Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Mangabeira deve virar ‘ministro extraordinário’

  Sérgio Lima/Folha
O governo quebra a cabeça desde quinta-feira (27) à procura de uma fórmula jurídica que permita a Lula reempregar o filósofo Roberto Magabeira Unger, transformado pelo Senado em ministro sem pasta três meses e oito dias depois de tomar posse. De secretário com status de ministro, Mangabeira deve virar “ministro extraordinário” para assuntos de longo prazo.

 

O presidente da República tem a prerrogativa legal de criar, por decreto, até quatro pastas extraordinárias. Têm caráter temporário e se destinam a destrinchar temas de “natureza relevante”. Desse modo, Lula evitaria a edição de uma nova medida provisória. E não se arriscaria a arrostar um novo contratempo no Legislativo.

 

Embora Lula ainda não tenha batido o martelo, deve adotar a sugestão, segundo informam seus assessores. Mangabeira não gostou. Preferia que seu nome dispusesse da chancela do Congresso. Mas terá de engolir a condição precária de ministro temporário. O que, afora o constrangimento, não muda muita coisa.

 

A lei não estipula prazos para que um ministro extraordinário se desincumba das tarefas “relevantes” a ele confiadas. Ou seja, se quiser, Lula pode manter Mangabeira no cargo até o final do seu segundo mandato, em 2010.

 

De resto, a mudança de rumos imposta pelo Senado ocasionará um efeito colateral com o qual Mangabeira não contava: em vez de 79 auxiliares, como previa a medida provisória mandada ao lixo pelos senadores, o ministro extraordinário de longo prazo só poderá contratar 60 servidores.

 

Nada muito dramático, porém, considerando-se o fato de que Mangabeira, o breve, só havia preenchido 44 do total de vagas de que dispunha na agora extinta Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Em verdade, as contratações novas somam 22. Outros 22 funcionários já trabalhavam para o governo. Foram reaproveitados pelo novo ministro.

 

O Senado apeou Mangabeira do cargo num instante em que o ministro estava debruçado sobre dois temas: 1) a elaboração de um plano de defesa nacional. Encomendado pelo ministro Nelson Jobim (Defesa), está sendo costurado em parceria com os comandos militares; 2) a costura de uma estratégia de ação governamental a ser entregue a Lula em novembro.

 

O segundo tópico começou a ser esmiuçado em agosto, numa mega-reunião que Mangabeira fez, em segredo, num hotel da cidade goiana de Pirenópolis. Durante um final de semana inteiro, o ministro e duas dezenas de auxiliares selecionaram os temas que devem constar do documento.

 

Resolveram se fixar em seis assuntos. Além do plano de defesa, Mangabeira encomendou à equipe estudos sobre a qualificação do ensino público básico, a definição de uma política de geração de emprego e formalização da mão-de-obra, a criação de um plano para a área de ciência e tecnologia, a elaboração de uma política industrial e um cronograma de enfrentamento das questões ligadas às mudanças climáticas no planeta.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Presidente de fato, Renan terceiriza poder a Lula

Presidente de fato, Renan terceiriza poder a Lula

  Fábio Pozzebom/ABr
Quando os senadores do PMDB puseram no olho da rua o ministro Roberto Mangabeira Unger, os brasileiros foram autorizados a supor que o Palácio do Planalto é comandado pelo segundo time. O verdadeiro chefe de Estado despacha na sala da presidência do Senado. Ao tomar posse do governo, Renan Calheiros como que acomodou as coisas, finalmente, nos seus devidos lugares.

O nosso presidente anterior, ACM, que dava as cartas sob FHC, já tinha avisado: o governo usava e abusava das medidas provisórias. Lula levou o fenômeno longe demais. Legislando, nomeou um ministro por MP. E Renan, presidente de fato, encomendou ao PMDB um basta. Apoderando-se momentaneamente do Executivo, “demitiu” Mangabeira, o breve.

 

Infelizmente, essa presidência acidental não dará ao país a oportunidade de ter uma idéia do que seria um governo oficialmente chefiado por Renan. Apesar das evidências de que é o senador quem manda em Brasília, a cadeira do Planalto é o último lugar em que Renan deseja ser visto. Valendo-se de Lula como testa-de-ferro, Renan desfruta do poder presumido, bem mais conveniente do que o oficial.

 

Só ACM, sob a presidência laranja de FHC, manejara com tanta desenvoltura a presunção de poder. Assim como o antecessor ACM, Renan nomeia e demite, libera verbas para si e para os seus, ameaça, compra cumplicidades.

 

Lula teve uma oportunidade de livrar-se da eminência parda que conspurca sua gestão. Porém, não teve coragem. Preferiu ajudar na absolvição de Renan. Tinha a vã esperança de que, livre da guilhotina, o presidente presumido renunciasse ao cargo. Renan fez o oposto. Informou a Lula, na fatídica sessão plenária da última quarta-feira (26), quem manda de fato. Pôs o “presidente” oficial no seu devido lugar.

 

Assim como ACM, Renan vai construindo em torno de si, aos solavancos, a aura mítica do político poderoso. Seu poder, tonificado pelo folclore, já dispensa aferições. As evidências permitem que se dê de barato que Renan detém segredos que lhe permitem coagir o governo, encurralando-o nas esquinas inexistentes de Brasília.

 

A presidência temporária de Renan, iniciada com o afastamento de Mangabeira, foi uma exceção imposta pela conjuntura. Pressentindo que o governo, com as manguinhas excessivamente de fora, preparava-se para puxar-lhe o tapete, Renan sentiu a necessidade de assumir as rédeas às claras.  

 

Nas próximas semanas, Renan retornará à sombra. Com o poder que exerce, o exercício oficial da presidência da República significaria, para ele, um rebaixamento. Melhor, muito melhor, manter Lula como presidente terceirizado.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

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Globo ameaça questionar legalidade da Record News

O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, inaugurou nesta semana sua mais nova provocação à Rede Globo: a Record News. Dias antes, o vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, estivera em Brasília. Queixara-se a autoridades do governo de que, ao levar ao ar o seu canal de notícias 24 horas, em rede de aberta, a Record passaria a operar dois canais televisão numa mesma cidade, São Paulo. O que seria vedado por lei.

 

O queixume do vice-presidente institucional da Globo aportou inclusive nos ouvidos do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, a quem cabe zelar pelo sistema de concessões televisivas. Informou-se ao ministro que, além da Globo, também a Rede Bandeirantes compartilhava da reclamação contra a Record.

 

Na noite de quinta-feira (27), tendo Lula a seu lado, Edir Macedo, alheio aos muxoxos da concorrência, acionou o botão que marcou o início das operações da Record News. Aproveitou para espicaçar a Globo. Disse que dará fim ao “monopólio”. Prometeu “cutucar o fígado” da rival.

 

No dia seguinte, reuniram-se em São Paulo, representantes das maiores redes de TV do país. Deu-se num encontro da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). Estavam em volta da mesa, entre outros, o presidente da Record, Alexandre Raposo; presidente do Conselho Editorial das Organizações Globo, João Roberto Marinho; e Evandro Guimarães, emissário da Globo aos gabinetes de Brasília.

 

Raposo fez rápida menção à inauguração da véspera. Um sucesso, segundo suas palavras. Curiosamente, Marinho e Guimarães não disseram palavra acerca das restrições legais que a Globo faz ao novo empreendimento da Record.

 

Como ainda não recebeu nenhuma representação formal, o Ministério das Comunicações evita emitir posição oficial sobre as desavenças. Nos subterrâneos do ministério, porém, diz-se que, de fato, Lula pode ter prestigiado a inauguração de uma ilegalidade.

 

Reza o decreto 52.795, de 1963, que uma mesma empresa não pode controlar duas geradoras de TV numa única praça. A regra visa coibir a concentração de mercado. Ao transformar a TV Mulher em Record News, a empresa de Edir Macedo passou a gerir, desde São Paulo, sob logotipos que remetem para a mesma razão social, duas geradoras de TV aberta em São Paulo, a velha Record e a novíssima Record News. O problema não existiria se a Record News fosse transmitida em canal fechado, pago.

 

Mas a emissora fez da abertura das transmissões, oferecida gratuitamente, um de seus diferenciais em relação às congêneres da concorrência: Globo News e Band News. Daí as queixas. Resta saber se as rivais da Record transformarão as caretas exibidas entre quatro paredes numa reclamação formal ao Ministério das Comunicações, que obrigaria a pasta de Hélio Costa a encomendar um parecer à sua Consultoria Jurídica.

 

Para além dos aspectos legais, a irritação dos concorrentes da Record esconde uma inquietação de natureza comercial. Operando o seu canal de notícias 24 horas em rede aberta, além de oferecer gratuitamente aos telespectadores um serviço pelo qual a concorrência cobra, a Record credencia-se para avançar sobre o filão de anunciantes, hoje dividido entre Globo News e Band News.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Cromo alemão ou chinelinho?

Vai abaixo artigo do repórter Clóvis Rossi (assinantes da Folha)

 

 

“Quando José Simão cunhou a expressão "o país da piada pronta", imagino que estivesse sendo irônico. Mas o tal país esmerou-se tanto, tanto, que a ironia virou fato. Pior: a frase acabou sendo atropelada, porque, além de "piada pronta", o Brasil (o Brasil político ao menos) já entrega o "deboche pronto", o "escracho pronto" e algumas outras coisas que o decoro me impede de explicitar.

Vejamos: um país em que a Secretaria de Longo Prazo dura cem dias é uma piada, certo? Quer dizer, uma piada cara, porque, junto com a secretaria viriam (ou virão ainda) 660 cargos, muitos com remuneração que não é piada, não.

Como se a cara piada não bastasse, vem o senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), suplente entronizado no cargo porque o titular, Hélio Costa, virou ministro, e acrescenta o escracho. Diz, honestamente, que os senadores que votaram contra a secretaria só querem um "chinelinho novo", não precisa ser um agrado tipo "sapato de cromo alemão".

É cena de fisiologia explícita. E barata. Se é para ser fisiológico, que seja pelo sapato de cromo alemão, para mostrar que o pessoal se vende, sim, mas se vende caro. Vem também o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), e diz que "tudo o que foi ouvido nem tudo foi ouvido" (foi pelo menos a declaração dele que a CBN pôs no ar ontem à tarde). O que ele quer dizer exatamente com isso só os especialistas em romerojuquismo poderão explicar.

Suspeito que ele quis dizer o seguinte: o presidente Lula não ouviu os pedidos de "chinelinho novo" feitos pela turma do PMDB do Senado. Só teria atendido os que querem "sapato de cromo alemão". Fecha o círculo do deboche o próprio Lula ao dizer que não faz barganha e que a negociação com os partidos é "programática".
Qual é o programa? Sapato de cromo ou chinelinho?"

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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As manchetes deste sábado

- JB: Lula diz que só pousa em aeroporto seguro

- Folha: Mulheres chefiam quase 1/3 das famílias do Brasil

- Estadão: Aumento a delegados é bomba fiscal nos Estados

- Globo: Controle aéreo ainda é precário um ano depois

- Correio: Entorno do DF abriga bandidos de todo o país

- Valor: Oferta e preço ameaçam o programa do biodiesel

- Jornal do Commercio: Polícia fecha empresas de gás

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Pisssssssssh!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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PF investiga ONG ligada a amigos de Ideli Salvatti

José Cruz/ABr
 

 

A senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT, torce o nariz para a idéia de instalar no Senado uma CPI destinada a varejar as ONGs que recebem dinheiro do governo. Na última quarta-feira (26), o partido de Heráclito Fortes (DEM-PI), autor do pedido de investigação, deu um ultimato ao consórcio de partidos governistas. Ou a CPI saía ou a oposição continuaria boicotando as votações no Senado.

 

Interessado em fazer a fila de projetos andar, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, arrancou dos demais líderes governistas, a contragosto de Ideli, um compromisso de instalar na próxima semana a CPI de Heráclito. Acordou-se que será presidida por um oposicionista e relatada por um governista. Em sua última edição, que começou a circular neste sábado (29), a revista Veja (só assinantes) publica reportagem que ajuda a compreender a má vontade de Ideli com a nova comissão. Foi escrita pelos repórteres Ricardo Brito e Otavio Cabral.

 

O texto trata de uma investigação aberta pela Polícia Federal em Santa Catarina, o estado da líder do PT. Envolve a Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul. Recebeu do governo, por meio de convênios, R$ 5,2 milhões. Destinavam-se à promoção de cursos.

 

Diz a reportagem, a certa altura: “Parte do dinheiro, já se sabe, foi parar na campanha política de um deputado do PT. Para justificar os gastos, os dirigentes da federação falsificaram planilhas e criaram alunos-fantasma. O que mais chama atenção no caso, porém, é o eixo entre os principais envolvidos na fraude. Todos são correligionários, amigos ou assessores da senadora Ideli Salvatti”.

