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“Peddismo”
Cena de Tempos Modernos/Charles Chaplin
O “luddismo”, como se sabe, é um movimento que surgiu na Inglaterra do fim do século 18. Deriva do nome do operário Ned Ludd. Seus seguidores, os “luddites”, se insurgiam contra as alterações injetadas no mercado de trabalho pela Revolução Industrial. Invadiam fábricas e quebravam as máquinas que tornavam desnecessários os trabalhadores.
Ned Ludd foi visionário e romântico. Visionário porque anteviu um fenômeno que invadiria o futuro: a queda-de-braço entre máquina e homem. Romântico porque lutou contra o inelutável. O maquinário continuou a modernizar-se. E o homem, única peça inadaptável do processo industrial, torna-se dia-a-dia mais obsoleto.
A guerra continua. Numa ação que muitos chamam de “neo-luddismo”, sindicatos e movimentos sociais fazem o que podem para preservar empregos. Até lavouras de soja transgênica o MST já destruiu. Mas a luta é inglória. O inimigo mecaniza o campo, robotiza fábricas, informatiza tudo o que vê pela frente.
Ninguém escreveu ainda, talvez por compaixão. Mas o Partido dos Trabalhadores enfrenta nos dias que correm um drama análogo à tragédia que fomentou a revolta de Ned Ludd e dos “luddites”. Assim como os operários ingleses do século 18, o PT assiste, atônito, à “modernização” do estilo político de Lula.
Reeleito, o presidente decidiu aprofundar um movimento que iniciara no primeiro mandato. Contraditoriamente, Lula evolui rumo ao arcaísmo. Trama a instalação nos plenários da Câmara e do Senado de imensas máquinas de votos. O manuseio das engenhocas exige a troca de velhas convicções pelo “amadurecimento político”.
As máquinas de votos urdidas por Lula não requerem mão-de-obra convencional. Funcionam sob a supervisão de políticos-robôs. São os únicos capazes de deslizar sobre o chão sujo da fábrica de fisiologia sem precisar tapar o nariz ou fazer cara de nojo. O presidente encontrou no PMDB o melhor provedor de robôs. E o PT vê-se às voltas com o desemprego. Perderá ministérios e cargos de segundo escalão.
No primeiro mandato, numa tentativa de retardar a própria obsolescência, o PT saiu-se com uma técnica nova: o mensalão. Deu no que deu. Agora, Lula optou por fazer diferente. Adota como prática uma diferença que o iguala às administrações que precederam a sua –de Sarney a Fernando Henrique Cardoso. O cheiro desagradável é o mesmo. Mas o processo industrial, embora custe caro ao contribuinte, oferece menos riscos ao governo.
O pior é que o petismo não pode nem mesmo lançar de um “peddismo” salvador. Além de faltar-lhe um Ned Ludd com coragem para tanto, não há na Brasília da política fábricas a invadir. A máquina da fisiologia, por invisível, não está sujeita a depredações. Opera as engrenagens do Estado há anos, a salvo de investidas oportunistas.
Escrito por Josias de Souza às 18h58
Sofía Loren, 72, é estrela do Calendário Pirelli
A atriz italiana Sofía Loren, 72 aninhos, foi guindada à condição de principal estrela da edição 2007 do (ca)lendário Pirelli. A peça foi trazida a público na última quinta, em Londres, numa cerimônia que contou com a presença da própria Sofía.
Editado desde 1964, o Pirelli tornou-se um clássico da fotografia mundial. A folhinha de 2007 é, por assim dizer, coadjuvada por outras cinco belas atrizes: a espanhola Penélope Cruz, a norte-americana Hilary Swank, a francesa Lou Doillon e a australiana Naomi Watts.
Foram clicadas em preto e branco pelos fotógrafos holandeses Inez Lamsweerde e Vinoodh Matadin. Aparecem sobre a cama, enroladas –às vezes nem tão enroladas—em lençóis. A despeito da idade, La Loren ainda exibe formas invejáveis.
Inquirida acerca da experiência, ela disse: “Não imaginei que me pediriam isso. Quando pediram, ri muito e achei ridículo. Tive um pouco de medo, fiz muitas perguntas e, ao final, disse a mim mesma: que diabo, vou fazer.”
Bom que tenha feito. Prestou uma homenagem à beleza. E permitiu ao signatário do blog uma fuga rápida da feiúra política que marca esses enfadonhos dias pós-eleitorais. O belo está ao alcance do mouse. Os 22 leitores deste recanto virtual que desejarem adoçar os olhos só precisam clicar sobre imagem abaixo.

Escrito por Josias de Souza às 18h37
Gabeira rejeita aproximação do PV com governo Lula
Folha Imagem
O deputado Fernando Gabeira (RJ), uma das principais lideranças políticas do PV, desaprova a aproximação do partido com o governo Lula. “A visão que passa é de certo oportunismo”, disse ele ao blog. A pedido de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) telefonou para o presidente do PV, José Luiz Pena. Convidou-o para um encontro com Lula, em data a ser marcada.
O objetivo do Planalto é inserir o PV na “coalizão” partidária que dará suporte congressual ao governo no segundo mandato de Lula. Se isso acontecer, diz Gabeira, “vou me tornar um deputado independente.” Leia abaixo a entrevista do deputado:
- PV vai se reunir com Lula para discutir coalizão. O que acha?
Fui eleito com discurso de independência. Já fiz um pacto com os meus eleitores. Aprovo aquilo que eu achar correto. E continuo combatendo o que acho equivocado. Dentro desse quadro, não há nenhuma necessidade de se entender com o governo, a não ser caso a caso.
- Acha que a conversa deve se limitar ao âmbito legislativo?
É lógico. Estou pronto a debater as coisas boas assim que elas apareçam. Mas foto-oportunidade não creio que seja o caso.
- Acha que o partido vai se entender com Lula?
O PV pode ser atraído pelo governo nesse momento de lua-de-mel. Quando as coisas ficaram difíceis, o partido abandonou o governo. De certa maneira, incorporou o meu discurso de oposição. Passada a eleição, volta a lua-de-mel com o governo. A visão que passa é de um certo oportunismo.
- A questão foi discutida na Executiva do PV?
Fizemos uma reunião anterior, para discutir a hipótese de fusão com o PSC, que foi rejeitada. Houve uma discussão sobre participar ou não do governo. Mas ela apenas se esboçou. Não foi concluída. Eu disse o que penso. O Juca Ferreira [secretário-executivo do Ministério da Cultura], que está no governo, apresentou a posição dele. E nós ficamos de continuar conversando sobre isso.
- Na prática, o PV já não está no governo, com Gilberto Gil?
O Gil é do PV. Mas eu entendo que o acordo que houve entre ele e o governo é pessoal, não partidário. O Gil é um ministro do Lula, não do PV.
- Objetivamente, acha que o PV vai se compor com Lula?
É uma questão delicada. O apelo do governo tem muita força. O que posso dizer é que eu continuarei no meu caminho.
- Acha que será voto vencido na Executiva?
Se o partido escolher essa trajetória, vai ter que ser responsável por ela. Eu continuarei fazendo o meu trabalho. Vou me basear no que entendendo ser o programa e o caminho do PV e vou continuar me expressando com toda liberdade.
- Pode ter de mudar de partido novamente?
Não me preocupo com nada. Nem mesmo em ter ou não legenda. Voltei ao PV porque, num dado momento, o partido tinha que ter seis deputados e faltava um. Posso continuar como deputado independente, defendendo o que considero ser o programa do PV.
- Sai ou não sai do partido?
Não vou sair do partido. Vou me tornar um deputado independente. independente. Vou atuar independentemente do partido.
- O PV vai sair do Gabeira?
É isso (risos).
Escrito por Josias de Souza às 16h31

- Folha: Educação não reduz desigualdade racial
- Estadão: Governo quer mudar legislação ambiental
- Globo: Supersecretário de segurança também vai cuidar de presídios
- Correio: Aeronáutica quer punir controladores
- Valor: Produtividade cresce mais na indústria do Nordeste
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h06
Jean
Escrito por Josias de Souza às 03h02
Envernizados por um vocábulo novo –coalizão—, os entendimentos de Lula com o PMDB puseram em movimento uma engrenagem antiga: o triturador de cargos públicos. Inicialmente concentrada no rateio de ministérios, a cobiça desceu ao nível das estatais e autarquias.
O blog ouviu nas últimas 48 horas cinco integrantes dos dois principais grupos do PMDB –a ala que orbita em torno de Renan Calheiros e José Sarney e o segmento que gira em ao redor de Michel Temer. As entrevistas mostraram que a unidade peemedebista, pretendida por Lula, depende apenas da partilha administrativa.
O PMDB continua dividido. Mas a segmentação esquemática entre governistas e oposicionistas já não serve para definir as correntes do partido. A briga agora se dá entre governistas e neogovernistas.
Os governistas reivindicam de Lula a manutenção dos postos amealhados durante o primeiro mandato e a conquista de novos nacos da administração pública. Os neogovernistas condicionam a adesão plena à inserção de seus apadrinhados em nichos do Estado. Sob pena de sonegar a Lula os votos que diz controlar no Congresso –20% da bancada do PMDB na Câmara e 40% da do Senado.
O PMDB já gerencia três ministérios: Minas e Energia (Silas Rondeau), Comunicações (Hélio Costa) e Saúde (Agenor Álvares). Mas se queixa de interferência excessiva do PT. Quer o controle pleno. Reivindica, de resto, pelo menos mais três pastas. Cobiça, por exemplo, a dos Transportes e da Integração Nacional. O grupo neogovernista acha que merece pelo menos um dos novos ministérios.
Os peemedebistas se engalfinham também por estatais e autarquias. Os governistas querem, de novo, manter e ampliar espaços. No capítulo da manutenção entram os Correios e a Transpetro (subsidiária da Petrobras). Na conta da ampliação incluem-se diretorias da Caixa Econômica e do Banco do Brasil e estatais do setor elétrico. Os neogovernistas argumentam que o ônus do apoio ao governo impõe o bônus do compartilhamento dos novos postos.
