‘Custo pilhagem’ trava o empreendimento brasileiro
Angeli
Em Brasília, como se sabe, tudo está à venda. Excetuando-se a mãe, que não tem valor de mercado, vende-se de emendas ao Orçamento à honra pessoal. Quem desce a Esplanada, rumo à Praça dos Três Poderes, ouve por toda parte o tilintar de verbas. Se há o balcão, existe demanda. Os compradores são, porém, invisíveis. E não há quem queira identificá-los.
Vez por outra, numa ação fortuita do Ministério Público e da Polícia Federal, joga-se um facho de luz sobre um ou outro corruptor pé-de-chinelo. Ora a Planam, dos Vedoin, ora a Gautama, de Zuleido. Sabe-se que, nas profundezas do mar de lama, escondem-se peixões bem mais robustos. Ninguém se dispõe a içá-los para as bordas do lodaçal.
O empresariado nacional reclama do chamado “custo Brasil”. Queixa-se dos portos ineficientes, das estradas esburacadas, da burocracia governamental, disso e daquilo. Mas cultiva um estrepitoso silêncio em relação ao “custo pilhagem”, que inclui, além de propinas e de financiamentos eleitorais obscuros, a sonegação descarada de impostos.
A iniciativa privada sustenta há décadas o conveniente discurso de que o Estado é o grande vilão do descaminho do empreendimento brasileiro. A poderosa Fiesp acaba de divulgar um estudo que estima em R$ 26,2 bilhões o custo médio anual da corrupção no Brasil. É quase o valor do orçamento da pasta da Educação para 2007: R$ 27,6 bilhões. O que a Fiesp exime-se de dizer é que, do outro lado do balcão de malfeitorias, encontra-se a mão do empresariado. E não se diga que são mãos inexpressivas. Nem sempre, nem sempre. Tome-se, por eloqüente, o caso que levou ao impeachment de Fernando Collor.
Abriram-se na Justiça Federal de Brasília sete processos para esquadrinhar as relações financeiras do alto empresariado nacional com a EPC, uma birosca de “consultoria” aberta por PC Farias. Num dos processos, o mais antigo, de 1993, foram acomodados na lista de réus logotipos como Odebrecht, Cetenco, Votorantin, Cimento Portland Itaú, Tratex, etc. Que tipo de consultoria PC proveu a esses gigantes? Desnecessário responder.
Ainda na década de 90, nas pegadas do escândalo dos anões do Orçamento, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), num gesto quixotesco, sugeriu a abertura de uma CPI dos Corruptores. Espera até hoje pela adesão dos colegas. O Congresso é bancado pela grande empreita. Só nas eleições do ano passado, as construtoras injetaram nas campanhas de deputados e senadores, noves fora o caixa dois, R$ 27,3 milhões.
Qualquer análise das estatísticas oficiais sobre educação, saúde e segurança pública permite verificar os efeitos do “custo ladroagem”. Recaem, naturalmente, sobre a malta. Os responsáveis pela rapina matriculam os filhos em escolas privadas, passam longe das macas do SUS e erguem muros altos em torno de seus condomínios fechados. Enquanto os holofotes forem seletivos, toda indignação será à toa. A pilhagem vai continuar.
Escrito por Josias de Souza às 19h45
Primeiro foi a mãe. Agora, a filha. Menos de dois meses depois de Gretchen ter anunciado sua filiação ao PPS e a intenção de candidatar-se, em 2008, à prefeitura da ilha pernambucana de Itamaracá, a filha da rainha do bumbum, Thammy Gretchen, decidiu seguir os passos da genitora. Vai sentar praça no mesmo PPS. Concorrerá a uma cadeira de vereadora na cidade de Recife.
Em conversa com dirigentes do PPS em Pernambuco, Gretchen anunciou as pretensões políticas da filha. O partido mostrou-se receptivo. Depois, em contatos telefônicos, a própria Thammy incumbiu-se de detalhar seus planos à cúpula do PPS. Ela deve se filiar ao longo deste mês de junho.
Não será uma filiação qualquer. A exemplo de Gretchen, Thammy foge à linha do político tradicional. Depois de consolidar-se como símbolo sexual, ensaiando uma carreira musical análoga à da mãe, Thammy, 24 anos, decidiu assumir-se, em 2006, como homossexual. Depois de saltar do armário, ela posou, no mês passado, nua. Exibiu-se com a namorada, Julia Paes, uma vendedora de 22 anos, mãe de dois filhos.
Thammy, à direita, e Julia, à esquerda, escalaram a capa da última edição da revista Sexy Premium (foto lá no alto), nas bancas desde o último 15 de maio. Nas páginas internas, as duas irrompem em cenas picantes, captadas pelas lentes da fotógrafa Vanessa Truglio.
Um dos entusiastas da filiação de Thammy ao PPS é Renato Silva. Ele coordena o núcleo GLTB (Gays, Lésbicas, Transexuais e Bissexuais) do partido. Acha que o ingresso da filha de Gretchen dará visibilidade à atuação do PPS junto a essas minorias.
As candidaturas de Gretchen e de Thammy vão, de resto, submeter a teste a flexibilidade do voto do eleitor pernambucano. Não bastasse o homossexualismo da filha, a mãe é protagonista do recém-lançado La Conga Sex, um filme pornô no qual Gretchen contracena com o marido, Guto Guitar.
Para evitar surpresas, Gtetchen já informou à direção pernambucana do PPS que La Conga, idealizado como peça única, converteu-se numa trilogia. A terceira e última parte chega às salas de cinema no final do ano, numa fase em que as candidaturas municipais começarão a ser expostas na vitrine do PPS.
Curiosamente, não é a ardência do filme o que mais preocupa o PPS. Integrantes da legenda queixam-se de que, depois da filiação, Gretchen deu as costas para a rotina partidária. Algo que não condiz com uma pretendente ao cargo de prefeita.
Seja como for, o PPS, sucedâneo do velho Partidão, vai se tornando, aos pouquinhos, uma legenda que nem de longe lembra a sisudez dos velhos tempos. Esse barulhinho que você está ouvindo, caro leitor, é o ruído de Luís Carlos Prestes revirando no túmulo.
Escrito por Josias de Souza às 19h16
Blootead
A blogsfera é mesmo uma maravilha. Nas pegadas de um texto publicado aqui, o blog Bootlead veicula neste sábado (2), num furo de reportagem, a foto da sala secreta que abriga, nos fundos do prédio do Departamento de Estado norte-americano, a equipe de "controladores do Brasil".
Escrito por Josias de Souza às 17h17
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 16h49
A rotina do Palácio do Planalto foi quebrada, na manhã deste sábado (2), por um episódio inusitado: suicidou-se um dos militares a quem o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência havia confiado a segurança do prédio no final de semana. Chama-se Ismael Filgueiras da Silva, 20. Servia no BGP (Batalhão de Guarda Presidencial do Exército) havia dois anos. Matou-se com um tiro na cabeça. Valeu-se da arma que usava em serviço.
O corpo de Ismael foi encontrado num estacionamento do edifício anexo do Planalto, colado no prédio onde Lula mantém o seu gabinete. Peritos do Exército inspecionaram o local durante a tarde. Abriu-se um IPM (Inquérito Policial Militar, para apurar o caso. O Planalto não se manifestou oficialmente sobre o fato.
O último suicídio de militar brasileiro de que se teve notícia foi o do general de Exército Urano Bacellar. Ele comandava a missão de paz da ONU no Haiti. Atirou contra a própria cabeça na varanda de um hotel de Porto Príncipe, em março de 2006.
Escrito por Josias de Souza às 16h17

- Folha: Venezuela impede protesto da oposição
- Estadão: Valor das empresas na bolsa já passa de US$ 1 trilhão
- Globo: Lula manda Chávez 'cuidar da Venezuela'
- Correio: Detran cassa quatro carteiras por dia no DF
- Valor: Venda de automóveis bate recorde histórico em maio
- Jornal do Commercio: INSS revê 6 mil aposentadorias
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 01h54
Jean
Escrito por Josias de Souza às 01h48
Lula Marques/Folha
No esforço que empreendem para provar que a pensão mensal paga à jornalista Mônica Veloso entre 2004 e 2005 saiu do bolso de Renan Calheiros, os advogados do senador entregaram, na quarta-feira (30), um lote de documentos ao corregedor do Senado, Romeu Tuma. O calhamaço, exposto na revista Época desta semana, inclui extratos bancários e declarações de Impostos de Renda. A análise detida dos papéis não autoriza a conclusão de que foi Renan, 51, quem bancou a mesada de Mônica, 33, mãe de sua filha, nascida em julho de 2004.
Segundo a versão dos advogados de Renan, os pagamentos à jornalista teriam sido feitos por volta do dia 5 de cada mês. Para contestar a informação de que o dinheiro foi provido pelo lobista Cláudio Gontijo ou pela empresa em que trabalha, a Construtora Mendes Júnior, foram repassados a Tuma os extratos de uma conta bancária (232.252-8) que Renan mantém no Banco do Brasil. O problema é que não há coincidência entre o valor que o senador diz ter enviado à jornalista, por meio de Gontijo, e os saques efetuados na conta.
Noves fora o aluguel da jornalista, Renan diz ter repassado a ela, durante os 21 meses que antecederam o reconhecimento formal da paternidade da filha, ocorrido em dezembro de 2005, R$ 8 mil –em dinheiro vivo. Manuseando os extratos bancários do senador, repórteres da revista Época constataram que em nenhum dos 21 meses há saques de R$ 8 mil na conta bancária do senador nos primeiros cinco dias de cada mês.
Em seis dos 21 meses, saíram da conta de Renan, antes do dia 5, mais de R$ 8 mil, em datas alternadas. Nos outros 15 meses, os saques realizados até o dia 5 são inferiores ao valor que Renan diz ter pagado à jornalista. Somando-se os saques realizados em datas posteriores, chega-se a valores que, de novo, superam os R$ 8 mil. A papelada que registra o cotidiano financeiro do senador suscita, de resto, uma segunda dúvida: com um contracheque de R$ 12.500, de onde o presidente do Congresso retirou o dinheiro que passeou por sua conta?
Os advogados de Renan entregaram a Tuma cópia do Imposto de Renda de 2006 do senador, além de um resumo da evolução patrimonial dele nos últimos quatro anos. Os papéis anotam que, nesse período, Renan teria obtido ganhos de R$ 1,9 milhão com a venda de gado. Só em 2006, teria vendido 784 cabeças, conservando sob sua guarda outras 1.704 reses, cujo valor não foi especificado. Em tese, Renan pode mesmo ter amealhado o dinheiro do modo como está especificado no papelório. Mas não há, por ora, prova cabal de que os recursos tenham mesmo vindo do comércio de gado. É algo que a Receita Federal, que abriu uma fiscalização nas contas do senador, tenta descobrir.
Há ainda entre os papéis que Renan confiou à análise de Romeu “Quero Absolver” Tuma um recibo de R$ 43.200, datado de 15 de março de 2004. Refere-se, segundo os advogados do senador, ao aluguel de uma casa no Lago Sul, liquidado de forma antecipada, em uma única parcela. Assina-o Mônica Veloso. Época não faz menção a nenhum outro recibo, referente ao aluguel de um apartamento no Plano Piloto de Brasília, para onde a jornalista se mudou em 2005.
Por último, há dois recibos no valor de R$ 50 mil. Corresponderiam ao fundo de R$ 100 mil que Renan diz ter destinado à formação cultural e educacional de sua filha. Trazem as assinaturas de Mônica e de Pedro Calmon, o advogado dela. Calmon diz tratar-se de complemento de pensões atrasadas. Mas os recibos fazem referência expressa ao “fundo” mencionado por Renan no discurso que proferiu no plenário do Senado na segunda-feira (28).
