Saiu uma nova pesquisa que ajuda a entender os pendores do eleitorado para o continuísmo. Foi feita pelo Datafolha. Foi divulgada há pouco pelo Jornal Nacional (leia e assista). Será detalhada na edição deste domingo da Folha de S.Paulo.
A sondagem revela que nada menos que 76% dos eleitores se consideram felizes. Outros 22% declararam-se mais ou menos felizes. Só 2% confessaram-se infelizes. Somando-se o índice dos felizes com o dos mais ou menos felizes, chega-se à impressionante marca de 98%.
Um eleitorado assim, digamos, satisfeito, não há de ser movido pelo espírito da mudança. O problema é que a felicidade leva a pessoa a ser otimista. E o otimismo, quando exacerbado, é a porta de entrada para a infelicidade.
Quando inquirido sobre a felicidade da população em geral, 28% disseram achar que os brasileiros são felizes. E 55% avaliam que os patrícios são mais ou menos felizes. Só 13% acham que os compatriotas são infelizes.
O Datafolha também perguntou aos eleitores qual o candidato mais preparado para exercer a presidência da República. 44% responderam Lula; 31%, Geraldo Alckmin; 5%, Heloísa helena; e 1%, Cristovam Buarque. Outros 12% não souberam responder. E 5% disseram que nenhum dos candidatos está preparado.
Para 48% dos entrevistados, Lula está mais associado à defesa dos pobres do que Alckmin (19%). O presidenciável tucano (32%), por sua vez, é mais associado à defesa dos ricos do que Lula (16%). Num país desigual como o Brasil, é lógico supor que a associação com os pobres rende mais votos do que o vínculo presumido com os ricos.
A pesquisa trouxe uma outra revelação: 63% dos eleitores ainda não sabem em quem vão votar para deputado federal; 60%, ainda não escolheram o melhor candidato para deputado estadual. O dado pode ser interpretado de duas maneiras.
O eleitor pode estar perscrutando o quadro geral de candidaturas, para escolher com acerto. Neste caso, reduzir-se-iam as chances de recondução ao Legislativo de sanguessugas, mensaleiros, e violadores de sigilos bancários alheios. Mas o eleitor também pode estar desdenhando da escolha dos deputados. Nesta hipótese, salve-se quem puder.
Escrito por Josias de Souza às 21h24
Normalidade anormal
El Roto/El Pais
É insuportável a normalidade que permeia a atual campanha eleitoral. Algo de muito anormal precisa suceder. Sob pena de o eleitor tomar por natural o que é absurdo. Quem não quiser perder a compreensão do que está acontecendo deve levar em conta o seguinte: PT e PSDB são prisioneiros de um mesmo paradoxo. Prometem a modernidade de braços dados com o arcaísmo.
Adversário do tucano José Serra na disputa pelo governo de São Paulo, o petista Aloizio Mercadante costuma dizer que, se prevalecesse a lógica, PT e PSDB deveriam ser aliados, um dando suporte ao outro no Congresso. O raciocínio parte do pressuposto de que as duas legendas constituem o que de melhor a política brasileira foi capaz de produzir.
De fato, olhando ao redor não se encontra no quadro partidário nada menos ruim do que PT e PSDB. Porém, o ideal político dos dois partidos passou a ser a destruição mútua. Travam uma gincana de imoralidades. Um tenta impor ao outro o troféu de campeão das transgressões éticas. Poderia ter sido diferente.
Em depoimento a Denise Paraná, levado à página 114 do livro “Lula, o Filho do Brasil”, o atual presidente relembrou: “1978 foi o ano em que eu, pela primeira vez, assumi uma posição política pública. Foi o ano em que nós montamos um grupo de sindicalistas e fomos procurar o Fernando Henrique Cardoso, dizendo que nós queríamos apoiá-lo para senador. E fomos para as portas de fábrica defender o nome dele (...). Trabalhamos que nem uns condenados.”
Decorridos 28 anos, Lula e Fernando Henrique freqüentam o noticiário como inimigos irreconciliáveis. “Não sou igual a ele, não sou igual a ele, não sou igual a ele”, disse, redisse e tornou a dizer FHC. Nesta semana, o ex-presidente divulgou uma carta aberta em que acusa o sucessor da prática de crime de responsabilidade.
Por mais que se esforcem, FHC e Lula, PSDB e PT, não conseguirão demonstrar que são diferentes entre si. Aproxima-os o gosto pelas alianças esdrúxulas. FHC, a seu tempo, e Lula, agora, deram as mãos à fisiologia, consagrando um sistema iniciado com Tancredo Neves. Sistema que gira em torno de privilégios, negócios, verbas e empregos.
Tancredo teve a ventura de morrer antes de pôr em prática a armadilha que engendrou. Herdeiro dos acordos, Sarney honrou-os. Collor renovou-os. Itamar preservou-os. FHC vestiu-os com traje intelectual, situando-os em algum lugar entre as duas éticas de Max Weber, a da convicção e a da responsabilidade. Lula levou a anomalia longe demais.
O calor de urnas recém-abertas costuma conferir ao eleito uma aparência de super-homem. Porém, ao descer das nuvens da consagração para o chão escorregadio do dia-a-dia administrativo, o novo presidente descobre que seu poder se dissipa nos desvãos da máquina estatal. Em poucos meses, ele se vê como que governado pelas circunstâncias.
Mansamente, a fisiologia vai deixando de ser percebida como parte do sistema. Torna-se o próprio sistema. Passado o ritual da eleição, o novo gerente do velho condomínio de interesses, seja Lula ou Alckmin, cairá no colo do mesmo centrão partidário amorfo, isotrópico e inefável. O país logo estará mergulhado em sua insuportável normalidade. Ministérios partilhados, cargos distribuídos, negócios programados, orçamento fatiado. Algo de muito anormal precisa acontecer nesse país.
Escrito por Josias de Souza às 19h22
É dura a vida do maranhense José Sarney em seu cotidiano político no Amapá. Candidato à reeleição para o Senado, o ex-presidente da República vem colecionando um revés atrás do outro. Graças a recursos impetrados pela oposição na Justiça Eleitoral, Sarney já perdeu quase quatro dias inteiros de propaganda eleitoral televisiva. Em sua última aparição na TV, ele só pôde desfrutar de 4 segundos. Repetindo: um, dois, três, quatro segundos.
Sarney não está passivo às investidas da oposição. Dias atrás, obteve do TRE do Amapá sentença que ordenou a retirada de uma foto exposto no blog da jornalista Alcilene Cavalcante. Continha uma imagem pintada num muro de Macapá com a inscrição “Xô Sarney” (veja acima).
O tiro, porém, saiu pela culatra. A censura desencadeou um movimento que extrapolou as fronteiras do Brasil. Ao menos 80 blogs, nacionais e estrangeiros, reproduziram a imagem arrancada do recanto virtual de Alcilene Cavalcanti, que teve contra si nove representações ajuizadas pela coligação que apóia Sarney. Alcilene é assessora da campanha do candidato ao governo amapaense João Capiberibe (PSB), opositor de Sarney.
Como se fosse pouco, ganhou a internet também um vídeo no qual Lula faz considerações desairosas sobre a família Sarney (assista). A peça foi exibida na campanha de Edson Vidigal (PSB). Ex-amigo de Sarney, Vidigal hoje disputa o governo do Maranhão, contra Roseana Sarney (PFL).
A despeito de tudo, Sarney lidera as pesquisas de opinião no Amapá. Na última sondagem feita pelo Ibope naquele Estado, o ex-presidente obteve 48% das intenções de voto. A oponente que mais se aproxima dele é Cristina Almeida, com 29%. Para o governo, o favorito é Waldez de Góes (PDT), apoiado por Sarney. Obteve 50%, contra 39% atribuídos a Capiberibe.
Escrito por Josias de Souza às 18h31
A última fronteira do embate eleitoral será o município. Desde o início da campanha, Lula vem privilegiando o contato com prefeitos em sua agenda de candidato. Geraldo Alckmin, seu principal adversário, acusa o golpe com atraso de quase um mês. Numa tentativa de atenuar o prejuízo, o presidenciável tucano decidiu enviar nos próximos dias uma carta aos 5.561 prefeitos do país, incluindo os petistas.
A carta seguirá pelo Correio. A decisão foi tomada em café da manhã de Alckmin com a cúpula do PFL, na última quarta-feira. Aconteceu em Brasília, na casa do senador Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL. Estavam presentes, além do anfitrião e do candidato, os senadores José Jorge (vice de Alckmin), Marco Maciel (PE), Heráclito Fortes (PI) e Agripino Maia (RN), além do deputado José Carlos Aleluia (BA).
No documento, Alckmin dirá aos prefeitos que pretende estreitar as relações de Brasília com os municípios caso seja eleito presidente. Acenará com a perspectiva de aumento do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), o naco a quem têm direito as prefeituras no rateio dos impostos recolhidos pela União.
Além do envio da carta, Alckmin pretende imitar Lula, intensificando nos 20 dias que lhe restam de campanha os contatos pessoais com prefeitos. O primeiro gesto nessa direção está programado para a próxima segunda-feira, na Bahia. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e seu grupo organizam um encontro de mais de 300 prefeitos baianos com o presidenciável. Tenta-se adensar a reunião arrastando para Salvador prefeitos de outros Estados nordestinos.
Os comitês de Lula e de Alckmin enxergam os prefeitos como aliados estratégicos. Imagina-se que, valendo-se das estruturas eleitorais que montaram em seus respectivos municípios, eles podem carrear votos para um ou para outro candidato à presidência. Lula leva uma vantagem em relação ao adversário.
Em seus três anos e meio de mandato, o presidente cuidou de azeitar as relações do governo com os municípios. Os principais programas sociais sobre os quais derramou verbas orçamentárias são desenvolvidos em parcerias com as prefeituras. Entre eles o Bolsa Família, um programa que, além de atrair votos do eleitorado mais pobre para Lula, tonifica a popularidade dos prefeitos no âmbito municipal.
Chama-se César Alvarez o responsável pela elaboração da agenda de campanha de Lula. Trata-se de um ex-assessor especial da Presidência da República, deslocado para o comitê de campanha. Recebeu ordens expressas de Lula de contemplar encontros com prefeitos nas principais viagens do candidato. Confere aos encontros um caráter suprapartidário. Não hesita em convidar para as reuniões prefeitos do PSDB e do PFL, as duas legendas que dão suporte à candidatura de Alckmin.
Escrito por Josias de Souza às 15h25

No manifesto extemporâneo que divulgou no sítio do PSDB, Fernando Henrique Cardoso fez questão de diferenciar caixa dois de mensalão. Do modo como argumentou, o primeiro crime seria menos grave do que o segundo. Pelo seu raciocínio, as arcas eleitorais clandestinas são fornidas com verbas de origem privada. Já no baú mensaleiro pingou dinheiro público.
