As passarelas do mundo neste comecinho de 2007
Vahid Salemi/AP
Aos pouquinhos, o universo da moda vai tirando vantagem das facilidades proporcionadas pela internet. Os desfiles de alta costura de Paris, por exemplo, sempre foram coisa para privilegiados. Na última semana, Giorgio Armani, mago das agulhas, inovou. Transmitiu ao vivo, pelo msn, o seu concorrido desfile.
“A alta costura sempre esteve fechada para poucos e agora podemos democratizá-la por meio da internet”, diz Armani. Quem viu, viu. Quem não viu, não vê mais. O signatário do blog procurou na rede um vídeo com a reprise da exibição dos panos chiques de Armani. A busca foi inglória.
Como compensação aos 22 leitores deste recanto virtual, o repórter sugere o desperdício deste resto de noite de sábado numa visita à galeria de fotos organizada pelo sítio espanhol Telecinco. As imagens mostram um apanhado do passeia sobre as passarelas do mundo neste início de 2007.
Há trajes únicos, como este exibido acima, captado num desfile em Teerã. Além da capital iraniana, o passeio virtual percorre Barcelona, Milão, Tóquio, Hong Kong e Rio. Não deixe de dar uma olhada. Uma coisa o repórter garante: você verá semblantes bem mais vistosos do que as caras dos personagens que costumam aparecer por aqui. Não há ninguém parecido com Chinaglia, Aldo ou Fruit.
Escrito por Josias de Souza às 19h13
O gênio do Palácio da Alvorada

Ponha-se, por um instante nos sapatos de outra pessoa. Suponha que você se chama Lula da Silva. Mora no Brasil. Cresceu em meio à privação. Foi à luta. Driblou as adversidades. Aprendeu um ofício. Aventurou-se no meio sindical. Liderou greves memoráveis. Vergou a ditadura. Fundou um partido político. Uma legenda ascética.
Suponha que você fracassou em três tentativas de tornar-se presidente. Tropeçou no preconceito. Foi vítima de uma farsa (Collor) e de duas decepções (FHC 1 e FHC 2). Sacudiu a poeira. Manteve-se na luta.
Suponha que, em 2002, caminhando displicentemente por uma rua de São Bernardo, você tropeçou numa lâmpada mágica. Dela saltou um gênio. Disse-lhe que poderia pedir qualquer coisa. A vida eterna, a mulher dos sonhos... Qualquer coisa.
Suponha que você pensou em pedir a 'ressurreição' de Brigitte Bardot, em sua fase juvenil. Mas acabou pedindo a presidência da República. Queria mudar o país. O gênio ajeitou as coisas. Deu-lhe o Alencar de vice, o Duda para o marketing e o Serra como adversário.
Suponha que você se elegeu presidente. Por um desses caprichos do destino, você não mudou grande coisa. Na economia, manteve a linha Malan. Para complicar, seu partido meteu-o em escândalos em série. Você perdeu o braço direito, o esquerdo...
Suponha que, no instante em que seu partido preparava-se para podar-lhe as pernas, o gênio ressurgiu na sua frente. Prontificou-se a atender um segundo desejo. Você não teve dúvidas. Sapecou: “A reeleição, quero a reeleição.”
Suponha que o gênio ajeitou as coisas. Tirou o dossiê do caminho. Iluminou o João Santana. Inspirou-o a realçar o Bolsa Família na TV. Orientou-o a jogar no caminho de Geraldo Alckmin a casca de banana da privatização. Você lavou a alma nas urnas.
Suponha que o gênio, numa noite fria e seca de Brasília, reapareceu na biblioteca do Alvorada. Ofereceu-lhe um terceiro e último pedido. Você entregou a ele uma papelada recolhida na escrivaninha. “O que é isso?”, perguntou o gênio. E você: “São as sete medidas provisórias e os cinco projetos de lei do PAC.”
Suponha que o gênio abespinhou-se: “PAC?!?!” Você tentou acalmá-lo. “Sim, o PAC, programa de aceleração do crescimento. É a aposta da minha vida, a redenção da minha biografia. Desejo que você me dê PIBs de pelo menos 5%.”
Suponha que o gênio impacientou-se. “Quer dizer que eu te dei a reeleição para isso? Mágica tem limites! Você não precisa de gênios. Procure o Sarney, o Renan... Entenda-se com o Temer. Agarre-se ao PMDB.” Enfiando-se de volta na lâmpada, o gênio balbuciou: “Ora, francamente.”
Suponha que você sabe que o gênio não volta mais. O que fazer? Rezar? Reforçar a cota ministerial do PMDB? Ou arrepender-se de ter perdido a Brigitte Bardot?
Escrito por Josias de Souza às 18h05
Ricardo Stuckert/PR
“Serei o mercador do PAC, o garoto-propaganda do programa”, disse Lula a um auxiliar na última quinta-feira. Para “vender” o seu Plano de Aceleração do Crescimento, o presidente decidiu repetir a tática que usou no ano passado, para arrebanhar votos na campanha reeleitoral. Vai visitar obras. “Uma atrás da outra, três ou quatro por mês”, segundo afirmou.
Lula tem pressa. Começa a correr o país já na próxima semana. Deve visitar pelo menos quatro Estados. Em todos eles participará de solenidades relacionadas a obras incluídas no plano de investimentos do PAC. Foi o modo que encontrou de se contrapor ao discurso ácido com que alguns governadores vêm se referindo ao plano que anunciou na última segunda-feira (22).
Entre os mais críticos está o tucano José Serra (PSDB). O governador de São Paulo tachou as medidas do PAC de “fracas” e “vazias”. Disse que não produzirão a onda de crescimento econômico antevista pelo governo –4,5% em 2007 e 5% ao ano até 2010. Pois bem, São Paulo é um dos Estados que Lula visitará neste primeiro périplo da “caravana do investimento”, como um auxiliar do presidente refere-se ao ciclo de viagens.
Será na sexta-feira (2 de fevereiro). No final da manhã, Lula vai “inaugurar” a pedra fundamental de uma usina de polipropileno da Petrobras na cidade de Paulínea –uma das mais de cem obras listadas no PAC. Antes, de “pisar o calo de Serra”, o presidente massageará o ego no Nordeste. Percorrerá, provavelmente na quarta-feira (24), três Estados governados por aliados do PSB.
Vai à Pernambuco do governador Eduardo Campos (PSB), ao Rio Grande do Norte de Vilma Faria e ao Ceará de Cid Gomes. Os três são entusiastas do PAS. Enxergam no pacote a perspectiva de uma derrama de verbas federais em suas searas.
“Não estamos interessados nem no jogo de perde-ganha nem no jogo de perde-perde. O nosso jogo é o do ganha-ganha”, diz, por exemplo Eduardo Campos, que espera obter para o seu Estado, nos próximos quatro anos, algo como R$ 21 bilhões. Ele acompanhará Lula numa visita ao porto pernambucano de Suape. Ali, serão assinados contratos para a construção de uma dezena de navios da Transpetro, subsidiária da Petrobras.
Com suas viagens, Lula espera popularizar o PAC junto à sociedade. Quer criar na cabeça do brasileiro a idéia de que o plano nem é “fraco” nem é “vazio”, como dizem os críticos à José Serra. Seria, ao contrário, "forte" e "consistente", com obras bem definidas e dinheiro reservado.
As viagens do presidente não constituem segurança de que o crescimento econômico virá na proporção imaginada pelo governo. Mas, como estratégica de marketing, tendem a surtir efeito. Lula aproveita-se de investimentos que, com ou sem o PAC, já constavam do cronograma de investimentos de estatais como a Petrobras.
Escrito por Josias de Souza às 17h41
*Orlandeli
Um incômodo mistério ronda a cratera do metrô paulistano. Por que o governo de São Paulo não fiscalizava as obras? Titular do Palácio dos Bandeirantes na época da contratação do consórcio de empreiteiras, Geraldo Alckmin (PSDB) acomodou a encrenca no colo do Banco Mundial. Foi, porém, desmentido por um diretor do banco.
Eis a versão de Alckmin: co-financiador da obra, o Banco Mundial teria determinado que o contrato da linha 4 do metrô seguisse o modelo “porteira fechada” ou "chave na mão". Funciona assim: acertados o preço e o dia da entrega, o contratante confere autonomia plena aos contratados. Nada de problemas ou despesas extras. Só quer saber da obra pronta. Delega-se aos construtores até a tarefa de fiscalizar a si mesmos.
Como casamento de princesa com dragão é coisa pouco encontradiça, fez-se necessário ouvir a versão do Banco Mundial. Chama-se Jorge Rebelo o diretor da instituição que cuida dos negócios relativos ao metrô. Ele desdisse Alckmin. Afirmou que o Banco mundial nem exigiu nem recomendou coisa nenhuma.
Rebelo não chega a livrar a cara do Banco Mundial. Mas também não hesita em arrastar Alckmin e seu ex-governo para o fundo da cratera: "O tipo de contrato usado em cada processo de licitação é definido em comum acordo entre o banco e o prestatário [aquele que toma o empréstimo, no caso, o governo de São Paulo] durante a preparação e negociação do empréstimo", disse ele.
Segundo Rebelo, o projeto da linha 4 do metrô “vinha sendo estudado há mais de dez anos”. E o modelo de contrato “foi julgado o mais apropriado por todos os envolvidos."
A obra feita sob a modalidade " chave na mão" é, de fato, o sonho de todo governador. O sujeito contrata a inaguração, vai à sombra, e só volta na hora de cortar a fita. O diabo é há mais armadilhas entre o céu e a Terra do que supõe a esperteza. E a mágica, quando resolve cobrar o seu preço, não deixa barato.
O tucanato, agora representado por José Serra, teve de voltar ao buraco antes do dia em que seria descerrada a placa. Encontrou, além do vexame, sete cadáveres. E começou o jogo de esconde-esconde.
*Ilustração do sítio do ilustrador Orlandeli.com. Nao deixe de visitar.
Escrito por Josias de Souza às 12h11

- Folha: Déficit da Previdência é política social, diz Lula
- Estadão: Rombo da Previdência é política social, diz Lula
- Globo: Lula diz que crescimento agora, 'ou vai ou racha'
- Correio: Polícia do DF escapa do arrocho de Lula
- Valor: Cade enterra 'esqueletos' de processos sem provas
Leia os destaques de capa dos jornais deste sábado.
