Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Liberdade de imprensa ou liberdade de imprensar?

No domingo, Lula deu a entender que homenagearia a liberdade de imprensa concedendo entrevistas regulares. A boa vontade durou menos de 48 horas. Nesta terça, na contramão do que sinalizara o ‘represidente’, a Polícia Federal pôs em prática uma política de outro tipo: a liberdade de imprensar.

 

O delegado Moysés Eduardo Ferreira intimou repórteres de Veja a prestar depoimentos. Os intimados participaram da apuração que resultou na reportagem sobre a suposta "operação abafa" urdida pelo governo para afastar Freud Godoy, assessor de Lula, do dossiêgate.

 

Em texto levado ao seu sítio na internet, Veja informa: “Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição (leia)”.

A PF também divulgou uma nota em seu portal. Sustenta que “os questionamentos às testemunhas foram feitos normalmente.” Afirma que “em nenhum momento os repórteres, ou sua advogada, manifestaram (...) a contrariedade ou discordância com a condução do depoimento.” E conclui: “A PF aguarda manifestação formal dos jornalistas para tomar as providências apuratórias cabíveis”.

Vai mal a coisa. Durante a campanha, autoridades do governo e lideranças do PT ficaram roucos de tanto acusar a mídia de ter-se associado a uma trama imaginária para golpear Lula. Abertas as urnas, um grupo de militantes petistas armou um sururu contra repórteres na recepção ao ‘represidente’, em Brasília. Agora mais essa.

Só há dois modos de os petistas satisfazerem o seu sonho de conviver com uma imprensa a favor. Um deles é o governo Lula e o PT pararem de produzir malfeitorias e alopragens. O outro é os petistas se mudarem para a Cuba do companheiro-ditador Fidel Castro. No mais, sempre que se julgar caluniado o governo, a autoridade, o partido ou a liderança têm à disposição o Judiciário. Numa democracia, é na Justiça que as dúvidas relacionadas à imprensa são -ou deveriam ser- resolvidas.

Escrito por Josias de Souza às 21h57

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Dom Cláudio Hummes vira ‘ministro’ do papa

  BBC
Dois dias depois da reeleição de Lula, o Vaticano anunciou, nesta terça, a ascensão de Dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, ao posto de prefeito da Congregação para o Clero. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas, assim como Lula teve de reformular-se ideologicamente para ser conduzido e reconduzido ao Planalto, também Hummes, uma batina festejada pela esquerda nos idos de 80, precisou alterar o curso de sua história antes de cair nas graças do Vaticano.

 

As biografias de Lula e de Hummes entrelaçaram-se em São Bernardo do Campo. Sucessor de Jorge Marcos de Oliveira, estimulador da velha JOC (Juventude Operária Cristã), na diocese da cidade que converteu-se em ninho do sindicalismo, Hummes, de cruz em pinho, chegou a participar de manifestações de metalúrgicos. Numa época em que sindicatos eram esmagados por militares, ele cedeu o teto de sua igreja para reuniões de operários.

 

Devagarinho, Hummes foi tomando distância de movimentos como a Teologia da Libertação. Voltou-se para as coisas da Igreja. Tornou-se um crítico da politização da batina. Hoje, não chega a ser um Dom Eugênio Salles, mas está muito próximo disso. Caiu definitivamente nas graças do cardeal Joseph Ratzinger, o papa Bento 16, ao discursar no sínodo dos bispos de outubro do ano passado. Denunciou a grave crise do catolicismo na América Latina e no Brasil.

Bento 16 tomou nota. Agora, confia a Hummes a prefeitura da Congregação. No novo posto, Hummes vai cuidar da formação intelectual permanente do clero e da promoção religiosa dos fiéis. Pode sugerir a beatificações e canonizações. De resto, vai gerir os bens eclesiásticos. Lula torceu para que Hummes virasse papa. Não deu. Mas, com as novas atribuições, o arcebispo não virou pouca coisa.

Escrito por Josias de Souza às 17h44

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Blairo Maggi apresenta a ‘fatura’ do apoio a Lula

  Fernando Donasci/Folha Imagem
O governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), que desafiou a orientação de seu partido para apoiar Lula, prepara-se para apresentar a fatura. Depois de obter o compromisso de Lula de autorizar investimentos em estradas, energia e habitação em solo mato-grossense, Maggi reivindica agora a acomodação de apadrinhados seus em cargos federais.

Maggi não almeja nenhum ministério. Mas pensa grande. Eis alguns dos cargos que ambiciona: uma diretoria da Eletronorte; outra do DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre); a presidência ou uma diretoria da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), além de postos variados na Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Não é só: o governador aguarda ainda para esta terça-feira a celebração de um acordo com Brasília, para a constituição de um seguro de dívidas do setor agrícola. Espera-se a liberação de algo como R$ 4 bilhões ou R$ R$ 5 bilhões. O dinheiro viria do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador).

O governador disse que pretende permanecer no PPS. Segundo ele, o presidente do partido, Roberto Freire (PE), vai ter de rebolar para "achar motivo" que justifique o seu afastamento. "A expulsão, se for esse caminho, vai demorar mais de um ano. Qual o motivo? O PPS não fez discussão de apoio no segundo turno. Fez orientação, deixou em aberto."

Com ou sem motivo, Roberto Freire tem pressa. Em reunião da Executiva nacional do PPS, na manhã desta terça, aprovou-se a abertura do processo de expulsão de Maggi. O governador terá 30 dias para apresentar a sua defesa. Espera-se concluir o processo em 60 dias.

Escrito por Josias de Souza às 15h23

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Sobre extremistas e extraterrestres

Sobre extremistas e extraterrestres

O Observatório de Marte decidiu aumentar o número de incursões que realiza no Brasil. Antes, só de raro em raro o país entrava em pauta. Agora, as rondas devem ser diárias.

 

Embora muitos os considerem seres superiores, os extraterrestres não passam de criaturas confusas. As coisas da Terra costumam causar-lhes enorme assombro.

 

Marte levou um bom tempo, por exemplo, para decifrar o fenômeno Lula. Seus brasilianistas tiveram de quebrar as imensas cabeças infecundas para se dar conta de que estavam diante de um extremista -um político extremamente conservador.

 

Num instante em que a questão parecia pacificada, um auxiliar de Lula saiu-se com uma frase que deixou embatucados os companheiros marcianos. Pronunciada na festa da reeleição, a frase foi registrada numa nota do Painel (assinantes da Folha). Diz o seguinte:

 

- Em órbita: Quando Luiz Dulci proclamou, em discurso na festa petista de domingo, que foi a vitória "de todos os que acalantam o sonho do socialismo", seus próprios correligionários o olharam como se o ministro tivesse acabado de chegar de Marte.

 

O signatário do blog receia que, nos próximos dias, uma esquadrilha de óvnis seja despachada para os céus de Brasília. O Observatório de Marte julga ter descoberto em solo brasileiro uma criatura única: o socialista de direita. Não medirá esforços para dissecar o fenômeno.

Escrito por Josias de Souza às 13h06

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Horário pós-eleitoral gratuito!

 

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Escrito por Josias de Souza às 11h25

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As manchetes desta terça

 

- Folha: Lula reafirma política econômica

 

- Estadão: Lula garante que governo manterá metas de inflação

 

- Globo: Lula desautoriza Tarso e reafirma o rigor fiscal

 

- Correio: Lula: 'Quem troca ministro sou eu'

 

- Valor: Lula já inicia as reuniões com novos governadores

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Choque de realidade!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Texto 'programático' selará apoio do PMDB a Lula

Numa tentativa de atenuar a pecha de fisiológico, que o persegue desde a gestão Sarney (1985-1989), o PMDB pretende envernizar o seu apoio a Lula com um documento de cunho "programático". Antes de aderir ao governo, definindo os cargos que ocupará na máquina pública, o PMDB deseja que o presidente reeleito assuma determinados "compromissos" com a legenda.

 

Os termos do documento ainda não foram fixados. Serão delineados numa costura a ser iniciada nos próximos dias. Deu-se nesta segunda-feira o primeiro alinvavo rumo à abertura do diálogo. O ‘alckmista’ Michel Temer, presidente do PMDB, reuniu-se com o ‘lulista’ Sérgio Cabral, governador eleito do Rio de Janeiro.

 

Nesta terça, Cabral, um dos sete governadores eleitos sob a bandeira do PMDB, estará com Lula, em Brasília. Leva uma pauta de temas de interesse do Rio de Janeiro. Leva também uma impressão recolhida na conversa com Temer: a ala oposicionista do PMDB está pronta para negociar os termos da “coalizão” proposta pelo presidente da República. Basta que Lula faça o convite. E ele será feito. A intenção de Lula é transformar o PMDB, dono da maior bancada no Congresso, no principal esteio do consórcio governista.

 

Além de Cabral, Lula dispõe de outro neo-aliado em condições de desobstruir os dutos de comunicação com a ala liderada por Temer. Trata-se do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Íntimo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do próprio Temer, Geddel integrava o grupo de peemedebistas que os petistas apelidaram de “viúvas de FHC”.

 

Nas eleições deste ano, porém, Geddel aliou-se na Bahia à caravana vitoriosa do governador eleito Jaques Wagner (PT). Agora, maneja linha e agulha em favor de Lula. Reuniu-se duas vezes com o presidente. E dá a receita para a costura do acordo com o PMDB não-lulista: “O presidente Lula deve perceber que o contato com o PMDB precisa ser institucional. Não pode ser baseado apenas em canais preferenciais”.

 

Onde se lê “canais preferenciais”, leia-se Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP). O presidente do Senado e o ex-presidente da República foram, até aqui, interlocutores exclusivos de Lula nos seus contatos com o PMDB. O exclusivismo ajudou a empurrar o grupo de Temer para a oposição. Agora, embora Temer tenha se aliado a Alckmin, Lula não terá alternativa senão transformá-lo em interlocutor oficial da negociação com o PMDB.

 

O desafio do presidente é incluir Temer e seu grupo sem excluir Renan, Sarney e seus liderados. A obtenção da unidade do partido mais partido do país não é tarefa simples. “Teremos de elaborar um documento, uma plataforma mínima a ser encampada pelo presidente”, diz Geddel. Temer vai na mesma linha.

 

O presidente do PMDB vai convocar, ainda em novembro, um encontro das principais lideranças do PMDB para discutir os termos da tal "plataforma mínima". Acha que o apoio a Lula só fará sentido se o partido conseguir uma unidade em torno desse documento. “O PMDB só tem importância como fator de estabilidade do governo no Legislativo se tivermos a capacidade de construir a unidade”, ecoa Geddel.

 

O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e o governador Jaques Wagner, hoje dois dos principais conselheiros políticos de Lula, também acham que a almejada unidade peemedebista passa por um "diálogo institucional". Algo que só será possível com o envolvimento de Temer, presidente do PMDB pelo menos até março, quando o partido reunirá o seu diretório para a escolha de novos dirigentes.

 

Com ou sem "plataforma mínima", o PMDB se encaminha para o colo de Lula. Em privado, o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), ex-ministro dos Transportes de FHC e também aliado de Alckmin na eleição presidencial, admitia antes mesmo da abertura das urnas: "Quem ganhar a presidência da República leva o PMDB". Padilha sabe o que diz. Ex-operador de FHC nas votações do Congresso, ele conhece como poucos as engrenagens do seu partido.

 

Um raciocínio desenvolvido por Geddel Vieira Lima ajuda a entender a inevitabilidade do acerto do PMDB com Lula: "O partido não tem um nome nacional que projete a perspectiva de poder real", diz o deputado. "Nesse cenário, terminam prevalecendo os legítimos interesses dos governadortes eleitos, que querem ter uma boa relação com o poder central". Dos sete governadores eleitos pelo PMDB, cinco são apoiadores explícitos de Lula. O problema agora é transformar esse apoio personalizado em votos no Congresso. Daí a costura de um documento capaz de dar aos entendimentos a pretendida fachada institucional. 

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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Dirceu volta à cena para negar ‘refundação’ do PT

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

José Dirceu protagonizou no domingo um episódio triste. A caminho da urna, numa universidade paulistana, viu arremessaram-se em sua direção dois pastéis. Por sorte, as iguarias não atingiram o alvo. Amargou um coro de vaias de 15 minutos, entrecortado por gritos de “ladrão” e “bandido.”

 

Pois menos de 24 horas depois, Dirceu voltou à boca do palco. Em entrevista ao programa Opinião Nacional, da TV Cultura, o ex-chefão da Casa Civil atirou, ele próprio, pastéis retóricos no colega de partido Tarso Genro. Na semana passada, em entrevista ao diário espanhol El Pais, o ministro de Relações Institucionais dissera que a “operação limpeza” do PT já havia começado. E voltou a falar em “refundação” da legenda.

 

Dirceu foi ao contra-ataque. "Eu não acredito que o ministro Tarso Genro tenha legitimidade e representatividade para propor isso [refundação]. Eu não vejo apoio no PT para isso." Na opinião de Dirceu, refundar o PT significaria negar a história do partido. Bobagem. Busca-se, em verdade, não a negação, mas a restauração do histórico da legenda, maculado por escândalos recentes.

 

O ex-ministro admite, no máximo, “que o PT faça um balanço, um ajuste de contas com a sua história, faça uma autocrítica e se renove”. Avalia que o partido  "não ficou parado" diante das malfeitorias em que se viu enredado. Menciona o fato de o partido ter convocado eleições internas e trocado sua direção nacional.

 

É verdade. Mas exceto por Delúbio Soares, expulso, e por Silvinho Pereira, que pediu afastamento, nenhum congressista pilhado nos guichês do valerioduto foi punido pela legenda. Bem ao contrário. Os mensaleiros foram às urnas sob o guarda-chuva do PT. E sobreveio o dossiêgate. A propósito da nova encrenca, Dirceu reconhece que é preciso antecipar o encontro nacional que o PT programara para setembro de 2007.

 

Para quê? Segundo Dirceu, apenas para fazer um balanço das ações do partido desde a último encontro nacional, para analisar o resultado das eleições e para promover uma "discussão sobre a relação do PT com o Estado, com o governo". Nada de eleger, de novo, outra direção nacional. Nada de retomar o debate sobre o caso dos mensaleiros, eternamente adiado.

A manifestação de Dirceu mostra que a tarefa de remodelar o PT, ressuscitada nesta segunda pelo próprio Lula, em entrevista televisiva, é coisa mais complexa do que se imagina. Antes, será necessário aferir quantos soldados ainda integram as divisões do general Dirceu. Enquanto a batalha não começa, rememore-se, por oportuno, o estrago promovido por Dirceu em suas incursões mais recentes.

 

Comece-se por janeiro de 2003. De saída, Dirceu firmou-se como o todo-poderoso do primeiro governo Lula. Seu desempenho não deu para a saída. Criou em torno de si um sem-número de grupos de trabalho. A encrenca saiu pior do que a encomenda. Toda a Esplanada teve de acorrer à Casa Civil, num entra-e-sai de ministros que amarrou a gestão pública.

 

Súbito, Roberto Jefferson saiu-se com a história do mensalão. Lançou-lhe um repto: “Sai daí rápido, Zé. Ou você vai transformar em vítima um homem inocente”. Ficou num beco sem saída. Saiu às pressas do Planalto. Não saiu de fininho. Saiu atirando. Disse que desceria à planície para guerrear.

 

As investigações saíram do limbo. Descobriu-se que Delúbios e assemelhados não saíam do gabinete palaciano de Dirceu. Vestido de deputado, o ex-ministro tentou sair pela tangente. Apresentou-se como vítima de perseguição política. O discurso não teve saída no Congresso. Dirceu apelou para saídas jurídicas. Interpôs no STF um recurso atrás do outro. Ganhou tempo. Mas não desmontou a guilhotina. Seu mandato foi passado na lâmina.

 

Restou a Dirceu uma única saída: a porta para o amargo ostracismo da inelegibilidade de oito longos e arrastados anos. Mas Dirceu não se conforma. Incansável, está sempre buscando novas saídas.

 

PS.: depois de investir contra Tarso Genro, Dirceu divulgou em seu blog uma nota na qual diz ter cometido “um erro”. Anota que o colega de partido tem, sim, “legitimidade” e “representatividade” para propor a “refundação” do PT. O que Genro não tem, repete Dirceu, é a “maioria” partidária necessária à consolidação da tese.

Escrito por Josias de Souza às 23h36

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Lula ‘enquadra’ Tarso e nega ‘fim da era Palocci’

Ricardo Stuckert/PR
 

Conforme já noticiado aqui no blog, Lula não gostou da declaração feita no domingo pelo ministro Tarso Genro. “Acabou a era Palocci”, dissera o ministro das Relações Institucionais. Na noite desta segunda, depois de um dia de homenagens que incluiu uma recepção calorosa organizada pelos funcionários do Planalto, Lula deu uma série de entrevistas a emissoras de TV. E sentiu a necessidade de dizer o óbvio: cabe a ele definir os rumos da política econômica.

Lula se referiu à frase de Genro como uma “produção independente.” Acrescentou: “Não teve era Palocci, como não tem era Guido Mantega (...). A política econômica do nosso governo era determinada pelo governo e, sobretudo, por mim." O presidente sinalizou que os pressupostos da gestão econômica serão mantidos. Só que “com uma atenuante: vamos priorizar o desenvolvimento."

Lula falou à Record, à Bandeirantes, ao SBT e á Globo. Numa das entrevistas, fez algo que irá repetir muitas vezes até o final do ano: condenou o diz-que-diz em torno da formação do novo ministério. Deu, porém, declarações dúbias sobre a permanência de Guido Mantega na Fazenda.

A uma emissora, Lula disse: “Eu não tenho pressa, eu tenho até o dia 1º de janeiro para indicar o novo ministério e o Guido Mantega fica no ministério, a política econômica se mantém."

Depois, falando a outra rede de TV, serviu-se uma vez mais do óbvio: "Sou eu quem digo quem é que vai ser ministro e quem não vai ser ministro. O que eu posso dizer é que o Guido é meu ministro da Fazenda até quando eu quiser, e quando eu não quiser não será (...)”.

Confirmando notícia veiculada aqui no blog o domingo, Lula informou que vai convidar os 27 governadores para uma reunião no Planalto. “Eu pretendo, na próxima semana, chamar os governadores para um almoço, para conversar um pouco. [Vou chamar] todos, porque eu não faço distinção. Alguns são meus aliados, outros são do meu partido e outros são governadores que têm a mesma responsabilidade de todos."

Numa das entrevistas, Lula foi inquirido sobre a necessidade de reformulação do PT. Concordou que seu partido precisa mudar: "A direção do PT está convencida de que precisa mudar (...). A direção do partido precisa refletir essa grandeza do PT, por isso é preciso ter um encontro extraordinário, (para) mudar a direção, (para) ser mais representativa e (para) envolver quem tem peso político."

PS.: Alheio ao debate em torno do fim, da manutenção ou até do reinício de sua era, o ex-todo poderoso ministro da Fazenda, agora deputado federal eleito, parece ter coisa mais urgente com que se preocupar. Nesta segunda, o Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a prisão preventiva de Antonio Palocci.

Escrito por Josias de Souza às 22h00

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'Convidado', Serra ameaça não comparecer à CPI

  Edson Silva/Folha Imagem
O governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), está em pé de guerra com a CPI das Sanguessugas. Em reserva, ameaça não atender a um “convite” da comissão para prestar esclarecimentos no próximo dia 7 de novembro.

 

O “convite” chegou a Serra pelo Correio. Foi assinado pelo presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia. Serra recebeu o documento com um pé atrás. Acha que, ao marcar a data sem nenhum tipo de combinação prévia, Biscaia transformou “convite” em “convocação”.

 

Além de Serra, ex-ministro da Saúde na gestão FHC, a CPI “convidou” outros três ex-titulares da pasta. Um deles, Barjas Negri (PSDB), também serviu ao governo FHC. Outros dois, Humberto Costa (PT) e Saraiva Felipe (PMDB), foram nomeados sob Lula.

 

Biscaia adotou um critério cronológico para definir a ordem de comparecimento dos ex-ministros à CPI. Assim, Serra seria o primeiro e Barjas Negri, no mesmo dia 7 de novembro, o segundo. No dia seguinte, seriam ouvidos Humberto Costa e Saraiva Felipe.

 

Serra rebelou-se contra o critério. Afirma que não há nada que o comprometa nas investigações em torno da chamada máfia das ambulâncias. Julga que sua situação é diferente da dos demais ex-ministros.

 

Para Serra, seu nome nem deveria ter sido incluído no rol dos “convidados”. Muito menos no topo da lista. A rigor, o que a CPI tem contra Serra é um vídeo com cenas de uma solenidade de entrega de 40 ambulâncias na cidade de Cuiabá (MT).

 

Estavam presentes à cerimônia parlamentares que hoje respondem à acuação de trocar propinas por verbas orçamentárias para a compra superfaturada de ambulâncias. Aparecem também no vídeo Darci e Luiz Vedoin, sócios da Planam e chefões d máfia das ambulâncias.

 

Serra argumenta que, na época em que entregou as ambulâncias, 2001, não havia a menor suspeita de existência do comércio de ambulâncias superfaturadas. Afirma também que, na sua gestão, as liberações orçamentárias seguiam uma ordem cronológica que não estava sujeita às pressões políticas. Não admite ser comparado aos outros ex-ministros.

 

A encrenca envolvendo Serra pode se transformar no primeiro teste do tipo de relação que o governo Lula deseja estabelecer com o tucanato. Lula tem reiterado que, no segundo mandato, deseja estreitar relações com Serra e com Aécio Neves, governador reeleito de Minas.

 

Se Serra mantiver a disposição de não atender ao convite de Biscaia, não restará à CPI senão votar a convocação do governador. Majoritária na comissão, a bancada governista pode impor a Serra o comparecimento. Também pode aliviar a barra do tucano. O receio de parte da cúpula da comissão é o de que seja costurado nos bastidores um grande acordo que acabe por beneficiar todos os ex-ministros, os de FHC e também os de Lula.

 

Nesta terça, a CPI deseja ouvir três dos “aloprados” que tentaram comprar da família Vedoin um dossiê contra Serra. São eles: Gedimar Passos, Valdebran Padilha e Jorge Lorenzetti. Dois deles, Gedimar e Lorenzetti, recorrerem ao STF para que lhes fosse assegurado o direito de calar durante a inquirição. O Supremo negou o pedido na tarde desta segunda.

Escrito por Josias de Souza às 18h57

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Lula inicia política de aproximação com a imprensa

Numa entrevista que concedeu em 1980, o sindicalista Lula disse: “Cheguei aonde cheguei graças à imprensa.” Ao entrevistá-lo para compor o extraordinário “Lula, um filho do Brasil”, biografia lançada em dezembro de 2002, a jornalista Denise Paraná pediu-lhe que discorresse acerca do papel da imprensa em sua carreira sindical e política.

 

E Lula: “A imprensa me ajudou muito até esse período, até 1980, porque a imprensa via no Lula um certo instrumento até para um objetivo que não era apenas nosso: era da classe empresarial brasileira, que também queria as liberdades democráticas. Teve manifestações de vários empresários [pela democracia], teve manifestações de vários intelectuais. Então, naquele tempo, eu era ‘apolítico’. Tudo o que um jornal conservador gosta é de um dirigente apolítico.”

 

“Foi um período em que a gente teve muito espaço na mídia, muito espaço”, disse Lula, em outro trecho do depoimento a Denise Paraná. “Só que você não tinha na Globo, por exemplo. Na Globo o espaço era muito pouco. Na televisão o espaço sempre foi muito pouco.”

 

Ao assumir a presidência da República, em janeiro de 2003, Lula passou a dar de ombros para a imprensa. Achou que não devia nada a ninguém. Muito menos explicações. Preferiu dirigir-se ao distinto público ora por meio de discursos ora valendo-se da publicidade oficial. O fosso entre Lula e a mídia alargou-se e aprofundou-se depois que os meios de comunicação passaram a divulgar os escândalos que permearam a gestão do presidente “Não Sabia Nadinha da Silva.”

 

Nesta segunda-feira, dia seguinte à reeleição triunfal, Lula inicia um movimento de reaproximação com a mídia. Não o faz por gosto, mas por necessidade. O primeiro aceno é justamente para a Globo. Aquela em que “o espaço era muito pouco” nos idos de 80. Lula vai falar à Vênus Platinada. Para não melindrar a concorrência, falará também ao SBT, à Record e à Bandeirantes.

 

Nesta terça, o presidente pretende dirigir-se diretamente à nação, sem a intermediação de jornalistas. Convocará uma rede nacional de rádio e TV. Deve conceder também uma entrevista coletiva a toda a imprensa, no Planalto. Os novos tempos foram anunciados pelo próprio Lula na noite de domingo. “Vocês agora vão enjoar de tanta entrevista”, disse um risonho Lula, ao grupo de jornalistas que foi ouvir a primeira manifestação do presidente reeleito.

Se mantiver a promessa de conceder entrevistas periódicas, Lula prestará um serviço a si mesmo e à democracia. Um presidente que reclama da imprensa é como um capitão de navio que amaldiçoa o mar. Antes de acusar de golpistas os veículos que cumprem a obrigação de noticiar as tormentas, o governo deveria manejar a bússola para desviar-se dos cursos que conduzem às malfeitorias.

PS.: Nesta segunda, militantes petistas, envenenados pelo discurso da cúpula partidária, armou um sururu com os jornalistas que aguardavam a chegada de Lula em Brasília.  

Escrito por Josias de Souza às 17h09

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Lula não vai mexer na meta de superávit de 4,25%

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

A despeito da pregação desenvolvimentista entoada pelos ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil), Lula quer preservar no início de seu segundo mandato um dos pilares da chamada era Palocci: a meta de superávit primário de 4,25% do PIB.

 

O superávit primário é a economia que o governo precisa fazer para financiar a rolagem da dívida pública. Enquanto esteve no Ministério da Fazenda, Palocci travou com os “desenvolvimentistas” do Planalto uma queda-de-braço pela preservação da meta de superávit.

 

Dilma Rousseff argumentava que, por conta do conservadorismo excessivo de Palocci, o governo fora privado de investimentos prioritários. Palocci levou a melhor na época. Neste domingo eleitoral, Tarso Genro disse algo que desgostou Lula. O ministro anunciou “o fim da era Palocci.”

 

Lula julga-se devedor de Palocci. Atribui à "habilidade" e "competência" do ex-ministro a preparação do que chama de “bases econômicas sólidas.” É graças ao trabalho de Palocci, diz ele, que o Brasil está em condições de “dar um salto de desenvolvimento nos próximos quatro anos”.  

 

Em privado, Lula disse que o comentário de Tarso Genro, além de não ter feito justiça a Palocci, passou a falsa idéia de que o governo vai afrouxar as políticas fiscal e monetária no segundo mandato. O presidente concorda com o mérito da pregação do ministro –uma mistura de juro baixo, PIB alto e distribuição de renda—, mas discorda da forma como a nova fase foi traduzida pelo auxiliar.

 

Segundo o raciocínio de Lula, não fosse pelo escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, Palocci ainda estaria na pasta da Fazenda. E não hesitaria em avalizar o selo desenvolvimentista que deseja grudar em seu segundo mandato. Tudo será feito, segundo as palavras de Lula, “com responsabilidade”, sem pôr em risco as “conquistas” do período Palocci. Daí ter afirmado em seu primeiro pronunciamento público depois da eleição que vai manter uma "política fiscal dura".

 

Na visão do Planalto, compartilhada por Lula, Tarso e Dilma, há espaço para uma queda mais acentuada dos juros ainda em 2006. Espera-se que até dezembro a taxa de juros nominais, hoje em 13,75%, caia para um patamar abaixo de dois dígitos. O ministro Guido Mantega (Fazenda) fala em 9%. Baixando os juros, além de vitaminar os investimentos privados, o governo reduz a pressão que as taxas exercem sobre o crescimento da dívida pública.

 

Trabalha-se com a meta de reduzir a relação dívida/PIB, hoje da ordem de 50%, para patamares próximos a 40% até o fim do novo mandato de Lula. O que proporcionaria ao governo uma economia estimada em R$ 180 bilhões na rolagem de sua dívida. Dinheiro que seria usado para bancar novos investimentos.

Escrito por Josias de Souza às 13h44

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As manchetes desta segunda

 

- Folha: Lula é reeleito, promete crescimento e pede união

 

- Estadão: Lula promete abrir segundo mandato com reforma política

 

- Globo: Reeleito Lula, governo fala agora no 'fim da era Palocci'

 

- Correio: A esperança renovada por 58 milhões de votos

 

- Valor: Lula conquista segundo mandato

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h47

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Deixa o homem trabalhar!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Lula tem o apoio de 16 dos 27 governadores eleitos

Além da vitória na esfera nacional, Lula festeja também o triunfo nos Estados: considerando-se os resultados do primeiro e do segundo turno, o presidente reeleito contabiliza o apoio de 16 dos 27 governadores eleitos em 2006. Nada mal para quem tomou posse em 2003 com o suporte de escassos três governadores. O Planalto enxerga a aliança com os executivos estaduais como fator decisivo nas votações no Congresso.

O partido que mais elegeu governadores foi o PMDB. A legenda esperava conquistar dez Estados. Mas acabou repetindo o desempenho de 2002, conquistando sete administrações estaduais. Excetuando-se Luiz Henrique (Santa Catarina) e André Pucinelli (Mato Grosso do Sul), os outros cinco governadores peemedebistas apóiam Lula. São eles: Roberto Requião (Paraná), Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), Paulo Hartung (Espírito Santo), Marcelo Miranda (Tocantins) e Eduardo Braga (Amazonas).

O apoio da maioria dos governadores peemedebistas facilitará a articulação de Lula para atrair o partido para o governo de “coalizão” que pretende constituir no segundo mandato. Um feito importante, já que o PMDB elegeu também a maior bancada no Congresso Nacional.

Embora derrotado na disputa presidencial, o PSDB conseguiu eleger seis governadores, um a menos do que elegera em 2002. Triunfaram nas urnas os tucanos Yeda Crusius (Rio Grande do Sul), José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas Gerais), Teotônio Vilela (Alagoas), Otomar Pinto (Roraima) e Cássio Cunha Lima Paraíba).

Para gáudio de Lula, o PT foi a terceira legenda mais bem sucedida nas eleições estaduais. A despeito ter tido sua imagem tisnada pelos escândalos da primeira gestão de Lula, o PT elegeu cinco governadores, um recorde na história da legenda. Em 2002, o petismo conquistara apenas três Estados. Os petistas que obtiveram sucesso nas urnas estaduais são: Jaques Wagner (Bahia), Wellington Dias (Piauí), Marcelo Deda (Sergipe), Binho Marques (Acre) e Ana Júlia (Pará).

O PSB, outro partido aliado de Lula, saiu vitorioso em três Estados. Elegeu Cid Gomes (Ceará), Wilma de Faria (Rio Grande do Norte) e, em virada surpreendente, Eduardo Campos (Pernambuco). Lula atraiu para o seu lado também o governador eleito de Mato Grosso, Blairo Maggi. Filiado ao oposicionista PPS, Maggi contrariou a orientação da direção do seu partido. O PPS elegeu um segundo governador, Ivo Cassol (Rondônia).

O PFL emerge das urnas como o principal derrotado nas eleições estaduais de 2006. Em 2002, os pefelistas haviam conquistado quatro Estados. Agora, elegeu apenas Roberto Arruda (Distrito Federal). As duas derrotas mais vistosas do PFL ocorreram na Bahia e no Maranhão. O petista Jaques Wagner interrompeu uma hegemonia de 16 anos que o grupo de Antonio Carlos Magalhães exercia em solo baiano. No Maranhão a pefelista Roseana Sarney padeceu uma inesperada derrota para Jackson Lago (PDT).

Embora filiada ao PFL, Roseana foi às urnas com o apoio de Lula. Sua derrota, porém, não é extensiva ao presidente. O eleito Jackson Lago também apóia Lula. O mesmo ocorre com o segundo governador eleito pelo PDT, Waldez Góes (no Amapá).

Completa a lista de governadores eleitos Alcides Rodrigues (PP). Triunfou com o auxílio do ex-governador tucano Marconi Perillo, eleito para o Senado. Dez das 27 disputas estaduais foram definidas neste domingo, junto com a eleição presidencial. Pressione aqui para conferir os resultados finais.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Oposição a Lula prepara ação em bloco no Congresso

Niemeyer
 

Os partidos que se reuniram em torno da candidatura de Geraldo Alckmin planejam atuar em bloco na oposição a Lula durante o seu segundo mandato. Será, nas palavras do líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), “uma oposição três vezes mais severa do que foi no primeiro governo.”

Segundo o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, a oposição não vai se recusar a votar no Legislativo os projetos que interessem ao país. Mas também “não vai fechar os olhos para a roubalheira e a corrupção.” Pretende cobrar o esclarecimento dos casos pendentes de elucidação, sobretudo o dossiêgate. O ponto de vista de Tasso é endossado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem Lula não deve esperar da oposição "complacência com atos criminosos".

 

Agripino Maia prevê para os próximos dias a realização de uma reunião dos líderes dos partidos oposicionistas. Acha que a manutenção da aliança do seu partido com os tucanos é vital: “Se nós, do PFL, permitirmos a mais longínqua atitude de distanciamento do PSDB, seremos presa fácil nas mãos do governo”.

 

Na opinião de Agripino, pefelistas e tucanos precisam “passar uma borracha” nas “mágoas” e “divergências” que floresceram durante a campanha presidencial. As rusgas, diz ele, “têm que estar num plano muito inferior ao plano da sobrevivência”. Acha que “a oposição sobreviverá na medida em que PFL, PSDB, PDT e PPS se entendam com inteireza”.

 

O deputado Raul Jungmannn (PPS-PE) considera plausível que seu partido participe de entendimentos para se associar à frente de oposição a Lula no Congresso. Mas rejeita a idéia de formalizar um bloco, com liderança parlamentar única.

 

A primeira questão a ser discutida pelas legendas oposicionistas é a posição a adotar em relação aos acenos de Lula na direção do diálogo. Neste domingo, depois de confirmada a sua reeleição, o presidente disse que chamará todos os partidos para conversar. “Não haverá veto a ninguém”, afirmou.

 

Para Agripino, o PFL deve ouvir o que Lula tem a dizer: “Não vamos nos privar do diálogo, em determinados momentos, para coisas importantes. Mas com vigilância implacável e atitudes muito duras. E antes de sentar à mesa, nós teremos de conversar com os parceiros de oposição, para traçar uma estratégia unificada. A pré-condição é a unidade da oposição na condução do diálogo”.

 

Ecoando FHC, Tasso vai na mesma linha: “Nós vamos ajudar quando necessário e cobrar quando necessário”. O presidente tucano rejeita a idéia de “conciliação”, defendida pelo ministro petista Tarso Genro (Relações Institucionais). “Não há necessidade dessa conciliação”, diz Jereissati. “Se conciliação significa fechar os olhos para a roubalheira, corrupção, isso não vamos fazer. Continuaremos não aceitando desvios éticos graves que ocorreram neste primeiro mandato.”

 

Agripino, de novo, exibe discurso afinado com o tucanato: “Diria que, no primeiro mandato, nós fizemos um aprendizado de oposição. No segundo governo de Lula, a oposição terá um calor muito mais forte. Até porque existem coisas que ainda estão caminhando: as ações no TSE, o caso do dossiê, a denúncia do Ministério Público no caso do mensalão e a multa de R$ 1 milhão que a Justiça Eleitoral impôs a Lula, que ele vai ter que pagar”.

 

Lula aposta que o bom relacionamento do Planalto com os governadores eleitos dos Estados vai arrefecer os ímpetos de tucanos e pefelistas no Congresso. Espera, por exemplo, estreitar relações com os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). Jeireissati desdenha da estratégia. Afirma que é nula a hipótese de Serra e Aécio divergirem do rumo a ser traçado pelo PSDB. “O PSDB sai fortalecido dessas eleições e já vamos pensar em 2010.”

 

“Serra e Aécio são pessoas lúcidas”, afirma Agripino Maia. “Sabem que não vão ganhar a próxima eleição se compondo com o governo. Vão ganhar exercendo a oposição. Têm que ter canal aberto de negociação com o governo, mas sem abrir mão da linha oposicionista. Quando digo que nós temos que estabelecer um entendimento amplo entre PFL, PSDB, PDT e PPS, incluo na equação o Serra e o Aécio”.

Escrito por Josias de Souza às 00h34

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Lula anuncia rigor fiscal e prevê crescimento de 5%

Robson Ventura/Folha Imagem
 

 

Em sua primeira manifestação pública como presidente reeleito, Lula desceu do palanque ao anunciar uma das premissas de sua plataforma econômica para o segundo mandato: “Manteremos a política fiscal dura”, disse ele. “Aprendi na vida cotidiana que a gente não pode gastar mais do que ganha”.

 

Lula sinalizou, porém, que irá manter os gastos de natureza social. “Tenho a convicção de que a solução dos problemas não é mais fazer o povo sofrer com ajustes pesados. A solução está no crescimento da economia, no crescimento da distribuição de renda. Provamos isso no primeiro mandato”.

 

O presidente disse que sua meta é obter uma taxa de crescimento de pelo menos 5% no primeiro ano do segundo mandato. Otimista, Lula afirmou ter “convicção” de que “o Brasil vai crescer mais e aumentar a distribuição de renda”. Chegou mesmo a dizer que o país “irá atingir um padrão de desenvolvimento que o colocará entre as nações desenvolvidas. Cansamos de ser uma potencia emergente. Queremos crescer”.

Lula só falou depois de ter recebido um telefonema do tucano Geraldo Alckmin, o candidato derrotado. Anunciou que vai convidar todos os partidos de oposição para um diálogo. “Chamarei todo mundo. Não haverá veto a ninguém. Se as pessoas não quiserem, que digam por que não querem conversar. Quero discutir coisas que são importantes não para presidente, mas para o povo brasileiro”.

Segundo o presidente reeleito, o povo o elegeu para “trabalhar, trabalhar e trabalhar”. Declarou-se “confiante como nunca esteve na vida.” Confia inclusive “na compreensão dos partidos que perderam eleições.” Disse que “a eleição acabou”.

 

Ele acrescentou: “Agora não tem mais adversário. O adversário agora são as injustiças sociais, que precisamos combater. Todos temos que nos juntar pra fazer o Brasil crescer, fortalecer mercado de massas, o mercado interno, as exportações. Contra esses argumentos não temos adversários. Não tenho dúvida de que poderemos contar com a compreensão dos que fizeram oposição a nós. Quero conversar com todos. Agora, o problema no Brasil é de todos nós. Tenho a presidência, mas todos os brasileiros têm a obrigação de dar uma contribuição para que Brasil não perca essa oportunidade”.

 

Lula atribuiu a vitória “sobretudo” aos eleitores mais humildes. Pessoas que “foram instadas a ter dúvidas contra o governo e souberam fazer a diferença entre o que era verdade e o que não era”. Disse que “o povo sentiu que a vida dele tinha melhorado”. Sentiu “na mesa, no prato e no bolso a melhoria de sua vida”. Declarou que governará para todos os brasileiros, mas “os pobres terão preferência no nosso governo”.

 

Depois do pronunciamento, Lula dispôs-se a responder a quatro perguntas dos jornalistas, antecipando-se a uma entrevista coletiva que pretende conceder em Brasília. Um repórter lembrou ao presidente que ele admitira no último comício de sua campanha que o governo cometera erros. Pediu que o presidente revelasse os equívocos.

Ao responder, Lula não fez nenhuma menção aos escândalos que infelicitaram o seu primeiro mandato. Limitou a discorrer sobre as agruras que a burocracia estatal impõe a quem está sentado na cadeira de presidente. “Muitas vezes, o presidente decide umas coisas, passam cinco, seis meses e as coisas não aconteceram. De repente, uma decisão passa muito tempo sem funcionar. Isso vai mudar. Decisão tomada na minha mesa não pode ficar mais do que 30 dias sem ser implementada. Se quiserem discutir, que discutam antes”, disse.

Depois de falar aos jornalistas, Lula foi celebrar a vitória na Avenida Paulista, diante de cerca de 4.000 militantes petistas. O triunfo do presidente teve ampla repercussão na imprensa internacional. No geral, o noticiário estrangeiro qualifica a vitória como uma espécie de "renascimento" do presidente. Alckmin lambeu suas feridas numa "festa" montada pelo tucanato. Em discurso, ter feito "o máximo."

Escrito por Josias de Souza às 20h51

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Lula se reelege presidente da República até 2010

Fernando Donasci/Folha Imagem
 

 

O presidente Lula está matematicamente reeleito para mais um mandato de quatro anos à frente da presidência da República. O TSE já apurou 86,78% dos votos da eleição presidencial. Lula obteve, por ora, 60,56% dos votos. Geraldo Alckmin, amealhou por enquanto 39,44%. Não há mais possibilidade de reversão do resultado.

 

Em pesquisa de boca-de-urna, o Ibope estimou que, encerrada a apuração, Lula terá 62% dos votos válidos. Geraldo Alckmin, 38%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, Lula teria entre 60% e 64%. Alckmin, entre 36% e 40%.

 

PS.: Neste exato instante, 19h30, o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, declarou em entrevista coletiva: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está reeleito". Informou que já foram totalizados 90% dos votos válidos. Disse que não há mais possibilidade de reversão do resultado. Mais cedo, depois de votar, Marco Aurélio dissera que tinha optado pelo "candidato vitorioso". Divulgado o resultado, uma repórter perguntou se ele havia votado em Lula. Marco Aurélio limitou-se a dizer o seguinte: "A democracia brasileira está de parabéns". Quanto ao seu voto, disse que "é secreto."  

Escrito por Josias de Souza às 18h09

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Conheça os resultados da pesquisa boca-de-urna

O Ibope divulgou o resultado das pesquisas de boca de urna que realizou em sete dos dez Estados que estão escolhendo os respectivos governadores neste segundo turno. Registrou-se no Maranhão a disputa mais acirrada. A sondagem indica a possibilidade de derrota de Roseana Sarney (PFL) para Jackson Lago (PDT). Conheça os números abaixo:

 

- Maranhão: Segundo o Ibope, Jackson Lago (PDT) obteve 53% dos votos válidos. Roseana Sarney (PFL), amealhou 47%. Brancos, nulos e indecisos somaram 5%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. Lago teria entre 50% e 56% dos votos válidos. Roseana, entre 44% e 50%. Ou seja, a despeito da dianteira do candidato do PDT na boca-de-urna, ainda não se pode dizer que ele será o vitorioso.

