Veneno pós-eleitoral

É natural que candidatos e partidos em campanha tentem pintar os adversários com as piores cores. É normal também que se empenhem em embaraçar os movimentos do inimigo. Porém, há na atual cruzada eleitoral algo que foge aos padrões. Arma-se um clima de fim do mundo para depois da disputa presidencial.
Envenenou-se demais a atmosfera. Um lado, o de Alckmin, afirma que um novo governo petista acabaria antes mesmo de começar. O outro lado, o de Lula, confunde o noticiário legítimo sobre corrupção e perversões com uma aliança imaginária da mídia com setores da “direita”, para prejudicar o “pai dos pobres”.
PT e PSDB, as duas legendas que enxergam no horizonte a perspectiva de poder, precisam levar a mão à consciência. O discurso aguerrido, próprio de toda campanha, está a um passo de ultrapassar a fronteira que leva à retórica insana. O país não merece que os dois frutos mais viçosos que sua democracia foi capaz de cultivar entreguem-se agora a um flerte irresponsável com a ruptura institucional.
Aliados no combate à ditadura, petistas e tucanos não têm –ou não deveriam ter— o perfil de uma gente que o marechal Castello Branco, há mais de 40 anos, chamava de "vivandeiras alvoroçadas”. Gente que ia "aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar".
Mas as últimas semanas demonstram que o Brasil, embora já não tenha mais militares dispostos a extravagâncias, ainda não se livrou dos acessos de histeria política. Foram-se as aventuras fardadas, mas remanesce a idéia de “derrubar”, de “inviabilizar” governos legitimamente eleitos.
Considere-se, por mais provável, a hipótese de vitória de Lula. Foi escolhido em 2002 por 52 milhões de brasileiros. Prometera uma prosperidade de 10 milhões de empregos e uma moralidade de mosteiro. Noves fora os êxitos de uma administração por avaliar, entregou a estagnação do PIB e a corrupção.
A despeito disso, um número ainda maior de eleitores parece disposto a confiar-lhe um novo mandato. O que fazer? Respeitar a vontade popular. Permitir que Lula governe. Exatamente como aconteceu em 98, quando FHC foi reeleito. O “príncipe” conduzira um governo que também não foi nem imaculado nem próspero. Lula cansou de avisar que o dólar a R$ 1,20 era piada, que resultaria em recessão e desemprego. O eleitor não lhe deu ouvidos.
Agora, Alckmin e seus aliados estão roucos de avisar: a perversão que assola o governo e o PT não é culpa nem de José Dirceu nem de Delúbio Soares nem de Ricardo Berzoini. O culpado é Lula. Tendo se acercado da turma dos 40 e da súcia de aloprados, o presidente não teve pulso para limpar a área no primeiro desastre. Confraternizou com malfeitores, estimulando a reiteração dos malfeitos.
O eleitor está na bica de engolir a tese do “não sabia”. Paciência. É do jogo. O PSDB tem em seus quadros dois dos mais vistosos presidenciáveis de 2010: Serra e Aécio. Se insistir em jogar lenha na fogueira da histeria pós-eleitoral, o tucanato compromete o próprio futuro. Aviva um fogo que amanhã pode queimar os seus. Há denúncias apresentadas e investigações em curso. O STF e o TSE acompanham tudo. Para encrencas assim, não há melhor remédio do que o bom funcionamento das instituições. Deixe-se que as leis funcionem.
Escrito por Josias de Souza às 19h29
A Polícia Federal já identificou sacadores de parte dos dólares que seriam usados por petistas para comprar o dossiê contra políticos tucanos. São “laranjas”. No jargão policial, um “laranja” é um intermediário, que efetua, por ordem de terceiros, transações financeiras fraudulentas, para ocultar a identidade do verdadeiro comprador dos dólares.
Identificou-se também a casa de câmbio de onde saiu parte do dinheiro. Fica no Rio de Janeiro. Nos próximos dias, a PF pretende interrogar o vendedor e os compradores suspeitos. Não se exclui a hipótese de decretação de novos pedidos de prisão.
O dinheiro do dossiê (R$ 1,75 milhão) foi apreendido no dia 15 de setembro. Encontrava-se com o empresário petista Valdebran Padilha e com o ex-agente da PF Gedimar Padilha, que agia a mando do PT. Parte das cédulas –R$ 1,168 milhão— era de reais. Outra parte –US$ 248,8 mil— era de dólares americanos (veja foto acima). É no rastreamento do naco em dólares do dossiê que a PF joga todas as suas fichas.
Uma parte dos dólares retidos tem numeração seqüencial. Com a ajuda do governo dos EUA, soube-se que o dinheiro entrou no Brasil num lote de US$ 15 milhões adquirido pelo Banco Sofisa, de São Paulo. Até aí, tinha-se o controle da numeração das notas.
Seguiu-se uma cadeia de revenda dos dólares em operações que não contemplam a anotação do número de série das notas. O Sofisa revendeu os dólares a corretoras, que os repassaram a mais de duas dezenas de pequenas casas de câmbio, que os negociaram com particulares.
A PF tenta desvendar o último elo dessa corrente, que envolve os negócios feitos entre as casas de câmbio e os particulares. Foi esse trabalho, que envolveu batidas em casas de câmbio do Rio, de São Paulo e de Florianópolis (SC), que permitiu chegar aos primeiros “laranjas”. O receio é o de que, interrogados, esses “laranjas” afirmem desconhecer o comprador que se esconde atrás da operação fraudulenta. Se isso ocorrer, a PF volta à estaca zero o front financeiro do dossiêgate.
Os investigadores têm pressa. Incomoda com as acusações do PSDB e do PFL de que estaria retardando a apuração, a PF deseja apresentar algo conclusivo antes do dia 29 de outubro, data da realização do segundo turno da eleição presidencial. Aguarda apenas uma decisão da Justiça Federal quanto ao pedido de prorrogação do inquérito, para dar seqüência à apuração.
O juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, já informou que irá autorizar a prorrogação por mais 30 dias. Deve fazê-lo no início da semana. Em seguida, a PF encaminhará as providências legais para o interrogatório dos suspeitos de envolvimento na comercialização dos dólares.