O setor elétrico é, entre todos, o mais complicado. Na composição do primeiro ministério de Lula, em janeiro de 2003, coube à petista Dilma Rousseff a pasta das Minas e Energia. Com a queda de José Dirceu, ela foi deslocada para a Casa Civil. Apadrinhado de Sarney, Rondeau assumiu o lugar de Dilma. Na prática, porém, o novo ministro tornou-se um administrador de fachada.
À distância, Dilma continua se imiscuindo nos negócios das estatais elétricas. Não desencarnou, por exemplo, da Eletrobras que, desde julho do ano passado, é presidida por Aloísio Marcos Vasconcelos Novais, um ex-deputado do PMDB mineiro. No segundo mandato, o PMDB sonha em livrar-se do fantasma da ex-ministra. Quer liberdade para compor as equipes de estatais como Furnas, Itaipu e a própria Eletrobrás. Jader Barbalho não vê a hora de tomar conta de toda a diretoria da Eletronorte, que já controla parcialmente.
Sentindo o cheiro de queimado, Lula queixou-se a um governador aliado, em conversa telefônica na última quinta-feira: “Na imprensa, esse pessoal do PMDB fala que quer discutir programa. Comigo, só se fala de cargo.” A despeito das lamentações, o presidente disse estar disposto a “pagar o preço”, desde que o PMDB lhe assegure entre 85% e 90% dos votos do partido no Congresso.
Embora usual e menos danosa do que o mensalão, o rateio de cargos impõe riscos. Mencione-se, por eloqüente, o caso dos Correios. Foi ali, com o vídeo de Maurício “petequeiro” Marinho recebendo propina de R$ 3 mil, que a compostura ética do governo Lula começou a ruir. Desde julho passado, a autarquia serve de abrigo a apadrinhados dos senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Romero Jucá (PMDB-RR) e Luiz Otávio (PMDB-PA).
Suassuna responde a processo de cassação por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias. Jucá foi apeado da pasta da Previdência sob acusações de ter feito transações irregulares com o Banco da Amazônia. Otávio não pôde assumir uma cadeira no TCU porque é investigado pelo próprio tribunal numa transação suspeita com o BNDES.
Escrito por Josias de Souza às 02h31
Levantamento feito por um ministro do TSE revela o drama financeiro a que serão submetidos os partidos políticos sem voto. Legendas barradas nas últimas eleições pela chamada cláusula de desempenho perderão milhões do Fundo Partidário, verba pública destinada a financiar a atividade partidária.
O PTB de Roberto Jefferson (RJ), o PPS de Roberto Freire (PE), o PC do B de Aldo Rebelo (SP) e o PV de Fernando Gabeira (RJ) terão de se contentar com um repasse anual de cerca de R$ 40,6 mil. Significa dizer que cada uma dessas legendas vai dispor de escassos R$ 3,3 mil para o custeio de sua estrutura. Em alguns casos, não dá nem para pagar o aluguel da sede.
O flagelo financeiro afeta mais diretamente o PTB. O partido recebeu em 2006 a bagatela de R$ 6,7 milhões. O PPS amealhou R$ 1,1 milhão. O PC do B, R$ 840 mil. E o PV, R$ 563 mil. Doravante, todos terão de se virar com R$ 40,6 mil anuais.
A conta foi feita com base nos números de 2006. O valor do Fundo Partidário de 2007 ainda não foi fechado. Depende da arrecadação tributária deste ano. Pode haver, portanto, pequenas variações. Nada que altere, porém, o cenário de devastação que se acerca dos cofres dos partidos.
Para tentar contornar o problema, algumas legendas optaram pelo caminho da fusão. O PPS, por exemplo, está em processo de união com os nanicos PMN e PHS. A costura depende de homologação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Outras agremiações preferiram recorrer ao STF. Entre elas o PC do B. Há no Supremo três ações questionando a constitucionalidade do trecho da lei eleitoral que impôs aos partidos a cláusula de barreira. Foram apensadas num único processo. O relator é o ministro Marco Aurélio, que, por acaso, também é presidente do TSE.
A cláusula de barreira condenou a uma existência vegetativa os partidos que não conseguiram obter 5% dos votos do eleitorado para a Câmara e mais 2% da votação em pelo menos nove Estados. Apuradas as urnas, só sete legendas obtiveram votos suficientes para transpor o obstáculo: PMDB, PSDB, PFL, PT, PP PSB e PDT. Dividirão entre si 99% da verba do Fundo Partidário. Os sem voto ratearão o 1% restante.
Além de dinheiro, os sem voto perderão também uma das principais ferramentas de proselitismo: a televisão. Em vez de 20 minutos em rede nacional por semestre, terão escassos dois minutos anuais de tempo na TV. Perdem também regalias congressuais. Não poderão participar da mesa diretora, indicar líderes e membros de comissões temáticas e de CPIs.
Antes mesmo do pronunciamento do STF sobre a constitucionalidade da lei, políticos de várias legendas estão fazendo as malas. O maior beneficiário da migração será o PMDB. Cobiçada por Lula como esteio da coalizão governista do segundo mandato, o partido está de portas escancaradas para os náufragos das urnas.
Escrito por Josias de Souza às 21h42
Sérgio Lima/Folha Imagem
Lula deseja integrar os oposicionistas PDT e PV ao consórcio partidário que dará suporte ao seu governo no segundo mandato. Como primeiro gesto de aproximação, ele decidiu convidar a direção das duas legendas para conversar no Planalto.
O presidente do PDT, Carlos Lupi, já foi contatado. Recebeu nesta sexta um telefonema do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). O ministro deixou claro que falava em nome de Lula. Explicou que o presidente costura uma “coalizão partidária de centro-esquerda” e gostaria de contar com a “colaboração” do PDT.
Lupi mostrou-se aberto à conversa. Informou ao ministro que levará ao Planalto outros membros da direção do partido. Genro disse que discaria na próxima segunda-feira para confirmar a data do encontro com Lula. Em princípio, disse o ministro, será entre 27 e 28 deste mês.
Tarso Genro telefonou também para o presidente do PV, José Luiz Pena. No Planalto, informa-se que, a exemplo de Lupi, Pena também topou encontrar-se com Lula para discutir a “coalizão.” O blog ainda não conseguiu ouvir o presidente do PV.
No caso do PDT, a julgar pelo que disse o presidente da legenda ao blog, a hipótese de que venha a integrar a coalizão de Lula não é desprezível. “Não vejo como algo improvável”, disse Carlos Lupi. “É um segundo mandato, um outro momento. O presidente Lula foi legitimado por 60% dos votos do povo brasileiro. Não podemos querer ser donos da verdade, saber mais que o povo.”
Lupi afirma que, entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial, Lula assinou um documento comprometendo-se com pontos da plataforma do PDT. Por exemplo: não eliminar direitos trabalhistas, não privatizar mais nenhuma empresa pública e introduzir paulatinamente no país a escola de tempo integral. “Se esse compromisso for para valer, fica mais fácil de o entendimento caminhar.”
E quanto à possibilidade de o PDT ocupar cargos no governo? “Vai depender muito mais do que o presidente Lula vai nos propor. Ao vitorioso compete as iniciativas. A gente não está discutindo se o partido vai ter este ou aquele lugar. Queremos saber qual é a área que o presidente gostaria de ter como contribuição e o partido verá com responsabilidade. Não será definido nessa reunião. Nós sempre debatemos isso internamente ainda de tomar qualquer deliberação.”
O PDT participou da eleição presidencial com a candidatura do senador Cristovam Buarque (DF). Ficou em quarto lugar, atrás de Heloisa Helena (AL), do PSOL. Cristovam foi, ao longo de toda a campanha, um crítico feroz da gestão Lula.
O presidenciável do PDT malhou o mensalão e na reta final, depois da explosão do dossiêgate, insinuou que o eleitor de Lula poderia estar votando, em verdade, no vice-presidente José Alencar. Cristovam pichou também o formato do Bolsa Família. O programa carece, segundo ele, de condicionalidades educacionais. No segundo turno, o senador, que é ex-ministro da Educação de Lula, votou no tucano Geraldo Alckmin.
Segundo Lupi, Cristovam não vai integrar a comitiva que irá ao encontro com Lula. Argumentou que p senador não integra a Executiva do partido. Daí a ausência.
Escrito por Josias de Souza às 14h53

- Folha: Relatório oficial sugere falha do controle aéreo
- Estadão: FAB aponta Legacy fora de rota e pane de comunicação
- Globo: Cabral e Cesar fazem união inédita no Rio
- Correio: PMs e Bombeiros na máfia das vans
- Valor: Produtividade cresce mais na indústria do Nordeste
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h38
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h45
Lula Marques/Folha Imagem
Lula foi mesmo implacável com o PT nesta quinta. Não bastasse ter sinalizado que o partido vai mesmo perder espaço no primeiro escalão, não bastasse ter pedido aos petistas que não lhe causem mais problemas, o presidente ainda jogou um balde de água gelada nas pretensões do PT de lançar um candidato à presidência da Câmara.
No encontro que manteve com dirigentes do PT, no Planalto, Lula disse claramente que deseja a reeleição de Aldo Rebelo para o comando da Câmara. Conforme noticiado aqui no blog na semana passada, o PT decidira disputar a cadeira de Aldo. Lançaria para a vaga o nome do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia. Sem o apoio do Planalto, as chances de Chinaglia, que já dependiam de uma série de condicionantes, minguaram.
Terminado o encontro, a notícia sobre a oficialização da preferência de Lula espalhou-se pela bancada petista na Câmara. Uma parte dos deputados passou a ruminar dúvidas quanto à conveniência do lançamento da candidatura Chinaglia. Outra parte acha que o partido não deve retirar-se da disputa.
O apoio de Lula a Aldo tornou-se um problema também para o PMDB. O partido tem pelo menos dois pretendentes à presidência da Câmara: Eunício Oliveira (CE) e Geddel Vieira Lima (BA). Respeitada a tradição, a presidência caberia ao PMDB, dono da maior bancada –89 deputados.