Escrito por Josias de Souza às 01h53
Airon
Escrito por Josias de Souza às 01h43
Depois de ter sido inocentado por seus pares, no Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB), foi indiciado, nesta sexta-feira (26), pela Polícia Federal. O senador é acusado de envolvimento com a máfia das sanguessugas. Indiciou-se também, pela mesma razão, a deputada Celcita Pinheiro (PFL-MT). Outra que havia sido inocentada pela corporação parlamentar, dessa vez na Câmara.
Intimados, Suassuna e Celcita foram inquiridos pela PF. O indiciamento foi feito na seqüência, a pedido de delegados que compõem uma força tarefa da polícia, escalada para escarafunchar o caso da troca de emendas orçamentárias destinadas à compra de ambulâncias por propinas.
O senador e a deputada tiveram seus nomes inscritos no relatório da CPI das sanguessugas. Sugeriu-se a abertura de processos para a cassação de seus mandatos. Ambos se livraram, porém, da guilhotina. Nenhum dos dois foi reeleito nas eleições legislativas do ano passado. Significa dizer que, a partir de 31 de janeiro, perdem o direito ao foro privilegiado.
Assim, em vez de seguir para o STF, os processos contra Suassuna e Celcita serão remetidos para juízes de primeira instância. Instado a comentar a decisão da PF, o quase ex-senador alegou que, como não fora comunicado acerca do indiciamento, nada diria. A futura ex-deputada não foi localizada.
Contra Suassuna, pesa a acusação de ter destacado assessores de seu gabinete para negociar emendas com Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia que superfaturava ambulâncias. Acusa-se o senador de ter recebido R$ 240 mil em propinas. Algo que ele nega. De pés juntos.
Quanto a Celcita, o próprio Luiz Vedoin disse, em depoimento à Justiça Federal, que deu R$ 50 mil, em 2002, à deputada. O dinheiro teria irrigado as arcas eleitorais do comitê de campanha de Celcita. O mimo foi materializado em dois chegues de R$ 25 mil, da empresa Santa Maria, pertencente à família Vedoin.
Há 84 congressistas encrencados no escândalo das ambulâncias. Desse total, a Polícia Federal já indiciou 16. Nenhum deles foi reeleito em 2006. Ou seja, todos serão submetidos ao crivo da primeira instância do Judiciário. Espera-se que, no curso do processo, a Viúva consiga reaver ao menos parte do que $umiu de sua bolsa.
Escrito por Josias de Souza às 01h27
TSE reinicia apuração do dossiêgate em cinco dias
O Tribunal Superior Eleitoral retoma na próxima quinta-feira, dia 1º de fevereiro, a investigação judicial aberta no ano passado contra Lula. Tenta-se apurar se houve abuso de poder econômico e de autoridade no caso da tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.
Aberta em 19 de setembro de 2006, a pedido da coligação PSDB-PFL, a investigação teve de ser interrompida no final de dezembro, por conta do recesso do Judiciário. De volta ao trabalho na próxima semana, o corregedor-geral eleitoral do TSE, ministro Cesar Asfor Rocha (foto), que cuida do caso, irá notificar os acusados, para que apresentem defesa por escrito.
Encontram-se sob investigação, além de Lula, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça); o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT; e os petistas que se envolveram no dossiêgate, aqueles que o presidente apelidara de “aloprados”.
O ministro Asfor Rocha informou ao blog, nesta sexta-feira (27), que, além da notificação aos acusados, vai intimar as testemunhas arroladas no processo. Serão inquiridas pessoalmente, não por escrito. A lista inclui, entre outros, o procurador Mário Lúcio Avelar; o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda e o delegado Edmilson Bruno, que divulgou, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, as fotos do dinheiro (R$ 1,7 milhão) que seria usado na compra do dossiê.
A investigação do TSE foi retardada graças a um recurso protocolado no TSE pela coligação PSDB-PFL. Ao abrir o processo, o ministro Asfor Rocha requisitara à PF cópias dos documentos produzidos na investigação criminal do dossiêgate. Para evitar vazamentos, determinou que os dados fossem protegidos pelo segredo de justiça.
PSDB e PFL recorreram da decisão. Pediram que os dados fossem abertos. Asfor Rocha negou. Os partidos agravaram a decisão. Instado a manifestar-se, o plenário do TSE decidiu, por cinco votos contra dois, derrubar o sigilo judicial.
Diante da decisão, os advogados dos acusados, que já haviam apresentado suas defesas, pediram novo prazo. Alegaram que, à luz dos dados enviado pela PF, poderiam apresentar novos elementos de defesa. Asfor Rocha assentiu. E o desfecho do processo teve de ser adiado.
Nesse meio tempo, a PF concluiu o inquérito criminal. Lula foi isentado. Berzoini também. Entre os aloprados, indicaram-se só três: Valdebran Padilha e Gedimar Passos, presos com o dinheiro do dossiê; e Hamilton Lacerda, acusado de ter transportado os recursos.
O blog perguntou ao ministro Asfor Rocha se as conclusões da PF não prejudicam a investigação do TSE. E ele: “Não. Os objetivos são distintos. O inquérito da PF era criminal. O TSE apura eventuais implicações eleitorais. Uma coisa não tem, necessariamente, interferência direta sobre a outra.”
O repórter quis saber se, a essa altura, já reempossado, Lula ainda seria passível de eventual punição. E o ministro, cauteloso: “Peço desculpas, mas não posso fazer projeções sobre isso.”
Falando “em tese”, o ministro limitou-se a esclarecer que, em caso hipotético de comprovação de culpa, a lei não prevê apenas a cassação do diploma ou a perda do mandato do político eleito. Há outras penas, mais brandas, que ele não especificou. De resto, os envolvidos que não detêm mandatos eletivos, podem, se comprovada a culpa, amargar a perda dos direitos políticos.
Prevê-se que o julgamento final se dará em três meses. O advogado José Antonio Toffoli, que representa Lula no TSE, está tranqüilo quanto à isenção do presidente. Vem argumentando que, pela jurisprudência do tribunal, o abuso só se configura se ficar comprovado que o candidato se beneficiou dele, o que não teria ocorrido no dossiêgate.
Escrito por Josias de Souza às 00h53
Folha Imagem
Além do questionada no STF por duas centrais sindicais, a medida provisória que autoriza o uso de recursos do FGTS em projetos de infra-estrutura enfrenta forte resistência no Congresso. Os três maiores partidos do Legislativo –PSDB, PFL e até o governista PMDB—fazem restrições à providência.
A oposição planeja simplesmente derrubar a medida provisória do FGTS. O PMDB vai fala em aperfeiçoá-la. O presidente da legenda, Michel Temer (SP), pretende sugerir ao governo a reedição da MP. Acha que a resistência que já se esboça no Congresso seria contornada se o governo incluísse na medida uma espécie de seguro.
Neste caso, se o rendimento dos investimentos fosse menor do que o das aplicações financeiras que asseguram a rentabilidade do FGTS, o governo se comprometeria a cobrir a diferença. Com ou sem seguro, tucanos e pefelistas torcem o nariz para a idéia de apropriar recursos do patrimônio dos trabalhadores para investimentos de risco.
No caso do PSDB, a decisão de se opor à medida foi referendada pela Executiva do partido. “Vamos votar contra”, diz Tasso Jereissati (CE), presidente do partido. No caso do PFL, o tema vai à Executiva no próximo dia 29. Desde já, o líder pefelista no Senado, Agripino Maia (RN), se antecipa: “Esse tema está sob apreciação judicial. Não se moverá uma palha aqui no Congresso enquanto o Supremo não se pronunciar a respeito da ação movida pelas centrais sindicais (CGT e Força Sindical).”
Entre os oposicionistas, a aversão não se restringe ao uso do FGTS, que começará com R$ 5 bilhões e pode chegar, segundo estima o governo a R$ 17 bilhões. PSDB e PFL avaliam que todo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da forma como foi concebido, não irá resultar nos 5% de crescimento do PIB pretendidos pelo governo.
“O exercício de futurologia não encontra respaldo nas medidas”, diz Agripino Maia. “O governo esquivou-se de enfrentar a questão central: as reformas estruturais da economia. Não tratou nem da reforma da Previdência nem da reforma trabalhista. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) agora diz que nem a reforma política é essencial para o governo”.
Lula reúne o conselho político da coalizão (onze partidos governistas) na próxima terça-feira (30), antevéspera das eleições para as presidências da Câmara e do Senado. O presidente vai cobrar fidelidade dos governistas na votação do PAC. A medida provisória do FGTS tornou-se um tema incontornável do encontro.
Escrito por Josias de Souza às 19h28
Formiga vermelha sob risco de extinção na Europa
S.Gschmeissner/Efe
O Reino Unido vive um drama. A formiga vermelha (na foto, em preto e branco) está ameaçada de extinção. Conhecido cientificamente como “formica rufibarbis”, o inseto costuma freqüentar o subsolo da Europa –de Portugal à Rússia. Alarmada com o risco de sumiço perpétuo, a Sociedade Zoológica de Londres amealhou 75 mil euros numa campanha para tentar salvar a formiga vermelha.
No Brasil, há um espécime parecido. Aproxima-se da “formica rufibarbis” pela coloração avermelhada. Sob Lula, a colônia vicejou. Passou a sacudir as antenas, freneticamente, nos subterrâneos do Congresso e da Esplanada dos Ministérios. Diferentemente da formiga britânica, a brasileira não padece o risco de extinção. Bem ao contrário. A colônia nacional está às voltas com um programa de aceleração do crescimento.
Escrito por Josias de Souza às 15h41
Marlene Bérgamo/Folha Imagem
O fantasma do dossiêgate continua assombrando o PT. O partido reúne na segunda feira a sua Executiva Nacional. Será a primeira reunião depois da volta de Ricardo Berzoini ao comando do partido. Na pauta, uma pergunta constrangedora: o que fazer com Oswaldo Bargas e Expedito Veloso? Há duas propostas sobre a mesa: a abertura de processo disciplinar para expulsar a dupla e a reintegração de ambos aos quadros partidários.
Bargas e Veloso protagonizaram, no ano passado, o escândalo da tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Integravam o birô de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula. Recrutara-os o próprio Ricardo Berzoini. Bargas fora secretário do Ministério do Trabalho, na gestão de Berzoini. Veloso integrava a diretoria do Banco do Brasil.
Em 6 de outubro de 2006, antes do segundo turno da eleição presidencial, o PT produziu uma pantomima. Tentava-se impedir que o escândalo prejudicasse a campanha de Lula. Berzoini pediu licença da presidência do PT. Foi substituído por Marco Aurélio Garcia.
Em entrevista, Marco Aurélio anunciou, depois de uma reunião da Executiva petista, a expulsão dos “aloprados”, como Lula se referira aos negociadores do dossiêgate. Entre os expulsos estavam Bargas e Veloso.
