Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Lula oferece Previdência a Temer, que rejeita

  Leopoldo Silva/Folha Imagem
A pedido de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) ofereceu ao presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o ministério da Previdência. Temer recusou a oferta, que havia sido feita na última segunda-feira (26), em reunião no Planalto. Nesta quarta-feira (28), Tarso voltou ao tema, pelo telefone. E Temer, de novo, rejeitou a hipótese de virar ministro.

 

Por trás do oferecimento de um ministério a Temer estão dois objetivos: o primeiro é o de retirá-lo da disputa pela presidência do PMDB, abrindo espaço para a ascensão ao posto de Nelson Jobim, o preferido de Lula. O segundo objetivo é o de empurrar o PMDB para a pasta da Previdência, abrindo caminho para a nomeação do sanitarista José Gomes Temporão, apadrinhado pelo governador Sérgio Cabral (RJ).

 

Na reunião de segunda-feira, Tarso reafirmara a Temer a preferência de Lula pelo nome de Temporão. O PMDB resiste à idéia. Prefere a nomeação de um deputado para a Saúde. E se dispõe a acomodar Temporão na secretaria-executiva, o segundo posto da hierarquia do ministério.

 

Conversa vai, conversa vem, o ministro sondou Temer sobre a hipótese de ele próprio tornar-se ministro. Seria uma forma de resolver o impasse com Nelson Jobim. Temer soou taxativo. Disse que não poderia aceitar um ministério. Primeiro porque está convencido de que derrotará Jobim na briga pelo comando do partido. Segundo porque dialoga com o Planalto para “encaixar” o PMDB no governo, não para obter um cargo para si próprio.

 

Tarso e Temer voltaram a se encontrar na terça (27). Nada se falou acerca da Previdência. Mas, nesta quarta (28), em telefonema a Temer, Tarso retomou o assunto. De novo, ouviu uma recusa de Temer. Pior: o deputado mencionou o fato de que a Previdência não é o ministério dos sonhos da bancada do PMDB na Câmara.

 

De fato, os deputados continuam mirando na Saúde. Acham que Lula acabará se convencendo de que a insistência em Temporão lhe traz mais problemas do que soluções. Mas, para o caso de o presidente insistir na nomeação do apadrinhado de Sérgio Cabral, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, oferecerá um leque de alternativas para compensar os seus liderados.

 

Entre essas alternativas estão a entrega a um deputado do PMDB de ministérios como o das Cidades, já disputado pelo PT e pelo PP; a pasta dos Transportes, já prometida ao PR; e a da Educação, onde Lula cogita manter Fernando Haddad.

Escrito por Josias de Souza às 19h53

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AMB lança cartilha didática sobre reforma política

A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) anunciou nesta quarta-feira (28) uma novidade digna de nota: a entidade dos juízes editou uma cartilha com o bêabá da reforma política. Traz para uma linguagem acessível a qualquer criança de cinco anos uma terminologia que só políticos e jornalistas costumam dominar.

A cartilha tem a vantagem de não tomar posição. Apresenta os quesitos básicos da reforma, com os seus prós e contras. E deixa as conclusões a cargo dos leitores. Veja-se, por exemplo, a encrenca do voto em lista. A cartilha da AMB a define assim:

O que é? No sistema proporcional (em vigor), a gente vota no candidato, mas as vagas são preenchidas pelos partidos políticos que tenham recebido mais votos. Dentro de cada partido, eles distribuem as cadeiras aos candidatos mais votados. No sistema

chamado “voto em lista”, que valeria para vereadores e deputados, o eleitor não

vota no candidato. Vota só no partido, e o partido é que faz e aprova a lista com os nomes de seus candidatos.

 

O que muda? O eleitor passa a prestar mais atenção nas propostas dos partidos que nos candidatos.

 

Quais são os prós? Força os políticos a se engajarem mais na vida partidária, na tentativa de encabeçar a lista; Partidos ficam mais fortes porque o eleitor vai fazer opção partidária; Campanhas podem ficar mais baratas porque o candidato se elege sem publicidade pessoal cara; Fiscalização e controle de gastos eleitorais pela Justiça Eleitoral serão facilitados porque contas de listas partidárias serão em número menor.

 

Quais são os contras? Eleitor perde o poder de escolher seu candidato, o que torna mais frágil o vínculo dos representantes com aqueles a quem representam; Poder econômico continua forte porque poderá comprar lugares na lista. Caciques partidários podem preencher a lista com familiares e apadrinhados, sem dar vez a novos líderes: Definição das listas pode causar guerra partidária.

 

O sistema de listas é o preferido, por exemplo, do governo e do PT. Quem lê a cartilha, com um mínimo de reflexão, pode concluir o seguinte: a votação em lista retira poder do eleitor, transferindo-o para a cúpula dos partidos. Supondo-se, por exemplo, que José Dirceu e Roberto Jefferson não tivessem sido cassados pela Câmara, eles encabeçariam as listas do PT e do PTB. Votando nesses partidos, o eleitor estaria devolvendo ao legislativo os dois principais protagonistas do enredo do mensalão.

 

A primeira edição da cartilha da AMB teve uma tiragem de 200 mil exemplares. Serão distribuídos gratuitamente aos interessados, inclusive aos parlamentares. A peça está disponível também na Internet. Pressione aqui se quiser ler.

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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STF libera supersalários do Judiciário estadual

Em decisão liminar (provisória), o plenário do STF aumentou, nesta quarta-feira (28), o pé-direito dos salários pagos a juízes federais e desembargadores dos tribunais de Justiça. Derrubou-se o subteto de R$ 22.111. Fixou-se a remuneração máxima em R$ 24.500, que é o teto remuneratório dos próprios ministros do Supremo e do Poder Executivo.

 

O subteto derrubado pelo STF fora fixado no ano passado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Levantamento divulgado em novembro demonstrou que 19 tribunais pagavam salários acima do teto. O CNJ determinou o rebaixamento. Vários tribunais deram de ombros.

 

A AMB (associação dos Magistrados do Brasil) recorreu ao Supremo contra a decisão do CNJ. Daí a decisão do tribunal. Os ministros que integram o plenário do STF consideraram que Poder Judiciário brasileiro é um só. E, por isso não poderia tratar de forma desigual os magistrados e desembargadores.

 

A reviravolta está agora pendente do julgamento definitivo da causa, cuja data ainda não foi marcada. Até lá juízes e magistrados continuam desfrutando do teto ampliado.  

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Saiu o PIBinho de 2006: crescimento foi de 2,9%

  Glauco
Conforme noticiado aqui no blog, ficou abaixo de 3% a taxa de crescimento do PIB no ano da graça de 2006. O IBGE cravou 2,9%.
Com esse índice, a economia brasileira completa mais de uma década de crescimento abaixo da média mundial.  

 

De 1996 a 2006 o mundo cresceu, em média, 4% ao ano. No Brasil, a média de crescimento foi de 2,3% ao ano. Em todo esse período, a economia brasileira não logrou crescer mais ou no mesmo ritmo da economia global em nenhum mísero ano.

 

Comparando-se Lula com FHC, tem-se o seguinte: entre 2003 e 2006, sob Lula, o PIB brasileiro cresceu a uma média anual de 2,6%. É praticamente a mesma média anual, 2,57%, anotada ao longo do primeiro mandato de FHC (1995-1998). No segundo mandato de FHC (1999-2002), a taxa média de crescimento anual do PIB foi de 2,09%.

Não há de ser nada. O Brasil não está mais a pé. Agora o país dispõe do PAC. De resto, vem aí a mudança na metodologia usada pelo IBGE para calcular o PIB. Será anunciada em março.

Em viagem a Pernambuco, Lula esquivou-se de encarar o PIB em seu discurso. Mas afirmou que a economia brasileira “vive um momento de solidez que pode significar um atrativo enorme para as pessoas de outros países que acreditem que o Brasil é um porto seguro para os seus investimentos.”

 

Para o presidente, o país está, agora, pronto para atrair investimentos e crescer. "As condições estão dadas: o Brasil está preparado, a confiança do mundo empresarial é muito grande, a disposição do governo de fazer todas as coisas possíveis para atrair investimentos será concretizada."

 

A tática é conhecida. A cada PIB miúdo servido no presente, cuida-se de levantar o PIB futuro. Cada um que dê à quiromancia a atenção que bem entender. Mas vai aqui um lembrete aos desavisados. Em junho de 2005, Lula disse:

 

“Não sou economista, não sou especialista, mas vou dizer: neste ano a gente vai surpreender outra vez. (...) Não tem por que 2005 não ser o ano mais importante da década neste país (...). Penso que poderemos crescer 5% ou um pouco mais."

 

O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse ter conversado, pelo telefone, com Lula. Achou-o otimista. E instou os jornalistas a seguirem o exemplo do chefe. "Vocês são jornalistas de pouca fé", disse o ministro. "Com o PAC, nós temos muitas informações positivas. O estado de espírito dos agentes está melhorando."

Escrito por Josias de Souza às 12h40

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As manchetes desta quarta

- Folha: China derruba Bolsas no mundo

- Estadão: China derruba mercados mundiais

- Globo: Número de homicídios cresce mais no interior

- Correio: O alerta vermelho

- Valor: China provoca tensão nos mercados e fuga do risco

- Jornal do Commercio (PE): Estado suspende projeto e jovens voltam às ruas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Alimentando os aliado$!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Fracassa tentativa de acordo entre Temer e Jobim

Resultou em fracasso a tentativa de promover um acordo que evite a disputa entre o deputado Michel Temer (SP) e o ex-presidente do STF Nelson Jobim (RS) pela presidência do PMDB, o maior partido da coalizão governista. A articulação esbarrou na recusa de Temer de abrir mão da própria candidatura, convertendo-se em vice na chapa encabeçada por Jobim.

 

Coube ao governador peemedebista do Rio, Sérgio Cabral, a iniciativa da malsucedida articulação. Reuniram-se em almoço, no Palácio das Laranjeiras, Jobim e cinco dos sete governadores do PMDB. Além do anfitrião Cabral, estiveram na sede do governo fluminense: Luiz Henrique da Silveira (SC), Marcelo Miranda (Tocantins), Eduardo Braga (Amazonas) e Roberto Requião (Paraná).

 

Ao final da reunião-almoço, Cabral vendeu, em entrevista, a tese de que os governadores do PMDB fecharam com Jobim. Insinuou que mesmos os ausentes –Paulo Hartung (ES) e André Puccinelli (MS)—estariam com o ex-presidente do Supremo, contra Temer. Não é bem assim.

 

Ao sair do Laranjeiras, Luiz Henrique apressou-se em telefonar para Temer. Disse-lhe que, no encontro, defendera a busca do entendimento. Mas deixara claro que a conciliação passa pela reeleição de Temer para uma um novo mandato na presidência do PMDB. Quanto aos ausentes, tanto o capixaba Hartung quanto o sul-mato-grossense Puccinelli são computados por Temer como seus aliados.

 

O malogro da costura de Cabral foi sacramentado num telefonema a Temer. O governador discou para o deputado num instante em que ainda desfrutava da companhia de Roberto Requião, Eduardo Braga e Marcelo Miranda. Esclareceu a Temer que o telefone estava em viva-voz.

 

Cabral abriu a conversa com elogios a Temer e aos “relevantes serviços” prestados ao partido. Em seguida, sondou-o sobre a possibilidade de aceitar um acordo. Temer pôs-se de acordo, desde que seja ele o beneficiário do entendimento. Lembrou que já deixara claro que deseja presidir o PMDB por mais dois anos. Em seguida, abriria o caminho para Jobim.

 

Nesse ponto da conversa, Cabral foi à jugular: “Mas você não topa inverter isso?” Ou seja, propôs que Jobim fosse acomodado no comando do partido no biênio 2007-2008. Depois, para o período de 2009 a 2010, Temer retornaria. O deputado seria acomodado na chapa do adversário, como vice. Temer foi taxativo: “Não posso inverter.” Contra-atacou dispondo-se a abrir vaga para Jobim na sua chapa.

 

Sentindo o cheiro de impasse, Eduardo Braga, o governador do Amazonas, interveio: “Será que não seria interessante fazermos uma reunião dos governadores com você e o Jobim?” E Temer: “Estou inteiramente às ordens, na hora que vocês quiserem.” Cabral ficou de conversar com Jobim, para agendar o encontro.

 

A julgar pelo que Temer disse aos apoiadores de sua reeleição, a hipótese de que venha a desistir da disputa é nula. O deputado mostra-se convencido de que já arrastou para o seu lado a maioria dos 553 delegados com direito a voto na convenção do PMDB, marcada para 11 de março.

 

Os partidários de Temer mencionam exemplos que consideram emblemáticos. O Rio de Sérgio Cabral enviará à convenção 77 delegados, dos quais 66 assinaram manifesto de apoio a Temer. O Tocantins de Marcelo Miranda possui 12 delegados. Oito estariam fechados com Temer. O Amazonas de Eduardo Braga tem nove votos. Temer trabalha com a perspectiva de atrair para o seu lado cinco dos delegados amazonenses. Esgrimindo esses números, o grupo do atual presidente do PMDB atribui importância relativa à posição dos governadores que se alinham a Nelson Jobim, o nome preferido de Lula.

 

PS.: No front ministerial, o PMDB decidiu abrir mão de indicar um deputado para a pasta da Saúde. Deixou Lula à vontade para nomear o sanitarista José Gomes Temporão, apadrinhado por Cabral. Porém, reivindica a indicação de um deputado para outra pasta, a ser definida. Em vez de dimunir, a encrenca de Lula aumentou.

Escrito por Josias de Souza às 01h43

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Pedida a primeira CPI do segundo mandato de Lula

 El Roto/El Pais
 

 

O PSDB protocolou na Mesa diretora da Câmara, na noite desta terça-feira (27), um requerimento de abertura de CPI, a primeira da nova legislatura e do segundo mandato de Lula. O objetivo é apurar as “causas”, as “conseqüências” e os “responsáveis” pela crise do setor aéreo.

 

Os autores do pedido são dois deputados tucanos: Vanderlei Macris (PSDB–SP) e Otávio Leite (PSDB-RJ). Cabe agora ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) decidir se a CPI será ou não instalada. A decisão é política. Mas requer um mínimo de embasamento técnico.

 

O requerimento do tucanato está escorado na Constituição. Reza o texto constitucional, no parágrafo terceiro do artigo 58, que uma CPI, para ser instalada, precisa obter o apoio de um terço dos deputados. Macris e Leite foram além.

 

Recolheram, na surdina, as assinaturas de 211 deputados - 40 a mais do que o mínimo necessário (171). A lista de apoiadores da nova CPI inclui deputados de praticamente todos os partidos, inclusive os governistas. A única exceção é o PT.

 

Diz ainda a Constituição que a investigação parlamentar deve se ater à “apuração de fato determinado”. No caso específico, o fato a ser esquadrinhado é o “apagão aéreo”, como os autores do pedido de CPI se referem à crise no controle do tráfego aéreo.

 

Os problemas nos aeroportos começaram a pipocar no final de outubro de 2006. A encrenca foi desencadeada pelo maior acidente da história da aviação brasileira: a queda do Boeing da Gol, que fazia o vôo 1907, em 26 de setembro de 2006. O avião caiu depois de chocar-se em pleno ar com um jatinho Legacy, da empresa América ExcelAire, dos EUA. Morreram 154 pessoas.

 

Os deputados Vanderlei Macris e Otávio Leite consideram que a crise no controle do tráfego aéreo ainda não foi suficientemente esclarecida. Mencionam no requerimento de CPI uma comissão criada pela Câmara para apurar o fato no final do ano passado. Anotam que o grupo não produziu nem mesmo um relatório final dos trabalhos.

 

Citam também o resultado de uma auditoria do TCU. Foi aprovado no plenário do tribunal em 12 de dezembro de 2006. Concluiu que uma das causas da crise foi a retenção de verbas orçamentárias que deveriam ter sido aplicadas no sistema de controle do tráfego aéreo. Aponta o corte de R$ 523,5 milhões. Graças a essa auditoria, o TCU decidiu aprovar o aprofundamento da investigação do setor, ainda em curso.

 

“A crise inclui, além dos aspectos ligados à segurança do tráfego aéreo, outros ligados à infra-estrutura aeroportuária, aqueles ligados aos consumidores e companhias aéreas (atrasos de vôos, overbooking, cancelamentos de vôos, entre outros), além de casos estranhos como panes que paralisaram vários aeroportos importantes por horas”, anota o texto do requerimento da CPI.

 

Arlindo Chinaglia ainda não se manifestou sobre o destino que pretende dar ao requerimento. Só há duas hipóteses: ou enfia o documento na gaveta ou envia aos líderes partidários um pedido para que indiquem os representantes de cada partido na nova CPI.

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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PP bate o pé e recusa-se a ceder Cidades para Marta

O político que se preza costuma ambicionar o inatingível. Tenta, por vezes, preparar omeletes sem quebrar nenhum ovo. Vem daí a demora de Lula em anunciar o “novo” ministério. A cada dia, porém, vai ficando claro que não haverá reforma sem que as gemas sejam expostas às claras.

Chama-se Marta Suplicy o ovo mais vistoso lançado ao cesto de Lula. Em conversa com dois expoentes da direção do PP, o repórter foi informado de que o partido não pretende abrir mão de manter o ministro Márcio Fortes na pasta das Cidades, objeto de desejo de Marta e do PT. A tenacidade do PP foi certificada pelo próprio ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

Nesta quarta-feira (28), o ministro Fernando Haddad (Educação), pupilo de Tarso e dodói de Lula, entrega ao presidente da República um plano educacional que considera revolucionário. Foi apelidado no governo de PAC da Educação. Aprovando-o, Lula fechará para Marta também as portas da Educação, a segunda opção da ex-prefeita.

De duas uma: ou Lula quebra de uma vez os ovos, ou Marta Suplicy não terá o almejado emprego na Esplanada. Pelo menos não numa pasta que freqüente os seus sonhos. Não é à toa que Lula, em privado, admite a hipótese de escantear Marta. Neste caso, os ovos trincados serão os do PT.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Mata-se muito mais no interior do que nas capitais

Acaba de sair do forno um estudo imperdível. Foi elaborado pela OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura), em parceria com o Ministério da Saúde. Derruba um mito: mostra que o número de homicídios é proporcionalmente maior nos municípios do interior do país do que nas capitais.

Os pesquisadores manusearam dados referentes a uma década –1994 a 2004. Verificaram que as mortes por homicídio concentram-se em 556 (10%) dos 5.560 municípios brasileiros. Constataram também que esse tipo crime cresce mais no interior. Tomando-se os dados de 2004, verifica-se que, dos 48.285 casos de homicídio registrados, 34.712 –mais de dois terços—ocorreram em cidades interioranas.

Os achados foram condensados numa brochura de 191 páginas (íntegra aqui). Nesses tempos de pânico, é leitura obrigatória. O primeiro passo para derrotar um inimigo é conhecer-lhe, com nitidez, a cara. Na altura da página 54 há um ranking dos municípios mais violentos. Foi elaborado com base no número de homicídios para cada 100 mil habitantes.

Entre as dez cidades com maior taxa de mortalidade, quatro estão assentadas no Estado de Mato Grosso - Colniza (1º), Juruena (2º), São José do Xingu (5º), Aripoanã (8º). Completam o ranking das dez mais Coronel Sapucaia (MS), em 3º; Serra (ES), em 4º; Vila Boa (GO), 6º lugar; Tailândia (PA), 7º; Ilha de Itamaracá (PE), 9º; e Macaé (RJ), 10º colocado.

Em Colniza (MT), o município mais violento do país, registraram-se, em 2004, 165,3 homicídios por 100 mil habitantes. A média nacional é de 27,2 mortos por cem mil habitantes. A primeira capital brasileira a despontar no ranking dos municípios mais violentos é Recife. Ocupa o 13º lugar, com 91,2 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

É no mínimo inusitado que o Rio de Janeiro do menino João Hélio e a São Paulo do PCC figurem, respectivamente, na 107a e na 182a colocação. Ainda que se considere que nem só de homicídios se faz a violência (há estupros, roubos, violência física, etc.) o dado não deixa de ser surpreendente.

O estudo oferece munição valiosa para a definição das políticas públicas de segurança. Fica claro que o Estado brasileiro errará o alvo se limitar as suas atenções às regiões metropolitanas. Precisa mirar, no mínimo, os 556 municípios que concentram 10% dos casos de homicídios.

De resto, fica boiando no ar uma incômoda pergunta: se falta à União e aos Estados recursos mínimos para enfrentar a violências nos grandes centros, o que será do futuro dos municípios do interior? Antes, os brasileiros que desejavam fugir do cotidiano acerbo das capitais, tinham a opção de migrar para o interior. Agora, nem isso.

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Bolsa chinesa espirra e o mundo toma antigripal

  O Grito/Edvard Munch
A bolsa de valores da China espirrou. Não foi um espirro qualquer. As ações de empresas chinesas despencaram 9%. Desvalorizaram-se em US$ 140 bilhões. Foi o maior tombo dos últimos dez anos. E produziu tropeções nas bolsas ao redor do mundo.

 

No Brasil, a Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, amanheceu com os nervos à flor da pele. Recuou 4,11%. Passado o pânico das primeiras horas, houve uma reação. A queda foi atenuada para 3,82% no início da tarde. Mas, no fim do dia, sobreveio o caos: a Bovespa fechou em queda de 6,63%. Semelhante desgraça não ocorria desde 2002, quando a bolsa paulista despencara 6,5%. O mercado brasileiro não foi o único a puxar o freio de mão. O fenômeno espraiou-se pelas principais bolsas do planeta, da Ásia à América Latina, passando pela Europa e pelos EUA.

 

Por que diabos a bolsa chinesa gritou Atchhhiiiimmm? Atribui-se o espirro a uma nuvem de poeira que turva a visão dos investidores. Há muitas partículas estranhas na atmosfera da China, a economia que mais cresce no mundo. Suspeita-se que o comunismo de mercado esteja à beira de um freio de arrumação. Farejam-se medidas para conter o superaquecimento.

 

No último dia 16, o Banco do Povo, como é chamado o banco central chinês, elevou para 10% o depósito compulsório. O compulsório é composto de depósitos que a rede bancária é obrigada a deixar imobilizados no banco central. Ao puxa-lo para cima, o banco central da China reduziu a quantidade de dinheiro em circulação na economia do país. Foi o segundo aumento desde o início de 2007.

 

No último domingo (25), o governo chinês instalou uma força-tarefa para combater supostas malfeitorias praticadas no mercado financeiro. Há muitas dúvidas quanto à abrangência da encrenca. Como se fosse pouco, o Congresso Popular Nacional da China reúne-se na próxima semana para adotar medidas que afetarão os negócios do mercado financeiro do país.

 

Curiosamente, a queda recorde da bolsa chinesa foi precedida de uma alta igualmente inusitada. Na véspera, as ações chinesas registraram mega-alta de 14%. O que estimula a sensação de que a queda que se seguiu à alta pode ter sido impulsionada pela necessidade de “realizar os negócios”. Significa dizer que investidores venderam ações na alta para amealhar os lucros e pagar dividendos.

 

As quedas observadas ao redor do mundo justificam-se por um fenômeno que os investidores apelidam de “efeito manada”. Quando um búfalo do mercado dispara sozinho em determinada direção, a manada o segue, em movimento cego. E, no caso específico, o animal que desgarrou não é um bicho qualquer. A China é, hoje, um dos búfalos mais musculosos da economia mundial.

 

Para complicar, Alan Greenspan, o ex-todo-poderoso do FED, o banco Central dos EUA, declarara na véspera que a economia norte-americana, outro búfalo vistoso, convive com o risco de mergulhar em recessão até o final de 2007. Os EUA crescem desde 2001. Mas Greenspan enxerga sinais de fim de festa. "Quando nos distanciamos tanto de uma recessão, invariavelmente algumas forças começam a se acumular para a próxima recessão, e, de fato, estamos começando a ver sinais", disse ele.

 

Em meio a esse cenário de pré-borrasca, Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central brasileiro, depôs nesta terça-feira (27) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Os senadores trovejaram contra a timidez na queda dos juros. E Meirelles serviu-se da encrenca alheia para sair pela tangente. Disse que o solavanco das bolsas deve ser visto como um "aviso para que tenhamos mais prudência."

Em dias assim, nervosos, os operadores do mercado defendem-se como podem. Tentam comprar o que está em baixa e vender o que está em alta. Não é recomendável abaixar para pegar o sabonete. Ninguém deve se surpreender, porém, se, nos próximos dias, as bolsas do mundo vierem a registrar altas mirabolantes. Assim funcionam os mercados, movidos à base de vagas sensações e indefinidas suspeitas. Não é, definitivamente, uma seara para investidores que buscam segurança na racionalidade.

Escrito por Josias de Souza às 15h27

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As manchetes desta terça

- Folha: Lula oferece vantagens e Uruguai fica no Mercosul

- Estadão: Lula cede para Uruguai não rachar Mercosul

- Globo: Sem conservação, marquise cai e mata 2 em Copacabana

- Correio: Ajuda emergencial para socorrer HUB

- Valor: Fazenda vê protecionismo em medidas antidumping

- Estado de Minas: Assembléia corta mordomias

- Zero Hora (RS): Senado inicia debate para punir criminosos com menos de 18 anos

- Jornal do Commercio (PE): Vereadores mantêm o aumento de João Paulo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Evolução da espécie!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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And the Oscar goes to...

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Tarso pede a Temer que aceite Temporão na Saúde

  Ramon/El Pais
O Planalto realizou nesta segunda-feira (26) um último gesto para tentar convencer a bancada de deputados do PMDB a aceitar o nome apadrinhado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, para o ministério da Saúde. Em reunião com o presidente do partido, Michel Temer (PMDB-SP), o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) fez um apelo em favor do sanitarista José Gomes Temporão.  

Temporão é ex-presidente do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Caiu nas graças de Lula. Tricotando com Sérgio Cabral, o presidente convenceu-o a encampar o nome. Providenciou-se para que Temporão assinasse, a toque de caixa, a ficha de filiação ao PMDB do Rio. O problema é que o PMDB da Câmara rejeita o nome. Prefere indicar um deputado. Há cinco candidatos.

Na conversa com Tarso, Temer reafirmou algo que a cúpula do PMDB já dissera a Lula 15 dias atrás: há fortíssimas resistências a Temporão na Câmara. Comprometeu-se, porém, a realizar consultas à bancada peemedebista ao longo da semana. Sabe-se de antemão qual será o resultado da sondagem.

Nem mesmo os dez deputados do PMDB do Rio, Estado de Cabral, engolem o nome do predileto de Lula. Em carta dirigida a Temer, a bancada fluminense anotou que não se sente compromissada com o sanitarista encampado pelo governador.

O preferido do PMDB da Câmara é o deputado Marcelo Castro, um psicanalista do Piauí. Como alternativa, desponta o deputado Osmar Terra, médico do Rio Grande do Sul. Reeleito em 2006, Terra licenciou-se da Câmara para tornar-se secretário de Saúde do governo gaúcho de Yeda Crusius (PSDB).

Terra leva sobre Castro uma vantagem. É amigo de Temporão. Se nomeado, ele o convidaria para ocupar o cargo de secretário-executivo, o segundo na hierarquia do ministério. Caberá a Lula, obviamente, decidir. Se optar por Temporão, os deputados peemedebistas farão cara feia. Não haverá rebeliões explícitas. Mas, quando precisar de votos na Câmara, o presidente pode ter surpresas.

Segundo o relato feito por Temer a deputados com os quais conversou depois de reunir-se com Tarso Genro, o ministro tratou também da nomeação do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Temer disse a seus comandados que saiu do Planalto convicto de que não há dúvidas quanto à escalação de Geddel para a pasta da Integração Nacional.

É algo que, se confirmado, deixará eriçada a direção do PSB. Os socialistas controlam a Integração desde o primeiro mandato de Lula. Na semana passada, disseram ao presidente que gostariam de preservar o posto. Além de tratar de nomes e pastas, Temer e Tarso falaram sobre o timing da reforma ministerial.

O presidente do PMDB disse que o adiamento do anúncio dos nomes para depois da convenção do PMDB, marcada para 11 de março, nem agrada ao seu grupo nem serve aos interesses de Lula. Temer desfiou o seguinte raciocínio:

Se ele for reeleito para a presidência do PMDB, sua vitória será inevitavelmente retratada no noticiário como uma derrota de Lula. Se o vencedor for Nelson Jobim, o preferido do Planalto, restará a sensação de que o resultado foi obtido graças à interferência do governo. O que deixaria ressentido o grupo de apoiadores de Temer.

Segundo a reprodução feita por Temer a deputados do PMDB, Tarso pareceu concordar com o raciocínio. Chegou mesmo a dizer que, do seu ponto de vista, o ideal seria pôr o novo ministério na rua antes do dia 11 de março, data do embate entre Temer e Jobim. Resta saber se Lula pensa do mesmo modo.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Loterias da CEF usadas para lavar dinheiro do crime

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) subiu à tribuna nesta segunda-feira (26) para denunciar o uso das loterias da Caixa Econômica Federal para lavar dinheiro de origem ilícita. A exposição da malfeitoria consta de documentos oficiais obtidos pelo senador. Revelam que os jogos do governo serviram para esquentar pelo menos R$ 32 milhões de má origem.

 

Os relatórios manuseados por Álvaro Dias foram produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), um órgão que pende do organograma do ministério da Fazenda. Referem-se à análise de movimentações bancárias realizadas entre os anos de 2002 e 2006.

 

Não há nos papéis acusações contra a lisura dos sorteios lotéricos. A fraude ocorre depois dos certames. Para lavar dinheiro sujo, criminosos compram bilhetes premiados, pagando um ágio aos felizardos. Por meio desse expediente, conseguem dar aparência legal a recursos obtidos de forma ilícita.

 

De acordo com os dados divulgados por Álvaro Dias, as malfeitorias envolvem 75 pessoas. Os nomes dos suspeitos já foram remetidos ao Ministério Público. Encontram-se sob investigação da Polícia Federal.

 

Há casos cabeludos. Por exemplo: três irmãos de São Paulo lograram “ganhar na loteria” nada menos que 525 vezes. Beliscaram R$ 3,77 milhões. Um outro “sortudo” paulista coleciona 327 prêmios de loteria, num total de R$ 1,58 milhão. Um outro jogador venturoso, também de São Paulo, resgatou nos guichês da Caixa, num mesmo dia, 107 bilhetes premiados. Juntos, somam R$ 310 mil.

 

Além das apurações que já estão em curso, Álvaro Dias encaminhou um pedido de apuração ao Tribunal de Contas da União.

Escrito por Josias de Souza às 00h06

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Preso dono de hotel que fingia fazer filantropia

O logotipo –Academia de Tênis de Brasília—não faz jus ao porte da empresa. Trata-se de um dos complexos hoteleiros preferidos do poder. Além de alugar apartamentos mobiliados, oferece à clientela da capital da República uma mega-casa de espetáculos, cinco restaurantes, dez salas de cinema, academia de ginástica e, de quebra, quadras de tênis.

Nesta segunda-feira, o dono desse portento, José Farani, 79 anos, foi em cana. Prenderam-no por conta de uma encrenca que já havia sido noticiada aqui no blog em outubro de 2005. Para fugir da Receita Federal, Farani pediu e obteve do governo autorização para funcionar nos moldes de uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos.

 

Descobriu-se mais tarde que, além de não fazer filantropia, a hospedaria de Farani era um negócio bastante lucrativo. Entre 1992 e 1995, sonegara à Receita Federal cerca de R$ 7 milhões, em valores da época. Depois de muitas idas e vindas, Farani foi condenado a quatro anos de prisão.

 

Enquanto seus advogados não conseguem reverter a decisão, trocou o conforto de sua hospedaria, onde mora, por uma cela. Formado em medicina, Farani foi recolhido ao melhor recanto que o sistema prisional pode oferecer a um detento: uma cela especial destinada a sentenciados com canudo universitário.

Escrito por Josias de Souza às 23h28

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PT silencia sobre ministeriáveis, para protegê-los

Marlene Bergamo/Folha Imagem
 

 

Em reunião que se arrastou por cerca de seis horas, a Executiva do PT deitou sobre o papel, nesta segunda-feira (26), os nomes dos ministeriáveis que levará a Lula. O partido recusou-se porém, a divulgar a relação. Firmou-se um pacto de silêncio na cúpula petista. O objetivo é evitar a precipitação de um inevitável embate com os demais partidos governistas e preservar os candidatos do partido da “fritura”.

 

O silêncio petista foi inspirado pelo exemplo de Marta Suplicy. Levada ao noticiário como principal candidata do PT a uma vaga na Esplanada, a ex-prefeita sofre intenso bombardeio. O próprio Lula ajudou a transformá-la em alvo no instante em que admitiu, em reunião com dirigentes do PSB, na semana passada, que tem dificuldades para encaixar Mara na nova equipe.

 

Instado pelos jornalistas a declinar os nomes que integram a seleção do PT, Ricardo Berzoini (SP), presidente do partido, disse que a Executiva deliberou que, antes, irá apresentar a lista a Lula. Quando? Assim que o presidente chamar. “É uma questão de cortesia com o presidente e até para que não se fique especulando com nomes”, disse Berzoini.

 

Além de Marta Suplicy, que o PT deseja acomodar numa pasta (Cidades) já prometida ao PP de Márcio Fortes, atual titular do ministério, sabe-se que o partido de Lula deseja a nomeação do deputado Walter Pinheiro (BA) para o ministério do Desenvolvimento Agrário e do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, vinculada à presidência da República.

 

Afora os nomes novos, o partido de Lula decidiu defender a manutenção de ministros que já integram o primeiro escalão. Por exemplo: Marina Silva (Meio Ambiente), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Luiz Marinho (Trabalho), Paulo Bernardo (Planejamento) e Nelson Machado (Previdência). Neste último caso, cria-se para Lula uma outra encrenca. O presidente cogita entregar a Previdência ao neogovernista PDT.

Num esforço para dissimular o seu apetite, o PT acomoda numa hipotética cota pessoal de Lula a presença de outros petistas no governo. Entre eles Guido Mantega (Fazenda), Dilma Roussef (Casa Civil) e Tarso Genro (Relações Institucionais, de malas prontas para a Justiça). Os demais partidos governistas dão de ombros para a manobra. Argumentam que todos os ministros são da cota do presidente, a quem cabe nomeá-los. E lembram que nada anula o fato de que, referendados por Lula ou pelo PT, Mantega, Dilma e Tarso são petistas de carteirinha.

 

O excesso de candidatos a ministro contrasta com a disposição de Lula, que ensaia uma reforma enxuta. A demora do presidente, que posterga a mais não poder o uso da caneta, dissemina entre os partidos que o rodeiam a síndrome da desconfiança. Ninguém confia em ninguém. Nuito menos em Lula, que emite uma seqüência de sinais trocados.

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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Em 2006, PIB do Brasil só bate o do Haiti, de novo

O IBGE divulgará na próxima quarta-feira uma má notícia. Refere-se ao resultado do PIB no ano de 2006. Ficará abaixo de 3%. Pelo segundo ano consecutivo, a economia brasileira só conseguiu superar a do Haiti.  

Segundo as perspectivas dos agentes do mercado financeiro, divulgadas nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central, o PIB cresceu no ano passado só 2,7%. A taxa é muito próxima da que foi feita pela Cepal: 2,8%.

Seja 2,7%, 2,8% ou um pouco mais, o desempenho do PIB brasileiro voltará a ocupar posição constrangedora no ranking das economias latino-americanas. Superará apenas o desempenho do Haiti (2,5%).

De resto, ficará muito atrás da República Dominicana (10,7%), da Venezuela (10,3%), da Argentina (8,5%), do Uruguai (7,3%) e até do Paraguai (4%).

O desempenho do Brasil será acanhado também na comparação com os países do chamado BRIC –sigla que reúne as letras iniciais das quatro principais economias emergentes do mundo. A China cresceu 10,7% em 2006. O governo da Índia estima que seu desempenho de sua economia será positivo em 9,2%. A Rússia cresceu 6,8%.

As autoridades da equipe econômica brasileira já ensaiam o discurso que irão esgrimir a partir da divulgação dos dados acerbos do IBGE. Dirão, em uníssono, que a situação de 2007 será diferente. Brandindo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), acenarão com crescimentos mais expressivos nos anos vindouros: entre 4% e 4,5% em 2007 e 5% em 2008.

São previsões dissociadas do ânimo do mercado. Conforme as opiniões recolhidas pelo Banco Central, os agentes financeiros brasileiros apostam em 3,5% para 2007 –percentual idêntico ao previsto pela Cepal. Cravam os mesmos 3,5% para 2008. confirmando-se essas expectativas, o Brasil empataria no penúltimo lugar com o Paraguai, superando, novamente, apenas o Haiti, cuja previsão de crescimento para 2007 é de 3%.

Aos pouquinhos, o Brasil vai perdendo o bonde da prosperidade mundial. Tomando-se apenas a América Latina, o crescimento médio em 2006 foi, segundo a Cepal de 5,3%. Para 2007, prevê-se que o continente crescerá 4,7%.

Em meio a essa atmosfera adversa, o governo anuncia para março a revisão da metodologia adotado pelo IBGE para calcular o PIB. Pretende-se, entre outras coisas, aumentar o peso do setor de serviços, que estaria subestimado no cálculo atual. Se não for muito bem explicadinha, a revisão soará como uma "mandracaria".   

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Aldo desafia Chinaglia a anular mamata de Janene

O Sol, como se sabe, nasce igual para todos: para os trabalhadores que vão pegar no pesado o dia  inteiro e para os ex-congressistas que aproveitam a calada das madrugadas para arrancar privilégios do erário. Todos são iguais perante a lei. A diferença é que, enquanto uns pagam, outros recebem.

Soube-se na semana passada que o ex-deputado José ‘R$ 4,5 milhões’ Janene recebera, no apagar das luzes da legislatura passada, uma aposentadoria de R$ 12,8 mil mensais. Arlindo Chinaglia acomodou a prebenda nos ombros de Aldo Rebelo. Falando à coluna Painel (assinantes da Folha), Aldo instou o sucessor a falar menos e agir mais. Diz a nota:

E agora, Chinaglia? Aldo Rebelo (PC do B-SP) decidiu responder às estocadas recebidas de Arlindo Chinaglia (PT-SP) em razão da aposentadoria de R$ 12.847,20 concedida a José Janene (PP-PR), expoente do mensalão. "Foi uma decisão administrativa", diz. "Se o novo presidente não concorda, pode revogá-la."

Trata-se de uma provocação e tanto. Quem conhece a história sabe que Chinaglia não tem a menor intenção de incomodar Janene, de quem se aproximou em 2005 -foi escalado pelo governo para manter sob vigilância o então líder do PP, que vira e mexe ameaçava contar o que sabia. O canal entre ambos é tão conhecido na Câmara que aliados já haviam aconselhado Chinaglia a deixar Aldo em paz. Mas, diante das reações à aposentadoria, o presidente achou melhor empurrar a conta.”

O signatário do blog suspeita que Aldo e Chinaglia tentam fazer a platéia de boba. O pior é que, quando alguém faz o outro de idiota, é porque encontrou matéria-prima.

Escrito por Josias de Souza às 15h12

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As manchetes desta segunda

- Folha: União quer acabar com as metas de assentados

- Estadão: Servidores federais terão fundo de previdência único

- Globo: Especialistas criticam falta de registro de violência

- Correio: Trem da alegria para donos de cartórios

- Valor: União exagera e Cofins já arrecada R$ 92,4 bilhões

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h31

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Programa Bolsa Análise!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Ingerência de Lula acirra disputa interna do PMDB

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Lula quebrou a promessa que fizera, 15 dias atrás, ao deputado Michel Temer. Em audiência no Planalto, dissera que não interferiria na disputa pela presidência do PMDB. Candidato à reeleição, Temer mede forças com o ex-presidente do STF, Nelson Jobim. Nos bastidores, Lula conspira a favor de Jobim, contra Temer.

 

Embora o Planalto desconverse, o presidente cogita, de fato, adiar o anúncio do novo ministério para depois de 11 de março, dia da convenção em que os peemedebistas optarão entre Temer e Jobim. Se levar adiante o plano, Lula estará, de novo, quebrando uma promessa. Dissera a Temer que daria os últimos pontos na costura ministerial após o Carnaval, dissociando-a da arenga peemedebista.

