em nome de “dois ou três senadores” do PDT, disse que, sem um redutor de gastos públicos, transformará a abstenção da CCJ em voto contra no plenário.

 

Valter Pereira (PMDB-MS) disse que, “lamentavelmente”, teve de votar contra o parecer de Kátia Abreu (DEM-GO), a quem cobriu de elogios. Acenou com a hipótese de dar meia-volta no plenário caso o governo não faça isso ou aquilo –do envio de um projeto de reforma tributária à renegociação das dívidas dos ruralistas.

Escrito por Josias de Souza às 22h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na CCJ, Jefferson Peres avisa que vai se abster

  Folha
O governo acaba de perder um voto na comissão de Justiça do Senado. Jefferson Peres (AM), líder do PDT, disse que vai se abster na votação da CPMF. Reclama a criação, por meio de lei ou mudança constitucional, de um mecanismo que imponha ao governo  uma redução dos gastos públicos.

 

Jefferson Peres explicou que não falava por toda a bancada de cinco senadores do PDT. “Devo estar interpretando a posição de dois ou três senadores do meu partido.” Em seguida, fez uma advertência preocupante para o governo:

 

“Deixo bem claro: lá no Plenário [do Senado] vou votar ou sim ou não. Se até lá o governo mandar uma proposta satisfatória, voto pela prorrogação da CPMF. Se não me satisfizer, vou votar contra. Aqui [na CCJ] vou me abster. Lá não me absterei. Vou me abster como quem diz ao governo: Sua proposta não me agrada, mas ainda vou lhe dar o crédito, até o plenário.”

 

O líder do PDT acrescentou: “Não acho que a rejeição [da CPMF] seja um tsunami, mas acho que vai gerar, sim, turbulências, num cenário internacional incerto, que começa a ficar cinzento. Mas, ainda assim, corro o risco de votar contra a CPMF no plenário se o governo não criar um mecanismo para estancar a hemorragia dos gastos públicos.”

 

Com a abstenção de Jefferson Peres, cai a perspectiva de triunfo que o governo esboçara na noite da véspera. Em vez de 13 votos, o governo conta, por ora, com 12. É o bastante para prevalecer sobre a oposição, que só conta com nove votos. Mas vão se avolumando os riscos que assediam a votação do imposto do cheque no plenário do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 17h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PTB discute o fechamento de questão contra a CPMF

  Folha
Dono de uma bancada de seis senadores, o PTB convocou a sua Executiva nacional para deliberar sobre a CPMF. Será no próximo dia 28 de novembro, em Brasília. Vai à mesa a proposta de fechar questão contra a renovação do imposto do cheque no Senado. Se aprovada, injeta-se uma nova pedra no sapato de Lula.

 

O encontro da Executiva foi marcado nesta terça-feira (13) pelo ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente do PTB. Ele se irritou com a manobra governista que resultou no afastamento do correligionário Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) da comissão de Justiça do Senado.

 

Jefferson anotou na pauta da reunião da Executiva do PTB apenas dois itens: 1) Posicionamento e orientação da bancada no Senado sobre CPMF; 2) Apoio e desagravo a Mozarildo Cavalcanti. A pauta é, em si mesma, reveladora. Mas nada revela mais sobre a movimentação de Jefferson do que um gesto praticado à margem da folha de papel.

 

O presidente do PTB convidou Kátia Abreu (DEM-TO) para expor aos membros da Executiva do partido os detalhes do relatório em que sugere o fim da CPMF. Jefferson incumbiu o próprio Mozarildo de formular o convite à senadora ‘demo’. Ela topou na hora.

 

Para desassossego do governo, o PTB é o partido de Walfrido dos Mares Guia, o coordenador político de Lula. Desde o mensalão, denunciado por Jefferson em 2005, Mares Guia mede forças com o ex-deputado no interior do partido. Uma eventual decisão adversa da Executiva teria o peso de uma constrangedora derrota para o ministro.

 

O PTB havia delegado às suas bancadas na Câmara e no Senado a decisão acerca do que fazer na votação da CPMF. Na Câmara, comandada por José Múcio (PTB-PE), líder de Lula, os deputados petebistas ajudaram a aprovar a emenda que estica até 2011 a vigência do imposto do cheque. Agora, antes da votação no Senado, Jefferson avoca a decisão à Executiva.

 

“Diante desses métodos antidemocráticos do governo, o PTB vai resolver por meio da Executiva”, explica Mozarildo Cavalcanti, que leu no plenário do Senado a convocação assinada por Roberto Jefferson. Experiente a mais não poder, o presidente do PTB não ignora a importância da CPMF para o governo. Em nota veiculada no seu blog, Jefferson associa a renovação do tributo à corrida presidencial de 2010. Escreveu o seguinte:

 

“A batalha da CPMF no Senado é luta de morte. Se ganhar, o governo voará em céu de brigadeiro até a sucessão. Caso perca, o que acho difícil, terá início o ocaso do governo Lula. Olhando assim, parece impensável, pois ele vem nadando de braçada com a economia nos trilhos, a oposição Coca-Cola que não lhe tira o sono (aliás, lhe provoca bocejos) e as altas taxas de popularidade que Lula desfruta. Mas não esqueçam, a sucessão bate à porta, e Lula será carta fora do baralho. Ou não? Caso a prorrogação da CPMF passe, não se iludam, ninguém segura o lulismo”.

 

Os seis senadores do PTB são: Epitácio Cafeteira (MA), Gim Argello (DF), João Vicente Claudino (PI), Mozarildo Cavalcanti (RR), Romeu Tuma (SP) e Sérgio Zambiasi (RS). Dois deles, Mozarildo e Zambiasi, são membros da Executiva.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo substitui Simon por Valdir Raupp na CCJ

  Gustavo Duarte
Um dia depois de ter arrancado Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) da CCJ, o governo acaba correr a lâmina, de novo, no plenário da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Dessa vez, foi ao solo a cabeça de Pedro Simon (PMDB-RS). Foi substituído na comissão pelo líder do seu partido, Valdir Raupp (RO). A troca foi feita já no início da sessão em que serão votados serão votados os pareceres sobre a emenda da CPMF.

 

O voto de Simon era uma das grandes preocupações do governo. O senador gaúcho vinha remoendo dúvidas desde a semana passada. Ora pendia para a rejeição ao imposto do cheque, ora dava a entender que iria aprovar a prorrogação do tributo. A oficialização de seu afastamento traz à tona o óbvio: o Planalto não conseguiu atrair Simon para o seu lado. E, receoso de perder um voto, mandou-o passear.

 

Além de Simon, o consórcio governista viu-se compelido a substituir outro membro da comissão de Justiça: Gilvan Borges (PMDB-AP). Foi trocado por Roseana Sarney (PMDB-MA). Neste caso, o problema não parece relacionado a nenhuma contrariedade ou dissidência. Alegou-se que, abalado com a morte de um familiar, Borges licenciou-se. Daí a substituição. 

 

O troca-troca de última hora permite ao governo elevar o nariz acima da linha d'água na CCJ. Será aprovado o relatório de Romero Jucá (PMDB-RR), pró-CPMF. Vai ao lixo o texto de Kátia Abreu (DEM-TO), anti-CPMF. O problema do governo se transfere para o plenário do Senado. 

 

Plenário não é comissão. Ali, o senador não é passível de substituição. Cada um é o senhor do próprio voto. Ou seja: para obter os 49 votos de que precisa, o Planalto terá de usar a lábia, não a faca. Certos senadores podem ser amolecidos por verbas e favores oficiais. Não é o caso, porém, de gente como Pedro Simon. Em nota, Simon informa que, no plenário, vai votar contra a continuidade do imposto do cheque.  

 

PS.: A ilustração da notícia vem do Blog do Gustavo Duarte, que vale a visita. 

Escrito por Josias de Souza às 15h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De Adib Jatene para Paulo Skaf: 'Tem que pagar!'

  Marlene Bergamo/Folha
Pai da CPMF, o cardiologista Adib Jatene, ex-ministro da Saúde de FHC, guarda uma mágoa de Lula. Na época em que arregaçava as mangas para aprovar a CPMF no Congresso, no final de 1996, Jatene reuniu-se duas vezes com Lula, à época presidente do PT. Rogou para que o petismo não fechasse questão contra a criação do imposto do cheque, que seria integralmente destinado à Saúde.

 

A investida de Jatene resultou infrutífera. O então deputado Eduardo Jorge, único petista a votar a favor da CPMF, recebeu uma reprimenda do partido. Aprovada a nova “contribuição”, o ministério da Fazenda, gerido à época por Pedro Malan, tratou de apropriar-se de parte da arrecadação. Abespinhado, Jatene pediu as contas.

 

Hoje, o genitor da CPMF teria todas as razões para dar o troco a Lula. Porém, tornou-se um dos mais fervorosos defensores da renovação do tributo até o ano da graça de 2011. Insurge-se, sobretudo, contra os empresários. Acha que a plutocracia quer acabar com a CPMF porque o tributo, além de insonegável, tornou-se valiosa ferramenta de detecção de fraudes tributárias.

 

Num evento ocorrido em São Paulo, Jatene avistou-se com o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, um dos mais destacados soldados do pelotão de “coveiros” da CPMF. “Tem que pagar”, disse. Os detalhes da conversa foram captados pela coluna de Mônica Bergamo. Encontram-se na Folha (só assinates). Seguem abaixo:

 

 

“Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, ‘pai’ da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: ‘No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda’.

 

 

Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: ‘Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!’. E Jatene: ‘Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais’. Skaf continua: ‘A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?’. E Jatene: ‘Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões’. Skaf diz: ‘A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF’. ‘É que a CPMF não dá para sonegar!’, diz Jatene.