 

Criada em 2001 por petistas ligados à senadora Ideli, a Fetraf-Sul viu crescer a coleta de verbas federais sob Lula. Firmou 18 convênios com o governo. Um deles, de 2003, já esquadrinhado pela PF, resultou em liberação de R$ 1 milhão. Coordenava a entidade na ocasião Dirceu Dresch, petista do grupo político de Ideli.

 

O objeto do convênio era o treinamento de 2.000 trabalhadores rurais do município catarinense de Chapecó. “A maioria, descobriu-se agora, era fantasma”, anota a reportagem. “Para fazer de conta que o curso existiu, a Fetraf apresentou uma lista de estudantes, com nome, CPF e endereço dos alunos. A polícia foi checar e descobriu que muitos não existiam, outros nunca ouviram falar do curso, alguns nem sequer moravam na região e os poucos que disseram ter freqüentado aulas – pessoas ligadas à federação, é claro – assinavam a mesma lista de presença várias vezes.”

 

A PF estima que algo como 60% dos R$ 5,2 milhões obtidos pela Fetraf junto ao governo foram borrifados em campanhas políticas. Dirceu Dresch, por exemplo, elegeu-se deputado estadual pelo PT. Antes, ele atuara como coordenador das campanhas de Ideli. É co-responsável, junto com a líder do PT, pela nomeação do delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina, Jurandi Teodoro Gugel. Deixou o cargo em julho deste ano. Àquela altura, já havia aposto o seu jamegão em 12 convênios de repasses de verbas à Fetraf.

 

Parte do dinheiro transferido à federação tem origem em emendas injetadas no Orçamento da União por congressistas. Entre eles Ideli. Procurada, a líder do PT optou pelo silêncio. Valendo-se da assessoria, mandou dizer que não mantém relações formais nem com a Fetraf nem com Dresch. Informou, de resto, que as emendas de sua responsabilidade destinaram-se a beneficiar a agricultura familiar.

 

Se for de fato instalada, como prometido, a CPI das ONGs terá diante de si farta matéria-prima para uma boa investigação. Estima-se que, nos últimos oito anos, o governo tenha repassado a essas entidades R$ 33 bilhões. Há muita ONG que cumpre à risca o seu papel social. Mas há também grossa picaretagem no setor. A julgar pelos achados da PF, a Fetraf pende para o segundo grupo.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Vale destrona Petrobras e é maior empresa do país

A privatizada Cia. Vale do Rio Doce arrancou da estatal Petrobras o posto de maior empresa brasileira. Nesta sexta-feira (28), o valor de mercado da Vale passou a ser de R$ 286 bilhões, contra R$ 285 bilhões atribuídos à Petrobras.

 

Sintomaticamente, a troca de posições ocorre num momento em que parte do PT fala em reestatizar a Vale. Ao mesmo tempo em que se engalfinha com o PMDB numa disputa frenética pelos melhores cargos na direção da Petrobras e de suas subsidiárias.

 

Privatizada há dez anos, sob FHC, a Vale dotou-se de competitividade internacional. Profissionalizou a gestão. Tornou-se exemplo de formação de executivos de primeira linha. Cortou gastos. Tonificou os resultados. No início do ano, adquiriu a gigante canadense Inco.

 

Os números da Petrobras também não são desprezíveis. Mas é unânime no mercado a avaliação de que poderiam ser melhores. A voracidade com que os partidos políticos avançam sobre o organograma da estatal é vista como um dos empecilhos que a impedem de melhorar sua eficiência.

 

O debate que opõe privatistas e estatistas é sempre muito apaixonado. Mas não há paixão que resista à frieza dos números. Sempre se poderá argumentar que o governo tucano de FHC vendeu a Vale a preço de banana.

 

Há um processo judicial em curso, no TRF de Brasília. Discute-se nos autos a avaliação da companhia. E é bom que o negócio seja varejado. Mas o bom senso recomenda não esquecer que, submetida a gestão privada, a Vale tornou-se uma vistosa fonte de tributos para Receita Federal.

Escrito por Josias de Souza às 01h30

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Governo cede a ruralistas a dá refresco a devedor

Ampliados os prazos para rolagem de dívidas agrícolas

 

O governo começou a pagar a fatura que assinara com a bancada ruralista da Câmara, como condição para aprovar a emenda dá sobrevida à CPMF até 2011. O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou nesta sexta-feira (28) uma resolução que facilita a vida dos agricultores encalacrados com os bancos.

 

Ampliaram-se os prazos para o refinanciamento das dívidas de agricultores relativas às safras 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006. Os produtores inadimplentes têm agora até o dia 30 de outubro para solicitar a rolagem dos empréstimos de custeio e até 17 de dezembro para pedir o refinanciamento das dívidas contraídas para investimentos.

 

Antes, os prazos eram bem mais curtos. Para os empréstimos de custeio, o último dia para os pedidos de prorrogação era esta sexta-feira (28). Para as dívidas de investimento, o prazo expirava em 15 de outubro.

 

O CMN aprovou outras duas medidas reclamadas pelos deputados ruralistas: 1) abriu-se a possibilidade de que cooperativas de crédito operem também no setor rural; 2) permitiu-se o financiamento dos prêmios de seguros rurais, sem que a operação conte para o limite de crédito de cada produtor.

 

Não é só: na véspera, horas depois de a Câmara ter concluído o primeiro turno da votação da emenda do imposto do cheque, o Banco Central baixara uma resolução (número 3.499) que modifica os critérios para a reclassificação de risco de empréstimos agrícolas prorrogados ou renegociados. As regras anteriores eram mais draconianas. E desestimulavam os bancos a rolarem débitos de ruralistas.

 

Antes, se rolasse uma dívida de agricultor, o banco era obrigado a classificar a operação no chamado “nível H”, de risco máximo. Ou seja, a casa bancária que rolasse dívidas rurais era obrigada a fazer provisão de 100% do valor do empréstimo. O que, na prática, vinha levando os bancos a negar os pedidos de reparcelamento. Com a nova resolução, as dívidas, quando roladas, podem ser classificadas em níveis de risco que variam de AA (mínimo) a H, médio.

 

Na semana passada, às voltas com uma rebelião da bancada ruralista, que ameaçava votar contra a prorrogação da CPMF, os ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e Guido Mantega (Fazenda) viram-se compelidos a receber uma comitiva de deputados. Deu-se no gabinete de Mantega. Participaram da conversa com os deputados Waldemir Moka (PMDB-MS), Luiz Carlos Heinze (PP-RS), Moacir Micheletto (PMDB-PR), Odacir Zonta (PP-SC), Valdir Colatto (PMDB-SC) e Marcos Montes (DEM-MG).

 
Os ministros negaram que estivessem trocando rolagem de dívidas por votos à CPMF. Os deputados informaram o contrário. Disseram que o governo lhes fizera algumas promessas e, num “voto de confiança”, concordaram em suspender o veto ao imposto do cheque. O governo começa a pagar a conta aos ruralistas antes do término da apreciação do imposto do cheque. O segundo turno da votação ocorrerá nos próximos dias.

Escrito por Josias de Souza às 16h32

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TV Pública chega na terça, a bordo de mais uma MP

O Planalto deve anunciar na terça-feira a criação de uma nova estatal, a Empresa Brasil de Comunicação. É sob esse logotipo que vai funcionar a TV Pública. Convidada para presidir a nova emissora, a jornalista Tereza Cruvinel despediu-se nesta sexta (28) de seus leitores no Globo.

 

A empresa Brasil vai incorporar as estruturas das já existentes Radiobras e TVE. A junção virá por meio de medida provisória. Prometida na semana passada, vai ao Congresso com atraso. Convém a Cruvinel acautelar-se. O último que entrou no governo enganchado numa MP, Roberto Mangabeira Unger, acaba de ser “demitido” pelo Senado.

 

Estima-se que a TV Pública terá orçamento de R$ 350 milhões em 2008. Com o tempo, o telespectador vai saber se o valor é compatível com a qualidade e com a audiência da emissora.

Escrito por Josias de Souza às 15h19

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Manobra da oposição coloca Lula nas mãos de Renan

Senador retém MP que, se enviada à Câmara, obstrui CPMF

 

  Lula Marques/Folha
Na mesma noite em que rejeitou a medida provisória que dava emprego de ministro a Roberto Mangabeira Unger, o Senado aprovou outras quatro. Numa delas, a oposição injetou uma emenda que modificou o texto original. Graças à alteração, a MP precisa voltar à Câmara, para que os deputados a reapreciem. Renan Calheiros, porém, sentou em cima do documento.

 

Na prática, a velocidade da votação da CPMF está agora submetida aos humores do presidente do Senado. Se enviar a medida provisória para o prédio ao lado, Renan provocará o trancamento da pauta do plenário da Câmara. Antes de votar, em segundo turno, a emenda que dá sobrevida ao imposto do cheque até 2011, os deputados seriam obrigados a relatar, discutir e votar a MP modificada pelos senadores.

 

Pela lei, as MPs têm preferência sobre todas as outras matérias legislativas. Nada pode ser votado antes delas. Na noite de quarta-feira (26), enquanto os senadores votavam a medida provisória que carrega o cavalo-de-tróia oposicionista, os deputados concluíam, a toque de caixa, o primeiro turno de votação da CPMF. Os líderes Arthur Virgílio (AM), do PSDB, e José Agripino Maia (RN), do DEM, pressionaram Renan para que enviasse imediatamente a MP emendada à Câmara.

 

Se atendesse ao pedido, Renan provocaria a interrupção instantânea da sessão da Câmara. Deputados tucanos e ‘demos’, alertados, estavam prontos a levantar em plenário questões de ordem exigindo o sobrestamento da votação da CPMF. Renan, porém, fez ouvidos moucos para os apelos de Virgílio e Agripino. Só o líder do PSDB repisou a solicitação cinco vezes. E nada.

 

Assim, com o assentimento de Renan, o PMDB impôs ao governo uma humilhação calibrada. Transformou-se Mangabeira Unger em ministro sem pasta. Mas evitou-se jogar gasolina na fogueira que a oposição planejava acender na Câmara. Livre da chegada incômoda da medida provisória, os deputados governistas puderam concluir o primeiro turno de votação da CPMF. Deu-se às duas e meia da madrugada de quinta (27).

 

Nesta quinta-feira (27), Renan continuou fingindo-se de morto. Se a MP não for remetida à Câmara até o início da próxima semana, a oposição ameaça retomar a operação padrão que parou o Senado na semana passada. “Se procrastinarem o retorno da medida provisória à Câmara, partiremos, de novo, para a obstrução”, disse Agripino Maia ao blog.

 

O segundo turno da votação da CPMF na Câmara só pode ocorrer a partir de quinta-feira (4) da semana que vem. O regime impõe uma espera de cinco sessões legislativas. Ou seja, para evitar percalços ao governo, Renan teria de manter a medida provisória na gaveta por pelo menos mais seis dias úteis.

 

A MP na qual a oposição injetou a sua manobra é a de número 374. Trata de questões previdenciárias. Num de seus artigos, autoriza Estados e municípios a parcelarem dívidas com o INSS em 240 meses (20 anos), comprometendo 1,5% de suas receitas líquidas. Um percentual que, dependendo do valor do débito, poderia levar a uma liquidação em prazo inferior aos 20 anos estabelecidos na MP.

 

A emenda oposicionista alterou a redação, para permitir que governadores e prefeitos optem por parcelas inferiores a 1,5% de suas receitas, de modo a que a rolagem atinja o prazo máximo de 240 meses. Para desassossego do Planalto, não houve quem votasse contra a modificação no Senado. Todos os partidos administram executivos estaduais e municipais. Armou-se, então, a encrenca que acomodou Lula, uma vez mais, na mão de Renan Calheiros.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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As manchetes desta sexta

- JB: Estrangeiros avançam sobre terras brasileiras

- Folha: Estrangeiro faz bolsa bater novo recorde

- Estadão: Investidor estrangeiro puxa valorização recorde na Bolsa

- Globo: Lula diz que não barganha e assume negociação com PMDB

- Correio: Lula cede ao PMDB para garantir CPMF

- Valor: Oferta e preço ameaçam o programa do biodiesel

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Barreira da língua!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Lula sobre FHC: ‘fiz Brasil que ele não conseguiu’

  Bruno Miranda/Folha
Com a presença de Lula, foi ao ar nesta quinta-feira (27) a Record News, primeiro canal de notícias 24 horas a ser veiculado em rede aberta, de graça. É mais um braço eletrônico do império de comunicação erigido pela Igreja Universal. O bispo Edir Macedo, manda-chuva da igreja, foi claro ao enunciar os seus objetivos: quer “dar um fim a esse monopólio [da Globo]”; deseja “cutucar o fígado [da Globo] até cair”. Lula preferiu falar em "democratização" da comunicação.

 

A Record News foi simbolicamente inaugurada com um apertar de botão. Pressionaram-no, juntos, Lula e Macedo. Deu-se às 20h10. Na primeira noite, o canal voltou-se para o próprio umbigo. Deu realce à festa inaugural. E frangou a principal notícia noturna, o desabamento de um prédio, no Rio, fartamente noticiado na Globo News, o canal a cabo (pago) da emissora rival.

