Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Happy hour no Alvorada!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 23h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A grande família!

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

A família, como se sabe, é a "célula mártir" da sociedade. Há entre nós dois ímãs capazes de juntar os frutos de uma mesma árvore genealógica: o ataúde e o cargo público. O primeiro em função do magneto da partilha da herança. O segundo por conta da imantação da perspectiva de nomeações para cargos de confiança.

 

Nesta quarta-feira (31) o deputado-eleito Francisco Rossi (PMDB-SP) perambulou pelos corredores da Câmara com 17 parentes. Recebera da direção da Casa nove convites para a sessão inaugural da nova legislatura. E receava não ter como levar toda a parentela para assistir à solenidade de posse.

 

O signatário do blog parabeniza Francisco Rossi (ao centro na foto, de gravata) pela coesão de sua família. Acenderá uma vela para o deputado, desejando-lhe vida longa. E rezará para que Rossi não seja assediado pelas tentações nepotistas, tão encontradiças no Legislativo.

Escrito por Josias de Souza às 23h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aliados de Chinaglia fazem ‘arrastão do 1º turno’

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O alto comando da campanha de Arlindo Chinaglia (PT) realiza desde a noite passada o “arrastão do primeiro turno”. A expressão foi usada, em conversa com o blog, por um lugar-tenente do candidato petista à presidência da Câmara. Explicou que se trta de um esforço final para tentar assegurar a vitória de Chinaglia ainda no primeiro turno.

A eleição ocorrerá nesta quinta-feira, 1º de fevereiro. Será o primeiro ato dos 513 deputados, logo depois de empossados. Repassando a planilha de votos, os apoiadores de Chinaglia concluíram que há chances reais de definição da disputa no primeiro round. Pendurados ao telefone e em visitas a gabinetes da Câmara, o grupo pró-Chinaglia tenta “amarrar” votos tidos como duvidosos.

 

Os articuladores de Aldo Rebelo (PC do B), o outro governista que disputa o comando da Câmara, põem em dúvida a contabilidade de Chinaglia. Acham que a turma do rival tenta vender uma ilusão. Debruçados sobre os números da disputa, entre a noite passada e a manhã desta quarta (31), o grupo de Rebelo concluiu que a disputa irá, sim, ao segundo turno, a ser travado entre Rebelo e Chinaglia.

 

Será eleito o candidato que obtiver 257 votos. Nenhum dos postulantes revela os dados de que dispõem. Os apoiadores de Rebelo reconhecem que Chinaglia está em vantagem. Apostam, porém, que o favoritismo será anulado no segundo turno. Prevêem a adesão de todas as forças que se opõem ao petismo na Câmara.

 

Gustavo Fruet (PSDB-PR), que faz campanha apoiado pelo tucanato e pela chamada “terceira via”, joga suas fichas num derradeiro esforço que estaria sendo feito por Aécio Neves. O governador tucano de Minas teria arregaçado as mangas, para arrebanhar votos em quantidade suficiente para levar Fruit a um hipotético segundo turno contra Chinaglia.

 

Aécio, de fato, tem bala na agulha. É apoiado em Minas por uma coligação pluripartidária. Mas o grupo de Chinaglia desdenha do suposto envolvimento do governador. Alega que o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), unha e carne com Aécio, só chegará à primeira vice-presidência da Câmara, como deseja o governador, se Chinaglia for eleito.

 

Explica-se: como segunda maior bancada, cabe ao PT indicar o primeiro-vice. O partido dispôs-se a abrir mão do posto em favor de Nárcio, o apadrinhado de Aécio. Mas pode, a qualquer momento, rever a decisão. Neste caso, indicaria para o segundo posto da Câmara um petista, não o tucano Nárcio. Assim, raciocinam os partidários de Chinaglia, Aécio daria um tiro no pé se recheasse o cesto de votos de Fruit.

 

Nas 24 horas que antecedem a batalha do plenário da Câmara, todos os prognósticos flertam com o imponderável. O voto, por secreto, caminha de mãos dadas com a traição. Nesta quarta (31), anunciou-se na Câmara a formação de um megabloco partidário. Reúne oito legendas, entre elas PMDB e PT. Ouviram-se protestos generalizados.

 

Juntos, os partidos cavalgam a impressionante marca de 273 votos. É mais do que suficiente para emplacar o próximo presidente da Câmara. Do ponto de vista formal, os partidos do superbloco apóiam Arlindo Chinaglia. O “arrastão” promovido pelos apoiadores do petista evidencia que esse apoio freqüenta o universo da teoria. Se fosse integralmente real, Chinaglia estaria, nesse instante, tomando água de coco à sombra de uma árvore.

Escrito por Josias de Souza às 17h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Hugo Chávez converte-se em ‘ditador constitucional’

  BBC
Em sessão extraordinária realizada em praça pública, o Congresso venezuelano, chamado de Assembléia Nacional, outorgou a companheiro Hugo Chávez poderes para governar por decreto pelos próximos 18 meses (um ano e meio). Na prática, os parlamentares despiram-se do poder que lhes foi outorgado pelo povo. Delegaram-no a Chávez.

 

O presidente da Venezuela foi autorizado a legislar, sozinho, sobre onze temas. A lista inclui as instituições do Estado, a participação popular, o exercício de funções públicas, os setores econômico e social, as finanças e os tributos, e os assuntos jurídicos. Ou seja, Chávez pode tudo.

E Chávez fará tudo. Já anunciou a pretensão de implantar na Venezuela a “revolução socialista do século 21”, seja lá o que isso signifique. Entre as providências que já está ensaiando estão estatizações e a eternização do princípio da reeleição presidencial.

O companheiro converteu-se no pior tipo de ditador. O ditador constitucional. A partir desta quarta-feira (31) Hugo Chávez comanda uma democracia relativa, irmã gêmea da ditadura absoluta.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Azeredo está na bica de ser denunciado no STF

 

O passar das horas, para certas pessoas, pode converter-se numa dolorida forma de tortura. O relógio do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), por exemplo, não tem mais ponteiros, tem espadas pontiagudas e afiadas. O ex-presidente do PSDB convive com a perspectiva, cada vez mais iminente, de tornar-se réu no STF.

 

Conforme já noticiado aqui no blog, Azeredo será denunciado no Supremo pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Assim como fez com a "quadrilha dos 40", o procurador prepara uma denúncia contra os envolvidos no episódio do “valerioduto tucano”. Aguarda apenas a conclusão do relatório final das investigações da Polícia Federal.

 

Nesta quarta-feira (31), a PF ouviu, pela enésima vez, o publicitário mineiro Marcos Valério. Dessa vez, a inquirição centrou-se nas perversões mineiras, gênese do valerioduto petista. Os investigadores confirmaram que, em 98, na disputa pelo governo de Minas, as arcas da campanha tucana de Azeredo foram recheadas com repasses valerianos de cerca de R$ 11 milhões.

 

O dinheiro foi obtido por Marcos Valério. Valeu-se de um empréstimo fictício feito no Banco Rural. O mesmo expediente que usaria mais tarde para carrear R$ 55 milhões em verbas de má origem à tesouraria do PT, gerida à época por Delúbio Soares.

 

As espadas do relógio de Azeredo já não se pautam pelas horas. Medem o tempo em minutos, em segundos. O tempo do grão-tucano não passa. Para ele, o tempo voa.

Escrito por Josias de Souza às 16h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Passado de Antonio Palocci volta para assombrá-lo

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Um fantasma assombra as noites de certos congressistas do PT. É a assombração deles próprios, quando eram puros e imaculados integrantes de uma legenda socialista. A alma penada ronda-lhes os sonhos, brandindo faixas com bordões inconvenientes. Coisas como "Abaixo a corrupção" e "Fora 300 picaretas”.

 

Um desses políticos em litígio com o próprio passado é Antonio Palocci. Ex-borboleta do petismo, Palocci protagonizou um inusitado retorno ao casulo, o túmulo da lagarta. Deixou atrás de si um rastro pegajoso de perversões.

 

Os encontros na mansão do lobby sexy, o superfaturamento da coleta de lixo em Ribeirão, as caronas em jatinhos companheiros, a violação da conta bancária do caseiro... Tanto fez, que sua cabeça virou adorno de bandeja.

 

Súbito, o eleitor de São Paulo ofereceu a Palocci a chance de uma segunda metamorfose. Nesta quarta-feira (31), quando o ex-ministro preparava-se para alçar novo vôo, agora como deputado federal, o passado pesou-lhe sobre as asas.

 

O Ministério Público de São Paulo protocolou uma nova ação judicial contra Palocci. Acusa-o da má gestão na prefeitura de Ribeirão Preto. Pede à Justiça o bloqueio dos bens do ex-homem forte de Lula. Além da suspensão de seus direitos políticos.

 

Palocci mandou dizer, por meio de sua assessoria, que a promotoria de São Paulo está bulindo com tema vencido. Alega que suas contas na prefeitura foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

 

É grande, é muito grande, é enorme a possibilidade de que essa nova encrenca dê em coisa nenhuma. Para começo de conversa, Palocci toma posse nesta quinta. Como deputado, tem direito a foro privilegiado. Só pode ser julgado pelo STF. E não foi ao Supremo que a promotoria se dirigiu.

 

A despeito da eventual ineficácia jurídica, a ação tem lá o seu significado político. Serve para lembrar que, assim como muitos outros colegas de partido e de Legislativo, Palocci assume nesta quinta um mandato diferente dos demais. É um mandato mal-assombrado. Palocci nao está só. Dos 513 deputados que tomam posse nesta quinta, nada menos que 73 estão encrencados com a Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 14h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobre Deus, Diabo, buracos, poses e pausas

Graças a Deus, o Brasil tem saído de buracos difíceis. Mas, graças ao Diabo, vem se metendo em crateras bem piores. Os sobreviventes, guindados à condição de observadores da própria tragédia, ainda têm de suportar as poses à beira do abismo.

 

Muitos, em sua espessa ingenuidade, não notam. Mas cada gesto ao lado do buraco, cada palavra, cada ponto de exclamação, cada frase é uma pose. Por vezes, uma pose converte-se em quadro memorável.

 

Alguns, diante do microfone, tentam soar mais profundos do que o abismo sobre o qual discorrem. Outros não se importam de pronunciar raciocínios rasos. Tão rasos que uma formiga pode atravessá-los a pé, com a água –ou a sensatez—pela altura das canelas.

 

É o caso do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL). O alcaide participou, no último domingo, do programa “Planeta Cidade” (TV Cultura). Permitiu-se filmar no interior de um fura-fila. Para quem não conhece, é um tipo de ônibus. Distingue-se dos demais pela má fama: foi inventado por Duda Mendonça, ainda em sua fase malufista, e encomendado sob Celso Pita, de triste memória.

 

Pois bem, a certa altura, o secretário dos Transportes do município, Frederico Bussinger, olhando a paisagem, notou que cruzavam com “algumas dezenas de motéis.” O chefe Kassab enxergou na constatação um gancho para fazer graça com o buraco da linha 4 do metro, aquele que sorveu sete vidas.

 

"Tem aquele motel ao lado do buraco do acidente do metrô que, quando veio o estrondo, imagina a zoeira que foi! Todo mundo saindo dos quartos...", diz Kassab diante das câmeras. “(...) Foi uma comédia, (...) apesar da tragicidade do momento."

 

A gracinha de Kassab foi ao Youtube. Assistindo-a (lá no alto), você se dá conta de que as partes mais importantes da fala de certas pessoas são as pausas. O diabo é que elas falam muito rápido. Acabam impedindo que se lhes aproveitem ao menos as pausas. Não há de ser nada. Tudo não passou de mais um lamentável "mal-entendido".

Escrito por Josias de Souza às 12h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Folha: Governo define concessões aos Estados

- Estadão: Mantega admite que INSS terá reforma

- Globo: CPMF agora pode cobrir o rombo da Previdência

- Correio: Lula descarta repasse da CPMF aos estados

- Valor: Rombo da Previdência pública atinge R$ 35 bi

- Zero Hora: Yeda lança plano para arrecadar R$ 500 milhões

- Jornal do Comércio: Estaleiro fecha primeiro negócio

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Liquidação!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB decide indicar Geddel para ministro de Lula

  Wilson Dias/ABr
O deputado Geddel Vieira Lima (BA) consolidou-se como o preferido da bancada de deputados do PMDB para tonificar a presença do partido na Esplanada dos Ministérios. O nome dele será levado formalmente ao Planalto assim que Lula declarar aberta a temporada de negociação ministerial. Algo que o presidente promete fazer depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, nesta quinta-feira.

Em público, os líderes do PMDB desconversam. Em privado, confirmam a intenção de indicar Geddel para integrar a equipe de Lula. Há uma preferência pela pasta dos Transportes. Mas o partido se diz aberto a aceitar outro ministério, desde que seja considerado compatível com o poderio do PMDB, maior partido do consórcio governista.

Geddel é um neo-lulista. Amigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o deputado fez renhida oposição a Lula durante o primeiro mandato. Em maio de 2003, quando os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP) lideraram a adesão de uma ala do PMDB ao novo governo, Geddel vociferou contra. Tachou a negociação de fisiológica.

Comparou-a às composições políticas feitas na era FHC, tão criticadas pelo petismo. “Não vejo nenhuma diferença”, disse Geddel, em entrevista a Andrei Meirelles, veiculada em 19 de maio de 2003. “Os métodos são absolutamente os mesmos (...). É bom registrar que nós éramos tachados de fisiológicos, mas, quando o PT faz a mesma coisa, uma parte importante da mídia brasileira diz que é ideológico”.

Dias antes, em almoço que Sarney, então presidente do Senado, oferecera a Lula, Geddel discursara em timbre inamistoso. Considerara inapropriada a adesão do PMDB ao governo que se instalara havia quatro meses e meio. Crivou o anfitrião Sarney de ironias. O discurso rendeu a Geddel um telefonema de felicitações de FHC.

Rendeu-lhe também um novo apelido. Lula pespegou em Geddel a alcunha de “Babá do PMDB”. Uma referência ao radicalismo do então deputado Babá (PT-PA), que seria expulso das fileiras do petismo por discordar da linha “neoliberal” que Lula imprimira ao seu governo depois de derrotar o tucano José Serra nas eleições presidenciais de 2002.

Geddel recusa a pecha de incoerente. Aproximou-se do PT na campanha eleitoral do ano passado. Arquiinimigo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), viu-se compelido a embarcar na canoa do petista Jaques Wagner, cuja eleição para o governo da Bahia interrompeu um domínio de 16 anos do carlismo na política baiana. Devolvido à Câmara, Geddel associou-se à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Casa. Uma opção referendada depois pela maioria da bancada peemedebista.

Ao aliar-se ao PT baiano, Geddel julga ter “repactuado o contrato político” que mantém com o povo de seu Estado. Diz que agiu às claras. Explicitou sua opção na propaganda eleitoral de rádio e televisão. Alega que, ao reelegê-lo para a Câmara, seus eleitores avalizaram a aliança que firmou com o petismo.

Embora inimigos, Geddel e ACM coabitaram a aliança partidária que se formou em torno de FHC. Foi uma convivência marcada pela tensão. Até hoje, ACM diz e repete que Geddel é “ladrão”. Chegou a distribuir na Bahia e em Brasília um vídeo intitulado “Geddel vai às compras.” O filme insinua que a família Viera Lima enriqueceu ilicitamente.

Geddel refuta a insinuação. Diz que a Receita Federal vasculhou a sua vida e a de seus familiares. Sustenta que, depois de mais de um ano de investigação, o fisco atestou a regularidade do patrimônio familiar. Lembra que ACM, em contrapartida, teve de renunciar ao próprio mandato para não ser cassado no episódio da violação do painel do Senado, na votação que resultou na cassação do ex-senador Luiz Estevão.

Além da nomeação de Geddel, a bancada peemedebista da Câmara ambiciona um outro ministério. Qualquer um. Se for atendida, Lula passará a dispor de cinco ministros peemedebistas. Hoje, o PMDB já controla as pastas das Minas e Energia, das Comunicações e da Saúde. Os postos foram preenchidos por apadrinhados dos senadores Sarney e Renan. Os deputados julgam-se sub-representados na coalizão. Daí a reivindicação de mais duas pastas. Lula sinaliza, em privado, que só vai dar mais uma. Cogita, de resto, retirar a Saúde do PMDB.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PDT decidir apoiar a candidatura de Aldo Rebelo

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Último partido a se definir na Câmara, o PDT decidiu, nesta terça (30), apoiar a candidatura de Aldo Rebelo (PC do B) ao comando da Casa. Significa dizer que, a 72 horas da eleição, o cesto do comunista foi adensado em 23 votos. Numa disputa renhida, pode significar o carimbo do passaporte de Rebelo para o segundo turno.

 

Isso, evidentemente, se todos os pedetistas respeitarem a decisão da bancada, aprovada por 17 votos contra seis. O apoio a Rebelo veio enganchado em uma segunda decisão: o PDT decidiu incorporar-se ao bloco parlamentar que reúne PSB e PC do B, outras duas legendas governistas aliadas a Rebelo.

 

O PDT deseja seduzir outras legendas para o bloco –PV, PMN, PAN, PHS e PSC. Por ora, só o PV aderiu. Confirmada a junção de todos, o bloco terá 92 deputados. Uma bancada maior que a do PMDB, hoje com 90 deputados. Para não ficar atrás, também o PMDB cogita compor um bloco com outros partidos. Bancadas maiores, de partidos ou de blocos, significam assentos mais vistosos na próxima mesa diretora da Câmara.

 

Em meio às derradeiras movimentações partidárias, o deputado-eleito Ciro Gomes (PSB-CE) voltou a pregar a unidade do consórcio governista na disputa pela presidência da Câmara. Acha que, ao dividir-se entre Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PC do B), o governismo flerta com o azar.

 

Não há, porém, o menor sinal de que Chinaglia ou Rebelo venham a abrir mão de suas respectivas pretensões. Junto com Gustavo Fruet (PSDB-PR), os dois rivais governistas reservaram um naco de seu tempo, nesta terça (30), para pedir votos aos novos deputados.

Escrito por Josias de Souza às 19h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT abre processo disciplinar contra os ‘aloprados’

  Ag. Câmara
Prevaleceu o bom senso. A Executiva Nacional do PT decidiu abrir processo disciplinar contra os dois “aloprados” que ainda permanecem abrigados em seus quadros. Oswaldo Bargas e Expedido Veloso serão julgados pelos diretórios municipais a que se encontram filiados. O primeiro, em Santo André (SP). O segundo, em Brasília (DF). Serão expulsos? O tempo e a conveniência dirão.

Como bom senso e petismo são coisa que não costumam caminhar juntos, o partido decidiu empurrar com a barriga o caso de Bruno Maranhão (foto), aquele dirigente petista que comandou a invasão ao Congresso, seguida de quebradeira. Há um processo disciplinar aberto contra Maranhão. Mas ele, até agora, não foi ouvido, para defender o indefensável. Por isso, continua integrando o Diretório Nacional do PT. Até quando? De novo, o tempo e a conveniência dirão.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ex-juiz Nicolalau deixa prisão estirado numa maca

Apu Gomes/Folha Imagem
 

A imagem foi convenientemente produzida para inspirar pena. O ex-juiz Nicolalau deixou a carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, estirado numa maca. Diz-se que a saúde de Lalau anda debilitada. Se é assim, argumenta o Ministério Público, ele deveria cumprir os 26 anos de cana a que foi condenado num hospital penitenciário.

A Justiça, porém, achou melhor devolvê-lo ao aconchego da prisão domiciliar, na confortável mansão do bairro paulistano do Morumbi. Eis aí um benefício que muitos prisioneiros anseiam. Mas poucos, muito poucos, pouquíssimos conseguem obter.   

Escrito por Josias de Souza às 18h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em reunião com partidos, Lula admite rever PAC

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

Como previsto, Lula reuniu-se nesta terça-feira (30) com os presidentes dos 11 partidos que compõem o consórcio governista. Escalado para informar aos jornalistas o que foi discutido a portas fechadas, Michel Temer (SP), presidente do PMDB, disse ter ficado “claríssimo” que o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) “não é um projeto acabado”. O governo está “aberto a discussões.”

Segundo apurou o blog em conversa com outros participantes da reunião, a disposição de Lula para acatar modificações ao plano recém-lançado foi entendida como mero recurso de retórica. De fato, o presidente não exclui a hipótese de incorporar sugestões à periferia do plano. Deixou claro, porém, que espera contar com os partidos governistas para preservar no Congresso “a espinha dorsal” do PAC.

Lula repetiu no encontro algo que ministros como Tarso Genro (Relações Institucionais) já vinham declarando publicamente. Para o governo, o PAC prevê investimentos num conjunto de obras que, por coerentes, não comportariam modificações.

O presidente classificou de “naturais” as reivindicações dos governadores. Disse que era previsível que reivindicassem o repasse de mais dinheiro para seus Estados. Mas, de novo, deu a entender que terá enormes dificuldades para atendê-los. Em declaração feita no Rio, a ministra Dilma Rousseff foi mais explícita. Disse que não há como repartir a arrecadação da CPMF com os Estados.

Na opinião de Lula, o mais conveniente seria avançar na definição de uma reforma tributária mais ampla. O diabo é que os governadores, às voltas com necessidades mais urgentes, buscam um alívio imediato dos cofres que administram. De resto, embora todos exaltem a conveniência de reformar o modelo tributário, ninguém sabe ao certo do que se trata. Os que têm idéias a respeito do tema divergem entre si. Outros nem idéias têm.

Assim, ao dizer que está aberto a aperfeiçoamentos do PAC, Lula apenas discorre sobre o óbvio. Caberá ao Congresso converter em lei as medidas provisórias e os projetos de lei que compõem o plano. E, no Legislativo, leva quem tem mais votos. O governo supõe dispor de maioria.

Na aparência, a supremacia governista é real. Porém, para que ela se traduza em votos, será preciso curar as feridas abertas com a disputa pela presidência da Câmara e, sobretudo, ratear cargos e verbas. Algo que Lula só fará depois da definição das presidências das duas Casas do Legislativo. Se desatendidas no rateio ministerial, as legendas governistas tendem a opor maiores resistências ao PAC.

Durante a reunião desta segunda, Lula disse acreditar que as divergências na Câmara serão automaticamente superadas depois de quinta-feira, dia em que os deputados escolherão o comandante da Casa para o biênio 2007-2008. Quanto ao ministério, o presidente foi lacônico. Limitou-se a repetir que cuidará “da composição do governo” depois das batalhas pelo comando do Legislativo. Não mencionou nem datas nem nomes.

Escrito por Josias de Souza às 17h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fundo de pensão valerá só para servidores novos

O Palácio do Planalto enviará nas próximas semanas ao Congresso o projeto de lei que cria o fundo de previdência da União. O texto limita as aposentadorias no setor público a R$ 2.800, o mesmo teto imposto aos trabalhadores da iniciativa privada. Quem quiser uma aposentadoria maior, terá de contribuir para o novo fundo. Porém, as novas regras valerão apenas para os novos servidores, contratados após a aprovação do projeto no Congresso.

O fundo de previdência do serviço público foi criado na reforma constitucional da Previdência, aprovada em dezembro de 2003, primeiro ano de mandato de Lula. O início de seu funcionamento depende de regulamentação. Algo que o governo vinha empurrando com a barriga e resolveu fazer agora.

Hoje, diferentemente dos trabalhadores de empresas privadas, os funcionários públicos aposentam-se com vencimentos integrais. Em princípio, pretendia-se impor o teto de R$ 2.800 e as contribuições adicionais para o fundo de previdência a todos os servidores públicos contratados a partir de 2004 (cerca de 45 mil pessoas). Mas o governo desistiu da idéia.

Optou-se pela levar ao projeto de lei uma versão mais tímida, impondo as novas regras apenas aos servidores que sentarem praça no governo depois da aprovação da regulamentação do novo fundo. O acanhamento foi ditado por razões financeiras. Embora traga benefícios às contas públicas ao longo dos anos, a criação do fundo de previdência da União impõe ao Tesouro gastos adicionais no curtíssimo prazo.

Projeções realizadas pelo governo indicaram que a inclusão dos servidores contratados desde 2004 custaria aos cofres públicos mais de R$ 10 bilhões. Por que? Incorporados ao fundo, os servidores deixariam de recolher a contribuição previdenciária de 11%. De resto, além dos servidores, também a União terá de pingar no fundo de previdência a sua parte no bolo que financiará a aposentadoria dos servidores acima do limite de R$ 2.800. Daí o governo ter optado pela versão menos ambiciosa.

 

Lula decidiu também baixar uma medida provisória transferindo cerca de R$ 18 bilhões Tesouro Nacional para os cofres da Previdência. O objetivo é corrigir parte do déficit previdenciário relativo a benefícios sociais criados pela Constituição de 88 –a aposentadoria de trabalhadores rurais que não contribuíam para a Previdência, por exemplo.

 

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) informou que os gastos sociais não serão mais contabilizados como déficit. "É computado como déficit previdenciário uma série de políticas públicas, como o subsídio ao idoso e toda a política de aposentadoria rural.” A partir de agora, disse ela, esses “investimentos em política social” passarão a ser contabilizados como despesas do Tesouro, não da Previdência.

Escrito por Josias de Souza às 16h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Folha: Estados querem R$ 13 bi para apoiar plano de Lula

- Estadão: Governadores querem mais R$ 15,5 bi para apoiar PAC

- Globo: Tesouro assumirá R$ 18 bi do rombo da Previdência

- Correio: Governadores cobram fatia no bolo da CPMF

- Valor: Demanda aquecida puxa os investimentos de autopeças

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Economia doméstica!

Benett
 

Escrito por Josias de Souza às 01h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tarso acusa mídia de proteger gestão tucana em SP

  Alan Marques/Folha Imagem
Em discurso permeado de críticas à grande imprensa, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) acusou a mídia de São Paulo de realizar uma cobertura parcial da tragédia da cratera aberta na linha 4 do metrô paulistano. Enxerga por trás do noticiário o "interesse de preservação da elite política de determinada região".

Genro evitou mencionar os nomes dos tucanos Geraldo Alckmin, ex-governador, e José Serra, atual governador de São Paulo. Esmerou-se em realçar, porém, o que julga ser um esforço midiático para não expor os responsáveis pelo surgimento de um buraco que produziu sete cadáveres.

"Pelas informações que temos recebido, [o desastre] não tem responsáveis, a gente não sabe quem é o culpado, o que ocasionou aquilo, porque o Estado não fiscalizou", disse Genro. “Aquilo que é um processo de gestão que se transformou num processo da natureza, num acidente sem nome, sem responsável, e não existe nenhum tipo de cobrança a respeito da responsabilidade".

O discurso de Tarso Genro foi proferido nesta segunda-feira (29), diante de um público de 400 pessoas. Deu-se na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante seminário sobre reforma política, pacto federativo e legitimidade parlamentar. As críticas ao comportamento da imprensa não se limitaram à cobertura do desastre do metrô de São Paulo.

Genro acusou a imprensa do eixo São Paulo-Rio de tentar pautar a reforma política. Esquivou-se de mencionar nomes de veículos de comunicação. Disse apenas que a imprensa paulista e carioca "enxerga as necessidades, as questões institucionais a partir dos interesses de seus Estados".

O ministro afirmou que, a seu juízo, que não cabe aos meios de comunicação exercer o monopólio da fixação dos rumos da reforma: "A agenda não pode vir apenas dos poderes midiáticos, que têm o poder de multiplicar a informação, mas deve ser uma conexão da sociedade com o parlamento, para que suas impurezas e erros sejam bloqueados por um sistema político renovado."

Ao discorrer sobre os escândalos que tisnaram o primeiro mandato de Lula, Genro insinuou, de novo, que a imprensa realizou uma cobertura eivada de parcialidade. Mais uma vez, eximiu-se de citar nomes. Disse que o noticiário promoveu uma “cruzada” contra o Legislativo, passando à opinião pública a impressão de que erros individuais desqualificavam todo o Congresso.   

Na opinião do ministro, sempre que as CPIs evoluíam para descobertas de malfeitos praticados por pessoas não vinculadas ao governo as denuncias da imprensam cessavam. "Não estou falando da informação que transitou, mas da pouca informação que transitou e que jogou a população contra a instituição".

Genro incitou os políticos e os formadores de opinião do Rio Grande do Sul, seu Estado natal, a medir forças com a mídia e os políticos de Estados economicamente mais poderosos. Cobrou uma mobilização dos gaúchos para obter poder informativo e capacidade de articulação capazes de disputar com Rio e São Paulo um projeto nacional.

Não fosse por uma defesa feita por Tarso Genro à liberdade de imprensa, poder-se-ia dizer que a oposição de José Serra ao PAC e o noticiário adverso vêm despertando no governo aquilo que Roberto Jefferson chamaria de “instintos mais primitivos”. O portal do PT levou ao ar um resumo da palestra do ministro, de onde o signatário do blog extraiu as informações relatadas acima (leia).

Escrito por Josias de Souza às 00h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Disputa entre Chinaglia e Rebelo vira ‘vale-tudo’

A três dias da eleição para a escolha do novo presidente da Câmara, a disputa entre Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PC do B) tornou-se uma espécie de vale-tudo. Embora representem os interesses de um mesmo governo, os dois guerreiam como opositores. Já não hesitam em desferir golpes abaixo da linha da cintura.

Em telefonema ao deputado Luciano Castro (RR), líder do PR e aliado de Chinaglia, Rebelo difundiu uma fofoca. Disse que, para obter o apoio do PMDB, o rival petista prometera aos deputados peemedebistas o Ministério dos Transportes.

Luciano saltou da cadeira. Sob Lula, a pasta dos Transportes é um feudo do PR desde a fase pré-mensalão, uma época em que a legenda ainda atendia pelo nome de PL. Presidente de honra do partido, Alfredo Nascimento deixou o ministério para concorrer ao Senado. Eleito, espera por um telefonema de Lula convidando-o a reassumir o posto.

Intrigado, Luciano discou para Chinaglia. Relatou o que acabara de ouvir de Rebelo. Chinaglia tranqüilizou-o. Disse que, há três semanas, quando o PMDB o apoiou, quem freqüentava o noticiário como “preferido” de Lula era Rebelo. Portanto, era o rival, não ele, quem tinha cacife para prometer ministérios.

Para proteger-se, Chinaglia telefonou para o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Contou o que se passara com Luciano Castro. E, de novo, negou que houvesse oferecido qualquer tipo de vantagem ao PMDB.

Chinaglia e seus seguidores disparam na direção de Rebelo o mesmo tipo de munição. Em privado, afirmam que a máquina do governo está com Rebelo. Acusam o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de oferecer cargos e vantagens a deputados que se dispuserem a votar no atual presidente da Câmara.

Até a Petrobras foi lançada na fogueira. Aliado de Renan, o dirigente da Traspetro, subsidiária da estatal, teria se pendurado ao telefone para fazer campanha por Rebelo, acusam os partidários de Chinaglia. Renan nega. Diz e repete que mandou erguer um muro imaginário nos salões que dividem a Câmara e do Senado. Ocupa-se de sua própria reeleição, não da de Rebelo. Disputa o comando do Senado com José Agripino Maia (PFL).

Não é só: Rebelo e os adeptos de sua candidatura espalham a informação de que a maioria pró-Chinaglia foi construída à base de liberação de emendas orçamentárias. Dizem, por exemplo, que Inocêncio Oliveira (PR-PE) trocou a canoa de Rebelo pela lancha de Chinaglia depois de ter desencavado duas liberações no DNIT, o antigo DNER, órgão que pende da pasta dos Transportes. Somam R$ 53 milhões.

Ricardo Barros (PP-PR) bandeou-se para o lado de Chinaglia seduzido por um empenho do mesmo DNIT (R$ 1,8 milhão) para a prefeitura de Maringá (PR), comandada por seu irmão, Sílvia Barros. Menciona-se ainda o caso de Wilson Santiago (PB), líder do PMDB e lugar-tenente de Chinaglia, que logrou arrancar da Fundação Nacional da Saúde R$ 16 milhões em emendas da bancada paraibana.

A acusação de que votos estariam sendo trocados por verbas orçamentárias azedam o humor de Marcos Lima, o assessor de Tarso Genro que faz a interface entre o Planalto e o Congresso. Desde o início da disputa, Lima vem dizendo a quem lhe pergunta que as liberações de emendas seguem o cronograma normal e são guiadas pela boa conduta ética e pelos preceitos constitucionais.

A turma de Chinaglia, por sua vez, defende-se afirmando que muitas das liberações ocorreram em fins de 2006, época em que era Rebelo, não o petista, o dodói de Lula. O presidente da República e seus auxiliares acompanham os desdobramentos da guerra na Câmara com crescente preocupação. Receiam que o jogo baixo produza feridas de difícil cicatrização.

Escrito por Josias de Souza às 23h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nicolalau volta às delicias da prisão domiciliar

  Patrícia Santos/Folha Imagem
Durou pouco, muito pouco, pouquíssimo a nova temporada de cana dura imposta ao ex-juiz Nicolalau. Nesta segunda (29), o Tribunal Regional Federal da 3a Região (São Paulo) concedeu, como sói acontecer, liminar devolvendo Lalau à condição de prisioneiro domiciliar.

 

Assim, Lalau, que fora restituído à carceragem da Polícia Federal na quarta-feira da semana passada (24), volta a desfrutar, decorridos escassos seis dias, do conforto de sua mansão, assentada no elegante bairro paulistano do Morumbi.

 

Lalau, como se recorda é aquele ex-presidente do TRT de São Paulo que carrega na biografia um desvio de notáveis R$ 169,5 milhões. Beneficia-se da prisão domiciliar desde 2003. Retornara ao xilindró a pedido do Ministério Público.

 

A Procuradoria alegou que, no ano passado, depois de uma perambulação sem-fim do processo do TRT pelos escaninhos do Judiciário, Lalau fora condenado, finalmente, a 26 de prisão. Em regime fechado. Daí a tentativa de hospedá-lo na prisão.

 

Os advogados de Lalau argumentam que o cliente ostenta um quadro de saúde precário. Neste caso, sustenta o Ministério Público, ele deveria estar num hospital penitenciário, não em casa. A decisão desta segunda, por liminar, ainda pode ser reformada. Vai ser? Façam as suas apostas.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governadores apresentam a conta do apoio ao PAC

Marcello Casal Júnior/ABr
 

 

Reunidos nesta segunda-feira (29), em Brasília, 12 governadores deitaram sobre o papel as reivindicações que desejam ver discutidas na reunião que terão com Lula no próximo dia 6 de março. Querem beliscar um naco da CPMF (imposto sobre o cheque) e da CIDE (contribuição cobrada sobre o consumo de combustível e destinada à conservação de estradas).

 

Para resumir, os chefes de executivos estaduais pedem o seguinte:

 

1. repasse para os tesouros estaduais de 20% da arrecadação da CPMF. Em 2006, o imposto cobrado nas transações financeiras rendeu ao governo federal R$ 32 bilhões.

 

2. aumento de 29% para 46% da fatia da CIDE que é destinada aos Estados. No ano passado, a União amealhou R$ 7,8 bilhões com a contribuição cobrada dos consumidores de combustíveis;

 

3. tudo somado, a conta dos governadores alça à casa dos R$ 11 bilhões por ano. Não é pouca coisa para um governo federal às voltas com a necessidade de promover cortes em suas próprias despesas.

 

Como se fosse pouco, os governadores reivindicam ainda a renegociação das dívidas que amarram os cofres estaduais a Brasília. De saída, querem que o governo federal devolva aos Estados R$ 2 bilhões que foram depositados como caução para renegociação da dívida externa estadual em 1996, sob Fernando Henrique Cardoso.

 

Nenhum dos governadores associa o atendimento das reivindicações ao apoio que podem dar ou não ao recém-lançado PAC (Pacote de Aceleração do Crescimento). A vinculação, porém, salta, indisfarçável, das declarações recolhidas ao final do encontro.

 

“Destravar o crescimento é desafogar os Estados”, disse, por exemplo, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). “Se não houver flexibilização para os Estados investirem, esse esforço do governo federal [o PAC] será muito tímido", ecoou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).

Estiveram na reunião de Brasília os seguintes governadores: o pefelista José Roberto Arruda (DF); os tucanos
Aécio Neves (MG), Cassio Cunha Lima (PB) e Yedda Crusius (RS); os petistas Marcelo Déda (SE) e Wellington Dias (PI); os peemedebistas André Puccineli (MS), Luiz Henrique (SC), Paulo Hartung (ES) e Eduardo Braga (AM); o pepista Alcides Rodrigues (GO); e Blairo Maggi (MT), no momento sem partido.

O documento dos governadores será entregue ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), escalado por Lula para fazer a interface com os Estados. Espera-se que até o dia 6 de março, o governo federal consiga destrinchar a pauta, informando o que pode e o que não pode ser atendido. Digna de nota a ausência de José Serra (PSDB), governador de São Paulo, cujas críticas ao PAC, conforme noticiado aqui no blog, desgostaram Lula.

Esse é um deabte que, apesar de inóspito, você, caro leitor, deve acompanhar de perto. Há muitas dúvidas quanto ao rumo que os cifrões irão tomar. Mas uma coisa é certa: permanecendo nos cofres de Brasília ou migrando para os tesouros estaduais, a conta é bancada por você.

Escrito por Josias de Souza às 18h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Debate na Câmara expõe briga de governo X governo

O ponto alto do segundo debate entre os candidatos à presidência da Câmara veio  no finalzinho, quando os três candidatos foram instados, no bloco derradeiro, a fazer suas últimas considerações. Expôs-se diante das câmeras uma divergência que sacode os subterrâneos do Legislativo: a inusitada disputa que o governo trava consigo mesmo.

 

O Palácio do Planalto foi à guerra da Câmara, como se sabe, com dois candidatos: Aldo Rebelo (PC do B) e Arlindo Chinaglia (PT). Ao pronunciar suas últimas palavras, Rebelo acabou expondo a raiz da encrenca. Disse que não considera prudente entregar a presidência da Câmara a Chinaglia.

 

Por que? "Não creio que se deva dar mais força a um único partido. Não julgo prudente para o próprio PT a concentração de poder." Nunca é demasiado recordar que o PT, partido de Lula, é detentor da segunda maior bancada da Câmara –83 deputados. Reivindica a presidência da Casa enganchado a um acordo firmado com o PMDB, esteio da coalizão governista e dono da segunda maior bancada –90 deputados.

 

Beneficiado pelo sorteio, coube a Chinaglia a dádiva de falar por último. Pôde, assim, responder a Rebelo. Foi à jugular: "O Aldo não fez essa avaliação quando o PT retirou a candidatura para apoiá-lo [em 2005]. O PT sabe abrir mão."

 

Chinaglia falou com conhecimento de causa. Referia-se a um sacrifício pessoal. Era candidato ao comando da Câmara em 2005, nas pegadas da renúncia de Severino “Mensalinho” Cavalcanti. Retirou-se da disputa a pedido de Lula. Abriu mão em favor de um Rebelo que, à época, tinha atrás de si um partido sem votos. O PC do B cavalgava uma bancada de escassos nove deputados (hoje tem 13). O arranca-rabo desta segunda (29) resultou no acirramento do racha governista.

 

Antes da provocação final, Chinaglia vira-se obrigado à defender-se da acusação, feita pelo rival Gustavo Fruet, de que sua candidatura vincula-se à tentativa de José Dirceu de arrancar do Legislativo uma anistia política. Teve de sair em defesa do PT num outro instante do debate. Foi no instante em que o questionaram sobre declarações recentes de outros dois expoentes do governismo: o deputado Ciro Gomes e o governador pernambucano Eduardo Campos, ambos do PSB.

 

Ciro e Eduardo haviam atribuído a pertinácia com que Chinaglia arregaçou as mangas pela presidência da Câmara à “fome do PT por cargos”. “É preconceito”, redargüiu Chinaglia. "O PT tem erros, não é um partido perfeito. Se o PT tem poder é porque o povo quis. Qual é o preconceito, o ódio contra o PT?". Chinaglia ainda emendou: "Daqui a pouco vão questionar a eleição do Lula."

 

Chinaglia foi emparedado também pelo rival Gustavo Fruet (PSDB-PR), que disputa a presidência com o apoio do PSDB e das legendas da “ terceira via”. O tucano afirmou que a eleição do petista e mesmo de Rebelo significaria o “continuísmo” na Câmara. Realçou o fato de que ambos destacaram-se como líderes do governo na Casa. E disse que é preciso acabar com impressão de que o comando da Câmara é uma espécie de ministério do Executivo no Legislativo.

 

De novo, o candidato petista foi beneficiado pelo sorteio. Falou por último. Lembrou que, no início de sua campanha, teve de responder, dia sim, outro também, às insinuações da imprensa de que estaria contrariando os interesses de Lula. O presidente declarara que seu “preferido” era Rebelo.

