Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Se vier o 2º turno, reeleição de Lula corre risco

Duas pesquisas divulgadas há pouco –Datafolha e Ibope— pelo Jornal Nacional ( assista aqui e aqui) revelam que há um quadro de empate entre os votos atribuídos a Lula e à soma de seus adversários. Ou seja, é impossível prever se haverá ou não um segundo turno. O presidente da República precisa rezar para que a coisa se defina já. Do contrário, corre sérios riscos de arrostar uma derrota.

O Datafolha simulou o eventual segundo turno entre Lula e Geraldo Alckmin. Informa que o presidente teria 49% dos votos, contra 44% do adversário tucano. Uma diferença de escassos cinco pontos. Com uma agravante: Lula está em curva descendente. Alckmin, ascendente. Há três dias, na mesma simulação, Lula aparecia com 52% dos votos; Alckmin, 41%.

 

A julgar pelos números do Datafolha, é impossível dizer se a eleição deste domingo será ou não definida no primeiro turno. A soma dos votos atribuídos a Lula (50%) é exatamente igual ao percentual atribuído a todos os seus adversários juntos (50%). Lula caiu três pontos em três dias. No dia 27, tinha 49% das intenções de voto. Hoje, tem 46%. Alckmin tinha 33% e oscilou para 35%, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

 

Pelos números do Ibope, a soma de todos os outros candidatos (50%) supera em um ponto o percentual de votos atribuídos a Lula (49%). Também por essa sondagem, Lula teria perdido três pontos percentuais nos últimos três dias. Foi de 48% para 45%. Alckmin também oscilou dois pontos para cima: de 32% para 34%. De novo, dentro da margem de erro, que é de dois pontos.

 

Lula chega às urnas em posição menos confortável do que gostaria. Deve a corrosão do seu índice de intenção de votos aos “aloprados” do PT. A tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB reavivou no imaginário do eleitor perversões que o eleitor parecia disposto a negligenciar.

 

De resto, Lula deve estar se condoendo por não ter comparecido ao último debate televisivo entre os presidenciáveis, na última quinta-feira. Teria apanhado dos adversários do mesmo jeito. Mas não teria ficado indefeso. Se o presidente porventura perder esta eleição, terá sido derrotado pelo PT e por si próprio.

 

Deve-se realçar que pesquisas são o que são: apenas pesquisas. Só as urnas dirão o que pensa o eleitor. Assim, esperemos mais algumas horas para saber o que vem por aí. De todo modo, uma eleição que parecia gelada vai ganhando contornos de batalha sangrenta.  

Escrito por Josias de Souza às 20h30

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A crise é você!

A crise é você!

Chegou a sua hora. Não tem mais Lula, Alckmin, Heloisa ou Cristovam. Não tem mais deputado fulano nem senador sicrano. Não tem mais partido “A” nem legenda “B”. Quem comanda o espetáculo agora é você. O eleitor brasileiro tem a péssima mania de olhar com distanciamento típico dos "scholars" o quadro político nacional. Age como se nada fosse com ele. Cômodo. Muito cômodo. Mas desonesto.

Você deveria desperdiçar um naco deste domingo eleitoral para fazer uma introspecção. Pode ser após o despertar, barriga colada à pia do banheiro, enquanto espalha o dentifrício pelas cerdas da escova. Levando a experiência a sério, depois de bochechar e lavar o rosto, no instante em que você erguer os olhos para pentear os cabelos, verá no espelho o reflexo de um culpado.

 

Indo mais fundo no processo de auto-exame, você verá materializar-se diante de seus olhos o óbvio: deputados, senadores, governadores e presidentes da República não surgem por geração espontânea. Eles nascem do voto.

 

E você talvez levante da mesa do café da manhã convencido de que a secessão de crises políticas exige dele uma atitude. Um gesto individual e consciente. A encrenca não admite mais que você se mantenha exilado no conforto de sua omissão política. A crise o intima a retornar à história do seu país, moralizando-a.

 

Você está diante de um desses momentos mágicos. Circunstância única, em que o poder está nas suas mãos. A magia desse instante está na possibilidade de começar tudo de novo, do zero. Não é todo dia que se tem uma nova chance. Lembre-se: para o eleito inconsciente, o eleitor impaciente é um santo remédio.

 

Assim, ao abrir o guarda-roupa, escolha um traje especial, à altura da ocasião. Leve a mão ao fundo do armário. Desencave aquela roupa empoeirada, esquecida no canto. Vista-se de cidadão.

 

Ao ganhar o meio-fio, abra o seu espírito para os fatos que o sitiam: as renúncias de parlamentares, o resultado das CPIs, as absolvições patrocinadas pelo plenário da Câmara, as ações do Ministério Público... Não deixe de rememorar também o passado de políticos e partidos que hoje posam de acusadores.

 

Entrando na cabine eleitoral, trate de pôr um ar solene na face. Não tenha pressa. Você é o dono desse momento. Aproveite-o. Deguste-o. Você tem o poder. Você é o protagonista do espetáculo.

 

Faça uma visita ao seu interior. Encontre-se consigo mesmo. Certifique-se de que não esqueceu a consciência em casa. Converse com ela. Questione-a. Depois, estique o dedo e vote com a alma.

 

Há sempre a alternativa de lavar as mãos e continuar entregando o caso à divina providência. Se preferir esse caminho, tudo bem. Mas não reclame amanhã, quando descobrir que Deus está morto. Sua omissão o matou. Sente-se e reze. Peça perdão. Expie os seus pecados. A crise é você.

*Adaptação de texto do repórter, veiculado em 1 de outubro de 2000.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Delegado assume ter liberado fotos do dinheiro

Acabou o mistério. O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal de São Paulo, reconheceu neste sábado que foi ele quem repassou a jornalistas o CD com as fotos do monturo de dinheiro (R$ 1,75 milhão) que seria utilizado para comprar o dossiê antitucano. Mais: ele anunciou para segunda-feira a intenção de conceder uma entrevista coletiva. Dirá, segundo antecipou, “coisas surpreendentes”.

Edmilson Bruno foi o responsável pela prisão, no último dia 15 de setembro, dos dois petistas que transacionavam o dossiê: Gedimar Passos e Valdebran Padilha. Na sexta, ele negara a autoria do vazamento das fotos. Alegara que o CD havia sido roubado. Agora, voltou atrás. Defende a “ampla divulgação” dos fotos que envolvem a tentativa de compra do dossiê. “O povo tem o direito de saber tudo. O erro foi não ter dado publicidade, inclusive do dinheiro apreendido, logo no começo da investigação.”

Também neste sábado, Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha de Lula, disse que delegado Edmilson Bruno entregou as fotos a repórteres de vários meios de comunicação. Agiu, segundo ele, com o propósito deliberado de prejudicar o PT e a candidatura Lula. O delegado nega. Declara-se apartidário. E diz ter votado em Lula nas eleições de 2002.

 

Segundo Marco Aurélio, a conversa do delegado com os jornalistas teria sido gravada. Ele não informou quem gravou. “Nós sabemos que elas [as gravações] mostram que houve uma tentativa de armação política", disse o coordenador de Lula, em entrevista no comitê paulista do PT.

 

Garcia declarou que há "indicações ainda não confirmadas de que dois partidos teriam estimulado o vazamento até com apoio material." Ele não deu nome aos bois. Limitou-se a dizer que são legendas de oposição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) foi mais explícito. Disse que o vazamento "é uma articulação tucano-prefelista." José Serra ironizou: "O Tarso Genro me parece mais sensato do que as declarações que ele está dando nos últimos dias. Eu acho que é aflição", acrescentou Serra.

 

O coordenador de Lula eximiu-se de acusar a imprensa de participação num complô com o delegado. Mas criticou o fato de os meios de comunicação não terem divulgado as circunstância que envolveram o vazamento das fotos do dinheiro. “Nós gostaríamos de saber quais foram as razões que levaram parte da imprensa a não divulgar as circunstâncias completas em que as fotos foram obtidas."

Escrito por Josias de Souza às 17h20

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Vox Populi: Lula vence, mas tirando tinta da trave

A pesquisa foi feita por encomenda do comitê reeleitoral de Lula, na quinta e na sexta. Os números estão expostos no sítio do instituto Vox Populi (veja). Informam que caiu para quatro pontos percentuais a vantagem de Lula sobre todos os adversários.

 

A margem de erro é de 2,2 pontos, para cima ou para baixo. Ou seja, a vantagem de Lula tanto pode ser de 1,8 ponto percentual quanto de 6,2 pontos. Em qualquer hipótese, o presidente seria reeleito. Mas se a curva da margem aproximar-se do limite inferior, a apuração vai ser de matar lulista do coração.

 

Eis a pontuação dos candidatos:

 

- Lula - 46%

- Alckmin: 33%

- Heloísa: 7%

- Cristovam: 1%

- Ana Rangel: 1%

- Bivar: 0%

- Rui Pimenta: 0%

- Eymael: 0%

- Nenhum/branco/nulo: 5%

- Não sabe/não respondeu: 7%

 

Logo mais serão divulgados os números de outras duas pesquisas, do Datafolha e do Ibope. Veremos se os dados coincidem com os do Vox Populi. Seja como for, pesquisa só interessa a essa altura para testar a credibilidade dos institutos. Do ponto de vista do eleitor, o que interessa de fato é a urna.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

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Helicóptero de Renan e Teotônio cai; não há feridos

Neste mesmo sábado em que as autoridades aeronáuticas investigam a tragédia ocorrida com o avião da Gol, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o candidato do PSDB ao governo de Alagoas, Teotônio Vilella Filho, passaram um susto. O helicóptero que os transportava caiu quando realizava um pouso de emergência no município de Arapiraca. Não houve feridos.

"O helicóptero despencou e vazou muito combustível. O trem de pouso quebrou pela metade", relatou Beto Jucá, assessor de Teotônio Vilella. Embora assustados, Renan e Teotônio, que se encontram na casa do prefeito de Ar\piraca, Luciano Barbosa, realizam daqui a pouco caminhada pelas ruas da cidade.

O piloto do helicóptero suspeito que possa ter havido sabotagem. De acordo com a assessoria de Renan, o presidente do Senado entrará em contato com o ministro Márcio Thomaz Bastos (justiça), para pedir que a hipótese seja investigada pela Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 11h37

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Planalto quer tirar Berzoini da presidência do PT

  Lula Marques/Folha Imagem
Com a anuência de Lula, será deflagrado depois das eleições, um movimento para renovar o comando do PT. Pretende-se retirar o deputado Ricardo Berzoini (SP) da presidência da legenda. Deseja-se também minar o poderio do chamado Campo Majoritário, que tem no deputado cassado José Dirceu (SP), a sua maior expressão.

 

Inicialmente, pretendia-se iniciar o debate sobre a renovação do PT apenas em setembro de 2007, quando o partido terá um encontro nacional. Porém, a crise do dossiêgate antecipou o calendário. A avaliação de Lula e de alguns de seus principais colaboradores petistas é a de que o assunto não pode mais ser adiado.

 

O blog ouviu dois auxiliares de Lula. Um deles falou com o compromisso de que seu nome fosse preservado. Disse que a crise do dossiê retirou de Berzoini as condições políticas para continuar dirigindo o partido. Informou que a Executiva e o Diretório Nacional do partido serão convocados para tratar do assunto.

 

Um outro auxiliar de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) falou às claras. Evitou mencionar nomes. “Não é o momento oportuno para isso.” Mas foi taxativo quanto à necessidade de uma reciclagem do PT: “O partido, por óbvio, fará uma grande mudança depois das eleições. Essas experiências que o PT atravessou parece que não ensinaram a alguns, mas ensinaram a muita gente”.

 

“Estou falando por mim, mas tenho absoluta certeza de que na primeira reunião do Diretório Nacional que ocorrer depois das eleições, o partido vai tomar medidas bastante severas”, afirmou Tarso Genro. “Isso é o pensamento de 90% dos filiados. Tenho certeza de que isso vai ocorrer”.

 

Segundo o ministro, a renovação do PT é “essencial para que o partido possa se apresentar à sociedade como um sujeito político ativo, que tenha ao mesmo tempo uma postura programática e confiabilidade para o diálogo”. O diálogo a que se refere Tarso Genro faz parte dos planos de Lula para a fase pós-eleitoral.

 

Certo de que obterá a renovação do seu mandato nas urnas, o presidente planeja abrir diálogo com os partidos de oposição. Conforme noticiado aqui no blog, a intenção do governo é convidar os partidos para uma negociação em torno de dois pontos: a reforma política e a reformulação do Orçamento da União. 

 

O prestígio de Berzoini foi carbonizado depois que veio a público a informação de que pessoas recrutadas por ele para o comitê de campanha de Lula estão metidos na tentativa frustrada de aquisição de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Uma ação que levou ao afastamento do deputado da coordenação da campanha.

 

Em reserva, Lula destila irritação. Diz que Berzoini, a pretexto de obter informações capazes de mudar o quadro eleitoral paulista, beneficiando a candidatura petista de Aloizio Mercadante, acabou submetendo o projeto nacional do partido a riscos desnecessários.

