Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Se vier o 2º turno, reeleição de Lula corre risco

Duas pesquisas divulgadas há pouco –Datafolha e Ibope— pelo Jornal Nacional ( assista aqui e aqui) revelam que há um quadro de empate entre os votos atribuídos a Lula e à soma de seus adversários. Ou seja, é impossível prever se haverá ou não um segundo turno. O presidente da República precisa rezar para que a coisa se defina já. Do contrário, corre sérios riscos de arrostar uma derrota.

O Datafolha simulou o eventual segundo turno entre Lula e Geraldo Alckmin. Informa que o presidente teria 49% dos votos, contra 44% do adversário tucano. Uma diferença de escassos cinco pontos. Com uma agravante: Lula está em curva descendente. Alckmin, ascendente. Há três dias, na mesma simulação, Lula aparecia com 52% dos votos; Alckmin, 41%.

 

A julgar pelos números do Datafolha, é impossível dizer se a eleição deste domingo será ou não definida no primeiro turno. A soma dos votos atribuídos a Lula (50%) é exatamente igual ao percentual atribuído a todos os seus adversários juntos (50%). Lula caiu três pontos em três dias. No dia 27, tinha 49% das intenções de voto. Hoje, tem 46%. Alckmin tinha 33% e oscilou para 35%, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

 

Pelos números do Ibope, a soma de todos os outros candidatos (50%) supera em um ponto o percentual de votos atribuídos a Lula (49%). Também por essa sondagem, Lula teria perdido três pontos percentuais nos últimos três dias. Foi de 48% para 45%. Alckmin também oscilou dois pontos para cima: de 32% para 34%. De novo, dentro da margem de erro, que é de dois pontos.

 

Lula chega às urnas em posição menos confortável do que gostaria. Deve a corrosão do seu índice de intenção de votos aos “aloprados” do PT. A tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB reavivou no imaginário do eleitor perversões que o eleitor parecia disposto a negligenciar.

 

De resto, Lula deve estar se condoendo por não ter comparecido ao último debate televisivo entre os presidenciáveis, na última quinta-feira. Teria apanhado dos adversários do mesmo jeito. Mas não teria ficado indefeso. Se o presidente porventura perder esta eleição, terá sido derrotado pelo PT e por si próprio.

 

Deve-se realçar que pesquisas são o que são: apenas pesquisas. Só as urnas dirão o que pensa o eleitor. Assim, esperemos mais algumas horas para saber o que vem por aí. De todo modo, uma eleição que parecia gelada vai ganhando contornos de batalha sangrenta.  

Escrito por Josias de Souza às 20h30

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A crise é você!

A crise é você!

Chegou a sua hora. Não tem mais Lula, Alckmin, Heloisa ou Cristovam. Não tem mais deputado fulano nem senador sicrano. Não tem mais partido “A” nem legenda “B”. Quem comanda o espetáculo agora é você. O eleitor brasileiro tem a péssima mania de olhar com distanciamento típico dos "scholars" o quadro político nacional. Age como se nada fosse com ele. Cômodo. Muito cômodo. Mas desonesto.

Você deveria desperdiçar um naco deste domingo eleitoral para fazer uma introspecção. Pode ser após o despertar, barriga colada à pia do banheiro, enquanto espalha o dentifrício pelas cerdas da escova. Levando a experiência a sério, depois de bochechar e lavar o rosto, no instante em que você erguer os olhos para pentear os cabelos, verá no espelho o reflexo de um culpado.

 

Indo mais fundo no processo de auto-exame, você verá materializar-se diante de seus olhos o óbvio: deputados, senadores, governadores e presidentes da República não surgem por geração espontânea. Eles nascem do voto.

 

E você talvez levante da mesa do café da manhã convencido de que a secessão de crises políticas exige dele uma atitude. Um gesto individual e consciente. A encrenca não admite mais que você se mantenha exilado no conforto de sua omissão política. A crise o intima a retornar à história do seu país, moralizando-a.

 

Você está diante de um desses momentos mágicos. Circunstância única, em que o poder está nas suas mãos. A magia desse instante está na possibilidade de começar tudo de novo, do zero. Não é todo dia que se tem uma nova chance. Lembre-se: para o eleito inconsciente, o eleitor impaciente é um santo remédio.

 

Assim, ao abrir o guarda-roupa, escolha um traje especial, à altura da ocasião. Leve a mão ao fundo do armário. Desencave aquela roupa empoeirada, esquecida no canto. Vista-se de cidadão.

 

Ao ganhar o meio-fio, abra o seu espírito para os fatos que o sitiam: as renúncias de parlamentares, o resultado das CPIs, as absolvições patrocinadas pelo plenário da Câmara, as ações do Ministério Público... Não deixe de rememorar também o passado de políticos e partidos que hoje posam de acusadores.

 

Entrando na cabine eleitoral, trate de pôr um ar solene na face. Não tenha pressa. Você é o dono desse momento. Aproveite-o. Deguste-o. Você tem o poder. Você é o protagonista do espetáculo.

 

Faça uma visita ao seu interior. Encontre-se consigo mesmo. Certifique-se de que não esqueceu a consciência em casa. Converse com ela. Questione-a. Depois, estique o dedo e vote com a alma.

 

Há sempre a alternativa de lavar as mãos e continuar entregando o caso à divina providência. Se preferir esse caminho, tudo bem. Mas não reclame amanhã, quando descobrir que Deus está morto. Sua omissão o matou. Sente-se e reze. Peça perdão. Expie os seus pecados. A crise é você.

*Adaptação de texto do repórter, veiculado em 1 de outubro de 2000.

Escrito por Josias de Souza às 18h22

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Delegado assume ter liberado fotos do dinheiro

Acabou o mistério. O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal de São Paulo, reconheceu neste sábado que foi ele quem repassou a jornalistas o CD com as fotos do monturo de dinheiro (R$ 1,75 milhão) que seria utilizado para comprar o dossiê antitucano. Mais: ele anunciou para segunda-feira a intenção de conceder uma entrevista coletiva. Dirá, segundo antecipou, “coisas surpreendentes”.

Edmilson Bruno foi o responsável pela prisão, no último dia 15 de setembro, dos dois petistas que transacionavam o dossiê: Gedimar Passos e Valdebran Padilha. Na sexta, ele negara a autoria do vazamento das fotos. Alegara que o CD havia sido roubado. Agora, voltou atrás. Defende a “ampla divulgação” dos fotos que envolvem a tentativa de compra do dossiê. “O povo tem o direito de saber tudo. O erro foi não ter dado publicidade, inclusive do dinheiro apreendido, logo no começo da investigação.”

Também neste sábado, Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha de Lula, disse que delegado Edmilson Bruno entregou as fotos a repórteres de vários meios de comunicação. Agiu, segundo ele, com o propósito deliberado de prejudicar o PT e a candidatura Lula. O delegado nega. Declara-se apartidário. E diz ter votado em Lula nas eleições de 2002.

 

Segundo Marco Aurélio, a conversa do delegado com os jornalistas teria sido gravada. Ele não informou quem gravou. “Nós sabemos que elas [as gravações] mostram que houve uma tentativa de armação política", disse o coordenador de Lula, em entrevista no comitê paulista do PT.

 

Garcia declarou que há "indicações ainda não confirmadas de que dois partidos teriam estimulado o vazamento até com apoio material." Ele não deu nome aos bois. Limitou-se a dizer que são legendas de oposição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) foi mais explícito. Disse que o vazamento "é uma articulação tucano-prefelista." José Serra ironizou: "O Tarso Genro me parece mais sensato do que as declarações que ele está dando nos últimos dias. Eu acho que é aflição", acrescentou Serra.

 

O coordenador de Lula eximiu-se de acusar a imprensa de participação num complô com o delegado. Mas criticou o fato de os meios de comunicação não terem divulgado as circunstância que envolveram o vazamento das fotos do dinheiro. “Nós gostaríamos de saber quais foram as razões que levaram parte da imprensa a não divulgar as circunstâncias completas em que as fotos foram obtidas."

Escrito por Josias de Souza às 17h20

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Vox Populi: Lula vence, mas tirando tinta da trave

A pesquisa foi feita por encomenda do comitê reeleitoral de Lula, na quinta e na sexta. Os números estão expostos no sítio do instituto Vox Populi (veja). Informam que caiu para quatro pontos percentuais a vantagem de Lula sobre todos os adversários.

 

A margem de erro é de 2,2 pontos, para cima ou para baixo. Ou seja, a vantagem de Lula tanto pode ser de 1,8 ponto percentual quanto de 6,2 pontos. Em qualquer hipótese, o presidente seria reeleito. Mas se a curva da margem aproximar-se do limite inferior, a apuração vai ser de matar lulista do coração.

 

Eis a pontuação dos candidatos:

 

- Lula - 46%

- Alckmin: 33%

- Heloísa: 7%

- Cristovam: 1%

- Ana Rangel: 1%

- Bivar: 0%

- Rui Pimenta: 0%

- Eymael: 0%

- Nenhum/branco/nulo: 5%

- Não sabe/não respondeu: 7%

 

Logo mais serão divulgados os números de outras duas pesquisas, do Datafolha e do Ibope. Veremos se os dados coincidem com os do Vox Populi. Seja como for, pesquisa só interessa a essa altura para testar a credibilidade dos institutos. Do ponto de vista do eleitor, o que interessa de fato é a urna.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

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Helicóptero de Renan e Teotônio cai; não há feridos

Neste mesmo sábado em que as autoridades aeronáuticas investigam a tragédia ocorrida com o avião da Gol, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o candidato do PSDB ao governo de Alagoas, Teotônio Vilella Filho, passaram um susto. O helicóptero que os transportava caiu quando realizava um pouso de emergência no município de Arapiraca. Não houve feridos.

"O helicóptero despencou e vazou muito combustível. O trem de pouso quebrou pela metade", relatou Beto Jucá, assessor de Teotônio Vilella. Embora assustados, Renan e Teotônio, que se encontram na casa do prefeito de Ar\piraca, Luciano Barbosa, realizam daqui a pouco caminhada pelas ruas da cidade.

O piloto do helicóptero suspeito que possa ter havido sabotagem. De acordo com a assessoria de Renan, o presidente do Senado entrará em contato com o ministro Márcio Thomaz Bastos (justiça), para pedir que a hipótese seja investigada pela Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 11h37

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Planalto quer tirar Berzoini da presidência do PT

  Lula Marques/Folha Imagem
Com a anuência de Lula, será deflagrado depois das eleições, um movimento para renovar o comando do PT. Pretende-se retirar o deputado Ricardo Berzoini (SP) da presidência da legenda. Deseja-se também minar o poderio do chamado Campo Majoritário, que tem no deputado cassado José Dirceu (SP), a sua maior expressão.

 

Inicialmente, pretendia-se iniciar o debate sobre a renovação do PT apenas em setembro de 2007, quando o partido terá um encontro nacional. Porém, a crise do dossiêgate antecipou o calendário. A avaliação de Lula e de alguns de seus principais colaboradores petistas é a de que o assunto não pode mais ser adiado.

 

O blog ouviu dois auxiliares de Lula. Um deles falou com o compromisso de que seu nome fosse preservado. Disse que a crise do dossiê retirou de Berzoini as condições políticas para continuar dirigindo o partido. Informou que a Executiva e o Diretório Nacional do partido serão convocados para tratar do assunto.

 

Um outro auxiliar de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) falou às claras. Evitou mencionar nomes. “Não é o momento oportuno para isso.” Mas foi taxativo quanto à necessidade de uma reciclagem do PT: “O partido, por óbvio, fará uma grande mudança depois das eleições. Essas experiências que o PT atravessou parece que não ensinaram a alguns, mas ensinaram a muita gente”.

 

“Estou falando por mim, mas tenho absoluta certeza de que na primeira reunião do Diretório Nacional que ocorrer depois das eleições, o partido vai tomar medidas bastante severas”, afirmou Tarso Genro. “Isso é o pensamento de 90% dos filiados. Tenho certeza de que isso vai ocorrer”.

 

Segundo o ministro, a renovação do PT é “essencial para que o partido possa se apresentar à sociedade como um sujeito político ativo, que tenha ao mesmo tempo uma postura programática e confiabilidade para o diálogo”. O diálogo a que se refere Tarso Genro faz parte dos planos de Lula para a fase pós-eleitoral.

 

Certo de que obterá a renovação do seu mandato nas urnas, o presidente planeja abrir diálogo com os partidos de oposição. Conforme noticiado aqui no blog, a intenção do governo é convidar os partidos para uma negociação em torno de dois pontos: a reforma política e a reformulação do Orçamento da União. 

 

O prestígio de Berzoini foi carbonizado depois que veio a público a informação de que pessoas recrutadas por ele para o comitê de campanha de Lula estão metidos na tentativa frustrada de aquisição de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Uma ação que levou ao afastamento do deputado da coordenação da campanha.

 

Em reserva, Lula destila irritação. Diz que Berzoini, a pretexto de obter informações capazes de mudar o quadro eleitoral paulista, beneficiando a candidatura petista de Aloizio Mercadante, acabou submetendo o projeto nacional do partido a riscos desnecessários.

 

A prevalecer a intenção do Planalto, Berzoini, candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, arrisca-se a passar à história do PT como o presidente mais breve da legenda. Em julho de 2005, nas pegadas do escândalo do mensalão, ele deixara o Ministério do Trabalho para assumir a secretaria-geral do PT, em substituição a Silvio Pereira. Em outubro de 2005, foi eleito presidente do partido. Teve o apoio explícito do ex-ministro José Dirceu.

 

Empossado, Berzoini tramou o adiamento da discussão sobre a prometida punição dos deputados da legenda que haviam se envolvido no escândalo do mensalão. A providência feriu de morte o discurso da “refundação do PT”, que era esgrimido à época por Tarso Genro. Qualquer iniciativa séria de reformulação partidária passa pela retomada desse debate.

Escrito por Josias de Souza às 03h24

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As manchetes deste sábado

- Folha: Fotos mostram dinheiro do dossiê

- Estadão: PT tenta vetar fotos do dinheiro e quer impugnação de Alckmin

- Globo: Divulgação de fotos do dossiê abre nova guerra entre PT e oposição

- Correio: Aparece o dinheiro do PT para comprar dossiê

- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Vestido a caráter!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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PT vai pedir a impugnação da candidatura Alckmin

  Tuca Vieira/Folha Imagem
A divulgação da monturo de notas que seria utilizado por petistas para adquirir um dossiê contra o tucanato envenenou de vez o cenário eleitoral. O PT vai protocolar no TSE neste sábado, véspera da eleição, um pedido de impugnação da candidatura tucana de Geraldo Alckmin.

A representação judicial contra Alckmin foi anunciada na noite desta sexta, em notícia veiculada no sítio do PT na internet. Os advogados do partido argumentarão na ação que o comitê de Alckmin “está usando indevidamente o episódio da suposta compra de um dossiê para prejudicar a candidatura Lula”.

 

Marco Aurélio Garcia (na foto), que assumiu a coordenação da campanha de Lula em substituição a Ricardo Berzoini, afirma que “há fortes indícios” de que o vazamento das fotos do dinheiro apreendido com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro “teria sido comprado”.

 

Ele argumenta que as fotos, feitas na quinta-feira, estavam num inquérito policial que corre sob segredo de Justiça. E a PF havia decidido que não divulgaria as imagens. Uma das versões difundidas nesta sexta foi a de que as fotos estavam num CD que teria sido roubado. “Deve ser um roubo sob remuneração”, disse Marco Aurélio.

 

O PT tentou sustar a divulgação das fotos por meio de uma ação ajuizada no TSE. Mas o tribunal negou o pedido. E as fotos, que circularam durante todo o dia pela Internet, ganharam o noticiário das emissoras de TV. Neste sábado, estão estampadas também nas páginas de jornais e revistas.

 

“Nós não vamos permitir que se repitam situações semelhantes às de 1989, quando se tentou identificar a candidatura Lula e o PT ao seqüestro do empresário Abilio Diniz”, disse Marco Aurélio, ecoando o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que usara o mesmo argumento em entrevista coletiva.

 

“O que está em jogo aqui”, disse ainda Marco Aurélio, “é mais do que um ato criminal, mais do que a violação do segredo de Justiça. É uma tentativa de influenciar o processo eleitoral brasileiro e tentar reverter uma tendência irreversível do presidente Lula ser reeleito no dia 1º de outubro.”

 

Ao optar pelo caminho judicial, o PT repete a estratégia adotada por PSDB e PFL. Em representação acatada pelo TSE, os partidos que dão suporte a Alckmin pediram à Justiça Eleitoral a abertura de uma investigação judicial para apurar os reflexos eleitorais do caso do dossiê. Assim, caso Alckmin venha a passar ao segundo turno da eleição, candidatura também tucana, assim como a de Lula, também ficaria sub-júdice caso o TSE acate a representação do comitê de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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TSE prevê resultado para a madrugada de domingo

TSE prevê resultado para a madrugada de domingo

  Sérgio Lima/F.Imagem
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello informa que, entre 22h e 23h de domingo, a Justiça eleitoral terá totalizado 70% dos votos da eleição deste domingo. Se o resultado estiver apertado, talvez ainda não seja possível saber se o país já terá um presidente eleito ou se a disputa vai para o segundo turno. Em entrevista ao blog, Marco Aurélio prevê que 100% dos votos terão sido apurados na madrugada de domingo. Ele pretende anunciar o resultado oficial na manhã de segunda-feira. Leia abaixo a entrevista:

-Algum imprevisto?

Não, está tudo tranqüilo, correndo como o previsto. Aguardamos apenas a votação e a apuração no domingo.

- Quando o país conhecerá o resultado das eleições presidenciais?

Por volta das 22h, 23h de domingo teremos cerca de 70% dos votos apurados.

- Com 70% já dá para saber o resultado?

Talvez não. Depende muito dos colégios que terão alimentado o sistema de apuração até esse momento.

- Quando teremos 100% dos votos apurados?

Ao longo da madrugada teremos isso, se não houver nenhum incidente.

- A que horas será feita a comunicação oficial?

Será comunicado por mim, já na manhã de segunda-feira, depois que o sítio do TSE já estiver estampando o resultado.

- Não há hipótese de ocorrer no próprio domingo?

Não creio que haja espaço para isso. Isso será à luz do dia, já com o conhecimento pela veiculação via informática. Se a apuração não estiver encerrada, teremos a divulgação parcial, mas não com uma palavra oficial do tribunal.

- A que horas o tribunal começa a divulgar a apuração?

Em relação ao pleito presidencial, só poderemos fazê-lo depois de 19h, horário de Brasília. É quando encerra a votação no Acre e numa parte do Amazonas, que têm fuso diferente. O peso eleitoral desses lugares é pequeno, são 412.840 eleitores, 0,0328% do eleitorado, mas não podemos divulgar antes do encerramento total.

- Acha que a divulgação das notas que seriam usadas para comprar o dossiê terão reflexos eleitorais?

Depende do acesso do eleitorado a esses fatos. Foi veiculado que havia esse dinheiro. Agora surgem as fotografias. É uma incógnita.

- E quanto à investigação aberta pelo TSE no caso do dossiê, acha que tem influência no processo eleitoral?

No campo jurídico, não. No campo da repercussão junto aos eleitores vai depender de cada eleitor.

O sr. vota em Brasília?

Sim. Eu votava no Rio mas transferi o meu título de eleitor para cá. Cortei, até certo ponto, as amarras com o Rio. Só não abandonei o meu Flamengo e a minha praia.

- Como eleitor o sr. acha que seria conveniente que houvesse segundo turno?

Eu penso que, de certa forma... Eu já ia cometendo um ato falho. Olha, vou dizer apenas uma coisa: o seu pensamento é o meu.

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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A pilha de dinheiro que o governo não quer mostrar

A pilha de dinheiro exposta aí do lado foi apreendida pela Polícia Federal no último dia 15 de setembro. Estava com os dois petistas –Valdebran Padilha e Gedimar Passos—presos no Hotel Íbis, em São Paulo, no instante em que transacionavam o dossiê montado para arrastar os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin para o centro do escândalo das sanguessugas.

Contrariando o procedimento habitual da Polícia Federal, a imagem foi sonegada ao distinto público. Nesta sexta, porém, foram divulgadas anonimamente por uma pessoa envolvida na investigação. A PF confirma a autenticidade das imagens. Afirma que constavam de um CD que teria sumido do inquérito policial. Teriam sido feitas ontem, durante perícia realizada no Banco Central e na Caixa Econômica Federal.

Acusado de ter determinado a ocultação do dinheiro, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) negou. Disse que a decisão foi tomada pela própria PF, sem a sua interferência. Porém, ao comentar o episódio na semana passada, o ministro pareceu concordar com a estratégia. Disse que a PF "não irá se subordinar a interesses eleitorais" na apuração do dossiêgate. "É preciso ter calma. Não podemos gerar imagem do dinheiro apreendido apenas porque a oposição assim o quer. O Brasil mudou. Já passou o tempo em que imagens eram jogadas na TV para destruir campanhas."

De fato, o Brasil parece ter mudado. A PF costuma divulgar as imagens de dinheiro e documentos apreendidos em operações do gênero. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 2002, quando a polícia apreendeu dinheiro na sede da empresa Lunus, pertencente ao marido de Roseana Sarney, que teve a candidatura ao Planalto carbonizada à época.

Naquela época, o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. E o maior beneficiário da operação foi o tucano José Serra, que enxergava na ascensão de Roseana uma ameaça à sua candidatura ao Planalto. O mesmo Serra que agora é personagem do dossiê que o PT tentou comprar. A peça de resistência do naco conhecido do dossiê é um DVD com cenas de Serra entregando ambulâncias em Cuiabá na época em que era ministro da Saúde. 

Segundo a PF, quem levou o dinheiro do dossiê até o Hotel Íbis foi Hamilton Lacerda, ex-coordenador de Comunicação da campanha do petista Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. Chegou-se a essa conclusão a partir da análise das imagens do circuito interno de TV do hotel. Inquirido nesta sexta, porém, Hamilton negou que seja ele o homem da mala.

Abespinhado com o vazamento das imagens da dinheirama, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) enxerga digitais tucanas. Ele disse que a divulgação "certamente decorreu de algum tipo de articulação do PSDB com alguém da Polícia Federal que violou as normas processuais." A PF vai apurar o vazamento. O comitê de Lula recorreu ao TSE para tentar impedir a divulgação das fotos. A Justiça Eleitoral, porém, negou o pedido.

Veja outras imagem abaixo. Foram extraídas do sítio VejaOnline:

 

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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Práticas velhas envenenam eleições do Brasil ‘novo’

Nas páginas de “O Brasil Anedótico”, Humberto de Campos diz que, em palestra aos seus ministros, D. Pedro 2º (1825-1892) disse: “As eleições, como elas se fazem no Brasil, são a origem de todos os nossos males políticos.”

 

Em “Os Sertões”, Euclides da Cunha (1868-1909) anotou: “...mazorcas periódicas que a lei marca, denominando-as ‘eleições’, eufemismo que é entre nós o mais vivo traço das ousadias da linguagem”.

 

Pois bem, abaixo seguem cinco episódios que ajudam a demonstrar que o Brasil de 2006 não é assim tão diferente do país submetido aos olhares críticos de D. Pedro e de Euclides da Cunha:

 

1. A procuradoria Regional eleitoral de São Paulo encaminhou à Justiça Eleitoral representações contra dezenas de prefeitos e vereadores. No último dia 13 de setembro, eles compareceram a um ato de apoio à candidatura do tucano José Serra, no clube paulistano Espéria, a bordo de carros oficiais. Algo que é vedado em lei. Anexaram-se aos processos fotos que comprovam a malfeitoria;

 

2. A Polícia Federal cumpre, na tarde desta sexta, mandado de busca e apreensão na clínica SOS Vida, do Rio Grande do Norte. Pertence ao deputado federal Joacy Pascoal, candidato à reeleição. A ação foi determinada pelo juiz eleitoral Magnus Delgado. Apura-se a denúncia de que a clínica foi transformada numa espécie de comitê eleitoral. Eleitores humildes comparecem para realizar consultas médicas e saem do estabelecimento portando santinhos do deputado federal.

 

3. No Ceará, a Polícia Federal investiga um caso de tentativa de compra de voto. Mark Viana, candidato a deputado estadual, realizou ontem uma caminhada pelo Pirambu, a maior favela de Fortaleza. Uma moradora da favela informou à polícia que o comitê do candidato ofereceu R$ 10 a eleitores que se dispusessem a participar do evento. O pagamento seria feito ao final da caminhada. Enviaram-se policiais ao comitê. Flagraram funcionários preenchendo formulários com o número do título de eleitor e o endereço dos moradores. Caberá à delegada Ângela Barros, da PF, decidir se abre ou não inquérito;

 

4. Em Pernambuco, a deputada estadual Malba Lucena, candidata à reeleição, deve ser convocada nos próximos dias para depor na delegacia de Gravatá, município a 85 quilômetros de Recife. Um dos cabos eleitorais da candidata, Paulo Renato Soares, foi preso ontem, em casa, com grande quantidade de alimentos. Seria distribuídos a eleitores. Junto com a comida, a polícia apreendeu cédulas com o nome e o número da candidata Malba Lucena. Inquirido, o cabo eleitoral confessou a ilegalidade. Ouvida pela Folha de Pernambuco, a candidata reconhece os vínculos com o cabo eleitoral. Mas nega a troca de votos por alimentos: “Para mim é surpresa a maneira como ele trabalha. Meu trabalho é diferente disso daí, é com educação, não com comida. E se eu estive em Gravatá foi para fazer comprinhas”.

 

5. Em Alagoas, o corregedor do Tribunal Regional Eleitoral, Leonardo Resende, determinou ao governador do Estado, Luis Abílio (PDT), que se abstenha de participar de inaugurações de obras públicas nesta fase eleitoral. De acordo com notícia veiculada pela Gazeta de Alagoas, o juiz entendeu que, se o governador continuasse a inaugurar obras, beneficiaria indiretamente o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), apoiado por Luis Abílio na campanha para o governo do Estado.

Escrito por Josias de Souza às 14h47

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As manchetes desta sexta

- Folha: Ausente, Lula é alvo de ataques em debate

- Estadão: Oposição acusa governo de montar 'operação abafa'

- Globo: Lula falta a debate e vira alvo de candidatos na TV

- Correio: Debate: noite de malhação a Lula

- Valor: Boa situação de Estados deve reeleger até 17 governadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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'Despertalância!'

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Lula preferiu o monólogo de São Bernardo ao debate

  Tuca Vieira/F.Imagem
Em vez de debate, o monólogo. Em seu último comício, realizado na noite desta quinta em São Bernardo, Lula atacou a imprensa, a “elite preconceituosa” e o antecessor Fernando Henrique Cardoso. Desdenhou do debate que se desenrolava na TV Globo com afagos à platéia:
"Não tem nada mais importante na minha vida, na minha trajetória política, do que fazer o último comício da minha campanha na terra onde eu nasci politicamente, junto com meus companheiros."

 

O presidente repisou ataques que vêm se tornando uma das marcas de sua campanha. Como que interessado em dividir o eleitorado em dois –os ricos, que pendem para Geraldo Alckmin, e os pobres, que adensam o seu cesto de vosto—, Lula disse que "pequena elite preconceituosa deste país" gostaria de "trocar de povo." "Qualquer dia”, afirmou, “eles vão fazer um decreto anulando a parte pobre que vota."

 

Não houve menções a Alckmin na fala de Lula. Preferiu alvejar o antecessor. Disse que Fernando Henrique esperava que ele falhasse no exercício da presidência: "Ele achou que iria voltar como salvador da pátria".

 

Lula dividiu o palanque com petistas cujos nomes evocam as encrencas mencionadas pelos adversários no debate do qual se ausentou: os mensaleiros Professor Luizinho e José Mentor, candidatos à reeleição para a Câmara; e o candidato ao Palácio dos Bandeirantes Aloizio Mercadante, que tem um ex-coordenador de campanha (Hamilton Lacerda) metido no dossiêgate.

 

Em seu discurso, o presidente passou ao largo dos escândalos. Preferiu atacar quem os noticia: a imprensa. "Eu, se puder vou publicar um livro sobre alguns articulistas deste país", disse ele. "No fundo há uma questão de pele em jogo. Não estava escrito que a minha classe podia chegar ao poder." É muito bom que o presidente se disponha a escrever algo, desde que convide um “articulista” para auxiliá-lo.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Ausência de Lula deixou último debate repleto

  Jorge Araújo/F.Iamgem
Pela terceira vez nesta campanha, Lula fugiu ao debate. Em carta à Globo, emissora que promoveu o evento, o presidente alegou que não foi porque vem sofrendo ataques em grau “
virulento e desesperado” de seus adversários. A ausência do presidente deixou o debate repleto.

Repleto de dúvida: “O senhor é candidato sob forte suspeita de uso de recursos públicos e de outros recursos que não se sabe a origem no processo eleitoral. Se for eleito e se comprovam essas suspeitas, renunciaria ao cargo? Diante disso, estamos votando no senhor ou no vice José Alencar?”, perguntou Cristovam Buarque.

 

Repleto de indignação: “Quero repudiar a ausência do presidente Lula. Ele tinha obrigação de descer do seu trono de corrupção, arrogância, e covardia política, para estar aqui, para responder ao povo. Ele não está aqui porque não tem autoridade moral para me enfrentar. Sabe que nasci como ele, de família simples, de Alagoas, nordestina como ele, mas não traí a minha classe de origem”, disse Heloisa Helena.

 

Repleto de tática eleitoral: “O Lula, com sua ausência, mandou um recado aos brasileiros: ‘Não tô interessado na sua opinião, não preciso prestar contas para ninguém. Domingo, mande um recado pra ele. Mude de presidente. Não é possível acharmos que essas malas de dinheiro de corrupção é coisa normal. Não é normal. Não podemos perder nossa capacidade de indignação com o que está errado”, afirmou Geraldo Alckmin.

 

Noves fora o desrespeito ao processo democrático e ao eleitor, a ausência de Lula, embora repleta, talvez não chega impor prejuízos eleitorais ao presidente. Luiz Inácio ‘não vi nadinha’ da Silva vem se mostrando impermeável a denúncias de malfeitorias. Mas o risco sempre existe. É pequeno. Mas só as urnas de domingo dirão se foi correto negligenciá-lo.

 

A evidência mais eloqüente da existência do risco foi o interminável vai-não-vai a que o presidente se permitiu ao longo desta quinta-feira. Chegou a enviar aos estúdios da Globo agentes de segurança para inspecionar o ambiente. Gravou uma mensagem que seria exibida no comício de São Bernardo, justificando sua ausência. À última hora, voltou atrás. Explicou-se à Globo por carta.

 

Para sorte de Lula, seu principal adversário, Geraldo Alckmin, teve atuação apagada. Foi suplantado por Cristovam Buarque. Coube ao candidato do PDT dirigir ao eleitor um recado que soaria mais lógico na boca do presidenciável tucano:

 

“O que vai acontecer se Lula ganhar no primeiro turno? O que vai acontecer se descobrirmos depois que tinha dinheiro de campanha [no dossiêgate]? Outro impeachment? A renúncia dele? A democracia brasileira sobrevive a isso? Ou a gente apura isso nas próximas horas ou, por favor, vamos fazer, em nome da democracia brasileira, um segundo turno, para que o presidente possa debater com qualquer um de nós”.

 

Se tivesse comparecido, Lula decerto estaria submetido a risco zero. Num embate de três contra um, posaria de vítima. Dono de uma língua experimentada em adversidades, ele despejaria diante dos telespectadores o lero-lero de sempre: não vi, não soube, foi feito à minha revelia, é coisa de aloprados.

 

A ausência de riscos ficou evidenciada na falta de debate. O encontro teve regras tão estritas que, exceto pelas poucas provocações de HH a Alckmin, não houve propriamente um confronto. Repetiu-se o mesmo blábláblá que foi exibido à saciedade na propaganda de rádio e televisão.

 

De concreto, restou apenas uma impressão. Ela está boiando até agora nos estúdios da Globo e nos lares daqueles que tiveram a pachorra de se manter diante do vídeo até quase uma hora da madrugada: a impressão de que Lula, depois de quatro anos de mandato, acha que não deve nada aos eleitores. Muito menos explicações. Mas quem se importa? Pouca gente, indicam as pesquisas.

 

PS.: O debate obteve, segundo o Ibope, audiência média de 30 pontos. Cada ponto equivale a 55 mil residências na Grande São Paulo. Ou seja, havia, só ali, 1,65 milhão de domicílios ligados no debate.

Escrito por Josias de Souza às 00h13

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Petistas ‘aloprados’ constrangem Mercadante

A Polícia Federal vai interrogar nesta sexta, dois dias antes das eleições, Hamilton Lacerda e Freud Godoy, dois dos petistas “aloprados” envolvidos no dossiêgate. Hamilton era coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Freud era assessor do gabinete pessoal de Lula. Ambos foram afastados depois de implicados no caso do dossiê.

 

Hamilton tornou-se uma testemunha chave para a elucidação do ministério que envolve a origem do dinheiro que seria usado na compra do dossiê antitucanato: R$ 1,7 milhão. Imagens do Hotel Íbis, onde a PF prendeu Gedimar Passos e Valdebran Padilha, os petistas que transacionavam o dossiê, mostram que o assessor de Mercadante é o homem da mala.

 

A descoberta de que foi Hamilton quem levou o dinheiro aos subterrâneos eleitorais deixa Mercadante em situação constrangedora. Como pode um coordenador de campanha envolver-se numa operação de R$ 1,7 milhão sem comunicar o fato ao candidato?, eis a pergunta que o eleitor deve estar se fazendo.

 

Ouvido nesta quinta, Mercadante disse que o envolvimento de seu ex-auxiliar é “um pesadelo" para a sua campanha. Acrescentou: "Torço para que a PF possa fazer isso [elucidar o caso] antes das eleições, porque isso poderia terminar um pesadelo que existe na minha campanha e na minha vida neste momento."

 

Torce-se para que Hamilton e Freud abram o bico no depoimento desta sexta. Assim como o ex-colaborador de Mercadante, também o ex-assessor de Lula tem muito a dizer. Inquirido pela PF logo depois de ter sido preso, em 15 de setembro, Gedimar Passos disse que partiu dele a ordem para que o pagamento do dossiê fosse realizado.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Dono da Fence é indiciado pela Polícia Federal

Ênio Gomes Fontenelle, dono da empresa Fence, aquela que disse ter detectado grampos em telefones de três ministros do TSE, foi indiciado nesta quinta pela Polícia Federal. Foi acusado de ter feito falsa comunicação de crime.

 

Antes do indiciamento, a PF promoveu uma acareação do dono da Fence com o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho. Durante o tête-à-tête, Fontenelle reconheceu que pode ter cometido um equívoco ao notificar a existência de grampos no tribunal. A PF não descarta a hípótese de má-fé.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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Em nota, PT estimula dúvida sobre debate da Globo

Um despacho divulgado no sítio do PT constitui a principal evidência de que Lula pode mesmo comparecer ao último debate entre os presidenciáveis antes do primeiro turno da eleição. O debate será transmitido na noite desta quinta, pela TV Globo.