 

Chinaglia julga ter-se firmado como candidato da Câmara, não do Planalto. De resto, lembrou que o argumento da independência do Legislativo não era invocado pelo PSDB na época em que, sob FHC, a Casa foi presidida pelos "aliados" Aécio Neves (PSDB) e Luiz Eduardo Magalhães (PFL). Truco.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O fiscal do metrô e as suas ligações perigosas

As relações da grande empreita com o Estado são de uma monotonia inaudita. Sabe-se onde começam –na doação às arcas do candidato. Sabe-se também onde terminam –na irregularidade. A obra da linha 4 do metrô não haveria de escapar desse tipo de sina.

 

O repórter Alencar Izidoro revela que o gerente de construção da linha 4, que faz a ponte entre o governo e o consórcio construtor, é réu em processo que o acusa de ter mantido relações, digamos, heterodoxas, com uma das empreiteiras que cavam os túneis do metrô paulistano. O gerente se chama Marco Antonio Buoncompagno. A empreiteira é a Andrade Gutierrez.

 

Marco Antonio foi nomeado para cuidar das obras do metrô sob Geraldo Alckmin. Foi mantido no posto sob José Serra. O processo que o liga à Andrade Gutierrez é antigo. Foi ajuizado em 1992. Não fosse pelo surgimento da cratera do metrô, o caso continuaria longe da curiosidade pública, soterrado sob os escombros da burocracia do Judiciário.

 

Quem acusa Marco Antonio? O Ministério Público. Qual é a acusação? Segundo os procuradores, ele teria participado de um esquema que resultou no enriquecimento ilícito de Antonio Sergio Fernandes, presidente do Metrô de São Paulo à época em que o Estado era governado por Orestes Quércia.

 

Como funcionava o esquema? Segundo o Ministério Público, a Andrade Gutierrez e uma outra construtora (Mendes Júnior) eram brindadas, por meio de aditivos aos contratos originais, com reajustes injustificados nos preços das obras. Em troca, as empreiteiras repassavam parte do serviço a uma empresa chamada Engemab, aberta em 1989 pelo mesmo Marco Antonio que hoje gerencia a linha 4.

 

Não é só: a denúncia do Ministério Público sustenta que Marco Antonio era amigo de Antonio Sérgio, o presidente do metrô da era Quércia. E usava o dinheiro que as empreiteiras pingavam na sua Engemab para construir, graciosamente, residências para o próprio Antonio Sérgio e alguns de seus auxiliares. As casas foram erguidas em Alphaville, um condomínio chique assentado na grande São Paulo.

Procurado, Marco Antônio preferiu não comentar o episódio. O Judiciário, em seu ritmo de tartaruga manca, ainda não julgou o processo. Ninguém, portanto, foi ao rol dos condenados. A pergunta que bóia na superfície da cratera do metrô é a seguinte: por que diabos um funcionário que tem sobre os ombros um processo assim, digamos, tão cabeludo foi nomeado sob Alckmin e mantido sob Serra em função tão estratégica?

PS.: Apenas 24 horas depois da veiculação desta notícia, o gerente da linha 4 do metrô pediu afastamento do cargo.

Escrito por Josias de Souza às 15h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Folha: Fiscal da linha 4 é acusado de ligação com empreiteira

- Estadão: Agroenergia atrai mais capital externo

- Globo: Recriada por Lula, Sudam responde a 290 inquéritos

- Correio: Governadores unem forças para mudar PAC

- Valor: Divergência entre Poderes emperra fundo do servidor

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Espetáculo do crescimento!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Lula, obsessão por 2010 está ‘cegando’ Serra

Joel Saget/France Presse
 

Lula está uma arara com José Serra. Acha que a “idéia fixa” pela sucessão presidencial de 2010, “está cegando” o governador de São Paulo. Atribui as críticas de Serra ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) à “obsessão” por firmar-se, desde logo, como principal liderança da oposição.

Na opinião de Lula, manifestada sob reserva, Serra comete um erro “primário” em política. Resumiu assim o equívoco: “Ele está entrando na chuva muito cedo. Até 2010, vai estar ensopado. Acaba pegando pneumonia.” Acha, de resto, que Serra arrisca-se a passar para o eleitorado a impressão de que coloca suas ambições pessoais acima do interesse nacional.

Lula surpreendeu-se com as críticas de Serra ao PAC. Esperava ouvir reparos de governadores. Dispôs-se a acolher sugestões construtivas. Mas não contava com ataques acerbos como os que foram pronunciados pelo governador paulista.

Serra tachou o PAC de “tímido”. Considerou “fracas” e “vazias” as medidas previstas no programa. São, a seu juízo, providências insuficientes para interromper o ciclo de letargia que inibe o crescimento econômico do país.

Lula cogitou responder pessoalmente a Serra. Mas, preocupado em se preservar para o novo encontro que terá com os governadores em 6 de março, optou pelo silêncio. Preferiu escalar o ministro Guido Mantega (Fazenda) para fazer o contraponto a Serra.

Foi a combinação com o chefe que levou Mantega a ironizar Serra: “Ou não leu o plano ou então leu o plano errado", disse o ministro. "O Serra deve estar achando que o PAC é o Brasil em Ação ou o Avança Brasil [planos do governo FHC], nos quais ele teve participação. Esses, sim, foram programas tímidos. O PAC não tem nada de tímido."

Lula receia que a escalada de Serra leve um outro tucano, Aécio Neves, a subir o timbre das críticas ao PAC. O governador de Minas é tão presidenciável quanto Serra. Para não ceder terreno ao rival dentro do PSDB, pode sentir-se tentado a falar mais grosso que o habitual.

Curiosamente, Lula enxerga no PSDB de hoje similaridade com o PT de ontem. Numa espécie de autocrítica tardia, o presidente diz que o tucanato ensaia agora o mesmo tipo de oposição “intransigente” que o petismo fazia no passado. Esperava algo mais “sofisticado” e “inteligente” do PSDB.

No encontro que manteve com os governadores no dia do lançamento do PAC, Lula desenvolveu um raciocínio que tinha como destinatários os ouvidos de Serra e Aécio: “Estou fazendo um esforço para o país voltar a crescer. Quero entregar o país melhor do que encontrei. Penso no Brasil. Já não posso concorrer à presidência. O próximo presidente pode sair desta sala.”

Para Lula, os ataques de Serra ao PAC, que considera “precipitados” e "injustos", em vez de render votos, vão envenenar a opinião pública contra o governador. Como contraponto, o presidente menciona as boas relações que vem conseguindo manter com outros chefes de executivos estaduais. Classifica de "exemplar" o comportamento de Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro.

Escrito por Josias de Souza às 01h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em nota sobre Executiva, PT esconde ‘aloprados’

O PT reúne sua comissão Executiva Nacional nesta segunda-feira (29). O encontro será às 18h, na sucursal brasiliense do partido. Em nota veiculada em seu portal, o partido anuncia a reunião sem mencionar o tema mais espinhoso que será levado à mesa: o destino dos “aloprados” do dossiê.

Quem lê o texto do partido fica com a impressão de que os membros da Executiva tratarão só de três temas: as chances do petista Arlindo Chinaglia na queda-de-braço pelo comando da Câmara, as relações do petismo com o governo e a organização do Congresso do partido, que ocorrerá no meio do ano.

Nenhuma linha sobre o debate que se fará acerca do futuro de Oswaldo Bargas e Expedito Veloso, os dois “aloprados” que continuam ostentando a estrela vermelha na lapela. Conforme já noticiado aqui no blog, há duas propostas boiando no ar.

Para um naco do PT, à frente o recrutador Ricardo Berzoini, deve-se dar o dito por não dito. Tudo em benefício de Bargas e Expedito. Outra parte da legenda, à esquerda de Berzoini, cobra a promessa de expulsão. Quer levar a dupla à comissão de ética.

Ao calar sobre a “alopragem”, o PT amplifica a algaravia que vem dos armários da legenda, já abarrotados. É um tipo de rumor que tende a aumentar a cada cabide acrescentado à coleção. Certos silêncios, por ensurdecedores, reclamam resposta imediata. Logo, logo o país saberá se o PT está ou não disposto a responder às interrogações que o assombram.

Escrito por Josias de Souza às 00h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobre pedras, promessas, inação e desconversa

Quando Lula e o PT chegaram ao poder, em 2003, descobriram que já não havia na cena política brasileira nenhum pecado original. Puseram-se, então, a cometer velhos pecados. Repetiram vícios praticados sob FHC, Collor, Sarney e um enorme etc.

Pilhado, o petismo passou de atirador a alvo. Para esquivar-se das pedras, Lula disse que os erros não eram nem de indivíduos nem de partidos, mas do sistema político apodrecido. Na pele de candidato à reeleição, disse que, reconduzido ao Planalto, viraria o sistema do avesso.

 

O vídeo acima exibe discurso feito por esse Lula candidato, no dia 23 de setembro de 2006, na cidade pernambucana de Olinda. Ouve-se a voz de um político determinado. Fala em alterar até mesmo, veja você, os regimentos internos da Câmara e do Senado.

 

Pois bem, Lula juntou pedras e votos e logrou reconstruir o seu castelo. Mas, devolvido à cadeira de presidente, já não parece tão empenhado em reformar coisa nenhuma. Muito menos a política, ainda sob escombros.

 

No ano passado, ecoando o presidente, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) referia-se à reforma política como a “mãe de todas as reformas”. Teria de preceder qualquer outra iniciativa do novo governo, fosse ele chefiado por Lula ou por Geraldo Alckmin.

 

Na semana passada, falando ao blog, Genro disse que as reformas política e tributária continuam sendo essenciais para o país. Mas já não as considera assim tão fundamentais para o novo governo. Diz que Lula passará muito bem sem elas nos próximos quatro anos.

 

Política e tributos constam da pauta do encontro que Lula terá com os governadores em 6 de março. Ao afrouxar o discurso, o governo contribui para que a conversa resulte em mero lero-lero, em desconversa. Uma pena.

 

A assessoria de Genro está elaborando um rol de pontos passíveis de reformulação na esfera política e partidária. O ministro diz que o texto será entregue aos novos presidentes da Câmara e do Senado. Caberá ao Legislativo, segundo o ministro, decidir se implementa ou não as modificações.

 

A experiência mostra que, num regime como o brasileiro, presidencialista, o ritmo do Congresso é ditado pelos humores do Executivo. Assim, ou Lula põe mãos à obra ou a coisa não anda. O governo corre o risco de desperdiçar a sua hora. Perdendo o viço de uma autoridade recém-renovada nas urnas, o que já é difícil tornar-se-á impossível.

 

Ao apossar-se do primeiro mandato, em 1º de janeiro de 2003, Lula já havia prometido reformar o mundo (veja no vídeo abaixo). Assegurara que travaria guerra sem trégua conta a corrupção. Reconstruiria os modelos político, tributário e até o trabalhista.

 

No curso de sua primeira administração, Lula conviveu com a corrupção. E só conseguiu reformar o Palácio da Alvorada. Assim mesmo porque os grandes empreiteiros entraram com a grana. No ritmo em que as coisas caminham, a campanha de 2010 promete. Os problemas serão os mesmos. Os discursos também.

 

Escrito por Josias de Souza às 19h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A última da net: alugam-se mercenários ideológicos

Há na Alemanha um sítio dedicado ao ramo do aluguel. Chama-se erento. Aluga qualquer coisa –de strippers a ferraris. Neste janeiro de 2007, lançou-se numa nova empreitada: a locação de mercenários ideológicos.

Por uma diária de U$ 150, pode-se alugar manifestantes profissionais. São estudantes, desocupados e aposentados. Por um troco, dispõem-se a defender qualquer causa. O sítio erent retém 4,9% dos horários de cada manifestante.

A coisa é segura. Os responsáveis pelo erent, Chris Möller e Uwe Kampschulte, asseguram que, em meio a uma agitação remunerada, é impossível distinguir um manifestante real de um alugado. Fez-se uma experiência piloto no final do ano passado.

Reuniram-se defronte do parlamento alemão algo como 200 manifestantes. Vociferavam contra uma nova lei para a área da saúde. Agiam em nome da Associação de Médicos Alemães. Havia em meio à multidão nada menos que 150 aventias brancos de aluguel. Eram manifestantes de fancaria.

De acordo com Möller e Kampschulte, o erent decidiu aventurar-se no mercado das manifestações porque encontrou demanda para o serviço. Só na primeira semana de janeiro, dizem eles, nada menos que 50 clientes fizeram consultas acerca do aluguel ideológico.

Se essa moda chega ao Brasil, partidos e candidatos terão de reprogramar suas planilhas de custos eleitorais. No instante em que a malta se der conta de que sua consciência pode valer U$ 150 ao dia, ninguém mais vai conseguir lotar comícios e passeatas oferecendo apenas transporte e sanduíche de queijo com mortadela.

Escrito por Josias de Souza às 17h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aécio trabalha para levar Fruet ao segundo turno

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Em público, o tucano Aécio Neves diz que a disputa pela presidência da Câmara é um problema restrito ao Legislativo. Em privado, o governador de Minas converteu-se em principal cabo eleitoral de Gustavo Fruet (PSDB-PR). Aécio realiza um esforço que transcende as fronteiras do PSDB.

O governador concentra-se nas bancadas mineiras. Cabala votos para Fruet em legendas governistas –PMDB, por exemplo—e também no oposicionista PFL. Facilita-lhe o trânsito o fato de estar à frente de uma administração estadual sustentada por uma aliança pluripartidária.

Aécio soa otimista mesmo nos diálogos travados entre quatro paredes. Prevê que Fruet irá ao segundo turno. Avalia que, num tête-à-tête com Arlindo Chinaglia (PT), o tucano tem chances reais de vitória. “Você vai ganhar essa eleição”, disse Aécio ao próprio Fruet.

Os dois conversaram há cinco dias, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Ao relatar a conversa a partidários de sua campanha, Fruet atribuiu a Aécio papel central na reta final da disputa.

Por ora, o otimismo de Aécio, compartilhado por Fruet, não possui respaldo numérico. Estima-se que o candidato tucano, nascido de uma articulação dos adeptos da terceira via, tem cerca de 90 votos. Para pisar o segundo turno, precisa de algo como 140 votos.

Enquete publicada neste domingo pela Folha (assinantes) revela o tamanho do desafio de Fruet. Ouviram-se 441 dos 513 deputados que escolherão o presidente da Câmara na próxima quinta-feira. Entre os pesquisados, 21,2% (93) não quiseram revelar o voto.

Outros 35,1% (155) disseram que vão votar em Arlindo Chinaglia (PT); 29,2% (129) votarão em Aldo Rebelo (PC do B). Optaram por Fruet só 14,5% (64) dos consultados. A se confirmar essa tendência, haverá segundo turno. Mas a disputa final será entre Chinaglia e Rebelo.

O gigantismo do desafio parece não assustar Aécio. Na conversa que teve com Fruet, o governador apontou similaridades entre a disputa atual e aquela que resultou na sua própria eleição para a presidência da Câmara. Lembrou que o voto secreto por vezes esconde surpresas insondáveis.

Aécio dirigiu a Câmara no biênio 2001-2002. Elegeu-se nas pegadas de uma campanha que nasceu sob o descrédito até do presidente da República de então, Fernando Henrique Cardoso. Acha que Fruet também pode surpreender. A exigüidade de tempo –faltam escassos cinco dias para a eleição—confere à previsão ares de sonho.

Seja como for, os derradeiros suspiros da campanha de Fruet levam preocupação ao Palácio do Planalto. A vitória de Fruet, sonho do tucanato, é o pesadelo do governo. Lula deve encontrar-se a sós, entre esta segunda e a terça-feira, com o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT. Quer repassar com ele os números da Câmara. Deseja certificar-se de que, havendo segundo turno, Fruet não estará nele.

Escrito por Josias de Souza às 16h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Folha: Indústria começa ano em ritmo lento

- Estadão: Se der certo, PAC trará risco de um novo apagão

- Globo: Dinheiro da habitação só dá para a metade dos projetos

- Correio: Viagem do medo nos ônibus do DF

- Valor: Cade enterra 'esqueletos' de processos sem provas

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 08h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quebra-cabeça!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 08h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As passarelas do mundo neste comecinho de 2007

As passarelas do mundo neste comecinho de 2007

Vahid Salemi/AP
 

 

Aos pouquinhos, o universo da moda vai tirando vantagem das facilidades proporcionadas pela internet. Os desfiles de alta costura de Paris, por exemplo, sempre foram coisa para privilegiados. Na última semana, Giorgio Armani, mago das agulhas, inovou. Transmitiu ao vivo, pelo msn, o seu concorrido desfile.

 

“A alta costura sempre esteve fechada para poucos e agora podemos democratizá-la por meio da internet”, diz Armani. Quem viu, viu. Quem não viu, não vê mais. O signatário do blog procurou na rede um vídeo com a reprise da exibição dos panos chiques de Armani. A busca foi inglória.

 

Como compensação aos 22 leitores deste recanto virtual, o repórter sugere o desperdício deste resto de noite de sábado numa visita à galeria de fotos organizada pelo sítio espanhol Telecinco. As imagens mostram um apanhado do passeia sobre as passarelas do mundo neste início de 2007.

 

Há trajes únicos, como este exibido acima, captado num desfile em Teerã. Além da capital iraniana, o passeio virtual percorre Barcelona, Milão, Tóquio, Hong Kong e Rio. Não deixe de dar uma olhada. Uma coisa o repórter garante: você verá semblantes bem mais vistosos do que as caras dos personagens que costumam aparecer por aqui. Não há ninguém parecido com Chinaglia, Aldo ou Fruit.

Escrito por Josias de Souza às 19h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

O gênio do Palácio da Alvorada

O gênio do Palácio da Alvorada

 

Ponha-se, por um instante nos sapatos de outra pessoa. Suponha que você se chama Lula da Silva. Mora no Brasil. Cresceu em meio à privação. Foi à luta. Driblou as adversidades. Aprendeu um ofício. Aventurou-se no meio sindical. Liderou greves memoráveis. Vergou a ditadura. Fundou um partido político. Uma legenda ascética.

Suponha que você fracassou em três tentativas de tornar-se presidente. Tropeçou no preconceito. Foi vítima de uma farsa (Collor) e de duas decepções (FHC 1 e FHC 2). Sacudiu a poeira. Manteve-se na luta.

 

Suponha que, em 2002, caminhando displicentemente por uma rua de São Bernardo, você tropeçou numa lâmpada mágica. Dela saltou um gênio. Disse-lhe que poderia pedir qualquer coisa. A vida eterna, a mulher dos sonhos... Qualquer coisa.

 

Suponha que você pensou em pedir a 'ressurreição' de Brigitte Bardot, em sua fase juvenil. Mas acabou pedindo a presidência da República. Queria mudar o país. O gênio ajeitou as coisas. Deu-lhe o Alencar de vice, o Duda para o marketing e o Serra como adversário.

 

Suponha que você se elegeu presidente. Por um desses caprichos do destino, você não mudou grande coisa. Na economia, manteve a linha Malan. Para complicar, seu partido meteu-o em escândalos em série. Você perdeu o braço direito, o esquerdo...

 

Suponha que, no instante em que seu partido preparava-se para podar-lhe as pernas, o gênio ressurgiu na sua frente. Prontificou-se a atender um segundo desejo. Você não teve dúvidas. Sapecou: “A reeleição, quero a reeleição.”

 

Suponha que o gênio ajeitou as coisas. Tirou o dossiê do caminho. Iluminou o João Santana. Inspirou-o a realçar o Bolsa Família na TV. Orientou-o a jogar no caminho de Geraldo Alckmin a casca de banana da privatização. Você lavou a alma nas urnas.

 

Suponha que o gênio, numa noite fria e seca de Brasília, reapareceu na biblioteca do Alvorada. Ofereceu-lhe um terceiro e último pedido. Você entregou a ele uma papelada recolhida na escrivaninha. “O que é isso?”, perguntou o gênio. E você: “São as sete medidas provisórias e os cinco projetos de lei do PAC.”

 

Suponha que o gênio abespinhou-se: “PAC?!?!” Você tentou acalmá-lo. “Sim, o PAC, programa de aceleração do crescimento. É a aposta da minha vida, a redenção da minha biografia. Desejo que você me dê PIBs de pelo menos 5%.”

 

Suponha que o gênio impacientou-se. “Quer dizer que eu te dei a reeleição para isso? Mágica tem limites! Você não precisa de gênios. Procure o Sarney, o Renan... Entenda-se com o Temer. Agarre-se ao PMDB.” Enfiando-se de volta na lâmpada, o gênio balbuciou: “Ora, francamente.”

Suponha que você sabe que o gênio não volta mais. O que fazer? Rezar? Reforçar a cota ministerial do PMDB? Ou arrepender-se de ter perdido a Brigitte Bardot?

Escrito por Josias de Souza às 18h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Lula repete tática eleitoral para ‘vender’ PAC

Ricardo Stuckert/PR
 

 

“Serei o mercador do PAC, o garoto-propaganda do programa”, disse Lula a um auxiliar na última quinta-feira. Para “vender” o seu Plano de Aceleração do Crescimento, o presidente decidiu repetir a tática que usou no ano passado, para arrebanhar votos na campanha reeleitoral. Vai visitar obras. “Uma atrás da outra, três ou quatro por mês”, segundo afirmou.

 

Lula tem pressa. Começa a correr o país já na próxima semana. Deve visitar pelo menos quatro Estados. Em todos eles participará de solenidades relacionadas a obras incluídas no plano de investimentos do PAC. Foi o modo que encontrou de se contrapor ao discurso ácido com que alguns governadores vêm se referindo ao plano que  anunciou na última segunda-feira (22).

 

Entre os mais críticos está o tucano José Serra (PSDB). O governador de São Paulo tachou as medidas do PAC de “fracas” e “vazias”. Disse que não produzirão a onda de crescimento econômico antevista pelo governo –4,5% em 2007 e 5% ao ano até 2010. Pois bem, São Paulo é um dos Estados que Lula visitará neste primeiro périplo da “caravana do investimento”, como um auxiliar do presidente refere-se ao ciclo de viagens.

 

Será na sexta-feira (2 de fevereiro). No final da manhã, Lula vai “inaugurar” a pedra fundamental de uma usina de polipropileno da Petrobras na cidade de Paulínea –uma das mais de cem obras listadas no PAC. Antes, de “pisar o calo de Serra”, o presidente massageará o ego no Nordeste. Percorrerá, provavelmente na quarta-feira (24), três Estados governados por aliados do PSB.

 

Vai à Pernambuco do governador Eduardo Campos (PSB), ao Rio Grande do Norte de Vilma Faria e ao Ceará de Cid Gomes. Os três são entusiastas do PAS. Enxergam no pacote a perspectiva de uma derrama de verbas federais em suas searas.

 

“Não estamos interessados nem no jogo de perde-ganha nem no jogo de perde-perde. O nosso jogo é o do ganha-ganha”, diz, por exemplo Eduardo Campos, que espera obter para o seu Estado, nos próximos quatro anos, algo como R$ 21 bilhões. Ele acompanhará Lula numa visita ao porto pernambucano de Suape. Ali, serão assinados contratos para a construção de uma dezena de navios da Transpetro, subsidiária da Petrobras.

 

Com suas viagens, Lula espera popularizar o PAC junto à sociedade. Quer criar na cabeça do brasileiro a idéia de que o plano nem é “fraco” nem é “vazio”, como dizem os críticos à José Serra. Seria, ao contrário, "forte" e "consistente", com obras bem definidas e dinheiro reservado.

 

As viagens do presidente não constituem segurança de que o crescimento econômico virá na proporção imaginada pelo governo. Mas, como estratégica de marketing, tendem a surtir efeito. Lula aproveita-se de investimentos que, com ou sem o PAC, já constavam do cronograma de investimentos de estatais como a Petrobras.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Banco Mundial desdiz Alckmin sobre obra do metrô

*Orlandeli
 

 

Um incômodo mistério ronda a cratera do metrô paulistano. Por que o governo de São Paulo não fiscalizava as obras? Titular do Palácio dos Bandeirantes na época da contratação do consórcio de empreiteiras, Geraldo Alckmin (PSDB) acomodou a encrenca no colo do Banco Mundial. Foi, porém, desmentido por um diretor do banco.

 

Eis a versão de Alckmin: co-financiador da obra, o Banco Mundial teria determinado que o contrato da linha 4 do metrô seguisse o modelo “porteira fechada” ou "chave na mão". Funciona assim: acertados o preço e o dia da entrega, o contratante confere autonomia plena aos contratados. Nada de problemas ou despesas extras. Só quer saber da obra pronta. Delega-se aos construtores até a tarefa de fiscalizar a si mesmos.

 

Como casamento de princesa com dragão é coisa pouco encontradiça, fez-se necessário ouvir a versão do Banco Mundial. Chama-se Jorge Rebelo o diretor da instituição que cuida dos negócios relativos ao metrô. Ele desdisse Alckmin. Afirmou que o Banco mundial nem exigiu nem recomendou coisa nenhuma.

 

Rebelo não chega a livrar a cara do Banco Mundial. Mas também não hesita em arrastar Alckmin e seu ex-governo para o fundo da cratera: "O tipo de contrato usado em cada processo de licitação é definido em comum acordo entre o banco e o prestatário [aquele que toma o empréstimo, no caso, o governo de São Paulo] durante a preparação e negociação do empréstimo", disse ele.

 

Segundo Rebelo, o projeto da linha 4 do metrô “vinha sendo estudado há mais de dez anos”. E o modelo de contrato “foi julgado o mais apropriado por todos os envolvidos."

 

A obra feita sob a modalidade " chave na mão" é, de fato, o sonho de todo governador. O sujeito contrata a inaguração, vai à sombra, e só volta na hora de cortar a fita. O diabo é há mais armadilhas entre o céu e a Terra do que supõe a esperteza. E a mágica, quando resolve cobrar o seu preço, não deixa barato.

 

O tucanato, agora representado por José Serra, teve de voltar ao buraco antes do dia em que seria descerrada a placa. Encontrou, além do vexame, sete cadáveres. E começou o jogo de esconde-esconde.

*Ilustração do sítio do ilustrador Orlandeli.com. Nao deixe de visitar. 

Escrito por Josias de Souza às 12h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Folha: Déficit da Previdência é política social, diz Lula

- Estadão: Rombo da Previdência é política social, diz Lula

- Globo: Lula diz que crescimento agora, 'ou vai ou racha'

- Correio: Polícia do DF escapa do arrocho de Lula

- Valor: Cade enterra 'esqueletos' de processos sem provas

Leia os destaques de capa dos jornais deste sábado.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terra de gigantes!

Airon
 

Escrito por Josias de Souza às 01h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Isentado pelo Senado, Suassuna é indiciado pela PF

Depois de ter sido inocentado por seus pares, no Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB), foi indiciado, nesta sexta-feira (26), pela Polícia Federal. O senador é acusado de envolvimento com a máfia das sanguessugas. Indiciou-se também, pela mesma razão, a deputada Celcita Pinheiro (PFL-MT). Outra que havia sido inocentada pela corporação  parlamentar, dessa vez na Câmara.

Intimados, Suassuna e Celcita foram inquiridos pela PF. O indiciamento foi feito na seqüência, a pedido de delegados que compõem uma força tarefa da polícia, escalada para escarafunchar o caso da troca de emendas orçamentárias destinadas à compra de ambulâncias por propinas.

 

O senador e a deputada tiveram seus nomes inscritos no relatório da CPI das sanguessugas. Sugeriu-se a abertura de processos para a cassação de seus mandatos. Ambos se livraram, porém, da guilhotina. Nenhum dos dois foi reeleito nas eleições legislativas do ano passado. Significa dizer que, a partir de 31 de janeiro, perdem o direito ao foro privilegiado.

 

Assim, em vez de seguir para o STF, os processos contra Suassuna e Celcita serão remetidos para juízes de primeira instância. Instado a comentar a decisão da PF, o quase ex-senador alegou que, como não fora comunicado acerca do indiciamento, nada diria. A futura ex-deputada não foi localizada.

 

Contra Suassuna, pesa a acusação de ter destacado assessores de seu gabinete para negociar emendas com Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia que superfaturava ambulâncias. Acusa-se o senador de ter recebido R$ 240 mil em propinas. Algo que ele nega. De pés juntos.

 

Quanto a Celcita, o próprio Luiz Vedoin disse, em depoimento à Justiça Federal, que deu R$ 50 mil, em 2002, à deputada. O dinheiro teria irrigado as arcas eleitorais do comitê de campanha de Celcita. O mimo foi materializado em dois chegues de R$ 25 mil, da empresa Santa Maria, pertencente à família Vedoin.

 

Há 84 congressistas encrencados no escândalo das ambulâncias. Desse total, a Polícia Federal já indiciou 16. Nenhum deles foi reeleito em 2006. Ou seja, todos serão submetidos ao crivo da primeira instância do Judiciário. Espera-se que, no curso do processo, a Viúva consiga reaver ao menos parte do que $umiu de sua bolsa.

Escrito por Josias de Souza às 01h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TSE reinicia apuração do dossiêgate em cinco dias

TSE reinicia apuração do dossiêgate em cinco dias

O Tribunal Superior Eleitoral retoma na próxima quinta-feira, dia 1º de fevereiro, a investigação judicial aberta no ano passado contra Lula. Tenta-se apurar se houve abuso de poder econômico e de autoridade no caso da tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

 

Aberta em 19 de setembro de 2006, a pedido da coligação PSDB-PFL, a investigação teve de ser interrompida no final de dezembro, por conta do recesso do Judiciário. De volta ao trabalho na próxima semana, o corregedor-geral eleitoral do TSE, ministro Cesar Asfor Rocha (foto), que cuida do caso, irá notificar os acusados, para que apresentem defesa por escrito.

 

Encontram-se sob investigação, além de Lula, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça); o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT; e os petistas que se envolveram no dossiêgate, aqueles que o presidente apelidara de “aloprados”.

 

O ministro Asfor Rocha informou ao blog, nesta sexta-feira (27), que, além da notificação aos acusados, vai intimar as testemunhas arroladas no processo. Serão inquiridas pessoalmente, não por escrito. A lista inclui, entre outros, o procurador Mário Lúcio Avelar; o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda e o delegado Edmilson Bruno, que divulgou, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, as fotos do dinheiro (R$ 1,7 milhão) que seria usado na compra do dossiê.

 

A investigação do TSE foi retardada graças a um recurso protocolado no TSE pela coligação PSDB-PFL. Ao abrir o processo, o ministro Asfor Rocha requisitara à PF cópias dos documentos produzidos na investigação criminal do dossiêgate. Para evitar vazamentos, determinou que os dados fossem protegidos pelo segredo de justiça.

 

PSDB e PFL recorreram da decisão. Pediram que os dados fossem abertos. Asfor Rocha negou. Os partidos agravaram a decisão. Instado a manifestar-se, o plenário do TSE decidiu, por cinco votos contra dois, derrubar o sigilo judicial.

 

Diante da decisão, os advogados dos acusados, que já haviam apresentado suas defesas, pediram novo prazo. Alegaram que, à luz dos dados enviado pela PF, poderiam apresentar novos elementos de defesa. Asfor Rocha assentiu. E o desfecho do processo teve de ser adiado.

 

Nesse meio tempo, a PF concluiu o inquérito criminal. Lula foi isentado. Berzoini também. Entre os aloprados, indicaram-se só três: Valdebran Padilha e Gedimar Passos, presos com o dinheiro do dossiê; e Hamilton Lacerda, acusado de ter transportado os recursos.

 

O blog perguntou ao ministro Asfor Rocha se as conclusões da PF não prejudicam a investigação do TSE. E ele: “Não. Os objetivos são distintos. O inquérito da PF era criminal. O TSE apura eventuais implicações eleitorais. Uma coisa não tem, necessariamente, interferência direta sobre a outra.”

 

O repórter quis saber se, a essa altura, já reempossado, Lula ainda seria passível de eventual punição. E o ministro, cauteloso: “Peço desculpas, mas não posso fazer projeções sobre isso.”

 

Falando “em tese”, o ministro limitou-se a esclarecer que, em caso hipotético de comprovação de culpa, a lei não prevê apenas a cassação do diploma ou a perda do mandato do político eleito. Há outras penas, mais brandas, que ele não especificou. De resto, os envolvidos que não detêm mandatos eletivos, podem, se comprovada a culpa, amargar a perda dos direitos políticos.

 

Prevê-se que o julgamento final se dará em três meses. O advogado José Antonio Toffoli, que representa Lula no TSE, está tranqüilo quanto à isenção do presidente. Vem argumentando que, pela jurisprudência do tribunal, o abuso só se configura se ficar comprovado que o candidato se beneficiou dele, o que não teria ocorrido no dossiêgate.

Escrito por Josias de Souza às 00h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

PSDB, PFL e até PMDB se opõem ao uso do FGTS

  Folha Imagem
Além do questionada no STF por duas centrais sindicais, a medida provisória que autoriza o uso de recursos do FGTS em projetos de infra-estrutura enfrenta forte resistência no Congresso. Os três maiores partidos do Legislativo –PSDB, PFL e até o governista PMDB—fazem restrições à providência.

A oposição planeja simplesmente derrubar a medida provisória do FGTS. O PMDB vai fala em aperfeiçoá-la. O presidente da legenda, Michel Temer (SP), pretende sugerir ao governo a reedição da MP. Acha que a resistência que já se esboça no Congresso seria contornada se o governo incluísse na medida uma espécie de seguro.

 

Neste caso, se o rendimento dos investimentos fosse menor do que o das aplicações financeiras que asseguram a rentabilidade do FGTS, o governo se comprometeria a cobrir a diferença. Com ou sem seguro, tucanos e pefelistas torcem o nariz para a idéia de apropriar recursos do patrimônio dos trabalhadores para investimentos de risco.

 

No caso do PSDB, a decisão de se opor à medida foi referendada pela Executiva do partido. “Vamos votar contra”, diz Tasso Jereissati (CE), presidente do partido. No caso do PFL, o tema vai à Executiva no próximo dia 29. Desde já, o líder pefelista no Senado, Agripino Maia (RN), se antecipa: “Esse tema está sob apreciação judicial. Não se moverá uma palha aqui no Congresso enquanto o Supremo não se pronunciar a respeito da ação movida pelas centrais sindicais (CGT e Força Sindical).”

 

Entre os oposicionistas, a aversão não se restringe ao uso do FGTS, que começará com R$ 5 bilhões e pode chegar, segundo estima o governo a R$ 17 bilhões. PSDB e PFL avaliam que todo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da forma como foi concebido, não irá resultar nos 5% de crescimento do PIB pretendidos pelo governo.

 

“O exercício de futurologia não encontra respaldo nas medidas”, diz Agripino Maia. “O governo esquivou-se de enfrentar a questão central: as reformas estruturais da economia. Não tratou nem da reforma da Previdência nem da reforma trabalhista. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) agora diz que nem a reforma política é essencial para o governo”.

 

Lula reúne o conselho político da coalizão (onze partidos governistas) na próxima terça-feira (30), antevéspera das eleições para as presidências da Câmara e do Senado. O presidente vai cobrar fidelidade dos governistas na votação do PAC. A medida provisória do FGTS tornou-se um tema incontornável do encontro.

Escrito por Josias de Souza às 19h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Formiga vermelha sob risco de extinção na Europa

Formiga vermelha sob risco de extinção na Europa

S.Gschmeissner/Efe
 

 

O Reino Unido vive um drama. A formiga vermelha (na foto, em preto e branco) está ameaçada de extinção. Conhecido cientificamente como “formica rufibarbis”, o inseto costuma freqüentar o subsolo da Europa –de Portugal à Rússia. Alarmada com o risco de sumiço perpétuo, a Sociedade Zoológica de Londres amealhou 75 mil euros numa campanha para tentar salvar a formiga vermelha.

 

No Brasil, há um espécime parecido. Aproxima-se da “formica rufibarbis” pela coloração avermelhada. Sob Lula, a colônia vicejou. Passou a sacudir as antenas, freneticamente, nos subterrâneos do Congresso e da Esplanada dos Ministérios. Diferentemente da formiga britânica, a brasileira não padece o risco de extinção. Bem ao contrário. A colônia nacional está às voltas com um programa de aceleração do crescimento.

Escrito por Josias de Souza às 15h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Sob Berzoini, PT discute situação de ‘aloprados’

Marlene Bérgamo/Folha Imagem
 

 

O fantasma do dossiêgate continua assombrando o PT. O partido reúne na segunda feira a sua Executiva Nacional. Será a primeira reunião depois da volta de Ricardo Berzoini ao comando do partido. Na pauta, uma pergunta constrangedora: o que fazer com Oswaldo Bargas e Expedito Veloso? Há duas propostas sobre a mesa: a abertura de processo disciplinar para expulsar a dupla e a reintegração de ambos aos quadros partidários.

 

Bargas e Veloso protagonizaram, no ano passado, o escândalo da tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Integravam o birô de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula. Recrutara-os o próprio Ricardo Berzoini. Bargas fora secretário do Ministério do Trabalho, na gestão de Berzoini. Veloso integrava a diretoria do Banco do Brasil.

 

Em 6 de outubro de 2006, antes do segundo turno da eleição presidencial, o PT produziu uma pantomima. Tentava-se impedir que o escândalo prejudicasse a campanha de Lula. Berzoini pediu licença da presidência do PT. Foi substituído por Marco Aurélio Garcia.

 

Em entrevista, Marco Aurélio anunciou, depois de uma reunião da Executiva petista, a expulsão dos “aloprados”, como Lula se referira aos negociadores do dossiêgate. Entre os expulsos estavam Bargas e Veloso.

Naquele dia, Marco Aurélio soou categórico: "Os filiados que assim agiram [no episódio do dossiê] colocaram-se, na prática, fora do partido. E, por decisão da Executiva Nacional, estão politicamente expulsos do PT." Era mentira.

 

Até hoje, nenhum dos “aloprados” foi levado à comissão de ética do PT. Alguns deles desligaram-se espontaneamente do partido. Bargas e Veloso bateram o pé. Ainda ostentam a condição de filiados. De volta à presidência do partido, Berzoini defende, nos bastidores, que os dois sejam declarados inocentes e reintegrados ao cotidiano partidário.

 

Integrantes de tendências esquerdistas abrigadas sob o guarda-chuva do PT pensam de maneira diversa. Acham que, a despeito de não terem sido incluídos no rol de indicados da Polícia Federal, os “aloprados” devem ser submetidos a um julgamento interno. Esse naco do petismo não engoliu nem mesmo o retorno de Berzoini. Atribuem ao deputado “responsabilidade política” pelo dossiêgate.

 

Berzoini dá de ombros para o ambiente de suspeição que o cerca. Disse há pouco, em entrevista à rádio CBN, o seguinte: “Se me sentisse constrangido não teria voltado [à presidência do partido]. Me sinto tranqüilo diante desse tema.”

 

Instado a comentar a situação de Bargas e Veloso, Berzoini esquivou-se: “Não podemos antecipar posições, sob pena de ferirmos as normas regimentais internas do partido.” Como se vê, a “expulsão” anunciada por Marco Aurélio em outubro era jogo de cena eleitoral.

 

Os “aloprados” converteram-se em mais um esqueleto no armário de escândalos do PT. O mesmo armário que guarda a proposta de julgamento dos mensaleiros da legenda, aprovada pela mesma executiva em abril de 2006. Empurra-se com a barriga, uma vez mais, a ansiada reforma do partido. Uma reforma que, no dia do segundo turno da eleição, 29 de outubro, Marco Aurélio prometera que seria profunda

Escrito por Josias de Souza às 15h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Candidatos defendem, agora, reajuste pela inflação

  Leonardo Wen/Folha Imagem
Nada de R$ 24.500 mensais. Agora, os três candidatos à presidência da Câmara defendem que os vencimentos dos congressistas sejam corrigidos pela inflação. A começar de Aldo Rebelo (PC do B) e Arlindo Chinaglia (PT), que, em dezembro, levaram as digitais à tentativa de tonificar os próprios contracheques em 90,7%.

 

Ao menos na retórica, Rebelo e Chinaglia aproximaram-se de Gustavo Fruet (PSDB), contrário ao mega-reajuste desde o início. As opiniões dos três se tocaram durante um debate realizado nesta sexta-feira (26), sob o patrocínio da Folha.

 

Retirando-se a pedra dos salários do caminho, a diferença entre os candidatos ficou quase tão imperceptível quanto roupa feminina em desfile de escola de samba.

 

Todos a favor da transparência nos gastos, a favor da independência do Legislativo, a favor da limitação das medidas provisórias, a favor do chope gelado. Todos contra a impunidade, contra a lassidão na análise do

Orçamento da União, contra o absenteísmo parlamentar e contra o câncer.

 

Lero vai, lero vem, divergiram na margem –a fidelidade partidária e o voto aberto, por exemplo. De resto, deu-se o esperado. Fruet, um franco-atirador da terceira via, abriu mais o peito. Rebelo e Chinaglia, preocupados em agradar o eleitorado da Câmara, mediram as palavras em centímetros.

 

Haverá novo debate na segunda (29). Será transmitido pela rádio e pela TV Câmara. Convém acompanhar o blábláblá com um pé atrás. Em política, como se sabe, o que se diz em público vale menos do que o que se ouve sem querer.

