Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Os zumbis da República

Os zumbis da República

O grande livro ensina, em Eclesiastes (3,1-3), que “tudo tem o seu tempo determinado” debaixo do Sol. “Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar...”. Na vida pública, há pessoas que perdem a noção do seu próprio tempo. É o caso dos ex-presidente da República.

Em qualquer lugar sério do mundo, aos ex-presidentes é reservado, depois do exercício do mandato, uma posição de respeitoso recolhimento. Protegidos por vantagens do Estado –salário, transporte e carregadores de mala—, funcionam como os velhos pajés indígenas. Tornam-se os sábios da tribo. Pessoas às quais, de raro em raro, pode-se recorrer em busca de um ou outro conselho.

 

No Brasil não é assim. Há hoje no país quatro ex-presidentes vivos: José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Os dois primeiros estão metidos na refrega eleitoral. O terceiro só não vai às urnas porque foi preterido pelo próprio partido. E o quarto deu para verter a própria amargura sobre manifestos extemporâneos.

 

Excetuando-se Collor, cujo passado não recomenda como conselheiro, os demais teriam credenciais, mais ou menos viçosas, não importa, para vestir o manto de pajé. Recusam-se, porém, ao recolhimento. Metem-se no jogo raso da política com o vigor de jovens iniciantes. Comprometem as próprias credenciais na mesquinharia das disputas cotidianas.

 

Num país em que a política se confunde com a safadeza, parece despropositado tratar-se de uma questão como o retiro de ex-presidentes. Mas, numa época em que germinam as bases de uma reforma política, talvez seja o caso de arrumar um lugar no ordenamento jurídico para acomodar esses personagens.

 

Tome-se o exemplo dos EUA. Os presidentes que deixam o cargo voltam-se para fundações batizadas com os seus nomes. São erigidas em seus Estados de origem e guardam toda a documentação referente aos respectivos ciclos no poder. Não se imagina, por absurdo, que possam rebaixar-se em disputas para governos locais ou para o Congresso.

 

Há também o exemplo da Itália. Ali, os ex-presidentes ganham, ao deixar o cargo, cadeiras honoríficas no Senado. Têm direito a voto. E, do alto da tribuna, distribuem conselhos à tribo.

 

Entre nós, até ex-presidentes escorraçados vão às urnas com enorme sem-cerimônia, como faz Collor. Outros sujeitam-se a virar subordinados de seus sucessores, ocupando embaixadas no exterior, como fez Itamar Franco. Há ainda quem busque refúgio em Estados remotos, com receio de não ser eleito em seu próprio torrão, como fez e faz Sarney. Há também quem constranja a própria biografia passando o chapéu entre o empresariado para custear uma fundação com o seu nome, caso de FHC.

 

Algo precisa ser feito com os nossos ex-presidentes. É constrangedor, para o país e para os próprios, vê-los pedindo votos, padecendo derrotas temporãs, pendurando apaniguados na engrenagem estatal ou simplesmente perdidos em algum lugar situado entre a fronteira da amargura e do ciúme.

Escrito por Josias de Souza às 18h48

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Bastos promete ao PSDB investigação ‘imparcial’

Moacir Lopes Jr./Folha Imagem
 

 

O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse ao senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e a José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo, que a Polícia Federal fará uma investigação “isenta” e “imparcial” do caso da tentativa de comercialização do dossiê implicando o tucanato no escândalo das sanguessugas. Informou a ambos que recebeu de Lula ordem expressa para levar a elucidação às últimas conseqüências. Disse que o presidente está “indignado” com o episódio.

 

Tasso e Serra telefonaram para Thomaz Bastos neste sábado. Os dois se disseram preocupados com a tentativa de macular o processo eleitoral com jogadas escusas. O ministro, segundo apurou o blog, tranqüilizou-os. Assegurou-lhes que a Polícia Federal fará uma apuração isenta de influências políticas e partidárias. “Não tenho dúvida disso”, respondeu Tasso Jereissati, que fazia campanha no interior do Ceará.

 

Thomaz Bastos manteve diversas conversas telefônicas com Lula nas últimas 72 horas.

O presidente ponderou, segundo revelações feitas por Thomaz Bastos às pessoas que lhe telefonaram neste sábado, que a apuração deveria ser rigorosa. Acha essencial que a PF chegue à pessoa que se dispôs a desembolsar R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê elaborado contra Serra e o presidenciável Geraldo Alckmin pelo dono da Planam, Luiz Antônio Vedoin.

 

Além de Tasso e Serra, discaram para o ministro da Justiça o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o candidato petista Aloizio Mercadante, oponente de Serra na corrida ao Palácio dos Bandeirantes. Thomaz Bastos repetiu aos dois o que dissera aos líderes tucanos. Mostrou-se também otimista quanto à possibilidade de elucidação rápida do caso.

 

Na opinião de Thomaz Bastos, o caso não é de difícil elucidação. Acha que a PF conseguirá elucidá-lo antes do dia 1o de outubro, data da realização do primeiro turno das eleições. Mesmo em reserva, o ministro não se aventurou a especular sobre a dimensão do envolvimento do PT de Mato Grosso com as travessuras de Luiz Vedoin.

 

Thomaz Bastos limitou-se a dizer que confia na capacidade da PF. Negou que houvesse ordenado à polícia que não exibisse à imprensa o dinheiro apreendido com dois dos personagens detidos na operação. Presos em São Paulo, Valdebran Padilha, filiado ao PT de Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, ex-agente da PF que declarou prestar serviços ao PT, tinham em seu poder R$ 1,7 milhão –1,168 milhão em reais e 248 mil em dólares. “Não me meto no trabalho da PF. No seria agora que iria interferir”, afirmou o ministro a um de seus interlocutores.

 

Mesmo em viagem ao interior do Amazonas, Paulo Lacerda, diretor geral da PF, mantém linha direta com as pessoas envolvidas na apuração. Abastece Thomaz Bastos de informações. Dados que o ministro tem se preocupado em repassar a Lula. Neste sábado, Lacerda está retornando à sua base em Brasília, de onde tem melhores condições de guiar o processo de apuração.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Caso Sanguessuga persegue Lula no Nordeste

O espectro da sanguessuga persegue Lula no périplo que realiza pelo Nordeste neste final de semana. Em Aracaju (SE), o presidente viu-se compelido a condenar a tentativa de venda de um dossiê enredando os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin no escândalo das ambulâncias. Considerou a operação, na qual estão metidos petistas mato-grossenses, “abominável”.

 

Em João Pessoa (PB), Lula terra do senador Ney Suassuna (PMDB), que está na bica de arrostar um pedido de cassação por ter supostamente patrocinado emendas orçamentárias para a compra superfaturada de ambulâncias, Lula defender o aliado. Chamou-o de “leal” e “decente”. Disse que não lhe cabe condenar ninguém “antes do julgamento”.

 

Lula ironizou aqueles que imaginam que seu favoritismo possa ser abalado por denúncias: "Teve um [adversário] que disse o seguinte: 'nós precisamos fazer o Lula sangrar até acabar a última gota de sangue, ele vai chegar na eleição morto'. Eles não sabiam que eu poderia fazer uma transfusão de sangue com o povo brasileiro e voltar para a política com milhões de células de sangue desse povo".

O “adversário” a que se referiu o presidente é Fernando Henrique Cardoso. A frase mencionada por Lula teria sido dita por FHC em reunião reservada com lideranças do PFL. A evocação indireta a FHC esteve presente em outro comentário de Lula: "Neste país, a ignorância é tão grande que tem gente que ainda confunde inteligência com anos de escolaridade. Tem gente que acha que a inteligência se mede pelos anos que se passou na escola. Aí é conhecimento. A inteligência é uma coisa à parte."

 

Enquanto Lula excursionava pelo Nordeste, a Polícia Federal prendia em Cuiabá Paulo Roberto Dalcol Trevisan, primo de Luiz Antonio Vedoin, o empresário que levou ao balcão eleitoral o dossiê contra o tucanato. Dalcol Trevisan foi à grade sob a acusação de tentativa de “ocultação de provas”.

Foi depois de ouvir o depoimento do tio de Luiz Vedoin que a PF desencadeou a operação que levou à prisão do dono da Planam e de dois personagens que se preparavam para comprar o dossiê preparado por ele: Valdebran Padilha, ex-coletor de verbas eleitorais para o PT de Mato Grosso; e Gedimar Pereira Passos, um ex-agente da PF que prestava serviço ao PT.

Em São Paulo, o presidente do PT, Ricardo Berzoini enxergou na operação uma tentativa de desestabilizar o partido e a candidatura Lula. Disse ter enviado ao Diretório do PT um pedido de suspensão cautelar de Valdebran Padilha, filiado à legenda desde 2004.

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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As manchetes deste sábado

- Folha: PF prende acusados de vender a petistas dossiê contra Serra

- Estadão: Educação melhora, mas mais crianças trabalham

- Globo: Venda de dossiê contra Serra leva Vedoin e petista à prisão

- Correio: Arruda segue líder com 60% dos votos válidos

- Valor: McDonald's vende lojas em operação de R$ 1,5 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Usucapião!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Lula recebe informação de que PF investiga o PT

O presidente Lula foi informado de que o PT encontra-se sob investigação da Polícia Federal por suspeita de envolvimento no caso da tentativa de venda de um dossiê contra os tucanos José Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, postulante ao Planalto. De acordo com a informação repassada ao presidente, pessoas ligadas ao petismo de Mato Grosso são mencionadas em grampo telefônico feito com autorização judicial.

O grampeado é Luiz Antônio Trevisan Vedoin, sócio da empresa Planam, que comandava a máfia das ambulâncias superfaturadas. Os telefonemas de Vedoin passaram a ser monitorados pela PF no final de julho, quando ele já havia sido posto em liberdade pela Justiça Federal de Mato Grosso, depois de ter concordado em colaborar com as investigações que levaram ao desbaratamento da quadrilha que trocava emendas orçamentárias de congressistas sanguessugas por propinas.

O sócio da Planam foi pilhado em diálogos nos quais entabulava a venda de documentos, fotos, uma fita de vídeo e um DVD. Contêm imagens de José Serra entregando ambulâncias num galpão da Planam, em Cuiabá, no ano de 2001, quando era ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso. O DVD, de 23 minutos, traz uma edição reduzida das imagens contidas na fita de vídeo.

Um dos trechos exibiria um discurso de Serra, elogiando a ação dos congressistas da bancada de Mato Grosso, que viabilizaram, por meio de emendas, a aquisição de ambulâncias. São cenas que, levadas ao ar no horário eleitoral de televisão, produziriam inevitável estrago político. Mas que não bastam para configurar a participação efetiva no desvio de verbas públicas.  

Segundo a informação repassada a Lula, além de Serra, apareceria numa das fotos apreendidas Geraldo Alckmin, que ocupava na época o cargo de governador de são Paulo. O presidenciável tucano nega que tenha participado de solenidade de entrega de ambulâncias da Planam. E desqualifica o denunciante. Apareceriam ainda nas fotos e no DVD o ex-governador Dante de Oliveira (PSDB), morto recentemente e vários congressistas matogrossenses. Entre eles: Lino Rossi (PP). Pedro Henry (PP), Ricarte de Freitas PTB) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Guiando-se pelo que ouviu na escuta telefônica, a Polícia Federal chegou, na noite de quinta-feira, a Paulo Trevisan, primo de Luiz Antônio Trevisan Vedoin. Prendeu-o em Cuiabá, no instante em que embarcava (23h30) num avião para São Paulo. Levava consigo as peças que que Vedoin acomodara sobre o balcão.

Avisada, a PF de São Paulo prendeu na capital paulista os supostos receptadores da mercadoria: Valdebran Padilha da Silva [o nome não é Valdemar, como se divulgou inicialmente] e Gedimar Pereira Passos. O primeiro é filiado ao PT desde 2004. Naquele ano, atuou como coletor de fundos eleitorais para o partido em Mato Grosso.

Antes de transacionar com o petismo, Vedoin tentara vender sua mercadoria ao comitê eleitoral de José Serra. Um emissário do dono da Planam propôs o negócio em reunião com duas pessoas ligadas à campanha de Serra. O blog conversou com uma delas, que contou que a proposta foi rechaçada.

A PF conduz as investigações em duas frentes. A primeira linha consiste em seguir o caminho do dinheiro apreendido em São Paulo com Padilha da Silva e Pereira Passos (cerca de R$ 1,7 milhão). O objetivo é chegar à pessoa que se dispôs a pagar pelo material reunido por Vedoin. A segunda vertente visa verificar a consistência do dossiê que o sócio da Planam tentou comercializar e até que ponto ele se constitui em prova contra José Serra.

A julgar pela terminologia usada nos documentos da PF, trabalha-se com a hipótese de que o material tem valor probatório. A justificativa para o retorno de Vedoin à cadeia foi a de que ele estaria patrocinando a "ocultação e venda de provas" e chantageando "pessoas envolvidas em crimes". Serra trata o episódio como uma “baixaria de campanha”.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Quércia usa revista para atacar Serra na TV

Terceiro colocado nas pesquisas de opinião que medem a intenção de voto para o governo de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB) deveria estar medindo forças com Aloizio Mercadante (PT), o segundo colocado. Porém, prefere alvejar José Serra, o favorito.