FHC tem lá os seus motivos para recorrer ao equilibrismo retórico. A exemplo de 11 em cada dez políticos brasileiros, o ex-presidente também se serviu de grana repassada por baixo da mesa em suas duas campanhas presidenciais. Entre os doadores estava, veja você, a SMPB, empresa de Marcos Valério. A encrenca é rememorada em texto publicado pela Folha (para assinantes). Diz o seguinte:
“A SMPB, agência publicitária da qual Marcos Valério Fernandes de Souza era sócio, doou R$ 50 mil à campanha de Fernando Henrique Cardoso à reeleição em 1998. Esse dinheiro não foi declarado na prestação de contas do candidato à Justiça.
A revelação foi feita pela Folha em 12 de novembro de 2000, em reportagem que mostrou que o comitê eleitoral de FHC recebeu doações de R$ 53,120 milhões, mas só declarou R$ 43 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral. Não foram contabilizados R$ 10,120 milhões. Os números constavam duma planilha eletrônica do comitê tucano da qual constavam 34 registros de doações que não foram declaradas ao TSE. Entre elas estava a doação feita pela SMPB.
No dia 19 de novembro de 2000, a Folha revelou que a campanha de FHC já tinha usado caixa dois também na eleição de 1994. Outra planilha eletrônica mostrava que pelo menos R$ 8 milhões deixaram de ser declarados ao TSE na ocasião.
O ex-banqueiro José Eduardo Andrade Vieira, em depoimento ao Ministério Público, confirmou a irregularidade: "Quando o empresário ou colaborador não deseja aparecer, para permanecer no anonimato, contribui com recursos financeiros em espécie para a campanha eleitoral". Segundo ele, "Fernando Henrique Cardoso acompanhava pessoalmente o volume de recursos financeiros arrecadados na campanha de 1994".
Questionado, FHC disse que não sabia de nada sobre o caixa dois nas suas campanhas: "Isso eu não vi". O Planalto conseguiu impedir a instalação de uma CPI. Na época, o próprio líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), confessou ter usado caixa dois em 1986: 'As empresas pediram para não declarar porque temiam retaliações do governador'."
Escrito por Josias de Souza às 03h10

- JB: União contra selvageria de torcidas
- Folha: Carta de FHC abre crise na campanha de Alckmin
- Estadão: Lula compara oposição a Hitler: 'Querem outro povo'
- Globo: BC avisa que os juros vão cair em ritmo mais lento
- Correio: Farra de cargos chega ao Ministério Público
- Valor: Com pacote cambial, bancos criam negócios de US$ 30 bi
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h01
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h47

Deterioram-se de vez as relações entre PSDB e PT. Horas depois de Fernando Henrique Cardoso ter divulgado uma carta aberta em que responsabiliza Lula e o petismo pela “podridão reinante” na política, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, decidiu processar o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.
Tasso acha que Berzoini passou dos limites em entrevista que concedeu à repórter Eliane Cantanhede (assinantes da Folha) no último dia 2 de setembro. Julga-se vítima de injúria (ofensa à dignidade ou ao decoro) e de calúnia (falsa imputação de prática considerada criminosa).
Para Tasso, Berzoini o injuriou ao mencionar acusações de corrupção feitas 50 anos atrás contra seu pai, Carlos Jereissati, morto em 1963. Considerou-as “maliciosas”. Sem mencionar o conteúdo das imputações, afirma que o pai foi absolvido na Justiça.
Na entrevista que produziu a encrenca, Cantanhede perguntara a Berzoini como ele explicaria à opinião pública o fato de Lula e o PT terem se aliado aos peemedebistas José Sarney, Newton Cardoso e Jader Barbalho, adversários do passado. E Berzoini:
“Outro dia eu vi o recorte do jornal ‘O Globo’, de 50 anos atrás, com acusações pesadas contra o pai do senador Tasso Jereissati. Eu, ao ler aquele jornal, não conclui imediatamente que as acusações eram verdadeiras. Mas Tasso seria uma pessoa com quem eu nunca faria aliança”.
A queixa-crime contra Berzoini será protocolada na próxima segunda-feira no STF, o foro adequado para processos contra congressistas. Tasso constituiu o advogado José Eduardo Alckmin para preparar e ajuizar a ação.
Escrito por Josias de Souza às 00h25
Numa campanha eleitoral, há três tipos de candidatos. Há os que, sendo favoritos, apenas observam as coisas acontecerem à sua volta. Há os que, embora em desvantagem, mantêm vivas as chances de recuperação. E fazem as coisas acontecerem. E há os que, desenganados, não sabem muito bem o que está acontecendo.
A cada nova pesquisa, Alckmin vai sendo empurrado mais e mais para o terceiro grupo. O presidenciável tucano vem dizendo que a campanha eleitoral está começando agora. Argumenta que o eleitor só presta atenção aos programas dos candidatos nos últimos dias. Ou seja, parece não se dar conta do que está acontecendo.
A última sondagem eleitoral do Ibope, divulgada há pouco no Jornal Nacional, indica que o cenário está mais cristalizado do que gostaria o candidato tucano. Não houve variações fora da margem de erro. Lula, com 48% das intenções de voto, continua à frente. Alckmin, com 27%, mantém-se como favorito a fazer do adversário o próximo presidente da República.
Escrito por Josias de Souza às 20h49
O tucano é uma ave piciforme, ranfastídea. Há no Brasil cinco espécies. Quatro delas estão reunidas sob o gênero Ramphastos. A quinta é a categoria dos peessedebistas. Esse último tipo é conhecido pela auto-flagelação. É um grupo de amigos inteiramente composto de inimigos. Atacam-se fraternalmente com voracidade inaudita.
Os ataques costumavam ser feitos à sombra, entre quatro paredes. Na carta que divulgou no sítio do PSDB, FHC inovou. Bicou o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) à luz do dia. Ouvido pelo repórter Eduardo Kattah, Azeredo rodou a baiana.
Azeredo considerou "inoportunas, injustas e incorretas" as anotações de FHC. O ex-presidente classificara de erro a tentativa do tucanato de "tapar o sol com a peneira" para proteger Azeredo das acusações de ter-se servido de verbas clandestinas obtidas por Marcos Valério em campanha de 98.
"É uma declaração realmente inoportuna e incorreta”, disse Azeredo. “A solidariedade que eu tive das bancadas do PSDB na Câmara e no Senado naquele momento, além de adversários, inclusive, foi exatamente porque eles não taparam o sol com a peneira e souberam separar as questões."
Azeredo acrescentou: “Em nenhum momento ele (FHC) me falou nada. Ele tinha liberdade para falar isso para mim e não falou nada comigo naquela época." Ou seja, na hora própria, FHC calou. Fala agora porque convém. Mas é tarde. A complacência com Azeredo, só agora reconhecida, jogou água no moinho da indiferenciação, que lava todos os políticos com as águas sujas da perversão.
Escrito por Josias de Souza às 17h37
Lula obteve uma vitória e uma derrota no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O comitê reeleitoral recorrera contra dois comerciais veiculados na propaganda eletrônica do adversário Geraldo Alckmin. Conseguiu tirar um deles do ar. Mas o outro foi mantido.
O comercial vetado pela Justiça Eleitoral vem sendo veiculado no rádio. Diz o seguinte: "Nós somos a turma do Lula. A gente vive a negar o mensalão, caixa dois, os sanguessugas, a gente está tentando escapar. Nós somos a turma do Lula. Bobeira foi nos cassar (ah! se foi). Se o Lula for eleito de novo, a turma dele vai voltar. Nem a pau! Mude de presidente".
Acatando recurso do PT, o ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, considerou que a peça é ofensiva a Lula. Por isso, determinou que não seja mais levada ao ar. O mesmo ministro rejeitou um segundo recursos do comitê de Lula.
Refere-se a um comercial de televisão. Cita ex-auxiliares e atuais assessores do presidente acusados de envolvimento em casos de corrupção: "E Lula não sabia de nada? Lula não merece o seu voto".
Em seu recurso, o PT alega que a propaganda recorre a “trucagem” e “montagem”, para “ricicularizar Lula. O ministro Ribeiro discorda. Acha que fez-se apenas a reprodução de "informações que foram veiculadas pela imprensa, no intuito de levar o eleitor a refletir".
Escrito por Josias de Souza às 16h46
Um dos temas políticos do dia é a carta aberta de Fernando Henrique Cardoso. Chama-se “Carta aos Eleitores do PSDB”. Foi anexada à página do PSDB na internet (leia). O texto é um tratado sobre as angústias do autor. Angústia com o favoritismo de Lula; angústia com a inanição de Geraldo Alckmin; angústia com o nivelamento que iguala os políticos na perversão; angústia com os erros do PSDB; angústia com os seus próprios erros; angústia pela vergonha dos aliados em relação ao seu governo; angústia com isso; angústia com aquilo.
FHC responsabiliza explicitamente Lula e o PT pela “podridão reinante” na política. Menciona o principal escândalo da era Lula: “Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado”, anota. Diz que a mesada aos congressistas não pode ser confundida com caixa dois de campanha: “A fonte foi pública; é roubo de dinheiro do povo, ainda que empréstimos fictícios de bancos privados tenham sido usados para encobrir esse fato.”
Repete por escrito o que dissera de viva voz: “O próprio presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade”. Em autocrítica tardia, reconhece um erro capital cometido pelo PSDB.
"Erramos no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo”, escreveu, referindo-se ao ex-presidente do PSDB, acusado de ter untado as engrenagens de sua campanha ao governo de Minas, em 98, com verbas de má origem obtidas pelo mesmo Marcos Valério que, em parceria com Delúbio Soares, recheou as arcas clandestinas do PT. O mea-culpa chega com mais de um ano de atraso.
FHC enaltece Alckmin. Diz que ele, diferentemente de Lula, tem “as mãos limpas”. Lembra a dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, quitada pelo amigo Paulo Okamotto: Alckmin “não tem que explicar, como Lula, por que tendo tanto dinheiro vivo (e quanto!), não paga dívidas (...) Faltam condições morais a um e sobram a outro".
Poucos notaram, mas, a despeito da defesa de Alckmin, FHC injetou em sua carta palavras que soam como reconhecimento de derrota: “Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado. Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população (...)”. Em outro trecho, diz que o PSDB não pode “calar diante do descalabro”. E, de novo, joga a toalha: “Ainda que o eleitorado não nos acompanhe neste momento, deixaremos as marcas de nosso estilo, de nossas atitudes, para calçar um futuro melhor para o país”.
Como que incomodado com a posição subalterna a que foi condenado na campanha eleitoral, FHC cuida de assumir a defesa de sua gestão. Algo que os aliados não se animam a fazer. Reconheceu falhas –a falta de investimentos que conduziu ao apagão e o fracasso na privatização do setor elétrico, por exemplo. Mas recusa tarja de “privataria” que os adversários impõem à venda de estatais patrocinada por seu governo. Considera exitosa a venda das estatais telefônicas. Pena que o texto passe ao largo dos interesse$ que permearam negócios tricotados "no limite da irresponsabilidade", conforme admitiu, em grampo clandestino, Ricardo Sérgio, diretor do Banco do Brasil sob FHC.
