Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Se vier o 2º turno, reeleição de Lula corre risco

Duas pesquisas divulgadas há pouco –Datafolha e Ibope— pelo Jornal Nacional ( assista aqui e aqui) revelam que há um quadro de empate entre os votos atribuídos a Lula e à soma de seus adversários. Ou seja, é impossível prever se haverá ou não um segundo turno. O presidente da República precisa rezar para que a coisa se defina já. Do contrário, corre sérios riscos de arrostar uma derrota.

O Datafolha simulou o eventual segundo turno entre Lula e Geraldo Alckmin. Informa que o presidente teria 49% dos votos, contra 44% do adversário tucano. Uma diferença de escassos cinco pontos. Com uma agravante: Lula está em curva descendente. Alckmin, ascendente. Há três dias, na mesma simulação, Lula aparecia com 52% dos votos; Alckmin, 41%.

 

A julgar pelos números do Datafolha, é impossível dizer se a eleição deste domingo será ou não definida no primeiro turno. A soma dos votos atribuídos a Lula (50%) é exatamente igual ao percentual atribuído a todos os seus adversários juntos (50%). Lula caiu três pontos em três dias. No dia 27, tinha 49% das intenções de voto. Hoje, tem 46%. Alckmin tinha 33% e oscilou para 35%, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

 

Pelos números do Ibope, a soma de todos os outros candidatos (50%) supera em um ponto o percentual de votos atribuídos a Lula (49%). Também por essa sondagem, Lula teria perdido três pontos percentuais nos últimos três dias. Foi de 48% para 45%. Alckmin também oscilou dois pontos para cima: de 32% para 34%. De novo, dentro da margem de erro, que é de dois pontos.

 

Lula chega às urnas em posição menos confortável do que gostaria. Deve a corrosão do seu índice de intenção de votos aos “aloprados” do PT. A tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB reavivou no imaginário do eleitor perversões que o eleitor parecia disposto a negligenciar.

 

De resto, Lula deve estar se condoendo por não ter comparecido ao último debate televisivo entre os presidenciáveis, na última quinta-feira. Teria apanhado dos adversários do mesmo jeito. Mas não teria ficado indefeso. Se o presidente porventura perder esta eleição, terá sido derrotado pelo PT e por si próprio.

 

Deve-se realçar que pesquisas são o que são: apenas pesquisas. Só as urnas dirão o que pensa o eleitor. Assim, esperemos mais algumas horas para saber o que vem por aí. De todo modo, uma eleição que parecia gelada vai ganhando contornos de batalha sangrenta.  

Escrito por Josias de Souza às 20h30

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A crise é você!

A crise é você!

Chegou a sua hora. Não tem mais Lula, Alckmin, Heloisa ou Cristovam. Não tem mais deputado fulano nem senador sicrano. Não tem mais partido “A” nem legenda “B”. Quem comanda o espetáculo agora é você. O eleitor brasileiro tem a péssima mania de olhar com distanciamento típico dos "scholars" o quadro político nacional. Age como se nada fosse com ele. Cômodo. Muito cômodo. Mas desonesto.

Você deveria desperdiçar um naco deste domingo eleitoral para fazer uma introspecção. Pode ser após o despertar, barriga colada à pia do banheiro, enquanto espalha o dentifrício pelas cerdas da escova. Levando a experiência a sério, depois de bochechar e lavar o rosto, no instante em que você erguer os olhos para pentear os cabelos, verá no espelho o reflexo de um culpado.

 

Indo mais fundo no processo de auto-exame, você verá materializar-se diante de seus olhos o óbvio: deputados, senadores, governadores e presidentes da República não surgem por geração espontânea. Eles nascem do voto.

 

E você talvez levante da mesa do café da manhã convencido de que a secessão de crises políticas exige dele uma atitude. Um gesto individual e consciente. A encrenca não admite mais que você se mantenha exilado no conforto de sua omissão política. A crise o intima a retornar à história do seu país, moralizando-a.

 

Você está diante de um desses momentos mágicos. Circunstância única, em que o poder está nas suas mãos. A magia desse instante está na possibilidade de começar tudo de novo, do zero. Não é todo dia que se tem uma nova chance. Lembre-se: para o eleito inconsciente, o eleitor impaciente é um santo remédio.

 

Assim, ao abrir o guarda-roupa, escolha um traje especial, à altura da ocasião. Leve a mão ao fundo do armário. Desencave aquela roupa empoeirada, esquecida no canto. Vista-se de cidadão.

 

Ao ganhar o meio-fio, abra o seu espírito para os fatos que o sitiam: as renúncias de parlamentares, o resultado das CPIs, as absolvições patrocinadas pelo plenário da Câmara, as ações do Ministério Público... Não deixe de rememorar também o passado de políticos e partidos que hoje posam de acusadores.

 

Entrando na cabine eleitoral, trate de pôr um ar solene na face. Não tenha pressa. Você é o dono desse momento. Aproveite-o. Deguste-o. Você tem o poder. Você é o protagonista do espetáculo.

 

Faça uma visita ao seu interior. Encontre-se consigo mesmo. Certifique-se de que não esqueceu a consciência em casa. Converse com ela. Questione-a. Depois, estique o dedo e vote com a alma.

 

Há sempre a alternativa de lavar as mãos e continuar entregando o caso à divina providência. Se preferir esse caminho, tudo bem. Mas não reclame amanhã, quando descobrir que Deus está morto. Sua omissão o matou. Sente-se e reze. Peça perdão. Expie os seus pecados. A crise é você.

*Adaptação de texto do repórter, veiculado em 1 de outubro de 2000.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Delegado assume ter liberado fotos do dinheiro

Acabou o mistério. O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal de São Paulo, reconheceu neste sábado que foi ele quem repassou a jornalistas o CD com as fotos do monturo de dinheiro (R$ 1,75 milhão) que seria utilizado para comprar o dossiê antitucano. Mais: ele anunciou para segunda-feira a intenção de conceder uma entrevista coletiva. Dirá, segundo antecipou, “coisas surpreendentes”.

