Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Cena política de Brasília exala um cheiro de m...

Cena política de Brasília exala um cheiro de m...

Maluquice momentosa. Matriz mal-ajeitada. Mal-amada. Mulher-objeto. Manceba modelada, marota. Machão maduro, malcasado, meia-idade. Mané-modelo. Miolo mole. Maçanetas mal-viradas. Malícia. Maviosidade. Magnetismo. Mel. Maciez. Mais. Muito mais. Matrimônio mambembe. Mancada. Malogro. Martírio. Mortificação. Malmequer, malmequer. Mexericos.

Maquinações malfeitas. Megalomania. Mufunfa malcheirosa. Mãos molhadas. Mordidas milionárias. Mesadas, mordomias, malas, maletas. Maços. Marreteiros. Malversação. Malabarismo. Malandragem. Mal-entendido. Murici. Maceió. Muares malhados. Manada mágica. Milagre. Matemática maluca. Maquiagem malsã. Mugido maroto. Muuuuuuuuuuuu...

 

Moral maculada. Mandato manchado. Musgoso. Mal-de-lázaro. Maioral-mor marcado. Manda-chuva malsinado. Manga-larga mancador. Mala-sem-alça. Mídia maledicente. Manchetes maldosas. Mal-estar. Manobras malévolas. Mais-que-(im)perfeitas. Manjadas. Macetadas. Mentiras mil. Murmúrios. Marolas. Madrugadas mal-dormidas.

 

Movimentação marota. Muvuca. Mapeamento minucioso. Malha macramé. Muita mandinga, manha, mandracarias, mumunhas. Mansidão. Maceração. Mutirão. Milícia militante. Maloqueiros. Malfeitores. Malandrões. Maganões. Matilha mal-intencionada. Mutatis mutandis, mutantes.

 

Muita munição. Mandamento: matarás. Macacas-de-auditório. Marionetes. Marcação. Metros, milímetros. Minutos, milissegundos. Morde-e-assopra. Mau-caratismo. Monstruosidades. Mandíbulas. Mandril. Maçarico. Machadinha. Marreta. Milho-alpiste. Milk-shake. Marshmallow. Maná. Morosidade. Mutismos. Maneirismos. Máscaras. Magistrados manejáveis. Mutilação.

 

Maldição. Mausoléu. Múmias. Mafuá. Manicômio. Maloca maluca. Mãe-joana. Mangue. Maioria mandona. Minoria maleável. Marte. Macrocosmo mal-assombrado. Mal-ajeitado. Macabro. Mafioso. Maçante. Melancólico. Maçaroca mal-assada. Maionese. Malagueta. Mingau. Marmelada. Mozzarèlla. Má-fé. Maçaranduba maciça. Moralidade minúscula.

 

Multidão muda. Malta manobrada. Massa mal-humorada, mas míope. Mauricinhos microcéfalos. Matula malformada, mal-governada. Marmotas. Matutos. Mulatos. Mulatas. Manemolência máxima. Mão-de-obra macilenta. Marmiteiros. Madalenas. Marias-moles. Marquise? Moradia. Mudança? Mal-e-mal. Muxoxo. Mousse marrom. Meio-mole, meio-dura. Muitíssimo malcheirosa. M.........  

Escrito por Josias de Souza às 22h14

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A política brasileira segundo o traço de Angeli

Escrito por Josias de Souza às 22h10

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A política brasileira segundo o traço de Glauco

Escrito por Josias de Souza às 22h00

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Está procurando um livro fora de catálogo? Achou!

A coisa já existe há muito tempo. Mas o repórter, embora viciado em livros antigos, só tomou conhecimento dela agora. Trata-se de um sítio onde se pode consultar o acervo de 573 sebos e livreiros de 135 cidades. Uma mão na roda. Chama-se Estante Virtual. É utilíssimo para quem, como o repórter, é viciado em livros antigos.

Escrito por Josias de Souza às 21h28

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A pobreza dos outros é muito semelhante à nossa

A pobreza dos outros é muito semelhante à nossa

Quando está próxima de nós, a pobreza é vista –ou deveria ser— como algo criminoso. Quando está longe de nós, em outros países, a pobreza é “apenas” mais uma desgraça. No fundo, no fundo, porém, a pobreza é igual. Inspirado numa máxima de Mário Quintana -"Pobre é o espetáculo predileto dos ricos-, o signatário do blog sugere aos seus 22 leitores que visitem uma exposição de fotos captadas pelas lentes de Boogie, um consagrado fotógrafo sérvio, no cotidiano do Brooklyn, o bairro negro e pobre da maior cidade da nação mais rica do planeta.

Escrito por Josias de Souza às 20h52

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No Acre, Sibá confirma esquema para proteger Renan

José Cruz/ABr
 

De volta ao Acre, depois de renunciar à presidência do Conselho de (falta de) Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC) reconheceu o óbvio: em entrevistas a repórteres de jornais de sua província, disse que há no conselho um “jogo de interesses” para livrar Renan Calheiros (PMDB-AL) de uma punição.

O próprio Sibá fez o que pôde. Conta que, ao repassar à Polícia Federal os documentos da defesa de Renan, para que fossem submetidos a perícia, fez uma recomendação:  "Pedi à polícia que não extrapolasse sua competência", recorda. Esforço vão.

 

O relatório dos peritos da PF, embora preliminar, crivou de dúvidas as alegadas transações agropecuárias com que o presidente do Senado diz ter bancado a pensão alimentícia da filha que teve com Mônica Veloso. Os peritos deixaram claro que o papelório de Renan merece uma averiguação mais vagarosa e detida.

 

Surpreendido pelo teor do texto da PF, o grupo de Renan pôs em movimento o “jogo de interesses”. Segundo as revelações de Siba, o objetivo da milícia parlamentar que está a serviço do acobertamento é transferir as apurações do âmbito do Conselho de (A)ética do Senado para o STF.

 

Ainda segundo Sibá, o cinturão de proteção a Renan mira a disputa presidencial de 2010. Ele conta que o enrolado presidente do Senado rumina a pretensão de tornar-se candidato a vice-presidente da República na chapa de um eventual presidenciável do PMDB.

 

Sibá fez uma outra revelação surpreendente em suas entrevistas acreanas: disse que o ex-relator Epitáfio Cafeteira (PTB-MA), aquele que sugeriu o enterro de um escândalo vivo, sem nenhum tipo de investigação, renunciou ao cargo e não pediu licença para tratamento médico, como vem sendo divulgado. Segundo ele, Cafeteira não estaria agüentando às pressões de aliados e da opinião publica. 

 

De resto, o ex-presidente do Conselho de (pouca) Ética afirmou que decidiu abandonar a apuração do Renangate porque não desejava entrar em conflito com os interesses do seu partido, o PT, e do Palácio do Planalto. As revelações de Sibá foram noticiadas neste sábado pelo sítio Acre 24 Horas. No mesmo endereço, há a reprodução de reportagem veiculada neste final de semana de Veja.

 

A revista relata, a certa altura, que, em conversa com Ideli Salvati (SC), líder do PT, o próprio Renan Calheiros “exigiu que Sibá Machado fosse destituído da presidência do Conselho de, digamos assim, Ética”. O texto prossegue: “Em seguida, Renan brindou o Planalto com uma demonstração de seu poder: parou os trabalhos do Senado e não votou uma única matéria de interesse do governo. Alarmada, Ideli, obedecendo a ordens do Planalto, passou a forçar a renúncia de Sibá Machado”.

 

Há ainda uma entrevista do também acreano Tião Viana (PT-AC), primeiro-vice-presidente do Senado e substituto constitucional de Renan Calheiros. Ele diz que o trabalho do Conselho de (ausência) de Ética terá de ser submetido à Mesa diretora do Senado. Uma mesa presidida pelo réu Renan.

 

“A pressão é muito grande em todo o Senado, principalmente por parte da imprensa e da sociedade brasileira, que querem o esclarecimento e a apuração do caso”, disse Tião Viana. Ele alimentou uma tese que serve aos interesses da milícia parlamentar de Renan.

 

Disse que só o STF, mediante solicitação do presidente do Conselho de (A)ética ou do Ministério Público, poderá autorizar o processo investigativo sobre os negócios bovinos do presidente do Senado. Uma tese vivamente contestada pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). “Se receber um pedido do Senado, o STF vai fazer um aviãozinho com o documento”, diz Demóstenes.

Escrito por Josias de Souza às 17h05

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Da série musica certa para um país muito errado

Que País é Este

 

Renato Russo

 

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis e documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Escrito por Josias de Souza às 10h46

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As manchetes deste sábado

- Folha: Polícia de Londres diz ter encontrado dois carros-bomba

- Estadão: Londres desarma ataques do terror

- Globo: PM fica de prontidão para impedir represália do tráfico

- Correio: Isabela, 14 anos. Um crime bárbaro, três suspeitos

- Valor: Volatilidade dos mercados põe um freio nas captações

- Jornal do Commercio: Crise, vassourada e tiros nos Aflitos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

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Bumba-meu-senador!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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STF 'desengaveta' o inquérito contra Quintanilha

ComposiçãoL/Georges Rado
 

Antes de se tornar presidente do Conselho de Ética do Senado, na noite da última quarta-feira (27), Leomar Quintanilha (PMDB-TO) era um senador invisível. Menos de 24 horas depois de assumir as rédeas do processo contra Renan Calheiros, Quintanilha já freqüentava o noticiário, ele próprio, na condição de suspeito.

Abre-se agora a perspectiva de que um novo facho de luz venha a iluminar a trajetória de Quintanilha. Graças à súbita notoriedade do senador, o STF retirou da gaveta, nesta sexta-feira (29), um dos inquéritos em que é acusado de praticar malfeitorias com verbas públicas.

 

Relator do processo, o ministro Cezar Peluso se deu conta de que a Polícia Federal já anexara ao inquérito o resultado das diligências adicionais que lhe haviam sido solicitadas. No estágio em que se encontram, os autos já deveriam ter sido remetidos ao Ministério Público, para que se pronuncie acerca dos achados da polícia.

 

Faltava uma decisão do relator. E Cezar Peluso, impulsionado pelo noticiário, resolveu agir. Remeteu o processo ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, reempossado no cargo um dia depois de Quintanilha ter virado um dos políticos mais observados do Senado.

 

Instado a aceitar o papel de defensor-mor de Renan Calheiros, Quintanilha acabou dando uma contribuição involuntária para atenuar os efeitos da lentidão do Judiciário. Ao pôr a cabeça para fora do casulo em que costumam se esconder os integrantes do baixo clero parlamentar, o senador trouxe à luz um inquérito que, protocolado no Supremo em novembro de 2002, vagava de gaveta em gaveta há quatro anos e meio.

 

Em articulação que entrará pelo final de semana, a oposição já trama a destituição de Quintanilha. Espera-se que ele próprio tome a iniciativa de renunciar ao posto recém-conquistado. Caso o aliado de Renan se esquive de fazê-lo, enfrentará na próxima semana uma onda de questionamentos.

 

Afora o “desconvite” a Renato Casagrande (PSB-ES), ex-quase-futuro relator do Renangate, há a encrenca do STF, agora amplificada pelo desengavetamento de Cezar Peluso. Antes de se juntar em definitivo ao grupo que quebra lanças para salvar Renan Calheiros, Quintanilha terá de provar-se capaz de defender a si mesmo. O cerco se fecha.

Escrito por Josias de Souza às 22h35

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PSDB quer tirar Quintanilha da direção do conselho

As últimas manobras da milícia parlamentar pró-Renan empurraram o PSDB, elo mais moderado da corrente de oposição, para as proximidades da trincheira radical aberta pelo DEM. O tucanato ainda não pede que o presidente do Senado se licencie do cargo, como fizeram os “democratas”, mas já defende a exclusão do PMDB, partido de Renan, dos postos de comando do Conselho de (falta de) Ética do Senado.

 

Em nota divulgada nesta sexta-feira (29), o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), escreve: "O quadro se agrava –então, o ideal é afastar qualquer solução doméstica. Teria de ser afastado, momentaneamente, dos postos diretivos do conselho, qualquer parlamentar ligado ao partido de Renan Calheiros."

 

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), vai na mesma linha. Falando ao blog, Agripino disse que seu partido “revogou o voto de confiança” que dera a a Leomar Quintanilha (PMDB-TO) na noite da última quarta-feira (27), quando ele prevaleceu sobre Virgílio, numa votação em que teve nove votos contra seis dados ao líder tucano.

 

O acirramento de ânimos deve envenenar a atmosfera da próxima reunião do conselho, marcada para terça-feira (3) da semana que vem. No mesmo dia, PSDB e DEM reúnem as suas bancadas para decidir o que fazer para tentar se livrar da encrenca que rói não apenas a biografia do senador Calheiros, mas a credibilidade do próprio Senado.

 

O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), convidado e “desconvidado” para o posto de relator do processo contra Renan, advoga a tese de que os líderes partidários precisam conversar, para construir uma solução suprapartidária. Acha, também ele, que, acima de Renan, está o Senado. Alheio a todos os esforços restauradores, o PMDB articula agora, veja você, a destituição do Conselho de Ética dos governistas que, como Casagrande, desejam realizar uma investigação de verdade.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Governo decide afrouxar Estatuto do Desarmamento

O governo baixou uma medida provisória que impõe um afrouxamento do Estatuto do Desarmamento. A mudança mais polêmica é a dispensa de comprovação de capacidade e aptidão psicológica para os portadores de armas com calibre igual ou inferior a 22. Outra modificação controversa é a renovação automática do porte de armas particulares de policiais.

 

Adotaram-se, de resto, providências que vinham sendo reclamadas pelas empresas de segurança. Ampliou-se de 2 de julho para 31 de dezembro o prazo para recadastramento de armas. E reduziu-se a taxa de renovação dos portes de arma de R$ 300 para R$ 60.

 

A medida provisória leva o número 379/2007 (íntegra aqui). Foi assinada por Lula e pelo ministro Tarso Genro (Justiça). Encontra-se publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (29). Entrou em vigor imediatamente, embora ainda precise ser referendada pelo Congresso Nacional.

 

Defensor entusiasta do Estatuto do Desarmamento, transformado em lei no dia 22 de dezembro de 2003 (íntegra aqui), o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), está inconformado com o conteúdo da medida provisória. Critica, por exemplo, a dispensa de avaliação psicológica para os portadores de armas com calibre 22.

 

Para Jungmann, o governo autorizou "qualquer perturbado" a portar armas. "Um maluco, com uma carabina calibre 22 semi-automática pode provocar um massacre. Calibres pequenos também matam", diz ele. O deputado insurge-se também contra a renovação automática do porte de armas privadas de policiais.

 

“A CPI do Tráfico de Armas apurou que uma das maiores fontes de desvio de armas para o mercado clandestino é justamente o manancial de armas particulares de militares, policiais e demais categorias", afirma Jungmann. “Diante desse quadro, por que o governo tem de renovar automaticamente o porte de armas particulares de policiais? Sinceramente, não vejo sentido nisso”.

 

Nos seus três anos de vigência, o Estatuto do Desarmamento é apontado como um dos responsáveis pela redução no número de homicídios no país. Desde a aprovação da lei, foram recadastradas 455 mil armas que eram mantidas na clandestinidade por seus proprietários. Outras 500 mil armas foram entregues voluntariamente ao governo, por meio da Polícia Federal. É pouco. Estima-se que ainda existam no Brasil algo como 15 milhões de armas sem cadastramento. Daí a prorrogação do prazo.

Escrito por Josias de Souza às 16h51

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As manchetes desta sexta

- Folha: Entidades acusam polícia de abusos em ação no Rio

- Estadão: Lula e ministros saem em defesa de Renan

- Globo: Polícia já planeja cerco a Rocinha e mais 4 favelas

- Correio: Acusado de corrupção chefia tropa de Renan

- Valor: Volatilidade dos mercados põe um freio nas captações

- Estado de Minas: Piso salarial de professor vai a R$ 850 em janeiro

- Jornal do Commercio: Sport arrebenta: 4x1

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h17

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Grudado!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Sem apuração, Casagrande prevê ‘enterro’ de Renan

Sem apuração, Casagrande prevê ‘enterro’ de Renan

  José Cruz/ABr
Convidado e ‘desconvidado’ para o posto de relator do Conselho de Ética em menos de 24 horas, o governista Renato Casagrande (PSB-ES) diz que não há outro caminho senão o “aprofundamento das investigações”. Do contrário, afirma, “vamos continuar matando o Senado aos pouquinhos” e Renan Calheiros “vai enterrar a vida pública dele”. Leia abaixo a entrevista:

- O que achou do ‘desconvite’?

Chegamos ao limite. Foi muito constrangedor. Não pedi pra se relator. O Leomar [Quintanilha, novo presidente do Conselho de Ética] fez o convite de público. Combinamos de nos encontrar nesta quinta-feira, logo cedo. Eu daria a resposta e íamos tocar a vida. Mas a condução dele foi inadequada, deselegante.

- Como imaginava tocar a vida?

Minha primeira atitude seria encaminhar um ofício ao Paulo Lacerda [diretor da PF], pedindo para concluir a perícia nos documentos. Mandei até redigir o ofício. Ia levar em mãos, para saber quantos dias ele precisava.

- Estava, portanto, decidido a ser o relator?

Sim. Comuniquei a todos que me procuraram: os líderes do PDT, do PMDB, do PT... Disse: fui escolhido relator, decidi aceitar e meu caminho é esse.

Quando soube que a coisa havia gorado?

Passei o dia tentando falar com o Leomar. Só consegui falar com ele às 17h15.  

- Ligava e ele não atendia?

Liguei o dia inteiro pra ele.

- O que acha que aconteceu?

Ele deve ter sido muito pressionado. Quando consegui falar, ele me disse: ‘Olha, Renato, decide fazer primeiro uma consulta à assessoria jurídica do Senado, pra ver quais são as impropriedades que existem no processo. Só depois vou escolher o relator.

- Como reagiu?

- Eu disse a ele: então é isso? Você não escolheu o relator, eu não sou o relator e você vai decidir depois? Então, se voltar a me convidar, faça pessoalmente. Não convide de público, não. Daí, fui dar uma satisfação para a imprensa. Dei as informações e a imprensa foi pra cima do Leomar. Ele, então, disse que não é bem assim, que depois da avaliação da assessoria jurídica vai falar comigo. Agora sou eu que tenho que pensar. Minha relatoria está sobrestada.

- Se o convite for refeito, vai aceitar?

Tenho que avaliar esse documento da assessoria jurídica do Senado. Quero saber se vão me deixar trabalhar, se não vou sofrer a cada dia um novo revés. Imagine se a assessoria jurídica disser que é preciso restringir a apuração. Nesse caso, não tenho nenhuma condição de ser o relator.

- O sr. e os petistas Eduardo Suplicy e Augusto Botelho vão continuar defendendo a continuidade da apuração?

Se tentarem limitar a investigação, é óbvio que o conselho vai reagir. Eu, o Suplicy e o Augusto Botelho temos uma posição conjunta. E vai continuar assim, na linha da defesa do aprofundamento da investigação. Só tem esse caminho. Para o Senado e para o próprio Renan. Ou investigamos e chegamos a alguma conclusão ou vamos continuar matando o Senado aos pouquinhos. Sem uma elucidação cabal, o Renan vai enterrar a vida pública dele.  

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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Quintanilha é acusado de 'formação de quadrilha'

  • Senador é investigado em caso análogo ao ‘sanguessuga’

José Cruz/ABr

 

O novo presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), responde a inquérito no STF. Ele é acusado em processo que apura um esquema de troca de emendas ao Orçamento da União por propinas de empreiteiras. Responde por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Os desvios foram estimados pelo Ministério Público em pelo menos R$ 25 milhões.

 

O caso é semelhante ao escândalo das sanguessugas. A diferença é que, em vez de verbas para a compra superfaturada de ambulâncias, os congressistas sob suspeição são acusados de injetar no Orçamento da União dinheiro para obras fraudadas em Tocantins. Há no inquérito seis dezenas de réus. A lista inclui cinco políticos, todos de Tocantins. Entre eles está Leomar Quintanilha.

 

Denunciado na primeira instância do Judiciário, o caso subiu ao STF por conta do envolvimento de parlamentares, que dispõem do chamado privilégio de foro. A acusação foi formulada em 2002 pelo procurador da República Mario Lucio Avelar. Na ocasião, Avelar trabalhava em Palmas (TO). Depois, transferido para Cuiabá (MT), ajudou a desbaratar a máfia das ambulâncias. Serviu-se da experiência que adquirira ao investigar a máfia tocantinense de obras.

 

O caso de Tocantins envolve cerca de 30 empreiteiras. Muitas delas eram empresas fantasma. Serviam apenas para participar de licitações fraudulentas, dando ares de concorrência a disputas de fancaria. A apuração foi feita com a ajuda da Polícia Federal e da Receita. Realizaram-se escutas telefônicas e operações de busca e apreensão de documentos. Quebraram-se sigilos bancários. 

 

Entre os papéis apreendidos há uma relação de pagamentos de propinas a políticos. O dinheiro foi repassado, de acordo com o Ministério Público, ora diretamente ora por meio de assessores e parentes. Dois dos envolvidos foram vinculados a Leomar Quintanilha. Receberam das empreiteiras cerca de R$ 280 mil em cheques. Há também nos autos pelo menos um recibo com o nome do senador Quintanilha. Refere-se a suposta propina de R$ 10 mil. Foi apreendido na sede de uma construtora chamada Talismã, acionista de outra empreiteira apontada como cabeça de todo o esquema de Tocantins, a Mendes & Fachini.

 

Há dois inquéritos relacionados ao caso. Ambos mencionam Quintanilha. Correm no STF, sob segredo de Justiça. O primeiro trata de corrupção. O outro, de sonegação de tributos. Os desvios praticados nas obras de Tocantins sorveram até verbas federais destinadas a obras populares –construção de banheiros públicos e casas para pessoas de baixa renda, por exemplo. Muitas delas nem sequer foram erigidas.

 

De acordo com o Ministério Público, a quadrilha das obras de Tocantins começou a agir em 1997. As empreiteiras venciam licitações de forma fraudulenta. Superfaturavam os preços. Consumada a fraude, pagavam propinas a prefeitos responsáveis pela assinatura dos contratos e a congressistas que destinavam, por meio de emendas ao Orçamento, verbas federais para as obras irregulares.

 

Menos de 24 horas depois de ter sido eleito para comandar o Conselho de Ética, Quintanilha revela-se, ele próprio, um candidato a fazer companhia a Renan Calheiros e a Joaquim Roriz no banco de réus do colegiado sob sua presidência. O processo que traz o nome de Quintanilha impresso em suas páginas ainda nao foi julgado. O senador é, por ora, um suspeito, não um culpado. Ainda assim, parece óbvio que não é a pessoa mais talhada para desempenhar a atribuição que lhe foi conferida.

 

A despeito das evidências, Quintanilha não parece constrangido. Bem ao contrário. Afirma que são improcedentes as acusações formuladas contra ele no STF. "Não devo nada. Meu compartamento no Senado fala por mim". Quintanilha manifesta a intenção de permanecer na direção do Conselho de (falta de) Ética.

Escrito por Josias de Souza às 21h43

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O Leomar da ‘quartanilha’ é outro na ‘quintanilha’

Folha
Durou menos de 24 horas a febre moralizadora do Conselho de (falta de) Ética do Senado. Acomodado na presidência do órgão “julgador”, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) convidou Renato Casagrande (PSB-ES) para assumir a relatoria do processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL). Depois de consultar o travesseiro e a direção de seu partido, Casagrande topou, desde que o deixem investigar. Deu-se, então, o “desconvite”.

Descobriu-se que o Leomar da “quartanilha” é um e o Leomar da “Quintanilha” é outro bem diferente. O primeiro Leomar tinha a cara de presidente de um colegiado. O segundo tem as feições de um senador teleguiado, cujos movimentos são presididos pelo pelotão de choque do réu Renan Calheiros.

 

No instante em que fez o convite a Casagrande, “Quartanilha” tinha como testemunha um Brasil atônito, que acompanha com mórbido interesse a programação da TV Senado. No momento em que deu meia-volta, “Quintanilha” tricotava, longe das câmeras, com o grupo de Renan, que farejou nas pretensões de Casagrande um pé-direito excessivamente alto.

 

O ex-quase-futuro-relator revelou-se espaçoso demais para “investigações” que, na opinião dos asseclas de Renam, cabem numa gaveta. “Quintanilha” tentou justificar-se com Casagrande. Disse que decidiu submeter o processo à análise da assessoria jurídica do Senado antes de definir o nome do relator. Ele mira na protelação, mas o tiro pode ricochetear, acertando um alvo indesejado.

 

Ao desdizer o que dissera na “Quartanilha”, “Quintanilha” como que empurra parte dos votos que obteve –o do próprio Casagrande e o de Eduardo Suplicy (PT-SP)—, por exemplo, para o colo da oposição, hoje minoritária no Conselho de Ética. Talvez por isso, "Quintanilha" esteja tentando, agora à noite, ajeitar as coisas, de modo a ter uma "Sextanilha" menos constrangedora.

 

De concreto, tem-se, por ora, o seguinte: 1) do alto da presidência do Senado, Renan Calheiros comanda os rumos do processo contra Renan Calheiros; 2) a tropa de choque do réu não aprendeu nada com a sucessão de equívocos que produziu a fuga de dois relatores e de um presidente do Conselho de (falta de) Ética; 3) o Sehado continua ladeira abaixo. Sibá Machado bateu em retirada sob o argumento de que ninguém queria ser relator. Agora, há um relator disposto a dar seguimento às investigações. O que não há é interesse em investigar.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

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Roriz vai à tribuna, chora, esbraveja e não explica

  Fábio Pozzebom/ABr
Seis dias depois de ter sido atropelado por um grampo telefônico comprometedor, Joaquim Roriz (PMDB-DF), escalou a tribuna do Senado para se defender. Ele proibiu os apartes, chorou, vociferou contra a imprensa, criticou o vazamento de informações sigilosas, declarou-se devoto de Nossa Senhora, etc, etc e tal. No essencial, nada acrescentou ao frágil conteúdo de uma nota oficial que divulgara no início da semana.

Roriz é assediado pela suspeita de ter partilhado rateio de um cheque de R$ 2,2 milhões cuja origem encontra-se sob investigação policial. O senador alega que o dinheiro era de Nenê Constantino, presidente do conselho de administração da Gol, de quem teria tomado emprestado R$ 300 mil. Diz ter usado o dinheiro para pagar uma novilha que arrematara em leilão.

 

O cheque era do Banco do Brasil. Mas foi descontado no Banco de Brasília. Nada a estranhar, acredita Roriz: “Trata-se de operação legal, que as instituições bancárias normalmente realizam, com o propósito de atrair clientes de grande porte, como é o caso do beneficiário do cheque. Qual o banco neste país que não gostaria de ter Nenê Constantino como cliente?”

 

Roriz é um homem rico. Ele próprio reconhece: “Nasci em excelentes condições de vida, em família abastada. Com meu trabalho, ao longo dos anos –antes de fazer política eu era empresário—, aumentei o patrimônio do meu saudoso pai. Tenho negocio de criação de gado de raça, de alta tecnologia”.

 

Por que diabos teve de pedir dinheiro emprestado? “No dia deste empréstimo, naturalmente, não disponha dos recursos para realizar o pagamento”. Por que não recorreu às suas empresas, tão prósperas? “Tenho empresas, várias empresas. Mas não funciono em nenhuma delas, porque a vida pública não permite. Quem administra são as minhas filhas. Portanto, por esta razão, socorri-me com um amigo.”

 

E quanto aos diálogos telefônicos, cujo conteúdo sugere coisa diferente do que diz o senador? “Não posso ser tratado dessa forma maliciosa só pela infelicidade de diálogos que mantive com presidente do BRB. Sabe-se que numa conversa telefônica entre amigos [...] nem sempre as expressões utilizadas têm a exata correspondência com o contexto da mensagem pretendida. Sou um homem simples, de fala simples, de expressões normais do dia-a-dia”.

 

O senador recorreu a um gesto que, por teatral, tem efeitos jurídicos nulos. Brandiu duas folhas de papel assinadas em branco. Disse que as entregaria à Mesa diretoria do Senado, para que fossem remetidas ao STF e à Polícia Federal. “Escrevam o que quiserem”, disse Roriz. Sugere que sejam quebrados os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Algo que, obviamente, não pode ser feito senão por meio do devido processo legal, mediante autorização judicial.

 

De resto, Roriz encaminhou aos senadores e ao Conselho de Ética do Senado documentos que, segundo diz, atestam a veracidade de suas palavras. Em meio aos papéis, há um “contrato de mútuo” sem registro em cartório, além de nota fiscal e depósito cujas datas não guardam coerência com o período em que teria tomado o suposto empréstimo. O PSOL tratou de realçar as incongruências.

 

Roriz fez questão de solidarizar-se com o colega Renan Calheiros que, como ele, está sendo "massacrado" pela imprensa. No finalzinho do discurso, fez questão de dizer também que, embora tenha sido contrário ao ingresso do PMDB na coalizão governamental, votou a favor de todos os projetos que Lula enviou ao Congresso. “E continuarei votando.”

 

Concluída a sua fala, Roriz disse que seguiria para um encontro divino: “Vou sair e prostrar-me de joelhos, na Catedral de Brasília, e orar até anoitecer. Vou agradecer a Deus e a Nossa Senhora por terem me dado forças para vir aqui, para dizer a verdade e somente a verdade.” A julgar pela audiência do discurso, Roriz terá de rezar outras vezes.

 

Dos 81 senadores, apenas 13 se dignaram a comparecer ao plenário. Do partido de Roriz, o PMDB, dono de uma bancada de 20 senadores, só havia quatro. O líder Valdir Raupp (PMDB-RO) limitou-se a dizer que está “na torcida” para que Renan consiga sair do episódio “com a cabeça erguida”.

Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Últimas novidades sobre o tour-de-farsa brasiliense

- Bumba-meu-boi: segue no Senado aquele bailado impopular de cunho cômico-dramático. Como se sabe, a dança foi organizada para divertir a platéia enquanto os senadores de presépio procuram uma maneira de enterrar vivo o escândalo que devora Renan Calheiros (PMDB-AL). Nesta quinta (28), Renato Casagrande (PSB-ES) topou assumir a relatoria do caso. Impôs, porém, uma condição: quer liberdade para escarafunchar os negócios bovinos de Renan. Lero vai, lero vem, a tropa de Renan torceu o nariz. E o convite feito a Casagrande na véspera subiu no telhado. Voltou a circular a tese do grupo suprapartidário de três relatores. Grupo “independente”, obviamente. Com gente da oposição. Quem? Ora, ele: o senador Romeu “Quero Absolver” Tuma (DEM-SP). Menos de 24 horas depois de ter sido eleito para “resgatar” a credibilidade do Conselho de (Falta de) Ética, o substituto de Sibá Machado, o “presidente” Leomar Quintanilha (PMDB-TO), já está sendo presidido pelo grupo de Renan. 

- Boi-bumbá: depois de vagar pelo noticiário por seis dias, o boi Roriz entrou na roda-viva em que giram os mandatos sob suspeição. Como prometera, o PSOL protocolou na Mesa Diretora do Senado, presidida pelo réu Renan, uma representação contra o ex-governador do Distrito Federal. O caso será levado ao mesmo Conselho de (Falta de) Ética. "São denúncias gravíssimas”, diz Heloisa Helena (AL), presidente do PSOL. “Só enriquece em política quem é ladrão. Não existe fórmula que leve alguém com salário a enriquecer. E se estão apresentado fórmulas mágicas para justificar o enriquecimento, têm que ser investigadas." De fato, as suspeitas contra Joaquim Roriz são cada vez mais graves. Tão graves que, neste caso, Romeu não quer absolver. Tuma diz que os indícios de quebra de decoro parlamentar são claros.

 

 

- Pisando em ovos: como que sentindo o bafo da crise roçar-lhe a nuca, Lula esboçou nesta quinta um suporte retórico a Renan Calheiros (aqui e aqui). Deu-se na cerimônia de posse do procurador–geral da República Antonio Fernando de Souza, reacomodado no comando do Ministério Público por mais dois anos. O réu Renan estava presente. Sem mencionar-lhe o nome, Lula disse: "Eu sempre parto do pressuposto de que a democracia garante que todos são inocentes até prova em contrário. Todos precisam ter um julgamento feito com a maior lisura possível para que não se cometa nenhum erro de omissão e nenhum erro de exagero em qualquer uma das nossas instituições." O presidente completou: "Não há nada pior para democracia que é alguém ser condenado, sem ter cometido crime. É tão grave quanto alguém ser absolvido e ter tido cometido crime." Disse mais: "Daí o ponto de equilíbrio, o equilíbrio da Justiça, de fazer a boa e sensata investigação, doa a quem doer, mas ao mesmo tempo tendo consciência de que dos 190 milhões de brasileiros, do mais humilde que vive no anonimato até um presidente da República, todos têm que ter a chance de provar a sua inocência antes de serem condenados." Lula tem razão. O problema é que, diferentemente do o brasileiro humilde, certos senadores acham-se no direito de impedir a verificação da autenticidade das supostas provas em contrário. São “investigados” por colegas que pisam em ovos. Os ovos do povo.

 

 

- O cerco: na falta de uma oposição mais vigorosa, alguns pequenos partidos tentam fazer no presente o que o ex-PT fazia no passado. O PPS foi ao STF para pedir que Renan Calheiros faça por pressão o que evita fazer por obrigação. Em mandado de segurança impetrado nesta quinta, o partido pede que o Supremo obrigue Renan a convocar sessões do Congresso Nacional. Alega que há na fila nada menos que 881 vetos de Lula por votar. Simultaneamente, o PSOL lança a campanha "Basta de Corrupção, Fora Renan". Tenta-se estimular a sociedade a participar da cruzada pela limpeza do Congresso. O esquadrão de defesa de Renan faz ouvidos moucos para a gritaria. Argumenta-se que isso passa. Uma boiada desembestada também passa. Mas é preciso ver o estado em que fica o pasto depois da passagem.

Escrito por Josias de Souza às 14h56

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As manchetes desta quinta

- Folha: Ação policial mata ao menos 19 no Rio

- Estadão: Operação no Rio deixa 13 mortos

- Globo: Polícia invade Alemão e mata 19

- Correio: Renan põe outro aliado para presidir conselho

- Valor: AES negocia acordo para quitar dívida bilionária

- Estado de Minas: Câmara abre processo contra deputado de MG

- Jornal do Commercio: As vésperas do Pan, 19 mortos no Rio

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Timidez moral!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h09

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Insatisfeito com o Congresso? Ainda não viu nada!

Alan Marques/Folha
 

Estudo feito pela Transparência Brasil comparou o custo do Congresso brasileiro ao de casas legislativas de outros 12 países. Com um orçamento congressual de R$ 6,1 bilhões para o ano da graça de 2007, o Brasil só perde, em números absolutos, para os EUA (R$ 8,1 bilhões).

Considerando-se, porém, o nível de riqueza dos países pesquisados, o nosso Congresso é o mais caro. Medindo-se o descalabro pela relação com o salário mínimo anual, o Legislativo brasileiro é o mais dinheiro sorve do bolso do contribuinte, com um percentual de 0,66%. O mais barato é o do Reino Unido, com 0,06%. Aferindo-se a encrenca pela régua do PIB per capita, o Parlamento do Brasil é, de novo, o mais oneroso, com percentual de 0,18%. O mais em conta, por esse parâmetro, é o da Espanha, com 0,02%— ou 8,4 vezes a menos.

Entraram na comparação, além do Brasil, o Chile, a Espanha, a Alemanha, a Argentina, o Canadá, os EUA, a França, o Reino Unido, a Itália, o México e Portugal. Sob as duas cuias de Niemeyer –a do Senado, virada para cima, e a do Senado, emborcada—, torram-se R$ 11.545,04 por minuto para bancar as atividades dos 81 senadores e dos 513 deputados. Um gasto 12 vezes maior do que o realizado, por exemplo, pelo Parlamento da Espanha.

O custo médio de cada congressista brasileiro é de estratosféricos R$ 10 milhões por ano. Nos legislativos da Europa e do Canadá, o custo médio por parlamentar é de cerca de R$ 2,4 milhões por ano.

O signatário do blog reitera a sua convicção de que os críticos do Congresso, esses sujeitos que insistem em insuflar a opinião pública contra os seus representantes, deveriam ser processadas judicialmente. O problema é que, normalmente, os detratores do Legislativo desfrutam de imunidade parlamentar.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Renan pede ajuda, mas Lula decide não se envolver

  Alan Marques/Folha
Em encontro com Lula, Renan Calheiros disse que sua eventual saída da presidência do Senado submeteria o governo a graves riscos. Afirmou que a oposição trama a sua queda, para se apoderar do controle de seu cargo. Citou a nota do DEM, divulgada na véspera, cobrando que ele se licenciasse do cargo. O presidente entendeu a peroração do aliado como um pedido de ajuda.

A despeito disso, de acordo com relatos de confidentes do presidente, a visita de Renan não alterou a disposição de Lula de manter o governo longe da encrenca que corrói o prestígio e a autoridade de seu aliado. Ele manteve o mesmo entendimento que vem adotando desde o início da crise.

 

Mostra-se pessoalmente solidário a Renan. Diz que gostaria que o "amigo" se safasse. Mas acha que o problema deve ser resolvido no âmbito do Congresso, a partir das explicações que Renan for capaz de fornecer. O envolvimento direto do governo seria recebido pela opinião pública, acredita Lula, como algo inapropriado.

 

Partiu de Renan o pedido de encontro com o presidente da República. O senador se ressente da falta de suporte do governo. Queixa-se de que, afora o PMDB, os demais partidos do consórcio governista, incluindo o PT de Lula, têm se mostrado pouco solidários a ele. Disse que, com ou sem apoio, não arredará o pé da presidência do Senado.

 

Depois de avistar-se com Renan, Lula recebeu a líder do PT, Ideli Salvati (SC); e o primeiro-vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). Ambos discorreram sobre os detalhes da borrasca que envenena a atmosfera do Senado. E não ouviram nenhuma recomendação específica para que o PT se envolva mais do que já vem se envolvendo no esforço para preservar Renan.

 

Em privado, Lula parece mais interessado em assegurar que a presidência do Senado se mantenha em mãos aliadas caso Renan se veja compelido a deixar o cargo. Preocupa-o mais a manutenção do ritmo das votações do que propriamente a operação de salvamento de Renan que, a seu juízo, depende da consistência dos argumentos do próprio senador.

 

No Senado, dois aliados de Renan disseram ao blog que o presidente do Senado obtivera de Lula o compromisso de ajuda. Uma versão bem distinta da que foi contada por assessores do Planalto. Ali, diz-se que Lula preocupa-se em preservar as boas relações do governo com o PMDB, maior partido do consórcio que dá suporte a ele no Congresso. Chegou a dizer a Ideli e Tião Viana que considerou um erro a indicação de Eduardo Suplicy (PT-SP) para o Conselho de Ética do Senado. Mas daí a envolver-se diretamente na barafunda vai uma enorme distância.

 

Informado acerca das observações de Lula, que, no início da noite, já haviam ganhado a internet, Suplicy respondeu à sua maneira, diante das câmeras da TV Senado. Deu-se durante a sessão do Conselho de Ética. O senador afirmou que está apenas tentando chegar à verdade. Aproveitou para repisar a sugestão de que Renan compareça ao conselho, para elucidar as dúvidas remanescentes. Ideli, que estava presente à sessão, negou, em timbre irritado, que Lula houvesse se referido a Suplicy. A despeito da negativa da líder do PT, a menção ao petista-problema fora, de fato, feita.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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Bezerra de ouro!

 

Visite o Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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Gravação indica que Renan pedia dinheiro a lobista

  • No conselho de ética, PMDB mantém o cinturão protetor

Acusado de usar dinheiro alheio para cobrir gastos pessoais, Renan Calheiros disse que, em verdade, Cláudio Gontijo, o lobista da Mendes Júnior, não era seu provedor. Longe disso. Funcionava como mero pombo-correio entre ele e sua ex-amante Mônica Veloso. Um intermediário conveniente de envelopes de dinheiro.

 

Nesta quarta-feira, surgiu um lote de seis CDs. Contêm diálogos que podem mudar o rumo da prosa. Foram gravados pela própria ex-amante do presidente do Senado. Indicam que, em vez de dar, Renan talvez pedisse dinheiro a Gontijo.

 

Os CDs foram entregues ao Conselho de Ética do Senado pelo advogado da ex-amante, Pedro Calmon Filho. O mesmo que, em depoimento no próprio conselho, negara que sua cliente houvesse gravado os interlocutores. A Globo tocou, em reportagem, um trecho do áudio. 

 

Seja como for, os diálogos passam a integrar o monturo de indícios à espera de investigação. Falta aparecer quem se disponha a investigar. Na noite desta quarta-feira (24), manteve-se no Conselho de Ética o cinturão de isolamento que protege Renan Calheiros.

 

Depois da renúncia de Sibá Machado (PT-AC), assumiu a presidência do conselho o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). A missão que recebeu do partido é a de tentar levar a apuração apenas até o limite da conveniência. A tropa de Renan parece não ter aprendido nada com os erros que expõem o Senado ao ridículo.

 

O PMDB alçou Quintanilha ao comando do conselho com a providencial ajuda do PT e do PSB. Ele derrotou por nove votos contra seis o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que se apresentou como candidato “independente” na manhã desta quarta.

 

Com receio de perder votos para Virgílio, Quintanilha indicou para relator do Renangate, antes da coleta dos votos, o colega Renato Casagrande (PSB-ES). Nas duas últimas sessões do conselho, Casagrande vinha defendendo a necessidade de cavoucar um pouco mais os negócios agropecuários que Renan alega ter feito. Se aceitar o posto de relator e se mantiver a disposição de elucidar as dúvidas, Casagrande pode atenuar o cheiro de marmelo que se espraia pelo Senado Federal.

