Josias de Souza

Bastidores do poder

 

CPI decide divulgar o conteúdo das caixas pretas

Em reunião realizada a portas fechadas, a CPI do caos aéreo decidiu nesta terça-feira (31) que vai tornar público o conteúdo das duas caixas pretas do Airbus da TAM. Chegou-se à deliberação por consenso. A divulgação deve ocorrer amanhã.

 

Os dados das caixas pretas foram repassados à CPI nesta terça, pela Aeronáutica. Encontram-se reproduzidos num CD, recolhido ao cofre da comissão. Antes da divulgação, os deputados se reunirão com o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa (Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

 

“O encontro foi marcado para as 9h desta quarta-feira (1)”, informou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) ao blog. “Temos duas caixas pretas. Uma com as vozes e a outra com os dados do avião. Como esses dados devem estar brutos, não adianta simplesmente abrir os dados e não entendê-los. A idéia é que a Aeronáutica nos explique o que tem lá e o que cada dado daquele representa”.

 

Fruet, que participou do encontro reservado da CPI, informou o que a comissão fará depois do encontro com o brigadeiro Kersul: “Depois do encontro será feita, em conjunto, uma divulgação. Mas com uma ressalva: se no áudio, tiver algum diálogo que não tenha relação com o acidente ou alguma voz que não sirva à elucidação direta dos fatos, serão preservados.”

 

Por que optou-se pela liberação dos dados? “Estávamos diante da seguinte situação: ou não divulga ou divulga. Se for para liberar reservadamente na CPI, obviamente vai vazar. Se vazar, será um vazamento seletivo, que pode levar a distorções. Para não ficar nessa especulação, prevaleceu a idéia de divulgar tudo. O que deve ocorrer na seqüência da reunião com a Aeronáutica, provavelmente.”

 

O CD que a Aeronáutica entregou à CPI contém as seguintes informações: 1) áudio dos diálogos travados na cabine do avião nos 30 minutos que antecederam o acidente; 2) dados relativos ao funcionamento dos equipamentos do Airbus da TAM; 3) diálogos travados entre a torre de comando de Congonhas e os pilotos de diversas aeronaves que pousaram na pista principal do aeroporto entre os dias 15, 16 e 17 de julho, dia do acidente.

 

“Decidiu-se buscar o assessoramento da Aeronáutica para saber exatamente o que há no CD entregue à CPI, que nenhum deputado viu ainda, e só depois informar com segurança sobre o conteúdo”, disse Fruet. “É possível que a leitura do CD exija um software especial. A Aeronáutica ficou de trazer o equipamento necessário”.

 

Segundo Fruet, a CPI terá a precaução de esclarecer que a divulgação não significa “nenhum tipo de pré-julgamento ou de conclusão. Apenas entendeu-se que, entre divulgar e não divulgar, o melhor é optar pela transparência.” O comando da Aeronátuica é contra a divulgação do conteúdo das caixas pretas. 

Escrito por Josias de Souza às 15h42

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‘Normalidade’, ‘discernimento’ e ‘sensibilidade’

Orlandeli
 

 

É irrefreável o instinto de certos políticos de ter à sua disposição tudo o que o dinheiro –do contribuinte— pode comprar. Pilhado num ato de mordomia explícita, o deputado estadual tucano Vaz de Lima concedeu uma entrevista à coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha). Nota-se em cada palavra o extraordinário esforço empreendido por Sua Excelência para não parecer o que realmente é. Ao final, verfica-se que ele acabou sendo precisamente o que parece. Leia: 

 

Chapa branca : O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB), presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, usou um carro oficial para ir ao casamento de Sophia Alckmin e Mário Ribeiro, na noite de sexta. O veículo, um Astra preto, levou o político e a mulher Ivani ao mosteiro de São Bento, local da cerimônia. O deputado falou à coluna:

 

- O senhor usou um carro oficial da Assembléia para ir ao casamento?
Eu sou o presidente da Assembléia, era uma representação.

- Mas um casamento não é um evento oficial.
Pelo menos essa tem sido a normalidade. Não vi nada que pudesse me impedir, entendeu? Tenho meu carro, tenho tudo, mas não vi nada de irrelevante [sic] nessa história. Cada um tem que ter o seu juízo no momento.

- E o senhor não considerou isso [o uso do carro oficial] um problema?
Tanto não considerei que fui. Não vi nenhum problema. O indivíduo tem que ter discernimento. Eu tento distinguir isso da melhor maneira possível. Vou te dar um exemplo: ontem eu levei meu neto ao teatro. "Catei" meu carro e fui, claro. Não poderia ir de outra forma. Antes de ontem, teve aniversário da filha de um assessor. Fui com meu carro pessoal. É preciso ter sensibilidade.

Que diferença existe entre o aniversário da filha de um assessor e o casamento da filha do ex-governador Alckmin?
Na minha avaliação, eu iria encontrar o mundo político todo lá [no casamento de Sophia Alckmin]. Eu não imaginei que isso pudesse ser um problema.

Escrito por Josias de Souza às 11h35

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As manchetes desta terça

- Folha: Para Infraero, 2ª pista de Cumbica "não é confiável"

- Estadão: Promessa do governo para novo aeroporto dura 10 dias

- Globo: Fissuras põem também a pista de Guarulhos em risco

- Correio: Caos aéreo provoca demissão na Infraero

- Valor: Supersimples decepciona empresas e já faz vítimas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Meios alternativos de transportes!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h25

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Para Lula, ‘Jobim tirou o governo da defensiva’

  Fábio Pozzebom/ABr
O ingresso de Nelson Jobim no governo modificou o ânimo de Lula em relação à crise aérea. Para o presidente, os primeiros movimentos do novo ministro da Defesa arrancaram o governo do córner. “O Jobim tirou o governo da defensiva”, disse Lula a um auxiliar.

O presidente reagiu com menosprezo à informação de que a proeminência do novo ministro começa a provocar ciumeira no PT. Nos subterrâneos, o petismo torce o nariz para a excessiva proximidade de Jobim com o governador tucano José Serra (São Paulo). Aquilo que seu partido vê como um defeito, Lula qualifica como virtude.

 

Numa espécie de auto-elogio, o presidente vangloria-se do fato de ter nomeado Jobim sem se preocupar com o seu perfil político-partidário. Elogia-lhe a capacidade gerencial. E enxerga na amizade com Serra não um problema, mas uma solução.

 

Nesta terça-feira (31), o PT reúne sua Executiva Nacional. O aerocaos é um dos temas da pauta. Alertado a respeito, Lula comentou: “Espero que não façam nenhuma besteira”. Convidado a participar, nesta segunda-feira (30), da reunião semanal da coordenação de governo, no Planalto, Jobim fez um relato da visita que realizara a São Paulo na sexta-feira (27).

 

Rompendo a inércia do petista Waldir Pires, seu antecessor, Jobim visitara o cenário da tragédia do Airbus da TAM. Incluíra na agenda paulistana visitas a Serra, primeiro poítico a quem comunicara a decisão de ingressar no governo, e ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

 

Retornara a Brasília já decidido a defender duas sugestões que Serra e Kassab haviam feito em carta a Lula: a construção de uma terceira pista no aeroporto de Cumbica (Guarulhos) e a costura de uma parceria entre a iniciativa privada e os governos federal e estadual, para bancar uma linha de trem expresso unindo Guarulhos a São Paulo. De resto, decidira levar ao freezer a idéia, anunciada com pompa em 20 de julho, de construir um terceiro aeroporto em São Paulo. Iniciativa que Serra considerara pirotécnica.

 

Lula renovou ao ministro a carta branca que dera na semana passada, quando o nomeara. Nos próximos dias, Jobim terá, no Rio, uma reunião com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Entre outras coisas, discutirá a hipótese de envolvimento do bancão estatal de fomento na operação do trem expresso.

 

Em privado, Lula revela-se aliviado por ter, finalmente, demitido o amigo Waldir Pires da pasta Defesa. A seu juízo, Jobim já está fazendo, em poucos dias, o que Pires não fora capaz de fazer: unificar o discurso e a linha de ação dos diferentes órgãos que operam no setor aéreo. Sobretudo a Aeronáutica, a Infraero e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

 

No PT, avalia-se que Jobim foi descortês com Pires ao proferir a frase incômoda: “Aja ou saia; faça ou vá embora”. Lula, de novo, discorda. Acha que, mais do que necessária, a afirmação de autoridade do novo ministro era “indispensável”.

 

Na semana passada, Lula e parte de sua assessoria haviam flertado com a idéia de estimular os dirigentes da Anac a interromper, por meio de uma demissão coletiva, os próprios mandatos, que, pela lei, vão até 2011. Agora, o Planalto passou a considerar a providência momentaneamente desnecessária.

 

Estima-se que, como presidente de um vitaminado Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), Jobim vai ditar os novos rumos da aviação civil. Rumos que, por dever funcional, os dirigentes da Anac não poderão se furtar a seguir. O otimismo do governo encontra-se, naturalmente, pendurado na efetividade das providências recém-anunciadas. Medidas que, por ora, serviram apenas para preencher páginas de jornal e para evidenciar a inação que levou o governo ao córner do qual Lula imagina ter saído.

Escrito por Josias de Souza às 01h28

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Justiça cassa o mandato do governador da Paraíba

  Fábio Pozzebom/ABr
O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba cassou, na noite desta segunda-feira (30), o mandato do governador Cássio Cunha Lima (PSDB), reeleito no ano passado. Ele vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.

 

Porém, antes que o TSE tenha tempo de julgar a apelação judicial, Cunha Lima deve ser obrigado a transferir o cargo para o segundo colocado no pleito de 2006, o adversário José Maranhão (PMDB). Pela lei, o troca-troca precisa ocorrer assim que a decisão do TRE for publicada no Diário de Justiça.

 

Mas, afinal, o que fez Cunha Lima para merecer a poda do mandato recém-renovado? Em termos técnicos, diz-se que o governador tucano incorreu na prática de abuso do poder econômico. Em português claro: comprou parte de seus votos. Com uma agravante: usou dinheiro público.

 

Deu-se o seguinte: em plena campanha eleitoral, Cunha Lima, que disputou a reeleição sem se desligar do cargo, distribuiu 35 mil cheques a eleitores. Alega: 1) agiu dentro da lei; 2) os cheques compunham um programa de complementação de renda tocado pela Secretaria de Desenvolvimento Humano do governo da Paraíba.

 

O minúsculo PCB representou contra Cunha Lima no Ministério Público Eleitoral. Acatada, a acusação converteu-se numa denúncia à Justiça Eleitoral. O relator do processo, corregedor Carlos Eduardo Leite Lisboa, classificou a esperteza do governador como manobra eleitoreira.

 

Em julgamento que durou cerca de oito horas, o TRE condenou o tucano Cunha Lima por cinco votos contra um. Restou a impressão de que, quando quer, a Justiça Eleitoral faz o que deve ser feito. A diversão dos próximos dias será monitorar o comportamento do grão-tucanato. Quem se arriscará a pôr as penas no fogo por Cunha Lima?

Escrito por Josias de Souza às 23h43

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Detran do DF cassa a habilitação de Nelson Piquet

  Bruno Peres CBPressAE
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal cassou a carteira de habilitação de Nelson Piquet. O tri-campeão de Fórmula 1 estourou o limite de multas previsto no Código Nacional de Trânsito. Para reaver a carteira, Piquet terá de submeter-se a um curso de reciclagem ministrado por uma auto-escola credenciada.

 

Nesta segunda-feira (30), Piquet compareceu a uma das aulas de reabilitação. Estava acompanhado de sua mulher, Viviane Piquet. De acordo com o código de trânsito, a cassação da carteira de motorista ocorre em duas hipóteses: 1. quando o condutor de automóveis acumula mais de 20 pontos em multas (um a doze meses de suspensão) ou quando comete infrações de trânsito tipiticadas como “gravíssimas” –excesso de velocidade acima de 50% da autorizada na via, por exemplo.

 

Não se sabe, por ora, por que Nelson Piquet foi punido. Seja como for, a punição imposta a Piquet impõe um constrangimento também ao Detran brasiliense. Em fevereiro deste ano, o órgão levara ao ar uma “campanha educativa” estrelada pelo piloto de Fórmula Indy Vítor Meira e pelo próprio Piquet. Os dois protagonizaram a campanha sem cobrar cachê.

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Procura-se um novo presidente para a ‘Encrencaero’

Marcello Casal/ABr
 

José Carlos Pereira, comenta sua demissão iminente: "Tudo o que entra, sai".

  

Ao assumir o ministério da Defesa, na semana passada, Nelson Jobim deixara claro que mostraria o cartão vermelho ao presidente da Infraero, o ineficiente brigadeiro José Carlos Pereira (foto). Acenara com a hipótese de anunciar um substituto até domingo (29). Não conseguiu.

 

Convidado para assumir a estatal que gere os aeroportos, o ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão, nome sugerido por Lula, recusou prebenda. Funcionário de carreira do BB, Maranhão presidiu o banco estatal entre 2005 e 2006. Tornou-se, depois, diretor do Banco Safra.

 

Nos últimos dias, auxiliares de Lula vinham vazando a “informação” de que Maranhão topara trocar a bonança bancária pela tempestade aérea. Era lorota. Recebido por Jobim no domingo, ele se dispôs a ajudar. Mas não quis assumir as “manetes” da “Encrencaero”.

 

Nesta segunda-feira (30), reunido, no Planalto, com Lula e com os ministros que integram a coordenação política do governo, Jobim renovou a intenção de renovar a Infraero. Diante da recusa de Maranhão, tenta construir uma nova alternativa. Embora ainda não tenha sido comunicado oficialmente acerca do namoro de sua cabeça com a bandeja, o brigadeiro José Carlos Pereira parece conformado. Saiu-se com essa declaração: "Tudo o que entra, sai. Tudo o que sobe, desce".  

 

Discutiu-se também na reunião do Planalto o descalabro gerencial da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Lula disse aos ministros que não pretende forçar a renúncia dos cinco diretores da agência, que têm mandato até 2011. Avalia-se que o mais adequado é pressionar os diretores a dar conseqüências às medidas baixadas no âmbito do Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), um conselho presidido pelo ministro da Defesa.

Jobim, aliás, comandará nesta segunda a primeira reunião do Conac depois da dança de cadeiras na Defesa. O encontro deveria ter começado ao meio-dia. Foi, porém, adiado –primeiro para as 17h e, depois, para as 18h. Enquanto isso, os passageiros continuam a amargar atrasos nos aeroportos.

PS.: Realizada depois de duas protelações de horário, a reunião do Conac aprovou um conjunto de providências. Detinam-se a desafogar o aeroporto de Congonhas. Foram anunciadas pelo próprio ministro Nelson Jobim.

Escrito por Josias de Souza às 16h24

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Juíza manda recolher Nicolalau, de novo, ao cárcere

  Patrícia Santos/Folha
Noutros tempos, todos queriam ter uma saúde de ferro. Hoje, muitos têm inveja do ex-juiz Nicolalau. A saúde dele é, evidentemente, de plástico. Molda-se aos interesses do magano e à conveniência de seus advogados.

 

Desde que foi condenado, em maio de 2006, a 26 anos e seis meses de cana, Nicolalau tem vagueado entre sua mansão, no bairro paulistano do Morumbi, e a hospedaria da Polícia Federal em São Paulo. O vaivém se deve à saúde maleável do ex-juiz.

 

Sempre que Nicolalau é recolhido ao PF’s Inn, os advogados invocam razões de saúde para convencer os tribunais a conceder-lhe o benefício da prisão domiciliar. Foi assim, por exemplo, em janeiro de 2007.

 

Naquele mês, a pedido do Ministério Público, a juíza Paula Mantovani Avelino determinara que Nicolalau cumprisse a pena no cárcere, não em casa. Preso, o ex-juiz recorreu ao TRF de São Paulo. Alegou, por meio de seus defensores, que padecia de depressão profunda. E o tribunal mandou que a PF o levasse de volta para casa.

 

Pois bem, na última sexta-feira (27), agentes da PF detiveram Nicolalau pela enésima vez. Por ordem da juíza Paula Mantovani uma junta médica virou Nicolalau do avesso. E atestou o seguinte: o ex-juiz não padece de depressão grave, como fora alegado. O que ele tem é uma “reação depressiva” à atmosfera adversa em que se vê envolto.

 

Inconformados, os advogados de Nicolalau vão, obviamente, recorrer de novo contra o novo mandado de prisão. Façam as suas apostas: por quantos dias Nicolalau ainda desfrutará da hospitalidade do PF’s Inn?

Escrito por Josias de Souza às 15h22

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‘Cansei’ pode virar o ‘Movimento dos Sem Vitrine’

Orlandeli
 

Antes do lançamento do “Cansei”, a “elite branca” costumava combater à sombra, entremeando um bom uísque entre uma batalha e outra. Os “cansados” só decidiram desafiar a luz do Sol porque queriam dar visibilidade ao movimento. Arriscam-se, porém, a ficar sem vitrines para exibir o seu “cansaço”. Leia abaixo o que informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):  

 

MENOS DOIS - Baixa de peso no movimento "Cansei", organizado por empresários como João Doria e Paulo Zottolo, da Philips: a TV Globo e a TV Bandeirantes decidiram não ceder espaços para a veiculação de anúncios do protesto. A avaliação interna da Bandeirantes foi a de que a campanha, com slogans contra a corrupção e o caos aéreo, poderá ganhar conotação político-partidária.


PARÂMETRO -A TV Globo fez avaliação semelhante. Convidada por Jesus Sangalo, irmão da cantora Ivete Sangalo, a emissora chegou a participar de reunião do "Cansei". Concluiu que a campanha não se enquadra nos parâmetros de ações sociais, de filantropia e de cidadania necessários para que ela divulgue anúncios gratuitamente. A Globo chega a ceder o equivalente a R$ 154 milhões para campanhas de entidades como a Organização Mundial de Saúde.


APARTIDÁRIO - João Doria, que organizou eventos de arrecadação de dinheiro para a campanha presidencial de Geraldo Alckmin, em 2006, contra a reeleição do presidente Lula, nega que o "Cansei" seja contra o governo. Diz que o movimento é cívico, apartidário e sem viés político.

Escrito por Josias de Souza às 10h19

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As manchetes desta segunda

- Folha: Mudança de vôos testa capacidade de Cumbica

- Estadão: Cumbica também já opera no limite

- Globo: Manifestação contra o governo reúne milhares

- Correio: Brasil pode ficar fora da elite do transporte aéreo

- Valor: Indústria prevê forte expansão no 2º semestre

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h04

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Can$ei!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 05h57

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FAB renova equipamentos e contrata controladores

  Roosewelt Pinheiro/ABr
A Aeronáutica está renovando os equipamentos do Cindacta (
Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) de Curitiba (PR). Numa segunda fase, também o Cindacta de Recife será renovado. Simultaneamente, está em andamento um processo de seleção de 160 novos controladores de vôo. Abertas em 17 de julho, as inscrições vão até 8 de agosto.

Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso (foto), diretor-geral do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), a troca de equipamentos não se deve a deficiências no funcionamento. Ele diz: “Os equipamentos são instalados com expectativa de uso de aproximadamente 10 anos. Nós temos dois sistemas que estão na hora de trocar: o de Curitiba fica pronto em outubro deste ano. A substituição do de Recife começa a partir do término do serviço feito em Curitiba, de modo que aquele esteja pronto em outubro do ano que vem”.

 

O brigadeiro prossegue: “Em relação aos radares, todos estão em ordem. Estamos fazendo a última modernização para prorrogar o tempo de vida deles por mais 10 anos. Na parte de comunicação, estamos substituindo alguns equipamentos, que estão chegando próximo desse limite de vida útil de 10 anos”.

 

O diretor-geral do Decea concedeu entrevista ao boletim “Em Questão”, da presidência da República. Ele afirma que os atrasos que ainda conturbam a rotina dos aeroportos não decorrem de deficiências no controle de tráfego aéreo. Mas, a certa altura da entrevista, o brigadeiro termina por reconhecer que, mercê do crescimento do mercado de aviação civil, há um espaçamento maior entre as autorizações de decolagem.

 

“Temos condições de controlar todos os vôos que queiram ser realizados no nosso espaço aéreo no que se refere a consoles, radares, sistemas de comunicação”, diz Borges Cardoso. “Nossa limitação é no número de controladores que conseguimos pôr em operação simultaneamente. E isso faz com que haja espaçamento de vôos”.

 

Daí a decisão de reforçar o quadro de controladores. No portal do Comando da Aeronáutica encontra-se disponível a portaria com as instruções para o próximo exame de admissão para a carreira de controladores. Podem concorrer civis e militares. Homens e mulheres. O salário é de R$ 1.816.