 

 

Skaf circula. O deputado Adriano Diogo, do PT, levanta o dedo positivo para ele: ‘E aí, contente em detonar a saúde?’. Nova discussão. ‘Não adianta. São visões de mundo diferentes’, conforma-se o empresário. Em outra mesa, Tião Viana (PT-AC), presidente do Senado, diz que a votação da CPMF segue indefinida. ‘Está difícil para os dois lados.’

 


Cada um dos 400 convidados do jantar desembolsou R$ 250, com direito a saladas, tortellis e carnes preparadas pelo médico David Uip, por José Aristodemo Pinotti e por Paulo Renato Souza. Em meio aos comes e bebes, uma boa notícia: o BNDES negociou a dívida do Incor: de R$ 140 milhões, ela caiu para R$ 80 milhões. O governo de SP pagará R$ 40 milhões. O próprio Incor, os outros R$ 40 milhões, em dez anos. Uma das últimas ‘missões’ de David Uip, que deixará a presidência do Incor em dezembro, será a assinatura do acordo com o banco.”

Escrito por Josias de Souza às 03h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: Brasil gasta R$ 122 bilhões com servidores públicos

- Folha: Governo manobra para tentar prorrogar a CPMF

- Estadão: PF prende gangue que fraudava obras no NE

- Globo: Governo vai propor uma nova lei geral de petróleo

- Gazeta Mercantil: Fechamento de capital recua pela primeira vez desde 2004

- Correio: Julgamento separado para assassinos de Maria Cláudia

- Valor: Banco dos EUA paga igual a brasileiro para captar

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Blogs'fera'!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Planalto conta com vitória de 13 a 9 na 1ª batalha

Para evitar surpresa, ministros se reúnem com aliados

Governo vai acenar com a redução futura de alíquota

Oposição joga toalha na CCJ e se arma para o plenário

 

Ordem Serrada/Chico Quintas Jr.

 

O consórcio governista festejava, à noite, a derrota que pretende impor à oposição na tarde desta terça-feira (13). Pelas contas do Planalto, o relatório paralelo de Romero Jucá (PMDB-RR), favorável à emenda da CPMF, prevalecerá sobre o texto de Kátia Abreu (DEM-TO), que pede o fim do imposto do cheque, por um placar de 13 a 9.

 

Lideranças da própria oposição davam como favas contadas o triunfo dos rivais neste confronto inaugural da guerra da CPMF, marcado para as 16h, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Farejando o infortúnio, o DEM, agora revigorado por um PSDB que exibe renovado ânimo oposicionista, prepara-se para a segunda batalha, no plenário do Senado.

 

José Agripino Maia (RN), líder do DEM, ainda alimentava, na noite desta segunda-feira (12), uma derradeira esperança. Sonhava com deserções de última hora na tropa governista. “O Valter Pereira (PMDB-MS) costuma surpreender”, dizia, sem deixar de reconhecer que a hipótese de uma reversão do quadro é remota. "Cumpri com a minha obrigação", afirmava, em tom de resignação, a relatora Kátia Abreu. Na mesma linha, lideranças do tucanato, entre elas Arthur Virgílio (AM) e Sérgio Guerra (PE), reconheciam, em privado, o êxito parcial do governo. Impressão compartilhada também pelo dissidente Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

 

O ânimo de Agripino Maia é outro, porém, quando fala do round seguinte da refrega da CPMF. “No plenário do Senado, o governo terá uma surpresa”, dizia, como se escondesse cartas na manga. Para o líder do DEM, ao retirar Mozarildo Cavalcanti da CCJ, o governo empurrou a oposição para o terreno do "olho por olho, dente por dente." Para desestimular as esperanças nutridas por Agripino em relação ao embate da CCJ, o governo agiu em duas frentes nesta segunda. Com uma mão, manuseou a faca. Com a outra, distribuiu afagos.

 

O Planalto passou na lâmina o desertor Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Arrancou-o da comissão de Justiça depois de perceber que o "aliado", assim, entre aspas, engrossaria o cesto de votos da oposição. Acomodou-se Idelli Salvatti (PT-SC) no lugar dele. De resto, o governo acarinhou Valter Pereira e outros três governistas ariscos: Pedro Simon (PMDB-RS), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Jefferson Peres (PDT-AM).

 

Pereira, Simon, Valadares e Peres condicionam seus votos a determinadas concessões do governo. Querem, por exemplo, que o Planalto se comprometa com a redução da alíquota da CPMF, hoje fixada em 0,38%; com a realização de uma reforma tributária; e com a poda nos gastos públicos. No gogó, o governo diz que topa. Mas quer, primeiro, ver aprovada a emenda da CPMF.

 

Há na comissão de Justiça dez emendas à proposta de prorrogação da CPMF. Excetuando-se uma delas, protocolada pelo tucano Álvaro Dias (PR), fervoroso adversário do imposto do cheque, todas as outras têm como signatários senadores associados ao consórcio congressual do governo. Entre eles Simon, Pereira e Valadares. Pedem, por exemplo, a repartição dos recursos da CPMF com Estados e municípios, a redução gradativa da alíquota e a fixação de um prazo para a realização da reforma tributária.

 

As emendas serão rejeitadas. Mas serviram para acionar a luz amarela no Planalto. Para tonificar o recado, Pedro Simon, Valter Pereira e Jefferson Peres ausentaram-se da sessão da comissão de Justiça realizada nesta segunda. Daí o agendamento da reunião com Mares Guia e Mantega. Os ministros dirão que, renovada a CPMF, futuras modificações podem ser aprovadas por meio de leis infra-constitucionais.

 

Há na comissão de Justiça 23 senadores. O presidente, Marco Maciel (DEM-PE) só vota caso haja um improvável empate. Se a planilha do Planalto estiver correta, votarão a favor da CPMF: 1) Serys Slhessarenko (PT-MT); 2) Sibá Machado (PT-AC); 3) Eduardo Suplicy (PT-SP); 4) Aloizio Mercadante (PT-SP); 5) Epitácio Cafeteira (PTB-MA); 6) Ideli Salvatti (PT-SC); 7) Antônio Carlos Valadares (PSB-SE); 8) Pedro Simon (PMDB-RS); 9) Romero Jucá (PMDB-RR); 10) Almeida Lima (PMDB-SE); 11) Valter Pereira (PMDB-MS); 12) Gilvam Borges (PMDB-AC); e 13) Jefferson Peres (PDT-AM).

 

Na opinião do governo, votarão contra: 1) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE); 2) Adelmir Santana (DEM-DF); 3) Demostenes Torres (DEM-GO); 4) Kátia Abreu (DEM-TO); 5) Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA); 6) Arthur Virgílio (PSDB-AM); 7) Eduardo Azeredo (PSDB-MG); 8) Lúcia Vânia (PSDB-GO); e 9) Tasso Jereissati (PSDB-CE). Os links acomodados sobre os nomes dos senadores conduzem ao correio eletrônico de cada um deles. É um serviço que o repórter oferece aos leitores que quiserem enviar e-mails aos membros da CCJ.

 

Existe a possibilidade de que um ou outro senador falte à sessão da comissão de Justiça. Eventuais ausências serão supridas, porém, pelos votos de suplentes, que não alteram o resultado. A provável vitória do governo tem importância relativa, já que o embate definitivo se dará no plenário do Senado. Há, porém, um detalhe que adiciona ao êxito um sabor especial: prevalecendo sobre Kátia Abreu, Romero Jucá torna-se automaticamente relator da emenda do imposto do cheque. E o governo escapa livra-se parcialmente das manobras protelatórias do DEM.

 

A bancada ‘demo’ tem engatilhadas 11 emendas subscritas por mais de 27 senadores. Vai apresentá-las no plenário do Senado, só para aporrinhar o governo. pelo regimento, o presidente interino Tião Viana terá de devolver a proposta da CPMF à CCJ asssim que receber as tais emendas do DEM. Se a relatora fosse Kátia Abreu, ela cuidaria para que a análise das emendas se arrastasse por 30 dias. Nas mãos de Jucá, todos os prazos regimentais serão encurtados.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chávez põe gasolina na fogueira; Zapatero, água

 

Ainda com o “Por que não te calas?” do rei Juan Carlos atravessado na traquéia, Hugo Chávez tenta adicionar gasolina no fogo que consumiu a cerimônia de encerramento da 17ª Cúpula Ibero-americana, no Chile. O presidente venezuelano diz que não ouviu a frase do monarca espanhol (?!?!?!).

 

De qualquer maneira, insinuou que o novo desafeto teve conhecimento do golpe urdido contra ele em 2002. "Já que começou o debate, senhor rei, responda se sabia do golpe de Estado na Venezuela contra um governo democrático e legítimo?"  

 

Em Madri, o governo de José Luiz Zapatero foi fustigado pelo oposicionista PP, adversário do governista PSOE, a tomar providências contra a Venezuela. Angel Acebes, secretário geral do PP, considerou gravíssimas a insinuação de Chávez, agora chamado até de “Gorila Vermelho”, de que o rei sabia do golpe. Instou a gestão Zapatero a convocar o embaixador venezuelano na Espanha, para expressar a desaprovação do governo.

 

Assessor de Zapatero para assuntos Ibero-americanos, Trinidad Jiménez deu de ombros para a idéia do líder do PP. Disse que “um governo responsável deve, em primeiro lugar, evitar os riscos e os efeitos negativos [que o entrevero do Chile] pode vir a ter”. A hora, disse ele, é de “acalmar a situação.” Deseja “evitar a escalada de desqualificações e de ataques.”

 

Em viagem à Colômbia, José María Aznar, o ex-dirigente espanhol que foi tachado por Chávez de “fascista”, também cuidou de jogar água na fervura. Disse que a Espanha “estava e está” interessada em apoiar “a integração ibero-americana.”  Uma integração escorada “na democracia” e “na liberdade”. Aproveitou para reiterar suas crenças na livre iniciativa.

