O debate deste domingo, primeiro tête-à-tête entre Lula e Alckmin terá duração de duas horas e 15 minutos. Serão cinco blocos. Num deles, o quarto, os presidenciáveis responderão a perguntas formuladas por jornalistas. Nos demais, farão perguntas um ao outro. O primeiro “tiro” será disparado por Alckmin.
A ordem das perguntas foi definida por sorteio, realizado nesta sexta pela TV Bandeirantes, promotora do evento. O início da transmissão está marcado para as 20h. Mas o confronto entre os presidenciáveis só começa às 20h30.
Na abertura, o mediador do debate, Ricardo Boechat, fará uma mesma pergunta aos dois candidatos. Em seguida, começa o duelo direto. Embora regulado por normas estritas, definidas de comum acordo entre os dois comitês de campanha, o debate deste domingo será menos manietado do que aquele realizado pela Globo, no dia 27 de setembro, sem a presença de Lula.
Dessa vez, não haverá sorteio de temas para as perguntas. Cada candidato poderá questionar o oponente sobre o que bem entender. A presença de jornalistas na bancada de perguntadores também é uma novidade em relação ao debate da Globo. depois de três blocos de confronto direto e de um quarto com a intervenção de repórteres, Lula e Alckmin ainda dirigirão um ao outro uma última pergunta no quinto bloco. Para fechar, os dois serão instados a fazer as tradicionais “considerações finais”.
Escrito por Josias de Souza às 19h54
Semelhanças que unem PT e PSDB
Angeli
Lula e Alckmin terão neste domingo o primeiro tête-à-tête da eleição presidencial. Tentarão, obviamente, demarcar diferenças. E elas de fato existem. Porém, se o eleitor espremer os olhos, se observar os arredores das duas campanhas, perceberá que o que mais chama a atenção não é a dessemelhança entre os projetos de poder do petismo e do tucanato. O que salta aos olhos são as semelhanças.
Em passado recente, o eleitor tinha de fazer meia dúzia de raciocínios transcendentes para entender o universo da política. Tinha de decidir se o pragmatismo do PSDB era melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia às dúvidas que o socialismo foi incapaz de responder, se a ética da responsabilidade prevaleceria sobre a ética da convicção, se isso, se aquilo...
Hoje, a coisa é bem mais simples. Figuras como Karl Marx e Max Weber tornaram-se descartáveis. Falidas as ideologias, o templo da política consolidou-se como uma congregação de homens de bens. Vigora nas relações entre Executivo e Legislativo a lógica do negócio. Tudo está subordinado a ela, inclusive os escrúpulos.
Desgraçadamente, é no terreno da ética que PT e PSDB mais se aproximam. Para defender-se das perversões que infelicitam a sua gestão, Lula passou a semana colecionando depravações que turvaram a era FHC—da compra de votos da reeleição à entrada em cena Vampiros e Sanguessugas, ainda em 2001. Se for espicaçado no debate deste domingo, o presidente irá esgrimir o argumento de que a corrupção que grassa à sua volta é uma herança do tucanato.
A tática de Lula permite a qualquer criança, mesmo as que fedem a cueiro, entender o que outrora parecia obscuro no processo político: PT e PSDB, que representam a fina flor da política nacional, irmanaram-se na abjeção. O ex-PT já não pode sustentar a farsa de que está imune às tentações alheias.
Desgraçadamente, o desenrolar da campanha informa ao eleitor que não há no horizonte nenhuma evidência disponível de que as urnas produzirão um surto de probidade. O presidente eleito, seja ele quem for, estará submetido ao mesmo ambiente que propiciou a anarquização da política brasileira.
Num cenário conspurcado pela corrupção, o que se espera de um líder é que fixe padrões morais para os seus liderados. Diante das extravagantes alianças que começam a se formar ao redor de Lula e Alckmin, fica difícil enxergar em ambos capacidade para se firmar como lideranças éticas. A despeito das qualidades e da honestidade de cada um.
A atual campanha deveria representar, antes de tudo, um marco estético. Não é, porém, o que se verifica. Sob o pretexto de que a um candidato não é dado rejeitar apoios, Lula e Alckmin vão se acercando do que há de mais fisiológico e perverso no quadro partidário. Recompõe-se em torno dos dois o velho centrão de sempre. Amorfo, isotrópico, inefável.
Impossível antecipar a essa altura o nome do próximo presidente. Algo, porém, pode ser previsto com segurança: seja quem for, tão logo passe a euforia da vitória, o eleito estará enredado pela fisiologia de sempre. A mesma fisiologia que produziu mensalões, sanguessugas, vampiros, Sudans, Sudenes... Diz-se que não há outro modo de governar senão reunindo essa tropa, remunerada à base de privilégios, verbas e cargos. Até quando?
Escrito por Josias de Souza às 19h16
Antônio Cruz/ABr
Preocupado com os rumos da investigação do dossiêgate, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) aconselhou a Lula que mantenha distância do caso. Em mais de uma ocasião, Bastos manifestou ao presidente sua preocupação com a hipótese de que o PT caia na tentação de montar uma versão fictícia para encobrir a verdade que se esconde atrás da tentativa de compra do dossiê antitucanos.
Bastos disse a Lula que, cedo ou tarde, a trama será descoberta pela Polícia Federal. Afirmou que o PT cometerá um “grave erro” se tentar forjar uma nova “Operação Uruguai” para tentar encobrir a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) apreendido com o petista Valdebran Padilha e com o ex-agente da PF Gedimar Passos no instante em que transacionavam o dossiê, em 15 de setembro.
“Operação Uruguai” é como ficou conhecido o empréstimo fictício de US$ 5 milhões com o qual o ex-presidente Fernando Collor tentou justificar os gastos na reforma da Casa da Dinda, onde residia antes de sofrer o impeachment. A reforma fora custeada com verbas de má origem coletadas por Paulo César Farias, ex-gerente das arcas de Collor.
O ministro disse a Lula que, a menos que haja uma confissão, a apuração da PF dificilmente será concluída antes de 29 de outubro, dia em que os eleitores voltarão às urnas para definir, em segundo turno de votação, o nome do próximo presidente. Daí o receio do ministro de que, para livrar-se do problema, o PT acabe por produzir uma versão fantasiosa.
Num dos diálogos que manteve com Lula, Bastos chegou a mencionar o Watergate, que levou Richard Nixon a renunciar à presidência dos EUA, em 8 de agosto de 1974. O caso relacionava-se à instalação de escuta ilegal na sede do Partido Democrata por pessoas ligadas ao governo norte-americano.
Bastos considerou apropriado o tom utilizado por Lula nas referências públicas que fez ao dossiêgate. Disse ao presidente que não há alternativa senão a condenação enfática da ação dos petistas que tentaram comprar o dossiê contra o tucanato. Informou que a PF está encontrando dificuldades para chegar à origem do dinheiro apreendido no Hotel Íbis, em São Paulo. Mas também afirmou não ter dúvidas quanto à capacidade da PF de chegar à verdade.
Na PF, acredita-se que os petistas do dossiê não teriam condições de levantar R$ 1,7 milhão sem a interferência de um superior hierárquico no organograma do PT. Todas as suspeitas apontam para Ricardo Berzoini, compelido a licenciar-se da presidência do partido na sexta-feira.
Na reunião em que o deputado foi convencido a se afastar da presidência do PT, integrantes da Executiva do partido cobraram explicações. Berzoini disse que só soube da aventura do dossiê no dia da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Disse ter tentado obter dos envolvidos uma explicação sobre o que havia ocorrido. Mas alegou que as versões que ouviu não permitem compor um quadro conclusivo.
Um dos membros da Executiva lembrou a Berzoini que foi ele quem recrutou os “aloprados” do dossiê, lotados no birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Recordou também que, na época do recrutamento, levantaram-se dúvidas quanto ao preparo de Jorge Lorenzetti e de Oswaldo Bargas para o desempenho de atividades de inteligência. E Berzoini disse que assumia toda a responsabilidade sobre as escolhas.
Mesmo integrantes da cúpula petistas desconfiam da versão de Berzoini. Acham que ele sabe mais do que conta. As suspeitas são refutadas com veemência pelo deputado. Para a oposição, além de Berzoini, também a PF já teria desvendado o mistério da origem do dinheiro. Thomas Bastos lamenta, em público e sob reserva, que o trabalho da polícia esteja sendo posto em dúvida. Diz que a PF já deu mostras de que age de forma apolítica, sem perseguir ou proteger quem quer que seja.
Escrito por Josias de Souza às 17h24
Sete mil contribuintes têm sigilo fiscal devassado
Investigação aberta na Corregedoria da Receita Federal no último mês de fevereiro descobriu que cerca de 7.000 pessoas físicas e jurídicas tiveram os seus dados fiscais bisbilhotados nos computadores do fisco. O caso foi noticiado aqui no blog em 29 de março. Àquela altura, o número de contribuintes cujos dados haviam sido perscrutados indevidamente somava 6.000.
O avanço da apuração revelou a existência de mais de 13 mil “acessos imotivados” a cadastros de contribuintes. Havia, porém, casos de reincidências. Ou seja, um mesmo contribuinte teve seus dados invadidos mais de uma vez. A lista incluía, de resto, homônimos. Feita a depuração, chegou-se a um número superior a 7.000 transgressões.
Conforme noticiado aqui, entre os contribuintes bisbilhotados estão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o deputado e ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); onze juízes da Justiça Federal de Brasília, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel, a empresa dele (Logus Consultoria) e pessoas de suas relações (mãe, filha e ex-mulher).
A Receita separa as consultas indevidas ao seu banco de dados em dois tipos: o "acesso imotivado" e a "violação". O que distingue uma transgressão da outra é o fato de que, no segundo caso, além de bisbilhotar dados alheios, o infrator viola o sigilo das informações, divulgando-as.
Por ora, a investigação da Corregedoria da Receira detectou o vazamento para a imprensa de três casos. Envolvem o empresário Marcos Valério, protagonista do escândalo do mensalão, e duas empresas de publicidade que o tinham como sócio: SMP&B e DNA. Há, de resto, a suspeita de que também os dados sigilosos de Henrique Meirelles, o presidente do BC, possam ter sido divulgados indevidamente.
Os autores das supostas trangressões são auditores fiscais. Estavam lotados na própria Corregedoria da Receita. Chegou-se a eles por meio das senhas que dão acesso aos computadores do fisco. Os números de identificação de dois auditores ficaram gravados no sistema. O blog localizou um dos investigados. Chama-se Washington Afonso Rodrigues. O repórter tentou ouvi-lo. Não foi, porém, bem sucedido.
Washington recusou-se a falar sobre a investigação. Limitou-se a chamar de “palhaçada” a primeira reportagem divulgada pelo blog. “Você é suspeito para mim”, disse ele ao repórter. Aconselhou que fossem ouvidos os seus advogados. A defesa dos auditores sob suspeição é feita pelo Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais). O blog tenta há duas semanas fazer contato com o advogado mencionado pelo auditor Washington. Não houve, porém, resposta aos recados deixados na entidade.
A presidente da Ajufer (Associação dos Juízes Federais da 1ª Região), Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos, esteve com o secretário da Receira, Jorge Rachid. Queria confirmar a presença de juízes federais de Brasília na lista de contribuintes bisbilhotados. Rachid informou a ela que, de fato, há magistrados na relação. Recusou-se, porém, a revelar os nomes. Disse que era preciso aguardar o término da apuração.
Solange Salgado informou ao blog que a Ajufer moverá uma ação contra o Estado caso sejam confirmados os “acessos imotivados” aos dados fiscais de magistrados. Considerou “gravíssimas” as suspeições. A apuração da Corregedoria da Receita já deveria ter sido encerrada. Foi, contudo, prorrogada, para que os auditores investigados possam exercer amplo direito de defesa.
Escrito por Josias de Souza às 10h44

- Folha: Lula sai na frente no segundo turno
- Estadão: Pesquisa: Lula, 54%; Alckmin, 46%
- Globo: Lula sai na frente de Alckmin; Cabral se distancia de Frossard
- Correio: Berzoini cai e o PT expulsa 'aloprados'
- Valor: Indústria encerra trimestre com crescimento moderado
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h39
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h34
A primeira pesquisa eleitoral do segundo turno, realizada pelo Datafolha, mostra que Alckmin e Lula conseguiram adensar o cesto de votos obtido no primeiro round da disputa. Lula oscilou um ponto a mais que Alckmin, dentro da margem de erro. Os números foram divulgados há pouco pelo Jornal Nacional (assista).