O hábito, porém, já foi rompido várias vezes. A tradição foi às favas, por exemplo, na eleição de Severino “Mensalinho” Cavalcanti (PP-PE). Foi ao lixo também na própria escolha de Aldo, depois que Severino renunciou ao cargo e ao mandato.
Para o Planalto, Eunício teria entrado na briga apenas como peça de negociação. Acertado o apoio de Lula à reeleição de Renan Calheiros à presidência do Senado, o deputado não hesitaria em abrir mão da pretensão.
Quanto a Geddel, a equipe de Lula avalia que o deputado mantém seu nome no noticiário só para fazer contraponto ao poderio do grupo de Renan, ao qual se opõe. Mediante um pedido do presidente, também retiraria o seu nome do leque de opções.
Em público, Eunício e Geddel exibem disposição para o embate. O primeiro lançou-se na arena há semanas. O segundo vinha trafegando nos bastidores. Só nesta quinta passou a ostentar um discurso mais enfático. “As urnas deram ao PMDB o direito de reivindicar a presidência da Câmara”, disse Geddel.
A experiência indica, porém, que as suspeitas do Planalto são fundadas. É improvável que Eunício e Geddel resistam a um apelo de Lula em favor de Aldo. Mas o “sacrifício” terá um preço. A fatura pode ser cobrada imediatamente, na forma de cargos. Ou pode tornar-se uma nota promissória, a ser resgatada na primeira oportunidade.
Escrito por Josias de Souza às 00h59
Lúcio Távora/Folha Imagem
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), recebeu nesta quinta-feira um telefonema do Palácio do Planalto. Do outro lado da linha, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), de volta de uma folga de dez dias, disse que ligava a pedido do presidente da República. Convidou Temer para uma reunião com Lula. Disse que o presidente deseja iniciar os entendimentos para estabelecer com o PMDB os termos de uma "coalizão" governamental. O deputado aquiesceu. A conversa será na próxima quarta-feira.
A ligação representa o primeiro aceno concreto de Lula à ala do PMDB que hoje faz oposição ao seu governo. Até aqui, o presidente vinha discutindo a composição da equipe ministerial do segundo mandato apenas com o grupo governista do partido, capitaneado pelos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney e pelo deputado Jader Barbalho (PA). A exclusividade vinha irritando os não-governistas, agregados em torno de Temer.
Tarso trocou um telefonema também com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Historicamente vinculado à ala oposicionista do PMDB, Geddel aproximou-se do PT ao apoiar na Bahia a candidatura do governador eleito Jaques Wagner, do partido de Lula. O ministro reafirmou a Geddel algo que já dissera anteriormente: Lula deseja estabelecer com o PMDB uma relação “institucional”. Daí o convite a Temer.
Em diálogos privados, Temer manifesta a intenção de levar à conversa com Lula membros da Executiva do PMDB. Entre eles o próprio Geddel e o deputado Eliseu Padilha (RS), ex-ministros dos Transportes de Fernando Henrique Cardoso e segundo vice-presidente da legenda. Temer e Padilha apoiaram o tucano Geraldo Alckmin na campanha presidencial.
O aceno de Lula ocorre três dias depois de Michel Temer ter criticado publicamente o estilo de negociação empreendido pelo presidente, que privilegiava o grupo de Renan e Sarney em detrimento da direção do partido. Um peemedebista amigo de Temer fez uma sugestão. Propôs ao presidente do PMDB que convide para participar da reunião com Lula, além de integrantes da Executiva, também para o senador Renan Calheiros. Seria uma maneira, disse o amigo de Temer, apreço pela unidade partidária.
Não se sabe se Temer dará ouvidos ao companheiro. Os dois grupos do PMDB –o lulista e o não lulista—distanciaram-se um pouco mais nesta quinta. O governador reeleito de Santa Catarina, o não lulista Luiz Henrique (não lulista), estava tiririca com o presidente do Senado, o lulista Renan.
Em telefonemas a Temer e a outros peemedebistas do grupo, Luiz Henrique ameaçou até mesmo abrir uma dissidência declaradamente anti-Lula, arrastando para o movimento toda a bancada do PMDB catarinense. Ele atribui a Renan o esvaziamento de uma reunião de governadores peemedebistas que convocara para esta sexta.
Luiz Henrique convidara para o encontro os outros seis governadores do partido que triunfaram nas urnas deste ano, além de Michel Temer. Soube, porém, que os governadores lulistas Sérgio Cabral (RJ), Paulo Hartung (ES), Marcelo Miranda (TO) e Eduardo Braga (AM) não devem comparecer. Atribui a ausência a uma suposta articulação de Renan, a quem se referia nesta quinta com palavras pouquíssimo lisonjeiras.
Escrito por Josias de Souza às 20h09
Reuters
Um ataque cardíaco matou nesta quinta o economista Milton Friedman, 94. Era defensor ardoroso da economia de mercado e inimigo feroz de todo Estado que metesse o bedelho na vida alheia e em negócios indevidos.
Durante os anos 50, 60 e início dos 70, Friedman foi patrulhado. Ele próprio dizia que suas palavras valiam tanto quanto “baganas de cigarros” fumados. Devagarinho, começou a ser festejado. Em 76, beliscou o Nobel de Economia. Desce à cova como um dos economistas mais respeitados do planeta.
Friedman é autor da mais sucinta e reveladora tese já elaborada no campo da “ciência” econômica: “Não existe almoço grátis.” À medida que até a ex-esquerda festiva foi se dando conta de que a melhor ideologia é aquela que cabe no orçamento, a tirada de Friedman foi ganhando ares de valioso achado. Um achado que não nasceu da leitura de compêndios.
Em “Two Lucky People” (Duas Pessoas de Sorte), livro que escreveu em parceria com a mulher Rose, Milton Friedman conta como descobriu o preço do almoço. Tinha 16 anos. Logrou obter o seu primeiro emprego. Servia as mesas de um restaurante próximo ao colégio em que estudava. Seu salário era um prato de comida diário, o almoço. A partir de agora, Friedman vai almoçar em outra freguesia. Para os (poucos) sobreviventes da esquerda clássica, o velho Milton passará a dividir a mesa com o Diabo, nas profundezas. Para gente como Henrique Meirelles e Armínio Fraga, presidentes do Banco Central respectivamente sob Lula e FHC, Milton vai banquetear-se em mesa celestial, sentado à esquerda de Deus Nosso Senhor.
Escrito por Josias de Souza às 18h11
O petismo anda abespinhado com Lula. Julga-se alijado das negociações para a composição da Esplanada do segundo mandato. Nesta quinta, o alto comando do PT foi passear na floresta do gabinete presidencial. Esperava encontrar a doce Vovozinha. Deu de cara com Lobo Mau.
Pra que essas orelhas tão grandes? É pra ouvir o PMDB. Pra que um focinho tão grande? É pra farejar os odores dos novos tempos. E pra que essa boca tão grande? É pra morder os cargos do PT e entregar à fisiologia...
Lula deixou as coisas muito claras na conversa com o PT: não está atrás de uma equipe de conto de fada. Deseja um ministério politicamente rentável, uma equipe que lhe renda votos no Congresso. E não admite que o PT venha lhe pentelhar.
O partido terá, informou o Lobo a Chapeuzinho, a cota que for possível. Na saída do encontro, não restou a Marco Aurélio Garcia, presidente do PT, senão a resignação.
No Brasil dos últimos anos, pelo menos desde a presidência de José Sarney, a composição de um ministério é sempre algo inqualificável. Portanto, muito fácil de qualificar. Na essência, é um conchavo da falta de pudor com a carência de escrúpulos, do qual a ética prefere se abster.
Lula entrega-se uma vez mais ao jogo. Se puder, irá envernizar a Esplanada com um ou outro nome digno de respeito. Mas tende a acomodar na maioria das pastas pessoas que tenham atrás de si estruturas congressuais. Se vierem acompanhados de boas biografias, tanto melhor.
Por enquanto, as articulações ministeriais de Lula só produziram especulação e angústia. São ingredientes incontornáveis da receita. Mas cabe ao presidente cuidar para que não estraguem o quindim da vitória.
Lula prometera, por meio do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) que faria uma negociação “institucional” com os partidos. Procuraria os presidentes de cada legenda. Deu-se o oposto até aqui. O presidente vem se movendo de forma errática. Privilegia os contatos individuais em detrimento das direções partidárias.
Afora o grupo governista do PMDB –Renan Calheiros, José Sarney, Jader Barbalho e Cia.—todos os demais "aliados" seguem os passos de Lula com um pé atrás. No ringue de boxe em que vai se transformando a composição ministerial, só o PT conhece o seu papel. Nessa briga, o partido do presidente vai entrar com a cara. Os outros aliados tentam somar pontos distribuindo jabs. Não bastasse encrenca do ministério, o presidente vê-se ainda às voltas com complicações na montagem do xadrez da renovação do comando das duas Casas do Congresso.
Escrito por Josias de Souza às 16h11

- Folha: INSS e gasto com pessoal dificultam investimento
- Estadão: Governo estuda MP para ajudar o Incor
- Globo: Nem aquartelamento acaba com atrasos em aeroportos
- Correio: Esquema de fraudes mantém vans nas ruas
- Valor: Sobram recursos baratos para o comércio exterior
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h17
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h47
Lula quer criar força militar conjunta no Cone Sul
O Grito/Edvard Munch
Numa fase em que o Ministério da Defesa tem dificuldades até mesmo para controlar o tráfego aéreo nacional, o governo Lula prepara-se para alçar um vôo ambicioso. O Brasil irá propor aos demais países da América do Sul a criação de uma força militar conjunta do continente. Funcionaria nos moldes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
A proposta fica pronta em 2007, o primeiro ano do segundo mandato de Lula. Está sendo elaborada pelo NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência). Integra o Projeto “Brasil 3 Tempos”. Trata-se de um plano estratégico para converter o Brasil numa “nação desenvolvida” até 2022, ano em que se o país irá celebrar os 200 anos de sua independência.