 

Nas pegadas da reprimenda do rei, a ex-primeira-dama da Venezuela, Marisabel Rodríguez, também escalou a jugular de Chávez. Segunda mulher do presidente venezuelano, Marisabel disse que a reforma constitucional recém-aprovada pelo Legislativo de seu país “concentra poder” nas mãos do ex-marido. E recomendou que o povo venezuelano diga “não” às mudanças no referendo marcado para 2 de dezembro. Como se vê, o compañero Chávez dormia até bem pouco com o fascismo.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tião confirma julgamento de Renan para o dia 22

O segundo julgamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) entrou em sua fase de contagem regressiva. O presidente interino Tião Viana (PT-AC) confirmou nesta segunda-feira (12) informação veiculada aqui no blog na semana passada: quer reconduzir Renan  ao patíbulo no dia 22 de novembro. Faltam, portanto, dez dias, contando com esta terça-feira (13).

Amanhã, Jefferson Peres (PDT-AM) apresenta o seu relatório sobre o caso em que o senador “Cocalheiros” é acusado de comprar um jornal e duas emissoras valendo-se de laranjas e de verbas de má origem. O mundo espera que Peres recomende a poda do mandato do colega. Antes de seguir para o plenário, o relatório precisa passar pelo crivo do Conselho de Ética do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 22h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo protocola relatório alternativo da CPMF

Autor do novo texto é Romero Jucá, o líder de Lula

Prega a renovação do imposto do cheque até 2011

Exalta a contribuição, por ‘simples’ e ‘insonegável’

Diz que extinção comprometeria o ‘superávit fiscal’

  Folha
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), protocolou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado um relatório alternativo ao de Kátia Abreu (DEM-TO). Diferentemente da senadora, Jucá prega a manutenção do imposto do cheque. Volta a esgrimir riscos que o governo vem alardeando, em timbre ameaçador. Anota que o sepultamento da CPMF comprometeria as metas de superávit fiscal do governo e forçaria a interrupção de gastos sociais, inclusive os do Programa Bolsa Família.

Obtido pelo blog, o relatório de Jucá, chamado tecnicamente de “Voto em Separado”, tem 11 páginas. O objetivo do consórcio governista é rejeitar o texto de Kátia Abreu, substituindo-o pelo de Jucá. Se conseguir, Kátia Abreu é destituída automaticamente da função de relatora. Jucá assume o posto. Abaixo, um resumo dos principais argumentos do senador governista:

 

1. Taxa de juros e PIB: “Mesmo num ambiente de crescente solidez macroeconômica, não haveria como prescindir do volume de receitas” proporcionadas pela CPMF. Ao contrário do que sustentou Kátia Abreu em seu relatório, Jucá afirma que a desoneração dos R$ 40 bilhões do imposto do cheque não levaria a uma redução da taxa de juros. Tampouco haveria, segundo Jucá, um crescimento do PIB. “Esse efeito favorável só ocorreria em situação de equilíbrio fiscal”, escreve o líder do governo. “Ora, a supressão abrupta da CPMF geraria, por si só, uma situação de desequilíbrio fiscal que levaria, inexoravelmente, ao aumento da taxa de juros.” Só a manutenção da contribuição, diz Jucá, permitirá “a retomada da seqüência de 18 cortes sucessivos da taxa básica de juros, iniciada em setembro de 2005 (19,75%) e interrompida, apenas, em outubro passado (11,25%).” Jucá não trata de cortes de gastos em seu relatório.

 

2. Investimentos sociais: Jucá acena, de novo, com a possibilidade de cancelamento de gastos em programas sociais caso o governo venha a ser privado dos R$ 40 bilhões da CPMF. Ela relaciona os programas que estariam sob risco: Assistência ambulatorial e hospitalar especializada (procedimentos de média e alta complexidade) e atenção básica de Saúde, que perderia R$ 16,5 bilhões; custeio da Previdência social, que seria privada de R$ 8,3 bilhões; Fundo de erradicação da Pobrez, que financia os programas Bolsa Família e proteção social básica (benefícios a idosos e deficientes), que amargaria cortes de R$ 8,3 bilhões. “Justamente por serem despesas obrigatórias, cujo contingenciamento não é possível nem desejável, é que devemos tratar a questão com a devida seriedade.”

 

3. Riscos inflacionários: O governo não poderia redirecionar os seus gastos, para evitar o corte nos investimentos sociais? Jucá acha que não. O remanejamento, diz ele, “comprometeria a meta de superávit primário” do governo. O que “seria uma sinalização negativa para a economia e aumentaria, ainda mais, a dívida pública que, mesmo no quadro atual de relativo equilíbrio fiscal, continua a crescer em termos absolutos.” Jucá argumenta que “a redução do resultado fiscal aumentaria a expectativa de inflação e a taxa de juro.” De resto, diz o líder de Lula, o remanejamento reduziria os investimentos públicos, “comprometendo o PAC e outros programas importantes.”

 

4. Vantagens da CPMF: o líder do governo relaciona as “virtudes” do imposto do cheque. Diz, por exemplo, que “é extremamente simples e praticamente insonegável.” Acrescenta: “Podemos afirmar que a simplicidade, a tendência à insonegabilidade e a baixa alíquota da CPMF (0,38%) compensam e, na prática, anulam a cumulatividade.” Afirma que “a cobrança da CPMF se faz a custo de conformidade zero para o contribuinte e para a administração fiscal.” De resto, sustenta que a CPMF converteu-se “na mais extraordinária ferramenta auxiliar para a fiscalização” da Receita Federal.

 

5. Desvinculação orçamentária: Jucá defende em seu relatório a manutenção da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Trata-se de uma ferramenta que permite ao governo reter 20% das verbas que têm destinação obrigatória, prevista na Constituição. Para Jucá, a DRU “tem sido instrumento de racionalização da gestão orçamentária”. O mecanismo responde, diz ele, “por cerca de 58% do total de recursos livres” de que dispõe a União para investir. Para onde vai o dinheiro? Segundo Jucá, vai para a infra-estrutura, ajuda a abater a dívida pública, financia parte do Bolsa Família e do Fundeb, o fundo de valorização da educação básica.

 

Nesta terça-feira (12), a comissão de Justiça do Senado decidirá entre o relatório de Kátia Abreu e o de Romero Jucá. Graças a manobras como a substituição do dissidente Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), cresceram as chances de o governo prevalecer sobre a oposição. O que vai transferir a batalha final para o plenário do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 19h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo troca senador da CCJ para evitar derrota

  José Cruz/ABr
Conforme previsto aqui no blog na última sexta-feira (9), o governo arrancou o “quinta-coluna” Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Ele dissera que votaria contra a prorrogação da CPMF. Instado a mudar de posição, bateu o pé. E foi substituído pela proto-governista Ideli Sanvatti (SC), líder do PT.

 

Com isso, reduziram-se as chances de a oposição aprovar na comissão de Justiça o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que prega o sepultamento do imposto do cheque. Há na CCJ 23 senadores. Desse total, 13 são associados ao consórcio governista. Porém, Mozarildo e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) abriram dissidência.

 

"Apesar dos nossos apelos, nós não poderíamos contar com o voto dele [Mozarildo] contrário à CPMF”, disse, às claras, Ideli Sanvatti. “Eu já fiz inúmeras substituições ao longo deste ano e nunca houve debate, porque busquei fazer dentro do consenso dos líderes." A troca de senadores nas comissão é um artifício previsto no regimento.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Kátia pede fim da CPMF sem mexer no Bolsa Família

Relatório indica de onde governo pode tirar os R$ 40 bi

Prevê-se uma queda de 0,5 ponto percentual nos juros

Estima-se um PIB tonificado em 0,6 ponto percentual

Sugere-se corte de gastos de ministérios e do Planalto

 

O relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) é uma peça técnica. Empilha números, esgrime cifras e anota previsões. Prega, como previsto, o fim da CPMF. Afirma que o tributo tornou-se inconstitucional por duas razões: teria passado a ser ‘confiscatório’ e converteu-se de provisório em permanente.

 

Para fugir à pecha de irresponsável, Kátia Abreu indica de onde o governo pode tirar em 2008 os R$ 40 bilhões que vai deixar de arrecadar caso o Senado enterre o imposto do cheque. Não mexe no Bolsa Família, que tem orçamento previsto para 2008 de R$ 13,2 bilhões.. Diz que o PAC tampouco será afetado.

 

“O Brasil não vai acabar se a CPMF deixar de existir”, eis o que a relatora tenta demonstrar. As contas de Kátia Abreu estão expostas na terceira e última parte de seu relatório. Chama-se “Modelo do que fazer sem os R$ 40 bilhões” da CPMF. Tem cinco tópicos. Eis o que sugere a senadora do DEM:

 

1. Cortes no custeio: a senadora diz que o governo tem plenas condições de podar R$ 6,2 bilhões em rubricas que, em economês, são chamadas de “despesas discricionárias”. São gastos com o custeio da máquina pública. Citando estatísticas oficiais, Kátia Abreu anota em seu relatório que a arrecadação tributária do governo em 2007 excederá as previsões iniciais em R$ 56,4 bilhões –mais do que toda a coleta da CPMF, estimada neste ano em R$ 36 bilhões. Em contrapartida, as despesas do governo cresceram R$ 50,9 bilhões. No ano que vem, devem crescer ainda mais. Segundo a relatora, o orçamento de 2008 reajusta em 44% as despesas dos ministérios e em 58% os gastos da Presidência da República. Para a relatora da CPMF, há muita gordura a ser lipoaspirada.

