Dicionário de campanha
Dicionários são as masmorras das palavras. Mas a língua é solta e a segurança é frágil. As prisioneiras por vezes escapam do cárcere. Uma vez em liberdade, buscam o disfarce de novos significados. De tempos em tempos, são recapturadas. E voltam ao calabouço de cara renovada. Vários nomes, vocábulos e siglas vagueiam pela cena eleitoral de 2006 à procura da máscara mais conveniente. Enquanto as algemas do dicionário não os alcançam, vai abaixo uma tentativa de desmascará-los:
- Alckmin: uma calva à procura de idéias;
- Aloprado: indivíduo que busca no birô de ‘inteligência’ de campanha um álibi para a falta de miolos; pilhado em flagrante, atinge a perfeição, tornando-se perfeito idiota;
- Brasil: o insolúvel levado longe demais;
- Corrupção: com um r providencialmente dobrado e um p que, embora mudo, não consegue ocultar o rabo do ç, sempre à mostra, é uma palavra cuja terminação, ão, denuncia o desejo de expansão;
- Cristovam: uma idéia à procura de votos;
- Democracia: regime tão maravilhosamente perfeito quanto qualquer outra mentira; sistema político cuja mobilidade permite a um operário atingir o auge da desfaçatez burguesa;
- Excluído: fatalidade embutida no modelo; revolta que trocou o inconformismo pelo cartão do Bolsa Família;
- Heloisa: camiseta branca, sem slogam; pessoa capaz de falat dez vezes antes de pensar;
- Lula: Molusco cefalópode, dibranquiado, decápode, loliginídeo, de coloração avermelhada, podendo mudar de cor segundo a conveniência; em situações de perigo, perde o olfato e a visão;
- Povo: fera de muitas cabeças que, quando bem adulada, lambe e balança o rabo; multidão obsoleta que, desavisada de sua própria inutilidade, continua se reproduzindo desordenadamente;
- PMDB: organização partidária com fins lucrativos;
- PFL: legenda que busca um casamento, em regime de comunhão de males, com qualquer outra que reúna condições de chegar ao poder;
- PSDB: um tipo de social-democrata que ambiciona voltar ao poder para complementar a execução do programa do PFL;
- PSOL: espécie de galinha que promete pôr o Sol; esquerda que, não tendo ainda vencido na vida, não pôde virar direita;
- PT: partido que abandonou a ideologia para cair na vida;
- Programa: peça de campanha que anota coisas definitivas sem definir as coisas;
- Reeleição: estatuto que faculta a um jóquei cego o direito de continuar cavalgando, por mais quatro anos, uma mula sem-cabeça;
- Tucano: ave piciforme, ranfastídea, da qual há quatro espécies brasileiras reunidas no gênero Ramphastos e uma espécie que, organizada sob o gênero político, confere às demais uma péssima reputação.
Escrito por Josias de Souza às 21h58
Ao esconder da opinião pública o dinheiro do dossiêgate (R$ 1,7 milhão em notas de reais e dólares), a Polícia Federal rompeu uma velha praxe. Em operações anteriores, sempre que houve apreensão de dinheiro, a polícia não hesitou em exibir o “troféu” à imprensa. Sempre foi assim sob FHC e também sob Lula.
Em texto publicado em seu portal na internet, a FENAPEF (Federação Nacional dos Policiais Federais) anota que nas operações mais relevantes realizadas nos últimos anos –“mais de 200"—, os policiais fizeram questão de facultar aos jornalistas as imagens dos presos no instante em que eram acomodados no interior de viaturas da PF. E, quando havia apreensão de dinheiro, "sempre foram divulgadas as imagens.”
Sob Lula, foram três os casos mais notórios: em julho de 2005, o petista José Adalberto Vieira da Silva foi preso quando tentava tomar um avião de São Paulo para Fortaleza. Levava dólares –US$ 100 mil— e reais –R$ 200 mil. Acondicionara parte do dinheiro na cueca. A PF não hesitou em exibir a dinheirama. Veja foto abaixo.


Naquele mesmo mês, o deputado João Batista Ramos da Silva, ex-PFL, hoje sem partido, foi preso no aeroporto de Brasília. Transportava sete malas recheadas com R$ 10,2 milhões. Bispo da Igreja Universal, o parlamentar alegou que o dinheiro pertencia à congregação. Seriam óbolos recolhidos dos fiéis. De novo, a PF exibiu o dinheiro à imprensa. Veja fotos abaixo.


Em agosto de 2005, assaltantes realizaram o roubo espetacular na sede do Banco Central em Fortaleza. Levaram R$ 164,8 milhões. Quando recuperou parte do dinheiro, a PF novamente fez questão de mostrar os maços aos jornalistas. Veja abaixo.


Dois detalhes diferenciam os casos mencionados acima do dossiêgate: a intimidade dos envolvidos com o comitê de campanha de Lula e com o Planalto e a proximidade da data da apreensão –15 de setembro— com o dia do das eleições –1º de outubro.
Na opinião da FENAPEF, ao esconder da imprensa o dinheiro do dossiê, a PF suscitou uma série de indagações: “Onde está a dinheirama apreendida? Por que a PF não divulgou as fotos nesse caso, como sempre fez nos outros 200 casos? A PF está a serviço do PT? A PF só vai divulgar o dinheiro depois das eleições?"
As fotos do dinheiro do dossiê (ao lado) vieram à tona em 29 de setembro. Foram divulgadas pelo delegado Edmilson Pereira Bruno. No último dia 2 de outubro, a PF abriu, por meio de uma portaria, sindicância para apurar a ação de Edmilson Bruno. Acusa-o de ter violado o segredo de Justiça que protegia o inquérito que apura o caso do dossiê. Convém mesmo que o gesto do delegado seja devidamente apurado. Mas a pergunta que continua boiando no ar é a seguinte: por que o dinheiro do dossiê não foi exibido à imprensa no instante da apreensão, quando ainda não havia inquérito e muito menos o sigilo judicial?
Escrito por Josias de Souza às 17h18

- Folha: PT vai dar reajuste menor a servidor se vencer eleição
- Estadão: PT admite que novo governo Lula terá de cortar gastos
- Globo: Coordenador contradiz Lula e prevê corte de gastos públicos
- Correio: Aumento menor para servidores
- Valor: Manufaturados brasileiros avançam no mercado da AL
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h57
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h51
Nesta sexta, o PT acomodou em local nobre de seu sítio na internet a reprodução de reportagem de Carta Capital. “Escândalo: revista revela conluio da imprensa para prejudicar Lula e o PT”, diz o título.
Na capa de Carta Capital: “A Trama que levou ao Segundo Turno”. O texto traz detalhes da farsa montada pelo delegado Edmilson Pereira Bruno, para repassar a um grupo de repórteres os CDs com as fotos do dinheiro que seria utilizado pelos “aloprados” do PT para comprar o dossiê contra o tucanato.
Leia aqui, no sítio da revista, um resumo da reportagem. E pressione aqui para ir ao portal do PT, que traz uma versão mais alentada. Em essência, o que se diz é o seguinte:
1. Edmilson Bruno chamou repórteres da Folha, Estadão e Globo para uma conversa sigilosa. Deu-se no dia 29 de setembro, antevéspera do primeiro turno da eleição;
2. O delegado repassou aos repórteres cópias do CD com as fotos do monturo de notas de reais e dólares –R$ 1,7 milhão no total— que fora apreendido em 15 de setembro;
3. Para encobrir o vazamento, Edimilson Bruno disse que mentiria a seus superiores. Diria que fora vítima de roubo. Sem que o delegado soubesse, a conversa foi gravada pelos jornalistas;
4. Trechos da gravação foram reproduzidos no sítio “Vi o Mundo”, do repórter Luiz Carlos Azenha, da TV Globo. A fita expõe um delegado ávido por divulgar as fotos. Tinha especial interesse em vê-las no Jornal Nacional. “Tem alguém da Globo aí?”
5. Edmilson Bruno conseguiu o que queria. A dinheirama do dossiê ganhou a internet, o Jornal Nacional e as páginas dos jornais. Carta Capital enxerga no episódio um conluio dos meios de comunicação para empurrar a eleição rumo ao segundo turno, prejudicando Lula.
5. Na opinião da revista, endossada pelo PT, os meios de comunicação deveriam ter revelado a seus leitores que o “vazador” das fotos tinha a intenção deliberada de influir no processo político. O signatário do blog acha o seguinte:
Não é segredo que o jornalismo por vezes serve-se do rancor humano para obter informações. Responsável pela prisão dos “aloprados” Valdebran Padilha e Gedimar Passos, Edmilson Bruno abespinhara-se por ter sido retirado da investigação.
Insinua-se que, além da irritação, o delegado pode ter vazado as fotos movido por razões partidárias e, quem sabe, pecuniárias. Cabe à PF investigar e puni-lo se julgar que é o caso. Aos repórteres cabia verificar: a) se as fotos eram verdadeiras; b) se a divulgação atendia ao interesse público.
Quanto ao primeiro ponto, a própria PF atestou, no dia do vazamento, a autenticidade das fotos. Em relação ao segundo, não há dúvida de que a sociedade tinha o direito inalienável de conhecer a imagem do dinheiro, que o governo sonegava.
Resta uma pergunta: a mídia errou ao encobrir as segundas intenções do delegado? Sim. Os jornalistas que receberam o CD estavam obrigados, por dever de ofício, a manter o sigilo da fonte. Mas havia formas de mencionar a avidez de Edmilson Bruno sem romper esse compromisso. Algo que é mais fácil enxergar agora do que no calor do fechamento de uma edição de jornal.
Mas carimbar o episódio como um complô da mídia para prejudicar Lula é como atribuir ao termômetro a responsabilidade pela febre. Quem envenenou os planos do presidente foram os “aloprados” de seu partido, não os jornalistas. Se o petismo não tivesse instalado uma usina de encrencas na cozinha de seu comitê de campanha a imagem do dinheiro sujo não existiria.
De resto, não foi só a divulgação das fotos que produziu o segundo turno. O dossiêgate ganhara o noticiário havia duas semanas. A imagem da grana apenas deu ao escândalo a moldura que faltava. O resto é parolagem para encobrir a interrogação que remanesce pendente de resposta: de onde veio o dinheiro?