 

Considere-se, por exemplo, a questão salarial. Quem percorre os corredores da Câmara ouve um zumzumzum diferente do palavrório formal. Ali, partidários de Rebelo e de Chinaglia afirmam que, eleito um dos dois, a história da nova legislatura começará a ser escrita da última página produzida pela velha.

 

A caligrafia será retomada na altura do aumento de 90,7%, momentaneamente brecado pelo STF. O tema voltará à mesa pelas mãos da maioria dos líderes partidários.

Escrito por Josias de Souza às 13h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Folha: Dilma afirma que PAC é "dinheiro público na veia"

- Estadão: Serra ataca plano de Lula e pede ação dos governadores

- Globo: Comércio do Rio gasta R$ 2,6 bi com segurança

- Correio: GDF corta hora extra e imóveis funcionais

- Valor: Cade enterra 'esqueletos' de processos sem provas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jurinho Barriquelo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apoio ao PAC é condicionado ao rateio ministerial

A Esplanada dos Ministérios é menor do que a ambição dos partidos governistas

 

O consórcio governista está em polvorosa. A demora de Lula em distribuir os ministérios deixa inquietos os deputados e senadores governistas. Líderes das legendas governistas avaliam, em privado, que o presidente conduz mal a recomposição de sua equipe.

 

Lula faz chegar aos partidos um recado: quer garantias de apoio ao recém-lançado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) antes de ratear os cargos. No Congresso, diz-se que o presidente alimenta uma ilusão. Os cargos devem vir antes do apoio, não o contrário.

 

O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) convocou para a próxima terça-feira (30) o conselho político. Integram-no os dez partidos da coalizão. Lula quer arrancar dos partidos, já nesse encontro, o compromisso de suporte congressual. Ouvido pelo blog, um dirigente partidário previu, em reserva, o que vai acontecer.

 

“É obvio que os partidos não vão se opor ao PAC. No máximo, haverá uma ou outra sugestão de mudança pontual. Mas as promessas de apoio serão meramente retóricas. Se os partidos, mais tarde, se julgarem desatendidos na composição do ministério, a unidade da coalizão, que já é precária, vai ruir em dois tempos.”

 

A inquietude é maior no PMDB, justamente o partido que o Planalto tenta transformar em esteio da coalizão. Trava-se nos subterrâneos da legenda uma queda-de-braço entre as bancadas da Câmara (90 depitados) e do Senado (20 senadores), as maiores do Congresso. A pacificação custará a Lula cinco ministérios –os três que já são controlados pela legenda e mais dois.

 

Lula tem outros planos. Tenciona entregar ao PMDB apenas uma pasta além das três já confiadas ao partido. É pouco, avaliam os deputados. Desenvolve-se entre os peemedebistas da Câmara um raciocínio numérico. Diz-se que o Ministério das Minas e Energia, hoje gerido por Silas Rondeau, é do senador José Sarney (PMDB-AP). O das Comunicações, ocupado por Hélio Costa, é do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O da Saúde, entregue a Agenor Álvares não é de ninguém.

 

Álvares sucedeu na Saúde ao deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), que deixou o cargo para concorrer às eleições do ano passado. Os deputados peemedebistas não o reconhecem como um representante do partido. Querem indicar outro nome. E, para “corrigir” a “defasagem” em relação ao Senado (Sarney e Renan), reivindicam mais duas pastas. Uma delas é a dos Transportes. Outro problema para Lula.

 

Nos Transportes, o presidente quer reacomodar Alfredo Nascimento, do PR (ex-PL). Ele também deixou a pasta no ano passado, para concorrer ao Senado. Elegeu-se pelo Amazonas. Lula gosta de Nascimento. E o quer de volta. Preterindo-o, contentará o PMDB. Mas comprará briga com o PR, hoje com 20 deputados.

Lula tem problemas também com o PT. Anunciara a intenção de encurtar os espaços de seu partido na Esplanada. Acha que a eventual eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara vai facilitar-lhe a vida. Engano. O petismo avalia que, elegendo Chinaglia, ganha musculatura para reivindicar a manutenção e até a ampliação de seu quinhão no ministério.

Para complicar um pouco mais: partidos situados à esquerda da coalizão torcem o nariz para o olho grande de PMDB e PT. O PSB, que no primeiro mandato controlou a pasta da Ciência e Tecnologia (Eduardo Campos) e a da Integração Nacional (Ciro Gomes), gostaria de ocupar um terceiro ministério. Até o minúsculo PC do B, que mantém nos Esportes o apadrinhado Orlando Silva Jr., ambiciona mais um lugar na Esplanada. Há, de resto, a necessidade de abrir espaço para os noviços do governismo, como PDT. É ambição demais para pouco cargo.

Escrito por Josias de Souza às 01h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Começou o espetáculo do crescimento... da confusão

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Desenha-se sob Lula II o mesmo tipo de encrenca que conturbara o primeiro reinado. A economia ainda não cresceu. Mas a desarmonia entre desenvolvimentistas e monetaristas cresce que é uma maravilha.

 

De um lado, Guido Mantega e Dilma Rousseff. Do outro, Henrique Meirelles e a diretoria do Banco Central. Os primeiros querendo destravar. Os segundos segurando o pé de cabra.

 

A timidez do BC no manuseio dos juros reacendeu o embate. Nesta quinta-feira (24), Mantega e Meirelles voaram para a Suíça no Aerolula. Afinaram a viola com o presidente, preocupado em passar para o distinto público uma idéia de unidade.

 

Em terra firme, por ordem de Lula, Mantega e Meirelles deram uma entrevista coletiva conjunta. Simularam “sintonia”. De fato, os gestores econômicos do governo raramente discutem. Nem poderiam. Eles mal se falam.

 

Enquanto o Brasil bate cabeça em busca do graal dos 5%, vai ficando para trás. Soube-se, nesta quinta (24), que o PIB da China cresceu, em 2006, extraordinários 10,7%. É a maior taxa desde 95. A China está na bica de tornar-se a terceira maior economia do mundo, superando a Alemanha. Falta-lhe democracia, costuma-se dizer. Verdade. Mas há um sem-números de países livres que crescem mais do que o Brasil. 

Escrito por Josias de Souza às 23h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tarso Genro deve ser transferido para a Justiça

  Folha Imagem
Numa cidade como Brasília, é perfeitamente possível que três pessoas guardem um segredo. Desde que duas delas estejam mortas. Como não há notícia do falecimento de nenhum confidente de Lula, aos pouquinhos vão vazando os nomes dos integrantes do ministério do segundo mandato.

 

Soube-se nesta quinta-feira (25) que o próximo ministro da Justiça será o petista Tarso Genro, hoje acomodado na pasta das Relações Institucionais. Deve-se o vazamento ao vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB).

 

Pavan avistou-se com Marcio Thomas Bastos, ministro demissionário da Justiça. Foi pedir a construção de um posto da Polícia Federal na cidade catarinense de Criciúma. Ganhou, de quebra, o segredo. Bastos disse-lhe que só fica em Brasília até o Carnaval. Contou que Tarso será o seu substituto.

 

A inconfidência de Pavan levou Bastos a negar, por meio da assessoria, que houvesse confirmado a transferência de Genro. Tarde demais. Agora, nem matando Pavan. Seja como for, enquanto não muda de posto, o ministro Genro, ainda no comando da articulação política, vai despertando polêmicas.

Escrito por Josias de Souza às 19h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Feliz aniversário, São Paulo!

Feliz aniversário, São Paulo!

Ayrton Vignola/Folha Imagem
 

 

Aos 453 anos, São Paulo não é mais cidade. Virou entidade. A anciã é precedida pela fama. São Paulo é desregrada. Dorme tão tarde e acorda tão cedo que convive com a ilusão de que não pára. São Paulo é soturna. Tem ojetiza a cores vivas. Veste cinza. São Paulo é imprudente. Adora roleta-russa. Às vezes estoura os próprios miolos. Elege o Maluf, o Clodovil... São Paulo é hesitante. Ama o feio e o caótico. É correspondida por ambos. E, enquanto não se decide, deita-se com os dois. São Paulo é medrosa. Prefere passear no shopping, uma cidade onde a cidade não entra. Uma cidade sem os problemas da cidade. E com seguranças na porta. São Paulo é contraditória. Mora na fartura. Mas seus janelões quatrocentões dão vista para a miséria. São Paulo é resignada. Não reage a coisa nenhuma. Quando atacada pelo PCC, corre pra casa. No fundo, no fundo receia gritar por socorro. Pode aparecer a polícia. São Paulo é o elogio do capitalismo à brasileira. Dentro do Mercedes, vidro levantado, metida em roupas chiques. São Paulo é a crítica do fracasso do capitalismo à brasileira. Debaixo do viaduto, mão estendida, farrapos a recobrir-lhe o corpo. São Paulo é inventiva. Encontrou um modo diferente de sair do buraco. Cavou uma cratera bem maior. São Paulo ama a si mesma. Ostenta uma felicidade melancolicamente negativa. Sorri quando não fica encalacrada na Rebouças ou na Faria Lima, quando não morre afogada no Anhangabaú, quando não dá de cara com o revólver no semáforo... São Paulo vive com a mala no bagageiro. São Paulo não resiste a um feriado. Mesmo no seu aniversário, São Paulo não hesita em pôr o pé na estrada. São Paulo foge de si mesma. São Paulo já não se agüenta.

Escrito por Josias de Souza às 12h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Folha: Dividido, BC reduz queda de juros

- Estadão: Dividido, BC reduz o ritmo do corte de juro

- Globo: Juros caem pouco apesar do esforço para crescer

- Correio: BC contraria pacote e juro só cai 0,25 ponto

- Valor: BC frustra as expectativas da Fazenda e reduz corte de juro

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Voto con$ciente!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sugestão de reforma política de Lula inclui ‘recall’

  Alan Marques/Folha Imagem
O Palácio do Planalto começou a redigir um rol de propostas de alterações na legislação política e partidária. Lula enviará o documento aos presidentes da Câmara e do Senado eleitos em 1º de fevereiro. O texto deve incluir uma idéia polêmica: o “recall.” Trata-se de um mecanismo que permite ao eleitorado revogar os mandatos de congressistas e ocupantes de cargos executivos.

 

O “recall” abre a possibilidade de que, por meio de referendo convocado por iniciativa da sociedade, os eleitores imponham aos seus representantes o voto revogatório. Para exemplificar: o eleitorado poderia revogar pelo voto o mandato de deputados que, envolvidos em escândalos como o do mensalão e o das sanguessugas, fossem poupados em julgamentos internos da Câmara ou do Senado.

 

O governo decidiu não enviar ao Congresso um projeto de lei. Encaminhará às duas Casas do Legislativo apenas um conjunto de sugestões. O portador do documento será o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Em nome de Lula, Genro dirá aos novos presidentes da Câmara e do Senado que o Planalto se dispõe a mobilizar sua base congressual para aprovar as modificações no ordenamento político-partidário.

 

As sugestões do governo estão sendo extraídas de três documentos: um relatório produzido pelo Ministério da Justiça em 2003; um documento elaborado pela OAB e um conjunto de enunciados que o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgou em agosto de 2006. A compilação está sendo feita pela assessoria de Tarso Genro.

 

O “recall” aparece em duas das fontes que inspiram o governo. Aparece nos textos da OAB e do CDES. Em meio a temas que roçam o consenso –financiamento público de campanha e fidelidade partidária, por exemplo—, o documento a ser encaminhando pelo governo ao Congresso pode conter pontos polêmicos. Eis alguns deles:

 

1) Reduzir o mandato dos senadores de oito para quatro anos;


2) Proibir o parlamentar de mudar de partido durante toda a legislatura;

 

3) Proibir ocupantes de mandatos executivos e legislativos de disputar outros
cargos antes do término dos mandatos para os quais foram eleitos;


4) Redefinir regras sobre suplentes de senadores.


O governo desistiu de enviar um projeto de lei acabado por entender que cabe ao Legislativo a iniciativa. Considera-se que há na Câmara um projeto que pode servir como ponto de partida para a discussão: o projeto número 2.679, de 2003. Formalmente, a autoria é do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Mas, em verdade, é um apanhado de propostas apresentadas por diversos congressistas. Aproveita também sugestões de Nelson Jobim, ex-presidente do STF.

 

O relatório Caiado prevê, entre outras coisas, o financiamento público de campanha, o fim das coligações partidárias proporcionais e a votação em lista fechada –modelo em que os eleitores votam em partidos, não em pessoas. São eleitos os candidatos que estiverem nas primeiras colocações de uma lista elaborada previamente pelas cúpulas partidárias. O sistema de listas é o preferido do governo. A OAB prefere o voto distrital.

 

Ao pôr no papel as suas sugestões para a reforma política, o governo dá curso a um debate tonificado pelo mensalão. Em 2005, numa tentativa de eximir-se de responsabilidades, Lula declarou: “A principal lição que eu tiro [da crise] é que o erro não é de um partido político ou de uma pessoa. O erro é do sistema, que está apodrecido.”

Escrito por Josias de Souza às 01h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Conservadorismo do Copom espanta até o Planalto

 

 

A notícia de que o Copom reduziu a taxa de juros em apenas 0,25 pontos percentuais deixou desalentados até mesmo auxiliares diretos de Lula. Esperava-se no Palácio do Planalto que os juros fossem podados em pelo menos 0,5 pontos.

 

Ouvido há pouco pelo blog, um auxiliar direto do presidente comentou: “Com essa decisão, o Banco Central demonstra uma total falta de sensibilidade com o novo momento vivido pelo governo, hoje inteiramente voltado para a obtenção de taxas mais robustas de crescimento econômico.”

 

O assessor de Lula considerou “lamentável” a decisão do Comitê de Política Monetária. Acha que não há no horizonte nenhum risco palpável de recrudescimento da inflação. Tanto assim, argumentou, que a decisão dos integrantes do Copom não foi unânime.

 

De fato, três dos oitro integrantes do Copom manifestaram-se a favor de uma redução de 0,5 pontos na taxa de juros. Prevaleceu, porém, a opinião da maioria. E a taxa foi rebaixada de 13,25% para 13%.

 

O desapontamento da assessoria do Planalto é compartilhado por Lula. O presidente dissera, em privado, que o êxito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado na segunda-feira (22), está associado ao comportamento dos juros. Contava com a queda de 0,5 pontos percentuais.

 

A decisão da diretoria do Banco Central antecipa um conflito que parece, a essa altura, incontornável: a guerra de bastidores entre os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil), defensores de quedas mais acentuadas dos juros, e a equipe de Henrique Meirelles, que vem preferindo o caminho da cautela.

 

O Planalto não está só. Partilham do desalento o capital e o trabalho

Escrito por Josias de Souza às 20h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Juiz Lalau volta a cumprir pena atrás das grades

 

 

O ex-juiz Nicolalau, 78 anos, aquele do escândalo do TRT paulista –desvio de R$ 169,5 milhões—, foi recolhido novamente ao cárcere. Ele desfrutava do regime de prisão domiciliar desde julho de 2003. Porém, em 19 de dezembro de 2006, Lalau foi condenado a 26 anos de cana, em regime fechado.

 

Vem daí que o Ministério Público solicitou à Justiça a transferência do ex-juiz de sua casa elegante, assentada no bairro paulistano do Morumbi, para um calabouço. O pedido foi acatado pela juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal de São Paulo.

 

Lalau foi conduzido nesta quarta (24) à carceragem da Polícia Federal. Nos próximos dias, será transferido para um presídio estadual. Isso, evidentemente, se seus advogados não conseguirem reformar a decisão da juíza Montovani. Algo que já está sendo providenciado.

Escrito por Josias de Souza às 19h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bancada do PPS aprova apoio a Fruet na Câmara

Em ritmo de conta-gotas, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) vai adensando o seu cesto de votos. Reunida nesta quarta-feira (24), a bancada de deputados do PPS decidiu apoiar o tucano na disputa pela presidência da Câmara, que envolve mais dois candidatos –Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).

 

Fruet já contava com os votos do PPS, uma legenda que liderou o movimento pela “terceira via”. Mas era preciso transformar o compromisso de boca em decisão oficial. Receava-se que uma parte da bancada se bandeasse para outra candidatua. O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), chegou a corujar a hipótese de alinhar-se a Chinaglia.

 

Coube ao próprio Coruja comunicar a decisão da bancada. Informou que a decisão foi unânime. O PPS tem 20 deputados. Só nove compareceram à reunião da bancada. Os demais foram consultados por telefone. E endossaram o apoio a Fruet.

 

“É a melhor alternativa para garantir a independência da Câmara. Há muita influência do Executivo aqui dentro. Vivemos uma relação conturbada", justificou Coruja. Com os votos do PPS, Fruet contabiliza um suporte mínimo de 86 deputados –os 20 do PPS e os 66 do PSDB. Não é o bastante para vencer a disputa. Longe disse. Mas pode provocar um segundo turno entre Chinaglia e Rebelo.

Escrito por Josias de Souza às 17h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo começa a debater o PAC com os Estados

  Lula Marques/Folha Imagem
Por determinação de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) começou agendar reuniões de técnicos dos governos estaduais com a equipe do Ministério da Fazenda. As discussões serão supervisionadas pelo Palácio do Planalto. O objetivo é recolher sugestões de aperfeiçoamento do PAC (Programa de Aceleração do Desenvolvimento) e abrir a negociação dos termos de uma reforma tributária.

 

O resultado dessa série de encontros será levado à reunião que Lula fará com os governadores, no dia 6 de março. O PAC pode ser alterado? Ouça-se o que disse Tarso Genro ao blog: “É claro que os governadores vão interferir, o Congresso tem o direito de se pronunciar e certamente vai mudar coisas. Mas a centralidade estratégica que o PAC representa não será mudada.”

 

O que é centralidade estratégica? Com a palavra, de novo, o ministro Genro: “Entre os investimentos previstos no PAC, há R$ 352 bilhões que virão do caixa do Estado brasileiro. São recursos orçamentários e das estatais. Ou seja, a União tem grande poder e controle sobre esses investimentos, que têm uma coerência sistêmica. As modificações e complementações que eventualmente sejam produzidas não podem alterar esse quadro de disponibilidade de recursos. Serão mudanças regulatórias.”

 

O ministro acrescenta: “Isso não significa que não queiramos respeitar o princípio da razoabilidade. Se for mostrado que, em algum lugar, tem uma obra proposta de maneira equivocada, o que duvido, não há nenhum problema de rediscutir. As obras são feitas nos territórios dos Estados e dos municípios. A União é uma abstração. Então, é evidente que tem de haver um diálogo sobre isso.” A julgar pelo que disse nesta quarta-feira (24) o ministro Guido Mantega (Fazenda), as eventuais alterações que o governo admite promover não incluem o naco tributário do PAC.

 

Genro afirma que o PAC “não é fruto de uma invenção”. Resulta de quatro anos de debates realizados no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. “Basta analisar os enunciados que o conselho divulgou em agosto [de 2006]. Asseguro que 70%, 80% estão contemplados no PAC”. O plano contempla também, segundo o ministro, os termos programáticos que orientaram a formação da coalizão dos partidos que sustentarão o governo no Congresso.

 

Além dos governos estaduais, Genro está procurando os prefeitos de capitais. Também eles serão envolvidos no debate aberto pelo governo. Lula deseja reunir-se com os prefeitos antes de avistar-se com os governadores. Em contato com as prefeituras, o ministro está cuidando da escolha da data.

 

Além das discussões em torno do PAC, o governo espera que dessa série de reuniões resulte uma proposta de reforma tributária, tão consensual quanto possível. Daí, também, o envolvimento dos prefeitos. Por que só o das capitais? “Porque nos demais ensaios que fizemos sobre reforma tributária, sempre havia um choque de pontos de vista entre os prefeitos das capitais, que têm uma certa representatividade política, e os governadores. Há divergências em relação à natureza da reforma e aos efeitos dela nas ações das diferentes instâncias da federação. Por isso o presidente pretende realizar essa reunião com os prefeitos antes do encontro do dia 6 de março, com os governadores”.

Escrito por Josias de Souza às 16h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Funcionalismo engrossa o caldo de insatisfeitos

A bruxa anda fazendo serão em Brasília. Adensa-se dia-a-dia o caldo de insatisfação que escorre do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Depois dos queixumes dos governadores e da ação judicial de duas Centrais Sindicais, desce agora ao caldeirão a revolta do funcionalismo.

O pacote brindou os servidores públicos com reajustes de 1,5% anuais além da reposição da inflação. A regra vale até 2016. Pois bem, os companheiros da Condesef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) pintaram-se para a guerra.

 

Analisam agora a reação a ser adotada: “Nós vamos discutir com a nossa base. Em um segundo momento, se não houver avanço nas negociações, vamos ver se é a hora de uma grande greve ou se vamos buscar uma solução no campo jurídico”, disse José Milton Costa, secretário-geral da Condesef.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Folha: Plano vai mudar para atrair governadores

- Estadão: Pacote de Lula aumenta a pressão pela queda do juro

- Globo: Tribunais desobedecem à ordem de cortar salário

- Correio: Plano congela salários e põe freio em concursos

- Valor: FGTS provoca primeira batalha judicial do PAC

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Crescimento vertical!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Marketing de alcova!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Polícia do Rio vira joguete nas mãos de turistas

Costuma-se recomendar a turistas estrangeiros que, em visita ao Brasil, jamais conversem com policiais, exceto em legítima defesa. Doravante, deve-se aconselhar também aos policiais que evitem aproximações com turistas. Sobretudo quando os policiais forem despreparados e os visitantes tiveram a aparência de jovens européias de tirar o chapéu.

 

Deu-se o seguinte: em viagem ao Rio, no início de janeiro, turistas holandeses posaram para uma série de fotos ao lado de integrantes do 33º Batalhão da Polícia Militar (Angra dos Reis). Aos risos, deixaram-se algemar. Uma delas chegou mesmo a manusear um fuzil. Ao fundo, um policial de estômago espetado e um camburão.

 

De volta à Holanda, as turistas repassaram as fotos a um amigo peruano, que jogou as imagens no sítio Flickr.com nesta terça-feira (23). Descobertas pelo Globo OnLine, as cenas foram retiradas da internet.

 

Tarde demais. Informado sobre o despropósito, o comando do 33º Batalhão prometeu punir os policiais que se deixaram encantar pela beleza das visitantes. Qual será a punição? Ainda não se sabe.

 

Era só o que faltava. Enquanto o recém-empossado governador Sérgio Cabral pede auxílio à Força Nacional e ao Exército, seus policiais matam o tempo trocando gracejos com moçoilas atiradas. O Brasil precisa redobrar os cuidados com as turistas que chegam para conhecer essa terra de palmeiras e sabiás.

 

Algumas delas atravessam a aduana portando pernas roliças e olhos de coloração azul-oceano. São pares de armas que as transformam em figuras de altíssima periculosidade.

 

Veja abaixo uma seqüência com todas as fotos.

 

 

PS.: Interrogados nesta quarta-feira (24), os policiais das fotos alegaram que as armas estavam descarregadas. Concordaram em participar das encenações, segundo disseram, porque as turistas pediram (leia). Os policiais continuam trabalhando normalmente (aqui).

Escrito por Josias de Souza às 00h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula admite, pela primeira vez, modificar o PAC

Ségio Lima/Folha Imagem
 

 

Apenas 24 horas depois de ter anunciado o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), Lula admitiu, pela primeira vez, a hipótese de promover ajustes nas medidas que acaba de lançar. Deu-se num diálogo telefônico que o presidente manteve na noite desta terça-feira (23) com um dos governadores que, na véspera, prestigiara a solenidade de anúncio do plano.

 

O governador discou para Lula para repassar-lhe impressões que recolhera de outros executivos estaduais que, como ele, abalaram-se até Brasília, para assistir à discurseira desenvolvimentista que marcou o lançamento do PAC. Contou ao presidente que a insatisfação dos governadores é maior do que deixaram transparecer os jornais. Acrescentou que a animosidade espraiou-se inclusive entre governadores politicamente alinhados com o Planalto.

 

Em resposta, Lula disse que o PAC não é uma “obra fechada”. Revelou que, mercê do que lera no noticiário, já havia determinado à ministra Dilma Rousseff que procure os governadores. De viagem marcada para Davos (Suíça), nesta quarta, encomendou à chefe da Casa Civil a elaboração de um inventário das queixas. Quer começar a analisá-las logo que voltar do Fórum Econômico Mundial. Quer formar uma opinião antes da próxima reunião que terá com os governadores, no dia 6 de março.

 

Segundo disse ao governador que o procurou, Lula verificará com a sua equipe econômica, antes do novo encontro com os governadores, se há espaço para aperfeiçoar o PAC. Referiu-se ao plano como um conjunto harmonioso. Mas afirmou explicitamente que não é avesso a sugestões, desde que não conspurquem o objetivo central do governo –a retomada do crescimento econômico.

 

O interlocutor do presidente informou ao blog que Lula mostrou-se aberto ao diálogo. Aceitará sugestões de todos os que se dispuserem a apresentá-las, sejam governadores, empresários, sindicalistas ou congressistas. Só não vai admitir “a crítica pela crítica”. Lula acha que muitos estão desancando o PAC antes mesmo de analisar detidamente as medidas provisórias e projetos de lei que compõem o plano. Queixou-se genericamente da “grande imprensa”.

 

Na opinião do presidente há uma pré-disposição da mídia contra o PAC. Acredita que a sociedade, se bem esclarecida, enxergará no programa virtudes que, por ora, não foram devidamente realçadas.

Escrito por Josias de Souza às 23h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O dinheiro é do FGTS, mas o risco é todo seu

O programa desenvolvimentista de Lula ainda não tonificou o PIB, mas já começa a contribuir para aceleração do número de processos submetidos ao crivo do Judiciário.  Nesta terça-feira (23) a CGT e a Força Sindical protocolaram no STF uma ação contra o PAC. Questionam a medida provisória que autoriza o uso da grana do FGTS em projetos de infra-estrutura. Tacham-na de “inconstitucional.”

A ação já era esperada. A reação do ministro Luiz Marinho (Trabalho) é que não estava no script. O ministro é ex-presidente da CUT, uma central que, por companheira, não endossa a iniciativa de suas congêneres.

Pois bem, Marinho veio aos microfones para assegurar algo que foge ao seu controle –“Estou seguro de que não teremos prejuízo, não vamos financiar qualquer projeto"—e para injetar maldade numa poção que já está por demais envenenada –havendo prejuízos, o Tesouro é, no limite, “o garantidor.”

Em português claro, Marinho esclarece o seguinte: o governo vai meter a mão no patrimônio do trabalhador. E você, caro leitor, tenha ou não dinheiro depositado no FGTS, será chamado a cobrir eventuais prejuízos resultantes da aventura. Mal comparando, a brincadeira assemelha-se a luta de boxe em que a Viúva entra com a cara.

O patrimônio líquido do FGTS –dinheiro que excede aos depósitos feitos em nome dos trabalhadores de carteira assinada—é , hoje, de R$ 21,1 bilhões. É nesse dinheiro que o governo quer bulir. Vão ao caldeirão do PAC, de saída, R$ 5 bilhões. Num segundo momento, pretende-se beliscar R$ 17 bilhões. As decisões de investimento serão tomadeas por um conselho companheiro. Se a coisa não funcionar, Marinho e o governo lavam as mãos.

 

Nos gabinetes do Planalto e da Esplanada, o avanço sobre o FGTS é justificado com o argumento de que se está perseguindo a bonança nacional. Vale a pergunta: quantas vezes a bolsa da veneranda senhora foi chamada a honrar prejuízos decorrentes de planos concebidos em nome da bem-aventurança coletiva?

Escrito por Josias de Souza às 19h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bispa Sonia vai à internet vestida de presidiária

 

 

O calvário dos líderes da Igreja Renascer ganhou uma cara. A polícia do condado norte-americano de Palm Beach levou à internet a foto da bispa Sonia (acima). Exibe uma face desconhecida de seus fiéis seguidores. Falta-lhe a maquiagem e o sorriso de mostruário que costuma exibir nos cultos da Renascer.

 

Nota-se, de resto, à altura do ombro, a camiseta branca e o blusão caqui de presidiária. Trajes bem distintos dos modelitos que a bispa costuma envergar. Ela não sai ao meio-fio sem recobrir o corpo com o que há de mais fino em matéria de roupas desde que a indústria da moda deu os seus primeiros passos, nas pegadas do pecado que privou a humanidade do Éden.

 

A bispa e seu marido, o apóstolo Estevam Hernandes, foram às algemas no último dia 9 de janeiro. O FBI pilhou-os no instante em que cruzavam os umbrais da alfândega de Miami. Declararam portar US$ 10 mil. Verificou-se que levavam muito mais: US$ 56 mil. Conheceram o gosto do pão que Asmodeu amassou.

 

Na semana passada, a bispa e o apóstolo conseguiram se livrar da cana dura. Obtiveram a liberdade condicional. Deixaram o calabouço com um aparato que permite à polícia norte-americana vigiar-lhes os passos: uma tornozeleira eletrônica. Não podem deixar os EUA antes de acertar contas com a Justiça. Nesta terça (23), um júri deve decidir o futuro do casal nos EUA.

Escrito por Josias de Souza às 17h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB desce do muro; agora, do mesmo lado (!?!?)

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Reunida nesta terça-feira (23), a bancada de deputados do PSDB decidiu apoiar a candidatura do tucano Gustavo Fruet (PR) à presidência da Câmara. O líder do tucanato na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA) disse que a deliberação foi aclamada por todos os presentes.

 

E quantos eram os presentes? Só 45 dos 66 deputados tucanos compareceram à reunião. Há duas semanas, o mesmo Jutahy informara que, mediante sondagem telefônica, 44 tucanos haviam optado pelo apoio a Arlindo Chinaglia, candidato do PT ao comando da Câmara.

 

Assim, o apoio do PSDB a Fruet deve ser levado a sério, por ora, apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. A julgar pela “aclamação” desta terça, o PSDB teria descido do muro de maneira uniforme, todos de um mesmo lado. Porém, levando-se em conta o que se diz nos subterrâneos, há tucanos com um pé do outro lado da parede.

 

Conforme já noticiado aqui no blog, um naco do PSDB continua tricotando com Chinaglia, a despeito dos muxoxos de FHC e de outros líderes tucanos. Aguarda-se apenas pelo infortúnio de Fruet no primeiro turno para despejar votos no cesto do petista no segundo round da disputa. Como o voto é secreto, ninguém pode assegurar que a divisão não se materialize já na primeira fase. Chinaglia, que não nasceu ontem, diz que estão de pé os acertos que firmou com o tucanato.

 

Também nesta terça, o PSB tornou oficial algo que o mundo já sabia: o apoio a Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Entre os socialistas, a coisa parece estar mais organizada. Segundo o governador Eduardo Campos (PE), presidente da legenda e condutor da reunião da bancada (foto abaixo), haverá só duas defecções: Luiza Erundina (SP), fechada com Fruet, e Júlio Delgado (MG), compromissado com Chinaglia.

 

Marcello Casal/ABr

Escrito por Josias de Souza às 15h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Internauta brasileiro torra 21 horas por mês na net

Na era da informação instantânea, o futuro vai se insinuando com tal rapidez que o agora está prestes a ser incorporado à Idade da Pedra Lascada. Pesquisa realizada pelo Ibope/NetRatings revela que um número crescente de brasileiros desperdiça o presente pendurado à rede mundial de computadores.

 

Considerando-se apenas os internautas que utilizam computadores em suas residências, o tempo médio de navegação mensal é de 21h39min por pessoa. O dado refere-se a dezembro de 2006. Supera o indicador do mês anterior em 8%. Não é pouca coisa.

 

Entre os dez países que mantém a mesma metodologia de medição, o Brasil é  o que mantém o maior tempo médio de navegação. Está à frente de Espanha, Japão, Reino Unido, EUA, Austrália, França, Alemanha, Suíça e Itália.

"Foi o oitavo mês seguido em que o tempo por usuário residencial no Brasil ficou acima das 20h mensais e a primeira vez que passou das 21h", disse o analista José Calazans, do Ibope.

2006 foi um ano de recordes para a internet residencial brasileira, informa o Ibope. Além de consolidar-se na liderança do rempo de navegação, o número de usuários mensais da internet ultrapassou a casa das 14 milhões de pessoas, 18% a mais do que fora registrado um ano antes, em dezembro de 2005.

 

É crescente o número de pessoas que recorrem à internet no Brasil para farejar bens de consumo. Mais da metade dos internautas visitaram sítios de comércio eletrônico em dezembro de 2006. Não se sabe quantos efetivaram alguma operação de compra.

 

Vem dos EUA um outro dado alvissareiro –ou catastrófico, dependendo do ponto de vista. Pesquisa do instituto Nielsen revela que o número de visitantes dos blogs atingiu a impressionante marca de 3,8 milhões de internautas. Lá, os blogs respondem por 13% das visitas feitas a sítios estacionados na rede. Um acréscimo se 4% em relação ao ano passado.

 

Outra pesquisa feita nos EUA pelo Pew Internet & American Life Projet informa que cresce o número de pessoas que utilizam a internet como fonte de informação política. Comparou-se o consumo de informações relativas às eleições legislativas de 2006 com o pleito de 2002. Entre os norte-americanos adultos, 15% disseram que se valeram da internet como principal meio de informações sobre a campanha eleitoral do ano passado. Em 2002, o percentual fora de 7%.

 

O crescente interesse pela internet tonifica o movimento da publicidade rumo ao cristal líquido. Na Europa, informa pesquisa do eMarketer, prevê-se que o investimento publicitário na rede mundial de computadores será, em 2007, de US$ 7,5 bilhões. A cifra é 25% mais robusta do que a registrada no ano passado. Estima-se que até 2010, a internet responderá por algo como 9,4% dos investimentos publicitários.

 

Os trovadores do amanhã costumam dizer que o futuro da mídia tradicional, impressa, está amarrado no rabo da publicidade. Para onde forem os anúncios, irão também as letras dos jornais. Assim, são cada vez menos despropositadas as previsões de que, no futuro, os jornais serão compelidos a migrar do papel para a plataforma digital. Em quem velocidade? O tempo –e os anunciantes—dirão.

Escrito por Josias de Souza às 14h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Folha: Plano de Lula é criticado por empresários e governadores

- Estadão: Dinheiro público sustenta plano

- Globo: Lula: 'Aqui não se cresce sacrificando a democracia'

- Correio: Lula ensaia novo rumo econômico

- Valor: PAC é tímido nos gastos e no ajuste

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tenda dos milagres!

Benett
 

Escrito por Josias de Souza às 06h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para seduzir Serra e Aécio, Lula acena com 2010

Marcello Casal/ABr
 

 

No esforço que empreende para obter o apoio dos governadores de Estado ao seu plano de desenvolvimento econômico, Lula lançou mão, nesta segunda-feira (22), de um argumento eminentemente político: “Estou fazendo um esforço para o país voltar a crescer”, disse o presidente aos chefes de executivos estaduais. “Quero entregar o país melhor do que encontrei. Penso no Brasil. Já não posso concorrer à presidência. O próximo presidente pode sair desta sala.”

 

Terminado o encontro, que ocorreu minutos antes do lançamento formal do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), um governador petista achegou-se a Lula: “Parabéns, presidente. O argumento foi nota dez.” E Lula, com um riso nos lábios: “Precisava adoçar a boca do Serra e do Aécio.”

 

Os dois presidenciáveis tucanos eram aguardados com muita ansiedade no Planalto. José Serra confirmara presença na semana passada. Aécio Neves ameaçara ignorar o convite. Mas acabou cedendo à máxima de seu avô: “Convite de presidente da República não se recusa,” dizia Tancredo Neves. Dos 27 governadores só dois deram de ombros para a reunião do Planalto: o de Roraima, Ottomar Pinto, e o de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira.

 

Lula disse que deseja aproximar-se dos governadores. Gostaria de ter estreitado relações, segundo disse, já no primeiro mandato. Mas a conjuntura eleitoral “não deixou”. De novo, uma referência indireta ao PSDB de Serra e Aécio.

 

O presidente convidou os presentes para uma outra reunião. “Uma conversa mais calma, sem hora para acabar.” Chegou mesmo a marcar data: 6 de março. Fixou também a pauta: reforma tributária e reforma política.

 

Era notável o esforço de Lula para fazer com que Serra e Aécio se sentissem em casa. Em dado momento, a pretexto de descontrair Serra, deixou mal o governador Roberto Requião (Paraná). Deu-se no instante em que Serra entrou na sala em que se realizou o encontro.

 

O governador paulista estava ao lado do colega de Pernambuco, Eduardo Campos. Lula tricotava com Requião. Ao avistar Serra, puxou-o pelo braço: “Ô, Serra, não quero fazer intriga, mas o Requião está falando mal de você.” Requião não se deu por achado: “Realmente, estava falando mal. Mas era pelas costas. Pela frente é falta de educação”. Serra sorriu amarelo.

 

A expectativa de Lula é a de que os governadores exerçam influência sobre a representação de seus respectivos Estados no Congresso. Daí o seu esforço para convencê-los de que o seu programa desenvolvimentista está “bem amarrado”, como disse no encontro.

 

A julgar pelo que disseram em público e em privado, Serra e Aécio não saíram do Planalto convencidos das virtudes do plano. O governador de Minas expôs suas divergências em público. O de São Paulo saiu calado. Mas, reservadamente, disse que o crescimento econômico depende da redução mais acentuada dos juros e do ajuste da taxa de câmbio.

 

Como se vê, o açúcar de Lula parece ter sido insuficiente para “adoçar” a boca de Serra e Aécio. Imagine-se se os dois presidenciáveis tucanos presenciado o ato falho de Lula na reunião anterior, com os presidente dos partidos governistas: “Temos quatro anos para colocar tudo isso em prática. E quatro anos, vocês sabem, é muito pouco” (leia texto abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 22h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Quatro anos é muito pouco’, diz Lula a partidos

Marcello Casal/ABr
 

Lula reúne Conselho Política para pedir o apoio dos partidos governistas ao PAC

 

Antes de desembrulhar em público o seu pacote desenvolvimentista, Lula reuniu-se a portas fechadas com os presidentes dos partidos do consórcio governista. Disse que as novas providências são ambiciosas. Realçou que algumas delas apontam para o ano de 2023. E pronunciou uma frase inusitada: “Temos quatro anos para colocar tudo isso em prática. E quatro anos, vocês sabem, é muito pouco.”

 

Ao ouvir o comentário, alguns dos presentes entreolharam-se, trocando sorrisos. O próprio presidente se deu conta da inoportunidade do que acabara de dizer. E sorriu amarelo. Encerrado o encontro, os dirigentes partidários fizeram troça de Lula. Um deles comentou, em tom de blague: "Hugo Chávez está fazendo escola." Uma referência ao plano do presidente da Venezuela de modificar a Constituição de seu país, para injetar no texto um artigo prevendo a possibilidade de reeleição presidencial perpétua.

 

Depois do ato falho, Lula disse na reunião que, ao divulgar o Programa de Aceleração do Crescimento, cumpre o compromisso de dotar a coalizão governista de uma “base programática”. E fez um apelo: “Preciso ter a garantia de que os partidos que estão conosco vão defender essas medidas no Congresso”, afirmou o presidente.

 

O presidente fez uma rápida referência à disputa pela presidência da Câmara, que opõe dois candidatos governistas -Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PCdo B). Evitou posicionar-se a favor de um ou de outro. Disse apenas que confia no discernimento dos partidos que o apóiam. Acha que, passado o dia 1º de fevereiro, data da eleição, a atmosfera de disputa será substituída pela retomada da “unidade”.

 

Alguns dos presentes esperavam que Lula dissesse meia dúzia de palavras a respeito da reforma ministerial. O presidente frustrou a expectativa. Limitou-se a dizer que só vai tratar do tema em fevereiro. Assim mesmo, evitou pronunciar a palavra "ministério". "Vou tratar do governo só depois do dia 1º [de fevereiro]," afirmou. Foi o bastante para que todos compreendessem que não haveria espaço para debater o tema.

 

Lula chegou à reunião no instante em que o ministro Guido Mantega (Fazenda) resumia parte do pacote aos presidentes de partido. Ele iniciara sua fala depois de uma curta introdução feita pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Lula esperou pelo término da exposição de Mantega e pelas explicações adicionais que foram dadas por Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

Depois da intervenção de Lula, a reunião foi encerrada. Os presidentes de partido não puderam se manifestar. Combinou-se que o conselho político será convocado novamente, em data a ser definida. Aí sim os partidos poderão fazer as suas avaliações e, se for o caso, sugerir modificações no plano.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘A montanha pariu um rato’, afirma líder do PSDB

  Folha Imagem
Os técnicos que estão a serviço do PSDB fizeram no início da tarde desta segunda (22) uma análise preliminar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Baseando-se nesse primeiro exame, Arthur Virgílio (AM), líder dos tucanos no Senado, refere-se às novas medidas com um velho brocardo: “A montanha pariu um rato.”

 

Virgílio disse há pouco que o pacote do governo contém providências “novas e boas”. O problema, diz ele, é que “aquilo que é novo não é bom, como a volta da indexação dos salários do servidor público. E o que é bom não é novo –o foco nos investimentos em infra-estrutura, por exemplo.” Pressione aqui para ler sobre a repercussão do PAC entre entidades empresariais e sindicais.