 

O destaque da Record foi uma entrevista com Lula. Falou sobre a rebelião peemedebista que deixou o “ministro” Roberto Mangabeira Unger sem pasta. E, provocado, mirou em FHC. "Somos amigos desde 1978. Isso perdurou até ele deixar a Presidência da República e não se comportar adequadamente como um ex-presidente."

 

Disse que o antecessor “deu palpite o tempo inteiro” na sua administração. Sem razão, já que Lula diz ter feito o que FHC “não quis” fazer. "E não foi por incapacidade porque ele é intelectualmente preparado”, concedeu Lula. “Talvez porque a conjuntura política não tenha permitido ou porque ele não soube aproveitar oportunidades." Acrescentou: "Se tem alguém que deveria estar feliz era ele. Eu consegui fazer o Brasil que ele não conseguiu."

 

Não deixa de ser curioso ver Lula alfinetando o predecessor na TV da Universal. Na disputa presidencial de 94, que perdeu para FHC, Lula e o PT foram demonizados pelo rebanho de Edir Macedo. A “Folha Universal”, jornal da igreja, chegou a estampar, em manchete, coisas assim: “Lula apela para o candomblé.” Ou assim: "PT defende aborto e casamento de homossexuais." Para cutucar o fígado da Globo, como se vê, Edir Macedo é capaz de tudo. Para cutucar o fígado de FHC, Lula também.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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STF manda CPI ‘lacrar’ os dados de Denise Abreu

Três dias depois de ter mantido a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Denise Abreu, o ministro Celso de Mello, do STF, determinou à CPI aérea do Senado que sejam lacrados todos os dados referentes à ex-diretora da Anac. Os membros da comissão só poderão usar as informações depois do julgamento definitivo do recurso protocolado no Supremo pelos advogados de Denise.

 

Em nova petição endereçada a Celso de Mello, os defensores da ex-gestora da Anac argumentaram: “As informações de caráter sigiloso obtidas pelas CPIs acabam por vazar, sendo divulgadas e publicadas pela mídia, que expõe a intimidade e a privacidade dos investigados”. Pediram que as informações fossem mantidas à salvo até o julgamento definitivo do recurso em que Denise Abreu alega não haver justa causa para a quebra de seus sigilos.

 

Celso de Mello, dessa vez, deu razão à investigada. Manteve a quebra dos sigilos, mas ordenou que, até a conclusão do julgamento, os dados sejam mantidos sob “lacre cautelar”. As informações serão guardadas pela própria CPI. Mas os senadores não poderão, por ora, apalpá-las. Tampouco estão autorizados a compartilhar os dados com qualquer outra repartição pública.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Isca!

Millôr
 

Não deixe de visitar o sítio do Millôr.

Escrito por Josias de Souza às 18h18

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PMDB paga a Almeida Lima fatura do apoio a Renan

  Fábio Pozzebom/ABr
O senador Almeida Lima (PMDB-SE) começou a receber a recompensa pelo apoio irrestrito que vem dando ao colega Renan Calheiros (PMDB-AL). De olho nas eleições municipais de 2008, o “soldado” do presidente do Senado ganhou de presente o controle do partido na capital sergipana, Aracaju.

 

Almeida Lima deseja, ele próprio, concorrer à prefeitura de Aracaju. E andava incomodado com o PMDB de seu Estado, hoje submetido aos interesses do deputado federal Jackson Barreto (PMDB-SE). Alegava, nos subterrâneos, que Barreto transformara a seção estadual da legenda em correia de transmissão dos interesses do PT sergipano. E ameaçava transferir-se para o PDT, partido ao qual já pertenceu.

 

Com o auxílio de Renan, Almeida Lima conseguiu fincar uma cunha na máquina do PMDB de Sergipe. Não terá tudo. Mas vai, pelo menos, dividir o poder com o desafeto Jackson Barreto. Decidiu-se dividir o partido ao meio. Ficará assim:

 

Diretório municipal de Aracaju: tem sete membros. Almeida Lima indicará quatro. Jackson nomeará três. E o manda-chuva nacional do PMDB, Michel Temer (SP), indicará Almeida Lima para presidente do diretório.

 

Diretório Estadual de Sergipe: também tem sete membros. Invertendo a equação adotada no município, Jackson indicará quatro. Almeida Lima, três. Caberá a Michel Temer, de novo, a escolha do presidente estadual. Será Jackson.

 

O entendimento foi costurado na manhã desta quarta-feira (26). Deu-se numa reunião da qual participaram Temer, Almeida Lima e o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO). No final da tarde, Temer foi informado de que Almeida Lima topara a divisão. Consultado por telefone, Jackson Barreto também assentiu.

 

Assim, o acordo será selado em reunião da Executiva Nacional do PMDB, marcada para terça-feira da semana que vem. Nos subterrâneos, Renan atuou como advogado dos interesses de Almeida Lima, hoje um dos maiores defensores dele no Senado. E foi atendido por Temer, que se esforça para manter distância da crise que consome a presidência de Renan no Senado.

Escrito por Josias de Souza às 18h01

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Lula inova: ‘barganha’ virou ‘acordo programático’

José Cruz/ABr
 

 

"Eu não barganho assim, eu faço acordo programático. Eu faço acordo com o partido, mas não é possível ficar barganhando cada votação que vai ao Congresso Nacional." Deslizando sobre o leite derramado do Senado, Lula convida o brasileiro a fingir-se de bobo. Deseja que a sociedade enxergue programa onde não há senão há mais deslavada fisiologia.

 

A portas fechadas, Lula negou o que disse em público. Reuniu-se, no Planalto, com seu líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), porta-voz das reivindicações “programáticas” do peemedebismo. De resto, o presidente convidou os 11 partidos associados ao seu consórcio congressual para um jantar. Decerto servirá aos comensais um sopão “programático”.

 

Também nesta quinta-feira (27), Lula avistou-se com a crise. Deu de cara com Renan Calheiros num almoço oferecido ao presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbáyev (foto no alto). Antes, a crise negara o óbvio: "Eu queria dizer que essa questão do PMDB de ontem não tem nenhuma conexão com a minha questão. Muito pelo contrário. Não tem absolutamente nada a ver comigo. O PMDB quis, com aquela votação, dar uma demonstração de insatisfação não sei de quê."

 

Ora, como Renan não sabe? A ira peemedebista é movida, não há dúvida, a patriotismo. Um patriotismo “programático”. Não há de ser nada. A irritação é momentânea. Nas pegadas da votação que transformou Roberto Mangabeira Unger em ministro sem pasta, os aliados de Lula apontam para a fórmula que devolverá ao PMDB a aparência bovina que convém ao governo.

 

Ouça-se, por exemplo, o senador Renanto Casagrande (ES), líder do governista PSB:

"Foi uma decisão política do PMDB, para demonstrar sua força ao governo. O Palácio do Planalto tem que saber lidar com isso. Há o erro do governo na falta da execução orçamentária e na distribuição de cargos a aliados. Estamos em outubro e verificamos que poucas emendas foram empenhadas", alertou o senador Renato Casagrande (PSB-ES).

Escrito por Josias de Souza às 17h09

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‘Tucanoduto’ converte PSDB numa ópera às avessas

Numa ópera, o espectador atravessa enredos arrastados –alguns deles até enfadonhos— à espera do solo da soprano. Vai-se ao teatro sabendo que nada se resolve, nada termina antes que a opulenta estrela solte sua voz.

 

No seio do tucanato, Eduardo Azeredo é, por assim dizer, a “gorda” do momento. Há dois dias, o senador mineiro iniciou uma ária que magnetizou a audiência. Cantou algo assim: parte do dinheiro que bancou a minha campanha, em 1998, foi borrifada nas arcas da campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso.

 

Num instante em que se esperava pelos desdobramentos do solo de Azeredo, o tucanato levou a mão à boca de sua “valquíria”. Dirigentes do PSDB cobraram o silêncio de seu encalacrado senador. Impõe-se à platéia um espetáculo de segunda, um concerto sem conserto, uma ópera sem soprano.

Escrito por Josias de Souza às 15h50

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Derrubada de MP foi tramada por Renan Calheiros

Sentindo-se abandonado pelo Planalto, senador revidou

 

 

É de Renan Calheiros (PMDB-AL) a cara escondida atrás da rejeição, na noite desta quarta-feira (26), da medida provisória que Lula editara em junho, para acomodar no ministério Roberto Mangabeira Unger. O presidente do Senado identificou um movimento do governo para desprestigiá-lo, forçando-o a deixar o cargo. E decidiu reagir.

 

A resposta foi desenhada, segundo apurou o blog, na noite de terça-feira (25). Deu-se num jantar no apartamento de Valter Pereira (PMDB-MS), autor do parecer que recomendou a rejeição da medida provisória. Dividiram a mesa dez dos 19 senadores do partido. Entre eles quatro “soldados” da tropa de Renan: Almeida Lima (SE), Wellington Salgado (MG), Leomar Quintanilha (TO) e o líder do PMDB Valdir Raupp (RO).

 

O plano destrinchado durante o repasto fora combinado previamente com Renan. Que, finório, evitou dar as caras no jantar da revanche. A idéia era demonstrar que Renan, diferentemente do que imagina o Planalto, está vivo. Decidiu-se dar um solavanco no governo. E concluiu-se que a melhor alternativa que a conjuntura oferecia para o sacolejo era a chance de deixar Mangabeira Unger, um apadrinhado do vice-presidente José Alencar, sem emprego.

 

O que abespinhou Renan e seu grupo foi o comportamento do PT. A líder petista Ideli Sanvatti (SC), que antes defendia fervorosamente o “aliado” encalacrado, silenciou. E grão-petistas do porte de Aloizio Mercadante (SP) e Tião Viana (AC) passaram a fustigar Renan, identificando na renitência dele em manter-se na presidência do Senado o veneno que serve de combustível à oposição, alimentando a crise do Senado.

 

Renan enxergou as digitais do governo impressas na mudança de comportamento do PT. Concluiu que o Planalto quer forçá-lo a pedir licença do cargo. Uma forma de acomodar no comando do Senado, antes da chegada da emenda que prorroga a CPMF, o vice-presidente Tião Viana. Renan decidiu dar o troco. Além de transformar Mangabeira Unger em ministro sem pasta, informou ao governo que o PMDB pode transformar-se num entrave para a renovação do imposto do cheque.

 

Afora a fidelidade de sua milícia congressual, Renan serviu-se do descontentamento de senadores peemedebistas desatendidos em suas reivindicações por cargos e verbas. Aproveitou-se também da insatisfação de Valdir Ralpp com a desenvoltura de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado. Jucá alinhavara com os líderes da oposição –Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino Maia (DEM-RN)— o acordo que possibilitou a desobstrução das votações no plenário do Senado, paralisado na semana passada.

 

Não teve, porém, a delicadeza de manter Raupp a par da evolução das tratativas. O líder do PMDB soube dos detalhes do acordo firmado por Jucá numa conversa telefônica com o líder oposicionista Agripino Maia. Embora Jucá houvesse consultado Renan antes de alinhavar os acertos com tucanos e ‘demos’, o PMDB concluiu que seria apropriado informar ao governo que os acordos celebrados sem a participação formal do partido podem até garantir a realização das votações, mas não oferecem segurança quanto ao resultado.

 

Na noite desta quarta-feira (26), deram as caras no plenário do Senado 16 dos 19 senadores que compõem a bancada do PMDB. Treze votaram junto com a oposição, a favor da derrubada da medida provisória. Só três votaram afinados com o governo: Roseana Sarney (MA), líder de Lula no Congresso; o pai dela, José Sarney (AP) e Romero Jucá.

 

O Planalto acusou o golpe instantaneamente. Surpreendido com o recado peemedebista, o ministro Walfrido dos Mares Guia, articulador político de Lula, pô-se a disparar telefonemas assim que o infortúnio do governo se materializou no painel de eletrônico do Senado. Foi informado de que, diferentemente do que imagina o Planalto, a cobra Renan, resgatada em 12 de setembro com a ajuda do governo, ainda dispõe de veneno suficiente para incomodar Lula. E não aceita puxadas de tapete urdidas nos subterrâneos.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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As manchetes desta quinta-feira

- JB: Mensalão na campanha de FHC abre crise no PSDB

- Folha: Provas do valerioduto são muito boas, diz procurador

- Estadão: Pela CPMF, PMDB leva diretoria da Petrobras

- Globo: Renan retalia, derruba MP e deixa Mangabeira sem pasta

- Correio: PMDB reage ao PT e derruba ministério

- Valor: São Paulo avalia 18 estatais para reiniciar privatização

- Estado de Minas: Juiz liberta seis presos por falta de promotor

 Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Adversário imbatível!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Senado derruba sessão secreta e ‘demite’ ministro

Wilson Dias/ABr
 

 

Duas semanas depois de absolver Renan Calheiros no escuro, o Senado aprovou na noite desta quarta-feira (26) o fim das sessões secretas. Deu-se, ironicamente, numa sessão presidida pelo próprio Renan. Não houve quem ousasse manifestar oposição à idéia.