Tudo considerado, tem-se que os papéis de Renan, embora demonstrem que o senador teria dinheiro para bancar a jornalista e sua filha, não provam cabalmente que a verba saiu mesmo de sua conta. A eliminação das interrogações exigiria uma investigação minuciosa, que nem o corregedor Romeu Tuma nem o Conselho de Ética do Senado parecem dispostos a fazer. Os colegas de Renan preferem levar às últimas conseqüências o benefício da dúvida. É algo que a legislação brasileira assegura a todo cidadão que, como Renan, é assediado pela suspeição. A desconfiança, porém, não condiz com a autoridade que um presidente do Congresso precisa exibir.
Escrito por Josias de Souza às 01h17
No Brasil, não é só o Senado que desaprova a decisão de Hugo Chávez de cassar a concessão do canal RCTV. A embaixada da Venezuela em Brasília realiza no sítio que mantém na internet uma sondagem para medir a opinião de seus visitantes sobre o tema. À meia-noite e meia deste sábado, o resultado revelava que a grossa maioria dos que opinaram (59,48%) consideraram o ato de Chávez “um atentado à liberdade de expressão”.
Para 27,45% dos participantes da sondagem, a decisão do presidente venezuelano foi “um ato de soberania”. Outros 11,11% classificaram a interrupção das transmissões da RCTV como “expressão da vontade popular”. Só 1,96% cravaram a opção “não sabe”. Somando-se os que vêem a punição da emissora de TV como ato soberano aos que a consideram como um desejo do povo, chega-se a 38,56%. Um percentual bem inferior aos 59,48% que desaprovaram a medida.
Nesta sexta-feira (1), por determinação de Lula, o Itamaraty convocou o embaixador da Venezuela no Brasil, general Julio Garcia Montoya. Ele se reuniu com o ministro interino das Relações Exteriores, embaixador Ruy Nogueira. Nem a chancelaria brasileira nem a embaixada venezuelana se pronunciaram sobre o encontro.
Supõe-se que Nogueira tenha transmitido a Montoya a insatisfação do governo brasileiro com as declarações de Chávez, que comparou o Legislativo brasileiro a um “papagaio” do Congresso dos EUA. Quer verificar a quantas anda a sondagem da embaixada da Venezuela? Então pressione aqui para visitar o sítio. A sondagem encontra-se no meio da página, à direita. Pode-se votar ou simplesmente pressionar em “resultado” para conferir o resultado.
PS.: Após a veiculação desta notícia, os aliados do companheiro Chavéz saíram em seu socorro. Às 2h30 da madrugada, o placar registrava o seguinte: um ato de soberania do Estado, 47,87%; expressão da vontade popular, 6,69%; atentado à liberdade de expressão, 41,86%. Três vivas à revolução bolivariana!
PS. 2: Às 10h da manhã deste sábado, em nova parcial, a enquete da embaixada voltou a exibir resultado contrário aos interesses do companheiro Chávez: ato de soberania do Estado, 25,09%; expressão da vontade popular, 4,11%; atentado à liberdade de expressão, 69,75%. A revolução, como se vê, não acorda cedo.
Escrito por Josias de Souza às 23h44
O juiz federal Murilo Mendes, de Mato Grosso, instaurou, nesta sexta-feira (1), o processo em que serão julgados os seis acusados do acidente com o Boeing da Gol. Marcou-se para o dia 27 de agosto o depoimento dos pilotos dois norte-americanos implicados no caso. E agendou-se para o dia seguinte, 28 de agosto, a inquirição dos quatro controladores de vôo que operavam os equipamentos do Cindacta 1, em Brasília, no dia do acidente.
No despacho em que aceitou a denúncia do Ministério Público, formalizada há uma semana, o juiz Murilo Mendes, lotado na Vara de Sinop (MT), anotou: “Estando mais que comprovada a materialidade (154 pessoas morreram, uma aeronave caiu e a outra, seriamente danificada, a muito custo conseguiu pousar), sendo suficientes os indícios de autoria, havendo a existência, em tese, de crime capitulado no Código Penal e estando cumpridas as exigências do art. 41 do Código de Processo Penal, recebo a denúncia e determino a citação dos acusados".
Os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que conduziam o jatinho Legacy no instante do acidente com a aeronave da Gol, serão citados nos EUA. Mas o juiz faz questão de ouvi-los em Mato Grosso: “Embora estrangeiros, os acusados (...) devem comparecer para o interrogatório no Brasil, não sendo admitido que o ato se dê no seu país de origem (EUA)”. O juiz justifica a decisão invocando sentenças anteriores proferidas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O signatário do blog, cético incorrigível, está pagando para ver os dois pilotos norte-americanos sentados num banco de réus da comarca mato-grossense de Sinop.
Escrito por Josias de Souza às 16h52
Hugo Chávez considera-se um gênio. Gênio do socialismo pós-pós. Em casos do gênero, só há três alternativas: ou o sujeito é maluco, ou é idiota, ou é gênio mesmo. As evidências encarregaram-se de refutar a última hipótese. Remanesce, porém, a dúvida: tolo ou débil mental?
Tudo leva a crer que o caso é de esquizofrenia. A maioria dos venezuelanos ainda acha que votou em São Jorge. Mas, em vez de salvar a donzela, Chávez casou-se com o dragão. Lança chamas em todas as direções. Na noite passada, esquentou os miolos dos congressistas do Brasil.
Entre uma explicação de Renan ‘Encrenca’ Calheiros e uma entrevista de Romeu ‘Quero Absolvê-lo’ Tuma, o Senado brasileiro encontrou tempo, no meio da semana, para aprovar uma mensagem dirigida a Chávez. No texto, pedia-se a São Jorge que recolocasse no ar emissora RCTV.
Abespinhado, o dragão venezuelano fumegou: “O Senado brasileiro age como um papagaio do Congresso americano”. Disse que é mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que o seu governo devolver a concessão ao canal retirado do ar. Em Brasília, houve repúdio e indignação. Lula, de passagem por Londres, também esboçou uma reação.
Chávez, por doido, tem dificuldade para enxergar a realidade. Há, de fato, uma salinha em Washington. Fica nos fundos do prédio do Departamento de Estado. Abriga os nossos controladores –três funcionários obscuros, que decidem o futuro do Brasil. Preocupam-se, porém, com o Executivo, não com o Legislativo.
Durante anos, os controladores do Brasil apostaram nos militares. Cansados, idealizaram a redemocratização lenta e gradual. Depois de uma seqüência de apostas erradas, decidiram que Fernando Henrique Cardoso era o homem para executar a tarefa no Brasil. Deram-lhe duas chances. Mas acharam que FHC não entregou tudo o que combinara.
Para punir o tucanato, autorizaram a eleição de Lula. O objetivo de nossos controladores era dar um susto de quatro anos. Depois, retomariam o “Tucano’s Project”. Porém, os três funcionários da sala de controle surpreenderam-se com Lula. Acharam que ele se revelou um FHC melhor do que o original.
Sem nenhuma combinação, Lula aparou a barba, vestiu Armani, manteve a abertura econômica, preservou o rigor fiscal e pagou a dívida com o FMI. De quebra, tornou-se amigo de Bush. Os controladores o rebatizaram de “Fernando Terceiro”. E lhe deram mais um mandato.
As declarações de Hugo Chávez levaram os controladores do Brasil às gargalhadas. Ninguém mais do que os funcionários da salinha do Departamento de Estado sabem da irrelevância do Congresso brasileiro. Sossegados em relação ao Brasil, eles decidiram que, nos próximos meses, para passar o tempo, vão se divertir assistindo às transmissões da venezuelana RCTV pela internet.
Escrito por Josias de Souza às 15h36
Lula Marques/Folha
A jornalista Mônica Veloso, pivô do escândalo que colocou sob os holofotes o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu uma rápida entrevista à repórter Andreza Matais. Está na Folha (assinantes). Ela diz: “Não sou ameaça para ninguém”. Simultaneamente, lança no ar uma frase instigante: "Agora que tem o que contar, né, eu tive uma relação de três anos, você imagina". Vai abaixo a entrevista:
- Por que se recusa a dar entrevista sobre o assunto?
- Eu virei o foco, o personagem principal.
- Qual é o foco a ser seguido? Por exemplo, a Mendes Júnior?
Não sei, mas talvez seja mais fácil investigar [a empreiteira] do que falar da minha vida pessoal. Talvez seja mais rentável [investigar], né.
- Sofreu ameaças?
Eu não posso dizer, sinceramente eu não posso.
- Não pensa em dar entrevista para esclarecer tudo?
Vamos esperar o processo acabar, eu não posso falar agora. Se eu falar vai voltar para a mesma história que eu estou te dizendo. Começou segunda de um jeito, aí veio no percurso de uma forma, botaram todos os holofotes em cima de mim, e esqueceram o que a [revista] "Veja" tinha trabalhado, agora parece que estão voltando de novo para uma outra situação. Se eu falar, vão querer que eu fale sobre meus hobbies. (...) Eu preciso esperar passar o processo com o pai da minha filha (...) Aí então tá, vamos ver o que estava certo e o que é errado.
- No Congresso se fala muito sobre o caso...
Sabe qual é a idéia daí [do Congresso]? É que se fale muito, que vocês me procurem, que eu fique atacadíssima e comece a falar. Aí pronto, vamos virar para lá porque agora ela resolveu falar, quem sabe ela conta alguma coisa.
- Mas tem o que contar?
[Risos]
- Há que temer Mônica Veloso?
Não, não sou ameaça para ninguém, não tem nada disso. Agora que tem o que contar, né, eu tive uma relação de três anos, você imagina.
- Foi publicado que a sra. recebeu ameaças da mulher de Renan, chegou a registrar três ocorrências policiais. Isso ocorreu?
Sobre isso eu não posso falar, é recomendação do meu advogado, e eu não vou me meter mais em confusão não.
PS.: A jornalista, não há quem duvide, tornou-se, por assim dizer, um valioso arquivo ambulante. A dúvida é se há em Brasília alguma autoridade interessada em ouvir o que ela tem para reportar. Tome-se o exemplo do corregedor Romeu 'Quero Absolver o Renan' Tuma. Sua Excelência já informou que tomará o depoimento do lobista Cláudio 'Amigo' Gontijo, da Mendes Júnior. Não lhe passa pela cabeça, porém, inquirir Mônica 'Encrenca' Veloso. Sua Excelência inaugura um novo tipo de investigação: a correição saci-pererê, de uma perna só.
Escrito por Josias de Souza às 02h55
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h19

- Folha: Só 1,6% dos cursos privados têm nota máxima em prova
- Estadão: Governo lança plano contra violência, mas falta verba
- Globo: Sem fiscalização, vans expulsam 6% dos ônibus
- Correio: Rondeau e Passos se complicam mais
- Valor: Venda de automóveis bate recorde histórico em maio
- Estado de Minas: Pacote do governo prioriza BH
- Jornal do Commercio: Trem mata mãe e filha
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h08
· Deputados governistas voltam a acenar com retaliação
Glauco
Lula viajou. Visitará o Reino Unido, a Índia e a Alemanha. Ficará ausente do país por nove dias. Deixou atrás de si um rastro de insatisfação e ameaças. Pintados para a guerra deputados governistas, sobretudo do PMDB, consideram-se ludibriados pelo presidente. Queixam-se da demora na nomeação de apadrinhados para cargos públicos. E prometem retaliação.