O texto do PT traz a agenda de Lula até domingo, dia da eleição. Sobre a programação desta quinta, o partido informou: “Está confirmado o comício final de encerramento da campanha, em São Bernardo do Campo (SP). Além de vários ministros, estarão presentes o vice-presidente, José Alencar, e o candidato a governador de São Paulo, Aloizio Mercadante”.

 

“O presidente Lula”, prossegue o texto, “também estará lá, pessoalmente ou com uma mensagem gravada, que será projetada nos telões montados ao lado do palanque”. A mensagem a que se refere o texto já foi gravada por Lula. Mas, segundo Ricardo amaral, ele decidiu não comparecer ao debate.

 

A idéia de que Lula se dirigisse aos militantes de São Bernardo por meio de um telão foi dada pelo ministro Luiz Marinho (Trabalho), durante reunião no Palácio da Alvorada, na última terça. O encontro fora convocado pelo presidente justamente para discutir sobre a conveniência do seu comparecimento ao debate.

 

Lula manifestou o desejo de comparecer. Mais do que um exercício de vontade pessoal, a presença dele tornara-se uma necessidade. As últimas pesquisas de opinião mostraram que a vantagem de Lula sobre seus adversários, que era de 12 pontos percentuais no início do mês, caiu para cinco pontos. Alguns dos auxiliares do presidente desaconselharam a ida ao debate.

 

De concreto tem-se que, a essa altura, a ausência de Lula pode submetê-lo a riscos maiores do que os que correria se fosse para o confronto direto com os adversários. Para complicar, a audiência da Globo é muito maior do que a da Bandeirantes e a da Gazeta, as duas emissoras que patrocinaram os dois debates já realizados.

 

PS.: No início da noite, a Globo informou oficialmente que Lula não irá mesmo ao debate. 

Escrito por Josias de Souza às 17h22

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Ninguém perguntou ao BC sobre dinheiro do dossiê

Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, recebeu nesta quinta a visita de dois senadores: Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e Heráclito Fortes (PI), que representa o PFL na coordenação de campanha de Geraldo Alckmin. Foram conversar sobre o dossiêgate.

Para surpresa de ambos, Meirelles, um ex-tucano que abandonou o PSDB para integrar-se ao governo Lula, informou que ninguém –nem a Polícia Federal nem o Ministério da Justiça—o procurou para buscar informações sobre o dinheiro que seria usado por petistas “aloprados” na compra do dossiê.

 

O BC empenhou-se em minimizar o aparente desinteresse dos investigadores do caso. Disse, por meio de uma nota, que, recorrendo diretamente às instituições financeiras que realizaram as operações de compra e venda de dólares, a PF teria “acesso a mais informações do que as disponíveis no BC". Explicou que seus arquivos não contém os números de série das cédulas transacionadas.

 

Na véspera, porém, o BC divulgara uma outra nota. Lendo-a, descobre-se que há, sim, nos arquivos da instituição dados que podem ser valiosos para a investigação. “As instituições financeiras autorizadas a operar em câmbio no país registram no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen) a compra e venda de moeda estrangeira em espécie, pelo montante de cada operação, com nome do comprador e vendedor”, anotou o texto.

 

Ora, o que mais interessa à PF nesta fase da investigação são os nomes e os sobrenomes. De duas uma: ou os investigadores estão bebendo de outras fontes, o que dispensaria o recurso ao BC; ou não eles não têm mesmo muita pressa. Tasso e Heráclito deixaram o BC destilando suspeitas contra a polícia. Paulo Lacerda, diretor-geral da PF disse que os dois estão em campanha.

Escrito por Josias de Souza às 16h52

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As manchetes desta quinta

- Folha: Vantagem diminui, mas Lula mantém vitória no 1º turno

- Estadão: A 4 dias da eleição, Lula mantém vitória no 1° turno

- Globo: Justiça quebra sigilo de seis petistas do dossiê

- Correio: Banco terá de dizer quem sacou dólares

- Valor: União perde R$ 814 milhões com a nova redução na TJLP

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Presença indesejada!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Lula quer ‘acordo de procedimentos’ com oposição

  Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Confiante no êxito de sua campanha, Lula traça planos para o dia seguinte à eleição. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), hoje o principal operador político do governo, informou ao blog que o presidente deseja estabelecer “um acordo de procedimentos” com a oposição. Fará um aceno aos adversários “imediatamente depois da eleição”. Uma eleição que, para Tarso, será definida no primeiro turno.

Segundo o ministro, o diálogo será conduzido “pessoalmente pelo presidente”. Lula quer levar à mesa dois temas “prioritários”: a reforma política e a reformulação do processo de elaboração e execução do Orçamento da União. “Temos na esfera da política um bloqueio das relações. E vamos trabalhar para que esse bloqueio seja removido”, disse Tarso Genro.

 

“Se analisarmos o espectro político, vamos verificar que as estruturas de sustentação parlamentar de vários governos, não somente do governo Lula, são as mesmas de sempre. Esse suporte é determinado por interesses regionais, por lideranças oligárquicas”, afirmou o ministro. “Ou o Brasil dá um segundo salto modernizador depois do regime militar ou esse sistema político pode levar a impasses estruturais para o país e a um processo de estagnação política que impedirá o Brasil de avançar.”

 

Por que a oposição, depois do dossiêgate, toparia sentar à mesa com Lula? “É preciso que prevaleça a maturidade”, respondeu Tarso Genro. “Tenho convicção de que, se nos sentarmos em volta de uma mesa para resolver essas duas questões essenciais [reforma política e mudanças no Orçamento] chegaremos a um entendimento.”

 

E quanto aos contenciosos? “Ninguém vai pedir ao outro que retire aquilo que disse ou as iniciativas que tenham sido tomadas”, disse o ministro. “Vamos deixar que os aparatos de Estado operem com tranqüilidade, seja a Justiça, a Controladoria [da União], o Ministério Público ou a Polícia Federal. É possível dialogar deixando que os contenciosos sejam resolvidos dentro da ordem jurídica e política do país. Não é necessário que haja perdão ou pedido de desculpas”.

 

O ministro, que há dois dias enxergara na tática do PSDB e do PFL a tentativa de impor um “golpe branco” contra Lula, agora declara: “É necessário que as pessoas digam: ‘bom, o que aconteceu até agora está sendo apurado, mas nós queremos saber o que vamos fazer sobre o futuro’. Acredito que as principais lideranças dos partidos vão concordar com isso. Alguém quer jogar fora a experiência democrática do Brasil desde 88?”

 

Tarso Genro responde a Tarso Genro: “Quem quer jogar fora é uma minoria insignificante, tanto na ultra-esquerda como na direita conservadora. A maioria quer uma saída dentro da ordem. Não é uma opção. É uma necessidade vital. Não é uma questão ideológica. É um problema de reciclagem e de recomposição da ordem democrática no Brasil”.

 

A proposta de diálogo será feita aos partidos, não a lideranças isoladas, esclareceu o ministro. “O ponto de partida tem que ser os partidos. À medida que se legitimar essa relação, num pacto de conversação inicial, podemos envolver lideranças”. E se pessoas como Tasso Jereissati (PSDB), presidente do PSDB, se recusarem ao diálogo? “Pode acontecer que um determinado partido diga: ‘eu não vou participar desse processo para discutir a reforma política e a questão do Orçamento’. Nesse caso, vai ficar à margem, o que não seria nem antidemocrático nem surpreendente. Esses processos se realizam com uma determinada maioria e não com a unanimidade”.

 

“Num segundo momento”, prosseguiu o ministro, “se os partidos se recusarem, ninguém pode impedir que as lideranças de grandes setores desses mesmos partidos venham a se sentar à mesa para conversar. Seria antidemocrático obstar isso”.

 

A alternativa ao entendimento, na opinião de Tarso Genro, seria o aprofundamento da crise. “Acho que todos os partidos políticos que têm setores sadios têm que conversar para fazer uma reforma política e interferir na questão do Orçamento. Se isso não for feito, podemos saber que no próximo período, seja quem for o presidente da República, ele vai navegar em águas tumultuosas”.

Escrito por Josias de Souza às 23h54

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A grande dúvida nacional: com sal ou sem sal?

Restam quatro dias para as eleições. Lula ainda é favorito à vitória no primeiro turno. Mas, a julgar pelos números do Ibope e do Datafolha, agora praticamente coincidentes, seu favoritismo não é mais acachapante. Em pesquisas divulgadas há pouco, os dois institutos atribuíram a Lula 53% dos votos válidos.

 

A conta exclui os votos brancos e nulos. É como faz o TSE na hora de totalizar o resultado das urnas. Para liquidar a brincadeira no primeiro turno, o candidato precisa obter 50% dos votos mais um. Ou seja, Lula é, por ora, o único que reúne condições de vitória.

 

O presidente já esteve em posição mais confortável. Vem caindo a sua vantagem. No início do mês, informa o Datafolha, Lula abria 12 pontos de dianteira sobre a soma das intenções de voto de todos os demais concorrentes. Agora, sob os efeitos da ação dos petistas “aloprados”, a diferença caiu para cinco pontos.

 

Há uma luz amarela acesa no comitê reeleitoral. O que parecia um passeio à sombra, vai ganhando contornos de travessia sob sol ardente. A tal ponto que, depois de dar de ombros para dois debates televisivos, Lula viu-se compelido a considerar a hipótese de comparecer ao último, marcado para a noite desta quinta, nos estúdios da Globo.

 

Um segundo turno é o melhor que poderia suceder ao Brasil neste momento. O contraditório franco e direto entre Lula e Alckmin, por mais um mês, prestaria uma homenagem à democracia. E daria tempo à Polícia Federal para desmontar o esconde-esconde que retarda a elucidação do caso do dossiê.

 

O raciocínio pode parecer tosco para o eleitor que carrega Lula no andor. Há, porém, mais lucidez na dúvida honesta do que crença dogmática. A dúvida é mãe da reflexão. Da crença não nasce senão o amém. De resto, se o que se deseja é jantar chuchu, melhor que seja com sal.

Escrito por Josias de Souza às 21h24

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Cortina de fumaça esconde o dinheiro do dossiêgate

 

 

Depois de ter informado que os dólares que seriam usados para comprar o dossiê antitucano (US$ 248 mil) vieram de legalmente de Miami, a Polícia Federal diz agora que vai investigar casas de câmbio e doleiros em São Paulo. O objetivo seria descobrir quem sacou e de que corretoras saíram os dólares.

 

A PF também informa, veja você, que trabalha com a hipótese de que o sacador tenha sido um “laranja”, como costumam ser designadas as pessoas humildes que, em troca de vantagens financeiras, emprestam o seu nome para a prática de operações financeiras escusas.

 

Esse tipo de informação, serve apenas para tonificar a impressão de que o governo ergue uma cortina de fumaça em torno do dossiêgate, para impedir que os nomes dos sacadores venham à luz antes das eleições de domingo. Ora, depois de ter difundido a impressão de que os dólares tinham cruzado as fronteiras ilegalmente, a PF agora diz o contrário. Se é assim:

 

1. operações legais só podem ser feitas com registro formal no Banco Central. Sabendo-se o banco de origem conhece-se também o logotipo da instituição financeira de destino. Uma informação que, aliás, já é do conhecimento da PF;

 

2. todo comprador de dólares deixa na casa bancária em que a operação é realizada nome e sobrenome. Conhecendo-se a numeração das notas, como é o caso, não é difícil saber quem as adquiriu;

 

3. os dólares podem ter sido repassados no Brasil a outras instituições bancárias. Mas, de novo, a operação não escapa ao controle do BC. Sabe-se exatamente para onde foi o dinheiro. Uma simples consulta ao banco de dados do Banco Central dispensaria a PF de ter de perambular pelas casas de câmbio paulistas.

 

E quanto aos reais apreendidos com os petistas “aloprados” (R$ 1,168 milhão)? Bem, a PF acredita que será ainda mais difícil chegar aos nomes das pessoas que sacaram essa grana. Não é coisa que possa ser descoberta antes das eleições.

 

O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito, diz ter requisitado o auxílio do Coaf, o órgão do Ministério da Fazenda que monitora movimentações bancárias atípicas. Quando o ministro era Antonio Palocci e interessava saber quanto passara pelas contas de um caseiro, houve celeridade inaudita. Mas agora...

Escrito por Josias de Souza às 18h11

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‘Como se faz uma quadrilha’

O comitê reeleitoral de Lula considerou ofensivo um artigo de Clovis Rossi com o título acima. Foi publicado na Folha de 22 de setembro. Abespinhada, a coligação lulista pediu à Justiça Eleitoral que lhe assegurasse o direito de resposta.

 

O caso foi a julgamento no plenário do TSE. Por quatro votos a dois, os ministros deram ganho de causa ao comitê de Lula. Consideraram que o texto de Rossi, de fato, ofendera Lula e seu partido. E determinaram a veiculação de resposta no mesmo espaço do jornal. Cabe recurso.

 

O signatário do blog acha que, à luz das perversões que vêm marcando a era Lula, o companheiro Rossi foi até condescendente com o petismo. Para que os 22 leitores deste recanto virtual possam tirar as suas próprias conclusões, republica-se abaixo o texto que ensejou a polêmica. Aí vai:

 

Oded Grajew, empresário que foi dos primeiros da espécie a aderir ao lulo-petismo, bem antes do poder, matou faz tempo a charada do apodrecimento do PT e, com ele, do governo Lula. Em depoimento para livro de duas jornalistas inglesas sobre a crise petista (a primeira), Oded lamentou que, para a cúpula partidária e para o pessoal do aparato burocrático, a política tenha se tornado 'maneira de ganhar a vida'.

 

Completou: 'Alcançar o poder se converte no mais importante, e, para isso, as pessoas estão dispostas a fazer concessões éticas. Em outras palavras, se desejo estar no poder, necessito dinheiro, e, se não posso conseguir os fundos legalmente, então o farei ilegalmente'.

 

Outro 'lulista', aliás o novo coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, por sua vez, queixou-se, no mesmo livro, de que trabalhou de graça como secretário de Relações Internacionais do PT durante dez anos, ao passo que 'um membro de uma tendência de esquerda [do PT] ganhava R$ 7,2 mil por mês', mais do que Garcia como assessor para assuntos internacionais de Lula.

 

São essas 'boquinhas' que fazem compradores de dossiê ou praticantes de outras delinqüências. Freud Godoy, mero segurança, usou o PT (e o governo Lula) como meio de alpinismo social, a ponto de morar em um apartamento de R$ 500 mil. Valdebran Carlos Padilha da Silva, por sua vez, mora em um condomínio de luxo em Cuiabá. José Lorenzetti, enfermeiro, virou diretor de banco federal.

 

Para manter as 'boquinhas', é lógico que fariam de tudo. Assim como as pessoas que assessoram, todas com cargos eletivos. Para manter o poder, fazem o diabo, contando com o acobertamento do chefe, que, mesmo quando os demite, acaricia-os depois. Foi essa cultura que gerou a 'quadrilha' antigamente chamada de Partido dos Trabalhadores”.

 

É ou não é uma avaliação branda?

Escrito por Josias de Souza às 15h55

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Por trás do choque de gestão

Um dos bordões da campanha presidencial do tucanato apregoa a necessidade de aplicar no governo federal o mesmo “choque de gestão” que Geraldo Alckmin deu no governo paulista. Herdeiro do choque de Alckmin, o atual governador, Cláudio Lembo (PFL), anda chocado. Leia abaixo três notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

Choque tucano- O "choque de gestão" de Geraldo Alckmin em São Paulo deixou, só até setembro, um rombo de R$ 1,2 bilhão nas contas do Estado. O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, confirma a informação. Há três meses, ele enviou ofício a todos os secretários proibindo novos investimentos e determinando "redobrada atenção do governo" e "rigorosa austeridade nos gastos públicos". Houve também "diminuição no ritmo de velocidade das obras", diz Fernando Braga, ex-assessor especial de Alckmin e hoje secretário de Planejamento.

Choque tucano 2- Só a suspensão de novos gastos não será suficiente para enquadrar as contas paulistas na Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo está atrás de novas receitas. Espera que nesta semana seja aprovada a lei que dá descontos de até 100% nas multas e 50% nos juros para devedores de ICMS que saldarem seus débitos já. Com isso, espera arrecadar R$ 700 milhões, diz Braga, do Planejamento. O que falta para cobrir o rombo deverá vir de uma "blitz gigante" sobre os 50 mil maiores devedores de IPVA do Estado.

Déficit zero- Lembo brinca: diz que não corre o risco de ser preso, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal. "Vamos zerar as contas. Além disso, tenho mais de 70 anos, a pena é menor."

PS.: instado a comentar o assunto, Geraldo alckmin disse que não deixou nenhum "rombo" no governo de São Paulo. Afirmou que as providências adotadas pela gestão Lembo são "ajustes naturais" que ocorrem todo final de ano.

PS 2: Fernando Carvalho Braga, secretário de Planejamento de São Paulo também se manifestou sobre o assunto. Divulgou o comunicado que segue reproduzido abaixo:

 

1 - A nota não condiz com a verdade. A administração Geraldo Alckmin não deixou nenhum "rombo" nas contas do Estado como consta da nota. Ao contrário, o então governador Alckmin assinou, em 16/03/06, um decreto de
contingenciamento no valor de R$ 1,5 bilhão.

2 - Em São Paulo, a arrecadação e os gastos são acompanhados on-line. Adequar os investimentos à mesma velocidade das receitas significa controle do orçamento. Essa é a prática cotidiana da administração
pública paulista desde 1995.

3 - O envio de ofício a todos os secretários mostra responsabilidade do governo, e não, como quer mostrar a nota, total descontrole. O pedido foi de economia, uma ação normal em um país que não aproveita a onda do
crescimento mundial.

4 - Desde 1995, esse governo age de forma "rigorosa e austera nos gastos públicos". Em nenhum momento deixamos de preservar e respeitar o dinheiro do contribuinte. O governo será entregue à administração futura com todas as contas zeradas dentro de um rigoroso cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

5 - Os orçamentos públicos são confeccionados estimando receitas e fixando despesas, sendo encaminhados ao Poder Legislativo para efeito de sua discussão e aprovação com anterioridade ao exercício fiscal a que se
referem. O orçamento estadual sempre é feito no 9º mês do ano (setembro), e é executado no decorrer do ano seguinte. Baseia-se em premissas que dependem da política econômica, de responsabilidade do governo federal,
tais como a evolução do PIB e o câmbio. Como conseqüência, o baixo crescimento da economia brasileira e a queda da moeda americana podem criar uma frustração na arrecadação, como de fato ocorreu ao longo do ano
em curso.

Fernando Carvalho Braga
Secretário Estadual de Economia e Planejamento

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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Dúvida cruel: o roto ou o esfarrapado?

 

Não deixe de clicar o "play" e de visitar o sítio charges.com.

Escrito por Josias de Souza às 07h30

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As manchetes desta quarta

- Folha: Dólares do dossiê vieram de Miami legalmente, diz PF

- Estadão: PF já sabe tudo sobre os dólares do PT, e não conta

- Globo: Justiça decreta prisão de envolvidos com dossiê

- Correio: PF consegue rastrear dólares para dossiê

- Valor: Cofins abarrota tribunais e ações atingem R$ 35 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Partido Santificado Do Brasil!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Debate expõe ‘aliança’ entre Mercadante e Quércia

  Flávio Florido/F.Imagem
O manto diáfano que esconde a “aliança branca” entre Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PMDB) contra José Serra (PSDB) foi rasgado na noite passada, em debate promovido pela TV Globo. Mercadante e Quércia fizeram tabelinha, para pôr Serra na roda. Recorreram, sobretudo, à principal fragilidade do tucanato em São Paulo: a área da segurança pública.

 

Antecipando-se a uma encrenca que fatalmente seria usada contra ele, Mercadante tomou a iniciativa de falar sobre o dossiêgate. Considerou "inconcebível" que petistas tenham se envolvido na "ação clandestina" de compra de um dossiê contra o tucanato. Disse que, para ele, foi ainda "mais grave e mais doloroso" o envolvimento no episódio de seu coordenador de campanha, Hamilton Lacerda.

 

A iniciativa de Mercadante esvaziou o debate em torno do dossiê, que se prenunciava como um dos temas polêmicos do encontro. Os demais candidatos, incluindo Serra, ignoraram passaram ao largo do assunto. E a dobradinha Quércia-Mercadante acabou se tornando a principal atração do debate (leia).

 

A julgar pelas pesquisas de opinião, são remotas as chances de vitória de Mercadante em São Paulo. A confiar-se nas mesmas pesquisas, são grandes as chances de triunfo de Lula na disputa presidencial. Assim, só restará um guichê para que Quércia apresente sua fatura pós-eleitoral. Essa parceria ainda vai custar caro ao governo federal.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Dólares do dossiêgate têm origem legal, diz PF

A notícia está publicada na Folha (para assinantes):

 

Os US$ 248,8 mil que seriam utilizados para pagar um dossiê contra políticos tucanos e acabaram apreendidos pela Polícia Federal chegaram ao Brasil por meio de uma operação entre um banco em Miami e uma financeira em São Paulo. A operação foi sido legal, diz a PF.


A informação foi repassada à PF pelo DHS (departamento de defesa interno do governo americano). Os documentos oficiais, ainda a caminho, vão embasar um pedido de quebra de sigilo bancário por meio do qual a financeira instalada em São Paulo deverá informar qual o destino seguinte do dinheiro.

Isso porque é possível que os dólares tenham passado por mais de uma operação até chegar a Gedimar Passos, o emissário petista designado para pagar pelo dossiê a Valdebran Padilha, representante dos empresários Darci e Luiz Antonio Vedoin. Valdebran e Gedimar foram detidos pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, no dia 15 deste mês, quando negociavam a venda do dossiê.

Para a PF, uma das hipóteses mais prováveis é que o dinheiro circulava em uma rede paralela de arrecadação destinada a campanhas. Graças ao despreparo de petistas, que se envolveram com uma família processada judicialmente por práticas de crimes, a operação se tornou pública e alvo de inquérito.

Do total apreendido, R$ 1,168 milhão estava em reais e o restante, em moeda americana. As notas de dólares eram seriadas e envoltas em cintas da BEP (equivalente à Casa da Moeda dos EUA). A partir desse dado, a PF havia solicitado ao governo americano, na semana passada, que rastreasse o caminho percorrido pelo dinheiro.

Se, por um lado, a PF diz estar prestes a descobrir a origem dos dólares, por outro, considera não ser fácil chegar às contas das quais os reais foram sacados -informação que só deve ser confirmada após a eleição.

A Polícia Federal só tem pistas sobre a parcela em reais referente a R$ 25 mil. Desse montante, R$ 5.000 vêm de uma agência do Safra, outros R$ 5.000 da agência Lapa do BankBoston e outros R$ 15 mil do Bradesco na Barra Funda -bancos que não participaram da operação internacional.

Apesar de também terem cintas com identificações das agências, isso não significa que os saques tenham sido realizados nesses locais. Se um cliente precisa fazer um saque de alto valor e sua agência não dispõe da quantia, a central de distribuição da instituição recolhe dinheiro em agências da região.

Assim, a PF pediu a quebra do sigilo bancário das agências para tentar chegar a eventuais correntistas considerados suspeitos. Para facilitar o rastreamento, o delegado Diógenes Curado Filho, da Superintendência da PF em Mato Grosso, requisitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) os saques considerados suspeitos acima de R$ 10 mil e os com valor superior a R$ 100 mil nos três bancos.

O Coaf divulgou anteontem não ter encontrado registros de comunicações de operações relacionadas aos envolvidos na negociação para a compra do dossiê. A PF pediu ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pelo menos cinco envolvidos na negociação do dossiê”.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Justiça manda prender os ‘aloprados’ do dossiê

 

 

A Justiça Federal de Matro Grosso decretou a prisão de seis petistas envolvidos no dossiêgate. A lista de candidatos à garra inclui os seguintes ‘aloprados’: Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Expedito Veloso, Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti e Freud Godoy.

 

Em função de restrições impostas pelo Código Eleitoral, que restringe aos casos de flagrante as prisões efetuadas cinco dias antes das eleições, a Polícia Federal não pôde cumprir os mandados. Só poderá fazê-lo no início da próxima semana. Isso até lá os advogados dos envolvidos não tiverem derrubado na Justiça a decisão anunciada nesta terça-feira.

 

A notícia sobre a ordem do juiz veio a público envolta num mistério. Imaginou-se que as prisões haviam sido solicitadas pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar. Porém, ouvido pelo blog por volta das 22h, Mário Lúcio negou que tenha partido dele o pedido.

 

Tampouco a PF solicitou que os suspeitos fossem recolhidos à cadeia. Seja como for, a ordem expedida pela Justiça mato-grossense impõe mais um constrangimento ao Palácio do Planalto. Sobretudo por conta da inclusão de Freud Godoy no rol de candidatos à cana. Lula e seus auxiliares mais próximos têm se esforçado nos últimos dias para difundir a tese de que Godoy não tem nada a ver com a encrenca do dossiê.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Genro acusa oposição de tentar ‘golpe branco’

  Eduardo Knapp/F.Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que a oposição está tramando um “golpe branco” contra o segundo mandato de Lula. Referia-se aos planos de PSDB e PFL de buscar a impugnação judicial da candidatura reeleitoral caso Lula prevaleça sobre o tucano Geraldo Alckmin nas urnas do próximo domingo.

 

Para o ministro, a tática “golpista” ressalta do esforço empreendido pela oposição para vincular Lula ao dossiêgate. "Se isso permanecer enquanto houver o jogo eleitoral, é normal. Se for levado a sério, será o mais elementar golpismo de terceira categoria. Quem levanta isso declara que já perdeu a eleição e tenta um golpe branco. Espero que tudo esteja sendo usado como jogo eleitoreiro", disse.

Genro adota timbre mais ameno ao referir-se ao TSE. Na semana passada, o tribunal abriu, a pedido do PSDB e do PFL, uma investigação judicial para apurar eventuais reflexos do caso do dossiê no processo eleitoral. A Justiça Eleitoral, disse o ministro, apenas “cumpre suas funções legais."

 

É justamente essa apuração do TSE que pode, a depender do seu resultado final, produzir dificuldades jurídicas para Lula caso venha a ser reeleito. O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello deixou isso claro em entrevista ao blog dias atrás.

 

Tarso Genro desdenha da hipótese de questionamento futuro de um eventual segundo mandato de Lula: “Isso é inviável juridicamente e inaceitável do ponto de vista democrático". As declarações do ministro surgem num instante em que o TSE enviou a Lula e aos demais investigados notificações para que apresentem as suas defesas.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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PF não encontra grampos em telefones do TSE

A Polícia Federal, veja você, não encontrou nenhum vestígio da existência de grampo telefônico nas linhas que servem aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Há duas semanas, o tribunal informara, com estardalhaço, que a empresa de segurança Fence detectara três escutas ilegais. Estariam sob bisbilhotagem os ministro Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso, além de uma linha de fax do gabinete do ministro Marcelo Ribeiro.

 

A PF varreu os prédios do TSE e, já que estava com a mão na massa, também o do Supremo Tribunal Federal. Nada de grampo. Trabalha-se com duas hipóteses: 1) a Fence, para valorizar o seu passe, inventou um fantasma inexistente; 2) ao alardear a “descoberta” antes de informá-la à PF, o TSE permitiu que os xeretas desativassem as escutas. A checagem da polícia foi feita cinco dias depois de a notícia ter ganhado a internet, a televisão e as páginas dos jornais.

 

A hipótese número dois não premia a inteligência das pessoas que lidaram com a encrenca no TSE. Mas o signatário do blog torce para que ela prevaleça sobre a alternativa de número um. Do contrário, terá sido vendida ao país uma grossa mentira. Ou, por outra, uma verdade que esqueceu de acontecer.

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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PF decide investigar empresário ligado ao tucanato

A Polícia Federal abriu nesta terça-feira, em Cuiabá, inquérito para apurar o suposto envolvimento do empresário Abel Pereira no dossiêgate. Pretende-se investigar também as suspeitas de que Pereira teria intermediado a liberação de verbas do Ministério da Saúde durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

O novo inquérito será conduzido pelo mesmo delegado que cuida do dossiêgate, Diógenes Curado Filho. O ponto de partida da investigação é uma representação protocolada no Ministério Público por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias.

No documento, ele diz ter efetuado pagamentos para Abel Pereira, em troca de desembolsos da pasta da Saúde. Vedoin sustenta na representação que Abel Pereira negociava com ele em nome de Barjas Negri, que tornou-se ministro da Saúde depois que José Serra deixou a pasta para disputar a presidência da República. Hoje, Barjas é prefeito de Piracicaba. Ele nega as acusações de Luiz Vedoin. Diz que Abel Pereira não tinha autorização para falar em seu nome no ministério. O empresário, por sua vez, afirma que não tinha acesso à pasta.

A PF irá investigar ainda a suspeita de que Abel Pereira teria tentado adquirir o dossiê montado por Luiz Vedoin antes do PT. A escuta telefônica instalada no celular de Vedoin revela que Abel discou para o dono do Planam no último dia dia 14 de setembro, véspera da sexta-feira em que a PF prendeu, em São Paulo, dois petistas com R$ 1,7 milhão. Ouvindo-se o grampo, percebe-se que Vedoin não atendeu aos telefonemas de Abel.

O empresário ligado ao tucanato foi mencionado também em depoimentos prestados à PF e ao Ministério Público por três petistas encrencados no caso da compra de dossiê: Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas e Expedido Veloso. Os três disseram que Abel Pereira esteve em Cuiabá para tentar adquirir o dossiê. Sustentaram que o birô de espionagem do comitê reeleitoral de Lula dispõe de fotos que comprovariam a movimentação do empresário.

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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De Marco Aurélio para Marco Aurélio

 

Marco Aurélio Garcia, o novo coordenador nacional do comitê de Lula, reúne-se nesta terça com o xará Marco Aurélio Mello, presidente do TSE. Os dois andaram trocando dardos verbais na semana passada. Mello dissera que o dossiêgate é pior do que o watergate. E Garcia, que acabara de substituir a Ricardo ‘Aloprado’ Berzoini na coordenação da campanha, considerara a declaração descabida.

 

Garcia vai a Mello em missão de paz. Não bastasse a investigação judicial aberta pelo TSE para apurar eventuais implicações do dossiêgate no processo eleitoral, o comitê de Lula vê-se às voltas com o risco de perder nacos de sua propagada televisiva na reta final da campanha. Não é hora, portanto, de alimentar rusgas desnecessárias.

 

De todo o episódio, chama a atenção uma nota levada ao sítio do PT nesta terça. Informa acerca do encontro dos dois Aurélios. E, ao final, traz uma explicação tão curta quanto didática do que foi o Watergate nos EUA. Anota o seguinte:

 

“Watergate é como ficou conhecido o escândalo que culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, em 1974. Durante a campanha à reeleição, um grupo de policiais arrombou o comitê de campanha de seus adversário, o Partido Democrata, que ficava no Hotel Watergate, em Washington. Nixon foi reeleito, mas renunciou em seu segundo mandato por causa do escândalo”.

 

É, pois é!

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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Samba da pesquisa doida

Se você estava em dúvida entre o Ibope e o Datafolha, agora já tem à sua disposição o Sensus, visto pelo mercado como uma espécie de Heloisa Helena entre os institutos. A última sondagem do Sensus, divulgada nesta terça, informa que Lula está com 51,4% das intenções de voto, contra 27,5% atribuídos a Geraldo Alckmin.

 

São números diferentes dos que foram coletados pelo Datafolha (49% X 31%) e muito diferentes dos informados pelo Ibope (47% X 33%). Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas na sexta-feira. Os do Ibope, de quarta a sexta. E os do Sensus, de sexta a domingo. Há pelo menos um ponto de contato entre as três pesquisas: a sexta-feira.

 

Levando-se em conta que o eleitorado cujos humores se tenta medir é rigorosamente o mesmo, pode-se concluir: tem instituto que vai sair dessa eleição com a credibilidade carbonizada. A margem de erro dessa conclusão é zero. Logo mais teremos novas pesquisas. Essa disputa está bem mais interessante do que a briga entre os presidenciáveis. A propósito, Geraldo Alckmin considerou o resultado da pesquisa Sensus “um escândalo”.

Escrito por Josias de Souza às 13h32

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As manchtes desta terça

 

- Folha: Procurador denuncia ex-ministro de Lula

 

- Estadão: Lula culpa Berzoini e 'aloprados' por dossiê

 

- Globo: Dossiê: PF não saberá origem do dinheiro antes das eleições

 

- Correio: Lula, Berzoini e os petistas aloprados

 

- Valor: Investimentos na Bolívia caem 65% em ameaçam gás

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h18

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Entre o povo e o polvo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h04

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Oposição vai ao TSE contra ‘uso eleitoral’ do BB

  Alan Marques/Folha Imagem
Os presidentes do PSDB e do PFL, os dois partidos que dão suporte à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin, irão protocolar nesta terça-feira uma nova representação contra o governo Lula. Dessa vez, pedirão ao tribunal que investigue a suspeita de uso eleitoral da estrutura do Banco do Brasil.

 

O pedido se baseia na atuação do petista Expedito Veloso. Ele chefiava, até a semana passada, a diretoria de Análise de Riscos do Banco do Brasil. Licenciara-se do cargo para trabalhar no comitê reeleitoral de Lula. Foi afastado do BB depois que se descobriu que está envolvido no dossiêgate.

 

Veloso teve contato pessoal com Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Foi pilhado também num grampo da PF. Captaram-se os diálogos que manteve com Vedoin acerca do dossiê montado para arrastar os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin para o centro do escândalo da máfia da venda superfaturada de ambulâncias.

 

Os senadores Jorge Bornhausen (SC) e Tasso Jereissati (CE), respectivamente presidentes do PFL e do PSDB, reuniram-se com os advogados das duas legendas nesta segunda-feira. Acertaram os detalhes da representação. Nesta terça, os dois terão nova reunião, para a análise do texto da representação. Pretendem protocolar a nova ação às 18h.

 

Há cerca de 15 dias, Bornhausen e Jereissati já haviam ingressado no TSE com uma representação pedindo a intervenção da Justiça Eleitoral no dossiêgate. O tribunal acatou o pedido. Abriu uma investigação judicial para apurar as implicações eleitorais do caso.

 

Em entrevista publicada aqui no blog, o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, informou que, dependendo do desfecho da apuração, Lula poderá ter sérios problemas caso venha a ser reeleito. Nesta terça, o presidente da República foi notificado pelo TSE.

 

Interrogado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público na última sexta-feira, Expedito Veloso, o personagem central da nova representação do PSDB e do PFL, reconheceu que vinha prestando serviços ao birô de espionagem montado no comitê de Lula. Admitiu também que entabulara tratativas com Luiz Vedoin para obter o dossiê contra o tucanato. E foi ao ataque.

