Relatório pede indiciamento de 21 na Infraero e 2 na Anac
A lista inclui os nomes de Carlos Wilson e de Denise Abreu
A CPI aérea do Senado realiza na quarta-feira (24) da próxima semana sua última sessão. Vai a voto o relatório Demóstenes Torres (DEM-GO). Com o auxílio de órgãos como o Ministério Público e a Polícia Federal, o senador detectou desvios de cerca de R$ 500 milhões na Infraero. O texto anota que a corrupção na estatal que administra os aeroportos brasileiros tornou-se “endêmica”.
Ao longo das apurações, detectaram-se indícios de desvios de R$ 1,5 bilhão na Infraero. A lista de suspeitos de corrupção passa dos cem. Porém, depois de um cruzamento de dados que durou uma semana, Demóstenes optou por mencionar no relatório apenas os valores e os personagens incontroversos. O senador recomendou aos técnicos que o auxiliaram que, na dúvida, evitassem cometer injustiças.
Em sua versão integral, o relatório de Demóstenes tem cerca de 1.200 páginas. Para facilitar a vida de seus colegas, o senador produziu uma versão resumida, com cerca de 85 folhas. O papelório faz um mapeamento das obras realizadas em dez aeroportos. Todas elas tisnadas por malfeitorias que incluem corrupção ativa, corrupção passiva, improbidade administrativa e lavagem de dinheiro.
Embora a CPI não tenha investigado nenhuma empreiteira, o relatório final relaciona as 14 que atuaram nas obras superfaturadas dos aeroportos investigados. E sugere ao Ministério Público a quebra do sigilo bancário de todas elas. Em diálogos reservados que manteve com integrantes da CPI, Demóstenes disse que as empresas constituem o “braço pagador” da corrupção que se espraiou pelos desvãos da Infraero.
Entre as obras esquadrinhadas pela CPI, muitas delas inauguradas por Lula, estão desde a ampliação de aeródromos pequenos –o de Macapá (desvios de R$ 52 milhões), por exemplo— até obras tocadas nos maiores aeroportos do país. No Rio, há o Santos Dumont (superfaturamento de R$ 41 milhões). Em São Paulo: Cumbica (R$ 254 milhões desviados); Congonhas (R$ 12 milhões); e Viracopos (R$ 3,5 milhões).
Nomeado por Lula em 2003, o deputado Carlos Wilson (PT-PE), presidiu a Infraero até 2006. Segundo a CPI, durante a gestão de Wilson, a estatal foi “apropriada” pelas empreiteiras. Uma aliança firmada entre PT e PMDB impediu que a CPI aprovasse a quebra dos sigilos fiscal e bancário do deputado. Ainda assim, ele encabeça a lista de pedidos de indiciamento do relatório de Demóstenes.
Os sigilos de Denise Abreu, ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), foram quebrados. Os dados foram enviados à CPI pelo Banco Central. Mas não puderam ser manuseados. O STF ordenou à comissão que mantivesse as informações lacradas até o julgamento final de um recurso protocolado por Denise no tribunal. A despeito disso, a ex-gestora da Anac foi à lista de indiciados.
Denise Abreu foi acusada de falsidade ideológica por ter entregado à Justiça Federal o documento inválido que inspirou a decisão judicial que liberou o pouso de aeronaves com o reverso travado na pista de Congonhas. Pela mesma razão, a CPI sugere o indiciamento também do procurador da Anac, Paulo Roberto Gomes de Araújo.
O rol de propostas de indiciamento na Infraero inclui, além de Carlos Wilson, os seus ex-diretores e funcionários já afastados por decisão da Controladoria Geral da União. Eis a lista completa dos nomes mencionados pela CPI: Adenauher Figueira Nunes, Aristeu Chaves Filho, Carlos Alberto Carvalho, Érica Silvestri Duttweiler, Ettore Ferdinando Casória, Eurico José Bernardo Loyo, Fernando Brendaglia, Hildebrandina Macedo, Josefina Valle Pinha, José Welington Moura, Luiz Gustavo da Silva Schild, Marco Antônio Marques de Oliveira, Márcia Gonçalves Chaves, Mariângela Russo, Maria do Socorro Sobreira Dias, Michel Farah, Mário de Ururahy Macedo Neto, Roberto Spinelli Júnior e Tércio Ivan de Barros.
A bancada governista na CPI arma-se para tentar bloquear o pedidos de indiciamento de pelos dois personagens: Carlos Wilson e Denise Abreu. Reservadamente, Demóstenes Torres dá de ombros para a hipótese de rejeição total ou parcial de seu relatório. Decidiu que, aprovado ou não pela CPI, o documento será enviado ao Ministério Público. Já combinou o procedimento com o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. O manda-chuva da procuradoria tinha inclusive um olheiro na CPI, o procurador José Alfredo de Paula Silva.
Embora já esteja investigando a Infraero, com o auxílio da Polícia Federal, o Ministério Público vai se servir principalmente das quebras de sigilo bancário e fiscal obtidas pela CPI. Demóstenes submeterá a voto na sessão de quarta-feira um requerimento autorizando a comissão a compartilhar os dados protegidos por sigilo com o MP e a PF.
Escrito por Josias de Souza às 20h02
Inspirada, Câmara aprova o fim do ‘bolsa pelego’
Tempos Modernos/Charles Chaplin
A Câmara viveu uma noite memorável na última quarta-feira. Num raro surto de inspiração, a maioria dos deputados postou-se ao lado do trabalhador, contra o aparato sindical. Uma astúcia das centrais sindicais brasileiras foi convertida no fim do sonho do peleguismo.
Levou-se a voto um projeto que fora urdido pela nata do sindicalismo e pelo governo companheiro de Lula. A pretexto de legalizar as centrais, a proposta pendurava-as nas arcas do Estado. Pior: eternizava uma iniqüidade chamada imposto sindical.
A coisa funcionaria assim: legalizadas, as centrais passariam a beliscar 10% da prebenda criada há 64 anos, sob Getúlio Vargas. Subtrai um dia de salário por ano de todo trabalhador com carteira assinada. Em 2006, a coisa rendeu cerca de R$ 1 bilhão. Ou seja, seriam borrifados anualmente R$ 100 milhões nas arcas das centrais.
Para morder os de baixo, fez-se um acerto pelo alto. Coube a Lula enviar ao Congresso a medida provisória que estendeu às centrais o “bolsa pelego”, hoje restrito aos sindicatos (60% da arrecadação do imposto sindical); ao governo (20%), às federações (15%) e às confederações (5%).
Na Câmara, providenciou-se um relator amistoso: Vicentinho (PT-SP), ex-presidente da CUT. Ele levou ao plenário tudo o que fora acordado à margem do Congresso. Súbito, o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) atravessou o samba do sindicalista doido com uma emenda inesperada. Santa emenda!
Carvalho, ex-presidente do Sindicato dos Bancários do DF, propôs que o obrigatório fosse transformado em opcional. Antes de meter a mão no bolso do trabalhador, a máquina sindical terá de obter uma autorização do tungado. Noves fora sete abstenções, a idéia foi aprovada por 215 votos a 161. Beleza!
Houve mais e melhor: aprovou-se uma outra emenda, de autoria de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP). Atribui ao Tribunal de Contas da União poderes para fiscalizar a aplicação do imposto sindical. Justo, muito justo, justíssimo.
“É golpe”, estrilou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força sindical. A CUT apressou-se em soltar nota oficial. O texto anota uma mentira, esgrime uma ótima tese e conta uma lorota. Primeiro a mentira: a CUT “sempre foi e continuará sendo contra o imposto sindical”. Se fosse assim, não tentaria morder um naco do bolo.
A ótima tese: a CUT protestou contra a manutenção, intacta, da “fonte de recursos” dos sindicatos patronais. De fato, o sindicalismo do patronato serve-se do desconto de 2,5% sobre a folha de pagamento que sustenta o Sistema S. Coisa de mais de R$ 10 bilhões por ano. Sugere-se à CUT a convocação de uma greve geral pelo fim da mamata.
Agora, a lorota: “Sindicato não é órgão de Estado”, diz a CUT. Portanto, não pode ser fiscalizado pelo TCU. “Quem tem de investigar e acompanhar a transparência, a prestação de contas, são os próprios trabalhadores.” Transparência em sindicato é lorota que nem a última do papagaio vai conseguir superar.
As centrais preparam-se agora para erguer barricadas no Senado, para onde o projeto aprovado na Câmara foi enviado. Querem que os senadores restituam as espertezas negociadas nos gabinetes fechados do governo, sem os dois pés-de-cabra aprovados na Câmara. Se ficarem do lado da galera, como se espera, os senadores têm diante de si a oportunidade de fazer na marra uma reforma sindical que Lula eximiu-se de fazer por opção.
Escrito por Josias de Souza às 18h03
Sérgio Lima/Folha
Vão abaixo duas notas da seção Radar (só assinantes de Veja):

O problema do palácio: O governo resolveu fazer uma reforma no Palácio do Planalto. A primeira desde 1960. Quem a fará será, evidentemente, Oscar Niemeyer. Na semana passada, Niemeyer explicava numa roda de amigos qual o principal problema do palácio. "Eu o projetei para 200 servidores. E hoje 700 trabalham ali. Isso é que atrapalha tudo", disse o arquiteto comunista numa crítica involuntária ao inchaço da máquina pública, uma praga invencível do Brasil.

Vem aí um memorial: A propósito, Niemeyer acaba de receber uma encomenda para criar um Memorial dos Presidentes da República. Lula deu a idéia a José Roberto Arruda. E o governador do Distrito Federal encomendou o projeto ao arquiteto. Lá ficarão todos os documentos amealhados pelos presidentes enquanto ocuparam o cargo.
Escrito por Josias de Souza às 17h47
Folha
O ministro interino Luiz Paulo Barreto (Justiça) informa que o Ministério Público de Mônaco já expediu parecer favorável à extradição do sem-banco Salvatori Cacciola para o Brasil. É o primeiro passo para que o magano seja transferido da cana chique do principado, com vista pro mar, para um cárcere brasileiro.
Recomenda-se aos otimistas que adiem a queima de fogos. Melhor submeter o caso à teoria das duas hipóteses. Que pode acontecer? O governo de Mônaco pode rejeitar a manifestação de sua Procuradoria ou acatá-la. Se discordar, Cacciola volta para o seu ‘dolce far niente’ italiano. Se acatar, muito bem: é o que desejam os brasileiros que anseiam pelo fim da impunidade.
Se vier para o Brasil, Cacciola enfrentará o processo que já lhe rendeu uma condenação de 13 anos de prisão. Terá de aguardar os recursos que correm nas instâncias superiores do Judiciário. Se conseguir anular a pena, fará o que quiser da vida. Se o castigo for mantido, ótimo: a lei ainda lhe facultará um pedido de redução da pena.
Se a pena for mantida do mesmo tamanho, pode amargar um período de reclusão às custas do erário. Se for abrandada, ainda poderá requerer o benefício da prisão domiciliar. Neste caso, pode sobreviver à reclusão caseira ou pode morrer de desgosto antes do término da punição. Se morrer, vai para o céu ou para o inferno. Subindo às alturas, vai usufruir da suprema aspiração de todos os mortais. Se descer às profundezas será submetido às desgraças que podem suceder a qualquer pessoa, condenada judicialmente em vida ou não.
Todo esse labirinto de hipóteses pode ser atalhado por um pronunciamento do STF. Em sessão realizada na última quinta-feira (18), o Supremo aceitou analisar um pedido de habeas corpus formulado pelos advogados de Cacciola. Pede-se que seja suspenso o mandado de prisão expedido contra o sem-banco em 2005. O tribunal adiou a decisão para a semana que vem.
Se o pedido for negado, Cacciola volta ao corredor de obstáculos que pode levá-lo até o inferno. Se for aceito, muito bem: o Brasil voltará a ter aquela aparência de Éden dos criminosos com bom saldo médio. E tudo retornará à normalidade.
Escrito por Josias de Souza às 16h58
Embaixada recusa-se a dar visto a deputados brasileiros