FHC festejou realizações de sua gestão na área educacional. E avocou para si a paternidade dos programas que deram origem ao Bolsa Família, alavanca da popularidade de Lula. Com uma diferença. O que era “direito do cidadão” virou “benesse do papai-presidente”. Uma "benesse", diga-se, que Alckmin promete manter caso venha a ser eleito.
Ouvido sobre a manifestação de FHC, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse, num primeiro momento, que o partido não iria responder a um personagem que é “escondido pelo próprio partido.” Depois, divulgou uma nota. Chamou FHC de “péssimo cabo eleitoral”. No Rio, Lula também não se conteve: "Tem gente achando até que pobre não pode votar porque sabe que vai votar em mim (leia)."
Escrito por Josias de Souza às 15h07

- JB: Torcidas duelam a bala
- Folha: Arcebispo de SP faz críticas à corrupção e à insegurança
- Estadão: FHC ataca 'podridão' de Lula e critica tucanos
- Globo: Alta velocidade é o maior abuso no trânsito do Rio
- Correio: Planalto já planeja extinguir ministérios
- Valor: Com pacote cambial, bancos criam negócios de US$ 30 bi
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 08h28
Jean

PS.: Na próxima semana, a TV Gazeta, de São Paulo, promove mais um debate entre os candidatos à presidência. Lula avisou que não vai.
Escrito por Josias de Souza às 01h33
Leonardo Wen/Folha Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin convidou Aécio Neves para participar de sua propaganda eleitoral televisiva. Candidato à reeleição com 72% das intenções de voto, o governador de Minas mostrou-se receptivo à idéia. Nos próximos dias, ele deve ir ao ar para pedir ao eleitor que vote em Alckmin.
A participação de Aécio foi costurada em reuniões que Alckmin manteve, na última quarta-feira, com as cúpulas do PSDB e do PFL. É parte de uma estratégia concebida para tentar tonificar, a 21 dias do primeiro turno, o desempenho do presidenciável tucano na região Sudeste, especialmente em Minas. Ali, Lula (cerca de 54% das intenções de voto) prevalece sobre Alckmin (26%), com larga dianteira.
Em reconhecimento à ajuda do companheiro de partido, Alckmin modificou o discurso em relação a um tópico caro a Aécio: passou a defender em público o fim do instituto da reeleição. Na mesma quarta-feira em que foi esboçada a colaboração do governador mineiro, Alckmin disse: "A reeleição é um pouquinho mais do mesmo, por isso não acredito em reeleição."
Em seguida, Alckmin completou, enfático: "A reeleição é uma decisão do Congresso. Em que eu puder ajudar, ajudarei para acabar". Antes, ele dizia que, se fosse eleito, não interferiria na decisão do Congresso. Desagradara, de uma só vez, Aécio e José Serra, os dois tucanos que alimentam pretensões presidenciais para 2010.
Além da utilização de Aécio como “garoto propaganda” de Alckmin, analisa-se a hipótese de o presidenciável tucano aparecer na propaganda eleitoral do governador mineiro. O plano depende agora do parecer dos advogados que assessoram o comitê eleitoral de Alckmin. Receia-se que o PT questione a manobra no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
No último sábado, o tribunal condenou a coligação de Lula à perda de 2 minutos e 54 segundos de tempo na televisão. Entendeu-se que o presidente utilizara a propaganda de Jaques Wagner, candidato petista ao governo da Bahia, para fazer campanha em benefício próprio. Algo que a resolução 22.261 do TSE veda expressamente.
PSDB e PFL acham que encontraram uma maneira de evitar o risco de sofrer uma punição semelhante. Aécio vai ao programa de Alckmin para pedir votos para o presidenciável. Do mesmo modo, se for à propaganda de Aécio, Alckmin recomendará o voto no governador. Entende-se que o que está proibido é a utilização do tempo de TV alheio em benefício próprio.
Tucanos e pefelistas avaliam que a melhoria do desempenho de Alckmin no Sudeste é crucial no esforço para tentar provocar um segundo turno que as pesquisas prenunciam como improvável. Em café da manhã com a cúpula do PFL, na casa brasiliense do presidente do partido, Jorge Bornhausen, um Alckmin otimista disse que, subindo mais “cinco ou seis pontos” nas sondagens eleitorais, o segundo round estaria assegurado.
Para que o sonho de Alckmin fosse transformado em realidade, seria imperioso que ele atraísse para o seu lado eleitores de Lula. Crescendo sobre Heloisa Helena, a terceira colocada, ou agregando votos de eleitores indecisos ou decididos a votar em branco, o cenário permaneceria inalterado. Acomodado na confortável marca de 51%, segundo o último Datafolha, Lula conservaria a condição de favorito à vitória em primeiro turno.
Curiosamente, a estratégia concebida para grudar a imagem de Alckmin à de Aécio não foi cogitada em relação a José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo. Nas reuniões de que tomou parte em Brasília, o presidenciável tucano deu a entender que, no seu Estado, consegue se virar sozinho.
Escrito por Josias de Souza às 00h53
Thony Barboza
Dissentindo do companheiro Gilberto Gil, Caetano Veloso reiterou que não vota em Lula. Explicou as suas razões de modo singelo: "Não sou burro nem maluco". Declarou-se contrário ao instituto da reeleição. E ressalvou: "Mas, mesmo se fosse a favor, não votaria. O escândalo do mensalão foi vergonhoso."
As declarações de Caetano arrancaram do armário um fã oculto do cantor e compositor: o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O denunciante do mensalão gostou especialmente de uma declaração de Caetano:
"Acho muito ruim se Lula vencer no 1º turno e ficar parecendo que se passou uma esponja sobre tudo. Escândalos surgiram, os acusados foram acusados pelos seus companheiros. Não pela oposição, nem pela elite, nem pela mídia... Por isso não voto em Lula, detesto me sentir um imbecil." Em texto veiculado no seu blog, Jefferson não se conteve: “Sou seu fã.”
Fica boiando no ar uma dúvida: será que a admiração de Jefferson é correspondida? Com a palavra, Caetano.
Escrito por Josias de Souza às 16h32
Folha Imagem
O Brasil do futuro de que falava Stefan Zweig continua escondido atrás do mato que margeava o Ipiranga 184 anos atrás, quando D. Pedro deu o célebre grito. A diferença é que, hoje, do mato não saem mais portugueses nem coelhos. Saem mensaleiros, sanguessugas, saúvas e outros bichos. A despeito disso, o público que se animou a celebrar o 7 de Setembro em Brasília deu demonstrações de que não acomoda Lula no mesmo matagal.
Lula teve um feriado bem diferente do que experimentara no ano passado. Em vez de vaias, ouviu aplausos. O presidente desfilou em carro aberto ao longo da Esplanada dos Ministérios. Tinha ao seu lado a mulher, Marisa, envergando um modelito amarelo, com pinceladas de verde.
Em meio à multidão, viu-se uma solitária faixa alusiva à campanha de Geraldo Alckmin: “Penso, logo voto”. As pesquisas, porém, indicam que a maioria do eleitorado –51%, segundo o Datafolha—pensa e vota de maneira distinta. Talvez por isso, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) animou-se a prever a vitória do chefe em primeiro turno.
Escrito por Josias de Souza às 15h51
Uma das acusações mais freqüentes do tucanato a Lula é a de utilização da máquina pública como alavanca eleitoral. Em 2002, quando o presidente era FHC e o adversário de Lula se chamava José Serra, o PT fazia as vezes de estilingue. Em ação judicial, o partido acusou Serra de cavalgar a estrutura do Ministério da Saúde. Escorrega daqui, desliza dali, o processo está na bica de ser julgado. E o governo Lula, espanto (!!), estupefação (!!!), vê-se na contingência de ter que defender Serra nos tribunais, informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):
Batata quente - O governo Lula pode partir para a defesa de José Serra. Explica-se: em 2002, o Ministério da Saúde, ocupado pelo tucano, fez uma pesquisa sobre o setor. E encaixou perguntas sobre Serra do tipo "é honesto", "competente", "inteligente", "tem chances de ser presidente". O PT processou o ex-ministro e o governo por uso de dinheiro público para fins eleitorais. Quatro anos depois, o processo vai a julgamento. E o governo Lula vai ter que decidir: defende a União, e portanto Serra, ou fica ao lado do PT?
Batata quente 2 - A Advocacia-Geral da União, a quem cabe defender o governo, toma a decisão esta semana.
Escrito por Josias de Souza às 14h47
Glauco
Lula recebeu a nata do PMDB goernista em seu gabinete. Distribuiu conselhos a quem precisa de cargos. Eis o que informa a coluna Painel (assinantes da Folha):
Próximo capítulo - Confiante em sua reeleição, Lula já distribui conselhos sobre 2010. Em conversa ontem no Planalto com os principais representantes do PMDB governista, o presidente estimulou o partido a deixar de ser apenas uma federação de interesses regionais. "O PMDB tem de trazer alguém, ter um nome para 2010", recomendou. Foi além, sugerindo que o nome seria o do governador tucano Aécio Neves. Para Lula, o PMDB não pode deixar que próxima eleição se resuma a uma disputa "do PSDB, entre Minas e São Paulo".
Por ora, o presidente se esforça para atrair fatias maiores da sigla. Elogiou Jarbas Vasconcelos e Roberto Requião, dos quais disse querer se reaproximar.
Chega mais - No esforço para cercar o PMDB, Lula pediu a Delfim Netto, presente na conversa, que organize reunião na próxima semana em São Paulo com o candidato ao governo, Orestes Quércia, e prefeitos da sigla.
Escrito por Josias de Souza às 14h27

- JB: Promotoria investiga condomínio na Barra
- Folha: Serra tem 31 pontos de vantagem em SP
- Estadão: Brasil terá inflação de 1° mundo e PIB de 3º
- Globo: Inflação fica perto de zero e PIB do país crescerá menos
- Correio: Só 269 mil servidores têm reajuste garantido
- Valor: Modernização da Marinha começa com gasto de € 1 bi
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 09h28
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h02
Lúcio Távora/Folha Imagem
Alcançado pelo blog no interior de São Paulo, onde faz campanha para tentar reeleger-se para a Câmara, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, admitiu pela primeira vez que seu partido pode cindir-se em dois. “É preciso dar uma solução para essa divisão permanente. Ainda que seja a divisão em definitivo. Melhor ter um partido menor, mas numa única direção, do que um partido grande e dividido, que não é nem sequer levado a sério. Depois da eleição pode acontecer isso”.