Escrito por Josias de Souza às 23h28

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Virgílio decide disputar conselho mesmo sem acordo

Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, vai disputar a presidência do Conselho de Ética do Senado mesmo depois de ter arrostado um veto do PMDB. O tucano decidiu confrontar no voto o nome a ser indicado pelos peemedebistas. Seu provável adversário será Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Nesse momento, os dois lados cabalam votos no plenário do Senado, reunido para votar medidas provisórias. Virgílio vai à disputa na condição de azarão. Então em jogo os votos dos 15 senadores que integram o Conselho de Ética na condição de titulares. Desse total, o líder tucano imagina que terá pelo menos sete: três de seu próprio partido, três do DEM e o de Jefferson Peres (PDT-AM).

Um detalhe injeta suspense no processo de escolha do novo presidente do conselho: o voto será secreto. Sempre há, portanto, o risco de que senadores filiados ao consórcio governista migrem para a opção Virgílio.

Para poder concorrer, Virgílio teve de retirar do Conselho de Ética a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). A colega passou a ser suplente e o senador converteu-se em membro titular do colegiado. A troca foi aprovada há pouco pelo plenário do Senado. 

Escrito por Josias de Souza às 19h28

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Sem Virgilio, Mercadante recusa Conselho de Ética

  Alan Marques/Folha
Um veto do PMDB inviabilizou a tentativa de acordo que se esboçava no Senado para acomodar o tucano Arthur Virgílio e o petista Aloizio Mercadante na presidência e na relatoria do Conselho de Ética, respectivamente. Depois de negar apoio a Virgílio, os peemedebistas tentaram convencer Mercadante a tornar-se presidente do conselho. Mercadante topou, desde que pudesse indicar Virgílio para relator. O partido de Renan, de novo, vetou o líder do PSDB. E Mercadante retirou-se da articulação.

“Serei solução se for por consenso”, disse Mercadante ao blog. “Não vou participar de um processo como esse se não houver um acordo de todas as forças políticas.”

A tentativa de acordo nasceu de uma reunião da bancada do PSDB, realizada na manhã desta quarta-feira (27). Aprovaram-se no encontro duas diretrizes: 1) as principais lideranças do Senado têm de se envolver diretamente no esforço para descarcar o abacaxi do Renangate; 2) o PSDB encaminharia uma proposta de parceria com o PT, para comandar os trabalhos do Conselho de Ética.

O blog apurou que, consultado, Aloizio Mercadante se dispôs a fazer a dobradinha com Virgílio. Em privado, deliberou-se que, havendo acordo, o líder do PMDB poderia ser presidente e Mercadante relator ou vice-versa, a depender da conveniência das bancadas.

Iniciadas as consultas, o PMDB se opôs à idéia de entregar a presidência do conselho a um senador da oposição. Topou acomodar Mercadante na presidência. O senador petista concordou, desde que o relator fosse Arthur Virgílio. Mas o PMDB vetou Virgílio também para o posto de relator. E Mercadante refluiu.

“Não tendo acordo, eu não sou solução”, disse Mercadante aos líderes do bloco governista (PT e PSB) e do PMDB. E o Conselho de Ética mergulhou novamente num impasse. No momento, o PMDB tenta construir um nome alternativo para a presidência do conselho.

O primeiro nome em cogitação é o de Almeida Lima (PMDB-SE), um fervoroso defensor de Renan Calheiros. Busca-se o apoio do PT e do PSB. Informado sobre a manobra, o tucanato passou a acenar até com a hipótese de retirar-se do Conselho de Ética.

A segunda alternativa do PMDB é o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Embora menos enfático na defesa pública de Renan, a hipótese de Quintanilha fazer algo que contrarie os interesses do presidente do Senado é próxima de zero.

Escrito por Josias de Souza às 18h16

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Últimas novidades sobre o tour-de-farsa brasiliense

- Rei morto: Depois de bater em retirada da presidência do conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC) subiu, nesta quarta-feira (27), à tribuna do Senado. Numa tentativa vã de justificar-se, atribuiu a fuga aos reparos que governistas e oposicionistas fizeram à sua atuação. Não deu nome aos bois, hoje tão encontradiços no Senado, sobretudo os de presépio. Sibá fez um discurso desnecessário. Os gestos do orador, por inexplicáveis, dispensam explicação.

 

- Rei posto: com o cadáver de Sibá ainda fresco, o PSDB lançou o nome de seu líder, Arthur Virgílio (AM), como candidato à presidência do Conselho de Ética. Virgílio diz que já dispõe de “número suficiente” de adesões para ser alçado à cadeira  desocupada por Sibá. Prega o “resgate” do conselho. E antecipa uma primeira providência: vai nomear Aloizio Mercadante (PT-SP) para o posto de relator do processo contra Renan Calheiros. Virgílio e o PSDB têm adotado no Renangate um posicionamento prudente. Tão prudente que beira à dubiedade. Há no Conselho de Ética um muro. De um lado estão os soldados de Renan. De outro, os defensores de da investigação. Ou o PSDB desce do muro do lado certo, ou vai se desmoralizar. “Em nosso partido não há nenhum franco atirador. Nós não iríamos empenhar nome de nenhum de nós para participar de uma farsa. Não fazemos farsa porque não somos fraudulentos, nem estamos aqui para brincar", disse Virgílio. Amém.

 

- Rei cambaleante: protagonista da pantomima que se estabeleceu no Senado, o réu Renan Calheiros sentiu-se à vontade, nesta quarta-feira, para tirar a sua casquinha de uma encrenca que traz as suas digitais. Disse o seguinte: "Não adianta o Conselho de Ética fingir que está cumprindo seu papel e não fazê-lo na plenitude, e ficar nesta zona cinzenta, que não é boa para a democracia, para o Senado, nem para mim e o Brasil."  Faz sentido. Escudado na provocação de Renan, o conselho deveria despachar imediatamente para a Polícia Federal um pedido de aprofundamento daquela perícia que atribui aos negócios bovinos do presidente do Senado a consistência de um pote de geléia. É a melhor maneira de pôr fim ao fingimento. Também nesta quarta, Renan foi a Lula (aqui e aqui). Busca uma solidariedade que, no seu caso, escasseia. De resto, malhou, de novo, a imprensa.

Escrito por Josias de Souza às 16h42

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DEM marca reunião para tentar destravar caso Renan

Fábio Pozzebom/ABr
 

 

Numa troca de telefonemas que entrou pela madrugada, a cúpula do DEM agendou para esta quarta-feira (27) uma reunião com o vice-presidente do Conselho de Ética do Senado. Vem a ser Adelmir Santana (DF), ele próprio um filiado do ex-PFL. Assumiu interinamente a condução do processo contra Renan Calheiros a partir da renúncia de Siba Machado (PT-AC) à presidência do conselho.

 

O plano do DEM é instar Adelmir a convocar para hoje mesmo uma sessão do Conselho de Ética para a escolha de um novo presidente. “Para nós, interessa que a eleição se dê imediatamente”, disse ao blog o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM. Tenta-se impedir que a renúncia de Sibá, insinuada na véspera e confirmada na noite desta terça, se converta numa manobra para travar ainda mais o processo por quebra do decoro parlamentar contra o presidente do Senado.

 

Adelmir Santana (o senador da foto acima, ao lado do réu) encontrava-se em São Paulo quando soube que Sibá pedira o boné. Alcançado pelo celular, foi orientado a voar para Brasília o quanto antes. Espera-se que esteja no Senado já na manhã desta quarta, para a reunião com seus pares do DEM.

 

Os democratas analisavam na noite desta terça a hipótese de Adelmir tomar algumas providências antes de repassar o comando do Conselho de Ética ao novo presidente, a ser eleito. Uma das medidas seria a assinatura de um despacho solicitando à Polícia Federal que complemente a perícia nos documentos que compõem a defesa de Renan Calheiros. Argumenta-se que a decisão de aprofundar a análise do papelório já havia sido aprovada pelo conselho, sob Sibá, na sessão de quarta-feira (20)da semana passada.

 

Sibá chegou mesmo a anunciar a formação de um grupo de seis senadores para definir os próximos passos da investigação. Uma das atribuições do grupo seria a de definir as perguntas que seriam formuladas aos peritos da PF. Resta saber se Adelmir Santana se disporá a assinar tais providências. A exemplo de Sibá, Adelmir é suplente. Assumiu a vaga de Paulo Octávio (DEM-DF), eleito vice-governador do Distrito Federal.

 

Numa fase em que ainda sonhava com a aprovação do relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), aquele que propunha o sepultamento do processo sem nenhum tipo de investigação, Renan pediu ajuda a Paulo Octávio para cabalar o voto de Adelmir Santana. O suplente balançou. Mas foi emparedado pela direção do DEM. E parece ter dado meia-volta. Sua posição ainda não foi, porém, submetida a teste.

 

Sibá Machado decidiu renunciar à presidência do conselho depois de constatar que arrostaria sozinho o desgaste de levar à cova um processo pendente de investigação. Antes, tentou forçar o PMDB a indicar um novo relator para o caso. Diante da recusa, reuniu-se duas vezes com a bancada do seu partido, o PT. Verificou que nem o petismo parecia disposto a sair em socorro de Renan. E resolveu pular da canoa antes que a água, que já lhe encobria os sapatos, chegasse aos joelhos.

 

Dono da maior bancada do Senado, cabe ao PMDB indicar o presidente do Conselho de Ética. Sibá foi alçado ao posto porque os peemedebistas abriram mão, graciosamente, em seu favor. Uma vez eleito, o novo presidente terá de indicar um terceiro relator para o processo. Se esse relator insistir na idéia de levar a voto o relatório Cafeteira, submeterá Renan a uma acachapante derrota.

 

Neste caso, o conselho teria de votar um dos três votos apresentados pela oposição. Aprovando-se um deles, o autor –Demóstenes Torres (DEM-GO), Jefferson Peres (PDT-AM) ou Marconi Perilo (PSDB-GO)—viraria automaticamente relator. Entre os três, Perilo é o que desfruta de menor taxa de aversão da tropa de choque de Renan. Os aliados do presidente do Senado enxergam no PSDB uma oposição amistosa.

 

Até o final da noite desta terça-feira (26), desinformado acerca da movimentação do DEM, o PMDB tramava aproveitar a renúncia de Sibá para travar o processo que rói o prestígio de Renan Calheiros. Antes de renunciar, Sibá marcara para o final da tarde desta quarta (27) uma nova sessão do Conselho de Ética. Se Adelmir Santana comprar a idéia de manter a reunião, que serviria agora para a eleição de um novo presidente, o grupo de Renan tem dois caminhos: ou tenta eleger um presidente aliado ou nega quorum ao encontro.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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As manchetes desta quarta

- Folha: Presidente do Conselho de Ética Renuncia

- Estadão: Governo resolve adotar meta paralela de inflação

- Globo: Nova renúncia emperra a investigação sobre Renan

- Correio: Demolição começa por seis condomínios

- Valor: Indústrias fazem lobby para vetar Venezuela no Mercosul

- Estado de Minas: Lixo de BH custa R$ 2,1 bi

- Jornal do Commercio: Nunca se consumiu tanta droga no País

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Sinais exteriores de riqueza!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h40

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Renan pede ajuda a PSDB contra imprensa opressiva

Fotos:LulaMarques/Folha
 

 

O bilhete acima foi escrito por Renan Calheiros (PMDB-AL). O polegar que aparece na parte inferior é o do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), destinatário do texto. O papelucho anota o seguinte: “Arthur: Precisamos resistir ao esquadrão da morte moral. Quem me conhece, sabe do meu comportamento. Para punir alguém, é preciso ter quebra de decoro e prova. Fora disso é imprensa opressiva. Você precisa me ajudar. Renan."

 

O signatário do blog acha que, a essa altura, a melhor saída para o Renangate é mesmo a aceitação da tese de que o presidente do Senado é vítima de um complô da “imprensa opressiva”. Não há outra alternativa: ou se trata mesmo de uma implacável tramóia da mídia golpista ou o país estará diante de um dos mais nefastos mal-entendidos de sua história.

 

Uma seqüência implacável de coincidências que, submetidas à interpretação maldosa dos repórteres, transformou um senador honrado, um próspero negociante de gado nas horas vagas, num congressista desonesto.

 

Seria o caso até de processar essas pessoas que, sistematicamente, tentam desmoralizar a imagem do Congresso, insuflando a opinião pública contra os seus representantes. O problema é que, para infelicidade geral, os detratores do Legislativo normalmente têm imunidade parlamentar e foro privilegiado.

 

Depois de ler o bilhete, Arthur Virgílio rasgou-o (foto abaixo), enquanto trocava idéias com Renan. Era, porém, tarde demais. O texto já fora captado pelas lentes sempre  inconvenientes do repórter Lula Marques. O que terá dito o líder do PSDB a Renan? O tucanato sairá em socorro desta vítima inconteste do “esquadrão da morte moral”? Eis as dúvidas que ficaram boiando no plenário do Senado.

 

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Lula já trata licença de Renan como algo inevitável

Antônio Cruz/ABr
 

 

Há dois dias, um senador governista trocou idéias com Lula sobre o escândalo que corrói a autoridade de Renan Calheiros (PMDB-AL). Disse que gostaria que o “amigo” saísse ileso da tormenta que o enredou. Mas acha que o desdobramento da crise tornou “inevitável” senão a renúncia pelo menos um pedido de licença do senador da presidência do Senado.

 

Lula revelou-se admirado com a capacidade de resistência de Renan. Comparou-o, porém, a Jader Barbalho (PMDB-PA), varrido do Senado por um rosário de escândalos que teve no caso Sudam a conta mais vistosa. A exemplo de Renan, Jader fez da presidência do Senado uma trincheira. Porém, os fatos acabaram compelindo-o a renunciar ao posto em setembro de 2002. No mês seguinte, renunciou ao mandato de senador.

 

O presidente mostrou-se, de resto, preocupado com a hipótese de que a atmosfera do Senado, envenenada, leve à paralisia do plenário. Disse que Renan, sob intenso questionamento, vai perdendo as condições políticas de dirigir o Senado, uma Casa legislativa em que a maioria governista é tênue. Receia que, perdurando o impasse, a oposição resolva bloquear as votações. Há na fila, além de uma penca de medidas provisórias, dois projetos caros ao Planalto: a renovação da CPMF e da DRU.

 

Curiosamente, a posição do presidente coincide com a opinião do partido que, no momento, exerce o antagonismo mais acerbo em relação ao governo. Nesta terça-feira (26), 48 horas depois do diálogo em que Lula mostrou-se pessimista em relação ao futuro de Renan, o DEM aprovou, em reunião de sua Executiva, uma nota defendendo a licença de Renan.

 

Desde o início da semana, em contatos com os líderes dos partidos, Renan tenta atraí-los para uma pauta mínima de votações. Quer dar ao Senado uma aparência de normalidade que não existe. Nesta terça, quando Renan tentou levar a voto uma das medidas provisórias que trancam a pauta do Senado, confirmaram-se os temores de Lula.

 

Renan arrostou uma inesperada obstrução do DEM. No exercício da liderança, Heráclito Fortes (DEM-PI) exigiu que fosse feita uma verificação de quorum, recurso facultado pelo regimento que rege as atividades da Casa. A presença de senadores em plenário era mínima. E a sessão caiu.

 

Um eventual pedido de licença de Renan, hipótese que o senador rejeita, acomodaria na presidência do Senado, interinamente, Tião Viana (PT-AC), primeiro-vice-presidente da Casa. Trata-se de um senador que tem na temperança e no trânsito fácil com a oposição duas de suas principais qualidades.  

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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A nudez da crise!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 01h12

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Renúncia de Sibá ilumina os meandros de uma farsa

A História é uma senhora ascética e seletiva. Prefere a frieza à emoção. Quando submetida a relatos contaminados pelo calor do cotidiano, submete-os ao filtro da posteridade. Recolhe do outro lado apenas o sumo da exatidão. Na hora em que for convocada a se pronunciar sobre o Renangate, porém, a História soará como uma velha fofoqueira e inconfiável.

Ao contar o drama que rói as entranhas do Senado, a História se excederá nos detalhes. Encontrará a verdade no exagero. Descreverá uma inacreditável seqüência de fatos extraordinários, envolvendo personagens ordinários, em todos os sentidos. Pintará com cores de tragicomédia os destinos de um Senado que impõe ao Brasil uma mediocridade imerecida.

 

Não podendo explicar logicamente o fantástico papel reservado a Sibá Machado (PT-AC), a História alçará o suplente acreano de sua condição vulgar para o pedestal de mito. A História dirá que Sibá, movido por forças inconscientes, planejou meticulosamente os seus erros. Escalado para comandar a investigação de crimes que deveriam ficar ocultos, Sibá deixou-se presidir pelo antagonismo do acaso.

 

Sibá desnudou a enganação participando ativamente dela. Desmoralizou relatores de fancaria nomeando-os. Nunca o país conheceu tão detalhadamente uma manobra que se pretendia dissimulada. Sibá suicidou Renan com precisão irresponsavelmente didática. Jader Barbalho e ACM foram derrubados da presidência do Senado pela força da denúncia dos inimigos. Renan será derrubado por serviçais políticos como Sibá.

 

Horas depois de anunciar que levaria a voto um relatório que sugere o arquivamento de um escândalo vivo, Sibá renunciou ao comando do Conselho de (Falta de) Ética. Presidente escolhido para ser presidido, Sibá revelou-se peça desgovernada de uma pantomima inviável. Com seu último erro, Sibá terminou de iluminar os meandros de uma farsa. A História há de fazer justiça a Sibá.

Escrito por Josias de Souza às 00h27

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Com o Congresso ao rés do chão, Lula vai aos céus

Sérgio Lima/Folha
 

Enquanto o Congresso gira como rosca espanada, a popularidade de Lula roça as nuvens. Pesquisa Sensus divulgada nesta terça-feira (26) informa que o governo Lula é aprovado por 64% da população. É o segundo melhor índice desde 2005. Nada parece afetar imagem do presidente-tefal. Nem mesmo as encrencas mais recentes –Vavá e aerocaos— grudaram em Lula.

"A pesquisa revela um cenário positivo e estável para o presidente. A figura do presidente está isenta de alguns episódios. As âncoras são a estabilidade da economia e os programas sociais", disse Ricardo Guedes, diretor do instituto Sensus.

Ouviram-se 2.000 pessoas entre os dias 18 e 22 de junho. Os pesquisadores foram a 136 municípios espalhados em 24 Estados. Entre os entrevistados, 74,1% disseram ter conhecimento do noticiário que engolfou Vavá. Desses, 70,7% consideraram negativo o indiciamento do irmão do presidente. Mais: 71,1% disseram que acreditam nas denúncias contra o “lambari”.

Quanto ao aerocaos, 58,8% dos entrevistados disseram acreditar que o governo federal tem condições de controlar a encrenca. Verificou-se, de resto, que 67,2% dos entrevistados não conhecem ninguém que tenha sido prejudicado pela crise aérea. Apenas 23,2% conhecem alguém que tenha ficado encalacrado nos aeroportos.

 

Resumo da ópera: mercê do impedimento constitucional, Lula não pode concorrer a um novo mandato presidencial. Mas, mantendo-se o cenário atual, pode-se afirmar, sem medo de errar, que a eleição de 2010 passará pelo Palácio do Planalto. Embora a transferência de voto não seja algo comprovado cientificamente, o candidato que for à cédula com o apoio de Lula entra na cruzada eleitoral em vantagem.

Escrito por Josias de Souza às 18h03

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Executiva do DEM recomenda afastamento de Renan

  Folha
Reunida nesta terça-feira (26) a Executiva Nacional do DEM (ex-PFL) decidiu que o partido irá defender publicamente o afastamento de Renan Calheiros (PMDB-AL), por meio de uma licença, da presidência do Senado. Para o DEM, Renan não tem mais condições de permanecer no comando da Casa enquanto não forem esclarecidas as denúncias contra ele.

“Defendemos em nota, aprovada pela Executiva, que presidente Renan se licencie do cargo, de modo a garantir a isenção das investigações”, disse há pouco o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). “Nossa nota diz que é imperativo o licenciamento de Renan da presidência do Senado, até que sejam concluídas as investigações”.

Para Agripino, agora respaldado pela decisão do comando do partido, “a permanência de Renan no cargo seria péssimo”. Ele diz que a Casa “está numa encruzilhada.” O líder acrescenta: “Nesse momento, há grupo que defende Renan e há outro grupo que defende o Senado. Eu me situo no grupo que defende a instituição. Quero bem a Renan, mas quero muito mais bem ao Senado e ao Brasil”.

O DEM é o primeiro partido a defender às claras o afastamento de Renan Calheiros. Até aqui, manifestações do gênero só haviam sido proferidas por senadores isoladamente. Entre eles Pedro Simon (PMDB-RS), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Jefferson Peres (PDT-AM).

Agripino informou também que seu partido votará contra o arquivamento do processo em que Renan figura como réu caso o presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), mantenha a decisão de votar nesta quarta-feira (27) o relatório de Epitácio Cafeteira. "Será um ato de triculência a votação de um relatório sem que o seu autor esteja presente para fazer a defesa de sua posição", disse Agripino. Cafeteira encontra-se internado no Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. Nos próximos dias, será submetido a uma cirurgia no cérebro.

Também nesta quarta-feira, o PSOL comanda em frente ao Congresso uma manifestação cujo lema é "Fora, Renan". A despeito do cerco que se fecha em torno dele, o presidente do Senado não parece disposto a afastar-se do cargo. Renan se diz vítima de um "esquadrão da morte moral". E declara: "Resistirei até o fim".

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Sibá deseja, veja você, votar o relatório Cafeteira

Poucas vezes o Senado esteve tão surreal como agora. Na noite passada, Sibá Machado ameaçara, em privado, renunciar à presidência do Conselho de Ética. Nesta terça-feira (26), mencionou em público a hipótese de bater em retirada: "Eu cheguei a pensar na idéia de sair porque se não tivermos o entendimento sobre os nossos procedimentos de trabalho, não há motivos para que eu continue", disse.

 

A essa altura, todos os senadores responsáveis deveriam aderir a uma campanha pela renúncia de Sibá. “Fora, Sibá”, deveriam gritar os senadores, em coro. O suplente de Marina Silva já vinha dando sucessivas demonstrações de que não tem estatura para exercer o posto que lhe foi confiado. Nesta terça, Sibá exagerou. Passou a se portar como se estivesse no mundo da Lua.

 

O presidente do Conselho de (Falta de) Ética deseja agora -pasmo!, espanto!!, estupefação!!- levar a voto, imediatamente, o relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Sim, sim. Exatamente. A despeito de ter reconhecido, ele próprio, a necessidade de investigar a prosperidade bovina de Renan Calheiros, Sibá quer votar aquela piada que sugere o arquivamento do processo, sem mais delongas.

 

Ou os conselheiros desqualificam Sibá ou Sibá desqualificará o conselho. A oposição tem o dever cívico de intrigar Sibá com o PT e toda a tropa de choque de Renan. Consumada a renúncia, os senadores entoariam Ataulfo Alves:

 

Pois é

Falaram tanto

Que desta vez o moreno foi embora.

Disseram que ele era o maioral

E eu é que não soube aproveitar

Ai,ai,ai

Endeusaram o moreno tanto, tanto

Que ele resolveu me abandonar.

A maldade dessa gente é uma arte

Tanto fizeram que houve a separação.

Senador a gente encontra em toda parte

mas não se encontra o Sibá que a gente tem no coração.

Pois é...

Escrito por Josias de Souza às 16h31

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As manchetes desta terça

- Folha: Governo quer facilitar uso da pílula do dia seguinte

- Estadão: País decide ampliar programa nuclear

- Globo: Tiroteio fecha aeroporto pela primeira vez no Rio

- Correio: Agressão ambiental atrasa condomínios

- Valor: Pool de autopeças vai ao Cade contra montadoras

- Estado de Minas: Pistolagem leva deputado de MG ao Conselho de Ética

- Jornal do Commercio: São João violento

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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Vôo cego!

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Crime improvável contra uma vítima 'sem interesse'

 

Aconteceu no Rio de Janeiro. Seria apenas mais um crime. Mas um inusitado detalhe o transformou num crime atípico. Cinco criminosos bem-nascidos, jovens universitários, atentaram contra uma empregada doméstica. Crime espantoso. Contra uma vítima que não costuma despertar o menor interesse.

Sirley Dias Carvalho Pinto, 32, estava no ponto de ônibus. Aguardava a condução que a levaria para uma consulta médica. Súbito, foi apresentada ao horror ilógico de um espancamento improvável, seguido de um assalto desnecessário. Sinais eloqüentes de uma sociedade em decomposição.

Sirley, agora, merece toda a atenção de um país inteiro. Sob pena de o Brasil emitir um novo atestado de sua própria inviabilidade. Quatro dos cinco criminosos já foram à garra. O pai de um deles, consternado, diz que, a despeito do erro, não merecem ficar atrás das grades. Têm a universidade, os empregos e uma vida por viver.

O pai de Sirley, igualmente consternado, pensa diferente. Diz que as famílias abastadas oferecem liberdade e mordomia aos seus filhos, mas não se preocupam com o que eles fazem além da porta de seus confortáveis lares. Advoga a punição devida. Encarna a figura do humilde que tem muito a ensinar ao bacana (assista aqui).

PS.: Não deixe de visitar o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Sibá ameaça renunciar à presidência do Conselho

José Cruz/ABr
 

Sibá Machado (PT-AC) informou a dois líderes partidários que renunciará à presidência do Conselho de Ética do Senado caso não consiga indicar, em uma semana, um novo relator para o processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele alega que todos os senadores convidados por ele recusaram o encargo.

Na última sexta-feira (22), antes de voar para Rio Branco (AC), Sibá dissera que escolheria o relator no final de semana. Nesta segunda (25), porém, ele nem deu as caras no Senado. Pelo telefone, disseminou entre os colegas a impressão de que vive uma situação limite.

No meio da tarde, discursando da tribuna do Senado, José Agripino Maia (RN), líder do DEM, cobrou de Sibá uma definição em relação ao relator. Anunciou que, à falta de um nome, convidaria os líderes dos demais partidos para, em reunião nesta terça (26), produzir uma saída para o impasse.

Qualquer outro senador entenderia a fala de Agripino como um desafio à sua autoridade. Pois Sibá enxergou na afronta uma âncora. Não hesitou em agarrar-se a ela. Depois de assistir ao discurso de Agripino pela TV Senado, o presidente do Conselho de Ética telefonou para o líder do DEM. Aplaudiu a idéia de levar o debate sobre a escalação de um relator ao conselho de líderes. Parece mais interessado em livrar-se de uma batata quente do que em exercer as prerrogativas que o cargo lhe confere.

Sibá, até ontem um obscuro suplente da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), foi guindado à presidência do Conselho de Ética graças a uma articulação que envolveu o próprio Renan Calheiros. Indicou-o a líder do PT, Ideli Salvati (SC). No início, Sibá teve de lidar com a desconfiança da oposição. Nos últimos dias, passou a ser tachado de “traidor” por aqueles que o tinham como “aliado”.

A essa altura, uma eventual renúncia de Sibá interessa mais à tropa de choque de Renan, empenhada em empurrar o caso com a barriga, do que aos adversários do presidente do Senado, que defendem que o julgamento se dê antes do início do recesso parlamentar, em 18 de agosto.

Nesta terça-feira (26), conforme prometera em discurso, Agripino Maia vai convidar os demais líderes para uma reunião. Sugerirá aos colegas que, em comitiva, façam uma visita a Sibá, instando-o a escolher o novo relator. "Quem comanda o Senado é o seu presidente. Mas como é ele quem está sob julgamento, esse comando não está sendo exercido a contento”, diz Agripino. “Por isso o colégio de líderes precisa se reunir, para que a vacância seja suprida. Numa conversa com Sibá, haveremos de chegar a um consenso quanto ao nome do relator.”

Embora Sibá alegue que ninguém aceita a incumbência, Agripino discorda. “O [Eduardo] Suplicy [PT-SP] já disse que aceita ser relator. O Demóstenes [Torres, DEM-GO], se convidado, não irá recusar. O Gilvan Borges [PMDB-AP] também disse que quer ser relator. Então, que história é esse de que ninguém quer?”.

No último sábado (23), em conversa telefônica com Valdir Raupp (RO), líder do PMDB, Sibá disse que tendia a nomear não um, mas três relatores –um do bloco da oposição (PSDB e DEM); outro do bloco governista (PT, PSB e adjacências) e um terceiro do PMDB, partido de Renan. “Achei boa a idéia”, disse Raupp ao blog. “Qualquer nome que colocar vai dar o que falar. Se for da oposição, vai ter problema. Se for um aliado, vão dizer que o relatório vai ser parcial. A saída dos três é inteligente”. O problema é que, afora Raupp, ninguém mais endossou a tese da relatoria tripartite.

Uma eventual renúncia de Sibá converteria o julgamento de Renan de vexame em fiasco absoluto. Seria a quarta renúncia. Escalados como coveiros do processo, Epitácio cafeteira (PTB-MA) e Wellington Salgado (PMDB-MG) pediram o boné depois de constrangidos pelos fatos, que impuseram o aprofundamento das investigações de um processo que se pretendia enterrar vivo. Nesta segunda (25), Valter Pereira (MS), único senador do PMDB com assento no Conselho de Ética que ousou defender a elucidação das suspeitas, também jogou a toalha.

Escrito por Josias de Souza às 23h32

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Peemedebista anti-Renan renuncia ao conselho

Antônio Cruz/ABr
 

Computado na planilha de votos do grupo de Renan Calheiros (PMDB-AL) como um aliado, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) surpreendeu a todos na última reunião do Conselho de Ética. Sem avisar a ninguém, ele apresentou um voto individual pregando a necessidade de aprofundamento das investigações contra Renan. Nesta segunda-feira (25), o senador rebelde (na foto, ao lado de Renan) renunciou à cadeira que ocupava no conselho.

Advogado, Valter Pereira sentiu-se compelido a defender a continuidade das apurações depois de ler o relatório da Polícia Federal acerca da documentação que compõe a defesa de Renan. Expôs sua nova posição na reunião do conselho realizada na quarta-feira (20) da semana passada. No dia seguinte, foi crivado de críticas num encontro ocorrido na casa do presidente do Senado.

Questionado sobre as razões de sua renúncia, Valter Pereira negou que tenha sofrido pressões. Alegou que padece de excesso de trabalho. Pereira é vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Passou a comandar a comissão desde que o presidente, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), teve de se internar num hospital de São Paulo para debelar os problemas de saúde que o afligem.

A cadeira do senador rebelde passa a ser ocupada pelo líder do PMDB, Raldir Raupp (RO), que era suplente no Conselho de Ética. Raupp está fechado com Renan. Poderia assumir a relatoria do caso. Mas informou ao blog que não aceita a incumbência.

A assertiva de Valter Pereira de que sua renúncia foi um gesto voluntário é mais uma dessas curiosidades que flutuam na atmosfera conspurcada do Senado. Não hoube pressão? Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 19h38

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TSE julga perda de mandato de 29 congressistas

  • Tribunal analisa ainda recursos contra 7 governadores

Sérgio Lima/Folha

 

Tramitam no Tribunal Superior Eleitoral processos que questionam a legitimidade dos mandatos de quatro senadores e 25 deputados federais. Esses 29 congressistas são acusados de ter praticado crimes eleitorais na campanha de 2006 –compra de votos, uso indevido de meios de comunicação e abuso do poder econômico, por exemplo.

 

Os processos decorrem de ações movidas pelo Ministério Público Eleitoral ou por adversários políticos. Caberá ao TSE decidir se as acusações são ou não procedentes. A pena prevista é a cassação do diploma e a conseqüente perda do mandato.

 

São os seguintes os senadores cujos mandatos estão sendo questionados: 1) Rosalba Ciarlini (DEM-RN); 2) Cícero Lucena Filho (PSDB-PB); 3) Expedito Júnior (PPS-RO); e 4) Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).  

Quanto aos deputados federais, a maioria (9) é do Rio de Janeiro. O nome mais vistoso da lista é o de Rodrigo Maia, presidente do DEM. A segunda bancada mais questionada é a de São Paulo (7). A lista inclui Paulo Pereira (PDT), o Paulinho da Força Sindical; e Valdemar Costa Neto (PR).

 

Pressionando aqui, você terá acesso a um comunicado divulgado nesta segunda pelo TSE. Contém a lista completa dos congressistas encrencados. No mesmo texto, o tribunal informa que sete dos 27 governadores respondem a processos que põem em dúvida a legitimidade de seus mandatos.

 

Afora os casos que transitam pelos escaninhos do TSE, há outras 29 ações correndo nos TREs, os tribunais regionais eleitorais –19 contra deputados federais e duas contra senadores. Esses casos tramitam em segredo de Justiça. Por isso, os nomes dos envolvidos são mantidos sob sigilo.

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Agripino se insurge contra adiamento do caso Renan

José Cruz/ABr
 

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), iniciou nesta segunda-feira uma articulação para tentar impedir a tática protelatória adotada pelo grupo de Renan Calheiros (PMDB-AL). "Não se pode esperar que chegue o recesso [parlamentar]”, disse Agripino há pouco, da tribuna do Senado. “O Brasil reclama uma decisão. O senador Renan tem o direito de oferecer, a cada momento, suas defesas, mas, se as provas não forem convincentes, o Conselho de Ética e o plenário têm de dar o veredicto." Para Renan, estão querendo "assassinar" sua honra.

Agripino cobrou uma definição de Sibá Machado (PT-AC). Disse que o presidente do conselho precisa definir ainda nesta segunda-feira (25) o nome do novo relator do processo contra Renan. Se isso não acontecer, Agripino disse que convidará os líderes dos demais partidos para uma reunião nesta terça (26). Vai propor aos colegas que escolham, por consenso, o nome do novo relator.

"Não podemos prolongar o calvário de ninguém. Nem do presidente Renan Calheiros nem do Senado. E tampouco podemos continuar expostos ao açoite da opinião pública", disse Agripino em seu discurso. O líder do DEM considerou descabida a idéia de entregar a relatoria do caso a trinca de senadores, uma das cogitações de Sibá Machado, apoiada pela liderança do PMDB.

Para Agripino, se a escolha recaísse sobre três senadores governistas, seria inaceitável. Se, por outro lado, o grupo incorporasse senadores do governo e da oposição, poderia se chegar a um impasse incontornável. O melhor, na opinião de Agripino, é confiar a relatoria a um único senador.

Por ora, Agripino foi o primeiro líder de partido a se insurgir abertamente contra os planos protelatórios da tropa de choque do presidente do Senado. Algo, aliás, que já era previsto pelo grupo de Renan, que identifica no DEM uma trincheira anti-Renan. Resta saber como vão ecoar as palavras de Agripino nas demais bancadas, sobretudo na do também “oposicionista” PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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Últimas novidades sobre o tour-de-farsa brasiliense

1. Aerocaos: Lula deu um penúltimo ultimato às autoridades aéreas. Falando no rádio, o presidente disse ter ordenado à Aeronáutica que coloque “ordem na casa”. O que não quer dizer muita coisa. Faz nove meses que os aeroportos brasileiros vivem uma rotina de casa-da-mãe-joana. Nesse período, Lula proferiu quatro ou cinco ultimatos. A cada novo espasmo de desordem, segue-se uma temporada de calmaria. Diz-se que, dessa vez, a bonança será perene. É preciso crer para ver. O sossego momentâneo decorre da atmosfera de terror que a Aeronáutica impôs aos controladores de vôo. Os problemas que envenenam o setor –desmilitarização, recomposição salarial, modernização de equipamentos, renovação do quadro de controladores, etc, etc e etc.—continuam pendentes de resolução. Para complicar, a urucubaca aeroportuária inclui imprevistos que escapam à capacidade gerencial da Força Aérea (aqui e aqui). Lula talvez tenha de confiar a questão aeroportuária a um ministro de umbanda.

2. Renan, Roriz e as vacas de presépio: na última sexta-feira (22), antes de embarcar para o Acre, Sibá Machado dissera que escolheria até domingo (24) um novo relator para o processo contra Renan Calheiros. Pois bem, o presidente do Conselho de Ética retornou a Brasília, nesta segunda (25), sem o nome do relator. Não que lhe faltem alternativas. Eduardo Suplicy já disse que aceita a relatoria. Demóstenes Torres também não recusaria o encargo. Mas Sibá diz que o novo relator será um dos senadores de presépio que integram o rebanho liderado por Renan. Como se fosse pouco, em vez de exercer os poderes que o regimento lhe confere, Sibá acena agora com a hipótese de transferir a escolha do relator para os líderes da bancada pró-Renan, que não têm a menor pressa. De resto, esperava-se que Joaquim Roriz, o novo boiadeiro encrencado do Senado, subisse à tribuna para proferir meia dúzia de palavras em sua defesa. Mas Roriz acha que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações. A única providência que adotou foi restringir o acesso às porteiras de seu gabinete. Parece confiar na boa vontade os colegas. Afinal, onde passa um boi...

Escrito por Josias de Souza às 15h43

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As manchetes desta segunda

 

- Folha: Gasto com cada família assentada é de R$ 31 mil

- Estadão: Atentado a bomba mata 6 soldados da ONU no Líbano

- Globo: Empresas novatas já captaram 40 bi na Bolsa

- Correio: Ibama cobra na Justiça dívidas de condomínios

- Valor: Energia da cana pode evitar o risco de apagão em 2009

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h44

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Jogo de cena!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h44

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Grupo de Renan critica Sibá e o chama de ‘traidor’

  Lula Marques/Folha
O consórcio governista acomodou Sibá Machado (PT-AC) na cadeira de presidente do Conselho de Ética do Senado com o propósito deliberado de proteger Renan Calheiros (PMDB-SP). Nos últimos dias, porém, o grupo fiel a Renan passou a observar Sibá com um pé atrás. Criticam-no de forma acerba. Em privado, chamam-no até de “traidor”.

Integrantes da tropa de choque de Renan decidiram procurar a líder do PT, Ideli Salvati (SC). Foi dela a idéia de confiar a Sibá a presidência do conselho, e por conseqüência, o comando do processo contra Renan. Pretende-se pedir a Ideli que “enquadre” Sibá.

Os aliados do presidente do Senado enxergam na movimentação do “traidor” um súbito viés anti-Renan. Acham, por exemplo, que Sibá não tinha nada que envolver a Polícia Federal na perícia dos papéis que Renan apresentou em sua defesa. Afirmam que o trabalho deveria ter sido realizado exclusivamente por técnicos do Senado.

Irritaram-se também com a resposta dada por Sibá a uma questão formulada por Demóstenes Torres (DEM-GO) na última reunião do Conselho de Ética. O generalato de Renan vinha tratando a investigação contra o seu comandante como mero procedimento preliminar. Para Demóstenes, Renan já é réu num processo por quebra de decoro parlamentar. Instado a elucidar a dúvida, Sibá deu razão a Demóstenes, que lhe deu os "parabéns".

A tropa de Renan suspeita, de resto, que Sibá foi à reunião do Conselho de Ética, na semana passada, já decidido a propor o aprofundamento das investigações contra o “aliado”. A desconfiança foi tonificada pelo fato de que, ao encaminhar a favor do adiamento, Sibá não o fez de improviso. Ele leu uma folha de papel redigida previamente. Um texto que os "aliados" desconheciam.

Critica-se Sibá também por conta de um grupo de trabalho que ele constituiu para definir os próximos passos da investigação. Um lugar-tenente de Renan no Conselho de Ética revelou ao blog que causou enorme estranheza o fato de Sibá ter agregado a esse grupo estratégico senadores que, em público, têm manifestado posições contrárias ao arquivamento do processo. Entre eles Demóstenes Torres.

Não é só: a tropa de Renan abespinhou-se com Sibá ao saber que o senador, suplente da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), ameaçara confiar a relatoria do processo não a um relator governista, mas a uma trinca de senadores, incluindo representantes da oposição.

O processo contra Renan já teve dois relatores. O primeiro, Epitácio Cafeteira (PTB-MA), recomendou o arquivamento do caso, sem nenhum tipo de investigação, 48 horas depois de ter recebido a incumbência. Como a idéia não colou, Cafeteira pediu licença, alegando problemas de Saúde.

O segundo relator, Wellington Salgado (PMDB-MG), chegou a redigir um aditivo ao relatório de Cafeteira. Propunha, de novo, o arquivamento sumário do processo. Também não colou. E Salgado renunciou à relatoria menos de 24 horas depois de tê-la assumido. Busca-se agora o terceiro relator.

Renan e seus asseclas defendem a escolha de um nome amistoso. Menciona-se o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). Sibá diz, para desassossego de seus críticos, que Raupp freqüenta o Conselho de Ética na condição de membro suplente. Só poderia virar relator se passasse a ocupar uma vaga de titular do conselho.

O blog tentou ouvir Sibá neste domingo (25). O repórter telefonou para a casa do senador, em Rio Branco (AC), três vezes. Em todas as tentativas, informou-se que o presidente do Conselho de Ética estava “ocupado”. Nesta segunda, Sibá deve anunciar sua decisão quanto à escolha do relator. Logo, logo o mundo político ficará sabendo se o senador foi ou não “enquadrado”.

Escrito por Josias de Souza às 01h09

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PSOL vai representar também contra Joaquim Roriz

Marcello Casal/ABr
 

Autor da representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL), o PSOL decidiu protocolar no Conselho de Ética do Senado um segundo pedido de abertura de processo. No documento, que começa a ser redigido nesta segunda-feira (25), o partido acusará um outro senador do PMDB, Joaquim Roriz (DF), de ter faltado com o decoro parlamentar.

Roriz foi pilhado em grampos telefônicos da Polícia Civil do Distrito Federal. Aparece nas gravações combinando um encontro num escritório de Brasília, no qual teria participado de um rateio de R$ 2,23 milhões. O caso já se encontra sob a análise do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, que pode requerer ao STF autorização para investigar Roriz.

