Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

‘Custo pilhagem’ trava o empreendimento brasileiro

‘Custo pilhagem’ trava o empreendimento brasileiro

  Angeli
Em Brasília, como se sabe, tudo está à venda. Excetuando-se a mãe, que não tem valor de mercado, vende-se de emendas ao Orçamento à honra pessoal. Quem desce a Esplanada, rumo à Praça dos Três Poderes, ouve por toda parte o tilintar de verbas. Se há o balcão, existe demanda. Os compradores são, porém, invisíveis. E não há quem queira identificá-los.

Vez por outra, numa ação fortuita do Ministério Público e da Polícia Federal, joga-se um facho de luz sobre um ou outro corruptor pé-de-chinelo. Ora a Planam, dos Vedoin, ora a Gautama, de Zuleido. Sabe-se que, nas profundezas do mar de lama, escondem-se peixões bem mais robustos. Ninguém se dispõe a içá-los para as bordas do lodaçal.

O empresariado nacional reclama do chamado “custo Brasil”. Queixa-se dos portos ineficientes, das estradas esburacadas, da burocracia governamental, disso e daquilo. Mas cultiva um estrepitoso silêncio em relação ao “custo pilhagem”, que inclui, além de propinas e de financiamentos eleitorais obscuros, a sonegação descarada de impostos.

A iniciativa privada sustenta há décadas o conveniente discurso de que o Estado é o grande vilão do descaminho do empreendimento brasileiro. A poderosa Fiesp acaba de divulgar um estudo que estima em R$ 26,2 bilhões o custo médio anual da corrupção no Brasil. É quase o valor do orçamento da pasta da Educação para 2007: R$ 27,6 bilhões. O que a Fiesp exime-se de dizer é que, do outro lado do balcão de malfeitorias, encontra-se a mão do empresariado. E não se diga que são mãos inexpressivas. Nem sempre, nem sempre. Tome-se, por eloqüente, o caso que levou ao impeachment de Fernando Collor.

Abriram-se na Justiça Federal de Brasília sete processos para esquadrinhar as relações financeiras do alto empresariado nacional com a EPC, uma birosca de “consultoria” aberta por PC Farias. Num dos processos, o mais antigo, de 1993, foram acomodados na lista de réus logotipos como Odebrecht, Cetenco, Votorantin, Cimento Portland Itaú, Tratex, etc. Que tipo de consultoria PC proveu a esses gigantes? Desnecessário responder.

Ainda na década de 90, nas pegadas do escândalo dos anões do Orçamento, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), num gesto quixotesco, sugeriu a abertura de uma CPI dos Corruptores. Espera até hoje pela adesão dos colegas. O Congresso é bancado pela grande empreita. Só nas eleições do ano passado, as construtoras injetaram nas campanhas de deputados e senadores, noves fora o caixa dois, R$ 27,3 milhões.

Qualquer análise das estatísticas oficiais sobre educação, saúde e segurança pública permite verificar os efeitos do “custo ladroagem”. Recaem, naturalmente, sobre a malta. Os responsáveis pela rapina matriculam os filhos em escolas privadas, passam longe das macas do SUS e erguem muros altos em torno de seus condomínios fechados. Enquanto os holofotes forem seletivos, toda indignação será à toa. A pilhagem vai continuar.

Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Filha de Gretchen também vai ingressar na política

Primeiro foi a mãe. Agora, a filha. Menos de dois meses depois de Gretchen ter anunciado sua filiação ao PPS e a intenção de candidatar-se, em 2008, à prefeitura da ilha pernambucana de Itamaracá, a filha da rainha do bumbum, Thammy Gretchen, decidiu seguir os passos da genitora. Vai sentar praça no mesmo PPS. Concorrerá a uma cadeira de vereadora na cidade de Recife.

Em conversa com dirigentes do PPS em Pernambuco, Gretchen anunciou as pretensões políticas da filha. O partido mostrou-se receptivo. Depois, em contatos telefônicos, a própria Thammy incumbiu-se de detalhar seus planos à cúpula do PPS. Ela deve se filiar ao longo deste mês de junho.

 

Não será uma filiação qualquer. A exemplo de Gretchen, Thammy foge à linha do político tradicional. Depois de consolidar-se como símbolo sexual, ensaiando uma carreira musical análoga à da mãe, Thammy, 24 anos, decidiu assumir-se, em 2006, como homossexual. Depois de saltar do armário, ela posou, no mês passado, nua. Exibiu-se com a namorada, Julia Paes, uma vendedora de 22 anos, mãe de dois filhos.

 

Thammy, à direita, e Julia, à esquerda, escalaram a capa da última edição da revista Sexy Premium (foto lá no alto), nas bancas desde o último 15 de maio. Nas páginas internas, as duas irrompem em cenas picantes, captadas pelas lentes da fotógrafa Vanessa Truglio.

 

Um dos entusiastas da filiação de Thammy ao PPS é Renato Silva. Ele coordena o núcleo GLTB (Gays, Lésbicas, Transexuais e Bissexuais) do partido. Acha que o ingresso da filha de Gretchen dará visibilidade à atuação do PPS junto a essas minorias.

As candidaturas de Gretchen e de Thammy vão, de resto, submeter a teste a flexibilidade do voto do eleitor pernambucano. Não bastasse o homossexualismo da filha, a mãe é protagonista do recém-lançado La Conga Sex, um filme pornô no qual Gretchen contracena com o marido, Guto Guitar.

Para evitar surpresas, Gtetchen já informou à direção pernambucana do PPS que La Conga, idealizado como peça única, converteu-se numa trilogia. A terceira e última parte chega às salas de cinema no final do ano, numa fase em que as candidaturas municipais começarão a ser expostas na vitrine do PPS.

Curiosamente, não é a ardência do filme o que mais preocupa o PPS. Integrantes da legenda queixam-se de que, depois da filiação, Gretchen deu as costas para a rotina partidária. Algo que não condiz com uma pretendente ao cargo de prefeita.