 

Conforme noticiado aqui no blog, Veloso declarou em seu depoimento que o PSDB tentara adquirir o dossiê de Vedoin antes do PT. Disse que o tucanato dispusera-se a pagar R$ 10 milhões pelo material. Segundo ele, o negociador dos adversários era Abel Pereira, um empreiteiro vinculado a Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba. Negri foi secretário-executivo do Ministério da saúde na gestão de José Serra. Assumiu a pasta em 2002, quando Serra desvinculou-se do governo FHC para concorrer à presidência da República.

 

Para atestar o envolvimento de Abel Pereira com Luiz Vedoin, Veloso disse em seu depoimento que o empreiteiro beneficiara-se de repasses financeiros do chefão da máfia das ambulâncias. Entregou delegado Diógenes Curado Filho, que preside o inquérito do dossiêgate, comprovantes bancários que comprovariam os repasses. A PF passou a suspeitar que Veloso tenha utilizado o seu cargo no BB para bisbilhotar contas alheias. É um dos pontos que os partidos de oposição desejam ver esclarecidos.

 

Na reunião que terão nesta terça, Bornhausen e Jereissati analisarão também com os advogados a hipótese de ajuizar no Supremo Tribunal Federal uma interpelação ao ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça). Suspeitam que a PF, subordinada a Bastos, já tenha detectado a origem do dinheiro que os arapongas petistas usariam para comprar o dossiê (R$ 1,7 milhão). Querem que o Supremo obrigue o ministro a revelar a informação.

 

Bastos tem dito que o tempo da investigação não pode ser atropelado pela ansiedade do calendário eleitoral. Afirma que os resultados do inquérito serão tornados públicos tão logo a investigação tenha chegado a conclusões peremptórias.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Deus e o Diabo na terra da desfaçatez

“O senhor acredita em Deus?” Era 1985. Candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso gelou diante da pergunta de Boris Casoy, pespegada à queima roupa num debate televisivo. "É...bem...na medida em que a gente respeita todas as religiões, abre espaço pra crença, né?... O senhor prometeu que não ia fazer essa pergunta!" Jânio Quadros, ausente, levaria a cadeira de prefeito.

Dias antes do debate, FHC fora almoçar na Folha, onde Boris trabalhava na época. Durante o repasto, um outro jornalista fizera a mesma pergunta. “Cada um acredita no que lhe convém”, respondera o tucano incréu. Acrescentara que estaria “perdido” se alguém lhe fizesse aquela pergunta num debate. Boris perguntou. E FHC, de fato, se perdeu.

 

Eleito presidente, em 1994, FHC parece ter aceitado Deus. Aceitou também o PFL, o PMDB e todo um centrão diabólico. Deu no que deu. Nesta segunda, mercê da intimidade que desenvolveu com as esferas celeste e subterrânea, o ex-presidente sentiu-se à vontade para dizer que Lula errou ao comparar-se a Jesus Cristo, num comício realizado domingo, em Sorocaba. Disse que seu sucessor é a própria encarnação do “demônio”.

"O presidente da República 'modestamente' se comparou a Cristo. Ele errou porque Cristo nunca foi beijar Judas. Nunca foi chamar Judas de companheiro (...) Ele não é Cristo, não, é o demônio e nós temos que expulsá-lo daqui", disse FHC, discursando num ato de apoio às candidaturas de Geraldo Alckmin (presidência) e José Serra (governo paulista).

Alckmin não chegou a comparar o adversário ao Tinhoso, mas passou perto: "Ele é o Judas dessa história porque traiu o povo brasileiro. Teve o desplante de, além de ofender o cristianismo, ofender a nossa história, quando se compara a Tiradentes. Tiradentes morreu porque não traiu e porque não mentiu", disse, referindo-se a uma outra citação feita por Lula no comício de domingo.

O signatário do blog acha que Deus pode até existir, mas está claro que Ele está desiludido com a política brasileira. Foi cuidar de outras coisas. Sorte Dele. Se estivesse acompanhando a campanha deste ano da graça de 2006, o Todo-poderoso talvez concluísse que tornou-se difícil acreditar em qualquer coisa. E poderia desejar não existir.

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Ministério Público quer novo depoimento de Freud

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Num instante em que a Polícia Federal tende a inocentar Freud Godoy (à direita do presidente na foto), o Ministério Público Federal decidiu convocar o ex-assessor do gabinete pessoal de Lula para um novo interrogatório. O procurador Mario Lucio Avelar, que acompanha a apuração do dossiêgate, revelou a um amigo que deseja interrogar novamente também o petista Gedimar Passos, preso em São Paulo no dia 15 de setembro com o dinheiro que seria usado para comprar o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin (R$ 1,7 milhão).

 

O primeiro depoimento de Gedimar é visto pelo Ministério Público como o mais valioso de todo o inquérito. Ele foi ouvido pela PF no mesmo dia da prisão. Não havia conversado com os demais suspeitos. Não teve, portanto, a oportunidade de combinar versões. No calor da detenção, revelou que estava a serviço do PT. Disse que fora contratado pela Executiva Nacional do partido para checar a consistência do dossiê e fechar a transação. Informou que recebera de Freud Godoy a ordem para efetuar o pagamento.

 

Ouvido pela PF quatro dias depois, Freud negou a acusação. Reconheceu apenas que conhecia Gedimar. Mas sustentou que jamais tratara com ele de nenhum assunto relacionado à compra de dossiê. Na seqüência, foram inquiridos outros três petistas envolvidos no caso: Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de Lula e ex-chefe do birô de espionagem do comitê de campanha do presidente; Oswaldo Bargas, amigo de Lula e responsável pelo capítulo trabalhista de seu programa de governo; e Expedito Veloso, que se licenciara da diretoria de Análise de Riscos do Banco do Brasil para dedicar-se à campanha de Lula.

 

Os três empenharam-se em afastar a encrenca das cercanias do Palácio do Planalto, isentando Freud Godoy de responsabilidade no caso. Disseram também que nem Ricardo Berzoini, presidente do PT e ex-coordenador de campanha de Lula, nem o presidente da República estavam informados acerca das negociações para a obtenção do dossiê montado por Darci e Luiz Antonio Vedoin, os sócios da Planam e chefões da máfia das sanguessugas.

 

Antes mesmo desses três depoimentos, a PF vazara para a imprensa a informação de que Freud Godoy deveria ser inocentado. Porém, o procurador Mario Lúcio Avelar acha que é cedo para tirar esse tipo de conclusão. Avalia que os testemunhos de Lorenzetti, Bargas e Veloso são de pouca valia para a elucidação do inquérito. Acha que os três, diferentemente do que ocorrera com Gedimar Passos, combinaram a versão que contariam à polícia.    

 

A suspeita de que houve combinação leva o procurador a desdenhar também das afirmações de Lorenzetti, Bargas e Veloso de que negociaram a obtenção do dossiê com Luiz Vedoin sem jamais tratar com ele de pagamento em dinheiro. Disseram-se surpresos, estarrecidos, estupefatos com a descoberta de que Gedimar portava R$ 1,7 milhão em notas de real e de dólar no instante em que foi detido.

 

Daí o desejo de Mario Lucio Avelar de reinquirir Gedimar Passos. A prevalecer a versão dos três, ele seria o único responsável pela obtenção do dinheiro, embora ostentasse na equipe de “inteligência” do comitê de Lula uma posição subalterna em relação aos demais. Espera-se que, tendo sido jogado às feras por seus superiores, Gedimar se anime a contar detalhes que não revelou em seu primeiro depoimento.

O Ministério Público considera inverossímil, de resto, a versão de que Ricardo Berzoini não soubesse da tentativa de compra do dossiê. Parte-se do pressuposto de que a soma de R$ 1,7 milhão não seria recolhida sem que houvesse uma ordem superior. Por isso, o presidente do PT também será interrogado. Sua convocação será, porém, retardada para o final. Será intimado por último.

PS.: Em Mato Grosso, a Justiça Federal determinou à Polícia Federal que entregue ao Tribunal Superior Eleitoral as peças do inquérito do dossiêgate. O TSE requisitará a documentação na semana passada, depois de abrir uma investigação para apurar eventuais reflexos do caso no processo eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 17h19

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Dossiêgate ultrapassa as fronteiras da $anidade

Todo ser humano traz enterrado dentro de si um louco. Apenas se convencionou chamar de sensatos os malucos cuja loucura coincide com a da maioria. Mas há método na loucura. Ainda não se conhece louco capaz de tocar fogo em dinheiro.

Deve-se aos repórteres Mauro Zanatta e Cristiano Romero a revelação de que o escândalo do dossiêgate está na bica de ultrapassar a última fronteira da insanidade. Em texto publicado no jornal Valor (assinantes) eles informam que a Polícia Federal já descobriu a origem do dinheiro que seria usado por petistas para comprar um dossiê contra José Serra e Geraldo Alckmin. Teria vindo de empresários. Jogaram na fogueira, veja você, R$ 1,7 milhão. Leia a reportagem abaixo. E, se quiser, acredite na versão que está sendo montada:

A Polícia Federal deve tornar pública, entre hoje e amanhã, a origem dos R$ 1,7 milhão que seriam usados por petistas para comprar dossiê contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. Um assessor informou ontem que os policiais já teriam descoberto que a origem dos recursos é "legal", embora o seu uso possa ser considerado "imoral".

O dinheiro teria sido oferecido a integrantes da campanha do PT por empresários, cujo objetivo, de acordo com essa fonte, era se aproximar dos operadores do partido na reta final da campanha eleitoral - o objetivo do dossiê, montado pelos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, da máfia dos sanguessugas, era atingir a imagem de Serra, beneficiando o candidato do PT ao governo paulista, Aloízio Mercadante, além de desgastar Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência.

Uma fonte do governo assegurou que, além do caminho do dinheiro, a PF deve divulgar os nomes dos empresários que fizeram a "doação" dos recursos. O dinheiro apreendido - 1,168 milhão em reais e 248,8 mil em dólares americanos - durante a prisão do petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, ambos ligados à campanha do presidente Lula à reeleição, foi sacado em três agências do Bradesco e uma do BankBoston.

No caso dos dólares, apreendidos em maços com cintas do "Bureau of Engraving and Printing", a casa da moeda americana, o que levou à desconfiança de que teriam entrado ilegalmente no país, a informação é de que o dinheiro já estava no Brasil e integrava "reservas de valor" dos empresários, para eventuais despesas de emergência.

Nos últimos dias, a PF, segundo fonte do governo, já teria ouvido gerentes e funcionários dos bancos de onde foram sacados os reais. De acordo com um assessor, a PF também teria concluído que houve o "desaparecimento" de cerca de R$ 1 milhão do esquema do dossiê. De acordo com um assessor, os petistas teriam arrecadado dois milhões em reais e os 248,8 mil em dólares, mas, como a família Vedoin teria pedido R$ 1 milhão pelo dossiê e foram apreendidos R$ 1,168 milhão, uma parte dos recursos ainda pode estar em poder dos envolvidos no escândalo.

A Polícia Federal vem sendo criticada pela demora em investigar e revelar a origem do dinheiro. Por trás disso, estaria o interesse do governo em não revelar atos que afetem a imagem do presidente Lula a poucos dias da eleição. No fim de semana, a polícia, em nota oficial, assegurou que está agindo de forma independente. "A PF, como em outras operações, cumpriu sua missão sem visar cores partidárias. Qualquer critica à ação exitosa da PF é resultado do momento político eleitoral", diz a nota.

O procurador Mário Lúcio Avelar, encarregado no Ministério Público pelo acompanhamento do caso, está intrigado com o fato de o Coaf e o Banco Central não estarem ajudando nas investigações. Por isso, decidiu fazer petição ao juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, para ordenar que os dois órgãos rastreiem o dinheiro do dossiê. Pela legislação vigente, toda movimentação superior a R$ 100 mil deve ser notificada pelos bancos ao Coaf, a quem cabe investigar se o dinheiro tem origem escusa ou não”.

PS.: Lula já elegeu um demônio para transferir as culpas pela mais nova encrenca que se formou à sua volta. Chama-se Ricardo Berzoini. Foi ele, disse o presidente, quem acomodou no comitê reeleitoral os petistas suspeitos. Quem escolheu Berzoini? Foi Lula. Mas isso não importa.   

Escrito por Josias de Souza às 15h54

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Eleitor não sabe se vota no Ibope ou no Datafolha

As pesquisas de opinião seguem parâmetros estritamente científicos. Daí a sua falibilidade. Alheio ao cientificismo cerebrino dos pesquisadores, o povo insiste em votar com a alma. E os mistérios da alma não cabem na máquina de calcular.

 

Vem daí que, no último final de semana, cresceu muito o contingente de indecisos. Entre Lula e Alckmin, o eleitor ficou sem saber se vota no Ibope ou no Datafolha. Os dois institutos divulgaram pesquisas para (des)orientar os eleitores. Um deles enxergou o segundo turno na virada da esquina. O outro não.

 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, escreve um artigo sobre o tema na Folha desta segunda (assinantes). Leia o texto abaixo. E decida em qual dos institutos você vai votar.

 

Datafolha e Ibope

“Duas pesquisas nacionais divulgadas no final de semana e encerradas no mesmo dia revelaram resultados e tendências semelhantes do ponto de vista estatístico. Mas as diferenças numéricas, dentro da margem de erro de cada instituto, geraram interpretações distintas. Ambas, em graus diferentes, injetaram ânimo à campanha tucana e preocupação aos petistas, aumentando o suspense quanto à realização de segundo turno.

Para o Datafolha, que concentrou todas as entrevistas na sexta-feira, Lula oscilou de 50% para 49% e sua diferença em relação aos demais candidatos passou de dez para oito pontos, em comparação com a pesquisa anterior feita nos dois primeiros dias da mesma semana. Lula contava, na sexta, com 55% dos votos válidos e venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada naquele dia.

Alckmin oscilou de 29% para 31% e sua curva, ascendente, mostrou-se inversamente proporcional à de Heloísa Helena, que perdeu dois pontos, o que não contribui para levar a eleição ao segundo turno.

O Ibope distribuiu suas entrevistas entre quarta e sexta e comparou seus resultados com a pesquisa feita também no início da semana, entre segunda e quarta. Lula, que já havia oscilado um ponto no levantamento anterior, perdeu mais dois, chegando a 47%. Com 52% dos votos válidos, considerando o limite da margem de erro, poderia ter que disputar o segundo turno se a eleição fosse nos dias da pesquisa.

Sua vantagem em relação à soma dos demais candidatos caiu de sete para três pontos percentuais entre os três primeiros e os três últimos dias da semana.
Alckmin cresceu três pontos e Heloísa Helena perdeu apenas um e isso colabora para que a eleição vá para o segundo turno pois, aparentemente, Alckmin começa a avançar sobre o eleitorado de Lula, segundo o Ibope.

Mais do que alimentar a disputa saudável entre os institutos, as sutis diferenças entre as duas pesquisas agregam informação e ajudam a despertar o interesse pelo momento político. As rodadas a serem divulgadas nesta semana recuperam a curiosidade roubada pela monotonia da campanha.

Neste ano, o eleitor foi fartamente exposto às pesquisas dos quatro institutos que fazem, e divulgam, levantamentos com representatividade nacional, auxiliando no processo de definição do voto e percepção da cidadania.

Por outro lado, a ampla repercussão de cada pesquisa agrega dividendos às marcas das empresas de pesquisa e de quem as contrata. A comparação dos últimos números com o resultado das urnas é um risco sem margem de erro.

Espera-se que, nessa semana crucial, todos os institutos e as contratantes desfrutem do direito conquistado de divulgar suas pesquisas, inclusive no dia da eleição, e contribuam para decifrar os últimos movimentos”.

Escrito por Josias de Souza às 14h45

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As manchetes desta segunda

- Folha: Lula diz que 'mata' eleição no 1° turno

- Estadão: Lula: "Podem denunciar, mas ganho no 1° turno'

- Globo: Lula se compara a Cristo e diz que ganha no 1° turno

- Correio: Lula e Alckmin empatam no DF. Presidente diz que ganhará no 1° turno.

- Valor: Investidores ampliam aposta na TI brasileira

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 05h02

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Estilo sapo sincronizado!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Lula quer enquadrar PT e dialogar com Serra e Aécio

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Palácio da Alvorada. Manhã de quarta-feira, 20 de setembro, dia em que Lula passou na lâmina o pescoço de seu coordenador de campanha, Ricardo Berzoini. Um ex-ministro do governo petista foi recebido pelo presidente para uma conversa a dois. Falaram sobre a crise do dossiêgate e seus reflexos. O diálogo foi revelador. Trouxe à tona um Lula em litígio com o PT e ainda esperançoso de estreitar relações com expoentes do PSDB.

 

Lula trazia o semblante cansado. Enfrentara nove horas de vôo no retorno de Nova York para Brasília. Mostrava-se irritadiço. Acabara de ler uma sinopse dos jornais, preparada pela Radiobras. Abespinhara-se com o fato de a crise ter ocupado no noticiário espaços que poderiam ter sido dedicados ao discurso que fizera na véspera na ONU e ao título de estadista do ano que recebera de uma entidade norte-americana.

 

O ex-ministro, hoje no exercício de seu mandato parlamentar e mergulhado em sua própria campanha, tivera várias conversas anteriores com Lula a respeito da necessidade de costurar uma aliança política ampla, para dar suporte a um eventual segundo mandato. Receava que a nova crise conspurcasse a parte do plano que prevê a abertura de diálogo com lideranças do tucanato, especialmente José Serra e Aécio Neves. Perguntou a Lula se a encrenca do dossiê produziria uma mudança de rota.

 

A resposta de Lula foi categórica. Longe de arrefecer, a crise tonificou o seu desejo de aproximar-se de Serra e Aécio. Enxergou por trás da “insanidade” da tentativa de comprar o dossiê antitucanos justamente uma “reação” da ala do PT que enxerga no diálogo com o tucanato a perspectiva de perda de poder. Referia-se ao PT de São Paulo. Curiosamente, o presidente tratou da crise esquivando-se de mencionar o fato de que alguns dos principais envolvidos compõem o seu círculo de relações pessoais.

 

Lula disse que seus planos para o futuro cabem num horizonte de quatro anos. Quer vencer a eleição e fazer um segundo mandato melhor do que o primeiro. Para que isso ocorra, julga essencial costurar um bom acordo pós-eleitoral com o PMDB e fixar regras de boa convivência com o PSDB. Neste ponto, a conversa enveredou para 2010. E tornou-se ainda mais reveladora.

 

O presidente disse que não enxerga, por ora, alternativas presidenciais dentro do PT. Considerou “legítimas” as pretensões de José Serra de ocupar o Planalto. E tratou Aécio Neves como um candidato que pode inclusive vir a ter o seu apoio. Afora Aécio, derramou-se em elogios ao ex-ministro Ciro Gomes (PSB). São lideranças com as quais Lula deseja manter-se em contato. O jogo político, disse ele, se encarregará de definir quem terá condições de sucedê-lo caso venha a eleger-se pela segunda vez.

 

Para Lula, o PT precisa “se renovar”. A crise do dossiê, disse ele, voltou a expor essa necessidade. Avalia que, ao prestigiar petistas como Tarso Genro e Dilma Roussef, dá uma sinalização ao partido de que a renovação passa por um distanciamento do berço paulista. Afirmou que a ampliação do leque de alianças para o segundo mandato implicará inevitável perda de influência do seu partido no governo.

 

À conversa com o ex-ministro, seguiu-se uma reunião para a discussão da crise. Presente ao encontro, Ricardo Berzoini pôs à disposição de Lula o cargo de coordenador de sua campanha. Embora cogitasse, desde a véspera, a hipótese de afastá-lo, o presidente deu a entender que o manteria. Ao longo do dia, convenceu-se do contrário. A manutenção de Berzoini transformaria o discurso da renovação em pó.

 

Em meio à nova crise, o lero-lero conciliatório de Lula é o que mais lhe convém. Ao criticar o PT, tenta dissociar-se das ações obscuras da legenda. Ações que se repetem na esteira da complacência presidencial com transgressões anteriores. Ao acenar para a oposição, tenta posicionar-se acima do exclusivismo de seu partido.

 

Se for reeleito, porém, Lula terá de submeter os planos que vem esboçando entre quatro paredes à fricção com a realidade que se formou ao seu redor. Há no PT pessoas dispostas a erguer barricadas para reter os nacos de poder que o presidente planeja entregar a outros partidos. E há no PSDB políticos que preferem cerrar fileiras em torno da idéia de apear Lula do poder a entabular negociações com ele.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Lula compara-se a Jesus e diz que leva no 1º turno

 

"Eu nunca falei que iria ganhar a eleição no primeiro turno. Por modéstia, eu nunca falei. Nunca falei por respeito. Mas quero dizer para vocês: nós vamos vencer essas eleições domingo", disse Lula, em comício realizado neste domingo em Sorocaba (SP). "Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."

 

Discursando para cerca de 4.000 pessoas, o presidente afirmou que "dia 1º de outubro é dia da onça beber água”. E disse estar sequioso: “Essa oncinha está com sede." Desdenhou das denúncias que assediam o PT e o Planalto: "Podem fazer denúncia. Façam o que quiser. Não tem problema. Nós vamos ganhar com a cara limpa."

Neste ponto, meteu Jesus no meio da contenda. Só para realçar que o erro de discípulos não desmerece a obra do mestre. "A gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo." Noves fora Pedro, que o negou três vezes, Jesus, de fato, só teve um traidor. Mas a comparação de Lula soa, digamos, imprópria.

 

Primeiro porque o filho de Deus, onipresente como o Pai, a tudo via e de tudo sabia. Segundo porque, na santa ceia petista, a quantidade de Judas é bem maior. Aos 40 da denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza (entre eles vários grão-petistas e ex-ministros) veio somar-se a meia dúzia de compradores de dossiê. Terceiro porque a traição dos dias que correm vem custando bem mais do que trinta dinheiros.

 

Lula faz bem em esgrimir otimismo. É esse o papel de um candidato quando fala aos seus eleitores. De resto, apesar dos pesares, ele vai conseguindo, por ora, caminhar sobre o mar de denúncias com desenvoltura divina. Mas o favoritismo de ontem, vigoroso e acachapante, já não é tão vistoso. E a vitória, se vier, pode converter-se num triunfo de Pirro.

 

O eventual segundo mandato avizinha-se como uma quadra de questionamentos e turbulências. Um cenário bem mais deteriorado do que aquele verificado em 1º de janeiro de 2003, quando Lula tomou posse falando de coisas como "reformas", "energia ético-política", "pacoto social" e "combate à corrupção". Pressione aqui para rememorar um trecho do discurso de posse.

 

Em outro comício, na Paraíba, o principal adversário de Lula, Geraldo Alckmin, também discursou em timbre otimista. "A campanha tem crescido em todo o país, vamos para o segundo turno", afirmou.

 

Alckmin cobrou pressa na apuração do dossiêgate: "Faz uma semana [que petistas foram presos com R$ 1,7 milhão em São Paulo] que as denúncias sobre a compra e venda de um dossiê apareceram e nada foi esclarecido até agora. De onde veio o dinheiro? É óbvio que as pessoas presas não tinham esse dinheiro. Como o dólar entrou no Brasil?"

 

O presidenciável tucano tem razão em suas cobranças. Há muito por investigar. Para o eleitor, seria extraordinário se as interrogações virassem um imenso ponto final antes de 1º de outubro. Inclusive a imensa interrogação que ronda um personagem que, a propósito, também tem nome bíblico: um tal de Abel, cuja proximidade com o tucanato a Polícia Federal e o Ministério Público esquadrinham com uma disposição digna de Caim.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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As manchetes deste domingo

- Folha: Serra amplia vantagem em São Paulo

- Estadão: Cai para 3 pontos diferença entre Lula e adversários

- Globo: Núcleo de 'inteligência' do PT funciona desde 1989

- Correio: A mais longa semana de Lula

- Valor: Investimento brasileiro no exterior chegará a US$ 14 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 04h39

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Cachoeira palaciana!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 04h35

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Dossiêgate: MP aciona judicialmente Coaf e BC

Dossiêgate: MP aciona judicialmente Coaf e BC

O juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, recebe nesta segunda-feira uma petição do Ministério Público Federal relacionada ao dossiêgate. Pede-se ao juiz que ordene a dois órgãos públicos – o Coaf e o Banco Central — o rastreamento do dinheiro que o PT usaria para comprar um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

O dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal no dia 15 de setembro. Estava com dois petistas presos no instante em que negociavam o dossiê no Hotel Íbis, em São Paulo: o empreiteiro e lobista Valdebran Padilha, que falava em nome da família Vedoin, comandante da gang dos sanguessugas, e Gedimar Passos, encarregado de fazer o pagamento. Retiveram-se R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil. O que dá algo em torno de R$ 1,7 milhão.

 

Por trás da requisição do Ministério Público há uma suspeita não explicitada publicamente: o receio de que o governo esteja retardando a investigação sobre a origem do dinheiro para evitar constrangimentos à campanha reeleitoral de Lula. Estranha-se, sobretudo, o silêncio do Coaf, órgão do Ministério da Fazenda incumbido de rastrear toda e qualquer movimentação financeira acima de R$ 100 mil.

 

O blog apurou que, na última terça-feira, o procurador Mario Lúcio Avelar, que acompanha o caso pelo Ministério Público, conversou com o delegado Diógenes Curado Filho, escalado pela Polícia Federal para presidir o inquérito do dossiêgate. Avelar perguntou a Curado Filho sobre as providências adotadas para refazer a trilha do dinheiro. O delegado informou que o assunto estava encaminhado. Mas nenhuma informação havia aportado no processo até a noite de segunda-feira.

 

O fato contrasta com a impressão de agilidade que a Polícia Federal empenhou-se em difundir ao longo da semana. Vendera-se a idéia de que o rastreamento da dinheirama seria feito em tempo recorde. Informou-se, primeiro, que já haviam sido detectadas as casas bancárias de cujos guichês os reais teriam sido sacados: Bradesco, Safra e BankBoston. Divulgou-se depois, a suposta localização das agências: ficariam em São Paulo, nos bairros Barra Funda e Lapa; e no Rio, em Duque de Caxias.

 

Súbito, no meio da semana, a Polícia Federal deslocou de Mato Grosso para Brasília a parte da investigação relacionada ao dinheiro. Incumbiu-se da tarefa o delegado Luiz Flávio Zampronha, mais próximo do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Zampronha é o delegado que atuou no caso do mensalão.

 

Na sexta-feira, o procurador Mario Lúcio e o delegado Diógenes Filho encontraram-se em Brasília. Foram ouvir depoimentos de petistas enredados na operação de compra do dossiê. Incomodado com a demora no rastreamento do dinheiro, o procurador revelou a intenção de recorrer à Justiça para mover as engrenagens do Coaf e do BC. O delegado assentiu.

 

A petição foi redigida no mesmo dia. Diógenes Filho ficou de encaminhá-la a Marcos Tavares, o juiz matogrossense, nesta segunda-feira. Em conversa com um amigo, Mário Lúcio disse que estará atento ao setor de protocolo da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Caso o documento que redigiu não dê entrada, como combinado, ele tomará sozinho a iniciativa. (Leia mais sobre o caso abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 04h11

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Petistas negam ter oferecido dinheiro por dossiê

Petistas negam ter oferecido dinheiro por dossiê

  Fotos:Alan Marques/FI
Em depoimentos que se prolongaram até o início da madrugada de sábado, três dos principais envolvidos no escândalo da compra do dossiê antitucanato desfiaram diante do delegado Diógenes Curado Filho e do procurador Mário Lúcio Avelar versões tão homogêneas quanto inverossímeis.

A homogeneidade está presente nos trechos dos depoimentos em que todos admitem o empenho para obter o dossiê da família Vedoin contra José Serra e Geraldo Alckmin. A inverossimilhança salta dos fragmentos em que os três negam ter tratado de dinheiro com Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam, a empresa que comandava a venda de ambulâncias superfaturadas.

 

Foram interrogados Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas e Expedito Veloso. Os três têm algo em comum: trabalhavam no birô de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Dois deles – Lorenzetti (na foto acima) e Bargas na foto abaixo) — estão vinculados por uma outra contingência: ambos são amigos do presidente da República.

 

Inquirido, Lorenzetti reconheceu que chefiava o setor de inteligência do comitê de Lula. Diretor licenciado do Banco do Estado de Santa Catarina, um cargo que obteve por interferência direta do presidente, ele é o churrasqueiro informal da Granja do Torto. Contou que soube da existência do dossiê da família Vedoin por meio do empreiteiro e lobista Valdebran Padilha, filiado ao PT de Mato Grosso desde 2004.

 

Enxergou no material uma valiosa munição de campanha contra o tucanato. E mobilizou a equipe de arapongas do comitê de Lula para obter o dossiê. Empenhou-se para injetar nos autos do inquérito policial a versão de que o presidente do PT, Ricardo Berzoini; um ex-assessor especial do gabinete de Lula, Freud Godoy; e o presidente da República não sabiam da transação. De resto, se disse “chocado” com a apreensão de R$ 1,7 milhão feita pela Polícia Federal.

 

Pela versão de Lorenzetti, caberia a Gedimar Passos, preso pela Polícia Federal em 15 de setembro, explicar a origem do dinheiro. Curiosamente, Gedimar é o elo mais frágil da cadeia hierárquica do birô de espionagem petista. Em depoimento que prestou logo depois de ser preso com RS 1,7 milhão, ele informou à PF que cumpria uma missão da “Executiva Nacional do PT”. E disse que a ordem para a compra do dossiê lhe foi repassada por Freud Godoy, segurança de Lula há 17 anos.

 

Outro interrogado, Oswaldo Bargas, admitiu que é amigo de Lula desde os tempos em que o hoje presidente nem usava barba. Conheceu-o na militância sindical de São Bernardo, nos anos 80. Reconheceu ter tentado negociar a publicação do dossiê pela revista Época. Insistiu em afastar o escândalo da cúpula do PT e do terceiro andar do Planalto. Ecoando Lorenzetti, negou que Berzoini, Freud e Lula soubessem da transação envolvendo o dossiê. E quanto ao dinheiro? Só assombro e estupefação. De novo, a bolada de R$ 1,7 milhão foi acomodada exclusivamente no colo do bagrinho Gedimar Passos.

 

Os depoentes não queriam dissociar o escândalo apenas do Planalto. Desejavam distanciar a encrenca também de Brasília. Venderam ao delegado Diógenes Filho e ao procurador Mário Lúcio a tese de que a obtenção do dossiê não serviria aos interesses da campanha nacional de Lula. Seria usado exclusivamente em São Paulo, onde o petista Aloizio Mercadante padece com o favoritismo do tucano José Serra. (Leia mais sobre o caso no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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PSDB ofereceu R$ 10 mi por dossiê, acusa petista

PSDB ofereceu R$ 10 mi por dossiê, acusa petista

  Alan Marques/F.Imagem
O interrogatório de Expedito Veloso (na foto), o ex-diretor do Banco do Brasil que pediu licença para trabalhar no comitê reeleitoral de Lula, acrescentou ao já intrincado caso do dossiêgate um mistério adicional. Ouvido pelo delegado Diógenes Curado Filho e pelo procurador Mário Lúcio Avelar, Veloso informou que o PT não foi o único partido a negociar o dossiê com a família Vedoin. Antes de concordar em ceder o material aos arapongas petistas, Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planan, negociou com o PSDB.

Segundo a versão que Veloso contou à PF e ao Ministério Público, o tucanato teria oferecido R$ 10 milhões pelo dossiê levado ao balcão por Luiz Vedoin e pelo pai dele, Darci Vedoin. O diretor afastado do Banco do Brasil contou que o birô de “inteligência” do comitê de Lula dispõe inclusive de fotos do personagem que esteve em Cuiabá para negociar com os donos da Planam em nome do PSDB.

 

Chama-se Abel Pereira o personagem mencionado por Veloso. É empreiteiro. Tem negócios em Piracicaba (SP). E seria ligado ao prefeito da cidade, Barjas Negri, desde os tempos em que ele atuou como secretário-geral de José Serra no Ministério da Saúde. Barjas tornou-se ministro depois que Serra deixou a pasta, em 2002, para concorrer à presidência da República.

 

Segundo Expedito Veloso, mais do que um dossiê, o tucanato queria comprar dos Vedoin uma mercadoria mais valiosa: proteção. Suas declarações acabaram comprometendo a versão que combinara com os outros dois petistas ouvidos em interrogatório: Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas. Foi por terra o lengalenga de que a negociação do petismo com a família Vedoin não envolveu dinheiro.

 

Ora, se o PSDB se dispunha a pagar R$ 10 milhões pelo dossiê, por que Luiz Antonio Vedoin deixaria de mencionar cifras na fase em que passou a negociar com o petismo? A dúvida foi levantada no interrogatório de Veloso. Ele se saiu com explicações pouco consistentes. Disse, por exemplo, que talvez Vedoin desejasse restabelecer as pontes com uma eventual segunda gestão de Lula no Planalto.

 

Ouvido pelo blog, um integrante do alto comando da campanha de José Serra informou o seguinte: o comitê tucano foi procurado por um emissário de Luiz Antonio Vedoin. Queria, de fato, vender um dossiê. Mas não era nem contra Serra nem contra Geraldo Alckmin. Conteria dados desabonadores contra o PT. Comprometeriam em especial o candidato Aloizio Mercadante e o líder do partido na Câmara, Alindo Chinaglia. Segundo a versão tucana, a oferta foi refutada.

 

Entre os dias 9 e 15 de setembro, a Polícia Federal monitorou o telefone celular de Luiz Vedoin (9908 6507). A voz de Abel Pereira, o empresário que o petismo acusa de ter atuado como preposto do PSDB, é uma das que foram captadas na escuta. Ele tentou falar com Vedoin no dia 14 de setembro, véspera da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, os petistas que negociavam o dossiê antitucanato em São Paulo. Vedoin, porém, não atendeu à ligação. Não se sabe sobre o quê Abel desejava conversar.

 

Na próxima semana, o que a PF abrirá um inquérito para apurar a atuação de Abel Pereira no caso. Durante o seu depoimento, o petista Expedido Filho repassou ao delegado Diógenes Filho um lote de documentos bancários que comprovariam repasses de dinheiro de Luiz Vedoin para Abel. A esperteza levou a PF e o Ministério Público a considerá-lo como suspeito de mais um delito. Deseja-se apurar se Veloso se valeu dos poderes que detinha como diretor de Risco do Banco do Brasil para bisbilhotar o sigilo bancário de inimigos do PT.

Escrito por Josias de Souza às 04h00

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As últimas do PT

As últimas do PT

Nada pode ser mais triste para uma pessoa ou organização do que virar tema de anedota. O birô de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula guindou o petismo a essa condição. Vai abaixo um kit chiste. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

 

1. Em Brasília, após um incêndio no comitê de campanha do PT, os bombeiros, verificando os destroços, encontraram um morto: Joaquim Berzoini. Estava na sala da equipe de arapongagem da campanha. Carbonizado, de cabeça para baixo, trazia o dedo indicador apontando para um dos cantos do ambiente. Do seu lado, um extintor de incêndio com a seguinte instrução: “Em caso de fogo, vire para baixo e aponte para a chama”.