A exemplo do caso Renan, o Rorizgate também tem uma inacreditável conexão agropecuária. Congressistas do PSOL reúnem-se nesta segunda com os advogados do partido, para discutir os termos da nova representação. Assim como fez com Renan, o Conselho de Ética será obrigado a abrir o processo contra Roriz.

De acordo com o regimento interno do Senado, a investigação por quebra de decoro é obrigatória nos casos em que o autor da representação é um partido político com assento no Congresso. Simultaneamente, o coorregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), pretende requisitar ao Ministério Público os dados da investigação contra Roriz. Se avaliar que são consistentes, Tuma também pode remeter o caso ao Conselho de Ética.

Até bem pouco, o Senado gabava-se de ter sido menos chamuscado por escândalos do que a Câmara. Aos pouquinhos, as duas Casas do Legislativo vão ganhando a mesma aparência de delegacia de polícia. Uma delegacia atípica, mais afeita à defesa de interesses corporativos do que à punição dos desvios de seus membros.

Escrito por Josias de Souza às 23h37

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'Vacareação!'

Karmo

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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‘Estão tentando tumultuar processo’, diz Demóstenes

Antônio Cruz/ABr
 

Ponta-de-lança do DEM no Conselho de Ética, o senador Demóstenes Torres (GO) enxerga na movimentação dos aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) uma tentativa de “tumultuar o processo” contra o presidente do Senado. “Antes, queriam arquivar sem investigação. Agora, adotam a tática do tumulto. Querem tumultuar”, diz ele.

Promotor licenciado do Ministério Público de Goiás, Demóstenes classifica de “bobagem inominável” a tese de que só o STF poderia autorizar a Polícia Federal a perscrutar os negócios agropecuários que Renan. Transações que o senador apresentou como fonte do dinheiro usado no pagamento da pensão da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso.

“O Supremo só autoriza investigações criminais contra congressistas”, diz Demóstenes. “E o que o Conselho de Ética está fazendo não é uma investigação criminal. Estamos julgando um processo por quebra de decoro parlamentar, previsto na Constituição e no regimento interno do Senado”.

Segundo Demóstenes, “se o Supremo recebesse um ofício pedindo para analisar um caso de quebra de decoro parlamentar, pegaria o papel e faria um aviãozinho.” O tema, diz o senador, “diz respeito unicamente ao Senado”.

Demóstenes afirma que existe a possibilidade de que as suspeitas contra Renan evoluam para uma investigação criminal. Neste caso, porém, o problema seria não do Senado, mas do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Caberá a ele, se julgar conveniente, representar contra Renan no STF.

O senador do DEM refuta também o argumento de que o conselho não pode recorrer à Polícia Federal. “Esse raciocínio é tão incongruente que, inicialmente, todo mundo achava que a polícia podia fazer a perícia dos documentos. Agora, como a perícia não responder acordo com as pretensões do grupo, afirma-se que ela já não pode mais atuar no caso. Isso beira à calhordice”.

“Não é a Polícia Federal que está investigando”, diz Demóstenes. “A polícia está cumprindo uma diligência por solicitação do Conselho de Ética do Senado. O conselho não tem poderes para requisitar, mas ele pode perfeitamente pedir o auxílio da PF. Já foi feito e nunca foi recusado. É previsto regimentalmente”.

Por último, Demóstenes rebate a tese de que o conselho não poderia julgar Rena porque não possui um regimento interno que regule o seu funcionamento. “É outra bobagem. O conselho está sem regimento desde 1993. Nesses casos, aplica-se subsidiariamente o regimento interno do Senado. Mesmo sem regimento, o conselho já julgou vários processos. Todos chegaram ao fim, condenando ou absolvendo”.

Demóstenes integra o grupo de senadores escalados por Sibá Machado, presidente do Conselho de Ética, para reordenar o processo contra Renan, definindo os próximos passos. O grupo faria uma primeira reunião na semana passada. Mas Sibá adiou o encontro sob o argumento de que, primeiro, teria de nomear um novo relator para o processo.

Para Demóstenes, o desfecho do caso Renan “não tem nada de complicado”. Uma vez escolhido o relator, diz ele, “o conselho precisa dar prazo à PF para concluir a perícia, verificando se a venda de gado realmente ocorreu, se as empresas existem, etc. O Código de Processo Penal prevê que perícias devem durar 30 dias, prorrogáveis. Podemos fixar um prazo de até 30 dias. Depois disso, estaremos prontos para votar.” Simples assim.

Escrito por Josias de Souza às 18h03

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As manchetes deste domingo

- Folha: Governo amplia negócios com empresas investigadas

- Estadão: Amorim anuncia volta do diálogo na OMC

- Globo: Recursos podem atrasar processos em até 40 anos

- Correio: Lavagem de dinheiro põe 2,8 mil sob suspeita

- Veja: Por que ele tem de sair

- Época: Células-tronco

- IstoÉ: Entrevista - Um ministro contra a estabilidade dos funcionários públicos

- Dinheiro: Drama - Suspense - Ação - Parmalat, o retorno

- Carta Capital: Renan no matadouro...

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Pizza de boi gelado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Pesquisa do PSDB diz que Lula obteria 3º mandato

  • Se pudesse concorrer, petista obteria 56% dos votos
  • 58% da população apoiaria fechamento do Congresso

  Ricardo Stuckert/PR
Pesquisa nacional feita por encomenda do PSDB trouxe à tona um cenário confortável para Lula e adverso para o Congresso. Perguntou-se aos eleitores, por exemplo, se reelegeriam Lula para um terceiro mandato. A maioria (56%) respondeu “sim”. Inquiridos sobre a hipótese de fechamento do Legislativo, um percentual ainda maior (58%) declarou que apoiaria a idéia.

 

Foram ouvidas 3.500 pessoas em todo país. Responderam a um questionário de 65 perguntas. Conforme noticiado aqui no blog em março, foram elaboradas pelo sociólogo Antonio Lavareda e pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). A portas fechadas, a cúpula do tucanato digere os dados, mantidos, por ora, sob sigilo.

 

O repórter apurou algumas das tendências esboçadas na pesquisa do tucanato. Descobriu-se, por exemplo, que, a despeito de todas as encrencas em que se viu metido nos últimos anos, o PT é o partido mais bem avaliado pelos eleitores. Em segundo lugar, vem o PMDB. O PSDB ocupa a terceira colocação. As outras legendas ou são ignoradas ou têm ostentam avaliação negativa. Sob nova identidade, o ex-PFL, agora DEM, tornou-se uma legenda desconhecida do grosso do eleitorado.

 

A despeito da situação cômoda de Lula e dos dois maiores partidos do consórcio governista, descobriu-se que a maioria dos eleitores –mais de 50%—admite votar num presidenciável da oposição nas eleições de 2010. Esse naco da população rejeita, porém, o discurso da ruptura. Cobra continuidade e melhoria das condições atuais.

 

Para evitar a precipitação de uma disputa interna que parece inevitável, o PSDB evitou embutir na pesquisa uma aferição da intenção de voto dos principais presidenciáveis da legenda. Perguntou-se apenas se o eleitor conhece as três principais estrelas do tucanato e qual a avaliação que faz de cada uma delas, se positiva ou negativa.

 

Constatou-se o seguinte: José Serra é, hoje, o tucano mais conhecido e mais bem avaliado pelo eleitor. Geraldo Alckmin vem a seguir. Aécio Neves é, entre os três grão-tucanos pesquisados, o mais desconhecido, sobretudo nas regiões Sul e Nordeste.

 

Fez-se também uma aferição do grau de aprovação e de desaprovação dos governos FHC e Lula. Realizou-se em seguida um cruzamento das duas taxas. FHC amealhou um índice de aprovação 12 pontos acima da taxa de desaprovação. Submetido à mesma contabilidade, Lula obteve uma taxa de aprovação que superou em mais de 20 pontos o percentual de desaprovação.

 

De acordo com o resultado da pesquisa, os programas sociais, em especial o Bolsa Família, são vistos pelo eleitor como o ponto alto do governo Lula. Os pesquisadores inquiriram os entrevistados acerca de programas como o vale gás e o Bolsa Escola que, criados sob FHC, foram unificados embaixo da logomarca do Bolsa Família. A maioria dos entrevistados (mais de 40%) atribui apenas a Lula tais iniciativas sociais. Só uma minoria (cerca de 25%) identifica o DNA tucano na gênese dos programas. Em muitos aspectos, a pesquisa do PSDB coincide com uma outra realizada pelo DEM e esmiuçada em artigo do prefeito do Rio, Cesar Maia.

 

Os pontos negativos da gestão Lula são a segurança pública, a corrupção e a área da saúde pública. Em relação à corrupção há, porém, uma atenuante. Pesquisas qualitativas coordenadas por Lavareda demonstraram que, embora identifique uma proliferação das malfeitorias, o eleitor também identifica no governo Lula um esforço no combate à corrupção.

 

Quanto à gestão FHC, os entrevistados apontaram como pontos positivos o Plano Real, a estabilidade econômica e, curiosamente, a gestão da área da saúde. Comprovou-se, de resto, um fantasma que persegue o tucanato: cerca de um terço do eleitorado desaprova a privatização de empresas estatais. A propósito, Lula, decerto munido de pesquisas, explorou esse calcanhar do PSDB à saciedade na última campanha presidencial.

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Senado testa vocação do povo de se fingir de bobo

Senado testa vocação do povo de se fingir de bobo

 

Solidário com seu presidente, o Senado decidira enterrar vivo o escândalo que se acercou de Renan Calheiros. O Conselho de Ética encamparia a espantosa conclusão de que o dinheiro entregue à ex-amante viera da venda do gado e pediria aos brasileiros que fizessem como os senadores: se fingissem de bobos pelo bem da República.

 

No fundo, todos sabiam que o parecer de Romeu ‘Quero Absolver’ Tuma fora uma piada e o relatório de Epitácio ‘Não há Provas’ Cafeteira era uma palhaçada. Mas não convinha arriscar a estabilidade do Legislativo em nome de algo tão relativo e politicamente supérfluo como a verdade.

 

Ficara combinado, de antemão, que nada tinha acontecido. Súbito, a inconveniência de uma certa imprensa golpista subverteu o script. E o Senado, Casa de vetustas figuras, viu-se diante de uma situação incômoda: absolvendo Renan antes da investigação, os senadores passariam a conviver com uma boiada de dúvidas.

 

O gado passaria a transitar pelo gabinete da presidência, pelo salão azul, pelo cafezinho, pelo plenário. Poder-se-ia convencionar que as reses não estavam ali. Mas ninguém teria como assegurar que, num momento de distração, um senador mais descuidado pisasse no rabo de uma vaca, arrancando-lhe um mugido.

 

Num laivo de lucidez, o Senado se deu conta de que a combinação de que Renan fora vítima da imprensa golpista e irresponsável perdera um elemento essencial. Os brasileiros já não pareciam dispostos a desempenhar o papel de bobos coniventes, oferecendo em holocausto a inteligência coletiva.

 

As evidências mostraram aos senadores que a irritação da malta cobrava deles alguma atitude, nem que fosse uma cara de nojo. E a semana terminou com a aparente disposição do Conselho de Ética de realizar, finalmente, algo que se pareça minimamente com uma investigação. No momento, integrantes do grupo fiel ao acusado, associados do consórcio governista e até um naco da oposição ainda tentam encontrar uma fórmula que permita levar a apuração do caso só até o limite do conveniente. Antes, havia pressa. Agora, deseja-se refrear as apurações.

 

Renan fez saber aos seus pares que sabe o que eles fizeram no verão passado. Nos subterrâneos, insinuou que a verdade plena destruiria, no limite, a todos. Muitos têm não apenas telhado, mas portas, janelas, ternos, gravatas e até lençóis de vidro. De mansinho, conclama os colegas a retomar o papel de bobos necessários. No âmbito de um Congresso agachado, à espera da próxima bala perdida, o apelo à cumplicidade coletiva não chega a soar estranho. São tantas as histórias mal contadas, é tão grande o rastro de escândalos não-resolvidos, que uma pantomima a mais não chegaria a fazer tanta diferença.

 

O problema é saber de que tamanho precisa ficar o embaraço para que o povo, já tão habituado ao papel de tolo, possa considerá-lo aceitável. A tarefa não é simples. Difícil acomodar uma boiada inteira embaixo de um tapete já tomado por mensaleiros, sanguessugas e outros bichos. A caixa de e-mails dos senadores, abarrotada mensagens mal-humoradas, indica que a paciência tem limites.

Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Roriz é o mais novo ‘pecuarista’ enrolado do Senado

  Fábio Pozzebom/ABr
Aos pouquinhos, o Senado vai se transformando num vistoso curral de “pecuaristas” enrolados. Depois de Renan Calheiros (PMDB-AL), um outro senador, Joaquim Roriz (PMDB-DF) vai ao noticiário em situação constrangedora.

Deu-se o seguinte: há coisa de 15 dias, foram ao xilindró 19 pessoas suspeitas de participar de um esquema de corrupção, que produziu desvios de R$ 50 milhões no Banco de Brasília. Trata-se de uma casa bancária estatal, vinculada ao governo do Distrito Federal.

Batizada de Operação Aquarela, a ação foi conduzida pela Polícia Civil do DF. Grampearam-se vários telefones. Entre eles, o aparelho da casa de Tarcísio Franklin de Moura, que presidia o Banco de Brasília desde 1999, indicado por Roriz, ex-governador do DF. Em 13 de março de 2007, captou-se um curioso diálogo entre Tarcísio e Roriz, cujo teor foi divulgado neste sábado pela revista Época e pelo Correio Braziliense.

“Senador, posso sugerir um negócio? Por que a gente não leva para o escritório do Nenê?”, pergunta Tarcísio. “Era para ser isso mesmo”, responde Roriz. E Tarcísio: “E de lá sai cada um com o seu.” Roriz concorda: “É isso mesmo. Lá não tem dúvida nenhuma” (ouça aqui esse trecho da conversa). O “Nenê” de que fala Tarcísio é o empresário Nenê Constantino. Preside o Conselho de Administração da companhia aérea Gol. É dono também de uma firma de Ônibus que presta serviços para o governo do DF.

No mesmo dia em que a polícia bisbilhotou a conversa, um cheque de Constantino, no valor de R$ R$ 2.231.155,60 foi sacado no Banco de Brasília. Curiosamente, era um cheque do Banco do Brasil. O dinheiro foi levado, como Tarcísio e Roriz haviam combinado, para o escritório de Constantino. Ali, segundo a polícia, teria sido rateado entre Tarcísio, Roriz e uma terceira pessoa: Benjamin Roriz, primo do senador. Ele também conversou naquele 13 de março com Tarcísio. “E aquela minha parte?”, indagou. “Vai tudo no bolo”, tranqüilizou Tarcísio (ouça aqui).

A polícia desconhece, por ora, a origem do dinheiro e a motivação da partilha. Roriz tem direito ao chamado privilégio de Foro. Só pode ser investigado mediante autorização do STF, a quem cabe julgar os congressistas. Por isso, o procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, enviou ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza uma representação contra Roriz. Se achar que os fatos justificam o aprofundamento das investigações, Antonio Fernando representará contra Roriz no Supremo.

Instado a manifestar-se sobre o caso, Roriz saiu-se com duas explicações. Primeiro, mandou dizer, por meio de um assessor, que não recebera dinheiro de Constantino. Teria apenas prestado um favor ao amigo, facilitando o desconto do cheque dele no Banco de Brasília. Depois, mandou dizer o seguinte:

“O senador estava apertado e pediu um empréstimo de R$ 300 mil ao Constantino para comprar parte de uma bezerra nelore da Universidade de Marília. Pagou R$ 271 mil e repassou R$ 29 mil ao Benjamin, que também estava com dificuldade financeira”. E quanto ao restante do dinheiro? Teria ficado com Nenê Constantino.

Nesse ritmo, a corregedoria e o Conselho de Ética do Senado terão de contratar assessores especializados em transações agropecuárias. Sob pena de os senadores terem de assumir, a cada novo estouro de boiada, aquela cara inefável de vacas de presépio.

Escrito por Josias de Souza às 19h54

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Bolívia diz que Petrobras ainda lhe deve US$ 279 mi

Bolívia diz que Petrobras ainda lhe deve US$ 279 mi

  • Morales quer incluir dívida no negócio das refinarias
  • Estatal brasileira é acusada de práticas fraudulentas

Reuters

Um detalhe de milhões de dólares emperra a assinatura do contrato de venda de duas refinarias da Petrobras para a Bolívia. O governo de Evo Morales sustenta agora que a estatal brasileira deve ao Tesouro boliviano US$ 279 milhões. E condiciona a assinatura do contrato das refinarias à inclusão de uma cláusula de reconhecimento desse passivo.

Consultados acerca da novidade, o Planalto, o Itamaraty e a própria Petrobras informaram ao vizinho que a cobrança é “indevida” e “inaceitável”. Injetando-se o suposto débito no contrato, a venda das refinarias deixaria de ser uma transação boliviana, para converter-se num negócio da China.

Sem alternativa, a Petrobras topou vender suas refinarias ao governo Morales por um valor inferior ao que desejava. De início pedira US$ 200 milhões. Foi baixando o preço –caiu para US$ 153 milhões; depois, para US$ 135 milhões—, até fixar-se na cifra finalmente aceita pela Bolívia: US$ 112 milhões.

Se a Petrobras reconhecer a dívida que lhe é, agora, imputada, a Bolívia assumirá o controle das duas refinarias e ainda receberá da petrolífera brasileira um troco de US$ 167 milhões –a diferença entre o valor do suposto passivo de US$ 279 milhões e os US$ 112 milhões que Morales teria de pagar pelas refinarias. Um acinte.

Mas, afinal, de onde vem a nova dívida? O grosso (US$ 239 milhões) decorre, segundo o governo Morales, de suposto contrabando de óleo cru que a Petrobras teria praticado na Bolívia. Alega-se que, em afronta à legislação local, a empresa teria exportado petróleo extraído do subsolo boliviano sem pedir autorização prévia ao governo.

Um outro naco da dívida (US$ 37 milhões) nasceu de uma segunda ilegalidade em que teria incorrido a Petrobras. O governo boliviano diz que o petróleo é, pelas leis do país, uma substância controlada. Para comercializá-la, as empresas precisam obter um certificado governamental. Algo que a Petrobras não teria feito.

Por último, a Petrobras teria acumulado uma dívida de US$ 3 milhões por ter utilizado dutos da Companhia de Logística de Hidrocarbonetos da Bolívia. Tudo somado, chega-se aos US$ 279 milhões. A dívida não é cobrada apenas de boca. O governo Morales reivindica o pagamento em processos já protocolados na Justiça boliviana.

Alega-se que, sob controle da Bolívia, as refinarias adquiridas da Petrobras terão de anotar em seus balanços, na coluna do passivo a realizar, o débito submetido ao crivo do Judiciário. Daí a exigência de que a dívida seja formalmente mencionada no contrato. Deseja-se deixar consignado que, uma vez reconhecido pela Justiça, o débito terá de se honrado pela Petrobras, não pela Bolívia.

Embora a venda das duas refinarias tenha sido alardeada como algo decidido, o contrato de formalização do negócio ainda não foi assinado. Em 11 de junho, a Bolívia pagou uma primeira parcela de US$ 56 milhões. No dia seguinte, 12 de junho, deveria ter assumido o controle das refinarias. Não assumiu. Alegou-se que o governo boliviano não havia conseguido contratar uma empresa de seguro.

Descobre-se agora que outros detalhes emperram a concretização da venda. Prevê-se para agosto o pagamento da segunda e última parcela de US$ 56 milhões. Antes, será necessário decidir o que fazer com os US$ 279 milhões que a Bolívia quer enganchar no balanço das refinarias que, por ora, continuam sendo geridas por empregados da Petrobras.

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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Como ministro, Mantega revelou-se ótimo genitor

Como ministro, Mantega revelou-se ótimo genitor

Roberto Assunção/Interpress Motor
 

Há dois meses, ela freqüentara as páginas de Playboy. Agora, exibe-se nas folhas da revista Interpress Motor. Foi convencida a testar o novo modelo da Audi, o TT. Pressionando aqui, você verá outras fotos das duas máquinas, o carro e a atriz Marina Mantega, 26, filha do ministro Guido Mantega. Além da aparência, a moça leva uma segunda vantagem sobre o pai: não há notícia de que tenha pronunciado nenhum comentário sobre o caos aéreo. Limitou-se, por ora, a elogiar o TT: “Embora seja esportivo, não é um carro de suspensão dura. Ela é até bem molinha”, disse, por exemplo.

Escrito por Josias de Souza às 05h14

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Renan quer, agora, empurrar julgamento para agosto

Lula Marques/Folha
 

Reunido com senadores que integram sua “tropa de choque”, Renan Calheiros (PMDB-AL) traçou uma nova estratégia para se contrapor à representação por quebra de decoro parlamentar que corre contra ele no Conselho de Ética do Senado. Fracassada a tentativa de arquivar o processo a toque de caixa, o senador trama, agora, atrasar ao máximo o desfecho do caso. Deseja-se, de saída, evitar que o julgamento ocorra antes de agosto.

O novo plano de ação foi esboçado em reunião que entrou pela madrugada de sexta-feira (22). O encontro aconteceu na residência oficial do presidente do Senado, às margens do Lago Paranoá. Estavam presentes, entre outros, os líderes do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e do PMDB, Valdir Raupp (RO). Compareceram também os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Wellington Salgado (PMDB-MG).

Antes, desejava-se arquivar a representação do PSOL contra Renan sem investigar as denúncias feitas contra Renan. Guindado à condição de relator do processo numa costura alinhava com a participação do próprio acusado, o senador Epitácio Cafeteira apresentou, em 48 horas, um parecer recomendando o encerramento do processo por “absoluta falta de provas”. Fracassada a manobra, pretende-se “ganhar tempo”, para “esfriar” o caso.

Deseja-se empurrar as atividades do Conselho de Ética do Senado com a barriga pelo menos até 18 de julho. Nesse dia, o Congresso vai entrar em recesso. As atividades do Legislativo só serão retomadas em agosto. Até lá, Renan e seu grupo imaginam que terão tempo suficiente para pôr em movimento, simultaneamente, dois estratagemas: o questionamento dos poderes de investigação do conselho e a reconstituição do cinturão corporativo de proteção ao presidente do Senado.

Nos próximos dias, o grupo do presidente do Senado alardeará a tese de que, sem uma autorização expressa do STF, a Polícia Federal não pode perscrutar os negócios agropecuários de Renan Calheiros. Um raciocínio que já foi explicitado publicamente pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), ex-diretor-geral da PF. No front político, a tropa de Renan agirá para recompor os apoios de que dispunha o senador nos partidos do consórcio governista e no “oposicionista” PSDB.

Segundo a avaliação feita no encontro ocorrido na casa de Renan, só três senadores realizariam uma oposição intransigente ao senador: Agripino Maia (RN), líder do DEM; Demóstenes Torres (DEM-GO); e Jefferson Peres (PST-AM). Imagina-se que o tucanato, embora defenda em público o aprofundamento das apurações, não seria avesso a uma composição que resultasse no salvamento de Renan.

Na seara governista, pretende-se “amansar” Renato Casagrande (PSB-ES) e “enquadrar” Valter Pereira (PMDB-MS). À última hora, ambos aderiram ao grupo que advogou a continuidade das investigações. Eduardo Suplicy (PT-SP) passou a ser tratado pelo grupo de Renan como um “franco atirador”, um caso perdido, ao menos no cenário atual. De resto, cuida-se para que o novo relator do caso seja um senador amistoso, de preferência Valdir Raupp, ainda que seja necessário transformá-lo de suplente em membro efetivo do Conselho de Ética.

Acertou-se, por último, que Renan passará a sustentar em público o discurso de que já provou sua inocência. Defenderá a conveniência de retomar as atividades legislativas do Senado, intensificando a pauta de votações no plenário. Imagina-se que, com o passar das semanas, a febre punitiva que contaminou o Senado e o cerco da imprensa vão arrefecer.

Escrito por Josias de Souza às 04h18

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As manchetes deste sábado

- Folha: FAB afasta 14 líderes de controladores

- Estadão: FAB afasta 14 sargentos e País vive colapso aéreo

- Globo: FAB alerta para 'extrema gravidade' da crise aérea

- Correio: Emergência nos aeroportos

- Valor: Fiasco em Potsdam arrasta Rodada Doha para o limbo

- Jornal do Commercio: Crise aérea se agrava

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Semântica!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Lula deseja manter procurador-geral da República

  Folha
O Diário Oficial da União publica, nesta sexta-feira (22) mensagem enviada por Lula ao Senado reconduzindo Antonio Fernando de Souza ao posto de procurador-geral da República. A mensagem precisa agora ser aprovada pela maioria do plenário do Senado. Algo que deve ocorrer.

Nos últimos dois anos, Antonio Fernando provou ter independência bastante para o exercício do cargo. Para ficar num único exemplo, mencione-se, por eloqüente, a denúncia que remeteu ao STF contra os 40 da “quadrilha” do mensalão.

Sob Lula, o comando do Ministério Público ganhou uma dimensão que não teve nos oito anos da gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. Ao assumir, em 2003, Lula indicou Cláudio Fontelles. Ele abriu a picada que recobriu as ações do Ministério Público de respeitabilidade. O caminho foi mantido e aprofundado por Antonio Fernando.

Na época de FHC, a procuradoria-geral da República foi confiada a Geraldo Brindeiro, conduzido e reconduzido. Ele não tinha o reconhecimento nem de seus colegas de Ministério Público. Freqüentou o noticiário com o constrangedor apelido de “engavetador-geral” da República. Nesse contexto, a perspectiva de recondução de Antonio Fernando é uma fantástica notícia.

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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Governo desgovernado X controladores sem controle

Antônio Cruz/ABr
 

Submetidos a um flagelo que se tornou permanente, os passageiros de avião freqüentam o roteiro do drama aéreo como figurantes. Desempenham o papel de turba num enredo que tem como protagonistas um governo desgovernado e controladores sem controle.

Em setembro do ano passado, nas pegadas do acidente aéreo que produziu 154 cadáveres, o país foi informado de que há no ar algo mais além de aviões de carreira. Desde então, os aeroportos encontram-se mergulhados no caos.

Não se enxerga no horizonte nenhuma réstia de solução. Bem ao contrário. Desgoverno e descontrolados ensaiam, no momento, uma guerra. Nesta sexta-feira (22), como previsto, a Aeronáutica partiu para o ataque.

Depois de um novo encontro com Lula, o brigadeiro Juniti Saito anunciou o afastamento de 14 controladores que a Aeronáutica não consegue controlar. "O momento", disse o comandante da Aeronáutica, "é de extrema gravidade" (assista ao pronunciamento de Juniti Saito aqui). Veio a público, também, uma segunda ordem de prisão.

Escondidos atrás de um prudente anonimato, os controladores acenam com mais descontrole. Tudo parece conspirar contra a solução do problema. Enquanto isso, o passageiro, tratado como mero etc., espera a deixa para entrar em cena, ou por outra, para entrar na aeronave.

E espera, e espera, e espera...

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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Receita do PT com o 'dízimo' sobe 545% em 4 anos

  • Em 2006, partido amealhou R$ 2,9 mi na máquina pública

Nunca na história desse país a ocupação da engrenagem governamental rendeu tantos dividendos às arcas de um partido. Vai abaixo reportagem de Fábio Zanini, veiculada na Folha (assinantes):

 

“O crescimento da máquina administrativa do governo, sua ocupação por petistas e a criação de novos cargos têm rendido bons frutos ao caixa do partido. Nos quatro primeiros anos do governo Lula, houve um salto de 545%, já descontada a inflação, na arrecadação do "dízimo" com filiados que ocupam cargos de confiança no Executivo e Legislativo.

O "dízimo" é um percentual do salário que cada um precisa recolher ao partido.


Só nesta semana, Lula anunciou duas medidas que aumentam novamente o gasto com servidores sem concurso: um reajuste salarial que chega a 140% em alguns casos e a criação de mais 600 cargos de confiança em vários ministérios. Já são mais de 2.000 cargos sem concurso criados pelo petista.

 

No ano passado, só com o "dízimo", o PT arrecadou R$ 2,88 milhões. Em 2002, último ano na oposição, foram R$ 446 mil, em valores atuais. Nos últimos anos, o partido se expandiu rápido, ganhando a Presidência, governos estaduais e ampliando a bancada no Congresso. Houve um crescimento geral da receita petista, de 204%, em termos reais. Bem menor que o salto na arrecadação com o "dízimo", portanto.

 

Como proporção da receita total do PT, a contribuição dos filiados subiu de 1,7% em 2002 para 8,6% em 2005. Em 2006 ela foi de 3,7%, mas foi um ano atípico: por causa da eleição presidencial, a receita total do partido foi muito inflada por uma enxurrada de doações para a campanha. A expectativa é que em 2007 a proporção volte a subir.

O PT vive uma situação financeira dramática, com uma dívida na praça de R$ 45 milhões. O aumento salarial dos cargos de confiança anunciado nesta semana dará um refresco: a receita anual com o "dízimo" deve crescer R$ 500 mil.

 

Segundo uma estimativa do partido, há 5.000 petistas em cargos no Executivo federal. Mas menos de mil pagam em dia o "dízimo". Por isso, o partido decidiu endurecer. Está fazendo uma "blitz" no país, proibindo inadimplentes de participar de eventos partidários.

 

"Estamos tendo bons resultados na inclusão de inadimplentes no sistema de contribuição do partido", disse Paulo Ferreira, tesoureiro do PT. O "dízimo" é uma marca registrada do PT, desde a fundação. O salário entra na conta do filiado e em seguida tem uma parcela, variando de 2% a 10%, "capturada" pelo partido, a partir de autorização bancária.

 

Partidos de oposição vêm acusando o governo de ter criado cargos para engordar a contribuição. O DEM ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal. Anteontem, o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia disse que as críticas eram "ridículas". "Eu dou o meu dinheiro para quem eu quiser."

 

Para Ferreira, a tentativa de fazer a relação "não se sustenta". "Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O governo deu aumento para servidores essenciais, que tinham salário congelado havia anos." A arrecadação com a contribuição já foi até maior. Em 2004, era de R$ 3,65 milhões. Mas a queda desde então não significa recuo na presença de petistas. Deve-se meramente a uma questão contábil.

 

Na época, o percentual recolhido sobre o salário obedecia a uma tabela progressiva, com várias faixas atreladas ao valor do salário mínimo. Como o mínimo aumentava acima da inflação e os salários ficavam congelados, os servidores acabavam "caindo" de faixa, pagando menos "dízimo". Preocupado, o PT mudou o sistema em 2005.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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As manchetes desta sexta

- Folha: Aeronáutica vê sabotagem e Planalto autoriza prisões

- Estadão: Países ricos culpam Brasil e Índia por fracasso na OMC

- Globo: Apagão aéreo piora e Mantega diz que é 'sinal de prosperidade'

- Correio: Motim ameaça tirar o Brasil do ar outra vez

- Valor: Fiasco em Potsdam arrasta Rodada Doha para o limbo

- Estado de Minas: Acordo garante R$ 1,5 bi a MG

- Jornal do Commercio: Tiros, perseguição e medo em Casa Forte

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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Sujos e mal lavados!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h36

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Aeronáutica cogita prender líderes de controladores

 

Reunido com Lula nesta quinta-feira, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Junito Saito, atribuiu a uma “operação padrão” deflagrada no Cindacta de Brasília o novo caos que se instaurou nos aeroportos nas últimas 72 horas. Segundo apurou o blog no início da madrugada desta sexta-feira (22), o governo planeja prender uma série de líderes dos controladores de vôo caso a situação do tráfego aéreo não se normalize.

 

Se necessário, o comando da Aeronáutica pretende acionar um plano de contingência elaborado para administrar situações de emergência. Prevê a substituição de controladores que cuidam do tráfego de aviões civis por militares que atuam no Departamento de Defesa Aérea. O blog conversou também com um dos líderes sindicais dos controladores que se encontram sob ameaça. Receoso de ser punido, ele falou sob a condição do anonimato.

 

Negou que haja uma “operação padrão.” Alegou que os vôos tiveram de ser “espaçados”  por conta de problemas nos equipamentos do Cindacta de Brasília. Algo que a Aeronáutica nega de forma peremptória. O sindicalista disse, de resto, que a “radicalização” do comando da Aeronáutica, longe de resolver o problema, pode agravá-lo. Segundo ele, a atmosfera, já envenenada pelo inquérito militar aberto para punir os responsáveis pelo motim de 30 de março, pode evoluir para uma reação em cadeia dos controladores de vôo de todo país.

 

Juniti Saito obteve de Lula sinal verde para tomar as providências que considerar adequadas, inclusive as prisões. A intenção da Aeronáutica é a de enquadrar os líderes dos controladores militares no regulamento disciplinar da Força. Prevê, por exemplo, punições para militares que criticam publicamente a Força Aérea, que se filiam a organizações de cunho político e que não exerçam as suas atividades de forma satisfatória.

 

Assim, a prisão administrativa, por quatro dias, a contar de 2 de julho, de Carlos Henrique Trifilio Moreira da Silva, presidente da Febracta (Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo), seria apenas a primeira de uma série. Trifilio foi enquadrado no regulamento disciplinar da Aeronáutica por ter concedido uma entrevista à revista “Universo Masculino”.

Trifilio declarou na entrevista: “O caos voltará porque os controladores vão parar de novo”. Disse também que há controladores sem a devida habilitação para o exercício das funções: “Entra qualquer um. Eu tenho controlador gago, surdo. Os caras estão na rede, operando. E como precisa de pessoal, eles são habilitados em condições precárias.”

Escrito por Josias de Souza às 00h39

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STF mantém denúncia dos empréstimos do mensalão

José Cruz/ABr
 

O STF considerou perfeitamente legal a decisão da Justiça Federal de Minas Gerais de abrir processo contra os acusados de envolvimento no caso dos empréstimos bancários fraudulentos do mensalão. Entre os acusados estão: o ex-presidente do PT José Genoino; o ex-gestor das arcas petistas Delúbio Soares; o empresário Marcos Valério; e diretores do banco BMG.

Há seis meses, eles haviam se tornado os primeiros personagens do escândalo do mensalão a figurar num processo na condição de réus. Foram denunciados, em Belo Horizonte, pelo Ministério Público Federal. A denúncia foi recebida pela Justiça em 18 de dezembro do ano passado, 24 horas antes de Genoino receber, em São Paulo, o diploma de deputado federal.

Inconformados, os réus recorreram ao Supremo. Alegaram que, como deputado federal, Genoino passara a dispor da chamada prerrogativa de foro. Só o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza poderia denunciá-lo. E teria de fazê-lo perante o STF, não numa vara da primeira instância do Judiciário. Por essa tese, os outros réus –Delúbio, Valério, etc.—também ficariam submetidos ao julgamento do Supremo.

Na noite desta quinta-feira (21), em decisão unânime, STF indeferiu os cinco pedidos de liminar que haviam sido protocolados no tribunal por pessoas envolvidas no caso. Acompanhando o voto do ministro relator, Marco Aurélio Mello, o plenário do tribunal considerou, em decisão unânime, que o recebimento da denúncia não feriu a legislação.

Marco Aurélio declarou que, considerando-se o fato de a Justiça ter aceitado a denúncia no mesmo dia em que os procuradores da República a protocolaram, está-se diante de “um recorde”. Mas “isso não constitui ilegalidade”, já que a diplomação de Genoino só ocorreu no dia seguinte. “O fato é que ele [o juízo de primeira instância], naquele momento, era competente e praticou um ato no exercício da sua competência”, concordou o colega Cezar Peluso.

Graças à decisão do STF, foram mantidos todos os depoimentos agendados para os próximos dias pela 4ª Vara Criminal de Minas, sediada em Belo Horizonte. O primeiro deles ocorrerá já nesta sexta-feira (22). Será inquirido Marcos Valério, o empresário que, em parceria com Delúbio Soares, ajudou a prover os recursos que remuneraram, em 2005, os deputados mensaleiros do primeiro mandato de Lula.

São duas as casas bancárias encrencadas no mensalão: o BMG e o Banco Rural. A denúncia de Minas Gerais envolve, por ora, apenas o BMG, que “emprestou” ao PT R$ 3,4 milhões. No Rural, sacaram-se, em valores da época, R$ 55 milhões. Escoaram pelo caixa dois do PT. Ou, pela terminologia esquiva de Delúbio, viraram verbas “não contabilizadas”.

Genoino afirma que a inclusão de seu nome na denúncia foi um gesto “político”. Alega que sua assinatura consta apenas do empréstimo de R$ 3,4 milhões, que, segundo diz, encontra-se devidamente escriturado nos livros do PT. De acordo com a denúncia do Ministério Público, mesmo neste caso, o dinheiro foi repassado ao partido graças a um empréstimo de fancaria.

“A liberação de recursos pelo BMG ao PT e às empresas ligadas a Marcos Valério deu-se de maneira irregular, seja porque a situação econômico-financeira dos tomadores era incompatível com o valor, seja porque as garantias eram insuficientes", anota a denúncia. De resto, o banco perdoou "altos montantes quando da rolagem das dívidas e não registrou os empréstimos na sua contabilidade". Em troca, o BMG foi credenciado pelo governo para "operacionalizar empréstimos consignados de servidores públicos, pensionistas e aposentados do INSS, a partir de 2003".

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Projeto dá verba pública a político sem fixar valor

A Câmara conseguiu piorar o que já era ruim. O novo projeto de reforma política, a ser votado na semana que vem, cria o financiamento público de campanhas políticas, mas não especifica quanto isso vai custar ao erário. Na proposta anterior, superada por um acordo de líderes, previa-se que cada voto custaria ao contribuinte R$ 7,00. Agora, caberá ao próprio Congresso fixar o valor antes de cada eleição.

 

Para quebrar a resistência dos deputados à chamada lista fechada, que obrigava o eleitor a votar no partido, não no candidato, a nova proposta prevê a adoção de um sistema híbrido. O eleitor continuaria obrigado a votar na legenda. Mas, se desejasse, poderia também indicar quais os candidatos a deputado federal, estadual e a vereador de sua preferência.

 

Apurados os votos, seriam eleitos os candidatos mais bem-postos na lista de cada partido e também os que obtivessem votos individualmente. Nos dois casos, as campanhas seriam bancadas com recursos públicos. Relator do projeto que instituía a lista fechada, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), considera uma temeridade o hibridismo instituído pelo novo modelo.

 

Para Caiado, ao permitir as campanhas individuais, o projeto mantém o estímulo à busca de recursos privados. Candidatos excluídos das listas de seus partidos ou acomodados em posições inferiores seriam preteridos na propaganda oficial de suas respectivas legendas. E, para dar visibilidade às suas campanhas -dotando-as de santinhos e carros de som, por exemplo-, esses candidatos seriam compelidos a continuar batendo à porta das empresas. O caixa dois, que se pretendia eliminar, ganharia sobrevida.

 

Para complicar, retirou-se do novo projeto o limite de gastos de R$ 7,00 por voto. Antes, sabia-se que, a cada quatro anos, o Tesouro injetaria nas eleições –gerais e municipais—R 1,7 bilhão. Agora, prevê-se que o valor ficaria em aberto. Seria estipulado pelo próprio Congresso, antes de cada eleição, mediante consultas à Justiça Eleitoral. Ao governo restaria vetar o orçamento das eleições, caso o considerasse excessivo.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), planeja submeter a nova proposta à apreciação do plenário na próxima semana. Estão fechados com o texto os líderes do PMDB, do PT e do DEM. Para atrair o apoio de legendas menores –PSB, PV e PC do B—retirou-se do projeto a chamada cláusula de barreira.

 

Caiado já havia atenuado as exigências para que os partidos tivessem pleno funcionamento parlamentar. Em vez de um percentual mínimo de 5% dos votos na eleição para a Câmara, previra 2%. Prevalecendo o novo projeto, nem esse percentual será mais exigido. Facilita-se a vida dos partidos sem-voto. E manda-se ao lixo o esforço para enxugar o quadro partidário brasileiro, hoje inchado com um total de 28 legendas.

 

O que norteia a reforma política não é propriamente o interesse público, mas o instituto de sobrevivência dos congressistas envolvidos na sua elaboração. Esse espírito fica bastante explícito num artigo incluído no projeto de Caiado e mantido no novo modelo: os atuais deputados que quiserem concorrer à reeleição terão preferência na elaboração das listas partidárias. Para o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), arma-se na Câmara um "golpe parlamentar". O deputado vai apresentar uma emenda sugerindo que a reforma seja submetida a um plebiscito. As chances de aprovação são próximas de zero.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

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‘Não tenho mais preocupação com prazos’, diz Renan

  Lula Marques/Folha
Depois de comandar a articulação infrutífera para sepultar, a toque de caixa, o processo que o acusa de quebra do decoro parlamentar, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deu meia-volta. Agora, afirma que não tem pressa. “Não tenho mais preocupação com prazos”, disse nesta quinta-feira (21) o presidente do Senado. Tachou a crise de "esquizofrênica".

Fustigado por diversos colegas, que se sentiram incomodados com as ameaças que Renan difundiu nos subterrâneos do Senado, o senador recuou também nas insinuações de que, caindo, arrastaria consigo outras pessoas e provocaria uma crise institucional. “Ameaças e insinuações não fazem parte da minha personalidade, quem convive comigo sabe muito bem disso”, afirmou.

No campo da retórica, Renan cingiu a tormenta ao seu próprio mandato: “O senado não vai participar dessa crise. Não vou permitir que devassem a vida de senadores. Expus as minhas vísceras, mas as minhas, a dos senadores não permitirei”. Sentado na cadeira da presidência do Senado, Renan disse: “Nesse ambiente de ataques especulativos, surgem muitas intrigas. Quem me conhece sabe muito bem que essa coisa de ameaça não faz parte da minha personalidade. Digo isso para que não haja dúvida sobre qualquer tipo de intriga”.