Naquele dia, Marco Aurélio soou categórico: "Os filiados que assim agiram [no episódio do dossiê] colocaram-se, na prática, fora do partido. E, por decisão da Executiva Nacional, estão politicamente expulsos do PT." Era mentira.
Até hoje, nenhum dos “aloprados” foi levado à comissão de ética do PT. Alguns deles desligaram-se espontaneamente do partido. Bargas e Veloso bateram o pé. Ainda ostentam a condição de filiados. De volta à presidência do partido, Berzoini defende, nos bastidores, que os dois sejam declarados inocentes e reintegrados ao cotidiano partidário.
Integrantes de tendências esquerdistas abrigadas sob o guarda-chuva do PT pensam de maneira diversa. Acham que, a despeito de não terem sido incluídos no rol de indicados da Polícia Federal, os “aloprados” devem ser submetidos a um julgamento interno. Esse naco do petismo não engoliu nem mesmo o retorno de Berzoini. Atribuem ao deputado “responsabilidade política” pelo dossiêgate.
Berzoini dá de ombros para o ambiente de suspeição que o cerca. Disse há pouco, em entrevista à rádio CBN, o seguinte: “Se me sentisse constrangido não teria voltado [à presidência do partido]. Me sinto tranqüilo diante desse tema.”
Instado a comentar a situação de Bargas e Veloso, Berzoini esquivou-se: “Não podemos antecipar posições, sob pena de ferirmos as normas regimentais internas do partido.” Como se vê, a “expulsão” anunciada por Marco Aurélio em outubro era jogo de cena eleitoral.
Os “aloprados” converteram-se em mais um esqueleto no armário de escândalos do PT. O mesmo armário que guarda a proposta de julgamento dos mensaleiros da legenda, aprovada pela mesma executiva em abril de 2006. Empurra-se com a barriga, uma vez mais, a ansiada reforma do partido. Uma reforma que, no dia do segundo turno da eleição, 29 de outubro, Marco Aurélio prometera que seria profunda.
Escrito por Josias de Souza às 15h02
Leonardo Wen/Folha Imagem
Nada de R$ 24.500 mensais. Agora, os três candidatos à presidência da Câmara defendem que os vencimentos dos congressistas sejam corrigidos pela inflação. A começar de Aldo Rebelo (PC do B) e Arlindo Chinaglia (PT), que, em dezembro, levaram as digitais à tentativa de tonificar os próprios contracheques em 90,7%.
Ao menos na retórica, Rebelo e Chinaglia aproximaram-se de Gustavo Fruet (PSDB), contrário ao mega-reajuste desde o início. As opiniões dos três se tocaram durante um debate realizado nesta sexta-feira (26), sob o patrocínio da Folha.
Retirando-se a pedra dos salários do caminho, a diferença entre os candidatos ficou quase tão imperceptível quanto roupa feminina em desfile de escola de samba.
Todos a favor da transparência nos gastos, a favor da independência do Legislativo, a favor da limitação das medidas provisórias, a favor do chope gelado. Todos contra a impunidade, contra a lassidão na análise do
Orçamento da União, contra o absenteísmo parlamentar e contra o câncer.
Lero vai, lero vem, divergiram na margem –a fidelidade partidária e o voto aberto, por exemplo. De resto, deu-se o esperado. Fruet, um franco-atirador da terceira via, abriu mais o peito. Rebelo e Chinaglia, preocupados em agradar o eleitorado da Câmara, mediram as palavras em centímetros.
Haverá novo debate na segunda (29). Será transmitido pela rádio e pela TV Câmara. Convém acompanhar o blábláblá com um pé atrás. Em política, como se sabe, o que se diz em público vale menos do que o que se ouve sem querer.
Considere-se, por exemplo, a questão salarial. Quem percorre os corredores da Câmara ouve um zumzumzum diferente do palavrório formal. Ali, partidários de Rebelo e de Chinaglia afirmam que, eleito um dos dois, a história da nova legislatura começará a ser escrita da última página produzida pela velha.
A caligrafia será retomada na altura do aumento de 90,7%, momentaneamente brecado pelo STF. O tema voltará à mesa pelas mãos da maioria dos líderes partidários.
Escrito por Josias de Souza às 13h37

- Folha: Dilma afirma que PAC é "dinheiro público na veia"
- Estadão: Serra ataca plano de Lula e pede ação dos governadores
- Globo: Comércio do Rio gasta R$ 2,6 bi com segurança
- Correio: GDF corta hora extra e imóveis funcionais
- Valor: Cade enterra 'esqueletos' de processos sem provas
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h30
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h04

A Esplanada dos Ministérios é menor do que a ambição dos partidos governistas
O consórcio governista está em polvorosa. A demora de Lula em distribuir os ministérios deixa inquietos os deputados e senadores governistas. Líderes das legendas governistas avaliam, em privado, que o presidente conduz mal a recomposição de sua equipe.
Lula faz chegar aos partidos um recado: quer garantias de apoio ao recém-lançado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) antes de ratear os cargos. No Congresso, diz-se que o presidente alimenta uma ilusão. Os cargos devem vir antes do apoio, não o contrário.
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) convocou para a próxima terça-feira (30) o conselho político. Integram-no os dez partidos da coalizão. Lula quer arrancar dos partidos, já nesse encontro, o compromisso de suporte congressual. Ouvido pelo blog, um dirigente partidário previu, em reserva, o que vai acontecer.
“É obvio que os partidos não vão se opor ao PAC. No máximo, haverá uma ou outra sugestão de mudança pontual. Mas as promessas de apoio serão meramente retóricas. Se os partidos, mais tarde, se julgarem desatendidos na composição do ministério, a unidade da coalizão, que já é precária, vai ruir em dois tempos.”
A inquietude é maior no PMDB, justamente o partido que o Planalto tenta transformar em esteio da coalizão. Trava-se nos subterrâneos da legenda uma queda-de-braço entre as bancadas da Câmara (90 depitados) e do Senado (20 senadores), as maiores do Congresso. A pacificação custará a Lula cinco ministérios –os três que já são controlados pela legenda e mais dois.
Lula tem outros planos. Tenciona entregar ao PMDB apenas uma pasta além das três já confiadas ao partido. É pouco, avaliam os deputados. Desenvolve-se entre os peemedebistas da Câmara um raciocínio numérico. Diz-se que o Ministério das Minas e Energia, hoje gerido por Silas Rondeau, é do senador José Sarney (PMDB-AP). O das Comunicações, ocupado por Hélio Costa, é do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O da Saúde, entregue a Agenor Álvares não é de ninguém.
Álvares sucedeu na Saúde ao deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), que deixou o cargo para concorrer às eleições do ano passado. Os deputados peemedebistas não o reconhecem como um representante do partido. Querem indicar outro nome. E, para “corrigir” a “defasagem” em relação ao Senado (Sarney e Renan), reivindicam mais duas pastas. Uma delas é a dos Transportes. Outro problema para Lula.
Nos Transportes, o presidente quer reacomodar Alfredo Nascimento, do PR (ex-PL). Ele também deixou a pasta no ano passado, para concorrer ao Senado. Elegeu-se pelo Amazonas. Lula gosta de Nascimento. E o quer de volta. Preterindo-o, contentará o PMDB. Mas comprará briga com o PR, hoje com 20 deputados.
Lula tem problemas também com o PT. Anunciara a intenção de encurtar os espaços de seu partido na Esplanada. Acha que a eventual eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara vai facilitar-lhe a vida. Engano. O petismo avalia que, elegendo Chinaglia, ganha musculatura para reivindicar a manutenção e até a ampliação de seu quinhão no ministério.
Para complicar um pouco mais: partidos situados à esquerda da coalizão torcem o nariz para o olho grande de PMDB e PT. O PSB, que no primeiro mandato controlou a pasta da Ciência e Tecnologia (Eduardo Campos) e a da Integração Nacional (Ciro Gomes), gostaria de ocupar um terceiro ministério. Até o minúsculo PC do B, que mantém nos Esportes o apadrinhado Orlando Silva Jr., ambiciona mais um lugar na Esplanada. Há, de resto, a necessidade de abrir espaço para os noviços do governismo, como PDT. É ambição demais para pouco cargo.
Escrito por Josias de Souza às 01h43
Roosewelt Pinheiro/ABr
Desenha-se sob Lula II o mesmo tipo de encrenca que conturbara o primeiro reinado. A economia ainda não cresceu. Mas a desarmonia entre desenvolvimentistas e monetaristas cresce que é uma maravilha.
De um lado, Guido Mantega e Dilma Rousseff. Do outro, Henrique Meirelles e a diretoria do Banco Central. Os primeiros querendo destravar. Os segundos segurando o pé de cabra.
A timidez do BC no manuseio dos juros reacendeu o embate. Nesta quinta-feira (24), Mantega e Meirelles voaram para a Suíça no Aerolula. Afinaram a viola com o presidente, preocupado em passar para o distinto público uma idéia de unidade.
Em terra firme, por ordem de Lula, Mantega e Meirelles deram uma entrevista coletiva conjunta. Simularam “sintonia”. De fato, os gestores econômicos do governo raramente discutem. Nem poderiam. Eles mal se falam.
Enquanto o Brasil bate cabeça em busca do graal dos 5%, vai ficando para trás. Soube-se, nesta quinta (24), que o PIB da China cresceu, em 2006, extraordinários 10,7%. É a maior taxa desde 95. A China está na bica de tornar-se a terceira maior economia do mundo, superando a Alemanha. Falta-lhe democracia, costuma-se dizer. Verdade. Mas há um sem-números de países livres que crescem mais do que o Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 23h03
Folha Imagem
Numa cidade como Brasília, é perfeitamente possível que três pessoas guardem um segredo. Desde que duas delas estejam mortas. Como não há notícia do falecimento de nenhum confidente de Lula, aos pouquinhos vão vazando os nomes dos integrantes do ministério do segundo mandato.
Soube-se nesta quinta-feira (25) que o próximo ministro da Justiça será o petista Tarso Genro, hoje acomodado na pasta das Relações Institucionais. Deve-se o vazamento ao vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB).
Pavan avistou-se com Marcio Thomas Bastos, ministro demissionário da Justiça. Foi pedir a construção de um posto da Polícia Federal na cidade catarinense de Criciúma. Ganhou, de quebra, o segredo. Bastos disse-lhe que só fica em Brasília até o Carnaval. Contou que Tarso será o seu substituto.