Escrito por Josias de Souza às 02h29
O Grito/Edvard Munch
Num processo eleitoral, só há uma coisa absolutamente certa: a decepção pós-eleitoral. O signatário do blog afirma peremptoriamente que todas as promessas de campanha são verdadeiras. E aconselha os leitores a jamais acreditar nesse tipo de afirmação.
Há dois dias, em entrevista ao Globo, Lula dissera que faria o Brasil crescer sem promover cortes nos gastos públicos. Nesta sexta, Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha reeleitoral, num rasgo de sinceridade, disse que haverá, sim, cortes.
Incomodado com a pecha de privatista, Alckmin acusa Lula de ter criado uma estatal metafórica, a “Mentirobras”. Julga-se vítima de terrorismo eleitoral: "Como eles não têm muito o que mostrar, ficam nessa campanha de criar medo. Campanha do medo.”
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) contra-ataca: "Terrorismo significa dizer o que se quer do futuro? Os tucanos fizeram um processo de privatização do país continuado por Alckmin no governo de São Paulo. É justo ou não que se esclareça quem tem postura privatizante para o futuro?"
A verdade é que Alckmin tem mesmo uma visão privatista. Não ousaria, porém, privatizar Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica, como insinua o PT. E Tarso Genro sabe disso. Eis aí um tiroteio que, antes de esclarecer qualquer coisa, transforma o eleitor em candidato. Candidato a uma bala perdida.
Escrito por Josias de Souza às 20h30
Leonardo Wen/Folha Imagem
Entre as páginas do inquérito que apura o dossiêgate há uma carta do governador reeleito de Minas, Aécio Neves, dirigida ao ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos. No texto, Aécio levanta a suspeita de que emissários do PT estariam montando um dossiê também conta ele.
A carta de Aécio aportou no Ministério da Justiça em 28 de setembro, dois dias antes da realização do primeiro turno das eleições. Thomas Bastos encontrava-se fora de Brasília. Pelo telefone, um assessor leu o texto para o ministro. E recebeu ordens para repassar o documento à direção da Polícia Federal.
Em seguida, Thomas Bastos telefonou para Aécio. Informou ao governador sobre a providência que acabara de adotar. Remetida ao delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, a carta do governador mineiro foi aos autos do processo.
Aécio receberia dias depois uma ligação do próprio delegado. Diógenes Curado informou-lhe que, em suas investigações, a PF não detectara até aquela altura nenhum indício de que, além do tucano José Serra, o birô de “inteligência” do PT teria tentado investir também contra a reputação de Aécio.
Concentrada na tentativa de elucidar a origem do R$ 1,7 milhão que seria usado para pagar o dossiê anti-Serra, a PF não gastou energias, por ora, com a suposta conexão mineira da “Operação Tabajara”, como o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) gosta de se referir à ação dos petistas “aloprados” do dossiê. Em Brasília, acredita-se que Aécio tenha supervalorizado boatos. O interesse dos "aloprados" petistas em prejudicá-lo, se houve, não passou de uma cogitação que não foi posta em prática.
Uma eventual ação da “inteligência” petista em território mineiro demoliria um dos principais argumentos usados pelo PT para tentar afastar da direção do partido a frustrada operação do dossiêgate: a tese de que a compra de material contra Serra, à época candidato ao governo paulista, interessaria apenas à campanha de São Paulo.
Curiosamente, José Serra e Aécio Neves são os dois tucanos que Lula mais vinha cortejando. Em manifestações públicas, o ministro Tarso Genro cansou de repetir que, uma vez eleito, Lula abriria negociação com partidos e políticos da oposição.
Serra e Aécio ocupavam o topo da lista de personagens com quem Lula manifestava o desejo de dialogar. O que reforça uma versão que Lula e seus auxiliares se empenham em difundir: a ação dos “aloprados” em São Paulo e, agora, a suspeita relacionada a Minas, são assuntos que correram no partido à revelia do presidente da República, cuja candidatura à reeleição é, por ora, a maior vítima.
Escrito por Josias de Souza às 17h06
Lula Marques/Folha Imagem
Condenado a expiar os seus pecados por oito anos, elle vem tentando sair do casulo há tempos. Ensaiou uma candidatura presidencial. A Justiça Eleitoral podou-lhe as pretensões. Meteu-se numa refrega pela prefeitura de São Paulo. O paulistano disse não. Concorreu ao governo de Alagoas. E nada.
Escaldado com a ilicitocracia que elle comandara na Brasília do início dos 90, o destino parecia decidido a negar-lhe o acesso aos cofres de um novo cargo executivo. Súbito, quando se imaginava que a alma delle já estava apaziguada, Fernando Collor de Mello voltou à carga. Com a campanha já pelo meio, candidatou-se a uma cadeira no Senado. E o eleitor alagoano resolveu ressuscitá-lo.
Nesta sexta, elle visitou o novo “local de trabalho”. Vagou por corredores e salas do Senado. Pisou o tapete do plenário. O mesmo tapete sobre cujos fios espessos sua cabeça rolara, 14 anos atrás, depois de ter sido passada na lâmina. O Collor de 2006 é um homem diferente do Collor de 1992. Já não lhe pesa sobre os ombros o fardo da culpa exclusiva.
Aos 57 anos, elle não traz mais no rosto frescor jovial. Mas, livre de outra parte de sua pena –o convívio com Rosane, guardiã de segredos insondáveis—desfilou diante dos repórteres de mãos dadas com a nova mulher, Caroline Medeiros, 29 anos. Afora os dedos, a parte do corpo delle que pareceu mais exultante foi o nariz aquilino.
As narinas delle sorveram cada partícula dos ares conspurcados de Brasília. É como se ellas saboreassem a desdita de seus antigos algozes. É como se desejassem gritar: "O tempo é o senhor da razão." Lula, que o chamava de “ladrão”, chefia uma presidência que, sitiada pela suspeita, produziu a denúncia da “quadrilha” dos 40. Mas já não há estudantes nas ruas. A UNE, como Collor, envelheceu.
José Dirceu, co-autor do requerimento da CPI do Collorgate, teve, como elle, o pescoço apartado da cabeça. Aloizio Mercadante, ativo investigador das malfeitorias de sua gestão, está na bica de ser interrogado pela PF por conta de um dinheiro que ninguém sabe de onde veio. Vê-se compelido a dizer que nada tem a ver com as estripulias de Hamilton Lacerda, o "aloprado" da mala.
Mercê da desgraça dos que o desgraçaram, Collor pode agora soar magnânimo. Declara-se, veja você, partidário da reeleição de Lula. Anseia pelo dia em que voltará a palmilhar o gabinete presidencial, a convite de um inquilino às voltas com a necessidade de adensar, a todo custo, sua frágil base congressual.
De resto, elle foge de tudo que possa remetê-lo ao passado funesto. Poderia reativar as cascatas da Casa da Dinda, que jorravam em seus jardins o dinheiro sujo de PC Farias. Mas, escaldado, pende para um apartamento funcional do Senado. Melhor assim. Já não tem juventude para arrostar as aparições dos fantasmas do passado que tanto deseja esquecer.
Escrito por Josias de Souza às 15h23

- Folha: PT ataca família de Alckmin e se desculpa
- Estadão: Ibope: Lula 14 pontos à frente
- Globo: Alckmin diz que Brasil não cresce sem baixar imposto
- Correio: Auxílio-doença cresce 166% e levanta suspeita
- Valor: Manufaturados brasileiros avançam no mercado da AL
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h49
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h21
Durou quatro dias e três pesquisas a euforia que tomara conta da campanha de Geraldo Alckmin na noite de domingo. O candidato tucano está de novo às voltas com um adversário quase tão difícil de ser batido quanto Lula: o ceticismo de seus aliados.
Nas pegadas do Datafolha, que identificara a ampliação da vantagem de Lula (56% dos votos válidos) sobre Alckmin (44%) de 8 para 12 pontos, outros dois institutos divulgaram pesquisas nesta quinta. Os números são diferentes. Mas a tendência que esboçam é a mesma.
Pelo Ibope, considerando-se apenas os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Lula teria 57% contra 43% de Alckmin –14 pontos de diferença. De acordo com o Vox Populi, Lula (55%) estaria dez pontos à frente de Alckmin (45%).
O que mais desconsola os políticos próximos ao comitê tucano é o fato de que todos contavam com um reinício de campanha mais alvissareiro. Apuradas as urnas, Alckmin (41,64% dos votos) fora ao segundo turno distante apenas sete pontos percentuais de Lula (48,61%). Um desempenho com o qual talvez nem Alckmin sonhasse.
Imaginou-se que, iniciada a segunda rodada, as primeiras pesquisas mostrariam um Alckmin em ascensão e um Lula em descenso. A expectativa foi tonificada pelo debate de domingo. O que se vê, porém, é a ampliação da vantagem de Lula. Torce-se para que o reinício da propaganda televisiva, nesta quinta, sirva ao menos para estancar a fuga de votos em searas tidas como alckmistas –os escolarizados e de maior renda, por exemplo.
Por ora, prevalece no tucanato a impressão de que, a duas semanas da eleição, não há muito a fazer além de calibrar o discurso da publicidade eletrônica e tentar avançar sobre o eleitorado dos três principais maiores colégios: São Paulo, Minas e Rio. Exceto por Alckmin e seu time de marketing, aparentemente imunes ao pessimismo, o resto do comando da campanha parece ter mais dúvidas do que certezas.
Uma das incertezas que rondam o comitê de Alckmin diz respeito ao timbre da campanha no campo da ética. O receio de tucanos e pefelistas é o de que o dossiêgate, um trunfo que ajudou a levar o candidato Alckmin para o segundo turno, esteja começando a perder fôlego. A cobrança –“De onde veio o dinheiro?”– será mantida. Mas há dúvidas quanto à eficácia do tema como alavanca eleitoral.
A campanha de Lula, de resto, não está imóvel. Além de manter a pregação de que a tentativa de compra do dossiê foi um "grave erro", vende a tese de que Alckmin ataca Lula porque lhe faltariam propostas. Aposta-se no Planalto e no comitê de campanha petista que o Alckmin dos próximos debates televisivos –haverá pelo menos mais três—virá bem mais manso do que o Alckmin de domingo passado.