A hipótese de criar uma nova legenda ganhou corpo nos últimos dias nos diálogos travados nos subterrâneos do Congresso. Por isso o blog discou para Temer. “Nesses dias que estive em Brasília, ouvi muito essa história de gente querendo criar um novo partido”, reconheceu Temer. “Não acho improvável que a idéia prolifere. Vai depender muito do resultado das eleições.”
Temer informou que, abertas as urnas, vai procurar os governadores e as lideranças eleitas pelo partido. Tentará conciliar os interesses das duas alas que disputam a hegemonia no PMDB, o grupo governista, liderado pelos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AL), e o naco oposicionista.
“Hoje, os peemedebistas estão muito conscientes de que não vale mais a pena manter o PMDB nessa posição dividida”, disse Temer. Defenderá o seguinte: “Ou o PMDB vai inteiro para o governo que se instale ou fica inteiramente na oposição. Se continuar como está, dividido, o partido vai se desfigurar de uma vez”.
Segundo o raciocínio de Temer, “não adianta ao presidente eleito levar uma parte do PMDB para o governo e outra parte ficar na oposição. Manter a coisa como está não dá mais. Eu não me disponho mais a isso”. E quem ficaria com a legenda do PMDB caso a desunião conduza à formação de um novo partido? “Isso vai depender muito do resultado das eleições e das consultas que nós fizermos”, respondeu Temer.
Na opinião do deputado, o próximo presidente da República, seja Lula ou Geraldo Alckmin, “não vai querer um PMDB fragmentado. Isso será um transtorno para o governo. Como foi nesta legislatura”.
Rememorando o passado recente, Temer disse que é preciso “fazer Justiça ao José Dirceu”. Lembrou que, em dezembro de 2002, antes da posse de um Lula recém-eleito, o futuro chefe da Casa Civil o procurou para negociar a participação do PMDB no governo que se instalaria no mês seguinte. Acertou-se que o partido ocuparia “três setores do governo”: os ministérios das Minas e Energia e da Integração Nacional e uma terceira pasta, a ser definida.
Temer chegou a entregar duas listas tríplices, para que Lula extraísse delas os nomes dos ministros do PMDB. Para a pasta das Minas e Energia, foram indicados os senadores Hélio Costa, Pedro Simon e Amir Lando. Para a da Integração Nacional, os deputados Eunício Oliveira, Nilton Montes e Paulo Lima.
Na noite do mesmo dia em que Dirceu tricotou o acordo com Temer, Lula anunciou o seu primeiro ministério. Não havia na lista nenhum peemedebista. Na manhã seguinte, Dirceu telefonou para Temer, desculpando-se. O deputado lamentou que o interlocutor houvesse sido desautorizado.
Depois, no curso do governo, Lula viu-se compelido a servir-se de quadros peemedebistas para recompor sua equipe. Mas o fez de modo fragmentário, estimulando a divisão do “aliado”. Hoje, na bica de obter um segundo mandato, o presidente prega o estabelecimento de uma coalizão com o PMDB. A mesma que desautorizara em 2002.
Escrito por Josias de Souza às 01h52
Na vida cotidiana, pode-se escolher as companhias. Na vida familiar, não. A ditadura genética por vezes impõe certos constrangimentos. A convivência com um pai desonesto, por exemplo. Parece ser o caso do empresário José Wilson Siqueira Campos Júnior, filho de José Wilson Siqueira Campos, candidato ao governo de Tocantins pelo PSDB.
O primogênito resolveu ligar a máquina de roupa suja a céu aberto. Entregou ao Ministério Público um lote de documentos que, segundo diz, provam que o progenitor comanda uma “organização criminosa”. Segundo Siqueirinha, Siqueirão declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de fancaria: R$ 431 mil.
O filho informa que o pai é dono de terras que estariam em nome de um “laranja” e é sócio do que chama de “um império de comunicação” no Estado de Tocantins. De resto, mantém um patrimônio em nome de terceiros que alça à casa das dezenas de milhões de reais, noticia o repórter Francisco Figueiredo.
Em campanha pelo interior do Estado, Siqueirão não respondeu às acusações. Sua assessoria disse que a resposta será cuidadosamente estudada. O que moveria a fúria de Siqueirinha? Ele diz que não o move o interesse pela herança. “Não quero nada, só a verdade”. Então, tá!
Seja como for, o Ministério Público tem em mãos 32,7 quilos de documentos para manusear. "Ele apresentou elementos concretos que demandam apuração", disse Adrian Ziemba, procurador da República no Tocantins. Isso é o que importa. O resto é problema que só interessa à família.
Escrito por Josias de Souza às 00h36
Em novo comício, desta vez em Ceilândia, uma das cidades-satélites que rodeiam Brasília, Lula voltou a adotar um timbre bem distinto daquele que emprega em seu programa eleitoral televisivo. Referindo-se à coligação que dá suporte à campanha do tucano Geraldo Alckmin, disse: "[Eles] estão tão nervosos que chegam até a babar de raiva."
Lula voltou a fazer referência ao presidente do PFL, Jorge Bornhausen, que, em frase infeliz, disse, dirigindo-se aos petistas, que era preciso “acabar com essa raça”. No discurso aos cerca de 3.000 militantes que se aglomeram diante do palanque para ouvi-lo, Lula afirmou: "Essa raça somos nós."
O presidente auto-vangloriou-se. Com mais quatro anos de mandato, disse, "vamos fazer mais do que eles [PSDB e PFL] fariam em 20 ou 30 anos". Lula pediu votos para os candidatos Agnelo Queiroz (Senado) e Arlete Sampaio (governo do Distrito Federal). A julgar pelas pesquisas, ambos flertam com a derrota. Agnelo (PCdoB) perde para Joaquim Roriz (PMDB). Arlete (PT), para José Roberto Arruda (PFL).
Escrito por Josias de Souza às 23h56
Calma, calma, não houve nenhuma reviravolta nas pesquisas. O empate técnico ocorre na tesouraria dos comitês. Ali, a vantagem de Lula (R$ 22 milhões) sobre Alckmin (R$ 21 milhões) está dentro da margem de erro da coleta.
A segunda rodada da prestação de contas dos partidos à Justiça Eleitoral demonstra que, na boca do caixa, o candidato dos pobres e o postulante das elites se equivalem. O equilíbrio se repete na coluna dos gastos. O tucanato diz ter desembolsado até aqui R$ 20,218 milhões. O petismo, R$ 20,143.
Considerando-se todas as campanhas presidenciais, os doadore$ já pingaram na sacola da campanha R$ 45,6 milhões. Parece muito. Mas a cifra ainda não superou nem mesmo os R$ 55 milhões que compõem a parte visível da coleta feita pelo companheiro Delúbio, por baixo da mesa, entre 2002 e 2003.
É pena que nesta fase da campanha os partidos não sejam obrigados a informar os nomes de seus patrocinadores. Quando os logotipos vierem à tona, o eleitor verá que Lula e Alckmin têm muito em comum. A banca, por exemplo, vem dispensando ao PSDB e ao PT um tratamento guiado pela eqüidade. Banqueiro sabe o que faz. Não é à toa que nenhum partido leva à internet o nome de seus simpatizante$.
Escrito por Josias de Souza às 22h30
Quando se trata de comentar pesquisas presidenciais, nas quais Lula nada de braçada, o tucanato reage com um pé atrás. Diz dispor de outros números. O ‘chororô’ não se repete no âmbito estadual.
Não se ouviu nenhuma queixa contra a sondagem do Datafolha divulgada nesta quarta-feira em São Paulo. Mostra que, na corrida para o Palácio dos Bandeirantes, o tucano José Serra (49%) prevalece com folgas sobre o petista Aloizio Mercadante (18%).
A sondagem paulista parece um repeteco da nacional. Serra tinha 48% uma semana atrás. Assim como Lula, oscilou um ponto percentual para cima. Mercadante, como Geraldo Alckmin, apimentou a sua propaganda televisiva com ataques à gestão tucana no governo de São Paulo. E manteve-se estacionado nos mesmos 18% de sete dias atrás.
Em Minas, o tucano Aécio Neves, com 75%, está prestes a ser guindado à condição de imperador plenipotenciário das Gerais. No Rio, o candidato Sérgio Cabral (PMDB), apoiado pelo casal Moleq..., digo Garotinho, segue na frente. Mas não chega a abrir uma diferença que lhe garanta vitória no primeiro turno. No Paraná, o líder é Roberto Requião (PMDB).
Escrito por Josias de Souza às 19h35
Eduardo Knapp/F.Imagem
Em decisão unânime, o STF considerou inconstitucional o artigo 35 da mini-reforma eleitoral aprovada pelo Congresso. Esse artigo proibia a divulgação de pesquisas nos 15 dias que antecedem as eleições. Assim, não há mais qualquer restrição à publicação de sondagens eleitorais. Podem ser divulgadas inclusive no dia da eleição.
A decisão é uma vitória do princípio da liberdade de imprensa. O relator do caso ministro Ricardo Lewandowski (na foto), emitiu um voto de clareza exemplar. Esgrimiu a tese de que a proibição à divulgação de pesquisas configuraria restrição aos eleitores ao direito de informação. Um direito assegurado pela Constituição.
“Ademais”, anotou o ministro em seu voto, “analisando a questão sob uma ótica pragmática, forçoso é concluir que a proibição da divulgação de pesquisas eleitorais em nossa realidade apenas contribuiria para ensejar a circulação de boatos e dados apócrifos dando azo a toda sorte de manipulações indevidas, que acabaria por solapar a confiança do povo no processo eleitoral, atingindo o que tem de fundamental, que é exatamente a livre circulação de informações”.
De novo, o ministro está coberto de razão. Todos os comitês eleitorais, como se sabe, compram as suas próprias pesquisas. Impedir a divulgação de pesquisas de institutos independentes sujeitaria o eleitor a toda sorte de boatos e maquinações urdidas pelas campanhas partidárias.
O ministro Lewandowski foi além: “De resto, vedar-se a divulgação de pesquisas a pretexto de que estas poderiam influir, de um modo ou de outro, na disposição dos eleitores, afigura-se tão impróprio como proibir-se a divulgação de previsões meteorológicas, prognósticos econômicos ou boletins de trânsito antes das eleições“, escreveu.
As contestações à lei eleitoral foram ajuizadas no Supremo por três partidos: PSC, PTC e PDT. As legendas insurgiram-se, na verdade, contra toda a lei que instituiu a mini-reforma eleitoral, não apenas o artigo que proibia a veiculação de pesquisas. Argumentou-se que a lei foi aprovada depois que já havia expirado o prazo de um ano que antecede o pleito.
O Supremo rejeitou a tese. De fato, o artigo 16 da Constituição prevê que “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”. Mas os ministros do STF entenderam que as mudanças aprovadas pelo Congresso não alteraram o processo eleitoral, mas apenas procedimentos relacionados à eleição.