Rigondeaux e Lara a caminho do jatinho que os devolveria a Havana
A deportação dos boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara produziu um contencioso diplomático entre Cuba e o Congresso brasileiro. O embaixador cubano no Brasil, Pedro Núñes Mosquera, informou ao presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara, Vieira da Cunha (PDT-RS), que o governo de Fidel Castro não concederá visto de entrada no país a deputados que pretendiam entrevistar os dois lutadores em Havana.
Rigondeaux e Lara desertaram da delegação cubana durante os jogos Pan-Americanos do Rio. Presos, foram deportados pelo governo brasileiro, a toque de caixa, em 4 de agosto. Voaram de volta para Cuba num jatinho de prefixo venezuelano, providenciado pelo governo companheiro de Hugo Chávez. O envio de deputados brasileiros a Havana foi aprovado, em 5 de setembro, pela unanimidade dos membros da comissão presidida por Vieira da Cunha. Desejava-se ouvir os pugilistas.
Súbito, começaram a chegar aos ouvidos de Vieira da Cunha informações extra-oficiais de que a embaixada cubana em Brasília torcera o nariz para o requerimento aprovado na Câmara. O pombo-correio da insatisfação foi o deputado comunista Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Em visita ao embaixador Núñes Mosquera, Vieira da Cunha obteve a confirmação.
“O embaixador me disse que, se nós formalizarmos o pedido, ele vai negar os vistos aos deputados. Transmitiu uma posição do governo cubano”, contou Vieira da Cunha ao blog. “Segundo o embaixador, Cuba considera que esse assunto, além de estar encerrado, é uma questão interna do país dele. Esclareceu que Cuba terá prazer em receber deputados brasileiros para outra programação. Mas deixou claro que, com esse objetivo, os vistos serão negados.”
A conversa foi testemunhada por Aldo Rebelo. Ocorreu no último dia 2 de outubro, às 17 horas. Na próxima semana, Vieira da Cunha vai procurar o deputado Raul Jungmann, autor do requerimento referendado pela comissão de Relações Exteriores.
“Vou relatar ao Jungmann o resultado da visita ao embaixador. Se ele insistir na viagem, o que é um direito dele, foi encaminhar o assunto ao [Arlindo] Chinaglia, presidente da Câmara, para que ele decida, junto com a Mesa diretora da Casa, o que fazer.”
Antecipando-se a Vieira da Cunha, o repórter procurou Jungmann na noite desta sexta-feira (19). Ele disse: “Não sou o dono da decisão. Sou apenas autor da proposta. Foi aprovada pela comissão de Relações Exteriores em votação unânime, com votos do governo e da oposição. Não me compete ou desfazer o que está feito. Tampouco existe no regimento da Câmara regra que autorize o presidente da Casa a barrar a iniciativa. É algo que só poderia ocorrer em caso de falta de verba para a viagem, o que não é o caso. Portanto, a decisão tem que seguir o seu curso natural. Não há o que fazer.”
Antes de visitar o embaixador cubano, Vieira da Cunha recebera documento do Itamaraty com informações sobre a situação atual dos boxeadores Rigondeaux e Lara. Os dados foram coletados pela embaixada brasileira em Havana, em resposta a uma requisição da comissão de Relações Exteriores. Deve-se ao repórter Iuri Dantas a revelação do conteúdo do texto.
A dupla de desertores deportados encontra-se abandonada à própria sorte na capital cubana. Segundo o Itamaraty, Rigondeaux “continua treinando por conta própria, à espera de uma comunicação oficial das autoridades desportivas sobre seu futuro.” Mais: seus companheiros de equipe “estariam evitando manter contato com ele.”
Capitão do time de boxeadores enviados por Cuba ao Pan, recaiu Lara, o segundo boxeador deportado pelo governo brasileiro, “maior carga de recriminação por parte das autoridades cubanas". Anota o texto do Itamaraty: "Tudo parece indicar estar condenado ao esquecimento, sobretudo por não ter, até o momento, alcançado conquistas esportivas comparáveis às de seu companheiro."
A julgar pela indisposição do regime cubano em relação à iniciativa da Câmara, não serão os deputados brasileiros que irão arrancar os pugilistas do “esquecimento”. Entre os deputados que iriam a Cuba estão Vieira da Cunha, Jungmann, Professor Rosinha (PT-RS) e Fernando Gabeira (PV-RJ). Sem os vistos da embaixada, nenhum deles pisa em Havana. O caso de Gabeira é, entre todos o mais emblemático. Proibido de entrar nos EUA por ter participado do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, há 38 anos, o deputado verde arrosta agora um veto do regime vermelho de Cuba.
Escrito por Josias de Souza às 02h32

- JB: Jobim quer Exército no Rio como no Haiti
- Folha: Pessimismo nos EUA derruba Bolsas
- Estadão: Quadrilha é presa em golpe de R$ 1 bilhão contra o PIB
- Globo: Estado cria metas para reduzir violência no Rio
- Gazeta Mercantil: MST pára produção da Vale por um dia
- Correio: PF prende 23 e impede desvio de R$ 1 bi do BB
- Valor: Camargo aprova investimentos de R$ 10 bilhões
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h28
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h24
Reunidos nesta sexta-feira (19), em São Paulo, representantes de seis centrais sindicais –à frente CUT e Força Sindical— decidiram montar barricadas no Senado para derrubar duas emendas aprovadas há dois dias pela Câmara. Uma delas condiciona a cobrança do imposto sindical à concordância expressa do trabalhador. A outra dá poderes ao TCU para fiscalizar a tesouraria das centrais sindicais.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, classificou de “golpe” as decisões tomadas pela maioria dos seus colegas na Câmara. Artur Henrique, presidente da CUT disse que a votação subverteu um acordo que as centrais haviam firmado com o governo. “Acordo fechado é acordo para ser cumprido", disse ele.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) participou da fase final da reunião dos figurões do sindicalismo. Ao final, disse que se considera “fiel depositário” do acordo celebrado entre o governo e as centrais. Acrescentou: "Por que para os patrões podem? Desafio qualquer um a me provar que existem sindicatos em qualquer lugar do mundo que vivam sem nenhum recurso. Se não for compulsório, que se estude uma outra forma, mas simplesmente acabar não é possível. Vai acabar com os sindicatos."
O acordo mencionado pelos sindicalistas e pelo ministro previa a legalização das centrais, que funcionavam à margem da lei. Previa também que, depois de ganhar formalidade jurídica, as centrais passariam a beliscar 10% de todo a arrecadação do imposto sindical. Em 2006, amealhou-se cerca de R$ 1 bilhão. Ou seja, as arcar das centrais seriam engordadas em R$ 100 milhões anuais.
Na Câmara, aprovou-se tudo o que havia sido acordado, a portas fechadas, no ministério do Trabalho. Porém, injetaram-se no projeto duas emendas. A primeira, do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), ex-presidente do Sindicato dos Bancários do DF, condicionou a cobrança do imposto sindical à autorização dos trabalhadores. A segunda, do deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), deu poderes ao TCU para fiscalizar a aplicação dos recursos pelos sindicatos.
Na reunião desta sexta, os dirigentes das centrais decidiram, após quatro horas de discussões, “elaborar uma agenda de pressão e negociação sobre o Senado, seja em Brasília ou nos Estados de origem dos parlamentares, para que seja mantido o texto original da medida provisória” do governo. As mudanças aprovadas na Câmara foram classificadas como uma tentativa de aniquilar os sindicatos.
É no mínimo curiosa a mobilização das centrais. Quebram lanças para manter a obrigatoriedade de tributo que todos, inclusive Lula e o PT, dizem combater. Foi criado há 64 anos, sob Getúlio Vargas. Abocanha um dia de salário dos trabalhadores por ano. Diferentemente do que afirmam os sindicalistas, a decisão da Câmara não acabou com o imposto sindical. Apenas obrigou a máquina sindical a ir buscar a autorização daqueles que ela diz representar.
Diz-se que havia um acordo. Ora, costuraram um entendimento pelo alto e esqueceram de combinar com quem decide: o Congresso Nacional. Chamam de “golpe” o que não é senão uma decisão soberana da maioria da Câmara. Cabe uma trinca de perguntas: só valem as votações a favor da engrenagem sindical? Decisões favoráveis à galera não valem nada? Que diabos de democracia é essa?
Escrito por Josias de Souza às 18h04
O STJ manteve nesta sexta-feira (19) condenação que impôs à igreja do irmão Edir Macedo o pagamento de uma indenização de R$ 1 milhão. O dinheiro vai aos bolsos dos pais de João Lucas Terra, 14 anos. O adolescente era “obreiro” da Universal. Foi morto no ano de 2001, em Salvador (BA). Coisa bárbara. Um pastor auxiliar da igreja, Sílvio Roberto Santos Galiza, amordaçou o garoto e tocou fogo nele.
Os pais de João Lucas sustentaram, no curso do processo, que ele chegava a dedicar três turnos diários à igreja quando se encontrava em férias escolares. Condenada pelo Tribunal de Justiça da Bahia, a Universal foi ao STJ para alegar que não poderia ser penalizada pelos atos de seu pastor, praticados . Prevaleceu, porém, a tese de que a igreja foi “desleixada”. Escolheu mal o seu pastor.
Escrito por Josias de Souza às 17h22
Como previsto, a cúpula tucana reuniu-se nesta sexta-feira (19) com os dois presidenciáveis do PSDB: os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas. Decidiu-se que, antes de fechar questão contra a CPMF, pendente de votação no Senado, o tucanato vai ouvir o que o governo tem a propor.
Alçado à condição de porta-voz do da reunião, Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, disse: "Não fechamos questão. Estamos aguardando que o governo desça do pedestal e veja se tem algo para nos propor e seja aceitável e palatável para a sociedade."
Três dos participantes do encontro desta sexta –o próprio Virgílio e os senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE)—foram convidados para uma reunião com o ministro Guido Mantega (Fazenda), na quinta-feira (24) da semana que vem. "Não venha o ministro Mantega com terrorismo infantil. Não venha o governo com prepotência. Estamos abertos a negociar. E se não der em nada, é porque o governo não quer aliviar a carga tributária no bolso do brasileiro."
O PSDB vai à mesa de negociações na condição de fiel da balança da votação no Senado. "A CPMF não passa sem os votos do PSDB. Por isso não queremos conversar com pouca seriedade", disse Virgílio. O que seria uma negociação séria? "Achamos que está na hora de provocar o rebaixamento da carga tributária. Está na hora de forçar o governo a gastar menos. Ele dilapida os recursos públicos porque gasta demais."
Virgílio reconhece que, a essa altura, a maioria da bancada de 13 senadores do PSDB inclina-se para a rejeição do imposto do cheque. “Se não houver proposta, a gente se alinha com os senadores", disse. Tudo considerado, tem-se, por ora, o seguinte quadro: o tucanato usa a intransigência do DEM, seu “parceiro” de oposição, como escada para chegar ao pescoço do governo.
Escrito por Josias de Souza às 16h33
Difícil conversar sobre política nos dias que correm. Lero vai, lero vem, a prosa acaba enganchando numa ou noutra malfeitoria –dessas que pululam no noticiário. Depois de embicar pra esse rumo, a conversa não tem volta. Pode-se mudar de corrupto, não de assunto.
Soube-se nesta sexta-feira (19) que praticamente a metade das empresas assentadas no Brasil (48%) já tive de lidar com pedidos de propina. A coisa veio à luz graças a uma pesquisa realizada pela PriceWaterhouseCoopers. Ouviram-se 5.400 executivos de empresas em 40 países.
O Brasil emergiu do levantamento como vice-campeão mundial do achaque. Só perde para a Indonésia, onde 54% dos empresários entrevistados admitiram já ter lidado com situações em que foi estimulada a pagar propina. Empatado com o Brasil na vice-liderança está a Rússia (48%). Vêm logo a seguir: Índia (38%), México e Turquia (28%) e China (21%).
Não é à toa que a CPI dos Corruptores, sugerida por Pedro Simon (PMDB-RS) nas pegadas do Collorgate e do escândalo dos anões do Orçamento, foi acomodada numa dessas gavetas eternas do Congresso. Já naquela época, PC Farias dizia: “Não pedi a empresário nenhum que chegasse com malas de dólares em minha casa.”
PS.: A propósito, a fila da safadeza não pára de andar (aqui e aqui).
Escrito por Josias de Souza às 15h23

- JB: Previdência arrecada mais
- Folha: Senado aprova 6 meses de licença-maternindade
- Estadão: Atentado mata 115 no Paquistão
- Globo: Governo proíbe crédito consignado ao servidor
- Gazeta Mercantil: MST pára produção da Vale por um dia
- Correio: Na cadeia outra vez
- Valor: Camargo aprova investimentos de R$ 10 bilhões
- Estado de Minas: Senado aprova 6 meses para licença-maternidade
- Jornal do Commercio: É hora de limpar o nome
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h29
Glauco
PS.: Você mora no Estado de São Paulo? Então comece a se preocupar.
Escrito por Josias de Souza às 02h28
Quando um juiz obtém uma cadeira no Supremo, tudo o que se imagina é que terá uma vida que calma. Trabalhosa, mas calma. Verifica-se, porém, o oposto. Aos pouquinhos, os magistrados vão demonstrando que nada separa mais os homens do que a convivência. Leia-se abaixo, a propósito, o relato da repórter Silvana de Freitas (assinantes da Folha):