Quanto aos reais, prevê-se também para os próximos dias novas batidas policiais em bancas do jogo do bicho de Duque de Caxias e Campo Grande, no Rio de Janeiro. Acredita-se que pelo menos R$ 5 mil tenham vindo do jogo. Não há, por ora, nenhuma pista que leve ao restante dos reais. Para a PF, a origem do dinheiro é ilícita. Concluiu-se, porém, que a maior parte do dinheiro não transitou pelo sistema financeiro, o que dificulta o rastreamento.
Escrito por Josias de Souza às 18h40

- Folha: Secretário de Lula ligou para 'articulador' do dossiê
- Estadão: Assessor de Lula foi o mentor do dossiê, diz PF
- Globo: Amigo de Lula coordenou operação do dossiê, diz PF
- Correio: PF: amigo de Lula articulou dossiê
- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h21
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 03h13
Alan Marques/Folha Imagem
O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, encaminhou nesta sexta relatório à Justiça pedindo a prorrogação das investigações por 30 dias. No texto, a primeira manifestação oficial da Polícia Federal sobre o caso, o delegado afirma que o aloprado Jorge Lorenzetti (na foto) é a “pessoa que articulou em âmbito nacional a compra do dossiê" antitucanato.
Lorenzetti chefiava o birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Respondia diretamente ao deputado Ricardo Berzoini, que presidia o PT e coordenava a campanha reeleitoral. Foi afastado depois que o escândalo ganhou o noticiário. Demitiu-se também da diretoria do BESC (Banco do Estado de Santa Catarina), onde fora acomodado a pedido de Lula.
O blog apurou que o juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, vai conceder a prorrogação de prazo solicitada pela PF. Pressione aqui para ler a íntegra do relatório de Diógenes Curado. E leia abaixo os principais pontos das conclusões parciais do delegado:
1. Origem do dinheiro: Curado afirma que não há nos depoimentos colhidos até aqui pela PF nenhuma indicação que possa levar à origem do R$ 1,7 milhão apreendido com os aloprados Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro, em batida da PF no Hotel Íbis, de São Paulo. Sustenta que o dinheiro tem origem ilegal e proveio de fontes diversas. Diz que a política logrou identificar indícios de que parte dos reais apreendidos veio do Jogo do Bicho. E afirma que estão sendo feitas diligências complementares para identificar a origem das cédulas de dólar que compunham os maços retidos pela PF. Mencionam “fraudes” como a utilização de “laranjas”, para dificultar as investigações;
2. Objetivos do dossiê: Curado diz ter "certeza” de que o dossiê “visava alterar o rumo das pesquisas” eleitorais na disputa pelo governo de São Paulo, em prejuízo do candidato tucano José Serra, que disputava o Palácio dos Bandeirantes com o petista Aloizio Mercadante, segundo colocado à época da descoberta do caso. O delegado não faz menção ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin, que vem vendendo na propaganda eleitoral televisiva a tese de que o dossiê visava prejudicá-lo, sem fazer menção a Serra. Curado informa à Justiça que ouvirá, na hora própria, o senador Mercadante, derrotado por Serra;
3. Homem da mala: Curado reitera no relatório que encaminhou à Justiçam uma suspeita que já ganhou o noticiário: a de que Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha de Mercadante, foi quem levou o dinheiro aos alopradps que se encontravam no Hotel Íbis no dia 15 de setembro. Em depoimento à PF, Lacerda negou o fato. Mas o delegado afirma que "está cada vez mais difícil acreditar na sua versão";
4. Novos interrogatórios: além do desejo de ouvir Mercadante, Curado informa à Justiça que pretende reinquirir os aloprados Jorge Lorenzetti, Hamilton Lacerda, Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Quer ouvir de novo também Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Deseja interrogar ainda os responsáveis pela Revista IstoÉ. Informa, de resto, que “outros envolvidos” foram identificados a partir da análise dos dados coletados a partir das quebras de sigilo telefônico. Não dá os nomes nem esclarece se irá chamá-los para depor.
Escrito por Josias de Souza às 02h52
A notícia abaixo saiu na Folha (assinantes) deste sábado:
“O empresário Darci José Vedoin, 60, confirmou ontem à Justiça Federal em Cuiabá que a máfia dos sanguessugas subornou Abel Pereira, amigo do ex-ministro da Saúde no governo FHC e atual prefeito de Piracicaba (SP), Barjas Negri (PSDB).
Foi a primeira vez que Darci foi ouvido pela Justiça sobre a acusação contra Abel. Até então, as acusações partiam de Luiz Antônio Vedoin, 31, chefe da máfia dos sanguessugas e filho de Darci.
Luiz Antônio dizia que seu pai acertara o negócio com Abel, empresário de Piracicaba. Ontem, Darci confirmou essa versão ao juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal. Na próxima segunda-feira, Abel deporá na PF no inquérito que apura o envolvimento dele com a máfia dos sanguessugas.
Luiz Antônio entregou à Justiça, no dia 14 de setembro, comprovantes de depósitos e cópia de nove cheques, totalizando cerca de R$ 600 mil. Segundo o empresário, os valores correspondiam a propina paga a Abel. Luiz Antônio disse que Abel conseguiu a liberação de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões no Ministério da Saúde, no fim de 2002, devido à sua ligação com Barjas”.
Escrito por Josias de Souza às 02h10
Nelson Rodrigues dizia que “a dúvida é autora das insônias mais cruéis”. Inversamente, afirmava ele, “uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível”.
Dá-se justamente o oposto com Geraldo Alckmin. O que lhe tira o sono não é a dúvida, mas a certeza. A certeza de que o Planalto vai se tornando um sonho cada vez mais distante.
O pesadelo de Alckmin vem sendo esboçado nas pesquisas. Uma após a outra. Primeiro o Datafolha; depois o Vox Populi. Nesta sexta, o Ibope. Deu no Jornal Nacional (assista).