 

Segundo Virgílio, um dos pontos que chamaram a atenção dos técnicos no exame preliminar do pacote é a “falta de consistência fiscal das medidas.” O senador espantou-se com o fato de que “não foi divulgada nenhuma providência de corte de gastos públicos.”

 

Virgílio antevê problemas também com a admissão do governo de que a meta de superávit primário do setor público pode cair de 4,25% para 3,75% do PIB. “No começo”, diz ele, “ninguém vai notar, porque a inflação está muito baixa e os juros nominais podem continuar caindo. Mas isso pode representar a semente de uma retomada inflacionária mais adiante”.

 

O líder tucano enxerga o PAC como uma evidência do “fim da era Palocci”. Acha que, diferentemente do que ocorreu no período em que Antonio Palocci (PT-SP) chefiou a pasta da Fazenda, o governo passou a priorizar os gastos em detrimento do rigor fiscal. O que, para Virgílio, prenuncia um novo embate interno no governo.

 

“Vejo um quadro fiscal ruim. O que levará, a curto ou médio prazo,  um choque entre a nova czarina da Economia, a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) e a direção do Banco Central.” Para Virgílio, “não há dúvidas quanto ao fim da era Palocci.” Resta agora, diz ele, “o presidente Lula definir se a era Dilma virá com o sacrifício do compromisso com o rigor fiscal.”

 

A dúvida é estimulada, prossegue Virgílio, “pelo fato de que o pacote atual não enfrentou como deveria o nó fiscal.” Realça o fato de que, “exceto por uma vaga referência a um grupo de trabalho para estudar o déficit da Previdência, não há no pacote nenhuma referências às reformas estruturais.”

 

Virgílio diz, de resto, que o governo não tem como assegurar que os investimentos privados incluídos no pacote vão se materializar. “Como eles podem ter segurança de uma coisa dessas? Cadê o marco regulatório para a área energética? O governo se limitou a fazer uma declaração de intenções”.

 

Segundo o líder tucano, o PSDB “vai analisar com lupa as medidas”. A idéia do partido, diz ele, “é ajudar o governo.” “Vamos aprovar tudo aquilo que nos parecer positivo. Mas ressalto que houve uma grave omissão na coluna das despesas públicas. Estão armando uma armadilha fiscal que pode não ficar nem para o sucessor do presidente. Pode complicar a vida do próprio Lula.” O tema será debatido na reunião da Executiva do PSDB, marcada para a próxima quinta-feira (25).

Escrito por Josias de Souza às 17h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PAC será um sucesso, caso não seja um fracasso

O governo deu à luz, finalmente, ao Plano de Aceleração do Crescimento. Prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões no período de 2007 a 2010. A cifra resulta de uma previsão. E, como toda antevisão, pode ou não se confirmar. Há evidências de que o governo flerta com o erro. Mas é preciso reconhecer: será um erro suado. Os técnicos poderiam ter optado por uma cifra redonda. O número quebrado, a ousadia da vírgula demonstra o compromisso com o equívoco suspeitamente planejado.

 

Por que o desacerto ronda o PAC? Simples: o programa desenha um futuro róseo manuseando o chapéu alheio. Dos R$ 503,9 bilhões, só R$ 67,8 bilhões –ou R$ 16,95 bilhões anuais—virão do orçamento da União, sujeito ao controle estrito dos gestores públicos. Os restantes R$ 436,1 bilhões vêm das estatais e, sobretudo, da iniciativa privada.

 

As estatais já vinham realizando seus investimentos em anos anteriores. Nem por isso o país livrou-se de seus PIBinhos constrangedores. E quanto aos empresários, eles vão investir? O governo acha que sim. Mas crescimento econômico não se constrói à base de achismos. Hoje, um empresário que investe suas sobras de caixa em títulos públicos obtém, sem nenhum esforço, rentabilidade de cerca de 9% ao ano.

 

Para trocar o conforto do mercado financeiro pela incerteza da produção, o dono da grana precisa se convencer de que a conjuntura lhe oferece segurança. Uma sensação que não vem do dia para a noite. Por ora, falta o básico: a convicção de que as Agências Reguladoras estarão à salvo da sanha politiqueira.

 

O grande acerto da aposta de Lula consiste na virada de página. Passou-se a falar de crescimento, eis a grande novidade. Tão cedo a mudança de foco não trará os efeitos anunciados –a evolução da economia a taxas entre 4,5% e 5% do PIB. Mas o país se volta para o que interessa: o desenvolvimento. Nesse sentido, as medidas representam um avanço notável.

 

Houve uma lacuna relevante no anúncio do PAC. O governo não apresentou uma mísera providência que sinalize a disposição de conter os seus próprios gastos. Esperava-se que Guido Mantega desfiasse no Planalto um rosário cortes orçamentários. Mas o ministro limitou-se a informar que essa parte da história será contada nas próximas semanas.

 

O silêncio de Mantega mostra que mesmo os R$ 67,8 bilhões que o governo se dispõe a transformar em investimentos deve ser levado a sério apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. É preciso dizer de onde vai sair a gaita. A evidência de que, por ora, há mais dúvidas do que certezas é a admissão de que a meta de superávit fiscal pode ser reduzida dos atuais 4,25% para 3,75%.

 

De resto, há armadilhas escondidas nos meandros do pacote. Para estimular o empresariado a investir, acena-se com uma poda nos impostos que, de saída, será de R$ 6,6 bilhões. Mas só serão beneficiados os setores escolhidos pelo rei. Uma forma canhestra de fazer política industrial.

 

Não é só: ao assegurar ao funcionalismo público um aumento real de 1,5% acima da inflação, o governo traz de volta algo que havia sido abolido pelo Plano Real: a famigerada indexação. Cria-se uma despesa certa num cenário de receita incerta. Afora todas essas dúvidas, o plano será submetido ainda à fricção da tramitação legislativa. Há na praça 11 medidas provisórias e cinco projetos de lei pendentes de aprovação. A coalizão será posta à prova. A unidade custará muitos cargos e vantagen$.

Escrito por Josias de Souza às 15h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Folha: Lula quer vender ações de bancos para financiar PAC

- Estadão: Petrobras vai bancar 40% dos investimentos do pacote

- Globo: Lula admite que fez o pacote que era possível

- Correio: Lula e seu pacote: É tudo ou nada

- Valor: Europeus e EUA perto de acordo que reabriria Doha

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Iguaria!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 07h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Força tarefa fará defesa de plano no Congresso

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

O Palácio do Planalto montou um grande aparato para o anúncio, nesta segunda-feira (22), do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Uma hora antes de  desembrulhar o pacote, às 10h, Lula se reunirá, com os presidentes dos dez partidos políticos que integram o consórcio governista. Pedirá o empenho de todos para transformar o programa em realidade, aprovando-o no Congresso.

 

“Agora, o jogo começa pra valer”, disse Lula a um auxiliar na noite deste domingo (21). “É hora de saber quem está do nosso lado e quem está contra nós.” O presidente disse que vai compor uma "força tarefa" para levar informações aos congressistas e defender o seu programa no Legislativo. Quer que os ministros abram espaço em suas agendas para uma negociação política que incluirá os contatos com a oposição. A fase congressual, que se segue ao anúncio das medidas, é “a mais complicada”, acredita Lula.

 

O governo antevê problemas com a oposição. O que torna a unidade das forças governistas, mais do que conveniente, impositiva. Os receios são fundados. Antes mesmo do anúncio do PAC, os oposicionistas já afiavam o discurso. “O plano é tímido”, disse ao blog, por exemplo, o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado. “Por tudo o que foi noticiado, já sabemos que o programa não inclui reformas vitais como a previdenciária e a trabalhista. É preciso ver também como vai ficar o controle das contas públicas.”

 

Michel Temer, presidente do governista PMDB, conversou com o repórter, pelo celular, no instante em que se preparava para embarcar, na noite deste domingo, no avião que o levaria de São Paulo para Brasília. "Sinto que há um certo receio entre os parlamentares de que as medidas sejam tímidas", disse ele. "Mas é preciso esperar pela divulgação oficial, para não incorrer em juízos precipitados."

 

Num esforço para romper o cordão de ceticismo que começa a se formar em torno de seu pacote, Lula determinou que fossem convidados para a solenidade desta segunda, além de governadores alinhados com o Planalto, os chefes de executivos estaduais filiados a legendas oposicionistas. Aguarda-se com certa ansiedade pela presença dos governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).

 

Lula espera converter todos os governadores em aliados na queda-de-braço do Congresso. Alega que o PAC inclui investimentos que interessam aos Estados. Foram convidados para a solenidade, de resto, líderes empresariais de diferentes setores da economia. Muitos deles são doares de campanhas eleitorais. E, assim como os governadores, têm capacidade de angariar simpatias no Legislativo.

 

São dez os partidos cujos representantes participarão da reunião com Lula: PMDB, PT, PSB, PC do B, PP, PR, PTB, PDT, PV e PRB. Em privado, o presidente diz que levará em conta o comportamento de cada legenda na hora de definir seu novo ministério. Diz que os novos ministros, que serão indicados em fevereiro, terão de provar-se capazes de traduzir o prestígio pessoal em votos no Congresso.

 

O governo jogará pesado para tentar manter intocada a espinha dorsal de seu programa, baseado num tripé: desoneração tributária, controle dos gastos do governo e tonificação dos investimentos públicos. O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirma que não há no pacote nenhuma emenda constitucional. Vão ao Parlamento apenas medidas provisórias e projetos de lei, cuja aprovação depende de maioria simples na Câmara e no Senado.

 

A experiência mostra que pacotes do gênero, sempre anunciados com pompa, costumam tropeçar nas circunstâncias. Quanto à pompa, o PAC não deixa a desejar em relação a seus congêneres do passado. Resta saber se o governo será capaz de esquivar-se dos tropeços. O jogo começa logo depois da exposição que os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) fará na solenidade do Planalto.

Escrito por Josias de Souza às 23h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘PAC é peça de resistência do 2º mandato’, diz Lula

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Em reunião iniciada por volta das 18h, Lula define, no Palácio da Alvorada (foto), os últimos retoques do PAC (Plano de Aceleração da Economia). As medidas serão anunciadas nesta segunda-feira (21), em solenidade marcada para as 10h.

Lula chegou à sua residência oficial às 17h. Pela manhã, ainda em São Paulo, ele trocou telefonemas com dois governadores aliados. Um deles contou ao blog que o presidente está “excitado” com a iminência do lançamento do PAC.

“O presidente me disse que esse programa é a peça de resistência do segundo mandato dele”, contou o governador ao repórter. “A julgar pelo que ele diz, a coisa é bem ambiciosa, com metas de investimento para os próximos quatro anos. Além de uma sinalização para o desenvolvimento do país até o ano de 2010”.

Às voltas com restrições orçamentárias, os técnicos do Ministério da Fazenda injetaram no PAC previsões de investimentos também de empresas estatais. Ao chegar ao Alvorada, o ministro Guido Mantega foi inquirido a respeito do volume total de investimentos. Disse que a cifra pode ultrapassar a casa dos R$ 300 bilhões. Em conversas que manteve no sábado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) mencionou o valor de R$ 500 bilhões até 2010.

Além de ministros de Estado, o presidente convidou para o encontro deste domingo o deputado-eleito Ciro Gomes (PSB-CE). A presença de Ciro no Alvorada foi interpretada como um sinal de que o deputado será guindado novamente à condição de ministro na recomposição da Esplanada, prevista para fevereiro.

Além de Ciro, Mantega e Dilma, foram ao Alvorada os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais), Pedro Brito (Integração Nacional), Márcio Fortes (Cidades) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).

Escrito por Josias de Souza às 20h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A ‘terceira via’, nas palavras de Fernando Gabeira

*Orlandeli

A chamada “terceira via” nasceu de olho no retrovisor. Depois de observar o estrago que a atual legislatura deixou pelo caminho, um grupo de deputados tentou jogar novos dados no tabuleiro da Câmara.

 

Tentou dar carona a um candidato alternativo do PMDB, o maior partido. Deu em nada. Mirou no PT, dono da segunda maior bancada. Nada. Encontrou no PSDB alguém disposto a embarcar na aventura. E foi de Gustavo Fruet.

 

As chances de êxito da candidatura são precárias. Parte do tucanato não vê a hora de chegar ao segundo turno, para readerir Arlindo Chinaglia (PT). Outro naco do tucanato flerta com Aldo Rebelo (PC do B).

 

Assim, o embate final ganha os contornos de uma disputa do governo com ele mesmo. Vença quem vencer, abre-se a perspectiva de que o Planalto continue fazendo da atividade legislativa um jogo de dados viciados.

 

Um dos idealizadores da “terceira via”, o deputado Fernando Gabeira publica em seu blog um texto em timbre realista acerca do movimento em que se meteu. Não joga a toalha. Tampouco canta vitória.

 

Para Gabeira, embora a reação tenha nascido como “uma modesta ciclovia”, logrou apontar rumos: “a independência do Congresso e a reconstrução das pontes com a sociedade”. O diabo é que a maioria dos deputados parece dar de ombros para os tais “rumos.”

 

O Congresso custa à Viúva cerca de R$ 6 bilhões por ano. “Só a Câmara”, diz Gabeira, “consome cerca de R$ 3 bilhões. É o orçamento de 30 cidades médias brasileiras. É razoável pedir transparência nos gastos”.

 

Gabeira reconhece que o “horizonte eleitoral” da disputa travada na Câmara “é limitado por questões de salário”. Aposta que, embora muitos quisessem os 91% de reajuste, “o bom senso indica outra direção”.

 

O deputado lamenta que as campanhas de Chinaglia e Rebelo comportem-se “com se não houvesse escândalos”. Os candidatos “não se referem a eles nem propõem a reconstrução das pontes com a sociedade”.

O que fazer? “Somos poucos”, reconhece Gabeira, “mas a ciclovia nos ensina algo válido para a história: é preciso pedalar sempre”. Para os pessimistas, dou dois argumentos.

 

O próprio Gabeira parece movido mais à base de dúvida do que de certezas. “Vamos plantar uma semente nas 513 cabeças”, diz ele. “Quantas vingarão? Quantos plantarão de volta boas sementes em nossas cabeças?” Não há alternativa, reconhece Gabeira, senão “continuar pedalando”. O diabo é que a "terceira via" parece pedalar numa daqueles bicicletas aeróbicas, que não saem do lugar. Serve para derramar suor e fortalecer a musculatura. Mas uma hora cansa.

 

*Ilustração do texto foi extraída do belo sítio do ilustrador Orlandeli. Visite.

Escrito por Josias de Souza às 19h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Contagem exibe dianteira de Renan sobre Agripino

 Sérgio Lima/F.Imagem
A dez dias da eleição que irá definir o nome do próximo presidente do Congresso, levantamento realizado pelo blog nos subterrâneos do Senado demonstra que Renan Calheiros (PMDB-AL) é favorito à reeleição. José Agripino Maia (PFL-RN) ainda não é um adversário inteiramente batido. Mas as chances de vitória do candidato oposicionista são bem menores do que as de Renan, o preferido de Lula.

São 81 os senadores que definirão a disputa, marcada para 1° de fevereiro. Será problemado eleito o candidato que obtiver pelo menos 41 votos. Em apuração realizada nas últimas duas semanas, o signatário do blog verificou que 73 “eleitores” já se definiram: 39 estão com Renan; 34 com Agripino. Os oito restantescompõem o bloco dos votos duvidosos.

 

Pressione aqui para ler a planilha com o esquadrinhamento dos votos dos senadores. O levantamento baseou-se no cruzamento do mapa eleitoral dos dois comandos de campanha. Para chegar à posição final dos senadores, o repórter cotejou os dados oficiais com declarações que eles vêm fazendo em seus diálogos privados.

 

considerando-se o atual balanço dos votos, para que Agripino prevalecesse sobre Renan, ele precisaria atrair para o seu lado pelo menos sete dos oito votos duvidosos. O problema é que apenas dois dos senadores supostamente indecisos –Patrícia Sabóia (PPS-CE) e Neuto de Conto (PMDB-SC)—pendem para Agripino. Outros três –Pedro Simon (PMDB-RS), Renato Casagrande (PSB-ES) e Expedito Gomes (PPS-RO)—balançam para o lado de Renan. Há também uma trinca –Romeu Tuma (PFL-SP), Delcídio Amaral (PT-MS) e Fernando Collor (PRTB-AL)—que é vista pelos seus próprios pares como efígies indecifráveis.

 

Agripino poderia estar mais bem-posto na disputa. Há cerca de um mês, dava como certo o apoio de Simon. O colega, porém, emite sinais de que roeu a corda. Além de Simon, Agripino esperava abrir no PMDB de Renan uma clareira de seis votos. Só obteve quatro: Jarbas Vasconcelos (PE), Mão Santa (PI), Almeida Lima (SE) e Garibaldi Alves (RN).

 

Para piorar, dois dos votos subtraídos do inimigo foram compensados por deserções verificadas no exército de Agripino. Bandearam-se para o lado de Renan Edison Lobão (PFL-MA) e João Tenório (PSDB-AL). Tenório vai de Renan por influência do governador alagoano Teotônio Vilella Filho (PSDB). Lobão segue a liderança de José Sarney (PMDB-AP). Agripino ainda sonha com o voto dele. Mas está sozinho em sua crença.

 

Na reta final da campanha, a guerra do Senado experimenta suas batalhas mais renhidas. Embora cruentos, os embates são silenciosos, sorrateiros. Um exemplo: Agripino e seu grupo flertam há dias com o governador do Rio, Sérgio Cabral. Sussurram nos ouvidos dele que, vencendo no Senado, Renan acumularia mais poderes no PMDB do que os governadores eleitos pelo partido. O pefelê quer que Cabral, num gesto de traição a Renan, empurre para o cesto de Agripino o voto de seu suplente, o recém-chegado senador Regis Fichtner Velasco (PMDB-RJ).

 

Abriu-se uma outra frente de batalha nos arredores do senador Romeu Tuma. Filiado ao PFL de São Paulo, Tuma era computado como voto certo para Agripino. Porém, passou a considerar a idéia de transferir-se de mala e cuia para o PMDB. Incomoda-o a ascensão de Guilherme Afif Domingos no PFL paulista. Agripino continua contando com o voto de Tuma. Mas seus próprios aliados vêem a causa como perdida. De chegada no partido Renan, Tuma não ousaria votar em Agripino.

 

Há ainda uma troca de ritos à volta da senadora Patrícia Sabóia (PSB-CE). Ex-mulher de Ciro Gomes, Patrícia é amiga de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que tenta convencê-la a votar contra Renan. Em meio ao tiroteio, surge uma aliança insuspeitada. Heloisa Helena (PSOL-AL), cujo mandato de senadora termina no final de janeiro, também é amiga de Patrícia. E, a exemplo de Jereissati, fala no ouvido dela -e no de Simon- por Agripino. Move-a a vontade de cortar as asas de Renan, que faz e acontece na política alagoana. 

Escrito por Josias de Souza às 13h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Folha: Metrô optou por método mais arriscado

- Estadão: Pacote do crescimento divide equipe de Lula

- Globo: Tráfico aluga armas pesadas para fortalecer quadrilhas

- Correio: Por que os jovens do DF morrem tão cedo

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Zona protegida!

Escrito por Josias de Souza às 02h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Obama, um nome que merece um naco de atenção

Obama, um nome que merece um naco de atenção

  AP
Você talvez já tenha ouvido dele. Se não ouviu, convém prestar atenção aos movimentos de Barack Obama. Trata-se da mais vistosa novidade produzida pela política norte-americana nos últimos tempos. Cavalgando a impopularidade de George Bush, Obama tenta chegar à Casa Branca. Muitos o vêem como um azarão. Mas caminha a passos largos para deixar de sê-lo.

Obama tornou-se oficialmente candidato à sucessão de Bush na última terça-feira (16). Registrou seu comitê na Comissão Eleitoral Federal dos EUA. Deseja ir às urnas como postulante do Partido Democrata. O mesmo que obteve maioria congressual nas eleições legislativas de novembro de 2006, interrompendo uma supremacia republicana de 12 anos.

Para seguir adiante, Obama terá de bater no Partido Democrata a rival Hillary Clinton. Como ele, a mulher do ex-presidente Bill Clinton sonha com a presidência. Pôs-se em movimento neste sábado (20). Outros três candidatos disputam a vaga democrata: John Edwards, Tom Vilsack e Dennis Kucinich. São, no entanto, zeros à esquerda.

Mas quem é, afinal, Barack Obama? Se vivesse no Brasil, ele seria tachado de mulato. Deve a cútis escura à união de seu pai, um queniano, filho de cozinheiro, com uma norte-americana branca do Kansas, filha de operário. Seus pais, já mortos, conheceram-se no Havaí, onde Obama nasceu. O repórter William Finnegan farejou o potencial do rapaz em 2004. Produziu um belo perfil de Obama, publicado na The New Yorker.

Um detalhe distingue Obama de outros negros que se aventuraram na política dos EUA: não pendem de sua árvore genealógica os vestígios da descendência escrava. O pai dele deve o desembarque na América não aos grilhões, mas a uma bolsa de estudos. Bolsa que o conduziu aos bancos da Universidade do Havaí e de Harvard. Fez-se economista e voltou ao Quênia, deixando para trás mulher e filho.

A ascensão de Obama vincula-se à trajetória de outros milhões de americanos que lapidaram suas biografias nas frinchas abertas pela política de ação afirmativa, concebida para levar alunos negros às universidades. Com escassos 45 anos, Obama conheceu a privação. Mas também soube agarrar-se aos privilégios. Estudou em Columbia e Harvard, duas das mais prestigiosas fábricas de canudos do planeta.

Dono de um diploma de advogado que lhe assegura rendimentos anuais de mais de US$ 200 mil, Obama voltou-se para atividades sociais e para a política. Tem vocação para a coisa. Dono de um fino intelecto, ele se move com suavidade numa Washington tomada pela selvageria. Associada ao que se convencionou chamar de “sonho americano, a trajetória hollywoodiana levou-o a transcender os velhos rótulos ideológicos e raciais.

Os adversários acusam Obama de proferir discursos liquefeitos –tomam a forma do jarro mais conveniente. O “defeito” parece converter-se em virtude aos olhos do eleitorado. Norte-americanos brancos e negros enxergam em Obama um político moderado, capaz de produzir consensos. Opôs-se à guerra do Iraque antes que os EUA enviassem para o martírio as primeiras tropas.

Obama é, hoje, senador por Illionois –o quinto negro a escalar o Senado dos EUA, o único em atividade. As chances de que venha a ocupar a cadeira de presidente da última superpotência do globo são cada vez menos negligenciáveis. Portanto, convém seguir os passos de Obama.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Governo cogita vender ações de empresas estatais

Três meses depois de ter feito do ataque às privatizações da era tucana um dos principais motes de sua campanha reeleitoral, Lula se prepara para vender ações de empresas controladas pelo Estado. O objetivo é amealhar recursos para investir em obras de infra-estrutura incluídas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a ser anunciado nesta segunda-feira (22).

 

Um auxiliar do presidente informou ao blog, neste sábado (20), que Lula autorizou o Ministério da Fazenda a levantar um rol de estatais cujas ações possam despertar interesse no mercado. Antecipando-se às críticas, o governo argumenta que as empresas não serão privatizadas. Pretende-se negociar apenas as ações que excedam aos 51% que asseguram ao Estado o controle acionário das companhias.

 

O plano do governo revela uma fragilidade da estratégia de Lula II. O presidente pretende imprimir no segundo mandato a marca do desenvolvimentismo. E acha que cabe ao Estado dar o tom do novo ciclo, patrocinando, ele próprio, uma série de investimentos. Entende-se que a iniciativa privada virá no vácuo.

 

O problema é que falta dinheiro ao setor público para investir. Daí a idéia de promover a venda de ativos. Estudam-se também formas de impulsionar parcerias com a iniciativa privada. De resto, tenta-se identificar fontes alternativas de recursos em organismos internacionais –o Banco Mundial, por exemplo.

 

O objetivo do governo é obter pelo menos R$ 20 bilhões para despejar em obras tidas como prioritárias. Esse montante vem oscilando nas reuniões dos técnicos que elaboram o PAC. Falou-se, de saída, em R$ 16 milhões. Depois, em R$ 17 milhões. Agora, os técnicos fixaram-se no patamar de R$ 20 bilhões.

 

O governo já dá de barato que, para conseguir alcançar a meta, terá de flexibilizar os seus compromissos com o superávit primário, a economia que o setor público realiza para financiar a rolagem da dívida pública. Sob Antonio Palocci, estabeleceu-se que o superávit não poderia cair abaixo de 4,25% do PIB.

 

Na gestão de Guido Mantega, que deve ser mantido por Lula no Ministério da Fazenda, admite-se que a meta de superávit deve cair para 3,75% do PIB. Trata-se de uma flexibilização do rigor fiscal que o governo vinha impondo a si mesmo. Mas o time da Fazenda entende que o novo patamar não comprometerá a percepção do mercado de que, no segundo mandato, Lula continua de mãos dadas com o compromisso de rigor econômico.

 

Se levado às últimas conseqüências, o plano do governo de se desfazer de ações de companhias estatais tende a transformar-se numa curiosa contradição pós-eleitoral. Acossado pelo dossiêgate, Lula enxergou no discurso anti-privatista uma arma poderosa para levar às cordas o adversário tucano Geraldo Alckmin.

 

Na pele de candidato, Lula disse que, no poder, o tucanato não sabia senão dilapidar o patrimônio público. O achado nasceu da intuição do marqueteiro João Santana, que fez a campanha de Lula. Receoso de vincular a sua imagem à de FHC, que levara ao martelo algumas das mais vistosas estatais brasileiras, Alckmin ficou sem resposta. Passada a eleição, Lula vê-se compelido a fazer caixa vendendo ações de empresas públicas. Está na bica de fazer o que criticou.

 

Por mais que se diga que, sob Lula, o comércio de ações não privará o Estado do controle das estatais, a oposição, PSDB à frente, não há de deixar passar a oportunidade de apontar a nova estratégia como uma modalidade disfarçada de estelionato eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 18h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Folha: Países menores do Mercosul exigem tratamento especial

- Estadão: Cúpula do Mercosul acaba sem acordo e com atritos

- Globo: Brasil vai ajudar Bolívia para neutralizar Chávez

- Correio: Condomínios terão licença mais rápido

- Valor: Disputas esvaziam agenda dos parceiros do Mercosul

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chávez 'Bornai'!

Escrito por Josias de Souza às 02h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chinaglia promete defender os deputados da mídia

  Divulgação
Começam a ser despachas neste sábado as 512 cópias da carta escrita por Arlindo Chinaglia (PT-SP), para pedir votos aos colegas. Em campanha pela presidência da Câmara, o deputado incluiu no texto um parágrafo que deve agradar à maioria de seus colegas, mas soará polêmico aos ouvidos do público externo.

Chinaglia promete defender a Câmara e seus pares dos “ataques injustos” da mídia. Anota o seguinte: “Devemos valorizar os meios de comunicação. Temos o espírito aberto para as críticas. Até porque não há compromisso com o erro. Mas temos também o espírito da verdade: não assistiremos passivamente ataques injustos à instituição ou aos parlamentares”.

O próprio Chinaglia reconheceu, em privado, que “esse é o trecho mais perigoso” da carta que dirigiu aos parlamentares. Ele evitou detalhar o seu raciocínio por escrito. Não há no texto nenhum exemplo de “ataque” que, numa eventual gestão Chinaglia, mereceria, por “injusto”, uma reprimenda da presidência da Câmara.

Reportagens sobre o mensalão e os sanguessugas, por exemplo, ensejariam uma reação? Confrontado com a dúvida, Chinaglia arriscou-se, em diálogo travado entre quatro paredes, a mencionar uma modalidade de “injustiça” que, se eleito, não hesitaria em refutar.

“A Hebe Camargo costuma fazer ataques aos parlamentares no programa dela”, afirmou o deputado. “Sei disso porque me dizem, não assisto ao programa. Ela diz que os deputados são ladrões. É injusto. Ou ela prova quem é ladrão ou ela não pode dizer uma coisa dessas. Não pode jogar todo mundo na mesma vala”.

Hebe mantém um programa de auditório no SBT. Vai ao ar nas noites de segunda-feira. De fato, a apresentadora tem o hábito de dirigir criticas ácidas ao Congresso e aos políticos, sempre sob aplausos da platéia. No final da década de 90, Hebe chegou a criar o “Troféu Peroba”. Concedia-o a “políticos corruptos”. Veiculada durante várias semanas, a “homenagem” foi cancelada a pedido da direção da emissora.

Na carta dirigida aos colegas, Chinaglia reconhece que a atual legislatura, apesar de ter aprovado projetos importantes, não deixa um legado de boas lembranças. Sem chamar as crises pelo nome, ele escreve que o ciclo legislativo que se encerra no final do mês foi marcado por episódios de “muita tensão” e até de “sofrimento.”

O candidato petista admite que, graças à seqüência de crises, a Câmara ficou com a imagem “bastante desgastada” na sociedade. Algo que, segundo anota na carta, é ruim para todos os deputados, associando indistintamente os mandatos a uma imagem coletiva de descrédito.

Chinaglia promete que, se eleito, vai trabalhar para que o Legislativo se torne mais atuante, soberano e, em conseqüência, mais respeitado. Defende a harmonia entre os poderes da República. E acena com a preservação da independência da Câmara. Uma resposta aos que afirmam que sua vitória submeteria a Câmara aos interesses do Palácio do Planalto.

Chinaglia terminou de assinar as cópias da carta no meio da noite passada. Deu ordens à sua assessoria para que o texto seja despachado neste sábado (20), pelo Correio. Espera que todos os colegas recebam o documento até o meio da tarde de segunda-feira (22), quando faltarão escassos dez dias para a eleição em que os deputados escolherão entre ele, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR).

Escrito por Josias de Souza às 00h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Líderes da Renascer deixam a cadeia, em Miami

Deus, como se sabe, existe. Mas não dá expediente em tempo integral. Aproveitando-se de um dos momentos de descanso do Padre Eterno, o Tinhoso fez uma das suas. A bispa Sonia e o apóstolo Hernandez, líderes da Igreja Renascer, foram liberados da cana nos EUA.

 

Quando o Todo-Poderoso deu por si, já era tarde. O máximo que conseguiu arranjar foi um regime de liberdade vigiada. O santo casal será monitorado pela polícia por meio de tornolezeiras eletrônicas. A bispa e o apóstolo não poderão deixar os EUA antes de acertar suas diferenças com a Justiça norte-americana. A primeira audiência judicial foi marcada para a próxima quarta-feira (24).

 

Até lá, livres do calabouço e do uniforme laranja de presidiários, Sonia e Hernandez voltam a desfrutar das facilidades da mansão que possuem num condomínio chique de Boca Raton, no número 12.582 da Tobey Drive, em Miami.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Reunião do Mercosul vira luta de boxe ideológico

Um dia depois de Hugo Chávez ter anunciado o propósito de “descontaminar” o Mercosul do “liberalismo”, a reunião da Cúpula do Mercosul, no Rio, converteu-se em ringue de um inusitado boxe ideológico. Ao discursar, o companheiro-índio Evo Morales, presidente da Bolívia, desferiu um direto de direita no colega colombiano Álvaro Uribe.

 

Morales contrapôs o crescimento econômico de Cuba, Argentina e Venezuela –países que, no dizer dele, são “soberanos— ao déficit comercial e fiscal da Colômbia, nação em que os EUA despejam dinheiro, a pretexto de combater o narcotráfico.

 

Abespinhado, Uribe defendeu-se como pôde. Disse que a política de combate ao narcotráfico de seu país é séria. Afirmou que mantém relações com Washington, mas não se priva de relacionar-se com Havana e Caracas.

 

De resto, Uribe realçou que conversara com Morales na noite da véspera. E o presidente boliviano não se dignara a fazer, em privado, as críticas que despejou no tablado do Mercosul, em público. Cordato, Uribe desculpou-se com o anfitrião pela altercação verbal: "Perdão, presidente Lula, mas tive que responder ao senhor Morales."

 

Chávez, que não é de perder oportunidades de roubar cenas, subiu ao ringue. Saiu em defesa do companheiro-índio: "O comentário do presidente Morales foi saudável. Acho que a sua reação foi superdimensionada". Uribe não deixou barato: “Superdimensionada com respeito ou sem respeito?" Chávez saiu de fininho: "Somente superdimensionado. Podemos falar depois."

 

Depois, quando chegou a sua vez de discursar, Chávez tratou de injetar mais ideologia na atmosfera do encontro. Afora os já corriqueiros ataques retóricos ao “imperialismo” norte-americano, aconselhou os países do Mersosul a tonificar a estatização de suas economias.

 

Chávez definiu-se como “um socialista novo, renovado. Disse que o capitalismo “é o caminho para a destruição do planeta, da vida”. E, voltando-se para Lula, animou-se a fazer “uma sugestão muito respeitosa: dar em cada país uma participação maior do Estado na condução da economia.”

 

Como se vê, houve um completo desvirtuamento do debate. Em vez de integração econômica, discutiu-se ideologia. Não há de ser nada. Otimista a mais não poder, Lula acha as diferenças políticas e ideológicas das nações que compõem o bloco não afetam a integração.

 

Sem mencionar Chávez, que acaba de obter do Congresso venezuelano delegação para governar por decreto durante um ano e meio, Lula falou de respeito à democracia: “Os valores que compartilhamos incluem o compromisso com a democracia e o estado de direito.” Chávez caminha em sentido oposto. Voltou a declarar, nesta sexta (19) que vai fechar a emissora RCTV, a mais popular da Venezuela, que chama de “golpista” e fascista”. Se a moda pega...

 

E quanto à integração? Foi às calendas. Celso Amorim diz que o Mercosul deixa de ser bloco comercial para ser um projeto dos povos. Vê as dessemelhanças como naturais: "Homogeneidade só existe no cemitério.". Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ex-ministro de FHC presidirá Anatel sob Lula II

Angeli
 

 

O governo começa a emitir sinais de que vai passar a tratar as agências reguladoras com a seriedade que elas merecem. Lula convidou o diplomata Ronaldo Sardenberg, ex-ministro da Ciência e Tecnologia de FHC, para presidir a Anatel. Sardenberg aceitou. Seu nome será submetido ao Senado em fevereiro. Passará fácil.

 

A escolha de Sardenberg representa a prevalência do técnico sobre o político. O diplomata é visto como técnico de rara competência. Bom sinal. Mas ainda insuficiente para proteger a agência da sanha politiqueira. PT e PMDB disputam a tapa duas vagas abertas na diretoria da Anatel.

 

Vale a pergunta: o que leva os políticos a se estapear por cargos, digamos, tão distanciados da rotina político partidária. A Anatel foi criada nas pegadas da privatização das companhias telefônicas.

 

A agência veio ao mundo para impor regras ao setor de telecomunicações. Um setor apinhado de empresas que, por portentosas, são vistas como vistosas doadoras de campanhas eleitorais. Mas isso, obviamente, não é levado em conta. O que move os políticos, como você bem sabe, é o interesse de servir à pátria. Uma vez acomodados nas cadeiras da Anatel, vão defender os interesses dos usuários dos serviços de telefonia, não das empresas.

Escrito por Josias de Souza às 15h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As palpitações do belo

Num de seus poemas –“Do Belo”—, Mário Quintana anotou: “Nada, no mundo, é, por si mesmo, feio. / Inda a mais vil mulher, inda o mais triste poema, / Palpita sempre neles o divino anseio / Da Beleza suprema...”

Pois bem, o divino anseio da beleza suprema parece palpitar também na alma de Lula. Veja abaixo, a propósito, a nota publicada nesta sexta (19) na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

- São Paulo Fashion Day: Antes de voltar a Brasília, depois de férias no Guarujá, o presidente Lula recebeu o estilista Ricardo Almeida e o cabeleireiro Wanderley Nunes na base aérea de Congonhas, no domingo. Ouviu dicas de estilo, aparou a barba e apanhou potes do produto francês que usa para não deixar os cabelos brancos ficarem amarelados.

Escrito por Josias de Souza às 14h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Folha: Resgate corta van e retira 3 corpos

- Estadão: Chávez ganha superpoder e ataca 'Mercosul neoliberal'

- Globo: Declaração do Mercosul vai pedir respeito à democracia

- Correio: Acordo para regularizar condomínios

- Valor: Disputas esvaziam agenda dos parceiros do Mercosul

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

À altura do cargo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Parte do PSDB negocia segundo turno com Chinaglia

  Beto Barata/Folha Imagem
A despeito de toda a crise gerada pelo apoio do PSDB ao PT na briga pela presidência da Câmara, uma parte do tucanato continua negociando nos subterrâneos com o candidato petista Arlindo Chinaglia. Costura-se um acordo para que parte do PSDB despeje votos em Chinaglia no segundo turno da eleição.

Favorito na disputa, Chinaglia julgava-se em condições de derrotar o rival Aldo Rebelo, do PC do B, ainda no primeiro turno. Em privado, porém, integrantes do alto comando da campanha petista jogam a toalha. Reconhecem que a entrada em cena de Gustavo Fruet (PSDB-PR) empurrará a disputa para o segundo turno. Daí a manutenção do flerte com o PSDB.

 

Parte-se da avaliação de que Fruet amealhará votos suficientes para provocar o segundo round. Mas não o bastante para assegurar sua presença na rodada final, que seria disputada entre os governistas Chinaglia e Rebelo.

 

Livres do compromisso partidário, os tucanos que se dispunham, na semana passada, a apoiar o petista –44 dos 66 integrantes da bancada do PSDB—acenam com a hipótese de renovar o compromisso na fase final da disputa. Uma possibilidade que inquieta parte da cúpula tucana. Em especial o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que prefere Rebelo a Chinaglia.

 

Sob a condição do anonimato, um dos líderes do movimento tucano pró-Chinaglia resumiu assim o dilema: “Já estávamos acertados com o Arlindo. Houve aquela reação toda. A aparição do Fruet forçou a revisão da decisão, em nome da unidade partidária. Mas se o Fruet não for ao segundo turno, como parece provável, nós estaremos liberados para votar no Arlindo.”

 

O fato de ainda haver tucanos dispostos a votar em Chinaglia, ainda que só no segundo turno, expõe dois dramas que afligem o PSDB. O primeiro: uma parte da bancada tucana dispõe-se a referendar o nome de Fruet apenas para salvar as aparências, restabelecendo uma unidade de fachada. O segundo dilema, mais grave: ao tricotar com o petismo, esse naco do tucanato mostra-se pouco afeito à idéia de fazer oposição ao PT e a Lula II.

 

Incomodado com o que chamou de “adesismo” dos colegas, um deputado tucano informou ao blog que vai sugerir a Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente do PSDB, que submeta à Executiva uma proposta com indicativo de apoio a Rebelo no segundo turno da eleição da Câmara caso Fruet fique pelo caminho.

 

Há, no entanto, um problema: a aprovação de uma moção do gênero equivaleria a uma admissão antecipada de que a competitividade de Fruet não é levada a sério nem pelo seu próprio partido. Um golpe mortal num candidato que tenta provar-se capaz de se firmar como alternativa real de poder na Casa.

 

A Executiva tucana reúne-se na próxima quinta-feira (25), dois dias depois da reunião da bancada de deputados do PSDB, marcada para terça (23). Para simular unidade, pretende-se que o nome de Fruet, por ora endossado formalmente apenas pelas legendas que encarnam a “terceira via” (exceto o PSOL), seja aprovado no encontro da bancada tucana por aclamação.

 

Ainda há deputados dispostos a exigir que a decisão vá a voto, provocando um constrangedor cotejo entre a opção partidária e as outras duas alternativas à disposição na Casa –Chinaglia e Rebelo. A cúpula do partido espera demover os recalcitrantes até o dia da decisão.

 

Pode até conseguir. Mas, a julgar pelo avanço dos entendimentos tucano-petistas, dificilmente o grão-tucanato conseguirá evitar que parte dos deputados do PSDB engorde o cesto de votos de Chinaglia -agora o candidato preferencial do Planalto -no provável segundo turno. O voto, recorde-se, é secreto.          

Escrito por Josias de Souza às 00h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nunca na história desse país o fisco mordeu tanto

Lula marcou para a próxima segunda (22) o anúncio do pacote pé-de-cabra, aquele que vai “destravar” a economia. Entre as medidas prometidas está uma poda nos impostos. Coisa de R$ 6 bilhões no biênio 2008-2009.

Muito? Qual nada. Um grão de areia no Saara tributário. Nesta quinta (18), a Receita informou quanto conseguiu arrancar, em 2006, dos “contribuintes” –curioso esse vocábulo que utilizam para qualificar os patrícios que levam a pior no jogo de esconde-esconde com o fisco.

 

Nunca na história desse país a mordida doeu tanto: R$ 392,542 bilhões. Um recorde. Só o pagamento de juros e multas por débitos atrasados –R$ 6,554 bilhões—rendeu a quantia que o governo planeja devolver na forma de desoneração tributária nos próximos dois anos.