 

A prevalecer a intenção do Planalto, Berzoini, candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, arrisca-se a passar à história do PT como o presidente mais breve da legenda. Em julho de 2005, nas pegadas do escândalo do mensalão, ele deixara o Ministério do Trabalho para assumir a secretaria-geral do PT, em substituição a Silvio Pereira. Em outubro de 2005, foi eleito presidente do partido. Teve o apoio explícito do ex-ministro José Dirceu.

 

Empossado, Berzoini tramou o adiamento da discussão sobre a prometida punição dos deputados da legenda que haviam se envolvido no escândalo do mensalão. A providência feriu de morte o discurso da “refundação do PT”, que era esgrimido à época por Tarso Genro. Qualquer iniciativa séria de reformulação partidária passa pela retomada desse debate.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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As manchetes deste sábado

- Folha: Fotos mostram dinheiro do dossiê

- Estadão: PT tenta vetar fotos do dinheiro e quer impugnação de Alckmin

- Globo: Divulgação de fotos do dossiê abre nova guerra entre PT e oposição

- Correio: Aparece o dinheiro do PT para comprar dossiê

- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Vestido a caráter!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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PT vai pedir a impugnação da candidatura Alckmin

  Tuca Vieira/Folha Imagem
A divulgação da monturo de notas que seria utilizado por petistas para adquirir um dossiê contra o tucanato envenenou de vez o cenário eleitoral. O PT vai protocolar no TSE neste sábado, véspera da eleição, um pedido de impugnação da candidatura tucana de Geraldo Alckmin.

A representação judicial contra Alckmin foi anunciada na noite desta sexta, em notícia veiculada no sítio do PT na internet. Os advogados do partido argumentarão na ação que o comitê de Alckmin “está usando indevidamente o episódio da suposta compra de um dossiê para prejudicar a candidatura Lula”.

 

Marco Aurélio Garcia (na foto), que assumiu a coordenação da campanha de Lula em substituição a Ricardo Berzoini, afirma que “há fortes indícios” de que o vazamento das fotos do dinheiro apreendido com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro “teria sido comprado”.

 

Ele argumenta que as fotos, feitas na quinta-feira, estavam num inquérito policial que corre sob segredo de Justiça. E a PF havia decidido que não divulgaria as imagens. Uma das versões difundidas nesta sexta foi a de que as fotos estavam num CD que teria sido roubado. “Deve ser um roubo sob remuneração”, disse Marco Aurélio.

 

O PT tentou sustar a divulgação das fotos por meio de uma ação ajuizada no TSE. Mas o tribunal negou o pedido. E as fotos, que circularam durante todo o dia pela Internet, ganharam o noticiário das emissoras de TV. Neste sábado, estão estampadas também nas páginas de jornais e revistas.

 

“Nós não vamos permitir que se repitam situações semelhantes às de 1989, quando se tentou identificar a candidatura Lula e o PT ao seqüestro do empresário Abilio Diniz”, disse Marco Aurélio, ecoando o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que usara o mesmo argumento em entrevista coletiva.

 

“O que está em jogo aqui”, disse ainda Marco Aurélio, “é mais do que um ato criminal, mais do que a violação do segredo de Justiça. É uma tentativa de influenciar o processo eleitoral brasileiro e tentar reverter uma tendência irreversível do presidente Lula ser reeleito no dia 1º de outubro.”

 

Ao optar pelo caminho judicial, o PT repete a estratégia adotada por PSDB e PFL. Em representação acatada pelo TSE, os partidos que dão suporte a Alckmin pediram à Justiça Eleitoral a abertura de uma investigação judicial para apurar os reflexos eleitorais do caso do dossiê. Assim, caso Alckmin venha a passar ao segundo turno da eleição, candidatura também tucana, assim como a de Lula, também ficaria sub-júdice caso o TSE acate a representação do comitê de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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TSE prevê resultado para a madrugada de domingo

TSE prevê resultado para a madrugada de domingo

  Sérgio Lima/F.Imagem
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello informa que, entre 22h e 23h de domingo, a Justiça eleitoral terá totalizado 70% dos votos da eleição deste domingo. Se o resultado estiver apertado, talvez ainda não seja possível saber se o país já terá um presidente eleito ou se a disputa vai para o segundo turno. Em entrevista ao blog, Marco Aurélio prevê que 100% dos votos terão sido apurados na madrugada de domingo. Ele pretende anunciar o resultado oficial na manhã de segunda-feira. Leia abaixo a entrevista:

-Algum imprevisto?

Não, está tudo tranqüilo, correndo como o previsto. Aguardamos apenas a votação e a apuração no domingo.

- Quando o país conhecerá o resultado das eleições presidenciais?

Por volta das 22h, 23h de domingo teremos cerca de 70% dos votos apurados.

- Com 70% já dá para saber o resultado?

Talvez não. Depende muito dos colégios que terão alimentado o sistema de apuração até esse momento.

- Quando teremos 100% dos votos apurados?

Ao longo da madrugada teremos isso, se não houver nenhum incidente.

- A que horas será feita a comunicação oficial?

Será comunicado por mim, já na manhã de segunda-feira, depois que o sítio do TSE já estiver estampando o resultado.

- Não há hipótese de ocorrer no próprio domingo?

Não creio que haja espaço para isso. Isso será à luz do dia, já com o conhecimento pela veiculação via informática. Se a apuração não estiver encerrada, teremos a divulgação parcial, mas não com uma palavra oficial do tribunal.

- A que horas o tribunal começa a divulgar a apuração?

Em relação ao pleito presidencial, só poderemos fazê-lo depois de 19h, horário de Brasília. É quando encerra a votação no Acre e numa parte do Amazonas, que têm fuso diferente. O peso eleitoral desses lugares é pequeno, são 412.840 eleitores, 0,0328% do eleitorado, mas não podemos divulgar antes do encerramento total.

- Acha que a divulgação das notas que seriam usadas para comprar o dossiê terão reflexos eleitorais?

Depende do acesso do eleitorado a esses fatos. Foi veiculado que havia esse dinheiro. Agora surgem as fotografias. É uma incógnita.

- E quanto à investigação aberta pelo TSE no caso do dossiê, acha que tem influência no processo eleitoral?

No campo jurídico, não. No campo da repercussão junto aos eleitores vai depender de cada eleitor.

O sr. vota em Brasília?

Sim. Eu votava no Rio mas transferi o meu título de eleitor para cá. Cortei, até certo ponto, as amarras com o Rio. Só não abandonei o meu Flamengo e a minha praia.

- Como eleitor o sr. acha que seria conveniente que houvesse segundo turno?

Eu penso que, de certa forma... Eu já ia cometendo um ato falho. Olha, vou dizer apenas uma coisa: o seu pensamento é o meu.

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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A pilha de dinheiro que o governo não quer mostrar

A pilha de dinheiro exposta aí do lado foi apreendida pela Polícia Federal no último dia 15 de setembro. Estava com os dois petistas –Valdebran Padilha e Gedimar Passos—presos no Hotel Íbis, em São Paulo, no instante em que transacionavam o dossiê montado para arrastar os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin para o centro do escândalo das sanguessugas.

Contrariando o procedimento habitual da Polícia Federal, a imagem foi sonegada ao distinto público. Nesta sexta, porém, foram divulgadas anonimamente por uma pessoa envolvida na investigação. A PF confirma a autenticidade das imagens. Afirma que constavam de um CD que teria sumido do inquérito policial. Teriam sido feitas ontem, durante perícia realizada no Banco Central e na Caixa Econômica Federal.

Acusado de ter determinado a ocultação do dinheiro, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) negou. Disse que a decisão foi tomada pela própria PF, sem a sua interferência. Porém, ao comentar o episódio na semana passada, o ministro pareceu concordar com a estratégia. Disse que a PF "não irá se subordinar a interesses eleitorais" na apuração do dossiêgate. "É preciso ter calma. Não podemos gerar imagem do dinheiro apreendido apenas porque a oposição assim o quer. O Brasil mudou. Já passou o tempo em que imagens eram jogadas na TV para destruir campanhas."

De fato, o Brasil parece ter mudado. A PF costuma divulgar as imagens de dinheiro e documentos apreendidos em operações do gênero. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 2002, quando a polícia apreendeu dinheiro na sede da empresa Lunus, pertencente ao marido de Roseana Sarney, que teve a candidatura ao Planalto carbonizada à época.

Naquela época, o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. E o maior beneficiário da operação foi o tucano José Serra, que enxergava na ascensão de Roseana uma ameaça à sua candidatura ao Planalto. O mesmo Serra que agora é personagem do dossiê que o PT tentou comprar. A peça de resistência do naco conhecido do dossiê é um DVD com cenas de Serra entregando ambulâncias em Cuiabá na época em que era ministro da Saúde. 

Segundo a PF, quem levou o dinheiro do dossiê até o Hotel Íbis foi Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha do petista Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. Chegou-se a essa conclusão a partir da análise das imagens do circuito interno de TV do hotel. Inquirido nesta sexta, porém, Hamilton negou que seja ele o homem da mala.

Abespinhado com o vazamento das imagens da dinheirama, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) enxerga digitais tucanas. Ele disse que a divulgação "certamente decorreu de algum tipo de articulação do PSDB com alguém da Polícia Federal que violou as normas processuais." A PF vai apurar o vazamento. O comitê de Lula recorreu ao TSE para tentar impedir a divulgação das fotos. A Justiça Eleitoral, porém, negou o pedido.

Veja outras imagem abaixo. Foram extraídas do sítio VejaOnline:

 

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Práticas velhas envenenam eleições do Brasil ‘novo’

Nas páginas de “O Brasil Anedótico”, Humberto de Campos diz que, em palestra aos seus ministros, D. Pedro 2º (1825-1892) disse: “As eleições, como elas se fazem no Brasil, são a origem de todos os nossos males políticos.”

 

Em “Os Sertões”, Euclides da Cunha (1868-1909) anotou: “...mazorcas periódicas que a lei marca, denominando-as ‘eleições’, eufemismo que é entre nós o mais vivo traço das ousadias da linguagem”.

 

Pois bem, abaixo seguem cinco episódios que ajudam a demonstrar que o Brasil de 2006 não é assim tão diferente do país submetido aos olhares críticos de D. Pedro e de Euclides da Cunha:

 

1. A procuradoria Regional eleitoral de São Paulo encaminhou à Justiça Eleitoral representações contra dezenas de prefeitos e vereadores. No último dia 13 de setembro, eles compareceram a um ato de apoio à candidatura do tucano José Serra, no clube paulistano Espéria, a bordo de carros oficiais. Algo que é vedado em lei. Anexaram-se aos processos fotos que comprovam a malfeitoria;

 

2. A Polícia Federal cumpre, na tarde desta sexta, mandado de busca e apreensão na clínica SOS Vida, do Rio Grande do Norte. Pertence ao deputado federal Joacy Pascoal, candidato à reeleição. A ação foi determinada pelo juiz eleitoral Magnus Delgado. Apura-se a denúncia de que a clínica foi transformada numa espécie de comitê eleitoral. Eleitores humildes comparecem para realizar consultas médicas e saem do estabelecimento portando santinhos do deputado federal.

 

3. No Ceará, a Polícia Federal investiga um caso de tentativa de compra de voto. Mark Viana, candidato a deputado estadual, realizou ontem uma caminhada pelo Pirambu, a maior favela de Fortaleza. Uma moradora da favela informou à polícia que o comitê do candidato ofereceu R$ 10 a eleitores que se dispusessem a participar do evento. O pagamento seria feito ao final da caminhada. Enviaram-se policiais ao comitê. Flagraram funcionários preenchendo formulários com o número do título de eleitor e o endereço dos moradores. Caberá à delegada Ângela Barros, da PF, decidir se abre ou não inquérito;

 

4. Em Pernambuco, a deputada estadual Malba Lucena, candidata à reeleição, deve ser convocada nos próximos dias para depor na delegacia de Gravatá, município a 85 quilômetros de Recife. Um dos cabos eleitorais da candidata, Paulo Renato Soares, foi preso ontem, em casa, com grande quantidade de alimentos. Seria distribuídos a eleitores. Junto com a comida, a polícia apreendeu cédulas com o nome e o número da candidata Malba Lucena. Inquirido, o cabo eleitoral confessou a ilegalidade. Ouvida pela Folha de Pernambuco, a candidata reconhece os vínculos com o cabo eleitoral. Mas nega a troca de votos por alimentos: “Para mim é surpresa a maneira como ele trabalha. Meu trabalho é diferente disso daí, é com educação, não com comida. E se eu estive em Gravatá foi para fazer comprinhas”.

 

5. Em Alagoas, o corregedor do Tribunal Regional Eleitoral, Leonardo Resende, determinou ao governador do Estado, Luis Abílio (PDT), que se abstenha de participar de inaugurações de obras públicas nesta fase eleitoral. De acordo com notícia veiculada pela Gazeta de Alagoas, o juiz entendeu que, se o governador continuasse a inaugurar obras, beneficiaria indiretamente o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), apoiado por Luis Abílio na campanha para o governo do Estado.

Escrito por Josias de Souza às 14h47

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As manchetes desta sexta

- Folha: Ausente, Lula é alvo de ataques em debate

- Estadão: Oposição acusa governo de montar 'operação abafa'

- Globo: Lula falta a debate e vira alvo de candidatos na TV

- Correio: Debate: noite de malhação a Lula

- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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'Despertalância!'