A despeito do desânimo do tucanato e da exaltação do petismo, a eleição não está decidida. Longe disso.A propaganda eletrônica acaba de recomeçar. No primeiro turno, o eleitor demonstrou que, para além das projeções estatísticas e dos desejos dos comitês eleitorais, é capaz de produzir movimentos de última hora. Qualquer erro pode ser fatal.
Escrito por Josias de Souza às 21h42
Robson Ventura/Folha Imagem
Geraldo Alckmin escolheu um local estratégico para fazer campanha neste feriado de Nossa Senhora Aparecida. Foi à tradicional missa em homenagem à mãe de Jesus na Basílica de Aparecida (foto). Para seu desassossego, o senador petista Eduardo Suplicy escolheu o mesmo destino.
Os dois falaram à imprensa, acomodados lado a lado numa mesma bancada. Suplicy aproveitou câmeras e microfones para desaprovar a aspereza de Alckmin no debate de domingo passado. Disse ter pedido em suas orações que os presidenciáveis “venham a ter um debate esclarecedor.”
De quebra, Suplicy corrigiu Alckmin. Disse que o candidato tucano valeu-se de um argumento equivocado na artilharia conta Lula. Ao contrário do que dissera Alckmin no debate de domingo, o programa Bolsa Família exige, sim, contrapartidas dos beneficiários. O senador aconselhou o candidato a ler a lei que instituiu o programa.
Quando chegou a sua vez de falar, Alckmin esquivou-se de responder a Suplicy. Um erro. Preferiu desferir novas alfinetadas no adversário: "Eu penso diferente do presidente Lula. Nós temos diferenças, diferenças éticas. Eu não sou tolerante com a corrupção".
Reportando-se a uma entrevista de Lula ao Globo, na qual o presidente afirma que é possível fazer crescer a economia sem promover cortes nos gastos do governo, Alckmin discordou. Disse que a questão fiscal, que inclui os gastos públicos, está no centro do debate sobre crescimento econômico. "Acho que o governo gasta muito, acho que o governo gasta mal", disse.
Ainda na noite desta quinta, Lula fará um comício em Jardim Azul, um bairro pobre da cidade goiana de Valparaíso, que faz fronteira com o Distrito Federal. Decerto pingarão dos lábios do presidente os termos que estabelecerão na cena eleitoral “o debate esclarecedor” encomendado por Suplicy em suas orações.
Escrito por Josias de Souza às 18h49
Fotos:Lula Marques/Folha Imagem
Na bica de completar quatro anos de gestão Lula viu –ou não viu!— seus auxiliares oferecerem ao país uma penca de maus exemplos. Nesta quinta, o próprio presidente cuidou de agregar mais um desatino à vasta coleção.
Lula aproveitou o feriado para gravar comerciais na produtora que serve à sua campanha. Em seguida, retornou à Granja do Torto, onde repousa com a família. A foto acima mostra a comitiva presidencial. São quatro carros. Três deles apinhados de seguranças.
Escalado para acompanhar o presidente, o repórter Lula Marques seguiu a comitiva. Viu-se diante de um descalabro. Deslizando por uma via rente ao Setor de Clubes da Capital, o comboio presidencial corria a mais de 120 km por hora (veja no destaque o velocímetro do carro da reportagem no instante da “perseguição”). Ao longo do percurso, há um sem número de placas indicando a velocidade máxima permitida: 70 km.
No trânsito, a correria desmedida é a mãe de todos os acidentes. Para um presidente que já se livrou de tantos desastres, isso pode significar muito pouco. Mas vale uma pergunta: por que estender o risco aos transeuntes de Brasília?
Escrito por Josias de Souza às 17h29
Em política, como no casamento, a coisa que mais separa as pessoas é a vida em comum. Tome-se o exemplo de Francisco Weffort. Ideólogo do PT, ficou exausto da convivência com Lula e o petismo. Bandeou-se para o lado tucano. Sob FHC, aninhou-se no Ministério da Cultura.
Hoje, sempre que se refere aos antigos companheiros, Weffort é cáustico como soda. No último dia 10 de setembro, por exemplo, falando à repórter Flávia Marreiro (assinantes da Folha), comparou Lula a Adhemar de Barros, aquele do “rouba mas faz”. Explicou-se assim: "O pobre que depende do Bolsa-Família para viver deve considerar muito distantes as controvérsias sobre malversação de dinheiro público."
Se Lula for reeleito, disse ainda Weffort, “sua nova gestão já começará velha, o que é sempre um risco para a democracia.” E por que a cara do segundo mandato de Lula se encheria de rugas? “Ele terá que negociar com a banda podre do PMDB para formar governo e estará, desde o início, debaixo de crítica cerrada da opinião publica”, disse Weffort.
Pois bem, o mesmo Weffort revela-se agora um fervoroso defensor dos entendimentos de Geraldo Alckmin com o PMDB de Anthony Garotinho. É o que informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha) nas notas que se seguem:
Weffort aplaude Garotinho - A polêmica adesão de Anthony Garotinho à candidatura do tucano Geraldo Alckmin ganhou apoio de peso nesta semana: o sociólogo Francisco Weffort, ex-petista e ex-ministro de FHC, telefonou a Garotinho para dar os "parabéns" pela "coragem" de declarar apoio a Alckmin. "Ele disse para eu não dar bola para o [prefeito do Rio] Cesar Maia", diz Garotinho. Maia declarou que o apoio de Garotinho acaba com o discurso ético do tucano.
MILHARES DE VOTOS - Weffort diz que "a receptividade do Garotinho no Rio é muito maior do que se imagina" e que as críticas de Maia foram "completo exagero". "Não conheço nada contra o Garotinho que seja parecido ao que há contra o Lula", diz o sociólogo. "No segundo turno, a escolha é entre dois candidatos. É só ver a lista de apoios que o Lula recebeu. O Garotinho escolheu o Alckmin assim como o Newton Cardoso [ex-governador de MG] e o Fernando Collor escolheram o Lula." Diz ainda Weffort que "o apoio do Garotinho vale milhares de votos".
O signatário do blog suspeita que, ao tratar como naco imaculado do PMDB a congregação partidária que segue o evangelho segundo o irmão Garotinho, o professor Weffort incorre em grave pecado. Relembre-se, por oportuno, o livro de Gênese (1,3): “Deus disse: haja luz; e houve luz.” Agora, pergunte-se: Meu Deus, de que serve tanta luz se mesmo teus filhos supostamente mais racionais não têm olhos para vê-la?
Escrito por Josias de Souza às 16h01

- Folha: PF quer ouvir Mercadante para apurar caso dossiê
- Estadão: EUA não têm intenção de atacar Coréia, diz Bush
- Globo: Lula diz que Brasil pode crescer sem cortar gastos
- Correio: IPVA sobe até 45%
- Valor: Empresas tentam quitar dívidas de US$ 4,5 bilhões
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h50
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h43
Domingos Tadeu/ABr
“Já erramos uma vez. Pelo amor de Deus, nada de salto alto agora.” Foi com essa frase que Lula reagiu ao entusiasmo de um auxiliar que ensaiou uma comemoração diante dos números da nova pesquisa Datafolha, que atribuiu a Lula uma vantagem de 12 pontos sobre o rival Geraldo Alckmin. “Estamos no meio de uma guerra. A hora é de guerrear, não de festejar”, completou o presidente.
Embora tenha considerado a nova pesquisa “muito boa”, Lula repetiria a um deputado petista que lhe telefonou no meio da tarde desta quarta que tudo o que não deseja no momento é “comemoração antes da hora”. “Vamos deixar para comemorar depois que os votos estiverem contados”, disse o presidente ao parlamentar. Segundo ele, não se deve olhar o adversário "de cima para baixo", mas "olho no olho".
A despeito do tom moderado, o Lula pós-Datafolha é outro candidato. Ele estava irrequieto desde domingo. Não gostou do próprio desempenho no debate da TV Bandeirantes. Embora sondagens feitas por encomenda do seu comitê de campanha indicassem que o debate não lhe tirara votos, foi depois do Datafolha que o presidente recobrou por inteiro o humor.
Em meio à “guerra”, como ele se refere ao segundo turno da disputa presidencial, Lula cobra dos aliados que desfiram contra Alckmin tiros de efeito moral. Abespinhado com o tom utilizado pelo adversário no debate de domingo, o presidente deseja reforçar a idéia de que o tucanato não tem “autoridade” para ministrar-lhe lições de ética.
Lula revela-se desejoso de imprimir à campanha um caráter propositivo, reforçando a comparação entre a sua gestão e a do antecessor Fernando Henrique Cardoso. Mas afirma que, numa batalha, “se o outro lado vem de espingardas, nós temos que ter metralhadoras”.
Uma das obsessões de Lula é conseguir demonstrar que seu governo não é mais corrupto que nenhum outro. Como se desejasse convencer a si próprio, repete incessantemente que a sensação de aumento da corrupção decorre do fato de que seu governo “não joga sujeira para baixo do tapete”, ao contrário do que fizeram FHC e o próprio Alckmin, coveiro de 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Outra idéia fixa do presidente é a intenção de colar em Alckmin a pecha de “privatista”. Quer que seus aliados se empenhem em difundir a tese de que, sob o discurso do “choque de gestão” de Alckmin, esconde um projeto de desmontagem do Estado, incluindo as engrenagens sociais da máquina estatal.
Em resposta à ofensiva de Lula e do PT, o tucanato incluirá na propaganda televisiva que será retomada nesta quinta-feira, inserções que têm o objetivo de desmentir a pregação inimiga. A estratégia tucana é a de grudar em Lula o epíteto de “mentiroso”.
Escrito por Josias de Souza às 02h36
Depois que a ação dos “aloprados” do PT azedou-lhe a campanha, Lula agarrou-se ao triunfo do petismo sobre a pefelândia nordestina como quem apalpa um troféu. Festejou a vitória de Marcelo Déda sobre João Alves, em Sergipe, e, muito especialmente, o êxito de Jaques Wagner sobre Paulo Souto, do gripo de ACM, na Bahia. “Vamos varrer o coronelismo do meu querido Nordeste”, comentou, em privado.