Da tribuna, Agripino Maia (RN), líder do DEM, comentou a declaração de Renan: “A casa está inundada de boatos, colocando sob suspeita muitos. E quando são muitos todos podem se julgar suspeitos. Não podia esperar outra atitude do senador Renan. Até porque, na relação que existe entre os senadores, não cabe outra atitude que não seja essa. Se há alguma coisa, que se diga logo. Como o considero homem de caráter, acolho a manifestação e acho que ela sepulta as especulações que, devo reconhecer, tomaram conta da Casa no dia de hoje”.

Embora Renan não tenha mencionado, sua falta de pressa se estende também à manifestação que pretendia fazer diante do Conselho de Ética do Senado. Na véspera, o senador dissera que desejava depor diante do conselho nesta quinta. Agora, acha melhor aguardar pelos desdobramentos da investigação que, finalmente, seus “julgadores” decidiram realizar.

Em privado, Renan e seus aliados concluíram que foi um erro entregar ao Conselho de Ética os documentos que ensejaram a realização da perícia adversa da Polícia Federal. Melhor teria sido, avalia agora o grupo de Renan, impor aos acusadores do senador o ônus da prova. Diante do fato consumado, trabalha-se agora com a estratégia de limitar as apurações do conselho, sob o argumento de que só o STF pode autorizar uma investigação profunda e irrestrita do cotidiano fiscal e bancário do senador.

Às voltas com dificuldades para indicar um novo relator para o processo (aqui e aqui), o presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado, viu-se compelido, nesta quinta, a cancelar a reunião que marcara com o grupo que irá traçar os próximos passos da investigação. Integrante do grupo, o corregedor do Senado, Romeu “Quero Absolver” Tuma (DEM-SP) tratou de vocalizar as limitações da ação do conselho.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

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STF indefere liminar contra a venda das refinarias

O ministro Marco Aurélio, do STF, indeferiu nesta quinta-feira o pedido de liminar solicitado pelo líder do PSDB, Antonio Carlos Pannunzio, para suspender a venda de duas refinarias da Petrobras à Bolívia. O deputado argumentara, em mandado de segurança, que Lula deveria ter submetido o negócio à aprovação prévia do Congresso.

Relator da ação, Marco Aurélio concluiu que negócios realizados por sociedades de economia mista, caso da Petrobras, não precisam ser submetidos ao crivo do Legislativo. “O fato de a União participar como acionista da sociedade de economia mista não gera [...] a necessidade de negócios jurídicos entabulados pela sociedade virem a ser submetidos ao Congresso”, anotou o ministro em seu despacho.

Antes de decidir, Marco Aurélio intimara Lula a enviar explicações ao Supremo. A resposta foi preparada pela Advocacia Geral da União. Realçou três pontos: 1) o deputado Pannunzio não seria parte legítima para propor o mandado de segurança. Caberia ao Congresso fazê-lo; 2) A Petrobras realizou com a Bolívia um negócio privado. Lula seria responsável pelos atos da empresa; e 3) não houve ato internacional, tratado ou acordo com a Bolívia. O que torna desnecessária a aprovação do Congresso.

Embora tenha indeferido a liminar, Marco Aurélio ainda terá de julgar o mérito da ação de Pannunzio. Porém, a julgar pela primeira manifestação do ministro, são pequenas, exíguas mesmo, as chances de êxito do mandato de segurança do líder do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 15h52

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História testemunhada por uma mosca, no Alvorada

Lula trocava idéias com Marisa acerca do conteúdo dos jornais. Deu-se durante o café da manhã, no sossego do Alvorada. O presidente lia as notícias em voz alta. Súbito, segundo conta uma mosca que testemunhou a cena, Lula espantou-se:

 

- Ouça isto, Marisa. Tocaram fogo num avião.

- Quem?

- Os passageiros. Diz aqui que, irritados com os atrasos, eles tocaram fogo. Incendiaram um avião. Um avião inteiro.

- Poxa!

- Imagina o grau de enfezamento dessa gente. Antes, xingavam o pessoal da companhia aérea. Dessa vez queimaram um avião. Sabe lá o que é isso?

- Que horror! Nunca na história desse pa...

- Ô, Marisa, até você...

- Tô tentando te descontrair.

- Pensando bem... É a primeira vez que passageiros incendeiam um avião. Isso não é uma irritaçãozinha passageira. Por trás dessa revolta tem uma bronca maior. Temos de fazer alguma coisa. Liberar as verbas bloqueadas. Comprar equipamentos. Ajeitar a situação dos controladores. Fechar o ralo da Infraero. A gente não pode passar a impressão de que o governo não liga para os serviços essenciais a que o povo tem direito. 

- Calma, querido, o povo não anda de avião. Isso deve ser complô da elite.

- Será?

- Claro. Pobre viaja de ônibus. 

- Mas, Marisa, nós viajamos de avião.

- Avião presidencial não entra em fila.

- Tá certo, mas e depois de 2010?

- Até lá o brigadeiro Saito já deu um jeito nisso. Então, querido, relaxa e goza.

- Você acha?

- Tenho certeza. Me passa a tapioca.

- Mas e se eles queimarem dois aviões.

- Meu bem, você precisa conversar mais com a Marta. Chame a Marta. Passa o leite e pára de ler jornal.

PS.: Os aeroportos estão, de novo, imersos no caos. Lula cobrou providências. Por ora, a única medida visível é uma ordem de prisão. Para Guido Mantega não há caos, mas "prosperidade".

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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Muuuuuuuuuuuuuuuuu!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 07h12

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As manchetes desta quinta

- Folha: Laudo da PF complica atuação de Renan

- Estadão: Com nova greve branca, FAB pune controlador

- Globo: Renan já responde a processo de cassação

- Correio: O senador em seu labirinto

- Valor: Lula rejeita novos 'sacrifícios' pela meta de inflação

- Estado de Minas: Governo aborta CPI da Navalha

- Jornal do Commercio: 13° antecipado

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h52

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Senadores de presépio!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h44

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Isolado, Renan ameaça Lula e os colegas de Senado

  • Senador diz que, se quiser, pode criar 'crise institucional'

Lula Marques/Folha

Renan Calheiros (PMDB-AL) considera-se abandonado pelos aliados. Queixa-se de todos, inclusive de Lula e de seu próprio partido. Nas últimas 48 horas, passou a utilizar, entre quatro paredes, uma arma que destoa da frieza que exibe em suas aparições públicas: a ameaça. Disse claramente a um grupo de interlocutores que, se lhe der na telha, pode criar “uma crise institucional”. Declara-se inclusive disposto a prejudicar Lula e seu governo.

Num instante em que a hipótese de perda de mandato já não parece tão improvável, Renan diz, em privado, que, se cair, não irá ao chão sozinho. Afirma que arrastará consigo outros senadores. Chega mesmo a difundir, em timbre inamistoso, a informação de que não hesitará em revelar segredos de alcova dos colegas. Diz que sua privacidade foi invadida sem constrangimentos. E não se julga na obrigação de guardar as confidências alheias.

Na noite de terça-feira (19), dois senadores do PT tentaram convencer Renan a desistir de votar no Conselho de Ética o relatório que sugeria o arquivamento do processo contra ele. Embora informado acerca do risco de derrota, o presidente do Senado bateu o pé. Queria uma definição. Afirmou que, se o conselho não encerrasse o episódio, ele passaria a considerar a hipótese de provocar uma crise, envenenando o cotidiano do Legislativo.

As pessoas que privam da intimidade de Renan acham que ele começou a exibir sinais de desespero. Oscila momentos de excitação a instantes de ira. Não raro, investe contra Lula. Renan considera-se credor do Planalto. Diz ter agido no Legislativo para preservar Lula na crise que se seguiu ao escândalo do mensalão, em 2005. E acha que, agora, no momento em que mais precisa de ajuda, o governo lavou as mãos.

Ao longo desta quarta-feira (20), Renan manteve o tom belicoso em seus diálogos reservados. Sentiu que o chão lhe fugira dos pés no instante em que foi informado, no meio da tarde, de que o senador Valter Pereira (PMDB-MS), que tinha como um aliado fervoroso, passara a defender não o arquivamento, mas o aprofundamento das investigações. Renan duvidou. Só deu o braço a torcer depois de certificar-se de que o companheiro de partido já havia até mesmo protocolado na mesa diretora do Conselho de Ética um voto alternativo ao de Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Mais cedo, Renan tentara uma aproximação com os “amigos” da oposição, com quem mantém uma relação civilizada. Disseram-lhe, delicadamente, que era tarde. A abertura de uma investigação mais criteriosa se impunha. No PT, o distanciamento tornou-se tão patente que o presidente do Conselho de Ética, o antes apressado Sibá Machado (PT-AC), ecoando as vozes da maioria do plenário, pregou a conveniência de um novo adiamento do veredicto. Preferiu constituir uma comissão, para traçar os novos rumos da investigação -dessa vez sem pressa.

A comissão contituída por Sibá é pluripartidária. Integram-na, além do próprio Sibá, senadores como Sérgio Guerra (PSDB-PE), que passara o dia alardeando que o Senado não poderia dar as costas para o Brasil; e Demóstenes Torres (DEM-GO), um promotor licenciado que insiste desde o início para que o Conselho de Ética faça uma apuração com começo, meio e fim. Wellington Salgado, escalado na véspera para tentar salvar a pantomima sugerida no relatório de Cafeteira, renunciou à relatoria menos de 24 horas depois de ter assumido.

Súbito, Renan mandou dizer, por meio do amigo Romero Jucá (PMDB-RR), que deseja explicar-se pessoalmente ao Conselho de Ética, já nesta quinta-feira (21). Demóstenes redargüiu. Disse que a inquirição de Renan no conselho é um imperativo processual. Mas só deveria ser feita no final do processo. Não houve vozes destoantes. Era o sinal de que o grupo de Renan já não controlava o processo.

Resta agora saber se a promessa de retaliação é mero blefe de um senador em apuros ou se Renan Calheiros vai mesmo criar uma crise. À frente de uma campanha intitulada “Fora, Renan”, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) esteve nesta quarta com o senador José Sarney (PMDB-AP). Disse que iria iniciar uma guerra e que enxergava em Sarney um dos generais da tropa inimiga. Instou-o a pedir a Renan que renuncie. Seria, segundo disse, um modo de deixar a presidência do Senado antes que seja "escorraçado" do posto. 

Sarney disse a Gabeira que não se sente à vontade para levar semelhante proposta ao amigo. Disse, de resto, que confia na solidariedade dos colegas a Renan. Afirmou que o presidente do Senado enredou-se numa "questão que envolve mulher". E outros senadores já teriam passado pela mesma experiência. Haveria o que Sarney chamou de "solidariedade masculina". Gabeira insistiu: "Vai começar a guerra". E Sarney: "Sou isento do serviço militar, estou fora dessa guerra." 

Escrito por Josias de Souza às 21h50

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Bloco PT-PSB é contra arquivamento do caso Renan

  Folha
Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Renato Casagrande (PSB-ES) e Augusto Botelho (PT-RR) desembarcaram da canoa de Renan Calheiros. Indicados para o Conselho de Ética do Senado pela líder do PT, Ideli Salvati (SC), os três decidiram, em reunião, que não vão votar a favor do relatório que pede o arquivamento do processo contra o presidente do Senado. Em vez disso, desejam a continuidade das investigações.

Em discurso que acaba de proferir da tribuna do Senado, Suplicy informou que a deliberação da trinca governista já foi inclusive comunicada à líder Ideli. “O laudo da Polícia Federal conduz à conclusão de que há indícios de graves faltas”, disse Suplicy, observado pelo próprio Renan Calheiros, que presidia a sessão. “Isto, obviamente, é algo que merece ser examinado no Conselho de Ética”.

Com isso, Renan Calheiros fica definitivamente em minoria no Conselho de Ética. PSDB, DEM e PDT, que já vinham defendendo a necessidade de aprofundar as investigações, detêm seis cadeiras no conselho. Com a adesão de Suplicy, Casagrande e Botelho, a tese da continuidade do processo é defendida agora por pelo menos nove dos 15 integrantes do foro em que Renan está sendo julgado.

“O processo não nos parece devidamente instruído, com dados capazes de esclarecer os fatos de modo a não restar qualquer dúvida”, acrescentou Suplicy. “É importante que haja aprofundamento das investigações. Todos os membros do conselho atuam como juízes. Para proferir a nossa decisão, precisamos conhecer os fatos que compõem o objeto do processo”.

Suplicy instou, uma vez mais, Renan Calheiros a comparecer à sessão do Conselho de Ética, já iniciada. O presidente do Senado não respondeu à conclamação do colega. No conselho, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), acaba de pedir o adiamento da decisão por pelo menos uma semana.

Agripino Maia (RN), líder do DEM, ecoando Virgílio, disse: "Nenhum de nós pode votar com nenhum tipo de dúvida. Nesse momento, não temos condições de votar nem para absolver nem para condenar." Defendeu a dilatação dos prazos para a investigação. Nesse momento, Suplicy repete no conselho o que dissera em plenário. Deu um passo adiante: disse que Renan deveria se licenciar do cargo até que todas as dúvidas sejam elucidadas. 

Escrito por Josias de Souza às 16h37

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PF acha diferença de R$ 600 mil em papéis de Renan

A perícia realizada pela Polícia Federal por encomenda do Conselho de Ética do Senado tem 20 páginas. Contêm dados que conferem ao senador Renan Calheiros a aparência de um puritano de Sodoma e Gomorra.

Além de indícios de fraudes fiscais, os peritos detectaram no papelório do presidente do Senado uma “diferença” de 511 cabeças de gado. Em reais: R$ 600 mil. Ou seja, um terço do R$ 1,9 milhão que Renan diz ter amealhado com seus negócios agropecuários.

Os peritos apontaram "inconsistências formais" nos documentos que Renan incorporou à sua defesa. A principal delas, informa o repórter Ranier Bragon, é a ausência ou a duplicidade do Selo Fiscal de Autenticidade, criado para facilitar o controle da emissão de talonários de notas fiscais. Em duas notas, não há o número do selo; em outra, o número se refere a uma segunda nota.

Não é só: algumas notas fiscais estão sem data, ostentam campos rasurados ou foram emitidas fora da ordem cronológica. Não são inconsistências banais. Podem configurar crimes contra a ordem tributária.

Há mais: Renan apresentou ao Conselho de Ética 100 GTAs (Guias de Trânsito Animal). Serviriam para demonstrar que o gado, de fato, deixou as suas fazendas rumo aos abatedouros de seus compradores. Pois bem, a A PF concluiu que "várias informações preenchidas nas guias são divergentes daquelas presentes nas notas fiscais." Para os peritos, pode não haver vínculo entre as guias e as notas.

 

Há pior: perscrutando notas guias, a PF detectou uma diferença de 511 cabeças de gado cuja comprovação de venda não foi feita por meio das GTAs. Daí a diferença de R$ 600 mil apontada na perícia. Para complicar, Renan apresenta fazendas de origem do gado nas notas fiscais que divergem das fazendas de origem apresentadas nas GTAs. Há divergências também em relação aos nomes dos supostos compradores. "Grande parte dos destinatários do gado vendido, cujos nomes constam das GTAs, não coincide com aqueles informados nas notas fiscais de venda apresentadas", anotaram os peritos da PF.

 

Tudo considerado, o texto da Polícia Federal encaminha as vacas de Renan na trilha do brejo. Se quiserem, os aliados do senador no Conselho de Ética podem continuar desempenhando o papel de vacas de presépio. Mas a insistência, além de recobrir os seus mentores com o manto diáfano do ridículo, vai acomodá-los no mesmo pântano em que se encontra mergulhado o rebanho animal do presidente do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 15h37

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Senadores governistas articulam julgamento secreto

A integração de uma pessoa a um grupo é sempre um processo de ajuste das individualidades. Se o grupo é brioso, o indivíduo pode até lapidar suas próprias qualidades. Se o grupo é abjeto, a aceitação do indivíduo pelo todo exige uma dose de degradação pessoal.

Nesta quarta-feira (20), a coluna de Mônica Bergamo, na Folha (assinantes), veicula uma informação curiosa. Diz o seguinte:

NERO: “O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem dito a seus colegas mais íntimos que pode cair atirando. Diz que pretende incentivar a abertura da célebre CPI das Empreiteiras, proposta há décadas pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). E tem citado, nas conversas, supostos casos extraconjugais de personagens que circulam em Brasília”.

Em português claro: Renan informa, nos subterrâneos, que o grosso dos senadores está igualado em abjeção. A culpa de um é compartilhada pelos demais. E a nenhum deles é dado apresentar-se como detentor de uma diferença heróica. Antes, cumpre assegurar a fidelidade ao grupo, por meio da cumplicidade.

O julgamento do processo em que Renan é acusado de quebrar o decoro parlamentar acomoda o Senado numa zona fronteiriça. Só há dois caminhos: a manutenção do pacto que impõe a todos o compartilhamento de culpas ou a sua ruptura, com identificação dos pecados e a prescrição do castigo ao impostor.

Divididos em duas categorias –os culpados inocentes e os inocentes culpados—, os senadores terão de informar à sociedade se o país dispõe de um Senado de verdade ou se o que há sob aquela cuia de concreto emborcada  é uma irmandade desprezível.

Aos 44 minutos do segundo tempo, tenta-se uma manobra que não cheira bem. O Conselho de Ética do Senado, que deveria estar reunido desde as 13h30, adiou o início da sessão para as 17h. E alguns de seus membros articulam a realização de uma reunião secreta. Longe dos olhos da sociedade, a confraria pode conduzir com mais desenvoltura o seu ritual de emporcalhamento.

Escrito por Josias de Souza às 14h36

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As manchetes desta quarta

- Folha: Pressão contra Renan aumenta no Congresso

- Estadão: Aliados abandonam Renan e cresce pressão por renúncia

- Globo: Código de Trânsito não resiste a uma década de impunidade

- Correio: Lula cria mais 626 cargos de confiança

- Valor: Consumidor usa carro para driblar o juro alto do varejo

- Estado de Minas: PF prende quadrilha das aposentadorias

- Jornal do Commercio: Crack invade a terra da maconha

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Irmandade!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Quer 'brincar' de cidadão? Mande sua mensagem

A quem interessar possa, vão abaixo os endereços eletrônicos de todos os senadores que integram o Conselho de Ética do Senado na condição de titulares. A sessão em que o processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL) vai a julgamento está marcada para as 13h30. Quem quiser "brincar" de cidadão, ainda terá algumas horas para endereçar uma mensagem aos "juízes". Se achar que é o caso, reproduza sua correspondência na caixa de comentários do blog.

siba@senador.gov.br; renatoc@senador.gov.br; augusto.botelho@senador.gov.br; ecafeteira@senador.gov.br; eduardo.suplicy@senador.gov.br; wellington.salgado@senador.gov.br; valterpereira@senador.gov.br; gilvamborges@senador.gov.br; leomar@senador.gov.br; demostenes.torres@senador.gov.br; heraclito.fortes@senador.gov.br; adelmir.santana@senador.gov.br; marconi.perillo@senador.gov.br; marisa.serrano@senadora.gov.br; jefperes@senador.gov.br; romeu.tuma@senador.gov.br.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Perícia da PF leva grupo de Renan a temer derrota

  • Substituto de Epitácio Cafeteira é Wellington Salgado
  • Oposição tenta aprovar continuidade das investigações
  • Enfraquecido, Renan se diz preparado para o ‘calvário’

Marcello Casal/ABr

O protogovernista Wellington Salgado é o novo relator do processo contra Renan

 

Em vez de reforçar a defesa de Renan Calheiros, a perícia realizada pela Polícia Federal enfraqueceu a posição do presidente do Senado. Em contatos que entraram pela madrugada desta quarta-feira, integrantes da tropa de choque do senador concluíram que o risco de Renan arrostar uma derrota na reunião do Conselho de Ética tornou-se real.

 

Numa derradeira tentativa de salvar o relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que prevê o arquivamento da representação contra Renan, o presidente do conselho, Sibá Machado (PT-AC), indicou o protogovernista Wellington Salgado (PMDB-MG) como novo relator do processo. Suplente como Sibá, Wellington mostra-se mais convencido da inocência de Renan do que o próprio Renan.

 

Sibá confirmou para as 13h30 desta quarta a reunião do conselho. Antes, PSDB e DEM reúnem, separadamente, as suas bancadas, para afinar a viola. Na sessão de julgamento, vão tocar a mesma partitura: defenderão o aprofundamento das investigações, sob o argumento de que a perícia da PF, distribuída aos membros do conselho na noite desta terça, resultou insuficiente para comprovar a venda de gado que Renan diz ter realizado.

 

“Queremos que sejam apreciados os votos alternativos ao do relator, que pedem mais diligências e novas perícias além dessa já realizada”, disse ao blog Demóstenes Torres, ponta-de-lança do DEM no Conselho de Ética. São três os votos divergentes do de Cafeteira, agora encampado por Wellington Salgado. Um do próprio Demóstenes, outro da bancada do PSDB e um terceiro de Jefferson Peres (PDT-AM).

 

A oposição espera arrastar para a tese da necessidade de submeter a defesa de Renan a novas checagens três senadores governistas: Eduardo Suplicy (PT-SP) e Renato Casagrande (PSB-ES). Para desespero da tropa de Renan, um terceiro senador passou a flertar com a hipótese da deserção: Augusto Botelho (PT-RR).

 

Nas últimas horas, Suplicy, Casagrande e Botelho, antes fechados com Renan, passaram a condicionar seus votos ao conteúdo da perícia da PF. E o documento revelou-se um desastre para Renan. Não chega a classificar de falsos os papéis periciados, mas aponta rasuras, incongruências de datas e, o principal, anota que não foi possível atestar a efetiva comercialização do gado que teria rendido a cifra de R$ 1,9 milhão que Renan diz ter usado para bancar a pensão da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso.

 

A despeito da atmosfera francamente desfavorável, os aliados de Renan declaravam-se, nesta quarta, dispostos a aprovar o relatório Cafeteira, enterrando vivas as suspeitas que rondam o presidente do Congresso. “Pelo que foi combinado na semana passada, votaríamos o relatório depois da perícia. Não vejo porque não votar”, disse ao blog o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). “Se houver outros problemas, questões fiscais, por exemplo, pode-se apurar depois, com outra representação ou até com uma CPI”, exagera.

 

A prevalecer esse entendimento, a tendência da oposição é de aferrar-se à abstenção. “Para votar o relatório sobre quebra ou não de decoro, estamos simplesmente cerceados”, diz Demóstenes Torres. “Para absolver, não dá. Para condenar, não houve a investigação. Temos um pé de frango na boca. De todo jeito que morder tem osso. Não nos restará outra alternativa senão a abstenção.”

 

Caso a oposição se abstenha, o processo pode até ser arquivado, por falta de opositores ao relatório Cafeteira/Wellington. Nesta hipótese, noves fora a desmoralização do Senado, Renan terá uma vitória de Pirro. Será fustigado com uma nova representação no Conselho de Ética e com um questionamento da decisão no STF, iniciativas já esboçadas pelo PSOL, PV e PPS. O “calvário” será igualmente longo.

Escrito por Josias de Souza às 00h48

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MP denuncia 39; compadre de Lula entra, Vavá sai

  Folha
O Ministério Público encaminhou à Justiça Federal de Mato Grosso do Sul a denúncia contra os suspeitos da Operação Xeque-Mate. Dos 58 indiciados pela Polícia Federal, caíram na rede dos caça-níqueis somente 39 peixes. Entre eles Nilton Cezar Servo, apontado como chefão da quadrilha, e Dario Morelli Filho, o compadre de Lula. Genival “Lambari” da Silva escapuliu, junto com outros 18 bagres.

Em nota (íntegra aqui), o Ministério Público listou os nomes dos denunciados. E esclareceu que encomendou à PF novas investigações em relação aos poupados. No caso do “lambari” Vavá, decidiu desmembrar o inquérito. O irmão de Lula passa agora à alçada da comarca de São Bernardo (SP), onde mora.

Embora Vavá tenha sido denunciado pela PF pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio, os procuradores que cuidam do caso entenderam que não há nos autos do inquérito indício de ligação efetiva do “lambari” com os cardumes dos caça-níqueis. Tampouco foi possível identificar beneficiários da alegada ação de lobista de Vavá. Daí o pedido de novas diligências.

Nos grampos telefônicos captados pela PF, o chefão Nilton Servo queixa-se de que Genival ‘me-dá-dois-pau-aí’ Silva mordeu “R$ 14, R$ 15 mil.” A ser verdade, tem-se um caso raro: apresentado como ingênuo, o “lambari” mordeu a isca sem permitir que os espertalhões o levassem à frigideira. Nunca na história desse país uma piaba jantara os pescadores.

Escrito por Josias de Souza às 22h49

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PPS recorre ao STF contra ‘classificação indicativa’

O PPS protocolou nesta terça-feira (19) uma ação em que questiona a constitucionalidade da portaria do Ministério da Justiça que instituiu a classificação indicativa dos horários de programas nas emissoras de TV. O partido alega que a portaria instituiu no país a “censura prévia”, ferindo a Constituição.

O nome técnico do recurso do PPS “Ação Direta de Inconstitucionalidade”. Assinado pelo presidente do partido, Roberto Freire, o texto anota: “Sob o imponente e eufêmico nome de ‘classificação indicativa’, o Ministério da Justiça busca ressuscitar, por meio de um ato normativo, a vetusta e famigerada censura, abolida pela ordem constitucional de 1988.”

 

Para o PPS, a análise prévia da programação das emissoras de TV fere o direito constitucional que consagrou a liberdade de expressão. De resto, indica o desejo do governo de submeter o princípio da livre manifestação do pensamento a uma “visão policialesca” do Estado.

 

A classificação indicativa dos programas de TV foi atribuída ao Dejus (Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça). A repartição é chefiada por José Eduardo Elias Romão, 33. na última segunda-feira, em entrevista à Folha, ele disse que não há a intenção de transformar o órgão “em superego das famílias brasileiras.”  

 

“Em casos de inadequação”, disse ele, “o Ministério da Justiça classifica ou reclassifica o produto [programa televisivo], encaminha ao Ministério Público, que vai analisar sua procedência, e pode encaminhar ao Judiciário”. Explicou que as emissoras que descumprirem uma classificação do Dejus só sofrerão algum tipo de sanção se houver decisão judicial. “Nunca houve tanta liberdade”, afirmou.

 

Há duas semanas, em entrevista ao “Programa do Jô”, o ex-ministro da Justiça, Saulo Ramos, a exemplo do PPS, considerou a classificação indicativa como um cerceamento à liberdade de expressão. Disse que a medida não passaria pelo crivo do STF.

 

O julgamento da ação de Roberto Freire dirá se Saulo está certo ou não. O signatário do blog espera que o ex-ministro esteja com a razão. A classificação indicativa tem, de fato, cheiro e feições de censura. Alega-se que o objetivo é proteger as crianças. Ora, essa é uma atribuição indelegável dos pais. De resto, a TV, assim como o computador, não é um bicho-papão. Trata-se de mero eletrodoméstico. Cabe às famílias usá-lo da maneira que considerar mais adequada. O Estado deve seguir os ditames da sociedade, jamais o contrário.

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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STF impõe, enfim, uma 'condenação' a um deputado

  Divulgação
Nunca em toda a sua história o STF impôs uma mísera condenação a políticos. Essa história começou a mudar. Nesta terça-feira (19), o Supremo submeteu o deputado Edigar Mão Branca (PV-BA) a uma constrangedora decisão: impediu-o de usar o seu chapéu de couro no plenário da Câmara. Ou por outra, negou-lhe uma liminar que asseguraria o seu direito de trafegar pelo Legislativo com a cabeça guarnecida por um apetrecho de vaqueiro que não tira senão para dormir.

Mão Branca recorrera ao STF depois que a Mesa diretora da Câmara anunciou a intenção de proibir o uso do chapéu. O deputado protocolou no tribunal um mandado de segurança no qual sustentou a tese de que a proibição, veja você, o impediria de “exercer livremente” o seu mandato. Mais: limitaria os seus direitos “de ir e vir e de se expressar”. Relator do caso, o ministro Gilmar Mendes indeferiu o pedido de Mão Branca. A julgar pela linha de raciocínio exposta no mandado de segurança, a decisão condenou o deputado a ficar imóvel e calado. Agora vai! 

Escrito por Josias de Souza às 16h06

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Brasil é o terceiro maior investidor na Argentina

Vivemos, como se sabe, em tensão ininterrupta com a Argentina. No fundo, no fundo, nem somos tão diferentes assim. Noves fora a passionalidade do vizinho, há muitos paralelos a nos unir: Perón e Getúlio; as ditaduras militares; Maradona e Pelé... A despeito disso, o argentino continua sendo, para nós, um personagem vivendo eternamente à beira do ridículo. E vice-versa.

 

De mansinho, o Brasil vai realizando o velho sonho de invadir a Argentina. Promove não uma ocupação militar, mas financeira. No ranking dos maiores investidores diretos na Argentina, o Brasil já ocupa a terceira posição –US$ 1,8 bilhão em 2006. Só perde para EUA e Espanha. Já está à frente do Chile.

Entre 2001 e 2006, as empresas brasileiras despejaram US$ 5,9 bilhões em aquisições de companhias na Argentina. A “invasão” se dá em diversos setores: petróleo, carne, cerveja, cimento e têxtil, etc.

Escrito por Josias de Souza às 15h28

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As manchetes desta terça

- Folha: Relator sai; Senado volta a adiar votação sobre Renan

- Estadão: Renan exigiu pagar pensão 'por fora', afirma advogado

- Globo: Crimes crescem, mas Rio investiga cada vez menos

- Correio: ONG sob suspeita sacou R$ 5,6 milhões em 45 dias

- Valor: Corrida à bolsa dificulta os negócios de fundos 'private'

- Estado de Minas: Salário de servidor federal sem concurso sobre até 139%

- Jornal do Commercio: Presos comandam o império do crack

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Lixão!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Sessão de relaxamento!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Perícia da PF aponta contradição em papéis de Renan

  • Datas de venda de gado não coincidem com os depósitos
  • PF dirá que não houve tempo para checar as transações

El Roto/ElPais

 

Vai baixo reportagem de Andréa Michael, veiculada na Folha (assinantes):

"O laudo elaborado pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), órgão da Polícia Federal, compromete a versão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao apontar conflito entre as datas nas quais ele teria vendido lotes de gado e aquelas em que há registro de ingresso em suas contas bancárias do valor obtido com a transação comercial.

 

Para evitar ser processado, Renan apresentou documentos com o objetivo de comprovar licitude e suficiência de rendimentos por meio dos quais pagou pensão alimentícia nos últimos anos para uma filha que teve fora de seu casamento.

 

Entre os papéis há notas fiscais e GTAs (Guias de Transporte de Animais), documentos usados por Renan para justificar, no Conselho de Ética, que a venda de gado de sua propriedade em Murici (AL) serviu como fonte de recursos legítimos para o pagamento da pensão.

 

Feita a análise pelos peritos do INC, que trabalharam em Maceió ao longo de todo o dia de ontem, a conclusão foi que a documentação apresentada por Renan é materialmente verdadeira, ou seja, seguiu os trâmites de emissão, tramitação e registro no âmbito das secretarias de Agricultura e de Fazenda do Estado de Alagoas.

 

Em Brasília, outro grupo de peritos do INC se debruçou sobre os extratos bancários apresentados por Renan. Surgiu daí a identificação de inconsistências entre as datas das transações com gado e o dinheiro que alimentou seu saldo bancário.

 

Renan afirma que tirou de sua própria conta o dinheiro da pensão alimentícia. As quantias seriam repassadas mensalmente ao lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, encarregado de fazer os pagamentos.

 

O laudo que a PF apresentará ao Conselho de Ética não é conclusivo. Deixará claro que, pelo tempo exíguo, não se fez uma análise fundamental: checar se as transações apontadas nas notas fiscais realmente ocorreram e de que forma estariam (ou não) registradas na contabilidade dos compradores que negociariam com Renan.

 

Ou seja: não fica descartada a hipótese de eventual falsidade ideológica encoberta pelos documentos materialmente verdadeiros. O trabalho dos peritos em Maceió foi acompanhado pelo diretor da Secretaria de Controle Interno do Senado, Shalom Einstoss Granado. A secretaria é um órgão auxiliar do TCU, responsável por auditar as contas do Congresso."

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Aliados de Renan já condicionam o voto à perícia

  • Cresce a chance de Conselho requisitar novas apurações

Eduardo Suplicy (PT-SP) e Renato Casagrande (PSB-ES) constam da planilha de votos do grupo de Renan Calheiros (PMDB-AL) na coluna dos senadores favoráveis ao arquivamento do processo contra o presidente do Senado. A posição dos dois, porém, já não é assim tão automática. Ambos condicionam seus votos ao resultado da perícia que a Polícia Federal realiza na documentação que compõe a defesa de Renan.

 

Suplicy e Casagrande não descartam mais a hipótese de apoiar o aprofundamento das investigações, como desejam o PSDB, o DEM e o PDT. “Eu quero ter a segurança de que a perícia foi bem feita”, disse Suplicy ao blog. “Se os responsáveis pelo trabalho disserem 'precisamos de mais alguns dias para chegar a conclusões mais definitivas', não vejo porque devamos votar um relatório apressadamente”.

 

“Na última reunião do Conselho, nós trabalhamos para adiar a decisão, para verificarmos os documentos. Minha posição vai depender do resultado dessa perícia. Se a documentação estiver OK, tem muita chance de a gente estar do lado do Renan. Do contrário, nós vamos querer investigar mais”, ecoou Casagrande. Iniciada nesta segunda-feira, em Alagoas, a perícia encomendada à Polícia Federal manuseia dados de uma incongruência gritante.

 

Líder do PSB no Senado, Casagrande reconhece: “Tínhamos uma posição bem encaminhada, achávamos que não havia prova material que pudesse incriminar o Renan. Mas surgiram dados novos. E nós vamos ter que esperar. Não tenho posição antecipada. Se a perícia atestar a veracidade da documentação, a situação do Renan no Conselho de Ética melhora. Se não confirmar, a situação piora. E muito”.

 

“Eu e o Suplicy estamos tentando discernir o que aconteceu, para tomar posição sem nenhum tipo de pré-disposição”, completa Casagrande. "Torço para que tudo dê certo para o Renan, mas só posso ajudá-lo se ele puder ser ajudado". O blog conversou também com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Ele preside o PSB. Disse que o partido considera “ponderadas” as posições de Casagrande e as respalda integralmente.

 

No vôo que o trouxe de São Paulo para Brasília, nesta segunda-feira (19), Suplicy encontrou-se com os colegas Demóstenes Torres (DEM-GO) e Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senador. Revelou a ambos sua disposição de endossar a proposta de realização de novas diligências caso a perícia realizada pela Polícia Federal não se revele conclusiva. Demóstenes é signatário de um voto alternativo que pede justamente uma perícia cabal e definitiva do papelório de Renan. 

 

Antes do encontro fortuito com os "demos", a bordo do avião, Suplicy telefonara para o presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC). Recomendara ao colega de partido que não excluísse de antemão a possibilidade de aprofundamento da perícia, caso isso se mostre imperioso. “Precisa dizer se os bois foram realmente vendidos e esclarecer a origem dos recursos”, disse ele ao blog. “Quero votar de forma consciente. Nas questões relativas à defesa do interesse publico, o senador Renan sabe que é meu dever assim agir”.

 

Nesta terça-feira (19), PSDB e DEM tentarão costurar uma posição unificada, a ser sustentada pelos seus representes no Conselho de Ética. Até a última sexta-feira, a tendência dos dois partidos era a de recomendar aos seus senadores a abstenção, sob o argumento de que a precariedade da análise da documentação impedia um julgamento peremptório. Nesta segunda, avaliava-se como razoável a conveniência de voltar a exigir do Conselho a continuidade das investigações.

 

A contabilidade dos votos pró-Renan, que já era apertada, pode tornar-se desfavorável caso Suplicy e Casagrande migrem para o lado dos que advogam a necessidade de nova perícia. Para complicar, Sibá Machado estava às voltas com um contratempo inesperado: ninguém queria assumir o posto de relator, em substituição a Epitácio Cafeteira, que pediu licença alegando problemas de saúde. O processo contra Renan, começou a fugir ao controle do grupo que deseja sepultar o escândalo vivo. A votação final, inicialmente marcada para esta terça, teve de ser adiada para quarta-feira (20).

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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STF arquiva interpelação de Mônica contra Renan

  Lula Marques/Folha
O ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou ao arquivo, na noite desta segunda-feira (18), o pedido de esclarecimentos que a jornalista Mônica Veloso dirigira a Renan Calheiros por meio de uma interpelação judicial. A ex-amante do senador irritara-se com declarações atribuídas a ele. Enxergou nas entrelinhas a insinuação de que ele a teria acusado de chantagem.

A interpelação judicial é um recurso que costuma preceder o ajuizamento de ações por injúria, calúnia e difamação. Mônica considerou que algumas declarações de Renan a respeito dela foram dúbias. Por meio de seu advogado, Pedro Calmon Filho (foto), a jornalista peticionou ao STF para que exigisse explicações do senador. Dependendo das respostas, ela o processaria por crimes contra a honra.

Porém, ao analisar o caso, o relator Gilmar Mendes considerou que a petição do advogado de Mônica não logrou demonstrar qual teria sido a dubiedade das afirmações de Renan. Por isso, indeferiu o pedido (leia a íntegra da decisão aqui). Se quiser, a jornalista ainda pode recorrer.

Antes da divulgação do despacho de Gilmar Mendes, o tema da chantagem, que tanto irrita Mônica Veloso, foi levantado pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE) numa sessão do Conselho de Ética do Senado. Deu-se também nesta segunda, durante depoimento de Calmon Filho, o advogado da jornalista. A sessão descambou para um acalorado rififi.

Embora não seja membro do conselho, Almeida Lima tem comparecido a todas as reuniões. Converteu-se num dos mais ardorosos defensores dos interesses de Renan Calheiros. Para fustigar Calmon Filho, ele exibiu um dossiê com a transcrição de supostos diálogos mantidos entre Renan, Mônica e Cláudio Gontijo, o lobista da Mendes Júnior apontado elo financeiro do senador com sua ex-amante.

O dossiê, acusou Almeida Lilá, teria sido usado pela jornalista para chantagear Renan. Calmon Filho desqualificou a peça. Disse que, exceto pela revista IstoÉ, que atribuíra credibilidade ao material, vários meios de comunicação já haviam desqualificado o dossiê. Mas Almeida Lima foi além: acusou o pai do advogado, Pedro Calmon, também presente à sessão, de ter comparecido à casa do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), para exigir R$ 20 milhões de Renan Calheiros.

Calmon, o pai, reconheceu, por meio do filho, que, de fato, estivera no apartamento funcional de Cafeteira. Não estavam, porém, a sós. Teria participado de um churrasco “para mais de 500 pessoas”. Entre os presentes, segundo mencionou estava o senador José Sarney (PMDB-AP). Calmon Filho classificou de “ridícula” a acusação de cobrança de R$ 20 milhões. Primeiro, pelo absurdo da quantia. Segundo porque não havia razão para chantagens, uma vez que Renan concordara em reconhecer a paternidade da filha que tivera com a jornalista, assegurando-lhe as pensões alimentícias.

Tudo considerado, o depoimento do advogado produziu muita lavagem de roupa suja e nenhuma informação útil para elucidar o objeto da investigação do Conselho de Ética: a origem do dinheiro usado para bancar a pensão de Renan para a filha. Sobre isso, Calmon Filho limitou-se a repetir que os pagamentos foram feitos em dinheiro vivo, por meio de Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior. De onde veio a grana? “Não tenho como saber”, disse o advogado. De resto, mencionou um "por fora" de R$ 9.000. Renan chamou-o de "Pinocchio".

Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Caiado sugere combinar lista e candidatos avulsos

O relator da proposta de reforma política, Ronaldo Caiado (DEM-GO), decidiu sugerir a adoção de um sistema híbrido de candidaturas. Prevê dois tipos de candidatura a deputado federal, estadual e a vereador. Parte dos candidatos (70%) seria eleita por meio do modelo de lista fechada. Ou seja, o eleitor votaria no partido, não no candidato. Outra parte (30%) seria escolhida por voto no candidato, exatamente como ocorre hoje.

 

Os candidatos que constassem da lista elaborada pelos partidos teriam direito a financiamento público de campanha. Os políticos que optassem pela campanha avulsa não seriam beneficiados com verbas públicas. Continuariam tendo de buscar o dinheiro para bancar suas campanhas nas doações de empresas privadas.

 

A proposta de Caiado, revelada em diálogos privados com parlamentares, é uma tentativa de salvar o voto em lista, que encontrou resistências em todos os partidos. Por esse modelo, o eleitor vota no partido, não no candidato. Os eleitos sairiam de uma lista elaborada previamente pelas cúpulas de cada legenda.

 

O relator rejeita a hipótese de admitir a chamada “lista flexível”. Prevê o seguinte: o eleitor continuaria votando no partido. Mas, se discordasse da relação de nomes elaborada pela legenda, teria a opção de votar também num candidato específico, para tentar melhorar a colocação dele na lista.

 

Para Caiado, a lista flexível inviabilizaria a adoção do financiamento público. Daí a idéia de reservar uma cota de 30% da composição da Câmara Federal, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores da forma atual, com campanhas individuais e financiamento privado.

 

A nova proposta de Caiado será exposta nesta terça-feira (19), em reunião na presidência da Câmara. O encontro, convocado por Arlindo Chinaglia (PT-SP), ocorrerá às 14h30. Estarão presentes os líderes de todos os partidos.