 

2. Sabe quantos petistas são necessários para comprar um dossiê? Sete. Por que tantos? Cinco para montar a operação. E dois para guardar o dinheiro num quarto de hotel até a chegada da polícia.

 

3. O companheiro Manuel Gedimar matava o tempo debruçado na janela do quarto. “Companheiro Joaquim Valdebran! Estou a avistaire uma turma com colete da Polícia Federal que se encaminha diretamente para o nosso hotel!” “Não me diga, companheiro Manuel Gedimar! São amigos ou inimigos?” “Olha, companheiro Joaquim Valdebran, acho que são amigos. Vêm todos juntos...”

 

4. Manuel Lorenzetti e Joaquim Bargas estacionam o carro na garagem de um hotel paulista. Em missão sigilosa, tentariam empurrar um dossiê eleitoral para o repórter de uma revista. Ao travar a porta do veículo, Manuel Lorenzetti se deu conta de que esquecera de tirar a chave da ignição. Com um pedaço de arame, através do vão de uma das janelas, e com o auxílio de Joaquim Bargas, inicia a delicada operação. Joaquim Bargas esmera-se nas orientações: “Mais à direita, companheiro... Agora, um pouquinho mais para a frente... Falta pouco... Isso!” Manuel Loenzetti consegue, finalmente, abrir o carro. Joaquim Bargas exulta: “Ainda bem, eu já não agüentava mais de caloire aqui dentro!”

 

5. Depois de encontrar-se com um repórter de outra revista, Hamilton Joaquim Lacerda dirigia-se ao comitê de campanha do PT de São Paulo. O pneu do carro furou na frente de um hospício. Ele desceu e tirou as porcas da roda. Mas elas escorregaram para dentro de um bueiro. Hamilton Joaquim desesperou-se. Tinha reunião marcada com o candidato de seu partido. Um dos internos, que assistia à cena do lado de dentro das grades do manicômio, resolve aconselhar Hamilton Joaquim: “Tire uma porca de cada uma das outras três rodas para segurar a que ficou solta, até chegar a um posto”. Hamilton Joaquim espantou-se: “Fenomenal! Muito boa idéia. Obrigado. Olhe, eu nem sei por que tu estas aí dentro”. E o interno: “Eu estou aqui porque sou doido, não porque sou burro!”

 

6. Expedito Joaquim Veloso chega em casa, num final de tarde, e dá de cara com um mico em seu jardim. Ele fica todo atrapalhado, sem saber o que fazer com o bicho. Pede ajuda a um vizinho, que aconselha: “Olha, Expedito Joaquim, o melhor que você tem a fazer é levá-lo ao Jardim Zoológico. No dia seguinte, o vizinho encontra Expedito Joaquim passeando com o mico. Conduzia-o rua abaixo por uma cordinha amarrada ao pescoço. Surpreende-se: “Ô, Expedito Joaquim, aonde você vai com o bicho? Você não o levou ao Jardim Zoológico ontem?” “Levei, sim. E ele adorou. Hoje já viajei com ele até Cuiabá e agora estou a levá-lo ao Playcenter e, depois, à sede do meu partido”.

 

7. Manuel Lula da Silva preparava-se para saltar de pára-quedas. Recebe instruções: “Estamos a uma boa altitude. Seu equipamento foi todo checado. O sr. saltará por aquela porta. Ao puxar a primeira cordinha, no primeiro turno da descida, o pára-quedas se abrirá. Se isso não acontecer, o que é pouco provável, puxe a segunda cordinha, no segundo turno da queda. Lá embaixo haverá um jipe à sua espera, para levá-lo de volta ao Planalto”. Confiante, Manuel Lula salta. Puxa a primeira cordinha. E nada. Puxa a segunda. Nada. Ele começa a ficar preocupado: “Ai, Jesus! Agora só falta o jipe não estaire lá embaixo!”

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Cai diferença que separa Alckmin de Lula, diz Ibope

A edição dominical do Estadão, que já se encontra nas bancas de São Paulo, traz uma má notícia para Lula. Pesquisa Ibope realizada entre quarta e sexta-feira detectou uma diminuição da vantagem que separa o presidente de Geraldo Alckmin, seu principal oponente na corrida presidencial. Lula oscilou para baixo –de 49% para 47%. Alckmin, para cima, de 30% para 33%.

 

Somando-se o índice de intenções de votos de todos os concorrentes de Lula, chega-se a 44%, apenas três ponto a menos que os 47% atribuídos ao presidente. Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos brancos e nulos), Lula teria 52%. Para vencer em primeiro turno, ele precisa de 50% mais um (maioria absoluta). Ou seja, Lula continua prevalecendo sobre Alckmin no primeiro turno. Mas, se a pesquisa estiver correta, a vitória já não é tão confortável.

 

Heloísa Helena, a terceira colocada, oscilou negativamente um ponto –foi de 9% para 8%. Cristovam Buarque manteve os mesmos 2% que ostentava na pesquisa anterior. Ana Maria Rangel, presidenciável do inexpressivo PRP, também conservou o índice anterior: 1%.

 

O Ibope simulou o resultado de um eventual segundo turno disputado entre Lula e Alckmin. O candidato do PT aparece com 50% dos votos. Alckmin, com 41%. Na sondagem anterior, realizada entre os dias 18 e 20 de setembro, Lula tinha 52% e Alckmin 37%. Os números do Ibope esboçam um cenário mais adverso para Lula do que aquele que foi captado pelo Datafolha.

 

Nesse levantamento, Alckmin também subiu (de 29% para 31%). Mas roubou votos de Heloisa Helena, não de Lula, que oscilou negativamente de 50% para 49%. O tira-teima se dará nas próximas pesquisas, que os dois institutos farão na semana que vem.

Escrito por Josias de Souza às 18h21

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PF abre inquérito para apurar gestão tucana

As investigações do dossiêgate vão gerar um “filhote” na próxima semana. A Polícia Federal deve abrir um inquérito específico para apurar a suspeita de interferência de um empresário na liberação de verbas públicas durante a gestão de Barjas Negri no Ministério da Saúde. Negri era secretário-geral de José Serra. Virou ministro em 2002, quando Serra deixou o governo FHC para concorrer à presidência da República.

Chama-se Abel Pereira o empresário que será posto sob investigação. O nome dele consta de representação protocolada no Ministério Público no último dia 14 de setembro por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Na representação, Vedoin sustenta ter transferido dinheiro para Abel em troca de liberações orçamentárias da pasta da Saúde. Segundo a acusação de Vedoin, Abel Pereira agia em nome do então ministro Barjas Negri.

Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP), nega as acusações. Mas o delegado Diógenes Curado Filho, da PF, e o procurador Mário Lúcio Avelar, do Ministério Público Federal de Mato Grosso, decidiram apurar o caso. Há na representação feita por Vedoin comprovantes bancários de repasses feitos para empresas das quais Abel Pereira seria sócio.

Segundo o procurador Avelar, o primeiro passo da investigação será confirmar os pagamentos de Vedoin a Abel Pereira. Uma vez confirmados, será verificado a que título os pagamentos foram feitos. Em seguida, serão apurados os alegados vínculos entre o empresário e o ex-ministro Barjas Negri.

Quando à investigação da operação de montagem e venda do dossiê que seria adquirido por pessoas ligadas ao comitê de campanha de Lula, o próximo passo da polícia será a inquirição, na semana que vem de Hamilton Lacerda, afastado da coordenação de Comunicação da campanha do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, depois que teve o nome vinculado ao caso.

O delegado Curado Filho pretende promover também uma acareação de Luiz Antonio Vedoin com o lobista Valdebran Padilha. Valdebran sentou praça no PT em 2004. Na semana passada, nas pegadas do escândalo, o partido suspendeu sua filiação por 60 dias e abriu um processo interno que pode culminar na sua expulsão dos quadfros partidários. Valdebran agiu no caso do dossiê como emissário de Vedoin.

O delegado Curado informa que fará no final de semana uma análise do inquérito. Disse que só soube pela imprensa da existência de um dossiê “original”, com cerca de 2.000 páginas. A informação foi repassada a jornalistas por outro delegado da PF, Edmilson Bruno, que realizou, em São Paulo, as prisões de Valdebran e de Gedimar Passos, um ex-agente federal que disse ter sido contratado pela Executiva Nacional do PT para adquirir o dossiê.

A prisão dos dois ocorreu no último dia 15 de setembro, um dia depois de Luiz Vedoin ter protocolado no Ministério Público a representação em que faz acusações ao empresário Abel Pereira e ao ex-ministro Barjas Negri. O suposto dossiê “original”, informou o delegado Edmilson Bruno, conteria informações contra partidos “de A a Z”, incluindo o próprio PT. De resto, a PF continua seguindo a trilha do dinheiro, para tentar chegar à origem do R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra do dossiê.

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Se cair nas pesquisas, Lula pode ir a último debate

  Marlene Bergamo/F.Imagem
A repercussão do dossiêgate fez com que Lula passasse a considerar a hipótese de comparecer ao último debate entre os presidenciáveis. Será transmitido pela Globo, na noite de 28 de setembro, três dias antes da eleição. Em diálogo com um auxiliar, na última quinta-feira, o presidente condicionou o comparecimento à evolução das pesquisas na semana que antecede o primeiro turno.

Lula havia decidido que não iria a nenhum debate. Faltou aos dois primeiros, promovidos pelas emissoras Bandeirantes e Gazeta. Em ambos, foi alvo de ataques generalizados dos adversários. Agora, entre quatro paredes, o presidente passou a dizer que, se as pesquisas indicarem que sua vitória em primeiro turno está sob risco, pretende comparecer ao último confronto com os demais presidenciáveis.

 

O presidente avalia que a ausência nos debates só lhe é benéfica se seu favoritismo for explícito, como vem ocorrendo até aqui. Se as pesquisas começarem a apontar para a possibilidade de uma reversão de última hora, acha que não poderá mais se dar ao luxo de “apanhar” em rede nacional sem se defender. Lula leva em conta o fato de que a audiência da Globo é maior do que a das outras duas emissoras que já realizaram debates.

 

Assim, nos próximos dias, Lula vai grudar o olho nas pesquisas –as independentes, feitas para divulgação pública, com registro na Justiça Eleitoral; e as internas, realizadas por encomenda do seu comitê de campanha pelo Instituto mineiro Vox Populi. São feitas 2.000 entrevistas domiciliares diariamente.

 

Pelo que disse Lula ao auxiliar, se os índices de intenção de voto se mantiverem no nível que foi detectado pelo Datafolha em pesquisa divulgada neste sábado, ele continuará dando de ombros para o debate. Se o novo escândalo corroer o seu prestígio a ponto de insinuar a realização do segundo turno, são grandes as chances de que resolva ir aos estúdios da Globo na próxima quinta-feira.

 

A última reunião dos representantes dos comitês eleitorais com a emissora ocorreu há coisa de dez dias. O jornalista João Santana, que cuida do marketing da campanha de Lula, estave presente. Perguntaram-lhe se Lula iria ao debate. Santana foi evasivo. Deixou a dúvida no ar.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Apesar de escândalo, Lula mantém vitória no 1º turno

 

- Estadão: Lula já admite 2º turno e chama oposição de golpista

 

- Globo: Operadores responsabilizam PT por dossiê, sem citar nomes

 

- Correio: Petistas depõem e inocentam Lula

 

- Valor: Investimento brasileiro no exterior chegará a US$ 14 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Vôo cego!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Alckmin sobe, mas Lula ainda leva no primeiro turno

Pesquisa Datafolha veiculada neste sábado pela Folha (assinantes) informa que, no rastro da crise do dossiêgate, Geraldo Alckmin amealhou a sua melhor marca desde o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Foi de 29% para 31%. Lula oscilou para baixo, de 50% para 49%. Mas continua favorito à vitória no primeiro turno.

 

Os movimentos ocorreram dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Mas, comparando-se o resultado atual com o de sondagens anteriores do Datafolha, tem-se que, em dez dias, a diferença que separa Alckmin de Lula caiu de 22 para 18 pontos. Em um mês, Alckmin cresceu seis pontos percentuais.

 

A despeito disso, o segundo turno ainda não está no papo. Por que? Simples: o crescimento de Alckmin não se deu sobre o eleitorado de Lula. O presidente se mantém em patamar estável. Se a eleição fosse hoje, Lula amealharia 55% dos votos válidos, numa conta que exclui os votos brancos e nulos. Basta que obtenha 50% mais um (maioria absoluta dos votos) para assegurar o segundo mandato já em 1º de outubro, dia do primeiro turno.

 

De acordo com a pesquisa publicada neste sábado, Lula ainda tem oito pontos percentuais a mais do que a soma de todos os seus adversários. Há três dias, quando o Datafolha havia divulgado a pesquisa anterior, a dianteira de Lula sobre os adversários era de dez pontos percentuais.

 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, explica que, para que houvesse segundo turno, Alckmin teria que roubar votos de Lula, o que não vem ocorrendo. Heloisa Helena, a terceira colocada, oscilou para baixo –de 9% para 7%. Para Paulino, vêm daí os votos que tonificaram o índice de intenções de voto de Alckmin.

 

Uma mudança de cenário só seria produzida, diz Paulino, se a oscilação negativa de Lula, que foi de um mísero ponto nesta pesquisa, "se transformasse numa perda mais significativa" na semana que antecede a eleição.

 

Correndo contra o tempo, Alckmin manterá o timbre elevado nos três programas que lhe restam na propaganda televisiva. O dossiêgate continuará sendo a estrela dos programas que o tucano levará ao ar neste sábado, na terça e na quinta-feira da semana que vem.

 

A julgar pelos dados levantados pelo Datafolha, a tática não assegura a reversão do favoritismo de Lula. Os pesquisadores do instituto foram às ruas na quinta e na sexta-feira. Foram incluídas nos questionários perguntas sobre a crise do dossiê. Nada menos que 71% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento das prisões de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, do PT, há uma semana. Desse total, 22% se dizem bem informados; e 35% mais ou menos informados. Só 29% não tomaram conhecimento das prisões.

 

Para 52% dos entrevistados Freud Godoy, exonerada da assessoria especial do Planalto, está envolvido na negociação do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Mas o eleitorado se divide quando perguntado se acha que Lula sabia da encrenca: 39% acham que sim, Lula sabia; 34% dizem que o presidente não tinha conhecimento; e 26% não souberam opinar.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Um olhar além da crise

Se você mora na capital paulista, abra os olhos para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Faz aniversário de 30 anos neste ano da graça de 2006. Começa em 20 de outubro e vai até 2 de novembro. O quindim deste ano será uma retrospectiva de 15 filmes produzidos pelo cinema político italiano dos anos 60 e 70. Coisa fina. Feita por gente do porte de Bertolucci, Bellocchio e Scola.

 

A lista de convidados inclui a atriz brasileira Florinda Bolkan, que mora na Itália. Estrelou uma fita cujo título se encaixa à atual realidade política brasileira: "Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita." Lembra alguma coisa?

 

Clicando no cartaz você será conduzido ao sítio da mostra. Por ora, a página exibida é a do ano passado. Grude no rol de favoritos da sua máquina. E acesse a partir de 10 de outubro, dia em que a página será atualizada. A coisa vai acontecer no Conjunto Nacional, assentado no número 2.073 da Avenida Paulista. Os ingressos começam a ser vendidos em 14 de outubro. Bom proveito.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Lula e Mercadante espinafram o PT em praça pública

  Rodrigo Paiva
Em cima de um palanque, o melhor amigo do político é a conveniência. E, nesse momento, nada é mais conveniente para Lula e Aloizio Mercadante do que se dissociar da encrenca do dossiêgate. Vem daí que, em comício na Baixada Santista, na noite desta sexta, os dois desceram o sarrafo no próprio partido. Uma dupla de opositores não teria sido mais severa.

Foi o primeiro grande comício de Lula depois da descoberta da “Operação Tabajara”, que flagrou um time de arapongas do PT tentando comprar por R$ 1,7 mil um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Lula disse que o PT não pode fazer “vista grossa” em relação aos envolvidos, a maioria vinculada ao seu próprio comitê de campanha.

Ecoando o presidente, Mercadante tomou de empréstimo do guru uma expressão que Lula usou muito em outro grande escândalo da era petista, o do mensalão. O candidto petista ao governo de São Paulo disse que o PT vai ter que “cortar na própria carne”.

Mercadante teve um motivo adicional para altear a voz. Em depoimento à Polícia Federal, nesta sexta, Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro de Lula que foi mandado para o chuveiro pelo comando da campanha, disse que o dossiê, depois de adquirido, seria entregue à campanha do partido em São Paulo. O destinatário era Hamilton Lacerda, afastado da chefia da Comunicação de Mercadante depois que seu nome escorregou para o centro da encrenca.

Lula tratou a tentativa de compra do dossiê como uma “imbecilidade”. Disse que "os companheiros que se acharam espertos e que fizeram negociação com bandido vão ter que pagar. Pode se esconder e não dizer quem foi, mas vai aparecer. E, quando aparecer nós não poderemos fazer vista grossa." O time de espertos "cometeu um erro muito grave, um erro inaceitável, que nós jamais vamos deixar de tratar com a seriedade que exige", disse Mercadante, no mesmo diapasão.

A julgar pelo que disse mais cedo o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Lula e Mercadante logo terão a oportunidade de transformar discurso em ações efetivas. Bastos declararou que a investigação do dossiêgate está "praticamente resolvida". A PF trabalha agora, segundo esclareceu o ministro, “para descobrir a origem do dinheiro”.

 

O ministro fez, no entanto, uma ponderação: "Não se pode prejudicar a investigação para obter efeito eleitoral. Não podemos aderir ao clima incendiário que acompanha a última semana da eleição." É aí que mora o problema.

 

Ao eleitor, interessa conhecer os contornos da lambança produzida pelo birô de “inteligência” do PT antes do dia da eleição, marcada para 1º de outubro. A transferência das respostas para depois do pleito não deveria interessar nem a Lula nem a Mercadante nem ao resto do PT. A dúvida é um veneno que só serve aos culpados.

Escrito por Josias de Souza às 00h18

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Dossiê envolve partidos 'de A a Z', diz delegado

Edmilson Bruno, o delegado da Polícia Federal comandou em São Paulo a prisão de Gedimar Passos e Valdebra Padilha, na semana passada, revelou nesta sexta que o dossiê levado ao balcão por Luiz Antônio Vedoin, o chefão da quadrilha das sanguessugas, é maior do que se imagina. Conteria 2.000 páginas, com informações comprometedoras contra partidos que, diz o delegado, vão “de A a Z”. Entre eles o próprio PT.

 

A informação do delegado ajuda a explicar a disposição dos atabalhoados agentes de “inteligência” do comitê reeleitoral de Lula de pagar pelo material R$ 1,7 milhão. "O Gedimar disse que o dossiê está envolvendo todos os partidos políticos e o próprio PT. Em nenhum momento o senhor Gedimar disse que era um dossiê contra o PSDB. Se vocês tiverem acesso aos meus autos, no futuro, verão que ele não fala do PSDB", disse o delegado.

Na semana passada, a PF apreendera uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos --que formariam o suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra. O material era, porém, pífio. A peça mais relevante era um DVD mostrando Serra numa cerimônia de entrega de 41 ambulâncias, em Cuiabá.

 

Vendeu-se a informação de que a cerimônia ocorrera num galpão da Planam. Nesta sexta, a assessoria de Serra esclareceu que o evento foi realizado em 7 de maio de 2001. Teve caráter oficial e foi público. Não ocorreu nas instalações da Planam, mas num centro de convenções chamado “Pantanal”.

 

Injetaram-se também no dossiê duas fotos de Geraldo Alckmin. Ele não participou da solenidade de Cuiabá. As imagens foram clicadas em 2004, no Congresso Paulista de Municípios, em Campos do Jordão.

 

Para desassossego do PT, que vem cobrando a apuração das supostas denúncias contidas no dossiê, Luiz Vedoin disse ontem, em depoimento à Polícia Federal, que nem Serra nem Alckmin têm vinculo com a máfia das ambulâncias. Manteve apenas as acusações contra Barjas Negri, sucessor de Serra no Ministério da Saúde em 2002.

 

Segundo Vedoin, um empresário chamado Abel Pereira "recebeu valores para liberação de recursos pendentes na gestão de Barjas Negri no Ministério da Saúde". Abel, diz Vedoin, “é ligado a Barjas”, hoje prefeito de Piracicaba. Barjas nega as acusações.

 

Além das acusações feitas em depoimento, Vedoin protocolou no Ministério Público, na semana passada, uma representação contra Abel Pereira e Barjas Begri. Anexou ao documento comprovantes bancários. O procurador Mario Lucio Avelar investiga o caso. A CPI das Sanguessugas pretende fazer o mesmo. Em entrevista à Agência Carta Maior, o presidente da comissão, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), reafirma que a apuração vai abranger as gestões de FHC e de Lula. A CPI obteve nesta sexta cópia do dossiê. O material foi ao cofre. Só será analisado a partir de 4 de outubro, depois das eleições.

Escrito por Josias de Souza às 20h21

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Lorenzetti admite participação no dossiêgate

 Roosewelt Pinheiro/ABr
Jorge Lorenzetti (na foto), churrasqueiro de Lula e ex-chefe do núcleo de arapongagem do comitê da reeleição, prestou depoimento à PF nesta sexta. Admitiu tudo o que já era sabido. E negou o que é apenas suspeitado.

O que Lorenzetti admitiu?

 

1. participou da negociação que visava obter um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin;

 

2. Reconheceu ter mantido contatos com Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. Discutiu com ele o repasse do dossiê para o PT;

 

3. o dossiê seria entregue a Hamilton Lacerda. Ele era coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Foi afastado do cargo depois de ter admitido que articulou com a revista IstoÉ a publicação de reportagem contra os políticos tucanos;

 

4. Pediu a Expedito Afonso Veloso e a Gedimar Passos que verificassem a autenticidade e o conteúdo do material inserido no dossiê. Afonso Veloso era diretor de Gestão de Riscos do Banco do Brasil. Foi afastado depois que seu nome foi vinculado ao caso. Gedimar foi preso pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para comprar o dossiê.

 

O que Lorenzetti negou?

 

1. Negou que Lula ou Ricardo Berzoini, afastado da coordenação nacional da campanha reeleitoral, soubessem da “Operação Tabajara”;

 

2. A PF apurou que Luiz Antônio Vedoin queria pelo dossiê R$ 20 milhões. Baixou a pedida para R$ 2 milhões. E acabou aceitando R$ 1,7 milhão. Ou seja, estava atrás de dinheiro. A despeito disso, Lorenzetti negou que tenha tratado de cifras nos contatos que manteve com o dono da Planam. Disse ter ficado “chocado” quando soube da grana retida pela PF;

 

3. "Desde o primeiro momento, havia orientação do partido, principalmente pelo momento eleitoral, de que não poderia qualquer negociação [financeira]", disse Lorenzetti, de acordo com o relato de seu advogado, Aldo de Campos Costa;

 

O delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito, inquiriu também Expedito Afonso Veloso, o diretor afastado do BB. E está ouvindo Osvaldo Basgas. Este último era o responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula. Reuniu-se, junto com Lorenzetti, com um repórter de Época. No encontro, os dois tentaram empurrar o dossiê para a revista.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

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Lula admite que eleição pode ir ao segundo turno

  Domingos Tadeu/ABr
Lula admitiu nesta sexta que a eleição presidencial pode escorregar para o segundo turno. Discursando para cerca de 300 prefeitos, o presidente disse: "Se tiver segundo turno, a vida é assim mesmo, e é por isso que é bom que tenha dois turnos. Que vamos ganhar não tenho dúvida, só é preciso aferir corretamente o tempo".

 

As três centenas de prefeitos voaram até Brasília especificamente para participar de um ato pró-reeleição. Entregara, a Lula um manifesto de apoio assinado por 2.135 prefeitos de todo país. a lista é suprapartidária. Inclui inclusive gestores municipais filiados ao PSDB e PFL. Lula pediu o empnho de todos eles na reta final da campanha.

 

"É preciso ficar de olho, porque tem gente neste país que ainda não aprendeu a viver na democracia. Tem gente neste país que pensou: 'vamos deixar o operário entrar, que ele não vai dar certo, e depois a gente volta com toda força'", disse o presidente.

 

"Só que os números mostraram que nós demos muito mais certo que eles e eles agora estão ansiosos para ver se existem outros meios que não a relação democrática da eleição para evitar que as pessoas dirijam este país", completou.

 

Discursando para a mesma platéia, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que a oposição tenta “melar o processo eleitoral”, para “gerar instabilidade política”.

 

O ministro se referia à exploração que vem sendo feita em torno do dossiêgate. Em desvantagem nas pesquisas, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin enxerga no mais novo escândalo uma espécie de luz no final de seu túnel particular. Voltou, aliás, à carga nesta sexta. Quer porque quer grudar a encrenca em Lula.

 

"O PT é o Lula”, disse Alckmin, em viagem a Curvelo (MG). “Quem é que são as pessoas que estão envolvidas nisto? Diretor do Banco do Brasil, diretor do Banco do Estado de Santa Catarina, que aliás é o churrasqueiro do presidente. São pessoas da sua intimidade. O Freud [Godoy] é assessor direto do presidente da República. Se você olhar aquele filme Entreatos, ele aparece no primeiro minuto do filme."

 

Lula, por sua vez, esforça-se para afastar de si o cálice de veneno que o petismo lhe serviu na reta final da campanha. Em entrevista à CBN, o presidente voltou a desfiar um rosário de adjetivos desairosos para classificar a tentativa de compra de um dossiê antitucanato. Chamou de “insanidade”, “loucura”, “imbecilidade”.

 

Há uma semana, a hipótese de ocorrência do segundo turno não passava pela cabeça de Lula. Agora, graças à lambança proporcionada pela “Operação Tabajara”, germinada no seu quintal, o presidente vê-se constrangido a olhar para baixo, para acompanhar o movimento de Alckmin. O PT, quem diria (!), mostrou-se um adversário mais incômodo para Lula do que o PSDB e o PFL.

Escrito por Josias de Souza às 15h29

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Na Internet, PT espreita golpe na virada da curva

Quem passeia pelo sítio do PT na internet fica com a impressão de que o país vive a antevéspera de um golpe de Estado. Há ali, por exemplo, um manifesto de entidades sociais a favor do esquadrinhamento da gestão de José Serra na Saúde e contra “ataques golpistas”. O texto de abertura informa que o manifesto foi firmado por representantes de “mais de 70 entidades.” Descendo-se à lista, contam-se só 54. Um golpe contra a matemática.

 

Há também no sítio petista um artigo do cientista político Emir Sader. Condena a transformação de José Serra em “vítima” e denuncia a “nova ofensiva em prol de um impeachment”. Hipótese da qual ele próprio desdenha: “(...) O povo”, diz Sader, “mais uma vez não dá bola pra direita”. Sei não. E se for preciso atravessar uma via de mão-dupla? E se o lateral direito pedir a bola na pelada do final de semana?

 

Há ainda um artigo de Milton Pomar, petista de Santa Catarina. Acusa a imprensa de ter trocado o jornalismo pela propaganda; protege-se José Sarra, acredita ele, e ataca-se o petismo e Lula. Sustenta que acusações miúdas ao presidente jogam “lenha em uma fogueira que arde em outros países há muito tempo, sem perspectiva de apagar.”

 

O petismo está cheio de razão. A quadra é mesmo grave. Recomenda vigilância. Há descerebrados demais à solta. São todos muito parecidos. Usam crachá do mesmo birô de "inteligência", padecem da mesma inanição mental e guardam perigosa proximidade com um invariável personagem: Lula. Deus proteja o PT de si mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 09h59

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As manchetes desta sexta

- Folha: Vedoin isenta Serra do caso sanguessuga

- Estadão: Escândalo afeta mercado e risco dispara 7%

- Globo: Escândalo: PF investiga entrada ilegal de dólares

- Correio: Planalto arma operação para blindar Lula

- Valor: Investimento brasileiro no exterior chegará a US$ 14 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Sucata!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Para PF, dólares entraram no país ilegalmente

A Polícia Federal julga ter obtido avanços importantes no esforço que empreende para rastrear o dinheiro –R$ 1,7 milhão, em cédulas de real e de dólar— que seria utilizado por petistas para comprar o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Descobriu-se, por exemplo, que parte dos dólares apreendidos na última sexta-feira podem ter ingressado no país ilegalmente.

 

De todo o dinheiro retido pela PF, há em moeda estrangeira US$ 248,8 mil. Dois maços de US$ 10 mil integram um lote de US$ 25 milhões fabricados pela casa da moeda dos EUA em abril deste ano e repassados a bancos de Nova York e da Flórida. Pela numeração, soube-se que não há no Banco Central brasileiro registro do ingresso das notas no país. Daí a dedução de que a grana deve ter cruzado as fronteiras ilegalmente, segundo noticiou o Jornal Nacional.

 

Há ainda em meio ao material apreendido pela PF um pedaço de papel com uma soma feita em máquina de calcular. Traz uma anotação manuscrita: "119 Campo Grande" e o nome de Claudio Márcio S. Silva, além das palavras "arrecadação, caixa, caxias, 118".

A PF obteve outro dado que considera relevante: a lista de passageiros de um vôo. Decolou de Brasília rumo a São Paulo no dia 14 de setembro. Estava a bordo Jorge Lorenzetti, o ex-funcionário do comitê de Lula implicado no dossiêgate. A data do vôo coincide com o dia que Gedimar Padilha disse ter recebido o dinheiro para a compra do dossiê. Gedimar é aquele sujeito que, depois de preso, disse em depoimento à PF, que fora contratado pela Executiva Nacional do PT para adquirir o dossiê antitucanato.

 

O blog apurou que a PF avançou também no rastreamento dos reais apreendidos em São Paulo. Sabia-se desde quarta-feira que a gana fora sacada em três bancos: Bradesco, Safra e BankBoston. Descobriu-se a localização das agências bancárias. Duas ficam em São Paulo, nos bairros da Barra Funda e da Lapa. Outra fica no Rio, em Duque de Caxias.

Escrito por Josias de Souza às 00h48

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‘Operação Tabajara’ injeta suspense na eleição

Os problemas de Alckmin ainda não acabaram. Mas, graças à entrada em cena de um time completo de “personal dossiê adquirators” da equipe Tabajara de "inteligência" do PT, o que era impensável –a hipótese do segundo turno—ganhou ares de vaga possibilidade.

Duas novas pesquisas divulgadas nesta quinta -Ibope (gráfico abaixo) e Vox Populi- reiteram o favoritismo de Lula, num quadro que pode ser definido como estável. Mas o presidente oscilou para baixo em uma delas. E Alckmin deslizou para cima em ambas. De acordo com o Ibope, Lula foi de 50% para 49%; Alckmin,de 29% para 30%. Os pesquisadores do Ibope foram às ruas entre 18 e 20 de setembro.

Na sondagem do Vox Populi, Lula foi de 50% para 51%. E Alckmin, de 25% para 27%. A diferença é que a pesquisa do Vox Populi, realizada entre os dias 16 e 19 de setembro, foi fechada antes da do Ibope.

Para cavar uma vaga segura no segundo turno, Alckmin precisa abrir um dique nos índices de Lula. A fenda precisa ser grande o bastante para fazer escoar da taxa de intenções de voto do adversário algo como cinco pontos percentuais (coisa de 7 milhões de votos).

É fácil? De jeito nenhum. É impossível? Não. Sobretudo depois que o PT presenteou Alckmin com o “fato novo” que o tucanato procurava ou durante toda a campanha. Os especialistas, que antes descartavam o segundo turno em uníssono, agora soam mais cautelosos.

Correndo contra o tempo, os marqueteiros de Alckmin transformaram o dossiêgate no grande mote da propaganda televisiva. Nesta quinta, o programa tucano exibiu fúria inédita. Foi quase que totalmente tomado pelo esforço de vincular Lula ao novo escândalo.

Depois de associar todos os personagens do dossiêgate ao presidente –o assessor palaciano, o churrasqueiro, os funcionários do comitê reeleitoral e o coordenador da campanha—, a propaganda tucana proporcionou ao telespectador uma imagem que a Polícia Federal sonegara.

Exibiu-se na telinha uma pilha de papéis em formato de dinheiro para dar ao eleitor uma idéia do tamanho do monturo de notas apreendido com os petistas que transacionavam a compra do dossiê antitucano na semana passada. “Dinheiro vivo”, frisou o locutor.

O próprio Alckmin, que em programas anteriores vinha transferindo aos locutores as críticas a Lula, interveio diretamente. "O assessor especial está envolvido, auxiliares de Lula estão envolvidos, o presidente do PT está envolvido" disse o candidato, em timbre enfático. "Que presidente é esse que não sabe de nada, não viu nada? Um presidente tem a obrigação de saber o que se passa ao redor dele". Instou o eleitorado a “Varrer da história do país escândalos e mais escândalos."

Lula, que vinha ignorando olimpicamente os ataques, viu-se compelido a defender-se. A parte inicial do programa desta quinta foi reservada a um pronunciamento do presidente. Disse que a corrupção aparece porque seu governo não tentou “varrer o lixo para baixo do tapete”. Informou ter afastado todos os envolvidos no dossiêgate, inclusive Ricardo Berzoini, seu coordenador de campanha. Declarou-se avesso ao uso de dossiês –“Esse nunca foi e nunca será o meu estilo.”

O embate retórico será repisado nos programas que ainda restam até o dia da eleição. Serão mais três, sem contar as inserções distribuídas ao longo da programação. As próximas pesquisas dirão se o segundo turno –hoje uma vaga possibilidade—pode ou não ocorrer. Datafolha e Ibope informaram ao TSE que farão novas sondagens. A do Datafolha será fechada nesta sexta. A do Ibope, no domingo.

Escrito por Josias de Souza às 23h34

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Justiça repassa dossiê à CPI das Sanguessugas

A Justiça Federal de Mato Grosso autorizou o envio à CPI das Sanguessugas de todo o material apreendido pela Polícia Federal na investigação do dossiêgate. A ordem foi expedida pelo juiz Marcos Tavares. Ele atendeu a um pedido formulado em ofício do presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).

 

De posse do material, a CPI incluirá no rol de investigados José Serra e Barjas Negri, ex-ministros da Saúde na gestão Fernando Henrique Cardoso. Por ora, estavam sendo apurados apenas fatos relacionados às gestões do petista Humberto Costa e do peemedebista Saraiva Felipe, que comandaram a pasta da Saúde na gestão Lula.

 

Serão encaminhadas à CPI todas as peças que compõem o dossiê levado ao balcão pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. O material foi apreendido na última sexta-feira, antes de ser comercializado com emissários petistas por R$ 1,7 milhão.