Edmilson Bruno foi o responsável pela prisão, no último dia 15 de setembro, dos dois petistas que transacionavam o dossiê: Gedimar Passos e Valdebran Padilha. Na sexta, ele negara a autoria do vazamento das fotos. Alegara que o CD havia sido roubado. Agora, voltou atrás. Defende a “ampla divulgação” dos fotos que envolvem a tentativa de compra do dossiê. “O povo tem o direito de saber tudo. O erro foi não ter dado publicidade, inclusive do dinheiro apreendido, logo no começo da investigação.”

Também neste sábado, Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha de Lula, disse que delegado Edmilson Bruno entregou as fotos a repórteres de vários meios de comunicação. Agiu, segundo ele, com o propósito deliberado de prejudicar o PT e a candidatura Lula. O delegado nega. Declara-se apartidário. E diz ter votado em Lula nas eleições de 2002.

 

Segundo Marco Aurélio, a conversa do delegado com os jornalistas teria sido gravada. Ele não informou quem gravou. “Nós sabemos que elas [as gravações] mostram que houve uma tentativa de armação política", disse o coordenador de Lula, em entrevista no comitê paulista do PT.

 

Garcia declarou que há "indicações ainda não confirmadas de que dois partidos teriam estimulado o vazamento até com apoio material." Ele não deu nome aos bois. Limitou-se a dizer que são legendas de oposição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) foi mais explícito. Disse que o vazamento "é uma articulação tucano-prefelista." José Serra ironizou: "O Tarso Genro me parece mais sensato do que as declarações que ele está dando nos últimos dias. Eu acho que é aflição", acrescentou Serra.

 

O coordenador de Lula eximiu-se de acusar a imprensa de participação num complô com o delegado. Mas criticou o fato de os meios de comunicação não terem divulgado as circunstância que envolveram o vazamento das fotos do dinheiro. “Nós gostaríamos de saber quais foram as razões que levaram parte da imprensa a não divulgar as circunstâncias completas em que as fotos foram obtidas."

Escrito por Josias de Souza às 17h20

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Vox Populi: Lula vence, mas tirando tinta da trave

A pesquisa foi feita por encomenda do comitê reeleitoral de Lula, na quinta e na sexta. Os números estão expostos no sítio do instituto Vox Populi (veja). Informam que caiu para quatro pontos percentuais a vantagem de Lula sobre todos os adversários.

 

A margem de erro é de 2,2 pontos, para cima ou para baixo. Ou seja, a vantagem de Lula tanto pode ser de 1,8 ponto percentual quanto de 6,2 pontos. Em qualquer hipótese, o presidente seria reeleito. Mas se a curva da margem aproximar-se do limite inferior, a apuração vai ser de matar lulista do coração.

 

Eis a pontuação dos candidatos:

 

- Lula - 46%

- Alckmin: 33%

- Heloísa: 7%

- Cristovam: 1%

- Ana Rangel: 1%

- Bivar: 0%

- Rui Pimenta: 0%

- Eymael: 0%

- Nenhum/branco/nulo: 5%

- Não sabe/não respondeu: 7%

 

Logo mais serão divulgados os números de outras duas pesquisas, do Datafolha e do Ibope. Veremos se os dados coincidem com os do Vox Populi. Seja como for, pesquisa só interessa a essa altura para testar a credibilidade dos institutos. Do ponto de vista do eleitor, o que interessa de fato é a urna.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

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Helicóptero de Renan e Teotônio cai; não há feridos

Neste mesmo sábado em que as autoridades aeronáuticas investigam a tragédia ocorrida com o avião da Gol, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o candidato do PSDB ao governo de Alagoas, Teotônio Vilella Filho, passaram um susto. O helicóptero que os transportava caiu quando realizava um pouso de emergência no município de Arapiraca. Não houve feridos.

"O helicóptero despencou e vazou muito combustível. O trem de pouso quebrou pela metade", relatou Beto Jucá, assessor de Teotônio Vilella. Embora assustados, Renan e Teotônio, que se encontram na casa do prefeito de Ar\piraca, Luciano Barbosa, realizam daqui a pouco caminhada pelas ruas da cidade.

O piloto do helicóptero suspeito que possa ter havido sabotagem. De acordo com a assessoria de Renan, o presidente do Senado entrará em contato com o ministro Márcio Thomaz Bastos (justiça), para pedir que a hipótese seja investigada pela Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 11h37

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Planalto quer tirar Berzoini da presidência do PT

  Lula Marques/Folha Imagem
Com a anuência de Lula, será deflagrado depois das eleições, um movimento para renovar o comando do PT. Pretende-se retirar o deputado Ricardo Berzoini (SP) da presidência da legenda. Deseja-se também minar o poderio do chamado Campo Majoritário, que tem no deputado cassado José Dirceu (SP), a sua maior expressão.

 

Inicialmente, pretendia-se iniciar o debate sobre a renovação do PT apenas em setembro de 2007, quando o partido terá um encontro nacional. Porém, a crise do dossiêgate antecipou o calendário. A avaliação de Lula e de alguns de seus principais colaboradores petistas é a de que o assunto não pode mais ser adiado.

 

O blog ouviu dois auxiliares de Lula. Um deles falou com o compromisso de que seu nome fosse preservado. Disse que a crise do dossiê retirou de Berzoini as condições políticas para continuar dirigindo o partido. Informou que a Executiva e o Diretório Nacional do partido serão convocados para tratar do assunto.

 

Um outro auxiliar de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) falou às claras. Evitou mencionar nomes. “Não é o momento oportuno para isso.” Mas foi taxativo quanto à necessidade de uma reciclagem do PT: “O partido, por óbvio, fará uma grande mudança depois das eleições. Essas experiências que o PT atravessou parece que não ensinaram a alguns, mas ensinaram a muita gente”.