O NAE era chefiado até a semana passada por Luiz Gushiken, que pediu demissão. O comando do núcleo foi assumido por Oswaldo Oliva Neto. Vem a ser um coronel reformado da artilharia do Exército. É irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Graduou-se em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Vinha respondendo pela secretaria-executiva do NAE.
O “Brasil 3 Tempos” é um projeto concebido em 2004, para definir metas estratégicas para o governo em 50 áreas distintas –da política cultural à nanotecnologia. Deve-se ao próprio coronel Oliva Neto a revelação de que o programa de cooperação militar dos países sul-americanos é um apenso do capítulo “Sistema de Defesa Nacional”, um dos 50 temas de que vem se ocupando o NAE.
O coronel compareceu a um seminário em que foram debatidos temas de interesse do Brasil e da União Européia. Deu-se em Brasília. O encerramento foi há dois dias. Falando no encontro, Oliva Neto disse que a força militar conjunta do Cone Sul visa, entre outras coisas, “impedir uma aventura militar ou uma pressão de um país sobre a região ou sobre uma nação sul-americana.” Suas declarações foram resumidas em texto veiculado no sítio do PT.
Embora Lula tenha declarado que não deseja exercer o papel de líder latino-americano, o coronel disse que, para que a Otan latina se torne realidade, será necessário que o presidente exerça sua “liderança política.” A conclusão do projeto ainda vai levar, segundo disse, alguns meses. Depois de concluído, será submetido aos governos dos países do Cone Sul e do Pacto Andino.
Além da defesa territorial, a união das forças militares serviria, na opinião do coronel, para a defesa das riquezas naturais do continente. Mencionou as reservas petrolíferas, O coronel Oliva acredita que o continente tem um volume respeitável de petróleo, de água e a biodiversidade. São temas que, na avaliação do coronel, provocam “estresse internacional”.
Para o coronel Oliva Neto, “há uma tendência, em médio prazo, de risco de uma tentativa de pressão internacional sobre a América do Sul, através da área militar”. Daí a necessidade de união continental das forças militares.
O tema tem potencial para deixar Washington de cabelo em pé. A administração de George Bush olha de esguelha para administrações como a de Hugo Chávez, na Venezuela, e de Evo Morales, na Bolívia. E não há de ver com bons olhos a junção dos exércitos desses países com as Forças Armadas das demais nações da América do Sul.
De resto, num instante em que o governo discute um pacote fiscal e que se prepara para mostrar o tamanho da tesoura do segundo mandato, são no mínimo inusitados os planos de expansionismo militar. Sobretudo se for considerado o fato de que, no Brasil dos últimos anos, Exército, Marinha e Aeronáutica têm manejado mais o pires da penúria do que o equipamento bélico.
Escrito por Josias de Souza às 00h31
Depois de perder para Lula a cadeira de presidente da República, o tucano Geraldo Alckmin amarga agora o risco de ter de acomodar-se num assento bem mais incômodo: uma cadeira de CPI. O líder do PT na assembléia Legislativa de São Paulo, Ênio Tatto, anunciou a intenção de convocar o ex-presidenciável tucano para depor na CPI da privatização da Eletropaulo. Cândido Vacareza, outro deputado estadual petista, diz que Alckmin “tem que ser o primeiro a depor.”
Há na fila um lote de sete dezenas de CPIs por instalar na Assembléia paulista. Foram sufocadas pela bancada governista durante toda a gestão de Alckmin como governador, entre 2001 e 2006. Ao julgar uma ação de autoria do presidente do PT, Ricardo Berzoini, hoje licenciado do cargo, o STF derrubou os artifícios regimentais que impediam a instalação das CPIs.
Na última segunda-feira, o presidente da Assembléia, Rodrigo Garcia (PFL), viu-se compelido a pôr a fila para andar. Determinou que fossem abertas duas CPIs: a da Eletropaulo e a da Guerra Fiscal. Segue uma ordem cronológica. Pintado para a guerra, o petismo deseja agora tirar o atraso, arrastando um Alckmin sem a proteção de um mandato eletivo para sua primeira CPI.
A Eletropaulo foi ao martelo em 98, quando o Estado de São Paulo ainda era governado por Mario Covas. Vice-governador à época, Alckmin comandou o processo. O petismo sustenta que a compradora da ex-estatal paulista, a empresa norte-americana AES serviu-se de um empréstimo supostamente irregular de R$ 1,2 bilhão. Foi concedido pelo BNDES, durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.
O deputado estadual Duarte Nogueira (PSDB) dá de ombros para as ameaças do PT. Diz que a privatização da Eletropaulo foi regular. Afirma, de resto, que o ex-governador Alckmin não tem nada a esconder. O propalado "terceiro turno" da eleição presidencial, como o PT batizou as alegadas intenções do tucanato de causar transtornos à segunda gestão de Lula, ainda não deu o ar da graça em Brasília. É em São Paulo que ele dá os seus primeiros passos, conduzido pela mão do petismo.
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Parozitti
As principais centrais sindicais do país, à frente a CUT e a Força Sindical, organizam uma marcha de 10 mil pessoas a Brasília. Será no dia 6 de dezembro. O objetivo é pressionar o governo Lula e o Congresso a aprovarem um aumento de 20% no valor do salário mínimo –dos atuais R$ 350 para R$ 420. As centrais reivindicam também a antecipação do reajuste de abril para março de 2007.
O problema é que o Orçamento da União para o próximo ano prevê um reajuste bem menor –o mínimo passaria de R$ 350 para R$ 375. Às voltas com a discussão de um pacote fiscal que inclui a perspectiva de cortes de gastos, o governo não se mostra disposto a atender à reivindicação. “Daí a necessidade da marcha”, disse ao blog o presidente da CUT, Artur Henrique (na foto). “Achamos que é preciso fazer pressão”.
As centrais estabeleceram “cotas de mobilização” de manifestantes. O movimento será iniciado nos Estados, no próximo dia 29. “Reuniremos 10 mil pessoas com certa facilidade”, diz Henrique. “Marcharemos sobre a Esplanada dos Ministérios na manhã do dia 6 de dezembro. À tarde, iremos ao Congresso Nacional. A pressão deve ser exercida sobre o Executivo e o Legislativo.”
Esse é o primeiro embate direto entre o movimento sindical e o governo depois da eleição presidencial. Durante a campanha, as duas maiores centrais se dividiram. A CUT apoiou Lula (PT). A Força Sindical ficou ao lado do candidato derrotado Geraldo Alckmin (PSDB). Um dos principais argumentos da CUT em favor de Lula foi o de que o presidente assegurou aumentos reais para o mínimo ao longo do primeiro mandato.
No final do ano passado, as centrais pediam que o mínimo fosse reajustado de R$ 300 para R$ 400 (33%). Ao final de uma negociação que consumiu os três primeiros meses de 2006, o mínimo foi a R$ 350 (16,6%). Embora o aumento tenha ficado aquém da reivindicação dos trabalhadores, foi uma das maiores altas da história. Houve, de quebra, um ganho adicional: o governo antecipou a vigência do reajuste de maio para abril.
O número de brasileiros que recebem o salário mínimo –entre empregados ativos e pensionistas da Previdência— é aposentados de 25 milhões de pessoas. Se o valor for reajustado para R$ 420, como desejam as centrais sindicais, o impacto sobre o Orçamento da União será de cerca de R$ 14 bilhões. Algo nada negligenciável para um governo às voltas com a necessidade de conter gastos e de ajustar as contas da Previdência.
Artur Henrique argumenta que é preciso considerar tamb’’em os aspectos positivos. “Além de contribuir para a redução da pobreza, o aumento da renda dos trabalhadores e pensionistas eleva o consumo e exerce um efeito dinâmico sobre a economia que contribui para o desenvolvimento da economia”, diz ele.
O presidente da CUT argumenta, de resto, que, somando-se os trabalhadores do mercado formal e do informal (sem carteira assinada) há 22 milhões de pessoas recebendo o salário mínimo. Somando-se a esse contingente as pessoas que recebem até dois mínimos, o número de beneficiados sobre para 42 milhões. “É a maior campanha salarial do mundo”, diz Henrique.
As centrais negociam com o ministro Luiz Marinho (Trabalho) a abertura de negociações no dia 6, data da marcha sobre Brasília. Querem também que Lula abra um espaço em sua agenda para receber os representantes dos trabalhadores. Henrique diz que só haveria um modo de convencer as centrais a aceitar reajuste menor do que 20%: “Se for aprovado um projeto instituindo regras para uma política de reajustes permanentes do mínimo nos próximos cinco, dez ou 20 anos, poderíamos discutir valores menores para já. Do contrário, nós nos fixaremos nos R$ 420.”
Escrito por Josias de Souza às 17h03

- Folha: Aeronáutica confina controladores
- Estadão: Governadores serão chamados para ajuste fiscal
- Globo: Lula rejeita pacote da área econômica e pede ousadia
- Correio: Pacote vai reduzir impostos e a CPMF
- Valor: Governo avalia a criação de piso mínimo da Previdência
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 04h05
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 04h01
'Após 2008, é impossível segurar 2010', diz Aécio
Leonardo
Wen
O governador reeleito de Minas, Aécio Neves (PSDB), acha que
2008 será o início do fim do segundo governo Lula. Avalia que,
passada a eleição municipal, o presidente irá "declinar fortemente".
E “vai ser impossível segurar 2010.” Para o governador mineiro,
potencial candidato à próxima sucessão presidencial, “as forças políticas
que estiverem com Lula começarão a se agregar em torno da expectativa de poder
futuro.” Aposta que o PSDB “o primeiro da fila”, representará
essa expectativa. Leia abaixo entrevista de Aécio ao
blog:
- O que acha da idéia de novo
partido?
É inviável. Sobretudo como projeto
para 2010. A lei proíbe que partido criado entre uma eleição e outra tenha tempo
na TV. É uma questão pragmática. Precisamos é abrir o PSDB para lideranças de
outros partidos, principalmente no Norte e Nordeste, onde tivemos desempenho
pífio. A derrota não foi do Geraldo [Alckmin]. Foi do
PSDB.