 

- Pará: de acordo com a boca-de-urna do Ibope, a petista Ana Júlia é a nova governadora. Ela obteve 54% dos votos, contra 46% atribuídos ao adversário tucano Almir Gabriel. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. Ana Júlia teria entre 52% e 56%. Almir Gabriel, entre 44% e 48%.

 

- Santa Catarina: a prevalecer a pesquisa do Ibope, Luiz Henrique da Silva (PMDB) foi reeleito com 54% dos votos. Seu adversário, Esperidião Amin (PP), obteve 46%. A margem de erro é, de novo, de dois pontos percentuais. Luiz Henrique teria entre 52% e 56%. Esperidião, entre 44% e 48%.

 

- Rio Grande do Sul: de acordo com o Ibope, a candidata tucana Yeda Crusius deve ter uma vitória apertada na disputa que trava com o petista Olívio Dutra. Yeda aparece na pesquisa de boca-de-urna com 53%. Olívio, com 47%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Ou seja, Yeda teria entre 51% e 55%. E Olívio, 45% e 49%.

- Paraná: a sondagem do Ibope aponta vitória de Roberto Requião (PMDB). Ele obteve 53% dos votos válidos. Seu adversário, Osmar Dias (PDT), amealhou 47%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Ou seja, Requião teria entre 51% e 55%. Osmar Dias, entre 45% e 49%.

- Pernambuco: de acordo com o Ibope, Eduardo Campos (PSB) é o novo governador. O instituto atribuiu a ele 64% dos votos válidos. Mendonça Filho (PFL), obteve 36%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Com isso, Campos teria entre 62% e 66%. Mendonça, entre 34% e 38%.

-
Rio de Janeiro: a boca-de-urna do Ibope aponta vitória do candidato Sérgio Cabral (PMDB), com 67% dos votos válidos, contra 33% da rival Denise Frossard (PPS). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou percentuais para mais ou para menos. Cabral teria entre 65% e 69%. Frossard, entre 31% e 35%.

Escrito por Josias de Souza às 16h46

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Cotado para Agricultura, Delfim apenas desconversa

Conforme noticiado aqui no blog, Delfim Netto é o nome mais surpreendente da lista de “ministeriáveis” de Lula. Cotado para a pasta da Agricultura, o ex-ministro da ditadura foi inquirido por repórter neste domingo, depois de votar. Nem confirmou nem desmentiu a hipótese de retornar, sob Lula, à Esplanada dos Ministérios.

Delfim recorreu a uma arma que maneja com maestria: a ironia. “Se eu tivesse um foguete, eu iria para a Lua. Responder sobre eventuais convites é uma coisa absolutamente fora de propósito”, disse. “Não tenho nenhuma informação sobre isso. Ninguém me consultou”.

Os repórteres perguntaram a Delfim o que Lula deveria fazer, num eventual segundo mandato, no setor agrícola. De novo, ele desconversou: "Eu não sei, eu penso que abacaxi dá em árvore".

Depois de cobrir Lula de elogios, Delfim disse que o presidente, se reeleito, deveria manter na economia a política de aperto fiscal. Sua declaração é um contraponto aos comentários do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) que, também neste domingo, disse que doravante o governo será menos conversador na gestão econômica. Chegou a proclamar “o fim da era Palocci.” Ouvido a respeito das declarações de seu colega de partido, Antonio Palocci, não gostou. Disse que nunca houve uma "era Palocci." Alegou que as decisões foram tomadas pelo presidente da República.

Outro “ministeriável” de Lula, o prefeito petista de Belo Horizonte Fernando Pimentel, cotado para a pasta da Fazenda, defendeu o aceleramento da redução das taxas de juros e o estabelecimento de metas de desenvolvimento social. "Para o Brasil crescer com maior rapidez, que é o que a população espera, vamos precisar agir com os instrumentos monetários e fiscais de forma diferente", disse Pimentel.

Escrito por Josias de Souza às 15h54

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Dirceu vota sob gritos de ‘ladrão’ e ‘bandido’

Num domingo em que todas as pesquisas informam que o “companheiro” Lula será consagrado, o ex-chefão da Casa Civil, José Dirceu amargou instantes de constrangimento. Lugar tenente de Lula até meados de 2005, Dirceu votou sob gritos de “ladrão”, “bandido” e “Judas”. Deu-se numa universidade, no bairro paulistano de Moema.

Em meio ao sururu, dois pastéis foram arremessados na direção de Dirceu. Por sorte, as iguarias não chegaram a atingir o alvo. Uma eleitora, mais exaltada, tentou agredir o ex-ministro. Foi contida por correligionários que faziam um cerco protetor em torno de Dirceu. A mesma eleitora postou-se depois à frente do carro que transportava Dirceu. Por pouco não foi atropelada.

As ofensas  a Dirceu, encorpadas por um coro de vaias, atormentaram Dirceu durante os cerca de 15 minutos de permanência do ex-ministro na zona eleitoral. Antes de bater em retirada, o deputado cassado teve um dedo de prosa com os jornalistas. "Normal, natural", disse ele, referindo-se à algaravia.

"O país tem democracia, as pessoas têm liberdade de manifestação. Eu tenho serenidade e tranqüilidade porque tenho apoio e respaldo da militância do meu partido e da sociedade, senão eu não estaria como estou depois de tudo que passei." É, deu pra notar!

Escrito por Josias de Souza às 15h00

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Deitado em rede esplêndida!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 09h12

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As manchetes deste domingo

 

- Folha: Pesquisa indica vitória de Lula para presidente hoje

 

- Estadão: Brasil volta às urnas hoje e deve levar Lula ao 2º mandato

 

- Globo: Lula enfrenta o dilema de fazer a economia crescer

 

- Correio: Nas urnas, o destino da nação

 

- Valor: Eleição nos estados dá força a Lula

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Delfim e Marta são dois dos ministeriáveis de Lula

Confirmado o xeque-mate em Geraldo Alckmin, neste domingo, Lula deseja descansar por três dias. Em seguida, vai começar a montar o xadrez do ministério do segundo mandato. Entre a manhã de sexta e a noite de sábado, o blog ouviu quatro pessoas que privam da intimidade do presidente. Revelaram alguns dos nomes que constam da lista de “ministeriáveis”.

 

Por ora, o nome mais surpreendente da relação é o do ex-ministro da ditadura Delfim Netto (PMDB-SP), cotado para a pasta da Agricultura. A ausência mais vistosa é Aloizio Mercadante (PT-SP). Tisnado pelo dossiêgate, ele cedeu espaço para Marta Suplicy (PT-SP), cogitada para o Ministério das Cidades. Conheça abaixo alguns dos nomes que podem compor o primeiro escalão do segundo governo Lula:

 

- Celso Amorim: deve ser mantido no Itamaraty. Pode se livrar do incômodo contraponto representado por Marco Aurélio Garcia. Despachado da assessoria internacional de Lula para a presidência interina do PT, Garcia pode não retornar ao Planalto. Lula pensa em premiá-lo com uma embaixada no exterior, provavelmente a de Paris;

- Ciro Gomes: eleito deputado pelo PSB do Ceará, Ciro é um dos mais influentes conselheiros de Lula. O presidente quer tê-lo de volta na Esplanada. É improvável que volte à pasta do Desenvolvimento Nacional. Pode virar ministro da Saúde. Em privado, ele diz que não quer voltar à Esplanada. Mas Lula acha que, se pedir, Ciro volta;

- Delfim Netto: aproximou-se de Lula em encontros sigilosos que manteve com ele. Começaram a conversar quando Antonio Palocci ainda era ministro da Fazenda. Foram cerca de dez reuniões. Algumas testemunhadas por Palocci. Outras, pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Derrotado nas eleições para a Câmara, Delfim pode tornar-se ministro da Agricultura. Entraria na cota do PMDB, partido ao qual se filiou depois de deixar o PP;

- Dilma Rousseff: Lula vai mantê-la na Casa Civil. Está satisfeitíssimo com o desempenho dela. Elogia-lhe a fidelidade, a eficiência e a discrição. O presidente a vê como uma espécie de anti-José Dirceu. É mais eficiente e não traz problemas. É e continuará sendo uma das ministras mais poderosas do governo;

- Fernando Pimentel: Lula cogita aproveitar o prefeito petista de Belo Horizonte no ministério da Economia, no lugar de Guido Mantega. Compara-o a Palocci. É jeitoso no trato político. Com uma vantagem: em vez de médico, é economista. A decisão não está tomada. Lula ainda hesita em destronar Mantega. Se decidir afastá-lo, deve entregar-lhe outro posto, não necessariamente de nível ministerial;

- Jorge Viana: Lula vê o ex-governador petista do Acre como bom executivo. Planeja alojá-lo na pasta do Meio Ambiente, hoje gerida por Marina Silva. Mas Viana pode ir para outra pasta;

- Marta Suplicy: a idéia de Lula é entregar à ex-prefeita o Ministério das Cidades, à qual deseja dar mais visibilidade a partir de 2007. Quer tonificar os investimentos em saneamento e habitação;

- Nelson Jobim – Lula queria que o ex-presidente do STF fosse o seu vice. O PMDB não deixou. Agora, pensa em nomeá-lo ministro da Justiça. Márcio Thomaz Bastos disse a Lula que não quer mais ser ministro. O presidente tentou demovê-lo, mas o Bastos parece irredutível;  

- Patrus Ananias: gerente da menina dos olhos de Lula, o Programa Bolsa Família, o petista pode ser preservado na pasta do Desenvolvimento Social;

- Paulo Bernardo: deixou de disputar um mandato de deputado federal pelo PT do Paraná a pedido de Lula. Deve ser mantido no Ministério do Planejamento;

- Sérgio Gabrielli: aliado do governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, o atual presidente da Petrobras é cogitado para duas pastas: Fazenda ou Minas e Energia;

- Tarso Genro: junto com Dilma Rousseff, Genro é hoje um dos mais influentes conselheiros de Lula. Tornou-se seu braço direito na esfera política. É nome certo na nova equipe. Pode ficar onde está (Relações Institucionais) ou ser transferido para o Ministério da Justiça, se a opção Jobim não vingar.

Escrito por Josias de Souza às 23h51

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Lula compara reeleição a uma aprovação escolar

Lula compara reeleição a uma aprovação escolar

Lula fez aniversário de 61 anos na última sexta-feira. Ao cumprimentá-lo, um de seus ministros perguntou qual o presente que o chefe gostaria de ganhar. E o presidente: “Quero um caderno novo”.

O ministro se desconsertou: “Como?” Com um sorriso nos lábios, Lula insinuou que encara o novo mandato como um reinício de ano letivo. Por isso pediu o “caderno novo”. Ele brincou: “Fui aprovado com louvor. Passei de ano. Preciso me esmerar.”

 

É curioso que um presidente que freqüentou os bancos escolares só até a quarta série do primário tenha recorrido a uma metáfora estudantil para qualificar o seu segundo ciclo na carteira de presidente da República. Curioso e alvissareiro.

 

Lula costuma vangloriar-se da própria falta de escolaridade. A pretexto de realçar a origem humilde, já cometeu batatadas –“minha mãe nasceu analfabeta”—que desmerecem a sua inteligência invulgar. Assim, é auspicioso que tenha recorrido à analogia do “caderno novo”.

 

Só quem já foi ou é estudante sabe quão prazeroso é o contato com o primeiro caderno. Cheiro de coisa nova. Primeiro dia aula. Reinício. Levanta-se a capa. Avista-se a primeira página. Vazia, limpa, intocada. A primeira linha aguardando, ansiosa, pela primeira frase.

 

O aluno conversa com os botões do seu uniforme: “Passei de ano. Preciso me esmerar.” A promessa é especialmente relevante para um “aprendiz” como Lula. Seu boletim ainda não foi expedido. Mas a confiar nos resultados de onze em cada dez pesquisas de opinião ele será mesmo aprovado com folgas neste domingo.

 

Porém, se resolver folhear as páginas do caderno velho, Lula talvez conclua que a impressionante montanha de votos que está na bica de receber neste domingo representa um julgamento condescendente. O professor, digo, o eleitor passou batido por algumas páginas sombrias.

 

São folhas que, se pudesse retroceder no tempo, o próprio Lula gostaria de arrancar. Contêm uma caligrafia desordenada, borrões constrangedores. Há inúmeros desenhos rabiscados fora da margem. São retratos calados de amigos indignos... Definitivamente, são páginas incompatíveis com o histórico exemplar de que Lula se julga portador.

 

O presidente pretende inaugurar o caderno novo antes mesmo do reinício do ano letivo. Anuncia a intenção de se debruçar sobre a primeira página já nos dias seguintes à eleição. O juramento solene de esmero será, então, submetido ao teste da primeira linha. 

 

Nela serão esboçados os contornos do governo de “coalizão” que Lula almeja constituir. O presidente deitará sobre a página inaugural a sopa de letras das legendas que irão ao ministério. Reservará, segundo diz, um lugar de destaque para o PMDB. Decerto anotará os nomes dos interlocutores aos quais terá de recorrer para se entender com o partido.

 

Lula vai escrever: José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho... Antes de chegar à segunda página, o presidente já terá percebido que o sonho do caderno impecável não é coisa fácil de realizar. Torça-se para que, ao final do segundo mandato, haja pelo menos um número menor de páginas a esconder.  

Escrito por Josias de Souza às 20h41

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Segundo Datafolha e Ibope Lula será reeleito

Os dois principais institutos de pesquisa do país prevêem que Lula será reeleito presidente neste domingo. Considerando-se apenas os votos válidos, Ibope e Datafolha cravaram um resultado idêntico: Lula tem 61% das intenções de voto. Alckmin tem 39%. A diferença é de 22 pontos, informou há pouco o Jornal Nacional (assista aqui e aqui).

A margem de erro das duas pesquisas é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os pesquisadores dos institutos foram às ruas neste sábado. O Datafolha ouviu 12.561 eleitores em 356 municípios. O Ibope entrevistou 8.680 pessoas em 465 municípios.

Foram divulgadas também os resultados das últimas pesquisas realizadas nos dez Estados que irão às urnas neste domingo para escolher o governador: Goiás, Pará, Paraíba, Pernambuco, Maranhão, Rio grande do NorteRio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina (pressione aqui para ver o que foi ao ar no JN).

Escrito por Josias de Souza às 20h37

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Grupo de Alckmin quer vê-lo na presidência do PSDB

  Sérgio Lima/FI.
eraldo Alckmin recusa-se a jogar a toalha. Admite que está em “desvantagem”. É o que indicam também as pesquisas internas de seu comitê. Mas, em público e em privado, o candidato tucano só fala em “virada”.

 

Integrantes do grupo de Alckmin, mais realistas, começaram a discutir internamente o futuro político do candidato. Avaliam que, confirmada a derrota nas urnas deste domingo, o caminho natural de Alckmin será disputar a presidência do PSDB.

 

Não serão poucos os obstáculos. O primeiro deles, avaliam os amigos de Alckmin, será a costura de um armistício com os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). Candidatos não declarados à sucessão presidencial de 2010, os dois não têm interesse em facilitar a vida de Alckmin.

 

Há uma outra barreira a ser transposta. Nos bastidores, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso insinua interesse em ocupar, ele próprio, a presidência do PSDB. Ele tem manifestado a disposição de reorganizar o partido, reformando-lhe a plataforma programática e aproximando-o de sindicatos e movimentos sociais.   

 

O blog ouviu dois amigos do presidenciável tucano. Acham que, para pacificar Serra e Aécio, Alckmin terá de assumir o compromisso de não postular a vaga de candidato do partido ao Planalto na próxima eleição. Quanto a Fernando Henrique, Alckmin teria de convencê-lo de que, uma vez acomodado na presidência do PSDB, se serviria das idéias do ex-presidente na condução da legenda.

 

Antes de pensar no futuro político, Alckmin tem problemas mais urgentes a resolver. Se as urnas confirmarem as pesquisas, ele ficará sem contra-cheque. Como se fosse pouco, sua mulher, Lu Alckmin, não trabalha. Ou seja, a prioridade do candidato tucano a partir de segunda-feira será arrumar um emprego.

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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Atrás de apoio, Lula quer reunião com governadores

Lula Marques/Folha Imagem
 

Na iminência de ser reeleito neste domingo, Lula comunicou aos auxiliares mais próximos que deseja promover em Brasília, em meados de novembro, uma reunião com todos os governadores que tomarão posse junto com ele no próximo ano, inclusive os de oposição. Deseja discutir com o estabelecimento de uma pauta de temas de interesse comum.

Confirmada a sua vitória, Lula planeja um contato com jornalistas ainda para a noite deste domingo. Segundo confidenciou a um de seus ministros, deve abandonar o tom belicoso da campanha. Pregará a conciliação nacional, num esforço para esvaziar a pregação do "terceiro turno".

 

Além dos governadores, Lula deseja encontrar-se antes do final do ano com lideranças da oposição. Não tem clareza quanto à melhor data para a formalização do convite. Acha que será necessário observar nos próximos dias o pronunciamento dos atores que estiveram do lado oposto na peleja eleitoral.

 

O presidente confidenciou a um assessor que, por ele, incluiria até o rival Geraldo Alckmin na lista de interlocutores com os quais deseja estreitar relações. Acha que, respeitadas as diferenças, é possível negociar com o tucanato a votação de projetos que, segundo diz, “são de interesse nacional”. Não exclui nem mesmo a hipótese de estender o convite ao ex-presidente Fernando Henrique Cardso.

 

Se for reeleito, entre os temas que o presidente vai levar à mesa nos encontros com líderes da oposição e governadores eleitos estão: reforma política, reforma tributária, alterações nas regras de tramitação e execução do Orçamento da União e renegociação de dívidas estaduais.

 

Neste domingo, Lula telefonará para todos os governadores que, como ele, serão eleitos no segundo turno. Já nesse primeiro contato manifestará a intenção de “trabalhar junto” com eles nos próximos quatro anos. O presidente revelou o desejo de conversar pelo telefone também com Geraldo Alckmin. Se o adversário não ligar, ele tomará a iniciativa.

 

Para justificar o interesse na construção de pontes com os governadores eleitos, Lula diz que, legitimados pelas urnas, eles exercerão forte influência sobre as bancadas de seus Estados no Congresso. Informa que vai propor aos executivos estaduais a abertura de uma via de mão dupla. Dispõe-se a atender pleitos dos Estados. Em troca, quer a boa vontade dos governadores no encaminhamento dos projetos que o Planalto já enviou e ainda vai enviar para o Legislativo.

 

Entre todos os governadores, dois são especialmente caros a Lula: os tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). Estenderá para ambos um tapete vermelho à frente do Palácio do Planalto. Para Lula, Serra e Aécio prevalecerão no tucanato sobre lideranças que ostentam um diálogo raivoso contra o governo -Tasso Jereissati, por exemplo.

 

Lula avalia que, embora filiados ao PSDB, Serra e Aécio colocarão o interesse administrativo de seus Estados acima das divergências partidárias. Acha que, de olho em 2010, os dois têm diante de si o desafio de fazer uma boa administração. Algo que tende a ser facilitado se mantiverem com Brasília um diálogo construtivo e permanente.

Escrito por Josias de Souza às 16h39

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Falso laranja mentiu sobre dossiê, diz PF

 

- Estadão: Governo terá redutor de gastos em 2007, diz Mantega

 

- Globo: Lula e Alckmin na TV: muitas promessas, poucas soluções

 

- Correio: A tucana 'aloprada'

 

- Valor: Eleição nos estados dá força a Lula

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Vôo de obstáculos!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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Eleitores esfregam o caos na cara dos candidatos

Marlene Bergamo/Folha Imagem
 

Nem Lula nem Alckmin. A grande atração do último debate foi a platéia. Acomodado numa arquibancada circular, um grupo de eleitores indecisos esfregou o caos na cara dos presidenciáveis. E recebeu de volta banalidades, generalidades e números ditados a esmo. Selecionados pelo Ibope nas cinco regiões do país, os eleitores injetaram no cenário limpinho e artificial da TV Globo a realidade nua e suja do Brasil real.

Os móveis perdidos na casa inundada pela enchente. O irmão desempregado com três filhos para criar. Os direitos trabalhistas sonegados pela carteira não assinada. A filha de quatro anos condenada à escola pública. Os sogros sem plano de saúde submetidos à inclemência do SUS. A imprevidência de uma previdência em colapso. O pesadelo da casa própria. Os três amigos assassinados no bairro pobre. A corrupção. A impunidade.

Alguns dos dramas apresentados pelos eleitores, depois de devidamente filtrados pela produção da Globo, pertencem à pauta de governadores e prefeitos. Mas os presidenciáveis não se dignaram a esclarecer este ponto. O negócio de ambos é a venda de ilusão.

Lula respondeu ao irrespondível com o já tradicional “nunca se fez tanto na história desse país.” Alckmin repetiu que “o Brasil pode mais”. Os dois arremessaram em direção à platéia um amontoado de números e cifras. Ao final do embate, Willian Bonner soou otimista: “Agradeço aos eleitores indecisos, talvez agora não mais indecisos, depois desse debate maravilhoso.” Bobagem.

Com as respostas que ouviram, os argüidores saíram do estúdio com várias certezas. E talvez tenham voltado para casa com uma dúvida. Primeiro, as certezas: a próxima chuva trará novas enchentes; cadente ou não, o desemprego infelicitará outros irmãos; milhões continuarão a trabalhar com as carteiras em branco; a escola pública seguirá formando sub-alunos; os remédios ainda serão escassos no SUS; a casa própria remanescerá como sonho de poucos; outros amigos serão baleados; a impunidade perpetuará a corrupção. Agora, a grande dúvida: em quem votar?

Lula celebrou a presença da realidade: “Acho bom que o povo trouxe pra cá os problemas que, graças a Deus, nós começamos a resolver”. Acrescentou: “Qualquer brasileiro sabe que 90% dos programas sociais no Brasil são programas que nós e a sociedade criamos nesse período”. Disse mais: “Meus adversários estiveram no poder desde a chegada de Cabral e não resolveram nada.”

Alckmin também festejou o encontro com a verdade: “Vimos aqui vários eleitores apresentando os problemas reais da saúde, da educação, do emprego, do meio ambiente, dos transportes, da habitação. Enfim, vimos que o país, depois de quatro anos, não melhorou”. Não mencionou Cabral. Tampouco falou do colega FHC e seus oito anos de mandato.

Os contendores voltaram a calçar as luvas. Alckmin desferiu os já costumeiros jabs éticos. Lula, os cruzados de PCC. A temperatura subiu. Porém, este último debate, como os anteriores, não trouxe nenhum golpe fulminante capaz de provocar uma reviravolta nas intenções de voto dos eleitores.

Se as pesquisas estiverem certas, Lula será reeleito neste domingo. E o quarto debate terá servido apenas para demonstrar aos indecisos e aos resolutos que o Brasil que o presidente continuará administrando a partir de janeiro de 2007 é um país por fazer.

Escrito por Josias de Souza às 00h33

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Arquivado o inquérito das fotos do dossiêgate

Foi ao arquivo o inquérito que a Polícia Federal abrira para apurar o vazamento das fotos do dossiêgate. Acatando parecer do Ministério Público, a Justiça entendeu que o delegado Edmilson Pereira Bruno não cometeu crime ao repassar a jornalistas um CD com as imagens do dinheiro (R$ 1,7 milhão) que ele havia apreendido com os “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha.

O delegado vazara as imagens do dinheiro no dia 29 de setembro, antevéspera do primeiro turno da eleição presidencial. A PF acusou-o de cometer crime de violação de sigilo profissional. O Ministério Público discordou. Sustentou a tese de que "a conduta padrão da Polícia Federal [...] é a divulgação ampla das operações realizadas, das prisões efetuadas e dos materiais apreendidos".

Para dar sustentação à tese, mencionou-se a existência de uma instrução normativa assinada pelo diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, em 2004. Anota o seguinte: “(...) Deverão ser adotadas as seguintes condutas na divulgação: A apresentação de material apreendido em operações policiais, visando ilustrar reportagens, evitando-se em tais atribuir-se valores estimativos."

 

Quanto à suspeita de que o delegado recebera dinheiro para divulgar as fotos, o Ministério Público informou: "Não surgiu nenhuma prova de que o delegado [...] tenha recebido vantagem indevida pela divulgação das fotos, afastando, assim, a caracterização de crime de corrupção passiva".

Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Lula diz que vai compor ‘sozinho’ novo ministério

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

A menos de 48 horas da eleição presidencial, Lula informou aos seus auxiliares mais próximos que não vai escalar nenhum ministro para ajudá-lo nos contatos para a formação de seu novo ministério. Diferentemente do que fez em 2002, quando se serviu do auxílio do petista José Dirceu, Lula agora vai cuidar da tarefa sozinho.

Lula deseja fazer pessoalmente cada sondagem, cada convite. Não irá recorrer nem mesmo ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), hoje o principal operador político do governo. “O presidente disse que não vai delegar para ninguém”, disse o próprio Genro ao blog

Se as urnas confirmarem a vitória prevista por todas as pesquisas eleitorais, Lula iniciará os contatos já na próxima semana. Pretende descansar por “dois ou três dias". Em seguida, convocará uma reunião com os presidentes dos partidos que compõem o consórcio governista.

Nesse encontro, o presidente dirá às lideranças políticas que o apóiam quais serão os critérios que nortearão a composição da equipe a ser empossada em janeiro de 2007. Vai repisar, segundo informou a auxiliares, a tecla do governo de “coalizão”.

Em 2002, Lula impôs a alguns dos ministros não-petistas um constrangimento: acomodou na função de secretário executivo, o segundo posto dos ministérios, um nome da confiança do PT. Exerciam sobre os titulares uma espécie de vigilância. No novo governo, diz Lula, a coisa será diferente.

O presidente antecipa que, ao nomear um auxiliar com carimbo partidário, delegará integralmente à legenda do ministro, seja o PT ou uma agremiação aliada, a gestão dos negócios da pasta. “Vou cobrar resultados”, diz Lula.

Por ora, o presidente não mencionou nomes de ministeriáveis nem aos conselheiros mais íntimos. Deu algumas pistas que permitem intuir determinadas intenções. Mas não foi peremptório em relação a nenhuma pasta. E cobrou sigilo quanto certas tendências embutidas em seus raciocínios.

Escrito por Josias de Souza às 15h32

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Aeroporto de Brasília vive sexta-feira caótica

O aeroporto de Brasília ficou de ponta-cabeça nesta sexta-feira. Em protesto contra condições inadequadas de trabalho, os controladores de vôo decidiram mostrar que existem. Não precisaram nem levantar de seus assentos. Bastou retardar os pousos e as decolagens.

O signatário do blog acaba de receber o telefonema de um passageiro revoltado. Chama-se Fernando Antunes. Junto com “mais de cem pessoas”, ele estava enfurnado há cerca de três horas na barriga de um avião da TAM. Ia de Brasília para Fortaleza. Falava de um celular.

Embora estivesse pronto, o comandante do vôo não pôde decolar por falta de autorização da torre de comando. "Não sei quais são as reivindicações dos controladores. Mas tudo tem limite”, disse Antunes, que é sindicalista.

Generalizaram-se os atrasos nas decolagens feitas desde o aeroporto brasiliense nesta sexta. Alegou-se que o caos decorre do excesso de aeronaves. Bobagem. A causa é o azedume dos controladores de vôo. O ministro Waldir Pires (Defesa) acusou o golpe. Disse que o governo vai contratar reforços.

Escrito por Josias de Souza às 14h08

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PF desmascara falsa testemunha no dossiêgate

Agnaldo Henrique Lima, um padeiro apresentado ontem como o “laranja” que teria levado R$ 250 mil para o petista Hamilton Lacerda, foi desmascarado pela Polícia Federal nesta sexta. Descobriu-se que ele prestou falso testemunho. Será indiciado por “falsidade ideológica”.

Antes de ser contatado pela PF, o falso “laranja” havia procurado jornais da região de Pouso Alegre, em Minas Gerais. Chegou a gravar entrevistas afirmando que teria levado dinheiro para Lacerda, ex-assessor de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, candidato derrotado ao governo de São Paulo.

Interrogado, o sujeito disse que recebera um depósito de R$ 80 mil em sua conta bancária. Depois, teria recebido mais 170 mil reais de seu patrão, Luiz Silvestre. De acordo com a sua versão, agora desmontada, ele havia juntado todo o dinheiro e rumado para São Paulo, para encontrar Hamilton Lacerda.

A PF verificou que a alegada movimentação financeria do denunciante não batia com os dados disponíveis no banco. Descobriu-se, de resto, a presença de uma tucana na tuba. A PF informa que o falso denunciante foi levado à mídia mineira por Rosely Souza Pantaleão. Vem a ser secretária-executiva do PSDB local. A moça alega que, assim como a PF, também ela foi enganada por Agnaldo Henrique. Huuuummmm! Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 12h15

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Maia emite atestado de óbito da candidatura Alckmin

Blog do Tas
O prefeito do Rio, César Maia (PFL) foi contra desde o início. Achava que o boné de anti-Lula se ajustava melhor à calva de Serra do que à de Alckmin. Voto vencido, o alcaide embarcou na campanha à sua maneira, meio aos trancos.

Foi um morde-assopra sem fim. E César Maia mordeu mais do que assoprou. Valendo-se de seu boletim eletrônico diário, que chama de ex-blog, ele distribuiu conselhos à equipe de marketing de Alckmin. Na maioria das vezes, foi ignorado.

 

Impacientou-se em dado instante com a demora de Alckmin em partir para o confronto ético com Lula. Cansou de cobrar energia. Agora, acha que não é mais necessário. Na última edição de seu boletim, o prefeito ensina a Alckmin como deve ser o seu comportamento no último debate televisivo, na noite desta sexta.

 

O texto é, por ora, o mais eloqüente atestado de óbito da candidatura Alckmin já emitido por um integrante do consórcio tucano-pefelê. César Maia dá de barato que a eleição está no papo... De Lula, naturalmente.

 

Para o prefeito, Alckmin padecerá no confronto da Globo um “desgaste inevitável”. Quando a desvantagem de um candidato nas pesquisas é acachapante, o eleitor já o vê “como perdedor”. Para atenuar os efeitos do desastre, o César Maia sugere a Alckmin que adote um estilo, por assim dizer, chuchu sorridente.

 

Nada daquela agressividade do primeiro debate, na TV Bandeirantes. Só “caras e bocas de alegria e otimismo; civilidade; alto nível na argumentação...” Procedendo assim, acha César Maia, Alckmin grudará nos subterrâneos da memória do eleitor uma “imagem positiva”. Que virá à tona caso Lula se estrepe no governo. "O eleitor vai pensar: devia ter votado naquele outro", acredita o alcaide carioca.

 

Se o irrequieto e combativo César Maia está sugerindo a Alckmin o retorno à sua condição leguminosa, é sinal de que a salada tucana, de fato, desandou. Pressione aqui para ler o ex-blog do prefeito, no portal do PFL.

Escrito por Josias de Souza às 10h58

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As manchetes desta sexta

 

- Folha: Casa de câmbio admite uso de laranja

 

- Estadão: Lula tem 23 milhões de votos de vantagem

 

- Globo: Lula lança programa para estradas, com privatização

 

- Correio: O 'laranja' de R$ 250 mil

 

- Valor: Eleição nos Estados dá força a Lula

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h24

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Rito 'tucânico'!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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FHC prega resistência a Lula sem recusar diálogo

A profusão de pesquisas prenunciando o infortúnio de Geraldo Alckmin no próximo domingo precipitou um debate que estava programado apenas para depois da eleição. Lideranças do consórcio partidário aninhado em torno do tucano já esboçam um plano de vôo para o segundo ciclo presidencial de Lula.

No centro do processo está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Preocupado em não melindrar Alckmin, ele se move nos subterrâneos. Pendurado ao telefone, trata da constituição de uma frente partidária capaz de fazer o “contraponto” a um eventual novo governo de Lula.

 

A oposição vê-se diante de uma dúvida hamletiana: dialogar ou não dialogar? Na opinião de FHC, a oposição deve impor a Lula uma “resistência clara e firme”, mas “não sectária”. Significa dizer que, sem abrir mão da “diferenciação”, sem abdicar da denúncia do que chama de “podridão política”, o tucanato não deve se esquivar da negociação de temas pontuais de uma agenda que considera essencial para o país.

 

Para FHC, o PSDB soaria impatriótico se recusasse liminarmente a discussão de temas como, por exemplo, a reforma político-eleitoral e a remodelação do sistema previdenciário. Acha, do mesmo modo, que a oposição pareceria incongruente se abandonasse na fase pós-eleitoral a cobrança da apuração e da punição dos “delitos” praticados sob Lula, incluindo o dossiêgate.

 

A idéia de patrocinar um “terceiro turno”, artificializando a crise, não seduz FHC. Ele avalia que Lula terá enormes dificuldades para assegurar a “governabilidade”. Se reeleito, o presidente dividirá o seu tempo “entre o Planalto e a porta da delegacia”, exagera. Acha, porém, que a encrenca virá naturalmente, nas pegadas das apurações que já estão em curso, sem que a oposição precise carregar nas tintas.

 

Em sintonia com Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, FHC revela em seus diálogos privados uma ponta de preocupação com a costura da unidade do partido no período subseqüente à eleição. Acha que a uniformidade da ação depende do comportamento de José Serra, governador eleito de São Paulo, e de Aécio Neves, governador reeleito de Minas. Avalia, de resto, que, caso se confirme a derrota no domingo, a harmonia passa também pela reacomodação de Geraldo Alckmin na estrutura partidária.

 

FHC vê como inevitável o estabelecimento de relações institucionais de Serra e Aécio com o governo Lula. Mas acredita que os dois governadores tucanos cometerão um erro estratégico se vierem a estabelecer com o governo um relacionamento direto, acima do partido, nas questões que ultrapassam a agenda administrativa de seus Estados. Espera também que Serra e Aécio promovam um armistício tático na disputa  que empreendem pela primazia na corrida presidencial de 2010.

 

Passada a eleição, FHC pretende jogar o seu prestígio na formação de uma frente de oposição a Lula. Imagina atrair pelo menos o PFL e o PPS, legendas que estiveram próximas de Alckmin na cruzada presidencial.

 

Além do front congressual, o ex-presidente tem a pretensão de iniciar um movimento de aproximação do PSDB com sindicatos e movimentos populares. Acha que o PT já não exerce influência hegemônica sobre esses segmentos. Haveria, na sua opinião, frestas por entre as quais o tucanato poderia se esgueirar, buscando um reforço do que chama de “base social” do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 00h04

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PF indicia os donos da casa de câmbio do dossiê

A Polícia Federal indiciou nesta quinta os proprietários da casa de Câmbio Vicatur, de Nova Iguaçu (RJ), Fernando Manuel Ribas e Sirlei da Silva Chaves. Os dois venderam a “laranjas” parte dos dólares que seria que seriam usados pelos “aloprados” do PT para comprar o dossiê antitucanos.

Inquiridos pela PF, Fernando e Sirlei reconheceram ter pago R$ 3 mil ao “laranja” Levy Luiz da Silva, patriarca da família que serviu de “laranjal” para encobrir os nomes dos “aloprados” que adquiriram dólares fraudulentamente. Os donos da Vicatur estão agora sujeitos a penas que vão de um ano a seis anos de cadeia. A PF pretende indiciar também os “laranjas” da família Silva. Alguns deles disseram em depoimento que foram pressionados pelos donos da Vicatur a não prestar esclarecimentos à polícia.

 

A PF identificou uma outra "laranja" na cidade mineira de Ouro Preto. Chama-se Viviane Gomes da Silva. Trabalha na Pousada Ouro Preto. Seu nome aparece nos registros da Vicatur como "compradora" de US$ 40 mil. Inquirida, Viviane disse que seus documentos foram usados à sua revelia. A PF investiga também o dono da pousada, Gerson Luiz Cotta. Ele é enteado de Viviane. Em 2004, foi candidato a vereador pelo PFL. 

 

De resto, a polícia começou a puxar também o fio da meda dos reais apreendidos em 15 de setembro no Hotel Ibis, em São Paulo, com o petista Valdebran Padilha e com o agente aposentado da PF Gedimar Passos. Identificou-se uma pessoa que teria sacado R$ 248 mil numa agência bancária de Varginha (MG). O sacador, cujo nome é mantido sob sigilo, teria levado o dinheiro ao hotel paulista.

 

A PF trabalha com uma hipótese incômoda para o PT. Os investigadores acreditam que o dinheiro do dossiê provêm do caixa dois do partido. De novo.

Escrito por Josias de Souza às 19h08

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Delfim explica por que apóia o capitalismo à Lula

  Bruno Miranda/Folha Imagem
O cotidiano da família Silva virou de ponta-cabeça a partir de 79. Lula assumira a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo no ano anterior. Em 80, os militares fecharam o sindicato. E Marisa, depois de ceder sua casa para as reuniões do marido, percebeu uma mudança na paisagem.

 

Notou que policiais passaram a vigiar-lhes os passos. “A gente sabia disso. Na frente da minha casa tinha um morro. Eles ficavam muito em cima daquele morro com um binóculo olhando minha casa, vendo quem entrava e quem saía”, contou Marisa à jornalista Denise Paraná, autora do livro “Lula, o filho do Brasil”.

 

Um dia, quando os Silva dormiam, alta madrugada, deu-se o indesejado. “O portão ficou cheio de policiais, nem sei quantos eram”, rememorou Marisa. “Na hora fiquei chocada. Um monte de soldados, com metralhadoras, batendo no meu portão! Eles disseram que iam levar o Lula porque tinha uma ordem de prisão para ele.”

 

“Eu acordei o Lula. Ele sentou na cama, me pediu café. Vestiu a roupa tranqüilo. Eu estava mais agitada e apressada do que ele. Tinha medo de que eles entrassem em casa. Pensava nas crianças, estava superapavorada (...). Ninguém sabia para onde iam levar o Lula. O Lula entrou no carro, sumiu no meio deles...”

 

Lula foi ao xilindró porque se convertera num incômodo para o regime. Iniciara uma onda de greves que expunha os efeitos draconianos da política conduzida por Delfim Netto, o czar econômico da ditadura. Decorridos 26 anos, o ex-algoz tornou-se um dos principais conselheiros econômicos de Lula, agora acomodado no Planalto. Num leque de apoios que inclui de Sarneys a Barbalhos, o suporte de Delfim é o mais surpreendente.

 

Desde 2005, Delfim e Lula mantiveram em segredo quase uma dezena de encontros. O ex-ministro conhecia todos os caminhos. Foi à garagem subterrânea do Planalto e alcançou o gabinete do presidente, no terceiro andar, pelo elevador privativo. Saiu tão incógnito quanto entrou. Por muito pouco, as conversas não resultaram na implementação de uma estratégia econômica que visava a obtenção do déficit zero.

 

Hoje, o segredo não é mais necessário. Delfim já apareceu em atos públicos da campanha de Lula. Em discursos, o presidente chamou-o de “companheiro”. Filiado ao PMDB paulista, o ex-czar está cotado, veja você, até para voltar, sob Lula, à Esplanada dos Ministérios.

 

Por que Delfim apóia Lula? O próprio ex-ministro respondeu à pergunta em artigo veiculado pela revista Carta Capital. Delfim renova sua crença na economia de mercado: “Todas as formas de organização econômica inventadas pelo homem como alternativas ao capitalismo mostraram não apenas sua ineficiência produtiva, como eliminaram as liberdades individuais e produziram duvidosa igualdade na miséria, contrastada com a imensa concentração de renda e poder nas castas tecnocráticas”.

 

Ele faz, porém, uma inflexão que, há alguns anos, soaria inimaginável: “A justiça distributiva não é um problema técnico que possa ser resolvido com a caixa de ferramentas da teoria econômica. Trata-se de um problema ético. No máximo, é tratado na chamada Economia Normativa, que não cuida do “que é”, mas do que “deveria ser”, e que para a sua solução, aliás, está muito mal equipada”.

Na opinião de Delfim, Lula “intuiu, com a sua política de redução das desigualdades no Brasil, que os eleitores ignoram a pressão do mercado financeiro.”  Curiosamente, Delfim invoca as experiências de dois "companheiros" de Lula -Hugo Chávez e Evo Morales- como contra-exemplos que confirmariam o acerto do rumo adotado no Brasil:

Os eventos na Venezuela e na Bolívia e a evolução recente no Peru, no México, na Colômbia e no Equador mostram que a urna, sob a insuperável pressão de políticas mercadistas científicas, mas insensíveis às desigualdades, pode jogar fora a criança juntamente com a água do banho. Foi isso o que o presidente Lula intuiu, com a sua política de redução das desigualdades no Brasil”. Por isso Delfim apóia Lula, para desassossego dos socialistas que ainda sobrevivem sob o guarda-chuva do PT.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Duas novas pesquisas ratificam vantagem de Lula

Geraldo Alckmin, em seu espesso otimismo, não admite a perspectiva de triunfo de Lula. Continua desempenhando o seu papel de candidato. Mas a sucessão de pesquisas adversas envolve cada frase, cada gesto, cada pose do tucano com a plasticidade dramática da derrota.

Nesta quinta, duas novas pesquisas vieram à luz. Uma delas, do instituto Vox Populi, atribui a Lula vantagem de 20 pontos (22 se considerados apenas os votos válidos). A segunda, do Sensus, acomoda o presidente em patamares ainda mais confortáveis: dianteira de 24 pontos (ou 26,4, contando-se só os votos válidos.

Nenhuma pesquisa substitui a urna. Mas algo já pode ser dito a respeito das eleições de domingo: ou Lula derrota Alckmin, inaugurando o segundo turno, ou os institutos de pesquisa terão de mudar de ramo. De provedores de estatísticas, passarão a tendas de quiromancia.

PS.: Uma terceira pesquisa, realizada pelo Ibope, foi divulgada na noite desta quinta pelo Jornal Nacional (assista). Dá a Lula uma vantagem de 23 pontos percentuais sobre Alckmin. Os pesquisadores do Ibope também perguntaram aos entrevistados se admitiam virar a casaca até domingo. Apenas 12% disseram que sim. Outros 86% afirmaram que sua escolha é definitiva.