No intervalo de uma semana, o índice de intenções de voto de Lula subiu de 52% para 57%. O de Alckmin, decaiu de 40% para 36%. Diferença de 21 pontos percentuais.
O quadro parece ainda mais adverso para o tucano quando são contabilizados apenas os votos válidos, excluindo-se os brancos, os nulos e os eleitores indecisos. É como faz o TSE na hora de promover a contagem oficial. Neste caso, Lula amealha 62% dos votos. Alckmin, 38. Diferença de 24 pontos.
Como se vê tudo o que Alckmin necessita no momento é o sonífero de uma dúvida, não a certeza cada vez mais sólida que arde sob seu colchão.
Escrito por Josias de Souza às 01h40
Folha Imagem
A Polícia Federal confirmou nesta sexta que investiga um suposto elo ente o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de intenligência da campanha de Lula e um dos principais envolvidos no dossiêgate. A quebra do sigilo telefônica de Lorenzetti revelou que ele manteve um diálogo com Dirceu dias antes da prisão dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha, em 15 de setembro, no instante em que transacionavam o dossiê contra políticos tucanos.
Na véspera, a PF informara que um “novo personagem”, bastante conhecido, havia sido identificado nas investigações do caso do dossiê. A informação eletrificou os subterrâneos da política. O nome de Dirceu não tardou a vir à tona.
O advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima, confirmou a existência de uma ligação telefônica de pouco mais de três minutos de seu cliente com Lorenzetti. Disse que o ex-ministro não se recorda do conteúdo da conversa. Está convicto, porém, de que não tratou de nada que se relacionasse com a tentativa de compra do dossiê.
"O que é inacreditável é fazerem uma elucubração em cima de uma ligação de 3 minutos. É uma leviandade", afirma o advogado Oliveira Lima. "Se eu tiver que processar alguém por causa disso, eu não hesitarei em fazê-lo". A PF detectou também ligações de Lorenzetti para Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula na presidência da República (leia despacho abaixo).
Escrito por Josias de Souza às 19h05
A quebra do sigilo telefônico do petista Jorge Lorenzetti, personagem central do dossiêgate, revela que ele trocou telefonemas com Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula no Planalto. Os dois conversaram pelo menos duas vezes em 15 de setembro, dia em que veio a público a tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por petistas.
Lorenzetti está sob investigação da Polícia Federal por conta de seu envolvimento no caso do dossiê. Por isso teve o sigilo telefônico quebrado. Ele chefiava o birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula, onde estavam lotados os principais äloprados” do dossiê. Respondia ao deputado Ricardo Berzoini, então presidente do PT e coordenador da campanha reeleitoral.
Deu-se pouco depois das 10h da manhã do dia 15 de setembro o primeiro contato telefônico entre Lorenzetti e Gilberto Carvalho. Quem ligou foi o secretário de Lula. Os dois voltariam a se falar pouco antes das 19h do mesmo dia. Dessa vez coube a Lorenzetti telefonar. O blog ouviu Gilberto Carvalho. Ele confirmou os telefonemas. Contou o seguinte:
1. Carvalho estava com Lula na produtora do jornalista João Santana, responsável pelo marketing da campanha reeleitoral. O presidente gravava programas para a propaganda eleitoral televisiva. Súbito, Carvalho recebeu um telefonema. Foi informado de que a PF prendera Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT.
2. “Assim que recebi essa informação, deixei o presidente na produtora e vim pra cá [Planalto]. A informação chegou muito atravessada. Me disseram que o Lorenzetti estava no rolo. Então, liguei pra ele. Era a pessoa mais próxima que eu conhecia dessa gente”, relatou Carvalho. “Perguntei: ‘Lorenzetti, que história é essa, que loucura é essa?’ Ele estava muito assustado. Explicou que tinham ocorrido as prisões”.
3. De volta das gravações, Lula teve um compromisso de agenda no Planalto. Em seguida, Carvalho foi ao presidente. “Antes de ele ir para o almoço, falei: tem uma coisa chata. Não sei ainda direito o que é. Prenderam duas pessoas em São Paulo, com dinheiro. Parece que é negócio de dossiê. Falei com o Lorenzetti, mas ele não soube precisar direito o que é. O presidente pôs a mão na cabeça e disse: ‘Não acredito que isso possa estar acontecendo nesse momento da campanha’”.
4. No final da tarde do mesmo dia 15 de setembro, Lorenzetti discou para Gilberto Carbalho. Foi o segundo diálogo do dia. Carvalho conta: “No primeiro telefonema, ele não sabia direito o que tinha acontecido. Disse: ‘depois a gente se fala melhor’. Voltamos a falar às 18h41. Aí ele deu mais informações, que as pessoas tinham sido presas e que estavam tentando saber o que estava acontecendo. Depois disso, eu não falei mais com ele, até por prudência.”
O blog apurou que houve outros telefonemas entre Lorenzetti e Carvalho. Consultando os registros da Presidência, o secretário de Lula diz que, antes do dia 15 de setembro, a última vez que falara com Lorenzetti fora em 28 de agosto. “Em geral, foram ligações relacionadas à agenda do presidente. O Lorenzetti intermediava as idas do presidente a Santa Catarina. Várias vezes eu falei com ele por conta desse negócio da agenda”, diz Carvalho.
A partir de setembro, informa Carvalho, a responsabilidade pela montagem da agenda de campanha de Lula foi transferida para César Alvarez, um assessor da Presidência que se licenciou do cargo para trabalhar no comitê de campanha. Desde então, Carvalho diz que não ter mais conversado com Lorenzetti, exceto no dia 15 de setembro.
A quebra dos sigilos revela que Gilberto Carvalho trocou telefonemas também com Freud Godoy. São ligações “funcionais”, diz Carvalho. Godoy era assessor especial da Presidência, lotado no gabinete pessoal de Lula, que é chefiado por Carvalho. A PF não exclui a hipótese de convocar Carvalho prestar esclarecimentos. A própria polícia informa, porém, que Gilberto Carvalho não está sendo tratado como suspeito no caso do dossiê. “Não tenho nada a esconder”, disse Carvalho.