Respira-se no Congresso a mesma atmosfera envenenada que forçou Lula a convocar, 20 dias atrás, uma reunião de emergência com os cinco ministros do PMDB. Informado de que deputados do partido armavam barricadas no Congresso, o presidente cobrou lealdade. Uma semana depois, reunido reservadamente com Michel Temer, Lula parecia ter contornado a encrenca.
De uma lista de cerca de 30 indicações, o presidente prometera a Temer que mandaria ao Diário Oficial, dali a uma semana, oito nomeações para cargos de primeiríssima linha. Dois deles foram confirmados ali mesmo, no curso da reunião: o ex-senador Maguito Vilela (GO) viraria vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil; e o ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde passaria a presidir a estatal Furnas Centrais Elétricas.
Já lá se vão 16 dias. E nada. Temer fez chegar ao Planalto a informação de que a bancada, ouriçada a mais não poder, só não começou a sonegar votos aos projetos de interesse do Planalto porque ele próprio e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), vêm atuando como bombeiros. Mas fez saber ao ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) que a água do hidrante está se esgotando.
No início da semana, ao final de uma reunião com dirigentes dos partidos que integram o consórcio governista, Lula puxou Temer pelo braço. Pediu-lhe paciência. Alegou que precisava de tempo para arrumar o estrago produzido pela saída do ministro Silas Rondeau. Afilhado dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), Rondeau teve o pescoço passado na lâmina pela Operação Navalha.
Menos de 24 horas depois da saída do apadrinhado, Sarney e Renan indicaram um substituto: o técnico Márcio Zimmerman, ligado à ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil). Desde então, Lula emite sinais trocados. Aos auxiliares, disse que não tinha pressa na nomeação do substituto de Rondeau. À cúpula do PMDB, afirmou que a nomeação de Zimmerman sairia em poucos dias. Não saiu. E não é certo que saia em 10 de junho, dia seguinte ao retorno de Lula do périplo internacional.
O presidente espera pelos desdobramentos da crise que enredou Renan Calheiros. Nesta quinta-feira (31), Lula trocou dois telefonemas com o presidente do Congresso. Passou no par de diálogos a impressão de que está tranqüilo quanto à capacidade do aliado de superar a tormenta. Em privado, porém, o presidente destila o receio de que “fatos novos” venham a complicar a situação de Renan.
Ao telefone, Lula chegou a insistir para que Renan o acompanhasse em sua viagem. Argumentou que ele não poderia perder o jogo entre as seleções do Brasil e da Inglaterra, que vai assistir nesta sexta, no estádio de Wembley, em Londres. Para desanuviar o diálogo, o presidente disse: “Renan, seus amigos não cobram explicações, e os adversários não vão se satisfazer nunca.”
Precavido, Renan preferiu manter os pés na realidade brasileira. É como se suspeitasse de que, nos próximos dias, pode ser intimado pelos tais "fatos novos" a dar novas explicações. Saboreando em silêncio as agruras de Renan, antes um interlocutor exclusivo e preferencial de Lula, o PMDB da Câmara não quer saber senão dos seus cargos.
O Planalto, por ora, dá de ombros. Lula e os freqüentadores de seus arredores acham que os peemedebistas rosnam, mas não têm coragem de morder. “Eles estão brincando com fogo”, disse ao blog um dos domadores do PMDB.
Escrito por Josias de Souza às 01h37
São ambiciosos os objetivos do plano de segurança que Tarso Genro apresentou a Lula nesta quinta-feira (31). Um deles chega a soar onírico, a despeito da convicção com que o ministro da Justiça o expõe: “Vamos ter uma previsão de reocupação de territórios hoje dominados por bandidos”, disse Tarso ao blog.
Como será feito? “Essa reocupação precisa, obviamente, de força policial. Mas a polícia terá de atuar em profunda articulação com a comunidade, para que a recuperação do território não seja vista como uma invasão. A comunidade precisa se sentir responsável pela retomada. Sob pena de permanecermos com zonas de anomia [ausência de leis, de normas ou de regras de organização] que desafiam o próprio estado de direito”.
Como reocupar, por exemplo, uma área dominada por traficantes no Rio? “Um bom exemplo vem sendo dado pelo projeto do MV Bill. Estive lá na semana passada, é um ponto de partida. Você ocupa não só pela força policial, mas também ocupa mudando a cultura, o modo de vida, os hábitos, o relacionamento entre as pessoas. Sem perder de vista, obviamente, que a ocupação de um determinado território contra os bandidos será sempre um ato de força”.
Não é uma proposta onírica? “Tenho prevenido as pessoas que conversam comigo de que nosso plano não será espetacular nem terá efeitos imediatos. Esse projeto deve mexer com os indicadores da área de segurança a médio e a longo prazos. Visa combinar o ataque ao crime e ao criminoso com o ataque às fontes da criminalidade, que é a coisa mais complexa”.
Quanto vai custar e de onde sairá o dinheiro? “Vamos ter esses números fechados no próximo final de semana. Trabalharemos com recursos de que disponho no ministério e com a complementação que iremos obter. Como se trata de um conjunto de projetos, ele poderá ser acolhido em módulos. O presidente Lula pode adotar uma parte neste ano. Depois, acrescenta mais algum dinheiro e começamos outra parte mais adiante, no próximo ano.”
Batizado de Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), o pacote de Tarso inclui cerca de quatro dezenas de projetos. Prevêem da aquisição de armamentos ao apoio psicológico e psiquiátrico aos policiais; da contratação de 5.000 novos policiais federais à criação de um fundo para complementar os salários das polícias estaduais; da construção de presídios para mulheres e jovens ao treinamento de assistentes sociais para socorrer adolescentes em “situação de risco”.
O maço de projetos ainda não foi desembrulhado em público. Isso só deve ocorrer dentro de mais ou menos um mês. Pretende-se levar as iniciativas, por meio de convênios com governadores e prefeitos, às regiões metropolitanas de onze unidades da federação: Alagoas, Minas, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia, Pará, Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
O plano tem o mérito de romper a inércia. Seu êxito está condicionado, porém, a um sem-número de fatores. Dois deles são primordiais: dinheiro e capacidade dos gestores públicos de trabalhar em equipe, para além das diferenças partidárias e dos interesses eleitorais.
Escrito por Josias de Souza às 00h18
Depois de convidá-lo para integrar o seu ministério, Lula passou a manifestar, em privado, o desejo de que o filósofo Roberto Magabeira Unger desistisse da repartição que lhe fora prometida: a Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo. A vontade de Lula virou notícia na Folha, graças ao repórter Kennedy Alencar. Nesta quinta-feira, Mangabeira apressou-se em escrever a Lula. Na carta, anotou que considera “sagrado” o posto de ministro.
Um dos pretextos invocados por Lula para tentar livrar-se de Mangabeira é uma ação judicial protocolada pelo "futuro-quase-ex-ministro" na Justiça dos EUA contra a Brasil Telecom. A empresa de telefonia tem como acionistas fundos de pensão de empresas estatais. Um detalhe tonificou o alegado mal-estar do presidente: Mangabeira deflagrou a ação depois de ter sido convidado a compor a Esplanada.
Na carta que enviou ao presidente, Mangabeira explica que só ingressou com a ação para tentar receber honorários que lhe seriam devidos pela empresa. Desejava liquidar sua pendência com a Brasil Telecom, segundo explicou, para evitar vinculações com negócios privados antes de assumir o ministério.
Mangabeira prestou consultoria à Brasil Telecom. Noves fora os créditos de que se julga credor, ele teria recebido cerca de R$ 2 milhões da empresa. Na correspondência a Lula, o filósofo admite abrir mão do dinheiro que reivindica na ação judicial. Considera “sagrado” o cargo de comandante da “Sealopra”, como a nova secretaria foi, jocosamente, apelidada.
No Senado, Marcelo Crivela (RJ), líder do PRB, partido ao qual Mangabeira está filiado, diz que a carta de Mangabeira a Lula encerra as dúvidas quanto à posse dele no primeiro escalão do governo, marcada para 13 de junho. Embora confirme o recebimento da correspondência do candidato a ministro, o Planalto ainda não disse o que Lula achou das explicações. De modo que Mangabeira, por ora, continua ostentando a incômoda condição de “futuro-quase-ex-ministro”.
A polêmica surge num momento em que Mangabeira limpa as gavetas na Universidade de Harvard, onde é professor. Antes, o filósofo tratara de limpar de sua coletânea de artigos um texto que havia publicado na Folha. Nele, chamara o governo Lula de “o mais corrupto” da história do país.
Escrito por Josias de Souza às 19h33
Em todos os episódios da vida é preciso raciocinar com hipóteses. No Brasil, uma pessoa que sai de casa para trabalhar, na pior das hipóteses, pode morrer de bala perdida e, na melhor das hipóteses, estará em casa à noite para assistir à novela das oito. Na crise em que se vê enredado o senador Renan Calheiros, a escolha das hipóteses é cada vez mais ampla.
A melhor das hipóteses é que a inocência do presidente do Congresso coincida com a enorme disposição que o Senado tem de lhe preservar o mandato. A pior das hipóteses é que, sendo produto do corporativismo que permeia a atividade parlamentar, a absolvição de Renan, já insinuada, aprofunde entre nós o distanciamento que separa o Congresso da opinião pública.
No mar de hipóteses que banham as costas largas de Renan Calheiros, a onda de suspeições fez, nesta quinta-feira (31), mais um movimento. Descobriu-se que a mesma Mendes Júnior que foi apontada como responsável pelo pagamento de contas pessoas de Renan, foi beneficiária de emendas orçamentárias apresentadas pelo senador.
Foram duas emendas. Uma apresentada em maio de 2004. Outra em junho de 2005. Destinaram verbas para a obra de um cais no porto de Maceió. Orçada em R$ 46,5 milhões e tisnada por uma decisão do TCU que apontou indícios de irregularidades no empreendimento, a obra é tocada pela Mendes Júnior.
Renan diz que não se lembra das emendas. A construtora informa que não as solicitou ao senador. Na melhor das hipóteses, tudo não passou de uma dessas inacreditáveis coincidências. Na pior das hipóteses, tem-se mais um exemplo das relações promíscuas que costumam ligar políticos brasileiros a interesses privados.
Escrito por Josias de Souza às 16h44
José Cruz/ABr
Bernard Shaw disse certa vez que EUA e Inglaterra são países separados por uma língua comum. Adaptando-se o raciocínio, é possível dizer que o Brasil situado do lado de dentro do Congresso e o Brasil do lado de fora são, também, dois países separados pela mesma língua.
Nesta quinta-feira (31), referindo-se ao colega Renan Calheiros (PMDB-AL), o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse: "Eu não quero condená-lo, quero absolvê-lo. Mas quero ter certeza que ele não vai ser pego na primeira esquina. Se ele deve, não posso fazer nada."
Ora, de um corregedor espera-se que aja com correção. O Brasil de fora não quer que Tuma analise as suspeitas que rondam o presidente do Congresso, o Brasil de dentro, com a disposição pré-concebida de “absolvê-lo”. Tampouco deseja que ele se debruce sobre as interrogações com o intuito de “condená-lo”. Roga-se apenas que seja isento.
Também nesta quinta-feira, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), transferiu para a Mesa diretora do Senado a decisão de dar curso ou não à representação do PSOL contra Renan. Alegou que o processo não poderia ter sido protocolado diretamente no Conselho de Ética. Teria de passar, primeiro, pela Mesa.
Sem mais delongas, o próprio Renan devolveu a representação ao conselho presidido por Sibá. Não poderia ter agido de maneira mais acertada. Resta agora confiar no discernimento dos senadores que integram o Conselho de Ética. De novo, espera-se que enfrentem as denúncias não com a disposição de absolver Renan, mas com a independência que o caso requer.