- Já estabeleceu um armistício com
José Serra?
Temos tido muitas conversas. Não
haverá essa disputa tão propalada. Se um dia eu vier a concorrer à presidência,
será num processo natural, que una o partido. Sair candidato a partir de uma
disputa interna, eu não saio. As últimas experiências mostraram que isso é um
erro.
- Refere-se a Serra-2002 e
Alckmin-2006?
Ficou demonstrado que a disputa
interna não é o melhor caminho. Se o Serra construir as condições para ser o
candidato, vai ter o meu apoio.
- Ninguém acredita
nisso.
É compreensível. As pessoas estão
pré-dispostas a acreditar que nós vamos disputar. Mas é preciso saber se eu
estou disposto. Digo que não estou.
- Acha que, por ser novo, pode
esperar?
Não é só questão de idade. Se as
circunstâncias forem construídas para 2010, estarei preparado. Mas não preciso
forçar uma barra. Acredite. Se o Serra ou outro companheiro construir uma
candidatura em condições de vencer, estarei do lado dele. O Serra será um grande
presidente, quando eleito. Ele tem é que criar essas condições para ser eleito.
Não podemos entrar divididos na eleição.
- Quando 2010 entra na
agenda?
Tanto o Serra quanto eu temos
interesse em retardar isso ao máximo. Precisamos de tranqüilidade para governar.
Temos dois Estados cheios de problemas.
- Mas
quando 2010 entra em cena?
Doutor Tancredo [Neves] dizia: ‘A
expectativa de poder atrai muito mais do que o poder presente. Lula é um poder
que vai perder um pouquinho de força a cada mês. Vai reunir uma grande aliança
numérica. Mas em 2008 o governo Lula começará a declinar
fortemente.
- Como
assim?
Com as eleições municipais, todos
que estiverem em torno do governo vão sugar o que puderem, para fortalecer as
suas bases eleitorais, a começar pelo PMDB. Na hora que terminar 2008, vai ser
impossível segurar 2010. As forças políticas que estiverem com Lula começarão a
se agregar em torno da expectativa de poder futuro.
- E essa expectativa de poder será
o PSDB?
Sim. Quando Serra perdeu, em 2002,
o PSDB continuou sendo o primeiro da fila. O mesmo desafio se impõe agora. Não
podemos deixar que nos ultrapassem. Temos que explorar o desgaste do PT e a
impossibilidade de reeleição do Lula. O ano de 2008 será uma espécie de final
antecipado para o governo Lula.
(Leia a continuação no texto
abaixo... )
Escrito por Josias de Souza às 03h42
PSDB decide reformular programa para disputar 2010
(Segunda parte da entrevista de Aécio Neves)
- O que fazer com o PSDB depois da derrota presidencial?
O PSDB continua sendo a grande alternativa de poder. Não há outra. É hora de o partido se movimentar.
- Que tipo de movimento?
O PSDB vai refazer o seu programa. Todo partido tem que se atualizar. O Brasil mudou, a configuração política do país mudou. Nosso programa precisa refletir essas transformações. Vamos fazer um diagnóstico, para evitar o achismo. Decidimos promover, por meio do Instituto Teotônio Villela, vários seminários regionais.
- Quando vai ser?
A decisão foi tomada, mas as datas ainda não foram marcadas. Tenho conversado muito com o [José] Serra, com o Fernando Henrique e com o Tasso [Jereissati]. Devemos iniciar no início de 2007. Em novembro de 2007, na nossa convenção nacional, além de eleger o novo partido, podemos aprovar o programa.
- O PSDB continuará envergonhado da era FHC?
Precisamos assumir com convicção os avanços da era Fernando Henrique. E com rapidez, sob pena de, com a nossa omissão, permitir que a base do partido, os vereadores, os prefeitos, fiquem envergonhados.
- O que há para defender?
Sem prejuízo de fazermos o mea-culpa pelos erros –o apagão da energia, por exemplo—, há muita coisa. A timidez da eleição foi um erro. Precisamos dizer aos brasileiros que o PT, ao condenar as privatizações, está pedindo que eles joguem o celular no primeiro bueiro que encontrar na rua. O setor siderúrgico, hoje se expansão, há quatro anos estava na porta do Tesouro pedindo socorro. A Vale do Rio Doce recolhe agora mais impostos do que pagava em dividendos quando era estatal. E há a conquista da estabilidade e a modernização da economia.
- A bandeira da estabilidade não foi apropriada pelo Lula?
Estou propondo uma pesquisa sobre determinadas questões. Suspeito que mais gente vai achar que Lula é que fez a estabilidade, não o PSDB. Por isso precisamos reconstruir o discurso vigoroso, recuperação as contribuições que demos ao país e pela formulando propostas novas.
(Leia a continuação no texto abaixo...)
Escrito por Josias de Souza às 03h36
‘Achar que Lula pode me cooptar é erro primário’
(Terceira e última parte da entrevista de Aécio Neves)
- O que achou de Fernando Henrique ter dito que o sr. poderia ser um inocente útil nas mãos de Lula?
Tenho relação muito próxima com Fernando Henrique. Tenho um respeito grande por ele. Coisa fraterna mesmo, não só retórica. Ele pode ter falado isso. Quando sai publicado, parece um certo menosprezo. Mas eu tenho absoluta certeza de que o Fernando Henrique não me subestima. Nem ele nem o Lula.
- Por que a certeza?
A última vez que me subestimaram, lá em Brasília, virei presidente da Câmara. Achar que o Lula pode me cooptar é o maior erro que alguém poderia cometer. Um erro primário. Absurdo total. O mesmo raciocínio vale para o [José] Serra. Não se deve subestimar a nossa visão política nessa questão do relacionamento o governo federal.
- E como será o relacionamento com o governo Lula?
Quem acha que Lula pode cooptar a mim ou ao Serra não nos conhece. O argumento é o de que precisamos do governo federal. É desconhecer a força dos nossos Estados. Minas é hoje um Estado que eu posso governar por quatro anos sem depender de nenhum favor do governo.
- Mas o sr. reivindica melhor tratamento da União em relação aos Estados, não?
Estou discutindo as teses não que interessam apenas a Minas, mas à federação. São questões relacionadas ao à redistribuição dos recursos. Quero evitar que nós, governadores, venhamos a cair na armadilha que outros já caíram. Fomos lá, fizemos várias fotos na Granja do Torto, reforma pra lá, reforma pra lá... O governo conseguiu aprovar a prorrogação da CPMF e da DRU. Depois, nunca mais discutiu pra valer a reforma tributária. Quero inverter esse processo.
- Vai propor um foro dos governadores?
Não estou querendo fazer nenhuma reunião formal, até para não cometer nenhuma indelicadeza com governadores que ainda estão nos cargos. Estou consultando os governadores, para construir uma pauta, que deve estar pronta até o início de dezembro. Não há necessidade de reunir todos. É preciso ser prático. Não são temas novos. São assuntos que estão aí, no gatilho.
- Esse documento vai ser entregue a Lula?
Vamos entregar ao Congresso em fevereiro de 2007, depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Iremos com as nossas bancadas. No Congresso, apresentaremos também aos líderes do governo. Sei que o governo está de novo interessado em prorrogar a CPMF e a DRU. Não me nego a discutir. Mas agora nós vamos ter uma agenda. Avancem na agenda da federação, do fortalecimento dos Estados, para nós podermos discutir a agenda do governo Lula.
- Se o presidente o chamar para conversar, aceitará o convite?
Pelos sinais que eu dei, acho que ele nem vai chamar. Mas sou de um Estado em que a gente aprende muito cedo que convite do presidente da República não se recusa. Se ele me chamar para discutir a nossa agenda, claro que eu vou. Estamos apresentando as mesmas propostas que havíamos apresentado no início do primeiro mandato. O governo federal demonstrou enorme boa-vontade. Depois, deixou na lata do lixo. Agora, queremos que a definição desses pontos venha antes dos interesses da União.
Escrito por Josias de Souza às 03h34
Glauco
O novo mandato ainda nem começou e Lula II já amarga sua primeira crise pós-eleitoral com o PMDB. Sentindo-se desprestigiada pelo presidente, a ala liderada por Michel Temer (SP), presidente do PMDB, ameaça melar o projeto de “coalizão” do partido com o governo. O grupo avalia que Lula repete um “erro” que cometera durante todo o primeiro mandato: privilegia a negociação fragmentária e individual em detrimento do “diálogo institucional”.
Escrito por Josias de Souza às 22h55
O signatário do blog participa diariamente do programa 'Atenção Brasil', da Rádio Cultura de São Paulo, transmitido entre 19h e 20h. Em diálogo com Vinicius França, âncora do programa, o repórter comenta fatos do dia.
A partir desta terça, os comentários serão veiculados também aqui neste recanto virtual. Na participação de hoje, foram abordados três temas: 1) a primeira crise na negociação de Lula com o PMDB, 2) a decisão do TCU de investigar o setor aéreo e 3) o encontro do governador reeleito de Minas, Aécio Neves, com o presidenciável derrotado Geraldo Alckmin. Para ter acesso ao arquivo de áudio (9:05 minutos), pressione aqui.
Escrito por Josias de Souza às 21h03
Eduardo Knapp/Folha Imagem
O governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves, está reunido neste momento com Geraldo Alckmin. É o primeiro encontro dos dois depois que Alckmin foi derrotado por Lula na eleição presidencial. O blog ouviu Aécio minutos antes de ele entrar no Instituto Teotônio Vilela, em São Paulo, onde a conversa está ocorrendo.
Aécio disse que sua intenção era ouvir Alckmin acerca de seus planos políticos. Perguntou-se ao governador mineiro o que acha da hipótese de o Alckmin ocupar a presidência do PSDB. E Aécio: “Acho que ele tem méritos para isso. Pode vir a ser presidente do partido. Vamos ver se é isso o que ele deseja.”