 

2. Cancelamento de despesas de capital: trata-se de um eufemismo para “investimentos”. Nesse naco do orçamento, Kátia Abreu sugere que o governo faça uma economia de R$ 7,5 bilhões. Argumenta que, na prática, não haverá dano real à pauta de investimentos do governo. Por que? “O governo, historicamente, não executa todas as despesas de capital”, diz a senadora do DEM. De acordo com o texto do seu relatório, a gestão Lula deixou de empenhar (emitir autorização de gasto) R$ 81 bilhões nos últimos três anos –R$ 27 bilhões em 2004; R$ 28 bilhões em 2005; e R$ 26 bilhões em 2006. E quanto aos investimentos do PAC. Diz a senadora que também não serão afetados. Ela se socorre, de novo, de números oficiais: O Orçamento da União de 2007 reservou R$ 16,9 bilhões para obras do PAC. Desse total, só 50% foi efetivamente empenhado. E apenas R$ 2 bilhões foram efetivamente desembolsados. Somando-se a esse valor outros R$ 2 bilhões herdados do ano anterior, na rubrica de “restos a pagar”, os desembolsos de 2008, em pleno mês de fevereiro, não passam de R$ 4 bilhões.

 

3. Aumento da arrecadação tributária: a relatora prevê que, extinguindo-se a CPMF, o PIB seria tonificado em 0,6 ponto percentual. Em conseqüência, as empresas recolheriam mais tributos. Um acréscimo que o relatório estima em R$ 3,6 bilhões.

 

4. Queda na conta de juros: prevê-se aqui uma economia de R$ 1,4 bilhão. Citando dados que diz ter recolhido no Banco Central, Kátia Abreu anota no seu texto que o fim da CPMF permitiria reduzir a taxa de juros (selic) em 0,9 ponto percentual. A senadora diz ter preferido adotar previsão “mais conservadora”: os juros cairiam 0,5 ponto percentual. Hoje, a dívida pública soma R$ 1,5 trilhão. Desse total, R$ 450 bilhões vencem em 2008. Mas só uma parte dela, R$ 270 bilhões, está amarrada à selic. Confirmando-se a previsão de queda na taxa, o governo gastaria menos para resgatar os títulos.

 

5. Reestimativa da receita: Kátia Abreu anota em seu relatório que haverá um acréscimo de R$ 11,5 bilhões na receita tributária do governo prevista para o último trimestre do ano. Baseia-se em projeção feita a partir do comportamento da arrecadação entre janeiro e setembro de 2007. O governo previra para esse período uma coleta de R$ 565,6 bilhões. A Receita amealhou, porém, mais do que isso: R$ 577,1 bilhões. A relatora argumenta que, guiando-se pela “mesma técnica” usada pelo governo para reavaliar o desempenho da arrecadação, chegou à previsão de acréscimo de R$ 11,5 bilhões nos últimos três meses do ano.

 

6. Superávit financeiro: O governo anota em seu balanço patrimonial um superávit financeiro de R$ 353 bilhões. Dinheiro sagrado, que funciona como uma espécie de reserva para despesas emergenciais. Em 2004, já sob Lula, injetou-se na Lei de Diretrizes Orçamentárias uma regra que permite a utilização de parte desse dinheiro para cobrir despesas correntes. Desde então, segundo os economistas que auxiliaram a senadora, a Fazenda vem gastando cerca de R$ 10 bilhões por ano de seu superávit financeiro na cobertura de despesas as mais comezinhas. Para fechar as contas do seu relatório, Kátia Abreu sugeriu que, em 2008, R$ 9,8 bilhões dessa rubrica sejam apropriados para ajudar a suprir a ausência da CPMF.

 

Diferentemente do que sugere em relação à CPMF, no caso da DRU (Desvinculação dos Recursos da União) Kátia Abreu recomenda a manutenção. A DRU é uma ferramenta que permite ao governo subtrair 20% de todas as rubricas orçamentárias que possuem vinculação constitucional. A senadora deixa tudo como está para o exercício de 2008. Prevê, porém, uma novidade: a exclusão das verbas da Educação da DRU. Nessa área, o governo teria de aplicar a integralidade das verbas constitucionais. A mudança, se aprovada, só vigoraria a partir de 2009.

Escrito por Josias de Souza às 13h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- JB: Deputado custa 10 milhões

- Folha: Ministérios não seguem os limites para cargos

- Estadão: Relatório do Senado vai pedir o fim da CPMF

- Globo: Governo cria núcleo contra violência em assentamento

- Correio: O que pensam os candidatos a presidir o PT

- Valor: Votarantim e Itaú sobem no ranking de grandes grupos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 06h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gasonautas!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição já tem assinaturas para retardar CPMF

  Blog do Orlandeli
Capitaneada pelo DEM, a oposição guarda no bolso do colete um lote de 11 emendas à proposta da CPMF. Não são emendas convencionais. Contém o endosso de mais de 27 senadores. Serão protocoladas assim que o imposto do cheque chegar ao plenário do Senado. E obrigarão o presidente interino Tião Viana (PT-AC) a devolver a CPMF à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

 

O curioso é que a emenda que prorroga a CPMF ainda nem foi votada na CCJ. Mas já se sabe que, seja qual for o resultado, ela vai ao plenário do Senado, bate na mesa da presidência e volta à comissão. Para desassossego do governo, o regimento interno da Casa estabelece que emendas turbinadas por pelo menos 27 jamegões forçam a devolução da proposta à CCJ, para reexame. Pior para Lula, que tem pressa.

 

Um detalhe pode converter o embaraço em pesadelo. Devolvida à comissão de Justiça, a emenda da CPMF pode ficar ali por mais 30 dias ou apenas por algumas horas. Tudo vai depender do resultado da primeira batalha da guerra que mobiliza o Senado. O confronto está marcado para esta terça-feira (13). Ou o governo derruba o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) ou continuará se arrisca a amargar a protelação mais elástica, de um mês.

 

Explicando: amanhã, a CCJ vota o relatório de Kátia Abreu (DEM-TO), a ser divulgado nesta segunda (12). Para o consórcio governista, é essencial derrubar o texto da senadora ‘demo’. O Planalto quer substituí-lo por um outro, já redigido pela assessoria de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado.

 

Prevalecendo o texto de Jucá, o senador substituiria Kátia Abreu na relatoria. E passaria a contar os prazos do regimento pelo piso, não pelo teto. Do contrário, fica nas mais do DEM, que já anuncia a intenção de usar integralmente o mês que lhe faculta o regimento para analisar com calma as emendas que o próprio partido formulou.

 

Mas afinal, quem vai vencer a batalha desta terça na CCJ? Governo e oposição parecem estar de acordo em relação a um ponto: a coisa toda está nas mãos do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Se Simon votar como quer o Planalto, o governo venceria por 12 a dez. Se o voto de Simon for contra a CPMF, haveria um empate: 11 a 11. Neste caso, o presidente da comissão seria obrigado a desempatar. No comando da CCJ está o ‘demo’ Marco Maciel (PE). Ou seja: 12 a 11 para a oposição.

 

A pergunta que bóia na atmosfera do Senado é: como vota Pedro Simon? Meses atrás, dizia-se que Simon votaria contra a CPMF. De umas semanas para cá, passou a dizer que teria reconsiderado a decisão. De modo que, não havendo uma manifestação peremptória do senador, o mistério só será elucidado na hora do voto. Como diria Roberto Carlos, ‘emoções, bicho, muitas emoções’.

 

PS.: A ilustração do texto é do Orlandeli, cujo blog vale a visita.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Descoberto contrabando de frango para a Alemanha

A revista Der Spiegel anuncia para esta segunda-feira (12) a divulgação de detalhes de uma operação constrangedora: a alfândega alemã desbaratou um caso de contrabando de carne de frango do Brasil para a Alemanha. Nos últimos dois anos, foram comercializadas ilegalmente 1.200 toneladas do produto.

Já foram identificados quatro suspeitos. Apurou-se que o frango ilegal zarpou do Brasil para a Alemanha de navio. Teria sido descarregado no porto de Hamburgo. Dali, de acordo com a papelada oficial, deveria ter seguido para o Leste Europeu. Mutreta. Em verdade, as galináceas brasileiras eram levadas para Berlim e para a região Sul da Alemanha. Eram devoradas em repastos servidos em restaurantes chineses ou vietnamitas.

Escrito por Josias de Souza às 19h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Embraer vende dez jatos para companhia da Nigéria

  B.Mathur/Reuters
O negócio foi anunciado neste domingo (11). Marca a expansão das fronteiras da fábrica brasileira de aviões rumo à África. A companhia Virgin Nigeria adquiriu dez jatos: oito Embraer 170 e dois Embraer 190. Uma transação de US$ 301 milhões.

 

O acordo firmado com a empresa nigeriana prevê a opção de compra de mais 14 aeronaves –mais seis Embraer 190 e outros oito jatos 190 ou 195. Se essa parte do documento se converter em negócio efetivo, a transação alçará à casa dos US$ 800 milhões. Nada mal. Em tempos de caos, é bom saber que alguma coisa caminha bem no setor aéreo.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Congresso trama criar 7,6 mil vagas de vereadores

Congresso trama criar 7,6 mil vagas de vereadores

Sérgio Lima/Folha
 

 

Magnetizado pelo debate em torno da CPMF, o noticiário vem negligenciando um assunto tão relevante quanto explosivo: a Câmara dos Deputados incluiu na pauta de votações desta semana uma emenda constitucional que aumenta de 51.875 para 59.514 o número de vereadores no país. Ou seja, serão injetadas nas câmaras de vereadores dos 5.562 municípios do Brasil mais 7.639 cadeiras. Aprovada na Câmara, a emenda será enviada ao Senado.

 

A proposta vem sendo discutida, à surdina, há quatro anos. Ganhou impulso em maio do ano passado, ao ser aprovada numa comissão especial da Câmara. Trata-se de reação a uma resolução baixada pelo Tribunal Superior Eleitoral em abril de 2004. A decisão do TSE impôs a extinção de 8.528 cadeiras de vereadores em todo país. Se for aprovada, a proposta que tramita no Congresso praticamente reconstituirá o cenário que vigorava antes da intervenção moralizadora do tribunal. É o que demonstra um estudo realizado pelo IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal).