“Os ministros do STF travaram novo bate-boca e um dos protagonistas, Eros Grau, saiu do plenário por minutos em protesto contra intervenções sistemáticas dos colegas, principalmente de Cezar Peluso e Joaquim Barbosa.
Eles discutiam um processo cujo desfecho pode resultar na exoneração de 126 defensores públicos de Minas Gerais contratados sem concurso. Grau, relator do caso, sugeriu que eles permaneçam por mais 24 meses. Ao final, Grau desabafou: "Ainda bem que minha mãe já se foi, porque, se ela estivesse assistindo a isso, quando eu chegasse em casa levaria uns tapas por ter sido mal-educado, mas não fui sozinho".
Inicialmente, ele ameaçou: "Se os senhores não me deixarem falar, vou embora".
Minutos depois, saiu. Marco Aurélio pediu que ele ficasse. A presidente do STF, Ellen Gracie, tentou contornar o mal-estar. Coube a Carlos Alberto Menezes Direito, amigo de Grau, atuar como bombeiro. Ele saiu do plenário no mesmo instante e convenceu Grau a retornar. Anteontem, o mesmo processo já havia provocado bate-boca entre Grau e Peluso. O julgamento deverá ser concluído na quarta-feira.”
Escrito por Josias de Souza às 02h21
Millôr
Não deixe de visitar o sítio do Millôr.
Escrito por Josias de Souza às 01h34
PSDB busca, num almoço, a unificação do seu discurso
Encontro antecede reunião com Mantega, já agendada

Convidado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para negociar a CPMF na semana que vem, o grão-tucanato reúne-se nesta sexta-feira (19) com os dois presidenciáveis do PSDB: os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves.
Busca-se a unificação do discurso do partido. Um naco do PSDB ainda se dispõe a negociar. Porém, o vaivém do discurso do Planalto –dividido entre os sopros de José Alencar e as mordidas de Lula— e a ausência de uma pauta de negociação já produziram um estrago que pode custar caro ao governo.
A maioria dos 13 senadores tucanos já pende para a rejeição da emenda que estica a vigência do imposto do cheque até 2011. Alguns deles pressionam a direção do partido para que feche questão contra a proposta, a exemplo do que fez o também oposicionista DEM. "Entre o governo e a sociedade, escolhemos ficar com a sociedade", diz o líder 'demo' José Agripino Maia (RN), que espera pela completa adesão do tucanato à tese.
Antes de tomar uma decisão que pode significar o sepultamento da contribuição que rende ao governo cerca de R$ 40 bilhões anuais, os dirigentes tucanos decidiram ouvir aqueles que constituem a principal perspectiva do PSDB de retornar ao Planalto em 2010.
A conversa se desenrolará em torno de uma mesa de almoço, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Além de Serra, o anfitrião, e de Aécio, dividirão o repasto desta sexta os líderes do PSDB no Congresso –Antônio Carlos Pannunzio (Câmara) e Arthur Virgílio (Senado)—, o atual presidente da legenda, Tasso Jereissati (CE), e o futuro dirigente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
Em viagem aos EUA, Guido Mantega convidou Virgílio, Jereissati e Guerra para um encontro. Só ocorrerá, porém, na quinta-feira (24) da semana que vem, no retorno do ministro ao Brasil. “Pode ser tarde demais”, diz Virgílio. “Uma semana, na conjuntura atual, é um século”.
O líder do tucanato no Senado reconhece que a maioria de seus liderados já foi contagiada pela aversão à CPMF. “Não sei quanto tempo político ainda temos para discutir no PSDB”, diz ele. “Vão se tornando irreversíveis as posições dos senadores. E como ninguém é ioiô, as pessoas terminam ficando aferradas à palavra, aos compromissos.”
Virgílio acrescenta: “O governo quer conversar conosco? Vai chegar o momento em que podemos até conversar, mas já não haverá senadores para nos seguir. E não haverá divisão no PSDB. O partido votará unido.”
Até Sérgio Guerra, um vigoroso defensor da negociação, parece ter jogado a toalha. Diz que não se pode negociar o que não existe. “Somos contra a carga tributária e o excesso de gastos públicos. E o governo não apareceu com nenhuma proposta séria de redução de impostos e corte de gastos. Nada que possa ser explicado e que a população entenda. Na Câmara, entregaram Furnas em torça de alguns votos. Por que seríamos cúmplices de uma coisa dessas, por que nos dobraríamos a isso?”
Nos subterrâneos, Serra e Aécio vinham defendendo a renovação da CPMF. Mas também eles soam agora abespinhados com a incompetência do governo em conduzir uma negociação conseqüente. Da posição da dupla depende a resolução a ser tomada pela bancada tucana a partir da próxima semana.
Para negociar, o tucanato pede mais do que o governo parece disposto a entregar. Deseja, por exemplo, fixar em lei um redutor de gastos públicos, na forma de um índice percentual. Exige também algo que se pareça minimamente com um ajuste fiscal e uma reforma tributária.
“O governo quer mais dinheiro para aumentar os gastos, para contratar sem concurso”, diz Arthur Virgílio. “Nós queremos discutir a competitividade da economia como um todo: a redução dos gastos, o aumento dos investimentos, a desoneração do bolso do contribuinte e de produtos que possam adquirir melhores condições mercadológicas”.
Escrito por Josias de Souza às 00h41
BBC
A Receita Federal bateu novo recorde de arrecadação no mês passado: R$ 48,480 bilhões. Nunca na história desse país o fisco amealhara tanto num mês de setembro. Somando-se tudo o que foi subtraído do bolso dos “contribuintes” nos primeiros nove meses de 2007, chega-se a um montante de R$ 381,487 bilhões. Outra recorde.
Divulgada assim, no calor do debate em torno da emenda que renova a cobrança da CPMF até dezembro de 2011, a informação joga gasolina na fogueira que arde no Senado. Diz-se que o imposto do cheque é insonegável. Verdade. Dá-se o oposto com os outros tributos. Empresas falsificam suas escriturações a mais não poder. Salário falso, porém, é coisa que ainda não foi inventada.
Escrito por Josias de Souza às 16h55
Blog do Orlandeli
Três inimigos do político de biografia torta: busca e apreensão da PF, denúncia do procurador-geral e representação do PSOL. Nesta quinta-feira (18), o partido presidido pela ex-petista Heloisa Helena protocolou mais duas representações na Mesa do Senado. Numa delas o alvo é Renan Calheiros (PMDB). Noutra, Eduardo Azeredo (PSDB).
No caso de Renan, freguês de caderneta do Conselho de Ética do Senado, pede-se agora que seja perscrutada uma emenda de Sua Excelência que deslocou R$ 280 mil dos cofres do Tesouro para o caixa de uma empresa fantasma. Quanto a Azeredo, deseja-se que seja levado a julgamento por conta do tucanoduto.
Numa demonstração de que traz enterrado no peito um coração dotado de complacência pluripartidária, o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), lugar-tenente de Renan na presidência do Conselho de Ética, saiu em socorro do tucano Azeredo. Disse que a representação contra o ex-presidente do PSDB deve ser arquivada porque se refere a fatos ocorridos antes do mandato.
Escrito por Josias de Souza às 16h11
A mágoa não anda só. Está sempre acompanhada da ânsia. Uma ânsia cor de sangue. Por vezes, quando presas nas dobras das mais recônditas amarguras da alma, a mágoa e a ânsia sanguinária tornam-se muito parecidas, quase indistinguíveis. É mais ou menos o que acontece com o sem-banco Salvatore Cacciola, como nos informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

Pote de Mágoa- O ex-banqueiro Salvatore Cacciola está disposto a colaborar com a Justiça caso seja extraditado de Mônaco para o Brasil. Sua maior "mágoa" não é com o PSDB, como se imagina -e sim com o PT. Em conversa recente com um de seus advogados na Itália, Cacciola afirmou que, quando foi investigado numa CPI, entregou ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP) uma lista de bancos que também teriam sido, como o Marka, socorridos pelo Banco Central em 1999. Diz que esperava que o PT fizesse um grande escândalo. E nada.

Fale agora- Mercadante diz que "jamais, em tempo algum" teve "qualquer contato com o Cacciola, direto ou indireto. Ele nunca me entregou documento algum". O senador afirma ainda que "eu nem sequer era membro da CPI. Ainda assim, dei depoimento e apresentei a lista de pessoas físicas e jurídicas que ganharam na época com a desvalorização do real". Mercadante diz que, se o ex-banqueiro tem algo a revelar, pode fazer agora. "Nós encaminharemos todas as investigações que forem necessárias."

Ginástica- Cacciola está fazendo fisioterapia na prisão. Seus advogados afirmam que o presídio de Mônaco oferece condições "infinitamente melhores" para os detentos do que os brasileiros.

Sanduba- Que o diga Juan Carlos Abadía. O megatraficante emagreceu dez quilos no presídio de Campo Grande (MS). E devorou um McDonald's quando veio a São Paulo depor.
Escrito por Josias de Souza às 15h29
Governo elabora pauta de ‘concessões’ para abrir diálogo
Roosewelt Pinheiro/ABr

Autorizados por Lula, os operadores políticos do governo vão deflagrar nos próximos dias uma estratégia para tentar dividir a oposição. Deseja-se isolar o DEM e atrair o PSDB para a mesa de negociações. Elabora-se uma pauta de “concessões” a ser exibida ao tucanato.
Estuda-se, por exemplo, a fixação de um calendário para a redução gradual da alíquota do imposto do cheque, hoje de 0,38%. O governo prefere que a redução se dê a partir de 2009. Mas já admite inclusive negociar um percentual menor já para 2008. Analisa-se também a hipótese de aumentar os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em três Estados governados por tucanos: São Paulo (José Serra), Minas (Aécio Neves) e Rio Grande do Sul (Yeda Crusius).
De resto, o governo se dispõe a constituir um grupo de trabalho para formular uma proposta de abertura de crédito e redução de tributos cobrados de empresas de setores econômicos específicos. Nesta quarta-feira (17), aprovou-se no Senado um projeto que beneficia empresas exportadoras dos setores de móveis, pedras ornamentais, couro e calçados. Concede créditos subvencionados para a aquisição de máquinas e isenção no pagamento do PIS/Pasep e da Cofins.
Em troca da aprovação da CPMF, o governo se dispõe a negociar a concessão de refresco semelhante a empresas que operam em outras áreas: exportadores de camarão e de castanha de caju, por exemplo. De resto, analisa-se a viabilidade de uma idéia da qual o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), diz, reservadamente, não abrir mão: a desoneração das folhas salariais de todas as empresas. Foi à mesa, de resto, uma proposta de lideranças gvoernistas no Senado. Prevê a isenção da CPMF para os brasileiros que recebem até R$ 1.700 por mês.
A diferença de timbre dos oposicionistas foi evidenciada numa visita que o presidente da República em exercício, José Alencar, fez ao Senado (foto lá no alto). Reuniu-se nesta quarta-feira (17) com cerca de cinco dezenas de senadores. No encontro, José Agripino Maia (RN), líder do DEM, repisou a decisão de seu partido, que está fechado contra a CPMF. O tucano Arthur Virgílio, porém, deixou entreaberta a porta para o entendimento.
Em contatos reservados que manteve com o próprio Alencar e com outras autoridades, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), informou ao governo que, sem negociação, a emenda da CPMF não passa. O governo já se convenceu. Tenta agora preservar na votação do Senado o texto que já foi aprovado pelos deputados. Se for alterada pelos senadores, a emenda terá de voltar à Câmara. E vai para o beleléu o desejo do governo de aprovar a emenda antes do final do ano.
Ao relatar a emenda da CPMF na Câmara, o deputado Antonio Palocci (PT-SP) introduziu no texto um artigo que permite a redução da alíquota do imposto do cheque por meio de projeto de lei. Hoje, esse tipo de mudança só pode ser feito por emenda constitucional, que exige quorum qualificado. Para contornar a desconfiança dos tucanos, que não acreditam na promessa de reduções futuras, o Planalto se dispõe a enviar ao Congresso, imediatamente, uma medida provisória fixando o cronograma da poda gradual da alíquota.
Embora seja defendida por senadores tucanos, a tese da redução da alíquota da CPMF é recebida com um pé atrás por José Serra. Privadamente, o governador de São Paulo destila o receio de que a perda de arrecadação imponha dificuldades fiscais ao próximo governo, a ser instalado em 2011. Serra freqüenta as pesquisas eleitorais como o candidato tucano mais bem-posto na corrida pela sucessão de Lula. E não lhe agrada a idéia de herdar uma arrecadação mixuruca da CPMF.
Nos subterrâneos, o DEM esforça-se para envenenar o PSDB contra o governo. Vale-se de um raciocínio político. Os líderes ‘demos’ argumentam que, entregando a CPMF a Lula, o tucanato estará injetando azeitona na empada do seu principal adversário na disputa de 2010. “Dependendo de como estiver o quadro na hora da eleição, nada impede que Lula pleiteie o terceiro mandato”, chegou, em reunião reservada com “parceiros” tucanos, um dos principais líderes da tribo dos ‘demos’.
Escrito por Josias de Souza às 02h56