 

Há no dossiê antitucanato seis fotos, uma agenda, uma fita de vídeo e um DVD. As imagens mostram políticos do PSDB ao lado de congressistas que estão sendo processados no Conselho de Ética por terem supostamente trocado emendas ao orçamento por propinas pagas pela Planam. A fita e o DVD contêm cenas de uma cerimônia de entrega de 41 ambulâncias, em 2001, com a presença do então ministro José Serra. Deu-se em Cuiabá, num galpão da Planam.

 

Duas das fotos exibem imagens do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Para o comitê tucano, a inclusão dessas fotos no dossiê evidencia a tentativa de interferir no processo eleitoral de modo espúrio. Diferentemente do que se tentou propagar, Alckmin não esteve em Cuiabá. As fotos foram tiradas em março de 2004, durante o 48º Congresso Estadual dos Municípios paulistas, em Campos do Jordão (SP). É uma solenidade à qual os governadores de São Paulo comparecem rotineiramente. De resto, enquanto governou São Paulo, Alckmin jamais adquiriu ambulâncias da Planam. Ele as comprava diretamente das montadoras, por meio de pregões eletrônicos

 

Além do pedido à Justiça, Biscaia enviou ofícios também à direção da Polícia Federal e ao Ministério Público. O procurador da República Mario Lucio Avelar, baseado em Cuiabá, vai remeter à CPI cópia da representação protocolada por Luiz Antonio Vedoin, na véspera da explosão do escândalo do dossiê.

 

No documento, Vedoin diz ter repassado recursos a Barjas Negri, sucessor de Serra no Ministério da Saúde, por meio de um empresário chamado Abel Pereira. Ele anexou à representação vários comprovantes bancários. Barjas nega que tenha mantido relacionamento monetário com Vedoin.

 

O procurador Mario Lucio, que acompanha também a investigação d tentativa de venda do dossiê, decidiu abrir um procedimento para dar curso à representação de Vedoin. Primeiro, deseja confirmar os repasses a Abel Pereira. Depois, quer saber por que ele recebeu dinheiro de Vedoin. Por último, deseja apurar se o empresário tem algum vínculo com Barjas Negri.

 

A análise dos documentos na CPI só será feita depois da eleição. Em reunião realizada no início da semana, a direção da comissão concluiu que, assim como a PF e o Ministério Público, terá de apurar os contornos do dossiêgate e, simultaneamente, as suspeitas de interferência da Planam também sobre a gestão do Ministério da Saúde no governo FHC.

 

O novo tom de Luiz Antonio Vedoin destoa de seus depoimentos anteriores. Inquirido pela Justiça, pelo Ministério Público e pela própria CPI das Sanguessugas, o dono da Planam sempre isentou Serra e Barjas Negri de participação no esquema de superfaturamento de ambulâncias. A assessoria de José Serra afirma que o empresário mudou o discurso porque foi instrumentalizado por uma “baixaria de campanha” patrocinada pelo PT. Sustenta que, na sua época, as liberações orçamentárias eram feitas automaticamente, sem nenhum tipo de interferência externa.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

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Comitê de Lula desativa setor de ‘inteligência’

  Sérgio Lima/F.Imagem
Lula disse que afastou Ricardo Berzoini do comando de sua campanha porque não podia ter um coordenador que iria passar os dez dias que faltam para a eleição “dando explicações sobre dossiê”. Acomodado no lugar de Berzoini, Marco Aurélio Garcia deu hoje a sua primeira entrevista coletiva. Não fez senão dar “explicações sobre o dossiê.”

 

Garcia informou aos jornalistas algo alvissareiro: vai desativar o setor de “inteligência” do comitê de campanha de Lula. Foi a melhor notícia da entrevista. Vendo-se o resultado do trabalho dos arapongas petistas, constata-se que a “inteligência” desse pessoal é mais vasta do que a tolice humana.

 

"Esse setor eu nem conhecia e pelo desempenho não me parece muito inteligente", reconheceu Garcia. O novo coordenador viu-se constrangido a reconhecer o envolvimento de petistas na “Operação Tabajara”. Embora o prestígio de Berzoini e de outros dois petistas ligados ao comitê de Lula tenham sido carbonizados nas labaredas do escândalo, Garcia disse os fatos sob investigação "correm marginalmente à coordenação da campanha".

 

"Nós repudiamos essa operação que algumas pessoas tentaram levar adiante”, acrescentou o novo coordenador do comitê reeleitoral. “O PT não fez nenhuma iniciativa, mas hoje é de caráter público que pessoas estão envolvidas nessa operação. O PT não paga por dossiê, não atua nessa direção. As pessoas que fizeram isso foi à revelia do partido e trouxeram prejuízos extraordinários do ponto de vista político." Segundo Garcia, a campanha de Lula continua trabalhando com a perspectiva de vitória em primeiro turno.

 

Informado acerca da entrevista de Garcia, o comitê de Geraldo Alckmin escalou o coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra, para disputar com ele os espaços do noticiário. Guerra disse que Lula empurrou a esquerda brasileira para um "submundo" de corrupção.

 

Otimista, Guerra afirmou que Alckmin já está no segundo turno. Guerra disse que a consolidação da candidatura tucana é um processo que antecede o escândalo. Curiosamente, afirma que a exploração da encrenca na propaganda eleitoral será intensificada.

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Lula na Globo: escândalo, escândalo, escândalo...

  Divulgação/Globo
A entrevista fora marcada para que Lula falasse sobre o seu programa de governo. Mas ele passou 20 minutos respondendo a perguntas monotemáticas no Bom Dia Brasil, da Globo: só deu escândalo. Pressione na foto para assistir.

Ao final, o apresentador Renato Machado disse a Lula que ele não usara por completo os seus 30 segundos finais. E o presidente, com cara de poucos amigos: “Eu não usei porque eu pensei que ia discutir programa de governo e terminou não discutindo.”

“É claro que é grave”, disse Lula acerca da proximidade que as pessoas envolvidas no dossiêgate têm com ele, com o governo e com o PT. Em seguida, disse que não lhe cabe senão “afastar” os suspeitos. Depois, a encrenca passa a ser coisa da polícia, do Ministério Público e Justiça.

 

Vá lá, admita-se que o presidente não tem mesmo muito a fazer depois que o guisado foi para o beleléu. O problema, no caso de Lula, é que esta é a terceira ou quarta vez que a receita desanda. O presidente tem-se mostrado excessivamente fiel ao erro na hora de trocar os ingredientes.

 

Lula falou sobre o sacrifício de Ricardo Berzoini, um dos iguarias bichados que levara à panela: “Não posso, faltando dez dias de campanha, ter na coordenação uma pessoa que vai passar dez dias respondendo sobre dossiê. Preciso ter alguém que faça a campanha”.

 

A julgar pela entrevista do próprio Lula, Berzoini não será o único petista que passará os próximos dias, talvez meses, “respondendo sobre dossiê”. É como disse Lula na entrevista: "Mexer com bandido não dá certo." Aliás, Luiz Antônio Vedoin, o chefão da máfia das sanguessugas, decerto está dizendo o mesmo dos lulistas com os quais transacionou. 

 

Alckmin comentou a alegação de Lula de que nada tem a ganhar com a divulgação do dossiê contra ele e José Serra. Aliás, na entrevista ao Bom Dia Brasil, Luila disse que o dossiê era apenas contra Serra. Seu adversário comparou-o, veja você, a um ladrão de automóvel (clica).

Escrito por Josias de Souza às 09h13

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Sem argumentos!

 

Não deixe de visitar o sítio charge.com.

Escrito por Josias de Souza às 06h13

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Ação do TSE põe em risco segundo mandato de Lula

  Sérgio Lima/F.Imagem
Se for reeleito, como indicam as pesquisas, Lula pode ter um início de segundo mandato conturbado. Em entrevista ao blog, o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, informou que a investigação judicial aberta pela Justiça Eleitoral para apurar o dossiêgate só será concluída no final de 2006 ou início de 2007. Se forem comprovadas transgressões à lei, disse Marco Aurélio, “os reflexos recairão sobre candidatos já eleitos.”

Que reflexos são esses? Caso a representação ajuizada por PSDB e PFL seja julgada procedente, o TSE terá de declarar a inelegibilidade dos envolvidos por um período de três anos. Determinará, ainda, a cassação do registro de candidatos que tenham sido beneficiados pela interferência ilegal na eleição. E enviará o processo ao Ministério Público Eleitoral para a abertura de ação visando a impugnação do mandato obtido nas urnas. É o que determina o artigo 14, parágrafos 10 e 11 da Constituição. É o que preceitua também o artigo 262, inciso IV, do Código Eleitoral.

Marco Aurélio conversou com o blog à 00h05, depois do encerramento do expediente noturno do TSE. Fez questão de frisar que falava em tese. “Não estou fazendo pré-julgamento. Falo do instrumental que temos à disposição para qualquer processo. Neste caso específico, a presumir-se alguma coisa, tem que ser presumida a ausência de envolvimento. É preciso aguardar o encerramento do processo”.

O blog perguntou a Marco Aurélio se, uma vez detectadas ilegalidades, o tribunal poderia impor sanções apenas ao PT, já que Lula alega que não sabia do envolvimento do partido e de integrantes de seu comitê de campanha na tentativa de compra, por R$ 1,7 milhão, do dossiê conta os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. A resposta do ministro negativa.

“Há um elo, uma contaminação. Dificilmente se chegará à conclusão de que o candidato em si estaria alheio a tudo. Sob o ângulo eleitoral, temos disposições que alcançam o beneficiário do ato julgado ilegal, ainda que não saiba. Do contrário seria muito fácil. Qualquer candidato poderia alegar desconhecimento de ilegalidades para fugir a eventuais punições.”

A investigação do dossiêgate está a cargo do ministro César Asfor Rocha, corregedor-geral do TSE. Nesta quarta-feira, ele enviou ofício à Polícia Federal requisitando cópia integral do inquérito. Foi o primeiro ato formal no processo depois do acatamento da representação protocolada por PSDB e PFL. Se julgar necessário, César Rocha pode requisitar diligências à PF, que, neste caso, atua como polícia judiciária.

Segundo explicou Marco Aurélio ao blog, a ação do TSE não constitui uma interferência no trabalho da PF. “Há independência processual”, diz ele. Interessam ao tribunal apenas os aspectos eleitorais envolvidos no inquérito. São transgressões previstas no artigo 19 da Lei de Inelegibilidades, de 1990 –origem do dinheiro e abuso do poder econômico, por exemplo.

A próxima providência do ministro César Rocha será a expedição de notificações aos investigados, para que apresentem defesa em cinco dias. Cada um poderá indicar até seis testemunhas de defesa. Além de Lula, encontram-se sob investigação o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça); o presidente do PT, Ricardo Berzoini; o ex-assessor especial da Presidência Freud Godoy; e os petistas Gedimar Pereira Passos e Valdebran Carlos Padilha.

Marco Aurélio lamentou que Lula e o PT estejam novamente enredados em suspeições: “Quando nós imaginamos que tudo já veio à tona, surge mais esse problema. Qual é a tendência? Quando se é apanhado num desvio qualquer, fica-se mais atento com os parâmetros legais e com os princípios que são próprios da vida em sociedade. Assim deveria ser.”

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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PF interroga Vedoin nesta quinta, em Cuiabá

  Sérgio Lima/F.Imagem
A Polícia Federal vai inquirir nesta quinta-feira, em Cuiabá, Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das sanguessugas. O interrogatório será conduzido pelo delegado Diógenes Curado Filho, que preside o inquérito do dossiêgate. Deseja-se arrancar de Vedoin novos detalhes sobre a montagem e tentativa de venda, por R$ 1,7 milhão, do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

O depoimento de Vedoin é considerado pela PF crucial para a elucidação dos mistérios que ainda rondam a “Operação Tabajara”, como o caso foi apelidado pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Depois de ouvir o sócio da Planam, o delegado Diógenes Filho deseja inquirir todos os demais personagens do caso que ainda não foram ouvidos.

No decorrer desta quarta-feira, a PF iniciou os contatos para marcar as datas dos depoimentos de Expedito Afonso Veloso (afastado nesta quarta da diretoria de Gestão de Risco do Banco do Brasil), Oswaldo Bargas (ex-secretário de Relações do Trabalho no Ministério do Trabalho e assessor do comitê de Lula) e Jorge Lorenzetti (afastado das funções de analista de risco e mídia da campanha reeleitoral).

Todos foram associados ao dossiêgate. O delegado vai interrogá-los em Brasília. Depois, intimará o presidente do PT, Ricardo Berzoini, afastado da coordenação nacional da campanha de Lula. Investiga-se o crime de lavagem de dinheiro e eventuais prejuízos ao erário. A prioridade da PF no momento é o rastreamento do dinheiro apreendido na última sexta-feira, em São Paulo –cerca de R$ 1,7 milhão, uma parte em reais e outra em dólares.

Os reais, descobriu a PF, vieram de três bancos: Bradesco, Safra e BankBoston. Tenta-se agora localizar as agências em que foram feitos os saques e os nomes dos sacadores. Gedimar Pereira Passos informou, em depoimento, ter recebido da Executiva Nacional do PT a missão de adquirir o dossiê. O material lhe seria repassado por Valdebran Padilha, um petista que intermediava a transação em nome de Vedoin.

Gedimar contou que chegou a repassar R$ 1 milhão a Valdebran. Disse que o dinheiro lhe teria sido repassado, na garagem do Hotel Íbis, em São Paulo, por uma pessoa cujo nome não declinou. Descreveu-a assim: homem, branco, aparência de 45 anos. O emissário da mala chegou ao local de táxi.

Quanto ao restante dos maços de dinheiro, que completaram a quantia de R$ 1,7 milhão, Gedimar disse ter recebido de uma pessoa chamada André, que seria vinculada ao PT. A PF já dispõe de uma lista de petistas que atendem pelo nome de André. Encontram-se sob monitoramento.

Quanto à quantia em dólar que apreendeu na capital paulista, a PF recorrerá ao governo dos EUA para tentar refazer o caminho do dinheiro. O pedido de cooperação será enviado às autoridades norte-americanas pelo DRCI, o Departamento de recuperação de Ativos do Ministério da Justiça. A PF avalia que não terá condições de concluir o inquérito antes do primeiro turno das eleições, marcado para daqui a nove dias.  

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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As manchetes desta quinta

- Folha: Cai chefe da campanha de Lula

- Estadão: Escândalo derruba chefes de campanhas do PT

- Globo: Escândalo do dossiê derruba Berzoini da campanha de Lula

- Correio: Escândalo derruba chefe da campanha de Lula

- Valor: BNDES muda prioridades e vai dar apoio a inovações

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Carne queimada!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Cai Berzoini; Marco Aurélio é novo coordenador

  Folha Imagem
O deputado Ricardo Berzoini (SP) não é mais o coordenador da campanha de Lula. Ele foi afastado em reunião realizada há pouco no Planalto. Estava presente, além de Lula e Berzoini, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), um dos mais ferrenhos defensores da troca de comando da campanha.

Marco Aurélio Garcia substituirá Berzoini na coordenação do comitê reeleitoral. Ele é vice-presidente do PT e coordenador da elaboração do programa de governo de Lula. Para dedicar-se exclusivamente à campanha, Marco Aurélio será exonerado ainda nesta quarta-feira da função de assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais.

Num dia marcado pela sucessão de degolas, foi à lâmina também o coordenador de Comunicação da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda. Ao todo, o dossiêgate já produziu cinco escalpos de petistas. Entre as cabeças levadas à bandeja, a de Berzoini é, por ora, a mais vistosa. Além da coordenação da campanha, o deputado perdeu também o futuro. Sonhava largo. Queria ser presidente da Câmara ou ministro forte de Lula num eventual segundo mandato. Não é só: Berzoini pode ser privado ainda da presidência do PT.

Conforme divulgado aqui no blog na noite passada, Lula começou a cogitar o afastamento de Berzoini antes mesmo de deixar Nova York. Em diálogo telefônico que manteve, no meio da noite, com um de seus auxiliares palacianos, Lula deixara antever que a posição de Berzoini estava sob risco. 

Pesou decisivamente na decisão um dado repassado ontem a Lula. Informou-se ao presidente que a Polícia Federal intimará Berzoini para prestar esclarecimentos. A dez dias do primeiro turno das eleições, o presidente Lula não quis submter sua candidatura a riscos de contágio maiores do que os que já vêm ocorrendo. 

No diálogo da noite passada, Lula dissera ao assessor que refletiria sobre a encrenca na viagem de volta ao Brasil. Afirmou que não decidiria nada antes de conversar com o próprio Berzoini. Já em Brasília, reuniu-se com Berzoini pela manhã. O deputado pôs o cargo de coordenador à disposição do presidente. Ms Lula o manteve em suspense.

À tarde, o presidente realizou uma série de consultas. As opiniões que ouviu foram majoritariamente favoráveis ao sacrifício de Berzoini. Superando uma dificuldade crônica que tem de lidar com o corte de cabeças, Lula chamou Berzoini ao Planalto e anunciou a sua decisão. Pediu compreensão ao deputado. Disse que os interesses da campanha estão acima de desejos individuais.

A situação de Berzoini se complicou com a divulgação, há dois dias, de uma nota de Época. A revista disse ter sido procurada por dois petistas interessados em empurrar o dossiê contra José Serra. Ambos eram vinculados ao comitê de Lula. Um deles informou que, “no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro (...), mas sem ter conhecimento do conteúdo do material”.

Abalado, Berzoini cancelou uma entrevista coletiva que havia programado. Preferiu falar por meio de uma nota. Informou que, de fato, tivera conhecimento do contato com a revista. Mas ressalvou: “Jamais tive ciência do conteúdo abordado nesse encontro, conforme reproduzido fielmente pelo site da revista.”

A alegação de Berzoini soou inverossímil até no Planalto. Os dois petistas que estiveram com o repórter de Época eram diretamente vinculados a ele na estrutura do comitê de campanha de Lula: Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula; e Jorge Lorenzetti, analista de risco e de mídia, já afastado do comitê de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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CUT vê motivação ‘golpista’ por trás do dossiêgate

Alinhada à candidatura reeleitoral de Lula, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) enxerga nos desdobramentos do dossiêgate “uma tentativa de instalar o caos, com vistas a aventuras golpistas que ameaçam romper as regras democráticas”. Em nota oficial divulgada nesta quarta a direção executiva da central anotou que há uma “parcialidade escandalosa”. Um “menosprezo à opinião pública”. Diz ainda o texto: “A vontade popular é soberana e não pode ser violada sob nenhum pretexto.”

 

Para a diretoria da CUT, as pessoas envolvidas na confecção e na tentativa de compra do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin devem ser “punidos”. Mas, para que haja “isenção”, a apuração deve alcançar também o conteúdo do dossiê.

 

“A CUT não aceita que apenas um dos lados dessa questão seja objeto de investigação e debate público, como vem acontecendo nos últimos dias. Afinal, existe ou não o dossiê? Se a resposta for positiva, os poderes instituídos e a imprensa têm o dever de revelá-lo à opinião pública e identificar as irregularidades nele contidas”, anota o texto divulgado pela central sindical.

 

Não é à toa que a CUT apressou-se em divulgar uma manifestação sobre o caso. Dois dois principais envolvidos naquilo que o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) chamou de “Operação Tabajara” têm vínculos históricos com a central lulista. São eles: Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti.

 

Bargas debutou na política sindical na década de 80. Assumiu em 1981 a secretaria-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, filiado à CUT. Sob Lula, foi guindado, com os aplausos da central, à Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho na gestão de Ricardo Berzoini.

 

Lorenzetti ajudou a fundar a CUT e o PT em Santa Catarina, seu Estado natal. Sempre foi um entusiasta do envolvimento da central nas campanhas política de Lula. Exerceu funções de diretoria na CUT na mesma época em que Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, integrava os quadros da organização. Natural, poranto, que a CUT esteja preocupada com a “parcialidade” das investigações.

 

A principal peça do dossiê que a CUT julga inexplorado nas investigações é um DVD de 23 minutos. Mostra solenidade realizada em 2001 num galpão da Planam, ninho das sanguessugas, em Cuiabá. O então ministro da Saúde, José Serra, confraterniza com deputados hoje submetidos tachados de sanguessugas. Ainda não viu? Então pressione aqui para assistir.

 

Leia abaixo, a íntegra da nota da CUT:

 

“A CUT condena qualquer tipo de chantagem e exige que todos os fatos relacionados ao chamado dossiê das sanguessugas sejam apurados com isenção, e aqueles que tiverem responsabilidade comprovada no caso, punidos. Isso inclui a revelação de todo o conteúdo do suposto dossiê. A CUT não aceita que apenas um dos lados dessa questão seja objeto de investigação e debate público, como vem acontecendo nos últimos dias. Afinal, existe ou não o dossiê? Se a resposta for positiva, os poderes instituídos e a imprensa têm o dever de revelá-lo à opinião pública e identificar as irregularidades nele contidas.

 

Se apenas uma das facetas desse caso tiver exposição pública, ficará configurado no episódio uma tentativa de instalar o caos, com vistas a aventuras golpistas que ameaçam romper as regras democráticas. Acima de tudo, a manutenção dessa parcialidade escandalosa, a poucas semanas das eleições, é um menosprezo à opinião popular, expressa nos altos índices de aprovação do Governo Lula.

 

Em momentos como esse que vivemos, é importante também que os poderes da República preservem sua independência, em defesa do Estado de Direito, e não se coloquem a serviço de partidos.

A vontade popular é soberana e não pode ser violada sob nenhum pretexto.”

Escrito por Josias de Souza às 18h32

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Cai diretor do BB envolvido no dossiêgate

Foi passada na lâmina a cabeça de mais um petista acusado de envolvimento no dossiêgate. Expedito Afonso Veloso, diretor do Banco do Brasil, foi afastado na tarde desta quarta-feira. Ele ocupava a Diretoria de Gestão e Risco da instituição. Depois uma reunião dos membros do Conselho de Administração do BB, redigiu uma carta formalizando o seu afastamento.

Na carta, Afonso Veloso anotou: “(...) Estou em gozo de licença anual remunerada (férias), desde agosto último. Nesse período, atendi, por minha livre e espontânea vontade, a questões estritamente particulares, não tendo levado ao conhecimento de meus superiores no banco a natureza dessas atividades”.

Em seguida, Afonso Veloso escreve que “essas atividades não tiveram e não têm qualquer relação com o Banco do Brasil.” Isenta a instituição de “qualquer relação com os fatos divulgados”. E formaliza o pedido de afastamento, que foi prontamente aceito.

Para a Polícia Federal, Afonso Veloso teve participação ativa no dossiêgate. Desde que tirou férias no BB, ele vinha trabalhando no comitê de campanha de Lula. Na semana em que veio à tona o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, ele se encontrava em Cuiabá. Teria conversado com Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, sócios da Planam e chefões da máfia sanguessuga, a conceder entrevista à revista IstoÉ. será inquirido pela PF nos próximos dias.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

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Dinheiro do dossiê foi sacado em três bancos

A Polícia Federal já desvendou uma parte do mistério. Aqueles dois petistas de nome esquisito –Gedimar e Valdebran—estavam no mesmo barco. Agora, os investigadores estão na bica de descobrir algo ainda mais relevante: de onde veio a água.

Revelou-se nesta quarta que boa parte da grana que financiaria a “Operação Tabajara” foi sacada em três bancos: Bradesco, Safra e Boston. O blog apurou junto à PF que parte das notas apreendidas na última sexta feita estavam enroladas em maços com fitas de identificação dessas três casas bancárias. Logo se chegará aos nomes dos titulares das contas e dos sacadores.

E não pára de crescer a lista de implicados no dossiêgate. Em depoimento à PF, Valdebran Padilha, o lobista do PT matogrossense, mencionou um personagem novo: Expedito Afonso Veloso. Vem a ser diretor de Gestão e Risco do Banco do Brasil.

 

Estava faltando mesmo um funcionário do Banco do Brasil neste novo escândalo. Na era Lula, não há escândalo digno de nota sem uma participação qualquer de alguém injetado pelo PT nos quadros do BB. Expedito foi incluído no rol de pessoas que a PF pretende inquirir nos próximos dias.

 

Além dele, vão ao banco de interrogatórios Oswaldo Bargas, responsável pelo capítulo de Emprego e Trabalho do programa de governo de Lula; e Jorge Lorenzetti, afastado ontem das funções de analista de risco e mídia do comitê reeleitoral. Por último, será chamado a dar explicações o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 16h21

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Lula discute idéia de afastar Berzoini da campanha

Ricardo Stuckert/PR
 

A ‘Operação Tabajara’, apelido que o ministro Tarso Genro deu à tentativa de compra de um dossiê antitucanato, levou à berlinda Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha de Lula. Pelo telefone, o presidente da República acompanhou, desde Nova York, os desdobramentos do ‘dossiêgate’. Parecia particularmente aborrecido com a súbita aparição de Berzoini no miolo do torvelinho.

Em diálogo telefônico que manteve, no meio da noite, com um de seus auxiliares palacianos, Lula deixou antever que confia na manutenção de Berzoini em sua campanha só até certo ponto. O ponto de interrogação. O presidente perguntou ao assessor o que ele achava que deveria ser feito para isolar o Planalto da crise.

O colaborador rememorou outras duas encrencas: o escândalo do mensalão e o ‘caseirogate’. Lembrou que, depois de tentar segurar no governo José Dirceu e Antonio Palocci, o presidente viu-se compelido a aceitar o afastamento de ambos. E arrematou: “Não podemos repetir o mesmo erro. Melhor eliminar o problema já. Estamos a poucos dias da eleição. Não é hora de correr riscos.”

Lula disse que refletiria sobre a encrenca na viagem de volta ao Brasil. Afirmou que não decidiria nada antes de conversar, na volta, com o próprio Berzoini. Queria, de resto, ouvir mais gente. O presidente é conhecido entre as pessoas que privam de sua intimidade como uma pessoa que não consegue lidar bem o corte de cabeças. Ainda em Nova York, limitou-se a condenar, em entrevista (assista), o recurso a dossiês como peça de campanha política.

A situação de Berzoini se complicou com a divulgação, nesta terça, de uma nota de Época (leia). A revista disse ter sido procurada por dois petistas interessados em empurrar denúncias contra José Serra. Um deles informou que, “no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro (...), mas sem ter conhecimento do conteúdo do material”.

Berzoini programara uma entrevista coletiva para esta segunda. Constrangido, cancelou o encontro com os repórteres. Preferiu falar por meio de uma nota (aqui), livrando-se da exposição ao contraditório. Informou que, de fato, tivera conhecimento do contato com a revista. Mas ressalvou: “Jamais tive ciência do conteúdo abordado nesse encontro, conforme reproduzido fielmente pelo site da revista.”

Até no Planalto a alegação de Berzoini soou inverossímil. Sobretudo porque os dois petistas que estiveram com o repórter de Época estão diretamente vinculados a ele na estrutura do comitê de campanha de Lula, São eles: Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula; e Jorge Lorenzetti, analista de risco e de mídia do comitê reeleitoral.

Antes de viajar para Nova York, Lula reunira-se no Planalto com o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Ouviu um relato pormenorizado do resultado das investigações da Polícia Federal. O PT não ficou bem na foto esboçada por Bastos na conversa. Antes de embarcar para os EUA, o presidente dissera a assessores que não via outra solução senão o sacrifício dos petistas envolvidos.

Não imaginava àquela altura, porem, que também a cabeça de Berzoini flertaria com a bandeja. Nesta terça, foi informado de que o presidente do PT e coordenador de sua campanha será intimado pela Polícia Federal, para prestar esclarecimentos.

O PT ofereceu em holocausto o escalpo de Jorge Lorenzetti. O “analista de risco”, eufemismo para espião de adversários, foi instado a se desligar do comitê de Lula. Em nota (leia), ele reconheceu que extrapolou “os limites de suas atribuições”. Mas negou que houvesse autorizado "o emprego de qualquer tipo de negociação financeira na busca de informações relacionadas a adversários políticos".

 

A manifestação de Lorenzetti deixou boiando no ar uma dúvida e uma pergunta. A dúvida –De onde veio o dinheiro (R$ 1,7 milhão) oferecido em troca do dossiê?—terá de ser respondida pela Polícia Federal. Quanto à pergunta –O sacrifício de Lorenzetti será suficiente para eliminar os riscos de contágio da campanha?—caberá a Lula responder. Parte de sua assessoria acha que a resposta é “não”.

 

PS.: De volta ao Brasil, Lula recebeu Ricardo Berzoini e outros grão-petistas e aliados no Palácio da Alvorada. Na saída, Berzoini disse que fica (leia). Na fase inaugural de outros escândalos, gente como Palocci e Dirceu dizia a mesma coisa. 

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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As manchetes desta quarta

- Folha: Ex-secretário de Berzoini negociou dossiê, diz revista

- Estadão: Escândalo atinge Berzoini e TSE decide investigar Lula

- Globo: Presidente do PT também é envolvido em escândalo

- Correio: Dossiê complica cada vez mais o PT

- Valor: Lei Kandir agora ameaça tirar R$ 17 bi dos Estados

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Costas vulneráveis!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Lula mantém favoritismo, informa o Datafolha

Nova pesquisa Datafolha informa que, a 12 dias da eleição, Lula (50%) está 21 pontos à frente de seu principal adversário, Geraldo Alckmin (29%). Se a eleiçao fosse hoje, o presidente seria reeleito em primeiro turno, com 56% dos votos válidos, numa conta que exclui os votos brancos e nulos.

 

Esta é a primeira sondagem eleitoral realizada depois do surgimento do “dossiêgate”. Lula manteve o mesmo percentual de votos que ostentava uma semana atrás. Alckmin, que tinha 28% na última terça-feira, oscilou um ponto para cima, dentro da margem de erro.

 

Embora siga uma trajetória ascendente, Alckmin (24% antes do início da propaganda eleitoral) não roubou votos de Lula. Para tentar reverter o quadro, o tucanato joga todas as suas fichas na exploração do caso da venda do dossiê. As próximas pesquisas dirão se dessa vez o prestígio de Lula será abalado.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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TSE abre investigação para apurar ‘dossiêgate’

  O Grito/Edvard Munch
O Tribunal Superior Eleitoral abriu uma investigação judicial eleitoral contra Lula e os petistas suspeitos de envolvimento na tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, informa a repórter Gabriela Guerreiro. O pedido havia protocolado ontem pelos presidentes do PSDB, Tasso Jereissati, e do PFL, Jorge Bornhausen. E foi acatado por César Asfor Rocha, corregedor-geral do TSE.

 

Por ordem do corregedor Asfor Rocha, o TSE expedirá notificação ao presidente da República e aos demais investigados, comunicando-os acerca do início da apuração. Entre os notificados estão dois petistas presos pela Polícia Federal –Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva –, o presidente do PT e coordenador nacional da campanha de Lula, Ricardo Berzoini (SP), e o próprio ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), a quem a PF está subordinada.

 

O TSE requisitou à PF cópia integral do inquérito aberto para apurar a tentativa de venda do dossiê. O corregedor determinou à Polícia Federal que mantenha a Justiça Eleitoral informada sobre os desdobramentos da apuração. E requisitou a perícia do dinheiro apreendido na última sexta-feira em poder de Gedimar Passis e Valdebran Padilha (cerca de R$ 1,7 milhão, em notas de reais e de dólares).

 

O ministro Thomaz Bastos foi incluído no rol de investigados porque tucanos e pefelistas o acusam na representação enviada ao TSE de ter interferido no trabalho da PF. Segundo a oposição, o ministro teria agido para evitar o registro do flagrante da compra do dossiê. Em contrapartida, a PF permitiu a exposição pública do material apreendido em Cuiabá, com fotos e DVDs de Serra e Alckmin, vinculando os candidatos tucanos ao escândalo das sanguessugas.

Berzoini será notificado porque é presidente do PT. PSDB e PFL o apontam como responsável pela tentativa de compra do dossiê. O futuro de Lula fica agora condicionado ao resultado da apuração do TSE. Se o tribunal concluir que o presidente Lula teve participação no episódio, pode declara-lo inelegível por três anos, a contar de 2008. Se reeleito, Lula pode ter o novo mandato questionado. Conforme o resultado das apurações, a oposição pode protocolar três tipos de ação: a impugnação da diplomação de Lula, o embargo à expedição do diploma ou a impugnação do mandato.

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Juiz de MT manda soltar envolvidos no ‘dossiêgate’

O juiz Marcos Tavares, 1o Vara Federal de Mato Grosso, mandou soltar os envolvidos na tentativa de comercialização de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. O procurador Mário Lúcio Avelar, havia protocolado na noite passada um pedido de prorrogação da prisão dos petistas Valdebran Padilha e Gedimar Perreira Passos e de Paulo Roberto Dalcol Trevisan, tio de Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam e autor do dossiê. O juiz indeferiu o pedido do Ministério Público.

 

O magistrado Tavares indeferiu também outros dois pedidos do procurador Avelar: as prisões de Freud Godoy, o assessor especial do Palácio do Planalto que se demitiu do cargo ontem, e de Darci Vedoin, o outro sócio da Planam. O Ministério Público vai recorrer das decisões (leia).

 

Na opinião do juiz Tavares, a manutenção das prisões já efetuadas e as novas detenções solicitadas por Avelar são desnecessárias. Alega que a inquirição dos acusados e as diligências feitas pela Polícia Federal foram elucidativas o bastante para a instrução inicial do processo.

 

Reinquirido nesta terça-feira, o lobista Valdebran Padilha, filiado ao PT desde 2004, confirmou à Polícia Federal que o dinheiro para a compra do dossiê veio do partido de Lula. Padilha disse também à PF que o PT era mesmo o destinatário dos dados colecionados por Luiz Antonio Vedoin (veja aqui e aqui).

Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Tarso Genro chama dossiê de ‘Operação Tabajara’

  Alan Marques/Folha Imagem
Referindo-se aos responsáveis pela tentativa de comercialização de um dossiê contra o tucanato, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse: “Uma pessoa, para se envolver numa coisa como essas, além de ser mau-caráter, tem que ser muito burra”. Genro falou ao blog pouco depois de ter conversado pelo telefone com Lula, que se encontra em Nova York.

 

“O que eu gostaria”, completou o ministro, “é que isso fosse investigado com toda a profundida e que se alguma dessas pessoas mencionadas estão envolvidas, se descobrisse também quem são os mandantes, quem é que autorizou isso aí. Porque aqui do Palácio, do círculo do presidente, das pessoas que convivem com o presidente isso  não saiu isso. Todos ficamos aterrados. O presidente ficou estarrecido. Então é preciso saber quem foi que criou clima, quem criou a possibilidade e quem orientou pessoas a fazerem esse tipo de operações Tabajara (referência às Organizações Tabajara do humorístico Casseta & Planeta)”.

 

Segundo Genro, Lula e todo o governo gostaria que fossem respondidas algumas “questões cruciais”: “A quem interessa acontecer uma coisa como essa nesse instante? Interessaria ao presidente da República, que está com 20 pontos na frente [nas pesquisas]? Certamente não. Então, isso tem que sair aqui do Palácio [do Planalto], tem que sair aqui de Brasília. As pessoas devem responder onde haja motivação e responsabilidade, não aqui.”