Escrito por Josias de Souza às 15h59

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Campanha presidencial é a mais cara da história

“Nunca na história desse país” houve uma campanha presidencial tão cara. Noves fora os eventuais dólares escondidos em cuecas insuspeitadas e em malas alopradas, Lula e Alckmin prevêem gastar a bagatela de R$ 210 milhões. “De onde vem o dinheiro?” Impossível dizer, por ora. Só no final de novembro PT e PSDB se dignarão a informar quem pingou no pires.

 

No início da campanha, Lula mandara dizer ao TSE que seu orçamento seria de R$ 89 milhões. Alckmin cravara R$ 85 milhões. Houve espanto rotundo, estupefação generalizada. Contornou-se o assombro dizendo que os números levados à Justiça Eleitoral referiam-se ao teto da previsão de gastos.

 

O desembolso efetivo jamais chegaria a tanto. Imagina! O que é isso!! De jeito nenhum!!! Passam-se os dias. E, subitamente, as arcas ganharam novo pé direito. O que era teto virou piso.

 

Lula pediu ao TSE autorização para gastar mais R$ 26 milhões. O orçamento de sua campanha foi a R$ 115 milhões. Alckmin reivindicou acréscimo de R$ 10 milhões. E sua planilha de gastos escalou a casa dos R$ 95 milhões. PT e PSDB usaram um argumento singelo para justificar a recauchutagem orçamentária.

 

Informou-se ao TSE que as equipes dos dois principais postulantes à presidência da República não haviam previsto em seus planos de campanha a hipótese de o pleito deslizar para o segundo turno. Ou seja, querem gerir a República dois sujeitos que não têm competência nem para pôr ordem na cozinha financeira de seus comitês. Depois se queixam de que o Orçamento da União virou a caverna de todos abracadabras.

 

Compare-se, por oportuno, as arcas de hoje com as de ontem. Lula “R$ 115 milhões” da Silva já enfrentou tempos mais bicudos (sem trocadilho). Na campanha presidencial de 98, previra gastos de R$ 15 milhões. Terminada a refrega, disse que só torrou R$ 3,9 milhões. Era troco perto da fartura que rodeava FHC, seu adversário de então: previsão de R$ 73 milhões e gastos reconhecidos de R$ 45,9 milhões.

 

Em 2002, ano em que Lula já havia abandonado a velha ideologia, trocando-a por outra que estava em alta no mercado, a coisa melhorou. O candidato estimou gastos de R$ 48 milhões. Depois, levou aos arquivos do TSE, despesas de R$ 33,7 milhões. O tucano José Serra, rival do petismo à época, previra R$ 60 milhões e disse ter tido gastos de R$ 34,4 milhões.

 

A bugrada sempre soube que há dois tipos de dinheiro de campanha: com recibo e sem recibo. Em maio de 2005, um Roberto Jefferson contrariado em seus interesses veio à boca do caixa para informar que o PT também adquirira, por 55 milhões de valérios, o título de sócio remido do bordel. O mesmo prostíbulo em cujas sucursais mineiras o PSDB filiara-se oito anos antes, ao preço de 11,7 milhões.

 

"O PT fez, do ponto de vista eleitoral, o que é feito no Brasil sistematicamente", disse Lula na memorável entrevista de Paris. "Passaram-se três eleições, não faz sentido discutir uma campanha de 1998", afirmou Azeredo, em impagável entrevista brasiliense.

 

O Congresso não tardou a providenciar uma nova lei, rigorosa a mais não poder. Proibiram-se showmícios, as camisetas, os chaveiros e outros badulaques. A despeito disso, os gastos oficiais subiram, passando à sociedade a impressão de que a coisa, finalmente, entrou nos eixos.

 

De repente, quando a bugrada estava quase acreditando na existência de Papai Noel, irromperam de um lado e de outro os aloprados com suas malas. Sob a penumbra eleitoral, hoje como ontem, todos os gastos são pardos.

Escrito por Josias de Souza às 13h44

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Em tempos de eleição, dinheiro nasce em malas

Em sua infinita sabedoria, o povo costuma dizer que dinheiro não nasce em árvore. O que, para infelicidade geral, é uma rematada verdade. O signatário do blog, que há muito deixou de procurar por uma muda do pé de cifrão, começa a suspeitar que dinheiro nasce mesmo é no interior das malas.

Há coisa de 15 dias, a Polícia Federal apreendeu aquele R$ 1,7 milhão que aloprados petistas levaram –em malas—para os fundões de um hotel em São Paulo. Ontem, a mesma PF reteve mais dinheiro, dessa vez em Curitiba. De novo numa mala. Novamente num hotel.

 

Suspeita-se que o dinheiro se destinava à campanha política. Mas nada pode ser dito! O juiz Renato Lopes de Paiva, do TRE do Paraná, proibiu. Censura? Não, não. Absolutamente. “O que se quer garantir”, argumenta o magistrado, “é que a imprensa tenha livre acesso aos fatos em sua fonte, mas sobre uma investigação madura, não de algumas horas de diligência.”

 

Enquanto a investigação não amadurece, resta informar que a intervenção do TRE foi requerida por um dos candidatos que disputam, em segundo turno, o governo do Estado do Paraná. Chama-se Osmar Dias. É senador. Pertence aos quadros do PDT. No plano nacional, apóia o tucano Geraldo Alckmin.

 

No mais, enquanto aguarda pela maturação da notícia paranaense, o repórter sugere a cada um de seus 22 leitores o seguinte: 1) compre uma mala do tamanho das suas ambições; 2) registre-se num hotel desconhecido; 3) recolha-se a um quarto obscuro; 4) acomode a mala sobre a cama; 5) entregue-se a um passa-tempo qualquer; 6) de hora em hora, abra a mala. Nesses tempo$ eleitorai$, tudo pode acontecer.

 

Ah, sim, uma última recomendação: se a polícia aparecer, diga que é candidato a qualquer coisa e dirija-se ao TRE mais próximo. Boa $orte.

 

PS.: O blog recebeu da assessoria do candidato Osmar Dias (PDT) os seguintes "esclarecimentos": “Em relação à nota ‘Em tempos de eleição, dinheiro nasce em malas’, gostaríamos de esclarecer que a coligação do candidato Osmar Dias nunca pediu à Justiça Eleitoral o segredo de justiça sobre o fato. O pedido feito ao TRE era de que um único site, comprovadamente requianista (como o senhor pode verificar no endereço www.horahnews.com.br) retirasse do ar as notícias sobre o caso, já que o referido site, antes de qualquer informação oficial da Polícia Federal, tentou vincular a candidatura de Osmar Dias ao fato. O TRE preferiu decretar o segredo total. Osmar Dias preferia que o fato fosse discutido publicamente pela imprensa de verdade, tanto que convocou uma coletiva para falar sobre o assunto. Cordialmente Assessoria de Imprensa de Osmar Dias

Escrito por Josias de Souza às 10h12

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: União arrecada 81% dos tributos no Sul e Sudeste

 

- Estado: Lula acena com alívio para estados mais endividados

 

- Globo: PF descobre em Minas outros laranjas do dossiê

 

- Correio: R$ 210 milhões - Como é caro eleger um presidente

 

- Valor: Oferta da Mittal frustra minoritários da Arcelor

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Garantia de audiência!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Debate definitivo!

Se você é um eleitor indeciso, se ainda está em dúvida entre Geraldo “de onde saiu o dinheiro do dossiê” Alckmin e Lula “nunca na história desse país” da Silva, recomenda-se que clique na imagem ao lado. Você assistirá a um elucidativo resumo dos quatro debates televisivos entre os dois presidenciáveis –inclui os três que já ocorreram (Bandeirantes, SBT e Record) e também o que está por vir (Globo). Não deixe de ver. Sob pena de acabar votando no Ibope ou no Datafolha nas eleições do próximo domingo. Boa sorte.

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Lula admite erros; Alckmin diz que rival ‘mente’

EFE
 

 

Lula e Alckmin fizeram na noite desta quarta seus últimos comícios. Ambos escolheram São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, para encerrar a campanha de rua. O ato do tucano reuniu 5 mil pessoas, segundo estimativa da PM. A manifestação do petista, 15 mil, de acordo com os organizadores. Não se conhece o número da PM.

 

Lula admitiu em seu discurso que seu governo cometeu “erros”. Não se dignou, porém, a dar nome aos equívocos. No mais, ele se auto-elogiou: "Eu reconheço que, com tudo de errado que nós fizemos, esse país melhorou de forma extraordinária se comparado a oito anos do governo deles [os tucanos, sob FHC]."

 

O presidente repisou a tecla de que está em jogo na eleição uma disputa entre um projeto “popular”, representado por ele, e um projeto da “elite”, personificado pelo seu rival. Alckmin, por sua vez, disse que o adversário "mente sem ficar vermelho."

 

É Lula, disse Alckmin, quem está "do lado das oligarquias", é ele que deve ser qualificado como “candidato dos ricos”. O tucano ironizou o discurso do presidente, feito na véspera, em comício maranhense no qual dividiu o palanque com Roseana Sarney e com o pai dela, José Sarney.

 

"É impressionante como [Lula] não fica vermelho quando mente. Ele fala contra as oligarquias. [Ele] diz que as oligarquias são contra ele, ao lado do [José] Sarney", alfinetou Alckmin. Referiu-se também a outro apoio inusitado que o rival recebeu.

 

"O mentor hoje do Lula é o Delfim Neto, o homem que assinou o AI-5, que era para cassar o Mário Covas", disse Alckmin, ao lado de lideranças como o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, cuja biografia também está entrelaçada ao regime militar.

Os discursos de alguns dos aliados de Alckmin deixaram antever o tamanho do desafio que se impôs ao candidato tucano, em desvantagem de 21 pontos percentuais na pesquisa Datafolha. "Pelo amor de Deus, não deixem o Lula ganhar", pediu o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE) à platéia.

"Só faltam 10 milhões de votos", vociferou o senador José Jorge (PFL-PE), vice de Alckmin, sem se dar conta de que o número que mencionou equivale quase à totalidade do eleitorado de um Estado do porte de Minas Gerais. O grande ausente do comício foi justamente o governador mineiro Aécio Neves. O governador eleito de São Paulo, José Serra, compareceu. Até discursou. Mas, sintomaticamente, evitou pronunciar ataques a Lula. Escondido pelo partido nos atos públicos da campanha, FHC finalmente deu as caras. Discursou em timbre bem diferente do de Serra. Disse que Lula "está enterrado nos escombros dos escândalos."

Lalo de Almeida/Folha Imagem

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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PF espera desvendar dossiêgate antes da eleição

A Polícia Federal está animada com o andamento da investigação do dossiêgate. Nesta quarta, um delegado disse ao repórter Áureo Germano que “é enorme” a chance de que o caso seja desvendado antes do domingo eleitoral. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), de antemão, isentou o PT, informa Andreza Matais.

"É claro, é evidente que não foi o PT. Não há nenhuma indicação disso. Foram pessoas que montaram um grupo de inteligência, entre aspas, e que fizeram isso. Isso é o que se encontra nos autos", disse o ministro.

O otimismo da PT em relação ao desfecho do caso está escorado nos avanços do rastreamento de parte dos dólares que seriam usados na compra do dossiê antitucanato. A PF diz ter arrancado de uma testemunha pistas importantes.

Chama-se Viviane Gomes da Silva a tal testemunha. Integra o “laranjal” supostamente utilizado pelos “aloprados” do PT para ocultar a colheita de dólares realizada na casa de câmbio Vicatur, de Nova Iguaçu, no Rio.

Ouvida pela PF, Viviane disse que ela e outros integrantes de sua família foram usadas como “laranjas” na aquisição fraudulenta de dólares. De acordo com a PF, foram adquiridos em nome de Viviane, no dia 21 de agosto, US$ 44,3 mil. Outros seis parentes da moça emprestaram nome e documentos para a aquisição, cada um, de valores que variam de US$ 30 mil a US$ 45 mil.  

Membros de uma outra família, cujos nomes não foram revelados, encontram-se sob investigação. Suspeita-se que também tenham sido utilizados na aquisição ilegal de dólares. Moram num município carioca que faz fronteira com Minas Gerais. A PF já interrogou outros quatro “laranjas”, além de Viviane. Todos alegaram que seus nomes foram usados sem que tivessem conhecimento.

Escrito por Josias de Souza às 00h26

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Quem tem o PT como aliado não precisa de oposição

Angeli
 

 

Numa disputa presidencial, a vitória é a primeira coisa que o candidato costuma perder depois da posse. O triunfo escapa no momento exato em que o vencedor desce das nuvens para o mármore escorregadio do Planalto.

 

No caso de Lula, a euforia pode não durar nem um átimo. Afora as armadilhas de uma rotina administrativa que o virtual reeleito bem conhece, há as previsíveis cascas de banana que a oposição decerto jogará no seu caminho.

 

Não é por outra razão que o príncipe e seis pajens se esforçam para reduzir a taxa de veneno que a campanha injetou no pudim. Lula se diz cansado de bater em FHC. Faz a corte a José Serra e a Aécio Neves. Tarso Genro, espécie de mercador da “coalizão”, informa que “a operação limpeza do PT já começou”. E irá “aprofunda-se.”

 

Lula e Genro só esqueceram de combinar a tática com os russos, todos acomodados na engrenagem do PT. Nesta quinta-feira, o partido do presidente e do ministro levou ao ar em seu portal dois artigos de eficácia fulminante.

 

A pretexto de festejar a existência de estudo que projeta um futuro idílico para o mercado de empréstimos habitacionais, o PT retirou do freezer o economista Jorge Mattoso. “A habitação decolou com Lula”, escreve.

 

Mattoso é aquele apadrinhado de Marta Suplicy que Lula acomodara na presidência da CEF. O mesmo que, cumprindo ordens de Antonio Palocci, não hesitou em violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

 

O invasor de contas alheias é ressuscitado num instante em que Alckmin acusa Lula de “ser implacável com o caseiro e dócil com os criminosos.” Imagine-se o que não sairá de dentro da geladeira do PT depois que a “operação limpeza” de que fala Tarso Genro tiver sido concluída!

 

O autor do segundo artigo publicado em destaque no sítio do PT nesta quarta é Valter Pomar. Ele é secretário de Relações Internacionais e membro da Executiva e do Diretório Nacional do partido. É aquele que, dias atrás, escreveu aquele artigo com ataques à família Alckmin que Lula ordenou fosse retirado do sítio do partido e substituído por um pedido de desculpas.

 

Pendem do novo texto de Pomar –“Vida de distraído”—inúmeros frutos envenenados. O dirigente petista se insurge, por exemplo, contra os afagos que Lula faz em Serra e Aécio. Insinua que os dois tucanos, de olho em 2010, vão sorrir para Lula pela frente e apunhalá-lo pelas costas. “É um erro não perceber o jogo duplo que os tucanos e aliados farão pelos próximos quatro anos. E é um erro ainda maior fazer ou permitir movimentos que desgastem o PT”.

 

Há muitos partidos aloprados no Brasil. Mas, se for instituído um concurso para eleger os dez mais, o PT certamente estará entre eles. Se os jurados forem realmente justos, o partido de Lula talvez venha a ser escolhido, sozinho, “os dez mais”. Seria uma insensatez que, sendo tão mais desastrada, a legenda do presidente fosse nivelada a outras nove.

Escrito por Josias de Souza às 23h20

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Alckmin mira em indecisos para tentar uma ‘virada’

Maurício Lima/Folha Imagem
 

Em desvantagem nas pesquisas, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin decidiu concentrar-se na reta final na conquista de votos indecisos. Pelas contas do comitê de campanha tucano, há pelo menos 10 milhões de eleitores que ainda não definiram o voto.

O tucanato inclui na conta dos “indecisos” tanto os eleitores que declaram ainda não ter optado por nenhum dos dois candidatos como aqueles que, embora digam que pendem para Lula, ainda admitem mudar sua opção até domingo.

Em público, integrantes do alto comando da campanha tucana –o coordenador Sérgio Guerra (PE) e o presidente do PSDB Tasso Jereissati, por exemplo—dizem que a “virada” ainda é possível. Em privado, porém, reconhecem que a missão é praticamente impossível. Outros, como o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), já promovem o inventário dos erros às claras. A campanha tucana "errou o tom", diz ele.

Só Alckmin ostenta, a essa altura, um discurso uniforme. O candidato verbaliza, diante dos microfones e entre quatro paredes, da mesma maneira o que lhe vai sob a calva. Acha que eleições só costumam se definir nas horas que antecedem o pleito. A despeito das pesquisas, julga-se competitivo. Estima que adensará o seu cesto de votos em São Paulo e no Rio, dois dos maiores colégios eleitorais do país.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, a desvantagem de Alckmin em relação a Lula é de 21 pontos percentuais. Para equilibrar o jogo, Alckmin teria de reduzir essa diferença em pelo menos dez pontos. Considerando-se o histórico de abstenções das eleições brasileiras, isso equivale a pouco mais de 10 milhões de votos.

A cinco dias da eleição, o contingente de indecisos, informa o Datafolha, é de 3% do eleitorado. O percentual de eleitores que já escolheram um candidato -Lula ou Alckmin-, mas admitem mudar de opção, soma 8%. É esse naco do eleitorado que Alckmin deseja conquistar.

O candidato atribui grande importância ao último debate televisivo, marcado para a noite de sexta-feira, na TV Globo. Alckmin avalia que os eleitores ainda hesitantes irão assistir a esse último embate com atenção redobrada.

De novo, os aliados de Alckmin não exibem o mesmo otimismo do candidato. Acham que Alckmin saiu-se melhor do que Lula nos três debates já realizados (na Bandeirantes, SBT e Record). Mas isso não foi o bastante para virar votos. Imaginam que, a menos que surja um improvável “fato novo” –alguma novidade na investigação do dossiêgate, por exemplo— a imutabilidade do quadro deve se repetir após o debate da Globo.

Escrito por Josias de Souza às 15h41

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Depois de pescar tucano, Lula quer engaiolar a ave

Durante o segundo turno da disputa presidencial, o tucanato mordeu todas as iscas que Lula espetou na ponta do anzol. O presidente foi à beirada do rio com a lata repleta de minhocas. Entre as que arremessou nas águas turvas da eleição, três pareceram mais suculentas ao adversário: 1) Alckmin vai privatizar a Petrobras, o BB e a Caixa; 2) Alckmin vai podar benefícios sociais; 3) Alckmin é igual a FHC.

Alckmin, que, agarrado ao dossiêgate, fora à jugular de Lula na reta final do primeiro turno, tornou-se, na fase seguinte, o candidato do "não": não vou privatizar estatais, não vou acabar com o Bolsa Família, não estou olhando para o passado. Foi um vareio.

 

Agora que já pescou os tucanos, Lula deseja levá-los à gaiola. Sua mais nova isca chama-se "entendimento". Nesta quarta, em entrevista à Rádio Gaúcha, Lula começou a livrar-se do que parecia ser uma obsessão: a mania de comparar-se a FHC. "Não quero mais ficar comparando com o Fernando Henrique Cardoso porque nos nossos quatro anos nós já batemos muito neles. Agora, eu quero comparar comigo mesmo", disse ele.

Nos subterrâneos, o petismo estende o tapete vermelho para Aécio Neves e José Serra, dois tucanos que, de olhos vidrados em 2010, estão se lixando para 2006. O ministro petista Tarso Genro (Relações Institucionais) diz que, reeleito, Lula chamará a oposição para negociar uma “coalizão” já no dia seguinte.

Alckmin, de novo, beliscou o anzol. Disse que “não é verdade” que Serra e Aécio estejam negociando com o governo Lula. Engana-se quem quer. À frente dos governos dos dois principais Estados da federação –São Paulo e Minas—Serra e Aécio, até por pragmatismo, não terão como virar as costas ao próximo presidente da República.

Lula ainda não foi eleito. Mas já joga o jogo dos vencedores. Nesse tipo de peleja, o inimigo é um ser abominável que deve ser transformado o quanto antes em amigo fraternal.

Escrito por Josias de Souza às 14h46

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As manchetes desta quarta

- Folha: Lula tem 61% dos votos válidos

- Estadão: A 5 dias da eleição, Lula tem 22 pontos à frente

- Globo: Superávit mensal do governo é o menor registrado desde 1998

- Correio: PF investiga ligações de 'aloprados' ao Planalto

- Valor: Mercado prestigia a Vale após aquisição bilionária

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Papo de alcova!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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‘Laranjas’ dizem à PF que ignoram compra de dólares

 

A lista de “laranjas” já identificados como compradores de parte dos dólares do dossiêgate é composta de oito nomes. São pessoas humildes de uma mesma família do Rio de Janeiro. Nesta terça, a PF ouviu, em segredo, dois deles.

 

Ambos alegaram que nunca puseram os pés na casa câmbio Vicatur. Embora seus nomes constem dos arquivos da empresa como compradores, disseram que jamais adquiriram moeda estrangeira. A polícia vai ouvir os outros seis “laranjas”. Receia que todos repetirão as mesmas negativas.

 

Os investigadores não excluem a hipótese de que os nomes e os dados cadastrais possam ter sido utilizados à revelia dos “laranjas”. Suspeita-se da participação da própria casa de câmbio na operação fraudulenta.

 

A PF diz ter confirmado que um dos diretores da Vicatur voou do Rio para São Paulo, levando parte dos dólares que seriam usados para comprar o dossiê antitucano. O avião utilizado foi um Cessna. O blog dispõe do nome do dirigente da casa de câmbio. Mas evita mencioná-lo porque não conseguiu localizá-lo na tarde e noite desta terça, para ouvir a sua versão.

 

De acordo com a polícia, o diretor da Vicatur viajou na companhia do “aloprado” Hamilton Lacerda e de uma terceira pessoa, que não foi identificada. Os três pousaram no aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, no dia 12 de setembro.

 

Três dias depois, em 15 de setembro, os “aloprados” Valdebran Padilha e Gedimar Passos foram presos no Hotel Íbis, na capital paulista, com R$ 1,7 milhão - parte em reais e parte em dólares. Imagens do circuito interno de TV do hotel mostram que Hamilton Lacerda entrou no estabelecimento portando malas. Para a PF, estavam recheadas de dinheiro.

 

O petista Lacerda era coordenador de Comunicação da campanha do candidato derrotado do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante. Interrogado pela polícia, Lacerda negou que tenha transportado dinheiro. Alegou que levara ao Hotel Íbis apenas boletos de arrecadação de fundos para a campanha presidencial de Lula, um lap-top e roupas. A PF está convencida de que Lacerda mente.

 

Interrogado pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, o deputado Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT e responsável pelo recrutamento dos "aloprados" do dossiê que tinham assento no birô de inteligência do comitê de Lula, pôs em dúvida a versão de Lacerda. Afirmou que não era atribuição do coordenador de Mercadante coletar fundos para a campanha presidencial do PT.

 

Lacerda será convocado pela PF para prestar novo depoimento. Deseja-se que explique por que foi ao Rio e o que fazia no Cessna que aterrissou no Campo de Marte, em companhia do diretor da Vicatur. Dependendo do que disser, pode ser indicaido. É improvável que a intimação ocorra antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo.

 

A PF ouvirá também Aloizio Mercadante. O senador tem evitado falar publicamente sobre o caso. Em diálogos privados, ele diz estar estarrecido com a evolução das apurações. Diz que não escolheu Lacerda para a equipe de sua campanha. O nome foi indicado pelo PT. Afirma que o dinheiro do dossiê não tem conexão com as arcas de sua campanha, fornidas com dinheiro limpo, devidamente escriturado em contabilidade apartadada do caixa do partido. Informa que, se convocado pela PF, não hesitará em comparecer. Como parlamentar, Mercadante dispõe da prerrogativa de marcar a data, o horário e o local em que deseja ser ouvido. 

Escrito por Josias de Souza às 01h08

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Alckmin precisa virar 2,1 milhões de votos por dia

 

 

É dura a vida de Geraldo Alckmin. Se quiser prevalecer sobre Lula, o presidenciável tucano terá de virar 2,1 milhões de votos diariamente até domingo. Impossível? Não. Mas é pouquíssimo provável que isso venha a ocorrer.

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça pelo Jornal Nacional (assista) mostra que o favoritismo de Lula permanece inabalável. Há uma semana, o presidente detinha 57% das intenções de voto. Agora, seu índice é de 58%. Oscilou um ponto para cima, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Há sete dias, o índice de Alckmin era de 38%. Na nova sondagem, ele oscilou um ponto para baixo, estacionando em 37%. A diferença que o separa de Lula é agora de 21 pontos percentuais.

 

Atrás de cada ponto percentual escondem-se cerca de 1,2 milhão eleitores. Considerando-se a taxa histórica de abstenção observada nas eleições brasileiras, pode-se reduzir esse número para algo como 1 milhão de eleitores.

 

Como só há dois candidatos no segundo turno, para manter-se vivo na disputa, Alckmin terá de roubar votos de Lula. Se a diferença é de 21 pontos, ele precisa arrancar do rival pelo menos 10,5 pontos percentuais.

 

Traduzindo a encrenca em número de eleitores, o candidato tucano tem diante de si a dificílima tarefa de virar os miolos de dez milhões e meio de eleitores. Como faltam apenas cinco dias para as eleições, marcadas para domingo, significa dizer que, para alcançar Lula, Alckmin terá de conquistar o voto de 2,1 milhões de eleitores por dia. Para vencê-lo terá de terá de conquistar um número ainda maior de eleitores.

 

Não parecer ser tarefa para tucano, ave frágil. É coisa para uma alma dotada de poderes mitológicos. Não é à toa que Alckmin vem tentado forçar os pilares éticos do governo Lula. Não lhe resta outra alternativa. Porém, embora as pilastras sejam frágeis, o eleitor parece dar de ombros para o esforço do tucano.

 

Para complicar, as pesquisas contratadas pelo alto comando da campanha de Alckmin indicam que, se errar na mão, azedando demais os ataques ao rival, Alckmin corre o risco de “vitimizar” Lula. Em resumo: prevalecendo a lógica estatística e não surgindo no horizonte nenhum outro petista aloprado, o eleitor brasileiro está na bica de conceder a Lula mais quatro anos de mandato.

Escrito por Josias de Souza às 20h10

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PF rastreia 380 mil telefonemas para o Planalto

Blog do Tas
 

 

Na primeira fase do inquérito que apura o dossiêgate, a Polícia Federal rastreia 2,828 milhões de ligações disparadas a partir de 56.047 telefones. Os aparelhos foram acionados no período de um mês –entre 15 de agosto e 15 de setembro, dia em que os aloprados Gedimar Passos e Valdebran Padilha foram presos em São Paulo com R$ 1,7 milhão.

 

Do total de telefonemas, nada menos que 380 mil alçaram números instalados na Presidência da República, informa a repórter Andreza Matais. Na semana passada, em entrevista publicada aqui no blog, o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, admitiu ter trocado telefonemas com Jorge Lorenzetti, o chefe dos aloprados do dossiê.

 

Nesta terça, a Justiça Federal de Mato Grosso autorizou a prorrogação do inquérito do dossiê por mais 30 dias. Qual a importância dos telefonemas nessa investigação? Quase nenhuma.

 

A profusão de telefonemas apenas reforça algo que já se sabe: parte dos aloprados tinha livre trânsito no coração do poder. Mas a PF não dispõe dos áudios dos diálogos. Ou seja, jamais saberá o tema das conversas. Ainda que ouça os interlocutores acomodados dos dois lados da linha, terá de engolir as versões oficiais. O que importa mesmo na apuração é o rastreamento do dinheiro.   

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Lula é alvo de um novo adesivo preconceituoso

 

 

Em onze de cada dez discursos que pronuncia, Lula diz que “a elite desse país” destila preconceito contra ele. Atribui à aversão por sua "origem humilde" a tentativa da “direita” política, associada ao que denomina “mídia conservadora”, de caracterizar a sua gestão como um mar de escândalos.

 

O presidente-candidato erra na causa. Impossível ignorar as ondas de malfeitorias que banham a soleira da porta de seu gabinete. Mas Lula acerta no efeito. São inegáveis os traços de intolerância de parte da sociedade contra a figura do ex-operário.

 

Um dia depois de o TSE ter proibido a distribuição de adesivos que faziam alusão a uma deficiência física do presidente –a mão de quatro dedos, reflexo de um mindinho decepado numa presa dos tempos de metalúrgico—, um novo adesivo preconceituoso passou a circular pelas principais capitais do país.

 

A peça faz referência aos supostos hábitos etílicos do presidente. Lula jamais negou que tenha apreço pela cachaça. Sabatinado pela Folha na semana passada, disse, porém, que ninguém jamais o viu embriagado. O que é um fato. Ao menos nos seus quase quatro anos de mandato.

 

Os adversários de Lula têm munição de sobra para estabelecer com ele o contraditório indispensável a uma campanha eleitoral. Ao apelar para golpes abaixo da linha da cintura, apenas fornecem munição ao adversário. Que não se queixem, pois, quando ouvirem Lula acusá-los de preconceituosos.

Escrito por Josias de Souza às 17h59

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Lula confraterniza com os Sarney em comício no MA

Ricardo Stuckert/Divulgação

Em seu último comício na região Nordeste, no município maranhense de Timon, Lula confraternizou nesta terça com a família Sarney. Ergueu a o braço de Roseana Sarney (PFL) e pediu votos para ela, que disputa o governo do Maranhão com Jackson Lago (PDT), apoiado pelo PT local. Sol a pino, temperatura batendo nos 40 graus, Lula atribuiu o seu apoio a uma “dívida de lealdade.”

"Quando tacavam pedras em mim, essa mulher e o pai dela estiveram ao meu lado e me defenderam", disse, referindo-se a Roseana e ao ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). "Amigo a gente conhece é na hora da doença, é quando a gente precisa de uma xícara de óleo emprestado."

Lula lembrou o apoio recebido de Sarney no ano passado, quando seu governo estava às voltas com o escândalo do mensalão. Numa fase em que o PFL ameaçava pedir à Justiça eleitoral a cassação do registro do PT, recorda o repórter Ricardo Amaral, o ex-presidente subiu à tribuna para defender o partido de Lula. "O Brasil não pode abrir mão do seu principal partido de esquerda", discursou Sarney na ocasião. "Essas coisas a gente não esquece", retribuiu Lula.

Embora também apóiem Lula no Maranhão, os partidários do candidato Jackson Lago, incluindo os petistas, foram privados de subir no palanque montado em Timon. Na véspera, difundiram a suspeita de que Sarney produziria um falso tumulto durante o evento, com o objetivo deliberado de responsabilizar os adversários de Roseana. “Podem me chamar de tudo, menos de burro”, reagiu Sarney.

A união de Lula com os Sarney vai à crônica das eleições deste ano no capítulo das alianças esdrúxulas. Na época em que militava na oposição, durante o governo Sarney, Lula chegou a chamar o então presidente da República de “ladrão”. Em comício realizado em 2002, no interior do Maranhão, Lula acusou os Sarney, Roseana em particular, de mentir “descaradamente” para o povo maranhense (ouça).

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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Dados sigilosos do dossiêgate são sonegados à CPI

O presidente da CPI das Sanguessugas, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), festejou na manhã desta terça-feira a chegada a Brasília de um lote de documentos relativos ao dossiêgate. Disse que acabara de receber, além do relatório com as conclusões parciais da Polícia Federal, todos os seus anexos. Não é bem assim.

 

Foram sonegados à CPI os dados mais relevantes do inquérito da Polícia Federal: quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico; áudios e transcrições de escutas telefônicas; e as imagens do circuito interno de TV do Hotel Íbis, onde a PF apreendeu, em 15 de setembro, R$ 1,7 milhão com os aloprados Gedimar Passos e Valdebran Padilha.

 

O juiz Jefferson Jefferson Schneider, da 2a Vara Federal de Cuiabá, enviou a Biscaia apenas papéis que já são de domínio público: o relatório do delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiê, e depoimentos dos envolvidos. Os documentos foram catalogados pela assessoria da CPI e enfurnados num cofre. Só depois da eleição de domingo Biscaia permitirá que sejam analisados pelos demais membros da comissão.

 

"Queremos que a CPI cumpra o seu papel de investigar. Não se pode produzir fato na reta final das eleições", disse o presidente da CPI na manhã desta terça, depois de recolher pessoalmente, no aeroporto de Brasília, os documentos remetidos pela Justiça Federal de Cuiabá. O que Biscaia desconhecia no instante em que fez a declaração era o fato de que não há em meio ao papelório que acabara de receber nenhum dado capaz ce “produzir fato na reta final das eleições”. A insinuação eleitoral embutida nas manifestações de Biscaia rachou a CPI.

 

De resto, a ausência das informações sigilosas só seria percebida mais tarde, no instante em que a assessoria da comissão catalogou e numerou os documentos, antes de mandá-los ao cofre. O núcleo de congressistas que conduz os trabalhos da CPI, alguns deles realmente interessados em “produzir” um fato capaz de auxiliar o tucano Geraldo Alckmin, está intrigado com a resistência da Justiça e da PF em repassar dados à comissão.

 

As manobras de ocultação vêm se repetindo desde a semana passada. Na noite de quinta-feira, Biscaia enviara a Cuiabá o secretário-executivo da CPI, Augusto Panisset. Tinha a missão exclusiva de buscar o relatório do delegado Diógenes Curado e seus anexos, inclusive os sigilosos. Tomou um chá de cadeira na ante-sala do juiz Schneider na tarde de sexta. Enquanto aguardava, emissoras de TV divulgavam o teor do relatório da PF. Panisset retornou a Brasília na manhã de sábado, de mãos vazias.

 

Diante da chiadeira de integrantes da CPI, Biscaia fez contato com o juiz de Cuiabá. Combinou-se que o papelório seria remetido por avião nesta terça. Mas, de novo, os dados mais relevantes não vieram. O jogo de esconde-esconde estimula a suspeita de que possa haver no material recolhido durante a investigação da PF dados mais comprometedores do que aqueles que o delegado Diógenes Curado expôs em seu relatório parcial.

 

O incômodo com o sigilo não é exclusivo da CPI. Na semana passada, também o procurador da República Mário Lúcio de Avelar, que acompanha o dossiêgate pelo Ministério Público, protocolou no Tribunal Regional Federal de Brasília um mandado de segurança no qual requer que lhe seja assegurado o direito de amplo acesso ao inquérito da PF.

 

PS.: Em Cuiabá, o juiz Schneider autorizou a prorrogação do inquérito por mais 30 dias.

Escrito por Josias de Souza às 15h49

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Dúvida diabólica!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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As manchetes desta terça

- Folha: Alckmin cobra ética e Lula exalta política social da TV

- Estadão: Sudeste tem 50% de risco de apagão em 2008

- Globo: Lula fala em entendimento após eleição; Alckmin nega

- Correio: Tiroteio verbal sobe clima da campanha

- Valor: Oferta de ações banca nova onda de fusões e aquisições

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Reta de chegada!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Terceiro debate marcado por repetições e mesmice

Reuters

Se fosse vivo, Ibrahim Sued veria Lula e Alckmin como 'um par de jarros'

 

Certas afirmações, quando muito repetidas, vão perdendo a solenidade inicial. Chegam mesmo a ganhar contornos tediosamente humorísticos. No terceiro debate do segundo turno, Lula ‘nunca ninguém fez tanto por esse país’ da Silva e Geraldo ‘o Brasil pode mais’ Alckmin foram escravos de suas próprias obsessões.

 

Mesmo o eleitor mais interessado deve ter tido dificuldades para permanecer de olhos abertos diante de duas de mesmice –de 22h30 à 00h30. O embate foi, por repetitivo, não ofereceu nenhum novo argumento capaz de virar votos. Algo que conspira em favor da manutenção do cenário favorável a Lula. Um cenário esboçado em todas as pesquisas de opinião. A atmosfera de monotonia foi reforçada pelo "uniforme" dos candidatos. Vivo, Ibrahim Sued chamaria Lula e Alckmin de "par de jarros": dois ternos escuros, duas camisas brancas, um par de gravatas vermelhas.  

 

A despeito de ser o principal interessado na produção de uma reviravolta, Alckmin conseguiu ser mais repetitivo do que o rival. Não foi original nem mesmo na citação. Invocou, pela enésima vez, Santo Agostinho: "Prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me bajulam e me corrompem.” Até o bom padre, a revirar no túmulo, deve estar de saco cheio.

 

Lula teve seu ponto alto numa levantada de bola de Alckmin. O candidato tucano perguntou-lhe por que reduziu em “meio bilhão” os investimentos no Nordeste. “Não faça essa injustiça”, respondeu Lula. “Minha afinidade com o povo nordestino é sangüínea, não é de debate eleitoral”. Mais: “Sei o que é um nordestino acordar, tomar café preto com farinha e passar o dia com aquilo”. Ou ainda: “Vim de lá. Sei o que é um retirante da seca vir para São Paulo ou para o Rio”.  

 

Alckmin prevaleceu sobre o adversário na seara ética. Foi quase tão incisivo quanto no primeiro debate. Uma jornalista perguntou-lhe qual o seu principal defeito. E ele: “Tenho muitos defeitos. Mas roubar, não. Também não jogo a culpa nos outros. Se alguém errar fui eu que errei. Não sou de jogar os amigos na fogueira. Não justifico os meus erros com os erros do passado. Se me perguntassem de onde veio R$ 1,7 milhão, eu chamaria as pessoas que conheço há décadas e perguntaria para elas. Tira esse peso da consciência. Diga ao povo brasileiro”.

 

Nas entrelinhas, Alckmin chamou o adversário de ladrão, omisso, desleal com os amigos e insincero com a população que o elegeu. Foi a vez de Lula soar repetitivo. Sem resposta, repisou a tecla de que “os escândalos aparecem porque o governo apura”. Sujo, não lhe restou senão acusar o mal lavado: Insinuou que a compra de votos começou no escândalo da emenda da reeleição, sob FHC. E lembrou as 69 CPIs abafadas por Alckmin. De resto, aconselhou o rival a perguntar ao tucano Barjas Negri se tem participação no escândalo do dossiê. Remanesceu boiando no ar a pergunta fatídica: De onde veio o dinheiro?

 

No mais, verificou-se o festival de repetições. Alckmin reprisou as críticas ao crescimento econômico pífio. Lula reiterou que “nunca, em nenhum momento da história econômica desse país, tivemos um conjunto de fatores tão positivos”. Alckmin tornou a dizer que ajustará a máquina, tornando-a mais eficiente. Lula voltou a insinuar que o tucano cortará salários e programas sociais. Alckmin reiterou que não vai privatizar estatais. Lula deu a entender, de novo, que o privatismo está no DNA do tucanato...

 

Restou do terceiro debate a impressão de que o quarto debate, marcado para a próxima sexta-feira, tende a ser ainda mais enfadonho. E a sensação de que não resta a Alckmin senão rezar pelo surgimento de outro “fato novo.” E a Lula orar para que não irrompa em cena nenhum outro petista aloprado.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Tarso Genro acusa PSDB de tentar ‘golpe político’

  Sérgio Lima/F.Imagem
A arenga política em que se converteu a disputa presidencial brasileira atravessou o Atlântico. Em entrevista ao diário espanhol El Pais, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) acusou o tucanato de tentar impor a Lula um “golpe político”. O objetivo, disse ele, seria “deslegitimar o resultado das eleições” do próximo domingo.

 

Tarso Genro acusa a mídia de participar do suposto golpe. “Nos últimos dias”, diz ele, “vários meios de comunicação estão oferecendo informações sobre ações ilícitas cometidas por pessoas do PT (...). É um comportamento típico da elite brasileira diante do movimento popular. A elite brasileira é implacável com aqueles que querem levar adiante políticas públicas que conduzam a uma redução das diferenças sociais”.

 

Neste ponto, o ministro aponta o dedo para Fernando Henrique Cardoso. Acusa-o de ser “o porta-voz” da elite arrancada do poder em 2002, com a eleição de Lula. “Fernando Henrique é muito arrogante, representa uma intelectualidade paulista elitista tradicional no Brasil”. Chama-o de mentiroso:

 

“Tínhamos relações civilizadas com Fernando Henrique, mas ele não se comporta como ex-presidente. Não aceita uma eventual vitória de Lula e quer deslegitimá-la. Seu discurso no plano internacional difunde mentiras. Por exemplo, quando afirma que o governo Lula instaurou uma corrupção sistêmica. A verdade é que, durante esses quatro anos, se desenvolveu um trabalho policial e judicial conta a corrupção herdada de governos anteriores, incluindo o de Cardoso.”

    

Tarso Genro repetiu ao El Pais a sua tese de “refundação” do PT. “Queremos um partido com sensibilidade cívica e republicana superior”, afirmou. Segundo ele, “a operação limpeza” do PT “está em curso e vai se aprofundar.” No segundo mandato, afirmou, Lula fará “um governo de qualidade.” Uma administração que “requer novas pessoas.”

 

Depois de ler a entrevista de Tarso Genro ao jornal espanhol, FHC voltou a empunhar a lança. Discursando para uma platéia de 1.300 empresários, a “elite” a que se referia o ministro de Lula, o ex-presidente chamou Lula de “fanfarrão”. E acusou o PT de utilizar a mesma tática nazista de que se valia Joseph Göebbles, o ministro da propaganda de Hitler: "Não se cansam de repetir mentiras, na velha técnica nazista de mente, mente, mente que pega. E pega mesmo, porque [Adolf] Hitler foi eleito. E depois?"

 

Tarso Genro, sempre ele, foi escalado pelo governo para responder a FHC. Disse que “de técnicas nazistas e facistas” quem entende é o PSDB. "A nossa diferença com o Fernando Henrique não é somente moral, é uma diferença também programática. Isso nós podemos provar pela forma que nós tratamos as quadrilhas que vieram do seu governo." A despeito de tudo, o ministro disse que, passada a eleição, FHC deve ser chamado a participar do amplo entendimento que Lula pretende estabelecer com as legendas oposicionistas.

 

Cabe a pergunta: Será que depois de toda essa refrega retórica Lula e FHC terão estômago para dividir uma mesma mesa? O tempo dirá.