Escrito por Josias de Souza às 18h15

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Senado vai acabar aprovando o 'Bolsa-Palhaço'

Logo, logo o Senado se verá obrigado a aprovar um projeto de lei instituindo um programa que terá efeitos benéficos no combate ao desemprego. Se a iniciativa for bem sucedida, milhões de brasileiros estarão habilitados para trabalhar nos picadeiros de circo.

 

Nesta segunda-feira, deu-se mais um passo rumo à instituição do programa Bolsa-Palhaço. Epitácio Cafeteira, relator do processo contra Renan Calheiros, pediu licença. Alega problemas de saúde. Pretende ausentar-se por pelo menos dez dias. Nada impede que o prazo seja prorrogado.

 

Diante do incomum, o Conselho de Ética do Senado enveredou pelas trilhas do inusitado. Em vez de indicar um substituto para Cafeteira, o presidente Sibá Machado nomeou-se a si mesmo como relator substituto. Com isso, manteve vivo o relatório de Cafeteira, que pede o soterramento do processo contra Renan Calheiros.

 

Nesse ritmo, o Senado talvez tenha que acelerar a elaboração e a votação do Bolsa-Palhaço. Sugere-se a inclusão no projeto de um artigo prevendo a distribuição gratuita de narizes vermelhos e sapatos grandes a todos os desempregados que desejarem ingressar na nova carreira. É dispensável qualquer tipo de preocupação com cursos de treinamento. O trabalho do Conselho de Ética transforma todos os brasileiros em palhaço automática e instantaneamente.

Escrito por Josias de Souza às 15h20

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As manchetes desta segunda

- Folha: Governo paga para retirar córneas que vão para o lixo

- Estadão: Projeto cria regras duras para greve de servidor

- Globo: Em 40 anos, nenhuma ação criminal no STF deu punição

- Correio: Operação Aquarela - Investigação avança e prevê mais prisões

- Valor: Justiça barra 82% das condenações do Cade

- Estado de Minas: MG tem mais de 700 obras abandonadas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h59

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Era uma vez...!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 07h53

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Ausência de acordo põe em risco a reforma política

  José Cruz/ABr
Pode dar em nada o esforço que a Câmara realiza para modificar a lei que regula as eleições. Depois da reviravolta ocorrida na noite da última quarta-feira, estabeleceu-se entre os líderes partidários uma atmosfera de dissenso que conspira a favor da manutenção das regras atuais –sem a lista fechada de candidatos nem financiamento público de campanha. Tudo como dantes.

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou para as 14h30 desta terça-feira (19) uma reunião com os líderes dos partidos. Sonha com a costura de um acordo que, por ora, afigura-se como irrealizável. Embora discuta a reforma política há treze anos, a Câmara não sabe o que fazer com ela.

 

Todos dizem que o sistema atual “apodreceu”. Mas o entendimento esboçado para alterá-lo empacou no voto em lista. Prevê que, nas eleições para deputado federal e estadual e para vereador, o eleitor votará no partido, não no candidato. Os eleitos sairiam de uma lista elaborada previamente pelas cúpulas de cada legenda.

 

Pressionado a alterar o projeto, o relator Ronaldo Caiado (foto lá no alto) fincou o pé. Não abre mão das listas fechadas. “Minha intenção é a de não alterar a proposta”, disse o deputado ao blog. Médico, Caiado (DEM-GO) compara a quizumba que impediu a votação da reforma política, na sessão da última quarta-feira, a uma febre. “Ganhamos alguns dias para ministrar um antitérmico. Passada a fase febril, vamos reordenar a discussão”.

 

De volta a Brasília, na tarde desta segunda-feira (18), Caiado vai medir a temperatura das principais lideranças da Câmara. Encontrará um tucanato ainda em brasa. “Não há nenhuma hipótese de o PSDB apoiar o voto em lista”, disse ao blog, na noite deste domingo (17), o líder da bancada tucana Antonio Carlos Pannunzio (SP). “Também não há maioria nos outros partidos da Casa”. Pannunzio tem razão.

 

O caso mais surpreendente é o do PT. A direção do partido fechou questão. Ordenou aos seus deputados que votassem a favor do projeto relatado por Caiado, sob pena de arrostar punições que vão da advertência à expulsão. A despeito da ameaça, nada menos que 37 dos 83 deputados do PT rebelaram-se contra o voto em lista.

 

A reforma política desfez a dicotomia governo versus oposição que costuma guiar as votações na Câmara. Do ponto de vista dos deputados, o que está em jogo é a sobrevivência política. Daí a insurreição contra as listas. Muitos preferem ir à sorte das urnas, pedindo voto para si mesmo, como é hoje, a ter de se submeter aos azares de uma lista cuja composição será ditada pelas idiossincrasias das cúpulas dos partidos.

 

Caiado foi pressionado a admitir em seu projeto o que os deputados chamam de “lista flexível”. Funcionaria assim: o eleitor votaria no partido. Mas, se discordasse da relação de nomes elaborada pela legenda, teria a opção de votar também num candidato específico, indicando que gostaria de vê-lo nos primeiros lugares da lista. “Ora, se admitíssemos a lista flexível, não poderíamos ter o financiamento público exclusivo”, diz Caiado, contrário à idéia. De resto, a lista maleável não teria o condão de abaixar a febre do PSDB, considerado por todos como fiel da balança na votação da reforma. “O critério híbrido complica o financiamento público”, diz Pannunzio, ecoando o relator. “Por isso, nós, do PSDB, decidimos defender a adoção do voto distrital misto”.

 

O próprio Pannunzio reconhece que a adoção do voto distrital, uma novidade que exigiria a reforma da Constituição, talvez não encontre apoio entre os líderes dos demais partidos. Conversou com alguns deles no final de semana. Sugeriu um meio-termo: a introdução do voto distrital misto nas eleições para vereadores, apenas nas cidades com mais de 500 mil eleitores. Seria uma maneira de testar o sistema no pleito municipal de 2008. E quanto ao resto? “A essa altura, como não há consenso, é bem provável que o sistema atual seja mantido. Daí o nosso esforço para tentar introduzir a novidade pelo menos na eleição municipal, que seria um bom teste”.

Escrito por Josias de Souza às 23h47

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PV, PPS e PSOL preparam novas ações contra Renan

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

O provável arquivamento do processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética do Senado não vai pôr fim à atmosfera de borrasca que envolve o senador. PV e PPS uniram-se ao PSOL, autor da representação contra Renan. Juntos, pretendem abrir guerra contra o presidente do Senado e do Congresso.

 

Os partidos preparam ações em três frentes: no próprio Senado, no Congresso, no STF e no Ministério Público. A idéia é questionar aberta e crescentemente a autoridade e a legitimidade de Renan. Parte-se da tese de que Renan já não reúne condições de continuar exercendo a dupla função de presidente do Senado e do Congresso.

 

“Vamos trabalhar para levar o caso às últimas conseqüências”, diz o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Antes de se envolver na articulação, Gabeira teve o cuidado de consultar a direção de seu partido, que se pôs de acordo. Em diálogos trocados entre sexta-feira (26) e sábado (17), lideranças do PV, do PPS e do PSOL começaram a esboçar a estratégia que, segundo as palavras de Gabeira, manterá Renan “nas cordas”.

 

“O presidente do Congresso apresentou documentos falsos ao Conselho de Ética! Isso é inaceitável e, por si só, já justifica a cassação do mandato”, afirma Gabeira. Refere-se à papelada que Renan entregou aos seus pares, para tentar demonstrar que é um próspero agropecuarista. 

 

Confirmada a perspectiva de absolvição na reunião do Conselho de Ética, marcada para a tarde de terça-feira (19), os mentores da articulação anti-Renan vão pôr em dúvida a validade da perícia feita nos documentos. “Essa perícia não existe, é ilegítima. Qualquer análise séria consumiria pelo menos 30 dias”, diz Gabeira. O questionamento pode ser levado ao STF. De fato, a Polícia Federal fará apenas o que lhe foi encomendado pela direção do Conselho de Ética: a análise da autenticidade formal dos papéis.

 

Cogita-se também protocolar uma nova representação contra Renan no mesmo Conselho de Ética. Dessa vez, por conta do uso de documentos supostamente inidôneos, o que caracterizaria quebra de decoro parlamentar. Além disso, congressistas e assessores jurídicos dos três partidos buscam no regimento interno brechas que permitam emparedar Renan também no plenário do Congresso, que congrega deputados e senadores.

 

“O problema não é só do Senado”, diz Gabeira. “O Renan preside também o Congresso. Eu sou congressista. Ele é o meu presidente. E não vejo mais legitimidade para que ele exerça nem a presidência do Senado, muito menos a do Congresso. Se não resolvermos isso, o Congresso permanecerá no chão”.

 

De resto, os idealizadores do movimento pela renúncia e cassação de Renan pedirão nesta semana uma audiência ao procurador-geral da República. Informados de que Antonio Fernando de Souza pretende requisitar cópia da documentação dos negócios agropecuários de Renan, os deputados desejam saber que providências o Ministério Público pretende adotar. Se necessário, podem representar contra o senador também na Procuradoria da República.

 

Nesta primeira fase da articulação, PV, PPS e PSOL vasculham o regimento do Congresso e a Constituição para verificar quais são as armas jurídicas de que dispõem. A idéia é recorrer a todas elas, se necessário. Na sexta-feira (15), antes de saber da nova ofensiva que se arma contra ele, Renan reiterou, em diálogos que manteve com líderes do Senado, que não tem a intenção de se afastar do cargo. Diz ter elementos para refutar qualquer acusação que lhe seja dirigida. “Vou até o fim”, afirmou.

Escrito por Josias de Souza às 10h55

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‘Vavá está sendo linchado’, escreve Elio Gaspari

Vai abaixo, em benefício da pluralidade e da reflexão, o artigo do repórter Elio Gaspari, publicado na Folha (assinantes): 

"Genival Inácio da Silva, o Vavá, está sendo covardemente linchado porque é irmão do presidente da República. Ele é acusado de tráfico de influência sem que até hoje tenha aparecido um só nome de servidor público junto ao qual tenha traficado qualquer pleito que envolvesse dinheiro do erário. Um fazendeiro paulista metido numa querela de terras queria reverter uma decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça. Vavá recomendou-lhe um advogado. Isso não é tráfico de coisa alguma. Um empreiteiro queria obras e encontrou-se com ele num restaurante. Ninguém responde se Vavá conseguiu favorecer esse ou qualquer outro empreiteiro.

 

A divulgação cavilosa e homeopática de trechos de gravações telefônicas envolvendo parentes de Nosso Guia tornou-se um processo intimidatório e difamador capaz de fazer corar generais do Serviço Nacional de Informações, o SNI da ditadura. No caso de Vavá, as suspeitas jogadas até agora no ventilador não guardam nexo com os fatos. Não há proporção entre as acusações que lhe fazem e o grau de exposição a que foi deliberadamente submetido.

 

A Polícia Federal vasculhou sua casa (um imóvel de classe média em São Bernardo do Campo). A diligência foi apresentada como parte de uma Operação Xeque-Mate, destinada a desbaratar uma quadrilha envolvida em contrabando, tráfico de drogas e máquinas caça-níqueis. Não era pouca coisa. Pelo que se sabe até agora, coletaram cinco papéis. Entre eles, duas cartas que não foram entregues. Vavá tentou alavancar dois casos com empresas privadas (Vale e CSN). Nenhum dos pleitos chegou à direção das companhias.

 

Os grampos policiais estabeleceram um vínculo entre Vavá e dois mercadores de casas de jogo e atravessadores de negócios. Um deles, Nilton Servo, ameaçou "trucidar" a família de um desafeto. O outro, Dario Morelli, compadre de Lula, julgava-se protegido pelas suas amizades e disse que a polícia pensaria "duas vezes em fazer qualquer coisa". Foi preso. Os dois planejavam maracutaias e contavam com a ajuda do irmão do presidente, a quem dizem ter dado algo como R$ 15 mil nos últimos meses. Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado".

Numa conversa, Vavá fez-lhe um pedido: "Ô, arruma dois pau pra eu?"

Lula tem 15 irmãos e algo como cem parentes. Desde que Tomé de Souza chegou a Salvador, nenhuma família de governante teve tão poucas relações com o Estado como a dos Silva. Mais: nenhuma veio de origem tão modesta e continuou a viver em padrões tão modestos. (Noves fora o Lulinha da Gamecorp.)

 

Vavá meteu-se por sua conta e risco com os negócios de Servo e do compadre Morelli. Desqualificá-lo por lambari, deseducado ou pé-de-chinelo é parte do linchamento. Ele é um cidadão, ponto. Seus atos vêm sendo investigados e serão levados à apreciação da Justiça. Podia ser membro da Academia Brasileira de Letras, dava na mesma. Antes da conclusão do inquérito policial, Vavá foi irremediavelmente satanizado a partir de indícios, suspeitas e manipulações. Seu linchamento não busca o cidadão metido com vigaristas. Busca a jugular do irmão.

 

Durante a última campanha eleitoral, quando o comissariado petista chafurdou na compra de um dossiê contra os tucanos, demonizou-se a figura de Freud Godoy, um assessor de Lula, conviva de sua panelinha. Durante três dias ele pareceu encarnar toda a corrupção nacional. Freud foi arrolado em dois processos, um criminal e outro eleitoral. Dizer que foi inocentado é pouco. Ele nem sequer foi indiciado.

 

O pessoal do século 21 sabe que Jimmy Carter é um ex-presidente dos Estados Unidos (1977-1981), Prêmio Nobel da Paz de 2002. Passará para a história como um exemplo de retidão. Isso agora. Quando estava na Casa Branca, Carter foi atazanado pela exposição de seu irmão Billy, caipira alcoólatra que se tornou lobista (registrado) do governo líbio. Criou-se o neologismo Billygate. Morreu em 1988, aos 51 anos, falido. Virou poeira da História. Ninguém quer a jugular de Vavá, como não se queria a de Billy Carter. O negócio é outro."

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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As manchetes deste domingo

- Folha: Auditoria aponta falhas em contratos do governo federal

- Estadão: Indústria cresce menos que o PIB há 27 meses

- Globo: Brasil pune apenas 7% dos crimes de colarinho branco

- Correio: Operação Aquarela - Com bens bloqueados, acusados deixam prisão

- Valor: Multa pode tirar térmicas do leilão de energia nova

- Veja: Por que o emprego público voltou a valer a pena

- Época: Como entender o esforço do Congresso para proteger Renan

- IstoÉ: Grampo da PF

- Dinheiro: Entrevista - A euforia de Guido Mantega

- Carta Capital: Grampolândia - Proibir não, evitar vazamento

- Exame: O caminho para o topo

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Bucaneiros!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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A administração pública está entregue às baratas

Elas são rápidas. No que você acende a luz, ziguezagueiam e fogem. Não é qualquer grampo telefônico, ação judicial ou vassourada que as esmaga. O dicionário do frei Domingos Vieira , edição de 1871, ensina que seu nome vem do grego, blaptô. Significa “faço mal”. O latim, blatta, resultou em brata. Daí para barata foi só um pulinho.

Diz-se que podem ser silvestres ou domésticas. Mas há outro tipo por catalogar: o suarabáctico ortóptero da máquina pública. Nunca foi tão encontradiço. Abunda de tal modo que, para não consumir múltiplos despachos, o repórter achou melhor atualizar os seus 22 leitores por meio de um atacadão de malfeitorias. Vão abaixo as principais novidades do final de semana: 

1. Mais um ministério: depois que a cabeça do ministro de Minas e Energia foi passada na lâmina, depois da revelação de que o fio ameaça podar pescoços também na pasta das Cidades, descobre-se agora que a Navalha ronda um terceiro prédio da Esplanada: o dos Transportes. Vai à berlinda uma repartição que é velha conhecida das baratas, o DNIT. Já mudou de nome. Antes, chamava-se DNER. Mas a reputação continua a mesma. 

2. Até a polícia: Muita gente tem dançado miudinho sobre o tabuleiro da penúltima mega-operação da PF. Neste sábado, também a Polícia Civil de São Paulo, Estado governado pelo tucanato há 12 anos (Covas, Alckmin, Serra), foi posta em Xeque-Mate. O delegado-geral Mário Jordão Toledo Leme viu-se compelido a anunciar o afastamento de duas dezenas de policiais suspeitos de estar no bolso da quadrilha de caça-níqueis. Ou seja, recomenda-se aos mais precavidos que só conversem com policiais em legítima defesa. 

3. Novidade demoníaca: No curso de sua antepenúltima mega-operação, a Têmis, a PF deu de cara com indícios de que a dedetização talvez tenha que ser estendida a um braço da prefeitura de São Paulo, hoje gerida pelo “Demo” Gilberto Kassab. Está-se falando da Subprefeitura da Sé. Diálogos interceptados por grampos telefônicos indicam que funcionários da municipalidade podem ter mordido propinas, para manter abertas as portas de uma casa de bingo que funcionava ao arrepio da lei.

Enquanto você aguarda pelas próximas operações da PF –que outros nomes criativos terão? Que novos esquemas desbaratarão? —é aconselhável adquirir um bom inseticida. É grande, como se vê, a infestação. A essa altura, cá entre nós, observar o barata-voa na engrenagem pública tem sido o maior barato.

Escrito por Josias de Souza às 23h42

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Bebel precisa arranjar um escritório para Cafeteira

 Laerte
 

Chama-se Maria Isabel a mulher de Epitáfio, digo, Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Ela tem 60 anos, 40 dos quais consumidos ao lado do senador. Na madrugada da última quarta-feira (13), dona Bebel, como é chamada na intimidade, tomou um susto. Acordou, olhou para o lado e não viu o marido sob as cobertas.

Percebendo que a luz do banheiro estava acesa, dona Bebel saltou da cama. Por um instante, receou que Cafeteira, que convalesce de uma cirurgia, estivesse em apuros. Para seu alívio, encontrou-o folheando o papelório que inspirou o seu voto no Conselho de Ética.

O parecer de Cafeteira, como se sabe, recomenda que as suspeitas que roem o prestígio de Renan Calheiros sejam enterradas vivas. Sem direito a exumação. Tudo pareceu fazer sentido depois que o próprio Cafeteira contou aos colegas de conselho que manuseara as páginas do processo nas instalações sanitárias de seu apartamento funcional.

Alguém precisa aconselhar dona Bebel a providenciar um escritório residencial para o marido. Decerto não hesitará em fazê-lo. Ela nutre por Cafeteira um amor inaudito: “Estou convalescendo. Saí daqui para São Paulo em coma, nu, carregado por minha mulher. A ela devo a minha vida”, reconheceu o senador, diante das câmeras da TV Senado.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

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O retrato falado de Vavá, um lambari de mostruário

O retrato falado de Vavá, um lambari de mostruário

1955. Início de expediente. Vavá, à época um carregador de mercado, pegou um carrinho de mão, para transportar mercadorias até as prateleiras. Súbito, avistou, sob folhas de jornal, um “dinheiro que não acabava.” Embatucou-se: “Eu não podia mostrar para minha mãe que ela ia pensar que eu tinha roubado. Eu tinha que falar para alguém que eu tinha achado o dinheiro. Ou dar para o dono do lugar onde eu trabalhava”.

 

Optou por dividir o segredo. “Não senhor, você está em situação difícil, você guarda esse dinheiro. Espera uma semana, se não aparecer o dono você me dá 500 cruzeiros e o resto leva para a tua mãe”, disse-lhe um colega. Decorridos sete dias, nem sinal do dono. Como combinara, Vavá deu ao amigo a quantia solicitada. E embolsou o resto. “Levei em casa, para minha mãe. Expliquei a situação”. [...] “Acho que certos males vêm para bem. Azar de quem perdeu!” A família Silva pagou tudo o que devia. A matriarca Lindu comprou roupas e sapatos para a prole. “A gente passou também a comer melhor do que comia”, relembra Vavá.

 

Estamos folheando as páginas de “Lula, o filho do Brasil”, uma obra que chegou às livrarias em 2002, ano em que o biografado virou presidente. Chama-se Denise Paraná a autora. Sua matéria-prima foram valiosos depoimentos de Lula e dos irmãos dele. O de Vavá, entremeado por falas de Frei Chico, consumiu 41 páginas –da folha 193 até a 234.

 

O dinheiro achado sob jornal –“ 5 contos e 855”, segundo Vavá— foi avaliado pela autora em 34,64 salários mínimos (nota de rodapé à página 207). Coisa de Cr$ 83.136, em 1955. Ou R$ 13.163, em dinheiro de hoje. Nada mal para o Vavá de 52 anos atrás, que recebia menos do que um salário mínimo. Dinheiro graúdo mesmo para o Lambari de 2007, fisgado nos grampos da PF: “Ô, arruma dois pau pra eu”.

 

Vavá era um sujeito desonesto já em 1955, você deve estar julgando. Antes, teste-se a si mesmo. Já achou R$ 13 mil? Devolveu? Ainda não achou? Devolveria? 99,99% dos brasileiros talvez embolsassem a grana. O Vavá que emerge do livro de Denise Paraná é um brasileiro de mostruário, um lambari de pesque-pague, eis o que se deseja realçar.

 

Seu nível de instrução é o primário. Estudou menos do que Lula. Do mercado, transferiu-se para uma tecelagem. Depois, empregou-se em fábricas da Skol e da Coca-Cola. Na Ford, onde permaneceu de 1965 a 1976, pirou. “Eu fiquei trancado no elevador sozinho, três horas preso. A sensação foi uma coisa horrorosa. Era escuro.” Adoeceu. Durante 11 anos, foi de médico em médico. Receitaram-lhe até Gardenal. Curou-se, segundo conta, num balcão de bar: “Eu encontrei um médico amigo meu e ele me falou: ‘Vavá, você não tem nada. Vamos tomar umas cachaças?’ Estranhou. Mas assentiu: “Eu sei que nós tomamos as pingas, depois eu saí e nunca mais precisei ir ao médico”.

 

Em verdade, o que acalmou a alma de Vavá foi uma sinecura que ele cavou na prefeitura petista de São Bernardo. Inquirido por Denise Paraná sobre a perspectiva de ter um irmão no Planalto, disse: “Não tem esse negócio de ajudar parente, não. [...] Do Lula eu só quero só a amizade e o carinho que ele tem pela gente”. Lorota. Deixou-se seduzir por uma mania nacional: a boquinha. Não resistiu às tentações do anzol. De “dois pau” em “dois pau”, beliscou “R$ 14, R$ 15 mil”, queixa-se o chefão dos caça-níqueis, Nilton Cezar Servo, num dos grampos da PF. Em 1955, Vavá achou um lenitivo para futuro imediato sob o jornal. Em 2007, ganhou a primeira página, numa situação que conspurca qualquer passado.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Um artigo para entender o que a Marta quis dizer

Orlandeli
 

Deve-se a Ruy Castro, um bambambã da palavra, a decodificação do verdadeiro sentido daquela frase inspirada que escorregou dos lábios de Marta ‘Relaxa e Goza’ Suplicy. Vai abaixo o texto em que Ruy desvenda a ministra. Foi veiculado na Folha (assinantes):

 

Relaxar e gozar

 

"Voltando de São Paulo nesta quinta-feira, tentei aplicar o conselho da ministra Marta Suplicy, do Turismo, de 'relaxar e gozar' para bem usufruir o tempo perdido nos aeroportos. Mas, depois de horas retido por um vôo da ponte aérea, descobri que, em Congonhas, é impossível relaxar.

 

A distância é muito grande entre o raio-X da polícia e o portão de embarque, seja este qual for. Caminham-se léguas. Em lá chegando, você é informado de que, "devido a um reposicionamento de aeronaves", seu embarque no portão 2 passou para o portão 19. E toca de novo a arrastar a mala, por sorte com alça.

 

Tal esforço não induz ao relaxamento, mas à fadiga, à tensão e à ira. Já no portão certo, mas ao saber que seu vôo está atrasado e sem previsão, você se instala e, aí, sim, tenta relaxar lendo seu livro ou revendo o trabalho que o levou a São Paulo. E, de repente, ouve a voz de Iris Lettieri.

 

Iris Lettieri é, há muito, a voz feminina dos aeroportos e uma das mais excitantes na história do microfone. Deveria ser enlatada e despachada para o ano 3000 numa arca do tempo, para que os pósteros, ao ouvi-la, façam bom juízo de nós. Enfim, que voz. Mas também não leva ao relaxamento. Ao contrário.

 

Pena que nem todas as vozes em Congonhas sejam de Iris Lettieri. De repente, começa uma saraivada de vozes finas, pelo nariz e com RRs flácidos, dando copiosas informações bilíngües sobre cada vôo de cada companhia e registrando cada atraso, troca de portão e dança das aeronaves. É azucrinante: uma mensagem atrás da outra, sem piedade para com nossos ouvidos. Impossível ler, relaxar, dormir, sonhar, o que for.

 

Muitas horas depois, enfim, o embarque. E apenas por isso -pelo fim do martírio-, com todo respeito, gozamos! Era isso que a ministra queria dizer!"

 

PS.: O repórter recomenda vivamente uma visita ao blog do Orlandeli, autor da ilustração exposta lá no alto. Pressionando aqui, você verá outros trabalhos de Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 09h51

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As manchetes deste sábado

- Folha: Após acusações, Senado adia decisão sobre Renan

- Estadão: Lista de propina da máfia do jogo tem 84 delegacias

- Globo: Denúncia adia julgamento e Renan já tem nova versão

- Correio: "Bagrinhos" entregam chefões da fraude no BRB

- Valor: Multa pode tirar térmicas do leilão de energia nova

- Jornal do Commercio: Mais um parque para Boa Viagem

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Pesque-pague!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h49

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Grupo de Renan prevê absolvição apertada na terça

  • Contrariedade será manifestada por meio da abstenção
  • Não há senador disposto a votar a favor da condenação

  Lula Marques/Folha
A despeito da fragilidade da defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL), ele deve ser absolvido da acusação de quebra do decoro parlamentar. Na noite desta sexta-feira (15), o grupo do senador elaborou uma planilha de votos. Concluiu que Renan dispõe do apoio de 60% dos membros do Conselho de Ética. O processo contra ele está virtualmente arquivado.

Mas concluiu-se que o placar vai impor ao presidente do Senado um constrangimento, arranhando-lhe o prestígio. Não há, por ora, nenhum senador disposto a votar pela condenação de Renan. Mas 40% dos integrantes do conselho cogitam expressar sua contrariedade por meio da abstenção. Significa dizer que têm dúvidas em relação à defesa de Renan e não se julgam em condições de absolvê-lo.

Há 15 senadores no Conselho de Ética. Epitácio Cafeteira (PTB-MA), o relator do processo, informa, de antemão, que nada o fará mudar o parecer em que advoga o sepultamento da representação do PSOL. Os aliados de Renan acham que o processo vai à gaveta com os votos dos seguintes senadores:

1) Epitácio Cafeteira; 2) Augusto Botelho (PT-RR); 3) Renato Casagrande (PSB-ES); 4) Eduardo Suplicy (PT-SP); 5) Wellington Salgado (PMDB-MG); 6) Valter Pereira  (PMDB-MS); 7) Gilvam Borges (PMDB-AP); 8) Leomar Quintanilha (PMDB-TO); e, por último, o presidente do conselho, 9) Sibá Machado (PT-AC), cujo voto só é obrigatório em caso de empate.

Pendem para a abstenção: 1) Demóstenes Torres (DEM-GO); 2) Heráclito Fortes (DEM-PI); 3) Adelmir Santana (DEM-DF); 4) Marconi Perillo (PSDB-GO); 5) Marisa Serrano (PSDB-MS); e 6) Jefferson Peres (PDT-AM). Ou seja, na prática, Renan será absolvido, no limite, por nove votos, computando-se o do presidente Sibá, que pode fazer questão de se manifestar. É pouco, para alguém que, do alto da presidência do Senado, almejava a unanimidade.

Para complicar, os partidários de Renan receiam que possam ocorrer duas deserções de última hora: Renato Casagrande e Eduardo Suplicy. Numa tentativa de atenuar o vexame, Renan e seu grupo tricotam para seduzir pelo menos dois votos do DEM: Adelmir Santana e Heráclito Fortes. Algo que o líder do partido, Agripino Maia (RN), tentará evitar em contatos que pretende fazer neste final de semana.

A despeito dos esforços de Renan, Agripino e o colega Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, avaliam, em privado, que a abstenção é o caminho menos constrangedor. Formou-se entre os líderes da oposição um sólido consenso. Acham que, até terça-feira (19), será impossível realizar na papelada que Renan entregou ao Conselho de Ética uma perícia que ultrapasse a verificação formal da autenticidade dos documentos.

Com a experiência de promotor público licenciado, Demóstenes Torres disse aos oposicionistas com os quais conversou que uma perícia pode conduzir a dois tipos de falsidade: a material e a ideológica. Acha, que do modo como está sendo feita a averiguação, a toque de caixa, pode-se até atestar a autenticidade material dos papéis de Renan. Mas seria preciso mais tempo para detectar eventuais fraudes ideológicas escondidas atrás dos documentos –falsidades contábeis e compradores de gado inexistentes, por exemplo.

É o receio de que possa estar lidando com dois Renan, o dos papéis de boa aparência e o dos negócios obscuros, que empurra a oposição para a comodidade da abstenção. Embora continue sustentando a versão de que, nos últimos quatro anos, ganhou R$ 1,9 milhão vendendo gado, o próprio Renan admite que as transações podem embutir impropriedades cometidas supostamente sem o conhecimento dele. Foi o que disse nos encontros privados que manteve nesta sexta. Na prática, antecipou-se a uma segunda reportagem constrangedora que, sabia de antemão, seria exibida no Jornal Nacional, à noite. Assista aqui.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Oposição tenta pôr de pé, de novo, CPI da Navalha

  Glauco
Como se sabe, caminha para o arquivo o pedido de CPI mista para escarafunchar os documentos da Operação Navalha. Pois bem, o PSOL anuncia que tentará agora abrir uma investigação exclusiva do Senado, sem a Câmara. Imagina-se que os 30 senadores que endossaram o pedido para a abertura da comissão mista concordarão em apor suas assinaturas também no novo documento.

"Já estamos com requerimento pronto para coletar assinaturas de senadores para instalarmos a CPI no Senado”, disse o senador José Nery (PA), único representante do PSOL na Casa. “Se 30 senadores assinaram antes, creio que haja a mesma disposição agora." Será?

O líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC), disse que a bancada ainda não definiu se vai apoiar a instalação da CPI exclusiva do Senado. Representantes de outras legendas informam que discutirão o tema na próxima semana. Se bobear, o PSOL vai ficar falando sozinho. A nova CPI tem a cara de uma iniciativa natimorta.

Escrito por Josias de Souza às 19h53

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Marta renova as desculpas pelo ‘relaxa e goza’

Orlandeli

Depois de inverter a famosa máxima de Descartes –“Existo, logo não penso”— Marta Suplicy voltou a se penitenciar pelo comentário que fez sobre o aerocaos: “Relaxa e goza, porque depois você esquece todos os transtornos”. Ela se diz “arrasada.”

“Fiquei muito triste com a frase, arrasada, porque a frase não condiz com o pensamento que eu estava no momento, que era exatamente de dizer para as pessoas não desistirem de viajar por causa do que estava acontecendo nos aeroportos. E foi uma frase infeliz, que me deixou tristíssima.”

A ministra chegou mesmo a considerar-se merecedora das críticas acerbas que lhe são dirigidas: “A gente tem que ter respeito pela oposição e eles têm direito de fazer os comentários que desejam.”

Ao jogar, humildemente, a toalha, Marta como que subverte, uma vez mais, o raciocínio de Descartes: “Penso, logo desisto”. Melhor assim. Não faria sentido tentar remediar o irremediável. Agora, não resta à ministra senão relaxar e gozar.

PS.: O repórter recomenda vivamente uma visita ao blog do Orlandeli, autor da ilustração exposta lá no alto. Pressionando aqui, você verá outros trabalhos de Orlandeli.

Escrito por Josias de Souza às 18h13

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De suspeito, Renan vira condutor da investigação

  Lula Marques/Folha
A manobra de proteção ao senador Renan Calheiros tornou-se uma pantomima levada longe demais. Tão longe que o próprio presidente do Congresso se convenceu de que o arquivamento sumário do processo o condenaria a uma absolvição recoberta pelo manto diáfano da culpa. Num último esforço para evitar o impensável, o Conselho de Ética do Senado agarrou-se ao inaceitável: fará uma investigação de fancaria.

 

Decidiu-se que, num único e escasso dia –a próxima segunda-feira (18)— serão ouvidas as testemunhas e submetido a perícia um monturo de papéis que inclui uma infinidade de extratos bancários, declarações de IR, notas fiscais, recibos e cópias de cheques. Quem fará a perícia? Por ora, ninguém sabe.

 

As decisões foram tomadas numa sessão presidida, à sombra, pelo próprio acusado. Pelo telefone, Renan Calheiros guiou cada passo de um Conselho de Ética que se pretendia autônomo. Com os olhos grudados na TV Senado, Renan valeu-se do telefone para mudar a direção dos ventos sempre que eles estiveram prestes a se converter em redemoinho.

 

Surpreendido na noite da véspera por uma reportagem que pôs em xeque sua condição de rei do gado, Renan saltou da cama agarrado a um maço de notas fiscais, atestados de vacinação de rebanho e cópias de cheques. Esgrimiu-os em reunião com alguns conselheiros e líderes partidários. E destacou o assecla Romero Jucá para brandir o papelório diante das câmeras, no Conselho de Ética.

 

O jogo de cena não teve os efeitos desejados. Parte do conselho manteve-se aferrada à decisão de reivindicar o aprofundamento das apurações. Quando sentiu que a tese, antes minoritária, perigava arrebanhar adeptos inesperados, Renan teclou os números do celular de Jucá. Pediu-lhe que informasse ao conselho que fazia questão de que os novos documentos fossem submetidos a perícia.

 

Estipulou um prazo conveniente: até segunda-feira. Sugeriu que, já na terça, o conselho voltasse a se reunir. A coisa caminhava bem. Os insurretos PSDB, DEM e PDT puseram-se de acordo. Alguns de modo entusiástico. Outros algo contrafeitos. Súbito, Epitácio Cafeteira, que fora escalado como coveiro do processo, rebelou-se. Ameaçou renunciar ao posto de relator. Um sopro de tensão varreu a atmosfera. Jucá perambulava de orelha em orelha. Arthur Virgílio mastigava as unhas (veja foto).

 

Seguiram-se apelos para que Cafeteira reconsiderasse sua decisão. Negou uma, duas, três vezes. Demóstenes Torres (DEM-GO) insinuou uma hipótese plausível: As digitais de Renan, o presidente-sombra da sessão, poderiam estar impressas nos dois movimentos encenados no conselho –o pedido de perícia e a ameaça renúncia. Depois, diria: Eu pedi para ser investigado, mas o Conselho de Ética não quis.

 

De repente, a turra de Cafeteira amoleceu. O relator, antes irredutível, concordou com a protelação. A causa? Ouvira, pelo celular, um pedido de sua mulher, que, por sua vez, acabara de receber um telefonema de Renan, sempre ele. A pedido do investigado, a companheira do coveiro Cafeteira apelou para que ele se mantivesse na relatoria. Foi atendida.

 

Depois da meia-volta providencial de Cafeteira, Renan, em novo telefonema a Jucá, “sugeriu” que, além da “perícia” de um dia, o Conselho convocasse para segunda-feira duas testemunhas: o amigo Cláudio Gontijo e Pedro Calmon Filho, o advogado da ex-amante. Nada de Mônica Veloso. Assim, sob a presidência invisível de Renan Calheiros, o Conselho de Ética “deliberou” que fará, como sugerido, oitivas e perícias na segunda. Na terça, volta a reunir-se para “julgar” o caso. Jefferson Peres (PDT-AM) disse, ao ler um “voto em separado”, que uma investigação séria deveria durar “o tempo necessário”. Foi solenemente ignorado.

 

José Nery (PSOL-PA) sugeriu que a perícia documental fosse feita pela Receita e pela Polícia Federal. Sibá Machado, que supostamente presidia a sessão, disse que planejava recorrer a técnicos do TCU. Romero Jucá apressou-se em esclarecer que a perícia não seria “contábil”. O que se deseja é única e tão somente atestar a autenticidade dos papéis. Encerrada a sessão, sabe-se apenas que a “investigação” vai durar um dia.

Escrito por Josias de Souza às 15h36

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Lamarca abre a porta de um passado que não passou

A irritação dos militares com os benefícios injetados na biografia de Carlos Lamarca e na conta bancária dos familiares do ex-guerrilheiro, já noticiada aqui no blog, transbordou dos gabinetes fechados. Abriu-se uma porta que dá acesso a um passado que insiste em não passar. Vai abaixo reportagem de Raphael Gomide, veiculada na Folha (assinantes):

 

“Numa das mais fortes demonstrações de descontentamento desde o fim do regime militar, em 1985, generais do Exército atacaram ontem, no Rio, a concessão da patente de coronel ao guerrilheiro Carlos Lamarca e de benefícios a sua família, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.


O general-de-exército Luiz Cesário da Silveira Filho, comandante militar do Leste (responsável pelas tropas no Rio, em Minas e no Espírito Santo) foi o mais enfático.
"Tudo o que é falta grave que pode ser cometida esse assassino cometeu. E está sendo premiado aí! É lamentável, lamentável! Espero que não vá até o final esse processo. Pode dizer: os generais de Exército, os generais da ativa do Alto Comando do Exército [15 generais quatro estrelas da Força mais dois do Ministério da Defesa] estão indignados. Causou profunda indignação na Força", afirmou Cesário, em tom de voz elevado durante reunião da Cúpula do Exército ontem.

Uma palestra do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, na sede do Clube Militar, no centro do Rio, reuniu membros do Alto Comando, cinco ex-ministros ou comandantes do Exército e muitos generais e oficiais da ativa e da reserva contrariados com o benefício obtido por Lamarca.


O comandante Peri deixou clara a visão da corporação sobre Lamarca: "Para o Exército, ele é desertor; para o Exército, o que ele é? Para o Exército, ele cometeu uma série de crimes". Momentos antes, em resposta a pergunta de audiência de oficiais da ativa e da reserva, Peri afirmou: "O fato é que o pensamento que nós temos em relação ao caso e em relação à pessoa envolvida é o mesmo do Exército de sempre", disse.

[...]

Peri confirmou ter ligado para o ministro da Defesa, Waldir Pires para protestar. À Folha ele sorriu quando questionado sobre a ligação para Pires. "É evidente que conversamos." Em seguida, ao microfone, afirmou: "O que tinha de fazer, eu fiz. Manifestei a quem devia o nosso pensamento. A resposta e as providências são semelhantes a outros casos, em situações semelhantes. O nome da pessoa beneficiada, Lamarca, é que é uma figura singular, mas a solução é semelhante a outros casos e está dentro da competência da comissão".


Outro general da ativa que não quis ser identificado disse que os militares estão revoltados porque Lamarca desertou do Exército como capitão, abrindo mão da carreira, foi promovido a coronel e ainda recebeu benefício de proventos como se tivesse o posto acima. A família de Lamarca terá pensão de R$ 12.152,61 mensais, o equivalente a vencimento de general-de-brigada, além de indenização de R$ 300 mil, a ser dividida por três familiares.


O comandante do Exército disse que a análise jurídica preliminar sobre o caso era de que não cabia recurso ao Superior Tribunal Militar, mas ressalvou que ainda não havia estudado o assunto a fundo. O ex-ministro do Exército (1985-1990) Leônidas Pires Gonçalves afirmou: "Não me sinto bem tendo como conviva, mesmo morto, um desertor, traidor, ladrão e assassino frio do tenente Mendes, que se ofereceu para defender seus soldados. Quero que diga assim!". Ele se referia a Alberto Mendes Júnior, tenente que participou do cerco a Lamarca e foi morto a coronhadas em 1970 [...].

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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As manchetes desta sexta

- Folha: Ação policial prende mais de 2.500 em SP

- Estadão: Lula manda cortar ponto de funcionário público em greve

- Globo: Renan usou notas frias para justificar origem de dinheiro

- Correio: Presas 19 pessoas por fraude no BRB

- Valor: Multa pode tirar térmicas do leilão de energia nova

- Estado de Minas: Corpo de brasileiro morto no Iraque é identificado

- Jornal do Commercio: Rural terá 283 novas vagas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Direto do forno!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Risco de desmoralização reduz favoritismo de Renan

  • Maioria pró-arquivamento cai depois de notícia da TV
  •  Oposição vai propor perícia e tomada de depoimentos
  •  Derrotados, PSDB e DEM ameaçam se abster de votar

  Sérgio Lima/Folha
Deteriorou-se na noite desta quinta-feira (14) a situação política de Renan Calheiros (PMDB-AL). Notícia veiculada pelo Jornal Nacional fez ruir um dos pilares da defesa do presidente do Congresso: demonstrou-se que os negócios rurais do senador, origem do dinheiro que ele diz ter usado para bancar a pensão que pagou à jornalista Mônica Veloso, estão envoltos numa aura de suspeições.

Há notas de idoneidade duvidosa. Há compradores que negam ter transacionado com Renan, que se encontram em situação fiscal irregular ou que simplesmente negam ter transacionado com Renan. Até mesmo o gerente das fazendas de Renan –três próprias e três arrendadas—diz que o senador não possui 1.700 cabeças de gado, como alega, mas 1.100.

Na manhã desta sexta-feira (15), o Conselho de Ética do Senado reúne-se para votar o relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Ele declarou que não vai mudar o seu parecer. Pede o arquivamento do processo contra o presidente do Congresso por “absoluta falta de provas”. Renan dispunha de maioria acachapante, próxima da unanimidade. Mantém-se a tendência favorável ao engavetamento. Mas o favoritismo não é mais gritante. Dos 15 integrantes do conselho, sete já se mostram sensíveis à tese de que é preciso aprofundar as investigações.