 

As provas escritas serão feitas em 30 de setembro. Depois, haverá exames de aptidão psicológica e de saúde. Descritas num documento específico, as instruções para o teste de saúde incluem um exame que indica o veto da Aeronáutica à contratação de portadores do vírus da Aids. Informa-se no texto que os pretendentes ao cargo serão submetidos a uma “pesquisa de anti-HIV.”

 

Antes de começar a trabalhar, os aprovados terão de fazer um curso na EEAR (Escola de Especialistas da Aeronáutica), em Guaratinguetá (SP). Só depois de um ano de treinamento, ingressarão nos quadros da Força Aérea como sargentos, especialistas em controle de vôo. Alheia à pregação em favor da desmilitarização do controle de vôo, a Aeronáutica deixa bem claro nos seus papéis que os candidatos serão submetidos a “instrução militar”.

 

“Visa, primordialmente, incutir no aluno uma mentalidade que o leve a aceitar, com determinação, os postulados básicos da vida militar e desenvolver elevado grau de comprometimento, devoção e entusiasmo pela Força Aérea [...]. Busca-se por meio da referida instrução sedimentar no aluno os princípios basilares da instituição –hierarquia e disciplina.”

 

Segundo o brigadeiro Borges Cardoso, há no Brasil 2.500 controladores em atividade, dos quais 2.100 são militares e 400 são civis. “Colocamos as pessoas que tinham comportamento inadequado fora das áreas de controle”, diz ele. Até o final de 2008, informa o brigadeiro, a Aeronáutica espera formar “aproximadamente 600 novos controladores para assumir as funções em todo o Brasil e suprir nossa necessidade atual”.

Escrito por Josias de Souza às 19h59

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Em domingo de frio, ‘elite branca’ desce ao meio-fio

  Danilo Verpa/Folha
As únicas opiniões que o Brasil de Brasília costuma levar em conta são as do travesseiro e do espelho. Natural. O travesseiro e o espelho têm vocação para a indulgência. Aprovam tudo. Perdoam qualquer coisa.

Nos último dias, porém, uma outra opinião vem emitindo sinais de que deseja ser ouvida: a opinião pública. Ouviram-se, aqui e ali, as primeiras vaias. Neste domingo, em São Paulo, um naco daquilo que o ex-governador Cláudio Lembo chamou de “elite branca” foi à rua –6.500 pessoas, pelas contas da PM.

 

Não é todo dia que um pedaço do Brasil bem-nascido desce ao meio-fio para protestar. Essa gente vive num paraíso que Manuel Bandeira classificaria de Pasárgada pós-moderna, com grades na janela, muros altos e, por vezes, segurança privativa. Desfrutam de uma normalidade assombrosa.

 

Para apartar pessoas como essas da companhia de seus lençóis, numa manhã cinzenta de domingo, só mesmo um acontecimento desses que ferem a rotina como uma lâmina fria, só mesmo um episódio desses que fazem a vida escapar ao controle. Por exemplo: a morte, numa única explosão, de duas centenas de brasileiros – a maioria branca e bem-posta.

 

Pois bem, sob garoa fina e um frio de 11 graus, esses 13.000 pés forrados com calçados finos e tênis de grife resolveram romper a inércia, pisando o asfalto. O objetivo primordial era o de homenagear as vítimas da tragédia da TAM e os bombeiros que se esfalfaram para resgatar os corpos carbonizados. Mas, em meio ao choro e às lamúrias, ouviram-se protestos contra Lula e seu governo. Não foram poucos.

 

O Palácio do Planalto pode reagir à manifestação de três maneiras. A melhor forma de reação seria a adoção de providências que demonstrem capacidade gerencial para demover o caos aéreo. A forma inadequada seria ignorar a passeata. E a pior forma de reação seria a organização, como começam a defender os acólitos de Lula, de manifestações públicas de apoio ao governo, contrapondo os insatisfeitos ao grupo dos contentes.

 

Monteiro Lobato já denunciava a passividade do Jeca Tatu. Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, cunhou a imagem do brasileiro como o “homem cordial”. Uma imagem que arrastou atrás de si, a contragosto do autor, a famigerada interpretação de que o Brasil é um país mergulhado no doce conformismo dos países atrasados.

 

O recado embutido na passeata da “elite branca” é o de que a paciência, mesmo no Brasil, tem limites. Para além da identificação de culpados –algo que, no caso da TAM, ainda depende da conclusão das investigações—, o que se pede é um mínimo de respeito. Além de uma dose de eficiência compatível com a carga de tributos que a administração pública arranca dos bolsos alheios. Não é, convenhamos, muita coisa.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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As manchetes deste domingo

- Folha: Congresso retoma projeto para tirar poder de agências

- Estadão: Custo do funcionalismo já leva 40% dos tributos

- Globo: Apagão já ameaça energia, estradas e transportes

- Gazeta Mercantil: Vivo compra Telemig e Amazônia Celular

- Correio: Aeroportos - Dinheiro liberado a conta-gotas

- Veja: Vôo 3054 - Revelações das caixas-pretas

- Época: Medo de voar

- IstoÉ: Um Brasil indignado

- IstoÉ Dinheiro: Crise aérea - Como o caos está afetando a economia

- Carta Capital: ACM foi para o céu  

- Exame: Um país que não aprende

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Elite branca!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Jobim deu o mote para si mesmo: Faça ou vá embora

Jobim deu o mote para si mesmo: Faça ou vá embora

  Valter Campanato/ABr
A nomeação de Nelson Jobim foi a primeira boa notícia produzida pelo governo desde que estourou a encrenca aérea, há dez meses. Primeiro porque marcou o despertar de Lula para uma crise que o governo negava existir. Segundo porque Waldir Pires foi demitido. Terceiro porque o petista Paulo ‘Motim dos Sargentos’ Bernardo não foi nomeado. Quarto porque Jobim é, desde a criação do ministério da Defesa, o primeiro civil a reunir credenciais para apresentar-se aos comandantes das três Forças Armadas com a uma cara de chefe.

Sob Lula, a pasta da defesa vinha oscilando entre o impensável e o inaceitável. O diplomata José Viegas demitiu-se do cargo depois de dois vexames: a tentativa de reescrever a história justificando as atrocidades cometidas contra o jornalista Vladimir Herzog e o lero-lero acerca dos documentos sigilosos da guerrilha do Araguaia. Nessa matéria, inovou: disse que, além de o papelório em si, foram à fogueira até os registros da incineração foram à fogueira.

A “solução” José Alencar soou esdrúxula desde o nascedouro. Nunca na história desse país um presidente da República ousara nomear um ministro que, por parceiro de chapa, era indemissível. No princípio, os militares enxergaram no vice-presidente a chance de abrir os cofres do Tesouro para os seus pleitos. Mas, assim como fazia com os queixumes do vice Alencar em relação aos juros, a equipe econômica continuou “escutando” a pregação do ministro Alencar com ouvidos moucos.

 

Com a saída de Alencar, Lula inaugurou uma brincadeira desnecessária. Achou que poderia entregar o comando das Forças Armadas a políticos cassados e militantes esquerdistas. Ensaiou a nomeação de Aldo Rebelo (PC do B-SP). Seria um prêmio de consolação à derrota na briga pela presidência da Câmara. Rebelo teve o bom-senso de dizer ‘não’.

 

Foi-se, então, de Waldir Pires. Em situação de normalidade, o ministro até poderia ter sido mantido na pasta, como um fantoche, até 2010. Mas sobreveio o caos aéreo. E a inapetência gerencial de Waldir, já entrado em anos, tornou-se evidente. No instante da demissão, o ministro encontrava-se em avançado estado de decomposição política. Não foi propriamente demitido. Apodreceu agarrado ao cargo.

 

Jobim assumiu falando grosso: “Quem manda é o ministro”. Uma boa declaração inaugural para alguém que se dispôs a chefiar um setor em que, fingindo falar a mesma língua, ninguém se entende. Acenou com a troca de comando na Infraero e com a reestruturação da Anac. Mira, com acerto, em dois descalabros que têm nome e sobrenome. Chamam-se Lula da Silva, o personagem que os criou, com a omissão cúmplice até dos partidos de oposição.

 

A força do “maestro” Jobim será medida, sobretudo, pelo ritmo que ele for capaz de imprimir à orquestra da Aeronáutica. Está claro, límpido como água de bica, que o aerocaos não nasceu em setembro de 2006, quando o jatinho Legacy pôs abaixo o Boeing da Gol. O acidente apenas transformou em notícia um descontrole que, dadas as proporções que assumiu, vinha sendo construído há décadas. Ainda que o brigadeiro Juniti Saito faça cara feia, é preciso lançar um facho de luz nos porões do sistema aéreo brasileiro. Uma providência que pode avariar a tese da infalibilidade da FAB, tratada como um dogma.

 

Por ora, Jobim sobrevoa o noticiário com ares de reconstrutor. A julgar pela atmosfera de caos que o circunda, matéria-prima para o renascimento não lhe faltará. Resta pôr mãos à obra. É como diz o próprio ministro: "Aja ou saia. Faça ou vá embora". Para além da devolução do sossego dos usuários de avião, o que está em jogo é a sobrevivência de uma boa idéia: o ministério da Defesa, sob controle civil.

Escrito por Josias de Souza às 18h43

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Erro do piloto desencadeou tragédia, informa Veja

Airbus/Divulgação
 

 

A leitura das caixas pretas do Airbus A320 da TAM indica que uma falha do piloto desencadeou o maior acidente da história da aviação brasileira –199 mortos. É o que revelam os repórteres Marcio Aith, Fábio Portela e Julia Duailibi (revista Veja, para assinantes). O defeito no reverso da turbina direita do avião teve influência indireta na tragédia.

 

A encrenca começou a ser desenhada dentro da cabine da aeronave, no momento do pouso. O piloto tocou a pista de Congonhas no ponto certo e na velocidade adequada. Porém, uma das alavancas que regulam o funcionamento das turbinas –chamadas de manetes— estava na posição errada.

 

O erro fez com que as turbinas funcionassem em sentidos opostos. A esquerda contribuía para a frenagem. A direita acelerava. Por isso o Airbus não parou, chocando-se contra o prédio da própria TAM, do outro lado da avenida que margeia o aeroporto de Congonhas.

 

Os reversos são equipamentos auxiliares do sistema de frenagem. O avião poderia ter pousado com o reverso defeituoso. Desde que o piloto tivesse posicionado a manete da turbina correspondente na posição “ponto morto”. Deu-se, porém, coisa diversa. A manete foi operada como se o reverso estivesse em perfeitas condições. Por isso a turbina direita empurrou o avião para a frente em vez de contribuir para a frenagem.

 

O erro, informam os repórteres, não é inédito. Ocorrera em 1998, nas Filipinas. Repetira-se em 2004, em Taiwan. Sempre com o Airbus 320. Sempre com aeronaves que operavam com um reverso travado. Sempre em função do posicionamento incorreto das manetes. A diferença é que só no caso brasileiro houve um sacrifício massivo de vidas.

 

Por que? A resposta está diretamente relacionada à pista de Congonhas, excessivamente curta e sem áreas de escape. No acidente filipino, registraram-se três mortes. Em Taiwan, sobreviveram todos. No infortúnio brasileiro, morreram os 187 passageiros e mais 12 pessoas em solo.

 

Estima-se que a investigação completa do acidente com o Airbus da Tam só será concluída em dez meses. As conclusões expostas acima se baseiam nas primeiras análises feitas a partir da leitura dos dados das Caixas Pretas. De acordo com essa leitura preliminar, embora chovesse sobre Congonhas na hora do acidente, não houve aquaplanagem do avião nem falha no sistema de freios dos pneus. Em nota, a Aeronáutica considera "prematuras", as conclusões tiradas antes do término das investigações.

 

A despeito da ressalva, normal nesse tipo de investigação, os repórteres apuraram também que quem pilotava o Airbus no momento da aterrissagem era o comandante Kleyber Lima, considerado mais experiente do que Henrique Stephanini, que atuava como co-piloto no vôo da tragédia. Ficam no ar algumas perguntas:

 

1) O que teria ocorrido se o reverso da turbina direita estivesse em ordem? 2) Por que diabos ainda não foi providenciada uma área de escape para a pista de Congonhas, tachada de curta e perigosa por 11 em cada dez pilotos? 3) Por que razão o fabricante do Airbus ainda não aperfeiçoou uma traquitana que já havia ocasionado dois acidentes anteriormente?

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Amigo de Lula, Frei Betto destila decepção em livro

Vai abaixo artigo do repórter Clóvis Rossi (assinantes da Folha):.

 

A vaia do amigo do rei  

 

“Diz o noticiário on-line que Lula foi vaiado ontem no Nordeste, pelo segundo dia consecutivo. Como César Maia não é prefeito no Nordeste, talvez escape das acusações de ter organizado as vaias. Até porque uma vaia muito mais sólida, por escrito, saiu da pena de um dos mais próximos amigos do presidente, além de confessor da primeira-família, o dominicano Frei Betto, que passou dois anos (2003 e 2004) como assessor especial de Lula.

Saiu desiludido e conta assim a sua desilusão no livro "Calendário do Poder": "No primeiro mandato, o medo venceu a esperança. O projeto petista de nação cedeu lugar ao de eleição. Não me refiro ao medo como experiência somática, a que enrijece os músculos, crispa os nervos e desata os fantasmas que nos povoam os subterrâneos da imaginação. Falo de escolhas políticas pautadas por viciados paradigmas da República brasileira, agora refém do neoliberalismo, travando a singularidade de novos e ousados caminhos esboçados com nitidez nos textos fontais do Partido dos Trabalhadores".

"O governo Lula optou por privilegiar alianças partidárias que, por vezes, incluíram políticos notoriamente corruptos, de práticas antagônicas aos fundamentos do PT. No calor do processo eleitoral, essas alianças não se pautaram por metas estratégicas capazes de delinear o perfil de um novo país. O balaio de votos pesou mais que a utopia de construir "um outro Brasil possível".

Nem parece ter servido de lição a crise ética de 2005, tumor fétido de alianças nefastas que reduziram o contrato programático a um balcão de negócios com moeda suspeita". Contra Betto, os debilóides do lulo-petismo, incluídos intelectuais e jornalistas chapa-branca, não podem invocar a teoria da conspiração para explicar as críticas. Teoria que é apenas a maneira covarde e vil de fugir aos fatos fielmente relatados no livro.

Escrito por Josias de Souza às 12h34

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As manchetes deste sábado

- Folha: Comando da Anac articula renúncia

- Estadão: Governo articula renúncia de toda a Anac

- Globo: Órgãos não se entendem no abre-e-fecha de Congonhas

- Correio: O tamanho do estrago

- Valor: Temor de aperto no crédito leva pânico aos mercados

- Jornal do Commercio: Emergência na saúde

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Se voar o bicho pega, se rodar o bicho come!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Governo e oposição são co-responsáveis pela Anac

Governo e oposição são co-responsáveis pela Anac

  • Mares Guia indicou, Lula nomeou, PSDB e DEM aprovaram

 

Um dos mais sólidos consensos produzidos pela crise aérea é a convicção, hoje generalizada, de que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é ineficiente. Governo e oposição, unidos no coro que pede a renúncia dos gestores da agência, são parceiros na articulação que conduziu à inoperância. Em esforço conjunto, acomodaram na agência pessoas que não tinham nenhuma afinidade com o setor aéreo.

 

O caso mais eloqüente é o de Milton Zuanazzi, o presidente da Anac. Embora petista, ele foi indicado por um ministro do PTB, Walfrido dos Mares Guia (à época, Turismo; hoje, Relações Institucionais). Lula enviou o nome ao Senado. Ali, o processo de nomeação foi submetido à comissão de Infra-estrutura. Obteve o referendo de um relator tucano –Leonel Pavan (PSDB-SC)—e foi aprovado em sessão presidida por um “demo” –Heráclito Fortes (DEM-PI).

 

Havia 17 senadores presentes. Pela lei, deveriam ter crivado Zuanazzi de perguntas. Não houve, porém, um mísero questionamento. O nome foi aprovado em votação secreta – 15 votos a favor, um contra e uma abstenção. Nada fazia crer que Zuanazzi, engenheiro-mecânico pós-graduado em sociologia, seria um bom gestor da Anac.

 

Ainda assim, o relator Pavan, hoje vice-governador de Santa Catarina, recomendou-o efusivamente: “A análise curricular do indicado demonstra que ele atende plenamente as disposições [...] da lei, que define os atributos requeridos para os diretores da Anac.” O currículo indicava coisa bem diferente. Antes de assessorar Mares Guia na pasta do Turismo, Zuanazzi fora secretario do governo gaúcho, vereador e suplente de deputado federal.

 

Durante a sessão, o futuro presidente da Anac falou aos senadores sobre seus planos. Primeiro Zuanazzi definiu a Anac de modo um tanto acaciano: “Entendo que estamos aqui tratando de uma Agência Nacional de Aviação Civil, portanto, de uma agência de aviões que deve transportar civis”. Depois, pontificou sobre “o problema do setor aéreo brasileiro”. Disse que os aviões deveriam voar, “de preferência, cheios”. E vaticinou: “Quando resolvermos o problema dos aviões não-cheios, estará resolvido todo o problema da aviação nacional”.

 

O nome de Zuanazzi foi referendado pela comissão de Infra-estrutura do Senado em 12 de dezembro de 2005. Era o último dia de “trabalho” no Congresso, antes do recesso de final de ano. Na mesma sessão, foram aprovados, a toque de caixa, outros três diretores: o ex-deputado Leur Lomanto (PMDB-BA), uma indicação partidária endossada por Renan Calheiros; o coronel-aviador Jorge Luiz Veloso, sobrevivente do extinto DAC (Departamento de Aviação Civil); e Denise Abreu, afilhada do deputado cassado José Dirceu.

 

A ata da sessão encontra-se disponível no portal do Senado. Pressionando aqui, você será conduzido a um arquivo que contém a íntegra do texto. Traz os nomes dos senadores presentes. A leitura é tão enfadonha quanto obrigatória. O texto oferece ao (e)leitor uma experiência desalentadora. Os senadores escreveram nos anais do Senado as páginas de um descalabro anunciado. Sabatina não houve. Mas ouviram-se elogios até, veja você, à Infraero de Carlos Wilson (PT-SP), hoje investigada por duas CPIs, TCU, CGU, Polícia Federal e Ministério Público.

 

Embora todos tentem tirar o corpo fora, a alardeada incompetência da Anac é obra suprapartidária. O alicerce é governista, mas a oposição também sujou a mão na massa. Depois de consagrados na comissão de Infra-estrutura, os dirigentes da Anac foram aprovados, em 2006, pelo plenário do Senado. De novo, em votação secreta.

Escrito por Josias de Souza às 00h47

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Lula foge do Rio, mas vice vai ao cenário da vaia

  Ayrton Vignola/Folha
Os Jogos Pan-Americanos terminam no próximo domingo (29). Haverá uma cerimônia no Maracanã. Lula não deve dar as caras. Segundo o ministro Orlando Silva (Esportes), a agenda do presidente, apertada, impediria a presença dele. Lorota.

 

O que afugenta Lula do Rio é o eco dos seis implacáveis coros de vaia com que Sua Excelência foi brindado na abertura do Pan, há 14 dias. Alheio aos zumbidos, o vice-presidente José Alencar decidiu desafiar o humor azedo dos cariocas.

 

Alencar viaja para o Rio na próxima segunda-feira (30), um dia depois do término do Pan. A convite do Conselho Superior de Integração Social da universidade Estácio de Sá, o vice fará uma palestra, às 12h30, no hotel Copacabana Palace.

Escrito por Josias de Souza às 19h46

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DEM vai à Justiça para tentar depor cúpula da Anac

  Roosewelt Pinheiro/ABr
O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, anunciou nesta sexta-feira uma investida judicial contra a diretoria da Anac. O partido ingressou com uma ação popular questionando a competência técnica dos atuais dirigentes da Agência Nacional de Avião Civil. Pede que sejam afastados.

 

O DEM alega que houve desrespeito à lei que criou a agência (11.182), em 2005. Pelo texto, exige-se de um diretor da Anac formação universitária e notória especialização na seara da aviação civil, algo que os atuais diretores não tem.

 

A iniciativa do DEM chega tarde. A cúpula da Anac já ensaia uma debandada em massa. De resto, é preciso que o partido responda a pergunta incômoda: por que permitiu que os incapazes fossem alçados a postos tão importantes sem impor a eles questionamentos mínimos na sabatina realizada no Senado?

 

Os nomes dos diretores da Anac, entre eles o do presidente Milton Zuanazzi, foram submetidos à comissão de Infra-Estrutura do Senado em 15 de dezembro de 2005. Presidia a comissão um senador demoníaco: Heráclito Fortes (DEM-PI). Sob Fortes, a sessão tornou-se um espetáculo de fracos. Aprovaram-se todos os nomes. Aquilo que deveria ter sido uma sabatina acabou se transformando num autêntico chá de comadres.