 

O TSE foi compelido a baixar a resolução que reduziu as cadeiras de vereadores depois de uma decisão do STF. Em julgamento realizado também em 2004, o Supremo constatara que a composição da Câmara Municipal da cidade paulista de Mira Estrela desrespeitava os limites impostos pela Constituição. Guiando-se pela sentença do STF, o TSE recalculou o número de vereadores de todos os municípios brasileiros. Daí a redução.

 

Nas pegadas da resolução do TSE, criou-se no Brasil uma entidade de nome sugestivo: MODEV (Movimento em Defesa da Constituição pela Volta do Número Legal de Vereadores). É ativo na internet. E exerce sobre o Congresso um fortíssimo lobby. Como os vereadores atuam no âmbito municipal como espécies de cabos eleitorais de deputados e senadores, a pressão mostrou-se de uma eficácia inaudita.

 

Coube ao deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) apresentar a emenda constitucional que restitui às câmaras municipais parte das cadeiras suprimidas pelo TSE. Por essa emenda, seriam recriadas 5.159 das 8.528 vagas de vereadores extintas pelo TSE. À proposta de Mattos seguiu-se um relatório do então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-S), chamado, em linguagem parlamentar, de substitutivo. Aumentou para 7.639 o número de vagas ressuscitadas.

 

Numa tentativa de atenuar a má repercussão da manobra, os deputados enrolam-se numa bandeira que traz o rótulo da esperteza. Argumentam que a emenda que estão prestes a aprovar impõe uma redução dos gastos dos municípios com suas câmaras de vereadores. Uma tese de difícil deglutição. Junto com os novos vereadores viriam os salários –deles e dos inevitáveis assessores—, novos gabinetes e as inúmeras vantagens que costumam acompanhar o exercício da atividade parlamentar.

 

De acordo com o substitutivo do ex-deputado Greenhalgh, que tem preferência na votação sobre a proposta original de Pompeo de Mattos, cidades com população superior a 500 mil habitantes não poderiam gastar com os legislativos municipais mais do que 4,5% de seus respectivos orçamentos.

 

Valendo-se de dados coletados na STN (Secretaria do Tesouro Nacional) o estudo feito pelo IBAM verificou o seguinte: em 2004, quando ainda existiam no Brasil 60.320 vereadores, as despesas globais dos municípios com os seus legislativos foram, em média, de 3,38% do orçamento. Ou seja, em vez de aproveitar a resolução do TSE para podar os gastos dos municípios com o custeio de suas câmaras de vereadores, impõe-se no texto de Greenhalgh um “limite” (4,5%) que, a pretexto de economizar, abre uma janela para o aumento da gastança.

 

Premido pelo lobby municipalista, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) pretende reunir-se com os líderes partidários para acertar a votação da emenda dos vereadores. Ela consta da fila do plenário como quinto item, atrás apenas de três medidas provisórias e de um projeto que tramita em regime de urgência. Se tudo correr como planejado, tudo será votado nesta semana.

 

Chinaglia declara-se simpático a uma idéia levada à mesa pelo deputado Vitor Penido (DEM-MG). Prevê que, em vez de atrelar o custo das câmaras de vereadores ao orçamento, a despesa seria limitada a um percentual da arrecadação tributária das prefeituras: 4,5% nas cidades com arrecadação de até R$ 6 milhões anuais e 1,75% nos municípios em que a coleta de impostos superar a casa dos R$ 500 milhões. Não há um cálculo preciso acerca de como ficaria o volume global de gastos se prevalecer a proposta de Penido.

 

De concreto, tem-se, por ora, apenas duas certezas: 1) o número de vereadores está na bica aumentar; 2) a recriação de 7.639 novas vagas nas câmaras municipais impõe aos caixas dos municípios uma despesa adiconal que o bom senso recomendaria evitar. Tudo sob um silêncio ensurdecedor, amplificado pelo barulho da CPMF

Escrito por Josias de Souza às 17h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Urbi et orbi!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 10h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Dispara o uso de ecstasy

- Folha: Em SP, 13% dos professores estaduais faltam a cada dia

- Estadão: Brasil enfrentará mais 4 anos de escassez de gás

- Globo: Exército: 78% dos tanques têm mais de 30 anos de uso

- Gazeta Mercantil: Nova reserva de óleo pode valer US$ 48 bi

- Correio: Petróleo - Lula defende Brasil na Opep. Chávez apronta

- Valor: Disputa bilionária envolve depósitos judiciais no país.

- Veja: Petróleo em superprofundidade: esperança brasileira

- IstoÉ: Alimentos - Você está sendo enganado

- IstoÉ Dinheiro: O calote da BRA

- Carta Capital: A justiça tarda

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vai a voto MP que desfigura a lei do desarmamento

Vai a voto MP que desfigura a lei do desarmamento

  AP
Nelson Rodrigues dizia que todo ser humano é “um assassino falhado.” Para ele, “não há ninguém, vivo ou morto, que não tenha concebido a sua fantasia homicida”. Numa de suas proclamações do óbvio, o cronista anotou: “O melhor de nós já pensou em matar e já se imaginou matando.”

 

Na última quarta-feira, os cerca de 30 mil habitantes da bucólica cidade finlandesa de Tuusula, a cerca de 40 km da capital Helsinque, foram apresentados ao óbvio. O estudante Pekka-Eric Auvines (foto), 18, sujeito de aparência “normal”, pôs-se a disparar contra alunos e professores de uma escola local. Portava uma arma calibre 22. Dispunha de 389 balas. Usou 69. Matou oito pessoas –cinco garotas, dois garotos e a diretora da escola. Em seguida, atirou contra a própria cabeça.

 

No comando de um país consternado, o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, anunciou, no dia seguinte, uma revisão da lei que regula o porte de armas no país. O mesmo Vanhanen vinha recusando-se a alterar a lei. Alegava que, embora 56% dos finlandeses possuam armas de fogo –a terceira taxa mais alta do planeta, superada apenas pelos EUA e pelo Iêmen—, os índices de criminalidade no país eram baixos.

 

Corta para o Brasil. A Câmara dos Deputados prepara-se para votar, na próxima semana, uma medida provisória que modifica cerca de duas dezenas de artigos, parágrafos e incisos do Estatuto do Desarmamento, promulgado em 2003. Confiou-se a relatoria da proposta a um deputado simpático aos fabricantes de armas: Pompeo de Mattos (PDT-RS).

 

Entre as novidades que se pretende injetar no jovem estatuto estão, veja você, a concessão de facilidades para os portadores de armas calibre 22. O mesmo diâmetro da pistola usada pelo estudante Auvines para levar à cova oito pessoas, além dele próprio. Pretende-se, por exemplo, dispensar da apresentação de exames psicológicos e testes de tiro os brasileiros interessados em adquirir uma arma de cano longo com calibre igual ou inferior ao 22.

 

Qualquer desequilibrado mental que já possua um rifle 22 vai poder comprar outro sem que o Estado tenha a possibilidade de verificar-lhe a sanidade. Parte-se do pressuposto de que as armas de baixo calibre não oferecem riscos à vida. Uma premissa que o finlandês Auvines provou inverídica.

 

Sob um pretexto louvável –a prorrogação do prazo para o recadastramento de armas de 31 de dezembro de 2007 para 2 de julho de 2008— a medida provisória do governo converteu-se numa espécie de cavalo dos gregos pronto a invadir o Estatuto do Desarmamento, levando na barriga uma penca de perversidades.

 

Além das gentilezas com os portadores de armas 22, há no texto do deputado coisas assim: permissão para que agentes prisionais e auditores da Receita andem armados diuturnamente, inclusive fora do horário de serviço; autorização para que membros das forças armadas, mesmo os de pijama,  portem armas durante as 24 horas; permissão para que guardas municipais de cidades com mais de 50 mil habitantes andem armados mesmo depois do expediente, etc., etc. e tal.

 

Diz-se que, no Brasil, as leis não pegam. Estudo feito pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americano) demonstrou que o caso do Estatuto do Desarmamento firmava-se como boa exceção. Em 2004, o Brasil experimentou um declínio de 5,2% na sua taxa de homicídios. Salvaram-se, só naquele ano, 2.669 vidas.

 

A despeito disso, arma-se agora o que o deputado Raul Jungamann (PPS-PE) chama de “pacto pela morte”. Junta, de um lado, o lobby das armas. E, de outro, uma bancada suprapartidária que conspira em tempo integral contra o esforço do desarmamento.

Escrito por Josias de Souza às 19h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Para Lula, governo falhou na negociação com PSDB

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Antes de voar de volta do Chile para o Brasil, Lula falou aos repórteres. Instado a comentar as negociações do governo com o tucanato em torno da CPMF, insinuou que o acordo foi envenenado por um deslize dos negociadores: "O bom acordo é aquele que você faz em silêncio e depois você anuncia o resultado dele, da forma, eu diria, consagradora."

 

Evocando os tempos de sindicalista, Lula acrescentou: "Eu nunca acreditei em qualquer acordo que você faça pela imprensa. Desde os anos de 1975, quando eu negociava com o presidente do sindicato, se uma notícia saísse antes de você fazer a negociação, a negociação estaria atrapalhada. Por quê? Porque isso cria ciumeiras internas, porque isso cria debates desnecessários."

 

Embora o presidente não os tenha mencionado, foram os seus líderes na Câmara, José Múcio (PTB-PE), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), os autores do vazamento do que se discutia com o PSDB a portas fechadas. Os termos do frustrado acerto foram ao cristal líquido da internet e às páginas dos jornais antes de chegar, em caráter oficial, aos ouvidos do grão-tucanato.

