Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Sarney chama ex-aliado de ‘traidor’ e ‘corrupto’

  Lula Marques/Folha Imagem
Conhecido por medir em milímetros as palavras que pronuncia em público, o ex-presidente José Sarney abandonou o timbre cordato. Em artigo ácido, desancou o ex-aliado José Reinaldo Tavares (PSB), que deixa nesta segunda o cargo de governador do Maranhão depois de travar uma guerra contra a família Sarney.

O artigo foi publicado neste domingo, na primeira página de “O Estado do Maranhão”, jornal dos Sarney. No texto, o ex-presidente, hoje senador pelo PMDB do Amapá, chama o ex-amigo de “Judas José Reinaldo”. Acrescenta: “Nunca, na história do Maranhão, viu-se um governante de tamanha miséria moral.” Chama-o de “o governador mais corrupto da história” do Maranhão. “Deixa os cofres públicos vazios e sai de bolso cheio”.

 

Alçado ao governo maranhense com o apoio de Sarney, aliado de quatro décadas, José Reinaldo bandeou-se para a oposição. Deu-se depois que interrompeu um casamento de 27 anos, para dividir o teto do Palácio dos Leões com a ex-aeromoça Alexandra Tavares, 34 anos mais jovem do que ele. Sem mencionar o nome da nova mulher de José Reinaldo, Sarney identifica nas segundas núpcias do governador a gênese da derrocada da aliança que os unia.

 

No artigo, Sarney envereda pelas questões familiares: “Não se trata de entrar na privacidade de ninguém. Mas o certo é que quem governa tem de oferecer o exemplo e honrar os valores da decência pública”. Hoje separada de José Reinaldo, a ex-primeira-dama deixou atrás de si um rastro que lhe rendeu o apelido de “Alexandra, a grande”. Celebrizou-se pelas críticas que fazia aos Sarney e pelas festas que promovia.

 

“O Palácio dos Leões, que deve ser a vitrina da correção familiar, foi transformado em boate, objeto de murmúrios (...)”, escreveu Sarney. “O Sr. José Reinaldo deu exemplo de mau filho, mau esposo, mau pai, mau parente e degradou-se na submissão conjugal (...). Mergulhado no ódio e na insensatez, perdeu a sensibilidade de todos os valores humanos. Fez questão de enlamear-se na traição (...). Insincero e vil, saiu a condenar os 40 anos de política por mim exercidos no Maranhão, período em que ninguém mais do que ele se aproveitou”.

 

“Foram estes 40 anos de sinecuras por ele usufruídas pelas minhas mãos generosas, que ele resolveu amaldiçoar”, anotou Sarney, depois de enumerar os cargos em que logrou acomodar o ex-amigo, desde 1967. Realçou o posto de ministro dos Transportes, que José Reinaldo ocupou no governo Sarney. “(...) Me fez pagar durante anos a concorrência da Norte-Sul”. Recusou-se a demiti-lo, “por carinho, lealdade e afeto e para não vê-lo liquidado com a pecha de corrupto”.

 

Um dos protagonistas da vitória de Jackson Lago (PDT), que derrotou Roseana Sarney nas eleições deste ano, José Reinaldo tentará agora, no dizer de Sarney, “beneficiar-se” do novo governo. Em conversa com um prefeito que resistia em apoiar Lago, José Reinaldo teria dito: “Vote e deixe por minha conta. Jackson não tem condições de governar o Maranhão. Sou eu que vou mandar no Estado (...)”. Sarney afirma: “Eu tenho a gravação da conversa”. E dá um conselho à equipe do novo governador: “Lavem com sal grosso o Palácio dos Leões, para limpar a sujeira. Vade retro.”

 

Traição, em política, é coisa corriqueira. No caso específico, o que causa espanto ao signatário do blog, é que Sarney tenha convivido por arrastados 40 anos com uma pessoa que agora retrata com as tintas da degeneração. Um espanto.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Vídeo levanta polêmica sobre execução de Saddam

Reuters/Iraqiya
 

 

Imagens não-oficiais divulgadas neste domingo revelam que testemunhas presentes ao enforcamento de Saddam Hussein trocaram insultos com o ex-ditador durante a execução da sentença de morte. O novo vídeo, captado pela câmera do celular de um dos presentes contraria a versão oficial.

Na véspera, o conselheiro de segurança nacional do governo iraquiano, Mowaffaq al-Rubaie, dissera que Saddam fora tratado com respeito. Para corroborar suas palavras, divulgou-se um vídeo editado.

Sem áudio, a imagem exibe o instante em que dois carrascos conduzem Saddam ao alçapão. O ex-ditador recusara-se a cobrir o rosto com um capuz. Os executores, então, enrolam o pano preto em torno de seu pescoço antes de ajeitar a corda. Omitiu-se o momento do enforcamento (assista).

O novo vídeo menos edulcorado, embora de qualidade técnica precária, revela os detalhes que as autoridades iraquianas tentavam omitir. A certa altura, um dos presentes grita para Saddam ir "para o inferno". O ex-ditador reage. Questiona a bravura dos presentes.

Noutro trecho, ouve-se um coro de várias vozes: "Moqtada, Moqtada, Moqtada (...)" Trata-se de uma referência a Moqtada Al-Sadr. Vem a ser um líder de milícia anti-Saddam e um dos principais clérigos xiitas do Iraque. O pai dele foi morto por agentes do regime de Saddam, que pertence à tribo rival dos sunitas.

Antes de ser pendurado pelo pescoço, Saddam recita trechos do Alcorão. Ele portava um exemplar do livro sagrado dos muçulmanos. Seus algozes não esperaram pela conclusão da citação. Abriram o alçapão, calando-o.

Como sói acontecer na era da informática, o vídeo extra-oficial caiu na rede mundial de computadores (assista). E tornou-se munição para os advogados de Saddam, que vêm esgrimindo a tese de que o ex-ditador não foi submetido a um processo judicial justo.

As imagens servem, de resto, à causa daqueles que desejam fazer de Saddam um novo mártir na escalada de violência anti-EUA. Morto, Saddam tende a viver e se movimentar entre seus seguidores muito mais eficazmente do que se tivesse sido mantido num cárcere. É pouquíssimo provável que ele se mantenha inerte no túmulo em que foi confinado neste domingo, em sua terra natal, Tikrit.

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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As manchetes deste domingo

- Folha: Maioria dos países critica enforcamento de Saddam

- Estadão: Na posse, Lula renovará compromisso com os pobres

- Globo: Lula toma posse com o desafio do crescimento

- Correio: E os deputados aprontam mais uma...

- Valor: Cartões de loja passam à liderança com 115 milhões

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Fogo sem artifício!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Renan e Sarney dizem a PT que não tramam por Aldo

Folha Imagem
 

 

Os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), expoentes do PMDB lulista, telefonaram para Arlindo Chinaglia (SP), candidato do PT à presidência da Câmara. Disseram-lhe que não estão em campanha por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), principal adversário do petista. Declararam-se neutros na disputa.

 

É uma má notícia para Aldo. No esforço que empreende para tentar reeleger-se à presidência da Câmara, Aldo disputa com Chinaglia o apoio dos peemedebistas, considerado estratégico. Imaginava-se que Renan e Sarney estivessem ao lado de Aldo.

 

Porém, no telefonema a Chinaglia, ambos disseram que não vão se meter na refrega da Câmara. Significa dizer que não moverão uma palha para impedir que o PMDB apóie Chinaglia, se for esta a decisão da maioria da bancada de deputados do partido.

 

A mesma promessa de neutralidade já fora feita ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Renan e Sarney assumiram com Temer e seu grupo o compromisso de não misturar a eleição da Câmara com a escolha do presidente do Senado. Sentiram a necessidade de discar para Chinaglia para pôr fim às especulações de que seriam contrários aos entendimentos que o PMDB vem mantendo com o PT na Câmara.

 

Dono da maior bancada de deputados, o PMDB poderia, se quisesse, lançar um candidato à sucessão de Aldo. Em vez disso, optou por abrir negociações com o PT, a segunda maior legenda da Câmara. A articulação encontra-se em estágio avançado. O petismo confia que o PMDB formalizará o apoio a Chinaglia em dez dias. Se cinfirmada, a costura da aliança entre as duas maiores bancadas da Câmara pode azedar as pretensões de Aldo Rebelo, que entrara na disputa como candidato preferido de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 22h19

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Plebiscito para definir regalias dos parlamentares

Quanto deve ganhar um congressista? A maioria dos senadores e deputados acha que R$ 12.400 é pouco. Deseja-se, como se sabe, um contra-cheque de R$ 24.500. O que elevaria o custo mensal de um parlamentar para algo em torno de R$ 101,6 mil a R$ 114 mil. O STF suspendeu temporariamente a farra. Mas a pergunta continua boiando no ar. E voltará à pauta em fevereiro, quando for empossado o novo Congresso.

 

Nas eleições de 2006, a Justiça Eleitoral trombeteou em peças publicitárias o bordão “você é o patrão”. Pois bem, sugere-se a convocação de um plebiscito para ouvir o “chefe” acerca das regalias e das obrigações dos “empregados”. A cédula ficaria assim:

 

1. O que acha do desempenho dos congressistas?

A) &~*#@”=%/]#

B) Abaixo da crítica

C) Lamentável

 

2. O salário dos deputados deve ser aumentado?

A) não

B) de jeito nenhum

C) Uma redução viria a calhar

 

3. O “recall” para a cassação de congressistas relapsos pelo voto popular é:

A) Uma boa idéia

B) Uma ótima idéia

C) Uma providência inadiável

 

4. A ajuda de custo de R$ 15 mil mensais deveria:

A) Acabar

B) Ser extinta

C) Todas as alternativas anteriores

 

5. E quanto ao auxílio moradia de R$ 3 mil?

A) Nada feito

B) Nem pensar

C) Eles que organizem o MPST (Movimento dos Parlamentares Sem Teto)

 

6. O que acha de dois períodos de férias por ano?

A) Um acinte

B) Um descalabro

C) Sem comentários

 

7. A semana brasiliense (terça a quinta) deveria ser substituída por:

A) expediente de semana cheia

B) domingo a domingo, com horas-extras não remuneradas

C) regime de trabalho parlamentar escravo

Escrito por Josias de Souza às 19h13

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Previsões políticas infalíveis para o Ano-Novo

Previsões políticas infalíveis para o Ano-Novo

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

A folhinha encontra-se em pleno trabalho de parto. Logo, logo dará à luz 2007, um ano novinho em folha. É hora de antever o futuro. Coisa muito fácil de fazer. Desconsiderado o inesperado, que, por imprevisível, é impossível de prever, tudo o mais pode ser antecipado. Vai abaixo um kit de previsões infalíveis.

 

Exceto pelo bordão “nunca na história desse país”, que repetirá à saciedade, o Lula de 1º de janeiro será um novo homem. Manterá o nome antigo apenas por comodidade, para não ter de trocar todos os documentos. Mas no fundo, no fundo passará a se chamar JK da Silva –um personagem à direita de Lula e à esquerda de Lula, dependendo da época.

 

Depois de um discurso de re-posse que exalará pompa, o governo cruzará o ano tropeçando nas circunstâncias. O presidente prometerá desenvolvimento econômico. O PIB pode mesmo experimentar vigorosa recuperação, desde que a economia não volte a registrar um desempenho pífio.

 

O primeiro ano do segundo mandato será um sucesso, caso não se revele um fiasco. Os jornais não voltarão a noticiar escândalos, bastando para isso que Brasília seja  varrida por uma onda de probidade.  

 

A despeito da nova identidade, JK da Silva continuará filiado ao PT. Porém, vai exacerbar o movimento iniciado em 2003. Levará o ecumenismo político às últimas conseqüências. Sua grande tacada será a “coalizão”, novo eufemismo para fisiologia.

 

Depois de anunciar o último nome do “novo” ministério, o presidente desfilará pelos salões de Brasília de mãos dadas com o PMDB, que lhe baterá a carteira na primeira oportunidade. O casamento correrá às mil maravilhas. O que parecia mera estratégia política ganhará ares de comunhão de estilos.

 

Distanciado dos principais cofres, o PT protagonizará cenas de ciúme explícito. Os queixumes serão pendurados nas manchetes dos jornais. Em meio à algaravia, o brasileiro voltará a ser assaltado (com duplo sentido, por favor) pela incômoda sensação de que a Esplanada voltou a ser ocupada por dois tipos de ministros: os incapazes de todo e os capazes de tudo.

 

O novo Congresso sofrerá um processo de envelhecimento precoce. Votações importantes serão condicionadas ao tilintar de verbas e cargos. O Planalto será compelido a negociar tudo. Inclusive os escrúpulos.

 

Desiludida, a esquerda vai se mudar para um grotão. Alugará um casebre vizinho ao barraco da social-democracia. Penduradas na rede de proteção social do governo, as duas velhotas usarão as migalhas do Bolsa Família para comprar aguardente. Viverão em porre eterno. Evitarão sair às ruas, com medo de ser apedrejadas. Passarão noites em claro relendo Karl Marx e Max Weber. Nas horas vagas, jogarão dardos. Como alvos, um retrato de Lula e outro de FHC.

 

Se o Apocalipse não vier, 2008 vai chegar no exato instante em que dezembro de 2007 acabar. Junto com o burburinho das eleições municipais, surgirão as primeiras notícias sobre a iminente troca de cúmplices. E virá outra reforma ministerial.

 

O Ano-Novo será, portanto, aquela coisa velha de sempre. Mas não se apavore. Você será muito feliz, desde que não seja acometido por um surto de desoladora infelicidade.

Escrito por Josias de Souza às 16h33

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Saddam morre, mas drama dos EUA ainda sobrevive

Reuters/Reprodução de TV
 

O enforcamento de Saddam Hussein, neste sábado, transformou um ditador assassino em mártir. Longe de eliminar, a execução deu sobrevida à encrenca em que se meteram os EUA. Um problema que vem de longe. Testemunhei a gênese do drama em visita ao Iraque, na década de 80. Uma época em que Saddam recebia de Washington um tratamento de amigo.

Ao tomar um táxi, no aeroporto de Bagdá, perguntei ao motorista qual a população do Iraque. ''Somos 32 milhões”, disse ele. Estranhei o exagero. Acompanhado de um tradutor, pedi que esclarecesse o aparente equívoco. E o chofer: ''Somos 16 milhões de pessoas e 16 milhões de retratos de Saddam.'' À medida que o carro deslizava pelas ruas da capital iraquiana, entendi com os olhos o que meus ouvidos não haviam alcançado. Em cada esquina da cidade havia um imenso retrato de Saddam.

Já no hotel, hora do almoço, puxei conversa com um dos garçons. Tinha aparência jovial, menos de 25 anos. E arranhava o inglês, uma exigência do estabelecimento, voltado à clientela estrangeira. Perguntei-lhe o que achava de Saddam.

 

O sujeito apontou para a mesa e disse: ''Isto é um copo. Mas se Saddam disser que é um garfo, será um garfo.'' Em seguida, bateu a palma da mão contra o peito e murmurou: ''Sou um homem. Mas se Saddam disser que sou um animal, então...''

 

Fui ao Iraque no início de 1987. Integrava um grupo de repórteres estrangeiros. Tivemos a oportunidade de visitar parte do cenário da guerra sangrenta que o exército de Saddam travava com o Irã desde 1980. O conflito estava próximo do final.

 

A longevidade do enfrentamento debilitava os dois lados. Em 1988, meio a contragosto, o Iraque viu-se compelido a assinar com o Irã um acordo de paz. Saddam fora às armas com o suporte dos EUA e da velha União Soviética. Mas os parceiros já não demonstravam a mesma disposição de bancar a aventura.

 

Enquanto durou a brincadeira, o tirano de Bagdá armou-se como pôde. Tornou-se freguês de caderneta até da indústria bélica brasileira. Tinha à época, propósitos que, aos olhos da Casa Branca, eram nobres. Lutava contra o radicalismo do aiatolá Khomeini.

 

Como o Islã tirava, já àquela época, o sono do Ocidente, o mundo dito desenvolvido considerava Saddam como uma espécie de maluco do bem. O único capaz de pôr a assombração xiita para correr.

 

O feitiço Saddam não tardou a voltar-se contra os feiticeiros que o fabricaram. Tornou-se, por assim dizer, um Rambo das Arábias. Neste sábado, Bush filho viu materializar-se o sonho que Bush pai não conseguira realizar. Mas o estampido da rolha do champanhe aberto na Casa Branca ecoou em novas explosões. Se os americanos tiverem sorte, os atentados ficarão restritos ao território iraquiano. Se tiverem azar...

 

Parte do Iraque, evidentemente, fez festa com a desdita de Saddam. Mas outra parte, composta de sunitas, a "tribo" do ex-ditador, viu na morte por enforcamento o nascimento de um mártir a ser vingado. No resto do mundo árabe também não faltarão fanáticos dispostos a transformar o pescoço esticado de Saddam em argumento para realimentar a sanha anti-EUA. Num intervalo de dois anos, Bush será mais um retrato na galeria de ex-presidentes norte-americanos. O fantasma de Saddam será mais longevo. Sobreviverá uma eternidade.

Escrito por Josias de Souza às 04h17

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As manchetes deste sábado

- Folha: Saddam Hussein morre enforcado

- Estadão: TAM foi responsável por apagão no Natal, diz Anac

- Globo: Polícia diz que milícias já preparam revanche

- Correio: Enforcado

- Valor: Cartões de loja passam à liderança com 115 milhões

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Reinício!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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Uma boa e uma má notícia

Primeiro, a boa nova: o signatário do blog sairá em férias nesta segunda-feira (11). Agora, a má notícia: como não pode tirar férias de suas dívidas, o repórter voltará à realidade no próximo dia 30. A tempo de acompanhar a virada do ano e a posse de Lula II.

Há abaixo um lote de nove despachos. São textos e imagens atemporais. Não deixe de ler/ver. Se quiser deixar comentários, por favor, não hesite em fazê-lo. Mas lembre-se: você está no blog do “eu sozinho”. É o próprio signatário quem libera as manifestações dos leitores.

 

Enquanto estiver desfrutando do imerecido repouso, só de raro em raro o repórter virá a este recanto virtual. Não conte com a liberação instantânea de comentários. De resto, vai aqui um agradecimento.

 

O blog fez aniversário de um ano no último dia 15 de outubro. O balanço das visitas indica que os primeiros 22 leitores foram generosos com o repórter. Arrastaram para cá vizinhos, amigos, colegas de trabalho e parentes.

 

De acordo com os dados colecionados pela Folha Online, registraram-se nos últimos quatro meses 7,1 milhões de visitas ao blog. A contabilidade é diária. Baseia-se no “endereço IP” da máquina que disparou o acesso. Visitas feitas em duplicidade num mesmo dia são desconsideradas.

 

No mês de agosto, houve 1,1 milhão de visitas. Nos dois meses seguintes, mercê do interesse pelo noticiário eleitoral, o número de acessos deu um salto –2,2 milhões em setembro e 2,3 milhões em outubro. Em novembro, houve 1,5 milhão de visitas.

 

O repórter agradece à Folha Online e ao UOL, que expõem em suas "vitrines" as notícias veiculadas aqui. E ergue um brinde especialíssimo aos leitores e às fontes de informação, que, em tão pouco tempo, ajudaram a consolidar este blog como mais um espaço a serviço da informação. Um bom Natal a todos. E até daqui a pouco.

Escrito por Josias de Souza às 04h12

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De onde veio o dinheiro?