Três senadores apresentarão ao conselho votos alternativos ao de Cafeteira. São eles: Demóstenes Torres (DEM-GO), Marconi Perilo (PSDB-GO) e Jefferson Peres (PDT-AM). Em essência, a trinca propõe a mesma coisa: o sobrestamento da votação do texto de Cafeteira, a realização de perícias técnicas nos documentos exibidos por Renan e a audição de testemunhas.

Em condições normais, o relatório de Cafeteira seria votado em primeiro lugar. Porém, a oposição vai requerer que seja votada antes a tese pró-investigação. Para que ocorra a inversão, o conselho precisa aprovar. Até a noite passada, sondagens feitas pelos próprios senadores indicavam que o requerimento seria rejeitado por oito votos contra sete. Se comprovado, esse primeiro placar já indicará a perspectiva de aprovação do texto de Cafeteira.

Numa frenética troca de telefonemas, líderes de diferentes partidos puseram-se de acordo em relação a um ponto: o arquivamento da representação do PSOL contra Renan, feita assim, a toque de caixa, submeterá o Conselho de Ética e o próprio Senado a um risco de desmoralização. Para tentar se dissociar do desgaste, a oposição cogita abster-se de votar caso os pareceres de Demóstenes, Perilo e Peres sejam ignorados.

Sentindo o cheiro de queimado, aliados de Renan discaram para membros do conselho para pedir-lhes que não retrocedam no apoio ao senador. O próprio presidente do Congresso, em telefonema a alguns de seus colegas, prometeu divulgar, na manhã desta sexta, documentos adicionais. Atestariam, segundo disse, a regularidade das operações de venda de gado que diz ter realizado. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), aconselhou Renan a comparecer à reunião do conselho, para prestar, de corpo presente, novos esclarecimentos.

Escrito por Josias de Souza às 23h41

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PF pede autorização para investigar dois deputados

·         ‘Navalha’ alcança Paulo Magalhães e Maurício Quintela

 

A Polícia Federal encaminha nesta sexta-feira (15) ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza um pedido de investigação contra dois deputados federais. Um deles é o oposicionista Paulo Magalhães (DEM-BA). O outro, Maurício Quintella (PR-AL) integra o consorcio governista.

 

Os dois deputados estão implicados na Operação Navalha, que apura fraudes em licitações e malfeitorias em obras públicas praticadas pela Construtora Gautama, de Zuleido Veras. O pedido da PF será protocolado no gabinete do procurador-geral porque, como deputados, Magalhães e Quintella desfrutam do privilégio de foro. Só podem ser processados e julgados no STF.

 

Cabe ao Ministério Público Federal encaminhar a solicitação ao Supremo. Algo que deve ser feito pelo procurador Antonio Fernando nas próximas semanas. O STF terá de sortear um ministro para relatar o caso. Só depois da autorização do relator a investigação pretendida pela polícia poderá ser deflagrada.

 

Paulo Magalhães, sobrinho do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), foi pilhado nos grampos telefônicos feitos pela PF com autorização da ministra Eliana Calmon, do STJ. Segundo a PF, os diálogos demonstram que o deputado recebeu R$ 20 mil da Gautama, no início de maio. Entre os favores que teria prestado à construtora estaria a intermediação de interesses de Zuleido Veras em processos que tramitam no TCU.

 

Relatório sigiloso da PF anota, por exemplo, que Magalhães conversou pelo telefone pelo menos duas vezes com Zuleido Veras, no dia 4 de maio. Num dos diálogos, o deputado confirma ter recebido em seu gabinete a visita de Florêncio Vieira, o empregado da Gautama que foi incumbido de entregar-lhe "o material" [dinheiro, segundo a polícia].

Detido na Operação Navalha, Florêncio Vieira é identificado nos autos do processo como responsável por vários saques em agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Era, segundo a PF, responsável pelo transporte de dinheiro "para os lugares onde seriam consumados os pagamentos".

Numa das conversas interceptadas pelo grampo em 4 de maio, Paulo Magalhães confirma ao dono da Gautama, segundo a PF, que havia recebido os R$ 20 mil. "Zuleido diz ótimo", anota o documento em que a PF fez a transcrição da conversa.

 

Quanto a Maurício Quintella, as escutas telefônicas captaram diálogos do deputado com Tereza Freire Lima. Trata-se da secretária de Zuleido Veras, também detida no arrastão da Operação Navalha. As conversas sugeririam, segundo a PF, o repasse de dinheiro a Quintella. Os indícios foram reforçados, sempre de acordo com a polícia, por menções ao nome do deputado em documentos apreendidos na sede da Gautama em Salvador (BA).

 

Entre os papéis recolhidos na operação de busca e apreensão há uma agenda que pertencia a Gil Jacó Carvalho Santos. Vem a ser o diretor financeiro da Gautama, também incluído no rol de presos da Navalha. O nome de Quintella apareceria na agenda associado a cifras.

 

Os deputados dois deputados negam que tenham recebido dinheiro da Gautama. Se houver autorização do STF, a PF terá de transformar indícios em provas. Uma das linhas de investigação esboçadas pela polícia é o levantamento de emendas apresentadas por Magalhães e Quintella ao orçamento da União.

 

Deseja-se verificar se os parlamentares destinaram verbas para obras irregulares da Gautama. De resto, pretende-se obter a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos deputados. Algo que, de novo, dependerá de autorização do Supremo. Não por acaso, nesta mesma quinta-feira em que a lâmina fria da suspeição roça, uma vez mais, o prédio do Congresso, o requerimento que pede a abertura da CPI da Navalha começou a encaminhar-se em direção ao arquivo.

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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Forças Armadas se negam a patrulhar ruas do Rio

Em 11 de abril, o governador Sérgio Cabral entregou a Lula um pedido de socorro. Solicitou, por escrito, a presença de soldados das Forças Armadas nas ruas da região metropolitana do Rio de Janeiro pelo período de um ano. Nesta quinta-feira (14), quando são decorridos dois meses e três dias do pedido, o Ministério da Defesa informa que Cabral não será atendido.

O apoio das Forças Armadas vai se limitar à cessão de fuzis, helicópteros e lanchas. Policiais da Força Nacional de Segurança poderão continuar usando instalações militares assentadas no Rio. De resto, acenou-se com a possibilidade de ampliação da cooperação já existente entre os militares e a Secretaria de Segurança do Rio na área de inteligência. E ponto final.

Os detalhes da cooperação, que ficou muito aquém do que desejava Sérgio Cabral, foram delineados nesta quinta, em encontro que reuniu o Chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa, Tenente-Brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, e o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.

Em nota veiculada no sítio que mantém na internet, o ministério da Defesa lembrou que o emprego das Forças Armadas em operações de manutenção da ordem pública está condicionado pela legislação. O texto menciona o artigo 144 da Constituição.

Reza o seguinte: “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: polícia federal; polícia rodoviária federal; polícia ferroviária federal; polícias civis; polícias militares e corpos de bombeiros militares”. Nada, portanto, de Forças Armadas.

 

A nota do ministério da Defesa menciona também o artigo 15o da lei complementar 97, de 1999, em seus parágrafos 2o, 3o e 5o. Esse artigo anota que o emprego das Forças Armadas é de responsabilidade do presidente da República. No parágrafo segundo, está escrito que “a atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá [...] após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição Federal”.

O parágrafo terceiro diz que, estarão esgotados os instrumentos normais de manutenção da ordem pública quando o quatro for formalmente reconhecido pelo presidente da República ou pelo governador do Estado “como indisponíveis, inexistentes ou insuficientes”. Neste caso, informa o parágrafo 5o da mesma lei, o emprego das Forças Armadas, uma vez determinado, implicará a transferência do controle das operações ao militar designado para executar a tarefa.

Ou seja, para que as Forças Armadas coloquem soldados nas ruas do Rio, Cabral terá de reconhecer, em ato formal, a falência absoluta das forças de segurança do governo fluminense. Algo que o governador não fez. Ficou, portanto, só na parolagem o lero-lero que consumiu páginas e mais páginas dos jornais. Tudo começou em 11 de abril. Nesse dia, abalado pelo assassinato do PM Guaracy de Oliveira Costa, que fazia a sua segurança pessoal, Sérgio Cabral formalizou o pedido de socorro a Lula. O presidente prometera ajudar.

Sabe-se agora que a ajuda não se dará nos termos em que Cabral a idealizara. A notícia chega no mesmo dia em que policiais militares cariocas e traficantes travaram novo tiroteio, dessa vez na favela Parque da Alegria, no Caju, zona norte do Rio. O confronto deixou uma pessoa morta e cinco feridas. Fecharam-se temporariamente a avenida Brasil e a Linha Vermelha. Algo tão rotineiro quanto desesperador.

Curiosamente, as mesmas Forças Armadas que se recusam a pôr homens nas ruas do Rio realiza o trabalho de segurança pública no Haiti. O diabo é que, como diz a canção, o Haiti é aqui. 

Escrito por Josias de Souza às 17h02

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Decolou da cama com o pé esquerdo? Ora relaxa e...

 

A gozação da ministra Marta Suplicy (Turismo) continuou ecoando nesta quinta-feira (14). Do alto da tribuna do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM), pediu a demissão da ministra. O senador não se deu por satisfeito com o pedido de desculpas da ministra.

 

Para Peres, o comentário de Marta "foi desprezo de quem sobe e desce na base [aérea], em avião da FAB e não enfrenta fila." O senador acrescentou: "Eu perguntaria à dona Marta se junto com a nota [com pedido de desculpas] ela assinou a carta de demissão."

 

Na CPI do aerocaos da Câmara, o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) protocolou um requerimento de convocação da ministra. O pedido será votado na semana que vem. Nesse ritmo, logo, logo a oposição irá propor a CPI do gozo.

Escrito por Josias de Souza às 08h59

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As manchetes desta quinta

- Folha: Gasto das famílias puxa alta do PIB

- Estadão: Economia cresce abaixo da expectativa do governo

- Globo: Decisão do STF ameniza punição de autoridades

- Correio:  Distritais criam CPI para investigar Passos

- Valor: Expansão da economia é mais forte no 2º trimestre

- Estado de Minas: Engenheiros da barragem são condenados a 8 anos

- Jornal do Commercio: PF complica ainda mais o irmão de Lula

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h54

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Cría Cuervos!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Decisão pró-Lamarca irrita Exército e abre crise

El Roto/El Pais
 

 

Lula ganhou uma nova crise para administrar. Uma crise de contornos militares. A decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça favorável ao ex-guerrilheiro Carlos Lamarca e a seus familiares ateou indignação nos gabinetes da cúpula das Forças Armadas.

 

Porta-voz da irritação, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, telefonou para o ministro da Defesa, Waldir Pires, no meio da tarde desta quarta-feira (13). Pediu-lhe que interceda junto ao ministro Tarso Genro (Justiça), para anular os benefícios que a Comissão de Anistia injetou na biografia de Lamarca e nas contas bancárias de seus descendentes.

 

Waldir Pires apressou-se em transmitir ao colega da Justiça o azedume dos militares. Na opinião do general Enzo, corroborada pelos comandos da Aeronáutica e da Marinha, as decisões da Comissão de Anistia são meramente indicativas. Têm o peso de uma sugestão. Cabe ao ministro da Justiça acatá-las ou não. No caso de Lamarca, gostariam que fosse rejeitada ou, ao menos, atenuada.

 

Os 22 integrantes da comissão reconheceram, em deliberação unânime, a condição de anistiado político de Lamarca. Concederam à sua família uma pensão mensal equivalente ao soldo de general de brigada. De resto, indenizaram a viúva de Lamarca e os dois filhos do casal em R$ 300 mil.

 

Para a esquerda brasileira, Lamarca é um herói da resistência armada à ditadura militar. Para o Exército, porém, o ex-capitão e guerrilheiro não passa de um desertor. Os militares já haviam considerado descabida a pensão de coronel que a viúva Maria Pavan Lamarca obtivera na Justiça em 1993. A equiparação ao soldo de general é vista como um despautério que beira à “provocação”.

 

O Exército argumenta que, mesmo que estivesse vivo, Lamarca não teria direito à aposentadoria militar. Considera-se que ele rompeu com a caserna ao abandonar voluntariamente a carreira militar. Deseja-se que o assunto, por delicado, seja submetido à mediação do presidente da República.

 

Criada em 2001, sob Fernando Henrique Cardoso, a Comissão de Anistia já analisou mais de 30 mil pedidos de indenização de supostas vítimas da ditadura. Foram acolhidos cerca de 55% das solicitações. Custaram R$ 2,3 bilhões ao erário. Produziram também um gasto mensal de R$ 28 milhões em pensões e aposentadorias. De todos os casos julgados, nenhum deixou as Forças Armadas tão abespinhadas quanto o caso de Lamarca.

Escrito por Josias de Souza às 23h49

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Revolta contra lista provoca adiamento da reforma

  JBatista/Ag.Câmara
Subiu no telhado o projeto de reforma política que a Câmara pretendia votar nesta quarta-feira (13). Uma insurreição suprapartidária contra o chamado voto em lista provocou o adiamento da votação da proposta para a semana que vem.

 

Na véspera, reunidos no gabinete do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), líderes de todos os partidos haviam deliberado que o primeiro item da reforma que iria a voto seria o voto em lista.

 

Pela proposta, nas eleições para a Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas e Câmara de Vereadores, o eleitor passaria a votar nos partidos, não mais nos candidatos de sua preferência. Os eleitos passariam a ser pinçados de listas de candidatos elaboradas pelas direções dos partidos e aprovadas em convenção.

 

Entre os líderes, ficaram a favor do voto em lista o PT, o PMDB, o PSDB e o DEM. Postaram-se contra PR, PTB, PP, PDT e PSB. Numa votação simbólica, a novidade estaria aprovada. O problema é que o acordo previa voto nominal, deputado por deputado. E as bases dos partidos que queriam a lista racharam.

 

Na noite desta quarta-feira (13), pouco depois das 20h, Arlindo Chinaglia, ele próprio favorável ao voto em lista, farejou o cheiro de queimado. E optou por postergar a votação do projeto. A evidência de que a idéia seria rejeitada veio nas pegadas da votação de um requerimento que pedia a interrupção do debate que incendiava o plenário.

 

Os partidários da lista queriam votar. Os deputados do contra queriam dar continuidade ao debate em plenário. Submetido a voto, o requerimento que pedia a interrupção das discussões foi rejeitado por 245 votos contra 194. Ficou claro que a proposta defendida pelos líderes dos maiores partidos sofreria um revés. Daí o adiamento.

 

Foram muitos os fatores que levaram à reversão do otimismo que cercava o voto em lista. O principal deles foi um recuo do PSDB. Rachados, os tucanos pressionaram seu líder, Antonio Carlos Pannunzio (SP), a liberar a bancada para votar contra a proposta. Também a bancada carioca do PMDB ergueu uma barricada contra o fim da prerrogativa do eleitor de escolher livremente os candidatos de sua predileção.

 

O PMDB do Rio de Janeiro é dominado pelo ex-governador Antony Garotinho. Aprovado o voto fechado, caberia a Garotinho gerenciar a elaboração da lista de candidatos do PMDB fluminense. E os peemedebistas não se sentiram à vontade para atribuir ao xerife estadual do partido mais poderes do que ele já detém.

 

Também no PT, abriu-se uma rebelião que contagiou algo como 30% da bancada de 83 deputados. A direção do petismo fechara questão em favor da reforma, incluindo o voto em lista. Mesmo sujeitando-se a punições –de advertência a expulsão—, 1/3 da bancada petista acenava com a hipótese de engrossar as fileiras dos opositores do voto em lista.

 

Resta agora saber como ficará a reforma caso prevaleça a aversão à lista fechada de candidatos. Parte dos líderes condicionava outro tópico da reforma –o financiamento público das campanhas políticas—à aprovação das listas. Sem elas, terão de gastar muito mais saliva até a semana que vem.

 

Melhor assim. A reforma política dormitava nas gavetas da Câmara há 13 anos. Não faz sentido que a cassação do direito do eleitor de escolher livremente os seus candidatos seja aprovada assim, de uma pernada, a toque de caixa, sem maiores reflexões.

Escrito por Josias de Souza às 20h20

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Senado adia para sexta decisão sobre caso Renan

Antônio Cruz/ABr
 

 

Como previsto, o relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA) recomendou ao Conselho de Ética do Senado, nesta quarta-feira (13), o arquivamento sumário da representação do PSOL contra Renan Calheiros (PMDB-AL). Alegou que não há nem provas nem indícios de que o presidente do Congresso tenha quebrado o decoro parlamentar.

 

A “investigação” pessoal de Cafeteira durou escassos dois dias. O senador não ouviu uma mísera testemunha. Não ouviu nem quer ouvir. Acha desnecessário. Vários senadores pediram vista do processo, um procedimento previsto no regimento interno do Senado. O presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), decidiu, então, abrir “vista coletiva” da papelada a todos os 15 integrantes do conselho.

 

A decisão provocou o adiamento da decisão para a próxima sexta-feira (15). De antemão, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) anunciou que vai apresentar um relatório alternativo ao de Cafeteira. Defenderá que o Conselho de Ética colha depoimentos e promova perícias nos documentos que compõem a defesa de Renan.

 

Confirmando-se a intenção de Demóstenes, os senadores que integram o conselho terão de decidir no voto se arquivam, a toque de caixa, o processo ou se, antes de deliberar, convocam depoimentos. Entre eles o do lobista Cláudio Gontijo e o da jornalista Mônica Veloso. São grandes, muito grandes, enormes as chances de que prevaleça a posição de Cafeteira.

Escrito por Josias de Souza às 19h36

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Governo reconhece Lamarca como anistiado político

  • Viúva receberá pensão mensal igual ao soldo de general

  Lamarca/Anos 60/Album de família
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu, nesta quarta-feira (13), a condição de anistiado político do ex-capitão do Exército Carlos Lamarca. A decisão foi unânime e alcançou também a viúva de Lamarca, Maria Pavan, e os dois filhos do casal, Cláudia e César Pavan Lamarca.

Maria Pavan Lamarca, a viúva do ex-guerrilheiro, que já recebia, por força de decisão judicial proferida em 1993, uma pensão equivalente ao soldo de um coronel (R$ 9.963,98), passará a fazer jus ao recebimento mensal de importância igual aos vencimentos de um general de brigada (R$ 12.152,61).

Entendeu-se que, se tivesse permanecido no Exército, Lamarca teria se aposentado com mais de 30 anos de carreira vida militar. Teria alcançado o posto de coronel. E, pela legislação militar, a aposentadoria é concedida sempre em valor equivalente a uma patente superior à do militar que decide vestir o pijama.

Afora a pensão, a viúva do guerrilheiro e seus dois filhos serão indenizados em R$ 100 mil cada. Entendeu-se que o pagamento se justifica em função dos quase 11 anos de exílio a que tiveram de se submeter os familiares de Lamarca. Viveram em Cuba entre o início de 1969 e o final de 1979.

O recálculo do valor da pensão e o pagamento das indenizações de R$100 mil à viúva e aos filhos de Lamarca terá de ser feito num prazo de 90 dias. A decisão da comissão de anistia foi veiculada no sítio do Ministério da Justiça.

Tratado até hoje pelas Forças Armadas como desertor, Lamarca é considerado pela esquerda brasileira como um ícone da resistência ao regime de farda. Abandonou a carreira militar em 25 de janeiro de 1969. Levou consigo armamento (63 fuzis e dez metralhadoras, pelas contas do Exército) e munição do quartel de Quitaúna, em Osasco (SP). Sentou praça na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e foi às armas contra o regime. Foi morto em 17 setembro de 1971, em Ipupiara, interior da Bahia.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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Pescador de vantagen$ trata lambari como robalo

 

Às margens da administração pública sempre haverá anzóis desejosos de fisgar vantagens. A Operação Xeque-Mate trouxe à tona, porém, um tipo inepto pescador. Um pescador que não consegue distinguir lambari de robalo.

Inquirido pela PF, Genival “me dá dois pau aí” da Silva admitiu que se avistou com um empreiteiro e com um agropecuarista. Disse, porém, não chegou a morder nenhuma isca.

 

No mesmo depoimento, Vavá reconheceu ter pedido R$ 2.000 a Nilton Cezar Servo, apontado pela polícia como chefão da quadrilha de caça-níqueis. O pedido, segundo disse, foi “único”. E foi feito a título de “empréstimo”.

 

A julgar pelos grampos colecionados pela PF, a solicitação de Vavá nem foi única nem pode ser admitida como solicitação de empréstimo. Os diálogos interceptados sugerem mais: a movimentação de Vavá inspirava em Lula enorme desconforto.

 

Ora, confirmando-se a tese de que Vavá beli$cou a ração miúda que lhe serviram às margens do riacho turvo sem entregar nada em troca, tem-se uma revelação inédita: o Brasil conseguiu desmoralizar até mesmo a perversão. Já não se fazem corruptores como antigamente. Enxergaram em Vavá, uma piaba sem serventia, um peixão a ser "usado".

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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Seu vôo atrasou? ‘Relaxa e goza’, aconselha Marta

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

Marta Suplicy andava sumida. Depois de sentar-se na cadeira de ministra do Turismo, submergiu. Súbito, voltou a dar as caras. Ao lado de Lula, anunciou um plano para o setor turístico. No papel, a iniciativa contempla a criação de 1,7 milhão de empregos e a atração de US$ 7,7 bilhões em divisas para o país.

Depois da solenidade, Marta concedeu uma entrevista coletiva. Lero vai, lero vem, a ministra deu um conselho aos turistas que tiveram, têm ou ainda terão o dissabor de padecer com os efeitos do caos aéreo: "Relaxa e goza porque você esquece todos os transtornos depois". Ela acrescentou: "Isso é igual a parto. Depois esquece tudo."

 

A ministra parece ter encontrado o “ponto G” que o chefe dela tanto procura. Tornou-se uma gozadora emérita. Entre 1980 e 1986, quando ganhou fama nacional na tela da TV Globo, Marta invadia os lares, no matinal “TV Mulher”, falando em masturbação, orgasmo e homossexualismo. Fez história.

Agora, recorre ao sexo sem preocupar-se com nexo. Goza, de modo explícito, da daqueles que deveria defender. Como ministra do Turismo, revela-se uma notável fornecedora de matéria prima para estudos acadêmicos de metalinguagem.

PS.: Depois da gozação, Marta se deu conta do próprio despautério. Divulgou uma nota. Diz o seguinte: "Quero pedir desculpas aos turistas e a todos os brasileiros pela frase infeliz que proferi hoje, ao término de uma entrevista coletiva. Não tive por intenção desdenhar, muito menos minimizar os transtornos que estão sendo enfrentados pelos usuários do transporte aéreo. Eu mesma tenho passado por essa situação, quando viajo. Minha intenção foi dizer aos jornalistas e à população que viajar vale a pena, mesmo que os problemas nos aeroportos demorem um pouco mais, apesar de todo o empenho do governo federal para agilizar as soluções. Estamos trabalhando no Ministério do Turismo para fortalecer o turismo interno e para receber cada dia melhor o turista estrangeiro."

Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 15h09

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Financiamento público custará ao erário R$ 1,7 bi

  • Projeto de reforma política será votado nesta quarta
  • Eleitor pagará a conta, mas não escolherá deputado

El Roto/El Pais

A Câmara vota nesta quarta-feira (13) um projeto de reforma política que vem sendo protelado há 13 anos. Prevê o financiamento público das campanhas. Se aprovado, a cada quatro anos, o contribuinte brasileiro vai desembolsar R$ 1,764 bilhão –R$ 888,2 milhões pelas eleições presidencial, federal e estadual; e R$ 876,5 pela eleição municipal.

O projeto (íntegra aqui)orçou cada voto dos 126,9 milhões de eleitores cadastrados no TSE a R$ 7,00. Ao mesmo tempo em que intima o eleitor a pagar a conta das campanhas políticas, a proposta retira do dono do voto um direito que lhe vem sendo assegurado desde o século 19: a prerrogativa de escolher o deputado de sua preferência.

O projeto institui o voto em lista. Funciona assim: o eleitor vota no partido, não mais no candidato. Elegem-se os candidatos acomodados numa lista preparada segundo a conveniência e a preferência das cúpulas de cada legenda. Terão prioridade na lista os atuais deputados, os mesmos que estão votando a lei. Quanto maior for a quantidade de votos dados a uma determinada agremiação, mais deputados ela mandará para Brasília.

Mantém-se, de resto, a natureza obrigatória do voto. Ou seja, o eleitor vai pagar, será obrigado a comparecer à sessão eleitoral e não terá o direito de escolher o deputado de sua predileção. São grandes as chances de aprovação desse modelo. Embora não seja consensual, a proposta conta com o apoio da maioria do PMDB e do PT, as duas maiores bancadas da Câmara. Granjeou simpatias também no PSDB e no DEM.

“Está sendo armado na Câmara um golpe parlamentar”, diz o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), um dos mais severos críticos do novo modelo. “É um pacote de junho”, diz ele, evocando a imagem do Pacote de Abril, baixado em 1977, sob Ernesto Geisel, para modificar, manu militari, as regras eleitorais da época.

Miro compara os deputados da lista aos senadores biônicos de Geisel. “Acho que temos que ter um plebiscito, para saber se a sociedade brasileira quer pagar pelo voto no deputado biônico”. O deputado vai apresentar, nesta quarta, uma emenda sugerindo a realização da consulta popular. Coincidiria com a eleição municipal de 2008. A chance de aprovação é remota.   

Deve-se à assessoria técnica da liderança do PDT a conta que levantou os custos das campanhas eleitorais bancadas pelo erário. Os cálculos baseiam-se em dados oficiais do TSE. Aprovado o projeto, todos os 28 partidos registrados na Justiça Eleitoral vão beliscar o bolo do financiamento público. Mesmo as oito legendas sem representação no Congresso. Os sem-voto –PRP, PSTU, PCB, PRTB, PSDC, PCO, PTN e PSL—receberão R$ 630 mil a cada quatro anos (R$ 317 mil para a eleição presidencial, federal e estadual e R$ 313 mil para o pleito municipal).

O PMDB ficará com a maior fatia do bolo: R$ 266,7 milhões a cada quadriênio. Vêm a seguir o PT, com R$ 249,1; o PSDB, com R$ 199,4 milhões; o DEM, R$ 196,6 milhões; o PP, R$ 126,3 milhões; o PSB, R$ 85,4 milhões; o PR, R$ 79,6 milhões; o PDT, R$ 76,6 milhões; o PPS e o PTB, com R$ 70,8 milhões cada; o PC do B e o PV, com R$ 44,4 milhões cada; o PSC, R$ 32,7 milhões; o PMN, o PSOL e o PTC, com R$ 15,2 milhões cada; o PHS, R$ 12,3 milhões; e o PAN, PRB e PT do B, com R$ 9,4 milhões cada.

O projeto restitui os showmícios, que haviam sido proibidos na eleição de 2006. Decreta, entre outras providências, a fidelidade partidária. E cria a Federação de Partidos, que permite às legendas se organizar em blocos, mantendo a autonomia jurídica. Reunidos em federação, mesmo os partidos com dificuldades para ultrapassar a cláusula de barreira –que o projeto, reduz de 5% para 2% dos votos para a Câmara—, preservam o direito a regalias como a indicação de líderes e a participação nas comissões temáticas do Legislativo.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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As manchetes desta quarta

- Folha: Lula diz duvidar que irmão seja lobista

- Estadão: Pacote para exportador tem R$ 1 bi de dinheiro público

- Globo: Lula defende irmão e diz que ele é ingênuo e não lobista

- Correio: Lula defende irmão e tenta barrar CPI

- Valor: Fazenda aplica antidumping disfarçado a têxteis da China

- Estado de Minas: Governo socorre exportadores

- Jornal do Commercio: Vítimas do dólar têm pacote de R$ 1 bilhão

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Ponta de estoque!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Argentina vai multar Petrobras por falta de diesel

Foi Horácio (65-8 a.C.) quem disse: “Tua casa está em perigo quando arde a parede do vizinho.” A vizinhança brasileira parece viver em incêndio permanente. Não bastassem as encrencas com Venezuela e Bolívia, surge agora um contencioso com a Argentina.

A administração de Nestor Kirchner anunciou a intenção de multar a Petrobras em um milhão de pesos. Coisa de R$ 637 mil. Alega-se que a estatal brasileira deixou faltar óleo diesel nos postos que administra em solo argentino. A Petrobras nega. Mas o governo do vizinho amigo ameaça inclusive com um pedido de prisão s diretores da empresa brasileira caso o fornecimento de diesel não seja restabelecido.

 

Enquanto isso, a Bolívia, satisfeita com a aquisição, na bacia das almas, de duas refinarias da Petrobras, adiou a posse efetiva do par de plantas industriais compradas por US$ 112 milhões. Lá, alega-se que o adiamento se deve apenas à necessidade de contratar uma seguradora. Aqui, diz-se que está em pendente também uma operação de endosso das ações transferidas à YPFB, a petrolífera boliviana.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Justiça restitui os R$ 15 mil dos congressistas

   Niemeyer
Durou uma escassa semana a suspensão do pagamento da verba indenizatória de R$ 15 mil paga aos deputados e senadores. Nesta terça-feira, o TRF de Brasília mandou restabelecer os pagamentos que a Juíza federal Mônica Sifuentes suspendera uma semana atrás. Pressione aqui para ler a íntegra da decisão.

A nova decisão judicial traz a assinatura da presidente do TRF, Assusete Magalhães. Ela acatou o recurso que fora protocolado no tribunal pela AGU (Advogacia Geral da União). Leia a íntegra da decisão aqui. O processo que pede a interrupção dos pagamentos segue o seu curso normal. Cassou-se, por ora, apenas a liminar (decisão provisória) que havia sido expedida pela juíza Sifuentes.

Certos de que a decisão final, agora submetida à lentidão que caracteriza o Judiciário pátrio, lhes será favorável, os congressistas soltaram fogos. Foram fogos pluripartidários. "A verba indenizatória dá dignidade no exercício do mandato”, rejubilou-se, por exemplo, o líder do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ). “Meu posicionamento é a favor dela porque todo parlamentar tem seus escritórios nos Estados para receber eleitores e realizar suas atividades."

"Há legalidade na existência da verba”, ecoou o líder do “Demo”, Onyx Lorenzoni (RS). “O que podemos discutir é se há legalidade no uso dela, a transparência nos gastos. É só colocarmos na internet para acompanharmos o gasto de cada parlamentar." Chico Alencar, líder do PSOL, tomou uma trilha análoga: "Eu acho que há recursos necessários para o exercício do mandato, como a manutenção de escritórios nos Estados. Outros aspectos devem ser discutidos. Dá para fazer um trabalho de racionalização dos gastos. Há que se repensar tudo isso."

Tudo considerado, tem-se o seguinte quadro: a verba continuará sendo paga, parte dos congressistas vai manter a prática de espetar notas e recibos frios na contabilidade do Legislativo e não haverá nem controle nem transparência nem cortes de gastos. Segue a farra.

O signatário do blog, em dia com todos os impostos, fica a perguntar aos seus botões: por que diabos a AGU, órgão incumbido da defesa dos interesses da União, teve de se meter nessa encrenca? Pior: por que cargas d'água recorreu a favor da manutenção do privilégio parlamentar? Quando se trata da preservação de suas excentricidades, o Congresso dispensa ajuda. A Câmara, a propósito, já havia recorrido contra a decisão da juíza Sifuentes.

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Além de ‘inimputável’, Vavá é agora desmemoriado

É dura a tarefa de Nelson Passos Alfonso, o advogado do primeiro-irmão Vavá. Dias atrás, ao cumprir a obrigação de defender o seu cliente, o doutor Nelson apresentou-o quase como um inimputável. Quem ouviu soube, afinal, o que significa o primado da ignorância.

Nesta terça-feira, o que parecia apenas penoso, ganhou contornos de algo embaraçoso. O doutor Nelson agora tenta convencer a platéia de que, além de raciocínio, falta a Vavá a própria memória. O irmão de Lula já não reconhece, veja você, nem mesmo a voz do irmão Frei Chico. É dele, como se sabe, o timbre captado naquele grampo telefônico em que um tal “Roberto” alertara Vavá, em 20 de maio, acerca da “bronca” que havia contra ele em Brasília.

Frei Chico já admitiu que é mesmo sua a voz escondida atrás da identidade de “Roberto”. Vavá ainda não. A memória do primeiro-irmão passou a ter uma única serventia: a de esquecer tudo o que fez no verão passado. 

Ecoando o doutor Nelson, Lula referiu-se ao irmão, nesta terça, como um “ingênuo”. Não tem capacidade para fazer lobby. "A Polícia Federal se prepara para pegar um cardume de pintados. O Vavá parece ser um lambari nessa história. Só que é um lambari especial por ser irmão do presidente", disse Lula. É... Faz sentido. 

Pressione aqui para assistir à defesa que Lula fez do irmão encrencado. 

Escrito por Josias de Souza às 19h13

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‘CPI da Navalha’ deve ser enterrada nesta terça

  Angeli
Depois de produzir intenso alarido e de consumir muitos metros de papel jornal, a CPI da Navalha deve ser sepultada ainda nesta terça-feira. A comissão subira no telhado na semana passada, quando se descobriu que o número de assinaturas recolhidas por seus idealizadores –173—roçava o apoio mínimo exigido pelo regimento da Câmara –171.

Mexe daqui e dali, a oposição não conseguiu arrastar para o pedido nenhuma assinatura adicional. Ao contrário. A lista inicial minguou para 172. Ainda assim, o requerimento deve ser protocolado na mesa diretora do Congresso. É a senha que o consórcio governista aguarda para ordenar à sua tropa que bata em retirada do pedido de CPI.

Pelas normas que regulam o funcionamento do Congresso, a deserção pode ocorrer até a meia-noite do dia em que o pedido de CPI for formalizado. A essa altura, nem mesmo os mais ferrenhos defensores da iniciativa confiam na instalação da comissão. Falta às legendas governistas atrativo. Ao governo, sobram instrumentos de sedução: cargos, vantagens, verbas, emendas.... Sobre a lápide da CPI, será fincada uma cruz com código de barras.

A oposição promete divulgar os nomes dos fujões. Faria um bem a si mesma se alardeasse também os nomes daqueles que se dizem oposicionistas e não se animaram a assinar o pedido de CPI. Tome-se, por exemplo, o caso do DEM. Mencione-se, por eloqünte, o caso dos "demos" da Bahia.

Nove fora o deputado José Carlos Aleluia, que subscreveu o pedido, os demais fingiram-se de mortos. Entre eles ACM Neto, primo do deputado Paulo "R$ 20 mil" Magalhães. Também a bancada do ex-PFL de Sergipe preferiu não se dar por achada. Não quer bulir com uma navalha que já se encontra afundada na jugular de João Alves Neto, filho do ex-governador sergipano João Alves (DEM).

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Governo sai em socorro dos ‘flagelados’ do dólar

Marcello Casal/ABr
 

O governo baixou nesta terça-feira (12) um pacote de auxílio aos deserdados do dólar. Abriram-se três linhas especiais de crédito do BNDES. Vão despejar, a juros subsidiados, R$ 3 bilhões em empresas dos setores têxtil, de móveis e de artefatos de couro, incluindo calçados. Poderão se candidatar aos empréstimos firmas com faturamento anual de até R$ 300 milhões.

Trata-se de uma tentativa do governo de compensar as empresas pela desvalorização do dólar, que parece ter vindo para ficar. Hoje, a moeda norte-americana está cotada em R$ 1,94. a valorização do real exerce dois efeitos nefastos na rotina da maioria das indústrias brasileiras: dificulta as exportações e facilita as importações.

Ao desembrulhar o pacote, em entrevista, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o objetivo do governo não é o de “beneficiar empresas ineficientes.” Deseja-se, segundo disse, tornar mais competitiva a industria nacional nas áreas em que ela vem se mostrando mais vulnerável à competição estrangeira.

O dinheiro do BNDES vai migrar para o caixa das empresas a juros baixíssimos –de 7% a 8,5% ao ano. A taxa será ainda menor para aquelas empresas que pagarem em dia as suas obrigações. Os adimplentes serão premiados com taxas de 5,6% a 6,8% ao ano. Não há taxas semelhantes à disposição no mercado de crédito.

Para propiciar o refresco às fábricas de roupas, móveis e calçados, o Tesouro terá de injetar na brincadeira R$ 407 milhões. Dinheiro seu, meu, nosso. Embora incômodo, o subsídio pode representar um custo menor do que o desemprego que vem sendo proporcionado pelo fechamento de empresas desses três setores.

Anunciaram-se outras modalidades de auxílio. Uma delas alcançará, além dos três setores mencionados, as indústrias de equipamentos eletroeletrônicos e de automóveis. O Ministério da Fazenda tornou imediata a apropriação dos créditos de PIS e Cofins na aquisição de bens de capital. Hoje, o prazo é de 24 meses. O fisco estima que a renúncia fiscal decorrente da providência será de R$ 600 milhões.

Por último, decidiu-se também modificar a tributação de produtos têxteis importados. Detectou-se um subfaturamento de roupas vindas de outros países. Declara-se um valor abaixo do real, paga-se menos imposto, e vende-se o produto a preços mais baixos do que as vestimentas produzidas no Brasil.

Para evitar a mágica, a Receita vai estipular valores mínimos, estimados por quilo, para cada tipo de produto têxtil que compõe a pauta de importações. É sobre esses valores de referência que a cobrança de impostos passará a incidir. Embora ninguém tenha mencionado, o grande objetivo é conter a enxurrada de têxteis chineses que vêm inundando o mercado brasileiro.

O tempo dirá se as medidas anunciadas hoje surtirão os efeitos desejados. De todo modo, cabe comemorar a iniciativa do governo. Num cenário em que as plantas industriais de setores específicos definham, o pior remédio seria a inação. De resto, cabe fiscalizar para que os empréstimos do BNDES, tonificados com verbas extraídas do bolso do contribuinte, não se torne uma espécie de “Bolsa Mamata”, um prêmio à ineficiência.

Escrito por Josias de Souza às 15h02

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Navalha roça lâmina no pescoço de outro ministro

Vai abaixo uma seqüência de notas da seção Painel, da Folha (assinantes):

O outro ministro- A PF tem gravados pelo menos três telefonemas entre o lobista Sérgio Sá, peça estratégica no esquema do empreiteiro Zuleido Veras, e o ministro das Cidades, Márcio Fortes. O teor dos diálogos, ainda mantidos em sigilo, revela intimidade entre os interlocutores.


Fortes foi citado uma vez em relatório da Operação Navalha -que já derrubou Silas Rondeau (Minas e Energia). No trecho em questão, o ex-presidente do PP Pedro Corrêa é acusado de traficar influência nas Cidades para liberar dinheiro à construtora Gautama.

Informada do conteúdo das gravações, a cúpula do PP discute em privado um substituto, caso Fortes tenha que sair. Um nome aventado foi o de Francisco Dornelles, de quem o atual ministro é muito próximo.
 


Em baixa- Silas Rondeau, primeiro cortado pela navalha, e Márcio Fortes, flagrado em conversas telefônicas para lá de informais com o lobista Sérgio Sá, têm uma característica em comum: sempre foram cobertos de elogios pelo Palácio do Planalto em razão de seu "perfil técnico". 
 


Rastro- A PF recebeu informações de que o empresário e ex-deputado Gandi Jamil, foragido após o estouro da Operação Xeque-Mate, estaria escondido num cassino em Pedro Juan Caballero, Paraguai. 
 


Autoridade- A deputada estadual do Amazonas Vera Lúcia Castelo Branco (PTB), que a Polícia Federal suspeita ter sido contatada pelo empresário Nilton Cézar Servo a fim de que os negócios da máfia do jogo fossem expandidos para Manaus, é delegada e ocupou o cargo de corregedora da Polícia Civil no Estado.

Escrito por Josias de Souza às 07h40

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As manchetes desta terça

- Folha: Aliados querem dispensar depoimentos no caso Renan

- Estadão: MEC aperta cerco sobre as piores faculdades

- Globo: Repreensão a Vavá partiu da casa de outro irmão de Lula

- Correio: Planalto vai deixar Vavá nas mãos da PF

- Valor: CVM persegue maior transparência em IPO

- Estado de Minas: CPMF consome 7 dias de trabalho por ano

- Jornal do Commercio: Alerta sobre golpe contra aposentados

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h20

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Costas largas!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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'Devavaneios em família!'

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Lula cobra medidas para coibir ‘vazamentos’ da PF

José Cruz/ABr
 

Ministro Orlando Silva (Esportes), Renan e Lula, na cerimônia da tocha do Pan

 

Na sexta-feira (8), último dia de sua viagem à Alemanha, Lula irritou-se com os jornalistas que desejam arrancar dele um comentário sobre o indiciamento de seu irmão na Operação Cheque-Mate. “Na segunda-feira (11), vocês podem perguntar o que quiserem de política interna.” Disse que responderia “de peito aberto”. Não respondeu.

Em verdade, nem permitiu que se perguntasse coisa nenhuma. Teve duas aparições públicas nesta segunda. Mas esquivou-se dos repórteres. Falou sobre Vavá, o irmão encrencado. Mas só num encontro reservado com os ministros que integram a coordenação de governo.

 

Ali, a portas fechadas, defendeu a adoção de medidas que coíbam “excessos” como o vazamento de informações sigilosas dos inquéritos policiais. Não deseja, segundo disse, criar embaraços à ação da PF. Mas quer inibir a exposição prematura de inocentes à execração pública. No último sábado, conforme noticiado aqui no blog, Lula irritara-se com a veiculação de diálogos telefônicos de seu irmão Genival Inácio da Silva.

 

Presente ao encontro desta segunda, o ministro Tarso Genro (Justiça) fez uma exposição sobre a Operação Xeque-Mate. Disse, em essência, o que já se noticiou: Vavá, como o irmão de Lula é chamado na intimidade, foi às páginas do inquérito na posição de suspeito de tráfico de influência. Informou, porém, que não há comprovação de que tenha logrado obter algum tipo de vantagem indevida na máquina pública.