 

Seja como for, Lula acha que o seu consórcio partidário tem bala na agulha para entregar ao governo o imposto do cheque prorrogado: "Nós temos maioria para votar a CPMF." E se o painel eletrônico do Senado provar o contrário? “[...] Estou tranqüilo, até porque eu, como democrata, aprendi que a gente, quando manda uma coisa para o Congresso Nacional, a gente ganha ou a gente perde." Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 19h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Veja aqui como chegar ao âmago do sentido da vida

Veja aqui como chegar ao âmago do sentido da vida

Escrito por Josias de Souza às 18h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Rei da Espanha para Chávez:‘Por que não te calas?’

  Baptistão
Foi animada a sessão de encerramento da 17ª Cúpula Ibero-Americana, no Chile. Hugo Chávez topou com duas vozes dispostas a reagir às suas diatribes. O presidente venezuelano repetiu neste sábado uma ofensa que já havia proferido na véspera. Chamou de “fascista” o ex-primeiro-ministro da espanhol José María Aznar.

 

Adversário de Aznar desde a época em que, ainda no poder, o líder espanhol decidira enviar tropas ao Iraque, junto com EUA e Grã-Bretanha, Chávez esmerou-se na indelicadeza. Contou que, em diálogo privado que mantivera com Aznar, mencionara a necessidade de apoiar as nações pobres do mundo. “Esses se foderam”, teria ouvido como resposta.

 

Atual primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Zapatero não se conteve. Exigiu respeito. “Pode-se estar em lados opostos de uma posição ideológica”, disse Zapatero a Chávez. “E não serei eu a estar próximo das idéias de Aznar, mas ele foi eleito pelos espanhóis e exijo respeito”. 

 

Embora o microfone de Chávez estivesse mudo, ele tentou atalhar a admoestação de Zapatero. Algo que irritou o rei da Espanha, Juan Carlos. “Por que não te calas?”, perguntou o monarca a Chávez. Há um vídeo disponível aqui. Contrafeita, a anfitrião Michelle Bachelet passou a palavra ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

 

Ortega ofereceu a Chávez a oportunidade de usar parte de seu tempo para responder os espanhóis. E ele: Com a verdade não ofendo nem temo. O governo da Venezuela se reserva o direito de responder a qualquer agressão.” Em seguida, o próprio Ortega pôs-se a alfinetar a delegação espanhola.

 

Criticou acerbamente a empresa espanhola Unión Fenosa, que opera no mercado de energia da Nicarágua. Disse que, hoje, não permitiria o seu ingresso no país. De resto, apoiou os ataques de Chávez a Aznar, criticando-o pela aliança que fez com os EUA. E defendeu o direito de Chávez de expressar-se livremente em relação ao ex-primeiro-ministro da Espanha, que “fez e continua fazendo campanha contra a Venezuela.”

 

Juan Carlos retirou-se do plenário, irritado. Só voltaria mais tarde, para a solenidade de encerramento. Privou-se de ouvir as últimas palavras de Ortega. Olhando fixamente para Zapatero, o presidente da Nicarágua espetou: “Se nós temos que vos respeitar, vocês têm de se dar ao respeito.”

 

As ofensas, quando proferidas sem resposta, são como escrituras na areia. Respondidas, ganham a consistência da inscrição no mármore. Chávez tem todo o direito de achar o que bem entender sobre quem quer que seja. Porém, ao despejar no ambiente austero de uma cúpula internacional o seu lero-lero de botequim, acabou voltando para a casa com o seu pedaço de mármore. À margem do rififi, os países que participaram do encontro do Chile firmaram um acordo.

 

PS.: A ilustração desse texto vem do blog do Baptistão, que vale a visita. 

Escrito por Josias de Souza às 18h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula já fala, veja você, num Brasil membro da Opep

  AP/BBC
O petróleo subiu à cabeça de Lula. Inebriado pela descoberta da província petrolífera de Tupi, Lula exagera no cacarejo. Ou segura a onda ou acaba tirando do brasileiro o gosto pela expectativa do ovo que a Petrobras promete botar.

Um dia depois de ter sido apelidado pelo compañero Hugo Chávez de “magnata do petróleo”, Lula disse o seguinte: “Logo, logo o Brasil vai participar da Opep. E obviamente que se o Brasil participar da Opep nós vamos brigar para que baixe um pouco o preço do petróleo, porque é uma das contribuições que os países ricos em petróleo podem dar.”

 

Ora, o óleo farejado pela estatal brasileira encontra-se a cerca de 7 mil metros de profundidade. Estima-se que serão necessários mais dois ou três anos para comprovar a sua capacidade real de produção. E mais quatro ou cinco anos para trazer à tona, em volumes expressivos e a custos competitivos, a riqueza submersa.

 

É tempo suficiente para que Lula complete o seu segundo mandato, dê posse ao sucessor e desfrute da aposentadoria de quatro. Depois, se os votos ainda lhe jorrarem das urnas e se as previsões da Petrobras se confirmarem, talvez possa sonhar com a filiação à organização dos países exportadores de petróleo a partir de 2014. Até lá, bem que poderia deixar o brasileiro festejar em paz uma promissora perspectiva de êxito.

Escrito por Josias de Souza às 17h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Chávez pede união com "magnata do petróleo"

- Folha: Governo quer fatia maior do petróleo

- Estadão: Novas regras tiram múltis do leilão do petróleo

- Globo: Juiz manda prender de novo 43 PMs acusados de tráfico

- Gazeta Mercantil: Nova reserva de óleo pode valer US$ 48 bi

- Correio: GDF investiga duplo emprego de professor

- Valor: Disputa bilionária envolve depósitos judiciais no país.

- Estado de Minas: Quadrilha de BH roubava contas bancárias no País

- Jornal do Commercio: Contratações na saúde questionadas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Compañeros!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bolívia descumpre acordos com Brasil,diz Itamaraty

Bolívia descumpre acordos com Brasil,diz Itamaraty

Documento revela que problemas não se restringem ao gás

Vão de embaraços a brasileiros aos mistérios sobre a coca

 

Reuters

 

O texto ocupa 11 páginas. É assinado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, segundo homem na hierarquia do Itamaraty. Redigiu-o há 54 dias, por requisição da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Revela que os contenciosos que envenenam as relações do Brasil com a Bolívia vão além dos problemas relacionados ao fornecimento de gás. Muito além.

 

Envolvem, por exemplo, o descumprimento de um acordo bilateral firmado em 2005. Previa a regularização de imigrantes ilegais. Desde então, informa o documento do Itamaraty, o departamento de imigração da Polícia Federal brasileira regularizou a situação de 38 mil bolivianos que viviam irregularmente no Brasil. A Bolívia, em contrapartida, não legalizou nenhum dos brasileiros que residem em seu território à margem da lei –estima-se que são 35 mil.

 

“O governo de La Paz reconhece estar atrasado na implementação do acordo”, anota Samuel Pinheiro, responsável pela secretaria-geral do Itamaraty. “Alega falta de recursos humanos e materiais [...]”, além da “inexistência de regulamentação específica” que permita dar conseqüência prática ao acordo diplomático. O embaixador menciona, no condicional, uma informação vaga: “Autoridades migratórias do Departamento de Pando [norte da Bolívia] teriam iniciado a regularização de alguns brasileiros ali residentes.” Quantos? Não há vestígio de números.

 

Os dados repassados por Samuel Pinheiro à Câmara respondem a uma série de perguntas formuladas pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE) e convertidas num requerimento de informações da Câmara. Perguntou-se, por exemplo, como anda a situação de dois tipos específicos de brasileiros: os fazendeiros que plantam soja e criam gado na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra (cerca de 100 famílias) e os agricultores familiares que vivem na localidade de Pando (algo como 7 mil famílias).

 

Quanto aos fazendeiros, o documento do Itamaraty anota que, em missão oficial realizada em abril de 2007, um diplomata brasileiro “tomou conhecimento das incertezas que afligem os brasileiros [...], sobretudo no que toca à reforma agrária que o governo de La Paz pretende implementar.” O Itamaraty considera-se de mãos atadas. Alega que só poderá agir, se for o caso, depois que for aprovada a nova Constituição boliviana, cuja tramitação legislativa está empacada há três meses.

 

O drama dos brasileiros que vivem da agricultura familiar em Pando é ainda mais agudo. É gente pobre. Se estivesse no Brasil, seria clientela típica do Bolsa Família. Diz o texto do Itamaraty: “Correm o risco de ser desalojados das terras que ocupam por força da decisão do governo boliviano de aplicar o dispositivo constitucional de segurança da faixa de fronteira.”

 

Numa tentativa de evitar a expulsão em massa, Lula editou e o Congresso aprovou medida provisória destinando R$ 20 milhões a um projeto de agrovila para os brasileiros sob ameaça. O problema, diz o Itamaraty, é que “a viabilização da agrovila depende da arovação de lei na Bolívia que permita a posse de terras por estrangeiros no perímetro urbano da cidade” de Cobija, capital de Panda. E nada do projeto.

 

A Câmara também requisitou ao Itamaraty informações sobre a cooperação entre Brasil e Bolívia no combate ao tráfico de drogas. Os dados são, de novo, preocupantes. “Entre 2005 e 2006, a área de produção de folha de coca na Bolívia cresceu de 24.400 para 27.500 hectares”, informa o texto. Sob Evo, a Bolívia adotou a política de combater o narcotráfico, mas, simultaneamente, “valorizar” a folha de coca, destinando-a à “industrialização e exportação de produtos derivados.”

 

O diabo é que a Bolívia é hoje grande fornecedor de matéria-prima para a cocaína que abastece praças como o Rio e São Paulo e é exportada para outros países a partir do Brasil. E o governo de Evo Morales se recusa a compartilhar informações com o Brasil e com os organismos multilaterias de combate ao narcotráfico. O texto do Itamaraty dá detalhes encrenca: “A Bolívia foi suspensa, em julho de 2007, do Grupo Egmont”, entidade internacional que reúne órgãos de inteligência de 105 países, voltados à repressão da lavagem de dinheiro e do terrorismo.