Escrito por Josias de Souza às 18h18
O nacionalismo boliviano continua pairando sobre a Petrobras. Pela folhinha de La Paz, a encrenca terá de ser resolvida até 28 de outubro, véspera do segundo turno da eleição brasileira. Estão em jogo: 1) o reajuste nos preços do gás que a estatal brasileira extrai do subsolo boliviano; 2) a nacionalização das instalações da Petrobras.
O Brasil está para a Bolívia como o martelo está para o prego. Porém, a forma açucarada como Lula tratou o companheiro Evo Morales fez com que se invertessem os papéis.
A administração de Morales está pouco se lixando para as prioridades eleitorais de Lula. Não abre mão de bater o martelo até o dia 28. "Essa é a data que se mantém e o governo não tem considerado a possibilidade de um adiamento. Continuaremos fazendo esforços para assinar os contratos até o último minuto do dia 28 de outubro", disse Carlos Villegas, ministro boliviano de Hidrocarbonetos, à agência Reuters.
Escrito por Josias de Souza às 14h48

- Folha: Lula tira corrupção de foco em debate
- Estadão: Investigado, Freud mantém contato com assessor de Lula
- Globo: Petista confirmou que Freud mandou comprar o dossiê
- Correio: Justiça quebra sigilo de ex-assessor de Lula
- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h57
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h38
Marlene Bergamo/Folha Imagem
Foi um debate morno, em que a cabeça prevaleceu sobre o fígado. Terminou empatado. É improvável que um candidato tenha roubado votos do outro com o lero-lero esgrimido diante das câmeras do SBT. O que para Lula, na dianteira em todas as pesquisas, não deixa de ser um ótimo resultado.
O confronto nem de longe lembrou a luta de boxe da TV Bandeirantes. Foi um embate mais tático. Conforme noticiado aqui no blog, o cotejo de propostas prevaleceu sobre a agressividade. Alertado pelas pesquisas de que o eleitor prefere o arrulho ao grito, Alckmin parece ter-se convencido de que teve no primeiro debate uma vitória de Pirro. E usou um timbre mais comedido. Lula, menos tenso, esgrimiu números e ironias. Pôde comparar-se a FHC.
Nenhum dos dois conseguiu disfarçar a condição de candidatos amestrados. Exibiram em cena uma sucessão de poses e máscaras, recolhidas na usina de marketing de seus comitês. A autenticidade foi soterrada sob camadas de diversionismo e tergiversação.
Instado pela mediadora Ana Paula Padrão a discorrer sobre “agricultura”, Lula levou ao nariz os óculos de leitura. Espargiu no rumo do telespectador um lote de números. Disse que o setor foi brindado com "o maior orçamento dos últimos 30 anos". Máscara. “A agricultura foi levada pela omissão do governo à maior crise dos últimos 40 anos”, devolveu Alckmin, com a pose de quem, no primeiro turno, bateu o adversário nas regiões que têm a economia escorada no agronegócio.
Brindado pela mediadora com um quindim –o tema “corrupção”—, Alckmin esbaldou-se. Desfiou todo o rosário de escândalos da era Lula: Waldomiro Diniz, Correios, mensalão, Land Rover, Gtech, Visanet, cartilhas da Secom e dossiêgate. Em vez do arremate histriônico do primeiro debate –“De onde veio o dinheiro?”— foi manso: “A sociedade merece explicações”. E Lula: “Acho que vamos ter a campanha de uma nota só.” Máscara. “Se as coisas estão aparecendo é porque o governo está apurando como em nenhum outro momento”. Coisa que, segundo insinuou, o tucanato não fazia. “Não é uma nota só. Estamos falando de um milhão e 700 notas”, devolveu Alckmin. Pose.
Ao falar sobre segurança pública, Alckmin saiu-se com o lero-lero usual: 90 mil bandidos presos, redução de homicídios (50%) e latrocínios (70%). Empurrou a encrenca para Brasília, que não fechou as fronteiras para droga e armas. “Como presidente, vou assumir as responsabilidades”. Máscara. “Pelo amor de Deus, que o povo de São Paulo não ouça, porque vai pensar que vai ter um PCC no Brasil inteiro. Depois de 12 anos, não conseguiu fazer em São Paulo, como vai conseguir fazer no Brasil?”, ironizou Lula. Pose.
Em vez de dar ênfase à ética, como fizera na Bandeirantes, Alckmin agarrou-se à saúde. Foi e voltou ao tema três vezes. À acusação de que o SUS piorou, Lula respondeu com outra tediosa leitura de números. Disse que o rival não reconhece a melhoria por que não é usuário de hospitais públicos. Pose. E Alckmin: “Eu me submeti a três cirurgias, todas na Santa Casa de Pindamonhangaba”. Máscara.
Lula jogou o anzol da privatização. “Não precisa ficar nervoso”, provocou. Alckmin fez pose de peixe ensaboado. Deslizou para outro assunto. Disse que, sob Lula, o número de desempregados aumentou de 8 milhões para 9 milhões. Só no final encarou a isca. Negou que vá vender estatais. Defendeu FHC. A venda das teles, disse, facultou a 90 milhões de brasileiros o acesso ao celular. Afirmou que Lula também levou ao martelo dois bancos -o do Maranhão e o do Ceará.
Pendurado a um ranking de “The Economist”, Alckmin disse que o Brasil (2,3% de crescimento do PIB em 2005) ficou na rabeira dos emergentes. Irônico, Lula chamou-o de “colonizado”. Só dá crédito, afirmou, ao que sai no “The New York Times” ou na revista britânica. Disse que, “sem mágica e sem pirotécnica”, preparou o Brasil para crescer “nos próximos 15 anos”. Máscara.