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Lula preferiu o monólogo de São Bernardo ao debate

  Tuca Vieira/F.Imagem
Em vez de debate, o monólogo. Em seu último comício, realizado na noite desta quinta em São Bernardo, Lula atacou a imprensa, a “elite preconceituosa” e o antecessor Fernando Henrique Cardoso. Desdenhou do debate que se desenrolava na TV Globo com afagos à platéia:
"Não tem nada mais importante na minha vida, na minha trajetória política, do que fazer o último comício da minha campanha na terra onde eu nasci politicamente, junto com meus companheiros."

 

O presidente repisou ataques que vêm se tornando uma das marcas de sua campanha. Como que interessado em dividir o eleitorado em dois –os ricos, que pendem para Geraldo Alckmin, e os pobres, que adensam o seu cesto de vosto—, Lula disse que "pequena elite preconceituosa deste país" gostaria de "trocar de povo." "Qualquer dia”, afirmou, “eles vão fazer um decreto anulando a parte pobre que vota."

 

Não houve menções a Alckmin na fala de Lula. Preferiu alvejar o antecessor. Disse que Fernando Henrique esperava que ele falhasse no exercício da presidência: "Ele achou que iria voltar como salvador da pátria".

 

Lula dividiu o palanque com petistas cujos nomes evocam as encrencas mencionadas pelos adversários no debate do qual se ausentou: os mensaleiros Professor Luizinho e José Mentor, candidatos à reeleição para a Câmara; e o candidato ao Palácio dos Bandeirantes Aloizio Mercadante, que tem um ex-coordenador de campanha (Hamilton Lacerda) metido no dossiêgate.

 

Em seu discurso, o presidente passou ao largo dos escândalos. Preferiu atacar quem os noticia: a imprensa. "Eu, se puder vou publicar um livro sobre alguns articulistas deste país", disse ele. "No fundo há uma questão de pele em jogo. Não estava escrito que a minha classe podia chegar ao poder." É muito bom que o presidente se disponha a escrever algo, desde que convide um “articulista” para auxiliá-lo.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Ausência de Lula deixou último debate repleto

  Jorge Araújo/F.Iamgem
Pela terceira vez nesta campanha, Lula fugiu ao debate. Em carta à Globo, emissora que promoveu o evento, o presidente alegou que não foi porque vem sofrendo ataques em grau “
virulento e desesperado” de seus adversários. A ausência do presidente deixou o debate repleto.

Repleto de dúvida: “O senhor é candidato sob forte suspeita de uso de recursos públicos e de outros recursos que não se sabe a origem no processo eleitoral. Se for eleito e se comprovam essas suspeitas, renunciaria ao cargo? Diante disso, estamos votando no senhor ou no vice José Alencar?”, perguntou Cristovam Buarque.

 

Repleto de indignação: “Quero repudiar a ausência do presidente Lula. Ele tinha obrigação de descer do seu trono de corrupção, arrogância, e covardia política, para estar aqui, para responder ao povo. Ele não está aqui porque não tem autoridade moral para me enfrentar. Sabe que nasci como ele, de família simples, de Alagoas, nordestina como ele, mas não traí a minha classe de origem”, disse Heloisa Helena.

 

Repleto de tática eleitoral: “O Lula, com sua ausência, mandou um recado aos brasileiros: ‘Não tô interessado na sua opinião, não preciso prestar contas para ninguém. Domingo, mande um recado pra ele. Mude de presidente. Não é possível acharmos que essas malas de dinheiro de corrupção é coisa normal. Não é normal. Não podemos perder nossa capacidade de indignação com o que está errado”, afirmou Geraldo Alckmin.

 

Noves fora o desrespeito ao processo democrático e ao eleitor, a ausência de Lula, embora repleta, talvez não chega impor prejuízos eleitorais ao presidente. Luiz Inácio ‘não vi nadinha’ da Silva vem se mostrando impermeável a denúncias de malfeitorias. Mas o risco sempre existe. É pequeno. Mas só as urnas de domingo dirão se foi correto negligenciá-lo.

 

A evidência mais eloqüente da existência do risco foi o interminável vai-não-vai a que o presidente se permitiu ao longo desta quinta-feira. Chegou a enviar aos estúdios da Globo agentes de segurança para inspecionar o ambiente. Gravou uma mensagem que seria exibida no comício de São Bernardo, justificando sua ausência. À última hora, voltou atrás. Explicou-se à Globo por carta.

 

Para sorte de Lula, seu principal adversário, Geraldo Alckmin, teve atuação apagada. Foi suplantado por Cristovam Buarque. Coube ao candidato do PDT dirigir ao eleitor um recado que soaria mais lógico na boca do presidenciável tucano:

 

“O que vai acontecer se Lula ganhar no primeiro turno? O que vai acontecer se descobrirmos depois que tinha dinheiro de campanha [no dossiêgate]? Outro impeachment? A renúncia dele? A democracia brasileira sobrevive a isso? Ou a gente apura isso nas próximas horas ou, por favor, vamos fazer, em nome da democracia brasileira, um segundo turno, para que o presidente possa debater com qualquer um de nós”.

 

Se tivesse comparecido, Lula decerto estaria submetido a risco zero. Num embate de três contra um, posaria de vítima. Dono de uma língua experimentada em adversidades, ele despejaria diante dos telespectadores o lero-lero de sempre: não vi, não soube, foi feito à minha revelia, é coisa de aloprados.

 

A ausência de riscos ficou evidenciada na falta de debate. O encontro teve regras tão estritas que, exceto pelas poucas provocações de HH a Alckmin, não houve propriamente um confronto. Repetiu-se o mesmo blábláblá que foi exibido à saciedade na propaganda de rádio e televisão.

 

De concreto, restou apenas uma impressão. Ela está boiando até agora nos estúdios da Globo e nos lares daqueles que tiveram a pachorra de se manter diante do vídeo até quase uma hora da madrugada: a impressão de que Lula, depois de quatro anos de mandato, acha que não deve nada aos eleitores. Muito menos explicações. Mas quem se importa? Pouca gente, indicam as pesquisas.

 

PS.: O debate obteve, segundo o Ibope, audiência média de 30 pontos. Cada ponto equivale a 55 mil residências na Grande São Paulo. Ou seja, havia, só ali, 1,65 milhão de domicílios ligados no debate.

Escrito por Josias de Souza às 00h13

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Petistas ‘aloprados’ constrangem Mercadante

A Polícia Federal vai interrogar nesta sexta, dois dias antes das eleições, Hamilton Lacerda e Freud Godoy, dois dos petistas “aloprados” envolvidos no dossiêgate. Hamilton era coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Freud era assessor do gabinete pessoal de Lula. Ambos foram afastados depois de implicados no caso do dossiê.

 

Hamilton tornou-se uma testemunha chave para a elucidação do ministério que envolve a origem do dinheiro que seria usado na compra do dossiê antitucanato: R$ 1,7 milhão. Imagens do Hotel Íbis, onde a PF prendeu Gedimar Passos e Valdebran Padilha, os petistas que transacionavam o dossiê, mostram que o assessor de Mercadante é o homem da mala.

 

A descoberta de que foi Hamilton quem levou o dinheiro aos subterrâneos eleitorais deixa Mercadante em situação constrangedora. Como pode um coordenador de campanha envolver-se numa operação de R$ 1,7 milhão sem comunicar o fato ao candidato?, eis a pergunta que o eleitor deve estar se fazendo.

 

Ouvido nesta quinta, Mercadante disse que o envolvimento de seu ex-auxiliar é “um pesadelo" para a sua campanha. Acrescentou: "Torço para que a PF possa fazer isso [elucidar o caso] antes das eleições, porque isso poderia terminar um pesadelo que existe na minha campanha e na minha vida neste momento."

 

Torce-se para que Hamilton e Freud abram o bico no depoimento desta sexta. Assim como o ex-colaborador de Mercadante, também o ex-assessor de Lula tem muito a dizer. Inquirido pela PF logo depois de ter sido preso, em 15 de setembro, Gedimar Passos disse que partiu dele a ordem para que o pagamento do dossiê fosse realizado.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Dono da Fence é indiciado pela Polícia Federal

Ênio Gomes Fontenelle, dono da empresa Fence, aquela que disse ter detectado grampos em telefones de três ministros do TSE, foi indiciado nesta quinta pela Polícia Federal. Foi acusado de ter feito falsa comunicação de crime.

 

Antes do indiciamento, a PF promoveu uma acareação do dono da Fence com o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho. Durante o tête-à-tête, Fontenelle reconheceu que pode ter cometido um equívoco ao notificar a existência de grampos no tribunal. A PF não descarta a hípótese de má-fé.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Em nota, PT estimula dúvida sobre debate da Globo

Um despacho divulgado no sítio do PT constitui a principal evidência de que Lula pode mesmo comparecer ao último debate entre os presidenciáveis antes do primeiro turno da eleição. O debate será transmitido na noite desta quinta, pela TV Globo.

O texto do PT traz a agenda de Lula até domingo, dia da eleição. Sobre a programação desta quinta, o partido informou: “Está confirmado o comício final de encerramento da campanha, em São Bernardo do Campo (SP). Além de vários ministros, estarão presentes o vice-presidente, José Alencar, e o candidato a governador de São Paulo, Aloizio Mercadante”.

 

“O presidente Lula”, prossegue o texto, “também estará lá, pessoalmente ou com uma mensagem gravada, que será projetada nos telões montados ao lado do palanque”. A mensagem a que se refere o texto já foi gravada por Lula. Mas, segundo Ricardo amaral, ele decidiu não comparecer ao debate.

 

A idéia de que Lula se dirigisse aos militantes de São Bernardo por meio de um telão foi dada pelo ministro Luiz Marinho (Trabalho), durante reunião no Palácio da Alvorada, na última terça. O encontro fora convocado pelo presidente justamente para discutir sobre a conveniência do seu comparecimento ao debate.

 

Lula manifestou o desejo de comparecer. Mais do que um exercício de vontade pessoal, a presença dele tornara-se uma necessidade. As últimas pesquisas de opinião mostraram que a vantagem de Lula sobre seus adversários, que era de 12 pontos percentuais no início do mês, caiu para cinco pontos. Alguns dos auxiliares do presidente desaconselharam a ida ao debate.

 

De concreto tem-se que, a essa altura, a ausência de Lula pode submetê-lo a riscos maiores do que os que correria se fosse para o confronto direto com os adversários. Para complicar, a audiência da Globo é muito maior do que a da Bandeirantes e a da Gazeta, as duas emissoras que patrocinaram os dois debates já realizados.

 

PS.: No início da noite, a Globo informou oficialmente que Lula não irá mesmo ao debate. 

Escrito por Josias de Souza às 17h22

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Ninguém perguntou ao BC sobre dinheiro do dossiê

Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, recebeu nesta quinta a visita de dois senadores: Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e Heráclito Fortes (PI), que representa o PFL na coordenação de campanha de Geraldo Alckmin. Foram conversar sobre o dossiêgate.

Para surpresa de ambos, Meirelles, um ex-tucano que abandonou o PSDB para integrar-se ao governo Lula, informou que ninguém –nem a Polícia Federal nem o Ministério da Justiça—o procurou para buscar informações sobre o dinheiro que seria usado por petistas “aloprados” na compra do dossiê.

 

O BC empenhou-se em minimizar o aparente desinteresse dos investigadores do caso. Disse, por meio de uma nota, que, recorrendo diretamente às instituições financeiras que realizaram as operações de compra e venda de dólares, a PF teria “acesso a mais informações do que as disponíveis no BC". Explicou que seus arquivos não contém os números de série das cédulas transacionadas.

 

Na véspera, porém, o BC divulgara uma outra nota. Lendo-a, descobre-se que há, sim, nos arquivos da instituição dados que podem ser valiosos para a investigação. “As instituições financeiras autorizadas a operar em câmbio no país registram no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen) a compra e venda de moeda estrangeira em espécie, pelo montante de cada operação, com nome do comprador e vendedor”, anotou o texto.

 

Ora, o que mais interessa à PF nesta fase da investigação são os nomes e os sobrenomes. De duas uma: ou os investigadores estão bebendo de outras fontes, o que dispensaria o recurso ao BC; ou não eles não têm mesmo muita pressa. Tasso e Heráclito deixaram o BC destilando suspeitas contra a polícia. Paulo Lacerda, diretor-geral da PF disse que os dois estão em campanha.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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As manchetes desta quinta

- Folha: Vantagem diminui, mas Lula mantém vitória no 1º turno

- Estadão: A 4 dias da eleição, Lula mantém vitória no 1° turno

- Globo: Justiça quebra sigilo de seis petistas do dossiê

- Correio: Banco terá de dizer quem sacou dólares

- Valor: União perde R$ 814 milhões com a nova redução na TJLP

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Presença indesejada!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Lula quer ‘acordo de procedimentos’ com oposição

  Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Confiante no êxito de sua campanha, Lula traça planos para o dia seguinte à eleição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), hoje o principal operador político do governo, informou ao blog que o presidente deseja estabelecer “um acordo de procedimentos” com a oposição. Fará um aceno aos adversários “imediatamente depois da eleição”. Uma eleição que, para Tarso, será definida no primeiro turno.