Seja como for, o PPS, sucedâneo do velho Partidão, vai se tornando, aos pouquinhos, uma legenda que nem de longe lembra a sisudez dos velhos tempos. Esse barulhinho que você está ouvindo, caro leitor, é o ruído de Luís Carlos Prestes revirando no túmulo.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

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Descoberta, enfim, a ‘sala de controle’ do Brasil

Blootead
 

 

A blogsfera é mesmo uma maravilha. Nas pegadas de um texto publicado aqui, o blog Bootlead veicula neste sábado (2), num furo de reportagem, a foto da sala secreta que abriga, nos fundos do prédio do Departamento de Estado norte-americano, a equipe de "controladores do Brasil".    

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Pequenos meliantes, grandes negócios!

Glauco

Escrito por Josias de Souza às 16h49

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Militar da equipe de segurança do Planalto se mata

A rotina do Palácio do Planalto foi quebrada, na manhã deste sábado (2), por um episódio inusitado: suicidou-se um dos militares a quem o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência havia confiado a segurança do prédio no final de semana. Chama-se Ismael Filgueiras da Silva, 20. Servia no BGP (Batalhão de Guarda Presidencial do Exército) havia dois anos. Matou-se com um tiro na cabeça. Valeu-se da arma que usava em serviço.

O corpo de Ismael foi encontrado num estacionamento do edifício anexo do Planalto, colado no prédio onde Lula mantém o seu gabinete. Peritos do Exército inspecionaram o local durante a tarde. Abriu-se um IPM (Inquérito Policial Militar, para apurar o caso. O Planalto não se manifestou oficialmente sobre o fato.

O último suicídio de militar brasileiro de que se teve notícia foi o do general de Exército Urano Bacellar. Ele comandava a missão de paz da ONU no Haiti. Atirou contra a própria cabeça na varanda de um hotel de Porto Príncipe, em março de 2006.

Escrito por Josias de Souza às 16h17

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As manchetes deste sábado

- Folha: Venezuela impede protesto da oposição

- Estadão: Valor das empresas na bolsa já passa de US$ 1 trilhão

- Globo: Lula manda Chávez 'cuidar da Venezuela'

- Correio: Detran cassa quatro carteiras por dia no DF

- Valor: Venda de automóveis bate recorde histórico em maio

- Jornal do Commercio: INSS revê 6 mil aposentadorias

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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Pintou um clima!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h48

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Extratos de Renan não provam repasses a jornalista

  Lula Marques/Folha
No esforço que empreendem para provar que a pensão mensal paga à jornalista Mônica Veloso entre 2004 e 2005 saiu do bolso de Renan Calheiros, os advogados do senador entregaram, na quarta-feira (30), um lote de documentos ao corregedor do Senado, Romeu Tuma. O calhamaço, exposto na revista Época desta semana, inclui extratos bancários e declarações de Impostos de Renda. A análise detida dos papéis não autoriza a conclusão de que foi Renan, 51, quem bancou a mesada de Mônica, 33, mãe de sua filha, nascida em julho de 2004.

Segundo a versão dos advogados de Renan, os pagamentos à jornalista teriam sido feitos por volta do dia 5 de cada mês. Para contestar a informação de que o dinheiro foi provido pelo lobista Cláudio Gontijo ou pela empresa em que trabalha, a Construtora Mendes Júnior, foram repassados a Tuma os extratos de uma conta bancária (232.252-8) que Renan mantém no Banco do Brasil. O problema é que não há coincidência entre o valor que o senador diz ter enviado à jornalista, por meio de Gontijo, e os saques efetuados na conta.

Noves fora o aluguel da jornalista, Renan diz ter repassado a ela, durante os 21 meses que antecederam o reconhecimento formal da paternidade da filha, ocorrido em dezembro de 2005, R$ 8 mil –em dinheiro vivo. Manuseando os extratos bancários do senador, repórteres da revista Época constataram que em nenhum dos 21 meses há saques de R$ 8 mil na conta bancária do senador nos primeiros cinco dias de cada mês.

Em seis dos 21 meses, saíram da conta de Renan, antes do dia 5, mais de R$ 8 mil, em datas alternadas. Nos outros 15 meses, os saques realizados até o dia 5 são inferiores ao valor que Renan diz ter pagado à jornalista. Somando-se os saques realizados em datas posteriores, chega-se a valores que, de novo, superam os R$ 8 mil. A papelada que registra o cotidiano financeiro do senador suscita, de resto, uma segunda dúvida: com um contracheque de R$ 12.500, de onde o presidente do Congresso retirou o dinheiro que passeou por sua conta?

Os advogados de Renan entregaram a Tuma cópia do Imposto de Renda de 2006 do senador, além de um resumo da evolução patrimonial dele nos últimos quatro anos. Os papéis anotam que, nesse período, Renan teria obtido ganhos de R$ 1,9 milhão com a venda de gado. Só em 2006, teria vendido 784 cabeças, conservando sob sua guarda outras 1.704 reses, cujo valor não foi especificado. Em tese, Renan pode mesmo ter amealhado o dinheiro do modo como está especificado no papelório. Mas não há, por ora, prova cabal de que os recursos tenham mesmo vindo do comércio de gado. É algo que a Receita Federal, que abriu uma fiscalização nas contas do senador, tenta descobrir.

Há ainda entre os papéis que Renan confiou à análise de Romeu “Quero Absolver” Tuma um recibo de R$ 43.200, datado de 15 de março de 2004. Refere-se, segundo os advogados do senador, ao aluguel de uma casa no Lago Sul, liquidado de forma antecipada, em uma única parcela. Assina-o Mônica Veloso. Época não faz menção a nenhum outro recibo, referente ao aluguel de um apartamento no Plano Piloto de Brasília, para onde a jornalista se mudou em 2005.

Por último, há dois recibos no valor de R$ 50 mil. Corresponderiam ao fundo de R$ 100 mil que Renan diz ter destinado à formação cultural e educacional de sua filha. Trazem as assinaturas de Mônica e de Pedro Calmon, o advogado dela. Calmon diz tratar-se de complemento de pensões atrasadas. Mas os recibos fazem referência expressa ao “fundo” mencionado por Renan no discurso que proferiu no plenário do Senado na segunda-feira (28).