Afora o artigo relacionado à divulgação de pesquisas, todo o restante da lei, que inclui da proibição de showmícios à divulgação da foto de candidatos em outdoors, foi considerada constitucional pelo STF. Leia aqui a íntegra do relatório do ministro Lewandowiki. E aqui, o texto do voto do ministro, aprovado por unanimidade.
Escrito por Josias de Souza às 18h00
Sérgio Lima/F.Imagem
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira um “convite” para ouvir Paulo Okamotto. O objetivo é ouvi-lo sobre as contradições verificadas entre o depoimento que prestara à CPI dos Bingos e uma entrevista que Lula concedeu ao Jornal Nacional.
No depoimento, Okamotto dissera que havia liquidado uma dívida de R$ 29,4 de Lula com o PT com dinheiro do próprio bolso. Afirmara também que não tratara do assunto com o presidente. Na entrevista, Lula reconheceu que conversou, sim, com Okamotto. Disse a ele que não reconhecia a dívida. E liberou o amigo para proceder como bem entendesse.
O petismo enxerga no “convite” a Okamotto, aprovado com apoio do PSDB e do PFL, uma manobra eleitoral. "É requentar, é trazer para o cenário do embate eleitoral um assunto que temos entendimento de que está mais do que esclarecido", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).
Em resposta, o líder do PSDB, Arthur Virgílio, afirmou que Okamotto só compareceria ao Senado depois das eleições. "Não queremos ser acusados de subverter o processo em curso. É algo imoral que tem que ser apreciado."
A despeito da negativa, é evidente o propósito da oposição de restabelecer a atmosfera de crise moral. Depois da entrevista de Lula, PSDB, PFL e PPS encaminharam ao Ministério Público uma representação em que pedem o enquadramento de Okamotto na prática de crime de falso testemunho.
É pena que o assunto volte ao noticiário emoldurado pela disputa eleitoral. As dúvidas suscitadas pelas declarações de Lula reclamam, de fato, um esclarecimento cabal. Algo que não pôde ser feito durante o funcionamento da conturbada CPI dos Bingos.
O STF, como se recorda, impediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Okamotto. Assim, continua boiando no ar a incômoda suspeição de que uma dívida de Lula com o seu partido possa ter sido paga com recursos de má origem. A sobrevivência da dúvida não serve nem ao presidente nem à sociedade.
Escrito por Josias de Souza às 17h05
Folha Imagem
Pedro Simon (PMDB-SP) subiu há pouco à tribuna do Senado. Com a eloqüência e o gestual largo que lhe são próprias, o senador soou entre indignado e preocupado. Demonstrou indignação com a má fama que recobre a política –“Estão vendendo o conceito de que vale tudo, até mesmo pôr a mão no barro, na sujeira”. Exibiu preocupação com o eventual segundo mandato de Lula –“O Collor também estava no céu e desceu ao inferno”.
Simon (na foto com Heleísa Helena) referiu-se a discurso feito ontem por Lula, em comício na cidade pernambucana de Caruaru. O presidente dissera que teme críticas de sindicalistas, mas não receia as ressalvas feitas ao seu governo por certos senadores, aos quais não atribui credibilidade. “Ele deveria temer”, disse Simon, braços ao vento. “É todo-poderoso, mas não pode tudo”.
Para Simon, “Lula pode até ganhar as eleições, mas se achar que pode ganhar na base da corrupção, seu futuro será trágico”. O senador referiu-se ao seu próprio partido: “Já se fala que o Lula está compondo com [P]MDB, com as mesma regras que foram as de ontem. Não tenho nenhuma dúvida de que o futuro que o espera é triste”.
Referindo-se ao já célebre encontro de Lula com os artistas, há cerca de duas semanas, no Rio, Simon disse que “o Brasil deve muito” à categoria. Realçou o papel que os artistas exerceram no combate à ditadura. Citou Chico Buarque e Geraldo Vandré. Mas repudiou os comentários feitos por participantes do encontro com Lula a respeito da ética.
“Quando se diz que não se pode fazer política sem por a mão no barro, na sujeita, que política vale fazer o que for necessário para obter determinados fins, está se vendendo um conceito. Parece que essa é a regra geral”, disse Simon, em referência aos comentários do ator Paulo Betti. “Quero me insurgir contra isso”, prosseguiu Simon.
Em seguida, o senador tratou de demarcar fronteiras: “Eu podia ser milionário. Conheço muita gente honesta, digna e decente na política. Não posso aceitar que se diga que o rumo do Brasil é o rumo da corrupção, que a falta de ética é a regra geral. Digo aos meus amigos artistas, que são homens direitos: não fizeram bem”.
Simon concitou os “políticos de bem” a se insurgirem contra a perversão. “Essa é uma hora em que cada um tem que fazer a sua parte, falando livre e abertamente ao povo, temos condições de chegar lá (...). Temos que ter a compenetração do nosso papel. É melhor construir o muro do que demolir. É melhor dar a nossa colaboração. Creio nos homens de bem, confio na sociedade brasileira. Ela haverá de se levantar para dizer que o Brasil é um país digno e que o povo brasileiro é um país de bem”.
Escrito por Josias de Souza às 15h27

Notícia veiculada no Painel (assinantes da Folha):
Guerra judicial - O PT decidiu promover uma ofensiva judicial para combater a escalada retórica do PSDB na propaganda eleitoral. O partido entrará com recursos ao TSE contra todas as peças que associarem o presidente ou o partido à corrupção, entre elas as que qualificam como "a turma do Lula" personagens como Delúbio Soares e Marcos Valério. Mais do que tirar tempo de Geraldo Alckmin, interessa à cúpula do PT obter direito de resposta no programa do tucano.
O lado tucano, porém, lembra que a coligação do presidente contabiliza até agora mais derrotas no tribunal. A decisão liminar que obrigou a oposição a retirar do ar uma de suas mensagens sobre os escândalos não deverá alterar a linha dos programas de Alckmin.
Escrito por Josias de Souza às 14h49

- JB: As terras da vergonha
- Folha: Lula consolida vantagem no 1º turno
- Estadão: Câmara aprova o fim do voto secreto no Congresso
- Globo: TSE abre caminho para candidatos sob suspeita
- Correio: Câmara acaba com voto secreto. Falta o Senado
- Valor: Modernização da Marinha começa com gasto de € 1 bi
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h29
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h37
Folha Imagem
Lula encontrava-se empoleirado num palanque no município pernambucano de Caruaru no instante em que recebeu, na noite desta terça-feira, o resultado da última pesquisa Datafolha. Tinha diante de si uma multidão estimada em 20 mil pessoas. Os números lhe chegaram anotados numa folha de papel, antes da divulgação no Jornal Nacional.
Minutos depois, Lula discursou para os cotovelos que se roçavam desde o final da tarde para ouvi-lo. Ele vaticinou (assinantes da Agência Nordeste): “Faltam pouco dias para campanha [o presidente quis dizer eleição]. Nós temos que atentar do lado de lá. Eles poderão ser muito mais agressivos”.

Entremeando em sua fala referências aos dois candidatos que disputam o governo de Pernambuco com o seu apoio e que se encontravam no mesmo palanque, Lula arrematou: “Nós temos que aceitar todo o debate político. Agora nós, Humberto (Costa, PT), Eduardo (Campos, PSB), candidatos a deputados e senadores, não podemos levar desaforo pra casa.”
Lula falou à platéia por cerca de 40 minutos. Antes dele, discursaram os ex-ministros Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e Humberto Costa (Saúde). Este último fez referência à nova sondagem eleitoral, que atribuiu a Lula 51% das intenções de voto, contra 27% de Geraldo Alckmin.
“O senhor tem dito, com toda razão, que eles estão nervosos”, bradou Humberto Costa, voltando-se para Lula. “E nestes próximos trinta dias eles vão bater, bater pra valer. Mas não adianta. Faz cinco minutos que o senhor recebeu o resultado da pesquisa Datafolha, onde o senhor cresceu e o candidato da direita ficou parado onde ele estava”.
Como que retribuindo os afagos retóricos do ex-auxiliar, Lula defendeu-o da acusação de envolvimento no escândalo dos Vampiros. Com tantas perversões a rechear o noticiário, o presidente acabou acomodando o ex-ministro no centro de outro escândalo, o da máfia das ambulâncias:
“O povo é mais inteligente que a classe política. E ele vai dando a resposta a cada dia e cada hora. Por isso, Humberto, não se deixe perturbar pelas acusações. Eu sou testemunha de que foi esse companheiro que mandou uma carta pedindo para a Polícia Federal investigar os sanguessugas”.
Com suas observações, Lula como que comprou a tese de Humberto Costa, que alega ser “vítima de uma perseguição política”. O curioso é que a suposta persecução é praticada pela PF de Lula. Convencida do envolvimento de Costa, a polícia indiciou-o no mês passado, junto com outras 41 pessoas. Entre elas o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.
“Todos vocês sabem que tem gente que faz campanha séria e tem gente que faz campanha rasteira, que faz um papel imprestável do ponto de vista da formação da sociedade brasileira”, disse Lula. “Eu já vi nesse Estado aqui uma campanha contra Marcos Freire [candidato ao Governo de Pernambuco em 1982], que eu jamais imaginei que houvesse uma campanha daquelas. Já vi uma campanha contra doutor Arraes [Miguel Arraes, ex-governador pernambucano, que morreu no ano passado]. Já vi aqui este menino [Eduardo Campos, neto de Arraes] ser acusado e este menino [Humberto Costa] ser acusado. E eu mesmo já fui acusado muitas vezes”.
Escrito por Josias de Souza às 00h24
O resultado da mais recente pesquisa presidencial do Datafolha, divulgado há pouco pelo Jornal Nacional (leia e assista), demonstra que é crítico o estado de saúde da candidatura de Geraldo Alckmin. O candidato foi à UTI. Dificilmente sairá de lá antes das eleições. A julgar pelos dados disponíveis, o mais provável é que suas pretensões políticas continuem respirando com a ajuda de aparelhos até 1o de outubro.
Mesmo depois de injetar em seu programa televisivo doses calculadas de ataques a Lula, Alckmin manteve-se inerte. Tinha 27% das intenções de voto há uma semana. Hoje, ostenta os mesmos 27%. Como se fosse pouco, Lula, seu principal rival, vende saúde. O presidente oscilou para cima –foi de 50% para 51%.
Bateu um desespero nas cercanias do comitê de Alckmin. Entre quatro paredes, há um intenso esvoaçar de panos. Difícil encontrar alguém que ainda não tenha jogado a toalha. Alguns já o fazem em público, como o goernador mineiro Aécio Neves. Em diálogos privados, longe de gravadores e blocos de anotação, o timbre é de velório.
O blog ouviu três partidários de Alckmin, um do PSDB e dois do PFL. Falaram antes da divulgação dos números do Datafolha. Um deles disse que se Alckmin não subisse dois ou três pontos só um milagre o salvaria. Outro, como que farejando o cheiro de queimado, disse que não acredita em milagres. O terceiro declarou que se a pesquisa não apontasse para cima, Alckmin ficaria falando sozinho.