No programa eleitoral televisivo levado ao ar na noite desta sexta, Quércia exibiu imagens da revista Istoé (veja foto acima), que trouxe na capa a acusação do suposto envolvimento de José Serra com a máfia das ambulâncias.

Simultaneamente, uma locutora informava que Serra foi ministro da Saúde de FHC. Dizia também que há suspeita de participação de Serra e de seu substituto no ministério, Barjas Negri, no esquema da compra superfaturada de ambulâncias.

O programa não fez menção à prisão do denunciante, Luiz Vedoin, acusado de tentar vender as denúncias contra Serra por R$ 2 milhões. Tampouco mencionou a detenção de Gedimar Pereira Passos e Valdemar Padilha, suspeitos de tentar comprar o dossiê por R$ 1,7 milhão.

Aloizio Mercadante, em tese o maior interessado na desdita de Serra, levou ao ar um programa ameno. Tratou da última pesquisa Ibope, que lhe atribuiu uma subida de cinco pontos percentuais no índice de intenções de voto. Desfiou um rosário de promessas e disse que fará por São Paulo o que Lula fez pelo Brasil.

O programa de Serra foi exibido antes do de Quércia. Desde cedo, o jornalista Luiz González, responsável pelo marketing da campanha tucana, ruminava, em diálogos reservados, a certeza de que a capa de IstoÉ seria utilizada no horário eleitoral.

González apostava que a exibição do material seria feita por Quércia, visto pelo tucanato como correia de transmissão dos interesses petistas em São Paulo. Decidiu injetar na parte final da propaganda de Serra uma espécie de vacina. Pôs na voz do locutor a afirmação de que seu candidato está em primeiro lugar nas pesquisas. Em seguida, veio o aviso: "Vai começar o vale-tudo contra o Serra".

Além da exibição no programa de Quércia, o texto de IstoÉ foi reproduzido também no sítio do PT na internet. De novo, não houve menção nem à prisão do denunciante Vedoin nem à detenção de Passos e Padilha, embora este último seja apontado como coletor de verbas eleitorais para campanhas do PT matogrossense.

No sítio de Serra deu-se o oposto. Ali, foi reproduzida reportagem da FolhaOnline sobre as prisões. E nada foi dito acerca da notícia da revista. Para a página de Mercadante, é como se nada tivesse acontecido. Não há ali nenhuma menção ao caso. No início da noite, o candidato petista dissera que daria a Serra aquilo que o tucano não deu a dirigentes petistas: "direito de defesa". 

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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PF prende Vedoin depois de inquiri-lo em Cuiabá

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Luiz Antonio Vedoin, sócio da empresa Planam e chefão do esquema das sanguessugas, foi recolhido há pouco ao presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá. É a segunda vez que Vedoin vai à garra. Preso quando o escândalo estourou, ele foi beneficiado com a liberdade condicional depois que concordou em colaborar com a Justiça.

Nesta sexta, porém, o juiz César Bearsi foi informado pela Polícia Federal de que Luiz Vedoin tentara por R$ 2 milhões um dossiê relacionado ao caso. O material que o dono da Planam levou ao balcão conteria filmes e documentos contra o tucanato. Envolvem principalmente José Serra, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB. Haveria também uma foto de Geraldo Alckmin, presidenciável tucano, supostamente ao lado de uma ambulância da Planam.

Luiz Vedoin foi levado para prestar depoimento na Superintendência da PF em Cuiabá. E de lá, mediante autorização do juiz Bearsi, foi direito para a cadeia. Nesta sexta, conforme noticiado abaixo, a revista IstoÉ estampou em sua capa reportagem na qual Luiz Vedoin e seu sócio, Darci Vedoin, envolvem Serra no caso da compra superfaturada de ambulâncias (leia no despacho abaixo). 

Além de Vedoin, a PF deteve duas pessoas em São Paulo: Gedimar Pereira Passos e Valdemar Padilha. Este último é filiado ao PT de Mato Grosso desde 2004. Já recolheu verbas de campanha para o partido. Passos e Padilha tinham em seu poder R$ 1,7 milhão. O dinheiro seria usado na aquisição do dossiê montado pelos Vedoin. Curiosamente, Luiz Vedoin estivera ontem na sede do Ministério Público Federal em Cuiabá. Ele informou aos procuradores que, consultando a sua movimentação bancária, detectara desembolsos que não havia informado em seus depoimentos anteriores. E protocolou uma nova representação.

Vedoin anexou à representação comprovantes de movimentação bancária em favor de empresas que teriam como sócio o personagem Abel Pereira, o mesmo que é citado na reportagem da IstoÉ. Sustenta que Pereira agiria em nome de Barjas Negri, o ministro que sucedeu Serra na pasta da Saúde em 2002.

O blog conversou com o procurador Mario Lucio Avelar, um dos responsáveis pelo desbaratamento da máfia das ambulâncias. Ele informou que, por dever de ofício, vai investigar os fatos contidos na nova representação de Vedoin. Mas está com um pé atrás.

“Tudo tem que ser apurado. A acusação veio acompanhada de documentação bancária. Temos que ver por que o dinheiro foi transferido e a título de quê. Mas é estranho que ele [Vedoin] venha ao Ministério Público e depois vá dar uma entrevista a uma revista. Temos de verificar se não estamos sendo usados para lavar essa matéria”, disse Mario Lúcio.

O procurador prosseguiu: “Tão importante quanto a apuração dos fatos contidos na representação é saber tudo sobre essa tentativa de venda do material. É preciso ver quem ia comprar. Por que vale tanto? Qual é a finalidade disso? Qual é a origem do dinheiro? É proveniente de quê? Sem responder a essas perguntas, tudo perde o sentido. É preciso esclarecer primeiro esse fato”.

Em todos os depoimentos que dera anteriormente –ao Ministério Público, à Justiça federal de Mato Grosso e à CPI das Sanguessugas—, os Vedoin jamais haviam envolvido os nomes de Serra e Barjas Negri no episódio. E não foi por falta de questionamento.

Como se vê, a Polícia Federal tem em mãos um caso cabeludo. Esclarecendo-o pode dar uma prova definitiva de leva a sério as palavras do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça): "Neste governo, a Polícia Federal não protege e também não persegue ninguém".

Escrito por Josias de Souza às 16h27

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Os Vedoin envolvem Serra no caso das ambulâncias

  Raimundo Pacco/Folha Imagem
José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, é o personagem de capa da última edição da revista IstoÉ. Chegou às bancas nesta sexta-feira. Sob o título “Os Vedoin acusam Serra”, a notícia, escrita pelo repórter Mário Simas Filho, acomoda o tucano no centro do escândalo do superfaturamento de ambulâncias.

A reportagem baseia-se em declarações de Darci Vedoin e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planam. “Das 891 ambulâncias comercializadas pela Planam entre 2000 e 2004, 681, ou 70% do total, tiveram verbas liberadas até 2002, dentro do período de gestão de Serra e Barjas Negri”, anota o texto. Barjas Negri era o secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão Serra. Ele assumiu o ministério quando o titular teve de sair para concorrer ao Planalto, em março de 2002.

Os Vedoin contaram à revista que começaram a pagar propinas em 1998, durante a gestão de Serra. "Naquela época, a bancada do PSDB conseguia aprovar tudo e, no ministério, o dinheiro era rapidamente aprovado", disse Luiz Vedoin à InstoÉ. "Na época deles [Serra e Negri] o nosso negócio era muito mais fácil. O dinheiro saía muito mais rápido. Foi quando mais crescemos", ecoou Darci Vedoin.

A notícia informa ainda que os Vedoin acusaram um empresário chamado Abel Pereira de “agir em nome do então ministro Barjas Negri e de receber propina por meio de cheques e em depósitos nas [contas] das empresas Império e Kanguru.” O sítio noticioso Quinovi traz uma versão em PDF das páginas da revista. Pressione aqui para ler.

Instado a comentar o caso, Serra foi conciso. Disse que a notícia "faz parte do kit baixaria do PT". Ontem, Serra já havia atribuído o envolvimento de seu nome no escândalo das sanguessugas aos destemperos próprios da época eleitoral. Parece claro que debitar a encrenca apenas na conta das querelas eleitorais não é a melhor estratégia para Serra.

O ex-ministro terá de pronunciar meia dúzia de frases de maior consistência. Ou desmonta as acusações ou verá a sua biografia ser arrastada pelo torvelinho que revolve a cena política nacional. Diz-se que os Vedoin, por bandidos, não mereceriam credibilidade. Bobagem. O tucanado vinha dando crédito irrestrito à dupla enquanto as acusações serviram para minar a autoridade do governo Lula e do PT. Experimentam agora uma dose do mesmo veneno. Armação eleitoral ou não, precisam provar que dispõem de um bom antídoto para a cobra que ajudaram a criar.

PS.: À noite, depois da veiculação do despacho acima, José Serra falou sobre o caso em rápida declaração ao Jornal Nacional, da TV Globo (leia). De passagem por Curitiba (PR), também o presidenciável Geraldo Alckmin falou sobre o caso (veja). 

Escrito por Josias de Souza às 14h52

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Ibope mantém Alckmin no purgatório eleitoral

Boa notícia para Alckmin: pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira revela que o índice de intenção de voto do tucano cresceu de 27 para 29%. Péssima notícia para Alckmin: a mesma pesquisa informa que o percentual atribuído a Lula também subiu. Foi de 48% para 50%. Resultado, se a eleição fosse hoje, o presidente seria reeleito no primeiro turno. O drama de Alckmin é que ele cresce mais lentamente do que seria desejável e nao consegue roubar votos de Lula.

 

Os números do Ibope são semelhantes aos do Datafolha. Em sondagem divulgada na última terça o instituto atribuíra 50% a Lula e 28% para Alckmin. Um cenário que asseguraria ao candidato petista 56% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos). Seria reeleito com folgas.

Escrito por Josias de Souza às 12h25

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As manchetes desta sexta

- JB: Brasil reage e Bolívia recua de confisco

- Folha: Bolívia suspende confisco das receitas da Petrobrás

- Estadão: Bolívia provoca nova crise e confunde governo Lula

- Globo: Morales prejudica Petrobras de novo e Lula quer 'ajudar Bolívia'

- Correio: Bolívia faz o Brasil passar novo vexame

- Valor: McDonald's vende lojas em operação de R$ 1,5 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Vida dura pra Chuchu!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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PT e PSDB travam a gincana macabra da lama

O petismo e o tucanato travaram nesta quinta-feira um duelo à distância em torno de um mesmo tema: a corrupção. O tiroteio envolveu os presidenciáveis Lula e Geraldo Alckmin e os sítios dos partidos na internet.

 

Enquanto Lula, em entrevista, dizia que 81% dos casos de corrupção desvendados pela Polícia Federal –Sanguessugas e Vampiros—brotaram na gestão tucana de FHC, Alckmin divulgava em Juiz de Fora (MG) o naco de seu programa de governo destinado ao combate às perversões na máquina pública.

 

O pacote anti-corrupção de Alckmin foi resumido numa cartilha com 14 itens, informa o repórter Paulo Peixoto. O candidato disse que, se eleito, deseja trabalhar para recuperar "centavo por centavo" de todo o dinheiro desviado, inclusive do mensalão. No instante do anúncio, tinha a seu lado o governador tucano Aécio Neves (Minas) e o ex-presidente Itamar Franco.

 

"Fiz questão de lançar aqui em Juiz de Fora para fazer homenagem ao [ex] presidente Itamar Franco, que representa a política honrada, da probidade, do respeito ao dinheiro da população, da política mineira, dessa boa política. E do governador Aécio Neves (PSDB), modelo de eficiência e de uma política bem sucedida", disse Alckmin.

Um detalhamento da proposta de Alckmin foi levado ao sítio do candidato na internet. O PT contra-atacou divulgando em sua página virtual o teor de uma notícia publicada nesta quinta pelo Correio Braziliense. Informa que a máfia das ambulâncias agia sob FHC, “com o aval do ex-ministro
da Saúde José Serra (PSDB), candidato ao governo de São Paulo”.

 

Reportando-se ao texto do jornal, o PT anotou em seu sítio que Serra “teria determinado o empenho e a elaboração de convênios para emendas destinadas à compra de ambulâncias junto a empresas do grupo Planam”, que pagava propinas a congressistas sanguessugas.

 

Ouvido em São Paulo, Serra desdenhou da denúncia, atribuindo a veiculação ao clima de campanha eleitoral. "Nós estamos agora na reta final da campanha e este tipo de denúncia ainda vai surgir muito", disse. Mal comparando, o discurso de Serra é idêntico ao do ex-ministro Luiz Gushiken, que, na véspera, usara a mesma suposta motivação eleitoral para tentar desqualificar a auditoria do TCU que detectou suposto superfaturamento e sumiço de cartilhas promocionais do governo.

 

A gincana de lama em que se embrenharam os dois principais partidos políticos do país é extremamente didática para o eleitor. Toda nova denúncia é debitada na conta da disputa eleitoral. E vai sendo construído um conceito seletivo de corrupção: é tudo aquilo que, tendo ocorrido no quintal alheio, merece ser investigado com todo rigor.

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Empresários divulgam manifesto pró-Lula em SP

Um grupo de cerca de cem empresários divulga nesta sexta-feira um manifesto de apoio à reeleição de Lula. Não há no grupo representantes de grandes empresas, como a Gradiente e o Laboratório Aché, que se alinharam à candidatura Lula em 2002. Dessa vez, o apoio vem exclusivamente de grupos de pequeno e médio porte.