Tudo considerado, tem-se que os papéis de Renan, embora demonstrem que o senador teria dinheiro para bancar a jornalista e sua filha, não provam cabalmente que a verba saiu mesmo de sua conta. A eliminação das interrogações exigiria uma investigação minuciosa, que nem o corregedor Romeu Tuma nem o Conselho de Ética do Senado parecem dispostos a fazer. Os colegas de Renan preferem levar às últimas conseqüências o benefício da dúvida. É algo que a legislação brasileira assegura a todo cidadão que, como Renan, é assediado pela suspeição. A desconfiança, porém, não condiz com a autoridade que um presidente do Congresso precisa exibir. 

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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Chávez é repudiado até no portal de sua embaixada

No Brasil, não é só o Senado que desaprova a decisão de Hugo Chávez de cassar a concessão do canal RCTV. A embaixada da Venezuela em Brasília realiza no sítio que mantém na internet uma sondagem para medir a opinião de seus visitantes sobre o tema. À meia-noite e meia deste sábado, o resultado revelava que a grossa maioria dos que opinaram (59,48%) consideraram o ato de Chávez “um atentado à liberdade de expressão”.

Para 27,45% dos participantes da sondagem, a decisão do presidente venezuelano foi  “um ato de soberania”. Outros 11,11% classificaram a interrupção das transmissões da RCTV como “expressão da vontade popular”. Só 1,96% cravaram a opção “não sabe”. Somando-se os que vêem a punição da emissora de TV como ato soberano aos que a consideram como um desejo do povo, chega-se a 38,56%. Um percentual bem inferior aos 59,48% que desaprovaram a medida.

Nesta sexta-feira (1), por determinação de Lula, o Itamaraty convocou o embaixador da Venezuela no Brasil, general Julio Garcia Montoya. Ele se reuniu com o ministro interino das Relações Exteriores, embaixador Ruy Nogueira. Nem a chancelaria brasileira nem a embaixada venezuelana se pronunciaram sobre o encontro.

Supõe-se que Nogueira tenha transmitido a Montoya a insatisfação do governo brasileiro com as declarações de Chávez, que comparou o Legislativo brasileiro a um “papagaio” do Congresso dos EUA. Quer verificar a quantas anda a sondagem da embaixada da Venezuela? Então pressione aqui para visitar o sítio. A sondagem encontra-se no meio da página, à direita. Pode-se votar ou simplesmente pressionar em “resultado” para conferir o resultado.

PS.: Após a veiculação desta notícia, os aliados do companheiro Chavéz saíram em seu socorro. Às 2h30 da madrugada, o placar registrava o seguinte: um ato de soberania do Estado, 47,87%; expressão da vontade popular, 6,69%; atentado à liberdade de expressão, 41,86%. Três vivas à revolução bolivariana!

PS. 2: Às 10h da manhã deste sábado, em nova parcial, a enquete da embaixada voltou a exibir resultado contrário aos interesses do companheiro Chávez: ato de soberania do Estado, 25,09%; expressão da vontade popular, 4,11%; atentado à liberdade de expressão, 69,75%. A revolução, como se vê, não acorda cedo.

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Justiça aceita denúncia no caso do acidente da Gol

  • Pilotos americanos serão intimados para depor no Brasil

O juiz federal Murilo Mendes, de Mato Grosso, instaurou, nesta sexta-feira (1), o processo em que serão julgados os seis acusados do acidente com o Boeing da Gol. Marcou-se para o dia 27 de agosto o depoimento dos pilotos dois norte-americanos implicados no caso. E agendou-se para o dia seguinte, 28 de agosto, a inquirição dos quatro controladores de vôo que operavam os equipamentos do Cindacta 1, em Brasília, no dia do acidente.

 

No despacho em que aceitou a denúncia do Ministério Público, formalizada há uma semana, o juiz Murilo Mendes, lotado na Vara de Sinop (MT), anotou: “Estando mais que comprovada a materialidade (154 pessoas morreram, uma aeronave caiu e a outra, seriamente danificada, a muito custo conseguiu pousar), sendo suficientes os indícios de autoria, havendo a existência, em tese, de crime capitulado no Código Penal e estando cumpridas as exigências do art. 41 do Código de Processo Penal, recebo a denúncia e determino a citação dos acusados". 

Os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que conduziam o jatinho Legacy no instante do acidente com a aeronave da Gol, serão citados nos EUA. Mas o juiz faz questão de ouvi-los em Mato Grosso: “Embora estrangeiros, os acusados (...) devem comparecer para o interrogatório no Brasil, não sendo admitido que o ato se dê no seu país de origem (EUA)”. O juiz justifica a decisão invocando sentenças anteriores proferidas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O signatário do blog, cético incorrigível, está pagando para ver os dois pilotos norte-americanos sentados num banco de réus da comarca mato-grossense de Sinop.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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Hugo Chávez e a ‘sala de controle’ de Washington

Hugo Chávez considera-se um gênio. Gênio do socialismo pós-pós. Em casos do gênero, só há três alternativas: ou o sujeito é maluco, ou é idiota, ou é gênio mesmo. As evidências encarregaram-se de refutar a última hipótese. Remanesce, porém, a dúvida: tolo ou débil mental?

 

Tudo leva a crer que o caso é de esquizofrenia. A maioria dos venezuelanos ainda acha que votou em São Jorge. Mas, em vez de salvar a donzela, Chávez casou-se com o dragão. Lança chamas em todas as direções. Na noite passada, esquentou os miolos dos congressistas do Brasil.

 

Entre uma explicação de Renan ‘Encrenca’ Calheiros e uma entrevista de Romeu ‘Quero Absolvê-lo’ Tuma, o Senado brasileiro encontrou tempo, no meio da semana, para aprovar uma mensagem dirigida a Chávez. No texto, pedia-se a São Jorge que recolocasse no ar emissora RCTV.

Abespinhado, o dragão venezuelano fumegou: “O Senado brasileiro age como um papagaio do Congresso americano”. Disse que é mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que o seu governo devolver a concessão ao canal retirado do ar. Em Brasília, houve repúdio e indignação. Lula, de passagem por Londres, também esboçou uma reação.