- JB: Médicos fogem dos hospitais
- Folha: Após 2 anos, BC pára corte de juros
- Estadão: Governo negocia alíquota menor e isenção de CPMF
- Globo: BC interrompe queda de juros após 2 anos
- Gazeta Mercantil: Governo veta mais o trabalhador estrangeiro
- Correio: Vem aí nova tropa para vigiar o trânsito do DF
- Valor: Gastos com desemprego projetam déficit no FAT
- Estado de Minas: Governo negocia isenção da CPMF até R$ 1,7 mil
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h44
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h39
Geraldo Magela/Ag.Senado
Um dia depois de o TSE ter decidido que senadores vira-casaca também estão sujeitos à perda de mandato, o Senado aprovou uma emenda que introduz na Constituição o princípio da fidelidade partidária. Deu-se a toque de caixa. Atroperam-se todos os prazos regimentais. Realizaram-se dez sessões em uma.
Pelo regimento, uma emenda constitucional tem tramitação arrastada. Depois que chega ao plenário, abre-se um prazo de cinco sessões para o debate e a eventual apresentação de emendas. Realiza-se, então, a votação em primeiro turno. Segue-se um novo intervalo de cinco sessões. E só então realiza-se a derradeira votação, em segundo turno. Os líderes partidários concordaram em atropelar todos esses prazos, chamados técnicamente de interstícios. E a emenda foi aprovada por unanimidade.
O texto será remetido agora à Câmara. Para virar lei, é preciso que também os deputados o aprovem. Haverá, porém, resistências. No essencial, a proposta dos encampada pelos senadores é mais severa do que as recentes sentenças expedidas pelo TSE e pelo STF.
Para os tribunais, os partidos precisam recorrer à Justiça Eleitoral para reaver os mandatos dos infiéis, que terão amplo direito de defesa. Pela proposta do Senado, caberá exclusivamente aos partidos a decisão de excluir dos seus quadros o filiado traíra, substituindo-o pelo suplente.
A Câmara já havia aprovado uma emenda que tratava do mesmo tema. O texto é, porém, uma brincadeira: abre espaço para que os políticos troquem de partidos nos meses de setembro dos anos que antecedem as eleições. De resto, concede anistia a todos os políticos que pularam a cerca até setembro deste ano. Enviada ao Senado, a proposta dos deputados foi à gaveta da Comissão de Justiça. Escalado como relator do projeto. o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) tachou-o de “inconstitucional” e “imoral”.
Curiosamente, a emenda do Senado também não está imune a espertezas. Estabelece que as novas regras entram em vigor nas próximos eleições. Ou seja, a fidelidade só passaria a ser exigida a partir de 2008, para os políticos que disputarem eleições municipais, ou 2010, para aqueles que concorrem à presidência, aos governos estaduais, às assembléias legislativas e ao Congresso Nacional. A aprovação da proposta na Câmara colocaria em xeque as decisões do TSE e do STF, que impõem a fidelidade desde já.
Alheios à movimentação tardia do Congresso, os ministros do TSE preparam-se para aprovar, na próxima semana, a instrução normativa que vai reger o julgamento dos processos de perda de mandato por infidelidade. Quanto aos detentores de mandatos proporcionais (deputados federais, deputados estaduais e vereadores), estarão com a faca no pescoço todos os que migraram de legenda depois de 27 de março.
Há dúvidas quanto à data-limite a ser fixada em relação aos que exercem mandatos majoritários (presidente da República, governadores, prefeitos e senadores). A imposição da fidelidade, nesses casos, só foi decidida pelo TSE na última terça-feira (16).
O presidente do tribunal, Marco Aurélio Mello, defende que a vigência seja retroativa também a 27 de março. Mas não há consenso entre os outros seis ministros que integram o plenário do TSE. A decisão será tomada no voto. De resto, é possível que a pendenga chegue ao STF, levada pelos senadores infiéis sujeitos à cassação.
Escrito por Josias de Souza às 00h48
Comandante da Aeronáutica depôs em sigilo na Câmara
Contou que, sem verba, FAB só voa 37% de seus aviões
Disse que Venezuela baterá Brasil em aeronaves de caça
Fábio Pozzebom/ABr
Deveria ser pública a audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. Porém, a pedido do brigadeiro Juniti Saito, fecharam-se as portas. Em reserva, o Comandante da Aeronáutica revelou aos deputados detalhes da situação de penúria vivenciada pela Força Aérea Brasileira. Disse que a FAB não tem dinheiro nem para a manutenção de suas aeronaves.
Segundo apurou o blog, Saito informou que, das 719 aeronaves da Força Aérea apenas 267 (37%) encontram-se em condições de voar. As outras 452 (63%), à espera de manutenção, não têm condições de uso –232 delas estão retidas no solo por falta de dinheiro para a aquisição de peças. A situação tende a piorar.
Segundo o brigadeiro, a frota brasileira é velha. O que torna a sua conservação cada vez mais onerosa. Oito em cada dez aviões da FAB têm mais de 15 anos de uso. A situação, de acordo com o relato de Saito, é incompatível com as atribuições da FAB. Entre elas, segundo as palavras do brigadeiro, anotadas por um dos deputados que o ouviam, está a de “manter a soberania e a defesa do espaço aéreo (13,5 milhões de quilômetros quadrados, incluindo a cobertura da área oceânica).”
Saito fez uma outra revelação que deixou preocupados alguns dos membros da comissão de Defesa da Câmara. Disse que o Brasil ostenta, hoje, a terceira posição na América Latina em relação ao poderio de seus aviões de caça. É superado pelo Peru, primeiro colocado, e pelo Chile, o segundo. E, em 2008, ficará atrás também da Venezuela.
O presidente venezuelano Hugo Chavez investe notáveis U$ 4 bilhões na área militar. No próximo ano, receberá 24 caças Sukhoi Su-30 que adquiriu da Rússia. “São aeronaves muito mais modernas do que as nossas”, lamuriou-se Saito. O brigadeiro disse aos deputados que a FAB acalenta a expectativa de adquirir novos caças. O projeto foi mandado à gaveta, porém, ainda no primeiro mandato de Lula.
Escrito por Josias de Souza às 21h57
O Copom (Comitê de Política Monetária) interrompeu o processo de redução da taxa de juros que iniciara em setembro de 2005. Registraram-se, desde então, 18 podas. Juntas, representaram uma redução nos juros de 15,25 pontos percentuais. Nesta quarta-feira, a taxa Selic foi mantida em 11,25%.
A retomada do conservadorismo do Copom, integrado por diretores do Banco Central, contrariou as previsões do mercado. Pesquisa realizada semanalmente pelo próprio BC indicou que o mercado financeiro esperava um novo corte de 0,25 ponto percentual.
Em nota curta, o BC explicou: "Avaliando a conjuntura macroeconômica, o Copom decidiu, por unanimidade, fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária e manter a taxa Selic em 11,25% ao ano, sem viés."
Só na quinta-feira da semana que vem será divulgada a ata da reunião do Copom, com explicações mais alentadas acerca dos motivos que levaram à decisão. Já se sabe, porém, que a cautela foi inspirada pelo receio de que a inflação fuja ao controle. Um temor tonificado pela retomada do crescimento da economia.
O BC esforça-se para cumprir a meta inflacionária que se auto-impôs: um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) de 4,5% em 2007. Nos últimos 12 meses, o índice alçou à casa de 4,15%. Daí a meia-trava. Os juros constituem uma das ferramentas à disposição do BC para deter a inflação. Mantendo as taxas no alto, o Copom desestimula a obtenção de créditos que se transformam em consumo.
Escrito por Josias de Souza às 19h39
Lula Marques/Folha
O procurador-geral da república Antonio Fernando de Souza (foto) viaja para a Europa nesta quinta-feira (18). Ficará fora do país até o próximo dia 26. Em função disso, o manda-chuva do Ministério Público adiou o envio ao STF da denúncia contra os encrencados no “tucanoduto”, o esquema que borrifou nas arcas eleitorais do PSDB mineiro, em 1998, verbas públicas e dinheiro de má origem coletado por Marcos Valério, o coletor-mor.
"Tentei resolver tudo antes de viajar, mas não deu tempo", disse Antonio Fernando. Assim, mantém-se o suspense quanto à inclusão –ou não— no texto da denúncia do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), ex-presidente nacional do tucanato, e do ministro Walfrido dos Mares Guia, coordenador político de Lula. Continuam pendurados num vistoso ponto de interrogação, de resto, as outras 34 pessoas mencionadas no inquérito realizado pela Polícia Federal, por encomenda do procurador.
A dúvida permite que os potenciais encrencados continuem recorrendo ao hilário para tentar explicar o inexplicável. No rastro da pregação de Azeredo –“Eu não sabia”—, o ex-coordenador-geral da campanha reeleitoral encabeçada pelo senador nove anos atrás saiu-se com “explicação” semelhante.
Ex-deputado federal, o ex-coordenador Carlos Eloy Guimarães disse que dinheiro clandestino é segredo de tesoureiro: "O caixa dois de uma campanha é igualzinho ao que uma empresa privada faz. Tesoureiro vai contar para alguém? Você já viu tesoureiro de empresa contar que fez caixa dois?", disse Guimarães. Nesse ritmo, o ex-gestor das arcas tucanas de Minas, um cada vez mais solitário Cláudio Mourão, acaba se irritando.
Escrito por Josias de Souza às 18h19
Num instante em que se esforça para convencer o Senado de que, sem a arrecadação da CPMF, o Tesouro vai à breca, o governo gastou R$ 4 milhões para fazer propaganda de seu programa mais conhecido: o Bolsa Família. A campanha vai ao ar a partir desta quarta-feira (17). Será exibida até o final do mês, no horário nobre das emissoras de TV, em âmbito nacional.
A peça publicitária tem duração de 30 segundos. O ministério do Desenvolvimento Social vende a iniciativa assim: “Com linguagem simples e direta, o filme rompeu com a estética tradicional da comunicação governamental, apostando em uma narrativa inovadora, reflexiva e emocional”.
O pretexto da propaganda é o de “estimular” as cerca de 11 milhões beneficiárias do Bolsa Família a cumprir as contrapartidas do programa: manter os filhos na escola e observar o calendário de vacinações. Diz-se, de resto, que o filme realça a conexão da vedete da área social com outros programas: erradicação do trabalho infantil, apoio à agricultura familiar e capacitação profissional de trabalhadores de baixa renda.
Essa é a primeira campanha veiculada pela pasta do Desenvolvimento Social no ano de 2007. O custo de R$ 4 milhões foi dividido entre o ministério gerido pelo petista Patrus Ananias e a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), chefiada pelo jornalista Franklin Martins.
Escrito por Josias de Souza às 17h39
Assessora de Renan adere às cores da interinidade
Lula Marques/Folha
A moda, a exemplo da biografia de certos políticos, vão e vêm. Estão em constante mutação. Só a esperteza é permanente. Veja-se o caso de Cláudia Lyra, secretária-geral da Mesa do Senado. Até ontem, era acusada de usurpar as suas funções para socorrer a biografia de Renan Calheiros. Hoje, compareceu ao Senado envergando um modelito com as cores do PT, o partido do interino Tião Viana. A roupa, obviamente, não leva a lugar nenhum. É o comportamento de quem a veste que leva.
Escrito por Josias de Souza às 16h40
Vão abaixo pequenos relatos de tudo o que se ouve a respeito do que houve neste naco já vivido da quarta-feira (17). Coisas que entram pelo olho e saem pelo olvido.