Entre os remanescentes do grupo de 2002, Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico –faturamento de cerca de R$ 400 milhões anuais—é o mais conhecido. Ajudou a redigir o manifesto pró-Lula que será divulgado hoje.

 

Phi arrisca-se a teorizar sobre a mudança de perfil do apoio a Lula no mundo empresarial: “Vivemos um momento diferente. Em 2002, havia muita preocupação em relação ao PT e a Lula. O pessoal que veio, em muitos casos, queria entender o que seria um eventual governo petista”.

 

“Hoje”, prossegue Phi, “a economia já está totalmente consolidada. O país tem uma estabilidade monetária como há muito não se via. Há muita tranqüilidade em relação a um eventual segundo mandato de Lula”. Daí a despreocupação do grande empresariado.

 

Além de Lawrence Pih, o grupo de apoiadores de Lula é composto por empresários como Heitor Pinto Filho (Uniban), Michael Haradom (Fersol), José Pessoa de Queiroz Bisneto (Grupo J. Pessoa) e Armênio Mendes (Grupo Mendes). O apoio, explica Phi, é agora “mais ideológico.”

 

“Nós acreditamos no projeto do presidente Lula, acreditamos no projeto do PT. Por isso, nosso apoio tem uma sintonia ideológica”, diz o proprietário do Moinho Pacífico. Além do manifesto, a ser distribuído hoje, os empresários redigem sugestões que esperam ver incorporadas ao programa de governo de Lula.

 

O texto encontra-se em estágio final de elaboração. “Está sendo refinado”, diz Phi. Em entrevista publicada aqui no blog, em julho passado, ele esboçara o teor das inquietações dos empresários (leia). O documento contém desde propostas consensuais –a reforma política, por exemplo—até projetos controversos. Os mais espinhosos para o PT são as reformas previdenciária e a trabalhista.

 

Segundo Phi, o apoio político que estará expresso no manifesto não está condicionado à aceitação das propostas programáticas. “Nosso tarefa é só a de sugerir, apresentando ao governo a nossa ótica de empresários. Sabemos que a aceitação das idéias depende de um conjunto de fatores que independem da vontade do governo. A composição do novo Congresso, por exemplo.”

 

Lula será representado na solenidade desta sexta pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT e coordenador nacional do comitê reeleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Governo da Bolívia recua e reabre negociações

O governo da Bolívia suspendeu os efeitos do decreto que rebaixou as duas refinarias da Petrobras instaladas em território boliviano à condição de meras prestadoras de serviço. “Ficou decidido que o decreto está congelado indefinidamente. E os temas do decreto passam a compor a pauta de negociações entre os governos brasileiro e boliviano”, informou ao blog o assessor especial de Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

 

A pedido do presidente, Marco Aurélio passou a tarde pendurado ao telefone. Conversou várias vezes com o vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera, o mesmo que estivera em Brasília no final do ano passado, justamente para reabrir negociações com o governo brasileiro.

 

“Conversei com o vice-presidente Garcia Linera durante a tarde”, contou Marco Aurélio. “Ele consultou, durante todo o tempo, o presidente Evo Morales, que estava fora do país, participando de um encontro do Grupo dos Não-Alinhados, em Cuba. Ao final da tarde, ele me deu a informação sobre o congelamento do decreto. E eu fui ao Alvorada para dar a notícia ao presidente Lula.”

 

Mas o decreto está revogado?, quis saber o blog. E Marco Aurélio: “Na prática, sim. Mas não sei qual será o encaminhamento a ser dado pelo governo boliviano. De concreto, houve o congelamento.”

 

Em sua passagem por Brasília, há três semanas, o vice-presidente Garcia Linera reunira-se com Lula e com os ministros Celso Amorim (Itamaraty), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Silas Rondeau (Minas e Energia). O timbre que usou nos encontros nem de longe permitia supor que a Bolívia voltaria a surpreender o Brasil com o decreto editado anteontem.

 

A decisão unilateral do regime de Evo Morales levou ao cancelamento de uma missão brasileira que iria a La Paz nesta quinta-feira. Viajariam o ministro Silas Rondeau e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O recuo anunciado a Marco Aurélio por Garcia Linera deve repor a viagem em pauta.

 

No instante em que concedeu entrevista à TV Bandeirantes (leia texto abaixo), Lula já havia sido informado por Marco Aurélio acerca do “congelamento” do decreto boliviano. Questionado pelos entrevistadores sobre o contencioso, disse que continuará tratando a Bolívia com “carinho”. “Não briguei com o [George Bush], porque vou brigar com o Evo Morales?”.

 

“Se a Bolívia teimar e tomar medidas unilaterais, teremos que pensar em medidas mais duras com a Bolívia. Mas nós vamos trabalhar para resolver essa situação tranqüilamente”, acrescentou Lula. “Temos que tratar [os bolivianos] com carinho e tentar a ajudá-los a se desenvolver”.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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81% de casos de corrupção vêm da era FHC, diz Lula

  Folha Imagem
“Só queria lembrar que 81% dos casos que a Polícia Federal desmontou, de sanguessugas e vampiros, começaram antes do meu governo”, disse Lula há pouco, em entrevista ao Jornal da TV Bandeirantes. “Das quadrilhas que a Polícia Federal desmontou, 81% aconteceram no governo do presidente Fernando Henrique. Possivelmente ele também não sabia, porque a gente só sabe quando investiga”.

 

As declarações de Lula foram feitas em resposta a uma pergunta sobre o manifesto em que FHC acusa Lula de ter levado o país a um estágio de “podridão moral”. “Só posso lamentar que ele não esteja sabendo se comportar como ex-presidente”, prosseguiu Lula. “Ele dá mais palpite agora do que quando estava no governo. Eu, na oposição, não dava 10% dos palpites que ele dá.”

 

Lula foi além. Disse que FHC “está irritado porque não tem espaço político, está com uma rejeição forte nas pesquisas”. Recomendou ao antecessor temperança: “Um homem que estudou como ele não podia ter esse comportamento. De mim, até se poderia esperar um comportamento rude. Mas dele não. Lamentavelmente, ele fica muito irritado quando se faz a comparação entre os dois governos. Mas ele teve o tempo dele e eu estou tendo o meu”.

 

A entrevista foi feita ao vivo, no Palácio do Planalto. Foi conduzida pelos jornalistas Fernando Mitre e Franklin Martins. Perguntou-se também a Lula porque ele vem fugindo dos debates com os outros presidenciáveis. O presidente, de novo, alfinetou o antecessor: “O Fernando Henrique não foi a nenhum debate. E nunca vi ninguém cobrar dele. Eu cobrava muito e não era ouvido”.

 

Lula disse que não está deixando de comparecer aos debates em função de seu favoritismo. “Em 2002, eu estava na frente nas pesquisas e fui a todos os debates.” A decisão, disse ele, visa “preservar a instituição da presidência da República”. Sem mencionar os nomes dos adversários Geraldo Alckmin (PSDB), Heloisa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT), Lula disse que “tem três candidatos” que tudo o que deseham “é atacar o presidente”. E alegou que tem o dever de preservar a “instituição”.

 

Perguntou-se a Lula a quem ele se referia quando disse, no auge do escândalo do mensalão, que se julgava “traído”. Disse: “Me senti traído porque o PT foi construído para ser símbolo de que era possível fazer política diferente. De repente, vejo que algumas pessoas enveredaram pelos mesmos caminhos da política brasileira. Me senti traído Poe quem cometeu erros.” Em seguida, afirmou que “aqueles que cometeram erros vão pagar. Ou na justiça ou nas urnas”. E disse que dará a sua contribuição, fazendo “uma reforma política para mudar a política brasileira”.

 

Franklin Martins mencionou os nomes pessoas envolvidas em escândalos. Entre eles os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci e o publicitário Duda Mendonça. Perguntou: O sr. errou nas escolhas? E Lula, categórico: “Não. Não posso aceitar que o Parreira tenha errado quando colocou Juninho Pernambucano e Gilberto Silva e perdeu da França. Se as pessoas cometeram erros, as pessoas tem que deixar o cargo. E eles deixaram o cargo. Presidente não pode prender ninguém. Pode exonerar as pessoas. A partir daí é com a Justiça e o Ministério Público”.

 

“Ganhamos as eleições para fazer as cosias certas", acrescentou Lula. "Trabalhamos com três CPIs e nenhum de vocês não me viu nervoso em nenhum momento. Ela investigou, mandou para o Ministério Público e ele vai mandar ou não para o Judiciário. Minha parte está cumprida. O que vamos fazer é continuar o combate sério à corrupção”.

 

Que lições tirou dos escândalos? “A principal lição que tiro é que o erro não é de um partido, não é de uma pessoa. O erro é do sistema político, que está apodrecido”. Por isso, disse, deseja priorizar a reforma política. Mencionou as dificuldades do governo para aprovar projetos no Congresso. Citou dois: O Fundeb e a lei geral das pequenas e médias empresas. “A Câmara aprovou a lei. Eu disse ao Renan [Calheiros, presidente do Senado]: por que não convoca um dia [de votação]? Não há comício mais importante para quem seja candidato do que votar a lei da pequena e media empresa. No entanto não vai votar”.

Escrito por Josias de Souza às 19h06

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TCU só vai julgar caso das cartilhas em 2007

  Sérgio Lima/Folha Imagem
A previsão foi feita ao blog pelo ministro Ubiratan Aguiar, relator do caso no Tribunal de Contas da União. Ele informou que, depois de receber a defesa das pessoas físicas e jurídicas envolvidas no episódio de suspeita de superfaturamento e de apropriação partidária de cartilhas governamentais submeterá a documentação à análise técnica do tribunal. Em seguida, pedirá a manifestação do representante do Ministério Público junto ao TCU. Só então levará o seu voto a julgamento. “Entendo que vai ficar para 2007. Até porque haverá o recesso de final de ano”, disse Ubiratan.

 

O ministro refutou as acusações de que o TCU estaria agindo movido por interesses eleitorais. Uma acusação que foi consignada em nota do ex-ministro Luiz Gushiken, que chefiava a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) à época em que a encomenda das cartilhas foi feitas às agências Duda Mendonça e Matisse.

 

Ex-deputado federal pelo PSDB do Ceará, Ubiratan diz que a única coisa que lamentou ao “cruzar as portas do TCU” foi ter de cancelar a sua carteira da OAB. Quanto à filiação partidária, afirma que “é coisa do passado”. Acrescenta: “Não me envolvo em questões eleitorias.”

 

O ministro esclareceu que a auditoria nas contas da Secom foi iniciada em 2005 por determinação do então presidente do TCU, Adilson Mota. Foi uma decorrência dos trabalhos da CPI dos Correios. Varejaram-se as despesas publicitárias de 26 órgãos públicos. Coube a Ubiratan acompanhar o caso da Secom porque a fiscalização de órgãos vinculados à Presidência da República estão sob a responsabilidade do seu gabinete.

 

Como evidência de que não se move por motivação eleitoral, Ubiratan disse ao blog que levou o caso a julgamento no plenário do TCU em novembro de 2005. O caso só não foi apreciado àquela época porque a própria Secom apresentou novos documentos e pediu que fossem anexados ao processo.

 

“Acolhi as provas e mandei para a unidade técnica que tinha feito a auditoria, a Sexta Secretaria do TCU. Os técnicos fizeram todo o exame da nova documentação. E devolveram o processo agora. Por isso o caso só foi a julgamento nesse instante. O calendário do tribunal não é regulado pela agenda eleitoral.”

 

O ministro afirma que o seu voto não é senão “o espelho do trabalho da equipe técnica”. Esquiva-se de emitir juízo sobre o voto que irá proferir depois da apresentação da defesa dos acusados. Diz que, como juiz, não lhe cabe “antecipar apreciações sobre o mérito.”

 

“Nesse momento”, acrescenta Ubiratan, “ninguém está responsabilizando, culpando ou condenando quem quer que seja. Está-se abrindo a fase do contraditório. É o momento em que cada um vai apresentar as suas razões e as suas provas. E, ao final, tudo será julgado em função do que for apresentado”.

 

Pressione aqui para entender o que está em jogo no caso das cartilhas.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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Bolívia volta a fazer gato-sapato do Brasil

 

O companheiro-índio Evo Morales continua fazendo gato-sapato de Lula. A Bolívia Trava com o Brasil uma briga de Davi contra o Golias. E, mercê da tolerância desmedida do governo de Brasília, vai Evo vai prevalecendo olimpicamente sobre Lula.

 

Depois de nacionalizar as reservas de gás e petróleo bolivianas e ocupar militarmente refinarias da Petrobrás, o governo boliviano saiu-se com outra. Rebaixou por decreto as instalações da estatal brasileira à condição de mera prestadora de serviços. Transferiu o controle da empresa para a Bolívia. E nem sinal de indenização. A Petrobras vê-se em situação vexatória.

 

A despeito de todas as deferências de que vem sendo alvo, Evo não se deu ao trabalho nem mesmo de telefonar para Lula. Brasília soube das estripulias de La Paz pelos jornais. Tudo isso às vésperas de uma viagem de autoridades brasileiras para a Bolívia, com o objetivo de negociar (!?!?!?!) novos preços para o gás que a Petrbrás extrai de solo boliviano.