 

Em privado, Lula disse que, por ora, pretende manter distância do irmão. Disse que, embora tenha passado o final de semana em São Bernardo (SP), onde mora Vavá, evitou procurá-lo. Algumas das pessoas que estiveram com Lula nesta segunda o consideraram abatido.

 

Teve duas oportunidades de cumprir a promessa que fizera aos repórteres na Alemanha. A primeira, pela manhã, no Planalto, quando participou da solenidade de recepção da tocha dos jogos Pan-Americanos. Esteve lado a lado com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também às voltas com o vírus da suspeição. Depois, à tarde, nos festejos do 142º aniversário da Batalha do Riachuelo, no Grupamento dos Fuzileiros Navais, em Brasília. Limitou-se, porém, a acenar para os repórteres. Nada de entrevistas.

 

Quanto às medidas para coibir os supostos “excessos” da PF, virão num pacote que inclui uma cartilha com regras a ser seguidas nas operações especiais da política e num projeto de lei que vai regular as escutas telefônicas. A cartilha já foi redigida. O texto foi distribuído a diretores da PF, para que ofereçam sugestões. Menciona do uso de armas e algemas ao relacionamento com a imprensa.

 

O projeto do grampo já existe. Foi elaborado durante a gestão do ex-ministro Marcio Thomaz Bastos. Tarso Genro o desengavetou e deve promover ajustes antes de enviá-lo ao Congresso. A versão original não era boa (veja aqui, aqui e aqui). Foi à gaveta depois de ter sido crivada de críticas.

Escrito por Josias de Souza às 23h35

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Justiça quebrou sigilos de Vavá e 85 investigados

  Folha
A 5a Vara da Justiça Federal de Mato Grosso do Sul autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de todos os investigados da Operação Xeque-Mate. A lista inclui  86 suspeitos, entre eles Genival Inácio da Silva (foto), irmão de Lula, e o petista Dario Morelli, compadre do presidente.

 

A abertura dos sigilos dos suspeitos foi autorizada no curso das investigações. Parte dos dados já foi anexada ao processo. Segundo apurou o blog, as informações serão usadas pela PF para embasar pedidos de prisão preventiva que serão feitos à Justiça. 

 

Encontram-se detidos em Campo Grande 67 suspeitos de integrar a quadrilha que, sob a liderança do ex-deputado estadual Nilton Cezar Servo (PSB-PR), explorava o negócio de caça-níqueis. As prisões foram são, porém, temporárias. Vencem nesta quarta-feira (13).

 

Para manter os suspeitos na cadeia, a PF precisa formular novos pedidos de prisão, dessa vez em caráter preventivo. É o que deve fazer o delegado Alexandre Custódio, que preside o inquérito da Operação Xeque-Mate.

 

Embora a PF tenha solicitado a prisão de Vavá, a Justiça não autorizou. A despeito disso, o irmão de Lula foi indiciado pela prática de dois crimes: exploração de prestígio e tráfico de influência. Daí a Justiça ter atendido ao pedida da PF para incluir Vavá no rol dos que tiveram quebrados os seus sigilos bancário e fiscal.

 

Vencida a fase de investigação, o inquérito será remetido ao Ministério Público, a quem caberá decidir sobre o oferecimento de denúncia contra os acusados. Em privado, os investigadores afirmam que, no caso de Vavá, devem sugerir que seja efetivamente denunciado. Estão convencidos de que, ainda que não tenha logrado êxito em suas tentativas de obter vantagens no Judiciário e no Executivo, o simples fato de ter oferecido seus préstimos à quadrilha já configura crime.

Escrito por Josias de Souza às 20h32

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Brasileiro paga R$ 117,42 anuais por Legislativo

  • Valor reflete média dos moradores das capitais do país
  • Conta inclui congresso, assembléia e câmara municipal

A Transparência Brasil divulgou nesta segunda-feira (11) um levantamento inédito acerca do custo das casas legislativas no Brasil. Cruzando os orçamentos da União, dos Estados e dos municípios, a entidade verificou que os habitantes das capitais brasileiras pagam anualmente uma média de R$ 117,42 para manter em funcionamento o Congresso (Câmara e Senado), as assembléias e as câmaras de vereadores.

 

Descobriu-se também que o custo do legislativo, nas três esferas, não bate no bolso dos brasileiros de modo uniforme. Por exemplo: o morador de Boa Vista, capital de Roraima, desembolsa anualmente R$ 224,82; o de São Paulo, cidade infinitamente mais rica, comparece com R$ 68,51 por ano. Os brasileiros mais pobres, em regra, arcam com um percentual maior dos gastos decorrentes do funcionamento do Legislativo, eis o salta do estudo da Transparência Brasil.

 

Tomando-se apenas o Congresso Nacional, verificou-se que a Câmara custa a cada brasileiro R$ 18,14 por ano. O Senado, R$ 14,48. Entre as Assembléias  Legislativas, a mais cara é a do Estado de Roraima. Custa R$ 145,19 por pessoa. A mais barata é a de Sergipe. Sai por R$ 10,63 anuais por habitante.

 

Entre as Câmaras Municipais, a mais cara é a de Palmas, capital do Tocantins. Custa anualmente R$ 83,10 por habitante. A mais barata é a Belém, capital do Pará. Ali, cada habitante paga anualmente R$ 21,09.

Somando-se os orçamentos do Congresso , das assembléias de todos os Estados e das câmaras de vereadores das capitais, descobre-se que os legislativos brasileiros custam ao erário R$ 12,5 bilhões anuais. Desse total, R$ 6,1 bilhões são gastos pelo Congresso (Câmara e Senado) e R$ 6,4 bilhões pelas assembléias estaduais e câmaras de vereadores.

Pressionando aqui, você será conduzido à íntegra das conclusões a que chegou a Transparência Brasil com o seu estudo.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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Bolívia paga 1ª parcela das refinarias brasileiras

O governo boliviano anunciou nesta segunda-feira (11) que efetuou o pagamento da primeira parcela (US$ 56 milhões) referente à compra das duas refinarias adquiridas da Petrobras. A segunda e última parcela, que completará o valor acordado entre Brasil e Bolívia (US$ 112 milhões), será liquidada em 60 dias.

 

"Nesta manhã, às 8h30 (horário local), foram depositados os US$ 56 milhões e às 9h30 informamos à Petrobras sobre o depósito", Guillermo Aruquipa, presidente da YPFB, a estatal petrolífera da Bolívia.

 

No Brasil, o negócio está submetido à análise do STF e do TCU. No Supremo, o ministro Marco Aurélio Mello analisa um mandado de segurança protocolado pelo líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Panunzio (SP). Ele sustenta a tese de que o contrato de venda das refinarias teria que ser submetido à aprovação do Congresso.

No Tribunal de Contas, o ministro Augusto Nardes determinou a abertura de auditoria a pedido do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), que questiona o preço das refinarias, que seria sub-avaliado.

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Arquivamento ligeiro do caso Renan será contestado

Trama-se nos subterrâneos do Conselho de Ética do Senado um contra-ataque à manobra urdida para arquivar, a toque de caixa, a representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL). Senadores insatisfeitos decidiram pedir vista do processo caso o relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA) proponha o sepultamento do processo sem a realização de interrogatórios.

Previsto no regimento interno do Senado, o pedido de vista não pode ser negado pelo presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC). Por isso os idealizadores da reação à manobra pró-Renan optaram por esse instrumento, que lhes permitirá adiar a decisão por cinco sessões. Decorrido esse prazo, os autores do pedido de vista levarão ao Conselho de Ética um ponto de vista bem diferente do que vem sendo exposto publicamente pelo relator.

Epitácio Cafeteira, aliado de José Sarney (PMDB-AP) e do próprio Renan, acena com a hipótese de concluir o seu relatório sem realizar nenhuma inquirição. No parecer alternativo, será esgrimida a tese de que não se pode sepultar uma representação por quebra de decoro parlamentar sem interrogar os envolvidos. Serão requeridas, pelo menos, as convocações do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior; da jornalista Mônica Veloso, ex-amante de Renan; e do empreiteiro Zuleido Veras (a representação do PSOL contra Renan também inclui um pedido de investigação das relações do senador com o dono da Gautama).

Confrontado com duas concepções diametralmente opostas, o Conselho de Ética será obrigado a decidir no voto. O grupo pró-Renan, amplamente majoritário, tem tudo para prevalecer no Conselho de Ética. Mas a exposição pública do voto de cada um vai cobrar um preço político mais alto dos participantes da manobra.

Nem mesmo a entrevista que Mônica Veloso concedeu à revista Veja, reafirmando que sempre tratou das questões financeiras não com Renan, mas com o lobista Cláudio Gontijo, alterou o ânimo pró-Renan que inspira o Conselho de Ética. Há 15 senadores no conselho. Por ora, só três esboçam interesse em aprofundar as investigações: Jefferson Peres (PDT-AM), Demóstenes Torres (DEM-GO) e José Nery (PSOL-PA).

Nesta segunda-feira (11), o relator Epitácio Cafeteira recebeu o papelório referente ao processo: a representação formulada pelo PSOL e os extratos bancários e declarações de rendimentos que Renan Calheiros havia remetido ao corregedor do Senado, Romeu ‘Quero Absolver’ Tuma. A próxima reunião do Conselho de Ética será na quarta-feira (13). Antecipando-se à intimação do conselho, Renan Calheiros entregou a sua defesa.

Escrito por Josias de Souza às 15h57

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Compadre de Lula sabia que PF o havia grampeado

É grande a chiadeira contra os drenos pelos quais escorrem os dados sigilosos dos inquéritos da PF para as páginas dos jornais. Há, porém, coisa bem pior. Tome-se o exemplo de Dario Morelli Filho. Trata-se de um compadre de Lula. Alcançado pela Operação Xeque-Mate, ele foi ao xadrez na semana passada.

Antes mesmo de ter sido preso, Morelli Filho sabia, veja você, que os telefones dele estavam sendo bisbilhotados pela PF. Interrogado, ele admitiu que fora avisado sobre os grampos. Esquivou-se de precisar o dia. E saiu-se com a conversa mole de que o segredo lhe foi contado por um passarinho anônimo.

Antes, na Operação Navalha, o STJ já havia mandado afastar integrantes da cúpula da PF. Um deles por suspeita de ter repassado segredos da investigação a colegas encrencados. Agora, de novo, há suspeitos dentro da própria PF. É essa goteira que se deve estancar com prioridade. Ela começa a pingar numa fase em que o inquérito ainda está em andamento. E interfere diretamente no resultado das investigações. O tucanato enxergou nos drenos uma oportunidade para espicaçar o governo.

Na PF e no Ministério Público, como em qualquer outro lugar, o segredo entre três pessoas só é possível numa hipótese: quando duas delas estão mortas. Assim, ou os vazadores começam a ser identificados e punidos, ou logo essas mega-operações da PF serão convertidas em queijos suíços. À política serão reservados os buracos. 

Escrito por Josias de Souza às 14h02

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As manchetes desta segunda

- Folha: - Compadre de Lula diz à PF que sabia de grampo

- Estadão: PF concentra inquérito em compadre de Lula

- Globo: Tarso quer endurecer lei para limitar escutas da PF

- Correio: Advogados atacam PF. Tarso nega perseguição

- Valor: Distribuição de renda induz a maior uso de papel moeda

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h55

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Mimado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h49

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Oposição quer agora CPI do jogo ilícito e do Vavá

·         Proposta já conta com 40 das 171 assinaturas exigidas

  O Grito/Edvard Munch
O pedido circula pelos corredores e gabinetes da Câmara há 22 dias. Sem alarde, o autor da proposta, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), já coletou 40 das 171 assinaturas exigidas para a abertura de uma investigação parlamentar. O nome de batismo da iniciativa é “CPI dos Jogos Ilícitos”. Nas últimas horas, ganhou um apelido: “CPI do Vavá”.

A inspiração da nova CPI veio da Operação Furacão, aquela em que a Polícia Federal desvendou os liames que uniam a máfia do jogo carioca a magistrados suspeitos de mercadejar sentenças. A idéia de Sampaio era escarafunchar o submundo dos jogos ilícitos: bingo, caça-níqueis e bicho.

Sobreveio, então, a Operação Xeque-Mate. Dessa vez, a PF desbaratou uma quadrilha de caça-níqueis com ação em diversos Estados, entre eles São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Alcançado pelos grampos telefônicos da polícia, Genival Inácio da Silva, o Vavá, tornou-se a estrela do tabuleiro. E deu visibilidade uma CPI que vinham se esgueirando, invisível, por entre tantas outras iniciativas do gênero.

Carlos Sampaio passou o final de semana pendurado ao telefone. Agora, o deputado tem pressa. Falou com o líder do seu partido, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP). Conversou com colegas do PPS, do DEM e do PSOL. Pediu e obteve a promessa de auxílio. Acalenta o sonho de juntar, até quinta-feira, as 171 assinaturas de que necessita.

A pergunta óbvia é: “Estaria a oposição querendo pôr Lula em xeque? Sampaio responde: “É evidente que as menções a Vavá reforçam e agilizam a CPI. Mas a proposta não nasceu com essa finalidade. Nosso objetivo não é atingir o presidente. Seria uma irresponsabilidade. Não há nenhuma evidência de envolvimento do Lula, nem mesmo por vias indiretas. O que há, em tese, são indícios de um possível envolvimento do irmão dele. E isso precisa ser apurado.”

Vavá seria o centro da nova CPI. Sampaio, um procurador da República licenciado, diz que não. “Queremos investigar aquilo que apareceu na Operação Furacão, ou seja, o envolvimento de procuradores federais, magistrados e policiais federais na facilitação dos jogos ilícitos”. Onde entraria Vavá? Como o objeto da CPI inclui os caça-níqueis, alvejados também pela Operação Xeque-Mate, o irmão de Lula cairia na rede da CPI de cambulhada.

A depender dos desejos da oposição, o Congresso se converteria numa mega-delegacia de polícia. Há, no momento, duas CPI em funcionamento. São as gêmeas do aerocaos, a da Câmara e a do Senado. Há uma outra, a CPI das ONGs, com assinaturas já recolhidas, aguardando a oportunidade de instalação, no Senado. Há ainda a CPI mista da Navalha, cujo destino será conhecido nos próximos dias. Surge agora a CPI dos Jogos que, embora anterior à da Navalha, só agora ganha o noticiário.

“Quem tem dois pássaros voando, não tem nenhum na mão”, diz o líder do DEM, deputado Onyx Lorenzoni (RS). Ele receia que a entrada em cena da CPI proposta por Sampaio prejudique os esforços da oposição para pôr de pé a comissão da Navalha.  “Uma oposição como a nossa, com dificuldades numéricas, tem que ter objetividade. Não podemos dispersar esforços. Somos poucos. Dispersos, não chegaremos a lugar nenhum”.

A preocupação de Lorenzoni não é despropositada. Juntas, as legendas de oposição somam algo como 130 deputados. Desse total, cerca de 120 toparam subscrever a CPI da Navalha. Chegou-se a 173 assinaturas graças à adesão de deputados do consórcio governista. Porém, num estalar de dedos do Planalto, cerca de 15 deputados já consideram a hipótese de arrancar suas rubricas do requerimento. Nesta semana, a oposição terá de provar-se capaz de seduzir um número equivalente de adesões. Ou a CPI irá ao arquivo. Nessa guerra, o governo dispõe de armas que seus rivais não têm: cargos e verbas.

Escrito por Josias de Souza às 23h01

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Da série ‘música certa para um Brasil muito errado’

O meu país

Composição: Livardo Alves, Orlando Tejo e Gilvan Chaves

Intérprete: Zé Ramalho

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Escrito por Josias de Souza às 17h12

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‘Navalha’ resultará em mega-denúncia de 51 pessoas

Relatora do inquérito da Operação Navalha, a ministra Eliana Calmon, do STJ, tomou o depoimento de 52 pessoas. São políticos, empresários e servidores públicos. Dessa chusma de suspeitos, 51 serão formalmente denunciados pelo Ministério Público. O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), foi, por ora, excluído da encrenca.

A lista dos que serão levados às barras do STJ é eclética e pluripartidária. Inclui o ex-ministro peemedebista Silas Rondeau (Minas e Energia); o atual e o ex-governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT) e José Reinaldo Tavares (PSB); o filho do ex-governador sergipano João Alves (DEM), João Alves Neto; além dos prefeitos de Sinop (MT), Nilson Aparecido Leitão (PSDB), e de Camaçari (BA), Luiz Carlos Caetano (PT).

O processo terá de correr no STJ porque é este o foro constitucional para processar governadores. A presença de Jackson Lago no inquérito puxa os demais futuros réus para o mesmo tribunal. O Ministério Público decidiu, porém, protocolar uma segunda denúncia na Justiça Federal da Bahia, onde a Navalha teve sua origem.

Ali, os acusados que não têm direito a foro privilegiado, entre eles Zuleido Veras, o dono da Gautama, responderão pelos crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, tráfico de influência e peculato. De resto, a equipe que auxilia o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza aguarda pelo fechamento de uma auditoria da CGU (Controladoria Geral da União), para redigir uma outra denúncia, dessa vez envolvendo as fraudes em licitações públicas.

Entra-se agora na fase mais lenta das operações de combate à delinqüência contra o erário: o processamento judicial. A Justiça, como se sabe, além de cega, vem se revelando veloz como um cágado manco. De resto, tem manuseado uma balança desregulada e uma espada de múltiplos gumes. Nenhum deles afiado.

Escrito por Josias de Souza às 16h48

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MST leva 17,5 mil pessoas a Brasília nesta segunda

  • Movimento fixa novas prioridades e se afasta de Lula

O MST realiza nesta semana, em Brasília, o seu 5º Congresso Nacional. Será o maior encontro já realizado pelo movimento. Estima-se que cerca de 17,5 mil pessoas compareçam à Capital. Começaram a chegar neste final de semana. Vieram em caravanas provenientes de 24 Estados. O congresso vai durar cinco dias. Começa nesta segunda (11) e termina na sexta-feira (15).

 

Já na preparação do encontro, ficou evidente o distanciamento entre o MST e o governo. Os sem-terra consideram-se traídos pelo presidente da República. A cúpula do movimento alega que, na campanha presidencial de 2002, interrompeu, a pedido de Lula, à época candidato do PT ao Planalto, uma onda de manifestações públicas e invasões de propriedades rurais.

 

Naquela ocasião, o MST brigava pela redução das dimensões das fazendas sujeitas à desapropriação. Lula argumentou que a azáfama prejudicava sua campanha. Pediu ao MST que recolhesse sua tropa das ruas. Em contrapartida, prometeu uma reforma agrária rápida caso viesse a ser eleito. O movimento silenciou. Hoje, seus líderes acham que foram ludibriados.

 

Sob Lula, as desapropriações tornaram-se mais lentas do que na era FHC. Para o MST, Lula cedeu aos encantos do neoliberalismo, favorecendo os bancos e os grandes grupos econômicos, entre eles os conglomerados do agronegócio exportador. Neste 5º Congresso, o movimento vai pregar a necessidade de implementação de uma “nova reforma agrária”.

 

O “novo” passa pela velha cantilena da “democratização da propriedade da terra”. Mas adiciona ao discurso um elemento que os líderes do MST definem como inédito: a prioridade absoluta para a produção de alimentos, destinados a abastecer o mercado interno. Tudo em detrimento do modelo que “submete” a agricultura ao agronegócio exportador.

 

Pretende-se relançar, de resto, a campanha pela redefinição dos chamados módulos rurais, reduzindo o tamanho das propriedades sujeitas à desapropriação para efeitos de reforma agrária. Uma providência que passa, na opinião do MST, pela aprovação de uma emenda à Constituição. 

 

Sintomaticamente, nenhuma autoridade pública foi convidada para a abertura do Congresso do MST, nesta segunda. Nem Lula nem seus ministros. Na visão dos ideólogos do movimento, a atual gestão, embora se defina como “popular”, patrocina uma política econômica que esmaga a pequena propriedade.

 

Considera-se que, nos últimos 20 anos -a administração Lula incluída-, a economia brasileira experimentou um período de acentuada estagnação, agravando as mazelas sociais. Daí o pé atrás do MST em relação ao PT e ao atual presidente.

 

A despeito do distanciamento retórico, o MST preserva os liames monetários que o mantém atado ao governo. Para arrastar seus 17,5 mil “soldados” a Brasília, o movimento vale-se do dinheiro público que recebe, por meio de convênios, da mesma gestão Lula que se anima a criticar. Por último, vale mencionar que, por mais barulho que consigam fazer, os sem-terra parecem dar murro em lâmina de foice. Brigam contra uma realidade inelutável: a modernização e a conseqüente mecanização do campo. Melhor fundar o MSE2 (Movimento dos Sem Escola e Emprego).

Escrito por Josias de Souza às 01h43

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As manchetes deste domingo

- Folha: 'BNDES paulista' terá mais de R$ 3 bi para empréstimos

- Estadão: Partidos de ultra-esquerda controlam invasão na USP

- Globo: Bicho pagou propinas a jurados do carnaval 2007

- Correio: Oposição quer CPI para investigar irmão de Lula

- Valor: Proposta reabre disputa por terras entre índios e Aracruz

- Veja: Renangate: As revelações de Mônica Veloso

- Época: Um novo olhar sobre o mundo oculto do autismo

- IstoÉ: A ciência do apetite  

- IstoÉ Dinheiro: Varejo em pé de guerra

- Carta Capital: O boom dos imóveis

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h41

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Camburão VIP!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Mônica reafirma que dinheiro proveio de lobista

A jornalista Mônica Veloso, 38, foi à capa da última edição de Veja (assinantes). Concedeu longa entrevista ao repórter Policarpo Jr.. A mãe da filha de três anos de Renan Calheiros demonstrou que não blefava quando dissera, dias atrás, que tinha muito a dizer. Foram cinco os tópicos listados por Policarpo para resumir o que Mônica lhe disse:

 

O dinheiro que recebia era sempre pago pelo lobista da Mendes Júnior;

 

Os pagamentos eram sempre em dinheiro vivo;

 

Como regra, os pagamentos eram feitos no escritório da Mendes Júnior em Brasília. Poucas vezes aconteceram fora dali;

 

Renan Calheiros nunca falava de dinheiro e nunca lhe dissera que o dinheiro era dele;

 

Sempre que tinha de tratar de dinheiro, o interlocutor era o lobista Cláudio Gontijo, nunca o senador.

 

Há na entrevista um outro detalhe intrigante: segundo a jornalista, o caso que manteve com o presidente do Senado não foi fortuito, mas longevo. Arrastou-se, segundo ela, até dezembro de 2005, mês em que Renan reconheceu formalmente a paternidade da filha.

 

É algo que, se quisesse, o Conselho de Ética do Senado poderia averiguar. Afinal, os extratos bancários exibidos por Renan evidenciam que não lhe faltavam recursos para repassar à jornalista. Mas nem de longe provam que ele, de fato, fez os pagamentos. Não há coincidência entre os repasses e os saques efetuados na conta bancária do senador.

 

Mas esses são detalhes que não parecem interessar aos “investigadores” de Renan. O senador Epitácio Cafeteira, relator da representação que o PSOL protocolou contra o presidente do Senado, já avisou que não pretende chamar Mônica Veloso para prestar depoimento. “Chamar a moça para quê? Para fofocar?”

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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Notícia urgente: Juízo Final começou por Brasília

Notícia urgente: Juízo Final começou por Brasília

 El Roto/El Pais
Tudo se passou como planejado na subseção que trata dos destinos do Brasil na DJF (Divisão do Juízo Final). As versões sobre o Apocalipse são ainda desencontradas. Sabe-se que era início de manhã em Brasília. Céu límpido e luzidio.

Súbito, uma nuvem negra invadiu o gabinete de Lula. O presidente assinava um lote de nomeações para o segundo escalão. Quando deu por si, partículas de pó, fumaça e gases já o envolviam. Uma secretária da presidência da República contou, aos soluços, ter presenciado o instante em que Lula foi engolido pelo PMDB.

 

José Alencar aboletou-se, algo esbaforido, na cadeira de presidente. Apressou-se em nomear Mangabeira Unger para a Sealopra. Depois, num discurso transmitido em cadeia nacional de televisão, anunciou o “Programa Juro Zero”. Para tranqüilizar a nação, informou que, em nome da governabilidade, manteria a aliança estratégica com o PMDB. Testemunhas contam que Alencar foi devorado, diante das câmeras, por um PT tomado de cólera inaudita.

 

Antes de ser sugado pelo solo, Henrique Meireles teve tempo de assistir à última edição extraordinária do Jornal Nacional, que se seguiu ao pronunciamento de Alencar. “Um real agora vale cem dólares”, anunciou um Willian Bonner entre atônito e descrente.

 

“O risco país subiu para 59.976.845.165%”, emendou uma Fátima Bernardes de semblante disforme. Enquanto lia as notícias, a apresentadora ia sofrendo um processo de envelhecimento relâmpago. Ao informar que o Banco do Brasil acabara de decretar falência, ela já havia ganhado rugas que lhe conferiram a aparência de uma velha de cem anos.

 

Uma fenda gigantesca abriu-se sob o prédio do Congresso Nacional, sorvendo-o. Um cogumelo típico de explosões atômicas assomou aos céus. Um motorista de táxi disse ter visto Renan Calheiros fugindo em direção ao carro oficial. Uma chuva de extratos bancários despencou sobre o capô do veículo. Aturdido, Renan desembestou em direção à Praça dos Três Poderes. Surgida do nada, uma declaração de Imposto de Renda o perseguiu. Desde então, o senador não foi mais visto.

 

Um deputado contou que Arlindo Chinaglia combateu de forma heróica. Encomendou, a toque de caixa, a elaboração de um decreto legislativo, reajustando a verba indenizatória dos colegas de R$ 15 mil para R$ 55 mil mensais. Manuseava a caneta quando o documento devorou-lhe os dedos, a mão, o braço, o tórax...

 

No STF, uma gang de CDs, entoando diálogos captados em grampos telefônicos, atacou uma força tarefa que, sob a coordenação de Gilmar Mendes, assinava um maço de habeas corpus. Ordenavam a liberação dos mais de 30 ministros de Estado recolhidos ao xadrez no último arrastão da Polícia Federal, a “Operação Juízo Final”.

 

Nas redações dos meios de comunicação, os computadores ganharam vida própria. Passaram a desvir...tuar os textos, acres...cent...an...do, por c...ont...a p...r...ó...p...r...i...a..., expressões des@#$nexas. Os tec¨*+lados arderam como b?#*asa. Ui, ai, ai, ai. Soco#*oooo&+ºººooo@oooooro!!!

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Lula se irrita com vazamento de diálogos de Vavá

  • ‘Esse negócio de segredo de Justiça virou uma piada’

Alan Marques/Folha

 

De volta de uma viagem de nove dias ao Reino Unido, à Índia e à Alemanha, Lula reagiu com impaciência ao vazamento para a imprensa de diálogos de seu irmão captados pelos grampos telefônicos da Operação Xeque-Mate. Oficialmente, mandou dizer, por meio da assessoria de imprensa, que não vai comentar o assunto. Em privado, destilou irritação: “Esse negócio de segredo de Justiça virou uma piada no Brasil”, disse a um auxiliar.

 

Lula retornou ao Brasil neste sábado (9). No final da tarde, voou para São Bernardo do Campo, cidade onde mantém um apartamento e onde também mora o primeiro-irmão Vavá. Ali, pretende passar o final de semana. Nas primeiras avalizações do episódio envolvendo seu irmão, feitas em reserva, Lula considerou que não há nos diálogos expostos no noticiário nada que possa embaraçá-lo ou comprometer o seu governo. Longe disso. Ainda assim, acha que, por trás dos vazamentos, esconde-se a intenção de deixar sua administração em maus lençóis.

 

Lula ecoa uma queixa que se tornou comum nos meios políticos desde que as mega-operações da Polícia Federal passaram a impor constrangimentos a figurões do governo e do Congresso. O tema já havia sido debatido, há duas semanas, em reunião do conselho político, que congrega os dirigentes dos partidos do consórcio governista.

Na presença de Lula, as lideranças partidárias queixaram-se da divulgação clandestina de dados sigilos dos inquéritos e de supostos excessos cometidos pela PF na execução de mandados de prisão.

 

Àquela altura, a polícia ainda não aplicara o xeque-mate na quadrilha de caça-níqueis que estendeu os seus tentáculos até a casa de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho de Lula. A bola da vez era, então, Silas Rondeau, desalojado do ministério de Minas e Energia sob a acusação de ter recebido propina de R$ 100 mil da Gautama, aquela construtora da Operação Navalha, sucedânea da Operação Furacão.

 

Presente à reunião, Lula deu razão aos queixosos. Chegou mesmo a encomendar ao ministro Tarso Genro (Justiça) a apuração de responsabilidades pelos vazamentos. Não há, por ora, notícia acerca da identificação dos responsáveis. Em manifestações feitas nos dias subseqüentes à reunião do conselho, Tarso realçou uma coincidência: os vazamentos costumam ocorrer depois que os advogados dos acusados têm acesso às peças dos inquéritos.

 

Alheios aos queixumes, os agentes da PF realizaram, entre segunda (4) e quarta-feira (6), um congresso nacional na cidade de Fortaleza (CE). Foi organizado pela Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais). Ao final do encontro, divulgou-se uma “Carta de Fortaleza”. O documento traz, nas entrelinhas, respostas a algumas das críticas que vêm sendo dirigidas ao trabalho da polícia. O texto anota, por exemplo, que a PF é órgão de Estado e, como tal, deve agir “desvinculado das posições ideológico-partidárias dos governos.”

 

Os policiais defenderam, de resto, “a divulgação universalizada das atividades da Polícia Federal junto aos meios de comunicação, sem privilégios a qualquer segmento da mídia”. Uma clara referência à condenação dos vazamentos seletivos. O problema é que, à luz da lei, os processos que retratam os resultados "das atividades" da PF deveriam correr em segredo.

Escrito por Josias de Souza às 17h19

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Eleitor dá a grana, mas não escolhe os candidatos

Angeli
 

Nos próximos dias, a Câmara leva à vitrine um tema que se encontra no almoxarifado do Legislativo há cerca de uma década: a reforma política. Vai a debate uma reforma meia-boca. Tenta-se aprovar nas próximas duas semanas ao menos o financiamento público das campanhas políticas, a votação em lista e a fidelidade partidária.

Os dois primeiros tópicos, se aprovados, vão impor ao eleitor brasileiro um modelito desconfortável. Algo assim: o sujeito paga a campanha, mas não tem direito de votar no político que lhe pareça mais adequado. Quem escolhe os candidatos são as cúpulas partidárias.

Ao eleitor, será reservado o direito de votar apenas no partido. Quanto mais voto obtiver a legenda, maior será o número de representantes que ela enviará a Brasília. Elegem-se os nomes mais bem-postos na lista de queridinhos dos morubixabas de cada tribo partidária.

A encrenca do voto em lista é tratada com desconfiança até entre os deputados. Os índios receiam se tornar reféns dos caciques. Partidos como o PSDB e o “Demo” tendem a liberar suas bancadas para votar como bem entenderem. No PT, a coisa vai ser diferente.

O partido de Lula marcou para segunda-feira uma reunião em que dirigentes partidários discutirão com deputados os termos do arremedo de reforma política que será levado a voto na Câmara. Na quinta, em novo encontro, o PT vai “fechar questão”. Significa dizer que todos os parlamentares terão de votar como o partido mandar.

Seja como for, diz-se no Congresso que a reforma política é uma resposta aos escândalos que ganham o noticiário em ritmo quinzenal. Lorota. Nada faz crer que o financiamento público vai fechar a torneira do dinheiro privado que escoa por baixo da mesa. O voto em lista é um logro à vontade do eleitor. De resto, vale aguardar para ver o tipo de fidelidade partidária que vai emergir dos conchavos que vêm sendo feitos nos subterrâneos da Câmara.

Angeli

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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As manchetes deste sábado

- Folha: Irmão usava nome de Lula para obter dinheiro, diz PF

- Estadão: Declaração do G-8 contraria emergentes e Lula protesta

- Globo: Lula sabia de lobby de irmão no governo e tentou reprimir

- Correio: Plano de saúde tem aumento de 5,76%

- Valor: Proposta reabre disputa por terras entre índios e Aracruz

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Por sorte, é bípede!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Vavá usou nome de Lula, o irmão ilustre, em lobby

Vavá usou nome de Lula, o irmão ilustre, em lobby

  • ‘Falei pra ele [...] das máquinas’, diz Vavá em grampo
  • Há 20 dias, Lula mandou recado para o primeiro-irmão 
  • Presidente se irritou com ação de Vavá ‘nos ministérios’

Uma escuta instalada pela Polícia Federal no telefone da casa de Genival Inácio da Silva, o Vavá, indica que o irmão de Lula usava o nome do próprio presidente da República em sua atividade de lobby. As gravações revelam também que Lula, informado acerca da movimentação de Vavá em “ministérios” de Brasília, teria chamado o irmão, há 20 dias, para passar-lhe uma carraspana.

 

O blog teve acesso a parte da documentação do inquérito da Operação Xeque-Mate. O diálogo em que Vavá se refere a Lula foi gravado pela PF em 25 de março de 2007. O irmão de Lula conversava com o ex-deputado estadual paranaense Nilton Cezar Servo, apontado pela polícia como líder de uma quadrilha que explorava a jogatina ilegal de caça-níqueis. Na conversa, Vavá diz que recebera naquele dia uma visita de Lula.

 

“O homem teve aqui hoje”, repete Vavá três vezes. “Passou aqui, ficou uma hora e meia”. E Servo: “Falou com você?”. A resposta de Vavá: “Conversou. Eu falei pra ele sobre o negócio das máquinas lá. Ele disse que só precisa andar mais rápido, né, bicho.” O irmão de Lula mora na mesma São Bernardo do Campo em que Lula mantém um apartamento. Um despacho veiculado naquele dia pela Radiobras, a agência de notícias oficial do governo, informa que Lula, de fato, esteve na cidade em 25 de março. Não há, porém, notícia de que tenha se avistado com o irmão.

 

Eis a conclusão da PF, exposta em relatório confidencial anexado ao inquérito: “A análise da conversa indica que Vavá está usando o nome de seu irmão, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para conseguir dinheiro junto a Nilton Cezar Servo, contraventor que tem como principal fonte de renda a exploração do jogo de azar através de máquinas caça-níqueis em diversos Estados [...].” Noutro diálogo, captado há escassos 20 dias, um interlocutor de Vavá, identificado nos documentos da PF apenas como “Roberto”, informa ao irmão de Lula que o presidente estaria irritado com ele. Deu-se no dia 20 de maio, um domingo. Vavá diz ao interlocutor que, na sexta-feira seguinte, 25 de maio, iria a Brasília. E Roberto: “Não vai sem falar comigo, não, porque tem, tem uma bronca da porra.” Vavá estranha: “De quê?”

 

Roberto, então, soa mais específico: “O Lula quer que você vá lá, ouvi-lo à noite, pra conversar com ele à noite.” Vavá não se dá por achado: “Hã”. Ao final da conversa, Roberto tenta ser mais claro: “[...] Vavá, por que tem umas bronca lá, que você anda apresentando uma pessoa lá nos ministérios e ele...” O irmão de Lula mantém o estilo monossilábico: “Eu?” Não há, de novo, notícia sobre eventual encontro de Vavá com Lula. O presidente encontrava-se em Brasília. Na sexta-feira em que Vavá disse que estaria na cidade, seu irmão mais ilustre recebeu no Planalto um grupo de embaixadores africanos, informa a Radiobras.  

 

Além do diálogo que insinua a irritação de Lula com a movimentação do irmão, não consta dos autos do processo da Operação Xeque-Mate nenhuma informação que estabeleça uma associação do presidente com as estripulias de Vavá. Daí a impressão da PF de que o irmão de Lula vendia uma mercadoria que não podia entregar. Algo que não o livra, porém, de responder pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. Ademais, em outros diálogos, Vavá aparece em situações constrangedoras. Pede explicitamente dinheiro ao contraventor Nilton Cezar Servo. Em certas ocasiões, seus pedidos roçam a mendicância. Como em 22 de março, por exemplo: “Ô, arruma dois pau pra eu”, implora o irmão de Lula ao líder da quadrilha.

Escrito por Josias de Souza às 22h00

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STJ deixa no xadrez viúva do sortudo da megasena

O STJ negou nesta sexta-feira (8) o pedido de liminar em habeas corpus formulado pelos advogados de Adriana Ferreira de Almeida, viúva de Rennê Senna, mais conhecido como milionário da mega-sena. Com essa decisão, assinada pela ministra Laurita Vaz, Adriana, acusada de arquitetar a morte do marido, será mantida na cadeia.

 

Rennê foi assassinado em 7 de janeiro, num botequim de Rio Bonito (RJ). Era freqüentar assíduo do estabelecimento. E, mesmo depois de ter a conta bancária fornida com os R$ 52 milhões amealhados na mega-sena, ele não abandonou o hábito. Bebia e jogava conversa fora no instante em que foi alvejado por quatro tiros. Os disparos foram feitos por dois homens que chegaram ao local de moto.

 

Depois de investigar o caso, a Polícia Civil do Rio denunciou a viúva Adriana como mandante  do crime. Deu-se em 28 de março passado. De acordo com a denúncia, ela teria oferecido recompensa a ex-seguranças de René para que dessem cabo da vida do marido. Esta foi a terceira tentativa dos advogados da viúva de obter nos tribunais a liberdade de sua cliente.

 

Antes do STJ, também o STF negara, por meio de um despacho da ministra Carmem Lúcia, a liberação de Adriana. O mesmo ocorrera em outra tentativa frustrada, dessa vez no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os defensores da viúva alegam que o a prisão dela teve por base apenas a “comoção nacional” despertada pelo caso. Até aqui, a tese não colou.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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Governo passa lâmina no requerimento de nova CPI

O consórcio governista, como sói, está passando a lâmina na lista de adesões ao pedido de instalação da CPI da Navalha. A poda deve desbastar pelo menos dez das 183 assinaturas que os idealizadores da comissão dizem ter amealhado na Câmara. O número mínimo exigido para que a investigação seja aberta é sugestivo: 171.

 

A oposição já farejara a movimentação governista. Há dois dias, adiara a entrega do requerimento de CPI à direção do Congresso. Tenta agora arrastar novas adesões. Há uma promessa do “Demo” de agregar algo como quatro rubricas. A bancada do PMN, composta de quatro deputados, também ensaia a adesão ao pedido de CPI. Se ficar nisso, o governismo deve prevalecer.

 

Restará aos oposicionistas o esperneio. Líder do PSOL, o deputado Chico Alencar (RJ) acena com a hipótese de submeter os fujões à execração pública, divulgando-lhes os nomes: "Quem retirar agora a assinatura fará um papel muito vergonhoso e que acaba por autorizar qualquer cidadão a desconfiar de razões obscuras", diz Alencar.

 

Não é um argumento que costume calar fundo na alma dos governistas. Muitos deles, aliás, só aderiram à CPI para poder, depois, atender aos apelos vindos do Planalto. Tornam-se, assim, credores de um governo pródigo na distribuição de cargos e verbas.

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Irmãos da Renascer declaram-se criminosos nos EUA

Os fundadores da Igreja Renascer em Cristo arrostaram, nesta sexta-feira (8), mais uma provação. Em audiência judicial, a bispa Sonia e o apóstolo Estevam se deram conta de que Deus, se existe, abandonou-os. Foi cuidar das almas que ainda têm salvação.

 

Diante do juiz Frederico Moreno, de Miami, a bispa e o apóstolo confessaram um pecado capital. O pecado do capital propriamente dito. Reconheceram ter tentado entrar nos EUA com dinheiro ilegal. Traziam do Brasil US$ 56 mil, em grana viva. E só haviam anotado nos formulários alfandegários US$ 10 mil.

 

Arrependimento súbito? Não, não, absolutamente. É esperteza mesmo. Declarando-se culpados, os religiosos fraudadores da Renascer livram-se de um júri popular que, no limite, poderia condená-los a uma cana de dez anos. Agora, serão sentenciados pelo juiz. Tornaram-se candidatos a uma redução de pena.

 

Os advogados norte-americanos da bispa e do apóstolo pedem algo como seis meses de xadrez. É possível que a generosidade do juiz não chegue a tanto. Só depois de expiar suas culpas diante da lei dos EUA os irmãos Sonia e Estevam poderão retornar ao Brasil.

 

Nesta terra de palmeiras e sabiás, a dupla é aguardada por um processo que contém acusações pesadas: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e estelionato. São crimes mais graves do que aqueles confessados alhures. Mas a Justiça brasileira, diferentemente da norte-americana, oferece ao casal uma atmosfera de paraíso.

 

Lá, assim que foram pilhados no aeroporto de Miami, em 9 de janeiro, Sonia e Estevam foram recolhidos ao cárcere. Depois de dez dias de cana, pagaram fiança e passaram a desfrutar dos benefícios da prisão domiciliar. Foram grampeados com tornezeleiras que permitiram à polícia seguir-lhes os passos. Fustigados, viram-se compelidos a admitir a condição delinqüente que divide espaço com a pureza, no recôndito de suas almas.

 

Aqui, chegaram a ter a prisão preventiva decretada. Mas, valendo-se de uma das dezenas de frestas oferecidas pela legislação brasileira, não chegaram a conhecer o sistema carcerário nacional. Devem estar ansiosos para retornar ao Éden.