Escrito por Josias de Souza às 16h08

- Folha: STF decide que só União autoriza bingos
- Estadão: Receita devassa contas de 60 envolvidos no escândalo
- Globo: País perde R$ 40 bi por ano com obras superfaturadas
- Correio: Abin já vigiava as contas de Rondeau
- Valor: Governo prepara abertura de terras indígenas à mineração
- Estado de Minas: Justiça quebra sigilo da Operação Navalha
- Jornal do Commercio: É o fim dos bingos e loterias estaduais
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h20
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h45
Lula Marques/Folha
Deu-se na tarde desta quarta-feira (30). O deputado Clodovil “polêmica” Hernandez (PTC-SP) fez questão de cruzar os salões que separam a Câmara do Senado, para prestar solidariedade ao senador Renan “encrenca” Calheiros. Cochicharam longe dos jornalistas. Não se sabe o que um segredou ao outro. Suspeita-se que Clodovil tenha dito algo assim: "Meu bem, eu avisei. As mulheres ficaram muito vulgares. Trabalham deitadas e descansam em pé".
Escrito por Josias de Souza às 01h24
Receita abre auditoria contra suspeitos da ‘Navalha’
- Estão sendo esquadrinhados cerca de 60 contribuintes
- Lista inclui Renan, Rondeau e governadores de AL e MA
A Receita Federal decidiu esquadrinhar o patrimônio de todos os suspeitos da Operação Navalha. Entre pessoas físicas e jurídicas, encontram-se sob auditagem fiscal cerca de 60 contribuintes. A lista inclui o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL); o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau; e os governadores do Maranhão, Jackson Lago (PDT) e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB).
Centralizada pela Coordenação de Fiscalização da Receita, a investigação fiscal envolve unidades do fisco em nove Estados, São Paulo entre eles. Trata-se de procedimento idêntico ao que já fora adotado em relação aos cerca de 25 suspeitos da Operação Furacão, que desbaratou a máfia do jogo e da compra de sentenças judiciais.
Somando-se os suspeitos das duas operações, o número de contribuintes postos sob fiscalização chega a quase nove dezenas. Os procedimentos da Receita encontram-se em fase preliminar. As declarações de Imposto de Renda dos investigados estão sendo cotejadas com o patrimônio e com a movimentação bancária de cada um (estimada por meio da CPMF).
Só nos casos em que forem detectadas discrepâncias serão abertos procedimentos formais de fiscalização, o que obrigará o fisco enviar uma correspondência a cada contribuinte, intimando-os a explicar as incongruências. Vencida a fase do contraditório, serão autuados aqueles que tiverem incorrido em crime de sonegação fiscal. Dessa decisão, caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.
A fiscalização está em estágio mais avançado em relação à Construtora Gautama e algumas de suas subsidiárias. As empresas do empreiteiro Zuleido Veras já estavam sendo varejadas pela Receita antes que a Operação Navalha ganhasse o noticiário. Foram detectados indícios de sonegação. Os detalhes do processo são protegidos por sigilo fiscal.
No que diz respeito à Operação Furacão, a ação da Receita alcança os magistrados suspeitos de ter vendido sentenças judiciais à máfia do jogo. São eles: Paulo Medina, do STJ; José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira, do TRF do Rio; e Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT de Campinas.
Escrito por Josias de Souza às 22h29
Folha
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, notificou Lula, nesta quarta-feira (30), para que envie ao tribunal, em dez dias, explicações sobre a venda de duas refinarias da Petrobras ao governo da Bolívia. O presidente repassará o documento à Advocacia Geral da União, que se encarregará de responder à requisição do Supremo.
Marco Aurélio é o relator de um mandado de segurança ajuizado pelo líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), no dia 24 de maio. O deputado pede a anulação dos contratos firmados entre a estatal brasileira e o governo Evo Morales. Alega que as refinarias não poderiam ter sido vendidas sem a aprovação expressa do Congresso Nacional.
Pannunzio pediu ao Supremo que suspendesse o negócio por meio da concessão de uma liminar, decisão provisória, adotada antes do julgamento do mérito da ação. Escolhido por sorteio eletrônico para relatar o caso, Marco Aurélio achou prudente requisitar informações ao presidente da República.
Se quiser, Marco Aurélio pode julgar a ação do PSDB sozinho -monocraticamente, como dizem os advogados. Mas o ministro já decidiu que, dada a relevância do tema, levará o seu voto sobre o caso à deliberação conjunta do plenário do STF, composto por onze juízes. A sentença pode ficar para o segundo semestre.
Escrito por Josias de Souza às 19h19
Os senadores aprovaram na tarde desta quarta-feira (30) o aumento de seus próprios salários em 28,5%. A engorda de contracheques já havia sido referendada pela Câmara. O aumento será retroativo a 1o de abril. Além dos congressistas, foram beneficiados o presidente, o vice-presidente da República e os ministros.
O projeto segue agora para a promulgação do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Assim que o senador acomodar sua assinatura sobre o papel, o que deve ocorrer sem demora, a coisa começa a vigorar.
Noves fora todas as vantagens indiretas, o contracheque de deputados e senadores passa de R$ 12.847 para R$ 16.512,09. O de Lula vai de R$ 8.885 para R$ 11.420. Os vencimentos de José Alencar e dos ministros passarão de R$ 8.362 para R$ 10.748.
Continua inacreditavelmente aguçado, como se vê, o senso de oportunidade dos senadores. Entre todos os momentos, eles sempre sabem escolher o mais inoportuno.
Escrito por Josias de Souza às 18h31
Geraldo Alckmin desembarca no aeroporto de Cumbica no próximo sábado (2). Ele chega do auto-exílio de Boston (EUA) disposto a lapidar dois projetos: quer tornar-se presidente do PSDB, no final de 2007, e disputar a prefeitura de São Paulo, em 2008. Antes, planeja percorrer o país.
A pretexto de agradecer apoios que recebeu na fracassada cruzada presidencial de 2006, Alckmin tentará consolidar-se como um tucano de projeção nacional. Algo que considera essencial para a primeira fase de seu projeto pessoal: a substituição de Tasso Jereissati (CE) no comando do PSDB.
Os deputados Silvio Torres e Edson Aparecido, tucanos paulistas do grupo de Alckmin, organizam uma recepção para o ex-presidenciável. Esperam arrastar até o aeroporto de 80 a 100 pessoas. Foram convidados integrantes de diretórios paulistas e prefeitos do PSDB.
Alckmin decidiu que não irá assumir em público suas duas principais pretensões. Quer que a presidência do PSDB e a candidatura municipal lhe caiam no colo por merecimento, não por força de reivindicação pessoal.
Nos subterrâneos, Alckmin já informou aos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) que não alimenta pretensões de concorrer ao Planalto em 2010. Sabe que a fila andou. Já teve a sua chance em 2006. Com isso, esperar obter o apoio dos dois presidenciáveis do PSDB para suceder Jereissati.
Quanto à prefeitura paulistana, Alckmin teve um encontro reservado com Serra há cerca de quatro semanas. O governador viajou a Boston especialmente para acertar os ponteiros com o ex-governador.
Serra disse a Alckmin que tem um compromisso de apoiar, em 2008, o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato não-declarado à reeleição. Comprometeu-se, porém, em apoiar Alckmin caso ele decida candidatar-se à prefeitura. Algo que irá acontecer.
Assim, Alckmin tentará seguir as pegadas de Serra. Em 2002, depois de derrotado por Lula na disputa presidencial, Serra recolheu-se nos EUA. De volta, assumiu a presidência do PSDB. Em seguida, elegeu-se prefeito de São Paulo.
Na época da campanha, Serra prometera cumprir o mandato de prefeito até o final. Rasgou a promessa, assumida por escrito. Tentou candidatar-se à presidência. Batido por Alckmin numa disputa interna, concorreu ao governo do Estado.
Escrito por Josias de Souza às 17h26
Folha
Sibá Machado (PT-AC), eis o nome do senador que foi guindado nesta quarta-feira (30) à presidência do Conselho de Ética do Senado. Sibá, unha e carne com Renan, será o responsável pela condução do processo aberto contra o presidente do Congresso a partir de uma representação do PSOL.
Suplente de Mariana Silva (PT-AC), que se licenciou do Senado para tornar-se ministra do Meio ambiente, Sibá, um ex-agricultor, chegou ao Congresso sem amealhar um mísero voto. Agora, tem diante de si o caso da vida dele. Dependendo de como se comportar, pode plantar em sua biografia um abacaxi ou uma videira.
Mal foi eleito, Sibá já enfrenta as primeiras críticas. Foi alvejado no plenário do Senado por Pedro Simon (PMDB-RS). “Vamos viver na Comissão de Ética um momento complicado”, disse Simon. “É o presidente do Senado que vai a julgamento. Na presidência do conselho tinha que estar um sujeito acima de qualquer questionamento. Não entendo como, tendo a possibilidade de eleger alguém da estatura de Jefferson Peres (PDT-AM), o conselho fez a opção que fez”.
Simon foi aparteado pela líder do PT, Ideli Salvati (SC). Para ela, ninguém tem o direito de questionar antecipadamente o comportamento de Sibá. Sobretudo porque, na hora da eleição, nenhuma voz se levantou contra a escolha. Simon, porém, não se deu por achado. Lembrou que Sibá, como suplente, está, em verdade, nas mãos de Lula. Se ousar assumir uma posição que contrarie os interesses do Planalto, bastará ao presidente devolver Marina Silva ao Senado.
“Cansei de ver isso acontecer aqui no Congresso”, disse Simon. “Em votações importantes, no Senado e na Câmara, governadores e o próprio presidente mandam para cá secretários de Estado e ministros para substituir os seus suplentes.”
No calor do debate, Agripino Maia (RN), líder do DEM, interveio para dizer que “os olhos do Brasil estarão voltados para o senador Sibá”. É verdade. Mas mesmo com todos esses olhares grudados em si, o novo presidente do Conselho de Ética adotou como primeira providência a protelação.
Deu-se num instante em que os advogados de Renan Calheiros agregaram novas “provas” à defesa inconsistente feita pelo senador na última segunda-feira (28). Provas que, admitem os próprios defensores do presidente do Senado e do Congresso, não estão acompanhadas de recibos. Como se fosse pouco, num instante em que ninguém precisa mais de transparência do que ele próprio, Renan decidiu manter os novos papéis em sigilo.
De concreto, tem-se, por ora, o seguinte: num instante em que deveria esticar a coluna vertebral, o Senado ajoelhou-se diante da crise.
Escrito por Josias de Souza às 16h50
Renan Calheiros, como se sabe, não tem nada a ver com as traficâncias da Gautama e de toda aquela turma que gravitava em torno da arapuca de obras públicas. Mas os grampos da PF, de uma inconveniência sem igual, continuam gritando: Renan, Renan, Renan, Renan, Renan...
Nesta quarta-feira (30), os repórteres Leonardo Souza e Andréa Michael informam: Sérgio Sá, lobista da Gautama, jactava-se em seus diálogos telefônicos da intimidade que o ligava a Renan. E das vantagens que essa proximidade poderia render.
Num dos diálogos bisbilhotados pela polícia, Sá informa ao interlocutor que fora convidado para um almoço na casa de Renan. Em verdade, uma casa oficial, bancada pelo contribuinte.
Na mesma conversa, o lobista festeja o fato de que a Eletrobrás, estatal vinculada à pasta de Minas e Energia, ficaria nas mãos de Renan e de José Sarney (PMDB-AP). “O que, para nós, é muito bom”, disse ele ao telefone.
