Veneno pós-eleitoral

É natural que candidatos e partidos em campanha tentem pintar os adversários com as piores cores. É normal também que se empenhem em embaraçar os movimentos do inimigo. Porém, há na atual cruzada eleitoral algo que foge aos padrões. Arma-se um clima de fim do mundo para depois da disputa presidencial.
Envenenou-se demais a atmosfera. Um lado, o de Alckmin, afirma que um novo governo petista acabaria antes mesmo de começar. O outro lado, o de Lula, confunde o noticiário legítimo sobre corrupção e perversões com uma aliança imaginária da mídia com setores da “direita”, para prejudicar o “pai dos pobres”.
PT e PSDB, as duas legendas que enxergam no horizonte a perspectiva de poder, precisam levar a mão à consciência. O discurso aguerrido, próprio de toda campanha, está a um passo de ultrapassar a fronteira que leva à retórica insana. O país não merece que os dois frutos mais viçosos que sua democracia foi capaz de cultivar entreguem-se agora a um flerte irresponsável com a ruptura institucional.
Aliados no combate à ditadura, petistas e tucanos não têm –ou não deveriam ter— o perfil de uma gente que o marechal Castello Branco, há mais de 40 anos, chamava de "vivandeiras alvoroçadas”. Gente que ia "aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar".
Mas as últimas semanas demonstram que o Brasil, embora já não tenha mais militares dispostos a extravagâncias, ainda não se livrou dos acessos de histeria política. Foram-se as aventuras fardadas, mas remanesce a idéia de “derrubar”, de “inviabilizar” governos legitimamente eleitos.
Considere-se, por mais provável, a hipótese de vitória de Lula. Foi escolhido em 2002 por 52 milhões de brasileiros. Prometera uma prosperidade de 10 milhões de empregos e uma moralidade de mosteiro. Noves fora os êxitos de uma administração por avaliar, entregou a estagnação do PIB e a corrupção.
A despeito disso, um número ainda maior de eleitores parece disposto a confiar-lhe um novo mandato. O que fazer? Respeitar a vontade popular. Permitir que Lula governe. Exatamente como aconteceu em 98, quando FHC foi reeleito. O “príncipe” conduzira um governo que também não foi nem imaculado nem próspero. Lula cansou de avisar que o dólar a R$ 1,20 era piada, que resultaria em recessão e desemprego. O eleitor não lhe deu ouvidos.
Agora, Alckmin e seus aliados estão roucos de avisar: a perversão que assola o governo e o PT não é culpa nem de José Dirceu nem de Delúbio Soares nem de Ricardo Berzoini. O culpado é Lula. Tendo se acercado da turma dos 40 e da súcia de aloprados, o presidente não teve pulso para limpar a área no primeiro desastre. Confraternizou com malfeitores, estimulando a reiteração dos malfeitos.
O eleitor está na bica de engolir a tese do “não sabia”. Paciência. É do jogo. O PSDB tem em seus quadros dois dos mais vistosos presidenciáveis de 2010: Serra e Aécio. Se insistir em jogar lenha na fogueira da histeria pós-eleitoral, o tucanato compromete o próprio futuro. Aviva um fogo que amanhã pode queimar os seus. Há denúncias apresentadas e investigações em curso. O STF e o TSE acompanham tudo. Para encrencas assim, não há melhor remédio do que o bom funcionamento das instituições. Deixe-se que as leis funcionem.
Escrito por Josias de Souza às 19h29
A Polícia Federal já identificou sacadores de parte dos dólares que seriam usados por petistas para comprar o dossiê contra políticos tucanos. São “laranjas”. No jargão policial, um “laranja” é um intermediário, que efetua, por ordem de terceiros, transações financeiras fraudulentas, para ocultar a identidade do verdadeiro comprador dos dólares.
Identificou-se também a casa de câmbio de onde saiu parte do dinheiro. Fica no Rio de Janeiro. Nos próximos dias, a PF pretende interrogar o vendedor e os compradores suspeitos. Não se exclui a hipótese de decretação de novos pedidos de prisão.
O dinheiro do dossiê (R$ 1,75 milhão) foi apreendido no dia 15 de setembro. Encontrava-se com o empresário petista Valdebran Padilha e com o ex-agente da PF Gedimar Padilha, que agia a mando do PT. Parte das cédulas –R$ 1,168 milhão— era de reais. Outra parte –US$ 248,8 mil— era de dólares americanos (veja foto acima). É no rastreamento do naco em dólares do dossiê que a PF joga todas as suas fichas.
Uma parte dos dólares retidos tem numeração seqüencial. Com a ajuda do governo dos EUA, soube-se que o dinheiro entrou no Brasil num lote de US$ 15 milhões adquirido pelo Banco Sofisa, de São Paulo. Até aí, tinha-se o controle da numeração das notas.
Seguiu-se uma cadeia de revenda dos dólares em operações que não contemplam a anotação do número de série das notas. O Sofisa revendeu os dólares a corretoras, que os repassaram a mais de duas dezenas de pequenas casas de câmbio, que os negociaram com particulares.
A PF tenta desvendar o último elo dessa corrente, que envolve os negócios feitos entre as casas de câmbio e os particulares. Foi esse trabalho, que envolveu batidas em casas de câmbio do Rio, de São Paulo e de Florianópolis (SC), que permitiu chegar aos primeiros “laranjas”. O receio é o de que, interrogados, esses “laranjas” afirmem desconhecer o comprador que se esconde atrás da operação fraudulenta. Se isso ocorrer, a PF volta à estaca zero o front financeiro do dossiêgate.
Os investigadores têm pressa. Incomoda com as acusações do PSDB e do PFL de que estaria retardando a apuração, a PF deseja apresentar algo conclusivo antes do dia 29 de outubro, data da realização do segundo turno da eleição presidencial. Aguarda apenas uma decisão da Justiça Federal quanto ao pedido de prorrogação do inquérito, para dar seqüência à apuração.
O juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, já informou que irá autorizar a prorrogação por mais 30 dias. Deve fazê-lo no início da semana. Em seguida, a PF encaminhará as providências legais para o interrogatório dos suspeitos de envolvimento na comercialização dos dólares.
Quanto aos reais, prevê-se também para os próximos dias novas batidas policiais em bancas do jogo do bicho de Duque de Caxias e Campo Grande, no Rio de Janeiro. Acredita-se que pelo menos R$ 5 mil tenham vindo do jogo. Não há, por ora, nenhuma pista que leve ao restante dos reais. Para a PF, a origem do dinheiro é ilícita. Concluiu-se, porém, que a maior parte do dinheiro não transitou pelo sistema financeiro, o que dificulta o rastreamento.
Escrito por Josias de Souza às 18h40

- Folha: Secretário de Lula ligou para 'articulador' do dossiê
- Estadão: Assessor de Lula foi o mentor do dossiê, diz PF
- Globo: Amigo de Lula coordenou operação do dossiê, diz PF
- Correio: PF: amigo de Lula articulou dossiê
- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h21
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 03h13
Alan Marques/Folha Imagem
O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, encaminhou nesta sexta relatório à Justiça pedindo a prorrogação das investigações por 30 dias. No texto, a primeira manifestação oficial da Polícia Federal sobre o caso, o delegado afirma que o aloprado Jorge Lorenzetti (na foto) é a “pessoa que articulou em âmbito nacional a compra do dossiê" antitucanato.
Lorenzetti chefiava o birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Respondia diretamente ao deputado Ricardo Berzoini, que presidia o PT e coordenava a campanha reeleitoral. Foi afastado depois que o escândalo ganhou o noticiário. Demitiu-se também da diretoria do BESC (Banco do Estado de Santa Catarina), onde fora acomodado a pedido de Lula.
O blog apurou que o juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, vai conceder a prorrogação de prazo solicitada pela PF. Pressione aqui para ler a íntegra do relatório de Diógenes Curado. E leia abaixo os principais pontos das conclusões parciais do delegado:
1. Origem do dinheiro: Curado afirma que não há nos depoimentos colhidos até aqui pela PF nenhuma indicação que possa levar à origem do R$ 1,7 milhão apreendido com os aloprados Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro, em batida da PF no Hotel Íbis, de São Paulo. Sustenta que o dinheiro tem origem ilegal e proveio de fontes diversas. Diz que a política logrou identificar indícios de que parte dos reais apreendidos veio do Jogo do Bicho. E afirma que estão sendo feitas diligências complementares para identificar a origem das cédulas de dólar que compunham os maços retidos pela PF. Mencionam “fraudes” como a utilização de “laranjas”, para dificultar as investigações;
2. Objetivos do dossiê: Curado diz ter "certeza” de que o dossiê “visava alterar o rumo das pesquisas” eleitorais na disputa pelo governo de São Paulo, em prejuízo do candidato tucano José Serra, que disputava o Palácio dos Bandeirantes com o petista Aloizio Mercadante, segundo colocado à época da descoberta do caso. O delegado não faz menção ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin, que vem vendendo na propaganda eleitoral televisiva a tese de que o dossiê visava prejudicá-lo, sem fazer menção a Serra. Curado informa à Justiça que ouvirá, na hora própria, o senador Mercadante, derrotado por Serra;
3. Homem da mala: Curado reitera no relatório que encaminhou à Justiçam uma suspeita que já ganhou o noticiário: a de que Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha de Mercadante, foi quem levou o dinheiro aos alopradps que se encontravam no Hotel Íbis no dia 15 de setembro. Em depoimento à PF, Lacerda negou o fato. Mas o delegado afirma que "está cada vez mais difícil acreditar na sua versão";
4. Novos interrogatórios: além do desejo de ouvir Mercadante, Curado informa à Justiça que pretende reinquirir os aloprados Jorge Lorenzetti, Hamilton Lacerda, Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Quer ouvir de novo também Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Deseja interrogar ainda os responsáveis pela Revista IstoÉ. Informa, de resto, que “outros envolvidos” foram identificados a partir da análise dos dados coletados a partir das quebras de sigilo telefônico. Não dá os nomes nem esclarece se irá chamá-los para depor.
Escrito por Josias de Souza às 02h52
A notícia abaixo saiu na Folha (assinantes) deste sábado:
“O empresário Darci José Vedoin, 60, confirmou ontem à Justiça Federal em Cuiabá que a máfia dos sanguessugas subornou Abel Pereira, amigo do ex-ministro da Saúde no governo FHC e atual prefeito de Piracicaba (SP), Barjas Negri (PSDB).
Foi a primeira vez que Darci foi ouvido pela Justiça sobre a acusação contra Abel. Até então, as acusações partiam de Luiz Antônio Vedoin, 31, chefe da máfia dos sanguessugas e filho de Darci.
Luiz Antônio dizia que seu pai acertara o negócio com Abel, empresário de Piracicaba. Ontem, Darci confirmou essa versão ao juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal. Na próxima segunda-feira, Abel deporá na PF no inquérito que apura o envolvimento dele com a máfia dos sanguessugas.
Luiz Antônio entregou à Justiça, no dia 14 de setembro, comprovantes de depósitos e cópia de nove cheques, totalizando cerca de R$ 600 mil. Segundo o empresário, os valores correspondiam a propina paga a Abel. Luiz Antônio disse que Abel conseguiu a liberação de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões no Ministério da Saúde, no fim de 2002, devido à sua ligação com Barjas”.