Para o Maranhão, porém, a receita de Lula é diferente. Ali, declara amor eterno à família Sarney. Contra a vontade do petismo maranhense, o presidente associou-se à candidatura de Roseana Sarney, do mesmo PFL de Alves e ACM. De olho na popularidade de Lula, que roça os 70% no Estado, Roseana, em retribuição, também declarou apoio a Lula, embora o seu partido seja parceiro de Alckmin.
Nesta quarta, em entrevistas a emissoras de rádio e de TV de São Luís, Roseana deu de ombros para as ameaças de Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL, de expulsá-la do partido. Segundo relato da Agência Nordeste (assinantes), ela disse: “O presidente Lula sabe da importância do nosso Estado e, por isso, ele tem o nosso apoio e está nos apoiando. Lamento profundamente que o presidente do meu partido tenha dado essa declaração. Entre os interesses partidários e o interesse do povo do Maranhão, obviamente fico com os interesses do povo do Maranhão.”
Em outros tempos, a dobradinha Roseana-Lula seria algo impensável. Na época em que ainda o chamavam de “esquerdista”, o manda-chuva do PT referia-se a Roseana e à família dela em timbre inamistoso. Chamava-os de “mentirosos descarados”. Pressione na imagem lá em cima para assistir a um discurso desse Lula que o exercício do poder sepultou. Depois diga aí embaixo se não é verdade que, em política, a primeira vítima é sempre a coerência.
Escrito por Josias de Souza às 00h12
Roosewelt Pinheiro/Ag.Senado
Heloisa Helena estava presidindo a sessão do Senado. Súbito, decidiu fazer um desabafo. Disse estar sendo vítima de machismo. Acusou os políticos e a imprensa. O que a fez sair do sério foi uma fotomontagem exibida no sítio de humor Kibe Loco. Mostra o rosto de HH sobre a foto de uma modelo na capa da Revista Playboy.
A senadora disse ter sido informada de que a imagem estava sendo distribuída na rodoviária de Brasília por militantes petistas. Aos prantos, queixou-se ao seu estilo: "Eu sei o que estou passando, recebendo cartas de gente do PT porque não declarei apoio ao vagabundo do presidente. Eu sou uma mulher digna, não é a primeira vez que isso acontece comigo. Sou uma mãe de família exemplar."
HH está convencida de que há digitais petistas por trás da fotomontagem exposta na internet. Na véspera, a peça correra de mão e mão pelo Senado. Colegas da senadora faziam pilhéria com a montagem.
A senadora irritou-se também com o jornal O Globo que, em reportagem nesta quarta informou que ela própria teria levado a coisa na brincadeira. "Só se eu fosse uma mulher vagabunda, uma mãe vagabunda para olhar para uma montagem horrorosa como aquela, como se eu estivesse nua na capa da Playboy e eu me achar bonitinha."
HH tem razões de sobra para esquivar-se de recomendar voto no candidato petista. Eleita para o Senado em 98, ela era macaca de auditório de Lula. Festejou a eleição do ídolo para a presidência. Em 2003, divergiu do novo governo em votações no Congresso. E foi sumariamente expulsa do PT. Antes de pôr uma pedra sobre um passado tão presente, HH precisaria ser canonizada por Bento 16.
Escrito por Josias de Souza às 22h59
Marlene Bérgamo/Folha Imagem
A Polícia Federal agendou para a próxima sexta e para terça da semana que vem os depoimentos do deputado Ricardo Berzoini, ex-coordenador da campanha de Lula e presidente licenciado do PT, e de Abel Pereira, empresário ligado ao tucanato. Ambos serão inquiridos em São Paulo pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito sobre o dossiêgate. A PF deseja ouviu também Aloizio Mercadante (PT-SP), mas a data ainda não foi marcada. O senador diz estar à disposição.
De Berzoini, que será ouvido na terça que vem, serão cobradas explicações sobre a ação dos “alopadros” do PT que tentaram comprar por R$ 1,7 milhão, no dia 15 de setembro, um dossiê contra políticos tucanos. Todos os envolvidos eram vinculados ao birô de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula. Foram recrutados por Berzoini e estavam subordinados a ele.
De Abel, que será interrogado nesta sexta, o delegado Curado deseja saber se teve alguma participação no episódio do dossiê. Cobrará explicações, de resto, acerca de uma representação feita contra ele no Ministério Público por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Vedoin sustenta ter feito repasses financeiros para Abel, para apressar a liberação de verbas do Ministério da Saúde na época em que o ministro era o tucano Barjas Negri.
Nesta quarta, os jornais Correio Braziliense e Estado de Minas publicaram reportagens que acomodam o caso do dossiê no colo de Berzoini. Valendo-se de declarações atribuídas ao deputado Júlio Delgado (PSB-MG), os jornais afirmam que Berzoini sabia da montagem do dossiê antitucano e teria autorizado a sua compra.
Delgado integrou uma comitiva da CPI das Sanguessugas que esteve em Cuiabá para conversar com os responsáveis pela investigação do caso. Sustenta que a PF dispõe de indícios que apontariam para a participação de Berzoini. O deputado Delgado voltou a tratar do tema nesta quarta.
Em resposta, Berzoini divulgou uma nota no sítio do PT. Anunciou a decisão de processar os dois jornais que veicularam a notícia. Curiosamente, não fez referência a nenhum processo contra o colega Júlio Delgado. Berzoini reafirmou o que já dissera antes: “Jamais incentivei, determinei ou concordei com nenhuma forma de ilegalidade ou irregularidade nos assuntos que estiveram sob a minha responsabilidade, razão pela qual tenho total interesse no aprofundamento e conclusão das investigações”.
A prevalecer a versão do presidente licenciado do PT, toda a operação frustrada de tentativa de compra do dossiê, incluindo a coleta de R$ 1,7 milhão, seria de inteira responsabilidade dos “aloprados”. O diabo é que nenhum deles assume responsabilidade pela grana. Deve ter caído do céu.
Escrito por Josias de Souza às 17h55
No debate de domingo passado, Alckmin mostrou-se um inquisidor implacável. Foi frio como um anestesista, preciso como um bisturi: “Candidato Lula, de onde é que veio o dinheiro?”, perguntou, levando o oponente às cordas.
No papel de inquirido, Alckmin não exibe a mesma frieza. Deve-se a uma equipe do programa Dateline, da TV australiana SBS, uma descoberta curiosa: para derreter um picolé de chuchu bastam algumas boas e incisivas perguntas sobre o PCC.
Enviada a São Paulo no último mês de maio para realizar uma reportagem sobre os ataques que viraram de ponta-cabeça as ruas de São Paulo, a equipe do Dateline foi a Alckmin. Inquiriu-o sobre as suas responsabilidades. Alckmin, que deixara o governo do Estado havia dois meses, ferveu à segunda pergunta.
Contrafeito, o candidato saltou da cadeira: ''Se eu soubesse que era isso eu não tinha dado a entrevista.'' Recomendou à repórter que tentou ouvi-lo que procurasse as autoridades do governo paulista. Tentou-se. Mas ninguém se dispôs a falar. Pressione na imagem para assistir à reportagem, com legendas.
Escrito por Josias de Souza às 16h36
Portal Vermelho
A filósofa protopetista Marilena Chauí acha que as eleições presidenciais deste ano da graça de 2006 realizam-se em cenário pré-medieval. Diz que apoiadores de Lula são “apedrejados” nas ruas, “levam soco na cara e no estômago”. Afirma que a Justiça Eleitoral porta-se de maneira “repressiva e policialesca”. E enxerga uma ofensiva da mídia contra Lula.
Chauí está especialmente preocupada com o debate que Lula e Alckmin farão no dia 27 de outubro, na Globo. Receia que a emissora possa desferir algum golpe baixo contra o seu candidato, editando o debate à maneira de 1989, quando do célebre confronto televisivo Lula X Collor.
Enfim, Marilena encontra-se em estado de alerta máximo contra a iminente intromissão dos hunos na cena eleitoral. Em “Origens e Fins”, Otto Maria Carpeaux prescreve Erasmo como remédio anti-ações bárbaras: “Contra os bárbaros não nos defenderão outros bárbaros. Devemos opor-lhes uma melhor fé, uma melhor justiça, o nosso próprio espírito e a nossa própria vida.”
Chauí prefere dar de ombros para Erasmo. Trocou a filosofia e a pena por armas metafóricas: “Eu estou de armadura e lança em punho, porque estou esperando todas essas barbaridades”, disse ela ao portal Vermelho, do PC do B. Leia abaixo a entrevista:
- A mídia vai radicalizar o discurso anti-Lula e a pregação conservadora?
Eu acho que sim. Tudo se torna mais acirrado, e a distinção esquerda-direita fica mais acirrada também. A mídia ganha os contornos que teve na eleição do Collor. Estou só esperando o momento em que vai haver o debate na Rede Globo - e a Rede Globo vai editar, transmitir uma edição do debate. Vocês eram muito jovens. Vocês não se lembram, vocês não sabem o que foi feito naquela ocasião.
- Sabemos, sim...
Eu estou de armadura e lança em punho, porque estou esperando todas essas barbaridades.
- A concentração da campanha na TV não impossibilita o debate de propostas?
O que eu acho é que, como o TSE passou a exercer uma atitude verdadeiramente repressiva e policialesca, o número de debates se reduziu muito - a discussão de idéias na rua, a presença da eleição no espaço público. No Brasil inteiro, com tanto receio de que houvesse uma repressão por partes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e do TSE, houve uma espécie de grande silêncio. Afora a televisão, nada mais acontecia. Penso que, nos próximos dias, essa situação poderá sofrer uma alteração, com a presença de uma militância mais aguerrida nas ruas. Eu fui informada, por dois colegas, das agressões que os petistas estão recebendo.
- Aqui em São Paulo?
Aqui em São Paulo, na Avenida Paulista. Uma menina que tinha o adesivo do Lula no carro foi apedrejada. Um rapaz que estava usando um distintivo levou soco na cara e no estômago. Foi assim na eleição do Collor. A gente saía e levava pancada. Riscavam o carro da gente, quebravam a janela, batiam nas portas das casas. Foi uma coisa terrível. Vocês são muito jovens e não sabem como foi. Mas foi assim. Agora eu preciso ir embora. Prometi à minha mãe que vou vê-la.