O presidente saiu das urnas com 48,6% dos votos válidos. Agora, considerando-se apenas os votos válidos, tem 54%. Um crescimento de 5,4 pontos percentuais. Alckmin amealhou no domingo 41,6% dos votos. Na pesquisa do Datafolha, aparece com 46%. Cresceu 4,4 pontos, um ponto a menos que Lula.
Limitando-se a comparação apenas aos números da pesquisa, Lula estaria oito pontos à frente de Alckmin. É, de novo, um ponto acima da posição que ostentava no domingo. A sondagem do Datafolha tem uma margem de erro de dois pontos, para cima ou para baixo.
Alckmin não está fora do páreo. Longe disso. O histórico de eleições anteriores mostra que distâncias até maiores já foram revertidas. Mas o comitê tucano esperava por resultados mais alvissareiros. O debate de domingo, importante em si mesmo, ganha contornos de evento decisivo.
Para que Alckmin se torne presidente, ele terá de roubar de Lula ao menos metade da diferença: quatro pontos percentuais, considerando-se o universo de votos válidos. Isso se dá porque na disputa de segundo turno, em que só há dois concorrentes, cada ponto perdido por um dos candidatos tende a migrar para o seu oponente.
Os dois candidatos costuram adesões de políticos e de partidos. Esse tipo de arranjo não define o jogo. Ao contrário, dependendo do perfil do agregado, pode até prejudicar. O eleitor brasileiro já deu sucessivas demonstrações de que vota no candidato, não na engrenagem políticas que ele leva a tiracolo.
Lula e Alckmin disputam, por exemplo, o apoio de Cristovam Buarque (PDT), que emergiu das urnas com 2,42% dos votos válidos. O PDT ainda não decidiu a quem dará o seu apoio. Mas os eleitores não parecem interessados na deliberação do partido. De acordo com o Datafolha, 39% dos eleitores que votaram em Cristovam informam que vão optar por Alckmin. Percentual idêntico declarou que votará em Lula.
Entre os eleitores de Heloisa Helena (PSOL), que obteve no primeiro turno 6,27% dos votos válidos, a maioria (48%) diz que votará em Alckmin no segundo turno. Outros 32% declaram que irão votar em Lula.
Escrito por Josias de Souza às 20h45
Tuca Vieira/Folha Imagem
Sob intensa pressão de companheiros de direção partidária, o deputado Ricardo Berzoini (SP), vou-se compelido nesta sexta a licenciar-se do cargo de presidente do PT. Assume interinamente o posto Marco Aurélio Garcia (na foto), primeiro vice-presidente da legenda.
Em entrevista, Berzoini: “Entendi que é melhor eu esclarecer essas questões sem qualquer tipo de óbice para o partido”. As “questões” a que se refere o deputado são as suspeitas que rondam o caso do dossiêgate. Suspeitas que levaram a Polícia Federal e o Ministério Público a decidir por convidar Berzoini a prestar esclarecimentos (leia texto abaixo).
O caso do dossiê já havia custado a Berzoini o cargo de coordenador nacional da campanha de Lula. A dúvida que remanesce é se o deputado terá condições de retornar à presidência do PT depois do término das investigações. Uma parte da direção da legenda ainda defende que o afastamento seja definitivo.
Na mesma reunião em que a licença de Berzoini foi costurada, o PT decidiu expulsar de seus quadros os “militantes” envolvidos na tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos. São eles: Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas, Expedito Veloso e Hamilton Lacerda.
Na prática, a expulsão ainda depende da conclusão de processos que serão abertos na comissão de ética do PT. Mas, para dar ênfase à decisão, optou-se por anunciar que os “aloprados” já estão politicamente exulsos. Dois deles –Lorenzetti e Lacerda— já haviam se antecipado. Pediram o cancelamento de suas filiações ao PT.
Inquirido por jornalistas, Marco Aurélio Garcia explicou a situação de outros dois envolvidos no dossiêgate: Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Ambos foram presos pela PF no último dia 15 de setembro com o dinheiro (R$ 1,7 milhão) que seria usado na compra do dossiê. O presidente interino do PT disse que o PT de Mato Grosso já havia iniciado um procedimento disciplinar contra Valdebran. Quanto a Gedimar, informou que ele não é filiado ao PT.
Marco Aurélio fez uma distinção entre os casos dos “aloprados” e o do presidente licenciado do PT. Tratou Berzoini com deferência e consideração. Chegou mesmo a dizer que está convencido de que, em prazo “muito breve”, devolverá “o abacaxi”, como se referiu à presidência do PT, para Berzoini, eleito “pela maioria expressiva da militância do partido”.
A Executiva Nacional do PT decidiu divulgar uma nota oficial. Além de informar sobre a expulsão dos “aloprados” e o licenciamento de Berzoini, o texto distribui estocadas no tucanato e na imprensa. Anota que o dossiêgate produziu uma “campanha articulada entre a oposição de direita e setores da mídia”.
A nota acusa a oposição e os meios de comunicação de ocultar “os vínculos” entre a quadrilha sanguessuga e líderes tucanos, concentrando-se apenas na exploração da tentativa de compra do dossiê. O objetivo, acusa o texto, foi prejudicar a campanha reeleitoral de Lula.
Por último, o documento do PT diz que os “aloprados” agiram sem “consultar a direção do PT, a direção de campanha e os candidatos do partido”. Aponta o desrespeito às normas básicas de convivência partidária. Daí a expulsão.
As decisões do PT foram adotadas num momento estratégico, dois dias antes do primeiro debate televisivo entre Lula e o adversário tucano Geraldo Alckmin, marcada para domingo, às 20h30. Mais cedo, Lula posicionara-se contra a deposição de Berzoini da presidência do PT. Ao dar as declarações, Lula já sabia o que seria decidido. Fora consultado na véspera sobre a alternativa do licenciamento. E aprovara entusiasticamente a idéia.
Escrito por Josias de Souza às 17h28
Lula Marques/Folha Imagem
Chegou a hora de Ricardo Berzoini. O deputado será convidado a prestar esclarecimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público. O delegado Diógenes Curado e o procurador Mario Lúcio Avelar, que investigam o dossiêgate, desejam ouvir Berzoini na próxima semana. Como detém mandato parlamentar, o deputado terá a prerrogativa de escolher a hora e o local em que deseja ser ouvido.
Oficialmente, Berzoini será ouvido como testemunha. Na prática, ele freqüenta o inquérito como suspeito. Exceto por Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha petista de Aloizio Mercadante, todos os demais envolvidos na tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos estavam lotados no birô de “inteligência” do comitê de Lula. Reportavam-se a Berzoini, que era coordenador nacional da campanha reeleitoal.
Em 15 de setembro, a PF apreendeu R$ 1,7 milhão com duas pessoas que transacionavam o dossiê: o petista Valdebran Padilha e o ex-agente da PF Gedimar Passos, que informou estar a serviço do PT. Os investigadores do caso avaliam que a quantia é demasiado expressiva para que tenha sido recolhida sem uma ordem superior. Por isso Berzoini é visto, por ora, como suspeito.
A PF recebeu parte dos dados referentes à quebra do sigilo telefônico dos petistas sob investigação. Verificou-se que alguns fizeram ligações para Berzoini no período em que a compra do dossiê foi negociada com Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Uma das questões a que Berzoini será submetido diz respeito ao conteúdo desses diálogos.
A audição de Berzoini vinha sendo estrategicamente adiada. A PF e o MP consideraram que, antes de inquirir o deputado, era necessário interrogar os demais envolvidos. Reunida em São Paulo, a Executiva Nacional do PT instou Berzoini a se afastar da presidência do PT. Pressionado, o deputado decidiu pedir licença do cargo. Assim, será ouvido pela PF e pelo MP como na condição de simples deputado petista.
Escrito por Josias de Souza às 16h34
Numa família convencional, a convivência com a burrice e a maluquice é uma imposição consangüínea. Numa família partidária, o convívio é seletivo. Lula e o PT foram caprichosos na seleção.
O recrutador dos aloprados coordenava a campanha de Lula. O aloprado-chefe assava costelhas no Torto. O aloprado-adjunto conhece o presidente dos tempos em que ele trazia a face escanhoada.
Súbito, a intimidade se esvai, a cumplicidade se dissipa. Os velhos amigos embrenham-se num interminável esconde-esconde. Sonegam dados até ao patriarca. E o petismo vai concluindo que escolher os culpados pode ser mais conveniente do que procurá-los. Leia-se, a propósito, o que informa a coluna Painel (assinantes da Folha):
- Pavio aceso: Um cardeal petista e um conhecido advogado de São Paulo debateram por telefone, anteontem, a seguinte questão: o que poderá acontecer com o mandato do senador Aloizio Mercadante (restam-lhe quatro anos) caso a investigação da Polícia Federal conclua que no R$ 1,7 milhão reunido para pagar o dossiê contra José Serra havia dinheiro da campanha do PT ao governo estadual.
A conversa não foi conclusiva. Mercadante tem repetido que desconhecia a armação e o envolvimento de seu braço direito, Hamilton Lacerda, acusado pela PF de carregar a mala pagadora. No PT, espera-se que apareça no curto prazo um novo personagem no caso. Ele seria, no dizer de um dirigente partidário, "importante figura da República".
- Não bate: Petistas que defendem a permanência de Ricardo Berzoini na presidência do partido alegam que seu afastamento põe em xeque a versão segundo a qual o caso do dossiê contra tucanos seria idéia da ala paulista da sigla.
Observação do signatário do blog: a campanha eleitoral do PT paulista manteve dois caixas. Um deles foi gerido pelo partido. Outro, pelo comitê de Mercadante. Trancado em seus rancores, o senador diz aos amigos, em privado, que da arca do comitê não saiu um mísero ceitil par a aventura do dossiê.
Escrito por Josias de Souza às 15h08

- Folha: Executiva do PT pressiona Berzoini a deixar o cargo
- Estadão: Para abafar dossiê, Lula quer saída de Berzoini
- Globo: Aliados de Garotinho aderem a Lula; Alckmin vai a ACM
- Correio: Oposição vai ao TSE contra Mantega
- Valor: Indústria encerra trimestre com crescimento moderado
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h55
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h48
O Lula abatido da noite de domingo, dia da contagem de votos que empurrou a disputa presidencial para o segundo turno, deu lugar a um presidente que não cabe em si de tão confiante. “Vou resolver essa eleição no domingo”, disse Lula, referindo-se ao debate da TV Bandeirantes, primeiro tête-à-tête que terá com o adversário tucano Geraldo Alckmin.
A declaração de Lula foi feita em reunião com uma liderança de um partido aliado, com quem se reuniu na última quarta-feira. “Não perca o debate”, vem repetindo o presidente a amigos e assessores desde terça-feira. Sua autoconfiança é indisfarçável: “Vou pra cima”, repete à exaustão.
Lula vem se submetendo nos últimos dias a sessões de preparação ministradas pelo jornalista João Santana, marqueteiro de sua campanha. Ensaia respostas para temas incômodos, memoriza estatísticas de setores em que seu governo superou a gestão do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso.
No front administrativo, Lula julga-se preparado para “dar um baile” em Alckmin. Para refinar os argumentos que planeja esgrimir diante das câmeras, encomendou ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP) um relatório comparando o seu mandato aos dois de FHC.
Para encobrir o seu principal calcanhar-de-aquiles –o dossiêgate—, o presidente planeja antecipar-se ao rival no embate ético. Torce para que a Executiva Nacional do PT, que se reúne nesta sexta, em São Paulo, lhe ofereça munição. Quer que sejam anunciadas providências contra os petistas “aloprados”. Deseja, de resto, que Ricardo Berzoini, responsável pelo recrutamento dos compradores de dossiê, concorde em afastar-se voluntariamente da presidência do PT.
A exemplo de Lula, Alckmin também enxerga no debate de domingo o primeiro Rubicão do segundo turno. Acha que seu futuro na campanha depende do modo como irá atravessá-lo. O jornalista Luiz González, responsável pelo marketing da campanha tucana, também prepara para este sábado uma sessão preparatória pré-debate. Alckmin será crivado de perguntas incômodas.
Farejando a estratégia de Lula, o comitê tucano fez um levantamento exaustivo das 69 CPIs que foram enterradas sob o governo Alckmin na Assembléia Legislativa de São Paulo. O abafamento de CPIs é uma das armas que compõem o paiol que Lula leva a tiracolo para os estúdios da Bandeirantes. Dirá que, ao contrário de Alckmin, não conspirou contra CPIs, mesmo quando o objeto de investigação era o seu governo e o PT. Mencionará investigações mandadas para debaixo do tapete na gestão FHC. A compra de votos da emenda da reeleição, por exemplo. Dirá que escândalos como Vampiros e Sangeussugas nasceram sob o tucanato.