 

“Estou falando por mim, mas tenho absoluta certeza de que na primeira reunião do Diretório Nacional que ocorrer depois das eleições, o partido vai tomar medidas bastante severas”, afirmou Tarso Genro. “Isso é o pensamento de 90% dos filiados. Tenho certeza de que isso vai ocorrer”.

 

Segundo o ministro, a renovação do PT é “essencial para que o partido possa se apresentar à sociedade como um sujeito político ativo, que tenha ao mesmo tempo uma postura programática e confiabilidade para o diálogo”. O diálogo a que se refere Tarso Genro faz parte dos planos de Lula para a fase pós-eleitoral.

 

Certo de que obterá a renovação do seu mandato nas urnas, o presidente planeja abrir diálogo com os partidos de oposição. Conforme noticiado aqui no blog, a intenção do governo é convidar os partidos para uma negociação em torno de dois pontos: a reforma política e a reformulação do Orçamento da União. 

 

O prestígio de Berzoini foi carbonizado depois que veio a público a informação de que pessoas recrutadas por ele para o comitê de campanha de Lula estão metidos na tentativa frustrada de aquisição de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Uma ação que levou ao afastamento do deputado da coordenação da campanha.

 

Em reserva, Lula destila irritação. Diz que Berzoini, a pretexto de obter informações capazes de mudar o quadro eleitoral paulista, beneficiando a candidatura petista de Aloizio Mercadante, acabou submetendo o projeto nacional do partido a riscos desnecessários.

 

A prevalecer a intenção do Planalto, Berzoini, candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, arrisca-se a passar à história do PT como o presidente mais breve da legenda. Em julho de 2005, nas pegadas do escândalo do mensalão, ele deixara o Ministério do Trabalho para assumir a secretaria-geral do PT, em substituição a Silvio Pereira. Em outubro de 2005, foi eleito presidente do partido. Teve o apoio explícito do ex-ministro José Dirceu.

 

Empossado, Berzoini tramou o adiamento da discussão sobre a prometida punição dos deputados da legenda que haviam se envolvido no escândalo do mensalão. A providência feriu de morte o discurso da “refundação do PT”, que era esgrimido à época por Tarso Genro. Qualquer iniciativa séria de reformulação partidária passa pela retomada desse debate.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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As manchetes deste sábado

- Folha: Fotos mostram dinheiro do dossiê

- Estadão: PT tenta vetar fotos do dinheiro e quer impugnação de Alckmin

- Globo: Divulgação de fotos do dossiê abre nova guerra entre PT e oposição

- Correio: Aparece o dinheiro do PT para comprar dossiê

- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Vestido a caráter!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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PT vai pedir a impugnação da candidatura Alckmin

  Tuca Vieira/Folha Imagem
A divulgação da monturo de notas que seria utilizado por petistas para adquirir um dossiê contra o tucanato envenenou de vez o cenário eleitoral. O PT vai protocolar no TSE neste sábado, véspera da eleição, um pedido de impugnação da candidatura tucana de Geraldo Alckmin.

A representação judicial contra Alckmin foi anunciada na noite desta sexta, em notícia veiculada no sítio do PT na internet. Os advogados do partido argumentarão na ação que o comitê de Alckmin “está usando indevidamente o episódio da suposta compra de um dossiê para prejudicar a candidatura Lula”.

 

Marco Aurélio Garcia (na foto), que assumiu a coordenação da campanha de Lula em substituição a Ricardo Berzoini, afirma que “há fortes indícios” de que o vazamento das fotos do dinheiro apreendido com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro “teria sido comprado”.

 

Ele argumenta que as fotos, feitas na quinta-feira, estavam num inquérito policial que corre sob segredo de Justiça. E a PF havia decidido que não divulgaria as imagens. Uma das versões difundidas nesta sexta foi a de que as fotos estavam num CD que teria sido roubado. “Deve ser um roubo sob remuneração”, disse Marco Aurélio.

 

O PT tentou sustar a divulgação das fotos por meio de uma ação ajuizada no TSE. Mas o tribunal negou o pedido. E as fotos, que circularam durante todo o dia pela Internet, ganharam o noticiário das emissoras de TV. Neste sábado, estão estampadas também nas páginas de jornais e revistas.

 

“Nós não vamos permitir que se repitam situações semelhantes às de 1989, quando se tentou identificar a candidatura Lula e o PT ao seqüestro do empresário Abilio Diniz”, disse Marco Aurélio, ecoando o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que usara o mesmo argumento em entrevista coletiva.

 

“O que está em jogo aqui”, disse ainda Marco Aurélio, “é mais do que um ato criminal, mais do que a violação do segredo de Justiça. É uma tentativa de influenciar o processo eleitoral brasileiro e tentar reverter uma tendência irreversível do presidente Lula ser reeleito no dia 1º de outubro.”

 

Ao optar pelo caminho judicial, o PT repete a estratégia adotada por PSDB e PFL. Em representação acatada pelo TSE, os partidos que dão suporte a Alckmin pediram à Justiça Eleitoral a abertura de uma investigação judicial para apurar os reflexos eleitorais do caso do dossiê. Assim, caso Alckmin venha a passar ao segundo turno da eleição, candidatura também tucana, assim como a de Lula, também ficaria sub-júdice caso o TSE acate a representação do comitê de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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TSE prevê resultado para a madrugada de domingo

TSE prevê resultado para a madrugada de domingo

  Sérgio Lima/F.Imagem
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello informa que, entre 22h e 23h de domingo, a Justiça eleitoral terá totalizado 70% dos votos da eleição deste domingo. Se o resultado estiver apertado, talvez ainda não seja possível saber se o país já terá um presidente eleito ou se a disputa vai para o segundo turno. Em entrevista ao blog, Marco Aurélio prevê que 100% dos votos terão sido apurados na madrugada de domingo. Ele pretende anunciar o resultado oficial na manhã de segunda-feira. Leia abaixo a entrevista:

-Algum imprevisto?

Não, está tudo tranqüilo, correndo como o previsto. Aguardamos apenas a votação e a apuração no domingo.