 

Preocupado com os efeitos que o vaivém pode exercer sobre o ânimo colaboracionista do grupo de Temer, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), chamou o atual presidente do PMDB para uma reunião nesta segunda-feira (26). Será no final da tarde. Antes, pela manhã, Temer fará campanha, no Rio, um Estado governado pelo peemedebista Sérgio Cabral, um entusiasta da postulação de Jobim.

 

Temer encontrará os convencionais do Rio na sede fluminense do diretório do PMDB. Espera-se que o próprio Cabral compareça. Para não ficar atrás, também Nelson Jobim irá ao Rio nesta segunda. Avistará os mesmos convencionais à tarde. A despeito do apoio de Cabral, os números são francamente desfavoráveis a Jobim.

 

Há no Rio 77 peemedebistas com direito a voto na convenção. Estima-se que algo como 65 convencionais optem por Temer, que tem no ex-governador Antony Garotinho o seu principal cabo eleitoral. Embora em desvantagem, Sérgio Cabral tricota com Lula. Tenta costurar um acordo que favoreça Jobim.

 

Nesta terça-feira (27), Cabral reúne os outros seis peemedebistas que lograram se eleger governadores no certame de 2006. O chefe do executivo fluminense fará uma prospecção entre os colegas, para verificar se há possibilidade de obter um entendimento que preserve uma sempre utópica unidade do PMDB. Confiante de que detém a maioria do partido, Temer diz, em privado, que não é refratário ao entendimento, desde que ele passe por sua reeleição.

 

Temer já informou a Lula e a seus dois principais desafetos no PMDB –os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP)—que deseja permanecer no comando do PMDB apenas por mais dois anos (2007 e 2008). Em seguida, abriria caminho para a ascensão de Jobim. O ex-presidente do Supremo, porém, não dá sinais de que pretenda esperar tanto. Acha que o suporte que Lula lhe dá nos subterrâneos pode alçá-lo ao comando do partido imediatamente.

 

Afora o embate peemedebista, a reforma da equipe de Lula está amarrada por quatro nós cegos que o presidente, em tarefa indelegável, terá de desatar. O primeiro deles envolve o PT. Em reunião de sua Executiva, nesta segunda, o partido de Lula vai elaborar a lista de nomes que levará ao Planalto. Marta Suplicy é um deles. Onde encaixá-la? Eis um dos pontos críticos da reforma. A pasta ambicionada por Marta e pelo petismo, a das Cidades, foi prometida ao PP do atual ministro Márcio Fortes.

 

Desalojar Fortes significa comprar uma briga com o terceiro maior partido governista (42 deputados e um senador). Lula emite sinais trocados. Primeiro, admitiu entregar as Cidades para Marta. Depois, acenou, em privado, com a possibilidade de deixá-la sem emprego na Esplanada. Arrosta, porém, a pressão implacável do PT. Se ceder a ela, a pacificação do PP custará caro. O preço será bem mais alto do que a cogitada transferência de Márcio Fortes para o ministério da Agricultura.

 

As outras encrencas estão na Saúde, disputada por Sérgio Cabral e pelo grupo de Michel Temer; na pasta das Relações Institucionais, que Walfrido Mares Guia, opção preferencial de Lula, hesita em assumir; e na Integração Nacional, cobiçada por PMDB e PSB. Aos problemas que o cercam, Lula pode adicionar um outro: se adiar as suas decisões para depois da convenção peemedebista, fará do grupo de Temer uma legião de ressentidos à espera da melhor oportunidade de se vingar do governo.

 

PS.: Horas depois da veiculação do despacho acima, Lula foi ao rádio. Deixou antever que, de fato, o remendo ministerial será mesmo pequeno e nao sai tão cedo. Michel Temer, como previsto, foi ao Rio. Recebeu o apoio de 66 dos 77 convencionais fluminenses. 

Escrito por Josias de Souza às 01h44

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Grupo dos 30 quer comissão para rever rito de MPs

O chamado Grupo dos 30, que patrocinou a candidatura derrotada de Gustavo Fruet (PSDB-PR) à presidência da Câmara, voltará à cena nesta semana. Em encontro com Arlindo Chinaglia (PT-SP), hoje no comando da Casa, representantes do grupo vão pedir a constituição de uma comissão suprapartidária para reformular o processo de análise e votação das medidas provisórias.

Alega-se que, além de se submeter a um abuso do governo na edição de MPs, o Legislativo tem violando o rito de tramitação dessas medidas, em prejuízo dos partidos minoritários. Busca-se um acordo que modifique o rito de análise e votação. Se o entendimento não for possível, os líderes do Grupo dos 30 cogitam recorrer ao Judiciário. Não descartam a hipótese de contestar judicialmente as medidas provisórias do PAC.

Depois que o governo edita uma MP, o Congresso tem 12 dias para indicar um relator e constituir uma comissão mista –com deputados e senadores—, para analisar a proposta. O relator prepara o seu texto. E os deputados deveriam dispor de 30 dias para debater e sugerir emendas ao texto.

Na realidade, acontece o seguinte: o prazo de 12 dias é usualmente desrespeitado. As comissões mistas, depois de nomeadas, raramente se reúnem. O relator dá de ombros para o prazo de apresentação de emendas. Costuma ler o seu relatório diretamente no plenário, no dia da votação. Muitos congressistas votam no escuro, fiando-se apenas na orientação dos líderes de seus partidos.

Para os expoentes do Grupo dos 30, o atropelamento de prazos e a ausência de reuniões para o debate de MPs interessa apenas ao governo. A capacidade de intervenção da minoria parlamentar em todo o processo é limitada. Deixa-se de questionar inclusive a inconstitucionalidade de várias medidas provisórias.

Reza a Constituição que o presidente da República só pode editar medidas provisórias em casos de comprovada “relevância e urgência.” Levando-se ao pé da letra o texto constitucional, todas as oito MPs do PAC deveriam ter sido enviadas ao Congresso na forma de projetos de lei.

Diz ainda a Constituição que é vedado o uso de MPs para liberar créditos orçamentários "adicionais e suplementares”, exceto em casos de "guerra, comoção interna e calamidade pública". A despeito disso, o governo recorre freqüentemente às medidas provisórias para liberar, ao longo do ano, verbas retidas no início de cada exercício.

O “alto comando” do grupo dos 30 vem se reunindo semanalmente em Brasília. Dá-se às terças-feiras, sempre à noite. Participam dos encontros: Fernando Gabeira (PV-RJ), Raul Jungmann (PPS-PE), Luiza Erundina (PSB-SP), José Aníbal (PSDB-SP), Paulo Renato (PSDB-SP), Gustavo Fruet (PSDB-PR), Chico Alencar (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP) e Raul Henry (PMDB-PE).

Além dos problemas relacionados às medidas provisórias, o grupo levará a Arlindo Chinaglia outras duas preocupações. Relacionam-se ao voto aberto e à gestão das verbas públicas destinadas ao setor de segurança pública.

Quanto ao primeiro ponto, os deputados querem apressar a votação, em segundo turno, do projeto que institui o voto aberto nas votações internas do Legislativo. Em relação às verbas para segurança, pedirão a Chinaglia que inclua na pauta um projeto já aprovado no Senado. O autor é Álvaro Dias (PSDB-PR). O texto proíbe o governo de bloquear no Orçamento as rubricas destinadas à área de segurança.

Escrito por Josias de Souza às 20h04

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Supremo nega liminar à IstoÉ contra indenização

O STF negou um pedido de liminar feito pela IstoÉ contra uma sentença que lhe foi imposta pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A revista foi condenada a pagar a Almir Pazzianotto, ministro aposentado do TST, uma indenização de 500 salários mínimos (R$ 190 mil, se considerado o mínimo de R$ 380, que deve vigorar a partir de abril). Impôs-se também à revista a publicação da íntegra da sentença.

A liminar foi negada na última sexta-feira (23) pelo ministro Cezar Peluso. Foi, para a revista, um péssimo presságio em relação ao julgamento do mérito, que irá decidir o caso em termos definitivos. A reportagem que resultou no processo foi publicada na edição da IstoÉ de 22 de maio de 2002.

 

A notícia baseou-se na gravação de diálogos de dois advogados com o empresário Fábio Monteiro de Barros, responsável pela famigerada obra do TRT de São Paulo, aquela que resultou num desvio de R$ 169 milhões.

 

Na conversa, Monteiro de Barros afirma que Pazzianotto, à época em que fora secretário do governo paulista de Franco Montoro, recorrera a expedientes semelhantes aos adotados pelo juiz Nicolalau. Julgando-se injuriado e caluniado, Pazzianotto processou a revista. Decorridos quatro anos, o caso se encaminha para o desfecho. Um desfecho que, a julgar pelo julgamento da liminar, deve ser contrário à IstoÉ.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Uma imagem para lavar a alma do terceiro mundo

George Bush fará no início de março um périplo pela América Latina. No dia 9, estará em São Paulo, onde avistará Lula. Como sempre faz em suas viagens internacionais, o presidente norte-americano trará uma bagagem pesada. Inclui automóveis, armamentos para a equipe de segurança, equipamentos de cozinha, muita comida e até água mineral.

 

Enquanto Bush se esquiva de engolir os mantimentos e a água disponíveis nas nações periféricas que visita, o cidadão dos EUA convive com problemas de saúde pública típicos do terceiro mundo. TVs norte-americanas exibiram imagens constrangedoras. Mostram uma dúzia de ratazanas perambulando por uma loja da cadeia mexicana de lanchonetes Taco Bell.

 

Não é um estabelecimento qualquer. Fica na badalada Nova York, capital do mundo, no bairro descolado de Greenwich Village, próximo à prestigiosa New York University.  Pressione aqui para assistir ao vídeo. É de lavar a alma de qualquer integrante das tribos subdesenvolvidas da Terra.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Ordem no caos!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 09h02

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As manchetes deste domingo

- Folha: Benefícios sociais afastam trabalhador de emprego formal

- Estadão: Bush planeja lançar a Opep do etanol no Brasil

- Globo: Contribuinte isento em 96 paga agora 27,5% de IR

- Correio: Descaso no HUB amplia drama de vítimas do câncer

- Veja: Frei Galvão - Um santo 100% nacional

- IstoÉ: O diário amoroso de Carlos Lamarca, o capitão da guerrilha do Brasil

- Época: O primeiro santo brasileiro

- IstoÉ Dinheiro: Eles têm a chave da sua casa...

- Carta Capital: Quem tem medo da política externa?

- Exame: Onde investir 2007

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Coalizão programática vira o velho toma-lá-dá-cá

Coalizão programática vira o velho toma-lá-dá-cá

   Angeli
Depois de reeleito, no ano passado, Lula acenara com a formação de um governo de “coalizão” escorado em princípios “programáticos”. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) deu-se ao trabalho de redigir, em 27 de novembro de 2006, uma nota de conjuntura para definir o “novo” modelo. O texto correu o governo. Foi distribuído também no PT.

 

Na tal nota (íntegra aqui), Tarso festeja a coalizão como “um avanço democrático”, uma “renovação da cultura política do país”. Diferentemente do tradicional toma-lá-dá-cá, o governo anteciparia “os seus objetivos fundamentais”. Ficariam “visíveis para a sociedade os compromissos entre os partidos.” E as legendas brindadas com representantes na Esplanada vinculariam “seu comportamento aos objetivos acordados” com o governo.

 

Ganha um cargo de ministro no segundo reinado de Lula o leitor que for capaz de enunciar meia dúzia de “objetivos acordados” pelo Planalto com os partidos que se acotovelam por cargos no ministério. O “avanço” descambou para mera briga partidária, tão arcaica quanto tradicional.

 

Ainda continua fresco o noticiário sobre os desvios praticados no ministério da Saúde. Num golpe iniciado sob FHC e mantido sob Lula, verbas públicas que comprariam ambulâncias escoaram para cofres particulares. Faltam remédios nos hospitais públicos, faltam médicos, brasileiros morrem esquecidos nas macas do SUS.

 

E o que se ouve nos gabinetes do Planalto e do Congresso? Só a algaravia que marca a disputa do governador Sérgio Cabral (Rio) e da bancada do PMDB na Câmara pela primazia na indicação do novo ministro da Saúde. Nada de “compromissos”. Nenhuma palavra sobre os “objetivos acordados.” Só nomes e disputa de poder.

 

O ministério das Cidades convive com o cinturão de miséria que rodeia os grandes aglomerados urbanos. Falta saneamento básico, escasseiam as moradias para a clientela de baixa renda. Premiada pelo PAC, a pasta tem um lote de investimentos a executar. Mas, de novo, o caos e os investimentos vão às calendas. Vai ao primeiro plano a arenga entre PT e PP pelo controle da pasta.

 

Lula ora promete conservar as Cidades nas mãos do PP de Márcio Fortes, ora admite entregar a pasta ao PT de Marta Suplicy. A ex-prefeita de São Paulo, aliás, já esteve nas Cidades, já migrou para a Educação, já voltou para as Cidades, já foi excluída da equipe ministerial e retornou, de novo, para as Cidades. Nem vestígio de “compromissos” ou de “objetivos acordados”.

 

Para onde o observador se voltar encontrará o rastro de um jogo de bancadas e de personalidades à cata de melhores e mais vistosas posições. PSB se engalfinha com PMDB pela Integração Nacional. PMDB de Temer briga com PMDB de Renan e Sarney. PT, julgando-se preterido, se indispõe com Lula. P isso queixa-se da demora. P aquilo ameaça retaliar. P aquilo outro diz que, pelo tamanho de sua bancada, mereceria mais um ou dois ministérios.

 

Espremendo-se as tratativas de Brasília, obtém-se um sumo amargoso. Tudo se resume às manobras dos partidos para prevalecer uns sobre os outros. Como não há programas sobre a mesa, resta a incômoda sensação de que estão à cata de vantagens. Vantagens de todo tipo –das eleitorais às pessoais.

 

Com a caneta cheia de tinta e o Diário Oficial à disposição, Lula poderia escrever o primeiro capítulo daquilo que Tarso chamou de “renovação da cultura política do país”. Preferiu entregar-se a um jogo que conserva a esfera pública como uma arena restrita ao jogo rasteiro. Nada a ver com o almejado espaço de discussão dos problemas que afligem a coletividade. Lula não há de ter lido a nota de seu ministro.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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‘Borat’, um filme que você não pode deixar de ver

 

Se você ainda não viu, precisa ver. "Borat" é o melhor programa deste modorrento início de 2007. É muito mais divertido do que o vaivém da reforma ministerial de Lula. Estrela-o Sacha Baron Cohen, um comediante inglês.

Na pele de Borat, repórter anti-semita, ele é “enviado” pelo governo de seu país, o Cazaquistão, em missão exploratória nos EUA. Borat chega à tela grande depois do retumbante sucesso que fez na TV. Tornou-se celebridade mundial. Convidado a apresentar a cerimônia do Oscar, deu-se ao luxo de recusar.

 

Faz rir manuseando o politicamente incorreto. Por vezes roça o escatológico. Já entrevistou, a sério, políticos e personalidades norte-americanas. Quando os entrevistados se deram conta, era tarde. Já haviam sido enredados num cipoal de perguntas esdrúxulas.

 

Borat expõe ao mundo um Cazaquistão caricato e atrasado. Não está distante da realidade. Mas, no ano passado, o regime de Nursultan Nazarbayev, um ditador que está no poder há 22 anos, torrou dinheiro de seu povo para publicar, em anúncio, uma contradita à “campanha” de Borat.

 

O anúncio tinha quatro páginas. Saiu nos prestigiosos "New York Times" e "Internacional Herald Tribune". Lendo-se o texto, infere-se que o Cazaquistão flerta com a prosperidade e cultiva a liberdade de culto religioso. A verdade está mais próxima da sátira de Borat do que da peça publicitária.

 

O Cazaquistão era um naco da velha União Soviética. Virou nação independente depois que o império comunista derreteu. É rico em petróleo. Mas a riqueza não chega à malta. Seguindo o roteiro de todo ditador de mostruário, Nursultan Nazarbayev mantém no exterior um gordo pé-de-meia. Sua fortuna pessoal é estimada na casa do bilhão. De dólares, naturalmente.  

 

No ano passado, um banqueiro norte-americano foi aos tribunais de Nova York por ter untado as mãos de Nazarbayev com US$ 78 milhões. Além da grana, dera aos Nursultan pequenos mimos: uma lancha para o pai e casacos de pele para mulher e filha. De resto, financiou os estudos da filha do ditador na Suíça e nos EUA.

 

Vai acima, como aperitivo, os quatro minutos iniciais do filme Borat. Infelizmente, está em língua inglesa, sem legendas. É o trecho em que o “repórter” apresenta-se ao público. Exibe os seus “familiares” e fala de “seu” país, antes de partir para o paraíso norte-americano.  

Escrito por Josias de Souza às 17h38

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Dólar barato empurra brasileiros para o exterior

Nunca na história desse país o turista brasileiro torrou tantos dólares no exterior como em janeiro de 2007. Torraram-se US$ 574 milhões. É a maior cifra já registrada no primeiro mês do ano desde que o Banco Central começou a fazer a aferição, em 1947.

 

A principal explicação para o fenômeno é o dólar barato. Enquanto os exportadores chiam mais do que chaleira em ebulição, os turistas aproveitam a desvalorização do dólar para se esbaldar no estrangeiro. Em um ano, as despesas com viagens cresceram 45%.

 

Graças ao fenômeno, a conta de viagens do BC fechou janeiro com um déficit de US$ 90 milhões. Só não foi maior porque também os gastos de turistas estrangeiros em viagem pelo Brasil bateram um recorde histórico: US$ 484 milhões.

 

A tendência negativa mantém-se em fevereiro. Até o último dia 23, os computadores do BC registravam um déficit na conta de viagens de US$ 67 milhões –receitas de US$ 287 milhões contra despesas de US$ 354 milhões.

 

No livro “Solo de Clarineta”, Érico Veríssimo anotou que “existem duas categorias principais de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.” Resta saber em que categoria se encaixa a classe média brasileira: estaria fugindo ou buscando?

Escrito por Josias de Souza às 16h17

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As manchetes deste sábado

- Folha: Compra recorde do BC não faz dólar subir

- Estadão: Compra de dólares pelo BC bate recorde

- Globo: Reféns em assalto, Mantega e empresário não dão queixa

- Correio: Governo intervém na crise do HUB

- Valor: SEC pune dois 'insiders' do caso Sadia-Perdigão

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Ministro Borat!

Benett
 

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Stédile conclama as massas a lutar contra calmaria

  El Roto/El Pais
Num instante em que o MST volta a freqüentar o noticiário como protagonista de ocupações de terras, João Pedro Stédile, coordenador e ideólogo do movimento, veiculou no portal do MST um artigo em que conclama as massas a se insurgir contra o que chamou de “enfadonha calmaria na conjuntura política brasileira.”

“Os tempos são difíceis”, escreveu Stédile. “Mas mudarão. E os ventos somente mudam pela força das massas”. Segundo o líder do MST, passada a fase de expectativa de mudança gerada pela eleição presidencial de 2006, voltou os ares voltaram a se impregnar de ceticismo “diante da mesmice da política nacional”.

 

Voltando no tempo, Stédile escreveu que Lula tornou-se presidente, em 2002, graças a uma divisão da “classe dominante”. “Uma parte, mais reacionária e talvez burra, tentou a todo custo derrubá-lo, usando como arma principal os meios de comunicação. Outra parte, mais hábil e talvez pensando no futuro, preferiu aliar-se e manter seus privilégios”.

 

Desse processo resultou, no dizer de Stédile, “um governo de composição de classes e de ideologia”. Os movimentos sociais esperavam de Lula, no primeiro reinado, um governo de esquerda. “Nos equivocamos”, lamuria-se o comandante dos sem terra.

 

Quanto à gestão recém inaugurada, Stédile já não alimenta ilusões. “O próprio governo assume (...) que quer ser apenas um governo de composição, onde convivam forças de direita, de centro e de esquerda (...). E o presidente se apressou em se assumir como de centro, como fez questão de explicar, que passara dos 60 anos e era necessário mudar de posição política. Tudo a ver!”

 

O que fazer? Stédile apresenta aos movimentos sociais um receituário de cinco itens:

 

1) recuperar o trabalho de organização dos trabalhadores, para estimular as lutas sociais. “Somente com lutas sociais o povo pode (...) alterar a correlação de forças.”;

 

2) formar e capacitar a militância social. “Em tempos de pasmaceira é necessário dedicar-se ao estudo, à formação...”

 

3) criar meios de comunicação de massa próprios, como rádios e televisões comunitárias, jornais, revistas, programas de comunicação de todo tipo, “para enfrentar o verdadeiro oligopólio das comunicações, sob controle da classe dominante brasileira.”

 

4) estimular um amplo debate sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento para o país. Só crescimento econômico não basta. É preciso saber quem tira proveito do desenvolvimento;

5) mobilização de todas as organizações populares e pastorais, para conscientizar e organizar a juventude das grandes cidades “Será essa geração de jovens (...) que poderá se mobilizar (...) e alterar a correlação de forças na sociedade.”

Stédile lança os seus desafios para além da seara agrária. “Mais do que lamentarmos, como alguns que preferem ir para casa para ver a banda passar ou, pior ainda, cair no comodismo de que nada é possível mudar, o momento exige muita (...) clareza e debate, para que as forças populares, nas suas mais diferentes formas de organização, sejam pastorais, estudantis, setoriais, de moradia, do campo e da cidade, busquem desenvolver ações políticas para enfrentar os verdadeiros desafios que a conjuntura histórica impõe à nossa geração”.

 

Como se vê, o MST organiza-se para repor sua engrenagem para funcionar. E, embora financiado com verbas públicas, enxerga o governo Lula como parte do problema, não como solução.  

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Duda Mendonça briga para se manter na Petrobras

  Lula Marques/FI
Dona de um dos orçamentos publicitários mais vistosos do país –R$ 250 milhões em 2006—, a Petrobras abriu uma licitação para contratar três agências. Em fevereiro, recebeu 20 propostas. Nesta sexta-feira (24), a empresa inabilitou seis agências. Outras 14 passaram à segunda fase. Entre elas está a Duda Propaganda.

 

Duda começou a prestar serviços à Petrobras depois que Lula foi guindado à presidência da República, em 2003. Preservou a conta mesmo depois de ter sido enredado no escândalo do mensalão. Se for selecionada novamente, sua agência ganhará uma sobrevida na estatal que pode perdurar por todo o segundo mandato de Lula.

 

Ao final da licitação, as três agências vencedoras assinarão com a Petrobras um contrato de dois anos, renováveis por mais dois. Dividirão o bolo de R$ 250 milhões. O processo de seleção será concluído até o final de março. Além da Duda Propaganda, mantêm-se na briga as seguintes agências:

 

Heads Propaganda, Lew'Lara Propaganda, Nova S/B, Artplan, Carillo Pastore Euro RSCG, DPZ Propaganda, Contemporânea Propaganda, Quê Comunicação, Agnelo Pacheco Comunicação, Giacometti, Z+ Comunicação, Giovanni/FCB, Ogilvy & Mather. As agências desclassificadas foram: F/Nazca Saatchi & Saatchi, McCann Erickson, Fischer América, Elipse, Link e Libra.

Pesarão na escolha, além do preço, uma série de quesitos cujo julgamento está sujeito a uma boa dose de subjetividade. Melhor Técnica e a expectativa do contratante, por exemplo.

No mundo político-jurídico, Duda segue arrostando dissabores. Depois de ter admitido na CPI dos Correios que recebera R$ 10,5 milhões em verbas de má origem coletadas por Marcos Valério e depositadas clandestinamente no exterior, o publicitário foi autuado pela Receita Federal. Pagou a multa. Mas ainda não conseguiu pôr a mão no dinheiro depositado lá fora.

De resto, Duda perdeu o posto de marqueteiro do PT e de Lula. Na vitoriosa campanha presidencial de 2006, Lula viu-se compelido a trocar o seu pupilo pelo jornalista baiano João Santana. Considera-se bem servido.

Escrito por Josias de Souza às 00h40

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Mantega foi vítima de assalto no interior de SP

Deu-se durante o Carnaval. Mas só agora o fato foi divulgado. Acompanhado da família, o ministro Guido Mantega (Fazenda) passava o feriadão na chácara do amigo Vitor Sandri, em Ibiúna, a 64 quilômetros de São Paulo. Na última terça-feira (20), três assaltantes encapuzados renderam o caseiro e invadiram a casa.

 

Permaneceram no local por cerca de três ou quatro horas -a polícia não soube precisar o tempo exato. Não tinham a menor idéia de que havia um ministro entre as vítimas. Roubaram dinheiro, objetos da chácara e duas armas de fogo do proprietário. Não houve violência.

 

Nem Mantega nem seu anfitrião prestaram queixa do roubo à polícia. Ainda assim, três suspeitos foram detidos nesta sexta-feira. Foram à garra por conta da investigação de outros quatro assaltos a residências praticados na mesma área.

 

Informado da prisão, Vitor Sandri, o dono da chácara em que Mantega se hospedou, foi, finalmente, à delegacia. Suspeita-se os assaltantes sejam os mesmos porque, todos os casos tiveram um epílogo idêntico: depois de limpar o ambiente e os presentes, os bandidos exigiam que alguém os transportasse, de carro, para uma área afastada. 

 

Como se vê, a insegurança é mesmo generalizada. Conhecedor das leis de mercado, Mantega foi apresentado à lei da selva. Talvez leve a mão à consciência na hora de passar a faca nas verbas orçamentárias destinadas à área de segurança pública. E à educação. E à saúde. E ao saneamento básico. E...

Escrito por Josias de Souza às 23h56

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Procurador isenta Mercadante no caso do dossiê

  Elza Fiúza/ABr
Está a caminho do arquivo a acusação de envolvimento do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) no dossiêgate. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza (foto), enviou nesta sexta-feira (23) ao STF um pedido de anulação do indiciamento de Mercadante, que fora patrocinado pela Polícia Federal.

 

Depois de analisar o processo, o procurador concluiu: “Pode-se afirmar com segurança que não há um único elemento nestes autos que aponte para o envolvimento do senador Aloizio Mercadante nos fatos.” O senador fora acusado pela PF de responsabilidade solidária , diz o procurador-geral.

A PF concluiu a investigação do dossiêgate em dezembro de 2006. O delegado Diógenes Curado, que presidia o inquérito, apontou Mercadante, que concorreu ao governo de São Paulo, como principal beneficiário do dossiê antitucanos.

 

Para o delegado, o dinheiro que seria usado na compra do material (R$ 1,7 milhão) teria saído das arcas de campanha de Mercadante. Daí ter indiciado o senador, por responsabilidade solidária.

 

O processo subiu ao STF porque Mercadante, como senador, tem direito a foro privilegiado. Em casos do gênero, o Supremo é obrigado a pedir a opinião do Ministério Público. Por isso o procurador-geral emitiu o parecer sobre o caso.

 

Antonio Fernando de Souza posicionou-se contra a abertura de inquérito no âmbito do Supremo para investigar Mercadante. Além de não ter encontrado nos autos elementos de prova capazes de incriminar o senador, o procurador-geral acusou a Polícia Federal de ter extrapolado de suas funções. Acha que o delegado jamais poderia ter indiciado o petista. Só o próprio Supremo poderia fazê-lo.

 

Isentado o senador, Antonio Fernando não vê sentido em manter o processo no âmbito do STF. Sugere ao tribunal que devolva o processo à Justiça comum de Mato Grosso, para que seja aprofundada a investigação em relação aos outros réus.

 

“De tudo o que foi apurado”, anotou Antonio Fernando em seu parecer, “somente foi possível determinar, com convicção, as pessoas diretamente envolvidas com a compra do dossiê, que seriam Jorge Lorenzetti, Gedimar Passos, Expedito Afonso Veloso, Osvaldo Bargas e Hamilton Broglia Feitosa Lacerda.”

E quanto aos mandantes dos aloprados? O procurador-geral acha que não há nos autos informações que permitam concluir de onde partir a ordem. “A prova existente nos autos não autoriza um juízo, sequer de probabilidade, a respeito de quem teria sido a decisão.” O raciocínio vale, na opinião de Antonio Fernando, até mesmo para Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, que não chegou a ser indiciado pela PF.

 

Pareceres como esse do procurador-geral costumam ser acatados pelo Supremo. Prevalece o entendimento de que a abertura de inquérito seria inócua. O destinatário do inquérito seria o próprio Antonio Fernando. Caberia a ele propor uma eventual ação penal contra Mercadante.

De folga, em São Paulo, Mercadante festejou a novidade: “Estou feliz porque está se fazendo justiça (...). Aguardo agora, serenamente, o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF)”. A assessoria do senador apressou-se em levar a notícia à sua página na internet. Ao final, há uma nota de Mercadante.

Assim, continua boiando no ar, a velha pergunta: afinal, de onde veio o dinheiro?

Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Berzoini diz que Marta pode ir para qualquer cargo

O PT, como previsto, ergueu barricadas para defender o aproveitamento de Marta Suplicy no segundo governo de Lula. Nesta sexta-feira (23), o presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP) disse que a ex-prefeita de São Paulo é um “quadro nacional” do PT. E, como tal, “pode ser aproveitada em qualquer quadro do governo.”

 

Berzoini evitou defender, em termos pessoais, a indicação de Marta. Reafirmou que o PT reúne sua Executiva Nacional na próxima segunda-feira (26), para, entre outras coisas, elaborar a lista de “sugestões” que levará à reunião com Lula. A inclusão do nome de Marta na relação é certa como o nascer do Sol a cada manhã.

 

As declarações de Berzoini foram feitas em reação a notícia veiculada aqui no blog, sobre comentários de Lula de que Marta pode ficar de fora de sua equipe. O presidente do PT considerou a notícia como um “exercício de futurologia”. E as afirmações atribuídas a Lula como algo “inverossímil”.

 

Lula e o PT jogam as suas peças num jogo de xadrez que tem mais peças do que os quadradinhos do tabuleiro. Inicialmente, o PT queria acomodar sua rainha no quadrado das Cidades. Lula prometeu-o, porém, ao PP de Márcio Fortes. O petismo passou a mirar o quadrado da Educação. Mas Lula quer manter ali Fernando Haddad.

 

Agora, Berzoini diz que Marta, como a rainha do jogo, pode transitar no tabuleiro em todas as direções. Lula é um jogador privilegiado. Com uma mão maneja as peças. Com a outra, a caneta e o Diário Oficial. Está na bica de ouvir do PT um grito de “xeque mate”. O partido aposta que vai prevalecer sobre os muxoxos do presidente da República.

 

Lula e Berzoini deveriam parar de mandar recados um ao outro por intermédio diálogos privados e dos meios de comunicaçao (aquiaqui e aqui.). O presidente do PT tem uma maneira mais prática de verificar a inverossimilhança das declarações que vêm sendo feitas, em privado, pelo presidente da República. Basta passar a mão no telefone e discar para o dono da caneta. Simples assim.

Escrito por Josias de Souza às 15h55

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Sorria, caro contribuinte, você está sendo tungado

  Adriano Machado/Folha Imagem
No dia 31 de janeiro, véspera de seu Waterloo na guerra da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) cometeu um último gesto de bondade. Ainda sentado na cadeira de presidente da Casa, Aldo assinou a aposentadoria José ‘R$ 4,5 milhões’ Janene (foto). O ex-líder do PR passou à condição de feliz usufrutuário de uma mamata mensal de R$ 12,8 mil mensais. Dinheiro seu, meu, nosso.

 

Janene vestiu pijama sob o argumento de que se tornou um inválido. Os médicos o consideraram portador de cardiopatia grave. Escorado nesse mesmo diagnóstico, o ex-deputado esquivou-se como pôde do encontro com a guilhotina do mensalão. Acusado de ter beliscado R$ 4,5 milhões no Bolsa-Valério, Janene foi o último dos mensaleiros a ser julgado. Foi, como sói acontecer, absolvido pela corporação parlamentar.

 

Sucessor de Aldo no comando da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) reagiu assim à aposentadoria de Janene: "É um tema que, de alguma maneira, me surpreendeu, mas diz respeito à Mesa passada." Se não houvesse injetado o vulto de Janene na rabeira de sua presidência, Aldo poderia dormir sem o sarcasmo de Chinaglia.

 

Janene é a cereja mais incômoda de um bolo indigesto que costuma ser servido a cada início de legislatura. Trata-se do bolo do IPC, o Instituto de Previdência dos Congressistas. Foi extinto, por escandaloso, nove anos atrás. Mas quem já era sócio continuou pendurado à usina de aposentadorias especiais.

 

Desde janeiro passado, outros 12 ex-deputados lograram obter aposentadorias pela Câmara. Entre eles, o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB). Noves fora os vencimentos de vice de Serra, passou a amealhar R$ 7.378. A ex-deputada Alceste Almeida (PTB-RR), acusada de envolvimento com a máfia das ambulâncias, foi à inatividade legislativa com uma pensão de R$ 3.340.

Escrito por Josias de Souza às 15h11

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As manchetes desta sexta

- Folha: Emprego fica estagnado, mas renda cresce 4,7%

- Estadão: Irã acelerou programa nuclear, afirma ONU

- Globo: Estradas têm mais acidentes feridos e mortos no carnaval

- Correio: Oito anos de mandato, e uma vida de mamata

- Valor: SEC pune dois 'insiders' do caso Sadia-Perdigão

- Estado de Minas: Servidor de Minas vai ter salário vinculado ao ICMS

- Jornal do Commercio (PE): Sobram vagas nas escolas estaduais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Marinheiros de primeira viagem!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Recado de Lula ao PT: Marta fica fora da Esplanada

Em conversa telefônica com um amigo do PT, Lula declarou que Marta Suplicy (PT-SP) deve ficar de fora de seu novo ministério. Deu-se nesta quinta-feira (22). O presidente autorizou o interlocutor a difundir a notícia no partido. É como se estivesse, deliberadamente, interessado em testar os humores do PT para a má notícia que pretende dar à direção do partido, com quem vai se reunir na próxima semana.

 

É a primeira vez que Lula diz, assim, com todas as letras, que a ex-prefeita de São Paulo não vai ganhar um emprego na Esplanada. Até aqui, ele vinha abordando o tema com cautela. Na sexta-feira passada, antes de mergulhar na folga do Carnaval, Lula dissera a um governador do PT que tinha dúvidas quanto à conveniência de acomodar Marta na pasta da Educação.

 

A hesitação levou o petismo a voltar suas baterias para o ministério das Cidades, desde o início a preferida de Marta e do PT. Na conversa com seu amigo, porém, Lula afirmou que não vê motivos para bulir em Márcio Fortes, o atual titular das Cidades. Disse que funciona bem e representa um partido, o PP, que, além de devotar-lhe rara fidelidade, está em fase de crescimento.

 

Os poucos petistas que foram informados da novidade tomaram-se de surpresa e irritação. Insinuaram que o PT erguerá barricadas por Marta. O partido reúne sua Executiva Nacional na próxima segunda-feira (26) justamente para elaborar a lista de “sugestões” que vai levar a Lula. O nome da ex-prefeita constará da relação.

 

Antes da conversa com o petista, Lula reunira-se, também nesta quinta-feira, com a direção do PSB. Já neste encontro, insinuara que Marta está fora de seus planos. Disse que considera a reunião com o seu partido, a última da rodada de consultas ministeriais com as legendas governistas, “a mais difícil”. Declarou que não sabe o que fazer com Marta. Suas palavras foram captadas por seis testemunhas.

 

Ouviram-no o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos; Roberto Amaral, vice-presidente do partido; os líderes da legenda na Câmara, Márcio França (SP), e no Senado, Renato Casagrande (ES); o líder interino do governo na Câmara, Beto Albuquerque (RS); e o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

 

Lula não ignora que, em Brasília, não há segredo que sobreviva a uma reunião com tantos participantes. Ainda assim, permitiu-se falar francamente acerca da situação de Marta Suplicy. Reconheceu que é grande a pressão que vem recebendo do PT. Mas disse que não vê razões objetivas para comprar briga com o PP de Márcio Fortes.

 

Antes, discorrera longamente sobre os seus planos para a Educação. Enganchou-os num bate-papo que abriu a reunião com o PSB. Falava-se do frenesi em torno da redução da maioridade penal. Lula repetiu que não enxerga na idéia a solução para conter a delinqüência juvenil. E informou que vai anunciar na próxima semana um ambicioso pacote com medidas para a área da Educação.

 

Nesse ponto, enalteceu o trabalho de Fernando Haddad, atual ministro da Educação. Não foram palavras de um chefe em vias de desalojar o subordinado do posto. Emendou comentários que explicitaram a aparente má vontade com Marta. Disse que não vê sentido em nomear para o ministério uma candidata potencial às eleições municipais de 2008.

 

“Saí da reunião com a nítida impressão de que Marta não será ministra”, contou ao blog uma das seis testemunhas da conversa. A pressão do PT, “grande”, segundo a expressão usada por Lula, tende a se tornar gigantesca nos próximos dias.

 

Resta saber se Lula, protagonistas de intermináveis idas e vindas na formação do ministério, resistirá à coerção que será exercida pelo seu partido até o dia da reunião em palácio. O encontro “mais difícil”, conforme prenunciou o próprio presidente.

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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PSDB se nega a indicar relator para medida do PAC

A despeito da disposição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) de entregar também a deputados oposicionistas a incumbência de relatar parte das medidas provisórias do PAC, o PSDB deu meia-volta e acabou não aceitando as três relatorias que lhe foram oferecidas pelo presidente da Câmara.

 

Com o recuo do tucanato, só uma das oito medidas provisórias que compõem o Plano de Aceleração do Crescimento foi parar em mãos oposicionistas. O deputado Fernando Fabinho (PFL-BA) será o relator da MP 347, que abre créditos de R$ 5 bilhões na Caixa Econômica Federal, para financiar investimentos em projetos de infra-estrutura.

 

A MP que o governo considera mais importante do PAC é a de número 351. Prevê a concessão de incentivos fiscais para a compra de equipamentos destinados a projetos nos setores de transportes, portos, energia e saneamento básico. Caiu no colo de um relator do PT, o deputado Odair Cunha (MG).

 

A medida mais polêmica é a 349. Transfere para um fundo batizado de FI-FGTS R$ 5 bilhões em verbas do fundo de garantia. E autoriza a aplicação do dinheiro em investimentos de risco nas áreas de energia, rodoviária, portuária, ferroviária e saneamento básico. Foi entregue a Wilson Santiago (PB).

 

Santiago respondia, até janeiro, pela liderança do PMDB na Câmara. Foi um dos principais cabos eleitorais de Chinaglia na guerra pela presideência da Casa. A chance de que venha a produzir um relatório contrário aos interesses do governo é nula. A distribuição das medidas do PAC foi festejada no Planalto.

 

Abaixo, a relação das medidas provisórias, seguidas dos nomes dos respectivos relatores:

1) MP 346: abre crédito extraordinário de R$ 452 milhões para encargos do processo de extinção da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e liquidação da Companhia de Navegação do São Francisco (Franave) – Deputado Milton Monti (PR-SP);

2) MP 347: crédito adicional de R$ 5,2 bilhões à Caixa Econômica Federal para investir em saneamento básico e moradia popular - Fernando de Fabinho (PFL-BA);

3) MP 348: criação do Fundo de Investimento em Infra-Estrutura com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com previsão inicial de R$ 5 bilhões - Armando Monteiro (PTB-PE);

4) MP 349: cria o FI-FGTS e autoriza transferência de R$ 5 bilhões do patrimônio líquido do FGTS para um fundo de investimento destinado a financiar projetos nas áreas de energia, rodovia, porto, ferrovia e saneamento - Wilson Santiago (PMDB-PB);

5) MP 350: permite aos mutuários a opção de compra de moradia arrendada pelo FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) - Dagoberto (PDT-MS);

6) MP 351: concede incentivos fiscais para beneficiar compra de equipamentos para projetos nos setores de transportes, portos, energia e saneamento básico - Odair Cunha (PT-MG);

7) MP 352: redução a zero das alíquotas do IPI, Cide, PIS e Cofins para as empresas que desenvolverem e produzirem equipamentos para TV Digital, com exceção dos conversores de sinal - Átila Lins (PMDB-AM);

8) MP 353: estabelece que a União assume direitos e obrigações da extinta Rede Ferroviária Federal - Jaime Martins (PR-MG)

Escrito por Josias de Souza às 00h44

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Irritado com vaivém de Lula, PMDB ameaça retaliar

Caiu como uma bomba no PMDB a informação de que Lula planeja adiar o anúncio do ministério para depois da convenção que elegerá o nome do próximo presidente do partido. Irritados com a indefinição do Planalto, um grupo mais exaltado da bancada do PMDB na Câmara já fala em retaliação. De saída, ameaçam adiar a convenção PMDB, forçando Lula a definir o ministério antes da queda-de-braço entre Michel Temer e Nelson Jobim, os dois peemedebistas que medem forças pelo comando do partido.