Chávez, por doido, tem dificuldade para enxergar a realidade. Há, de fato, uma salinha em Washington. Fica nos fundos do prédio do Departamento de Estado. Abriga os nossos controladores –três funcionários obscuros, que decidem o futuro do Brasil. Preocupam-se, porém, com o Executivo, não com o Legislativo.

Durante anos, os controladores do Brasil apostaram nos militares. Cansados, idealizaram a redemocratização lenta e gradual. Depois de uma seqüência de apostas erradas, decidiram que Fernando Henrique Cardoso era o homem para executar a tarefa no Brasil. Deram-lhe duas chances. Mas acharam que FHC não entregou tudo o que combinara.

Para punir o tucanato, autorizaram a eleição de Lula. O objetivo de nossos controladores era dar um susto de quatro anos. Depois, retomariam o “Tucano’s Project”. Porém, os três funcionários da sala de controle surpreenderam-se com Lula. Acharam que ele se revelou um FHC melhor do que o original.

Sem nenhuma combinação, Lula aparou a barba, vestiu Armani, manteve a abertura econômica, preservou o rigor fiscal e pagou a dívida com o FMI. De quebra, tornou-se amigo de Bush. Os controladores o rebatizaram de “Fernando Terceiro”. E lhe deram mais um mandato.

As declarações de Hugo Chávez levaram os controladores do Brasil às gargalhadas. Ninguém mais do que os funcionários da salinha do Departamento de Estado sabem da irrelevância do Congresso brasileiro. Sossegados em relação ao Brasil, eles decidiram que, nos próximos meses, para passar o tempo, vão se divertir assistindo às transmissões da venezuelana RCTV pela internet.

Escrito por Josias de Souza às 15h36

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Mãe de filha de Renan diz que ‘tem o que contar’

Lula Marques/Folha
 

 

A jornalista Mônica Veloso, pivô do escândalo que colocou sob os holofotes o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu uma rápida entrevista à repórter Andreza Matais. Está na Folha (assinantes). Ela diz: “Não sou ameaça para ninguém”. Simultaneamente, lança no ar uma frase instigante: "Agora que tem o que contar, né, eu tive uma relação de três anos, você imagina". Vai abaixo a entrevista:

 

  


- Por que se recusa a dar entrevista sobre o assunto?
-
Eu virei o foco, o personagem principal.

- Qual é o foco a ser seguido? Por exemplo, a Mendes Júnior?
Não sei, mas talvez seja mais fácil investigar [a empreiteira] do que falar da minha vida pessoal. Talvez seja mais rentável [investigar], né.

- Sofreu ameaças?
Eu não posso dizer, sinceramente eu não posso.

- Não pensa em dar entrevista para esclarecer tudo?
Vamos esperar o processo acabar, eu não posso falar agora. Se eu falar vai voltar para a mesma história que eu estou te dizendo. Começou segunda de um jeito, aí veio no percurso de uma forma, botaram todos os holofotes em cima de mim, e esqueceram o que a [revista] "Veja" tinha trabalhado, agora parece que estão voltando de novo para uma outra situação. Se eu falar, vão querer que eu fale sobre meus hobbies. (...) Eu preciso esperar passar o processo com o pai da minha filha (...) Aí então tá, vamos ver o que estava certo e o que é errado.

- No Congresso se fala muito sobre o caso...
Sabe qual é a idéia daí [do Congresso]? É que se fale muito, que vocês me procurem, que eu fique atacadíssima e comece a falar. Aí pronto, vamos virar para lá porque agora ela resolveu falar, quem sabe ela conta alguma coisa.

- Mas tem o que contar?
[Risos]

- Há que temer Mônica Veloso?
Não, não sou ameaça para ninguém, não tem nada disso. Agora que tem o que contar, né, eu tive uma relação de três anos, você imagina.

- Foi publicado que a sra. recebeu ameaças da mulher de Renan, chegou a registrar três ocorrências policiais. Isso ocorreu?
Sobre isso eu não posso falar, é recomendação do meu advogado, e eu não vou me meter mais em confusão não.

 

PS.: A jornalista, não há quem duvide, tornou-se, por assim dizer, um valioso arquivo ambulante. A dúvida é se há em Brasília alguma autoridade interessada em ouvir o que ela tem para reportar. Tome-se o exemplo do corregedor Romeu 'Quero Absolver o Renan' Tuma. Sua Excelência já informou que tomará o depoimento do lobista Cláudio 'Amigo' Gontijo, da Mendes Júnior. Não lhe passa pela cabeça, porém, inquirir Mônica 'Encrenca' Veloso. Sua Excelência inaugura um novo tipo de investigação: a correição saci-pererê, de uma perna só.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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'Gautamabras'!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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As manchetes desta sexta


- Folha: Só 1,6% dos cursos privados têm nota máxima em prova

- Estadão: Governo lança plano contra violência, mas falta verba

- Globo: Sem fiscalização, vans expulsam 6% dos ônibus

- Correio: Rondeau e Passos se complicam mais

- Valor: Venda de automóveis bate recorde histórico em maio

- Estado de Minas: Pacote do governo prioriza BH

- Jornal do Commercio: Trem mata mãe e filha

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Lula empurra nomeações com a barriga e irrita PMDB

·         Deputados governistas voltam a acenar com retaliação  

  Glauco
Lula viajou. Visitará o Reino Unido, a Índia e a Alemanha. Ficará ausente do país por nove dias. Deixou atrás de si um rastro de insatisfação e ameaças. Pintados para a guerra deputados governistas, sobretudo do PMDB, consideram-se ludibriados pelo presidente. Queixam-se da demora na nomeação de apadrinhados para cargos públicos. E prometem retaliação.

 

Respira-se no Congresso a mesma atmosfera envenenada que forçou Lula a convocar, 20 dias atrás, uma reunião de emergência com os cinco ministros do PMDB. Informado de que deputados do partido armavam barricadas no Congresso, o presidente cobrou lealdade. Uma semana depois, reunido reservadamente com Michel Temer, Lula parecia ter contornado a encrenca.

 

De uma lista de cerca de 30 indicações, o presidente prometera a Temer que mandaria ao Diário Oficial, dali a uma semana, oito nomeações para cargos de primeiríssima linha. Dois deles foram confirmados ali mesmo, no curso da reunião: o ex-senador Maguito Vilela (GO) viraria vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil; e o ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde passaria a presidir a estatal Furnas Centrais Elétricas.