 

Nada contra a eficiência da Receita. Palmas para ela. O que incomoda é a sensação de que aumentou o bolo de recursos sujeito a desvios.

Escrito por Josias de Souza às 23h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TCU volta a analisar o escândalo das cartilhas

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Passada a eleição presidencial, o Tribunal de Contas da União voltou a se debruçar sobre o caso das cartilhas. Envolve a suspeita de desvio de R$ 11,6 milhões na confecção e distribuição de publicações promocionais encomendadas pela presidência da República entre 2003 e 2005, sob Lula.

O caso veio à tona em setembro do ano passado, no calor da eleição presidencial. O TCU detectou à época que, embora o Planalto houvesse encomendado edição de 5 milhões de cartilhas, só havia comprovantes de entrega de 3 milhões. Não foi encontrado nenhum vestígio de que as 2 milhões restantes tenham sido de fato confeccionadas.

 

Instado a defender-se, o governo alegou que o lote de cartilhas não encontrado, de fato, não chegou à presidência da República. Fora enviado a diretórios municipais do PT, que se encarregaram de distribuí-las. O que levou o TCU a apontar uma outra impropriedade: a confusão entre Estado e partido político.

 

Para complicar, o PT assumiu, em nota, a distribuição de 929.940 cartilhas. Bem menos que as 2 milhões que, segundo o TCU, teriam sumido. A encrenca levou o ministro Ubiratan Aguiar (na foto), relator do caso no tribunal, a propor a abertura de uma “tomada de contas especial”, para aprofundar a apuração. Assim foi feito.

 

O governo e o PT foram intimados a prestar novos esclarecimentos. O mesmo ocorreu com as agências que haviam sido contratadas pelo Planalto para a confecção das cartilhas: Duda Mendonça e Matisse. A fase de recebimento da defesa dos envolvidos foi encerrada em 13 de dezembro do ano passado. O recesso de final de ano do Judiciário impediu, porém, a análise dos documentos.

 

Só nesta quarta-feira (17), os técnicos do TCU começaram a analisar as peças de defesa. O trabalho deve levar 20 dias. Vencido esse prazo, um novo relatório será entregue ao ministro Ubiratan Aguiar, a quem caberá elaborar o voto a ser submetido ao plenário do tribunal.

 

Por ora, não há notícia de que tenham sido detectados elementos novos capazes de derrubar as suspeitas iniciais. Em sua defesa, o ex-ministro Luiz Gushiken, responsável pela Secretária de Comunicação da presidência na época em que as cartilhas foram encomendadas, sustenta que parte do material promocional foi distribuída, de fato, por diretórios do PT. Alega que não há na legislação brasileira nada que proíba a prática.

 

No ano passado, quando o caso veio à tona, Gushiken enxergou motivações eleitorais no processo. Em resposta, Ubiratan Aguiar informou na ocasião que a investigação do tribunal fora iniciada em 2005, como um desdobramento da CPI dos Correios. Não havia, portanto, nenhum tipo de interesse senão o de apurar a ocorrência de eventuais irregularidades.

 

Espera-as que nesta nova fase, dissociada do calendário eleitoral, os técnicos do TCU consigam encontrar na defesa de Gushiken, do Planalto, do PT e das agências publicitárias argumentos mais consistentes. Algo forte o bastante para eliminar todas as dúvidas levantadas pelo TCU.

 

Ubiratan Aguiar esquiva-se de emitir juízo de valor sobre o caso. Aguarda a manifestação dos técnicos. Depois que receber o relatório, deve ouvir a opinião do representante do Ministério Público no TCU, Lucas Furtado. Só então redigirá o seu voto.

Escrito por Josias de Souza às 19h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Países do Mercosul tentam ‘estreitar inimizades’

  Sérgio Barros/AP
Começou nesta quinta (18), no Rio, a 32ª reunião do Mercosul. No momento, o bloco econômico da América do Sul padece das dores do crescimento. Tornou-se, como já previam seus idealizadores, um aglomerado de nações que, por assimétricas, defendem interesses distintos. Os países converteram-se em inimigos cordiais.

Todo o esforço do encontro do Rio concentra-se na tentativa de estreitar as inimizades. Algo que, na opinião de Lula, depende da generosidade dos países mais desenvolvidos do bloco –Brasil e Argentina—no trato com as reivindicações dos parceiros pobres –Uruguai e Paraguai, já associados ao Mercosul, e Bolívia, na bica de associar-se.

 

"Não resolvemos todos os problemas de assimetrias entre os países”, disse Lula. “Temos problemas de desigualdades muito fortes na economia de cada país. E a minha tese é que os países mais fortes têm que ser sempre mais generosos e ter políticas para ajudar os mais pobres."

"A integração tem que ser total”, prosseguiu Lula, “tem que ser política, cultural, social, econômica e comercial, porque se os empresários sabem fazer seus trabalhos, os governantes é que precisam evoluir para compreender que muitas vezes nós temos que atender aos interesses de um outro país ao invés de querermos apenas que nossos interesses sejam atendidos."

Lula compara o desafio do Mercosul à trajetória da União Européia. No velho continente, os países ricos injetaram recursos e concederam benefícios às economias dos parceiros mais pobres –Espanha, Portugal e Grécia.

 

A tese de Lula não é despropositada. O problema é que o companheiro Néstor Kirchner, presidente da Argentina, não parece tão afeito a gestos de generosidade. Resiste a conceder vantagens aduaneiras ao Paraguai, ao Uruguai e à Bolívia. Pelo menos não na velocidade defendida pela chancelaria brasileira.

 

O desafio da integração não é pequeno. Uruguaios estão prestes a firmar acordos econômicos paralelos com os EUA, o que enfraqueceria o Mercosul. Para complicar, o venezuelano Hugo Chávez injeta na atmosfera já conspurcada um componente ideológico tão incômodo quanto desnecessário.

 

Cristão novo no Mercosul, Chávez tenta transpor o seu “socialismo do Século 21”, seja lá o que isso signifique, para o coração do Mercosul. Ele declarou, ao chegar para o encontro, que veio ao Rio com o objetivo de “descontaminar” o Mercosul de seus pendores liberais. Roubou a cena. Espera-se que não roube também a harmonia do encontro, tão necessária à sobrevivência da parceria econômica. O chanceler Celso Amorim menospreza aqueles que enxergam problemas na ação venezuelana. Quem bom! 

Escrito por Josias de Souza às 16h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Estatal tucana doa R$ 500 mil a instituto de FHC

  Jorge Araújo/Folha Imagem
Você não sabe, mas está ajudando a financiar as atividades do iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso). Sorrateiramente, R$ 500 mil migraram do seu bolso para o borderô da ONG aberta pelo ex-presidente da República tucano depois de ter deixado o Palácio do Planalto.

Deve-se ao repórter Daniel Bramatti a descoberta da mamata. O tema foi repercutido na edição desta quinta (18) da Folha. A Sabesp (Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) repassou ao iFHC os R$ 500 mil.

 

O repasse foi feito com o propósito de ajudar a financiar um projeto de preservação do acerco de Fernando Henrique Cardoso. A “doação” foi feita com base na Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Significa dizer que a Sabesp vai descontar a grana do seu Imposto de Renda. Ou seja, a generosidade é financiada por você, caro contribuinte.

 

A Sabesp não foi a única empresa doadora. Ao correr a sacolinha, o iFHC logrou amealhar R$ 2 milhões. O que diferencia a Sabesp dos demais doadores é a sua natureza jurídica. Trata-se de uma estatal. Como se fosse pouco, é uma estatal que, nos últimos doze anos, esteve submetida a gestões tucanas.

 

Para complicar, o iFHC não se dignou nem mesmo a mencionar o nome da doadora estatal na nota que levou ao ar no seu portal eletrônico. Ao privar a Sabesp da homenagem de uma citação, o instituto do ex-presidente premiou a falta de transparência.

 

O iFHC alega que o mimo da Sabesp foi feito dentro da lei. O que leva o signatário do blog a uma inevitável pergunta: quantos absurdos vêm sendo praticados no Brasil em nome da lei? Muitos, muitíssimos.

 

A Sabesp, como se sabe, deveria ter suas atenções voltadas para a melhoria da malha de saneamento básico do Estado de São Paulo. Algo muito distante das atividades desenvolvidas pelo iFHC. Por sorte, os resíduos éticos produzidos por operações do gênero não são concretos. Do contrário, não haveria esgoto que bastasse.

Escrito por Josias de Souza às 15h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Agripino: ‘Vou ajudar Lula a evitar autoritarismo’

  Marcelo Casal/ABr
A escassos 13 dias da eleição para a escolha do novo presidente do Senado, José Agripino Maia (PFL-RN) tenta dar à disputa que trava com o rival Renan Calheiros (PMDB-AL) uma dimensão pública. “Lula já tem o Executivo. Se conquistar também o comando das duas Casas do Congresso, o Brasil pode virar o país de um lado só”, disse ele ao blog, há pouco.

 

O senador convocou para as 16h uma entrevista coletiva. Tenta marcar uma diferença em relação ao adversário, expondo publicamente os motivos que o levam a disputar o comando do Senado. “Não quero um pedaço do poder. O que desejo é prevenir a tentação autoritária”.

 

Agripino identifica um quê de volta ao passado na ascensão ao poder de líderes populistas de esquerda na América Latina. Menciona Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela).

 

“Veja o caso do Chávez”, diz Agripino. “Está prestes a arrancar do Congresso venezuelano uma emenda que vai lhe assegurar a possibilidade da reeleição perpétua. Quem garante que estamos livres desse tipo de manobra no Brasil?”

 

Com uma ponta de ironia, Agripino diz que quer “ajudar Lula”. Afirma que “o presidente não é de esquerda, mas setores do governo dele são”. Para o senador, “só um Congresso forte pode conter a tentação autoritária”.

 

A despeito de remar contra o aparente favoritismo do atual presidente do Senado, Renan Calheiros, que concorre à reeleição com o apoio do Palácio do Planalto, Agripino soa otimista: “Não estou na disputa para marcar posição. Concorro para vencer.”

 

Agripino identifica na eventual reeleição de Renan e no suposto favoritismo de Arlindo Chinaglia (PT), na Câmara, o risco de que o Congresso se mantenha como “um poder submisso ao Legislativo.” Menciona como contraponto o exemplo dos EUA. Ali, nas eleições legislativas de novembro, os norte-americanos elegeram um Congresso de maioria oposicionista.

 

“Depois de reeleito, George Bush enveredou por um caminho que obteve a desaprovação da sociedade norte-americana. E o eleitor dos EUA delegou poderes ao Congresso. Elegeu uma maioria oposicionista, para corrigir os erros do Executivo.”

 

No Brasil, diz Agripino, “Lula foi reeleito com 58 milhões de votos. Mas 68 milhões de brasileiros não votaram nele. Optaram por Geraldo Alckmin, votaram em branco ou anularam o voto. O eleitorado seu o seu recado. O Brasil não deseja um país de um lado só. É preciso fortalecer o Congresso”.

 

Hoje, na opinião de Agripino, o Senado está abrindo mão de exercer as suas prerrogativas. A ação legislativa está, segundo ele, sufocada pelo excesso de medidas provisórias editadas pelo Executivo. Para resolver o problema, Agripino diz que, se eleito, vai instituir a rotatividade na escolha dos relatores de medidas provisórias.

 

Hoje, cabe ao presidente do Senado indicar o relator das MPs. Quanto o tema é polêmico, escolhe-se um senador da confiança do governo. Se eleito, Agripino diz que confiará a relatoria de medidas provisórias também a senadores não alinhados com o governo. Uma providência que, acredita, dará agilidade ao processo legislativo, liberando o Senado para “abrir as suas portas” para os temas que interessam à sociedade: “reformas política, sindical e trabalhista, por exemplo.”

 

“Não quero ser o presidente do confronto nem da contestação”, diz ainda Agripino. “Quero ser o presidente da estabilidade, com um Legislativo respeitado. O Congresso, num regime democrático presidencial, precisa ser instrumento para limitar poderes do Executivo e não para coonestar tudo o que o Executivo quer. Um Congresso submisso gera mensalão e sanguessugas”.

Escrito por Josias de Souza às 14h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Folha - Corpo de motorista é retirado da cratera

- Estadão: Terceira vítima é resgata na cratera

- Globo: Estado cortará ponto de quem não voltar ao posto

- Correio: União e GDF disputam controle de condomínios

- Valor: Petróleo em queda já traz ganhos à indústria no país

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 05h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cartão postal!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula enfrenta primeira crise na coalizão governista

  Alan Marques/F.Imagem
Na prática, a coalizão partidária que se formou em torno de Lula ainda não começou a funcionar. Mas já vive a sua primeira crise. Aliados históricos do presidente, o PC do B e o PSB consideram-se preteridos pelo Planalto.

Em privado, as principais lideranças das duas legendas derramam-se em críticas ao governo e ao presidente. Identificam falta de comando de Lula na articulação política. Acham que, no alvorecer do segundo mandato, o presidente acerca-se perigosamente de todas as forças políticas que produziram as crises do primeiro mandato. De costas para os "verdadeiros amigos", Lula não estaria dando ao problema a devida dimensão.

 

Entre os críticos, destacam-se alguns dos políticos mais próximos de Lula. Pelo PSB, o governador pernambucano Eduardo Campos e o recém-eleito deputado Ciro Gomes (CE). Pelo PC do B, o deputado Aldo Rebelo (SP) e o dirigente partidário Renato Rabelo.

 

Estimulados pelo presidente, os quatro sonhavam constituir um núcleo político capaz de se contrapor ao que chamam de forças conservadoras do consórcio governista. O sonho vai se convertendo em pesadelo. Enxergam um Lula sitiado pelo que há de mais retrógrado no PT e pela sanha fisiológica do PMDB e das legendas do mensalão: PTB, PP e PL.

 

Na gênese do desconforto está a atmosfera de abandono que envolve a candidatura de Aldo Rebelo à presidência da Câmara. Lula prometera apoiá-lo. Dizia que o trânsito de Rebelo entre líderes da oposição –especialmente os tucanos Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Aécio Neves—devolveria à Câmara o sossego necessário à normalidade legislativa ansiada para o segundo mandato.

 

Deu-se, na prática, o oposto. Por ora, a fidelidade dos críticos a Lula refreia os ataques feitos à luz do dia. Entre quatro paredes, porém, o que se ouve é o prenúncio de um quadro que faz lembrar o pior da primeira gestão de Lula.

 

Em diálogo com um deputado que segue a sua liderança, o governador Eduardo Campos resumiu assim a encrenca. “Produziu-se na base governista uma divisão que deseduca os cerca de 250 novos congressistas que inauguram seus mandatos em 2007. Além disso, se Aldo perder na Câmara, sairão vitoriosos o PMDB fisiológico e o PT do Campo Majoritário. E vai recomeçar a chantagem que todos conhecem. É esse o modelo que interessa ao governo no segundo mandato?”

 

As queixas dessa frente que se auto-intitula de “progressista” avolumaram-se depois que o grupo passou a associar o crescimento de Arlindo Chinaglia, o petista que rivaliza com Rebelo na disputa pelo comando da Câmara, a promessas de cargos e vantagens no governo. Em conversa com o blog, um dos insatisfeitos saiu-se com uma ironia:

 

“Só o Ministério da Agricultura já tem três ministros. O PT prometeu a pasta a Odacir Zonta (SC), do PP; a Nelson Marquezelli (SP), do PTB; e a Waldemir Moka (MS), do PMDB. Para nós, o Planalto diz que não tem nada a ver com isso. Mas não se ouve nenhuma desaprovação pública. E a coisa continua correndo solta”.

O grupo dito “progressista” esperava que Lula desautorizasse publicamente o suposto toma-lá-dá-cá que embala a candidatura de Chinaglia. Como a reprimenda não veio, julga-se que Lula passou a aceitar passivamente o renascimento da ala do petismo que, durante a campanha presidencial, ele lograra enquadrar. Menciona-se especificamente o PT de São Paulo e, dentro dele, o grupo do ex-ministro José Dirceu (mensalão) e o subgrupo de Ricardo Berzoini (aloprados do dossiê).

Como se fosse pouco, PSB e PC do B julgam-se preteridos até pelos chamados neogovernistas do PMDB. Um grupo que, segundo fazem questão de realçar, abraçou, sob a liderança do deputado Michel Temer (SP), a candidatura tucana de Geraldo Alckmin na refrega presidencial de 2006.

Onde socialistas e comunistas enxergam um princípio de incêndio, o Planalto não vê senão fogo de palha. Ouvido pelo blog, um auxiliar de Lula disse que os queixumes irão silenciar assim que o governo divulgar, na segunda-feira, o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Acha que as medidas, por impactantes, vão soldar em definitivo as legendas governistas, impondo-se sobre as diferenças pontuais. Será? A conferir.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jutahy informa a Chinaglia que PSDB irá de Fruet

Em telefonema a Arlindo Chinaglia, candidato do PT à presidência da Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), líder do PSDB informou que o tucanato deu meia-volta no apoio que declarara a ele na semana passada. Jutahy disse a Chinaglia que o PSDB irá apoiar o tucano Gustavo Fruet (PR).

 

Trata-se de uma mudança importante no tabuleiro da disputa na Câmara. Apoiado pelas legendas que integram o movimento da “terceira via”, Fruet entra no jogo com um potencial de pouco mais de 90 votos –os 66 do PSDB, mais os cerca de 30 do chamado “grupo independente”. Consolida-se a perspectiva de que a disputa na Câmara escorregue para o segundo turno.

 

Apenas 24 horas depois de ter sido lançada, a candidatura de Gustavo Fruet produziu uma unificação relâmpago do PSDB. A ponto de o deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), que herdará a liderança de Jutahy Júnior na próxima legislatura, prever que a bancada tucana ratificará o nome de Fruet “por aclamação”.

 

“Teremos reunião na próxima terça-feira (23). A candidatura do Fruet foi recebida com muito entusiasmo. Não tenho dúvidas de que será aprovada por aclamação”, disse Pannunzio ao blog. “Estamos aguardando apenas essa tomada de decisão para começar a fazer campanha aberta pelo nosso candidato.”

 

Antes mesmo do telefonema a Chinaglia, Jutahy Júnior (BA) recuara do ao petista. Para justificar-se, disse que a entrada de Fruet na contenda representa "um fato novo”. Afirmou que o novo candidato, além de ser do PSDB, é “queridíssimo” entre os deputados tucanos. E admitiu: “A bancada pode, sim, rever a decisão."

 

Há escassos dois dias, antes de Fruet virar o candidato da “terceira via”, Jutahy havia assegurado, em outro diálogo telefônico com Chinaglia, que a decisão da semana passada seria mantida pela bancada tucana. Disse que, dos 66 deputados tucanos, 34 haviam optado pelo apoio ao PT, sob o argumento de que era preciso respeitar a regra da proporcionalidade.

 

A candidatura de Fruet converteu-se numa espécie de tábua de salvação do tucanato. O apoio a Chinaglia dividira a bancada e a cúpula do partido. Fruet virou um conveniente imã. Ofereceu a todos a saída honrosa da unificação. Ainda que tardia.

 

E quanto ao princípio da proporcionalidade, o que foi feito dele? Foi à lata de lixo. Até 48 horas atrás, a ala do tucanato que pendia para Chinaglia justificava o gesto invocando a regra segundo a qual o maior partido tem a primazia na indicação do presidente. O PMDB abriu mão em favor do PT, dono da segunda maior bancada. Daí o apoio a Chinaglia.

 

“Eu defendia o respeito à proporcionalidade”, diz Pannunzio, “mas é claro que isso passou a ficar em segundo plano. A essa altura, não podemos mais dizer que estamos respeitando a regra”.

 

Afora o apoio da bancada tucana, a candidatura de Fruet será ungida também pela Executiva Nacional do PSDB, que vai se reunir na próxima quarta-feira (25), dois dias depois da deliberação dos deputados. Em viagem à Europa, o presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), mandou sua assessoria informar que a direção tucana está fechada com Fruet.

 

Conhecida como legenda hesitante, o PSDB surpreendera a todos, na semana passada, ao descer repentinamente do muro. Descobriu-se depois que a descida, além de extemporânea, fora desordenada. Havia tucanos dos dois lados do terreno. Diante da estupefação generalizada, tentam agora juntar-se do mesmo lado. Se não houver nenhuma nova ventania na Câmara, é provável que consigam.

Escrito por Josias de Souza às 17h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A mando de Lula, Dilma tentou renúncia de Rebelo

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Deu-se último domingo (14). Instruída por Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) foi ao encontro de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Sondou-o sobre a possibilidade de abrir caminho para que Arlindo Chinaglia (PT-SP) prevaleça na cena política como candidato único do governo à presidência da Câmara. Rebelo disse “não”. Informado, Lula lamentou.

 

O presidente estava disposto a acomodar o “amigo” na Esplanada dos Ministérios. A “missão Dilma” foi sua última tentativa. Agora, diz Lula, “lavo minhas mãos”. Não é o que dizem os aliados de Aldo Rebelo. Integrantes da cúpula do PC do B e do PSB acham que o governo, longe de higienizar, está sujando as mãos na Câmara.

 

Reclamam sobretudo de Tarso Genro. Acham que ele pôs a engrenagem do governo a serviço de Chinaglia. O ministro das Relações Institucionais nega. Porém, nos arredores de Rebelo ninguém se anima a dar-lhe crédito.

 

Em condições normais, a missão atribuída a Dilma teria sido executada por Tarso Genro. É ele o operador político do presidente. Mas a algaravia da Câmara envenenou as relações do ministro com Rebelo.

 

De resto, Rebelo está magoado com o próprio Lula. Ainda não usou a palavra traição. Mas diz que o presidente não foi correto com ele. Depois de estimulá-lo a entrar na disputa e de espalhar aos quatro ventos que seria o seu preferido, puxa-lhe agora o tapete.

 

Foi assim, com uma ponta de decepção, que Rebelo relatou aos aliados mais chegados os detalhes da “missão Dilma”. Exceto pelo nome da emissária de Lula, que é revelado aqui com exclusividade, detalhes da conversa da ministra com Rebelo foram relatados nesta quarta (17) pelos repórteres Valdo Cruz e Letícia Sander.

 

O ponto alto da conversa foi o momento em que Dilma levou a faca ao pescoço de Rebelo. A ministra encostou a lâmina sem rasgar a pele do interlocutor. Perguntou a Rebelo se ele enxergava “alguma alternativa para resolver o impasse." Vaqueiro escolado nas artimanhas da política, Rebelo afastou a garganta do punhal.

 

O atual presidente da Câmara disse que, graças aos estímulos que recebera de Lula, embrenhara-se num “caminho sem volta”. Não perdeu a chance de mencionar as ofertas de cargos e vantagens de que estaria se valendo o petismo para seduzir aliados para Chinaglia. A ministra negou que Lula esteja por trás da artimanha.

 

O nome de Tarso Genro veio à baila. Neste caso, conforme o relato de Rebelo ao generalato de sua campanha, a ministra não se esquivou de defender o colega. Mas já não soou tão enfática. Disse que Genro não fez nenhum acordo. Contudo, admitiu que ele pode ter estimulado as negociações. Um “erro”, disse Dilma, cometido “sem má-fé”.

 

Seja como for, com ou sem má-fé, o vai-e-vem de Lula produziu uma anomalia. De “preferido” do presidente, Rebelo converteu-se em candidato oposicionista. Se vier a prevalecer na Câmara, uma hipótese hoje considerada heróica, deverá o feito não ao governo, mas ao oposicionista PFL, que se mantém do seu lado a despeito de todas as vicissitudes.

Escrito por Josias de Souza às 14h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O apagão das empreiteiras

Ayrton Vignola/Folha Imagem
 

 

Vai abaixo um lúcido artigo do repórter Elio Gaspari (assinantes da Folha):

 

"Depois do apagão das companhias aéreas, veio o apagão das empreiteiras. As cinco maiores construtoras de obras públicas do país desmoronaram às margens do rio Pinheiros, em São Paulo. Como no caso dos aeroportos, desmoronou a capacidade das empresas de falar sério e de manter uma relação respeitosa com a população.

 

O consórcio da obra do metrô paulista é formado por cinco empresas de engenharia que juntas faturam anualmente US$ 3,5 bilhões. São gente grande: Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e OAS. Demoraram um dia inteiro para falar do desastre e, quando o fizeram, passaram a responsabilidade às chuvas do Padre Eterno.

 

Ofendendo a inteligência alheia, disseram também o seguinte: "O Consórcio Via Amarela lembra que, apesar da qualidade do projeto e dos cuidados na execução da obra, trata-se de atividade classificada no grau de risco 4, o mais alto na escala de risco do Ministério do Trabalho".

 

Só um dos mortos no desmoronamento tinha relações trabalhistas com as empreiteiras. Os demais eram transeuntes que, de acordo com qualquer escala de perigo, deveriam correr risco zero ao andar numa rua da cidade. Se um diretor da Odebrecht (líder do consórcio) estivesse a caminho do psiquiatra na rua Capri e terminasse seus dias na cratera da Via Amarela, ele não estaria numa área de grau 4. Assim como não estava a aposentada Abigail Rossi de Azevedo, que ia ao médico.

 

O tom pedagógico da nota é impertinente. Poderia ser refraseado assim: "O Consórcio Via Amarela deveria ter lembrado que sua obra colocara no nível 4 de risco as pessoas que passavam por perto". Eram cidadãos que não faziam a menor idéia do perigo que corriam. Se fizessem, tomariam outro caminho.

 

A primeira informação de que havia uma van nos escombros surgiu três horas depois do desabamento. A cooperativa de transportes que perdera o rastro do seu veículo informou que um sinal de rádio localizava-o naquela cratera, a 28 metros de profundidade.

 

Durante cerca de seis horas, tanto o consórcio como os poderes do Estado e do município fizeram acrobacias para soterrar o tamanho do desastre, como se tivessem poderes para isso. Preferiam discutir o cumprimento do prazo da obra. Do lado do consórcio, nenhum grão-empreiteiro, daqueles que jantam no Alvorada e almoçam no BNDES, botou o rosto na vitrine.

 

É possível que nada houvesse a fazer para salvar as vítimas. Apesar disso, muito poderia ter sido feito para amparar suas famílias. Esse descaso não teve nada a ver com a chuva ou com a geologia.

 

Durante todo o fim de semana, a principal assistência a essas pessoas veio da cooperativa cuja van estava perdida. Ela mandou para o local um microônibus, refeições e 20 funcionários. Havia parentes desesperados e é natural que, nessa situação, as pessoas se descontrolem. Não é natural que sejam tratados como descontrolados.

 

Dormiram num estacionamento próximo e em colchonetes colocados na calçada. Usaram os banheiros dos bares da vizinhança. Vagavam sem informações, mas viam a circulação de viaturas do Instituto Médico Legal. Na segunda-feira os empreiteiros voltaram a se pronunciar, informando que montaram um acampamento e colocaram uma equipe de assistentes sociais para assistir as famílias dos mortos. Fizeram pouco, tarde."

Escrito por Josias de Souza às 07h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- Folha: Bombeiros retiram 2° corpo da cratera

- Estadão: Mais um corpo é retirado dos escombros do metrô

- Globo: Tráfico desafia polícia com tiroteio e ataques a ônibus

- Correio: Um crime a cada 4 minutos no DF

- Valor: Argentina trava medidas de apoio a Paraguai e Uruguai

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tucano-boat!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula aprova corte de impostos de R$ 6 bilhões

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Em sua primeira reunião de trabalho depois das férias no Guarujá (SP), Lula aprovou nesta terça (16) as medidas que integrarão o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O pacote “destravador” da economia será anunciado na próxima segunda-feira (22).

 

Baseia-se num tripé: desoneração de tributos, pesada contenção dos gastos do governo e aumento dos investimentos públicos. Espera-se que as providências assegurem para 2008 um crescimento econômico de pelo menos 4% do PIB.

 

Reuniram-se com Lula seis ministros e o vice-presidente José Alencar. Um dos participantes do encontro informou ao blog que o corte de tributos será de cerca de R$ 6 bilhões nos anos de 2008 e 2009. A economia nos gastos públicos será de mais de R$ 16 bilhões. E os investimentos públicos serão tonificados em cerca de R$ 10 bilhões.

 

O pacote conterá também um conjunto de medidas de racionalização da gestão do setor previdenciário. Avesso à idéia de propor uma reforma previdenciária ampla, Lula aposta ma melhoria da gestão. Serão baixadas, por exemplo, normas que irão tornar mais restritivas as concessões de auxílio-doença. Seguirá para o Congresso, de resto, um projeto criando o fundo de previdência complementar para o funcionalismo público.

O governo irá disciplinar também a concessão de reajustes salariais no serviço público. Os vencimentos do funcionalismo serão reajustados pela variação do INPC, acrescida de 1,5% de aumento real ao ano. Será baixada ainda uma política permanente para o aumento do salário mínimo. Prevê a correção pelo INPC, mais um índice com a média da evolução do PIB.

A redução de impostos -sobretudo PIS e Cofins- visa estimular investimentos privados em habitação e infra-estrutura –setor elétrico e portos, por exemplo. Também as inversões do setor públicos, previstas no PPI (Projeto Piloto de Investimentos), serão voltadas para as obras de infra-estrutura. Inicialmente, o pacote incluía uma lista de cerca de 50 obras que mereceriam a atenção de Brasília. Esse número, agora, aproxima-se de cem.

A reunião de Lula com os ministros se arrastou por mais de cinco horas. O presidente viaja nesta quinta-feira para o Rio de Janeiro. Vai participar da Cúpula do Mercosul. E não queria provocar novo adiamento do anúncio do PAC, que deveria ter sido anunciado em dezembro. Estiveram no encontro os ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Roussef (Casa Civil), Tarso Genro (Relações Institucionais), Paulo Bernardo (planejamento), Márcio Thomas Bastos (Justiça) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).

 

Os ministros que mais falaram durante a reunião foram Guido Mantega e Dilma Roussef. O primeiro fez uma exposição pormenorizada sobre os aspectos tributários e fiscais do pacote. A segunda discorreu sobre as obras que merecerão atenção especial do governo no segundo mandato.

 

As medidas incluídas no PAC serão baixadas por medidas provisórias e projetos de lei. Exigirão um esforço inusitado do governo para aprová-los no Congresso. Lula tem pressa. Deseja reunir, já na segunda-feira (22), antes do anúncio formal do pacote, os presidentes dos dez partidos que integram a coalizão governista.

 

O Palácio do Planalto tem um primeiro problema a administrar. O blog conversou na noite desta terça (16) com um o presidente de um dos partidos do consórcio governista. Ele disse que há um mal estar entre os políticos. “Nós fomos convidados para integrar uma coalizão. Isso pressupõe participação também na elaboração das medidas. E ninguém foi consultado para coisa nenhuma. Estão impondo aos partidos um prato feito”, disse ele.

 

Há, de resto, uma insatisfação latente com a demora de Lula em abrir as negociações para a composição do ministério do segundo mandato. Até o momento, os partidos não foram informados acerca do quinhão que caberá a cada um na Esplanada. Os auxiliares de Lula informam que o ministério está montado. Mas, por ora, o presidente confiou os nomes apenas aos ministros palacianos – Tarso Genro, Dilma Rousseff e Luiz Dulci. Daí a irritação dos partidos. 

Escrito por Josias de Souza às 00h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fruet diz já ter obtido apoio de Serra e Aécio

Fruet diz já ter obtido apoio de Serra e Aécio

  Lúcio Távora/Folha Imagem
Mal sua candidatura foi formalizada pela “terceira via”, Gustavo Fruet (PSDB-PR), o mais novo postulante à presidência da Câmara, pendurou-se ao telefone. Em entrevista que concedeu há pouco ao blog, ele festeja o êxito das primeiras sondagens: “Fiquei surpreso com a receptividade.” Fruet diz ter obtido o apoio inclusive dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). Leia a entrevista a seguir:

 

- Sua candidatura é problema ou solução para o PSDB?

Minha candidatura é a favor do partido. Já falei com os governadores Serra (SP), Aécio (MG), Cássio Cunha Lima (PB); com os senadores Sérgio Guerra (PE) e Marconi Perillo (GO). Falei também com o nosso próximo líder na Câmara, o Antonio Carlos Pannunzio (SP). São todos favoráveis à candidatura. O discurso de todos vai na linha da defesa da unidade partidária. Alguns me disseram: ‘isso vai salvar e garantir a unidade do PSDB’.

- O governador Serra o apoiou?

Sim.

- Foi enfático?

Foi. Eu prestei solidariedade a ele por conta do problema ocorrido na obra do metrô de São Paulo. E conversamos sobre a questão da Câmara. Ele me disse que não trabalhou pela solução da semana passada [o apoio à candidatura de Arlindo Chinaglia, do PT]. Disse que não tem nenhum tipo de acordo regional, prevendo compensações na Assembléia Legislativa paulista. E elogiou a lealdade do Jutahy [Júnior, o líder tucano que anunciou o apoio a Chinaglia]. Eu concordei com ele.

- Mas o governador Serra disse explicitamente que o apóia?

Disse muita explicitamente que é favorável à minha candidatura.

- O sr. acredita na revisão do apoio ao PT?

Sim. Fiquei surpreso com a receptividade da minha candidatura. Está sendo muito rápido. Comecei a me mexer hoje, depois da decisão. E me surpreendi com a receptividade dentro do partido, que está sendo muito forte.

- E se o PSDB não referendar o seu nome?

Neste caso, eu respeito a decisão do partido, deixo de ser candidato. E o grupo da terceira via vai estudar outra alternativa. Deixei claro nas reuniões de hoje –com parlamentares tucanos e com a terceira via—que meu objetivo é buscar a unidade do PSDB. Não tem sentido ir para a disputa na bancada e depois desrespeitar a decisão.

- Falou com o líder Jutahy Júnior?

Falei pela manhã, antes do lançamento da candidatura. Agora à noite, ainda não consegui falar. Nessa primeira conversa, ele me explicou a situação da semana passada. Eu entendi. Mostrei que não estou articulando contra o partido. Ele falou que respeitaria a decisão que eu viesse a tomar. Foi uma conversa franca, muito boa.

- Acha que tem chances de virar presidente da Câmara?

Se o PSDB aprovar a iniciativa, na reunião de sua bancada marcada para a próxima terça-feira (23), a candidatura se torna competitiva. Algumas liderança já estão conversando com parlamentares de outros partidos. Estou priorizando, por ora, o PSDB. Dono da terceira maior bancada, o partido tem potencial para se transformar no fato novo da Câmara.

- Se for eleito, vai reajustar o salário dos parlamentares?

Meu compromisso é com os sete pontos da terceira via, que ajudei a elaborar. A questão do salário dos parlamentares é um dos pontos da carta. Defendo a correção salarial pela inflação [os contracheques passariam de R$ 12,8 mil para R$ 16,5 mil].

Escrito por Josias de Souza às 20h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

'Terceira via' oficializa Fruet como seu candidato

Conforme antecipado aqui no blog, o chamado "grupo independente", que tenta emplacar um nome alternativo na disputa pela presidência da Câmara, acaba de oficilizar o nome de Gustavo Fruet (PSDB-PR) como seu candidato. O martelo foi batido em reunião que terminou há pouco.

Exceto pela bancada do PSOL (três deputados), todos os adeptos da "terceira via" posicionaram-se favovravelmente ao lançamento de Fruet, que já dá entrevistas no Congresso como candidato. "Assumo, neste momento, a condição de candidato à presidência da Câmara dos Deputados", disse Fruet. "Quero deixar claro que não é uma anticandidatura. É uma candidatura institucional, pelo resgate da imagem da Câmara. Minha candidatura é irreversível."

"Decidimos", ecoou há pouco, em entrevista ao blog, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos principais articuladores do movimento da "terceira via". "Gustavo Fruet é o nosso candidato. E vai ser o candidato também do PSDB. Avaliamos que ele tem plenas condições de virar o jogo também dentro do PSDB."

Assim, além de Arlindo Chinaglia (PT) e de Aldo Rebelo (PC do B), a briga pelo comando da Câmara já tem, agora em caráter fomal, um terceiro contendor. Contrariados com o apoio do tucanato a Chinaglia, os insurretos do PSDB submeterão o nome de Fruet à reunião da bancada de deputados do PSDB, marcada para a próxima terça-feira, dia 23.

O lançamento de Fruet foi costurado em articulação que ganhou fôlego no último final de semana. Realizaram-se consultas a lideranças expressivas do PSDB. Entre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estimulou a iniciativa. A prioridade do grupo que se reuniu em torno de Fruet passa a ser a obtenção do apoio da maioria da bancada tucana.

A reunião da "terceira via" em que a candidatura de Fruet for formalizada contou com a presença de 15 parlamentares, dois deles do PSOL. Ao término do encontro, Chico Alencar (PSOL-RJ) explicou que seu partido não concordou com a decisão porque, a despeito da respeitabilidade de Fruet, não considera que o PSDB seja o partido mais adequado para encarnar as bandeiras reformistas do grupo.

O PSOL defendeu o lançamento de Luiza Erundina (PSB-SP). Foi voto vencido. Prevaleceu no encontro a tese de que Fruet, por pertencer ao terceiro maior partido da Câmara, reúne melhores condições políticas de tornar-se um candidato viável.

Escrito por Josias de Souza às 16h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

FMI prevê um 2007 próspero no mundo; no Brasil...

O diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, previu nesta terça (16) que o ciclo de crescimento global será mantido no ano que acaba de começar. Previu para 2007 um crescimento mundial médio de 5%.

“Isso representa uma expansão muito significativa da economia global e provavelmente o mais longo período sustentado de crescimento na era pós Bretton Woods", afirmou Rato em entrevista.

Bretton Woods é o sistema de gerenciamento econômico estabelecido em 1944, após negociação entre as nações mais industrializadas do mundo, realizada nos estertores da Segunda Guerra Mundial.

A manifestação do dirigente do FMI ocorre seis dias antes do anúncio do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Nas pegadas da reeleição, Lula previra um PIB 5% mais gordo para 2007.

Agora, o presidente e seus auxiliares evitam repetir o percentual. Sabem que a meta depende de muitas variáveis. Atingi-la seria um feito semelhante a acertar não na mosca, mas no olho da mosca. A uma distância de mais de um quilômetro.

Escrito por Josias de Souza às 16h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fruet aceita ser o candidato da ‘terceira via’

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) aceitou representar a "terceira via" na disputa pela presidência da Câmara. A decisão foi tomada em reunião que contou com a presença de 13 deputados da bancada tucana. O nome de Fruet deve ser referendado agora num segundo encontro que se realiza no Congresso, dessa vez entre os adeptos do chamado "grupo independente".

 

Respaldado pelo movimento suprapartidário da "terceira via", Fruet submeterá o seu nome à apreciação da bancada do seu partido, integrada por 66 deputados. Ele condiciona a manutenção da candidatura à aprovação da maioria do tucanato. 

 

Ao transformar Fruet em seu candidato, os "independentes" criam um constrangimento para o PSDB. Na semana passada, o líder tucano na Câmara, Jutahy Júnior, anunciara o apoio de sua bancada ao candidato do PT, Arlindo Chinaglia. O mundo tucano veio abaixo. E Jutahy viu-se compelido a convocar os deputados para ratificar (ou não) o apoio a Chinaglia. A  votação ocorrerá na terça-feira da semana que vem, dia 23 de janeiro.

 

A entrada de Fruet em cena acrescenta um fato novo ao dilema do PSDB. Agora, para manter o apoio ao petista, o tucanato terá de atropelar um dos seus. Não será uma decisão simples. Os inimigos de Chinaglia o acusam de ter reunido em torno de si os ícones da principal crise do primeiro governo de Lula: do grupo do ex-ministro José Dirceu às legendas mensaleiras -PTB, PP e PL. Como se fosse pouco, Fruet ganhou projeção nacional justamente pelo papel que exerceu na CPI dos Correios, onde o valerioduto foi exumado.

 

Se der de ombros para o tucano Fruet, preterindo-o em favor do petista Chinaglia, o PSDB estará, na prática, enterrando o discurso oposisionista que esgrimiu durante toda campanha eleitoral do ano passado, cujo principal mote foi a pregaçao de cunho ético e moral anti-Lula e anti-PT.

 

Fruet deixou claro no encontro que teve com 13 deputados tucanos, agora há pouco, que não entra na disputa para abrir uma dissidência no PSDB. Ao contrário. Ele condiciona o futuro de sua candidatura, uma alternativa às de Arlindo Chinaglia e de Aldo Rebelo (PC do B) à aprovaçao da bancada do partido, na próxima terça.

 

Entre os adeptos da terceira via, só a bancada do PSOL (três deputados) resiste ao nome de Fruet. Não pelo deputado, mas pelo partido dele. Os demais, vêem em Fruet um personagem capaz de agregar mais votos do que Luiza Erundina (PSB-SP) e Fernando Gabeira (PV-RJ), que eram as outras duas opçoes da terceira via.