 

O presidente do Senado não foi o único a amargar constrangimentos. Na mesma sessão, o Senado impôs uma derrota também ao governo. Rejeitou, por 46 votos contra 22, a medida provisória que criou a Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República. Considerou-se que não era nem “urgente” nem relevante.”

 

A decisão teve o efeito de uma demissão. Uma não. Várias. Três meses e dez dias depois de tomar posse, o secretário Roberto Mangabeira Unger, a quem Lula atribuíra status de ministro de Estado, foi, na prática, posto no olho da rua pelo Senado. Junto com a função do professor Mangabeira –que abandonara uma cátedra em Harvard para integrar-se a um governo que chamara de “o mais corrupto da história”—, foram anulados os outros 660 cargos que o governo pendurara na mesma medida provisória.

 

A oposição festejou a queda da medida provisória como uma reafirmação da autoridade do Senado. Porém, o gesto oculta inspirações bem menos nobres. A secretaria de Mangabeira foi ao lixo com os votos de PSDB e DEM. Mas quem a transformou em monturo foi o PMDB. Algo que levou peemedebistas e petistas a trocar farpas.

 

Dono de uma bancada de 19 senadores, o governista PMDB rebelou-se contra o Planalto. Mesmo quem não entende nada de política compreende a politicagem escondida atrás do gesto. É o velho e bom PMDB exigindo, reivindicando, querendo mais...

 

No PMDB, nada se perde e nada se transforma. O partido, cedo ou tarde, sempre corresponde às expectativas de um governo que, embora aliado, não confia integralmente nele. A rejeição da medida provisória anulou gastos de R$ 25 milhões em 2007 e de R$ 44 milhões em 2008.

 

A insurreição do PMDB pode custar muito mais. A legenda informou a Lula que quer mais cargos e mais verbas. De resto, se não quiser devolver Mangabeira a Harvard, o governo terá de encontrar uma saída jurídica para reempregá-lo, restituindo, ao menos parcialmente, os gastos anulados. A Casa Civil já providenciava, na noite desta quarta, a destituição do ministro e dos ocupantes dos outros cargos extintos. Simultaneamente, estudava o que fazer.

 

Volte-se, por oportuno, ao surto de transparência que acometeu o Senado. Abriram-se as sessões. Mas continua secreto o voto. Iniciou-se, na sessão de hoje, a tramitação de duas emendas constitucionais que abrem também os votos dos senadores. Mas, a depender de Renan Calheiros, a tramitação será lenta, muito lenta, lentíssima.

 

Não são negligenciáveis as chances de que, no próximo julgamento do senador, os colegas que quiseram absolvê-lo possam desfrutar, ainda, do escudo de um painel eletrônico sigiloso. De qualquer modo, o ímpeto noturno dos senadores, deixou claro que, no Senado, o governo tem excesso de cabeças -o "aliado" Renan, dois líderes governistas (Romero Jucá e Roseana Sarney) e todos os líderes de partidos associados ao consórcio lulista. Falta-lhe, porém, miolos.

Escrito por Josias de Souza às 23h21

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Enriquecimento ilícito derruba mais um na Infraero

Foi ao “Diário Oficial da União”, nesta quarta-feira (26), mais uma demissão de funcionário graduado da Infraero. O ex-diretor financeiro da estatal, Adenauher Figueira Nunes, que já havia sido afastado das funções no final do ano passado, foi agora demitido “por justa causa”. O motivo foi o “enriquecimento ilícito”.

 

Deve-se a demissão de Adenauher ao trabalho dos auditores da CGU (Controladoria Geral da União). O ex-gestor das finanças da Infraero tornou-se personagem de uma sindicância depois que o Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) detectou uma movimentação atípica em sua conta bancária.

 

Informada a respeito em maio de 2006, a CGU foi a campo. Quebrou o sigilo bancário do funcionário. Descobriu-se que Adenauher registrara um “aumento patrimonial desproporcional à sua renda”. Ele comprara, junto com Maria José de Andrade, com quem vivia, um apartamento que não cabia no seu contra-cheque.  

 

Ouvido pela CGU, Adenauher não conseguiu justificar “a origem lícita” do próprio patrimônio. O que levou os sindicantes a concluírem que houve “enriquecimento ilícito”. Daí a demissão. É a quinta punição resultante de apurações da CGU na Infraero. Na véspera, anunciara-se a demissão de dois funcionários e a suspensão, por trinta dias, de outras duas servidoras.

 

Uma das suspensas foi Maria José, a companheira de Adenauher. Ela respondia pela superintendência de Auditoria da Infraero. E, no exercício de suas funções, emitiu relatórios aprovando as contas do companheiro, em 2004 e 2005. Para a CGU, Maria José, mercê das relações pessoais que mantinha com o então diretor financeiro, estava impedida por lei de emitir opinião sobre a gestão dele.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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Quintanilha busca relator conveniente para Renan

Em reação, oposição promete fazer relatórios paralelos

 

José Cruz/ABr

 

A serviço de Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), cogita nomear relatores “amistosos” para dois dos três processos contra o presidente do Senado. Atenta à movimentação do “soldado” de Renan, a oposição decidiu que, confirmando-se a manobra, apresentará relatórios paralelos, recomendando, de novo, a cassação do mandato do acusado.

 

O conselho tinha reunião marcada para as 17h desta quarta-feira (16). Na mesma hora, porém, foi iniciada uma sessão deliberativa no plenário do Senado. Por isso, decidiu-se adiar para o período noturno o encontro do conselho. Se for mesmo realizada, a sessão terá o nome dos relatores como tema de maior realce.

 

Inicialmente relevante, a apresentação do relatório sobre o caso Schincariol tornou-se irrelevante. O teor do texto do relator João Pedro (PT-AM) é, agora, um segredo de polichinelo. Todos sabem que ele vai propor que o processo seja levado ao freezer até que a Câmara decida o que fazer com o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, também investigado por manter relações supostamente impróprias com a cervejaria.

 

Assim, foi ao primeiro plano o debate sobre a indicação de relatores sobre os outros dois processos que pesam sobre os ombros de Renan –aquisição de empresas de comunicação em sociedade secreta com o usineiro João Lyra e coleta de propinas em ministérios confiados ao PMDB. Quintanilha faz segredo sobre as suas preferências. Mas emitiu, nos subterrâneos, sinais de que confiaria os processos a senadores vinculados ao investigado. Um dos nomes que mencionou, entre quatro paredes, foi o de Almeida Lima (PMDB-SE), hoje um dos principais sequazes do presidente do Senado.

 

Embora pressionado a refrear a pantomima, Quintanilha, por ora, não se dignou a dizer o que, efetivamente, fará. Regimentalmente, cabe a ele, como presidente do Conselho de Ética, nomear os relatores. Mas PSDB e DEM já decidiram que, confirmando-se o inaceitável, farão relatórios paralelos. E a decisão –levar ou não mais um ou dois pedidos de cassação do mandato de Renan ao plenário do Senado— será tomada no voto dos 15 integrantes do conselho.

 

Segundo José Agripino Maia (RN), “haverá um relatório da oposição”, seja oficial ou paralelo. Para Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, uma alternativa para a superação do impasse seria a escolha de relatores por meio de sorteio. Seriam excluídos os senadores filiados ao partido do investigado (PMDB). Os ‘demos’ tendem a apoiar a proposta do tucano.

 

Quintanilha, porém, discorda de Virgílio. Argumenta que também os oposicionistas, claramente contrários a Renan, não têm isenção para relatar os processos. O líder tucano contrapõem um argumento que se escora na tradição legislativa: quando um parlamentar sugere a abertura de uma CPI, diz ele, credencia-se automaticamente a presidir ou relatar a comissão. Portanto, o fato de PSDB e DEM serem signatários de uma das representações (a que trata da compra de rádios e jornal por meio de laranjas) não impede que senadores dos dois partidos atuem como relatores.

 

São esses os pontos que, dependendo do comportamento de Quintanilha, podem atear fogo na sessão do Conselho de Ética, a realizar-se na noite desta quarta-feira.

 

PS.: A sessão deliberativa do plenário do Senado arrastou-se noite adentro. Em função disso, a reunião do Conselho de Ética teve de ser adiada. Foi marcada para terça-feira da semana que vem.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Solidão de Azeredo funciona como ‘soro da verdade’

  blog do Orlandeli
No dicionário, a solidão é vizinha da solidariedade. Na política, os dois vocábulos nem sempre são contíguos. Que o diga Eduardo Azeredo. O senador tucano sente na nuca o bafo quente da respiração do procurador-geral Antonio Fernando de Souza. E não se considera convenientemente amparado pelo PSDB, o seu partido.

 

Entre as acepções anotadas no Aurélio, solidão é o “estado do que se encontra ou vive só; isolamento”. Solidariedade é a “relação de responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar o(s) outro(s)”.

 

Pois bem, sentindo-se isolado, com o mundo a cair-lhe na cabeça, Azeredo desencadeou o que parece ser uma estratégia pessoal para despertar a alma solidária do tucanato. Disse que as arcas de sua campanha ao governo de Minas, em 1998, não beneficiaram apenas a sua candidatura. Irrigaram também os caixas eleitorais dos candidatos a deputados –Aécio Neves era um dos concorrentes à Câmara – e a senadores de sua coligação.

 

Mais: parte da grana mineira, agora tisnada pela evidência da origem inidônea, foi borrifada na escrituração financeira da campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso. Não é só: num instante em que o coordenador político de Lula, Walfrido dos Mares Guia, esforça-se para dissociar sua imagem sobranceira da encrenca do “tucanoduto” Azeredo disse que o ministro não era coordenador de sua campanha, mas “participava de tudo”.

 

Todos os brasileiros de bem devem torcer para que Azeredo continue só. No caso dele, a solidão é benéfica ao país. Funciona como uma espécie de soro da verdade. Vida longa ao isolamento de Eduardo Azeredo.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

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Governo prepara-se para levar a boca ao trombone

Com boa propaganda, pode-se levar pessoas a acreditar em qualquer coisa: de abacate sem caroço a Senado sem mácula. Atento às maravilhas da publicidade, Lula vai levar o seu governo –ou parte dele— à vitrine. Veja-se o que noticia a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

 

Na janela: O governo Lula lançará em outubro uma mega-campanha publicitária com o slogan "Mais Brasil para Mais Brasileiros". O orçamento total ainda não está definido, mas será "a maior já feita" no segundo mandato de Lula, de acordo com um assessor direto do presidente. Nela, o governo divulgará números favoráveis da economia e quadros com beneficiários de programas sociais. A campanha será veiculada em anúncios em TVs, rádios, jornais e internet.


Chega mais: Um dos alvos publicitários do governo é a classe média. Os anúncios tentarão convencer que ela também se beneficia dos programas sociais como o Bolsa Família, que fazem "a economia crescer".

 

 

PS.: A julgar pelos números coletados pelo IBGE e esmiuçados pelo Ipea, Lula até tem o que mostrar. A dúvida é: deve o governo torrar a verba da viúva, sempre tão escassa, com agências de publicidade e meios de comunicação, para informar que, em certas áreas, não faz mais do que a sua obrigação?

Escrito por Josias de Souza às 15h27

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E se Walfrido Mares Guia fosse um sindicalista?

  Elza Fiúza/ABr
Vai abaixo artigo do repórter Elio Gaspari (assinantes da Folha):
 

 

 

“Se o ministro da Articulação Política do governo fosse um petista saído do movimento sindical, o céu já teria desabado sobre Brasília.

 

Imagine-se um companheiro metido numa reunião para definir a arrecadação da caixinha eleitoral de um candidato que acabou derrotado na eleição de 1998. Some-se um empréstimo pessoal feito por esse mesmo petista ao candidato, depois de sua derrota. Walfrido Mares Guia fez tudo isso, mas o tucanato trata o assunto com um silêncio retumbante, indicador do oportunismo com que manipula a moralidade alheia.

Mares Guia não é um sindicalista, mas próspero empresário; não está no ABC, mas na plutocracia mineira; não se meteu na campanha dos companheiros, mas na do então governador Eduardo Azeredo, que viria a ser presidente do PSDB. Sua praia é outra, a do tucanato que considera falta de educação tratar das maracutaias do andar de cima.

A principal gracinha propagada pelos defensores de Eduardo Azeredo é a teoria do "não sabia". Se ele não sabia que sua campanha era azeitada por recursos tungados à Viúva e entregues a Marcos Valério, qualquer tentativa de associá-lo à roubalheira é injusta. Afinal, Lula diz que não sabia das mesmas trambicagens, praticadas quatro anos depois pela direção do PT com o mesmo Marcos Valério. Nas palavras da assessoria do tucano: "As questões financeiras da campanha não foram de [sua] responsabilidade".