Alckmin, fazendo pose para a lente: “Somos diferentes. Ele acha que está tudo bem. Fala em daqui a 15 anos. Eu tenho pressa. O Brasil pode mais”. As palavras soaram como música na Avenida Paulista. Mas não chegam a sensibilizar o eleitor pobre. A clientela do Bolsa Família, informam todos os estudos disponíveis, experimenta a sensação de que o Brasil é uma China (crescimento anual de 10%). É esse naco do eleitorado que vem fazendo a balança das pesquisas pender para Lula. É um tipo de eleitor que não fica até tarde diante da TV para ver debate. Quando Alckmin dizia ter "pressa", ele já estava no terceiro sono. Tinha de pegar no batente cedo.
Escrito por Josias de Souza às 01h15
A Justiça Federal autorizou nesta quinta a quebra dos sigilos bancários de Freud Godoy e de Hamilton Lacerda. Godoy é ex-segurança de Lula e ex-assessor do gabinete pessoal do presidente. Lacerda é ex-coordenador de Comunicação da campanha petista de Aloizio Mercadante do governo de São Paulo.
A quebra dos sigilos fora solicitada há dois dias pelo procurador da República Mário Lúcio de Avelar, responsável no Ministério Público pela apuração do dossiêgate. Avelar solicitara também a abertura das contas da mulher de Freud, Simone Messeguer Godoy, e da empresa do casal, Caso Sistemas de Segurança. A Justiça negou.
Freud foi envolvido no caso do dossiê pelo “aloprado” Gedimar Passos, preso pela Polícia Federal em 15 de setembro, no Hotel Íbis, de São Paulo, junto com o petista Valdebran Padilha. Com os dois, a PF apreendeu R$ 1,7 milhão, em notas de real e de dólar.
Inquirido no dia da prisão, Gedimar disse que a ordem para a compra do dossiê contra políticos tucanos partira de Freud. Em manifestação posterior, encaminhada ao TSE, o “aloprado” modificou a versão. Disse que mencionara Freud depois de ter recebido uma falsa promessa do delegado que o interrogou, Edmilson Pereira Bruno, o mesmo que responde a sindicância interna da PF por ter vazado as imagens do dinheiro do dossiê na antevéspera do primeiro turno, 29 de setembro.
Quanto a Lacerda, a PF está convencida de que foi ele quem levou o dinheiro ao Hotel Íbis. Imagens do circuito interno de TV do hotel, recolhidas pela polícia, mostram Lacerda entrando no estabelecimento no dia da apreensão do dinheiro portanto uma mala. Interrogado, o ex-assessor da campanha de Mercadante disse que levou boletos para contribuições de campanha, não dinheiro.
Porém, Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, pôs em dúvida a alegação de Lacerda. Em depoimento à PF, o presidente licenciado do PT disse que não era atribuição de Lacerda recolher donativos de campanha. Foi em função desse desencontro de versões que o procurador Avelar julgou conveniente pedir a quebra dos sigilos de Freud e Lacerda. Resta agora aguardar pelo cumprimento da ordem judicial.
Escrito por Josias de Souza às 18h37
Roosewelt Pinheiro/ABr
A CPI das Sanguessugas investiga uma suposta compra de dólares feita por Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de inteligência do comitê de campanha de Lula. Ele teria adquirido US$ 150 mil numa casa de câmbio chamada Centaurus, de Florianópolis (SC). A suspeita é de que o dinheiro integre o lote de cédulas que seriam usadas por petistas para comprar, em 15 de setembro, um dossiê contra políticos tucanos.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI, diz que a informação chegou à comissão, que agora busca confirmá-la. A Centaurus nega que tenha transacionado dólares com Lorenzetti. Contatado pelo deputado, o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, esquivou-se de confirmar se a Polícia Federal também persegue a mesma pista. Limitou-se a dizer que a cidade de Florianópolis é um dos focos da investigação.
A suspeita da CPI nasceu assim:
1) um ex-funcionário graduado do Banco Central, cujo nome Jungmann mantém em sigilo, discou para o deputado para informar sobre dados que supostamente estariam armazenados nos computadores do BC;
2) informou algo que já é sabido: as cédulas de dólar que compunham o R$ 1,7 milhão apreendido pela PF em poder dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha vieram dos EUA. Compunham um lote de US$ 15 milhões adquiridos pelo Banco Sofisa, de São Paulo;
3) depois de custodiar os dólares na casa de valores Brinks, o Sofisa revendeu-os a 14 corretoras. Uma delas, chamada Action, teria adquirido US$ 500 mil;
4) a Action, por sua vez, também teria revendido os dólares a outras casas de câmbio. Entre elas a catarinense Centaurus, situada no número 183 da Avenida Osmar Cunha, em Florianópolis;
5) coube à Centaurus, segundo a suspeita divulgada por Jungmann, revender US$ 150 mil a Jorge Lorenzetti, por meio de uma transação a cabo. Nesse tipo de transação, o dinheiro é enviado para uma instituição financeira no exterior e disponibilizado ao comprador no Brasil;
Se for verdadeira, a informação transforma em pó o depoimento que Lorenzetti prestou à Polícia Federal. O ex-analista de risco da campanha reeleitoral, que respondia diretamente a Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, disse à polícia que nada sabia a respeito do dinheiro apreendido no Hotel Íbis, em São Paulo. Disse ter ficado “chocado” ao tomar conhecimento do fato, pelo noticiário.
É preciso deixar claro que os dados divulgados por Raul Jungmann estão pendentes de confirmação. A casa de câmbio Centaurus nega que tenha vendido dólares a Lorenzetti. Em contato com o blog, Aldo de Campos Costa, advogado de Lorenzetti, disse que "as ilações do deputado são absolutamente infundadas". Depois de contatar o seu cliente, Campos Costa disse que Lorenzetti reitera o depoimento que prestara à PF. Ou seja, não sabe de onde veio e não tem nada a ver com o dinheiro do dossiê.
Para o advogado de Lorenzetti, declarações de políticos sobre o dossiêgate devem ser vistas "com reservas", uma vez que são "pessoas interessadas em influir no andamento do processo eleitoral". Resta aguardar que a Polícia Federal diga se as suspeitas divulgadas por Jungmann são ou não procedentes.