A prevalecer o script esboçado por seu comitê, Alckmin irá apresentar-se diante das câmeras como um político de “vida limpa”. Argumentará que as 69 CPIs que o acusam de ter asfixiado propunham-se a esquadrinhar ora temas dissociados de sua gestão ora alegadas irregularidades administrativas devidamente refutadas à época. Sustentará a tese de que, diferentemente de Lula, não se acercou de auxiliares acusados de “roubalheira”.
Se fustigado com denúncias do período FHC, Alckmin dirá que, se existiram, Lula foi omisso ao não determinar que fossem investigadas quando tomou posse, em 2003. Dirá que Lula reporta-se ao passado para fugir do presente incômodo. E desfiará diante do vídeo um rosário de perguntas sobre o dossiêgate: De onde veio o dinheiro? Quem são os titulares das contas bancárias? Como os dólares entraram no país? Por que os envolvidos eram ligados ao comitê de Lula, além de privar da intimidade do presidente?
São questões para as quais Lula diz, mesmo privadamente, que ainda não dispõe de respostas. Tentará fugir do córner esgrimindo a tese de que sua campanha foi a maior prejudicada com a tentativa de compra do dossiê antitucanos. Condenará a ação dos “aloprados”. E destilará a suspeita de que, por trás do mistério, pode haver uma “armação” tucana.
A equipe de Alckmin não acredita que Lula vá arrastar para a arena de domingo temas relacionados à família. Assuntos como as 400 peças de vestuário que Lu, a mulher de Alckmin, recebeu como mimo de um estilista. Porém, se o adversário enveredar por esse caminho, o tucano terá as respostas na ponta da língua. Mencionará que também a primeira-dama Marisa Letícia foi presenteada com jóias, que só devolveu depois que os presentes ganharam o noticiário. Citará, de resto, o caso do aporte de R$ 15 milhões feito pela Telemar numa emrpesa de Lulinha, o filho do presidente.
Escrito por Josias de Souza às 02h30
El Roto/El Pais
No vale-tudo do segundo turno da guerra presidencial, Lula recorre a uma arma que, em outros tempos, foi muita usada contra ele: o terrorismo eleitoral. Na noite desta quinta, o presidente insinuou que, por trás do “choque de gestão” de seu adversário, esconde-se um passaralho. "Quando meu adversário fala em contenção de gasto corrente, está pensando em mandar servidor público embora", disse.
O medo de Lula foi semeado no Rio, um local estratégico. A ex-capital da República abriga legiões de funcionários públicos. O candidato discursou numa universidade, em cerimônia que organizada com o propósito de celebrar a aliança que firmara pela manhã, em Brasília, com Sérgio Cabral, candidato do PMDB ao governo fluminense.
Em contraposição à imagem de guarda-livros que tenta pespegar no rival, Lula disse que não vai apenas "administrar", mas "cuidar" do país. E lançou uma outra bomba eleitoral em direção ao rival. Insinuou que Alckmin, se eleito, repetirá FHC, a quem acusa de ter dado de ombros para os brasileiros desassistidos: "Eles [os tucanos] vislumbravam o Brasil para 40 milhões de habitantes, o restante mais pobre o tempo cuidava".
Em 1989, quando disputou sua primeira eleição presidencial contra Fernando Collor, hoje seu aliado, Lula fora vítima do mesmo terror retórico que hoje utiliza. O empresário Mário Amato, então presidente da Fiesp, chegou a dizer que a eleição de Lula provocaria uma fuga em massa de 800 mil empresários do país.
Nas eleições subseqüentes, em que Lula perdeu a presidência com FHC (1994 e 1998), o tucanato difundiu a tese de que, alçado ao Planalto, o petista desorganizaria a economia e afugentaria o capital estrangeiro. Na eleição seguinte (2002), em que prevaleceu sobre o tucano José Serra, Lula viu-se compelido a lançar a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual prometeu honrar contratos e respeitar a lógica do mercado. Honrou cada letra do documento. Na economia, foi mais ortodoxo do que o antecessor.
Ecoando Lula, o sítio do PT na internet entrega-se ao fundamentalismo eleitoral. Nesta quinta, divulgou um texto que sustenta uma tese ausente do programa de governo de Alckmin. Insinua que, eleito, o presidenciável tucano irá privatizar a Petrobras. O texto escora-se numa entrevista concedida há um ano e quatro meses por Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Na entrevista, Mendonção foi inquirido acerca dos nacos do Estado que julgava privatizáveis. Respondeu: “Há muita coisa ainda, como os serviços portuários, as estradas de rodagem, o setor elétrico, a Petrobras”. É nessa declaração que se baseia o PT para difundir o terror privatista.
O partido de Lula apresenta o autor da frase como “um dos principais articuladores do programa de governo do candidato à presidência, Geraldo Alckmin”. Uma mentira. Conselheiro de Alckmin na fase pré-eleitoral, o ex-ministro das Comunicações de FHC está tão distante do programa de Alckmin quanto o PT de seu passado.
Escrito por Josias de Souza às 01h02
Roosewelt Pinheiro/ABr
O PPS decidiu protocolar no Tribunal Superior Eleitoral uma representação contra Lula. A legenda, alinhada à candidatura de Geraldo Alckmin, acusa o presidente-candidato de liberar R$ 1,5 bilhão com propósitos eleitorais.
A verba foi liberada por meio de medida provisória. Destina-se a oito ministérios. Curiosamente, o governo cortara gastos em montante praticamente igual. Agora, decorridos escassos quatro dias de uma eleição que empurrou a disputa presidencial para o segundo turno, programam-se novos dispêndios.
“Há evidente intenção eleitoral por trás dessa liberação”, diz o deputado Raul Jungmann (PPS-PE). “O dinheiro vai justamente para Estados e regiões do país onde o presidente precisa melhorar o seu potencial de votos. Não podíamos deixar de representar contra o presidente”.
Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda) negam que o governo esteja agindo de olho nas urnas. Porém, os dois batem cabeça ao tentar explicar a súbita generosidade do governo.
Além da representação que está sendo elaborada pelos advogados do PPS, a coligação de Alckmin ingressou nesta quinta com outras duas ações no TSE. A primeira é contra o ministro Guido Mantega e Lula. A outra, contra a CUT.
O comitê tucano acusa Mantega de ter usado a estrutura do governo com propósitos eleitorais. Alega que concedeu uma entrevista na qual falou exclusivamente da campanha política. Algo que, no horário de expediente, não poderia fazer. De resto, o ministro difundiu o áudio da entrevista no sítio da pasta da Fazenda na internet.
Quanto à CUT, a oposição pede a abertura de uma investigação, sob o argumento de que a central sindical divulgou em sua página na internet notícias relativas às atividades de campanha de Lula.
Escrito por Josias de Souza às 20h14
Folha Imagem
Deus fez o mundo em seis dias. Descansou no sétimo. No oitavo, retomaria o trabalho, esboçando as regras que regulariam a vida em sociedade dos descendentes do primeiro casal. Mas Ele estava cansado. O Diabo assumiu. E fez a política à sua imagem e semelhança.
Neste segundo turno, os desígnios do Tinhoso vêm sendo levados às últimas conseqüências. Lula, alinhado à ala barbalha do PMDB de Jader, é brindado com declarações de apoio de Maluf e Collor. Alckmin, atrelado ao PMDB molequinho do casal Garotinho, recebe agora o suporte de Roberto Jefferson.
Nesta quinta, Jefferson informou que 90% dos filiados do PTB, inclusive ele próprio, estão fechados com o presidenciável tucano. "A maioria do partido é Alckmin”, disse o deputado cassado. “Mas lideranças de alguns Estados como Pernambuco, Piauí, Sergipe e Amazonas estão com Lula. Como estamos num momento de unir o PTB preferimos não fechar questão para evitar fraturas".
Jefferson informou que o PTB subirá no palanque de Alckmin em pelo menos sete Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. É no mínimo curioso que Minas conste da lista. É de lá o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), que integra o naco do PTB alinhado a Lula.
Para desassossego do prefeito carioca César Maia (PFL), Anthony Garotinho reuniu os seus próceres nesta quinta para informar que está assumindo o comando da campanha de Alckmin no Rio. Numa divisão esquemática, Recomendará voto no tucano e em Sérgio Cabral (PMDB), candidato ao governo fluminense com o apoio de Lula. Com tanta diabrura, a cuca do eleitor acabada fundindo.
Escrito por Josias de Souza às 17h43
Eleitores pernambucanos podem ter sido vítimas de uma fraude. O indício do logro está materializado em panfletos que teriam sido distribuídos na zona rural e em municípios do sertão de Pernambuco (veja imagem ao lado). Traz a foto de cinco políticos, seguidos dos respectivos números. Uma das fotos expõe a imagem de Lula. Ao lado, surge o 45, que é o número de Geraldo Alckmin. O de Lula é 13.
No universo eleitoral, esse tipo de panfleto é chamado de “santinho”. Serve para orientar o eleitor, informando-lhe o número que deve ser digitado na urna eletrônica. Junto com a foto de Lula aparecem políticos da coligação PMDB-PFL, que apoiou Alckmin em Pernambuco. São eles: Osvaldo Coelho, candidato à reeleição para a Câmara (número 2530), Geraldo Coelho, postulante à reeleição para a Assembléia Legislativa de Pernambuco (25230), Jarbas Vasconcelos, senador (156) e Mendonça Filho, governador (25).
Os “santinhos” fraudulentos foram revelados nesta quinta pelo sítio Supramax. Os responsáveis são desconhecidos. Tampouco se sabe a quantos eleitores a impostura foi distribuída. O PT de Pernambuco deve pedir uma investigação do caso. A julgar pelo resultado das urnas, a manobra não foi das mais bem sucedidas.
Pesquisas realizadas antes do primeiro turno atribuíam a Lula índices de intenção de voto superiores a 70% em Pernambuco. Apuradas as urnas, o presidente obteve 70,93% dos votos válidos no Estado. Alckmin amealhou 22,86%. Quanto aos demais candidatos expostos no “santinho” micado, o resultado foi o seguinte:
- Osvaldo Coelho: obteve 72.109 votos. Não foi eleito para a Câmara;
- Geraldo Coelho: 41.472 votos. Reeleito deputado estadual;
- Jarbas Vasconcelos (PMDB): 56,14% dos votos válidos. Eleito para o Senado;
- Mendonça Filho (PFL): 39,32% dos votos. Passou ao segundo turno. Disputará o governo pernambucano com Eduardo Campos (PSB).
Eis aí um caso que, se bem apurado, pode causar problemas aos envolvidos. Fraudes do gênero, quando comprovadas, sujeitam os responsáveis inclusive à cassação do registro de candidaturas e à impugnação da posse dos eleitos. O episódio foi notíciado, em timbre de denúncia, no sítio do PT. A coligação partidária que dá suporte ao candidato Mendonça Filho negou que tenha mandado imprimir os panfletos. Veja abaixo a versão horizontal do “santinho” espertalhão.

Escrito por Josias de Souza às 15h43
Os dois presidenciáveis darão as caras na Bahia nas próximas 48 horas. Os dois vão pedir a bênção ao eleitor baiano. Lula o fará diretamente, amanhã, em praça pública. Alckmin, por meio de intermediários, hoje, a portas fechadas.
Lula discursará num comício ao lado do governador eleito Jaques Wagner. O presidente trata o amigo e ex-ministro petista como um troféu no campeonato de desaforos que vem travando com ACM.
Na última vez que esteve na Bahia, pouco antes do término do primeiro turno, Lula pespegou em ACM o epíteto de hamster. No revide, o morubixaba da tribo pefelê chamou-o de “ratão etílico”.
Alckmin reúne-se a portas fechadas justamente com o grupo de ACM. Vai avistar-se com os eleitos do carlismo –deputados federais e estaduais. Pedirá que arregacem as mangas por ele no segundo turno.
É desigual a luta presidencial na Bahia. Lula obteve no primeiro turno cerca de 66% dos votos. E ainda içou Jaques Wagner para o Palácio de Ondina. Alckmin amealhou escassos 26%. Pouco, muito pouco, pouquíssimo.
Mas poderia ter sido menos ainda. No início da campanha, as pesquisas atribuíam ao tucano menos de 10% de intenções de voto. Ele espera que, sequioso de vingança, o grupo de ACM esteja agora ainda mais disposto a vestir a sua camisa.
