Josias de Souza - Nos bastidores do poder
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As últimas do PT

As últimas do PT

Nada pode ser mais triste para uma pessoa ou organização do que virar tema de anedota. O birô de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula guindou o petismo a essa condição. Vai abaixo um kit chiste. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

 

1. Em Brasília, após um incêndio no comitê de campanha do PT, os bombeiros, verificando os destroços, encontraram um morto: Joaquim Berzoini. Estava na sala da equipe de arapongagem da campanha. Carbonizado, de cabeça para baixo, trazia o dedo indicador apontando para um dos cantos do ambiente. Do seu lado, um extintor de incêndio com a seguinte instrução: “Em caso de fogo, vire para baixo e aponte para a chama”.

 

2. Sabe quantos petistas são necessários para comprar um dossiê? Sete. Por que tantos? Cinco para montar a operação. E dois para guardar o dinheiro num quarto de hotel até a chegada da polícia.

 

3. O companheiro Manuel Gedimar matava o tempo debruçado na janela do quarto. “Companheiro Joaquim Valdebran! Estou a avistaire uma turma com colete da Polícia Federal que se encaminha diretamente para o nosso hotel!” “Não me diga, companheiro Manuel Gedimar! São amigos ou inimigos?” “Olha, companheiro Joaquim Valdebran, acho que são amigos. Vêm todos juntos...”

 

4. Manuel Lorenzetti e Joaquim Bargas estacionam o carro na garagem de um hotel paulista. Em missão sigilosa, tentariam empurrar um dossiê eleitoral para o repórter de uma revista. Ao travar a porta do veículo, Manuel Lorenzetti se deu conta de que esquecera de tirar a chave da ignição. Com um pedaço de arame, através do vão de uma das janelas, e com o auxílio de Joaquim Bargas, inicia a delicada operação. Joaquim Bargas esmera-se nas orientações: “Mais à direita, companheiro... Agora, um pouquinho mais para a frente... Falta pouco... Isso!” Manuel Loenzetti consegue, finalmente, abrir o carro. Joaquim Bargas exulta: “Ainda bem, eu já não agüentava mais de caloire aqui dentro!”

 

5. Depois de encontrar-se com um repórter de outra revista, Hamilton Joaquim Lacerda dirigia-se ao comitê de campanha do PT de São Paulo. O pneu do carro furou na frente de um hospício. Ele desceu e tirou as porcas da roda. Mas elas escorregaram para dentro de um bueiro. Hamilton Joaquim desesperou-se. Tinha reunião marcada com o candidato de seu partido. Um dos internos, que assistia à cena do lado de dentro das grades do manicômio, resolve aconselhar Hamilton Joaquim: “Tire uma porca de cada uma das outras três rodas para segurar a que ficou solta, até chegar a um posto”. Hamilton Joaquim espantou-se: “Fenomenal! Muito boa idéia. Obrigado. Olhe, eu nem sei por que tu estas aí dentro”. E o interno: “Eu estou aqui porque sou doido, não porque sou burro!”

 

6. Expedito Joaquim Veloso chega em casa, num final de tarde, e dá de cara com um mico em seu jardim. Ele fica todo atrapalhado, sem saber o que fazer com o bicho. Pede ajuda a um vizinho, que aconselha: “Olha, Expedito Joaquim, o melhor que você tem a fazer é levá-lo ao Jardim Zoológico. No dia seguinte, o vizinho encontra Expedito Joaquim passeando com o mico. Conduzia-o rua abaixo por uma cordinha amarrada ao pescoço. Surpreende-se: “Ô, Expedito Joaquim, aonde você vai com o bicho? Você não o levou ao Jardim Zoológico ontem?” “Levei, sim. E ele adorou. Hoje já viajei com ele até Cuiabá e agora estou a levá-lo ao Playcenter e, depois, à sede do meu partido”.

 

7. Manuel Lula da Silva preparava-se para saltar de pára-quedas. Recebe instruções: “Estamos a uma boa altitude. Seu equipamento foi todo checado. O sr. saltará por aquela porta. Ao puxar a primeira cordinha, no primeiro turno da descida, o pára-quedas se abrirá. Se isso não acontecer, o que é pouco provável, puxe a segunda cordinha, no segundo turno da queda. Lá embaixo haverá um jipe à sua espera, para levá-lo de volta ao Planalto”. Confiante, Manuel Lula salta. Puxa a primeira cordinha. E nada. Puxa a segunda. Nada. Ele começa a ficar preocupado: “Ai, Jesus! Agora só falta o jipe não estaire lá embaixo!”

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Cai diferença que separa Alckmin de Lula, diz Ibope

A edição dominical do Estadão, que já se encontra nas bancas de São Paulo, traz uma má notícia para Lula. Pesquisa Ibope realizada entre quarta e sexta-feira detectou uma diminuição da vantagem que separa o presidente de Geraldo Alckmin, seu principal oponente na corrida presidencial. Lula oscilou para baixo –de 49% para 47%. Alckmin, para cima, de 30% para 33%.

 

Somando-se o índice de intenções de votos de todos os concorrentes de Lula, chega-se a 44%, apenas três ponto a menos que os 47% atribuídos ao presidente. Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos brancos e nulos), Lula teria 52%. Para vencer em primeiro turno, ele precisa de 50% mais um (maioria absoluta). Ou seja, Lula continua prevalecendo sobre Alckmin no primeiro turno. Mas, se a pesquisa estiver correta, a vitória já não é tão confortável.

 

Heloísa Helena, a terceira colocada, oscilou negativamente um ponto –foi de 9% para 8%. Cristovam Buarque manteve os mesmos 2% que ostentava na pesquisa anterior. Ana Maria Rangel, presidenciável do inexpressivo PRP, também conservou o índice anterior: 1%.

 

O Ibope simulou o resultado de um eventual segundo turno disputado entre Lula e Alckmin. O candidato do PT aparece com 50% dos votos. Alckmin, com 41%. Na sondagem anterior, realizada entre os dias 18 e 20 de setembro, Lula tinha 52% e Alckmin 37%. Os números do Ibope esboçam um cenário mais adverso para Lula do que aquele que foi captado pelo Datafolha.

 

Nesse levantamento, Alckmin também subiu (de 29% para 31%). Mas roubou votos de Heloisa Helena, não de Lula, que oscilou negativamente de 50% para 49%. O tira-teima se dará nas próximas pesquisas, que os dois institutos farão na semana que vem.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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PF abre inquérito para apurar gestão tucana

As investigações do dossiêgate vão gerar um “filhote” na próxima semana. A Polícia Federal deve abrir um inquérito específico para apurar a suspeita de interferência de um empresário na liberação de verbas públicas durante a gestão de Barjas Negri no Ministério da Saúde. Negri era secretário-geral de José Serra. Virou ministro em 2002, quando Serra deixou o governo FHC para concorrer à presidência da República.

Chama-se Abel Pereira o empresário que será posto sob investigação. O nome dele consta de representação protocolada no Ministério Público no último dia 14 de setembro por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Na representação, Vedoin sustenta ter transferido dinheiro para Abel em troca de liberações orçamentárias da pasta da Saúde. Segundo a acusação de Vedoin, Abel Pereira agia em nome do então ministro Barjas Negri.

Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP), nega as acusações. Mas o delegado Diógenes Curado Filho, da PF, e o procurador Mário Lúcio Avelar, do Ministério Público Federal de Mato Grosso, decidiram apurar o caso. Há na representação feita por Vedoin comprovantes bancários de repasses feitos para empresas das quais Abel Pereira seria sócio.

Segundo o procurador Avelar, o primeiro passo da investigação será confirmar os pagamentos de Vedoin a Abel Pereira. Uma vez confirmados, será verificado a que título os pagamentos foram feitos. Em seguida, serão apurados os alegados vínculos entre o empresário e o ex-ministro Barjas Negri.

Quando à investigação da operação de montagem e venda do dossiê que seria adquirido por pessoas ligadas ao comitê de campanha de Lula, o próximo passo da polícia será a inquirição, na semana que vem de Hamilton Lacerda, afastado da coordenação de Comunicação da campanha do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, depois que teve o nome vinculado ao caso.

O delegado Curado Filho pretende promover também uma acareação de Luiz Antonio Vedoin com o lobista Valdebran Padilha. Valdebran sentou praça no PT em 2004. Na semana passada, nas pegadas do escândalo, o partido suspendeu sua filiação por 60 dias e abriu um processo interno que pode culminar na sua expulsão dos quadfros partidários. Valdebran agiu no caso do dossiê como emissário de Vedoin.

O delegado Curado informa que fará no final de semana uma análise do inquérito. Disse que só soube pela imprensa da existência de um dossiê “original”, com cerca de 2.000 páginas. A informação foi repassada a jornalistas por outro delegado da PF, Edmilson Bruno, que realizou, em São Paulo, as prisões de Valdebran e de Gedimar Passos, um ex-agente federal que disse ter sido contratado pela Executiva Nacional do PT para adquirir o dossiê.

A prisão dos dois ocorreu no último dia 15 de setembro, um dia depois de Luiz Vedoin ter protocolado no Ministério Público a representação em que faz acusações ao empresário Abel Pereira e ao ex-ministro Barjas Negri. O suposto dossiê “original”, informou o delegado Edmilson Bruno, conteria informações contra partidos “de A a Z”, incluindo o próprio PT. De resto, a PF continua seguindo a trilha do dinheiro, para tentar chegar à origem do R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra do dossiê.

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Se cair nas pesquisas, Lula pode ir a último debate

  Marlene Bergamo/F.Imagem
A repercussão do dossiêgate fez com que Lula passasse a considerar a hipótese de comparecer ao último debate entre os presidenciáveis. Será transmitido pela Globo, na noite de 28 de setembro, três dias antes da eleição. Em diálogo com um auxiliar, na última quinta-feira, o presidente condicionou o comparecimento à evolução das pesquisas na semana que antecede o primeiro turno.

Lula havia decidido que não iria a nenhum debate. Faltou aos dois primeiros, promovidos pelas emissoras Bandeirantes e Gazeta. Em ambos, foi alvo de ataques generalizados dos adversários. Agora, entre quatro paredes, o presidente passou a dizer que, se as pesquisas indicarem que sua vitória em primeiro turno está sob risco, pretende comparecer ao último confronto com os demais presidenciáveis.

 

O presidente avalia que a ausência nos debates só lhe é benéfica se seu favoritismo for explícito, como vem ocorrendo até aqui. Se as pesquisas começarem a apontar para a possibilidade de uma reversão de última hora, acha que não poderá mais se dar ao luxo de “apanhar” em rede nacional sem se defender. Lula leva em conta o fato de que a audiência da Globo é maior do que a das outras duas emissoras que já realizaram debates.

 

Assim, nos próximos dias, Lula vai grudar o olho nas pesquisas –as independentes, feitas para divulgação pública, com registro na Justiça Eleitoral; e as internas, realizadas por encomenda do seu comitê de campanha pelo Instituto mineiro Vox Populi. São feitas 2.000 entrevistas domiciliares diariamente.

 

Pelo que disse Lula ao auxiliar, se os índices de intenção de voto se mantiverem no nível que foi detectado pelo Datafolha em pesquisa divulgada neste sábado, ele continuará dando de ombros para o debate. Se o novo escândalo corroer o seu prestígio a ponto de insinuar a realização do segundo turno, são grandes as chances de que resolva ir aos estúdios da Globo na próxima quinta-feira.

 

A última reunião dos representantes dos comitês eleitorais com a emissora ocorreu há coisa de dez dias. O jornalista João Santana, que cuida do marketing da campanha de Lula, estave presente. Perguntaram-lhe se Lula iria ao debate. Santana foi evasivo. Deixou a dúvida no ar.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Apesar de escândalo, Lula mantém vitória no 1º turno

 

- Estadão: Lula já admite 2º turno e chama oposição de golpista

 

- Globo: Operadores responsabilizam PT por dossiê, sem citar nomes

 

- Correio: Petistas depõem e inocentam Lula

 

- Valor: Investimento brasileiro no exterior chegará a US$ 14 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Vôo cego!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Alckmin sobe, mas Lula ainda leva no primeiro turno

Pesquisa Datafolha veiculada neste sábado pela Folha (assinantes) informa que, no rastro da crise do dossiêgate, Geraldo Alckmin amealhou a sua melhor marca desde o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Foi de 29% para 31%. Lula oscilou para baixo, de 50% para 49%. Mas continua favorito à vitória no primeiro turno.

 

Os movimentos ocorreram dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Mas, comparando-se o resultado atual com o de sondagens anteriores do Datafolha, tem-se que, em dez dias, a diferença que separa Alckmin de Lula caiu de 22 para 18 pontos. Em um mês, Alckmin cresceu seis pontos percentuais.

 

A despeito disso, o segundo turno ainda não está no papo. Por que? Simples: o crescimento de Alckmin não se deu sobre o eleitorado de Lula. O presidente se mantém em patamar estável. Se a eleição fosse hoje, Lula amealharia 55% dos votos válidos, numa conta que exclui os votos brancos e nulos. Basta que obtenha 50% mais um (maioria absoluta dos votos) para assegurar o segundo mandato já em 1º de outubro, dia do primeiro turno.