Seria um caso clássico de dois pesos e duas medidas. Todavia, o argumento é falso. Para que fosse verdadeiro, precisaria aparecer um empréstimo pessoal de R$ 511 mil, feito por Lula junto a um petista amigo que participou da coordenação de sua campanha. (Em 2003, Paulo Okamotto, atual presidente do Sebrae, pagou uma conta de R$ 29 mil de Lula, mas não esteve na banca petista de 2002.) Isso não permite sugerir que Lula não sabia dos malfeitos de Delúbio Soares, ou que não sabe de onde veio o dinheiro de Okamotto. Indica apenas que não se acharam as suas impressões digitais. No caso de Azeredo, elas estão lá, no empréstimo de Mares Guia.

Quando um petista é confrontado com as mutretas de seus companheiros, se enraivece e atribui a referência a algum tipo de conspiração elitista. Quando um tucano fica na mesma situação, ofende-se e corre para a blindagem do silêncio. Assim desconversou-se em 2000, quando apareceram as planilhas da segunda campanha de FFHH. Elas indicavam um caixa clandestino de pelo menos R$ 8 milhões. Uma parte desse dinheiro passara pela destilaria de Marcos Valério, cuja tecnologia financeira foi adquirida pelo PT na eleição seguinte.

Vice-governador de Eduardo Azeredo, ministro de Lula, Mares Guia é uma encruzilhada de gentilezas. Foi na sua vizinhança (e de Lula) que se disparou a demissão do engenheiro Dimas Toledo de uma diretoria de Furnas. Essa foi a faísca que incendiou os sentimentos do deputado Roberto Jefferson e a crise do mensalão.

O PT já buscou a indulgência de seus crentes com a teoria do "fizemos-o-que-todo-mundo-faz". A novidade no desdobramento das investigações do mensalão tucano está na paralisia mental do PSDB.

O comando tucano diz que vai discutir a situação de Azeredo. Vai nada. Se falasse sério, teria feito isso há dois anos. Correm atrás do prejuízo que poderá advir de uma denúncia do procurador-geral da República contra o ex-governador.

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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As manchetes desta quarta

- JB: "Vou responder à bala"

- Folha: Walfrido afirma inocência e diz que fica no ministério

- Estadão: Lula diz na ONU que o etanol não produz fome

- Globo: Lula anuncia na ONU novo plano contra desmatamento

- Correio: Entorno já na mira da tropa de elite

- Valor: INSS muda regra e cria passivo para empresas

- Estado de Minas: Queimadas dobram em Minas

- Jornal do Commercio: Sem-teto tumultuam a sede da prefeitura

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Honra ao mérito e ao demérito!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Lobão lança o movimento ‘Peidei, mas não fui eu’

  Divulgação
O roqueiro Lobão lançou o “Peidei, mas não fui eu.” Trata-se de um misto de movimento anárquico e embrião de partido político. Destina-se, segundo diz, a combater a corrupção que grassa no país. Diferentemente do “Cansei”, o “Peidei” não exclui Lula do rol de produtores de futum.

 

Em entrevista ao Programa do Jô, exibida na madrugada desta quarta-feira (26), Lobão disse que, quem tiver a oportunidade de examinar a mão do presidente da República, verá que ela está tão “amarela” quanto às demais.

 

Explicou que um dos objetivos do “Peidei” é o de “acordar” a esquerda brasileira, que, a seu juízo, anda meio “adormecida”. Lobão entoou a música-tema do seu movimento. Trata-se de uma paródia da célebre “Que será que será”, do lulista Chico Buarque. Na versão de Lobão, “Que será” virou “Quem Será que Peida” (ouça).

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Executiva do PT cobra do MP denúncia do tucanoduto

  Rossana Lana/PT
Reunida nesta terça-feira (245), em Brasília, a Executiva Nacional do PT cobrou, em nota, “agilidade” do Ministério Público “na instauração das ações relativas ao uso de caixa dois e de dinheiro público na campanha do tucano Eduardo Azeredo à reeleição do governo de Minas Gerais, em 1998.”

 

Embora o texto da nota não mencione, a cobrança é extensiva a Walfrido dos Mares Guia, coordenador político de Lula, também encrencado no inquérito da Polícia Federal que investigou o “tucanoto”. O PT não se considera obrigado a fazer a defesa do ministro. Acha que Walfrido é problema do partido dele, o PTB, do governo e de Lula, que o nomeou.

 

Nos subterrâneos, o PT reivindica a vaga de Walfrido, caso Lula tenha de sacrificá-lo. De resto, enxerga no “tucanoduto” uma oportunidade para espicaçar o PSDB, devolvendo ao adversário os ataques que recebeu por conta do mensalão.

 

Mencionou-se na reunião da Executiva um detalhe que faz o PT salivar: uma planilha atribuída a Cláudio Mourão, ex-gestor das arcas eleitorais de Azeredo, inclui o nome do governador Aécio Neves, presidenciável tucano, como suposto beneficiário de R$ 110 mil. Dinheiro que Aécio, candidato a deputado na época do malfeito, diz não ter recebido. Aécio, aliás, fez nesta terça uma defesa pública de Azeredo.

 

Presidida por Ricardo Berzoini (PT-SP, que dividiu a mesa com Marco Aurélio Garcia, candidato a sucedê-lo no comando do partido, a Executiva deliberou também sobre outros temas. Decidiu-se, por exemplo, apoiar a abertura de uma CPI para investigar a Editora Abril, que edita a Veja.

 

Urdido por aliados de Renan Calheiros, o pedido de CPI encontra-se sobre a mesa do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Decidiu-se também constituir um grupo de trabalho para organizar um seminário destinado a debater a convocação de uma Constituinte. Serviria para aprovar a reforma política. Mais: o partido deseja interferir na política de concessões de emissoras de rádio e TV.

 

No próximo dia 5 de outubro, expiram as outorgas concedidas às grandes redes de TV - Globo, SBT e Record entre elas. Delegou-se a Berzoini a tarefa de conversar a respeito do tema com três ministros: Hélio Costa (Comunicações), Franklin Martins (Comunicação Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).  

 

No Planalto, a cobrança de pressa na apresentação da denúncia do “tucanoduto” foi recebida como um gesto de inabilidade política. Ouvido pelo blog, um auxiliar de Lula disse que o PT já manifestara opinião semelhante no Congresso que realizara no mês passado. Acha que não havia necessidade de repisar o tema num instante em que Walfrido, com o apoio de Lula, pede prazo ao procurador-geral Antonio Fernando de Souza para apresentar uma nova defesa.

 

No mesmo dia em que o PT pediu "agilidade" ao Ministério Público, organizou-se no gabinete de Walfrido uma pajelança de líderes partidários, para empresdtar solidariedade ao ministro em apuros. Um ministro que, o longo do dia, teve de gastar muita saliva para conter a enésima ameaça de rebelião da bancada do PMDB na Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 00h50

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Texto final da CPI aérea da Câmara tem cheiro de...

  ABr
Orégano, tomate, muzarela e azeite. O nome do pizzaiolo é Marco Maia (PT-RS). O deputado correspondeu a todas as expectativas que despertara no dia em que foi escolhido como relator da CPI do aerocaos da Câmara. Dele não se esperava nada. E Marco Maia entregou exatamente nada. Nem mais nem menos.

 

O relatório final de Marco Maia, apresentado nesta terça-feira, é uma espécie de vácuo da inanidade. É o ermo do sentido, o ausente de substância. É o baldio ocupado pela ausência de lógica. É o nada.

 

Maia aponta indícios de improbidade administrativa na Anac. Mas não sugere o indiciamento de nenhum de seus gestores. Nem de Denise Abreu, que, na semana passada, dissera que indiciaria. Encrenca os controladores de vôo e os pilotos norte-americanos do Legacy, já transformados em réus pela Justiça federal de Mato Grosso.

 

A bancada oposicionista da CPI, que não esperava muito de Marco Maia, espantou-se com o nada. Pediu vista do relatório, protelando a votação. É possível que os oposicionistas produzam um relatório alternativo. Mas sabem que não têm número para aprová-lo. A comissão, de maioria governista, foi constituída com o objetivo deliberado de chegar ao nada.

 

Enquanto isso, os gestores da ‘Anarc’, a anárquica Agência Nacional de Aviação Civil, continuam saindo de fininho. Nesta terça-feira (25), bateu em retirada Josef Barat, cujo feito mais visível foi uma viagem a Nova York custeada pela TAM. De todos os cinco administradores do caos resta apenas Milton Zuanazzi, o presidente da ‘Anarc’.

 

O ministro Nelson Jobim (Defesa) quer o escalpo do sobrevivente. Mas Zuanazzi, por indemissível, é dono da própria cabeça. Ou ele leva a faca ao próprio pescoço ou o ministro vai ficar no desejo.

Escrito por Josias de Souza às 00h03

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Suplicy disputa prêmio da MTV por ‘Rap do Senado’

Suplicy disputa prêmio da MTV por ‘Rap do Senado’

 

A edição deste ano do VMB (Vídeo Music Brasil), promovido pela MTV, terá um concorrente inusitado: Eduardo Suplicy (PT-SP). O senador concorre na categoria Web Hit. Foi à lista de competidores graças a imagens gravadas numa sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Levadas à internet, as cenas converteram-se num sucesso retumbante.

 

Deu-se numa sessão em que se discutia o projeto de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Contrário à proposta, Suplicy encontrou um modo inusual de defender o seu ponto de vista. Recitou a letra de “Homem na Estrada”, uma canção do Racionais MCs (assista lá no alto, em versão remix).

 

A escolha dos vencedores da edição 2007 do VMB está marcada para a próxima quinta-feira (27). Em entrevista ao sítio MTV.com, Suplicy explicou o gesto que lhe rendeu a indicação ao prêmio, comentou os risos que sua performance arrancou dos colegas de Senado e, como bom político, pediu votos.

 

Além de concorrer ao Web Hit, o senador participará da cerimônia do VMB como convidado. Ao lado do filho Supla, o Suplicy vai apresentar um show da dupla Sandy e Júnior. Não se espante a platéia se, de novo, o senador roubar a cena com mais uma de suas incursões no mundo da música. Ele cogita entoar "Blowin' in the Wind", de Bob Dylan.

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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Acordo viabiliza fim de sessões secretas no Senado

  Folha
A despeito da incômoda presidência de Renan Calheiros, o Senado está muito próximo de votar o projeto que acaba com as famigeradas sessões plenárias secretas nos julgamentos por quebra de decoro parlamentar. Em troca da votação desse projeto e de algumas outras providências, PSDB e DEM concordaram em interromper a obstrução que, na semana passada, paralisou o Senado.

 

O entendimento foi costurado, à margem de Renan, pelo líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Com a aquiescência da oposição, vão a voto na sessão desta quarta-feira (25) cinco medidas provisórias e um projeto de lei que modifica as regras do estágio no país. São matérias que têm preferência na fila de votação. A deliberação sobre elas é condição legal e regimental para que outros projetos possam ser apreciados.

 

Pelo acordo, o projeto que torna abertas as sessões de cassação de mandato viria logo a seguir. Trata-se de mera modificação do regimento do Senado. Exige-se para a votação um quorum de 41 senadores. Para que seja aprovado o projeto, basta que a maioria simples dos presentes vote a favor. Algo que é dado como certo, já que tucanos, ‘demos’ e petistas declaram-se abertamente a favor da providência.

 

Acordou-se, de resto, que, uma vez votadas as MPs, o projeto do estágio e a proposta da sessão aberta, serão inseridas na pauta do plenário as duas emendas constitucionais que acabam também com o voto secreto no Congresso. Uma delas, preferida de PSDB e DEM, torna abertos apenas as votações de cassação de mandato de congresistas. Outra, defendida pelo PT, abre todas as votações, inclusive as de derrubada de vetos presidenciais e de indicação de embaixadores e ministros dos tribunais superiores.

 

Em troca, a oposição se dispôs a votar também a indicação de nomes para cargos de relevo do governo federal, ponto de discórdia nas sessões da semana passada. Subiu no telhado a aprovação de Luiz Antonio Pagot, apadrinhado do governador Blairo Maggi (Mato Grosso), para a diretoria-geral do DNIT. O PSDB condicionou a votação das autoridades à elaboração de uma lista prévia. Concorda, por exemplo, com a ratificação do delegado Paulo Lacerda na Abin. Topa aprovar também os nomes de três embaixadores indicados por Lula. Mas continua torcendo o nariz para o nome de Pagot.

 

Como parte do entendimento, deliberou-se ainda que, a partir desta quarta, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado desengavetará o projeto que torna compulsório o afastamento de membros da Mesa diretora da Casa e de presidentes de comissões que respondam a processos por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Renan é frontalmente contrário ao projeto. Receia que, uma vez aprovado, converta-se em pé-de-cabra para que a oposição tente removê-lo da cadeira de presidente.

 

Apesar da resistência, o projeto começará a ser debatido na CCJ. Pretende-se refinar o texto. O objetivo é torná-lo claro o bastante para impedir que seja usado como instrumento de vendetas políticas. Para evitar que inimigos do senador “A” ou “B” formulem representações apenas com o propósito de forçar o eventual afastamento, pretende-se fixar no projeto regras claras acerca das representações que serão levadas em conta para efeito de perda de cargos na Mesa e nas comissões do Senado.