Escrito por Josias de Souza às 17h12
Definitivamente, os eleitores precisam tomar cuidado com a pregação dos candidatos. Deve-se evitar confundir discurso com densidade. Na semana passada, o economista Yoshiaki Nagano, cabeça coroada do programa econômico de Geraldo Alckmin, dissera que o novo presidente teria de cortar gastos, para conter o déficit público. Alckmin apressou-se em desdizê-lo. Foi enfático: "Não vai cortar. Isso não consta do meu programa".
Nesta quinta, em sabatina promovida pela Folha, Alckmin desdisse a si mesmo. "Eu estou plenamente de acordo com o professor Nakano. Nós vamos alcançar o déficit nominal zero. Se a gente vai fazer isso em 4 ou 6 anos, é uma questão de gestão."
Com a nova declaração, Alckmin tornou-se acionista da “Mentirobras”, a estatal metafórica que ele diz ter sido criada pelo petismo para produzir intrigas eleitorais contra ele. A lógica e a precariedade das contas públicas indicam que o Alckmin desta quinta é o autêntico. Portanto, o Alckmin da semana passada é um rematado mentiroso.
O discurso de Alckmin mostrou-se maleável também na área política. No início da campanha, dizia que não moveria uma palha pelo fim da reeleição. Dizia que o assunto dizia respeito ao Congresso, não ao Executivo. Agora, diz que, se eleito, uma de suas primeiras medidas será enviar ao Legislativo uma emenda constitucional propondo o fim da reeleição.
Sabatinado 24 horas depois de Lula, Alckmin disse que os elogios que seu rival fizera na véspera ao tucano José Serra não passam de “oportunismo”. Disse: "Isso aí é mais velho que a carochinha. Se o candidato à Presidência fosse o Serra, e eu não fosse candidato a nada, ele estaria se derramando de amor por mim. Isso é o oportunismo".
Inquirido acerca do DNA tucano do valerioduto, Alckmin, depois de muitos volteios, disse que Eduardo Azeredo, beneficiado com verbas coletadas por Marcos Valério na campanha para o governo de Minas, em 98, deveria ter deixado o partido. "Ele próprio [Azeredo] deveria ter saído [do partido]."
Desdenhou das pesquisas de opinião: "O que eu estou colocando é o seguinte: a eleição não está definida. A pesquisa de ontem é diferente da pesquisa de hoje, que vai ser diferente de [pesquisa de] amanhã".
De resto, empenhou-se em negar, uma vez mais, que vá privatizar grandes estatais --Petrobras, Banco do Brasil e Caixa—, insinua a campanha adversária. “Nós embarcamos nesse debate não pelo mérito, mas pela mentira", disse. "Nem acredito que isso tenha tanto impacto." Pressione
aqui para ouvir a íntegra da sabatina com Alckmin.
Escrito por Josias de Souza às 16h09
Um dia depois de ter recebido a visita de Jorge Bornhausen e Tasso Jereissati, presidentes do PSDB e PFL, o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, disse nesta quinta estar “otimista” quanto às chances de elucidar o mistério da origem do dinheiro do dossiêgate. Chegou mesmo a dizer que algo pode ser divulgado antes de 29 de outubro, dia do segundo turno das eleições.
Lacerda disse que, a essa altura, ainda não é possível dizer se o dinheiro proveio das arcas de campanha do PT. Confirmou que o jogo do bicho carioca é um dos provedores. Também o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, disse não dispor, por ora, de elementos para afirmar que os recursos tenham saído do caixa partidário.
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), superior hierárquico de Lacerda, voltou a rebater a acusação de que atuaria mais como advogado criminalista do governo do que como ministro. Atribuiu a acusação ao calor retórico próprio das fases eleitorais. E rebateu as críticas: "São fantasias, porque ninguém aponta nenhum fato, nenhum ato ou atitude ou posição que eu tenha tomado que indique isso. Não deixei, em nenhum momento, que a minha lealdade ao presidente impedisse a minha lealdade às instituições... sou ministro da Justiça, não sou político".
Escrito por Josias de Souza às 14h55

- Folha: Parte do dinheiro do dossiê veio do jogo do bicho do Rio
- Estadão: Para Alckmin, novo governo Lula acaba antes de começar
- Globo: Justiça proíbe Lula de gastar R$ 1,5 bi antes das eleições
- Correio: Devassa em contratos de informática do ICS
- Valor: Cresce disputa de mercado e preço de PCs cai mais 17%
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h45
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h38
Alan Marques/Folha Imagem
Sabatinado pela Folha, Lula foi submetido à pergunta que Cristovam Buarque (PDT) dirigiu à cadeira vazia que ele deveria ter ocupado no último debate do primeiro turno, na TV Globo: “Se ficar comprovado que o dinheiro do dossiê veio da campanha presidencial, o sr. renuncia?”
E ele: “Bom, se se comprovar, se se cometeu um crime eleitoral, eu e qualquer outro cidadão comum deste país temos que pagar pelo crime que cometemos. O que eu acredito, o que eu defendo é que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça façam a mais rigorosa apuração, independentemente do tempo que vai demorar. Pode ser que demore um dia ou dois anos”.
Lula disse que adversários como Jorge Bornhausen (PFL) e Tasso Jereissati (PSDB) apostam na hipótese de impugnação de seu segundo mandato. “É a tese das pessoas que percebem que podem perder. Começam a criar confusão. Eu já fiz isso...”
Fustigou: “Nossos adversários gostariam que aparecesse o dinheiro de qualquer jeito, como eles fizeram com a fotografia. Agora, nós não estamos fazendo, com o Estado brasileiro, pirotecnia. Todas as pessoas que forem envolvidas e que tiverem culpa terão que pagar. Essa é a regra do jogo da democracia (...)”.
Acha que as arcas de sua campanha não entraram na encrenca: “Eu duvido, duvido que seja na minha campanha. Se tem uma coisa que esse maldito dossiê fez foi atrapalhar que eu ganhasse a eleição no primeiro turno. Alguém deu um tiro de canhão no próprio pé”. Disse que seu ex-assessor Freud Godoy é “vítima”. Quanto aos outros “aloprados”, não põe a mão no fogo.