 

De acordo com a pesquisa publicada neste sábado, Lula ainda tem oito pontos percentuais a mais do que a soma de todos os seus adversários. Há três dias, quando o Datafolha havia divulgado a pesquisa anterior, a dianteira de Lula sobre os adversários era de dez pontos percentuais.

 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, explica que, para que houvesse segundo turno, Alckmin teria que roubar votos de Lula, o que não vem ocorrendo. Heloisa Helena, a terceira colocada, oscilou para baixo –de 9% para 7%. Para Paulino, vêm daí os votos que tonificaram o índice de intenções de voto de Alckmin.

 

Uma mudança de cenário só seria produzida, diz Paulino, se a oscilação negativa de Lula, que foi de um mísero ponto nesta pesquisa, "se transformasse numa perda mais significativa" na semana que antecede a eleição.

 

Correndo contra o tempo, Alckmin manterá o timbre elevado nos três programas que lhe restam na propaganda televisiva. O dossiêgate continuará sendo a estrela dos programas que o tucano levará ao ar neste sábado, na terça e na quinta-feira da semana que vem.

 

A julgar pelos dados levantados pelo Datafolha, a tática não assegura a reversão do favoritismo de Lula. Os pesquisadores do instituto foram às ruas na quinta e na sexta-feira. Foram incluídas nos questionários perguntas sobre a crise do dossiê. Nada menos que 71% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento das prisões de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, do PT, há uma semana. Desse total, 22% se dizem bem informados; e 35% mais ou menos informados. Só 29% não tomaram conhecimento das prisões.

 

Para 52% dos entrevistados Freud Godoy, exonerada da assessoria especial do Planalto, está envolvido na negociação do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Mas o eleitorado se divide quando perguntado se acha que Lula sabia da encrenca: 39% acham que sim, Lula sabia; 34% dizem que o presidente não tinha conhecimento; e 26% não souberam opinar.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Um olhar além da crise

Se você mora na capital paulista, abra os olhos para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Faz aniversário de 30 anos neste ano da graça de 2006. Começa em 20 de outubro e vai até 2 de novembro. O quindim deste ano será uma retrospectiva de 15 filmes produzidos pelo cinema político italiano dos anos 60 e 70. Coisa fina. Feita por gente do porte de Bertolucci, Bellocchio e Scola.

 

A lista de convidados inclui a atriz brasileira Florinda Bolkan, que mora na Itália. Estrelou uma fita cujo título se encaixa à atual realidade política brasileira: "Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita." Lembra alguma coisa?

 

Clicando no cartaz você será conduzido ao sítio da mostra. Por ora, a página exibida é a do ano passado. Grude no rol de favoritos da sua máquina. E acesse a partir de 10 de outubro, dia em que a página será atualizada. A coisa vai acontecer no Conjunto Nacional, assentado no número 2.073 da Avenida Paulista. Os ingressos começam a ser vendidos em 14 de outubro. Bom proveito.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Lula e Mercadante espinafram o PT em praça pública

  Rodrigo Paiva
Em cima de um palanque, o melhor amigo do político é a conveniência. E, nesse momento, nada é mais conveniente para Lula e Aloizio Mercadante do que se dissociar da encrenca do dossiêgate. Vem daí que, em comício na Baixada Santista, na noite desta sexta, os dois desceram o sarrafo no próprio partido. Uma dupla de opositores não teria sido mais severa.

Foi o primeiro grande comício de Lula depois da descoberta da “Operação Tabajara”, que flagrou um time de arapongas do PT tentando comprar por R$ 1,7 mil um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Lula disse que o PT não pode fazer “vista grossa” em relação aos envolvidos, a maioria vinculada ao seu próprio comitê de campanha.

Ecoando o presidente, Mercadante tomou de empréstimo do guru uma expressão que Lula usou muito em outro grande escândalo da era petista, o do mensalão. O candidto petista ao governo de São Paulo disse que o PT vai ter que “cortar na própria carne”.

Mercadante teve um motivo adicional para altear a voz. Em depoimento à Polícia Federal, nesta sexta, Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro de Lula que foi mandado para o chuveiro pelo comando da campanha, disse que o dossiê, depois de adquirido, seria entregue à campanha do partido em São Paulo. O destinatário era Hamilton Lacerda, afastado da chefia da Comunicação de Mercadante depois que seu nome escorregou para o centro da encrenca.

Lula tratou a tentativa de compra do dossiê como uma “imbecilidade”. Disse que "os companheiros que se acharam espertos e que fizeram negociação com bandido vão ter que pagar. Pode se esconder e não dizer quem foi, mas vai aparecer. E, quando aparecer nós não poderemos fazer vista grossa." O time de espertos "cometeu um erro muito grave, um erro inaceitável, que nós jamais vamos deixar de tratar com a seriedade que exige", disse Mercadante, no mesmo diapasão.

A julgar pelo que disse mais cedo o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Lula e Mercadante logo terão a oportunidade de transformar discurso em ações efetivas. Bastos declararou que a investigação do dossiêgate está "praticamente resolvida". A PF trabalha agora, segundo esclareceu o ministro, “para descobrir a origem do dinheiro”.

 

O ministro fez, no entanto, uma ponderação: "Não se pode prejudicar a investigação para obter efeito eleitoral. Não podemos aderir ao clima incendiário que acompanha a última semana da eleição." É aí que mora o problema.

 

Ao eleitor, interessa conhecer os contornos da lambança produzida pelo birô de “inteligência” do PT antes do dia da eleição, marcada para 1º de outubro. A transferência das respostas para depois do pleito não deveria interessar nem a Lula nem a Mercadante nem ao resto do PT. A dúvida é um veneno que só serve aos culpados.

Escrito por Josias de Souza às 00h18

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Dossiê envolve partidos 'de A a Z', diz delegado

Edmilson Bruno, o delegado da Polícia Federal comandou em São Paulo a prisão de Gedimar Passos e Valdebra Padilha, na semana passada, revelou nesta sexta que o dossiê levado ao balcão por Luiz Antônio Vedoin, o chefão da quadrilha das sanguessugas, é maior do que se imagina. Conteria 2.000 páginas, com informações comprometedoras contra partidos que, diz o delegado, vão “de A a Z”. Entre eles o próprio PT.

 

A informação do delegado ajuda a explicar a disposição dos atabalhoados agentes de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula de pagar pelo material R$ 1,7 milhão. "O Gedimar disse que o dossiê está envolvendo todos os partidos políticos e o próprio PT. Em nenhum momento o senhor Gedimar disse que era um dossiê contra o PSDB. Se vocês tiverem acesso aos meus autos, no futuro, verão que ele não fala do PSDB", disse o delegado.

Na semana passada, a PF apreendera uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos --que formariam o suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra. O material era, porém, pífio. A peça mais relevante era um DVD mostrando Serra numa cerimônia de entrega de 41 ambulâncias, em Cuiabá.

 

Vendeu-se a informação de que a cerimônia ocorrera num galpão da Planam. Nesta sexta, a assessoria de Serra esclareceu que o evento foi realizado em 7 de maio de 2001. Teve caráter oficial e foi público. Não ocorreu nas instalações da Planam, mas num centro de convenções chamado “Pantanal”.

 

Injetaram-se também no dossiê duas fotos de Geraldo Alckmin. Ele não participou da solenidade de Cuiabá. As imagens foram clicadas em 2004, no Congresso Paulista de Municípios, em Campos do Jordão.

 

Para desassossego do PT, que vem cobrando a apuração das supostas denúncias contidas no dossiê, Luiz Vedoin disse ontem, em depoimento à Polícia Federal, que nem Serra nem Alckmin têm vinculo com a máfia das ambulâncias. Manteve apenas as acusações contra Barjas Negri, sucessor de Serra no Ministério da Saúde em 2002.

 

Segundo Vedoin, um empresário chamado Abel Pereira "recebeu valores para liberação de recursos pendentes na gestão de Barjas Negri no Ministério da Saúde". Abel, diz Vedoin, “é ligado a Barjas”, hoje prefeito de Piracicaba. Barjas nega as acusações.

 

Além das acusações feitas em depoimento, Vedoin protocolou no Ministério Público, na semana passada, uma representação contra Abel Pereira e Barjas Begri. Anexou ao documento comprovantes bancários. O procurador Mario Lucio Avelar investiga o caso. A CPI das Sanguessugas pretende fazer o mesmo. Em entrevista à Agência Carta Maior, o presidente da comissão, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), reafirma que a apuração vai abranger as gestões de FHC e de Lula. A CPI obteve nesta sexta cópia do dossiê. O material foi ao cofre. Só será analisado a partir de 4 de outubro, depois das eleições.

Escrito por Josias de Souza às 20h21

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Lorenzetti admite participação no dossiêgate

 Roosewelt Pinheiro/ABr
Jorge Lorenzetti (na foto), churrasqueiro de Lula e ex-chefe do núcleo de arapongagem do comitê da reeleição, prestou depoimento à PF nesta sexta. Admitiu tudo o que já era sabido. E negou o que é apenas suspeitado.

O que Lorenzetti admitiu?

 

1. participou da negociação que visava obter um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin;

 

2. Reconheceu ter mantido contatos com Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Discutiu com ele o repasse do dossiê para o PT;

 

3. o dossiê seria entregue a Hamilton Lacerda. Ele era coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Foi afastado do cargo depois de ter admitido que articulou com a revista IstoÉ a publicação de reportagem contra os políticos tucanos;

 

4. Pediu a Expedito Afonso Veloso e a Gedimar Passos que verificassem a autenticidade e o conteúdo do material inserido no dossiê. Afonso Veloso era diretor de Gestão de Riscos do Banco do Brasil. Foi afastado depois que seu nome foi vinculado ao caso. Gedimar foi preso pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para comprar o dossiê.

 

O que Lorenzetti negou?

 

1. Negou que Lula ou Ricardo Berzoini, afastado da coordenação nacional da campanha reeleitoral, soubessem da “Operação Tabajara”;

 

2. A PF apurou que Luiz Antônio Vedoin queria pelo dossiê R$ 20 milhões. Baixou a pedida para R$ 2 milhões. E acabou aceitando R$ 1,7 milhão. Ou seja, estava atrás de dinheiro. A despeito disso, Lorenzetti negou que tenha tratado de cifras nos contatos que manteve com o dono da Planam. Disse ter ficado “chocado” quando soube da grana retida pela PF;

 

3. "Desde o primeiro momento, havia orientação do partido, principalmente pelo momento eleitoral, de que não poderia qualquer negociação [financeira]", disse Lorenzetti, de acordo com o relato de seu advogado, Aldo de Campos Costa;

 

O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito, inquiriu também Expedito Afonso Veloso, o diretor afastado do BB. E está ouvindo Osvaldo Basgas. Este último era o responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula. Reuniu-se, junto com Lorenzetti, com um repórter de Época. No encontro, os dois tentaram empurrar o dossiê para a revista.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

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Lula admite que eleição pode ir ao segundo turno

  Domingos Tadeu/ABr
Lula admitiu nesta sexta que a eleição presidencial pode escorregar para o segundo turno. Discursando para cerca de 300 prefeitos, o presidente disse: "Se tiver segundo turno, a vida é assim mesmo, e é por isso que é bom que tenha dois turnos. Que vamos ganhar não tenho dúvida, só é preciso aferir corretamente o tempo".

 

As três centenas de prefeitos voaram até Brasília especificamente para participar de um ato pró-reeleição. Entregara, a Lula um manifesto de apoio assinado por 2.135 prefeitos de todo país. a lista é suprapartidária. Inclui inclusive gestores municipais filiados ao PSDB e PFL. Lula pediu o empnho de todos eles na reta final da campanha.

 

"É preciso ficar de olho, porque tem gente neste país que ainda não aprendeu a viver na democracia. Tem gente neste país que pensou: 'vamos deixar o operário entrar, que ele não vai dar certo, e depois a gente volta com toda força'", disse o presidente.

 

"Só que os números mostraram que nós demos muito mais certo que eles e eles agora estão ansiosos para ver se existem outros meios que não a relação democrática da eleição para evitar que as pessoas dirijam este país", completou.

 

Discursando para a mesma platéia, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que a oposição tenta “melar o processo eleitoral”, para “gerar instabilidade política”.

 

O ministro se referia à exploração que vem sendo feita em torno do dossiêgate. Em desvantagem nas pesquisas, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin enxerga no mais novo escândalo uma espécie de luz no final de seu túnel particular. Voltou, aliás, à carga nesta sexta. Quer porque quer grudar a encrenca em Lula.

 

"O PT é o Lula”, disse Alckmin, em viagem a Curvelo (MG). “Quem é que são as pessoas que estão envolvidas nisto? Diretor do Banco do Brasil, diretor do Banco do Estado de Santa Catarina, que aliás é o churrasqueiro do presidente. São pessoas da sua intimidade. O Freud [Godoy] é assessor direto do presidente da República. Se você olhar aquele filme Entreatos, ele aparece no primeiro minuto do filme."

 

Lula, por sua vez, esforça-se para afastar de si o cálice de veneno que o petismo lhe serviu na reta final da campanha. Em entrevista à CBN, o presidente voltou a desfiar um rosário de adjetivos desairosos para classificar a tentativa de compra de um dossiê antitucanato. Chamou de “insanidade”, “loucura”, “imbecilidade”.