 

No instante em que conversou com o blog, Genro ainda não havia tomado conhecimento da nota divulgada pela Época (veja texto abaixo), que arrastou para o centro do escândalo o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador nacional da campanha de Lula. Algo que produz um movimento inverso ao pretendido pelo ministro: em vez de afastar-se, o caso se achega cada vez mais a Brasília.

 

Genro disse não acreditar no envolvimento do PT, “como instituição”, no dossiêgate. Afirmou que, se for confirmada a participação de pessoas vinculadas ao partido, elas “agiram individualmente, não em nome da instituição partidária”. O ministro completou: “Nenhum organismo do PT deliberou sobre isso. Isso é atitude de indivíduos que, se têm responsabilidade, devem assumi-la”.

 

A despeito das primeiras evidências levantadas pela Polícia Federal, o ministro não exclui de suas cogitações a hipótese de envolvimento do lado adversário: “É um fato que pode ter sido criado para prejudicar o [Geraldo] Alckmin ou até para prejudicar o próprio presidente Lula. Em qualquer hipótese é condenável. Onde tem dinheiro e dossiês tem corrupção. O que pode ter ocorrido nesse processo? Pode ter ocorrido que gente, no meio desse mundo obscuro, tenha tido uma atitude dupla. Então,  pode ter ocorrido, sim, uma operação para prejudicar o governo e para tentar reerguer a candidatura do Alckmin. Não estou dizendo que tenha relação com o Alckmin ou com o PSDB. É que esse mundo tem leis próprias”. Em campanha no rio, Alckmin remou em sentido inverso. Vinculou o caso ao Planalto.

 

Acha que haverá prejuízo para a candidatura Lula? “É difícil de dizer. Até aqui, veicularam-se várias denúncias, todas destinadas a atingir o presidente e, independentemente do seu mérito e da sua justeza, não têm atingido. A população dá um voto de confiança ao caráter do presidente, à sua história. E sabe que hábitos ilegais no Estado não são novidade. Sabe também que o sistema de corrupção está sendo desvendado por conta de uma ação do governo Lula. As coisas se compensam”.

 

De resto, disse Tarso Genro, “a oposição, na sua fúria, vem colocando fatos graves, importantes e sérios e fatos secundários, irrisórios e calúnias num mesmo plano, esvaziando a carga das denúncias. A população deixou de levar a sério por identificar na exaustão do denuncismo interesses eleitoreiros”. O ministro considera relevante também investigar os dados contidos no dossiê que foi ao balcão. "A investigação", disse ele, "tem interesse público em todas as suas dimensões."

Escrito por Josias de Souza às 17h24

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Em nota, Época envolve Berzoini no ‘dossiêgate’

A revista Época, do Grupo Globo, divulgou há pouco em seu blog, uma nota de esclarecimento sobre o caso da tentativa de comercialização de um dossiê contra o tucano José Serra. Informou que um de seus repórteres foi procurado há duas semanas por dois membros do comitê de campanha de Lula. Sondaram-no sobre o interesse da revista em veicular denúncias contra Serra. No curso da conversa, os petistas disseram que, "no PT, apenas Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter (...)”. Esclareceram que Aloizio Mercadante, candidato do partido ao governo de São Paulo, não sabia de nada.

É a primeira vez que o nome de Berzoini é envolvido no caso. Até aqui, ele vinha negando qualquer tipo de envolvimento da direção nacional do PT no episódio. Segundo a nota de Época, o repórter Ricardo Mendonça reuniu-se, no dia 6 de setembro, numa suíte do Hotel Crowne Plaza, em São Paulo, com duas pessoas: Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti. O primeiro é ex-secretário do Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula. O outro é churrasqueiro eventual de Lula e analista de risco e mídia da campanha do presidente.

No encontro, os dois petistas disseram que haviam sido procurados por "alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome". As acusações seriam comprovadas "por meio de fotos, vídeos e de farta documentação". Citaram Serra e o sucessor dele no Ministério da Saúde, Barjas Negri. Coube a Bargas perguntar se Época tinha interesse em publicar as informações. O repórter, segundo a nota, disse que gostaria de conhecer o material, mas condicionou a veiculação à verificação da "relevância e consistência das acusações".

Na noite do mesmo dia 6 de setembro, Oswaldo Bargas telefonou para o repórter de Época para dizer que o denunciante voltara atrás. Uma semana depois, outra revista, a IstoÉ publicou entrevista de Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, sócios da Planam e chefões da quadrilha sanguessuga, com acusações contra Serra e Barjas Negri. Simultaneamente à publicação da entrevista, a Polícia Federal abortou a operação de venda do dossiê contra o tucanato.  

Eis a íntegra da nota da revista:

Em depoimento à Polícia Federal, o advogado Gedimar Pereira Passos - que afirma ter sido contratado pelo PT para negociar um dossiê com denúncias contra o candidato José Serra - citou a revista Época”, diz a nota. “Diante dessa citação, Época gostaria de esclarecer que:

1) Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula, procurou há duas semanas o jornalista Ricardo Mendonça, de ÉPOCA. Ele pediu um encontro com o repórter.

2) O encontro foi marcado para uma suíte do hotel Crowne Plaza, em São Paulo, no final da tarde do dia 6 de setembro.Nessa reunião estava presente também Jorge Lorenzetti, analista de risco e mídia da campanha de Lula. Bargas afirmou ter sido procurado por alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome. As acusações, segundo ele, poderiam ser comprovadas por meio de fotos, vídeos e de uma "farta documentação". Bargas perguntou se havia interesse da revista em publicá-las.

3) O repórter de ÉPOCA disse que tinha interesse em conhecer o teor das denúncias, mas não se comprometeria a publicá-las. Isso dependeria de uma investigação sobre a relevância e a consistência das acusações.

4) Bargas afirmou não ter nada para mostrar naquele momento. Disse que não podia especificar quais eram as denúncias nem quem era o denunciante. Diante da insistência do repórter, ele disse apenas que as denúncias seriam fortes o suficiente para desmoralizar o candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri.

5) Durante o encontro, Bargas e Lorenzetti disseram várias vezes que aquela reunião nada tinha a ver com o PT nem com o governo. Aquele encontro, segundo eles, servia apenas para sondar o interesse de ÉPOCA. Bargas afirmou que Aloizio Mercadante, concorrente de Serra na disputa pelo governo de São Paulo, não sabia das denúncias nem da reunião. Disse ainda que, no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter, mas sem ter conhecimento do conteúdo do material.

6) No final da reunião, que durou cerca de 30 minutos, Bargas disse que voltaria a falar com o denunciante e depois entraria em contato com o repórter.

7) Naquela mesma noite, Bargas telefonou para avisar que o denunciante voltara atrás e não queria mais apresentar o material, nem dar entrevista. Uma semana depois, a revista Istoé publicou a entrevista em que Darci e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planan, acusavam Serra e Barjas Negri.

Escrito por Josias de Souza às 15h38

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Sobre política, políticos e outros bichos

Sobre política, políticos e outros bichos

A chuva de escândalos também tem o seu lado positivo. Aguça a criatividade da Polícia Federal. E proporciona ao país aulas quase que diárias de zoologia. Com direito a especialização em entomologia e ornitologia.

 

Eterno pato, o brasileiro já conheceu dos gafanhotos -ortópetros que atacavam a folha salarial do Estado de Roraima- às sanguessugas -anelídeos que se apossaram do Orçamento da República-, passando pelas toupeiras - mamíferos que, cavoucando, chegaram aos subterrâneos do Banco Cental.

 

Como que desejosos de aperfeiçoar os conhecimentos zoológicos dos patrícios, Lula e ACM envolveram-se numa contenda animal. Em comício na Bahia, no domingo, o presidente chamou o morubixaba baiano de “hamster do Nordeste. Foi a forma, por assim dizer,  carinhosa que encontrou de chamar ACM de roedor.

 

Mamífero da família dos cricetídeos, o hamster é a versão soft do rato. Mede no máximo 30 cm e é adornado com uma bolsa na parte interna da face que lhe confere uma aparência bochechuda. Há até quem se anime a mantê-los em casa, como animaizinhos de estimação.

 

Pôde-se medir a deferência de Lula para com ACM no instante em que o presidente referiu-se, num comício em Belém, aos tucanos. Mostrando ser versado na matéria, chamou-os de “aves predadoras”. Os tucanos, aves ranfastídeas, vivem em pequenos bandos e, de fato, costumam pilhar os ninhos de outros ovíparos.

 

Ingrato, ACM deu de ombros para a condescendência de Lula. “Não conheço hamster, só ouvi falar”, disse ele, preferindo se auto-definir como “gato caçador”. Enxerga no presidente uma presa, digamos, idealizada –um “rato gordo e etílico, cujos furtos no Palácio do Planalto eu tenho denunciado no Congresso Nacional."

 

Embora roedor como o hamster, o rato diferencia-se pela cor –a espécie “rato-preto” é a mais encontradiça—e pelo formato dos dentes molares, pontiagudos. ACM nem precisaria ter sido tão específico. Os dicionários já consagram acepções metafóricas e pouco honrosas: “ladrão”, “larápio” e “amigo do alheio”, por exemplo.

 

Como se vê, o linguajar “barato” (com trocadilho, por favor) da política vai proporcionando ao distinto público aulas memoráveis e involuntárias do mundo inumano. Convém prestar atenção e tirar o máximo proveito. As lições parecem gratuitas. Mas não são. Vêm custando muito caro ao país.

Escrito por Josias de Souza às 09h28

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Identidade ideológica!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 09h07

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As manchetes desta terça

- Folha: Acusado de negociar dossiê, assessor pessoal de Lula cai

- Estadão: Cai assessor especial de Lula envolvido com dossiê

- Globo: Principal acusado da compra de dossiê é assessor direto de Lula

- Correio: Dossiê derruba assessor de Lula

- Valor: Real forte provoca queda de 5% nas exportações aos EUA

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h59

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O segredo de Vedoin!

Não deixe de assistir à animação exibida no sítio Charge.com.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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‘Dossiêgate’ será atração na propaganda de Alckmin

Saem o mensalão, os dólares na cueca, o caso Waldomiro Diniz e o escândalo das sanguessugas. Entra o ‘dossiêgate’. O comitê de campanha do presidenciável Geraldo Alckmin decidiu explorar em sua propaganda eleitoral televisiva a mais nova encrenca em que se enredou o PT. O tucanato enxerga nos desdobramentos do caso os contornos de um “fato novo” capaz de drenar prestígio da candidatura Lula e de levar a eleição ao segundo turno.

 

A nova estratégia vinha sendo discutida desde o final de semana. A entrada em cena de um assessor direto de Lula –Freud Godoy—levou à batida de martelo. Discutiu-se ao longo da segunda-feira apenas se haveria tempo para incluir o novo tema já na propaganda desta terça ou se o assunto teria de ir ao ar só a partir de quinta.

 

A idéia da equipe de marketing de Alckmin é a de associar o caso da produção e tentativa de comercialização de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin diretamente à direção nacional do PT e ao Palácio do Planalto. Imagina-se que os ingredientes do caso –verbas de má origem, petistas freqüentando o submundo e suspeitas recaindo sobre um assessor palaciano—vão reavivar no imaginário do eleitor a fase áurea dos escândalos da era petista.

 

O principal alvo do dossiê levado ao balcão por Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias, era José Serra, candidato ao governo de São Paulo. Mas a exploração mais incisiva será feita na propaganda de Geraldo Alckmin, que teve duas fotos inseridas no dossiê. O objetivo é tentar desgastar Lula, vinculando-o à imagem de líder de um agrupamento partidário com feições de “quadrilha”.

 

A peça de resistência do kit anti-tucanato preparado por Vedoin é um DVD de 23 minutos. Exibe cenas de uma solenidade de entrega de 41 unidades hospitalares móveis. Deu-se num galpão da Planam, em Cuiabá, em 2001. Conforme noticiado aqui no blog na madrugada do último domingo, Serra, então ministro da Saúde, aparece nas imagens confraternizando com congressistas sanguessugas. (assista aqui à versão integral, ou aqui à peça resumida).

 

O discurso do tucanato é o de que as imagens não arranham a idoneidade de Serra. Diz-se que, durante a sua gestão, as verbas orçamentárias eram liberadas automaticamente, sem a interferência de parlamentares ou de representantes da Planam. Afirma-se, de resto, que o então ministro não poderia suspeitar cinco anos atrás que os parlamentares com os quais celebrou a entrega de ambulâncias seriam pilhados no escândalo da troca de emendas orçamentárias por propinas.

 

Para o comitê tucano, as fotos de Alckmin evidenciam de modo ainda mais nítido a tentativa de interferir no processo eleitoral de maneira espúria. Diferentemente do que se tentou propagar, Alckmin não esteve em Cuiabá. As fotos foram tiradas em março de 2004, durante o 48º Congresso Estadual dos Municípios paulistas, em Campos do Jordão (SP). É uma solenidade à qual os governadores de São Paulo comparecem rotineiramente. Na gestão Alckmin, o governo paulista não comprou ambulâncias produzidas pela Planam. Eram adquiridas diretamente das montadoras, por meio de pregões eletrônicos.

 

As menções ao “dossiêgate” na propaganda eleitoral tucana serão escoradas no noticiário da imprensa. Entende-se que esta é a melhor forma de emprestar “credibilidade” ao episódio, dissociando a sua exploração daquilo que realmente é: a tática de um candidato que, em desvantagem nas pesquisas, empenha-se em produzir uma reviravolta no panorama eleitoral.

 

A ofensiva televisiva vem adensar a estratégia já desencadeada no front político, com a apresentação do pedido para que a Justiça Eleitoral promova a investigação do caso. Uma maneira nada sutil que PSDB e PFL encontraram de dizer que não confiam na isenção da Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Lula tenta, uma vez mais, se dissociar do PT

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Lula, em cena de 27-12-2002, ao lado de Freud Godoy (de frente à direita)

 

Construiu-se ao redor de Lula uma versão uniforme para o episódio do ‘DossiêGate’. A exemplo do que ocorreu na época em que estourou o escândalo mensalão, tenta-se dissociar a figura do presidente do PT. Informa-se que Lula está “indignado” e “perplexo” com a descoberta do suposto envolvimento de seu assessor Freud Godoy com a tentativa de compra de um dossiê montado para atingir os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

 

O blog ouviu os adjetivos “indignado” e “perplexo” de dois auxiliares diferentes de Lula. Estiveram com o presidente antes que ele embarcasse, no início da tarde, para Nova York. Lula reuniu-se também com o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça). De acordo com a versão oficial, o presidente pediu a Bastos que leve a investigação às últimas conseqüências.

 

Os interlocutores de Lula nesta segunda dizem ter encontrado o presidente desconsolado com o desdobramento do caso do dossiê. O presidente valeu-se de uma expressão de calão raso ao referiu-se aos indícios de envolvimento de seu partido em mais um escândalo. Disse que se trata de “uma cagada”.

 

Lula declarou, sempre segundo a versão de seus auxiliares, que não pretende “passar a mão na cabeça de nenhum petista”. Se alguém errou, disse ele, “que pague pelo erro”. Teria feito comentários pouco amistosos em relação ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), coordenador nacional de sua campanha. Como que esquecendo-se por um segundo de que Freud Godoy é assessor de seu gabinete pessoal, com sala no mesmo andar em que está assentado o gabinete presidencial, Lula disse não entender como Berzoini não enxergou “coisas que aconteciam debaixo do seu nariz”.

 

Além de Freud Godoy, também o ex-agente da PF Gedimar Pereira Passos, preso pela Polícia Federal na última sexta-feira, trabalha para o comitê reeleitoral de Lula. É lotado no setor de segurança e informação da campanha. Daí, dizem os auxiliares de Lula, a “indignação” do presidente. Considerou “inconcebível” que personagens tão próximos à sua campanha tenham descido ao submundo para adquirir um dossiê que, a seu juízo, além de revelar-se “pífio” pelo conteúdo, era “desnecessário” do ponto de vista estratégico.

 

Segundo o raciocínio de Lula, o favoritismo que ostenta em todas as pesquisas de opinião torna ainda mais incompreensível o recurso ao “golpe baixo”. Para o presidente, seu próprio partido deu à oposição, “de mão beijada”, o “fato novo” que os adversários tanto ansiavam.

 

A despeito da contrariedade, Lula mostrou-se otimista. Acha que o episódio não vai produzir danos à sua popularidade. Avalia que o fato de ter condenado antecipadamente a feitura de dossiês, em discurso no último sábado, deixou clara a sua posição. Menciona também o fato de ter defendido publicamente o tucano José Serra.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

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Polícia Federal entra no caso dos grampos no TSE

Os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Marco Aurélio de Mello (presidente do Tribunal Superior Eleitoral) conversaram nesta segunda por telefone. Combinaram que a Polícia Federal, subordinada a Bastos, abrirá inquérito para investigar o caso da instalação de grampos em três telefones do tribunal. Detectaram-se escutas nos aparelhos usados pelo próprio Marco Aurélio e por outros dois ministros do TSE: Cezar Peluso e Marcelo Ribeiro. 

Além de Marco Aurélio, também o
STF (Supremo Tribunal Federal) pediu ao Ministério da Justiça a entrada da PF no caso. Deu-se, de novo, por meio de em telefonema. A presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, discou para Bastos. Ele informou a ela que já havia acionado o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda.

Os grampos ilegais foram desentocados, na quarta-feira da semana passada, pela empresa Fence Consultoria Empresarial Ltda., contratada pelo TSE para promover uma varredura nos telefones dos ministros e de funcionários graduados do tribunal. Resta agora saber quem são os meliantes. Mais uma missão para a briosa PF. São tantas as lambanças que vai acabar faltando (a)gente.

Escrito por Josias de Souza às 17h12

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Depois de Delúbio & Cia. emerge o PT freudiano

  Reproduçao/TV Globo

Deu-se o inaceitável. É mesmo de linha freudiana a mais nova lambança em que se meteu o PT. O personagem da foto ao lado arrastou para a ante-sala de Lula o caso da tentativa de compra de um dossiê contra José Serra e Geraldo Alckmin. Chama-se Freud Godoy. Nas campanhas eleitorais de Lula, atuava como segurança. Hoje, é assessor especial da secretaria particular do presidente da República.

 

Em entrevista ao Jornal Hoje, da Globo (assista), Freud reconheceu algo que nem a Freud seria dado explicar. Disse que, de fato, encontrou-se quatro vezes com Gedimar Pereira Passos, o sujeito que foi preso na sexta, em São Paulo, com parte do dinheiro que seria usado para comprar, no mercado negro eleitoral, o dossiê contra o tucanato.

 

Farejando o cheiro de queimado, o próprio Lula discou para Freud na manhã desta segunda. Falaram sobre “quebra de confiança”. Freud disse ter falado para o chefe o seguinte: “Se o problema do senhor de governar e de [fazer] campanha for eu, o senhor pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir muito tranqüilo porque eu tenho como afirmar e como provar que eu não tenho nada a ver com isso”.

 

Freud terá mesmo que provar muita coisa. Será ouvido logo mais, às 17h, pela Polícia Federal, em São Paulo. Pereira Passos, o comprador de dossiês detido na sexta, contou à polícia que estava a serviço da Executiva Nacional do PT. Disse que seus préstimos foram contratados por Freud, que seria proprietário de uma empresa de segurança.

Em linguagem algo psicanalítica, o acusado tenta se explicar: “Meu nome é Freud, trabalho com o presidente e minha esposa tem uma empresa de segurança. Isso tudo é verdade. Até aí, que eu fiz esse tipo de negociata, de pegar dinheiro, ou mandar alguém fazer qualquer coisa, eu quero ver como ele prova isso”.

Freud conta que conheceu Pereira Passos há coisa de um mês. Onde? Na sede do diretório do PT, em Brasília. Como se conheceram? Foram apresentados por Jorge Lorenzetti. Quem é Lorenzetti? Um catarinense, funcionário do Banco do Estado de Santa Catarina, que costuma freqüentar a Granja do Torto. Ali, produz memoráveis churrascos para Lula. No momento, também presta serviços ao comitê reeleitoral.

Cabem aqui algumas perguntas: como é que Luiz Inácio ‘não sabia de nadinha’ da Silva, favorito em todas as pesquisas, deixa um personagem como esse Freud rondando à solta no Palácio do Planalto? Por que um funcionário da presidência está sendo usado para executar tarefas de campanha, algo proibido por lei? Como pode Ricardo ‘também não sabia de nada’ Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, afirmar que o partido não tem nada a ver com o peixe podre da compra do dossiê?

A permanência de Freud no Palácio do Planalto chegou ao fim. Ele já pediu demissão do cargo de assessor especial. Se não pedisse para sair, seria posto no olho da rua. Deixa atrás de si um rastro de suspeitas que pode ter efeitos danosos para a campanha de Lula e de Aloizio Mercadante, candidato petista ao governo de São Paulo. Resta saber o tamanho do arranhão.

Freud descerá aos porões do PT em condição análoga às de Delúbio Soares e Silvinho Pereira. É mais um dos arquivos vivos-mortos da legenda, detentores de segredos insondáveis. Faltam escassos 12 dias para o primeiro turno das eleições. No ritmo em que as coisas caminham, não se deve descartar a hipótese de surgir do nada, a qualquer momento, um petista chamado Lacan. 

Escrito por Josias de Souza às 15h12

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PF procura Freud no ofidiário

 

 

Quando o brasileiro imagina estar diante do impensável, logo lhe aparece o inaceitável. E o inimaginável. E o inacreditável. E o... A leitura do depoimento que Gedimar Pereira Passos prestou à Polícia Federal é uma dessas peças que levam a escalada de absurdos a estágios que nem a Freud é dado explicar. A repórter Renata Lo Prete leu a peça (clica).  

 

Preso na sexta, em São Paulo, com parte do dinheiro que seria usado para comprar o dossiê do chefão sanguessuga Luiz Vedoin contra José Serra e Geraldo Alckmin, Pereira Passos disse o impensável: que estava a serviço do PT. E o inaceitável: que fora contratado pela Executiva Nacional do partido. E o inimaginável: que uma da grana apreendida pela PF (R$ 1,7 milhão) veio do PT. E o inacreditável: que outra parte da grana veio de uma revista.

 

Lá pelas tantas, Pereira Passos escalou o estágio freudiano. Disse que a missão suja lhe fora repassada por um sujeito chamado “Froude” ou “Freud”. Seria, segundo dise à PF, dono de uma empresa de segurança com operações no eixo Rio-São Paulo. Em notícia assinada por uma trinca de repórteres –Sônia Filgueiras, Vannildo Mendes e Ana Paula Scinocca—, o Estadão (assinantes) informa:

 

“Há pistas que apontam para Freud Godoy, atual assessor do Gabinete da Presidência e ex-coordenador de segurança das quatro campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. É uma espécie de fiel escudeiro do presidente desde a década de 80. Segundo informações de funcionários do Diretório Nacional do PT de São Paulo, Freud é sócio de uma empresa de segurança que presta serviços ao partido. Ele foi procurado, mas não foi localizado (...)”.

 

Nesta segunda, os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati, e do PFL, Jorge Bornhausen, irão ao encontro de Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE, no Rio. Querem discutir com ele os termos de uma representação que irão apresentar, pedindo a cassação do registro da candidatura de Lula.

 

Logo, logo o brasileiro estará clamando para que lhe devolvam o seu velho país. Aquela nação maravilhosa em cujas fronteiras praticava-se apenas o pecado relacionado ao sexo. Coisa facilmente explicável pelos manuais da psicanálise freudiana.

Escrito por Josias de Souza às 09h41

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As manchetes desta segunda

- Folha: Preso diz que PT pagou entrevista contra Serra

- Estadão: PF tem nome de petista que mandou comprar dossiê

- Globo: Tucanos recorrem ao TSE contra ação política da PF

- Correio: CPI quer examinar dossiê contra Serra

- Valor: Lula propõe pacto para votar projetos essenciais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h08

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Mercado Negro!

Glauco

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Telefones de ministros do TSE foram grampeados

Os telefones do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio de Mello, e de outros dois ministros, Cezar Peluso e Marcelo Ribeiro, foram grampeados. A escuta foi detectada por uma empresa contratada para fazer uma varredura das linhas telefônicas utilizadas pelos ministros e por funcionários do alto escalão do tribunal.

A varredura foi encomendada pelo diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho. Nesta segunda-feira, ele vai conceder uma entrevista coletiva para revelar os detalhes de mais este caso. Será às 9h, no auditório do TSE. A Polícia Federal está sendo acionada. Abespinhado com a bisbilhotagem, o ministro Marco Aurélio quer que sejam descobertos os responsáveis pelo grampo.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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CPI decide investigar gestão de Serra na Saúde

  Roosewelt Pinheiro/ABr
A CPI das Sanguessugas requisitará nesta segunda-feira ao Ministério Público e à Justiça Federal de Mato Grosso todos os dados disponíveis sobre as gestões de José Serra e de Barjas Negri no Ministério da Saúde durante o governo FHC. É o que informa o vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE). “Irei pessoalmente a Brasília nesta segunda-feira para providenciar a requisição”, disse Jungmann ao blog.

 

Segundo Jungmann, a CPI deseja obter cópias do vídeo, do DVD e das fotos que compõem o dossiê que Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam, tentou vender como peça de campanha contra Serra. Foram apreendidos pela Polícia Federal na noite da última quinta-feira.

 

A comissão quer conhecer também o teor da nova representação que Vedoin protocolou no Ministério Público Federal, em Cuiabá, com acusações contra Barjas Negri, que assumiu a pasta da Saúde em 2002, quando Serra deixou o governo para concorrer à presidência da República.

 

“Desde o início dos seus trabalhos, a CPI fixou uma espécie de súmula”, disse Jungmann. “Não corremos atrás da palavra do [Luiz Antônio] Vedoin. Sabemos que ele se transformou, por assim dizer, num pistoleiro de aluguel. Mas não podemos desconhecer os documentos e comprovantes levados formalmente ao Ministério Público e à Justiça. Temos a obrigação de analisar os dados, para saber se têm consistência”.

 

Jungmann afirmou que, vencida a fase em que foram apuradas as acusações contra os congressistas sanguessugas, a CPI voltará as suas atenções para as ramificações do esquema no Poder Executivo. Informa que Serra e Barjas Negri, os dois ex-ministros de FHC, “receberão o mesmo tipo de tratamento” que vem sendo dispensado a Saraiva Felipe (PMDB) e Humberto Costa (PT), os dois titulares da Saúde na administração Lula que se encontram sob investigação.

 

“Não se está pré-julgando ninguém. Mas os dados com os quais trabalhamos são peças que compõem a apuração oficial. E nós não podemos nos furtar a analisá-los. Até para verificar se têm ou não consistência.”

 

Até aqui, em todos os depoimentos que prestara ao Ministério Público, à Justiça e à própria CPI, Luiz Antônio Vedoin isentara Serra e Barjas Negri de envolvimento no esquema da compra superfaturada de ambulâncias. E não foi por falta de pergunta.

 

Na inquirição feita na CPI, por exemplo, o dono da Planam foi espremido por dois deputados petistas de Pernambuco: Fernando Ferro e Paulo Rubem Santiago. Crivaram-no de perguntas sobre a maneira como eram liberadas as verbas nas gestões de Serra e de Barjas Negri. E Vedoin: “(...) o governo Fernando Henrique sempre honrava, não com a minha interferência. Era normal o governo liberar [as verbas]. Não era eu que fazia o governo liberar ou eu negociava, liberava-se normal (...)”.

 

Perguntou-se especificamente a Vedoin sobre as relações de um empresário chamado Abel Pereira com o ex-ministro Barjas Negri. Ele desconversou. Agora, na nova repersentação que protocolou no Ministério Público, na última quinta-feira, o dono da Planam sustenta que repassou dinheiro para o sucessor de Serra no ministério, por meio de depósitos bancários em favor de empresas que teriam como sócio o mesmo Abel Pereira. Na opinião de Jungmann, compartilhada por outros integrantes da cúpula da CPI, é obrigação da comissão averiguar todos esses fatos.

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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As manchetes deste domingo

- Folha: PT-SP pagou por dossiê contra Serra, diz preso

- Estadão: PF investiga ação do PT paulista contra Serra

- Globo: Lula diz que repudia dossiê que era negociado por petista

- Correio: Excesso de endividamento ameaça vendas de Natal

- Valor: McDonald's vende lojas em operação de R$ 1,5 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 04h15

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'Agora é para cima e para o alto!'

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 04h09

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Assista ao DVD que Darci Vedoin queria vender

A principal peça do kit que Luiz Antonio Trevisan Vedoin levou ao balcão no submundo eleitoral é um DVD de 23 minutos. Mostra uma solenidade realizada em 2001 num galpão da Planam, a empresa que comandava a máfia das sanguessugas, em Cuiabá. Inclui cenas em que o então ministro da Saúde, José Serra, aparece confraternizando com deputados hoje submetidos ao Conselho de Ética da Câmara por suspeita de recebimento de propina em troca de emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas.

 

“É a primeira vez que vejo uma bancada de deputados fazer isso no Brasil, porque são investimentos relativamente modestos e que têm produtividade muito alta e atinge muitos municípios”, diz José Serra no vídeo. Referia-se a 41 unidades médicas que foram entregues na solenidade à qual compareceu. São furgões e ônibus. Custaram à época R$ 6 milhões. Verba assegurada por meio de uma emenda coletiva da bancada federal de Mato Grosso ao Orçamento da União. Pressione aqui para assistir gratuitamente ao DVD que compõe o dossiê orçado em R$ 1,7 milhão no mercado negro eleitoral.

 

As imagens foram veiculadas no sítio noticioso Olhar Direto. O blog confirmou a autenticidade da peça com um dos funcionários da Polícia Federal que cuidam do caso. Tomadas isoladamente, as cenas do DVD não constituem prova cabal do envolvimento de José Serra com os trambiques da máfia das sanguessugas. Sempre se poderá argumentar que Serra foi utilizado pela máfia. Fica patente, porém, que, no mínimo, o Ministério da Saúde, sob o comando de Serra, foi incapaz de detectar uma encrenca que, sabe-se hoje, começou no governo Fernando Henrique Cardoso e se manteve na gestão Lula: a farra da aquisição de ambulâncias superfaturadas com verbas da União.

 

As primeiras cenas do DVD que Luiz Antônio Vedoin pretendia vender mostram a chegada de furgões odontológicos ao galpão da Planam. Em determinados trechos, surgem no vídeo Darci Vedoin e o próprio Luiz Vedoin, donos da Planam e chefões da máfia das ambulâncias. Serra chegou ao local acompanhado do então governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), morto recentemente. Vistoriando uma das unidades móveis de saúde, Serra comentou: “Muito legal”.

 

Os três parlamentares que mais aparecem nas imagens são: Pedro Henry (PP), Lino Rossi (PP) e Ricarte de Freitas (PTB). Integravam à época a bancada federal do PSDB. Acusados de receber propinas da Planam, os três foram incluídos pela CPI das Sanguessugas na lista de congressistas sujeitos à cassação de mandato por terem supostamente trocado emendas ao Orçamento por propinas pagas pela Planam.

 

"A intenção da bancada de Mato Grosso quando criou esse programa, com apoio do Ministério da Saúde, é justamente fazer o (trabalho) preventivo. Eu estou patrocinando R$ 6 milhões, acho que o Henry R$ 2 milhões (...), enfim, todos os deputados do PSDB estão patrocinando no orçamento deste ano uma emenda pra isso", diz Lino Rossi em entrevista exposta no DVD de 2001.  

"Idealizamos uma nova forma de fazer a ação de saúde, ter um instrumento móvel para atender à necessidade da comunidade onde ela se encontra. Daí surgiu a idéia de trabalharmos numa ação da bancada federal de Mato Grosso do PSDB e patrocinar uma emenda que pudesse, através de recursos da União, proporcionar a obtenção de unidades móveis de saúde", ecoou Pedro Henry em outra entrevista contida no DVD.

 

Geraldo Alckmin não aparece no DVD. Segundo a Polícia Federal, o presidenciável tucano é visto apenas numa foto, também inserida no dossiê preparado por Luiz Vedoin. Além dele, há fotos do senador Antero Paes de Barros e da deputada Thelma de Oliveira, ambos do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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Preso diz à PF que dinheiro veio do PT e de revista

Gedimar Pereira Passos, um dos personagens presos na sexta, por suposto envolvimento na tentativa de comprar um dossiê envolvendo José Serra e Geraldo Alckmin no escândalo das sanguessugas, contou à Polícia Federal que recebeu parte do dinheiro de um membro do PT, em São Paulo. Não revelou o nome. Disse que outra parte do dinheiro teria vindo de uma revista. De novo, esquivou-se de revelar o logotipo da publicação.

 

Pereira Passos é advogado e ex-agente da Polícia Federal. Afirma que estava a serviço do PT. A PF o deteve num hotel próximo ao Aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Em outro quarto da mesma hospedaria foi à algema Valdebran Com Passos, filiado ao PT de Mato Grosso desde 2004.

 

Com Pereira Passos, a PF apreendeu US$ 139 mil e R$ 410 mil em dinheiro. Com Padilha Silva, U$ 109 mil e mais R$ 758 mil. Ricardo Berzoini, presidente do PT, negou que o partido tenha repassado dinheiro para a compra do dossiê. Mais cedo, Berzoini divulgara no sítio do PT nota na qual diz: 1) são graves as acusações contra Serra; 2) o partido sempre rejeitou a tática de produzir dossiês ilegais; 3) propôs ao diretório nacional a suspensão cautelar do filiado Padilha Silva; 4) a manobra visa atingir a candidatura Lula.

O tema do dossiê foi abordado na propaganda televisiva do presidenciável Geraldo Alckmin veiculada na noite deste sábado. Não na boca do candidato, mas de um locutor. Sobre imagens de reportagens de jornal sobre o caso, o locutor perguntou a quem serviria a encrenca. No programa de Lula, o assunto foi ignorado.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Os zumbis da República

Os zumbis da República

O grande livro ensina, em Eclesiastes (3,1-3), que “tudo tem o seu tempo determinado” debaixo do Sol. “Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar...”. Na vida pública, há pessoas que perdem a noção do seu próprio tempo. É o caso dos ex-presidente da República.

Em qualquer lugar sério do mundo, aos ex-presidentes é reservado, depois do exercício do mandato, uma posição de respeitoso recolhimento. Protegidos por vantagens do Estado –salário, transporte e carregadores de mala—, funcionam como os velhos pajés indígenas. Tornam-se os sábios da tribo. Pessoas às quais, de raro em raro, pode-se recorrer em busca de um ou outro conselho.

 

No Brasil não é assim. Há hoje no país quatro ex-presidentes vivos: José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Os dois primeiros estão metidos na refrega eleitoral. O terceiro só não vai às urnas porque foi preterido pelo próprio partido. E o quarto deu para verter a própria amargura sobre manifestos extemporâneos.