Sérgio Sá é aquele empresário que, em outra escuta telefônica, participa da articulação que resultou no envio de um envelope pardo para o ministério de Minas e Energia. Um envelope recheado, segundo a PF, com R$ 100 mil.
Escrito por Josias de Souza às 14h40

- Folha: Investigado por vazamento, número 2 da PF é afastado
- Estadão: Renan admite não ter prova e será investigado
- Globo: Renan diz não ter provas mas acordão pode salvá-lo
- Correio: PF corta na carne
- Valor: Aquisição de R$ 1,4 bi cria novo gigante do consumo
- Estado de Minas: Corrupção derruba o segundo homem da PF
- Jornal do Commercio: Caixa reduz juros para aposentados
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h43
Antônio Cruz/ABr
Poucos políticos têm mais interesse em preservar Renan Calheiros (PMDB-AL) do que Lula. O presidente do Congresso é, hoje, um dos mais valiosos e úteis aliados do Planalto. A despeito disso, o presidente da República afirma, em privado, que a capacidade do governo de socorrer o amigo é limitada. Nesta terça-feira (29), em conversa com um auxiliar, Lula disse: “O destino do Renan só depende do Renan”.
De acordo com o raciocínio de Lula, não há articulação capaz de socorrer o senador se ele próprio não for capaz de contrapor às acusações que permeiam o noticiário um lote de explicações convincentes. Lula afirma, em tom de lamento, que vigora na política brasileira o fenômeno da inversão da prova. Na Justiça, compara, cabe ao acusador provar a desonestidade do acusado. Na política, é o acusado quem tem de provar que é inocente. “É injusto”, diz o presidente, “mas é assim”.
Lula disse que fará o que estiver ao seu alcance para ajudar Renan. Em público, já declarou que considera o senador inocente, até prova em contrário. Mas afirma que qualquer esforço será vão se Renan não for capaz de se autodefender. A posição do presidente é compartilhada pela cúpula do PMDB. A direção do partido de Renan concluiu que, do ponto de vista institucional, não há o que fazer para acudir o presidente do Congresso.
Por ora, a única articulação em curso é patrocinada isoladamente pela bancada de senadores do PMDB. O movimento é comandado por Roseana Sarney (MA), líder do governo no Congresso, e por Romero Jucá (RR), líder de Lula no Senado. Arma-se para esta quarta-feira (30) uma reunião na casa de Roseana, para prestar solidariedade a Renan e tentar esboçar um plano de apoio a ele.
Entre os líderes partidários no Senado, governistas e oposicionistas, há enorme boa vontade com Renan. Mas há também uma avaliação quase unânime de que o discurso que ele leu no plenário, na segunda (28), foi capenga. Deixou sem explicação a origem do dinheiro repassado a Mônica Veloso antes de dezembro de 2005, quando Renan reconheceu formalmente a paternidade da filha que teve com a jornalista.
A situação do presidente do Congresso tornou-se mais delicada depois que o PSOL protocolou contra ele uma representação no Conselho de Ética do Senado. Avalia-se que Renan talvez não consiga se livrar do constrangimento de ter que depor diante do conselho nas próximas semanas.
Nesta terça, o próprio Renan reconheceu a um grupo de jornalistas que não tem como provar todas as transferências feitas a Mônica Veloso. Depois, em reunião com um grupo de líderes, informou que seus advogados preparam explicações adicionais. Acha que estarão prontas para divulgação até esta quinta-feira (31). Alguns dos líderes deixaram o gabinete de Renan ruminando o receio de que as novas justificativas não serão suficientes para aplacar o cerco da imprensa. “Se as provas existissem, o Renan as teria exibido no discurso”, disse um dos líderes ao blog.
Para complicar, os problemas de Renan não se limitam aos meandros financeiros de sua relação extraconjugal. Há o contencioso da Operação Navalha. Mesmo amigos do senador consideram que têm sido pífias as reações dele à acusação de que estaria vinculado aos interesses da quadrilha das obras públicas. Acham que ele teria de desqualificar publicamente Zuleido Veras, o dono da investigada Gautama. Algo que talvez não tenha condições de fazer sem arrostar o risco de uma retaliação.
“O Renan faz, nos dois casos, a defesa possível”, disse ao blog um grão-peemedebista. “O discurso do Senado foi curto, estudado. O problema é que a imprensa cobra dele bem mais do que o possível”. No Congresso e no Planalto, pronuncia-se uma expressão sintomática: “Fato novo”. Há um temor coletivo e reverencial de que, afora toda a encrenca que já assedia Renan Calheiros, surjam novas revelações que comprometam irremediavelmente o seu mandato.
Escrito por Josias de Souza às 01h15
· Hipótese de ação contra o senador no STF já é avaliada
Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional, foi guindado à condição de “suspeito” nas investigações da Operação Navalha. A Polícia Federal e o Ministério Público acreditam ter reunido um conjunto de indícios contra o senador. Já não excluem a hipótese de pedir a abertura de inquérito contra ele no STF.
O blog conversou nesta terça-feira (29) com um dos responsáveis pelas investigações. Revelou que o trabalho ainda deve durar entre dois e três meses. Informou também que uma das prioridades passou a ser a investigação de congressistas, entre eles Renan Calheiros.
Avalia-se que há no inquérito dados consistentes de que o presidente do Congresso aproveitou-se do mandato parlamentar para agir em benefício da empreiteira Gautama. Zuleido e Renan relacionam-se há cerca de três décadas. O empresário é doador de campanhas do senador.
Formalmente, Renan ainda não figura no inquérito como investigado. Para que isso ocorra, é preciso que o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza represente contra ele no STF, foro especial de congressistas. Na prática, porém, a rotina do senador já está sendo perscrutada pelos investigadores.
Argumenta-se que a investigação chegou a Renan por acaso. E os investigadores incorreriam em desídia se deixassem de analisar a eventual participação dele nas irregularidades. Embora os telefones do senador não tenham sido grampeados pela polícia, o nome dele surgiu num sem-número de diálogos travados por integrantes da máfia das obras públicas. Para complicar, um dos grampos captou a voz do próprio Renan, em diálogo com um dos investigados, o servidor da Caixa Econômica Federal Flávio Pin.
Para a PF, algo há restou evidenciado: Renan fez gestões junto ao governo federal para liberar verbas para obras sob suspeição. Entre elas a barragem do Rio Pratagy, em Maceió, tocada pela Gautama. Foi orçada em cerca de R$ 70 milhões. Desse total, o governo já liberou R$ 30 milhões. Deu-se no ano passado, em duas parcelas de R$ 15 milhões, uma em fevereiro e outra em julho.
Renan já admitiu ter atuado para liberar recursos em Brasília. Argumentou, porém, que agiu em defesa de seu Estado, a pedido de governadores alagoanos. Disse, de resto, que não cabe a ele verificar a regularidade na execução de obras públicas. A PF suspeita, porém que, dada a proximidade de Renan com integrantes da quadrilha, é improvável que ele não tivesse conhecimento das malfeitorias praticadas pela Gautama.
Além de Renan, os investigadores acreditam ter reunido indícios de envolvimento com a quadrilha de outros congressistas. Entre eles os deputados Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, e Paulo Magalhães (DEM-BA), sobrinho do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA). Contra este último há inclusive evidências de que teria recebido propina de R$ 20 mil da Gautama.
Farejando o cheiro de queimado, Renan Calheiros queixa-se, em privado, da movimentação da PF. Afirma que, sob influência do PT, a polícia vaza informações contra ele, a conta-gotas, com o intuito de enfraquecê-lo na coalizão que dá suporte a Lula no Congresso.
Escrito por Josias de Souza às 18h15
Jane de Araújo/Ag.Senado
Decorridas escassas 24 horas da defesa de Renan Calheiros, pronunciada desde a presidência do plenário do Senado, o senador admitiu: não tem como provar os repasses financeiros a Mônica Veloso antes de dezembro de 2005, quando reconheceu formalmente a paternidade de uma filha que teve com a jornalista. Ruim, muito ruim, péssimo.
É precisamente sobre essa fase pré-reconhecimento da paternidade que paira a grande dúvida. Renan foi acusado de ter suas despesas bancadas por Cláudio Gontijo, funcionário da empreiteira Mendes Júnior. O senador reconheceu que se valeu da intermediação do “amigo” Gontijo. Mas jurou que o dinheiro era seu.
Ora, se a grana foi mesmo provida pelo presidente do Congresso, há de ter saído de uma de suas contas bancárias. Ao dizer que não tem como provar a origem da pecúnia, Renan como que acomoda o cargo e o próprio mandato num vistoso cadafalso.
No discurso da véspera (íntegra aqui), o senador expôs documento que, segundo suas palavras, “desmentem que terceiros teriam pago a pensão por mim”. Bobagem. As novas afirmações de Renan apenas tonificam a enorme interrogação que sobreviveu à sua defesa.
Surgiram as primeiras sugestões para que Renan peça licença da presidência do Senado e do Congresso, para defender-se despido das prerrogativas do cargo. A tese foi defendida pelo senador Jefferson Peres (PDT-AM) e pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Renan ainda não se deu por achado. Aliás, ao pisar o mármore do hall de entrada do prédio do Congresso, na manhã desta terça-feira (29), o presidente da Casa tirou os pés da realidade. Os jornalistas o sitiaram. Perguntaram se pretendia pedir licença. E Renan: “Não. Não há nenhuma acusação contra mim”. Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 16h25
Folha
A Polícia Federal teve de fazer por ordem do STJ o que deixou de fazer por convicção, compromisso ou precaução. A ministra Eliana Calmon, responsável pela condução da Operação Navalha, determinou o afastamento, por 60 dias, de três servidores da PF. Entre eles o diretor-executivo Zulmar Pimentel (foto), segundo homem na instituição, abaixo apenas do diretor-geral Paulo Lacerda.
Além de Zulmar, a ordem da ministra Calmon alcançou César Nunes, superintendente da PF na Bahia, e Paulo Bezerra, um delegado federal que se licenciou da PF para tornar-se secretário de Segurança Pública do governo baiano, sob o petista Jaques Wagner.
Os três federais estão encrencados numa ação policial que deu origem à Operação Navalha. Chamava-se Operação Octopus, assim batizada em alusão a um gênero da família dos polvos, muito comum no Brasil. Apuravam-se os tentáculos de uma quadrilha que fraudava obras públicas na Bahia. Entre os investigados estavam servidores da PF. Súbito, as informações sigilosas do inquérito começaram a vazar.
Zulmar Pimentel é acusado de vazar dados sigilosos da investigação para João Batista Paiva Santana. Trata-se de um ex-superintendente da PF no Ceará. Era um dos alvos da Operação Polvo. Também os servidores César Nunes e Paulo Bezerra acabaram sendo avisados de que estavam na mira da apuração. O vazamento foi tão danoso que a investigação teve de ser suspensa. Decidiu-se, então, dar início à Operação Navalha, voltada exclusivamente a desvendar as malfeitorias perpetradas pela Gautama. Em nota, a PF disse que abrirá sindicância para apurar o caso.
A decisão mostrou-se acertada. Descobriu-se que os tentáculos da empreiteira de Zuleido Veras estendiam-se da Bahia para vários outros Estados, sob a proteção de uma densa e viscosa rede de proteção política. Levada ao freezer, a Operação Octopus converteu-se num constrangimento para a PF. Tão rigorosa com os suspeitos de outras plagas, a instituição acabou aliviando a barra dos seus suspeitos. Algo que a ministra Eliana Calmon tenta agora corrigir.