PS.: Para não melindrar o PSDB baiano, que se opõe ao grupo de ACM, Alckmin agendou na última hora um encontro com o tucanato local. A reunião, realizada antes do encontro com a trupe de ACM, produziu um embaraço. O deputado Jutahy Jr., líder dos tucanos na Câmara, declarou que votara no petista Jaques Wagner, contra Paulo Souto, o candidato de ACM. E emendou um pedido a Alckmin: que atenda “todos os pleitos” do novo governador petista caso venha a tornar-se presidente da República. Alckmin ficou contrafeito. Mas disse algo que repetiria muitas vezes ao longo do dia: se chegar ao Planalto, tratará o “companheiro Jaques Wagner” como “parceiro”.
Escrito por Josias de Souza às 12h45
- Folha: Governo libera R$ 1,5 bi do Orçamento
- Estadão: Alckmin tenta conter estrago de Garotinho
- Globo: Governo vai gastar já o que cortou há dez dias: R$ 1,5 bi
- Correio: PSDB socorre Alckmin. Lula libera R$ 1,5 bi
- Valor: Concorrentes fazem acordo contra "roubo" de talentos
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h48
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Tuca Vieira/Folha Imagem
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), convocou para esta sexta-feira uma reunião de emergência da Executiva Nacional do partido. O objetivo formal é a análise dos resultados do primeiro turno da eleição e a definição de estratégias para o segundo turno. Em reserva, porém, integrantes da direção petista manifestam a intenção de cobrar a expulsão dos petistas envolvidos no dossiêgate.
Pelo menos dois integrantes da Executiva consideram também a hipótese de aproveitar o encontro desta sexta para questionar a legitimidade do próprio Berzoini para continuar na presidência do PT. Consideram que o deputado não exerce mais liderança sobre a legenda.
A maioria dos envolvidos na tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos –petistas que Lula chamou de “aloprados”—integrava o birô de “inteligência” do comitê reeleitoral. Foram recrutados por Berzoini, antes de ser afastado da coordenação da campanha à reeleição pelo presidente da República.
Berzoini também foi alijado por Lula das costuras de alianças para o segundo turno. A tarefa foi confiada a Marco Aurélio Garcia, primeiro vice-presidente do PT e novo coordenador da campanha reeleitoral, e ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).
São cada vez mais intensos os queixumes contra a permanência de Berzoini na presidência do PT. Em conversa com o blog, um de seus opositores resumiu a divergência numa pergunta: “Se ele não teve condições de permanecer na coordenação da campanha do Lula, por que teria de continuar dirigindo o partido?”
Parte dos integrantes da direção petista acha que Berzoini deveria tomar a iniciativa de renunciar à presidência do PT. Considera-se que o gesto pouparia constrangimentos a Lula e ao partido. O deputado tem evitado manifestar-se publicamente sobre a suspeição que se formou à sua volta. Em diálogos privados, diz estar sendo injustiçado.
Escrito por Josias de Souza às 01h21
Lula Marques/Folha Imagem
Um grupo de 17 ministros reuniu-se nesta quarta para discutir maneiras de auxiliar a campanha reeleitoral de Lula. Um dos presentes era o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça). Ele informou aos colegas que o inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar o dossiêgate não deve ser concluído antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 29 de outubro.
Bastos disse que não há previsão para a conclusão das investigações. Informou que a PF está tendo dificuldades para rastrear a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) apreendido em São Paulo, no dia 15 de setembro, com os dois petistas que transacionavam o dossiê contra políticos tucanos: Valdebran Padrilha e Gedimar Passos.
De acordo com relato do repórter Cristiano Romero (assinantes do Valor), o ministro informou ainda durante a reunião que só há uma hipótese de a apuração ser encerrada antes do término das eleições: se algum dos envolvidos abrir o bico espontaneamente. Hipótese considerada remota.
A reunião ocorreu na casa do ministro Hélio Costa (Comunicações). Foi coordenada por Dilma Rousseff (Casa Civil). Ela informou aos presentes que Lula continuará sustentando publicamente, inclusive nos debates televisivos, que os petistas “aloprados” do dossiê agiram de modo irresponsável. Dirá que todos serão punidos pelo PT. Dilma pediu aos ministros presentes que ajudem a difundir, em suas manifestações públicas, as explicações oficiais acerca do caso.
A audiência ficou dividida quanto aos efeitos da novidade relatada por Thomas Bastos. Uma parte dos ministros avalia que a demora na conclusão das investigações será prejudicial ao governo, submetendo a candidatura Lula à mesma sangria que impediu a vitória do presidente no primeiro turno. Outro grupo avalia que a elucidação do caso, a depender das conclusões da PF, pode ser ainda mais prejudicial.
Escrito por Josias de Souza às 00h36
Lula vai ao debate com Alckmin no ataque, diz Genro
Alan Marques/Folha Imagem
Lula vai ao debate de domingo, na TV Bandeirantes, no ataque. “O presidente não entrará na defensiva. Não, absolutamente. Pode estar certo disso. Nós queremos o debate ético”, disse há pouco, em entrevista ao blog, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). “Temos condições de demonstrar, inclusive com estatísticas, que a conduta do governo Lula nas questões relacionadas à corrupção foi superior à de nossos adversários quando estiveram no exercício de suas responsabilidades como governantes.”
“Vai ser um debate muito interessante”, disse o ministro. “Vai demarcar os três campos da disputa: o que fui e o que fiz quando era governo, o comportamento de cada um diante da corrupção e o que cada candidato deseja para o futuro do país”. Leia abaixo, por tópicos, o que disse Tarso Genro:
- O debate: Vai ser muito interessante. A primeira vez que os dois terão o mesmo tempo na televisão, a primeira vez que os dois estarão frente a frente. Isso é muito bom porque são dois quadros políticos importantes para o país, com histórias diferentes, compromissos diferentes, com comportamentos diferentes que tiveram no decorrer dos seus governos.
- Ética e corrupção sob Lula : Quando existe responsabilidade de pessoas ou de partidos, o que se deve levar em consideração é qual é a atitude do governante. Essa questão de saber ou não saber, de reagir ou não reagir, é sempre circunstanciada pelas relações políticas, pelo grau de informação que tem o governante. Mas quando isso se transforma numa questão pública, num fato provado, qual é a postura que o governante tem? Nós temos condições de demonstrar qual foi a conduta do governo Lula nas questões relacionadas com corrupção e ilegalidade –com dados da Controladoria da União e da Polícia Federal—e qual foi a atitude dos tucanos. Que atitudes eles tomaram para solucionar esses problemas? Quantas demissões fizeram? Quantas vezes a Polícia Federal foi acionada para investigar profundamente as coisas?
- Ética e corrupção sob Alckmin: Qual foi a atitude que o Alckmin teve em relação às CPIs. Por que ele acionou politicamente o seu grupo para proibir quase 70 CPIs em São Paulo. É uma conduta diversa à que nós tivemos em relação a isso. Disseram sobre nós: ‘houve resistências às CPIs’. Claro que houve. Isso faz parte da política. Mas qual foi a atitude concreta que o governo e pessoas do PT tiveram em relação às CPIs? Não foi uma posição de obstruir. Ao contrário. Menciono não apenas o governo, mas pessoas do próprio PT, como o deputado José Eduardo Cardozo (SP), o senador Delcídio Amaral (MS). O que queremos debater é como se comportaram os grupos políticos e os governantes em relação a essas questões éticas. Queremos comparar. Não vamos abrir mão da comparação.
- Não houve mais corrupção sob Lula? Houve uma grande diferença em relação à situação anterior. Os casos foram muito mais expostos e investigadas. Isso, embora tenha sido doloroso, para quem é do PT e não conhecia Marcos Valério, não tinha informação sobre dossiê, para o Estado brasileiro não é ruim. Passada essa fase, do processo eleitoral, vamos ter que recompor as relações políticas num plano superior, inclusive na questão do combate à corrupção sistêmica, que o governo Lula desencadeou e que o país não aceitará mais abrir mão. Não creio que tenha ocorrido qualquer diferença em relação à gestão anterior. O que houve foi uma ação maior do Estado, para atacar essas anomalias.
Continua abaixo...
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Presidente ainda não tem respostas sobre dossiêgate
Continuação da entrevista do ministro Tarso Genro:
- O dossiêgate: Tentou-se, com uma repercussão massiva na mídia, estabelecer uma conexão do presidente Lula com o dossiê. É uma posição totalmente injusta, mas isso ocorre no processo político. Os indivíduos irresponsáveis que se envolveram nisso deram um tiro nas costas da candidatura Lula. A candidatura só resistiu pela autoridade política que o presidente tem, pelo reconhecimento que seu governo tem da população. O que ocorreu foi uma redução de três ou quatro pontos, que levou ao segundo turno. A Policia Federal está apurando. O presidente não pode interferir na polícia, nem para apressar nem para retardar o inquérito. Nós do governo, temos o desejo de que isso seja esclarecido rápida e radicalmente, para responsabilizar seja quem for. Estamos tranqüilos porque o presidente não tem nenhuma responsabilidade. O desfecho desse processo só pode beneficiar o país e a eleição. Mas isso tem um ritmo. A PF não tortura ninguém.
- O PT não fez sua própria apuração? Qualquer direção partidária responsável estaria preocupada em buscar logo essas respostas. Nós do governo não temos as respostas. Lidamos com informações que vêm distorcidas ou inverídicas para nós. Só nos resta esperar que a Polícia Federal conclua a apuração. Não sei se o partido tem as respostas. Não integro nem a Executiva nem a direção nacional. Apuração paralela, evidentemente, a direção está fazendo. É deslealdade as pessoas não assumirem as suas responsabilidades. O presidente não tem do partido, ainda, uma versão, com dados, que permita que se chegue à conclusão sobre o que ocorreu. Quem está envolvido está escondendo.
- Crime político sob FHC: Para mim, a compra de votos na votação da emenda da reeleição é um crime e um delito político dos mais graves que ocorreram no Brasil. Foi uma emenda à Constituição comprada. Foram apresentadas provas: gravações, informações. Qual foi a atitude do governo Fernando Henrique? Zero. Eles trataram de abafar. Não deu em nada. Ninguém foi punido. Mostra uma diferença essencial ente o comportamento dos tucanos e o posicionamento do nosso governo.
- A imprensa e o PT: Houve uma uniformidade piedosa por parte da imprensa. Não é uma crítica, é uma constatação. Pretendeu-se estabelecer uma criminalização em grupo. O costume que se formou na disputa política é o seguinte: quando é alguém do Partido dos Trabalhadores que faz é fulano de tal do PT. Em seguida, o PT é incriminado coletivamente. Com os outros partidos isso não ocorre. Isso não houve em relação a outros partidos. Não me lembro de olhar na rua uma pessoa do PSDB e procurar identificar nessa pessoa um corrupto. As pessoas se reportagem aos petistas, em ambientes públicos, como se integrassem uma organização criminosa, que é o PT. Isso não havia sido feito com nenhum partido até agora.
- Refundação do PT: Essas pessoas que se envolvem em delitos assumem atitudes que podem levar um projeto generoso como é o do PT a uma situação insustentável. Mas o partido já demonstrou que tem energia suficiente para reagir. No próximo período, o PT vai fazer um severo trabalho de recomposição interna, que eu chamo de refundação. Há pessoas articuladas nesse projeto de reconstrução. Pessoas de diversas tendências, que não têm relação e não concordam com esse tipo de atitude. Temos que combater e expulsar pessoas que se desviaram do projeto partidário. Isso vai em direção ao congresso do PT no ano que vem. Se a direção atual vai tomar ou não atitudes duras agora, não estou informado. Evidentemente, todos nós esperamos que sim.
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Fazer política também é fazer opção. Um presidenciável em campanha pode aumentar a própria estatura. Mas também pode agachar-se. Tome-se o caso de Alckmin. Ao aceitar o apoio do Garotinho e da Garotinha, pode ter obtido meia dúzia de centenas de votos de evangélicos. Mas ficou de cócoras, do tamanho de um molequinho.
Ao celebrar a adesão de Anthony e Rosinha, o presidenciável tucano disse que apoio não se recusa. Aceita-se. É de supor que, amanhã, se Dom Marcola decidir sair em amparo de Alckmin, oferecendo-lhe os votos da irmandade do PCC, o candidato virá à boca do palco para agradecer.
Candidata ao governo do Rio, a juíza Denise Frossard (PPS), que ontem declarara o seu apoio a Alckmin, deu meia-volta. "Retiro o meu apoio e vou seguir o meu caminho." Em quem vai votar para presidente? "Vou anular o meu voto", disse a juíza, adicionando um par de centímetros à sua figura pública.