 

“A pedido do Brasil, a expulsão foi postergada”, acrescenta o texto do Itamaraty. Enviou-se à Bolívia delegação integrada por brasileiros e chilenos. Avistaram-se com autoridades bolivianas entre 24 e 26 de junho de 2007. “Sem resultado”, anota Samuel Pinheiro. A recusa da gestão Evo em compartilhar informações ameaça a Bolívia de exclusão também do GAFISUD (Grupo de Ação Financeira da América do Sul).

 

O Brasil vem tentando, de sua parte, reativar as comissões mistas antidrogas que mantém com La Paz. O último encontro ocorreu em 2004, antes da posse de Evo Morales, em janeiro de 2006. Em fevereiro de 2007, numa visita ao Brasil, o presidente boliviano assinou comunicado conjunto comprometendo-se em relaizar, “no mais breve prazo possível, reuniao da comissão mista antidrogas.” Até agora, nada.

(Leia mais no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 02h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Deputado quer condições para os aportes na Bolívia

Deputado quer condições para os aportes na Bolívia

  Lúcio Távora/Folha
Autor do requerimento que resultou na produção do documento do Itamaraty, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) vai protocolar na Câmara um novo documento. Sugere que o Legislativo recomende ao governo brasileiro a imposição de condições para que a Petrobras volte a investir na Bolívia. Os novos aportes, já em fase de negociação, serão sacramentados em viagem de Lula a La Paz, marcada para 12 de dezembro. Abaixo, a entrevista do deputado ao blog:

 

 

- Que providências pretende adotar a partir das informações do Itamaraty?

Primeiro, quero chamar a atenção da opinião pública e do Congresso para o enorme desatenção do governo da Bolívia com os brasileiros que vivem lá. O princípio básico da diplomacia é a reciprocidade. E isso não está existindo.

- Refere-se ao acordo que previa a legalização de imigrantes ilegais?

Principalmente. O acordo é de 2005. O Brasil regularizou a situação de 38 mil bolivianos. Na Bolívia, não se tem notícia de um único brasileiro beneficiado. Farei um requerimento exigindo que seja suspensa a regularização de cidadãos bolivianos residentes no Brasil até que Bolívia tome providências efetivas de proteção aos brasileiros que o nosso vizinho vem tratando como marginais, sem proteção os direitos e a proteção que os bolivianos estão tendo aqui.

- E quanto aos outros problemas?

Precisamos exigir a correção de todas as assimetrias que marcam as relações entre Brasil e Bolívia. Há empresários brasileiros gerando riquezas em território boliviano nos setores de soja e pecuária. Construíram famílias em Santa Cruz de La Sierra. Muitos são casados com bolivianas. Em filhos nascidos lá. Pagam impostos na Bolívia. Não podem continuar na situação de pavor em que se encontram. Estive lá há cerca de três meses, em missão oficial da Câmara. Constatei o drama pessoalmente.

- Foi a Pando, onde residem os agricultores brasileiros pobres?

Sim. São brasileiros que se encontram em situação de absoluto desamparo, sob ameaças de expulsão. Fomos informados pelo serviço diplomático que outras comunidades na mesma situação, os peruanos, por exemplo, não sofrem os mesmos constrangimentos. Percebi um ambiente anti-brasileiro, estimulado pela desatenção do governo.

- E quanto à ausência de compartilhamento de dados sobre o narcotráfico?

É gravíssimo. Está havendo um desmantelamento dos organismos multilaterais de controle de lavagem de dinheiro e do narcotráfico. As áreas de plantio de coca crescem num cenário em que a Bolívia é a principal fonte de abastecimento dos narcotraficantes que atuam no Rio e São Paulo.

- O que fazer?

Considerando o conjunto da obra, vou apresentar na Comissão de Relações Exteriores um outro requerimento. Vou propor que o Brasil condicione a retomada de investimentos da Petrobras a ajustes da Bolívia no tratamento que dispensa aos brasileiros e no descaso com que trata a questão da droga. É preciso exigir reciprocidade da diplomacia boliviana. O Brasil e seus cidadãos vêm sendo tratados com um descaso inaceitável.

- O Congresso tem poderes para impor esse tipo de providência?

Nossos poderes são limitados. A Petrobras, embora controlada majoritamente pelo Tesouro, é uma empresa de economia mista. Mas o nosso gesto terá o peso de uma tomada de posição política. O Congresso Nacional precisa se posicionar em relação a essa situação vexatória. A Bolívia precisa se comportar como o país irmão que diz ser. Não é possível que o Brasil continue contribuindo para o desenvolvimento da Bolícia sem exigir respeito aos brasileiros que vivem lá em situação de insegurança e de medo permanente.

- na visita à Bolívia, esteve com alguma autoridade?

Conversamos longamente com o vice-presidente Alvaro García Linera. Todos esses temas foram tratados. A embaixada brasileira em La Paz registrou a conversa. Pôde registrar que García Linera reconhece, de maneira seca e ríspida, que a Bolívia não vem fazendo a sua parte no acordo legalização dos brasileiros. Diz que as terras dos brasileiros não serão tocadas. Mas, como reconhece o próprio Itamaraty, tudo está na dependência da aprovação de lei específica e da reforma constitucional. É nesse ambiente que o governo brasileiro comemora a retomada dos investimentos da Petrobras na Bolívia. Nossas autoridades comportam-se como o pianista do Titanic. Não se dão conta do grave impasse que permeia a constituinte boliviana. Um impasse que pode amplificar o clima de instabilidade e insegurança para os negócios que hoje impera na Bolívia.

Escrito por Josias de Souza às 01h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Jobim diz que OceanAir assumirá operações da BRA

O ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou no Rio uma novidade que pode funcionar como lenitivo para os desafortunados que adquiriram passagens aéreas da BRA. Segundo Jobim, a companhia OceanAir vai assumir as operações da congênere que foi à breca.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo apaga ‘digitais’ de FHC do Bolsa Família

O governo vai cancelar no final de novembro todos os 406.618 cartões de programas sociais com nomes remanescentes da gestão tucana de FHC –bolsa-escola e bolsa-alimentação, por exemplo. Para continuar recebendo o benefício, os representantes de famílias pobres terão de trocar os cartões antigos por um novo, que traz o selo exclusivo do Bolsa Família.

 

Criado sob Lula, em 2003, o Bolsa Família incorporou os programas que FHC criara. Ampliou-os e reuniu todos os beneficiários num cadastro único –hoje com 11 milhões de famílias. As pessoas que migraram das bolsas tucanas para o novo programa continuaram recebendo o benefício com os cartões antigos, que serão, agora, trocados.

 

Segundo Rosani Cunha, secretária nacional de Renda de Cidadania, o objetivo da troca de cartões é mesmo o de deixar claro para as pessoas que elas são beneficiárias do Bolsa Família. Por que? Para que haja “melhor compreensão sobre os princípios do programa, em especial no que se refere ao entendimento e ao cumprimento das condicionalidades nas áreas de saúde e educação.”

 

Novembro é o último mês em que serão autorizados saques com os cartões antigos. A partir daí, só terão acesso aos recursos os portadores dos cartões “Bolsa Família”. A troca vem sendo programada, segundo o governo, desde o início de 2006. Em texto veiculado no seu portal, o ministério do Desenvolvimento não esclarece quanto custou ao governo a substituição dos cartões antigos pelos novos.

Escrito por Josias de Souza às 16h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Brasil descobre campo gigante de petróleo

- Folha: Petrobras anuncia megacampo de petróleo

- Estadão: Descoberta da Petrobras deve aumentar reservas até 2005

- Globo: Governo diz que descoberta fará país virar exportador de petróleo.

- Gazeta Mercantil: Nova reserva de óleo pode valer US$ 48 bi

- Correio: Brasil festeja reserva gigante de petróleo

- Valor: Disputa bilionária envolve depósitos judiciais no país.

- Jornal do Commercio: Emergências terão reforço de pessoal

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Insaciável!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Segundo julgamento de Renan vai ocorrer em 13 dias

Segundo julgamento de Renan vai ocorrer em 13 dias

Senador cogita renunciar de vez à presidência do Senado

Em troca, tenta arrancar dos colegas uma nova absolvição

 

Lula Marques/Folha

Em troca da absolvição, Renan planeja engrossar a galeria de ex-presidentes

 

Será no próximo dia 22 de novembro, uma quinta-feira, o novo julgamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) no plenário do Senado. Tião Viana (PT-AC), presidente interino da Casa, começou a informar às principais lideranças acerca da escolha da data.

 

O próprio Renan, segundo apurou o blog, já foi cientificado de que, em 13 dias, será reconduzido ao cadafalso. Soube da novidade pelo amigo José Sarney (PMDB-AP). Decidiu intensificar a implementação da estratégia que esboçou para tentar livrar-se, de novo, da cassação.

 

Renan confidenciou a um seleto grupo de amigos –entre eles o próprio Sarney e Romero Jucá (PMDB-RR)— que cogita renunciar definitivamente à presidência do Senado. Planeja fazê-lo antes do julgamento.

 

A licença de Renan ao cargo de presidente, sacramentada em 11 de outubro, expira em 26 de novembro. Quatro dias, portanto, depois da data prevista para o novo julgamento. Na cabeça do senador, a renúncia funcionaria como um último gesto, para demonstrar aos partidos que não deseja criar mais problemas para o Senado.

 

Em troca, Renan espera obter da maioria dos senadores uma nova absolvição. Salvaria o mandato e os direitos políticos. Nas avaliações que vem fazendo com os colegas mais chegados, o senador concluiu que, levando a renúncia ao tabuleiro, multiplicam-se as chances de prevalecer no plenário.

 

O novo julgamento vai ocorrer dois meses e dez dias depois da célebre sessão em que o Senado absolveu Renan –40 votos a favor, 35 contra e seis abstenções—da acusação de servir-se de verbas da Construtora Mendes Júnior para pagar a pensão da filha que tivera com a ex-amante Mônica Veloso. Para que o mandato do senador seja passado na lâmina são necessários 41 votos. A votação será, novamente, secreta. Mas em sessão aberta.