Escrito por Josias de Souza às 16h00

- Folha: Lula amplia vantagem sobre Alckmin
- Estadão: PT intensifica tática do medo e Alckmin reage
- Globo: Corte de gastos abre nova frente na guerra presidencial
- Correio: CPI: Berzoini mandou comprar o dossiê
- Valor: Empresas tentam quitar dívidas de US$ 4,5 bilhões
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h14
Jean
Escrito por Josias de Souza às 03h07
O resultado da última pesquisa Datafolha, estampado nesta quarta nas páginas da Folha, derrama sobre a calva de Geraldo Alckmin um balde de água fria. A versão “heloisahelenizada” do chuchu, exposta no debate de domingo, não carreou votos para o cesto do presidenciável tucano. Pior: para alegria de Lula, o legume apimentado parece ter azedado o paladar de parte do eleitorado de Alckmin.
Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas nesta terça, menos de 48 horas depois do debate da TV Bandeirantes. Entrevistaram 2.868 eleitores em 194 municípios de 25 Estados. Descobriram que, do último dia 6 de outubro para agora, a vantagem de Lula sobre Alckmin ampliou-se de sete para 11 pontos percentuais. Ou, considerando-se apenas os votos válidos (excluídos brancos e indecisos), de oito para 12 pontos.
Lula manteve-se estável. Oscilou de 50% para 51%, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para cima ou para baixo. Alckmin escorregou para baixo. Foi de 43% para 40%. Contando-se apenas os votos válidos, como faz o TSE na hora de definir o resultado, Lula sobe de 54% para 56%. E Alckmin oscila de 46% para 44%.
O blog conversou na madrugada desta quarta com um dos integrantes do alto comando do comitê de Alckmin. Ele disse que o resultado do Datafolha, por adverso, ressuscita na campanha o debate sobre a dosagem dos ataques a Lula. Revive-se o receio de que a escalada acusatória possa acomodar sobre a cabeleira de Lula um halo de vítima.
“Não vejo alternativa senão a de manter o questionamento quanto à origem do dinheiro do dossiê e à identificação dos responsáveis”, disse o integrante do comitê de Alckmin. “Foi isso que ajudou a produzir o segundo turno. Mas teremos de acentuar a exposição da nossa proposta de governo, o que já estava previsto.”
O Datafolha quis saber também como os eleitores avaliaram a atuação dos dois candidatos no debate de domingo. Identificou-se ligeira vantagem em favor de Alckmin. Considerando-se a margem de erro, o quadro é, porém, de empate. Entre as pessoas que viram o debate, 43% avaliaram que Alckmin venceu. Lula foi o melhor na opinião de 41% dos entrevistados.
A pesquisa traz um dado preocupante para Alckmin. Ele perdeu votos tanto nas áreas em que é favorito quanto nas regiões em que está em desvantagem para Lula. Na região Sul, por exemplo, onde o tucanato lidera, Alckmin perdeu três pontos e Lula ganhou cinco. No Nordeste, região onde o petismo é favorito, Lula cresceu quatro pontos; Alckmin caiu quatro.
Na primeira pesquisa realizada pelo Datafolha depois do primeiro turno, na última sexta-feira, 48% dos eleitores de Heloisa Helena manifestavam a intenção de votar em Alckmin. Agora, o percentual caiu para 39%. Uma erosão de nove pontos. Lula, por sua vez, cresceu quatro pontos nesse segmento. Há cinco dias, 32% dos “helenistas” diziam que votariam em Lula. O percentual subiu agora para 36%.
Outras más notícias para o tucanato: 1) Alckmin perdeu oito pontos entre os eleitores com idade entre 25 e 34 anos (24% do eleitorado); Lula ganhou cinco. Alckmin caiu de 51% para 41% na preferência dos eleitores que ganham entre 5 e 10 salários mínimos; Lula subiu de 41% para 45% nessa faixa; 3) entre os eleitores que têm o ensino médio, Lula ganhou quatro pontos; Alckmin perdeu cinco. Entre os que têm ensino superior, Lula oscilou dois pontos para cima; Alckmin, três pontos para baixo.
Vai dando certo, por ora, a tática de Lula de posar de vítima ao mesmo tempo em que acentua a suposta ausência de propostas de Alckmin. Para manter-se vivo na disputa, Alckmin terá de anular pelo menos seis dos 12 pontos de desvantagem que ostenta na pesquisa. Num cenário de segundo turno, em que só há dois candidatos, cada ponto subtraído do líder tende a somar em favor do segundo colocado. A questão é: O chuchu apimentado do segundo turno conseguirá conquistar o paladar de mais de 7,5 milhões de eleitores nas duas semanas que restam de campanha?
Escrito por Josias de Souza às 02h54
Começou a andar o naco do inquérito das sanguessugas que mais interessa a Lula e ao PT. A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal de Mato Grosso autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do empresário Abel Pereira. Ele é apontado por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas como o elo perdido do tucanato no escândalo da compra superfaturada de ambulâncias.
Em representação protocolada no Ministério Público em 14 de setembro, Luiz Vedoin sustenta ter feito repasses financeiros para Abel, para azeitar a liberação de verbas do Ministério da Saúde. Vedoin anexou à representação comprovantes bancários que atestariam os repasses feitos a empresas vinculadas a Abel Pereira.
Segundo o chefão sanguessuga, Abel agia em nome de Barjas Negri. Secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão de José Serra, Negri tornou-se ministro em março de 2002, quando o tucano deixou o governo do amigo FHC para concorrer ao Planalto. Hoje, ele é prefeito de Piracicaba (SP).
Depois de deixar o ministério e antes de virar prefeito, Barjas Negri foi secretário de Habitação de Alckmin no governo de São Paulo. Ele vem negando, em entrevistas e em notas, as acusações de Vedoin. Mencionado por Lula no debate de domingo, disse que processará o presidente.
O Ministério Público e a PF investigam também a suspeita de que Abel tentara comprar de Luiz Vedoin o mesmo dossiê que posteriormente foi negociado com os “aloprados” lotados no birô de inteligência da campanha reeleitoral de Lula. Escuta telefônica instalada num celular de Luiz Vedoin detectou telefonemas de Abel para o dono da Planam dias antes da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, dois dos “aloprados”, num hotel de São Paulo, em 15 de setembro.
No debate com Geraldo Alckmin, no último domingo, Lula disse que, insinuou que, além da origem do dinheiro apreendido com Gedimar e Valdebran (R$ 1,7 milhão) queria que fosse investigado o conteúdo do dossiê levado ao balcão eleitoral por Luiz Vedoin. De resto, estimulou a suspeita de que o tucanato teria armado uma armadilha para os "aloprados". afirmou que sua candidatura foi a maior prejudicada com o episódio. E a campanha de Alckmin, a maior beneficiada.
Escrito por Josias de Souza às 01h32
Gedimar Passos, um dos “aloprados” presos com R$ 1,7 milhão no último dia 15 de setembro, num hotel em São Paulo, mudou a versão que dera em depoimento à PF. No dia da prisão, ele alegara ter recebido a ordem para a compra do dossiê contra políticos tucanos de Freud Godoy, ex-segurança e assessor especial de Lula. Em documento protocolado no TSE, Gedimar sustenta coisa diferente. Diz que Freud não tem nada a ver com o dossiêgate.
Os esclarecimentos foram solicitados pelo TSE, que conduz uma investigação judicial para verificar eventuais implicações do dossiêgate no processo eleitoral. Em sua nova versão, Gedimar deixa em desconfortáveis lençóis o delegado Edmilson Pereira Bruno, da Polícia Federal. Foi ele quem realizou a apreensão do dinheiro que serviria para a compra do dossiê e a prisão de Gedimar, em companhia do petista Valdebran Padilha. Foi ele também quem divulgou, 48 horas antes do primeiro turno da eleição, as fotos do dinheiro que apreendera na noite de 15 de setembro.
Por meio de seus advogados, Gedimar informou ao TSE que só envolveu Freud Godoy no caso depois de ter recebido a “falsa promessa” do delegado de que o liberaria se colaborasse com as investigações. Segundo Gedimar, Edmilson Bruno não se conformava com as suas alegações de que nada sabia a respeito do dinheiro. Diante da promessa de ser liberado, teria mencionado Freud Godoy “aleatoriamente”.
No depoimento que prestara no dia de sua prisão, Gedimar, um ex-agente da PF, dissera que havia sido contratado pela Executiva Nacional do PT. Afirmara também que recebera a ordem para a compra do dossiê “de uma pessoa de nome Froude ou Freud”. Esclareceu que o sujeito era dono de “uma empresa de segurança.”
A PF descobriria depois que a pessoa mencionada por Gedimar era Freud Godoy. De fato, ele possui uma empresa de segurança. Transferiu-a para a mulher antes de ser contratado para trabalhar no Palácio do Planalto.
A nova versão de Gedimar deixa boiando no ar incômodas interrogações: de onde veio o dinheiro que seria usado na compra do dossiê? Quem deu a ordem para que o material contra os tucanos fosse adquirido? São perguntas que o ex-agente da PF, cioso em isentar o ex-assessor de Lula, não se dignou a responder.
Antes da manifestação encaminhada ao TSE, Gedimar já tivera a oportunidade de isentar Freud Godoy. Reinquirido quatro dias depois de ter sido preso, o ex-agente da PF foi instado a detalhar a participação do ex-assessor palaciano na operação. Preferiu o silêncio. Disse que só voltaria a falar em juízo. O Ministério Público solicitou a renovação do pedido de prisão de Gedimar. Receava que, solto, ele pudesse combinar versões com os demais envolvidos no dossiêgate. A Justiça, porém, soltou o preso.
A despeito da nova versão apresentada por Gedimar ao TSE, o Ministério Público continua tratando Freud Godoy como “suspeito”. Alega-se que só ao final das apurações será possível saber se ele tem ou não culpa no cartório. Oficialmente, a Polícia Federal tampouco isentou Freud. Mas extra-oficialmente, os agentes envolvidos na condução do inquérito afirmam que, diante da ausência de provas cabais de seu envolvimento, Freud deve mesmo sair ileso do episódio.