 

A convenção está marcada para 11 de março. Um grupo de deputados do PMDB prega o adiamento por até um mês. A decisão teria de ser homologada pela Executiva do partido. Nesse fórum, os partidários da recondução de Temer à direção partidária julgam ter maioria de votos. A idéia do adiamento já foi levada a Temer, atual presidente do PMDB. Embora incomodado com os sinais trocados emitidos por Lula, Temer age como bombeiro.

 

A notícia de que Lula só nomearia os ministros depois da convenção do PMDB veio a público pela boca de dirigentes do PSB, que se reuniram com o presidente nesta quinta-feira (22). Temer e seu grupo foram pegos no contrapé. Assim que tomou conhecimento da novidade, Temer telefonou para o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

 

Há cerca de duas semanas, Temer ouvira coisa diferente de Lula. Esteve no Planalto na companhia dos líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no senado, Valdir Raupp (RO). A reunião foi testemunhada por Tarso Genro. Nessa conversa, Lula dissera explicitamente que não relacionaria o ministério com a disputa travada no interior do PMDB. Sinalizou que nomearia os novos ministros antes da convenção do PMDB.

 

No diálogo telefônico que manteve com Tarso Genro, nesta quinta, Temer insinuou que o vaivém de Lula o deixa em maus lençóis. Disse que os jornalistas o estavam procurando. Afirmou que diria o seguinte: “Prefiro confiar na palavra do presidente, transmitida a nós no encontro que ele teve com o PMDB.” Tarso pôs-se de acordo.

 

Segundo apurou o blog, Tarso disse a Temer que não foi Lula quem puxou o assunto do PMDB na reunião com a direção do PSB. O tema veio à roda por iniciativa de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB. Segundo a versão do ministro, Campos teria perguntado a Lula se ele aguardaria a o deslinde da disputa entre Temer e Jobim antes de anunciar os nomes dos novos ministros.

 

De acordo com o que disse Tarso a Temer, Lula não teria dito ao PSB, em termos taxativos, que uma coisa –a escolha do presidente do PMDB— está relacionada à outra –a escolha dos ministros. O presidente apenas disse que viajaria no dia 6 de março. E os socialistas teriam extraído daí a ilação de que não haveria tempo de fechar a escolha dos ministros antes do dia 11 de março.

 

Porém, os membros do PSB que estiveram com Lula contaram aos jornalistas uma versão muito diferente. Disseram que o presidente falou, sim, que o ministério só sai depois da convenção do PMDB. Antes de entregar novos ministérios ao partido de Temer, o presidente desejaria saber quem vai mandar no partido pelos próximos dois anos. Consideraria mais adequado definir os nomes dos ministros com o presidente que for homologado pela convenção peemedebista.

 

Integrantes da direção do PMDB passaram a ruminar uma teoria conspiratória. Sabem que Eduardo Campos é amigo de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que defende ardorosamente a substituição de Temer por Jobim. E passaram a difundir a suspeita de que a pergunta do governador pernambucano a Lula foi uma "encomenda" de Renan.

 

Seja como for, se Lula adiar a nomeação dos ministros para depois da convenção peemedebista, estará comprando uma briga com os deputados do PMDB. Seja Jobim ou Temer o próximo presidente da legenda, os deputados julgam-se credores de dois ministérios. Contam com a pasta da Integração Nacional e com a da Saúde. Se Lula negar-lhes acesso à Esplanada, negarão voto às matérias de interesse do governo no Legislativo.

 

De resto, os partidários de Temer afirmam que a manobra do adiamento do ministério é "primária". Vencendo Temer, Lula passará à opinião pública como derrotado. E os "neolulistas" do PMDB vão encostar a faca no pescoço do presidente. Prevalencendo Jobim, o grupo de Temer venderá a tese de que foi derrotado por conta da interferência do Planalto. E haverá no PMDB um grupo de ressentidos, dispostos a dar o troco no Planalto na primeira oportunidade.

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Lula adia, pela sexta vez, anúncio do ministério

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

Lula conseguiu uma proeza: transformou o seu nome ministério numa coisa muito antiga. Nesta quinta-feira (22), o presidente adiou, uma vez mais, o anúncio de sua nova equipe. Agora, anuncia-se que os nomes só virão a público na segunda quinzena de março, depois da eleição do novo presidente do PMDB, marcada para 11 de março.

 

É o sexto adiamento. Depois de reeleito, no ano passado, Lula dissera que comporia o ministério até 15 de dezembro. Empurrou a encrenca para o Natal. Em seguida, jogou o assunto para depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Eleitos Arlindo Chinaglia e Renan Calheiros, disse que só trataria da reforma ministerial após o Carnaval.

 

Há coisa de 15 dias, Lula admitiu que a novela poderia escorregar para março. Mas jurou ao PMDB que o nó seria desatado no comecinho do mês, antes da disputa Michel Temer X Nelson Jobim pelo controle do partido. Agora, em novo golpe de barriga, empurra o salseiro para depois da refrega peemedebista, agendada para 11 de março.

 

A nova postergação nasceu de um encontro de Lula com a direção do PSB. Foi provocada por uma manifestação de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do partido. Campos perguntou explicitamente a Lula se ele iria esperar a definição da queda-de-braço do PMDB. E o presidente deu a entender que sim.

 

Embora convocado explicitamente para tratar do ministério, o encontro com o PSB não produziu uma mísera decisão. O partido disse a Lula que deseja manter as duas pastas que já estão sob seu controle: Integração Nacional e Ciência e Tecnologia. Lula não disse nem que sim nem que não. Ficou de conversar novamente com Eduardo Campos na semana que vem.

 

O presidente reafirmou o interesse em ter Ciro Gomes (PSB-CE) de volta à sua equipe. A comitiva socialista disse ao presidente que Ciro não quer. Comprometeram-se a voltar a conversar com o ex-ministro da Integração Nacional. Em privado, declaram que a decisão de Ciro de permanecer na Câmara parece irreversível.

Escrito por Josias de Souza às 17h32

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Blogueiro egípcio condenado a 4 anos de cadeia

No mundo árabe, a fronteira que separa a liberdade de imprensa da liberdade de imprensar é muito tênue. A Justiça do Egito acaba de oferecer ao mundo uma evidência do fenômeno: condenou o blogueiro Abdel Kareem Suleiman a quatro anos de cana dura. Acusam-no de ter veiculado ofensas ao presidente do país e ao islamismo.

 

Suleiman tem 22 anos. Assinava os textos com o nome de Kareem Amer. Publicou em seu blog críticas à principal instituição islâmica de ensino do país, a Universidade al-Azhar. Chamou-a de “a universidade do terrorismo.” Acusou-a de reprimir o livre pensamento de seus alunos.

 

No ano passado, Suleiman foi expulso da escola, que passou a pressionar pela condenação judicial do ex-aluno. O blogueiro comprou briga também com o presidente de seu país, Hosni Mubarak, a quem dirigiu palavras inamistosas. Tachou-o de ditador.

 

A sessão de julgamento, realizada em Alexandria, cidade natal do réu, durou escassos cinco minutos. Por conta das supostas ofensas à universidade, Suleiman foi sentenciado a três anos de calabouço. As ofensas a Mubarak renderam-lhe um ano de acréscimo de pena.

 

A condenação é um fato inédito no Egito. Em 2006, o governo prendera vários blogueiros sob a acusação de que tinham produzido notícias ofensivas ao regime. Porém, todos eles foram já foram libertados. Há na internet uma campanha pela libertação de Suleiman.

Escrito por Josias de Souza às 15h59

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Lula proíbe auxílio a programa nuclear do Irã

Apenas 15 dias antes de encontrar-se com o colega norte-americano George Bush, Lula proibiu a transferência de equipamentos, bens e tecnologia ao programa nuclear do Irã. A proibição foi baixada por meio de uma resolução publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (22).

Na mesma resolução, Lula ordenou “o congelamento de fundos, ativos financeiros e recursos econômicos de indivíduos e entidades" vinculados ao programa nuclear iraniano. Ficam no ar duas perguntas: que equipamentos, bens e tecnologias o Brasil estava vendendo ao Irã? Que indivíduos ou entidades mantêm no Brasil dinheiro vinculado ao projeto do Irã?

O gesto de Lula coincide com o vencimento do prazo que a ONU concedera ao Irã para interromper o plano de enriquecer urânio. O Irã alega não aceitou o ultimato. Em comunicado oficial, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), braço da ONU, menciona a expiração do prazo. Informa que, em vez de deter o programa, o Irã tonificou-o. Do modo como evolui, tanto pode servir a propósitos pacíficos como à fabricação de bombas atômicas.

Para o governo iraniano, as informações constantes do relatório da AIEA evidenciam a transparência do programa. O regime de Teerã afirma que o impasse deve ser resolvido por meio do diálogo. De antemão, esclarece que considera inaceitável a suspensão de seus planos nucleares.

Escrito por Josias de Souza às 15h19

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: Empresa menor toma 50% do crédito

 

- Estadão: Apoio a invasões do MST racha a CUT

 

- Globo: A Era Beija-Flor

 

- Correio: Falhas encarecem obra no HUB em 48%

 

- Valor: Irregularidades já marcam a comercialização do biodiesel

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h53

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Fila da boquinha!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Ciro diz ao PSB que não quer voltar a ser ministro

  Marcello Casal/ABr
Desde dezembro do ano passado, Lula vem afirmando, em privado, que deseja reconduzir Ciro Gomes (PSB-CE) à Esplanada dos Ministérios. Na reunião que terá com o presidente, nesta quinta-feira (22), às 11h30, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, dirá que Ciro não quer mais voltar a ser ministro.

Além de Lula, o próprio Eduardo Campos gostaria que Ciro retornasse ao primeiro escalão do governo. O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, pensa do mesmo modo. Porém, contra a opinião de todos, Ciro bate o pé. Prefere exercer o recém-conquistado mandato de deputado a retornar ao ministério.

Conforme noticiado aqui no blog, na noite passada, o PSB reivindicará de Lula a preservação dos dois ministérios que geriu ao longo do primeiro mandato: o da Integração Nacional e o da Ciência e Tecnologia. Como alternativa a Ciro, o partido apresentará o nome de Renato Casagrande (PSB-ES). Foi o que revelou Eduardo Campos, sob reserva, a dirigentes do PSB. 

Casagrande, 46 anos, é engenheiro florestal. Foi líder da bancada do PSB na Câmara durante a legislatura passada. Na eleição de 2006, obteve uma cadeira no Senado. E seu partido julga que ele tem representatividade política e estofo técnico para dirigir um ministério.

O problema é que a pasta ambicionada pelo PSB, Integração Nacional, está acomodada no colo de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Ainda assim, a direção do PSB dirá ao presidente que, se a vontade do partido for levada em conta, os socialistas prefeririam manter o espaço que já é seu.

Lula poderia oferecer ao PSB um outro ministério. Neste caso, preferiria ter à sua disposição Ciro Gomes, não Renato Casagrande. O presidente afeiçoou-se a Ciro. Elogia a forma leal como se portou no período em que foi ministro da Integração. Considera-o, de resto, versátil.

Lula costuma aconselhar-se com Ciro sobre matérias econômicas. Fez questão de convidá-lo para a reunião de ministros em que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foi fechado, no início do ano.

A relutância de Ciro em admitir que seu nome volte à roda de negociações ministeriais embute um cálculo político. Tornou-se, fora do PT, a principal alternativa presidencial do consórcio governista para 2010. E avalia que, na Câmara, terá mais mobilidade para viabilizar-se como candidato.

Além do PSB, Lula receberá nesta quinta, às 16h30, a direção do PC do B. E segue tentando arrumar uma vaga para Marta Suplicy (PT-SP) no ministério. Diante das resistências do presidente em acomodar a ex-prefeita na Educação, o PT voltou a mirar a pasta das Cidades. Uma vaga que Lula assegurara na semana passada ao PP.

Nesta quarta-feira (21), esperava-se que Márcio Fortes, o apadrinhado do PP nas Cidades, fosse ao Planalto. Porém, o ministro aproveitou o Carnaval para descansar. Foram à presidência apenas seus assessores. Pelo telefone, Fortes informou ao blog os planos que traçou para o futuro. Planos que detalhara com o próprio Lula, em reunião realizada há uma semana.

Fortes concentra-se na viabilização do capítulo do PAC que prevê investimentos nas áreas de saneamento e habitação popular. De folga em Búzios (RJ), o ministro estava às voltas com um problema doméstico: assediada por uma legião de turistas, a prefeitura do balneário fluminense viu-se às voltas com um colapso no fornecimento de água.

O ministro teve de contratar um carro pipa para suprir a residência que alugara. Incluiu em sua agenda uma conversa com o colega Walfrido Mares Guia (Turismo). Por meio de convênios, quer carrear recursos federais para prefeituras de cidades turísticas. A única coisa que não lhe passava pela cabeça era a hipótese de vir a ser substituído por Marta Suplicy.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Carnaval fora de época!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 00h26

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Presidente do metrô é sugado pela crise da cratera

Foi passada na lâmina, nesta Quarta-feira de Cinzas (21), a cabeça do presidente do Metrô de São Paulo, Luiz Carlos David. É a primeira autoridade do governo tucano de José Serra que afunda na crise da cratera aberta na linha quatro do metrô paulistano.

Formalmente, Carlos David demitiu-se. Pediu o afastamento, “por motivos pessoais”, em carta dirigida a Serra. Na realidade, ele perdeu o cargo no calor de uma discussão com o chefe imediato, José Luiz Portela, secretário de Transportes Metropolitanos governo de São Paulo. A encrenca fora antecipada pela repórter Catia Seabra.

A saída de Carlos David ocorre mais de 30 dias depois do acidente que produziu sete cadáveres inocentes. Uma tragédia anunciada em documentos internos do Metrô.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Em livro, Tarso sugere ‘vulgarizar’ os plebiscitos

Em livro, Tarso sugere ‘vulgarizar’ os plebiscitos

Tarso Genro levará ao Congresso um texto com idéias para a reforma política. Como noticiado aqui, o documento sugere que referendos e plebiscitos possam ser propostos também pela sociedade, não só pelo Congresso. Instado a comentar a notícia, Tarso mediu as palavras. O estímulo à democracia participativa, disse, não macularia a “supremacia” da representação política. O Congresso continuaria dando as cartas.

Com os dedos no teclado do computador, Tarso costuma ser bem mais loquaz. É o que depreende qualquer um que gaste um naco de tempo lendo “Esquerda em Processo”. Trata-se de um livro de Tarso. Foi às livrarias em 2004, com selo da Editora Vozes. Contém 11 textos, esparramados em 125 páginas.

 

Cinco deles foram escritos depois da chegada de Tarso ao governo Lula, em 2003. Num deles, o ministro trata da falência da democracia representativa. Defende a organização de um novo Estado, regido por “outras instituições.” Na página 65, lê-se que tais instituições devem contemplar “a exacerbação da consulta, do referendo, do plebiscito e outras formas de participação direta, por meio de instituições conselhistas, que emergem da democracia direta (...).”

Para Tarso, “a representação política” tradicional precisa articular-se com outras “representações de fato e de direito, que tenham capacidade de representar a cidadania ativa.” O ministro identifica a existência de “uma rede coletiva da cidadania, que apareceu como reação democrática da sociedade fragmentada e carente de canais de participação, contra o ritualismo democrático-formal.” MST? CUT? O texto não dá nome aos bois.

Os “canais alternativos de representação” surgiram, na opinião de Tarso, por causa da decadência do modelo representativo atual. “Há dois séculos que não criamos nenhuma instituição democrática”, escreve o ministro em seu livro. “As instituições fundamentais do Estado são praticamente as mesmas de 200 anos atrás.”

Os avanços da técnica, da ciência e da economia mundial, anota Tarso, tornam “cada vez mais inócuas as tradicionais instituições.” Para recobrar a “funcionalidade do Estado”, preceitua escreve o ministro, é preciso promover um “choque democrático.” A descarga elétrica preconizada por Tarso passa pelo seguinte: “A consulta, o plebiscito, o referendo, podem ser vulgarizados com a sua integração num novo Direito Constitucional Democrático”.

A base da “virada regenerativa da democracia” seria, no dizer do ministro, “o chamamento a uma participação direta dos cidadãos pelo controle da elaboração e execução do orçamento, por onde passa o poder real do Estado.”

Quando o livro foi à prensa, Tarso era ministro da Educação. O texto não era senão mais uma reflexão de um ideólogo do PT. Hoje, a obra ganha um viço renovado. Tarso está na bica de ser transferido da pasta das Relações Institucionais para a da Justiça. “Esquerda em Processo” tornou-se leitura obrigatória. À altura da página 82, o virtual substituto de Márcio Thomaz Bastos refere-se a um fenômeno controverso.

Que fenômeno é esse? “A falência da lei como instrumento de coesão social e orientação mediadora, aparentemente neutra, nas disputas dos grupos, classes e indivíduos”. Tarso esquarteja o raciocínio: “A legalidade não é mais um marco de referência para a solução das controvérsias, não só pela sua ausência de efetividade como imperativo de conduta, mas também pela impotência do Judiciário.” É uma admissão no mínimo incômoda para alguém que está prestes a assumir o ministério da Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 23h23

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Assassinado em SP pai de ex-secretária de Valério

Foi assassinado na madrugada desta quarta-feira (21) o biólogo Usaldo Mendes Ramos, 56. Vem a ser o pai de Fernanda Karina Somaggio, aquela ex-secretária de Marcos ‘Mensalão’ Valério, que fez denúncias contra o patrão.

Usaldo encontrava-se em sua chácara, num condomínio chamado Palmeirinha, assentado no município de Mococa, interior de São Paulo. A Polícia Civil ainda não se manifestou oficialmente.

Sabe-se, porém, que a principal hipótese com a qual trabalham os investigadores é a de que o pai de Karina tenha sido vítima de um assalto. Sua casa teria sido invadida por dois assaltantes. Usaldo lutou contra os bandidos. E levou dois tiros.

Escrito por Josias de Souza às 15h45

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China faz da América Latina um negócio da China

Em 2004, Lula esteve na China. Na seqüência, Hu Jintao, o presidente chinês retribuiu a visita. Do Brasil, esticou até a Argentina e o Chile. Jintao soou generoso. Prometeu que Pequim financiaria obras bilionárias na região. Em troca, levou para casa o reconhecimento da China comunista como uma economia de mercado, feita por Brasil e Argentina.

 

Pois bem, decorridos dois anos e meio, os investimentos chineses viraram conversa para ocidental dormir. Em 2005, Pequim enterrou na América Latina uma ninharia: R$ 2,8 bilhões (US$ 134,5 milhões no Brasil). É menos de 6% de todas as inversões que o mundo fez na China: US$ 47 bilhões.

 

De resto, os chineses comem os mercados latinos pelas beiradas. Em 2007, depois de colecionar uma seqüência de vistosos superávits comerciais nas suas relações com a China, Brasil, Argentina e Chile vão amargar déficits. Ou seja, vão comprar mais do que serão capazes de vender.

 

No espaço de um mandato (2003-2006), a vantagem que brasileiros, argentinos e chilenos mantinham no troca-troca comercial com os chineses sofreu uma lipoaspiração. As exportações de Pequim para as três praças anotaram um extraordinário aumento de 340% no período. Daí o infortúnio.

 

Em 2003, o Brasil obteve um saldo comercial positivo com a China de US$ 2,2 bilhões. Desde então, a vantagem foi emagrecendo. Fechou 2006 em US$ 410 milhões. Deu-se coisa semelhante na Argentina –US$ 1,8 bilhão em 2003, queda atrás de queda, e US$ 523 milhões em 2006.

 

No momento, a China olha para seus parceiros latinos tendo em mente uma máxima atribuída a Nikita Krushev: “Quando se esfola um cliente, deve-se deixar que alguma pele cresça no lugar, para que se possa esfolá-lo de novo.”

Escrito por Josias de Souza às 14h58

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Perseguição aos comunistas continua implacável

No tempo da ditadura, os militares enxergavam comunistas em toda parte. Viam comunistas infiltrados nas redações de jornal, nos bancos das universidades, no Itamaraty, na Igreja... Até no partido comunista o regime de farda achava que havia comunistas. Depois da redemocratização, a perseguição aos comunistas acentuou-se. 

 

Hoje, os comunistas já não podem se infiltrar nem nos camarotes dos bacanas, no Sambódromo. A julgar pelo que saiu na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha), a repressão continua implacável. Aperfeiçoaram-se os métodos de tortura. Agora, veja você, os comunistas são enfiados no interior de camisetas vermelhas. Leia:

"Que Cicarelli, que nada. É o ex-senador Roberto Freire (PPS-PE) quem rouba a cena no segundo dia de camarote da Brahma, no sambódromo carioca. Copo de chope à mão, ele se recusa a usar a camiseta vermelha da marca, exigida para entrar no espaço -até Schwarzenegger já foi barrado por não usar a blusa. "Político filho da p...! Político filho da p...!", grita um empresário gaúcho. Freire, camisa azul desabotoada e encharcada de suor, não responde. O homem continua: "Comunista tem que ficar igual a todo mundo!". O clima esquenta: o rapper Falcão leva o empresário para um lado; a mulher de Freire, Marisa, puxa o marido para o outro. Mas, no meio do caminho, tinha uma poça. Freire escorrega e cai de bunda no chão.

 

"Tive um azar tremendo. Caí sozinho", diz ele, rindo . "E tudo por causa dessa camiseta [da Brahma] que eu não quis usar. O rapaz ficou nervoso, me xingou de "comunista" e aí a coisa começou a engrossar." E continua: "Eu não ia usar duas camisas com esse calor que está lá fora. Além do mais, eu não sou garoto-propaganda de nenhuma marca". Mas aceitou ir ao camarote da Brahma... "Ah, ninguém me disse que eu era obrigado a usar a camiseta. Eu visto a camisa que eu quiser." Minutos depois, ele desaparece do camarote."

Escrito por Josias de Souza às 09h14

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As manchetes desta quarta

 

- Folha: Com tema Amazônia, igreja abre embate com o governo

 

- Estadão: Contas de 8 Estados estouram limite fiscal

 

- Globo: Beija-Flor leva o prêmio de melhor escola do Estandarte

 

- Correio: Desperdício milionário

 

- Valor: AL acumula déficits e decepções com a China

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Muito além do jardim!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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PSB quer a Integração, que Lula prometeu ao PMDB

Joel Saget/FP
 

Não bastasse a dificuldade que enfrenta para acomodar Marta Suplicy (PT-SP) numa cadeira da Esplanada, Lula será apresentado a um novo problema na reunião que terá com a direção do PSB, nesta quinta-feira (22). Os socialistas não abrem mão de conservar sob seu domínio o ministério da Integração Nacional. O mesmo que o presidente prometera entregar a Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

O PSB enganchou-se, já no primeiro mandato, em dois ministérios. Um deles é o da Ciência e Tecnologia. O outro é o da Integração Nacional. Em conversas que se arrastaram pelos dias do Carnaval, a direção do partido fechou a pedida que levará a Lula. Deseja, no mínimo, manter as trincheiras que já cavou na máquina pública.

Quanto à pasta da Ciência e Tecnologia, não há problemas. Ali, Lula já decidiu manter Sérgio Resende. É uma dindicação de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB. Campos foi, ele próprio, gestor do ministério. Com a sua saída, Resende assumiu. E vai ficar.

A encrenca concentra-se na pasta da Integração Nacional. Era gerida por Ciro Gomes (PSB-CE). Ao sair para conquistar uma cadeira na Câmara, Ciro deixou em seu lugar Pedro Brito, que era secretário-executivo do ministério. Agora, o PSB não está disposto a quebrar lanças por Brito. Mas quer que Lula nomeie um outro socialista para o lugar dele. Um lugar que o PMDB da Câmara já tem como seu.

Os deputados do PMDB queriam abrigar o neolulista Geddel Vieira Lima no ministério dos Transportes. Mas a vaga já estava prometida ao senador Alfredo Nascimento (PR-AM). Daí o partido ter aceitado a Integração, que, junto com a pasta da Saúde, completaria a cota destinada aos deputados peemedebistas.

Um dos argumentos que o PSB levará a Lula é o de que a pasta da Integração interessa de perto ao Nordeste. Uma região em que o partido elegeu três governadores –o próprio Eduardo Campos (Pernambuco), Vilma Faria (Rio Grande do Norte) e Cid Gomes (Ceará). O PMDB não emplacou nenhum governador no Nordeste.

À distância, a arenga entre PSB e PMDB é vigiada com vívido interesse pelo PT. Sob Ciro Gomes, o partido de Lula logrou assumir o controle das principais repartições que pendem do organograma da Integração. O petismo controla até hoje o Dnocs, a Codevasf e o Banco do Nordeste. E, seja quem for ministro, o PT deseja preservar esses postos.

Também nesta quinta, Lula receberá, em audiência separada, a direção do PC do B. A exemplo dos socialistas, os comunistas esgrimem o argumento de que devem manter no segundo mandato os espaços que detinha no primeiro. Incluem na conta a pasta dos Esportes, hoje gerida por Orlando Silva, e a das Relações Institucionais, que chegou a ser comandada por Aldo Rebelo.

Neste caso, Lula restringirá o quinhão do PC do B à pasta dos Esportes. Não deseja bulir em Orlando Silva. Mas vai ficar nisso. No calor da disputa pela presidência da Câmara, vencida por Arlindo Chinaglia (PT-SP), Lula ofereceu a Aldo Rebelo o ministério da Defesa. Seria uma homenagem ao amigo, não uma deferência ao partido. Aldo, porém, recusou a oferta. E o PC do B, dono de uma bancada de escassos 13 deputados, terá de se dar por satisfeito com a preservação dos Esportes.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Geraldo Alckmin, quem diria, fez escola no Peru

No Brasil, o discurso de Geraldo Alckmin não colou. Depois de ter sido surrado por Lula, nem José Serra, seu colega de partido, o leva a sério. Serra recomprou o avião que servia ao Palácio dos Bandeirantes e que Alckmin se orgulhava de ter passado nos cobres. Mas no Peru...

Bem, no Peru o ex-presidenciável tucano faz escola. O presidente Alan Garcia mandou vender o avião presidencial peruano. Não é nenhum Aerolula, mas Garcia acha que, com a grana amealhada, vai conseguir pôr de pé um hospital infantil.

O jato peruano foi adquirido em 95, sob Alberto Fujimori. A exemplo da pregação de Alckmin contra o Aerolula, Garcia vinha criticando, desde a campanha presidencial, o “uso indevido” que, a seu juízo, o ex-presidente Alejandro Toledo fazia da aeronave. A demagogia, como se vê, é coisa que não respeita fronteiras.

Escrito por Josias de Souza às 00h37

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Irã dá de ombros para ultimato que recebeu da ONU

Termina nesta quarta-feira (21) o prazo dado pela ONU para que o Irã suspenda o seu programa de enriquecimento de urânio. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, declara-se disposto a observar o ultimato. Desde que os EUA e os demais países que pressionam o Irã façam o mesmo. Ou seja, vai dar uma banana para a ONU.

 

A Casa Branca dispensa a Ahmadinejad um tratamento de louco. É a mesma história de sempre: cada um tem a sua loucura. Mas os EUA só consideram sensatos os países que cultivam loucuras que coincidam com as suas.

 

Caso não seja atendida, a ONU ameaça impor sanções econômicas ao Irã. O regime de George Bush prepara coisa pior. Segundo informou a BBC, os norte-americanos já têm pronto o plano de ataque a instalações nucleares iranianas.

 

Ahmadinejad diz que o programa nuclear de seu país tem fins pacíficos. Washington afirma que o Irã não deseja senão fabricar bombas atômicas. E o caldeirão da insensatez volta a ferver. Tomara que, antes de um novo surto, Bush volte o olhar para o Iraque. Talvez se dê conta de que a loucura é breve e doce, mas o arrependimento é longo e amargoso. Embora com atraso, o Reino Unido já caiu em si.

Escrito por Josias de Souza às 23h43

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Lula retoma negociações ministeriais nesta quarta

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

De volta a Brasília nesta Quarta-feira de Cinzas, Lula retoma as negociações para fechar a composição do ministério do segundo mandato. O presidente volta a despachar no Planalto à tarde. Embora a agenda não tenha sido divulgada oficialmente, a assessoria da presidência da República informa que Lula vai se reunir com o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Fortes é apadrinhado do PP, um dos partidos que compõem o consórcio governista. Na semana passada, em reunião com a direção do PP, Lula prometera manter o ministro no cargo. Depois, em privado, deu sinais de que poderia rever a sua posição. Cogita transferir Fortes para outra pasta, abrindo espaço para acomodar Marta Suplicy (PT-SP) na Esplanada, sem ter de desalojar Fernando Haddad do ministério da Educação.

A ameaça de meia-volta de Lula deixou inquieta a bancada congressual do PP –42 deputados e um senador. Em termos numéricos, é o terceiro maior partido da coalizão. Dependendo da solução que for dada para o caso de Fortes, Lula pode arrostar uma rebelião do partido.

Além de Márcio Fortes, Lula deve receber na tarde desta quarta o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Defesa Waldir Pires. Não há dúvidas quanto à permanência do primeiro. Mas há muita incerteza quanto à manutenção de Pires. O presidente já trocou os comandantes militares –Exército, Marinha e Aeronáutica. Espera-se que defina agora a situação do chefe dos três.

Na quinta, Lula vai se reunir com representantes de outros dois partidos: PSB e PC do B. De novo, o tema será o ministério. Ao PC do B, Lula dirá que decidiu manter Orlando Silva, um nome do partido, no Ministério dos Esportes. Havia a perspectiva de que os comunistas ganhassem uma segunda pasta. O presidente ofereceu a Defesa de Waldir Pires a Aldo rebelo (PcdoB-SP), mas o ex-presidente da Câmara recusou a oferta.

Ao PSB, Lula informará que será mantido na pasta da Ciência e Tecnologia o atual titular, Sérgio Resende, nome de confiança de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do partido. O problema é que o PSB controla também o ministério da Integração Nacional, prometido a Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). É improvável que os socialistas recebam com naturalidade a perda do ministério. Mais um problema para Lula resolver.

De resto, o presidente terá de definir a situação do PDT. Insinua-se no Planalto que será oferecido ao partido o ministério da Previdência. Há, por último, um problema relacionado ao ministério da Saúde. Sabe-se que será do PMDB. Mas Lula terá de mediar uma disputa travada entre o governador fluminense Sérgio Cabral e a bancada peemedebista da Câmara.

Lula deixou o Forte dos Andradas, no Guarujá (SP), no final da tarde desta terça-feira. Seus assessores informam que ele vai dormir em seu apartamento, na cidade de São Bernardo do Campo (SP). Viaja para Brasília na manhã desta quarta. Se mantiver o cronograma que se anto-impôs antes do Carnaval, concluirá a escolha dos nomes da equipe ministerial até o próximo dia 28. Deseja anunciar a composição do ministério nos primeiros dias de março.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

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Tesouraria do PT espera por um Natal fora de época

Notas veiculadas na coluna Painel (assinantes da Folha):

Saco vazio 1- Da dívida de mais de R$ 10 milhões da campanha de Lula, o PT pagou apenas R$ 2 milhões. O partido havia prometido quitar o débito no final de 2006. "Ainda estou aguardando o Papai Noel", brinca o tesoureiro Paulo Ferreira.

Saco vazio 2- Em 2005, descoberto o valerioduto, o então tesoureiro Delúbio Soares disse que alguns correligionários imaginavam que o dinheiro das campanhas era trazido por Papai Noel.

Escrito por Josias de Souza às 15h38

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As manchetes desta terça

 

- Folha: Eleição fez crescer gasto do Planalto com viagens

- Estadão: Petrobrás pode fazer plataformas no exterior

- Globo: Sapucaí diz não ao racismo

- Gazeta Mercantil: ‘Esquecidas' em disparada na Bovespa

- Correio: Servidores põem o bloco na rua

- Valor Econômico: Fundos de participação investem valor recorde

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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Unidos do Mata e Esfola!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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No Carnaval, a mulher vira inimiga do feminismo

No Carnaval, a mulher vira inimiga do feminismo

 

O signatário do blog é um entusiasta da causa feminista. Repetindo: um arrebatado entusiasta. E é como simpatizante que o repórter dirige meia dúzia de frases às mulheres. Para começar, um conselho: esqueçam o homem. O macho já não é o grande inimigo. O maior adversário da causa feminina é a mulher.

Sim, isso mesmo. A mulher arrisca-se a virar um Silvério, um Judas do feminismo. Está-se falando de um tipo específico de traidora: a fêmea-foliã.  Pode-se enxergar o Carnaval de diversos ângulos. Do ponto de vista sociológico, é uma manifestação genuína de nossa cultura popular. Submetido à ótica da Igreja, não passa de uma festa pagã.

 

Finalmente, filtrado pela lente da câmera de TV, o Carnaval transforma-se na bastilha do feminismo. A cada nova temporada carnavalesca, a luta libertária da mulher é como que esquartejada em meia dúzia de cenas. O cinegrafista a serve em pedaços. Esfrega na cara do telespectador ora o seio, ora a nádega. Ora o umbigo, ora o púbis.

 

Como se fosse pouco, a TV, por vezes, dá forma auditiva à degradação feminina. Despeja diante do telespectador pequenas entrevistas em que certas fêmeas expõem a pior forma de nudez: a nudez cerebral.

 

A mulher passa o ano tentando provar sua superioridade. E, nos escassos quatro dias de Carnaval, torna-se o mais suicida dos seres. As imagens acima dão uma idéia do desafio imposto pelas foliãs às feministas.

 

O repórter, embora simpatizante da causa, não é cego. Por isso, exime-se de condenar os machos que queiram testemunhar a autodegradação da fêmea. Elas, as feministas, que voltem a queimar sutiãs em praça pública. O retorno ao passado talvez seja, a essa altura, o único modo de salvar o movimento tradicional, hoje reduzido a um movimento de quadris.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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Carnaval vai custar ao Tesouro R$ 86,7 mi em 2007

Carnaval vai custar ao Tesouro R$ 86,7 mi em 2007

O Carnaval custará aos cofres do Tesouro Nacional R$ 86,7 milhões. O valor corresponde à soma de 87 projetos carnavalescos aprovados pelo Ministério da Cultura com base na Lei Rouanet. Significa dizer que os donos dos projetos irão captar os recursos junto à iniciativa privada. As empresas abaterão os patrocínios e as doações no Imposto de Renda. E a verba deixará de ser recolhida pela Receita Federal.

 

Junto com as escolas de samba do Rio de Janeiro, samba na Marques de Sapucaí o erário. A maior parte do dinheiro –R$ 30,1 milhões (35,8% do total)— dos recursos proporcionados pela lei de incentivos à cultura vai irrigar os cofres das agremiações cariocas. Lograram aprovar 14 projetos.

 

A escola mais bem aquinhoada foi a Mocidade Independente de Padre Miguel. Emplacou três projetos, num valor total de R$ 7,4 milhões. Curiosamente, duas das propostas da Mocidade referem-se ao Carnaval de 2006. Uma delas, de R$ 2,9 milhões, destina-se a cobrir despesas do desfile da escola principal.

 

A outra, de R$ 1,4 milhão, refere-se ao desfile da Estrelinha da Mocidade, a versão mirim da agremiação. Embora se refiram à folia do ano passado, a Mocidade recebeu do governo autorização para captar recursos até o final de março de 2007. O terceiro projeto da Mocidade, no valor de R$ 3,2 milhões, visa custear o desfile de 2007.

 

A segunda escola mais bem posta na lista do Ministério da Cultura é a Viradouro. Beliscou R$ 4,2 milhões para financiar sua passagem pelo Sambódromo. Vêm a seguir, em valores arredondados, a Acadêmicos da Grande Rio, com R$ 3,1 milhões; a Unidos de Vila Isabel e a Portela, com R$ 2,3 milhões cada uma; a Unidos do Porto da Pedra, com R$ 1,9 milhão; a Mangueira e a Imperatriz Leopoldinense, com R$ 1,8 milhão cada; a Caprichosos de Pilares, R$ 1,6 milhão; a Unidos da Tijuca, R$ 1,5 milhão; a União da Ilha do Governador, R$ 1 milhão; e a Tradição, R$ 840 mil.       

 

A lista de projetos abençoados pela pasta do ministro Gilberto Gil não traz nenhuma escola de ponta do Carnaval de São Paulo. Uma evidência de que é possível homenagear o rei momo sem recorrer à Viúva. Aprovaram-se 16 propostas para o Estado. Juntas, somam R$ 23,4 milhões.

 

As duas propostas mais caras aprovadas pelo governo para o Estado de São Paulo autorizam a captação de R$ 3,8 milhões cada uma. A primeira é assinado pela empresa Divisa Produções Ltda.. Prevê apresentações de trios elétricos. Entre as atrações mencionadas no documento estão o conjunto Fundo de Quintal e os cantores Dudu Nobre, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Leci Brandão.

 

A segunda proposta mais onerosa foi protocolada no ministério da Cultura pela firma Garibaldo Promoções e Eventos Ltda.. Propõe-se a “realizar evento popular de música instrumental e carnavalesca.” Não há nomes de músicos na proposta. Mencionam-se, genericamente, “artistas de projeção nacional.”

 

Afora São Paulo e Rio, conseguiram emplacar projetos carnavalescos no Ministério da Cultura promotores de eventos de outras 12 unidades da federação: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Ceará, Paraíba, Goiás, Distrito Federal, Rondônia e Amapá.

 

A Bahia do ministro Gil foi aquinhoada com 11 propostas. Somam R$ 6,1 milhões. Pressione aqui para ir à lista dos 87 projetos aprovados pela equipe do ministro. Chegando à relação, pressione sobre os números de cada projeto para conhecer o valor e o resumo de cada um deles.

Escrito por Josias de Souza às 00h05

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Camarotes de Salvador têm de tudo, até Carnaval

Há dois tipos de folia em Salvador (BA). Uma é a folia reservada à malta, personificada numa turba de 2 milhões de pessoas. Pulam a esmo, acotovelam-se, acariciam-se, encontram-se, desencontram-se, derramam suor ao longo dos nove quilômetros percorridos pelos ensurdecedores trios elétricos.

Outra folia baiana é desfrutada por pequenos magotes de privilegiados. São os seletos convidados dos 45 camarotes do circuito Barra-Ondina. Camarotes como o Expresso 2222, do ministro da Cultura, Gilberto Gil. Ali, com a alma refrescada por aparelhos de ar-condicionado, come-se direito –de couscous marroquino a sushi—, bebe-se à vontade –de cerveja a chanpanhe—, ouve-se um bom jazz, navega-se pela internet...

 

Há, de resto, massagistas e maquiadoras à disposição. Com alguma sorte, pode-se driblar os chatos e dar de cara com a atriz da hora. Entre um fausto e outro, ainda há quem se interesse pelo Carnaval. Deve-se à repórter Daniela Pinheiro um competente relato da maciota proporcionada, na capital baiana, aos foliões do andar de cima. Não perca (aqui).

Escrito por Josias de Souza às 23h38

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Uma notícia para precipitar as cinzas da quarta

 

Só pagam impostos, como se sabe, os que não têm com que pagá-los. Assalariados não têm como brincar de esconde-esconde com a Receita Federal. Assim, vai aqui uma notícia para antecipar a volta à realidade da Quarta-feira de Cinzas: está chegando a hora do acerto as contas com o fisco.

Se você ganhou mais de R$ 14.992,33 no ano da graça de 2006, terá como fugir ao preenchimento da declaração do Imposto de Renda. Convém reunir, desde logo, a papelada. O prazo para a entrega começa a ser contado já, já, em 1º de março. Vai até 30 de abril.