 

Excetuando-se Collor, cujo passado não recomenda como conselheiro, os demais teriam credenciais, mais ou menos viçosas, não importa, para vestir o manto de pajé. Recusam-se, porém, ao recolhimento. Metem-se no jogo raso da política com o vigor de jovens iniciantes. Comprometem as próprias credenciais na mesquinharia das disputas cotidianas.

 

Num país em que a política se confunde com a safadeza, parece despropositado tratar-se de uma questão como o retiro de ex-presidentes. Mas, numa época em que germinam as bases de uma reforma política, talvez seja o caso de arrumar um lugar no ordenamento jurídico para acomodar esses personagens.

 

Tome-se o exemplo dos EUA. Os presidentes que deixam o cargo voltam-se para fundações batizadas com os seus nomes. São erigidas em seus Estados de origem e guardam toda a documentação referente aos respectivos ciclos no poder. Não se imagina, por absurdo, que possam rebaixar-se em disputas para governos locais ou para o Congresso.

 

Há também o exemplo da Itália. Ali, os ex-presidentes ganham, ao deixar o cargo, cadeiras honoríficas no Senado. Têm direito a voto. E, do alto da tribuna, distribuem conselhos à tribo.

 

Entre nós, até ex-presidentes escorraçados vão às urnas com enorme sem-cerimônia, como faz Collor. Outros sujeitam-se a virar subordinados de seus sucessores, ocupando embaixadas no exterior, como fez Itamar Franco. Há ainda quem busque refúgio em Estados remotos, com receio de não ser eleito em seu próprio torrão, como fez e faz Sarney. Há também quem constranja a própria biografia passando o chapéu entre o empresariado para custear uma fundação com o seu nome, caso de FHC.

 

Algo precisa ser feito com os nossos ex-presidentes. É constrangedor, para o país e para os próprios, vê-los pedindo votos, padecendo derrotas temporãs, pendurando apaniguados na engrenagem estatal ou simplesmente perdidos em algum lugar situado entre a fronteira da amargura e do ciúme.

Escrito por Josias de Souza às 18h48

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Bastos promete ao PSDB investigação ‘imparcial’

Moacir Lopes Jr./Folha Imagem
 

 

O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse ao senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e a José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo, que a Polícia Federal fará uma investigação “isenta” e “imparcial” do caso da tentativa de comercialização do dossiê implicando o tucanato no escândalo das sanguessugas. Informou a ambos que recebeu de Lula ordem expressa para levar a elucidação às últimas conseqüências. Disse que o presidente está “indignado” com o episódio.

 

Tasso e Serra telefonaram para Thomaz Bastos neste sábado. Os dois se disseram preocupados com a tentativa de macular o processo eleitoral com jogadas escusas. O ministro, segundo apurou o blog, tranqüilizou-os. Assegurou-lhes que a Polícia Federal fará uma apuração isenta de influências políticas e partidárias. “Não tenho dúvida disso”, respondeu Tasso Jereissati, que fazia campanha no interior do Ceará.

 

Thomaz Bastos manteve diversas conversas telefônicas com Lula nas últimas 72 horas.

O presidente ponderou, segundo revelações feitas por Thomaz Bastos às pessoas que lhe telefonaram neste sábado, que a apuração deveria ser rigorosa. Acha essencial que a PF chegue à pessoa que se dispôs a desembolsar R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê elaborado contra Serra e o presidenciável Geraldo Alckmin pelo dono da Planam, Luiz Antônio Vedoin.

 

Além de Tasso e Serra, discaram para o ministro da Justiça o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o candidato petista Aloizio Mercadante, oponente de Serra na corrida ao Palácio dos Bandeirantes. Thomaz Bastos repetiu aos dois o que dissera aos líderes tucanos. Mostrou-se também otimista quanto à possibilidade de elucidação rápida do caso.

 

Na opinião de Thomaz Bastos, o caso não é de difícil elucidação. Acha que a PF conseguirá elucidá-lo antes do dia 1o de outubro, data da realização do primeiro turno das eleições. Mesmo em reserva, o ministro não se aventurou a especular sobre a dimensão do envolvimento do PT de Mato Grosso com as travessuras de Luiz Vedoin.

 

Thomaz Bastos limitou-se a dizer que confia na capacidade da PF. Negou que houvesse ordenado à polícia que não exibisse à imprensa o dinheiro apreendido com dois dos personagens detidos na operação. Presos em São Paulo, Valdebran Padilha, filiado ao PT de Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, ex-agente da PF que declarou prestar serviços ao PT, tinham em seu poder R$ 1,7 milhão –1,168 milhão em reais e 248 mil em dólares. “Não me meto no trabalho da PF. No seria agora que iria interferir”, afirmou o ministro a um de seus interlocutores.

 

Mesmo em viagem ao interior do Amazonas, Paulo Lacerda, diretor geral da PF, mantém linha direta com as pessoas envolvidas na apuração. Abastece Thomaz Bastos de informações. Dados que o ministro tem se preocupado em repassar a Lula. Neste sábado, Lacerda está retornando à sua base em Brasília, de onde tem melhores condições de guiar o processo de apuração.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Caso Sanguessuga persegue Lula no Nordeste

O espectro da sanguessuga persegue Lula no périplo que realiza pelo Nordeste neste final de semana. Em Aracaju (SE), o presidente viu-se compelido a condenar a tentativa de venda de um dossiê enredando os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin no escândalo das ambulâncias. Considerou a operação, na qual estão metidos petistas mato-grossenses, “abominável”.

 

Em João Pessoa (PB), Lula terra do senador Ney Suassuna (PMDB), que está na bica de arrostar um pedido de cassação por ter supostamente patrocinado emendas orçamentárias para a compra superfaturada de ambulâncias, Lula defender o aliado. Chamou-o de “leal” e “decente”. Disse que não lhe cabe condenar ninguém “antes do julgamento”.

 

Lula ironizou aqueles que imaginam que seu favoritismo possa ser abalado por denúncias: "Teve um [adversário] que disse o seguinte: 'nós precisamos fazer o Lula sangrar até acabar a última gota de sangue, ele vai chegar na eleição morto'. Eles não sabiam que eu poderia fazer uma transfusão de sangue com o povo brasileiro e voltar para a política com milhões de células de sangue desse povo".

O “adversário” a que se referiu o presidente é Fernando Henrique Cardoso. A frase mencionada por Lula teria sido dita por FHC em reunião reservada com lideranças do PFL. A evocação indireta a FHC esteve presente em outro comentário de Lula: "Neste país, a ignorância é tão grande que tem gente que ainda confunde inteligência com anos de escolaridade. Tem gente que acha que a inteligência se mede pelos anos que se passou na escola. Aí é conhecimento. A inteligência é uma coisa à parte."

 

Enquanto Lula excursionava pelo Nordeste, a Polícia Federal prendia em Cuiabá Paulo Roberto Dalcol Trevisan, primo de Luiz Antonio Vedoin, o empresário que levou ao balcão eleitoral o dossiê contra o tucanato. Dalcol Trevisan foi à grade sob a acusação de tentativa de “ocultação de provas”.

Foi depois de ouvir o depoimento do tio de Luiz Vedoin que a PF desencadeou a operação que levou à prisão do dono da Planam e de dois personagens que se preparavam para comprar o dossiê preparado por ele: Valdebran Padilha, ex-coletor de verbas eleitorais para o PT de Mato Grosso; e Gedimar Pereira Passos, um ex-agente da PF que prestava serviço ao PT.

Em São Paulo, o presidente do PT, Ricardo Berzoini enxergou na operação uma tentativa de desestabilizar o partido e a candidatura Lula. Disse ter enviado ao Diretório do PT um pedido de suspensão cautelar de Valdebran Padilha, filiado à legenda desde 2004.

Escrito por Josias de Souza às 16h22

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As manchetes deste sábado

- Folha: PF prende acusados de vender a petistas dossiê contra Serra

- Estadão: Educação melhora, mas mais crianças trabalham

- Globo: Venda de dossiê contra Serra leva Vedoin e petista à prisão

- Correio: Arruda segue líder com 60% dos votos válidos

- Valor: McDonald's vende lojas em operação de R$ 1,5 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Usucapião!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Lula recebe informação de que PF investiga o PT

O presidente Lula foi informado de que o PT encontra-se sob investigação da Polícia Federal por suspeita de envolvimento no caso da tentativa de venda de um dossiê contra os tucanos José Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, postulante ao Planalto. De acordo com a informação repassada ao presidente, pessoas ligadas ao petismo de Mato Grosso são mencionadas em grampo telefônico feito com autorização judicial.

O grampeado é Luiz Antônio Trevisan Vedoin, sócio da empresa Planam, que comandava a máfia das ambulâncias superfaturadas. Os telefonemas de Vedoin passaram a ser monitorados pela PF no final de julho, quando ele já havia sido posto em liberdade pela Justiça Federal de Mato Grosso, depois de ter concordado em colaborar com as investigações que levaram ao desbaratamento da quadrilha que trocava emendas orçamentárias de congressistas sanguessugas por propinas.

O sócio da Planam foi pilhado em diálogos nos quais entabulava a venda de documentos, fotos, uma fita de vídeo e um DVD. Contêm imagens de José Serra entregando ambulâncias num galpão da Planam, em Cuiabá, no ano de 2001, quando era ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso. O DVD, de 23 minutos, traz uma edição reduzida das imagens contidas na fita de vídeo.

Um dos trechos exibiria um discurso de Serra, elogiando a ação dos congressistas da bancada de Mato Grosso, que viabilizaram, por meio de emendas, a aquisição de ambulâncias. São cenas que, levadas ao ar no horário eleitoral de televisão, produziriam inevitável estrago político. Mas que não bastam para configurar a participação efetiva no desvio de verbas públicas.  

Segundo a informação repassada a Lula, além de Serra, apareceria numa das fotos apreendidas Geraldo Alckmin, que ocupava na época o cargo de governador de são Paulo. O presidenciável tucano nega que tenha participado de solenidade de entrega de ambulâncias da Planam. E desqualifica o denunciante. Apareceriam ainda nas fotos e no DVD o ex-governador Dante de Oliveira (PSDB), morto recentemente e vários congressistas matogrossenses. Entre eles: Lino Rossi (PP). Pedro Henry (PP), Ricarte de Freitas PTB) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Guiando-se pelo que ouviu na escuta telefônica, a Polícia Federal chegou, na noite de quinta-feira, a Paulo Trevisan, primo de Luiz Antônio Trevisan Vedoin. Prendeu-o em Cuiabá, no instante em que embarcava (23h30) num avião para São Paulo. Levava consigo as peças que que Vedoin acomodara sobre o balcão.

Avisada, a PF de São Paulo prendeu na capital paulista os supostos receptadores da mercadoria: Valdebran Padilha da Silva [o nome não é Valdemar, como se divulgou inicialmente] e Gedimar Pereira Passos. O primeiro é filiado ao PT desde 2004. Naquele ano, atuou como coletor de fundos eleitorais para o partido em Mato Grosso.

Antes de transacionar com o petismo, Vedoin tentara vender sua mercadoria ao comitê eleitoral de José Serra. Um emissário do dono da Planam propôs o negócio em reunião com duas pessoas ligadas à campanha de Serra. O blog conversou com uma delas, que contou que a proposta foi rechaçada.

A PF conduz as investigações em duas frentes. A primeira linha consiste em seguir o caminho do dinheiro apreendido em São Paulo com Padilha da Silva e Pereira Passos (cerca de R$ 1,7 milhão). O objetivo é chegar à pessoa que se dispôs a pagar pelo material reunido por Vedoin. A segunda vertente visa verificar a consistência do dossiê que o sócio da Planam tentou comercializar e até que ponto ele se constitui em prova contra José Serra.

A julgar pela terminologia usada nos documentos da PF, trabalha-se com a hipótese de que o material tem valor probatório. A justificativa para o retorno de Vedoin à cadeia foi a de que ele estaria patrocinando a "ocultação e venda de provas" e chantageando "pessoas envolvidas em crimes". Serra trata o episódio como uma “baixaria de campanha”.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Quércia usa revista para atacar Serra na TV

Terceiro colocado nas pesquisas de opinião que medem a intenção de voto para o governo de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB) deveria estar medindo forças com Aloizio Mercadante (PT), o segundo colocado. Porém, prefere alvejar José Serra, o favorito.

No programa eleitoral televisivo levado ao ar na noite desta sexta, Quércia exibiu imagens da revista Istoé (veja foto acima), que trouxe na capa a acusação do suposto envolvimento de José Serra com a máfia das ambulâncias.

Simultaneamente, uma locutora informava que Serra foi ministro da Saúde de FHC. Dizia também que há suspeita de participação de Serra e de seu substituto no ministério, Barjas Negri, no esquema da compra superfaturada de ambulâncias.

O programa não fez menção à prisão do denunciante, Luiz Vedoin, acusado de tentar vender as denúncias contra Serra por R$ 2 milhões. Tampouco mencionou a detenção de Gedimar Pereira Passos e Valdemar Padilha, suspeitos de tentar comprar o dossiê por R$ 1,7 milhão.

Aloizio Mercadante, em tese o maior interessado na desdita de Serra, levou ao ar um programa ameno. Tratou da última pesquisa Ibope, que lhe atribuiu uma subida de cinco pontos percentuais no índice de intenções de voto. Desfiou um rosário de promessas e disse que fará por São Paulo o que Lula fez pelo Brasil.

O programa de Serra foi exibido antes do de Quércia. Desde cedo, o jornalista Luiz González, responsável pelo marketing da campanha tucana, ruminava, em diálogos reservados, a certeza de que a capa de IstoÉ seria utilizada no horário eleitoral.

González apostava que a exibição do material seria feita por Quércia, visto pelo tucanato como correia de transmissão dos interesses petistas em São Paulo. Decidiu injetar na parte final da propaganda de Serra uma espécie de vacina. Pôs na voz do locutor a afirmação de que seu candidato está em primeiro lugar nas pesquisas. Em seguida, veio o aviso: "Vai começar o vale-tudo contra o Serra".

Além da exibição no programa de Quércia, o texto de IstoÉ foi reproduzido também no sítio do PT na internet. De novo, não houve menção nem à prisão do denunciante Vedoin nem à detenção de Passos e Padilha, embora este último seja apontado como coletor de verbas eleitorais para campanhas do PT matogrossense.

No sítio de Serra deu-se o oposto. Ali, foi reproduzida reportagem da FolhaOnline sobre as prisões. E nada foi dito acerca da notícia da revista. Para a página de Mercadante, é como se nada tivesse acontecido. Não há ali nenhuma menção ao caso. No início da noite, o candidato petista dissera que daria a Serra aquilo que o tucano não deu a dirigentes petistas: "direito de defesa". 

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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PF prende Vedoin depois de inquiri-lo em Cuiabá

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Luiz Antonio Vedoin, sócio da empresa Planam e chefão do esquema das sanguessugas, foi recolhido há pouco ao presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá. É a segunda vez que Vedoin vai à garra. Preso quando o escândalo estourou, ele foi beneficiado com a liberdade condicional depois que concordou em colaborar com a Justiça.

Nesta sexta, porém, o juiz César Bearsi foi informado pela Polícia Federal de que Luiz Vedoin tentara por R$ 2 milhões um dossiê relacionado ao caso. O material que o dono da Planam levou ao balcão conteria filmes e documentos contra o tucanato. Envolvem principalmente José Serra, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB. Haveria também uma foto de Geraldo Alckmin, presidenciável tucano, supostamente ao lado de uma ambulância da Planam.

Luiz Vedoin foi levado para prestar depoimento na Superintendência da PF em Cuiabá. E de lá, mediante autorização do juiz Bearsi, foi direito para a cadeia. Nesta sexta, conforme noticiado abaixo, a revista IstoÉ estampou em sua capa reportagem na qual Luiz Vedoin e seu sócio, Darci Vedoin, envolvem Serra no caso da compra superfaturada de ambulâncias (leia no despacho abaixo). 

Além de Vedoin, a PF deteve duas pessoas em São Paulo: Gedimar Pereira Passos e Valdemar Padilha. Este último é filiado ao PT de Mato Grosso desde 2004. Já recolheu verbas de campanha para o partido. Passos e Padilha tinham em seu poder R$ 1,7 milhão. O dinheiro seria usado na aquisição do dossiê montado pelos Vedoin. Curiosamente, Luiz Vedoin estivera ontem na sede do Ministério Público Federal em Cuiabá. Ele informou aos procuradores que, consultando a sua movimentação bancária, detectara desembolsos que não havia informado em seus depoimentos anteriores. E protocolou uma nova representação.

Vedoin anexou à representação comprovantes de movimentação bancária em favor de empresas que teriam como sócio o personagem Abel Pereira, o mesmo que é citado na reportagem da IstoÉ. Sustenta que Pereira agiria em nome de Barjas Negri, o ministro que sucedeu Serra na pasta da Saúde em 2002.

O blog conversou com o procurador Mario Lucio Avelar, um dos responsáveis pelo desbaratamento da máfia das ambulâncias. Ele informou que, por dever de ofício, vai investigar os fatos contidos na nova representação de Vedoin. Mas está com um pé atrás.

“Tudo tem que ser apurado. A acusação veio acompanhada de documentação bancária. Temos que ver por que o dinheiro foi transferido e a título de quê. Mas é estranho que ele [Vedoin] venha ao Ministério Público e depois vá dar uma entrevista a uma revista. Temos de verificar se não estamos sendo usados para lavar essa matéria”, disse Mario Lúcio.

O procurador prosseguiu: “Tão importante quanto a apuração dos fatos contidos na representação é saber tudo sobre essa tentativa de venda do material. É preciso ver quem ia comprar. Por que vale tanto? Qual é a finalidade disso? Qual é a origem do dinheiro? É proveniente de quê? Sem responder a essas perguntas, tudo perde o sentido. É preciso esclarecer primeiro esse fato”.

Em todos os depoimentos que dera anteriormente –ao Ministério Público, à Justiça federal de Mato Grosso e à CPI das Sanguessugas—, os Vedoin jamais haviam envolvido os nomes de Serra e Barjas Negri no episódio. E não foi por falta de questionamento.

Como se vê, a Polícia Federal tem em mãos um caso cabeludo. Esclarecendo-o pode dar uma prova definitiva de leva a sério as palavras do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça): "Neste governo, a Polícia Federal não protege e também não persegue ninguém".

Escrito por Josias de Souza às 16h27

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Os Vedoin envolvem Serra no caso das ambulâncias

  Raimundo Pacco/Folha Imagem
José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, é o personagem de capa da última edição da revista IstoÉ. Chegou às bancas nesta sexta-feira. Sob o título “Os Vedoin acusam Serra”, a notícia, escrita pelo repórter Mário Simas Filho, acomoda o tucano no centro do escândalo do superfaturamento de ambulâncias.

A reportagem baseia-se em declarações de Darci Vedoin e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planam. “Das 891 ambulâncias comercializadas pela Planam entre 2000 e 2004, 681, ou 70% do total, tiveram verbas liberadas até 2002, dentro do período de gestão de Serra e Barjas Negri”, anota o texto. Barjas Negri era o secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão Serra. Ele assumiu o ministério quando o titular teve de sair para concorrer ao Planalto, em março de 2002.

Os Vedoin contaram à revista que começaram a pagar propinas em 1998, durante a gestão de Serra. "Naquela época, a bancada do PSDB conseguia aprovar tudo e, no ministério, o dinheiro era rapidamente aprovado", disse Luiz Vedoin à InstoÉ. "Na época deles [Serra e Negri] o nosso negócio era muito mais fácil. O dinheiro saía muito mais rápido. Foi quando mais crescemos", ecoou Darci Vedoin.

A notícia informa ainda que os Vedoin acusaram um empresário chamado Abel Pereira de “agir em nome do então ministro Barjas Negri e de receber propina por meio de cheques e em depósitos nas [contas] das empresas Império e Kanguru.” O sítio noticioso Quinovi traz uma versão em PDF das páginas da revista. Pressione aqui para ler.

Instado a comentar o caso, Serra foi conciso. Disse que a notícia "faz parte do kit baixaria do PT". Ontem, Serra já havia atribuído o envolvimento de seu nome no escândalo das sanguessugas aos destemperos próprios da época eleitoral. Parece claro que debitar a encrenca apenas na conta das querelas eleitorais não é a melhor estratégia para Serra.

O ex-ministro terá de pronunciar meia dúzia de frases de maior consistência. Ou desmonta as acusações ou verá a sua biografia ser arrastada pelo torvelinho que revolve a cena política nacional. Diz-se que os Vedoin, por bandidos, não mereceriam credibilidade. Bobagem. O tucanado vinha dando crédito irrestrito à dupla enquanto as acusações serviram para minar a autoridade do governo Lula e do PT. Experimentam agora uma dose do mesmo veneno. Armação eleitoral ou não, precisam provar que dispõem de um bom antídoto para a cobra que ajudaram a criar.

PS.: À noite, depois da veiculação do despacho acima, José Serra falou sobre o caso em rápida declaração ao Jornal Nacional, da TV Globo (leia). De passagem por Curitiba (PR), também o presidenciável Geraldo Alckmin falou sobre o caso (veja). 

Escrito por Josias de Souza às 14h52

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Ibope mantém Alckmin no purgatório eleitoral

Boa notícia para Alckmin: pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira revela que o índice de intenção de voto do tucano cresceu de 27 para 29%. Péssima notícia para Alckmin: a mesma pesquisa informa que o percentual atribuído a Lula também subiu. Foi de 48% para 50%. Resultado, se a eleição fosse hoje, o presidente seria reeleito no primeiro turno. O drama de Alckmin é que ele cresce mais lentamente do que seria desejável e nao consegue roubar votos de Lula.

 

Os números do Ibope são semelhantes aos do Datafolha. Em sondagem divulgada na última terça o instituto atribuíra 50% a Lula e 28% para Alckmin. Um cenário que asseguraria ao candidato petista 56% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos). Seria reeleito com folgas.

Escrito por Josias de Souza às 12h25

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As manchetes desta sexta

- JB: Brasil reage e Bolívia recua de confisco

- Folha: Bolívia suspende confisco das receitas da Petrobrás

- Estadão: Bolívia provoca nova crise e confunde governo Lula

- Globo: Morales prejudica Petrobras de novo e Lula quer 'ajudar Bolívia'

- Correio: Bolívia faz o Brasil passar novo vexame

- Valor: McDonald's vende lojas em operação de R$ 1,5 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Vida dura pra Chuchu!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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PT e PSDB travam a gincana macabra da lama

O petismo e o tucanato travaram nesta quinta-feira um duelo à distância em torno de um mesmo tema: a corrupção. O tiroteio envolveu os presidenciáveis Lula e Geraldo Alckmin e os sítios dos partidos na internet.

 

Enquanto Lula, em entrevista, dizia que 81% dos casos de corrupção desvendados pela Polícia Federal –Sanguessugas e Vampiros—brotaram na gestão tucana de FHC, Alckmin divulgava em Juiz de Fora (MG) o naco de seu programa de governo destinado ao combate às perversões na máquina pública.

 

O pacote anti-corrupção de Alckmin foi resumido numa cartilha com 14 itens, informa o repórter Paulo Peixoto. O candidato disse que, se eleito, deseja trabalhar para recuperar "centavo por centavo" de todo o dinheiro desviado, inclusive do mensalão. No instante do anúncio, tinha a seu lado o governador tucano Aécio Neves (Minas) e o ex-presidente Itamar Franco.

 

"Fiz questão de lançar aqui em Juiz de Fora para fazer homenagem ao [ex] presidente Itamar Franco, que representa a política honrada, da probidade, do respeito ao dinheiro da população, da política mineira, dessa boa política. E do governador Aécio Neves (PSDB), modelo de eficiência e de uma política bem sucedida", disse Alckmin.

Um detalhamento da proposta de Alckmin foi levado ao sítio do candidato na internet. O PT contra-atacou divulgando em sua página virtual o teor de uma notícia publicada nesta quinta pelo Correio Braziliense. Informa que a máfia das ambulâncias agia sob FHC, “com o aval do ex-ministro
da Saúde José Serra (PSDB), candidato ao governo de São Paulo”.

 

Reportando-se ao texto do jornal, o PT anotou em seu sítio que Serra “teria determinado o empenho e a elaboração de convênios para emendas destinadas à compra de ambulâncias junto a empresas do grupo Planam”, que pagava propinas a congressistas sanguessugas.

 

Ouvido em São Paulo, Serra desdenhou da denúncia, atribuindo a veiculação ao clima de campanha eleitoral. "Nós estamos agora na reta final da campanha e este tipo de denúncia ainda vai surgir muito", disse. Mal comparando, o discurso de Serra é idêntico ao do ex-ministro Luiz Gushiken, que, na véspera, usara a mesma suposta motivação eleitoral para tentar desqualificar a auditoria do TCU que detectou suposto superfaturamento e sumiço de cartilhas promocionais do governo.

 

A gincana de lama em que se embrenharam os dois principais partidos políticos do país é extremamente didática para o eleitor. Toda nova denúncia é debitada na conta da disputa eleitoral. E vai sendo construído um conceito seletivo de corrupção: é tudo aquilo que, tendo ocorrido no quintal alheio, merece ser investigado com todo rigor.

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Empresários divulgam manifesto pró-Lula em SP

Um grupo de cerca de cem empresários divulga nesta sexta-feira um manifesto de apoio à reeleição de Lula. Não há no grupo representantes de grandes empresas, como a Gradiente e o Laboratório Aché, que se alinharam à candidatura Lula em 2002. Dessa vez, o apoio vem exclusivamente de grupos de pequeno e médio porte.

Entre os remanescentes do grupo de 2002, Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico –faturamento de cerca de R$ 400 milhões anuais—é o mais conhecido. Ajudou a redigir o manifesto pró-Lula que será divulgado hoje.

 

Phi arrisca-se a teorizar sobre a mudança de perfil do apoio a Lula no mundo empresarial: “Vivemos um momento diferente. Em 2002, havia muita preocupação em relação ao PT e a Lula. O pessoal que veio, em muitos casos, queria entender o que seria um eventual governo petista”.

 

“Hoje”, prossegue Phi, “a economia já está totalmente consolidada. O país tem uma estabilidade monetária como há muito não se via. Há muita tranqüilidade em relação a um eventual segundo mandato de Lula”. Daí a despreocupação do grande empresariado.

 

Além de Lawrence Pih, o grupo de apoiadores de Lula é composto por empresários como Heitor Pinto Filho (Uniban), Michael Haradom (Fersol), José Pessoa de Queiroz Bisneto (Grupo J. Pessoa) e Armênio Mendes (Grupo Mendes). O apoio, explica Phi, é agora “mais ideológico.”

 

“Nós acreditamos no projeto do presidente Lula, acreditamos no projeto do PT. Por isso, nosso apoio tem uma sintonia ideológica”, diz o proprietário do Moinho Pacífico. Além do manifesto, a ser distribuído hoje, os empresários redigem sugestões que esperam ver incorporadas ao programa de governo de Lula.

 

O texto encontra-se em estágio final de elaboração. “Está sendo refinado”, diz Phi. Em entrevista publicada aqui no blog, em julho passado, ele esboçara o teor das inquietações dos empresários (leia). O documento contém desde propostas consensuais –a reforma política, por exemplo—até projetos controversos. Os mais espinhosos para o PT são as reformas previdenciária e a trabalhista.

 

Segundo Phi, o apoio político que estará expresso no manifesto não está condicionado à aceitação das propostas programáticas. “Nosso tarefa é só a de sugerir, apresentando ao governo a nossa ótica de empresários. Sabemos que a aceitação das idéias depende de um conjunto de fatores que independem da vontade do governo. A composição do novo Congresso, por exemplo.”

 

Lula será representado na solenidade desta sexta pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT e coordenador nacional do comitê reeleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Governo da Bolívia recua e reabre negociações

O governo da Bolívia suspendeu os efeitos do decreto que rebaixou as duas refinarias da Petrobras instaladas em território boliviano à condição de meras prestadoras de serviço. “Ficou decidido que o decreto está congelado indefinidamente. E os temas do decreto passam a compor a pauta de negociações entre os governos brasileiro e boliviano”, informou ao blog o assessor especial de Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

 

A pedido do presidente, Marco Aurélio passou a tarde pendurado ao telefone. Conversou várias vezes com o vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera, o mesmo que estivera em Brasília no final do ano passado, justamente para reabrir negociações com o governo brasileiro.

 

“Conversei com o vice-presidente Garcia Linera durante a tarde”, contou Marco Aurélio. “Ele consultou, durante todo o tempo, o presidente Evo Morales, que estava fora do país, participando de um encontro do Grupo dos Não-Alinhados, em Cuba. Ao final da tarde, ele me deu a informação sobre o congelamento do decreto. E eu fui ao Alvorada para dar a notícia ao presidente Lula.”

 

Mas o decreto está revogado?, quis saber o blog. E Marco Aurélio: “Na prática, sim. Mas não sei qual será o encaminhamento a ser dado pelo governo boliviano. De concreto, houve o congelamento.”

 

Em sua passagem por Brasília, há três semanas, o vice-presidente Garcia Linera reunira-se com Lula e com os ministros Celso Amorim (Itamaraty), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Silas Rondeau (Minas e Energia). O timbre que usou nos encontros nem de longe permitia supor que a Bolívia voltaria a surpreender o Brasil com o decreto editado anteontem.

 

A decisão unilateral do regime de Evo Morales levou ao cancelamento de uma missão brasileira que iria a La Paz nesta quinta-feira. Viajariam o ministro Silas Rondeau e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O recuo anunciado a Marco Aurélio por Garcia Linera deve repor a viagem em pauta.

 

No instante em que concedeu entrevista à TV Bandeirantes (leia texto abaixo), Lula já havia sido informado por Marco Aurélio acerca do “congelamento” do decreto boliviano. Questionado pelos entrevistadores sobre o contencioso, disse que continuará tratando a Bolívia com “carinho”. “Não briguei com o [George Bush], porque vou brigar com o Evo Morales?”.

 

“Se a Bolívia teimar e tomar medidas unilaterais, teremos que pensar em medidas mais duras com a Bolívia. Mas nós vamos trabalhar para resolver essa situação tranqüilamente”, acrescentou Lula. “Temos que tratar [os bolivianos] com carinho e tentar a ajudá-los a se desenvolver”.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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81% de casos de corrupção vêm da era FHC, diz Lula

  Folha Imagem
“Só queria lembrar que 81% dos casos que a Polícia Federal desmontou, de sanguessugas e vampiros, começaram antes do meu governo”, disse Lula há pouco, em entrevista ao Jornal da TV Bandeirantes. “Das quadrilhas que a Polícia Federal desmontou, 81% aconteceram no governo do presidente Fernando Henrique. Possivelmente ele também não sabia, porque a gente só sabe quando investiga”.

 

As declarações de Lula foram feitas em resposta a uma pergunta sobre o manifesto em que FHC acusa Lula de ter levado o país a um estágio de “podridão moral”. “Só posso lamentar que ele não esteja sabendo se comportar como ex-presidente”, prosseguiu Lula. “Ele dá mais palpite agora do que quando estava no governo. Eu, na oposição, não dava 10% dos palpites que ele dá.”

 

Lula foi além. Disse que FHC “está irritado porque não tem espaço político, está com uma rejeição forte nas pesquisas”. Recomendou ao antecessor temperança: “Um homem que estudou como ele não podia ter esse comportamento. De mim, até se poderia esperar um comportamento rude. Mas dele não. Lamentavelmente, ele fica muito irritado quando se faz a comparação entre os dois governos. Mas ele teve o tempo dele e eu estou tendo o meu”.

 

A entrevista foi feita ao vivo, no Palácio do Planalto. Foi conduzida pelos jornalistas Fernando Mitre e Franklin Martins. Perguntou-se também a Lula porque ele vem fugindo dos debates com os outros presidenciáveis. O presidente, de novo, alfinetou o antecessor: “O Fernando Henrique não foi a nenhum debate. E nunca vi ninguém cobrar dele. Eu cobrava muito e não era ouvido”.

 

Lula disse que não está deixando de comparecer aos debates em função de seu favoritismo. “Em 2002, eu estava na frente nas pesquisas e fui a todos os debates.” A decisão, disse ele, visa “preservar a instituição da presidência da República”. Sem mencionar os nomes dos adversários Geraldo Alckmin (PSDB), Heloisa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT), Lula disse que “tem três candidatos” que tudo o que deseham “é atacar o presidente”. E alegou que tem o dever de preservar a “instituição”.

 

Perguntou-se a Lula a quem ele se referia quando disse, no auge do escândalo do mensalão, que se julgava “traído”. Disse: “Me senti traído porque o PT foi construído para ser símbolo de que era possível fazer política diferente. De repente, vejo que algumas pessoas enveredaram pelos mesmos caminhos da política brasileira. Me senti traído Poe quem cometeu erros.” Em seguida, afirmou que “aqueles que cometeram erros vão pagar. Ou na justiça ou nas urnas”. E disse que dará a sua contribuição, fazendo “uma reforma política para mudar a política brasileira”.

 

Franklin Martins mencionou os nomes pessoas envolvidas em escândalos. Entre eles os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci e o publicitário Duda Mendonça. Perguntou: O sr. errou nas escolhas? E Lula, categórico: “Não. Não posso aceitar que o Parreira tenha errado quando colocou Juninho Pernambucano e Gilberto Silva e perdeu da França. Se as pessoas cometeram erros, as pessoas tem que deixar o cargo. E eles deixaram o cargo. Presidente não pode prender ninguém. Pode exonerar as pessoas. A partir daí é com a Justiça e o Ministério Público”.

 

“Ganhamos as eleições para fazer as cosias certas", acrescentou Lula. "Trabalhamos com três CPIs e nenhum de vocês não me viu nervoso em nenhum momento. Ela investigou, mandou para o Ministério Público e ele vai mandar ou não para o Judiciário. Minha parte está cumprida. O que vamos fazer é continuar o combate sério à corrupção”.

 

Que lições tirou dos escândalos? “A principal lição que tiro é que o erro não é de um partido, não é de uma pessoa. O erro é do sistema político, que está apodrecido”. Por isso, disse, deseja priorizar a reforma política. Mencionou as dificuldades do governo para aprovar projetos no Congresso. Citou dois: O Fundeb e a lei geral das pequenas e médias empresas. “A Câmara aprovou a lei. Eu disse ao Renan [Calheiros, presidente do Senado]: por que não convoca um dia [de votação]? Não há comício mais importante para quem seja candidato do que votar a lei da pequena e media empresa. No entanto não vai votar”.

Escrito por Josias de Souza às 19h06

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TCU só vai julgar caso das cartilhas em 2007

  Sérgio Lima/Folha Imagem
A previsão foi feita ao blog pelo ministro Ubiratan Aguiar, relator do caso no Tribunal de Contas da União. Ele informou que, depois de receber a defesa das pessoas físicas e jurídicas envolvidas no episódio de suspeita de superfaturamento e de apropriação partidária de cartilhas governamentais submeterá a documentação à análise técnica do tribunal. Em seguida, pedirá a manifestação do representante do Ministério Público junto ao TCU. Só então levará o seu voto a julgamento. “Entendo que vai ficar para 2007. Até porque haverá o recesso de final de ano”, disse Ubiratan.