Escrito por Josias de Souza às 14h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Super-Chinaglia!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 12h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Folha: Dois corpos são achados na cratera

- Estadão: Resgate localiza primeiras vítimas na obra do metrô

- Globo: Força Nacional terá autonomia para agir

- Correio: Preso agressor da AABB. Polícia investiga Orkut

- Valor: Política de preços freia investimento novo em geração

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A outra cratera!

Benett
 

Escrito por Josias de Souza às 01h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Terceira via’ tenta lançar Fruet nesta terça-feira

El Roto/El Pais
 

Depois de uma troca de telefonemas que começou no sábado e se prolongou até a noite desta segunda (15), o grupo que articula o lançamento de uma “terceira via” na disputa pela presidência da Câmara escolheu o nome de seu candidato. Chama-se Gustavo Fruet (PSDB-PR). Ele pode ser lançado formalmente nesta terça (16).

O chamado “grupo independente” corre contra o relógio. De Curitiba, onde se encontra, Fruet acompanhou pelo telefone todo o movimento que, ao longo do final de semana, conduziu os adeptos da terceira via para o nome dele. Consultado, o deputado se dispôs a entrar na disputa. Mas condicionou a decisão a um encontro que terá no início da tarde desta terça com um deputados tucanos.

Se forem aparadas as últimas arestas, Fruet será aclamado em encontro dos partidários da candidatura alternativa, às 15h, no Congresso. “Chegamos a um entendimento. Caminhamos para o Gustavo Fruet”, disse Fernando Gabeira (PV-RJ) ao blog. “Agora só depende dele”, ecoou Raul Jungmann (PPS-PE).

Antes de aceitar a indicação, Fruet deseja obter um mínimo de respaldo do seu próprio partido. Daí o encontro prévio com o tucanato. A reunião foi organizada por José Aníbal e Paulo Renato, deputados eleitos pelo PSDB de São Paulo. Calculam que conseguirão arrastar para a articulação algo como 20 tucanos. Número que Fruet considera razoável.

Durante o encontro, Paulo Renato e José Aníbal farão um relato das sondagens que realizaram junto a lideranças do PSDB nas últimas 72 horas. Um dos consultados foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Empenhado em desmontar o apoio do tucanato ao candidato petista Arlindo Chinaglia, anunciado na semana passada pelo líder Jutahy Magalhães (PSDB-BA), FHC endossou o entendimento dos tucanos insurretos com o grupo suprapartidário da terceira via.

Para FHC, são escassas as chances de êxito de uma candidatura alternativa às de Chinaglia e de Aldo Rebelo (PC do B). Mas o ex-presidente acha que a inclusão de Fruet –um “bom nome”—no tabuleiro da Câmara pode levar o jogo para o segundo turno, empurrando os “independentes”, que se opõe a Chinaglia, para uma composição com Aldo Rebelo, um candidato que, nas atuais circunstâncias, considera “menos pior”.

A pedido de Fruet, fez-se um contato também com o deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), que substituirá Jutahy Magalhães na liderança do PSDB na legislatura que se iniciará em 1º de fevereiro. Receava-se que, oficializada a candidatura de Fruet, Pannuncio a bombardeasse no nascedouro. Embora seja defensor do respeito à proporcionalidade, tese que embasou o apoio tucano a Chinaglia, Pannunzio comprometeu-se a guardar silêncio.

Só depois de ouvir os insurretos do PSDB, na reunião desta terça, é que Fruet dirá se aceita ou não arrostar o desafio de candidatar-se ao comando da Câmara. Na noite passada, José Aníbal cogitava sugerir aos adeptos da terceira via que adiassem por alguns dias o anúncio do nome do candidato. Deseja alinhavar melhor a costura interna que realiza no PSDB.

A hipótese de adiamento não agrada, porém, a deputados como Gabeira e Jungmann. Ambos alardeiam desde a semana passada que o candidato da terceira via será anunciado nesta terça. “É difícil para nós concordar com um adiamento”, diz Gabeira. “O Fruet manifesta o desejo de entrar na disputa com um apoio de pelo menos 10% da Casa (51 deputados). Mas se ele não se lançar, fica difícil a gente buscar apoio.”

Na hipótese de uma recusa de Fruet, algo que os “independentes” não desejam, vão à mesa outros nomes: Luiza Erundina (PSB-SP) e o próprio Gabeira, por exemplo. Ambos já se declararam dispostos a empunhar a bandeira de renovação desfraldada na semana passada pelos "independentes".

Escrito por Josias de Souza às 01h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jutahy diz a Chinaglia que apoio será confirmado

Em diálogo telefônico que manteve com Arlindo Chinaglia nesta segunda (15), o líder do PSDB Jutahy Magalhães Jr. disse estar “convicto” de que o apoio à candidatura do petista será confirmado pela maioria da bancada de deputados tucanos. Sob bombardeio de lideranças de seu próprio partido, Jutahy convocou a bancada para uma reunião na terça-feira da próxima semana, dia 23.

Jutahy fundamentou o apoio a Chinaglia numa consulta telefônica aos deputados do PSDB. Pretende refazer a sondagem na reunião da próxima semana, dessa vez por meio de uma votação convencional. É uma tentativa de silenciar as críticas de lideranças como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB. Ambos lideram o movimento que tenta desfazer o apoio a Chinaglia.

Na conversa com o candidato do PT, Jutahy disse que não ter dúvidas de que a maioria da bancada tucana ratificará o que foi apurado na sondagem. Ele informou que, pelo telefone, 37 dos 66 deputados tucanos penderam para Chinaglia, sob o argumento de que deve ser respeitado a regra que assegura aos maiores partidos a primazia na indicação do presidente da Casa.

Como havia dúvidas quanto à convicção de três deputados, Jutahy, por segurança, lançou na tabulação dos votos pró-Chinaglia os nomes de 34 tucanos. A preferência por Aldo Rebelo (PC do B), diz ele, é infinitamente menor: oito votos. Os tucanos que se manifestaram a favor da “terceira via” somaram, de novo, oito votos. Os outros integrantes da bancada não foram encontrados ou não quiseram responder à sondagem.

Se a contabilidade de Jutahy estiver correta, pode durar pouco a eventual candidatura alternativa de Gustavo Fruet (PSDB-PR) à presidência da Câmara. Os adeptos da terceira via trabalham com a idéia de lançar o nome de Fruet em reunião marcada para esta terça (leia texto acima). Se a articulação vingar, Fruet teria escassos sete dias para reverter no seu partido a suposta maioria pró-Chinaglia.

Adepto de primeira hora da terceira via e articulador da candidatura de Fruet, o deputado Paulo Renato (PSDB-SP) diz, em privado, que o objetivo dos tucanos insurgentes não é o de abrir uma dissidência partidária. Cavalgando a insatisfação gerada pelo apoio a Chinaglia, o grupo tentará prevalecer sobre a opção petista na votação da bancada. Acha que a construção de uma alternativa genuinamente tucana irá balançar a maioria do partido, subvertendo a sondagem telefônica de Jutahy.

A tarefa seria simples não fosse por um detalhe: Jutahy não age sozinho. Tem atrás de si o governador tucano José Serra, de São Paulo. Nesta segunda (15), em conversas com colegas petistas que receiam uma reviravolta no já compromissado apoio do PSDB, Arlindo Chinaglia exalava otimismo. Entre quatro paredes, dizia que uma liderança como Serra não irá permitir a desmoralização de seu grupo no PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 01h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PL, Prona e PSC aderem à candidatura de Chinaglia

  Folha Imagem
Conforme o previsto, as legendas que compõem o consórcio governista no Congresso continuam aderindo à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT) à presidência da Câmara. Nesta segunda (15) a patrola em que se transformou a candidatura petista recolheu o apoio do PL, Prona e PSC. Supondo-se que a decisão seja seguida, sem defecções, pelos deputados das três legendas, o cesto de Chinaglia será adensado em 33 votos.

 

A deicisão dos partidos representa mais golpe nas pretensões de Aldo Rebelo (PC do B), o rival de Chinaglia. Aliado de primeira hora da candidatura de Rebelo, Inocêncio Oliveira (PL-PE) deu meia-volta.

 

"Eu sou aliado dele [Aldo Rebelo] enquanto meu partido não tiver posição. Sou um homem disciplinado e liguei para ele para avisar que ia acompanhar meu partido", disse Inocêncio antes mesmo de o PL formalizar o apoio a Chinaglia.

 

Por ora, além do oposicionista PFL e dos governistas PC do B e PSB, Aldo não tem senão o apoio de deputados que compõem um bloco de deputados que, segundo se afirma, estariam dispostos a trair no plenário a deliberação oficial de suas bancadas. Conta, de resto, com a perspectiva de adesão dos partidários da terceira via num eventual segundo turno.

 

Lula, que dizia, em privado, preferir Aldo Rebelo a Arlindo Chinaglia, agora diz que não pretende interferir na disputa travada na Câmara. Em verdade, a máquina governista opera em favor de Chinaglia. O Planalto concluiu que não teria como impor Rebelo aos partidos governistas, sobretudo o PMDB. Sob pena de esfacelar a chamada “coalizão” no nascedouro.

Escrito por Josias de Souza às 18h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Renuncio ao mandato se acharem dinheiro na conta’

  Lúcio Tavora/Folha Imagem
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) disse nesta segunda (15) que renuncia ao mandato que acaba de reconquistar nas urnas se encontrarem em sua conta um tostão dos R$ 33 milhões que o Ministério Público diz ter sido desviado ao tempo em que era ministro do Desenvolvimento Agrário de FHC. Jungmann concedeu entrevista coletiva para se defender das acusações.

Na ação que encaminhou à 17ª Vara da Justiça Federal de Brasília, o Ministério Público responsabiliza Jungmann e outras sete pessoas e empresas pelo suposto desvio de R$ 33 milhões em contratos firmados com agências de publicidade, entre elas a Artpaln e a Casabalca.

 

"Como se chegou aos R$ 33 milhões? Se desviou isso, onde foi parar esse dinheiro? Eu renuncio ao mandato se alguém encontrar esse dinheiro no bolso de alguém, no meu ou em alguma conta bancária", disse o deputado, que preparou um documento com a linha de sua defesa (aqui).

Segundo Jungmann, os procuradores que assinam a ação –Raquel Branquinho e José Alfredo da Silva— desconsideraram o resultado de uma sindicância realizada pelo Incra em 2004, já sob Lula. O processo administrativo do órgão teria detectado erros de cálculo de R$ 562 mil nas comissões pagas às agências de publicidade contratadas à época de sua gestão.

 

Segundo Jungmann, é esse o valor resultante das irregularidades, não os alegados R$ 33 milhões. Para o deputado, a restituição da importância paga em demasia deve ser cobrada das agências pelo Incra. Jungamann reclama de não ter sido chamado a depor pelo Ministério Público. "Por que jamais fui ouvido? Por que o MP nunca me chamou para me defender? Sou o principal acusado e ninguém me ouviu. Será que, ao me defender, eu derrubaria essa ação?"

 

De resto, Jungmann realçou na entrevista que "não existe uma única vez a palavra crime” na ação movida pelo Ministério Público. “Existem irregularidades, mas não crimes. Não estamos diante de uma acusação penal", disse. A defesa do deputado será assumida pela deputada-juíza Denise Frossard (PPS-RJ). Ela assumirá a causa, sem cobrar honorários, logo que seu mandato de deputada expirar, no final do mês.

O deputado disse ter estranhado o fato de ter sido o único funcionário de primeiro escalão a ser mencionado na ação. Disse que o Incra “tem autonomia financeira e administrativa”. E, a despeito disso, nenhum dirigente do órgão foi arrolado no processo. 

 

Jungmann reafirmou sua intenção de manter-se à frente do movimento suprapartidário que tenta construir uma candidatura alternativa à presidência da Câmara. Disse que abdicar do movimento seria o mesmo que uma admissão de culpa. Algo que considera fora de propósito.

Escrito por Josias de Souza às 17h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Direção do PSDB derrete; procura-se um presidente

  O Grito/Edvard Munch
A controvérsia aberta com o apoio da bancada de deputados tucanos à candidatura petista de Arlindo Chinaglia, não é o único problema a atormentar o PSDB. Não bastasse a falta de unidade, que põe em dúvida os pendores oposicionistas do tucanato, a direção do partido está derretendo.

 

Assustado com a dívida de R$ 20 milhões que restou do processo eleitoral de 2006, o tesoureiro José Lucena Dantas avisou que irá renunciar ao posto. Convidado a integrar o secretariado do governador Sérgio Cabral, do Rio, o secretário-geral Eduardo Paes também abandonará a função.

 

Não é só: o deputado tucano Bismarck Maia, unha e carne com Tasso Jereissati, vai integrar a equipe do governador Cid Gomes (CE), do governista PSB. Algo tonifica o movimento de questionamento a Jereissati, cada vez menos prestigiado na função de presidente do PSDB.

 

A encrenca leva o grã-tucanato a considerar a hipótese de antecipar a renovação da Executiva Nacional do PSDB, inicialmente prevista para o mês de setembro. Confirmada a antecipação, pode ir às calendas a pretensão de Geraldo Alckmin de substituir Tasso Jereissati no comando do partido. Alckmin torrará o primeiro semestre nos EUA. Vai estudar em Harvard. O que o alijará das articulações.

 

Busca-se para o lugar de Jereissati um nome capaz de acomodar os interesses de todos os luminares do partido, sobretudo os de FHC e os de José Serra e Aécio Neves. Desponta como favorito o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Ele foi coordenador da desafortunada candidatura de Alckmin à presidência da República.

Escrito por Josias de Souza às 16h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

OAB recorre ao STF contra pensão de Zeca do PT

O presidente da OAB, Roberto Busato, decidiu recorrer ao STF contra a pensão vitalícia concedida ao ex-governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. A ação será protocolada até o final da semana. O argumento é o de que o benefício afronta a Constituição.  

 

A mamata foi aprovada na última sessão do ano de 2006 da Assembléia Legislativa sul-mato-grossense. O companheiro Zeca foi brindado com uma pensão mensal de R$ 22,1. Se o Supremo não der um basta, o ex-governador desfrutará do acinte até o dia de sua morte.

 

A ação contra Zeca pode produzir um notável efeito dominó. A pensão a ex-governadores é paga, hoje, em pelo menos 17 das 27 unidades da federação. Entre ex-chefes de executivos estaduais e viúvas, há 103 pessoas beliscando pensões. A brincadeira custa aos cofres públicos cerca de R$ 1,5 milhão por mês. Ou R$ 18 milhões por ano.

Escrito por Josias de Souza às 15h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

 

- Folha: Resgate localiza van nos escombros

 

- Estadão: Achar sobreviventes “é pouco provável”

 

- Globo: União deixa de investir R$ 6 bi por cortes e falta de projetos

 

- Correio: Quem ataca agora é a máfia dos remédios

 

- Valor: Medida provisória libera até 10% do FGTS para fundo de infra-estrutura

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 09h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Muro das lamentações!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Agripino contraria previsões e mantém candidatura

Antônio Cruz/ABr
 

Agripino Maia e Bornhausen analisam hoje a disputa pelo comando do Senado

 

Todas as atenções do noticiário político estão voltadas para a disputa em torno da presidência da Câmara. No Senado, dá-se como fato consumado a reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL). Às voltas com a especulação de que desistiria da disputa na reta final, Agripino Maia (PFL-RN), o adversário de Renan, diverte-se: “Tem alguém enganado. Essa história de já ganhou é um tremendo papo furado.”

 

A duas semanas da eleição, quem conversa com Agripino fica com a sensação de que o governo Lula estaria muito próximo de defrontar-se com uma surpresa no Senado. “Vejo pessoas falando que estou sendo pressionado por meus aliados e que vou desistir. Nem existe pressão nem haverá desistência. Minha campanha vai muito bem.”

 

Agripino diz ter conversado com todos os senadores. “Se o pessoal não estiver mentindo para mim, tenho votos para vencer a eleição”, diz ele, confiante. Nesta segunda-feira (15), Agripino reúne-se em Brasília com o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).

 

Os dois farão uma análise da disputa no Senado. Creia-se ou não, respira-se na cúpula do PFL uma atmosfera de raro otimismo. Antes de oficializar sua candidatura, Agripino teve um almoço com a bancada de senadores do PSDB. Escorado nesse acordo, acha que parte para a disputa com um potencial de largada de 30 votos –13 do PSDB e 17 do PFL.

 

A composição do Senado –81 senadores—é bem menor que a da Câmara—513 deputados. O que facilita o corpo-a-corpo com os “eleitores”, por cima das lideranças dos partidos. Será eleito presidente da Casa o candidato que arrastar para o seu lado pelo menos 41 votos.

 

Como o voto é secreto, a traição é livre. Agripino diz ter colhido adesões mesmo nas legendas que, do ponto de vista formal, declaram-se fechadas com Renan. “Tenho votos em todos os partidos. Quando digo todos, quero dizer em todos mesmo. Falo de conversas que eu já tive, eu e os senadores, um a um, olho no olho.”

 

Agripino diz ter sido procurado pelo rival, que lhe propôs um encontro. “Creio que ele sabe o terreno que está pisando. Quer conversar? Eu converso. Mas não me passa pela cabeça outra idéia que não seja levar a candidatura até o plenário, no dia 1º de fevereiro”.

 

Agripino dá de ombros para o diz-que-diz segundo o qual os aliados tucanos, de olho numa suposta composição com Renan, estariam abrindo o bico. Ao contrário, o líder do PFL afirma que a confusão produzida pelo apoio da bancada do PSDB na Câmara ao petista Arlindo Chinaglia tonificou a solda oposicionista que o une ao tucanato.

 

“O PSDB terá de dar uma demonstração explícita de que tem uma ação oposicionista clara no Congresso. A reação ao apoio dado a Arlindo Chinaglia na Câmara, com a pronta manifestação do ex-presidente Fernando Henrique, reforçou esse caminho. No Senado, há um terreno fértil para a materialização dessa manifestação.”

 

Agripino já esteve com os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (SP). Nos próximos dias, conversará com FHC. Os três grão-tucanos já foram contactados também por seu rival. A exemplo do que se ouve na pefelândia, o grupo de Renan diz ter amealhado votos suficientes para prevalecer no plenário. Como diz Agripino, “tem alguém enganado” no Senado.

Escrito por Josias de Souza às 00h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mande sua mensagem aos líderes da Igreja Renascer

A bispa Sonia e o apóstolo Estevam Hernadez, amargam, como se sabe, uma inesperada provação de fé. Recolhidos desde terça-feira (9) à cana dura do Federal Detention Center, de Miami, os líderes da Igreja Renascer vêm sendo submetidos a uma rotina bem diferente daquela que teriam se estivessem em sua morada norte-americana, uma mansão assentada no requintado bairro de Boca Raton.

 

Pilhados pelo FBI com US$ 56 mil escondidos na bagagem, os irmãos Sonia e Hernandes tiveram de se livrar dos panos bem cortados que lhes recobriam o corpo. Vestiam o que de melhor a indústria da moda foi capaz de produzir desde que Adão e Eva privaram a humanidade das delícias do Éden. E viram-se compelidos a envergar um deselegante uniforme de tom laranja –calça e camiseta.

 

Assim como os outros 1.500 presos que coabitam no cárcere federal de Miami, a bispa e o apóstolo dividem celas com outros pecadores. Ela separada dele. São instalações modestas, dotadas apenas de beliches, pia e vaso sanitário. O banho é coletivo. Tanto sofrimento inspirou a Renascer a iniciar uma corrente de orações pelo restabelecimento da rotina de fausto de seus líderes.

 

Abriu-se também no portal da igreja um endereço para receber manifestações de solidariedade ao casal de pregadores do evangelho de resultados. Se o calvário de Sonia e Hernandez tocou o seu coração, o signatário do blog recomenda vivamente que você que não deixe de enviar a sua mensagem aos irmãos da Renascer. Basta clicar aqui.

A bispa e o apóstolo vão precisar de muita, de muitíssima solidariedade. A encrenca em que se meteram é graúda. Depois que foram ao xilindró nos EUA, o Ministério Público paulista animou-se a pedir, de novo, a prisão de ambos. Já foi decretada. Elabora-se agora um pedido de extradição para o Brasil. Se for aceito, a dupla conhecerá a realidade da carceragem brasileira, mais hostil do que a norte-americana.

Se a extradição for negada, os irmãos Sonia e Hernandez continuarão desfrutando da hospedagem do Federal Detention Center até o dia do julgamento, ainda por marcar. Acusados de inserir informação falsa em documento oficial –declararam a posse de escassos R$ 10 mil—e de lavagem de dinheiro, pagaram fiança de US$ 100 mil cada um pelo segundo delito. O primeiro, porém, é tipificado na legislação dos EUA como crime inafiançável. Haja oração, irmãos!

Escrito por Josias de Souza às 18h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No rastro da derrota, Alckmin desce à sala de aula

A exemplo de Heloisa Helena (PSOL-AL), outro ex-presidenciável vai à sala de aula depois da derrota nas urnas. Geraldo Alckmin (PSDB-SP) foi contratado por uma universidade privada. Qual? Ele não diz. Antes de encarar os alunos, o tucano irá, ele próprio dar uma de estudante, na festejada universidade norte-americana de Harvard. Foi convidado depois que José Serra e Aécio Neves mexeram os seus pauzinhos. Alckmin falou sobre a nova vida à revista Veja (assinantes). Leia:

“Político profissional há 35 anos, o tucano Geraldo Alckmin, 54, estava sem emprego desde que perdeu a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva, em novembro. Agora, reciclou: foi contratado por uma faculdade (que não identifica) para dar aulas e, ato contínuo, dela ganhou licença remunerada para fazer um curso de quatro meses e meio na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Antes de embarcar com a mulher, Maria Lucia, no dia 25, Alckmin falou sobre a vida nova.

O que o senhor vai estudar? Vou fazer um curso de administração pública, abordando temas como economia, política externa, conflitos, terrorismo, educação. Serão catorze alunos de onze países. Não entro numa sala de aula há quase trinta anos, mas adoro estudar. E sou um estudante aplicado.

Como surgiu a oportunidade? Quando acabou a eleição, comentei com Fernando Henrique Cardoso que gostaria muito de passar um período estudando fora. A pedido dele, José Serra e Aécio Neves mexeram uns pauzinhos e recebi o convite de Harvard.

E sei inglês, como vai? Estou estudando três horas por dia, com professor particular, há mais de um mês. Sempre estudei a língua e tenho um bom vocabulário, mas sinto dificuldade em me expressar. Uma coisa que eu e a Lu fazemos como treino é assistir toda noite a um filme em inglês com legenda em inglês. Essa imersão tem ajudado muito.

Onde vão morar nos EUA? Em um apartamento de quarto e sala que aluguei a quatro quadras da universidade. Dá para ir a pé. Aliás, nem pretendo ter carro. Eu e a Lu vamos levar vida de estudante, mochileiro.

Ela também vai fazer algum curso? Vai estudar inglês e me ajudar. E está tendo aulas de cozinha rápida, para preparar pratos simples. No tempo de namoro, a lasanha dela me conquistou. Depois que conquistou, ela não fez mais. Agora, vai voltar para a cozinha.”

Escrito por Josias de Souza às 17h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

HH volta a ser professora com salário de R$ 720

HH volta a ser professora com salário de R$ 720

Durante 14 anos, ela deu expediente na Asembléia Legislativa, num gabinete de vice-prefeita e no Congresso. No último quadriênio, trovejou sua voz estridente nas CPIs que roeram a imagem do governo Lula. A partir de fevereiro, ela troca o plenário do Senado e o salário de R$ 12.800 –noves fora os benefícios indiretos—por uma sala de aula e um contracheque de escassos R$ 720.

“Com certeza, é uma mudança de padrão. Mas isso é normal”, resigna-se Heloisa Helena (PSOL-AL), cujo mandato de senadora expira em 30 de janeiro. “Claro que as finanças contam. Sei que terei de restringir o telefone. Talvez compre menos livros. Mas vou fazer feira, comer e viver normalmente”.

 

Ao trocar a probabilidade de uma reeleição para o Senado pela certeza de uma derrota presidencial, HH impôs a si mesma uma volta ao passado. Já procurou Ana Deise Dória, reitora da Universidade Federal de Alagoas. Acertou com ela o retorno à velha função de professora. Recomeça em fevereiro. Dará aulas de epidemiologia, como fazia 14 anos atrás.

 

A política privou HH de escalar os degraus remuneratórios que sua função pública oferece. “Minha carreira foi paralisada. Perdi toda a possibilidade de ascensão funcional”, diz ela. Neste seu retorno, teria direito a vencimentos de R$ 2.100. Mas, para manter-se na presidência do PSOL, optou por reduzir à metade a carga horária. Vai lecionar 20 horas semanais. Daí o salário miúdo de R$ 720.

 

Reunida na semana passada, a Executiva do PSOL dispôs-se a pagar um salário à sua presidente. Cogita remunerá-la em R$ 1.380. Um valor que, somado aos R$ 720 da professora, igualaria os R$ 2.100 que HH amealharia se desse à universidade dedicação exclusiva.

 

Descontada a parte do fisco, a quase ex-senadora terá R$ 1.800 para encher a geladeira. “Não é nada de outro mundo”, diz ela. “Cargo eletivo é transitório. Sempre me preparei para o retorno à universidade. O que me dá tranqüilidade e felicidade são as coisas menores. Se você é feliz tendo um iate, sem roubar, tudo bem. Mas também é possível ser feliz com uma jangada. Ou com a simples contemplação de uma lagoa ou do mar num fim de tarde. Quem enriquece em política é ladrão. Nunca vivi de roubalheira ou de aplicações em bolsa.”

 

Não se sente responsável pela ressurreição de Fernando Collor? “Não é responsabilidade minha. Em Alagoas, o Collor teve mais votos –400 mil—do que eu –200 mil. Quando decidi concorrer à presidência, ele não era candidato. Entrou na disputa 15 dias antes da eleição. E venceu Ronaldo Lessa, que foi prefeito de Maceió e governador por duas vezes. Se eu disputasse o Senado, teria dividido o eleitorado de esquerda com Ronaldo. E não sei se teria sido reeleita. Talvez o Collor se elegesse até com mais facilidade, gastando menos dinheirio.”

 

Terceira colocada na disputa ao Planalto, HH ainda não sabe o que será de seu futuro político. Prefeitura de Maceió, em 2008? “Se eu ganhasse, não admitiria sair um ano e meio depois para concorrer a outro cargo. Estamos vendo se não é melhor esperar 2010, quando poderia disputar o governo do Estado, o Congresso ou a presidência da República. Por enquanto, vou me dedicar ao PSOL e dar às minhas aulas. Serão ótimas aulas. Posso ter sido péssima senadora, mas sou uma professora competente. Não suporto embromação no serviço público.”

Escrito por Josias de Souza às 12h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Folha: Equipes buscam soterrados no metrô

- Estadão: Pressa na execução da obra pode ter causado acidente

- Globo: Policiais do Rio terão de fazer declaração de bens

- Correio: Brasília, a capital dos endividados

- Valor: Setor de TI troca executivos e enfrenta desafios no país

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Passatempo de verão!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cicarelli pede desculpas a usuários do YouTube

  Manuela Fernandez/AP
A decantada cordialidade do brasileiro vem sendo substituída nos dias que correm por um comportamento de iracunda civilidade. A paciência dos patrícios está pela tampa. Primeiro, houve a grita contra o aumento de 91% no contra-cheque dos congressistas. Depois, a mobilização contra a censura à Internet.

Pois bem, neste sábado (13), Daniella Cicarelli sentiu o amargo gosto da reação. Três dezenas de pessoas postaram-se diante do prédio que abriga a sede da MTV, em São Paulo, para protestar contra a “modelapresentadora.” A escassez de multidão foi compensada com barulho.

 

Um carro de som executava uma paródia da música “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, do Ultraje a Rigor. Em dado trecho, a letra dizia: "Daqui do morro dá pra ver bem legal / O que a Dani fez lá no litoral / Veja o lado bom, Daniella / A Paris Hilton vendeu o vídeo dela."

 

Inicialmente, a MTV pretendia dar de ombros para a algaravia. De repente, enxergou na encrenca a oportunidade de consertar o malfeito que vem tisnando a imagem da emissora, voltada à audiência jovem.

 

A direção da casa convidou os manifestantes a entrar no prédio, para um encontro com Cicarelli. Conversaram por mais de duas horas. Lero vai, lero vem, a pivô do constrangimento terminou jogando a toalha.

 

“Peço desculpas pelo transtorno às pessoas ligadas ao YouTube. Pessoas que eu nem conheço, nem sei quem são”, disse Cicarelli. “Gosto de internet tanto quanto vocês." Como ninguém costuma dar ponto o arremate do nó, a MTV tratou de gravar as escusas de sua apresentadora. A coisa vai ao ar nos próximos dias.

 

Fez-se do ato de protesto uma peça de marketing. Seja como for, as desculpas não deixam de constituir um avanço. Num surto retardado de pundonor, Cicarelli requisitara à Justiça que retirasse do ar as imagens do sexo que fez com o namorado numa praia espanhola.

 

Terminou-se por privar, por 48 horas, 5,5 milhões de pessoas de acessar o YouTube. Constrangida, Cicarelli disse que não tivera nada a ver com o pato. Atribuiu a requisição judicial ao namorado. Uma inverdade.

 

Agora, a moça diz que pretende associar sua imagem à luta em favor da aprovação de “leis digitais”, seja lá o que isso signifique. Espera-se que a bela estampa de Cicarelli não cometa o equívoco de associar-se à feia figura do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Escrito por Josias de Souza às 00h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula faz de Rebelo uma Janet Leigh de Psicose

Lula faz de Rebelo uma Janet Leigh de Psicose

 

Aldo Rebelo perdeu a conta do número de vezes que Lula prometeu apóia-lo. Foram tantas e tão enfáticas as manifestações de simpatia que Rebelo imaginou-se imbatível. Deu-se, porém, o inexplicável. Mantido na frigideira há mais de um mês, Rebelo foi mandado, na semana passada, ao microondas. Poucas vezes na política a receita de um assado foi tão reveladora da frieza do cozinheiro.

 

Em meados de 2006, Rebelo foi a Lula. Disse-lhe que não cogitava renovar o mandato de deputado. Buscava desafios novos. Enfático, Lula respondeu que precisava dele na Câmara. Mencionou o plano de reconduzi-lo à presidência da Casa. Uma idéia que renovaria um sem-número de vezes ao longo da campanha eleitoral.

 

Rebelo foi às urnas. Reelegeu-se. Em dezembro, imaginando-se candidato único do governismo à presidência da Câmara, surpreendeu-se com a entrada em cena de Arlindo Chinaglia (PT). Sabia das pretensões do líder do governo. Mas imaginava que Lula frearia o ímpeto do PT. Ilusão. Começaria ali o banho-maria.

 

Em reunião com uma comitiva petista, Marco Aurélio Garcia à frente, Lula disse que queria Rebelo. Mencionou o “risco Severino”. Mas não pronunciou uma mísera palavra que pudesse ser interpretada como veto. O silêncio de Lula acomodou Rebelo numa trilha que o conduziria para um hotel sinistro de beira de estrada, com Anthony Perkins na portaria.

 

Antes de recolher-se ao refúgio do Guarujá, Lula renovou a suposta preferência por Rebelo em diálogo com o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB). Alheio ao apoio retórico, Chinaglia tricotava com o PMDB. Encontrou matéria-prima para o conchavo no grupo de neogovernistas, ávidos por abrir uma fenda na couraça que se formara em torno de Renan Calheiros e José Sarney, até então interlocutores exclusivos de Lula no PMDB.

 

Chinaglia entendera-se inicialmente com Geddel Vieira Lima (BA), potencial candidato do PMDB à presidência da Câmara. Depois, lograra atrair Michel Temer, presidente do PMDB, para a negociação. Geddel e Temer sinalizaram para o ministro Tarso Genro que rumavam para a canoa petista. Ao menor sinal de contrariedade, teriam dado meia-volta. Mediante compensações, apoiariam Rebelo. Ou um poste, desde que Lula indicasse.

 

Em férias no Guarujá, Lula foi informado, pelo telefone, da consumação do apoio da maioria peemedebista a Chinaglia. A essa altura Rebelo já estava bem passado. A “Psicose” que regia a articulação política do Planalto já o havia guindado à condição de uma Janet Leigh a caminho do chuveiro. No rastro do PMDB, o PSDB também decidiu associar-se a Chinaglia. Antes que o tucanato começasse a se auto-depenar, a candidatura de Rebelo foi passada na faca. Com o beneplácito de Lula.

 

Nesse instante, Rebelo cambaleia, ensangüentado, pelos meandros dos partidos. Sonha para si um final menos trágico do que o de Janet Leigh na fita de Alfred Hitchcock. Escorado no PFL, espera ser ressuscitado pelas mãos de uma incerta dissidência suprapartidária. E Lula, mercê de sua indecisão, está na bica de transformar-se num dos vitoriosos mais perdedores da política nacional. Prevaleça Chinaglia ou Rebelo, nenhum dos dois terá motivos para atribuir o triunfo à interferência de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Sobre dinheiro, felicidade e consolos admiráveis

Sobre dinheiro, felicidade e consolos admiráveis

 

O dinheiro, como se sabe, não traz felicidade. Mas compra consolos admiráveis. É preciso reconhecer: melhor desfrutar da infelicidade no quentinho da lareira do que na rua da amargura.

Você decerto não é um milionário. Muito menos bilionário. Se fosse, não desperdiçaria o seu tempo neste recanto virtual. Já teria voado para Londres. Ali, nos arredores da capital britânica, encontra-se disponível a mais cara mansão à venda na Europa.

Coisa fina. Custa a bagatela de US$ 134 milhões. Foi erguida no século 19, no bosque de Windsor, a sudeste de Londres. Reformada há cerca de 20 anos por um desses príncipes árabes que nadam em petrodólares, o casebre ficou supimpa (leia aqui, em espanhol; e aqui, em inglês).

Entre outros mimos, a propriedade dispõe de seis piscinas, oito dormitórios, jacuzzis,mini-spas, heliporto, cinema privativo, quadra de tênis e até, veja você, um “quarto de pânico, blindado e preparado para proteger os (in)felizes proprietários de ataques terroristas.

Embora o negócio não seja para o seu bico, vale dar uma espiada num filmete que mostra, em detalhes, o que há sob o teto dessa morada de sonhos. As imagens foram captadas por uma emissora da internet. É voltada ao público multimilionário. Mas nada impede que você a visite, ainda que para lamentar a sua falta de pecúnia. Infelizmente a narração é feita em língua inglesa. Antes de chegar à mansão, há uma introdução de um minuto e 40 segundos. Delicie-se.

Escrito por Josias de Souza às 19h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Folha: Desastre no metrô abre cratera em SP

- Estadão: Cratera no metrô engole carros e interdita 79 casas

- Globo: Cratera no metrô de SP deixa 6 desaparecidos

- Correio: Brasil registra inflação de 1° mundo

- Valor: Setor de TI troca executivos e enfrenta desafios no país

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

War!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mapa de votação do PT indica vitória de Chinaglia

  Sérgio Lima/Folha Imagem
A 19 dias da eleição do novo presidente da Câmara, marcada para 1º de fevereiro, o PT considera que seu candidato, Arlindo Chinaglia, está virtualmente eleito. O blog obteve os números que constam do mapa de votação do petismo. Numa conta que exclui os votos do PSDB, Chinaglia figura no documento com 255 votos.

Para que seja eleito, o candidato precisa obter 257 votos. O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Jr., diz que Chinaglia terá a maioria dos votos da bancada de 66 deputados tucanos. Se os números do PT estiverem corretos, não seria necessário tanto. Bastaria que dois tucanos votassem em Chinaglia para assegurar-lhe a vitória.

Os apoiadores de Aldo Rebelo, candidato do PC do B, ainda não jogaram a toalha. Mas, em privado, reconhecem o favoritismo de Chinaglia. A opinião é compartilhada pelos adeptos da “terceira via”. Os dois grupos promovem iniciaram entendimentos para tentar unir forças (veja notícia abaixo).

Os responsáveis pela elaboração da planilha de votos de Chinaglia dizem ter adotado números de segurança. Na dúvida, afirmam, os algarismos foram arredondados para baixo. São os seguintes os dados recolhidos pelo alto comando da campanha petista:

Dos 89 votos do PMDB, Chinaglia obteria pelo menos 65; dos 83 deputados do PT, 80 votariam no companheiro de partido; dos 65 votos do PFL, Chinaglia amealharia dez; dos 88 deputados que integram as bancadas do PP (41), do PR (25) e do PTB (22), 70 parlamentares optariam por Chinaglia; dos 24 votos do PDT, o petista já teria assegurado 15; dos 13 do PV, teria sete. Fechando a conta, Chinaglia teria consigo a totalidade dos oito votos do PSC. Tudo somando, chega-se ao total de 255 votos.

Os insurgentes do PSDB, grupo que tenta reverter o apoio a Chinaglia, anunciado na última quinta-feira (11) pelo líder Jutahy Magalhães Jr., organiza uma reunião em Brasília para a esta segunda-feira (15). Por ora, os organizadores da resistência dizem ter arrastado para o encontro 20 dos 66 deputados tucanos.

Supondo-se que, dos 46 tucanos restantes, pelo menos duas dezenas permaneçam ao lado de Chinaglia, o petista cravaria no placar eletrônico da Câmara 275 votos. E estaria eleito, pelas contas do PT, com uma folga de 18 votos. Aldo Rebelo e um eventual candidato da “terceira via” disputariam entre si os votos dos outros 238 deputados que completam o quadro da Câmara, composta de 513 deputados.

A despeito do suposto conforto numérico, Arlindo Chinaglia esquiva-se de cantar vitória. Em entrevista veiculada aqui no blog na última quinta (11), ele soou comedido: “Prefiro dizer que não trocaria a minha posição por qualquer outra posição na Casa”. A julgar pelo que se diz nos subterrâneos do Planalto, tampouco a assessoria de Lula cogita trocar a aparente solidez contábil dos indicadores associados a Chinaglia pela dúvida associada às pretensões de Aldo Rebelo.

Pendurados ao telefone, Rebelo e seus apoiadores constituíram uma força tarefa para tentar seduzir as dissidências partidárias, ampliando-as ao máximo. Na próxima semana, o atual presidente da Câmara deve despachar uma mala direta a todos os 513 deputados, com uma mensagem de campanha. Trava-se, a essa altura, uma corrida contra o relógio.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PFL tenta atrair adeptos da ‘3ª via’ para Rebelo

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O aparente favoritismo de Arlindo Chinaglia (PT) produziu a reabertura do diálogo entre os partidários de Aldo Rebelo (PC do B) e os articulares da chamada “terceira via”. Rodrigo Maia e José Carlos Aleluia, respectivamente líder e vice-líder do PFL, trocaram telefonemas com Fernando Gabeira (PV-RJ) nesta sexta (12). Agendaram uma reunião para a próxima segunda (15).

Os dois grupos têm, por ora, interesses divergentes. Maia e Aleluia tentam convencer Gabeira da inconveniência do lançamento de um terceiro candidato. Gabeira, por sua vez, está empenhado em atrair a pefelândia para um nome mais identificado com a autonomia do Legislativo do que Aldo Rebelo.

“Há coisas que são importantes para nós, da terceira via: o compromisso com uma visão programática, que contemple a autonomia do Legislativo e reconstrução de pontes com a sociedade. Disso, não abrimos mão”, diz Gabeira. “A segunda coisa, que se impôs depois da decisão do PSDB de apoiar o PT, é a de que precisamos mostrar que existe uma oposição no Brasil”.

Para Gabeira, o favoritismo do petista Arlindo Chinaglia vai ganhando ares de fato consumado. “O argumento do Aldo [Rebelo] era o de que ele podia vencer. Mas está ficando cada vez mais claro que nem o Aldo pode vencer, nem nós, da terceira via”, diz o deputado.

“Se é assim”, prossegue Gabeira, “temos de expor nossas posições claramente e tentar construir uma nova opção. Nosso argumento é o seguinte: se é para perder, porque apoiar o Aldo? Por que não apoiar logo alguém que venha com uma posição de completa independência em relação ao Executivo e com uma cara oposicionista mais nítida? Pode até ser alguém do PFL ou do PSDB.”

No encontro que terá com Gabeira, Rodrigo Maia esgrimirá um ponto de vista distinto. Primeiro, ele diz que o PFL está “compromissado” com Aldo Rebelo e não vai arredar pé dessa posição. Segundo, diz não estar convencido da derrota de Rebelo. Acha que, juntos, os adeptos da terceira via e o grupo reunido em torno do atual presidente da Câmara têm potencial para agregar até 275 votos, bem mais do que os 257 necessários para assegurar a vitória.

José Carlos Aleluia agrega um outro argumento pró-Rebelo. Afirma que ele dispõe de votos na base governista que um novo candidato saído da oposição –seja PFL ou PSDB –não teria. Rodrigo Maia vai na mesma linha: “O Aldo tem os 40 votos do PSB e do PC do B, que são da base do governo. Ele também tem algo como 25 votos reunidos pelo Ciro Nogueira (PP-PI) e um outro tanto de dissidentes de partidos governistas. São entre 80 e 100 votos que não seriam transferidos para um candidato de oposição”.