- Quando o país conhecerá o resultado das eleições presidenciais?

Por volta das 22h, 23h de domingo teremos cerca de 70% dos votos apurados.

- Com 70% já dá para saber o resultado?

Talvez não. Depende muito dos colégios que terão alimentado o sistema de apuração até esse momento.

- Quando teremos 100% dos votos apurados?

Ao longo da madrugada teremos isso, se não houver nenhum incidente.

- A que horas será feita a comunicação oficial?

Será comunicado por mim, já na manhã de segunda-feira, depois que o sítio do TSE já estiver estampando o resultado.

- Não há hipótese de ocorrer no próprio domingo?

Não creio que haja espaço para isso. Isso será à luz do dia, já com o conhecimento pela veiculação via informática. Se a apuração não estiver encerrada, teremos a divulgação parcial, mas não com uma palavra oficial do tribunal.

- A que horas o tribunal começa a divulgar a apuração?

Em relação ao pleito presidencial, só poderemos fazê-lo depois de 19h, horário de Brasília. É quando encerra a votação no Acre e numa parte do Amazonas, que têm fuso diferente. O peso eleitoral desses lugares é pequeno, são 412.840 eleitores, 0,0328% do eleitorado, mas não podemos divulgar antes do encerramento total.

- Acha que a divulgação das notas que seriam usadas para comprar o dossiê terão reflexos eleitorais?

Depende do acesso do eleitorado a esses fatos. Foi veiculado que havia esse dinheiro. Agora surgem as fotografias. É uma incógnita.

- E quanto à investigação aberta pelo TSE no caso do dossiê, acha que tem influência no processo eleitoral?

No campo jurídico, não. No campo da repercussão junto aos eleitores vai depender de cada eleitor.

O sr. vota em Brasília?

Sim. Eu votava no Rio mas transferi o meu título de eleitor para cá. Cortei, até certo ponto, as amarras com o Rio. Só não abandonei o meu Flamengo e a minha praia.

- Como eleitor o sr. acha que seria conveniente que houvesse segundo turno?

Eu penso que, de certa forma... Eu já ia cometendo um ato falho. Olha, vou dizer apenas uma coisa: o seu pensamento é o meu.

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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A pilha de dinheiro que o governo não quer mostrar

A pilha de dinheiro exposta aí do lado foi apreendida pela Polícia Federal no último dia 15 de setembro. Estava com os dois petistas –Valdebran Padilha e Gedimar Passos—presos no Hotel Íbis, em São Paulo, no instante em que transacionavam o dossiê montado para arrastar os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin para o centro do escândalo das sanguessugas.

Contrariando o procedimento habitual da Polícia Federal, a imagem foi sonegada ao distinto público. Nesta sexta, porém, foram divulgadas anonimamente por uma pessoa envolvida na investigação. A PF confirma a autenticidade das imagens. Afirma que constavam de um CD que teria sumido do inquérito policial. Teriam sido feitas ontem, durante perícia realizada no Banco Central e na Caixa Econômica Federal.

Acusado de ter determinado a ocultação do dinheiro, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) negou. Disse que a decisão foi tomada pela própria PF, sem a sua interferência. Porém, ao comentar o episódio na semana passada, o ministro pareceu concordar com a estratégia. Disse que a PF "não irá se subordinar a interesses eleitorais" na apuração do dossiêgate. "É preciso ter calma. Não podemos gerar imagem do dinheiro apreendido apenas porque a oposição assim o quer. O Brasil mudou. Já passou o tempo em que imagens eram jogadas na TV para destruir campanhas."

De fato, o Brasil parece ter mudado. A PF costuma divulgar as imagens de dinheiro e documentos apreendidos em operações do gênero. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 2002, quando a polícia apreendeu dinheiro na sede da empresa Lunus, pertencente ao marido de Roseana Sarney, que teve a candidatura ao Planalto carbonizada à época.

Naquela época, o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. E o maior beneficiário da operação foi o tucano José Serra, que enxergava na ascensão de Roseana uma ameaça à sua candidatura ao Planalto. O mesmo Serra que agora é personagem do dossiê que o PT tentou comprar. A peça de resistência do naco conhecido do dossiê é um DVD com cenas de Serra entregando ambulâncias em Cuiabá na época em que era ministro da Saúde. 

Segundo a PF, quem levou o dinheiro do dossiê até o Hotel Íbis foi Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha do petista Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. Chegou-se a essa conclusão a partir da análise das imagens do circuito interno de TV do hotel. Inquirido nesta sexta, porém, Hamilton negou que seja ele o homem da mala.

Abespinhado com o vazamento das imagens da dinheirama, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) enxerga digitais tucanas. Ele disse que a divulgação "certamente decorreu de algum tipo de articulação do PSDB com alguém da Polícia Federal que violou as normas processuais." A PF vai apurar o vazamento. O comitê de Lula recorreu ao TSE para tentar impedir a divulgação das fotos. A Justiça Eleitoral, porém, negou o pedido.

Veja outras imagem abaixo. Foram extraídas do sítio VejaOnline:

 

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Práticas velhas envenenam eleições do Brasil ‘novo’

Nas páginas de “O Brasil Anedótico”, Humberto de Campos diz que, em palestra aos seus ministros, D. Pedro 2º (1825-1892) disse: “As eleições, como elas se fazem no Brasil, são a origem de todos os nossos males políticos.”

 

Em “Os Sertões”, Euclides da Cunha (1868-1909) anotou: “...mazorcas periódicas que a lei marca, denominando-as ‘eleições’, eufemismo que é entre nós o mais vivo traço das ousadias da linguagem”.