A inconfidência de Pavan levou Bastos a negar, por meio da assessoria, que houvesse confirmado a transferência de Genro. Tarde demais. Agora, nem matando Pavan. Seja como for, enquanto não muda de posto, o ministro Genro, ainda no comando da articulação política, vai despertando polêmicas.
Escrito por Josias de Souza às 19h27
Feliz aniversário, São Paulo!
Ayrton Vignola/Folha Imagem
Aos 453 anos, São Paulo não é mais cidade. Virou entidade. A anciã é precedida pela fama. São Paulo é desregrada. Dorme tão tarde e acorda tão cedo que convive com a ilusão de que não pára. São Paulo é soturna. Tem ojetiza a cores vivas. Veste cinza. São Paulo é imprudente. Adora roleta-russa. Às vezes estoura os próprios miolos. Elege o Maluf, o Clodovil... São Paulo é hesitante. Ama o feio e o caótico. É correspondida por ambos. E, enquanto não se decide, deita-se com os dois. São Paulo é medrosa. Prefere passear no shopping, uma cidade onde a cidade não entra. Uma cidade sem os problemas da cidade. E com seguranças na porta. São Paulo é contraditória. Mora na fartura. Mas seus janelões quatrocentões dão vista para a miséria. São Paulo é resignada. Não reage a coisa nenhuma. Quando atacada pelo PCC, corre pra casa. No fundo, no fundo receia gritar por socorro. Pode aparecer a polícia. São Paulo é o elogio do capitalismo à brasileira. Dentro do Mercedes, vidro levantado, metida em roupas chiques. São Paulo é a crítica do fracasso do capitalismo à brasileira. Debaixo do viaduto, mão estendida, farrapos a recobrir-lhe o corpo. São Paulo é inventiva. Encontrou um modo diferente de sair do buraco. Cavou uma cratera bem maior. São Paulo ama a si mesma. Ostenta uma felicidade melancolicamente negativa. Sorri quando não fica encalacrada na Rebouças ou na Faria Lima, quando não morre afogada no Anhangabaú, quando não dá de cara com o revólver no semáforo... São Paulo vive com a mala no bagageiro. São Paulo não resiste a um feriado. Mesmo no seu aniversário, São Paulo não hesita em pôr o pé na estrada. São Paulo foge de si mesma. São Paulo já não se agüenta.
Escrito por Josias de Souza às 12h40

- Folha: Dividido, BC reduz queda de juros
- Estadão: Dividido, BC reduz o ritmo do corte de juro
- Globo: Juros caem pouco apesar do esforço para crescer
- Correio: BC contraria pacote e juro só cai 0,25 ponto
- Valor: BC frustra as expectativas da Fazenda e reduz corte de juro
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 04h29
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h47
Alan Marques/Folha Imagem
O Palácio do Planalto começou a redigir um rol de propostas de alterações na legislação política e partidária. Lula enviará o documento aos presidentes da Câmara e do Senado eleitos em 1º de fevereiro. O texto deve incluir uma idéia polêmica: o “recall.” Trata-se de um mecanismo que permite ao eleitorado revogar os mandatos de congressistas e ocupantes de cargos executivos.
O “recall” abre a possibilidade de que, por meio de referendo convocado por iniciativa da sociedade, os eleitores imponham aos seus representantes o voto revogatório. Para exemplificar: o eleitorado poderia revogar pelo voto o mandato de deputados que, envolvidos em escândalos como o do mensalão e o das sanguessugas, fossem poupados em julgamentos internos da Câmara ou do Senado.
O governo decidiu não enviar ao Congresso um projeto de lei. Encaminhará às duas Casas do Legislativo apenas um conjunto de sugestões. O portador do documento será o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Em nome de Lula, Genro dirá aos novos presidentes da Câmara e do Senado que o Planalto se dispõe a mobilizar sua base congressual para aprovar as modificações no ordenamento político-partidário.
As sugestões do governo estão sendo extraídas de três documentos: um relatório produzido pelo Ministério da Justiça em 2003; um documento elaborado pela OAB e um conjunto de enunciados que o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgou em agosto de 2006. A compilação está sendo feita pela assessoria de Tarso Genro.
O “recall” aparece em duas das fontes que inspiram o governo. Aparece nos textos da OAB e do CDES. Em meio a temas que roçam o consenso –financiamento público de campanha e fidelidade partidária, por exemplo—, o documento a ser encaminhando pelo governo ao Congresso pode conter pontos polêmicos. Eis alguns deles:
1) Reduzir o mandato dos senadores de oito para quatro anos;
2) Proibir o parlamentar de mudar de partido durante toda a legislatura;
3) Proibir ocupantes de mandatos executivos e legislativos de disputar outros
cargos antes do término dos mandatos para os quais foram eleitos;
4) Redefinir regras sobre suplentes de senadores.
O governo desistiu de enviar um projeto de lei acabado por entender que cabe ao Legislativo a iniciativa. Considera-se que há na Câmara um projeto que pode servir como ponto de partida para a discussão: o projeto número 2.679, de 2003. Formalmente, a autoria é do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Mas, em verdade, é um apanhado de propostas apresentadas por diversos congressistas. Aproveita também sugestões de Nelson Jobim, ex-presidente do STF.
O relatório Caiado prevê, entre outras coisas, o financiamento público de campanha, o fim das coligações partidárias proporcionais e a votação em lista fechada –modelo em que os eleitores votam em partidos, não em pessoas. São eleitos os candidatos que estiverem nas primeiras colocações de uma lista elaborada previamente pelas cúpulas partidárias. O sistema de listas é o preferido do governo. A OAB prefere o voto distrital.
Ao pôr no papel as suas sugestões para a reforma política, o governo dá curso a um debate tonificado pelo mensalão. Em 2005, numa tentativa de eximir-se de responsabilidades, Lula declarou: “A principal lição que eu tiro [da crise] é que o erro não é de um partido político ou de uma pessoa. O erro é do sistema, que está apodrecido.”
Escrito por Josias de Souza às 01h18
A notícia de que o Copom reduziu a taxa de juros em apenas 0,25 pontos percentuais deixou desalentados até mesmo auxiliares diretos de Lula. Esperava-se no Palácio do Planalto que os juros fossem podados em pelo menos 0,5 pontos.
Ouvido há pouco pelo blog, um auxiliar direto do presidente comentou: “Com essa decisão, o Banco Central demonstra uma total falta de sensibilidade com o novo momento vivido pelo governo, hoje inteiramente voltado para a obtenção de taxas mais robustas de crescimento econômico.”
O assessor de Lula considerou “lamentável” a decisão do Comitê de Política Monetária. Acha que não há no horizonte nenhum risco palpável de recrudescimento da inflação. Tanto assim, argumentou, que a decisão dos integrantes do Copom não foi unânime.
De fato, três dos oitro integrantes do Copom manifestaram-se a favor de uma redução de 0,5 pontos na taxa de juros. Prevaleceu, porém, a opinião da maioria. E a taxa foi rebaixada de 13,25% para 13%.
O desapontamento da assessoria do Planalto é compartilhado por Lula. O presidente dissera, em privado, que o êxito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado na segunda-feira (22), está associado ao comportamento dos juros. Contava com a queda de 0,5 pontos percentuais.
A decisão da diretoria do Banco Central antecipa um conflito que parece, a essa altura, incontornável: a guerra de bastidores entre os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil), defensores de quedas mais acentuadas dos juros, e a equipe de Henrique Meirelles, que vem preferindo o caminho da cautela.
O Planalto não está só. Partilham do desalento o capital e o trabalho.
Escrito por Josias de Souza às 20h13
O ex-juiz Nicolalau, 78 anos, aquele do escândalo do TRT paulista –desvio de R$ 169,5 milhões—, foi recolhido novamente ao cárcere. Ele desfrutava do regime de prisão domiciliar desde julho de 2003. Porém, em 19 de dezembro de 2006, Lalau foi condenado a 26 anos de cana, em regime fechado.
Vem daí que o Ministério Público solicitou à Justiça a transferência do ex-juiz de sua casa elegante, assentada no bairro paulistano do Morumbi, para um calabouço. O pedido foi acatado pela juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal de São Paulo.
Lalau foi conduzido nesta quarta (24) à carceragem da Polícia Federal. Nos próximos dias, será transferido para um presídio estadual. Isso, evidentemente, se seus advogados não conseguirem reformar a decisão da juíza Montovani. Algo que já está sendo providenciado.
Escrito por Josias de Souza às 19h34
Em ritmo de conta-gotas, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) vai adensando o seu cesto de votos. Reunida nesta quarta-feira (24), a bancada de deputados do PPS decidiu apoiar o tucano na disputa pela presidência da Câmara, que envolve mais dois candidatos –Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Fruet já contava com os votos do PPS, uma legenda que liderou o movimento pela “terceira via”. Mas era preciso transformar o compromisso de boca em decisão oficial. Receava-se que uma parte da bancada se bandeasse para outra candidatua. O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), chegou a corujar a hipótese de alinhar-se a Chinaglia.
Coube ao próprio Coruja comunicar a decisão da bancada. Informou que a decisão foi unânime. O PPS tem 20 deputados. Só nove compareceram à reunião da bancada. Os demais foram consultados por telefone. E endossaram o apoio a Fruet.
“É a melhor alternativa para garantir a independência da Câmara. Há muita influência do Executivo aqui dentro. Vivemos uma relação conturbada", justificou Coruja. Com os votos do PPS, Fruet contabiliza um suporte mínimo de 86 deputados –os 20 do PPS e os 66 do PSDB. Não é o bastante para vencer a disputa. Longe disse. Mas pode provocar um segundo turno entre Chinaglia e Rebelo.
Escrito por Josias de Souza às 17h15
Lula Marques/Folha Imagem
Por determinação de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) começou agendar reuniões de técnicos dos governos estaduais com a equipe do Ministério da Fazenda. As discussões serão supervisionadas pelo Palácio do Planalto. O objetivo é recolher sugestões de aperfeiçoamento do PAC (Programa de Aceleração do Desenvolvimento) e abrir a negociação dos termos de uma reforma tributária.
O resultado dessa série de encontros será levado à reunião que Lula fará com os governadores, no dia 6 de março. O PAC pode ser alterado? Ouça-se o que disse Tarso Genro ao blog: “É claro que os governadores vão interferir, o Congresso tem o direito de se pronunciar e certamente vai mudar coisas. Mas a centralidade estratégica que o PAC representa não será mudada.”
O que é centralidade estratégica? Com a palavra, de novo, o ministro Genro: “Entre os investimentos previstos no PAC, há R$ 352 bilhões que virão do caixa do Estado brasileiro. São recursos orçamentários e das estatais. Ou seja, a União tem grande poder e controle sobre esses investimentos, que têm uma coerência sistêmica. As modificações e complementações que eventualmente sejam produzidas não podem alterar esse quadro de disponibilidade de recursos. Serão mudanças regulatórias.”