O governador achou acertada a decisão do senador Tasso Jereissati (CE), de não renunciar ao cargo para abrir espaço para Alckmin. “Acho prudente. Numa hora dessas, precisamos ter tranqüilidade interna”. Acha que, se Alckmin quiser mesmo presidir o PSDB, terá de ser num processo negociado. “Se ele realmente estiver pensando nisso, será uma alternativa forte para novembro do ano que vem [quando termina o mandato de Tasso]. Isso não pode se dar com disputa, com o partido fracionado. Precisamos cuidar da unidade.” Participa também da conversa com Alckmin a governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB).
Escrito por Josias de Souza às 18h41
Em operação realizada nesta terça, a Polícia Federal desbaratou uma quadrilha acusada de fraudar licitações públicas. Entre os presos está Marcelo Gabriel. Ele é filho do ex-governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB-PA), derrotado nas últimas eleições pela petista Ana Julia Carepa.
De acordo com a PF, a quadrilha da qual Marcelo Gabriel faria parte mexia os seus pauzinhos para que empresas em dívida com a Previdência participassem e vencessem licitações. Pela não, firmas com dívidas previdenciárias não podem transacionar com os governos federal, estadual e municipal.
Os golpes da quadrilha ocasionaram prejuízos que a PF estima em R$ 9 milhões. Marcelo Gabriel e outros suspeitos foram às algemas. Apareceram na Globo, em rede nacional (assista). A cena fez lembrar uma outra, ocorrida na era FHC. Naquela ocasião, o detido não era filho, mas um ex-governador em carne e osso: Jader Barbalho (PMDB-PA).
O apoio de Jader foi decisivo para que a petista Ana Júlia conquistasse o governo do Pará. O deputado peemedebista é hoje conselheiro político de Lula, para assuntos de peemedebismo. Foi à garra sob FHC por conta de denúncias de desvios praticados na velha e generosa Sudam.
O antecessor de Lula facultaraa Jader o controle da Sudam, dona de um orçamento de dimensões amazônicas. A encrenca envolveu à época até um criatório de rãs. Registrado em nome da mulher de Jader, o ranário também beliscou verbas de incentivos fiscais. No dia de sua prisão, Jader, que renunciara à presidência do Senado e ao mandato de senador para fugir à cassação, valeu-se de um livro para ocultar as algemas que a PF lhe grudara nos pulsos. É dura, como se vê, a vida do eleitor paraense. No Pará, se correr o tucano pega; se ficar o ranídeo come.
Sempre muito criativa, a PF batizou a ação desta terça, que resultou na prisão do filho de Almir Gabriel, de “Operação Rêmora”. Vem a ser, segundo mestre Aurélio, um “gênero de peixes altamente especializados, que abrange os equenídeos e várias outras espécies congêneres; algumas espécies são cosmopolitas e fixam-se também ao fundo das embarcações.”
Em outra operação realizada também nesta terça, a PF desmantelou uma outra quadrilha que fraudava o erário em Pernambuco. Estima-se que, ali, os desvios alçaram a casa dos R$ 10 milhões.
Escrito por Josias de Souza às 15h34
O Tribunal de Contas da União aprovou há pouco a abertura de auditoria para apurar as causas da crise na gestão do tráfego aéreo brasileiro. Em função da “gravidade da situação” dos aeroportos, o TCU decidiu passar por cima de formalidades. A fiscalização começa já na próxima segunda-feira. Serão auditados o Ministério da Defesa, o Comando da Aeronáutica, a Infraero e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).
Apresentada pelo ministro Marcos Vilaça, a proposta de auditoria foi aprovada por unanimidade no plenário do TCU. No texto que submeteu à análise dos colegas, Vilaça anota: “Desde o último dia 28 de outubro, o país vem passando por grave crise, com intensidade variável, de gestão do controle do tráfego aéreo (...). Trata-se da mais séria situação enfrentada pelo setor aéreo de que tenho lembrança.”
O ministro diz ainda em seu texto que “as autoridades aeronáuticas têm divulgado vagamente a adoção de providências (...)”. Porém, “passados mais de 15 dias, não há nenhuma certeza e muito menos garantia de que os atrasos e cancelamentos de vôos não vão voltar a ocorrer. Pelo contrário, os fatos presenciados nesta semana em diversos aeroportos brasileiros e os resultados das últimas reuniões nos trazem preocupações adicionais.”
Na opinião de Vilaça, corroborada pelos demais ministros do tribunal, o país “não pode aguardar indefinidamente a formação de novos controladores de vôos, a aprovação de aumentos salariais e a alocação de recursos suficientes para a modernização dos aeroportos. É preciso atuar tempestivamente, adotando-se soluções urgentes para enfrentar a emergência que se apresenta”.
Vilaça anota ainda em seu texto que, de acordo com os jornais, a modernização do setor aéreo exigirá investimentos de R$ 7 bilhões até 2010. O mesmo noticiário, escreve o ministro, informa que a Infraero só poderá investir R$ 2,8 bilhões, “a despeito de os usuários pagarem uma das mais altas taxas de embarque do mundo”.
O ministro arremata: “É preciso saber, com exatidão, quanto os órgão públicos envolvidos dispunham de recursos em seus respectivos orçamentos, nos últimos três anos, e quanto efetivamente aplicaram no funcionamento do sistema aéreo nacional, especialmente na formação e contratação de operadores de tráfego aéreo. Importa, principalmente, conhecer quanto o Governo Federal está alocando nesta área para o ano de 2007 e avaliar a compatibilidade desse montante com a complexidade da missão a ser cumprida.”
Vilaça lembrou que os prejuízos da crise aérea não se limitam ao turismo: “Doentes não conseguem viajar para receber atendimento médico. Empresários deixam de fazer novos negócios. Profissionais liberais perdem compromissos agendados. Advogados faltam a audiências; enfim, de uma forma ou de outra, todos acabam sofrendo limitações em suas atividades profissionais ou pessoais.”
Também os cofres públicos amargarão prejuízos: “Na esfera do Poder Público, o erário será atingido, inexoravelmente, direta ou indiretamente, em razão de ações indenizatórias, ainda que por meio de ações regressivas promovidas pelas empresas aéreas, que têm divulgado que não vão ressarcir os prejudicados.”
“A gravidade da situação”, arrematou o ministro, “impõe que esta Casa dispa-se de formalidades procedimentais e inicie já na próxima segunda-feira, dia 20 de novembro, um imediato trabalho de campo, com experimentadas equipes de auditorias, no âmbito do Ministério da Defesa, do Comando da Aeronáutica, da Infraero e da ANAC, simultaneamente, para identificar os pontos centrais do estrangulamento do sistema e propor, ao relator a ser designado, pertinentes encaminhamentos para os problemas atuais”.
PS.: Depois de reunir-se com Lula, o ministro Waldir Pires (Defesa), que dias atrás dissera que a situação dos aeroportos estava normalizada, admitiu que a encrenca vai se prolongar por pelo menos mais 60 dias. Ou seja, quem tem viagens programadas para os feriados de Natal e Ano Novo deve colocar as malas de molho.
Escrito por Josias de Souza às 15h05
Nota publicada na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):
Duda tenta - Duda Mendonça tentou desbloquear seus bens no STF (Supremo Tribunal Federal), na sexta-feira. Em vão. De acordo com seu advogado, Tales Castelo Branco, ele agora deverá pedir a nomeação de um administrador judicial, que zele pelo patrimônio e preste contas à Justiça -mas que libere recursos para Duda fazer frente a despesas "básicas", como "pagamento de contas médicas e de advogados".
Escrito por Josias de Souza às 09h52

- Folha: Crise aérea atrasa 42% dos vôos
- Estadão: Lula vira cabo eleitoral de Chávez e ataca imprensa
- Globo: Boicote dos controladores mantém caos em aeroportos
- Correio: Lula ataca elite e incensa Chávez
- Valor: Governo avalia a criação de piso mínimo da Previdência
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h10
Não deixe de visitar o sítio Charges.com.
Escrito por Josias de Souza às 02h50
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h45
Ipea diz que Brasil só crescerá 5% na era pós-Lula
Na noite de 29 de outubro, depois de reeleito, Lula prometeu um crescimento econômico de 5% do PIB para 2007. A promessa é uma falácia. Quem diz não é nenhum oposicionista, mas o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento.
Em estudo de 135 páginas, o Ipea estima que “a perspectiva de crescimento médio para o biênio 2006-2007 é de apenas 3,5% ao ano”. E prevê que até 2010 o PIB oscilará positivamente entre 4% e 4,5%. Desde que o governo adote uma série de providências amargosas. A taxa de 5% só viria em 2017.
A julgar pelo conteúdo do documento do Ipea (íntegra aqui), mesmo que quisesse, Lula não conseguiria entregar o crescimento de 5% que anunciou. “Duas restrições impedem que essa tendência se materialize já nos próximos anos”, anota o texto. A primeira: a atual infra-estrutura do setor elétrico só suporta uma expansão da “em torno de 4% ao ano até 2010.” Mencionada como exemplo, a debilidade do setor elétrico não é o único gargalo estrutural. “A carência de investimentos em infra-estrutura é geral”, diz o texto.
Agora, a segunda restrição: a taxa de investimentos, projetada para 20% do PIB em 2006, “impede uma expansão sustentada acima de 3,5% ao ano.” Para que a economia se desenvolva a taxas de 5% a partir de 2011, ou seja, na administração que seguirá ao segundo ciclo de Lula, é “preciso criar as condições” para que a taxa de investimentos alcance o patamar de 26% do PIB. O aumento dos investimentos passa por um conjunto de "reformas institucionais", diz o Ipea.
O documento apresenta direitos previstos na CLT –férias e 13º salário, por exemplo—como inibidores do crescimento. “É preciso rever e minimizar esse rol de direitos”, diz o texto. Sugere-se também a “flexibilização das negociações coletivas”, permitido que o negociado prevalece sobre a lei. Não é só: o estudo propõe a restrição do acesso ao FGTS e o fim da multa de 40% paga em casos de demissão imotivada.