A declaração deste ano traz seis novidades. Eis uma delas: você poderá descontar parte dos gastos com a previdência de sua empregada doméstica. Feitas as contas, se restar algum imposto a pagar, você poderá indicar a conta bancária, para que o débito seja feito automaticamente, na data do vencimento.

O signatário do blog deseja-lhe boa sorte. Acredite, você vai precisar. Nunca na história desse país Brasília meteu a mão com tanta força no bolso da coletividade. No ano passado, a arrecadação bateu novo recorde. O arrastão do fisco produziu uma coleta de notáveis R$ 392,5 bilhões.

Escrito por Josias de Souza às 22h08

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As manchetes desta segunda

- Folha: Tarifas de bancos sobem até 135% em menos de 1 ano

- Estadão: Em arrastão de carnaval, MST faz 12 invasões

- Globo: Família de João critica declarações de Lula

- Gazeta Mercantil: 'Esquecidas' em disparada na Bovespa

- Correio: 60 milhões de processos à espera de julgamento

- Valor: Fundos de participação investem valor recorde

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h05

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Bloco dos sujos!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 04h01

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TCU vê falha do Planalto na reabilitação de menores

TCU vê falha do Planalto na reabilitação de menores

Há três dias, a pretexto de censurar a tese de redução da maioria penal, Lula atribuiu ao poder público a responsabilidade pela proliferação da delinqüência juvenil. Disse que os menores infratores "são o resultado de um momento longo em que o Estado brasileiro não cumpriu as suas funções." Auditoria feita pelo TCU informa que, sob Lula, a inépcia no trato com o menor contaminou até mesmo o Palácio do Planalto.

O Tribunal de Contas da União virou do avesso uma iniciativa do governo pouquíssimo conhecida. Chama-se “Programa de Reinserção Social do Adolescente em Conflito com a Lei.” É gerido pela Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, uma repartição que pende do organograma da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Criado sob FHC, o programa tinha o objetivo de coordenar fixar diretrizes e articular o trabalho de recuperação de menores infratores realizado pela União, pelos Estados e pelo município. Resultou num retumbante fracasso. A auditoria do TCU detectou a “falta de uma política de atendimento ao adolescente”, o “baixo grau de articulação entre as esferas de governo”, a “insuficiência de recursos humanos e materiais” e “falta de indicadores de desempenho” do programa oficial.

Realizada em 2003, a fiscalização foi aprovada pelo plenário do TCU em abril de 2004. O texto do acórdão contém três dezenas de providências que o governo deveria adotar para consertar o programa ineficaz. (leia a íntegra aqui). Entre as recomendações: a destinação de verbas e o envio ao Congresso de um projeto de lei regulamentando a aplicação das medidas sócio-educativas de menores.

Decorridos quatro anos, o cenário exposto no relatório dos auditores continua o mesmo. Na última sexta-feira (16), mesmo dia em que Lula referiu-se às responsabilidades do Estado, o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) divulgou uma nota sobre o tema.

No texto (leia), o Conanda, braço da Secretaria de Direitos Humanos do Planalto, informa que, depois de “um longo debate”, foi finalmente elaborado, em 2006, o projeto de lei de execução de medidas sócio-educativas de menores fora da lei, aquele que o TCU preconizara em seu acórdão. Pede que o Executivo examine a proposta com “urgência”, enviando-a ao Congresso.

O Conanda pede também que o governo pare de bloquear verbas orçamentárias destinadas à implementação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Ou seja, prevalece sob Lula a penúria orçamentária detectada no relatório de 2004.

O trabalho dos auditores revelara que, no Plano Plurianual de investimentos para o período de 2000 a 2003, o governo reservara R$ 111,4 milhões para investir no programa de reabilitação de adolescentes. Desse total, só R$ 45,4 milhões (40,7%) foram executados. O resto foi retido pelo Ministério da Fazenda.

Em 2003, ao assumir a presidência, Lula transferiu o programa do Ministério da Justiça para o Planalto. Imaginou-se que o esforço direcionado ao menor infrator ganharia novo impulso. Não foi, porém, o que ocorreu.

(Leia mais no texto abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 03h40

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Aprovado em 90, ECA ainda não foi regulamentado

Aprovado em 90, ECA ainda não foi regulamentado

O assassinato do menino João Hélio Fernandes Vieites, 6, ressuscitou o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O tema é recorrente. Ressurge a cada nova brutalidade cometida por um menor de idade. E acaba se sobrepondo a uma discussão que vem sendo adiada há 17 anos. Instituído em 1990, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) continua pendente de regulamentação.

Reza o artigo 227 da Constituição que o Estado deve dar prioridade ao atendimento da clientela infanto-juvenil. O ECA foi a forma que o legislador encontrou para dar conseqüência ao preceito constitucional. O estatuto criou uma série de procedimentos para reinserir o menor infrator no convívio social. Porém, a falta de regulamentação vem conspurcando os objetivos.

Um dos objetivos do Programa de Reinserção Social do Adolescente em Conflito com a Lei, auditado pelo TCU, era justamente o de dar efetividade à ressocialização prevista no ECA. Por ora, deu em nada. O estatuto estabelece, por exemplo, que o atendimento ao menor infrator seria feito em articulação dos governos federal, estadual e municipal. Mas não foram disciplinadas as competências de cada esfera administrativa.

“O que é de todos não é de ninguém”, anota o relatório do TCU. Apurou-se que há “superposição e/ou omissão de ações, bem como o desperdício de esforços e recursos” financeiros. A União deveria ter baixado normas para regular a descentralização das políticas voltadas ao menor. Não baixou.

Conclui o TCU: “Não existe uma política nacional integrada de atendimento ao adolescente em conflito com a lei.” Mais: “É incipiente a articulação entre União, Estados e municípios.” Os Estados lidam com os menores à sua maneira, de forma pouco uniforme. Quanto aos municípios, anota o relatório do tribunal, “são muito poucos os que atuam no processo.”

À falta de informações confiáveis a respeito da eficácia das políticas de recuperação de menores, os auditores do TCU viram-se compelidos a fundamentar o seu trabalho em cerca de meia centena de entrevistas. Ouviram-se gestores estaduais, juízes, membros do Ministério Público, defensores públicos e os próprios menores.

Descobriu-se o óbvio: além de superlotadas, as unidades de internação de menores não têm espaços adequados para o lazer, a educação e atividades de profissionalização dos infratores. Não há um plano pedagógico para a escolarização. Os cursos profissionalizantes são, nas palavras de um juiz, “uma verdadeira enganação”.

Depois de liberar os infratores, o Estado não acompanha os seus passos. Sonega-lhes até mesmo o vale-transporte para continuar freqüentando a escola e o psicólogo. Negligencia-se, de resto, a inserção das famílias no pretenso processo de recuperação. O resultado é a reincidência.

Diante de um quadro como esse, por mais lógico que parece, o debate sobre a redução da maioridade penal tangencia a essência da encrenca: ao sonegar direitos essenciais dos adolescentes que enveredam pela trilha do crime, o Brasil transforma autores de delinqüências leves em monstros à espera de oportunidades para praticar monstruosidades.

(Leia mais no texto abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 03h35

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Metade dos menores infratores é viciada em drogas

Metade dos menores infratores é viciada em drogas

Dos questionários elaborados pelos auditores do TCU, 341 foram respondidos por adolescentes submetidos a processos de reabilitação proporcionados pelo Estado. Nada menos que 157 (46%) declararam-se viciados em drogas. Um detalhe transforma a má notícia em tragédia: não há nenhuma ação articulada para prover tratamento médico especializado aos viciados.

Como a resposta dos adolescentes foi espontânea, pode-se intuir que o índice de viciados seja ainda maior do que o que foi insinuado na pesquisa dos auditores. Submetidos ao mesmo tipo de questionamento, gestores de unidades de “reabilitação” e técnicos que lidam com os menores indicaram que o drama é maior do que parece.

“A situação é muito mais grave”, anota o relatório do TCU, “pois, segundo eles, a maioria dos adolescentes em conflito com a lei tem ou já tive envolvimento com drogas lícitas ou ilícitas.” Pior: “O consumo de drogas foi apontado por alguns gestores estaduais como um dos fatores que contribuem para a fragilidade do sistema de execução de medidas sócio-educativas não privativas de liberdade”.

“É comum que o adolescente em cumprimento de medida se envolva novamente com traficantes e adolescentes usuários de drogas”, prossegue o relatório. De acordo com o documento, pesquisas realizadas pelo governo de Mato Grosso do Sul indicaram que “95% dos adolescentes atendidos no Estado já fizeram uso de alguma substância psicoativa.”

O consumo desse tipo de substância “é definido internacionalmente como uma síndrome médica.” Produz “uma série de comprometimentos cerebrais”. É considerado “um problema de saúde pública.” Um problema com o qual o Estado brasileiro não sabe como lidar. Daí o TCU ter recomendado a realização de “um esforço conjunto de diversas áreas governamentais (saúde, educação, assistência social) com o objetivo de proporcionar aos adolescentes em conflito com a lei o tratamento adequado.”

O esforço é urgente. Entre “os principais motivos apresentados pelos adolescentes entrevistados para a realização do ato infracional”, escreveram os auditores em seu relatório, estão “o interesse em conseguir dinheiro para suprir as necessidades pessoais próprias e da família ou a aquisição de drogas.”

Na opinião dos auditores, a iniciativa deve partir da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em articulação com o Ministério da Saúde. Afora o problema das drogas, detectou-se também a inexistência de tratamento adequado para os menores infratores que apresentam distúrbios mentais.

De resto, os questionários respondidos por especialistas na matéria (juízes, promotores, técnicos etc.) indicam que a exclusão social está na raiz da delinqüência juvenil. “As principais razões que levam os adolescentes a cometer atos infracionais”, concluiu o relatório do TCU, “são a desigualdade social existente no país, a alta taxa de desemprego, a dificuldade de acesso à escola e a falta de oportunidades (principalmente para adolescentes em cumprimento de medida sócio-educativa e egressos do sistema).”

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Lula leva o marasmo para dar um mergulho no mar

Lula leva o marasmo para dar um mergulho no mar

Rogério Paiva/Folha Imagem
 

 

Nesses dias de Carnaval, Lula está mais para marcha-rancho do que para maracatu. Seu governo caminha em cadência marcial: PAC, PAC, PAC, PAC... Os novos ministros já deveriam estar marcando o cartão de ponto na Esplanada há tempos. Lá se vão 49 dias marasmáticos. Nunca na história desse país registrara-se semelhante marca. É um recorde.

 

Bom marchand de si mesmo, Lula vende hesitação como cautela. Marta, eis a personagem da vez. Recebe um tratamento de margarida enjeitada. É Marta pra cá –malmequer nas Cidades--, é Marta pra lá –malmequer na Educação. E nada do aguardado bem-me-quer.

 

Sentindo-se marginalizados, os governistas seguem martelando suas reivindicações. Não vêem a hora de dar cabo do martírio. Estão ávidos para saltar das bolsas marsupiais em que se encontram, para agarrar-se às velhas tetas.

 

À margem de toda a algaravia, Lula (na foto, ao centro) se autoconcedeu neste domingo um refrescante banho de mar. Desfruta das maravilhas do Forte dos Andradas, com Marisa. Mas é como se estivesse em Marte. Deixa o homem marear!

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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As manchetes deste domingo

 

- Folha: Fitas revelam erros na queda de avião

 

- Estadão: PIB do interior de SP já supera o do Chile

 

- Globo: Faltam 3,4 mil vagas para deter menores infratores

 

- Correio: A república dos sindicalistas

 

- Valor: Fundos de participação investem valor recorde

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h46

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Samba do ministério doido!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Sobre o Carnaval, o belo, a indiscrição e a voz

Sobre o Carnaval, o belo, a indiscrição e a voz

Inácio Teixeira/Coperphoto
 

 

A voz de Ivete Sangalo é bela, eis uma verdade que ninguém ousa contestar. Pois neste Carnaval, a cantora baiana decidiu submeter as outras belezas de que dispõe ao julgamento dos olhares alheios de Salvador (BA).

 

Na foto, o belo aparece acomodado no interior –e no exterior— de um corselete em tons de cinza e de preto. Uma olhadela de relance bastaria para perceber que a moça, já bem-servida de conteúdo, não deixa a desejar na forma.

 

Mas repare no canto direito inferior da imagem que, não satisfeito, um sujeito resolveu conferir, de baixo para cima, o que, por indubitável, dispensava a aferição. Antes que os leitores deste recanto virtual comecem a invejar a indiscrição desnecessária, o repórter sugere que contemplem o belo em sua versão sonora (aqui).

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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PP ameaça rebelião se Lula der Cidades para Marta

  Angeli
Dono da terceira maior bancada da coalizão lulista –42 deputados e um senador—, o PP está a um passo de amotinar-se contra o governo. Informados de que Lula pode entregar o ministério das Cidades à petista Marta Suplicy, as principais lideranças do PP pintaram-se para a guerra.

 

Na cadeira cobiçada por Marta está sentado Márcio Fortes, homem do PP. Em reunião com a direção do partido, na última terça-feira (13), Lula prometera que não buliria com Fortes. Cogitava, àquela altura, acomodar Marta na pasta da Educação. O PT já parecia conformado. Porém, Lula ensaia uma meia-volta.

 

Conforme noticiado aqui no blog, na noite passada, Lula hesita em demitir Fernando Haddad, o atual ministro da Educação. Acha que trocá-lo por Marta pode não ser um bom negócio. Sob intensa pressão do PT, voltou a considerar a hipótese de entregar a pasta das Cidades para Marta. E ateou fogo na bancada do PP.

 

“O Lula prometeu a nós o ministério das Cidades. A possibilidade de uma mudança de posição não passa pela cabeça de ninguém”, disse o deputado Mário Negromonte (BA), líder do PP na Câmara, a um de seus liderados. “Se isso acontecer, como é que o presidente vai governar?  Ninguém mais vai confiar nele.”

 

Negromonte tem fundadas razões para estar irritado. Ele era um dos presentes à conversa em que Lula assegurara a vaga de Márcio Fortes, na terça-feira. Foi ao Planalto acompanhado do deputado Nélio Dias (RN), presidente do PP. Testemunhou o encontro o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

 

“O ministério das Cidades é de vocês”, disse Lula. “E quem vai ser o ministro?”, perguntou Negromonte. “Vou manter o Márcio Fortes. Ele é da confiança de vocês? Atende aos interesses do partido?”, quis saber Lula. E Negromonte: “É da nossa inteira confiança e atende plenamente o partido.”

 

Feito o acordo, Negromonte perguntou: “Posso avisar ao ministro [Márcio Fortes]”. E Lula: “Pode.” O líder do PP, emendou outra pergunta: “Posso informar à imprensa?”. “Pode”, autorizou o presidente. Não é só. Ao relatar o encontro do Planalto a deputados de sua bancada, Negromonte contou que o nome de Marta Suplicy foi mencionado na reunião.

 

“A Marta também quer ir para o ministério das Cidades, mas ela vai ser candidata a prefeita [de São Paulo, em 2008]. E não acho bom”, disse Lula. Negromonte e Nélio Dias apenas ouviram, em silêncio. Seguiram-se elogios rasgados do presidente a Márcio Fortes. Ao sair do Planalto, o líder do PP telefonou para o ministro. Chamou-o para uma reunião na casa de Nélio Dias. Contou-lhe o que acaba de ouvir de Lula.

 

Depois, o ministro reuniu-se com os 42 deputados do PP. Fizeram planos para o futuro, numa atmosfera de lua-de-mel. Negromonte contou à bancada que, além de confirmar Fortes, Lula dissera que manteria no cargo também o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto, outro apadrinhado do PP.

 

A possibilidade de perda do ministério das Cidades deixou atônito o PP. Em clima pré-insurrecional, um deputado perguntou a Mário Negromonte qual será a reação do partido caso Lula ofereça outra pasta, como compensação.

 

“É simples”, respondeu Negromonte. “Vou dizer o seguinte: ‘Presidente, não me leve a mal, não é nenhum capricho, mas isso é inaceitável. É uma forma de enfraquecer a gente. Se nós somos aliados fiéis, se o senhor considera o ministro competente, como é que podemos aceitar a perda do ministério?’”

 

Pois é justamente o que Lula pensa em fazer. Em privado, o presidente diz que pode transferir Márcio Fortes para o ministério da Agricultura. Na audiência de terça, Nélio Dias, o presidente do PP, reivindicara a Agricultura. Mas seria um acréscimo, não uma alternativa ao ministério das Cidades. Lula ficou de pensar. Disse que voltaria a conversar depois do Carnaval. Se as lideranças do PP estiverem falando a sério, o presidente corre o risco de sambar.

Escrito por Josias de Souza às 00h35

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Queda de Boeing da Gol resultou de salada de erros

O maior acidente da história da aviação brasileira, que produziu 154 cadáveres, foi resultado de uma salada de equívocos. Os ingredientes que compõem a trapalhada foram servidos, a frio, num relatório de 290 páginas. Traz a transcrição dos diálogos dos pilotos norte-americanos do jatinho Legacy com controladores de vôo.

A peça foi obtida por Eliane Cantanhede. Percorrendo-a, a repórter deparou-se com "uma sucessão de erros, mal-entendidos e uma certa inexperiência ou incompetência" dos personagens do acidente.

 

Salta do texto, por exemplo, a evidência de que os pilotos do Legacy, que se expressaram em língua inglesa, tiveram dificuldades para se comunicar com o controlador de vôo brasileiro com o qual fizeram contato. Por três vezes, tentaram, sem sucesso, esclarecer se deveriam se manter na altitude de 37 mil pés ou descer para 36 mil pés, como estipulava o plano de vôo.

 

Mercê da mixórdia, mantiveram-se na mesma faixa de vôo em que trafegava o Boeing da Gol. Daí a colisão que levou à queda do avião. Ouvidos depois do acidente, os pilotos do Legacy disseram que só souberam do desaparecimento do Boeing depois que realizaram um pouso de emergência na base da Aeronáutica assentada na Serra do Cachimbo (PA). Era lorota.

 

Correndo-se os olhos pela transcrição dos diálogos, chega-se ao momento exato do acidente. Um dos pilotos pergunta ao outro: "Que diabos foi isso?" A resposta veio 26 minutos depois. Um dos pilotos cai em si: "Nós batemos em outro avião. Eu não sei de onde essa porra veio."

 

O diabo agora é explicar toda essa barafunda às famílias das 154 vítimas.

Escrito por Josias de Souza às 18h38

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Problemas no metrô eram conhecidos há um ano

Ayrton Vignola/Folha Imagem
 

 

Deve-se ao repórter Wálter Nunes uma revelação desconcertante: documentos internos do Metrô de São Paulo revelam que os riscos de desmoronamento da linha 4 (Estação Pinheiros) eram do conhecimento dos responsáveis pela obra. A julgar pelo conteúdo dos papéis, intui-se que o acidente que custou a vida de sete pessoas foi fruto de negligência ou incompetência.

 

A cratera do metrô abriu-se em 12 de janeiro de 2007, no alvorecer da gestão de José Serra (PSDB). O desmoronamento soterrou um operário. Outras seis pessoas que passavam pela Rua Capri foram engolidas pelo buraco. Um ano antes, em 10 de janeiro de 2006, quando o inquilino do Palácio dos Bandeirantes ainda era Geraldo Alckmin (PSDB), documento oficial do metrô registrara um “aprofundamento na região do da Rua Capri.”

 

Trata-se de uma ata de reunião entre funcionários do Metrô paulista e do consórcio de empreiteiras que tocam a obra: OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Decidiu-se contratar um “consultor” para detectar a origem do “aprofundamento” da rua (veja trecho do documento abaixo).

 

 

Concluiu-se que o afundamento estaria relacionado a problemas na rede de água e esgoto da Rua Capri. A versão foi desmentida pela Sabesp, a Companhia de Águas e Esgoto de São Paulo. Os registros do “aprofundamento” sumiram das atas do Metrô. E a coisa ficou nisso.

 

Em 26 de maio de 2006, a obra enviou uma nova mensagem aos seus construtores. Nesse dia, uma funcionária do Metrô relata em e-mail reclamações de uma moradora da casa localizada no número 87 da mesma Rua Capri. "A senhora Carmen [de Leoni] reclama que há trincas e rachaduras pela casa toda (...). Esses problemas ocorrem há oito meses e ninguém resolveu até agora", anota o texto (veja abaixo).

 

 

Este segundo recado foi ignorado pelo Metrô e pelos construtores. Em 23 de janeiro de 2007, onze dias depois da abertura da cratera do metrô, as casas da região do acidente foram demolidas. Entre elas a de Carmen de Leoni.

 

A papelada que enrosca o governo de São Paulo e as empreiteiras num enredo de descaso encontra-se agora em poder do Ministério Público e da Assembléia Legislativa paulista, que investigam o caso. Oferecem um fio de meada que, se bem puxado, pode levar à identificação dos culpados que se escondem atrás de um incômodo anonimato.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

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Lula e PT tratam a Educação com falta de educação

Lula e PT tratam a Educação com falta de educação

 

Lula já chegou ao Planalto, em janeiro de 2003, decidido a dividir o governo em duas partes: uma “séria” e outra nem tanto. Nada diferente do que haviam feito seus antecessores. O naco bandalho da administração seria negociado no baixo mercado da política.

 

Aos exemplos: no Banco Central, acomodou-se Henrique Meirelles, um ex-banqueiro milionário. Acabara de eleger-se deputado pelo PSDB de Goiás. Mas era o técnico que Lula procurava para informar ao mercado que a economia seria tratada com “seriedade”. Para a Agricultura, foi o agro-negociante Roberto Rodrigues. Para o Desenvolvimento Industrial, o capitalista Luiz Fernando Furlan.

 

Pode-se gostar ou não do trabalho de Meirelles, Rodrigues e Furlan. Mas é forçoso reconhecer que não foi sob nenhum deles que brotaram os escândalos do primeiro reinado. As encrencas nasceram do pedaço de governo servido aos lobos da fisiologia. O mensalão veio à luz como um revide de Roberto Jefferson à acusação de que o PTB montara nos Correios uma usina de propinas. Puxando-se a meada, chegou-se ao grão-petismo e às legendas valerianas.

 

Às voltas com a montagem do time do segundo reinado, Lula está na bica de tomar uma dessas decisões reveladoras do caráter de um governo. Envolve o ministério da Educação que, no gogó, é prioritário. Mede-se o tamanho da prioridade pela quantidade de ministros. Sob Lula, já foram três. Cristovam Buarque foi demitido pelo telefone. Tarso Genro trocou a pasta por uma interinidade na presidência do PT pós-delubiano. Fernando Haddad, o atual ministro, encontra-se na porta do microondas.

 

No cargo desde julho de 2005, Haddad tornou-se um dodói de Lula. No final do ano passado, discursando para uma platéia de educadores, o presidente deixou escapar que a presença dele na equipe do segundo reinado era pule de dez. Até que, há cerca de 20 dias, a Educação desceu ao balcão. O que fazer com Marta Suplicy? A pergunta deixou Lula embatucado. Ministra das Cidades? Impossível. O cargo era do PP. Conversa daqui, conchava dali, o PT mirou a cadeira de Haddad. E Lula tratou do assunto a sério. Haddad passou a exalar um incômodo cheiro de queimado.  

 

O curioso é que, em privado, Lula se que Marta fará de Brasília um trampolim para a eleição municipal de 2008. Mais curioso ainda é que o presidente está tomado de amores por um pacote educacional que Haddad acabou de formular. Ora, se é assim, por que mudar? Entregando a Educação a Marta, Lula mandará ao lixo um dos motes da campanha reeleitoral: “Não troque o certo pelo duvidoso.” Virará entulho também o lero-lero de que a Educação-companheira é coisa séria.

 

Haddad, um filiado do PT, não merecia ser tratado com tamanha falta de educação. Assim fica fácil entender por que o Saeb e o Enem revelaram que, de cada cem brasileiros de 15 a 20 anos, pelo menos cinco freqüentam o mundo dos iletrados.

Escrito por Josias de Souza às 16h29

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As manchetes deste sábado

- Folha: Atraso nos aeroportos do país afeta 38% dos vôos

- Estadão: 'Vão tentar punir até o feto', diz Lula

- Globo: Lula troca comando aéreo para tentar conter o caos

- Correio: Carnaval chega com quase 500 vôos atrasados

- Valor: Fundos de participação investem valor recorde

- Jornal do Commercio (PE): "Acorda, Recife. Acorda!" - Lindo demais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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Mas com que roupa eu vou?...

Airon
 

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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Para não dizerem que o blog não falou de flores

Para não dizerem que o blog não falou de flores

 

Sim, isso mesmo. Para que não digam que o signatário do blog não falou de flores, vão acima as fotos de duas petúnias. São de um tipo chamado tecnicamente de “petunia violacea”, caracterizado pela beleza das grandes flores e pela corola de formato infundibuliforme. A despeito do pequeno porte, costumam florescer abundantemente.

 

Foram à avenida como destaques da Imperador do Ipiranga, uma escola que faz sua estréia no Grupo Especial e que abriu os desfiles do Carnaval de São Paulo no finalzinho da noite desta sexta-feira (16). A apresentação entrou pela madrugada de sábado. O enredo combina, por assim dizer, com o PAC: “Siderurgia forte constrói mundo de aço".

 

Se visse o carro abre alas da escola, Lula diria algo assim: “Nunca na história desse país houve um veículo carnavalesco como esse.” O carro representa o Egito. Carrega, segundo as palavras do carnavalesco Anselmo Brito  “a maior escultura do Carnaval do Brasil, com 40 metros."

 

O repórter deseja um bom Carnaval a todos os seus 22 leitores.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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Lula põe em dúvida ida de Marta para a Educação

  Antônio Gaudério/Folha Imagem
A cúpula do PT dá como certa a nomeação de Marta Suplicy para a pasta da Educação. A ex-prefeita preferia a pasta das Cidades, mas sinalizou que não refugará a nova oferta. Nas últimas 48 horas, porém, Lula passou a pôr em dúvida o que antes admitia. Acha que a troca de Fernando Haddad, atual titular da Educação, por Marta pode trazer-lhe mais problemas do que soluções.

A incerteza de Lula aumentou depois de dois encontros que manteve com Fernando Haddad. Encontrou-se com o ministro no meio da tarde da última quarta-feira (14). Voltaram a conversar na noite de quinta (15). O ministro desembrulhou para o presidente um pacote educacional que vem preparando desde o final do ano passado.

O programa é ambicioso. Entre quatro paredes, foi apelidado de PAC educacional. Contém cerca de 50 ações, cobrindo da pré-escola à universidade. O calendário de implantação se arrasta pelos quatro anos do segundo mandato de Lula. Entre as providências estão a ampliação do ProUni, a melhoria do ensino básico, o combate ao analfabetismo, a formação de professores e a informatização das salas de aula.

Lula gostou do que ouviu. Gostou tanto que, em privado, passou a ruminar com assessores próximos um raciocínio que termina com um ponto de interrogação: por que trocar Haddad, um técnico com um projeto pronto, filiado ao PT, por Marta, uma política que pode abandonar Brasília em 2008 para disputar a prefeitura de São Paulo?

O presidente ainda não disse, de modo peremptório, que desistiu de alojar Marta na Educação. Mas, sintomaticamente, agendou visitas a universidades, na companhia de Haddad, para meses de abril e maio. Depois das reuniões com o presidente, o ambiente na assessoria de Haddad mudou. A atmosfera de velório foi substituída por um ambiente operoso.

A pedido do ministro, a equipe da Educação vai trabalhar no final de semana do Carnaval. Pretende-se dar os retoques finais no pacote educacional, aprontando-o para ser anunciado nos primeiros dias de março. Ali, passou-se a considerar que a nomeação de Marta, se acontecer, será uma enorme surpresa.

Em conversa com o blog, um assessor de Lula disse que, de fato, a indicação de Marta para a Educação “subiu no telhado”. O problema, disse ele, é que o presidente não sabe o que fazer com a ex-prefeita. Tampouco sabe o que fazer para aplacar a pressão do PT. A hipótese de que Marta fique fora da Esplanada é algo que não passa pela cabeça das principais lideranças do partido.

A alternativa de acomodar a ex-prefeita na cadeira de ministra das Cidades, a preferida dela, traria mais dores de cabeça para Lula. Na última terça-feira (13), em reunião com a cúpula do PP, o presidente prometeu que manteria no cargo o ministro Márcio Fortes, indicado pelo partido. Ao sair do Planalto, o líder do PP na Câmara, deputado Mário Nogromonte (BA), comunicou a novidade aos jornalistas. E o fez com autorização expressa de Lula.

Assim, se Marta vier a ser hospedada na Educação, será por pressão do PT e por absoluta falta de alternativa. Mais: a eventual nova ministra terá de jurar ao chefe que não será candidata em 2008. E terá de engolir um plano de ação que não contém uma mísera idéia de sua lavra. Lula disse a seus auxiliares que espera ter uma solução para a encrenca na Quarta-feira de Cinzas.

É bom mesmo que o presidente saiba o que fazer. O PT reúne sua Executiva Nacional no próximo dia 26 de fevereiro. Vai elaborar a lista de nomes que levará a Lula. Marta estará na relação? Ouça-se o que disse Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT: “É evidente que sim. Marta é um nome muito forte, foi prefeita de São Paulo, fez uma boa gestão e está credenciada para participar de qualquer pasta. É um quadro nacional”.  

Escrito por Josias de Souza às 00h16

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Chinaglia negocia relatores do PAC com PSDB e PFL

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia informou aos líderes do PSDB e do PFL que decidiu confiar a relatoria de medidas provisórias do PAC também a deputados da oposição. O tucanato espera receber duas das cinco MPs do Plano de Aceleração de Crescimento. O PFL já foi informado de que terá uma.

Chinaglia reuniu-se separadamente com Antonio Carlos Pannunzio (SP), líder do PSDB, e com Onyx Lorenzoni (RS), líder do PFL. Manifestou a ambos a preocupação de que a oposição escolhesse relatores capazes de pôr o interesse do país acima dos pendores oposicionistas. Obteve a concordância dos dois.

“Há no PAC medidas provisórias que contêm preocupações relativas ao Estado. Teremos a preocupação de indicar relatores com competência técnica e com essa visão de Estado, sem prejuízo de nossa ação oposicionista”, disse Pannunzio. “O PFL tem críticas a algumas medidas e vai enfrentar o debate, mas nós somos brasileiros. Queremos é que o país dê certo. Vamos adicionar os nossos pontos de vista, mas queremos construir”, ecoou Lorenzoni.

Os relatores do PSDB ainda não foram escolhidos. O PFL já escolheu o seu. Mas reserva a divulgação a Chinaglia. De acordo com as consultas que fez à sua bancada, Lorenzoini trabalhava com três nomes da bancada do PFL da Bahia: Fernando de Fabinho, Fábio Souto ou Jorge Curi. Fabinho, um deputado formado em administração de empresas, era o mais cotado.

Depois de conversar com os líderes oposicionistas, Chinaglia foi ao Palácio do Planalto. Deu-se nesta sexta-feira (16). Informou a Lula sobre o acordo que celebrara. Disse que obtivera dos líderes oposicionistas o compromisso de exercer com responsabilidade as relatorias das medidas provisórias que lhes forem confiadas.

Também os governistas PMDB e PT receberão a incumbência de relatar medidas do PAC. Durante o Carnaval, Chinaglia pretende fechar a escolha de todos os nomes, bem como a definição de quais medidas caberão a cada um deles.

Devem ficar com os governistas as MPs mais criticadas pela oposição. Entre elas a que prevê o uso de verbas do FGTS em investimentos de risco (número 349) e a que concede benefícios fiscais para a produção de semi-condutores (352).

Ao entregar a relatoria de MPs estratégicas para o governo a deputados da oposição, Chinaglia cumpre uma promessa de campanha. Durante a disputa que travou com Aldo Rebelo (PCdoB-SP) pela presidência da Câmara, ele prometera que estenderia o respeito à proporcionalidade das bancadas, já observado na composição das comissões da Câmara, também à relatoria de medidas provisórias.

Chinaglia acertou também na forma. Só foi a Lula depois que já havia conversado com os líderes do PSDB e do PFL. Ou seja, manteve a lealdade ao presidente sem conspurcar a independência da Câmara na condução dos trabalhos legislativos.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Em 20 dias, Lula passa de imperialista a explorado

Ao receber Evo Morales em Brasília, Lula posou de imperialista bonzinho. Deu ao vizinho pobre tudo o que ele queria. Daqui a 20 dias, em encontro com o presidente dos EUA, Lula vai vivenciar uma situação inversa. Será, ele próprio, o pobre à busca de generosidade.

 

Lula terá dois encontros com George Bush. O primeiro, em São Paulo, no dia 9 de março. O segundo, em Washington, no dia 31 do mês que vem. Com Evo, era o comprador de gás. Com Bush, será o vendedor de etanol.

 

Acossado pela comunidade internacional, Bush, um filho da indústria do petróleo, busca maneiras de atenuar as críticas ao seu país, o maior vilão do efeito estufa. Além do etanol, Lula apresentará Bush ao biodiesel.

 

De resto, vai tratar de temas mais espinhosos. Entre eles a reforma da ONU, as barreiras comerciais impostas pelos EUA a produtos brasileiros e a intransigência norte-americana em reduzir os subsídios a produtos agrícolas.

 

Diferentemente de Evo, Lula retira do vocábulo “diplomacia” a inspiração para o seu diálogo com Bush. Conduz as relações bilaterais de forma “macia”. Dispensa a Bush um tratamento bem diferente daquele que o presidente norte-americano recebe do venezuelano Hugo Chávez e do próprio Evo Morales.

 

Os EUA têm todas as razões para afagar Lula, um raro aliado na América Latina. Ainda assim, não se deve esperar que Bush uma generosidade à Lula.

Escrito por Josias de Souza às 16h18

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As manchetes desta sexta

 

- Folha: Câmara dobra pena para uso de menor em crime

 

- Estadão: Governo congela R$ 8 bi do orçamento na área social

 

- Globo: Adulto que usar menor em crime terá punição maior

 

- Correio: Pena em dobro para quem usar menor no crime

 

- Valor: Fundos de participação investem valor recorde

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h38

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Papo de shopping!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Agentes da PF declaram-se em ‘estado de greve’

Na bica de ser transferido do ministério das Relações Institucionais para o da Justiça, o ministro Tarso Genro herdará de Márcio Thomaz Bastos uma encrenca com a qual não está habituado a lidar: os agentes da Polícia Federal ameaçam iniciar uma greve. Declaram-se, por ora, “em estado de greve”. 

Nesta quinta-feira (15), cerca de 200 funcionários da PF realizaram um ato público em frente à sede do órgão, em Brasília. Reuniu delegados, agentes, peritos e escrivães. Reclamam do governo o pagamento da segunda parcela de um aumento salarial que lhes foi prometido por Paulo Lacerda, de saída da direção da PF.

A promessa de Lacerda foi feita por escrito, em junho de 2006. Previa um reajuste de 60%, em duas parcelas. Pagou-se a primeira. A segunda, deveria ter sido incorporada aos contra-cheques em dezembro do ano passado. Mas o compromisso não foi honrado. Daí a chiadeira.

 

Sob a liderança da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), entidades sindicais que representam os policiais federais em todo país querem que o governo conceda os 30% de aumento que faltam até o mês que vem. Do contrário, acenam com a hipótese de evoluir do “estado de greve” para a greve propriamente dita.

 

Assim, se for mesmo confirmado na Justiça, Tarso Genro trocará a negociação de pastas ministeriais com os partidos governistas pela busca de um entendimento com o sindicalismo policial. O êxito da nova missão depende da disponibilidade de caixa e dos humores do Ministério da Fazenda.

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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PMDB 'neolulista' quer Saúde, já prometida a Cabral

  Folha Imagem
A bancada do PMDB na Câmara e o governador fluminense Sérgio Cabral (foto), do mesmo partido, travam uma queda-de-braço pelo ministério da Saúde. Lula prometera a Cabral que nomearia para a vaga o médico José Gomes Temporão. O PMDB “neolulista” decidiu peitar Cabral. Levará a Lula o nome de um deputado.

O novo candidato a ministro da Saúde será pinçado de uma lista de cinco deputados do PMDB. Quatro são médicos: Darcísio Perondi (RS), Marcelo Castro (PI), Moisés Avelino (TO) e Osmar Terra (RS). Um é economista: Reinhold Stephanes (PR), ex-ministro da Previdência de Fernando Henrique Cardoso.

 

Uma vez escolhido, o nome será levado a Lula pelo presidente do PMDB, Michel Temer (SP), junto com o do deputado Geddel Vieira Lima (BA), que Lula prometeu acomodar na cadeira de ministro da Integração Nacional. E o PMDB ficará com quatro pastas na Esplanada: as duas novas, da Câmara, e as duas antigas, do Senado: Comunicações (Hélio Costa) e Minas e Energia (Silas Rondeau).

 

Lula foi informado acerca da pendenga que envolve a pasta da saúde na última segunda-feira (12). Deu-se durante reunião do presidente com Michel Temer e com os líderes do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Valdir Raupp (RO). Coube a Henrique amarrar o guizo no rabo do gato, como se diz.

 

O líder na Câmara disse a Lula que tinha lido pelos jornais que Gomes Temporão, o apadrinhado de Cabral, seria nomeado para a Saúde. Sem rodeios, informou ao presidente que a indicação não era do agrado da bancada.

 

Henrique fez questão de contabilizar o exército do PMDB na Câmara: “O senhor sabe, presidente, que nós hoje temos 92 deputados. Somando o PSC, que formou um bloco conosco, teremos cerca de 100 votos. E esses deputados querem é indicar um nome deles”.

 

Acenou com uma saída salomônica: sugeriu que, para ministro da Saúde, Lula nomeie o deputado que o PMDB indicar. Quanto ao pupilo de Cabral, seria acomodado na cadeira de secretário-executivo, o segundo posto na hierarquia do ministério. Lula pareceu aquiescer: “Decidam lá entre vocês”, disse.

 

Sentindo-se autorizado pelo presidente, Henrique Eduardo Alves discou para Sérgio Cabral. Disse-lhe, de novo sem rodeios, que o nome de Gomes Temporão não foi digerido pelo PMDB da Câmara. Informou que os deputados escolherão outro candidato. E repetiu o lero-lero da secretaria Executiva. Cabral resistiu. Despediu-se com um “depois a gente conversa.”

 

Na seqüência, o governador telefonou para Lula. Perguntou-lhe sobre o compromisso de nomear o seu indicado. O presidente disse que mantinha o desejo de entregar a Saúde a Gomes Temporão. Foi como se dissesse: entenda-se com o seu partido. Aí reside um dos deslizes de Cabral. Hoje, é mais próximo de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, do que com a tropa de deputados. Algo que pode custar-lhe um ministério.

 

Os nomes de Geddel Vieira Lima e do deputado a ser indicado para a Saúde serão levados a Lula logo depois do Carnaval. O prazo foi fixado pelo próprio presidente. Ele disse a Temer a aos líderes do PMDB que definirá os novos ministros até 28 de fevereiro, para fazer o anúncio da nova equipe nos primeiros dias de março.

Escrito por Josias de Souza às 00h56

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Chega à rede petição contra anistia de José Dirceu

A cruzada pró-anistia do deputado cassado José Dirceu (PT-SP) será deflagrada depois do Carnaval. Antes, chefou à internet uma petição antianistia. Foi pendurada no sítio Gopetition. É dirigida aos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado (PMDB-AL).

Assina a petição/manifesto um cidadão chamado Pablo Henrique de Oliveira. Em texto bem articulado, rememora as encrencas atribuídas a José Dirceu durante o primeiro mandato de Lula –do caso Waldomiro Diniz ao escândalo do mensalão.

Enganchada ao texto há um abaixo-assinado antianistia. No instante em que este despacho foi redigido, as adesões somavam 5.531 assinaturas. Foram coletadas no intervalo de uma semana.

Para que o projeto de anistia de Dirceu possa tramitar no Congresso, o grupo do ex-chefe da Casa Civil terá de recolher algo como 1 milhão de assinaturas de eleitores brasileiros. Os idealizadores do movimento contrário à anistia tentam vencer Dirceu na guerra de assinaturas.