O ministro acrescenta: “Isso não significa que não queiramos respeitar o princípio da razoabilidade. Se for mostrado que, em algum lugar, tem uma obra proposta de maneira equivocada, o que duvido, não há nenhum problema de rediscutir. As obras são feitas nos territórios dos Estados e dos municípios. A União é uma abstração. Então, é evidente que tem de haver um diálogo sobre isso.” A julgar pelo que disse nesta quarta-feira (24) o ministro Guido Mantega (Fazenda), as eventuais alterações que o governo admite promover não incluem o naco tributário do PAC.
Genro afirma que o PAC “não é fruto de uma invenção”. Resulta de quatro anos de debates realizados no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. “Basta analisar os enunciados que o conselho divulgou em agosto [de 2006]. Asseguro que 70%, 80% estão contemplados no PAC”. O plano contempla também, segundo o ministro, os termos programáticos que orientaram a formação da coalizão dos partidos que sustentarão o governo no Congresso.
Além dos governos estaduais, Genro está procurando os prefeitos de capitais. Também eles serão envolvidos no debate aberto pelo governo. Lula deseja reunir-se com os prefeitos antes de avistar-se com os governadores. Em contato com as prefeituras, o ministro está cuidando da escolha da data.
Além das discussões em torno do PAC, o governo espera que dessa série de reuniões resulte uma proposta de reforma tributária, tão consensual quanto possível. Daí, também, o envolvimento dos prefeitos. Por que só o das capitais? “Porque nos demais ensaios que fizemos sobre reforma tributária, sempre havia um choque de pontos de vista entre os prefeitos das capitais, que têm uma certa representatividade política, e os governadores. Há divergências em relação à natureza da reforma e aos efeitos dela nas ações das diferentes instâncias da federação. Por isso o presidente pretende realizar essa reunião com os prefeitos antes do encontro do dia 6 de março, com os governadores”.
Escrito por Josias de Souza às 16h23
A bruxa anda fazendo serão em Brasília. Adensa-se dia-a-dia o caldo de insatisfação que escorre do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Depois dos queixumes dos governadores e da ação judicial de duas Centrais Sindicais, desce agora ao caldeirão a revolta do funcionalismo.
O pacote brindou os servidores públicos com reajustes de 1,5% anuais além da reposição da inflação. A regra vale até 2016. Pois bem, os companheiros da Condesef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) pintaram-se para a guerra.
Analisam agora a reação a ser adotada: “Nós vamos discutir com a nossa base. Em um segundo momento, se não houver avanço nas negociações, vamos ver se é a hora de uma grande greve ou se vamos buscar uma solução no campo jurídico”, disse José Milton Costa, secretário-geral da Condesef.
Escrito por Josias de Souza às 14h42

- Folha: Plano vai mudar para atrair governadores
- Estadão: Pacote de Lula aumenta a pressão pela queda do juro
- Globo: Tribunais desobedecem à ordem de cortar salário
- Correio: Plano congela salários e põe freio em concursos
- Valor: FGTS provoca primeira batalha judicial do PAC
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h32
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h48
Costuma-se recomendar a turistas estrangeiros que, em visita ao Brasil, jamais conversem com policiais, exceto em legítima defesa. Doravante, deve-se aconselhar também aos policiais que evitem aproximações com turistas. Sobretudo quando os policiais forem despreparados e os visitantes tiveram a aparência de jovens européias de tirar o chapéu.
Deu-se o seguinte: em viagem ao Rio, no início de janeiro, turistas holandeses posaram para uma série de fotos ao lado de integrantes do 33º Batalhão da Polícia Militar (Angra dos Reis). Aos risos, deixaram-se algemar. Uma delas chegou mesmo a manusear um fuzil. Ao fundo, um policial de estômago espetado e um camburão.
De volta à Holanda, as turistas repassaram as fotos a um amigo peruano, que jogou as imagens no sítio Flickr.com nesta terça-feira (23). Descobertas pelo Globo OnLine, as cenas foram retiradas da internet.
Tarde demais. Informado sobre o despropósito, o comando do 33º Batalhão prometeu punir os policiais que se deixaram encantar pela beleza das visitantes. Qual será a punição? Ainda não se sabe.
Era só o que faltava. Enquanto o recém-empossado governador Sérgio Cabral pede auxílio à Força Nacional e ao Exército, seus policiais matam o tempo trocando gracejos com moçoilas atiradas. O Brasil precisa redobrar os cuidados com as turistas que chegam para conhecer essa terra de palmeiras e sabiás.
Algumas delas atravessam a aduana portando pernas roliças e olhos de coloração azul-oceano. São pares de armas que as transformam em figuras de altíssima periculosidade.
Veja abaixo uma seqüência com todas as fotos.

PS.: Interrogados nesta quarta-feira (24), os policiais das fotos alegaram que as armas estavam descarregadas. Concordaram em participar das encenações, segundo disseram, porque as turistas pediram (leia). Os policiais continuam trabalhando normalmente (aqui).
Escrito por Josias de Souza às 00h59
Ségio Lima/Folha Imagem
Apenas 24 horas depois de ter anunciado o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), Lula admitiu, pela primeira vez, a hipótese de promover ajustes nas medidas que acaba de lançar. Deu-se num diálogo telefônico que o presidente manteve na noite desta terça-feira (23) com um dos governadores que, na véspera, prestigiara a solenidade de anúncio do plano.
O governador discou para Lula para repassar-lhe impressões que recolhera de outros executivos estaduais que, como ele, abalaram-se até Brasília, para assistir à discurseira desenvolvimentista que marcou o lançamento do PAC. Contou ao presidente que a insatisfação dos governadores é maior do que deixaram transparecer os jornais. Acrescentou que a animosidade espraiou-se inclusive entre governadores politicamente alinhados com o Planalto.
Em resposta, Lula disse que o PAC não é uma “obra fechada”. Revelou que, mercê do que lera no noticiário, já havia determinado à ministra Dilma Rousseff que procure os governadores. De viagem marcada para Davos (Suíça), nesta quarta, encomendou à chefe da Casa Civil a elaboração de um inventário das queixas. Quer começar a analisá-las logo que voltar do Fórum Econômico Mundial. Quer formar uma opinião antes da próxima reunião que terá com os governadores, no dia 6 de março.
Segundo disse ao governador que o procurou, Lula verificará com a sua equipe econômica, antes do novo encontro com os governadores, se há espaço para aperfeiçoar o PAC. Referiu-se ao plano como um conjunto harmonioso. Mas afirmou explicitamente que não é avesso a sugestões, desde que não conspurquem o objetivo central do governo –a retomada do crescimento econômico.
O interlocutor do presidente informou ao blog que Lula mostrou-se aberto ao diálogo. Aceitará sugestões de todos os que se dispuserem a apresentá-las, sejam governadores, empresários, sindicalistas ou congressistas. Só não vai admitir “a crítica pela crítica”. Lula acha que muitos estão desancando o PAC antes mesmo de analisar detidamente as medidas provisórias e projetos de lei que compõem o plano. Queixou-se genericamente da “grande imprensa”.
Na opinião do presidente há uma pré-disposição da mídia contra o PAC. Acredita que a sociedade, se bem esclarecida, enxergará no programa virtudes que, por ora, não foram devidamente realçadas.
Escrito por Josias de Souza às 23h32
O programa desenvolvimentista de Lula ainda não tonificou o PIB, mas já começa a contribuir para aceleração do número de processos submetidos ao crivo do Judiciário. Nesta terça-feira (23) a CGT e a Força Sindical protocolaram no STF uma ação contra o PAC. Questionam a medida provisória que autoriza o uso da grana do FGTS em projetos de infra-estrutura. Tacham-na de “inconstitucional.”
A ação já era esperada. A reação do ministro Luiz Marinho (Trabalho) é que não estava no script. O ministro é ex-presidente da CUT, uma central que, por companheira, não endossa a iniciativa de suas congêneres.
Pois bem, Marinho veio aos microfones para assegurar algo que foge ao seu controle –“Estou seguro de que não teremos prejuízo, não vamos financiar qualquer projeto"—e para injetar maldade numa poção que já está por demais envenenada –havendo prejuízos, o Tesouro é, no limite, “o garantidor.”
Em português claro, Marinho esclarece o seguinte: o governo vai meter a mão no patrimônio do trabalhador. E você, caro leitor, tenha ou não dinheiro depositado no FGTS, será chamado a cobrir eventuais prejuízos resultantes da aventura. Mal comparando, a brincadeira assemelha-se a luta de boxe em que a Viúva entra com a cara.
O patrimônio líquido do FGTS –dinheiro que excede aos depósitos feitos em nome dos trabalhadores de carteira assinada—é , hoje, de R$ 21,1 bilhões. É nesse dinheiro que o governo quer bulir. Vão ao caldeirão do PAC, de saída, R$ 5 bilhões. Num segundo momento, pretende-se beliscar R$ 17 bilhões. As decisões de investimento serão tomadeas por um conselho companheiro. Se a coisa não funcionar, Marinho e o governo lavam as mãos.
Nos gabinetes do Planalto e da Esplanada, o avanço sobre o FGTS é justificado com o argumento de que se está perseguindo a bonança nacional. Vale a pergunta: quantas vezes a bolsa da veneranda senhora foi chamada a honrar prejuízos decorrentes de planos concebidos em nome da bem-aventurança coletiva?
Escrito por Josias de Souza às 19h22
O calvário dos líderes da Igreja Renascer ganhou uma cara. A polícia do condado norte-americano de Palm Beach levou à internet a foto da bispa Sonia (acima). Exibe uma face desconhecida de seus fiéis seguidores. Falta-lhe a maquiagem e o sorriso de mostruário que costuma exibir nos cultos da Renascer.
Nota-se, de resto, à altura do ombro, a camiseta branca e o blusão caqui de presidiária. Trajes bem distintos dos modelitos que a bispa costuma envergar. Ela não sai ao meio-fio sem recobrir o corpo com o que há de mais fino em matéria de roupas desde que a indústria da moda deu os seus primeiros passos, nas pegadas do pecado que privou a humanidade do Éden.
A bispa e seu marido, o apóstolo Estevam Hernandes, foram às algemas no último dia 9 de janeiro. O FBI pilhou-os no instante em que cruzavam os umbrais da alfândega de Miami. Declararam portar US$ 10 mil. Verificou-se que levavam muito mais: US$ 56 mil. Conheceram o gosto do pão que Asmodeu amassou.