Aleluia e Maia farão o que estiver ao seu alcance para convencer o grupo da terceira via a aderir a Rebelo. Se não for possível, não será o fim do mundo, diz Maia: “Vamos com três candidatos. No segundo turno, a terceira via não vota no PT de jeito nenhum. Eles vão se juntar a nós. E estou certo de que os dois grupos, juntos, darão a vitória ao Aldo, que tem todas as condições de incorporar o programa de renovação do Legislativo.”

Depois de se reunir com os líderes pefelistas, na segunda, Gabeira participará, na terça (16) da segunda reunião do grupo da terceira via. Espera que o encontro seja encorpado pelos insurgentes do PSDB, muitos deles partidários de Aldo Rebelo. A reunião será decisiva para a decisão de lançar ou não um terceiro candidato. Hoje, prevalece a intenção de sair do encontro com o nome de um novo postulante à presidência da Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 03h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em nota, FHC critica apoio do PSDB a Chinaglia

Dono de um método peculiar de tomada de decisão, o tucanato surpreendeu o mundo da política ao anunciar o apoio a Arlindo Chinaglia (PT). Ninguém imaginava que o PSDB, logo ele, desceria do muro tão cedo. Mercê da falta de prática com a ligeireza, os tucanos desceram, veja você, dos dois lados do muro.

O sururu começou já na quinta (11), dia em que Jutahy Magalhães apertou a mão de Chinaglia. Nesta sexta (12), o alarido foi encorpado por uma nota de repúdio do tucano-mor Fernando Henrique Cardoso. Ele tachou de “precipitado” o gesto pró-Chinaglia. Preferiria Aldo Rebelo (PC do B), sem excluir a análise de um nome surgido da terceira-via.

 

Eis a nota de FHC:

 

"A respeito do apoio precipitado à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara de Deputados tenho a dizer que:

1. Quando estava em férias de Natal em Maceió, fui informado pelo deputado Aldo Rebelo de sua disposição de se candidatar à presidência da Câmara. Respondi que, se ele se mantivesse candidato, não veria como o PSDB pudesse votar no candidato do PT.

2. Havendo uma cisão na base governista, à qual, pela lógica política, caberia a Presidência da Câmara, abrir-se-ia, uma alternativa para a oposição. Aliás, mais de uma, penso, pois o anúncio posterior de eventual candidato de outros na linha da independência do Congresso nas questões institucionais e do não comprometimento com as tantas pizzas do passado recente.

3. Dei ciência ao governador de São Paulo e ao líder do partido na Câmara da conversa que mantivera com o deputado Aldo Rebelo, à qual esteve presente também o governador de Alagoas, Teotônio Vilela. Por isso, me surpreendeu a decisão, que considero precipitada, assegurar ao PT os votos do PSDB, sem discussão política mais profunda sobre as implicações e conseqüências do gesto. Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores”.

 

Abespinhado, o líder Jutahy, unha e carne com José Serra, disse que não vê problemas em reunir a bancada para retificar ou ratificar o apoio a Chinaglia. Parece confiar na acuidade da pesquisa telefônica que aferiu o sentimento da bancada. "Colocamos três opções: a defesa do critério da proporcionalidade das bancadas, o que implicava o apoio ao Chinaglia, a alternativa pró-Aldo e uma terceira, a de lançar uma candidatura contra esses dois. A vencedora foi a primeira." Ele não fala em percentuais.

 

No embalo de FHC, também o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), decidiu meter a colher no angu da Câmara. Disse que vai pedir à Executiva do partido que convoque uma mega-reunião, especificamente para debater o apoio a Chinaglia. Quer a participação de deputados, senadores e de grão-tucanos sem mandato.

 

“Não me estou intrometendo em assunto interno da Câmara. Entendo, sim, que se trata de questão maior, a ser amplamente discutida pela Direção Nacional do partido. Todos devem ser ouvidos, a começar pelo presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso", anotou Virgílio em nota.

 

Como se vê, tucanos são mesmo um bichos complexos. Sendo oposição, abraçam-se ao PT. Depois, inauguram um movimento de oposição a si mesmos, bicando-se uns aos outros. Aldo Rebelo não perdeu a oportunidade de espicaçar as aves de coloração petista. O esvoaçar de penas encontra-se exposto no portal do PSDB na internet. Divirta-se.

Escrito por Josias de Souza às 21h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Clodovil mira em Lula e acerta nos analfabetos

A história, como se sabe, é uma senhora seletiva. Obrigado o fato presente a percorrer um corredor frio. Na outra ponta está a posteridade. Para alcançá-la, o instante e o circunstante digladiam-se de modo incessante. Mas, no fim da linha, muito pouco consegue escalar a estante.

Em entrevista à Revista Flash, na banca desde quarta-feira (10), o recém-eleito deputado Clodovil Hernandez, num misto de otimismo e presunção, disse: “Nasci para fazer história.”

Embora já entrado em anos, Clodovil, 70, ainda não logrou inscrever na enciclopédia um verbete vistoso. Mas, a julgar pelas declarações que vem produzindo, logo, logo cavará no anedotário um lugar de destaque.

Na mesma entrevista à Flash, instado a dizer o que pensa de Lula, o neodeputado afirmou: “Nunca estive envolvido com ladrão, como o Lula esteve. Não posso respeitar um analfabeto. Ele não poderia ser nem vereador”.

A pretexto de alvejar Lula, o deputado-estilista terminou abraçando o preconceito. Atirou em todos os patrícios que, pelos azares da vida, mantiveram-se, ou foram mantidos, na condição de iletrados. Algo tão desatinado quanto se alguém dissesse que Clodovil não merece respeito por ser homossexual.

Nada a opor quanto aos reparos que Clodovil faz em relação à convivência de Lula com personagens desonestos. Mas o que separa a virtude da desonra é, como se sabe, a ocasião. E Clodovil já deu mostras de que, confrontado com a oportunidade, não se pejaria de grudar em seu currículo o epíteto de mensaleiro.

Há quatro meses, Clodovil foi questionado, em outra entrevista, acerca do mensalão. Na resposta, insinuou que  venderia a consciência ao governo. Desde que chegasem ao seu preço: "R$ 30 mil é tão pouco... Se ainda fossem uns US$ 30 milhões... Por R$ 30 mil vender um país, você está louco. Cada um pesa o dinheiro na sua balança. E a minha precisa de muito."

Clodovil ainda não escalou a estante. Mas, antes mesmo de assumir, já está na bica de alcançar a Corregedoria da Câmara. A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) anunciou que irá acionar o novo colega em fevereiro, data da posse dos novos deputados. “O que ele disse é um absurdo. Ele tem todo o direito de fazer oposição ao presidente, a quem quiser, mas não desrespeitar os analfabetos, pelos quais deveria trabalhar como parlamentar", diz Grazziotin.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PDT reúne diretório para ingressar no governo

Ser ou não ser? No tempo em que Brizola era vivo, a coisa era mais simples. Bastava perguntar ao grande líder. Hoje, transformado em partido de múltiplas cabeças, o PDT tem de reunir o diretório, veja você, para tomar decisões.

 

Nesta sexta, em encontro que começa daqui a pouco, os dirigentes do PDT decidem se o partido será ou não será governo. Deve ser, segundo a opinião da grossa maioria. Aliás, Carlos Lupi, o presidente da legenda, já vem participando dos encontros do chamado conselho político.

 

No último, realizado há quatro dias, sob a coordenação do ministro Tarso Genro, discutiu-se a posição das legendas governistas na briga pela presidência da Câmara. Lupi disse que, do ponto de vista do PDT, o ideal seria que a dita coalizão fosse à disputa com um único candidato.

 

Arlindo Chinaglia ou Aldo Rebelo? Sem Brizola, de novo, não há respostas fáceis. Miro Teixeira (RJ), líder do PDT na Câmara, informa que, antes do nome, o partido deseja discutir princípios que sirvam para nortear a nova gestão da Casa. Miro redigiu, a Executiva encampou e o diretório nacional do PDT vai referendar, nesta sexta, uma proposta de reforma do Legislativo.

 

E quanto ao nome do candidato? “Quem disser que sabe qual será a posição do partido está mentindo”, diz Miro Teixeira. Que dia haverá uma definição? “Nosso prazo é o da eleição, 1° de fevereiro.” Então será na última hora? “Isso eu não posso dizer.” Como se vê, a era do brizolicentrismo está mesmo soterrada.

 

PS: Como previsto no despacho acima, o PDT decidiu durante a reunião aderir à coalizão lulista. E adiou para a semana que vem a decisão entre o apoio a Arlindo Chinaglia ou a Aldo Rebelo.

Escrito por Josias de Souza às 12h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- Folha: Maioria rejeita plano de Bush para o Iraque

- Estadão: Pacote socialista de Chávez surpreende venezuelanos

- Globo: Onda de lama química chega a cidade do Rio

- Correio: Mais R$ 17,8 bilhões para a casa própria

- Valor: Setor de TI troca executivos e enfrenta desafios no país

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Progresso!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Liberado por Lula, Planalto prestigia Chinaglia

  Beto Barata/F.Imagem
O Palácio do Planalto já fez sua opção na Câmara. Liberados por Lula, os auxiliares políticos do governo movem-se em favor da candidatura de Arlindo Chinaglia (PT) à presidência da Casa. O governo já discute internamente a conveniência de fazer 
uma manifestação oficial, para sinalizar claramente que Aldo Rebelo (PC do B), outrora o candidato preferido de Lula, não é mais a opção preferencial do governo.

A decisão será tomada no início da próxima semana. O governo aguarda para segunda-feira (15) a adesão de mais duas legendas da chamada coalizão à candidatura de Chinaglia: PTB (22 deputados) e PP (41). O deputado José Múcio (PE), líder do PTB, informou ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) que entre 80% e 90% de sua bancada pende para Chinaglia. Nélio Dias (RN), presidente em exercício do PP, sinalizou ao PT que a maioria de sua bancada também se inclina para o apoio ao candidato petista.

A partir dessas novas manifestações, estaria consolidado um quadro que autorizaria o pronunciamento do governo pró-Chinaglia. Seria feito por Tarso Genro, em caráter oficial. Serviria para dar formalidade à coalizão, valorizando, desde logo, as decisões tomadas pelos partidos que a integram.  

Para o governo, a definição do PMDB em favor de Chinaglia funcionou como um divisor de águas na disputa da Câmara. O partido é visto como peça central da engrenagem que Lula tenta montar Congresso. Acredita-se que, deixando de prestigiar a decisão da bancada peemedebista, historicamente marcada pelo divisionismo, o governo dinamitaria a coalizão no nascedouro.

Em privado, Tarso Genro, hoje o principal operador político de Lula, diz que a formalização do apoio do PSDB a Chinaglia corrigiu uma debilidade da candidatura petista: a suposta ausência de trânsito na oposição. O ministro acha que, além de agregar as forças governistas, o novo presidente da Câmara, seja ele quem for, deve manter relações estreitas com as legendas que trafegam no campo oposicionista.

Em outras palavras: o novo comandante da Câmara, embora governista, precisa mostrar-se capaz de representar toda a instituição. A definição do tucanato, a despeito das previsíveis defecções, deu, na opinião do ministro, contornos institucionais à pretensão de Chinaglia. O ponto de vista é compartilhado pela cúpula do PT.

Aliás, a alegada “institucionalizão” do processo eleitoral na Câmara leva lideranças do PT a duvidarem da conveniência de uma manifestação palaciana. Receia-se que, ao defender abertamente o nome de Chinaglia, o governo acabe por carimbá-lo como um candidato “chapa branca”. Entre os petistas, prefere-se que o trabalho do Planalto restrinja-se, a essa altura, aos bastidores.

De resto, o governo move-se com cuidado, para não melindrar ainda mais Aldo Rebelo. Trata-se de uma preocupação obsessiva de Lula. O zelo é, porém, tardio. Rebelo já guarda profunda mágoa do presidente e das pessoas que o rodeiam. Especialmente Tarso Genro.

De Lula, Rebelo diz entre quatro paredes que, depois de estimulá-lo a embrenhar-se na disputa pela reeleição, o presidente eximiu-se de trabalhar em seu favor. Quanto a Genro, alega que manobrou desabridamente para puxar-lhe o tapete. Diz que o ministro pôs os interesses do petismo acima de suas atribuições como articulador político do governo. Tarso Genro nega a acusação. Mas nem Aldo nem seus apoiadores acreditam mais.

Escrito por Josias de Souza às 03h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aldo dá batalha por perdida, mas segue em guerra

Nos últimos três dias, Aldo Rebelo (PC do B) amargou duas derrotas. Na terça (9), o PMDB aliou-se às forças inimigas. Nesta quinta (11), o PSDB tomou o mesmo rumo. Ainda assim, com a candidatura gravemente ferida, Rebelo mantém-se em posição de combate. Segue disparando o seu fogo retórico.

Instado a manifestar-se sobre a revoada tucana, Rebelo reconheceu que Arlindo Chinaglia (PT) prevaleceu sobre ele na “primeira batalha”. Mas julga-se apto a vencer a guerra. Lançou mão de uma analogia curiosa. Disse que seus adversários vão “encontrar sua Stalingrado no dia 1º de fevereiro," data da eleição para a presidência da Câmara. Por um instante, Rebelo como que enfiou os pés nos sapatos de Stalin.

   Stalingrado/1943
O recuo na história é revelador do que vai na alma de Rebelo. Na prática, compara a própria tropa à heróica resistêncua russa e equipara a soldadesca parlamentar que avança sobre suas posições às forças nazistas que marcharam União Soviética adentro. Ao invocar Stalingrado, a página mais cruenta da Segunda Guerra Mundial, Rebelo como que revela-se disposto a sujar as mãos de sangue no plenário.

Como consolo às almas leves, cumpre lembrar que Stalingrado produziu, além de cadáveres e da derrocada de Hitler, a boa poesia de Drummond. De resto, vale, por oportuno, perguntar: se Rebelo é o Stalin da campanha legislativa, quem seria o Führer da Câmara? Chinaglia?

No vale-tudo em que vai se transformando o conflito que opõe o governo ao próprio governo, Rebelo parece apostar na expectativa de deserção que se esconde sob a aliança dos maiores exércitos partidários com as tropas de seu inimigo. Ele lembra que os deputados dispõem de uma arma letal: o voto secreto. Insinua que, no plenário, a voz de comando dos generais das bancadas pode valer pouco, muito pouco, quase nada.

As defecções, de fato, começam a se insinuar. O apoio do PMDB, como se sabe, não foi unânime. A adesão do PSDB também deixou insatisfeitos. A dúvida que remanesce é em que medida Rebelo conseguirá formar um exército de desertores numeroso o bastante para conduzi-lo à vitória. Seja como for, ainda que o destino lhe seja amargo, o atual presidente da Câmara parece disposto a morrer guerreando: “Vamos ao combate”, diz.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Não sou pró-lula, sou pró-Câmara’, diz Chinaglia

‘Não sou pró-lula, sou pró-Câmara’, diz Chinaglia

  Antônio Cruz/ABr
Em entrevista ao blog, Arlindo Chinaglia, candidato do PT à presidência da Câmara disse que o apoio do PSDB, que acaba de receber na cidade de Vitória (ES), dá à sua candidatura “uma musculatura política e contábil muito forte”. Já ganhou? “Prefiro dizer que não trocaria a minha posição por qualquer outra posição na casa”.
 
Quer o apoio formal de Lula? “Passei um tempão sendo tratado como candidato anti-Lula (...). Quero que a sociedade conclua por si mesma que o presidente nunca se opôs à minha candidatura. Mas não quero ser tachado agora de candidato oficialista. Se eleito não vou representar o Executivo no Legislativo. Serei presidente da Câmara (...). Não serei nem pró nem anti-Lula. Serei pró-Câmara”. Leia a entrevista:

- O que representa o apoio do PSDB?

Não desprezo a questão numérica, embora não a despreze. Mas acho que tem uma importância política. Me permite dizer que, se eleito, serei um presidente que vai representar toda a Câmara, como instituição.

-Como assim?

Esse apoio do PSDB ultrapassa a disputa na Câmara. Passa uma mensagem à sociedade. Partidos que se opõem no campo das idéias de forma dura são capazes de, em nome de valores e princípios –no caso da Câmara a questão da proporcionalidade das bancadas—construir acordos que levam o PSDB a apoiar um candidato como eu, que sou o líder do governo. A população vai se sentir mais esperançosa ao ver gestos dessa natureza no Congresso.

- A posição do PSDB o fortalece junto às legendas governistas?

Já tenho o apoio da ampla maioria da base governista. Algo que se consolidou com a posição adotada pelo PMDB a nosso favor. Mas o PSDB não se orientou por questões de maioria ou minoria. Digo com imenso prazer que o PSDB baseou-se na proporcionalidade, regra básica do parlamento.

- Considera-se favorito?

Não diria isso. Afirmo que que, finalmente, aquilo que eu vinha dizendo há tempos está sendo provado. Dizia-se que a oposição apoiava integralmente o Aldo [Rebelo]. Apanhei calado. Não menosprezo nenhuma disputa, mas tenho convicção de que tenho a maioria, já há algum tempo na base governista. Com o suporte do PSDB, a candidatura ganhou uma musculatura política e contábil muito forte.

- A vitória está assegurada?

É evidente que os apoios me fortalecem. Mas não canto vitória antes do tempo. Prefiro dizer que não trocaria a minha posição por qualquer outra posição na casa.

- Deseja que o Planalto o aponte candidato único da base governista?

Passei um tempão sendo tratado como candidato anti-Lula. Quero que a sociedade conclua por si mesma que o presidente Lula nunca se opôs à minha candidatura. Mas não quero ser tachado agora de candidato oficialista. Se for eleito, não vou representar o Poder Executivo no Legislativo. Serei presidente da Câmara.

- E quanto às suas afinidades com Lula?

Se dissesse que não tenho afinidade com o projeto do governo Lula, estaria mentindo. Mas uma coisa é a afinidade política, filiação partidária e convicção ideológica. Outra coisa é o Legislativo como instituição. Se eleito, não serei nem pró nem anti-Lula. Serei o presidente pró-Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 18h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Jungmann é denunciado por ‘improbidade’ pelo MP

  Antônio Cruz/ABr
O Ministério Público do Distrito Federal denunciou o Raul Jungmann (PPS-PE) por suposta pratica de “improbidade administrativa” à época em que ocupou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (a996-2002), sob Fernando Henrique Cardoso. Além do deputado foram denunciadas mais oito pessoas.

 

Segundo a denúncia, durante a gestão de Jungmann o Incra contratou empresas de publicidade sem licitação. Os contratos teriam ocasionado prejuízos ao erário de cerca de R$ 33 milhões, em valores atualizados. A ação utiliza termos duros. Diz que "as provas colhidas revelam de modo claro a existência de uma verdadeira estrutura ilícita, nos moldes de uma quadrilha, destinada a dilapidar o patrimônio do Incra por meio de sucessivos desvios nos contratos de publicidade".

A denúncia foi protocolada na 17ª Vara Federal de Brasília. Chega num instante em que Jungmann articula no Congresso uma candidatura alternativa à presidência da Câmara baseada em princípios de moralidade e transparência para o Legislativo. Ouvido pelo blog, Jungmann disse que ainda não tem conhecimento do inteiro teor da denúncia.

 

O deputado afirmou que, sem prejuízo da atividade parlamentar, sua prioridade passa a ser a comprovação de sua inocência. “Não vou sair pelo caminho fácil de afirmar que isso se deve a retaliação política. As implicações políticas do caso ficam para depois. Agora, vou demonstrar cabalmente que nada fiz de ilícito enquanto fui ministro”.

 

Jungmann recolheu-se ao gabinete, na Câmara, para buscar informações sobre o processo. Disse que voltará a se manifestar assim que tiver pleno conhecimentos dos fatos. Além do ministro, foram denunciados ex-funcionários do ministério, agências de publicidade e seus proprietários (leia).

 

PS.: Horas depois da publicação desta nota, Jungmann concedeu uma entrevista coletiva (leia).

Escrito por Josias de Souza às 16h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chinaglia recebe apoio formal do PSDB na Câmara

  Lúcio Távora/F.Imagem
O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Jr. acaba de confirmar ao blog que anunciará nesta quinta-feira (11), por volta das 17h, o apoio do partido a Arlindo Chinaglia, candidato do PT à presidência da Câmara. "Está decidido. Nosso apoio será dado ao Arlindo Chinaglia, em respeito à regra da proporcionalidade partidária," afirmou.

 

Jutahy já comunicou a decisão ao próprio Chinaglia e também ao rival dele, Aldo Rebelo (PC do B), que disputa a reeleição à presidência da Câmara. Nesse momento, Chinaglia está voando para o Espírito Santo, onde Jutahy se encontra, em férias. O petista fez questão de participar da entrevista coletiva que o líder tucano dará na sede do PSDB capixaba, em Vitória. Antes de embarcar, disse, pelo telefone, a um interlocutor de seu partido: "Ganhamos!"

 

Conforme antecipado aqui no blog na noite passada, o PSDB chegou à sua decisão mediante consulta telefônica feita aos 66 deputados que integram a sua bancada na Câmara. A sondagem foi encerrada no final da manhã de hoje.

 

O repórter perguntou a Jutahy qual foi o resultado da enquete. "Nós não vamos divulgar isso. Informo apenas que a maoria optou pelo respeito à proporcionalidade, que concede à maior bancada o direito de indicar o presidente da Casa. O PMDB abriu mão em favor do PT, que tem a segunda maior bancada. Portanto, respeitada a proporcionalidade, decidimos apoiar o Arlindo."

 

Antes de discar para os dois candidatos, Jutahy Magalhães telefonou para Rodrigo Maia, líder do PFL na Câmara.Associado à candidatura de Aldo Rebelo, Maia dava como favas contadas o apoio do tucanato ao atual presidente da Câmara. Ao ser informado de que se passara justamente o contrário, disse a Jutahy: "Vocês tomaram a decisão errada." Certa ou equivocada, a batida de martelo do PSDB praticamente inviabiliza as pretensões de Aldo Rebelo.

 

Ouvido a respeito pelo blog, um auxiliar de Lula disse: "O governo não pode mais ignorar um candidato que, sendo de sua base de sustentação, conseguiu reunir em torno de si as três maiores bancadas do Congresso (PMDB,PT e PSDB)". Insinuou que o presidente será forçado a prestigiar Chinaglia, embora tenha manifestado, em privado, maior simpatia por Aldo Rebelo.

 

A pressa do PSDB em tomar partido na disputa da Câmara pegou de surpresa os principais atores do processo. Mesmo Arlindo Chinaglia e Aldo Rebelo esperavam que o tucanato só fosse se posicionar no final do mês, na véspera da eleição, marcada para 1º de fevereiro. Jutahy reconhece que a reunião da bancada estava prevista para 31 de janeiro.

 

A antecipação resultou do receio de que o voto tucano perdesse importância. Calculou-se que, no final do mês, o favoritismo de Arlindo Chinaglia, já evidente, fosse acachapante. Receava-se, de resto, que, desorientada, a bancada do PSDB se dividisse. Oito deputados tucanos, à frente José Aníbal e Paulo Renato, já haviam aderido à frente parlamentar que tenta construir uma candidatura alternativa, a chamada "terceira via".

 

Além de dinamitar a candidatura de Aldo de Rebelo e de reduzir a "terceira via" à condição de mera anti-candidatura, sem chances de vitória, o acerto do PSDB com o PT assegura aos tucanos a indicação do deputado Nárcio Rodrigues (MG) para compor a chapa da nova Mesa diretora da Câmara. Ele concorrerá à primeira vice-presidência da Casa. Nárcio é homem de confiança de Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais.

Escrito por Josias de Souza às 14h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- Folha: Socialismo ou morte, diz Chávez na posse

- Estadão: Bush alega que errou e reforça tropa no Iraque

- Globo: Vazamento químico em Minas ameaça mananciais no Rio

- Correio: Velocidade de todas as vias será revista

- Valor: Lula suspende licitações por temer cartéis nas rodovias

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Raízes do Brasil!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB decide nesta quinta quem vai apoiar na Câmara

  Sérgio Lima/F.Imagem
A candidatura de Aldo Rebelo (PC do B) à presidência da Câmara pode receber nesta quinta-feira (11) um golpe de misericórdia. Dono da terceira maior bancada –66 deputados—, o PSDB pretende anunciar ainda hoje o nome do candidato que irá apoiar na disputa pelo comando da Casa. É grande a chance de que o escolhido do tucanato seja Arlindo Chinaglia (PT).

 

Nas pegadas do apoio do PMDB a Chinaglia, a direção do PSDB decidiu antecipar o seu posicionamento, inicialmente previsto para o final do mês. Para dar formalidade ao processo de escolha, decidiu-se consultar, um a um, todos os deputados tucanos. A sondagem foi iniciada nesta quarta (10). Espera-se que esteja concluída até o meio-dia de hoje.

 

Escolhido o nome, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Jr. irá telefonar para Arlindo Chinaglia e Aldo Rebelo para comunicar-lhes, em caráter oficial, o resultado da enquete. Se for confirmada a tendência pró-Chinaglia, a candidatura do PC do B estará virtualmente sepultada. O candidato petista terá do seu lado o grosso das três maiores bancadas da Câmara –PMDB (90 deputados), PT (83) e PSDB (66).

 

Aldo Rebelo, que conta com o apoio formal de PFL (65 deputados), PC do B (13) e PSB (27), espera obter o suporte tucano para contrabalançar a alardeada supremacia de Chinaglia nas legendas que integram o consórcio governista. Sem os tucanos, Rebelo verá o chão fugir-lhe dos pés. Pressentindo o cenário adverso, Lula, que descansa no Guarujá (SP) desde sexta-feira (5), recomendou a auxiliares palacianos e a políticos aliados que cuidem para que Rebelo “não seja humilhado.”

 

Para acelerar a consulta à bancada, Jutahy requisitou o auxílio de quatro de seus liderados: Eduardo Gomes (TO), Júlio Redecker (RS), Sebastião Madeira (MA) e Nárcio Rodrigues (MG). O grupo pendurou-se ao telefone no início da tarde desta quinta. A consulta prossegue na manhã de hoje. Estima-se que todos os deputados tucanos terão sido consultados até o início da tarde. Feita a compilação dos dados, Jutahy fará a comunicação do resultado a Rebelo e Chinaglia.

 

A consulta foi expressamente autorizada pelas duas lideranças tucanas com maior capacidade de influência na bancada: os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). Ouvidos, ambos puseram-se de acordo em relação a um pré-requisito: seja qual for a posição do partido, a decisão deve ser tomada pela bancada, por maioria de votos.

 

Serra e Aécio concordaram, de resto, com o argumento de que deve ser respeitado o princípio da proporcionalidade. Trata-se de uma regra segundo a qual cabe ao dono da maior bancada a primazia na indicação do presidente da Câmara. Como o PMDB abriu mão de indicar um candidato, a prioridade foi transferida ao PT. Respeitado esse princípio, o escolhido teria de ser Chinaglia. Sobretudo depois que os peemedebistas anunciaram o apoio ao candidato petista.

 

A inclinação do PSDB por Chinaglia advém desse consenso que se formou na cúpula do partido e da bancada em torno do respeito à proporcionalidade. Em reforço a essa tendência, o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), indicado por Aécio Neves para integrar a próxima mesa diretora da Câmara –ele será primeiro vice-presidente ou primeiro-secretário— passou a defender nos subterrâneos o apoio a Chinaglia. Nárcio vocaliza a posição do governador de Minas.

 

No esforço que empreende para provar-se capaz de derrotar Arlindo Chinaglia, o comunista Aldo Rebelo alardeava o fato de que contava com o apoio da cúpula do tucanato. Incluía no rol de simpatizantes de sua candidatura o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores Serra e Aécio.

 

Se os deputados tucanos acompanharem a tese do respeito à proporcionalidade das bancadas, a expectativa de Rebelo resultará em decepção. Um desapontamento que pode custar-lhe a candidatura.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bush anuncia o último prego no caixão republicano

Em discurso proferido na noite desta quarta (10), o presidente dos EUA, George (Moe) Bush anunciou o envio de mais 21.500 soldados norte-americanos ao Iraque. O discurso é o prego que faltava no caixão republicano. Um esquife que entrou em cena nas últimas eleições legislativas, que marcaram a retomada do Congresso pelos democratas depois de 12 anos de supremacia republicana.

Bush reconheceu que a máquina de guerra dos EUA cometeu erros no Iraque. Esquivou-se, porém, de enunciá-los. "Onde erros foram cometidos, eu assumo a responsabilidade", limitou-se a dizer. Afirmou em seguida que o reforço de tropas é indispensável  para "alcançar a segurança" no Iraque.

Injetou no discurso os velhos chavões que justificaram a escalada do império no Oriente Médio. Lembrou o atentado de 11 de setembro às torres do World Trade Center. Classificou a guerra no Iraque como “a luta ideológica definitiva de nossa época.” E disse que os terroristas querem destruir o “estilo de vida” dos norte-americanos.

O pronunciamento de Bush era aguardado com viva expectativa. A mobilização de novos soldados era tão esperada quanto temida. No Congresso, os democratas, agora em maioria nas duas Casas, armam barricadas para tentar impedir a nova sandice da Casa Branca.

Afora os votos que amealharam nas urnas, os opositores de Bush têm denso respaldo na opinião pública. O cidadão norte-americano já não suporta o convívio com a imagem dos cadáveres que retornam da guerra envoltos em sacos de plástico preto.

Os patrícios de Bush suportam menos ainda a idéia de ter de sustentar com o dinheiro dos seus impostos uma guerra que assume, dia-a-dia, os contornos de um neo-Vietnã. Postado à direita de Lúcifer, colar de corda em volta do pescoço, Saddam Hussein deve estar dando sonoras gargalhadas.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula pede a aliados que não humilhem Aldo Rebelo

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

A oficialização da aliança entre PMDB e PT começou a produzir efeitos no Palácio do Planalto. Do Guarujá (SP), onde descansa, Lula reconheceu, pela primeira vez, que o Planalto não poderá deixar de prestigiar a candidatura de Arlindo Chinaglia. Deu orientações expressas, porém, para que Aldo Rebelo “não seja humilhado”.

 

O presidente deu a entender que não apelará a Rebelo para que desista da disputa. Parece ter abandonado a idéia de uma candidatura única. Antes de viajar, dissera que, no seu retorno, previsto para a próxima segunda (15), optaria por um dos candidatos. E convidaria o outro a desistir, em nome da unidade governista. Agora, avalia que a manutenção das duas candidaturas não oferece riscos ao governo. A sinalização pró-Chinaglia será feita nos bastidores.

 

Embora prefira Aldo Rebelo a Arlindo Chinaglia, Lula aceitou o argumento de que o Planalto não tem como se opor à parceria entre PMDB e PT, os dois maiores partidos do consórcio governista. Sob pena de enfraquecer a coalizão partidária que se formou em torno do governo neste segundo mandato.

 

Conforme já noticiado aqui no blog, o Planalto está convencido do favoritismo de Chinaglia. Afora o suporte da maioria dos deputados governistas, avalia-se que é forte a tendência de que o PSDB também se incline para o apoio ao candidato petista. o PT recebeu sinalizações de que o tucanato respeitará o princípio da proporcionalidade, que confere aos maiores partidos a primazia na indicação do presidente das Casas Legislativas.

 

Nesta hipótese, o apoio do PSDB, que parecia pender para Aldo Rebelo, iria para Arlindo Chinaglia. Algo que, se for confirmado, reduziria enormemente o campo de ação de Rebelo. Ele passaria a contar apenas com o apoio da maioria da bancada do PFL, do PC do B e do PSB, além dos votos esparsos que pescaria em legendas governistas de menor porte. 

 

O favoritismo de Chinaglia, insinuado com a formalização do apoio do PMDB, ganharia ares de fato consumado. Que tende a tonificar-se com as sinalizações que serão feitas pelo Palácio do Planalto nos próximos dias.

 

Nesta quarta, reuniram-se em Brasília, Ricardo Berzoini, presidente do PT de Arlindo Chinaglia, e Renato Rabelo, presidente do PC do B de Aldo Rebelo. Na linha do que deseja Lula, os dois firmaram uma espécie de pacto de civilidade. Concluíram que, por enquanto, as duas candidaturas serão mantidas.

 

Ao traduzir o resultado da conversa, o dirigente do PC do B disse: "As duas candidaturas são uma imposição da realidade. Avaliamos que os dois candidatos adquiriram uma dimensão própria. É como o gênio que saiu da garrafa." Porém, em nota divulgada no portal do PT, "o ideal" é  "a base aliada [do governo] apresentar candidato único" na disputa da Câmara. 

 

Ou seja, para o petismo, Aldo deve renunciar. A despeito das aparências, a pressão para que isso ocorra aumentará nos próximos dias. Sentindo o cheiro de queimado, Rebelo voltou a negar a hipótese de sair de cena.

Escrito por Josias de Souza às 22h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paralisia de Brasília incomoda governadores do Ne

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Diferentemente de Lula, que saiu em férias, a grossa maioria dos governadores eleitos no ano passado está de mangas arregaçadas. Muitos deles mostram-se impacientes com a paralisia de Brasília. Com pressa, os governadores nordestinos decidiram se mexer. Antecipando-se às medidas que Lula promete anunciar nos próximos dias, convidaram a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para explicar-lhes, numa reunião, quais são os planos do governo para a região Nordeste.

 

Convidada, Dilma informou que participaria do encontro. É aguardada, nesta nesta quinta (11), em Natal (RN). Wilma Faria (PSB), governadora do Rio Grande do Norte, ofereceu-se como anfitriã. Foram chamados os outros oito governadores nordestinos. São quase todos aliados de Lula. Os dois únicos “oposicionistas” –os tucanos Teotônio Villela Filho (Alagoas) e Cássio Cunha Lima (Paraíba)— vêm se aproximando celeremente do Planalto.

 

Inquietos com a falta de informações, os chefes de executivos nordestinos querem obter principalmente dados sobre o chamado PPI (Plano Prioritário de Investimento). Submetidos a orçamentos miúdos, dependem das verbas de Brasília para oferecer ao seu eleitorado algo mais além de cortes de despesas. Convidou-se também o ministro Fernando Haddad Fernando Haddad (Educação). Ele fará uma exposição sobre a perspectiva de injeção de recursos no ensino básico, proporcionada pelo Fundeb. Os governadores querem saber também qual é a disponibilidade do governo federal para investimentos em segurança pública.

 

O encontro foi organizado para durar o dia todo. Os ministros serão espremidos até a última gota. “Queremos trazer o governo para o plano do Brasil real”, disse ao blog um dos governadores que organizaram o encontro. “Esse debate sobre presidência da Câmara já encheu. A população não entende. Tenho no meu Estado pessoas morrendo nos corredores de hospitais, mães buscando vagas para os filhos em escolas que não têm professor. É isso o que realmente interessa”.

Escrito por Josias de Souza às 17h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chávez reassume na Venezuela com ares de Fidel

  Lelie Mazoch/AP
Graças à política de segredo que vigora em Cuba, o mundo não sabe ao certo qual é o nome da doença que rói as entranhas de Fidel Castro. Seja qual for a moléstia, de uma coisa ninguém mais dúvida: é contagiosa. Pegou no companheiro Hugo
Chávez.

 

Num instante em que o socialismo desce ao verbete da enciclopédia como uma espécie de pesadelo humorístico da história, Chávez assumiu o seu terceiro mandato na presidência da Venezuela com um juramento à Fidel: "Pátria, socialismo ou morte - eu o juro."

 

Na segunda-feira (8), Chávez eletrificara a cena financeira ao anunciar a intenção de nacionalizar os setores de eletricidade e telefonia. “Reestatize-se tudo o que foi privatizado”, afirmara. Receia-se que a sanha estatista alcance a área do refino de petróleo, respingando na brasileira Petrobras. "Alarmismo", diz Chávez. 

 

O socialismo de Chávez será erigido na base do “eu sozinho”. Ele arrancará do Congresso “poderes especiais” para gerir o país por decreto. Planeja fazer “reformas profundas” na Constituição venezuelana. Entre as mudanças, estará a possibilidade de reeleição perpétua do presidente.

 

Se a Venezuela fosse uma Cuba, Chávez brincaria de Fidel sem que ninguém o notasse. Mas não é o caso. O companheiro comanda uma Cuba com Petróleo. Convém prestar atenção. Sobretudo depois que a Venezuela, por insistência de Lula, foi arrastada para dentro do Mercosul.

Escrito por Josias de Souza às 14h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Não sou contra o YouTube’, diz Daniella Cicarelli

  Manu Fernandez/AP
Daniella Cicarelli falou à coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha) sobre a encrenca do processo judicial que resultou no apagão do YouTube para 5,5 milhões de internautas entre sexta (5) e terça (8). Disse que a ação que levou à censura é movida pelos advogados de seu namorado.

 

De resto, afirma que não quer “fazer mais barulho”. Considera o tema “algo super dolorido de falar.” Quando soube que fora à rede em cenas picantes, ficou “literalmente arrasada”. No fundo, no fundo é uma boa menina. Mas no raso... Seja como for, ficamos assim: leia as explicações abaixo e deixa a Cicarelli trabalhar. 

 

- O que achou da repercussão do processo?
Estão fazendo uma confusão. Eu não estou processando o YouTube. O processo é dos advogados do Tato [Malzoni]. É claro que eu não gostaria que o vídeo estivesse no ar. Os adolescentes estão de férias e eu quero proteção para o vídeo. Meu público é adolescente. Mas eu não sou contra o YouTube. Eu também gosto de acessar o site.

- Nem cogitou processar o site?
Quando surgiu essa história toda, vi que, se quisesse processar, teria que processar todo mundo que divulgou a história: os jornais, as revistas, todo mundo. Decidi só processar o paparazzo. Quis tocar isso da maneira mais discreta possível, não quero fazer mais barulho. É algo super dolorido de falar.

- Soube da sátira do vídeo feita pela Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul [a propaganda mostra dois atores fantasiados de mosquitos da dengue simulando sexo no mar]?
-
Soube sim. Achei uma grande falta de respeito. Um órgão de saúde fazendo isso! Uma falta de respeito descomunal.

- Quando o flagra surgiu no YouTube, você ficou abalada?
-
Você não tem idéia. Eu fiquei literalmente arrasada.

Escrito por Josias de Souza às 07h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

 

- Folha: PMDB vai apoiar Chinaglia para presidir Câmara

 

- Estadão: Mercados reagem mal a planos de Chaves

 

- Globo: Governadores cobram de Lula verba e polícia contra o crime

 

- Correio: Mais velocidade no DF e menos pardais

 

- Valor: Reforma na Venezuela mudará os direitos de propriedade

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

São Pedro X São Paulo

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT quer que Lula peça a Aldo Rebelo para desistir

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Depois de arrastar a maioria do PMDB para o seu lado, o PT quer arrancar de Lula uma palavra oficial de apoio a Arlindo Chinaglia na disputa pela presidência da Câmara. O petismo deseja também que o presidente ofereça compensações a Aldo Rebelo, instando-o a retirar-se da contenda. Por compensação leia-se um ministério.

 

Conhecido pela ponderação, Aldo Rebelo refuta a hipótese de desistência com uma veemência incomum. A despeito do revés que o PMDB lhe impôs nesta terça (9), o atual presidente da Câmara julga ter chances reais de vitória. De resto, diz, em privado, o seguinte: “Aceitar um ministério, a essa altura, seria a completa desmoralização.”

 

O PT elaborou um mapa de votação que, se verdadeiro, aponta a suposta supremacia de Chinaglia sobre Rebelo em todas as legendas que integram o consórcio governista, exceto duas: PC do B e PSB. O petismo espera para os próximos dias a formalização dos apoios de pelo menos mais três partidos: PTB, PP e PR. Daí o plano de cobrar de Lula uma definição.

 

Antes de sair em férias, na semana passada, o presidente dissera que o governo iria à disputa com um único candidato, aquele que estivesse mais bem-posto. É agarrado a essa lógica que o PT esgrime a tese de que Lula obrigou-se a reconhecer Chinaglia como candidato preferencial das forças governistas.

 

Os apoiadores de Rebelo argumentam que a contabilidade petista desconsidera o fato de que o atual presidente da Câmara também tem votos nas legendas da coalizão. Mencionam, de resto, o apoio explícito do PFL e a perspectiva de conquista do PSDB. O grupo de Chinaglia reconhece ter perdido a interlocução com a cúpula da pefelândia. Mas diz ter obtido de lideranças do tucanato o respeito à regra da proporcionalidade, que assegura às maiores bancadas o direito de reivindicar a presidência da Câmara.

 

Entre quatro paredes, Aldo Rebelo acha improvável que Lula se anime a convidá-lo a desistir. Diz que sua resposta a um improvável pedido será “não.” Rebelo conta, nos diálogos privados, que recebe estímulos de Lula para disputar a reeleição na Câmara desde a campanha eleitoral. Relata uma passagem que, a seu juízo, representou um divisor de águas.