 

 

Enquanto aguardam por uma resposta da Polícia Federal, os 22 leitores do blog podem fazer um passeio –virtual ou de corpo presente— ao Museu do Dinheiro do Banco Central. Não há ali nenhuma pista sobre a origem da grana manuseada pelos "aloprados" do dossiê. Mas há um farto material acerca da procedência do dinheiro no mundo e no Brasil.

Fica-se sabendo, por exemplo, que, nos primórdios do Brasil colonial, o meio circulante brasileiro foi constituído aleatoriamente. Havia moedas de nacionalidades diversas. Eram trazidas pelos portugueses, por invasores e pelos piratas que singravam a costa brasileira. Nos primeiros séculos que se seguiram à chegada de Cabral, o Brasil era a terra do escambo.

Como a moeda era escassa, mercadorias faziam as vezes de dinheiro nas transações comerciais. Pagava-se com açúcar, algodão, fumo, ferro, cacau, cravo, etc. Só em 1694 inaugurou-se, na Bahia, a primeira casa da moeda brasileira. Moedas de ouro e prata de procedências variadas foram derretidas e transformadas em moedas provinciais.

Entre as peças expostas no museu do BC há uma galeria de cédulas. É curioso notar o massacre a que foram submetidas várias celebridades por conta da superinflação, de triste memória. A pretexto de venerar a memória de brasileiros ilustres, o Banco Central estampava-lhes as efígies nas cédulas.

Arrancado do túmulo, o sujeito era lançado no mercado com um determinado valor e, no minuto seguinte, enredava-se numa ciranda que o corroía até a morte. Humilhado, era substituído por uma cara nova e devolvido ao pó.

 

A última vítima do massacre metafórico foi o educador Anísio Teixeira, que ilustrou a nota de mil numa fase em que o dinheiro chamava-se cruzeiro real. Foram tantos os constrangimentos que se optou por interromper a série de ''assassinatos'' patrocinados pelo BC.

 

Passou-se a imprimir nas notas a imagem de personagens cujas famílias são menos suscetíveis –o beija-flor, a garça, a arara e a onça, por exemplo. Lançado em 94, o real interrompeu a fase de desmoralização monetária. O passeio pela galeria de cédulas constitui excelente passa-tempo. Convém ir devagar. Com mais tempo, quem sabe a PF não responde à fatídica pergunta: De onde veio o dinheiro?

Escrito por Josias de Souza às 03h10

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Para imigrante boliviano, Brasil é espécie de EUA

Revista Piauí
 

 

Juan Manuel, o bebê da foto, é filho Beatriz Apaza, uma imigrante ilegal boliviana. Veio ao mundo em 13 de novembro, ajudado pela equipe médica do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, de São Paulo. E foi às página da revista Piauí pelas mãos de Vanessa Barbara.

 

A história do pequeno Juan é mesmo bárbara. O menino pende da árvore genealógica de uma das milhares de famílias que deixam a Bolívia para tentar a sorte no Brasil. Buscam prosperidade. Encontram um cotidiano de barbaridades que inclui do trabalho escravo à moradia insalubre.

 

Mal comparando, o Brasil tornou-se uma espécie de América do Norte da Bolívia. Os compatriotas de Evo Morales vêm buscar aqui o mesmo que legiões de ilegais brasileiros procuram nos EUA. Normalmente, não acham. Mas vêem-se sem condições de retornar à pátria. E vão ficando.

 

O signatário do blog recomenda vivamente a leitura da bárbara reportagem de Bárbara. Aliás, recomenda-se também uma passada d’olhos pelas páginas de Piauí. A revista é, ela própria, uma recém nascida. Tem periodicidade mensal. Está no segundo número. Torce-se para que tenha vida longa. Deseja-se o mesmo para o pequeno Juan.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Águas turvas!

El Roto/El Pais
 

Escrito por Josias de Souza às 00h23

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Pela hora da morte!

 El Roto/El Pais

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Travessia de 2006 para 2007!

El Roto/El Pais
 

Escrito por Josias de Souza às 23h34

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O futuro mora na Chíndia, paraíso de prosperidade

Para certos guias turísticos, Chiníndia é um lugar na Romênia onde Vlad Tepes (na imagem), monarca sanguinário do Século 13, que inspirou o personagem ficcional Drácula, testemunhava a morte de suas vítimas. No universo financeiro, Chíndia é uma terra imaginária, onde as economias de China e Índia se fundem, produzindo prosperidade em nível jamais visto.

As relações entre China e Índia, as duas economias que mais crescem no mundo, são feitas de mordidas e assopros. De uns tempos para cá, a dupla engatou um namoro promissor. Há quem enxergue na aproximação um caminho sem volta. Mas há também os que destilam dúvidas quanto às chances de êxito da parceria.

 

Seja como for, convém prestar atenção ao balé dos dois gigantes. Pequim e Delhi elegeram 2006 como o “ano da amizade sino-indiana.” Armam-se programas de cooperação que parecem rumar para a Chíndia. As duas caras metades se completam. China é bamba em manufaturas e infra-estrutura. A Índia, em serviços. A China lidera o mercado de hardware. A Índia, o de software. E por aí vai...

 

Em 1974, o economista Edmar Bacha, um dos pais do Real, cunhara o neologismo Belíndia. Tornou-se sinônimo do flagelo da distribuição de renda no Brasil, um país coabitado por uma pequena Bélgica rica e uma gigantesca Índia paupérrima. Decorridas três décadas, a combinação de Bacha perdeu o sentido. Os dois brasis não desapareceram, embora tenha havido um tênue encurtamento da distância que separa um do outro. Mas a Índia já não é a melhor referência de pobreza. Hoje, o Brasil miserável assemelha-se mais a países como Gana.

Escrito por Josias de Souza às 23h23

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Conexões do Brasil remoto com o Chile de Pinochet

  Santiago Llanquim/AP
O destino foi generoso com Augusto Pinochet. Proporcionou-lhe, aos 91, uma morte suave. De quebra, facultou ao velho ditador provar que guardava nos fundões de seu organismo um órgão que, imaginavam todos, ele não possuía: o coração. Por uma dessas ironias da existência, Pinochet foi ao forno crematório nas pegadas de um infarto do miocárdio.
Partiu antes da conclusão dos processos judiciais que lhe pesavam sobre os ombros. Uma pena.

Num instante em que ainda soam nas profundezas do inferno as trombetas reservadas à recepção dos grandes titãs do mal, convém lembrar que o Brasil não esteve imune aos tentáculos da ditadura chilena, de triste memória. Comece-se por evocar uma descoberta do cinéfilo Amir Labaki.

 

Organizador do 9º Festival Internacional de Documentários, ocorrido em 2004, Labaki desencavou dois preciosos minutos de um filme da jornalista francesa Marie-Minique Morin. Chama-se “Esquadrões da Morte-Escola Francesa”. O trecho pescado pela perspicácia de Labaki traz um depoimento do general chileno Manuel Contreras, chefe da engrenagem de moer “subversivos” montada sob Pinochet –a temível DINA.

 

No depoimento a Morin, Contreras revelou que mandava ao Brasil, em periodicidade bimestral, oficiais da repressão chilena. Para quê? Vinham à busca de treinamento. Passavam pela ESNI (Escola Nacional de Informações), em Brasília. E, antes de retornar a Santiago, faziam escala em Manaus. Ali, bebiam dos ensinamentos de um centro de treinamento militar.

 

Contreras disse mais: entre os “professores” do curso brasileiro estava o general francês Paul Aussaresses. Vem a ser um veterano da batalha de Dien Bien Phu, no Vietnã. Graduara-se em tortura impondo suplícios a argelinos. Servira como adido militar no Brasil no período de 73 a 75.

 

Recomenda-se ainda a quem queira saber mais sobre as (boas) relações da ditadura brasileira com a máquina de atrocidades chilena a leitura de “A Ditadura Derrotada”, de Elio Gaspari. O Chile de Pinochet é mencionado à altura da página 352. Ali, recorda-se que a primeira viagem de Pinochet depois de derrubar Salvador Allende, em 11 de setembro de 73, foi ao Brasil. Veio para a posse de Ernesto Geisel.

 

Gaspari conta também que José Serra, ex-presidente da UNE, era um dos brasileiros que engrossavam a legião de 7.000 pessoas confinadas pelos golpistas no Estádio Nacional de Santiago, o mesmo em que Garrincha ganhara a Copa de 62. Serra deve sua liberação, dois dias depois de preso, a gestões de um embaixador sueco junto ao major responsável pela triagem. Mercê da generosidade e da descoberta de uma até então desconhecida simpatia pela esquerda, o tal major, Ivan Lavanderos, seria passado nas armas mais tarde. Serra contou que, antes de deixar o famigerado estádio, notou a presença de carcereiros que se expressavam em bom português.

 

Gaspari revela também uma constrangedora página da diplomacia brasileira. Escreve: “As embaixadas que recebiam perseguidos estavam lotadas. Na do Panamá, um pequeno apartamento, entraram 364 asilados. O embaixador panamenho estendeu a extraterritorialidade de sua representação à casa do economista Theotonio dos Santos, protegendo dezenas de brasileiros. No palacete da Argentina, havia 700 asilados, 120 eram brasileiros. Na do Brasil, ninguém. Chefiava-a o embaixador Antônio da Câmara Canto (...).”

 

Anota ainda o livro de Gaspari: Pinochet associava Câmara Canto ao comportamento da diplomacia brasileira no dia do golpe: “Ainda estávamos disparando, quando chegou o embaixador e comunicou-nos o reconhecimento. Washington, informa o repórter, só reconheceria a ditadura chilena 13 dias depois. “No meio da tarde do dia 11, Câmara Canto festejava atendendo o telefone com a notícia: ‘Ganhamos’. Era um golpista militante.”

Escrito por Josias de Souza às 20h06

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‘Minha vida com a Al Qaeda, história de um espião’

‘Minha vida com a Al Qaeda, história de um espião’

Os amantes das histórias de espionagem não podem perder o livro que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Chama-se “Inside the Jihad: my life with Al Qaeda, a spy’s story” (Por dentro do Jihad: minha vida com a Al Qaeda, história de um espião). Foi escrito por um morroquino, que se identifica pelo pseudônimo Omar Nasiri.

O livro é autobiográfico. Nasiri conta ter espionado grupos terroristas islâmicos, incluindo o de Osama Bin Laden, entre 1994 e 2001. Diz ter agido a soldo dos serviços secretos francês, britânico e alemão. O relato impressiona pela profundidade.

 

Esparramado ao longo de 440 páginas, o texto assemelha-se ao de uma novela. Mas o autor sustenta que só retratou verdades. Exceto um ou outro detalhe, que teve de modificar para proteger a vida de seus personagens. Incluindo a dele próprio. Escondido atrás de uma nova identidade, Omar Nasiri vive hoje na Alemanha.

 

Deu-se na Argélia o primeiro contato de Nasiri com um grupo extremista. Infiltrou-se no GIA Argelino. Elaborava o boletim informativo interno do grupo terrorista. Despachava, de resto, ordens para a compra de armas. Em seguida, transferiu-se para o Afeganistão.

 

Ali, submeteu-se a treinamentos e logo viu-se sob as ordens de alguns dos lugar-tenentes de Bin Laden. Era acompanhado à distância pelo serviço secreto francês, que não o imaginava capaz da façanha. Foi enviado à Europa, com a missão de ajudar a pôr de pé uma célula concebida para atacar bancos e sinagogas.

 

Em Londres, passou a circular entre estrelas do radicalismo islâmico como Abu Qattaba e Abu Hamza. Reportava-lhes os passos ao serviço secreto britânico. A despeito do esforço do autor para mostrar-se contrário ao terrorismo, Nasiri deixa entrever nas páginas do livro que não passou incólume pelo convívio.

 

Como no trecho em que retrata os terroristas como “valentes defensores de uma ideologia/religião agredida.” Ou na passagem em que anota: Nos acompamentos, me ensinaram que se deve respeitar os civis, a começar das crianças, das mulheres e dos velhos, que é preciso preservar os edifícios civis, etc.” Em seguida, reconhece: “É verdade que, no campo, cometem-se excessos.

 

O texto de Nasiri, por detalhista, despertou inúmeras suspeitas. Especialistas ouvidos pela revista Time ruminam uma dúvida: não sabem se estão diante de um personagem real ou de um farsante. Antes de mandar o livro à prensa, a editora Perseus Books submeteu os originais a Michael Scheuer. Trata-se de um ex-diretor da unidade da CIA incumbida de caçar Bin Laden.

 

“Nunca tinha visto nada sobre esse período (1994 a 2001) que estivesse tão completo e que soasse tão verdadeiro, disse Scheuer ao The New York Times. Referia-se à descrição dos acampamentos de treinamento de terroristas no Afeganistão.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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Emprego e educação atazanam o jovem brasileiro

  BBC
Nelson Rodrigues não era lá muito fã dos jovens. Dizia que “o jovem ou é um Rimbaud ou um débil mental.” Gostava de fazer uma recomendação aos jovens: “Envelheçam. Envelheçam depressa. Deixem de ser jovens o mais rápido possível.”

 

No Brasil dos últimos anos, a trilha do jovem rumo ao envelhecimento preconizado pelo velho cronista tem mais obstáculos do que seria desejável. A encrenca faz com que adolescentes brasileiros na faixa de 15 a 17 anos preocupem-se mais com o emprego do que os garotos de outros países.

 

O fenômeno ficou evidenciado em pesquisa realizada pela BBC em dez grandes cidades do planeta: Rio, Nova York, Londres, Moscou, Jacarta, Cairo, Bagdá, Lagos, Nova Déli e Nairóbi. Ouviram-se cerca de 300 jovens em cada uma dessas cidades.

Perguntou-se aos garotos, por exemplo, se estão preocupados em conseguir um bom emprego. O índice dos que responderam “sim” foi maior entre os brasileiros (97%). Nem na nigeriana Lagos (89%) ou na indiana Nova Deli (85%) há tantos jovens preocupados com o emprego.

Submetidos ao flagelo de um sistema educacional que privilegia os que têm dinheiro, os jovens brasileiros que vêem na educação um meio essencial de capacitação para o mercado de trabalho (82%) foi, de novo, superior à taxa média detectada nas outras cidades (75%).

Uma pergunta específica relacionada à área educacional revelou um traço preocupante da personalidade dos meninos do Brasil. Os entrevistados brasileiros foram os que admitiram em maior número (40%) que aceitariam trapacear para ingressar na universidade. Nas outras cidades pesquisadas a média foi escandalosamente menor: 17%.

Vale dar uma olhada nos outros números da pesquisas (aqui). O levantamento compõe um esforço jornalístico especial da BBC, batizado de Geração do Futuro. Recomenda-se o desperdício de um naco de tempo na leitura das demais reportagens. Podem ser encontradas numa página assentada aqui.

Escrito por Josias de Souza às 16h07

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Aos pouquinhos, Brasil vai se achegando à África

Desde que assumiu, em 2003, Lula tem martelado o discurso de que seu governo promoverá a reconciliação do Brasil com a África. Sempre que tem uma oportunidade –em reuniões com diplomatas brasileiros, nos fóruns internacionais—o presidente realça a intenção de se aproximar dos nacos mais pobres do Continente Africano.

Pois bem: a coisa começou a funcionar. Ao menos no que diz respeito à aviação civil, o Brasil de Lula vai mesmo se achegando à África. Escabreadas com o sistema de (des)controle de vôo em voga nesta terra de palmeiras e sabiás, companhias européias de aviação começam a recomendar a seus pilotos a adoção de providências comuns nos inseguros céus da África.

 

Consiste no seguinte: em vez de voar no centro das aerovias brasileiras, os pilotos deslocam os aviões para as laterais. Mal comparando, é como se, numa rodovia, os automóveis passassem a trafegar mais próximos do acostamento, com medo de topar com veículos que viessem na contramão.

Escrito por Josias de Souza às 15h15

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As manchetes deste domingo

 

- Folha: Sob Lula, classe média é a que perde

 

- Estadão: Pressão de Lula por crescimento confunde equipe

 

- Globo: Policiais apóiam milícias na guerra por espaço do tráfico

 

- Correio: Os donos do poder

 

- Valor: Governo e bancos divergem sobre o futuro da poupança

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Caronair!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Lula reúne conselho político e cobra fidelidade já

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Sob o impacto da primeira grande derrota do governo no Congresso –a indicação de um oposicionista para a vaga de ministro do TCU—Lula convocou para quarta-feira (13) a primeira reunião do Conselho Político. Antes de repartir os cargos entre os partidos que compõem o novo consórcio governista, o presidente deseja arrancar dos “aliados” um compromisso de fidelidade.

Neste primeiro encontro, vão à mesa do Conselhão os presidentes de sete partidos: PT, PMDB, PR (ex-PL), PCdoB, PSB, PRB e PV. Em encontros futuros, pretende-se agregar outras três legendas: PTB e PP e PDT. Este último já deveria participar da reunião de quarta. Mas demora-se em tornar oficial o ingresso na “coalizão” governista.

Para Lula, o primeiro grande teste de seu novo consórcio no Legislativo será a escolha, em fevereiro, dos presidentes da Câmara e do Senado. O presidente não admite senão a vitória nas duas Casas. Em privado, diz que as legendas governistas terão de provar que são capazes de produzir “unidade.” Avalia que a empreitada vem se mostrando mais espinhosa do que supunha.

 

Para o Senado, o Planalto fixou-se no nome de Renan Calheiros (PMDB-AL). A hipótese de uma vitória de Agripino Maia (PFL-RN) causa arrepios em Lula. Na Câmara, a porca governista torceu o rabo. O presidente quer Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Mas viu-se compelido a dar corda ao PT, para ver até onde seu partido consegue levar a candidatura de Arlindo Chinaglia (SP). Acha, porém, que é preciso fixar uma data para o fim da queda-de-braço entre Aldo e Arlindo.

 

Lula não trabalha com a hipótese de mais de uma postulação. Diz que o governo vai à disputa com uma “candidatura única”. A divisão, diz ele, imporia riscos que o Plnalto não está em condições de correr. A data-limite com a qual trabalha o presidente é o dia 15 de janeiro. Até lá, um dos contendores terá de demonstrar que tem maior potencial de agregar apoios do que o outro.

 

Para complicar, há a reivindicação do PMDB. Embora ainda não tenha definido um nome, o partido reivindica o direito de acomodar um dos seus na cadeira de presidente da Câmara. Entre quatro paredes, Lula afirma que a ambição é desmedida.

 

O presidente acha que, com Renan no Senado e ministérios em penca, os peemedebistas terão de abrir mão da Câmara. Tudo bem, dizem os herdeiros do espólio de Ulysses Guimarães. Mas Lula terá de amarrar pessoalmente o guizo no rabo do gato que deseja sacrificar. E o sacrifício terá um preço. O PMDB quer seis ministérios. Lula fala em quatro. Admitindo cinco, promoveria a concórdia.

 

De resto, Lula deseja estabelecer uma sistemática de funcionamento e uma periodicidade para as reuniões do Conselhão. Há no Planalto opiniões para todos os gostos. Parte da assessoria do presidente defende que as reuniões sejam semanais. Outra parte, acha que a periodicidade deveria ser quinzenal ou mensal. Um terceiro grupo avalia que o ideal seria que o presidente convocasse os “conselheiros” quando lhe desse na telha. Vale dizer: sempre que houvesse temas importantes a debater e deliberar.