Na semana passada, a bispa e o apóstolo conseguiram se livrar da cana dura. Obtiveram a liberdade condicional. Deixaram o calabouço com um aparato que permite à polícia norte-americana vigiar-lhes os passos: uma tornozeleira eletrônica. Não podem deixar os EUA antes de acertar contas com a Justiça. Nesta terça (23), um júri deve decidir o futuro do casal nos EUA.
Escrito por Josias de Souza às 17h22
Sérgio Lima/Folha Imagem
Reunida nesta terça-feira (23), a bancada de deputados do PSDB decidiu apoiar a candidatura do tucano Gustavo Fruet (PR) à presidência da Câmara. O líder do tucanato na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA) disse que a deliberação foi aclamada por todos os presentes.
E quantos eram os presentes? Só 45 dos 66 deputados tucanos compareceram à reunião. Há duas semanas, o mesmo Jutahy informara que, mediante sondagem telefônica, 44 tucanos haviam optado pelo apoio a Arlindo Chinaglia, candidato do PT ao comando da Câmara.
Assim, o apoio do PSDB a Fruet deve ser levado a sério, por ora, apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. A julgar pela “aclamação” desta terça, o PSDB teria descido do muro de maneira uniforme, todos de um mesmo lado. Porém, levando-se em conta o que se diz nos subterrâneos, há tucanos com um pé do outro lado da parede.
Conforme já noticiado aqui no blog, um naco do PSDB continua tricotando com Chinaglia, a despeito dos muxoxos de FHC e de outros líderes tucanos. Aguarda-se apenas pelo infortúnio de Fruet no primeiro turno para despejar votos no cesto do petista no segundo round da disputa. Como o voto é secreto, ninguém pode assegurar que a divisão não se materialize já na primeira fase. Chinaglia, que não nasceu ontem, diz que estão de pé os acertos que firmou com o tucanato.
Também nesta terça, o PSB tornou oficial algo que o mundo já sabia: o apoio a Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Entre os socialistas, a coisa parece estar mais organizada. Segundo o governador Eduardo Campos (PE), presidente da legenda e condutor da reunião da bancada (foto abaixo), haverá só duas defecções: Luiza Erundina (SP), fechada com Fruet, e Júlio Delgado (MG), compromissado com Chinaglia.
Marcello Casal/ABr

Escrito por Josias de Souza às 15h32
Na era da informação instantânea, o futuro vai se insinuando com tal rapidez que o agora está prestes a ser incorporado à Idade da Pedra Lascada. Pesquisa realizada pelo Ibope/NetRatings revela que um número crescente de brasileiros desperdiça o presente pendurado à rede mundial de computadores.
Considerando-se apenas os internautas que utilizam computadores em suas residências, o tempo médio de navegação mensal é de 21h39min por pessoa. O dado refere-se a dezembro de 2006. Supera o indicador do mês anterior em 8%. Não é pouca coisa.
Entre os dez países que mantém a mesma metodologia de medição, o Brasil é o que mantém o maior tempo médio de navegação. Está à frente de Espanha, Japão, Reino Unido, EUA, Austrália, França, Alemanha, Suíça e Itália.
"Foi o oitavo mês seguido em que o tempo por usuário residencial no Brasil ficou acima das 20h mensais e a primeira vez que passou das 21h", disse o analista José Calazans, do Ibope.
2006 foi um ano de recordes para a internet residencial brasileira, informa o Ibope. Além de consolidar-se na liderança do rempo de navegação, o número de usuários mensais da internet ultrapassou a casa das 14 milhões de pessoas, 18% a mais do que fora registrado um ano antes, em dezembro de 2005.
É crescente o número de pessoas que recorrem à internet no Brasil para farejar bens de consumo. Mais da metade dos internautas visitaram sítios de comércio eletrônico em dezembro de 2006. Não se sabe quantos efetivaram alguma operação de compra.
Vem dos EUA um outro dado alvissareiro –ou catastrófico, dependendo do ponto de vista. Pesquisa do instituto Nielsen revela que o número de visitantes dos blogs atingiu a impressionante marca de 3,8 milhões de internautas. Lá, os blogs respondem por 13% das visitas feitas a sítios estacionados na rede. Um acréscimo se 4% em relação ao ano passado.
Outra pesquisa feita nos EUA pelo Pew Internet & American Life Projet informa que cresce o número de pessoas que utilizam a internet como fonte de informação política. Comparou-se o consumo de informações relativas às eleições legislativas de 2006 com o pleito de 2002. Entre os norte-americanos adultos, 15% disseram que se valeram da internet como principal meio de informações sobre a campanha eleitoral do ano passado. Em 2002, o percentual fora de 7%.
O crescente interesse pela internet tonifica o movimento da publicidade rumo ao cristal líquido. Na Europa, informa pesquisa do eMarketer, prevê-se que o investimento publicitário na rede mundial de computadores será, em 2007, de US$ 7,5 bilhões. A cifra é 25% mais robusta do que a registrada no ano passado. Estima-se que até 2010, a internet responderá por algo como 9,4% dos investimentos publicitários.
Os trovadores do amanhã costumam dizer que o futuro da mídia tradicional, impressa, está amarrado no rabo da publicidade. Para onde forem os anúncios, irão também as letras dos jornais. Assim, são cada vez menos despropositadas as previsões de que, no futuro, os jornais serão compelidos a migrar do papel para a plataforma digital. Em quem velocidade? O tempo –e os anunciantes—dirão.
Escrito por Josias de Souza às 14h52

- Folha: Plano de Lula é criticado por empresários e governadores
- Estadão: Dinheiro público sustenta plano
- Globo: Lula: 'Aqui não se cresce sacrificando a democracia'
- Correio: Lula ensaia novo rumo econômico
- Valor: PAC é tímido nos gastos e no ajuste
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h40
Benett
Escrito por Josias de Souza às 06h35
Marcello Casal/ABr
No esforço que empreende para obter o apoio dos governadores de Estado ao seu plano de desenvolvimento econômico, Lula lançou mão, nesta segunda-feira (22), de um argumento eminentemente político: “Estou fazendo um esforço para o país voltar a crescer”, disse o presidente aos chefes de executivos estaduais. “Quero entregar o país melhor do que encontrei. Penso no Brasil. Já não posso concorrer à presidência. O próximo presidente pode sair desta sala.”
Terminado o encontro, que ocorreu minutos antes do lançamento formal do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), um governador petista achegou-se a Lula: “Parabéns, presidente. O argumento foi nota dez.” E Lula, com um riso nos lábios: “Precisava adoçar a boca do Serra e do Aécio.”
Os dois presidenciáveis tucanos eram aguardados com muita ansiedade no Planalto. José Serra confirmara presença na semana passada. Aécio Neves ameaçara ignorar o convite. Mas acabou cedendo à máxima de seu avô: “Convite de presidente da República não se recusa,” dizia Tancredo Neves. Dos 27 governadores só dois deram de ombros para a reunião do Planalto: o de Roraima, Ottomar Pinto, e o de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira.
Lula disse que deseja aproximar-se dos governadores. Gostaria de ter estreitado relações, segundo disse, já no primeiro mandato. Mas a conjuntura eleitoral “não deixou”. De novo, uma referência indireta ao PSDB de Serra e Aécio.
O presidente convidou os presentes para uma outra reunião. “Uma conversa mais calma, sem hora para acabar.” Chegou mesmo a marcar data: 6 de março. Fixou também a pauta: reforma tributária e reforma política.
Era notável o esforço de Lula para fazer com que Serra e Aécio se sentissem em casa. Em dado momento, a pretexto de descontrair Serra, deixou mal o governador Roberto Requião (Paraná). Deu-se no instante em que Serra entrou na sala em que se realizou o encontro.
O governador paulista estava ao lado do colega de Pernambuco, Eduardo Campos. Lula tricotava com Requião. Ao avistar Serra, puxou-o pelo braço: “Ô, Serra, não quero fazer intriga, mas o Requião está falando mal de você.” Requião não se deu por achado: “Realmente, estava falando mal. Mas era pelas costas. Pela frente é falta de educação”. Serra sorriu amarelo.
A expectativa de Lula é a de que os governadores exerçam influência sobre a representação de seus respectivos Estados no Congresso. Daí o seu esforço para convencê-los de que o seu programa desenvolvimentista está “bem amarrado”, como disse no encontro.
A julgar pelo que disseram em público e em privado, Serra e Aécio não saíram do Planalto convencidos das virtudes do plano. O governador de Minas expôs suas divergências em público. O de São Paulo saiu calado. Mas, reservadamente, disse que o crescimento econômico depende da redução mais acentuada dos juros e do ajuste da taxa de câmbio.
Como se vê, o açúcar de Lula parece ter sido insuficiente para “adoçar” a boca de Serra e Aécio. Imagine-se se os dois presidenciáveis tucanos presenciado o ato falho de Lula na reunião anterior, com os presidente dos partidos governistas: “Temos quatro anos para colocar tudo isso em prática. E quatro anos, vocês sabem, é muito pouco” (leia texto abaixo).
Escrito por Josias de Souza às 22h55
Marcello Casal/ABr
Lula reúne Conselho Política para pedir o apoio dos partidos governistas ao PAC
Antes de desembrulhar em público o seu pacote desenvolvimentista, Lula reuniu-se a portas fechadas com os presidentes dos partidos do consórcio governista. Disse que as novas providências são ambiciosas. Realçou que algumas delas apontam para o ano de 2023. E pronunciou uma frase inusitada: “Temos quatro anos para colocar tudo isso em prática. E quatro anos, vocês sabem, é muito pouco.”
Ao ouvir o comentário, alguns dos presentes entreolharam-se, trocando sorrisos. O próprio presidente se deu conta da inoportunidade do que acabara de dizer. E sorriu amarelo. Encerrado o encontro, os dirigentes partidários fizeram troça de Lula. Um deles comentou, em tom de blague: "Hugo Chávez está fazendo escola." Uma referência ao plano do presidente da Venezuela de modificar a Constituição de seu país, para injetar no texto um artigo prevendo a possibilidade de reeleição presidencial perpétua.
Depois do ato falho, Lula disse na reunião que, ao divulgar o Programa de Aceleração do Crescimento, cumpre o compromisso de dotar a coalizão governista de uma “base programática”. E fez um apelo: “Preciso ter a garantia de que os partidos que estão conosco vão defender essas medidas no Congresso”, afirmou o presidente.