 

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, recebeu nesta quinta novas instruções de Lula. O presidente encomendou uma reação enérgica. “O presidente Lula reagiu de uma forma bastante firme porque todo o clima tinha sido construído no sentido de entendimento e, de repente. esse assunto surpreendeu a nós todos", disse o ministro.

 

Será que Ivo, digo, Lula viu, finalmente, a uva que se esconde atrás do Evo? A julgar pela reação de Dilma Rousseff, a resposta é não. A chefona classifica o tratamento dispensado à Petrobrás pela Bolívia apenas como inadequado. "Não digo quebra de confiança, mas não está adequado com as tratativas que estavam sendo feitas", afirmou ela. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Lula divide palanque com Suassuna no sábado

Numa eleição, como na vida, as virtudes perdem-se na conveniência assim como os rios se perdem no mar. Vem daí que Lula, por favorito, já não se preocupa em distinguir os homens de bem dos homens que se dão bem.

Em campanha na Paraíba, no próximo sábado, o presidente vai dividir o palanque com um aliado incômodo: o senador Ney Suassuna (PMDB). Acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias, Suassuna está na bica de amargar um pedido de cassação de mandato.

 

A prudência recomendaria que Lula providenciasse o “suassumiço” de Suassuna de seu convívio. Mas a coordenação da campanha reeleitoral na Paraíba informou à Agência Nordeste (assinantes) que não foi imposto nenhum veto à presença do senador.

 

Não será a primeira vez. Lula já dividiu palanques com João Paulo “R$ 50 mil Cunha” e com Humberto “Indiciado” Costa. E continua flutuando nas pesquisas bem acima dos adversários. Se o eleitor não faz distinções, por que Sua Excelência haveria de fazer?

Escrito por Josias de Souza às 14h46

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Depois do ‘esqueçam’, o ‘entendam’ o que escrevi

  Folha Imagem
Uma carta é um monólogo a procura de um diálogo. A que FHC dirigiu aos “eleitores do PSDB” estava procurando também admiração. E o que encontrou? Só a irritação dos amigos, a indiferença dos inimigos e a sonolência do eleitor, o destinatário original.

FHC julga-se de tal modo “incompreendido” que, tendo escrito sete páginas de texto, vê-se agora na contingência de explicar o que quis dizer. E o faz à distância. Depois de atear “fogo no palheiro”, o ex-presidente voou para os EUA.

 

Alcançado pelo repórter Sérgio Dávila, disse: “A reação, inclusive de alguns companheiros meus, mostra que nós precisamos fazer mais política no Brasil”. A entrevista vale o desperdício de um naco de tempo (leia). Vale tanto pelo que FHC diz como pelo que ele se esquiva de dizer.

 

A certa altura, por exemplo, FHC respondeu a uma “provocação barata” de Aloizio Mercadante, que enxergou ciúmes em sua carta, por não estar participando da campanha de Geraldo Alckmin. “Não estou porque não quero, não acho apropriado (...). O outro lá acha que é porque eu não quero comparação com o governo Lula (...). Acho que a comparação não tem sentido mesmo, cada momento é um momento, mas de qualquer maneira eu defendo o nosso legado, o PSDB tem de defendê-lo”.

O repórter esmiuçou: “Mas na sua comparação o PSDB se sai melhor? E FHC escorregou: “Não sei se melhor ou pior, cada um teve um momento da história. Mas o governo Lula seguiu as linhas que nós abrimos, umas melhores, outras piores. Eu fico torcendo para que siga bem, não para que siga mal. Agora, o fato de eles cuspirem no prato que comeram, dizerem que não estão seguindo, é problema deles”.

Escrito por Josias de Souza às 08h30

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Lula prevê renovação do PSDB e aposta no diálogo

  Eduardo Knapp/Folha Imagem
O relançamento da tese do impeachment por líderes tucanos, em vez de arrefecer, serviu para tonificar a intenção de Lula de buscar um diálogo com o PSDB depois das eleições. Em reserva, o presidente prevê que as eleições produzirão uma “renovação” no comando do tucanato.

Lula aposta na perda de influência de Fernando Henrique Cardoso e de Tasso Jereissati, atual presidente do PSDB. E antevê a ascensão de lideranças como Aécio Neves e José Serra. O blog recolheu a avaliação do presidente com dois petistas que trocaram idéias com ele nesta semana.  

Um deles é auxiliar de Lula no governo. O outro é congressista. Falaram ao sob a condição do anonimato. Ao primeiro Lula repetiu que considera essencial a abertura de diálogo com o PSDB caso venha a ser reeleito. Ao segundo afirmou que a mudança de ares no tucanato facilitará a aproximação. A ambos declarou que conduzirá  pessoalmente os entendimentos.

Em sua primeira manifestação pública sobre o manifesto divulgado na semana passada por FHC, Lula disse ontem, em solenidade no Itamaraty, não tem “tempo a perder” com o antecessor. "FHC é o único ex-presidente que não sabe se comportar como ex-presidente", disse. "Eu não posso fazer nada".

Entre quatro paredes, o presidente perdeu nacos de seu tempo com a análise do gesto de FHC. Disse que não leva o discurso pró-impeachment a sério. Debita os arroubos ao calor da campanha. Enxerga no manifesto uma tentativa do de FHC de retomar o controle do PSDB.

Na opinião de Lula, a estratégia visava dois objetivos: forçar o PSDB a assumir a defesa do legado da era tucana, algo que ninguém se animou a fazer durante a campanha eleitoral, e inibir uma aproximação com ele depois da abertura das urnas. Acha que, nos dois casos, a estratégia malogrou. Produziu apenas a “desagregação” do tucanato e a impressão de “desespero”.

Lula fala como se não considerasse mais a hipótese de não ser reeleito. Aposta que, passada a contenda política, tucanos como José Serra e Aécio Neves não se furtarão a estabelecer com o Planalto um diálogo “construtivo”. Especialmente se ambos forem eleitos respectivamente governadores de São Paulo e de Minas Gerais, como prenunciam as pesquisas.

No comando dos dois principais Estados, avalia Lula, Serra e Aécio não poderão prescindir da colaboração da União. Do mesmo modo, diz o presidente, o governo federal precisará da ajuda dos dois para aprovar no Congresso projetos tidos como essenciais –entre eles as reformas política, tributária e previdenciária.

Lula utiliza um outro argumento para justificar o seu otimismo em relação ao êxito dos entendimentos futuros: acha que não interessa nem a Serra nem a Aécio, ambos candidatos ao Planalto em 2010, a inviabilização do seu segundo mandato. Na mesma entrevista do Itamaraty, quando questionado sobre a possibilidade de transformar Aécio em parceiro, Lula foi sucintamente claro: "Ele é uma parceria hoje já".

Não passa pela cabeça de Lula a idéia de arrastar o PSDB para dentro do seu governo. O entendimento idealizado por ele se restringiria ao estabelecimento de uma cooperação administrativa e política. Passaria necessariamente pela aprovação no Congresso de projetos de interesse geral. É diferente dos planos que nutre, por exemplo, em relação ao PMDB, um partido cuja cooperação está condicionada ao controle de nacos da Esplanada dos Ministérios.

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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As manchetes desta quinta

- JB: Cesar Maia: "Toda a Barra está na Justiça"

- Folha: Jovens são 45,5% dos desempregados

- Estadão: FMI prevê que o Brasil continuará crescendo pouco

- Globo: Detran não cassa carteira por infrações há 18 meses

- Correio: Grileiros fazem farra de lotes em área nobre

- Valor: Bolívia assume refinarias sem pagar Petrobras

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Assessoria 'rabulamentar'!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Lula vira saco de pancadas em debate da Gazeta

  Orlando Brito
O segundo debate entre os presidenciáveis, promovido pela TV Gazeta, de São Paulo, transformou-se numa espécie de luta de boxe em que Lula, ausente, entrou com a cara. Todos socaram impiedosamente o presidente.

 

“Do que Lula tem medo?”, indagou Cristovam Buarque (PDT), inaugurando a sessão de pancadas. “Das acusações? Das cobranças?”. Seguiram-se os golpes de Heloisa Helena (PSOL). Disse que Lula deveria "descer de seu trono de corrupção, arrogância covardia política."

 

Ignorando o fato de que os tucanos FHC e José Serra também deram de ombros para os debates, Geraldo Alckmin (PSDB) não perdeu a oportunidade de desferir os seus jabs. Disse que "eleição é um processo de diálogo". Lembrou que Lula tem um elenco de promessas não cumpridas a explicar. Mirou abaixo da linha da cintura ao mencionar que cinco ministros de Lula foram "indiciados pela polícia".

 

Afora a pimenta jogada nos olhos de um Lula ausente, o debate teve gosto de água com açúcar. Os candidatos valeram-se da tribuna televisiva para reiterar propostas que vêm defendendo desde o início da campanha.

 

O clima ameno foi quebrado apenas de raro em raro, graças à disposição de HH de alfinetar Alckmin. A candidata do PSOL foi auxiliada, aliás, pelo próprio adversário tucano. Em dado momento, Alckmin perguntou o que HH faria para evitar o risco de um novo apagão nos próximos anos.

 

Ela não teve dúvidas. Acomodou o tucanato e o petismo num mesmo saco. E chacoalhou: "Vamos fazer novos investimentos na geração de energia para dinamizar a economia e impedir uma nova crise, que é retrato da irresponsabilidade de FHC e Lula", criticou.

 

Noutro ponto do debate, HH questionou Alckmin sobre segurança pública, uma espécie de Waterloo do governo tucano em São Paulo. Em resposta, ele desfiou as estatísticas de praxe. E voltou a transferir responsabilidades para Brasília: “Não vou me omitir e trabalhar firme, mudar a legislação, que é federal."

Os contendores logo voltariam suas baterias de novo na direção do grande ausente. Referindo-se a programas supostamente eleitoreiros que vêm sendo anunciados pelo governo, Cristovam disse que Lula inova ao lançar “pacotes de boca de urna”. Faz, segundo as suas palavras, "boca de urna com dinheiro público".  

Alckmin ecoou Cristovam. Disse que o presidente promove uma volta “à idade da pedra”. Mencionou o “aparelhamento do governo federal” e a ausência de prestação de contas “do dinheiro que sumiu." Disse que o governo Lula perseguiu um “nordestino pobre” –referência ao caseiro Francenildo Costa—e foi ameno com os "grandes corruptores".

Otimista inveterado, o presidenciável tucano reiterou a sua convicção de que irá ao segundo turno: “Agora é que começa a se formar convicção [dos eleitores”. Disse que no segundo round, Lula não terá como fugir ao contraditório. HH concordou num ponto: a perspectiva do segundo turno. Mas disse que é ela, e não Alckmin, a melhor pessoa para se contrapor a Lula. Por que? “Vim de uma família pobre, mas quando toquei os palácios não me vendi, não roubei."

 

Tudo considerado, os ataques a Lula devem resultar em prejuízo zero para o presidente. Se a audiência da TV Bandeirantes, promotora do primeiro debate, não o abalou, não será a da TV Gazeta que irá minar-lhe o favoritismo. No próximo debate, da TV Globo, a audiência será maior. Mas a veiculação se dará em 28 de setembro, a três dias da eleição. Se até lá os adversários não tiverem encurtado a distância que os separa de Lula, não serão novos ataques a uma cadeira vazia que produzirão uma mudança no quadro.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Manobras retardam julgamento da candidatura Maluf

Servindo-se de manobras jurídicas, os advogados de Paulo Maluf vêm logrando retardar há 15 dias o julgamento de um pedido de impugnação da candidatura do ex-prefeito à Câmara dos Deputados. O Ministério Público Eleitoral recorreu contra a homologação da candidatura de Maluf no dia 28 de agosto. O processo deveria ter sido remetido pelo TRE de São Paulo ao TSE, em Brasília, três dias depois. Mas continua retido nos escaninhos do tribunal paulista.

O caso envolvendo Maluf foi noticiado aqui no blog em três textos (um, dois, três). Antes de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério Público tentara impugnar a candidatura do ex-prefeito no próprio Tribunal Regional Eleitoral. O registro de Maluf foi mantido. Daí o recurso ao TSE.

Toda discussão gira em torno de um conjunto de documentos usados pelo Ministério Público para tentar barrar as pretensões eleitorais de Maluf. São dados enviados ao Brasil pela Promotoria de Nova York. Contêm informações sobre compras estimadas em US$ 2,3 milhões que Maluf realizou na casa de leilões Sotheby´s.

Nenhuma das transações foi registrada na declaração de bens que Maluf encaminhou à Justiça Eleitoral. O que levou o Ministério Público a qualificar o documento como “inidôneo”. Os advogados do ex-prefeito argumentaram que o papelório vindo dos EUA não poderia ser usado num processo de cunho eleitoral. Serviriam apenas para instruir processos criminais a que Maluf responde na Justiça.

A tese dos advogados foi acatada. Determinou-se que os papéis norte-americanos fossem “desentranhados” dos autos. O Ministério Público Eleitoral recorreu dentro do prazo legal. Pediu que o processo fosse remetido a Brasília. Pela lei, caberia ao TRE recolher nova defesa de Maluf e remeter o caso para o TSE.

Porém, os advogados de Maluf voltaram à carga. Pediram, de novo, que fossem desconsiderados os documentos vindos dos EUA. No recurso ao TSE, o Ministério Público repete algo que já anotara no processo julgado pelo TRE: o Ministério da Justiça obteve autorização expressa do Judiciário norte-americano para uso dos documentos também na Justiça Eleitoral.