 

Pois bem, abaixo seguem cinco episódios que ajudam a demonstrar que o Brasil de 2006 não é assim tão diferente do país submetido aos olhares críticos de D. Pedro e de Euclides da Cunha:

 

1. A procuradoria Regional eleitoral de São Paulo encaminhou à Justiça Eleitoral representações contra dezenas de prefeitos e vereadores. No último dia 13 de setembro, eles compareceram a um ato de apoio à candidatura do tucano José Serra, no clube paulistano Espéria, a bordo de carros oficiais. Algo que é vedado em lei. Anexaram-se aos processos fotos que comprovam a malfeitoria;

 

2. A Polícia Federal cumpre, na tarde desta sexta, mandado de busca e apreensão na clínica SOS Vida, do Rio Grande do Norte. Pertence ao deputado federal Joacy Pascoal, candidato à reeleição. A ação foi determinada pelo juiz eleitoral Magnus Delgado. Apura-se a denúncia de que a clínica foi transformada numa espécie de comitê eleitoral. Eleitores humildes comparecem para realizar consultas médicas e saem do estabelecimento portando santinhos do deputado federal.

 

3. No Ceará, a Polícia Federal investiga um caso de tentativa de compra de voto. Mark Viana, candidato a deputado estadual, realizou ontem uma caminhada pelo Pirambu, a maior favela de Fortaleza. Uma moradora da favela informou à polícia que o comitê do candidato ofereceu R$ 10 a eleitores que se dispusessem a participar do evento. O pagamento seria feito ao final da caminhada. Enviaram-se policiais ao comitê. Flagraram funcionários preenchendo formulários com o número do título de eleitor e o endereço dos moradores. Caberá à delegada Ângela Barros, da PF, decidir se abre ou não inquérito;

 

4. Em Pernambuco, a deputada estadual Malba Lucena, candidata à reeleição, deve ser convocada nos próximos dias para depor na delegacia de Gravatá, município a 85 quilômetros de Recife. Um dos cabos eleitorais da candidata, Paulo Renato Soares, foi preso ontem, em casa, com grande quantidade de alimentos. Seria distribuídos a eleitores. Junto com a comida, a polícia apreendeu cédulas com o nome e o número da candidata Malba Lucena. Inquirido, o cabo eleitoral confessou a ilegalidade. Ouvida pela Folha de Pernambuco, a candidata reconhece os vínculos com o cabo eleitoral. Mas nega a troca de votos por alimentos: “Para mim é surpresa a maneira como ele trabalha. Meu trabalho é diferente disso daí, é com educação, não com comida. E se eu estive em Gravatá foi para fazer comprinhas”.

 

5. Em Alagoas, o corregedor do Tribunal Regional Eleitoral, Leonardo Resende, determinou ao governador do Estado, Luis Abílio (PDT), que se abstenha de participar de inaugurações de obras públicas nesta fase eleitoral. De acordo com notícia veiculada pela Gazeta de Alagoas, o juiz entendeu que, se o governador continuasse a inaugurar obras, beneficiaria indiretamente o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), apoiado por Luis Abílio na campanha para o governo do Estado.

Escrito por Josias de Souza às 14h47

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As manchetes desta sexta

- Folha: Ausente, Lula é alvo de ataques em debate

- Estadão: Oposição acusa governo de montar 'operação abafa'

- Globo: Lula falta a debate e vira alvo de candidatos na TV

- Correio: Debate: noite de malhação a Lula

- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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'Despertalância!'

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Lula preferiu o monólogo de São Bernardo ao debate

  Tuca Vieira/F.Imagem
Em vez de debate, o monólogo. Em seu último comício, realizado na noite desta quinta em São Bernardo, Lula atacou a imprensa, a “elite preconceituosa” e o antecessor Fernando Henrique Cardoso. Desdenhou do debate que se desenrolava na TV Globo com afagos à platéia:
"Não tem nada mais importante na minha vida, na minha trajetória política, do que fazer o último comício da minha campanha na terra onde eu nasci politicamente, junto com meus companheiros."

 

O presidente repisou ataques que vêm se tornando uma das marcas de sua campanha. Como que interessado em dividir o eleitorado em dois –os ricos, que pendem para Geraldo Alckmin, e os pobres, que adensam o seu cesto de vosto—, Lula disse que "pequena elite preconceituosa deste país" gostaria de "trocar de povo." "Qualquer dia”, afirmou, “eles vão fazer um decreto anulando a parte pobre que vota."

 

Não houve menções a Alckmin na fala de Lula. Preferiu alvejar o antecessor. Disse que Fernando Henrique esperava que ele falhasse no exercício da presidência: "Ele achou que iria voltar como salvador da pátria".

 

Lula dividiu o palanque com petistas cujos nomes evocam as encrencas mencionadas pelos adversários no debate do qual se ausentou: os mensaleiros Professor Luizinho e José Mentor, candidatos à reeleição para a Câmara; e o candidato ao Palácio dos Bandeirantes Aloizio Mercadante, que tem um ex-coordenador de campanha (Hamilton Lacerda) metido no dossiêgate.

 

Em seu discurso, o presidente passou ao largo dos escândalos. Preferiu atacar quem os noticia: a imprensa. "Eu, se puder vou publicar um livro sobre alguns articulistas deste país", disse ele. "No fundo há uma questão de pele em jogo. Não estava escrito que a minha classe podia chegar ao poder." É muito bom que o presidente se disponha a escrever algo, desde que convide um “articulista” para auxiliá-lo.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Ausência de Lula deixou último debate repleto

  Jorge Araújo/F.Iamgem
Pela terceira vez nesta campanha, Lula fugiu ao debate. Em carta à Globo, emissora que promoveu o evento, o presidente alegou que não foi porque vem sofrendo ataques em grau “
virulento e desesperado” de seus adversários. A ausência do presidente deixou o debate repleto.

Repleto de dúvida: “O senhor é candidato sob forte suspeita de uso de recursos públicos e de outros recursos que não se sabe a origem no processo eleitoral. Se for eleito e se comprovam essas suspeitas, renunciaria ao cargo? Diante disso, estamos votando no senhor ou no vice José Alencar?”, perguntou Cristovam Buarque.