 

Tudo considerado, tem-se o seguinte: 1) a oposição obteve, pela via da obstrução, o que desejava. Forçou o governo a negociar temas que Renan Calheiros preferia conservar na gaveta; 2) o Planalto, por meio de Romero Jucá, abriu com PSDB e DEM um canal de negociação que permitirá a limpeza da pauta de votações do Senado antes da chegada da emenda da CPMF, em vias de ser aprovada na Câmara.

 

Impôs-se a Renan Calheiros, de resto, o vexame de participar de um acordo de lideranças como mero expectador. O ultraje à autoridade do presidente do Senado foi atenuado por uma meia-volta de Romero Jucá. Em vez de reunir-se com os líderes formalmente, como pretendia, o representante de Lula no Senado costurou o entendimento em contatos individuais. O país foi privado da inédita foto de um encontro de lideranças sem a presença do "comandante" do Senado. Mas o comprometimento da autoridade do senador continua boiando na atmosfera conspurcada do Senado como uma evidência inconteste. Renan tornou-se um presidente zumbi. Ainda tem poderes para assombrar. Mas já não preside a Casa em sua plenitude. 

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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Predileto de Lula à chefia do PT vai a José Dirceu

  Bruno Miranda/Folha
Assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia entra na disputa pela presidência do PT como candidato preferido de Lula. Sabe, porém, que o suporte presidencial não é tudo. Tratou, segundo informa o Painel (assinantes da Folha), de pedir a bênção ao todo-poderoso do petismo. Leia a seguir:

 

Em campo: Nome da preferência do Planalto para presidir o PT, Marco Aurélio Garcia cumpriu no fim de semana um pré-requisito de campanha: teve uma boa conversa com José Dirceu. O assessor de Lula espera contar com a ajuda do ex-ministro para tranqüilizar correligionários indóceis em relação à sua candidatura.


Um exemplo é João Paulo Cunha. O deputado integra um grupo de petistas que não esqueceu a atitude de Garcia diante da crise de 2005 -foi ele um dos defensores da idéia, depois abandonada, de que nenhum mensaleiro deveria ter cargo na direção partidária. Outro é Paulo Frateschi. O presidente do PT-SP brigou feio com Garcia, que então dirigia a sigla interinamente, no episódio do dossiê dos "aloprados".

 


Valeu: Em reunião ontem com o ex-Campo Majoritário do PT, Garcia falou por quase 50 minutos. Colocou-se "à disposição" do partido e agradeceu pelas manifestações de apoio recebidas por ocasião do incidente "top, top".

 

 

Sinais: Um grão-petista interpreta as reiteradas declarações de Ricardo Berzoini de que não pretende disputar novo mandato de presidente na eleição interna de dezembro: "Muita gente perguntou se ele queria. Mas ninguém chegou e disse "eu te apóio'".

 

Tô dentro: Em documento aprovado no fim de semana, o grupo Mensagem ao Partido, de Tarso Genro, oficializou a disposição de apoiar candidato de outra corrente -leia-se Marco Aurélio Garcia.

Escrito por Josias de Souza às 17h03

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STF diz não à penúltima chicana da tropa de Renan

  Folha
A ministra Carmem Lúcia, do STF, indeferiu o pedido que Almeida Lima (PMDB-SE) formulara na semana passada em nome da soldadesca congressual de Renan Calheiros. Oficial graduado da tropa do presidente do Senado, o senador solicitara ao Supremo que impusesse ao Conselho de Ética o voto secreto.

 

Foi a penúltima manobra da milícia de Renan. A última ainda não veio à tona. Mas é certo que está sendo urdida. Renan e seus milicianos querem porque querem que os processos por quebra de decoro sejam julgados no escurinho do voto secreto. Ainda não se conformaram com o fato de o primeiro processo contra Renan ter sido apreciado abertamente no Conselho de Ética.

 

A Constituição prevê que, no plenário do Senado, o julgamento dos senadores sob risco de perda de mandato se dá por meio de votação secreta. Mas o texto constitucional não faz referência às reuniões do Conselho de Ética. Na opinião de Almeida Lima, compartilhada por Renan, a regra do plenário deveria ser aplicada, por analogia, também nas instâncias inferiores do Senado.

 

A ministra Carmem Lúcia não comprou o lenga-lenga. Assim, as outras três representações que ainda pesam sobre os ombros de Renan vão a voto no Conselho à luz do Sol. O que tonifica o risco de novas derrotas do senador. O que não quer dizer muita coisa. No primeiro processo, o infortúnio do Conselho transformou-se, no plenário, em triunfo de Renan.

 

Como se recorda, uma enquete realizada pela informara, antes do julgamento de Renan, que 43 senadores declaravam-se disposto a cassar Renan. Para acionar a guilhotina, eram necessários apenas 41 votos. Desgraçadamente, porém, o painel eletrônico do Senado computou apenas 35 votos a favor da lâmina. Ou seja, esconderam-se atrás do voto secreto pelo menos oito mentirosos. Daí o esforço da oposição para aprovar a emenda constitucional que institui o voto aberto.

Escrito por Josias de Souza às 16h09

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Infraero demite dois servidores por improbidade

Outras duas funcionárias foram suspensas por 30 dias

 

O Diário Oficial da União publica em sua edição desta terça-feira (25) as primeiras punições impostas a servidores da Infraero em função de sindicâncias realizadas pela CGU (Controladoria Geral da União). O castigo alcançou quatro funcionários.

 

Dois foram demitidos por justa causa: Napoleão Lopes Guimarães, advogado da Infraero; e Fernando Brendaglia de Almeida, superintendente de Planejamento e Gestão da estatal até abril passado. Outras duas servidoras amargaram suspensão de 30 dias: Márcia Gonçalves Chaves, ex-assessora da presidência da empresa; e Maria José de Andrade, ex-superintendente de Auditoria Interno.

 

A sindicância que resultou na punição de três dos quatro servidores apurou a concessão irregular de um posto de venda de combustíveis da Shell do Brasil na área do aeroporto internacional de Brasília. A CGU concluiu que houve “improbidade administrativa”. Envolveram-se no malfeito, segundo o relatório dos auditores, Fernando Brendaglia, Napoleão Lopes e Márcia Chaves.

 

O contrato da Infraero com a Shell foi firmado, sem licitação, em agosto de 2005. Tratou-se de uma renovação. O problema é que o contrato original vencera dois anos antes. E a realização de nova licitação era um imperativo. "Essa prorrogação teve o nítido intuito de burlar a exigência constitucional de processo licitatório", anota o texto preparado pela assessoria jurídica da CGU.

Fernando Brendaglia e Napoleão Lopes foram diretamente responsabilizados pela malfeitoria. O primeiro, segundo a CGU, foi “o mentor intelectual da ilegalidade”. O segundo providenciou “a justificativa jurídica” para a renovação da concessão à Shell. Daí a demissão por justa causa.

 

Impôs-se a Márcia Chaves uma punição mais branda –suspensão por um mês— porque a apuração da CGU não identificou nenhuma responsabilidade da servidora na “formulação ideológica” do negócio fraudulento. Concluiu-se, porém, que ela “foi omissa em relação à irregularidade”, supostamente para não pôr em risco o cargo de confiança que ocupava.

 

Quanto a Maria José de Andrade, funcionária que respondia pelo controle interno da Infraero, decidiu-se suspendê-la por 30 dias em função de um problema que resvala em sua vida privada. Ela convive maritalmente com Adnauher Figueira Nunes, ex-diretor Financeiro da Infraero. A despeito disso, aprovou as contas do companheiro relativas ao período de 2004 e 2005. Para a CGU, Maria José deveria “não poderia ter atuado em auditorias que tinham como objeto a verificação dos atos de gfestão praticados por diretor de quem era companheira”.

Escrito por Josias de Souza às 15h28

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As manchetes desta terça

- JB: Receita joga devedor aos leões

- Folha: Bolsa sobe, bate recorde e volta ao nível pré-crise

- Estadão: Bolsa recupera perdas da crise

- Globo: Bush promete a Lula flexibilizar negociação

- Correio: Procurador defende Lei Seca no Entorno

- Valor: Apoio de R$ 1,2 bi do BNDES garante oferta da Telemar

- Estado de Minas: Motoristas abusam no Anel

- Jornal do Commercio: Estado amplia ação para jovens

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Realpolitik!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Governo inicia fracionamento político da Petrobras

Derrotado nas urnas de 2006, quando disputou uma vaga no Senado, o petista José Eduardo Dutra (SE) ganhou nesta segunda-feira (24) um consolo de luxo: assumiu a presidência de uma das subsidiárias mais importantes da Petrobras, a BR Distribuidora. Vai gerir a maior rede de distribuição de combustíveis do país –7.200 postos de espalhados por todos os Estados.

 

Com a posse de Dutra, deflagrou-se o processo de fracionamento político da petrolífera brasileira. No caso da BR (faturamento de R$ 48 bilhões em 2006), a disputa arrastava-se desde abril. Nacos da Petrobras vão ao balcão no instante em que o governo empreende no Congresso uma cruzada para renovar, até 2011, a CPMF.

 

Em seu retorno à empresa, o petista Dutra, que presidira a estatal nos primeiros anos do governo Lula (2003 a 2005), desalojou Maria das Graças Foster, transferida da BR para a diretoria de Gás e Energia, em substituição a Ildo Sauer.

 

A posse do político Dutra foi aberta e concorrida. A nata política de Sergipe voou para o Rio de Janeiro, onde a Petrobras está assentada. Integraram-se à caravana do presidente da Assembléia Legislativa sergipana, Ulisses Andrade (PSDB), ao governador do Estado, Marcelo Déda (PT).

 

Já a posse da engenheira química Maria das Graças ocorreu a portas fechadas. Ela não deu entrevistas. Divulgou-se apenas uma nota. Ildo Sauer, desalojado da diretoria de Gás e Energia depois de comandá-la por quatro anos e meio, perdeu o cargo para Maria das Graças num instante em que se encontra em férias. Despediu-se das funções, na semana passada, por meio de uma carta vazada em tom lamurioso.

 

O balé político imposto à Petrobras terá novos movimentos nos próximos dias. Premiado com Dutra, o PT deve perder a estratégica diretoria de Exploração e Produção, hoje comandada por alguém que traz o símbolo do petismo enganchado no nome: Guilherme Estrela. Na cadeira de Estrela, deve ser acomodado um apadrinhado do PP, Paulo Roberto Costa, hoje diretor de Abastecimento.

 

Com o deslocamento de Paulo Roberto, urdido pelo Planalto a contragosto da cúpula do PP, a diretoria de Abastecimento não ficará às moscas por muito tempo. Deve ser ocupada por Alan Kardek. Momentaneamente alojado na assessoria da presidência da Petrobras, Kardek é o preferido do PTB do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais).

 

Não é só: na semana passada, no calor da votação, em primeiro turno, da emenda do imposto do cheque, o Planalto conteve uma rebelião da bancada de deputados do PMDB com uma promessa. Assumiu o compromisso de nomear para a diretoria Internacional da Petrobras, ora chefiada por Nestor Cerveró, um protegido da bancada de deputados do PMDB de Minas Gerais, João Augusto Fernandes.

 

Em meio às mudanças, sobrevive na presidência da Transpetro, fingindo-se de morto, o ex-senador Sérgio Machado (PMDB-CE). Foi plantado ali, ainda nos tempos de vacas gordas, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cujo prestígio está a caminho do brejo.

 

O rateio político dos cargos da Petrobras é a face mais nefasta das negociações que mantêm, à custa da distribuição de verbas e cargos, a unidade dos partidos associados ao consórcio governista. O organograma da maior estatal brasileira, com negócios em 27 países, é servido na mesa das barganhas, para aplacar o apetite de congressistas que, sob ameaças de rompimento com o governo, estão sempre pleiteando, exigindo, querendo mais e mais.

 

Um fenômeno que Dutra, o novo presidente da BR Distribuidora, considera normal: "Desde que a Petrobras existe, sempre a presidência, os diretores, têm o respaldo do governo que está governando. E os governos têm apoio de partidos políticos. O atual governo é de coalizão, e não vejo nenhum problema que estes partidos sejam representados na máquina."

 

Nesse xadrez macabro, o preparo técnico do indicado –e muitos até o tem—importa menos que sua vinculação ao partido patrocinador da indicação. Era assim nos vários governos que precederam o atual. Sob Lula, continua sendo assim. O que move os partidos? Decerto é o patriotismo, o desejo irrefreável de servir ao país.

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Supremo mantém quebra de sigilos de Denise Abreu

  Folha
O ministro Celso de Mello, do STF, manteve a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Denise Abreu, ex-diretora da ‘Anarc’, a anárquica Agência Nacional de Aviação Civil. Ela recorrera contra decisão tomada pela CPI do aerocaos do Senado. Mas teve o pedido de liminar negado.