A atmosfera respirada no comitê de Lula é bem diferente. Ali, festeja-se o êxito da estratégia de marketing da campanha. Desde que Alckmin decidiu atacar Lula de forma mais incisiva, o jornalista João Santana, responsável pela publicidade reeleitoral, vem levando à TV o que os auxiliares do presisdente chamam de “complexo polivitamínico”.
Consiste em ignorar os ataques do adversário e reforçar a exibição de “realizações” do governo, sinalizando para o aperfeiçoamento, num segundo mandato, de políticas públicas iniciadas no primeiro. A coisa parece estar funcionando. Mercê da boa vontade do eleitor, Lula vai se mantendo imune aos ataques do adversário.
De resto, o governo cuida de esboçar planos para o futuro. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) informou ao blog, por exemplo, que, passada a eleição, Lula abrirá diálogo com todos os partidos (leia o despacho abaixo). Assim, enquanto Alckmin busca uma tábua de salvação que o livre da morte prematura de sua candidatura, Lula prepara-se para experimentar a vida depois do primeiro mandato.
Escrito por Josias de Souza às 19h30
Alvíssaras. A Câmara aprovou, veja você, o fim do voto secreto dos congressistas. Vale para as sessões de julgamento de congressistas pilantras e para todas as demais modalidades de votação secreta –indicação de embaixadores, derrubada de vetos presidenciais e eleição para os cargos da mesa diretora da Casa. Mas vá com calma. Contenha a euforia.
Como se trata de uma alteração ao texto constitucional, a proposta precisa ser votada em dois turnos. Ou seja, é preciso que seja aprovada uma segunda vez pelos deputados. Depois, segue para a apreciação do Senado. Ali, sob a cuia virada para cima de Niemeyer, pode-se restringir a abertura do voto apenas para os casos de cassação de parlamentares, informa Andreza Matais. Já será um avanço. Mas não nas proporções em que a desmoralização do parlamento exige.
Escrito por Josias de Souza às 17h53
Alan Marques/F.Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que o governo vai deflagrar, depois das eleições, um diálogo com todos os partidos. Pretende discutir ainda em 2006 os termos da reforma política. A aproximação, segundo disse, já começou. Entre os oposicionistas com os quais Lula já conversou, menciona os governadores de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), e do Ceará, Lucio Alcântara (PSDB).
A negociação, disse o ministro ao blog, “fatalmente” terá de envolver outras lideranças. Entre elas os tucanos José Serra e Aécio Neves, que disputam, respectivamente, os governos de São Paulo e de Minas Gerais na condição de favoritos. Só não foram procurados ainda, segundo Genro, porque “o gesto poderia ser entendido como uma tentativa de cooptação”.
“Depois de definido o nome do próximo presidente, seja ela quem for, vamos buscar uma aproximação com os partidos políticos que estiverem dispostos a formar uma maioria para aprovar rapidamente uma reforma política, seja por este congresso ainda, seja na próxima legislatura”, disse Genro.
Para o ministro, a reforma é “essencial” para “destravar o sistema político brasileiro, que está nitidamente em crise”. Abriria também o caminho para a discussão do que chamou de “segunda geração de reformas, que vão criar condições de sustentabilidade para o desenvolvimento do Brasil”. Não quis especificar que reformas seriam essas, para não parecer que o governo está querendo “ditar a agenda”.
O blog perguntou a Tarso Genro se o Planalto incluiria no contexto da reforma política, como noticiado, a proposta de anistiar políticos cassados pelo Congresso por suposto envolvimento no escândalo do mensalão—José Dirceu (PT) e Roberto Jefferson (PTB), por exemplo. O ministro foi enfático: “Não há nada no Palácio a respeito dessa questão. Seria imprudente tratarmos disso, na medida em que os processos judiciais estão em curso. Não há nenhum tipo de definição sobre o grau de envolvimento, de culpabilidade dessas pessoas que estão aí. Aliás, muitos serão absolvidos, outros serão condenados. Não se sabe. Seria impróprio tratar dessa questão”.
Genro disse que o tema tampouco foi levantado no âmbito do PT. “Não ouvi nada a respeito. Não duvido que alguém levante o tema ou que esteja preocupado com isso. Mas não é uma discussão do governo”. Se o tema vier a ganhar fôlego, diz o ministro, não poderá ser confundido com a reforma política.
“Se essa questão for conectada com a reforma política, evidentemente já será uma reforma sobre a qual pesará grande suspeição”, disse Genro. “Se o tema um dia vier a ser tratado, se interessar a alguém tratar do assunto, tem que ser de maneira separada, para que não se integre no universo da recuperação das instituições”.
Tarso Genro mostrou-se otimista quanto à possibilidade de um entendimento pós-eleição. Mencionou a aprovação pela Câmara, nesta terça-feira, do projeto que institui a lei de pequenas e micro empresas. “Foi uma coisa espetacular. Se não houvesse colaboração dos partidos de oposição, não teria sido aprovado. Não vejo por que isso não possa se repetir na tentativa de recuperação de uma maior legitimidade do Congresso por meio de uma reforma política. Eu acho que vai ocorrer”.
Quanto à polêmica suscitada pela defesa de Constituinte exclusiva, o ministro declarou: “Evidentemente, se chegar a um determinado momento e o Congresso não reagir, aí a questão da Câmara Constituinte pode ser colocada em tela. Mas não será o governo que vai fazer isso. O que o presidente [Lula] disse é que essa possibilidade pode ser reposta pelos partidos, pela sociedade”.
Genro diz que “o governo vai queimar toda a sua força para fazer a reforma política pela via congressual”. Mas é descabida, na sua opinião, “a tese de que seria inconstitucional ou seria golpe a instituição de uma Câmara Constituinte”. Pelo simples fato, diz ele, de que ela “só poderia ser feita por decisão do próprio Congresso, não do presidente da República”.
Escrito por Josias de Souza às 17h18
Sob o título “A ética da hipocrisia”, o ator Paulo Betti publica nesta terça-feira um longo artigo na Folha (assinantes). O texto abre assim: “Nos últimos dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula”.
Betti rememora o comentário que deu origem à encrenca. A frase, diz ele, foi “extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: ‘Não se faz política sem sujar as mãos’. ‘Sem pôr a mão na merda’, de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento”.
Para o ator, seus detratores “sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las”. Acha “lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos”. Alega que “só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las”.
Betti acha que falou “coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento”. Anota que “o sistema de financiamento privado de campanhas” elimina “a fronteira entre o público e o privado”.
Reconhece que o PT se lambuzou: “Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram”. O PT, diz ele “caiu nesse antigo alçapão”.
Mas pondera: “Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula, pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social”.
Para encerrar, Betti diz que a campanha de que se julga vítima “é autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante”. E arremata: "É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura”.
Escrito por Josias de Souza às 15h06
Diz-se que o dinheiro não traz felicidade. No geral, o adágio é mentiroso. Ainda não se viu milionário tentando se desfazer da fortuna para tornar-se mais feliz. No caso específico de Geraldo Alckmin, porém, o provérbio é aplicável. O comitê financeiro do candidato está nadando em dinheiro. Amealhou em agosto pouco mais de R$ 21 milhões. Mas o excesso de pecúnia não tem proporcionado ao candidato a ventura dos votos. Alckmin continua engolindo poeira.
Escrito por Josias de Souza às 14h14
O alto comando do comitê de Geraldo Alckmin está em pé de guerra contra o Ibope, o instituto contratado para servir à campanha. Gente graúda do PSDB e do PFL não se conforma com o fato de as pesquisas feitas para consumo interno não baterem com as sondagens que o Ibope realiza para divulgação pública.
Nas pesquisas restritas, Alckmin sobe mais. Nas públicas, cresce bem menos. O Ibope explica e reexplica: o comitê contratou pesquisas telefônicas. São diferentes dos demais levantamentos, que captam os humores das ruas, por onde transitam também os eleitores sem-telefone.
O argumento é lógico. Mas os liames da lógica costumam despertar um tipo de neurônio que só de raro em raro é encontrado no cérebro de políticos em desvantagem nas pesquisas. Assim, a tribo dos tucanos-pefelês segue de tacape em punho.
A propósito, o Datafolha divulga na noite desta terça-feira uma nova pesquisa. Brasília amanheceu com as sinapses em transe. O que se diz é o seguinte: se Alckmin não tiver roubado meia dúzia de votos de Lula, melhor esquecer a pompa do poder. Terá tropeçado nas circunstâncias.
Escrito por Josias de Souza às 07h52

- JB: Carioca dirige bêbado
- Folha: Volks adia demissões e greve no ABC é suspensa
- Estado: Volkswagen cancela demissões e greve acaba
- Globo: Paraguai e PF apreendem arsenal na fronteira
- Correio: País crescerá menos do que Lula promete
- Valor: Estados seguem União e elevam carga tributária
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h35
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h43
Alan Marques/F.Imagem
O STF concluiu a primeira fase do julgamento do processo do mensalão. Todos os 40 integrantes da “quadrilha” denunciada pelo Ministério Público já foram notificados. O Supremo aguarda para esta semana a entrega da defesa prévia do último notificado, o ex-deputado José Borba (PMDB-PR).
Vencido esse primeiro estágio, o ministro Joaquim Barbosa (na foto), relator do caso, deseja agora desmembrar a denúncia em vários processos. Acha que o julgamento dos réus sem mandato parlamentar deve ser feito por juízes da primeira instância do Poder Judiciário.
É o caso, por exemplo, dos únicos três políticos que tiveram os mandatos cassados pela Câmara: José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-SP). É o caso também do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, do publicitário Marcos Valério e dos gestores dos bancos BMG e Rural.
Barbosa evita mencionar os nomes dos acusados que, segundo o seu entendimento, devem ser julgados em primeira instância. Limita-se a dizer que, a seu juízo, aqueles que não detêm mandatos eletivos não têm direito ao chamado foro privilegiado. Daí a intenção de transferir o julgamento para juízes federais de primeiro grau.
O ministro encaminhará uma consulta ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia. Deseja que ele diga se vê inconvenientes no desmembramento da denúncia. De posse da manifestação do procurador-geral, Barbosa vai submeter o assunto ao crivo do plenário do Supremo.
Em função da relevância do caso, Joaquim Barbosa quer dividir a decisão com os colegas de tribunal. Caberá ao pleno do STF a palavra final sobre os processos que continuarão tramitando na Suprema Corte. Ouvidos pelo blog, dois ministros do Supremo disseram concordar com o entendimento de Barbosa. A decisão final será tomada depois das eleições de outubro.
Só após a abertura das urnas será possível saber quais os acusados que conseguiram reaver os mandatos parlamentares. Doze mensaleiros concorrem à reeleição. Impedidos de disputar eleições até o ano de 2015, Dirceu, Jefferson e Corrêa não estão entre eles.