Escrito por Josias de Souza às 02h10
Nelson Rodrigues dizia que “a dúvida é autora das insônias mais cruéis”. Inversamente, afirmava ele, “uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível”.
Dá-se justamente o oposto com Geraldo Alckmin. O que lhe tira o sono não é a dúvida, mas a certeza. A certeza de que o Planalto vai se tornando um sonho cada vez mais distante.
O pesadelo de Alckmin vem sendo esboçado nas pesquisas. Uma após a outra. Primeiro o Datafolha; depois o Vox Populi. Nesta sexta, o Ibope. Deu no Jornal Nacional (assista).
No intervalo de uma semana, o índice de intenções de voto de Lula subiu de 52% para 57%. O de Alckmin, decaiu de 40% para 36%. Diferença de 21 pontos percentuais.
O quadro parece ainda mais adverso para o tucano quando são contabilizados apenas os votos válidos, excluindo-se os brancos, os nulos e os eleitores indecisos. É como faz o TSE na hora de promover a contagem oficial. Neste caso, Lula amealha 62% dos votos. Alckmin, 38. Diferença de 24 pontos.
Como se vê tudo o que Alckmin necessita no momento é o sonífero de uma dúvida, não a certeza cada vez mais sólida que arde sob seu colchão.
Escrito por Josias de Souza às 01h40
Folha Imagem
A Polícia Federal confirmou nesta sexta que investiga um suposto elo ente o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de intenligência da campanha de Lula e um dos principais envolvidos no dossiêgate. A quebra do sigilo telefônica de Lorenzetti revelou que ele manteve um diálogo com Dirceu dias antes da prisão dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha, em 15 de setembro, no instante em que transacionavam o dossiê contra políticos tucanos.
Na véspera, a PF informara que um “novo personagem”, bastante conhecido, havia sido identificado nas investigações do caso do dossiê. A informação eletrificou os subterrâneos da política. O nome de Dirceu não tardou a vir à tona.
O advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima, confirmou a existência de uma ligação telefônica de pouco mais de três minutos de seu cliente com Lorenzetti. Disse que o ex-ministro não se recorda do conteúdo da conversa. Está convicto, porém, de que não tratou de nada que se relacionasse com a tentativa de compra do dossiê.
"O que é inacreditável é fazerem uma elucubração em cima de uma ligação de 3 minutos. É uma leviandade", afirma o advogado Oliveira Lima. "Se eu tiver que processar alguém por causa disso, eu não hesitarei em fazê-lo". A PF detectou também ligações de Lorenzetti para Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula na presidência da República (leia despacho abaixo).
Escrito por Josias de Souza às 19h05
A quebra do sigilo telefônico do petista Jorge Lorenzetti, personagem central do dossiêgate, revela que ele trocou telefonemas com Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula no Planalto. Os dois conversaram pelo menos duas vezes em 15 de setembro, dia em que veio a público a tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por petistas.
Lorenzetti está sob investigação da Polícia Federal por conta de seu envolvimento no caso do dossiê. Por isso teve o sigilo telefônico quebrado. Ele chefiava o birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula, onde estavam lotados os principais äloprados” do dossiê. Respondia ao deputado Ricardo Berzoini, então presidente do PT e coordenador da campanha reeleitoral.
Deu-se pouco depois das 10h da manhã do dia 15 de setembro o primeiro contato telefônico entre Lorenzetti e Gilberto Carvalho. Quem ligou foi o secretário de Lula. Os dois voltariam a se falar pouco antes das 19h do mesmo dia. Dessa vez coube a Lorenzetti telefonar. O blog ouviu Gilberto Carvalho. Ele confirmou os telefonemas. Contou o seguinte:
1. Carvalho estava com Lula na produtora do jornalista João Santana, responsável pelo marketing da campanha reeleitoral. O presidente gravava programas para a propaganda eleitoral televisiva. Súbito, Carvalho recebeu um telefonema. Foi informado de que a PF prendera Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT.
2. “Assim que recebi essa informação, deixei o presidente na produtora e vim pra cá [Planalto]. A informação chegou muito atravessada. Me disseram que o Lorenzetti estava no rolo. Então, liguei pra ele. Era a pessoa mais próxima que eu conhecia dessa gente”, relatou Carvalho. “Perguntei: ‘Lorenzetti, que história é essa, que loucura é essa?’ Ele estava muito assustado. Explicou que tinham ocorrido as prisões”.
3. De volta das gravações, Lula teve um compromisso de agenda no Planalto. Em seguida, Carvalho foi ao presidente. “Antes de ele ir para o almoço, falei: tem uma coisa chata. Não sei ainda direito o que é. Prenderam duas pessoas em São Paulo, com dinheiro. Parece que é negócio de dossiê. Falei com o Lorenzetti, mas ele não soube precisar direito o que é. O presidente pôs a mão na cabeça e disse: ‘Não acredito que isso possa estar acontecendo nesse momento da campanha’”.
4. No final da tarde do mesmo dia 15 de setembro, Lorenzetti discou para Gilberto Carbalho. Foi o segundo diálogo do dia. Carvalho conta: “No primeiro telefonema, ele não sabia direito o que tinha acontecido. Disse: ‘depois a gente se fala melhor’. Voltamos a falar às 18h41. Aí ele deu mais informações, que as pessoas tinham sido presas e que estavam tentando saber o que estava acontecendo. Depois disso, eu não falei mais com ele, até por prudência.”
O blog apurou que houve outros telefonemas entre Lorenzetti e Carvalho. Consultando os registros da Presidência, o secretário de Lula diz que, antes do dia 15 de setembro, a última vez que falara com Lorenzetti fora em 28 de agosto. “Em geral, foram ligações relacionadas à agenda do presidente. O Lorenzetti intermediava as idas do presidente a Santa Catarina. Várias vezes eu falei com ele por conta desse negócio da agenda”, diz Carvalho.
A partir de setembro, informa Carvalho, a responsabilidade pela montagem da agenda de campanha de Lula foi transferida para César Alvarez, um assessor da Presidência que se licenciou do cargo para trabalhar no comitê de campanha. Desde então, Carvalho diz que não ter mais conversado com Lorenzetti, exceto no dia 15 de setembro.
A quebra dos sigilos revela que Gilberto Carvalho trocou telefonemas também com Freud Godoy. São ligações “funcionais”, diz Carvalho. Godoy era assessor especial da Presidência, lotado no gabinete pessoal de Lula, que é chefiado por Carvalho. A PF não exclui a hipótese de convocar Carvalho prestar esclarecimentos. A própria polícia informa, porém, que Gilberto Carvalho não está sendo tratado como suspeito no caso do dossiê. “Não tenho nada a esconder”, disse Carvalho.
Escrito por Josias de Souza às 18h18
O nacionalismo boliviano continua pairando sobre a Petrobras. Pela folhinha de La Paz, a encrenca terá de ser resolvida até 28 de outubro, véspera do segundo turno da eleição brasileira. Estão em jogo: 1) o reajuste nos preços do gás que a estatal brasileira extrai do subsolo boliviano; 2) a nacionalização das instalações da Petrobras.
O Brasil está para a Bolívia como o martelo está para o prego. Porém, a forma açucarada como Lula tratou o companheiro Evo Morales fez com que se invertessem os papéis.
A administração de Morales está pouco se lixando para as prioridades eleitorais de Lula. Não abre mão de bater o martelo até o dia 28. "Essa é a data que se mantém e o governo não tem considerado a possibilidade de um adiamento. Continuaremos fazendo esforços para assinar os contratos até o último minuto do dia 28 de outubro", disse Carlos Villegas, ministro boliviano de Hidrocarbonetos, à agência Reuters.
Escrito por Josias de Souza às 14h48

- Folha: Lula tira corrupção de foco em debate
- Estadão: Investigado, Freud mantém contato com assessor de Lula
- Globo: Petista confirmou que Freud mandou comprar o dossiê
- Correio: Justiça quebra sigilo de ex-assessor de Lula
- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h57
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h38
Marlene Bergamo/Folha Imagem
Foi um debate morno, em que a cabeça prevaleceu sobre o fígado. Terminou empatado. É improvável que um candidato tenha roubado votos do outro com o lero-lero esgrimido diante das câmeras do SBT. O que para Lula, na dianteira em todas as pesquisas, não deixa de ser um ótimo resultado.
O confronto nem de longe lembrou a luta de boxe da TV Bandeirantes. Foi um embate mais tático. Conforme noticiado aqui no blog, o cotejo de propostas prevaleceu sobre a agressividade. Alertado pelas pesquisas de que o eleitor prefere o arrulho ao grito, Alckmin parece ter-se convencido de que teve no primeiro debate uma vitória de Pirro. E usou um timbre mais comedido. Lula, menos tenso, esgrimiu números e ironias. Pôde comparar-se a FHC.
Nenhum dos dois conseguiu disfarçar a condição de candidatos amestrados. Exibiram em cena uma sucessão de poses e máscaras, recolhidas na usina de marketing de seus comitês. A autenticidade foi soterrada sob camadas de diversionismo e tergiversação.
Instado pela mediadora Ana Paula Padrão a discorrer sobre “agricultura”, Lula levou ao nariz os óculos de leitura. Espargiu no rumo do telespectador um lote de números. Disse que o setor foi brindado com "o maior orçamento dos últimos 30 anos". Máscara. “A agricultura foi levada pela omissão do governo à maior crise dos últimos 40 anos”, devolveu Alckmin, com a pose de quem, no primeiro turno, bateu o adversário nas regiões que têm a economia escorada no agronegócio.
Brindado pela mediadora com um quindim –o tema “corrupção”—, Alckmin esbaldou-se. Desfiou todo o rosário de escândalos da era Lula: Waldomiro Diniz, Correios, mensalão, Land Rover, Gtech, Visanet, cartilhas da Secom e dossiêgate. Em vez do arremate histriônico do primeiro debate –“De onde veio o dinheiro?”— foi manso: “A sociedade merece explicações”. E Lula: “Acho que vamos ter a campanha de uma nota só.” Máscara. “Se as coisas estão aparecendo é porque o governo está apurando como em nenhum outro momento”. Coisa que, segundo insinuou, o tucanato não fazia. “Não é uma nota só. Estamos falando de um milhão e 700 notas”, devolveu Alckmin. Pose.
Ao falar sobre segurança pública, Alckmin saiu-se com o lero-lero usual: 90 mil bandidos presos, redução de homicídios (50%) e latrocínios (70%). Empurrou a encrenca para Brasília, que não fechou as fronteiras para droga e armas. “Como presidente, vou assumir as responsabilidades”. Máscara. “Pelo amor de Deus, que o povo de São Paulo não ouça, porque vai pensar que vai ter um PCC no Brasil inteiro. Depois de 12 anos, não conseguiu fazer em São Paulo, como vai conseguir fazer no Brasil?”, ironizou Lula. Pose.
Em vez de dar ênfase à ética, como fizera na Bandeirantes, Alckmin agarrou-se à saúde. Foi e voltou ao tema três vezes. À acusação de que o SUS piorou, Lula respondeu com outra tediosa leitura de números. Disse que o rival não reconhece a melhoria por que não é usuário de hospitais públicos. Pose. E Alckmin: “Eu me submeti a três cirurgias, todas na Santa Casa de Pindamonhangaba”. Máscara.