Escrito por Josias de Souza às 19h14

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Diretoria da Anac está na bica de pedir demissão

  Lula Marques/Folha
Nelson Jobim, o novo ministro da Defesa, está prestes a receber uma fantástica notícia: a ineficiente diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) deve pedir demissão coletiva. A boa nova pode ser anunciada na próxima reunião semanal da agência, prevista para terça-feira (31) da semana que vem.

O cheiro de afastamento passou a exalar da Anac depois que o Planalto deu o primeiro empurrão. Aprovados pelo Senado, os dirigentes têm mandato até 2011. Mas Lula mandou dizer, nos subterrâneos, que enxergaria uma eventual debandada como inestimável favor ao país.

 

Dos cinco dirigentes da Anac, cinco pendem para a demissão. Inclusive seu presidente, Milton Zuanazzi (foto). Só Denise Abreu, ligada ao deputado cassado José Dirceu ainda resiste a largar o osso. Confirmando-se a limpeza de terreno, Jobim ficará livre para reestruturar a agência.

 

Dois nomes despontam na lista de cotados para assumir o controle da Anac. O primeiro é o brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery. Trata-se do ex-presidente do extinto DAC (Departamento de Aviação Civil), cuja estrutura foi incorporada pela Anac. O outro é o ex-ministro Ozires Silva, que já presidiu a Embraer e a Varig.

Escrito por Josias de Souza às 17h20

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No Nordeste, Lula continua liberando verbas do PAC

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Nunca na história desse país um presidente da República fez tanto esforço para mudar de assunto. Em viagem pelo Nordeste, Lula tenta, pelo segundo dia consecutivo, injetar temas novos num noticiário tomado pela encrenca aérea.

 

Nesta sexta-feira (27), Lula voltou a abrir os cofres do PAC (lembra dele?). Liberou R$ 568 milhões para obras de urbanização de favelas e de saneamento em 12 municípios do Rio Grande do Norte. Somando-se ao que anunciara na véspera –R$ 400 milhões em Sergipe e R$ 316,8 na Paraíba— e ao que ainda vai anunciar nesta sexta –R$ 365,2 milhões no Piauí— chega-se R$ 1,65 bilhão.

 

Em Natal, de novo, Lula arrostou um protesto de servidores públicos. Deu-se do lado de fora do Centro de Convenções da capital potiguar, longe dos olhos do presidente e de sua comitiva. Acompanhados dos ministros Márcio Fortes (Cidades) e Dilma Rousseff (Casa Civil), Lula discursou ao lado da governadora Wilma Faria (PSB).

 

Citando um prefeito presente à solenidade, Lula concordou com ele: “Nem todo mundo gosta de fazer obra que enterra o dinheiro debaixo da terra. É uma cultura. É muito melhor fazer uma ponte, um viaduto. Uma coisa que fica visível. Aí você escolhe logo o nome de um parente e coloca um nome. Ponte Lula. Ponte Wilma. Ponte Dilma. Ou seja, é um pouco da pequenez política.''

 

Desgraçadamente, a grande obra da gestão da aliada Wilma de Faria é, veja você, uma ponte. Liga a zona Norte à zona Leste de Natal. Está orçada em R$ 220 milhões.

Escrito por Josias de Souza às 16h36

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Jobim visita Congonhas, cenário da última tragédia

  Rogerio Cassimiro/Folha
O signatário do blog está com pena do Glauco e Angeli. Perto da imagem ao lado, qualquer caricatura do novo ministro da Defesa parecerá uma foto das mais convencionais. Decorridos dois dias da posse, seria precipitado dizer que a Defesa ganhou, enfim, um chefe. Mas se o segredo do sucesso for a pose, não faltará matéria-prima a Nelson Jobim.

 

Acomodado no centro do caos, o ministro não tem futuro. O futuro dele é hoje. Que fará para devolver a normalidade aos aeroportos? É esta, por ora, a única questão. Nesta sexta-feira (27), Jobim esteve na pista de Congonhas, palco da tragédia.

 

Depois, foi ao prédio contra o qual o Airbus da TAM se chocou. Ali, o ministro protegeu o juízo com um capacete do Corpo de Bombeiros. Caiu-lhe bem. Não deveria livrar-se mais dele. Nem para dormir. Nas pegadas da visita de Jobim, a pista principal de Congonhas foi reaberta, "refechada" e "re-reaberta". 

Escrito por Josias de Souza às 11h53

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As manchetes desta sexta

- Folha: - Mercados caem; risco-país sobe 21%

- Estadão: Filas serão o preço de mais segurança, avisa Jobim

- Globo: Jobim assume e Tarso agora manda investigar aeroportos

- Correio: "Aja ou Saia"

- Valor: Temor de aperto no crédito leva pânico aos mercados

- Estado de Minas: Fila é o preço da segurança

- Jornal do Commercio: Justiça ordena a volta dos médicos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h31

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Em manutenção!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h23

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Funcionários públicos em greve vaiam Lula em SE

  Sérgio Lima/Folha
Não chegou a ser um novo “maracanaço”. Mas todo mundo ouviu. Lula foi vaiado. De novo. Deu-se em Aracaju (SE), nesta quinta-feira (26), quando são decorridos apenas 14 dias desde os apupos que constrangeram o presidente na abertura do Pan. Dessa  vez, as vaias foram entoadas por funcionários públicos em greve. Gente do Incra e do Ministério da Cultura.

 

Lula foi à capital sergipana para anunciar a liberação de cerca de R$ 400 milhões para obras nas áreas de habitação e saneamento. Falou em ambiente fechado. Só entraram convidados. A barulheira, produzida por um grupo de cerca de 40 pessoas, veio de fora.

 

Uma claque lulista, majoritária, entrou em cena. Fez o que pôde para abafar o zunido. Não deu. É do jogo. Vida que segue. Não há em Aracaju nenhum Cesar Maia à mão. Mas sempre se poderá atribuir as novas vaias a uma orquestração de sindicalistas aloprados.

 

Curiosamente, Lula decidira inverter seu calendário de viagens justamente para evitar surpresas do gênero. Antes, iria para Porto Alegre, cidade de onde partiu o Airbus da tragédia da TAM. Preferiu voar para o Nordeste. Ali, encontrou o que Drummond chamaria de uma pedra no caminho. Uma pedra barulhenta. De Sergipe, Lula rumou para a Paraíba. Liberou mais R$ 316,8 milhões e subiu no palanque.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Tarso 'atropela' Anac e investiga companhias aéreas

  Wilson Dias/ABr
Por ordem do ministro Tarso Genro (Justiça), a SDE (Secretaria de Direito Econômico) montou uma força tarefa para fiscalizar as empresas aéreas. O objetivo é detectar e punir falhas no atendimento aos passageiros. A ação se concentrará em dois aeroportos: e de Brasília e o de Cumbica (Guarulhos).

 

Em tese, caberia à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) fiscalizar as empresas. Há dois dias, a agência chegou a baixar uma resolução determinando às companhias a mobilização de funcionários em quantidade suficiente para prestar aos usuários de avião informações precisas sobre atrasos e cancelamentos de vôos. Em privado, Tarso considerou a providência tímida.

 

Nesta quinta-feira, sob a coordenação da SDE, montou-se na pasta da Justiça a força tarefa que será despachada para os aeroportos de Brasília e de Cumbica. Integram-na agentes da Polícia Federal, técnicos do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor), e representantes dos Procons de São Paulo e Brasília.

 

Se confirmadas, as falhas no atendimento aos usuários vão resultar na expedição de “autos de constatação”. São documentos que permitem ao Ministério da Justiça abrir processos administrativos contras as companhias aéreas. Eventuais processos serão conduzidos pela SDE, que pode multar as empresas em até R$ 3 milhões.

 

Os procedimentos do ministério da Justiça baseiam-se no Código de Defesa do Consumidor e na legislação que rege o setor aeronáutico. Determinam que as empresas devem prover à sua clientela informações precisas e, quando for o caso, hospedagem, transporte e alimentação de passageiros submetidos a atrasos e cancelamentos de vôos. Como se vê, o governo começa, finalmente, a descruzar os braços. Porém, demorou

Escrito por Josias de Souza às 17h43

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‘Maestro’ Jobim diz que orquestra tem que funcionar

Nelson Jobim ainda está tomando pé da situação, como se diz. Ainda não anunciou nenhuma providência para atenuar a atmosfera de caos à sua volta. Já produziu, porém, ótimas metáforas.

 

Nesta quinta-feira (26), o novo titular da Defesa comparou os órgãos sob jurisdição a uma orquestra. Avocou para si o papel de “maestro”. E, para Lula, o de “compositor”. Pontuou: “Não pode haver comando fora de regência.”

 

A imagem esboçada por Jobim não poderia ter sido mais adequada. Lula é mesmo um extraordinário compositor. O presidente compõe com todo mundo. Compõe com o PMDB e com o PT. Compõe com o PP com o PR. Compõe com esse e com aquele.

 

Veja-se o caso da Anac. O que é aquilo senão uma composição do Planalto com o PT? Uma vez nomeado, Milton Zuanazzi, queridinho de Walfrido Mares Guia e Dilma Rousseff passou a levar a coisa na flauta. Foi seguido por toda a direção da agência. Tome-se agora o exemplo da Infraero. Ali, acomodou-se o petista Carlos Wilson. Ele e sua equipe exibiram um gosto inaudito por outro instrumento: a gaita.

 

Sob Lula, a orquestra aérea dançou conforme a música do Planalto. Deu em desafinação, inquéritos, processos e CPIs. Escalado para começar tudo do zero –da capo, como dizem os músicos—, convém ao novo maestro da Defesa pegar na mão do chefe na hora em que ele for levar à partitura as próximas colcheias, semínimas e mínimas. Do contrário, a orquestra continuará executando o seu vôo cego.

 

Jobim segura a batuta munido das melhores intenções. Disse, por exemplo, que a segurança vem adiante do conforto dos passageiros. Discursando ao lado de Waldir Pires, regido pela crise durante arrastados dez meses, o maestro disse que é hora de agir. Ensinou: "Aja ou saia. Faça ou vá embora." Quem será o próximo?

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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STF começa a julgar mensalão no dia 22 de agosto

  • Tribunal reserva sessão de 3 dias para analisar denúncia 

  Folha
A presidente do STF, ministra Ellen Gracie (foto), marcou para o dia 22 de agosto o início da sessão que analisará a denúncia do Ministério Público contra a “organização criminosa” do mensalão. O Supremo terá de decidir se abre ou não processo contra as 40 pessoas denunciadas pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza.

 

Será a sessão mais longa já realizada no STF. Vai durar pelo menos três dias. Ellen Gracie reservou para o colega Joaquim Barbosa, relator do caso, três dias: de 22 a 24 de agosto. Cada sessão pode durar por até cinco horas. Se não for o bastante, outros dias serão reservados. O tribunal deseja resolver a questão antes do término do próximo mês.

 

Prevê-se que a  sessão será demorada porque, além da complexidade do processo, os advogados  dos 40 denunciados têm direito de fazer a defesa oral de seus clientes. Cada um vai dispor de 15 minutos.

 

A denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza foi protocolada no Supremo em março de 2006. Representa, na prática, um pedido do Ministério Público para que o STF abra um processo contra a “quadrilha” do mensalão. O que os ministro do Supremo vai dizer é se o caso deve ir ao arquivo ou se justifica mesmo a abertura de um processo judicial.

Se a denúncia for transformada em processo, como deseja o Ministério Público, os 40 envolvidos passam da condição de denunciados à de réus. Inicia-se, então, um processo que lento e demorado. Tão demorado que não se exclui a hipótese de que acabe em prescrição.

Seja como for, o “mensalão petista” pelo menos já se encontra no Supremo. Coisa bem diferente vem ocorrendo com o “mensalão mineiro”, aquele caso surgido nas pegadas do escândalo principal, em 2005. Deve-se à repórter Andréa Michael (assinantes da Folha) o último texto com novidades sobre os fantasmas que assombram o senador tucano Eduardo Azeredo (MG), ex-presidente do PSDB.

 

“A Polícia Federal informou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que recursos de origem pública e privada, não declarados à Justiça Eleitoral, foram usados na campanha do hoje senador Eduardo Azeredo em 1998, quando ele tentou se reeleger governador de Minas Gerais”, anota a reportagem de Michael.

 

“A irregularidade”, prossegue o texto, “aparece em relatório do inquérito no qual a PF investigou o chamado "mensalão mineiro", encaminhado ao procurador-geral no dia 6 de julho. Os recursos não declarados, segundo a PF, foram movimentados por uma engenharia financeira que teria sido montada por Marcos Valério Fernandes de Souza. Também haveria participação do então tesoureiro da campanha tucana, Cláudio Mourão”.


Para os investigadores, há nos autos provas que justificam a denúncia ao STF. Aguarda-se pela decisão do procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Até lá, Azeredo guarda obsequioso silêncio: "Aguardarei a manifestação do procurador-geral e me defenderei na Justiça, no momento oportuno."

Escrito por Josias de Souza às 15h09

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As manchetes desta quinta

- Folha: "Quando viajo, entrego a Deus, diz Lula"

- Estadão: Jobim assume a Defesa e critica falta de comando.

- Globo: Jobim diz que quem manda é ele e vai mudar sistema aéreo

- Correio: Pires cai, Lula reza, Jobim promete comando...

- Valor: Jobim assume Defesa e promete "comando"

- Jornal do Commercio: Governo reage e enfrenta médicos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 09h56

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Pouso!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 09h50

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No dia da posse de Jobim, TCU aprova devassa aérea

Apu Gomes/Folha
 

 

Reunido em sessão plenária no mesmo instante em que Lula dava posse ao novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, o TCU aprovou a realização de uma devassa no setor aéreo. A auditoria alcançará das deficiências do controle de tráfego aéreo à desarticulação entre os órgãos públicos incumbidos de gerir o setor aeroportuário.

 

Decidiu-se incluir também na mega-auditoria auditoria do Tribunal de Contas da União uma avaliação da reforma na pista principal do aeroporto de Congonhas. Foi liberada para pousos e decolagens em 29 de junho. Encontra-se interditada desde 17 de julho, dia do acidente com o Airbus da TAM.

 

A inspeção do tribunal terá como ponto de partida o resultado das investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal e pela Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Só nesta quarta-feira (25) –nove dias depois do acidente—, começaram a ser abertas as ranhuras que compõem o sistema de drenagem da pista.

 

Em empossar Jobim, o próprio Lula reconheceu a desconexão entre os órgãos que compõem o setor aéreo. “[...] Precisamos aproveitar o momento para fazer com que tenham uma única cabeça pensante, que decida.” Depois, em sua primeira entrevista como ministro, Jobim diagnosticou falta de comando. Disse que, doravante, é o ministro quem vai mandar”.

 

Simultaneamente à tentativa de Jobim de impor sua autoridade, os técnicos do TCU estarão inspecionando os seguintes órgãos: Ministério da Defesa; Comando da Aeronáutica; Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil); Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo); Anac (Agência Nacional de Aviação Civil); e Infraero.

 

O objetivo, segundo o texto aprovado pelo plenário do TCU, “é verificar de que maneira possíveis falhas relacionadas a questões de planejamento, coordenação e articulação, no âmbito das instituições envolvidas no gerenciamento e regulação do sistema aéreo no Brasil, poderiam estar repercutindo de maneira negativa na segurança dos aeroportos.”

 

Entre os tópicos que serão investigados está a composição da malha viária. Deseja-se verificar por que as decisões governamentais permitiram que as companhias aéreas sobrecarregassem determinados aeroportos, como Congonhas, e mantivessem subutilizados muitos outros, como o de Viracopos (Campinas). Suspeita-se que o governo tenha cedido aos interesses das empresas, em detrimento da segurança dos pousos e decolagens.

 

No momento, o TCU já realiza uma auditoria na estrutura de controle de tráfego aéreo. O relator é o ministro Benjamin Zymler. Os novos procedimentos serão incorporados a essa auditoria. O aumento do escopo da investigação foi aprovado pelo tribunal por sugestão do ministro Augusto Nardes. O mesmo ministro que apontara, em relatório aprovado em dezembro de 2006, o bloqueio de verbas públicas como uma das causas do caos aéreo.

 

Pelas contas do tribunal, expostas no relatório de Nardes, a tesoura do Ministério da Fazenda podara, em três anos, R$ 522 milhões que deveriam ter sido aplicados no setor aéreo. O texto aprovado nesta quarta-feira pelo tribunal anota:

 

“A escassez de investimentos em infra-estrutura aeroportuária, aliada à necessidade de ampliação e modernização dos aeroportos, além da imperiosa urgência de renovação e aquisição de equipamentos e sistemas informatizados atinentes ao controle do tráfego aéreo, são fatores que, certamente, contribuíram para a evolução da crise a um estágio que considero inaceitável”.

Escrito por Josias de Souza às 01h15

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Waldir diz a Lula que há uma 'sanha para atingi-lo'

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Antes de dar posse a Nelson Jobim, Lula reuniu-se com Waldir Pires. Ouviu dele o seguinte: “Presidente, há uma sanha para atingi-lo. Novamente se movem para atingir o senhor e seu governo. É a mesma sanha de sempre. E desta vez me usam para este fim”.

 

Deve-se ao repórter Bob Fernandes a descoberta do que vai na alma de Waldir depois da perda do cargo. “Houve uma tragédia, é um momento de dor imensurável das famílias, é um momento de grande dor para todos nós. Mas nada disso se leva em consideração. A sanha, o desejo de atingir o presidente e seu governo é o mesmo de sempre”, disse ele em entrevista.

 

Como ministro da Defesa, Waldir tinha sob seu comando, em tese, o Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), a Infraero e a Aeronáutica. A despeito disso, acha que não tinha “atribuição alguma, poder algum sobre o setor aéreo”. Daí a convicção de que foi usado como escada por aqueles que desejam escalar a jugular de Lula.

 

Embora Waldir não dê nome aos bois, insinua que os aproveitadores da tragédia são aqueles que ainda não se conformaram com o resultado da disputa presidencial de 2006, “essa eleição que não querem terminar nunca”.

 

Para o ex-ministro, o acidente da TAM voltou a açular “essa sanha que retorna a cada episódio, ainda que sob o disfarce de crítica a isso ou àquilo, ainda que sob o disfarce das boas intenções”. Ao deixar o governo, declara-se preocupado com “essa insânia que não aceita a decisão do povo, que não respeita de verdade as instituições democráticas”. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 22h43

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Anac volta a liberar venda de bilhetes em Congonhas

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) baixou há pouco uma portaria que libera, a partir da próxima segunda-feira (30), a venda de passagens aéreas para aviões partindo do aeroporto de Congonhas. Algo que havia proibido na véspera. Para justificar a liberação, a Anac anota na nova portaria que “a operacionalidade” em Congonhas indica tendência de “normalização nos próximos dias”. Estima que “a regularização da demanda reprimida de passageiros em São Paulo poderá ser atendida até o dia 29 de julho”, domingo.

Escrito por Josias de Souza às 19h43

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Jobim: Decisão sobre Infraero sai até fim de semana

  • Novo ministro não exclui hipótese de mudar lei da Anac

  Fábio Pozzebom/ABr
Em sua primeira entrevista coletiva como ministro da Defesa, Nelson Jobim afirmou que decide até o final de semana sobre eventuais mudanças no comando da Infraero. Deixou em aberto, sem fixar prazos, a hipótese de mexer também na estrutura da Anac, cujos dirigentes, pela lei, são indemissíveis. Não excluiu a hipótese de propor mudanças na legislação.

Segundo Jobim, a estruturação do setor da aviação civil seguiu o modelo de outras áreas afetadas pelo processo de privatização. Instituiu-se a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), na sua opinião, para que ela fizesse a intermediação dos interesses dos usuários e das companhias aéreas, enquanto a Infraero trataria dos problemas relacionados à infra-estrutura aeroportuária.

“Esse modelo funciona?”, questionou Jobim. “É a pergunta que estou me impondo. Darei a resposta no momento oportuno. Qualquer coisa que eu dissesse agora seria puramente impressionista”. A julgar pelo caos que se estabeleceu no setor áreo, a resposta à pergunta que o ministro faz a si mesmo é um sonoro não. Algo que Jobim, embora não tenha antecipado as providências que planeja adotar, parece não ignorar.

Pretende alterar a legislação do setor, inclusive a lei que instituiu, em 2005, a Anac? Jobim esclareceu que, no que diz respeito à Constituição, não há o que mudar. Quanto às leis infraconstituicionais, deixou a porta aberta: “Se houver necessidade dessas mudanças, elas decorrerão de um debate que se travará dentro dessa estrutura. Todas essas estruturas foram feitas para ter resultados. Precisa ter resultados. No momento oportuno, havendo essa necessidade, nós encontraremos a formula”.