Dos 40 denunciados, 38 já protocolaram no STF as suas defesas prévias. Foram notificados em oito Estados diferentes. José Borba fugiu a onze tentativas de notificação no Paraná. Só foi alcançado pelo oficial de Justiça na semana passada, em Brasília. Deve apresentar sua defesa nesta semana. Um doleiro chamado Carlos Alberto Quaglia perdeu o prazo para a defesa. E só poderá exercer o direito na próxima fase do processo.
Em condições normais, a notificação de toda essa gente levaria cerca de um ano e oito meses. O processo foi acelerado graças à decisão de Barbosa de digitalizar os 29 volumes e 86 anexos que compõem a denúncia do mensalão. Foram ao computador cerca de 40 mil páginas, permitindo o acesso simultâneo por todos os advogados dos denunciados.
A prevalecer a intenção de Joaquim Barbosa de desmembrar os processos, os julgamentos podem ser abreviados. Além dos 40 réus, a denúncia do Ministério Público arrola 41 testemunhas de acusação. A esse contingente irá somar-se a legião de testemunhas de defesa cuja inquirição será requerida pelos acusados.
Escrito por Josias de Souza às 00h34
O presidenciável Geraldo Alckmin tem repetido à exaustão que a disputa com Lula irá para o segundo turno. É uma pregação comum a todos os candidatos em desvantagem numa disputa eleitoral. Mas, no caso de Alckmin, o otimismo se baseia em relatórios internos que recebe diariamente de seu comitê. Contêm o resultado de pesquisas telefônicas feitas pelo Ibope por encomenda do PSDB.
As sondagens mostram, de fato, uma recuperação lenta e contínua de Alckmin. Mas os números estão longe de justificar o otimismo brandido pelo candidato em suas manifestações públicas. Primeiro porque o crescimento Alckmin é, por ora, lento demais. Segundo porque ele não rouba votos de Lula. Terceiro porque as sondagens telefônicas não são comparáveis com as pesquisas de rua feitas pelos institutos.
O PSDB serve-se de 1.000 entrevistas diárias feitas pelo Ibope. Para medir a curva de evolução do candidato, o comitê consolida os três últimos levantamentos (3.000 mil consultas). São esses relatórios consolidados que o candidato manuseia. Depois de uma fase estacionária, os números passaram a brindar Alckmin com uma curva ascendente. Daí o seu otimismo.
O problema é que, para provocar o segundo turno, Alckmin precisaria roubar votos de Lula, que oscila entre 48% e 50% das intenções de voto. Algo que nem as pesquisas internas lograram detectar. O crescimento de Alckmin cavalga ora os índices de Heloisa Helena, a terceira colocada na disputa, ora o naco de votos indecisos. A prevalecer essa tendência, o segundo turno não passará de discurso vazio de um candidato em desespero.
Os planos iniciais traçados pelo comitê de Alckmin previam que, para provocar o segundo turno com folgas, o cenário das pesquisas deveria ser, em 15 de setembro, o seguinte: Lula com 42%, Alckmin com 35% e Heloisa Helena com 10%. A prospecção foi envenenada nas três pontas: Lula passou a roçar os 50%, Alckmin ainda não chegou nem aos 30% e Heloisa Helena desceu à casa de um dígito.
De resto, o otimismo de Alckmin desconsidera um detalhe importante. Pesquisas telefônicas servem para aferir tendências, mas não são uma boa ferramenta para medir a variação real das intenções de voto. No Nordeste, por exemplo, uma região em que Lula obtém médias superiores a 60%, as residências equipadas com telefones não chegam a 30%.
Ou seja, as pesquisas que embalam a animação retórica de Alckmin privilegiam a audição dos brasileiros com-telefone. Justamente a faixa do eleitorado em que a opção pelo tucano é mais generosa. Só o cotejo com as pesquisas de rua, divulgadas periodicamente pelos institutos, pode demonstrar se o crescimento de Alckmin, por ora tímido, será capaz de produzir o segundo turno.
Nesta terça-feira, o Datafolha divulga mais uma de suas pesquisas. O levantamento de campo começou a ser feito hoje. Será concluído amanhã. No último levantamento, divulgado na semana passada, Alckmin havia oscilado para cima. Foi de 25% para 27%. Ainda que volte a crescer, a pregação do segundo turno só ganhará alguma consistência se Lula cair. Do contrário, o discurso do tucanato continuará freqüentando o mundo dos sonhos.
Escrito por Josias de Souza às 17h30
Lula parece mesmo convencido de que nada pode afetar o seu favoritismo. O presidente fará nesta terça-feira um comício no município pernambucano de Caruaru. O evento renderá fotos que muitos poderiam considerar constrangedoras para um candidato em busca de votos. Lula posará ao lado de Humberto Costa, o ex-ministro indiciado pela Polícia Federal por suposto envolvimento no escândalo dos Vampiros.
Costa concorre pelo PT ao governo de Pernambuco (assinantes da Agência Nordeste). Além de marcar presença, vai discursar no comício. Falará antes de Lula. Pisará também o palanque o ex-ministro Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), outro candidato ao governo pernambucano que desfruta do apoio do presidente.
Escrito por Josias de Souza às 16h43
A Volkswagen dobrou os joelhos. Depois de demitir por carta 1.800 metalúrgicos e de arrostar uma greve geral que paralisou a sua produção, a empresa deu meia-volta. Suspendeu as demissões e abriu negociações com o sindicalismo.
Em nota, a Volks reafirmou “a necessidade de adequação do seu quadro de pessoal em 3.600 pessoas nos próximos anos”. Declarou-se, porém, “aberta para discutir as condições” da reestruturação.
As demissões parecem inevitáveis. Mas não deixa de ser um avanço que a empresa se disponha a tratar o seu quadro funcional com um mínimo de respeito. Contribuiu para a mudança de atitude, além da greve, a ameaça do governo de secar a fonte de empréstimos do BNDES para a Volks.
Escrito por Josias de Souza às 16h18
O PSL, partido do presidenciável Luciano Bivar, encaminhou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma curiosa consulta. Perguntou ao tribunal se os blogs podem manifestar opiniões sobre candidatos às eleições de 2006.
Relator da consulta, o ministro José Gerardo Grossi mandou-a ao arquivo. Argumentou que, uma vez iniciado o processo eleitoral, o tribunal não pode mais responder a consultas. Limita-se a julgar as ações que aportam nos seus escaninhos.
Ou seja, se o partido de Bivar tem queixas contra os blogs, terá de representar formalmente contra eles. Só assim saberá o que pensa o TSE a respeito do tema. Fica no ar uma dívida: por que diabos não poderiam os blogs opinar sobre candidatos?
O PSL preocupa-se à toa. Seu presidenciável, por insignificante, não chega a ser um campeão de citações. Nos blogs ou em qualquer outro meio de comunicação. Aliás, não houvesse expirado o prazo para a formulação de consultas ao TSE, o signatário deste blog também encaminharia ao tribunal uma consulta: pode Bivar utilizar o horário eleitoral eletrônico para pronunciar as vacuidades que vêm preenchendo o oco de seus discursos?
Escrito por Josias de Souza às 15h17
O sítio do PT voltou a ser atacado por piratas virtuais nesta segunda-feira. É a segunda vez que o portal petista é tirado do ar por sabotadores. O número de ataques sobe para três se for contabilizada a investida contra a página do PT paulista.
Invadido neste domingo, o recanto do PT de São Paulo na internet exibiu menagem injetada no sistema pelos piratas. Fazia alusão ao número que identifica o presidenciável tucano Geraldo Alckmin nas eleições: "Não vote em corruptos, vote 45".
Escrito por Josias de Souza às 08h34
O petismo vem apresentando a reforma política como remédio que a tudo remedia. Lula chega mesmo a insinuar que só há escândalos, um atrás do outro, porque a política não foi reformada.
Ao tomar posse, em janeiro de 2003, Lula prometera, entre outras coisas, priorizar a reforma política e acabar com a corrupção (assista). Não reformou nada. E não viu coisa nenhuma.
Agora, Lula diz que a roubalheira não é fruto de “erro individual ou partidário”, mas resultado "dos acúmulos das deformações da estrutura política" (assista). Pois bem, a pretexto de endireitar as coisas, trama-se nos subterrâneos do petismo uma tortuosidade: a anistia política de José Dirceu.
O repórter Raymundo Costa (assinantes do Valor) informa que o desejo de cavar um perdão para o ex-chefão da Casa Civil freqüenta até as preocupações do Planalto. “A anistia seria específica para quem recebeu punição política. Nessa categoria, estariam enquadrados José Dirceu e o ex-deputado Roberto Jefferson, acusado e acusador no caso do mensalão (...)”.
Era só o que faltava. Dos 19 congressistas encrencados no fenômeno do mensalismo, só três tiveram a cabeça apartada do pescoço –Jefferson, Dirceu e o deputado Pedro Corrêa (PP-PE). Se vier a anistia, o dramalhão ganhará ares de comédia-pastelão. De tudo sobrará uma lição que a política ensina: político jamais aprende.
Escrito por Josias de Souza às 08h05
O senador Eduardo Suplicy é mesmo um artista. Veja o que conta a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):
Lista Telefônica- O senador Eduardo Suplicy janta hoje com eleitores no Tom Brasil, para arrecadar recursos. Os 2.000 ingressos estão à venda por R$ 50, R$ 100 e R$ 500. Suplicy divulga o telefone de sua própria casa para quem quiser comprar o ticket na última hora. O número do telefone é 3813-2582.
Bis Eterno- Suplicy consultou o TSE para saber se artistas, como seus filhos, poderiam cantar no jantar. Não. Mas ele, Suplicy, pode soltar a voz. Deve atacar de "Blowin" in the Wind".
Vai aqui uma idéia do que é Eduardo Suplicy cantando. O signatário do blog tranquiliza os seus 22 leitores: a amostra é curta. Coisa rapidíssima.
Escrito por Josias de Souza às 06h36
Houve tempo em que Lula era apresentado em cultos evangélicos –sobretudo os da Igreja Universal—como a própria encarnação do Tinhoso. Hoje, isso tudo mudou. Lula agora é visto como um político que aceitou Jesus. Aceitou também o bispo-senador Marcelo Crivella, cuja candidatura apóia no Rio, em detrimento da do petista vermelho Vladimir Palmeira. A proximidade com os novos “irmãos” inspirou em Lula um novo um novo gesto, informa o Painel (assinantes da Folha):
Irmãos- Em carta endereçada aos evangélicos, Lula faz referências à Bíblia e diz que "nunca na história deste país" se investigou tanto denúncias de corrupção como agora. "Sei que o povo evangélico tem fortes princípios e valores éticos", diz o presidente.
Figurino- Em linguajar em tudo semelhante ao dos cultos evangélicos, Lula diz que agradece a Deus "por ter tido a honra de servir às igrejas", sem fazer distinção entre as denominações. No final, o presidente diz contar com as "orações" dos evangélicos para se reeleger.