 

Denise Abreu argumentara, por meio de seus advogados, que a quebra de seus sigilos não estava escorada, como manda a lei, em “fundada suspeita de ocorrência de crime, com base em fato concreto”. Antes de tomar uma decisão, Celso de Mello requisitou informações à direção da CPI.

 

Depois de analisar a papelada, o ministro concluiu que, sob a ótica da jurisprudência do STF, a quebra dos sigilos de Denise Abreu teria sido feita de maneira regular. Por isso indeferiu o pedido de liminar (leia a íntegra do despacho aqui). Assim, logo, logo os senadores estarão farejando os dados bancários, fiscais e telefônicos da ex-diretora, já requisitados aos órgãos competentes.

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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PSOL deve representar contra Azeredo no Senado

  José Cruz/ABr
A Executiva Nacional do PSOL iniciou, no último final de semana, uma análise sobre a conveniência de protocolar na Mesa diretora do Senado uma representação contra Eduardo Azeredo (PSDB-MG). A tendência é de que a providência seja adotada nos próximos dias. A presidente do partido, Heloisa Helena (AL) encaminhará à Polícia Federal um pedido de acesso aos documentos do “tucanoduto”.

 

Trata-se de um esquema de financiamento ilegal da campanha do tucano Azeredo ao governo de Minas, em 1998. Beneficiaram-se também políticos vinculados à coligação do PSDB de Minas. O relatório final da PF (íntegra, com 172 páginas, aqui) concluiu que foram carreadas para as arcas de campanha de Azeredo verbas sujas coletadas pelo mesmo Marcos Valério que, em 2005, ganharia o noticiário como operador do mensalão petista. Parte do dinheiro, cerca de R$ 5 milhões, teriam sido desviados de estatais mineiras.

 

O objetivo do PSOL é o de arrastar o senador tucano para o Conselho de Ética. Deseja-se que Azeredo responda a processo de cassação do mandato por quebra do decoro parlamentar. Ouvida pelo blog, Heloisa Helena confirmou a requisição dos papéis à PF. Não especificou, porém, a data em que o partido pedirá a investigação contra Azeredo. Pode ocorrer nesta ou na próxima semana?, quis saber o repórter. E HH: “Pode ser. Antes, estamos tendo a cautela de analisar os documentos e de ponderar sobre dois aspectos.”

 

Segundo HH, o PSOL leva em conta uma questão jurídica e outra política. A jurídica: em representação anterior, o partido pediu a abertura de processo contra o senador Gim Argelo (PTB-DF), que assumiu a vaga de Joaquim Roriz (PMDB-DF). Argelo é acusado de envolvimento em malfeitorias que resultaram em desvios de R$ 1,7 milhão na Câmara Legislativa de Brasília. Ao analisar a representação, a Mesa do Senado mandou o caso ao arquivo, sob a alegação de que o Congresso não pode julgar um senador por crimes cometidos antes do exercício do mandato.

 

Em nome do PSOL, HH recorreu ao STF, pedindo que seja revista a decisão da Mesa. O ideal, diz a presidente do partido, seria que o Supremo decidisse sobre o caso Argelo antes da formalização do pedido de investigação contra Azeredo, que também responde por crimes supostamente cometidos em 1998, antes, portanto, do início do mandato do tucano no Senado.

 

Agora, a questão política que compõem a análise do PSOL: teme-se que Renan Calheiros utilize a nova representação como “moeda de troca” nos processos que responde no Conselho de Ética –um deles formulado pelo PSDB de Azeredo, em parceria com o DEM. “Não estou dizendo que o PSDB admitiria se sujeitar a esse tipo de chantagem”, diz HH. “Mas não queremos ser usados como elemento facilitador de conluios desse tipo”.

 

A despeito das ponderações de HH, a tendência é mesmo de que o PSOL represente contra Azeredo. A assessoria do senador José Nery (PA), único representante do partido no Senado, chega mesmo a informar que o pedido de investigação pode ser formulado antes de o Ministério Público enviar ao STF a denúncia contra Azeredo e outros envolvidos no “tucanotudo.”

Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Um rascunho das notícias do dia, passado a sujo

Vai abaixo um pouco do que se ouve daquilo que houve. Notícias que costumam entrar pelo olho e sair pelo olvido.

 

Cana chique: ainda não se sabe se Mônaco devolverá ou Salvaroti Cacciola ao Brasil. Sabe-se, porém, que o ex-banqueiro, beneficiado sob FHC com o Bolsa Dólar, amargará cerca de dois meses de cadeia no principado. A cana é chique. Dá vista para o mar. Ainda assim, a hospedagem oferecida a Cacciola, um ítalo-brasileiro que se julga acima da lei, é um lenitivo à platéia da pátria da impunidade. Nesta segunda-feira, soube-se que a decisão sobre o pedido de extradição de Cacciola, preso em 15 de setembro, só vai sair em meados de novembro.

 

Assalto de dentro para fora: O Banco Central informa que o volume de crédito no Brasil aumentou em agosto –2,9% em comparação com julho. Os empréstimos contraídos na rede bancária somaram no mês passado R$ 841,5 bilhões. Não é pouca coisa. Corresponde a 33,1% do PIB. Um percentual que roça o recorde registrado em janeiro de 1995: 36,8% do PIB. Acotovelam-se sob o guarda-chuva dessa estatística todos os tipos de devedores –desde empresas à procura de capital de giro até brasileiros forçados a conviver com meses maiores do que os salários. Embora em queda, os juros continuam lunares: 23,1% ao ano para as empresas; e 46,6% anuais para as pessoas físicas. Bancos convivem com dois tipos de assaltos: de fora para dentro e de dentro para fora. A cobrança de juros enquadra-se no segundo tipo.

 

Plano de Aceleração dos Comunicados: abespinhado com o noticiário que trata o seu PAC como um programa empacado, Lula acelerou pelo menos o prazo de reação governamental. Serviu-se de seu programa semanal de rádio para dizer: “Os números são mais do que positivos. Veja, os números apresentados pela coordenação geral mostram que praticamente 80% das obras do PAC estão no ritmo adequado [...].” A julgar pelo que disse Lula, as obras vão definitivamente à vitrine em 2008, não por acaso um ano eleitoral: "O PAC está andando dentro daquilo que nós tínhamos programado, ou seja, é um acompanhamento sistemático, um acompanhamento envolvendo a imprensa, envolvendo a sociedade para que o PAC comece, a partir do ano que vem, a funcionar 100% a todo o vapor."

 

Eco-semana: Prepara-se para ser assediado nos próximos dias pelo noticiário ecologicamente correto. Começa na ONU, em Nova York, um ambicioso debate acerca das preocupações globais com a deterioração do clima. Participam delegações de 150 países, inclusive do Brasil. A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) exibe no encontro dados sobre os esforços do governo brasileiro para conter as queimadas e tonificar o uso de fontes renováveis de energia. A discussão precede a abertura da nova Assembléia Geral da ONU, na qual Lula, que também voou para os EUA, vestirá um de seus uniformes preferidos: o de caixeiro dos biocombustíveis (antes, em encontro com o companheiro Bush, tenta aparar arestas comerciais). Não espere por resultados imediatos. Embora a natureza emita sinais eloqüentes de que não há Terra que sempre dure nem mar que nunca se acabe, a diplomacia, como o próprio vocábulo indica, não costuma funcionar aos trancos, mas de forma macia.

Escrito por Josias de Souza às 16h04

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As manchetes desta segunda

- JB: Lula ainda duvida da participação de Dirceu

- Estadão: Seguro-desemprego: gasto federal sobe 17,3% ao ano

- Globo: Orçamento de tecnologia dobra em dois anos

- Correio: Goiás culpa DF pelo caos no entorno

- Valor: Governo quer companhias fortes e globais, diz Dilma

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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'Fungus brasiliensis'!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Para atrair PSDB, governo admite mexer na CPMF

Estuda-se também a opção de reduzir outros impostos 

 

Lula Marques/Folha

 

Na bica de obter a aprovação da CPMF na Câmara, o governo começou a contar votos no Senado. Concluiu o óbvio: sem a ajuda da oposição, não conseguirá prorrogar o imposto do cheque até 2011, como deseja. Faltam-lhe entre seis e oito senadores para atingir 49 votos, o mínimo necessário para aprovar uma emenda à Constituição.

 

O quadro adverso fez com que Lula e seus operadores passassem a admitir, entre quatro paredes, algo que negam em público: falam abertamente em fazer concessões. Mencionam, por exemplo, a hipótese de redução da alíquota do tributo, hoje de 0,38%. Estudam, alternativamente, a idéia de reduzir outros tributos.

 

Na Câmara, a principal arma do Planalto, é a fisiologia. Trocam-se votos por verbas e cargos. No Senado, acredita-se que, além do toma-lá-dá-cá, o governo terá de negociar o conteúdo da emenda constitucional da CPMF, combinando os seus interesses com os do PSDB.

 

Lula e seus auxiliares imaginam que, cedendo no mérito da proposta, conseguirão rachar a unidade da oposição no Senado. Parte-se do pressuposto de que o PSDB, por considerar-se uma alternativa real de poder na sucessão de Lula, em 2010, está bem mais propenso a aprovar a CPMF do que o DEM.

 

De fato, a uniformidade de tucanos e ‘demos’ é frágil. No momento, as cúpulas das duas tribos estão unidas por um objetivo comum: fustigar Renan Calheiros, forçando-o a afastar-se da presidência do Senado. Mas é nítida a diferença de timbre dos líderes das duas legendas no que diz respeito à CPMF.

 

O DEM adotou em relação ao tributo um procedimento que, no jargão congressual, é chamado de “fechamento de questão”. Significa dizer que os ‘demos’ que votarem a favor da CPMF sujeitam-se à expulsão. No discurso, o PSDB também é contra a prorrogação do imposto. Mas a oratória dos tucanos soa como entreato de uma peça cujo epílogo será a negociação.

 

Nesta terça-feira (25), conforme noticiado aqui, o líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reúne-se com o líder de tucanos e ‘demos’. Estrategicamente, Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino Maia (DEM-RN) resolveram excluir a CPMF da pauta da reunião. Afirmam, em uníssono, que não é hora de tratar desse assunto.

 

Jucá vai à mesa disposto a celebrar um acordo que ponha fim à obstrução oposicionista que paralisou o plenário do Senado na semana passada. Virgílio e Agripino aproveitam o êxito do bloqueio para arrancar do governismo o compromisso de enfiar na pauta de votações projetos anti-Renan. Entre eles a abertura dos votos em julgamentos por quebra de decoro parlamentar e o fim das sessões secretas.

 

A oposição identifica no burburinho que tomou conta dos corredores do Senado uma divisão na seara governista. Já não são amistosas como antes as relações do PT com o naco do PMDB fiel ao presidente do Senado. Dos 12 senadores petistas, oito cultivariam o desejo de ver Renan pelas costas. Os expoentes do grupo são Aloizio Mercadante (PT-SP) e Tião Viana (PT-AC).

 

O descontentamento do petismo é adensado pela insatisfação do naco do PMDB que não integra a tropa de Renan. Esse grupo esperava do senador um gesto de desprendimento em retribuição ao resgate de seu mandato. Imaginava-se que, absolvido, Renan se licenciaria do cargo.

 

Renan, porém, dá de ombros: “Jamais fiz e nem faria qualquer acordo para garantir meu mandato. Mesmo porque isso seria, de certa forma, admitir ter feito alguma coisa errada. Não há, não houve e nem haverá qualquer acordo. Continuarei conduzindo os trabalhos da Casa como tenho feito desde meu primeiro mandato”, diz, sobranceiro.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Vai separar? Pense bem, para não se arrepender!

Vai separar? Pense bem, para não se arrepender!

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Vai casar? Talvez seja melhor experimentar antes!

Vai casar? Talvez seja melhor experimentar antes!

Escrito por Josias de Souza às 19h03

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Relações de Jobim com militares continuam tensas

  Fábio Pozzebom/ABr
Em público, o ministro Nelson Jobim esforça-se para passar a impressão de que estão superadas as rusgas que estremeceram suas relações com os comandantes militares. Nos subterrâneos, porém, remanescem os ressentimentos. E continua intoxicada a atmosfera no ministério da Defesa. A tensão é maior no comando do Exército.

 

Há dez dias, Jobim foi submetido a um constrangimento. Deu-se em 14 de setembro, na cidade de Manaus, em cerimônia pública. O ministro viera de Brasília, para assistir à troca de cadeiras no Comando Militar da Amazônia. Saiu o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho. Entrou o também general Augusto Heleno Pereira.

 

Os dois generais discursaram para uma platéia que, além do ministro, incluía autoridades locais e políticos vinculados à Amazônia. Nem Raymundo Nonato nem Augusto Heleno se dignaram a incluir em seus discursos uma referência ao “chefe”. Nominaram outras personalidades. Mas Jobim não mereceu uma mísera citação.