Ouviu-se também na manhã desta quarta um ranger de dentes do prefeito do Rio, César Maia. "É uma tristeza muito grande”, disse ele. “Um homem que tem os princípios religiosos de Geraldo Alckmin, uma referência para todos nós em função de seu comportamento, de sua atitude, se junta com a corrupção, se junta com os desvios de conduta, se junta com o que há de pior no Rio de Janeiro e no Brasil." É, pois é!
O governador tucano de Roraima, Ottomar Pinto, reeleito no domingo, esteve nesta quarta com Alckmin. Ele ecoou o presidenciável, à sua maneira: "Ninguém pode deixar de aceitar apoio. Política não se faz com anjo, arcanjo, querubim e serafim, se faz com todo mundo", disse Ottomar.
É certo que não há anjos na política. Os últimos, filiados ao PT, foram pilhados no bordel. Mas os presidenciáveis também não precisam abusar da sorte. E Alckmin o faz reiteradamente. Ainda nesta quarta, recebe Ivo Cassol (PPS), governador reeleito de Roubônia, digo, Rondônia. Depois querem criticar Lula por ter-se aliado a Newton Cardoso em Minas Gerais. Quem levará a sério?
Escrito por Josias de Souza às 14h40

Vai abaixo o artigo de
Elio Gaspari (assinantes da
Folha):
"
Na segunda-feira, com aquelas olheiras que só a adversidade eleitoral produz, "nosso guia" se candidatou ao lugar de coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Fez isso quando tratou do dossiê Vedoin e disse o seguinte: "Eu quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé". Quer? Pergunte a Ricardo Berzoini e a Aloizio Mercadante. Eles podem ajudar.
Ao tratar de um crime como curiosidade, Lula assumiu a condição de padrinho dos malfeitores petistas, aloprados e trambiqueiros. Padrinho no sentido da figura de Don Corleone/Marlon Brando.
Não há nenhuma prova, indício ou pista de que haja bico tucano na construção do papelório. Há apenas um raciocínio lógico: se os tucanos foram favorecidos pelo episódio, há dedo deles na produção. Coisa assim: a invasão da Rússia por Hitler permitiu que Stálin consolidasse a sua tirania, donde, Hitler foi uma jogada de Stálin.
Admita-se que o raciocínio de Lula está certo. No início de setembro, um tucano teve uma idéia: vamos pedir ao Vedoin que faça um dossiê contra o Serra, ele o vende ao PT, nós flagramos os compradores, fotografamos o ervanário e botamos o escândalo na imprensa. Um petista aloprado come a isca, compra-se o caso, acerta-se a publicação da denúncia, combina-se o pagamento e vai-se a um hotel buscar mais uns docinhos. Nisso reserva-se R$ 1,7 milhão, em grana viva, para os chantagistas.
Se isso fosse verdade, o presidente de honra do PT teria razão ao chiar. O da República não é pago para tumultuar inquéritos. Os petistas que negociaram com um delinqüente cometeram uma contravenção ao trocar denúncia por dinheiro e um crime e ao remunerar bandidos. Transgrediram as leis da República. Respeitaram apenas a regra do silêncio de Don Corleone.
Diante de um crime, o presidente da República não pode agir como advogado de porta de xadrez. (Será que em 1954 os capangas de Gregório Fortunato foram pagos por Carlos Lacerda para atirar no major Rubens Vaz?)
Em São Paulo e no Rio, houve zonas eleitorais onde madames grisalhas, elegantes e gentis distribuíam narizes de palhaço. (Senhoras parecidas com aquelas que fizeram a Marcha da Família em 1964.) O sujeito ganhava uma bolinha vermelha e ia para a seção eleitoral. No comércio, a bolota de plástico custa R$ 2,50 e a de esponja sai por R$ 3, crime eleitoral explícito, mas isso fica para depois. Contra quem esse feliz palhaço protesta? Paulo Maluf? João Paulo Cunha? Clodovil? Lula?
O calor que o senador Eduardo Suplicy tomou de Guilherme Afif Domingos mostra que se quebrou a associação da decência ao PT. Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: "Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto". E Lula: "Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado".
Lula e o PT associaram-se a práticas indecentes. Fizeram isso porque quiseram. A mistura custou o resultado de domingo.
A Justiça Eleitoral precisa estar cega para permitir a distribuição de prendas na área onde é proibido repassar santinhos de candidatos. Mesmo assim, o palhaço sempre poderá votar com um nariz que trouxe de casa. Ou Lula pára de dizer monstruosidades ou verá a marcha dos palhaços."
PS: Em mensagem enviada ao blog, Sergio Morisson, idealizador da campanha
Rir Para Não Chorar, informa que “a distribuição e o uso do nariz de palhaço, sem menção direta a pessoas ou partidos, não pode ser considerada crime contra a honra ou outro ilícito penal”. Diz que “a liberdade de expressão e manifestação são asseguradas pela Constituição Federal”. E avisa: “Diante de tantos abusos, que nós cidadãos brasileiros estamos acompanhando na política, e a reeleição de políticos vinculados com a corrupção neste país a Marcha dos Palhaços estará de volta em massa no Segundo Turno.”
Escrito por Josias de Souza às 07h55

- Folha: Casal Garotinho vai apoiar Alckmin
- Estadão: Lula escala ministros e aliados para atacar PSDB
- Globo: Apoio de Rosinha e Garotinho a Alckmin abre crise no Rio
- Correio: Os novos apoios de Lula e Alckmin
- Valor: Equipes de Lula e Alckmin definem ação na economia
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h42
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h18
Lula Marques/Folha Imagem
O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), deseja votar um projeto de reforma política ainda neste ano. Ele realiza consultas às lideranças dos principais partidos para levar a voto uma proposta que já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e encontra-se pronta para ser levada ao plenário.
O projeto leva o número 2.679/03. Foi redigido pelo deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), incorporando idéias de parlamentares governistas e oposicionistas. Contempla também sugestões de Nelson Jobim, ex-presidente do STF. Aldo acha que, se obtiver pelo menos a concordância dos líderes do PT, PFL e PSDB, conseguirá votar o projeto.
Aldo conta com o estímulo de um fator que, a seu juízo, tonifica o interesse pela aprovação da reforma: dos 16 partidos que têm representação no Congresso, nove não conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira, aquela regra que condiciona a existência dos partidos à obtenção de pelo menos 5% dos votos válidos na eleição para a Câmara e no mínimo 2% dos votos apurados em nove Estados.
Não conseguiram alcançar os percentuais mínimos de votos as seguintes legendas: PPS, PV, PC do B, PSOL, PTB, PL, PSC, Prona e PTC. Significa dizer que os deputados eleitos por esses partidos vagarão como zumbis pelo Congresso. Não terão direito a assentos na mesa diretora, nas CPIs e nas comissões regulares do Congresso. Não poderão indicar líderes. Perdem o acesso ao Fundo Partidário. Vêem o tempo de rádio e televisão destinado aos partidos minguar de 20 minutos anuais para exíguos dois minutos.
O projeto que Aldo quer votar contém regras que atenuam as exigências impostas pela cláusula de barreira. Permite, por exemplo, a criação da federação de partidos. Trata-se de um mecanismo que prevê a junção de duas ou mais legendas. Seria a tábua de salvação para as legendas que não, sozinhas, não conseguiram atingir no último domingo os percentuais de votos impostos pela cláusula de barreira.
Filiado ao PC do B, um dos partidos condenados pelo eleitor à inanição, Aldo Rebelo é parte interessada na aprovação do projeto relatado pelo colega Ronaldo Caiado. Ele aposta que conseguirá seduzir legendas maiores como PFL e PSDB. Em reserva, diz que utilizará um argumento singelo. Submetidos aos rigores da lei, deputados de partidos sem voto tendem a buscar abrigo no PMDB.
As novas adesões fariam do PMDB uma potência congressual. Considerando-se o resultado das urnas de domingo, o partido já dispõe da maior bancada na Câmara (89 deputados) e da segunda maior bancada no Senado (15 senadores). Daí a impressão de Aldo de que legendas como PT, PFL e PSDB terão todo o interesse em frear a enxurrada de novas adesões ao PMDB.
Ouvido pelo blog, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), concorda com a avaliação de que seu partido será o “estuário natural” de congressistas eleitos por agremiações como PTB, PL, PSC e PTC, náufragas da cláusula de desempenho. Ele chega a dizer que será necessário estabelecer “um filtro”, para administrar as adesões. A despeito disso, Temer diz que apóia a tramitação do projeto 2.679/03.
Na prática, se for transformado em lei, o projeto representará um golpe contra o desejo de restringir a existência parlamentar aos partidos que têm votos. A idéia da cláusula de barreira era justamente a de empurrar legendas nanicas para um processo de fusão que reduziria o número de partidos no país.
Aldo tenta obter também o apoio do Palácio do Planalto para projeto Caiado. A proposta inclui idéias caras ao governo, tais como o financiamento público de campanhas e a votação em listas fechadas. Veja no texto abaixo os principais pontos do projeto que o presidente da Câmara deseja levar a voto.
Escrito por Josias de Souza às 01h40
Eis as principais mudanças previstas no projeto de lei 2.679/03:
- Federações partidárias: a lei permite que dois ou mais partidos se unam para disputar eleições. As legendas que se unirem sob o guarda-chuva de uma federação terão de manter a junção por pelo menos três anos. Poderão organizar-se em federações partidos que, na última eleição, tenham obtido no mínimo 2% dos votos válidos para a Câmara e que tenham conseguido eleger pelo menos um deputado em cinco Estados;
- Financiamento público de campanha: as eleições passam a ser financiadas integralmente com recursos do Orçamento da União que, em anos de eleição, incluiria dotação para bancar as campanhas. O valor seria equivalente ao número total de eleitores do país multiplicado por sete. Se a regra estivesse em vigor em 2006, o gasto teria sido de cerca de R$ 880 milhões.
O dinheiro seria distribuído assim: 1% dividido em partes iguais entre todos os partidos registrados no TSE; 14% divididos igualitariamente entre os partidos e federações com representação na Câmara; 85% divididos entre os partidos e federações, proporcionalmente ao número de deputados eleitos na última eleição.
Candidatos e partidos que receberem doações privadas responderão pelo crime de abuso de poder econômico e perderão o acesso ao Fundo Partidário. Doadores privados sujeitam-se ao pagamento de multa em valor equivalente de 5 a 10 vezes o valor doado. Se o doador for uma empresa, além da multa, perderá o direito de participar de licitações publicar e de celebrar contratos com o governo.
- Lista fechada de candidatos: nas eleições proporcionais, em vez de votar nos candidatos, o eleitor votará no partido ou na federação partidária de sua preferência.
Os partidos organização, até 30 de junho do ano eleitoral, uma lista fechada de candidatos. Apurados os votos serão eleitos os candidatos que figurarem nas primeiras colocações da lista, em ordem decrescente.
- Fim das coligações partidárias: o projeto proíbe coligações partidárias nas eleições proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores). As coligações ficarão restritas às disputas majoritárias (presidente, governador e prefeito).
- Cláusula de barreira: a legislação em vigor nas eleições deste ano condiciona o funcionamento parlamentar dos partidos, o acesso ao fundo partidário e ao horário gratuito de rádio e televisão à obtenção nas eleições para a Câmara de pelo menos 5% do eleitorado nacional e no mínimo 2% dos votos em pelo menos nove Estados. O projeto reduz essa exigência. Permite que partidos ou federações que obtenção no mínimo 2% dos votos válidos apurados nacionalmente preservem as regalias parlamentares, o acesso ao Fundo Partidário e ao horário de rádio e TV.
Escrito por Josias de Souza às 01h38
O segundo turno da eleição presidencial, inimaginável há 20 dias, mostra que, no Brasil, é sempre mais cômodo ser profeta de coisas já acontecidas. Quanto ao resultado da contenda presidencial, pode-se dizer apenas que Lula será vitorioso, na hipótese de que não seja o perdedor. E Alckmin pode mesmo vir a ser o próximo presidente, desde que não tropece nas urnas.
Uma previsão, porém, pode ser feita com 100% de certeza, margem de erro zero: seja quem for o presidente, o PMDB estará no governo. Dono de vistosas bancadas no Congresso e na bica de fazer o maior número de governadores nas eleições estaduais, o partido mais partido do país vai ao segundo turno com um pé na canoa de Lula e outro na embarcação de Alckmin.