Em meio à fervura, Dirceu decidiu esfriar a cabeça –e todo o resto do corpo. Segundo informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha), Dirceu “vai passar o Carnaval longe, na Patagônia.” Troca de cenário e de ave. Não há de encontrar em seu destino tucanos à espreita. Espera-se que os pingüins o tratem com fidalguia.

Escrito por Josias de Souza às 18h16

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Governo reduz formalmente meta de superávit fiscal

Ao anunciar que decidiu cortar R$ 16,4 bilhões em despesas previstas no Orçamento da União para 2007, o governo deixou claro que a meta de superávit fiscal, economia que se faz para pagar os juros da dívida, não será mais de 4,25% do PIB. Trabalha-se agora com a perspectiva de obter um superávit de de cortes orçamentários, governo acena com menos 3,75% do PIB.

Por mais que Lula se recuse a admitir publicamente o “fim da era Palocci”, a redução do esforço fiscal é a prova de que a assertiva nunca foi tão verdadeira. Ministros ditos desenvolvimentistas, Dilma Rousseff (Casa Civil) à frente, vinham advogando a necessidade de reduzir o superávit desde 2006. Foram barrados pela intransigência de Antonio Palocci, então gestor da Fazenda.

Sem o empecilho Palocci, abriu-se o dique que segurava a generosidade fiscal. Não fosse pela redução do superávit, o corte orçamentário de 2007, um recorde da gestão Lula, seria ainda maior. O governo teria de impor limitações aos investimentos do PPI (Programa Piloto de Investimentos). E arrostaria o mal-humor de governadores que contam com inversões federais previstas no programa.

Mercê da flexibilização da meta de superávit, pôde-se, em vez de cortar, ampliar as verbas destinadas ao PPI. Passaram de R$ 4,6 bilhões para R$ 11,3 bilhões. A diferença a maior será  abatida da meta de superávit, puxando-a para o novo patamar, mais baixo. A providência combina com o esforço do governo para tonificar o crescimento da economia. Resta saber se, uma vez aberto o dique, o superávit não cairá abaixo dos 3,75% do PIB.

O novo ânimo estimula as posições cautelosas que o Banco Central vem adotando na redução das taxas de juros. Junto com Palocci, o presidente do BC, Henrique Meirelles sempre foi um ardoroso defensor do superávit fiscal de 4,75% do PIB. Ao bulir na meta, o governo aponta para o aumento dos gastos. E empurra o BC para a posição conservadora.

O ministério do Planejamento reduziu também as suas projeções para o crescimento do PIB. Na programação orçamentária feira no ano passado, estimara-se que o PIB cresceria 4,75% em 2007. Agora, prevê-se um crescimento de 4,5%.

O novo índice, argumenta o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) está em sintonia com o PAC (Plano de Aceleração da Economia). Conta-se que, depois dos 4,5% estimados para 2007, o PIB cresça nos anos seguintes a taxas de 5%.

Trata-se de mero exercício de quiromancia. Na última década, todas as previsões do gênero resultaram em malogro. Enquanto isso, na vizinha Argentina... Bem, na Argentina festeja-se uma taxa de crescimento de 8,5% no ano passado. O índice foi anunciado nesta quinta (15).

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Brasil paga US$ 100 mi a mais por gás boliviano

Reuters
 

 

O governo Lula firmou um acordo com a administração de Evo Morales. A coisa foi explicada na manha desta quinta-feira (15), em Brasília. Em meio a muito blábláblá, coube ao ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, fazer o melhor resumo: o Brasil vai pagar anualmente US$ 100 milhões a mais pelo gás que compra da Bolívia.

 

A conta refere-se ao reajuste dos contratos que asseguram o abastecimento da região Sudeste, que tem em São Paulo o seu maior consumidor. Na véspera, já se havia anunciado que o Brasil topara aumentar também o preço do gás comprado por Mato Grosso. O que, pelas contas do mesmo ministro Villegas, renderá à Bolívia um adicional de US$ 44,86 milhões por ano.

 

Tudo somado, Evo viu em Brasília uma mega-uva de US$ 144,86 anuais. As autoridades brasileiras esforçam-se para demonstrar que o acordo-companheiro é justo. Difícil concordar integralmente com o raciocínio sem torturar o significado do vocábulo.

 

Vá lá que Lula queira rasgar contratos legitimamente firmados para ajudar um vizinho pobre. Trata-se de uma graciosidade imposta à Petrobras. Mas o reajuste não é dos mais expressivos. O que incomoda é a impressão de que o governo está alisando a cabeça de uma serpente.

 

O morubixaba Evo invadiu militarmente instalações da Petrobras. Depois, pôs-se a destratar o Brasil. Disse que o Acre foi anexado ao território brasileiro em troca de um cavalo. Chamou a Petrobras de chantagista. Acusou a e empresa de prática de contrabando.

 

A diplomacia-companheira ficou devendo aos nacionais que pagam os seus contra-cheques uma resposta à altura das provocações. Agora vem o Evo a Brasília e Lula mostra-lhe suas melhores uvas. Quem garante que, amanhã, depois de fartar-se, Evo não vai virar a cara para o Brasil de novo? Se proceder assim, não poderemos culpá-lo. Lula deixou-o mal acostumado.

Escrito por Josias de Souza às 12h52

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De 'dimenor' para 'dimaior'!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 07h58

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: Câmara dificulta saída de preso da cadeia

 

- Estadão: Governo evita controle de verba de segurança

 

- Globo: Câmara aumenta rigor com presos por crime hediondo

 

- Correio: Doadores emplacam seus deputados nas comissões da Câmara

 

- Valor: Liderança mundial da InBev abre espaço para nova fusão

 

- Estado de Minas: Falso seqüestro volta a alarmar Grande BH

 

- Jornal do Commercio: Falta d'água - Racionamento é ampliado

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h44

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Festim juvenil!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Lula diz que pretende mudar menos de dez ministros

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Ao protelar por mais de dois meses o anúncio da equipe do segundo mandato, Lula passou a impressão de que estaria preparando uma grande mexida ministerial. Não é bem assim. Informou a um auxiliar que pretende trocar “menos de dez” dos seus atuais 34 ministros. Valeu-se de um lugar-comum do linguajar futebolístico: “Não se mexe em time que está ganhando.”

 

O presidente disse que comanda um governo de continuidade. Não quer correr o risco de conturbar a rotina de pastas que, a seu juízo, estão sendo bem geridas. Listou os ministérios sujeitos a trocas de comando. São seis: Relações Institucionais, Justiça, Educação, Transportes, Saúde e Integração Nacional.

 

Manifestou dúvidas quanto a outros quatro ministérios: Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Turismo e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Não mencionou nomes. Mas, cruzando-se as informações captadas a partir das reuniões que manteve nos últimos dias com os negociadores dos partidos, depreende-se que:

 

1) Tarso Genro deve ir para a Justiça do demissionário Márcio Thomaz Bastos; 2) para o lugar dele, na pasta das Relações Institucionais, iria o ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT) ou o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo); 3) Marta Suplicy (PT) viraria ministra da Educação; 4) Alfredo Nascimento (PR), retornaria aos Transportes; 5) a Saúde seria confiada a José Gomes Temporão (do PMDB do governador fluminense Sérgio Cabral); 6) na Integração Nacional seria acomodado Geddel Vieira Lima (do PMDB neolulista).

 

O principal drama de Lula é, no momento, a definição do posto a ser entregue ao PDT, recém-convertido ao governismo. Aflige-o também a administração da fome ministerial do PT. Nesta quarta-feira (14), os jornalistas o instaram a falar sobre a fúria reivindicatória de seu partido. E Lula: "Eles podem até querer [mais ministérios], mas quem decide sou eu."

 

Farejando a propensão de Lula para uma mudança ministerial minguada, partidos como o PMDB já estão debruçados sobre a lista de cargos de segundo escalão, bem como as diretorias de empresas estatais. A bancada peemedebista na Câmara inveja a posição da bancada do Senado, contemplada desde o primeiro mandato com duas pastas, a das Comunicações (Hélio Costa) e a das Minas e Energia (Silas Rondeau).

 

Os deputados do PMDB gostariam de ter o mesmo número de ministérios. Mas vêem-se na iminência de emplacar apenas Geddel Vieira Lima. Não reconhecem em Gomes Temporão, o apadrinhado de Sérgio Cabral para a Saúde, um nome identificado com os interesses do peemedebismo da Câmara.

 

De resto, Lula tenta livrar-se de algumas frustrações pessoais. Gostaria de arrastar de volta para sua equipe o deputado-eleito Ciro Gomes (PSB-CE). Passou a cogitar a hipótese de convidá-lo para o lugar de Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que está, por vontade própria, com um pé fora da Esplanada. Está condoído com a contingência de ter de desalojar Fernando Haddad da Educação. Acha-o um bom técnico. E quebra a cabeça para acomodá-lo em outro posto.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Deputadas se juntam numa bancada suprapartidária

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O protomachista Nelson Rodrigues dizia que “todas as mulheres deviam ter quatorze anos.” Não há na bancada feminina da Câmara ninguém tão jovem (veja foto). Mas todas têm lá os seus encantos. O principal deles é uma presumida distinção moral.

 

O próprio Nelson Rodrigues, do alto de sua estudada má vontade, reconhecia: “A mulher se corrompe menos do que o homem. Na mais degradada das mulheres sobrevive algo de intacto, de intangível, de eterno. Esse mínimo de inocência sempre a salva.”

 

Na legislatura passada, exceto por Ângela ‘Dança da Pizza’ Guadagnin, nenhuma saia flertou com o escândalo do mensalão. Na nova Câmara, além de se esquivar dos malfeitos, elas buscam a unidade. Querem defender, juntas, as causas que consideram justas.

 

Nelson Rodrigues, sempre ele, legou à eternidade o mais machista de todos os comentários. Explicou-o assim: “Perguntado se mulher gosta de carinho, respondi: ‘Pelo contrário. A mulher gosta de apanhar’. Com divertido horror, perguntou-me Hebe Camargo: ‘Todas?’. E eu: ‘Nem todas. Só as normais. As neuróticas reagem.’”

 

As mulheres da nova Câmara cansaram de ser surradas pela regra não-escrita segundo a qual a vida parlamentar reserva-lhes um papel subalterno. Querem ser protagonistas. Encontraram na união o elixir da força. Por ora, a juntaram-se apenas para a foto. Espera-se que consigam ir além disso.

Escrito por Josias de Souza às 23h05

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Em Brasília, Evo viu um parreiral de US$ 45 milhões

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

O presidente da Bolívia esteve em Brasília nesta quarta-feira (14). Evo não viu só a uva. O governo-companheiro de Lula mostrou-lhe um parreiral inteiro, de cujas videiras pendiam 45 milhões de uva$. E ‘otras cositas más’.

 

A comitiva boliviana veio obcecada pelo aumento do gás exportado para o Brasil. Logo cedo, Evo arrancou de Lula o reajuste do gás comprado pelo Estado de Mato Grosso. Coisa de 252%. Feitas as contas, a receita boliviana será tonificada em U$ 44,86 milhões.

A fatura mato-grossense é café pequeno perto do que vem pela frente. Evo logrou obter também o reajuste do gás que exporta para praças mais vistosas, como São Paulo. Sabe-se que a facada é maior. Mas o tamanho do talho só será conhecido na manhã desta quinta-feira (15).

Evo ameaçara não dar as caras em Brasília. Foi preciso que Lula lhe telefonasse na véspera. Não há de ter se arrependido. Afora o reajuste do gás, entabulou o que Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, chamou de “financiamento bastante camarada”. Dinheiro para a construção de uma rodovia ligando La Paz à região Norte da Bolívia.

Não é só: firmaram-se acordos de cooperação do Brasil com a Bolívia nas áreas militar, educacional, e sanitária (combate à febre aftosa). Como se fosse pouco, Evo viu todas essas uvas sem precisar avistar-se com Renan Calheiros e Arlindo Chinaglia. O companheiro-índio é um craque.

Escrito por Josias de Souza às 22h22

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CCJ da nova Câmara tem a cara da velha Câmara

  O Grito/Edvard Munch
Às voltas com um esforço para melhorar a própria imagem, a Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (14) as suas comissões temáticas. A de Constituição e Justiça, a principal, será presidida por Leonardo Picciani (PMDB-RJ), um deputado de 27 anos, em segundo mandato.

 

A inexperiência não é, contudo, o traço que mais sobressai na biografia de Picciani. O deputado é sócio do pai Jorge Picciani (PMDB-RJ) presidente da Assembléia Legislativa do Rio, em empresas rurais. Os negócios da família encontram-se sob investigação do Ministério Público.

 

Suspeita-se de fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Chamada a entrar em campo, a Receita Federal detectou uma evolução patrimonial de 1.065% dos Picciani. Multou-os em R$ 1,5 milhão.

 

À frente da CCJ, o deputado Leonardo Picciani terá a atribuição de julgar os recursos apresentados contra decisões da direção da Casa e da Comissão de Ética. A comissão funciona como uma espécie de tribunal de recursos no âmbito da Câmara.

 

O deputado contará com a ajuda dos colegas que integram a CCJ. Entre eles Paulo Maluf (PP-SP), que já foi preso sob a acusação de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro, além de José Mentor (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP), mencionados na denúncia do mensalão, aquela da “quadrilha dos 40”.

 

Como se vê, a CCJ da nova Câmara tem a cara da velha Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 17h39

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Curto-circuito: Serra recompra avião de Alckmin

Aos pouquinhos, o governador José Serra (PSDB) vai demonstrando que o seu conceito de “choque de gestão” é bem diferente do que foi esgrimido por seu colega de partido, Geraldo Alckmin, na campanha presidencial do ano passado. Leia-se, a propósito, a nota abaixo, publicada na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

- AeroSerra: Sabe aquele bordão da campanha presidencial de Geraldo Alckmin - "Vou vender o AeroLula"? Terá que sair do dicionário tucano por um bom tempo. É que o avião do governo paulista, que Alckmin se orgulhava de ter vendido, um HS, foi recomprado pelo governo de SP e está sendo usado pelo atual governador, José Serra.

Escrito por Josias de Souza às 16h58

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Fisco prevalece no esconde-esconde pós-mensalão

Certos políticos e empresários não têm medo do escuro. Bem ao contrário. Têm pavor da claridade. Depois de uma fase de superexposição no noticiário, a turma do mensalão desceu à sombra. Ali, no seu habitat natural, vem travando um esconde-esconde com a Receita Federal.

 

Por ora, o fisco vai prevalecendo sobre alguns deles. Pelo menos nove amargaram autuações fiscais. Alguns estão com os próprios bens sob mira. Outros já foram inscritos no cadastro da dívida ativa da União. Entre os encrencados estão Marcos Valério, Delúbio Soares e Roberto Jefferson (leia). Alvíssaras!

Escrito por Josias de Souza às 15h22

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Governo quer facilitar convocação de plebiscitos

Oscar Niemeyer
 

Ficou pronto o documento que contém as sugestões do governo para a reforma política. Será entregue aos presidentes da Câmara e do Senado. Propõe a regulamentação dos dispositivos constitucionais que prevêem a realização de consultas diretas à sociedade –plebiscitos e referendos. A iniciativa da convocação deixaria de ser exclusiva do Congresso Nacional. Poderia ser proposto também pela sociedade, por meio de projetos subscritos por, no mínimo, 1% dos eleitores, distribuídos em pelo menos cinco Estados.

O plebiscito e o referendo são mecanismos de democracia direta. Permitem a covocação dos eleitores para se pronunciar sobre temas específicos. A diferença entre um e outro é que, no caso do plebiscito, o povo é chamado a opinar antes da edição da norma, aprovando-a ou rejeitando-a. Já o referendo, é convocado depois da adoção de uma determinada medida, cabendo à sociedade ratificá-la ou não.

O texto preparado pelo governo inclui também, conforme antecipado aqui no blog, a proposta de que o Congresso aprove o “recall.” Vem a ser a possibilidade de que, por meio de referendo convocado por iniciativa da própria sociedade, os eleitores imponham aos congressistas o voto revogatório, interrompendo-lhes os mandatos pelo meio.

O documento foi produzido pelo ministério das Relações Institucionais, gerido por Tarso Genro. Incorpora sugestões do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), órgão de assessoramento da Presidência da República; da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e do Ministério da Justiça. Vai ao Congresso como proposta formal do governo, endossada por Lula. Os congressistas podem acatar ou não as sugestões.

O texto deveria ser entregue nesta quarta (14) ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e ao deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara. Mas os encontros, que já haviam sido agendados, foram adiados para depois do Carnaval. O motivo é a visita a Brasília do presidente da Bolívia, Evo Morales.

A sugestão de que sejam regulamentados os plebiscitos e os referendos foi ao documento por sugestão tanto do CDES quanto da OAB. Por recomendação da Ordem dos Advogados, decidiu-se propor a alteração do inciso 15º do artigo 49 da Constituição. Diz o seguinte: "É da competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito." Pela proposta, também o povo poderia propor as consultas. Os projetos de iniciativa popular teriam tramitação prioritária no Congresso.

Também a sugestão de que os mandatos parlamentares possam ser revogados diretamente pelos eleitores foi objeto de consenso entre o CDES e a OAB. Há no Congresso fortes resistências à idéia, que submeteria a permanência dos congressistas no Legislativo à avaliação que o eleitorado fizesse do desempenho de cada um.

O documento contempla outras propostas polêmicas. É o caso de duas sugestões da OAB: a redução do mandato dos senadores de oito para quatro anos e a eliminação dos suplentes. Se aprovada, a medida acabaria com a possibilidade de que pessoas sem um mísero voto assumissem mandatos de senador. Deve gerar controvérsia também a sugestâo, feita pelo CDES, de limitar a imunidade parlamentar, restringindo o direito a foro privilegiado aos casos de delitos cometidos no exercício do mandato parlamentar.

Propõe-se, de resto: financiamento público ou misto (público e privado) de campanhas; proibição do troca-troca partidário; fim das coligações partidárias proporcionais; e votação em lista fechada –modelo em que os eleitores votam em partidos, não em pessoas, elegendo os candidatos que estiverem nas primeiras colocações de uma lista elaborada previamente pelas cúpulas partidárias.

Escrito por Josias de Souza às 03h23

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Planalto sugere mudanças na votação do Orçamento

O rol de propostas de reformas que o governo encaminhará ao Congresso não se limita a sugerir a regulamentação dos mecanismos de democracia direta (referendos e plebiscitos) e a reformulação do ordenamento político-eleitoral. Propõe também a modificação do processo de elaboração e aprovação do Orçamento da União.

 

Sugere-se, por exemplo, alterar a composição da Comissão Mista de Orçamento, integrada por deputados e senadores. Trata-se de uma comissão que costuma freqüentar o noticiário como ninho de corrupção. Ali nasceram escândalos como o dos anões do Orçamento e o da máfia das sanguessugas.

 

Propõe-se também, em termos genéricos, a criação de mecanismos de participação e de controle da sociedade em todas as etapas de elaboração do Orçamento da União –da formulação à aprovação, passando pela definição de prioridades para os investimentos públicos. As novas regras, se adotadas, valeriam também para os orçamentos de Estados e municípios.

 

O diagnóstico acerca da conveniência de agregar à reforma política as modificações na forma como é elaborado o Orçamento nasceu de um grupo de trabalho do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). O conselho recorreu à assessoria da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

 

Constatou-se que Orçamento da União constitui “um grande ponto de atrito entre os Poderes Executivo e Legislativo”. E houve consenso quanto às vantagens de enganchar no debate sobre a reforma política também as questões orçamentárias.

Aprovado no final do ano passado, o trabalho do CDES refere-se à reforma política como “a mais importante reforma” a ser feita no segundo mandato de Lula. Anota que é “de importância estratégica que seja feita em 2007.” Para tanto, afirma ainda o texto, “é fundamental que o Presidente da República exerça um papel ativo na sua realização”.

 

Há duas semanas, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) fez declarações que emitiram um sinal trocado. Disse que a reforma política, embora seja importante para a sociedade, não é essencial para o funcionamento do governo Lula nos próximos quatro anos.

 

O governo decidiu não formular um projeto fechado de reforma por entender que a tarefa cabe ao Congresso Nacional. Na visita que fará aos presidentes da Câmara e do Senado depois do Carnaval, Tarso Genro dirá, porém, que o governo está disposto a mobilizar a sua base congressual para aprovar a reforma política. O Planalto deseja que o debate seja iniciado ainda no primeiro semestre.

 

O ministro irá ao Congresso acompanhado do presidente da OAB, Cezar Britto. Embora o documento formulado pelo governo contemple sugestões feitas pela Ordem dos Advogados, Britto fará questão de entregar a Renan Calheiros e a Arlindo Chinaglia a íntegra do documento que a entidade preparou sobre o tema no ano passado.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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As manchetes desta quarta

- Folha: Governistas tentam adiar debate sobre maioridade

- Estadão: Senado proíbe o bloqueio de verbas para segurança

- Globo: Governadores pedem mais tempo de prisão para menor

- Correio: Cresce pressão para reduzir idade penal

- Valor: Produtividade industrial sobe com emprego estável

- Estado de Minas: Menores matam 32 por mês em MG

- Jornal do Commercio: Trânsito vai piorar

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h18

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Reeducação artística!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Senado proíbe bloqueio de verbas para segurança

Nas pegadas do assassinato do menino João Helio, 6, o Senado Federal acaba de aprovar um projeto que obrigada o governo federal a executar integralmente os investimentos previstos no Orçamento da União para a área de Segurança Pública. A proposta, de autoria do senador Álvaro Dias, proíbe o governo de bloquear despesas para essa área.

 

Antes de virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados. Depois, terá de ser sancionada pelo presidente da República. O bloqueio de verbas para a segurança, chamado tecnicamente de contingenciamento, tem sido usual. Pelas contas de Álvaro Dias, o governo vem executando apenas 20% da dotação orçamentária do setor.

 

O projeto abre exceções. O governo poderá impor cortes ao orçamento da segurança sempre que houver, por exemplo, casos de calamidade pública ou quedas abruptas de arrecadação de tributos. Mas mesmo nesses casos, as exceções terão de ser aprovadas pelo Legislativo.

 

Álvaro Dias dá de ombros para o argumento de que não se deve alterar leis sob pressão do clamor popular. “A execução orçamentária na área de segurança tem sido lastimável", diz o senador. "O Brasil está sob permanente clima de comoção. Nessa área, os casos se sucedem, um mais grave do que o outro. Se formos esperar até que não haja comoção, não fazemos nada.”

 

Além de obrigar o governo a executar os gastos relacionados à segurança pública, o projeto institui sanções. Caso a regra seja desrespeitada, os ministros da Justiça e da Fazenda ficam sujeitos a responder a processos por crime de responsabilidade, que podem levar à perda do cargo e dos direitos políticos.

 

Embora meritório, o projeto de Álvaro Dias não deixa de ser um remendo. Numa situação ideal, todo o Orçamento da República deveria ser obrigatoriamente executado. Não é, porém, o que ocorre. Agora mesmo, o governo está na bica de anunciar um bloqueio de cerca de R$ 16 bilhões em investimentos previstos no orçamento de 2007.

 

Cabe a pergunta: porque não aprovar também um projeto tornando obrigatória a execução orçamentária nas áreas de saúde e educação? Ou ainda: porque não obrigar o governo e o próprio Congresso a aprovar orçamentos que, por realistas, possam ser integralmente executados?

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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Senado convoca diretoria do BC para explicar juros

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou nesta terça-feira (13) a convocação da diretoria e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Terão de explicar as razões que justificam a adoção de uma tática conservadora na redução das taxas de juros. Serão instados também a explicar a política de câmbio do BC, que tem levado a uma sobrevalorização do real em relação ao dólar.

 

Presidente da comissão, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) telefonou para Henrique Meirelles. Marcaram o comparecimento da diretoria do BC para o próximo dia 27 de março. Embora petista, o próprio Mercadante questiona a timidez na queda das taxas de juros.

 

“Não há pressão inflacionária”, diz Mercadante. “A meta de inflação de 2006 era de 4,5%. Fechamos o ano com algo em torno de 3%. O chamado risco país, hoje em 2%, nunca esteve tão baixo. Além disso, o Banco Central dos EUA não está mais aumentando as taxas de juros. Toda essa conjuntura favorece uma queda mais acentuada dos juros no Brasil.”

 

Além da convocação de Meirelles e de seus diretores, os membros da Comissão de Assuntos Econômicos firmaram um acordo para aprovar resolução que representa uma novidade na rotina do Senado: o presidente do BC terá de prestar contas à comissão a cada três meses. A resolução será aprovada na terça-feira da semana que vem.

 

É justo, muito justo, justíssimo. Cabe à comissão sabatinar o presidente e os diretores do BC antes que sejam nomeados pelo presidente da República. Parece bastante razoável que, no curso da gestão, esses mesmos gestores prestem contas de suas decisões ao Legislativo. Pode não mudar coisa nenhuma. Mas dá mais transparência à execução da política monetária.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

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PDT pede a Lula Trabalho, Previdência ou Educação

As reivindicações ministeriais do PDT constituem uma nova dor de cabeça para Lula. A legenda de Leonel Brizola só admite plantar um representante na Esplanada se o governo lhe oferecer uma pasta ajustada com o ideário do partido. Deseja uma de três pastas: Trabalho, Previdência ou Educação.

 

No Trabalho, Lula gostaria de manter o companheiro Luiz Marinho. Na Previdência, quer manter Nelson Machado, a quem inclusive já incumbiu de uma tarefa que vai consumir seis meses. Na Educação, o presidente pende entre a manutenção de Fernando Haddad, um técnico que considera competente, e a acomodação de Marta Suplicy.

 

"Todos esses ministérios têm a ver com o nosso perfil”, diz Carlos Lupi, presidente do PDT. “Mas não vamos fazer exigências. Não estabelecemos pré-condições para apoiar o governo e não é agora que iremos fazer isso." Logo, logo saberemos se as palavras de Lupi podem ser levadas ao pé da letra.

 

Quanto às exigências, o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), relaciona pelo menos duas. Afirma que o apoio do PDT ao governo está condicionado ao compromisso do governo de sepultar duas reformas que muitos consideram essenciais: a trabalhista e a previdenciária. Para sorte do governo, são reformas que, embora tenha prometido ao tomar posse, em 2003, Lula já não considera essenciais.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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PT protocola pedido de CPI do metrô em São Paulo

A bancada petista na Assembléia Legislativa de São Paulo protocolou nesta terça (13) um pedido de abertura de CPI para investigar o acidente da linha 4 do metrô paulistano. O requerimento traz a assinatura de 32 deputados estaduais de oito partidos: além do PT, PMDB, PV, PC do B, PP, PFL, PSB e PSC.

 

Há na fila da Assembléia outras 68 CPIs pendentes de instalação. Foram à gaveta graças à articulação da bancada que apoiava o governo tucano de Geraldo Alckmin. Para tentar furar a fila, o petismo recorrerá à mesma estratégia de que se valeu a oposição para instalar, no Senado, a CPI dos Bingos.

 

O PT, assim como fizeram os opositores de Lula em 2005, vai ao STF. Pedirá ao Supremo, por meio de um mandado de segurança, que garanta à minoria na Assembléia paulista o direito de criar e instalar uma CPI.

 

Logo, logo os apoiadores do governador José Serra (PSDB) virão à boca do palco para acusar o PT de utilizar-se de um acidente para fazer politicagem. É do jogo. Mas não há argumento que sepulte a evidência de que o buraco do metrô, que sorveu sete vidas, merece uma boa investigação. O Ministério Público já se ocupa do caso. Mas uma boa CPI, ainda que termine em nada, sempre dá maior visibilidade às apurações.

Escrito por Josias de Souza às 16h03

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Um aniversário constrangedor no país da impunidade

  Adriano Machado/Folha Imagem
O caso Waldomiro Diniz, que inaugurou o rol de escândalos da era Lula, faz aniversário de três anos nesta terça-feira (13). Deve-se à repórter Andréa Michael uma constatação desalentadora: ninguém foi punido.

Como se recorda, Waldomiro é o protagonista de um vídeo no qual aparece negociando propinas com o negociante de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Oferecia facilidades numa concorrência pública, em troca de verbas para arcas de campanhas petistas. De resto, pedia para si uma mordida de 1%.

A coisa toda ocorrera em 2002, época em que Waldomiro geria a Loterj, empresa de loterias do Rio de Janeiro. Mas a fita só foi içada do baú de Carlinhos Cachoeira, que a gravara, em 2004, ocasião em que Waldomiro estava empregado na Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, sob José Dirceu.

No calor das revelações, o Planalto levou a cabeça de Waldomiro à bandeja. Investigando-o, o Ministério Público e a Polícia Federal descobririam que o acusado tricotara, em 2003, também com Rogério Buratti, ex-assessor de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.

Waldomiro e Buratti tentaram emplacar a renovação de um contrato da multinacional Getch com a Caixa Econômica Federal. Coisa de R$ 650 milhões. Executivos da empresa acusaram a dupla de tentar extorquir-lhes em R$ 16 milhões.

Pois bem, decorridos 3 anos, nada foi apurado de concreto. O Ministério Público chegou a denunciar Waldomiro. A Justiça, porém, rejeitou a denúncia. Encomendaram-se novas investigações à Polícia Federal. Resultaram na descoberta de meros indícios de que Waldomiro e Buratti, de fato, traficaram influência no caso Getch. E nada de punição.

A complacência com o caso Waldomiro desembocou no mensalão, a segunda perversão da era Lula. Descobriu-se que o presidente da República era cego. Não sabia de nada. Foi à bandeja uma cabeça mais vistosa, a de José Dirceu. A Câmara passou na lâmina escassos três mandatos: o de José Dirceu, o de Roberto Jefferrson e o de Pedro Correa. No mais, entrou em ação a pizzaria.

Sobreveio a denúncia da “quadrilha dos 40”. Como boa parte da quadrilha-companheira desfrutava do benefício do foro privilegiado, o caso subiu ao STF. Ministros do Supremo e advogados dos acusados avaliam que não são negligenciáveis as chances de que a encrenca termine em prescrição.

Relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa referiu-se assim ao benefício legal ofertado aos acusados: "Sou totalmente a favor do fim do foro privilegiado. É uma racionalização da impunidade (...). O problema é cultural, faz parte do jeitinho brasileiro".

O raciocínio de Barbosa começa bem e termina num equívoco. A impunidade não faz parte da cultura do brasileiro pobre. Esse tipo de patrício, quando pilhado roubando uma galinha, costuma ser remetido a um xadrez que, longe de recuperá-lo, qualifica-o para crimes menos banais.

Num instante em que o Congresso se mobiliza para endurecer a legislação que pune a malta, é no mínimo educativo observar a cena brasiliense. Personagens como Fernando Collor, Paulo Maluf, Antonio Palocci e um infindável etc. estão de volta no Legislativo. José Dirceu mobiliza-se por sua anistia.

Pode-se continuar fingindo que isso não tem nenhuma relação com o caso do menino João, arrastado pelas ruas do Rio. Mas a cegueira coletiva impede a contemplação de uma evidência: a impunidade dos engravatados está na gênese da deterioração que infelicita a sociedade brasileira.

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Idade penal e nanismo estatal

Vai abaixo a coluna de Clóvis Rossi, na Folha (assinantes) desta terça (13):

Reduzir a maioridade penal teria toda a lógica: se adolescentes de 16 anos podem escolher o presidente da República é porque estão suficientemente maduros. Devem, pois, responder por seus crimes.
Mas imaginar que a redução seja a bala de prata que vai resolver o problema da violência/criminalidade no Brasil é vender ilusões.

Não há bala de prata nessa matéria, como não há uma única causa para o aumento exponencial da violência, o que, é bom dizer, ocorre também em outros países, embora no mundo civilizado não tenha chegado nem perto do teor de desagregação destes tristes trópicos.

De todo modo, parece evidente que uma das mais essenciais balas a serem usadas para começar a atacar o problema é a recuperação da capacidade operativa do poder público, nos seus três níveis.

É inacreditável a modorra com que Estado e União estão reagindo aos acontecimentos no Rio de Janeiro, para ficar só nos dramas mais recentes. Há menos de dois meses, o presidente da República chamou de "terrorismo" os ataques do crime organizado contra a polícia e contra o público em geral.

Ora, se era terrorismo, a reação teria que ser contundente e imediata, como é óbvio. O que aconteceu, no entanto, nos dois meses transcorridos desde o ataque de dezembro? Nada, rigorosamente nada, a não ser o envio de meia dúzia de gatos-pingados da Força Nacional de Segurança, que fica parecendo mais polícia cenográfica do que força real.

É também inacreditável que policiais, ex-policiais e até bombeiros tenham criado milícias para ocupar morros, desalojar traficantes e instalar seus próprios negócios enquanto a polícia, digamos, oficial não consegue fazê-lo nunca.

Pode-se reduzir a idade para punir delinqüentes, mas seria mais eficaz tonificar o poder público para retirá-lo do nanismo.

PS.: Nesta terça (13), a mãe do menor supostamente envolvido no assassinato do menino João, 6, contou à polícia carioca que o garoto mentiu, para proteger o irmão maior (leia).  

Escrito por Josias de Souza às 06h36

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Conflito de gerações define novo presidente do PFL

  Album de família
A disputa pela presidência do PFL transformou-se num conflito de gerações. Em 28 de março, a mesma convenção extraordinária que vai homologar a troca de nome da legenda para PD (Partido Democrata) terá de eleger um novo presidente. Jorge Bornhausen, o presidente que sai, sonha com a eleição de um substituto jovem. Trama em favor de Rodrigo Maia (RJ), 37. A velha pintou-se para a guerra.

 

A reação tem, por ora, a cara de José Carlos Aleluia (BA), 59. Na foto acima, tirada no dia de sua formatura, Aleluia ostentava 22 anos. É, precisamente, o mesmo período de rodagem que o separa de Rodrigo Maia, 37. Hoje, com mais rugas e menos cabelos que o rival, Aleluia tenta fazer da vivência seu principal trunfo.

 

“Entendo que o partido deve ter no comando alguém com mais experiência”, diz Aleluia. “Alguém que seja capaz de dar-lhe nitidez e rumo. Há vários nomes em condições de realizar a tarefa. E eu sou um deles. Não me furtarei a uma eventual disputa. Rodrigo é meu amigo, gosto muito dele, mas se o partido quer ser democrata, precisa começar exercitando a democracia interna.”

 

A propensão de Aleluia destrói a intenção de Bornhausen de submeter ao diretório uma chapa única. Imaginava-se que o senador Antonio Carlos Magalhães, baiano como Aleluia, cuidaria de bombardear o conterrâneo, que não se submete automaticamente ao seu comando. Nesta segunda-feira (13), porém, Aleluia foi procurado por Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

 

“O ACM Neto me disse que nem ele nem o avô irão impor nenhum tipo de veto ao meu nome”, disse Aleluia. “Se a Bahia não fica contra mim, não tenho razões para não disputar a presidência do partido.” Seis dias atrás, Aleluia reuniu-se também com Bornhausen. Informou-o sobre as suas pretensões. E não ouviu palavras de desestímulo.

 

Aleluia chegou mesmo a dizer a Bornhausen que desistiria de disputar se ele pedisse. Bornhausen não pediu. E, embora penda para Rodrigo Maia, esquivou-se de externar sua posição ao deputado baiano. Disse-lhe apenas que ainda estava analisando a situação. E disse que, até aquela altura, não se havia fixado em nenhum nome.

 

Também no Senado o preferido de Bornhausen enfrenta resistências. Embora não se manifestem publicamente, lideranças mais antigas do partido enxergam defeito onde Bornhausen só vê virtudes. Acham que faltam a Rodrigo Maia cabelos brancos para arrostar o desafio de presidir o partido.

 

Em privado, o líder José Agripino Maia lançou um balão de ensaio entre os senadores pefelistas. Sugeriu como nome alternativo ao cargo de Bornhausen o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Em termos etários, Arruda, 54, é mais moço do que Aleluia, mas não tão jovem quanto Rodrigo Maia.

 

Assim, num instante em que tenta renovar-se, o PFL põe em risco uma de suas mais vistosas famas: o título de legenda mais unida –ou menos desunida—do Congresso. A pefelândia vai enveredando pela mesma trilha do PMDB e do PT, outras duas legendas às voltas com processos turbulentos de troca de comando.

Escrito por Josias de Souza às 06h28

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As manchetes desta terça

- Folha: Senado retorna debate sobre maioridade penal

- Estadão: Governo vai congelar até R$ 19 bi de gastos

- Globo: Câmara apressa votação de lei mais rígida contra o crime

- Correio: Vítimas da velocidade das Vans

- Valor: Fazenda pretende manter a multa do FGTS em rescisões

- Estado de Minas: Autônomo pagará menos INSS

- Jornal do Commercio: Concurso para agente de polícia é anulado

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h21

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No atacado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h15

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Comparada a chiqueiro, Câmara processa Economist

  Folha Imagem
A Câmara irá processar judicialmente a revista britânica The Economist, uma das mais prestigiosas do planeta. O motivo é uma notícia veiculada na última edição da revista, que começou a circular na quinta-feira (8) da semana passada. Trata da eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Casa.

 

Pendurada num título ácido –“Parlamento ou chiqueiro?”—,a reportagem considera a eleição de Chinaglia resultado de “uma campanha fracassada para limpar uma legislatura maculada.” Anota que o petista prevaleceu sobre Aldo Rebelo (PCdoB-SP) numa disputa apertada –18 votos de dianteira—marcada pela perversão: "O toma-lá-dá-cá paroquiano venceu a ética."

 

Chinaglia considerou o texto ofensivo. Abespinhado, evita inclusive repetir em público os termos empregados pela revista. Pediu à procuradoria da Câmara, na última sexta-feira (9), que estudasse quais as medidas judiciais que podem ser adotadas contra a revista. Dirigindo-se ao plenário da Casa, Chinaglia informou há pouco que a análise da procuradoria “está sendo ultimada.” Antecipou: “Vamos tomar as medidas para fazer a defesa adequada da Casa.”

 

Em campanha, Chinaglia enviara aos deputados uma carta-compromisso. Uma das promessas que anotara no documento era a de reagir às críticas da imprensa que ele considerasse injustas. O processo contra The Economist será o primeiro gesto do novo presidente da Câmara nessa direção.

 

A revista britânica lembra em sua reportagem episódios que macularam a imagem da Câmara durante o primeiro mandato de Lula. Menciona especificamente o escândalo do mensalão. Recorda que o presidente da República teve de livrar-se de auxiliares de peso. Entre eles, José Dirceu, acusado pelo Ministério Público de comandar “uma sofisticada organização criminosa.”

 

São fatos que, por notórios, não parecem suscetíveis de reparação judicial. O Judiciário não é o caminho mais adequado para que a Câmara demonstre ao mundo que não é uma pocilga retratada por The Economist aos seus cerca de 1 milhão de leitores. O troca-troca noticiado pela revista já fora fartamente noticado pelos meios de comunicação do Brasil. O próprio Aldo Rebelo denunciara a manobra.

 

A mudança de imagem depende, portanto, de gestos menos performáticos que um processo judicial. Reconheça-se, porque é de Justiça, que Chinaglia começou bem. Arrancou do plenário a aprovação do projeto que extinguiu 1.050 cargos de confiança, um ninho de apadrinhados de deputados. Forçou o plenário a iniciar as sessões deliberativas pontualmente às 16h. Tenta dar agilidade às votações.

 

É pouco, muito pouco, pouquíssimo. Mas é um bom começo. Se mantiver as mangas arregaçadas, Chinaglia não terá de recorrer a processos onerosos e de resultado incerto para limpar a lama que recobriu a Câmara na legislatura passada.

Escrito por Josias de Souza às 16h59

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Acordada pelo Brasil real, Câmara vê a segurança

  Divulgação/Globo
A Câmara dos Deputados fará por pressão o que deixou de fazer por obrigação. Acossados pela comoção que se seguiu à morte do menino João Hélio, 6, os deputados pretendem votar nesta semana um pacote de projetos de lei voltados ao tema da (in)segurança pública.

Não há no pacote a ser desembrulhado pelos deputados nenhum projeto que trate da redução da maioridade penal, uma reivindicação ressuscitada em meio ao clamor público. "Não podemos criar ilusão de que mudanças pontuais tenham o condão de resolver problemas de tal magnitude”, disse Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara.