Lula jogou o anzol da privatização. “Não precisa ficar nervoso”, provocou. Alckmin fez pose de peixe ensaboado. Deslizou para outro assunto. Disse que, sob Lula, o número de desempregados aumentou de 8 milhões para 9 milhões. Só no final encarou a isca. Negou que vá vender estatais. Defendeu FHC. A venda das teles, disse, facultou a 90 milhões de brasileiros o acesso ao celular. Afirmou que Lula também levou ao martelo dois bancos -o do Maranhão e o do Ceará.
Pendurado a um ranking de “The Economist”, Alckmin disse que o Brasil (2,3% de crescimento do PIB em 2005) ficou na rabeira dos emergentes. Irônico, Lula chamou-o de “colonizado”. Só dá crédito, afirmou, ao que sai no “The New York Times” ou na revista britânica. Disse que, “sem mágica e sem pirotécnica”, preparou o Brasil para crescer “nos próximos 15 anos”. Máscara.
Alckmin, fazendo pose para a lente: “Somos diferentes. Ele acha que está tudo bem. Fala em daqui a 15 anos. Eu tenho pressa. O Brasil pode mais”. As palavras soaram como música na Avenida Paulista. Mas não chegam a sensibilizar o eleitor pobre. A clientela do Bolsa Família, informam todos os estudos disponíveis, experimenta a sensação de que o Brasil é uma China (crescimento anual de 10%). É esse naco do eleitorado que vem fazendo a balança das pesquisas pender para Lula. É um tipo de eleitor que não fica até tarde diante da TV para ver debate. Quando Alckmin dizia ter "pressa", ele já estava no terceiro sono. Tinha de pegar no batente cedo.
Escrito por Josias de Souza às 01h15
A Justiça Federal autorizou nesta quinta a quebra dos sigilos bancários de Freud Godoy e de Hamilton Lacerda. Godoy é ex-segurança de Lula e ex-assessor do gabinete pessoal do presidente. Lacerda é ex-coordenador de Comunicação da campanha petista de Aloizio Mercadante do governo de São Paulo.
A quebra dos sigilos fora solicitada há dois dias pelo procurador da República Mário Lúcio de Avelar, responsável no Ministério Público pela apuração do dossiêgate. Avelar solicitara também a abertura das contas da mulher de Freud, Simone Messeguer Godoy, e da empresa do casal, Caso Sistemas de Segurança. A Justiça negou.
Freud foi envolvido no caso do dossiê pelo “aloprado” Gedimar Passos, preso pela Polícia Federal em 15 de setembro, no Hotel Íbis, de São Paulo, junto com o petista Valdebran Padilha. Com os dois, a PF apreendeu R$ 1,7 milhão, em notas de real e de dólar.
Inquirido no dia da prisão, Gedimar disse que a ordem para a compra do dossiê contra políticos tucanos partira de Freud. Em manifestação posterior, encaminhada ao TSE, o “aloprado” modificou a versão. Disse que mencionara Freud depois de ter recebido uma falsa promessa do delegado que o interrogou, Edmilson Pereira Bruno, o mesmo que responde a sindicância interna da PF por ter vazado as imagens do dinheiro do dossiê na antevéspera do primeiro turno, 29 de setembro.
Quanto a Lacerda, a PF está convencida de que foi ele quem levou o dinheiro ao Hotel Íbis. Imagens do circuito interno de TV do hotel, recolhidas pela polícia, mostram Lacerda entrando no estabelecimento no dia da apreensão do dinheiro portanto uma mala. Interrogado, o ex-assessor da campanha de Mercadante disse que levou boletos para contribuições de campanha, não dinheiro.
Porém, Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, pôs em dúvida a alegação de Lacerda. Em depoimento à PF, o presidente licenciado do PT disse que não era atribuição de Lacerda recolher donativos de campanha. Foi em função desse desencontro de versões que o procurador Avelar julgou conveniente pedir a quebra dos sigilos de Freud e Lacerda. Resta agora aguardar pelo cumprimento da ordem judicial.
Escrito por Josias de Souza às 18h37
Roosewelt Pinheiro/ABr
A CPI das Sanguessugas investiga uma suposta compra de dólares feita por Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de inteligência do comitê de campanha de Lula. Ele teria adquirido US$ 150 mil numa casa de câmbio chamada Centaurus, de Florianópolis (SC). A suspeita é de que o dinheiro integre o lote de cédulas que seriam usadas por petistas para comprar, em 15 de setembro, um dossiê contra políticos tucanos.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI, diz que a informação chegou à comissão, que agora busca confirmá-la. A Centaurus nega que tenha transacionado dólares com Lorenzetti. Contatado pelo deputado, o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, esquivou-se de confirmar se a Polícia Federal também persegue a mesma pista. Limitou-se a dizer que a cidade de Florianópolis é um dos focos da investigação.
A suspeita da CPI nasceu assim:
1) um ex-funcionário graduado do Banco Central, cujo nome Jungmann mantém em sigilo, discou para o deputado para informar sobre dados que supostamente estariam armazenados nos computadores do BC;
2) informou algo que já é sabido: as cédulas de dólar que compunham o R$ 1,7 milhão apreendido pela PF em poder dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha vieram dos EUA. Compunham um lote de US$ 15 milhões adquiridos pelo Banco Sofisa, de São Paulo;
3) depois de custodiar os dólares na casa de valores Brinks, o Sofisa revendeu-os a 14 corretoras. Uma delas, chamada Action, teria adquirido US$ 500 mil;
4) a Action, por sua vez, também teria revendido os dólares a outras casas de câmbio. Entre elas a catarinense Centaurus, situada no número 183 da Avenida Osmar Cunha, em Florianópolis;
5) coube à Centaurus, segundo a suspeita divulgada por Jungmann, revender US$ 150 mil a Jorge Lorenzetti, por meio de uma transação a cabo. Nesse tipo de transação, o dinheiro é enviado para uma instituição financeira no exterior e disponibilizado ao comprador no Brasil;
Se for verdadeira, a informação transforma em pó o depoimento que Lorenzetti prestou à Polícia Federal. O ex-analista de risco da campanha reeleitoral, que respondia diretamente a Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, disse à polícia que nada sabia a respeito do dinheiro apreendido no Hotel Íbis, em São Paulo. Disse ter ficado “chocado” ao tomar conhecimento do fato, pelo noticiário.
É preciso deixar claro que os dados divulgados por Raul Jungmann estão pendentes de confirmação. A casa de câmbio Centaurus nega que tenha vendido dólares a Lorenzetti. Em contato com o blog, Aldo de Campos Costa, advogado de Lorenzetti, disse que "as ilações do deputado são absolutamente infundadas". Depois de contatar o seu cliente, Campos Costa disse que Lorenzetti reitera o depoimento que prestara à PF. Ou seja, não sabe de onde veio e não tem nada a ver com o dinheiro do dossiê.
Para o advogado de Lorenzetti, declarações de políticos sobre o dossiêgate devem ser vistas "com reservas", uma vez que são "pessoas interessadas em influir no andamento do processo eleitoral". Resta aguardar que a Polícia Federal diga se as suspeitas divulgadas por Jungmann são ou não procedentes.
Escrito por Josias de Souza às 17h12
Definitivamente, os eleitores precisam tomar cuidado com a pregação dos candidatos. Deve-se evitar confundir discurso com densidade. Na semana passada, o economista Yoshiaki Nagano, cabeça coroada do programa econômico de Geraldo Alckmin, dissera que o novo presidente teria de cortar gastos, para conter o déficit público. Alckmin apressou-se em desdizê-lo. Foi enfático: "Não vai cortar. Isso não consta do meu programa".
Nesta quinta, em sabatina promovida pela Folha, Alckmin desdisse a si mesmo. "Eu estou plenamente de acordo com o professor Nakano. Nós vamos alcançar o déficit nominal zero. Se a gente vai fazer isso em 4 ou 6 anos, é uma questão de gestão."
Com a nova declaração, Alckmin tornou-se acionista da “Mentirobras”, a estatal metafórica que ele diz ter sido criada pelo petismo para produzir intrigas eleitorais contra ele. A lógica e a precariedade das contas públicas indicam que o Alckmin desta quinta é o autêntico. Portanto, o Alckmin da semana passada é um rematado mentiroso.
O discurso de Alckmin mostrou-se maleável também na área política. No início da campanha, dizia que não moveria uma palha pelo fim da reeleição. Dizia que o assunto dizia respeito ao Congresso, não ao Executivo. Agora, diz que, se eleito, uma de suas primeiras medidas será enviar ao Legislativo uma emenda constitucional propondo o fim da reeleição.
Sabatinado 24 horas depois de Lula, Alckmin disse que os elogios que seu rival fizera na véspera ao tucano José Serra não passam de “oportunismo”. Disse: "Isso aí é mais velho que a carochinha. Se o candidato à Presidência fosse o Serra, e eu não fosse candidato a nada, ele estaria se derramando de amor por mim. Isso é o oportunismo".
Inquirido acerca do DNA tucano do valerioduto, Alckmin, depois de muitos volteios, disse que Eduardo Azeredo, beneficiado com verbas coletadas por Marcos Valério na campanha para o governo de Minas, em 98, deveria ter deixado o partido. "Ele próprio [Azeredo] deveria ter saído [do partido]."
Desdenhou das pesquisas de opinião: "O que eu estou colocando é o seguinte: a eleição não está definida. A pesquisa de ontem é diferente da pesquisa de hoje, que vai ser diferente de [pesquisa de] amanhã".
De resto, empenhou-se em negar, uma vez mais, que vá privatizar grandes estatais --Petrobras, Banco do Brasil e Caixa—, insinua a campanha adversária. “Nós embarcamos nesse debate não pelo mérito, mas pela mentira", disse. "Nem acredito que isso tenha tanto impacto." Pressione
aqui para ouvir a íntegra da sabatina com Alckmin.
Escrito por Josias de Souza às 16h09
Um dia depois de ter recebido a visita de Jorge Bornhausen e Tasso Jereissati, presidentes do PSDB e PFL, o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, disse nesta quinta estar “otimista” quanto às chances de elucidar o mistério da origem do dinheiro do dossiêgate. Chegou mesmo a dizer que algo pode ser divulgado antes de 29 de outubro, dia do segundo turno das eleições.
Lacerda disse que, a essa altura, ainda não é possível dizer se o dinheiro proveio das arcas de campanha do PT. Confirmou que o jogo do bicho carioca é um dos provedores. Também o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, disse não dispor, por ora, de elementos para afirmar que os recursos tenham saído do caixa partidário.
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), superior hierárquico de Lacerda, voltou a rebater a acusação de que atuaria mais como advogado criminalista do governo do que como ministro. Atribuiu a acusação ao calor retórico próprio das fases eleitorais. E rebateu as críticas: "São fantasias, porque ninguém aponta nenhum fato, nenhum ato ou atitude ou posição que eu tenha tomado que indique isso. Não deixei, em nenhum momento, que a minha lealdade ao presidente impedisse a minha lealdade às instituições... sou ministro da Justiça, não sou político".