Mão única: A recente crise imobiliária dos EUA, que sacolejou as bolsas de valores ao redor do mundo, funcionou como um aviso àqueles que se imaginavam numa via que conduzia à prosperidade inquestionável. Nesta quarta-feira (17), o FMI aconselhou os otimistas a imitar os pessimistas, olhando para os dois lados antes de atravessar uma rua que se imagina de mão única. Em relatório oficial, o Fundo reviu para baixo as suas previsões de crescimento da economia mundial. No caso brasileiro, manteve a estimativa, divulgada em abril, de que o PIB de 2007 será tonificado em 4,4%. Mas reviu para baixo, em 0,2 ponto percentual, a previsão de 2008, agora de 4% -o governo fala em percentuais superiores a 5%. No cenário latino-americano, o desempenho brasileiro vai superar, aos olhos do FMI, apenas o de duas outras nações: Equador (2,7% para 2007 e 3,4% para 2008) e México (2,9% para 2007 e 3% para 2008). Ficará aquém da Argentina (projeção de 7,5% para 2007 e 5,5%, em 2008), Chile (5,9% para 2007 e 5% para 2008), Colômbia (6,6% para 2007 e 4,8% para 2008), Peru (7% para 2007 e 6% para 2008) e Venezuela (8% para 2007 e 6% para 2008).

O coqueiro sem o coco: “Em política”, ensinava Ulysses Guimarães, “você não pode estar tão próximo que amanhã não possa estar distante, nem tão distante que amanhã não possa se aproximar”. Premido pelo desejo de aprovar a CPMF, o governo tenta encurtar a distância que o separa da oposição no Senado, uma Casa em que a maioria do Planalto é frágil, muito frágil, fragilíssima. Convidado pelo presidente interino Tião Viana (PT-SC), o presidente da República em exercício José Alencar desceu do Planalto à planície. Reuniu-se, na presidência do Senado, com senadores de todos os partidos. Fez campanha em favor do imposto do cheque. E convidou os líderes partidários, governistas e oposicionistas, para uma conversa com Lula, na semana que vem, depois do retorno do titular de sua viagem à África. Lero vai, lero vem, as coisas mantiveram-se como antes: os ‘demos’ intransigentemente contrários à CPMF, os tucanos dispostos a negociar... Tudo considerado, restou a impressão, digna de louvor, de que, sem Renan, o Senado vai retomando a sua normalidade.

Puladas de cerca: beneficiário da fidelidade facultativa na época em que, sob FHC, era governo, o DEM tenta agora impor o cabresto aos seus congressistas. Nas pegadas da decisão do TSE que estendeu aos senadores o princípio da fidelidade partidária, os ‘demos’ decidiram ir aos tribunais para reaver os mandatos dos três senadores que os traíram: Romeu Tuma (PTB-SP), César Borges (PR-BA) e Edison Lobão (PMDB-MA). Noves fora as recentes decisões da Justiça Eleitoral e do STF, o DEM serve-se de uma norma injetada em seu estatuto no último dia 28 de março. Reza o seguinte: “O detentor de mandato que, eleito pela legenda do Democratas, venha a praticar ato de infidelidade partidária no curso do mandato ou se desligue do Partido, perderá automaticamente as funções e os cargos que exercer na respectiva Casa Legislativa em decorrência de representação ou de proporcionalidade partidária. Se o mandato for executivo, o seu nome será excluído do cadastro partidário, ficando impedido de filiar-se novamente ao Democratas pelo prazo de cinco anos”.

“Oranges”: Pilhada pela Receita Federal e pela Polícia Federal em malfeitorias que impuseram prejuízos de R$ 1,5 bilhão ao fisco, a multinacional norte-americana Cisco Systems tenta atribuir a um revendedor brasileiro a opção preferencial pela tunga tributária. A julgar pelas provas que as autoridades dizem ter reunido, será difícil à empresa sustentar a esperteza nos tribunais. Ao que tudo indica, a Cisco adotou, no Brasil, a prática de buscar refúgio atrás de laranjas –ou “oranges”, em respeito às suas origens.
Escrito por Josias de Souza às 15h49

- JB: Cadeia para presidente de multinacional
- Folha: Fidelidade partidária vale para todos os cargos, diz TSE
- Estadão: Gigante da informática é acusada de 8 crimes
- Globo: PF prende 440 por fraude bilionária de multinacional
- Gazeta Mercantil: Montadoras elevam a produção de caminhões
- Correio: Músico é denunciado. Timponi aguarda TJ
- Valor: Setor aéreo ainda busca uma saída para o caos
- Estado de Minas: Epidemia de dengue volta a assustar país
- Jornal do Commercio: Bactéria provoca isolamento de UTIs
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h50
A portas fechadas, soldado de Renan reagiu ao tucanato
Convocada a pretexto de “pacificar” o Senado, a reunião-almoço do presidente interino Tião Viana (PT-AC) com as lideranças partidárias teve pelo menos um momento de tensão, em que o timbre belicoso prevaleceu sobre a pretendida harmonia. Deu-se numa intervenção de Valdir Raupp (RO), líder do PMDB. Ele disse: “O Renan é como tigre. Está enjaulado, mas não está morto. Não convém que provoquem o Renan.”
Raupp reagiu a observações feitas durante o encontro por Sérgio Guerra (PSDB-PE). O senador tucano disse que a harmonia do Senado só seria completamente recuperada depois da resolução de todos os processos que ainda correm no Conselho de Ética contra Renan Calheiros. Insinuou que o retorno de Renan à presidência representaria a volta da crise.
Antes, o líder do PSOL, José Nery, também havia feito uma intervenção no mesmo sentido. O rugido de Raupp, espécie de porta-voz do “tigre enjaulado” foi interpretado por alguns dos presentes como um recado de Renan aos que desejam esfolá-lo. Foi entendido, de resto, como uma reação à antecipação da guerra interna pela cadeira de presidente do Senado. Um assento que o PMDB considera seu.
Além de fustigar Renan, as lideranças de oposição valeram-se do encontro com o petista Tião Viana para despejar sobre a mesa do almoço da paz uma rajada de críticas ao comportamento do governo. José Agripino Maia (RN), líder do DEM, vociferou contra a pressa que o Planalto tenta impor à tramitação da emenda da CPMF. Disse que não abre mão do respeito aos prazos regimentais.
Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, interveio para queixar-se da enxurrada de medidas provisórias que conspurca a pauta de votações do Senado. Lembrou que, ao retirar MPs que tramitavam na Câmara a pretexto de apressar a aprovação da CPMF, o governo deixou claro que as medidas provisórias de Lula nem são urgentes nem relevantes.
Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, reclamou da tática de cooptação utilizada pelo governo para seduzir senadores de partidos da oposição, convencendo-os a migrar para legendas associadas ao consórcio governista. Uma tática que forçou Agripino Maia a deixar a reunião-almoço bem antes da sobremesa. O líder 'demo' foi ao encontro do governador José Roberto Arruda (DF) e do senador Adelmir Santana (DF). Na véspera, Adelmir anunciara sua transferência do DEM para o PR. Deu meia-volta depois de obter de Arruda, tendo Agripino como fiador, o compromisso de que o partido lhe assegurará uma vaga de candidato a cargo majoritário em 2010, provavelmente uma recandidatura ao Senado.
Antes e depois da deserção de Agripino Maia, Tião Viana repisou no encontro com os líderes a pregação que vem adotando desde a licença de Renan. Um discurso que combina os interesses do governo com as demandas da oposição. A despeito das rusgas remanescentes de uma crise Renan, promovido por Raupp da condição de coco arrancado para o posto de tigre ameaçador, o presidente interino do Senado conseguiu o que queria: a retomada das votações.
Nesta quarta-feira (17), por sugestão de Tião Viana, o presidente da República em exercício José Alencar fará uma visita ao Senado. Ele se reunirá com as principais lideranças da Casa. Vai preparado para esgrimir o discurso de respeito às diferenças.
Curiosamente, é Alencar quem vem exercendo, a pedido de Lula, o papel de cupido no namoro do governo com senadores oposicionistas. Um relacionamento que conduz a puladas de cerca que o TSE proibiu ao estender, na noite desta terça-feira, a fidelidade partidária também aos senadores, ocupantes de cargos majoritários.
Se encontrar um clima propício, Alencar pretende convidar os líderes partidários, inclusive os de oposição, para uma visita ao Palácio do Planalto. O encontro ocorreria depois do retorno de Lula da viagem que faz à África. Seria uma demonstração de que o Planalto está disposto, por assim dizer, a estreitar suas inimizades. Algo essencial para um governo que tenta arrancar a CPMF de uma Casa em que sua maioria é tênue.
Escrito por Josias de Souza às 00h52
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), levanta dúvidas quanto à possibilidade de implementação da decisão do TSE que estendeu o princípio da fidelidade partidária aos detentores de mandatos majoritários. Referindo-se a prefeitos e governadores, o senador pergunta: “Supondo que o titular e o vice tenham mudado de partido e percam o mandato, quem assume os Executivos municipais e estaduais?”
Quanto aos senadores, Viana também levanta um questionamento: “Se o eleito é de um partido e o suplente é de outro, como fazer para que, em caso de cassação por infidelidade, o mandato seja devolvido ao partido prejudicado?”.
São questões que a decisão do TSE não respondeu. E que o Senado pretende solucionar por meio da aprovação de uma emenda constitucional. O assunto foi negociado na reunião que o presidente interino do Senado manteve com os líderes de todos os partidos nesta terça-feira (16).
Deseja-se levar a proposta a voto nos próximos dias, se possível ainda nesta quarta-feira (17). Para Viana, as recentes decisões do TSE e do STF sobre fidelidade partidária invadem uma competência privativa do Congresso. “O papel de legislar é do Legislativo”, diz ele. “O que está ocorrendo é uma afronta ao equilíbrio republicano entre os poderes. Em 180 anos de história do Senado, nunca houve isso.”
Seja como for, o DEM já decidiu que reivindicará os três mandatos que perdeu no Senado. A trinca de 'demos' que pulou a cerca, seduzida pelo governo, é a seguinte: Cezar Borges (BA), que foi para o PR; Edison Lobão, para o PMDB; e Romeu Tuma, para o PTB. Em outras legendas, Fernando Collor de Mello migrou do PRTB para o PTB; e Patrícia Sabóia trocou o PSB pelo PDT.
Nos Estados, o governador Blairo Maggi (Mato Grosso) mudou-se do PPS para o PR. Nos municípios, os prefeitos que aderiram ao troca-troca são contados às centenas.
Escrito por Josias de Souza às 22h55
Em decisão unânime, o TSE estendeu o princípio da fidelidade partidária também aos detentores de mandatos majoritários: prefeitos, governadores, senadores e presidente da República. Quem trocar de partido corre o risco de perder o mandato.
Prevaleceu o entendimento de que não há no Brasil candidaturas avulsas. Todos os políticos vão às urnas atrelados a algum partido. O mandato, portanto, não é do político, mas da legenda. Coube ao ministro Carlos Ayres Britto relatar a matéria.
Ele reconheceu que, diferentemente do que ocorre nas eleições proporcionais, o prestígio pessoal do candidato pesa muito nas disputas majoritárias. "Não se pode negar o óbvio: neste tipo de competição homem a homem, candidato a candidato, o prestígio individual tende a suplantar o partidário." Ainda assim, decidiu em favor dos partidos: "A soberania do voto popular é exercida para sufragar candidatos partidários, não avulsos."
Ayres Brito foi acompanhado por todos os outros seis ministros que integram o plenário do TSE. , disse o relator. O pronunciamento do tribunal foi provocado por uma consulta formulada pelo deputado Nilson Mourão (PT-AC). Em 27 de março, o TSE já havia fixado o mesmo entendimento em relação aos mandatos proporcionais (deputados federais, deputados estaduais e vereadores).
Essa primeira decisão foi referendada posteriormente pelo STF, em resposta a três mandados de segurança ajuizados pelo PSDB, DEM e PPS. Decidiu-se que os partidos vitimados pela traição de seus filiados podem requerer a posse dos suplentes nos casos em que as puladas de cerca dos titulares ocorreram depois de 27 de março. O processo correrá no TSE, onde será assegurado aos infiéis o direito de defesa.
Por delegação de Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, o ministro Cezar Peluso redige uma instrução normativa fixando as normas que vão reger a tramitação dos processos de perda de mandato por infidelidade. O texto de Peluso já vai contemplar também os julgamentos de processos de infidelidade dos donos de mandatos majoritários.
A dúvida é quanto ao início da vigência da norma no caso dos majoritários. Em entrevista, Marco Aurélio deu a entender que o tribunal caminha para a fixação de uma data única, ou seja, 27 de março para todos os casos.
Escrito por Josias de Souza às 22h10
O manda-chuva da Controladoria Geral da União, ministro Jorge Hage, recebeu a visita dos senadores Raimundo Colombo (DEM-SC) e Inácio Arruda (PCdoB-CE), respectivamente presidente e relator da CPI das ONGs. Informou a ambos que a CGU já realiza uma apuração envolvendo 325 entidades do gênero. Comprometeu-se a encaminhar à comissão o resultado da investigação tão logo ela seja concluída.
A CGU dividiu as ONGs que estão sendo esquadrinhadas em três grupos. Há as 20 maiores, que receberam mais de R$ 10 milhões e outras duas categorias: aquelas que receberam entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões, e as que amealharam entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões. Hage não marcou prazo para o término da investigação.
Os dados repassados pelo ministro aos senadores justificam à saciedade a instalação da CPI no Senado. Como a própria sigla indica, uma ONG é –ou deveria ser— entidade desvinculada do governo. Cabe uma pergunta: que isenção pode ter uma organização “não governamental” pendurada nos cofres da União?
Escrito por Josias de Souza às 18h30
Nas pegadas de decisão tomada na véspera pelo STJ, que extinguira a pena de prisão contra uma brasileira que furtara um desodorante (R$ 9,70), o STF pôs fim, nesta terça-feira (16), a um processo judicial aberto contra um cidadão acusado de apropriar-se indevidamente de um botijão de gás (R$ 20,00).
Invocou-se, nos dois casos, o “princípio da insignificância” do valor dos furtos. Escorando-se no mesmo princípio, o Supremo concedeu habeas corpus em favor de um soldado da Aeronática, acusado de embolsar R$ 75,00. Pilhado, o soldado devolveu a grana. A despeito disso, o processo chegou à mais alta corte judiciária do país.
Num país em que agentes públicos e privados permanecem impunes a despeito dos desvios de milhões e até bilhões de que são acusados, é despropositado, para dizer o mínimo, que o Estado persiga de maneira tão denodada pessoas acusadas de delitos miúdos. É evidente que cada delito deve receber a devida punição. Mas espanta que os juízes brasileiros não tenham sensibilidade para graduar as penas segundo a relevância dos crimes.
Escrito por Josias de Souza às 17h43
Nos primeiros nove meses do ano passado, o Brasil registrara 321.368 casos de dengue. Algo impensável. Entre janeiro e setembro de 2007, evoluiu-se para o inadmissível: 482.316 notificações da doença. Desse total, 1.076 doentes foram ao leito vitimados pela pior forma da doença: a dengue hemorrágica. Nada menos que 121 brasileiros desceram à sepultura.
Confrontado com uma realidade que, a cada dia, torna-se mais inacreditável, o ministra José Gomes Temporão (Saúde) reconheceu o óbvio: há no Brasil uma epidemia de dengue. "Temos um número de casos muito grande. É uma epidemia que é preocupante por vários motivos, principalmente pelas características do vírus, que tem quatro sorotipos, e três sorotipos já circulam no país, e pelas características deste mosquito, que tem fantástico grau de adaptação”.
O mosquito, segundo Temporão, adaptou-se a áreas que se imaginavam imunes. Por exemplo: a região serrana do Rio e a região Sul do país. A encrenca não será detida apenas com providências ditadas por Brasília. Depende de esforços da coletividade. Por isso, o ministério da Saúde leva ao ar, a partir desta terça-feira (16), mais uma campanha de esclarecimento.
Todos os brasileiros de bom senso deveriam levar a mão à consciência e adotar as medidas ao seu alcance. Vai aqui um quadro comparativo dos casos de dengue notificados em 2006 e 2007. E aqui a íntegra do último balanço da evolução da doença produzido pela pasta da Saúde.
Escrito por Josias de Souza às 16h50
Vão abaixo pequenos relatos de tudo o que se ouve a respeito do que houve. Coisas que entram pelo olho e saem pelo olvido:

Armistício: sob a presidência interina de Tião Viana (PT-AP), os líderes partidários do Senado celebraram um acordo. Prevê a suspensão das hostilidades. Uma trégua, não o fim da guerra. Até segunda ordem, as votações serão retomadas. Já nesta terça-feira (16), vão a voto duas medidas provisórias (abrem créditos extraordinários para o governo) e nove autoridades que, embora já indicadas por Lula, dependem da aprovação dos senadores para tomar posse. Como toda guerra, a do Senado também fez vítimas. A primeira delas foi a instituição, posta de joelhos. A segunda foi a paciência do brasileiro, ferida de morte. Chegou-se a tudo isso sem eliminar a causa do conflito. Renan ‘Cocalheiros’, embora já arrancado do pé continua rolando pelos corredores do Senado. Já não tem, aparentemente, a pretensão de retomar o comando, mas pega em armas pelo mandato.

Vozes da África: desde a República do Congo, onde se encontra, Lula tenta pôr ordem em sua tropa. Num instante em que a soldadesca do PT, assanhada, cobiça a presidência do Senado, o general manda dizer que a cadeira, pela lógica, pertence ao PMDB. Presidente interino do ilógico, Tião Viana, prudente, apressou-se em tachar de “inoportuno” o debate sucessório. Da boca pra fora, excluiu-se da encrenca: “Eu não sou candidato.” O governismo tenta conter o inevitável movido pelo receio de que a refrega pelo assento de Renan Calheiros conspurque a discussão da CPMF, prioridade zero de Lula. Preventivamente, o Planalto envia reforços ao Senado, num movimento que deve prosseguir nos próximos dias.

A fila andou: nos próximos dias, as malfeitorias imputadas a Renan Calheiros dividirão o espaço do noticiário com uma mega-fraude. Coisa de bilhões. Depois de uma investigação de dois anos, a Receita, a PF e o Ministério Público deflagraram na madrugada desta terça a Operação Persona. Envolve um esquema de desvios no setor de comércio exterior. Valendo-se de laranjas, empresários brasileiros vinham maquiando encomendas a uma multinacional norte-americana de equipamentos de alta tecnologia. Chama-se Cisco. A esperteza vinha injetando no Brasil 50 toneladas de mercadorias. Nos últimos cinco anos, os negócios somaram US$ 500 milhões. Como os valores eram mutretados, sonegou-se ao fisco algo como R$ 1,5 bilhão.

Choque de realismo: o grão-tucano Geraldo Alckmin, candidato derrotado do PSDB na eleição de 2006, informou que não pretende candidatar-se de novo à presidência da República em 2010. Um informe desnecessário, já que ninguém, nem mesmo os companheiros de partido de Alckmin, contam com a participação dele no pleito.
Escrito por Josias de Souza às 15h29
Enquete realizada pela Folha (assinantes) reforça o que já parecia óbvio: a aprovação da CPMF no Senado não será um passeio. Longe disso. De 71 senadores ouvidos, 42 declararam-se contrários à emenda da forma como ela chegou da Câmara. Alguns admitem votar a favor se a proposta for remendada. Uma hipótese que devolverá o imposto do cheque à Câmara, sepultando todas as chances de uma aprovação ainda em 2007. Vai abaixo a reportagem, assinada por Johana Nublat, Felipe Seligman e Maria Luiza Rabello:

“O Palácio do Planalto precisará trabalhar duro no Senado se quiser aprovar a prorrogação da CPMF até 2011 e garantir cerca de R$ 40 bilhões de arrecadação no próximo ano. Em enquete feita pela Folha, 44 senadores disseram votar contra o chamado imposto do cheque da forma como foi aprovado recentemente na Câmara.
Foram ouvidos 74 dos 81 senadores. Dos 44 que se posicionaram contra a CPMF, 24 afirmaram que podem mudar de posição caso o governo aceite algumas alterações, como a redução da alíquota (gradativa ou não), aumento da arrecadação para a saúde ou educação e maior repasse a Estados e municípios. Só 25 votam a favor da PEC (proposta de emenda constitucional) do jeito que chegou ao Senado, sendo nove do PT e dez do PMDB.
Por ser emenda constitucional, são necessários ao menos 49 votos -em cada um dos dois turnos- para aprovação. Entre os senadores dispostos a negociar, cinco são do PSDB e dois do DEM. Na base, o governo não deve contar com o apoio incondicional dos petistas Flávio Arns (PR) e Paulo Paim (RS). Há resistências ainda no PMDB, PDT, PR e PTB.
A aprovação na Câmara teve um preço alto para o governo. O Executivo liberou cerca de R$ 1 bilhão em emendas de parlamentares de 1º de agosto a 5 de outubro e também houve distribuição de cargos.
Apesar das dificuldades de negociação no Senado, mesmo quem se opõe à prorrogação já vê a batalha ganha pelo governo. ‘Não existe possibilidade de não aprovar. O governo está vendendo a alma para isso’, afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS).
Qualquer alteração no texto feita pelos senadores exigiria o retorno da emenda à Câmara, o que impossibilitaria a aprovação da PEC ainda este ano. Se a prorrogação da CPMF só for aprovada em janeiro de 2008, existe uma avaliação jurídica de que o imposto seria recriado, e não prorrogado. Neste caso, há exigência de noventena antes do início da cobrança, causando prejuízo ao governo de R$ 14 bilhões (equivalente a quatro meses sem arrecadação), segundo o Planejamento.
‘Não dá para prescindir da arrecadação da CPMF no meio do jogo. O orçamento está todo desenhado em cima dela. Se tirar, tem que arrancar dinheiro de outro lugar’, disse o senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Para aprovar ainda neste ano, os líderes no Senado cogitam mudanças na cobrança da CPMF sem, contudo, alterar a PEC. Uma alternativa que será proposta pelo líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), é isentar, via projeto de lei, a cobrança da CPMF de quem tem apenas uma conta corrente e movimenta menos de R$ 1.000 mensais. ‘Se tivermos que mudar o texto da PEC não será possível aprovar a prorrogação da CPMF neste ano’, disse.”
Escrito por Josias de Souza às 01h24