 

Há uma semana, a hipótese de ocorrência do segundo turno não passava pela cabeça de Lula. Agora, graças à lambança proporcionada pela “Operação Tabajara”, germinada no seu quintal, o presidente vê-se constrangido a olhar para baixo, para acompanhar o movimento de Alckmin. O PT, quem diria (!), mostrou-se um adversário mais incômodo para Lula do que o PSDB e o PFL.

Escrito por Josias de Souza às 15h29

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Na Internet, PT espreita golpe na virada da curva

Quem passeia pelo sítio do PT na internet fica com a impressão de que o país vive a antevéspera de um golpe de Estado. Há ali, por exemplo, um manifesto de entidades sociais a favor do esquadrinhamento da gestão de José Serra na Saúde e contra “ataques golpistas”. O texto de abertura informa que o manifesto foi firmado por representantes de “mais de 70 entidades.” Descendo-se à lista, contam-se só 54. Um golpe contra a matemática.

 

Há também no sítio petista um artigo do cientista político Emir Sader. Condena a transformação de José Serra em “vítima” e denuncia a “nova ofensiva em prol de um impeachment”. Hipótese da qual ele próprio desdenha: “(...) O povo”, diz Sader, “mais uma vez não dá bola pra direita”. Sei não. E se for preciso atravessar uma via de mão-dupla? E se o lateral direito pedir a bola na pelada do final de semana?

 

Há ainda um artigo de Milton Pomar, petista de Santa Catarina. Acusa a imprensa de ter trocado o jornalismo pela propaganda; protege-se José Sarra, acredita ele, e ataca-se o petismo e Lula. Sustenta que acusações miúdas ao presidente jogam “lenha em uma fogueira que arde em outros países há muito tempo, sem perspectiva de apagar.”

 

O petismo está cheio de razão. A quadra é mesmo grave. Recomenda vigilância. Há descerebrados demais à solta. São todos muito parecidos. Usam crachá do mesmo birô de "inteligência", padecem da mesma inanição mental e guardam perigosa proximidade com um invariável personagem: Lula. Deus proteja o PT de si mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 09h59

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As manchetes desta sexta

- Folha: Vedoin isenta Serra do caso sanguessuga

- Estadão: Escândalo afeta mercado e risco dispara 7%

- Globo: Escândalo: PF investiga entrada ilegal de dólares

- Correio: Planalto arma operação para blindar Lula

- Valor: Investimento brasileiro no exterior chegará a US$ 14 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Sucata!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Para PF, dólares entraram no país ilegalmente

A Polícia Federal julga ter obtido avanços importantes no esforço que empreende para rastrear o dinheiro –R$ 1,7 milhão, em cédulas de real e de dólar— que seria utilizado por petistas para comprar o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Descobriu-se, por exemplo, que parte dos dólares apreendidos na última sexta-feira podem ter ingressado no país ilegalmente.

 

De todo o dinheiro retido pela PF, há em moeda estrangeira US$ 248,8 mil. Dois maços de US$ 10 mil integram um lote de US$ 25 milhões fabricados pela casa da moeda dos EUA em abril deste ano e repassados a bancos de Nova York e da Flórida. Pela numeração, soube-se que não há no Banco Central brasileiro registro do ingresso das notas no país. Daí a dedução de que a grana deve ter cruzado as fronteiras ilegalmente, segundo noticiou o Jornal Nacional.

 

Há ainda em meio ao material apreendido pela PF um pedaço de papel com uma soma feita em máquina de calcular. Traz uma anotação manuscrita: "119 Campo Grande" e o nome de Claudio Márcio S. Silva, além das palavras "arrecadação, caixa, caxias, 118".

A PF obteve outro dado que considera relevante: a lista de passageiros de um vôo. Decolou de Brasília rumo a São Paulo no dia 14 de setembro. Estava a bordo Jorge Lorenzetti, o ex-funcionário do comitê de Lula implicado no dossiêgate. A data do vôo coincide com o dia que Gedimar Padilha disse ter recebido o dinheiro para a compra do dossiê. Gedimar é aquele sujeito que, depois de preso, disse em depoimento à PF, que fora contratado pela Executiva Nacional do PT para adquirir o dossiê antitucanato.

 

O blog apurou que a PF avançou também no rastreamento dos reais apreendidos em São Paulo. Sabia-se desde quarta-feira que a gana fora sacada em três bancos: Bradesco, Safra e BankBoston. Descobriu-se a localização das agências bancárias. Duas ficam em São Paulo, nos bairros da Barra Funda e da Lapa. Outra fica no Rio, em Duque de Caxias.

Escrito por Josias de Souza às 00h48

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‘Operação Tabajara’ injeta suspense na eleição

Os problemas de Alckmin ainda não acabaram. Mas, graças à entrada em cena de um time completo de “personal dossiê adquirators” da equipe Tabajara de "inteligência" do PT, o que era impensável –a hipótese do segundo turno—ganhou ares de vaga possibilidade.

Duas novas pesquisas divulgadas nesta quinta -Ibope (gráfico abaixo) e Vox Populi- reiteram o favoritismo de Lula, num quadro que pode ser definido como estável. Mas o presidente oscilou para baixo em uma delas. E Alckmin deslizou para cima em ambas. De acordo com o Ibope, Lula foi de 50% para 49%; Alckmin,de 29% para 30%. Os pesquisadores do Ibope foram às ruas entre 18 e 20 de setembro.

Na sondagem do Vox Populi, Lula foi de 50% para 51%. E Alckmin, de 25% para 27%. A diferença é que a pesquisa do Vox Populi, realizada entre os dias 16 e 19 de setembro, foi fechada antes da do Ibope.

Para cavar uma vaga segura no segundo turno, Alckmin precisa abrir um dique nos índices de Lula. A fenda precisa ser grande o bastante para fazer escoar da taxa de intenções de voto do adversário algo como cinco pontos percentuais (coisa de 7 milhões de votos).

É fácil? De jeito nenhum. É impossível? Não. Sobretudo depois que o PT presenteou Alckmin com o “fato novo” que o tucanato procurava ou durante toda a campanha. Os especialistas, que antes descartavam o segundo turno em uníssono, agora soam mais cautelosos.

Correndo contra o tempo, os marqueteiros de Alckmin transformaram o dossiêgate no grande mote da propaganda televisiva. Nesta quinta, o programa tucano exibiu fúria inédita. Foi quase que totalmente tomado pelo esforço de vincular Lula ao novo escândalo.

Depois de associar todos os personagens do dossiêgate ao presidente –o assessor palaciano, o churrasqueiro, os funcionários do comitê reeleitoral e o coordenador da campanha—, a propaganda tucana proporcionou ao telespectador uma imagem que a Polícia Federal sonegara.

Exibiu-se na telinha uma pilha de papéis em formato de dinheiro para dar ao eleitor uma idéia do tamanho do monturo de notas apreendido com os petistas que transacionavam a compra do dossiê antitucano na semana passada. “Dinheiro vivo”, frisou o locutor.

O próprio Alckmin, que em programas anteriores vinha transferindo aos locutores as críticas a Lula, interveio diretamente. "O assessor especial está envolvido, auxiliares de Lula estão envolvidos, o presidente do PT está envolvido" disse o candidato, em timbre enfático. "Que presidente é esse que não sabe de nada, não viu nada? Um presidente tem a obrigação de saber o que se passa ao redor dele". Instou o eleitorado a “Varrer da história do país escândalos e mais escândalos."

Lula, que vinha ignorando olimpicamente os ataques, viu-se compelido a defender-se. A parte inicial do programa desta quinta foi reservada a um pronunciamento do presidente. Disse que a corrupção aparece porque seu governo não tentou “varrer o lixo para baixo do tapete”. Informou ter afastado todos os envolvidos no dossiêgate, inclusive Ricardo Berzoini, seu coordenador de campanha. Declarou-se avesso ao uso de dossiês –“Esse nunca foi e nunca será o meu estilo.”

O embate retórico será repisado nos programas que ainda restam até o dia da eleição. Serão mais três, sem contar as inserções distribuídas ao longo da programação. As próximas pesquisas dirão se o segundo turno –hoje uma vaga possibilidade—pode ou não ocorrer. Datafolha e Ibope informaram ao TSE que farão novas sondagens. A do Datafolha será fechada nesta sexta. A do Ibope, no domingo.

Escrito por Josias de Souza às 23h34

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Justiça repassa dossiê à CPI das Sanguessugas

A Justiça Federal de Mato Grosso autorizou o envio à CPI das Sanguessugas de todo o material apreendido pela Polícia Federal na investigação do dossiêgate. A ordem foi expedida pelo juiz Marcos Tavares. Ele atendeu a um pedido formulado em ofício do presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).

 

De posse do material, a CPI incluirá no rol de investigados José Serra e Barjas Negri, ex-ministros da Saúde na gestão Fernando Henrique Cardoso. Por ora, estavam sendo apurados apenas fatos relacionados às gestões do petista Humberto Costa e do peemedebista Saraiva Felipe, que comandaram a pasta da Saúde na gestão Lula.

 

Serão encaminhadas à CPI todas as peças que compõem o dossiê levado ao balcão pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. O material foi apreendido na última sexta-feira, antes de ser comercializado com emissários petistas por R$ 1,7 milhão.

 

Há no dossiê antitucanato seis fotos, uma agenda, uma fita de vídeo e um DVD. As imagens mostram políticos do PSDB ao lado de congressistas que estão sendo processados no Conselho de Ética por terem supostamente trocado emendas ao orçamento por propinas pagas pela Planam. A fita e o DVD contêm cenas de uma cerimônia de entrega de 41 ambulâncias, em 2001, com a presença do então ministro José Serra. Deu-se em Cuiabá, num galpão da Planam.

 

Duas das fotos exibem imagens do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Para o comitê tucano, a inclusão dessas fotos no dossiê evidencia a tentativa de interferir no processo eleitoral de modo espúrio. Diferentemente do que se tentou propagar, Alckmin não esteve em Cuiabá. As fotos foram tiradas em março de 2004, durante o 48º Congresso Estadual dos Municípios paulistas, em Campos do Jordão (SP). É uma solenidade à qual os governadores de São Paulo comparecem rotineiramente. De resto, enquanto governou São Paulo, Alckmin jamais adquiriu ambulâncias da Planam. Ele as comprava diretamente das montadoras, por meio de pregões eletrônicos

 

Além do pedido à Justiça, Biscaia enviou ofícios também à direção da Polícia Federal e ao Ministério Público. O procurador da República Mario Lucio Avelar, baseado em Cuiabá, vai remeter à CPI cópia da representação protocolada por Luiz Antonio Vedoin, na véspera da explosão do escândalo do dossiê.

 

No documento, Vedoin diz ter repassado recursos a Barjas Negri, sucessor de Serra no Ministério da Saúde, por meio de um empresário chamado Abel Pereira. Ele anexou à representação vários comprovantes bancários. Barjas nega que tenha mantido relacionamento monetário com Vedoin.

 

O procurador Mario Lucio, que acompanha também a investigação d tentativa de venda do dossiê, decidiu abrir um procedimento para dar curso à representação de Vedoin. Primeiro, deseja confirmar os repasses a Abel Pereira. Depois, quer saber por que ele recebeu dinheiro de Vedoin. Por último, deseja apurar se o empresário tem algum vínculo com Barjas Negri.

 

A análise dos documentos na CPI só será feita depois da eleição. Em reunião realizada no início da semana, a direção da comissão concluiu que, assim como a PF e o Ministério Público, terá de apurar os contornos do dossiêgate e, simultaneamente, as suspeitas de interferência da Planam também sobre a gestão do Ministério da Saúde no governo FHC.

 

O novo tom de Luiz Antonio Vedoin destoa de seus depoimentos anteriores. Inquirido pela Justiça, pelo Ministério Público e pela própria CPI das Sanguessugas, o dono da Planam sempre isentou Serra e Barjas Negri de participação no esquema de superfaturamento de ambulâncias. A assessoria de José Serra afirma que o empresário mudou o discurso porque foi instrumentalizado por uma “baixaria de campanha” patrocinada pelo PT. Sustenta que, na sua época, as liberações orçamentárias eram feitas automaticamente, sem nenhum tipo de interferência externa.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

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Comitê de Lula desativa setor de ‘inteligência’

  Sérgio Lima/F.Imagem
Lula disse que afastou Ricardo Berzoini do comando de sua campanha porque não podia ter um coordenador que iria passar os dez dias que faltam para a eleição “dando explicações sobre dossiê”. Acomodado no lugar de Berzoini, Marco Aurélio Garcia deu hoje a sua primeira entrevista coletiva. Não fez senão dar “explicações sobre o dossiê.”

 

Garcia informou aos jornalistas algo alvissareiro: vai desativar o setor de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Foi a melhor notícia da entrevista. Vendo-se o resultado do trabalho dos arapongas petistas, constata-se que a “inteligência” desse pessoal é mais vasta do que a tolice humana.