 

A utilidade do no fórum de debate governista será testada na prática. Uma coisa, porém, já parece clara: Lula decidiu tornar-se coordenador político de si mesmo. Se colecionar vitórias, terá feito um gol. Uma coleção de derrotas atrairá o fracasso para o seu colo. São os riscos da ausência de intermediação.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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O ‘Sr. Nada’ dá expediente no Ministério da Defesa

O ‘Sr. Nada’ dá expediente no Ministério da Defesa

 

Nunca na história desse país o Nada chegara tão longe. Sob Lula, o senhor Coisa Nenhuma virou ministro de Estado. Despacha no prédio da Defesa. Tem debaixo de si os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

 

Experimente-se alcançar o Nada com os olhos. Tente-se enxergá-lo em seu assento. Inútil. O olhar atravessa o Nada e vai bater no couro do espaldar da poltrona.

 

Sempre se disse que, para comandar as Forças Armadas, o ministro ideal seria um ser invisível. Quanto menos fosse notado, melhor. Com Waldir Pires, exagerou-se. Exagerou-se tanto que já nem o governo o nota.

 

O próprio Palácio do Planalto tratou de reduzir o Nada à insignificância do não-ser. Incomodado com a exuberância do caos aéreo, Lula pôs em cena Dilma Rousseff. Incumbiu a menina superpoderosa da Esplanada de restabelecer a ordem na seara do Nada.

 

Não será fácil. O descalabro aéreo, sabe-se agora, é coisa antiga. Vem de antes de FHC. Mas Lula, no poder há quatro anos, já não pode espetá-lo na conta da herança maldita. A menos que resolva culpar Santos Dumont.

 

Apresentado à encrenca ainda em 2003, o governo Lula optou por administrá-la à maneira do antecessor. Não usou a cabeça. Não, não. Absolutamente. Valeu-se da barriga.   

 

O setor aéreo está apinhado de problemas? Tudo bem. O governo os empurrará com a barriga. Os controladores de vôo queixam-se das condições de trabalho? Barriga neles. Os equipamentos estão definhando? Barriga. Faltam verbas? Tesoura. E mais barriga. Isso? Barriga. Aquilo? Barriga de novo.

 

Às voltas com uma crise que inviabiliza o uso da pança como ferramenta de gestão, o governo passou a usar a boca. Foi quando o ministro Nada teve de entrar em ação. Numa entrevista, disse que os controladores estavam sob controle. Noutra, disse que a crise fora vencida. Em seguida, prometeu solução até o Natal. Na seqüência...

 

Na administração do Nada é assim: o ministro recebe um certo salário. Em troca, deveria cumprir com suas obrigações. Não cumpre. E sua inação vira um problema, que é acomodado sobre os ombros de quem lhe paga o contracheque. Reconheça-se, porque é de justiça, que Waldir Pires não representa o Nada sozinho. Houve outros Nadas antes dele. Tantos que o contribuinte já começa a fazer uma reflexão. Algo assim: ''O caos deu as caras nos aeroportos porque o Senhor Nada e seus auxiliares são incompetentes. E a folha de salários da administração pública não é lugar para ineptos''.

 

Submetido à mesma reflexão, Lula talvez seja levado a tomar alguma providência em relação ao Nada. Ou não. Neste caso, o país será levado a supor que foi às urnas de outubro à toa. Entregou 58 milhões de votos a um outro Nada.

Escrito por Josias de Souza às 19h31

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Muito papo furado e pouca decisão em Cochabamba

Marcello Casal Jr./ABr
 

 

Terminou neste sábado o segundo encontro da CASA (Cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações). Como sói acontecer nesse tipo de reunião, jogou-se conversa fora a mais não poder. Não há, por ora, notícia de que se tenha produzido na Bolívia algo que se pareça com uma decisão.

 

Criada há dois anos como um fórum para azeitar as relações entre países da América Latina, a CASA vai se consolidando como uma entidade submetida aos caprichos da Mãe Joana. Discursando aos demais chefes de Estado, Lula saiu-se com uma idéia que, acredita ele, ajudaria a dar utilidade prática à encrenca.

 

O presidente brasileiro propôs, veja você, a criação de uma comissão permanente de “altos funcionários”, com sede no Rio. Os beneficiários da sinecura se encarregariam de monitorar o cumprimento dos compromissos assumidos durantes as reuniões da CASA.

Ouça o que disse Lula: “Às vezes os presidentes decidem, falam com a imprensa e, um ano mais tarde, um ano depois, não aconteceu nada. Por quê? Porque têm mais artigos para proibir do que para permitir.” Citou como exemplo a sociedade que firmou com o companheiro venezuelano Hugo Chávez, para erigir uma refinaria de petróleo em Pernambuco. Uma obra, por ora, de papel.

Como se sabe, comissões como a proposta por Lula constituem o caminho mais longo entre a tomada de uma decisão e a sua implementação. Se os presidentes, que são os tais, não conseguem transformar vontade em coisas palpáveis, sairia mais barato demolir a tal CASA (da Mãe Joana) do que pendurar num novo cabide uma penca de “altos funcionários.”

Mas Lula não parece preocupado com custos e benefícios. Propôs também –espanto (!), pasmo (!!), estupefação (!!!) –a criação de uma outra entidade de fancaria: “Que fantástico será o dia em que teremos um Parlamento da América do Sul ou um Parlamento da América Latina em uma cidade como Cochabamba.” Deseja ver a ficção em funcionamento antes de deixar o Planalto, em 2010. Talvez “bem antes.”

De resto, Lula sugeriu aos colegas a realização de uma reunião específica para discutir a integração dos recursos energéticos da região. “Precisa resolver essa questão importante, que vem causando muitos problemas”, disse o presidente. Cabe a pergunta: se a questão é importante e causa problemas, por que diabos não aproveitaram o encontro deste sábado para conversar a sério sobre energia?

 

A propósito, Lula teve um encontro privado com o presidente Evo Morales (Bolívia). Falaram sobre o arranca-rabo que opõe o governo boliviano à Petrobras. Mas não conversaram sobre o essencial: a fixação de novos preços para o gás que a Bolívia vende ao Brasil. O chanceler Celso Amorim disse que se está buscando um valor “justo” para o vendedor e “viável” para o comprador. O problema é que o “justo” da Bolívia não é visto como “viável” pela Petrobras.

Em seu discurso, Lula brincou com uma das diferenças que separam o Brasil de seus vizinhos latinos. “Eu sempre tenho uma preocupação quando fazemos um encontro entre brasileiros e latino-americanos, porque nem sempre os latino-americanos entendem português e nem sempre os brasileiros entendem os latino-americanos.”

O presidente arrematou: “Eu fico olhando para a cara do Chávez e sei que ele tem dificuldade para entender o português e, muitas vezes, eu fico conversando com o companheiro e eu não entendo todas as palavras em espanhol.” Vai ver está aí, nesse abismo idiomático, a explicação para tanta desconversa.

No encerramento da reunião, os presidentes cumpriram um velho costume índio. Lançaram ao solo potes de barro cheios de água (veja a foto acima). Diz-se que dá sorte. A julgar pelos resultados do encontro, a coisa não passa de lenda boliviana pendente de comprovação. Quebraram-se os potes em vão.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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As manchetes deste sábado

- Folha: Pilotos do Legacy são indiciados pela PF

- Estadão: Indiciados pela PF, pilotos do Legacy deixam o País

- Globo: Ações da polícia não contêm assaltos em vias expressas

- Correio: Suprema insegurança

- Valor: Governo e bancos divergem sobre o futuro da poupança

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Caos organizado!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Negligência do governo levou a caos aéreo, diz TCU

Negligência do governo levou a caos aéreo, diz TCU

Em auditoria que acabou de ser concluída, um grupo de técnicos do Tribunal de Contas da União classificou de “caótica” a gestão do setor aéreo no Brasil. Relatório reservado atribui a desordem à negligência. O texto acusa o governo de inércia e falta de planejamento. E afirma que a crise foi agravada pelo corte irresponsável de verbas que deveriam ter sido usadas na contratação e treinamento de pessoal e na aquisição e modernização de equipamentos usados no controle do tráfego aéreo.

 

Documentos recolhidos pelos auditores do TCU no Ministério da Defesa e no Comando da Aeronáutica revelam que o governo tinha conhecimento, desde o início da gestão Lula, da crise que se armava no setor aéreo. A despeito disso, as autoridades se esquivaram de tomar providências para conter a deterioração do quadro. Para complicar, vieram os cortes orçamentários.

 

A tesoura do Ministério da Fazenda entrou em ação já no primeiro ano do governo Lula. Um dos documentos amealhados pelos auditores faz menção aos efeitos danosos dos cortes. O texto é de 2003. Assina-o José Viegas Filho, o primeiro ministro da Defesa nomeado por Lula.

 

No documento, Viegas queixa-se do “contingenciamento sistemático” das verbas dos fundos Aeronáutico e Aeroportuário. Diz que a retenção das verbas “vem produzindo dificuldades no Comando da Aeronáutica”. E anota: "A diminuição dos recursos aplicados nessa atividade produz reflexos na própria segurança dos vôos, podendo acarretar a degradação do sistema".

 

A área financeira do governo deu de ombros para o alerta de Viegas. Continuou retendo verbas. As cifras foram somadas pelos auditores do TCU. Mas são mantidas em segredo. Sabe-se que pelo menos R$ 1,3 bilhão do Fundo Aeronáutico foi passado na lâmina. Retiveram-se também verbas da Infraero. Sob Lula, a autarquia que administra os aeroportos recolheu em taxas aeroportuárias cerca de R$ 3 bilhões. Desse total, foram aprisionados nos cofres do Tesouro Nacional R$ 231 milhões.

 

A auditoria do TCU esquadrinhou o Ministério da Defesa, o Comando da Aeronáutica, a Infraero e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). O relatório dos técnicos foi entregue nesta sexta (8) ao ministro Augusto Nardes. Relator do processo, Nardes começou a elaborar o seu voto. Vai trabalhar durante todo o final de semana. Submeterá o resultado do trabalho à aprovação do plenário do TCU em sessão marcada para a próxima terça-feira (12).

 

Em diálogos que manteve com colegas de tribunal, Nardes classificou de “muito grave” a crise do setor aéreo. Comparou o descalabro à negligência observada no setor rodoviário. Assim como nas rodovias, o governo tenta agora tapar os buracos resultantes de anos de incúria administrativa.

 

Nessas conversas mantidas entre quatro paredes, Nardes antecipou que, em razão da complexidade dos problemas detectados pelos auditores, irá propor ao plenário do TCU o aprofundamento das investigações. Receia que não será contornada tão cedo a crise veio à tona depois da queda do Boeing da Gol, em 29 de setembro. O acidente produziu 154 cadáveres.

 

Neste primeiro voto, Nardes irá sugerir ao tribunal que imponha ao governo uma série de providências para tentar atenuar os efeitos do caos. Entre elas o desbloqueio de verbas do orçamento. Só ao final da investigação mais profunda, a ser iniciada depois do recesso de final de ano do tribunal, o ministro pretende identificar e impor sanções aos responsáveis pelo caos do setor aéreo.

Escrito por Josias de Souza às 01h10

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Na Bolívia, Lula evita comentar crise interna

  BBC
Lula viajou nesta sexta para a cidade boliviana de Cochabamba. Participará da segunda reunião de chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa). O encontro coincide com uma crise política que atormenta o presidente Evo Morales.

 

Nos últimos dias, líderes políticos que se opõem ao governo da Bolívia revelaram a intenção de aproveitar a presença de presidentes estrangeiros para arrancar deles comentários de desaprovação a Morales. Logo na chegada de Lula, um repórter boliviano perguntou-lhe se atenderia aos apelos da oposição.

 

E Lula: “Me permita não dar nenhum palpite sobre os problemas internos do país. “Eu tive muitos problemas internos. Todo mundo tem problemas internos. Os problemas internos são resolvidos internamente.”

O silêncio de Lula segue uma velha máxima da diplomacia internacional: um visitante jamais deve se pronunciar sobre o cotidiano da nação que o acolhe. Assim, fez muito bem o presidente brasileiro em esquivar-se de meter a sua colher no caldeirão que começa a ferver na Bolívia. Imagine se Morales, em viagem a Brasília, resolvesse deitar falação sobre o apagão aéreo.

Por sorte, nenhum repórter pediu a Lula que discorresse sobre os importantíssimos objetivos da reunião dos presidentes latino-americanos. A pauta não chega a ser empolgante.

Escrito por Josias de Souza às 19h52

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Campeão de votos, Ciro vira deputado sem-banheiro

Antes do discurso inaugural, antes do primeiro projeto de lei, o grande desafio dos novos deputados é conseguir um bom gabinete. Em outros tempos, cada um usava as armas de que dispunha. Prestígio, gritos, vantagens financeiras, etc...

 

Neste ano decidiu-se levar os gabinetes a um sorteio semelhante àquele que a Caixa Econômica Federal faz nas extrações de loteria. Submetidos à sorte das bolinhas, campeões de voto foram igualados a colegas que passaram raspando pelas urnas.

 

Por exemplo: Ciro Gomes (PSB-CE), dono de vistosos 667,8 mil votos, terá de contentar-se com um gabinete sem banheiro, no Edifício Anexo 3 da Câmara. O apelido do prédio diz tudo sobre a qualidade de suas acomodações: “favelão”.

 

Juvenil Alves (PT-MG), o profissional de mais de R$ 1 bilhão, ainda não sabe se vai tomar posse. O Ministério Público quer cassar-lhe a diplomação. Mas, no sorteio, tirou a sorte grande. Ganhou um gabinete no Anexo 4. Ali, as salas são maiores e mais confortáveis. E têm banheiro.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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Ministros do STF são apresentados à lei da selva

Diz-se que o processo é o mundo do juiz. O que não está nos autos não existe no universo, eis a regra do bom julgador. Pois bem, no final da noite desta quinta-feira (7), a presidente e o vice do STF, Ellen Gracie e Gilmar Mendes, descobriram que há mais coisas entre o céu e a página do processo do que pode imaginar a vã filosofia togada.

Gracie e Mendes foram apresentados a um tipo de lei que só conheciam de ouvir dizer: a lei da selva. Deu-se no Rio de Janeiro. Mais precisamente na Linha Vermelha. É via obrigatória dos passageiros que desembarcam em solo carioca.

No caminho que separa a aridez do aeroporto da elegância da zona Sul do Rio, Gracie e Mendes percorreram os quilômetros regulamentares de miséria que margeiam o asfalto. Ao longo de 22 quilômetros, há 17 favelas. Súbito, viram-se no meio de um arrastão.

Ladrões bloquearam a avenida por cinco minutos. Tempo bastante para livrar as vítimas de certos pertences. No caso de Gracie e Mendes, “o limpa”, no dizer próprio da bandidagem, foi “geral”. Incluiu o automóvel.

Presidente e vice do Supremo foram largados ali, noite alta, à beira da estrada. "Foi tudo muito rápido. Eram uns dez bandidos. Cercaram vários carros e roubaram todo mundo. Acho que os ladrões não sabiam quem eles eram", contou uma das vítimas do assalto, que prestou queixa na delegacia.

Gracie e Mendes deram-se conta de quão injusto é o mundo que pulsa fora dos autos. Data vênia, todo cidadão é igual perante a lei da selva. Mas o cidadão abonado, por mais igual, merece tratamento especial.

Por sorte, Gracie e Mendes não tardaram a ser resgatados. Recolheu-os o carro da “segurança”, que vinha mais atrás. Informada de todo o ocorrido -inclusive do nome das vítimas-, a polícia carioca entrou imediatamente em ação. Ainda de madrugada, perseguiu seis suspeitos. Trocou tiros com eles. Dois morreram. Quatro fugiram.

Reza o artigo 1º da lei da selva: Na perseguição à bandidagem pé-de-chinelo, atira-se primeiro; pergunta-se depois. Em meio ao fogo cruzado, safam-se os que têm as melhores pernas, não os melhores advogados, acrescenta um inciso pendurado ao artigo.

Escrito por Josias de Souza às 10h07

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Desenho (Des)animado(r)!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 03h03

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As manchetes desta sexta

- Folha: Supremo derruba cláusula de barreira.

- Estadão: FAB culpa um sargento pelo apagão nos aeroportos

- Globo: FAB não tem nenhum técnico capaz de resolver pane aérea

- Correio: 42 dias depois... e eles ainda buscam a saída

- Valor: Governo e bancos divergem sobre o futuro da poupança

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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'Lamicure!'

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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'Mensalão' pode acabar em pizza também no STF

  Alan Marques/F.Imagem
A pizza resultante da absolvição de deputados mensaleiros no plenário da Câmara pode se repetir no STF. Uma decisão tomada pelos ministros do Supremo há dois dias tornou real o risco de prescrição dos crimes apontados na denúncia do mensalão –aquela em que o Ministério Público acusou 40 pessoas de “formação de quadrilha”.

 

Admitida em privado pelo próprio ministro Joaquim Barbosa (na foto), relator do processo, a hipótese de que os crimes caduquem antes de ser julgados é festejada por advogados de alguns dos acusados. E lamentada por procuradores que redigiram a denúncia encampada pelo chefe do Ministério Público, Antonio Fernando de Souza.

 

Numa tentativa de apressar o julgamento, Joaquim Barbosa propôs, três meses atrás, que o processo fosse desmembrado. O Supremo se encarregaria de julgar apenas os réus que, no exercício de mandatos eletivos, têm direito a foro privilegiado. Os demais seriam julgados por juízes da primeira instância do Judiciário.

 

Se a providência tivesse sido acatada, o STF se encarregaria de processar apenas cinco acusados: João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT), José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Paulo Rocha (PT-PA). Dos 40 réus, eles são os únicos que estarão na Câmara em 2007. Os outros 35 réus, entre eles José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Duda Mendonça, seriam submetidos a juízes de primeiro grau.

 

Porém, levada à análise do plenário do STF, a proposta de Joaquim Barbosa foi recusada por cinco dos 11 ministros: Cármen Lúcia Rocha, Eros Grau, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ellen Gracie. Um sexto ministro, Sepúlveda Pertence, tentou construir a conciliação. Propôs que se fizesse uma análise dos crimes denunciados. Ficariam com o STF apenas aqueles relacionados a parlamentares.    

 

Joaquim Barbosa concluiu que a providência seria inócua. Mesmo que mandasse à primeira instância crimes como a remessa ilegal de dinheiro para o exterior, admitido por Duda Mendonça, todos os 40 réus continuariam submetidos ao STF, pois os delitos de que são acusados têm conexão com malfeitorias praticadas por parlamentares.

Assim, decidiu-se que toda a denúncia terá mesmo de ser julgada no Supremo. Algo que pode se arrastar, segundo admitem todos (advogados, ministros e procuradores), por anos a fio. Daí o risco de prescrição. O prazo de decadência varia conforme o delito. Mas não costuma passar de oito anos.

Em diálogos reservados, Joaquim Barbosa revela-se desconsolado com a recusa da proposta do desmembramento. Ouvido pelo blog, um colega do relator afirmou: "Quem disser que inexiste risco de prescrição está mentindo." Afirmou que, ainda que desejasse apressar o julgamento, Barbosa estará submetido a um festival de chicanas protelatórias dos advogados. Um dos procuradores que ajudaram a formular a denúncia considera "otimista" um prazo de cerca de dez anos para o julgamento de toda ela.