 

Repleto de indignação: “Quero repudiar a ausência do presidente Lula. Ele tinha obrigação de descer do seu trono de corrupção, arrogância, e covardia política, para estar aqui, para responder ao povo. Ele não está aqui porque não tem autoridade moral para me enfrentar. Sabe que nasci como ele, de família simples, de Alagoas, nordestina como ele, mas não traí a minha classe de origem”, disse Heloisa Helena.

 

Repleto de tática eleitoral: “O Lula, com sua ausência, mandou um recado aos brasileiros: ‘Não tô interessado na sua opinião, não preciso prestar contas para ninguém. Domingo, mande um recado pra ele. Mude de presidente. Não é possível acharmos que essas malas de dinheiro de corrupção é coisa normal. Não é normal. Não podemos perder nossa capacidade de indignação com o que está errado”, afirmou Geraldo Alckmin.

 

Noves fora o desrespeito ao processo democrático e ao eleitor, a ausência de Lula, embora repleta, talvez não chega impor prejuízos eleitorais ao presidente. Luiz Inácio ‘não vi nadinha’ da Silva vem se mostrando impermeável a denúncias de malfeitorias. Mas o risco sempre existe. É pequeno. Mas só as urnas de domingo dirão se foi correto negligenciá-lo.

 

A evidência mais eloqüente da existência do risco foi o interminável vai-não-vai a que o presidente se permitiu ao longo desta quinta-feira. Chegou a enviar aos estúdios da Globo agentes de segurança para inspecionar o ambiente. Gravou uma mensagem que seria exibida no comício de São Bernardo, justificando sua ausência. À última hora, voltou atrás. Explicou-se à Globo por carta.

 

Para sorte de Lula, seu principal adversário, Geraldo Alckmin, teve atuação apagada. Foi suplantado por Cristovam Buarque. Coube ao candidato do PDT dirigir ao eleitor um recado que soaria mais lógico na boca do presidenciável tucano:

 

“O que vai acontecer se Lula ganhar no primeiro turno? O que vai acontecer se descobrirmos depois que tinha dinheiro de campanha [no dossiêgate]? Outro impeachment? A renúncia dele? A democracia brasileira sobrevive a isso? Ou a gente apura isso nas próximas horas ou, por favor, vamos fazer, em nome da democracia brasileira, um segundo turno, para que o presidente possa debater com qualquer um de nós”.

 

Se tivesse comparecido, Lula decerto estaria submetido a risco zero. Num embate de três contra um, posaria de vítima. Dono de uma língua experimentada em adversidades, ele despejaria diante dos telespectadores o lero-lero de sempre: não vi, não soube, foi feito à minha revelia, é coisa de aloprados.

 

A ausência de riscos ficou evidenciada na falta de debate. O encontro teve regras tão estritas que, exceto pelas poucas provocações de HH a Alckmin, não houve propriamente um confronto. Repetiu-se o mesmo blábláblá que foi exibido à saciedade na propaganda de rádio e televisão.

 

De concreto, restou apenas uma impressão. Ela está boiando até agora nos estúdios da Globo e nos lares daqueles que tiveram a pachorra de se manter diante do vídeo até quase uma hora da madrugada: a impressão de que Lula, depois de quatro anos de mandato, acha que não deve nada aos eleitores. Muito menos explicações. Mas quem se importa? Pouca gente, indicam as pesquisas.

 

PS.: O debate obteve, segundo o Ibope, audiência média de 30 pontos. Cada ponto equivale a 55 mil residências na Grande São Paulo. Ou seja, havia, só ali, 1,65 milhão de domicílios ligados no debate.

Escrito por Josias de Souza às 00h13

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Petistas ‘aloprados’ constrangem Mercadante

A Polícia Federal vai interrogar nesta sexta, dois dias antes das eleições, Hamilton Lacerda e Freud Godoy, dois dos petistas “aloprados” envolvidos no dossiêgate. Hamilton era coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Freud era assessor do gabinete pessoal de Lula. Ambos foram afastados depois de implicados no caso do dossiê.

 

Hamilton tornou-se uma testemunha chave para a elucidação do ministério que envolve a origem do dinheiro que seria usado na compra do dossiê antitucanato: R$ 1,7 milhão. Imagens do Hotel Íbis, onde a PF prendeu Gedimar Passos e Valdebran Padilha, os petistas que transacionavam o dossiê, mostram que o assessor de Mercadante é o homem da mala.

 

A descoberta de que foi Hamilton quem levou o dinheiro aos subterrâneos eleitorais deixa Mercadante em situação constrangedora. Como pode um coordenador de campanha envolver-se numa operação de R$ 1,7 milhão sem comunicar o fato ao candidato?, eis a pergunta que o eleitor deve estar se fazendo.

 

Ouvido nesta quinta, Mercadante disse que o envolvimento de seu ex-auxiliar é “um pesadelo" para a sua campanha. Acrescentou: "Torço para que a PF possa fazer isso [elucidar o caso] antes das eleições, porque isso poderia terminar um pesadelo que existe na minha campanha e na minha vida neste momento."

 

Torce-se para que Hamilton e Freud abram o bico no depoimento desta sexta. Assim como o ex-colaborador de Mercadante, também o ex-assessor de Lula tem muito a dizer. Inquirido pela PF logo depois de ter sido preso, em 15 de setembro, Gedimar Passos disse que partiu dele a ordem para que o pagamento do dossiê fosse realizado.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Dono da Fence é indiciado pela Polícia Federal

Ênio Gomes Fontenelle, dono da empresa Fence, aquela que disse ter detectado grampos em telefones de três ministros do TSE, foi indiciado nesta quinta pela Polícia Federal. Foi acusado de ter feito falsa comunicação de crime.

 

Antes do indiciamento, a PF promoveu uma acareação do dono da Fence com o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho. Durante o tête-à-tête, Fontenelle reconheceu que pode ter cometido um equívoco ao notificar a existência de grampos no tribunal. A PF não descarta a hípótese de má-fé.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Em nota, PT estimula dúvida sobre debate da Globo

Um despacho divulgado no sítio do PT constitui a principal evidência de que Lula pode mesmo comparecer ao último debate entre os presidenciáveis antes do primeiro turno da eleição. O debate será transmitido na noite desta quinta, pela TV Globo.