Escrito por Josias de Souza às 14h55

- Folha: Parte do dinheiro do dossiê veio do jogo do bicho do Rio
- Estadão: Para Alckmin, novo governo Lula acaba antes de começar
- Globo: Justiça proíbe Lula de gastar R$ 1,5 bi antes das eleições
- Correio: Devassa em contratos de informática do ICS
- Valor: Cresce disputa de mercado e preço de PCs cai mais 17%
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h45
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h38
Alan Marques/Folha Imagem
Sabatinado pela Folha, Lula foi submetido à pergunta que Cristovam Buarque (PDT) dirigiu à cadeira vazia que ele deveria ter ocupado no último debate do primeiro turno, na TV Globo: “Se ficar comprovado que o dinheiro do dossiê veio da campanha presidencial, o sr. renuncia?”
E ele: “Bom, se se comprovar, se se cometeu um crime eleitoral, eu e qualquer outro cidadão comum deste país temos que pagar pelo crime que cometemos. O que eu acredito, o que eu defendo é que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça façam a mais rigorosa apuração, independentemente do tempo que vai demorar. Pode ser que demore um dia ou dois anos”.
Lula disse que adversários como Jorge Bornhausen (PFL) e Tasso Jereissati (PSDB) apostam na hipótese de impugnação de seu segundo mandato. “É a tese das pessoas que percebem que podem perder. Começam a criar confusão. Eu já fiz isso...”
Fustigou: “Nossos adversários gostariam que aparecesse o dinheiro de qualquer jeito, como eles fizeram com a fotografia. Agora, nós não estamos fazendo, com o Estado brasileiro, pirotecnia. Todas as pessoas que forem envolvidas e que tiverem culpa terão que pagar. Essa é a regra do jogo da democracia (...)”.
Acha que as arcas de sua campanha não entraram na encrenca: “Eu duvido, duvido que seja na minha campanha. Se tem uma coisa que esse maldito dossiê fez foi atrapalhar que eu ganhasse a eleição no primeiro turno. Alguém deu um tiro de canhão no próprio pé”. Disse que seu ex-assessor Freud Godoy é “vítima”. Quanto aos outros “aloprados”, não põe a mão no fogo.
Sabatinado no mesmo dia em que Geraldo Alckmin disse que um novo governo Lula acabaria antes de começar, o presidente debulhou-se em elogios aos tucanos José Serra e Aécio Neves. Falando como reeleito, disse de público o que vem falando em privado: a despeito da artilharia de campanha, vai buscar um entendimento com o PSDB.
“(...) Eu tenho uma boa relação com o governador José Serra, que não é de hoje. Eu tenho uma boa relação com o Aécio. Ela é uma relação política, ela é uma relação de pensamentos muito próximos, com divergências em nuanças que podem ser consertados”, disse Lula.
Mais: “Nós vamos ter uma experiência nova. O Serra é uma figura mais cosmopolita do que o Alckmin, ou seja, o Serra tem uma dimensão nacional maior do que o Alckmin. É um político mais experimentado (...). Então nós vamos ter um outro clima mais favorável para conversar neste país”.
Em dado momento, Lula foi instado a comparar a situação brasileira à da Itália, onde a Operação Mão Limpas levou à implosão do quadro partidário. “Aqui vai ter que implodir. No Brasil, vamos ter que fazer um novo quadro partidário, pelo bem da democracia.”
O quanto ao PT? “(...) Espero que, ao terminar as eleições, a direção do PT convoque um encontro extraordinário, que chame os nossos governadores eleitos, os deputados eleitos, os movimentos sindicais e sociais que participam do PT e rediscutam qual será o papel do PT, qual será a direção do PT, porque não pode continuar como está. O PT cresceu demais”.
A reeleição dos mensaleiros corresponde a uma anistia? “O povo votou em quem votou porque acreditou que a pessoa era inocente. Eu espero que essas pessoas, tendo recebido do povo brasileiro uma espécie de habeas corpus, que façam jus à confiança que o povo teve neles e tenham um comportamento irretocável daqui para a frente.
Sente-se à vontade na companhia de peemedebistas como Jader (PA), Renan (AL) e Geddel (BA)? “Você pode gostar ou não gostar. As forças políticas que existem no Brasil são essas (...). Você trabalha com que existe no Congresso Nacional. Está todo mundo eleito. Agora você tem que trabalhar com eles”. Lula falou também sobre o tamanho da máquina administrativa, o desejo de disciplinar a mídia, e o diz-que-diz sobre seus hábitos etílicos. Ouça aqui.
Escrito por Josias de Souza às 02h19
Lula e Geraldo Alckmin foram instruídos por suas respectivas equipes de marketing a privilegiar as propostas de governo em detrimento dos ataques no segundo debate televisivo, marcado para a noite desta quinta-feira. A estratégia dos dois rivais foi temperada por pesquisas de opinião feitas por encomenda de seus comitês de campanha.
Tanto as pesquisas de Lula quanto as de Alckmin indicam que o eleitor está mais interessado em conhecer o programa de governo dos candidatos. As sondagens do comitê petista foram ainda mais específicas: mais de 50% dos entrevistados deram indicações de que reprovam a chamada baixaria de campanha. A maioria considera que a propaganda eletrônica (rádio e TV) de Lula é superior à de Alckmin justamente porque dá maior ênfase à agenda dita programática.
O embate desta quinta será exibido pelo SBT. O início está marcado para as 21h. A tônica propositiva será induzida pelo formato do programa. No primeiro bloco, cada candidato responderá a duas perguntas da mediadora Ana Paula Padrão. Acertou-se com as assessorias dos candidatos que as perguntas versarão sobre programas de governo.
Nos dois blocos seguintes, Lula e Alckmin formularão perguntas um ao outro. A temática será livre. Não há um número pré-determinado de questões. Serão tantas quantas couberem em cada bloco, cuja duração será de cerca de 22 minutos cada um. No quarto e último bloco, os presidenciáveis farão as suas considerações finais.
Alckmin planeja manter o tom firme. Deve reiterar a cobrança sobre a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) que seria usado por petistas para comprar o dossiê antitucanos. Mas, se observar os conselhos de sua assessoria, o candidato cuidará para que a firmeza não resvale para a arrogância. O tucanato convive com o receio de que o excesso de agressividade transforme Lula em vítima. Um risco claramente insinuado nas pesquisas internas.
Os ataques de Lula virão disfarçados de propostas. O presidente planeja reforçar a comparação entre as “realizações” de sua gestão com a do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso. Um cotejo que incomoda o adversário. Pretende reforçar também a tática de grudar em Alckmin a pecha de privatista. Algo que, na opinião do petismo, também vem tirando o rival do sério.
Por precaução, Lula vai para o ringue do SBT armado. Levará consigo dados colecionados pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União. São estatísticas sobre ações anticorrupção realizadas durante a sua gestão. Se necessário, sacará os números. Servirão para embasar a tese de que seu governo teria sido "implacável" com as malfeitorias. Dirá que FHC, em Brasília, e Alckmin, em São Paulo, fizeram o oposto.
A tática de Lula é tentar empurrar Alckmin para a defensiva, instando-o ao desequilíbrio verbal. O presidente está, de novo, de olho nas pesquisas. Mostra-se convencido de que a vantagem que abriu sobre Alckmin –20 pontos percentuais segundo o Datafolha— se deve, em grande medida, ao fato de ter retomado a agenda da campanha, dominada pelo dossiêgate na fase final do primeiro turno.
Quanto a Alckmin, fará um esforço para demonstrar que a gestão Lula não foi tão eficiente quanto ele apregoa. Dirá que, naquilo que é essencial –a área econômica—, o governo petista produziu resultados pífios, refletidos nas taxas de crescimento econômico. Vai negar o privatismo, qualificando-o como obra da “mentirobras”. E vai reforçar a intenção de “despetizar” a máquina estatal, referência ao “aparelhamento” do Estado promovido pelo PT.
Escrito por Josias de Souza às 00h01
A Polícia Federal julga ter detectado a origem de uma ínfima parte do dinheiro que seria usado pelos petistas aloprados para comprar um dossiê contra o tucanato. Pelo menos R$ 5 mil do total de R$ 1,7 milhão apreendido no último dia 15 de setembro passaram pela banca do bicheiro carioca Turcão, apelido de Antônio Patrus Kalil.
O blog apurou que a PF chegou à banca de Turcão valendo-se do auxílio de informantes. Mostrou-lhes anotações que estavam atadas a maços de notas apreendidos com os “aloprados” Gedibran Passos e Valdebran Padilha. Além da inscrição “Caxias 118”, os papéis traziam carimbos e contas de somar feitas em calculadora antiga.
Informada de que o papelório é do tipo que a equipe de Turcão utiliza, a PF fez uma batida nos escritórios do bicheiro há três dias. Os agentes concluíram que parte do dinheiro do dossiê fez mesmo escala na banca de jogos de Turcão. Mas ainda não se sabe se o bicheiro é o provedor dos “aloprados”. Além de pagar as próprias apostas, Turcão costuma antecipar dinheiro para outras bancas de jogo do bicho carioca, de onde o dinheiro pode ter saído.
A polícia espera eliminar as dúvidas nos próximos dias. Imagina-se que, chegando ao fornecedor do dinheiro, pode-se arrancar dele alguma informação que associe um ou mais “aloprados” à coleta dos recursos. Interrogados, todos alegaram desconhecer a origem da grana.
Escrito por Josias de Souza às 21h43
Lula ganhou há pouco mais um troféu para exibir em sua campanha. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu em 0,50 ponto percentual o juro básico da economia. A nova taxa é de 13,75% ao ano. Não houve discordâncias entre os diretores do BC.
A redução já esperada pelo mercado. Tudo conspirava a favor da queda de 0,5 ponto percentual: a inflação está sob controle; a atividade econômica, por moderada, não oferece riscos; e o cenário internacional é favorável. A próxima reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de novembro. Será a última do ano. Espera-se que os juros caiam uma vez mais.
Agora, alguns dados para relativizar os festejos oficiais: com a decisão de hoje do Copom, os juros reais da economia brasileira (9,3%) continuam sendo os maiores do mundo. A Turquia, economia insignificante se comparada à brasileira, pratica juros reias de 6,2%. É a segunda maior taxa do planeta. Convém lembrar ainda que o BC prevê para este ano da graça de 2006, um crescimento do PIB de risíveis 3%.
Escrito por Josias de Souza às 18h02
Ouça-se o que disse Geraldo Alckmin nesta quarta, em evento promovido pela OAB, em Brasília: “Se ele [Lula] for reeleito, [o governo] acaba antes de começar. Já começa [o mandato] discutindo 2010.”
A intenção da OAB era a de promover um debate entre Alckmin e Lula. Mas o presidente mandou dizer que não compareceria. E a coisa acabou virando uma espécie de sabatina, na qual Alckmin falou pelos cotovelos.
Para Alckmin, um eventual segundo mandato de Lula seria marcado pela mesmice: "Já fui reeleito. Reeleição é um pouco mais do mesmo", disse. Manifestou-se contrário à reeleição, destoando do que dizia no início da campanha.