 

"Esse setor eu nem conhecia e pelo desempenho não me parece muito inteligente", reconheceu Garcia. O novo coordenador viu-se constrangido a reconhecer o envolvimento de petistas na “Operação Tabajara”. Embora o prestígio de Berzoini e de outros dois petistas ligados ao comitê de Lula tenham sido carbonizados nas labaredas do escândalo, Garcia disse os fatos sob investigação "correm marginalmente à coordenação da campanha".

 

"Nós repudiamos essa operação que algumas pessoas tentaram levar adiante”, acrescentou o novo coordenador do comitê reeleitoral. “O PT não fez nenhuma iniciativa, mas hoje é de caráter público que pessoas estão envolvidas nessa operação. O PT não paga por dossiê, não atua nessa direção. As pessoas que fizeram isso foi à revelia do partido e trouxeram prejuízos extraordinários do ponto de vista político." Segundo Garcia, a campanha de Lula continua trabalhando com a perspectiva de vitória em primeiro turno.

 

Informado acerca da entrevista de Garcia, o comitê de Geraldo Alckmin escalou o coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra, para disputar com ele os espaços do noticiário. Guerra disse que Lula empurrou a esquerda brasileira para um "submundo" de corrupção.

 

Otimista, Guerra afirmou que Alckmin já está no segundo turno. Guerra disse que a consolidação da candidatura tucana é um processo que antecede o escândalo. Curiosamente, afirma que a exploração da encrenca na propaganda eleitoral será intensificada.

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Lula na Globo: escândalo, escândalo, escândalo...

  Divulgação/Globo
A entrevista fora marcada para que Lula falasse sobre o seu programa de governo. Mas ele passou 20 minutos respondendo a perguntas monotemáticas no Bom Dia Brasil, da Globo: só deu escândalo. Pressione na foto para assistir.

Ao final, o apresentador Renato Machado disse a Lula que ele não usara por completo os seus 30 segundos finais. E o presidente, com cara de poucos amigos: “Eu não usei porque eu pensei que ia discutir programa de governo e terminou não discutindo.”

“É claro que é grave”, disse Lula acerca da proximidade que as pessoas envolvidas no dossiêgate têm com ele, com o governo e com o PT. Em seguida, disse que não lhe cabe senão “afastar” os suspeitos. Depois, a encrenca passa a ser coisa da polícia, do Ministério Público e Justiça.

 

Vá lá, admita-se que o presidente não tem mesmo muito a fazer depois que o guisado foi para o beleléu. O problema, no caso de Lula, é que esta é a terceira ou quarta vez que a receita desanda. O presidente tem-se mostrado excessivamente fiel ao erro na hora de trocar os ingredientes.

 

Lula falou sobre o sacrifício de Ricardo Berzoini, um dos iguarias bichados que levara à panela: “Não posso, faltando dez dias de campanha, ter na coordenação uma pessoa que vai passar dez dias respondendo sobre dossiê. Preciso ter alguém que faça a campanha”.

 

A julgar pela entrevista do próprio Lula, Berzoini não será o único petista que passará os próximos dias, talvez meses, “respondendo sobre dossiê”. É como disse Lula na entrevista: "Mexer com bandido não dá certo." Aliás, Luiz Antônio Vedoin, o chefão da máfia das sanguessugas, decerto está dizendo o mesmo dos lulistas com os quais transacionou. 

 

Alckmin comentou a alegação de Lula de que nada tem a ganhar com a divulgação do dossiê contra ele e José Serra. Aliás, na entrevista ao Bom Dia Brasil, Luila disse que o dossiê era apenas contra Serra. Seu adversário comparou-o, veja você, a um ladrão de automóvel (clica).

Escrito por Josias de Souza às 09h13

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Sem argumentos!

 

Não deixe de visitar o sítio charge.com.

Escrito por Josias de Souza às 06h13

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Ação do TSE põe em risco segundo mandato de Lula

  Sérgio Lima/F.Imagem
Se for reeleito, como indicam as pesquisas, Lula pode ter um início de segundo mandato conturbado. Em entrevista ao blog, o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, informou que a investigação judicial aberta pela Justiça Eleitoral para apurar o dossiêgate só será concluída no final de 2006 ou início de 2007. Se forem comprovadas transgressões à lei, disse Marco Aurélio, “os reflexos recairão sobre candidatos já eleitos.”

Que reflexos são esses? Caso a representação ajuizada por PSDB e PFL seja julgada procedente, o TSE terá de declarar a inelegibilidade dos envolvidos por um período de três anos. Determinará, ainda, a cassação do registro de candidatos que tenham sido beneficiados pela interferência ilegal na eleição. E enviará o processo ao Ministério Público Eleitoral para a abertura de ação visando a impugnação do mandato obtido nas urnas. É o que determina o artigo 14, parágrafos 10 e 11 da Constituição. É o que preceitua também o artigo 262, inciso IV, do Código Eleitoral.

Marco Aurélio conversou com o blog à 00h05, depois do encerramento do expediente noturno do TSE. Fez questão de frisar que falava em tese. “Não estou fazendo pré-julgamento. Falo do instrumental que temos à disposição para qualquer processo. Neste caso específico, a presumir-se alguma coisa, tem que ser presumida a ausência de envolvimento. É preciso aguardar o encerramento do processo”.

O blog perguntou a Marco Aurélio se, uma vez detectadas ilegalidades, o tribunal poderia impor sanções apenas ao PT, já que Lula alega que não sabia do envolvimento do partido e de integrantes de seu comitê de campanha na tentativa de compra, por R$ 1,7 milhão, do dossiê conta os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. A resposta do ministro negativa.

“Há um elo, uma contaminação. Dificilmente se chegará à conclusão de que o candidato em si estaria alheio a tudo. Sob o ângulo eleitoral, temos disposições que alcançam o beneficiário do ato julgado ilegal, ainda que não saiba. Do contrário seria muito fácil. Qualquer candidato poderia alegar desconhecimento de ilegalidades para fugir a eventuais punições.”

A investigação do dossiêgate está a cargo do ministro César Asfor Rocha, corregedor-geral do TSE. Nesta quarta-feira, ele enviou ofício à Polícia Federal requisitando cópia integral do inquérito. Foi o primeiro ato formal no processo depois do acatamento da representação protocolada por PSDB e PFL. Se julgar necessário, César Rocha pode requisitar diligências à PF, que, neste caso, atua como polícia judiciária.

Segundo explicou Marco Aurélio ao blog, a ação do TSE não constitui uma interferência no trabalho da PF. “Há independência processual”, diz ele. Interessam ao tribunal apenas os aspectos eleitorais envolvidos no inquérito. São transgressões previstas no artigo 19 da Lei de Inelegibilidades, de 1990 –origem do dinheiro e abuso do poder econômico, por exemplo.

A próxima providência do ministro César Rocha será a expedição de notificações aos investigados, para que apresentem defesa em cinco dias. Cada um poderá indicar até seis testemunhas de defesa. Além de Lula, encontram-se sob investigação o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça); o presidente do PT, Ricardo Berzoini; o ex-assessor especial da Presidência Freud Godoy; e os petistas Gedimar Pereira Passos e Valdebran Carlos Padilha.

Marco Aurélio lamentou que Lula e o PT estejam novamente enredados em suspeições: “Quando nós imaginamos que tudo já veio à tona, surge mais esse problema. Qual é a tendência? Quando se é apanhado num desvio qualquer, fica-se mais atento com os parâmetros legais e com os princípios que são próprios da vida em sociedade. Assim deveria ser.”

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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PF interroga Vedoin nesta quinta, em Cuiabá

  Sérgio Lima/F.Imagem
A Polícia Federal vai inquirir nesta quinta-feira, em Cuiabá, Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. O interrogatório será conduzido pelo delegado Diógenes Curado Filho, que preside o inquérito do dossiêgate. Deseja-se arrancar de Vedoin novos detalhes sobre a montagem e tentativa de venda, por R$ 1,7 milhão, do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

O depoimento de Vedoin é considerado pela PF crucial para a elucidação dos mistérios que ainda rondam a “Operação Tabajara”, como o caso foi apelidado pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Depois de ouvir o sócio da Planam, o delegado Diógenes Filho deseja inquirir todos os demais personagens do caso que ainda não foram ouvidos.

No decorrer desta quarta-feira, a PF iniciou os contatos para marcar as datas dos depoimentos de Expedito Afonso Veloso (afastado nesta quarta da diretoria de Gestão de Risco do Banco do Brasil), Oswaldo Bargas (ex-secretário de Relações do Trabalho no Ministério do Trabalho e assessor do comitê de Lula) e Jorge Lorenzetti (afastado das funções de analista de risco e mídia da campanha reeleitoral).

Todos foram associados ao dossiêgate. O delegado vai interrogá-los em Brasília. Depois, intimará o presidente do PT, Ricardo Berzoini, afastado da coordenação nacional da campanha de Lula. Investiga-se o crime de lavagem de dinheiro e eventuais prejuízos ao erário. A prioridade da PF no momento é o rastreamento do dinheiro apreendido na última sexta-feira, em São Paulo –cerca de R$ 1,7 milhão, uma parte em reais e outra em dólares.

Os reais, descobriu a PF, vieram de três bancos: Bradesco, Safra e BankBoston. Tenta-se agora localizar as agências em que foram feitos os saques e os nomes dos sacadores. Gedimar Pereira Passos informou, em depoimento, ter recebido da Executiva Nacional do PT a missão de adquirir o dossiê. O material lhe seria repassado por Valdebran Padilha, um petista que intermediava a transação em nome de Vedoin.

Gedimar contou que chegou a repassar R$ 1 milhão a Valdebran. Disse que o dinheiro lhe teria sido repassado, na garagem do Hotel Íbis, em São Paulo, por uma pessoa cujo nome não declinou. Descreveu-a assim: homem, branco, aparência de 45 anos. O emissário da mala chegou ao local de táxi.

Quanto ao restante dos maços de dinheiro, que completaram a quantia de R$ 1,7 milhão, Gedimar disse ter recebido de uma pessoa chamada André, que seria vinculada ao PT. A PF já dispõe de uma lista de petistas que atendem pelo nome de André. Encontram-se sob monitoramento.

Quanto à quantia em dólar que apreendeu na capital paulista, a PF recorrerá ao governo dos EUA para tentar refazer o caminho do dinheiro. O pedido de cooperação será enviado às autoridades norte-americanas pelo DRCI, o Departamento de recuperação de Ativos do Ministério da Justiça. A PF avalia que não terá condições de concluir o inquérito antes do primeiro turno das eleições, marcado para daqui a nove dias.  

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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As manchetes desta quinta

- Folha: Cai chefe da campanha de Lula

- Estadão: Escândalo derruba chefes de campanhas do PT

- Globo: Escândalo do dossiê derruba Berzoini da campanha de Lula

- Correio: Escândalo derruba chefe da campanha de Lula

- Valor: BNDES muda prioridades e vai dar apoio a inovações

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Carne queimada!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Cai Berzoini; Marco Aurélio é novo coordenador

  Folha Imagem
O deputado Ricardo Berzoini (SP) não é mais o coordenador da campanha de Lula. Ele foi afastado em reunião realizada há pouco no Planalto. Estava presente, além de Lula e Berzoini, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), um dos mais ferrenhos defensores da troca de comando da campanha.

Marco Aurélio Garcia substituirá Berzoini na coordenação do comitê reeleitoral. Ele é vice-presidente do PT e coordenador da elaboração do programa de governo de Lula. Para dedicar-se exclusivamente à campanha, Marco Aurélio será exonerado ainda nesta quarta-feira da função de assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais.

Num dia marcado pela sucessão de degolas, foi à lâmina também o coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda. Ao todo, o dossiêgate já produziu cinco escalpos de petistas. Entre as cabeças levadas à bandeja, a de Berzoini é, por ora, a mais vistosa. Além da coordenação da campanha, o deputado perdeu também o futuro. Sonhava largo. Queria ser presidente da Câmara ou ministro forte de Lula num eventual segundo mandato. Não é só: Berzoini pode ser privado ainda da presidência do PT.

Conforme divulgado aqui no blog na noite passada, Lula começou a cogitar o afastamento de Berzoini antes mesmo de deixar Nova York. Em diálogo telefônico que manteve, no meio da noite, com um de seus auxiliares palacianos, Lula deixara antever que a posição de Berzoini estava sob risco. 

Pesou decisivamente na decisão um dado repassado ontem a Lula. Informou-se ao presidente que a Polícia Federal intimará Berzoini para prestar esclarecimentos. A dez dias do primeiro turno das eleições, o presidente Lula não quis submter sua candidatura a riscos de contágio maiores do que os que já vêm ocorrendo. 

No diálogo da noite passada, Lula dissera ao assessor que refletiria sobre a encrenca na viagem de volta ao Brasil. Afirmou que não decidiria nada antes de conversar com o próprio Berzoini. Já em Brasília, reuniu-se com Berzoini pela manhã. O deputado pôs o cargo de coordenador à disposição do presidente. Ms Lula o manteve em suspense.

À tarde, o presidente realizou uma série de consultas. As opiniões que ouviu foram majoritariamente favoráveis ao sacrifício de Berzoini. Superando uma dificuldade crônica que tem de lidar com o corte de cabeças, Lula chamou Berzoini ao Planalto e anunciou a sua decisão. Pediu compreensão ao deputado. Disse que os interesses da campanha estão acima de desejos individuais.