Escrito por Josias de Souza às 18h45

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Abel diz que Vedoin ofereceu dossiê antiMercadante

Interrogado nesta segunda pela Polícia Federal, o empresário Abel Pereira, ligado ao PSDB, jogou mais lenha na fogueira do dossiêgate. Disse que Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas, o procurou há cerca de dois meses, para oferecer documentos contra o petista Aloizio Mercadante, que à época ele ainda disputava o governo de São Paulo com o tucano José Serra.

 

Abel foi inquirido pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do caso do dossiê. Disse que não chegou a ler os papéis que Vedoin queria lhe vender. Segundo a sua versão, a negociação não teria prosperado. Não explicou, porém, as razões que o levaram a manter dois encontros com Luiz Vedoin, um em São Paulo e outro em Cuiabá.

 

A PF não divulgou detalhes sobre o depoimento. O blog apurou que a suposta acusação de Vedoin contra Mercadante envolveria a liberação de verbas extra-orçamentárias da pasta da Saúde no valor de R$ 20 milhões. Em nota, Mercadante nega qualquer tipo de envolvimento com a família Vedoin. Classificou o depoimento de Abel como um “factóide” (fato divulgado com sensacionalismo, com o propósito deliberado de gerar impacto).

 

O próprio advogado de Abel, Sérgio Pannunzio, disse, após o depoimento de seu cliente, descrer que Vedoin tivesse documentos capazes de comprometer Mercadante. Também o advogado de Luiz Antônio Vedoin, Eloi Refatti, disse que não existe nenhum dossiê contra Mercadante.

 

Amigo do prefeito tucano de Piracicaba, Barjas Negri, Abel foi acusado formalmente por Luiz Vedoin de ter recebido propinas (6,5%) em troca de liberações de verbas do Ministério da Saúde (cerca de R$ 3,5 milhões) no governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Vedoin, Abel teria negociado com a máfia das sanguessugas como preposto de Barjas Negri, que assumiu a pasta da Saúde em 2002, quando José Serra deixou o governo FHC para concorrer ao Planalto.

 

O advogado Sérgio Pannunzio, disse que o Abel negou à PF que tenha recebido propinas. Segundo ele, o empresário esteve no Ministério da Saúde apenas uma vez, em 2002. Foi intermediar a liberação de verbas para a construção de um hospital em Jaciara (MT). Visitou o então ministro Negri acompanhado do ex-prefeito do município, Valdizete Nogueira (PPS).

Abel reconhece que conhecia a família Vedoin. Admite também que já teve uma empresa em sociedade com Darci Vedoin, o pai de Luiz Vedoin. A firma era sediada no mesmo município de Jaciara. A PF tem em mãos documentos que permitirão verificar as negativas de Abel em relação recebimento de propinas são ou não procedentes. Trata-se de um lote de comprovantes bancários entregue por Luiz Vedoin ao Ministério Público. O sigilo bancário do empresário ligado ao tucanato já foi quebrado.

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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Clima de guerra cerca comício de Lula com Roseana

  O Grito/Edvard Munch
Arma-se uma atmosfera de guerra em torno do último comício de Lula no Nordeste. Será nesta terça-feira, no município maranhense de Timon. Lula dividirá o palanque com Roseana Sarney, que disputa o governo do Maranhão com Jackson Lago (PDT).

 

O governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares (PSB), propaga a suspeita de que o pai de Roseana, o senador José Sarney (PMDB-AP), se aproveitaria da presença de Lula para promover “confusão” no comício. O objetivo seria pôr a culpa na campanha de Jackson Lago.

 

Nesta segunda, véspera do comício, José Reinaldo procurou o governador petista do Piauí, Welligton Dias, que auxilia na organização da viagem de Lula. Recomendou-lhe que engrossasse o esquema de segurança. Revelou ao colega as suspeitas que nutre em relação a Sarney, um ex-aliado que se converteu em inimigo visceral.

 

Informado acerca do encontro, o blog discou para José Reinaldo. Travou com o governador o seguinte diálogo:

 

- Por que Sarney provocaria tumulto no comício de Roseana com Lula?

Hoje saiu uma pesquisa que mostra a Roseana 16 pontos atrás do Jackson Lago, nosso candidato. O Sarney é capaz de qualquer coisa para eleger a filha dele. Estou preocupado. Tenho medo do Sarney. Eu o conheço muito bem. Sei do que ele é capaz. Tenho medo que ele aproveite a presença do presidente Lula aqui no Maranhão para criar uma confusão e culpar todos nós.

- Por que o sr. procurou o governador Wellington Dias?

Recorri ao Wellington porque a viagem do Lula começa pelo Piauí. Só depois ele vem para o Maranhão. A superintendência da Polícia Federal que dá suporte à nossa área fica em Teresina. O escalão avançado da segurança do presidente já esteve por lá. O Wellington mostrou-se prestativo. Disse que vai mobilizar também a PM do Piauí. Agora à tarde, vou ligar para o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).

- Em que se baseia para acusar Sarney de tramar um tumulto?

Temos indícios. Eles já alugaram um apartamento num hospital, como se desejassem internar alguém nesta terá-feira. Estão mandando os deputados deles colocarem no rádio que há um clima de insegurança no Maranhão. Como eu conheço a fera, fico preocupado. Tenho essa suspeita. O Lula só vem ao Maranhão por causa do empenho pessoal do Sarney. Lula não vinha nem ao Piauí nem ao Maranhão. O Sarney lutou muito para o Lula vir. Portanto, se tiver que acontecer alguma coisa vai ser durante esse comício.

 

O blog ouviu também o senador José Sarney:

 

- O que acha da acusação de que o sr. estaria tramando um conflito no comício?

Podem dizer tudo de mim, menos que sou burro. Não existe esse clima no Maranhão.

- A que atribui esse tipo de insinuação?

Eles estão tentando tirar o brilho da festa do presidente Lula e da Roseana. É só isso. Fazem uma política típica do século 17. é esse o tipo de política que temos aqui. Querem criar um fato. Não se deve levar isso a sério. Basta verificar com a Polícia Federal. Eles sabem se temos segurança aqui ou não. Aqui não está acontecendo nada, exceto a tragédia de ainda existirem pessoas que fazem política desse tipo.

 

Aliados de Rosena afirmam que as palavras do governador maranhense denotam o “desespero de quem sabe que irá perder”. Negam que tenham feito reserva de apartamento em hospital. E afirmam que a pesquisa que atribui vantagem de Jackson Lago sobre Roseana, publicada nesta segunda pelo jornal “O Pequeno” foi feita por encomenda do comitê de Lago e não reflete a realidade.

Escrito por Josias de Souza às 15h18

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PT tenta arrancar confissão de aloprados do dossiê

A pedido de Lula, a cúpula do PT desencadeou na semana passada uma operação para tentar persuadir pelo menos um dos petistas aloprados a assumir publicamente a responsabilidade pela tentativa de compra do dossiê antitucano. O objetivo é arrancar uma confissão antes de domingo, dia do segundo turno da eleição presidencial.

Lula já se considera reeleito. Em reserva, parece agora mais preocupado com o dia seguinte. Gostaria de chegar às urnas de domingo sem a espada do dossiê a espetar-lhe a cabeça. Não quer dar aos adversários a chance de ensaiar o discurso de que escondeu o malfeito, para não perder votos. Daí a tentativa de obter rapidamente uma confissão.

 

A cúpula petista opera para afastar a encrenca do comitê do presidente. Para desassossego de Aloizio Mercadante (PT-SP), tenta-se circunscrever o problema à disputa paulista. Porém, o aloprado Hamilton Lacerca, ex-coordenador de Comunicação do comitê de Mercadante, não demonstra, por ora, a menor disposição para assumir a condição de “homem da mala”, responsável pelo transporte do R$ 1,7 milhao que seria usado para comprar o dossiê contra o tucano José Serra.

 

Lacerda não está só. Por enquanto, tampouco os seus companheiros de "alopragem" parecem dispostos a abrir o bico. Ouvidos pela Polícia Federal, nenhum deles admitiu qualquer tipo de vínculo com a coleta e o manuseio do dinheiro. 

 

Os aloprados que foram contatados por emissários da cúpula petista, queixaram-se de abandono. Acusam-se uns aos outros. Atacam o partido, que os estaria tratando de forma indigna. Sob a orientação dos advogados, parecem mais interessados em livrar a própria pele do que em ajudar a desanuviar a cena pós-eleitoral, como deseja Lula.

 

Em conversa com o blog, um auxiliar de Lula desabafou: “Na hora de fazer a besteira, foram todos muito corajosos. Agora, são covardes. Não percebem a dimensão do problema que estão causando.”

Escrito por Josias de Souza às 11h46

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Plim-plim

Vai abaixo uma notícia que você não verá na TV Globo. Saiu na Coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

No Planalto- O presidente Lula e João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, tiveram encontro discreto no Palácio do Planalto, em Brasília, há dez dias, pouco depois do começo do segundo turno da campanha eleitoral. Também participaram da reunião a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Márcio Thomaz Bastos, da Justiça. Os ministros negam o encontro. Marinho admite que ele ocorreu.

Um abraço- Um dos assuntos do encontro foi a campanha presidencial. Os ministros e Lula demonstraram, com a sutileza possível, contrariedade com a TV Globo, que deu ampla e intensa cobertura ao escândalo do dossiê. Toninho Drummond, diretor da Globo em Brasília, diz que João Roberto considerou a conversa "muito civilizada" e que não ouviu reclamações sobre a emissora. Segundo Toninho, o empresário tinha um encontro marcado com Dilma e foi dela a idéia de levá-lo à sala do presidente Lula para "um abraço".

Escrito por Josias de Souza às 09h56

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As manchetes desta segunda

- Folha: Para fechar as contas, SP reduz obras em até 80%

- Estado: Dossiê: saque foi em Nova Iguaçu

- Globo: Dólares para dossiê saíram de corretora em Caxias

- Correio: PF identifica agência de onde saíram dólares para pagar dossiê

- Valor: Governo prevê construção de novas usinas nucleares

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h57

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Homem de bens!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h19

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Alckmin:PT não pode exigir da oposição impunidade

Para Geraldo Alckmin, a disputa presidencial está longe de ser definida. Acha que Lula, do alto de um “salto número 15”, canta vitória antes da hora. A despeito disso, o presidenciável tucano não se esquivou de responder, no programa Roda Viva, a uma pergunta sobre qual seria o comportamento do PSDB caso Lula venha a ser reeleito.

 

Perguntou-se o seguinte: “Haverá terceiro turno?”. E Alckmin: “A eleição é domingo, vamos trabalhar para ganhar (...). Agora, o que o PT não pode exigir da oposição é impunidade. Não é possível. Querer que oposição seja conivente, aí não”.

 

Terminada a entrevista ao Roda Viva, que foi gravada no domingo à tarde e exibida à noite, os repórteres insistiram voltaram a inquirir Alckmin sobre a hipótese de se estabelecer uma trégua pós-eleitoral entre PT e PSDB. Depois de deixar claro que não jogou a toalha, ele disse: "No regime democrático, quem ganha governa, quem perde fiscaliza... Não querer ter fiscalização, é não ter apreço pela democracia."

 

E se o eleito for Alckmin, como acha que irá se comportar o PT? "Tenho certeza de que o PT, mais maduro, tendo ocupado o governo, vai fazer uma oposição mais responsável. E acredito firmemente que dá para ter maioria, que dá para governar bem sem precisar ter mensalão. Isso aí é descrer da democracia."

 

Tanto durante a gravação como na entrevista posterior, Alckmin disse que o mensalão revelou o que chama de “viés autoritário” do PT. Em vez de fazer política, afirmou, o partido de Lula preferiu “comprar” apoios no Legislativo. Perguntou-se a ele se, eleito, não teria que lidar com os mesmos partidos que dão suporte a Lula, incluindo as legendas do mensalão.

 

“Política não é só isso”, reagiu Alckmin. “Tem gente boa também na política. Fui prefeito. Não precisei comprar ninguém para aprovar os projetos de interesse da prefeitura [de Pindamonhangaba]. Mario Covas e eu fomos governadores. Não precisamos comprar ninguém. Essa é uma visão autoritária. Lula se aliou a Newton Cardoso e a Jader Barbalho. PT e Lula escolheram o que havia de pior da na política brasileira”.

 

O que Alckmin esqueceu de mencionar é que também Fernando Henrique Cardoso, seu companheiro de partido, aliou-se “ao que havia de pior na política brasileira.” Fique-se, por suficiente, num dos nomes mencionados pelo candidato: Jader Barbalho. Sob FHC, acomodou seus apadrinhados no Ministério do Desenvolvimento Nacional. Ali, protagonizou o escândalo da Sudam, cujos desvios são estimados na casa dos R$ 3 bilhões.

 

No campo programático, Alckmin reiterou no Roda Viva pontos que realçara nos dois debates televisivos que travou com Lula. Deu especial ênfase à necessidade de retomar o crescimento econômico. Disse que fará cortes orçamentários sem prejudicar os investimentos sociais. Repetiu que não irá privatizar estatais.

 

Instado a comentar a desvantagem em relação a Lula nas pesquisas de opinião, Alckmin criticou os institutos. Disse que trabalham com metodologias equivocadas. Escudado nas sondagens telefônicas feitas por encomenda do seu comitê, disse que a vantagem de Lula é de oito pontos percentuais, não de vinte, como informou o último Datafolha. Uma diferença que julga perfeitamente possível superar na última semana de campanha.

 

Em contraposição ao “salto número 15” sobre o qual Lula estaria se equilibrando, disse que prefere calçar as “sandálias da humildade.” Lembrou que, se as pesquisas estivessem corretas, ele não teria ido ao segundo turno. Para reforçar o seu raciocínio, citou o caso do petista Jaques Wagner, cuja vitória em primeiro turno na Bahia não foi captada pelas pesquisas. Citou também o caso da tucana Yeda Crucius, que figurava nas sondagens em terceiro lugar e foi ao segundo turno no Rio Grande do Sul como a candidata mais votada.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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CPI pode ir ao STF para obter dados do dossiêgate

  Roosewelt Pinheiro/ABr
O vice-presidente da CPI das Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vai propor, em reunião que ocorrerá nesta segunda-feira, que a comissão protocole um mandado de segurança no STF. Jungmann diz que a Justiça e a Polícia Federal estão sonegando dados à CPI, numa “afronta à Constituição”.

Segundo o deputado, a direção da CPI enviara a Cuiabá, na noite da última quinta-feira, um emissário para obter cópia do relatório parcial que o delegado Diógenes Curado, da PF, encaminhou ao juiz Jefferson Shinneider, da 2ª Vara Federal. O documento contém as primeiras conclusões da PF acerca do inquérito que apura o caso do dossiê.

 

O emissário da CPI, Augusto Panisset, funcionário do Legislativo, voltou no sábado, “de mãos abanando”. No instante em que ele aguardava pela cópia do documento, na ante-sala do juiz, as emissoras de TV já divulgavam o conteúdo do relatório do delegado Curado (íntegra aqui).

 

“Isso é uma afronta ao mandamento constitucional que regula o funcionamento das CPIs”, reclama Jungmann. “Ao mesmo tempo que tinha a obrigação de repassar os dados e não passou, a PF vaza o documento para toda a imprensa. E faz um vazamento parcial e seletivo. Entrega o relatório do delegado, cujo conteúdo é´pífio, e esconde os anexos, que incluem as quebras de sigilo telefônico, bancário e fiscal”.

 

Jungmann disse que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) tem “a obrigação de abrir um inquérito para apurar como se deu esse vazamento”. Informado de que o juiz Shinneider suspendera o sigilo judicial que protegia o teor do relatório do delegado Curado, o deputado ironizou: “Com todo o respeito, o senhor juiz está arrombando porta já arrombada”.

 

“O fato concreto é o seguinte: hoje, o país todo conhece o inteiro teor do relatório do delegado Diógenes. Só a CPI não recebeu”, reclama Jungmann. “Pergunto ao ministro da Justiça: quem é o responsável por isso? Ele tem a obrigação de abrir um inquérito para apurar isso. “Quem vazou? Por que vazou parcialmente? Por que não são revelados os anexos, com as quebras de sigilo? Isso tudo precisa ser respondido.

 

Para Jungmann, há um outro episódio “estranho” no comportamento da PF. “O superintendente da PF em Mato Grosso, senhor Daniel Lorenz, veio a público para informar que uma pessoa de renome havia sido identificada. Mas ele se negou a dar o nome. No dia seguinte, vaza-se, sem que ninguém assuma, que o nome famoso é o do ex-ministro José Dirceu. Quem vazou? Por que vazou?”

 

Referindo-se a um despacho divulgado aqui no blog no início da noite de sexta-feira, o deputado acrescentou: “Descobriu-se depois que, diferentemente do que dissera a polícia, não havia apenas um famoso, mas dois. O sr. Lorenz parece que não tinha interesse em informar sobre o envolvimento do chefe-de-gabinete do presidente, o Gilberto Carvalho. Por que não disse que eram dois os famosos? É tudo muito estranho.”

 

Segundo o vice-presidente da CPI, tornou-se inevitável a convocação de José Diceu e Gilberto Carvalho para prestar esclarecimentos à comissão. Do mesmo modo, disse ele, não há como retardar a convocação de Abel Pereira, o empresário ligado ao PSDB que é acusado de receber propinas da família Vedoin, que chefiava a máfia das ambulâncias, para liberar verbas no Ministério da Saúde durante a gestão tucana de Barjas Negri.

Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Quem vai ganhar?

 

 

A cena foi captada pelo sítio Kibe Loko. O apresentador Fausto Silva, da Globo, perguntou a uma das bailarinas do “Domingão do Faustão” quem iria ganhar a disputa travada em torno de um dos quadros do programa, a “Dança no Gelo”. A resposta da moça desconcertou o moço. Veja o que ela disse clicando na imagem acima.

Escrito por Josias de Souza às 16h55

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Lula aconselha a rivais que rezem por sua vitória

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Neste domingo que marca o início da reta final da campanha eleitoral, Lula fez comício em Cidade Tiradentes, bairro pobre da capital paulista. Ao discursar, trocou a ira pela ironia: "Ao invés de eles ficaram com tanta bronca de mim, eles deveriam pedir a Deus que eu ganhasse para eu poder deixar o Brasil muito melhor."

Uma vez mais, a tônica do comício foi a caracterização de Lula como “candidato dos pobres”, em contraposição a Alckmin, “presidenciável dos ricos”. Coube a Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara, dar o tom. Discursando antes do presidente, ele disse que Alckmin parece o "personagem de uma propaganda do Itaú Personalité".

 

Lula foi no mesmo diapasão. Afirmou que "a verdade nua e crua" é que os pobres nunca foram protagonistas do projeto político da elite brasileira, exceto quando há eleições. "Em época eleitoral, pobre vale mais do que banqueiro. Mas, depois das eleições, o pobre não é convidado nem para tomar um cafezinho."

 

O presidente refutou a provocação do tucanato de que tenta dividir o país entre pobres e ricos. "Não quero dividir coisa nenhuma. Eu já nasci pobre", disse, para gáudio da militância presente ao comício. "Se dependesse de mim, a gente não tinha pobres e ricos, só tinha ricos." Disse que administra para todos. "Um presidente da República precisa governar para 190 milhões, não para 30 ou 35 milhões como acontecia neste país".

Geraldo Alckmin fez campanha no Rio, espécie de Waterloo de sua campanha. Visitou uma feira popular no centro de Duque de Caxias, curiosamente a região de onde a Polícia Federal suspeita que tenha vindo parte do dinheiro que seria usado por petistas para comprar o dossiê antitucano. Para a PF, pelo menos R$ 5 mil do total de R$ 1,7 milhão apreendido provém do jogo do bicho carioca.

 

Ciceroneado pelo ex-prefeito de Caxias, José Camilo Zito (PSDB), eleito o deputado estadual mais votado do Rio, Alckmin desdenhou a própria inanição de votos. Atrás de Lula em todas as pesquisas, o presidenciável tucano disse: "A pesquisa que vale é de domingo, dia 29."

 

Acha que a diferença que o separa de Lula –entre 20 e 24 pontos percentuais, dependendo da pesquisas— é "pequena.” Avalia que “dá para tirar a diferença tranqüilamente. No primeiro turno eu nunca passava de 30%, e quando abriu a urna eu tive 41,5%."

  

Alckmin passeou em meio à ilegalidade. Percorreu dezenas de barracas que se dedicam ao comércio de CDs e DVDs piratas. Em dado momento da caminhada, como a confirmar as diferenças realçadas no discurso de Lula, o tucano desviou de um pedinte que estava no chão. Só depois de ter sido alertado por assessores, ele voltou e apertou a mão do mendigo.

 

Em seguida, Alckmin e sua comitiva deram de cara com um grupo de militantes petistas. Tremulavam bandeiras vermelhas. Seus partidários trocaram gritos com a tropa adversária. Alckmin tratou de apressar o passo. Encerrou a caminhada num bar. Tomou café e agradeceu ao ex-prefeito Zito: "Foi muito bom."

Escrito por Josias de Souza às 16h07

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Lula age para que Berzoini não volte a presidir PT

  Tuca Vieira/F.Imagem
O Palácio do Planalto manobra para que o deputado Ricardo Berzoini (SP) não volte mais à presidência do PT. Forçado a se licenciar do cargo no último dia 6 de outubro, nas pegadas do dossiêgate, Berzoini tem a pretensão de retomar o comando do partido depois da eleição presidencial. Lula, porém, não quer que ele volte. Disse isso, sem volteios, em conversa com um dirigente do PT na última sexta. O ideal, afirmou o presidente, seria que a saída de Berzoini fosse algo “sem volta”.

Em reserva, Lula já não fala como candidato. Projeta o futuro como se a reeleição fosse coisa do passado. Anuncia a intenção de buscar o entendimento com a oposição.
Deseja iniciar ainda neste ano ao menos a discussão o em torno da reforma política. “Como vou chamar outros partidos para conversar se na presidência do meu partido estiver uma pessoa que todo mundo olha com a cara virada?”

Lula defende que o PT antecipe um encontro nacional que programara para setembro de 2007. Acha que o encontro deveria ocorrer até dezembro, para que o petismo pudesse renovar a sua direção e rediscutir o papel que irá desempenhar num eventual segundo mandato de Lula no Planalto.

Na conversa com o dirigente petista, na última sexta, Lula disse as eleições deste ano criaram no PT uma nova correlação de forças. Mencionou o triunfo de Jaques Wagner e de Marcelo Déda, eleitos em primeiro turno para os governos da Bahia e de Sergipe. Para Lula, o PT não pode mais continuar se comportando como se fosse “um partido de São Paulo”. Acha que a legenda se “nacionalizou”. E as forças “emergentes” têm de ter representação na direção partidária.

Antes de se licenciar da presidência do PT, Berzoini já havia sido afastado por Lula da coordenação da campanha reeleitoral. A providência foi adotada para tentar evitar que o escândalo do dossiê contaminasse a candidatura de Lula. Berzoini caiu em desgraça porque os petistas os principais petistas “aloprados” do dossiêgate haviam sido recrutados por ele para trabalhar no birô de “inteligência” do comitê de Lula.

Berzoini alega que a tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos foi feita à sua revelia. Mas, em privado, a cúpula do PT acha improvável que Jorge Lorenzetti, chefe da equipe de “análise de risco” da campanha, tenha agido sem o conhecimento do então presidente do partido. Na opinião de Lula, ainda que as investigações da Polícia Federal não consigam reunir provas contra Berzoini, a autoridade política do deputado estaria comprometida.

Na mesma reunião em que Berzoini foi instado a se licenciar da presidência do PT, a Executiva do partido decidiu expulsar todos os “aloprados” do dossiê. Não se imagina que Berzoini venha a padecer uma sanção tão draconiana. Mas a idéia de afastá-lo em definitivo da presidência da legenda, impulsionada pelos sinais emitidos por Lula, começa a se disseminar no PT.

Escrito por Josias de Souza às 14h33

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As manchetes deste domingo

- Folha: 1/3 da nova Câmara possui patrimônio maior que R$ 1 mi

- Estadão: PF mira em Carvalho e Dirceu no caso do dossiê

- Globo: Presidente eleito terá de cortar de saída R$ 5 bi

- Correio: CPI quer ouvir Dirceu e Carvalho sobre dossiê

- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h33

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Fantoches!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 07h28

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Veneno pós-eleitoral

Veneno pós-eleitoral

É natural que candidatos e partidos em campanha tentem pintar os adversários com as piores cores. É normal também que se empenhem em embaraçar os movimentos do inimigo. Porém, há na atual cruzada eleitoral algo que foge aos padrões. Arma-se um clima de fim do mundo para depois da disputa presidencial.

Envenenou-se demais a atmosfera. Um lado, o de Alckmin, afirma que um novo governo petista acabaria antes mesmo de começar. O outro lado, o de Lula, confunde o noticiário legítimo sobre corrupção e perversões com uma aliança imaginária da mídia com setores da “direita”, para prejudicar o “pai dos pobres”.

PT e PSDB, as duas legendas que enxergam no horizonte a perspectiva de poder, precisam levar a mão à consciência. O discurso aguerrido, próprio de toda campanha, está a um passo de ultrapassar a fronteira que leva à retórica insana. O país não merece que os dois frutos mais viçosos que sua democracia foi capaz de cultivar entreguem-se agora a um flerte irresponsável com a ruptura institucional.

Aliados no combate à ditadura, petistas e tucanos não têm –ou não deveriam ter— o perfil de uma gente que o marechal Castello Branco, há mais de 40 anos, chamava de "vivandeiras alvoroçadas”. Gente que ia "aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar".

Mas as últimas semanas demonstram que o Brasil, embora já não tenha mais militares dispostos a extravagâncias, ainda não se livrou dos acessos de histeria política. Foram-se as aventuras fardadas, mas remanesce a idéia de “derrubar”, de “inviabilizar” governos legitimamente eleitos.

Considere-se, por mais provável, a hipótese de vitória de Lula. Foi escolhido em 2002 por 52 milhões de brasileiros. Prometera uma prosperidade de 10 milhões de empregos e uma moralidade de mosteiro. Noves fora os êxitos de uma administração por avaliar, entregou a estagnação do PIB e a corrupção.

A despeito disso, um número ainda maior de eleitores parece disposto a confiar-lhe um novo mandato. O que fazer? Respeitar a vontade popular. Permitir que Lula governe. Exatamente como aconteceu em 98, quando FHC foi reeleito. O “príncipe” conduzira um governo que também não foi nem imaculado nem próspero. Lula cansou de avisar que o dólar a R$ 1,20 era piada, que resultaria em recessão e desemprego. O eleitor não lhe deu ouvidos.

Agora, Alckmin e seus aliados estão roucos de avisar: a perversão que assola o governo e o PT não é culpa nem de José Dirceu nem de Delúbio Soares nem de Ricardo Berzoini. O culpado é Lula. Tendo se acercado da turma dos 40 e da súcia de aloprados, o presidente não teve pulso para limpar a área no primeiro desastre. Confraternizou com malfeitores, estimulando a reiteração dos malfeitos.

O eleitor está na bica de engolir a tese do “não sabia”. Paciência. É do jogo. O PSDB tem em seus quadros dois dos mais vistosos presidenciáveis de 2010: Serra e Aécio. Se insistir em jogar lenha na fogueira da histeria pós-eleitoral, o tucanato compromete o próprio futuro. Aviva um fogo que amanhã pode queimar os seus. Há denúncias apresentadas e investigações em curso. O STF e o TSE acompanham tudo. Para encrencas assim, não há melhor remédio do que o bom funcionamento das instituições. Deixe-se que as leis funcionem. 

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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PF chega a laranjas que sacaram dólares do dossiê

A Polícia Federal já identificou sacadores de parte dos dólares que seriam usados por petistas para comprar o dossiê contra políticos tucanos. São “laranjas”. No jargão policial, um “laranja” é um intermediário, que efetua, por ordem de terceiros, transações financeiras fraudulentas, para ocultar a identidade do verdadeiro comprador dos dólares.

Identificou-se também a casa de câmbio de onde saiu parte do dinheiro. Fica no Rio de Janeiro. Nos próximos dias, a PF pretende interrogar o vendedor e os compradores suspeitos. Não se exclui a hipótese de decretação de novos pedidos de prisão.

 

O dinheiro do dossiê (R$ 1,75 milhão) foi apreendido no dia 15 de setembro. Encontrava-se com o empresário petista Valdebran Padilha e com o ex-agente da PF Gedimar Padilha, que agia a mando do PT. Parte das cédulas –R$ 1,168 milhão— era de reais. Outra parte –US$ 248,8 mil— era de dólares americanos (veja foto acima). É no rastreamento do naco em dólares do dossiê que a PF joga todas as suas fichas.

 

Uma parte dos dólares retidos tem numeração seqüencial. Com a ajuda do governo dos EUA, soube-se que o dinheiro entrou no Brasil num lote de US$ 15 milhões adquirido pelo Banco Sofisa, de São Paulo. Até aí, tinha-se o controle da numeração das notas.

 

Seguiu-se uma cadeia de revenda dos dólares em operações que não contemplam a anotação do número de série das notas. O Sofisa revendeu os dólares a corretoras, que os repassaram a mais de duas dezenas de pequenas casas de câmbio, que os negociaram com particulares.

 

A PF tenta desvendar o último elo dessa corrente, que envolve os negócios feitos entre as casas de câmbio e os particulares. Foi esse trabalho, que envolveu batidas em casas de câmbio do Rio, de São Paulo e de Florianópolis (SC), que permitiu chegar aos primeiros “laranjas”. O receio é o de que, interrogados, esses “laranjas” afirmem desconhecer o comprador que se esconde atrás da operação fraudulenta. Se isso ocorrer, a PF volta à estaca zero o front financeiro do dossiêgate.

 

Os investigadores têm pressa. Incomoda com as acusações do PSDB e do PFL de que estaria retardando a apuração, a PF deseja apresentar algo conclusivo antes do dia 29 de outubro, data da realização do segundo turno da eleição presidencial. Aguarda apenas uma decisão da Justiça Federal quanto ao pedido de prorrogação do inquérito, para dar seqüência à apuração.

 

O juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, já informou que irá autorizar a prorrogação por mais 30 dias. Deve fazê-lo no início da semana. Em seguida, a PF encaminhará as providências legais para o interrogatório dos suspeitos de envolvimento na comercialização dos dólares.

 

Quanto aos reais, prevê-se também para os próximos dias novas batidas policiais em bancas do jogo do bicho de Duque de Caxias e Campo Grande, no Rio de Janeiro. Acredita-se que pelo menos R$ 5 mil tenham vindo do jogo. Não há, por ora, nenhuma pista que leve ao restante dos reais. Para a PF, a origem do dinheiro é ilícita. Concluiu-se, porém, que a maior parte do dinheiro não transitou pelo sistema financeiro, o que dificulta o rastreamento.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Secretário de Lula ligou para 'articulador' do dossiê

 

- Estadão: Assessor de Lula foi o mentor do dossiê, diz PF

 

- Globo: Amigo de Lula coordenou operação do dossiê, diz PF

 

- Correio: PF: amigo de Lula articulou dossiê

 

- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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De legume para réptil!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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Lorenzetti ‘articulou’ compra do dossiê, diz PF

  Alan Marques/Folha Imagem
O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, encaminhou nesta sexta relatório à Justiça pedindo a prorrogação das investigações por 30 dias. No texto, a primeira manifestação oficial da Polícia Federal sobre o caso, o delegado afirma que o aloprado Jorge Lorenzetti (na foto) é a “pessoa que articulou em âmbito nacional a compra do dossiê" antitucanato.

Lorenzetti chefiava o birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Respondia diretamente ao deputado Ricardo Berzoini, que presidia o PT e coordenava a campanha reeleitoral. Foi afastado depois que o escândalo ganhou o noticiário. Demitiu-se também da diretoria do BESC (Banco do Estado de Santa Catarina), onde fora acomodado a pedido de Lula.

 

O blog apurou que o juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, vai conceder a prorrogação de prazo solicitada pela PF. Pressione aqui para ler a íntegra do relatório de Diógenes Curado. E leia abaixo os principais pontos das conclusões parciais do delegado:

 

1. Origem do dinheiro: Curado afirma que não há nos depoimentos colhidos até aqui pela PF nenhuma indicação que possa levar à origem do R$ 1,7 milhão apreendido com os aloprados Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro, em batida da PF no Hotel Íbis, de São Paulo. Sustenta que o dinheiro tem origem ilegal e proveio de fontes diversas. Diz que a política logrou identificar indícios de que parte dos reais apreendidos veio do Jogo do Bicho. E afirma que estão sendo feitas diligências complementares para identificar a origem das cédulas de dólar que compunham os maços retidos pela PF. Mencionam “fraudes” como a utilização de “laranjas”, para dificultar as investigações;

 

2. Objetivos do dossiê: Curado diz ter "certeza” de que o dossiê “visava alterar o rumo das pesquisas” eleitorais na disputa pelo governo de São Paulo, em prejuízo do candidato tucano José Serra, que disputava o Palácio dos Bandeirantes com o petista Aloizio Mercadante, segundo colocado à época da descoberta do caso. O delegado não faz menção ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin, que vem vendendo na propaganda eleitoral televisiva a tese de que o dossiê visava prejudicá-lo, sem fazer menção a Serra. Curado informa à Justiça que ouvirá, na hora própria, o senador Mercadante, derrotado por Serra;

 

3. Homem da mala: Curado reitera no relatório que encaminhou à Justiçam uma suspeita que já ganhou o noticiário: a de que Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha de Mercadante, foi quem levou o dinheiro aos alopradps que se encontravam no Hotel Íbis no dia 15 de setembro. Em depoimento à PF, Lacerda negou o fato. Mas o delegado afirma que "está cada vez mais difícil acreditar na sua versão";

 

4. Novos interrogatórios: além do desejo de ouvir Mercadante, Curado informa à Justiça que pretende reinquirir os aloprados Jorge Lorenzetti, Hamilton Lacerda, Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Quer ouvir de novo também Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Deseja interrogar ainda os responsáveis pela Revista IstoÉ. Informa, de resto, que “outros envolvidos” foram identificados a partir da análise dos dados coletados a partir das quebras de sigilo telefônico. Não dá os nomes nem esclarece se irá chamá-los para depor.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Patriarca dos Vedoin confirma ter subornado Abel

A notícia abaixo saiu na Folha (assinantes) deste sábado:

“O empresário Darci José Vedoin, 60, confirmou ontem à Justiça Federal em Cuiabá que a máfia dos sanguessugas subornou Abel Pereira, amigo do ex-ministro da Saúde no governo FHC e atual prefeito de Piracicaba (SP), Barjas Negri (PSDB).


Foi a primeira vez que Darci foi ouvido pela Justiça sobre a acusação contra Abel. Até então, as acusações partiam de Luiz Antônio Vedoin, 31, chefe da máfia dos sanguessugas e filho de Darci.

Luiz Antônio dizia que seu pai acertara o negócio com Abel, empresário de Piracicaba. Ontem, Darci confirmou essa versão ao juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal. Na próxima segunda-feira, Abel deporá na PF no inquérito que apura o envolvimento dele com a máfia dos sanguessugas.

Luiz Antônio entregou à Justiça, no dia 14 de setembro, comprovantes de depósitos e cópia de nove cheques, totalizando cerca de R$ 600 mil. Segundo o empresário, os valores correspondiam a propina paga a Abel. Luiz Antônio disse que Abel conseguiu a liberação de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões no Ministério da Saúde, no fim de 2002, devido à sua ligação com Barjas”.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Ibope confirma ampliação da vantagem de Lula

Nelson Rodrigues dizia que “a dúvida é autora das insônias mais cruéis”. Inversamente, afirmava ele, “uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível”.

 

Dá-se justamente o oposto com Geraldo Alckmin. O que lhe tira o sono não é a dúvida, mas a certeza. A certeza de que o Planalto vai se tornando um sonho cada vez mais distante.

 

O pesadelo de Alckmin vem sendo esboçado nas pesquisas. Uma após a outra. Primeiro o Datafolha; depois o Vox Populi. Nesta sexta, o Ibope. Deu no Jornal Nacional (assista).

 

No intervalo de uma semana, o índice de intenções de voto de Lula subiu de 52% para 57%. O de Alckmin, decaiu de 40% para 36%. Diferença de 21 pontos percentuais.

 

O quadro parece ainda mais adverso para o tucano quando são contabilizados apenas os votos válidos, excluindo-se os brancos, os nulos e os eleitores indecisos. É como faz o TSE na hora de promover a contagem oficial. Neste caso, Lula amealha 62% dos votos. Alckmin, 38. Diferença de 24 pontos.

 

Como se vê tudo o que Alckmin necessita no momento é o sonífero de uma dúvida, não a certeza cada vez mais sólida que arde sob seu colchão.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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PF investiga suposto elo de Dirceu com dossiêgate

Folha Imagem
 

 

A Polícia Federal confirmou nesta sexta que investiga um suposto elo ente o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de intenligência da campanha de Lula e um dos principais envolvidos no dossiêgate. A quebra do sigilo telefônica de Lorenzetti revelou que ele manteve um diálogo com Dirceu dias antes da prisão dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha, em 15 de setembro, no instante em que transacionavam o dossiê contra políticos tucanos.

 

Na véspera, a PF informara que um “novo personagem”, bastante conhecido, havia sido identificado nas investigações do caso do dossiê. A informação eletrificou os subterrâneos da política. O nome de Dirceu não tardou a vir à tona.

 

O advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima, confirmou a existência de uma ligação telefônica de pouco mais de três minutos de seu cliente com Lorenzetti. Disse que o ex-ministro não se recorda do conteúdo da conversa. Está convicto, porém, de que não tratou de nada que se relacionasse com a tentativa de compra do dossiê.


"O que é inacreditável é fazerem uma elucubração em cima de uma ligação de 3 minutos. É uma leviandade", afirma o advogado Oliveira Lima. "Se eu tiver que processar alguém por causa disso, eu não hesitarei em fazê-lo". A PF detectou também ligações de Lorenzetti para Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula na presidência da República (leia despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Secretário de Lula trocou ligações com Lorenzetti

A quebra do sigilo telefônico do petista Jorge Lorenzetti, personagem central do dossiêgate, revela que ele trocou telefonemas com Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula no Planalto. Os dois conversaram pelo menos duas vezes em 15 de setembro, dia em que veio a público a tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por petistas.

 

Lorenzetti está sob investigação da Polícia Federal por conta de seu envolvimento no caso do dossiê. Por isso teve o sigilo telefônico quebrado. Ele chefiava o birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula, onde estavam lotados os principais äloprados” do dossiê. Respondia ao deputado Ricardo Berzoini, então presidente do PT e coordenador da campanha reeleitoral.

 

Deu-se pouco depois das 10h da manhã do dia 15 de setembro o primeiro contato telefônico entre Lorenzetti e Gilberto Carvalho. Quem ligou foi o secretário de Lula. Os dois voltariam a se falar pouco antes das 19h do mesmo dia. Dessa vez coube a Lorenzetti telefonar. O blog ouviu Gilberto Carvalho. Ele confirmou os telefonemas. Contou o seguinte:

 

1. Carvalho estava com Lula na produtora do jornalista João Santana, responsável pelo marketing  da campanha reeleitoral. O presidente gravava programas para a propaganda eleitoral televisiva. Súbito, Carvalho recebeu um telefonema. Foi informado de que a PF prendera Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT.

 

2. “Assim que recebi essa informação, deixei o presidente na produtora e vim pra cá [Planalto]. A informação chegou muito atravessada. Me disseram que o Lorenzetti estava no rolo. Então, liguei pra ele. Era a pessoa mais próxima que eu conhecia dessa gente”, relatou Carvalho. “Perguntei: ‘Lorenzetti, que história é essa, que loucura é essa?’ Ele estava muito assustado. Explicou que tinham ocorrido as prisões”.

 

3. De volta das gravações, Lula teve um compromisso de agenda no Planalto. Em seguida, Carvalho foi ao presidente. “Antes de ele ir para o almoço, falei: tem uma coisa chata. Não sei ainda direito o que é. Prenderam duas pessoas em São Paulo, com dinheiro. Parece que é negócio de dossiê. Falei com o Lorenzetti, mas ele não soube precisar direito o que é. O presidente pôs a mão na cabeça e disse: ‘Não acredito que isso possa estar acontecendo nesse momento da campanha’”.

 

4. No final da tarde do mesmo dia 15 de setembro, Lorenzetti discou para Gilberto Carbalho. Foi o segundo diálogo do dia. Carvalho conta: “No primeiro telefonema, ele não sabia direito o que tinha acontecido. Disse: ‘depois a gente se fala melhor’. Voltamos a falar às 18h41. Aí ele deu mais informações, que as pessoas tinham sido presas e que estavam tentando saber o que estava acontecendo. Depois disso, eu não falei mais com ele, até por prudência.”

 

O blog apurou que houve outros telefonemas entre Lorenzetti e Carvalho. Consultando os registros da Presidência, o secretário de Lula diz que, antes do dia 15 de setembro, a última vez que falara com Lorenzetti fora em 28 de agosto. “Em geral, foram ligações relacionadas à agenda do presidente. O Lorenzetti intermediava as idas do presidente a Santa Catarina. Várias vezes eu falei com ele por conta desse negócio da agenda”, diz Carvalho.

 

A partir de setembro, informa Carvalho, a responsabilidade pela montagem da agenda de campanha de Lula foi transferida para César Alvarez, um assessor da Presidência que se licenciou do cargo para trabalhar no comitê de campanha. Desde então, Carvalho diz que não ter mais conversado com Lorenzetti, exceto no dia 15 de setembro.

 

A quebra dos sigilos revela que Gilberto Carvalho trocou telefonemas também com Freud Godoy. São ligações “funcionais”, diz Carvalho. Godoy era assessor especial da Presidência, lotado no gabinete pessoal de Lula, que é chefiado por Carvalho. A PF não exclui a hipótese de convocar Carvalho prestar esclarecimentos. A própria polícia informa, porém, que Gilberto Carvalho não está sendo tratado como suspeito no caso do dossiê. “Não tenho nada a esconder”, disse Carvalho.