Trabalhando a todo vapor, a ministra do STJ intimou também outros três suspeitos ilustres cuja reputação é assediada pela lâmina da navalha: o ex-ministro Silas Rondeau, afilhado político dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL); além dos governadores Jackson Lago (PDT), do Maranhão; e Teotônio Vilela Flho (PSDB), de Alagoas.
Escrito por Josias de Souza às 15h03
Lula Marques/Folha
Em reunião realizada na manhã desta terça-feira (29), o PSOL decidiu solicitar à Comissão de Ética do Senado a abertura de uma investigação contra Renan Calheiros (PMDB-AL). O objetivo é apurar a quebra de decoro parlamentar, que pode levar à perda de mandado do presidente do Congresso.
A presidente do PSOL, ex-senadora Heloisa Helena (AL), telefonou há pouco para o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP). Informou acerca da decisão do partido. A representação será a primeira peça a ser analisada pelo conselho de ética, que toma posse nesta quarta-feira (30), em sessão presidida por Tuma.
“Nós levantamos todos os indícios de abuso das prerrogativas asseguradas ao parlamentar e crimes contra a administração pública”, disse Heloisa Helena ao blog. “Há indícios de que o senador pode ter incorrido em tráfico de influência, intermediação de interesses privados, exploração de prestígio e recebimento de vantagens indevidas. Tudo isso é incompatível com decoro parlamentar e pode levar à perda do mandato. Queremos que seja tudo apurado”.
O PSOL pede em sua representação a apuração dos dois casos em que se viu enredado o presidente do Congresso: o relacionamento de Renan com a Gautama e seu proprietário, Zuleido Veras; e a acusação de que um funcionário da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, teria bancado despesas pessoais do senador. O consórcio governista já se move para "blindar" Renan no Conselho de Ética.
Segundo Chico Alencar (RJ), líder do partido na Câmara, o PSOL pretende representar também contra outros congressistas encrencados na Operação Navalha: “Vamos buscar as informações necessárias para levar adiante outros pedidos.” Luciana Genro (PSOL-RS), também presente à reunião, afirmou que o PSOL tentará organizar manifestações que mobilizem a sociedade. Único modo, disse ela, de romper com o corporativismo que impera no Congresso.
Escrito por Josias de Souza às 12h25

- Folha: Renan se defende, mas não prova que dinheiro era seu
- Estadão: Explicações de Renan ao Senado serão apuradas
- Globo: Contradições não encerram investigações sobre Renan
- Correio: A cartada de Renan
- Valor: Pequenas e médias também buscam internacionalização
- Estado de Minas: Renan admite só pecado
- Jornal do Commercio: Assalto, tiroteio e pânico em Ipojuca
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h57
Em entrevista veiculada aqui no blog no último domingo (27), o ministro Tarso Genro disse que veria com bons olhos uma “retificação na legislação” que acabasse com o “sigilo processual”. Acha que, uma vez vencida a fase de investigação, em que o sigilo é indispensável, os autos dos inquéritos poderiam tornar-se peças de livre acesso.”
Eis o que declarou o ministro: “À medida que os advogados têm direito de acesso a tudo, não há nenhum motivo mais para o cerceamento da informação. Não faria nenhuma objeção a que houvesse alguma modificação legal nesse sentido. Acho até adequado”.
Flávio Pansieri, presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional, considerou “absurda” a declaração do ministro. “A não ser que realmente estejamos em um Estado Policial”, disse ele, “pois no estado democrático de direito onde deveríamos estar inseridos a idéia central é a tutela do cidadão e não a sua destruição perante a mídia para depois obter um pedido de desculpas pífio”.
Tarso dissera também no domingo que “99% do que se chama de vazamento não é vazamento. São informações que, no caso da Operação Navalha, na sexta-feira (19) já estavam em mãos de advogados. E ninguém pode impedi-los de divulgar. Eles o fazem inclusive com intuito de se tornar fontes para jornalistas ou de ajudar os seus clientes, deslocando o foco de atenção para outras pessoas”.
Pansieri abespinhou-se também com essa parte da entrevista do ministro. Acha que o reconhecimento de que apenas “parte das informações foi vazada pela PF é ainda mais preocupante”. Acrescentou: “Ainda não tenho notícias de nenhum afastamento de policiais envolvidos”.
Para Pansieri, “ao contrário do que pretende o ministro da Justiça, o Brasil deve cada vez mais tutelar o indivíduo com a vedação por completo da divulgação de quaisquer fatos que ainda não tenham transitado em julgado, garantia disciplinada em nossa carta constitucional como clausula pétrea."
O signatário do blog acha que o debate e proveitoso e deveria ser ampliado. De concreto, tem-se que, constitucional ou não, o sigilo dos processos converteu-se em segredo de polichinelo. Ademais, a experiência mostra que o trânsito em julgado dos casos de corrupção pode demorar, no Brasil, mais de uma década. Fica, então, a pergunta: quem vai tutelar o direito à informação dos brasileiros em dia com os seus impostos durante esse período?
Escrito por Josias de Souza às 01h51
A defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL), exposta nesta segunda-feira (28), no plenário do Senado, merece crédito apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. Ainda assim, a julgar pela reação de seus pares, o presidente do Congresso não deve sofrer nenhum tipo de reprimenda.
Para os governistas, as explicações de Renan acomodam uma pedra sobre as acusações que o assediam. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO) disse que as palavras do colega “encerram o caso”. O líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), declarou-se “satisfeito”. Considera que o episódio não deve ser levado ao Conselho de Ética da Casa.
A oposição condiciona eventuais desdobramentos ao surgimento de “fatos novos”. Agripino Maia (RN), líder do DEM, disse, por exemplo, que não tem “o direito” de duvidar das palavras de Renan. Aguarda, porém, pela análise dos dados que ele pôs à disposição do Senado e da imprensa.
Agripino recepcionou Renan em sua chegada ao Congresso. Estava incomodado com uma informação publicada aqui no blog. Em privado, Renan mostra-se contrariado com declarações de Agripino. Atribuíra ao colega, a quem derrotou na disputa pela presidência do Senado, a intenção de aproveitar-se de suas agruras para promover uma espécie de “terceiro turno” na Casa.
O líder do DEM questionou Renan sobre o assunto. Ouviu dele o seguinte: “Agripino, você é amigo do peito”. Agripino deu-se por satisfeito. Considerara injusta a avaliação atribuída a Renan. Acha que teve diante do episódio uma posição clara: dissera que as denúncias eram graves e condicionara uma avaliação definitiva às explicações que seriam dadas por Renan.
Pronunciada a defesa, os líderes do DEM e do PSDB aguardam agora o cotejo que será feito pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP). Enquanto Tuma não se pronuncia, vão se limitar a acompanhar o noticiário. Receiam que o tiroteio contra Renan vai continuar.
Escrito por Josias de Souza às 01h30
Sérgio Lima/Folha
Delúbio Soares foi condenado a devolver aos cofres públicos de Goiás a bagatela de R$ 164.695,51. A cifra refere-se aos salários que recebeu como professor da rede pública de ensino goiana num período em que, na verdade, prestava serviços ora à CUT ora ao diretório nacional do PT.
A condenação foi imposta pelo juiz Ari Ferreira de Queiroz, da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia. O processo foi aberto graças a uma ação civil ajuizada pelo Ministério Público. Sustentou-se na ação que, embora recebesse os vencimentos de professor, Delúbio nem mesmo residia em Goiás.
O ex-gestor das arcas do PT, expulso do partido nas pegadas do escândalo do mensalão, desfrutava de uma licença remunerada desde 1985. Em tese, encontrava-se cedido ao Sintego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás). Verificou-se, porém, que, longe de Goiás, o “professor” teve os vencimentos assegurados por falsos atestados de presença emitidos por ex-presidentes do sindicato.
Dois desses ex-presidentes, a propósito, foram condenados solidariamente a ressarcir os cofres do Estado. Neyde Aparecida da Silva dividirá com Delúbio o pagamento de R$ 90.185,29. Noeme Diná Silva repartirá um naco da conta calculado em R$ 74.510,22.
Delúbio, Neyde e Noeme ainda podem recorrer da decisão. Havendo Justiça no país, é improvável que um eventual recurso encontre abrigo. Aproveite-se, por oportuno, para repisar uma pergunta que muitos brasileiros devem estar se fazendo: de onde o companheiro Delúbio está retirando agora dinheiro para encher a geladeira?
Escrito por Josias de Souza às 00h10
· Segundo a PF, senador conversou com um dos suspeitos

A Polícia Federal acredita ter captado a voz do presidente do Congresso, Renan Calheiros, num dos diálogos bisbilhotados nos grampos telefônicos da Operação Navalha. A conversa ocorreu há cerca de dois meses, na segunda quinzena de março. O interlocutor de Renan era Flávio Pin, um funcionário da Caixa Econômica Federal suspeito de envolvimento com a máfia das obras públicas.
Flávio Pin é uma das 46 pessoas presas pela PF em 15 de maio. Foi posto em liberdade depois de prestar depoimento. Acusam-no de dar orientações técnicas à quadrilha que fraudava licitações e desviava verbas de obras públicas tocadas pela Gautama. No diálogo com Pin, Renan tratou justamente da liberação de recursos para uma obra em Alagoas.
Em dado instante do diálogo, de acordo com o que apurou o blog, o presidente do Congresso diz ao funcionário da Caixa que já conversara a respeito do assunto com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Mais: diz que trataria do tema também com Lula. O repórter não conseguiu saber a que obra se referia Renan. É algo que a própria PF tenta elucidar.
Sabia-se que o nome de Renan fora mencionado em vários diálogos travados por personagens investigados da Operação Navalha. Esta é, porém, a primeira vez que se tem notícia de que a voz do próprio senador consta de pelo menos um dos CDs que armazenam o resultado das interceptações telefônicas.
Até onde o blog conseguiu apurar, não há na gravação palavras que possam render imputações criminais contra Renan. Dentro da lassidão que caracteriza as relações de parlamentares governistas com o Executivo, o contato é visto como mera tentativa de um congressistas atrelado ao Planalto de defender os interesses do seu Estado.
Sob a ótica da PF, o diálogo entre Renan e Pin apenas reforça a impressão, a essa altura já consolidada, de que os negócios de Zuleido Veras contavam com uma densa rede de apoios políticos. Do ponto de vista de Renan, a conversa tonifica a sensação, também já sedimentada, de que o presidente do Congresso manteve uma perigosa proximidade com os interesses da Gautama.
O próprio Renan já admitiu ter intercedido junto ao governo em favor da liberação de dinheiro para obras da construtora, em Alagoas. Alegou que agiu a pedido de diferentes governadores do Estado. Nesta segunda-feira (28), antes que se soubesse que Renan mencionara o nome de Dilma em diálogo com o funcionário da Caixa, a chefe da Casa Civil desmereceu o conteúdo de um outro grampo que compõe o inquérito.
Trata-se de uma conversa entre dois ex-servidores do governo de Alagoas. Afirmam que Renan intercederia junto a Dilma, para incluir no PAC uma das obras confiadas à Gautama: a barragem do Rio Pratagy, em Maceió. A chefe da Casa Civil diz que Renan jamais a procurou para tratar do assunto. Afirma, de resto, que a obra já fora incluída no PAC em janeiro de 2007, três meses antes do diálogo dos funcionários da administração alagoana, que ocorreu em março.
Escrito por Josias de Souza às 22h27
Rogério Menescal, diretor de Recursos Hídricos do ministério da Integração Nacional pediu demissão nesta segunda-feira (28). O servidor antecipa-se, assim, a um afastamento já anunciado. Conforme noticiado aqui no blog no último sábado (26), o ministro Geddel Vieira Lima, titular da pasta, já decidira demitir Menescal.