A situação de Berzoini se complicou com a divulgação, há dois dias, de uma nota de Época. A revista disse ter sido procurada por dois petistas interessados em empurrar o dossiê contra José Serra. Ambos eram vinculados ao comitê de Lula. Um deles informou que, “no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro (...), mas sem ter conhecimento do conteúdo do material”.

Abalado, Berzoini cancelou uma entrevista coletiva que havia programado. Preferiu falar por meio de uma nota. Informou que, de fato, tivera conhecimento do contato com a revista. Mas ressalvou: “Jamais tive ciência do conteúdo abordado nesse encontro, conforme reproduzido fielmente pelo site da revista.”

A alegação de Berzoini soou inverossímil até no Planalto. Os dois petistas que estiveram com o repórter de Época eram diretamente vinculados a ele na estrutura do comitê de campanha de Lula: Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula; e Jorge Lorenzetti, analista de risco e de mídia, já afastado do comitê de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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CUT vê motivação ‘golpista’ por trás do dossiêgate

Alinhada à candidatura reeleitoral de Lula, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) enxerga nos desdobramentos do dossiêgate “uma tentativa de instalar o caos, com vistas a aventuras golpistas que ameaçam romper as regras democráticas”. Em nota oficial divulgada nesta quarta a direção executiva da central anotou que há uma “parcialidade escandalosa”. Um “menosprezo à opinião pública”. Diz ainda o texto: “A vontade popular é soberana e não pode ser violada sob nenhum pretexto.”

 

Para a diretoria da CUT, as pessoas envolvidas na confecção e na tentativa de compra do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin devem ser “punidos”. Mas, para que haja “isenção”, a apuração deve alcançar também o conteúdo do dossiê.

 

“A CUT não aceita que apenas um dos lados dessa questão seja objeto de investigação e debate público, como vem acontecendo nos últimos dias. Afinal, existe ou não o dossiê? Se a resposta for positiva, os poderes instituídos e a imprensa têm o dever de revelá-lo à opinião pública e identificar as irregularidades nele contidas”, anota o texto divulgado pela central sindical.

 

Não é à toa que a CUT apressou-se em divulgar uma manifestação sobre o caso. Dois dois principais envolvidos naquilo que o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) chamou de “Operação Tabajara” têm vínculos históricos com a central lulista. São eles: Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti.

 

Bargas debutou na política sindical na década de 80. Assumiu em 1981 a secretaria-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, filiado à CUT. Sob Lula, foi guindado, com os aplausos da central, à Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho na gestão de Ricardo Berzoini.

 

Lorenzetti ajudou a fundar a CUT e o PT em Santa Catarina, seu Estado natal. Sempre foi um entusiasta do envolvimento da central nas campanhas política de Lula. Exerceu funções de diretoria na CUT na mesma época em que Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, integrava os quadros da organização. Natural, poranto, que a CUT esteja preocupada com a “parcialidade” das investigações.

 

A principal peça do dossiê que a CUT julga inexplorado nas investigações é um DVD de 23 minutos. Mostra solenidade realizada em 2001 num galpão da Planam, ninho das sanguessugas, em Cuiabá. O então ministro da Saúde, José Serra, confraterniza com deputados hoje submetidos tachados de sanguessugas. Ainda não viu? Então pressione aqui para assistir.

 

Leia abaixo, a íntegra da nota da CUT:

 

“A CUT condena qualquer tipo de chantagem e exige que todos os fatos relacionados ao chamado dossiê das sanguessugas sejam apurados com isenção, e aqueles que tiverem responsabilidade comprovada no caso, punidos. Isso inclui a revelação de todo o conteúdo do suposto dossiê. A CUT não aceita que apenas um dos lados dessa questão seja objeto de investigação e debate público, como vem acontecendo nos últimos dias. Afinal, existe ou não o dossiê? Se a resposta for positiva, os poderes instituídos e a imprensa têm o dever de revelá-lo à opinião pública e identificar as irregularidades nele contidas.

 

Se apenas uma das facetas desse caso tiver exposição pública, ficará configurado no episódio uma tentativa de instalar o caos, com vistas a aventuras golpistas que ameaçam romper as regras democráticas. Acima de tudo, a manutenção dessa parcialidade escandalosa, a poucas semanas das eleições, é um menosprezo à opinião popular, expressa nos altos índices de aprovação do Governo Lula.

 

Em momentos como esse que vivemos, é importante também que os poderes da República preservem sua independência, em defesa do Estado de Direito, e não se coloquem a serviço de partidos.

A vontade popular é soberana e não pode ser violada sob nenhum pretexto.”

Escrito por Josias de Souza às 18h32

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Cai diretor do BB envolvido no dossiêgate

Foi passada na lâmina a cabeça de mais um petista acusado de envolvimento no dossiêgate. Expedito Afonso Veloso, diretor do Banco do Brasil, foi afastado na tarde desta quarta-feira. Ele ocupava a Diretoria de Gestão e Risco da instituição. Depois uma reunião dos membros do Conselho de Administração do BB, redigiu uma carta formalizando o seu afastamento.

Na carta, Afonso Veloso anotou: “(...) Estou em gozo de licença anual remunerada (férias), desde agosto último. Nesse período, atendi, por minha livre e espontânea vontade, a questões estritamente particulares, não tendo levado ao conhecimento de meus superiores no banco a natureza dessas atividades”.

Em seguida, Afonso Veloso escreve que “essas atividades não tiveram e não têm qualquer relação com o Banco do Brasil.” Isenta a instituição de “qualquer relação com os fatos divulgados”. E formaliza o pedido de afastamento, que foi prontamente aceito.

Para a Polícia Federal, Afonso Veloso teve participação ativa no dossiêgate. Desde que tirou férias no BB, ele vinha trabalhando no comitê de campanha de Lula. Na semana em que veio à tona o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, ele se encontrava em Cuiabá. Teria conversado com Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, sócios da Planam e chefões da máfia sanguessuga, a conceder entrevista à revista IstoÉ. será inquirido pela PF nos próximos dias.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

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Dinheiro do dossiê foi sacado em três bancos

A Polícia Federal já desvendou uma parte do mistério. Aqueles dois petistas de nome esquisito –Gedimar e Valdebran—estavam no mesmo barco. Agora, os investigadores estão na bica de descobrir algo ainda mais relevante: de onde veio a água.

Revelou-se nesta quarta que boa parte da grana que financiaria a “Operação Tabajara” foi sacada em três bancos: Bradesco, Safra e Boston. O blog apurou junto à PF que parte das notas apreendidas na última sexta feita estavam enroladas em maços com fitas de identificação dessas três casas bancárias. Logo se chegará aos nomes dos titulares das contas e dos sacadores.

E não pára de crescer a lista de implicados no dossiêgate. Em depoimento à PF, Valdebran Padilha, o lobista do PT matogrossense, mencionou um personagem novo: Expedito Afonso Veloso. Vem a ser diretor de Gestão e Risco do Banco do Brasil.

 

Estava faltando mesmo um funcionário do Banco do Brasil neste novo escândalo. Na era Lula, não há escândalo digno de nota sem uma participação qualquer de alguém injetado pelo PT nos quadros do BB. Expedito foi incluído no rol de pessoas que a PF pretende inquirir nos próximos dias.

 

Além dele, vão ao banco de interrogatórios Oswaldo Bargas, responsável pelo capítulo de Emprego e Trabalho do programa de governo de Lula; e Jorge Lorenzetti, afastado ontem das funções de analista de risco e mídia do comitê reeleitoral. Por último, será chamado a dar explicações o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 16h21

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Lula discute idéia de afastar Berzoini da campanha

Ricardo Stuckert/PR
 

A ‘Operação Tabajara’, apelido que o ministro Tarso Genro deu à tentativa de compra de um dossiê antitucanato, levou à berlinda Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha de Lula. Pelo telefone, o presidente da República acompanhou, desde Nova York, os desdobramentos do ‘dossiêgate’. Parecia particularmente aborrecido com a súbita aparição de Berzoini no miolo do torvelinho.

Em diálogo telefônico que manteve, no meio da noite, com um de seus auxiliares palacianos, Lula deixou antever que confia na manutenção de Berzoini em sua campanha só até certo ponto. O ponto de interrogação. O presidente perguntou ao assessor o que ele achava que deveria ser feito para isolar o Planalto da crise.

O colaborador rememorou outras duas encrencas: o escândalo do mensalão e o ‘caseirogate’. Lembrou que, depois de tentar segurar no governo José Dirceu e Antonio Palocci, o presidente viu-se compelido a aceitar o afastamento de ambos. E arrematou: “Não podemos repetir o mesmo erro. Melhor eliminar o problema já. Estamos a poucos dias da eleição. Não é hora de correr riscos.”

Lula disse que refletiria sobre a encrenca na viagem de volta ao Brasil. Afirmou que não decidiria nada antes de conversar, na volta, com o próprio Berzoini. Queria, de resto, ouvir mais gente. O presidente é conhecido entre as pessoas que privam de sua intimidade como uma pessoa que não consegue lidar bem o corte de cabeças. Ainda em Nova York, limitou-se a condenar, em entrevista (assista), o recurso a dossiês como peça de campanha política.

A situação de Berzoini se complicou com a divulgação, nesta terça, de uma nota de Época (leia). A revista disse ter sido procurada por dois petistas interessados em empurrar denúncias contra José Serra. Um deles informou que, “no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro (...), mas sem ter conhecimento do conteúdo do material”.

Berzoini programara uma entrevista coletiva para esta segunda. Constrangido, cancelou o encontro com os repórteres. Preferiu falar por meio de uma nota (aqui), livrando-se da exposição ao contraditório. Informou que, de fato, tivera conhecimento do contato com a revista. Mas ressalvou: “Jamais tive ciência do conteúdo abordado nesse encontro, conforme reproduzido fielmente pelo site da revista.”

Até no Planalto a alegação de Berzoini soou inverossímil. Sobretudo porque os dois petistas que estiveram com o repórter de Época estão diretamente vinculados a ele na estrutura do comitê de campanha de Lula, São eles: Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula; e Jorge Lorenzetti, analista de risco e de mídia do comitê reeleitoral.

Antes de viajar para Nova York, Lula reunira-se no Planalto com o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Ouviu um relato pormenorizado do resultado das investigações da Polícia Federal. O PT não ficou bem na foto esboçada por Bastos na conversa. Antes de embarcar para os EUA, o presidente dissera a assessores que não via outra solução senão o sacrifício dos petistas envolvidos.

Não imaginava àquela altura, porem, que também a cabeça de Berzoini flertaria com a bandeja. Nesta terça, foi informado de que o presidente do PT e coordenador de sua campanha será intimado pela Polícia Federal, para prestar esclarecimentos.

O PT ofereceu em holocausto o escalpo de Jorge Lorenzetti. O “analista de risco”, eufemismo para espião de adversários, foi instado a se desligar do comitê de Lula. Em nota (leia), ele reconheceu que extrapolou “os limites de suas atribuições”. Mas negou que houvesse autorizado "o emprego de qualquer tipo de negociação financeira na busca de informações relacionadas a adversários políticos".

 

A manifestação de Lorenzetti deixou boiando no ar uma dúvida e uma pergunta. A dúvida –De onde veio o dinheiro (R$ 1,7 milhão) oferecido em troca do dossiê?—terá de ser respondida pela Polícia Federal. Quanto à pergunta –O sacrifício de Lorenzetti será suficiente para eliminar os riscos de contágio da campanha?—caberá a Lula responder. Parte de sua assessoria acha que a resposta é “não”.

 

PS.: De volta ao Brasil, Lula recebeu Ricardo Berzoini e outros grão-petistas e aliados no Palácio da Alvorada. Na saída, Berzoini disse que fica (leia). Na fase inaugural de outros escândalos, gente como Palocci e Dirceu dizia a mesma coisa. 

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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As manchetes desta quarta

- Folha: Ex-secretário de Berzoini negociou dossiê, diz revista

- Estadão: Escândalo atinge Berzoini e TSE decide investigar Lula

- Globo: Presidente do PT também é envolvido em escândalo

- Correio: Dossiê complica cada vez mais o PT

- Valor: Lei Kandir agora ameaça tirar R$ 17 bi dos Estados

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Costas vulneráveis!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Lula mantém favoritismo, informa o Datafolha

Nova pesquisa Datafolha informa que, a 12 dias da eleição, Lula (50%) está 21 pontos à frente de seu principal adversário, Geraldo Alckmin (29%). Se a eleiçao fosse hoje, o presidente seria reeleito em primeiro turno, com 56% dos votos válidos, numa conta que exclui os votos brancos e nulos.

 

Esta é a primeira sondagem eleitoral realizada depois do surgimento do “dossiêgate”. Lula manteve o mesmo percentual de votos que ostentava uma semana atrás. Alckmin, que tinha 28% na última terça-feira, oscilou um ponto para cima, dentro da margem de erro.