Ainda em fase inicial, o processamento da denúncia do mensalão já produziu um calhamaço de 29 volumes, engrossados por 86 anexos. Tudo somado, chega-se a algo como 40 mil páginas. O Supremo terá de intimar e ouvir nada menos que 401 pessoas –os 40 réus, 41 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público e 320 testemunhas de defesa (oito para cada acusado). É algo inédito no tribunal.

 

Não é sem motivo que anda desassossegado o ministro Joaquim Barbosa. Ele avalia que falta estrutura ao STF para arrostar uma empreitada de tal envergadura. Para complicar, a legislação oferece aos advogados dos réus um sem-número de recursos. "Só um louco deixaria de lançar mão de todos os recursos à disposição", disse ao blog o advogado de um ex-parlamentar encrencado na denúncia. Ainda que seja para desconsiderá-los, por protelatórios, o Supremo terá de analisar um por um.

 

Quando a proposta de desmembramento do processo ainda estava de pé, Joaquim Barbosa estimava que os casos que remanescessem no Supremo seriam julgados num prazo de dois anos a dois anos e meio. Depois que a idéia foi descartada pelo plenário do tribunal, o relator não se animou a fazer novas previsões em público. As projeções que passou ruminar entre quatro paredes são desalentadoras.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Último suspiro de um velho moço no mar de Brasília

Último suspiro de um velho moço no mar de Brasília

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O mar de Brasília é o céu. O azul oceânico convida todos os olhares ao mergulho. Seco, o mar de Brasília não é dado a tormentas. Mas há meses do ano em que ele se encapota. O dia termina mais cedo. Sabe-se que ainda não é noite porque o Sol, embora recolhido, deixa na atmosfera o hálito de fornalha.

 

Nesta quinta, o repórter Lula Marques pilhou o mar de Brasília num de seus raros instantes de rebeldia. Com o mau tempo a rosnar sobre os prédios dos ministérios, ondas de nuvens penumbrosas recobriram de cinza a praia de uma Esplanada na bica de ser reocupada.

 

Curiosa coincidência. É como se o mar de Brasília desejasse antecipar a visão do novo ministério que Lula II, em dores de parto, prepara-se para dar à luz. Por trás da penumbra, vislumbra-se o arco-íris do futuro. Tem as cores da fatalidade.

 

Prevalecem os tons de PMDB. Embora esmaecidas, percebem-se também as pitadas de PT, PP, PL e PTB. São as tonalidades de ontem. Prenúncio de que o amanhã se resumirá a uma troca de cúmplices. Pena. O novo governo arrisca-se a morrer jovem. Afogado nas nuvens do mar de Brasília.

 

“Ah, como dói viver quando falta a esperança!” –suspirava, tísico, um Manuel Bandeira de 1912. Tão antigo e fora de moda quanto o gramofone. Tão atual e contemporâneo quanto a “coalizão.”

Escrito por Josias de Souza às 01h21

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STF derruba barreira imposta a partidos sem voto

O STF mandou ao lixo nesta quinta-feira (7) a cláusula de barreira, aquela regra instituída em 95 para impedir que partidos políticos sem voto tivessem acesso a verbas públicas (fundo partidário) e a horário na televisão (20 minutos por semestre).

Conforme antecipado aqui no blog há uma semana, o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello considerou “inconstitucional” a barreira imposta aos partidos. Anotou em seu voto que a preservação da lei imporia um "massacre das minorias" partidárias.

 

A posição de Marco Aurélio foi acatada pela unanimidade dos ministros que compõem o pleno do Supremo. E virou pó a última tentativa de impor alguma racionalidade à balbúrdia partidária que impera no Brasil.

 

Há no país 29 partidos políticos. Apenas sete (PMDB, PT, PSDB, PFL, PSB, PDT e PP) lograram obter nas urnas percentual mínimo de votos exigido pela lei: 5% dos votos válidos na eleição para a Câmara dos Deputados. Os demais haviam sido condenados ao limbo. Padeceriam um torniquete financeiro implacável.

 

Ao triunfar no STF, os sem voto voltam à vida normal. O pretexto de preservação das minorias salvou legendas respeitáveis. Entre elas o PC do B de Aldo Rebelo e o PV de Fernando Gabeira. Mas resgatou também as chamadas legendas de aluguel, fundados com o único propósito de beliscar verbas públicas e enriquecer alguns espertalhões que, em épocas de eleição, vendem a peso de ouro os espaços de que dispõem na televisão e no rádio.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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No universo político-eleitoral, o crime compensa

Diz-se que o crime não compensa. Bobagem. Na Justiça Eleitoral, o delito é extremamente compensatório. Com uma vantagem. Muda de nome. Não é crime. Chama-se doação de campanha.

 

A Justiça Eleitoral não chega a ser cega. Mas sofre de esotropia. Ou estrabismo convergente. O eixo visual de um olho se desloca em direção ao do outro, provocando uma encrenca chamada diplopia, que é a visão dupla de um mesmo objeto. O TSE vê duas leis eleitorais. Uma de papel. Outra real.

 

A lei de papel reza que são ilegais as doações eleitorais feitas por empresas que mantêm concessões públicas. A lei real preceitua que esse tipo de doação, por generalizada, não pode gerar conseqüências. Sob pena de impedir a posse de presidentes, governadores e parlamentares.

 

Soube-se no início da semana que a contabilidade do comitê reeleitoral de Lula está bichada. Entre outras ilegalidades, o presidente da República serviu-se das verbas proibidas de concessionárias do Estado. Descobriu-se que também a escrituração dos governadores tucanos José Serra (eleito em São Paulo) e Aécio Neves (reeleito em Minas) padecem da mesma delinqüência.

 

Há problemas também na prestação de contas de pelo menos mais cinco governadores. Incumbidos de esquadrinhar as cifras, os técnicos do TSE (Lula) e dos TREs (governadores) recomendaram a rejeição das contas de campanha. O Ministério Público Eleitoral condenou outras 96 escriturações. Pertencem a deputados federais e estaduais eleitos por São Paulo. A lista inclui, por exemplo, Arlindo Chinaglia (PT) e Antonio Palocci (PT).

 

Se fosse levada ao pé da letra, a lei eleitoral impediria a posse de Lula, Serra, Aécio, demais governadores e de uma penca de parlamentares encrencados. Porém, o fenômeno do estrabismo convergente da Justiça Eleitoral induz o observador cético a uma pergunta: alguém acredita que a lei será cumprida?

Escrito por Josias de Souza às 15h26

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Amizade colorida!

 

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Escrito por Josias de Souza às 13h57

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: Governo cria 'gabinete de crise' contra caos aéreo.

 

- Estadão: Câmara e Senado vão apurar apagão aéreo

 

- Globo: Sem ação do governo, país tem novo dia de caos aéreo

 

- Correio: Até quando?

 

- Valor: Empresas perdem negócios e gastam mais com crise aérea

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Malas-sem-alça!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Militares pedem ‘opção técnica’ na pasta da Defesa

Uma crise invisível germina sob o caos que se instalou no setor aeroviário. A encrenca ainda não foi percebida porque está escondida atrás do biombo da disciplina da caserna. Em privado, os militares já não reconhecem no ministro Waldir Pires (Defesa) a figura de um “chefe”. E receiam que Lula, ao trocá-lo, recorra a uma nova “solução improvisada.”

 

O blog conversou nesta quarta-feira com um oficial militar. Relutou em falar. Manteve a língua travada mesmo depois de ouvir a promessa do repórter de que seu nome não seria revelado. Exigiu proteção adicional: além do nome, deveriam ser mantidas em segredo a patente e a tonalidade do uniforme que enverga. Refugou o gravador. Com muito custo, admitiu que o repórter tomasse notas. Aceitas as condições, abriu o verbo.

 

Contou que os comandantes militares não contemplam a hipótese da permanência de Waldir Pires na pasta da Defesa. Acham que Lula já se convenceu da “inapetência” do amigo para o exercício do posto. Mas receiam que o presidente, ao substituí-lo, adote o que chamou de “nova solução improvisada.”

 

O repórter quis saber o que seria, na visão dos militares, um novo improviso. O interlocutor mencionou, de bate-pronto, o nome de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Disse que um dos receios é o de que, fracassando no seu plano de ser reconduzido à presidência da Câmara, o “comunista” Aldo receba a Defesa como “prêmio de consolação”.

 

O oficial lembrou que Aldo já freqüentou a lista de “candidatos” à pasta da Defesa quando da substituição do diplomata José Viegas, a quem chamou de “primeiro fiasco” imposto aos militares sob Lula. Terminou prevalecendo a opção José Alencar, o “segundo fiasco”.

 

Disse que os militares soltaram “salvas de tiros” quando Lula acomodou o vice-presidente no Ministério da Defesa. Foram três as razões dos festejos: 1) “Nós nos livramos do Viegas”; 2) “Nós não tivemos que engolir o senhor Rebelo”; 3) “Nós imaginávamos que, com a autoridade de vice-presidente, o senhor Alencar teria forças para desengavetar velhas demandas, relacionadas à liberação de recursos para o reaparelhamento das Forças Armadas.”

 

Alencar mostrou-se “sensível” às demandas. Mas a tropa não tardou a perceber, disse o oficial, que o Planalto “fazia ouvidos de mercador” para as reivindicações encampadas pelo ministro. Sentindo-se “peça decorativa”, o próprio vice-presidente decidiu abdicar do acúmulo de funções. E sobreveio Waldir Pires, o “terceiro fiasco.”

 

Segundo o oficial, Waldir Pires, que já fora recebido “com um pé atrás”, terminou de inviabilizar-se perante a tropa ao imprimir à crise do setor aéreo “contornos sindicais.” Para os militares, a crise “ameaça a segurança nacional”. Por isso exigia, nas palavras do interlocutor do repórter, “soluções militares.” Mencionou a decisão do Comando da Aeronáutica de impor aos controladores de vôo uma espécie de “regime de aquartelamento.” E lamentou: “Nós fomos desautorizados.”

 

Ao abrir negociação salarial com a corporação dos controladores de vôo, Waldir Pires teria disseminado a “cizânia” entre os nacos civil e militar da categoria. De resto, o ministro desagradou os comandados ao admitir como plausível a tese de que a solução da crise aérea passa pela “desmilitarização” do setor. Vendeu-se à sociedade, disse o oficial, “a idéia de que o problema são os militares.”

 

O oficial disse estar convencido de que o caos vivenciado nos aeroportos nos últimos dois dias decorre de “sabotagem”. Insinua que teria sido praticada por controladores civis. Acredita que as investigações irão “desmascarar os responsáveis”. Por último, fez questão de dizer que não há na seara militar uma atmosfera de “rebelião”.

 

Atribuiu o descontentamento a “um clima de desalento”. Algo que, segundo disse, seria facilmente contornado com a nomeação para o Ministério da Defesa de “uma pessoa que os militares possam reconhecer como um verdadeiro chefe.” Não quis mencionar nomes. Disse apenas que precisa ser "uma solução técnica."

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Câmara serve a última fatia da pizza do mensalão

A Câmara dos Deputados serviu ao país, na noite desta quarta, a derradeira fatia da pizza do mensalão. Os deputados livraram da guilhotina José “4,1 milhões” Janene (PP-PR). Era o último mensaleiro que ainda aguardava na fila da guilhotina.

Ficamos assim: eram 19 os congressistas pilhados com a boca na botija valeriana. Só três deputados tiveram os mandatos passados na lâmina: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Outros quadro driblaram a guilhotina pela via da renúncia. E doze foram absolvidos pelo corporativismo da Câmara.

 

Os cruzamentos promovidos pela CPI dos Correios acomodaram nos bolsos de Janene uma valeriana de R$ 4,1 milhões. O deputado admitiu ter beliscado “apenas” R$ 700 mil. Generoso, disse ter usado a grana para custear os honorários do advogado de Ronivon Santiago (PP-AC), que se defendia à época da acusação de compra de votos.

 

que usou a grana para  do "valerioduto", Janene só admitiu ter intermediado o repasse de R$ 700 mil para pagar honorários do advogado que defendia Ronivon Santiago (AC), ex-PP. Janene teve a cassação recomendada pelo Conselho de Ética em junho deste ano.  

 

Cardiopata, Janene serviu-se de um lote de atestados médicos para postergar o julgamento. Quando finalmente foi mandato ao patíbulo, nesta quarta, só 366 dos 513 deputados com assento na Câmara compareceram ao plenário –128 votaram pela absolvição; 210, pela cassação.

 

Para que a cabeça de Janene fosse apartada do pescoço, seriam necessários 257 votos. Nem somando os votos brancos (5) e as abstenções (23) o placar redentor pôde ser alcançado. Restaram ao distinto público a recordação da imagem de Ângela ‘pé de valsa’ Guadagnin e a torcida para que o Ministério Público e o Judiciário promovam a limpeza que o a Câmara esquivou-se de realizar.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Governo amarga seu Waterloo já na primeira batalha

A Batalha de Waterloo/Willian Sadler
 

 

Lula ainda não compôs todo o seu exército de “coalizionários”. Porém, tendo incorporado à tropa os leais soldados da FEP (Força Expedicionária Peemedebista), o Planalto julgava-se pronto para a guerra. Pois já na primeira batalha Lula II revelou-se um Napoleão de trás para a frente. Conheceu o ocaso de Waterloo antes do triunfo de Austerlitz.

 

O fiasco aconteceu no plenário da Câmara. Estava em jogo a escolha do novo ministro do TCU (Tribunal de Contas da União). A vaga foi abiscoitada por Aroldo Cedraz (PFL-BA), um deputado do grupo do senador Antonio Carlos Magalhães. Por 172 votos a 148, ele prevaleceu sobre Paulo Delgado (PT-MG).

 

Numericamente, a tropa do governo era maior do que a da oposição. Porém, a votação foi secreta. O anonimato funcionou como convite à traição. Evidência de que a máquina de guerra que Lula montou no Congresso ainda padece de falta de lubrificação.

 

Toda derrota é, em si mesma, vexatória. A desta quarta foi, porém, especialmente humilhante. Não bastasse o fato de estar em minoria, a oposição foi ao campo de batalha dividida entre três candidaturas. Além de Aroldo Cedraz, concorreram Gonzaga Mota (PSDB-CE) e Ademir Camilo (PDT-MG).

 

O governo foi ao plenário da Câmara em maioria e unificado. Tinha cinco candidatos. Mas, mediante eleição prévia, rifou quatro em benefício de Paulo Delgado. Ainda assim, levou uma coça. Evidência de que houve deserções e traições inconfessadas.

 

O líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), não hesitou em tripudiar sobre a desgraça do inimigo: "O governo precisa aprender que não há vento favorável para quem não sabe aonde vai, não tem rumo, não tem articulação. Essa é a fotografia do novo governo Lula, que já começou velho. Se não tomar juízo, a votação de hoje é uma prévia da eleição da Câmara."

 

A eleição da Câmara a que se refere Aleluia é a escolha do novo presidente da Casa, que se dará em fevereiro. Nos preparativos para essa nova batalha, o consórcio governista cindiu-se em três trincheiras: a de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e a do PMDB, cujo nome será conhecido na próxima terça. Ou essa gente se une, ou o governo arrisca-se a conhecer o exílio de Santa Helena no alvorecer do segundo reinado de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 23h30

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Senado aprova comissão para fiscalizar setor aéreo

 

O senado acaba de aprovar a constituição de uma comissão para tratar da crise do setor aéreo. Será composta por cinco senadores, a escolha dos partidos, seguindo a proporcionalidade das bancadas. O grupo terá delegação do Senado para coletar informações no Ministério da Defesa e no Comando da Aeronáutica.

 

Proposta pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a comissão foi aprovada no rastro de um debate que se arrastou por cerca de duas horas. A crise aérea pousou no plenário do Senado pilotada pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE). Deu-se num dia em que as autoridades tentam explicar o novo surto aéreo que, nesta quarta, voltou a atazanar o cotidiano dos freqüentadores de aeroportos.  

 

Jereissati subiu à tribuna para criticar a “inação”, a “incompetência” e a “irresponsabilidade” do governo na administração do “apagão aéreo”. Pediu a “demissão” do ministro Waldir Pires (Defesa). Chamou Lula de “omisso”. Disse que falta “pulso” e “autoridade” ao presidente.

 

O presidente do PSDB afirmou ainda que “passa da hora” de Lula pôr em prática o lema que embalou sua campanha: “Não dizia ‘deixa o homem trabalhar’? Então comece a trabalhar, presidente. Pare de colocar a culpa nos outros e assuma a sua responsabilidade. Demita quem precisa ser demitido. Coloque para trabalhar pessoas que entendam do assunto.”

 

Para Tasso, o rol de demitidos precisa incluir o ministro da Defesa. “Waldir Pires é meu amigo, mas sua atuação nesse episódio é patética. Nas entrevistas dele sobre a crise fica evidente que não entende nada do assunto.” Jereissati foi aparteado por mais de uma hora por seus colegas de Senado.

 

Uma peculiaridade marcou a onda de apartes. Só oposicionistas foram ao microfone. Falaram, entre outros, os senadores Arthur Virgílio (PSDB-MA), Agripino Maia (PFL-RN), Heráclito Fortes (PFL-PI), Almeida Lima (PMDB-SE), Romeu Tuma (PFL-BA) e Heloisa Helena (PSOL-AL).

 

Lula e as autoridades aeronáuticas do país foram submetidas a uma sova retórica. O governo “apanhou” indefeso. Ecoando Jereissati, os senadores pespegaram no presidente da República e no ministro da Defesa adjetivos tais como “incompetente”, “omisso”, “preguiçoso”, “irresponsável”, “crimionoso” e um vistoso e interminável etc.

 

ACM chegou mesmo a dizer que a “incompetência do governo já está desmoralizando as Forças Armadas brasileiras.” Romeu Tuma chamou a atenção para o “ridículo” a que se expôs o comando da Aeronáutica ao informar, na véspera, que submeteria os equipamentos do Cindacta 1, em Brasília, a uma investigação. “Investigar equipamento é algo que eu nunca vi”, disse Tuma, ex-diretor-geral da Polícia Federal.

 

Só ao final da saraivada de discursos azedos o primeiro governista, Sibá Machado (PT-AC), ousou levantar a voz no plenário do Senado. Ainda assim, esquivou-se de defender Lula. Saiu em socorro do governo, de maneira difusa. Alegou que os problemas do setor aéreo “são antigos”, insinuando que vêm desde a gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso.

 

Sibá declarou ainda que a crise só ganhou visibilidade porque, depois do acidente com o Boeing da Gol, que peoduziu 154 cadáveres, a categoria dos controladores de vôo decidiu pôr na rua as suas reivindicações por melhoria nas condições de trabalho. Disse que o governo tomou as providências emergenciais que estavam ao seu alcance: a convocação de controladores aposentados e a abertura de novos cursos de formação, por exemplo. E arrematou: “O teor do debate não é justo porque esse problema não nasceu ontem. Vem de muito tempo”.

 

“Lá vem o mesmo argumento de sempre: só sabem culpar o Fernando Henrique por todos os problemas. Esse é governo da publicidade, não da eficiência de gestão”, rebateu a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO). Concluídos os apartes, Jereissati deu por encerrado o seu pronunciamento. E Renan Calheiros (PMDB-AL), que presidia a sessão, pôs em votação o requerimento de ACM. A comissão da crise aérea foi aprovada por unanimidade. “Essa crise é uma tragédia e não pode continuar”, disse Renan.