No último dia 9 de setembro, o procurador da República Mario Luiz Bonsaglia enviou ao TRE paulista ofício alertando para os riscos do relógio. Casos como o de Maluf só poderão ser julgados no TSE até o dia 20 de setembro. “(...) As sucessivas manobras procrastinatórias adotadas pelo candidato impugnado [Maluf] vêm impedindo a subida dos autos ao Tribunal Superior Eleitoral (...)”, anota o procurador em seu ofício.

Nesse vaivém, o TRE preferiu devolver o processo ao Ministério Público em vez de remetê-lo a Brasília. Cobrou do procurar Bonsaglia a apresentação de contra-razões aos argumentos dos advogados de Maluf. A manifestação do procurador deve ser entregue nesta quinta ao TRE.

Espera-se que, finalmente, o processo siga TSE. Pelo rito processual, o tribunal terá de ouvir a Procuradoria-Geral Eleitoral, em Brasília. Em seguida, proferirá o seu veredicto. O blog apurou que o parecer da procuradoria-geral será favorável à impugnação da candidatura Maluf.

Escrito por Josias de Souza às 20h31

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Gushiken vê motivação eleitoral na decisão do TCU

O ex-ministro Luiz Gushiken, hoje assessor especial de Lula, enxerga motivação eleitoral na decisão tomada na tarde desta quarta de promover uma devassa nas contas de publicidade da Presidência da República. Ele considera que não houve nada de irregular na distribuição de cartilhas de autopromoção do governo por diretórios municipais do PT. Eis o que disse Gushiken a propósito da deliberação do TCU:

 

“Estranho que somente agora, às vésperas das eleições, venha a se apontar suposto conteúdo não institucional, quando à época - quase dois anos atrás -todos os deputados, senadores, governadores, prefeitos e outras autoridades receberam o referido material. Naquela ocasião, nenhum questionamento foi levantado, pois, de fato, o material tem cunho estritamente institucional e não partidário”, diz Gushiken, que era o titular da Secretaria de Comunicação da Presidência na ocasião em que as cartilhas foram impressas e distribuídas.

 

A manifestação de Gushiken consta de nota oficial enviada há pouco para o blog. Leia a íntegra abaixo:

“A propósito da decisão tomada hoje, no plenário do Tribunal de Contas da União, referente à produção e distribuição de revistas de conteúdo institucional, entre 2003 e 2005, cabem os seguintes esclarecimentos:

a) O acórdão do TCU (1641/2006) é categórico ao afirmar que "a conversão desse processo em Tomada de Contas Especial constitui decisão preliminar, não importando, portanto, em julgamento da matéria, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal".

b) Ainda de acordo com o próprio acórdão do TCU, a etapa seguinte do processo permitirá a apresentação de defesa e das provas de que não existiu qualquer ilegalidade, nem prejuízo aos cofres públicos, na produção e
distribuição do material informativo.

c) Reitero o entendimento de que não há óbice de natureza legal na forma como foram distribuídas as revistas.

d) Estranho que somente agora, às vésperas das eleições, venha a se apontar suposto conteúdo não institucional, quando à época - quase dois anos atrás -todos os deputados, senadores, governadores, prefeitos e outras autoridades receberam o referido material. Naquela ocasião, nenhum questionamento foi levantado, pois, de fato, o material tem cunho estritamente institucional e não partidário.

e) Certamente, alguns setores políticos prefeririam que o Governo Federal não prestasse contas e nem divulgasse suas realizações”.

Luiz Gushiken
Brasília (DF), 13 de Setembro de 2006

O argumento eleitoral utilizado pelo ex-ministro Gushiken é incompatível com a gravidade do episódio. As dúvidas que remanescem são as seguintes:

1. O Planalto encomendou a duas agências de publicidade –Duda Mendonça e Matisse—5 milhões de cartilhas promocionais. Os auditores do TCU verificaram que 2 milhões de cartilhas não foram entregues. Onde estão?

 

2. Instado a defender-se, o governo alegou que o lote de cartilhas não encontrado de fato não chegou à presidência da República. Foi enviado a diretórios municipais do PT, que se encarregaram da distribuição. Por que usar um partido político para distribuir peças promocionais do Estado?

 

3. Em nota oficial, o PT diz ter distribuído 929.940. É bem menos que o número de cartilhas sumidas detectado pelos auditores do TCU (2 milhões). Onde está o resto?

 

4. O relatório que o tribunal aprovou nesta quarta levanta a suspeita de que as cartilhas, em verdade, não foram impressas. O desvio teria custado à bolsa da Viúva R$ 11,6 milhões. O governo, o PT e as agências envolvidas terão 15 dias para oferecer explicações. É disso que se trata.

 

Ao contribuinte brasileiro, pouco importa o discurso precipitado da oposição, que voltou a pregar o impeachment de Lula. Tampouco interessa a cortina eleitoral que Gushiken e o PT tentam levantar em torno do problema. Interessa saber o que foi feito da grana pública.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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TCU aprova hoje devassa na publicidade do Planalto

O plenário do Tribunal de Contas da União vai votar na tarde desta quarta o pedido de realização de “tomada de contas especial” na Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República). O blog apurou que o pedido será aprovado.

O objetivo é aprofundar auditoria iniciada no ano passado, durante a qual foram detectadas impropriedades em despesas de cerca de R$ 11 milhões (conheça mais detalhes pressionando aqui). O dinheiro foi usado na edição e distribuição de revistas e encartes feitos por encomenda do Planalto. Continham propaganda da gestão Lula e ataques à administração de FHC.

 

Os auditores do TCU estranharam o seguinte: um lote de publicações , embora devidamente pago, não foi entregue ao Planalto. Instado a se manifestar, o governo reconheceu que as cartilhas não chegaram a Brasília. Alegou que foram encaminhadas a diretórios municipais do PT, que se incumbiram da distribuição.

 

Para o relator do processo, ministro Ubiratan Aguiar, a emenda soou pior do que o soneto. Ele farejou na operação uma relação promíscua entre governo e partido. Por isso recomendou a realização da “tomada de contas especial”. O voto de Ubiratan deveria ter sido julgado pelo TCU na terça-feira da semana passada. Mas outro ministro, Marcos Vilaça, pediu vista do processo, adiando a decisão.

 

Vilaça concluiu na noite passada a leitura dos autos. Chegou à mesma conclusão de Ubiratan Aguiar. Ou seja, a “tomada de contas especial” é inevitável. Na manhã desta quarta, Vilaça devolveu o processo para que fosse levado a voto na sessão de hoje, já iniciada.

 

A simples aprovação do aprofundamento da auditoria será um duro revés para Lula e seu governo. Colocará de novo sob suspeição um apêndice da Presidência, a Secom. De fato, é estranho, muito estranho, estranhíssimo que se disponha a financiar a edição de cartilhas de autopromoção para que o PT distribua. 

 

Há mais e pior: os auditores do TCU não estão inteiramente convencidos de que as cartilhas tenham sido mesmo distribuídas pelo PT. Rumina-se no tribunal a suspeita de que nem todas as publicações encomendadas tenham sido impressas. Uma hipótese que, se verdadeira, conferiria ao impensável ares de inacreditável. O PT refuta a suspeita. Em nota oficial, o partido informa que recebeu e distribuiu 929.940 revistas do governo. É o que os auditores irão verificar.

 

PS.: Como previsto, o TCU aprovou o pedido de auditoria especial nas contas publicitária do Planalto (leia). Outra notícia: o Ministério Público recebeu cópia da auditoria feita pelos técnicos do TCU na Secom (aqui). O documento deve dar origem a um novo inquérito.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

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PT quer rechaçar discurso pró-impeachment na rua

Em ritmo de contagem regressiva, o comitê reeleitoral de Lula organizou para os últimos 15 dias de campanha três eventos de rua. O primeiro deles ocorrerá no próximo final de semana em cerca de 3.000 municípios. O último, batizado de “caminhada da vitória”, será no dia 29 de setembro, nas principais capitais do país.

 

As manifestações, que vêm sendo organizadas desde julho, ganharam sentido novo para o petismo. Ao objetivo eleitoral, somou-se o desejo de dar uma resposta aos adversários que tentam ressuscitar o debate sobre o impeachment de Lula.

 

“Entendemos que esses últimos 15 dias são definidores do processo eleitoral”, diz João Felício, ex-presidente da CUT e responsável pelo comitê de mobilização da campanha de Lula. “Queremos consolidar as pesquisas e assegurar a vitória do Lula. Ao mesmo tempo, vamos mostrar que não há ambiente para impeachment”.

 

“Daremos uma resposta democrática e pacífica”, acrescenta Felício. “Queremos reeleger o Lula e não aceitamos ameaças ao processo democrático. Esse discurso pelo impeachment serve apenas para demonstrar o desespero dos nossos adversários. Não estão conseguindo ganhar nas urnas e ameaçam com retrocesso. Isso não cola.”

 

A defesa do impeachment de Lula foi feita nos últimos dias por três apoiadores da candidatura tucana de Geraldo Alckmin: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o presidente do PSDB, Tasso Jereissati; e, por último, o presidente do PPS, Roberto Freire.

 

As manifestações que o PT agendou para o próximo final de semana, dias 16 e 17, partirão das capitais e das cidades de porte médio para os pequenos municípios. “Será uma das maiores mobilizações dessa eleição”, diz Felício.

 

Programaram-se “bandeiraços”, distribuições de panfletos, comícios-relâmpago, trabalho de corpo-a-corpo e entrevistas a rádios e jornais locais. Participam candidatos petistas ao Congresso e aos governos Estaduais, presidentes de diretórios estaduais e municipais do PT e líderes dos chamados movimentos sociais.

 

Para o sábado seguinte, dia 23, o comitê de Lula programou nova mobilização. De novo, o objetivo é atingir as cidades de pequeno porte. O mote será a “inclusão social”. Por último, marcou-se para a sexta seguinte, dia 29, aquilo que o PT chama de “caminhada da vitória”. O alvo, dessa vez, são as principais capitais do país. Pela lei, a propaganda eleitoral encerra-se na véspera, dia 28. Mas, segundo a interpretação do PT, caminhadas adornadas com faixas e bandeiras não estão proibidas.

 

“Daremos uma dimensão maior à campanha, para que o processo eleitoral tome as ruas. Vamos criar o verdadeiro clima de eleição. Hoje, a impressão que todos têm é de que a campanha só está na TV, no rádio e nos jornais. Ainda não chegou às ruas. Agora vai chegar”, diz Felício. Será?

Escrito por Josias de Souza às 08h48

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As manchetes desta quarta

- JB: Governo dá crédito para casa própria

- Folha: Lula está 22 pontos à frente de Alckmin

- Estadão: Câmara corta 1.018 cargos de confiança

- Globo: Governo anuncia pacote para moradia a 19 dias da eleição

- Correio: Vassourada nos fantasmas

- Valor: Conselhos de municípios fracassam na fiscalização

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h08

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Création nouvelle!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h42

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PT pede doações eleitorais por e-mail

O signatário do blog recebeu nesta terça um e-mail assinado por José de Filippi Jr.. Vem a ser a ser o gerente das arca$ da campanha de Lula. A parte inicial da missiva eletrônica diz o seguinte:

“Em nome da Coligação ‘A Força do Povo’, quero convidar-lhe a contribuir financeiramente para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de ajudar a viabilizar a divulgação da plataforma de Lula para o Brasil, seu apoio terá um importante significado político: seu nome constará da relação de doadores que, após as eleições, ficará disponível para consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Em 2006, a Justiça Eleitoral aumentou as exigências para as doações eleitorais. Para cumprir a legislação e facilitar esse processo, a Campanha Lula criou um cupom exclusivo destinado a doações entre R$ 5,00 e R$ 1.000,00. Para contribuir, o doador deve preencher o cupom, comparecer com ele a qualquer agência da CEF ou do BB e fazer um depósito identificado para a campanha, em dinheiro. Após fazer o depósito, basta colocar o boleto em qualquer agência ou caixa dos Correios. Ele funciona como cartão-resposta e não tem custo para o doador”.

Segue-se um link para a impressão do “cupom de doação” e um pedido para que o “doador” autorize a publicação de seu nome em peças de campanha destinadas à “publicação na imprensa”. O repórter estranhou o e-mail. Imaginou-se vítima de um trote. Depois, soube que a mesma solicitação foi encaminhada a 180 mil pessoas. E tranqüilizou-se.

O companheiro Fillipi Jr. precisa refinar a sua lista. O repórter considera-se pouco adestrado na arte do manuseio do dinheiro. Vem daí a sua incapacidade de acumular pecúnia. E a preferência por manter o pouco que amealha em suas próprias mãos. Não que isso vá representar um problema para o caixa reeleitoral, que, a julgar pela veracidade das cifras levadas pelo PT aos arquivos do TSE, já acumula R$ 22,7 milhões.

Curioso que, com tantos reais em caixa, o PT tente pescar migalhas no bolso do pobre eleitor. De todo modo, o jogo de cena é preferível ao esconde-esconde de que se valeu o companheiro Delúbio Soares para injetar pelo menos R$ 55 milhões em verbas de má origem nos cofres de uma legenda que se vendia como casta e imaculada. Alvíssaras!