Escrito por Josias de Souza às 14h26

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As manchetes desta sexta

- Folha: Lula defende direito de Chávez fechar TV

- Estadão: Lula rejeita pressões para cortar emissão de poluentes

- Globo: EUA e Rússia rejeitam metas para despoluição do planeta

- Correio: Doentes buscam cura de câncer fora do DF

- Valor: Proposta reabre disputa por terras entre índios e Aracruz

- Jornal do Commercio: Cresce número de roubo de carro

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 10h46

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Um jantar em quadrilha!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Lula considera 'democrático' fechamento da RCTV

Sérgio Lima/Folha
 

 

Sob o compromisso de responder apenas sobre temas ligados à política externa, Lula concedeu uma entrevista ao repórter Clóvis Rossi nesta quinta-feira (8). Deu-se na embaixada brasileira em Berlim. Instado a comentar a decisão de Hugo Chávez que resultou na interrupção das transmissões da RCTV, o canal de televisão mais popular da Venezuela, Lula classificou a decisão como um ato “democrático”.

 

"Eu acho que não dá para ideologizar essa questão da televisão”, disse o presidente. “O mesmo Estado que dá uma concessão é o Estado que pode não dar a concessão. O Chávez teria praticado uma violência se tivesse, após o fracasso do golpe [contra o venezuelano em 2002], feito a intervenção na televisão." Vai abaixo a entrevista, publicada na edição desta sexta-feira (8) da Folha (assinantes):

- O sr. disse a Chávez que o Senado brasileiro o defendeu quando houve o golpe contra ele?
Não conversei com o Chávez depois. Certamente devemos nos encontrar no Paraguai, no dia 27 ou 28. Nesses quatro anos de mandato, já vi muitas brigas entre países latino-americanos. E eu tenho comentado com eles que precisamos tomar cuidado com o discurso porque às vezes a radicalização verbal atrapalha muita coisa. Você dá uma declaração num lugar e, dependendo do interesse local, a imprensa dá uma manchete e cria-se uma animosidade nacional numa coisa que não precisaria. A nota que o Senado brasileiro fez em relação à televisão do Chávez é uma nota branda. É um apelo, não tem nenhuma agressão. Agora como é que chegou a ele, eu não sei.

- Pouco antes da primeira posse, o sr. enviou Marco Aurélio Garcia à Venezuela, para ajudar a diluir uma crise que poderia até desembocar em outro golpe, com apoio claro da mídia local. Portanto, para ajudar, a soberania [alegada para não criticar a cassação da RCTV] não é tão "imexível". Mas, na hora de criticar, o sr. parece ter medo de criticar Chávez, talvez por temer um destempero dele.
Isso está resolvido na nota. Eu já viajei do Brasil para a Colômbia para evitar um conflito entre o Chávez e o [Álvaro] Uribe [presidente da Colômbia] por conta dessas coisas verbais. Já vi o Chávez e o Lagos ficarem atritados por causa de coisa verbal. Não acho que o Brasil tenha que se portar assim. Eu quero sentar direitinho, conversar, encontrar as palavras certas para falar as coisas.

- Inclusive a questão da TV o sr. falaria para ele?
Eu falo o que faria no Brasil. Eu acho que não dá para ideologizar essa questão da televisão. O mesmo Estado que dá uma concessão é o Estado que pode não dar a concessão. O Chávez teria praticado uma violência se tivesse, após o fracasso do golpe, feito a intervenção na televisão. Não fez. Esperou vencer a concessão. No Brasil vencem concessões sempre e que passam pelo Senado para que haja renovação. Nos Estados Unidos, há concessões. Algumas são renovadas. Vai da visão que cada presidente tem da situação.

- Quando o sr. diz que no Brasil a relação é democrática e consolidada, a inferência possível é que, na Venezuela, apesar de tecnicamente estar tudo nos conformes, não é democrático...
O fato de ele não renovar a concessão é tão democrático quanto dar [a concessão]. Não sei porque a diferença entre dois atos democráticos. A diferença com o Brasil é que conseguimos colocar na Constituição que isso passa pelo Congresso. Não é uma decisão unilateral do presidente. Lá é. Faz parte da democracia deles. Agora o que acho engraçado é que você pega um cara como o [Gustavo] Cisneros [dono de um dos mais importantes grupos de mídia da Venezuela e da América Latina], que era tido como o maior inimigo do Chávez, está de acordo.

- Mas aí é que está o problema: venceram ambas as concessões, mas a do Cisneros foi renovada, o que torna claro que foi uma resposta política, embora os argumentos formais possam ser corretos.
Não sei qual foi o critério que ele adotou para dar as concessões. O dado concreto é que ele utilizou a legislação que vigora no país e tomou essa decisão. Por que eu, presidente do Brasil, vou ficar dizendo se ele fez certo ou errado. Quem tem que julgar isso é o povo da Venezuela, não sou eu.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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CPI quer auditoria externa em equipamentos da FAB

  Angeli
A CPI aérea do Senado deve sugerir ao governo que submeta os equipamentos usados pela Aeronáutica no controle de vôo da aviação civil a uma auditagem internacional. Avalia-se que essa é a única maneira de verificar quem tem razão –se os controladores de vôo, que afirmam que o equipamento é obsoleto e sujeito a falhas, ou se o comando da FAB, que diz que o sistema é moderno e tão seguro quanto o de países mais desenvolvidos que o Brasil.

“Estabeleceu-se nessa matéria um ambiente de Fla-Flu”, diz o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). “É preciso que cheguemos a uma conclusão que tranqüilize o país quanto à segurança da aviação civil. Devo sugerir que venha uma auditoria internacional, contratada pelo governo, para dizer se o sistema presta ou se não presta”.

 

O relator já trocou idéias sobre o assunto, ainda em caráter informal, com o presidente da CPI, Tião Viana (PT-AC). “Ele me disse que também considera razoável que tenhamos uma auditoria internacional.” Mas quem faria a inspeção do sistema? O mais provável é que seja recomendada a contratação da ICAO (International Civil Aviation Organization).

 

Trata-se de uma agência ligada à ONU, com sede em Montreal, no Canadá. Foi fundada em 1947. Cuida justamente do desenvolvimento de técnicas de navegação aérea internacional. Dá especial realce à segurança e à eficiência dos serviços aéreos. Costuma prestar assistência a países em desenvolvimento. O Brasil mantém uma delegação permanente na organização.

 

A sugestão da auditagem internacional deve ser um dos tópicos do segundo relatório parcial a ser apresentado por Demóstenes Torres à CPI do aerocaos. Estima-se que ficará pronto dentro de 15 dias. No primeiro relatório, aprovado na última quarta-feira (6), foram expostas as conclusões da comissão acerca dos responsáveis pela queda do Boeing da Gol, que matou 154 pessoas.

 

Neste segundo documento, a CPI tratará das causas administrativas do Apagão que vem submetendo os aeroportos brasileiros a surtos espasmódicos de ineficiência desde setembro do ano passado. Pretende-se perscrutar todos os braços do governo que têm intersecção com o tema: Ministério da Defesa, Agência Nacional de Aviação Civil e Infraero, por exemplo.

 

Na próxima semana, a comissão vai ouvir os depoimentos de três pessoas que, embora familiarizadas com o setor, têm visões supostamente desvinculadas dos interesses dos controladores de vôo e do comando da Aeronáutica. A lista inclui, por exemplo, o ex-ministro Osires Silva, que já presidiu a Embraer e a Varig.

 

O terceiro e último relatório da CPI vai tratar de um tema espinhoso: a corrupção na Infraero. Já aportaram na comissão mais de 40 mil páginas de documentos produzidos em investigações do Ministério Público, da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União. A análise desses papéis vai guiar as inquirições da fase final da CPI que, por ora, vem se revelando mais eficiente e produtiva do que sua irmã gêmea da Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 23h55

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Renan nega ter retificado suas declarações de IR

O presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) divulgou no final da tarde desta quinta-feira (7) uma nota oficial. No texto, nega a notícia, veiculada pelo Correio Braziliense, de que teria encaminhado à Receita Federal retificações de suas declarações de Imposto de Renda.

Antes da negativa de Renan, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), informara, por meio de sua assessoria, que fará uma reunião com técnicos da Receita, na próxima segunda-fiera, para reavaliar as declarações de rendimentos que recebera dos advogados de Renan. Autor da representação contra o presidente do Senado no Conselho de Ética, o PSOL cobra o esclarecimento definitivo das "dúvidas".  

Vai abaixo a íntegra da nota de Renan Calheiros:

"Em virtude de reportagem publicada hoje pelo jornal Correio Braziliense, faço os seguintes esclarecimentos com o propósito de repor a verdade:

1 – É total e absolutamente falsa a afirmação sustentada na matéria de que apresentei declarações retificadoras do Imposto de Renda após se tornarem públicos fatos envolvendo minha vida privada;

2 – Minhas atividades rurais foram declaradas conforme as declarações de renda entregues ao Senado anualmente;

3 – Declarações de renda, inclusive já publicamente exibidas, informam todos os meus rendimentos e em nenhum momento procedi qualquer retificação para incluir rendimentos não declarados."

Brasília, 07 de junho de 2007

Renan Calheiros
Presidente do Senado Federal

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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G8 fecha um acordo para reduzir emissões de CO2

  Glauco
Os mandachuvas do mundo começam a fazer por pressão o que não fizeram por obrigação. Reunidos na impronunciável cidade alemã de
Heiligendamm, os líderes do G8, um grupo que congrega os sete países mais ricos do mundo e a Rússia, começaram a se entender em relação à necessidade de tomar providências para conter a deterioração climática.

"Concordamos que as emissões de CO2, primeiro, devem ser suspensas e, então, reduzidas substancialmente", disse a primeira ministra Angela Merkel, da Alemanha. Como uma boa notícia nunca vem desacompanhada de outra ruim, Merkel também informou que não houve, por ora, consenso em relação à fixação de metas.

O governo alemão vinha pressionando os outros países a aceitar um corte de 50% nas emissões até o ano de 2050. Porém, George Bush, sempre ele, pôs o pé na porta. O presidente dos EUA rejeita a fixação de metas.

Seja como for, não deixa de ser um avanço o fato de a questão climática ter sido guindada à lista de tópicos da reunião dos poderosos do mundo na condição de tema prioritário. O acordo celebrado nessa quinta-feira (7) anota o compromisso dos países de agir de forma "rápida e forte" para enfrentar a encrenca das mudanças climáticas.

Diz o documento a certa altura: "Levando em consideração o conhecimento científico, como foi representado nos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), as emissões globais dos gases causadores do efeito estufa devem parar de aumentar, e depois (deve haver) reduções substanciais das emissões globais."

Alvíssaras!

Escrito por Josias de Souza às 15h09

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PF: irmão de Lula vendia favores à gang do jogo

Vai abaixo a reportagem de Hudson Corrêa e Rubens Valente, veiculada na Folha (assinantes):

 

“Segundo a Polícia Federal, Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebia dinheiro -valores que variavam de R$ 2.000 a R$ 3.000- do empresário de jogos Nilton Cezar Servo, preso na Operação Xeque-Mate.


Ele pedia dinheiro prometendo benefícios e vantagens a Servo em órgãos governamentais. A PF, porém, não informou quais interesses Vavá defendia e em que órgãos. Segundo a polícia, Vavá fazia promessas, porém não conseguia atender os pedidos.


Mesmo sem alcançar os objetivos, o irmão do presidente foi indiciado sob suspeita de tráfico de influência no Poder Executivo e exploração de prestígio no Judiciário, dentro da Operação Xeque-Mate, na última segunda-feira. A PF, que fez busca e apreensão na casa de Vavá em São Bernardo do Campo, chegou a pedir a prisão dele, no que não foi atendida.


A Justiça entendeu que não estava comprovado o tráfico de influência do irmão de Lula no setor da máfia dos jogos, alvo da Operação Xeque-Mate e dos pedidos de prisão.
Conforme a polícia, foi descoberto na operação que donos de caça-níqueis em Mato Grosso do Sul e São Paulo pagavam propina a policiais para manterem o jogo funcionando, além de importarem ilegalmente componentes eletrônicos para as máquinas.


Um delegado próximo às investigações afirmou que a PF, ao investigar Servo, que até abril deste ano operava máquinas de caça-níqueis, chegou a Vavá e passou a investigá-lo também.
Para essa operação, foram 166 mil ligações gravadas nos últimos seis meses, das quais 5.600 foram selecionadas.

Depoimento - Preso anteontem em Minas, Servo prestou depoimento ontem em Campo Grande. Candidato a deputado federal pelo PSB em 2006 em coligação com o PT, quando declarou patrimônio de R$ 500 mil dinheiro e a mesma quantia em jóias, Servo é considerado um dos líderes da máfia dos caça-níqueis.


Escutas telefônicas registram conversas de Servo com Vavá pelo menos até março deste ano, apontando que ele continuava com o tráfico de influência. Em 2005, no auge da crise do mensalão, a imprensa publicou que Vavá abriu escritório em São Bernardo para ajudar empresários a ter acesso ao governo federal. Ele, por exemplo, intermediou encontros de representantes da Federação Brasileira de Hospitais com assessores próximos a Lula.


Em outra frente, Vavá, apresentando-se como irmão do presidente, também intermediou audiências do empresário português Emídio Mendes, do Riviera Group, na Petrobras. A informação da PF sobre pagamento de dinheiro a Vavá confirma acusações de um ex-gerente de Servo, Andrei Cunha, em depoimento a PF. Também preso na Operação Xeque-Mate, Cunha aceitou o benefício da delação premiada.


Até o início deste ano, Cunha era gerente de Servo. Os dois se desentenderam. Um policial contou que, segundo Cunha, Vavá pedia quantia acima de R$ 10 mil, mas o valor repassado por Servo era menor -de R$ 2.000 a R$ 3.000. No depoimento, porém, Cunha não informa por que motivo Servo pagaria Vavá.

Escrito por Josias de Souza às 14h34

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Renan retifica IR para escorar tese de sua defesa

Não será por falta de matéria-prima que a Comissão de Ética do Senado deixará de investigar o senador Renan Calheiros. Não bastassem todas as interrogações que já assediam o presidente do Congresso, descobre-se agora que ele pode ter retificado declarações de Imposto de Renda que enviara à Receita Federal. E o teria feito com o objetivo de respaldar a tese de que foi ele mesmo quem pagou a pensão alimentícia da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso.

 

Deve-se a novidade ao repórter Amaury Ribeiro Jr. (assinantes do Correio). Ele informa que, perscrutando o cotidiano fiscal de Renan, auditores da Receita verificaram que o senador fizera retificações de última hora em suas declarações de rendimentos. Alterações desse tipo são previstas em lei. O contribuinte pode retificar uma declaração de Imposto de Renda até cinco anos depois de sua entrega. O que chama a atenção no caso de Renan é que as moficiações teriam sido protocoladas na Receita depois que o lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior, passou a freqüentar o noticiário como pombo-pagador de Renan.

 

Como se recorda, a base da defesa de Renan é a tese de que, além do contracheque de senador, ele teria amealhado rendimentos com a venda de bois. Ou seja, não precisaria recorrer a terceiro para pagar a pensão de sua filha. Embora os repasses mensais à jornalista não coincidam –nem nos valores nem nas datas— com os saques feitos na conta de Renan, o Senado engoliu a defesa.

 

Pois bem, se as fontes de Amaury Jr. estiverem certas, as retificações que Renan remeteu à Receita confeririam à defesa do senador a consistência de um pote de gelatina. Depois de enredado na nuvem de suspeição, o senador teria injetado em seu patrimônio duas fazendas cuja propriedade ele não havia reportado ao fisco. Além disso, Renan teria adensado os rendimentos obtidos em seus negócios agropecuários.

Em outras palavras: antes das retificações, Renan seria um senador indefeso. O repórter informa ter procurado o presidente do Congresso. O senador reconheceu, por meio de sua assessoria, ter encaminhado duas retificações ao fisco. Não especificou, porém, as datas. Amaury Jr. enviou A Renan um questionário mais alentado. E o senador mandou dizer que não comentaria o assunto. Ao Conselho de Ética, decerto, o presidente do Congresso não se furtará de dizer meia dúzia de palavras.

PS.: questionados acerca do teor da reportagem do Correio Braziliense, os advogados de Renan Calheiros negam peremptoriamente a hipótese de que tenha havido retificacões nas declarações de rendimentos do senador para ajustar a realidade às conveniências de sua defesa. Anunciam a intenção de processar o jornal. 

Escrito por Josias de Souza às 14h07

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Senado ressuscita projeto que dá autonomia à PF

  • Idéia é conferir à polícia poderes análogos aos do MP
  • Departamento deixaria de ser "braço" do Executivo

A visibilidade obtida pela Polícia Federal com suas últimas mega-operações ressuscitou no Senado um projeto de emenda constitucional que concede ao órgão “autonomia funcional, administrativa, financeira e orçamentária”. Pela proposta, a PF passaria a operar nos mesmos moldes do Ministério Público. Deixaria de ser um “braço” do poder Executivo.

 

Apresentado no ano passado pelo ex-senador Valmir Amaral (PTB-DF), o projeto encontrava-se no freezer da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Agora, foi à mesa do senador Almeida Lima (PMDB-SE). Nomeado relator da proposta, ele planeja iniciar, dentro de um mês, uma série de audiências pública na comissão. Depois, vai redigir um “substitutivo”, como os congressistas chamam os projetos que nascem da reformulação de propostas originais.

 

“Penso que temos que ter uma Polícia Federal que preste satisfações apenas à lei. É a lei que deve ditar as ações da polícia, não a vontade do diretor-geral, do ministro da Justiça ou do presidente da República”, disse Almeida Lima ao blog. “Um órgão que tem tantos poderes, precisa ser devidamente regulamentado”.

 

O senador acrescenta: “Hoje, temos um quadro em que, num instante, setores da oposição e da imprensa dizem que a PF se excedeu porque houve interesse do governo. Noutro momento, quando está sendo cumprido um mandado de busca e apreensão na casa de um irmão do presidente, diz-se que o governo perdeu o controle sobre a polícia. Numa sociedade civilizada, a polícia não pode ficar ao sabor dos ventos e das vontades pessoais”.

 

Em seu formato original, o projeto que está em discussão no Senado transforma a PF numa superestrutura (leia a íntegra aqui). Seriam acomodadas sob um mesmo guarda-chuva todas as polícias federais: a PF e a Rodoviária, hoje subordinadas à pasta da Justiça; e a Ferroviária, que pende do organograma dos Transportes. Ao novo órgão seria incorporada também a Secretaria Nacional Antidrogas, vinculada à Presidência da República.

 

O nome da nova PF mudaria de Departamento para Gabinete de Polícia Federal. O chefe deixaria de ser diretor-geral. Ganharia status de ministro-chefe. Continuaria sendo indicado pelo presidente, mas teria de ser sabatinado e aprovado pelo Senado. Teria mandato de dois anos. Para demiti-lo, o presidente precisaria obter a aprovação da maioria dos senadores.

Autônoma, a nova PF não seria mais subordinada ao Executivo. Estaria submetida ao controle externo de um colegiado de 18 pessoas, entre representantes do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público e da OAB. Há exageros notórios no projeto submetido à análise de Almeida Lima. Sobretudo no trecho em que são listadas as prerrogativas dos delegados da PF.

Como está, o projeto concede aos delegados, além da primazia no controle das investigações criminais, o poder de requisitar uma série de dados que, hoje, só podem ser manuseados mediante autorização judicial. Por exemplo: informações bancárias, dados cadastrais de usuários de cartões de crédito, registros eleitorais, cadastros de usuários de internet, etc.

(Leia mais no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Delegados querem autonomia, mas criticam projeto

É longo o caminho a ser percorrido pelo projeto de emenda constitucional que desvincula a Polícia Federal do poder Executivo. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada, em dois turnos de votação, pela maioria absoluta dos plenários da Câmara e do Senado.

Embora entusiastas da tese da autonomia, parte do sindicalismo da PF se opõe à emenda nos termos em que ela foi apresentada pelo ex-senador Valdir Amaral (PTB-DF). “Queremos a autonomia, mas ela pode ser assegurada por um projeto bem mais simples do que esse”, diz, por exemplo, o delegado Sandro Torres Avelar, presidente da ADPF (Associação dos Delegados de Polícia Federal).

“A decisão do senador Almeida Lima de debater a proposta em audiências públicas deve ser aplaudida”, acrescenta Sandro Avelar. “Pretendemos nos engajar nessa discussão. Os primeiros itens da nossa pauta de interesse são a lei orgânica da Polícia Federal e autonomia”. Uma autonomia que, segundo as palavras do presidente da ADPF, precisa seguir “o modelo do Ministério Público.”

Em privado, o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, não se mostra avesso ao debate. Mas diz que não vê a propalada “autonomia” como uma panacéia. Numa alusão ao ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, que foi ao anedotário de Brasília com o apelido de “engavetador-geral da República”, Lacerda recorda que nem sempre autonomia é sinônimo de independência.

De resto, os agentes rodoviários e ferroviários, hoje desprestigiados em relação aos colegas da PF, aplaudem a idéia de unificar todas polícias federais num único órgão. Os delegados da PF pensam de outro modo: “Essa idéia é muito controversa”, afirma Sandro Avelar. “Temos características que nos diferenciam das demais polícias”.

 

É para aparar as divergências que Almeida Lima cogita promover os debates públicos na Comissão de Constituição e Justiça. “Estamos numa fase de estudos, para verificar qual seria a natureza institucional desse novo órgão”, diz o senador. “Queremos ouvir todas as partes interessadas: as entidades de classe, o Ministério Público, o Executivo e o Judiciário.”

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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As manchetes desta quinta

- Folha: Conselho de Ética do Senado decide processar Renan

- Estadão: Igreja lança ofensiva para reconquistar fiéis na AL

- Globo: PF: irmão de Lula pedia ajuda a donos de bingo

- Correio: Renan mudou imposto para justificar gastos

- Valor: Bovespa cria sistema para identificar especuladores

- Jornal do Commercio: Chega de mortes

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Porrinha federal!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Sobre o passado, a posteridade e a língua de fora

  Arthur Sasse
Albert Einstein é mais lembrado por aquela foto com a língua de fora do que pela teoria da relatividade. Poucos se lembram de que energia é igual a massa vezes velocidade da luz elevada ao quadrado. Mas não há quem desconheça a imagem do autor da fórmula dando a língua, em 1951, para a lente do fotógrafo Arthur Sasse.

Muitos gestores públicos costumam exibir línguas metafóricas para a população sem se preocupar com o que o que o futuro dirá deles quando puder se pronunciar. O pior é que, na imensa maioria dos casos, eles não costumam legar nada que se assemelhe a uma teoria pessoal da relatividade para compensar o flagrante da língua.

Veja-se, a propósito, o caso de Antonio Palocci (PT-SP). A passagem dele pelo ministério da Fazenda, por recente, ainda é história de colo. Só depois de percorrer os corredores frios da posteridade, essa senhora seletiva, é que saberemos que imagem de Palocci vai sobreviver, se a do ministro que manteve a estabilidade da economia ou a do sujeito que mandou quebrar o sigilo bancário do caseiro que o viu na mansão dos prazeres.

Quanto à passagem de Palocci pela prefeitura de Ribeirão Preto, já entrada em anos, não há tantas dúvidas. Prevaleceram as línguas de fora. Nesta quarta-feira (6), o passado municipal do ministro, um fantasma que não se cansa de reaparecer para assombrar-lhe o presente, expôs duas línguas que o ex-prefeito, hoje deputado federal, deixou de fora.

Palocci foi condenado à perda de função pública num par de decisões judiciais. Numa delas, por ter realizado gastos considerados indevidos numa obra orçada em R$ 8 milhões. Noutra, por ter doado ao arrepio da lei R$ 14.601 da prefeitura à Associação Ribeirão-pretana dos Funcionários da USP.

Os valores parecem irrisórios diante das cifras que infestam o noticiário dos dias que correm. As sentenças, de resto, são de primeira instância. Sujeitas a recurso, serão, decerto, reformadas. O que espanta é que, de suspeita em suspeita, de condenação em condenação, o ex-prefeito vai descendo ao verbete da enciclopédia como um Palocci com a língua eternamente de fora.

Escrito por Josias de Souza às 22h47

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Lula dá postos de direção do BB e da CEF ao PMDB

·         Maguito e Moreira abrem nomeações do 2º escalão

  ABr
Foi deflagrado, finalmente, o rateio dos cargos de segundo escalão. Nesta quarta-feira (6), como reivindicara a bancada do PMDB da Câmara, o ex-senador Maguito Vilela (GO, na foto), foi confirmado na vice-presidência de Governo do Banco do Brasil. O nome dele foi incluído num comunicado divulgado na página do banco na internet (aqui e aqui).

Decidiu-se ainda entregar a vice-presidência de Benefícios e Loterias da Caixa Econômica Federal ao ex-deputado Moreira Franco (RJ), íntimo amigo do presidente do PMDB, Michel Temer (SP). A indicação será referendada em assembléia a ser realizada até o final do mês.

Inicialmente, o PMDB reivindicava para Maguito Vilela o controle das operações do setor de agronegócios, um dos principais filões do BB. Porém, em articulação que envolveu o Planalto e o Ministério da Fazenda, arrumou-se um jeito de evitar que a área fosse confiada a um político.

Decidiu-se separar os agronegócios da vice-presidência de Governo, entregando-se a segunda a Maguito. Não é, de todo modo, pouca coisa. Entre os negócios que ficarão submetidos ao ex-senador está, por exemplo, o ascendente setor de previdência fechada.

Os cargos entregues a Maguito e a Moreira Franco são apenas dois de uma lista de oito que Lula prometera ao grupo peemedebista da Câmara, liderado por Michel Temer. Entre os postos ainda pendentes de nomeação, o mais cobiçado é a presidência de Furnas, que os peemedebistas desejam ver gerida pelo ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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CPI área do Senado voará em direção à Infraero

José Cruz/ABr
 

Nos próximos dias, a CPI do aerocaos do Senado fará rasantes sobre a carunchada contabilidade da Infraero. Nesta quarta-feira (6), o relator da comissão, Demóstenes Torres (DEM-GO) concluiu a primeira fase do calendário que havia se auto-imposto. Apresentou aos colegas o relatório parcial sobre o acidente com o Boeing da Gol, que produziu 154 cadáveres.

Para Demóstenes, os responsáveis pelo acidente foram os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, condutores do jatinho Legacy que se chocou com o avião da Gol, e os quatro controladores de vôo (Lucivando Tibúrcio de Alencar, Leandro José Santos de Barros, Felipe Santos Reis e Jomarcelo Fernandes dos Santos) que deram expediente no Cindacta de Brasília na hora do acidente.

De acordo com as conclusões do relator, as mortes resultaram de falhas humanas. "Houve conduta omissiva e ausência de cuidados objetivos. Eu não tenho dúvidas que os controladores são tão culpados quanto os pilotos", disse Demóstenes.

Vencida a etapa do acidente, o senador considera-se liberado para mergulhar, já na próxima semana, nas contas da Infraero. Algo que deve eletrificar a CPI. Munido de documentos que recebeu do TCU, da PF e do Ministério Público, Demóstenes não pretende reinventar a roda. Seguindo as pegadas de apurações já realizadas, tentará produzir provas novas.

Na maciota, valendo-se da experiência adquirida no Ministério Público de Goiás, Demóstenes distanciando a CPI do Senado de sua irmã gêmea da Câmara. Começou a trabalhar, como queria o consórcio governista, pelo acidente da Gol. Resta saber agora se os aliados do Planalto vão deixá-lo escarafunchar os indícios de corrupção na estatal que gere os aeroportos.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

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Battisti é transferido de prisão comum para a PF

  • Ex-ativista diz no STF que sofreu maus-tratos no xadrez
  • Para protegê-lo, Celso de Melo ordenou a transferência

  AP/BBC
Por ordem do ministro Celso de Melo, do STF, o ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti, preso no Rio de Janeiro em 18 de março (foto), será transferido do presídio da Papuda, em Brasília, para a carceragem da Polícia Federal. Em petição dirigida ao Supremo, o advogado de Battisti, Rogério Marcolini, informou que seu cliente foi agredido na cadeia brasiliense por dois policiais.

 

O ministro Celso de Mello é o relator do pedido de extradição de Cesare Battisti, feito à Justiça brasileira pelo governo da Itália. A denúncia dos maus-tratos a que o ex-ativista teria sido submetido no presídio da Papuda chegou ao STF nesta terça-feira (5). E o despacho de Celso de Mello determinando a transferência do preso foi expedido no mesmo dia. Só nesta quarta (6), porém, a decisão está sendo divulgada pelo Supremo.

 

Cesare Battisti vivia clandestinamente no Brasil desde a sua fuga da França, em agosto de 2004. Ele foi um dos líderes da organização de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Foi julgado à revelia pela Justiça italiana em 1993. Condenaram-no à prisão perpétua, sob a acusação de ter participado de quatro assassinatos, entre 1978 e 1979. Algo que Battisti sempre negou.

 

Depois de detido no Rio, Battisti foi transferido para o presídio da Papuda, onde aguardava pelo julgamento do pedido de extradição. A agressão que diz ter sofrido teria ocorrido em 16 de maio, quando chegou à cadeia. De acordo com a ocorrência policial enviada ao STF, ao descer do ônibus em que fora transportado, junto com outros presos, agentes policiais perguntaram quem era o Cesare.

 

O ex-ativista identificou-se. Depois, segundo informa, foi agredido verbal e fisicamente. Diz o boletim: “...Dois agentes o chamaram de filho da puta e matador de polícia. Disseram ainda que o Brasil não era a Itália. O declarante nada respondeu (...). Em dado momento, um dos agentes pegou o seu braço e o torceu. Outro agente aproximou-se por trás e bateu com o joelho em suas costas. O agente lhe troceu o braço também chutou a sua perna. Os mesmos agentes o obrigaram a retirar o seu cavanhaque ‘a seco’”.

 

Celso de Mello considerou que o boletim de ocorrência que lhe foi enviado “retrata comportamento inaceitável por parte de agentes do Estado”. Enviou cópia da documentação para o Ministério Público, para o ministro Tarso Genro (Justiça), para a secretaria de Segurança do DF e para a 30ª Delegacia de Polícia do DF, onde foi lavrada a ocorrência. Deseja saber quais as providências adotadas no sentido de elucidar o fato narrado pelo preso.

 

De resto, o ministro ordenou: “Em conseqüência da alegada agressão criminosa de que teria sido vítima o ora extraditando, custodiado à disposição do Supremo Tribunal Federal, determino a imediata transferência de Cesare Battisti para a carceragem da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Distrito Federal, ali devendo permanecer até final julgamento deste pedido de extradição”.

 

A prisão de Battisti foi festejada pelo primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi. O governo italiano aguarda com expectativa o julgamento do pedido de extradição no STF. Battisti chegou a ser preso na Itália em 1979, quando ainda estava sob investigação. Mas fugiu em outubro de 1981. Refugiou-se primeiro na América Latina. Depois, na França. Em seguida, mudou-se em segredo para o Brasil.

Escrito por Josias de Souza às 15h56

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Conselho de Ética estende o ‘tapetão’ para Renan

Exceto pelas medidas provisórias, que o governo despeja sobre o Congresso em catadupas, o instrumento com o qual os congressistas têm mais familiaridade é o tapete. Para baixo do tapete foram varridas inúmeras revelações inconvenientes. Pois bem, nesta quarta-feira (6), estendeu-se no Conselho de Ética do Senado mais um tapetão. Vai recobrir o bafafá que tisna a reputação de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Se pudesse, Sibá Machado (PT-AC), o presidente do Conselho de Ética, já teria acionado o tapete. O ambiente político é propício. Todos querem inocentar Renan. Ou, por outra, quase todos. A exceção é o PSOL, essa espécie de ex-PT, uma legenda integrada por chatos, sempre dispostos a atrapalhar o clima de oba-oba.

 

Os chatos ameaçaram recorrer ao STF se Sibá não respondesse ao pedido de investigação contra Renan pelo menos com uma pantomima. Para não envenenar o ambiente além do necessário, Sibá concordou em prorrogar a festa. Abriu uma rigorosa investigação contra Renan.

 

Como primeiro gesto, Sibá indicou para relatar o caso o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). A prova de que Cafeteira não caiu do céu é que ele tem uma origem conhecida. É do grupo de José Sarney (PMDB-AP), que é unha e carne com Renan. A chance de ele produzir um relatório contrário a Renan é nenhuma. Não fosse isso, daria para desconfiar que Cafeteira desembarcou no processo por milagre, atendendo às preces de Renan.

 

Cafeteira é o tipo mais conveniente de herói da resistência. É um herói que não parece herói. Não quer saber dos humores da platéia. Só quer fazer o trabalho dele. O que significa não fazer muitas perguntas e apressar o desfecho de um caso que não pode sobreviver além do conveniente.

 

O senador Jefferson Peres (PDT-AM), outro chato, chegou a sugerir a Sibá que indicasse não um relator, mas uma comissão de três senadores, um de cada partido, para analisar a representação contra Renan. O presidente do Conselho de Ética fez que não ouviu. Afinal, já está demonstrado que Renan não tem nada a ver com os interesses comerciais da Mendes Júnior, como não teve nada a ver com as traficâncias da encrencada Gautama.

 

Há entre o senador e sua ex-amante um lobista da Mendes Júnior; Renan chegou a apresentar emendas destinando verbas para obras da construtora; o dono da Gautama relaciona-se amistosamente com o senador há três décadas; Renan admitiu ter intercedido pela liberação de recursos públicos para empreendimentos suspeitos tocados pela Gautama. Mas o presidente do Congresso, evidentemente, não tem nada a ver com nada disso.

 

Às vezes, parece que o Congresso está atrás de um ponto de ruptura. Parece que os congressistas estão testando até onde eles podem ir sem estourar o saco da nação. Se não tomarem cuidado, só vão se dar conta de que foram longe demais quando já for tarde demais. Não há, evidentemente, nenhum risco de crise institucional. A crise de hoje é de outra natureza. Chama-se desmoralização. Não provoca nenhum big-bang. Mas corrói, aos pouquinhos, a credibilidade da democracia representativa.

Escrito por Josias de Souza às 14h09

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As manchetes desta quarta

- Folha: Lula defende irmão, mas apóia investigação da PF

- Estadão: Lula defende irmão indiciado pela Polícia

- Globo: Lula reage com irritação e depois defende PF e irmão

- Correio: Mordomia interrompida

- Valor: Bovespa cria sistema para identificar especuladores

- Jornal do Commercio: Professor em greve na rede particular

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Futuro próximo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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LuloKê!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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PSOL vai ao STF se conselho arquivar o ‘caso Renan’

A direção nacional do PSOL decidiu que vai recorrer ao STF caso o Conselho de Ética do Senado resolva arquivar a representação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) sem a abertura de uma investigação formal. Por precaução, os advogados do partido já esboçam o recurso.   

Em entrevista ao blog, a ex-senadora Heloisa Helena (AL), presidente do PSOL, disse que o partido não vai aceitar passivamente o arquivamento puro e simples da representação que protocolou contra Renan. “Eles têm que assumir as suas posições. Tem que abrir o procedimento investigatório. Que designem o relator, que o relator dê parecer pelo arquivamento, que o conselho aprove por unanimidade, que façam o que quiserem. Só não vão ganhar no tapetão. Na... na... ni... na... não.”

 

HH acrescenta: “Preferimos acreditar que haverá uma CPI, que o Conselho de Ética não rasgará o regimento interno do Senado e a Constituição e que abrirá o procedimento investigatório, como manda a legislação do país. Mas é evidente que, caso o conselho entenda de forma diferente, o que para mim será uma demonstração inaceitável de acobertamento, nós vamos recorrer”.

 

O Conselho de Ética reúne-se nesta quarta-feira (6). A prevalecer o cronograma idealizado pelo presidente do órgão, senador Sibá Machado, os senadores adiarão a decisão sobre o arquivamento ou a abertura do processo para a semana que vem. Porém, conforme declarou ao blog há dois dias, Sibá trabalha com a hipótese do arquivamento. “Poderemos chegar a esse entendimento”, disse ele.

 

Para Sibá, o pronunciamento do corregedor do Senado, Romeu Tuma, que realiza uma análise prévia da defesa apresentada por Renan Calheiros, será decisivo para deliberação do Conselho de Ética. O PSOL discorda frontalmente dessa tese. “Isso não tem nada a ver com a corregedoria”, diz HH. “É obrigatória a abertura do procedimento investigatório, com a nomeação do relator. Depois, eles que votem”.

 

A presidente do PSOL lembra que, à época em que era senadora, representou contra dois colegas no Conselho de Ética: Romero Jucá (PMDB-RR), hoje líder do governo, e o ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB). “Foi tudo arquivado, mas só depois do pronunciamento do relator. Eles têm que assumir a motivação. Não tem brincadeira nessa história não”.

 

HH sustenta que a representação do PSOL contra Renan é bem fundamentada. Muito melhor do que outras iniciativas análogas. “Se você visse os modelos de representação que foram apresentados no passado, duas folhinhas ridículas, com matérias que saíam na imprensa, e resultaram em cassação e renúncia. Como é que esse procedimento nosso não vai? Não vamos aceitar. De jeito nenhum”.

 

De resto, a presidente do PSOL lembra que a representação contra Renan não se limita à denúncia de que o presidente do Congresso teria se servido de recursos de terceiros para pagar pensão à filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. Inclui também as investigações da Operação Navalha.

 

Na opinião da ex-senadora, o eventual recurso ao Supremo é cabível porque o caso envolve questões constitucionais. “Como o Supremo é o guardião da Constituição e é a Constituição que diz que a abertura de processo por quebra de decoro se dá por abuso das prerrogativas do parlamentar e recebimento de vantagens indevidas, nós vamos recorrer”.

 

“O decreto legislativo que criou o Conselho de Ética é claro ao fixar os mecanismos para a abertura dos procedimentos investigatórios para verificar se houve quebra de decoro. Não dá para atropelar as regras”, afirma ainda HH. “Um parlamentar não tem o direito de intermediar o interesse de uma construtora, não tem o direito de traficar influência dentro do Executivo para liberar o recurso, não tem o direito de explorar o prestígio de que desfruta. Isso tudo precisa ser averiguado”.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Lobista da Mendes Júnior confirma versão de Renan

Fábio Pozzebom/ABr
 

Como previsto, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), colheu nesta terça-feira (5) o depoimento de Cláudio Gontijo. O lobista da Mendes Júnior (à esquerda na foto), também como previsto, confirmou a versão esgrimida pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), em sua defesa.

Como dissera Renan, Gontijo ratificou que cultiva uma amizade de mais de 20 anos com o senador. Reconheceu ter servido de pombo-correio entre o amigo e sua amante. Admitiu ter entregado dinheiro à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan teve uma filha. Mas jurou que o dinheiro não saiu nem do seu bolso nem do caixa da Mendes Júnior. A verba, segundo disse, foi provida por Renan.

Tuma, que na semana passada já declarara que não tem a intenção de condenar, mas de absolver Renan, deu-se por satisfeito. O corregedor declarou-se convencido da veracidade da versão apresentada pelo colega e corroborada pelo amigo dele: "Dentro de toda a mecânica de análise, ele [Renan] tinha verba de sobra para efetuar os pagamentos com seus próprios recursos. O Gontijo foi convincente, sereno, tranqüilo e confirmou as datas."

Embora já pareça satisfeito, Tuma quer colher também o depoimento de Mônica Veloso: "Eu quero que ela me apresente documentos. Eu não posso pedir a quebra do sigilo dela, mas temos que chegar se esses depósitos foram mesmo para ela." Nesta quarta-feira (6), o corregedor será convidado a expor ao Conselho de Ética do Senado as conclusões a que já chegou a partir da análise dos documentos que lhe foram entregues pelos advogados de Renan.

De antemão, Tuma deixa antever que não vê razões para que elementos para que Renan padeça um processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. Ele soou, porém, mais cuidadoso do que antes: "Eu não vou dar palpite. O Conselho de Ética é que tem que decidir se vai abrir processo ou não."

De resto, Tuma avisa que não aceita assumir a função de relator do caso na eventualidade de o Conselho de Ética decidir dar seqüência à representação que o PSOL fez contra Renan Calheiros. no Conselho de , afirmou.

O conselho de reúne amanhã para discutir a representação contra Renan apresentada pelo PSOL. Tuma adiantou que não pretende aceitar a relatoria do processo contra Renan caso o conselho acate a denúncia. "Eu acho que o corregedor não pode ser o relator. Não é lógico eu ter a relatoria em mãos. Precisamos de um outra visão sobre o caso", disse Romeu “Quero Absolver” Tuma.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Chinaglia diz que recorrerá contra decisão de juíza

  Fábio Pozzebom/ABr
A reação foi rápida. Horas depois da notícia de que a juíza federal Mônica Sifuentes mandara suspender o pagamento da verba indenizatória de R$ 15 mil paga mensalmente a deputados e senadores, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciou que irá questionar a liminar: "A assessoria está analisando. Vai haver, sim, um recurso até porque é uma decisão de uma juíza da primeira instância. Portanto, há outras esferas para tomar a decisão."

Chinaglia não foi o único a levantar a voz contra o despacho da juíza. O descontentamento foi generalizado e pluripartidário. No Senado, Wellington Salvado (PMDB-MG), suplente do ministro Hélio Costa (Comunicações), chegou mesmo pregar retaliação. Disse que vai sugerir ao presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que encaminhe ao Conselho Nacional de Justiça uma queixa contra a juíza.

A sociedade agradeceria se, além do recurso judicial e da ameaça de desforra, os congressistas se debruçassem sobre aquele estudo da Fundação Getúlio Vargas, feito por encomenda de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o antecessor de Chinaglia. Depois de perscrutar os benefícios pagos aos deputados, os economistas da FGV atestaram que há muita gordura a ser lipoaspirada.

Sugeriu-se, por exemplo, a fusão numa única rubrica de todas as prebendas que compõem o custo dos congressistas para o erário. A decisão da juíza Sifuentes oferece uma bela oportunidade para que esse estudo seja arrancado da gaveta em que se encontra enfiado.

Escrito por Josias de Souza às 23h56

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