Segundo o ministro, o diálogo será conduzido “pessoalmente pelo presidente”. Lula quer levar à mesa dois temas “prioritários”: a reforma política e a reformulação do processo de elaboração e execução do Orçamento da União. “Temos na esfera da política um bloqueio das relações. E vamos trabalhar para que esse bloqueio seja removido”, disse Tarso Genro.

 

“Se analisarmos o espectro político, vamos verificar que as estruturas de sustentação parlamentar de vários governos, não somente do governo Lula, são as mesmas de sempre. Esse suporte é determinado por interesses regionais, por lideranças oligárquicas”, afirmou o ministro. “Ou o Brasil dá um segundo salto modernizador depois do regime militar ou esse sistema político pode levar a impasses estruturais para o país e a um processo de estagnação política que impedirá o Brasil de avançar.”

 

Por que a oposição, depois do dossiêgate, toparia sentar à mesa com Lula? “É preciso que prevaleça a maturidade”, respondeu Tarso Genro. “Tenho convicção de que, se nos sentarmos em volta de uma mesa para resolver essas duas questões essenciais [reforma política e mudanças no Orçamento] chegaremos a um entendimento.”

 

E quanto aos contenciosos? “Ninguém vai pedir ao outro que retire aquilo que disse ou as iniciativas que tenham sido tomadas”, disse o ministro. “Vamos deixar que os aparatos de Estado operem com tranqüilidade, seja a Justiça, a Controladoria [da União], o Ministério Público ou a Polícia Federal. É possível dialogar deixando que os contenciosos sejam resolvidos dentro da ordem jurídica e política do país. Não é necessário que haja perdão ou pedido de desculpas”.

 

O ministro, que há dois dias enxergara na tática do PSDB e do PFL a tentativa de impor um “golpe branco” contra Lula, agora declara: “É necessário que as pessoas digam: ‘bom, o que aconteceu até agora está sendo apurado, mas nós queremos saber o que vamos fazer sobre o futuro’. Acredito que as principais lideranças dos partidos vão concordar com isso. Alguém quer jogar fora a experiência democrática do Brasil desde 88?”

 

Tarso Genro responde a Tarso Genro: “Quem quer jogar fora é uma minoria insignificante, tanto na ultra-esquerda como na direita conservadora. A maioria quer uma saída dentro da ordem. Não é uma opção. É uma necessidade vital. Não é uma questão ideológica. É um problema de reciclagem e de recomposição da ordem democrática no Brasil”.

 

A proposta de diálogo será feita aos partidos, não a lideranças isoladas, esclareceu o ministro. “O ponto de partida tem que ser os partidos. À medida que se legitimar essa relação, num pacto de conversação inicial, podemos envolver lideranças”. E se pessoas como Tasso Jereissati (PSDB), presidente do PSDB, se recusarem ao diálogo? “Pode acontecer que um determinado partido diga: ‘eu não vou participar desse processo para discutir a reforma política e a questão do Orçamento’. Nesse caso, vai ficar à margem, o que não seria nem antidemocrático nem surpreendente. Esses processos se realizam com uma determinada maioria e não com a unanimidade”.

 

“Num segundo momento”, prosseguiu o ministro, “se os partidos se recusarem, ninguém pode impedir que as lideranças de grandes setores desses mesmos partidos venham a se sentar à mesa para conversar. Seria antidemocrático obstar isso”.

 

A alternativa ao entendimento, na opinião de Tarso Genro, seria o aprofundamento da crise. “Acho que todos os partidos políticos que têm setores sadios têm que conversar para fazer uma reforma política e interferir na questão do Orçamento. Se isso não for feito, podemos saber que no próximo período, seja quem for o presidente da República, ele vai navegar em águas tumultuosas”.

Escrito por Josias de Souza às 23h54

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A grande dúvida nacional: com sal ou sem sal?

Restam quatro dias para as eleições. Lula ainda é favorito à vitória no primeiro turno. Mas, a julgar pelos números do Ibope e do Datafolha, agora praticamente coincidentes, seu favoritismo não é mais acachapante. Em pesquisas divulgadas há pouco, os dois institutos atribuíram a Lula 53% dos votos válidos.

 

A conta exclui os votos brancos e nulos. É como faz o TSE na hora de totalizar o resultado das urnas. Para liquidar a brincadeira no primeiro turno, o candidato precisa obter 50% dos votos mais um. Ou seja, Lula é, por ora, o único que reúne condições de vitória.

 

O presidente já esteve em posição mais confortável. Vem caindo a sua vantagem. No início do mês, informa o Datafolha, Lula abria 12 pontos de dianteira sobre a soma das intenções de voto de todos os demais concorrentes. Agora, sob os efeitos da ação dos petistas “aloprados”, a diferença caiu para cinco pontos.

 

Há uma luz amarela acesa no comitê reeleitoral. O que parecia um passeio à sombra, vai ganhando contornos de travessia sob sol ardente. A tal ponto que, depois de dar de ombros para dois debates televisivos, Lula viu-se compelido a considerar a hipótese de comparecer ao último, marcado para a noite desta quinta, nos estúdios da Globo.

 

Um segundo turno é o melhor que poderia suceder ao Brasil neste momento. O contraditório franco e direto entre Lula e Alckmin, por mais um mês, prestaria uma homenagem à democracia. E daria tempo à Polícia Federal para desmontar o esconde-esconde que retarda a elucidação do caso do dossiê.

 

O raciocínio pode parecer tosco para o eleitor que carrega Lula no andor. Há, porém, mais lucidez na dúvida honesta do que crença dogmática. A dúvida é mãe da reflexão. Da crença não nasce senão o amém. De resto, se o que se deseja é jantar chuchu, melhor que seja com sal.

Escrito por Josias de Souza às 21h24

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Cortina de fumaça esconde o dinheiro do dossiêgate

 

 

Depois de ter informado que os dólares que seriam usados para comprar o dossiê antitucano (US$ 248 mil) vieram de legalmente de Miami, a Polícia Federal diz agora que vai investigar casas de câmbio e doleiros em São Paulo. O objetivo seria descobrir quem sacou e de que corretoras saíram os dólares.

 

A PF também informa, veja você, que trabalha com a hipótese de que o sacador tenha sido um “laranja”, como costumam ser designadas as pessoas humildes que, em troca de vantagens financeiras, emprestam o seu nome para a prática de operações financeiras escusas.

 

Esse tipo de informação, serve apenas para tonificar a impressão de que o governo ergue uma cortina de fumaça em torno do dossiêgate, para impedir que os nomes dos sacadores venham à luz antes das eleições de domingo. Ora, depois de ter difundido a impressão de que os dólares tinham cruzado as fronteiras ilegalmente, a PF agora diz o contrário. Se é assim:

 

1. operações legais só podem ser feitas com registro formal no Banco Central. Sabendo-se o banco de origem conhece-se também o logotipo da instituição financeira de destino. Uma informação que, aliás, já é do conhecimento da PF;

 

2. todo comprador de dólares deixa na casa bancária em que a operação é realizada nome e sobrenome. Conhecendo-se a numeração das notas, como é o caso, não é difícil saber quem as adquiriu;

 

3. os dólares podem ter sido repassados no Brasil a outras instituições bancárias. Mas, de novo, a operação não escapa ao controle do BC. Sabe-se exatamente para onde foi o dinheiro. Uma simples consulta ao banco de dados do Banco Central dispensaria a PF de ter de perambular pelas casas de câmbio paulistas.

 

E quanto aos reais apreendidos com os petistas “aloprados” (R$ 1,168 milhão)? Bem, a PF acredita que será ainda mais difícil chegar aos nomes das pessoas que sacaram essa grana. Não é coisa que possa ser descoberta antes das eleições.

 

O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito, diz ter requisitado o auxílio do Coaf, o órgão do Ministério da Fazenda que monitora movimentações bancárias atípicas. Quando o ministro era Antonio Palocci e interessava saber quanto passara pelas contas de um caseiro, houve celeridade inaudita. Mas agora...

Escrito por Josias de Souza às 18h11

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‘Como se faz uma quadrilha’

O comitê reeleitoral de Lula considerou ofensivo um artigo de Clovis Rossi com o título acima. Foi publicado na Folha de 22 de setembro. Abespinhada, a coligação lulista pediu à Justiça Eleitoral que lhe assegurasse o direito de resposta.

 

O caso foi a julgamento no plenário do TSE. Por quatro votos a dois, os ministros deram ganho de causa ao comitê de Lula. Consideraram que o texto de Rossi, de fato, ofendera Lula e seu partido. E determinaram a veiculação de resposta no mesmo espaço do jornal. Cabe recurso.

 

O signatário do blog acha que, à luz das perversões que vêm marcando a era Lula, o companheiro Rossi foi até condescendente com o petismo. Para que os 22 leitores deste recanto virtual possam tirar as suas próprias conclusões, republica-se abaixo o texto que ensejou a polêmica. Aí vai:

 

Oded Grajew, empresário que foi dos primeiros da espécie a aderir ao lulo-petismo, bem antes do poder, matou faz tempo a charada do apodrecimento do PT e, com ele, do governo Lula. Em depoimento para livro de duas jornalistas inglesas sobre a crise petista (a primeira), Oded lamentou que, para a cúpula partidária e para o pessoal do aparato burocrático, a política tenha se tornado 'maneira de ganhar a vida'.

 

Completou: 'Alcançar o poder se converte no mais importante, e, para isso, as pessoas estão dispostas a fazer concessões éticas. Em outras palavras, se desejo estar no poder, necessito dinheiro, e, se não posso conseguir os fundos legalmente, então o farei ilegalmente'.

 

Outro 'lulista', aliás o novo coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, por sua vez, queixou-se, no mesmo livro, de que trabalhou de graça como secretário de Relações Internacionais do PT durante dez anos, ao passo que 'um membro de uma tendência de esquerda [do PT] ganhava R$ 7,2 mil por mês', mais do que Garcia como assessor para assuntos internacionais de Lula.

 

São essas 'boquinhas' que fazem compradores de dossiê ou praticantes de outras delinqüências. Freud Godoy, mero segurança, usou o PT (e o governo Lula) como meio de alpinismo social, a ponto de morar em um apartamento de R$ 500 mil. Valdebran Carlos Padilha da Silva, por sua vez, mora em um condomínio de luxo em Cuiabá. José Lorenzetti, enfermeiro, virou diretor de banco federal.

 

Para manter as 'boquinhas', é lógico que fariam de tudo. Assim como as pessoas que assessoram, todas com cargos eletivos. Para manter o poder, fazem o diabo, contando com o acobertamento do chefe, que, mesmo quando os demite, acaricia-os depois. Foi essa cultura que gerou a 'quadrilha' antigamente chamada de Partido dos Trabalhadores”.

 

É ou não é uma avaliação branda?

Escrito por Josias de Souza às 15h55

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Por trás do choque de gestão

Um dos bordões da campanha presidencial do tucanato apregoa a necessidade de aplicar no governo federal o mesmo “choque de gestão” que Geraldo Alckmin deu no governo paulista. Herdeiro do choque de Alckmin, o atual governador, Cláudio Lembo (PFL), anda chocado. Leia abaixo três notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

Choque tucano- O "choque de gestão" de Geraldo Alckmin em São Paulo deixou, só até setembro, um rombo de R$ 1,2 bilhão nas contas do Estado. O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, confirma a informação. Há três meses, ele enviou ofício a todos os secretários proibindo novos investimentos e determinando "redobrada atenção do governo" e "rigorosa austeridade nos gastos públicos". Houve também "diminuição no ritmo de velocidade das obras", diz Fernando Braga, ex-assessor especial de Alckmin e hoje secretário de Planejamento.

Choque tucano 2- Só a suspensão de novos gastos não será suficiente para enquadrar as contas paulistas na Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo está atrás de novas receitas. Espera que nesta semana seja aprovada a lei que dá descontos de até 100% nas multas e 50% nos juros para devedores de ICMS que saldarem seus débitos já. Com isso, espera arrecadar R$ 700 milhões, diz Braga, do Planejamento. O que falta para cobrir o rombo deverá vir de uma "blitz gigante" sobre os 50 mil maiores devedores de IPVA do Estado.

Déficit zero- Lembo brinca: diz que não corre o risco de ser preso, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal. "Vamos zerar as contas. Além disso, tenho mais de 70 anos, a pena é menor."

PS.: instado a comentar o assunto, Geraldo alckmin disse que não deixou nenhum "rombo" no governo de São Paulo. Afirmou que as providências adotadas pela gestão Lembo são "ajustes naturais" que ocorrem todo final de ano.

PS 2: Fernando Carvalho Braga, secretário de Planejamento de São Paulo também se manifestou sobre o assunto. Divulgou o comunicado que segue reproduzido abaixo:

 

1 - A nota não condiz com a verdade. A administração Geraldo Alckmin não deixou nenhum "rombo" nas contas do Estado como consta da nota. Ao contrário, o então governador Alckmin assinou, em 16/03/06, um decreto de
contingenciamento no valor de R$ 1,5 bilhão.