Os dois candidatos intensificaram nas últimas horas o assédio à prima-dona da ópera bufa eleitoral. Vem do Rio de Janeiro o melhor exemplo de que a divisão será levara a um paroxismo tal de oportunismo que a ninguém será permitido surpreender-se com os arranjos que sobrevirão às urnas.
Juntos no primeiro turno da eleição fluminense, o casal Garotinho e o candidato Sérgio Cabral optaram por uma divisão no plano nacional. Anthony e sua Rosinha ficam com Alckmin. Quanto ao resto do país, os dois presidenciáveis se engalfinham numa disputa para ver quem leva o maior cesto de apoios peemedebistas.
Alckmin conversou, já na segunda, com Michel Temer, presidente do PMDB. Nesta terça, em conversa com Tasso Jereissati e Jorge Bornhausen, presidentes respectivamente do PSDB e do PFL, Temer manifestou a impressão de que o segundo turno tende a reproduzir a divisão esquemática do primeiro round. Combinou-se que será organizado para os próximos dias um ato público em que os peemedebistas que pendem para alckmin manifestarão o seu apoio.
No caso específico do Rio, está em jogo a disputa do eleitorado evangélico. Cabral bandeou-se para o lado de Lula porque está interessado no apoio de Marcelo Crivella (PRP). Derrotado no primeiro turno, Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal. Teve o apoio de Lula em sua campanha. E o presidente articula a adesão dele a Cabral. Garotinho, que tem um programa radiofônico voltado à comunicade evangélica, representa a perspectiva de que os votos desse público sejam carreados para o cesto do católico Alckmin.
Numa disputa que se prenuncia como renhida, é importante que os dois presidenciáveis se acerquem do maior número de aliados que forem capazes de colecionar. Mas as adesões, na atual fase do jogo, têm importância quase simbólica. O eleitor brasileiro já deu demonstrações de que vota no candidato, não em partidos. Assim, Lula e Alckmin dependem muitos mais do próprio desempenho do que das alianças que farão com esta ou aquela engrenagem partidária.
Diz-se que apoios, venham de onde vier, não devem ser rejeitados num processo eleitoral. Mas, sob certo aspecto, a adesão de Garotinho mais atrapalha do que ajuda. É no mínimo constrangedor que um presidenciável enrolado na bandeira da ética se alie a um ex-presidenciável que foi arrancado da disputa pelas denúncias de que financiou a sua pré-campanha com verbas de má origem. Para usar uma expressão ao gosto de Alckmin: "Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és."
Escrito por Josias de Souza às 18h16
Foi uma festa o encontro, no Planalto, de Lula com Jaques Wagner, o petista que prevaleceu na Bahia sobre Paulo Souto, candidato de Antonio Carlos Magalhães. Os dois se referiram a ACM como “hamster”, apelido que o presidente pespegou no morubixaba da pefelândia.
No Senado, ACM subiu à tribuna com a faca entre os dentes: "Continuarei lutando e amando cada vez mais a Bahia. Daqui a pouco, vossas excelências vão ver o desastre do governo baiano e a volta triunfal do carlismo", disse.
ACM não repetiu no discurso desta terça os epítetos com que vem brincadando Lula: “Bêbado” e “Ladrão”. Mas fez um apelo aos nordestinos: “Chamo atenção do Nordeste e até mesmo da minha Bahia para que nós impeçamos essa eleição tão danosa para o país e coloquemos um homem honrado no poder, o ex-governador Geraldo Alckmin. Estou convencido de que, com ele, terei um novo Brasil, um novo Brasil sem roubo."
O petista Eduardo Suplicy, reeleito para um novo mandato no Senado, alfinetou ACM em aparte: "Ulysses Guimarães dizia que precisamos ter uma postura com nossos adversários que nos permita sempre dialogar com eles. Será que não foi o exagero nas suas ofensas contra o presidente Lula que dificultou [sua vitória na Bahia]?"
O troco de ACM veio com a mordacidade habitual: "Se vossa excelência, que é do PT, tem diálogo difícil com o presidente e seu partido, como posso dialogar com esse grupo de seu partido que não é o seu? Agora, vossa excelência, mesmo com seu estilo, sempre foi um homem com uma popularidade imensa em São Paulo. No entanto, dessa vez, o senhor teve uma votação apertada e perigosa. Seria por causa do seu estilo?"
Suplicy, de fato, esteve na iminência de levar uma coça em São Paulo. Seu adversário Guilherme Afif Domingos (PFL) roçou a trave. São os caprichos do eleitor. É como disse o próprio ACM em seu discurso: "Se o povo quer, pode tudo." Desnecessário dizer que o retorno “triunfal” do carlismo, hegemônico por 16 anos na Bahia, também está condicionado à vontade do povo, que “pode tudo”.
Escrito por Josias de Souza às 16h37
Sérgio Lima/Folha Imagem
Num instante em que tenta arregimentar tropas para a segunda e decisiva batalha da guerra presidencial, Lula assiste à propagação da cizânia em suas próprias fileiras. O dossiêgate mergulhou o petismo numa crise semelhante à que se seguiu ao escândalo do mensalão, no segundo semestre do ano passado.
Afastado da coordenação da campanha de Lula, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), enfrenta um cerco partidário. É bombardeado por um número cada vez maior de companheiros. Conforme noticiado aqui no blog no último sábado (30-09), até o Planalto avalia que Berzoini perdeu a legitimidade política que se exige de um dirigente partidário.
Berzoini foi à berlinda depois que petistas recrutados por ele para trabalhar no birô de “inteligência” do comitê reeleitoral foram pilhados tentando comprar um dossiê contra políticos tucanos por R$ 1,7 milhão. Debita-se ao episódio a corrosão do favoritismo de Lula na disputa contra o presidenciável tucano Geraldo Alckmin.
O PT tenta agora, segundo expressão utilizada por um dirigente ouvido pelo blog, “afastar o cálice do dossiê dos lábios de Lula”. Algo que, para uma parte da legenda, só produzirá efeitos eleitorais se passar pela deposição de Berzoini. O deputado tornou-se presidente do PT em setembro do ano passado. Disputou o cargo com outros quatro petistas, entre eles Valter Pomar.
Membro da Executiva e secretário de Relações Internacionais do PT, Pomar acaba de levar à página do partido na internet um artigo revelador. Chama-se “Idéias para o dia seguinte”. Traz para o nível da rua parte das inquietações que envenenam os subterrâneos do petismo.
“É preciso reorganizar imediatamente a coordenação de campanha e também a direção nacional do PT”, anota Pomar. Ele faz no texto um inventário dos desafios de Lula e do próprio PT na disputa presidencial. “Para vencer o segundo turno, precisaremos de uma direção à altura da tarefa”, escreve. “A recomposição imediata, tanto da coordenação de campanha quanto da direção partidária, é necessária não apenas por razões eleitorais, mas também para que o PT possa sobreviver (...).”
Valter Pomar lidera uma das correntes que convivem sob o guarda-chuva do PT, a Articulação de Esquerda. O vocábulo “recomposição”, utilizado por ele no artigo, comporta vários significados –“congraçamento” e “reconciliação”, por exemplo. Mas o que se esconde por trás do cuidado retórico é mesmo o desejo de obter o escalpo de Berzoini.
Sozinho, Pomar não faria sombra a Berzoini, membro do chamado Campo Majoritário, a mesma corrente do deputado cassado José Dirceu. O problema é que o desejo expresso no artigo de Pomar dissemina-se pelo partido. Há um quase consenso quanto à conveniência da saída de Berzoini. Mas está-se falando do PT, um partido que diverge mesmo no consenso. Assim, uma ala do petismo acha que o assunto só deveria ser tratado depois da eleição. Outro grupo compartilha da visão de Pomar, que prega a “recomposição imediata”.
A gestão Berzoini é descrita assim no artigo de Valter Pomar: “(...) Funcionou relativamente bem, num clima distinto da direção anterior, até o momento em que as pesquisas começaram a indicar a vitória de Lula no primeiro turno. Desse momento em diante, alguns problemas foram se tornando cada vez mais evidentes, entre eles a baixa capacidade de elaboração política e a ausência de funcionamento coletivo, tanto da direção partidária quanto da coordenação de campanha. O episódio do dossiê é, ao menos em parte, conseqüência deste ambiente organizacional e político”.
PS.: Lula recebeu nesta terça, no Planalto, o governador eleito da Bahia Jaques Wagner. Falaram sobre segundo turno e dossiêgate. À saída, Wagner defendeu a expulsão dos petistas envolvidos na encrenca (leia).
Escrito por Josias de Souza às 11h04
Depois de votar, no último domingo, Tasso Jereissati disse –na bucha, ali mesmo, ao pé da urna— que buscaria o apoio de Cristovam para Alckmin. Ele vinha farejando o segundo turno havia dias. O cheiro emanava de pesquisas telefônicas feitas por encomenda do comitê tucano. E foi tonificado na véspera da eleição, quando foram divulgados os resultados das sondagens do Ibope e do Datafolha.
Ainda na noite de domingo, o TSE confirmaria a passagem de Alckmin para o segundo round contra Lula. Sorte de Tasso. Graças ao bom desempenho do ex-Chuchumbo, o presidente do PSDB pode continuar uivando, em âmbito nacional, como lobo. No seu Estado, o Ceará, as urnas o reduziram a poodle-toy.
Em nota intitulada “Como ACM”, a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha), revolveu os escombros. Diz o texto: “Tasso Jereissati encolheu no Ceará: os deputados federais eleitos pelo PSDB são ligados a seu adversário no partido, Lucio Alcântara; os três candidatos à Câmara apoiados por ele perderam a eleição; seu candidato ao Senado, Moroni Torgan, foi derrotado; o novo governador do Ceará, Cid Gomes, fez aliança com o PT e não sofre influência de Tasso”.
Escrito por Josias de Souza às 09h38
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 06h44

- Folha: Lula tem pressa no dossiê; para Alckmin, petista perdeu a vez
- Estadão: Lula agora quer debater; Alckmin busca alianças
- Globo: Lula e Alckmin mudam tom e correm atrás do PMDB
- Correio: As armas de Lula e Alckmin no 2º turno
- Valor: PMDB cresce e eleva cacife em Câmara pulverizada
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h41
Clique "play", para ouvir Lula. E pressione aqui, para visitar o sítio Charges.com.
Escrito por Josias de Souza às 01h46
Sérgio Lima/Folha Imgem
Como todo e qualquer livro, a Bíblia foi escrita por homens. A despeito de toda a mistificação, trata-se de uma obra comum. Contém muita coisa certa e errada. Nada mais conveniente do que utilizar um preceito bíblico para definir o novo Congresso, outra obra de homens, boa e ruim.
Encontra-se em Eclesiastes (1,9) o trecho que melhor serve ao propósito. Anota: “O que foi, é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: nada há, pois, novo debaixo do Sol.” Nada há, pois, novo também sob o concreto tortuoso que Niemeyer projetou.
Mencione-se, por eloqüente, o resultado de um levantamento feito pelo sítio Congresso em Foco: há entre os eleitos 53 congressistas que respondem a processos judiciais ou estão sob investigação. A lista vai de Paulo Maluf (PP-SP) a Antonio Palocci (PT-SP). Elegeram-se, de resto, 12 sanguessugas e oito mensaleiros.
Há no “novo” Congresso Cunhas, Henrys e Rochas; Barbalhos, Mentores, Valdemares e outros azares. Um prenúncio de que continuará vigorando o preceito do Evangelho segundo Robertão: “É dando que se recebe.” O novo presidente da República, seja Lula ou Alckmin, terá de encostar a barriga no velho balcão.
Na próxima legislatura, tudo indica que reinará na Câmara o PMDB. O partido mais partido do país foi o que elegeu o maior número de deputados –89, contra os 75 eleitos em 2002. São, em sua maioria, franco atiradores à procura de alvos na engrenagem estatal.
A seguir vem, a despeito de todas as perversões, o PT –ou ex-PT—, que amealhou 83 cadeiras. É uma marca menor do que a obtida em 2002, quando a legenda fizera 93 deputados, dos quais dez foram expulsos ou bateram em retirada rumo ao PSOL.
PSDB e PFL beliscaram, cada um, 65 assentos. Menos que em 2002, quando haviam conseguido eleger, respectivamente, 70 e 84 deputados. Evidência de que, no Brasil, o exercício da oposição, que sujeita o congressista à inanição de cargos e verbas, não dá camisa –nem votos— a ninguém. Ou a quase ninguém.