Na área fiscal, o Ipea propõe a adoção de uma política que, na campanha presidencial, foi defendida não por Lula, mas pelo rival Geraldo Alckmin: “Adoção, ainda em 2007, de um conjunto de medidas fiscais para 2007 e 2008, centradas na contenção do crescimento do gasto público, com o objetivo de atingir o ‘déficit zero’, ou algo muito próximo disso, até o início do governo seguinte.”
Para o setor previdenciário, recomenda-se uma reforma que, de novo, é pouco palatável. Sugere-se, entre outras coisas: a desvinculação entre o piso das pensões e o salário mínimo e a adoção de idade mínima para as aposentadorias do setor privado –55 anos homens e 60 para mulheres—e a volta do limite de idade de 70 anos para o acesso aos benefícios da LOAS, hoje fixado em 65 anos.
Pelo receituário do Ipea, o governo teria de conviver com a meta de superávit primário de 4,25% do PIB até 2009. Só em 2010 seria possível iniciar uma “redução suave e gradual”. Mercê de compromissos já assumidos, as despesas com pessoal cresceriam 6% em 2007. E nada de novos aumentos até 2010. Fazendo tudo isso e muito mais, Lula viabilizaria o crescimento de 5% do PIB. Mas só para o sucessor de seu sucessor.
Escrito por Josias de Souza às 02h23
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) informou que, de volta da viagem à Venezuela, Lula anunciará nesta terça, um pacote fiscal. As medidas estão sendo alinhavadas em reunião nesta tarde. Participam, além de Bernardo, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e seu secretário-executivo, Bernardo Appy, além dos secretários do Tesouro, Carlos Kawall, e da Receita, Jorge Rachid.
Bernardo esquivou-se de dar detalhes sobre as providências que serão embrulhadas no pacote. Alegou que Lula ainda pode alterar uma ou outra. A julgar pelas pistas dadas pelo ministro, vêm aí cortes de gastos públicos e desoneração de tributos para determinados setores empresariais.
O objetivo do governo, disse Bernardo, é precaver-se para que os gastos correntes da máquina pública cresçam menos que o PIB, aumentar os investimentos e reduzir a carga tributária.
Escrito por Josias de Souza às 17h07
Lula foi à presidência, em janeiro de 2003, acompanhado de amigos. Os mais chegados reuniram-se num grupo chamado de “núcleo duro” do governo. À medida que o PT e o governo foram se afastando da ideologia para cair na vida, o tal núcleo experimentou uma curiosa transformação.
Com a queda de José Dirceu, o núcleo tornou-se meio-mole-meio-duro. O expurgo de Antonio Palocci transformou-o em líquido. Na última sexta, ganhou aparência gasosa. Em carta a Lula, Luiz Gushiken pediu demissão. No final de dezembro, com o já anunciado desembarque de Marcio Thomaz Bastos, o ex-núcleo duro será vapor.
Gushiken havia balançado no auge do mensalão, no final do ano passado. Para evitar que o amigo se transformasse em mais um cadáver exposto no noticiário, Lula retirou-lhe o status de ministro. Gushiken perdeu a gestão das verbas publicitárias da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência). E foi escondido nos fundões da administração pública. Tornou-se chefe do NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência). Torrava o tempo coordenando a elaboração de um plano de gestão que mirava o ano de 2022.
Na carta a Lula, Gushiken anotou: "Encerro a presente etapa com minha missão cumprida, razão pela qual formalizo meu pedido de exoneração, estando plenamente satisfeito com as mudanças que ajudei a implementar na Secom." Não há na praça informações que permitam decodificar o que o ex-ministro quis dizer com “missão cumprida”. À frente da Secom, produziu escândalos. No NAE, administrou o vento.
Referindo-se à crise do mensalão, Gushiken anotou: "Na voragem das denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa. Com base nesse preceito execrável buscou-se destruir reputações. O clima político-eleitoral envenenado pela maledicência turvou o ambiente, contaminou as percepções e estabeleceu juízos distorcidos”.
As “distorções” renderam uma denúncia do Ministério Público, aquela que inclui Gushiken na lista dos 40 integrantes daquilo que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, chamou de “quadrilha”. Gushiken anuncia o propósito de descansar. Retira-se da vida pública e do cotidiano partidário.
Os planos do ex-ministro são conspurcados pela realidade. Antes de retirar-se por completo, Gushiken terá de remover os escombros que soterram sua biografia. Afora a defesa no caso da denúncia do mensalão, o agora ex-auxiliar de Lula terá de desvencilhar-se de uma investigação em curso no TCU. Apura-se o suposto desvio de R$ 11 milhões na confecção e distribuição de cartilhas promocionais do governo.
Na iminência de iniciar o seu segundo ciclo na presidência, Lula tenta recompor o núcleo duro de sua administração. Dilma Rousseff é, por ora, o único pilar visível da nova estrutura. Resta um nome para o front político (Jorge Viana? Tarso Genro?), outro para o econômico (Fernando Pimentel?) e outro mais para a trincheira jurídica (Sepúlveda Pertence? Nelson Jobim?).
Em entrevista a Kennedy Alencar, Gushiken insinua que, no novo governo, o petismo deve ter sua influência mitigada. Chega mesmo a aconselhar ao partido que aja com moderação na cobiça por cargos, sob pena de converter-se num “ninho de serpentes”. A julgar pelo que vem dizendo em privado e em público, Lula parece convencido de que deve mesmo distanciar-se do serpentário.
Escrito por Josias de Souza às 15h37

- Folha: Aeroportos voltam a registrar atrasos
- Estadão: Quebra de sigilo complica Berzoini no caso do dossiê
- Globo: Metade dos vôos atrasa em novo dia de caos aéreo
- Correio: O mistério que assombra Angra dos Reis
- Valor: Fatia dos importados no consumo atinge recorde
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h43
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h03
Gentilezas de PT e PSDB esfriam CPI, diz Jungmann
Antônio Cruz/ABr

O vice-presidente da CPI das Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), afirma que há um “esfriamento total” do ímpeto da comissão. Atribui o fenômeno a “uma troca de gentilezas entre governistas e oposicionistas”. Acordo? “Não creio”, diz ele. O que há é “uma convergência pontual de interesses.” Leia abaixo a entrevista:
- Houve um acordo para sepultar a CPI?
Não creio. Pode ter havido conversas informais, que desconheço. O que vejo é uma troca de gentilezas entre governistas e oposicionistas. Isso leva a um esfriamento total dos trabalhos da comissão. Isso está havendo.
- Mas o nome disso não é acordo?
Quero crer que houve uma convergência pontual de interesses, o que é diferente de acordão ou pizza. A CPI não é feita só de PT, PSDB e PFL. Há um núcleo atuante de outros partidos. Nós não entraríamos em acordos.
- O sr. se refere decerto a PPS, PV e PSOL. É a minoria, não?
Somos minoritários, mas temos legitimidade e ressonância para tornar qualquer tipo de acordo em algo de custo político altíssimo. O preço de um acordo seria muito alto.
- O que está acontecendo com a CPI?
Na fase inicial, a CPI teve grau de unidade. Os alvos eram o baixo clero e os médios partidos. Encaminhamos 71 recomendações de cassação. Em seguida, a CPI pretendia hibernar até o fim das eleições. Mas veio o dossiê.
- O dossiêgate interrompeu a hibernação?
Exatamente. Entramos numa segunda fase, sob o acirramento eleitoral. Com a entrada dos grandes partidos em cena, refez-se a mesma dinâmica que imperou em outras CPIs: governo versus oposição.
- Como se deu a polarização?
De um lado, houve a tentativa de compra do dossiê por petistas. De outro, os indícios de que o empresário Abel Pereira, e, por conseqüência, o ex-ministro tucano Barjas Negri, teriam que se explicar à CPI sobre denúncias de envolvimento com a família Vedoin. Os escândalos se tocaram, envolvendo assimetricamente PT e PSDB.
- Isso mudou a dinâmica da CPI?
Sim. A unidade se rompeu. Passou a haver uma clara polarização.A fragmentação se deu dentro, mas também fora da CPI. De repente, a Justiça e, sobretudo, a Polícia Federal, por meio do delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiê, começou a retardar o envio de dados à comissão.
- Acha que o delegado cumpria ordens superiores?
Não sei dizer. Apenas anoto que nenhuma providência foi tomada pela hierarquia da PF e do Ministério da Justiça.
- E dentro da CPI, o que houve?
Houve um enorme esfriamento.
- Por que as investigações foram à geladeira?
Primeiro por causa do fim da eleição. Segundo porque o comando da CPI e uma parte dos comandados não se reelegeram. Terceiro, depois da vitória de Lula, se de um lado há desconforto do governo com a CPI, de outro há uma oposição que, além de já não ter interesses eleitorais, passou a conviver com o desconforto do envolvimento do PSDB, por meio de Barjas Negri e, sobretudo, do empresário Abel Pereira.
(Leia mais no texto abaixo...)
Escrito por Josias de Souza às 01h49
‘A oposição tornou-se um gatinho pós-eleitoral’
(...Continuação da entrevista de Raul Jungmann.)
- Quais os reflexos da nova conjuntura no trabalho da CPI?
Na semana passada, dos 22 membros do PSDB e do PFL só quatro compareceram. Na primeira hora do depoimento do ex-ministro Humberto Costa (PT) só havia em plenário dez governistas e um oposicionista. No depoimento de Saraiva Felipe (PMDB), durante longos 20 minutos não havia nenhum deputado. Só três se inscrevem para inquirir. À exceção de Fernando Gabeira (PV-RJ), nenhum inquiriu o ex-ministro. Isso demonstra à saciedade o esfriamento.
- O sr. estava presidindo a CPI nesse dia, não?
Sim. Isso me levou a dizer, ao final, que a oposição não fazia jus ao título de ‘golpista’ que o PT lhe impingia. Ali, na CPI, a oposição comportou-se não como um leão, mas como um gatinho pós-eleitoral.