Escrito por Josias de Souza às 16h55

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‘Coalizão’ começa com 7 e pode chegar a 10 sócios

Governos são como bancos. Administram dinheiro de terceiros. A diferença é que os bancos são roubados de fora para dentro e os governos de dentro para fora. Daí o fascínio que os governos exercem sobre certos parlamentares. Sob o discurso do interesse nacional, se esconde o desejo de chegar ao cofre. Ali, tem-se a impressão de que dinheiro é de graça.

 

Na próxima terça-feira, Lula se reúne pela primeira com o Conselho Político. Integram-no os presidentes dos partidos da “coalizão”. São muitos os consorciados. Há o PT, o PMDB, o PSB, o PC do B, o PRB e os egressos da comunidade valeriana: PR (ex-PL) e PP.

 

PDT e PV estão na bica de aderir. O PTB já aderiu. Mas só terá assento no Conselhão se conseguir desalojar Roberto Jefferson (RJ) da presidência da legenda. Tudo somado, o consórcio lulista conta, por ora, com dez associados. É gente demais interessada em servir à nação.

 

Não há de ser, portanto, por escassez de patriotas que Brasília deixará de entrar nos eixos. Sem querer empanar o entusiasmo geral, o signatário do blog lembra aos seus (poucos) leitores que a taxa de patriotismo tende a ser menor quanto maior for a proximidade do patriota com o cofre. Assim, por precaução, prepare o seu bolso. E o estômago.

Escrito por Josias de Souza às 15h13

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As manchetes desta quarta

 

- Folha: Pane em rádio fecha três aeroportos

 

- Estadão: Aeroportos têm novo caos e FAB suspeita de sabotagem

 

- Globo: Falha em rádios provoca a maior pane da aviação civil

 

- Correio: Pane em Brasília inferniza aeroportos

 

- Valor: Boom em moradia popular já mobiliza as construtoras

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Folhinha à moda venezuelana!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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‘O candidato que se viabilizar é o meu’, diz Lula

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

O discurso de Lula em relação à disputa pela presidência da Câmara mudou. Antes, dizia que o seu desejo era reeleger Aldo Rebelo. Agora, afirma o seguinte: “O candidato da base do governo que conseguir se viabilizar é o meu candidato.” Diz mais: “Se o nome mais viável for o do Arlindo [Chinaglia], muito bem. Tenho grande simpatia e deposito toda a confiança nele.”

 

As frases de Lula foram pronunciadas em reunião com um grupo de cerca de duas dezenas de congressistas do velho PL, uma legenda que tenta emergir dos escombros do mensalão rebatizada de PR (Partido Republicano), depois de ter-se fundido ao PSC e ao Prona. O encontro ocorreu na noite desta terça (5), no Planalto. Mesmo dia em que o PT lançou Chinaglia como seu candidato à cadeira que hoje é ocupada por Aldo Rebelo.   

 

O presidente dizia aos deputados e senadores do PL que deseja ver o partido integrado à “coalizão” que lhe dará suporte no Congresso ao longo do segundo mandato. Informava que o partido terá assento no conselho político, uma instância que vai criar, para mediar sua relação com os partidos. Súbito, a conversa escorregou para a sucessão na Câmara.

 

O deputado Sandro Mabel (PR-GO) disse a Lula que Arlindo Chinaglia (PT-SP) tem mais chances de prevalecer na Câmara do que Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Informou que, além do PT e do PL, Chinaglia já teria o apoio do PTB e do PP. Mencionou também o suposto suporte de grupos isolados do PMDB, do PDT e até do PSDB.

 

Em resposta, Lula reconheceu que, num primeiro momento, manifestara preferência por Aldo Rebelo. Entende que, além de ser “um companheiro muito leal”, Aldo assumiu o comando da Câmara “num momento de crise.” E portou-se “com muita competência.”

 

“Agora surge o Arlindo. E parece que vem com força”, prosseguiu Lula. “O Zé Múcio [líder do PTB na Câmara] veio me falar que o Arlindo ganha essa eleição. Outros me disseram a mesma coisa. O Sandro [Mabel], que já defendia o nome do Arlindo na disputa anterior [de 2005], agora está aí articulando o nome dele de novo”.

 

Em seguida, o presidente declarou: “Quero dizer que não me oponho. O Arlindo é de minha total confiança. Só quero que a gente chegue, pelo entendimento, a um candidato único da base, para ganhar a eleição na Câmara.”

 

O repórter reproduz as declarações de Lula a partir de entrevistas que fez com dois deputados do PL. Ambos estiveram na reunião do Planalto. Em reconstituições do gênero, pode haver imprecisões quanto às aspas. Mas não há dúvidas em relação ao sentido das palavras do presidente.

 

“Ele deixou muito claro para nós que a vitória do Arlindo o deixará feliz”, disse ao blog o deputado Sandro Mabel. “Na saída, falei com ele em separado. Relatei a situação que vemos na Câmara. Falando sem paixões, é um quadro muito favorável ao Arlindo. E o presidente reiterou o apreço pelo Arlindo. Disse que o que importa pra ele é ganhar a eleição, com um nome da base de apoio dele.”

 

O blog também ouviu, sob a condição do anonimato, um ministro que priva da intimidade do presidente. Ele disse que Lula ainda prefere Aldo. Deixara isso claro em reuniões que tivera na véspera com dirigentes do PC do B e do PSB. Mas “a opção Chinaglia não o desagrada”, desde que ela “conduza o governo a uma vitória na Câmara”.

 

De acordo com o relato do auxiliar, Lula decidiu “dar tempo ao tempo”. Acha que, até a eleição na Câmara, marcada para fevereiro, os partidos que o apóiam chegarão à unidade em torno de um único nome. E espera que o PT não cometa “os erros do passado.” Uma referência ao desastre de 2005, que produziu a eleição de Severino “Mensalinho” Cavalcante e resultou numa crise que só foi desatada com a eleição de Aldo Rebelo.

Escrito por Josias de Souza às 00h32

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Pane no Cindacta devolve o caos ao espaço aéreo

Em algum ponto do futuro longínquo, arqueólogos abnegados farão escavações no cerrado do planalto central do Brasil. Depois de meses de esforço, descobrirão, sob escombros, vestígios de uma antiga capital, Brasília, soterrada por camadas de descaso e incompetência.

 

Nesta terça, os equipamentos do Cindacta 1, o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, ofereceu à posteridade mais uma de suas contribuições para a derrocada final. Uma alegada falha nos equipamentos fez com que, por volta das 13h30, nada menos que 35 aviões voassem pelos ares do país sem qualquer tipo de orientação.

 

Afora os atrasos que já vão se tornando rotineiros nos aeroportos, o novo problema levou o país a flertar, de novo, com a catástrofe. Pelo menos um avião encontrava-se fora de rota. Para alertar o piloto, os controladores de vôo viram-se compelidos a usar uma freqüência alternativa de rádio.

 

Em meio à reiteração da encrenca aérea, o Tribunal Regional da 1a Região, assentado numa Brasília por soterrar, decidiu liberar os passaportes dos pilotos norte-americanos do jatinho Legacy. Podem deixar o país na hora que bem entenderem. Vai se consolidando a impressão de que, embora trafegassem na contramão, eles não são os únicos responsáveis pela queda do avião da Gol, que resultou em 154 cadáveres.

Escrito por Josias de Souza às 17h56

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Ipea revê para baixo previsão de crescimento do PIB

O Ipea, instituto de pesquisas econômicas vinculado ao Ministério do Planejamento acaba de rever, para baixo, a estimativa de crescimento da economia. A última estimativa do instituto para o desempenho do PIB já era miúda: 3,3%. Agora, decaiu para ínfimos 2,8%.

 

Para 2007, o Ipea prevê um desempenho melhorzinho: 3,6%. Ainda assim, a projeção é bem mais modesta que os 5% prometidos por Lula. Não há de ser nada. O presidente acena com a adoção, antes do final do ano, de medidas concebidas para “destravar” o Brasil.

 

Também nesta terça, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) reuniu em Brasília o CDES. Trata-se do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social –Conselhão, para os íntimos. Pediu a empresários e sindicalistas que ajudem a obter a “ousada” meta dos 5%.

 

Enquanto o crescimento exuberante não vem, o país vai convivendo com o jogo de levanta-e-derruba PIB. Conforme já explicado aqui no blog, a brincadeira consiste no seguinte: no alvorecer de cada ano, as autoridades governamentais prometem um PIB nas alturas. À medida que a folhinha vai sendo virada, ajustam-se as previsões à triste e imutável realidade. E o Brasil vai perdendo competitividade entre as nações emergentes.

Escrito por Josias de Souza às 17h03

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Lúcio revela acordo secreto da eleição no Ceará

  Eduardo Queiroz/Diário do Nordeste
Um mistério da eleição de 2006 –o rompimento entre os tucanos Lucio Alcântara, governador do Ceará, e Tasso Jereissati, presidente do PSDB—começou a ser elucidado. Quebrando o silêncio, Alcântara revelou os detalhes do enredo que produziu a encrenca. Inclui uma traição de Tasso ao tucanato e uma deslealdade de Ciro Gomes (PSB-CE) com Lula.

Segundo Lúcio Alcântara, Tasso o convidou para um encontro reservado. Deu-se em março de 2006, no apartamento do senador, em Brasília. Lá estava também Ciro Gomes. A dupla Tasso-Ciro propôs ao governador cearense o seguinte arranjo:

Lucio Alcântara deixaria de concorrer à reeleição. Disputaria uma cadeira no Senado. E declararia apoio à candidatura de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, ao governo do Ceará. Em troca, Cid apoiaria o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, contra Lula.

O acordo foi selado. Alcântara rejeitou a candidatura ao Senado. Disse que gostaria de cumprir o mandato de governador até o fim. Mas comprometeu-se a apoiar Cid Gomes. Em seguida, deu-se o inesperado.

Saindo da reunião com Tasso e Ciro, Alcântara comentou os detalhes do acordo com o coronel Zenóbio Guedes, seu chefe da Casa Militar. E Zenóbio deu com a língua nos dentes. Passou o segredo para o deputado tucano Adahil Barreto, que por sua vez, contou o que ouvira a outro deputado do PSDB, João Jaime.

Jaime relatou o ocorrido a Tasso Jereissati. Dias depois, abespinhado com o vazamento de um acerto que se pretendia secreto, o senador reuniu o PSDB cearense e declarou-se rompido com Lúcio Alcântara. O governador disse que, desde então, não falou mais nem com Tasso nem com Ciro. Mas diz ter apurado que os dois atribuíram a ele o vazamento do segredo do apartamento de Brasília.

Desfeito o acordo, Lucio Alcântara lançou-se candidato à reeleição. Foi surrado nas urnas por Cid Gomes, que subiu ao palanque empunhando a bandeira de Lula, não a de Alckmin. Hoje, Cid posa de governador alinhado com o Planalto, Tasso segue presidindo o PSDB que traiu e Ciro Gomes é cotado para ministro de um presidente ao qual tentou ser desleal.

O relato acerca do acordo foi feito por Lúcio Alcântara em entrevista ao programa Questão Aberta, da TV Diário, do Ceará. Os detalhes encontram-se narrados na edição desta terça do Diário do Nordeste (exige cadastro, mas é de graça).

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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Cresce o número de divórcios no Brasil, diz IBGE

 

Está na hora de ressuscitar um velho adesivo que costumava circular no vidro traseiro dos carros de São Paulo. Dizia o seguinte: “O casamento é a única guerra em que você dorme com o inimigo.”

 

Estatística revelada nesta terça pelo IBGE informa que cresceu no Brasil o número de divórcios. Em 2004, o número de divórcios recuara 3,7%. Em 2005, houve um acréscimo de 15,5%.

 

É o maior patamar já registrado desde que o instituto começou a medir o tamanho da encrenca nupcial, há onze anos, em 1995. Registrou-se um aumento também das separações judiciais: 7,4%.

 

A diferença entre a separação e o divórcio é que a segunda alternativa permite que às “vítimas” que se casem novamente. O incremento dos divórcios foi maior, intui o IBGE, porque o brasileiro passou a encarar com mais naturalidade a dissolução definitiva do matrimônio.

 

De resto, a legislação passou a permitir aos casais em desavença a opção de recorrer diretamente ao divórcio. Antes, era preciso separar-se judicialmente e esperar três anos. O número de casamentos também subiu em 2005. Mas em proporção bem inferior (3,6%) à quantidade de uniões desfeitas.

Como se vê, nunca foi tão fácil descobrir o verdadeiro significado da expressão “sexo oposto”. Basta casar-se.

PS.: Para evitar problemas em casa e para não correr o risco de engrossar as estatísticas, o signatário do blog esclarece que desfruta há 18 anos de uma união plena de felicidade.

Escrito por Josias de Souza às 15h01

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Coordenação política do PT dá apoio a Chinaglia

Acabou há pouco a reunião do Conselho Político do PT. Foi comandada por Marco Aurélio Garcia, presidente interino da legenda. Reuniu integrantes da direção partidária, coordenadores de bancada e o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em decisão unânime, a coordenação petista resolveu dar suporte ao lançamento da candidatura de Chinaglia à presidência da Câmara. Conforme já noticiado aqui no blog, o nome será submetido à bancada em encontro agendado para a tarde desta terça.

Em entrevista, Marco Aurélio Garcia disse que o partido vai buscar o entendimento com as demais legendas. Mas deixou claro que a candidatura de Chinaglia não vai ao salão verde da Câmara a passeio: "O nome não é para dar uma passeada na pista, para cumprimentar a platéia. É para valer. E agora vai buscar apoio nas outras bancadas."

Escrito por Josias de Souza às 11h44

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O elenco está meio deslocado, mas o filme é bom

Reprodução
 

 

Depois de ‘Entreatos’, chega às telas ‘Atos’. Ou, se preferir, Lula II. É a segunda parte do documentário da primeira campanha. Quem vê fica com a impressão de que o elenco foi mal escalado. A realidade, já farta de superar a ficção, agora dedica-se a subverter documentários. Fora do set de campanha, protagonistas como Dirceu e Palocci viraram coadjuvantes. E figurantes como Lulinha e Freud Godoy exibiram talentos à época insuspeitados. Vai abaixo uma seqüência de notas da coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

Palavras, palavrinhas e palavrões:  "Atos - A Campanha Pública de Lula", do cineasta João Moreira Salles, que está sendo lançado, é uma continuidade de "Entreatos", o filme de Salles com os bastidores da campanha de Lula em 2002. Nele, o cineasta mostra novas cenas de seu arquivo. Personagens até então importantes como José Dirceu, Antonio Palocci e Aloizio Mercadante aparecem ao lado de Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula, e do assessor Freud Godoy, desconhecidos naquele ano, mas hoje verdadeiras "celebridades". O comportamento de Lula com a imprensa ganha um sabor especial se visto hoje, passados quatro anos de seu governo. Abaixo, trechos do filme:

 

1. Véspera do primeiro turno de 2002. O secretário particular, Gilberto Carvalho, quer saber se Lula falará com a imprensa. "Não", decreta Lula. "Se tiver segundo turno, é até importante, mas se resolver [no primeiro] não é importante." Lula explica: "Se não der no primeiro turno, na segunda eu tenho que fazer uma coletiva animando o pessoal. E se ganhar... E agora, Lula?".
 


2. Lula conversa com Carvalho: "Nada me abala. Nada. Não sou um cara vulnerável a notícia de jornal. Aliás, se você soubesse o bem que é ficar 20 dias sem ler jornal para o leitor! Não abro um jornal! E não desaprendo nada. (...) Por que você acha que eu sou esse cara equilibrado que eu sou? Porque eu não fico subordinado às oscilações das notícias, Gilberto!". Lula continua: "Ninguém tem que ligar para a minha casa para dizer: "Vai sair tal coisa na "Folha de S.Paulo" amanhã". Foda-se! Deixa sair".

3. No barbeiro, com espuma no rosto, Lula pergunta ao cineasta João Moreira Salles: "Você viu a manchete da Folha? "Lula se compara a Cristo". Fantástico, né?". Salles pergunta se ele vai se pronunciar. "Eu não me dou ao trabalho. Essa cretinice, eu não...".

 

4. Numa reunião com empresários, o então candidato Lula pede a Roberto Setubal, do Itaú: "Roberto, você pode ficar de pé para a minha mulher saber quem é o presidente do banco dela?".
 
 

5. Lula, já eleito presidente, conversa com Dirceu, Palocci, Carvalho e Mercadante na suíte de um hotel em SP. "O Garotinho vai ter que ter um ministério." "Quem?". Lula reforça: "O Garotinho". A conversa continua. José Dirceu: "Sabe que o Roberto Marinho me ligou dizendo o seguinte: a única coisa que eles querem pedir para nós é que toda... (Lula interrompe com um comentário). E Mercadante: "Toda relação eles querem que seja...". Percebendo a presença da câmera, Palocci pede que alguém feche a porta. Dirceu também: "Fecha essa porta para nós, só para a gente...", diz. E a porta se fecha.
 
 

6. O presidente americano George W. Bush telefona para cumprimentá-lo pela eleição. Após desligar a chamada, Lula brinca: "Eu vou arrumar uma guerra no Paraguai para ficar igual ao Bush".
 
 

7. Marisa diz: "O pessoal começou a gritar no palanque: "primeira-dama, primeira-dama". Aí eu falei: "Eu não sou a primeira. Eu sou a única'".

Escrito por Josias de Souza às 10h15

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As manchetes desta terça

- Folha: TSE questiona doações eleitorais de Lula

- Estadão: Secretário denuncia máfia de ONGs nos presídios

- Globo: Promotores elevam próprio teto salarial para R$ 24.500

- Correio: MP entra na farra dos supersalários

- Valor: Petrobras pode perder até US$ 1 bi com usina do Ceará

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h40

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F-R-A-T-U-R-A-D-O!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Agripino testa apoio em reunião com bancada tucana


Em campanha para tornar-se o candidato da oposição à presidência do Senado, José Agripino Maia (PFL-RN) testa a “fidelidade” do PSDB à sua candidatura em reunião com a bancada tucana programada para esta quarta-feira. De boca, o apoio do tucanato já foi prometido ao PFL. Mas Agripino deseja arrancar do “aliado” um compromisso formal.

 

A aliança com o PSDB é vital para que a pefelândia mantenha aceso o sonho de derrotar Renan Calheiros (PMDB-AL), que almeja ser reconduzido à presidência do Senado. A pretensão de Agripino não é vã. Conforme já demonstrado aqui no blog, a oposição é potencialmente majoritária no Senado. Num colégio de 81 votos, controla 43.

 

Porém, embora desejem se contrapor a Lula, nem todos os oposicionistas mostram-se dispostos a votar em Agripino. Se não for capaz de arrastar para o seu lado nem o PSDB, parceiro preferencial do PFL, o rival de Renan terá enormes dificuldades para seduzir outros senadores anti-Lula. O dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos (PE), por exemplo, condiciona a adesão a Agripino à capacidade do candidato de unificar em torno de si pelo menos PFL e PSDB. Daí a importância da reunião com os senadores tucanos.

 

O encontro é patrocinado pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), que, na semana passada, prometera a Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL, que a bancada tucana daria suporte a Agripino. Foram convidados para o tête-à-tête com o candidato pefelista todos os 17 senadores tucanos que terão assento no Senado a partir de 2007.