 

Jobim disse que tentará “estabelecer formas” para que o atual modelo do setor “desapareça”. Quer voltar “ao sistema que tínhamos antes do acidente da Gol [ocorrido em setembro do ano passado].” Sua meta é obter uma “estrutura aeroportuária satisfatória”. Algo que, segundo suas palavras “Demanda trabalho, não achismos”.

 

O ministro diz que encontra-se na fase do diagnóstico. Mas já fixou alguns parâmetros. Quanto ao perfil dos ocupantes dos cargos do setor, afirmou: “Em qualquer circunstancia, nessa situação, só nomes técnicos”. Afirmou que suas decisões, sejam elas quais forem, “não serão partidarizadas”.

 

Por que aceitou o cargo de ministro depois de duas recusas? “A minha mulher achou que eu devia aceitar”. Quando o caos aéreo será resolvido? “Não posso afirmar a cronologia. Aprendi com Ulysses Guimarães que o tempo não perdoa o que a gente faz sem ele”. Como resolver o problema da duplicidade de comando no setor aéreo? “Quem manda é o ministro”.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

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‘Vamos gastar o que for preciso’, diz Lula a Jobim

  Jamil Bittar/Reuters
Ao dar posse a Nelson Jobim, novo titular da pasta da Defesa, Lula produziu a mais enfática reviravolta retórica do governo diante da crise aérea. De saída, reconheceu, sem os costumeiros subterfúgios, o óbvio: “Temos uma crise no setor aéreo brasileiro”. Encomendou ao novo ministro o que o antigo, Waldir Pires, não foi capaz de prover: “Uma resposta contundente” aos problemas. E assegurou a Jobim algo essencial: dinheiro.

 

“Você Nelson, vai ter mais sorte do que o Waldir porque nós, agora, vamos brigar muito mais para que o Guido [Mantega, ministro da Fazenda] e o Paulo Bernardo [ministro do Planejamento] sejam mais flexíveis. Não apenas por causa da tragédia. É porque ao longo da crise fomos descobrindo falhas que precisamos corrigir [...]. a partir de agora, é fazer o que precisamos fazer, com a força que precisamos fazer, gastando o que precisar gastar”.

 

Lula abordou em seu discurso um outro flagelo que vem dificultando a resolução da crise aérea: a ausência de unidade entre os diversos órgãos que cuidam do setor. “Hoje, temos a Aeronáutica, a Anac, o Conac, o ministro da Defesa, a Infraero. Um conjunto de instituições que precisamos aproveitar o momento para fazer com que tenham uma única cabeça pensante, que decida”.

 

O presidente foi além: “Estou dizendo, categoricamente, que é preciso repensar nesse país o ministério da Defesa. O ministério, tal como ele está, está aquém daquilo que é a exigência da sociedade brasileira. É preciso que a gente tenha um ministério da Defesa com a força suficiente para fazer as mudanças que precisam ser feitas”.

A pedido de Waldir Pires, Lula transformou uma demissão em afastamento a pedido: “Certamente haverão aqueles que irão dizer que o companheiro Waldir está saindo por causa da crise aérea, por causa da tragédia da TAM. Esse fato, na verdade, permitiu que você tomasse uma decisão de pedir o afastamento. Mas a troca de ministro nem sempre acontece só por isso, mas pela conjuntura, de momentos que vive o país. Você pode andar em qualquer rua desse país de cabeça erguida”.

Quanto à apuração do acidente que vitimou cerca de 200 brasileiros, há uma semana, Lula condenou as precipitações: “Nós, que temos juízo, não podemos usar tragédias como essa em coisas menores. E condenar pessoas à pena de morte antes da apuração. Mas isso faz parte da cultura brasileira. Primeiro condena e depois analisa e julga”.

De resto, tratou de dividir a encrenca com gestões anteriores. Disse que os problemas do setor aéreo “provavelmente já existiam” antes do governo dele. “Vieram à tona a partir do acidente do jatinho Legacy com o avião da Gol”, em setembro do ano passado. “Todas as pessoas acompanharam seqüência de acontecimentos que foram criando os problemas e deixando todos nós de cabelos um pouco mais brancos nesses últimos dez meses”.

 

Lula confessou-se “um medroso de andar de avião”. Disse que, sempre que voa, entrega “a sorte a Deus”. Se pudesse, afirmou, pediria a Deus que a tragédia da TAM fosse o último acidente aéreo do planeta. “Não será. Deus queira que não seja no Brasil que aconteçam outros acidentes. Mas pode acontecer”. O presidente tem razão. Novos acidentes, obviamente, vão acontecer. Aqui e alhures. O que se espera é que o próximo encontre o governo menos desaparelhado. Por sorte, parece que Lula, finalmente, se deu conta de que, noves fora a ajuda divina, os homens públicos precisam dar uma mãozinha a Deus.

Escrito por Josias de Souza às 17h00

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Avião da FAB perde naco da fuselagem em pleno vôo

Fotos: Leôncio Silva
 

 

Deu-se na tarde de terça-feira (24). Um Boeing 707 da FAB transportava estudantes do Projeto Rondon. Sobrevoava o município de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Súbito, um pedaço da fuselagem, que revestia uma das turbinas, despencou. O piloto deu meia-volta e conseguiu pousar a aeronave. Não houve feridos. Os protagonistas da cena levaram à internet as imagens do susto (veja). Não há dúvida de que a bruxa está solta. O que espanta é que, incansável, ela não parece disposta a recolher a vassoura ao hangar.

 

Escrito por Josias de Souza às 16h20

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Waldir não foi demitido, entrou em decomposição

 

Demoroooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooou!!! Lula tem um método peculiar de trocar ministros e funcionários graduados do governo. É um processo caoticamente meticuloso. Ele pensa duas vezes. Três. Quatro. Cinco... Analisa nomes alternativos. Ouve os amigos. Depois, decide não decidir. Mantém nos cargos os candidatos à demissão. Repete o procedimento várias vezes. Súbito, quando não há mais alternativa, a decisão está tomada. E o presidente limita-se a homologá-la.

 

Veja-se o caso de Waldir Pires. Não foi demitido. Definhou no cargo. O indefeso ministro da Defesa deixa a Esplanada em avançado estágio de decomposição política. Junto com ele, vão ao esquife outros insepultos cadáveres administrativos –o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, por exemplo.

 

Durante dez meses, o presidente da República vinha sendo convidado a gerir a crise aérea. Depois da tragédia com o Airbus da TAM, passou a ser presidido por ela. Lula faz por pressão o que não fizera por obrigação. Anuncia decisões tomadas pelas circunstâncias, à sua revelia.

 

A ascensão de Nelson Jobim resolverá o problema? Antes de responder, é preciso anotar uma consideração: um poste na Defesa teria mais mobilidade do que Waldir Pires. Ou seja, Jobim tem a seu favor o efeito comparação. Mas, de novo, vai resolver? Depende mais de Lula do que do novo ministro.

 

A crise aérea não caiu do céu. Trata-se de uma encrenca comprada a prazo, em governos anteriores. Depois de contirbuir para o aumento do passivo do setor, Lula está sendo intimado a resgatá-lo a vista. O primeiro passo é o reconhecimento da dívida. Algo que o governo ainda nao fez. Em seguida, para retirar o setor aéreo do buraco, Brasília precisa parar de cavar. Depois, terá de jogar dinheiro sobre a cratera. Muito dinheiro. A boa notícia é que, por ordem do presidente, o governo começou a fazer as contas. Melhor: decidiu socorrer-se de verbas privadas.  

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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Jobim cede a apelo de Lula e vai à pasta da Defesa

  Alan Marques/Folha
Vai abaixo, por relevante, um extrato da reportagem de Renata Lo Prete (assinantes da Folha), veiculada nesta quarta-feira (24):

“O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim (PMDB) aceitou na noite de ontem o convite para assumir o Ministério da Defesa em substituição a Waldir Pires (PT), desgastado por dez meses de crise aérea e pelo acidente com o Airbus-A320 da TAM que matou quase 200 pessoas na terça-feira da semana passada. O anúncio será feito hoje.


Foi a terceira abordagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Jobim desde a tragédia em Congonhas. Nos dois primeiros convites - feitos em março e na semana passada -, ele recusara a proposta. Antes de dizer sim, Jobim ouviu de Lula que terá liberdade para fazer as mudanças que considerar necessárias na Infraero e na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A estatal e a agência reguladora estão no centro do transtorno vigente nos aeroportos desde o acidente com o Boeing da Gol, em outubro passado.


Aliados de Jobim consideram que, embora pouco "jeitoso" para se movimentar num setor conflagrado, o ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso tem a qualidade de se aprofundar nos assuntos a que se dedica, o que poderá ser útil em suas novas atribuições. A pressa de Lula para fazer a troca no Ministério da Defesa explica-se pela necessidade de encontrar um nome capaz de gerenciar e acompanhar o pacote emergencial lançado para Congonhas na sexta-feira passada, após o acidente.


Para o presidente, seria necessário nomear rapidamente um gestor permanente para traçar os próximos passos, como a definição do local para funcionar o novo aeroporto de São Paulo (além de Congonhas e de Cumbica), daqui a 85 dias. Até ontem, o pacote estava sendo tocado em caráter provisório pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já responsável pela coordenação das obras incluídas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).


Devido às primeiras recusas de Jobim, Lula havia cogitado outros dois nomes para a Defesa, dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Hage (Controladoria Geral da União). Agora, os auxiliares do presidente avaliam que será preciso encontrar uma saída honrosa para Waldir Pires.

O Palácio do Planalto estuda também um novo desenho para fortalecer o Conac (Conselho de Aviação Civil), que seria o principal responsável pelo acompanhamento da implementação do pacote. Uma das idéias radicais estudadas pelo governo é a alteração do órgão para tirar a presidência do Conac do ministro da Defesa.

 
O governo já decidiu que o Conac será ampliado. Hoje é formado por seis ministérios (Fazenda, Relações Exteriores, Defesa, Casa Civil, Turismo e Desenvolvimento) e pelo comandante da Aeronáutica. Vão entrar também os ministérios da Justiça e do Planejamento, que poderiam passar a ocupar a presidência do Conselho de Aviação Civil.


Junto com a mudança no Ministério da Defesa virá também a troca do comando na Infraero. Uma possibilidade é nomear Fernando Bezerra (PTB-RN), ex-senador e ex-ministro de Fernando Henrique, tido como um político experiente. A saída do atual presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, é considerada tão certa como a de Pires.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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As manchetes desta quarta

- Folha: Anac veta venda de bilhetes de Congonhas

- Estadão: Governo proíbe venda de passagem

- Globo: Em colapso, Congonhas tem venda de passagens proibida

- Correio: Orai por nós passageiros

- Valor: Madeira põe em confronto dois gigantes da construção

- Jornal do Commercio: Crise na Saúde. Mais demissões

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Bodoque Linhas Aéreas!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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PF inicia nesta quarta perícia em negócios de Renan

  • Trabalho pode durar mais do que os 20 dias previstos
  • Técnicos do Senado já detectaram 2 firmas fantasmas

  Fábio Pozzebom/ABr
Começa nesta quarta-feira a perícia técnica do Instituto de Criminalística da Polícia Federal nos documentos que compõem a defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL). O prazo previsto inicialmente, de 20 dias, pode ser estendido. “Se necessário, pode durar 25 dias ou mais um pouco. O importante é que a análise seja completa”, disse ao blog Renato Casagrande (PSB-ES), que integra a trinca de relatores do processo no Conselho de Ética do Senado.

 

Renan e o PSOL, partido que assina a representação contra ele, foram notificados. Podem indicar, se desejarem, representantes para acompanhar a perícia. Têm até as 10h desta quarta para fazer as indicações. A partir daí, a PF começa a contar formalmente o prazo para a conclusão da perícia. Em análise preliminar, feita antes do recesso parlamentar, a polícia detectara 20 indícios de irregularidades no papelório que o presidente do Senado entregara ao Conselho de Ética.

 

Antes mesmo de a PF iniciar a segunda perícia na defesa de Renan, técnicos do Conselho de Ética do Senado informam ter comprovado informações que deixam mal o presidente da Casa. Duas das empresas apresentadas pelo senador como compradoras de gado de suas fazendas são logotipos de fachada. A primeira se chama GF Silva. A outra, Carnal Carnes. Indícios nessa direção já haviam sido noticiados. Ouvido na ocasião, Renan dissera ter vendido bois ao frigorífico alagoano Mafrial, a quem caberia dar explicações. O problema é que o Mafrial não consta dos recibos apresentados pelo senador.

 

Casagrande cogita sugerir a quebra dos sigilos bancário e fiscal das duas empresas. Como o Conselho de Ética não tem poderes para tanto, a providência teria de ser referendada pelo plenário do Senado. Algo que dificilmente irá ocorrer antes da conclusão da perícia da PF. O próprio Casagrande acha que convém ao conselho aguardar pelo término da análise da polícia.

 

“É melhor a gente esperar a perícia”, afirmou o senador capixaba. “Se ela for conclusiva, dizendo que o Renan tem responsabilidade ou que não tem, já resolveu o nosso caso. Se não for conclusiva, temos que abrir outras linhas investigativas”. De qualquer modo, o Casagrande acha que a Secretaria de Fazenda de Alagoas deve tomar a iniciativa de averiguar quem está por trás dos dois “compradores de gado” sob suspeição.

 

Embora tenha decidido iniciar a perícia nesta quarta, a PF ainda aguarda pelo envio de novos documentos. São notas fiscais e guias de transporte de animais que o Conselho de Ética requisitou à Secretaria de Fazenda do governo alagoano e a nove supostos compradores de reses de Renan –quatro empresas e cinco pessoas físicas.

 

Nesta terça-feira (24), remeteram-se à polícia papéis fornecidos ao conselho pelo deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado e um dos supostos adquirentes de bois do senador. Foi, por ora, o único a atender à requisição do Conselho de Ética. Casagrande espera receber novos papéis até o início da próxima semana. “Assim que recebermos, enviaremos à Polícia Federal”, disse.

 

Em respeito à formalidade, o trânsito de documentos entre a PF e o conselho vem sendo feito com a intermediação da mesa diretora do Senado. Em tese, o papelório teria de passar também pelo ministério da Justiça antes de aportar nos escaninhos da PF. Mas Tarso Genro autorizou a polícia a se entender diretamente com a direção do Senado. O ministro da Justiça disse ao blog que, além de tornar os procedimentos mais ágeis, a providência inibe especulações indevidas acerca de interferências do governo no trabalho da PF.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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CPI vota ação disciplinar contra gestores da Anac

CPI vota ação disciplinar contra gestores da Anac

  Sérgio Lima/Folha
O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) apresenta nesta quarta-feira (25) à CPI aérea da Câmara um requerimento que determina ao ministério da Defesa a abertura de processo administrativo disciplinar contra toda a direção da Anac. Deseja que seja apurada a hipótese de estar ocorrendo “gestão temerária”. Algo que sujeitaria os dirigentes da agência à pena de demissão. Fruet é membro da CPI. Em entrevista ao blog, ele explicou sua iniciativa. Leia abaixo:
 
 
- Qual é o teor do seu requerimento?

Estou propondo a votação de requerimento determinando ao ministro da Defesa que abra processo administrativo disciplinar contra os dirigentes da Anac por gestão temerária.

- O procedimento está previsto em lei?

Sim. A lei que criou a Anac [11.182, de 2005] concede autonomia aos seus gestores. Mas há na lei [artigo 14] a previsão de três formas de substituição: por renúncia, em função de processo judicial transitado em julgado e por meio de pena decorrente de processo administrativo. Cabe ao ministro da Defesa abrir o processo administrativo.

- E a CPI tem poderes para determinar ao ministro a abertura do processo?

Entendo que sim. É constitucional. A CPI tem poderes judiciais. Se o requerimento for aprovado, o ministro terá de cumpri-lo, sob pena de incorrer em crime de improbidade.

- Acha mesmo que a CPI aprovará um requerimento como esse?

Há possibilidades. Creio que o acidente [com o Airbus da TAM] pode mudar os rumos da comissão. Fizemos uma reunião na sexta-feira. Já deu para sentir que mesmo os deputados governistas começaram a criticar o governo. Alguns pediram inclusive a demissão do ministro  da Defesa. A CPI avança na questão da infra-estrutura e nos problemas de gestão. Temos agora uma oportunidade de tratar da eficiência.

- A Anac é ineficiente?

Temos a convicção de que esse grupo que dirige a agência não mostrou eficiência para enfrentar a crise. Não estamos questionando a integridade das pessoas. Discutimos a qualificação técnica e a competência para enfrentar a crise. Isso não houve.

- O requerimento será votado na sessão desta quarta-feira (25)?

Será apresentado hoje. Mas talvez não dê para votar. O relator [Marco Maia] está nos EUA. É preciso ver também se haverá quorum. Pode ser que a votação fique para outra sessão.

-Precisa de quantos votos para aprovar o requerimento?

A CPI tem 23 integrantes. Para que o requerimento seja votado, é preciso que pelo menos 13 estejam presentes. A aprovação se dá por maioria simples.

- Acha que o governo tem parcela de culpa pela nova tragédia?

Entregamos na sexta-feira ao relator da CPI um trabalho intitulado “A responsabilidade objetiva da União”. Transporte aéreo é serviço publico. No Brasil, decidiu-se pela concessão da exploração desse serviço à iniciativa privada. Quem concede é a União. Hoje, esse poder de concessão e de fiscalização é exercido pela Anac. Não se discute culpa ou má-fé. Discute-se responsabilidade. E a União tem responsabilidade.

Escrito por Josias de Souza às 00h09

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Anac proíbe venda de passagens para Congonhas

Raimundo Pacco/Folha
 

 

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) proibiu as companhias aéreas de vender bilhetes para vôos que tenham Congonhas como ponto de decolagem. A proibição valerá por tempo indeterminado, até que a situação do aeroporto, hoje caótica, se normalize. Proibiram-se também as decolagens de vôos fretados, os charters, desde Congonhas, já a partir do próximo final de semana. 

 

A resolução da Anac, baixada nesta terça, determina o seguinte:

 

1. Todas as companhias aéreas ficam proibidas de vender passagens aéreas para aviões partindo de Congonhas. Deseja-se assegurar o embarque dos usuários que já possuem bilhetes;

 

2. O restabelecimento da venda de bilhetes aéreos no aeroporto de Congonhas está condicionado à volta à normalidade do fluxo de passageiros. Algo que caberá à Anac avaliar. A agência trabalha com a perspectiva de que o quadro se normalize em 48 horas. Mas esse prazo não foi fixado na portaria, que vale por tempo indeterminado;

 

3. Técnicos da ANAC começaram a monitorar, nesta terça-feira, todos os sistemas de reservas das companhias aéreas. Se houver necessidade, poderá haver suspensão de vendas de passagens em outros aeroportos;

 

4. A Infraero tornará disponíveis novos espaços físicos nos terminais dos aeroportos, para que as companhias aéreas possam acomodar os funcionários que atendem aos usuários;  

 

5. As empresas aéreas terão de mobilizar funcionários em número suficiente para informar os usuários a respeito de atrasos transferências ou remanejamentos de vôos para outros aeroportos, cancelamentos e atrasos. Devem se valer dos sítios que mantêm na internet, das centrais de atendimento telefônico, dos painéis multimídias nos aeroportos e dos meios de comunicação de massa;  

 

6. Ficam proibidas, já a partir deste fim de semana, as operações de vôos fretados com decolagens previstas para Congonhas. Os vôos já autorizados serão transferidos para outros aeroportos, como Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas).

 

Se você é usuário de avião e foi prejudicado de alguma maneira pelo caos, pressione aqui, para saber o  que pode fazer para exercer os seus direitos.

Escrito por Josias de Souza às 16h42

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Até o acidente, companhias aéreas davam as cartas

El Roto/El Pais
 

 

Uma lonjura separa o governo do ato de governar. Se o gestor público não se mexe, o espaço será preenchido por terceiros. No caso do setor aéreo, as companhias privadas vinham fazendo barba, cabelo e bigode. Leia abaixo, a propósito, uma seqüência de notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

GUARULHOS NA PISTA- O lobby das empresas aéreas, que pressionou a Infraero e a Anac para reinaugurar a pista de Congonhas antes de julho, foi acionado também para adiar reformas na pista de Guarulhos para depois das férias. Numa reunião em junho, a TAM pressionou o governo pelo adiamento por causa do Pan e de "operações com vôos MD 11", que teriam que voar com número menor de passageiros caso a pista fosse interditada. A Gol reforçou a pressão, "devido ao grande número de vôos extras/ charters" que opera em julho. BRA e Ocean Air engrossaram o coro.