2 - Em São Paulo, a arrecadação e os gastos são acompanhados on-line. Adequar os investimentos à mesma velocidade das receitas significa controle do orçamento. Essa é a prática cotidiana da administração
pública paulista desde 1995.

3 - O envio de ofício a todos os secretários mostra responsabilidade do governo, e não, como quer mostrar a nota, total descontrole. O pedido foi de economia, uma ação normal em um país que não aproveita a onda do
crescimento mundial.

4 - Desde 1995, esse governo age de forma "rigorosa e austera nos gastos públicos". Em nenhum momento deixamos de preservar e respeitar o dinheiro do contribuinte. O governo será entregue à administração futura com todas as contas zeradas dentro de um rigoroso cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

5 - Os orçamentos públicos são confeccionados estimando receitas e fixando despesas, sendo encaminhados ao Poder Legislativo para efeito de sua discussão e aprovação com anterioridade ao exercício fiscal a que se
referem. O orçamento estadual sempre é feito no 9º mês do ano (setembro), e é executado no decorrer do ano seguinte. Baseia-se em premissas que dependem da política econômica, de responsabilidade do governo federal,
tais como a evolução do PIB e o câmbio. Como conseqüência, o baixo crescimento da economia brasileira e a queda da moeda americana podem criar uma frustração na arrecadação, como de fato ocorreu ao longo do ano
em curso.

Fernando Carvalho Braga
Secretário Estadual de Economia e Planejamento

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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Dúvida cruel: o roto ou o esfarrapado?

 

Não deixe de clicar o "play" e de visitar o sítio charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 07h30

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As manchetes desta quarta

- Folha: Dólares do dossiê vieram de Miami legalmente, diz PF

- Estadão: PF já sabe tudo sobre os dólares do PT, e não conta

- Globo: Justiça decreta prisão de envolvidos com dossiê

- Correio: PF consegue rastrear dólares para dossiê

- Valor: Cofins abarrota tribunais e ações atingem R$ 35 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Partido Santificado Do Brasil!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Debate expõe ‘aliança’ entre Mercadante e Quércia

  Flávio Florido/F.Imagem
O manto diáfano que esconde a “aliança branca” entre Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PMDB) contra José Serra (PSDB) foi rasgado na noite passada, em debate promovido pela TV Globo. Mercadante e Quércia fizeram tabelinha, para pôr Serra na roda. Recorreram, sobretudo, à principal fragilidade do tucanato em São Paulo: a área da segurança pública.

 

Antecipando-se a uma encrenca que fatalmente seria usada contra ele, Mercadante tomou a iniciativa de falar sobre o dossiêgate. Considerou "inconcebível" que petistas tenham se envolvido na "ação clandestina" de compra de um dossiê contra o tucanato. Disse que, para ele, foi ainda "mais grave e mais doloroso" o envolvimento no episódio de seu coordenador de campanha, Hamilton Lacerda.

 

A iniciativa de Mercadante esvaziou o debate em torno do dossiê, que se prenunciava como um dos temas polêmicos do encontro. Os demais candidatos, incluindo Serra, ignoraram passaram ao largo do assunto. E a dobradinha Quércia-Mercadante acabou se tornando a principal atração do debate (leia).

 

A julgar pelas pesquisas de opinião, são remotas as chances de vitória de Mercadante em São Paulo. A confiar-se nas mesmas pesquisas, são grandes as chances de triunfo de Lula na disputa presidencial. Assim, só restará um guichê para que Quércia apresente sua fatura pós-eleitoral. Essa parceria ainda vai custar caro ao governo federal.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Dólares do dossiêgate têm origem legal, diz PF

A notícia está publicada na Folha (para assinantes):

 

Os US$ 248,8 mil que seriam utilizados para pagar um dossiê contra políticos tucanos e acabaram apreendidos pela Polícia Federal chegaram ao Brasil por meio de uma operação entre um banco em Miami e uma financeira em São Paulo. A operação foi sido legal, diz a PF.


A informação foi repassada à PF pelo DHS (departamento de defesa interno do governo americano). Os documentos oficiais, ainda a caminho, vão embasar um pedido de quebra de sigilo bancário por meio do qual a financeira instalada em São Paulo deverá informar qual o destino seguinte do dinheiro.

Isso porque é possível que os dólares tenham passado por mais de uma operação até chegar a Gedimar Passos, o emissário petista designado para pagar pelo dossiê a Valdebran Padilha, representante dos empresários Darci e Luiz Antonio Vedoin. Valdebran e Gedimar foram detidos pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, no dia 15 deste mês, quando negociavam a venda do dossiê.

Para a PF, uma das hipóteses mais prováveis é que o dinheiro circulava em uma rede paralela de arrecadação destinada a campanhas. Graças ao despreparo de petistas, que se envolveram com uma família processada judicialmente por práticas de crimes, a operação se tornou pública e alvo de inquérito.

Do total apreendido, R$ 1,168 milhão estava em reais e o restante, em moeda americana. As notas de dólares eram seriadas e envoltas em cintas da BEP (equivalente à Casa da Moeda dos EUA). A partir desse dado, a PF havia solicitado ao governo americano, na semana passada, que rastreasse o caminho percorrido pelo dinheiro.

Se, por um lado, a PF diz estar prestes a descobrir a origem dos dólares, por outro, considera não ser fácil chegar às contas das quais os reais foram sacados -informação que só deve ser confirmada após a eleição.

A Polícia Federal só tem pistas sobre a parcela em reais referente a R$ 25 mil. Desse montante, R$ 5.000 vêm de uma agência do Safra, outros R$ 5.000 da agência Lapa do BankBoston e outros R$ 15 mil do Bradesco na Barra Funda -bancos que não participaram da operação internacional.

Apesar de também terem cintas com identificações das agências, isso não significa que os saques tenham sido realizados nesses locais. Se um cliente precisa fazer um saque de alto valor e sua agência não dispõe da quantia, a central de distribuição da instituição recolhe dinheiro em agências da região.

Assim, a PF pediu a quebra do sigilo bancário das agências para tentar chegar a eventuais correntistas considerados suspeitos. Para facilitar o rastreamento, o delegado Diógenes Curado Filho, da Superintendência da PF em Mato Grosso, requisitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) os saques considerados suspeitos acima de R$ 10 mil e os com valor superior a R$ 100 mil nos três bancos.

O Coaf divulgou anteontem não ter encontrado registros de comunicações de operações relacionadas aos envolvidos na negociação para a compra do dossiê. A PF pediu ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pelo menos cinco envolvidos na negociação do dossiê”.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Justiça manda prender os ‘aloprados’ do dossiê

 

 

A Justiça Federal de Matro Grosso decretou a prisão de seis petistas envolvidos no dossiêgate. A lista de candidatos à garra inclui os seguintes ‘aloprados’: Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Expedito Veloso, Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti e Freud Godoy.

 

Em função de restrições impostas pelo Código Eleitoral, que restringe aos casos de flagrante as prisões efetuadas cinco dias antes das eleições, a Polícia Federal não pôde cumprir os mandados. Só poderá fazê-lo no início da próxima semana. Isso até lá os advogados dos envolvidos não tiverem derrubado na Justiça a decisão anunciada nesta terça-feira.

 

A notícia sobre a ordem do juiz veio a público envolta num mistério. Imaginou-se que as prisões haviam sido solicitadas pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar. Porém, ouvido pelo blog por volta das 22h, Mário Lúcio negou que tenha partido dele o pedido.

 

Tampouco a PF solicitou que os suspeitos fossem recolhidos à cadeia. Seja como for, a ordem expedida pela Justiça mato-grossense impõe mais um constrangimento ao Palácio do Planalto. Sobretudo por conta da inclusão de Freud Godoy no rol de candidatos à cana. Lula e seus auxiliares mais próximos têm se esforçado nos últimos dias para difundir a tese de que Godoy não tem nada a ver com a encrenca do dossiê.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Genro acusa oposição de tentar ‘golpe branco’

  Eduardo Knapp/F.Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que a oposição está tramando um “golpe branco” contra o segundo mandato de Lula. Referia-se aos planos de PSDB e PFL de buscar a impugnação judicial da candidatura reeleitoral caso Lula prevaleça sobre o tucano Geraldo Alckmin nas urnas do próximo domingo.

 

Para o ministro, a tática “golpista” ressalta do esforço empreendido pela oposição para vincular Lula ao dossiêgate. "Se isso permanecer enquanto houver o jogo eleitoral, é normal. Se for levado a sério, será o mais elementar golpismo de terceira categoria. Quem levanta isso declara que já perdeu a eleição e tenta um golpe branco. Espero que tudo esteja sendo usado como jogo eleitoreiro", disse.

Genro adota timbre mais ameno ao referir-se ao TSE. Na semana passada, o tribunal abriu, a pedido do PSDB e do PFL, uma investigação judicial para apurar eventuais reflexos do caso do dossiê no processo eleitoral. A Justiça Eleitoral, disse o ministro, apenas “cumpre suas funções legais."

 

É justamente essa apuração do TSE que pode, a depender do seu resultado final, produzir dificuldades jurídicas para Lula caso venha a ser reeleito. O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello deixou isso claro em entrevista ao blog dias atrás.

 

Tarso Genro desdenha da hipótese de questionamento futuro de um eventual segundo mandato de Lula: “Isso é inviável juridicamente e inaceitável do ponto de vista democrático". As declarações do ministro surgem num instante em que o TSE enviou a Lula e aos demais investigados notificações para que apresentem as suas defesas.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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PF não encontra grampos em telefones do TSE

A Polícia Federal, veja você, não encontrou nenhum vestígio da existência de grampo telefônico nas linhas que servem aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Há duas semanas, o tribunal informara, com estardalhaço, que a empresa de segurança Fence detectara três escutas ilegais. Estariam sob bisbilhotagem os ministro Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso, além de uma linha de fax do gabinete do ministro Marcelo Ribeiro.

 

A PF varreu os prédios do TSE e, já que estava com a mão na massa, também o do Supremo Tribunal Federal. Nada de grampo. Trabalha-se com duas hipóteses: 1) a Fence, para valorizar o seu passe, inventou um fantasma inexistente; 2) ao alardear a “descoberta” antes de informá-la à PF, o TSE permitiu que os xeretas desativassem as escutas. A checagem da polícia foi feita cinco dias depois de a notícia ter ganhado a internet, a televisão e as páginas dos jornais.

 

A hipótese número dois não premia a inteligência das pessoas que lidaram com a encrenca no TSE. Mas o signatário do blog torce para que ela prevaleça sobre a alternativa de número um. Do contrário, terá sido vendida ao país uma grossa mentira. Ou, por outra, uma verdade que esqueceu de acontecer.

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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PF decide investigar empresário ligado ao tucanato

A Polícia Federal abriu nesta terça-feira, em Cuiabá, inquérito para apurar o suposto envolvimento do empresário Abel Pereira no dossiêgate. Pretende-se investigar também as suspeitas de que Pereira teria intermediado a liberação de verbas do Ministério da Saúde durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

O novo inquérito será conduzido pelo mesmo delegado que cuida do dossiêgate, Diógenes Curado Filho. O ponto de partida da investigação é uma representação protocolada no Ministério Público por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias.

No documento, ele diz ter efetuado pagamentos para Abel Pereira, em troca de desembolsos da pasta da Saúde. Vedoin sustenta na representação que Abel Pereira negociava com ele em nome de Barjas Negri, que tornou-se ministro da Saúde depois que José Serra deixou a pasta para disputar a presidência da República. Hoje, Barjas é prefeito de Piracicaba. Ele nega as acusações de Luiz Vedoin. Diz que Abel Pereira não tinha autorização para falar em seu nome no ministério. O empresário, por sua vez, afirma que não tinha acesso à pasta.

A PF irá investigar ainda a suspeita de que Abel Pereira teria tentado adquirir o dossiê montado por Luiz Vedoin antes do PT. A escuta telefônica instalada no celular de Vedoin revela que Abel discou para o dono do Planam no último dia dia 14 de setembro, véspera da sexta-feira em que a PF prendeu, em São Paulo, dois petistas com R$ 1,7 milhão. Ouvindo-se o grampo, percebe-se que Vedoin não atendeu aos telefonemas de Abel.

O empresário ligado ao tucanato foi mencionado também em depoimentos prestados à PF e ao Ministério Público por três petistas encrencados no caso da compra de dossiê: Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas e Expedido Veloso. Os três disseram que Abel Pereira esteve em Cuiabá para tentar adquirir o dossiê. Sustentaram que o birô de espionagem do comitê reeleitoral de Lula dispõe de fotos que comprovariam a movimentação do empresário.

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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De Marco Aurélio para Marco Aurélio

 

Marco Aurélio Garcia, o novo coordenador nacional do comitê de Lula, reúne-se nesta terça com o xará Marco Aurélio Mello, presidente do TSE. Os dois andaram trocando dardos verbais na semana passada. Mello dissera que o dossiêgate é pior do que o watergate. E Garcia, que acabara de substituir a Ricardo ‘Aloprado’ Berzoini na coordenação da campanha, considerara a declaração descabida.

 

Garcia vai a Mello em missão de paz. Não bastasse a investigação judicial aberta pelo TSE para apurar eventuais implicações do dossiêgate no processo eleitoral, o comitê de Lula vê-se às voltas com o risco de perder nacos de sua propagada televisiva na reta final da campanha. Não é hora, portanto, de alimentar rusgas desnecessárias.