 

Já lá se vão 16 dias. E nada. Temer fez chegar ao Planalto a informação de que a bancada, ouriçada a mais não poder, só não começou a sonegar votos aos projetos de interesse do Planalto porque ele próprio e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), vêm atuando como bombeiros. Mas fez saber ao ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) que a água do hidrante está se esgotando.

 

No início da semana, ao final de uma reunião com dirigentes dos partidos que integram o consórcio governista, Lula puxou Temer pelo braço. Pediu-lhe paciência. Alegou que precisava de tempo para arrumar o estrago produzido pela saída do ministro Silas Rondeau. Afilhado dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), Rondeau teve o pescoço passado na lâmina pela Operação Navalha.

 

Menos de 24 horas depois da saída do apadrinhado, Sarney e Renan indicaram um substituto: o técnico Márcio Zimmerman, ligado à ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil). Desde então, Lula emite sinais trocados. Aos auxiliares, disse que não tinha pressa na nomeação do substituto de Rondeau. À cúpula do PMDB, afirmou que a nomeação de Zimmerman sairia em poucos dias. Não saiu. E não é certo que saia em 10 de junho, dia seguinte ao retorno de Lula do périplo internacional.

 

O presidente espera pelos desdobramentos da crise que enredou Renan Calheiros. Nesta quinta-feira (31), Lula trocou dois telefonemas com o presidente do Congresso. Passou no par de diálogos a impressão de que está tranqüilo quanto à capacidade do aliado de superar a tormenta. Em privado, porém, o presidente destila o receio de que “fatos novos” venham a complicar a situação de Renan.

 

Ao telefone, Lula chegou a insistir para que Renan o acompanhasse em sua viagem. Argumentou que ele não poderia perder o jogo entre as seleções do Brasil e da Inglaterra, que vai assistir nesta sexta, no estádio de Wembley, em Londres. Para desanuviar o diálogo, o presidente disse: “Renan, seus amigos não cobram explicações, e os adversários não vão se satisfazer nunca.”

 

Precavido, Renan preferiu manter os pés na realidade brasileira. É como se suspeitasse de que, nos próximos dias, pode ser intimado pelos tais "fatos novos" a dar novas explicações. Saboreando em silêncio as agruras de Renan, antes um interlocutor exclusivo e preferencial de Lula, o PMDB da Câmara não quer saber senão dos seus cargos.

 

O Planalto, por ora, dá de ombros. Lula e os freqüentadores de seus arredores acham que os peemedebistas rosnam, mas não têm coragem de morder. “Eles estão brincando com fogo”, disse ao blog um dos domadores do PMDB.   

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Tarso diz que Estado vai retomar áreas de bandidos

São ambiciosos os objetivos do plano de segurança que Tarso Genro apresentou a Lula nesta quinta-feira (31). Um deles chega a soar onírico, a despeito da convicção com que o ministro da Justiça o expõe: “Vamos ter uma previsão de reocupação de territórios hoje dominados por bandidos”, disse Tarso ao blog.

Como será feito? “Essa reocupação precisa, obviamente, de força policial. Mas a polícia terá de atuar em profunda articulação com a comunidade, para que a recuperação do território não seja vista como uma invasão. A comunidade precisa se sentir responsável pela retomada. Sob pena de permanecermos com zonas de anomia [ausência de leis, de normas ou de regras de organização] que desafiam o próprio estado de direito”.

 

Como reocupar, por exemplo, uma área dominada por traficantes no Rio? “Um bom exemplo vem sendo dado pelo projeto do MV Bill. Estive lá na semana passada, é um ponto de partida. Você ocupa não só pela força policial, mas também ocupa mudando a cultura, o modo de vida, os hábitos, o relacionamento entre as pessoas. Sem perder de vista, obviamente, que a ocupação de um determinado território contra os bandidos será sempre um ato de força”.

 

Não é uma proposta onírica? “Tenho prevenido as pessoas que conversam comigo de que nosso plano não será espetacular nem terá efeitos imediatos. Esse projeto deve mexer com os indicadores da área de segurança a médio e a longo prazos. Visa combinar o ataque ao crime e ao criminoso com o ataque às fontes da criminalidade, que é a coisa mais complexa”.

 

Quanto vai custar e de onde sairá o dinheiro? “Vamos ter esses números fechados no próximo final de semana. Trabalharemos com recursos de que disponho no ministério e com a complementação que iremos obter. Como se trata de um conjunto de projetos, ele poderá ser acolhido em módulos. O presidente Lula pode adotar uma parte neste ano. Depois, acrescenta mais algum dinheiro e começamos outra parte mais adiante, no próximo ano.”

 

Batizado de Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), o pacote de Tarso inclui cerca de quatro dezenas de projetos. Prevêem da aquisição de armamentos ao apoio psicológico e psiquiátrico aos policiais; da contratação de 5.000 novos policiais federais à criação de um fundo para complementar os salários das polícias estaduais; da construção de presídios para mulheres e jovens ao treinamento de assistentes sociais para socorrer adolescentes em “situação de risco”.

 

O maço de projetos ainda não foi desembrulhado em público. Isso só deve ocorrer dentro de mais ou menos um mês. Pretende-se levar as iniciativas, por meio de convênios com governadores e prefeitos, às regiões metropolitanas de onze unidades da federação: Alagoas, Minas, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia, Pará, Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

 

O plano tem o mérito de romper a inércia. Seu êxito está condicionado, porém, a um sem-número de fatores. Dois deles são primordiais: dinheiro e capacidade dos gestores públicos de trabalhar em equipe, para além das diferenças partidárias e dos interesses eleitorais.

Escrito por Josias de Souza às 00h18

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Com cargo ameaçado, Mangabeira manda carta a Lula

  • Sociólogo diz no texto que considera o cargo ‘sagrado’

Depois de convidá-lo para integrar o seu ministério, Lula passou a manifestar, em privado, o desejo de que o filósofo Roberto Magabeira Unger desistisse da repartição que lhe fora prometida: a Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo. A vontade de Lula virou notícia na Folha, graças ao repórter Kennedy Alencar. Nesta quinta-feira, Mangabeira apressou-se em escrever a Lula. Na carta, anotou que considera “sagrado” o posto de ministro.