 

Embora siga uma trajetória ascendente, Alckmin (24% antes do início da propaganda eleitoral) não roubou votos de Lula. Para tentar reverter o quadro, o tucanato joga todas as suas fichas na exploração do caso da venda do dossiê. As próximas pesquisas dirão se dessa vez o prestígio de Lula será abalado.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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TSE abre investigação para apurar ‘dossiêgate’

  O Grito/Edvard Munch
O Tribunal Superior Eleitoral abriu uma investigação judicial eleitoral contra Lula e os petistas suspeitos de envolvimento na tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, informa a repórter Gabriela Guerreiro. O pedido havia protocolado ontem pelos presidentes do PSDB, Tasso Jereissati, e do PFL, Jorge Bornhausen. E foi acatado por César Asfor Rocha, corregedor-geral do TSE.

 

Por ordem do corregedor Asfor Rocha, o TSE expedirá notificação ao presidente da República e aos demais investigados, comunicando-os acerca do início da apuração. Entre os notificados estão dois petistas presos pela Polícia Federal –Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva –, o presidente do PT e coordenador nacional da campanha de Lula, Ricardo Berzoini (SP), e o próprio ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), a quem a PF está subordinada.

 

O TSE requisitou à PF cópia integral do inquérito aberto para apurar a tentativa de venda do dossiê. O corregedor determinou à Polícia Federal que mantenha a Justiça Eleitoral informada sobre os desdobramentos da apuração. E requisitou a perícia do dinheiro apreendido na última sexta-feira em poder de Gedimar Passis e Valdebran Padilha (cerca de R$ 1,7 milhão, em notas de reais e de dólares).

 

O ministro Thomaz Bastos foi incluído no rol de investigados porque tucanos e pefelistas o acusam na representação enviada ao TSE de ter interferido no trabalho da PF. Segundo a oposição, o ministro teria agido para evitar o registro do flagrante da compra do dossiê. Em contrapartida, a PF permitiu a exposição pública do material apreendido em Cuiabá, com fotos e DVDs de Serra e Alckmin, vinculando os candidatos tucanos ao escândalo das sanguessugas.

Berzoini será notificado porque é presidente do PT. PSDB e PFL o apontam como responsável pela tentativa de compra do dossiê. O futuro de Lula fica agora condicionado ao resultado da apuração do TSE. Se o tribunal concluir que o presidente Lula teve participação no episódio, pode declara-lo inelegível por três anos, a contar de 2008. Se reeleito, Lula pode ter o novo mandato questionado. Conforme o resultado das apurações, a oposição pode protocolar três tipos de ação: a impugnação da diplomação de Lula, o embargo à expedição do diploma ou a impugnação do mandato.

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Juiz de MT manda soltar envolvidos no ‘dossiêgate’

O juiz Marcos Tavares, 1o Vara Federal de Mato Grosso, mandou soltar os envolvidos na tentativa de comercialização de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. O procurador Mário Lúcio Avelar, havia protocolado na noite passada um pedido de prorrogação da prisão dos petistas Valdebran Padilha e Gedimar Perreira Passos e de Paulo Roberto Dalcol Trevisan, tio de Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam e autor do dossiê. O juiz indeferiu o pedido do Ministério Público.

 

O magistrado Tavares indeferiu também outros dois pedidos do procurador Avelar: as prisões de Freud Godoy, o assessor especial do Palácio do Planalto que se demitiu do cargo ontem, e de Darci Vedoin, o outro sócio da Planam. O Ministério Público vai recorrer das decisões (leia).

 

Na opinião do juiz Tavares, a manutenção das prisões já efetuadas e as novas detenções solicitadas por Avelar são desnecessárias. Alega que a inquirição dos acusados e as diligências feitas pela Polícia Federal foram elucidativas o bastante para a instrução inicial do processo.

 

Reinquirido nesta terça-feira, o lobista Valdebran Padilha, filiado ao PT desde 2004, confirmou à Polícia Federal que o dinheiro para a compra do dossiê veio do partido de Lula. Padilha disse também à PF que o PT era mesmo o destinatário dos dados colecionados por Luiz Antonio Vedoin (veja aqui e aqui).

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Tarso Genro chama dossiê de ‘Operação Tabajara’

  Alan Marques/Folha Imagem
Referindo-se aos responsáveis pela tentativa de comercialização de um dossiê contra o tucanato, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse: “Uma pessoa, para se envolver numa coisa como essas, além de ser mau-caráter, tem que ser muito burra”. Genro falou ao blog pouco depois de ter conversado pelo telefone com Lula, que se encontra em Nova York.

 

“O que eu gostaria”, completou o ministro, “é que isso fosse investigado com toda a profundida e que se alguma dessas pessoas mencionadas estão envolvidas, se descobrisse também quem são os mandantes, quem é que autorizou isso aí. Porque aqui do Palácio, do círculo do presidente, das pessoas que convivem com o presidente isso  não saiu isso. Todos ficamos aterrados. O presidente ficou estarrecido. Então é preciso saber quem foi que criou clima, quem criou a possibilidade e quem orientou pessoas a fazerem esse tipo de operações Tabajara (referência às Organizações Tabajara do humorístico Casseta & Planeta)”.

 

Segundo Genro, Lula e todo o governo gostaria que fossem respondidas algumas “questões cruciais”: “A quem interessa acontecer uma coisa como essa nesse instante? Interessaria ao presidente da República, que está com 20 pontos na frente [nas pesquisas]? Certamente não. Então, isso tem que sair aqui do Palácio [do Planalto], tem que sair aqui de Brasília. As pessoas devem responder onde haja motivação e responsabilidade, não aqui.”

 

No instante em que conversou com o blog, Genro ainda não havia tomado conhecimento da nota divulgada pela Época (veja texto abaixo), que arrastou para o centro do escândalo o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador nacional da campanha de Lula. Algo que produz um movimento inverso ao pretendido pelo ministro: em vez de afastar-se, o caso se achega cada vez mais a Brasília.

 

Genro disse não acreditar no envolvimento do PT, “como instituição”, no dossiêgate. Afirmou que, se for confirmada a participação de pessoas vinculadas ao partido, elas “agiram individualmente, não em nome da instituição partidária”. O ministro completou: “Nenhum organismo do PT deliberou sobre isso. Isso é atitude de indivíduos que, se têm responsabilidade, devem assumi-la”.

 

A despeito das primeiras evidências levantadas pela Polícia Federal, o ministro não exclui de suas cogitações a hipótese de envolvimento do lado adversário: “É um fato que pode ter sido criado para prejudicar o [Geraldo] Alckmin ou até para prejudicar o próprio presidente Lula. Em qualquer hipótese é condenável. Onde tem dinheiro e dossiês tem corrupção. O que pode ter ocorrido nesse processo? Pode ter ocorrido que gente, no meio desse mundo obscuro, tenha tido uma atitude dupla. Então,  pode ter ocorrido, sim, uma operação para prejudicar o governo e para tentar reerguer a candidatura do Alckmin. Não estou dizendo que tenha relação com o Alckmin ou com o PSDB. É que esse mundo tem leis próprias”. Em campanha no rio, Alckmin remou em sentido inverso. Vinculou o caso ao Planalto.

 

Acha que haverá prejuízo para a candidatura Lula? “É difícil de dizer. Até aqui, veicularam-se várias denúncias, todas destinadas a atingir o presidente e, independentemente do seu mérito e da sua justeza, não têm atingido. A população dá um voto de confiança ao caráter do presidente, à sua história. E sabe que hábitos ilegais no Estado não são novidade. Sabe também que o sistema de corrupção está sendo desvendado por conta de uma ação do governo Lula. As coisas se compensam”.

 

De resto, disse Tarso Genro, “a oposição, na sua fúria, vem colocando fatos graves, importantes e sérios e fatos secundários, irrisórios e calúnias num mesmo plano, esvaziando a carga das denúncias. A população deixou de levar a sério por identificar na exaustão do denuncismo interesses eleitoreiros”. O ministro considera relevante também investigar os dados contidos no dossiê que foi ao balcão. "A investigação", disse ele, "tem interesse público em todas as suas dimensões."

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Em nota, Época envolve Berzoini no ‘dossiêgate’

A revista Época, do Grupo Globo, divulgou há pouco em seu blog, uma nota de esclarecimento sobre o caso da tentativa de comercialização de um dossiê contra o tucano José Serra. Informou que um de seus repórteres foi procurado há duas semanas por dois membros do comitê de campanha de Lula. Sondaram-no sobre o interesse da revista em veicular denúncias contra Serra. No curso da conversa, os petistas disseram que, "no PT, apenas Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter (...)”. Esclareceram que Aloizio Mercadante, candidato do partido ao governo de São Paulo, não sabia de nada.

É a primeira vez que o nome de Berzoini é envolvido no caso. Até aqui, ele vinha negando qualquer tipo de envolvimento da direção nacional do PT no episódio. Segundo a nota de Época, o repórter Ricardo Mendonça reuniu-se, no dia 6 de setembro, numa suíte do Hotel Crowne Plaza, em São Paulo, com duas pessoas: Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti. O primeiro é ex-secretário do Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula. O outro é churrasqueiro eventual de Lula e analista de risco e mídia da campanha do presidente.

No encontro, os dois petistas disseram que haviam sido procurados por "alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome". As acusações seriam comprovadas "por meio de fotos, vídeos e de farta documentação". Citaram Serra e o sucessor dele no Ministério da Saúde, Barjas Negri. Coube a Bargas perguntar se Época tinha interesse em publicar as informações. O repórter, segundo a nota, disse que gostaria de conhecer o material, mas condicionou a veiculação à verificação da "relevância e consistência das acusações".

Na noite do mesmo dia 6 de setembro, Oswaldo Bargas telefonou para o repórter de Época para dizer que o denunciante voltara atrás. Uma semana depois, outra revista, a IstoÉ publicou entrevista de Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, sócios da Planam e chefões da quadrilha sanguessuga, com acusações contra Serra e Barjas Negri. Simultaneamente à publicação da entrevista, a Polícia Federal abortou a operação de venda do dossiê contra o tucanato.  

Eis a íntegra da nota da revista:

Em depoimento à Polícia Federal, o advogado Gedimar Pereira Passos - que afirma ter sido contratado pelo PT para negociar um dossiê com denúncias contra o candidato José Serra - citou a revista Época”, diz a nota. “Diante dessa citação, Época gostaria de esclarecer que:

1) Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula, procurou há duas semanas o jornalista Ricardo Mendonça, de ÉPOCA. Ele pediu um encontro com o repórter.

2) O encontro foi marcado para uma suíte do hotel Crowne Plaza, em São Paulo, no final da tarde do dia 6 de setembro.Nessa reunião estava presente também Jorge Lorenzetti, analista de risco e mídia da campanha de Lula. Bargas afirmou ter sido procurado por alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome. As acusações, segundo ele, poderiam ser comprovadas por meio de fotos, vídeos e de uma "farta documentação". Bargas perguntou se havia interesse da revista em publicá-las.

3) O repórter de ÉPOCA disse que tinha interesse em conhecer o teor das denúncias, mas não se comprometeria a publicá-las. Isso dependeria de uma investigação sobre a relevância e a consistência das acusações.

4) Bargas afirmou não ter nada para mostrar naquele momento. Disse que não podia especificar quais eram as denúncias nem quem era o denunciante. Diante da insistência do repórter, ele disse apenas que as denúncias seriam fortes o suficiente para desmoralizar o candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri.

5) Durante o encontro, Bargas e Lorenzetti disseram várias vezes que aquela reunião nada tinha a ver com o PT nem com o governo. Aquele encontro, segundo eles, servia apenas para sondar o interesse de ÉPOCA. Bargas afirmou que Aloizio Mercadante, concorrente de Serra na disputa pelo governo de São Paulo, não sabia das denúncias nem da reunião. Disse ainda que, no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter, mas sem ter conhecimento do conteúdo do material.

6) No final da reunião, que durou cerca de 30 minutos, Bargas disse que voltaria a falar com o denunciante e depois entraria em contato com o repórter.

7) Naquela mesma noite, Bargas telefonou para avisar que o denunciante voltara atrás e não queria mais apresentar o material, nem dar entrevista. Uma semana depois, a revista Istoé publicou a entrevista em que Darci e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planan, acusavam Serra e Barjas Negri.

Escrito por Josias de Souza às 15h38

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Sobre política, políticos e outros bichos

Sobre política, políticos e outros bichos

A chuva de escândalos também tem o seu lado positivo. Aguça a criatividade da Polícia Federal. E proporciona ao país aulas quase que diárias de zoologia. Com direito a especialização em entomologia e ornitologia.

 

Eterno pato, o brasileiro já conheceu dos gafanhotos -ortópetros que atacavam a folha salarial do Estado de Roraima- às sanguessugas -anelídeos que se apossaram do Orçamento da República-, passando pelas toupeiras - mamíferos que, cavoucando, chegaram aos subterrâneos do Banco Cental.

 

Como que desejosos de aperfeiçoar os conhecimentos zoológicos dos patrícios, Lula e ACM envolveram-se numa contenda animal. Em comício na Bahia, no domingo, o presidente chamou o morubixaba baiano de “hamster do Nordeste. Foi a forma, por assim dizer,  carinhosa que encontrou de chamar ACM de roedor.