Escrito por Josias de Souza às 18h18

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Fantasma boliviano reaparece na véspera da eleição

O nacionalismo boliviano continua pairando sobre a Petrobras. Pela folhinha de La Paz, a encrenca terá de ser resolvida até 28 de outubro, véspera do segundo turno da eleição brasileira. Estão em jogo: 1) o reajuste nos preços do gás que a estatal brasileira extrai do subsolo boliviano; 2) a nacionalização das instalações da Petrobras.

O Brasil está para a Bolívia como o martelo está para o prego. Porém, a forma açucarada como Lula tratou o companheiro Evo Morales fez com que se invertessem os papéis. 

A administração de Morales está pouco se lixando para as prioridades eleitorais de Lula. Não abre mão de bater o martelo até o dia 28. "Essa é a data que se mantém e o governo não tem considerado a possibilidade de um adiamento. Continuaremos fazendo esforços para assinar os contratos até o último minuto do dia 28 de outubro", disse Carlos Villegas, ministro boliviano de Hidrocarbonetos, à agência Reuters.

Escrito por Josias de Souza às 14h48

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As manchetes desta sexta

- Folha: Lula tira corrupção de foco em debate

- Estadão: Investigado, Freud mantém contato com assessor de Lula

- Globo: Petista confirmou que Freud mandou comprar o dossiê

- Correio: Justiça quebra sigilo de ex-assessor de Lula

- Valor: Dobram importações de bens de consumo durável

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Recorde aloprado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Empata o segundo debate, ótimo resultado para Lula

Marlene Bergamo/Folha Imagem
 

Foi um debate morno, em que a cabeça prevaleceu sobre o fígado. Terminou empatado. É improvável que um candidato tenha roubado votos do outro com o lero-lero esgrimido diante das câmeras do SBT. O que para Lula, na dianteira em todas as pesquisas, não deixa de ser um ótimo resultado.

O confronto nem de longe lembrou a luta de boxe da TV Bandeirantes. Foi um embate mais tático. Conforme noticiado aqui no blog, o cotejo de propostas prevaleceu sobre a agressividade. Alertado pelas pesquisas de que o eleitor prefere o arrulho ao grito, Alckmin parece ter-se convencido de que teve no primeiro debate uma vitória de Pirro. E usou um timbre mais comedido. Lula, menos tenso, esgrimiu números e ironias. Pôde comparar-se a FHC. 

 

Nenhum dos dois conseguiu disfarçar a condição de candidatos amestrados. Exibiram em cena uma sucessão de poses e máscaras, recolhidas na usina de marketing de seus comitês. A autenticidade foi soterrada sob camadas de diversionismo e tergiversação.

 

Instado pela mediadora Ana Paula Padrão a discorrer sobre “agricultura”, Lula levou ao nariz os óculos de leitura. Espargiu no rumo do telespectador um lote de números. Disse que o setor foi brindado com "o maior orçamento dos últimos 30 anos". Máscara. “A agricultura foi levada pela omissão do governo à maior crise dos últimos 40 anos”, devolveu Alckmin, com a pose de quem, no primeiro turno, bateu o adversário nas regiões que têm a economia escorada no agronegócio.

 

Brindado pela mediadora com um quindim –o tema “corrupção”—, Alckmin esbaldou-se. Desfiou todo o rosário de escândalos da era Lula: Waldomiro Diniz, Correios, mensalão, Land Rover, Gtech, Visanet, cartilhas da Secom e dossiêgate. Em vez do arremate histriônico do primeiro debate –“De onde veio o dinheiro?”— foi manso: “A sociedade merece explicações”. E Lula: “Acho que vamos ter a campanha de uma nota só.” Máscara. “Se as coisas estão aparecendo é porque o governo está apurando como em nenhum outro momento”. Coisa que, segundo insinuou, o tucanato não fazia. “Não é uma nota só. Estamos falando de um milhão e 700 notas”, devolveu Alckmin. Pose.

 

Ao falar sobre segurança pública, Alckmin saiu-se com o lero-lero usual: 90 mil bandidos presos, redução de homicídios (50%) e latrocínios (70%). Empurrou a encrenca para Brasília, que não fechou as fronteiras para droga e armas. “Como presidente, vou assumir as responsabilidades”. Máscara. “Pelo amor de Deus, que o povo de São Paulo não ouça, porque vai pensar que vai ter um PCC no Brasil inteiro. Depois de 12 anos, não conseguiu fazer em São Paulo, como vai conseguir fazer no Brasil?”, ironizou Lula. Pose.


Em vez de dar ênfase à ética, como fizera na Bandeirantes, Alckmin agarrou-se à saúde. Foi e voltou ao tema três vezes. À acusação de que o SUS piorou, Lula respondeu com outra tediosa leitura de números. Disse que o rival não reconhece a melhoria por que não é usuário de hospitais públicos. Pose. E Alckmin: “Eu me submeti a três cirurgias, todas na Santa Casa de Pindamonhangaba”. Máscara.

 

Lula jogou o anzol da privatização. “Não precisa ficar nervoso”, provocou. Alckmin fez pose de peixe ensaboado. Deslizou para outro assunto. Disse que, sob Lula, o número de desempregados aumentou de 8 milhões para 9 milhões. Só no final encarou a isca. Negou que vá vender estatais. Defendeu FHC. A venda das teles, disse, facultou a 90 milhões de brasileiros o acesso ao celular. Afirmou que Lula também levou ao martelo dois bancos -o do Maranhão e o do Ceará.

 

Pendurado a um ranking de “The Economist”, Alckmin disse que o Brasil (2,3% de crescimento do PIB em 2005) ficou na rabeira dos emergentes. Irônico, Lula chamou-o de “colonizado”. Só dá crédito, afirmou, ao que sai no “The New York Times” ou na revista britânica. Disse que, “sem mágica e sem pirotécnica”, preparou o Brasil para crescer “nos próximos 15 anos”. Máscara.

 

Alckmin, fazendo pose para a lente: “Somos diferentes. Ele acha que está tudo bem. Fala em daqui a 15 anos. Eu tenho pressa. O Brasil pode mais”. As palavras soaram como música na Avenida Paulista. Mas não chegam a sensibilizar o eleitor pobre. A clientela do Bolsa Família, informam todos os estudos disponíveis, experimenta a sensação de que o Brasil é uma China (crescimento anual de 10%). É esse naco do eleitorado que vem fazendo a balança das pesquisas pender para Lula. É um tipo de eleitor que não fica até tarde diante da TV para ver debate. Quando Alckmin dizia ter "pressa", ele já estava no terceiro sono. Tinha de pegar no batente cedo.

Escrito por Josias de Souza às 01h15

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Quebrados sigilos bancários de Freud e Lacerda

A Justiça Federal autorizou nesta quinta a quebra dos sigilos bancários de Freud Godoy e de Hamilton Lacerda. Godoy é ex-segurança de Lula e ex-assessor do gabinete pessoal do presidente. Lacerda é ex-coordenador de Comunicação da campanha petista de Aloizio Mercadante do governo de São Paulo.

 

A quebra dos sigilos fora solicitada há dois dias pelo procurador da República Mário Lúcio de Avelar, responsável no Ministério Público pela apuração do dossiêgate. Avelar solicitara também a abertura das contas da mulher de Freud, Simone Messeguer Godoy, e da empresa do casal, Caso Sistemas de Segurança. A Justiça negou.

 

Freud foi envolvido no caso do dossiê pelo “aloprado” Gedimar Passos, preso pela Polícia Federal em 15 de setembro, no Hotel Íbis, de São Paulo, junto com o petista Valdebran Padilha. Com os dois, a PF apreendeu R$ 1,7 milhão, em notas de real e de dólar.

 

Inquirido no dia da prisão, Gedimar disse que a ordem para a compra do dossiê contra políticos tucanos partira de Freud. Em manifestação posterior, encaminhada ao TSE, o “aloprado” modificou a versão. Disse que mencionara Freud depois de ter recebido uma falsa promessa do delegado que o interrogou, Edmilson Pereira Bruno, o mesmo que responde a sindicância interna da PF por ter vazado as imagens do dinheiro do dossiê na antevéspera do primeiro turno, 29 de setembro.

 

Quanto a Lacerda, a PF está convencida de que foi ele quem levou o dinheiro ao Hotel Íbis. Imagens do circuito interno de TV do hotel, recolhidas pela polícia, mostram Lacerda entrando no estabelecimento no dia da apreensão do dinheiro portanto uma mala. Interrogado, o ex-assessor da campanha de Mercadante disse que levou boletos para contribuições de campanha, não dinheiro.

 

Porém, Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, pôs em dúvida a alegação de Lacerda. Em depoimento à PF, o presidente licenciado do PT disse que não era atribuição de Lacerda recolher donativos de campanha. Foi em função desse desencontro de versões que o procurador Avelar julgou conveniente pedir a quebra dos sigilos de Freud e Lacerda. Resta agora aguardar pelo cumprimento da ordem judicial.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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CPI suspeita que Lorenzetti comprou US$ 150 mil

  Roosewelt Pinheiro/ABr
A CPI das Sanguessugas investiga uma suposta compra de dólares feita por Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de inteligência do comitê de campanha de Lula. Ele teria adquirido US$ 150 mil numa casa de câmbio chamada Centaurus, de Florianópolis (SC). A suspeita é de que o dinheiro integre o lote de cédulas que seriam usadas por petistas para comprar, em 15 de setembro, um dossiê contra políticos tucanos.

 

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI, diz que a informação chegou à comissão, que agora busca confirmá-la. A Centaurus nega que tenha transacionado dólares com Lorenzetti. Contatado pelo deputado, o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, esquivou-se de confirmar se a Polícia Federal também persegue a mesma pista. Limitou-se a dizer que a cidade de Florianópolis é um dos focos da investigação.

 

A suspeita da CPI nasceu assim:

 

1) um ex-funcionário graduado do Banco Central, cujo nome Jungmann mantém em sigilo, discou para o deputado para informar sobre dados que supostamente estariam armazenados nos computadores do BC;

 

2) informou algo que já é sabido: as cédulas de dólar que compunham o R$ 1,7 milhão apreendido pela PF em poder dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha vieram dos EUA. Compunham um lote de US$ 15 milhões adquiridos pelo Banco Sofisa, de São Paulo;

 

3) depois de custodiar os dólares na casa de valores Brinks, o Sofisa revendeu-os a 14 corretoras. Uma delas, chamada Action, teria adquirido US$ 500 mil;

 

4) a Action, por sua vez, também teria revendido os dólares a outras casas de câmbio. Entre elas a catarinense Centaurus, situada no número 183 da Avenida Osmar Cunha, em Florianópolis;

 

5) coube à Centaurus, segundo a suspeita divulgada por Jungmann, revender US$ 150 mil a Jorge Lorenzetti, por meio de uma transação a cabo. Nesse tipo de transação, o dinheiro é enviado para uma instituição financeira no exterior e disponibilizado ao comprador no Brasil;

 

Se for verdadeira, a informação transforma em pó o depoimento que Lorenzetti prestou à Polícia Federal. O ex-analista de risco da campanha reeleitoral, que respondia diretamente a Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, disse à polícia que nada sabia a respeito do dinheiro apreendido no Hotel Íbis, em São Paulo. Disse ter ficado “chocado” ao tomar conhecimento do fato, pelo noticiário.

 

É preciso deixar claro que os dados divulgados por Raul Jungmann estão pendentes de confirmação. A casa de câmbio Centaurus nega que tenha vendido dólares a Lorenzetti. Em contato com o blog, Aldo de Campos Costa, advogado de Lorenzetti, disse que "as ilações do deputado são absolutamente infundadas". Depois de contatar o seu cliente, Campos Costa disse que Lorenzetti reitera o depoimento que prestara à PF. Ou seja, não sabe de onde veio e não tem nada a ver com o dinheiro do dossiê.

 

Para o advogado de Lorenzetti, declarações de políticos sobre o dossiêgate devem ser vistas "com reservas", uma vez que são "pessoas interessadas em influir no andamento do processo eleitoral". Resta aguardar que a Polícia Federal diga se as suspeitas divulgadas por Jungmann são ou não procedentes.

Escrito por Josias de Souza às 17h12

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Alckmin agora elogia Nakano e defende déficit zero

Definitivamente, os eleitores precisam tomar cuidado com a pregação dos candidatos. Deve-se evitar confundir discurso com densidade. Na semana passada, o economista Yoshiaki Nagano, cabeça coroada do programa econômico de Geraldo Alckmin, dissera que o novo presidente teria de cortar gastos, para conter o déficit público. Alckmin apressou-se em desdizê-lo. Foi enfático: "Não vai cortar. Isso não consta do meu programa".

 

Nesta quinta, em sabatina promovida pela Folha, Alckmin desdisse a si mesmo. "Eu estou plenamente de acordo com o professor Nakano. Nós vamos alcançar o déficit nominal zero. Se a gente vai fazer isso em 4 ou 6 anos, é uma questão de gestão."

 

Com a nova declaração, Alckmin tornou-se acionista da “Mentirobras”, a estatal metafórica que ele diz ter sido criada pelo petismo para produzir intrigas eleitorais contra ele. A lógica e a precariedade das contas públicas indicam que o Alckmin desta quinta é o autêntico. Portanto, o Alckmin da semana passada é um rematado mentiroso.

 

O discurso de Alckmin mostrou-se maleável também na área política. No início da campanha, dizia que não moveria uma palha pelo fim da reeleição. Dizia que o assunto dizia respeito ao Congresso, não ao Executivo. Agora, diz que, se eleito, uma de suas primeiras medidas será enviar ao Legislativo uma emenda constitucional propondo o fim da reeleição.

 

Sabatinado 24 horas depois de Lula, Alckmin disse que os elogios que seu rival fizera na véspera ao tucano José Serra não passam de “oportunismo”. Disse: "Isso aí é mais velho que a carochinha. Se o candidato à Presidência fosse o Serra, e eu não fosse candidato a nada, ele estaria se derramando de amor por mim. Isso é o oportunismo".

 

Inquirido acerca do DNA tucano do valerioduto, Alckmin, depois de muitos volteios, disse que Eduardo Azeredo, beneficiado com verbas coletadas por Marcos Valério na campanha para o governo de Minas, em 98, deveria ter deixado o partido. "Ele próprio [Azeredo] deveria ter saído [do partido]."


Desdenhou das pesquisas de opinião: "O que eu estou colocando é o seguinte: a eleição não está definida. A pesquisa de ontem é diferente da pesquisa de hoje, que vai ser diferente de [pesquisa de] amanhã".

De resto, empenhou-se em negar, uma vez mais, que vá privatizar grandes estatais --Petrobras, Banco do Brasil e Caixa—, insinua a campanha adversária. “Nós embarcamos nesse debate não pelo mérito, mas pela mentira", disse. "Nem acredito que isso tenha tanto impacto."
Pressione aqui para ouvir a íntegra da sabatina com Alckmin. 

Escrito por Josias de Souza às 16h09

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Diretor da PF quer elucidar dossiêgate até eleição

Um dia depois de ter recebido a visita de Jorge Bornhausen e Tasso Jereissati, presidentes do PSDB e PFL, o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, disse nesta quinta estar “otimista” quanto às chances de elucidar o mistério da origem do dinheiro do dossiêgate. Chegou mesmo a dizer que algo pode ser divulgado antes de 29 de outubro, dia do segundo turno das eleições.

Lacerda disse que, a essa altura, ainda não é possível dizer se o dinheiro proveio das arcas de campanha do PT. Confirmou que o jogo do bicho carioca é um dos provedores. Também o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, disse não dispor, por ora, de elementos para afirmar que os recursos tenham saído do caixa partidário.

O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), superior hierárquico de Lacerda, voltou a rebater a acusação de que atuaria mais como advogado criminalista do governo do que como ministro. Atribuiu a acusação ao calor retórico próprio das fases eleitorais. E rebateu as críticas: "São fantasias, porque ninguém aponta nenhum fato, nenhum ato ou atitude ou posição que eu tenha tomado que indique isso. Não deixei, em nenhum momento, que a minha lealdade ao presidente impedisse a minha lealdade às instituições... sou ministro da Justiça, não sou político".

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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As manchetes desta quinta

- Folha: Parte do dinheiro do dossiê veio do jogo do bicho do Rio

- Estadão: Para Alckmin, novo governo Lula acaba antes de começar

- Globo: Justiça proíbe Lula de gastar R$ 1,5 bi antes das eleições

- Correio: Devassa em contratos de informática do ICS

- Valor: Cresce disputa de mercado e preço de PCs cai mais 17%

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Inimigos íntimos!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Lula: Se houver crime eleitoral, terei de pagar

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Sabatinado pela Folha, Lula foi submetido à pergunta que Cristovam Buarque (PDT) dirigiu à cadeira vazia que ele deveria ter ocupado no último debate do primeiro turno, na TV Globo: “Se ficar comprovado que o dinheiro do dossiê veio da campanha presidencial, o sr. renuncia?”

 

E ele: “Bom, se se comprovar, se se cometeu um crime eleitoral, eu e qualquer outro cidadão comum deste país temos que pagar pelo crime que cometemos. O que eu acredito, o que eu defendo é que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça façam a mais rigorosa apuração, independentemente do tempo que vai demorar. Pode ser que demore um dia ou dois anos”.

Lula disse que adversários como Jorge Bornhausen (PFL) e Tasso Jereissati (PSDB) apostam na hipótese de impugnação de seu segundo mandato. “É a tese das pessoas que percebem que podem perder. Começam a criar confusão. Eu já fiz isso...”

Fustigou: “Nossos adversários gostariam que aparecesse o dinheiro de qualquer jeito, como eles fizeram com a fotografia. Agora, nós não estamos fazendo, com o Estado brasileiro, pirotecnia. Todas as pessoas que forem envolvidas e que tiverem culpa terão que pagar. Essa é a regra do jogo da democracia (...)”.

Acha que as arcas de sua campanha não entraram na encrenca: “Eu duvido, duvido que seja na minha campanha. Se tem uma coisa que esse maldito dossiê fez foi atrapalhar que eu ganhasse a eleição no primeiro turno. Alguém deu um tiro de canhão no próprio pé”. Disse que seu ex-assessor Freud Godoy é “vítima”. Quanto aos outros “aloprados”, não põe a mão no fogo.

Sabatinado no mesmo dia em que Geraldo Alckmin disse que um novo governo Lula acabaria antes de começar, o presidente debulhou-se em elogios aos tucanos José Serra e Aécio Neves. Falando como reeleito, disse de público o que vem falando em privado: a despeito da artilharia de campanha, vai buscar um entendimento com o PSDB.

 

“(...) Eu tenho uma boa relação com o governador José Serra, que não é de hoje. Eu tenho uma boa relação com o Aécio. Ela é uma relação política, ela é uma relação de pensamentos muito próximos, com divergências em nuanças que podem ser consertados”, disse Lula.

 

Mais: “Nós vamos ter uma experiência nova. O Serra é uma figura mais cosmopolita do que o Alckmin, ou seja, o Serra tem uma dimensão nacional maior do que o Alckmin. É um político mais experimentado (...). Então nós vamos ter um outro clima mais favorável para conversar neste país”.

 

Em dado momento, Lula foi instado a comparar a situação brasileira à da Itália, onde a Operação Mão Limpas levou à implosão do quadro partidário. “Aqui vai ter que implodir. No Brasil, vamos ter que fazer um novo quadro partidário, pelo bem da democracia.”

 

O quanto ao PT? “(...) Espero que, ao terminar as eleições, a direção do PT convoque um encontro extraordinário, que chame os nossos governadores eleitos, os deputados eleitos, os movimentos sindicais e sociais que participam do PT e rediscutam qual será o papel do PT, qual será a direção do PT, porque não pode continuar como está. O PT cresceu demais”.

 

A reeleição dos mensaleiros corresponde a uma anistia? “O povo votou em quem votou porque acreditou que a pessoa era inocente. Eu espero que essas pessoas, tendo recebido do povo brasileiro uma espécie de habeas corpus, que façam jus à confiança que o povo teve neles e tenham um comportamento irretocável daqui para a frente.

Sente-se à vontade na companhia de peemedebistas como Jader (PA), Renan (AL) e Geddel (BA)? “Você pode gostar ou não gostar. As forças políticas que existem no Brasil são essas (...). Você trabalha com que existe no Congresso Nacional. Está todo mundo eleito. Agora você tem que trabalhar com eles”.  Lula falou também sobre o tamanho da máquina administrativa, o desejo de disciplinar a mídia, e o diz-que-diz sobre seus hábitos etílicos. Ouça aqui.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Segundo debate terá mais propostas do que ataques

Lula e Geraldo Alckmin foram instruídos por suas respectivas equipes de marketing a privilegiar as propostas de governo em detrimento dos ataques no segundo debate televisivo, marcado para a noite desta quinta-feira. A estratégia dos dois rivais foi temperada por pesquisas de opinião feitas por encomenda de seus comitês de campanha.

Tanto as pesquisas de Lula quanto as de Alckmin indicam que o eleitor está mais interessado em conhecer o programa de governo dos candidatos. As sondagens do comitê petista foram ainda mais específicas: mais de 50% dos entrevistados deram indicações de que reprovam a chamada baixaria de campanha. A maioria considera que a propaganda eletrônica (rádio e TV) de Lula é superior à de Alckmin justamente porque dá maior ênfase à agenda dita programática.

 

O embate desta quinta será exibido pelo SBT. O início está marcado para as 21h. A tônica propositiva será induzida pelo formato do programa. No primeiro bloco, cada candidato responderá a duas perguntas da mediadora Ana Paula Padrão. Acertou-se com as assessorias dos candidatos que as perguntas versarão sobre programas de governo.

 

Nos dois blocos seguintes, Lula e Alckmin formularão perguntas um ao outro. A temática será livre. Não há um número pré-determinado de questões. Serão tantas quantas couberem em cada bloco, cuja duração será de cerca de 22 minutos cada um. No quarto e último bloco, os presidenciáveis farão as suas considerações finais.

 

Alckmin planeja manter o tom firme. Deve reiterar a cobrança sobre a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) que seria usado por petistas para comprar o dossiê antitucanos. Mas, se observar os conselhos de sua assessoria, o candidato cuidará para que a firmeza não resvale para a arrogância. O tucanato convive com o receio de que o excesso de agressividade transforme Lula em vítima. Um risco claramente insinuado nas pesquisas internas.

 

Os ataques de Lula virão disfarçados de propostas. O presidente planeja reforçar a comparação entre as “realizações” de sua gestão com a do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso. Um cotejo que incomoda o adversário. Pretende reforçar também a tática de grudar em Alckmin a pecha de privatista. Algo que, na opinião do petismo, também vem tirando o rival do sério.

 

Por precaução, Lula vai para o ringue do SBT armado. Levará consigo dados colecionados pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União. São estatísticas sobre ações anticorrupção realizadas durante a sua gestão. Se necessário, sacará os números. Servirão para embasar a tese de que seu governo teria sido "implacável" com as malfeitorias. Dirá que FHC, em Brasília, e Alckmin, em São Paulo, fizeram o oposto.

 

A tática de Lula é tentar empurrar Alckmin para a defensiva, instando-o ao desequilíbrio verbal. O presidente está, de novo, de olho nas pesquisas. Mostra-se convencido de que a vantagem que abriu sobre Alckmin –20 pontos percentuais segundo o Datafolha— se deve, em grande medida, ao fato de ter retomado a agenda da campanha, dominada pelo dossiêgate na fase final do primeiro turno.

 

Quanto a Alckmin, fará um esforço para demonstrar que a gestão Lula não foi tão eficiente quanto ele apregoa. Dirá que, naquilo que é essencial –a área econômica—, o  governo petista produziu resultados pífios, refletidos nas taxas de crescimento econômico. Vai negar o privatismo, qualificando-o como obra da “mentirobras”. E vai reforçar a intenção de “despetizar” a máquina estatal, referência ao “aparelhamento” do Estado promovido pelo PT.

Escrito por Josias de Souza às 00h01

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Dinheiro do dossiê tem R$ 5 mil do jogo do bicho

A Polícia Federal julga ter detectado a origem de uma ínfima parte do dinheiro que seria usado pelos petistas aloprados para comprar um dossiê contra o tucanato. Pelo menos R$ 5 mil do total de R$ 1,7 milhão apreendido no último dia 15 de setembro passaram pela banca do bicheiro carioca Turcão, apelido de Antônio Patrus Kalil.

O blog apurou que a PF chegou à banca de Turcão valendo-se do auxílio de informantes. Mostrou-lhes anotações que estavam atadas a maços de notas apreendidos com os “aloprados” Gedibran Passos e Valdebran Padilha. Além da inscrição “Caxias 118”, os papéis traziam carimbos e contas de somar feitas em calculadora antiga.

 

Informada de que o papelório é do tipo que a equipe de Turcão utiliza, a PF fez uma batida nos escritórios do bicheiro há três dias. Os agentes concluíram que parte do dinheiro do dossiê fez mesmo escala na banca de jogos de Turcão. Mas ainda não se sabe se o bicheiro é o provedor dos “aloprados”. Além de pagar as próprias apostas, Turcão costuma antecipar dinheiro para outras bancas de jogo do bicho carioca, de onde o dinheiro pode ter saído.

 

A polícia espera eliminar as dúvidas nos próximos dias. Imagina-se que, chegando ao fornecedor do dinheiro, pode-se arrancar dele alguma informação que associe um ou mais “aloprados” à coleta dos recursos. Interrogados, todos alegaram desconhecer a origem da grana.

Escrito por Josias de Souza às 21h43

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Copom reduz juros em 0,5 ponto percentual

Lula ganhou há pouco mais um troféu para exibir em sua campanha. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu em 0,50 ponto percentual o juro básico da economia. A nova taxa é de 13,75% ao ano. Não houve discordâncias entre os diretores do BC.

 

A redução já esperada pelo mercado. Tudo conspirava a favor da queda de 0,5 ponto percentual: a inflação está sob controle; a atividade econômica, por moderada, não oferece riscos; e o cenário internacional é favorável. A próxima reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de novembro. Será a última do ano. Espera-se que os juros caiam uma vez mais.

 

Agora, alguns dados para relativizar os festejos oficiais: com a decisão de hoje do Copom, os juros reais da economia brasileira (9,3%) continuam sendo os maiores do mundo. A Turquia, economia insignificante se comparada à brasileira, pratica juros reias de 6,2%. É a segunda maior taxa do planeta. Convém lembrar ainda que o BC prevê para este ano da graça de 2006, um crescimento do PIB de risíveis 3%.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Dançando conforme a música!

 
 Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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‘Governo Lula acaba antes de começar’, diz Alckmin

Ouça-se o que disse Geraldo Alckmin nesta quarta, em evento promovido pela OAB, em Brasília: “Se ele [Lula] for reeleito, [o governo] acaba antes de começar. Já começa [o mandato] discutindo 2010.”

A intenção da OAB era a de promover um debate entre Alckmin e Lula. Mas o presidente mandou dizer que não compareceria. E a coisa acabou virando uma espécie de sabatina, na qual Alckmin falou pelos cotovelos.

Para Alckmin, um eventual segundo mandato de Lula seria marcado pela mesmice: "Já fui reeleito. Reeleição é um pouco mais do mesmo", disse. Manifestou-se contrário à reeleição, destoando do que dizia no início da campanha.

"Eu não tenho hoje a menor dúvida de que não é melhor mantê-la [a reeleição]. O que estamos vendo hoje é uma mistura de candidato e governo, uma não separação da questão eleitoral da governamental. E, como esse mau exemplo vem de cima, imagina das eleições municipais o que se pode fazer?"

Ao dizer que, se eleito, Lula chefiará um governo às avessas, com o epílogo adiante do prefácio, Alckmin ecoa um sentimento encontradiço em parte do tucanato e do PFL. Sentimento perigoso e de péssimo agouro.

Eleito, Lula chamará a oposição para sentar-se à mesa. Quer costurar a aprovação de uma pauta mínima de reformas. Porém, um naco da oposição parece mais disposto a virar a mesa do que a puxar uma cadeira para sentar-se em torno dela.

De resto, ao especular sobre a fragilidade de um eventual segundo mandato de Lula, Alckmin acaba por expor a fraqueza de sua própria candidatura. Em resposta às declarações do rival de Lula, o ministro petista Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que Alckmin revelou o seu "lado Pinochet".

Escrito por Josias de Souza às 15h22

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Presidente do Ibope vê Lula com faixa no peito

Depois da pesquisa do Datafolha, a próxima sondagem a ser divulgada é a do Ibope, na sexta-feira. Os números ainda não saíram do forno. Mas Carlos Augusto Montenegro, presidente do instituto, afirma que só mesmo um fato “muito espetacular” poderá arrancar a faixa de presidente da República do peito de Lula.

 

Para Montenegro, o presidente seria reeleito hoje com pelo menos 12% de votos a mais que Geraldo Alckmin. Ele acha que, a menos de duas semanas da eleição, 92% dos eleitores já definiram em quem vão votar. E dificilmente mudarão de opinião.

“A essa altura, os dois candidatos já estão com os devidos votos consolidados”, disse Montenegro à repórter Márcia Carmo. “A eleição no Brasil começou há muito tempo com a grande crise que afetou o país há 15 meses.”

Um detalhe: o instituto dirigido por Montenegro é o mesmo que realiza as pesquisas para o consumo interno do comitê de Alckmin. São sondagens telefônicas, com mil entrevistas diárias. Alckmin, que chegou a liderar o levantamento interno, agora está atrás.

O tucanato ainda não jogou a toalha. Mas enfrenta agora um adversário mais poderoso do que Lula: o relógio. Por ora, as horas ainda passam. E passam. E passam. Mas há o receio de que logo elas deixem de passar. Quando os partidários de Alckmin derem por si, o tempo passou.

Escrito por Josias de Souza às 08h32

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As manchetes desta quarta

- Folha: Lula abre 19 pontos sobre Alckmin

- Estadão: Pesquisa: vantagem de Lula sobe para 20 pontos

- Globo: Lula está desmontando a indústria do país, diz Alckmin

- Correio: Presos 12 acusados de golpe milionário no ICS

- Valor: Falta de gás para térmicas põe setor elétrico em alerta

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h09

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Polvo X povo

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Prestes a ser engolido, Alckmin não vê o ‘jacaré’

No jargão dos analistas de pesquisas, o gráfico que exibe a diferença entre os candidatos recebe o apelido de “jacaré”. Quando a distância se encurta, diz-se que o “jacaré” está fechando a boca. Se as curvas se afastam, diz-se que o bicho está abrindo a bocarra.

Nesta terça, dia em que o Datafolha revelou que a vantagem de Lula sobre Alckmin aumentou para 20 pontos percentuais, considerando-se só os votos válidos, o presidenciável tucano parece ter saído da realidade. Discursando para militantes tucanos, em são Paulo, Alckmin saiu-se com essa: “Olha, a boca do jacaré já está fechando. Está diminuindo a diferença."

No Rio, o “sapo barbudo”, pendurado à boca de um jacaré que lhe parece cada vez mais manso, festejou os números da pesquisa. Mas, escaldado com a surpresa do primeiro turno, pediu à militância petista que não baixe a guarda.

"Não se deixem entusiasmar pela pesquisa. Temos que ocupar cada rua, cada esquina, como hoje aqui no Rio, para fazer Lula presidente, Cabral governador", discursou, do alto de um palanque montado na Cinelândia, no centro do Rio. Ouviam-no cerca de dez mil pessoas, pelas contas da PM.

Escrito por Josias de Souza às 23h59

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Diálogo do vazamento das fotos do dossiê vai à rede

  Tuca Vieira/Folha Imagem
Caiu na rede a fita com o diálogo do delegado Edmilson Pereira Bruno (na foto), da Polícia Federal, com quatro jornalistas que receberam as fotos do R$ 1,7 milhão apreendido no dia 15 de setembro com os “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT.

O dinheiro seria usado na aquisição do dossiê contra políticos tucanos. Contrariando a praxe, a PF não divulgou imagens do dinheiro para a imprensa no dia da apreensão. O delegado Edmilson Bruno vazaria as fotos no dia 29 de setembro, antevéspera do primeiro turno. Valeu-se de uma farsa.

Edmilson Bruno entregou um CD com as fotos a repórteres da Folha, Estadão, Globo e Rádio Joven Pan. Combinou que diria a seus superiores que o CD fora roubado de sua mesa. Sem que o delegado soubesse, o diálogo foi gravado. Pressione aqui para ouvir a conversa, que já está no YouTube. O áudio tem 9 minutos e 57 segundos. A íntegra da conversa fora divulgada mais cedo pelo repórter Paulo Henrique Amorim.

Escrito por Josias de Souza às 23h05

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Datafolha confere à eleição ares de jogo jogado

Comece-se anotando o óbvio: pesquisa não é urna. Feita a ressalva, acrescente-se o ululante: a pesquisa Datafolha divulgada há pouco dá à disputa presidencial a aparência de um jogo jogado. Lula está com a mão na faixa.

A escassos 12 dias do segundo turno, o índice de intenções de voto de Lula subiu de 51% para 57%. Geraldo Alckmin caiu de 40% para 38%. Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), Lula obtém 60% dos votos, contra 40% atribuídos a Alckmin.

 

A diferença em favor de Lula é agora de 20 pontos percentuais. A menos que ocorra alguma nova “alopragem” petista, só um milagre pode levar Alckmin a prevalecer sobre Lula no próximo dia 29 de outubro. O "efeito dossiêgate" parece ter sido absorvido pelo eleitorado. Lula tem agora um prestígio maior do que o que tinha antes do escândalo.

 

O tucanato já havia farejado o cheiro de queimado. A distância que separa Alckmin de Lula aumentou também na pesquisa telefônica diária que o Ibope realiza por encomenda do comitê tucano.

 

Em avaliação realista, o alto comando de Alckmin atribui o infortúnio mais aos seus próprios erros do que aos acertos do adversário. Eis a relação dos equívocos assumidos pelo tucanato:

 

1. na virada do primeiro para o segundo turno, um acordo dos dois comitês retardou o reinício da propaganda eletrônica no rádio e na TV. Ao atraso provocado pela demora do TSE em proclamar o resultado oficial da eleição, foi acrescida uma demora de quase uma semana. Olhando pelo retrovisor, o comitê de Alckmin acha que errou ao participar do acordo. A cara do candidato deveria ter ido ao vídeo o quanto antes, para aproveitar o embalo do crescimento que obtivera na reta final do primeiro turno;

 

2. em tática de raro acerto, Lula mobilizou ministros e políticos aliados para ajudá-lo a bombardear Alckmin. O petismo passou a difundir uma propaganda de cunho negativo contra o rival. Vendeu-se a tese de que Alckmin reduziria investimentos sociais, acabaria com o Bolsa Família, venderia a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica;

 

3. sem horário na TV, Alckmin pôs-se a responder ao tiroteio inimigo pelos jornais. E enfrentou o batalhão de Lula sozinho. Entrara no segundo turno no ataque, cavalgando o dossiêgate. Súbito, foi à defensiva. Tornou-se o candidato do “não”: “Não vou acabar com o Bolsa Família”, “Não vou privatizar estatais”, “não isso”, “não aquilo”.

 

4. no primeiro debate televisivo com Lula, Alckmin saiu matando, como se diz. Empregou um tom agressivo. "De onde veio o dinheiro", disparou, já na pergunta inaugural. Emergiu do confronto com cara de vitorioso. As pesquisas encomendadas pelo seu próprio comitê mostraram, porém, que parte do eleitorado torceu o nariz para o perfil chuchu com pimenta;

 

5. Lula, que também dispõe de pesquisas próprias, passou a posar de vítima. Difundiu a tese de que só ele estaria interessado em debater programas para melhorar a vida do brasileiro. Grudou em Alckmin a pecha de candidato da baixaria.

 

Há dois dias, antecipando-se à divulgação das pesquisas da semana, o prefeito do Rio, César Maia (PFL), anotara o seguinte no boletim eletrônico que chama de ex-blog: se as pesquisas Datafolha e Ibope mostrassem uma diferença pró-Lula de no máximo nove, dez pontos “darão a Geraldo uma boa notícia. Do contrário, a boa notícia será para Lula”.

 

É, pois é. Com uma diferença de 20 pontos a seu favor, o Datafolha não trouxe uma boa notícia para Lula. A notícia foi excepcional.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

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Tropa de Alckmin mira na PF e acerta o próprio pé

Na ânsia de criar fatos contra o governo, a oposição deu um tiro no pé nesta terça. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati anunciara que iria à sede da Polícia Federal em Brasília. Na última hora, cancelou a visita. Disse que receberia no Congresso um delegado que traria informações acerca da “operação abafa” montada em torno do dossiêgate.

Chama-se Sandro Avelar o delegado a que se referia Jereissati. Ele é presidente da ANDPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal). Foi recebido com pompa pelo presidente do PSDB e por líderes do PFL e do PPS. Deu-se, então, o inusitado.

Longe de acusar a PF, o delegado Avelar defendeu a instituição. Disse, que “seria leviano afirmar que há manipulação” na apuração do dossiêgate. "As investigações são isentas e estão sendo conduzidas da maneira que deve ser feita, o prazo [do inquérito] é bem razoável", disse ele, para desassossego dos oposicionistas, que posavam do seu lado, diante das câmeras de TV e de uma legião de jornalistas.

Avelar pedira o encontro com a oposição para defender a aprovação no Congresso de uma lei que dê autonomia à PF. Na entrevista, negou de modo categórico que o ministro Márcio Thomaz Bastos esteja tentando tutelar o inquérito do dossiêgate. “Quero que essa isenção seja transformada em lei."

Como se vê, mesmo um tucano de boa plumagem, por mais esperto que se considere, não está livre de ter o seu dia de pato.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Governo leva uma lavada na CPI das Sanguessugas

Dando seqüência à estratégia esboçada em encontro com Geraldo Alckmin no último domingo, os partidos de oposição impuseram nesta terça uma retumbante derrota à bancada governista na CPI das Sanguessugas. Em sessão tumultuada, aprovou-se na comissão a convocação de todos os petistas “aloprados” do dossiêgate. De quebra, foi convocado também o presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini.

Na hora de votar o requerimento de convocação do tucano José Serra, ex-ministro da saúde na gestão FHC, fez-se um imenso acordão. Em vez de convocar, decidiu-se “convidar” Serra a comparecer à CPI. A oposição aceitou graciosamente. Por que? Ora, porque a convocação dos ex-ministros da Saúde de Lula –Humberto Costa e Saraiva Felipe—também foi convertida em convite.

O acerto acabou beneficiando também Barjas Negri, que assumiu a pasta da Saúde em 2002, quando Serra deixou o governo para concorrer ao Planalto. Negri encontra-se sob investigação da PF. Apura-se uma denúncia de Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias. Vedoin disse ter feito repasses a um empresário ligado a Negri, Abel Pereira, em troca de liberações de verbas na Saúde.

Foram convocados pela CPI das Sanguessugas, além de Berzoini, os “aloprados” Valdebran Padilha, Gedimar Passos, Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, Oswaldo Bargas, Hamilton Lacerda e Freud Godoy. É improvável que os depoimentos ocorram antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 29 de outubro.

Em nova derrota do governo, a CPI também aprovou a quebra dos sigilosos bancário, fiscal e telefônico de Freud Godoy, ex-segurança de Lula e assessor especial do gabinete pessoal do presidente até a explosão do dossiêgate. Os dados telefônicos já encontram-se em poder da Justiça Federal de Mato Grosso. As informações bancárias foram solicitadas nesta terça pelo Ministério Público. Na prática, haverá uma transferência dos dados para a CPI que, em tese, se obriga a preservar o sigilo.

Há um lado triste em toda essa pantomima. Enredada pelas paixões de uma disputa eleitoral transformada em vale-tudo, a CPI das Sanguessugas, que deveria investigar -e não faltam elementos para isso-, vai se convertendo em palco diversionista. 

Escrito por Josias de Souza às 16h57

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Na PF, Berzoini imita Lula: ‘Eu não sabia de nada’

  Tuca Vieira/Folha Imagem
Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, prestou depoimento à Polícia Federal nesta terça. Deu-se o esperado. Inquirido pelo delegado Diógenes Curado, o deputado disse que desconhecia as estripulias dos petistas “aloprados” que tentaram comprar por R$ 1,7 milhão um dossiê contra políticos tucanos, arrastando-os para o centro do escândalos das ambulâncias. Disse que só tomou conhecimento das malfeitorias depois que o caso ganhou o noticiário.

O interrogatório, que durou cerca de uma hora e 40 minutos, foi considerado pouco esclarecedor pela PF. Um ponto chamou a atenção do delegado Curado: Berzoini contradisse o “aloprado” Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo.

Para a PF, foi Lacerda quem levou ao Hotel Íbis, em 15 de setembro, o dinheiro que seria usado para pagar o dossiê. Ele foi pilhado pelo circuito interno de vídeo do hotel no instante em que entrou no estabelecimento portando valises. Inquirido, disse ter levado material de campanha para Gedimar Passos, um dos “aloprados” presos com o dinheiro.

Em seu depoimento, Berzoini estranhou. Disse ao delegado que não era atribuição de Hamilton Lacerda portar e distribuir material de campanha. No mais, Berzoini apenas confirmou tudo o que já se sabe. Por exemplo: reconheceu que Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de Lula e “aloprado-mor” era mesmo o responsável pela equipe de “inteligência” do comitê reeleitoral.

À falta de uma confissão, resta agora à PF intensificar o cruzamento dos dados bancários e telefônicos que já logrou reunir. O delegado Curado está mais otimista quanto à possibilidade de rastrear o montante em dólares –US$ 248,8 mil—do dinheiro apreendido. A investigação concentra-se em 30 corretoras de São Paulo, do Rio e de Santa Catarina.

Também nesta terça, o procurador da República Mário Lúcio de Avelar, que acompanha a apuração do dossiêgate, pediu a quebra do sigilo bancário de Hamilton Lacerda e de Freud Godoy, ex-segurança de Lula e assessor especial do gabinete pessoal do presidente até a explosão do escândalo. Em outra frente, como haviam prometido na véspera, os presidentes dos partidos de oposição foram ao TSE para pedir que o tribunal inclua em suas apurações a suposta operação abafa que estaria conspurcando as investigações da PF.