O texto do PT traz a agenda de Lula até domingo, dia da eleição. Sobre a programação desta quinta, o partido informou: “Está confirmado o comício final de encerramento da campanha, em São Bernardo do Campo (SP). Além de vários ministros, estarão presentes o vice-presidente, José Alencar, e o candidato a governador de São Paulo, Aloizio Mercadante”.

 

“O presidente Lula”, prossegue o texto, “também estará lá, pessoalmente ou com uma mensagem gravada, que será projetada nos telões montados ao lado do palanque”. A mensagem a que se refere o texto já foi gravada por Lula. Mas, segundo Ricardo amaral, ele decidiu não comparecer ao debate.

 

A idéia de que Lula se dirigisse aos militantes de São Bernardo por meio de um telão foi dada pelo ministro Luiz Marinho (Trabalho), durante reunião no Palácio da Alvorada, na última terça. O encontro fora convocado pelo presidente justamente para discutir sobre a conveniência do seu comparecimento ao debate.

 

Lula manifestou o desejo de comparecer. Mais do que um exercício de vontade pessoal, a presença dele tornara-se uma necessidade. As últimas pesquisas de opinião mostraram que a vantagem de Lula sobre seus adversários, que era de 12 pontos percentuais no início do mês, caiu para cinco pontos. Alguns dos auxiliares do presidente desaconselharam a ida ao debate.

 

De concreto tem-se que, a essa altura, a ausência de Lula pode submetê-lo a riscos maiores do que os que correria se fosse para o confronto direto com os adversários. Para complicar, a audiência da Globo é muito maior do que a da Bandeirantes e a da Gazeta, as duas emissoras que patrocinaram os dois debates já realizados.

 

PS.: No início da noite, a Globo informou oficialmente que Lula não irá mesmo ao debate. 

Escrito por Josias de Souza às 17h22

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Ninguém perguntou ao BC sobre dinheiro do dossiê

Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, recebeu nesta quinta a visita de dois senadores: Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e Heráclito Fortes (PI), que representa o PFL na coordenação de campanha de Geraldo Alckmin. Foram conversar sobre o dossiêgate.

Para surpresa de ambos, Meirelles, um ex-tucano que abandonou o PSDB para integrar-se ao governo Lula, informou que ninguém –nem a Polícia Federal nem o Ministério da Justiça—o procurou para buscar informações sobre o dinheiro que seria usado por petistas “aloprados” na compra do dossiê.

 

O BC empenhou-se em minimizar o aparente desinteresse dos investigadores do caso. Disse, por meio de uma nota, que, recorrendo diretamente às instituições financeiras que realizaram as operações de compra e venda de dólares, a PF teria “acesso a mais informações do que as disponíveis no BC". Explicou que seus arquivos não contém os números de série das cédulas transacionadas.

 

Na véspera, porém, o BC divulgara uma outra nota. Lendo-a, descobre-se que há, sim, nos arquivos da instituição dados que podem ser valiosos para a investigação. “As instituições financeiras autorizadas a operar em câmbio no país registram no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen) a compra e venda de moeda estrangeira em espécie, pelo montante de cada operação, com nome do comprador e vendedor”, anotou o texto.

 

Ora, o que mais interessa à PF nesta fase da investigação são os nomes e os sobrenomes. De duas uma: ou os investigadores estão bebendo de outras fontes, o que dispensaria o recurso ao BC; ou não eles não têm mesmo muita pressa. Tasso e Heráclito deixaram o BC destilando suspeitas contra a polícia. Paulo Lacerda, diretor-geral da PF disse que os dois estão em campanha.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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As manchetes desta quinta

- Folha: Vantagem diminui, mas Lula mantém vitória no 1º turno

- Estadão: A 4 dias da eleição, Lula mantém vitória no 1° turno

- Globo: Justiça quebra sigilo de seis petistas do dossiê

- Correio: Banco terá de dizer quem sacou dólares

- Valor: União perde R$ 814 milhões com a nova redução na TJLP

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Presença indesejada!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Lula quer ‘acordo de procedimentos’ com oposição

  Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Confiante no êxito de sua campanha, Lula traça planos para o dia seguinte à eleição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), hoje o principal operador político do governo, informou ao blog que o presidente deseja estabelecer “um acordo de procedimentos” com a oposição. Fará um aceno aos adversários “imediatamente depois da eleição”. Uma eleição que, para Tarso, será definida no primeiro turno.

Segundo o ministro, o diálogo será conduzido “pessoalmente pelo presidente”. Lula quer levar à mesa dois temas “prioritários”: a reforma política e a reformulação do processo de elaboração e execução do Orçamento da União. “Temos na esfera da política um bloqueio das relações. E vamos trabalhar para que esse bloqueio seja removido”, disse Tarso Genro.

 

“Se analisarmos o espectro político, vamos verificar que as estruturas de sustentação parlamentar de vários governos, não somente do governo Lula, são as mesmas de sempre. Esse suporte é determinado por interesses regionais, por lideranças oligárquicas”, afirmou o ministro. “Ou o Brasil dá um segundo salto modernizador depois do regime militar ou esse sistema político pode levar a impasses estruturais para o país e a um processo de estagnação política que impedirá o Brasil de avançar.”

 

Por que a oposição, depois do dossiêgate, toparia sentar à mesa com Lula? “É preciso que prevaleça a maturidade”, respondeu Tarso Genro. “Tenho convicção de que, se nos sentarmos em volta de uma mesa para resolver essas duas questões essenciais [reforma política e mudanças no Orçamento] chegaremos a um entendimento.”

 

E quanto aos contenciosos? “Ninguém vai pedir ao outro que retire aquilo que disse ou as iniciativas que tenham sido tomadas”, disse o ministro. “Vamos deixar que os aparatos de Estado operem com tranqüilidade, seja a Justiça, a Controladoria [da União], o Ministério Público ou a Polícia Federal. É possível dialogar deixando que os contenciosos sejam resolvidos dentro da ordem jurídica e política do país. Não é necessário que haja perdão ou pedido de desculpas”.