"Eu não tenho hoje a menor dúvida de que não é melhor mantê-la [a reeleição]. O que estamos vendo hoje é uma mistura de candidato e governo, uma não separação da questão eleitoral da governamental. E, como esse mau exemplo vem de cima, imagina das eleições municipais o que se pode fazer?"
Ao dizer que, se eleito, Lula chefiará um governo às avessas, com o epílogo adiante do prefácio, Alckmin ecoa um sentimento encontradiço em parte do tucanato e do PFL. Sentimento perigoso e de péssimo agouro.
Eleito, Lula chamará a oposição para sentar-se à mesa. Quer costurar a aprovação de uma pauta mínima de reformas. Porém, um naco da oposição parece mais disposto a virar a mesa do que a puxar uma cadeira para sentar-se em torno dela.
De resto, ao especular sobre a fragilidade de um eventual segundo mandato de Lula, Alckmin acaba por expor a fraqueza de sua própria candidatura. Em resposta às declarações do rival de Lula, o ministro petista Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que Alckmin revelou o seu "lado Pinochet".
Escrito por Josias de Souza às 15h22

Depois da pesquisa do Datafolha, a próxima sondagem a ser divulgada é a do Ibope, na sexta-feira. Os números ainda não saíram do forno. Mas Carlos Augusto Montenegro, presidente do instituto, afirma que só mesmo um fato “muito espetacular” poderá arrancar a faixa de presidente da República do peito de Lula.
Para Montenegro, o presidente seria reeleito hoje com pelo menos 12% de votos a mais que Geraldo Alckmin. Ele acha que, a menos de duas semanas da eleição, 92% dos eleitores já definiram em quem vão votar. E dificilmente mudarão de opinião.
“A essa altura, os dois candidatos já estão com os devidos votos consolidados”, disse Montenegro à repórter Márcia Carmo. “A eleição no Brasil começou há muito tempo com a grande crise que afetou o país há 15 meses.”
Um detalhe: o instituto dirigido por Montenegro é o mesmo que realiza as pesquisas para o consumo interno do comitê de Alckmin. São sondagens telefônicas, com mil entrevistas diárias. Alckmin, que chegou a liderar o levantamento interno, agora está atrás.
O tucanato ainda não jogou a toalha. Mas enfrenta agora um adversário mais poderoso do que Lula: o relógio. Por ora, as horas ainda passam. E passam. E passam. Mas há o receio de que logo elas deixem de passar. Quando os partidários de Alckmin derem por si, o tempo passou.
Escrito por Josias de Souza às 08h32

- Folha: Lula abre 19 pontos sobre Alckmin
- Estadão: Pesquisa: vantagem de Lula sobe para 20 pontos
- Globo: Lula está desmontando a indústria do país, diz Alckmin
- Correio: Presos 12 acusados de golpe milionário no ICS
- Valor: Falta de gás para térmicas põe setor elétrico em alerta
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h09
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h37
No jargão dos analistas de pesquisas, o gráfico que exibe a diferença entre os candidatos recebe o apelido de “jacaré”. Quando a distância se encurta, diz-se que o “jacaré” está fechando a boca. Se as curvas se afastam, diz-se que o bicho está abrindo a bocarra.
Nesta terça, dia em que o Datafolha revelou que a vantagem de Lula sobre Alckmin aumentou para 20 pontos percentuais, considerando-se só os votos válidos, o presidenciável tucano parece ter saído da realidade. Discursando para militantes tucanos, em são Paulo, Alckmin saiu-se com essa: “Olha, a boca do jacaré já está fechando. Está diminuindo a diferença."
No Rio, o “sapo barbudo”, pendurado à boca de um jacaré que lhe parece cada vez mais manso, festejou os números da pesquisa. Mas, escaldado com a surpresa do primeiro turno, pediu à militância petista que não baixe a guarda.
"Não se deixem entusiasmar pela pesquisa. Temos que ocupar cada rua, cada esquina, como hoje aqui no Rio, para fazer Lula presidente, Cabral governador", discursou, do alto de um palanque montado na Cinelândia, no centro do Rio. Ouviam-no cerca de dez mil pessoas, pelas contas da PM.
Escrito por Josias de Souza às 23h59
Tuca Vieira/Folha Imagem
Caiu na rede a fita com o diálogo do delegado Edmilson Pereira Bruno (na foto), da Polícia Federal, com quatro jornalistas que receberam as fotos do R$ 1,7 milhão apreendido no dia 15 de setembro com os “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT.
O dinheiro seria usado na aquisição do dossiê contra políticos tucanos. Contrariando a praxe, a PF não divulgou imagens do dinheiro para a imprensa no dia da apreensão. O delegado Edmilson Bruno vazaria as fotos no dia 29 de setembro, antevéspera do primeiro turno. Valeu-se de uma farsa.
Edmilson Bruno entregou um CD com as fotos a repórteres da Folha, Estadão, Globo e Rádio Joven Pan. Combinou que diria a seus superiores que o CD fora roubado de sua mesa. Sem que o delegado soubesse, o diálogo foi gravado. Pressione aqui para ouvir a conversa, que já está no YouTube. O áudio tem 9 minutos e 57 segundos. A íntegra da conversa fora divulgada mais cedo pelo repórter Paulo Henrique Amorim.
Escrito por Josias de Souza às 23h05
Comece-se anotando o óbvio: pesquisa não é urna. Feita a ressalva, acrescente-se o ululante: a pesquisa Datafolha divulgada há pouco dá à disputa presidencial a aparência de um jogo jogado. Lula está com a mão na faixa.
A escassos 12 dias do segundo turno, o índice de intenções de voto de Lula subiu de 51% para 57%. Geraldo Alckmin caiu de 40% para 38%. Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), Lula obtém 60% dos votos, contra 40% atribuídos a Alckmin.
A diferença em favor de Lula é agora de 20 pontos percentuais. A menos que ocorra alguma nova “alopragem” petista, só um milagre pode levar Alckmin a prevalecer sobre Lula no próximo dia 29 de outubro. O "efeito dossiêgate" parece ter sido absorvido pelo eleitorado. Lula tem agora um prestígio maior do que o que tinha antes do escândalo.
O tucanato já havia farejado o cheiro de queimado. A distância que separa Alckmin de Lula aumentou também na pesquisa telefônica diária que o Ibope realiza por encomenda do comitê tucano.
Em avaliação realista, o alto comando de Alckmin atribui o infortúnio mais aos seus próprios erros do que aos acertos do adversário. Eis a relação dos equívocos assumidos pelo tucanato:
1. na virada do primeiro para o segundo turno, um acordo dos dois comitês retardou o reinício da propaganda eletrônica no rádio e na TV. Ao atraso provocado pela demora do TSE em proclamar o resultado oficial da eleição, foi acrescida uma demora de quase uma semana. Olhando pelo retrovisor, o comitê de Alckmin acha que errou ao participar do acordo. A cara do candidato deveria ter ido ao vídeo o quanto antes, para aproveitar o embalo do crescimento que obtivera na reta final do primeiro turno;
2. em tática de raro acerto, Lula mobilizou ministros e políticos aliados para ajudá-lo a bombardear Alckmin. O petismo passou a difundir uma propaganda de cunho negativo contra o rival. Vendeu-se a tese de que Alckmin reduziria investimentos sociais, acabaria com o Bolsa Família, venderia a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica;
3. sem horário na TV, Alckmin pôs-se a responder ao tiroteio inimigo pelos jornais. E enfrentou o batalhão de Lula sozinho. Entrara no segundo turno no ataque, cavalgando o dossiêgate. Súbito, foi à defensiva. Tornou-se o candidato do “não”: “Não vou acabar com o Bolsa Família”, “Não vou privatizar estatais”, “não isso”, “não aquilo”.
4. no primeiro debate televisivo com Lula, Alckmin saiu matando, como se diz. Empregou um tom agressivo. "De onde veio o dinheiro", disparou, já na pergunta inaugural. Emergiu do confronto com cara de vitorioso. As pesquisas encomendadas pelo seu próprio comitê mostraram, porém, que parte do eleitorado torceu o nariz para o perfil chuchu com pimenta;
5. Lula, que também dispõe de pesquisas próprias, passou a posar de vítima. Difundiu a tese de que só ele estaria interessado em debater programas para melhorar a vida do brasileiro. Grudou em Alckmin a pecha de candidato da baixaria.
Há dois dias, antecipando-se à divulgação das pesquisas da semana, o prefeito do Rio, César Maia (PFL), anotara o seguinte no boletim eletrônico que chama de ex-blog: se as pesquisas Datafolha e Ibope mostrassem uma diferença pró-Lula de no máximo nove, dez pontos “darão a Geraldo uma boa notícia. Do contrário, a boa notícia será para Lula”.
É, pois é. Com uma diferença de 20 pontos a seu favor, o Datafolha não trouxe uma boa notícia para Lula. A notícia foi excepcional.
Escrito por Josias de Souza às 20h15
Na ânsia de criar fatos contra o governo, a oposição deu um tiro no pé nesta terça. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati anunciara que iria à sede da Polícia Federal em Brasília. Na última hora, cancelou a visita. Disse que receberia no Congresso um delegado que traria informações acerca da “operação abafa” montada em torno do dossiêgate.
Chama-se Sandro Avelar o delegado a que se referia Jereissati. Ele é presidente da ANDPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal). Foi recebido com pompa pelo presidente do PSDB e por líderes do PFL e do PPS. Deu-se, então, o inusitado.
Longe de acusar a PF, o delegado Avelar defendeu a instituição. Disse, que “seria leviano afirmar que há manipulação” na apuração do dossiêgate. "As investigações são isentas e estão sendo conduzidas da maneira que deve ser feita, o prazo [do inquérito] é bem razoável", disse ele, para desassossego dos oposicionistas, que posavam do seu lado, diante das câmeras de TV e de uma legião de jornalistas.
Avelar pedira o encontro com a oposição para defender a aprovação no Congresso de uma lei que dê autonomia à PF. Na entrevista, negou de modo categórico que o ministro Márcio Thomaz Bastos esteja tentando tutelar o inquérito do dossiêgate. “Quero que essa isenção seja transformada em lei."
Como se vê, mesmo um tucano de boa plumagem, por mais esperto que se considere, não está livre de ter o seu dia de pato.
Escrito por Josias de Souza às 18h12
Dando seqüência à estratégia esboçada em encontro com Geraldo Alckmin no último domingo, os partidos de oposição impuseram nesta terça uma retumbante derrota à bancada governista na CPI das Sanguessugas. Em sessão tumultuada, aprovou-se na comissão a convocação de todos os petistas “aloprados” do dossiêgate. De quebra, foi convocado também o presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini.
Na hora de votar o requerimento de convocação do tucano José Serra, ex-ministro da saúde na gestão FHC, fez-se um imenso acordão. Em vez de convocar, decidiu-se “convidar” Serra a comparecer à CPI. A oposição aceitou graciosamente. Por que? Ora, porque a convocação dos ex-ministros da Saúde de Lula –Humberto Costa e Saraiva Felipe—também foi convertida em convite.
O acerto acabou beneficiando também Barjas Negri, que assumiu a pasta da Saúde em 2002, quando Serra deixou o governo para concorrer ao Planalto. Negri encontra-se sob investigação da PF. Apura-se uma denúncia de Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias. Vedoin disse ter feito repasses a um empresário ligado a Negri, Abel Pereira, em troca de liberações de verbas na Saúde.