O servidor fora à corda bamba depois que se descobriu que o nome dele havia sido mencionado, em 14 de março de 2007, num diálogo telefônico captado pelo grampo da Operação Navalha. Deu-se numa conversa entre Adeilson Teiceira Bezerra e Denisson de Luna, dois ex-assessores do governo de Alagoas detidos pela Polícia Federal em 15 de maio passado.
Entre as atribuições afetas à diretoria que vinha sendo comandada por Menescal estava a de liberar verbas para a obra da barragem do Rio Pratagy, em Maceió. Um empreendimento de R$ 77,78 milhões, tocado pela Gautama de Zuleido Veras. No telefonema interceptado pela escuta, Adeilson e Denisson falam sobre a necessidade de pedir a interferência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do irmão dele, deputado Olavo Calheiros (PMBB-AL), para segurar Menescal no ministério depois da posse de Geddel.
Incomodado, Geddel anunciara no final de semana a intenção de afastar “preventivamente” Menescal. Algo que não precisará mais fazer, já que o auxiliar achou melhor antecipar-se ao que se prenunciava como inevitável.
Escrito por Josias de Souza às 18h40
Sérgio Lima/Folha
Como previsto, Renan Calheiros (PMDB-AL), discursou no Senado, na tarde desta segunda-feira (28). Defendeu-se da acusação de que se servira de recursos de um lobista de empreiteira para pagar despesas decorrentes de uma relação extraconjugal. Relação da qual resultou o nascimento de uma filha. Algumas interrogações sobreviveram ao discurso. Manda o interesse público que sejam elucidadas urgentemente.
O escrutínio minucioso dos dados interessa especialmente a Renan. A um presidente de Legislativo, obviamente, não convém o convívio com a dúvida. Por isso, vão abaixo os pontos de interrogação que continuaram boiando no plenário do Senado depois da manifestação do senador:
1. Renan foi detalhista em relação aos fatos ocorridos depois de dezembro de 2005. Nesse mês, ele reconheceu formalmente a paternidade da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. Passou a pagar, então, pensão de R$ 3 mil à criança. Deu-se, segundo disse, por meio de chegue do Banco do Brasil, nos dois primeiros meses. A partir de 2006, afirmou, a importância passou a ser deduzida de seu contracheque no Senado. Está tudo documentado;
2. Antes disse, informou Renan, vinha prestando assistência à jornalista em valor maior: R$ 8 mil, mais o aluguel, primeiro de uma casa e depois de um apartamento, cujos valores esquivou-se de mencionar. Segundo a reportagem de Veja, que motivou a defesa, o desembolso do senador era maior: R$ 16.500, desdobrados em R$ 12 mil de pensão e R$ 4.500 do aluguel. Renan não negara esses valores antes, nem mesmo na nota oficial que divulgara na última sexta (25). Limitara-se a afirmar que o dinheiro saíra de seu bolso. No discurso, porém, esgrimiu cifras diferentes.
3. Diferentemente do que fez em relação às despesas posteriores a 2005, o senador eximiu-se de mencionar de qual banco saíram os recursos entregues à jornalista na fase anterior ao reconhecimento da paternidade. Limitou-se a reafirmar que saíram do seu bolso. E exibiu as declarações de IR, para demonstrar que tinha capacidade financeira para arcar com as despesas. Nada de cheques. Nem sinal de recebidos. Nenhum vestígio documental da origem do dinheiro. O esclarecimento cabal do episódio pede que sejam esmiuçados todos os desembolsos.
4. Renan esquivou-se, de resto, de esclarecer um outro tópico da reportagem de Veja. A notícia informara que, afora as despesas pessoais, o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, colocara à disposição do presidente do Congresso um flat no hotel Blue Tree. O texto foi específico. Trouxe até o número do apartamento: 2.018. Sobre isso, não se ouviu uma mísera palavra do senador.
5. O presidente do Senado deixou sem resposta, de resto, o noticiário acerca de seu relacionamento com Zuleido Veras, o chefão da máfia das obras públicas. Em verdade, o escândalo da Navalha não foi nem mesmo roçado no discurso do senador. O nome do empreiteiro tampouco foi citado. Nenhuma referência também às escutas telefônicas em que Renan é citado à farta.
O discurso teve outra impropriedade: embora falasse como senador, Renan leu a peça desde a cadeira de presidente. Deveria ter descido à tribuna. Terminado o pronunciamento, Renan socorreu-se de uma providencial intervenção de Romero Jucá (PMDB-RR), urdida previamente, para evitar os apartes dos colegas. Jucá pediu a suspensão da sessão, para que Renan pudesse ser cumprimentado. Foi prontamente atendido. E seguiu-se a fila de cumprimentos.
No pronunciamento, o presidente do Senado preocupou-se em arrastar para o campo pessoal a “pseudodenúncia” de que diz ter sido vítima. De fto, o relacionamento extraconjugal em que se viu enredado não interessa senão a ele própria e a sua família. Mas foi o próprio senador quem aceitou o risco de transformar o privado em público ao injetar no caso um personagem ligado a empreiteira com negócios na esfera governamental.
Assim, urge que o problema seja acomodado em pratos definitivamente limpos. O foro adequado para que isso seja feito é, num primeiro momento, a Corregedoria do Senado, a quem cabe analisar os dados abertos por Renan Calheiros. Espera-se que o faça com a isenção que o episódio requer. Não será por falta de matéria-prima que o corregedor Romeu Tuma (DEM-SP) deixará de agir. Em entrevista ao Jornal Nacional, o advogado da jornalista Mônica Veloso desmontou a versão de Renan (
assista).
Escrito por Josias de Souza às 17h16
AFP
A liberdade de expressão é como o ar. A maioria só se dá conta de que ela existe no momento em que é impedida de se expressar. Ou de respirar. No início da madrugada desta segunda-feira (28), o governo-companheiro de Hugo Chávez retirou do ar a RTCV, emissora de televisão mais antiga e de maior audiência da Venezuela.
Chávez já domina o Legislativo. O Judiciário venezuelano tem a independência de um poodle na coleira. Os meios de comunicação, por sua vez, passam a ter ampla e irrestrita liberdade. Estão absolutamente livres para concordar inteiramente com o regime do “socialismo do século 21”.
No lugar da RTCV, foi ao ar uma emissora bancada pelo Estado. A troca eletrificou as ruas de Caracas, tomadas por manifestantes contrários e favoráveis à decisão de Chávez. A América Latina não merecia o convívio com tamanho retrocesso.
Escrito por Josias de Souza às 15h32

- Folha: Grupo diz que contava com Renan para pressionar Dilma
- Estadão: Congresso reage e propõe mudar regras do Orçamento
- Globo: Investigação: Renan usa laranjas para ocultar bens
- Correio: Ministério Público vota hoje controle externo para a PF
- Valor: Governo planeja reduzir meta de inflação para 4%
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h28
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h32
- Senador abre IR para exibir ganho extra de R$ 636 mil
Sérgio Lima/Folha
Em discurso marcado para as 15h30 desta segunda-feira (28), o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentará jogar água na fervura que derrete sua autoridade há três dias. Ele planeja uma inversão de papéis. Quer passar de vilão a vítima. Dirá que episódios de sua vida pessoal foram distorcidos e transformados em munição política contra ele.
São duas as principais suspeitas que assediam o mandato de Renan: o relacionamento de três décadas que o une a Zuleido Veras, o chefão da encrencada Gautama; e a denúncia de que parte de suas despesas privadas foi bancada por Carlos Gontijo, lobista a serviço da empreiteira Mendes Júnior.
Recolhido à mansão que serve de residência oficial aos presidentes do Congresso, Renan dividiu-se neste domingo entre a preparação de seu discurso e o telefone. Fez questão de ligar para os outros 80 senadores. Instou-os a comparecer à sessão desta segunda, um dia em que o plenário costuma ficar às moscas. Espera receber o apoio de colegas, por meio de apartes ao seu discurso.
As palavras do discurso foram medidas com régua jurídica. Renan foi assessorado por três advogados. Avaliou-se que um deslize técnico poderia lhe custar o cargo e até o mandato. Deu-se prioridade à elucidação do elo financeiro entre o senador e o lobista da Mendes Júnior. Para tentar demonstrar que não haveria razão para se servir de verbas alheias, Renan vai exibir dados retirados de suas declarações de Imposto de Renda.
Reportagem de Veja, veiculada na sexta-feira (25), informou que o lobista Gontijo pagou, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, R$ 16.500 por mês à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha de três anos. Em dois anos, repassaram-se à jornalista, a título de aluguel de um apartamento e pensão para a filha, R$ 396 mil.
Para tentar demonstrar que não precisaria recorrer a terceiros, Renan dirá que sua renda não se limita ao salário de senador: R$ 12.700. Afirmará que possui ganhos com a atividade agropecuária. De acordo com as declarações de rendimentos que entregou à Receita Federal em 2005 e 2006, amealhou no setor R$ 201 mil num ano e R$ 435 mil no outro, num total de R$ 636 mil.
A versão de Renan tem, em sua face fiscal, pelo menos um ponto fraco: nas declarações de IR, o senador anotou repasses a Mônica Veloso em importância muito inferior aos R$ 198 mil anuais (R$ 16.500 por mês) que admite ter pagado à mãe de sua filha. Na declaração de 2005, Renan informou ao fisco que pagou à jornalista R$ 3 mil. Na de 2006, R$ 36.900. Por que o senador se eximiria de informar os valores reais se tinha rendimentos para tanto?
Mais: por que se valer da intermediação de Carlos Gontijo? Renan dirá se trata de um amigo de mais de mais de duas décadas. Informará que recorreu a ele porque desejava manter discrição sobre o relacionamento com a jornalista e porque ele também conhece Mônica Veloso. Curioso que o senador não tenha optado por realizar as transferências bancárias à jornalista via internet. O computador pessoal decerto teria sido bem mais discreto do que um lobista de empreiteira. Curioso também que não tenha preferido utilizar os bons préstimos de um dos tantos assessores de confiança que o rodeiam em seu gabinete.
Renan tornaria mais densa sua peça de defesa se a ela anexasse, além do IR, extratos ou boletos bancárias que registrassem a retirada mensal da mesada à jornalista. O dinheiro, a julgar pelo que diz, há de ter saído de uma de suas contas bancárias. São esses documentos que os senadores esperam ver exibidos na defesa desta segunda-feira. A alguns dos colegas com os quais conversou pelo telefone, Renan afirmou que vai mostrar. A outros, não mencionou o assunto.
Inicialmente, Renan tinha dúvidas quanto à inclusão de Zuleido Veras no discurso. Foi convencido por assessores de que a menção ao empreiteiro seria vital. O nome do senador é mencionado num sem-número de conversas telefônicas grampeadas pela PF. Renan reconhecerá que intermediou a liberação de verbas para obras tocadas pela Gautama, em Alagoas. Mas repetirá que agiu a pedido dos governadores de seu Estado.
De resto, para evitar que a preocupação jurídica emprestasse ao seu discurso um timbre excessivamente técnico, Renan temperou-o com pitadas de políticas. Insinuará que adversários tentam se valer de fatos pessoais distorcidos para desprestigiá-lo. No discurso, no deve dar nome aos bois. Em privado, acusa o PT. Menciona também o DEM, cujo líder, Agripino Maia (RN), perdeu para ele a disputa pela presidência do Senado e estaria interessado num "terceiro turno". Sobre a revista Veja, dirá que a liberdade de imprensa precisa ser exercida com responsabilidade.