 

Deu-se no dia 22 de dezembro de 2006. O PT acabara de enviar ao PMDB a carta na qual comprometeu-se a apoiar um peemedebista para a direção da Câmara no biênio 2009-2010 em troca do suporte a Chinaglia. Um grupo de nove políticos foi à casa de Rebelo, em Brasília. Entre eles o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o líder do PFL, Rodrigo Maia e os deputados José Carlos Aleluia (PFL-BA), Ciro Nogueira (PP-PE) e Renildo Calheiros (PCdoB-PE).

 

O grupo argumentou que o avanço dos entendimentos entre PT e PMDB forçava Rebelo a posicionar-se, sob pena de perder terreno. Rebelo foi ao telefone. Discou para Lula. Disse-lhe que decidira oficializar sua candidatura. O presidente pediu que fosse imediatamente ao Planalto. Queria conversar pessoalmente. Rebelo pediu aos políticos que o aguardassem e foi ao encontro de Lula.

 

Conversaram por mais de uma hora. Rebelo repetiu o que dissera pelo telefone: entraria oficialmente na disputa, um caminho sem volta. Lula não o desencorajou. Ao contrário, chegou a fazer críticas ao PT. Para Rebelo, terminou ali o compromisso de lealdade com o presidente. Por isso considera descabido qualquer pedido que venha ser feito para que se afaste da disputa.

 

Antes de sair em férias, falando ao telefone com um governador aliado, Lula repetiu que considera a reeleição de Aldo Rebelo uma “questão de Justiça”. O problema é que, além de não articular em favor de seu preferido, Lula não fez um único gesto para impedir o PT de construir a opção Chinalia. Exigiu apenas que ele provasse a viabilidade de sua pretensão. Algo que o PT julga ter demonstrado. Ao retornar de seu descanso, na segunda-feira (15), em vez da pretendida unidade, o presidente encontrará uma desagregação que pode desaguar num indesejável disputa do governo contra o governo no plenário da Câmara. 

Escrito por Josias de Souza às 01h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Decisão do PMDB escancara divisão da ‘coalizão’

  Sérgio Lima/FI
O PMDB acaba de aprovar, por maioria de votos, o apoio à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT) à presidência da Câmara. Em votação secreta, 46 deputados optaram pelo suporte peemedebista a Chinaglia (PT). Só 11 posicionaram-se a favor de uma aliança com Aldo Rebelo (PC do B).

A decisão escancara um problema que o governo finge não existir: a divisão do consórcio governista. Uma cisão que tem um único culpado. Chama-se Lula. A dubiedade do presidente injetou nas legendas que integram a coalizão do governo uma atmosfera de salve-se quem puder.

Em privado, Lula manifestara preferência por Aldo Rebelo. Eximiu-se de agir, porém, para evitar que o PT lançasse na disputa o nome de Arlindo Chinaglia. O Planalto passou a acalentar um sonho que, em política, costuma ser irrealizável.

Lula e seus auxiliares achavam que as coisas se acomodariam naturalmente. À medida que os partidos governistas fossem se posicionando, um dos candidatos se retiraria da disputa em favor do outro. Como prêmio, o preterido receberia uma cadeira na Esplanada dos Ministérios.

O sonho ganhou contornos de pesadelo em reunião secreta promovida na noite desta segunda-feira pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Participaram do encontro os presidentes de onze partidos políticos. A idéia era aferir quem teria mais votos entre eles, se Rebelo ou Chinaglia. Tonificaram-se, porém, as incertezas (leia nota divulgada por Tarso Genro).

Como se fosse pouco, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse aos presentes que Chinaglia, a essa altura, não trabalha com a hipótese de abandonar a disputa. E o presidente do PC do B, Renato Rabelo, afirmou que tampouco Rebelo planeja abrir mão de sua postulação.

De férias no Guarujá, Lula dissera, antes de viajar, que, ao retornar, no próximo dia 15, gostaria de encontrar sua base de sustentação partidária unificada. De volta ao Planalto, não encontrará senão divisão e incertezas. Algo temerário quando se considera o que está em jogo na disputa pelo comando da Câmara.

Lula terá, assim, um problema espinhoso para resolver. O presidente continua acalentando a expectativa de desistência de um dos candidatos à presidência da Câmara. Mas, se quiser levar a idéia adiante, terá de jogar ao mar o amigo Aldo rebelo. Embora o apoio dos peemedebistas a Chinaglia não tenha sido unânime –longe disso—, do ponto de vista formal o maior partido da coalizão (PMDB) alinhou-se politicamente à segunda maior legenda governista (PT).

Como pedir a Chinaglia, beneficiário de tal capital político, que se retire da disputa? Não é só. Conforme já noticiado aqui no blog, contabilidade preliminar feita pelo Planalto indica que Chinalia prevalece sobre Aldo também em outras legendas governistas, embora, de novo, o apoio ao PT não seja unânime em nenhuma legenda.

No Congresso, aposta-se que Lula vai administrar o problema com a mesma ferramenta que vem utilizando até aqui: a barriga. Entre os parlamentares, acredita-se que o presidente empurrará a briga na Câmara com a barriga até que a disputa deságüe no plenário. Uma possibilidade que Tarso Genro começa a admitir. Confirmando-se essa expectativa, ficará evidenciado que o governo aprendeu muito pouco com o fenômeno Severino Cavalcanti.

Escrito por Josias de Souza às 18h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Já que proibiram a Cicarelli, veja a Mosquitarelli

Já que proibiram a Cicarelli, veja a Mosquitarelli

O juiz Ênio Santarelli Zuliani, que deixara no escuro cerca de 5,5 milhões de internautas liberou nesta terça (8) o acesso ao YouTube. Mas manteve o veto à divulgação do vídeo em que Daniella Cicarelli troca desavergonhadas carícias com o namorado Renato Malzoni, numa praia da Espanha.

Sugere-se aos navegantes que, enquanto o livre acesso a Cicarelli não é restabelecido, deliciem-se com as estripulias da Mosquitarelli nas águas do Rio Guaíba, de Porto Alegre. A fita (veja acima) foi gravada pela Secretaria de Saúde do governo gaúcho. É tão caliente quanto sua similar. Mas contém uma vantagem: é bem mais instrutiva.

 

O surto de recato que levou a Justiça a tesourar a internet transformou o Brasil em motivo de chacota internacional. A repercussão no estrangeiro foi proporcional ao absurdo da sentença. Logo, logo juízes brasileiros apreenderão algo que os colegas dos EUA e da Grã Bretanha já sabem: a censura na internet é virtualmente impossível de ser feita.

Os navegantes brasileiros tampouco ficaram inertes diante da escuridão que tentaram lhe impor. Foi ao ar um sítio com sugestões de boicote a Cicarelli. Divulgou-se também um vídeo ensinando a burlar o bloqueio judicial.

A MTV, emissora que paga o contra-cheque da “estrela”, recebeu mais de 20 mil e-mails de protesto. Zico Goes, diretor de programação, tratou de esclarecer que nem a emissora nem sua funcionária têm responsabilidade pela encrenca: “Obviamente não temos nada a ver com a história, a Daniela também não tem. Quem processou o YouTube foi o Renato Malzoni Filho, não ela", disse Zico. Cicarelli, como se vê, tem algo em comum com Lula. Ela, veja você, não sabia.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Deus existe; presos os fundadores da 'Renascer'

 

Fundadores da Igreja Renascer, a bispa Sônia e o apóstolo Estevam Hernandes costumam falar de Deus com tamanha convicção que aqueles que os ouvem logo concluem que Deus, se existe, não merece existir. Nesta terça (8), porém, Deus decidiu tomar providências para resgatar a própria imagem.

 

O casal Hernandes foi preso por agentes do FBI nos instante em que desembarcava em Miami (EUA). A dupla anotara na papelada alfandegária que levava US$ 10 mil. Submetidos a uma revista, a bispa e o apóstolo foram pilhados com US$ 56 mil. Uma evidência, na opinião do Ministério Público de São Paulo, da procedência das acusações que os donos da Renascer amargam no Brasil.

 

Numa investigação ainda em curso, recolheram-se indícios de que, sob a plataforma religiosa da igreja, esconde-se um rosário de delitos. Bispa e apóstolo são acusados de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato. Só não festejaram o Ano-Novo em cana porque obtiveram uma liminar no STJ, em dezembro. Foram à garra em Miami por conta de um pedido de cooperação remetido pelo Ministério Público paulista ao governo dos EUA. O advogado do casal é Luiz Flácio Borges D'Urso, presidente da seccional da OAB paulista. Ele já está tomando suas providências.

 

Se a sorte do casal Hernandes continuar assim, enviesada, muita gente incréu vai acabar caindo de joelhos diante do altar do Senhor. Deus tem diante de si uma chance única de provar que existe.

 

PS.: horas depois da publicação da nota, o casal Hernandes foi liberado pela polícia norte-americana. A bispa e o apóstolo pagaram US$ 50 mil de fiança cada um. Nao poderão deixar os EUA antes da conclusão do processo. Até lá, fica adiada a comprovação da existência do Pai Eterno.

Escrito por Josias de Souza às 15h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- Folha: Chávez vai nacionalizar energia e tele

- Estadão: Chávez vai nacionalizar áreas de energia e telefonia

- Globo: Prefeitura assume trânsito do Rio sem poder multar

- Correio: Suspensa doação de lotes no DF

- Valor: Chávez anuncia estatizações e leis para impor socialismo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Prioridade à educação!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Grupo anti-Arlindo tenta esvaziar reunião do PMDB

  Lúcio Távora/F.Imagem
Deputados do PMDB que apóiam Aldo Rebelo ou defendem a tese da candidatura própria tentarão esvaziar a reunião marcada para que o partido defina, no voto, o rumo que irá adotar na disputa pela presidência da Câmara. O encontro está marcado para as 15h desta terça-feira (9), em Brasília.

Sondagens feitas pela direção do PMDB indicam que Arlindo Chinaglia, o candidato do PT ao comando da Câmara, é o preferido da maioria dos peemedebistas. Ele teria a preferência de 60% a 70% da bancada. Daí a tentativa dos deputados que se opõem à aliança com o PT de negar quórum à reunião.

 

Se a manobra fracassar, os peemedebistas anti-Arlindo planejam defender no encontro da bancada uma idéia alternativa. Em diálogo reservado que manteve na noite desta segunda com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) disse que irá sugerir que, em vez de optar por um ou por outro candidato, o partido libere os seus deputados para se posicionar como bem entenderem.

 

Outra sugestão que será feita por Eunício é a de que o PMDB adie a decisão para um novo encontro, a ser marcado para o dia 18 de janeiro. Até lá, Lula já teria retornado de suas férias. E o partido teria a oportunidade de perguntar ao presidente qual é, afinal, o seu candidato. Embora tenha manifestado, em privado, suposta preferência por Aldo Rebelo, Lula não disse a nenhum dirigente do PMDB uma mísera palavra a respeito do tema.

 

A intenção de Michel Temer, presidente do PMDB, é a de sair da reunião desta terça com uma definição. Em função da divisão da bancada, ele planeja levar a voto os nomes de Aldo Rebelo e de Arlindo Chinaglia. Entre quatro paredes, Temer reconhece que o petista detém a simpatia da maioria da bancada. Em público, nega-se a fazer prognósticos.

 

Os peemedebistas que se opõem a esse provável desfecho espalham pelos corredores do Congresso a informação de que a maioria pró-Arlindo foi obtida graças a promessas heterodoxas que o PT feito ao PMDB. Promessas que o partido de Lula não teria como honrar sem o assentimento do presidente da República. Diz-se, por exemplo, que o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), um destacado integrante da bancada ruralista, ferrenho opositor do PT, teria se convertido à candidatura de Arlindo Chinaglia depois de ter recebido a suposta promessa de que será brindado com o Ministério da Agricultura.

 

Afirma-se também que o deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF), outro empedernido detrator do PT, aderiu a Chinaglia depois de o petismo tê-lo convencido de que seu padrinho político, o ex-governador Joaquim Roriz, hoje senador, pode tornar-se ministro dos Transportes de Lula. A bancada do PMDB do Rio de Janeiro teria sido seduzida pela candidatura petista após receber a promessa de que um de seus integrantes, o deputado Eduardo Cunha, ganhará a presidência de Furnas Centrais Elétricas.

 

De resto, o líder do PMDB na Câmara, Wilson Santiago, outro aliado de Chinaglia, teria obtido do governo o compromisso de liberação de R$ 16 milhões em emendas orçamentárias destinadas a obras em seu Estado, a Paraíba. Um compromisso assumido por ninguém menos que Marcos Lima, assessor do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

 

Marcos Lima diz o seguinte sobre as insinuações: “Não é verdade que haja compromisso do governo para liberação de emendas orçamentárias destinadas à Paraíba, envolvendo a sucessão na Câmara.” Afirma que as emendas são liberadas “conforme a norma constitucional”. E sustenta que esse tipo de procedimento não é adotado pela secretaria de Relações Institucionais.

 

O petismo também nega as supostas promessas de cargos e verbas. Atribui o diz-que-diz à contrariedade dos partidários de Aldo Rebelo, que estará em péssimos lençóis caso o PMDB confirme a opção por Chinaglia. Seja como for, os peemedebistas que se opõem à aliança com o PT farão o que estiver ao seu alcance para tentar envenenar a reunião desta terça. Ouvido pelo blog, um dos peemedebistas contrariados com a perspectiva de apoio a Chinaglia disse o seguinte: “Pode acontecer de tudo nessa reunião. Pode não haver quórum, pode ter algum tumulto e o partido pode adiar a decisão”. Alheio às manobras, Temer vai para a reunião disposto a produzir uma definição, seja ela qual for.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cicarelli sonega à internet o que deu sob o Sol

Cicarelli sonega à internet o que deu sob o Sol

A era da informação instantânea deu notoriedade hedionda a um tipo nefasto de ser humano: o “desconhecido íntimo”, também conhecido como “celebridade”. Dedica-se a conspurcar a privacidade alheia. Impõe-se à vida de todos, como se tudo o que lhe ocorre fosse de interesse geral.

Tome-se o exemplo de Daniela Cicarelli. Fez de sua fluida existência um sólido espetáculo. Namorou Ronaldo espetacularmente, casou-se espetacularmente com o jogador, separou-se espetacularmente dele e retomou sua vida de solteira espetacular. Pôs-se a arrumar novos namorados.

 

Com o último deles, Renato Malzoni, meteu-se (ou foi metida) num episódio, de novo, espetacular. A dupla trocou carícias íntimas numa praia. O casal foi, por assim dizer, às vias de fato sob as águas cálidas do mar de Espanha. Gostosamente capturadas pelas lentes de um cinegrafista local, as cenas ganharam a internet.

 

Tomada de um recato tão súbito quanto atrasado, Cicarelli recorreu aos tribunais. Como se houvesse mantido relações sexuais no aconchego de seu quarto, pretextou o direito à privacidade. E requereu da Justiça que proibisse a exibição do vídeo revelador.

 

Há três dias, a Justiça ordenou a provedores brasileiros de internet que vedassem aos o acesso ao vídeo revelador. E os usuários do IG, do IBest e da BR Turbo, algo como 5,5 milhões de internautas, tiveram bloqueado o acesso ao YouTube, o mais popular sítio de imagens do mundo.

 

Pergunte-se: a privacidade de uma personagem que se permite transar sob a luz solar vale a escuridão de 5,5 milhões de internautas? O signatário do blog acha que não. O repórter avalia, de resto, que a providência da Justiça traz o olhinho puxadinho. Em matéria de crescimento econômico, continuamos levando um banho da China. Mas em termos de obscurantismo cibernético, já estamos matando a pau, como se diz.

 

Costuma-se execrar fotógrafos e cinegrafistas que se dedicam à caça de celebridades. E o que dizer das pessoas que invadem a privacidade das lentes? Como qualificar aqueles que não comparecem a nenhuma festa ou restaurante sem certificar-se de que fotógrafos e cinegrafistas estarão por perto? Como classificar os que dão a vida pela oportunidade de invadir os lares alheios como se fossem íntimos de todas as famílias?

 

Mencione-se, por oportuno, que a cópula praieira rendeu a Cicarelli, para além da superexposição, uma providencial valorização do passe. Quem pode garantir que a ação judicial não visa senão o prolongamento de uma polêmica, digamos, tão rentável?

Escrito por Josias de Souza às 01h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Em carta ao PMDB, Aldo repete proposta do PT

  Folha Imagem
PC do B e PSB, os dois partidos governistas que apóiam abertamente Aldo Rebelo, enviaram nesta segunda (8) uma carta a Michel Temer, presidente do PMDB. Comunistas e socialistas pedem no texto o apoio do PMDB à reeleição de Rebelo à presidência da Câmara. Em troca, comprometem-se a apoiar um candidato peemedebista no biênio seguinte (2009-2010).

 

Os apoiadores de Rebelo repetem, assim, a mesma proposta que o PT fizera ao PMDB antes do Natal, também por escrito. Com uma diferença: a bancada do PT possui 83 deputados. Juntos, PC do B e PSB possuem 40 deputados. Aldo é apoiado também pelo PFL, mas o partido, que faz oposição a Lula, não assinou a carta.

 

Acordos do gênero não têm o peso de uma promissória que possa ser cobrada na data do vencimento. Caso eleja agora o petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara, o PT pode desonrar o compromisso daqui a dois anos. E o PMDB não poderá senão espernear. Há, porém, pelo menos um precedente bem-sucedido.

 

Em 1995, o PMDB possuía, como hoje, a maior bancada na Câmara. E decidiu abrir mão de indicar o candidato à presidência da Casa. Cedeu a vaga a Luís Eduardo Magalhães, do PFL. Exatametne como pensa em fazer agora, provavelmente em favor de Chinaglia. Em troca, os pefelistas prometeram apoiar um peemedebista no biênio seguinte (97-98).

 

A promessa foi cumprida. Em 97, elegeu-se para a presidência da Câmara, com o apoio do PFL, o deputado Michel Temer (PMDB-SP). Ele seria reeleito em 99. Curiosamente, é Temer quem preside o PMDB hoje. É ele quem conduz os entendimentos que antecedem a definição do novo comandante da Câmara. O PMDB reúne sua bancada às 15h desta terça (9).

Escrito por Josias de Souza às 23h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Saiba o que está em jogo na disputa da Câmara

Reza o artigo 80 da Constituição que o presidente da Câmara é o terceiro homem –até hoje nenhuma mulher logrou aproximar-se do posto—na linha de sucessão da República. É ele quem assume o Planalto caso o presidente e o vice sejam, por qualquer motivo, impedidos de gerir o Estado. Na prática, porém, o comandante da Câmara tem mais poder, muito mais, do que o vice-presidente da República. É por isso que os partidos quebram lanças por essa cadeira.

A relevância do vice-presidente está enganchada no destino do titular. E nem todos têm a ventura de José Sarney e Itamar Franco, os vices de Tancredo Neves e Fernando Collor. Em condições normais, o vice-presidente é a ociosidade com carro oficial, gabinete espaçoso e residência bancada pelo contribuinte -o Palácio do Jaburu.

Quando está exausto de sua própria inatividade, José Alencar, o vice de Lula, costuma espinafrar a política de juros do governo a que pertence. As autoridades econômicas fingem que não escutam e a vida segue.

  

O poder de influência do presidente da Câmara na cena política independe da saúde e da sina pessoal do chefe do Executivo. Sua importância deriva do fato de que, diferentemente do vice, ele comanda uma das Casas do Legislativo, um poder autônomo. Se quiser, pode, no exercício de suas funções, infernizar o cotidiano do presidente da República e de todo o seu governo.

 

O presidente da Câmara comanda as reuniões do chamado colégio de líderes”, que, como o nome indica, é integrado pelas lideranças dos diferentes partidos. É ele quem define, com ou sem a concordância unânime dos líderes, a chamada “ordem do dia”. Trata-se da lista de projetos que vão a voto no plenário da Casa.

 

Propostas de interesse do Executivo –novas leis ou reformas da Constituição—podem ganhar maior ou menor celeridade, a depender dos humores do presidente da Câmara. Algo que tende a ganhar ainda maior relevância para um governo como o de Lula que, neste início de segundo mandato, prepara-se para enviar ao Congresso vários projetos de lei e propostas de alterações.  

 

Pela lei, eventuais pedidos de impeachment do presidente da República devem ser protocolados na Câmara. E cabe ao presidente da Casa dar curso à iniciativa ou mandá-la à gaveta. Na atual legislatura, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) arquivou vários pedidos de impedimento de Lula. O mais consistente foi apresentado pelo ex-deputado Alberto Goldman (PSDB), hoje vice-governador de José Serra, em São Paulo.

 

Por todas essas razões, o presidente da República, seja ele quem for, costuma desdobrar-se para acomodar na cadeira de presidente da Câmara –e também na do Senado—políticos leais ao Palácio do Planalto. Pelas mesmas razões, a oposição briga para eleger parlamentares que, no mínimo, se disponham a desfraldar a bandeira da autonomia, livrando o Legislativo da pecha de apêndice do Planalto.

 

Na atual disputa, produziram-se na Câmara duas candidaturas de perfil governista, a de Arlindo Chinaglia (PT) e a de Aldo Rebelo (PC do B). Ambas, em tese, serviriam aos interesses imediatos de Lula. Porém, a divisão do consórcio partidário que apóia o Planalto deixa inquieto o presidente. Ele receia que a falta de unidade abra espaço para a repetição do “efeito Severino Cavalcanti.” Daí o esforço do governo para deixar de pé uma única candidatura.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Independentes’ divulgam programa para a Câmara

  Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Terminou há pouco, em São Paulo, a reunião do chamado “grupo independente”, que busca uma “terceira via” na disputa pela presidência da Câmara. O grupo definiu, por escrito, os parâmetros de um programa para a recuperação da imagem da Câmara.

 

O documento contém sete pontos. São os seguintes, segundo informou ao blog o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ):

 

1. autonomia do parlamento, com a definição de suas prioridades e respeito aos critérios de urgência e relevância na apreciação das medidas provisórias. O objetivo é restringir a edição de MPs;

 

2. aprovação imediata do voto aberto nas votações internas do Congresso (para cassações de mandatos e escolha de embaixadores e ministros do TCU, por exemplo);

 

3. racionalização e transparência dos gastos do Legislativo;

 

4. definição de critérios permanentes para a remuneração dos parlamentares, compatíveis com a realidade brasileira;

 

5. atualização do regimento interno da Câmara, para combater, entre outros vícios, a lentidão do processo legislativo e impropriedades na remuneração de suplentes que assumem os mandatos por apenas um mês, durante os recessos parlamentares;

 

6. prioridade da reforma política, para conter o abuso do poder econômico e a corrupção eleitoral;

 

7. eleição de um presidente da Câmara cuja imagem não tenha sido atingida pelos episódios degradantes da legislatura iniciada em 2002.

 

O grupo decidiu não lançar, por ora, o nome de um candidato alternativo. Antes, irá aprofundar a articulação com todos os partidos, para tentar dar maior densidade ao movimento pela "terceira via". Tenta-se erigir a candidatura de um deputado do PMDB ou do próprio PT. 

 

Houve uma distribuição de tarefas. Raul Jungmann (PPS-PE) e Luiza Erundina (PSB-SP) irá procurar, nesta terça (9), o presidente do PMDB, Michel Temer. Fernando Gabeira (PV-RJ), vai marcar uma conversa com Jorge Bornausen (SC), presidente do PFL. E os tucanos José Aníbal e Paulo Renato irão procurar o presidente do PSDB, Tasso Jereissati.

 

O grupo voltará a se reunir na terça-feira da próxima semana. Neste novo encontro, farão uma primeira avaliação das articulações iniciais. E avançarão na discussão do nome que representará a plataforma do grupo nas eleições para presidente da Câmara, marcadas para 1º de fevereiro.

 

Simultaneamente, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) iniciou nesta segunda (8) contatos com presidentes de partidos da coalizão. Tenta aferir qual dos dois candidatos governistas -Aldo Rebelo ou Arlindo Chinaglia- tem mais chances de vitória. Convidados pelo ministro, alguns presidentes de partido, entre eles Michel Temer, do PMDB, entenderam que a consulta de Tasso seria feita numa grande reunião. O ministro preferiu, porém, ouvir os dirigentes partidários em encontros separados.  

Escrito por Josias de Souza às 16h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Por um mandato, políticos gastam mais do que têm

Já se sabia que certas pessoas, por dinheiro, são capazes até de gestos patrióticos. O que não se imaginava é que, pelo patriotismo, haveria quem se dispusesse a gastar o que tem e o que não tem. Foi o que se passou com dez deputados eleitos em 2006.

 

A perspectiva de servir à pátria fez com que doassem aos seus próprios comitês de campanha importâncias que excedem ao valor de todos os seus bens declarados. O grupo de abnegados é suprapartidário. Reúne gente do PT, PMDB, PSDB e PL.

 

Esse furor idealista, essa ânsia de participação democrática, esse sacrifício pela causa social, essa rendição ao bem comum demonstram que nem tudo está perdido. Não, não. Absolutamente. Tudo será recuperado no exercício do mandato (leia).

Escrito por Josias de Souza às 14h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- Folha: Ensino superior tem a maior inadimplência desde 2002

- Estadão: Tarso diz que Lula vai ajudar segurança em SP

- Globo: Segurança de vias expressas terá um comando autônomo

- Correio: Dividido, PT briga por cargos

- Valor: País fecha pacote de ajuda a Bolívia, Paraguai e Uruguai

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Osso mole de roer!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Contabilidade do Planalto dá vantagem a Chinaglia

A 24 dias da eleição que definirá o novo presidente da Câmara, o Palácio do Planalto faz as contas para saber quem tem mais votos, se Arlindo Chinaglia (PT) ou Aldo Rebelo (PC do B). Os primeiros dados recolhidos pela assessoria de Lula atribuem vantagem a Chinaglia entre as legendas que compõem o consórcio governista.

Recolhidas em contatos com lideranças partidárias, as informações não têm precisão científica. Mas, a despeito da precariedade estatística, os assessores do presidente começaram a considerar uma hipótese com a qual preferiam não ter de trabalhar: o risco de que Lula, mesmo preferindo Aldo Rebelo, seja forçado a “engolir” Arlindo Chinaglia.

 

De acordo com os dados colecionados pelo Planalto, além do apoio do PT, Chinaglia estaria na bica de ser referendado pela maioria do PMDB. Teria do seu lado entre 60 e 65 dos 89 deputados que compõem a bancada peemedebista. Na semana passada, em visita ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), o deputado José Múcio (PE), líder do PTB, informou que 80% a 90% de seus liderados também apóiam Chinaglia.

 

O petista teria consolidado posições também em outras legendas que, em 2005, estrelaram o escândalo do mensalão. Juntos, o PTB de Múcio, o PP e o PR (ex-PL) despejariam no cesto de Chinaglia entre 60 e 70 votos. Os números são desdenhados por Aldo Rebelo e seus aliados.

 

Para o Planalto, Rebelo também belisca votos nos partidos governistas, mesmo naqueles majoritariamente alinhados à candidatura do rival. Mas receia-se que o preferido de Lula esteja em desvantagem. Por ora, só dois dos dez partidos governistas declararam apoio explícito ao atual presidente da Câmara: o PC do B e o PSB. De resto, Rebelo tem do seu lado a maioria do oposicionista PFL.

 

Embora considere legítimo o esforço dos candidatos para arrebanhar votos nas legendas de oposição, o Planalto tende a atribuir maior relevância à definição dos partidos que integram a coalizão: PT, PMDB, PTB, PP, PR, PSB, PC do B, PRB, PDT e PV. Atribui-se ao posicionamento do PMDB uma importância capital.

 

Espera-se que o PMDB informe de que lado está nesta terça-feira (9). O partido reunirá a sua bancada de deputados às 13h, no Congresso. Sondagens realizadas pela direção da legenda confirmam a tendência pró-Chinaglia. Tratando-se, porém, do PMDB, o partido mais partido do país, pode acontecer de tudo na reunião da bancada. Inclusive o pior.

 

O pior, na opinião do Planalto, seria o lançamento de uma terceira candidatura governista. Hipótese defendida por uma ala minoritária do PMDB. Jogando na confusão, integrantes do chamado “grupo independente”, que aposta na “terceira via”, procuraram o presidente do PMDB, Michel Temer, no final de semana.

 

Temer conversou com Luíza Erundina (PSB-SP), no sábado, e com José Aníbal (PSDB), no domingo. Foi sondado sobre a possibilidade de os peemedebistas lançarem um nome alternativo aos de Chinaglia e Rebelo. Um nome como o do próprio Temer, que pudesse ser “adotado” pelos “independentes”. Cauteloso, o presidente do PMDB disse que a decisão sairá do encontro da bancada. Deu a entender que, a essa altura, o jogo está jogado. Acha que uma nova candidatura dependeria da improvável desistência de Chinaglia e de Rebelo.

 

Raul Jungmann (PPS-PE), um dos principais articuladores do “grupo independente”, manteve um diálogo telefônico também com o deputado Eliseu Padilha (RS). Segundo vice-presidente do PMDB, Padilha é profundo conhecedor das entranhas do partido. Em reserva, traduziu em percentual o suposto favoritismo de Chinaglia: a menos que haja uma “reviravolta”, disse, o petista teria cerca de 70% dos votos da bancada peemedebista.

 

Nesta segunda (8), os “independentes” reúnem-se em São Paulo. Vão redigir uma plataforma de propostas para a “renovação” da Câmara. O grupo decidiu adiar a definição do nome de seu candidato. Sonha com a escolha de alguém do PMDB ou do próprio PT. Também nesta segunda, conforme noticiado aqui no blog, Tarso Genro pretende reunir-se com presidentes dos partidos governistas. Deseja recolher informações que permitam ao governo refinar os dados de que dispõe.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Assessor do papa rende homenagem a Oscar Wilde

Assessor do papa rende homenagem a Oscar Wilde

Num instante em que o Vaticano se empenha para devolver ao armário os padres que cultivam hábitos sexuais que, aos olhos da Santa Madre Igreja, são heterodoxos, um auxiliar do papa Bento 16 rendeu uma inusitada homenagem ao talento de Oscar Wilde (1854-1900). Frases do escritor irlandês foram incluídas num livro de aforismos organizado por um assessor do papa Bento 16.

O livro acaba de ser editado na Itália. Contém mil frases de cunho moral. Traz na capa um título sugestivo –“Provocações: Aforismos para um Cristianismo Inconformado”. Organizou-o o padre Leonardo Sapienza, chefe do protocolo do Vaticano. Talvez passasse despercebido, não fosse pelo aproveitamento das máximas de Wilde, condenado a dois anos de prisão, em 1895, por “cometer atos imorais com diversos rapazes.”

 

A ousadia do padre Sapienza rendeu a “Provocações” uma generosa publicidade gratuita. O livro ganhou as páginas de alguns dos principais jornais britânicos e italianos. “Vaticano sai do armário e abraça Oscar Wilde”, noticiou The Times.

 

O The Independent dedicou reportagem de duas páginas ao livro, sob o título “O Vaticano enlouquece” (um trocadilho em inglês com o nome do escritor: “The Vatican Goes Wilde”). O diário italiano La Repubblica não conteve o assombro: “Que Surpresa!”, pendurou no alto de uma de suas páginas. “Um ícone homossexual foi aceito pelo Vaticano, escreveu o La

Falando ao The Times, Sapienza, o assessor do papa, disse ter aproveitado frases de Wilde porque “ele foi um escritor que viveu perigosamente e às vezes, escandalosamente, mas nos deixou em suas obras muitas máximas afiadas”. Ele tem razão (veja aqui uma pequena amostra).

“Devemos ser um espinho na carne da sociedade e mover a consciência das pessoas para atacar aquele que é hoje o inimigo número um da religião: a indiferença”, disse ainda o padre Sapienza. É, faz sentido.

Escrito por Josias de Souza às 00h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Planalto reúne aliados para tentar acordo na Câmara

  Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Por determinação de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) convidou os presidentes dos partidos governistas para uma reunião no Palácio do Planalto. Será no final da tarde desta segunda. O objetivo é a busca de um acordo em torno da eleição para a presidência da presidência da Câmara, marcada para 1º de fevereiro.

 

Os governistas, como se sabe, estão divididos entre duas candidaturas –a Aldo Rebelo (PC do B) e a de Arlindo Chinaglia (PT). Na reunião, Tarso Genro tentará aferir qual dos dois tem mais votos entre os partidos que compõem o consórcio que se dispôs a dar suporte a Lula no Legislativo.

 

Convidaram-se para a conversa representantes das dez legendas que integram o chamado Conselho Político do governo: PT, PMDB, PTB, PP, PR (ex-PL), PSB, PC do B, PDT, PV e PRB. É a primeira vez que o grupo se reúne para discutir a pendenga da Câmara.

 

Em férias no Guarujá (SP), Lula ainda trabalha com a expectativa de obter um acordo depois do dia 20 de janeiro, quando retorna do litoral paulista. Daí o convite de Tarso Genro aos partidos. O ministro coleciona os dados que irão nortear a decisão do presidente.

 

O encontro desta segunda não terá um caráter deliberativo. Funcionará como mera consulta. Ocorre um dia antes da reunião em que o PMDB, maior partido da coalizão governista, irá decidir, no voto, a posição que pretende adotar na sucessão da Câmara.

 

Em privado, Tarso Genro diz que a decisão do PMDB terá peso decisivo no posicionamento do governo. Se for instado a antecipar a posição de seu partido, Michel Temer evitará, na reunião do Planalto, fazer prognósticos peremptórios.

 

Segundo confidenciou a seus companheiros de partido, Temer se limitará a discorrer sobre a tendência dos peemedebistas dos diferentes Estados. Dirá, por exemplo, que o petista Arlindo Chinaglia conquistou a simpatia das maiores bancadas: São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e os Estados do Centro-Oeste, por exemplo.

 

Mencionará também que Aldo é apoiado por um número menor de bancadas do PMDB. Temer sente-se seguro para mencionar, por exemplo, Alagoas e Maranhão. O cruzamento dos dados induz à conclusão que o presidente do PMDB evitará mencionar: numa votação direta entre Arlindo e Aldo, o PMDB pende para o primeiro.

 

Há ainda entre os peemedebistas defensores da tese de que o partido, dono da maior bancada (89 deputados), deveria lançar o seu próprio candidato à sucessão na Câmara. Essa ala é, porém, minoritária. O principal defensor da idéia é o deputado Eunício Oliveira (CE), que gostaria de ser, ele próprio, o candidato do partido.

 

Em diálogos reservados, Eunício argumenta que, se o governo não consegue unificar-se em torno de um único candidato, o PMDB tem todas as razões para pleitear para si o comando da Câmara. A hipótese é, porém, rechaçada pelo Planalto. Tudo o que Lula não deseja no momento é o surgimento de mais um candidato governista. As duas candidaturas existentes já vêm produzindo mais turbulência do que o presidente desejaria.

Escrito por Josias de Souza às 16h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- Folha: Desinteresse afasta mais estudante que pressão de trabalhar

- Estadão: Serra pede mais policiais federais para São Paulo

- Globo: Setor de petróleo receberá R$ 183 bi

- Correio: Rica, mas sem emprego e cercada de violência

- Valor: Bancos de investimentos reagem ao avanço externo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 10h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Trampolim!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 10h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A violência como inspiração da arte

A violência como inspiração da arte

 

Membro da família de Habsburgo, da Áustria, Maximiliano, primo de D. Pedro II, do Brasil, foi convencido por Napoleão III a aceitar, em 1864, a coroa do recém-fundado Império Mexicano. Feito imperador, Maximiliano não tardaria a descobrir que fora enviado a uma arapuca.

O México era-lhe desconhecido. Uma crise política envenenava o império. Mercê da intervenção francesa, Benito Juárez, um líder político de origem índia que se fizera presidente dos mexicanos, vira-se forçado a abandonar a Cidade do México. De cidade em cidade, passara a exercer uma presidência itinerante.

Acossado pela resistência de seguidores de Juárez, Maximiliano ordenou, em 1865, a execução sumária de seguidores do líder. As tropas francesas, que esquentavam as costas do imperador, deixaram o México entre 1866 e 1867.

Maximiliano viu-se compelido a assumir pessoalmente o comando da soldadesca que lhe restara. Em 1867, depois de um cerco em Santiago de Querétaro, o imperador conheceu o seu epílogo. Foi capturado, julgado por uma corte marcial e sentenciado à morte.

Por ordem de Benito Juárez, Maximiliano foi passado nas armas, junto com dois de seus generais –Tomás Mejía e Miguel Miramón—, em 19 de junho de 1867. A notícia chegou à Franca em 1º de julho daquele ano. E, movido pela oposição a Napoleão III, o mestre Edouard Manet viu na tragédia de Maximiliano inspiração para sua arte.

Manet foi aos pincéis quase que imediatamente. Entre 1867 e 1869 produziu uma série de cinco abras retratando a execução de Maximiliano e seus generais. Baseou-se em relatos escritos e em representações gráficas do fuzilamento.

O MoMA acaba de reunir as peças de Manet numa exposição, em Nova York. Assim, juntas, é a primeira vez que as peças são exibidas nos EUA. Graças às maravilhas da internet, você não precisa tomar um avião para admirá-las. Basta clicar na imagem acima. Não perca a oportunidade de aproveitar o primeiro final de semana de 2007 para massagear os seus olhos.

Escrito por Josias de Souza às 20h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Mar de problemas!

Fernandes
 

Visite o fotoblog do Fernandes.

Escrito por Josias de Souza às 18h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O grande nariz

O grande nariz

 

Drops de cocaína, lançado nos EUA em 1885, contra dor de dente; bons tempos!!!

 

Ao espalhar violência a esmo em São Paulo e no Rio, os dois centros urbanos mais vistosos do país, o crime organizado introduziu uma inusitada novidade na cena nacional: em vez de agir nos subterrâneos, como convém aos “negócios”, os delinqüentes decidiram mostrar a cara. Atacam instalações policiais, incendeiam ônibus, afrontam o Estado. É como se houvessem concluído que não há existência fora da mídia. Querem aparecer no “Jornal Nacional”. Roubam a cena, estebelecendo um caos que oferece ótima matéria prima para um recomeço, um convite à renascença. O caos intima o governo federal e as administrações estaduais à ação conjunta.

 

Sérgio Cabral, o novo governador do Rio, oferece a Brasília uma oportunidade única de mostrar eficiência. Diferentemente da administração paulista, Cabral aceitou tudo o que o governo federal tem a oferecer: Força Nacional, Forças Armadas e até o acesso às vagas disponíveis no presídio federal de Catanduvas (PR). Vai funcionar? Talvez não. Um descalabro de décadas não se resolve em semanas, meses ou no intervalo de um mandato. A repressão, de resto, não é o único remédio contra o câncer. É preciso limpar a polícia, humanizar os presídios, levar os serviços do Estado às comunidades pobres, hoje sob o domínio do tráfico.

 

A despeito da dúvida, Cabral acerta ao apostar na parceria com Lula. Se o crime é organizado, por que o Estado deveria insistir na desorganização? Espera-se que a colaboração se estenda ao aparato de inteligência e às engrenagens de controle da movimentação financeira. Impossível deter o crime sem mapear-lhe o patrimônio e os tentáculos financeiros.

 

Há, porém, uma grande ausência em todo esse debate. Falta ao enredo um personagem central: o grande nariz. O crime diversificou os seus negócios no país. Possui ramificações até no roubo de cargas. Mas a base de tudo continua sendo o comércio de drogas. Vende-se cocaína porque há no mercado quem se disponha a sorvê-la em grandes quantidades.

 

Cocaína é coisa cara. A sobrevivência do negócio está escorada num mercado de consumo de elite. Deseja-se combater o tráfico, mas tolera-se o consumo da droga. Fala-se em Marcola, em Fernandinho Beira-Mar, mas arma-se uma barreira de silêncio em torno do grande nariz. E por quê?  Simples: o nariz invisível não é mencionado porque, se fosse, não haveria investigação. Ele é empinado demais para ser exposto em boletins policiais.

 

O grande nariz não está nem favela do Rio nem na periferia de São Paulo. Ele trafega em ambientes mais sofisticados: coxias de shows, camarins de desfiles de moda, corredores do Congresso, redações de jornal... Nas festas onde há drogas, entre uma cafungada e outra, ternos Armani e decotes Versace se dizem chocados com o noticiário sobre as atrocidades praticadas por criminosos. Deseja-se combater verdadeiramente o crime organizado? Pois antes é preciso que a sociedade comece a enxergar o nariz invisível que cheira nos ambientes requintados das grandes cidades. O grande nariz sustenta o tráfico, paga o suborno à polícia, financia a matança e banca a gasolina que incendeia ônibus.

Escrito por Josias de Souza às 18h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- Folha: Chuvas matam 28 no Rio e SP

- Estadão: Bush muda comando das forças no Iraque

- Globo: Maiores traficantes do Rio vão para presídio no Paraná

- Correio: Estacionamento no SCS será pago

- Valor: Bancos de investimentos reagem ao avanço externo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de