Escrito por Josias de Souza às 15h15

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‘Não sou contra privatizar a Petrobras’, diz FHC

  Folha Imagem
Fernando Henrique Cardoso tornou-se um excluído. Excluíram-no da formulação do programa de governo de Alckmin. Excluíram-no da propaganda eletrônica. Excluíram-no do roteiro de viagens. Excluíram-no das platéias dos debates. Excluíram-no da campanha, enfim.

 

Consternado com a situação, Lula inscreveu FHC num programa que lançou no início da campanha presidencial: o Bolsa Comparação. Corrigiu uma injustiça. Homem de reconhecida vaidade, FHC voltou ao noticiário. Submetido a rações diárias de cotejo administrativo, apanha nas páginas dos jornais, à mesa do café; no telejornal do almoço e no Jornal Nacional.

 

Abandonado pelos seus, o ex-presidente, vez por outra, vê-se compelido a saltar do porão para fazer a própria defesa. Há poucos dias, lançou uma carta à “militância tucana”, seja lá o que isso venha a ser. O texto irritou os amigos e divertiu os inimigos.

 

Nesta terça, FHC mordeu uma isca do petismo. Saiu da toca para, em entrevista à CBN (ouça), defender a sua gestão. Mordendo uma isca jogada nas águas turvas da eleição pelo petismo, discorreu sobre o processo de privatização. A coisa caminhava bem enquanto o ex-presidente falava do passado.

 

Ao tratar do presente, FHC sempre tão hábil no manejo das palavras, escorregou na própria língua. Disse que é demagogia do PT afirmar que um eventual governo Alckmin privatizaria a Petrobras. "Ninguém vai privatizar", enfatizou. Em seguida, deixou escapar: "Não sou contra a privatização da Petrobras".

O ex-presidente destruiu em uma frase todo o esforço que Alckmin empreende nos últimos dias para  afastar de seus lábios o cálice privatista Lula tenta lhe impor. Nos próximos dias, o petismo irá acentuar a pregação segundo a qual o tucanato no poder não sabe senão vender patrimônio para pagar dívidas.

 

De resto, em resposta a Lula, que chamou Alckmin de "exterminador do futuro", FHC disse que seu sucessor é o "exterminador do passado".

 

PS.: Ao perceber o estrago que fizera na campanha de Alckmin, Fernando Henrique Cardoso tentou sair de fininho. Divulgou uma nota oficial para desdizer o que dissera. Conhecido pela habilidade com que maneja o vernáculo, atribuiu o "mal entendido" privatista a um "cacoete de linguagem". Jurou que é a favor da manutenção da Petrobras e do Banco do Brasil como empresas públicas". Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 14h13

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As manchetes desta terça

- Folha: PDT frustra Alckmin e fica neutro

- Estadão: Dinheiro para dossiê tem origem criminosa, diz Biscaia

- Globo: Presidente de CPI: dinheiro de dossiê tem origem criminosa

- Correio: Oposição acusa PF de fazer operação-abafa

- Valor: Remuneração de executivos aumenta 127% em três anos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Negócio de ocasião!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Em ligações à oposição, Bastos pede respeito à PF

ABr
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) está inconsolável. Lamenta que a oposição tenha transformado a Polícia Federal em joguete de campanha. “É um crime o que estão fazendo”, diz ele. “A pretexto de obter resultados na campanha, estão prejudicando, no alarido eleitoral, uma instituição séria e republicana.”

Em telefonemas a amigos tucanos, Thomaz Bastos pediu que refletissem sobre os danos que a oposição está causando à imagem da PF, que, “a duras penas”, procurou reerguer ao longo de sua gestão. O ministro reiterou nas ligações algo que já dissera a José Serra, alvo do dossiê, e a Tasso Jereissati, presidente do PSDB, no dia seguinte à prisão dos “aloprados” Valdebran Padilha e Gedimar Passos.

O ministro repetiu que a PF trabalha com afinco para desvendar os mistérios escondidos atrás do R$ 1,7 milhão que os petistas usariam para comprar o dossiê contra tucanos. “O que não podemos é submeter o ritmo de uma investigação séria ao calendário eleitoral. Isso nós não faremos”, afirma.

Os esforços do ministro resultaram infrutíferos. A PF tornou-se o principal alvo da campanha tucana de Geraldo Alckmin. Mais que isso: em reunião de Alckmin com os coordenadores de seu comitê e com políticos que o apóiam, no domingo, decidiu-se alvejar o próprio Thomaz Bastos.

Nesta terça, o tucanato apresentará requerimento na CPI das Sanguessugas pedindo a convocação do ministro, sob a alegação de que ele estaria interferindo na apuração, para evitar que o malfeito resvale em Lula. Em visita ao TSE, dirigentes do PSDB, PFL e PPS pedirão a apuração de reportagem que Veja (assinantes) veiculou em seu último número.

Segundo a revista, Freud Godoy, ex-assessor de Lula, teria visitado o “aloprado” Gedimar no cárcere da PF, para pressioná-lo a mudar depoimento que dera ao ser preso, envolvendo-o no caso. A mesma reportagem, escrita pelo repórter Márcio Aith, anota que “a operação faxina do dossiêgate contou com a colaboração jurídica” de Thomaz Bastos

Ainda segundo Veja, “coube a Márcio Thomaz Bastos conversar com Freud quando o escândalo estourou e indicar a ele um advogado de sua confiança”. O minsitro, diz o texto, “cobrou esforços diários de Freud” para “convencer Gedimar a recuar”.

A despeito das negativas do ministro e de uma nota divulgada pela Polícia Federal para desmentir a reportagem, os partidos aliados de Alckmin pedirão à Justiça Eleitoral que ouça todos os personagens citados por Veja. O TSE conduz, a pedido dos mesmos partidos, uma investigação judicial para detectar eventuais interferências do caso do dossiê no processo eleitoral.

A ofensiva da oposição terminou de azedar uma campanha que há muito enveredou para a troca mútua de acusações. Numa troca de telefonemas disparados na tarde desta segunda, os partidos que apóiam Lula agendaram para hoje uma reunião em Brasília, para traçar a estratégia de reação à ofensiva do comitê de Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Alckmin forma tropa de choque e muda campanha

Em reunião realizada na noite de domingo, em São Paulo, o alto comando da campanha tucana de Geraldo Alckmin reformulou a estratégia de campanha. Decidiu-se constituir uma tropa de choque para responder aos ataques de auxiliares e políticos aliados de Lula, liberando o candidato para entoar um discurso mais propositivo.

 

O encontro ocorreu na produtora dos comerciais de Alckmin. Estavam presentes, além, de Alckmin, os coordenadores Sérgio Guerra (PSDB) e Heráclito Fortes (PFL); os deputados Gustavo Fruet (PR), Carlos Sampaio (SP), e Júlio Delgado (PSB-MG); o senador Álvaro Dias (PSDB-PR); e o jornalista Luiz González, marqueteiro de Alckmin. Convidados, os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e José Carlos Aleluia (PFL-BA) não conseguiram se mobilizar a tempo.

 

Abaixo, as principais deliberações do encontro:

 

1. concluiu-se que a campanha de Lula estruturou-se melhor no segundo turno. O presidente escalou ministros e políticos aliados para alvejar Alckmin. O petismo ocupou o noticiário. E Alckmin vinha respondendo aos ataques sozinho. Deliberou-se que, a partir de agora, as respostas às provocações de ministros como Tarso Genro (Relações Institucionais) e políticos como Jaques Wagner, governador eleito da Bahia, serão dadas pelo segundo escalão da campanha tucana, não pelo candidato;

 

2. a idéia é liberar Alckmin para fazer o embate propositivo, como vem fazendo Lula. Pesquisas telefônicas e de grupo revelaram que Alckmin está flertando com um risco: o de transformar Lula em vítima. O presidente, aliás, cuida para que o risco se acentue. Vem realçando em suas manifestações públicas o “descontrole” de Alckmin, que atribui à "falta de propostas" do adversário. O tucanato concluiu que, “para não cair no jogo de Lula”, a propaganda eleitoral televisiva deve limitar os ataques à cobrança em relação à origem do dinheiro do dossiê e à exposição de “obras virtuais” do governo Lula. De resto, só propostas, propostas e propostas. Quanto ao contraditório mais pesado, será disputado nas páginas dos jornais e no noticiário de rádios e TVs;

 

3. além de responder aos ataques do petismo, a tropa de choque de Alckmin irá à ofensiva. A tática começou a ser posta em prática nesta segunda. Em reunião realizada em Brasília, os presidentes dos partidos que apóiam Alckmin –Tasso Jereissati (PSDB), Jorge Bornhausen (PFL) e Roberto Freire (PPS)—decidiram que irão nesta terça ao TSE. Pedirão ao tribunal que apure denúncia veiculada por Veja de que o governo estaria agindo para abafar a apuração do dossiêgate;

 

4. também nesta terça, o deputado Carlos Sampaio apresentará, em reunião da CPI das Sanguessugas, requerimentos de convocação dos principais envolvidos no episódio. Entre as pessoas que o tucanato deseja arrastar para a CPI está o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça), acusado por Veja de manobrar para afastar o dossiêgate dos arredores do Palácio do Planalto. Acusação que o ministro e a PF refutam

 

5. na quarta, uma comitiva de parlamentares tucanos e pefelistas vai ao Tribunal de Contas da União. Vão cobrar pressa na apuração de dois casos: o suposto desvio de R$ 11 milhões na produção e distribuição de cartilhas de propaganda do governo; e as alegadas distroções nos gastos do Planalto feitos por meio de cartões de crédito corporativos. A resposta do tribunal é óbvia: os episódios estão sendo investigados e a conclusão não será atrelada ao calendário eleitoral. Mas o que se pretende com a visita é devolver as suspeições ao noticiário;  

 

6. de resto, tucanos e pefelistas farão uma escala de revezamento, para assegurar a presença em Brasília de parlamentares destacados para refutar ataques de petistas e pronunciar discursos agressivos contra o governo, o PT e Lula nas tribunas da Câmara e do Senado.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Cristovam vota em Alckmin, mas não pode dizer

  Sérgio Lima/F.Imagem
Em quem Cristovam Buarque vai votar, Lula ou Alckmin? O voto do presidenciável derrotado do PDT, confidenciado a amigos e familiares será de Alckmin. Mas o partido o pediu ao senador que não manifeste sua posição publicamente. Cristovam decidiu respeitar a vontade partidária.

Reunida nesta segunda, no Rio, o Diretório Nacional do PDT decidiu adotar uma posição de neutralidade no segundo turno da disputa presidencial. Optaram pelo “muro” 128 dos 177 presentes. Os diretórios estaduais foram liberados para optar livremente por Lula ou Alckmin, conforme a conveniência local.

 

Decisão idêntica havia sido adotada anteriormente pelo PSOL de Heloisa Helena, terceita colocada na votação do primeiro turno.  Do ponto de vista prático, a decisão do PDT é inócua. É improvável que o eleitorado de Cristovam, quarto colocado, leve em conta a posição de seu partido na hora de definir o voto. Eleitor brasileiro guia-se por nomes, não por partidos.

 

O eleitorado de Cristovam, aliás, já começa a se acomodar sob as duas candidaturas. O senador obteve no primeiro turno 2.538.844 votos (2,64% dos votos válidos). Segundo pesquisa Datafolha de 10 de outubro, 48% dos eleitores de Cristovam declaram que irão votar em Lula; 34%, em Alckmin. O resto engressa a legião de indecisos.

 

Do ponto de vista político, o maior prejudicado com a decisão do PDT foi Geraldo Alckmin. Atrás de Lula nas pesquisas, o candidato tucano contava com o apoio do PDT para associar sua campanha a um fato positivo. Chegou a enviar à direção do PDT, no final de semana, uma carta comprometendo-se a não privatizar o Banco do Brasil, a Caixa e a Petrobras. Seu esforço deu em nada.

Escrito por Josias de Souza às 18h58

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Lula diz que Alckmin foi ao debate ‘ensandecido’

Lula concedeu nesta segunda uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Foi gravada pela manhã, no Palácio da Alvorada, e vai ao ar a partir de 22h. Instado a comentar o seu primeiro confronto televisivo que teve com Geraldo Alckmin, o presidente disse:

--Eu estranhei o comportamento do meu adversário porque sempre foi uma pessoa tranqüila, leve. Ele estava ensandecido naquele programa. Eu acho que ele pensou que poderia resolver o problema da guerra com uma única batalha.

O sinônimo mais banal do verbo “ensandecer” é “enlouquecer”. Mas há outras acepções. Uma delas, contemplada tanto no Caldas Aulete como no Aurélio, é “tornar-se sandeu”.

E o que diabos é um sandeu? Ensina o velho Aulete: “Mentecapto, idiota, tapado, que não diz senão sandices”. Anota o novíssimo Aurélio: “idiota, parvo, tolo, néscio, estúpido.”

Fica no ar uma dúvida: o Alckmin “ensandecido” a que se referiu Lula portou-se no debate da TV Bandeirantes como “louco”, como “idiota” ou como as duas coisas? Seja como for, para Lula o que importa é que o eleitor não estaria interessado em diatribes, mas em propostas.

O presidente também falou sobre os aloprados –“aloucados”, pelo Aulete; “amalucado”, segundo o Aurélio. Afirmou:

--Chamei o presidente do partido e perguntei: 'eu quero saber, quem fez essa burrice?' Porque foi de uma sandice inominável. Ele me disse que não sabia. Eu falei: 'Ricardo, você que é o presidente do partido tem obrigação de apresentar para a sociedade brasileira a resposta, Ricardo'. Ele não deu [a resposta]. Na quarta-feira, eu o afastei da coordenação da campanha.

A julgar pelas palavras de Lula, Berzoini não foi fritado, mas assado no microondas. Depois, para certificar-se de que o deputado estava bem passado, o Planalto manobrou para que fosse defenestrado também da presidência do PT. É justo, muito justo, justíssimo.

Berzoini vende ao distinto público o lero-lero de que não sabia de nada no caso da compra do dossiê. O mestre-cuca serviu-o assado e não houve quem reclamasse da aparência do prato, nem mesmo Ricardo "carbonizado" Berzoini. Por analogia, pode-se perguntar: que destino merece o cozinheiro, também ele desinformado sobre todas as esquisitices que ocorrem à sua volta?

Escrito por Josias de Souza às 16h21

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Processo de Dirceu contra Alckmin será por calúnia

O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) confiou ao advogado José Luiz de Oliveira Lima a tarefa de processar o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Nesta terça, ele pedirá à TV Bandeirantes a íntegra da fita do debate em que Alckmin mencionou Dirceu como chefe da “quadrilha” do mensalão. Pretende processar Alckmin por calúnia.

Oliveira Lima é o mesmo advogado que defende Dirceu no caso do mensalão. Antes de formalizar o processo contra Alckmin, ele poderia, se quisesse, interpelar judicialmente o candidato, instando-o a confirmar e explicar as suas declarações. Tende, porém, a entrar direto com uma queixa por crime de calúnia.

 

Caluniar, informam os dicionários, é imputar falsamente a alguém um fato definido como crime. É uma mentira, uma falsidade, uma invenção. Ora, no caso específico de Dirceu, pesa-lhe sobre os ombros uma denúncia do Ministério Público. Na peça, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, chama de “mensalão” os repa$$es feitos, sob Lula, a parlamentares governistas. Aponta a existência de uma “quadrilha”. E anota que Dirceu era o chefe.

 

A despeito de tudo isso, o advogado Oliveira Lima sustenta que há elementos para enquadrar as referências de Alckmin a Dirceu como calúnias. Alega que seu cliente está contestando judicialmente as imputações que lhe foram feitas pelo procurador-geral. Diz que a denúncia contra Dirceu ainda nem foi aceita pelo STF. “E ainda que tivesse sido aceita, não há o trânsito em julgado”, diz Oliveira Lima. Ou seja, a Justiça ainda não deu uma palavra final sobre o caso.

 

Reconheça-se, porque é de justiça, que Dirceu tem todo o direito de processar Geraldo Alckmin. Mas é forçoso reconhecer: se o ex-chefão da Casa Civil decidir, por coerência, levar às barras dos tribunais todos os que associam o seu nome ao mensalão, a Justiça brasileira terá muito o que fazer.

Escrito por Josias de Souza às 14h27

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As manchetes desta segunda

- Folha: Para atrair PDT, Alckmin faz carta antiprivatização

- Estadão: Indústria perde corrida para países emergentes

- Globo: PT usará facção do crime para abafar dossiê

- Correio: Juro baixo faz poupança desbancar a renda fixa

- Valor: Governo vai vender áreas de mineração

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h46

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Bombas de efeito herbáceo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Lula tem agenda secreta de cortes e reformas azedas

Favorito na corrida presidencial, Lula mantém em segredo um lote de providências e planos que seus ministros e auxiliares consideram incontornáveis num eventual segundo mandato. São temas que, por impopulares, não freqüentam os palanques e a propaganda eletrônica do candidato. A agenda secreta de Lula inclui cortes nos gastos públicos e o envio ao Congresso de propostas de reforma da Previdência e da legislação trabalhista.

O blog conversou com dois ministros de Lula a respeito dos temas que vêm sendo escamoteados na campanha eleitoral. Falaram sob a condição do anonimato. Disseram que, internamente, as providências vêm sendo consideradas há meses. Os cortes no orçamento público são vistos como inevitáveis no próximo ano.

 

As mudanças na Previdência e nas leis que regem as relações entre empregadores e empregados compõem o que o governo chama de “novo ciclo de reformas”. Reformas que, a depender da vontade de Lula, serão negociadas num amplo entendimento com os partidos de oposição.

 

Um dos ministros informou que os cortes de gastos são necessários inclusive para compensar novas despesas que foram criadas neste ano eleitoral. Só no primeiro semestre, informou o auxiliar do presidente, as despesas do governo cresceram 14%. Acima da arrecadação de tributos, que aumentou 11%.

 

A defasagem entre os dois percentuais fez cair de 4,18% do PIB para 3,87% o superávit primário, a economia que o governo é obrigado a fazer para pagar a dívida pública. “Os cortes são inevitáveis para que a gente possa aumentar os investimentos em infra-estrutura sem comprometer o equilíbrio fiscal”, disse o auxiliar de Lula. “São necessários também para que se possa manter o pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família, dos quais o presidente não abre mão.”  

 

Quanto às reformas, o seu formato final ainda não foi fechado. Há detalhes sobre os quais ainda não há consenso. Alguns deles, se explicitados publicamente, decerto afugentariam eleitores. Na discussão previdenciária, por exemplo, desde a hipótese de fixação de uma idade mínima para a aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada e até a reformulação do sistema de benefícios do setor público.

 

Pelas regras atuais, só se exige idade mínima para a concessão de aposentadorias dos servidores públicos: 60 anos para os homens e 55 anos para as mulheres. Do trabalhador do setor privado, exige-se apenas um tempo mínimo de contribuição: 35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres.

 

A reforma trabalhista inclui aspectos ainda mais controversos. Um dos ministros que conversaram com o blog disse que há concordância no governo em relação à tese de que é necessário diminuir a informalidade no emprego.

 

A divergência surge no instante em que o debate avança para a forma de estimular o incremento dos contratos com carteira assinada. Parte da equipe econômica de Lula acha que basta “desonerar” a folha de salários, eliminando taxas e contribuições exigidas do empregador. Outra parte da equipe defende a “flexibilização” de direitos trabalhistas. Mesmo falando em reserva, o ministro esquivou-se de dizer que tipo de benefício os advogados da tesoura avaliam que poderia ser cortado.

 

Embora ainda não tenha produzido consensos, o debate distancia-se dos desejos do PT e aproxima-se dos anseios do grupo de empresários que manifestou apoio a Lula. Em entrevista publicada aqui no blog no início de julho, Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico, comentara: “É importante desonerar a folha. As contribuições sociais chegam a quase 100% dos salários. Temos também que flexibilizar a legislação. O mundo está mudando e o Brasil precisa acompanhar”.

 

O esconde-esconde eleitoral vem sonegando ao eleitor a discussão de assuntos que interessam diretamente ao seu cotidiano. A prática não é exclusividade da campanha de Lula. Na semana passada, o economista Yoshiaki Nakano, um dos autores do programa de Geraldo Alckmin, ousou prever corte de gastos num eventual governo tucano. O candidato apressou-se em desautorizá-lo: “Não vai cortar. Isso não consta do meu programa”.

 

Consta, sim. Está escrito: "O governo não pode gastar mais do que arrecada”. Ou ainda: “Esse programa visa a criar condições para zerar o déficit nominal, com corte de despesas correntes dos governos, incluindo juros, da ordem de 4,4% do PIB no decorrer do próximo mandato".

Escrito por Josias de Souza às 00h41

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As manchetes deste domingo

- Folha: União desvia quase R$ 16 bi de fundos de telecomunicações

- Estadão: Após privatização, Estado volta a inchar e desperdiçar

- Globo: Eleições - A redução do tamanho do Estado desafia candidatos

- Correio: Lula diz que corte não vai atingir servidores

- Valor: Manufaturados brasileiros avançam no mercado da AL

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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Vale-tudo eleitoral!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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PF já admite que pode não elucidar o dossiêgate

O inquérito do dossiêgate faz aniversário de um mês neste domingo. Em reserva, a Polícia Federal e a cúpula do Ministério da Justiça admitem que ainda não dispõem de nenhuma pista capaz de conduzir à elucidação do principal mistério do caso: a origem do dinheiro que seria usado por petistas para comprar o dossiê contra políticos tucanos. Pior: reconhece-se que a dúvida pode não ser elucidada.

 

O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito, é o primeiro a admitir, em privado, que convive com a incômoda hipótese de ter de concluir o inquérito sem responder à indagação central: de onde veio o dinheiro? Nesta semana, Curado enviará ao juiz Jefferson Schneider, da 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, ofício pedindo a prorrogação do inquérito por mais 30 dias.

 

As aflições do delegado Curado foram tonificadas em reunião que ele manteve, na terça-feira, com o colega Luiz Flávio Zampronha, de Brasília. Destacado pela PF para cuidar do levantamento das informações bancárias sob investigação no caso do dossiê, Zampronha fora a Cuiabá para entregar a Curado os disquetes com os dados que logrou recolher.

 

O relato feito por Zampronha na reunião foi desalentador. Ele disse, em essência, que a parte financeira da investigação será árdua, demorada e de resultados incertos. Envolve o cruzamento de mais de 200 mil saques acima de R$ 10 mil em três bancos: Safra, Boston e Bradesco. Além de uma pesquisa em transações realizadas por mais de 30 casas de câmbio. “Estamos procurando agulha num palheiro”, resumiu ao blog um dos investigadores do caso.

 

Em conversa que manteve com um amigo na última sexta-feira, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) disse que a PF depende agora “de um golpe de sorte ou de uma confissão.” Nos depoimentos que prestaram, os petistas “aloprados” do dossiê não demonstraram disposição de contar coisa nenhuma. Resta à polícia a sorte de dar de cara com alguma agulha perdida no depósito de palha.

 

Estão em curso, por ora, duas frentes de investigação: a tomada de novos depoimentos e o rastreamento do dinheiro apreendido no dia 15 de setembro –1,7 milhão, R$ 1,116 milhão em notas de real e US$ 248,8 mil em cédulas de dólar. É no rastreamento do dinheiro que a PF gasta mais tempo e energia.

 

Supõe-se que o grosso dos reais tenha saído do Safra, Boston e Bradesco porque havia no lote de cédulas apreendidas maços envoltos em cintas com a logomarca desses bancos. O dinheiro pode ter saído, porém, de outras casas bancárias. A troca de dinheiro entre bancos é operação comum no mercado financeiro. De resto, os dados manuseados pela PF referem-se a operações bancárias realizadas no mês que antecedeu a apreensão do dinheiro. Nada impede que os saques tenham ocorrido antes e o dinheiro guardado em algum cofre privado.

 

Quanto aos dólares, a PF descobriu que parte deles –US$ 110 mil—compunham um lote de US$ 15 milhões que entrou veio dos EUA para um banco chamado Sofisa, de São Paulo. O problema é que, ao passar o dinheiro adiante, o Sofisa não anotou nas operações de câmbio o número de notas das cédulas. O que obriga a PF a perambular a esmo entre casas de câmbio e doleiros. Uma perambulação que pode resultar inócua se os dólares do dossiê tiverem sido adquiridos por meio de um comprador “laranja”, hipótese nada desprezível.

 

Num gesto que denota as dificuldades em que se vê metida, a PF já quebrou o sigilo das contas telefônicas de mais de 750 pessoas físicas e jurídicas. Não se sabe que critérios levaram a uma seleção tão vasta. Os nomes dos donos das contas são mantidos em sigilo. Um dos objetivos declarados é o de tentar pescar no cruzamento de ligações um telefonema de algum dos “aloprados” para casas de câmbio ou doleiros e vice-versa. Algo que até o momento não aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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‘Aloprados’ do dossiêgate podem ficar impunes

A Polícia Federal e o Ministério Público reconhecem sob reserva que todos os petistas envolvidos no dossiêgate podem sair ilesos do episódio se a investigação não conseguir comprovar a origem ilegal do dinheiro que seria usado na operação. Não há no código penal nenhum artigo que tipifique como ilegal a compra de documentos. Tampouco há lei prevendo punição para pessoas pilhadas com R$ 1,7 milhão de provedor desconhecido.

Mesmo para enquadrar os envolvidos no Código Eleitoral, seria necessário demonstrar que o dinheiro saiu de alguma arca clandestina do PT ou do caixa de candidatos do partido. Algo que a Polícia Federal está longe de provar. O elo mais próximo do dinheiro com o PT é um lote de fitas de vídeo. As imagens mostram o petista Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, entrando no Hotel Íbis, onde o dinheiro foi apreendido, com valises que, supõe a PF, estavam recheadas de reais e dólares.

 

Hamilton, porém, negou em depoimento que houvesse levado os recursos para Gedimar Passos, o ex-agente da PF que prestava serviços ao PT na noite de 15 de setembro, quando foi flagrado com os maços. Cabe à polícia provar que o assessor de Mercadante está mentindo. O que só será possível se o rastreamento das transações financerias ou das ligações telefônicas revelar as digitais de Hamilton em algum saque ou em contatos com doleiros e casas de câmbio.

 

Os investigadores estão convencidos de que o deputado Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, conhece todos os meandros do dossiêgate, inclusive a origem do dinheiro. Numa primeira análise dos dados telefônicos, verificou-se que protagonistas do caso discaram para Berzoini no período em que a compra do dossiê antitucanos foi negociada. Berzoini será inquirido na terça-feira. Mas o conteúdo de seu depoimento já é conhecido.

 

O deputado nega de pés juntos que tenha autorizado a operação. Os petistas que Lula chamou de "aloprados" estavam subordinados a Berzoini no comitê de campanha reeleitoral. Mas o deputado alega que desconhecia a movimentação de seus comandados em torno do dossiê. Quanto aos telefonemas, a PF intui que Berzoini dirá que as ligações são normais, uma vez que tinha, de fato, relações funcionais de campanha com os "aloprados". De novo, caberá à PF demonstrar que Berzoini mente.

 

O roteiro de depoimentos tem-se revelando a parte mais imprestável do inquérito. A PF ouve os suspeitos como quem cumpre um dever de ofício. Todos os envolvidos comportaram-se até aqui com a frieza de uma pedra. E a polícia não tem esperanças de que conseguirá extrair leite das pedras que ainda não foram ouvidas –além de Berzoini, pretende-se interrogar o senador petista Aloizio Mercadante, que já declarou desconhecer inteiramente o caso.

 

O único depoimento que tinha algum valor para as investigações era o de Gedimar Passos, o ex-agente da PF preso em 15 de setembro com o dinheiro do dossiê. Gedimar, porém, recuou em tudo o que dissera no seu primeiro depoimento. Em documento enviado por seus advogados ao TSE, que apura eventuais implicações eleitorias do dossiêgate, ele inocentou o ex-assessor de Lula Freud Godoy, de quem dissera ter recebido a ordem para a compra do dossiê.

 

Disse, de resto, que prestou depoimento sob os efeitos de uma falsa promessa do delegado que o ouviu, Edmilson Pereira Bruno. Sustentou que seu inquisidor prometera liberá-lo. Edmilson Bruno responde, desde 2 de outubro, a uma sindicância da PF por ter vazado à imprensa, em 29 de outubro, as fotos do dinheiro que apreendera em poder de Gedimar e do petista Valdebran Padilha. Ou seja, é um delegado que a própria PF pôs sob suspeição.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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PF acha que provará ‘elo tucano’ com sanguessugas

De toda a investigação do dossiêgate, a parte que a Polícia Federal julga mais próxima da elucidação é a suposta ação da máfia das sanguessugas no governo de Fernando Henrique Cardoso. O elo tucano com o escândalo das ambulâncias é o empresário Abel Pereira (na foto), que será ouvido pela polícia nesta segunda-feira, em Cuiabá.

 

Abel foi acusado por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da quadrilha das ambulâncias de facilitar a liberação de verbas no Ministério da Saúde durante a gestão de Barjas Negri, que se tornou ministro depois que o titular, José Serra, abandonou o cargo para disputar a presidência da República, em 2002.

 

Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP), admite conhecer Abel Pereira. Mas nega que o empresário tenha tido ingerência na liberação de recursos públicos durante sua gestão. Abel também nega as acusações de Luiz Vedoin. A PF dispõe, no entanto, de um lote de comprovantes bancários que atestariam repasses de Vedoin para empresas supostamente pertencentes a Abel.

 

Em depoimentos que prestaram na semana passada, Luiz Vedoin e o pai dele, Darci Vedoin, reafirmaram as acusações. Resta agora à PF comprovar os repasses a Abel. O sigilo bancário do empresário e de suas firmas já foi autorizado pela Justiça. Em seguida, será preciso provar que os recebimentos têm conexão com liberações feitas sob Barjas Negri.

 

Investiga-se também a acusação de que Abel teria tentado comprar o dossiê dos Vedoin contra o tucanato antes dos “aloprados” do PT. Um grampo instalado num telefone celular de Luiz Vedoin revelou que Abel discou para o chefe das sanguessugas no dia 14 de setembro, véspera da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT, no Hotel Íbis, em São Paulo. Os telefonemas compõem o leque de temas que serão submetidos a Abel na inquirição desta segunda.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Dicionário de campanha

Dicionário de campanha

Dicionários são as masmorras das palavras. Mas a língua é solta e a segurança é frágil. As prisioneiras por vezes escapam do cárcere. Uma vez em liberdade, buscam o disfarce de novos significados. De tempos em tempos, são recapturadas. E voltam ao calabouço de cara renovada. Vários nomes, vocábulos e siglas vagueiam pela cena eleitoral de 2006 à procura da máscara mais conveniente. Enquanto as algemas do dicionário não os alcançam, vai abaixo uma tentativa de desmascará-los:

 

- Alckmin: uma calva à procura de idéias;

- Aloprado: indivíduo que busca no birô de ‘inteligência’ de campanha um álibi para a falta de miolos; pilhado em flagrante, atinge a perfeição, tornando-se perfeito idiota;

- Brasil: o insolúvel levado longe demais;

- Corrupção: com um r providencialmente dobrado e um p que, embora mudo, não consegue ocultar o rabo do ç, sempre à mostra, é uma palavra cuja terminação, ão, denuncia o desejo de expansão;

- Cristovam: uma idéia à procura de votos;   

- Democracia: regime tão maravilhosamente perfeito quanto qualquer outra mentira; sistema político cuja mobilidade permite a um operário atingir o auge da desfaçatez burguesa;

- Excluído: fatalidade embutida no modelo; revolta que trocou o inconformismo pelo cartão do Bolsa Família;

- Heloisa: camiseta branca, sem slogam; pessoa capaz de falat dez vezes antes de pensar;

- Lula: Molusco cefalópode, dibranquiado, decápode, loliginídeo, de coloração avermelhada, podendo mudar de cor segundo a conveniência; em situações de perigo, perde o olfato e a visão;

- Povo: fera de muitas cabeças que, quando bem adulada, lambe e balança o rabo; multidão obsoleta que, desavisada de sua própria inutilidade, continua se reproduzindo desordenadamente;

- PMDB: organização partidária com fins lucrativos;

- PFL: legenda que busca um casamento, em regime de comunhão de males, com qualquer outra que reúna condições de chegar ao poder;
- PSDB: um tipo de social-democrata que ambiciona voltar ao poder para complementar a execução do programa do PFL;

- PSOL: espécie de galinha que promete pôr o Sol; esquerda que, não tendo ainda vencido na vida, não pôde virar direita;

- PT: partido que abandonou a ideologia para cair na vida;

- Programa: peça de campanha que anota coisas definitivas sem definir as coisas; 

- Reeleição: estatuto que faculta a um jóquei cego o direito de continuar cavalgando, por mais quatro anos, uma mula sem-cabeça;

- Tucano: ave piciforme, ranfastídea, da qual há quatro espécies brasileiras reunidas no gênero Ramphastos e uma espécie que, organizada sob o gênero político, confere às demais uma péssima reputação.

Escrito por Josias de Souza às 21h58

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Até o dossiêgate, praxe da PF era mostrar dinheiro

Ao esconder da opinião pública o dinheiro do dossiêgate (R$ 1,7 milhão em notas de reais e dólares), a Polícia Federal rompeu uma velha praxe. Em operações anteriores, sempre que houve apreensão de dinheiro, a polícia não hesitou em exibir o “troféu” à imprensa. Sempre foi assim sob FHC e também sob Lula.

 

Em texto publicado em seu portal na internet, a FENAPEF (Federação Nacional dos Policiais Federais) anota que nas operações mais relevantes realizadas nos últimos anos –“mais de 200"—, os policiais fizeram questão de facultar aos jornalistas as imagens dos presos no instante em que eram acomodados no interior de viaturas da PF. E, quando havia apreensão de dinheiro, "sempre foram divulgadas as imagens.

 

Sob Lula, foram três os casos mais notórios: em julho de 2005, o petista José Adalberto Vieira da Silva foi preso quando tentava tomar um avião de São Paulo para Fortaleza. Levava dólares –US$ 100 mil— e reais –R$ 200 mil. Acondicionara parte do dinheiro na cueca. A PF não hesitou em exibir a dinheirama. Veja foto abaixo.

 

 

Naquele mesmo mês, o deputado João Batista Ramos da Silva, ex-PFL, hoje sem partido, foi preso no aeroporto de Brasília. Transportava sete malas recheadas com R$ 10,2 milhões. Bispo da Igreja Universal, o parlamentar alegou que o dinheiro pertencia à congregação. Seriam óbolos recolhidos dos fiéis. De novo, a PF exibiu o dinheiro à imprensa. Veja fotos abaixo.

 

 

Em agosto de 2005, assaltantes realizaram o roubo espetacular na sede do Banco Central em Fortaleza. Levaram R$ 164,8 milhões. Quando recuperou parte do dinheiro, a PF novamente fez questão de mostrar os maços aos jornalistas. Veja abaixo.

 

 

Dois detalhes diferenciam os casos mencionados acima do dossiêgate: a intimidade dos envolvidos com o comitê de campanha de Lula e com o Planalto e a proximidade da data da apreensão –15 de setembro— com o dia do das eleições –1º de outubro.

 

Na opinião da FENAPEF, ao esconder da imprensa o dinheiro do dossiê, a PF suscitou uma série de indagações: “Onde está a dinheirama apreendida? Por que a PF não divulgou as fotos nesse caso, como sempre fez nos outros 200 casos? A PF está a serviço do PT? A PF só vai divulgar o dinheiro depois das eleições?"

As fotos do dinheiro do dossiê (ao lado) vieram à tona em 29 de setembro. Foram divulgadas pelo delegado Edmilson Pereira Bruno. 
No último dia 2 de outubro, a PF abriu, por meio de uma portaria, sindicância para apurar a ação de Edmilson Bruno. Acusa-o de ter violado o segredo de Justiça que protegia o inquérito que apura o caso do dossiê. Convém mesmo que o gesto do delegado seja devidamente apurado. Mas a pergunta que continua boiando no ar é a seguinte: por que o dinheiro do dossiê não foi exibido à imprensa no instante da apreensão, quando ainda não havia inquérito e muito menos o sigilo judicial?

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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As manchetes deste sábado

- Folha: PT vai dar reajuste menor a servidor se vencer eleição

- Estadão: PT admite que novo governo Lula terá de cortar gastos

- Globo: Coordenador contradiz Lula e prevê corte de gastos públicos

- Correio: Aumento menor para servidores

- Valor: Manufaturados brasileiros avançam no mercado da AL

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Conflito semântico!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Escorado em revista, PT denuncia ‘complô’ da mídia

Nesta sexta, o PT acomodou em local nobre de seu sítio na internet a reprodução de reportagem de Carta Capital. “Escândalo: revista revela conluio da imprensa para prejudicar Lula e o PT”, diz o título.

 

Na capa de Carta Capital: “A Trama que levou ao Segundo Turno”. O texto traz detalhes da farsa montada pelo delegado Edmilson Pereira Bruno, para repassar a um grupo de repórteres os CDs com as fotos do dinheiro que seria utilizado pelos “aloprados” do PT para comprar o dossiê contra o tucanato.

 

Leia aqui, no sítio da revista, um resumo da reportagem. E pressione aqui para ir ao portal do PT, que traz uma versão mais alentada. Em essência, o que se diz é o seguinte:

 

1. Edmilson Bruno chamou repórteres da Folha, Estadão e Globo para uma conversa sigilosa. Deu-se no dia 29 de setembro, antevéspera do primeiro turno da eleição;

 

2. O delegado repassou aos repórteres cópias do CD com as fotos do monturo de notas de reais e dólares –R$ 1,7 milhão no total— que fora apreendido em 15 de setembro;

 

3. Para encobrir o vazamento, Edimilson Bruno disse que mentiria a seus superiores. Diria que fora vítima de roubo. Sem que o delegado soubesse, a conversa foi gravada pelos jornalistas;

 

4. Trechos da gravação foram reproduzidos no sítio “Vi o Mundo”, do repórter Luiz Carlos Azenha, da TV Globo. A fita expõe um delegado ávido por divulgar as fotos. Tinha especial interesse em vê-las no Jornal Nacional. “Tem alguém da Globo aí?”

 

5. Edmilson Bruno conseguiu o que queria. A dinheirama do dossiê ganhou a internet, o Jornal Nacional e as páginas dos jornais. Carta Capital enxerga no episódio um conluio dos meios de comunicação para empurrar a eleição rumo ao segundo turno, prejudicando Lula.

 

5. Na opinião da revista, endossada pelo PT, os meios de comunicação deveriam ter revelado a seus leitores que o “vazador” das fotos tinha a intenção deliberada de influir no processo político. O signatário do blog acha o seguinte:

 

Não é segredo que o jornalismo por vezes serve-se do rancor humano para obter informações. Responsável pela prisão dos “aloprados” Valdebran Padilha e Gedimar Passos, Edmilson Bruno abespinhara-se por ter sido retirado da investigação.

 

Insinua-se que, além da irritação, o delegado pode ter vazado as fotos movido por razões partidárias e, quem sabe, pecuniárias. Cabe à PF investigar e puni-lo se julgar que é o caso. Aos repórteres cabia verificar: a) se as fotos eram verdadeiras; b) se a divulgação atendia ao interesse público.

 

Quanto ao primeiro ponto, a própria PF atestou, no dia do vazamento, a autenticidade das fotos. Em relação ao segundo, não há dúvida de que a sociedade tinha o direito inalienável de conhecer a imagem do dinheiro, que o governo sonegava.

 

Resta uma pergunta: a mídia errou ao encobrir as segundas intenções do delegado? Sim. Os jornalistas que receberam o CD estavam obrigados, por dever de ofício, a manter o sigilo da fonte. Mas havia formas de mencionar a avidez de Edmilson Bruno sem romper esse compromisso. Algo que é mais fácil enxergar agora do que no calor do fechamento de uma edição de jornal.

 

Mas carimbar o episódio como um complô da mídia para prejudicar Lula é como atribuir ao termômetro a responsabilidade pela febre. Quem envenenou os planos do presidente foram os “aloprados” de seu partido, não os jornalistas. Se o petismo não tivesse instalado uma usina de encrencas na cozinha de seu comitê de campanha a imagem do dinheiro sujo não existiria.

 

De resto, não foi só a divulgação das fotos que produziu o segundo turno. O dossiêgate ganhara o noticiário havia duas semanas. A imagem da grana apenas deu ao escândalo a moldura que faltava. O resto é parolagem para encobrir a interrogação que remanesce pendente de resposta: de onde veio o dinheiro?

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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É verdade, é mentira, é verdade, é mentira, é...

  O Grito/Edvard Munch
Num processo eleitoral, só há uma coisa absolutamente certa: a decepção pós-eleitoral. O signatário do blog afirma peremptoriamente que todas as promessas de campanha são verdadeiras. E aconselha os leitores a jamais acreditar nesse tipo de afirmação.

Há dois dias, em entrevista ao Globo, Lula dissera que faria o Brasil crescer sem promover cortes nos gastos públicos. Nesta sexta, Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha reeleitoral, num rasgo de sinceridade, disse que haverá, sim, cortes.

 

Incomodado com a pecha de privatista, Alckmin acusa Lula de ter criado uma estatal metafórica, a “Mentirobras”. Julga-se vítima de terrorismo eleitoral: "Como eles não têm muito o que mostrar, ficam nessa campanha de criar medo. Campanha do medo.”

 

O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) contra-ataca: "Terrorismo significa dizer o que se quer do futuro? Os tucanos fizeram um processo de privatização do país continuado por Alckmin no governo de São Paulo. É justo ou não que se esclareça quem tem postura privatizante para o futuro?"

 

A verdade é que Alckmin tem mesmo uma visão privatista. Não ousaria, porém, privatizar Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica, como insinua o PT. E Tarso Genro sabe disso. Eis aí um tiroteio que, antes de esclarecer qualquer coisa, transforma o eleitor em candidato. Candidato a uma bala perdida.

Escrito por Josias de Souza às 20h30

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Aécio suspeita que PT divulgaria dossiê contra ele

  Leonardo Wen/Folha Imagem
Entre as páginas do inquérito que apura o dossiêgate há uma carta do governador reeleito de Minas, Aécio Neves, dirigida ao ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos. No texto, Aécio levanta a suspeita de que emissários do PT estariam montando um dossiê também conta ele.