Escrito por Josias de Souza às 00h57
Fernando Donasci/FI
Pesquisa feita por encomenda do comitê de campanha de Lula informa que o debate realizado no último domingo não provocou mexidas no cenário eleitoral. Os números são mantidos sob sigilo. Em contato com o blog, um integrante da caravana lulista traduziu assim os resultados:
1) entre os entrevistados, pouco mais de um terço disse ter assistido ao debate;
2) nem Lula nem Alckmin; para o telespectador, houve empate;
3) auferida as intenções de voto, Lula continuaria abrindo confortável dianteira em relação a Alckmin.
Nesta quarta-feira, a Folha irá publicar os números da mais recente sondagem do Datafolha. São dados quentes como pão do dia. Os pesquisadores foram às ruas nesta terça, 48 horas depois do debate.
Em evento de campanha realizado há pouco em São Paulo, a petista Marta Suplicy anunciou o que seria o resultado do Datafolha. Ela não disse como obteve os números. Lula estaria com 56%, contra 44% atribuídos a Alckmin. Se forem verdadeiros os números, a vantagem de Lula terá crescido de oito para 12 pontos percentuais em uma semana. A escassos 18 dias da eleição, não é nada mal.
Escrito por Josias de Souza às 23h42
Folha Imagem
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), diz que Blairo Maggi, governador reeleito de Mato Grosso, “não se dá ao respeito” ao anunciar que pende para o apoio a Lula, em detrimento d candidatura Alckmin. Se a opção for confirmada, afirma Freire, não há hipótese de permanência de Maggi na legenda.
“O governador foi importante. Ajudou a estruturar o partido em Mato Grosso. Mas é melhor perder o Blairo Maggi do que perder o respeito da sociedade”, disse Freire ao blog. “Ele sabe que esse é um partido sério. Quando rompemos com o governo, entregamos um ministério [Desenvolvimento Nacional]. De lambuja, mandamos junto o ministro [Ciro Gomes, hoje no PSB].”
Freire enxerga uma contradição na opção de Maggi. “Quando eu ainda era candidato à presidência pelo PPS, ele defendeu que devíamos apoiar o Alckmin. Defendeu dentro do partido e publicamente. Agora vem com essa história de apoio a Lula! Esse é Blairo Maggi”.
O presidente do PPS conta que telefonou para Maggi há uma semana. Lembrou as declarações públicas que fizera em favor de Alckmin. E pediu que confirmasse o apoio. O governador alegou que não poderia fazê-lo porque tem dificuldades de relacionamento com o tucanato mato-grossense.
Nesta terça, em entrevista ao blog (veja texto abaixo), Blairo Maggi informou que irá encontrar-se com Lula. Condiciona o apoio à candidatura reeleitoral a um compromisso de suporte governamental ao agronegócio. Freire comenta: “Ele erra ao imaginar que será interlocutor do setor. A Comissão de Agricultura da Câmara discute um manifesto contra ele, chamando-o de traidor. Ele que tome cuidado. Acaba se desmoralizando”.
Escrito por Josias de Souza às 19h33
Blairo Maggi encontra Lula para negociar apoio
OBritoNews
Filiado ao PPS, partido que apóia o tucano Alckmin, o governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi, está com um pé na candidatura petista de Lula. Ele se encontra nesta quarta-feira com Lula, para negociar o seu apoio. Maior plantador de soja do país, Maggi deseja tornar-se interlocutor preferencial do agronegócio com o governo Lula, em caso de reeleição.
Em entrevista ao blog, Maggi disse que, fechado o entendimento com Lula, irá se desfiliar do PPS antes que Roberto Freire, o presidente do partido, o expulse. Com o apoio do governador, Lula finca uma cunha num Estado em que perdeu para Alckmin no primeiro turno. Leia abaixo a entrevista:
- Já se definiu entre Lula e Alckmin?
Meus adversários na eleição estadual foram exatamente PSDB e PT, os dois partidos que disputam a presidência. O PSDB foi muito amargo comigo. Tenho uma dificuldade de andar com esse pessoal aqui no Estado. Estou buscando um entendimento entre o setor da agricultura, que está muito magoado com o Lula, e o presidente. O que me preocupa é o seguinte: todas as lideranças do agronegócio estão voltadas para a candidatura do Alckmin. Se ele vencer as eleições, está cheio de gente para conversar e ser interlocutor. E se o Lula ganhar? Quem desse segmento vai poder conversar com o governo? Eu estou preocupado com isso.
- Já falou com Lula?
Amanhã, vou a Brasília para conversar com o presidente. Quero ver quais são os pontos com os quais ele pode se comprometer para ajudar o setor do agronegócio num segundo mandato.
- Um tapete vermelho o aguarda no Planalto. Pode-se depreender, assim, que o sr. está mais próximo de Lula do que de Alckmin?
Sem dúvida. Como governador de Estado, demorei muito tempo para abrir canais no governo federal. Só nos últimos dois anos as coisas começaram a fluir, os convênios começaram a ser assinados. Suponha que haja uma troca de governo. As pessoas vão chegar, se inteirar das coisas, o país vai parar mais um ano nas relações entre governos. A minha preferência, se conseguir fazer um acordo produtivo para o setor do agronegócio e para o governo do meu Estado, é caminhar pelo caminho da manutenção do atual presidente. Nada de pessoal contra o outro candidato. A gente vai ganhar tempo com isso.
- Não o preocupa a ameaça de Roberto Freire de expulsá-lo do PPS?
Não. Estou mais preocupado com o um segmento econômico vital para o meu Estado e com as coisas do governo de Mato Grosso. Além disso, o partido também está deixando de existir. Não atingiu a cláusula de barreira. Vai ter que se acomodar em outro lugar. E não serei expulso. Se optar por Lula, vou me desfiliar do PPS. Vou informar ao partido e seguir um outro caminho.
- As denúncias que pesam contra o governo Lula tampouco o preocupam?
Claro que preocupam. Se a sociedade entender que o Lula não deva permanecer no governo em função das denúncias, ele terá que responder e estará pagando por isso. Mas acho que culpa no cartório os dois lados têm. É muito ruim, antiético que pessoas tentem comprar um dossiê [contra políticos tucanos]. Mas também é verdade que existe um dossiê, que precisa ser investigado.
- Concorda com a tese de Lula de que a perversão não é exclusividade do PT?
Não é mesmo. E outra coisa: não acredito que o presidente soubesse de uma operação como essa [a tentativa de compra do dossiê].
Escrito por Josias de Souza às 17h57
Desde que provou chuchu com pimenta, no domingo, Lula levou a boca do trombone. E não tirou mais. Repete o mesmo sopro: Alckmin seria destemperado. Para provar a tese, o presidente desce o sarrafo no opositor.
Nesta terça, em entrevista às rádios Bandeirantes e BandNews, Lula chegou mesmo a insinuar que Alckmin não deveria ser candidato a coisa nenhuma. "A única coisa que ele sabe fazer é vender coisas. O PSDB não devia ser candidato a nada. Devia ser candidato a uma empresa de vender empresas estatais."
Com sua frase, Lula revela-se um tipo especial de democrata. Reconhece a todos o direito à discordância política, desde que concordem integralmente com ele. Agora é Alckmin quem acusa o rival. Afirma que Lula está "desesperado" do presidente.
Depois da entrevista, Lula foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do vice José Alencar. Ali, recebeu uma comitiva de nove deputados do PMDB mineiro. De novo, pôs-se a desancar Alckmin e o PSDB. O projeto de seus concorrentes, disse, é “destruir o setor público”.
Abandonando as metáforas futebolísticas, suas preferidas, o presidente foi ao pano verde: "Não adianta blefar o tempo inteiro porque uma hora toma um seis no meio da cara", disse Lula.
Referia-se ao jogo de truco. Nesse tipo de carteado, quando um jogador grita "truco", o adversário grita "seis", dobrando a aposta de três para seis pontos e obrigando o trucador a exibir o seu trunfo. Sabe-se, então, se tem cartas para vencer ou se está blefando.
"Um bom jogador de truco tem de ser cuidadoso e blefar o menos possível”, ensinou Lula. “Se blefar muito, o povo prefere desligar a televisão do que continuar ouvindo as conversas. Eu e o Zé Alencar vamos trucar, mas trucar forte (sem blefes)."
Lula passara a semana passada inteira blefando diante de Alckmin. Disse que fazia questão de discutir ética com o adversário. No debate de domingo, o tucano gritou “truco”. E o presidente não jogou "o seis no meio da cara" do adversário, como insinuara que faria.
Novos debates estão por vir. Haverá pelo menos mais dois. Nesse tipo de encontro, os candidatos sabem muito bem o que devem dizer, desde que suas assessorias lhes informem antes. A equipe de Lula preferia o debate programático. Não deu.
Diante de um temporal, não há o que fazer senão abrir o guarda-chuva. Em meio à borrasca de denúncias, Alckmin continuará chovendo denúncias sobre a cabeça de Lula, que trovejará acusações sobre o rival. Numa disputa com tais características, o eleitor vai às urnas com a incômoda sensação de que, seja qual for o resultado, novos raios lhe cairão sobre a cabeça depois da eleição.
Escrito por Josias de Souza às 16h02

- Folha: ONU condena Coréia do Norte e estuda sanções
- Estadão: ONU discute sanções à Coréia do Norte
- Globo: Surpreendido, Lula diz que reagirá a ataques de Alckmin
- Correio: Debate dá tom mais agressivo à campanha
- Valor: Autoridades investigam 'insider' em oferta da Sadia
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h29
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h18

De acordo com o TSE, a propaganda eleitoral no rádio e na TV será retomada nesta quinta-feira. O blog ouviu integrantes do alto comando das campanhas de Alckmin e Lula. A julgar pelo que disseram, a fuzilaria ética que permeou o debate entre os dois presidenciáveis, no último domingo, será reproduzida na publicidade eletrônica.
A exemplo do que fez nos programas levados ao ar na fase final do primeiro turno, a equipe de marketing de Alckmin planeja continuar martelando o dossiêgate. Associará o caso à campanha do seu adversário e renovará a cobrança em relação à identificação dos responsáveis e ao rastreamento do R$ 1,7 milhão que petistas usariam para comprar o dossiê antitucano.
De acordo com um político que integra a coordenação da campanha tucana, os programas devem ser divididos entre as críticas ao rival e o detalhamento do programa de governo de Alckmin. Deseja-se dar ênfase ao futuro, enfatizando os planos para a retomada do crescimento econômico. Serão veiculadas também peças elaboradas para desmontar o que o tucanato chama de “mentiras” do PT: o boato de que Alckmin planejaria acabar com o Bolsa Família e privatizar Banco do Brasil, a Caixa e Petrobras.