 

Um dos pretextos invocados por Lula para tentar livrar-se de Mangabeira é uma ação judicial protocolada pelo "futuro-quase-ex-ministro" na Justiça dos EUA contra a Brasil Telecom. A empresa de telefonia tem como acionistas fundos de pensão de empresas estatais. Um detalhe tonificou o alegado mal-estar do presidente: Mangabeira deflagrou a ação depois de ter sido convidado a compor a Esplanada.

 

Na carta que enviou ao presidente, Mangabeira explica que só ingressou com a ação para tentar receber honorários que lhe seriam devidos pela empresa. Desejava liquidar sua pendência com a Brasil Telecom, segundo explicou, para evitar vinculações com negócios privados antes de assumir o ministério.

 

Mangabeira prestou consultoria à Brasil Telecom. Noves fora os créditos de que se julga credor, ele teria recebido cerca de R$ 2 milhões da empresa. Na correspondência a Lula, o filósofo admite abrir mão do dinheiro que reivindica na ação judicial. Considera “sagrado” o cargo de comandante da “Sealopra”, como a nova secretaria foi, jocosamente, apelidada.

 

No Senado, Marcelo Crivela (RJ), líder do PRB, partido ao qual Mangabeira está filiado, diz que a carta de Mangabeira a Lula encerra as dúvidas quanto à posse dele no primeiro escalão do governo, marcada para 13 de junho. Embora confirme o recebimento da correspondência do candidato a ministro, o Planalto ainda não disse o que Lula achou das explicações. De modo que Mangabeira, por ora, continua ostentando a incômoda condição de “futuro-quase-ex-ministro”.

 

A polêmica surge num momento em que Mangabeira limpa as gavetas na Universidade de Harvard, onde é professor. Antes, o filósofo tratara de limpar de sua coletânea de artigos um texto que havia publicado na Folha. Nele, chamara o governo Lula de “o mais corrupto” da história do país.

Escrito por Josias de Souza às 19h33

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Da série ‘música certa para um Brasil muito errado’

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Renan destinou verbas orçamentárias à Mendes Jr.

Em todos os episódios da vida é preciso raciocinar com hipóteses. No Brasil, uma pessoa que sai de casa para trabalhar, na pior das hipóteses, pode morrer de bala perdida e, na melhor das hipóteses, estará em casa à noite para assistir à novela das oito. Na crise em que se vê enredado o senador Renan Calheiros, a escolha das hipóteses é cada vez mais ampla.

A melhor das hipóteses é que a inocência do presidente do Congresso coincida com a enorme disposição que o Senado tem de lhe preservar o mandato. A pior das hipóteses é que, sendo produto do corporativismo que permeia a atividade parlamentar, a absolvição de Renan, já insinuada, aprofunde entre nós o distanciamento que separa o Congresso da opinião pública.

No mar de hipóteses que banham as costas largas de Renan Calheiros, a onda de suspeições fez, nesta quinta-feira (31), mais um movimento. Descobriu-se que a mesma Mendes Júnior que foi apontada como responsável pelo pagamento de contas pessoas de Renan, foi beneficiária de emendas orçamentárias apresentadas pelo senador.

Foram duas emendas. Uma apresentada em maio de 2004. Outra em junho de 2005. Destinaram verbas para a obra de um cais no porto de Maceió. Orçada em R$ 46,5 milhões e tisnada por uma decisão do TCU que apontou indícios de irregularidades no empreendimento, a obra é tocada pela Mendes Júnior.

 

Renan diz que não se lembra das emendas. A construtora informa que não as solicitou ao senador. Na melhor das hipóteses, tudo não passou de uma dessas inacreditáveis coincidências. Na pior das hipóteses, tem-se mais um exemplo das relações promíscuas que costumam ligar políticos brasileiros a interesses privados.

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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Tuma: ‘Eu não quero condená-lo, quero absolvê-lo’

  José Cruz/ABr
Bernard Shaw disse certa vez que EUA e Inglaterra são países separados por uma língua comum. Adaptando-se o raciocínio, é possível dizer que o Brasil situado do lado de dentro do Congresso e o Brasil do lado de fora são, também, dois países separados pela mesma língua.

Nesta quinta-feira (31), referindo-se ao colega Renan Calheiros (PMDB-AL), o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse: "Eu não quero condená-lo, quero absolvê-lo. Mas quero ter certeza que ele não vai ser pego na primeira esquina. Se ele deve, não posso fazer nada."

Ora, de um corregedor espera-se que aja com correção. O Brasil de fora não quer que Tuma analise as suspeitas que rondam o presidente do Congresso, o Brasil de dentro, com a disposição pré-concebida de “absolvê-lo”. Tampouco deseja que ele se debruce sobre as interrogações com o intuito de “condená-lo”. Roga-se apenas que seja isento.

Também nesta quinta-feira, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), transferiu para a Mesa diretora do Senado a decisão de dar curso ou não à representação do PSOL contra Renan. Alegou que o processo não poderia ter sido protocolado diretamente no Conselho de Ética. Teria de passar, primeiro, pela Mesa.

Sem mais delongas, o próprio Renan devolveu a representação ao conselho presidido por Sibá. Não poderia ter agido de maneira mais acertada. Resta agora confiar no discernimento dos senadores que integram o Conselho de Ética. De novo, espera-se que enfrentem as denúncias não com a disposição de absolver Renan, mas com a independência que o caso requer.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

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As manchetes desta quinta

- Folha: STF decide que só União autoriza bingos

- Estadão: Receita devassa contas de 60 envolvidos no escândalo

- Globo: País perde R$ 40 bi por ano com obras superfaturadas

- Correio: Abin já vigiava as contas de Rondeau

- Valor: Governo prepara abertura de terras indígenas à mineração

- Estado de Minas: Justiça quebra sigilo da Operação Navalha

- Jornal do Commercio: É o fim dos bingos e loterias estaduais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h20

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'Ofidiocracia'!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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No Congresso, a 'polêmica' consola a 'encrenca'

Lula Marques/Folha
 

 

Deu-se na tarde desta quarta-feira (30). O deputado Clodovil “polêmica” Hernandez (PTC-SP) fez questão de cruzar os salões que separam a Câmara do Senado, para prestar solidariedade ao senador Renan “encrenca” Calheiros. Cochicharam longe dos jornalistas. Não se sabe o que um segredou ao outro. Suspeita-se que Clodovil tenha dito algo assim: "Meu bem, eu avisei. As mulheres ficaram muito vulgares. Trabalham deitadas e descansam em pé".