 

Atento ao jogo de Agripino, Renan Calheiros tenta descaracterizar a disputa do Senado como uma queda-de-braço entre governistas e oposicionistas. Embora seja apoiado por Lula, Calheiros se esforça para vender a tese de que, sentado na cadeira de presidente do Senado, portou-se com independência. Ele disse ao blog, por exemplo, que há na composição da atual Mesa diretora da Casa mais gente da ligada a partidos de oposição do que senadores vinculados a legendas alinhadas com o governo.

 

Renan afirma, de resto, que as principais votações realizadas no Senado foram proporcionadas por entendimentos suprapartidários. Lembra que jamais deixou de consultar os líderes oposicionistas, incluindo os do PFL e do PSDB, sobre a tramitação de projetos relevantes. E tenta minar o avanço de Agripino acenando aos oposicionistas com uma composição da Mesa do Senado pautada pelo respeito à proporcionalidade dos partidos.

 

Para tentar evitar a unidade tucana em torno de Agripino, Renan conversou nos últimos dias com uma trinca emplumada que, embora não tenha assento no Senado, exerce grande influência sobre a bancada: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores José Serra (eleito em São Paulo) e Aécio Neves (reeleito em Minas). No encontro desta quarta, Agripino saberá se as articulações do rival surtiram efeito.

Escrito por Josias de Souza às 01h08

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Lula não intervém e PT lança Chinaglia à Câmara

Resignado com a disposição do PT de lançar, nesta terça, o deputado Arlindo Chinaglia (SP) como candidato à presidência da Câmara, Lula deu meia-volta no apoio incondicional que dera à reeleição de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Embora diga que continua preferindo Aldo, Lula já insinua, em privado, que não vai quebrar lanças por ele.

Se Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara, conseguir provar-se um candidato mais viável do que o predileto de Lula, o Planalto não oporá resistências. O presidente só não admite uma hipótese: a de perder o controle do comando da Câmara

 

Nesta segunda, véspera da reunião em que sua postulação deve ser oficializada pela bancada de deputados do PT, Chinaglia tomou uma série de providências. Todas visaram dois objetivos: demonstrar que o gesto do PT nem significa uma imposição aos demais partidos nem representa uma afronta a Lula.

 

A primeira providência de Chinaglia foi procurar Aldo Rebelo. Teve com ele uma conversa franca. Disse que os dois estão do mesmo lado. O lado do governo. Disse a aliados ter firmado com o rival uma espécie de pacto de responsabilidade. Combinaram que não farão da disputa, tome o rumo que tomar, um arranca-rabo capaz de prejudicar a unidade do consórcio partidário que dará suporte a Lula no segundo mandato.

 

Depois, Chinaglia gastou o resto da segunda-feira articulando a redação de uma nota que espera conseguir aprovar na reunião da bancada petista. O texto foi vazado em termos conciliatórios. Informa que o partido, dono da segunda maior bancada –83 deputados— oferece à Câmara uma candidatura a ser construída a partir do diálogo com as demais legendas.

 

Chinaglia teve um cuidado adicional. Informou a lideranças do PMDB quais seriam os termos da nota do PT. A preocupação não é despropositada. O líder petista sabe que, se não atrair os peemedebistas para o seu lado, não irá muito longe. O PMDB, dono da maior bancada –89 deputados— reafirmará, em reunião que ocorrerá 24 horas depois do encontro dos petistas, sua disposição de reivindicar a presidência da Câmara.

 

Sintomaticamente, porém, o PMDB decidiu não definir o nome de seu candidato. E não é por falta de postulantes. Há pelo menos dois: Eunício Oliveira (CE) e Geddel Vieira Lima, o favorito. Ao esquivar-se de optar por um dos dois, a bancada do PMDB sinaliza que está aberta à composição. Espera por uma definição nítida de Lula. De resto, avalia que, se o peemedebista Renan Calheiros for reconduzido à presidência do Senado, o partido terá de dar adeus às suas pretensões na Câmara.

 

Antes da reunião de sua bancada na Câmara, marcada para o período da tarde, o PT promoverá, pela manhã, um encontro do seu conselho político. Será às 9h30, na sede brasiliense do partido, sob a presidência de Marco Aurélio Garcia. O mesmo Marco Aurélio que, na semana passada, dissera que a postulação do PT na Câmara não era “irredutível”.

 

Presidente interino do PT, Marco Aurélio falou em nome próprio. Ou, por outra, vocalizou o que imaginava ser o desejo de Lula, que, àquela altura, parecia ser irredutivelmente favorável a Aldo Rebelo. A maioria da Executiva e da bancada do PT, bem como um naco expressivo do Diretório do partido, avaliam que, na iminência de perder espaços na Esplanada, o petismo não tem razões para sacrificar-se também no Legislativo. Espera-se que o conselho político avalize a pretensão partidária.

 

No final da tarde desta segunda, Chinaglia e seus aliados festejavam o resultado de um encontro de Lula com a direção do PC do B, o partido de Aldo Rebelo. Os comunistas imaginavam sair do Planalto com um aval explícito do presidente à recandidatura de Aldo. Saíram dizendo coisa diversa: "A candidatura do Aldo, para nós, só é compreensiva se tiver amplo apoio da base do governo", afirmou Renato Rabelo, presidente do PC do B.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

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De bem com Lula, PMDB sofre ‘efeito arca de Noé’

Edward Hicks
 

Em vias de acertar com Lula os cargos a que terá direito no segundo mandato, o PMDB começa a sofrer as dores do crescimento. De olho nos benefícios que o governismo pode trazer, políticos de diferentes legendas batem às portas do PMDB. É o “efeito arca de Noé.”

A fauna que faz fila para entrar na embarcação é tão diversa, que o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), já leva a mão à cabeça: "O sujeito vai aderir ao partido que está no governo para eventualmente receber benesses deste governo", disse Temer, em palestra na Fiesp.

Para Temer, "a coalizão [com o governo] não implica concessão de benesses, mas sim união de forças políticas em prol da governabilidade." Não é o que pensam os adesistas, que costumam ter ouvidos apurado para o tilintar de verbas e cargos.

Reconheça-se, porque é de justiça, que Lula, o PMDB e os adesistas são todos inocentes nessa história. A culpa é de Noé. Descuidou na hora de selecionar os casais que entraram em sua arca. Deveria ter deixado para trás a parelha de ratos. Os partidos brasileiros teriam outra cara.

Escrito por Josias de Souza às 18h41

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Reeleito, Chavéz visita Lula já nesta quinta-feira

Robustecido pelas urnas venezuelanas, o companheiro Hugo Chávez visita Brasília na nesta quinta. Embora confirmado pelo Itamaraty, o encontro tem pauta ainda desconhecida.

 

Nesta segunda, Lula elogiou a normalidade do processo eleitoral venezuelano, que consolida uma guinada de timbre "esquerdista" na América Latina.

 

O movimento há de ter tido alguma influência na algaravia que se abateu sobre os batimentos cardíacos do chileno Augusto Pichochet, 91. O ex-ditador, que há muito claudicava, parece ter entrado na reta final de sua conturbada existência.

 

Para tristeza dos familiares das vítimas da ditadura chilena, que desejavam ver as atrocides de Pinochet punidas em vida. Por sorte, os médicos do velho ditador estão otimistas.

 

Lula encontrará um Chávez maior do que aquele que abraçou em inauguração-comício no final do mês passado, na Venezuela. Cavalgando os petrodólares que lhe permitiram bancar programas multibilionários de distribuição de comida, acesso gratuito à universidade e assistência financeira a mães solterias, Chavéz prevaleceu com folgas sobre o rival Manoel Rosales, que já reconheceu a derrota.

 

Com 78% da apuração já completada, Chávez alcança 61% dos votos, contra 38% atribuídos a Rosales. Depois de dedicar a vitória ao companheiro-ditador Fidel Castro e de afirmar que seu triunfo "é outra derrota para o 'diabo' [referência ao presidente George Bush, dos EUA]”, o presidente Venezuelano anunciou a intenção de aprofundar as reformas rumo ao socialismo.

 

Discursando para uma legião de milhares de apoiadores, Chavéz proclamou, sem dar muitos detalhes, os planos de "expansão da revolução." Da varanda do paácio presidencial, em Caracas, gritou: "Vida longa à revolução!"

 

Os votos de uma “revolução” longeva logo se traduzirão em nova tentativa de Chávez de reformar a Constituição da Venezuela. Pelas regras atuais, ele estaria impedido de disputar nova reeleição em 2012. Mas já declarou que pretende instituir no país a possibilidade de recondução infinita do presidente ao cargo.

 

No Brasil, não se sabe se por coincidência ou se porque os ares latinos estão impregnados de um cheiro de queimado, o Senado prepara-se para votar um projeto que vai na contramão do "expansionismo" chavista. Pretende-se votar, em primeiro turno, ainda nesta terça, um projeto que põe fim à reeleição a partir de 2010 e estica o mandato presidencial de quatro para cinco anos.

Escrito por Josias de Souza às 16h21

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O céu do Ministério Público leva o nome de CNMP

Promotores e procuradores de Justiça dos Estados têm um céu privativo. E nem precisam morrer para alcançá-lo. Chama-se Conselho Nacional do Ministério Público. Ou simplesmente CNMP. Oferece a seus freqüentadores, veja você, a faculdade de aumentar os seus próprios proventos.

 

Nesta segunda, decidiu-se no paraíso que os salários de procuradores e promotores de Justiça terão o seu pé direito aumentado. O teto salarial da categoria era de R$ 22.111. Foi a R$ 24.500, o mesmo que recebem os ministros do STF.

 

A autopromoção, em verdade, já estava em vigor. Ela fora aprovada antes, em decisão provisória do próprio CNMP. Agora, foi apenas ratificada pelas autoridades celestes. A Constituição da República impõe aos funcionários do Ministério Público contracheques menores do que os do Supremo.

 

Mas quem disse que a Constituição vale alguma coisa no céu. Ali, a Carta Magna só é aplicável nos trechos em que prevê os direitos. Revogam-se todas as disposições que estipulam limitações.

 

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, acha que até as nuvens estão sujeitas a um teto. E anunciou que vai protocolar no STF uma ação argüindo a inconstitucionalidade da decisão do CNMP. Curioso. Na semana passada, Fernando de Souza queixara-se de um veto imposto por Lula a um projeto que concedia jetons a integrantes do Conselho do Ministério Público.

 

A decisão do paraíso foi tomada nas pegadas de uma outra iniciativa controvérsia. O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), criado para impor ordem ao Judiciário, reivindica para os seus membros o pagamento de jetons (R$ 5.568) que, uma vez aprovados, produzirá uma fenda no teto remuneratório do poder togado.

 

Com os jetons, a maior remuneração dos conselheiros do CNJ saltaria de R$ 23.275 para R$ 28.861. Mais do que os R$ 24.500 pagos aos ministros do STF. O contracheque da presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, que também preside o CNJ, iria à casa dos R$ 30.380.

Simultaneamente, no inferno em que se processam as negociações para o reajuste da menor remuneração paga aos trabalhadores brasileiros, o ministro Guido Mantega (Fazenda), nobre representante do Partido dos Trabalhadores, defendeu nesta segunda que os aumentos do salário mínimo sejam inferiores ao crescimento do PIB.

Em meio à barafunda remuneratória, que mistura a avareza dedicada aos brasileiros comuns à generosidade devotada aos patrícios "especiais", o signatário do blog lembra um samba que fez muito sucesso no Carnaval de 47. Chama-se "Falta um zero no meu ordenado".

Diz a letra: “Trabalho como um louco/Mas ganho muito pouco/Por isso eu vivo/Sempre atrapalhado/Fazendo faxina/Comendo no China/Ta faltando um zero/No meu ordenado”.

Ary Barroso e Benedito Lacerda, os autores do samba, já morreram. Das nuvens onde se encontram, devem estar admirados com os poderes das sucursais terrenas do céu. Ali, sempre que falta de um zero, acrescenta-se. Simples assim.

Escrito por Josias de Souza às 14h57

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As manchetes desta segunda

- Folha: Estrangeiro tira do país US$ 19 bi no governo Lula

- Estadão: Pressão por emendas ameaça orçamento

- Globo: Atraso na apuração cria expectativa na Venezuela

- Correio: Partidos disputam os R$ 40 bilhões das estatais

- Valor: Até pequena empresa já vai à China para reduzir custos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h32

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Adereço pós-pós!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Em fase de crescimento, PSB negocia ministérios

  Folha Imagem
Eduardo Campos, governador eleito de Pernambuco e presidente do PSB, será recebido nesta segunda por Lula. Vai conversar sobre a participação da legenda na “coalizão” do segundo mandato. Os socialistas entram na negociação em plena fase de crescimento.

Na bica de ser expulso do MD (ex-PPS, ex-partidão), o governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi, negocia com Campos sua transferência para o PSB. Embora seu nome evoque um famoso caldo culinário, Maggi representa para o PSB uma espécie de cereja de um bolo de adesões.

 

A legenda presidida por Eduardo Campos tornou-se, no Congresso, uma das portas de acesso ao consórcio parlamentar de Lula. Saiu das urnas de 2006 com 27 deputados federais. Estima-se que, ao raiar o ano de 2007, já terá algo como 40.

 

Na semana passada, a direção do partido mostrou-se preocupada em administrar o assédio. Os aderentes vêm de vários recantos partidários –do PDT a um tal de PMN. Avalia-se que estão de olho nas benesses servidas na arca governista, não no ideário socialista.

 

“Não podemos crescer de qualquer jeito”, disse Eduardo Campos a outros dirigentes do PSB, em reunião na última quinta-feira. “Gente que quer entrar no partido apenas para fazer parte da base do governo não nos interessa. Daqui a pouco estamos filiando pastores de igreja evangélica.”

 

Vá lá que o PSB feche as portas aos pastores. Mas um pouco de audiência na igreja não lhe fará mal. Os socialistas são vistos como uma espécie de primo pobre da grande família partidária que se forma em torno de Lula.

 

Mesmo entre os partidos que apoiaram Lula desde o primeiro turno da campanha presidencial, o PSB só não é o último da fila porque o lugar está reservado ao PC do B. De modo que um pouco de musculatura parlamentar fortalece a posição de Eduardo Campos.

 

Neto de Miguel Arraes, um velho aliado de todas as horas de Lula, Eduardo Campos não faz o tipo “pidão” do PMDB. Jamais encostaria a faca no pescoço do presidente. Combinou com os colegas de partido que vai a Lula para ouvir, não para pedir. “Confio na sensibilidade do presidente”, afirmou.

 

Menos elegante que seu presidente, o baixo clero do PSB espera que Lula conserve nas mãos do partido pelo menos os dois ministérios que os socialistas geriram no primeiro mandato: Ciência e Tecnologia e Integração Nacional. Sabe-se que o PMDB, o papa-tudo da Esplanada, está de olho no segundo. Se levar, o PSB espera ser compensado.

 

Também nesta segunda, Lula programou-se para receber o presidente do PC do B, Renato Rabelo. Os comunistas gostariam de ser convidados a ingressar, por assim dizer, nos salões da corte do segundo reinado de Lula. Com alguma sorte, continuará no mesmo quartinho localizado nos fundões de Brasília: o Ministério dos Esportes.

 

Além da composição ministerial, os “capas pretas” do PC do B estão inquietos com o rumo que a disputa pela presidência da Câmara vai tomando. Lula prometera ajudar a reeleger para o posto o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Porém, PT e PMDB puxam-lhe o tapete. Para Renato Rabelo e Cia., Lula deveria dar um chega-pra-lá nos adversários de Aldo. Algo que, por ora, o presidente não se animou a fazer.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Em carta dirigida a Fidel, PT ignora a democracia

O regime cubano festejou neste sábado os 80 anos de Fidel Castro. Para representá-lo nos festejos do companheiro-ditador, o PT enviou a Havana o sociólogo Emir Sader. Portava uma carta do partido.

 

Neste domingo, o texto da missiva foi divulgado no portal do petismo (leia). É um tributo ao esquecimento. Faz menção a quase tudo. Mas olvida-se de qualquer tipo de referência à democracia. Ou, por outra, à falta de democracia que vigora na ilha.

 

A carta do PT trata Fidel de “querido presidente”. Começa assim: “Há muitas razões para felicitá-lo. A primeira é por esta ocasião dos festejos de seus 80 anos. Mas queremos ampliar o significado desta saudação e transformá-la em uma mensagem dos dirigentes e da militância do PT ao líder de uma revolução latino-americana que conquistou direitos básicos para seu povo e é um exemplo até hoje com os melhores índices de desenvolvimento humano da região. Além disso, mostrou a todos os povos deste continente a importância da defesa da soberania”.

 

Ao esquivar-se de fazer menção –uma que fosse— aos valores democráticos, o partido de Lula como que coonestou a visão segunda a qual os “melhores índices de desenvolvimento humano da região” justificam os maiores atentados à liberdade de expressão. E "a defesa da soberania" legitima toda a atrocidade de Fidel no trato com os que ousam fazer-lhe oposição.

 

Em 2003, primeiro ano de seu mandato inaugural, Lula visitou Havana. O companheiro-ditador acabara de passar nas armas três cidadãos cubanos que haviam sequestrado um barco, para fugir da ilha. De resto, mandara ao cácere 75 defensores dos direitos humanos. Entre eles, o jornalista Raúl Rivero, condenado a 20 anos de cana por seus escritos.

 

Lula poderia ter dirigido a Fidel um pedido pela libertação dos detidos. Preferiu o silêncio. Vai abaixo em homenagem aos humilhados de Cuba, esquecidos pelo PT, um poema de Raúl Rivera. Contém a essência do pensamento que o levou à masmorra gerida pelo despotismo de Fidel:

 

Tedio de vasallos

 

Raúl Rivero

Los tiranos intensos
son los breves
los fugaces.
Esos sí son tiranos interesantes
fundadores de la inquietud.
No así estos tipos eternos y *aburridos
toda la vida en el poder
tanto tiempo que uno termina por quererlos
que uno termina muerto de amor por ellos.
Que
Que uno
Que uno termina
Que uno termina muerto

 

*Aburridos = chatos.

Escrito por Josias de Souza às 21h09

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UNE deflagra campanha sob o lema ‘Fora Meirelles’

UNE deflagra campanha sob o lema ‘Fora Meirelles’

  Roberto Fleury/UnB Agência
A União Nacional dos Estudantes inicia nesta segunda uma campanha por mudanças na política econômica. O mote do movimento é “Fora Meirelles!” Uma referência ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, transformado pela entidade estudantil em ícone da ortodoxia econômica. Para marcar o início de sua cruzada, a UNE reunirá num ato público, entre outras personalidades, os economistas Carlos Lessa, Luiz Gonzaga Beluzzo e Paulo Nogueira Batista, além do sociólogo Emir Sader.

 

Será às 10h desta segunda, na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Francisco. Do encontro, resultará um manifesto, a ser entregue a Lula no próximo dia 13. Ouvido pelo blog, o presidente da UNE, Gustavo Petta (PC do B), 25 anos, disse que o ato desta segunda “é o embrião de uma mobilização nacional.” Estudante do último ano de jornalismo na PUC de Campinas, Petta afirma que, se Lula não mudar o modelo econômico, “isso será considerado como uma traição”. Abaixo, a entrevista:

 

- Por que a UNE quer mudar a política econômica?

A insatisfação existe desde o primeiro mandato do Lula. O ato desta segunda-feira é o embrião de uma mobilização nacional, reunindo entidades do movimento sociais como UNE, MST, CUT e várias outros. O sentido é pressionar o governo para que seja mais ousado no segundo mandato.

- Por que o lema ‘Fora Meirelles’?