No comitê de Lula, há consenso quanto à necessidade de elevar o tom do programa. A disposição foi resumida assim por um dos comandantes da campanha reeleitoral: “Diante do comportamento do nosso adversário, não há mais como manter o programa água com açúcar do primeiro turno.” Remanescem dúvidas, porém, quanto à dosagem de sal a ser adicionada aos programas de Lula.
A publicidade de Lula tentará vender a tese de que a agressividade de Alckmin deriva do “desespero” de um candidato em desvantagem. De resto, pretende-se vender a tese de que os casos de corrupção vieram à tona porque a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União tiveram, sob Lula, total liberdade de ação. Algo que não aconteceu nos oito anos da gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso.
Pretende-se explorar também o que o petismo chama de “incoerência” de Alckmin. Os programas mostrarão que, embora se apresente ao eleitor como “paladino da ética”, o presidenciável tucano manobrou para sepultar 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo à época em que governou o Estado.
Na parte voltada para a exposição de planos de governo, a equipe de campanha de Lula tende a reproduzir a estratégia do primeiro turno, baseada num tripé: 1) a gestão Lula foi superior à de FHC; 2) no primeiro mandato, a economia foi posta em ordem, preparando o país para um ciclo desenvolvimentista; 3) se reeleito, Lula, agora mais experiente, fará um segundo mandato melhor do que o primeiro.
Pesquisas realizadas por encomenda dos dois comitês emitem sinais contraditórios. Pelas sondagens do PT, o quadro de intenções de voto mantém-se inalterado. Lula ostentaria uma vantagem de sete pontos sobre Alckmin. Pelos números do PSDB, Alckmin teria ultrapassado o adversário em pelo menos cinco pontos. Há uma diferença entre os dois levantamentos: a pesquisa petista é domiciliar; a tucana é telefônica. Não são comparáveis entre si. Ao eleitor, resta aguardar pelos levantamentos feitos por institutos independentes.
Escrito por Josias de Souza às 01h53
Lêdo Ivo anotou em “Confissões de um poeta” (1979), um livro autobiográfico de 1979, que “o absurdo é o sal da vida”. A ser verdade, o Brasil dos dias que correm encontra-se empacado numa imensa salina. Quando se imagina diante de absurdos inadmissíveis, o brasileiro é apresentado a absurdos ainda mais impensáveis.
Nesta segunda, uma delegação da CPI das Sanguessugas voou até Cuiabá. Foi ter com o delegado Diógenes Curado, da PF, responsável pelo inquérito do dossiêgate. Depois do encontro, os congressistas saíram-se com a seguinte novidade: a polícia farejou indícios de que parte do R$ 1,7 milhão que petistas usariam para comprar o dossiê veio das arcas do jogo do bicho carioca. Coisa de caixa dois, três a até quatro.
Um dos deputado que integraram a comitiva, Júlio Delgado (PSB-MG), disse que a PF não vai conseguir rastrear grande parte do dinheiro. Grana “não oficial e não contabilizada", segundo as palavras dele.
A perspectiva de que o país tenha de conviver com a bicharada do dossiê sem uma explicação plausível é aterradora. Quem estará por trás dos burros (grupo três no jogo do bicho, dezenas de 09 a 12) do dossiê?
O PT, qual avestruz (grupo um, dezenas de 01 a 04), mantém a cabeça enterrada na terra. Para a oposição, tem gato (grupo 14, dezenas de 53 a 56) petista na tuba. Para o governo, a coisa foi arquitetada por alguma águia (grupo dois, dezenas de 05 a 08) disfarçada de tucano.
Enquanto os investigadores não acertam no milhar, Lula vai flertando com o malogro. No primeiro turno, viu a vaca (grupo 25, dezenas de 97 a 00) ir para o brejo. No segundo round, canta de galo (grupo 13, dezenas de 49 a 52). Diz que o porco (grupo 18, 69 a 72) não é bicho exclusivo de seu partido. Também o PSDB teria a sua vara de porcos. Durma-se com uma algaravia dessas!
Escrito por Josias de Souza às 00h16
Em encontro com um grupo de evangélicos, em Brasília, Lula comentou o debate de domingo, o primeiro em que teve se confrontar com o adversário Geraldo Alckmin. Disse ter vivido um dos dias mais tristes de sua vida política. Afirmou que seu rival comportou-se como um delegado de polícia.
"Ontem foi um dos dias mais tristes na política que eu já vivi", disse o presidente. Ele lembrou que já debateu com muita gente. Citou, entre outros, Ulysses Guimarães, José Serra, Mario Covas, Paulo Maluf e Fernando Collor de Mello. Acha que Alckmin demonstrou que não tem o mesmo nível dos outros contendores.
"Ontem, pensei que não estava diante de um político, mas diante de um delegado de porta de cadeia (...)”, disse Lula. “O povo não quer ver um político xingando o outro, quer saber o que vai melhorar a vida."
Para Lula, seu contendor foi arrogante. Acha que o debate expôs as diferenças entre os dois projetos, o petista e o tucano: "O projeto deles é o de pessoas que falam de nariz em pé e com arrogância (...). Para política, isso é muito pobre (...). (Alckmin) é uma sanfona quebrada, que faz o mesmo som de arrogância na campanha inteira (...). Ontem o que se viu foi um pouco da elite política brasileira, ela foi implacável com Juscelino (Kubitschek), com Getúlio (Vargas), com Jango."
Escrito por Josias de Souza às 17h14
Sérgio Lima/Folha Imagem
Lula não gostou do debate. Foi o que se depreendeu dos desabafos que fez durante a viagem de volta de São Paulo para Brasília. O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, um dos que acompanharam o presidente no vôo, disse Lula ficou surpreso com o novo timbre de Alckmin.
Segundo relato de Wagner, Lula afirmou: "Já entendi. A única coisa que eles querem é isso [discutir as denúncias envolvendo o PT e o governo]. Vou me preparar para isso." Curiosamente, o presidente passara os dias que antecederam o debate justamente se “preparando para isso”. Em várias oportunidades, disse que estava ansioso para discutir “ética” com o seu rival.
Lula esperava, porém, que sobrasse algum tempo para o debate programático. "Mais do que surpreso, o presidente pode ter ficado decepcionado porque, mesmo sendo adversário, a gente tem a expectativa de que vai se debater programas”, disse Jaques Wagner. “Nós esperávamos que [Alckmin] pudesse vir com temas mais de políticas administrativas."
O novo governador da Bahia reconheceu ficou nervoso em vários momentos do debate. O que não chega a se constituir, na opinião dele, num problema. O nervosismo demonstraria que o presidente não se converteu numa "máquina de fazer política". Para Wagner, Lula “não pode parar de se emocionar”, não pode “virar uma pedra de gelo.”
O presidente “fica chateado quando companheiros se envolvem em irregularidades, fica indignado com ofensas”, disse ainda Wagner. “Está apanhando há um ano e pouco e essa carga de emoção iria aparecer quando as perguntas fossem feitas."
Escrito por Josias de Souza às 15h24

- Folha: Lula e Alckmin partem para o ataque no primeiro debate
- Estadão: Lula e Alckmin se acusam e perguntas ficam sem resposta
- Globo: Ataques de Alckmin a Lula, e de Lula a FH, marcam debate
- Correio: Lula e Alckmin trocam acusações em debate
- Valor: Inflação em queda favorece aumentos reais de salários
Leia os os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h23
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 07h16
O tête-à-tête deste domingo deu o tom do que será a campanha presidencial no segundo turno. Quando um quer, dois acabam brigando. E Alckmin demonstrou que quer brigar. Foi ao ringue da TV Bandeirante de luvas em punho. Saiu distribuindo “chuchutes”. Venceu a luta por um ponto. O ponto de interrogação.
Como previsto, o debate converteu-se em luta de boxe. Uma luta em que Lula entrou, na maior parte dos cinco rounds, com a cara. Beneficiado pelo sorteio, coube a Alckmin a primeira pergunta. Poderia tê-la usado para fustigar o adversário com jabs de esquerda. Mas não perdeu tempo com golpes preparatórios.
Alckmin desferiu logo um direto de direita no calcanhar-de-aquiles de Lula. “De onde veio o dinheiro sujo, R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, para comprar dossiê fajuto”? No contragolpe, Lula tentou respirar: “Quero saber quem arquitetou esse plano maquiavélico, quero saber qual é o conteúdo do dossiê, de onde vem o dinheiro. O único ganhador nesse trambique foi a candidatura do meu adversário (...)”.
Na réplica, porém, Alckmin empurrou o adversário para o córner: “Olha nos olhos do povo brasileiro e responda: de onde veio o dinheiro”? Lula não tinha resposta: “Não sou policial, sou presidente da Republica. O governador ainda tem saudade do tempo da tortura (...).” E Alckmin, algumas perguntas depois: “A questão do dinheiro, não precisa fazer tortura para saber de onde veio o dinheiro. É só perguntar para o PT (...). É só chamar os seus amigos de 30 anos e perguntar.”
Essa primeira troca de golpes deu o tom do embate, que girou em torno da ética por duas horas e meia. A grande novidade foi o timbre de Alckmin. De chuchu aguado, o candidato converteu-se em pimenta ardida. Manteve-se no ataque durante todo o tempo.
Lula também desferiu os seus socos. Martelou perversões da era FHC e do governo de Alckmin em São Paulo –as privatizações mal explicadas, a compra de votos da reeleição, o caixa dois de Eduardo Azeredo, a paternidade tucana das sanguessugas e dos vampiros, Barjas Negri, Abel Pereira, as 69 CPIs enterradas. Mas seus ataques vieram sempre na forma de contra-golpes de um lutador acuado.
Embora relevantes, os casos que Lula mencionou, por antigos, não têm a mesma materialidade plástica da montanha de dinheiro (R$ 1,7 milhão) que ninguém sabe de onde veio. Para desassossego de Lula, nos poucos instantes em que se discutiu programa de governo, o presidente não teve nem tempo nem organização mental para expor as coisas boas que julga ter realizado em quatro anos de mandato.