No Senado, quem volta a dar as cartas é o PFL. Tonificou a sua bancada de 16 para 18 senadores. Tem tudo para fazer o presidente da próxima legislatura. O PMDB de Renan Calheiros perdeu cinco cadeiras –foi de 20 para 15 senadores. Vêm a seguir o PSDB, que passou de 16 para 15 senadores, e o PT, que foi de 12 para 11. Significa dizer que, se Lula for reeleito, continuará sendo tratado a pão e água na Câmara Alta.
As urnas também produziram punições. Barraram, Suassunas e Severinos; Luizinhos e Guadagnins. Mas, a julgar pelo número de premiações, os vetos constituem mais uma obra do acaso do que um exercício da consciência. De resto, o voto, sempre caprichoso, costurou interrogações do tamanho de um Clodovil e exclamações do porte de um Collor.
Recorde-se, porque é de justiça, que os corredores do Parlamento serão palmilhados, como sempre, por referências de probidade e correção. Estão em maioria. Mas os 15% que compõem a minoria bandalha continuarão atraindo para a instituição parlamentar uma má fama que, justa ou injustamente, termina por engolfar a todos.
O que fazer? Nada senão rezar. O novo Congresso está fadado a repetir os vícios horrendos do velho. Há na lista de eleitos alguns escândalos esperando para acontecer. Mas a alternativa à encrenca é uma encrenca ainda maior: os tanques da ditadura.
Escrito por Josias de Souza às 00h12
Folha Imagem
Lula e Alckmin deram entrevistas na tarde desta segunda. Foi a primeira manifestação formal de ambos depois da proclamação do resultado das eleições de domingo. A análise do conteúdo das declarações dos sobreviventes da disputa presidencial de o tom do segundo turno: Lula entrou na disputa na defensiva. Alckmin, manteve o tom elevado que o levou ao segundo turno.
As diferenças foram pontuadas nas respostas que os dois deram às perguntas relacionadas ao dossiêgate. “a sociedade brasileira está esperando as respostas”, disse Alckmin. “De quem é o dinheiro [R$ 1,7 milhão]? Quem é o dono das contas [bancárias]? de quem é dólar? Como entrou no país? O povo brasileiro quer respostas, que ainda não foram dadas”.
São respostas que Lula ainda não tem. Em privado, o presidente rumina a suspeita de que os petistas “aloprados” que tentaram comprar um dossiê contra políticos tucanos caíram numa armadilha montada pelo próprio PSDB. Na entrevista, suas suspeitas foram insinuadas: “Fico pedindo a Deus que não me aconteça nada até desvendar esse mistério. Não é apenas a questão de dinheiro ou de onde vem o dinheiro. Quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé. Peço a Deus para viver até o dia que possa dizer: foi tal pessoa que articulou”.
Perguntou-se a Lula se acha que os meios de comunicação portaram-se incorretamente ao divulgar as fotos do dinheiro apreendido em 15 de setembro com os petistas que transacionavam o dossiê. Ele disse que todo político tem queixas em relação à imprensa. Mas reconheceu que ela tem “um papel muito importante” na consolidação da democracia.
Sobre a exposição do dinheiro, disse: “Você pode gostar ou não gostar. Mas tinha o dinheiro, tinha a fotografia, poderia ter sido mostrada no dia [em que foi apreendido] ou quando bem entendesse”. Há no comitê de campanha de Lula um consenso: o caso do dossiê, vitaminado pela exposição das fotos, foi decisivo para que o segundo turno.
Lula foi à defensiva, de novo, ao comentar sua ausência no último debate entre os presidenciáveis, na quinta-feira da semana passada. Disse que ainda não dispõe de uma “aferição” para saber se houve ou não prejuízos à sua campanha. Acrescentou: “Se eu tivesse uma bola de cristal que dissesse ‘faça tal coisa que ganha voto’ eu faria tudo aquilo que ganha voto. Se as pessoas entenderam que eu deveria ir ao debate ou não, agora nós vamos ter debate”.
Alckmin não perdeu a oportunidade de tirar uma casquinha do adversário. Disse que sempre compareceu a debates. Lembrou a campanha para o governo de São Paulo, em 2002: “Fui aos debates quando estava atrás e quando estava na frente nas pesquisas.”
Há duas semanas, Lula figurava em todas as pesquisas como favoritíssimo à vitória no primeiro turno. Por que caiu? “Vocês nunca me viram comentar pesquisa”, disse Lula. “Pesquisa a gente não comenta. Houve uma tendência. Havia uma pressão de setores da sociedade para que houvesse dois turnos. E estão acontecendo dois turnos (...). Avaliar o que fez com que eu não ganhasse no primeiro turno, confesso que não tenho um medidor ainda. Quem sabe as próximas pesquisas mostrem”.
Alckmin posou de neo-favorito: “Chegamos numa curva ascendente e vamos aprofundar essa curva (...). Nossa campanha vinha crescendo há 15 dias. Eu sempre disse que não se pode confundir recall com decisão de voto. Decisão de voto se faz mais próximo do dia da eleição”.
Lula foi constrangido a comentar a vitória nas urnas de petistas encrencados em escândalos. Mencionaram-se Antonio Palocci e João Paulo Cunha. E ele: “As pessoas não foram condenadas, tinham o direito de concorrer e se elegeram. Por que? Porque as pessoas resolveram votar. Dizem que o Collor voltou. Mas o Collor já está há 14 anos de castigo. O povo de Alagoas resolveu mandar ele para cá. Com a experiência que tem como ex-presidente, se quiser, pode fazer um trabalho excepcional. Não conheço eleitor de primeira e de segunda e categoria. Conheço eleitor”.
Alckmin julga-se mais bem acompanhado. “Existe um provérbio muito importante em política: Diga-me com que andas, e dir-te-ei quem és. É importante saber qual é o time. Ninguém governa sozinho”. Referia-se aos tucanos José Serra e Aécio Neves que, segundo diz, comprometeram-se a se envolver decisivamente na sua campanha.
Escrito por Josias de Souza às 17h17
O alto comando da campanha de Geraldo Alckmin reúne-se nesta segunda-feira, às 19h30, para discutir os planos para o segundo turno. Um ponto já está definido: o comitê tucano pretende constranger Lula, o PT e o governo, intensificando a cobrança do esclarecimento do dossiêgate.
“A sociedade demonstrou nas urnas que já não aceita qualquer desculpa”, disse há pouco ao blog o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador nacional da campanha de Alckmin. “Não adianta mais escolher o Delúbio de plantão e mandar ele resolver a ficção.”
Segundo Sérgio Guerra, a conclusão do inquérito que apura o dossiêgate é um assunto que transcende a agenda eleitoral. “Isso passou a ser um dado relevante para a sociedade. Nossos adversários estão na defensiva. Mas não fomos nós que investamos esse assunto, foram eles mesmos. Vamos cobrar até quando eles esclareçam tudo e assumam as suas responsabilidades.”
O comando de campanha de Alckmin avalia que o segundo turno começa com uma inversão de expectativas. Acredita-se que o candidato tucano, antes visto como azarão, é agora o favorito. “Dessa vez, o favoritismo é nosso”, diz, sem meias palavras, Sérgio Guerra.
O senador lista as razões que fundamentam o otimismo da campanha tucana:
1. Estamos numa curva ascendente;
2. Lula está numa curva descendente;
3. As campanhas estaduais tiveram prioridade sobre a campanha presidencial no primeiro turno. Agora, a campanha prioritária para as nossas bases vai ser a de presidente.
Um dos temas que serão discutidos na reunião noturna desta segunda será a reestruturação da campanha nos Estados. O Nordeste passa a compor, de novo, o rol de prioridades. “Achávamos que não teríamos mais do que 20% dos votos na região. Chegamos a mais de 25%. E não tenho dúvida de que iremos crescer muito em cima desse percentual”, diz Sérgio Guerra.
“Se antes a campanha de presidente não era prioritária em Estados como Pernambuco e Paraíba, agora passa a ser. As estruturas que antes não operaram com a exuberância devida, agora vão ter que operar”, completa Sérgio Guerra.
Será definida também na reunião a estratégia para atrair o PDT de Cristovam Buarque para a coligação partidária que dá suporte a Alckmin, hoje restrita a PSDB e PFL, além da participação informal do PPS. “Queremos o PDT conosco. Com todo o entusiasmo”, diz Guerra.
Escrito por Josias de Souza às 14h42

- Folha: Lula e Alckmin disputam 2º turno; Serra e Aécio são eleitos em SP e MG
- Estadão: Disputa emocionante leva decisão para o 2° turno
- Globo: Lula e Alckmin vão ao 2° turno com o país dividido
- Correio: Lula X Alckmin: mais 28 dias de guerra
- Valor: Apuração aponta para 2° turno e partidos iniciam articulações
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h21
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 06h14
Ségio Lima/Folha Imagem

Lula convocou para esta segunda-feira duas reuniões: a primeira será com os ministros que compõem a coordenação de governo, pela manhã, no Palácio do Planalto. A segunda será com o comando geral da campanha, provavelmente à tarde.
Sob o impacto da notícia de que haverá segundo turno, Lula revelou o desejo de alterar os rumos de sua campanha. Mostrou-se surpreso com o percentual de votos obtidos pelo tucano Geraldo Alckmin, acima dos 41%. Avalia que o adversário tornou-se uma ameaça concreta aos planos da reeleição.
Numa primeira análise dos resultados, o presidente atribuiu o segundo turno à exploração que os adversários fizeram do dossiêgate e à sua ausência no último debate dos presidenciáveis, promovidos pela Rede Globo na última quinta-feira.
Para Lula, suas chances dependerão das respostas que for capaz de dar às dúvidas que giram em torno daquilo que o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) chamou de "Operação Tabajara": o envolvimento de petistas lotados no comitê reeleitoral na tentativa de adquirir por R$ 1,7 milhão um dossiê contra políticos tucanos. O presidente antecipou que, no segundo turno, vai comparecer a todos os debates televisivos.
Lula acompanhou a totalização de votos no Palácio da Alvorada. Estavam com ele o vice-presidente José Alencar e os principais ministros de seu governo: Tarso Genro, Márcio Thomas Bastos (Justiça), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). Encontravam-se também no Alvorada o secretário particular de Lula, Gilberto Carvalho e o jornalista João Santana, marqueteiro de sua campanha.
Lula e seus auxiliares seguiram a evolução da contagem de votos com os olhos grudados num aparelho de televisão e a num terminal de computador, manejado por Gilberto Carvalho e por João Santana. Correu um primeiro calafrio pelo ambiente no instante em que o noticiário de TV revelou o resultado da boca de urna do Ibope: 50% para Lula e 50% para a soma de seus adversários.
Coube a Lula manter de pé as esperanças. Recomendou calma aos presentes. À medida que a apuração do TSE foi evoluindo instalou-se no Alvorada uma atmosfera de desânimo. Curiosamente, só o presidente esforçava-se para manter o bom-humor. Chegou mesmo a brincar. Relembrando campanhas anteriores, em que perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998), o presidente comentou, entre risos: “Eu sempre torci pelo segundo turno. Agora que eu não precisava desse desgraçado, ele veio.”
Houve um raro instante de comemoração no Alvorada. Deu-se no instante em que ficou caracterizada a vitória do petista Jaques Wagner na Bahia. Lula fez questão de discar para o seu ex-ministro. Parabenizou-o efusivamente. “Só você mesmo para desbancar a turma do Antonio Carlos [Magalhães].” O presidente elegera a Bahia como uma de suas prioridades nestas eleições. Queria dar o troca em ACM, que o vem xingando de “ladrão”. Mas nem nos seus sonhos mais remotos imaginou que Wagner triunfaria sobre Paulo Souto, o candidato de ACM, já no primeiro turno, interrompendo um predomínio de 16 anos do carlismo.
Lula recebeu um telefonema inesperado. Para surpresa dele próprio e de todos os presentes, ligou para o Alvorada o presidenciável do PDT, Cristovam Buarque, ex-petista e ex-ministro da Educação de Lula. Buarque cumprimentou o presidente e desejou-lhe sorte. Antes, Cristovam havia telefonado para Geraldo Alckmin. Combinaram de se encontrar nesta semana. O tucano quer o apoio de Cristovam no segundo turno.
O presidente recebeu, de resto, um telefonema do petista e amigo Olívio Dutra. Ex-ministro das Cidades, Olívio quis dar, em primeira mão, a notícia de que passara ao segundo turno na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, que disputará com a tucana Yeda Crucius. Lula já sabia.
Nos encontros que manterá nesta segunda, o presidente espera dar o norte do segundo turno. A prevalecer o seu desejo, o timbre da campanha será elevado. Deve fazer uma manifestação pública agradecendo os votos que obteve. De resto, Lula pretende priorizar a ampliação da aliança partidária que dá suporte à sua candidatura. Seu primeiro objetivo é “amarrar” o PMDB.