A carta de Aécio aportou no Ministério da Justiça em 28 de setembro, dois dias antes da realização do primeiro turno das eleições. Thomas Bastos encontrava-se fora de Brasília. Pelo telefone, um assessor leu o texto para o ministro. E recebeu ordens para repassar o documento à direção da Polícia Federal.

 

Em seguida, Thomas Bastos telefonou para Aécio. Informou ao governador sobre a providência que acabara de adotar. Remetida ao delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, a carta do governador mineiro foi aos autos do processo.

 

Aécio receberia dias depois uma ligação do próprio delegado. Diógenes Curado informou-lhe que, em suas investigações, a PF não detectara até aquela altura nenhum indício de que, além do tucano José Serra, o birô de “inteligência” do PT teria tentado investir também contra a reputação de Aécio.

 

Concentrada na tentativa de elucidar a origem do R$ 1,7 milhão que seria usado para pagar o dossiê anti-Serra, a PF não gastou energias, por ora, com a suposta conexão mineira da “Operação Tabajara”, como o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) gosta de se referir à ação dos petistas “aloprados” do dossiê. Em Brasília, acredita-se que Aécio tenha supervalorizado boatos. O interesse dos "aloprados" petistas em prejudicá-lo, se houve, não passou de uma cogitação que não foi posta em prática.

 

Uma eventual ação da “inteligência” petista em território mineiro demoliria um dos principais argumentos usados pelo PT para tentar afastar da direção do partido a frustrada operação do dossiêgate: a tese de que a compra de material contra Serra, à época candidato ao governo paulista, interessaria apenas à campanha de São Paulo.

 

Curiosamente, José Serra e Aécio Neves são os dois tucanos que Lula mais vinha cortejando. Em manifestações públicas, o ministro Tarso Genro cansou de repetir que, uma vez eleito, Lula abriria negociação com partidos e políticos da oposição.

 

Serra e Aécio ocupavam o topo da lista de personagens com quem Lula manifestava o desejo de dialogar. O que reforça uma versão que Lula e seus auxiliares se empenham em difundir: a ação dos “aloprados” em São Paulo e, agora, a suspeita relacionada a Minas, são assuntos que correram no partido à revelia do presidente da República, cuja candidatura à reeleição é, por ora, a maior vítima.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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De volta, Collor saboreia o suplício de ex-algozes

Lula Marques/Folha Imagem
 

Condenado a expiar os seus pecados por oito anos, elle vem tentando sair do casulo há tempos. Ensaiou uma candidatura presidencial. A Justiça Eleitoral podou-lhe as pretensões. Meteu-se numa refrega pela prefeitura de São Paulo. O paulistano disse não. Concorreu ao governo de Alagoas. E nada.

Escaldado com a ilicitocracia que elle comandara na Brasília do início dos 90, o destino parecia decidido a negar-lhe o acesso aos cofres de um novo cargo executivo. Súbito, quando se imaginava que a alma delle já estava apaziguada, Fernando Collor de Mello voltou à carga. Com a campanha já pelo meio, candidatou-se a uma cadeira no Senado. E o eleitor alagoano resolveu ressuscitá-lo.

Nesta sexta, elle visitou o novo “local de trabalho”. Vagou por corredores e salas do Senado. Pisou o tapete do plenário. O mesmo tapete sobre cujos fios espessos sua cabeça rolara, 14 anos atrás, depois de ter sido passada na lâmina. O Collor de 2006 é um homem diferente do Collor de 1992. Já não lhe pesa sobre os ombros o fardo da culpa exclusiva.

Aos 57 anos, elle não traz mais no rosto frescor jovial. Mas, livre de outra parte de sua pena –o convívio com Rosane, guardiã de segredos insondáveis—desfilou diante dos repórteres de mãos dadas com a nova mulher, Caroline Medeiros, 29 anos. Afora os dedos, a parte do corpo delle que pareceu mais exultante foi o nariz aquilino.

As narinas delle sorveram cada partícula dos ares conspurcados de Brasília. É como se ellas saboreassem a desdita de seus antigos algozes. É como se desejassem gritar: "O tempo é o senhor da razão." Lula, que o chamava de “ladrão”, chefia uma presidência que, sitiada pela suspeita, produziu a denúncia da “quadrilha” dos 40. Mas já não há estudantes nas ruas. A UNE, como Collor, envelheceu.   

José Dirceu, co-autor do requerimento da CPI do Collorgate, teve, como elle, o pescoço apartado da cabeça. Aloizio Mercadante, ativo investigador das malfeitorias de sua gestão, está na bica de ser interrogado pela PF por conta de um dinheiro que ninguém sabe de onde veio. Vê-se compelido a dizer que nada tem a ver com as estripulias de Hamilton Lacerda, o "aloprado" da mala.

Mercê da desgraça dos que o desgraçaram, Collor pode agora soar magnânimo. Declara-se, veja você, partidário da reeleição de Lula. Anseia pelo dia em que voltará a palmilhar o gabinete presidencial, a convite de um inquilino às voltas com a necessidade de adensar, a todo custo, sua frágil base congressual.

De resto, elle foge de tudo que possa remetê-lo ao passado funesto. Poderia reativar as cascatas da Casa da Dinda, que jorravam em seus jardins o dinheiro sujo de PC Farias. Mas, escaldado, pende para um apartamento funcional do Senado. Melhor assim. Já não tem juventude para arrostar as aparições dos fantasmas do passado que tanto deseja esquecer.

Escrito por Josias de Souza às 15h23

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As manchetes desta sexta

- Folha: PT ataca família de Alckmin e se desculpa

- Estadão: Ibope: Lula 14 pontos à frente

- Globo: Alckmin diz que Brasil não cresce sem baixar imposto

- Correio: Auxílio-doença cresce 166% e levanta suspeita

- Valor: Manufaturados brasileiros avançam no mercado da AL

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h49

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Tribos urbanas!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Alckmistas vão da euforia à tensão em 3 pesquisas

Durou quatro dias e três pesquisas a euforia que tomara conta da campanha de Geraldo Alckmin na noite de domingo. O candidato tucano está de novo às voltas com um adversário quase tão difícil de ser batido quanto Lula: o ceticismo de seus aliados.

 

Nas pegadas do Datafolha, que identificara a ampliação da vantagem de Lula (56% dos votos válidos) sobre Alckmin (44%) de 8 para 12 pontos, outros dois institutos divulgaram pesquisas nesta quinta. Os números são diferentes. Mas a tendência que esboçam é a mesma.

 

Pelo Ibope, considerando-se apenas os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Lula teria 57% contra 43% de Alckmin –14 pontos de diferença. De acordo com o Vox Populi, Lula (55%) estaria dez pontos à frente de Alckmin (45%).

 

O que mais desconsola os políticos próximos ao comitê tucano é o fato de que todos contavam com um reinício de campanha mais alvissareiro. Apuradas as urnas, Alckmin (41,64% dos votos) fora ao segundo turno distante apenas sete pontos percentuais de Lula (48,61%). Um desempenho com o qual talvez nem Alckmin sonhasse.

 

Imaginou-se que, iniciada a segunda rodada, as primeiras pesquisas mostrariam um Alckmin em ascensão e um Lula em descenso. A expectativa foi tonificada pelo debate de domingo. O que se vê, porém, é a ampliação da vantagem de Lula. Torce-se para que o reinício da propaganda televisiva, nesta quinta, sirva ao menos para estancar a fuga de votos em searas tidas como alckmistas –os escolarizados e de maior renda, por exemplo.

 

Por ora, prevalece no tucanato a impressão de que, a duas semanas da eleição, não há muito a fazer além de calibrar o discurso da publicidade eletrônica e tentar avançar sobre o eleitorado dos três principais maiores colégios: São Paulo, Minas e Rio. Exceto por Alckmin e seu time de marketing, aparentemente imunes ao pessimismo, o resto do comando da campanha parece ter mais dúvidas do que certezas.

 

Uma das incertezas que rondam o comitê de Alckmin diz respeito ao timbre da campanha no campo da ética. O receio de tucanos e pefelistas é o de que o dossiêgate, um trunfo que ajudou a levar o candidato Alckmin para o segundo turno, esteja começando a perder fôlego. A cobrança –“De onde veio o dinheiro?”– será mantida. Mas há dúvidas quanto à eficácia do tema como alavanca eleitoral.

 

A campanha de Lula, de resto, não está imóvel. Além de manter a pregação de que a tentativa de compra do dossiê foi um "grave erro", vende a tese de que Alckmin ataca Lula porque lhe faltariam propostas. Aposta-se no Planalto e no comitê de campanha petista que o Alckmin dos próximos debates televisivos –haverá pelo menos mais três—virá bem mais manso do que o Alckmin de domingo passado.

 

A despeito do desânimo do tucanato e da exaltação do petismo, a eleição não está decidida. Longe disso.A propaganda eletrônica acaba de recomeçar.  No primeiro turno, o eleitor demonstrou que, para além das projeções estatísticas e dos desejos dos comitês eleitorais, é capaz de produzir movimentos de última hora. Qualquer erro pode ser fatal. 

Escrito por Josias de Souza às 21h42

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Alckmin busca Nossa Senhora e encontra Suplicy

Robson Ventura/Folha Imagem
 

Geraldo Alckmin escolheu um local estratégico para fazer campanha neste feriado de Nossa Senhora Aparecida. Foi à tradicional missa em homenagem à mãe de Jesus na Basílica de Aparecida (foto). Para seu desassossego, o senador petista Eduardo Suplicy escolheu o mesmo destino.

Os dois falaram à imprensa, acomodados lado a lado numa mesma bancada. Suplicy aproveitou câmeras e microfones para desaprovar a aspereza de Alckmin no debate de domingo passado. Disse ter pedido em suas orações que os presidenciáveis “venham a ter um debate esclarecedor.”

De quebra, Suplicy corrigiu Alckmin. Disse que o candidato tucano valeu-se de um argumento equivocado na artilharia conta Lula. Ao contrário do que dissera Alckmin no debate de domingo, o programa Bolsa Família exige, sim, contrapartidas dos beneficiários. O senador aconselhou o candidato a ler a lei que instituiu o programa.

Quando chegou a sua vez de falar, Alckmin esquivou-se de responder a Suplicy. Um erro. Preferiu desferir novas alfinetadas no adversário: "Eu penso diferente do presidente Lula. Nós temos diferenças, diferenças éticas. Eu não sou tolerante com a corrupção".

Reportando-se a uma entrevista de Lula ao Globo, na qual o presidente afirma que é possível fazer crescer a economia sem promover cortes nos gastos do governo, Alckmin discordou. Disse que a questão fiscal, que inclui os gastos públicos, está no centro do debate sobre crescimento econômico. "Acho que o governo gasta muito, acho que o governo gasta mal", disse.

Ainda na noite desta quinta, Lula fará um comício em Jardim Azul, um bairro pobre da cidade goiana de Valparaíso, que faz fronteira com o Distrito Federal. Decerto pingarão dos lábios do presidente os termos que estabelecerão na cena eleitoral “o debate esclarecedor” encomendado por Suplicy em suas orações.

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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Lula desrespeita limite de velocidade em Brasília

Fotos:Lula Marques/Folha Imagem
 

Na bica de completar quatro anos de gestão Lula viu –ou não viu!— seus auxiliares oferecerem ao país uma penca de maus exemplos.  Nesta quinta, o próprio presidente cuidou de agregar mais um desatino à vasta coleção.

Lula aproveitou o feriado para gravar comerciais na produtora que serve à sua campanha. Em seguida, retornou à Granja do Torto, onde repousa com a família. A foto acima mostra a comitiva presidencial. São quatro carros. Três deles apinhados de seguranças.

Escalado para acompanhar o presidente, o repórter Lula Marques seguiu a comitiva. Viu-se diante de um descalabro. Deslizando por uma via rente ao Setor de Clubes da Capital, o comboio presidencial corria a mais de 120 km por hora (veja no destaque o velocímetro do carro da reportagem no instante da “perseguição”). Ao longo do percurso, há um sem número de placas indicando a velocidade máxima permitida: 70 km.

No trânsito, a correria desmedida é a mãe de todos os acidentes. Para um presidente que já se livrou de tantos desastres, isso pode significar muito pouco. Mas vale uma pergunta: por que estender o risco aos transeuntes de Brasília?

Escrito por Josias de Souza às 17h29

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Weffort diz amém ao PMDB do irmão Garotinho

Em política, como no casamento, a coisa que mais separa as pessoas é a vida em comum. Tome-se o exemplo de Francisco Weffort. Ideólogo do PT, ficou exausto da convivência com Lula e o petismo. Bandeou-se para o lado tucano. Sob FHC, aninhou-se no Ministério da Cultura.

Hoje, sempre que se refere aos antigos companheiros, Weffort é cáustico como soda. No último dia 10 de setembro, por exemplo, falando à repórter Flávia Marreiro (assinantes da Folha), comparou Lula a Adhemar de Barros, aquele do “rouba mas faz”. Explicou-se assim: "O pobre que depende do Bolsa-Família para viver deve considerar muito distantes as controvérsias sobre malversação de dinheiro público."

Se Lula for reeleito, disse ainda Weffort, “sua nova gestão já começará velha, o que é sempre um risco para a democracia.” E por que a cara do segundo mandato de Lula se encheria de rugas? “Ele terá que negociar com a banda podre do PMDB para formar governo e estará, desde o início, debaixo de crítica cerrada da opinião publica”, disse Weffort.

Pois bem, o mesmo Weffort revela-se agora um fervoroso defensor dos entendimentos de Geraldo Alckmin com o PMDB de Anthony Garotinho. É o que informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha) nas notas que se seguem:

Weffort aplaude Garotinho - A polêmica adesão de Anthony Garotinho à candidatura do tucano Geraldo Alckmin ganhou apoio de peso nesta semana: o sociólogo Francisco Weffort, ex-petista e ex-ministro de FHC, telefonou a Garotinho para dar os "parabéns" pela "coragem" de declarar apoio a Alckmin. "Ele disse para eu não dar bola para o [prefeito do Rio] Cesar Maia", diz Garotinho. Maia declarou que o apoio de Garotinho acaba com o discurso ético do tucano.

MILHARES DE VOTOS - Weffort diz que "a receptividade do Garotinho no Rio é muito maior do que se imagina" e que as críticas de Maia foram "completo exagero". "Não conheço nada contra o Garotinho que seja parecido ao que há contra o Lula", diz o sociólogo. "No segundo turno, a escolha é entre dois candidatos. É só ver a lista de apoios que o Lula recebeu. O Garotinho escolheu o Alckmin assim como o Newton Cardoso [ex-governador de MG] e o Fernando Collor escolheram o Lula." Diz ainda Weffort que "o apoio do Garotinho vale milhares de votos".

 

O signatário do blog suspeita que, ao tratar como naco imaculado do PMDB a congregação partidária que segue o evangelho segundo o irmão Garotinho, o professor Weffort incorre em grave pecado. Relembre-se, por oportuno, o livro de Gênese (1,3): “Deus disse: haja luz; e houve luz.” Agora, pergunte-se: Meu Deus, de que serve tanta luz se mesmo teus filhos supostamente mais racionais não têm olhos para vê-la?

Escrito por Josias de Souza às 16h01

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As manchetes desta quinta

 

- Folha: PF quer ouvir Mercadante para apurar caso dossiê

 

- Estadão: EUA não têm intenção de atacar Coréia, diz Bush

 

- Globo: Lula diz que Brasil pode crescer sem cortar gastos

 

- Correio: IPVA sobe até 45%

 

- Valor: Empresas tentam quitar dívidas de US$ 4,5 bilhões

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h50

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Esporte radical!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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‘A hora é de guerrear, não de festejar’, diz Lula

  Domingos Tadeu/ABr
“Já erramos uma vez. Pelo amor de Deus, nada de salto alto agora.” Foi com essa frase que Lula reagiu ao entusiasmo de um auxiliar que ensaiou uma comemoração diante dos números da nova pesquisa Datafolha, que atribuiu a Lula uma vantagem de 12 pontos sobre o rival Geraldo Alckmin. “Estamos no meio de uma guerra. A hora é de guerrear, não de festejar”, completou o presidente.

Embora tenha considerado a nova pesquisa “muito boa”, Lula repetiria a um deputado petista que lhe telefonou no meio da tarde desta quarta que tudo o que não deseja no momento é “comemoração antes da hora”. “Vamos deixar para comemorar depois que os votos estiverem contados”, disse o presidente ao parlamentar. Segundo ele, não se deve olhar o adversário "de cima para baixo", mas "olho no olho".

 

A despeito do tom moderado, o Lula pós-Datafolha é outro candidato. Ele estava irrequieto desde domingo. Não gostou do próprio desempenho no debate da TV Bandeirantes. Embora sondagens feitas por encomenda do seu comitê de campanha indicassem que o debate não lhe tirara votos, foi depois do Datafolha que o presidente recobrou por inteiro o humor.

 

Em meio à “guerra”, como ele se refere ao segundo turno da disputa presidencial, Lula cobra dos aliados que desfiram contra Alckmin tiros de efeito moral. Abespinhado com o tom utilizado pelo adversário no debate de domingo, o presidente deseja reforçar a idéia de que o tucanato não tem “autoridade” para ministrar-lhe lições de ética.

 

Lula revela-se desejoso de imprimir à campanha um caráter propositivo, reforçando a comparação entre a sua gestão e a do antecessor Fernando Henrique Cardoso. Mas afirma que, numa batalha, “se o outro lado vem de espingardas, nós temos que ter metralhadoras”.

 

Uma das obsessões de Lula é conseguir demonstrar que seu governo não é mais corrupto que nenhum outro. Como se desejasse convencer a si próprio, repete incessantemente que a sensação de aumento da corrupção decorre do fato de que seu governo “não joga sujeira para baixo do tapete”, ao contrário do que fizeram FHC e o próprio Alckmin, coveiro de 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo.

 

Outra idéia fixa do presidente é a intenção de colar em Alckmin a pecha de “privatista”. Quer que seus aliados se empenhem em difundir a tese de que, sob o discurso do “choque de gestão” de Alckmin, esconde um projeto de desmontagem do Estado, incluindo as engrenagens sociais da máquina estatal.

 

Em resposta à ofensiva de Lula e do PT, o tucanato incluirá na propaganda televisiva que será retomada nesta quinta-feira, inserções que têm o objetivo de desmentir a pregação inimiga. A estratégia tucana é a de grudar em Lula o epíteto de “mentiroso”.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Feliz Dia das Crianças!

 

Visite o sítio Charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 00h50

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Roseana desdenha PFL e confirma apoio a Lula

Depois que a ação dos “aloprados” do PT azedou-lhe a campanha, Lula agarrou-se ao triunfo do petismo sobre a pefelândia nordestina como quem apalpa um troféu. Festejou a vitória de Marcelo Déda sobre João Alves, em Sergipe, e, muito especialmente, o êxito de Jaques Wagner sobre Paulo Souto, do gripo de ACM, na Bahia. “Vamos varrer o coronelismo do meu querido Nordeste”, comentou, em privado.

Para o Maranhão, porém, a receita de Lula é diferente. Ali, declara amor eterno à família Sarney. Contra a vontade do petismo maranhense, o presidente associou-se à candidatura de Roseana Sarney, do mesmo PFL de Alves e ACM. De olho na popularidade de Lula, que roça os 70% no Estado, Roseana, em retribuição, também declarou apoio a Lula, embora o seu partido seja parceiro de Alckmin.

 

Nesta quarta, em entrevistas a emissoras de rádio e de TV de São Luís, Roseana deu de ombros para as ameaças de Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL, de expulsá-la do partido. Segundo relato da Agência Nordeste (assinantes), ela disse: “O presidente Lula sabe da importância do nosso Estado e, por isso, ele tem o nosso apoio e está nos apoiando. Lamento profundamente que o presidente do meu partido tenha dado essa declaração. Entre os interesses partidários e o interesse do povo do Maranhão, obviamente fico com os interesses do povo do Maranhão.”

 

Em outros tempos, a dobradinha Roseana-Lula seria algo impensável. Na época em que ainda o chamavam de “esquerdista”, o manda-chuva do PT referia-se a Roseana e à família dela em timbre inamistoso. Chamava-os de “mentirosos descarados”. Pressione na imagem lá em cima para assistir a um discurso desse Lula que o exercício do poder sepultou. Depois diga aí embaixo se não é verdade que, em política, a primeira vítima é sempre a coerência.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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Aos prantos, HH chama Lula de ‘vagabundo’

  Roosewelt Pinheiro/Ag.Senado
Heloisa Helena estava presidindo a sessão do Senado. Súbito, decidiu fazer um desabafo. Disse estar sendo vítima de machismo. Acusou os políticos e a imprensa. O que a fez sair do sério foi uma fotomontagem exibida no sítio de humor Kibe Loco. Mostra o rosto de HH sobre a foto de uma modelo na capa da Revista Playboy.

 

A senadora disse ter sido informada de que a imagem estava sendo distribuída na rodoviária de Brasília por militantes petistas. Aos prantos, queixou-se ao seu estilo: "Eu sei o que estou passando, recebendo cartas de gente do PT porque não declarei apoio ao vagabundo do presidente. Eu sou uma mulher digna, não é a primeira vez que isso acontece comigo. Sou uma mãe de família exemplar."

 

HH está convencida de que há digitais petistas por trás da fotomontagem exposta na internet. Na véspera, a peça correra de mão e mão pelo Senado. Colegas da senadora faziam pilhéria com a montagem.

 

A senadora irritou-se também com o jornal O Globo que, em reportagem nesta quarta informou que ela própria teria levado a coisa na brincadeira. "Só se eu fosse uma mulher vagabunda, uma mãe vagabunda para olhar para uma montagem horrorosa como aquela, como se eu estivesse nua na capa da Playboy e eu me achar bonitinha."

 

HH tem razões de sobra para esquivar-se de recomendar voto no candidato petista. Eleita para o Senado em 98, ela era macaca de auditório de Lula. Festejou a eleição do ídolo para a presidência. Em 2003, divergiu do novo governo em votações no Congresso. E foi sumariamente expulsa do PT. Antes de pôr uma pedra sobre um passado tão presente, HH precisaria ser canonizada por Bento 16.

Escrito por Josias de Souza às 22h59

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PF marca os depoimentos de Berzoini e Abel Pereira

Marlene Bérgamo/Folha Imagem
 

A Polícia Federal agendou para a próxima sexta e para terça da semana que vem os depoimentos do deputado Ricardo Berzoini, ex-coordenador da campanha de Lula e presidente licenciado do PT, e de Abel Pereira, empresário ligado ao tucanato. Ambos serão inquiridos em São Paulo pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito sobre o dossiêgate. A PF deseja ouviu também Aloizio Mercadante (PT-SP), mas a data ainda não foi marcada. O senador diz estar à disposição.

De Berzoini, que será ouvido na terça que vem, serão cobradas explicações sobre a ação dos “alopadros” do PT que tentaram comprar por R$ 1,7 milhão, no dia 15 de setembro, um dossiê contra políticos tucanos. Todos os envolvidos eram vinculados ao birô de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula. Foram recrutados por Berzoini e estavam subordinados a ele.

De Abel, que será interrogado nesta sexta, o delegado Curado deseja saber se teve alguma participação no episódio do dossiê. Cobrará explicações, de resto, acerca de uma representação feita contra ele no Ministério Público por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Vedoin sustenta ter feito repasses financeiros para Abel, para apressar a liberação de verbas do Ministério da Saúde na época em que o ministro era o tucano Barjas Negri.

Nesta quarta, os jornais Correio Braziliense e Estado de Minas publicaram reportagens que acomodam o caso do dossiê no colo de Berzoini. Valendo-se de declarações atribuídas ao deputado Júlio Delgado (PSB-MG), os jornais afirmam que Berzoini sabia da montagem do dossiê antitucano e teria autorizado a sua compra.

Delgado integrou uma comitiva da CPI das Sanguessugas que esteve em Cuiabá para conversar com os responsáveis pela investigação do caso. Sustenta que a PF dispõe de indícios que apontariam para a participação de Berzoini. O deputado Delgado voltou a tratar do tema nesta quarta.

Em resposta, Berzoini divulgou uma nota no sítio do PT. Anunciou a decisão de processar os dois jornais que veicularam a notícia. Curiosamente, não fez referência a nenhum processo contra o colega Júlio Delgado. Berzoini reafirmou o que já dissera antes: “Jamais incentivei, determinei ou concordei com nenhuma forma de ilegalidade ou irregularidade nos assuntos que estiveram sob a minha responsabilidade, razão pela qual tenho total interesse no aprofundamento e conclusão das investigações”.

A prevalecer a versão do presidente licenciado do PT, toda a operação frustrada de tentativa de compra do dossiê, incluindo a coleta de R$ 1,7 milhão, seria de inteira responsabilidade dos “aloprados”. O diabo é que nenhum deles assume responsabilidade pela grana. Deve ter caído do céu.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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A que temperatura ferve um picolé de chuchu?

No debate de domingo passado, Alckmin mostrou-se um inquisidor implacável. Foi frio como um anestesista, preciso como um bisturi: “Candidato Lula, de onde é que veio o dinheiro?”, perguntou, levando o oponente às cordas.

 

No papel de inquirido, Alckmin não exibe a mesma frieza. Deve-se a uma equipe do programa Dateline, da TV australiana SBS, uma descoberta curiosa: para derreter um picolé de chuchu bastam algumas boas e incisivas perguntas sobre o PCC.

 

Enviada a São Paulo no último mês de maio para realizar uma reportagem sobre os ataques que viraram de ponta-cabeça as ruas de São Paulo, a equipe do Dateline foi a Alckmin. Inquiriu-o sobre as suas responsabilidades. Alckmin, que deixara o governo do Estado havia dois meses, ferveu à segunda pergunta.

 

Contrafeito, o candidato saltou da cadeira: ''Se eu soubesse que era isso eu não tinha dado a entrevista.'' Recomendou à repórter que tentou ouvi-lo que procurasse as autoridades do governo paulista. Tentou-se. Mas ninguém se dispôs a falar. Pressione na imagem para assistir à reportagem, com legendas.

Escrito por Josias de Souza às 16h36

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Marilena Chauí prepara-se para a invasão dos hunos

   Portal Vermelho
A filósofa protopetista Marilena Chauí acha que as eleições presidenciais deste ano da graça de 2006 realizam-se em cenário pré-medieval. Diz que apoiadores de Lula são “apedrejados” nas ruas, “levam soco na cara e no estômago”. Afirma que a Justiça Eleitoral porta-se de maneira “repressiva e policialesca”. E enxerga uma ofensiva da mídia contra Lula.

 

Chauí está especialmente preocupada com o debate que Lula e Alckmin farão no dia 27 de outubro, na Globo. Receia que a emissora possa desferir algum golpe baixo contra o seu candidato, editando o debate à maneira de 1989, quando do célebre confronto televisivo Lula X Collor.

 

Enfim, Marilena encontra-se em estado de alerta máximo contra a iminente intromissão dos hunos na cena eleitoral. Em “Origens e Fins”, Otto Maria Carpeaux prescreve Erasmo como remédio anti-ações bárbaras: “Contra os bárbaros não nos defenderão outros bárbaros. Devemos opor-lhes uma melhor fé, uma melhor justiça, o nosso próprio espírito e a nossa própria vida.”

 

Chauí prefere dar de ombros para Erasmo. Trocou a filosofia e a pena por armas metafóricas: “Eu estou de armadura e lança em punho, porque estou esperando todas essas barbaridades”, disse ela ao portal Vermelho, do PC do B. Leia abaixo a entrevista:

 

- A mídia vai radicalizar o discurso anti-Lula e a pregação conservadora?
Eu acho que sim. Tudo se torna mais acirrado, e a distinção esquerda-direita fica mais acirrada também. A mídia ganha os contornos que teve na eleição do Collor. Estou só esperando o momento em que vai haver o debate na Rede Globo - e a Rede Globo vai editar, transmitir uma edição do debate. Vocês eram muito jovens. Vocês não se lembram, vocês não sabem o que foi feito naquela ocasião.

- Sabemos, sim...
Eu estou de armadura e lança em punho, porque estou esperando todas essas barbaridades.

- A concentração da campanha na TV não impossibilita o debate de propostas?
O que eu acho é que, como o TSE passou a exercer uma atitude verdadeiramente repressiva e policialesca, o número de debates se reduziu muito - a discussão de idéias na rua, a presença da eleição no espaço público. No Brasil inteiro, com tanto receio de que houvesse uma repressão por partes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e do TSE, houve uma espécie de grande silêncio. Afora a televisão, nada mais acontecia. Penso que, nos próximos dias, essa situação poderá sofrer uma alteração, com a presença de uma militância mais aguerrida nas ruas. Eu fui informada, por dois colegas, das agressões que os petistas estão recebendo.

- Aqui em São Paulo?
Aqui em São Paulo, na Avenida Paulista. Uma menina que tinha o adesivo do Lula no carro foi apedrejada. Um rapaz que estava usando um distintivo levou soco na cara e no estômago. Foi assim na eleição do Collor. A gente saía e levava pancada. Riscavam o carro da gente, quebravam a janela, batiam nas portas das casas. Foi uma coisa terrível. Vocês são muito jovens e não sabem como foi. Mas foi assim. Agora eu preciso ir embora. Prometi à minha mãe que vou vê-la.

Escrito por Josias de Souza às 16h00

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As manchetes desta quarta

- Folha: Lula amplia vantagem sobre Alckmin

- Estadão: PT intensifica tática do medo e Alckmin reage

- Globo: Corte de gastos abre nova frente na guerra presidencial

- Correio: CPI: Berzoini mandou comprar o dossiê

- Valor: Empresas tentam quitar dívidas de US$ 4,5 bilhões

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h14

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Arena de touros!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Datafolha joga água gelada na cabeça de Alckmin

O resultado da última pesquisa Datafolha, estampado nesta quarta nas páginas da Folha, derrama sobre a calva de Geraldo Alckmin um balde de água fria. A versão “heloisahelenizada” do chuchu, exposta no debate de domingo, não carreou votos para o cesto do presidenciável tucano. Pior: para alegria de Lula, o legume apimentado parece ter azedado o paladar de parte do eleitorado de Alckmin.

 

Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas nesta terça, menos de 48 horas depois do debate da TV Bandeirantes. Entrevistaram 2.868 eleitores em 194 municípios de 25 Estados. Descobriram que, do último dia 6 de outubro para agora, a vantagem de Lula sobre Alckmin ampliou-se de sete para 11 pontos percentuais. Ou, considerando-se apenas os votos válidos (excluídos brancos e indecisos), de oito para 12 pontos.

 

Lula manteve-se estável. Oscilou de 50% para 51%, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para cima ou para baixo. Alckmin escorregou para baixo. Foi de 43% para 40%. Contando-se apenas os votos válidos, como faz o TSE na hora de definir o resultado, Lula sobe de 54% para 56%. E Alckmin oscila de 46% para 44%.

 

O blog conversou na madrugada desta quarta com um dos integrantes do alto comando do comitê de Alckmin. Ele disse que o resultado do Datafolha, por adverso, ressuscita na campanha o debate sobre a dosagem dos ataques a Lula. Revive-se o receio de que a escalada acusatória possa acomodar sobre a cabeleira de Lula um halo de vítima.

 

“Não vejo alternativa senão a de manter o questionamento quanto à origem do dinheiro do dossiê e à identificação dos responsáveis”, disse o integrante do comitê de Alckmin. “Foi isso que ajudou a produzir o segundo turno. Mas teremos de acentuar a exposição da nossa proposta de governo, o que já estava previsto.”

 

O Datafolha quis saber também como os eleitores avaliaram a atuação dos dois candidatos no debate de domingo. Identificou-se ligeira vantagem em favor de Alckmin. Considerando-se a margem de erro, o quadro é, porém, de empate. Entre as pessoas que viram o debate, 43% avaliaram que Alckmin venceu. Lula foi o melhor na opinião de 41% dos entrevistados.

 

A pesquisa traz um dado preocupante para Alckmin. Ele perdeu votos tanto nas áreas em que é favorito quanto nas regiões em que está em desvantagem para Lula. Na região Sul, por exemplo, onde o tucanato lidera, Alckmin perdeu três pontos e Lula ganhou cinco. No Nordeste, região onde o petismo é favorito, Lula cresceu quatro pontos; Alckmin caiu quatro.

Na primeira pesquisa realizada pelo Datafolha depois do primeiro turno, na última sexta-feira, 48% dos eleitores de Heloisa Helena manifestavam a intenção de votar em Alckmin. Agora, o percentual caiu para 39%. Uma erosão de nove pontos. Lula, por sua vez, cresceu quatro pontos nesse segmento. Há cinco dias, 32% dos “helenistas” diziam que votariam em Lula. O percentual subiu agora para 36%.

 

Outras más notícias para o tucanato: 1) Alckmin perdeu oito pontos entre os eleitores com idade entre 25 e 34 anos (24% do eleitorado); Lula ganhou cinco. Alckmin caiu de 51% para 41% na preferência dos eleitores que ganham entre 5 e 10 salários mínimos; Lula subiu de 41% para 45% nessa faixa; 3) entre os eleitores que têm o ensino médio, Lula ganhou quatro pontos; Alckmin perdeu cinco. Entre os que têm ensino superior, Lula oscilou dois pontos para cima; Alckmin, três pontos para baixo.

 

Vai dando certo, por ora, a tática de Lula de posar de vítima ao mesmo tempo em que acentua a suposta ausência de propostas de Alckmin. Para manter-se vivo na disputa, Alckmin terá de anular pelo menos seis dos 12 pontos de desvantagem que ostenta na pesquisa. Num cenário de segundo turno, em que só há dois candidatos, cada ponto subtraído do líder tende a somar em favor do segundo colocado. A questão é: O chuchu apimentado do segundo turno conseguirá conquistar o paladar de mais de 7,5 milhões de eleitores nas duas semanas que restam de campanha?

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Quebrados sigilos de Abel Pereira, o elo ‘tucano’

Começou a andar o naco do inquérito das sanguessugas que mais interessa a Lula e ao PT. A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal de Mato Grosso autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do empresário Abel Pereira. Ele é apontado por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas como o elo perdido do tucanato no escândalo da compra superfaturada de ambulâncias.

Em representação protocolada no Ministério Público em 14 de setembro, Luiz Vedoin sustenta ter feito repasses financeiros para Abel, para azeitar a liberação de verbas do Ministério da Saúde. Vedoin anexou à representação comprovantes bancários que atestariam os repasses feitos a empresas vinculadas a Abel Pereira.

 

Segundo o chefão sanguessuga, Abel agia em nome de Barjas Negri. Secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão de José Serra, Negri tornou-se ministro em março de 2002, quando o tucano deixou o governo do amigo FHC para concorrer ao Planalto. Hoje, ele é prefeito de Piracicaba (SP).

 

Depois de deixar o ministério e antes de virar prefeito, Barjas Negri foi secretário de Habitação de Alckmin no governo de São Paulo. Ele vem negando, em entrevistas e em notas, as acusações de Vedoin. Mencionado por Lula no debate de domingo, disse que processará o presidente.

 

O Ministério Público e a PF investigam também a suspeita de que Abel tentara comprar de Luiz Vedoin o mesmo dossiê que posteriormente foi negociado com os “aloprados” lotados no birô de inteligência da campanha reeleitoral de Lula. Escuta telefônica instalada num celular de Luiz Vedoin detectou telefonemas de Abel para o dono da Planam dias antes da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, dois dos “aloprados”, num hotel de São Paulo, em 15 de setembro.

 

No debate com Geraldo Alckmin, no último domingo, Lula disse que, insinuou que, além da origem do dinheiro apreendido com Gedimar e Valdebran (R$ 1,7 milhão) queria que fosse investigado o conteúdo do dossiê levado ao balcão eleitoral por Luiz Vedoin. De resto, estimulou a suspeita de que o tucanato teria armado uma armadilha para os "aloprados". afirmou que sua candidatura foi a maior prejudicada com o episódio. E a campanha de Alckmin, a maior beneficiada.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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Gedimar ‘aloprado’ Passos recua e inocenta Freud

Gedimar Passos, um dos “aloprados” presos com R$ 1,7 milhão no último dia 15 de setembro, num hotel em São Paulo, mudou a versão que dera em depoimento à PF. No dia da prisão, ele alegara ter recebido a ordem para a compra do dossiê contra políticos tucanos de Freud Godoy, ex-segurança e assessor especial de Lula. Em documento protocolado no TSE, Gedimar sustenta coisa diferente. Diz que Freud não tem nada a ver com o dossiêgate.

Os esclarecimentos foram solicitados pelo TSE, que conduz uma investigação judicial para verificar eventuais implicações do dossiêgate no processo eleitoral. Em sua nova versão, Gedimar deixa em desconfortáveis lençóis o delegado Edmilson Pereira Bruno, da Polícia Federal. Foi ele quem realizou a apreensão do dinheiro que serviria para a compra do dossiê e a prisão de Gedimar, em companhia do petista Valdebran Padilha. Foi ele também quem divulgou, 48 horas antes do primeiro turno da eleição, as fotos do dinheiro que apreendera na noite de 15 de setembro.

 

Por meio de seus advogados, Gedimar informou ao TSE que só envolveu Freud Godoy no caso depois de ter recebido a “falsa promessa” do delegado de que o liberaria se colaborasse com as investigações. Segundo Gedimar, Edmilson Bruno não se conformava com as suas alegações de que nada sabia a respeito do dinheiro. Diante da promessa de ser liberado, teria mencionado Freud Godoy “aleatoriamente”.

 

No depoimento que prestara no dia de sua prisão, Gedimar, um ex-agente da PF, dissera que havia sido contratado pela Executiva Nacional do PT. Afirmara também que recebera a ordem para a compra do dossiê “de uma pessoa de nome Froude ou Freud”. Esclareceu que o sujeito era dono de “uma empresa de segurança.”

 

A PF descobriria depois que a pessoa mencionada por Gedimar era Freud Godoy. De fato, ele possui uma empresa de segurança. Transferiu-a para a mulher antes de ser contratado para trabalhar no Palácio do Planalto.

 

A nova versão de Gedimar deixa boiando no ar incômodas interrogações: de onde veio o dinheiro que seria usado na compra do dossiê? Quem deu a ordem para que o material contra os tucanos fosse adquirido? São perguntas que o ex-agente da PF, cioso em isentar o ex-assessor de Lula, não se dignou a responder.

 

Antes da manifestação encaminhada ao TSE, Gedimar já tivera a oportunidade de isentar Freud Godoy. Reinquirido quatro dias depois de ter sido preso, o ex-agente da PF foi instado a detalhar a participação do ex-assessor palaciano na operação. Preferiu o silêncio. Disse que só voltaria a falar em juízo. O Ministério Público solicitou a renovação do pedido de prisão de Gedimar. Receava que, solto, ele pudesse combinar versões com os demais envolvidos no dossiêgate. A Justiça, porém, soltou o preso.      

A despeito da nova versão apresentada por Gedimar ao TSE, o Ministério Público continua tratando Freud Godoy como “suspeito”. Alega-se que só ao final das apurações será possível saber se ele tem ou não culpa no cartório. Oficialmente, a Polícia Federal tampouco isentou Freud. Mas extra-oficialmente, os agentes envolvidos na condução do inquérito afirmam que, diante da ausência de provas cabais de seu envolvimento, Freud deve mesmo sair ileso do episódio.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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Debate não tirou votos de Lula, diz pesquisa do PT

  Fernando Donasci/FI
Pesquisa feita por encomenda do comitê de campanha de Lula informa que o debate realizado no último domingo não provocou mexidas no cenário eleitoral. Os números são mantidos sob sigilo. Em contato com o blog, um integrante da caravana lulista traduziu assim os resultados:

 

1) entre os entrevistados, pouco mais de um terço disse ter assistido ao debate;

 

2) nem Lula nem Alckmin; para o telespectador, houve empate;

 

3) auferida as intenções de voto, Lula continuaria abrindo confortável dianteira em relação a Alckmin.

 

Nesta quarta-feira, a Folha irá publicar os números da mais recente sondagem do Datafolha. São dados quentes como pão do dia. Os pesquisadores foram às ruas nesta terça, 48 horas depois do debate.

 

Em evento de campanha realizado há pouco em São Paulo, a petista Marta Suplicy anunciou o que seria o resultado do Datafolha. Ela não disse como obteve os números. Lula estaria com 56%, contra 44% atribuídos a Alckmin. Se forem verdadeiros os números, a vantagem de Lula terá crescido de oito para 12 pontos percentuais em uma semana. A escassos 18 dias da eleição, não é nada mal.

Escrito por Josias de Souza às 23h42

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Freire: ‘Melhor perder o Maggi do que o respeito’

  Folha Imagem
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), diz que Blairo Maggi, governador reeleito de Mato Grosso, “não se dá ao respeito” ao anunciar que pende para o apoio a Lula, em detrimento d candidatura Alckmin. Se a opção for confirmada, afirma Freire, não há hipótese de permanência de Maggi na legenda.

 

“O governador foi importante. Ajudou a estruturar o partido em Mato Grosso. Mas é melhor perder o Blairo Maggi do que perder o respeito da sociedade”, disse Freire ao blog. “Ele sabe que esse é um partido sério. Quando rompemos com o governo, entregamos um ministério [Desenvolvimento Nacional]. De lambuja, mandamos junto o ministro [Ciro Gomes, hoje no PSB].”

 

Freire enxerga uma contradição na opção de Maggi. “Quando eu ainda era candidato à presidência pelo PPS, ele defendeu que devíamos apoiar o Alckmin. Defendeu dentro do partido e publicamente. Agora vem com essa história de apoio a Lula! Esse é Blairo Maggi”.

 

O presidente do PPS conta que telefonou para Maggi há uma semana. Lembrou as declarações públicas que fizera em favor de Alckmin. E pediu que confirmasse o apoio. O governador alegou que não poderia fazê-lo porque tem dificuldades de relacionamento com o tucanato mato-grossense.

 

Nesta terça, em entrevista ao blog (veja texto abaixo), Blairo Maggi informou que irá encontrar-se com Lula. Condiciona o apoio à candidatura reeleitoral a um compromisso de suporte governamental ao agronegócio. Freire comenta: “Ele erra ao imaginar que será interlocutor do setor. A Comissão de Agricultura da Câmara discute um manifesto contra ele, chamando-o de traidor. Ele que tome cuidado. Acaba se desmoralizando”.