- JB: Rio perdeu R$ 197 milhões
- Folha: Remessa de lucro triplica sob Lula
- Estadão: Desmatamento cresce e faz governo rever planos
- Globo: Rio também tentará proibir venda de bebida em estrada
- Gazeta Mercantil: Dólar baixo é o que segura alta de combustíveis
- Correio: Correu, bateu, matou e juíza mandou soltar
- Valor: Madeira atrai nova onda migratória a Rondônia
- Estado de Minas: PBH quer Centro de cara nova
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 01h14
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 00h48
Jefferson vai requerer acareação de Renan com Lyra
‘Recusa de Renan seria quase uma confissão’, diz relator
Antônio Cruz/ABr
Relator de um dos processos mais espinhosos contra Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Jefferson Peres (PDT-AM) pretende marcar, nesta terça-feira (16), o depoimento do usineiro alagoano João Lyra ao Conselho de Ética. Vai convidar Lira também para participar de uma acareação com o presidente licenciado do Senado.
Jefferson Peres considera o tête-à-tête de Lyra e Renan essencial para a elaboração do seu relatório, que tenciona entregar nos primeiros dias de novembro. Em 21 de agosto, em telefonema ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), um advogado do usineiro informara que seu cliente se dispunha a ser acareado com Renan, que, à época, ainda estava acomodado na cadeira de presidente.
Renan, porém, rejeitara a idéia. Chegara mesmo a ironizar a oferta de Lyra, perguntando se o usineiro viria ao Senado “com algema ou sem algema”. Para Jefferson Peres, se o senador se mantiver refratário à acareação, sua situação ficará frágil.
“Ele pode se recusar. Mas creio que a recusa do Renan seria quase como uma confissão de culpa. Ficaria numa situação muito frágil”, disse Jefferson Peres ao blog. O relator telefonara para João Lyra na última sexta-feira (12), um dia depois do pedido de licença de Renan. Não conseguiu falar com o usineiro. Informou-se que ele se encontrava numa de suas fazendas. Passou o sábado (13). Veio o domingo (14). E nada de Lyra responder ao telefonema.
Nesta segunda-feira (16), o usineiro tocou, finalmente, para o gabinete de Jefferson Peres. O senador encontrava-se no Amazonas, seu Estado. Foi alcançado pela assessoria, no celular, no instante em que subia a escada do avião que o trouxe de volta a Brasília. Não pôde falar. Fará contato nesta terça (16). O gesto de Lyra, porém, deixou-o mais tranqüilo.
“O silêncio dele já estava me preocupando”, disse Peres ao repórter. O senador receava que o usineiro pudesse recuar em relação às declarações que prestara ao corregedor Romeu Tuma, em Alagoas, no dia 16 de agosto. Tuma ouvira-o por cerca de três horas. Lyra confirmara ter constituído uma sociedade secreta com Renan. Compraram, segundo o seu relato, empresas de comunicação em Alagoas –um diário chamado “O Jornal” e de duas emissoras de rádio, reunidas sob o logotipo “Sistema Costa Dourada de Radiodifusão”.
Lyra ratificara a Tuma a notícia de que Renan investiu no negócio R$ 1,3 milhão. Verba de origem desconhecida e não-declarada à Receita Federal. O usineiro dissera que Renan fez-se representar na transação por dois laranjas: Ildefonso Tito Uchôa, seu primo, e Carlos Santa Ritta, assessor dele no Senado. Coube a Uchôa assinar notas promissórias e recibos, cujas cópias João Lyra repassou a Tuma. No momento em que foi efetivada a transação, Renan desembolsara R$ 650 mil. Dinheiro vivo. Lyra emprestara-lhe outros R$ 650 mil, pagos posteriormente, também em moeda sonante.
A sociedade secreta foi desfeita em 2005. Lyra reteve o controle do jornal. O Sistema Costa Dourada de Radiodifusão ficou com o primo Tito Uchôa e com um dos filhos de Renan, que “comprou” a parte do assessor Santa Rita. Chama-se Renan Calheiros Filho. Atende pelo apelido de Renanzinho. É prefeito do município alagoano de Murici. Como não tinha renda para entrar na sociedade, recorreu a doações do pai, dessa vez registradas no Imposto de Renda.
Em tese, Jefferson Peres pode convidar para depor, além de Lyra, o filho de Renan e os testas-de-ferro do senador. Ao blog, o relator afirmou: “Estou analisando isso.” Em diálogos privados, ele disse, segundo apurou o repórter, que, dependendo da disposição de João Lyra, pode dispensar as outras oitivas.
Até aqui, Renan vinha afirmando que, se alguém tinha de ser acareado com João Lyra esse alguém era Tito Uchôa. Mantendo-se nessa posição, vai facilitar o trabalho de Jefferson Peres, a quem não restará senão a hipótese de recomendar o envio ao plenário do Senado de um novo pedido de cassação do mandato do colega. A ser julgado, dessa vez, em sessão aberta, numa votação ainda secreta.
Escrito por Josias de Souza às 00h23
Sob a presidência do interino Tião Viana (PT-AC), a Mesa diretora do Senado acatou nesta segunda-feira (15), o quinto processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL). O coco arrancado terá de responder agora à acusação de que se serviu da estrutura da palmeira do Senado para espionar senadores adversários.
Com a decisão, a nova representação, subscrita na semana passada pelo PSDB e pelo DEM, será remetida agora ao Conselho de Ética do Senado, onde já há outros três processos à espera de julgamento (Schincariol, compra de empresas de comunicação por meio de laranjas e cobrança de propinas em ministérios geridos pelo PMDB).
Escrito por Josias de Souza às 18h24
Folha
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da emenda da CPMF no Senado, apresentará à Comissão de Justiça um requerimento para que o ministro Guido Mantega (Fazenda) compareça ao Senado. Deseja ouvir dele os argumentos oficiais a favor da renovação do imposto do cheque. Planeja convocar também, pelas mesmas razões, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento).
Kátia Abreu disse que, antes de apresentar os seus requerimentos de audiências públicas, vai aguardar os pedidos dos demais membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Se Mantega e Bernardo não estiverem entre os convocados, ela tomará a iniciativa de incluí-los em seus próprios requerimentos. De resto, a senadora manifesta a intenção de acatar todas as solicitações de oitivas sugeridas. "Não posso desrespeitar a vontade de meus colegas, sejam eles da oposição ou do governo", diz ela.
Falando ao blog, a senadora reiterou que não vai abrir mão de um único dia do prazo regimental de 30 dias de que dispõe para relatar a emenda que prorroga a CPMF até 2011. Autoridades como o ministro Walfrido dos Mares Guia, coordenador político de Lula, e a senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT, argumentam que, se Kátia Abreu já tem posição formada contra o imposto do cheque, deveria abreviar a apresentação de seu relatório.
A senadora refuta o argumento: “Minha opinião, de fato, já está formada. E não decorre apenas de uma posição partidária. Aprendi que não se deve ter excesso de carga tributária a partir do setor que represento há 15 anos e no qual atuo há 20. Sou produtora rural desde que meu marido faleceu. Mas entendo que, se a Câmara levou cinco meses para analisar a emenda da CPMF, o Senado não pode tratar do mesmo assunto em cinco dias, como deseja o governo.”
Kátia Abreu acrescenta: “Apressar a tramitação da emenda no Senado seria desrespeitoso. Não só com a oposição, mas com todo o Senado, que tem o direito e o dever de destrinchar o assunto antes de submetê-lo a voto. Se o governo não teve competência política para apressar a tramitação da emenda na Câmara, onde dispõe de ampla maioria, não pode exigir pressa do Senado.”
A senadora considerou uma "descortesia" com o Senado a ameaça feita na semana passada por Mantega de aumentar tributos caso a emenda da CPMF seja rejeitada. "Esse negócio de fazer ameaças é uma coisa muito feia, recurso de quem não tem argumentos". Para Kátia Abreu, a presença de Mantega e Bernardo no Senado, "vai servir para convencer os senadores de que a CPMF nao deve ser prorrogada". Acha que há questões para as quais "os ministros nâo têm resposta". Entre elas a "inépcia" do governo em não ter promovido uma ampla reforma tributária.
Oficialmente, Kátia Abreu ainda nem recebeu a emenda que a tem como relatora. Ou seja, o prazo de 30 dias ainda não começou a correr. A senadora imagina que o presidente da comissão de Justiça, Marco Maciel (DEM-PE), vai repassar-lhe a proposta na próxima quarta-feira, dia em que a comissão se reúne.
O governo já encomendou ao seu líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a elaboração de um relatório alternativo ao de Kátia Abreu. A senadora acredita, porém, que há boas chances de que o seu texto prevaleça sobre o de Jucá. “É natural que o governo apresente um relatório substitutivo. Isso ocorre em todas as matérias. Não me incomoda. Mas, com o retorno de Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à CCJ, creio que, hoje, a oposição tem maioria na comissão. Pode haver, no máximo, um empate. Aí, caberia ao presidente Marco Maciel desempatar a favor do meu relatório”.
Kátia Abreu acha que, para não correr riscos, os partidos governistas ainda podem promover substituições de última hora na comissão de Justiça. “Já tiraram dois senadores, que só voltaram porque houve muita pressão. Tiraram na hora errada. Mas não tenho dúvida de que eles podem tirar outros antes da votação da CPMF”.
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Sérgio Lima/Folha
PSDB e DEM protocolaram no STF um recurso contra a recriação, por decreto, da pasta que tem como titular o ministro Roberto Mangabeira Unger. Argumenta-se na ação que só o Congresso pode dispor sobre a criação de cargos, inclusive os de ministro de Estado.
O ministério de Mangabeira –na verdade uma secretaria de Estado com status ministerial— foi mandado ao lixo numa votação ocorria no Senado no último dia 26 de setembro. Em seguida, Lula reempregou o auxiliar numa pasta extraordinária. O presidente valeu-se de um decreto de 1967.
Esse decreto, de fato, permite ao presidente criar até quatro ministérios extraordinários. A oposição argumenta, porém, que o decreto foi superado pela Constituição de 88. Assim, depois de ter sido posto na rua pelo Senado, Mangabeira está agora nas mãos do Supremo.
Uma eventual decisão adversa do tribunal não deixará outra alternativa ao governo senão a de pôr no olho da rua Mangabeira, o breve.
Escrito por Josias de Souza às 17h03
No Brasil, como se sabe, cadeia é coisa para gente muito parda, muito pobre e/ou muito prostituída. Gente como V.M., uma mulher condenada a um ano e quatro meses de cana por ter tentado roubar, em 2003, um frasco de desodorante. Coisa mixuruca: R$ 9,70.
Num instante em que a onda de assaltos aos cofres públicos converte-se em maremoto, o drama de V.M. diz muito sobre o ilógico que permeia a vida nacional. Nesta segunda-feira, a quinta turma do STJ tentou injetar um grão de lógica no deserto de incoerência. Concedeu habeas corpus à senhora do desodorante. Invocou-se o princípio da "insignificância" do delito. Alvíssaras!
Escrito por Josias de Souza às 15h52
Orlandeli
A sondagem foi feita pelo instituto Sensus, por encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes). Traz os tucanos José Serra (12,8%). Geraldo Alckmin (11,6%) e Aécio Neves (9,8%) nas três primeiras colocações. Logo a seguir vêm Ciro Gomes (PSB), com 9,4% das intenções de voto, Heloisa Helena (PSOL), com 6,1%.
Volte ao início do texto. Releia os percentuais atribuídos a cada candidato. Memorizou? Pois agora esqueça tudo. A eleição presidencial, como se sabe, será em 2010. Pesquisas feitas assim, com tamanha antecedência, já têm pouca serventia. Essa última, do modo como foi concebida, vale menos ainda (íntegra aqui).
A menos que as principais lideranças do tucanato resolvam se dispersar, migrando para outras legendas, você jamais verá três bicudos numa mesma cédula. O que fez o Sensus? Anotou os nomes de 22 políticos numa folha de papel. Exibiu a lista aos entrevistados. E perguntou em qual deles o sujeito votaria. Para um concurso de simpatia, não poderia haver melhor aferição. Para uma disputa presidencial, é lixo.
Lula, o maior astro do PT, foi expurgado da relação do Sensus. Natural, já que não há no Brasil o instituto da re-reeleição. Sem ele, a petista mais bem-posta na pesquisa foi Marta Suplicy. Aparece em sétimo lugar, com 2,2% das intenções de voto. Até FHC, com 4,7%, ficou à frente de Marta. O ex-presidente cravou um sexto lugar.
Mais abaixo vêm Sérgio Cabral, do PMDB (2%), Tarso Genro, do PT (1,6%), Jaques Wagner, do PT (1%), Pedro Simon, do PMDB (0,8%), Cesar Maia, do DEM (0,7%), Dilma Rousseff, do PT (0,7%), Arlindo Chinaglia, do PT (0,3%) e Nelson Jobim, do PMDB (0,2%).
Para que não dissessem que não falou de flores, o Sensus construiu alguns cenários que opõem um espinho ao outro. Numa hipótese em que Aécio aparece como candidato do PSDB, o governador mineiro, terceiro colocado na lista de 22 nomes, come poeira do quarto colocado. Aécio (20,5%) perde para Ciro Gomes (28,3%). Dilma Rousseff (5,7%) fica em terceiro.
Noutro cenário, em que José Serra substitui Aécio, o resultado se inverte: Serra (30%) assume a dianteira, Ciro (22,8%) cai para segundo e Dilma (5,7%) não sai do lugar. Nos dois casos é grande o número de eleitores indecisos: 46% quando o candidato tucano é Aécio e 41,6% quando é Serra quem aparece na cédula.
Ou seja, a mutabilidade do quadro eleitoral só autoriza conclusões peremptórias até certo ponto. O ponto de interrogação. O que se pode dizer, sem medo de errar, é o seguinte: O PSDB fará o próximo presidente da República, desde que o tucanato não perca a eleição. Ou, por outra: Ciro será o sucessor de Lula, desde que não seja derrotado por um de seus adversários.
Mediu-se, de resto, o prestígio do atual governo e do presidente. Ambos oscilaram para baixo. Mas continuam extremamente populares. Lula, aprovado por 61,2% da população, é bem maior que o governo dele, que recebeu menção positiva de 46,5% dos entrevistados.
Escrito por Josias de Souza às 14h55
Folha
Wellington Salgado (PMDB-MG) chegou ao Senado sem amealhar um mísero voto. Veio a Brasília cavalgando a suplência de Hélio Costa. Não produziu no Legislativo nada digno de nota. Não fosse pela cabeleira hippie retrô, Salgado seria um senador invisível.
Nos últimos dias, porém, descobriu-se algo que deu certa concretude ao Nada. O senador Coisa Nenhuma e a família dele têm uma dívida salgada com o INSS e o fisco, eis a novidade. Primeiro, imaginou-se que a coisa alçaria à casa dos R$ 7,74 milhões. Verificou-se depois que chegava a R$ 12 milhões. Descobre-se agora que é maior, muito maior, gigantesca: R$ 75,13 milhões.
Repetindo: o Nada e os interesses que ele representa devem ao erário R$ 75,13 milhões. A cifra tende a crescer. Há correções por fazer e novos processos por julgar. Mas fique-se com os R$ 75,13 milhões. É o bastante para dar visibilidade ao Nada.
Súbito, tudo no Legislativo parece insignificante diante desse novo Nada, tão repentinamente palpável. Até Renan Calheiros, agora coco arrancado, parece um problema-anão diante do neo-Nada, hoje mais indefensável do que defensor.
Escrito por Josias de Souza às 07h30