Escrito por Josias de Souza às 22h45

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Histórico das eleições conspira contra Alckmin

Geraldo “Chuchumbo” Alckmin anda tão ocupado em salvar a própria candidatura que já não tem tempo de ser realista. A 18 dias do primeiro turno da eleição, o Datafolha voltou a atestar o favoritismo de Lula (50%). Mas Alckmin (28%) segue afirmando que confia numa “virada”.

"A campanha só começa quando muda o horário da novela", dizia Alckmin no início da campanha. Veio a propaganda eleitoral. E nada. “O quadro vai mudar depois do dia do desfile”, passou a dizer “Chuchumbo”. Cresceu muito pouco. E não exibiu potencial para roubou votos de Lula. Agora, vem a pregação da “virada” final.

Milagres eleitorais acontecem. Alckmin sabe disso. Em agosto de 2002, quando disputava o governo de São Paulo, o tucano freqüentava as pesquisas com índices de 24%. Paulo Maluf, seu adversário de então, tinha 40%.

Na segunda quinzena de setembro daquele ano, a duas semanas do término do horário eleitoral, Alckmin ultrapassou Maluf em 2 pontos. Uma semana depois, a diferença subiu para 4 pontos. No final da campanha, Maluf havia sido ultrapassado em 17 pontos. E Alckmin elegeu-se governador.

Há, porém, um detalhe que desaconselha otimismo. Não há registro de mudanças bruscas na reta final das eleições presidenciais. O histórico demonstra que costuma levar a faixa o candidato que já liderava as pesquisas antes do início da propaganda no rádio e na TV.

Foi assim com Fernando Collor, em 1989. Idem com Fernando Henrique Cardoso, em 1998; Ibidem com Lula, em 2002. Desde que foram restabelecidas as eleições diretas, houve um único caso em que o candidato favorito foi batido nas urnas. Deu-se com Lula, em 1994. Atrás nas pesquisas, FHC ultrapassou Lula em julho daquele ano antes mesmo do início da publicidade de campanha.

A virada teve, porém, uma motivação peculiar. FHC cavalgava o prestígio do Plano Real, cujo êxito motivara sua saída da pasta da Fazenda, sob Itamar Franco, para aventurar-se no pleito presidencial. Alckmin, além de não ter nenhuma arma secreta no bolso do colete, enfrenta um adversário que, a exemplo do FHC de 94, dispõe de uma alavanca vigorosa: o programa Bolsa Família.

O único fator que poderia justificar um crescimento vigoroso de Alckmin era o fato de ele ser desconhecido da maioria dos brasileiros. Supunha-se que, mostrando-se no TV e falando no rádio, ele granjearia simpatias em regiões mais remotas do país. Não colou. Não lhe resta senão esperar pelo milagre.

PS.: Não deixe de ler também a esclarecedora análise produzida pelo repórter Kennedy Alencar (aqui). 

Escrito por Josias de Souza às 20h11

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Suassuna se defende: ‘Não sou desonesto’

  Folha Imagem
Candidato à reeleição, o senador Ney Suassuna (PB), até bem pouco líder do PMDB, compareceu nesta terça ao Conselho de Ética do Senado. Defendeu-se das acusações de envolvimento com a máfia das ambulâncias. A despeito das negativas que proferiu, não deve escapar de um processo por quebra do decoro parlamentar.

 

Marcelo Carvalho, ex-assessor do gabinete de Suassuna, negociou à farta com a Planam, aquela que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Recebeu R$ 225 mil em propinas. Luiz Vedoin, sócio da empresa, sustenta que Carvalho falava em nome de Suassuna.

 

O senador contesta. Diz que o ex-assessor agia por conta própria. Reconhece que tinha conhecimento da liberação de emendas encaminhadas ao Orçamento da União em seu nome para a compra de ambulâncias. Mas alega que desconhecia o superfaturamento. Sustenta que Carvalho falsificou sua assinatura em ofício encaminhado ao Ministério da Saúde pedindo a liberação de verbas.

 

"Eu não conheço ninguém da Planam, nunca tive nenhum trato com esse pessoal. Nunca soube da existência de nenhum deles (...). Eu nunca imaginei que o meu assessor pudesse ter outro acordo. Eu autorizava a liberação de emendas para a compra de ambulâncias, mas não superfaturadas. Porque pagaram R$ 225 mil a ele, não é da minha conta."

 

Como assim? “Não é da minha conta?”. Ora, senador, francamente. Ainda que se admita como verdade o que alega Suassuna, algo ainda pendente de verificação, um senador da República não pode dar guarida em seu gabinete a um funcionário que ele próprio trata como desonesto e sair por aí dizendo que não tem nada com o babado!

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Na Baixada Fluminense impera o ‘mata, mas faz’

Costuma-se dizer que as zonas mais violentas do Rio de Janeiro são dominados por um “poder paralelo”, erigido à margem do Estado. O sociólogo José Cláudio Souza Alves, da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio), um estudioso do fenômeno da violência na Baixada Fluminense, tem outra explicação para o fenômeno. Sustenta que, nos bairros da Baixada, impera o sistema do “mata, mas faz”, uma analogia ao conhecido “rouba, mas faz”.

"Não é nada paralelo. Esses grupos [de extermínio] representam um estágio da própria construção do Estado e do poder político na região", diz Souza Alves em entrevista ao repórter Spency Pimentel. “Aqui, é o mata, mas faz.”

Souza Alves é autor do livro "Dos Barões ao Extermínio – Uma História da Violência na Baixada Fluminense". Acompanha o histórico de violência na região. Pelas suas contas, o índice de assassinatos na Baixada era, no final dos anos 80, de 95 execuções para cada 100 mil habitantes. Hoje, é de 76 assassinados por 100 mil.

O número caiu. Mas, comparado com a média nacional, mata-se na Baixada Fluminense três vezes mais gente do que no resto do país. Ou duas vezes mais do que na capital carioca. Há na região cinco a seis mortes por dia. Só 7,8% dos crimes são investigados pela polícia.

Segundo o estudioso, a indústria da morte nasceu nos anos 80, à sombra do regime militar. A soldo de comerciantes, militares exterminavam supostos bandidos. O negócio se manteve ativo depois da redemocratização do país.  

No início dos anos 90, diz Souza Alves, líderes de grupos de extermínio começaram a se aventurar na política. O movimento, que o sociólogo chama de “lavagem de cidadania”, marcou "a chegada dos matadores ao poder”. Eram dois os objetivos do crime: “Se proteger e, também, tomar para si o controle sobre as regiões."

"O poder”, diz Souza Alves, “é o melhor alvejante. Sobretudo quando é calcado sobre a desgraça dos mais pobres". Os eleitos obtêm “respeitabilidade”. Investigando-os, porém, descobre-se que têm contra si “acusações de roubo de carros, seqüestro, tráfico."

As execuções sumárias, longe inspirar repulsa, confere aos “políticos matadores" respaldo social. Eles tonificam o seu prestígio valendo-se de “práticas clientelistas, bem à moda da Baixada”. Conquistam "currais eleitorais" nos bairros pobres da região.

Em períodos eleitorais, como o atual, o poder das armas tem influência no resultado das urnas. Os políticos ligados ao crime organizado utilizam o seu aparato para impedir que adversários façam campanha em seus redutos. Os tentáculos do crime chegam ao aparato estatal. "Como eles têm força política, conseguem exigir que aliados sejam mantidos e adversários sejam eliminados do aparato da segurança pública", diz Alves Souza.

Como se vê, há no Brasil modalidades de campanha que nenhuma legislação eleitoral consegue coibir. Ou viramos essa página, ou continuaremos convivência com a incômoda sensação de que o único segmento que se organiza no país é o crime.

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Lembo diz que SP ‘perdeu os limites’ nas prisões

Sempre que questionado sobre a crise no setor de segurança pública em São Paulo, o presidenciável Geraldo Alckmin contra-ataca com estatísticas. Gosta de dizer, por exemplo, que seu governo “retirou das ruas 90 mil criminosos”. Nesta terça, o governador Cláudio Lembo desnudou a realidade que se esconde atrás da meia-verdade de Alckmin.

 

“No sistema penitenciário, nós perdemos os limites e o equilíbrio, esquecemos a lei de execução penal e fomos para um tratamento pessoal ao criminoso, e aí equivocamos. Quando você sai da lei, você cria sempre um tumulto", disse Lembo. Ou seja, aquilo que Alckmin apresenta como solução –a retirada de “90 mil criminosos” das ruas—é, em verdade, parte do problema.

 

Uma das atribuições do Estado é, evidentemente, a de retirar criminosos de circulação. O problema é que, de acordo com a lei mencionada por Lembo, os delinqüentes deveriam ser enviados para prisões capazes de reabilitá-los. Em vez disso, são amontoados em cárceres comandados pelo PCC. Ali, são doutorados no crime.

 

A encrenca não é uma exclusividade de São Paulo. Desgraçadamente, repete-se em todos os Estados da federação, conforme já demonstrado em texto veiculado aqui no blog. A ressocialização de presos não é uma prioridade do Estado brasileiro. Imagina-se que, atrás das grades, o criminoso deixa de ser um problema. A mobilidade do PCC comprova o equívoco da suposição. A desmontagem da bomba não depende apenas de governadores, mas também do presidente da República. Está-se diante de um filme que não tem mocinhos. 

Escrito por Josias de Souza às 15h01

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Sobre FHC, ACM e o tempo

Sobre FHC, ACM e o tempo

 

Fernando Henrique Cardoso, personagem já entrado em anos, sabe que não tem muito futuro na política. Mete-se na refrega eleitoral porque imagina que os mais moços, por inexperientes, acreditem que ele também não tem passado. Mas o passado nunca passa. Está aí, sempre presente, imiscuindo-se no presente. Leia-se, a propósito, o teor de uma nota da coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

Paz e Guerra - Dias antes de lançar sua polêmica "carta aberta" ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conversou longamente com o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, do PFL -há tempos os dois fizeram as pazes e hoje se dão "muito bem", diz ACM. "Eu disse a ele que a campanha deveria ser mais agressiva, que precisávamos fazer alguma coisa. Ele me disse que estava mesmo com vontade. Foi um desabafo."

 

Abra-se aqui um parêntese. Só para lembrar que ACM, em passado recentíssimo, notabilizou-se pela crítica contumaz que fazia ao estilo acomodatício de FHC. Peitou a autoridade presidencial a mais não poder. Até debaixo do teto do Palácio da Alvorada. Como em maio de 1999, num encontro testemunhado por Pimenta da Veiga, Jorge Bornhausen e Marco Maciel.

 

FHC cobrava coesão de seus aliados no Congresso. "Tudo bem, mas você precisa se ajudar", alfinetou ACM. FHC embatucou-se: "Como assim?". E ACM: "O seu estilo está superado. É preciso mais ação". FHC eriçou-se: "Com esse meu estilo ganhei duas eleições".


ACM não se deu por achado: "O Getúlio ganhou três e terminou dando um tiro no peito". E FHC: "Eu não tenho o seu jeito. Não sou brigão. Nem por isso fujo da responsabilidade. Combati a Oban em São Paulo. Fui encapuzado, interrogado".


Antes que Bornhausen e Maciel providenciassem panos quentes, ACM ainda disse: "Isso não me impressiona, presidente. Nessa época eu dava tapa em general". Referia-se a entrevero que teve, em 1965, com o general João Costa.

ACM era, então, deputado federal pela Arena. O general, que comandava a 6ª Região Militar, em Salvador, acusou-o de espalhar boatos sobre um caso extraconjugal que jurava inverídico. Encontraram-se na sede do governo baiano.

 

Deu-se num pequeno elevador o ápice do sururu. Sob os olhos esbugalhados de Lomanto Júnior, então governador da Bahia. Enfezado, o general dirigiu-se a ACM com o dedo em riste e a voz no teto. ACM golpeou-lhe o quepe, lançando-o ao chão.

 

Minutos depois, isolados numa sala do Palácio da Aclamação, ACM contou ao desafeto que ouvira sobre sua suposta amante dos lábios de outro general: Ernesto Geisel, então chefe do Gabinete Militar de Castelo Branco. Fecha parêntese.

 

Entre o FHC agressivo do manifesto e o presidente que dizia a ACM que não tinha “o seu jeito” há um novo personagem. É um FHC que, cioso da própria obra, não se conforma com a vergonha que seu partido tem de defender o seu governo. Sabe que o tempo é implacável. Seu relógio não tem mais ponteiros. Tem duas espadas. E não quer fazer feio no verbete da enciclopédia.

Escrito por Josias de Souza às 13h07

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As manchetes desta terça

- JB: Síndico vai à Justiça contra construtora

- Folha: Verba social da Petrobras privilegia PT

- Estadão: MST reduz invasões para favorecer Lula

- Globo: Laudo: motorista de tragédia da Lagoa bebeu em excesso

- Correio: Fantasmas com os dias contados

- Valor: Matérias-primas têm forte queda liderada por petróleo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h03

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Carta-bomba!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Marco Aurélio vê fogo atrás da fumaça do mensalão

  Sérgio Lima/F.Imagem
Em entrevista ao Programa do Jô, Marco Aurélio Mello, presidente do TSE e ministro do STF, deixou antever o posicionamento que irá adotar em relação ao escândalo do mensalão, submetido ao julgamento do supremo. Jô perguntou ao ministro se ele acreditava na existência do mensalão. E ele: “Onde há fumaça, há fogo”.