Sabatinado no mesmo dia em que Geraldo Alckmin disse que um novo governo Lula acabaria antes de começar, o presidente debulhou-se em elogios aos tucanos José Serra e Aécio Neves. Falando como reeleito, disse de público o que vem falando em privado: a despeito da artilharia de campanha, vai buscar um entendimento com o PSDB.
“(...) Eu tenho uma boa relação com o governador José Serra, que não é de hoje. Eu tenho uma boa relação com o Aécio. Ela é uma relação política, ela é uma relação de pensamentos muito próximos, com divergências em nuanças que podem ser consertados”, disse Lula.
Mais: “Nós vamos ter uma experiência nova. O Serra é uma figura mais cosmopolita do que o Alckmin, ou seja, o Serra tem uma dimensão nacional maior do que o Alckmin. É um político mais experimentado (...). Então nós vamos ter um outro clima mais favorável para conversar neste país”.
Em dado momento, Lula foi instado a comparar a situação brasileira à da Itália, onde a Operação Mão Limpas levou à implosão do quadro partidário. “Aqui vai ter que implodir. No Brasil, vamos ter que fazer um novo quadro partidário, pelo bem da democracia.”
O quanto ao PT? “(...) Espero que, ao terminar as eleições, a direção do PT convoque um encontro extraordinário, que chame os nossos governadores eleitos, os deputados eleitos, os movimentos sindicais e sociais que participam do PT e rediscutam qual será o papel do PT, qual será a direção do PT, porque não pode continuar como está. O PT cresceu demais”.
A reeleição dos mensaleiros corresponde a uma anistia? “O povo votou em quem votou porque acreditou que a pessoa era inocente. Eu espero que essas pessoas, tendo recebido do povo brasileiro uma espécie de habeas corpus, que façam jus à confiança que o povo teve neles e tenham um comportamento irretocável daqui para a frente.
Sente-se à vontade na companhia de peemedebistas como Jader (PA), Renan (AL) e Geddel (BA)? “Você pode gostar ou não gostar. As forças políticas que existem no Brasil são essas (...). Você trabalha com que existe no Congresso Nacional. Está todo mundo eleito. Agora você tem que trabalhar com eles”. Lula falou também sobre o tamanho da máquina administrativa, o desejo de disciplinar a mídia, e o diz-que-diz sobre seus hábitos etílicos. Ouça aqui.
Escrito por Josias de Souza às 02h19
Lula e Geraldo Alckmin foram instruídos por suas respectivas equipes de marketing a privilegiar as propostas de governo em detrimento dos ataques no segundo debate televisivo, marcado para a noite desta quinta-feira. A estratégia dos dois rivais foi temperada por pesquisas de opinião feitas por encomenda de seus comitês de campanha.
Tanto as pesquisas de Lula quanto as de Alckmin indicam que o eleitor está mais interessado em conhecer o programa de governo dos candidatos. As sondagens do comitê petista foram ainda mais específicas: mais de 50% dos entrevistados deram indicações de que reprovam a chamada baixaria de campanha. A maioria considera que a propaganda eletrônica (rádio e TV) de Lula é superior à de Alckmin justamente porque dá maior ênfase à agenda dita programática.
O embate desta quinta será exibido pelo SBT. O início está marcado para as 21h. A tônica propositiva será induzida pelo formato do programa. No primeiro bloco, cada candidato responderá a duas perguntas da mediadora Ana Paula Padrão. Acertou-se com as assessorias dos candidatos que as perguntas versarão sobre programas de governo.
Nos dois blocos seguintes, Lula e Alckmin formularão perguntas um ao outro. A temática será livre. Não há um número pré-determinado de questões. Serão tantas quantas couberem em cada bloco, cuja duração será de cerca de 22 minutos cada um. No quarto e último bloco, os presidenciáveis farão as suas considerações finais.
Alckmin planeja manter o tom firme. Deve reiterar a cobrança sobre a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) que seria usado por petistas para comprar o dossiê antitucanos. Mas, se observar os conselhos de sua assessoria, o candidato cuidará para que a firmeza não resvale para a arrogância. O tucanato convive com o receio de que o excesso de agressividade transforme Lula em vítima. Um risco claramente insinuado nas pesquisas internas.
Os ataques de Lula virão disfarçados de propostas. O presidente planeja reforçar a comparação entre as “realizações” de sua gestão com a do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso. Um cotejo que incomoda o adversário. Pretende reforçar também a tática de grudar em Alckmin a pecha de privatista. Algo que, na opinião do petismo, também vem tirando o rival do sério.
Por precaução, Lula vai para o ringue do SBT armado. Levará consigo dados colecionados pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União. São estatísticas sobre ações anticorrupção realizadas durante a sua gestão. Se necessário, sacará os números. Servirão para embasar a tese de que seu governo teria sido "implacável" com as malfeitorias. Dirá que FHC, em Brasília, e Alckmin, em São Paulo, fizeram o oposto.
A tática de Lula é tentar empurrar Alckmin para a defensiva, instando-o ao desequilíbrio verbal. O presidente está, de novo, de olho nas pesquisas. Mostra-se convencido de que a vantagem que abriu sobre Alckmin –20 pontos percentuais segundo o Datafolha— se deve, em grande medida, ao fato de ter retomado a agenda da campanha, dominada pelo dossiêgate na fase final do primeiro turno.
Quanto a Alckmin, fará um esforço para demonstrar que a gestão Lula não foi tão eficiente quanto ele apregoa. Dirá que, naquilo que é essencial –a área econômica—, o governo petista produziu resultados pífios, refletidos nas taxas de crescimento econômico. Vai negar o privatismo, qualificando-o como obra da “mentirobras”. E vai reforçar a intenção de “despetizar” a máquina estatal, referência ao “aparelhamento” do Estado promovido pelo PT.
Escrito por Josias de Souza às 00h01
A Polícia Federal julga ter detectado a origem de uma ínfima parte do dinheiro que seria usado pelos petistas aloprados para comprar um dossiê contra o tucanato. Pelo menos R$ 5 mil do total de R$ 1,7 milhão apreendido no último dia 15 de setembro passaram pela banca do bicheiro carioca Turcão, apelido de Antônio Patrus Kalil.