A troca do Henrique Meirelles é emblemática. Se, na hora da mudança de ministros, o Lula colocasse no Banco Central uma nova diretoria, outro presidente, daria uma sinalização de que o segundo mandato vai ser diferente. Lula fala em investimentos na infra-estrutura, na educação, na saúde. Como fazer isso mantendo a atual política, que impede o crescimento e impõe o superávit fiscal de 4,25% do PIB?

- O patrono dessa política é Lula, não o Meirelles. Não seria o caso de um Fora Lula?

Nossa pressão é direcionada ao presidente. O Lula está falando muito em mudança, em desenvolvimento, em ousadia. Para que isso se concretize, ele teria que mudar as pessoas que dirigem o Banco Central. O Henrique Meirelles personifica o conservadorismo, a subordinação ao sistema financeiro. Mas pode tirar o Meirelles e colocar no lugar dele outra pessoa também identificada com a mesma política ortodoxa. Então, na verdade, nossa pressão é dirigida ao Lula.

- Qual é o plano econômico da UNE?

Nesta segunda, vamos divulgar um manifesto. Está sendo construído e aponta alguns caminhos. Para dar mais consistência às nossas propostas, vamos fazer, no início do ano que vem, um seminário. É uma iniciativa conjunta da UNE e da Faculdade de Ciências Humanas da USP. Discutiremos alternativas para o desenvolvimento, ouvindo intelectuais e economistas que estão incomodados com o atual rumo. Com isso, teremos mais base de sustentação para nossas propostas. Não queremos ficar só no chavão. Vamos propor caminhos.

- Mas que pontos da atual política incomodam a UNE?

Percebe-se claramente que é necessário mudar. Neste ano, a economia vai crescer menos de 3% do PIB. Países da América Latina e outras nações emergentes crescem muito mais. A atual política monetária, extremamente ortodoxa, é incompatível com a política de desenvolvimento. E a economia condiciona todas as outra áreas –educação, saúde, reforma agrária. Com um superávit fiscal de 4,25% do PIB não sobra nada para o governo investir. (Continua no texto abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 19h40

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‘Se mudanças não vierem, será considerado traição’

‘Se mudanças não vierem, será considerado traição’

- A manutenção do modelo abalaria o apoio da UNE a Lula?

Se Lula não sinalizar mudanças claras, haverá um aumento da tensão. No primeiro mandato, quando se falou na possibilidade de impeachment, pautado pela direita, os movimentos sociais perceberam que seria pior a volta de setores conservadores. E nos posicionamos contra o impeachment. Agora, com a perspectiva de impeachment totalmente afastada, a cobrança vai ser muito maior. Não há mais o argumento da herança maldita do governo anterior. Se as mudanças não vierem, isso será considerado como uma traição.

- A UNE ajudou a derrubar Collor. Sob Lula, pôs a ética em segundo plano. Foi um acerto?

Avaliamos que a UNE não poderia se tornar, junto com outros movimentos, uma tropa de choque da direita, que tentou se tornar porta-voz da ética na política. Sabíamos que isso era um jogo. E tomamos cuidado para não fazer o jogo da direita. Ao mesmo tempo, nunca deixamos de exigir a punição dos os envolvidos, até para evitar que a contaminação de toda a esquerda brasileira.

- As punições ocorreram a contento?

Acho que não, a coisa ainda está em processo. Há o caso das sanguessugas, ainda inconcluso. No caso do dossiê também as pessoas ainda não foram punidas. Todos os envolvidos precisam ser punidos. Muitos políticos foram punidos pelo povo. Outros, que foram reeleitos, talvez não sejam punidos porque, neste caso das sanguessugas, a própria CPI parece estar em crise na reta final.

- A sensação de impunidade não o incomoda como presidente da UNE?

Incomoda. Mas também incomoda o fato de que esses casos que ocorreram agora não são novos. Ocorrem há muito tempo. Várias CPIs foram engavetadas no período Fernando Henrique. Tudo isso incomoda. Boa parte da imprensa teve agora um comportamento bem diferente de períodos anteriores.

- As perversões da era FHC –da compra de votos da reeleição aos problemas nas privatizações– são conhecidas porque a imprensa noticiou, não?

Lógico. Mas não foi no mesmo tom. Nesse caso do dossiê, alguns veículos cobriram de forma equivocada. De todo modo, causa incômodo ver, no Brasil, tantos casos de corrupção, novos e velhos, sem resolução.

- A insatisfação coma economia vai desaguar nas ruas?

Essa é a idéia. Já existe unidade entre os movimentos –UNE, MST, CUT e outros. Se o governo não for ousado nas mudanças, o tensionamento vai ser muito maior. Começa no início do ano que vem. E haverá manifestações de rua.

- Sob Collor, havia o mote ético. A troca do modelo econômico animaria os estudantes a encher as  ruas?

Não. Essa é uma dificuldade. A bandeira da ética representava um apelo muito maior na época do Collor. Mas vamos fazer a ligação da economia com temas que envolvem a vida das pessoas. No caso da UNE, mostraremos que essa política econômica impede os investimentos em educação pública. O pessoal do MST vai falar da reforma agrária. A turma da CUT falará de emprego, de salário mínimo. Se dissemos apenas ‘vamos mudar a política econômica’, não mobilizaremos milhares de pessoas. Mas se mostramos que, sem mudanças, o país fica estagnado em todas as áreas, conseguiremos sensibilizar as nossas bases.

Escrito por Josias de Souza às 19h38

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As manchetes deste domingo

- Folha: Deputados usam 'missão oficial' para abonar faltas

- Estadão: Justiça emperra com 35 milhões de processos

- Globo: Gasto federal com publicidade cresce 52% em ano eleitoral

- Correio: Polícia aperta cerco contra cooperativas

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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Medalha de lama!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Verba do dossiê é caixa 2 do comitê Lula, dirá CPI

  Folha Imagem
Já está pronto o roteiro do que será o relatório final da CPI das Sanguessugas. O documento irá anotar que o dinheiro amealhado por petistas para comprar o dossiê antitucano (R$ 1,7 milhão) veio do caixa dois do comitê eleitoral de Lula. A conclusão foi extraída de dados recolhidos do inquérito da Polícia Federal e de depoimentos dos petistas que Lula chamou de “aloprados”.

 

Coube ao deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) redigir o capítulo relativo ao dossiêgate. A idéia é que o texto seja incorporado ao relatório geral, sob a responsabilidade do senador Amir Lando (PMDB-RO). Gabeira evita falar em público a respeito da linha que irá adotar. O blog ouviu, porém, pessoas que assessoram o deputado e colegas com os quais Gabeira compartilhou os seus pontos de vista.

 

O que Gabeira diz, em reserva, é que chegou à “convicção” do envolvimento do comitê de Lula pelas “evidências” produzidas durante a investigação. O juízo formado pelo deputado é diferente da linha adotada pela Polícia Federal. A PF também caminha para concluir que o dinheiro do dossiê proveio de caixa dois eleitoral. Mas aponta não para o comitê de campanha de Lula, mas para o do petista Aloizio Mercadante, candidato derrotado ao governo de São Paulo.

 

A exemplo da PF, o senador Amir Lando diz, entre quatro paredes, que pende para o comitê paulista. Gabeira não exclui a hipótese de atribuir responsabilidades compartilhadas aos dois comitês –o paulista e o nacional. Mas sustenta que as evidências mais contundentes apontam para o birô de campanha de Lula.

 

O texto do deputado dirá claramente, no entanto, que não há em toda a investigação nenhum elemento que o autorize a dizer que o presidente reeleito soube ou participou da encrenca. O mesmo se dá com o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que, à época em que os fatos ocorreram, presidia o PT e coordenava a campanha de Lula.

 

De acordo com o roteiro fixado por Gabeira, o relatório fará menção a Berzoini nos trechos em que os fatos serão historiados. As pessoas que lerem o relatório podem até intuir que é implausível a versão de que Berzoini desconhecia a tramóia do dossiê, como alega. De acordo com a CPI, ele inclusive já atuara na área de “inteligência” do comitê de Lula na eleição de 2002. Em 2006, de novo, foi o responsável direto pelo recrutamento de todos os “aloprados”. Trocou com eles um sem-número de telefonemas.   

 

Objetivamente, porém, pelos dados de que dispõe até o momento, Gabeira alega não ter contra Berzoini senão um conjunto de indícios. Não se sente respaldado em provas para acusar o colega da prática de delitos. As evidências recolhidas até aqui só autorizam a CPI a responsabilizar Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de “inteligência” do comitê de Lula, pelo planejamento da ação que resultou no escândalo do dossiê. Aos demais “aloprados” será atribuída a execução do plano.

 

Quanto à tipificação dos crimes, a assessoria da CPI busca nos compêndios jurídicos as leis e os artigos que servirão de base para solicitar ao ministério público o indiciamento dos “aloprados”. Eles serão enquadrados em três tipos de malfeitorias: além do delito eleitoral, fraude contra o sistema financeiro (compra de dólares por meio de laranjas) e manuseio de dinheiro da contravenção (jogo do bicho).

 

Quanto à parte financeira, os mais implicados, por ora, são Gedimar Passos e Valdebran Padilha. Vinculados ao comitê de Lula, os dois foram presos em 15 de setembro com R$ 1,7 milhão de má origem. Além deles, também Hamilton Lacerda, será mencionado no relatório da CPI como o homem da mala. Embora negue, Lacerda foi pilhado pelas câmeras do circuito interno do Hotel Íbis, em São Paulo, no instante em que transportou em duas malas o dinheiro apreendido pela PF.

 

Gabeira e a equipe de técnicos que o auxilia trabalham com a perspectiva de prorrogação da CPI até janeiro de 2007. A hipótese, conforme noticiado aqui no blog, tornou-se real na semana passada. Para não correr riscos, porém, o deputado contempla também a alternativa de ter de fechar o relatório até 15 de dezembro. Daí a pressa. Na próxima quarta-feira, Gabeira se reúne com o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito da PF. Quer saber se há nas investigações novidades ainda desconhecidas da CPI.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Na ponta do lápis, Lula fica em minoria no Senado

Na ponta do lápis, Lula fica em minoria no Senado

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Já vai longe o tempo em que o Senado era visto como uma casa vetusta, abrigo de políticos que, por experimentados, se pautavam apenas pelo equilíbrio. No primeiro mandato de Lula, o Senado converteu-se em palco de controvérsias sanguinolentas. Sob Lula II, a situação não será diferente. O presidente inicia o segundo mandato em minoria na chamada Câmara Alta. Num universo de 81 senadores, há pelo menos 43 potenciais oposicionistas.

Às contas: PFL e PSDB reúnem uma bancada de 32 opositores. Embora o PDT flerte com o Planalto, há três críticos de Lula aninhados sob a legenda: Jefferson Peres, Cristovam Buarque e Osmar Dias. O PTB declarou apoio a Lula. Mas abriga um senador, Mozarildo Cavalcanti, cuja atuação não pode ser tachada de governista. O PSOL perde Heloisa Helena, mas ganha José Nery Azevedo. Há, de resto, seis peemedebistas que se declaram em oposição a Lula.

Para aumentar a encrenca, há o peemedebista Pedro Simon, que vai à conta como “independente”. Ninguém sabe como será a atuação de Fernando Collor. Petistas como Paulo Paim, Eduardo Suplicy e Flávio Arns são vistos pelo governo como senadores-problema. E há senadores governistas que, entrados em anos, flertam com o absenteísmo: Epitácio Cafeteira e João Durval, por exemplo, ambos na casa dos 80.

Vem daí o empenho de Lula para reacomodar na presidência do Senado o peemedebista Renan Calheiros. A hipótese de entregar o comando da Casa ao pefelista José Agripino Maia causa arrepios no Planalto. O presidente da República refere-se ao personagem com palavras de calão rasteiro. Não raro, inclui em suas referências ofensas à genitora do senador.

Lula receia que, assumindo o leme do Senado, a pefelândia não hesitará em atear fogo no Legislativo. Argumenta-se que o PFL perdeu para o petismo algumas de suas principais trincheiras estaduais: Bahia e Sergipe. De resto, terá de entregar ao tucanato uma São Paulo momentaneamente confiada ao pefelista Cláudio Lembo.

Afora o natural desejo de vingança, o PFL já não teria interesses administrativos a mediar com o governo federal. O partido está livre, acredita Lula, para desempenhar o papel de franco atirador. Nas palavras de um senador que desfruta da intimidade do presidente, o PFL pode tornar-se uma espécie de “PT da direita”, referência à oposição infatigável e intransigente que o petismo fez a Fernando Henrique Cardoso.

O “problema” será mencionado por Lula nas conversas que terá, ainda em dezembro, com os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas). O presidente fará um pedido a ambos: quer que eles ajudem a impedir que o tucanato embarque cegamente na canoa carbonária do PFL. Fará um apelo pela governabilidade.

É pena que Lula não cultive o hábito da leitura. O único modo de o presidente encontrar o Senado que procura seria recorrendo a uma velha crônica de Machado de Assis. Em “O Velho Senado”, Machado relata o que testemunhou como jovem repórter, destacado para a cobertura das atividades do Senado de 1860.

"Nenhum tumulto nas sessões. A atenção era grande e constante", anotou Machado. Os senadores da época “pareciam pertencer a uma família”. Dispersavam-se "durante a estação calmosa, para ir às águas e outras diversões”. Voltavam a se reunir depois, “em prazo certo, anos e anos". Havia controvérsias, "mas é próprio das famílias numerosas brigarem, fazerem as pazes e tornarem a brigar". Como se vê, já vai mesmo longe o tempo em que o Senado era visto como uma casa vetusta.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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MP aponta fraude em contas do governador de Goiás

O Ministério Público acusa o governador eleito de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), de captar recursos de campanha ilicitamente. Em ação protocolada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) goiano, o procurador eleitoral Helio Telho pede a identificação dos doadores de R$ 4,2 milhões repassados diretamente pelo diretório do PP à tesouraria da campanha de Alcides Rodrigues.

Na prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral, o comitê financeiro de Alcides Rodrigues disse que a campanha custou R$ 15,8 milhões. Desse total, R$ 4,2 milhões (27,15%) foram repassados pelo diretório goiano do PP, sem identificar os nomes dos doadores. Para o procurador Telho, esse tipo de subterfúgio, utilizado também nas campanhas de Lula e Geraldo Alckmin, é ilegal.

 

“A arrecadação de recursos via diretório partidário parece ter sido expediente largamente utilizado em todo país, inclusive aqui no Estado de Goiás, para ocultar ou dissimular, na prestação de contas, a sua origem, à medida que aparece como doador, apenas, o partido político que, como se sabe, é organização que não produz riqueza e não tem renda própria”, diz o procurador na ação, protocolada no TRE na sexta-feira.

 

Para o procurador Telho, não se pode atestar a regularidade da escrituração da campanha sem conhecer os nomes das empresas e pessoas físicas que fizeram doações por meio do diretório. Pela lei, os partidos só terão de prestar contas de suas finanças internas em abril de 2007. E os gastos de campanha precisam ser julgados até o próximo dia 11 de dezembro.

 

“Assim”, anota o procurador, “se houve arrecadação de recursos para fins eleitorais, via diretório partidário, provenientes de fontes vedadas, não será possível, apenas com a análise da prestação de contas da campanha, identificá-las. Também não será possível, na análise das contas da campanha, verificar se os limites máximos de doação foram respeitados [2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição, para empresas; e 10% da renda bruta, para pessoas físicas]”.

O mesmo procedimento condenado pelo Ministério Público de Goiás foi utilizado nas campanhas presidenciais de Lula e de Geraldo Alckmin. No caso de Lula, os repasses do diretório nacional do PT à campanha somam R$ 16,2 milhões, 17,1% de tudo o que foi arrecadado (R$ 94,43 milhões). No caso de Alckmin, a arrecadação total foi de R$ 62,02 milhões, dos quais R$ 4,2 milhões vieram do diretório nacional do PSDB.

 

A exemplo do que ocorreu na escrituração da campanha do governador eleito Alcides Rodrigues, nem o PT nem o PSDB informaram os nomes das empresas e das pessoas físicas que fizeram doações por meio dos diretórios petista e tucano. Ou seja, se o TSE analisar a contabilidade presidencial com o mesmo rigor do procurador Helio Telho, Lula e Alckmin estarão diante de um problema.

 

O problema é maior para Lula, cujas contas estão sendo esquadrinhadas neste final de semana, conforme divulgado aqui no blog. A diplomação de Lula depende da aprovação das contas. O julgamento será feito pelo plenário do TSE, em sessão agendada para a próxima terça-feira.

 

Na ação goiana (leia a íntegra aqui), o procurador Telho pede à Justiça Eleitoral que impeça a diplomação de Alcides Rodrigues caso a regularidade das doações não seja devidamente comprovada. O TRE de Goiás ainda não se pronunciou. Nos próximos dias, se a ação do Ministério Público for acatada, o PP goiano e o próprio governador eleito serão intimados a comprovar, em 5 dias, a regularidade da parte oculta das doações.

Escrito por Josias de Souza às 18h31

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Serra quer Aldo Rebelo na presidência da Câmara

  Beto Barata/Folha Imagem
Em diálogo telefônico ocorrido há três dias, o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB) disse ao deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que gostaria de vê-lo reeleito para a presidência da Câmara. Serra prefere Aldo a todos os demais postulantes ao posto.

 

Dá-se com Aldo Rebelo algo curioso. Embora seja o candidato preferido de Lula, o deputado encontra nos dois principais partidos governistas –PT e PMDB—o maior entrave ao seu plano de ser reeleito presidente da Câmara.

 

Como o governismo puxa-lhe o tapete, Aldo vê-se compelido a cavar votos na oposição. Acerca-se do PSDB e do PFL. As duas legendas têm simpatia por ele. Armou-se na Câmara, porém, um jogo em que os bons sentimentos têm pouquíssimo peso.

 

Antes de conversar com Aldo, o governador eleito de São Paulo trocara idéias com Jutahy Magalhães Jr.. Como Serra, Jutahy também gostaria que Aldo prevalecesse sobre seus adversários. Acha, porém, que é preciso preservar a lógica do parlamento.

Em reunião com o próprio Aldo, Juthay disse que não fará nenhum movimento senão para ajudá-lo. Mas avalia que o PSDB só poderá apoiá-lo formalmente se Aldo obtiver o apoio das legendas que têm as maiores bancadas na Câmara. Leia-se PMDB e PT.

“Se o presidente [Lula] deseja mesmo a sua reeleição”, disse Jutahy a Aldo, “tem que fazer o PT te apoiar. Juntos, PT e PC do B formariam um bloco majoritário. Outra alternativa é o PMDB abrir mão da disputa em seu favor. Assim, estaria preservada a lógica de o presidente ser indicado pelo maior partido ou pelo maior bloco. Fora disso, é o vale-tudo.”

Aí começam os problemas de Aldo Rebelo. O PT pretende lançar na terça o deputado Arlindo Chinaglia (SP) como seu candidato à presidência da Câmara. No dia seguinte, o PMDB planeja lançar o seu postulante à vaga. O favoritismo recai sobre Geddel Vieira Lima (BA).

De olho na Esplanada dos Ministérios, lideranças do PMDB admitem abrir mão da Câmara, se Lula pedir. Mas ensaiam o apoio a Chinaglia, não a Aldo. Argumenta-se que, como detentor da segunda maior bancada, o PT teria precedência sobre os outros partidos.