OBRAS NA CHUVA- Na mesma reunião, técnicos da Infraero informaram que a pista, com 23 anos de uso, "requer manutenção preventiva e corretiva", e que o adiamento das obras traria um risco: elas acabariam se estendendo até o período de chuvas, em dezembro/janeiro, quando o ideal é que a reforma terminasse ainda no período de estiagem. Mas as empresas acabaram vencendo: a obra, que começaria em 10 de julho, foi adiada para 23 de julho. E agora, com o acidente de Congonhas e transferências de vôos para Guarulhos, nem tem mais data para começar.

O BOLSO PRIMEIRO- A TAM estampa em uma das páginas de seu site os "sete mandamentos" da empresa. O primeiro: "Nada substitui o lucro". Em segundo: "Em busca do ótimo não se faz o bom". E só em terceiro: "Mais importante que o cliente é a segurança".

PS.: Eis a  moral da história: quem não governa é governado. 

Escrito por Josias de Souza às 15h34

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Auto-estima baixa? Chegou a ‘máquina de elogios’

No sétimo dia, quando Deus descansou, O Diabo acomodou sobre a Terra os repórteres. Desde então, disseminou-se entre os assim chamados homens públicos a certeza de que a imprensa não existisse, não poderia ser inventada.

Surge agora um lenitivo. Surgiu nos EUA a “máquina de elogios”. Foi instalada numa esquina de Washington. Distribui afagos a quem passa, meio a esmo: “Você tem um cheiro bom”. Ou: “As pessoas o procuram para conselhos”. Ou ainda: “Você tem uma personalidade que atrai as pessoas.”

 

Logo, logo o invento estará presente nos gabinetes de autoridades públicas brasileiras. “Aquelas vaias foram para o Cesar Maia”, dirá a Lula. A Renan Calheiros a máquina balbuciaria: “Grande amador. No bom sentido, claro”. E a Waldir Pires: “A melhor pressa é a que se faz devagar”.

Escrito por Josias de Souza às 12h50

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As manchetes desta terça

- Folha: Empresas evitam Congonhas e caos piora

- Estadão: Boicote a Congonhas amplia caos em aeroportos

- Globo: Pista da tragédia em SP tem agora deslizamento de terra.

- Correio: Do caos à lama

- Valor: Indústria puxa novo ciclo de investimentos diretos

- Jornal do Commercio: Governo tenta segurar médicos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Holiday in Brazil!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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Em nova defesa, Renan usa dados velhos e ignora PF

  • Em pleno recesso, senador distribui ‘Dossiê Ignorado’

Rossewelt Pinheiro/ABr

 

Renan Calheiros (PMDB-AL) aproveita o recesso parlamentar para tentar reverter a atmosfera de suspeição que lhe rói o prestígio. Nos últimos dias, enviou a um grupo de senadores e jornalistas uma nova peça de defesa. Chama-se “O Dossiê Ignorado”. A despeito do nome, não contém um mísero dado desconhecido.

 

Além de batido, o “dossiê” de Renan é seletivo. Mostra o que convém e esconde o que remanesce sem resposta. Por exemplo: incorpora, em anexo, as seis folhas resultantes da perícia feita em sua documentação pela Secretaria de Controle Interno do Senado. Mas não faz desconhece as 20 páginas da vistoria que a Polícia Federal realizou no mesmo papelório.

 

As duas perícias foram encomendadas pelo Conselho de Ética. Foram feitas em escassas 48 horas. O trabalho do Senado, mais superficial, limitou-se a atestar a “autenticidade” dos papéis apresentados por Renan.

 

A análise da PF, embora preliminar, detectou 20 “inconsistências” nas transações bovinas do senador. E pediu prazo de 20 dias para aprofundar a averiguação. No último sábado (21), a PF recebeu parte da documentação a ser perscrutada. Pediu mais papéis. Deve recebê-los até quinta-feira (26). Só então começará a contar o novo prazo.

 

O “dossiê” de Renan foi elaborado pela banca advocatícia Eduardo Ferrão-Baeta Neves, contratada pelo senador. Sustenta, em essência, que a representação do PSOL contra Renan “é sustentada por recortes de notícias”, enquanto “a defesa do senador é sustentada por documentos”. Anota: “Essa defesa tem sido ignorada”.

 

São listados no documento dados que, longe de ser ignorados, foram fartamente noticiados. A principal tese repisada no texto é a de que Renan dispunha de recursos próprios para bancar a pensão alimentícia da filha nascida da relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. Não precisaria, portanto, servir-se nem a recursos da Mendes Júnior nem de Cláudio Gontijo, diretor da construtora.

 

No capítulo “Provas Contábeis”, o “dossiê” de Renan volta a mencionar a origem do dinheiro do senador. Sua principal fonte de renda seria a venda de bois: R$ 1,9 milhão entre 2003 e 2006. É justamente sobre essas transações que se debruçaram os peritos do Instituto de Criminalística da PF. Levantaram-se dúvidas eloqüentes. A “nova defesa” de Renan não contrapôs nenhum dado capaz de afastar os questionamentos.

 

São três os principais questionamentos levantados pela PF: 1) ausência de notas fiscais que comprovem a venda de 244 cabeças de gado no ano de 2004; 2) divergências entre as notas fiscais e GTAs (Guia de Trânsito Animal, documento exigido para o transporte dos bois); 3) indícios de inidoneidade nas empresas que, segundo Renan, adquiriram bois de suas fazendas.

 

Pelas contas preliminares da PF, resultou sem comprovação a venda de 1.060 bois. Em dinheiro, corresponde a cerca de R$ 1 milhão, mais da metade do faturamento que o presidente do Senado diz ter tido com os seus negócios agropecuários. O silêncio do dossiê de Renan sobre esses questionamentos pode ser um prenúncio da disposição do senador de questionar o aprofundamento da perícia da PF.

 

O documento da polícia vai fundamentar a decisão do processo contra o senador no Conselho de Ética, que volta a trabalhar em 1º de agosto, depois do recesso. Em privado, Renan e sua tropa de choque afirmam que, sem autorização expressa do STF, a PF não pode investigar o presidente do Senado.

 

Ouvido pelo blog, o ministro Tarso Genro (Justiça) diverge desse entendimento. Afirma que a PF está apenas atendendo a uma solicitação da Mesa do Senado, por provocação do Conselho de Ética. A análise dos documentos não constitui, na opinião de Tarso, uma investigação clássica. Daí a desnecessidade de autorização do Supremo.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Encharcada, cabeceira da pista de Congonhas cedeu

Rogério Cassimiro/Folha
 

 

A recém-reformada pista de Congonhas será submetida, nos próximos dias, a novas obras. O governo promete acelerar a abertura das frinchas que facilitam a drenagem do asfalto –o agora famoso grooving, segundo se dizia, eram dispensáveis. Em vez de apenas de sulcar o asfalto, talvez fosse recomendável que os operários cavoucassem mais profundamente. Parece haver nos subterrâneos da pista do aeroporto mais movimentado do país uma caveira de burro.

 

A maldição de Congonhas voltou a se manifestar nesta segunda-feira (23). A canaleta que dá vazão às águas que São Pedro despeja sobre o aeroporto cedeu, desencadeando um deslizamento na cabeceira da pista principal. Segundo a Infraero, a terra cedeu como conseqüência da tragédia com o Airbus da TAM. Lero vai, lero vem, a Infraero deu meia-volta na intenção de liberar, nesta terça-feira (24), a pista, interditada desde o dia do acidente. Melhor assim.

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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CGU proíbe governo de contratar a enrolada Gautama

Depois de ter sido assaltado, “re-assaltado” e “tri-assaltado”, o governo decidiu trocar a fechadura da porta. Nesta segunda-feira (23), foi publicada no Diário Oficial da União uma declaração de inidoneidade da construtora Gautama. Coube à Controladoria Geral da União expedir o documento.

Na prática, a declaração da CGU impede os órgãos públicos de voltar a contratar a empreiteira de Zuleido Veras, aquele senhor pilhado na Operação Navalha como chefão de um esquema de desvio de obras verbas públicas. Um esquema que contava com a proteção e o auxílio de congressistas empoleirados no Orçamento da União.

 

Antes mesmo da entrada em cena da Polícia Federal, a Gautama era uma freguesa de caderneta do TCU. Auditorias do tribunal informavam que vinha se portando como uma arapuca desde a gestão FHC. Mas o Estado, como sempre, portou-se diante do desastre com uma audácia própria dos ausentes. Agiu com a velocidade de uma tartaruga manca. Teve uma pressa de lesma.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Em 2006, Lula gabava-se de Congonhas; agora...

O tempo carrega nos ombros um alforje apinhado de declarações pretéritas. Vez por outra, arranca um par de aspas do fundo do bornal, para esfregar na cara do autor. Mero capricho? Não, não. Absolutamente. É uma tentativa de mostrar às pessoas que têm certa responsabilidade que, em vez de deixar passar o tempo, o melhor é utilizá-lo.

 

Tome-se o exemplo de Lula. No ano passado, em meio à campanha eleitoral, provocou o adversário num debate. A pretexto de autovangloriar-se pelos feitos de sua gestão, o presidente referiu-se às obras de infra-estrutura. A certa altura, mencionou a reforma dos aeroportos, entre eles o de Congonhas (assista lá no alto).

 

Até então, o governo limitara-se a despejar dinheiro no terminal de passageiros (mármores e lojinhas). Só neste ano, com Lula já reeleito, deu-se alguma atenção à pista principal do aeroporto. Foi liberada para pousos e decolagens no final de junho, com o sistema de drenagem por fazer.

 

Na semana passada, Lula viu-se compelido a falar novamente sobre Congonhas. Estava, dessa vez, na defensiva. Depois de prometer rigor na apuração da nova tragédia da aviação brasileira, anunciou providências para tentar desfazer a encrenca do aeroporto mais movimentado do país. Nesta segunda-feira (23), em seu programa semanal de rádio, Lula voltou ao assunto:

 

“Eu só peço a compreensão, a compreensão do povo brasileiro para que não haja julgamento precipitado de quem quer que seja, que a gente espere, com prudência, a investigação para dizer o que aconteceu. Ou seja, não existe hipótese alguma da verdade não vir à tona. Se o problema foi da chuva, se o problema foi da pista, do avião, se o problema era do piloto. Tudo isso, eu peço a Deus que a gente tenha condições de obter o resultado na caixa-preta do avião para que a gente possa informar a opinião pública."

 

Sobre Congonhas: "Nós vamos transformar o aeroporto de Congonhas [...]. "Por mais seguro que seja [...], ele foi cercado pela cidade. É só olhar de baixo ou de cima que a gente vai ver a quantidade de prédios e mais ainda, não faz muito tempo, tem prédios novos sendo inaugurados ali na linha que passa o avião [...]. Nós vamos fazer a parte que cabe ao governo federal, à Infraero, à Aeronáutica, ao Ministério da Defesa, vamos procurar um outro local, vamos tentar fazer um outro aeroporto para diminuir as possibilidades de uma nova tragédia".

 

Congonhas, como sói, continua impondo aos seus usuários atrasos e constrangimentos. De resto, descobre-se que as mudanças esboçadas pelo governo devem doer no bolso dos passageiros. Quanto às apurações do acidente, as caixas pretas do Airbus da TAM começaram a falar, sob protestos da FAB..

Escrito por Josias de Souza às 15h49

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As manchetes desta segunda

- Folha: Pista de Congonhas sob suspeita reabre amanhã

- Estadão: FAB conclui que pane em Manaus foi barbeiragem

- Globo: Aeronáutica investiga sabotagem em radar e controladores negam

- Valor: Empresas adotam venda direta ao pequeno varejo

- Correio: Metade dos vôos atrasam ou são cancelados cancelados

- Jornal do Commercio: Pane sob suspeita de sabotagem

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h13

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Caixa!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h16

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Temer dissocia destino de Renan do apoio a Lula

Valter Campanato/ABr
 

 

O presidente do PMDB, Michel Temer (SP), disse ao blog que o partido “não irá condicionar o apoio a Lula” ao desfecho do Renangate. Acredita, segundo afirmou, que Renan Calheiros (PMDB-AL) “conseguirá comprovar documentalmente a veracidade de suas informações”. Mas ressalva: “Na hipótese de o Renan ser malsucedido, o que não desejamos, não há razão para que isso signifique o rompimento ou a redução da relação institucional do partido com o governo”.

 

O PMDB não está sendo excessivamente discreto no apoio ao presidente do Senado? Para Temer, não. “Muitos dizem: ‘O partido não está apoiando o Renan’. Eu, de fato, registro: estou tomando muito cuidado com isso, para não parecer interferência indevida. O que digo é que nos esperamos um julgamento justo, equilibrado. Muito possivelmente, em face desse equilíbrio, achamos que o Renan pode sair-se bem”.

 

Não seria o caso de o PMDB emitir uma nota de apoio a Renan? Temer acha, de novo, que não. “Não é preciso nota. Tenho declarado que cofiamos que ele comprovará a veracidade de suas informações. E o Renan não me pediu nota. Teve a delicadeza de nunca pedir apoio explícito”.

 

Nos últimos anos, Temer e Renan freqüentaram o noticiário como adversários na condução dos destinos do PMDB. No penúltimo embate, Renan, capitão do grupo do Senado, se opôs à recondução de Temer, ponta-de-lança da ala da Câmara, ao comando do partido. O contencioso tonifica a suspeita de que Temer e seu grupo estão torcendo pela derrocada do rival. Algo que o deputado se apressa em negar.

 

Em privado, Temer disse a Renan: “Não quero que possa parecer que estou desfrutando desse episódio. Pelo contrário. Estou constrangido com essa sua situação. Quero dizer a você o seguinte: todas as vezes que achar que precisa de mim, você me convoque”. E isso já aconteceu algumas vezes.

 

Logo que irromperam as denúncias de que teria utilizado dinheiro de uma empreiteira para custear a pensão alimentícia do filho de uma relação extraconjugal, Renan discursou no Senado. Pediu a Temer que estivesse presente. Foi atendido. Noutra ocasião, Renan solicitou a Temer que participasse de uma reunião com os advogados dele. O pedido foi, de novo, acolhido.

 

Numa terceira oportunidade, Temer assumiu o papel de conselheiro de Renan. Deu-se na semana que antecedeu o início do recesso parlamentar. O Congresso se reuniria, em sessão conjunta da Câmara e do Senado, para votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Deputados da oposição armaram um protesto contra Renan. Sentindo o cheiro de queimado, Temer aconselhou o senador a eximir-se de presidir a sessão.

 

Renan manifestou o receio de que a oposição tripudiasse sobre sua ausência. Em contato com os líderes partidários e com oposicionistas mais exaltados –Fernando Gabeira (PV-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ), por exemplo—Temer costurou um armistício. E Renan não deu as caras na sessão. A falta evidenciou a debilidade de sua condição política. Mas livrou-o de protestos constrangedores.

 

A tese de que uma eventual condenação de Renan poderia envenenar as relações do PMDB com o governo Lula é invocada, nos subterrâneos, por partidários de Renan. Temer, porém, afasta a possibilidade: “O governo não está trabalhando contra o Renan. O que se vê, na verdade, é que o governo o está apoiando. Portanto, seja qual for o desfecho do episódio, isso não altera a relação do partido com o governo”.

 

PS.: Só nesta segunda-feira (23), a Polícia Federal começou a analisar os documentos que compõem a defesa de Renan Calheiros. A análise é, por ora, preliminar.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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Em meio ao caos, Marta ‘vende’ Brasil no exterior

  • ‘Feliz’ no governo, ela diz que não disputa prefeitura

Elza Fiúza/ABr

 

Num instante em que o caos aéreo mistura-se à dor de mais uma nova tragédia, a maior da história da aviação brasileira, a ministra Marta Suplicy (Turismo) se auto-impôs uma missão penosa: tenta “vender” o Brasil aos turistas de países estrangeiros. Prepara-se para lançar uma campanha no exterior.

 

Batizada de Plano Aquarela, a iniciativa baseia-se numa pesquisa realizada em 32 países. Analisando os dados recolhidos, a ministra e sua equipe chegaram a algumas conclusões que, imaginam, vão ajudar a direcionar a campanha internacional.

 

Marta exemplifica: “O turista japonês não procura mar e sol. Ele procura belezas naturais. Então, é um turismo onde tentaremos vender Foz do Iguaçu. Ele está interessado em música também. Aliás, música, para nós, não é difícil, porque o Brasil todo tem a oferecer isso. O turista alemão está interessado em ecoturismo; o italiano busca mar e sol; o escandinavo mar e sol. E isso vai possibilitar à Embratur fazer uma campanha focada”.

 

A ministra expôs os seus planos em entrevista publicada no jornal potiguar Tribuna do Norte (exige-se cadastramento, gratuito) deste domingo (22). Segundo ela, o ministério dispõe de verbas escassas para investir na pesquisa. Mercê das limitações, decidiu-se dar prioridade a 12 países.

 

Cinco já foram definidos. Os três primeiros serão Argentina, EUA e Inglaterra. Na seqüência, virão a Alemanha e a Itália. E quanto ao caos aéreo? “A crise aérea está em fase de solução”, acredita Marta Suplicy, otimista a mais não poder. “Os órgãos competentes do governo estão se empenhando”.

 

Remando contra uma maré de generalizada desconfiança, a ministra é enfática: “Acredito que vai melhorar, sim, a curto prazo”. Em seguida, ela atenua o próprio otimismo: “[...] Ninguém faz reforma do aeroporto em oito meses. Isso demora. Alguns aeroportos irão demorar mais”.

 

“A situação de São Paulo é a mais crítica, devido a Congonhas, que já está muito acima do limite que comporta”, prossegue Marta. “Para tirar os aviões de Congonhas, teria que mudar a situação de Guarulhos, criar uma situação para Viracopos, criar uma linha de trem para poder viabilizar. Não são coisas que se fazem rapidamente. Mas nada que não possa estar melhor, muito melhor do que está hoje e melhor do que estava há um ano”.

 

O Ministério do Turismo lançará também, em agosto, a primeira fase do programa de concessão de créditos consignados para brasileiros que queiram fazer turismo interno. O público alvo são os aposentados. São Paulo e Brasília serão as duas primeiras praças a se beneficiadas. Marta quer romper a barreira das viagens domésticas, estacionada em 25%.

 

Vai deixar o ministério para disputar a prefeitura de São Paulo em 2008? Marta é direta: “Não”. Por que?  “Eu estou muito feliz no Ministério do Turismo, trabalhando com animação e podendo fazer muitas das coisas que eu fiz em São Paulo, mas agora numa dimensão nacional”.

 

Que lição tirou da frase do “relaxa e goza”? De novo, a ministra foi econômica nas palavras: "Que foi [um comentário] muito infeliz”. E mais não disse.

Escrito por Josias de Souza às 19h32

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Cartel dos aerocratas gerou o caos, escreve Gaspari

Vai abaixo texto de Elio Gaspari, recolhido da Folha (assinantes):

 

"As medidas anunciadas na sexta-feira por Nosso Guia vieram tarde, mas são um passo para enfrentar o descalabro do aeroporto de Congonhas. Tudo indica que, pela primeira vez, o assunto foi tratado sem a decisiva interferência do cartel de aerocratas da TAM, da Gol, da Infraero e da Anac. Em vez de reclamar, as empresas podem oferecer aos seus passageiros uns 20 pontos de embarque em ônibus para Guarulhos e Viracopos. Neles, poderiam até adiantar o check-in.


A aviação comercial brasileira e a administração aeroportuária entraram em colapso porque a bagunça dá lucro. Basta que se reflita sobre um dispositivo do Código Brasileiro de Aeronáutica, de 1986. Ele determina que, em caso de morte de um passageiro, a companhia deve indenizá-lo até um limite de 3.500 Obrigações do Tesouro Nacional, ou OTN. Esse papel não existe mais. É uma peça de arqueologia financeira. Virou BTN e hoje se chama TR. Numa conta, a indenização pode valer R$ 14 mil. Noutra, R$ 125 mil.

Trata-se de um dispositivo iníquo e anacrônico que só sobrevive porque tudo o que se refere à aviação comercial passa pela manipulação dos interesses de uma aerocracia privada e pública. Felizmente, os tribunais atropelaram essa maluquice, mas o fato de ela ainda estar por aí mostra como colecionam-se absurdos. A pista de Congonhas é curta, o aeroporto está engarrafado, as empresas submetem os passageiros ao overbooking e nada resta à patuléia senão relaxar e gozar.

Os três grandes desastres da TAM e da Gol mataram 445 pessoas. Para conseguir indenizações adequadas, seus familiares tiveram que contratar advogados, ir à Justiça e, em muitos casos, aceitar acordos. As vítimas da TAM que batalharam na Justiça americana conseguiram compensações até três vezes superiores. Em Pindorama, a maior indenização paga pela empresa, por ordem do juiz, foi de R$ 800 mil.