Escrito por Josias de Souza às 01h24

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Receita abre auditoria contra suspeitos da ‘Navalha’

Receita abre auditoria contra suspeitos da ‘Navalha’

  • Estão sendo esquadrinhados cerca de 60 contribuintes
  • Lista inclui Renan, Rondeau e governadores de AL e MA

A Receita Federal decidiu esquadrinhar o patrimônio de todos os suspeitos da Operação Navalha. Entre pessoas físicas e jurídicas, encontram-se sob auditagem fiscal cerca de 60 contribuintes. A lista inclui o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL); o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau; e os governadores do Maranhão, Jackson Lago (PDT) e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB).

 

Centralizada pela Coordenação de Fiscalização da Receita, a investigação fiscal envolve unidades do fisco em nove Estados, São Paulo entre eles. Trata-se de procedimento idêntico ao que já fora adotado em relação aos cerca de 25 suspeitos da Operação Furacão, que desbaratou a máfia do jogo e da compra de sentenças judiciais.

 

Somando-se os suspeitos das duas operações, o número de contribuintes postos sob fiscalização chega a quase nove dezenas. Os procedimentos da Receita encontram-se em fase preliminar. As declarações de Imposto de Renda dos investigados estão sendo cotejadas com o patrimônio e com a movimentação bancária de cada um (estimada por meio da CPMF).

 

Só nos casos em que forem detectadas discrepâncias serão abertos procedimentos formais de fiscalização, o que obrigará o fisco enviar uma correspondência a cada  contribuinte, intimando-os a explicar as incongruências. Vencida a fase do contraditório, serão autuados aqueles que tiverem incorrido em crime de sonegação fiscal. Dessa decisão, caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.

 

A fiscalização está em estágio mais avançado em relação à Construtora Gautama e algumas de suas subsidiárias. As empresas do empreiteiro Zuleido Veras já estavam sendo varejadas pela Receita antes que a Operação Navalha ganhasse o noticiário. Foram detectados indícios de sonegação. Os detalhes do processo são protegidos por sigilo fiscal.

 

No que diz respeito à Operação Furacão, a ação da Receita alcança os magistrados suspeitos de ter vendido sentenças judiciais à máfia do jogo. São eles: Paulo Medina, do STJ; José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira, do TRF do Rio; e Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT de Campinas.

Escrito por Josias de Souza às 22h29

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STF notifica Lula para explicar negócio com Bolívia

  Folha
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, notificou Lula, nesta quarta-feira (30), para que envie ao tribunal, em dez dias, explicações sobre a venda de duas refinarias da Petrobras ao governo da Bolívia. O presidente repassará o documento à Advocacia Geral da União, que se encarregará de responder à requisição do Supremo.

Marco Aurélio é o relator de um mandado de segurança ajuizado pelo líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), no dia 24 de maio. O deputado pede a anulação dos contratos firmados entre a estatal brasileira e o governo Evo Morales. Alega que as refinarias não poderiam ter sido vendidas sem a aprovação expressa do Congresso Nacional.

Pannunzio pediu ao Supremo que suspendesse o negócio por meio da concessão de uma liminar, decisão provisória, adotada antes do julgamento do mérito da ação. Escolhido por sorteio eletrônico para relatar o caso, Marco Aurélio achou prudente requisitar informações ao presidente da República.

Se quiser, Marco Aurélio pode julgar a ação do PSDB sozinho -monocraticamente, como dizem os advogados. Mas o ministro já decidiu que, dada a relevância do tema, levará o seu voto sobre o caso à deliberação conjunta do plenário do STF, composto por onze juízes. A sentença pode ficar para o segundo semestre.

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Senado aprova (!!) auto-reajuste dos congressistas

Os senadores aprovaram na tarde desta quarta-feira (30) o aumento de seus próprios salários em 28,5%. A engorda de contracheques já havia sido referendada pela Câmara. O aumento será retroativo a 1o de abril. Além dos congressistas, foram beneficiados o presidente, o vice-presidente da República e os ministros.

O projeto segue agora para a promulgação do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Assim que o senador acomodar sua assinatura sobre o papel, o que deve ocorrer sem demora, a coisa começa a vigorar.

Noves fora todas as vantagens indiretas, o contracheque de deputados e senadores passa de R$ 12.847 para R$ 16.512,09. O de Lula vai de R$ 8.885 para R$ 11.420. Os vencimentos de José Alencar e dos ministros passarão de R$ 8.362 para R$ 10.748.

Continua inacreditavelmente aguçado, como se vê, o senso de oportunidade dos senadores. Entre todos os momentos, eles sempre sabem escolher o mais inoportuno.

Escrito por Josias de Souza às 18h31

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De volta, Alckmin mira direção do PSDB e prefeitura

Geraldo Alckmin desembarca no aeroporto de Cumbica no próximo sábado (2). Ele chega do auto-exílio de Boston (EUA) disposto a lapidar dois projetos: quer tornar-se presidente do PSDB, no final de 2007, e disputar a prefeitura de São Paulo, em 2008. Antes, planeja percorrer o país.

 

A pretexto de agradecer apoios que recebeu na fracassada cruzada presidencial de 2006, Alckmin tentará consolidar-se como um tucano de projeção nacional. Algo que considera essencial para a primeira fase de seu projeto pessoal: a substituição de Tasso Jereissati (CE) no comando do PSDB.

 

Os deputados Silvio Torres e Edson Aparecido, tucanos paulistas do grupo de Alckmin, organizam uma recepção para o ex-presidenciável. Esperam arrastar até o aeroporto de 80 a 100 pessoas. Foram convidados integrantes de diretórios paulistas e prefeitos do PSDB.