 

De todo o episódio, chama a atenção uma nota levada ao sítio do PT nesta terça. Informa acerca do encontro dos dois Aurélios. E, ao final, traz uma explicação tão curta quanto didática do que foi o Watergate nos EUA. Anota o seguinte:

 

“Watergate é como ficou conhecido o escândalo que culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, em 1974. Durante a campanha à reeleição, um grupo de policiais arrombou o comitê de campanha de seus adversário, o Partido Democrata, que ficava no Hotel Watergate, em Washington. Nixon foi reeleito, mas renunciou em seu segundo mandato por causa do escândalo”.

 

É, pois é!

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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Samba da pesquisa doida

Se você estava em dúvida entre o Ibope e o Datafolha, agora já tem à sua disposição o Sensus, visto pelo mercado como uma espécie de Heloisa Helena entre os institutos. A última sondagem do Sensus, divulgada nesta terça, informa que Lula está com 51,4% das intenções de voto, contra 27,5% atribuídos a Geraldo Alckmin.

 

São números diferentes dos que foram coletados pelo Datafolha (49% X 31%) e muito diferentes dos informados pelo Ibope (47% X 33%). Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas na sexta-feira. Os do Ibope, de quarta a sexta. E os do Sensus, de sexta a domingo. Há pelo menos um ponto de contato entre as três pesquisas: a sexta-feira.

 

Levando-se em conta que o eleitorado cujos humores se tenta medir é rigorosamente o mesmo, pode-se concluir: tem instituto que vai sair dessa eleição com a credibilidade carbonizada. A margem de erro dessa conclusão é zero. Logo mais teremos novas pesquisas. Essa disputa está bem mais interessante do que a briga entre os presidenciáveis. A propósito, Geraldo Alckmin considerou o resultado da pesquisa Sensus “um escândalo”.

Escrito por Josias de Souza às 13h32

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As manchtes desta terça

 

- Folha: Procurador denuncia ex-ministro de Lula

 

- Estadão: Lula culpa Berzoini e 'aloprados' por dossiê

 

- Globo: Dossiê: PF não saberá origem do dinheiro antes das eleições

 

- Correio: Lula, Berzoini e os petistas aloprados

 

- Valor: Investimentos na Bolívia caem 65% em ameaçam gás

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h18

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Entre o povo e o polvo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h04

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Oposição vai ao TSE contra ‘uso eleitoral’ do BB

  Alan Marques/Folha Imagem
Os presidentes do PSDB e do PFL, os dois partidos que dão suporte à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin, irão protocolar nesta terça-feira uma nova representação contra o governo Lula. Dessa vez, pedirão ao tribunal que investigue a suspeita de uso eleitoral da estrutura do Banco do Brasil.

 

O pedido se baseia na atuação do petista Expedito Veloso. Ele chefiava, até a semana passada, a diretoria de Análise de Riscos do Banco do Brasil. Licenciara-se do cargo para trabalhar no comitê reeleitoral de Lula. Foi afastado do BB depois que se descobriu que está envolvido no dossiêgate.

 

Veloso teve contato pessoal com Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Foi pilhado também num grampo da PF. Captaram-se os diálogos que manteve com Vedoin acerca do dossiê montado para arrastar os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin para o centro do escândalo da máfia da venda superfaturada de ambulâncias.

 

Os senadores Jorge Bornhausen (SC) e Tasso Jereissati (CE), respectivamente presidentes do PFL e do PSDB, reuniram-se com os advogados das duas legendas nesta segunda-feira. Acertaram os detalhes da representação. Nesta terça, os dois terão nova reunião, para a análise do texto da representação. Pretendem protocolar a nova ação às 18h.

 

Há cerca de 15 dias, Bornhausen e Jereissati já haviam ingressado no TSE com uma representação pedindo a intervenção da Justiça Eleitoral no dossiêgate. O tribunal acatou o pedido. Abriu uma investigação judicial para apurar as implicações eleitorais do caso.

 

Em entrevista publicada aqui no blog, o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, informou que, dependendo do desfecho da apuração, Lula poderá ter sérios problemas caso venha a ser reeleito. Nesta terça, o presidente da República foi notificado pelo TSE.

 

Interrogado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público na última sexta-feira, Expedito Veloso, o personagem central da nova representação do PSDB e do PFL, reconheceu que vinha prestando serviços ao birô de espionagem montado no comitê de Lula. Admitiu também que entabulara tratativas com Luiz Vedoin para obter o dossiê contra o tucanato. E foi ao ataque.

 

Conforme noticiado aqui no blog, Veloso declarou em seu depoimento que o PSDB tentara adquirir o dossiê de Vedoin antes do PT. Disse que o tucanato dispusera-se a pagar R$ 10 milhões pelo material. Segundo ele, o negociador dos adversários era Abel Pereira, um empreiteiro vinculado a Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba. Negri foi secretário-executivo do Ministério da saúde na gestão de José Serra. Assumiu a pasta em 2002, quando Serra desvinculou-se do governo FHC para concorrer à presidência da República.

 

Para atestar o envolvimento de Abel Pereira com Luiz Vedoin, Veloso disse em seu depoimento que o empreiteiro beneficiara-se de repasses financeiros do chefão da máfia das ambulâncias. Entregou delegado Diógenes Curado Filho, que preside o inquérito do dossiêgate, comprovantes bancários que comprovariam os repasses. A PF passou a suspeitar que Veloso tenha utilizado o seu cargo no BB para bisbilhotar contas alheias. É um dos pontos que os partidos de oposição desejam ver esclarecidos.

 

Na reunião que terão nesta terça, Bornhausen e Jereissati analisarão também com os advogados a hipótese de ajuizar no Supremo Tribunal Federal uma interpelação ao ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça). Suspeitam que a PF, subordinada a Bastos, já tenha detectado a origem do dinheiro que os arapongas petistas usariam para comprar o dossiê (R$ 1,7 milhão). Querem que o Supremo obrigue o ministro a revelar a informação.

 

Bastos tem dito que o tempo da investigação não pode ser atropelado pela ansiedade do calendário eleitoral. Afirma que os resultados do inquérito serão tornados públicos tão logo a investigação tenha chegado a conclusões peremptórias.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Deus e o Diabo na terra da desfaçatez

“O senhor acredita em Deus?” Era 1985. Candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso gelou diante da pergunta de Boris Casoy, pespegada à queima roupa num debate televisivo. "É...bem...na medida em que a gente respeita todas as religiões, abre espaço pra crença, né?... O senhor prometeu que não ia fazer essa pergunta!" Jânio Quadros, ausente, levaria a cadeira de prefeito.

Dias antes do debate, FHC fora almoçar na Folha, onde Boris trabalhava na época. Durante o repasto, um outro jornalista fizera a mesma pergunta. “Cada um acredita no que lhe convém”, respondera o tucano incréu. Acrescentara que estaria “perdido” se alguém lhe fizesse aquela pergunta num debate. Boris perguntou. E FHC, de fato, se perdeu.

 

Eleito presidente, em 1994, FHC parece ter aceitado Deus. Aceitou também o PFL, o PMDB e todo um centrão diabólico. Deu no que deu. Nesta segunda, mercê da intimidade que desenvolveu com as esferas celeste e subterrânea, o ex-presidente sentiu-se à vontade para dizer que Lula errou ao comparar-se a Jesus Cristo, num comício realizado domingo, em Sorocaba. Disse que seu sucessor é a própria encarnação do “demônio”.

"O presidente da República 'modestamente' se comparou a Cristo. Ele errou porque Cristo nunca foi beijar Judas. Nunca foi chamar Judas de companheiro (...) Ele não é Cristo, não, é o demônio e nós temos que expulsá-lo daqui", disse FHC, discursando num ato de apoio às candidaturas de Geraldo Alckmin (presidência) e José Serra (governo paulista).

Alckmin não chegou a comparar o adversário ao Tinhoso, mas passou perto: "Ele é o Judas dessa história porque traiu o povo brasileiro. Teve o desplante de, além de ofender o cristianismo, ofender a nossa história, quando se compara a Tiradentes. Tiradentes morreu porque não traiu e porque não mentiu", disse, referindo-se a uma outra citação feita por Lula no comício de domingo.

O signatário do blog acha que Deus pode até existir, mas está claro que Ele está desiludido com a política brasileira. Foi cuidar de outras coisas. Sorte Dele. Se estivesse acompanhando a campanha deste ano da graça de 2006, o Todo-poderoso talvez concluísse que tornou-se difícil acreditar em qualquer coisa. E poderia desejar não existir.

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Ministério Público quer novo depoimento de Freud

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Num instante em que a Polícia Federal tende a inocentar Freud Godoy (à direita do presidente na foto), o Ministério Público Federal decidiu convocar o ex-assessor do gabinete pessoal de Lula para um novo interrogatório. O procurador Mario Lucio Avelar, que acompanha a apuração do dossiêgate, revelou a um amigo que deseja interrogar novamente também o petista Gedimar Passos, preso em São Paulo no dia 15 de setembro com o dinheiro que seria usado para comprar o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin (R$ 1,7 milhão).

 

O primeiro depoimento de Gedimar é visto pelo Ministério Público como o mais valioso de todo o inquérito. Ele foi ouvido pela PF no mesmo dia da prisão. Não havia conversado com os demais suspeitos. Não teve, portanto, a oportunidade de combinar versões. No calor da detenção, revelou que estava a serviço do PT. Disse que fora contratado pela Executiva Nacional do partido para checar a consistência do dossiê e fechar a transação. Informou que recebera de Freud Godoy a ordem para efetuar o pagamento.

 

Ouvido pela PF quatro dias depois, Freud negou a acusação. Reconheceu apenas que conhecia Gedimar. Mas sustentou que jamais tratara com ele de nenhum assunto relacionado à compra de dossiê. Na seqüência, foram inquiridos outros três petistas envolvidos no caso: Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de Lula e ex-chefe do birô de espionagem do comitê de campanha do presidente; Oswaldo Bargas, amigo de Lula e responsável pelo capítulo trabalhista de seu programa de governo; e Expedito Veloso, que se licenciara da diretoria de Análise de Riscos do Banco do Brasil para dedicar-se à campanha de Lula.

 

Os três empenharam-se em afastar a encrenca das cercanias do Palácio do Planalto, isentando Freud Godoy de responsabilidade no caso. Disseram também que nem Ricardo Berzoini, presidente do PT e ex-coordenador de campanha de Lula, nem o presidente da República estavam informados acerca das negociações para a obtenção do dossiê montado por Darci e Luiz Antonio Vedoin, os sócios da Planam e chefões da máfia das sanguessugas.

 

Antes mesmo desses três depoimentos, a PF vazara para a imprensa a informação de que Freud Godoy deveria ser inocentado. Porém, o procurador Mario Lúcio Avelar acha que é cedo para tirar esse tipo de conclusão. Avalia que os testemunhos de Lorenzetti, Bargas e Veloso são de pouca valia para a elucidação do inquérito. Acha que os três, diferentemente do que ocorrera com Gedimar Passos, combinaram a versão que contariam à polícia.    

 

A suspeita de que houve combinação leva o procurador a desdenhar também das afirmações de Lorenzetti, Bargas e Veloso de que negociaram a obtenção do dossiê com Luiz Vedoin sem jamais tratar com ele de pagamento em dinheiro. Disseram-se surpresos, estarrecidos, estupefatos com a descoberta de que Gedimar portava R$ 1,7 milhão em notas de real e de dólar no instante em que foi detido.

 

Daí o desejo de Mario Lucio Avelar de reinquirir Gedimar Passos. A prevalecer a versão dos três, ele seria o único responsável pela obtenção do dinheiro, embora ostentasse na equipe de “inteligência” do comitê de Lula uma posição subalterna em relação aos demais. Espera-se que, tendo sido jogado às feras por seus superiores, Gedimar se anime a contar detalhes que não revelou em seu primeiro depoimento.

O Ministério Público considera inverossímil, de resto, a versão de que Ricardo Berzoini não soubesse da tentativa de compra do dossiê. Parte-se do pressuposto de que a soma de R$ 1,7 milhão não seria recolhida sem que houvesse uma ordem superior. Por isso, o presidente do PT também será interrogado. Sua convocação será, porém, retardada para o final. Será intimado por último.

PS.: Em Mato Grosso, a Justiça Federal determinou à Polícia Federal que entregue ao Tribunal Superior Eleitoral as peças do inquérito do dossiêgate. O TSE requisitará a documentação na semana passada, depois de abrir uma investigação para apurar eventuais reflexos do caso no processo eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 17h19

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Dossiêgate ultrapassa as fronteiras da $anidade

Todo ser humano traz enterrado dentro de si um louco. Apenas se convencionou chamar de sensatos os malucos cuja loucura coincide com a da maioria. Mas há método na loucura. Ainda não se conhece louco capaz de tocar fogo em dinheiro.