Só numa atividade que desrespeita os clientes em benefício da patranha um presidente de empresa pode fazer o que fez o doutor Marco Antonio Bologna, da TAM. Na quarta-feira ele disse que o Airbus estava em "perfeitas condições". Na quinta-feira, confrontado com informações que tinha, mas não revelava, Bologna confirmou que havia um defeito no sistema que ajuda a frear o avião".

 

PS.: Horas depois de Lula ter pedido "serenidade" aos súditos, o caos voltou a gerenciar os aeroportos. Neste domingo, a exemplo do que ocorrera na véspera, a encrenca azucrinou -com atrasos e cancelamentos- a paciência dos passageiros de mais da metade dos vôos programados.

Escrito por Josias de Souza às 16h09

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Vôo da morte!

Glauco

Escrito por Josias de Souza às 15h51

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As manchetes deste domingo

- Folha: Paulistano defende Congonhas, mas com mudanças

- Estadão: Sistema aéreo volta a falhar e desvia vôos internacionais

- Globo: Tráfego cresce e governo corta em segurança aérea

- Gazeta Mercantil: Frigoríficos na Bolsa devem ativar aquisições

- Correio: Congonhas, líder mundial em acidentes

- Veja: Até quando? - São Paulo, terça-feira, 17 de julho de 2007

- Época: Vôo 3054

- IstoÉ: A tragédia do vôo 3054 - Fatalidade ou crime?

- IstoÉ Dinheiro: TAM vôo JJ 3054 - O preço do caos aéreo

- Carta Capital: A tragédia de Congonhas

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h50

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Nigéria cria spa às avessas, para engordar ricos

Nigéria cria spa às avessas, para engordar ricos

  BBC
“Se Deus tiver de aparecer para os famintos”, dizia Mahatma Gandhi, “não se atreverá a aparecer em outra forma que não seja a de um prato de comida”. O Todo Poderoso anda sumido da Nigéria, país farto em fome e pobreza. Ali, em meio a uma maioria esquálida, a minoria rica transformou a obesidade em sinônimo de status.

Tome-se o exemplo de Happiness Edem (foto). Antes de se casar com Morris Eyo Edem, um próspero nigeriano, ela se enfurnou numa espécie de spa às avessas. Submeteu-se a um tratamento de engorda. Depois de seis meses de muita comida e repouso, ostentava algo como 120 quilos.

 

Por que? "Quando você é gordo, tem uma cara saudável", diz ela. "As pessoas te respeitam. Honram você. Aonde você vai, elas dizem, 'seu marido a alimenta bem'. Se você vai a um vilarejo, as pessoas vêm olhar para você, porque você é saudável".

 

O marido Morris, que condicionara o casamento à engorda, explica assim a aversão às magricelas: “As pessoas pensariam que não sou rico. Se uma mulher não for gorda, não passar pelo processo [de engorda], ela não preenche os critérios do casamento".

 

Na Nigéria, como se vê, o belo vale o quanto pesa. Vinícius “Beleza é Fundamental” de Morais dizia: “Ninguém faz tudo bonito sempre. Até Deus. Ele fez o cavalo e também o rinoceronte”. Entre os nigerianos, alheio às teorias de Gandhi, o Senhor foi ainda mais caprichoso: reservou aos cavalos o pão que o diabo amassou.

Escrito por Josias de Souza às 00h48

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Os verdadeiros culpados são os passageiros da TAM

Os verdadeiros culpados são os passageiros da TAM

Joel Silva/Folha
 

Parentes e amigos das vítimas da tragédia choram num protesto em Congonhas  

 

Os passageiros do vôo 3054 cometeram vários crimes que justificam sua responsabilização sumária. O primeiro foi o de existir. Não satisfeitos, existiram em número expressivo: 187. Num flagrante desafio à ordem, compraram bilhetes sem perguntar se os reversos do avião estavam em ordem. Pior: aterrissaram em Congonhas, sob chuva, numa pista sem ranhuras. Finalmente, abandonando qualquer tipo de escrúpulo, tornaram-se vítimas. Um acinte.

 

Tenta-se agora, veja você, acomodar nos ombros do governo e da TAM a culpa pelos crimes dos passageiros. Coisa inaceitável. O Estado e a empresa têm do seu lado a lei. Estão protegidos pela “Lei de Murphy”. Todo mundo já ouviu falar da “Lei de Murphy”. Mas pouca gente conhece sua origem. Foi descrita nas páginas de ''A Vingança da Tecnologia'', livro do norte-americano Edward Tenner (Editora Campus). Informa o seguinte:

 

O capitão Edward Murphy, da Força Aérea dos EUA, acompanhava, com vivo interesse, os experimentos de seu chefe, o major John Paul Stapp. Cobaia de testes de resistência a grandes acelerações, Stapp desafiava a velocidade num trenó-foguete. Em 1949, bateu o recorde de aceleração. Mas não pôde comemorar o feito. Os acelerômetros do veículo não funcionaram.

 

Engenheiro, Murphy foi investigar o que dera errado. Descobriu que um técnico ligara os circuitos dos aparelhos ao contrário. E concluiu: ''Se há mais de uma forma de fazer um trabalho e uma dessas formas redundará em desastre, então alguém fará o trabalho desta forma''. Depois, em entrevista, o major Stapp referiu-se à frase do ajudante como ''Lei de Murphy''. Resumiu-a assim: ''Se alguma coisa pode dar errado, dará''.  A ''Lei de Murphy'' foi injetada no folclore da tecnologia. Hoje, aplica-se a todas as situações. Inclusive ao infortúnio aéreo do Brasil.

 

Apresentado ao aerocaos dez meses atrás, o governo tinha duas formas de gerir a encrenca. A mais banal seria assumir a tarefa de governar, adotando providências. Preferiu a tortuosa alternativa de empurrar os problemas com a barriga. Em Congonhas, entregou tardiamente uma pista inacabada, sem ranhuras. Diz-se agora que o grooving, nome técnico das fendas que facilitam a drenagem da pista, não é essencial. Simultaneamente, informa-se que serão apressadas as obras de abertura das frinchas no asfalto. É Murphy levado às últimas conseqüências.

 

Três dias antes da tragédia, a TAM detectara um defeito no reverso da turbina direita de seu Airbus. De novo, havia dois caminhos. O banal: recolher o avião ao hangar e reparar a avaria. O tortuoso: barrigar o conserto, mantendo o avião nos ares. Optou-se pela barriga. Informa-se agora que o reverso não é lá tão relevante na operação de frenagem. Fica-se sem entender porque o fabricante perde tempo incorporando nos aviões uma geringonça de tamanha inutilidade. Só Murphy explica.

 

Como se vê, tudo está perfeitamente claro. Mas os parentes das vítimas cobram explicações adicionais. E exigem pressa. Uma evidência de que a índole criminosa é fenômeno genético. A pressão é adensada pelo ânimo acalorado de toda sociedade. Buscam-se nas caixas pretas do avião novas revelações. Novidades capazes de pôr em xeque as boas intenções –públicas e privadas—, as melhores frases (Marta “Relaxa e Goza” Suplicy) e os gestos mais espontâneos (Marco Aurélio “Top-top” Garcia). Esse ímpeto subversivo é um inaceitável desafio à lógica da Lei de Murphy.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Manuais da TAM aconselham pilotos a usar reverso

Manuais da TAM aconselham pilotos a usar reverso

Em seus documentos internos, a TAM recomenda a pilotos e co-pilotos o uso do reverso –ou reversor- das turbinas nos pousos de aviões a jato, inclusive o Airbus A320, modelo da tragédia de Congonhas. A recomendação consta do manual de treinamento de pilotos e co-pilotos da companhia.

 

A informação foi confirmada ao blog por um pilto da TAM, sob a condição do anonimato. Segundo contou, o documento aconselha, no caso do Airbus, o uso do reverso em todos os pousos. 

 

O Airbus do acidente que vitimou pelo menos 197 pessoas encontrava-se com o reverso da turbina direita defeituoso. A TAM soube do defeito três dias antes do acidente. A despeito disso, manteve a aeronave em operação. A companhia argumentou que o fabricante autoriza o uso do avião sem reverso por até dez dias, antes do reparo.

 

O piloto que conversou com o blog afirmou que os reversos são equipamentos auxiliares na operação de frenagem do avião. Antes do pouso, as turbinas jogam o ar para a trás. Uma vez acionados os reversos, o ar da turbina passa a ser liberado para a frente, auxiliando na redução da velocidade.

 

Segundo o piloto, pode-se, de fato, pousar um avião sem o uso do reverso. Disse que não tem condições de afirmar que o defeito no Airbus foi o causador do acidente. Esclareceu que acidentes costumam ser provocados por uma confluência de fatores. Mas declarou não ter dúvidas de que, se estivesse em perfeitas condições, o reverso teria sido essencial para ajudar a frear o avião, sobretudo na condição em que se encontravam o avião (lotado) e a pista de Congonhas (molhada).

 

A velocidade atípica que o Airbus do acidente desenvolvia no instante em percorreu a pista de Congonhas é um dos mistérios que a Aeronáutica tenta decifrar na investigação que realiza desde o início da semana. Espera-se que os dados que serão extraídos das duas caixas pretas do avião ajudem a explicar o problema. Neste sábado, descobriu-se que um dos equipamentos enviados para os EUA não era a caixa preta. O equívoco foi sanado com a localização da caixa autêntica. 

 

A utilização do do reverso é mencionada também em textos do sítio TAM vitual. Organizado a pretexto de "homenagear" a empresa na internet, divulga informações acerca de simuladores de vôo. Num dos textos expostos no sítio, -“Pousando Aeronaves a Jato”-, anotou-seImediatamente após o toque das rodas principais, o reverso dos motores deve ser armado e a roda do nariz levada ao solo, num movimento suave mas contínuo, quando, então, é aplicada a tração reversa. O máximo efeito de desaceleração do reverso é obtido enquanto o avião se encontra com velocidade alta”.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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As manchetes deste sábado

- Folha: Governo limita uso de Congonhas

- Estadão: S. Paulo terá 3º aeroporto e Congonhas, menos vôos

- Globo: Após dez meses, sai pacote para a segurança aérea

- Correio: Lula, enfim, promete desafogar congonhas

- Valor: Presidente anuncia hoje pacote para o setor aéreo

- Jornal do Commercio: Morre ACM

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 09h28

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Sem grooving!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 09h23

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Pronunciamento de Lula na TV é admissão da inércia

  Ricardo Stuckert/PR
Com 72 horas de atraso, Lula falou sobre a tragédia de Congonhas. Deu-se, como anunciado na véspera, em rede nacional de TV e rádio. Fez o discurso possível. Solidarizou-se com os familiares das cerca de 200 vítimas e prometeu rigor na apuração das causas do acidente. No campo técnico, a fala do presidente soou como um reconhecimento da inércia de seu governo.

 

Lula reconheceu o óbvio: “Nosso sistema aéreo, apesar dos investimentos que fizemos na expansão e na modernização de quase todos os aeroportos brasileiros, passa por dificuldades. E seu maior problema hoje é a excessiva concentração de vôos em Congonhas". Em seguida, referiu-se às providências adotas por um governo acuado pelas circunstâncias.

 

Mencionou cinco medidas, detalhadas a toque de caixa. Disse que se destinam a "diminuir os riscos de novas tragédias". Deixou no ar uma pergunta incômoda: por que só agora, depois da ocorrência da maior tragédia aérea do país? Todas as providências mencionadas por Lula eram reclamadas por especialistas do setor. Nenhuma autoridade do governo as ignorava. No entanto, a gestão Lula demorava-se em adotá-las. Até o momento em que teve de fazer por pressão o que não fizera por obrigação.

 

O presidente age com o pragmatismo que lhe é peculiar. Mercê das informações que recebeu da Aeronáutica, aposta que as caixas pretas do avião da TAM não contêm informações capazes de deixar mal o governo. Ainda assim, sabe que, enquanto não for capaz de responder convenientemente ao caos aéreo, será visto como cúmplice de qualquer encrenca que venha a impor prejuízos aos usuários de avião.

 

O novo desastre parece ter arrancado o governo de sua inexplicável inércia. As providências adotadas nesta sexta-feira (20), embora necessárias, são insuficientes para pacificar o setor. Não foi sem razão que Lula prometeu “outras providências” para os “próximos dias”. Ele disse: “Tenho certeza de que o nosso sistema aéreo voltará a se adequar às necessidades do país”. Quando? Deus sabe.

Escrito por Josias de Souza às 20h41

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Aeronáutica condecora dirigentes da ineficaz ANAC

Orlandeli
 

Nunca na história desse país a administração pública foi tão democrática e igualitária. Os (muitos) servidores medíocres têm o mesmo reconhecimento dos (pouquíssimos) funcionários talentosos. Vem daí que, nesta sexta-feira (20), a Aeronáutica condecorou com a medalha “Mérito Santos Dumont” quatro dirigentes da inservível ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Mercê dos “destacados serviços” prestados à aviação, foram agraciados, por exemplo, Milton Zuanazzi e Denise Abreu, respectivamente presidente e vice-presidente da ANAC. Coube ao vice-presidente José Alencar espetar a medalha no torso da dupla.

 

Ouviu-se durante a cerimônia um barulhinho incômodo. Era Santos Dumont revirando no túmulo. São desconhecidos da sociedade os serviços prestados à aviação por Zuanazzi e Denise. Aliás, desconhece-se a utilidade da própria ANAC. Vão abaixo, por oportunas, duas notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

- EXPERTISE: Dos quatro diretores da Anac, apenas um, Jorge Velozo, é do setor. Aviador, ele é especialista em segurança de vôo.

- EXPERTISE 2 : O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, diz em seu currículo que é "pós-graduado em sociologia, com ênfase em análise política", tendo sido "vereador de Porto Alegre" e assessor de Walfrido dos Mares Guia no Ministério do Turismo. A advogada Denise Abreu trabalhou com José Dirceu na Casa Civil, foi "chefe de gabinete da Secretaria de Saúde" de SP e "da Febem". Leur Lomanto "foi deputado federal por sete mandatos consecutivos", além de assessor parlamentar da Infraero. Josef Barat é economista.

Escrito por Josias de Souza às 17h01

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Junto com ACM, morreu nesta sexta o ‘carlismo’

Lula Marques/Folha
 

 

Morreu nesta sexta-feira (20), 79, Antonio Carlos Magalhães. ACM, uma logomarca política erigida sob o regime militar, leva para a sepultura uma frustração: não logrou, como desejava, passar o bastão do “carlismo” a um herdeiro. Maduro para assumir o legado, o filho Luís Eduardo Magalhães morreu antes dele, em 1998. Tinha 43 anos. Esboçava um primeiro vôo presidencial.

 

“O Luís Eduardo tinha todas as minhas virtudes e nenhum dos meus defeitos”, gostava de dizer ACM. Tinha razão. Dono de um temperamento mercurial, ACM era o curto-circuito. Luiz Eduardo, o fusível. A morte do filho mergulhou o senador numa atmosfera de choque da qual não conseguiria mais se livrar.

 

Na Bahia, o ex-PFL, hoje rebatizado de DEM, será comandado pelo ex-governador Paulo Souto. Ele ascendeu ao Palácio de Ondina, por duas vezes, sob o guarda-chuva do carlismo. Mas manteve com o chefe do clã um relacionamento altivo. Evitou a vassalagem cultivada pelos demais integrantes do feudo.

 

Desde que foi desbancado pelo petista Jaques Wagner, nas eleições de 2006, Souto travava com ACM uma queda-de-braço pelo controle do partido no Estado. Levava a melhor. Desgostoso, ACM revelara a Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), há coisa de dois meses, o desejo de fundar um novo partido.

 

Dono de um histórico cardíaco complicado, a saúde de ACM começou a claudicar de maneira mais acentuada em março deste ano. Depois de um vai-e-vem de internações e altas hospitalares, foi novamente à maca em 13 de junho. Nas últimas semanas, submetia-se a sessões diárias de hemodiálise. Derrubou-o um quadro infeccioso que produziu uma falência múltipla de órgãos.

 

Entre uma e outra internação, ACM esboçou um movimento de reaproximação com Lula, a quem chamava de “ladrão” dia sim e outro também. O presidente o visitara no hospital. E ACM foi tomado de gratidão. Em 2003, José Dirceu tentara aproximar o recém-empossado governo Lula de ACM. Mas o senador já não dispunha de poderes suficientes para mudar a rota oposicionista do seu PFL.

 

ACM perdera a condição de referência da tribo pefelê no ocaso do governo FHC. Passara a referir-se ao presidente tucano como “um frouxo”. Algo que desgostou o seu próprio partido. Abespinhara-se com o tucanato quando o governo decretou a intervenção no Banco Econômico, do amigo Ângelo Calmon de Sá.

 

Posteriormente, quando o governo FHC enfrentava uma quadra complicada no Congresso, protagonizou um episódio sem volta. Senadores sapateavam sobre o escândalo Marka-FonteCindam. Uma CPI ameaçava convocar o ministro da Pedro Malan (Fazenda). FHC pediu socorro ao PFL. Seguiu-se um diálogo enviesado com ACM, congelado em anotações feitas na agenda de uma testemunha:

 

"Preciso que vocês me ajudem nisso", iniciou FHC. "Tudo bem, mas você também precisa se ajudar", devolveu ACM. "Como assim?" "O seu estilo já não funciona, está superado. É preciso mais ação." "Com esse meu estilo ganhei duas eleições." "O Getúlio ganhou três e terminou dando um tiro no peito." "Não tenho o seu jeito. Não sou brigão. Nem por isso fujo da responsabilidade. Combati a Oban em São Paulo, colocaram um capuz na minha cabeça..." "Isso não me impressiona. Nessa época eu estava dando tapa em general", encerrou ACM, desde então, em permanente curto-circuito.

Escrito por Josias de Souza às 16h01

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As manchetes desta sexta

- Folha: Avião da TAM tinha falha na frenagem

- Estadão: Falha no freio vira principal hipótese para queda do avião

- Globo: Governo discute aliviar Congonhas e reduzir burocracia do setor aéreo

- Correio: Avião da TAM voava com defeito grave

- Valor: Presidente anuncia hoje pacote para o setor aéreo

- Jornal do Commercio: Avião voava com defeito mecânico

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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(Ul)traje a rigor!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Renan se nega a convocar reunião sobre tragédia

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

Menos de 24 horas depois de sinalizar concordância com a idéia de convocar a comissão representativa do Congresso para discutir o desastre com o Airbus da Tam, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu meia volta. Mandou à gaveta o pedido formulado pelo PPS, com o apoio do PSDB.

 

“Ele [Renan] optou por mergulhar o Congresso na inércia”, disse Raul Jungmann (PPS-PE), signatário do requerimento. Desejava-se convocar autoridades como o ministro Waldir Pires (Defesa) e o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, para dar explicações, em 48 horas, sobre a tragédia de Congonhas.

 

Prevista na Constituição, a comissão representativa, como o nome indica, tem a atribuição de representar o Congresso durante os períodos de recesso parlamentar. Integram-na oito senadores e 17 deputados. A lista inclui Renan, presidente do Senado, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara.

 

Antes de apresentar o requerimento pedindo que os plantonistas do Congresso fossem chamados a Brasília, Jungmann telefonara para Renan, que prometera discutir a iniciativa com sua assessoria. Na quarta-feira (18), uma assessora do senador informara ao deputado que Renan concordara com a idéia. Veio a quinta-feira (19). E Renan não convocou a comissão.

 

Na noite de quarta e durante toda a quinta, Jungmann telefonou incontáveis vezes para Renan. Não foi atendido. Pediu a líderes partidários que ligassem para Renan. Aos líderes que o procuraram, o presidente do Congresso atendeu prontamente.

 

Sinalizou, porem, que não estava convencido de que deveria convocar a tal comissão representativa. A Jungmann restou espernear. O deputado protestou por meio de uma nota, levada ao sítio do PPS. Num instante em que busca o apoio de Lula para livrar-se do Renangate, o senador parece ter preferido afagar o Planalto a envolver formalmente o Congresso no debate sobre o maior desastre aéreo do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Assessor festeja falha no avião com gesto obsceno

Reprodução/Montagem
 

Montagem das cenas captadas por Rafael Sobrinho na noite de quinta-feira (10)

 

O assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, assistiu no televisor de seu gabinete à reportagem sobre o defeito no reverso da turbina direita do Airbus da TAM. Ficou eufórico. Traduziu a excitação em gestos: mão direita espalmada, desferiu tapinhas sobre o topo da mão esquerda, fechada de modo a compor um círculo com o indicador e o polegar.

 

Ao lado de Garcia, o assessor de imprensa do Planalto, Bruno Gaspar, também não se conteve. Executou movimentos que, embora distintos, conduzem ao mesmo significado obsceno: levou os dois braços à frente e, com as mãos cerradas, puxou os contovelos contra a cintura, adiantando levemente a pelve.