- José Serra não apareceu. Por que ninguém requereu a transformação do convite em convocação do ex-ministro de FHC?
É o espírito de gentilezas recíprocas a que me referi, talvez por conta do desconforto recíproco. O que não quer dizer que tenha havido acordão ou que vá terminar em pizza. Isso decorre da convergência pontual de interesses.
- Por que a CPI está antecipando o seu cronograma?
Você divulgou no seu blog, na sexta, que o fim das atividades estava sendo antecipado de dezembro para novembro. Depois, o relator Amir Lando (PMDB-RO) declarou publicamente que deseja votar o relatório em 13 de dezembro. Significa dizer que, de fato, ele quer fechar o texto no fim de novembro. Pela praxe, haveria a leitura do relatório, alguém pede vista e perde-se uma semana, votando-se no início de dezembro. A se confirmar esse cronograma, além dos ex-ministros, já ouvidos, só teríamos tempo para ouvir os petistas do dossiê e uma ou duas pessoas, entre elas o Abel Pereira. E acabou. Acho que precisamos de mais tempo.
- Há mais gente a ser ouvida?
Sim. Há o delegado Edmilson Bruno [aquele que vazou as fotos do dinheiro do dossiê]; o delegado Diógenes Curado e o procurador Mario Lúcio Avelar; o Hamilton Lacerda [ex-coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante]; o Freud Godoy [ex-assessor de Lula] e o Ricardo Berzoini [presidente licenciado do PT], por exemplo.
- Como evitar que a CPI definhe?
Nesta segunda, Fernando Gabeira (PV-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) vão a Cuiabá. Tentarão pegar toda a documentação relativa ao dossiê. Se dessa vez não vier tudo, entrarei com mandado no STF, para assegurar o direito constitucional da CPI. Não há mais tempo para diplomacia. De resto, teremos um café da manhã na terça-feira entre o Gabeira (PV), Heloisa Helena (PSOL) e eu.
- Qual é o objetivo desse café?
Conversaremos sobre a tese da prorrogação até janeiro. Teríamos de conseguir as assinaturas de um terço dos congressistas. Temos que ver se, do ponto de vista regimental, é possível manter a CPI funcionando um mês antes da posse do novo Congresso, em fevereiro.
- Não é contraditório prorrogar uma CPI que o relator quer encerrar?
Temos reunião administrativa na terça-feira. Tentaremos aprovar as novas oitivas. Oficialmente, a comissão só termina no fim de dezembro. Tentarei fazer ver ao relator e também ao presidente da CPI que é inconveniente esse encerramento prematuro. Os dois continuam credores da nossa confiança.
Escrito por Josias de Souza às 01h46
Lula Marques/Folha Imagem
O governo do companheiro Hugo Chávez anunciou na semana passada a proibição do uso de árvores de Natal, imagens de Papai Noel e botas vermelhas na decoração de final de ano nas repartições públicas da Venezuela. Para Chávez, a parafernália natalina tem cheiro de EUA. E ele não deseja fazer a mínima concessão à pátria do desafeto George Bush.
Pois bem, na noite deste domingo, Lula pousou no aeroporto de Puerto Ordaz, na região sudeste da Venezuela. Ali, ao lado de Chávez, o presidente brasileiro participa nesta segunda da solenidade de inaguração de uma ponte sobre o rio Orinoco.
Destacado para acompanhar a viagem presidencial, o repórter Lula Marques deu de cara, veja você, com o personagem banido por decreto. Papai Noel encontra-se assentado no alto de uma armação metálica em formato de pinheirinho, bem próximo da bandeira da Venezuela, no aeroporto de Puerto Ordaz, em cuja pista aterrissou, além do Aerolula, o AeroChávez.
O bom velhinho está paramentado aos costumes, com tudo o que tem direito: roupa vermelha, botas pretas, saco de presentes às costas... O administrador do aeroporto terá muito a explicar depois que Lula deixar a Venezuela, na noite desta segunda. O signatário do blog suspeita que o pobre homem não terá um feliz Natal.
Escrito por Josias de Souza às 22h31
Lúcio Távora/Folha Imagem
O presidente do PMDB, Michel Temer (SP) gasta boa parte do seu tempo em consultas ao partido, para saber que posição adotar em relação ao governo. Um dos apoiadores mais destacados do presidenciável derrotado Geraldo Alckmin, Temer reconhece: “O PMDB está disposto a colaborar com o presidente Lula, essa é a intenção. Tenho conversado com todos e a tendência maior é partir para o apoio ao governo.”
Temer condicionou uma deliberação oficial do PMDB a um contato com Lula. O presidente já recebeu vários líderes peemedebistas depois de eleito. Privilegiou o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), do mesmo grupo dos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP). Temer aguarda a sua vez: “Estamos à espera do presidente Lula. Aguardamos uma conversa com ele. O tempo é do presidente. O tempo é todo dele”.
O deputado falou à Agência Nordeste (assinantes). Ele descartou a hipótese de renunciar à presidência do PMDB, como desejam os lulistas de primeira hora do partido. Na última semana, chegou-se a difundir a informação de que Temer receberia um “prêmio” caso se dispusesse à renúncia. O governo estaria disposto a indicá-lo para o posto de ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O advogado Temer dá de ombros para a oferta velada. “É inviável”, diz ele. “Isso já foi insinuado antes e eu não quis”. Ele diz que a idéia de negociar politicamente uma indicação para o Judiciário é “um pensamento inadequado”. Ou seja, se quiser negociar institucionalmente com o PMDB, Lula terá mesmo que incluir Temer no rol de negociadores.
O presidente do PMDB se diz aborrecido com a ênfase que se vem dando à discussão por cargos nos entendimentos do partido com o governo. “Isso é péssimo. O assunto me aborrece muito. Pode observar, eu nem falo nisso. Ocupar cargos no governo é uma das conseqüências da coalizão política, não essa tão comentada por todos, mas aquela que determina a divisão de responsabilidades”.
Escrito por Josias de Souza às 16h27
Angeli
Veja aqui as caras da direita.
Escrito por Josias de Souza às 10h43

- Folha: TCU vê desvio de 55% em verbas de ONGs
- Estadão: Obras para destravar País custam R$ 40 bi
- Globo: Mais de 94% dos presos pela PF já foram soltos
- Correio: O bilionário e suspeito negócio do lixo no DF
- Valor: Chineses farão carros no Uruguai e miram o Brasil
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h32
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h23
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidiu levar a voto até o final de dezembro uma proposta pouco palatável. Prevê o aumento do salário dos deputados. O auto-reajuste deve elevar os vencimentos de cada um dos 513 deputados de R$ 12.847 para R$ 24.500 –um acréscimo de 90,7%.
Pressionado pelos colegas, Aldo Rebelo vinha empurrando a demanda com a barriga. Quando questionado, dizia: “O assunto não está em pauta.” O burburinho dos corredores, porém, cavou um lugar para o tema na pauta de Aldo, que tenta viabilizar-se como candidato à reeleição para o cargo de presidente.
Em conveniente surdina, Aldo iniciou na última semana uma série de contatos aos líderes partidários e a políticos influentes de todas as legendas. Informou que vai levar a proposta de aumento à mesa diretora da Câmara, a quem cabe submeter o tema ao plenário. Antes, sente o pulso dos colegas. Busca uma maneira de apresentar o reajuste à opinião pública.
Uma vez aprovado na Câmara, o aumento será imitado pelo Senado. A maioria dos 81 senadores também deseja ver os contracheques tonificados. A providência se espalhará em seguida, num inevitável efeito cascata, pelas assembléias legislativas e câmara de vereadores de todo país.
A última vez que os congressistas se auto-concederam um reajuste foi em 2003. Daí a pressão. Desconsidera-se, porém, o fato de que, antes de renunciar para fugir a uma cassação de mandato, o ex-presidente Severino “Mensalinho” Cavalcanti aprovara uma verba de representação de R$ 15 mil para cada deputado. Foi, na prática, um aumento disfarçado.
É um dinheiro que o parlamentar usa como bem entende. Paga o combustível do carro, as despesas de escritórios nos Estados, a contratação de consultorias etc. Verificou-se que, para comprovar as despesas, muitos deputados levaram à contabilidade da Câmara recibos fictícios e notas fiscais frias.
De resto, o debate não leva em conta que os congressistas são beneficiários de outras vantagens indiretas: além do salário de R$ 12.847 e da verba de representação de R$ 15 mil, cada um recebe R$ 3.000 para despesas com moradia –há quem prefira ocupar apartamentos funcionais—; R$ 4,3 mil para gastos com correspondências e telefonia; e até R$ 16,5 mil para compra de passagens aéreas.
Tudo somado, cada parlamentar custa ao erário R$ 51.647. Sem contar o dinheiro repassado para a contratação de assessores de gabinete. Uma verba que alguns não se pejam de desviar para o próprio bolso.
Considerado isoladamente, o vencimento de R$ 24.500 com que os congressistas pretendem se premiar não constituiria necessariamente um absurdo. É quanto ganham os ministros do STF. É menos do que recebem muitos executivos de empresas estatais e privadas. O que confere ares de acinte ao reajuste é a combinação da remuneração indireta com a sucessão de escândalos que o Congresso vem produzindo –de mensalões a sanguessugas.
Aldo Rebelo encomendou um estudo para embasar a proposta de aumento. Pretende submetê-lo à mesa diretora entre o final deste mês e o início de dezembro. Dias atrás, em encontro com um grupo de parlamentares, no seu gabinete, Aldo disse que está considerando três hipóteses:
1) a consolidação de toda a verba destinada a cada gabinete, que passaria a ser gerida livremente pelos parlamentares; 2) a incorporação da verba de representação ao salário; 3) a concessão, pura e simplesmente, do reajuste, mantendo intocados os demais benefícios. A última hipótese é a que mais agrada à maioria da Casa. Por ora, apenas dois partidos ameaçam reagir: PPS e PV. O que não representaria uma barricada capaz de deter o exército pró-aumento.
Escrito por Josias de Souza às 02h00
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