 

Há no Conselho de Ética do Senado quatro processos pendentes de apreciação. Renan é acusado de: 1) ter comprado um jornal e duas rádios por meio de laranjas; 2) ter diligenciado nos subterrâneos para favorecer a Schincariol, encalacrada no INSS com uma dívida de R$ 100 milhões; 3) ter participado de um esquema de cobrança de propinas em ministérios geridos pelo PMDB; 4) ter encomendado a um assessor a espionagem de dois adversários: Marconi Perillo (PSDB-GO) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

 

Em privado, Tião Viana manifestou o desejo de promover no dia 22 um julgamento simultâneo de todos os casos. Os processos seriam votados separadamente, um após o outro. De acordo com o que apurou o repórter, Viana manifestará o seu desejo ao presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), em encontro previsto para o início da próxima semana.

 

O problema é que, de todos os processos, só um está na bica de sair do forno: o da compra das empresas de comunicação alagoanas. Relator do caso, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) prometeu aprontar o seu relatório no dia 14 de novembro, quarta-feira da semana que vem. Deve pedir a cassação do mandato de Renan. Pedido que será referendado pelo Conselho de Ética antes de seguir para o plenário.

 

A condução do novo julgamento de Renan será o penúltimo abacaxi que Tião Viana descascará na sua curta interinidade de 45 dias. Confirmando-se a renúncia do “coco”, restará um último ananás: a convocação de eleições internas para a escolha de um novo presidente para o Senado. Uma eleição que terá de ocorrer cinco dias depois da provável renúncia. É tudo o que deseja o Palácio do Planalto, ansioso por limpar o terreno em que será travada a guerra pela renovação da CPMF.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Governo cogita substituir traidor na CCJ do Senado

Armado para a guerra da CPMF, o governo começou a se preparar para a primeira batalha. Será na próxima terça-feira (13), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Nesse dia, vai a voto o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que recomenda o fim do imposto do cheque. Às voltas com o risco de amargar uma derrota, o Planalto trama em segredo a substituição de um desertor: Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), na foto.

 

Conforme noticiado aqui no blog, Mozarildo é uma das defecções que põem em risco a aprovação da emenda da CPMF no Senado. Para azar do Planalto, o senador é membro titular da comissão de Justiça. Líder do PT e do bloco do governo, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi escalada pelo Planalto para tentar virar o voto de Mozarildo. Ela já conversou com o líder do PTB, Epitácio Cafeteira (MA). Alertou-o para a possibilidade de ter de retirar o desertor da CCJ na marra.

 

Consultados a respeito da providência, líderes que integram o consórcio partidário do governo avaliaram que a medida extrema pode trazer mais prejuízos ao governo do que benefícios. Um dos que torceram o nariz foi Renato Casagrande (ES), líder do PSB. Segundo apurou o repórter, Casagrande disse aos colegas governistas, privadamente, que a retirada de Mozarildo da CCJ pode acirrar os ânimos da oposição, prejudicando o governo na batalha seguinte, no plenário do Senado.

 

Em outra linha, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, vem argumentando entre quatro paredes, que não se deve valorizar demasiadamente o resultado da CCJ. Ainda que perca, diz ele, o governo dispõe do recurso regimental de recorrer da decisão no plenário do Senado. A despeito das ponderações, prevaleceu no Planalto a tese de que uma derrota na comissão de Justiça, embora reversível, seria inconveniente. Daí a cogitação de afastar Mozarildo caso a providência se mostre indispensável. A decisão será tomada até a noite de segunda-feira.

 

Durante o final de semana, o Planalto tentará certificar-se das chances de vitória na votação do relatório de Kátia Abreu. Há na CCJ 23 senadores. Pelas contas da oposição, haveria um empate: onze votos a favor da CPMF e onze contra. Confirmando-se essa hipótese, o presidente da comissão, Marco Maciel (DEM-PE), daria o voto de minerva, contrário ao imposto do cheque. O problema é que a contabilidade oposicionista inclui Pedro Simon (PMDB-RS) no rol dos que votarão contra. E não é certo que isso ocorra.

 

Simon não revela o seu voto. Mas, em privado, mostra-se propenso a engrossar o cesto de votos do governo. Curiosamente, vêm do oposicionista PSDB os argumentos que empurram Simon para a bancada de senadores pró-CPMF. O senador mostra-se sensibilizado pelos argumentos da governadora tucana Yeda Crusius (Rio Grande do Sul). Às voltas com dificuldades financeiras, Yeda empenha-se para convencer os congressistas gaúchos da inevitabilidade da prorrogação da CPMF.

 

Além da deserção de Mozarildo e da interrogação que bóia sobre a cabeça de Simon, o governo tem outros três problemas na CCJ. Têm nome e sobrenome: Carlos Valadares (PSB-SE), Jefferson Peres (PDT-AM) e Valter Pereira (PMDB-MS). Para votar a favor da CPMF, a trinca exige de Lula o compromisso de reduzir a alíquota da contribuição, hoje de 0,38%. Embora avesso à idéia, o governo acena com a hipótese de enviar ao congresso um projeto contendo uma poda simbólica da alíquota, que passaria a ser de 0,36% em 2008.

 

O problema é que o projeto só iria ao Congresso depois da aprovação da emenda da CPMF. Renato Casagrande foi incumbido de amolecer o surto oposicionista do “liderado” Valadares. Informou ao governo que são boas as chances de demovê-lo. Valdir Raupp, líder do PMDB, ficou de aferir, até segunda-feira, os riscos embutidos nas ameaças de Valter Pereira. E o ministro Carlos Lupi (Trabalho), presidente do PDT, foi encarregado de pacificar Jefferson Peres.

Escrito por Josias de Souza às 20h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dilma diz que Brasil pode virar exportador de óleo

O governo está eufórico. A Petrobras descobriu uma "nova e significativa província petrolífera no Brasil." Chama-se Tupi. Tem poços já detectados na bacia de Santos. Deve estender-se para as bacias do Espírito Santo e de Campos (RJ). A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) apressou-se em anunciar que a novidade deve converter o Brasil “de um país médio, que estava conseguindo a auto-suficiência [em petróleo], num país de proporções exportadoras, como os países árabes, a Venezuela e outros.”

 

Segundo Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, confirmando-se os cálculos da estatal, o novo veio petrolífero tem potencial para tonificar a produção atual do Brasil (14,4 bilhões de barris) em 5 a 8 bilhões de barris de petróleo. O suficiente, segundo ele, para elevar o país da 24a para a 8a ou 9a posição no ranking dos detentores das maiores reservas petrolíferas do mundo.

 

Num instante em que o noticiário está envenenado com informações sobre os riscos de crise energética que rondam o consumidor brasileiro, a novidade não deixa de ser alvissareira. Recomenda-se, porém, temperar a euforia oficial com pitadas de realismo. Uma coisa é detectar a existência de óleo. Outra coisa é arrancá-lo do fundo do oceano. O processo é lento e exige investimentos pesados.

 

A própria Petrobras estima que os primeiros resultados só devem começar a aparecer no final da gestão Lula. Prevê-se para 2010 ou 2011 uma extração-piloto na bacia de Santos. Se tudo der certo, resultará numa produção adicional de algo como 100 mil barris diários de petróleo. Nada que resolva, de resto, os dramas de curtíssimo prazo.

Escrito por Josias de Souza às 18h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Descobre-se agora o leite com vitamina de menos

Em outros tempos, quando o planeta ainda era habitado por sociedades primitivas, o homem –e, às vezes, até a mulher— rebolavam para prover a alimentação de suas unidades familiares. Tinham de recorrer ao faro e aos instintos quando saíam para a caça. E sempre voltavam com algo para dividir na intimidade da caverna.

 

Hoje, a coisa é mais simples. Ou, por outra, parece mais simples. Submetida a modernidades como as gôndolas, a mulher –e, às vezes, até o homem— vai às compras sem a necessidade de socorrer-se dos sentidos. Para encher a geladeira, basta ter dinheiro no bolso e paciência para percorrer os corredores do supermercado.

 

Informações divulgadas nesta quinta-feira (8) pelo ministério da Justiça dão uma idéia da falta que faz o faro aos homens e mulheres modernos. O DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) abriu um processo administrativo contra seis empresas do setor leiteiro. Estão levando às prateleiras caixinhas de leite com valor nutricional inferior ao que consta do rótulo.

 

A encrenca foi detectada em maio, bem antes da descoberta de que parte dos brasileiros estava comprando gato (ácido e água oxigenada) por lebre (leite). É estranho, muito estranho, estranhíssimo que o governo tenha esperado seis meses para agir contra a fraude da sonegação de carboidratos e proteínas aos consumidores de leite.

 

São seis as empresas encrencadas no DPDC: Parmalat Brasil S.A., Barbosa e Marques S.A., Big Leite Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., Ilcasa Indústria de Laticínios da Campina Grande S.A., Marajoara Indústrias de Laticínios Ltda e Cooperoeste (Cooperativa Regional Comercialização Extremo Oeste). Juntas, distribuem sete marcas de leite.

 

Levaram ao comércio leite com teor de carboidratos e de proteínas deficientes em percentuais que variaram de 25,7% a 52,89%. Eis as marcas que estão sob suspeição: Alimba, Parmalat, Total, Cilpe, Lebom, Marajoara e Cedrense. Da próxima vez que for às compras, o brasileiro talvez devesse sair de casa munido de tacape. Outra alternativa é eliminar os intermediários, recorrendo diretamente à vaca -com a devida cautela, para evitar riscos como os expostos no vídeo lá do alto.  

Escrito por Josias de Souza às 16h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Grupo pró Hugo Chávez resiste a estudantes na bala

Gregorio Marr