“Não queremos nem fazer uma discussão vinculada a tragédias recentes porque acho que ação do Estado tem de se orientar pela justiça e pela eficácia, ainda que sejamos tomados de emoção frente a crimes tão horríveis", aditou Chinaglia. A preocupação do deputado é compartilhada pela presidente do STF, ministra Ellen Gracie

Nesta terça-feira (13), os pais de João, Rosa Cristina e Elson Lopes (na foto), serão recebidos pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Vão pedir que o Congresso inclua em sua pauta a proposta que a Câmara não deseja analisar. Em entrevista que concederam na noite de domingo (11) à repórter Fátima Bernardes, os dois exibiram sua dor e pediram providências (assista aqui). Antecipando-se ao pedido, o Senado decidiu bulir no vespeiro da maioriadade penal.

O juiz Carlos Góes, da Vara Criminal do Rio, saiu-se com uma idéia que tenta encontrar bom-senso no meio termo. Sugere que a legislação que restringe a punição de menores de idade a três anos de detenção não valha para aqueles que cometerem crimes hediondos como o assassinato de João. Nestes casos, a própria Justiça anteciparia a redução da maioridade, impondo penas mais duras.

A proposta do juiz Carlos Góes seduziu o governador do Rio, Sérgio Cabral, que irá ao Congresso na próxima quarta-feira (14), acompanhados pelos colegas Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e Paulo Hartung (ES). A idéia ecoou também na Câmara: "Esse crime hediondo deve ser tratado a partir da visão do crime e não da idade. Para crimes hediondos, com viés de crueldade, não tem de debater a idade", disse Beto Albuquerque (PSB-RS), líder interino do governo.

Eis aí uma proposta a ser considerada. Se é certo que menores devem receber do Estado um tratamento diferenciado em relação a criminosos adultos, também é certo que certos menores cometem crimes como gente grande. Não dá para continuar proporcionando a pretensas crianças uma proteção genérica e indistinta.

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Lula empurra novo ministério para início de março

A coisa sairia até meados de dezembro de 2006. Passou para uma data qualquer entre o Natal e o Ano Novo. Foi postergada para depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Recentemente, empurrou-se a encrenca para depois do Carnaval. Agora, Lula diz que só terá “um desenho” do novo ministério em cerca de 20 dias. Ou seja, o esboço da cara da equipe do segundo mandato estará pronto lá pelo dia 4 de março, bem depois da Quarta-feira de Cinzas.

 

Lula reuniu-se nesta segunda-feira (12) com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP). Falaram sobre o quinhão que caberá aos peemedebistas na Esplanada. Foi nessa conversa que o presidente mencionou o novo prazo de 20 dias. Prometeu vitaminar a presença de peemedebistas na engrenagem pública –seja no ministério, seja no segundo escalão. É provável que tenham falado de nomes, mas nada vazou, por ora.

 

Coube a Temer resumir a conversa aos jornalistas. Disse que Lula não está condicionando o xadrez ministerial à escolha do novo presidente do PMDB, marcada para 11 de março. “O presidente deixou claro que uma coisa não tem nada a ver com a outra", disse Temer, que foi ao Planalto levando a tiracolo os líderes do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Valdir Ralpp (RO).

Lula também deu a entender que deve manter no governo os peemedebistas Hélio Costa (ministro das Comunicações) e Silas Rondeau (ministro das Minas e Energia). E quanto aos novos ministérios? Devem ter tratado do tema. Mas, por ora, nada vazou. De concreto, sabe-se que o PMDB ambiciona pelo menos mais uma pasta, a ser entregue ao deputado Geddel Vieira Lima (BA). De acordo com o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), o principal desafio do governo é acomodar o PMDB e o PDT na nova equipe.

 

A lentidão de Lula aborrece o consórcio governista. Mas nada podem fazer além de desfilar muxoxo pelos corredores do Congresso. Pelo menos até o dia em que Lula precisar deles. A depender do comportamento do presidente, o troco virá. É certo como o nascer do Sol a cada início de manhã.

Escrito por Josias de Souza às 14h13

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Serra e Aécio firmam um armistício até fim de 2008

Serra e Aécio firmam um armistício até fim de 2008

José Serra e Aécio Neves mostraram a bandeira branca um ao outro. Pactuaram a suspensão das hostilidades que vêm prenunciando a guerra pela definição do nome do candidato do PSDB ao Planalto, em 2010. Combinaram que irão conter os seus exércitos até as eleições municipais de 2008. Só então vão discutir a sério a sucessão presidencial.

O armistício foi selado há onze dias, num encontro reservado dos dois presidenciáveis tucanos, em Belo Horizonte. A conversa foi provocada por um convite do governador mineiro. Aécio disse ao colega de São Paulo que, divididos, nem ele nem Serra conseguirão pôr de pé uma candidatura presidencial viável. Aquele que prevalecer sobre o outro à custa da divisão do partido será candidato a mais uma derrota.

 

Serra e Aécio puseram-se de acordo em relação aos seguintes pontos:

 

1) a antecipação do debate presidencial atrapalha o esforço de ambos para produzir boas gestões em seus respectivos Estados;

 

2) é preciso conter a artilharia que tucanos partidários de Serra e de Aécio vêm disparando uns contra os outros, a pretexto de agradar os “chefes”;

 

3) o momento oportuno para abrir o debate sobre a sucessão de Lula é depois do pleito municipal de 2008;

 

4) até a eleição de prefeitos, os dois governadores distribuirão “afagos” públicos, como nunca fizeram antes;

 

5) sempre que ouvirem um “ruído” que possa pôr em dúvida as boas relações entre os dois, Serra e Aécio conversarão para tentar desfazer o malfeito;

 

6) antes de decidir sobre o futuro, os dois presidenciáveis voltarão a conversar, para tentar chegar a uma solução consensual.

 

Serra e Aécio têm sólidas razões para optar pelo cessar-fogo. O PSDB foi surrado nas duas últimas disputas presidenciais. Generalizou-se a impressão de que uma das razões do infortúnio foi a desunião do tucanato, cujos candidatos emergiram de disputas internas traumáticas.

 

Em 2002, Serra tornou-se o presidenciável do PSDB depois de uma queda-de-braço com Tasso Jereissati. Em 2006, foi preterido numa disputa com Geraldo Alckmin, embora estivesse mais bem-posto nas pesquisas. Nas duas oportunidades, o PSDB compareceu à campanha fracionado.

 

Esboça-se agora o mesmo tipo de encrenca. Serra não parece disposto a perder o bonde de 2010. Com Lula fora do páreo, acha que chegou a sua hora. Mercê da obsessão de Serra, o noticiário é invadido pela especulação de que Aécio cogitaria buscar refúgio em outra legenda.

 

Por ora, Aécio desmente o boato. Na conversa com Serra, brincou. Disse ao colega que, diferentemente dele, não é obsessivo. Insinuou que pode até disputar o Senado em 2010. Guarda na gaveta, porém, uma pesquisa que indica caminho diverso. Levantamento feito pelo Vox Populi informa que 80% dos eleitores mineiros desejam que Aécio concorra à presidência.

Escrito por Josias de Souza às 06h56

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As manchetes desta segunda

- Folha: Déficit do INSS piora até em conta nova

- Estadão: Brasil é campeão em ações trabalhistas

- Globo: Guerra entre milícia, tráfico e polícia deixa mais 9 mortos

- Correio: Congresso reage à violência no Rio

- Valor: Restrições à linha branca na Argentina

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h51

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Berçário de Segurança Máxima!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h47

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Questão de estilo!

 

Não deixe de visitar o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 06h44

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Mercadante propõe a criação de um fundo ambiental

  Alan Marques/Folha Imagem
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) propôs ao Senado a abertura de um debate tão marginal quanto essencial. No rastro da divulgação do relatório da ONU que antevê um cenário de apocalipse para o fim do século, o senador sugere a criação de um fundo ambiental para combater a deterioração provocada pelo efeito estufa. Seria financiado por um imposto de até 1% sobre o valor das importações.

 

O tributo incidiria sobre produtos que causam dano ao meio ambiente e que têm alto impacto na formação do efeito estufa –os derivados do petróleo, por exemplo. Em contrapartida, seria isentados os produtos ecologicamente sustentáveis –equipamentos de energia solar e combustíveis à base de biodieesel e etanol, por exemplo.

 

Como ponto de partida, Mercadante protocolou um requerimento para que três comissões do Senado –Relações Exteriores, Meio Ambiente e Assuntos Econômicos—realizem estudos sobre a viabilidade do novo fundo. A idéia do senador é ambiciosa. Sugere-se uma articulação com outros países, para que o fundo tenha abrangência mundial.

 

Para começar, Mercadante pretende tentar convencer o Itamaraty a encampar duas idéias: 1) o apoio da diplomacia brasileira à proposta do governo da França de Transformar o programa da ONU para o meio ambiente numa agência internacional; 2) a abertura de negociações para que os países do Mercosul encampem a idéia do fundo ambiental.

 

Na opinião de Mercadante, o Mercosul tem diante de si a oportunidade de adotar uma posição de vanguarda. Se aprovado em bloco, o novo fundo custearia, em âmbito continental, programas de preservação da Amazônia. Cada país coletaria e gerenciaria os recursos do imposto ambiental de forma soberana. Mas sob a supervisão da ONU, seja por meio do programa ambiental das Nações Unidas, seja pela nova agência a ser criada, nos moldes propostos pela França.

 

Pelas contas de Mercadante, uma vez criado, o imposto ambiental de 1% teria efeitos residuais sobre a taxa de inflação e a balança de pagamentos dos países. O Brasil, por exemplo, tem uma pauta de importações de cerca de US$ 120 bilhões. O que resultaria numa arrecadação para o fundo ambiental de algo entre U$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. “Pode não resolver o problema da deterioração ambiental, mas é um valor substantivo para começar uma política eficiente”, diz Mercadante.

 

O senador irá sugerir também ao chanceler Celso Amorim que a diplomacia brasileira leve o debate à OMC (Organização Mundial do Comércio). Ele lembra que já existe, no âmbito da Rodada de Doha, uma negociação que visa definir uma lista de bens ecologicamente sustentáveis que poderiam ser isentados da cobrança de imposto de importação. “Há divergências quanto à definição dos produtos que constarão da lista, mas as negociações estão em andamento. É boa a hora para provocarmos, também na OMC, a análise da constituição de um fundo ambiental”, diz.

 

Mercadante decidiu tornar-se um mercador da causa ambiental. Em março, levará a proposta a um debate sobre a América Latina que será feito no âmbito do Parlamento Europeu. De resto, vai apresentar formalmente ao recém-criado Parlamento do Mercosul o projeto de criação do fundo para o meio ambiente na América do Sul.

Escrito por Josias de Souza às 18h36

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PAC recebe 719 emendas e Lula convoca partidos

  Alan Marques/Folha Imagem
Sob o impacto da avalanche de emendas apresentadas por congressistas interessados em modificar o PAC, Lula convocou mais uma reunião do conselho político do governo, a quarta desde o início do ano. Integram o conselho os presidentes dos partidos associados ao consórcio governista. O encontro será na manhã de terça-feira (13), no Planalto.

 

Em privado, Lula mostrou-se surpreso com a quantidade de emendas ao Plano de Aceleração do Crescimento: até a última sexta (9), havia 719. Sabia que haveria emendas. Mas não imaginou que seriam tantas. Encomendou à assessoria parlamentar do Planalto uma análise qualitativa das modificações sugeridas pelos parlamentares. Por trás de algumas delas escondem-se os interesses de lobbies.

 

Em público, Lula vem soando diplomático. Diz estar aberto a sugestões. Na reunião com os partidos que o apóiam, ele repetirá um bordão ao qual se agarrou desde que o PAC foi anunciado: o governo não admite que seja alterada a espinha dorsal do plano.

 

Parte dos dirigentes partidários acha que Lula deveria aproveitar a nova reunião do conselho para dizer meia dúzia de palavras sobre reforma ministerial. As bancadas estão ansiosas por conhecer as feições da Esplanada do segundo mandato. O presidente pode até satisfazê-los, mas não inteiramente.

 

Lula acha que o conselho não é o fórum adequado para detalhar composições ministeriais. Esse assunto será tratado em reuniões individuais. Encontros que o presidente prometeu iniciar nesta semana, convocando ao Planalto Michel Temer, presidente do PMDB, o maior partido da coalizão governista.

 

A experiência mostra que a profusão de emendas ao PAC, embora incômoda do ponto de vista do governo, não é significa necessariamente que o plano de Lula será desfigurado. As propostas serão filtradas pelos congressistas indicados para atuar como relatores dos projetos de lei e das medidas provisórias baixadas pelo governo.

 

Nessa primeira triagem, vai ao lixo um sem-número de emendas. Podem ser ressuscitadas depois, quando os projetos e as MPs forem a votação no plenário. Mas serão votadas separadamente. E o governo, em tese, tem maioria suficiente para rejeitá-las. É o funcionamento dessa maioria que Lula tenta azeitar.

Escrito por Josias de Souza às 16h56

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As manchetes deste domingo

- Folha: Empresas aéreas concentram vôos em menos cidades

- Estadão: Projeto nuclear prevê uma nova usina a cada três anos

- Globo: Voto em áreas de milícias ajudou a eleger policiais

- Correio: Partidos enfrentam crise de identidade

- Valor: Corrida à bolsa traz ofertas de R$ 11,5 bi no 1° trimestre

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Esqueçam o que vivi!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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PT aprova resolução com crítica ‘enfática’ ao BC

  Ichiro Guerra/PT
Menos de 24 horas depois de Lula ter discursado pedindo ao PT que parasse de atirar em si mesmo para alvejar “os verdadeiros inimigos”, o diretório nacional do partido aprovou uma resolução contendo crítica ácida à condução da política monetária pelo Banco Central. Embora não peça explicitamente a substituição de Henrique Meireles, o texto anota que, para alcançar taxas de crescimento do PIB "que não sejam inferiores a 5%", “será necessário que equipes sintonizadas com os objetivos de mudança constituam o núcleo da área econômica”.

 

A resolução do diretório petista foi aprovada na tarde deste sábado (10). O partido declarou apoio ao PAC. Mas registrou que o êxito do programa “depende em boa medida da política monetária”. Acrescentou: “Entendemos que há condições para acelerar a redução da taxa de juros e criticamos, enfaticamente, o conservadorismo da mais recente decisão do Copom” (redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percenrual, em janeiro)..

 

Não há na resolução do diretório do PT uma única linha que possa ser lida como autocrítica. Ao contrário. O partido lista os triunfos que logrou alcançar em seus 27 anos de história –do combate à ditadura à reeleição de Lula e à vitória de Arlindo Chinaglia na Câmara—, sem mencionar as crises que protagonizou. Crises como a do mensalão e a do dossiêgate.

 

A encrenca provocada pelas "verbas não contabilizadas" da dupla Valério/Delúbio só entrou no texto como gancho para espicaçar o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). “Em Salvador”, escreveram os petistas na resolução, “saudamos a militância, o conjunto da esquerda e setores progressistas da Bahia, pelo significado extraordinário da eleição de Jaques Wagner governador deste Estado, derrotando um dos ‘caciques políticos’ que tudo fez para aprofundar a crise de 2005”.

 

Como a justificar as críticas, o PT apresenta-se na resolução como uma força autônoma em relação ao governo. “O PT pautará sua atuação por dois princípios: mobilizar a sociedade para apoiar a aplicação do programa de ação do governo e manter sua autonomia em relação a esse mesmo Governo. O Partido buscará ser um elemento de conexão entre a sociedade - os movimentos sociais em particular - e o governo”, diz o documento.

 

O partido volta a tocar, agora de modo oficial, num tema que vem inquietando o petismo desde as eleições presidenciais do ano passado: a democratização dos meios de comunicação. Onze em cada dez petistas acusam os meios de comunicação de ter realizado uma cobertura parcial da campanha do ano passado. Na resolução, o diretório do PT anuncia a intenção de promover uma “conferência nacional de comunicação”. Não menciona datas.

 

“A sociedade brasileira não aceita a interdição do debate sobre a comunicação social”, anota a resolução do PT. “Não aceita, tampouco, que se tente passar a idéia de que se trata de um tema de interesse estritamente partidário e/ou do governo Lula”.  Entre os pontos que o partido deseja levar a debate estão o papel da Internet, a comunicação via rádio e TV, a imprensa escrita, a publicidade estatal, a Anatel e o Ministério das Comunicações, além da ação da Radiobras.

 

O que deseja o PT? São quatro os objetivos listados no documento: “a construção de um sistema público de rádio e TV; a importância de uma mídia privada progressista; a qualificação de nossa produção de conteúdos; e mudanças no marco institucional da comunicação para as organizações sociais”.

 

No campo político, o PT declara-se disposto a “trabalhar pelo fortalecimento da coalizão” partidária que se formou a redor de Lula. Informa que tentará se reaproximar do PSB e do PC do B, legendas que apoiaram Aldo Rebelo na refrega da Câmara e, derrotadas, afastaram-se do petismo. Quanto à composição ministerial, o PT simula desprendimento: “A presença no ministério não é a única, nem necessariamente a principal plataforma de operação política do partido nos próximos quatro anos”.  

Escrito por Josias de Souza às 19h21

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Lula insinua que quer disputar 3º mandato em 2014

Lula quer aprovar no Congresso uma emenda que acabe com o instituto da reeleição. Acha que vai chegar a 2010 em condições de influir na própria sucessão. Rebate com veemência a especulação de que flertaria com a idéia de alterar a legislação apenas para poder concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Mas admite claramente a hipótese de disputar eleições presidenciais, de novo, em 2014.

 

As opiniões do presidente foram recolhidas dos diálogos que ele manteve durante sua passagem pela festa de aniversário de 27 anos do PT. Lula aparentemente desejava que suas idéias viessem a público. Abriu-as a mais de uma pessoa. Embora tivesse falado em reserva, longe de jornalistas, sabia, por óbvio, que suas palavras não seriam guardadas em segredo.

 

Na opinião do presidente, se tiver juízo, o PT ainda pode firmar-se como alternativa presidencial em 2010. Mesmo sem que ele esteja no páreo. Mencionou alguns nomes. O repórter conseguiu recolher dois: Jaques Wagner, governador da Bahia, e Marta Suplicy, potencial ministra da equipe do segundo mandato.

 

Não será, porém, uma tarefa simples. Lula deu a entender que, se necessário, não hesitará em apoiar um candidato de fora de seu partido. Citou o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Seja quem for o candidato, petista ou não, só terá chances efetivas, acredita Lula, se for hábil o bastante para construir em torno de si uma aliança pluripartidária que inclua o PMDB.

 

Lula não deixou dúvidas quanto à vontade que tem de chegar a 2010 como um grande eleitor. Condicionou a capacidade de influir na própria sucessão ao comportamento da economia nos próximos quatro anos. Ele se disse convencido de que o PIB irá crescer a médias superiores às registradas na última década. Não falou em percentuais.

 

Uma das pessoas que ouviram o presidente animou-se a provocá-lo, em tom de brincadeira. Disse que, se o país crescesse de forma consistente, Lula seria imbatível em 2010. Foi nesse ponto, segundo relato ouvido pelo repórter, que Lula afastou a idéia. Chegou mesmo a dizer que o Brasil não é a Venezuela. Uma alusão à decisão de Hugo Chávez de instituir em seu país a reeleição perpétua.

 

O presidente declarou, na seqüência, que se considera bem de saúde. Disse que, derrubada a reeleição, o próximo presidente teria “apenas” quatro ou cinco anos de mandato, a depender do prazo que vier a ser fixado na hora em que a constituição for modificada. Quem o ouviu ficou com a nítida impressão de que Lula cultiva o sonho de retornar ao Planalto na sucessão do seu sucessor.

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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Brasil arrasta sua alma pelas ruas da insensatez

Brasil arrasta sua alma pelas ruas da insensatez

Ao decompor a trajetória do criminoso nazista Adolf Eichmann, a filósofa alemã Hannah Arendt deu de cara com um fenômeno que ela batizou de “a banalidade do mal.” Nada mais adequado para definir o comportamento de Eichmann. Ao ser julgado, em Jerusalém, apresentara-se como mero cumpridor de ordens.

Eichmann relatara detalhes da rotina maligna da Alemanha hitlerista. Contara como eram planejados os deslocamentos de levas de judeus para as câmaras de gás. Rememorara, em minúcias, uma das reuniões que mantivera com oficiais da SS, a polícia nazista.

 

Ele os havia convocado para acertar a execução de mais uma leva de judeus. Reunira-se com eles por uma hora e meia. Ao final, serviram-se de aperitivos. Depois, almoçaram. “Uma pequena e íntima reunião social”, no dizer de Eishmann. A mais pura representação da “banalidade do mal”, nas palavras de Arendt.     

 

Corta para o noticiário do Brasil da última semana. Quarta-feira. A TV derrama sobre o tapete da sala imagens inusitadas. Vídeo amador. Cenas de uma blitz policial de rotina, no centro de São Paulo. Brasileiros comuns, de costas, braços levantados, mãos contra a parede. PMs igualmente comuns distribuíam chutes, socos... Terminada a pancadaria, ninguém foi preso. Retiveram-se bolsas e mochilas. Empilhadas, viraram fogueira (assista ao vídeo acima).

 

Quinta-feira. Irrompe em cena um desses acontecimentos que produzem a sensação de que a vida fugiu ao controle. Ocorrera na noite da véspera. Os relatos estão por toda parte: rádio, TV, internet. Impossível não saber. Um grupo de marginais abordara, num subúrbio do Rio, a comerciante Rosa Cristina Fernandes. Queriam o carro dela.

 

Rosa não opôs resistência. Desceu. Tirou do veículo a filha Aline, 13. No instante em tentava destravar o cinto de segurança do filho João, 6, os bandidos arrancaram. E lá se foi João, dependurado do lado de fora do carro. Arrastaram-no por sete inesgotáveis quilômetros. Abandonaram-no numa rua sem saída, ao lado do Corsa sujo de sangue, corpo dilacerado, sem cabeça, ossos à mostra.

 

Em meio à brutalidade, espocavam as últimas notícias recolhidas da cena política. O PSDB encomendara pesquisa para saber o que o eleitor pensa dele. O PFL decidira trocar de nome. O PT lavava roupa suja em público e tricotava a anistia do Zé Dirceu. O PMDB, em dúvida entre Temer e Jobim, inquietava-se com a demora de Lula em ratear os cargos.

 

Assim como na rotina de Eichmann, o que espanta na realidade brasileira não é propriamente a anormalidade. Espantosa é a normalidade que resplandece em torno do inaceitável. É como se todos os discos de Cazuza tivessem arranhado num único verso, repetido à exaustão: "o tempo não pára... e as idéias não correspondem aos fatos!" 

 

É como se o país tivesse sido condenado a assistir na TV a um vídeo sem fim, registrado por um cinegrafista nada amador. Mostra o Brasil oficial arrastando a alma do Brasil real pelas vias da insensatez. Exibe a banalização do mal levada às suas últimas conseqüências.

Escrito por Josias de Souza às 12h19

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As manchetes deste sábado

- Folha: Laudo sobre acidente no metrô sairá em agosto

- Estadão: Congresso apresenta 684 emendas para mudar o PAC

- Globo: Martírio de criança reabre debate sobre leis mais duras

- Correio: Motim provocou apagão aéreo

- Valor: Corrida à bolsa traz ofertas de R$ 11,5 bi no 1° trimestre

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Pânico!

Airon
 

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Lula abre negociação de ministérios com o PMDB

  Angeli
Em contato com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) avisou que Lula deve chamá-lo na próxima semana, para discutir, finalmente, a participação do partido no ministério. A informação foi repassada a deputados peemedebistas, irrequietos a mais não poder com as delongas do presidente.

O aviso de Tarso caiu nos ouvidos da bancada do PMDB na Câmara como um bálsamo. Os deputados haviam sido alertados de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com quem travam uma queda-de-braço, aconselhara Lula a empurrar a negociação ministerial para depois de 11 de março.

 

Nesse dia, um domingo, o PMDB, reunido em convenção, definirá o nome daquele que irá presidir o partido pelos próximos dois anos. A Câmara quer a recondução de Temer. O Senado tenta emplacar Nelson Jobim, o ex-presidente do STF. Entre os dois, Lula prefere Jobim. Daí o alento com que os deputados receberam a comunicação de Tarso.

 

Entenderam-na como um sinal de que o presidente da República, a despeito da preferência pessoal, enxerga em Temer credenciais para falar em nome do PMDB. Não é bem assim. Mas é quase isso. Lula sabe que Temer não fala pelo PMDB do Senado. Renan deixou isso bem claro em visita que fez ao Planalto nesta semana.

 

O presidente também sabe que, no PMDB da Câmara, a maioria está com Temer. Desprestigiá-lo agora seria o mesmo que atear fogo num naco do partido que se encontra pacificado.

 

De resto, Temer deixou claro que não quer bulir com as trincheiras que os senadores Renan Calheiros e José Sarney (PMDB-AP) já abriram na engrenagem do Estado. A saber: o ministério das Comunicações (Hélio Costa) e a pasta das Minas e Energia (Silas Rondeau).

 

O que Temer deseja é definir o quinhão que caberá aos deputados. Ambicionam duas pastas. Mas tudo indica que se darão por satisfeitos com a acomodação de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) na Esplanada. De preferência no ministério dos Transportes ou no da Integração Nacional.

 

O nome de Geddel já ronda o Planalto há semanas. Por ora, nem Lula nem seus auxiliares credenciados pronunciaram uma única palavra que soasse como um veto. Ainda assim, segundo informou aos deputados, Temer deixará o presidente à vontade para escolher outro nome. Nem poderia ser de outro modo.

 

Temer tenciona levar a tiracolo na audiência com Lula o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Acha que, procedendo assim, dará ao encontro contornos mais institucionais. De acordo com o roteiro que fixou com integrantes de sua bancada, Temer oferecerá a Lula a alternativa de submeter ao governo uma lista tríplice de peemedebistas. O nome de Geddel, obviamente, encabeçará a relação.

 

Além do PMDB, a inquietude com a demora de Lula em abrir a temporada de negociações ministeriais espraia-se por toda a coalizão governista. É mais intensa no PP e no PR. Os congressistas desses partidos não enxergam lógica na na tática do Planalto de adiar sucessivamente o início do funcionamento da engrenagem.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Lula pede ao PT que pare de atirar em si mesmo

Maurício Lila/FP
 

 

Deu-se num hotel de Salvador, num jantar em comemoração aos 27 anos do PT. Lula discursou por 30 minutos. Uma fala inflamada. Ouviam-no cerca 500 pares de ouvidos. A coisa toda soou como uma carraspana. O presidente cobrou de seu partido apoio efetivo ao governo. Rogou para que os petistas parem de se alvejar uns aos outros. Recomendou que enfrentem “os verdadeiros inimigos”.

 

Ensinou: "Vamos fazer as nossas disputas, mas não vamos perder de vista quem são os inimigos, ou eles nos destruirão. Nós adoramos atirar em nós mesmos." Disse sentir-se constrangido cada vez que, percorrendo as páginas dos jornais, se dá conta de que "as brigas entre nós têm mais espaço do que as coisas boas que o governo faz".

 

Lula ainda não viu nada. Neste sábado (10), em reunião de seu diretório nacional, o PT aprovará uma resolução com críticas aos juros altos e à defasagem cambial. Antecipando-se aos tiros do PT contra o governo do PT, Lula disse:

 

“Ninguém quer baixar os juros mais do que eu. Tem gente que não aceita os resultados da macroeconomia, mas vá perguntar aos economistas do PT se já estivemos numa situação tão favorável."

 

Referindo-se ao descalabro do mensalão, Lula utilizou um palanfrório incompatível com os termos usados na denúncia do Ministério Público contra a “quadrilha dos 40”. O que o procurador-geral Antonio Fernando chamara de “crime”, o presidente apelidou de “vacilações.”

 

Aquele que o procurador apontara como “chefe da quadrilha”, um dos pares de orelhas presentes ao jantar de Salvador, foi saudado por Lula. Chamou-o de “companheiro Zé Dirceu.” Um balde de água gelada na cabeça daqueles que, como o ministro Tarso Genro, outro par de orelhas atentas, esgrimem a tese da refundação do PT.

 

Além de Dirceu, Lula mencionou pelo nome o ditador cubano Fidel Castro, às voltas com problemas de saúde. Desejou-lhe um rápido restabelecimento e um “breve retorno” ao comando do governo de Cuba, momentaneamente confiado ao irmão Raul Castro.

 

A despeito das críticas ao petismo, Lula deu asas ao militante que traz enterrado dentro de si: “O vermelho do PT corre em minhas veias.” Pediu o apoio do partido ao PAC. E justificou a necessidade de estreitar relações com outros partidos.

 

"Se eu tivesse maioria absoluta [no Congresso], eu teria poder para fazer uma Lei Habilitante", disse, em alusão aos poderes que o Congresso venezuelano conferiu a Hugo Chávez, para governar por decreto por um ano e meio. Lembrou que, à falta de semelhante autorização congressual, precisa negociar com outros partidos. “É nisso que está a beleza da democracia, e graças a ela um operário chegou à Presidência da República". Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 01h12

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Lula inaugura fábrica erigida sob aliado de ACM

Ricardo Stuckert/PR
 

 

A fúria inauguratória de Lula submeteu-o a um constrangimento nesta sexta-feira (9). Ao lado do governador petista da Bahia, Jaques Wagner, o presidente participou da inauguração de uma fábrica da Nestlé, em Feira de Santana (BA).

 

Escalado para discursar durante a cerimônia, o prefeito do município, José Ronaldo (PFL), agradeceu a Lula os investimentos que seu governo realizou na Bahia. Mas acrescentou: "Agradeço ainda mais ao governador Paulo Souto [PFL, do grupo de ACM] pela inauguração da fábrica. Ninguém trabalhou mais para trazer esta unidade do que meu amigo Paulo Souto e isso tem que ser dito por uma questão de justiça."

Algo contrafeito, Jaques Wagner, que surrou Paulo Souto no primeiro turno das eleições baianas, viu-se compelido a reconhecer: "O governo passado trabalhou bem e trouxe a Nestlé para a Bahia. Eu apenas dei sorte de ganhar as eleições e participar da inauguração da fábrica."

 

Lula, por sua vez, voltou a discursar como se as caravelas de Pedro Álvares Cabral houvessem aportado em Porto Seguro, na mesma Bahia, em 2003: "Nós estamos vivendo um momento na economia brasileira, em que eu posso olhar na cara de cada um de vocês, empresários, políticos e trabalhadores, e dizer [que] não há momento na história econômica do Brasil em que a gente esteja vivendo um momento tão auspicioso para que a gente possa atrair investimentos, seja do capital interno, seja do capital externo."

 

O presidente aproveitou a passagem pela Bahia para participar também da cerimônia de início da exploração de uma reserva de gás. Mas o objetivo central da viagem não foram as inaugurações, mas uma reinauguração. Lula participa dos festejos pela passagem dos 27 anos do PT, um partido às voltas com a tentativa se reinventar.

 

Antes do discurso que faria num jantar organizado pelo petismo, o presidente antecipou o tom de sua fala. Disse que o povo revalidou a apólice do PT: "O povo deu uma chance enorme ao PT de dizer: 'olha, tome juízo e seja o partido grande que nós queremos que você seja'. Eu acho que o PT está maduro para isso".

 

Por ora, a maturidade petista produziu apenas uma guerra de suas correntes. Ainda não é possível prever se, depois de contabilizados os mortos e os feridos, será possível salvar um partido como o descrito por Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Aécio:'Não temos de fazer oposição como fazia o PT'

  Leonardo Wen/Folha Imagem
Numa fase em que o PSDB tenta programar-se para o futuro, o governador Aécio Neves (Minas), uma das alternativas presidenciais do tucanato para 2010, afirma:
“Não precisamos fazer a mesma oposição destrutiva que fazia o PT, que via vício de origem em tudo o que vinha do governo.”

 

Crítico de medidas pontuais inseridas no PAC, Aécio não se eximiu, em entrevista ao blog, de apontar também méritos no Plano de Aceleração do Crescimento de Lula: “Tem uma medida provisória para o setor de semi-condutores extremamente positiva”, exemplifica. “O alargamento dos prazos de financiamento do setor elétrico também vai trazer estímulos ao setor. Há também no plano investimentos em infra-estrutura que, embora não constituam novidade, são fundamentais”.

 

“Nós, do PSDB, não temos de ser como o PT, que, quando estava na oposição, via um vício de origem em tudo o que vinha do governo. Esse comportamento levou-os a cometer equívocos históricos”, afirmou o governador tucano.

 

“O PT foi contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, para citar dois exemplos. Havia uma decisão taxativa. Descartavam qualquer providência que viesse do governo, sem discussão. Não precisamos seguir o mesmo script”, acrescentou o governador.

 

Na opinião de Aécio, o reconhecimento de pontos positivos dá mais legitimidade aos críticos para cobrar o aperfeiçoamento de medidas impróprias. No caso do PAC, menciona como providência “absolutamente discutível” a definição de investimentos federais sem consulta prévia aos Estados. Acha que faltou “generosidade” ao governo.

 

“Nos dois últimos anos”, disse Aécio, “o governo dobrou o PIS e o Cofins cobrado das empresas de saneamento. Pagávamos 3,2% e estamos pagando 7,6%. Aí vem a proposta de fazer um grande mutirão para investir em saneamento. Ora, Minas está pagando anualmente R$ 150 milhões a mais para a União. Com esse dinheiro, o governo federal define sozinho as suas prioridades. Não seria mais racional que esse dinheiro ficasse no Estado, por meio de uma desoneração, para que nós investíssemos em saneamento?"

 

Para Aécio, o Brasil comete há anos um erro lamentável. “Nada a ver com Lula ou com Fernando Henrique. É um problema histórico”, afirmou. “Refiro-me à irracionalidade que prevalece na administração pública. Não há complementariedade entre o que os municípios e os Estados fazem e o que o governo federal faz. É um desperdício. O pouco que é feito se faz de forma absolutamente desconectada. Prevalece a visão paternalista de quem fez a obra.”

 

Aécio diz que o apoio dos governadores ao PAC depende exclusivamente de Lula. Referindo-se à pauta de reivindicações encaminhada pelos executivos estaduais ao Planalto, afirmou: “É muito simples o governo simplesmente dizer 'não' para tudo. Aí, obviamente, nós vamos ficar com muita liberdade de ação no Congresso. Mas a minha posição é a favor da convergência. É preciso compreender que temos de recuperar a federação. Se o presidente fizer um gesto nessa direção, será muito bom para ele próprio. Ele tem que compartilhar alguns investimentos com os Estados.”

 

Quanto ao futuro político do PSDB, Aécio disse que, antes de falar para o público externo, o partido precisa se “motivar internamente”. Algo que irá acontecer, imagina, com o já iniciado debate para a reformulação do programa da legenda.

 

“Estamos começando a superar a agenda interna negativa, natural depois de uma derrota eleitoral. O desafio do PSDB é continuar sendo a principal perspectiva de mudança e de sucessão em relação ao PT. Perdemos para o Lula em 2002, mas não perdemos essa condição. Perdemos de novo em 2006 e temos de continuar nos apresentando, com alguma naturalidade, como o escoadouro de insatisfações que virão.”

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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Por que pessoas como a bispa Sonia progridem?

  Efe
Recém-nomeado “ministro” do papa Bento 16, Dom Cláudio Hummes, ex-arcebispo de São Paulo, criticou a Igreja Católica numa palestra que fez em Roma. Referiu-se especificamente às dificuldades dos católicos de reter fiéis em suas fileiras.

 

"Não se trata de lutar contra as seitas", disse o clérigo. Trata-se de entender por que os católicos não foram capazes de "conduzir até Jesus Cristo" aqueles que foram batizados em suas pias. "É como se nossa evangelização tivesse sido feita pela metade", lastimou.

Em suas novas funções, a principal atribuição de Dom Cláudio é cuidar da formação intelectual do clero, além de promover a formação religiosa dos fiéis. Acha que a Igreja terá de se aproximar mais do seu rebanho.

"Já não será possível concluir com uma bela festa o período do anúncio do Evangelho e dizer àquelas pessoas que voltaremos a nos ver em cinco anos”, disse, referindo-se ao período que separa o dia do batismo da data da primeira comunhão do católico. “Sabemos que essas mesmas famílias serão visitadas pelas seitas com um estilo próprio, feito também de ajuda material, a cada 15 dias."

Dom Cláudio não foi içado ao Vaticano por acaso. É na América Latina que o protestantismo de resultados age com maior desenvoltura. Em especial no Brasil. A reaproximação do clero com o rebanho, defendida por Dom Cláudio, pode atenuar a fuga de fiéis. Mas não vai estancar a sangria.

Os católicos prometem a vida eterna, num céu imaginário. Gente como a bispa Sonia e o bispo Macedo acenam com um paraíso mais imediato: a prosperidade material, aqui mesmo, na Terra. Entre um encontro pós-morte com o Padre Eterno e a utopia da geladeira cheia e do carro novo, as ovelhas vêm preferindo se agarrar à segunda hipótese.

A malta ainda não alcançou o nirvana. Mas os auto-proclamados bispos já desfrutam de fausto inaudito. É em meio a esta atmosfera diabolicamente adversa que o papa Bento 16 prepara-se para visitar o Brasil.

Escrito por Josias de Souza às 14h52

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As manchetes desta sexta

- Folha: Brasil deixa de exportar mais para ricos

- Estadão: Anac entra em alerta ara evitar caos aéreo no Carnaval

- Globo: Barbárie contra infância

- Correio: Atraso escolar atinge 47% dos alunos do DF

- Valor: Corrida à bolsa traz ofertas de R$ 11,5 bi no 1° trimestre

- Estado de Minas: BH é a capital do genérico

- Jornal do Commercio: Mais polícia nas ruas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h10

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EmPACado!

Glauco

 

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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‘Campo majoritário’ cede anéis para preservar dedos

  El Roto/El Pais
O “Campo Majoritário do PT”, que abriga o grupo do deputado cassado José Dirceu, dobrou os joelhos. Acossado por petistas de diferentes tendências, lideranças da maioria petista decidiram negociar a cessão de espaços no comando partidário, como tática para tentar conservar sob seus domínios a presidência do PT.

Conforme noticiado aqui no blog, há dois dias, Lula prometera a um governador petista que jogaria o peso de sua influência na obtenção de uma solução negociada para a disputa por espaços na direção do PT. O presidente cumpriu a promessa. Sua ação jogou água numa fervura que alvoroçava o petismo desde o último final de semana (leia aqui, aqui, aqui e aqui).

 

Mercê dos recados de Lula e de uma reflexão sobre a conflagração do partido, o “Campo Majoritário”, que, como o apelido indica, vem exercendo o comando do PT de forma hegemônica, se deu conta de que não terá como se esquivar de fazer concessões.

 

Em privado, o próprio José Dirceu, espécie de eminência parda da maioria, afirma que  o Campo Majoritário não pode mais “ficar fechado em si mesmo”. Diz que é “natural” a renovação do partido. Defende a criação de instâncias partidárias que “incorporem os cinco governadores [petistas] eleitos em 2006, os prefeitos e os parlamentares.” Advoga, de resto, a criação de um “conselho fiscal” a realização de “auditorias periódicas” nas contas do partido.

 

O que o “Campo Majoritário” não admite é a tese de “refundação” do PT, ressuscitada pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Avalia que o vocábulo embute uma tentativa de “criminalizar” um grupo que, se teve falhas na condução do partido, também teve méritos. O principal deles, argumentam os majoritários, foi a tomada de decisões que tornaram possível a eleição (2002) e a reeleição de Lula (2006) à presidência da República.

 

Não fosse pela ação da corrente majoritária, afirmam os seus integrantes, Tarso Genro não seria ministro de Estado. Recordam que foi graças às derrotas que a maioria impôs às correntes minoritárias que o partido atenuou o ideário esquerdista que impunha a Lula um teto de 30% do eleitorado. Foram ao lixo bandeiras como ruptura com o modelo econômico, a moratória da dívida externa e o controle estatal do sistema financeiro.