Escrito por Josias de Souza às 00h35
Composição L/Georges Rado
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse ao blog que veria com bons olhos uma “retificação na legislação” que acabasse com o “sigilo processual”, que restringe o acesso aos inquéritos. Ele avalia que, vencida a fase de investigação, em que o sigilo é indispensável, os processos poderiam tornar-se peças de livre acesso.
“À medida que os advogados têm direito de acesso a tudo, não há nenhum motivo mais para o cerceamento da informação. Não faria nenhuma objeção a que houvesse alguma modificação legal nesse sentido. Acho até adequado. No momento em que os advogados têm acesso aos autos, não vejo mais motivo para que o processo se mantenha sigiloso”.
Impregnado de informações recolhidas nos inquéritos supostamente protegidos por sigilo judicial, o noticiário dos últimos dias evidencia que os dados dos processos tornaram-se segredos de polichinelo. Chegam às redações dos meios de comunicação em conta-gotas. Alguns suspeitos ganham maior notoriedade do que outros, a depender dos humores de quem vaza.
Acossado por críticas da OAB e dos próprios partidos que integram o consórcio governista, Tarso afirma: “99% do que se chama de vazamento não é vazamento. São informações que, no caso da Operação Navalha, na sexta-feira (19) já estavam em mãos de advogados. E ninguém pode impedi-los de divulgar. Eles o fazem inclusive com intuito de se tornar fontes para jornalistas ou de ajudar os seus clientes, deslocando o foco de atenção para outras pessoas. A maior parte não foi vazamento da PF”.
A despeito de sua convicção, o ministro tenta, a pedido de Lula, identificar eventuais fontes de vazamento abrigadas na Polícia Federal: “Eu recebi uma queixa do pessoal da TV Record de que o material [do inquérito da Operação Navalha] foi entregue, um dia antes, para uma outra emissora e só posteriormente para a TV Record [a ‘outra emissora’ que o ministro evita nomear é a TV Globo]”.
“Se isto ocorreu”, prossegue o ministro, “então não é impossível que alguém tenha passado a informação com o intuito de prejudicar algum adversário político ou um determinado setor partidário em detrimento de outro. Se houve essa falha, obviamente não foi uma falha da instituição Polícia Federal, mas de um indivíduo específico.”
As críticas aos vazamentos tonificaram-se na semana passada. Foram ouvidas no Congresso e no próprio Planalto, em reunião de Lula com os dirigentes dos partidos que o apóiam. Presente ao encontro, Tarso disse ao presidente da República: “Não tenho condições de dar a resposta pronta para isso. Só quem poderia responder seria o jornalista. E o jornalista tem o direito de investigar. Mas o servidor tem o dever de não entregar, Ele está regulado por normas segundo as quais ele não pode tratar de forma desigual nem os jornalistas nem as personalidades políticas eventualmente envolvidas num processo”.
Provocado pelo repórter, Tarso respondeu às queixas do ministro Gilmar Mendes, do STF. Insinuou-se que o nome de Mendes constaria da relação de pessoas premiadas com “mimos” da empresa Gautama. Era, em verdade, um homônimo do ministro. Abespinhado, Mendes tachou os métodos da PF de “fascistas”. E chamou de “canalhice” a tentativa de intimidá-lo.
Eis o que disse Tarso: “O ministro estava justamente indignado porque alguém plantou, depois que o processo foi aberto para os advogados, notícias a respeito do mele que eram totalmente inverídicas. Eu acolho as observações que ele fez como uma reação justa de uma pessoa indignada. Mas é preciso dizer que o inquérito não tem nenhum paralelo com qualquer tipo de prática autoritária. O que pode ter paralelo é o uso malévolo que uma pessoa fez de uma informação distorcida a respeito dele. Isso, sim, é uma prática fascista. Mas uma prática fascista de um indivíduo, não da instituição Polícia Federal”.
Escrito por Josias de Souza às 19h00
Ricardo Nogueira/Folha
Por determinação do ministro Tarso Genro (Justiça), instituiu-se um grupo de trabalho para analisar se há ou não procedência nas críticas que vêm sendo feitas ao trabalho da Polícia Federal. “Estamos verificando se é necessário mudar algum procedimento formal, por meio de portarias. Em princípio, creio que certos procedimentos, dentro da lei, podem ter certa maleabilidade”, disse Tarso ao blog neste domingo.
Num instante em que o noticiário está apinhado de presos ilustres -advogados, empresários, procuradores e políticos-, analisa-se a hipótese de atenuar a carga de humilhação embutida no ato de prisão. O ministro menciona algo que, na sua opinião, pode ser objeto de revisão: “Se a pessoa que está sendo presa pedir para não ser exposta publicamente, havendo como fazer isso, não vejo razões para não fazer”.
Tarso lembra que o preso, na maior parte das vezes, não é um condenado. É recolhido pela polícia, mediante ordem judicial, para depor no inquérito. Só depois se decidirá se a denúncia vai ou não ser oferecida à Justiça, que fará o julgamento. “Acho que é possível, em determinadas circunstâncias, fazer esta maleabilidade”.
Outra possibilidade em estudo é a de humanizar o transporte dos presos. Em vez de serem lançados na traseira dos tradicionais camburões, seriam conduzidos ao xadrez sentados, em veículos diferentes dos atuais. O uso de algemas também é objeto de análise. Mas neste caso, Tarso considera que são mais limitadas as possibilidades de mudança.
Diz o ministro da Justiça: “Se uma pessoa que se entrega voluntariamente à polícia, minha opinião é a de que não precisa ser algemada. Mas se ela está sendo detida, seja uma pessoa de alta representação social ou uma pessoa que tenha um histórico violento, é preciso levar em conta que essa pessoa pode se desequilibrar na hora da prisão. Um pelo choque da sua situação social. Outro porque é violento. E o ato de prisão tem que gerar duas seguranças: a do aprisionado e a do agente”.
“Qual é a mediação que vamos conseguir nisso?”, pergunta Tarso. Ele mesmo responde: “Não temos ainda uma saída. Já pedi para o delegado Paulo Lacerda [diretor-geral da PF] para estudar essa questão. Meu pessoal também está estudando”
Tarso faz duas ponderações: 1) qualquer tipo de alteração que vier a ser feita valerá tanto para presos ilustre quanto para detidos pobres. 2) “Não vamos fazer nenhuma mudança com a urgência da resposta às queixas que foram dirigidas às últimas operações da Polícia Federal”.
De resto, o ministro defende enfaticamente a ação da PF: “O trabalho foi correto, não tem nenhum vício nos inquéritos. Os advogados tiveram rapidamente acesso aos acusados e aos processos. Os presos estão depondo sob a tutela do juiz. Todo o processo foi controlado pela procuradoria. Ou seja, essas queixas vão surtir efeitos para a gente estudar a existência de eventuais problemas e melhorá-los. Mas não vamos transformar isso em uma descaracterização dos inquéritos. Isso seria um desserviço ao interesse público”.
Escrito por Josias de Souza às 18h00
- Convidado, Teotônio Vilela Filho amarga suspeição da PF
O PSDB realiza nesta segunda-feira (28) o seminário inaugural do processo de reformulação do partido. Idealizado como um evento apoteótico, a reunião acabou impondo ao tucanato um constrangimento inesperado. Um dos convidados, Teotônio Vilela Filho, governador de Alagoas, foi alcançado pela lâmina da navalha manejada pelo ministério Público e pela Polícia Federal.
Para complicar, festeja-se no dia do seminário o aniversário de 90 anos de Teotônio Vilela (1917-1983), o pai (foto) do governador tucano, ícone da luta pela anistia e pela redemocratização do país. Para desassossego da cúpula do PSDB, Teotônio Vilela, o filho, confirmou presença. O grão-tucanato cogitou adiar o evento. Mas decidiu mantê-lo. Em privado, líderes do partido torcem para que o governador alagoano não dê as caras.
Teotônio Filho frequenta as páginas do inquérito da Operação Navalha na condição de suspeito. A PF sustenta que o governador tucano teve pelo menos três encontros com Zuleido Veras, o chefão da máfia das obras públicas. Um deles ocorreu em 26 de abril de 2007, no gabinete do senador João Tenório (PSDB-AL), no Congresso. Tenório é genro de Teotônio.
Zuleido e Teotônio trataram da alça viária de Maceió, uma obra pendente de licitação, que o dono da Gautama queria que fosse incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Na reunião monitorada pela PF, lero vai, lero vem, o governador queixou-se de que o empreiteiro da Navalha só trabalhava com "dinheiro grande". E Zuleido: “Não trabalho com governador fraco.”
Em entrevista, Teotônio confirmou que teve “vários encontros” com Zuleido. Admitiu o diálogo do “dinheiro grande” e do “governador fraco”. Mas assegurou que não deu curso aos pedidos do dono da Gautama. Os grampos da PF sugerem, porém, o contrário.
Em diálogo telefônico captado pela escuta da polícia, Enéas de Alencastro (chefe da representação de Alagoas em Brasília) e Denisson Tenório (subsecretário da Infra-Estrutura da gestão de Teotônio), insinuam que o governador ordenara que a obra da alça viária fosse entregue à Gautama. Teotônio negou que houvesse dado tal orientação. E afastou os auxiliares, depois que eles foram recolhidos à carceragem da PF, em 18 de maio.
O PSDB levou ao seu portal na internet dois textos sobre o encontro desta segunda. Num deles, fala da homenagem a Teotônio pai. Noutro, dá detalhes do seminário. Informa, por exemplo, que haverá, na parte da tarde, um “debate com os governadores tucanos”. Exime-se, porém, de mencionar o nome dos convidados, entre eles Teotônio Filho. Limita-se a anotar que o debate será coordenado pelo senador Marconi Perillo (GO), ex-governador de Goiás.
Reservadamente, líderes tucanos discutiram nos últimos dias o comportamento que o PSDB deveria adotar em relação ao seu governador encrencado. Até aqui, foram tímidas as manifestações de desagravo a Teotônio. Avalia-se que, presente ou ausente, o tucano vitimado pela navalha terá de merecer meia dúzia de palavras de apoio de seus correligionários. Como falar do pai sem mencionar o filho?
Dois dos palestrantes mais festejados do seminário tucano, Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, Ruth Cardoso, hospedaram-se na casa do governador Teotônio no feriadão do final do ano de 2006. Em Alagoas, FHC excedeu-se nos elogios ao anfitrião, cuja eleição, disse, representava a inauguração de novos tempos para os alagoanos.
Nos últimos dias, não se ouviu do ex-presidente tucano nenhuma palavra de conforto ao companheiro sob investigação. Nesta segunda, o silêncio de FHC soaria, no mínimo, como uma rematada descortesia. De outra parte, elogios desmedidos a um personagem que pode ser irremediavelmente implicado nas investigações da Operação Navalha, poderia resultar num gesto temerário. Daí o desconforto e o constrangimento.
Escrito por Josias de Souza às 01h59

- Folha: Lobby da Gautama atuava em ao menos 6 ministérios
- Estadão: Custo indireto da corrupção chega a R$ 1,5 bilhão por ano
- Globo: Juízes propõem prioridade para casos de corrupção
- Correio: Zuleido se cala, irrita ministra e fica preso
- Valor: Obra própria puxa demanda dos materiais de construção
- Jornal do Commercio: Fiéis rendem graças a Frei Damião
- Veja: Navalha na carne
- Época: Por que o combate à corrupção está melhorando o Brasil
- IstoÉ: Os peixes graúdos
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Escrito por Josias de Souza às 01h53
Jean
Escrito por Josias de Souza às 01h51
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