“Não podemos ser ingênuos diante do que ocorreu”, acrescentou o ministro. “Inclusive diante das renuncias havidas a mandatos parlamentares. Devemos aguardar o desfecho da ação penal, para chegar à conclusão sobre os culpados pelo mensalão”. A entrevista terminou por volta de 2h05 da madrugada desta terça-feira.

 

Marco Aurélio compõe o colegiado de onze ministros do STF que irá julgar a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os 40 integrantes da "quadrilha" do mensalão. A primeira fase do processo foi concluída na semana passada, com a apresentação da defesa prévia dos envolvidos.

 

Quando questionado acerca da participação de políticos envolvidos em escândalos nas eleições deste ano, Marco Aurélio afirmou que a atuação do Judiciário é vinculada à lei. Ou seja, não há como impedir que políticos sem condenação definitiva submetam-se ao crivo das urnas. “Não podemos agir fora dos limites legais”, disse ele.

 

Mas o ministro lembrou que o “poder do eleitor” é maior do que o dos tribunais. Chegou mesmo a recomendar o veto a políticos encrencados com a Justiça. Nas palavras do presidente do TSE, o eleitor “pode dizer não a um candidato que esteja envolvido num processo. E deve fazê-lo.”

 

Remando contra a maré, Marco Aurélio mostrou-se otimista em relação à capacidade de discernimento do eleitorado. “Não podemos subestimar a inteligência do brasileiro. Ele está acompanhando a vida nacional. Aguardemos o que ocorrerá em 1º de outubro”. Ele recomendou ao eleitor que atente para a situação dos congressistas que renunciaram ao mandato para fugir às punições. E, de novo, soou otimista: “Aguardemos a palavra final do eleitor quanto a esses candidatos”.

 

Marco Aurélio disse que o voto nulo não é uma boa opção. Disse que o eleitor deve “assumir a sua responsabilidade”. E a “solução” para o desencanto que se abateu sobre a política é, a seu juízo, “comparecer às urnas e escolher os melhores”.

 

Instado a manifestar-se sobre o instituto da reeleição, o ministro disse que o TSE está atento aos abusos praticados por políticos que disputam novos mandatos no exercício do cargo. Lembrou a multa de R$ 900 mil imposta a Lula recentemente. Disse que o próprio presidente reconhecera a dificuldade de separação dos papéis.

 

“Não fazia parte da nossa tradição republicana a reeleição”, disse Marco Aurélio. “Não se exige a desincompatibilização do cargo, para que aqueles que concorrem às eleições deixem a cadeira de governante. Isso por vezes leva a uma confusão. O próprio presidente [Lula] reconheceu que não conseguia distinguir quando era candidato e quando era presidente. Isso é péssimo”.

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Ciro Gomes xinga opositores em comício no Ceará

  Sérgio Lima/FI.
Apagado sob Lula, Ciro Gomes volta a ser Ciro Gomes. Mas, antes de relatar o que se passou, convém rememorar 
2002. Ciro flertou com a presidência da República naquele ano. Apoiado por uma aliança que incluía gregos e baianos –de ACM a Robertos tão diferentes quanto o Jefferson e o Freire—,Ciro deixou o calvo José Serra, outro presidenciável de então, de cabelo em pé.

 

Comendo poeira nas pesquisas de então, o mesmo Serra que hoje acusa Mercadante e Quércia de baixarem o nível da campanha, escalou em direção a Ciro. Chamou-o de truculento e aventureiro. Chegou mesmo a dizer que o adversário era "desprovido de equilíbrio mental".


Dono um temperamento equipado com ignição instantânea, Ciro bem que tentou calibrar o palavreado. Não deu. Num programa de rádio, considerou atravessada a pergunta de um ouvinte. Chamou-o de “burro”. Noutro evento de campanha, xingou um fotógrafo de “babaca”. Em entrevista, mandou “às favas” o mercado financeiro.

 

Até ACM, o babalorixá da malvadeza, à época aliado de Ciro, aconselhou-o a moderar o linguajar. Era tarde. O candidato, que chegara a ocupar um honroso segundo lugar, estancou nas pesquisas. E caiu. Caiu. Caiu. Terminou em quarto lugar, na rabeira de Lula, Serra e até de Anthony Moleq..., digo, Garotinho.

 

Pois bem, a experiência de 2002 parece não ter ensinado nada a Ciro, hoje candidato a deputado e cabo eleitoral do irmão Cid Gomes, postulante ao governo do Ceará. Há 11 dias, abespinhado com os ataques que o tucano Lúcio Alcântara vem desferindo contra ele e o irmão, Ciro voltou a dar azo à alma mercurial.

 

Do alto de um palanque montado no município cearense de Pacajus, Ciro bradou: “Eu me chamo Ciro Gomes. Me chamo Ciro Gomes. Eu vou responder. E vou responder do meu jeito, porque o governante que está hoje no Ceará [Lúcio Alcântara] só tem força para comprar consciências, para distribuir dinheiro para politiqueiro filho da puta”.

 

Veja com os seus próprios olhos (aqui). Repare que ao lado de Ciro há várias crianças, cujos pais não poderiam supor que o comício seria impróprio para menores de 60 anos.

 

Diz-se no Planalto que, sem alternativas no PT, um Lula reeleito planejaria buscar fora dos quadros partidários um sucessor para 2010. Entre os nomes cogitados o de Ciro Gomes é um dos mais fortes. Lula tentou fazê-lo candidato a vice já agora, em 2006. O PSB, atual partido de Ciro, não deixou.

 

De concreto, por ora, tem-se que o estilo de liderança a que se propõe Ciro Gomes continua sendo um enigma. Autoritário ou enérgico? Arrogante ou determinado? Imprudente ou corajoso? Um jovem destemido ou um Bonaparte do sertão?

Escrito por Josias de Souza às 22h58

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Volta a andar o inquérito do ‘caseirogate’

  AFP
Recomeçou a andar, finalmente, o inquérito contra Antonio Palocci no caso da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A Polícia Federal encaminhou a papelada à Justiça Federal, em Brasília. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes manteve o indiciamento do ex-todo-poderoso ministro da Fazenda por quatro crimes: prevaricação, denunciação caluniosa e quebras de sigilo funcional e bancário.

Manteve também os indiciamentos do ex-presidente da Caixa, Jorge Mattoso: quebras de sigilo bancário e funcional. O ex-assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto, foi indiciado por quebra de sigilo bancário. Inquirido, o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) não foi acusado de nada pela PF.

 

A palavra agora está com o Ministério Público, a quem a Justiça encaminhará o resultado das apurações policiais. Todas as indicações vão na direção do oferecimento de denúncia contra os envolvidos. Um deles, Palocci, está na bica de obter do eleitor de São Paulo um novo mandato de deputado federal. Ao elegê-lo, os paulistas estarão dando ao ex-ministro, além de uma tribuna parlamentar, o benefício do foro privilegiado. O caso subirá ao STF.

Escrito por Josias de Souza às 18h52

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Erro de Lula foi não ter ‘devassado’ FHC, diz Chauí

Pode-se acusar a filósofa Marilena Chauí de muitas coisas, menos de ser adepta do silêncio. Por vezes, fala em meio a barulhos que, por ensurdecedores, recomendarim a mudez. Por isso virou, como ela mesma diz, “saco de pancadas” de uma mídia que chama de "conservadora". Em entrevista à última edição da revista Fórum, a voz miúda de Chauí voltou a soar.

 

Petista de quatro costados, Chauí classifica como erro a adoção do modelo de “transição” adotado na virada da gestão FHC para a administração Lula. “Deveria ter sido feita uma devassa naquele governo”, diz ela. Acha que a varredura teria evitado o desastre de 2005, ano marcado pelo escândalo do mensalão.

 

Chauí revela algo que ainda era desconhecido. Conta que, no alvorecer do governo Lula, a intelectualidade petista reuniu-se com Lula e seus dois lugar-tenentes: Antonio Palocci e José Dirceu. Pregou-se a ruptura. O governo, porém, deu de ombros. “Houve uma longuíssima arenga do Palocci, do Zé Dirceu etc”, relembra.

 

Resultado: parte da intelligentsia vermelha –Chico Oliveira e Fábio Konder Comparato, por exemplo—disse “tchau e bênção”. Outro grupo roeu as unhas e foi para casa. “E alguns, como eu, ficaram lá para ser saco de pancadas do país.” Curiosamente, Chaí conta que, se for eleito, Lula tentara uma reaproximação com o tucanato: “Ouvi dizer que vai haver tentativas nesse sentido.” 

 

Um resumo da entrevista pode ser lido no sítio da Fórum (aqui). Vai abaixo um pequeno extrato:

 

- Ruptura: Infelizmente ele [Lula] optou pela transição. E eu fui contra isso (...). Muitas vezes, escrevi sobre o risco de pensar o início do governo como uma transição. Não se podia fazer com a política neoliberal do FHC uma transição, teria que ter havido uma ruptura (...). Deveria ter sido feita uma devassa naquele governo. Não se fez a devassa, não se propôs a ruptura com o poder econômico e se aceitou como forma de iniciar o percurso a transição.

- Saco de pancadas: Fizemos uma primeira reunião lá no Banco do Brasil, com o Lula, Palocci, todos. E houve uma longuíssima arenga do Palocci, do Zé Dirceu etc., explicando porque seria daquele jeito. Um grupo, do qual faziam parte o Chico de Oliveira e o Fabio Konder Comparato, disse então “tchau e bênção”. Outro grupo se mortificou, comeu as unhas e foi para casa. E alguns, como eu, ficaram lá para ser saco de pancadas do país. Para poder justificar ao país o injustificável, viramos saco de pancadas. Mas à época, pensava o seguinte: é por um desejo infantilmente esquerdista que não quero que seja assim. Preciso ser racional, realista, e entender os limites que a realidade impõe ao nosso desejo...

- Nascimento do PSDB: Por que esse grupo [tucanato] não entrou no PT [quando decidiu deixar o PMDB]? Ouvi deles que não iam entrar porque não aceitavam ser conduzidos por um macacão azul. É literal. Diziam “não vamos ser conduzidos por um macacão azul”.

 

- Aliança PT-PSDB: Essa aproximação quase ocorreu várias vezes. E está rogramada uma nova aproximação. Ouvi dizer que vai haver tentativas nesse sentido.

Escrito por Josias de Souza às 17h45

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Entre parecer o que não é e não ser o que parece

Visto pelo ângulo das pesquisas, José Serra é o Lula das eleições paulistas. Com a mão na taça, faz o estilo “paz e amor”. Acha que Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PDB) rebaixam o nível do embate. A campanha, diz Serra, “é bastante agressiva por parte dos adversários, mas isso não ajuda o eleitorado. Aliás, não ajuda nem a eles, eleitoralmente. Não contribui para a democracia".

 

Chama-se Luiz González o jornalista que cuida do marketing da campanha de Serra. É o mesmo que, no plano nacional, gerencia a propaganda eletrônica de Geraldo Alckmin. Entre um comitê e outro, González vê-se obrigado a operar um marketing de dupla personalidade. Na propaganda de Alckmin, ele morde. Na de Serra, assopra.

 

Levando-se ao pé da letra as declarações de Serra, poder-se-ia concluir que o ex-prefeito tucano acha que o presidenciável de seu partido presta um desserviço à democracia ao desferir ataques contra Lula no rádio e na TV. De quebra, estaria repudiando o seu próprio marqueteiro.

 

Mas, como bem sabe o eleitor, palavras de políticos em campanha não devem ser interpretadas à letra. Serra, por exemplo, é conhecido entre aliados e adversários como um personagem que, para impor os seus pontos de vista, não hesita fazer política com os cotovelos. É o oposto de Geraldo ‘Picolé de Chuchu’ Alckmin. No entanto é o insosso que se vê compelido a atacar, ao mesmo tempo em que tenta abocanhar nacos da propaganda do adversário.

 

O mesmo se dá no PT. Quando quer, Lula maneja a agressividade com maestria bastante superior à de seu pupilo Aloizio Mercadante, às voltas com a necessidade de alvejar Serra e o tucanato. Tudo considerado, resta concluir o óbvio: numa campanha, prevalece a lógica da conveniência. Certos candidatos precisam parecer o que não são. Outros não podem ser o que parecem.

Escrito por Josias de Souza às 15h56

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Eleitor da Cacuia manda políticos para a Cucuia

Valter Campanaro/ABr
 

O nome do bairro é Cacuia. Fica na Baixada Fluminense. É um desses lugares perdidos no entroncamento do descaso estatal com o oportunismo político. Os cerca de 30 mil moradores da Cacuia convivem com problemas comuns a toda periferia urbana brasileira. Falta-lhes de asfalto a saneamento básico. Sobra-lhes indignação.

Como sói acontecer em toda eleição, a Cacuia foi redescoberta pelos candidatos. Foram recebidos de modo diferente neste ano, informa o repórter Spensy Pimentel. Em faixas que pendem sobre a Avenida Austin, a principal via do bairro, os moradores gritam para os visitantes de ocasião, em letras graúdas, coisas assim:

·         “Cadê as creches, praças, escolas, médicos, remédios? Só mentiras e traição de todos”.

·         “Se você não fez nada em dois anos, peça voto no inferno. Aqui não, filho do cão”.