 

Para azar da dupla, a janela do gabinete de Garcia encontrava-se com as cortinas abertas. E o cinegrafista Rafael Sobrinho, postado do lado de fora do prédio do Planalto, filmou a cena (assista). Ouvido na seqüência, Garcia disse que as imagens, “tomadas de forma clandestina”, não refletem uma comemoração, mas a “indignação frente a uma determinada versão que se quis passar à opinião pública atribuindo ao governo a responsabilidade por um acontecimento dramático”. Então, tá!

 

Na véspera, por ordem expressa do Palácio do Planalto, a Infraero havia liberado o vídeo com as imagens que mostraram ao país a velocidade excessiva com que o Airbus da TAM cruzou a curta pista de pouso de Congonhas. Depois de lidar com o caos aéreo com uma inércia de dez meses, o governo age com rapidez inaudita para afastar das cercanias do Planalto os cerca de 200 corpos produzidos pela maior tragédia da aviação brasileira.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

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Avião da tragédia tinha um ‘rerverso’ danificado

Antônio Gaudério/Folha
 

O reverso da turbina direita do Airbus da TAM, equipamento que auxilia na frenagem do avião durante o pouso, encontrava-se desativado no instante do acidente que produziu cerca de 200 cadáveres. A empresa aérea detectou o defeito quatro dias antes da tragédia. Ainda assim, manteve a aeronave em operação.

A novidade hedionda, veiculada no Jornal Nacional desta noite, foi confirmada pela própria companhia. Ruy Amparo, vice-presidente Técnico da TAM, admitiu em entrevista que o defeito no reverso fora detectado na última sexta-feira (13). Antes, portanto, do desastre que consternou o país na terça (17).

 

De acordo com o executivo da versão da TAM, o manual do Airbus permite que o avião voe sem o reverso por dez dias, “em qualquer condição de pista”. E não há riscos? Não, “exceto em pistas muito contaminadas”, corrigiu-se Rui Amparo. O que seria uma “pista contaminada”?, perguntou-se ao vice-presidente da TAM. E ele: “Debaixo de chuvas muito fortes.”

 

No instante do pouso fatídico, chovia em São Paulo. Chuva amena, mas chuva. Para a TAM, nada que pudesse afetar a operação de seu avião defeituoso. Será? De concreto, tem-se que as imagens captadas pelo circuito de câmeras de Congonhas exibem um Airbus em velocidade acima do razoável.

 

Para complicar, a pista de Congonhas, recém-reformada, encontra-se sem o grooving, as ranhuras que facilitam a drenagem. As autoridades aeronáuticas asseguram que a ausência das fendas no asfalto não interfere nos pousos. E se o avião estiver sem um dos reversos, como no caso em questão? Pelo sim, pelo não, Lula anuncia nesta sexta-feira (20) um pacote de providências para tornar Congonhas um aeroporto mais seguro.

 

Descobriu-se também que, na véspera do acidente, o mesmo Airbus que se espatifou num prédio assentado na vizinhança do aeroporto tivera dificuldades para pousar em Congonhas. Em contato com a torre de controle, o piloto queixara-se da pista escorradia.

 

Era só o que faltava: à incompetência do governo, que, em meio a um caos aéreo que se arrasta por dez meses, libera uma pista inacabada para o uso, veio somar-se a irresponsabilidade de uma companhia aérea que não se incomoda de acomodar 186 passageiros no interior de um avião desprovido de reverso. Quem poderia assegurar que São Pedro não despejaria sobre Congonhas as “chuvas muitos fortes” que, segundo reconhece o vice-presidente da TAM, sujeitariam o pouso a riscos?

 

Sob o impacto das novidades, a TAM levou à sua página na internet uma “nota de esclarecimento”. No texto, reitera que a desativação de um dos reversos “não configura qualquer obstáculo ao pouso da aeronave”. Anota, de resto, que a “informação” fora “confirmada” na véspera, em entrevista coletiva do presidente da empresa, Marco Antonio Bologna, e do próprio vice-presidente Ruy Amparo. Não é bem assim.

 

Durante a entrevista, um repórter rememorou o acidente com um Fokker-100 da TAM, em 1996 (99 mortos). Foi provocado por um defeito no reverso de uma das turbinas. E quanto aos reversos do Airbus, estavam em ordem?, perguntou-se. Os gestores da companhia limitaram-se a dizer que a nova tragédia não fora provocada pelo reverso. Nada foi dito acerca do defeito detectado quatro dias antes. 

 

Você tem algo a dizer à TAM. Pressione aqui para falar com o presidente da companhia.

Escrito por Josias de Souza às 22h42

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Lula decide falar sobre tragédia em rede nacional

  • Presidente anunciará pacote de medidas para Congonhas

Sérgio Lima/Folha

 

Lula decidiu quebrar o silêncio. Encomendou à sua assessoria a convocação de uma rede nacional de rádio e TV. Falará ao país na noite desta sexta-feira (20). Será a sua primeira manifestação pública sobre a tragédia com o Airbus da TAM, o maior acidente aéreo da história da aviação brasileira.

 

Afora as inevitáveis condolências às famílias dos mortos, que podem ultrapassar a casa das duas centenas, o presidente anunciará um conjunto de providências para reforçar a segurança de Congonhas, palco da tragédia e aeroporto mais movimentado do país. A principal medida será a redução do número de vôos, providência reclamada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP).

 

O presidente fora aconselhado a falar no dia do desastre. Optou pelo silêncio porque considerou necessário obter informações mínimas sobre as causas da tragédia. Sentiu-se mais confortável para fazer o pronunciamento depois que a Aeronáutica lhe informou que são mínimas as chances de que o infortúnio tenha relação cm as más condições da pista de pouso de Congonhas.

 

Na manhã desta quinta-feira (19), com os ministros que compõem a coordenação de governo, Lula disse que, para pôr a cara na TV, precisava anunciar medidas práticas. Foi informado, então, de que havia uma reunião prevista do Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), órgão que assessora o Ministério da Defesa.

 

Lula ordenou que o Conac se reunisse nesta sexta. E a cúpula do governo pôs-se a detalhar as providências que o presidente anunciará ao país em seu pronunciamento. Neste momento, o próprio presidente encontra-se reunido, no Planalto, com alguns dos ministros que têm assento no Conac.

 

O conselho é presidido pelo indefeso ministro da Defesa, Waldir Pires, cuja cabeça voltou a ficar a prêmio. É integrado também pelos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Guido 'Prosperidade' Mantega (Fazenda), Marta ‘Relaxa e Goza’ Suplicy (Turismo), Miguel Jorge (Indústria e Comércio) e Dilma Rousseff (Casa Civil), além do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.

 

Um auxiliar de Lula explicou ao blog que todas as medidas que serão anunciadas amanhã têm o objetivo de imprimir ao aeroporto de Congonhas uma gestão “mais conservadora”. Em todos os casos em que houver dúvidas que possam comprometer a segurança, o governo optará pela alternativa que ofereça mais segurança aos passageiros.

 

Trata-se de uma linha oposta à que vinha sendo adotada até aqui. Pressionado pelas companhias aéreas, o governo autorizara o aumento do fluxo de aviões em Congonhas. Na reforma do aeroporto, priorizara o mármore e as lojinhas do terminal em detrimento da pista de pouso.

 

De resto, ao lado de aviões apinhados de passageiros atemorizados, há no ar uma dúvida incômoda: por que o governo esperou por mais uma tragédia para agir?

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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CPI aérea da Câmara adota o estilo ‘barata tonta’

Leonardo Wen/Folha
 

Perito inspeciona o local do acidente à procura de explicações para a tragédia

 

Nascida de um parto realizado pelo STF, a golpes de fórceps, a CPI do aerocaos da Câmara tornou-se um teatro de marionetes a serviço dos interesses do Planalto. Súbito, a comissão decidiu mover-se por conta própria. E, ao fazê-lo, passou a comportar-se como barata tonta.

 

Nesta sexta-feira (2), a CPI realiza, no ermo de um Congresso em recesso, uma reunião de emergência. Deve aprovar o envio de uma comitiva de deputados pra acompanhar, nos EUA, a transcrição das duas caixas pretas do Airbus da TAM. A providência, por inócua, produzirá um único e nefasto resultado: o desperdício de dinheiro público.

 

Em reunião com Lula, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, informou ao presidente que os diálogos travados no cabine do avião e os dados sobre as condições dos instrumentos de vôo estarão no Brasil na próxima semana. Devem começar a ser analisados na próxima quarta-feira (25). Essas informações são essenciais para a investigação das causas do acidente.

 

Embora nada tenha sido informado acerca do conteúdo da conversa de Saito com Lula, sabe-se que o governo considera improvável que a desgraça tenha sido causada por defeitos na pista de pouso de Congonhas. Uma linha que foi reforçada pelas imagens que mostraram que o avião, ao pousar, desenvolvia uma velocidade acima do normal.

 

Em entrevista, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que o avião “tocou a pista na velocidade correta e no ponto certo”. Depois, curiosamente, não desacelerou. "É evidente que houve alguma coisa que fez com que ele não desacelerasse. É um acidente complexo, daquele tipo que só pode ser esclarecido com a caixa-preta", disse ele.

 

"Após o pouso”, completou o presidente da Infraero, “alguma coisa aconteceu e isso é que é preciso esclarecer, porque o avião acelerou novamente... o avião não acelera por milagre... acelera porque o piloto empurrou a potência do motor do avião. Por quê? Porque ele precisava arremeter? Só a caixa-preta vai dizer". Vem daí que, a despeito da aposta, os investigadores ainda não descartaram a hipótese de que as condições da pista tenham influído no comportamento atípico do piloto.

 

Seja como for, a tragédia arrancou o governo de sua apatia. Dicidiu-se, por exemplo, adotar medidas para desafogar o tráfego aéreo de Congonhas. As providências serão discutidas em reunião do Conac (Conselho de Aviação Civil), convocada para esta sexta-feira (20). Trata-se de um órgão auxiliar ao Ministério da Defesa. Sob Lula, reuniu-se escassas duas vezes.

 

Simultaneamente, a Justiça Federal de São Paulo começou a analisar a ação do Ministério Público que pede o fechamento de Congonhas até o término das investigações. O juiz Clécio Braschi decidiu intimar a Infraero e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) a prestar esclarecimentos. Só depois decidirá se concede ou  não a liminar pedida pela Procuradoria da República.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Sob chantagem, governo abre o cofre das emendas

Enquanto o Brasil chora os corpos da última tragédia aérea, congressistas associados ao consórcio governista ensaiam um sorriso maroto. Num instante em que o governo raspa o cofre e não encontra dinheiro para investimentos essenciais, o Planalto se prepara para liberar R$ 2,5 bilhões para cobrir despesas injetadas no Orçamento da União por meio de emendas de parlamentares.

 

Onze em cada dez escândalos que freqüentam o noticiário têm atrás de si as famigeradas emendas. São apresentadas sob o pretexto de financiar obras de interesse social nos fundões do país. Lorota. Destinam-se, em sua grossa maioria, a alimentar a engrenagem corrupta que injeta verbas públicas em bolsos privados –de empresários desonestos e dos próprios autores das emendas.

 

Deve-se ao repórter Fábio Zanini a revelação de que o Planalto volta a ceder à pré$$ao dos “aliados” sob chantagem. Partidos como o PMDB e os mensaleiros PP, PR e PTB ameaçam negar a Lula a aprovação de dois projetos considerados essenciais: a renovação da CPMF e da DRU (Desvinculação das Receitas da União).

 

Na avaliação do governo, informa Zanini (assinantes da Folha), se a CPMF e a DRU fossem a voto hoje, seriam derrotadas. Por isso, o Planalto prepara já para a próxima semana, em pleno recesso legislativo, a liberação de R$ 540 milhões em emendas de congressistas. O resto deve sair entre agosto e outubro. O Brasil, como se vê, não retira de seus erros nenhum tipo de ensinamento.

Escrito por Josias de Souza às 15h39

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As manchetes desta quinta

- Folha: Mortes de tragédia chegam a 192; Infraero cogita falha mecânica

- Estadão: 181 corpos retirados; MP pede fechamento de Congonhas

- Globo: Infraero, Anac, Decea, Cindacta, FAB... e não se sabe o que houve

- Correio: Em busca dos culpados

- Valor: Tragédia de Congonhas tira fôlego do setor aéreo

- Jornal do Commercio: Vídeo mostra avião acelerado demais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

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Jogo$!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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Apagão fraseológico!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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Governo estuda atrair verba privada para setor aéreo

  Glauco
No rastro da tragédia de Congonhas, o governo decidiu elaborar um plano de atração de investimentos privados para o setor aéreo. A pedido de Lula, os estudos serão feitos pelo Ministério do Planejamento. Parte-se de uma conclusão óbvia: o Estado não dispõe de dinheiro suficiente para dotar o país de uma infra-estrutura aeroportuária compatível com o crescimento da aviação civil.

Há no Brasil 67 aeroportos, dos quais pelo menos 20, considerados de médio ou de grande porte, padecem de falta de investimento. Um assessor de Lula informou ao blog que, pelas contas iniciais, o governo se deu conta de que precisa gastar algo como R$ 12 bilhões até 2010.

 

Desse total, só há à disposição cerca de R$ 5,5 bilhões –R$ 2,5 bilhões em recursos próprios da Infraero e R$ 3 bilhões previstos no orçamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Daí a decisão de realizar estudos sobre a conveniência de buscar na iniciativa privada o dinheiro que escasseia nos cofres do Estado.

 

São duas as principais alternativas sob análise: a transferência da administração de aeroportos, mediante concessão pública, a empresas privadas que se disponham a investir no setor; e a abertura do capital da Infraero. Ações da estatal seriam postas à venda na Bolsa de Valores de São Paulo. Discute-se também a hipótese de abrir linhas de crédito do BNDES às empresas interessadas em investir no setor aéreo.

 

Embora tenha autorizado a elaboração do plano, Lula não se deixou claro, por ora, se vai ou não adotá-lo. Em privado, o presidente diz apenas que, em condições ideais, preferiria manter o setor aéreo como está, sob responsabilidade integral do Estado. Acha, porém, que, em meio à crise, seria uma irresponsabilidade deixar de considerar todas as alternativas.

 

No Planalto, informa-se que o estudo deve ficar pronto em, no máximo, dois meses. Quando as análises aterrissarem sobre sua mesa, Lula deseja realizar um amplo debate interno, envolvendo todos os setores do governo que têm relação com o setor aéreo, sobretudo a Aeronáutica.

 

Se o plano vier a ser implementado, significará uma reviravolta no discurso que Lula vem ostentando até aqui. Na campanha eleitoral de 2006, o petista esgrimiu nos palanques reeleitorais um discurso de timbre antiprivatista. Foi a forma que encontrou para se contrapor ao adversário tucano Geraldo Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 00h49

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Investigação da nova tragédia vai demorar dez meses

Rogério Cassimiro/Folha
 

O governo estima que a investigação que apura as causas da tragédia com o Airbus da TAM deve durar cerca de dez meses. Ou seja, não será concluída antes de maio de 2008. As duas caixas pretas do avião, já encontradas, encontram-se avariadas. Na próxima segunda-feira (23), serão abertas em Washington (EUA), na agência de segurança de vôo norte-americana

Uma das caixas pretas contém o áudio da cabine. A outra registra os dados dos aparelhos de bordo no instante do acidente. De acordo com o cronograma estipulado pela Aeronáutica, as informações disponíveis chegarão ao Brasil na quarta-feira (25) da semana que vem. Só nesse dia os dados resgatados começarão a ser analisados.

 

A perspectiva de uma investigação longeva não impede o governo de tomar providências para corrigir eventuais falhas no sistema de segurança de vôo. As correções podem ser adotadas a partir de recomendações técnicas emitidas pela equipe escalada para apurar as causas de mais este acidente.

 

Embora não excluam a hipótese de que as condições da pista de Congonhas tenham contribuído para o acidente, a Aeronáutica e a Infraero apostam em outras linhas de apuração. “Posso afirmar que não existe possibilidade de derrapagem nessa pista nas condições atuais”, disse, em timbre enfático, nesta quarta-feira (18), Armando Schneider, superintendente de Engenharia da Infraero.

 

A julgar pelo que dizem os pilotos em contatos gravados pela torre de comando de Congonhas, a pista está mais sujeita a derrapagens do que deixa antever a convicção de Schneider. Há, de resto, imagens gravadas pelo circuito de câmeras do aeroporto. Mostram o momento do pouso do vôo 3054 da TAM. 

 

Divulgou-se nesta quarta-feira (18) um vídeo que compara a aterrissagem do avião da tragédia com o pouso de outras aeronaves. Uma pista que costuma ser vencida em 11 segundos foi percorrida pelo Airbus em três segundos. Em seu trecho final, o vídeo exibe o clarão produzido pela explosão (leia e assista).

Escrito por Josias de Souza às 19h25

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Marta sobre a neo-tragédia: ‘Não tenho nada a dizer’

A ministra Marta Suplicy (Turismo) desembarcou nesta quarta-feira (18) no aeroporto Tom Jobim, no Rio. Vinha de Lisboa. Instada a comentar a nova tragédia aérea brasileira, ela preferiu deslizar na pista: "Não tenho nada a dizer."

 

Em seguida, a bordo de um carro oficial, a ministra foi conduzida à Base Aérea do Galeão. Ali, embarcaria num jatinho da FAB, com destino a Brasília. A julgar pelas declarações anteriores de Marta Suplicy, o melhor que ela tem a fazer é mesmo guardar obsequioso silêncio. A sociedade não tem tido a oportunidade de relaxar. Muito menos de gozar.

Escrito por Josias de Souza às 18h52

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Ministério Público pede fechamento de Congonhas

João Wainer/Folha
 

O Ministério Público Federal pretende protocolar na Justiça Federal de São Paulo, ainda nesta quarta-feira (18), uma ação civil pedindo o fechamento do aeroporto de Congonhas. O texto está sendo concluído. Pede a transferência dos vôos para outros aeroportos de São Paulo – Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas) -, até que uma investigação esclareça as condições de uso da pista de pouso de Congonhas.

A ação será assinada pelos procuradores da República Fernanda Taubemblatt e Márcio Schusterschitz. São os mesmos que ajuizaram, em janeiro de 2007, uma ação que pediu a interdição da pista de Congonhas. Essa primeira ação foi extinta no último mês de abril, depois da assinatura de um acordo entre Ministério Público, a Infraero e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

 

Pelo acordo, chamado tecnicamente de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), os órgãos públicos assumiram o compromisso de reformar a pista principal de Congonhas. Fixaram-se horários de funcionamento do aeroporto até a conclusão das obras. A nova pista foi liberada para pousos e decolagens no final de junho. Não estava, porém, completa. Faltaram, por exemplo, as ranhuras (grooving, no jargão técnico) que facilitam a drenagem das águas da pista.

 

Na nova ação, os procuradores pedirão à Justiça que determine a interdição de Congonhas por meio de decisão liminar (provisória), antes do julgamento do mérito do processo.  

 

PS.: Como noticiado acima, a ação do Ministério Público Federal já foi efetivamente protocolada.

Escrito por Josias de Souza às 16h13

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Brasil produz uma nova causa mortis: incompetência

Apu Gomes/Folha
 

 

A maior causa de mortalidade no setor aéreo brasileiro é um mal implacável chamado incompetência. A julgar pelo desnorteio do governo, trata-se de moléstia endêmica e incurável. Em menos de dez meses, já levou à cova pelo menos 342 cadáveres –154 do Boeing da Gol e 188 do Airbus da TAM, 12 em solo. A menos que um milagre conduza à vacina, ninguém pode assegurar que o monturo de corpos não aumente.

 

Noves fora a mortandade, o caos aéreo já produziu sindicâncias, auditorias, inquéritos, processos, duas CPIs, uma infinidade de discursos e um par de tragédias –a segunda mais funesta do que a primeira. Só não deu à luz uma solução. E o país vai se habituando a um fenômeno hediondo: a lamentação depois do fato.

 

Tome-se, porque é mais recente, o exemplo do descalabro de Congonhas. A pista onde se realizam os pousos e as decolagens mede exíguos 1.900 metros. Desde a década de 80, pilotos e especialistas se queixam das deficiências desse naco de concreto. O que fez o governo? Na última década, torrou algo como R$ 530 milhões no embelezamento interno do terminal de passageiros. Por que?

 

Ora, para atender aos interesses de empreiteiras ávidas por obras, de gestores vorazes por comissões e de presidentes sequiosos por inaugurações. Privilegiaram-se o mármore e as lojinhas em detrimento da segurança. Premido pelas circunstâncias, o governo, sob Lula, reformou, a toque de caixa, a pista. Liberou-a para o uso, no final de junho, sem as ranhuras que permitem a drenagem das águas enviadas por São Pedro.