Escrito por Josias de Souza às 23h50
Projeções realizadas pelo Datafolha com base na apuração oficial indicam que já não há dúvida: a eleição presidencial será mesmo decidida em segundo turno, numa disputa entre os candidatos Lula e Geraldo Alckmin. Graças aos votos de São Paulo, Lula não venceu a eleição neste domingo.
Com 22% do eleitorado nacional, São Paulo é um dos colégios eleitorais de maior peso na contabilização geral dos votos do país. E é justamente nesse Estado que a apuração caminha mais lentamente. Ali, com pouco mais de 65% dos votos apurados, Alckmin (55,1%) leva ampla vantagem sobre Lula (36%).
É essa diferença que vai levar a eleição para o segundo turno, informa Mauro Paulino, diretor do Datafolha. Segundo ele, a proporção da soma dos demais candidatos em relação à votação de Lula em São Paulo aponta para a realização de um novo round na eleição presidencial.
Escrito por Josias de Souza às 21h43
Segue o mistério em relação à disputa presidencial. Pesquisa de boca de urna do Ibope informa que Lula obteve 50% dos votos válidos. A soma dos votos atribuídos a seus adversários também atinge 50%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. Ou seja, o segundo turno, se vier, será definido no fio do bigode.
Eis a totalização individual de votos segundo o Ibope:
- Lula: 50%
- Alckmin: 38%;
- Heloisa: 8%
- Cristovam: 3%
- Ana M. Rangel: 1%
A votação atribuída a Alckmin, se confirmada na apuração oficial, terá sido surpreendente. O percentual mais vistoso que o presidenciável tucano havia obtido até aqui fora de 35%, apurados na pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite. Fica evidenciando que, na hipótese de haver o segundo turno, Alckmin será um osso duro de roer. Mais do que o petismo e Lula poderiam supor.
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Ricardo Stuckert/PR
A prevalecer os resultados da pesquisa de boca de urna do Ibope, vem da Bahia o vira-virou mais surpreendente das eleições de 2006. O petista Jaques Wagner (49% dos votos válidos) ultrapassou o pefelista Paulo Souto (43%), candidato do grupo do morubixaba do PFL Antonio Carlos Magalhães.
Durante toda a campanha, Souto fora cotado para vencer as eleições no primeiro turno. No sábado, pesquisa realizada pelo mesmo Ibope indicava a possibilidade de realização de segundo turno, mas ainda acomodava o candidato do PFL à frente do postulante do PT.
A simples passagem de Jaques Wagner para o segundo turno já representa uma derrota para o grupo de ACM. Obtendo mais votos que Paulo Souto, o resultado representará, mais do que um triunfo do PT, a humilhação de ACM. Se vencer em primeiro turno, o PT expedirá o atestado de óbito do "carlismo", que domina a política baiana há 16 anos.
Lula fixara o pleito baiano como uma de suas prioridades. Irritado com ACM, que o vem chamando de “ladrão” dia sim outro também, o presidente jogou todas as suas fichas na candidatura de Wagner, seu ex-ministro.
PS.: concluída a apuração na Bahia, confirmou-se a vitória de Jaques Wagner no primeiro turno. Leia aqui um balanço dos resultados das disputadas para os governos estaduais.
Escrito por Josias de Souza às 17h07
Acaba de sair a primeira fornada de pesquisas de boca de urna realizadas pelo Ibope (assista aqui). Indicam vitórias folgadas dos candidatos tucanos em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país. Segundo o Ibope, o tucano José Serra (58% dos votos válidos) prevaleceu sobre o petista Aloizio Mercadante (30%) e é o novo governador paulista. O também tucano Aécio Neves (75%) tratorou o petista Nilmário Miranda (22%) e foi reeleito para mais quatro anos no governo mineiro.
Segundo o Ibope, a eleição também foi decidida em primeiro turno no Distrito Federal. O candidato do PFL, José Roberto Arruda (52% dos votos válidos) derrotou a tucana Maria de Lurdes Abadia (22%) e a petista Arlete Sampaio (20%). Arruda é aquele político que teve de renunciar ao mandato para evitar a cassação no escândalo da violação do painel do Senado. No Paraná, a disputa escorregou para o segundo turno. O peemedebista Roberto Requião (44%), que disputa a reeleição, enfrentará o pedetista Osmar Dias (37%).
O Ibope informa que haverá segundo turno também no Rio. O peemedebista Sérgio Cabral (41%) já tem sua vaga garantida na disputa. Seu adversário ainda é incerto. Estão tecnicamente empatados no segundo lugar a candidata do PPS, Denise Frossard (23%), e o concorrente do PRP, Marcelo Crivella (21%).
A pesquisa de boca de urna apurou também o resultado das eleições para o Senado nesses Estados. Em São Paulo, o petista Eduardo Suplicy (48%) foi reeleito para mais um mandato de oito anos. Ele bateu o pefelista Guilherme Afif Domingos (37%). Em Minas, o pefelista Eliseu Resende (55%), apoiado por Aécio Neves, derrotou o peemedebista Newton Cardoso (33%), que teve o apoio de Lula.
No Rio, não foi possível determinar quem será o senador. O Ibope detectou um quadro de empate entre Jandira Feghali (39%), do PC do B, e Francisco Dornelles (39%), do PFL. No Paraná, o tucano Álvaro Dias (51%) foi reeleito para o Senado. O eleitor do Distrito Federal acomodou no Senado, segundo o Ibope, o ex-governador peemedebista Joaquim Roriz (53%), que bateu o petista Agnelo Queiroz (40%), do PC do B, ex-ministro dos Esportes de Lula.
Escrito por Josias de Souza às 16h29
Lula Marques/F.Imagem
A votação ainda não foi concluída. As urnas não foram abertas. Mas o tucanato fala como se o segundo turno já estivesse fosse fava contada. O senador Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB, declarou em Fortaleza que vai procurar o presidenciável Cristovam Buarque (PDT), para pedir-lhe que apóie Geraldo Alckmin.
“Tendo segundo turno, como acredito, já incluímos uma conversa com o candidato do PDT, senador Cristovam Buarque”, disse Jereissati (assinantes da Agência Nordeste) no início da tarde, depois de votar. “Cristovam integra um grupo de políticos revoltados com essa podridão que está aí no país.”
Ouvido pelo blog, Cristovam disse que não terá problemas em dialogar com Tasso Jereissati. Mas ressaltou que a conversa precisa ter um caráter partidário. Segundo ele, Jereissati terá de procurar o presidente do PDT, Carlos Lupi. Evitou, de resto, antecipar qual será a posição de sua legenda em caso de eventual segundo turno entre Lula e Alckmin.
Nas referências que fez ao segundo turno, Tasso Jereissati não fez referência à candidata Heloisa Helena, presidenciável do PSOL. Depois de votar numa escola de Maceió (AL), pela manhã, HH deslocou-se para o município de Palmeira dos índios, onde possui uma casa. Segundo seus familiares, ela queixou-se de dores de cabeça. Está descansando. Antes de se recolher, HH foi questionada por jornalistas acerca do posicionamento que pretende adotar no segundo turno.
Ela respondeu que só pretende se manifestar depois da divulgação do resultado oficial das eleições. “Até lá”, disse, “eu estou no segundo turno.” HH deu a entendeu que não ficará neutra numa eventual disputa entre Alckmin e Lula. “Mas eu só falo sobre possíveis apoios após o término da apuração”, afirmou.
Cristovam e HH vêm adotando um discurso crítico em relação a Lula. No caso da candidata do PSOL, a crítica foi extensiva ao tucanato. Ela bateu indistintamente em Lula e em FHC. Sustentou que ambos governaram para os banqueiros. Segundo as últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha, divulgadas na noite de sábado, HH terá 8% dos votos na eleição deste domingo. Cristovam, também segundo os dois institutos, terá 2%.
Escrito por Josias de Souza às 15h26
Folha Imagem
Conta-se que, chegando a Nova York, Oscar Wilde (1856-1900) disse à funcionária da alfândega: “Não tenho nada a declarar, exceto o meu gênio.” Lula e Alckmin vivenciaram situação análoga na manhã deste domingo. Sem o mesmo gênio de Wilde, os dois tinham um tesouro pessoal a declarar.
Em vez de Nova York, os candidatos chegaram à urna. Lula votou em São Bernardo. Alckmin, em São Paulo. Em vez da funcionária alfandegária, deram de cara com os jornalistas. “Estou confiante que vamos vencer essas eleições hoje”, disse Lula. “Vamos com absoluta certeza para o segundo turno”, desdisse Alckmin. Além de informar o resultado da eleição, as urnas produzirão, como se vê, um mentiroso. Ou pretensioso, se preferir.
Menos constrangedora é a retórica de Heloisa Helena. Não tendo mais razões para torcer por si mesma, ela torce contra os outros. "Eu espero que Collor não se eleja, do mesmo jeito que eu espero que o Lula não seja reeleito", disse HH aos jornalistas depois de votar em Maceió. "Tenho pena de o Collor ir para o meu lugar [no Senado], como tenho pena de o Lula ir para o meu lugar no Palácio do Planalto. No fim é tudo igual."
Escrito por Josias de Souza às 10h53
Um auxiliar de Lula discou para o apartamento dele em São Bernardo na noite passada. Veio ao telefone um presidente irascível. Acabara de assistir ao Jornal Nacional. Mostrava inconformidade com o resultado das pesquisas Ibope e Datafolha. Culpou o PT pelas adversidades que arrosta nesta fase final da eleição.
Como de hábito, Lula expressou-se por metáforas. Inovou. Em vez das translações futebolísticas, que costuma preferir, recorreu a imagens automobilísticas. “A gente dá 50 voltas no autódromo, conduz o carro com todo o cuidado, abre uma enorme vantagem sobre os adversários e, na última curva, vem o nosso próprio pessoal e joga óleo na pista. Isso tem nome. É sabotagem.”
Referia-se ao caso do dossiêgate. Atribui ao episódio a derrapagem temporã nas sondagens eleitorais. A hipótese de a eleição escorregar para o segundo turno, esboçada nos números das pesquisas, deixou Lula inconformado. As expressões de calão raso que utilizou no diálogo da noite passada não deixaram dúvidas quanto ao grau de irritação do presidente.
Referiu-se de forma desairosa às genitoras dos “aloprados”, como se refere aos petistas que arrastaram o comitê reeleitoral para o submundo da compra do dossiê contra políticos tucanos. Mostra-se convencido de que “tem dedo de tucano” por trás de Luiz Antonio Vedoin, o chefão da máfia das sanguessugas, homem que levou o dossiê ao balcão.
Para Lula, a equipe de “inteligência” de sua campanha, por “burra”, caiu numa armadilha montada por emissários do tucanato. O presidente menciona, não se sabe se baseado em informação privilegiada ou em intuição pessoal, o nome de Abel Pereira. Trata-se de um empresário ligado a Barjas Negri, prefeito de Piracicaba (SP) e sucessor de José Serra no Ministério da Saúde, sob FHC. Diz que foi Abel, em conluio com Vedoin, quem “armou a cama para o PT deitar”.
O interlocutor de Lula pediu calma ao presidente. Disse que “pesquisa não é urna”. Tentou infundir confiança na alma do chefe. Afirmou que, a despeito da quadra adversa, pressentia o triunfo em primeiro turno. “Deus te ouça”, reagiu Lula. “Com os aliados que temos, só mesmo apelando para Deus.”
Antes de repor o telefone no gancho, o presidente deu mostras de que não entregou os pontos. Pediu “empenho à tropa.” E disse que não pretende dar a “essa gente”, como se referiu ao tucanato, “esse gostinho [da vitória].” Comparou-se a uma planta resistente e espinhenta: “Eles estão lidando com um cáctus”.
PS.: Na manhã deste domingo eleitoral, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), candidato à reeleição, contou o que o presidente lhe disse a respeito dos “aloprados” de seu partido: "Lula me disse 'olha, Eduardo, eu fiquei tão indignado.' Ele ficou com vontade de quase torcer o pescoço das pessoas que fizeram isso. Foi essa a expressão que ele usou."
Escrito por Josias de Souza às 02h46

- Folha: Lula perde vantagem, e 2° turno está indefinido
- Estadão: Dividido, Brasil decide se eleição de presidente vai para o 2° turno
- Globo: Eleição decide hoje o futuro de Lula e do PT
- Correio: Brasil vai às urnas
- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h15
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h13
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