Foram convocados pela CPI das Sanguessugas, além de Berzoini, os “aloprados” Valdebran Padilha, Gedimar Passos, Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, Oswaldo Bargas, Hamilton Lacerda e Freud Godoy. É improvável que os depoimentos ocorram antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 29 de outubro.
Em nova derrota do governo, a CPI também aprovou a quebra dos sigilosos bancário, fiscal e telefônico de Freud Godoy, ex-segurança de Lula e assessor especial do gabinete pessoal do presidente até a explosão do dossiêgate. Os dados telefônicos já encontram-se em poder da Justiça Federal de Mato Grosso. As informações bancárias foram solicitadas nesta terça pelo Ministério Público. Na prática, haverá uma transferência dos dados para a CPI que, em tese, se obriga a preservar o sigilo.
Há um lado triste em toda essa pantomima. Enredada pelas paixões de uma disputa eleitoral transformada em vale-tudo, a CPI das Sanguessugas, que deveria investigar -e não faltam elementos para isso-, vai se convertendo em palco diversionista.
Escrito por Josias de Souza às 16h57
Tuca Vieira/Folha Imagem
Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, prestou depoimento à Polícia Federal nesta terça. Deu-se o esperado. Inquirido pelo delegado Diógenes Curado, o deputado disse que desconhecia as estripulias dos petistas “aloprados” que tentaram comprar por R$ 1,7 milhão um dossiê contra políticos tucanos, arrastando-os para o centro do escândalos das ambulâncias. Disse que só tomou conhecimento das malfeitorias depois que o caso ganhou o noticiário.
O interrogatório, que durou cerca de uma hora e 40 minutos, foi considerado pouco esclarecedor pela PF. Um ponto chamou a atenção do delegado Curado: Berzoini contradisse o “aloprado” Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo.
Para a PF, foi Lacerda quem levou ao Hotel Íbis, em 15 de setembro, o dinheiro que seria usado para pagar o dossiê. Ele foi pilhado pelo circuito interno de vídeo do hotel no instante em que entrou no estabelecimento portando valises. Inquirido, disse ter levado material de campanha para Gedimar Passos, um dos “aloprados” presos com o dinheiro.
Em seu depoimento, Berzoini estranhou. Disse ao delegado que não era atribuição de Hamilton Lacerda portar e distribuir material de campanha. No mais, Berzoini apenas confirmou tudo o que já se sabe. Por exemplo: reconheceu que Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de Lula e “aloprado-mor” era mesmo o responsável pela equipe de “inteligência” do comitê reeleitoral.
À falta de uma confissão, resta agora à PF intensificar o cruzamento dos dados bancários e telefônicos que já logrou reunir. O delegado Curado está mais otimista quanto à possibilidade de rastrear o montante em dólares –US$ 248,8 mil—do dinheiro apreendido. A investigação concentra-se em 30 corretoras de São Paulo, do Rio e de Santa Catarina.
Também nesta terça, o procurador da República Mário Lúcio de Avelar, que acompanha a apuração do dossiêgate, pediu a quebra do sigilo bancário de Hamilton Lacerda e de Freud Godoy, ex-segurança de Lula e assessor especial do gabinete pessoal do presidente até a explosão do escândalo. Em outra frente, como haviam prometido na véspera, os presidentes dos partidos de oposição foram ao TSE para pedir que o tribunal inclua em suas apurações a suposta operação abafa que estaria conspurcando as investigações da PF.
Escrito por Josias de Souza às 15h15
Folha Imagem
Fernando Henrique Cardoso tornou-se um excluído. Excluíram-no da formulação do programa de governo de Alckmin. Excluíram-no da propaganda eletrônica. Excluíram-no do roteiro de viagens. Excluíram-no das platéias dos debates. Excluíram-no da campanha, enfim.
Consternado com a situação, Lula inscreveu FHC num programa que lançou no início da campanha presidencial: o Bolsa Comparação. Corrigiu uma injustiça. Homem de reconhecida vaidade, FHC voltou ao noticiário. Submetido a rações diárias de cotejo administrativo, apanha nas páginas dos jornais, à mesa do café; no telejornal do almoço e no Jornal Nacional.
Abandonado pelos seus, o ex-presidente, vez por outra, vê-se compelido a saltar do porão para fazer a própria defesa. Há poucos dias, lançou uma carta à “militância tucana”, seja lá o que isso venha a ser. O texto irritou os amigos e divertiu os inimigos.
Nesta terça, FHC mordeu uma isca do petismo. Saiu da toca para, em entrevista à CBN (ouça), defender a sua gestão. Mordendo uma isca jogada nas águas turvas da eleição pelo petismo, discorreu sobre o processo de privatização. A coisa caminhava bem enquanto o ex-presidente falava do passado.
Ao tratar do presente, FHC sempre tão hábil no manejo das palavras, escorregou na própria língua. Disse que é demagogia do PT afirmar que um eventual governo Alckmin privatizaria a Petrobras. "Ninguém vai privatizar", enfatizou. Em seguida, deixou escapar: "Não sou contra a privatização da Petrobras".
O ex-presidente destruiu em uma frase todo o esforço que Alckmin empreende nos últimos dias para afastar de seus lábios o cálice privatista Lula tenta lhe impor. Nos próximos dias, o petismo irá acentuar a pregação segundo a qual o tucanato no poder não sabe senão vender patrimônio para pagar dívidas.
De resto, em resposta a Lula, que chamou Alckmin de "exterminador do futuro", FHC disse que seu sucessor é o "exterminador do passado".
PS.: Ao perceber o estrago que fizera na campanha de Alckmin, Fernando Henrique Cardoso tentou sair de fininho. Divulgou uma nota oficial para desdizer o que dissera. Conhecido pela habilidade com que maneja o vernáculo, atribuiu o "mal entendido" privatista a um "cacoete de linguagem". Jurou que é a favor da manutenção da Petrobras e do Banco do Brasil como empresas públicas". Ah, bom!
Escrito por Josias de Souza às 14h13

- Folha: PDT frustra Alckmin e fica neutro
- Estadão: Dinheiro para dossiê tem origem criminosa, diz Biscaia
- Globo: Presidente de CPI: dinheiro de dossiê tem origem criminosa
- Correio: Oposição acusa PF de fazer operação-abafa
- Valor: Remuneração de executivos aumenta 127% em três anos
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h13
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h07
ABr
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) está inconsolável. Lamenta que a oposição tenha transformado a Polícia Federal em joguete de campanha. “É um crime o que estão fazendo”, diz ele. “A pretexto de obter resultados na campanha, estão prejudicando, no alarido eleitoral, uma instituição séria e republicana.”
Em telefonemas a amigos tucanos, Thomaz Bastos pediu que refletissem sobre os danos que a oposição está causando à imagem da PF, que, “a duras penas”, procurou reerguer ao longo de sua gestão. O ministro reiterou nas ligações algo que já dissera a José Serra, alvo do dossiê, e a Tasso Jereissati, presidente do PSDB, no dia seguinte à prisão dos “aloprados” Valdebran Padilha e Gedimar Passos.
O ministro repetiu que a PF trabalha com afinco para desvendar os mistérios escondidos atrás do R$ 1,7 milhão que os petistas usariam para comprar o dossiê contra tucanos. “O que não podemos é submeter o ritmo de uma investigação séria ao calendário eleitoral. Isso nós não faremos”, afirma.
Os esforços do ministro resultaram infrutíferos. A PF tornou-se o principal alvo da campanha tucana de Geraldo Alckmin. Mais que isso: em reunião de Alckmin com os coordenadores de seu comitê e com políticos que o apóiam, no domingo, decidiu-se alvejar o próprio Thomaz Bastos.
Nesta terça, o tucanato apresentará requerimento na CPI das Sanguessugas pedindo a convocação do ministro, sob a alegação de que ele estaria interferindo na apuração, para evitar que o malfeito resvale em Lula. Em visita ao TSE, dirigentes do PSDB, PFL e PPS pedirão a apuração de reportagem que Veja (assinantes) veiculou em seu último número.
Segundo a revista, Freud Godoy, ex-assessor de Lula, teria visitado o “aloprado” Gedimar no cárcere da PF, para pressioná-lo a mudar depoimento que dera ao ser preso, envolvendo-o no caso. A mesma reportagem, escrita pelo repórter Márcio Aith, anota que “a operação faxina do dossiêgate contou com a colaboração jurídica” de Thomaz Bastos
Ainda segundo Veja, “coube a Márcio Thomaz Bastos conversar com Freud quando o escândalo estourou e indicar a ele um advogado de sua confiança”. O minsitro, diz o texto, “cobrou esforços diários de Freud” para “convencer Gedimar a recuar”.
A despeito das negativas do ministro e de uma nota divulgada pela Polícia Federal para desmentir a reportagem, os partidos aliados de Alckmin pedirão à Justiça Eleitoral que ouça todos os personagens citados por Veja. O TSE conduz, a pedido dos mesmos partidos, uma investigação judicial para detectar eventuais interferências do caso do dossiê no processo eleitoral.
A ofensiva da oposição terminou de azedar uma campanha que há muito enveredou para a troca mútua de acusações. Numa troca de telefonemas disparados na tarde desta segunda, os partidos que apóiam Lula agendaram para hoje uma reunião em Brasília, para traçar a estratégia de reação à ofensiva do comitê de Alckmin.
Escrito por Josias de Souza às 01h14
Em reunião realizada na noite de domingo, em São Paulo, o alto comando da campanha tucana de Geraldo Alckmin reformulou a estratégia de campanha. Decidiu-se constituir uma tropa de choque para responder aos ataques de auxiliares e políticos aliados de Lula, liberando o candidato para entoar um discurso mais propositivo.
O encontro ocorreu na produtora dos comerciais de Alckmin. Estavam presentes, além, de Alckmin, os coordenadores Sérgio Guerra (PSDB) e Heráclito Fortes (PFL); os deputados Gustavo Fruet (PR), Carlos Sampaio (SP), e Júlio Delgado (PSB-MG); o senador Álvaro Dias (PSDB-PR); e o jornalista Luiz González, marqueteiro de Alckmin. Convidados, os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e José Carlos Aleluia (PFL-BA) não conseguiram se mobilizar a tempo.