O blog apurou que a PF chegou à banca de Turcão valendo-se do auxílio de informantes. Mostrou-lhes anotações que estavam atadas a maços de notas apreendidos com os “aloprados” Gedibran Passos e Valdebran Padilha. Além da inscrição “Caxias 118”, os papéis traziam carimbos e contas de somar feitas em calculadora antiga.
Informada de que o papelório é do tipo que a equipe de Turcão utiliza, a PF fez uma batida nos escritórios do bicheiro há três dias. Os agentes concluíram que parte do dinheiro do dossiê fez mesmo escala na banca de jogos de Turcão. Mas ainda não se sabe se o bicheiro é o provedor dos “aloprados”. Além de pagar as próprias apostas, Turcão costuma antecipar dinheiro para outras bancas de jogo do bicho carioca, de onde o dinheiro pode ter saído.
A polícia espera eliminar as dúvidas nos próximos dias. Imagina-se que, chegando ao fornecedor do dinheiro, pode-se arrancar dele alguma informação que associe um ou mais “aloprados” à coleta dos recursos. Interrogados, todos alegaram desconhecer a origem da grana.
Escrito por Josias de Souza às 21h43
Lula ganhou há pouco mais um troféu para exibir em sua campanha. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu em 0,50 ponto percentual o juro básico da economia. A nova taxa é de 13,75% ao ano. Não houve discordâncias entre os diretores do BC.
A redução já esperada pelo mercado. Tudo conspirava a favor da queda de 0,5 ponto percentual: a inflação está sob controle; a atividade econômica, por moderada, não oferece riscos; e o cenário internacional é favorável. A próxima reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de novembro. Será a última do ano. Espera-se que os juros caiam uma vez mais.
Agora, alguns dados para relativizar os festejos oficiais: com a decisão de hoje do Copom, os juros reais da economia brasileira (9,3%) continuam sendo os maiores do mundo. A Turquia, economia insignificante se comparada à brasileira, pratica juros reias de 6,2%. É a segunda maior taxa do planeta. Convém lembrar ainda que o BC prevê para este ano da graça de 2006, um crescimento do PIB de risíveis 3%.
Escrito por Josias de Souza às 18h02
Ouça-se o que disse Geraldo Alckmin nesta quarta, em evento promovido pela OAB, em Brasília: “Se ele [Lula] for reeleito, [o governo] acaba antes de começar. Já começa [o mandato] discutindo 2010.”
A intenção da OAB era a de promover um debate entre Alckmin e Lula. Mas o presidente mandou dizer que não compareceria. E a coisa acabou virando uma espécie de sabatina, na qual Alckmin falou pelos cotovelos.
Para Alckmin, um eventual segundo mandato de Lula seria marcado pela mesmice: "Já fui reeleito. Reeleição é um pouco mais do mesmo", disse. Manifestou-se contrário à reeleição, destoando do que dizia no início da campanha.
"Eu não tenho hoje a menor dúvida de que não é melhor mantê-la [a reeleição]. O que estamos vendo hoje é uma mistura de candidato e governo, uma não separação da questão eleitoral da governamental. E, como esse mau exemplo vem de cima, imagina das eleições municipais o que se pode fazer?"
Ao dizer que, se eleito, Lula chefiará um governo às avessas, com o epílogo adiante do prefácio, Alckmin ecoa um sentimento encontradiço em parte do tucanato e do PFL. Sentimento perigoso e de péssimo agouro.
Eleito, Lula chamará a oposição para sentar-se à mesa. Quer costurar a aprovação de uma pauta mínima de reformas. Porém, um naco da oposição parece mais disposto a virar a mesa do que a puxar uma cadeira para sentar-se em torno dela.
De resto, ao especular sobre a fragilidade de um eventual segundo mandato de Lula, Alckmin acaba por expor a fraqueza de sua própria candidatura. Em resposta às declarações do rival de Lula, o ministro petista Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que Alckmin revelou o seu "lado Pinochet".
Escrito por Josias de Souza às 15h22

Depois da pesquisa do Datafolha, a próxima sondagem a ser divulgada é a do Ibope, na sexta-feira. Os números ainda não saíram do forno. Mas Carlos Augusto Montenegro, presidente do instituto, afirma que só mesmo um fato “muito espetacular” poderá arrancar a faixa de presidente da República do peito de Lula.
Para Montenegro, o presidente seria reeleito hoje com pelo menos 12% de votos a mais que Geraldo Alckmin. Ele acha que, a menos de duas semanas da eleição, 92% dos eleitores já definiram em quem vão votar. E dificilmente mudarão de opinião.
“A essa altura, os dois candidatos já estão com os devidos votos consolidados”, disse Montenegro à repórter Márcia Carmo. “A eleição no Brasil começou há muito tempo com a grande crise que afetou o país há 15 meses.”
Um detalhe: o instituto dirigido por Montenegro é o mesmo que realiza as pesquisas para o consumo interno do comitê de Alckmin. São sondagens telefônicas, com mil entrevistas diárias. Alckmin, que chegou a liderar o levantamento interno, agora está atrás.
O tucanato ainda não jogou a toalha. Mas enfrenta agora um adversário mais poderoso do que Lula: o relógio. Por ora, as horas ainda passam. E passam. E passam. Mas há o receio de que logo elas deixem de passar. Quando os partidários de Alckmin derem por si, o tempo passou.
Escrito por Josias de Souza às 08h32

- Folha: Lula abre 19 pontos sobre Alckmin
- Estadão: Pesquisa: vantagem de Lula sobe para 20 pontos
- Globo: Lula está desmontando a indústria do país, diz Alckmin
- Correio: Presos 12 acusados de golpe milionário no ICS
- Valor: Falta de gás para térmicas põe setor elétrico em alerta
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h09
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h37
No jargão dos analistas de pesquisas, o gráfico que exibe a diferença entre os candidatos recebe o apelido de “jacaré”. Quando a distância se encurta, diz-se