Aldo Rebelo jantou na quarta-feira com o presidente do PSB, deputado Eduardo Campos, governador eleito de Pernambuco. Ouviu algo de que já não tinha dúvida: o PSB o apóia. Mas isso não basta. O blog apurou que, nesta conversa, Aldo manifestou a confiança de que Lula dará de enquadrar o PT e o PMDB.

Nesta semana, Aldo pretende pedir um encontro com Lula. Gostaria que o presidente fizesse mais do que simplesmente declarar, entre quatro paredes, que o apóia. Sentindo o cheiro de queimado, o petismo arma-se de dados.

Em outro jantar, realizado na mesma quarta-feira, Arlindo Chinaglia disse a um grupo de deputados do PP, PL, PDT e PSDB o seguinte: não acredita que Lula vá pedir que se retire da disputa. Mas se houver alguma insinuação nesse sentido, acomodará sobre a mesa informações acerca dos apoios que coleciona na Câmara. Julga-se um candidato bem mais leve que Aldo Rebelo.

Se forem verdadeiros os dados de Chinaglia, o PT, de fato, estaria muito mais bem-posto na disputa do que preferido de Lula. Além do flerte com o tucanato e do suporte do PSB, Aldo tem a simpatia do PFL. Mas há um problema.

“Não fosse a disputa no Senado, já estaríamos marchando com Aldo”, diz Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL na Câmara. “Mas a perspectiva real de vitória do Agripino [Maia] no Senado coloca a nossa bancada numa função de ver de que forma podemos colaborar com a postulação do PFL no Senado”.

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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As manchetes deste sábado

- Folha: Expectativa de vida chega a quase 72 anos

- Estadão: IBGE: 64% dos idosos sustentam família

- Globo: Brasileiro vive mais e força mudanças na Previdência

- Correio: Mais de dois quilômetros de sujeira no Paranoá

- Valor: Venezuela vive febre de consumo na era Chávez

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Hora de destravar!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Voto de juiz do STF condena barreira para partidos

Instituída para moralizar o quadro partidário brasileiro, a chamada cláusula de barreira está por um fio. Em sessão marcada para a próxima quinta-feira, o STF irá julgar se a regra fere ou não a Constituição. O relator do caso é Marco Aurélio Mello (na foto). O blog apurou que o voto do ministro anotará que o mecanismo é inconstitucional.

 

A voto de Marco Aurélio será submetido ao plenário do Supremo, composto por outros dez ministros. Basta que cinco deles acompanhem o ponto de vista do relator para que a cláusula de barreira vire pó. Neste caso, legendas sem expressão eleitoral irão reaver todas as regalias que perderam nas últimas eleições –do direito de funcionar no Congresso ao acesso às verbas de um fundo público destinado a financiar os partidos.

 

Há no Brasil 29 partidos. Só sete conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira: PMDB, PT, PSDB, PFL, PP PSB e PDT. Todas os outros ficaram com a corda no pescoço. Em meio a legendas de aluguel, foram barradas nas urnas agremiações como o PC do B de Aldo Rebelo; o PSOL de Heloisa Helena; o PPS de Roberto Freire; o PV de Fernando Gabeira; e o PTB de Roberto Jefferson.

 

Três partidos, entre eles o PC do B, recorreram ao STF. As ações foram apensadas num único processo. Marco Aurélio tornou-se relator por sorteio. O que está em discussão é o artigo 13 da lei 9.096, de 1995, que passou a viger nas eleições deste ano. O texto do artigo diz o seguinte:

 

Tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas para as quais tenha elegido representante, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputados obtenha o apoio de, no mínimo, 5% dos votos apurados, não computados os brancos e os nulos, distribuídos em, pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de 2% do total de cada um deles.”

 

Conhecido no Supremo pela tendência de proferir votos em favor de minorias, Marco Aurélio dessa vez tomará as dores dos pequenos partidos. Em reserva, o ministro comentou com um colega de tribunal que vai tachar de “inconstitucional” o artigo que impôs limites à livre organização partidária. Se o raciocínio jurídico a ser esgrimido por Marco Aurélio for encampado pelo pleno do STF cairá por terra a primeira tentativa de enxugar o quadro partidário brasileiro.

 

Prevalecendo o voto de Marco Aurélio, haverá enorme confusão. Para fugir às sanções impostas pela cláusula de barreira, várias legendas já promoveram processos de fusões. O PPS virou MD (Movimento Democrático), fundindo-se aos desconhecidos PHS e PMN. A junção de PL e Prona deu origem ao PR (Partido da República). O inexpressivo PAN foi incorporado pelo PTB.

 

Dificilmente esses partidos conseguirão retroceder à situação anterior. Sairão ilesos do processo os sem voto que, mesmo com a corda no pescoço, resistiram ao processo de fusão. Estão nessa situação legendas como o PC do B, o PV e o PSOL.

 

A decisão do STF tem sérias implicações financeiras no cotidiano dos partidos. Conforme já noticiado aqui no blog, os sem voto seriam submetidos, em 2007, a um torniquete financeiro draconiano.

 

O PC do B e o PV, por exemplo, que receberam do fundo partidário, em 2006, respectivamente R$ 840 mil e R$ 563 mil, amealhariam em 2007 escassos R$ 40,6 mil. Corresponde a R$ 3,3 mil mensais para o custeio de toda a estrutura partidária. Uma verba insuficiente até mesmo para custear as despesas com aluguel de sedes em Brasília e nos Estados. Daí a ansiedade com que os partidos aguardam a decisão do STF.

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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TRE suspende diplomação de Juvenil, o profissional

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas suspendeu nesta sexta a diplomação do deputado federal eleito Juvenil Alves (PT-MG). Juvenil, um profissional que produziu desvios estimados pela PF e pela Receita em mais de R$ 1 bilhão, receberia o diploma de deputado no próximo dia 18.

 

Mesmo que quisesse, a Justiça Eleitoral não conseguiria diplomar Juvenil. O deputado foi recolhido à carceragem da Polícia Federal, pela segunda vez, na última sexta. Prevê-se que ficará de molho por 120 dias.

 

A suspensão determinada pelo TRE atende a um pedido do Ministério Público. Além da apuração relacionada às alegadas malfeitorias no campo tributário, a Procuradoria pede que seja instaurada uma investigação relacionada a suposto abuso de poder econômico na campanha de Juvenil.

Escrito por Josias de Souza às 20h48

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TSE esquadrinha contas de Lula no final de semana

O Tribunal Superior Eleitoral escalou um grupo de técnicos do setor de “Controle Interno” para auditar no final de semana as contas de campanha de Lula. O tribunal corre contra o tempo. Pela lei, para que o presidente reeleito possa ser diplomado, o TSE precisa julgar a regularidade das contas apresentadas pelo PT até a próxima terça-feira. Daí a pressa.

O comitê de Lula informou à Justiça Eleitoral que os gastos de campanha foram de R$ 94,43 milhões. Parte desse total –R$ 9,8 milhões— foi à contabilidade como dívida a descoberto. A lei estabelece que, em casos do gênero, o débito deve ser honrado pelo candidato. O PT, porém, transferiu a conta para o seu Diretório Nacional. O TSE terá de dizer se o procedimento tem amparo legal.

 

Outro ponto que será analisado são os repasses feitos pelo Diretório petista à tesouraria do comitê de Lula durante a campanha. Somam R$ 16,2 milhões. Na prática, esse tipo de inversão, feita por meio do partido, oculta o nome dos doadores. O procedimento já foi utilizado em campanhas passadas. Ainda assim, o tribunal terá de se manifestar a respeito.

 

De resto, pretende-se passar um pente fino nas doações feitas por empresas e por pessoas físicas. Deseja-se verificar se para cada uma delas há o devido comprovante legal.  

 

Chama-se José Gerardo Grossi o ministro sorteado para emitir o voto sobre as contas do presidente. A posição dele será submetida aos demais ministros do TSE. Cabe ao colegiado atestar a regularidade das contas de campanha. Para concluir sua análise, Grossi depende do parecer dos auditores do tribunal. Deve receber o relatório na manhã de segunda. A sessão de julgamento foi marcada para a noite de terça.

 

As contas de campanha dos outros presidenciáveis serão analisadas pelo TSE com mais vagar. Como não foram eleitos, os casos dos demais candidatos diferem do de Lula, que depende da aprovação da contabilidade para ser diplomado.

Escrito por Josias de Souza às 19h33

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CPI das Sanguessugas pode ser prorrogada até 2007

Alan Marques/Folha Imagem
 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ofereceu nesta sexta o argumento que faltava para a prorrogação dos trabalhos da CPI das Sanguessugas até o final de janeiro de 2007. O presidente da comissão, Antonio Carlos Biscaia (PT-SP), dissera que o regimento do Senado proibia expressamente o funcionamento da comissão durante o recesso parlamentar. Em resposta escrita, Renan afirma o contrário: “A comissão tem autonomia para tomar a decisão que entender acertada.”

Renan diz mais: “Esta presidência [do Senado] acatará, como tem feito em todas as oportunidades”, a decisão da comissão. A resposta de Renan foi provocada por um questionamento encaminhado por três congressistas que integram a CPI: Raul Jungmann (MD-PE), vice-presidente da comissão, Fernando Gabeira (PV-RJ) e Heloisa Helena (PSOL-AL).

A trinca vem insistindo sobre a necessidade de prorrogar o funcionamento da CPI. Acham que não há tempo para concluir todas as apurações pendentes em dezembro. Querem aprofundar as apurações e realizar novas inquirições, entre elas a de Ricardo Berzoini (SP), presidente licenciado do PT. Esbarraram, porém, na resistência de Biscaia e do relator da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), que desejam votar o relatório final da CPI até 15 de dezembro.

Munidos do ofício do presidente do Senado, Jungmann, Gabeira e HH começam a recolher, já na segunda-feira, as assinaturas de um terço dos deputados e dos senadores. Acham que, a despeito da manifestação oficial de Renan, Biscaia e Lando podem continuar fazendo carga contra a prorrogação. E as assinaturas dos congressistas tornarão obrigatória a prorrogação. Basta que o requerimento seja lido numa sessão conjunta do Congresso, informou a assessoria de Renan aos três deputados.

Escrito por Josias de Souza às 14h56

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Para Ciro Gomes, PMDB é um ‘elefante com dislexia’

Em 1979, numa época em que o MDB ainda não havia incorporado o P, o velho Ulysses Guimarães recorria às investidas da ditadura com um linguajar caprino. “Eu já disse e repito: o MDB não vai morrer como carneiro. Vou berrar como um bode.”

Depois de enfrentar até os cachorros que o regime pôs no seu encalço, Ulysses passou a presidir, sob Sarney, não um bode, mas um cabrito. O PMDB fazia, já então, o tipo ‘cabrito bom’. Tendo meia dúzia de repartições públicas onde pastar, não berrava.

Entra governo, sai governo, o PMDB continuou pastando. Hoje, é uma legenda balofa. Lula enxerga no PMDB um aliado de peso. Para o deputado eleito Ciro Gomes (PSB-CE), o partido se parece mais com um fardo.

“Com todo o respeito, o PMDB é um elefante que não vai junto para canto nenhum. É um elefante com dislexia (...). Ele aprendeu a se impor pelo 'tamanhão'. Mas, no dia seguinte, eles não conseguem convergir para nenhum assunto, para caminho nenhum”, disse Ciro à rádio AM do Povo/CBN, do Ceará.

Além de alvejar um aliado que Lula considera estratégico, Ciro desancou a política econômica do governo: “Lula pegou um incêndio generalizado para apagar e ainda teve que provar que não era um bicho-papão. Mas daí funcionou [a política econômica]. Mas quando funcionou, começou a acontecer o inverso. O excesso de sucesso tirou o governo do rumo.”

Ciro mostra-se contrário a tudo o que o Banco Central de Henrique Meirelles considera essencial: “Todo o país, como o Brasil, não deveria colocar sua estratégia nacional no piloto automático, de superávit de 4,25%, meta de inflação definida um ano antes e câmbio flutuante. É muito conservador para um país complexo como o Brasil.”

Diz-se que Lula pretende reconduzir o ex-ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) à equipe do segundo mandato. Ciro, como se sabe, é um galão de gasolina com boca. Enquanto esteve no governo, guardou obsequioso silêncio. Solto na arena livre do Congresso, tende a enxergar em cada microfone um palito de fósforo. Se o convite de Lula demorar, as relações entre os dois podem ser consumidas na fogueira de uma entrevista.

Escrito por Josias de Souza às 14h25

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Em busca de anistia, Dirceu torna-se sub-Delúbio

Máximo/El Pais
 

 

Numa fase em que a lógica ainda fazia sentido, ali pelos idos de 2003, Deus era Deus, o diabo era o diabo, o PT era o PT, o Delúbio era pau-mandado, o Lula era presidente e o Zé Dirceu era primeiro-ministro. Depois do mensalão, a ilógica apoderou-se de tudo. E a crise do primeiro mandato de Lula foi marcada por uma fatalidade própria: a corrupção acéfala, a máfia sem capo.

 

Lula, como se sabe, não viu nada. E Zé Dirceu até hoje não sabe por que seu mandato foi passado na lâmina, um ano atrás. O ex-chefão da Casa Civil sonha em recuperar o direito de candidatar-se a cargos eletivos. Quer, veja você, cavar no Congresso uma anistia. E tem pressa. Deseja ser perdoado ainda em 2007.

 

“Considero minha cassação política, sem provas. E a minha anistia é uma questão de justiça”, disse Dirceu à repórter Malu Delgado. Mas e quanto à denúncia do Ministério Público ao STF, aquela em que Dirceu é acusado de chefiar a “quadrilha” dos 40? Ainda não foi julgada. A rigor, o Supremo ainda não disse nem se vai recebê-la.

 

Mas Dirceu não se aperta. Pede que o STF o julgue. E acha que a coisa vai ser rápida. Por que? Simples: “Eu não participei de nenhum dos atos. Eu não era dirigente do PT, eu não era parlamentar, aliás eu não era nem mais ministro da Articulação Política. Ninguém nem fala mais isso, né. Mas eu deixei a Articulação em janeiro de 2004”.

 

Como se vê, há mesmo um outro Zé Dirceu na praça. O antigo já nascera de nariz empinado. Era líder desde a primeira mamada. O novo, trêmulo de humildade, é o próprio antilíder. O velho Dirceu, colecionador de façanhas, parecia reivindicar uma estátua em praça pública cada vez que movia os lábios. O Dirceu contemporâneo converteu-se numa espécie de pardal metafórico de si mesmo. Suja a testa de bronze que não chegou a obter.

 

É como se esse novo Dirceu desejasse provar que o velho Dirceu morreu. Ou, por outra, é como se quisesse deixar claro que o líder que aparentava ser jamais existiu. Não passava de um pobre-diabo, capaz de meter-se como coadjuvante num enredo de perversões urdido por Delúbio Soares -este sim um chefe, um condutor maquiavélico.

 

Triste fim para o ex-estudante cabeludo que incendiava a estudantada com meia dúzia de palavras. Melancólico epílogo para o ex-guerrilheiro combativo. No esforço que empreende para provar-se figurante, Dirceu acaba por virar do avesso o passado de protagonista que lutou para construir. Vai à história como Silvério de Delúbio.

 

É como se a alma clandestina voltasse à mesa de cirurgia, para uma nova operação plástica. Ganhou o seu terceiro rosto. Quem observa o novo Dirceu pelo perfil esquerdo enxerga um inocente culpado. Quem o espreita pelo ângulo direito vê um culpado inocente. Quem o examina de frente, avista a crise sob a máscara.

 

A antiga legenda tenta escalar de novo a escada. Espera-se que, no caminho de volta, consiga evitar aquele degrau que a desfigurou.

Escrito por Josias de Souza às 09h27

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As manchetes desta sexta

- Folha: Câmbio faz economia crescer só 0,5%

- Estadão: PIB sobe 0,5% e confirma baixa taxa de crescimento

- Globo: PIB indica crescimento abaixo de 3% este ano

- Correio: PMDB fecha apoio a Lula

- Valor: Venezuela vive febre de consumo na era Chávez

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h38

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Cavalgada!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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PT lança Chinaglia à presidência da Câmara na terça

  Antônio Cruz/ABr
Lula ainda não sabe, mas o PT programou-se para lançar um candidato à presidência da Câmara na próxima terça-feira, dia 5 de dezembro. Será durante uma reunião da bancada de deputados federais do partido, em Brasília. O nome preferido da maioria do petismo é o de Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara.

Já em campanha, Chinaglia esforça-se para vender aos deputados de outras legendas a idéia de que sua candidatura não representa uma afronta Lula. Ao pedir votos, ele diz que o PT trabalha “em sintonia” com o presidente. O partido deseja apenas, diz Chinaglia em reserva, oferecer “uma alternativa” à Câmara, aos parlamentares do consórcio governista e à oposição.

A despeito do discurso, ao pôr a candidatura de Chinaglia na rua, o PT produzirá um inusitado fato político: o líder do governo Lula passará a disputar abertamente uma cadeira na qual o presidente da República deseja acomodar um outro deputado: Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que postula a reeleição.

Como se fosse pouco, também o PMDB planeja anunciar o nome do seu candidato ao comando da Câmara. A bancada peemedebista reúne-se na quarta, um dia depois do encontro dos deputados petistas. O favorito é Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Assim, o governismo terá três candidatos a um mesmo assento. PMDB e PT, donos das duas maiores bancadas –89 e 83 deputados, respectivamente—, operam para mandar a escanteio a postulação de Aldo Rebelo, o favorito de Lula.

Nesta quinta, procurador pelo repórter, Chinaglia confirmou algo que já fora divulgado aqui no blog. Firmou com o peemedebista Geddel um pacto de cooperação mútua. “Avalio que o PMDB tem força e tem a legitimidade da maior bancada. O PMDB admite que, por ter a segunda maior bancada, o PT também tem legitimidade. Assim, da mesma maneira que o PMDB admite apoiar alguém do PT, eu admito que, se o PMDB vier a consolidar um nome que seja mais viável, terá o meu apoio”.

Se Lula quiser realmente quebrar lanças por Aldo Rebelo, terá de enquadrar PT e PMDB. Embora Geddel não admita publicamente, seus companheiros de partido avaliam que ele não resistiria a um apelo de Lula. De olho numa vaga na Esplanada dos Ministérios, Geddel diz que deseja presidir a Câmara. Mas afirma também que não fará da disputa “uma guerra do fim do mundo.”

 

O mesmo não se aplica a Chinaglia. Entre quatro paredes, o petista declara que não deseja confrontar-se com Lula. Diz, no entanto, não acreditar que Lula, depois de informado acerca das “chances reais” do PT, se anime a lhe pedir que vá ao sacrifício em favor de Aldo Rebelo. Se pedir, talvez não seja atendido.

 

Um grão-petista informou ao blog que Lula dissera a Chinaglia, no final da semana passada, que o chamaria para uma conversa. Porém, o presidente viajou para a Nigéria sem que o encontro com seu líder fosse marcado. E Chinaglia intensificou as articulações para viabilizar-se como candidato.

 

Pelas contas do petismo, além do suporte do PT e do eventual apoio do PMDB, Chinaglia já contaria com a simpatia de PTB, PP e PL. Teria arrebanhado também promessas de voto na bancada do PDT. Seria, na opinião do partido, um candidato mais leve do que Aldo Rebelo. Daí a crença de que Lula não se atreverá a pedir a Chinaglia que se retire da disputa. A conferir.

Escrito por Josias de Souza às 00h33

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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