Deve-se aos repórteres Mauro Zanatta e Cristiano Romero a revelação de que o escândalo do dossiêgate está na bica de ultrapassar a última fronteira da insanidade. Em texto publicado no jornal Valor (assinantes) eles informam que a Polícia Federal já descobriu a origem do dinheiro que seria usado por petistas para comprar um dossiê contra José Serra e Geraldo Alckmin. Teria vindo de empresários. Jogaram na fogueira, veja você, R$ 1,7 milhão. Leia a reportagem abaixo. E, se quiser, acredite na versão que está sendo montada:

A Polícia Federal deve tornar pública, entre hoje e amanhã, a origem dos R$ 1,7 milhão que seriam usados por petistas para comprar dossiê contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. Um assessor informou ontem que os policiais já teriam descoberto que a origem dos recursos é "legal", embora o seu uso possa ser considerado "imoral".

O dinheiro teria sido oferecido a integrantes da campanha do PT por empresários, cujo objetivo, de acordo com essa fonte, era se aproximar dos operadores do partido na reta final da campanha eleitoral - o objetivo do dossiê, montado pelos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, da máfia dos sanguessugas, era atingir a imagem de Serra, beneficiando o candidato do PT ao governo paulista, Aloízio Mercadante, além de desgastar Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência.

Uma fonte do governo assegurou que, além do caminho do dinheiro, a PF deve divulgar os nomes dos empresários que fizeram a "doação" dos recursos. O dinheiro apreendido - 1,168 milhão em reais e 248,8 mil em dólares americanos - durante a prisão do petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, ambos ligados à campanha do presidente Lula à reeleição, foi sacado em três agências do Bradesco e uma do BankBoston.

No caso dos dólares, apreendidos em maços com cintas do "Bureau of Engraving and Printing", a casa da moeda americana, o que levou à desconfiança de que teriam entrado ilegalmente no país, a informação é de que o dinheiro já estava no Brasil e integrava "reservas de valor" dos empresários, para eventuais despesas de emergência.

Nos últimos dias, a PF, segundo fonte do governo, já teria ouvido gerentes e funcionários dos bancos de onde foram sacados os reais. De acordo com um assessor, a PF também teria concluído que houve o "desaparecimento" de cerca de R$ 1 milhão do esquema do dossiê. De acordo com um assessor, os petistas teriam arrecadado dois milhões em reais e os 248,8 mil em dólares, mas, como a família Vedoin teria pedido R$ 1 milhão pelo dossiê e foram apreendidos R$ 1,168 milhão, uma parte dos recursos ainda pode estar em poder dos envolvidos no escândalo.

A Polícia Federal vem sendo criticada pela demora em investigar e revelar a origem do dinheiro. Por trás disso, estaria o interesse do governo em não revelar atos que afetem a imagem do presidente Lula a poucos dias da eleição. No fim de semana, a polícia, em nota oficial, assegurou que está agindo de forma independente. "A PF, como em outras operações, cumpriu sua missão sem visar cores partidárias. Qualquer critica à ação exitosa da PF é resultado do momento político eleitoral", diz a nota.

O procurador Mário Lúcio Avelar, encarregado no Ministério Público pelo acompanhamento do caso, está intrigado com o fato de o Coaf e o Banco Central não estarem ajudando nas investigações. Por isso, decidiu fazer petição ao juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, para ordenar que os dois órgãos rastreiem o dinheiro do dossiê. Pela legislação vigente, toda movimentação superior a R$ 100 mil deve ser notificada pelos bancos ao Coaf, a quem cabe investigar se o dinheiro tem origem escusa ou não”.

PS.: Lula já elegeu um demônio para transferir as culpas pela mais nova encrenca que se formou à sua volta. Chama-se Ricardo Berzoini. Foi ele, disse o presidente, quem acomodou no comitê reeleitoral os petistas suspeitos. Quem escolheu Berzoini? Foi Lula. Mas isso não importa.   

Escrito por Josias de Souza às 15h54

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Eleitor não sabe se vota no Ibope ou no Datafolha

As pesquisas de opinião seguem parâmetros estritamente científicos. Daí a sua falibilidade. Alheio ao cientificismo cerebrino dos pesquisadores, o povo insiste em votar com a alma. E os mistérios da alma não cabem na máquina de calcular.

 

Vem daí que, no último final de semana, cresceu muito o contingente de indecisos. Entre Lula e Alckmin, o eleitor ficou sem saber se vota no Ibope ou no Datafolha. Os dois institutos divulgaram pesquisas para (des)orientar os eleitores. Um deles enxergou o segundo turno na virada da esquina. O outro não.

 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, escreve um artigo sobre o tema na Folha desta segunda (assinantes). Leia o texto abaixo. E decida em qual dos institutos você vai votar.

 

Datafolha e Ibope

“Duas pesquisas nacionais divulgadas no final de semana e encerradas no mesmo dia revelaram resultados e tendências semelhantes do ponto de vista estatístico. Mas as diferenças numéricas, dentro da margem de erro de cada instituto, geraram interpretações distintas. Ambas, em graus diferentes, injetaram ânimo à campanha tucana e preocupação aos petistas, aumentando o suspense quanto à realização de segundo turno.

Para o Datafolha, que concentrou todas as entrevistas na sexta-feira, Lula oscilou de 50% para 49% e sua diferença em relação aos demais candidatos passou de dez para oito pontos, em comparação com a pesquisa anterior feita nos dois primeiros dias da mesma semana. Lula contava, na sexta, com 55% dos votos válidos e venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada naquele dia.

Alckmin oscilou de 29% para 31% e sua curva, ascendente, mostrou-se inversamente proporcional à de Heloísa Helena, que perdeu dois pontos, o que não contribui para levar a eleição ao segundo turno.

O Ibope distribuiu suas entrevistas entre quarta e sexta e comparou seus resultados com a pesquisa feita também no início da semana, entre segunda e quarta. Lula, que já havia oscilado um ponto no levantamento anterior, perdeu mais dois, chegando a 47%. Com 52% dos votos válidos, considerando o limite da margem de erro, poderia ter que disputar o segundo turno se a eleição fosse nos dias da pesquisa.

Sua vantagem em relação à soma dos demais candidatos caiu de sete para três pontos percentuais entre os três primeiros e os três últimos dias da semana.
Alckmin cresceu três pontos e Heloísa Helena perdeu apenas um e isso colabora para que a eleição vá para o segundo turno pois, aparentemente, Alckmin começa a avançar sobre o eleitorado de Lula, segundo o Ibope.

Mais do que alimentar a disputa saudável entre os institutos, as sutis diferenças entre as duas pesquisas agregam informação e ajudam a despertar o interesse pelo momento político. As rodadas a serem divulgadas nesta semana recuperam a curiosidade roubada pela monotonia da campanha.

Neste ano, o eleitor foi fartamente exposto às pesquisas dos quatro institutos que fazem, e divulgam, levantamentos com representatividade nacional, auxiliando no processo de definição do voto e percepção da cidadania.

Por outro lado, a ampla repercussão de cada pesquisa agrega dividendos às marcas das empresas de pesquisa e de quem as contrata. A comparação dos últimos números com o resultado das urnas é um risco sem margem de erro.

Espera-se que, nessa semana crucial, todos os institutos e as contratantes desfrutem do direito conquistado de divulgar suas pesquisas, inclusive no dia da eleição, e contribuam para decifrar os últimos movimentos”.

Escrito por Josias de Souza às 14h45

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As manchetes desta segunda

- Folha: Lula diz que 'mata' eleição no 1° turno

- Estadão: Lula: "Podem denunciar, mas ganho no 1° turno'

- Globo: Lula se compara a Cristo e diz que ganha no 1° turno

- Correio: Lula e Alckmin empatam no DF. Presidente diz que ganhará no 1° turno.

- Valor: Investidores ampliam aposta na TI brasileira

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 05h02

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Estilo sapo sincronizado!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Lula quer enquadrar PT e dialogar com Serra e Aécio

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Palácio da Alvorada. Manhã de quarta-feira, 20 de setembro, dia em que Lula passou na lâmina o pescoço de seu coordenador de campanha, Ricardo Berzoini. Um ex-ministro do governo petista foi recebido pelo presidente para uma conversa a dois. Falaram sobre a crise do dossiêgate e seus reflexos. O diálogo foi revelador. Trouxe à tona um Lula em litígio com o PT e ainda esperançoso de estreitar relações com expoentes do PSDB.

 

Lula trazia o semblante cansado. Enfrentara nove horas de vôo no retorno de Nova York para Brasília. Mostrava-se irritadiço. Acabara de ler uma sinopse dos jornais, preparada pela Radiobras. Abespinhara-se com o fato de a crise ter ocupado no noticiário espaços que poderiam ter sido dedicados ao discurso que fizera na véspera na ONU e ao título de estadista do ano que recebera de uma entidade norte-americana.

 

O ex-ministro, hoje no exercício de seu mandato parlamentar e mergulhado em sua própria campanha, tivera várias conversas anteriores com Lula a respeito da necessidade de costurar uma aliança política ampla, para dar suporte a um eventual segundo mandato. Receava que a nova crise conspurcasse a parte do plano que prevê a abertura de diálogo com lideranças do tucanato, especialmente José Serra e Aécio Neves. Perguntou a Lula se a encrenca do dossiê produziria uma mudança de rota.

 

A resposta de Lula foi categórica. Longe de arrefecer, a crise tonificou o seu desejo de aproximar-se de Serra e Aécio. Enxergou por trás da “insanidade” da tentativa de comprar o dossiê antitucanos justamente uma “reação” da ala do PT que enxerga no diálogo com o tucanato a perspectiva de perda de poder. Referia-se ao PT de São Paulo. Curiosamente, o presidente tratou da crise esquivando-se de mencionar o fato de que alguns dos principais envolvidos compõem o seu círculo de relações pessoais.

 

Lula disse que seus planos para o futuro cabem num horizonte de quatro anos. Quer vencer a eleição e fazer um segundo mandato melhor do que o primeiro. Para que isso ocorra, julga essencial costurar um bom acordo pós-eleitoral com o PMDB e fixar regras de boa convivência com o PSDB. Neste ponto, a conversa enveredou para 2010. E tornou-se ainda mais reveladora.

 

O presidente disse que não enxerga, por ora, alternativas presidenciais dentro do PT. Considerou “legítimas” as pretensões de José Serra de ocupar o Planalto. E tratou Aécio Neves como um candidato que pode inclusive vir a ter o seu apoio. Afora Aécio, derramou-se em elogios ao ex-ministro Ciro Gomes (PSB). São lideranças com as quais Lula deseja manter-se em contato. O jogo político, disse ele, se encarregará de definir quem terá condições de sucedê-lo caso venha a eleger-se pela segunda vez.

 

Para Lula, o PT precisa “se renovar”. A crise do dossiê, disse ele, voltou a expor essa necessidade. Avalia que, ao prestigiar petistas como Tarso Genro e Dilma Roussef, dá uma sinalização ao partido de que a renovação passa por um distanciamento do berço paulista. Afirmou que a ampliação do leque de alianças para o segundo mandato implicará inevitável perda de influência do seu partido no governo.

 

À conversa com o ex-ministro, seguiu-se uma reunião para a discussão da crise. Presente ao encontro, Ricardo Berzoini pôs à disposição de Lula o cargo de coordenador de sua campanha. Embora cogitasse, desde a véspera, a hipótese de afastá-lo, o presidente deu a entender que o manteria. Ao longo do dia, convenceu-se do contrário. A manutenção de Berzoini transformaria o discurso da renovação em pó.

 

Em meio à nova crise, o lero-lero conciliatório de Lula é o que mais lhe convém. Ao criticar o PT, tenta dissociar-se das ações obscuras da legenda. Ações que se repetem na esteira da complacência presidencial com transgressões anteriores. Ao acenar para a oposição, tenta posicionar-se acima do exclusivismo de seu partido.

 

Se for reeleito, porém, Lula terá de submeter os planos que vem esboçando entre quatro paredes à fricção com a realidade que se formou ao seu redor. Há no PT pessoas dispostas a erguer barricadas para reter os nacos de poder que o presidente planeja entregar a outros partidos. E há no PSDB políticos que preferem cerrar fileiras em torno da idéia de apear Lula do poder a entabular negociações com ele.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Lula compara-se a Jesus e diz que leva no 1º turno

 

"Eu nunca falei que iria ganhar a eleição no primeiro turno. Por modéstia, eu nunca falei. Nunca falei por respeito. Mas quero dizer para vocês: nós vamos vencer essas eleições domingo", disse Lula, em comício realizado neste domingo em Sorocaba (SP). "Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."

 

Discursando para cerca de 4.000 pessoas, o presidente afirmou que "dia 1º de outubro é dia da onça beber água”. E disse estar sequioso: “Essa oncinha está com sede." Desdenhou das denúncias que assediam o PT e o Planalto: "Podem fazer denúncia. Façam o que quiser. Não tem problema. Nós vamos ganhar com a cara limpa."

Neste ponto, meteu Jesus no meio da contenda. Só para realçar que o erro de discípulos não desmerece a obra do mestre. "A gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo." Noves fora Pedro, que o negou três vezes, Jesus, de fato, só teve um traidor. Mas a comparação de Lula soa, digamos, imprópria.