 

Mamífero da família dos cricetídeos, o hamster é a versão soft do rato. Mede no máximo 30 cm e é adornado com uma bolsa na parte interna da face que lhe confere uma aparência bochechuda. Há até quem se anime a mantê-los em casa, como animaizinhos de estimação.

 

Pôde-se medir a deferência de Lula para com ACM no instante em que o presidente referiu-se, num comício em Belém, aos tucanos. Mostrando ser versado na matéria, chamou-os de “aves predadoras”. Os tucanos, aves ranfastídeas, vivem em pequenos bandos e, de fato, costumam pilhar os ninhos de outros ovíparos.

 

Ingrato, ACM deu de ombros para a condescendência de Lula. “Não conheço hamster, só ouvi falar”, disse ele, preferindo se auto-definir como “gato caçador”. Enxerga no presidente uma presa, digamos, idealizada –um “rato gordo e etílico, cujos furtos no Palácio do Planalto eu tenho denunciado no Congresso Nacional."

 

Embora roedor como o hamster, o rato diferencia-se pela cor –a espécie “rato-preto” é a mais encontradiça—e pelo formato dos dentes molares, pontiagudos. ACM nem precisaria ter sido tão específico. Os dicionários já consagram acepções metafóricas e pouco honrosas: “ladrão”, “larápio” e “amigo do alheio”, por exemplo.

 

Como se vê, o linguajar “barato” (com trocadilho, por favor) da política vai proporcionando ao distinto público aulas memoráveis e involuntárias do mundo inumano. Convém prestar atenção e tirar o máximo proveito. As lições parecem gratuitas. Mas não são. Vêm custando muito caro ao país.

Escrito por Josias de Souza às 09h28

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Identidade ideológica!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 09h07

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As manchetes desta terça

- Folha: Acusado de negociar dossiê, assessor pessoal de Lula cai

- Estadão: Cai assessor especial de Lula envolvido com dossiê

- Globo: Principal acusado da compra de dossiê é assessor direto de Lula

- Correio: Dossiê derruba assessor de Lula

- Valor: Real forte provoca queda de 5% nas exportações aos EUA

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h59

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O segredo de Vedoin!

Não deixe de assistir à animação exibida no sítio Charge.com.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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‘Dossiêgate’ será atração na propaganda de Alckmin

Saem o mensalão, os dólares na cueca, o caso Waldomiro Diniz e o escândalo das sanguessugas. Entra o ‘dossiêgate’. O comitê de campanha do presidenciável Geraldo Alckmin decidiu explorar em sua propaganda eleitoral televisiva a mais nova encrenca em que se enredou o PT. O tucanato enxerga nos desdobramentos do caso os contornos de um “fato novo” capaz de drenar prestígio da candidatura Lula e de levar a eleição ao segundo turno.

 

A nova estratégia vinha sendo discutida desde o final de semana. A entrada em cena de um assessor direto de Lula –Freud Godoy—levou à batida de martelo. Discutiu-se ao longo da segunda-feira apenas se haveria tempo para incluir o novo tema já na propaganda desta terça ou se o assunto teria de ir ao ar só a partir de quinta.

 

A idéia da equipe de marketing de Alckmin é a de associar o caso da produção e tentativa de comercialização de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin diretamente à direção nacional do PT e ao Palácio do Planalto. Imagina-se que os ingredientes do caso –verbas de má origem, petistas freqüentando o submundo e suspeitas recaindo sobre um assessor palaciano—vão reavivar no imaginário do eleitor a fase áurea dos escândalos da era petista.

 

O principal alvo do dossiê levado ao balcão por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias, era José Serra, candidato ao governo de São Paulo. Mas a exploração mais incisiva será feita na propaganda de Geraldo Alckmin, que teve duas fotos inseridas no dossiê. O objetivo é tentar desgastar Lula, vinculando-o à imagem de líder de um agrupamento partidário com feições de “quadrilha”.

 

A peça de resistência do kit anti-tucanato preparado por Vedoin é um DVD de 23 minutos. Exibe cenas de uma solenidade de entrega de 41 unidades hospitalares móveis. Deu-se num galpão da Planam, em Cuiabá, em 2001. Conforme noticiado aqui no blog na madrugada do último domingo, Serra, então ministro da Saúde, aparece nas imagens confraternizando com congressistas sanguessugas. (assista aqui à versão integral, ou aqui à peça resumida).

 

O discurso do tucanato é o de que as imagens não arranham a idoneidade de Serra. Diz-se que, durante a sua gestão, as verbas orçamentárias eram liberadas automaticamente, sem a interferência de parlamentares ou de representantes da Planam. Afirma-se, de resto, que o então ministro não poderia suspeitar cinco anos atrás que os parlamentares com os quais celebrou a entrega de ambulâncias seriam pilhados no escândalo da troca de emendas orçamentárias por propinas.

 

Para o comitê tucano, as fotos de Alckmin evidenciam de modo ainda mais nítido a tentativa de interferir no processo eleitoral de maneira espúria. Diferentemente do que se tentou propagar, Alckmin não esteve em Cuiabá. As fotos foram tiradas em março de 2004, durante o 48º Congresso Estadual dos Municípios paulistas, em Campos do Jordão (SP). É uma solenidade à qual os governadores de São Paulo comparecem rotineiramente. Na gestão Alckmin, o governo paulista não comprou ambulâncias produzidas pela Planam. Eram adquiridas diretamente das montadoras, por meio de pregões eletrônicos.

 

As menções ao “dossiêgate” na propaganda eleitoral tucana serão escoradas no noticiário da imprensa. Entende-se que esta é a melhor forma de emprestar “credibilidade” ao episódio, dissociando a sua exploração daquilo que realmente é: a tática de um candidato que, em desvantagem nas pesquisas, empenha-se em produzir uma reviravolta no panorama eleitoral.

 

A ofensiva televisiva vem adensar a estratégia já desencadeada no front político, com a apresentação do pedido para que a Justiça Eleitoral promova a investigação do caso. Uma maneira nada sutil que PSDB e PFL encontraram de dizer que não confiam na isenção da Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Lula tenta, uma vez mais, se dissociar do PT

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Lula, em cena de 27-12-2002, ao lado de Freud Godoy (de frente à direita)

 

Construiu-se ao redor de Lula uma versão uniforme para o episódio do ‘DossiêGate’. A exemplo do que ocorreu na época em que estourou o escândalo mensalão, tenta-se dissociar a figura do presidente do PT. Informa-se que Lula está “indignado” e “perplexo” com a descoberta do suposto envolvimento de seu assessor Freud Godoy com a tentativa de compra de um dossiê montado para atingir os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

 

O blog ouviu os adjetivos “indignado” e “perplexo” de dois auxiliares diferentes de Lula. Estiveram com o presidente antes que ele embarcasse, no início da tarde, para Nova York. Lula reuniu-se também com o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça). De acordo com a versão oficial, o presidente pediu a Bastos que leve a investigação às últimas conseqüências.

 

Os interlocutores de Lula nesta segunda dizem ter encontrado o presidente desconsolado com o desdobramento do caso do dossiê. O presidente valeu-se de uma expressão de calão raso ao referiu-se aos indícios de envolvimento de seu partido em mais um escândalo. Disse que se trata de “uma cagada”.

 

Lula declarou, sempre segundo a versão de seus auxiliares, que não pretende “passar a mão na cabeça de nenhum petista”. Se alguém errou, disse ele, “que pague pelo erro”. Teria feito comentários pouco amistosos em relação ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), coordenador nacional de sua campanha. Como que esquecendo-se por um segundo de que Freud Godoy é assessor de seu gabinete pessoal, com sala no mesmo andar em que está assentado o gabinete presidencial, Lula disse não entender como Berzoini não enxergou “coisas que aconteciam debaixo do seu nariz”.

 

Além de Freud Godoy, também o ex-agente da PF Gedimar Pereira Passos, preso pela Polícia Federal na última sexta-feira, trabalha para o comitê reeleitoral de Lula. É lotado no setor de segurança e informação da campanha. Daí, dizem os auxiliares de Lula, a “indignação” do presidente. Considerou “inconcebível” que personagens tão próximos à sua campanha tenham descido ao submundo para adquirir um dossiê que, a seu juízo, além de revelar-se “pífio” pelo conteúdo, era “desnecessário” do ponto de vista estratégico.

 

Segundo o raciocínio de Lula, o favoritismo que ostenta em todas as pesquisas de opinião torna ainda mais incompreensível o recurso ao “golpe baixo”. Para o presidente, seu próprio partido deu à oposição, “de mão beijada”, o “fato novo” que os adversários tanto ansiavam.

 

A despeito da contrariedade, Lula mostrou-se otimista. Acha que o episódio não vai produzir danos à sua popularidade. Avalia que o fato de ter condenado antecipadamente a feitura de dossiês, em discurso no último sábado, deixou clara a sua posição. Menciona também o fato de ter defendido publicamente o tucano José Serra.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

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Polícia Federal entra no caso dos grampos no TSE

Os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Marco Aurélio de Mello (presidente do Tribunal Superior Eleitoral) conversaram nesta segunda por telefone. Combinaram que a Polícia Federal, subordinada a Bastos, abrirá inquérito para investigar o caso da instalação de grampos em três telefones do tribunal. Detectaram-se escutas nos aparelhos usados pelo próprio Marco Aurélio e por outros dois ministros do TSE: Cezar Peluso e Marcelo Ribeiro. 

Além de Marco Aurélio, também o
STF (Supremo Tribunal Federal) pediu ao Ministério da Justiça a entrada da PF no caso. Deu-se, de novo, por meio de em telefonema. A presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, discou para Bastos. Ele informou a ela que já havia acionado o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda.

Os grampos ilegais foram desentocados, na quarta-feira da semana passada, pela empresa Fence Consultoria Empresarial Ltda., contratada pelo TSE para promover uma varredura nos telefones dos ministros e de funcionários graduados do tribunal. Resta agora saber quem são os meliantes. Mais uma missão para a briosa PF. São tantas as lambanças que vai acabar faltando (a)gente.

Escrito por Josias de Souza às 17h12

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Depois de Delúbio & Cia. emerge o PT freudiano

  Reproduçao/TV Globo

Deu-se o inaceitável. É mesmo de linha freudiana a mais nova lambança em que se meteu o PT. O personagem da foto ao lado arrastou para a ante-sala de Lula o caso da tentativa de compra de um dossiê contra José Serra e Geraldo Alckmin. Chama-se Freud Godoy. Nas campanhas eleitorais de Lula, atuava como segurança. Hoje, é assessor especial da secretaria particular do presidente da República.

 

Em entrevista ao Jornal Hoje, da Globo (assista), Freud reconheceu algo que nem a Freud seria dado explicar. Disse que, de fato, encontrou-se quatro vezes com Gedimar Pereira Passos, o sujeito que foi preso na sexta, em São Paulo, com parte do dinheiro que seria usado para comprar, no mercado negro eleitoral, o dossiê contra o tucanato.

 

Farejando o cheiro de queimado, o próprio Lula discou para Freud na manhã desta segunda. Falaram sobre “quebra de confiança”. Freud disse ter falado para o chefe o seguinte: “Se o problema do senhor de governar e de [fazer] campanha for eu, o senhor pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir muito tranqüilo porque eu tenho como afirmar e como provar que eu não tenho nada a ver com isso”.

 

Freud terá mesmo que provar muita coisa. Será ouvido logo mais, às 17h, pela Polícia Federal, em São Paulo. Pereira Passos, o comprador de dossiês detido na sexta, contou à polícia que estava a serviço da Executiva Nacional do PT. Disse que seus préstimos foram contratados por Freud, que seria proprietário de uma empresa de segurança.

Em linguagem algo psicanalítica, o acusado tenta se explicar: “Meu nome é Freud, trabalho com o presidente e minha esposa tem uma empresa de segurança. Isso tudo é verdade. Até aí, que eu fiz esse tipo de negociata, de pegar dinheiro, ou mandar alguém fazer qualquer coisa, eu quero ver como ele prova isso”.

Freud conta que conheceu Pereira Passos há coisa de um mês. Onde? Na sede do diretório do PT, em Brasília. Como se conheceram? Foram apresentados por Jorge Lorenzetti. Quem é Lorenzetti? Um catarinense, funcionário do Banco do Estado de Santa Catarina, que costuma freqüentar a Granja do Torto. Ali, produz memoráveis churrascos para Lula. No momento, também presta serviços ao comitê reeleitoral.

Cabem aqui algumas perguntas: como é que Luiz Inácio ‘não sabia de nadinha’ da Silva, favorito em todas as pesquisas, deixa um personagem como esse Freud rondando à solta no Palácio do Planalto? Por que um funcionário da presidência está sendo usado para executar tarefas de campanha, algo proibido por lei? Como pode Ricardo ‘também não sabia de nada’ Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, afirmar que o partido não tem nada a ver com o peixe podre da compra do dossiê?

A permanência de Freud no Palácio do Planalto chegou ao fim. Ele já pediu demissão do cargo de assessor especial. Se não pedisse para sair, seria posto no olho da rua. Deixa atrás de si um rastro de suspeitas que pode ter efeitos danosos para a campanha de Lula e de Aloizio Mercadante, candidato petista ao governo de São Paulo. Resta saber o tamanho do arranhão.