 

Além de ignorado, o ministro não foi escalado para discursar durante a cerimônia. Entrou calado. Saiu em silêncio. Foi tratado como se não houvesse passado pelo recinto. Aos políticos presentes, não passou despercebida a combinação da ausência nos discursos com presença física do ministro. O próprio Jobim comentaria depois, em privado, que a cena de Manaus fora urdida para provocá-lo.

 

As relações de Jobim com o Exército envenenaram-se desde a divulgação do livro “Direito à Memória e à Verdade”, aquele em que são relatados os casos de tortura, assassinatos e sumiço de adversários da ditadura. Os militares não gostaram do conteúdo da obra.

 

Desgostaram ainda mais do discurso feito por Jobim na cerimônia de lançamento do livro, no Planalto. Jobim dissera que não haveria quem contra a obra se insurgisse. E, se houvesse, “teria resposta”. A despeito do timbre acerbo do “chefe”, o Exército concluiu que não poderia calar. Em reunião do alto comando, discutiu os termos da reação. Acabou divulgando uma nota água-com-açúcar, cujo ponto alto foi a lembrança da existência de uma Lei de Anistia.

 

A nota foi precedida, porém, de diálogos pouco amistosos. Jobim chegou mesmo a ameaçar de demissão o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, e todos os generais do alto comando. Ensarilharam-se as armas, mas o ministro ainda não se livrou de emboscadas como a de Manaus.

 

Afora o livro de memória das atrocidades da ditadura, o Exército ainda não engoliu a promoção do capitão “desertor” Lamarca. Providência que, embora não seja debitada na conta de Jobim, ajuda a turvar o clima da Defesa. Há, de resto, um certo pé atrás dos militares em relação aos já anunciados planos do ministro de reestruturar a pasta.

 

Entre as mudanças que Jobim planeja implementar está a criação uma secretaria-geral, posto que, nas pastas civis, é o segundo na hierarquia. Embora o ministro já tenha esclarecido, em privado, que não tem a intenção de submeter os comandantes militares ao futuro secretário-executivo, a idéia de um segundo homem no ministério da Defesa, ainda que fardado, não foi, por ora, integralmente digerida pelos comandantes.

 

É sabido que insatisfação de militares se resolve com uma chefia firme. Coisa que o ministério da Defesa, desde que foi criado, ainda sob FHC, jamais teve. Já no dia da posse, Jobim tratou de demarcar o seu terreno: “Quem manda é o ministro”. É bom que seja assim. Mas talvez convenha ao ministro converter arroubos em gestos. Um comandante genuíno não precisa de arrebatamentos pueris.

Escrito por Josias de Souza às 18h00

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Boa educação é essencial aos comentaristas de blog

Boa educação é essencial aos comentaristas de blog

A professora Doralice Araújo ensina: “Muitos temem expressar opinião sobre a postagem no blog. Seja natural e simples, mas educado. Posso dizer que não gostei de algo, sem agredir. É uma questão de equilíbrio na disposição das idéias”.

 

Doralice acrescenta: “Não gostar significa não apreciar. Declare que não gostou, mas explique o motivo. Essas duas idéias se justapõem. Lembre-se: as considerações centradas nos aspectos positivos são sempre bem mais fáceis de expressar, enquanto as críticas exigirão argumentos equilibrados, porém nunca agressivos.”

 

O signatário do blog tomou conhecimento do texto da professora ao visitar o NovoemFolha, conduzido pela repórter Ana Estela de Sousa Pinto, jovem fina e educada. Aproveita para sugerir aos seus 22 leitores que não deixem de correr os olhos pelos valiosos ensinamentos de Doralice.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Maurício Correa pode ser novo advogado de Renan

Sem advogado desde a última sexta-feira (21), Renan Calheiros cogita contratar Maurício Corrêa como seu novo defensor. Corrêa diz ter tido conversas a respeito do tema com o presidente do senado. Mas alega que, por ora, não há definições quanto à contratação efetiva.

Maurício Corrêa já foi, ele próprio, senador. Sob Itamar Franco, respondeu pelo ministério da Justiça. Depois, foi alçado ao posto de ministro do STF. Aposentado, constituiu banca advocatícia em Brasília. Às vésperas da fatídica sessão em que Renan foi absolvido pela maioria dos seus pares, Corrêa redigiu um artigo em defesa do senador.

 

No texto, o advogado esforçou-se para acomodar o drama de Renan na cama. Já no primeiro parágrafo, citou Saint-Beuve: “[...] Quando o destino de uma nação está no quarto de uma mulher, o melhor lugar para um historiador é a antecâmara.”

 

Se contratado, Corrêa terá de providenciar outros argumentos para a defesa do futuro cliente. Renan lida, agora, com acusações que passam longe da alcova. A principal delas envolve a aquisição de emissoras de rádio e um jornal diário em Alagoas. Coisa feita na moita, em sociedade secreta com o usineiro João Lyra. Renan fez-se representar no negócio por laranjas. O dinheiro da transação, de origem ainda obscura, foi mantido longe dos olhares do fisco. 

 

No artigo em que saiu em socorro de Renan, Corrêa anotou um comentário que, se repetido numa sessão do Conselho de Ética ou do plenário do Senado, vai eletrificar o ambiente: “[...] O que se poderia indagar é se a conduta particular de certos personagens da vida pública nacional resistiria a tão pertinaz, insistente e torrencial campanha. Afinal, quantos não estão respondendo a ações, algumas com acusações graves, perante a Justiça? No entanto, estão aí sorrindo, felizes como se fossem imaculados. Resistiriam à metade da pancadaria que se abateu sobre o presidente do Senado?”

Escrito por Josias de Souza às 15h48

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Voto secreto preserva ‘consciência’, afirma Renan

Para o senador, 'é preciso respeitar as regras do jogo'

 

Antônio Cruz/ABr
 

 

A depender da vontade de Renan Calheiros, a emenda constitucional que acaba com o voto secreto no Congresso não vai ao plenário tão cedo. Salvo da degola graças à penumbra propiciada pela votação sigilosa, o presidente do Senado defende a escuridão congressual: “O voto secreto não foi criado por acaso. Ele tem a sua lógica na democracia [...]. Foi concebido para preservar a consciência e a liberdade do parlamentar”.

 

Que fazer, então, com as emendas constitucionais que instituem o voto aberto, guindadas pela oposição e pelo PT ao topo da agenda política? “[...] É preciso respeitar as regras do jogo e aceitar o que o Plenário decide soberanamente", desconversa Renan "O fim do voto secreto pode ser um passo no caminho de uma democracia mais robusta, mas há outros passos que precisamos dar antes. Não adianta levantar as paredes sem uma fundação que as sustente. O que precisa se por em pauta, urgente, é uma reforma política profunda”.

 

Estamos percorrendo uma entrevista que o presidente do Senado concedeu ao Correio Braziliense (só assinantes). Ele não evitou o tête-à-tête com os repórteres. Só topou responder a perguntas enviadas por escrito. A julgar pelo que escreveu de volta, não parece disposto a enfiar azeitona na empada dos inimigos. Fará o diabo para que seu próximo julgamento ocorra, de novo, no escuro.  

 

Deixará a presidência do Senado? Nem pensar. Não vê "nada de errado" em comandar a Casa ao mesmo tempo em que é "investigado" por ela. De resto, cutuca os adversários: “Inquisição e guilhotina não estão mais na moda.” Abaixo, alguns dos raciocínios de Renan Calheios:

 

Cadeira cativa: “[...] Deixar a presidência seria compactuar com as inverdades levantadas contra mim. E eu jamais abriria mão do direito de defender minha honra, de derrubar cada intriga, cada infâmia [...]. Se o Senado tivesse decidido contra mim, eu já teria arrumado minhas gavetas. Nesses mais de 100 dias, muitos de nós perdemos algo. Eu perdi mais.”

 

Como conciliar as condições de presidente e investigado? Não há nada de errado nisso. Pelo contrário. Isso é que é bonito na democracia. É se submeter a ela, aos seus ritos, aos seus desígnios, às suas exigências. Do homem público, a sociedade aprendeu a cobrar mais. Mas é preciso, também, ter cuidado. Não é aconselhável promover linchamentos. Isso é um risco muito grande para a democracia [...].”


Considera-se uma espécie de Geni da política? “A letra da música mostra que Geni foi uma injustiçada, culpada de vários males. Esse sentimento, felizmente, não me atrai, porque a justiça prevaleceu, a verdade veio à tona, a inocência foi comprovada.”


A CPMF passa no Senado? A contribuição hoje é fundamental para a manutenção do Bolsa Família [...]. Acabar com a CPMF seria, portanto, colocar em risco esse programa tão importante para as populações menos favorecidas. Acho que vai ser preciso muita engenharia da parte do governo para aprová-la, mas é possível sim. Como a correlação no Senado é muito apertada, nenhuma força ou liderança política pode ser dispensada. Penso que posso ajudar muito o debate entre governo e oposição para fazermos evoluir a CPMF, quem sabe mudando seus prazos e reduzindo alíquotas?

PS.: Como que decidido a pôr a cabeça para fora da toca, Renan foi às páginas da Folha. O jornal publica um artigo em que o senador-crise diz ser "absurda" a idéia de fechar o Senado. De resto, deu entrevista ao diário potiguar Tribuna do Norte (leia).

Escrito por Josias de Souza às 11h26

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‘Não acredito que Dirceu cometeu crime’, diz Lula

  Lalo de Almeida/NYT
Lula falou ao New York Times. Ouviu-o o repórter Alexei Barrionuevo. Estiveram juntos por 75 minutos, na semana passada. Deu-se no Planalto. Em meio às muitas platitudes que pronunciou, o presidente brasileiro saiu-se com uma defesa temporã de seu ex-chefão da Casa Civil, levado ao megabanco de réus do mensalão como chefe de "quadrilha" : “Eu não acredito que haja qualquer evidência de que o [José] Dirceu cometeu o crime de que está sendo acusado. Ele será julgado”.

À falta de melhor explicação, Lula repisou a fantástica versão segundo a qual “não sabia” do tricô que a “quadrilha” tecia sob suas barbas. Quem o traiu?, quis saber o repórter do NYT. Lula, uma vez mais, recusou-se a dizer. Fez pior. Acomodou sobre a cuca de cada servidor público um halo de suspeição: "Há centenas de funcionários ao meu redor que eu nem tenho idéia do que estão fazendo."

 

Mas os casos de corrupção não foram a tônica da entrevista. Tampouco a crise aérea. “Tais preocupações mal pareciam incomodá-lo”, anotou o repórter em seu texto, veiculado na edição deste domingo do NYT. Lula “estava otimista”. Lê-se na reportagem: Apesar das controvérsias, o índice de aprovação de Lula paira acima de 60%”.

 

Alexei Barrionuevo lista para os leitores do NYT os motivos que, a seu juízo, justificam o otimismo de Lula: “O Brasil, a maior economia da América Latina, apresentou um crescimento de 3,5% ao ano, menos do que outros países em desenvolvimento como a China e Índia, mas uma melhoria acentuada em relação aos anos 90. Os níveis de dívida e o desemprego estão em queda. As reservas estão crescendo. A inflação está a um terço do que há cinco anos”.

 

Abaixo, algumas frases de Lula:

 

Economia: "Nós estamos experimentando um momento auspicioso no Brasil [...]. O Brasil está experimentando seu melhor período econômico."


Lula X Chávez: "Nós, na América Latina, não estamos à procura de um líder. Nós não precisamos de um líder. O que precisamos é construir uma harmonia política porque a América do Sul e a América Latina precisam aprender a lição do século 20. Nós tivemos oportunidade para crescer, tivemos oportunidade para nos desenvolvermos, mas perdemos tal oportunidade. Assim, continuamos sendo países pobres."

Biocombustíveis: "Eu acredito que o mundo se renderá aos biocombustíveis [...]. Nós democratizaremos o acesso à energia. Em vez de 10 países produzindo petróleo, nós poderíamos ter 120 países produzindo biocombustíveis."

Depois de 2010: "Eu não vou fazer um programa de doutorado na Universidade de Harvard [...]. Quando eu deixar a presidência, a única coisa que quero na vida é ser tratado como amigo por todos aqueles que eram meus amigos antes de assumir o cargo."

 

PS.: Neste domingo, Lula, que acaba de chegar da Europa, embarca para os EUA.

Escrito por Josias de Souza às 10h01

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As manchetes deste domingo

- JB: Zona Sul cria milícia da elite

- Folha: 69% dos fumantes tentaram parar e não conseguiram

- Estadão: R$ 88,7 bi entram na economia até o Natal

- Globo: Milícias se infiltram em 8 batalhões da PM no Rio

- Correio: Força Nacional ocupa entorno em até 15 dias

- Valor: Comércio prevê Natal aquecido e antecipa pedidos

- Veja: A mente e o espírito

- Época: Tropa de Elite - Por que este é o filme mais quente do ano

- IstoÉ: Alcoolismo

- IstoÉ Dinheiro: O ataque espanhol ao Banco Real

- Carta Capital: Ciro e seu trombone

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 07h39

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Seres fantásticos!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 07h30

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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