 

O ministro, que há dois dias enxergara na tática do PSDB e do PFL a tentativa de impor um “golpe branco” contra Lula, agora declara: “É necessário que as pessoas digam: ‘bom, o que aconteceu até agora está sendo apurado, mas nós queremos saber o que vamos fazer sobre o futuro’. Acredito que as principais lideranças dos partidos vão concordar com isso. Alguém quer jogar fora a experiência democrática do Brasil desde 88?”

 

Tarso Genro responde a Tarso Genro: “Quem quer jogar fora é uma minoria insignificante, tanto na ultra-esquerda como na direita conservadora. A maioria quer uma saída dentro da ordem. Não é uma opção. É uma necessidade vital. Não é uma questão ideológica. É um problema de reciclagem e de recomposição da ordem democrática no Brasil”.

 

A proposta de diálogo será feita aos partidos, não a lideranças isoladas, esclareceu o ministro. “O ponto de partida tem que ser os partidos. À medida que se legitimar essa relação, num pacto de conversação inicial, podemos envolver lideranças”. E se pessoas como Tasso Jereissati (PSDB), presidente do PSDB, se recusarem ao diálogo? “Pode acontecer que um determinado partido diga: ‘eu não vou participar desse processo para discutir a reforma política e a questão do Orçamento’. Nesse caso, vai ficar à margem, o que não seria nem antidemocrático nem surpreendente. Esses processos se realizam com uma determinada maioria e não com a unanimidade”.

 

“Num segundo momento”, prosseguiu o ministro, “se os partidos se recusarem, ninguém pode impedir que as lideranças de grandes setores desses mesmos partidos venham a se sentar à mesa para conversar. Seria antidemocrático obstar isso”.

 

A alternativa ao entendimento, na opinião de Tarso Genro, seria o aprofundamento da crise. “Acho que todos os partidos políticos que têm setores sadios têm que conversar para fazer uma reforma política e interferir na questão do Orçamento. Se isso não for feito, podemos saber que no próximo período, seja quem for o presidente da República, ele vai navegar em águas tumultuosas”.

Escrito por Josias de Souza às 23h54

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A grande dúvida nacional: com sal ou sem sal?

Restam quatro dias para as eleições. Lula ainda é favorito à vitória no primeiro turno. Mas, a julgar pelos números do Ibope e do Datafolha, agora praticamente coincidentes, seu favoritismo não é mais acachapante. Em pesquisas divulgadas há pouco, os dois institutos atribuíram a Lula 53% dos votos válidos.

 

A conta exclui os votos brancos e nulos. É como faz o TSE na hora de totalizar o resultado das urnas. Para liquidar a brincadeira no primeiro turno, o candidato precisa obter 50% dos votos mais um. Ou seja, Lula é, por ora, o único que reúne condições de vitória.

 

O presidente já esteve em posição mais confortável. Vem caindo a sua vantagem. No início do mês, informa o Datafolha, Lula abria 12 pontos de dianteira sobre a soma das intenções de voto de todos os demais concorrentes. Agora, sob os efeitos da ação dos petistas “aloprados”, a diferença caiu para cinco pontos.

 

Há uma luz amarela acesa no comitê reeleitoral. O que parecia um passeio à sombra, vai ganhando contornos de travessia sob sol ardente. A tal ponto que, depois de dar de ombros para dois debates televisivos, Lula viu-se compelido a considerar a hipótese de comparecer ao último, marcado para a noite desta quinta, nos estúdios da Globo.

 

Um segundo turno é o melhor que poderia suceder ao Brasil neste momento. O contraditório franco e direto entre Lula e Alckmin, por mais um mês, prestaria uma homenagem à democracia. E daria tempo à Polícia Federal para desmontar o esconde-esconde que retarda a elucidação do caso do dossiê.

 

O raciocínio pode parecer tosco para o eleitor que carrega Lula no andor. Há, porém, mais lucidez na dúvida honesta do que crença dogmática. A dúvida é mãe da reflexão. Da crença não nasce senão o amém. De resto, se o que se deseja é jantar chuchu, melhor que seja com sal.

Escrito por Josias de Souza às 21h24

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Cortina de fumaça esconde o dinheiro do dossiêgate

 

 

Depois de ter informado que os dólares que seriam usados para comprar o dossiê antitucano (US$ 248 mil) vieram de legalmente de Miami, a Polícia Federal diz agora que vai investigar casas de câmbio e doleiros em São Paulo. O objetivo seria descobrir quem sacou e de que corretoras saíram os dólares.

 

A PF também informa, veja você, que trabalha com a hipótese de que o sacador tenha sido um “laranja”, como costumam ser designadas as pessoas humildes que, em troca de vantagens financeiras, emprestam o seu nome para a prática de operações financeiras escusas.

 

Esse tipo de informação, serve apenas para tonificar a impressão de que o governo ergue uma cortina de fumaça em torno do dossiêgate, para impedir que os nomes dos sacadores venham à luz antes das eleições de domingo. Ora, depois de ter difundido a impressão de que os dólares tinham cruzado as fronteiras ilegalmente, a PF agora diz o contrário. Se é assim:

 

1. operações legais só podem ser feitas com registro formal no Banco Central. Sabendo-se o banco de origem conhece-se também o logotipo da instituição financeira de destino. Uma informação que, aliás, já é do conhecimento da PF;

 

2. todo comprador de dólares deixa na casa bancária em que a operação é realizada nome e sobrenome. Conhecendo-se a numeração das notas, como é o caso, não é difícil saber quem as adquiriu;

 

3. os dólares podem ter sido repassados no Brasil a outras instituições bancárias. Mas, de novo, a operação não escapa ao controle do BC. Sabe-se exatamente para onde foi o dinheiro. Uma simples consulta a