Freud descerá aos porões do PT em condição análoga às de Delúbio Soares e Silvinho Pereira. É mais um dos arquivos vivos-mortos da legenda, detentores de segredos insondáveis. Faltam escassos 12 dias para o primeiro turno das eleições. No ritmo em que as coisas caminham, não se deve descartar a hipótese de surgir do nada, a qualquer momento, um petista chamado Lacan. 

Escrito por Josias de Souza às 15h12

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PF procura Freud no ofidiário

 

 

Quando o brasileiro imagina estar diante do impensável, logo lhe aparece o inaceitável. E o inimaginável. E o inacreditável. E o... A leitura do depoimento que Gedimar Pereira Passos prestou à Polícia Federal é uma dessas peças que levam a escalada de absurdos a estágios que nem a Freud é dado explicar. A repórter Renata Lo Prete leu a peça (clica).  

 

Preso na sexta, em São Paulo, com parte do dinheiro que seria usado para comprar o dossiê do chefão sanguessuga Luiz Vedoin contra José Serra e Geraldo Alckmin, Pereira Passos disse o impensável: que estava a serviço do PT. E o inaceitável: que fora contratado pela Executiva Nacional do partido. E o inimaginável: que uma da grana apreendida pela PF (R$ 1,7 milhão) veio do PT. E o inacreditável: que outra parte da grana veio de uma revista.

 

Lá pelas tantas, Pereira Passos escalou o estágio freudiano. Disse que a missão suja lhe fora repassada por um sujeito chamado “Froude” ou “Freud”. Seria, segundo dise à PF, dono de uma empresa de segurança com operações no eixo Rio-São Paulo. Em notícia assinada por uma trinca de repórteres –Sônia Filgueiras, Vannildo Mendes e Ana Paula Scinocca—, o Estadão (assinantes) informa:

 

“Há pistas que apontam para Freud Godoy, atual assessor do Gabinete da Presidência e ex-coordenador de segurança das quatro campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. É uma espécie de fiel escudeiro do presidente desde a década de 80. Segundo informações de funcionários do Diretório Nacional do PT de São Paulo, Freud é sócio de uma empresa de segurança que presta serviços ao partido. Ele foi procurado, mas não foi localizado (...)”.

 

Nesta segunda, os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati, e do PFL, Jorge Bornhausen, irão ao encontro de Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE, no Rio. Querem discutir com ele os termos de uma representação que irão apresentar, pedindo a cassação do registro da candidatura de Lula.

 

Logo, logo o brasileiro estará clamando para que lhe devolvam o seu velho país. Aquela nação maravilhosa em cujas fronteiras praticava-se apenas o pecado relacionado ao sexo. Coisa facilmente explicável pelos manuais da psicanálise freudiana.

Escrito por Josias de Souza às 09h41

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As manchetes desta segunda

- Folha: Preso diz que PT pagou entrevista contra Serra

- Estadão: PF tem nome de petista que mandou comprar dossiê

- Globo: Tucanos recorrem ao TSE contra ação política da PF

- Correio: CPI quer examinar dossiê contra Serra

- Valor: Lula propõe pacto para votar projetos essenciais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h08

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Mercado Negro!

Glauco

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Telefones de ministros do TSE foram grampeados

Os telefones do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio de Mello, e de outros dois ministros, Cezar Peluso e Marcelo Ribeiro, foram grampeados. A escuta foi detectada por uma empresa contratada para fazer uma varredura das linhas telefônicas utilizadas pelos ministros e por funcionários do alto escalão do tribunal.

A varredura foi encomendada pelo diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho. Nesta segunda-feira, ele vai conceder uma entrevista coletiva para revelar os detalhes de mais este caso. Será às 9h, no auditório do TSE. A Polícia Federal está sendo acionada. Abespinhado com a bisbilhotagem, o ministro Marco Aurélio quer que sejam descobertos os responsáveis pelo grampo.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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CPI decide investigar gestão de Serra na Saúde

  Roosewelt Pinheiro/ABr
A CPI das Sanguessugas requisitará nesta segunda-feira ao Ministério Público e à Justiça Federal de Mato Grosso todos os dados disponíveis sobre as gestões de José Serra e de Barjas Negri no Ministério da Saúde durante o governo FHC. É o que informa o vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE). “Irei pessoalmente a Brasília nesta segunda-feira para providenciar a requisição”, disse Jungmann ao blog.

 

Segundo Jungmann, a CPI deseja obter cópias do vídeo, do DVD e das fotos que compõem o dossiê que Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam, tentou vender como peça de campanha contra Serra. Foram apreendidos pela Polícia Federal na noite da última quinta-feira.

 

A comissão quer conhecer também o teor da nova representação que Vedoin protocolou no Ministério Público Federal, em Cuiabá, com acusações contra Barjas Negri, que assumiu a pasta da Saúde em 2002, quando Serra deixou o governo para concorrer à presidência da República.

 

“Desde o início dos seus trabalhos, a CPI fixou uma espécie de súmula”, disse Jungmann. “Não corremos atrás da palavra do [Luiz Antônio] Vedoin. Sabemos que ele se transformou, por assim dizer, num pistoleiro de aluguel. Mas não podemos desconhecer os documentos e comprovantes levados formalmente ao Ministério Público e à Justiça. Temos a obrigação de analisar os dados, para saber se têm consistência”.

 

Jungmann afirmou que, vencida a fase em que foram apuradas as acusações contra os congressistas sanguessugas, a CPI voltará as suas atenções para as ramificações do esquema no Poder Executivo. Informa que Serra e Barjas Negri, os dois ex-ministros de FHC, “receberão o mesmo tipo de tratamento” que vem sendo dispensado a Saraiva Felipe (PMDB) e Humberto Costa (PT), os dois titulares da Saúde na administração Lula que se encontram sob investigação.

 

“Não se está pré-julgando ninguém. Mas os dados com os quais trabalhamos são peças que compõem a apuração oficial. E nós não podemos nos furtar a analisá-los. Até para verificar se têm ou não consistência.”

 

Até aqui, em todos os depoimentos que prestara ao Ministério Público, à Justiça e à própria CPI, Luiz Antônio Vedoin isentara Serra e Barjas Negri de envolvimento no esquema da compra superfaturada de ambulâncias. E não foi por falta de pergunta.

 

Na inquirição feita na CPI, por exemplo, o dono da Planam foi espremido por dois deputados petistas de Pernambuco: Fernando Ferro e Paulo Rubem Santiago. Crivaram-no de perguntas sobre a maneira como eram liberadas as verbas nas gestões de Serra e de Barjas Negri. E Vedoin: “(...) o governo Fernando Henrique sempre honrava, não com a minha interferência. Era normal o governo liberar [as verbas]. Não era eu que fazia o governo liberar ou eu negociava, liberava-se normal (...)”.

 

Perguntou-se especificamente a Vedoin sobre as relações de um empresário chamado Abel Pereira com o ex-ministro Barjas Negri. Ele desconversou. Agora, na nova repersentação que protocolou no Ministério Público, na última quinta-feira, o dono da Planam sustenta que repassou dinheiro para o sucessor de Serra no ministério, por meio de depósitos bancários em favor de empresas que teriam como sócio o mesmo Abel Pereira. Na opinião de Jungmann, compartilhada por outros integrantes da cúpula da CPI, é obrigação da comissão averiguar todos esses fatos.

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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As manchetes deste domingo

- Folha: PT-SP pagou por dossiê contra Serra, diz preso

- Estadão: PF investiga ação do PT paulista contra Serra

- Globo: Lula diz que repudia dossiê que era negociado por petista

- Correio: Excesso de endividamento ameaça vendas de Natal

- Valor: McDonald's vende lojas em operação de R$ 1,5 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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'Agora é para cima e para o alto!'

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Assista ao DVD que Darci Vedoin queria vender

A principal peça do kit que Luiz Antonio Trevisan Vedoin levou ao balcão no submundo eleitoral é um DVD de 23 minutos. Mostra uma solenidade realizada em 2001 num galpão da Planam, a empresa que comandava a máfia das sanguessugas, em Cuiabá. Inclui cenas em que o então ministro da Saúde, José Serra, aparece confraternizando com deputados hoje submetidos ao Conselho de Ética da Câmara por suspeita de recebimento de propina em troca de emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas.

 

“É a primeira vez que vejo uma bancada de deputados fazer isso no Brasil, porque são investimentos relativamente modestos e que têm produtividade muito alta e atinge muitos municípios”, diz José Serra no vídeo. Referia-se a 41 unidades médicas que foram entregues na solenidade à qual compareceu. São furgões e ônibus. Custaram à época R$ 6 milhões. Verba assegurada por meio de uma emenda coletiva da bancada federal de Mato Grosso ao Orçamento da União. Pressione aqui para assistir gratuitamente ao DVD que compõe o dossiê orçado em R$ 1,7 milhão no mercado negro eleitoral.

 

As imagens foram veiculadas no sítio noticioso Olhar Direto. O blog confirmou a autenticidade da peça com um dos funcionários da Polícia Federal que cuidam do caso. Tomadas isoladamente, as cenas do DVD não constituem prova cabal do envolvimento de José Serra com os trambiques da máfia das sanguessugas. Sempre se poderá argumentar que Serra foi utilizado pela máfia. Fica patente, porém, que, no mínimo, o Ministério da Saúde, sob o comando de Serra, foi incapaz de detectar uma encrenca que, sabe-se hoje, começou no governo Fernando Henrique Cardoso e se manteve na gestão Lula: a farra da aquisição de ambulâncias superfaturadas com verbas da União.

 

As primeiras cenas do DVD que Luiz Antônio Vedoin pretendia vender mostram a chegada de furgões odontológicos ao galpão da Planam. Em determinados trechos, surgem no vídeo Darci Vedoin e o próprio Luiz Vedoin, donos da Planam e chefões da máfia das ambulâncias. Serra chegou ao local acompanhado do então governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), morto recentemente. Vistoriando uma das unidades móveis de saúde, Serra comentou: “Muito legal”.

 

Os três parlamentares que mais aparecem nas imagens são: Pedro Henry (PP), Lino Rossi (PP) e Ricarte de Freitas (PTB). Integravam à época a bancada federal do PSDB. Acusados de receber propinas da Planam, os três foram incluídos pela CPI das Sanguessugas na lista de congressistas sujeitos à cassação de mandato por terem supostamente trocado emendas ao Orçamento por propinas pagas pela Planam.

 

"A intenção da bancada de Mato Grosso quando criou esse programa, com apoio do Ministério da Saúde, é justamente fazer o (trabalho) preventivo. Eu estou patrocinando R$ 6 milhões, acho que o Henry R$ 2 milhões (...), enfim, todos os deputados do PSDB estão patrocinando no orçamento deste ano uma emenda pra isso", diz Lino Rossi em entrevista exposta no DVD de 2001.  

"Idealizamos uma nova forma de fazer a ação de saúde, ter um instrumento móvel para atender à necessidade da comunidade onde ela se encontra. Daí surgiu a idéia de trabalharmos numa ação da bancada federal de Mato Grosso do PSDB e patrocinar uma emenda que pudesse, através de recursos da União, proporcionar a obtenção de unidades móveis de saúde", ecoou Pedro Henry em outra entrevista contida no DVD.

 

Geraldo Alckmin não aparece no DVD. Segundo a Polícia Federal, o presidenciável tucano é visto apenas numa foto, também inserida no dossiê preparado por Luiz Vedoin. Além dele, há fotos do senador Antero Paes de Barros e da deputada Thelma de Oliveira, ambos do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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Preso diz à PF que dinheiro veio do PT e de revista

Gedimar Pereira Passos, um dos personagens presos na sexta, por suposto envolvimento na tentativa de comprar um dossiê envolvendo José Serra e Geraldo Alckmin no escândalo das sanguessugas, contou à Polícia Federal que recebeu parte do dinheiro de um membro do PT, em São Paulo. Não revelou o nome. Disse que outra parte do dinheiro teria vindo de uma revista. De novo, esquivou-se de revelar o logotipo da publicação.

 

Pereira Passos é advogado e ex-agente da Polícia Federal. Afirma que estava a serviço do PT. A PF o deteve num hotel próximo ao Aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Em outro quarto da mesma hospedaria foi à algema Valdebran Com Passos, filiado ao PT de Mato Grosso desde 2004.

 

Com Pereira Passos, a PF apreendeu US$ 139 mil e R$ 410 mil em dinheiro. Com Padilha Silva, U$ 109 mil e mais R$ 758 mil. Ricardo Berzoini, presidente do PT, negou que o partido tenha repassado dinheiro para a compra do dossiê. Mais cedo, Berzoini divulgara no sítio do PT nota na qual diz: 1) são graves as acusações contra Serra; 2) o partido sempre rejeitou a tática de produzir dossiês ilegais; 3) propôs ao diretório nacional a suspensão cautelar do filiado Padilha Silva; 4) a manobra visa atingir a candidatura Lula.

O tema do dossiê foi abordado na propaganda televisiva do presidenciável Geraldo Alckmin veiculada na noite deste sábado. Não na boca do candidato, mas de um locutor. Sobre imagens de reportagens de jornal sobre o caso, o locutor perguntou a quem serviria a encrenca. No programa de Lula, o assunto foi ignorado.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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