 

Realçam ainda que foi a hegemonia do grupo que permitiu aprovar a resolução que alargou o leque de alianças partidárias do PT, incorporando legendas mais ao centro e até à direita do espectro político. Lembram que, em 99, a tese do “fora FHC”, que colocava o PT a um passo da ruptura institucional, foi aprovada por todos os diretórios estaduais do partido, exceto o do Paraná. Era defendida inclusive por Tarso Genro. O Campo Majoritário teve de suar para derrubar o slogam inconveniente num congresso do PT realizado no mesmo ano de 99. Prevaleceu com a estreita maioria de dois votos.

 

Neste sábado (10), em meio aos festejos de seus 27 anos, o PT reúne seu diretório nacional em Salvador. Durante o encontro, serão fixadas as regras que vão reger o 3º Congresso do partido, em julho. É nesse congresso que vai a debate o destampatório refletido nos documentos das distintas correntes abrigadas sob o guarda-chuva da legenda (leia aqui e aqui). O congresso deve aprovar também o encurtamento em um ano do mandato do atual presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), marcando eleições internas para setembro. 

 

Nesta sexta-feira (9), Lula participa de um jantar festivo. Fará um discurso. Sua assessoria informa que o presidente vai defender que o partido analise os seus erros com serenidade. Pedirá apoio da legenda ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). E, para demonstrar que há mais coisas na vida além da rotina partidária, Lula cumprirá, antes do jantar, um roteiro de inaugurações ao lado do governador petista da Bahia, Jaques Wagner. Aliás, a exemplo do presidente, o governador também acha que não é hora de o PT guerrear consigo mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Na Câmara, o ronco é uma moléstia pluripartidária

Na Câmara, o ronco é uma moléstia pluripartidária

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

No terceiro ato de Cimbelino, Shakespeare acomodou nos lábios do personagem Belisário um raciocínio de valor inestimável: “Ronca o cansaço em cima de uma pedra, enquanto a indolência acha duro o melhor travesseiro.”

 

Duros são também os assentos do plenário da Câmara. Rijos como chumaços de algodão. Escassas 24 horas depois de ter flagrado a soneca dos deputados Moisés Avelino (PMDB-TO), Devanir Ribeiro (PT-SP) e Cida Diogo (PT-RJ) as lentes do repórter Lula Marques presenciaram mais uma cena explícita de ronco remunerado.

 

Dessa vez, era Mussa Demes (PFL-PI) quem ressonava em meio ao expediente congressual desta quinta-feira (8). Vai ficando demonstrado que a indolência é uma moléstia, digamos, pluripartidária.

 

O deputado, não resta dúvida, é um trabalhador fora do comum. O brasileiro convencional, esse que acorda cedo e sacode pendurado ao balaústre do ônibus, cansa ao final do expediente. O congressista permite-se ficar fatigado antes do meio da tarde.

 

Levando-se em conta que a nova Câmara arrosta o seu terceiro dia de labuta, pode-se imaginar qual será o estado de ânimo de certos deputados ao final da legislatura. Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Planalto sonda Michel Temer para ocupar ministério

  Wilson Dias/ABr
Interessado em acomodar Nelson Jobim na presidência do PMDB, Lula passou a cogitar a hipótese de acomodar Michel Temer (PMDB-SP) na Esplanada dos Ministérios. Sondado acerca do interesse do presidente, a primeira reação de Temer foi a de recusar a oferta. O deputado soou decidido a reeleger-se presidente de seu partido, ainda que tenha de disputar o cargo com Jobim.

 

A intenção de Lula chegou aos ouvidos de Temer, pela primeira vez, ontem (7). Deu-se numa conversa que o deputado teve com o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). O diálogo foi, depois, resumido por Temer a congressistas que integram o seu grupo, que foram entrevistados pelo blog.

 

Temer foi a Tarso para verificar se haveria resistências à sua recondução ao comando do PMDB. Um plano que já fora noticiado aqui no blog. Ouviu do ministro que o presidente tem especial apreço por Nelson Jobim. Tarso disse que, ele próprio, como gaúcho, tem nutre simpatias pelo ex-presidente do STF. Mas declarou que o governo não se meteria numa eventual disputa interna do PMDB.

 

Conversa vai, conversa vem, Tarso insinuou a Temer que ele poderia ser aproveitado na equipe do segundo mandato de Lula. Foi uma observação cercada de cautelas. O ministro não mencionou o nome de Lula. Tampouco referiu-se ao nome da pasta. Temer lhe disse que seu projeto é mesmo o de continuar presidindo o partido.

 

Temer contou ainda a parlamentares de seu grupo ter sido procurado por uma terceira pessoa, para relatar-lhe um diálogo que tivera com o mesmo ministro Tarso Genro. Disse-lhe que o ministro falou explicitamente da cogitação de aproveitar Temer no ministério. De novo, esquivou-se de mencionar o nome da pasta. Mas realçou que a eventual nomeação dependeria da disposição de Temer de abrir caminho para Jobim.

 

A julgar pelos movimentos que fez nas últimas horas, a idéia de vir a ocupar um ministério não passa pela cabeça de Temer. O deputado agendou para segunda-feira (12) um ato público de lançamento de sua recandidatura à presidência do PMDB. Será em São Paulo, às 11h. Antes, Temer fechou um acordo com a bancada peemedebista de Goiás, que ameaçava lançar o nome da deputada Íris Araújo. Acertou-se que Íris será candidata a vice na chapa que Temer submeterá ao diretório nacional do PMDB no próximo dia 11 de março..

 

Nesta quinta-feira, Temer esteve também com o seu potencial rival Nelson Jobim. Tentou demovê-lo da idéia de disputar o comando do PMDB. Chegou mesmo a acenar com a hipótese de apoiar o nome de Jobim para presidir o partido no próximo biênio (2009-2010). Marcaram uma nova conversa para a próxima terça-feira. Mas Jobim não pareceu seduzido pela idéia de abrir mão de postular o cargo já.

 

Nos subterrâneos, o PMDB revive uma velha disputa que opõem sua bancada no Senado, liderada por Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP) à da Câmara, que órbita majoritariamente em torno de Temer. Renan e Sarney são contra a reeleição de Temer. Conspiram a favor de Jobim.

 

Temer informou ao seu grupo que tentará aparar as arestas do Senado nos próximos dias. Telefonou para Renan e Sarney. Pediu para conversar com ambos. Renan ficou de marcar uma data. Sarney já marcou. Receberá Temer na próxima segunda-feira (12). A hipótese de que ocorra uma pacificação é vista pelos dois lados como improvável.

Escrito por Josias de Souza às 19h21

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Economist compara Congresso brasileiro a chiqueiro

A última edição da revista britânica The Economist traz uma reportagem sobre a disputa que resultou na eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara. O título pendura a notícia numa interrogação: "Parlamento ou chiqueiro?"

O subtítulo trata de eliminar as dúvidas: "Uma campanha fracassada para limpar uma legislatura maculada". Na avaliação da revista, Chinaglia pode ter sido guindado a “um dos maiores e mais desregrados cargos, mas presidir a Câmara dos Deputados do Congresso do Brasil é um prêmio poderoso e muito valorizado.”

 

“A história irá julgar”, anota o texto, se Chinaglia “conseguiu restaurar a reputação da instituição, que está no fundo do poço.” A julgar pelo conteúdo da notícia, The Economist acha que a resposta da historiografia será negativa.

 

A reportagem sustenta que Chinaglia prevaleceu sobre Aldo Rebelo (PCdoB-SP) numa disputa apertada –18 votos de dianteira—marcada pela perversão: "O toma-lá-dá-cá paroquiano venceu a ética." De resto, o texto rememora as dores éticas do primeiro reinado de Lula.

 

Lembra que o presidente teve de jogar ao mar auxiliares de peso. Menciona especificamente o ex-chefão da Casa Civil, José Dirceu, acusado pelo Ministério Público de comandar “uma sofisticada organização criminosa”.

 

The Economist tem uma circulação que roça a casa de 1 milhão de exemplares. A essa altura, capitalistas do mundo inteiro ruminam a dúvida levantada pela revista. Cabe à nova direção da Câmara demonstrar que a Casa não é uma pocilga. É algo que não se faz com palavras. O esforço requer ação.

Escrito por Josias de Souza às 16h42

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PFL troca de nome e tenta espantar a urucubaca

Submetido a uma lipoaspiração compulsória nas urnas de 2006, o PFL decidiu submeter-se a uma operação plástica. À procura de um novo rosto, mudou de nome. Chama-se agora PD (Partido Democrata). Vai mudar de direção. Busca dirigentes mais joviais.

Como interpretar a novidade? Ora, não é nada, não é nada, não é nada mesmo. Na certidão de nascimento, o novíssimo PD continua sendo a velhíssima legenda de sempre. Uma filha do poder ditatorial da Arena com o oportunismo eleitoral da dissidência do PDS.

 

A pefelândia ascendera ao poder pouco depois da chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral. Mandada à oposição em 2002, perdeu o acesso à máquina do Estado, o seu porto seguro. E a nau do partido perdeu o rumo.

 

Sem um presidenciável que possa chamar de seu, o PFL foi às últimas disputas abraçado ao tucanato. Deu-se bem com FHC. Uma vez, em 94. Duas vezes, em 98. Afogou-se noutras duas tentativas. Com Serra, em 2002. Com Alckmin, em 2006.

 

Não é a primeira vez que o PFL tenta repaginar-se. Em maio de 95, ainda sob FHC, anunciara um projeto de nome pomposo. Chamara-o de “PFL 2000”. Previa a construção de um partido-potência. Estimava que, em cinco anos, a legenda teria 150 deputados e 30 senadores.

 

Decorridos onze anos, o sonho converteu-se em pesadelo. Dono da segunda maior bancada congressual em 95, o PFL escorregou para a quarta posição. Sem acesso aos cargos e às verbas públicas, seus quadros não param de definhar.

 

Como se fosse pouco, o PFL convive com o abandono de seu eleitorado tradicional. A tribo dos pefelês orgulhava-se da quantidade de votos que conseguia amealhar nos fundões do Brasil. Seduzida por benefícios como o Bolsa Família, a clientela das regiões Norte e Nordeste migrou para Lula.

 

Nos grandes centros, o discurso liberal do PFL ainda ecoa nos gabinetes refrigerados da grande banca e da fina flor do empresariado. Algo que serve à engorda de arcas de campanha. Mas que não chega a sensibilizar os verdadeiros donos do voto.

 

Em São Paulo, a liderança pefelê mais vistosa é Gilberto “Vagabundo” Kassab, que herdou a cadeira de prefeito do tucano José Serra. Em Minas, não há vestígio de um líder de renome que seja filiado ao PFL. No Rio, o drama é menos intenso. Ali, o nome mais festejado é o do prefeito César Maia. Tem combustível para vôos estaduais. Mas falta-lhe gás para cobrir extensões nacionais.

 

A despeito da inanição de votos, Jorge Bornhausen, presidente do PFL, anuncia que o partido fará um vôo solo em 2010. Falta-lhe, porém, um piloto. O último pefelista com cara de presidenciável foi Luiz Eduardo Magalhães. Morreu. E levou consigo para a cova o sonho de poder de seu partido.

 

Aprovado nesta quinta pela Executiva do PFL, o novo nome (PD) encontra-se pendente de confirmação da convenção do partido, marcada para 28 de março. O passo seguinte será a troca de comando. Sai Jorge Bornhausen. Entra, se tudo correr como planejado, um presidente mais jovem. Rodrigo Maia (RJ) ou ACM Neto (BA), por exemplo.

 

De novo: não é nada, não é nada, não é nada mesmo. Como dizia Nelson Rodrigues, “o jovem ou é um Rimbaud ou um débil mental.” Tem “todos os defeitos dos mais velhos e mais um: a imaturidade.” O melhor conselho que Rodrigues oferecia aos jovens era de uma simplicidade desconsertante: “Envelheçam.”

Escrito por Josias de Souza às 15h34

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: Educação do país piora em 10 anos

 

- Estadão: EUA querem novo papel do Brasil na AL

 

- Globo: Chuvas em SP param aeroportos do Sudeste

 

- Correio: As notas das escolas brasilienses no Enem

 

- Valor: Câmbio amplia atrito entre a Fazenda e o Banco Central

 

- Estado de Minas: Emprego fica longe da meta no governo Lula

 

- Jornal do Commercio: Greve em presídios afeta policiamento de eventos

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Releitura!

Benett
 

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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PSDB contrata pesquisa e monta estratégia de 2010

Escaldado com as duas surras que levou de Lula em 2002 e 2006, o PSDB decidiu antecipar a preparação para as eleições municipais de 2008 e para a disputa presidencial de 2010. Reunida na noite de terça-feira (6), a direção do partido constituiu três grupos de trabalho.

O primeiro grupo irá coordenar uma pesquisa de opinião a ser realizada em todo país. Visa descobrir o que pensa o eleitorado a respeito do PSDB. Servirá de base para a formulação de um plano de mudança da imagem do partido, às voltas com uma crise de identidade. O trabalho foi confiado a três tucanos: Gustavo Fruet (PR), Antero Paes de Barros (MT) e Márcio Fortes (RJ).

 

Em reunião realizada na tarde desta quarta-feira (7), o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), decidiu contratar o sociólogo pernambucano Antônio Lavareda, dono da consultoria MCI, para ajudar na formulação do questionário e na análise dos dados que serão recolhidos pelos pesquisadores.

 

Na próxima segunda (12), Fruet, Paes de Barros e Fortes terão um encontro com Lavareda. Começarão a esmiuçar o questionário. Pretende-se que seja abrangente. Serão incluídas, por exemplo, questões acerca da era FHC, um período que o partido vem hesitando em defender nos palanques. No ano passado, por exemplo, o tucanato deixou-se enredar numa armadilha montada por Lula em torno dos pendores privatistas da legenda.

 

Um segundo grupo, integrado por Sérgio Guerra (PE) e Ronaldo César Coelho (RJ), fará uma radiografia da estrutura do PSDB em todos os Estados e municípios brasileiros. O objetivo é identificar as fragilidades regionais. Onde houver diretórios débeis, pretende-se seduzir lideranças de outros partidos e realizar campanhas para arrebanhar novos filiados.

 

O terceiro grupo constituído pela Executiva do PSDB recebeu a missão de atualizar o programa do partido, hoje sem bandeiras. Coube a José Aníbal (SP) e Marisa Serrano (MS) centralizar a coleta de opiniões dentro da legenda. Pretende-se envolver nessa parte do trabalho o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Planeja-se ainda realizar um ciclo de seminários regionais. Devem começar entre o final de março e o início de abril.

 

Como desfecho de todo o planejamento eleitoral, o PSDB renovará sua direção numa convenção programada para novembro. Nesse mês, encerra-se o mandato da cúpula chefiada por Tasso Jereissati. Busca-se um nome capaz de acomodar os interesses do partido nas eleições municipais de 2008, o primeiro encontro com as urnas depois do malogro da candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. Por ora, emerge como favorito o senador Sérgio Guerra (PE). Move-se com desenvoltura entre os grão-tucanos FHC, Alckmin, José Serra, Aécio Neves.

 

Toda a estratégia tucana parte de uma premissa: para tornar-se competitivo em 2008 e 2010, o partido precisa renovar o seu ideário, aproximando-o do eleitor. Busca-se construir o que o tucanato chama de “um novo projeto nacional”. Daí a pesquisa de opinião. Tenta-se reaproximar a legenda da plataforma modernizadora que os tucanos acham que representavam no passado.

 

Avalia-se que, embora disponha de pelo menos dois presidenciáveis competitivos -Serra e Aécio-, o PSDB cavalga um ideário envelhecido. O partido ainda vive da fama do Plano Real, que trouxe a estabilidade monetária. Precisa de um novo ideário, capaz de se contrapor à pregação social de Lula.

   

Fez-se também no encontro da Executiva, na noite de terça, uma avaliação do PAC. O debate girou em torno de uma análise escrita por dois economistas: Samuel Pessoa e Ana Lobato. Concluiu-se que, diferentemente do que apregoa Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento não será suficiente para impulsionar o desenvolvimento econômico. Se a aposta estiver equivocada, o tucanato já inicia sua jornada rumo a 2010 com o pé esquerdo.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Que fantasias habitarão o sonho dos deputados?

Que fantasias habitarão o sonho dos deputados?

Fotos: Lula Marques/Folha Imagem

Políticos em campanha são vendedores de sonhos. Eleitos, muitos se tornam pesadelos. Não podendo transformar a realidade, fogem dela. Alguns, como os três deputados acima, exageram. Foram pilhados pelo repórter Lula Marques, na tarde desta quarta-feira (7), justamente no instante em que buscavam no sono o alívio das misérias que assolam a hora do expediente.

O desempregado sonha com o emprego. O esfaimado com a geladeira cheia. O desabrigado com o teto. O assaltado com o socorro policial. O doente com o atendimento médico. O eleitor sonha com o dia em que será representado satisfatoriamente em Brasília. E quanto aos deputados Moisés Avelino (PMDB-TO, foto 1), Devanir Ribeiro (PT-SP, foto 2) e Cida Diogo (PT-RJ, foto 3), que fantasias habitarão os seus sonhos?

Escrito por Josias de Souza às 22h40

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Câmara decide extinguir 1.050 cargos de confiança

Os deputados aprovaram nesta quarta-feira (7) uma providência moralizadora. Extinguiram-se 1.050 cargos de confiança. As vagas atendiam pelo apelido de CNES (cargos de natureza especial).

 

Era, em verdade, um cabide no qual os deputados penduravam os seus apaniguados. Gente que entrava na folha salarial do Legislativo pela janela, sem concurso público. Os salários variavam de R$ 1.500 a R$ 8.200.

 

Contratados para prestar assessoria a órgãos técnicos da Câmara, muitos dos felizardos eram deslocados para os gabinetes de seus padrinhos. Em Brasília e nos Estados. Na prática, fugiam a qualquer tipo de controle administrativo.

 

A expulsão dos CNES da folha proporcionará uma economia anual de R$ 40 milhões. A decisão fora tomada sob Aldo Rebelo (PCdoB-SP), no ano passado. Decidiu-se passar os cargos na lâmina depois que eles freqüentaram o noticiário com cara de escândalo. Fez-se por pressão o que não havia sido feito por bom-senso.

 

O corte encontrava-se, porém, pendente de aprovação. Foi a voto agora por decisão de Arlindo Chinaglia (PT-SP), recém-acomodado na cadeira de Aldo. Numa Casa conhecida pela proliferação de deformações e privilégios, a extinção de 1.050 cargos não é muita coisa. Mas é um bom começo.

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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Emprego de carteira assinada caiu de novo em 2006

  Folha Imagem
A exemplo do que ocorrera em 2005, o emprego com carteira assinada caiu em 2006. Está-se falando da diferença entre a taxa de admissões e a de demissões. Em 2006, 1,229 milhão de brasileiros ganharam um emprego formal. O número é 2% menor do que o registrado em 2005, ano em que a criação de vagas formais já havia recuado 17,7% em relação a 2004.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (7) pelo Ministério do Trabalho. Demonstram que a vala de desempregados vem aumentando ano a ano. Como essa gente precisa encher a geladeira, deduz-se que cresce no Brasil o fenômeno da informalidade.

 

Com o pé no palanque, em 2002, Lula prometera gerar 10 milhões de empregos. Nos quatro anos do primeiro reinado, abriram-se 4,6 milhões de postos de trabalho. Ao discorrer sobre os números de 2007, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) atribuiu o malogro à política de juros e câmbio do Banco Central.

 

De resto, Marinho vestiu-se de quiromante: "A minha aposta, se não acontecer nenhuma catástrofe natural, nós teremos um 2007 superior a 2006." Quem quiser, que dê crédito ao ministro. Quem preferir, pode aprofundar a reflexão.

Ao sentar-se na cadeira de presidente da República, Lula dizia estar decidido a enviar ao Congresso um projeto de reforma trabalhista. Era conversa fiada. Uma pena. A Consolidação das Leis do Trabalho, mais conhecida pela sigla CLT, tornou-se um anacronismo à espera de reforma. Uma reforma que, de novo, vai escorregando da agenda.

Mais da metade da mão-de-obra no Brasil foi empurrada para a informalidade. As centrais sindicais dão de ombros para o fenômeno. Sob o pretexto da defesa dos direitos dos trabalhadores, opõem-se ferozmente à reforma da CLT. Em verdade, agarram-se ao privilégio que carreia para as suas arcas pelo menos um dia do trabalho de todos os brasileiros com carteira assinada.

O empresariado comparece ao debate de olho na eliminação de coisas como o 13º salário e a multa de 40% sobre o FGTS para as demissões imotivadas. Calam-se sempre que alguém menciona a conveniência de bulir também no Sistema S, que transfere para os cofres da rede sindical do patronato algo como cinco dias do salário do trabalhador.

Lero vem, lero vai, a reforma trabalhista vai sendo remetida às calendas. E vai sendo tonificada a informalidade. Cresce também o número de microempresas de fachada. São firmas que só têm donos, sem empregados. Surgem por pressão de grandes empresas, que driblam o pagamento de contribuições sociais contratando os serviços de ex-empregados convertidos em empresários de mentirinha.

Pode-se lidar com o problema de duas maneiras. A mais fácil, adotada pelo ministro Luiz Marinho, é arrumar uma nova desculpa a cada novo número adverso. A tática, além de não resolver o problema, ofende a inteligência da platéia. Arrostar a reforma trabalhista pode não dar ibope. Mas não parece haver outra maneira de dar visibilidade à legião de trabalhadores que permanece à margem do sistema previdenciário e dos benefícios sociais.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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‘Vagabundo’ dá duro desde os 10 e votou em Kassab

O cidadão que o prefeito paulistano Gilberto Kassab escorraçou de um posto de saúde sob gritos de “vagabundo, vagabundo” trabalha desde 0s 10 anos. Nas eleições municipais de 2004, Kaiser Paiva Celestino da Silva votou na chapa José Serra-Gilberto Kassab.

Ainda com dores no dente de siso do lado esquerdo, Kaiser recebeu a repórter Laura Capriglione. Contou que sua oficina de placas –nos fundos de casa—foi à breca graças à lei municipa, que tenta conter a poluição visual.

O aluguel está atrasado. Vai toureando os credores graças a empréstimos de vizinhos e parentes. Na segunda-feira fatídica, deu de cara com o prefeito por acaso. Ocupada em descobrir alguém que se dispusesse a ajudar a pagar as contas de água e luz, a mulher de Kaiser não pôde levar os exames do filho ao posto de saúde.

Coube a Kaiser acompanhar Samuel, 7, ao médico. De todo o sururu, o que mais ressoa em sua memória é a frase ouvida do filho logo depois do destempero do prefeito. “Pai, por que ele chamou você de vagabundo?"

"Isso é o que mais dói”, disse Kaiser. “Eu trabalho desde os dez anos." Freqüentador da igreja evangélica Cristo Centro, o eleitor-vítima de Kassab disse que perdoa o prefeito. É uma pena. Há quem ache que Kaiser deveria processar o agressor.

Escrito por Josias de Souza às 16h47

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‘Não há nenhuma razão para qualquer tipo de alarme’

  Elisa Limbeck
Na noite passada, a bandidagem voltou a incinerar ônibus em São Paulo. Queimaram-se três. De quebra, três criminosos praticaram tiro ao alvo contra um carro da PM.

O secretário de Segurança do governador José Serra (PSDB), Ronaldo Marzagão, reagiu assim à encrenca: "Não há nenhuma razão para qualquer tipo de alarme. Não dêem aos episódios dimensão maior do que efetivamente têm."

Vá lá que uma das funções de um secretário de Segurança é tranqüilizar a população. Mas a continuar nesse diapasão, logo, logo José Serra virá à boca de um palco em chamas para repetir o bordão de Cláudio Lembo (PFL): “Está tudo sob controle.”

Escrito por Josias de Souza às 07h47

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TSE dá o dinheiro da Viúva a partidos sem voto

O PCO (Partido da Causa Operária) não produziu um mísero deputado nas urnas de 2006. A despeito disso, a legenda vai beliscar na bolsa da Viúva, veneranda e indefesa senhora, a bagatela de R$ 1,752 milhão. Ou R$ 146 mil por mês.

O acesso de partidos condenados à miséria eleitoral ao bolso de contribuintes que lhes negaram o voto foi proporcionado por uma resolução do TSE. Em decisão unânime, os ministros do tribunal decidiram premiar as legendas sem voto na partilha do fundo partidário.

Antes da novidade, aprovada na noite desta terça (6), partidos sem representação parlamentar recebiam do erário R$ 1 mil por mês. Agora, vão levar os R$ 146 mensais. Em contrapartida, legendas como PMDB, PT, PSDB e PFL, as maiores do Congresso, terão de apertar os cintos.

Tome-se o exemplo do PMDB. Elegeu 89 deputados (hoje tem 90) e 18 senadores (agora tem 20). Antes da rodada de toga que beneficiou os sem voto, o partido teria direito a algo como R$ 1,6 milhão por mês. Com a nova partilha, receberá R$ 1,1 milhão mensais.

O PT receberia cerca de R$ 1,5 milhão. Passou para R$ 1,089. O PSDB foi rebaixado de cerca de R$ 1,3 milhão para R$ 954 mil. A julgar pelo que as legendas gigantes têm devolvido ao eleitorado, pode-se argumentar que levam mais dinheiro do que merecem. Mas o que dizer dos partidos que nem votos têm?

A operação Robin Hood do TSE é conseqüência direta de uma outra decisão inusitada. O STF derrubara a cláusula de barreira, aquela regra que mandara à zona de rebaixamento os partidos que não conseguiram amealhar 5% dos votos nacionais. Um absurdo puxou o outro.

Enquanto isso, no Congresso e no Planalto, a reforma política, defendida por onze em cada dez políticos, adormece.

Escrito por Josias de Souza às 07h03

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As manchetes desta quarta

- Folha: EUA quer parceria estratégica no etanol

- Estadão: Lula vai segurar verbas do orçamento, mas livra o PAC

- Globo: Milícia fecha favela com portão para barrar tráfico

- Correio: Piora o ensino no País

- Valor: Grandes fundos de pensão têm superávit de R$ 40 bi

- Estado de Minas: Assaltantes de bancos voltam a aterrorizar MG

- Jornal do Commercio: Tumulto em prévia derruba dois oficiais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h47

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Ponto de 'vagabundagem'!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h41

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Lula tenta mediar troca negociada da direção do PT

Raimundo Pacco/Folha Imagem
 

 

Instado por um governador petista, Lula comprometeu-se a usar sua influência para tentar uma conciliação entre os grupos que disputam espaço na direção do PT, que deve ser renovada no final do ano. O presidente mostrou-se incomodado com a atmosfera beligerante que tomou conta do partido.

 

Tratava-se no PT uma disputa entre o Campo Majoritário e uma congregação de correntes que, por minoritárias, defendem a redistribuição de poder na legenda. O pano de fundo da contenda é a sucessão de crises éticas que, desde 2005, rói a reputação moral do petismo.

 

Para Lula, a solução está no meio-termo. Segundo disse ao governador com quem conversou nesta terça-feira (6), o presidente acha que o grupo majoritário do PT terá de abrir mão do controle hegemônico da legenda. O ideal, acredita ele, é que a partilha de poder ocorra de maneira negociada.

 

O presidente disse que não deseja tornar-se um protagonista da cena partidária. Acha que o papel não condiz com sua condição de chefe de Estado. Mas declarou que fará o que estiver ao seu alcance para estimular a conciliação.

 

Em privado, Lula manifesta o receio de que a queda-de-braço petista acabe por desviar o seu partido daquilo que considera prioritário: o apoio político ao PAC (Plano de Crescimento da Economia). No próximo sábado, em jantar alusivo ao 27º aniversário do PT, o presidente exortará o partido a engajar-se no esforço pela aprovação do plano.

 

Estuda, de resto, a hipótese de instar o petismo a produzir uma auto-crítica em relação aos erros do passado recente. Equívocos que resultaram em escândalos como o do mensalão, que tisnaram a imagem do partido e de seu governo, e o do dossiêgate, que lhe custaram a vitória no primeiro turno da eleição presidencial de 2006.

 

No diálogo que manteve com o governador, pelo telefone, Lula revelou-se contrariado com a idéia do deputado José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, de iniciar uma cruzada em favor de sua anistia política. Acha que a iniciativa introduz na cena política um ruído desnecessário.

 

Alheio às preocupações do ex-chefe, Dirceu alega que a anistia não é um projeto pessoal. A campanha, diz ele, sob reserva, é patrocinada por seus amigos. Pretende rodar o país a partir de março. A convite dos tais amigos, dará palestras em eventos de divulgação da campanha pró-anistia. 

 

Dirceu declara também que não pretende abrir mão de participar do debate preparatório que antecede a realização do 3º Congresso do PT, marcado para julho. Diz que sua participação se dará como militante, uma vez que não deseja retornar à direção do partido. Considera despropositada a idéia de “refundar” a legenda, defendida pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

Escrito por Josias de Souza às 23h35

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Corte no Orçamento inclui verbas de parlamentares

Às voltas com um esforço para obter apoio parlamentar para o seu PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Lula se prepara para dar aos congressistas uma péssima notícia: o governo vai cortar gastos inseridos por deputados e senadores no Orçamento da União de 2007. Os cortes devem azedar as relações do Planalto com os partidos.

Só as emendas individuais dos parlamentares, excluídas aquelas referendadas por bancadas estaduais, injetaram no Orçamento gastos de R$ 3,5 bilhões. Os técnicos do Ministério da Fazenda consideram que a poda desse tipo de despesa é inevitável.

O governo evita chamar a providência de corte. Apelida a tesourada de “contingencimanto”. Significa dizer que a execução das despesas ficará bloqueada. A execução fica condicionada à arrecadação do governo e ao comportamento das contas públicas. Em tese, as emendas podem ser ressuscitadas ao longo do ano. O procedimento é usual. Vem sendo adotado desde a presidência de José Sarney. 

A expectativa em torno de futuras liberações irrita deputados e senadores. Na prática, eles ficam nas mãos do governo. Alheios à necessidade real de cortes de despesas públicas, interpretam o gesto como uma espécie de chantagem. Prevalece no Congresso a idéia de que têm preferência no desbloqueio de emendas os parlamentares que, a juízo do governo, se aliam aos interesses do Planalto.

Lula receberá a proposta de cortes da Fazenda nesta quarta-feira (7). Inicialmente, o governo pretendia anunciar os cortes já na quinta-feira (8). Mas a má notícia deve ser protelada para a próxima semana.

Nesta terça (6), Lula informou, no Rio, que, de fato, o Orçamento será contingenciado. Afora os investimentos sociais, só os investimentos previstos no PAC estão a salvo: "Nós agora estamos discutindo o orçamento e certamente eu vou contingenciar o orçamento, mas não mexeremos em um milésimo de centavo do dinheiro que está garantido no PAC", disse.

Escrito por Josias de Souza às 20h23

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‘Não voltaria pela porta dos fundos’, diz Jefferson

El Roto/El Pais
 

O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) valeu-se de uma entrevista à rádio CBN para desferiu um novo tiro na direção do também cassado José Dirceu (PT-SP), seu companheiro de infortúnio. Falou sobre o projeto de anistia, acalentado pelo petista. Disse que não apóia nem pretende se associar à idéia.

"Quando saí da Casa, saí pela porta da frente. Não voltaria pela porta dos fundos. Voltaria pela vontade do povo, nunca por um acerto político", disse Jefferson. "Quando houve anistia depois da ditadura, havia o calor social pela reintegração de todos os brasileiros." Algo que, a seu juízo, não existe hoje.

Para Jefferson, há uma diferença fundamental entre as anistias pró-ditadura e o perdão pretendido agora. As cassações praticadas sob os militares eram “ideológicas”. As atuais envolvem "denúncias de corrupção".

Jefferson falou também sobre o segundo reinado de Lula. Embora o seu partido esteja, de novo, abrigado sob o guarda-chuva do governismo, disse que, pessoalmente, “não negocia” mais com o presidente. Deseja apenas “apoiar a governabilidade, sem toma lá-dá-cá".

Quanto à primeira parte, nada mais natural. Tampouco Lula planeja estreitar sua inimizade com Jefferson. Quanto à segunda, é pura parola. O PTB de Jefferson, por ora alojado na pasta do Turismo, com Walfrido Mares Guia, não vê a hora de ser chamado pelo Planalto para discutir a contribuição que pode dar nos mais elevados postos da República.

De resto, Jefferson voltou a insultar o PT e o presidente da República. Afirmou, veja você, o seguinte: "Não é hora de me aproximar de Lula, não quero. Esse grupo que negociou com Marcos Valério ainda manda no PT e está próximo do governo."

É de se perguntar: por que o PTB, sob a presidência de Jefferson, apoiou a eleição de Arlindo Chinaglia na Câmara? Por que diabos o partido dá suporte a um governo que continua flertando com a conjuntura que despertou os “instintos mais primitivos” de Jefferson? Decerto o que move o PTB é o interesse público e a vontade de servir ao país.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Clodovil estréia e tacha Chinaglia de ‘mal-educado’

  Ag.Câmara
O deputado-estilista Clodovil Hernandes fez nesta terça-feira (6) sua estréia na tribuna da Câmara. E o fez em grande estilo. Abespinhado com o barulho, comparou o plenário a um “mercado”. Cutucou Paulo Maluf. Ao final, irritou-se com o presidente da Casa, que lhe cortou a fala antes que pudesse se despedir do plenário.

 

"O senhor Chinaglia me botou para fora sem dizer nada, é muito mal-educado. Eu ouvi ele uma hora falando no meu ouvido quando queria o meu voto [para a presidência da Câmara]. Eu não preciso dele para nada. Estou aqui por desejo das pessoas e não dele", disse, depois de descer da tribuna.

 

Clodovil queixou-se formalmente a Inocência Oliveira (PR-PE), membro da Mesa diretora da Câmara. Pediu a ele que transmitisse a reclamação a Chinaglia, que, naquele instante, presidia a sessão.

 

Deputado de primeiro mandato, Clodovil discursou por cerca de 20 minutos. Havia em plenário cerca de 200 parlamentares. Como sói acontecer no Legislativo, muitos travavam diálogos paralelos. Abespinhou-se com a algaravia, Clodovil subiu nas tamancas.

 

“Fala-se muito em decoro parlamentar. Eu não sei o que é decoro com um barulho desses enquanto a gente fala. Aqui parece um mercado. Isso aqui representa um país? Nem na televisão, que é popular, se faz isso", disse. A reclamação surtiu efeito instantâneo. Os colegas de Clodovil fizeram um silêncio sepulcral.

 

Na seqüência, Clodovil, segundo deputado mais votado de São Paulo, cutucou Paulo Maluf (PP-SP), o campeão de votos. “As pessoas egoístas não conseguem nada. Se até o corpo fica debaixo da terra, imagine os atos, não é doutor Paulo Maluf?”

Maluf viu-se compelido a grudar os lábios ao microfone de apartes. Respondeu à provocação com elogios. Atribuiu a torrente de votos de Clodovil à sua habilidade como comunicador e ao talento como estilista, que o fazia produzir “as melhores coleções para São Paulo”.

“Quero lembrar para os que não o conheceram pela televisão que vossa excelência fala, através da sua argumentação, aquilo que com sinceridade pensa. Com certeza que será um dos mais ativos e polêmicos membros dessa Casa”, completou Maluf.

 

Clodovil agradeceu. Mas voltou a espicaçar o colega. Disse que se tornou “conhecido em todo país graças a trabalho e não por coisas desonradas”. Em seguida, o estreante disse que deseja amar os colegas de Parlamento “da mesma maneira que ama a Deus”.

 

Convidou os demais deputados a arregaçarem as mangas, “de preferência, com elegância, claro.” Disse que, se os deputados fizerem “política com bondade, Brasília nunca mais será a mesma e nem o Brasil.” Difícil será encontrar bondade numa Casa que tem sido generosa na produção de maldades.

Escrito por Josias de Souza às 17h03

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Para Chinaglia, Marco Aurélio fez ‘voto de pobreza’

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Pressionado pelo plenário a reagir às declarações ao ministro Marco Aurélio Mello, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, acabou entrando num debate que decidira evitar. “Diria que, com sua frase, o ministro [Marco Aurélio] fez um voto de pobreza, dado que salário de ministro do Supremo é R$ 24,5 mil e o dos deputados é R$ 12,8 mil.”

 

Mais cedo, Chinaglia dissera que não polemizaria com Marco Aurélio. Ministro do STF e presidente do TSE, Marco Aurélio dissera na véspera um repto aos congressistas: "Eu faço um desafio: troco o que eu ganho pelo dos deputados e senadores. Vamos colocar no lápis as vantagens dos parlamentares. Se essas vantagens não foram três vezes maiores, eu saio [do cargo]."

 

Na manhã desta terça (6), Chinaglia dissera que não iria polemizar com Marco Aurélio. Porém, ao abrir a sessão da Câmara, há pouco, foi instado por colegas a reagir, em nome da Câmara. “Não podemos continuar lendo matérias no jornal dizendo que verbas como a cota de telefone é salário de deputado”, queixou-se Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM).

 

“Ele não é um ministro qualquer. É presidente do TSE”, ecoou Pedro Fernandes (PTB-MA). “É um ministro muito falador. Precisa respeitar esta Casa. Assessor dele é salário dele? O motorista que ele usa é salário dele? A gasolina que consome é salário dele? A Câmara deveria ter um pronunciamento oficial. Será que temos medo do Judiciário?”

 

Acossado pelas cobranças, Chinaglia saiu-se com a ironia do “voto de pobreza.” De resto, reafirmou que não fará da declaração de um ministro uma “disputa do Supremo com a Câmara, conflagrando os dois poderes”. E instou os deputados a chamarem o ministro para dar explicações na Câmara.

 

“Não é adequado a presidência da Câmara criar uma polêmica. Mas algum deputado pode chamar o ministro para debater salários, verbas e funções do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Nós criaremos condições para isso”. Não há, por ora, nenhum requerimento de convocação de Marco Aurélio Mello. Em meio à polêmica, a Câmara evitou incluir na pauta a proposta de reajuste salarial dos deputados.

Escrito por Josias de Souza às 15h50

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As manchetes desta terça

 

- Folha: Regra do teto infla salários nos Estados

 

- Estadão: BC compra mais dólares, mas não detém nova queda

 

- Globo: Afastado policial suspeito de comandar milícia no Rio

 

- Correio: Deputado pede aumento, mas não vai trabalhar

 

- Valor: Friboi inicia movimento de frigoríficos rumo à bolsa

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h09

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Pequenos prefeitos, grandes negócios!

Benett
 

Escrito por Josias de Souza às 06h57

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Grupo de Dirceu levanta os ‘podres’ do PT gaúcho

Acossado pela acusação de que é o responsável pelas mazelas que roem o patrimônio ético do PT, o Campo Majoritário, grupo do ex-deputado José Dirceu, foi à lata de lixo. Recolhe os “podres” do PT do Rio Grande do Sul –Estado de Tarso Genro e de Olívio Dutra, dois dos signatários da “Mensagem ao Partido”, texto que evoca a crise moral, para cobrar a “refundação” do PT.

 

Levantam-se acusações de 2001 a 2002. Relacionam os cofres do PT gaúcho com o dinheiro sujo do jogo do bicho, do bingo e dos caça-níqueis. Em timbre de ameaça, aliados de Dirceu afirmam que, se necessário, não hesitarão em usar as informações, num movimento de “legítima defesa”. 

 

Nascida de um texto do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), a “Mensagem ao Partido” incorporou contribuições de três dezenas de petistas. A parte política do documento escora-se em dois pilares: 1) a crise ética decorreu da ação deletéria do grupo majoritário; 2) para superar a hegemonia desse grupo, é preciso criar um “novo campo político” e recompor a direção.

 

“Não aceitamos que ninguém venha posar de paladino da ética. Há desvios em todas as correntes do partido”, disse ao blog um deputado do Campo Majoritário. “A direção nacional não ficou inerte diante dos escândalos. Os dirigentes envolvidos foram afastados, expulsos ou se desligaram do partido.”

 

Em entrevista ao blog, Tarso Genro classificou de “caricatura” a tentativa de reduzir o documento pró-refundação a uma peça anti-Dirceu. Porém, parte do Campo Majoritário acha que Dirceu serve de escada para escalar a jugular da atual direção.