 

Alckmin decidiu que não irá assumir em público suas duas principais pretensões. Quer que a presidência do PSDB e a candidatura municipal lhe caiam no colo por merecimento, não por força de reivindicação pessoal.

 

Nos subterrâneos, Alckmin já informou aos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) que não alimenta pretensões de concorrer ao Planalto em 2010. Sabe que a fila andou. Já teve a sua chance em 2006. Com isso, esperar obter o apoio dos dois presidenciáveis do PSDB para suceder Jereissati.

 

Quanto à prefeitura paulistana, Alckmin teve um encontro reservado com Serra há cerca de quatro semanas. O governador viajou a Boston especialmente para acertar os ponteiros com o ex-governador.

 

Serra disse a Alckmin que tem um compromisso de apoiar, em 2008, o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato não-declarado à reeleição. Comprometeu-se, porém, em apoiar Alckmin caso ele decida candidatar-se à prefeitura. Algo que irá acontecer.

 

Assim, Alckmin tentará seguir as pegadas de Serra. Em 2002, depois de derrotado por Lula na disputa presidencial, Serra recolheu-se nos EUA. De volta, assumiu a presidência do PSDB. Em seguida, elegeu-se prefeito de São Paulo.

 

Na época da campanha, Serra prometera cumprir o mandato de prefeito até o final. Rasgou a promessa, assumida por escrito. Tentou candidatar-se à presidência. Batido por Alckmin numa disputa interna, concorreu ao governo do Estado.

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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Aliado de Renan conduzirá o julgamento de Renan

  Folha
Sibá Machado (PT-AC), eis o nome do senador que foi guindado nesta quarta-feira (30) à presidência do Conselho de Ética do Senado. Sibá, unha e carne com Renan, será o responsável pela condução do processo aberto contra o presidente do Congresso a partir de uma representação do PSOL.

 

Suplente de Mariana Silva (PT-AC), que se licenciou do Senado para tornar-se ministra do Meio ambiente, Sibá, um ex-agricultor, chegou ao Congresso sem amealhar um mísero voto. Agora, tem diante de si o caso da vida dele. Dependendo de como se comportar, pode plantar em sua biografia um abacaxi ou uma videira.

 

Mal foi eleito, Sibá já enfrenta as primeiras críticas. Foi alvejado no plenário do Senado por Pedro Simon (PMDB-RS).  “Vamos viver na Comissão de Ética um momento complicado”, disse Simon. “É o presidente do Senado que vai a julgamento. Na presidência do conselho tinha que estar um sujeito acima de qualquer questionamento. Não entendo como, tendo a possibilidade de eleger alguém da estatura de Jefferson Peres (PDT-AM), o conselho fez a opção que fez”.

 

Simon foi aparteado pela líder do PT, Ideli Salvati (SC). Para ela, ninguém tem o direito de questionar antecipadamente o comportamento de Sibá. Sobretudo porque, na hora da eleição, nenhuma voz se levantou contra a escolha. Simon, porém, não se deu por achado. Lembrou que Sibá, como suplente, está, em verdade, nas mãos de Lula. Se ousar assumir uma posição que contrarie os interesses do Planalto, bastará ao presidente devolver Marina Silva ao Senado.

 

“Cansei de ver isso acontecer aqui no Congresso”, disse Simon. “Em votações importantes, no Senado e na Câmara, governadores e o próprio presidente mandam para cá secretários de Estado e ministros para substituir os seus suplentes.”

 

No calor do debate, Agripino Maia (RN), líder do DEM, interveio para dizer que “os olhos do Brasil estarão voltados para o senador Sibá”. É verdade. Mas mesmo com todos esses olhares grudados em si, o novo presidente do Conselho de Ética adotou como primeira providência a protelação.

Deu-se num instante em que os advogados de Renan Calheiros agregaram novas “provas” à defesa inconsistente feita pelo senador na última segunda-feira (28). Provas que, admitem os próprios defensores do presidente do Senado e do Congresso, não estão acompanhadas de recibos. Como se fosse pouco, num instante em que ninguém precisa mais de transparência do que ele próprio, Renan decidiu manter os novos papéis em sigilo.

De concreto, tem-se, por ora, o seguinte: num instante em que deveria esticar a coluna vertebral, o Senado ajoelhou-se diante da crise. 

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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Renan, Renan, Renan, alardeiam os grampos da PF

Renan Calheiros, como se sabe, não tem nada a ver com as traficâncias da Gautama e de toda aquela turma que gravitava em torno da arapuca de obras públicas. Mas os grampos da PF, de uma inconveniência sem igual, continuam gritando: Renan, Renan, Renan, Renan, Renan...

 

Nesta quarta-feira (30), os repórteres Leonardo Souza e Andréa Michael informam: Sérgio Sá, lobista da Gautama, jactava-se em seus diálogos telefônicos da intimidade que o ligava a Renan. E das vantagens que essa proximidade poderia render.

 

Num dos diálogos bisbilhotados pela polícia, Sá informa ao interlocutor que fora convidado para um almoço na casa de Renan. Em verdade, uma casa oficial, bancada pelo contribuinte.

 

Na mesma conversa, o lobista festeja o fato de que a Eletrobrás, estatal vinculada à pasta de Minas e Energia, ficaria nas mãos de Renan e de José Sarney (PMDB-AP). “O que, para nós, é muito bom”, disse ele ao telefone.

 

Sérgio Sá é aquele empresário que, em outra escuta telefônica, participa da articulação que resultou no envio de um envelope pardo para o ministério de Minas e Energia. Um envelope recheado, segundo a PF, com R$ 100 mil.

Escrito por Josias de Souza às 14h40

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As manchetes desta quarta

- Folha: Investigado por vazamento, número 2 da PF é afastado

- Estadão: Renan admite não ter prova e será investigado

- Globo: Renan diz não ter provas mas acordão pode salvá-lo

- Correio: PF corta na carne

- Valor: Aquisição de R$ 1,4 bi cria novo gigante do consumo

- Estado de Minas: Corrupção derruba o segundo homem da PF

- Jornal do Commercio: Caixa reduz juros para aposentados