Abaixo, as principais deliberações do encontro:
1. concluiu-se que a campanha de Lula estruturou-se melhor no segundo turno. O presidente escalou ministros e políticos aliados para alvejar Alckmin. O petismo ocupou o noticiário. E Alckmin vinha respondendo aos ataques sozinho. Deliberou-se que, a partir de agora, as respostas às provocações de ministros como Tarso Genro (Relações Institucionais) e políticos como Jaques Wagner, governador eleito da Bahia, serão dadas pelo segundo escalão da campanha tucana, não pelo candidato;
2. a idéia é liberar Alckmin para fazer o embate propositivo, como vem fazendo Lula. Pesquisas telefônicas e de grupo revelaram que Alckmin está flertando com um risco: o de transformar Lula em vítima. O presidente, aliás, cuida para que o risco se acentue. Vem realçando em suas manifestações públicas o “descontrole” de Alckmin, que atribui à "falta de propostas" do adversário. O tucanato concluiu que, “para não cair no jogo de Lula”, a propaganda eleitoral televisiva deve limitar os ataques à cobrança em relação à origem do dinheiro do dossiê e à exposição de “obras virtuais” do governo Lula. De resto, só propostas, propostas e propostas. Quanto ao contraditório mais pesado, será disputado nas páginas dos jornais e no noticiário de rádios e TVs;
3. além de responder aos ataques do petismo, a tropa de choque de Alckmin irá à ofensiva. A tática começou a ser posta em prática nesta segunda. Em reunião realizada em Brasília, os presidentes dos partidos que apóiam Alckmin –Tasso Jereissati (PSDB), Jorge Bornhausen (PFL) e Roberto Freire (PPS)—decidiram que irão nesta terça ao TSE. Pedirão ao tribunal que apure denúncia veiculada por Veja de que o governo estaria agindo para abafar a apuração do dossiêgate;
4. também nesta terça, o deputado Carlos Sampaio apresentará, em reunião da CPI das Sanguessugas, requerimentos de convocação dos principais envolvidos no episódio. Entre as pessoas que o tucanato deseja arrastar para a CPI está o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça), acusado por Veja de manobrar para afastar o dossiêgate dos arredores do Palácio do Planalto. Acusação que o ministro e a PF refutam
5. na quarta, uma comitiva de parlamentares tucanos e pefelistas vai ao Tribunal de Contas da União. Vão cobrar pressa na apuração de dois casos: o suposto desvio de R$ 11 milhões na produção e distribuição de cartilhas de propaganda do governo; e as alegadas distroções nos gastos do Planalto feitos por meio de cartões de crédito corporativos. A resposta do tribunal é óbvia: os episódios estão sendo investigados e a conclusão não será atrelada ao calendário eleitoral. Mas o que se pretende com a visita é devolver as suspeições ao noticiário;
6. de resto, tucanos e pefelistas farão uma escala de revezamento, para assegurar a presença em Brasília de parlamentares destacados para refutar ataques de petistas e pronunciar discursos agressivos contra o governo, o PT e Lula nas tribunas da Câmara e do Senado.
Escrito por Josias de Souza às 20h49
Sérgio Lima/F.Imagem
Em quem Cristovam Buarque vai votar, Lula ou Alckmin? O voto do presidenciável derrotado do PDT, confidenciado a amigos e familiares será de Alckmin. Mas o partido o pediu ao senador que não manifeste sua posição publicamente. Cristovam decidiu respeitar a vontade partidária.
Reunida nesta segunda, no Rio, o Diretório Nacional do PDT decidiu adotar uma posição de neutralidade no segundo turno da disputa presidencial. Optaram pelo “muro” 128 dos 177 presentes. Os diretórios estaduais foram liberados para optar livremente por Lula ou Alckmin, conforme a conveniência local.
Decisão idêntica havia sido adotada anteriormente pelo PSOL de Heloisa Helena, terceita colocada na votação do primeiro turno. Do ponto de vista prático, a decisão do PDT é inócua. É improvável que o eleitorado de Cristovam, quarto colocado, leve em conta a posição de seu partido na hora de definir o voto. Eleitor brasileiro guia-se por nomes, não por partidos.
O eleitorado de Cristovam, aliás, já começa a se acomodar sob as duas candidaturas. O senador obteve no primeiro turno 2.538.844 votos (2,64% dos votos válidos). Segundo pesquisa Datafolha de 10 de outubro, 48% dos eleitores de Cristovam declaram que irão votar em Lula; 34%, em Alckmin. O resto engressa a legião de indecisos.
Do ponto de vista político, o maior prejudicado com a decisão do PDT foi Geraldo Alckmin. Atrás de Lula nas pesquisas, o candidato tucano contava com o apoio do PDT para associar sua campanha a um fato positivo. Chegou a enviar à direção do PDT, no final de semana, uma carta comprometendo-se a não privatizar o Banco do Brasil, a Caixa e a Petrobras. Seu esforço deu em nada.
Escrito por Josias de Souza às 18h58
Lula concedeu nesta segunda uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Foi gravada pela manhã, no Palácio da Alvorada, e vai ao ar a partir de 22h. Instado a comentar o seu primeiro confronto televisivo que teve com Geraldo Alckmin, o presidente disse:
--Eu estranhei o comportamento do meu adversário porque sempre foi uma pessoa tranqüila, leve. Ele estava ensandecido naquele programa. Eu acho que ele pensou que poderia resolver o problema da guerra com uma única batalha.
O sinônimo mais banal do verbo “ensandecer” é “enlouquecer”. Mas há outras acepções. Uma delas, contemplada tanto no Caldas Aulete como no Aurélio, é “tornar-se sandeu”.
E o que diabos é um sandeu? Ensina o velho Aulete: “Mentecapto, idiota, tapado, que não diz senão sandices”. Anota o novíssimo Aurélio: “idiota, parvo, tolo, néscio, estúpido.”
Fica no ar uma dúvida: o Alckmin “ensandecido” a que se referiu Lula portou-se no debate da TV Bandeirantes como “louco”, como “idiota” ou como as duas coisas? Seja como for, para Lula o que importa é que o eleitor não estaria interessado em diatribes, mas em propostas.
O presidente também falou sobre os aloprados –“aloucados”, pelo Aulete; “amalucado”, segundo o Aurélio. Afirmou:
--Chamei o presidente do partido e perguntei: 'eu quero saber, quem fez essa burrice?' Porque foi de uma sandice inominável. Ele me disse que não sabia. Eu falei: 'Ricardo, você que é o presidente do partido tem obrigação de apresentar para a sociedade brasileira a resposta, Ricardo'. Ele não deu [a resposta]. Na quarta-feira, eu o afastei da coordenação da campanha.
A julgar pelas palavras de Lula, Berzoini não foi fritado, mas assado no microondas. Depois, para certificar-se de que o deputado estava bem passado, o Planalto manobrou para que fosse defenestrado também da presidência do PT. É justo, muito justo, justíssimo.
Berzoini vende ao distinto público o lero-lero de que não sabia de nada no caso da compra do dossiê. O mestre-cuca serviu-o assado e não houve quem reclamasse da aparência do prato, nem mesmo Ricardo "carbonizado" Berzoini. Por analogia, pode-se perguntar: que destino merece o cozinheiro, também ele desinformado sobre todas as esquisitices que ocorrem à sua volta?
Escrito por Josias de Souza às 16h21
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) confiou ao advogado José Luiz de Oliveira Lima a tarefa de processar o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Nesta terça, ele pedirá à TV Bandeirantes a íntegra da fita do debate em que Alckmin mencionou Dirceu como chefe da “quadrilha” do mensalão. Pretende processar Alckmin por calúnia.
Oliveira Lima é o mesmo advogado que defende Dirceu no caso do mensalão. Antes de formalizar o processo contra Alckmin, ele poderia, se quisesse, interpelar judicialmente o candidato, instando-o a confirmar e explicar as suas declarações. Tende, porém, a entrar direto com uma queixa por crime de calúnia.
Caluniar, informam os dicionários, é imputar falsamente a alguém um fato definido como crime. É uma mentira, uma falsidade, uma invenção. Ora, no caso específico de Dirceu, pesa-lhe sobre os ombros uma denúncia do Ministério Público. Na peça, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, chama de “mensalão” os repa$$es feitos, sob Lula, a parlamentares governistas. Aponta a existência de uma “quadrilha”. E anota que Dirceu era o chefe.
A despeito de tudo isso, o advogado Oliveira Lima sustenta que há elementos para enquadrar as referências de Alckmin a Dirceu como calúnias. Alega que seu cliente está contestando judicialmente as imputações que lhe foram feitas pelo procurador-geral. Diz que a denúncia contra Dirceu ainda nem foi aceita pelo STF. “E ainda que tivesse sido aceita, não há o trânsito em julgado”, diz Oliveira Lima. Ou seja, a Justiça ainda não deu uma palavra final sobre o caso.
Reconheça-se, porque é de justiça, que Dirceu tem todo o direito de processar Geraldo Alckmin. Mas é forçoso reconhecer: se o ex-chefão da Casa Civil decidir, por coerência, levar às barras dos tribunais todos os que associam o seu nome ao mensalão, a Justiça brasileira terá muito o que fazer.
Escrito por Josias de Souza às 14h27

- Folha: Para atrair PDT, Alckmin faz carta antiprivatização
- Estadão: Indústria perde corrida para países emergentes
- Globo: PT usará facção do crime para abafar dossiê
- Correio: Juro baixo faz poupança desbancar a renda fixa
- Valor: Governo vai vender áreas de mineração
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h46
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h38
Favorito na corrida presidencial, Lula mantém em segredo um lote de providências e planos que seus ministros e auxiliares consideram incontornáveis num eventual segundo mandato. São temas que, por impopulares, não freqüentam os palanques e a propaganda eletrônica do candidato. A agenda secreta de Lula inclui cortes nos gastos públicos e o envio ao Congresso de propostas de reforma da Previdência e da legislação trabalhista.
O blog conversou com dois ministros de Lula a respeito dos temas que vêm sendo escamoteados na campanha eleitoral. Falaram sob a condição do anonimato. Disseram que, internamente, as providências vêm sendo consideradas há meses. Os cortes no orçamento público são vistos como inevitáveis no próximo ano.
As mudanças na Previdência e nas leis que regem as relações entre empregadores e empregados compõem o que o governo chama de “novo ciclo de reformas”. Reformas que, a depender da vontade de Lula, serão negociadas num amplo entendimento com os partidos de oposição.
Um dos ministros informou que os cortes de gastos são necessários inclusive para compensar novas despesas que foram criadas neste ano eleitoral. Só no primeiro semestre, informou o auxiliar do presidente, as despesas do governo cresceram 14%. Acima da arrecadação de tributos, que aumentou 11%.
A defasagem entre os dois percentuais fez cair de 4,18% do PIB para 3,87% o superávit primário, a economia que o governo é obrigado a fazer para pagar a dívida pública. “Os cortes são inevitáveis para que a gente possa aumentar os investimentos em infra-estrutura sem comprometer o equilíbrio fiscal”, disse o auxiliar de Lula. “São necessários também para que se possa manter o pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família, dos quais o presidente não abre mão.”
Quanto às reformas, o seu formato final ainda não foi fechado. Há detalhes sobre os quais ainda não há consenso. Alguns deles, se explicitados publicamente, decerto afugentariam eleitores. Na discussão previdenciária, por exemplo, desde a hipótese de fixação de uma idade mínima para a aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada e até a reformulação do sistema de benefícios do setor público.
Pelas regras atuais, só se exige idade mínima para a concessão de aposentadorias dos servidores públicos: 60 anos para os homens e 55 anos para as mulheres. Do trabalhador do setor privado, exige-se apenas um tempo mínimo de contribuição: 35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres.
A reforma trabalhista inclui aspectos ainda mais controversos. Um dos ministros que conversaram com o blog disse que há concordância no governo em relação à tese de que é necessário diminuir a informalidade no emprego.