 

Confrontada com 188 vítimas novinhas em folha, Brasília difunde uma “informação” que antecede a realização das perícias técnicas. Diz-se que a nova mortandade de passageiros (176) e de funcionários do prédio em que o avião da TAM fez a sua aterrissagem improvável (12) nada tem a ver com as condições da pista do aeroporto. Pode ser. Mas a hipótese não passa, por ora, de uma aposta de gestores públicos submetidos a novos e constrangedores apuros.

 

Afora a descoberta de controladores de vôo em absoluto descontrole, o caos aéreo é temperado com generosas pitadas de corrupção. São mutretas conhecidas do governo. Foram esquadrinhadas pelo TCU, pela Controladoria da União e pelo Ministério Público.

 

Nas diferentes esferas de investigação, encontram-se encalacrados algo como seis dezenas de funcionários públicos. Entre eles um petista que Lula acomodou na presidência da Infraero e uma penca de funcionários graduados da estatal que “administra” os aeroportos brasileiros. A lista inclui uma senhora que coleciona decisões temerárias desde a gestão FHC. Trabalhava em São Paulo. Sob Lula, foi promovida. E passou a praticar malfeitorias desde Brasília.

 

Some-se a tudo isso um estrondoso crescimento do mercado de aviação civil. Numa previsão conservadora, estima-se que o mercado cresce no Brasil à proporção de 12% ao ano. Não há coisa parecida no mundo. Numa China de PIBs vitaminados, o setor aéreo experimenta crescimento anual de algo como 10%. Com uma diferença: nesta terra de palmeiras e sabiás, a falta de investimentos, a descoordenação e a ausência de planejamento tonificam as dores do crescimento.

 

Tudo considerado, a aviação brasileira vai ganhando as feições de uma usina de potenciais constrangimentos e de cadáveres. No acidente da Gol, os corpos foram mergulhados na selva de Mato Grosso. No desastre da TAM, foram carbonizados no interior de uma aeronave convertida em algo semelhante a uma lata de sardinha em chamas. Até quando?

Escrito por Josias de Souza às 04h24

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As manchetes desta quarta

- Folha: Airbus da TAM com 176 atravessa via, bate e explode em Congonhas

- Estadão: Avião explode e mata 176 em Congonhas

- Globo: Nova tragédia põe em xeque a segurança área no Brasil

- Correio: Avião com 176 a bordo explode em Congonhas

- Valor: Montadoras terão apoio para produzir 5 milhões de carros

- Jornal do Commercio: Tragédia em vôo da TAM

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h23

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Em obras!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 04h19

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Uuuuuuuuuuuuuuu!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 04h17

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CPI do Senado cogita investigar a nova tragédia

  Fábio Pozzebom/ABr
O relator da CPI aérea do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), discute nesta quarta-feira com o presidente da comissão, Tião Viana (PT-AC), a hipótese de investigar a nova tragédia aérea brasileira. Cogita-se inclusive a hipótese de trabalhar durante o recesso parlamentar, que começa hoje e vai até 31 de julho.

“Nós tínhamos decidido que, durante o recesso, faríamos apenas a análise de documentos. Mas, diante da gravidade do novo acidente, isso pode ser objeto de reavaliação”, disse Demóstenes ao blog na noite desta terça-feira (17). “Vou conversar com o presidente Tião Viana sobre isso. Independentemente do recesso, podemos tocar essa questão”.

 

Para Demóstenes, se ficar comprovado que o novo acidente foi provocado pelas más condições da pista de pouso do aeroporto de Congonhas, “trata-se de mais uma irresponsabilidade do governo. É algo que terá de ser averiguado.” A pista acaba de ser reformada. Foi liberada no final de junho.

 

Ficaram pendentes, porém, obras complementares, previstas para agosto. Entre elas a abertura de ranhuras na pista. No jargão técnico, são chamadas de "grooving". São fendas destinadas a melhorar o escoamento das águas da chuva. Na segunda-feira (16), véspera da nova tragédia, um avião da empresa Pantanal havia deslizado ao pousar em Congonhas.

 

Embora considere improvável que a causa do novo acidente sejam as más condições da pista, o governo não exclui a probabilidade de que a ausência das ranhuras tenha contribuído para que a aeronave da TAM se desgovernasse. No instante do pouso, garoava na capital paulista

 

No final da noite, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, informou a Lula, pelo telefone, que, nesta quarta-feira (18), técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) farão uma inspeção da pista de Congonhas. A liberação da pista está condicionada a esta inspeção.

 

Na avaliação de Demóstenes Torres, todos os problemas detectados no relatório parcial aprovado pela CPI do aerocaos no último dia 7 de julho continuam pendentes de solução. “Vivemos um apagão de investimento e de absoluta falta de planejamento governamental”, afirmou. Ele repetiu ao blog um comentário que fizera dias atrás sobre o ministro Waldir Pires (Defesa): “Ele é um banana.”

 

“Falta coordenação ao governo”, disse Demóstenes. “Agora, diante da nova tragédia, vamos lamentar de novo. E continua a desconexão entre a Aeronáutica, a Infraero e a Anac. Enquanto o governo se perde em conjecturas, ficamos à espera de novas tragédias.”

 

“Nosso relatório, que foi encaminhado ao governo, deixa claro que a estrutura atual não dá mais”, completou o senador. “Congonhas tem capacidade para 12 milhões de passageiros e está operando com 189 milhões. Precisamos de investimentos. O governo não tem dinheiro? Então é preciso recorrer à iniciativa privada. É urgente a construção de outro aeroporto em São Paulo. É preciso ampliar Guarulhos, ampliar Congonhas. Tem que reservar o aeroporto de Campinas exclusivamente para cargas.”

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Deputado tucano embarcou no vôo JJ 3054 da TAM

  Folha
O deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS), líder da minoria na Câmara, embarcou no vôo JJ 3054 da TAM, que derrapou na pista do aeroporto de Congonhas e se chocou contra um prédio da empresa. Procedente de Porto Alegre, Redecker deveria encontrar-se com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), em São Paulo. Ele integraria uma comitiva que, sob a liderança de Chinaglia, faria uma viagem oficial do Legislativo para os EUA.

 

O presidente da Câmara cancelou a viagem. Antes, Chinaglia obteve a confirmação de que, de fato, o nome de Redecker consta da lista de passageiros do vôo da TAM. Em Brasília, Lula convocou uma reunião de emergência com quatro ministros. A atmosfera é de desnorteamento.

 

A assessoria de Redecker telefonou para o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). De novo, confirmou-se que Redecker se encontrava no avião. Não há, por ora, informações acerca das vítimas dos acidentes. Sabe-se apenas que o avião transportava 175 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Houve vítimas também fora do avião.

 

Pannunzio encontra-se em Maceió (AL). Informado de que a mulher de Redecker aguardava o marido num hotel de São Paulo, o líder tucano telefonou para o governador paulista José Serra. Pediu-lhe que oferecesse auxílio à mulher do colega.

 

Há pouco, também o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), telefonou para José Serra. Informou-se acerca dos detalhes do acidente e obteve a confirmação de que Redecker estava mesmo no vôo. Virgílio disse que espera do governo “uma rigorosa apuração das causas” de mais este acidente. “Há meses que o PSDB denuncia os problemas sobejamente conhecidos que afetam o tráfego aéreo e os principais aeroportos do país, reclamando providências”, acrescentou.

Escrito por Josias de Souza às 20h29

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MP move ação para anular concessão de TV de Jader

  • Tenta-se desfazer uma manobra ‘ilegal’ do governo Lula

  Sérgio Lima/Folha
O procurador da República Rômulo Moreira Conrado foi ao Judiciário para tentar anular uma manobra do governo Lula que livrou o “aliado” Jader Barbalho (PMDB-PA) de uma dívida estimada em R$ 82,4 milhões com a Receita Federal e outros órgãos públicos. A ação do Ministério Público foi protocolada na segunda-feira (16) na Justiça Federal do DF. Mas a providência só foi divulgada nesta terça-feira (17).

 

Rômulo Conrado se insurgiu contra um negócio que começou a ser costurado em junho de 2006 e que foi efetivado seis meses depois, em dezembro. Deu-se o seguinte: com a providencial autorização de um Ministério das Comunicações chefiado pelo senador licenciado Hélio Costa (PMDB-MG), Barbalho logrou transferir a concessão da TV Bandeirantes no Pará, a terceira maior audiência do Estado, da empresa Rede Brasil Amazônia de TV para a firma Sistema Clube do Pará de Comunicação, da qual tornou-se sócio.

 

A Rede Brasil, dona da concessão pública de TV, encontra-se imersa em dívidas com o fisco, a Previdência e o FGTS. O Sistema Clube Pará, ao contrário, opera no azul. Ao transferir para a segunda toda a rendosa atividade da primeira, o deputado Barbalho deixou o governo na incômoda posição de ter de cobrar a dívida de R$ 82,4 milhões de uma organização sem faturamento.

 

Para o procurador Rômulo Conrado, a transferência da concessão de TV da endividada Rede Brasil para o saudável Sistema Clube do Pará não poderia ter sido feita senão por meio de uma licitação, aberta à participação de outras empresas. Daí a ação judicial. O Ministério Público pede que o negócio seja anulado já em decisão liminar (provisória), antes mesmo do julgamento definitivo do processo.

 

O grosso do contencioso de Jader Barbalho com o Estado resulta de uma série de autuações lavradas pela Receita Federal. Os auditores fiscais varejaram os livros da Rede Brasil depois que Barbalho, sob FHC, tornou-se protagonista do chamado “escândalo da Sudam”. Um caso que compôs o rosário de suspeições que levou Jader a renunciar ao posto de presidente do Senado e ao próprio mandato. Com os direitos políticos intactos, o ex-senador pôde candidatar-se à Câmara. E o eleitor do Pará o transformou em deputado.

 

Hoje, Jader é um dos principais conselheiros do companheiro de partido Renan Calheiros, às voltas com um escândalo que ameaça despejá-lo da mesma cadeira de presidente do Senado. Jader converteu-se também em fervoroso aliado de Lula. No último dia 11 de abril, durante um jantar com congressistas do PMDB, o presidente da República fez questão de afagar os adversários do passado, entre eles Jader:

 

"Qual cidadão de pensamento progressista em 1974 não votou no Quércia para senador? Quem é o progressista que, em 1978, não votava em Jader Barbalho, no Pará, para deputado federal?" Sob a fluidez retórica de Lula escondia-se o acerto que o Ministério Público se empenha agora em anular.

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Governo reajusta os benefícios do Bolsa Família

O Diário Oficial desta terá-feira publica um decreto reajustando os benefícios do programa Bolsa Família, motor da popularidade de Lula. O aumento foi, em média, de 18,25%. A partir de agosto, o maior benefício, pago às famílias “extremamente pobres” –renda per capita de R$ 60—passa de R$ 95 para R$ 112.

 

O reajuste custará ao erário, neste ano de 2007, cerca de R$ 400 milhões. O decreto foi divulgado um dia depois de dois dias depois da publicação de uma notícia constrangedora. Revelou-se que há irregularidades na aplicação dos recursos do Bolsa Família em 90% dos 120 municípios fiscalizados pela Controladoria Geral da União (aqui e aqui).

 

É a primeira vez que os benefícios do Bolsa Família são reajustados desde 2003, ano em que Lula chegou ao Planalto. Chegou-se ao percentual de 18,25% calculando-se a variação do INPC no período de outubro de 2003 a maio de 2007.

 

A partir de agosto, o menor benefício pago pelo Bolsa Família passa de R$ 15 para R$ 18. O valor médio dos benefícios sobe dos atuais R$ 62 para R$ 72. Pelas contas do governo, o Bolsa Família reforça o orçamento de 11 milhões de famílias em todo país. Vem daí a legião que mantém nas alturas a popularidade de Lula. Coisa que não há vaia que consiga abalar. Sobretudo porque o socorro aos brasileiros pobres vem, efetivamente, melhorando as estatísticas.

Escrito por Josias de Souza às 16h12

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Senado pede, finalmente, ajuda à PF no Renangate

Depois de atropelar o bom-senso, Renan Calheiros tenta matar o tempo. Porém, a Mesa diretora do Senado transformou os ponteiros do relógio de Renan em espadas. Aprovou-se nesta terça-feira o envio do papelório que compõe a defesa de Renan à Polícia Federal. A decisão foi unânime.

 

Assim, durante o recesso do Legislativo –de 18 a 31 de julho—, a PF irá perscrutar os negócios bovinos de Renan. Numa primeira inspeção, realizada em escassos três dias, identificaram-se incongruências incômodas. A nova perícia deve consumir 20 dias de trabalho.

 

Sintomaticamente, a tropa de Renan, cada vez mais exígua, já trata de desqualificar o envolvimento da PF no caso. Argumenta-se que só o STF poderia ter autorizado a polícia a vasculhar os negócios do presidente do Senado, protegido pelo biombo do foro privilegiado.

 

O pedido de perícia no papelório de Renan já foi enviado ao ministro Tarso Genro (Justiça), superior hierárquico da PF. Ele informou que remeterá a requisição à polícia já nesta quarta-feira (18). Diante dos desdobramentos adversos, o presidente do Senado criticou a "esquizofrenia" da crise em que se vê enredado.  

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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Transviados só queriam, veja você, ‘zoar as putas’

El roto/El Pais
 

Os agressores da empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho foram ouvidos pela Justiça. Eles acomodaram nas páginas do processo um rosário de pérolas. Uma delas é especialmente cintilante. Os jovens bem-nascidos argumentaram o seguinte: na noite em que desceram a mão na trabalhadora, haviam saído de casa para “zoar as putas”.

É enriquecedor observar a “defesa” dos filhos transviados da elite. Será que vale a pena tanto descaso social, tanta falta de oportunidade, tanta mais-valia, tanta má distribuição de renda, para enfurnar a grana no oco de mentes dementes? Desperdício!

 

Depois da inquirição dos réus, o juiz Marcel Laguna Duque Estrada, achou melhor manter a rapaziada atrás das grades. Negou o pedido de liberdade provisória formulado pelos advogados de dois dos cinco encrencados. Chegou a hora de a Justiça zoar com os p...

Escrito por Josias de Souza às 12h04

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As manchetes desta terça

- Folha: Lula se diz "triste" com vaias no Pan

- Estadão: Lobby europeu articula veto à carne brasileira

- Globo: Vaias a Lula abrem guerra entre governo e oposição

- Correio: PT assume a conta do mensalão

- Valor: Produtores rurais preparam empresas para abrir capital

- Estado de Minas: PT paga conta do mensalão

- Jornal do Commercio: Professor não cede

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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Pan (e circo) de Brasília!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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Renan não conta nem com apoio da cúpula do PMDB

  • Partido do senador se nega a soltar nota de desagravo
  • Legenda dissocia união com Lula do desfecho da crise

  Fábio Pozzebom/ABr
A direção do PMDB, legenda de Renan Calheiros, tenta evitar que a crise que rói o prestígio do presidente do Senado contamine toda a legenda. Fez chegar a Lula a informação de que o apoio da legenda ao governo independe do desfecho do Renangate.

 

Nos subterrâneos, Renan vinha ameaçando envenenar as relações do governo com o PMDB, maior partido do consórcio governista, caso o Planalto lhe negasse apoio. A mensagem do partido a Lula sinalizou o contrário. O presidente foi deixado à vontade para adotar a posição política que lhe pareça mais conveniente.

 

Em avaliações internas, a cúpula peemedebista concluiu que não faria sentido exigir de Lula algo que o próprio partido negou a Renan. Há cerca de dez dias, o senador procurou o deputado Michel Temer, presidente do PMDB.

 

Sentindo-se isolado, Renan rogou a Temer que o apoiasse publicamente. Sugeriu a divulgação de uma nota oficial do PMDB. O deputado recusou-se a atender o pedido, sob a alegação de que já não há mais condições políticas para uma manifestação do gênero.

 

O malogro da embaixada de Renan junto a Temer é mais uma evidência da solidão do presidente do Senado. Antes da crise, o senador era um político de mostruário. Embora governista, mantinha relações amistosas com a oposição. O assédio da suspeição restringiu-lhe os movimentos.

 

Em nota, o “DEMO” exigiu que Renan se licenciasse da presidência do Senado. Inicialmente comedido, o PSDB viu-se compelido a seguir as pegadas do parceiro de oposição. Há uma semana, Arthur Virgílio, líder dos tucanos, pediu, do alto da tribuna, o afastamento de Renan.

 

Emparedado, o presidente do Senado, que “presidia” a sessão, reagiu com aspereza: “Se quiserem a minha cadeira, vão ter que sujar as mãos”, deblaterou, socando a mesa. No dia seguinte, informado de que arrostaria um protesto urdido por deputados, Renan esquivou-se de presidir uma sessão conjunta do Congresso.

 

A fuga foi ao noticiário como a primeira evidência concreta de que Renan a suspeição e o comando do Congresso são coisas incompatíveis. A segunda evidência viria no dia seguinte. Munido das prerrogativas de “comandante” do Senado, o presidente Renan adiou a reunião em que a Mesa diretora da Casa decidiria sobre o envio à Polícia Federal de um pedido de aprofundamento da perícia dos documentos que compõem a defesa do réu Renan.

 

O encontro dos senadores que dirigem o Senado, que deveria ter ocorrido na semana passada, está agendado para as 11h desta terça-feira (17). Espera-se que a Mesa do Senado autorize a PF a completar a sindicância preliminar que apontou incongruências nas transações agropecuárias com que Renan diz, bovinamente, ter bancado os repasses financeiros à jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha.

Escrito por Josias de Souza às 03h03

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Entupa a caixa de e-mails dos dirigentes do Senado

A Mesa do Senado reúne-se logo mais às 11h. Os senadores vão decidir algo vital para a elucidação do Renangate: a continuidade da perícia da Polícia Federal sobre os negócios bovinos de Renan Calheiros (PMDB-AL). Nos bastidores, articulam-se novas manobras protelatórias. Você pode interferir nos rumos da reunião.

O Congresso entra em recesso nesta quarta-feira (18). A folga dos congressistas termina em 31 de julho. Serão 14 dias de inatividade. A PF informa que precisa de 20 dias para esquadrinhar o papelório de Renan. Ou seja, se for autorizada a trabalhar, a polícia concluirá o seu trabalho uma semana depois do término da fase de sombra e água fresca dos senadores.

 

A reunião da Mesa será presidida pelo primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). Nesta terça-feira (16), Renan fez o que pôde para inviabilizar a decisão do colegiado. Aparentemente, as manobras não surtiram efeito. Mas, a despeito das negativas, continuam boiando na atmosfera conspurcada do Senado as dúvidas quanto à disposição dos senadores.

 

Assim, talvez convenha a você, caro eleitor, lembrar aos dirigentes do Senado acerca de suas obrigações. O mínimo que se pode exigir, no momento, é a elucidação cabal de todas as dúvidas. Seguem abaixo os endereços eletrônicos dos integrantes da Mesa do Senado.  

 

O repórter inclui na lista o e-mail do próprio Renan. Embora o senador, por razões óbvias, tenha se declarado suspeito para presidir a reunião, você talvez tenha algo a dizer a um político que, embora sitiado pelas dúvidas, julga-se em condições de continuar sentado na cadeira de presidente do Senado. Aí vão os endereços:

 

1) Presidente - Renan Calheiros (PMDB-AL);

2) Primeiro vice-presidente - Tião Viana (PT-AC);

3) Segundo vice-presidente - Álvaro Dias (PSDB-PR);

4) Primeiro-secretário - Efraim Morais (DEM-PB);

5) Segundo-secretário - Gerson Camata (PMDB-ES);

6) Terceiro-secretário - César Borges (DEM-BA);

7) Quarto-secretário - Magno Malta (PR-ES);

8) Suplente - Papaléo Paes (PSDB-AP);

9) Suplente - Antônio Carlos Valadares (PSB-SE);

10) Suplente - João Vicente (PTB-PI);

11) Suplente - Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Blog entra em ritmo de PAC nos próximos 15 dias

Orlandeli
 

 

A quem interessar possa: o signatário do blog acaba de lançar o seu próprio PAC (Programa de Acomodação e Contentamento). Consiste em duas obras: a armação de uma rede e a instalação de um ventilador defronte. Nas próximas duas semanas, o repórter injetará no seu corpo um pouco mais de alma. E testemunhará, de um lugar bem distante desse Brasil bovino, o depósito de sua remuneração no banco sem o desprazer do derramamento de suor. À falta de uma medida provisória que permita ao trabalhador tirar férias de suas dívidas, juro que, logo, logo, estarei de volta. Até lá.

Escrito por Josias de Souza às 01h24

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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