 

Primeiro porque o filho de Deus, onipresente como o Pai, a tudo via e de tudo sabia. Segundo porque, na santa ceia petista, a quantidade de Judas é bem maior. Aos 40 da denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza (entre eles vários grão-petistas e ex-ministros) veio somar-se a meia dúzia de compradores de dossiê. Terceiro porque a traição dos dias que correm vem custando bem mais do que trinta dinheiros.

 

Lula faz bem em esgrimir otimismo. É esse o papel de um candidato quando fala aos seus eleitores. De resto, apesar dos pesares, ele vai conseguindo, por ora, caminhar sobre o mar de denúncias com desenvoltura divina. Mas o favoritismo de ontem, vigoroso e acachapante, já não é tão vistoso. E a vitória, se vier, pode converter-se num triunfo de Pirro.

 

O eventual segundo mandato avizinha-se como uma quadra de questionamentos e turbulências. Um cenário bem mais deteriorado do que aquele verificado em 1º de janeiro de 2003, quando Lula tomou posse falando de coisas como "reformas", "energia ético-política", "pacoto social" e "combate à corrupção". Pressione aqui para rememorar um trecho do discurso de posse.

 

Em outro comício, na Paraíba, o principal adversário de Lula, Geraldo Alckmin, também discursou em timbre otimista. "A campanha tem crescido em todo o país, vamos para o segundo turno", afirmou.

 

Alckmin cobrou pressa na apuração do dossiêgate: "Faz uma semana [que petistas foram presos com R$ 1,7 milhão em São Paulo] que as denúncias sobre a compra e venda de um dossiê apareceram e nada foi esclarecido até agora. De onde veio o dinheiro? É óbvio que as pessoas presas não tinham esse dinheiro. Como o dólar entrou no Brasil?"

 

O presidenciável tucano tem razão em suas cobranças. Há muito por investigar. Para o eleitor, seria extraordinário se as interrogações virassem um imenso ponto final antes de 1º de outubro. Inclusive a imensa interrogação que ronda um personagem que, a propósito, também tem nome bíblico: um tal de Abel, cuja proximidade com o tucanato a Polícia Federal e o Ministério Público esquadrinham com uma disposição digna de Caim.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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As manchetes deste domingo

- Folha: Serra amplia vantagem em São Paulo

- Estadão: Cai para 3 pontos diferença entre Lula e adversários

- Globo: Núcleo de 'inteligência' do PT funciona desde 1989

- Correio: A mais longa semana de Lula

- Valor: Investimento brasileiro no exterior chegará a US$ 14 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 04h39

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Cachoeira palaciana!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 04h35

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Dossiêgate: MP aciona judicialmente Coaf e BC

Dossiêgate: MP aciona judicialmente Coaf e BC

O juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, recebe nesta segunda-feira uma petição do Ministério Público Federal relacionada ao dossiêgate. Pede-se ao juiz que ordene a dois órgãos públicos – o Coaf e o Banco Central — o rastreamento do dinheiro que o PT usaria para comprar um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

O dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal no dia 15 de setembro. Estava com dois petistas presos no instante em que negociavam o dossiê no Hotel Íbis, em São Paulo: o empreiteiro e lobista Valdebran Padilha, que falava em nome da família Vedoin, comandante da gang dos sanguessugas, e Gedimar Passos, encarregado de fazer o pagamento. Retiveram-se R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil. O que dá algo em torno de R$ 1,7 milhão.

 

Por trás da requisição do Ministério Público há uma suspeita não explicitada publicamente: o receio de que o governo esteja retardando a investigação sobre a origem do dinheiro para evitar constrangimentos à campanha reeleitoral de Lula. Estranha-se, sobretudo, o silêncio do Coaf, órgão do Ministério da Fazenda incumbido de rastrear toda e qualquer movimentação financeira acima de R$ 100 mil.

 

O blog apurou que, na última terça-feira, o procurador Mario Lúcio Avelar, que acompanha o caso pelo Ministério Público, conversou com o delegado Diógenes Curado Filho, escalado pela Polícia Federal para presidir o inquérito do dossiêgate. Avelar perguntou a Curado Filho sobre as providências adotadas para refazer a trilha do dinheiro. O delegado informou que o assunto estava encaminhado. Mas nenhuma informação havia aportado no processo até a noite de segunda-feira.

 

O fato contrasta com a impressão de agilidade que a Polícia Federal empenhou-se em difundir ao longo da semana. Vendera-se a idéia de que o rastreamento da dinheirama seria feito em tempo recorde. Informou-se, primeiro, que já haviam sido detectadas as casas bancárias de cujos guichês os reais teriam sido sacados: Bradesco, Safra e BankBoston. Divulgou-se depois, a suposta localização das agências: ficariam em São Paulo, nos bairros Barra Funda e Lapa; e no Rio, em Duque de Caxias.

 

Súbito, no meio da semana, a Polícia Federal deslocou de Mato Grosso para Brasília a parte da investigação relacionada ao dinheiro. Incumbiu-se da tarefa o delegado Luiz Flávio Zampronha, mais próximo do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Zampronha é o delegado que atuou no caso do mensalão.

 

Na sexta-feira, o procurador Mario Lúcio e o delegado Diógenes Filho encontraram-se em Brasília. Foram ouvir depoimentos de petistas enredados na operação de compra do dossiê. Incomodado com a demora no rastreamento do dinheiro, o procurador revelou a intenção de recorrer à Justiça para mover as engrenagens do Coaf e do BC. O delegado assentiu.

 

A petição foi redigida no mesmo dia. Diógenes Filho ficou de encaminhá-la a Marcos Tavares, o juiz matogrossense, nesta segunda-feira. Em conversa com um amigo, Mário Lúcio disse que estará atento ao setor de protocolo da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Caso o documento que redigiu não dê entrada, como combinado, ele tomará sozinho a iniciativa. (Leia mais sobre o caso abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 04h11

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Petistas negam ter oferecido dinheiro por dossiê

Petistas negam ter oferecido dinheiro por dossiê

  Fotos:Alan Marques/FI
Em depoimentos que se prolongaram até o início da madrugada de sábado, três dos principais envolvidos no escândalo da compra do dossiê antitucanato desfiaram diante do delegado Diógenes Curado Filho e do procurador Mário Lúcio Avelar versões tão homogêneas quanto inverossímeis.

A homogeneidade está presente nos trechos dos depoimentos em que todos admitem o empenho para obter o dossiê da família Vedoin contra José Serra e Geraldo Alckmin. A inverossimilhança salta dos fragmentos em que os três negam ter tratado de dinheiro com Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam, a empresa que comandava a venda de ambulâncias superfaturadas.

 

Foram interrogados Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas e Expedito Veloso. Os três têm algo em comum: trabalhavam no birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Dois deles – Lorenzetti (na foto acima) e Bargas na foto abaixo) — estão vinculados por uma outra contingência: ambos são amigos do presidente da República.

 

Inquirido, Lorenzetti reconheceu que chefiava o setor de inteligência do comitê de Lula. Diretor licenciado do Banco do Estado de Santa Catarina, um cargo que obteve por interferência direta do presidente, ele é o churrasqueiro informal da Granja do Torto. Contou que soube da existência do dossiê da família Vedoin por meio do empreiteiro e lobista Valdebran Padilha, filiado ao PT de Mato Grosso desde 2004.

 

Enxergou no material uma valiosa munição de campanha contra o tucanato. E mobilizou a equipe de arapongas do comitê de Lula para obter o dossiê. Empenhou-se para injetar nos autos do inquérito policial a versão de que o presidente do PT, Ricardo Berzoini; um ex-assessor especial do gabinete de Lula, Freud Godoy; e o presidente da República não sabiam da transação. De resto, se disse “chocado” com a apreensão de R$ 1,7 milhão feita pela Polícia Federal.

 

Pela versão de Lorenzetti, caberia a Gedimar Passos, preso pela Polícia Federal em 15 de setembro, explicar a origem do dinheiro. Curiosamente, Gedimar é o elo mais frágil da cadeia hierárquica do birô de espionagem petista. Em depoimento que prestou logo depois de ser preso com RS 1,7 milhão, ele informou à PF que cumpria uma missão da “Executiva Nacional do PT”. E disse que a ordem para a compra do dossiê lhe foi repassada por Freud Godoy, segurança de Lula há 17 anos.

 

Outro interrogado, Oswaldo Bargas, admitiu que é amigo de Lula desde os tempos em que o hoje presidente nem usava barba. Conheceu-o na militância sindical de São Bernardo, nos anos 80. Reconheceu ter tentado negociar a publicação do dossiê pela revista Época. Insistiu em afastar o escândalo da cúpula do PT e do terceiro andar do Planalto. Ecoando Lorenzetti, negou que Berzoini, Freud e Lula soubessem da transação envolvendo o dossiê. E quanto ao dinheiro? Só assombro e estupefação. De novo, a bolada de R$ 1,7 milhão foi acomodada exclusivamente no colo do bagrinho Gedimar Passos.

 

Os depoentes não queriam dissociar o escândalo apenas do Planalto. Desejavam distanciar a encrenca também de Brasília. Venderam ao delegado Diógenes Filho e ao procurador Mário Lúcio a tese de que a obtenção do dossiê não serviria aos interesses da campanha nacional de Lula. Seria usado exclusivamente em São Paulo, onde o petista Aloizio Mercadante padece com o favoritismo do tucano José Serra. (Leia mais sobre o caso no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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PSDB ofereceu R$ 10 mi por dossiê, acusa petista

PSDB ofereceu R$ 10 mi por dossiê, acusa petista

  Alan Marques/F.Imagem
O interrogatório de Expedito Veloso (na foto), o ex-diretor do Banco do Brasil que pediu licença para trabalhar no comitê reeleitoral de Lula, acrescentou ao já intrincado caso do dossiêgate um mistério adicional. Ouvido pelo delegado Diógenes Curado Filho e pelo procurador Mário Lúcio Avelar, Veloso informou que o PT não foi o único partido a negociar o dossiê com a família Vedoin. Antes de concordar em ceder o material aos arapongas petistas, Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planan, negociou com o PSDB.

Segundo a versão que Veloso contou à PF e ao Ministério Público, o tucanato teria oferecido R$ 10 milhões pelo dossiê levado ao balcão por Luiz Vedoin e pelo pai dele, Darci Vedoin. O diretor afastado do Banco do Brasil contou que o birô de “inteligência” do comitê de Lula dispõe inclusive de fotos do personagem que esteve em Cuiabá para negociar com os donos da Planam em nome do PSDB.

 

Chama-se Abel Pereira o personagem mencionado por Veloso. É empreiteiro. Tem negócios em Piracicaba (SP). E seria ligado ao prefeito da cidade, Barjas Negri, desde os tempos em que ele atuou como secretário-geral de José Serra no Ministério da Saúde. Barjas tornou-se ministro depois que Serra deixou a pasta, em 2002, para concorrer à presidência da República.

 

Segundo Expedito Veloso, mais do que um dossiê, o tucanato queria comprar dos Vedoin uma mercadoria mais valiosa: proteção. Suas declarações acabaram comprometendo a versão que combinara com os outros dois petistas ouvidos em interrogatório: Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas. Foi por terra o lengalenga de que a negociação do petismo com a família Vedoin não envolveu dinheiro.

 

Ora, se o PSDB se dispunha a pagar R$ 10 milhões pelo dossiê, por que Luiz Antonio Vedoin deixaria de mencionar cifras na fase em que passou a negociar com o petismo? A dúvida foi levantada no interrogatório de Veloso. Ele se saiu com explicações pouco consistentes. Disse, por exemplo, que talvez Vedoin desejasse restabelecer as pontes com uma eventual segunda gestão de Lula no Planalto.

 

Ouvido pelo blog, um integrante do alto comando da campanha de José Serra informou o seguinte: o comitê tucano foi procurado por um emissário de Luiz Antonio Vedoin. Queria, de fato, vender um dossiê. Mas não era nem contra Serra nem contra Geraldo Alckmin. Conteria dados desabonadores contra o PT. Comprometeriam em especial o candidato Aloizio Mercadante e o líder do partido na Câmara, Alindo Chinaglia. Segundo a versão tucana, a oferta foi refutada.

 

Entre os dias 9 e 15 de setembro, a Polícia Federal monitorou o telefone celular de Luiz Vedoin (9908 6507). A voz de Abel Pereira, o empresário que o petismo acusa de ter atuado como preposto do PSDB, é uma das que foram captadas na escuta. Ele tentou falar com Vedoin no dia 14 de setembro, véspera da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, os petistas que negociavam o dossiê antitucanato em São Paulo. Vedoin, porém, não atendeu à ligação. Não se sabe sobre o quê Abel desejava conversar.

 

Na próxima semana, o que a PF abrirá um inquérito para apurar a atuação de Abel Pereira no caso. Durante o seu depoimento, o petista Expedido Filho repassou ao delegado Diógenes Filho um lote de documentos bancários que comprovariam repasses de dinheiro de Luiz Vedoin para Abel. A esperteza levou a PF e o Ministério Público a considerá-lo como suspeito de mais um delito. Deseja-se apurar se Veloso se valeu dos poderes que detinha como diretor de Risco do Banco do Brasil para bisbilhotar o sigilo bancário de inimigos do PT.

Escrito por Josias de Souza às 04h00

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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