 

São dois os cartuchos que o grupo majoritário do PT levou ao tambor. O primeiro é um episódio de 2001, ano em que Olívio Dutra governava o Rio Grande do Sul. Arrostou um escândalo vitaminado por um lote de CDs. Continham conversas telefônicas de petistas com funcionários da Secretaria de Segurança do Estado. Resultaram numa CPI da Assembléia Legislativa gaúcha.

 

Descobriu-se que Jairo Carneiro dos Santos, um ex-gestor das arcas do PT gaúcho, usara dinheiro de contraventores do jogo do bicho para comprar o prédio que servia de sede do PT gaúcho. Nas gravações, Santos diz que Olívio Dutra autorizara a operação. Depois, em depoimento à CPI, embora as fitas demonstrassem o contrário, negou o envolvimento do governador. A comissão sugeriu 41 indiciamentos. Olívio foi isentado.

 

O segundo cartucho refere-se a um caso de 2001. Veio à tona em 2003, nas pegadas do primeiro escândalo da gestão Lula: o caso Waldomiro Diniz. Assessor parlamentar de Dirceu na Casa Civil, ele foi exposto num vídeo gravado à época em que dirigia a Loterj (lotérica do Rio). Cobrou propina do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Waldomiro recebeu um e-mail de solidariedade de José Vicente Brizola, filho de Leonel Brizola e diretor-geral da Loterg (lotérica gaúcha). “Assim como foste compelido a achacar dinheiro de concessionários públicos em benefício do PT, eu também o fui”, escreveu José Vicente a Waldomiro.

Contou ter sido pressionado por Carlos Fernandes, filho da então candidata do PT ao Senado, a recolher de donos de bingos, videobingos e caça-níqueis dinheiro para o caixa dois do PT. Emília dividia a chapa majoritária do PT com Paulo Paim, candidato ao Senado, e Tarso Genro, postulante ao governo do Estado.

Emília negou o malfeito na época. O próprio José Vicente informou que os nomes de Tarso Genro e Paulo Paim jamais foram referidos nas conversas que presenciou. Ainda assim, petistas do Campo Majoritário avaliam que o caso evidencia que o grupo pró-reformas não teria legitimidade reivindicar o monopólio da ética. A autofagia petista ameaça transformar o 3º Congresso do PT, em julho, em palco de uma inédita lavagem de roupa suja. Haja sabão.  

Escrito por Josias de Souza às 06h47

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Marco Aurélio: troco meu salário pelo de deputado

  Folha Imagem
Marco Aurélio Mello, presidente do TSE e ministro do STF comprou briga, nesta segunda-feira (5) com o Legislativo. Em tom irônico, dispôs-se a trocar o seu contracheque (R$ 24.500) com o de qualquer congressista (R$ 12.800).

"Eu faço um desafio: troco o que eu ganho pelo dos deputados e senadores. Vamos colocar no lápis as vantagens dos parlamentares. Se essas vantagens não foram três vezes maiores, eu saio [do cargo]", disse Marco Aurélio, durante aula inaugural do curso de Direito de uma faculdade paulista.

 

O ministro se refere às vantagens indiretas concedidas aos congressistas. Vantagens como salários extras concedidos no início de cada legislatura, cota de passagens de correio e de telefone, além de auxílio de verbas de gabinete de R$ 15 mil. Tudo somado, um deputado custa ao erário mais de R$ 80 mil mensais.

 

A provocação de Marco Aurélio é, em verdade, uma resposta ao debate travado durante a campanha para a presidência da Câmara. Dois dos candidatos –Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia—defederam a equiparação dos vencimentos dos congressistas aos dos ministros do Supremo.

 

Aldo chegou mesmo a propor o congelamento dos salários do STF até que os parlamentares consigam alcançá-los. Toda a discussão foi feita no rastro de uma decisão do STF que, no final do ano passado, brecou um reajuste de 91% que deputados e senadores tentaram se autoconceder.

 

Essa briga promete. No Congresso, ouviram-se as primeiras reações. Pelo menos um deputado, José Carlos Aleluia (PFL-BA), deu razão a Marco Aurélio: "Acho que o ministro está certo. Tem que parar com esses penduricalhos nos salários dos deputados. Os dois ganham muito e a questão é discutir a redução destes valores."

 

Chinaglia, agora no comando da Câmara, já não tem pressa em levar a voto uma nova proposta de reajuste salarial.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

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Lula pede e Bastos fica até definição de reforma

  Folha Imagem
Reunido nesta segunda-feira (5) com Lula, o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) concordou em permanecer no cargo até a conclusão da reforma ministerial. Bastos combinara com o presidente que deixaria o posto depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado. Mas cedeu a um novo apelo de Lula.

A expectativa de Thomaz Bastos era de que esta segunda-feira fosse o seu último dia em Brasília. O ministro acalentava o desejo de que Lula antecipasse ao menos o nome do novo titular da Justiça. Dias atrás, confidenciara ao vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan, que seu substituto seria Tarso Genro, hoje na pasta da Articulação Institucional. Pavan deu com a língua nos dentes. E o ministro mandou desmentir a informação que acabara de dar.

 

Agora, Thomaz Bastos foi convencido pelo argumento de Lula de que o mais adequado é fechar toda a reforma, anunciando os nomes dos novos ministros de uma vez só. Ele teve dois encontros com Lula neste início de semana. Primeiro, com outros ministros, na tradicional reunião do da coordenação de governo. Depois, conversou a sós com o presidente.

 

Foi nesta segunda conversa que Lula fez o apelo para que Thomaz Bastos permaneça no cargo por mais alguns dias. O quase ex-ministro deixou o Planalto com a impressão de que a renovação da Esplanada estará concluída pouco antes ou alguns dias depois do Carnaval. É com esse novo prazo que Thomaz Bastos, ansioso por retomar sua vida privada, passou a trabalhar.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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A Genro filha é mais ambiciosa do que o Genro pai

Nas páginas de “A Procura do Absoluto”, Balzac (1799-1850) anotou: “Na vida íntima das famílias chega um momento em que, voluntária ou involuntariamente, os filhos passam a ser juízes de seus pais.”

Na casa da família Genro, os almoços de domingo devem ser animados. O pai, Tarso, voltou a sacudir o marasmo de seu partido ao ressuscitar a tese da “refundação do PT”. A filha, Luciana, descrente da possibilidade de um reinício redentor, abandonou o petismo –ou foi abandonada por ele—ainda no alvorecer do primeiro mandato de Lula.

 

Em entrevista ao programa Palavra Aberta, da TV Câmara, Luciana, assim como Tarso, pregou a necessidade de uma refundação. Não do PT, mas do Brasil. Ela falou em 29 de novembro do ano passado. Uma época em que seu pai estava às voltas com a costura da coalizão partidária que dará suporte ao segundo reinado de Lula.

 

Luciana começou falando de cláusula de barreira. Passeou por pontos da reforma política. Ao final, discorreu sobre os grandes partidos. Ela acha que também as agremiações gigantes podem se converter em “legendas de aluguel”.

 

Como evidência, mencionou a ”dança dos cargos”, que já se insinuava no noticiário no final do ano passado. É por meio desse balé, diz Luciana (PSOL-RS), que as grandes legendas “alugam os seus mandatos para o governo.” Daí o diagnóstico da deputada de que as instituições, por “apodrecidas”, reclamam uma reinauguração.

 

“Precisamos de uma espécie de refundação do Brasil, para rediscutir as instituições”, defende Genro, a filha, bem mais ambiciosa do que Genro, o pai. Assista ao vídeo acima (6min29) e escolha o/a Genro de sua preferência.

Escrito por Josias de Souza às 16h10

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Kassab expulsa manifestante de posto de saúde

Reprodução/TV Globo
 

Diz-se que política é a arte de engolir sapos. Pois nesta segunda-feira (5) o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), teve uma indigestão no instante em que um anuro descia-lhe goela abaixo. Deu-se em público, diante das câmeras de TV.

Kassab inaugurava um posto de saúde. Foi surpreendido por um manifestante. Chama-se Kaiser Paiva. Fabricante de placas, ele protestava contra uma lei municipal baixada para conter a poluição visual na cidade. Abespinhado, o prefeito regurgitou o batráquio. E subiu nas tamancas.

Aos gritos e empurrões, Kassab escorraçou o manifestante do prédio. "Sai daqui! Sai daqui! Estamos em um hospital. Respeite os doentes. Vagabundo! Vagabundo!", vociferou o prefeito (assista). Ouvido depois, o cidadão que tirou Kassab dos eixos disse que fora ao posto de saúde para tratar de um dente. Deu de cara com o prefeito "por coincidência”.

Quanto a Kassab, não se arrepende de ter rodado a baiana. Alegou que hospital não é lugar para manifestação. Disse que, repetindo-se a cena, não hesitará em promover novas expulsões. O prefeito deveria consultar uma benzedeira. Ainda outro dia, foi exposto no Youtube fazendo graça com o buraco do metrô. Agora, mais essa.

Admita-se, porque é de justiça, que o local escolhido pelo cidadão Kaiser para protestar contra a municipalidade não foi o mais adequado. Mas o prefeito bem sabe que cargos públicos costumam sujeitar seus ocupantes a apertos do gênero. Assim, se Kassab tem calos sensíveis, não deveria ter enfiado os pés na política.

Escrito por Josias de Souza às 14h43

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As manchetes desta segunda

- Folha: Serviços sobem mais que a inflação

- Estadão: Anistia a Dirceu tem apoio no Planalto

- Globo: Redução gradual da CPMF é descartada

- Correio: Governo Lula já investiu R$ 1 bilhão no ABC paulista

- Valor: Novo consórcio disputará as megausinas do Madeira

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h10

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Mão grande!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 07h04

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Governadores do PT se unem por espaço na direção

  Lula Marques/Folha Imagem
O embate pela renovação do comando do PT ganhará nos próximos dias um ingrediente novo. Vitoriosos nas urnas de 2006, os cinco governadores petistas decidiram reunir forças para reivindicar espaço na direção do partido. Agendaram uma reunião para o próximo sábado (10), em Salvador.

O encontro dos governadores ocorrerá antes de uma reunião do diretório nacional do PT, que acontecerá no mesmo dia, também em Salvador. O anfitrião Jaques Wagner, governador da Bahia, convidou os colegas Marcelo Déda (Sergipe), Wellington Dias (Piauí), Ana Júlia Carepa (Pará) e Binho Marques (Acre).  

 

Wagner diz que o objetivo da conversa dos governadores é refletir sobre os rumos do PT. A intenção não declarada é esboçar uma estratégia comum dos chefes de executivos estaduais do PT para o debate que fervilha nos subterrâneos da legenda. Um debate que envolve a preparação do 3º Congresso Nacional do PT, em julho, no qual o partido deve encurtar em um ano do mandato de seu presidente, Ricardo Berzoini, marcando para setembro eleições para escolher uma nova direção.

 

Lideranças petistas de relevo, a começar de Lula, acham que é preciso acomodar os governadores na direção do PT. Em entrevista ao blog, o ministro Tarso Genro disse algo parecido: “Defendo que tenhamos um novo grupo dirigente, resultante de um acordo político de alto nível.” Para Tarso, “não seria nenhum espanto” se o sucessor de Berzoini viesse de fora de São Paulo. “Dependendo do nome, poderia até ser bom para o partido.”

 

O sucessor de Berzoini pode ser um governador do PT? Lula acha que sim. Enxerga em São Paulo um ninho de encrencas –do mensalão ao dossiêgate. Os dois nomes mais vigorosos são os de Jaques Wagner e Marcelo Déda.

 

Wagner refuga o assédio antes que ele tome corpo: “Minha preocupação é fazer um bom governo na Bahia. A função de presidente do partido exige uma disponibilidade de tempo incompatível com a agenda de um governador em primeiro mandato.” Déda ainda não se manifestou sobre o assunto.

 

Num ponto os governadores estão de acordo: a nova composição do comando do partido terá de respeitar a geografia das urnas. Acham que Bahia, Sergipe, Piauí, Pará e Acre credenciaram-se para reivindicar cargos na nova estrutura partidária, seja ela encabeçada por quem for.

 

O embate interno do PT foi eletrificado no final de semana. Reunidos em São Roque (SP), integrantes da atual direção decidiram reagir contra o documento “Mensagem ao Partido”. Nasceu de um texto de Tarso Genro, ao qual foram agregadas contribuições de três dezenas de petistas. Ressuscita a tese da “refundação” do PT.

 

Os governadores vão ao encontro de Salvador divididos em relação ao documento. Déda identificou-se com o texto. Wagner nem tanto. Embora ache que o PT deve se renovar e adotar mecanismos que o livrem de novas crises de cunho ético, não gosta do termo “refundação”.

 

Wagner tampouco aprecia a idéia, também contida no documento, de formação de “um novo campo político”, para se contrapor ao poderio do chamado “Campo Majoritário”, o grupo do deputado cassado José Dirceu. “Tenho minhas reflexões sobre a conjuntura do partido. Quem estiver pensando igual, a gente marcha junto. Depois, a vida continua. Não me parece adequado criar o embrião de uma nova tendência”, diz o governador da Bahia.

Escrito por Josias de Souza às 00h29

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Sumiram com mais um pedaço da história do porão

Deve-se ao repórter Mário Magalhães uma descoberta incômoda: sumiram com um naco da história dos porões da ditadura brasileira. Os arquivos do velho SNI, rebatizado de Abin, sofreram um processo de “limpeza”.  

Sabe-se, por ora, que passaram detergente num lote de “Apreciações Sumárias”, relatórios secretos produzidos sob Ernesto Geisel (1974-1979). Intui-se que, tendo apagado uma parte do papelório da repressão, a operação limpeza pode ter limpado outros registros históricos.

Para comprovar o malfeito, o repórter requisitou à Abin, em dezembro, cópias das tais “Apreciações Sumárias”. Em resposta, a agência de “inteligência” informou que enviara seus documentos ao Arquivo Nacional. Este, declarou que não recebeu os papéis.

Por uma dessas casualidades do destino, os documentos que a Abin e o Arquivo Nacional não conseguiram achar encontram-se disponíveis no CPDOC (Centro de Documentação de História Contemporânea do Brasil). Foram parar ali graças à doação que a filha de Geisel fez dos arquivos pessoais do pai.

Assim, descobre-se que, ao menos para uma parte da história da repressão, um decreto baixado em 2005 por Lula não passa de letra morta. Por esse decreto, o presidente determinou que todo o acervo do SNI fosse transferido ao Arquivo Nacional, onde seria aberto à consulta pública.

Fica boiando no ar uma outras dúvidas desconfortáveis: qual é a real extensão da “lavagem” documental? Quando foi feita? Sob a ditadura? Depois da redemocratização? Em meio a tantas incertezas, emerge uma verdade sólida: o esforço empreendido por alguns para esconder da nação páginas vergonhosas de sua história.

Vexame semelhante já havia sido protagonizado por um indefeso ministro da Defesa de Lula. Em 2004, confrontado com a requisição dos papéis secretos que o Exército produzira na época da guerrilha do Araguaia, José Viegas saiu-se com uma lorota indefensável: os documentos, disse ele, haviam sido incinerados.

“Imagino que isso tenha ocorrido nos anos 70 ou nos anos 80”, disse Viegas à época. O ministro esquecera-se de um detalhe: os manuais de contra-espionagem do Exército estabelecem regras estritas para a queima de papéis. Vigoram desde o início da década de 70. Constam de um manual que, atualizado ao longo dos anos, mantém a mesma política quanto aos arquivos secretos.

 A última versão é de 1994. Traz na capa a seguinte inscrição: "Instruções Gerais de Contra-Inteligência para o Exército Brasileiro". Dedica um tópico à "segurança na destruição". Estipula que "a destruição de documentos sigilosos deve ser centralizada, de forma a evitar desvios".

Meticuloso, o texto recomenda que "os documentos sejam triturados e depois queimados". Anota ainda que a queima deve ser precedida da "lavratura de um termo de destruição". Onde estão os “termos de destruição” dos papéis do Araguaia?, perguntou-se a Viegas. E ele: “Foram incinerados”. De lorota em lorota, vai-se escrevendo um anedotário de piadas sem graça.

Escrito por Josias de Souza às 16h01

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As manchetes deste domingo

- Folha: Importação reduz crescimento do país

- Estadão: Tesouro banca 87% da aposentadoria do servidor

- Globo: Receita multa por sonegação o presidente reeleito da Alerj

- Correio: A nova elite do Congresso

- Valor: Indústria do petróleo caça mão-de-obra especializada

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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E$tímulo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Para Tarso, PT não tem como fugir do debate ético

Para Tarso, PT não tem como fugir do debate ético

  Ricardo Nogueira/Folha Imagem
“Não podemos simplesmente apagar a nossa memória”, disse Tarso Genro em entrevista ao blog, na noite deste sábado (3). Para o ministro das Relações Institucionais, o PT não tem como fugir de um debate interno sobre os desvirtuamentos que produziram crises como a do mensalão. “A base do partido quer saber quem tem responsabilidades políticas”, disse.

 

Genro é autor da matriz do texto que deu origem a uma proposta de novos rumos para o PT. O documento, diz ele, incorpora contribuições de cerca de 30 petistas. Embora o texto critique métodos do chamado “Campo Majoritário”, integrado por José Dirceu, Genro refuta a tese de que se trate de um embate pessoal. Segue abaixo, subdividida em três textos, a entrevista do ministro:

 

- Qual é a origem do documento intitulado ”Mensagem ao Partido”?

O texto inicial foi feito por mim. Mas vários outros companheiros estão interagindo com o documento. Estão dando sugestões, agregando parágrafos. Hoje, temos 12 páginas. É uma produção coletiva.

- Quem são os co-autores?

São mais ou menos 30 pessoas do partido, do país inteiro.

- Qual é o objetivo do documento?

Nossa idéia é criar um novo espaço de diálogo no PT, que supere a dicotomia que preside as relações internas. Hoje, ou você é considerado uma pessoa da direita ou é da chamada esquerda do partido. Essa visão é equivocada. Não resolve as grandes questões partidárias e políticas que temos que enfrentar.

- Enfrentar os fantasmas da crise ética iniciada em 2005?

Não chamaria de fantasmas. Mas não há dúvida de que temos de enfrentar os problemas políticos que ocorreram. É algo que deve ser tratado como fato histórico. A grande maioria de nossa base ainda não tem um juízo sobre o que aconteceu.

- Refere-se ao caso do mensalão?

Refiro-me aos problemas todos, não só esse. A base não está informada sobre o que aconteceu. Não sabe que responsabilidades as pessoas tiveram, não conhece nem as suas justificativas. Os debates que passam pela imprensa são feitos no calor da hora. É necessário recuperar o que aconteceu. A base do PT quer saber quem tem responsabilidades políticas. Não estamos falando de responsabilidades penais.

- Mas responsabilidades penais também devem ser vistas, não?

Essas são tratadas em outras instâncias. Mas as questões políticas nós vamos ter que analisar, sem fazer pré-julgamentos, mas com profundidade. Ganhamos um voto de confiança quando, no calor da crise, nossa base foi em massa à votação que renovou a direção partidária. Ganhamos outro voto de confiança na reeleição do presidente Lula. Não podemos simplesmente apagar a nossa memória. Temos que estudar profundamente tudo o que ocorreu, para sairmos mais fortes desse processo.

- Revolver o passado reaviva feridas, não?

Não se trata, para nós que estamos numa fase de preparação para o congresso partidário [agendado para julho], de avaliar processos criminais. Trata-se de verificar métodos políticos, métodos de direção, relações partido-Estado. Não podemos deixar de fazer o debate sob a alegação de que isso está prejudicando o partido. Prejudica o partido é não debater, é obscurecer, é obstruir.

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Embate TarsoXDirceu é ‘caricatura’, diz ministro

Embate TarsoXDirceu é ‘caricatura’, diz ministro

- Parte do PT vê na “Mensagem ao Partido” um  embate Tarso X José Dirceu. É isso?

Essa é uma caricatura, que se origina de um núcleo que receia o debate. É um reducionismo que prepara o discurso da vitimização, quem sabe para contornar o debate programático, ético e político que o documento propõe.

- Quem quer fugir ao debate?

O documento não foi vazado por essas pessoas que o estão em elaborando. Tenta-se estabelecer um reducionismo, para, mais uma vez, obstruir o debate.

- A tensão causada pelo texto não o preocupa?

Não nos impressiona. O debate vai ser importante para o PT. Em alguns momentos vai ser tenso. Mas é necessário, para que o partido saia, ao final, fortalecido.

- O documento é contra o Campo Majoritário?

O texto vai ser assinado por pessoas que têm origem ou ainda são do Campo Majoritário. Será assinado também por intelectuais que estavam afastados da atividade partidária.

- Marilena Chauí?

A Marilena, a Maria Vitória Benevides... O Paul Singer deu uma contribuição substancial na parte do texto que trata de política econômica. O documento não é do Tarso. Devo ter redigido 20% dele. É uma iniciativa coletiva.

- Por que acha que se tenta reviver a disputa Tarso/Dirceu?

Quem está fazendo isso certamente tem vocação autoritária. Não é por meio de contenciosos pessoais que se resolvem os contenciosos políticos.

- Ao anotar que há obstrução do debate no PT, o documento critica o Campo Majoritário, não?

É evidente que há uma obstrução. E há uma critica, sim, ao Campo Majoritário. Mas é uma crítica que se baseia em fundamentos teóricos. Um dos fundamentos é o fechamento permanente que o Campo Majoritário fazia, realizando reuniões anteriores ao diretório nacional e impondo decisões por simples maioria, esgotando os assuntos sem um debate profundo.

- Essa obstrução continua sendo feita hoje?

Não creio que haja mais condições para que se reproduza esse comportamento, esse autoritarismo, essa tentativa de reduzir o debate a algumas pessoas ou a tática de simplesmente proceder vitimizações. Isso não vai mais obstruir o debate.

- Não será necessário fulanizar a discussão, para retirar do armário questões como o mensalão e o caso do dossiê?

Esses problemas não devem ser abordados no campo das grandes questões teóricas e dos princípios. Questões que envolvam pessoas têm que ser tratadas pelas comissões de ética do partido. Se elas não funcionam, é algo que o congresso partidário pode tratar, como princípio. Mas não fazer o julgamento de pessoas, incriminando-as. E também não cabe fazer o endeusamento de determinadas pessoas.

- Acha que estão tentando eudeusar o José Dirceu?

Não se trata de uma só pessoa. Trata-se de um método de fazer política. Personalizar o debate e não debater idéias é uma forma de endeusamento, que pode ser realizado a favor ou contra, certamente para obstruir os temas relevantes que temos que tratar.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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‘Defendo que tenhamos um novo grupo dirigente’

‘Defendo que tenhamos um novo grupo dirigente’

- O 3º Congresso de julho vai tratar da renovação da direção do PT?

É um tema do congresso. Essa renovação deve ser uma decorrência das posições teóricas e políticas vencedoras do encontro. Defendo que nós tenhamos um novo grupo dirigente, resultante de um acordo político de alto nível. Isso supõe uma direção mais plural, em que nenhuma corrente tenha hegemonia absoluta e que as posições centrais que o partido precisa recuperar sejam negociadas.

- Quando começa o processo de escolha dos nomes?

Isso vai ter que ser determinado pelo congresso, que irá decidir se o partido vai antecipar em um ano o seu processo eleitoral interno. Creio que o congresso vai recomendar isso. Os problemas que passamos nesse período não tiram a legitimidade da direção eleita [presidida por Ricardo Berzoini]. Mas seguramente recomendam que passemos a um novo patamar, para superar hábitos que se entranharam na nossa vida partidária de maneira equivocada.

- Seria um processo de oxigenação?

É um bom termo.

- Passa pela incorporar dos vitoriosos de 2006 [o PT elegeu três governadores no Nordeste e dois no Norte]?

Seguramente a direção do PT tem que ser mais federalizada do que é hoje. Não é adequado que a vida política do PT fique cingida aos grandes debates que se travam em São Paulo. Creio que esse eixo que faz o partido selecionar os elementos mais fortes da direção a partir de lideranças de São Paulo deve ser superado.

- O próximo presidente pode sair de fora de São Paulo?

Não seria nenhum espanto e, dependendo do nome, poderia até ser bom para o partido. Obviamente, não se deve cotejar o Estado de origem da pessoa, mas a sua qualidade política. E São Paulo também tem excelentes quadros.

- O Campo Majoritário prepara um documento para se contrapor ao texto que o sr. ajudou a elaborar. O que acha?

Acho natural. Assim como estamos fazendo essa mensagem, que eventualmente pode evoluir para uma tese, as outras posições serão refletidas em documentos, que também serão debatidos. Isso é bom. Partidos se constroem dessa maneira.

- Há no documento dos srs. a defesa do controle de capitais. Não é a antítese da linha adotada pelo governo Lula?

O documento fala de um certo controle do capital especulativo de curto prazo, uma medida pequena e muito restrita, ponderada. O que se tem que compreender é que as posições do PT não são obrigatórias para o presidente da República. São posições que o partido expõe nas suas relações políticas. E não há nenhum problema nisso. O partido não é uma extensão do governo e nem o governo está subordinado ao partido. As posições do PT podem ou não ser adotadas pelo governo e pelos demais partidos da coalizão. O PT precisa ter as suas posições sobre grandes questões.

- O documento será divulgado?

Sim.

-Quando?

Na próxima semana, provavelmente na quarta-feira.

Escrito por Josias de Souza às 01h28

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Lula inicia fase ‘mercúrio’ de seu segundo reinado

Lula inicia fase ‘mercúrio’ de seu segundo reinado

Lula II está na bica dar o apito inicial. Vive-se aquele instante que antecede os grandes jogos. O time se ajeita para a fotografia. PT, PMDB e as legendas mensaleiras, braços cruzados, perfilam-se atrás, em pé. PSB e PC do B acomodam-se na frente, de cócoras. A torcida deve preparar o coração. Vêm aí fortes emoções.

A troca de caneladas começou na partida preliminar. Deu-se nos gramados da Câmara. Opôs dois times governistas: o de Arlindo Chinaglia e o de Aldo Rebelo. Houve fraturas. Algumas delas expostas. Antes do jogo principal, dessa vez contra o time da oposição, Lula divide-se entre o comando técnico e o departamento médico.

O presidente anunciou, em timbre jocoso, que vai curar os ferimentos com mercúrio. Embora não tenha especificado, sabe-se que não será mercúrio-cromo (ou, para alguns, mercurocromo). Utilizará “mercúrio-cargo”. A julgar pelos gemidos da equipe, a dosagem terá de ser cavalar.

A cena que se prenuncia não é dignificante. Mas representa um avanço em relação ao passado recentíssimo. Recorreu-se, no primeiro mandato, ao doping da remuneração pecuniária de consciências parlamentares. Tenta-se agora a velha terapia, iniciada sob Sarney, aperfeiçoada sob Collor e levada às últimas conseqüências sob FHC.

 

Está entendido que a torcida não aceita mais prescrições à mensalão. Reconheça-se, porque é de justiça, que Lula lida com uma base congressual fisiológica. Sem cargos, suas propostas empacarão no Legislativo. Mas o governo ofende a inteligência do torcedor ao vender o lero-lero de que compôs uma coalizão programática.

 

Lula está às voltas com uma aliança de feições problemáticas. Poderia entrar em campo com a disposição de um zagueiro à antiga. Do tipo que mira o calcanhar do adversário já nas primeiras entradas. Só para deixar claro quem manda nos arredores da grande da área. Mas o seu time só funciona à base de afago$.

Os partidos governistas não vêem no retrato presidencial que pende da parede de todas as repartições públicas um Rembrandt imaculado. Longe disso. Os “aliados” enxergam no retrato, debaixo da barba nevada, uma cara capaz de comportar-se com a mesma desfaçatez dos antecessores. Os remotos e os mais recentes.

O que fazer? Lula deveria condicionar a nomeação de ministros e gestores de autarquias e estatais à qualidade das biografias dos indicados. O problema não está na entrega de guichês e cofres públicos aos partidos. A encrenca reside nas segundas intençõe$ que se escondem sob currículos indefensáveis.

Recorde-se, à guisa de exemplo, que, sob Lula I, o PTB de Roberto Jefferson plantou nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil, com a anuência de José Dirceu, o técnico de então, apadrinhados de reputação duvidosa. Conforme ficou evidenciado, não estavam interessados em promover o bem público.

Lula não tem pressa para acionar o apito. Algo que deixa o time irrequieto. A depender da escalação que está prestes a anunciar, o presidente pode ser compelido a auto-escalar-se para o gol. O segundo mandato pode converter-se num novo escândalo esperando para acontecer.

Escrito por Josias de Souza às 19h00

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Para presidir PMDB, Jobim terá de derrotar Temer

Lúcio Távora/Folha Imagem
 

Fortalecido pelo triunfo do petista Arlindo Chinaglia, que ajudou a construir, o deputado Michel Temer (SP) decidiu que disputar a reeleição à presidência do PMDB, o maior partido do consórcio governista. Com a decisão de Temer, foi ao telhado a pretensão de Nelson Jobim (RS) de comandar o PMDB a partir de março. Uma aspiração que conta com a simpatia de Lula.

Ex-presidente do STF, Jobim fora sondado, no final do ano passado, para ocupar o ministério da Justiça no segundo mandato de Lula. Refugou a oferta. Alegou que já ocupara a pasta sob FHC. E informou ao presidente sobre os seus planos de suceder Temer na presidência do PMDB.

Conforme noticiado aqui no blog, Jobim costura sua candidatura desde novembro de 2006. Parecia, à época, um candidato imbatível. Apresentava-se como único capaz de entregar uma mercadoria em falta no PMDB: a unidade partidária. Estava diante de um Temer derrotado, que acabara de descer do palanque presidencial de Geraldo Alckmin.

O próprio Temer reconhecia, em reserva, que não se sentia em condições de pleitear a recondução à presidência do PMDB. Nesse meio tempo, porém, o deputado julga ter costurado aquilo que Jobim prometia: a unidade.

Exceto por um grupo de quatro a seis senadores que, sob a liderança de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), se declaram em oposição a Lula, todo o resto do partido está agora reunido sob o manto do governismo. De resto, Temer jogou todas as suas fichas na costura da aliança PMDB-PT, que vitaminou a vitoriosa candidatura de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara.

Aquele Temer derrotado de novembro não existe mais. Depois de participar das três primeiras reuniões do conselho político do governo, que reúne os presidentes dos onze partidos que dão suporte a Lula, o deputado considera-se inteiramente inserido na nova cena do PMDB, agora majoritariamente governista.

Insuflado por deputados que integram o seu grupo político, Temer convenceu-se de que, depois de todo o esforço que empreendeu, não faz sentido entregar um PMDB reunificado de bandeja para Nelson Jobim. Daí a decisão de disputar a reeleição para a presidência do partido.

Resta agora saber se, confrontado com o novo cenário, Jobim aceitará arrostar uma disputa no diretório peemedebista, que se reunirá no próximo mês de março. Jobim trocara o conforto da vitaliciedade do STF pela refrega partidária, Movia-o a perspectiva de tornar-se o vice na chapa de Lula. A divisão do PMDB não deixou.

Recusou o retorno à pasta da Justiça. E passou a cultivar o sonho de presidir o maior partido do Congresso (90 deputados e 20 senadores). Desejava o papel de protagonista na costura das reformas que estão por vir, em especial a reforma política. Seu sonho subiu no telhado. O grupo de Temer julgar ter maioria para prevalecer numa eventual disputa no diretório.

Escrito por Josias de Souza às 17h53

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Cientistas prevêem futuro sombrio para a Terra

 

- Estadão: Aquecimento global é irreversível

 

- Globo: S.O.S. planeta

 

- Correio: Aquecimento global é irreversível, alerta ONU

 

- Valor: Indústria do petróleo caça mão-de-obra especializada

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h54

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Há males que vêm para pior!

Airon
 

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Documento de Tarso provoca guerra interna no PT

*Orlandeli
 

A uma semana de comemorar 27 anos de existência, o PT arrosta mais uma crise interna. Foi provocada por um documento escrito por Tarso Genro. Chama-se “Mensagem ao Partido”. No texto, o ministro das Relações Institucionais desanca o “Campo Majoritário” -tendência que comanda a legenda-, ressuscita a crise do mensalão e volta a esgrimir a tese de que só uma “refundação” autêntica recolocará nos trilhos o partido de Lula.

 

Abespinhados, líderes do “Campo Majoritário” pintaram-se para a guerra. A reação é comandada pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, cuja substituição é insinuada no texto de Genro. O contra-ataque virá na forma de um segundo documento. A redação final foi confiada a Marco Aurélio Garcia, devolvido à assessoria internacional de Lula depois de ter substituído Berzoini na presidência do partido durante a crise do dossiêgate.

 

A batalha dos documentos desaguará na próxima reunião do diretório nacional do PT. Será realizada em Salvador (BA), no dia 10 de fevereiro. Na noite da véspera, também na capital baiana, o PT festejará o 27º aniversário de sua fundação, num jantar com a presença de Lula. O presidente observa a encrenca à distância. Nos subterrâneos, dá corda a Tarso Genro. Mas evita envolver-se diretamente no arranca-rabo.

 

O documento de Tarso Genro está em sua terceira versão. A penúltima tinha cinco laudas. A última, que incorpora contribuições de luminares de correntes mais à esquerda do petismo, tem sete folhas. Foi vazada em termos ácidos. Afirma que o PT ainda não superou a crise ética que rói a sua reputação desde 2005. Uma crise, anota o documento, “de corrupção ética e programática.”

 

Não foi, nas palavras de Genro, algo “apenas conjuntural.” Não decorreu “apenas de desvios comportamentais.” Tampouco resultou de “meros abusos de poder e de confiança.” Foi provocada por “um modo de construção eleitoralista”, e pelo afastamento do PT “das organizações de base e do mundo do trabalho” e “da utopia socialista.”

O nome de José Dirceu (PT-SP) não é mencionado uma única vez. Tarso Genro chega mesmo a anotar que suas constatações não visam “incriminar indivíduos”. Mas a sombra do deputado cassado, chefe da “quadrilha dos 40”, nas palavras do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, perpassa o texto do ministro. Dirceu é sócio fundador do “Campo Majoritário”.

 

É ele o dínamo de uma crise que, para Genro, o PT “ainda não superou”. Na gênese do tufão, o ministro enxerga “a hegemonia absoluta de um núcleo dirigente que ditava as regras partidárias” em processo decisório “alheio às instâncias do partido.” A “grave crise ética e política”, escreve Genro, chega mesmo a “ameaçar a sobrevivência do PT.”

 

Para superar a crise, além da substituição da atual direção do PT, o ministro defende a formação do que chama de “novo campo político” no interior do PT. Uma maioria partidária capaz de oxigenar as relações internas e restabelecer o diálogo entre as diferentes tendências abrigadas sob o guarda-chuva da legenda. Como antídoto contra as “verbas não contabilizadas” da era Delúbio Soares, prega que o partido volte a se financiar “predominantemente” com as contribuições de seus filiados.

 

Nesta sexta-feira (2), em visita a São Paulo, o governador petista da Bahia, Jaques Wagner, anfitrião dos festejos do aniversário da legenda e da reunião do diretório da próxima semana, cruzou, no aeroporto, com Marco Aurélio Garcia. Foi informado de que o texto de Genro, entalado na garganta dos atuais gestores do PT, terá uma resposta à altura. Marco Aurélio encaminhava-se justamente para um encontro do "Campo Majoritário", alvo de Genro. Acontece neste sábado (3), em São Roque (SP).

 

A guerra de textos revive a atmosfera do segundo semestre de 2005. Uma época em que, nas pegadas do mensalão, Genro trocou o Ministério da Educação pela presidência interina do PT. Substituiu a José Genoino, cuja reputação fora sugada pela crise. Tentou, “refundar” o PT em meio à tormenta. Foi esmagado pelo grupo de José Dirceu. Tenta agora o revide.

 

Ao ler o texto de Genro, Dirceu disse a um petista de sua confiança que o ministro vai grudar à sua biografia mais uma coça. Do resultado do enfrentamento depende o futuro do PT. Um futuro que a legenda tentará desenhar num Congresso partidário programado para julho.

 

*A ilustração do texto é do sítio do genial Orlandeli. Visite.    

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Lula confirma: ministério virá sem nenhuma pressa

 

 

Conforme antecipado aqui no blog, há dois dias, Lula não está nem aí para a pressa dos políticos em partilhar os cargos da engrenagem pública. Para desassossego do consórcio governista, o presidente afirmou nesta sexta-feira (2) que o anúncio do novo ministério não virá tão cedo.

 

Em privado, Lula dissera que o ministério seria anunciado pouco antes ou até depois do Carnaval. Em sua manifestação pública, evitou fixar datas: "Não começa na segunda-feira, eu não tenho pressa de fazer a reforma... Em algum momento eu vou começar a chamar os partidos políticos e discutir as mudanças que tenho de fazer no governo.”

 

Diferentemente de Lula, os partidos da dita coalizão têm pressa. Muita pressa. Mais: as fissuras abertas com a disputa na Câmara aumentaram a fome por cargos. O preço da composição aumentou. O presidente, que na véspera dissera que trataria as feridas com “mercúrio”, agora minimiza a chaga.

 

"A base [governista] volta a se reunir, não tem ferida, se houver alguma rusga por conta da disputa ela será consertada pela nossa tradição de convivência democrática", disse Lula. "Se considerarmos a somatória dos votos do primeiro turno [Aldo e Chinaglia tiveram, juntos, 411 votos], esse é o potencial de votos que temos dentro da Câmara dos Deputados".

 

A exemplo de Lula, também o eleito Arlindo Chinaglia trata com menoscabo o alarido em torno das fissuras abertas na seara governista. Diz que houve apenas “uma discreta canelada”. Seja como for, convém a Lula realizar uma conta de subtração. Aldo Rebelo foi à disputa com o apoio do PFL. Não consta que a pefelândia tenha se convertido ao governismo.

 

Quanto aos outros votos, a adesão dependerá da repartição dos cargos. Sem pressa, por favor. Deixa o homem articular!

Escrito por Josias de Souza às 17h38

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‘Estamos coesos na oposição, afirma líder do PSDB

 

Menos de 24 horas depois de ter liberado a bancada de deputados tucanos para votar em Arlindo Chinaglia (PT) na disputa pela presidência da Câmara, o líder do PSDB, Antonio Carlos Pannunzio refutou a versão de que o partido estaria na corda bamba, hesitando entre o oposicionismo severo e o governismo moderado: “Esteja certo de que o partido, mais do que nunca, está coeso e consciente do sua responsabilidade como força de oposição ao governo.”

 

Em conversa com o blog, Pannunzio disse que os movimentos para a composição da Mesa diretora da Câmara nada têm a ver com a posicionamento do tucanato em relação ao governo Lula. Informa que entrará em contato com os líderes do PFL e do PPS para acertar a ação oposicionista conjunta das três legendas. “Nutro a expectativa de trabalhar em muita proximidade com PFL e PPS”, afirmou.

 

Pannunzio conta que a decisão de liberar os deputados do PSDB fora tomada na terça-feira (30), dois dias antes da eleição na Câmara. Deu-se numa reunião do líder com a bancada tucana. Analisaram-se os cenários da disputa. E deliberou-se que, se Gustavo Fruet (PSDB-PR) não passasse ao segundo round, cada deputado poderia optar livremente entre Chinaglia e Aldo, “faces de uma mesma moeda” governista.

 

Pelas contas de Pannunzio, a maioria dos 63 deputados tucanos votou em Aldo. Estima que algo como 20 a 25 tenham optado por Chinaglia. Foi o bastante para definir a eleição. Chinaglia prevaleceu sobre Aldo com uma diferença de escassos 18 votos.

 

O líder do PSDB reconhece que a acomodação do deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG) na primeira vice-presidência da Câmara tonificou a simpatia de parte do tucanato por Chinaglia. PT e PMDB tinham a preferência na indicação do vice-presidente da Casa. E abriram mão em favor de Nárcio, um tucano que segue a liderança do governador Aécio Neves (MG).

 

“Eles tiveram a sabedoria de preservar o espaço para que nós tivéssemos participação na Mesa”, disse Pannunzio. “Isso contribui para a harmonia e para a governança interna do Legislativo. Não tem nada a ver co