O presidente fez uma rápida referência à disputa pela presidência da Câmara, que opõe dois candidatos governistas -Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PCdo B). Evitou posicionar-se a favor de um ou de outro. Disse apenas que confia no discernimento dos partidos que o apóiam. Acha que, passado o dia 1º de fevereiro, data da eleição, a atmosfera de disputa será substituída pela retomada da “unidade”.
Alguns dos presentes esperavam que Lula dissesse meia dúzia de palavras a respeito da reforma ministerial. O presidente frustrou a expectativa. Limitou-se a dizer que só vai tratar do tema em fevereiro. Assim mesmo, evitou pronunciar a palavra "ministério". "Vou tratar do governo só depois do dia 1º [de fevereiro]," afirmou. Foi o bastante para que todos compreendessem que não haveria espaço para debater o tema.
Lula chegou à reunião no instante em que o ministro Guido Mantega (Fazenda) resumia parte do pacote aos presidentes de partido. Ele iniciara sua fala depois de uma curta introdução feita pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Lula esperou pelo término da exposição de Mantega e pelas explicações adicionais que foram dadas por Dilma Rousseff (Casa Civil).
Depois da intervenção de Lula, a reunião foi encerrada. Os presidentes de partido não puderam se manifestar. Combinou-se que o conselho político será convocado novamente, em data a ser definida. Aí sim os partidos poderão fazer as suas avaliações e, se for o caso, sugerir modificações no plano.
Escrito por Josias de Souza às 19h24
Folha Imagem
Os técnicos que estão a serviço do PSDB fizeram no início da tarde desta segunda (22) uma análise preliminar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Baseando-se nesse primeiro exame, Arthur Virgílio (AM), líder dos tucanos no Senado, refere-se às novas medidas com um velho brocardo: “A montanha pariu um rato.”
Virgílio disse há pouco que o pacote do governo contém providências “novas e boas”. O problema, diz ele, é que “aquilo que é novo não é bom, como a volta da indexação dos salários do servidor público. E o que é bom não é novo –o foco nos investimentos em infra-estrutura, por exemplo.” Pressione aqui para ler sobre a repercussão do PAC entre entidades empresariais e sindicais.
Segundo Virgílio, um dos pontos que chamaram a atenção dos técnicos no exame preliminar do pacote é a “falta de consistência fiscal das medidas.” O senador espantou-se com o fato de que “não foi divulgada nenhuma providência de corte de gastos públicos.”
Virgílio antevê problemas também com a admissão do governo de que a meta de superávit primário do setor público pode cair de 4,25% para 3,75% do PIB. “No começo”, diz ele, “ninguém vai notar, porque a inflação está muito baixa e os juros nominais podem continuar caindo. Mas isso pode representar a semente de uma retomada inflacionária mais adiante”.
O líder tucano enxerga o PAC como uma evidência do “fim da era Palocci”. Acha que, diferentemente do que ocorreu no período em que Antonio Palocci (PT-SP) chefiou a pasta da Fazenda, o governo passou a priorizar os gastos em detrimento do rigor fiscal. O que, para Virgílio, prenuncia um novo embate interno no governo.
“Vejo um quadro fiscal ruim. O que levará, a curto ou médio prazo, um choque entre a nova czarina da Economia, a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) e a direção do Banco Central.” Para Virgílio, “não há dúvidas quanto ao fim da era Palocci.” Resta agora, diz ele, “o presidente Lula definir se a era Dilma virá com o sacrifício do compromisso com o rigor fiscal.”
A dúvida é estimulada, prossegue Virgílio, “pelo fato de que o pacote atual não enfrentou como deveria o nó fiscal.” Realça o fato de que, “exceto por uma vaga referência a um grupo de trabalho para estudar o déficit da Previdência, não há no pacote nenhuma referências às reformas estruturais.”
Virgílio diz, de resto, que o governo não tem como assegurar que os investimentos privados incluídos no pacote vão se materializar. “Como eles podem ter segurança de uma coisa dessas? Cadê o marco regulatório para a área energética? O governo se limitou a fazer uma declaração de intenções”.
Segundo o líder tucano, o PSDB “vai analisar com lupa as medidas”. A idéia do partido, diz ele, “é ajudar o governo.” “Vamos aprovar tudo aquilo que nos parecer positivo. Mas ressalto que houve uma grave omissão na coluna das despesas públicas. Estão armando uma armadilha fiscal que pode não ficar nem para o sucessor do presidente. Pode complicar a vida do próprio Lula.” O tema será debatido na reunião da Executiva do PSDB, marcada para a próxima quinta-feira (25).
Escrito por Josias de Souza às 17h12
O governo deu à luz, finalmente, ao Plano de Aceleração do Crescimento. Prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões no período de 2007 a 2010. A cifra resulta de uma previsão. E, como toda antevisão, pode ou não se confirmar. Há evidências de que o governo flerta com o erro. Mas é preciso reconhecer: será um erro suado. Os técnicos poderiam ter optado por uma cifra redonda. O número quebrado, a ousadia da vírgula demonstra o compromisso com o equívoco suspeitamente planejado.
Por que o desacerto ronda o PAC? Simples: o programa desenha um futuro róseo manuseando o chapéu alheio. Dos R$ 503,9 bilhões, só R$ 67,8 bilhões –ou R$ 16,95 bilhões anuais—virão do orçamento da União, sujeito ao controle estrito dos gestores públicos. Os restantes R$ 436,1 bilhões vêm das estatais e, sobretudo, da iniciativa privada.
As estatais já vinham realizando seus investimentos em anos anteriores. Nem por isso o país livrou-se de seus PIBinhos constrangedores. E quanto aos empresários, eles vão investir? O governo acha que sim. Mas crescimento econômico não se constrói à base de achismos. Hoje, um empresário que investe suas sobras de caixa em títulos públicos obtém, sem nenhum esforço, rentabilidade de cerca de 9% ao ano.
Para trocar o conforto do mercado financeiro pela incerteza da produção, o dono da grana precisa se convencer de que a conjuntura lhe oferece segurança. Uma sensação que não vem do dia para a noite. Por ora, falta o básico: a convicção de que as Agências Reguladoras estarão à salvo da sanha politiqueira.
O grande acerto da aposta de Lula consiste na virada de página. Passou-se a falar de crescimento, eis a grande novidade. Tão cedo a mudança de foco não trará os efeitos anunciados –a evolução da economia a taxas entre 4,5% e 5% do PIB. Mas o país se volta para o que interessa: o desenvolvimento. Nesse sentido, as medidas representam um avanço notável.
Houve uma lacuna relevante no anúncio do PAC. O governo não apresentou uma mísera providência que sinalize a disposição de conter os seus próprios gastos. Esperava-se que Guido Mantega desfiasse no Planalto um rosário cortes orçamentários. Mas o ministro limitou-se a informar que essa parte da história será contada nas próximas semanas.
O silêncio de Mantega mostra que mesmo os R$ 67,8 bilhões que o governo se dispõe a transformar em investimentos deve ser levado a sério apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. É preciso dizer de onde vai sair a gaita. A evidência de que, por ora, há mais dúvidas do que certezas é a admissão de que a meta de superávit fiscal pode ser reduzida dos atuais 4,25% para 3,75%.
De resto, há armadilhas escondidas nos meandros do pacote. Para estimular o empresariado a investir, acena-se com uma poda nos impostos que, de saída, será de R$ 6,6 bilhões. Mas só serão beneficiados os setores escolhidos pelo rei. Uma forma canhestra de fazer política industrial.
Não é só: ao assegurar ao funcionalismo público um aumento real de 1,5% acima da inflação, o governo traz de volta algo que havia sido abolido pelo Plano Real: a famigerada indexação. Cria-se uma despesa certa num cenário de receita incerta. Afora todas essas dúvidas, o plano será submetido ainda à fricção da tramitação legislativa. Há na praça 11 medidas provisórias e cinco projetos de lei pendentes de aprovação. A coalizão será posta à prova. A unidade custará muitos cargos e vantagen$.
Escrito por Josias de Souza às 15h30

- Folha: Lula quer vender ações de bancos para financiar PAC
- Estadão: Petrobras vai bancar 40% dos investimentos do pacote
- Globo: Lula admite que fez o pacote que era possível
- Correio: Lula e seu pacote: É tudo ou nada
- Valor: Europeus e EUA perto de acordo que reabriria Doha
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h24
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 07h16
Sérgio Lima/Folha Imagem
O Palácio do Planalto montou um grande aparato para o anúncio, nesta segunda-feira (22), do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Uma hora antes de desembrulhar o pacote, às 10h, Lula se reunirá, com os presidentes dos dez partidos políticos que integram o consórcio governista. Pedirá o empenho de todos para transformar o programa em realidade, aprovando-o no Congresso.
“Agora, o jogo começa pra valer”, disse Lula a um auxiliar na noite deste domingo (21). “É hora de saber quem está do nosso lado e quem está contra nós.” O presidente disse que vai compor uma "força tarefa" para levar informações aos congressistas e defender o seu programa no Legislativo. Quer que os ministros abram espaço em suas agendas para uma negociação política que incluirá os contatos com a oposição. A fase congressual, que se segue ao anúncio das medidas, é “a mais complicada”, acredita Lula.
O governo antevê problemas com a oposição. O que torna a unidade das forças governistas, mais do que conveniente, impositiva. Os receios são fundados. Antes mesmo do anúncio do PAC, os oposicionistas já afiavam o discurso. “O plano é tímido”, disse ao blog, por exemplo, o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado. “Por tudo o que foi noticiado, já sabemos que o programa não inclui reformas vitais como a previdenciária e a trabalhista. É preciso ver também como vai ficar o controle das contas públicas.”
Michel Temer, presidente do governista PMDB, conversou com o repórter, pelo celular, no instante em que se preparava para embarcar, na noite deste domingo, no avião que o levaria de São Paulo para Brasília. "Sinto que há um certo receio entre os parlamentares de que as medidas sejam tímidas", disse ele. "Mas é preciso esperar pela divulgação oficial, para não incorrer em juízos precipitados."
Num esforço para romper o cordão de ceticismo que começa a se formar em torno de seu pacote, Lula determinou que fossem convidados para a solenidade desta segunda, além de governadores alinhados com o Planalto, os chefes de executivos estaduais filiados a legendas oposicionistas. Aguarda-se com certa ansiedade pela presença dos governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).
Lula espera converter todos os governadores em aliados na queda-de-braço do Congresso. Alega que o PAC inclui investimentos que interessam aos Estados. Foram convidados para a solenidade, de resto, líderes empresariais de diferentes setores da economia. Muitos deles são doares de campanhas eleitorais. E, assim como os governadores, têm capacidade de angariar simpatias no Legislativo.