A divergência surge no instante em que o debate avança para a forma de estimular o incremento dos contratos com carteira assinada. Parte da equipe econômica de Lula acha que basta “desonerar” a folha de salários, eliminando taxas e contribuições exigidas do empregador. Outra parte da equipe defende a “flexibilização” de direitos trabalhistas. Mesmo falando em reserva, o ministro esquivou-se de dizer que tipo de benefício os advogados da tesoura avaliam que poderia ser cortado.
Embora ainda não tenha produzido consensos, o debate distancia-se dos desejos do PT e aproxima-se dos anseios do grupo de empresários que manifestou apoio a Lula. Em entrevista publicada aqui no blog no início de julho, Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico, comentara: “É importante desonerar a folha. As contribuições sociais chegam a quase 100% dos salários. Temos também que flexibilizar a legislação. O mundo está mudando e o Brasil precisa acompanhar”.
O esconde-esconde eleitoral vem sonegando ao eleitor a discussão de assuntos que interessam diretamente ao seu cotidiano. A prática não é exclusividade da campanha de Lula. Na semana passada, o economista Yoshiaki Nakano, um dos autores do programa de Geraldo Alckmin, ousou prever corte de gastos num eventual governo tucano. O candidato apressou-se em desautorizá-lo: “Não vai cortar. Isso não consta do meu programa”.
Consta, sim. Está escrito: "O governo não pode gastar mais do que arrecada”. Ou ainda: “Esse programa visa a criar condições para zerar o déficit nominal, com corte de despesas correntes dos governos, incluindo juros, da ordem de 4,4% do PIB no decorrer do próximo mandato".
Escrito por Josias de Souza às 00h41

- Folha: União desvia quase R$ 16 bi de fundos de telecomunicações
- Estadão: Após privatização, Estado volta a inchar e desperdiçar
- Globo: Eleições - A redução do tamanho do Estado desafia candidatos
- Correio: Lula diz que corte não vai atingir servidores
- Valor: Manufaturados brasileiros avançam no mercado da AL
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Escrito por Josias de Souza às 02h55
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h51
O inquérito do dossiêgate faz aniversário de um mês neste domingo. Em reserva, a Polícia Federal e a cúpula do Ministério da Justiça admitem que ainda não dispõem de nenhuma pista capaz de conduzir à elucidação do principal mistério do caso: a origem do dinheiro que seria usado por petistas para comprar o dossiê contra políticos tucanos. Pior: reconhece-se que a dúvida pode não ser elucidada.
O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito, é o primeiro a admitir, em privado, que convive com a incômoda hipótese de ter de concluir o inquérito sem responder à indagação central: de onde veio o dinheiro? Nesta semana, Curado enviará ao juiz Jefferson Schneider, da 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, ofício pedindo a prorrogação do inquérito por mais 30 dias.
As aflições do delegado Curado foram tonificadas em reunião que ele manteve, na terça-feira, com o colega Luiz Flávio Zampronha, de Brasília. Destacado pela PF para cuidar do levantamento das informações bancárias sob investigação no caso do dossiê, Zampronha fora a Cuiabá para entregar a Curado os disquetes com os dados que logrou recolher.
O relato feito por Zampronha na reunião foi desalentador. Ele disse, em essência, que a parte financeira da investigação será árdua, demorada e de resultados incertos. Envolve o cruzamento de mais de 200 mil saques acima de R$ 10 mil em três bancos: Safra, Boston e Bradesco. Além de uma pesquisa em transações realizadas por mais de 30 casas de câmbio. “Estamos procurando agulha num palheiro”, resumiu ao blog um dos investigadores do caso.
Em conversa que manteve com um amigo na última sexta-feira, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) disse que a PF depende agora “de um golpe de sorte ou de uma confissão.” Nos depoimentos que prestaram, os petistas “aloprados” do dossiê não demonstraram disposição de contar coisa nenhuma. Resta à polícia a sorte de dar de cara com alguma agulha perdida no depósito de palha.
Estão em curso, por ora, duas frentes de investigação: a tomada de novos depoimentos e o rastreamento do dinheiro apreendido no dia 15 de setembro –1,7 milhão, R$ 1,116 milhão em notas de real e US$ 248,8 mil em cédulas de dólar. É no rastreamento do dinheiro que a PF gasta mais tempo e energia.
Supõe-se que o grosso dos reais tenha saído do Safra, Boston e Bradesco porque havia no lote de cédulas apreendidas maços envoltos em cintas com a logomarca desses bancos. O dinheiro pode ter saído, porém, de outras casas bancárias. A troca de dinheiro entre bancos é operação comum no mercado financeiro. De resto, os dados manuseados pela PF referem-se a operações bancárias realizadas no mês que antecedeu a apreensão do dinheiro. Nada impede que os saques tenham ocorrido antes e o dinheiro guardado em algum cofre privado.
Quanto aos dólares, a PF descobriu que parte deles –US$ 110 mil—compunham um lote de US$ 15 milhões que entrou veio dos EUA para um banco chamado Sofisa, de São Paulo. O problema é que, ao passar o dinheiro adiante, o Sofisa não anotou nas operações de câmbio o número de notas das cédulas. O que obriga a PF a perambular a esmo entre casas de câmbio e doleiros. Uma perambulação que pode resultar inócua se os dólares do dossiê tiverem sido adquiridos por meio de um comprador “laranja”, hipótese nada desprezível.
Num gesto que denota as dificuldades em que se vê metida, a PF já quebrou o sigilo das contas telefônicas de mais de 750 pessoas físicas e jurídicas. Não se sabe que critérios levaram a uma seleção tão vasta. Os nomes dos donos das contas são mantidos em sigilo. Um dos objetivos declarados é o de tentar pescar no cruzamento de ligações um telefonema de algum dos “aloprados” para casas de câmbio ou doleiros e vice-versa. Algo que até o momento não aconteceu.
Escrito por Josias de Souza às 02h21
A Polícia Federal e o Ministério Público reconhecem sob reserva que todos os petistas envolvidos no dossiêgate podem sair ilesos do episódio se a investigação não conseguir comprovar a origem ilegal do dinheiro que seria usado na operação. Não há no código penal nenhum artigo que tipifique como ilegal a compra de documentos. Tampouco há lei prevendo punição para pessoas pilhadas com R$ 1,7 milhão de provedor desconhecido.
Mesmo para enquadrar os envolvidos no Código Eleitoral, seria necessário demonstrar que o dinheiro saiu de alguma arca clandestina do PT ou do caixa de candidatos do partido. Algo que a Polícia Federal está longe de provar. O elo mais próximo do dinheiro com o PT é um lote de fitas de vídeo. As imagens mostram o petista Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, entrando no Hotel Íbis, onde o dinheiro foi apreendido, com valises que, supõe a PF, estavam recheadas de reais e dólares.
Hamilton, porém, negou em depoimento que houvesse levado os recursos para Gedimar Passos, o ex-agente da PF que prestava serviços ao PT na noite de 15 de setembro, quando foi flagrado com os maços. Cabe à polícia provar que o assessor de Mercadante está mentindo. O que só será possível se o rastreamento das transações financerias ou das ligações telefônicas revelar as digitais de Hamilton em algum saque ou em contatos com doleiros e casas de câmbio.
Os investigadores estão convencidos de que o deputado Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, conhece todos os meandros do dossiêgate, inclusive a origem do dinheiro. Numa primeira análise dos dados telefônicos, verificou-se que protagonistas do caso discaram para Berzoini no período em que a compra do dossiê antitucanos foi negociada. Berzoini será inquirido na terça-feira. Mas o conteúdo de seu depoimento já é conhecido.
O deputado nega de pés juntos que tenha autorizado a operação. Os petistas que Lula chamou de "aloprados" estavam subordinados a Berzoini no comitê de campanha reeleitoral. Mas o deputado alega que desconhecia a movimentação de seus comandados em torno do dossiê. Quanto aos telefonemas, a PF intui que Berzoini dirá que as ligações são normais, uma vez que tinha, de fato, relações funcionais de campanha com os "aloprados". De novo, caberá à PF demonstrar que Berzoini mente.
O roteiro de depoimentos tem-se revelando a parte mais imprestável do inquérito. A PF ouve os suspeitos como quem cumpre um dever de ofício. Todos os envolvidos comportaram-se até aqui com a frieza de uma pedra. E a polícia não tem esperanças de que conseguirá extrair leite das pedras que ainda não foram ouvidas –além de Berzoini, pretende-se interrogar o senador petista Aloizio Mercadante, que já declarou desconhecer inteiramente o caso.
O único depoimento que tinha algum valor para as investigações era o de Gedimar Passos, o ex-agente da PF preso em 15 de setembro com o dinheiro do dossiê. Gedimar, porém, recuou em tudo o que dissera no seu primeiro depoimento. Em documento enviado por seus advogados ao TSE, que apura eventuais implicações eleitorias do dossiêgate, ele inocentou o ex-assessor de Lula Freud Godoy, de quem dissera ter recebido a ordem para a compra do dossiê.
Disse, de resto, que prestou depoimento sob os efeitos de uma falsa promessa do delegado que o ouviu, Edmilson Pereira Bruno. Sustentou que seu inquisidor prometera liberá-lo. Edmilson Bruno responde, desde 2 de outubro, a uma sindicância da PF por ter vazado à imprensa, em 29 de outubro, as fotos do dinheiro que apreendera em poder de Gedimar e do petista Valdebran Padilha. Ou seja, é um delegado que a própria PF pôs sob suspeição.
Escrito por Josias de Souza às 02h20
De toda a investigação do dossiêgate, a parte que a Polícia Federal julga mais próxima da elucidação é a suposta ação da máfia das sanguessugas no governo de Fernando Henrique Cardoso. O elo tucano com o escândalo das ambulâncias é o empresário Abel Pereira (na foto), que será ouvido pela polícia nesta segunda-feira, em Cuiabá.
Abel foi acusado por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da quadrilha das ambulâncias de facilitar a liberação de verbas no Ministério da Saúde durante a gestão de Barjas Negri, que se tornou ministro depois que o titular, José Serra, abandonou o cargo para disputar a presidência da República, em 2002.
Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP), admite conhecer Abel Pereira. Mas nega que o empresário tenha tido ingerência na liberação de recursos públicos durante sua gestão. Abel também nega as acusações de Luiz Vedoin. A PF dispõe, no entanto, de um lote de comprovantes bancários que atestariam repasses de Vedoin para empresas supostamente pertencentes a Abel.
Em depoimentos que prestaram na semana passada, Luiz Vedoin e o pai dele, Darci Vedoin, reafirmaram as acusações. Resta agora à PF comprovar os repasses a Abel. O sigilo bancário do empresário e de suas firmas já foi autorizado pela Justiça. Em seguida, será preciso provar que os recebimentos têm conexão com liberações feitas sob Barjas Negri.
Investiga-se também a acusação de que Abel teria tentado comprar o dossiê dos Vedoin contra o tucanato antes dos “aloprados” do PT. Um grampo instalado num telefone celular de Luiz Vedoin revelou que Abel discou para o chefe das sanguessugas no dia 14 de setembro, véspera da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT, no Hotel Íbis, em São Paulo. Os telefonemas compõem o leque de temas que serão submetidos a Abel na inquirição desta segunda.
Escrito por Josias de Souza às 02h19
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