Conta com as orações e, naturalmente, com os votos.
Escrito por Josias de Souza às 06h21

- JB: Presidência - Livro mostra linguagem chula de Lula
- Folha: Universidades estaduais de SP param de criar vagas
- Estadão: Governo já discute corte de gastos em 2007
- Globo: Orçamento federal prevê 48% a mais para o Rio
- Correio: Fatura de cartão entrega sonegador
- Valor: Novas usinas no mapa da Eletrobrás
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 05h59
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h08
Lula Marques/F.Imagem
A Câmara dos Deputados terá nesta semana uma última oportunidade para atenuar o descrédito em que se encontra mergulhada. O presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), tentará, finalmente, aprovar em plenário o projeto que acaba com o voto secreto nas sessões de cassação de congressistas envolvidos em escândalos.
Relatado pelo deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), o projeto que vai a voto é, na verdade, bem mais ambicioso. Propõe a abolição pura e simples do voto secreto em todos os casos em que ele ainda vigora –aprovação de nomes de embaixadores, derrubadas de vetos presidenciais, indicação para ministros do Tribunal de Contas e eleição para as mesas diretoras da Câmara e do Senado, por exemplo.
Se aprovado, o projeto não valerá apenas para o Congresso Nacional. Ouvido pelo blog, Eduardo Cardozo explicou que o voto secreto seria extinto em todos os legislativos do país, incluindo assembléias estaduais e câmara de vereadores. “Não vejo sentido na manutenção desse tipo de voto”, diz ele.
Em reunião marcada para as 16h desta segunda-feira, Aldo Rebelo tentará convencer os líderes partidários a aprovar o projeto tal como ele se encontra. Concorda com a tese de que todas as modalidades de voto secreto devem ser extintas. Acha que, depois, se a prática demonstrar que houve excessos, pode-se restituir a votação secreta em casos específicos. Mas o momento pede, diz ele, transparência irrestrita.
Eduardo Cardozo é reticente. “Está claro que tem muita resistência a acabar com o voto secreto, por exemplo, para a eleição da mesa diretora. Há resistências também para o caso dos vetos presidenciais”, diz o deputado. “Acho que tudo se encaminha para uma negociação que contemple apenas a votação das cassações de parlamentares. O que já será um grande avanço”.
O voto secreto foi determinante para a absolvição de deputados acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. Derrubando-o, a Câmara tornará mais difícil a situação das oito dezenas de congressistas implicados no escândalo da máfia das ambulâncias. Está-se diante da derradeira oportunidade para que a mudança ocorra ainda na atual legislatura. O “esforço concentrado” desta semana será o último antes das eleições de outubro.
Além das resistências mencionadas por Eduardo Cardozo, há dificuldades de ordem legislativa. Antes de votar o projeto que põe fim às votações secretas, a Câmara precisa deliberar sobre 20 medidas provisórias. Pela lei, as MPs têm precedência sobre os demais projetos. Otimista, Aldo acha que será possível “desobstruir a pauta”.
O presidente da Câmara enviou telegramas aos deputados. Rogou para que não deixem de comparecer às votações desta semana. Além das medidas provisórios –a maior parte concede aumentos salariais a categorias do serviço público –e do projeto que acaba com o voto secreto, há em pauta a proposta que institui a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.
Escrito por Josias de Souza às 20h01
O Grito/Edvard Munch
Depois de abrir guerra contra o nepotismo, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) está levantando o véu de uma praga do Judiciário brasileiro: a promoção de juízes e desembargadores. Sob o guarda-chuva do “merecimento”, escondem-se justificativas que, por toscas, não se preocupam nem mesmo em disfarçar a subjetividade.
As promoções no Judiciário eram decididas em sessões secretas. Resolução do próprio CNJ, baixada em setembro do ano passado, obrigou que a escolha fosse feita às claras. E os absurdos começaram a aparecer. Deu-se na Paraíba um caso exemplar.
Os desembargadores do Tribunal de Justiça paraibano reuniram-se no final do ano passado para escolher os juízes que seriam promovidos para comarcas situadas em Campina Grande, um dos principais municípios do Estado. Concorriam às promoções dois juízes e uma juíza: Silmary Alves de Queiroga Vita, Antonio Reginaldo Nunes e Eduardo Rubens da Nóbrega. Este último é filho do presidente do tribunal, Júlio Aurélio Moreira Coutinho.
A subjetividade do processo de escolha foi de tal modo gritante que o CNJ, provocado pela Associação dos Magistrados da Paraíba, viu-se compelido a anular a sessão. O processo contém um resumo dos votos dos desembargadores da Paraíba. Abaixo, alguns exemplos das manifestações “objetivas” que foram invocadas pêra aferir o “merecimento” dos juízes candidatos à promoção:
- Desembargador Júlio Aurélio Moreira Coutinho, presidente do TJ da Paraíba: votou no próprio filho, Eduardo Rubens da Nóbrega Coutinho;
- Antonio Carlos Coelho da Franca: confessou abertamente que estava votando em Eduardo Rubens Nóbrega Coutinho por ser filho do presidente do tribunal;
- João Antônio de Moura: justificou seu voto em Eduardo Rubens da Nóbrega, pelo fato de ele ter cedido sua cadeira a uma casal, na posse de um desembargador. Disse que o juiz, mesmo cansado, sentou-se no chão;
- Plínio Leite Fontes: votou em Eduardo Rubens da Nóbrega porque já o havia promovido para a Comarca de Patos. Votou também na juíza Silmary Alves de
Queiroga Vita pelo fato de ser casada com um grande amigo seu;
- Antonio de Pádua Lima Montenegro: votou no juiz Antonio Reginaldo Nunes pelo fato de ter sido titular da Comarca de Barra de Santa Rosa, região do desembargador. Mencionou também o fato de o juiz ter ingressado na magistratura por meio de concurso presidido por ele. Disse ainda que tomou posse no dia em que a imagem de Nossa Senhora visitava o tribunal (24 de maio de 2000). Em seguida, votou no juiz Eduardo Rubens Nóbrega Coutinho. Disse que não o fazia pelo fato de o juiz ser filho do presidente do tribunal.
Estas e outras manifestações contidas no processo demonstram que a objetividade não é o forte do TJ da Paraíba. A sessão foi anulada pelo CNJ na última terça-feira. Concedeu-se um prazo de 15 dias para que o tribunal refaça o processo de promoção. A anomalia verificada na Paraíba está longe de ser uma exceção no Judiciário brasileiro.
Na última quinta-feira, o CNJ anulou também a nomeação de desembargadores para o Tribunal de Justiça de Pernambuco. De novo, o critério que deveria ser observado era o do “merecimento”. Em recurso, a Associação dos Magistrados de Pernambuco demonstrou ao CNJ que o tribunal nem sequer havia disciplinado o processo de promoção de desembargadores. Exigência que havia sido imposta pelo CNJ desde setembro do ano passado.
Escrito por Josias de Souza às 19h05
José Cruz/ABr
O senador Jefferson Peres (PDT-AM), candidato a vice na chapa de Cristocam Buarque, anda desconsolado. Desencantou-se com a política. Na última quarta-feira, discursando da tribuna, disse que, terminado o seu mandato, em 2011, dará adeus à política. Neste domingo, em entrevista ao repórter Fábio Augusto, de “O Liberal”, Peres disse que não está desiludido apenas com os políticos. Acha que a sociedade brasileira é conivente com a corrupção. Eis algumas de suas declarações:
- Desagregação moral: “(...) No Brasil, hoje, de um modo geral, há somente uma minoria de homens públicos comprometidos com a coisa publica. A grande parte está em busca somente de poder e dinheiro (...). [Há também] a conivência de grande parte da sociedade com isso. Esse fato está expresso na recondução do Lula, que deverá ser reeleito e todo mundo sabia que ele foi conivente e deveria ser punido por isso (...). O povo está absolvendo o Lula e o reconduzindo. Mas não é só o Lula, não. As pesquisas mostram que os mensaleiros em grande parte voltarão ao Congresso com o voto popular.
- Intelligentsia: (...) Quando vi aquele grupo de intelectuais e artistas no Rio de Janeiro não apenas homenagearem o Lula, mas principalmente declararem alguns que não estão preocupados com ética, que o PT fez o tinha que fazer, que tem de meter a mão no excremento para governar... Aquilo foi a gota d’água. Até os artistas que deveriam ser intolerantes com isso, mas se acumpliciam com isso. Então, vivemos uma crise moral que atinge toda sociedade brasileira.
- Fim de linha: (...) Como está, com o quadro político e o Congresso, com essa conivência da sociedade, eu não quero mais voltar ao Congresso não. Em janeiro de 2011, termina meu mandado e vou continuar a luta, mas em outras trincheiras. Continuarei escrevendo em jornais, sou solicitado para palestras, para debates e vou continuar fazendo isso. Nunca vou perder minha capacidade de indignação, nem vou silenciar, mas me sinto muitas vezes, no Congresso e na política, como um peixe fora d’água.
- O segundo mandato: (...) Vejo dois cenários contrastantes. Um cenário róseo, improvável, mas ainda possível: o Lula de repente preocupado com o nome dele para a História, tentar se redimir deste primeiro governo desastrado e partir para o que eu chamo de 'concertação', que seria procurar um grande entendimento nacional para a execução de um projeto de Nação de longo prazo (...). O outro cenário é negro: é o Lula continuar e aprofundar esta relação promíscua do governo com a parte fisiológica do PMDB e outros partidos. E mais: ele pode, se não encontrar apoio no Congresso, partir para a mobilização das organizações sociais que o PT ainda controla, como MST, CUT, UNE e outras e partir para o confronto no Congresso. Vai convocar plebiscitos, vai enveredar pelo chavismo. Este é um cenário assustador, mas possível.
Escrito por Josias de Souza às 17h06
A corrupção em Rondônia chegou a um ponto de tal generalização, que os políticos perderam, além da vergonha, o benefício da dúvida. Dos 24 deputados da Assembléia Legislativa do Estado, 23 estão encrencados na Operação Dominó. Os desvios são estimados em R$ 70 milhões.
Pois bem, dos 23 suspeitos, nada menos que 21 vão às urnas em 1º de outubro. O TRE de Rondônia validou-lhes os registros de candidatura. Prevaleceu o entendimento de que não há como impedir que concorram enquanto não forem julgados em último grau de recurso, informa o repórter Wagner Júnior.
Escrito por Josias de Souza às 11h41
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 11h09

- JB: Emprego - Indústria do crédito cresce 20% ao ano
- Folha: Empresas devem manter baixo nível de investimento
- Estadão: Empresas investem 48,9% menos com Lula
- Globo: Tráfico dá 10% do seu faturamento à polícia
- Correio: Planos de saúde expulsam idosos
- Valor: Estoque alto e importação freiam PIB no 2° trimestre
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 00h20
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