- JB: Mistério com dinheiro público
- Folha: Professor do Acre ganha mais que o de São Paulo
- Estadão: São Paulo vai construir 44 presídios no interior até 2010
- Globo: Governo vai proibir venda de bebidas em rodovias
- Gazeta Mercantil: Frete marítimo para grãos dispara 400%
- Correio: Máfia monta bingos em lan houses do DF
- Valor: UE passa EUA na compra de manufaturados brasileiros
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 01h34
Jean
Escrito por Josias de Souza às 01h15
Oposição vê na divisão governista chance de prevalecer
Sérgio Lima/Folha

As sombras da crise continuam espreitando o Senado pós Renan 'Coco' Calheiros
O cadáver político de Renan Calheiros ainda nem esfriou e os “aliados” do senador já estão de olho no espólio. Inaugurou-se no Senado uma disputa inusitada. Uma briga de governo versus governo. De um lado o PMDB. Do outro o PT. No meio, batendo palmas, os oposicionistas DEM e PSDB.
Parte-se de um pressuposto convertido em consenso: embora a licença de Renan seja de 45 dias, ninguém aposta uma nota rasgada de real no retorno dele ao comando do Senado. Em condições normais, o sucessor seria do PMDB, dono da maior bancada –19 senadores. Mas o Senado está longe da normalidade. O que leva o PT –quarta bancada, com 12 senadores— a armar-se para tentar subverter a tradição.
O vice-presidente Tião Viana (PT-AC) prepara-se para transformar sua interinidade numa gestão de titular. Privadamente, programa o anúncio de medidas de impacto. Embora não admita em público, age movido pelo desejo de ser confirmado no cargo. Nos próximos dias, tentará demonstrar aos seus pares que tem condições de pacificar o Senado, combinando os interesses do governo com os da oposição.
Enxergando os primeiros sinais de fumaça, o PMDB corre para apagar o fogo. Valdir Raupp (RO), líder do partido, lembra que a cadeira de presidente não está vaga. Romero Jucá (RR), líder de Lula, apressa-se em classificar de “extemporânea” nota em que Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que Renan não voltará ao cargo. Almeida Lima (SE), soldado de Renan, chama Mercadante de “golpista”.
Tucanos e ‘demos’ assistem à refrega dos governistas de camarote. Aguardam a hora oportuna para lançar o seu próprio nome à sucessão do Senado. Um nome que vem sendo insinuado desde a fase em que Renan ainda sonhava fazer do coco uma cocada: Jarbas Vasconcelos (PE), dissidente do PMDB.
O Planalto, que até sexta-feira imaginava-se em condições de jogar água na fervura do Senado, começa a se convencer de que terá de agir para conciliar os interesses governistas. Prepara-se para se meter na disputa sucessória. Receia que, deixando a disputa ao deus dará, a emenda da CPMF suba no telhado. Como não pode prescindir do apoio do PMDB, Lula agirá para enquadrar o PT.
O presidente da República enxerga em José Sarney (PMDB-AP) o nome que melhor atende aos interesses do governo. O problema é que parte do tucanato, à frente o líder Arthur Virgílio (PSDB-AM), promete erguer barricadas contra a ascensão de Sarney. Embora não tenha número para cantar de galo, a oposição, se unida, tem no terreiro do Senado um espaço bem mais vasto para ciscar do que na Câmara, onde a maioria do governo é acachapante.
Para complicar a vida do Planalto, o PMDB do Senado nunca esteve tão dividido. Parte da bancada não enxerga em Romero Jucá, o líder de Lula, autoridade para falar em seu nome. Um naco ainda maior não vê no líder Valdir Raupp força para emplacar os seus pedidos de cargos e verbas. Era Renan quem exercia, nos áureos tempos, o papel de mediador das demandas fisiológicas. Sem ele, o PMDB ficou órfão.
Também o PT não atravessa os seus melhores dias. A líder Ideli Sanvatti (SC) queixa-se, entre quatro paredes, da desenvoltura de Aloizio Mercadante. A própria bancada está em pé de guerra com o colega. Diz-se, a boca cada vez menos pequena, que Mercadante, a pretexto de redimir-se da abstenção no primeiro julgamento de Renan, arvora-se agora à condição de porta-voz da bancada. Um porta-voz não-autorizado, a julgar pela proliferação dos queixumes.
Escrito por Josias de Souza às 00h59
José Cruz/ABr
Vai começar tudo de novo. Vencida a batalha na Câmara, o governo será submetido agora aos apetites do PMDB do Senado. O partido volta a exigir que Lula lhe devolva o ministério das Minas e Energia em troca da aprovação da emenda que prorroga a CPMF até 2011.
Lula vem toureando os senadores peemedebistas desde maio, quando Silas Roundeau (foto) viu-se compelido a deixar o ministério. Foi golpeado pela Operação Navalha, aquela que levantou o véu das malfeitorias praticadas pela Construtora Gautama. Desde então, responde pela pasta de Minas e Energia o interino Nelson Hubner.
Orientado pelo Planalto, Hubner ergueu uma barragem para conter os pedidos de nomeação política para empresas do Sistema Eletrobrás. Abriu-se uma única exceção: premido pela iminência de uma sublevação de bancadas do PMDB na Câmara, Lula acomodou o arquiteto Luiz Paulo Conde na presidência de Furnas Centrais Elétricas.
Os senadores, porém, continuam se considerando desatendidos em suas reivindicações. Já não contam com a interlocução privilegiada de um Renan Calheiros (PMDB-AL) em desgraça. Enxergam na CPMF a última oportunidade para encostar Lula contra a parede. O governo não fala em outra coisa. É CPMF pra cá. É CPMF pra lá. É CPMF pra acolá.
O presidente pede paciência. Tenta argumentar, reservadamente, que deseja reconduzir Rondeau ao antigo posto. Antes, precisa saber se ele será ou não denunciado pelo Ministério Público. O problema é que o governo não tem controle sobre os prazos da Operação Navalha. E o PMDB tem pressa.
O próprio Silas Rondeau acalenta a expectativa de voltar ao ministério que ocupava desde julho de 2005 e que teve de deixar há cinco meses. O ex-ministro tem feito visitas regulares à casa de seu padrinho, o senador José Sarney (PMDB-AP). Entre quatro paredes, diz ter obtido de Lula a promessa de recondução caso se livrasse da denúncia.
Parte da bancada de 19 senadores do PMDB começou a esgrimir um raciocínio alternativo: prega-se a nomeação de um outro ministro. Subiria ao cargo sabendo que, caso Rondeau fosse inocentado, teria de ceder a cadeira para ele. Do contrário, continuaria no ministério.
É nesse contexto que surge o nome do senador maranhense Edison Lobão. A exemplo de Rondeau, é unha e carne com Sarney. Acaba de trocar o oposicionista DEM pelo governista PMDB. O problema é que, diferentemente de Rondeau, que acumula uma experiência de três décadas no setor elétrico, a intimidade de Lobão com a área é nula.
Além do Ministério Público, o futuro de Rondeau está condicionado à análise da ministra Eliana Calmon, relatora do caso Gautama no STJ. Tenta-se, no momento, encontrar explicações plausíveis um leque de suspeitas. Uma delas está relacionada a uma anotação encontrada em documentos apreendidos pela Polícia Federal na tesouraria da Gautama. O ex-ministro é associado ao número 120, referência a um suposto pagamento de R$ 120 mil. Que Rondeau jura não ter recebido, a despeito dos negócios que sua gestão mantinha com a empreiteira no âmbito do programa Luz para Todos.
Escrito por Josias de Souza às 18h23
Divulgação/BBC
O Partido Comunista Chinês realiza, nesta segunda-feira (15), mais um de seus congressos. Cerca de 2.200 delegados aprovarão as políticas que vão nortear o desenvolvimento chinês nos próximos cinco anos. Pretende-se encontrar remédios para atenuar as dores do crescimento de uma China cada vez mais encantada com as maravilhas do mercado.
De saída, escalou-se um porta-voz do partido para informar o seguinte: as mudanças que injetaram o doce pragmatismo econômico na receita do comunismo chinês vão prosseguir. Mas não há nenhuma intenção de dar à China um semblante político ocidental: "Nunca copiaremos o modelo ocidental de sistema político", disse Li Dongsheng.
Aguarda-se com viva expectativa o pronunciamento de Hu Jintao, presidente da China. Espera-se que ele consiga esmiuçar uma tese que batizou de “desenvolvimento científico”. Consiste na busca de remédios para atenuar as dores do crescimento desordenado obtido pela China desde que passou a flertar com a economia de mercado.
Jintao prega a necessidade de “balancear” o desenvolvimento econômico, contornando problemas como o aumento da poluição e a ampliação do abismo que separa ricos de pobres. Tem-se a expectativa de que os delegados do partido comunista, cuja cúpula será renovada no congresso, introduzam na Constituição do país modificações inspiradas nas reflexões de Jintao.
Enquanto a China, às voltas com taxas de crescimento que ultrapassam os 10%, troca a velha ideologia por outra mais em alta no mercado, certos países da América Latina insistem em se oferecer para servir de asilo para ideários que, já bem velhinhos, não têm mais onde morar. Neste final de semana, por exemplo, o companheiro Hugo Chavez, que mergulha a Venezuela num enigmático socialismo do século 21, fez mais uma de suas sintomáticas visitas ao passado.
No sábado (13), Chávez esteve, por cerca de quatro horas, com o ditador cubano. Encontrou um Fidel Castro magro e pálido. Folhearam um livro sobre a trajetória de Che Guevara, morto há 40 anos. Neste domingo (14), o presidente venezuelano apresentou, desde a província cubana de Santa Clara o seu programa “Alô, presidente”. Pelo telefone, conversou, ao vivo, com Fidel, esse passado que, graças a figuras como Chávez, insiste em não passar.
Escrito por Josias de Souza às 17h04
Fotos:Antônio Cruz/ABr

Às voltas com a elaboração de um Plano de Defesa Nacional, o ministro Nelson Jobim trocou a leitura fria de relatórios herméticos por uma imersão na cálida realidade.
Metido numa farda de camuflagem, inspeciona, desde sexta-feira (12), postos de fronteira do Exército na Amazônia. Fica na região até meados da semana.
O fardamento caiu-lhe bem. Já usara coisa parecida no mês passado, em visita à missão brasileira no Haiti. Neste domingo, Jobim, 61 anos completados em abril, enfiou-se numa casamata cavoucada às margens do rio Uaupés, na divisa com a Colômbia.
Em certos momentos, charuto cubano entre os dedos, a imagem sobranceira do ministro fez lembrar um certo comandante de Sierra Maestra. Com a vantagem de que Jobim não teve de pôr a valentia à prova numa batalha de verdade. A guerra do ministro é de outro tipo. Terá de invadir os cofres da Fazenda. Já nos primeiros estágios da inspeção, os militares pediram dinheiro.
Em algumas localidades, há obras por fazer; em outras, há falta de energia elétrica e índios à espera de assistência. "É um grande milagre para a gente ver estas autoridades aqui. Eu acho muito bom que eles tenham vindo ver as nossas dificuldades e espero que eles reconheçam a nós que vivemos aqui", disse Geraldo Lozano Marques, que dirige uma escola pública numa pequena comunidade às margens do rio Uapes, em São Gabriel da Cachoeira (AM).
Além de Jobim, foram à Amazônia a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Machado e cinco ministros do STJ. Neste domingo, a toda-poderosa Dilma que, ao contrário do que parece, não é de ferro, desligou-se do grupo. Voou da mata para o Rio de Janeiro. Ali, embrenhou-se numa outra selva. A selva tributária. Retomou a pregação em favor da aprovação da emenda da CPMF.
Escrito por Josias de Souza às 16h01

- JB: Governo vai leiloar bens de corruptos
- Folha: Lula não descarta concorrer em 2014
- Estadão: Ciência avança mais no interior de São Paulo
- Globo: Mil siglas e ninguém dá jeito no caos das estradas
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- Valor: IPOs das bolsas renderão R$ 10 bilhões a corretoras
- Veja: "Pegou geral"
- Época: Ele merecia ser roubado?
- IstoÉ: Como ficar rico
- IstoÉ Dinheiro: O presidente fala à "Dinheiro" sobre o futuro da economia
- Carta Capital: Império com pés de barro
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 01h31
Jean
Escrito por Josias de Souza às 01h18
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