Alckmin subiu ao tablado com uma missão: não deixar o adversário respirar. Para atingir o seu intento, não hesitou em apelar para os golpes baixos, como nos instantes em que trouxe os gastos com os cartões de crédito da presidência e a compra do Aerolula. Chegou mesmo a dizer, se eleito, venderá o avião presidencial para construir cinco hospitais. Como se isso fosse resolver os problemas do país.
Em certos momentos, o boxe resvalou para a briga de rua. Alckmin chamou Lula de mentiroso em três oportunidades. Numa delas, o presidente pediu direito de resposta, negado pelos organizadores do debate. Revidou chamando Alckmin de leviano.
O Lula que foi aos estúdios da Bandeirantes não fez jus ao polemista experimentado dos embates de assembléias sindicais e de disputas presidenciais anteriores. O presidente apanhou nos dois primeiros rounds. Só não foi a nocaute porque recobrou os sentidos nos dois rounds seguintes.
Embora não tenha tido desempenho capaz de anular a vantagem do rival, Lula voltou à luta. Recuperou até a capacidade de produzir ironias, como no instante em que aconselhou o candidato a retomar o figurino leguminoso: “Sem essa coisa de ficar bravo. Não faz o seu gênero. Eu te conheço e sei que não faz o seu gênero”. Ou quando chamou o vice de Alckmin, José Jorge, de rei do apagão. No quinto e último round mantiveram-se as posições.
Analisando-se o conjunto da refrega, o desempenho de Lula foi inegavelmente inferior ao de Alckmin. A pergunta é: isso muda o cenário eleitoral? Debates, por maior audiência que possam ter (o de hoje teve audiência média de 14,2 pontos), não têm o condão de virar o jogo de uma eleição. É a repercussão do confronto e os seus desdobramentos no noticiário e na campanha, que podem influir no resultado da peleja.
Dificilmente o eleitores de Lula e de Alckmin mudarão de opinião a essa altura do campeonato. Está em jogo principalmente a conquista dos indecisos. E Lula entrou na briga com uma enorme interrogação a pesar-lhe sobre os ombros: de onde veio o dinheiro? É esse o ponto de interrogação que deu vantagem a Alckmin no debate deste domingo.
Escrito por Josias de Souza às 23h58

Nesta segunda-feira, a Polícia Federal vai pedir ao STF a prorrogação, por mais 60 dias, da investigação do escândalo das sanguessugas. Dos 87 inquéritos envolvendo parlamentares e ex-parlamentares, 57 ainda não foram totalmente esclarecidos.
Abertos a pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, os inquéritos estão sendo conduzidos por uma força tarefa da Polícia Federal. Em segredo, nove delegados vêm tomando, desde a semana passada, os depoimentos cós dois chefões da máfia das ambulâncias: Darci Vedoin e o filho dele, Luiz Antônio Vedoin.
Os depoimentos ocorrem em Cuiabá. Os Vedoin estão detalhando, uma vez mais, as relaçõe$ que mantiveram com os parlamentares que trocaram emendas ao Orçamento por propinas. Na seqüência, a PF deve pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. Enquanto o novo Congresso, eleito domingo passado, não produz novos escândalos, vai sendo desmoralizado pelos antigos.
Escrito por Josias de Souza às 17h10
Daniel Kfouri/Folha Imagem
Convencido de que será um dos principais alvos de Lula no debate da noite deste domingo, Fernando Henrique Cardoso convocou três de seus ex-ministros para uma reunião com Geraldo Alckmin. Deu-se na última quarta-feira, no comitê de campanha do presidenciável tucano, em São Paulo.
Durante mais de duas horas, Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação), Eliseu Padilha (Transportes) e Raul Jungmann (Reforma Agrário) municiaram Alckmin de dados sobre a gestão FHC. Observado pelo próprio Fernando Henrique, também presente à reunião, Alckmin ouviu e tomou nota. Dois dias depois, recebeu relatórios com um detalhamento dos temas discutidos no encontro.
O receio de FHC é o de que sua gestão acaba por tornar-se um alvo indefeso no debate. Um risco que a reunião com os ex-ministros não chegou a eliminar. Embora tenha anotado as informações que lhe foram repassadas, Alckmin deixou claro no encontro de quarta-feira que não tem a intenção de cair no que chama de “armadilha” de Lula.
O candidato informou que pretende priorizar no debate a defesa da sua gestão como governador de são Paulo, não à administração de FHC. De resto, planeja apontar para o futuro, realçando os seus planos de governo. Se provocado, não se furtará a assumir a defesa do companheiro, mas pretende desqualificar a tática de Lula com o argumento de que é ele e não FHC quem está concorrendo ao Planalto.
Os planos de Alckmin coincidem com a estratégia esboçada pelo jornalista Luiz González, marqueteiro da campanha tucana. González também participou da reunião. Os três ex-ministros puseram-se de acordo com a tese de que se deve priorizar no debate o governo Alckmin e os planos do candidato. FHC também pareceu concordar, embora com menos entusiasmo.
Alckmin submeteu-se neste sábado a uma sabatina promovida por integrantes de sua equipe de marketing. Foi submetido a temas indigestos. Assuntos que, supõe-se, Lula pode abordar durante o debate deste domingo. Entre eles as 69 CPIs sufocadas na Assembléia Legislativa durante a gestão Alckmin e as denúncias envolvendo a Nossa Caixa, banco estatal do governo paulista.
Preparou-se também uma tática para o ataque. O ponto central é a renovação da cobrança em relação ao dossiêgate. Alckmin pretende dizer que, 23 dias depois da prisão de dois emissários do PT com R$ 1,7 milhão, num hotel de São Paulo, o governo Lula e o PT ainda não ofereceram à sociedade respostas sobre a origem e os provedores do dinheiro. Realçará o fato de que a compra do dossiê contra o tucanato foi urdida no comitê de campanha do rival. Pode mencionar ainda o mensalão e a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
Lula também participou, em Brasília, de uma sessão preparatória para o debate. Foi conduzida pelo jornalista João Santana, marqueteiro da campanha reeleitoral. Os dois principais calcanhares-de-aquiles de Alckmin –as CPIs e a Nossa Caixa—de fato compõem o arsenal que o presidente levará para o debate. Mas há muito mais. O alvo principal é, também no campo ético, Fernando Henrique Cardoso. Leia o texto abaixo.
Escrito por Josias de Souza às 02h14
Alan Marques/Folha Imagem
Auxiliado por ministros, integrantes de sua equipe de campanha e políticos do PT, Lula organizou um vistoso paiol de denúncias contra Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso. Vai ao debate com a munição a tiracolo. Não sabe se terá de sacar todas as denúncias. Mas afirma que, se necessário, não hesitará em fazê-lo.
O presidente disse a assessores que, embora esteja pintado para a guerra, será cortês com Alckmin. Diz que sua prioridade no debate é demonstrar que fez em quatro anos muito mais do que FHC foi capaz de realizar em oito. E que está preparado para fazer mais e melhor num eventual segundo mandato.
Lula disse, porém, que não está disposto a “levar desaforo para casa”. Se tentarem arrastá-lo para a arena da corrupção, mostrará que seus adversários “não têm moral para dar lições de ética”. Por isso reuniu um kit baixaria contra os tucanos. Lançará mão da munição à medida sentir necessidade. Abaixo alguns exemplos dos casos colecionados pelo presidente, segundo informação repassada ao blog por um dirigente petista:
- Nossa Caixa: sob Alckmin, o banco estatal favoreceu com verbas publicitárias e patrocínios jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base governista na Assembléia Legislativa. Teriam sido beneficiados os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo "Bispo Gê" Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB). Mais: entre setembro de 2003 e julho de 2005, as agências Full Jazz Comunicação e Propaganda e Colucci Propaganda prestando serviços à Nossa Caixa sem amparo legal. Embora os contratos houvessem expirado, receberam R$ 25 milhões;
- O enterro das CPIs: durante a gestão Alckmin, a base parlamentar do governador operou, sob orientação do Palácio dos Bandeirantes, para engavetar 69 CPIs;
- Compra de votos da reeleição: gravações feitas à época da votação da emenda da reeleição, patrocinada por FHC, revelaram que os então deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, receberam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Outros três deputados acreanos foram acusados de vender os seus votos: Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra. O governo FHC, segundo o petismo, abafou as investigações, impedindo a abertura de uma CPI para apurar o caso.
- Demonstagem da estrutura de combate à corrupção: em 19 de janeiro de 1995, FHC baixou decreto extinguindo a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade. O objetivo da comissão era o combate à corrupção. Em 2001, às voltas com a ameaça de abertura de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União. O órgão, porém, teria agido mais para abafar denúncias do que para apurá-las. Só na gestão Lula, sustenta o governo, a Controladoria passou agir com rigor e desenvoltura. O presidente recebeu dados sobre as operações realizadas no seu governo pela Controladoria e pela Polícia Federal;
- Privatizações: há dois casos no coldre de Lula: a venda das estatais telefônicas e a desestatização da Cia Vale do Rio Doce. O primeiro caso é tratado por Lula e pelo PT como um jogo de cartas marcadas, exposto graças ao grampo do BNDES. Quanto à Vale, pretende-se realçar que a companhia foi vendida por R$ 3,3 bilhões. Um preço vil diante das estimativas do mercado, que avaliaram a empresa em pelo menos R$ 30 bilhões.
É improvável que Lula lance mão de toda a munição que reuniu no debate com Alckmin. O presidente se arriscaria a embrenhar-se numa carnificina que o impediria de discutir os temas programáticos, que, segundo diz, deseja priorizar. Mas o simples fato de ter reunido o arsenal mostra que vai ao confronto com a faca entre os dentes. Um detalhe torna frágil a sua ofensiva: por que não mandou apurar as perversões do antecessor? Há na gaveta do presidente da Câmara, Aldo Rebelo, uma CPI das Privatizações prontinha para ser instalada. Por que não joga a força do seu governo na empreitada?
Escrito por Josias de Souza às 02h13

- Folha: Eleitor que ganha até R$ 700 dá vantagem a Lula
- Estadão: Corrupção deve dominar debate
- Globo: Lula e Alckmin vão para o ataque na guerra da TV
- Correio: Lula e Alckmin: começa o duelo
- Valor: Indústria encerra trimestre com crescimento moderado
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h11
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h07
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