Escrito por Josias de Souza às 19h33

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Blairo Maggi encontra Lula para negociar apoio

Blairo Maggi encontra Lula para negociar apoio

  OBritoNews
Filiado ao PPS, partido que apóia o tucano Alckmin, o governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi, está com um pé na candidatura petista de Lula. Ele se encontra nesta quarta-feira com Lula, para negociar o seu apoio. Maior plantador de soja do país, Maggi deseja tornar-se interlocutor preferencial do agronegócio com o governo Lula, em caso de reeleição.

 

Em entrevista ao blog, Maggi disse que, fechado o entendimento com Lula, irá se desfiliar do PPS antes que Roberto Freire, o presidente do partido, o expulse. Com o apoio do governador, Lula finca uma cunha num Estado em que perdeu para Alckmin no primeiro turno. Leia abaixo a entrevista:

 

- Já se definiu entre Lula e Alckmin?

Meus adversários na eleição estadual foram exatamente PSDB e PT, os dois partidos que disputam a presidência. O PSDB foi muito amargo comigo. Tenho uma dificuldade de andar com esse pessoal aqui no Estado. Estou buscando um entendimento entre o setor da agricultura, que está muito magoado com o Lula, e o presidente. O que me preocupa é o seguinte: todas as lideranças do agronegócio estão voltadas para a candidatura do Alckmin. Se ele vencer as eleições, está cheio de gente para conversar e ser interlocutor. E se o Lula ganhar? Quem desse segmento vai poder conversar com o governo? Eu estou preocupado com isso.

- Já falou com Lula?

Amanhã, vou a Brasília para conversar com o presidente. Quero ver quais são os pontos com os quais ele pode se comprometer para ajudar o setor do agronegócio num segundo mandato.

- Um tapete vermelho o aguarda no Planalto. Pode-se depreender, assim, que o sr. está mais próximo de Lula do que de Alckmin?

Sem dúvida. Como governador de Estado, demorei muito tempo para abrir canais no governo federal. Só nos últimos dois anos as coisas começaram a fluir, os convênios começaram a ser assinados. Suponha que haja uma troca de governo. As pessoas vão chegar, se inteirar das coisas, o país vai parar mais um ano nas relações entre governos. A minha preferência, se conseguir fazer um acordo produtivo para o setor do agronegócio e para o governo do meu Estado, é caminhar pelo caminho da manutenção do atual presidente. Nada de pessoal contra o outro candidato. A gente vai ganhar tempo com isso.

- Não o preocupa a ameaça de Roberto Freire de expulsá-lo do PPS?

Não. Estou mais preocupado com o um segmento econômico vital para o meu Estado e com as coisas do governo de Mato Grosso. Além disso, o partido também está deixando de existir. Não atingiu a cláusula de barreira. Vai ter que se acomodar em outro lugar. E não serei expulso. Se optar por Lula, vou me desfiliar do PPS. Vou informar ao partido e seguir um outro caminho.

- As denúncias que pesam contra o governo Lula tampouco o preocupam?

Claro que preocupam. Se a sociedade entender que o Lula não deva permanecer no governo em função das denúncias, ele terá que responder e estará pagando por isso. Mas acho que culpa no cartório os dois lados têm. É muito ruim, antiético que pessoas tentem comprar um dossiê [contra políticos tucanos]. Mas também é verdade que existe um dossiê, que precisa ser investigado.

- Concorda com a tese de Lula de que a perversão não é exclusividade do PT?

Não é mesmo. E outra coisa: não acredito que o presidente soubesse de uma operação como essa [a tentativa de compra do dossiê].

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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Para mostrar destempero de Alckmin, Lula se exalta

Desde que provou chuchu com pimenta, no domingo, Lula levou a boca do trombone. E não tirou mais. Repete o mesmo sopro: Alckmin seria destemperado. Para provar a tese, o presidente desce o sarrafo no opositor.

 

Nesta terça, em entrevista às rádios Bandeirantes e BandNews, Lula chegou mesmo a insinuar que Alckmin não deveria ser candidato a coisa nenhuma. "A única coisa que ele sabe fazer é vender coisas. O PSDB não devia ser candidato a nada. Devia ser candidato a uma empresa de vender empresas estatais."

 

Com sua frase, Lula revela-se um tipo especial de democrata. Reconhece a todos o direito à discordância política, desde que concordem integralmente com ele. Agora é Alckmin quem acusa o rival. Afirma que Lula está "desesperado" do presidente.

 

Depois da entrevista, Lula foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do vice José Alencar. Ali, recebeu uma comitiva de nove deputados do PMDB mineiro. De novo, pôs-se a desancar Alckmin e o PSDB. O projeto de seus concorrentes, disse, é “destruir o setor público”.

 

Abandonando as metáforas futebolísticas, suas preferidas, o presidente foi ao pano verde: "Não adianta blefar o tempo inteiro porque uma hora toma um seis no meio da cara", disse Lula.

 

Referia-se ao jogo de truco. Nesse tipo de carteado, quando um jogador grita "truco", o adversário grita "seis", dobrando a aposta de três para seis pontos e obrigando o trucador a exibir o seu trunfo. Sabe-se, então, se tem cartas para vencer ou se está blefando.

"Um bom jogador de truco tem de ser cuidadoso e blefar o menos possível”, ensinou Lula. “Se blefar muito, o povo prefere desligar a televisão do que continuar ouvindo as conversas. Eu e o Zé Alencar vamos trucar, mas trucar forte (sem blefes)."

Lula passara a semana passada inteira blefando diante de Alckmin. Disse que fazia questão de discutir ética com o adversário. No debate de domingo, o tucano gritou “truco”. E o presidente não jogou "o seis no meio da cara" do adversário, como insinuara que faria.

Novos debates estão por vir. Haverá pelo menos mais dois. Nesse tipo de encontro, os candidatos sabem muito bem o que devem dizer, desde que suas assessorias lhes informem antes. A equipe de Lula preferia o debate programático. Não deu.

Diante de um temporal, não há o que fazer senão abrir o guarda-chuva. Em meio à borrasca de denúncias, Alckmin continuará chovendo denúncias sobre a cabeça de Lula, que trovejará acusações sobre o rival. Numa disputa com tais características, o eleitor vai às urnas com a incômoda sensação de que, seja qual for o resultado, novos raios lhe cairão sobre a cabeça depois da eleição.

Escrito por Josias de Souza às 16h02

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As manchetes desta terça

- Folha: ONU condena Coréia do Norte e estuda sanções

- Estadão: ONU discute sanções à Coréia do Norte

- Globo: Surpreendido, Lula diz que reagirá a ataques de Alckmin

- Correio: Debate dá tom mais agressivo à campanha

- Valor: Autoridades investigam 'insider' em oferta da Sadia

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Sangue, suor e lama!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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PSDB e PT levam tiroteio ético à propaganda de TV

 

De acordo com o TSE, a propaganda eleitoral no rádio e na TV será retomada nesta quinta-feira. O blog ouviu integrantes do alto comando das campanhas de Alckmin e Lula. A julgar pelo que disseram, a fuzilaria ética que permeou o debate entre os dois presidenciáveis, no último domingo, será reproduzida na publicidade eletrônica.

 

A exemplo do que fez nos programas levados ao ar na fase final do primeiro turno, a equipe de marketing de Alckmin planeja continuar martelando o dossiêgate. Associará o caso à campanha do seu adversário e renovará a cobrança em relação à identificação dos responsáveis e ao rastreamento do R$ 1,7 milhão que petistas usariam para comprar o dossiê antitucano.

 

De acordo com um político que integra a coordenação da campanha tucana, os programas devem ser divididos entre as críticas ao rival e o detalhamento do programa de governo de Alckmin. Deseja-se dar ênfase ao futuro, enfatizando os planos para a retomada do crescimento econômico. Serão veiculadas também peças elaboradas para desmontar o que o tucanato chama de “mentiras” do PT: o boato de que Alckmin planejaria acabar com o Bolsa Família e privatizar Banco do Brasil, a Caixa e Petrobras.

 

No comitê de Lula, há consenso quanto à necessidade de elevar o tom do programa. A disposição foi resumida assim por um dos comandantes da campanha reeleitoral: “Diante do comportamento do nosso adversário, não há mais como manter o programa água com açúcar do primeiro turno.” Remanescem dúvidas, porém, quanto à dosagem de sal a ser adicionada aos programas de Lula.  

 

A publicidade de Lula tentará vender a tese de que a agressividade de Alckmin deriva do “desespero” de um candidato em desvantagem. De resto, pretende-se vender a tese de que os casos de corrupção vieram à tona porque a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União tiveram, sob Lula, total liberdade de ação. Algo que não aconteceu nos oito anos da gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso.

 

Pretende-se explorar também o que o petismo chama de “incoerência” de Alckmin. Os programas mostrarão que, embora se apresente ao eleitor como “paladino da ética”, o presidenciável tucano manobrou para sepultar 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo à época em que governou o Estado.

 

Na parte voltada para a exposição de planos de governo, a equipe de campanha de Lula tende a reproduzir a estratégia do primeiro turno, baseada num tripé: 1) a gestão Lula foi superior à de FHC; 2) no primeiro mandato, a economia foi posta em ordem, preparando o país para um ciclo desenvolvimentista; 3) se reeleito, Lula, agora mais experiente, fará um segundo mandato melhor do que o primeiro.

 

Pesquisas realizadas por encomenda dos dois comitês emitem sinais contraditórios. Pelas sondagens do PT, o quadro de intenções de voto mantém-se inalterado. Lula ostentaria uma vantagem de sete pontos sobre Alckmin. Pelos números do PSDB, Alckmin teria ultrapassado o adversário em pelo menos cinco pontos. Há uma diferença entre os dois levantamentos: a pesquisa petista é domiciliar; a tucana é telefônica. Não são comparáveis entre si. Ao eleitor, resta aguardar pelos levantamentos feitos por institutos independentes.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Por trás do dossiêgate esconde-se uma vasta fauna

Lêdo Ivo anotou em “Confissões de um poeta” (1979), um livro autobiográfico de 1979, que “o absurdo é o sal da vida”. A ser verdade, o Brasil dos dias que correm encontra-se empacado numa imensa salina. Quando se imagina diante de absurdos inadmissíveis, o brasileiro é apresentado a absurdos ainda mais impensáveis.

Nesta segunda, uma delegação da CPI das Sanguessugas voou até Cuiabá. Foi ter com o delegado Diógenes Curado, da PF, responsável pelo inquérito do dossiêgate. Depois do encontro, os congressistas saíram-se com a seguinte novidade: a polícia farejou indícios de que parte do R$ 1,7 milhão que petistas usariam para comprar o dossiê veio das arcas do jogo do bicho carioca. Coisa de caixa dois, três a até quatro.

 

Um dos deputado que integraram a comitiva, Júlio Delgado (PSB-MG), disse que a PF não vai conseguir rastrear grande parte do dinheiro. Grana “não oficial e não contabilizada", segundo as palavras dele.

 

A perspectiva de que o país tenha de conviver com a bicharada do dossiê sem uma explicação plausível é aterradora. Quem estará por trás dos burros (grupo três no jogo do bicho, dezenas de 09 a 12) do dossiê?

 

O PT, qual avestruz (grupo um, dezenas de 01 a 04), mantém a cabeça enterrada na terra. Para a oposição, tem gato (grupo 14, dezenas de 53 a 56) petista na tuba. Para o governo, a coisa foi arquitetada por alguma águia (grupo dois, dezenas de 05 a 08) disfarçada de tucano.

 

Enquanto os investigadores não acertam no milhar, Lula vai flertando com o malogro. No primeiro turno, viu a vaca (grupo 25, dezenas de 97 a 00) ir para o brejo. No segundo round, canta de galo (grupo 13, dezenas de 49 a 52). Diz que o porco (grupo 18, 69 a 72) não é bicho exclusivo de seu partido. Também o PSDB teria a sua vara de porcos. Durma-se com uma algaravia dessas!

Escrito por Josias de Souza às 00h16

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Lula compara rival a 'delegado de porta de cadeia’

Em encontro com um grupo de evangélicos, em Brasília, Lula comentou o debate de domingo, o primeiro em que teve se confrontar com o adversário Geraldo Alckmin. Disse ter vivido um dos dias mais tristes de sua vida política. Afirmou que seu rival comportou-se como um delegado de polícia.

"Ontem foi um dos dias mais tristes na política que eu já vivi", disse o presidente. Ele lembrou que já debateu com muita gente. Citou, entre outros, Ulysses Guimarães, José Serra, Mario Covas, Paulo Maluf e Fernando Collor de Mello. Acha que Alckmin demonstrou que não tem o mesmo nível dos outros contendores.

"Ontem, pensei que não estava diante de um político, mas diante de um delegado de porta de cadeia (...)”, disse Lula. “O povo não quer ver um político xingando o outro, quer saber o que vai melhorar a vida." 

Para Lula, seu contendor foi arrogante. Acha que o debate expôs as diferenças entre os dois projetos, o petista e o tucano: "O projeto deles é o de pessoas que falam de nariz em pé e com arrogância (...). Para política, isso é muito pobre (...). (Alckmin) é uma sanfona quebrada, que faz o mesmo som de arrogância na campanha inteira (...). Ontem o que se viu foi um pouco da elite política brasileira, ela foi implacável com Juscelino (Kubitschek), com Getúlio (Vargas), com Jango."

Escrito por Josias de Souza às 17h14

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Hostilidade de Alckmin surpreendeu Lula, diz Wagner

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Lula não gostou do debate. Foi o que se depreendeu dos desabafos que fez durante a viagem de volta de São Paulo para Brasília. O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, um dos que acompanharam o presidente no vôo, disse Lula ficou surpreso com o novo timbre de Alckmin.

 

Segundo relato de Wagner, Lula afirmou: "Já entendi. A única coisa que eles querem é isso [discutir as denúncias envolvendo o PT e o governo]. Vou me preparar para isso." Curiosamente, o presidente passara os dias que antecederam o debate justamente se “preparando para isso”. Em várias oportunidades, disse que estava ansioso para discutir “ética” com o seu rival.

 

Lula esperava, porém, que sobrasse algum tempo para o debate programático. "Mais do que surpreso, o presidente pode ter ficado decepcionado porque, mesmo sendo adversário, a gente tem a expectativa de que vai se debater programas”, disse Jaques Wagner. “Nós esperávamos que [Alckmin] pudesse vir com temas mais de políticas administrativas."

 

O novo governador da Bahia reconheceu ficou nervoso em vários momentos do debate. O que não chega a se constituir, na opinião dele, num problema. O nervosismo demonstraria que o presidente não se converteu numa "máquina de fazer política". Para Wagner, Lula “não pode parar de se emocionar”, não pode “virar uma pedra de gelo.”

 

O presidente “fica chateado quando companheiros se envolvem em irregularidades, fica indignado com ofensas”, disse ainda Wagner. “Está apanhando há um ano e pouco e essa carga de emoção iria aparecer quando as perguntas fossem feitas."

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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As manchetes desta segunda

- Folha: Lula e Alckmin partem para o ataque no primeiro debate

- Estadão: Lula e Alckmin se acusam e perguntas ficam sem resposta

- Globo: Ataques de Alckmin a Lula, e de Lula a FH, marcam debate

- Correio: Lula e Alckmin trocam acusações em debate

- Valor: Inflação em queda favorece aumentos reais de salários

Leia os os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h23

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Chega de intermediários!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 07h16

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Alckmin venceu o debate com Lula por um ponto: '?'

O tête-à-tête deste domingo deu o tom do que será a campanha presidencial no segundo turno. Quando um quer, dois acabam brigando. E Alckmin demonstrou que quer brigar. Foi ao ringue da TV Bandeirante de luvas em punho. Saiu distribuindo “chuchutes”. Venceu a luta por um ponto. O ponto de interrogação.

 

Como previsto, o debate converteu-se em luta de boxe. Uma luta em que Lula entrou, na maior parte dos cinco rounds, com a cara. Beneficiado pelo sorteio, coube a Alckmin a primeira pergunta. Poderia tê-la usado para fustigar o adversário com jabs de esquerda. Mas não perdeu tempo com golpes preparatórios.

 

Alckmin desferiu logo um direto de direita no calcanhar-de-aquiles de Lula. “De onde veio o dinheiro sujo, R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, para comprar dossiê fajuto”? No contragolpe, Lula tentou respirar: “Quero saber quem arquitetou esse plano maquiavélico, quero saber qual é o conteúdo do dossiê, de onde vem o dinheiro. O único ganhador nesse trambique foi a candidatura do meu adversário (...)”.

Na réplica, porém, Alckmin empurrou o adversário para o córner: “Olha nos olhos do povo brasileiro e responda: de onde veio o dinheiro”? Lula não tinha resposta: “Não sou policial, sou presidente da Republica. O governador ainda tem saudade do tempo da tortura (...).” E Alckmin, algumas perguntas depois: “A questão do dinheiro, não precisa fazer tortura para saber de onde veio o dinheiro. É só perguntar para o PT (...). É só chamar os seus amigos de 30 anos e perguntar.”

Essa primeira troca de golpes deu o tom do embate, que girou em torno da ética por duas horas e meia. A grande novidade foi o timbre de Alckmin. De chuchu aguado, o candidato converteu-se em pimenta ardida. Manteve-se no ataque durante todo o tempo.

Lula também desferiu os seus socos. Martelou perversões da era FHC e do governo de Alckmin em São Paulo –as privatizações mal explicadas, a compra de votos da reeleição, o caixa dois de Eduardo Azeredo, a paternidade tucana das sanguessugas e dos vampiros, Barjas Negri, Abel Pereira, as 69 CPIs enterradas. Mas seus ataques vieram sempre na forma de contra-golpes de um lutador acuado.

Embora relevantes, os casos que Lula mencionou, por antigos, não têm a mesma  materialidade plástica da montanha de dinheiro (R$ 1,7 milhão) que ninguém sabe de onde veio. Para desassossego de Lula, nos poucos instantes em que se discutiu programa de governo, o presidente não teve nem tempo nem organização mental para expor as coisas boas que julga ter realizado em quatro anos de mandato.

Alckmin subiu ao tablado com uma missão: não deixar o adversário respirar. Para atingir o seu intento, não hesitou em apelar para os golpes baixos, como nos instantes em que trouxe os gastos com os cartões de crédito da presidência e a compra do Aerolula. Chegou mesmo a dizer, se eleito, venderá o avião presidencial para construir cinco hospitais. Como se isso fosse resolver os problemas do país.

Em certos momentos, o boxe resvalou para a briga de rua. Alckmin chamou Lula de mentiroso em três oportunidades. Numa delas, o presidente pediu direito de resposta, negado pelos organizadores do debate. Revidou chamando Alckmin de leviano.

O Lula que foi aos estúdios da Bandeirantes não fez jus ao polemista experimentado dos embates de assembléias sindicais e de disputas presidenciais anteriores. O presidente apanhou nos dois primeiros rounds. Só não foi a nocaute porque recobrou os sentidos nos dois rounds seguintes.

Embora não tenha tido desempenho capaz de anular a vantagem do rival, Lula voltou à luta. Recuperou até a capacidade de produzir ironias, como no instante em que aconselhou o candidato a retomar o figurino leguminoso: “Sem essa coisa de ficar bravo. Não faz o seu gênero. Eu te conheço e sei que não faz o seu gênero”. Ou quando chamou o vice de Alckmin, José Jorge, de rei do apagão. No quinto e último round mantiveram-se as posições.

Analisando-se o conjunto da refrega, o desempenho de Lula foi inegavelmente inferior ao de Alckmin. A pergunta é: isso muda o cenário eleitoral? Debates, por maior audiência que possam ter (o de hoje teve audiência média de 14,2 pontos), não têm o condão de virar o jogo de uma eleição. É a repercussão do confronto e os seus desdobramentos no noticiário e na campanha, que podem influir no resultado da peleja.

Dificilmente o eleitores de Lula e de Alckmin mudarão de opinião a essa altura do campeonato. Está em jogo principalmente a conquista dos indecisos. E Lula entrou na briga com uma enorme interrogação a pesar-lhe sobre os ombros: de onde veio o dinheiro? É esse o ponto de interrogação que deu vantagem a Alckmin no debate deste domingo.

Escrito por Josias de Souza às 23h58

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PF pede prorrogação do inquérito das sanguessugas

Nesta segunda-feira, a Polícia Federal vai pedir ao STF a prorrogação, por mais 60 dias, da investigação do escândalo das sanguessugas. Dos 87 inquéritos envolvendo parlamentares e ex-parlamentares, 57 ainda não foram totalmente esclarecidos.

Abertos a pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, os inquéritos estão sendo conduzidos por uma força tarefa da Polícia Federal. Em segredo, nove delegados vêm tomando, desde a semana passada, os depoimentos cós dois chefões da máfia das ambulâncias: Darci Vedoin e o filho dele, Luiz Antônio Vedoin.

Os depoimentos ocorrem em Cuiabá. Os Vedoin estão detalhando, uma vez mais, as relaçõe$ que mantiveram com os parlamentares que trocaram emendas ao Orçamento por propinas. Na seqüência, a PF deve pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. Enquanto o novo Congresso, eleito domingo passado, não produz novos escândalos, vai sendo desmoralizado pelos antigos.

Escrito por Josias de Souza às 17h10

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Ex-ministros de FHC ensaiam Alckmin para debate

Daniel Kfouri/Folha Imagem
 

Convencido de que será um dos principais alvos de Lula no debate da noite deste domingo, Fernando Henrique Cardoso convocou três de seus ex-ministros para uma reunião com Geraldo Alckmin. Deu-se na última quarta-feira, no comitê de campanha do presidenciável tucano, em São Paulo.

Durante mais de duas horas, Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação), Eliseu Padilha (Transportes) e Raul Jungmann (Reforma Agrário) municiaram Alckmin de dados sobre a gestão FHC. Observado pelo próprio Fernando Henrique, também presente à reunião, Alckmin ouviu e tomou nota. Dois dias depois, recebeu relatórios com um detalhamento dos temas discutidos no encontro.

O receio de FHC é o de que sua gestão acaba por tornar-se um alvo indefeso no debate. Um risco que a reunião com os ex-ministros não chegou a eliminar. Embora tenha anotado as informações que lhe foram repassadas, Alckmin deixou claro no encontro de quarta-feira que não tem a intenção de cair no que chama de “armadilha” de Lula.

O candidato informou que pretende priorizar no debate a defesa da sua gestão como governador de são Paulo, não à administração de FHC. De resto, planeja apontar para o futuro, realçando os seus planos de governo. Se provocado, não se furtará a assumir a defesa do companheiro, mas pretende desqualificar a tática de Lula com o argumento de que é ele e não FHC quem está concorrendo ao Planalto.

Os planos de Alckmin coincidem com a estratégia esboçada pelo jornalista Luiz González, marqueteiro da campanha tucana. González também participou da reunião. Os três ex-ministros puseram-se de acordo com a tese de que se deve priorizar no debate o governo Alckmin e os planos do candidato. FHC também pareceu concordar, embora com menos entusiasmo.

Alckmin submeteu-se neste sábado a uma sabatina promovida por integrantes de sua equipe de marketing. Foi submetido a temas indigestos. Assuntos que, supõe-se, Lula pode abordar durante o debate deste domingo. Entre eles as 69 CPIs sufocadas na Assembléia Legislativa durante a gestão Alckmin e as denúncias envolvendo a Nossa Caixa, banco estatal do governo paulista.

Preparou-se também uma tática para o ataque. O ponto central é a renovação da cobrança em relação ao dossiêgate. Alckmin pretende dizer que, 23 dias depois da prisão de dois emissários do PT com R$ 1,7 milhão, num hotel de São Paulo, o governo Lula e o PT ainda não ofereceram à sociedade respostas sobre a origem e os provedores do dinheiro. Realçará o fato de que a compra do dossiê contra o tucanato foi urdida no comitê de campanha do rival. Pode mencionar ainda o mensalão e a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Lula também participou, em Brasília, de uma sessão preparatória para o debate. Foi conduzida pelo jornalista João Santana, marqueteiro da campanha reeleitoral. Os dois principais calcanhares-de-aquiles de Alckmin –as CPIs e a Nossa Caixa—de fato compõem o arsenal que o presidente levará para o debate. Mas há muito mais. O alvo principal é, também no campo ético, Fernando Henrique Cardoso. Leia o texto abaixo.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Lula leva para debate arsenal de escândalos tucanos

Alan Marques/Folha Imagem
 

Auxiliado por ministros, integrantes de sua equipe de campanha e políticos do PT, Lula organizou um vistoso paiol de denúncias contra Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso. Vai ao debate com a munição a tiracolo. Não sabe se terá de sacar todas as denúncias. Mas afirma que, se necessário, não hesitará em fazê-lo.

O presidente disse a assessores que, embora esteja pintado para a guerra, será cortês com Alckmin. Diz que sua prioridade no debate é demonstrar que fez em quatro anos muito mais do que FHC foi capaz de realizar em oito. E que está preparado para fazer mais e melhor num eventual segundo mandato.

Lula disse, porém, que não está disposto a “levar desaforo para casa”. Se tentarem arrastá-lo para a arena da corrupção, mostrará que seus adversários “não têm moral para dar lições de ética”. Por isso reuniu um kit baixaria contra os tucanos. Lançará mão da munição à medida sentir necessidade. Abaixo alguns exemplos dos casos colecionados pelo presidente, segundo informação repassada ao blog por um dirigente petista:

- Nossa Caixa: sob Alckmin, o banco estatal favoreceu com verbas publicitárias e patrocínios jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base governista na Assembléia Legislativa. Teriam sido beneficiados os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo "Bispo Gê" Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB). Mais: entre setembro de 2003 e julho de 2005, as agências Full Jazz Comunicação e Propaganda e Colucci Propaganda prestando serviços à Nossa Caixa sem amparo legal. Embora os contratos houvessem expirado, receberam R$ 25 milhões;

- O enterro das CPIs: durante a gestão Alckmin, a base parlamentar do governador operou, sob orientação do Palácio dos Bandeirantes, para engavetar 69 CPIs;

- Compra de votos da reeleição: gravações feitas à época da votação da emenda da reeleição, patrocinada por FHC, revelaram que os então deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, receberam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Outros três deputados acreanos foram acusados de vender os seus votos: Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra. O governo FHC, segundo o petismo, abafou as investigações, impedindo a abertura de uma CPI para apurar o caso.

- Demonstagem da estrutura de combate à corrupção: em 19 de janeiro de 1995, FHC baixou decreto extinguindo a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade. O objetivo da comissão era o combate à corrupção. Em 2001, às voltas com a ameaça de abertura de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União. O órgão, porém, teria agido mais para abafar denúncias do que para apurá-las. Só na gestão Lula, sustenta o governo, a Controladoria passou agir com rigor e desenvoltura. O presidente recebeu dados sobre as operações realizadas no seu governo pela Controladoria e pela Polícia Federal; 

- Privatizações: há dois casos no coldre de Lula: a venda das estatais telefônicas e a desestatização da Cia Vale do Rio Doce. O primeiro caso é tratado por Lula e pelo PT como um jogo de cartas marcadas, exposto graças ao grampo do BNDES. Quanto à Vale, pretende-se realçar que a companhia foi vendida por R$ 3,3 bilhões. Um preço vil diante das estimativas do mercado, que avaliaram a empresa em pelo menos R$ 30 bilhões.

É improvável que Lula lance mão de toda a munição que reuniu no debate com Alckmin. O presidente se arriscaria a embrenhar-se numa carnificina que o impediria de discutir os temas programáticos, que, segundo diz, deseja priorizar. Mas o simples fato de ter reunido o arsenal mostra que vai ao confronto com a faca entre os dentes. Um detalhe torna frágil a sua ofensiva: por que não mandou apurar as perversões do antecessor? Há na gaveta do presidente da Câmara, Aldo Rebelo, uma CPI das Privatizações prontinha para ser instalada. Por que não joga a força do seu governo na empreitada?

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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As manchetes deste domingo

- Folha: Eleitor que ganha até R$ 700 dá vantagem a Lula

- Estadão: Corrupção deve dominar debate

- Globo: Lula e Alckmin vão para o ataque na guerra da TV

- Correio: Lula e Alckmin: começa o duelo

- Valor: Indústria encerra trimestre com crescimento moderado

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Sessão de exorcismo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Alckmin dará 1º ‘tiro’ no debate deste domingo

O debate deste domingo, primeiro tête-à-tête entre Lula e Alckmin terá duração de duas horas e 15 minutos. Serão cinco blocos. Num deles, o quarto, os presidenciáveis responderão a perguntas formuladas por jornalistas. Nos demais, farão perguntas um ao outro. O primeiro “tiro” será disparado por Alckmin.

A ordem das perguntas foi definida por sorteio, realizado nesta sexta pela TV Bandeirantes, promotora do evento. O início da transmissão está marcado para as 20h. Mas o confronto entre os presidenciáveis só começa às 20h30.

 

Na abertura, o mediador do debate, Ricardo Boechat, fará uma mesma pergunta aos dois candidatos. Em seguida, começa o duelo direto. Embora regulado por normas estritas, definidas de comum acordo entre os dois comitês de campanha, o debate deste domingo será menos manietado do que aquele realizado pela Globo, no dia 27 de setembro, sem a presença de Lula.

 

Dessa vez, não haverá sorteio de temas para as perguntas. Cada candidato poderá questionar o oponente sobre o que bem entender. A presença de jornalistas na bancada de perguntadores também é uma novidade em relação ao debate da Globo. depois de três blocos de confronto direto e de um quarto com a intervenção de repórteres, Lula e Alckmin ainda dirigirão um ao outro uma última pergunta no quinto bloco. Para fechar, os dois serão instados a fazer as tradicionais “considerações finais”.

Escrito por Josias de Souza às 19h54

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Semelhanças que unem PT e PSDB

Semelhanças que unem PT e PSDB

Angeli
 

 

Lula e Alckmin terão neste domingo o primeiro tête-à-tête da eleição presidencial. Tentarão, obviamente, demarcar diferenças. E elas de fato existem. Porém, se o eleitor espremer os olhos, se observar os arredores das duas campanhas, perceberá que o que mais chama a atenção não é a dessemelhança entre os projetos de poder do petismo e do tucanato. O que salta aos olhos são as semelhanças.

 

Em passado recente, o eleitor tinha de fazer meia dúzia de raciocínios transcendentes para entender o universo da política. Tinha de decidir se o pragmatismo do PSDB era melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia às dúvidas que o socialismo foi incapaz de responder, se a ética da responsabilidade prevaleceria sobre a ética da convicção, se isso, se aquilo...


Hoje, a coisa é bem mais simples. Figuras como Karl Marx e Max Weber tornaram-se descartáveis. Falidas as ideologias, o templo da política consolidou-se como uma congregação de homens de bens. Vigora nas relações entre Executivo e Legislativo a lógica do negócio. Tudo está subordinado a ela, inclusive os escrúpulos.


Desgraçadamente, é no terreno da ética que PT e PSDB mais se aproximam. Para defender-se das perversões que infelicitam a sua gestão, Lula passou a semana colecionando depravações que turvaram a era FHC—da compra de votos da reeleição à entrada em cena Vampiros e Sanguessugas, ainda em 2001. Se for espicaçado no debate deste domingo, o presidente irá esgrimir o argumento de que a corrupção que grassa à sua volta é uma herança do tucanato.

 

A tática de Lula permite a qualquer criança, mesmo as que fedem a cueiro, entender o que outrora parecia obscuro no processo político: PT e PSDB, que representam a fina flor da política nacional, irmanaram-se na abjeção. O ex-PT já não pode sustentar a farsa de que está imune às tentações alheias.

 

Desgraçadamente, o desenrolar da campanha informa ao eleitor que não há no horizonte nenhuma evidência disponível de que as urnas produzirão um surto de probidade. O presidente eleito, seja ele quem for, estará submetido ao mesmo ambiente que propiciou a anarquização da política brasileira.

Num cenário conspurcado pela corrupção, o que se espera de um líder é que fixe padrões morais para os seus liderados. Diante das extravagantes alianças que começam a se formar ao redor de Lula e Alckmin, fica difícil enxergar em ambos capacidade para se firmar como lideranças éticas. A despeito das qualidades e da honestidade de cada um.

A atual campanha deveria representar, antes de tudo, um marco estético. Não é, porém, o que se verifica. Sob o pretexto de que a um candidato não é dado rejeitar apoios, Lula e Alckmin vão se acercando do que há de mais fisiológico e perverso no quadro partidário. Recompõe-se em torno dos dois o velho centrão de sempre. Amorfo, isotrópico, inefável.

Impossível antecipar a essa altura o nome do próximo presidente. Algo, porém, pode ser previsto com segurança: seja quem for, tão logo passe a euforia da vitória, o eleito estará enredado pela fisiologia de sempre. A mesma fisiologia que produziu mensalões, sanguessugas, vampiros, Sudans, Sudenes... Diz-se que não há outro modo de governar senão reunindo essa tropa, remunerada à base de privilégios, verbas e cargos. Até quando?

Escrito por Josias de Souza às 19h16

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Bastos aconselha lula a manter distância do dossiê

  Antônio Cruz/ABr
Preocupado com os rumos da investigação do dossiêgate, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) aconselhou a Lula que mantenha distância do caso. Em mais de uma ocasião, Bastos manifestou ao presidente sua preocupação com a hipótese de que o PT caia na tentação de montar uma versão fictícia para encobrir a verdade que se esconde atrás da tentativa de compra do dossiê antitucanos.

 

Bastos disse a Lula que, cedo ou tarde, a trama será descoberta pela Polícia Federal. Afirmou que o PT cometerá um “grave erro” se tentar forjar uma nova “Operação Uruguai” para tentar encobrir a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) apreendido com o petista Valdebran Padilha e com o ex-agente da PF Gedimar Passos no instante em que transacionavam o dossiê, em 15 de setembro.

 

“Operação Uruguai” é como ficou conhecido o empréstimo fictício de US$ 5 milhões com o qual o ex-presidente Fernando Collor tentou justificar os gastos na reforma da Casa da Dinda, onde residia antes de sofrer o impeachment. A reforma fora custeada com verbas de má origem coletadas por Paulo César Farias, ex-gerente das arcas de Collor.

 

O ministro disse a Lula que, a menos que haja uma confissão, a apuração da PF dificilmente será concluída antes de 29 de outubro, dia em que os eleitores voltarão às urnas para definir, em segundo turno de votação, o nome do próximo presidente. Daí o receio do ministro de que, para livrar-se do problema, o PT acabe por produzir uma versão fantasiosa.

 

Num dos diálogos que manteve com Lula, Bastos chegou a mencionar o Watergate, que levou Richard Nixon a renunciar à presidência dos EUA, em 8 de agosto de 1974. O caso relacionava-se à instalação de escuta ilegal na sede do Partido Democrata por pessoas ligadas ao governo norte-americano.

Bastos considerou apropriado o tom utilizado por Lula nas referências públicas que fez ao dossiêgate. Disse ao presidente que não há alternativa senão a condenação enfática da ação dos petistas que tentaram comprar o dossiê contra o tucanato. Informou que a PF está encontrando dificuldades para chegar à origem do dinheiro apreendido no Hotel Íbis, em São Paulo. Mas também afirmou não ter dúvidas quanto à capacidade da PF de chegar à verdade.

Na PF, acredita-se que os petistas do dossiê não teriam condições de levantar R$ 1,7 milhão sem a interferência de um superior hierárquico no organograma do PT. Todas as suspeitas apontam para Ricardo Berzoini, compelido a licenciar-se da presidência do partido na sexta-feira.

Na reunião em que o deputado foi convencido a se afastar da presidência do PT, integrantes da Executiva do partido cobraram explicações. Berzoini disse que só soube da aventura do dossiê no dia da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Disse ter tentado obter dos envolvidos uma explicação sobre o que havia ocorrido. Mas alegou que as versões que ouviu não permitem compor um quadro conclusivo.

Um dos membros da Executiva lembrou a Berzoini que foi ele quem recrutou os “aloprados” do dossiê, lotados no birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Recordou também que, na época do recrutamento, levantaram-se dúvidas quanto ao preparo de Jorge Lorenzetti e de Oswaldo Bargas para o desempenho de atividades de inteligência. E Berzoini disse que assumia toda a responsabilidade sobre as escolhas.

Mesmo integrantes da cúpula petistas desconfiam da versão de Berzoini. Acham que ele sabe mais do que conta. As suspeitas são refutadas com veemência pelo deputado. Para a oposição, além de Berzoini, também a PF já teria desvendado o mistério da origem do dinheiro. Thomas Bastos lamenta, em público e sob reserva, que o trabalho da polícia esteja sendo posto em dúvida. Diz que a PF já deu mostras de que age de forma apolítica, sem perseguir ou proteger quem quer que seja.  

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Sete mil contribuintes têm sigilo fiscal devassado

Sete mil contribuintes têm sigilo fiscal devassado

Investigação aberta na Corregedoria da Receita Federal no último mês de fevereiro descobriu que cerca de 7.000 pessoas físicas e jurídicas tiveram os seus dados fiscais bisbilhotados nos computadores do fisco. O caso foi noticiado aqui no blog em 29 de março. Àquela altura, o número de contribuintes cujos dados haviam sido perscrutados indevidamente somava 6.000.

O avanço da apuração revelou a existência de mais de 13 mil “acessos imotivados” a cadastros de contribuintes. Havia, porém, casos de reincidências. Ou seja, um mesmo contribuinte teve seus dados invadidos mais de uma vez. A lista incluía, de resto, homônimos. Feita a depuração, chegou-se a um número superior a 7.000 transgressões.

 

Conforme noticiado aqui, entre os contribuintes bisbilhotados estão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o deputado e ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); onze juízes da Justiça Federal de Brasília, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel, a empresa dele (Logus Consultoria) e pessoas de suas relações (mãe, filha e ex-mulher).

 

A Receita separa as consultas indevidas ao seu banco de dados em dois tipos: o "acesso imotivado" e a "violação". O que distingue uma transgressão da outra é o fato de que, no segundo caso, além de bisbilhotar dados alheios, o infrator viola o sigilo das informações, divulgando-as. 

 

Por ora, a investigação da Corregedoria da Receira detectou o vazamento para a imprensa de três casos. Envolvem o empresário Marcos Valério, protagonista do escândalo do mensalão, e duas empresas de publicidade que o tinham como sócio: SMP&B e DNA. Há, de resto, a suspeita de que também os dados sigilosos de Henrique Meirelles, o presidente do BC, possam ter sido divulgados indevidamente.

 

Os autores das supostas trangressões são auditores fiscais. Estavam lotados na própria Corregedoria da Receita. Chegou-se a eles por meio das senhas que dão acesso aos computadores do fisco. Os números de identificação de dois auditores ficaram gravados no sistema. O blog localizou um dos investigados. Chama-se Washington Afonso Rodrigues. O repórter tentou ouvi-lo. Não foi, porém, bem sucedido.

 

Washington recusou-se a falar sobre a investigação. Limitou-se a chamar de “palhaçada” a primeira reportagem divulgada pelo blog. “Você é suspeito para mim”, disse ele ao repórter. Aconselhou que fossem ouvidos os seus advogados. A defesa dos auditores sob suspeição é feita pelo Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais). O blog tenta há duas semanas fazer contato com o advogado mencionado pelo auditor Washington. Não houve, porém, resposta aos recados deixados na entidade.

 

A presidente da Ajufer (Associação dos Juízes Federais da 1ª Região), Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos, esteve com o secretário da Receira, Jorge Rachid. Queria confirmar a presença de juízes federais de Brasília na lista de contribuintes bisbilhotados. Rachid informou a ela que, de fato, há magistrados na relação. Recusou-se, porém, a revelar os nomes. Disse que era preciso aguardar o término da apuração.

 

Solange Salgado informou ao blog que a Ajufer moverá uma ação contra o Estado caso sejam confirmados os “acessos imotivados” aos dados fiscais de magistrados. Considerou “gravíssimas” as suspeições. A apuração da Corregedoria da Receita já deveria ter sido encerrada. Foi, contudo, prorrogada, para que os auditores investigados possam exercer amplo direito de defesa.  

Escrito por Josias de Souza às 10h44

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As manchetes deste sábado

- Folha: Lula sai na frente no segundo turno

- Estadão: Pesquisa: Lula, 54%; Alckmin, 46%

- Globo: Lula sai na frente de Alckmin; Cabral se distancia de Frossard

- Correio: Berzoini cai e o PT expulsa 'aloprados'

- Valor: Indústria encerra trimestre com crescimento moderado

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Esporte radical!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Na largada do 2º turno, Lula cresce mais que Alckmin

A primeira pesquisa eleitoral do segundo turno, realizada pelo Datafolha, mostra que Alckmin e Lula conseguiram adensar o cesto de votos obtido no primeiro round da disputa. Lula oscilou um ponto a mais que Alckmin, dentro da margem de erro. Os números foram divulgados há pouco pelo Jornal Nacional (assista).

 

O presidente saiu das urnas com 48,6% dos votos válidos. Agora, considerando-se apenas os votos válidos, tem 54%. Um crescimento de 5,4 pontos percentuais. Alckmin amealhou no domingo 41,6% dos votos. Na pesquisa do Datafolha, aparece com 46%. Cresceu 4,4 pontos, um ponto a menos que Lula.

 

Limitando-se a comparação apenas aos números da pesquisa, Lula estaria oito pontos à frente de Alckmin. É, de novo, um ponto acima da posição que ostentava no domingo. A sondagem do Datafolha tem uma margem de erro de dois pontos, para cima ou para baixo.

 

Alckmin não está fora do páreo. Longe disso. O histórico de eleições anteriores mostra que distâncias até maiores já foram revertidas. Mas o comitê tucano esperava por resultados mais alvissareiros. O debate de domingo, importante em si mesmo, ganha contornos de evento decisivo.

 

Para que Alckmin se torne presidente, ele terá de roubar de Lula ao menos metade da diferença: quatro pontos percentuais, considerando-se o universo de votos válidos. Isso se dá porque na disputa de segundo turno, em que só há dois concorrentes, cada ponto perdido por um dos candidatos tende a migrar para o seu oponente.

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