Foi a maneira que o povo da Cacuia encontrou de mandar os demagogos para a cucuia.

Escrito por Josias de Souza às 13h44

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As meninas superpoderosas do Lula

Ela é mais sóbria do que uma garrafa de aguardente lacrada. Tem a visibilidade de uma sombra no escuro. Seu hobby é o poder. O perfume preferido, o êxito. Para ela, o acerto não é a coisa mais importante. É a única coisa importante.

 

Conduz reuniões com extrema paciência, desde que desemboquem nas decisões que tomou previamente. Seu idealismo é do tamanho do orçamento. Seus sonhos têm o diâmetro do cérebro. Só atravessa via de mão única depois de olhar para os dois lados. 

 

Está-se falando de Dilma Rousseff. Portando-se como anti-Zé Dirceu, a chefona da Casa Civil fincou raízes no quarto andar do Planalto. Se Lula for reeleito, ela vai compor com outras duas mulheres –Miriam Belchior e Maria das Graças Foster—a trinca das meninas de ouro do presidente. Eis o que informa o Painel (assinantes da Folha):

 

Superpoderosas - Uma das novidades que Lula pretende introduzir em seu governo caso vença a eleição é um gabinete de monitoramento de gestão diretamente subordinado ao presidente da República. A aliados, disse que a demora para colocar em prática as decisões tomadas foi um dos problemas do primeiro mandato e que não pretende repeti-lo. No desenho esboçado por Lula em conversas, o comando da nova estrutura caberia à ministra Dilma Rousseff, que deve continuar na Casa Civil. Duas outras mulheres fariam parte do gabinete: Miriam Belchior, assessora especial da Presidência, e Maria das Graças Foster, que foi secretária de Dilma até assumir a presidência da BR Distribuidora.

Idéia fixa 1 - A preocupação em tornar o governo mais ágil no eventual segundo mandato foi exposta por Lula a oito ministros com os quais se reuniu na terça passada.

 

Idéia fixa 2 - No encontro de terça, falaram os ministros da área econômica. Luiz Furlan (Desenvolvimento) foi o mais crítico. A pedido de Lula, esse grupo voltará a se reunir para discutir medidas que "destravem" o crescimento.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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As manchetes desta segunda

- JB: Tribunal de Contas do Estado aponta prejuízo com atraso das obras

- Folha: TCU diz que governo Lula fez liberação ilegal de verba

- Estadão: Palocci será denunciado à Justiça por 7 crimes

- Globo: Apologia de bebida ao volante será investigada

- Correio: Custo da saúde no DF é o maior do Brasil

- Valor: Bancos voltam a expandir suas operações de crédito

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h32

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Irretocável!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Vídeo da 'turma do Lula' vira hit na internet

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a exibição da propaganda eleitoral televisiva de Geraldo Alckmin em que bonecos dançam e advertem: "Se o Lula for eleito de novo, a turma dele vai voltar." Comercial de mesmo teor já fora proibido no rádio.

 

A decisão decorre de representação feita pelo comitê de Lula. O ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, acatou o argumento de que a peça é ofensiva ao presidente da República. O vídeo proibido foi imediatamente levado à internet. Tornou-se um hit instantâneo do sítio YouTube. É um dos mais vistos e discutidos do dia. Se você ainda não viu, assista.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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No rastro de FHC, Tasso pede impeachment de Lula

  Sérgio Lima/F.Imagem
Em menos de um mês, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou duas vezes que Lula é passível de impeachment. A última menção consta do manifesto veiculado na semana passada no sítio do PSDB. A moda pegou. Neste domingo, também o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), pregou o impedimento do presidente da República.

 

A manifestação de Jereissati foi divulgada, de novo, na página mantida pelo PSDB na internet. Foi motivada por reportagem de Márcio Aith (para assinantes de Veja). O repórter revelou o conteúdo de auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) nos gastos de publicidade do Palácio do Planalto. Detectou-se a ausência de comprovação de despesas estimadas em R$ 11 milhões.

 

O dinheiro foi usado na edição e distribuição de revistas e encartes feitos por encomenda da Secom, a secretaria de comunicação do Planalto, gerida à época por Luiz Gushiken. As publicações continham propaganda da gestão petista e críticas à administração de FHC. Encomendaram-se 5 milhões de exemplares. Desse total, em apuração iniciada em 2005, os auditores do tribunal não encontraram provas da manufatura e da distribuição de 2 milhões de publicações.

 

Instado a explicar-se, o Planalto informou que as agências de publicidade contratadas para a empreitada entregaram o lote de publicações que o TCU não conseguiu encontrar não à Secom, mas diretamente a diretórios municipais do PT. O partido teria se incumbido da distribuição. Alegou-se que a providência levou o governo a economizar dinheiro, uma vez que as despesas de distribuição correram por conta do partido de Lula.

 

Em voto ainda pendente de votação no plenário do TCU, o ministro Ubiratan Aguiar enxergou na parceria entre PT e governo uma combinação esdrúxula. Acha que o caso pode ter ultrapassado a fronteira que separa a propaganda oficial do proselitismo político. Para complicar, as cartilhas foram confeccionadas por duas agências que têm amigos de Lula como sócios: a Duda Mendonça & Associados, do marqueteiro que cuidou da campanha do presidente em 2002; e a Matisse, de Paulo de Tarso Santos, publicitário das campanhas de Lula em 1989 e 1994.

 

Jereissati pede “cadeia” para os envolvidos. "Quando a gente pensa que acabou, esse governo volta a surpreender. Agora foram R$ 11 milhões que sumiram em uma publicação fajuta. É absolutamente horripilante", disse o presidente do PSDB. “Se mais esta irregularidade ficar comprovada, é caso de impeachment", completou.

 

O presidenciável Geraldo Alckmin também comentou o episódio. Classificou a operação como “crime”. O caso, disse ele, revela a “promiscuidade” que há entre o PT e o governo. "Isso mostra que a corrupção no governo Lula não se constitui de fatos isolados, mas é o poder a qualquer custo".

 

Em troca de telefonemas neste domingo, os principais líderes do PSDB e do PFL, os dois partidos que dão suporte à candidatura de Alckmin, decidiram guindar o caso à condição de prioridade da semana. Será explorado em entrevistas e discursos.

Escrito por Josias de Souza às 20h00

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Presidenciável do PRP é investigada por PF e fisco

A presidenciável Ana Maria Rangel (PRP), exibe-se no rádio e na TV desde 30 de agosto. Dispõe de 1 minuto e 2 segundos. Em poucos dias, igualou-se a Cristovam Buarque nas pesquisas, com 1% das intenções de voto. O que o país desconhece é que a candidata encontra-se sob investigação da Polícia Federal e da Receita Federal.

Ana Maria tornou-se postulante ao Planalto graças a uma operação mercantil. Comprou a vaga do PRP (Partido Republicano Renovador), uma legenda de aluguel com sede em São José do Rio Preto (SP). Ela própria denunciou a operação ao Ministério Público. Alegou ter sido extorquida em mais de R$ 14 milhões. No curso do processo, passou de vítima a investigada.

 

Ela prestou três depoimentos ao Ministério Público Eleitoral de São Paulo. Ouviu-a o procurador Mário Luiz Bonsaglia. Apresentou-se como empresária. Atua nos EUA. É dona da empresa de transportes International Concepts. Fica em Atlanta (Estado da Geórgia). Filiou-se ao PRP com o único propósito de disputar a presidência.

 

Contou que, na hora de homologar a candidatura, o presidente do PRP, Ovasco Resende, lhe disse: “Vamos abrir o jogo. Caixa dois existe e vai continuar existindo”. Pediu dinheiro: R$ 14 milhões para o partido e R$ 2,1 milhões para si próprio. Mais R$ 50 mil pelo registro da candidatura, exigência inusitada prevista nos estatutos do PRP e o custeio de deslocamento e hospedagem dos convencionais.

 

Orientada por um produtor da TV Globo, Ana Maria gravou os diálogos com Ovasco. Entregou as gravações ao procurador Bonsaglia. O conteúdo das conversas recheou reportagem exibida pelo Jornal Nacional em 30 de junho. A candidata disse ter simulado concordância com a proposta de Ovasco.

 

Depositou os R$ 14 milhões nas contas do PRP em 28 de junho. Para evitar que o dinheiro fosse sacado, anotou no cheque uma data errada. Em vez de 2006, escreveu 2005. Fez o mesmo com a taxa de registro de R$ 50 mil. Em 29 de junho, depositou na conta de Ovasco R$ 500 mil, menos do que os R$ 2,1 milhões pedidos inicialmente. De novo, anotou 2005 no cheque. No mesmo dia, foi aclamada em convenção do PRP.

 

Ana Maria registrou a candidatura no TSE. Mas, como previsto, os cheques voltaram. E o partido pediu a impugnação do registro. Em decisão liminar (provisória) ela foi excluída da disputa e impedida de falar no rádio e na TV. Recorreu, alegando que não poderia ser tirada do ar antes do julgamento definitivo do processo. O TSE deu-lhe razão. E Ana Maria pôs a cara no vídeo e a voz no rádio a partir de 30 de agosto.

 

Analisando a encrenca, o procurador Bonsaglia se deu conta de que, além das implicações eleitorais, o caso requeria providências na esfera criminal. Encomendou diligências à PF –para apurar “o tom mercantil que impregnou o processo de escolha da candidata” —e à Receita Federal –para verificar incongruências no Imposto de Renda da candidata. As investigações estão em curso.

 

Ana Maria informara ser “titular de diversos bens, inclusive imóveis e valores, nos EUA”. Na declaração de bens levada à Justiça Eleitoral, só anotou a posse de um automóvel. Inquirida, disse estar em dia com o Imposto de Renda. Mas reconheceu que, também nas declarações ao fisco, só incluiu um automóvel. Acha que, como reside nos EUA, é à Receita norte-americana que precisa prestar contas de seus rendimentos.

 

De resto, verificou-se que Ana Maria gastou cerca de R$ 50 mil no custeio das despesas da convenção do PRP. Não há vestígio do ingresso do dinheiro na contabilidade do partido. A candidata alega que desembolsou o dinheiro por exigência do partido.

 

A precariedade jurídica da candidatura de Ana Maria pode resultar inofensiva ao processo eleitoral. Mas também pode ocorrer o contrário. Por exemplo: se o favorito Lula não obtiver 50% mais um dos votos válidos, o 1% atribuído a Ana Maria seria determinante para levar a disputa para o segundo turno. A hipótese é improvável? As pesquisas indicam que sim. Mas impossível não é. O TSE bem que poderia livrar a eleição desse risco, tomando uma decisão antes do primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 12h51

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PT, entre amigos detestáveis e inimigos adoráveis

Difícil em política não é estabelecer alianças. Difícil mesmo é, depois de armado o sarapatel, o sujeito conseguir identificar os amigos que detesta dos inimigos de que gosta muito. Duas entrevistas publicadas neste domingo mostram como a coisa é complicada.

O sociólogo Francisco Weffort é fundador do PT. Cansou de roçar cotovelos com Lula, nos ambientes apertadinhos do ABC em que o partido foi concebido. Divorciou-se do petismo para assumir o Ministério da Cultura, sob FHC.

 

Hoje, Weffort é eleitor declarado de Geraldo Alckmin. E compara Lula, veja você, ao ex-prefeito de São Paulo Adhemar de Barros (1901-1969). Aquele que passou à história como símbolo da política do “rouba mas faz” (para assinantes da Folha). “O pobre que depende do Bolsa Família para viver deve considerar muito distantes as controvérsias sobre malversação de dinheiro público”, diz Weffort.

 

O ex-governador de Minas Newton Cardoso (PMDB) sempre teve urticária a petista. Não era para menos. O PT o chamava de “ladrão”. Agora, Newtão é candidato ao Senado. E sua candidatura está pendurada à chapa do petista Nilmário Miranda, que concorre ao governo de Minas. O ex-ladrão usa e abusa da imagem de Lula na sua propaganda televisiva.

 

Em entrevista a Paulo Peixoto, Newtão diz que não se importa com a fama de ladrão. Diz ter feito fortuna com "trabalho" e "sorte". Mas ele é cioso ao explicar a aliança que fez com o petismo. Para Newtão, há dois PTs: “o PT honesto e o PT corrupto”. Julga ter dado as mãos à banda boa do PT. E acha que ganhou do ex-inimigo um atestado de bons antecedentes:

 

“O PT, ao fazer mea-culpa, está mostrando que o meu governo [1987-91] foi íntegro, sério. O PT, no passado, foi muito crítico e mordaz. Agora faz mea-culpa. Aprendeu com o Lula, que tem sido competente ao criticar o PT do passado (...)”.

 

Como se vê, a conversão do petismo ao adhemarismo pós-pós deu cara nova ao PT. Quem vê de pertinho as feições do PT “honesto” de que fala Newtão não deixa de enxergar beleza na desonestidade estampada no rosto do “PT do passado”.

Escrito por Josias de Souza às 12h38

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As manchetes deste domingo

- JB: PSDB caça as bruxas do fiasco de Alckmin

- Folha: 76% dos brasileiros dizem ser felizes

- Estadão: Governo vê fim da inflação, mas desafio é crescer

- Globo: Consumo de drogas muda e violência urbana cresce

- Correio: 84.884 vagas

- Valor: Com pacote cambial, bancos criam negócios de US$ 30 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Clepto-candidato!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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