São dez os partidos cujos representantes participarão da reunião com Lula: PMDB, PT, PSB, PC do B, PP, PR, PTB, PDT, PV e PRB. Em privado, o presidente diz que levará em conta o comportamento de cada legenda na hora de definir seu novo ministério. Diz que os novos ministros, que serão indicados em fevereiro, terão de provar-se capazes de traduzir o prestígio pessoal em votos no Congresso.
O governo jogará pesado para tentar manter intocada a espinha dorsal de seu programa, baseado num tripé: desoneração tributária, controle dos gastos do governo e tonificação dos investimentos públicos. O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirma que não há no pacote nenhuma emenda constitucional. Vão ao Parlamento apenas medidas provisórias e projetos de lei, cuja aprovação depende de maioria simples na Câmara e no Senado.
A experiência mostra que pacotes do gênero, sempre anunciados com pompa, costumam tropeçar nas circunstâncias. Quanto à pompa, o PAC não deixa a desejar em relação a seus congêneres do passado. Resta saber se o governo será capaz de esquivar-se dos tropeços. O jogo começa logo depois da exposição que os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) fará na solenidade do Planalto.
Escrito por Josias de Souza às 23h37
Sérgio Lima/Folha Imagem
Em reunião iniciada por volta das 18h, Lula define, no Palácio da Alvorada (foto), os últimos retoques do PAC (Plano de Aceleração da Economia). As medidas serão anunciadas nesta segunda-feira (21), em solenidade marcada para as 10h.
Lula chegou à sua residência oficial às 17h. Pela manhã, ainda em São Paulo, ele trocou telefonemas com dois governadores aliados. Um deles contou ao blog que o presidente está “excitado” com a iminência do lançamento do PAC.
“O presidente me disse que esse programa é a peça de resistência do segundo mandato dele”, contou o governador ao repórter. “A julgar pelo que ele diz, a coisa é bem ambiciosa, com metas de investimento para os próximos quatro anos. Além de uma sinalização para o desenvolvimento do país até o ano de 2010”.
Às voltas com restrições orçamentárias, os técnicos do Ministério da Fazenda injetaram no PAC previsões de investimentos também de empresas estatais. Ao chegar ao Alvorada, o ministro Guido Mantega foi inquirido a respeito do volume total de investimentos. Disse que a cifra pode ultrapassar a casa dos R$ 300 bilhões. Em conversas que manteve no sábado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) mencionou o valor de R$ 500 bilhões até 2010.
Além de ministros de Estado, o presidente convidou para o encontro deste domingo o deputado-eleito Ciro Gomes (PSB-CE). A presença de Ciro no Alvorada foi interpretada como um sinal de que o deputado será guindado novamente à condição de ministro na recomposição da Esplanada, prevista para fevereiro.
Além de Ciro, Mantega e Dilma, foram ao Alvorada os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais), Pedro Brito (Integração Nacional), Márcio Fortes (Cidades) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).
Escrito por Josias de Souza às 20h41
*Orlandeli

A chamada “terceira via” nasceu de olho no retrovisor. Depois de observar o estrago que a atual legislatura deixou pelo caminho, um grupo de deputados tentou jogar novos dados no tabuleiro da Câmara.
Tentou dar carona a um candidato alternativo do PMDB, o maior partido. Deu em nada. Mirou no PT, dono da segunda maior bancada. Nada. Encontrou no PSDB alguém disposto a embarcar na aventura. E foi de Gustavo Fruet.
As chances de êxito da candidatura são precárias. Parte do tucanato não vê a hora de chegar ao segundo turno, para readerir Arlindo Chinaglia (PT). Outro naco do tucanato flerta com Aldo Rebelo (PC do B).
Assim, o embate final ganha os contornos de uma disputa do governo com ele mesmo. Vença quem vencer, abre-se a perspectiva de que o Planalto continue fazendo da atividade legislativa um jogo de dados viciados.
Um dos idealizadores da “terceira via”, o deputado Fernando Gabeira publica em seu blog um texto em timbre realista acerca do movimento em que se meteu. Não joga a toalha. Tampouco canta vitória.
Para Gabeira, embora a reação tenha nascido como “uma modesta ciclovia”, logrou apontar rumos: “a independência do Congresso e a reconstrução das pontes com a sociedade”. O diabo é que a maioria dos deputados parece dar de ombros para os tais “rumos.”
O Congresso custa à Viúva cerca de R$ 6 bilhões por ano. “Só a Câmara”, diz Gabeira, “consome cerca de R$ 3 bilhões. É o orçamento de 30 cidades médias brasileiras. É razoável pedir transparência nos gastos”.
Gabeira reconhece que o “horizonte eleitoral” da disputa travada na Câmara “é limitado por questões de salário”. Aposta que, embora muitos quisessem os 91% de reajuste, “o bom senso indica outra direção”.
O deputado lamenta que as campanhas de Chinaglia e Rebelo comportem-se “com se não houvesse escândalos”. Os candidatos “não se referem a eles nem propõem a reconstrução das pontes com a sociedade”.
O que fazer? “Somos poucos”, reconhece Gabeira, “mas a ciclovia nos ensina algo válido para a história: é preciso pedalar sempre”. Para os pessimistas, dou dois argumentos.
O próprio Gabeira parece movido mais à base de dúvida do que de certezas. “Vamos plantar uma semente nas 513 cabeças”, diz ele. “Quantas vingarão? Quantos plantarão de volta boas sementes em nossas cabeças?” Não há alternativa, reconhece Gabeira, senão “continuar pedalando”. O diabo é que a "terceira via" parece pedalar numa daqueles bicicletas aeróbicas, que não saem do lugar. Serve para derramar suor e fortalecer a musculatura. Mas uma hora cansa.
*Ilustração do texto foi extraída do belo sítio do ilustrador Orlandeli. Visite.
Escrito por Josias de Souza às 19h15
Sérgio Lima/F.Imagem
A dez dias da eleição que irá definir o nome do próximo presidente do Congresso, levantamento realizado pelo blog nos subterrâneos do Senado demonstra que Renan Calheiros (PMDB-AL) é favorito à reeleição. José Agripino Maia (PFL-RN) ainda não é um adversário inteiramente batido. Mas as chances de vitória do candidato oposicionista são bem menores do que as de Renan, o preferido de Lula.
São 81 os senadores que definirão a disputa, marcada para 1° de fevereiro. Será problemado eleito o candidato que obtiver pelo menos 41 votos. Em apuração realizada nas últimas duas semanas, o signatário do blog verificou que 73 “eleitores” já se definiram: 39 estão com Renan; 34 com Agripino. Os oito restantescompõem o bloco dos votos duvidosos.
Pressione aqui para ler a planilha com o esquadrinhamento dos votos dos senadores. O levantamento baseou-se no cruzamento do mapa eleitoral dos dois comandos de campanha. Para chegar à posição final dos senadores, o repórter cotejou os dados oficiais com declarações que eles vêm fazendo em seus diálogos privados.
considerando-se o atual balanço dos votos, para que Agripino prevalecesse sobre Renan, ele precisaria atrair para o seu lado pelo menos sete dos oito votos duvidosos. O problema é que apenas dois dos senadores supostamente indecisos –Patrícia Sabóia (PPS-CE) e Neuto de Conto (PMDB-SC)—pendem para Agripino. Outros três –Pedro Simon (PMDB-RS), Renato Casagrande (PSB-ES) e Expedito Gomes (PPS-RO)—balançam para o lado de Renan. Há também uma trinca –Romeu Tuma (PFL-SP), Delcídio Amaral (PT-MS) e Fernando Collor (PRTB-AL)—que é vista pelos seus próprios pares como efígies indecifráveis.
Agripino poderia estar mais bem-posto na disputa. Há cerca de um mês, dava como certo o apoio de Simon. O colega, porém, emite sinais de que roeu a corda. Além de Simon, Agripino esperava abrir no PMDB de Renan uma clareira de seis votos. Só obteve quatro: Jarbas Vasconcelos (PE), Mão Santa (PI), Almeida Lima (SE) e Garibaldi Alves (RN).
Para piorar, dois dos votos subtraídos do inimigo foram compensados por deserções verificadas no exército de Agripino. Bandearam-se para o lado de Renan Edison Lobão (PFL-MA) e João Tenório (PSDB-AL). Tenório vai de Renan por influência do governador alagoano Teotônio Vilella Filho (PSDB). Lobão segue a liderança de José Sarney (PMDB-AP). Agripino ainda sonha com o voto dele. Mas está sozinho em sua crença.
Na reta final da campanha, a guerra do Senado experimenta suas batalhas mais renhidas. Embora cruentos, os embates são silenciosos, sorrateiros. Um exemplo: Agripino e seu grupo flertam há dias com o governador do Rio, Sérgio Cabral. Sussurram nos ouvidos dele que, vencendo no Senado, Renan acumularia mais poderes no PMDB do que os governadores eleitos pelo partido. O pefelê quer que Cabral, num gesto de traição a Renan, empurre para o cesto de Agripino o voto de seu suplente, o recém-chegado senador Regis Fichtner Velasco (PMDB-RJ).
Abriu-se uma outra frente de batalha nos arredores do senador Romeu Tuma. Filiado ao PFL de São Paulo, Tuma era computado como voto certo para Agripino. Porém, passou a considerar a idéia de transferir-se de mala e cuia para o PMDB. Incomoda-o a ascensão de Guilherme Afif Domingos no PFL paulista. Agripino continua contando com o voto de Tuma. Mas seus próprios aliados vêem a causa como perdida. De chegada no partido Renan, Tuma não ousaria votar em Agripino.
Há ainda uma troca de ritos à volta da senadora Patrícia Sabóia (PSB-CE). Ex-mulher de Ciro Gomes, Patrícia é amiga de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que tenta convencê-la a votar contra Renan. Em meio ao tiroteio, surge uma aliança insuspeitada. Heloisa Helena (PSOL-AL), cujo mandato de senadora termina no final de janeiro, também é amiga de Patrícia. E, a exemplo de Jereissati, fala no ouvido dela -e no de Simon- por Agripino. Move-a a vontade de cortar as asas de Renan, que faz e acontece na política alagoana.
Escrito por Josias de Souza às 13h13

- Folha: Metrô optou por método mais arriscado
- Estadão: Pacote do crescimento divide equipe de Lula
- Globo: Tráfico aluga armas pesadas para fortalecer quadrilhas
- Correio: Por que os jovens do DF morrem tão cedo
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h45

Escrito por Josias de Souza às 02h40
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