 

O ministro refutou as acusações de que o TCU estaria agindo movido por interesses eleitorais. Uma acusação que foi consignada em nota do ex-ministro Luiz Gushiken, que chefiava a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) à época em que a encomenda das cartilhas foi feitas às agências Duda Mendonça e Matisse.

 

Ex-deputado federal pelo PSDB do Ceará, Ubiratan diz que a única coisa que lamentou ao “cruzar as portas do TCU” foi ter de cancelar a sua carteira da OAB. Quanto à filiação partidária, afirma que “é coisa do passado”. Acrescenta: “Não me envolvo em questões eleitorias.”

 

O ministro esclareceu que a auditoria nas contas da Secom foi iniciada em 2005 por determinação do então presidente do TCU, Adilson Mota. Foi uma decorrência dos trabalhos da CPI dos Correios. Varejaram-se as despesas publicitárias de 26 órgãos públicos. Coube a Ubiratan acompanhar o caso da Secom porque a fiscalização de órgãos vinculados à Presidência da República estão sob a responsabilidade do seu gabinete.

 

Como evidência de que não se move por motivação eleitoral, Ubiratan disse ao blog que levou o caso a julgamento no plenário do TCU em novembro de 2005. O caso só não foi apreciado àquela época porque a própria Secom apresentou novos documentos e pediu que fossem anexados ao processo.

 

“Acolhi as provas e mandei para a unidade técnica que tinha feito a auditoria, a Sexta Secretaria do TCU. Os técnicos fizeram todo o exame da nova documentação. E devolveram o processo agora. Por isso o caso só foi a julgamento nesse instante. O calendário do tribunal não é regulado pela agenda eleitoral.”

 

O ministro afirma que o seu voto não é senão “o espelho do trabalho da equipe técnica”. Esquiva-se de emitir juízo sobre o voto que irá proferir depois da apresentação da defesa dos acusados. Diz que, como juiz, não lhe cabe “antecipar apreciações sobre o mérito.”

 

“Nesse momento”, acrescenta Ubiratan, “ninguém está responsabilizando, culpando ou condenando quem quer que seja. Está-se abrindo a fase do contraditório. É o momento em que cada um vai apresentar as suas razões e as suas provas. E, ao final, tudo será julgado em função do que for apresentado”.

 

Pressione aqui para entender o que está em jogo no caso das cartilhas.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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Bolívia volta a fazer gato-sapato do Brasil

 

O companheiro-índio Evo Morales continua fazendo gato-sapato de Lula. A Bolívia Trava com o Brasil uma briga de Davi contra o Golias. E, mercê da tolerância desmedida do governo de Brasília, vai Evo vai prevalecendo olimpicamente sobre Lula.

 

Depois de nacionalizar as reservas de gás e petróleo bolivianas e ocupar militarmente refinarias da Petrobrás, o governo boliviano saiu-se com outra. Rebaixou por decreto as instalações da estatal brasileira à condição de mera prestadora de serviços. Transferiu o controle da empresa para a Bolívia. E nem sinal de indenização. A Petrobras vê-se em situação vexatória.

 

A despeito de todas as deferências de que vem sendo alvo, Evo não se deu ao trabalho nem mesmo de telefonar para Lula. Brasília soube das estripulias de La Paz pelos jornais. Tudo isso às vésperas de uma viagem de autoridades brasileiras para a Bolívia, com o objetivo de negociar (!?!?!?!) novos preços para o gás que a Petrbrás extrai de solo boliviano.

 

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, recebeu nesta quinta novas instruções de Lula. O presidente encomendou uma reação enérgica. “O presidente Lula reagiu de uma forma bastante firme porque todo o clima tinha sido construído no sentido de entendimento e, de repente. esse assunto surpreendeu a nós todos", disse o ministro.

 

Será que Ivo, digo, Lula viu, finalmente, a uva que se esconde atrás do Evo? A julgar pela reação de Dilma Rousseff, a resposta é não. A chefona classifica o tratamento dispensado à Petrobrás pela Bolívia apenas como inadequado. "Não digo quebra de confiança, mas não está adequado com as tratativas que estavam sendo feitas", afirmou ela. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Lula divide palanque com Suassuna no sábado

Numa eleição, como na vida, as virtudes perdem-se na conveniência assim como os rios se perdem no mar. Vem daí que Lula, por favorito, já não se preocupa em distinguir os homens de bem dos homens que se dão bem.

Em campanha na Paraíba, no próximo sábado, o presidente vai dividir o palanque com um aliado incômodo: o senador Ney Suassuna (PMDB). Acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias, Suassuna está na bica de amargar um pedido de cassação de mandato.

 

A prudência recomendaria que Lula providenciasse o “suassumiço” de Suassuna de seu convívio. Mas a coordenação da campanha reeleitoral na Paraíba informou à Agência Nordeste (assinantes) que não foi imposto nenhum veto à presença do senador.

 

Não será a primeira vez. Lula já dividiu palanques com João Paulo “R$ 50 mil Cunha” e com Humberto “Indiciado” Costa. E continua flutuando nas pesquisas bem acima dos adversários. Se o eleitor não faz distinções, por que Sua Excelência haveria de fazer?

Escrito por Josias de Souza às 14h46

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Depois do ‘esqueçam’, o ‘entendam’ o que escrevi

  Folha Imagem
Uma carta é um monólogo a procura de um diálogo. A que FHC dirigiu aos “eleitores do PSDB” estava procurando também admiração. E o que encontrou? Só a irritação dos amigos, a indiferença dos inimigos e a sonolência do eleitor, o destinatário original.

FHC julga-se de tal modo “incompreendido” que, tendo escrito sete páginas de texto, vê-se agora na contingência de explicar o que quis dizer. E o faz à distância. Depois de atear “fogo no palheiro”, o ex-presidente voou para os EUA.

 

Alcançado pelo repórter Sérgio Dávila, disse: “A reação, inclusive de alguns companheiros meus, mostra que nós precisamos fazer mais política no Brasil”. A entrevista vale o desperdício de um naco de tempo (leia). Vale tanto pelo que FHC diz como pelo que ele se esquiva de dizer.

 

A certa altura, por exemplo, FHC respondeu a uma “provocação barata” de Aloizio Mercadante, que enxergou ciúmes em sua carta, por não estar participando da campanha de Geraldo Alckmin. “Não estou porque não quero, não acho apropriado (...). O outro lá acha que é porque eu não quero comparação com o governo Lula (...). Acho que a comparação não tem sentido mesmo, cada momento é um momento, mas de qualquer maneira eu defendo o nosso legado, o PSDB tem de defendê-lo”.

O repórter esmiuçou: “Mas na sua comparação o PSDB se sai melhor? E FHC escorregou: “Não sei se melhor ou pior, cada um teve um momento da história. Mas o governo Lula seguiu as linhas que nós abrimos, umas melhores, outras piores. Eu fico torcendo para que siga bem, não para que siga mal. Agora, o fato de eles cuspirem no prato que comeram, dizerem que não estão seguindo, é problema deles”.

Escrito por Josias de Souza às 08h30

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Lula prevê renovação do PSDB e aposta no diálogo

  Eduardo Knapp/Folha Imagem
O relançamento da tese do impeachment por líderes tucanos, em vez de arrefecer, serviu para tonificar a intenção de Lula de buscar um diálogo com o PSDB depois das eleições. Em reserva, o presidente prevê que as eleições produzirão uma “renovação” no comando do tucanato.

Lula aposta na perda de influência de Fernando Henrique Cardoso e de Tasso Jereissati, atual presidente do PSDB. E antevê a ascensão de lideranças como Aécio Neves e José Serra. O blog recolheu a avaliação do presidente com dois petistas que trocaram idéias com ele nesta semana.  

Um deles é auxiliar de Lula no governo. O outro é congressista. Falaram ao sob a condição do anonimato. Ao primeiro Lula repetiu que considera essencial a abertura de diálogo com o PSDB caso venha a ser reeleito. Ao segundo afirmou que a mudança de ares no tucanato facilitará a aproximação. A ambos declarou que conduzirá  pessoalmente os entendimentos.

Em sua primeira manifestação pública sobre o manifesto divulgado na semana passada por FHC, Lula disse ontem, em solenidade no Itamaraty, não tem “tempo a perder” com o antecessor. "FHC é o único ex-presidente que não sabe se comportar como ex-presidente", disse. "Eu não posso fazer nada".

Entre quatro paredes, o presidente perdeu nacos de seu tempo com a análise do gesto de FHC. Disse que não leva o discurso pró-impeachment a sério. Debita os arroubos ao calor da campanha. Enxerga no manifesto uma tentativa do de FHC de retomar o controle do PSDB.

Na opinião de Lula, a estratégia visava dois objetivos: forçar o PSDB a assumir a defesa do legado da era tucana, algo que ninguém se animou a fazer durante a campanha eleitoral, e inibir uma aproximação com ele depois da abertura das urnas. Acha que, nos dois casos, a estratégia malogrou. Produziu apenas a “desagregação” do tucanato e a impressão de “desespero”.

Lula fala como se não considerasse mais a hipótese de não ser reeleito. Aposta que, passada a contenda política, tucanos como José Serra e Aécio Neves não se furtarão a estabelecer com o Planalto um diálogo “construtivo”. Especialmente se ambos forem eleitos respectivamente governadores de São Paulo e de Minas Gerais, como prenunciam as pesquisas.

No comando dos dois principais Estados, avalia Lula, Serra e Aécio não poderão prescindir da colaboração da União. Do mesmo modo, diz o presidente, o governo federal precisará da ajuda dos dois para aprovar no Congresso projetos tidos como essenciais –entre eles as reformas política, tributária e previdenciária.

Lula utiliza um outro argumento para justificar o seu otimismo em relação ao êxito dos entendimentos futuros: acha que não interessa nem a Serra nem a Aécio, ambos candidatos ao Planalto em 2010, a inviabilização do seu segundo mandato. Na mesma entrevista do Itamaraty, quando questionado sobre a possibilidade de transformar Aécio em parceiro, Lula foi sucintamente claro: "Ele é uma parceria hoje já".

Não passa pela cabeça de Lula a idéia de arrastar o PSDB para dentro do seu governo. O entendimento idealizado por ele se restringiria ao estabelecimento de uma cooperação administrativa e política. Passaria necessariamente pela aprovação no Congresso de projetos de interesse geral. É diferente dos planos que nutre, por exemplo, em relação ao PMDB, um partido cuja cooperação está condicionada ao controle de nacos da Esplanada dos Ministérios.

Escrito por Josias de Souza às 02h54

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As manchetes desta quinta

- JB: Cesar Maia: "Toda a Barra está na Justiça"

- Folha: Jovens são 45,5% dos desempregados

- Estadão: FMI prevê que o Brasil continuará crescendo pouco

- Globo: Detran não cassa carteira por infrações há 18 meses

- Correio: Grileiros fazem farra de lotes em área nobre

- Valor: Bolívia assume refinarias sem pagar Petrobras

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Assessoria 'rabulamentar'!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Lula vira saco de pancadas em debate da Gazeta

  Orlando Brito
O segundo debate entre os presidenciáveis, promovido pela TV Gazeta, de São Paulo, transformou-se numa espécie de luta de boxe em que Lula, ausente, entrou com a cara. Todos socaram impiedosamente o presidente.

 

“Do que Lula tem medo?”, indagou Cristovam Buarque (PDT), inaugurando a sessão de pancadas. “Das acusações? Das cobranças?”. Seguiram-se os golpes de Heloisa Helena (PSOL). Disse que Lula deveria "descer de seu trono de corrupção, arrogância covardia política."

 

Ignorando o fato de que os tucanos FHC e José Serra também deram de ombros para os debates, Geraldo Alckmin (PSDB) não perdeu a oportunidade de desferir os seus jabs. Disse que "eleição é um processo de diálogo". Lembrou que Lula tem um elenco de promessas não cumpridas a explicar. Mirou abaixo da linha da cintura ao mencionar que cinco ministros de Lula foram "indiciados pela polícia".

 

Afora a pimenta jogada nos olhos de um Lula ausente, o debate teve gosto de água com açúcar. Os candidatos valeram-se da tribuna televisiva para reiterar propostas que vêm defendendo desde o início da campanha.

 

O clima ameno foi quebrado apenas de raro em raro, graças à disposição de HH de alfinetar Alckmin. A candidata do PSOL foi auxiliada, aliás, pelo próprio adversário tucano. Em dado momento, Alckmin perguntou o que HH faria para evitar o risco de um novo apagão nos próximos anos.

 

Ela não teve dúvidas. Acomodou o tucanato e o petismo num mesmo saco. E chacoalhou: "Vamos fazer novos investimentos na geração de energia para dinamizar a economia e impedir uma nova crise, que é retrato da irresponsabilidade de FHC e Lula", criticou.

 

Noutro ponto do debate, HH questionou Alckmin sobre segurança pública, uma espécie de Waterloo do governo tucano em São Paulo. Em resposta, ele desfiou as estatísticas de praxe. E voltou a transferir responsabilidades para Brasília: “Não vou me omitir e trabalhar firme, mudar a legislação, que é federal."

Os contendores logo voltariam suas baterias de novo na direção do grande ausente. Referindo-se a programas supostamente eleitoreiros que vêm sendo anunciados pelo governo, Cristovam disse que Lula inova ao lançar “pacotes de boca de urna”. Faz, segundo as suas palavras, "boca de urna com dinheiro público".  

Alckmin ecoou Cristovam. Disse que o presidente promove uma volta “à idade da pedra”. Mencionou o “aparelhamento do governo federal” e a ausência de prestação de contas “do dinheiro que sumiu." Disse que o governo Lula perseguiu um “nordestino pobre” –referência ao caseiro Francenildo Costa—e foi ameno com os "grandes corruptores".

Otimista inveterado, o presidenciável tucano reiterou a sua convicção de que irá ao segundo turno: “Agora é que começa a se formar convicção [dos eleitores”. Disse que no segundo round, Lula não terá como fugir ao contraditório. HH concordou num ponto: a perspectiva do segundo turno. Mas disse que é ela, e não Alckmin, a melhor pessoa para se contrapor a Lula. Por que? “Vim de uma família pobre, mas quando toquei os palácios não me vendi, não roubei."

 

Tudo considerado, os ataques a Lula devem resultar em prejuízo zero para o presidente. Se a audiência da TV Bandeirantes, promotora do primeiro debate, não o abalou, não será a da TV Gazeta que irá minar-lhe o favoritismo. No próximo debate, da TV Globo, a audiência será maior. Mas a veiculação se dará em 28 de setembro, a três dias da eleição. Se até lá os adversários não tiverem encurtado a distância que os separa de Lula, não serão novos ataques a uma cadeira vazia que produzirão uma mudança no quadro.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Manobras retardam julgamento da candidatura Maluf

Servindo-se de manobras jurídicas, os advogados de Paulo Maluf vêm logrando retardar há 15 dias o julgamento de um pedido de impugnação da candidatura do ex-prefeito à Câmara dos Deputados. O Ministério Público Eleitoral recorreu contra a homologação da candidatura de Maluf no dia 28 de agosto. O processo deveria ter sido remetido pelo TRE de São Paulo ao TSE, em Brasília, três dias depois. Mas continua retido nos escaninhos do tribunal paulista.

O caso envolvendo Maluf foi noticiado aqui no blog em três textos (um, dois, três). Antes de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério Público tentara impugnar a candidatura do ex-prefeito no próprio Tribunal Regional Eleitoral. O registro de Maluf foi mantido. Daí o recurso ao TSE.

Toda discussão gira em torno de um conjunto de documentos usados pelo Ministério Público para tentar barrar as pretensões eleitorais de Maluf. São dados enviados ao Brasil pela Promotoria de Nova York. Contêm informações sobre compras estimadas em US$ 2,3 milhões que Maluf realizou na casa de leilões Sotheby´s.

Nenhuma das transações foi registrada na declaração de bens que Maluf encaminhou à Justiça Eleitoral. O que levou o Ministério Público a qualificar o documento como “inidôneo”. Os advogados do ex-prefeito argumentaram que o papelório vindo dos EUA não poderia ser usado num processo de cunho eleitoral. Serviriam apenas para instruir processos criminais a que Maluf responde na Justiça.

A tese dos advogados foi acatada. Determinou-se que os papéis norte-americanos fossem “desentranhados” dos autos. O Ministério Público Eleitoral recorreu dentro do prazo legal. Pediu que o processo fosse remetido a Brasília. Pela lei, caberia ao TRE recolher nova defesa de Maluf e remeter o caso para o TSE.

Porém, os advogados de Maluf voltaram à carga. Pediram, de novo, que fossem desconsiderados os documentos vindos dos EUA. No recurso ao TSE, o Ministério Público repete algo que já anotara no processo julgado pelo TRE: o Ministério da Justiça obteve autorização expressa do Judiciário norte-americano para uso dos documentos também na Justiça Eleitoral.

No último dia 9 de setembro, o procurador da República Mario Luiz Bonsaglia enviou ao TRE paulista ofício alertando para os riscos do relógio. Casos como o de Maluf só poderão ser julgados no TSE até o dia 20 de setembro. “(...) As sucessivas manobras procrastinatórias adotadas pelo candidato impugnado [Maluf] vêm impedindo a subida dos autos ao Tribunal Superior Eleitoral (...)”, anota o procurador em seu ofício.

Nesse vaivém, o TRE preferiu devolver o processo ao Ministério Público em vez de remetê-lo a Brasília. Cobrou do procurar Bonsaglia a apresentação de contra-razões aos argumentos dos advogados de Maluf. A manifestação do procurador deve ser entregue nesta quinta ao TRE.

Espera-se que, finalmente, o processo siga TSE. Pelo rito processual, o tribunal terá de ouvir a Procuradoria-Geral Eleitoral, em Brasília. Em seguida, proferirá o seu veredicto. O blog apurou que o parecer da procuradoria-geral será favorável à impugnação da candidatura Maluf.

Escrito por Josias de Souza às 20h31

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Gushiken vê motivação eleitoral na decisão do TCU

O ex-ministro Luiz Gushiken, hoje assessor especial de Lula, enxerga motivação eleitoral na decisão tomada na tarde desta quarta de promover uma devassa nas contas de publicidade da Presidência da República. Ele considera que não houve nada de irregular na distribuição de cartilhas de autopromoção do governo por diretórios municipais do PT. Eis o que disse Gushiken a propósito da deliberação do TCU:

 

“Estranho que somente agora, às vésperas das eleições, venha a se apontar suposto conteúdo não institucional, quando à época - quase dois anos atrás -todos os deputados, senadores, governadores, prefeitos e outras autoridades receberam o referido material. Naquela ocasião, nenhum questionamento foi levantado, pois, de fato, o material tem cunho estritamente institucional e não partidário”, diz Gushiken, que era o titular da Secretaria de Comunicação da Presidência na ocasião em que as cartilhas foram impressas e distribuídas.

 

A manifestação de Gushiken consta de nota oficial enviada há pouco para o blog. Leia a íntegra abaixo:

“A propósito da decisão tomada hoje, no plenário do Tribunal de Contas da União, referente à produção e distribuição de revistas de conteúdo institucional, entre 2003 e 2005, cabem os seguintes esclarecimentos:

a) O acórdão do TCU (1641/2006) é categórico ao afirmar que "a conversão desse processo em Tomada de Contas Especial constitui decisão preliminar, não importando, portanto, em julgamento da matéria, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal".

b) Ainda de acordo com o próprio acórdão do TCU, a etapa seguinte do processo permitirá a apresentação de defesa e das provas de que não existiu qualquer ilegalidade, nem prejuízo aos cofres públicos, na produção e
distribuição do material informativo.

c) Reitero o entendimento de que não há óbice de natureza legal na forma como foram distribuídas as revistas.

d) Estranho que somente agora, às vésperas das eleições, venha a se apontar suposto conteúdo não institucional, quando à época - quase dois anos atrás -todos os deputados, senadores, governadores, prefeitos e outras autoridades receberam o referido material. Naquela ocasião, nenhum questionamento foi levantado, pois, de fato, o material tem cunho estritamente institucional e não partidário.

e) Certamente, alguns setores políticos prefeririam que o Governo Federal não prestasse contas e nem divulgasse suas realizações”.

Luiz Gushiken
Brasília (DF), 13 de Setembro de 2006

O argumento eleitoral utilizado pelo ex-ministro Gushiken é incompatível com a gravidade do episódio. As dúvidas que remanescem são as seguintes:

1. O Planalto encomendou a duas agências de publicidade –Duda Mendonça e Matisse—5 milhões de cartilhas promocionais. Os auditores do TCU verificaram que 2 milhões de cartilhas não foram entregues. Onde estão?

 

2. Instado a defender-se, o governo alegou que o lote de cartilhas não encontrado de fato não chegou à presidência da República. Foi enviado a diretórios municipais do PT, que se encarregaram da distribuição. Por que usar um partido político para distribuir peças promocionais do Estado?

 

3. Em nota oficial, o PT diz ter distribuído 929.940. É bem menos que o número de cartilhas sumidas detectado pelos auditores do TCU (2 milhões). Onde está o resto?

 

4. O relatório que o tribunal aprovou nesta quarta levanta a suspeita de que as cartilhas, em verdade, não foram impressas. O desvio teria custado à bolsa da Viúva R$ 11,6 milhões. O governo, o PT e as agências envolvidas terão 15 dias para oferecer explicações. É disso que se trata.

 

Ao contribuinte brasileiro, pouco importa o discurso precipitado da oposição, que voltou a pregar o impeachment de Lula. Tampouco interessa a cortina eleitoral que Gushiken e o PT tentam levantar em torno do problema. Interessa saber o que foi feito da grana pública.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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TCU aprova hoje devassa na publicidade do Planalto

O plenário do Tribunal de Contas da União vai votar na tarde desta quarta o pedido de realização de “tomada de contas especial” na Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República). O blog apurou que o pedido será aprovado.

O objetivo é aprofundar auditoria iniciada no ano passado, durante a qual foram detectadas impropriedades em despesas de cerca de R$ 11 milhões (conheça mais detalhes pressionando aqui). O dinheiro foi usado na edição e distribuição de revistas e encartes feitos por encomenda do Planalto. Continham propaganda da gestão Lula e ataques à administração de FHC.

 

Os auditores do TCU estranharam o seguinte: um lote de publicações , embora devidamente pago, não foi entregue ao Planalto. Instado a se manifestar, o governo reconheceu que as cartilhas não chegaram a Brasília. Alegou que foram encaminhadas a diretórios municipais do PT, que se incumbiram da distribuição.

 

Para o relator do processo, ministro Ubiratan Aguiar, a emenda soou pior do que o soneto. Ele farejou na operação uma relação promíscua entre governo e partido. Por isso recomendou a realização da “tomada de contas especial”. O voto de Ubiratan deveria ter sido julgado pelo TCU na terça-feira da semana passada. Mas outro ministro, Marcos Vilaça, pediu vista do processo, adiando a decisão.

 

Vilaça concluiu na noite passada a leitura dos autos. Chegou à mesma conclusão de Ubiratan Aguiar. Ou seja, a “tomada de contas especial” é inevitável. Na manhã desta quarta, Vilaça devolveu o processo para que fosse levado a voto na sessão de hoje, já iniciada.

 

A simples aprovação do aprofundamento da auditoria será um duro revés para Lula e seu governo. Colocará de novo sob suspeição um apêndice da Presidência, a Secom. De fato, é estranho, muito estranho, estranhíssimo que se disponha a financiar a edição de cartilhas de autopromoção para que o PT distribua. 

 

Há mais e pior: os auditores do TCU não estão inteiramente convencidos de que as cartilhas tenham sido mesmo distribuídas pelo PT. Rumina-se no tribunal a suspeita de que nem todas as publicações encomendadas tenham sido impressas. Uma hipótese que, se verdadeira, conferiria ao impensável ares de inacreditável. O PT refuta a suspeita. Em nota oficial, o partido informa que recebeu e distribuiu 929.940 revistas do governo. É o que os auditores irão verificar.

 

PS.: Como previsto, o TCU aprovou o pedido de auditoria especial nas contas publicitária do Planalto (leia). Outra notícia: o Ministério Público recebeu cópia da auditoria feita pelos técnicos do TCU na Secom (aqui). O documento deve dar origem a um novo inquérito.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

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PT quer rechaçar discurso pró-impeachment na rua

Em ritmo de contagem regressiva, o comitê reeleitoral de Lula organizou para os últimos 15 dias de campanha três eventos de rua. O primeiro deles ocorrerá no próximo final de semana em cerca de 3.000 municípios. O último, batizado de “caminhada da vitória”, será no dia 29 de setembro, nas principais capitais do país.

 

As manifestações, que vêm sendo organizadas desde julho, ganharam sentido novo para o petismo. Ao objetivo eleitoral, somou-se o desejo de dar uma resposta aos adversários que tentam ressuscitar o debate sobre o impeachment de Lula.

 

“Entendemos que esses últimos 15 dias são definidores do processo eleitoral”, diz João Felício, ex-presidente da CUT e responsável pelo comitê de mobilização da campanha de Lula. “Queremos consolidar as pesquisas e assegurar a vitória do Lula. Ao mesmo tempo, vamos mostrar que não há ambiente para impeachment”.

 

“Daremos uma resposta democrática e pacífica”, acrescenta Felício. “Queremos reeleger o Lula e não aceitamos ameaças ao processo democrático. Esse discurso pelo impeachment serve apenas para demonstrar o desespero dos nossos adversários. Não estão conseguindo ganhar nas urnas e ameaçam com retrocesso. Isso não cola.”

 

A defesa do impeachment de Lula foi feita nos últimos dias por três apoiadores da candidatura tucana de Geraldo Alckmin: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o presidente do PSDB, Tasso Jereissati; e, por último, o presidente do PPS, Roberto Freire.

 

As manifestações que o PT agendou para o próximo final de semana, dias 16 e 17, partirão das capitais e das cidades de porte médio para os pequenos municípios. “Será uma das maiores mobilizações dessa eleição”, diz Felício.

 

Programaram-se “bandeiraços”, distribuições de panfletos, comícios-relâmpago, trabalho de corpo-a-corpo e entrevistas a rádios e jornais locais. Participam candidatos petistas ao Congresso e aos governos Estaduais, presidentes de diretórios estaduais e municipais do PT e líderes dos chamados movimentos sociais.

 

Para o sábado seguinte, dia 23, o comitê de Lula programou nova mobilização. De novo, o objetivo é atingir as cidades de pequeno porte. O mote será a “inclusão social”. Por último, marcou-se para a sexta seguinte, dia 29, aquilo que o PT chama de “caminhada da vitória”. O alvo, dessa vez, são as principais capitais do país. Pela lei, a propaganda eleitoral encerra-se na véspera, dia 28. Mas, segundo a interpretação do PT, caminhadas adornadas com faixas e bandeiras não estão proibidas.

 

“Daremos uma dimensão maior à campanha, para que o processo eleitoral tome as ruas. Vamos criar o verdadeiro clima de eleição. Hoje, a impressão que todos têm é de que a campanha só está na TV, no rádio e nos jornais. Ainda não chegou às ruas. Agora vai chegar”, diz Felício. Será?

Escrito por Josias de Souza às 08h48

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As manchetes desta quarta

- JB: Governo dá crédito para casa própria

- Folha: Lula está 22 pontos à frente de Alckmin

- Estadão: Câmara corta 1.018 cargos de confiança

- Globo: Governo anuncia pacote para moradia a 19 dias da eleição

- Correio: Vassourada nos fantasmas

- Valor: Conselhos de municípios fracassam na fiscalização

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h08

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Création nouvelle!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h42

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PT pede doações eleitorais por e-mail

O signatário do blog recebeu nesta terça um e-mail assinado por José de Filippi Jr.. Vem a ser a ser o gerente das arca$ da campanha de Lula. A parte inicial da missiva eletrônica diz o seguinte:

“Em nome da Coligação ‘A Força do Povo’, quero convidar-lhe a contribuir financeiramente para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de ajudar a viabilizar a divulgação da plataforma de Lula para o Brasil, seu apoio terá um importante significado político: seu nome constará da relação de doadores que, após as eleições, ficará disponível para consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Em 2006, a Justiça Eleitoral aumentou as exigências para as doações eleitorais. Para cumprir a legislação e facilitar esse processo, a Campanha Lula criou um cupom exclusivo destinado a doações entre R$ 5,00 e R$ 1.000,00. Para contribuir, o doador deve preencher o cupom, comparecer com ele a qualquer agência da CEF ou do BB e fazer um depósito identificado para a campanha, em dinheiro. Após fazer o depósito, basta colocar o boleto em qualquer agência ou caixa dos Correios. Ele funciona como cartão-resposta e não tem custo para o doador”.

Segue-se um link para a impressão do “cupom de doação” e um pedido para que o “doador” autorize a publicação de seu nome em peças de campanha destinadas à “publicação na imprensa”. O repórter estranhou o e-mail. Imaginou-se vítima de um trote. Depois, soube que a mesma solicitação foi encaminhada a 180 mil pessoas. E tranqüilizou-se.

O companheiro Fillipi Jr. precisa refinar a sua lista. O repórter considera-se pouco adestrado na arte do manuseio do dinheiro. Vem daí a sua incapacidade de acumular pecúnia. E a preferência por manter o pouco que amealha em suas próprias mãos. Não que isso vá representar um problema para o caixa reeleitoral, que, a julgar pela veracidade das cifras levadas pelo PT aos arquivos do TSE, já acumula R$ 22,7 milhões.

Curioso que, com tantos reais em caixa, o PT tente pescar migalhas no bolso do pobre eleitor. De todo modo, o jogo de cena é preferível ao esconde-esconde de que se valeu o companheiro Delúbio Soares para injetar pelo menos R$ 55 milhões em verbas de má origem nos cofres de uma legenda que se vendia como casta e imaculada. Alvíssaras!

Escrito por Josias de Souza às 22h45

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Histórico das eleições conspira contra Alckmin

Geraldo “Chuchumbo” Alckmin anda tão ocupado em salvar a própria candidatura que já não tem tempo de ser realista. A 18 dias do primeiro turno da eleição, o Datafolha voltou a atestar o favoritismo de Lula (50%). Mas Alckmin (28%) segue afirmando que confia numa “virada”.

"A campanha só começa quando muda o horário da novela", dizia Alckmin no início da campanha. Veio a propaganda eleitoral. E nada. “O quadro vai mudar depois do dia do desfile”, passou a dizer “Chuchumbo”. Cresceu muito pouco. E não exibiu potencial para roubou votos de Lula. Agora, vem a pregação da “virada” final.

Milagres eleitorais acontecem. Alckmin sabe disso. Em agosto de 2002, quando disputava o governo de São Paulo, o tucano freqüentava as pesquisas com índices de 24%. Paulo Maluf, seu adversário de então, tinha 40%.

Na segunda quinzena de setembro daquele ano, a duas semanas do término do horário eleitoral, Alckmin ultrapassou Maluf em 2 pontos. Uma semana depois, a diferença subiu para 4 pontos. No final da campanha, Maluf havia sido ultrapassado em 17 pontos. E Alckmin elegeu-se governador.

Há, porém, um detalhe que desaconselha otimismo. Não há registro de mudanças bruscas na reta final das eleições presidenciais. O histórico demonstra que costuma levar a faixa o candidato que já liderava as pesquisas antes do início da propaganda no rádio e na TV.

Foi assim com Fernando Collor, em 1989. Idem com Fernando Henrique Cardoso, em 1998; Ibidem com Lula, em 2002. Desde que foram restabelecidas as eleições diretas, houve um único caso em que o candidato favorito foi batido nas urnas. Deu-se com Lula, em 1994. Atrás nas pesquisas, FHC ultrapassou Lula em julho daquele ano antes mesmo do início da publicidade de campanha.

A virada teve, porém, uma motivação peculiar. FHC cavalgava o prestígio do Plano Real, cujo êxito motivara sua saída da pasta da Fazenda, sob Itamar Franco, para aventurar-se no pleito presidencial. Alckmin, além de não ter nenhuma arma secreta no bolso do colete, enfrenta um adversário que, a exemplo do FHC de 94, dispõe de uma alavanca vigorosa: o programa Bolsa Família.

O único fator que poderia justificar um crescimento vigoroso de Alckmin era o fato de ele ser desconhecido da maioria dos brasileiros. Supunha-se que, mostrando-se no TV e falando no rádio, ele granjearia simpatias em regiões mais remotas do país. Não colou. Não lhe resta senão esperar pelo milagre.

PS.: Não deixe de ler também a esclarecedora análise produzida pelo repórter Kennedy Alencar (aqui). 

Escrito por Josias de Souza às 20h11

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Suassuna se defende: ‘Não sou desonesto’

  Folha Imagem
Candidato à reeleição, o senador Ney Suassuna (PB), até bem pouco líder do PMDB, compareceu nesta terça ao Conselho de Ética do Senado. Defendeu-se das acusações de envolvimento com a máfia das ambulâncias. A despeito das negativas que proferiu, não deve escapar de um processo por quebra do decoro parlamentar.

 

Marcelo Carvalho, ex-assessor do gabinete de Suassuna, negociou à farta com a Planam, aquela que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Recebeu R$ 225 mil em propinas. Luiz Vedoin, sócio da empresa, sustenta que Carvalho falava em nome de Suassuna.

 

O senador contesta. Diz que o ex-assessor agia por conta própria. Reconhece que tinha conhecimento da liberação de emendas encaminhadas ao Orçamento da União em seu nome para a compra de ambulâncias. Mas alega que desconhecia o superfaturamento. Sustenta que Carvalho falsificou sua assinatura em ofício encaminhado ao Ministério da Saúde pedindo a liberação de verbas.

 

"Eu não conheço ninguém da Planam, nunca tive nenhum trato com esse pessoal. Nunca soube da existência de nenhum deles (...). Eu nunca imaginei que o meu assessor pudesse ter outro acordo. Eu autorizava a liberação de emendas para a compra de ambulâncias, mas não superfaturadas. Porque pagaram R$ 225 mil a ele, não é da minha conta."

 

Como assim? “Não é da minha conta?”. Ora, senador, francamente. Ainda que se admita como verdade o que alega Suassuna, algo ainda pendente de verificação, um senador da República não pode dar guarida em seu gabinete a um funcionário que ele próprio trata como desonesto e sair por aí dizendo que não tem nada com o babado!

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Na Baixada Fluminense impera o ‘mata, mas faz’

Costuma-se dizer que as zonas mais violentas do Rio de Janeiro são dominados por um “poder paralelo”, erigido à margem do Estado. O sociólogo José Cláudio Souza Alves, da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio), um estudioso do fenômeno da violência na Baixada Fluminense, tem outra explicação para o fenômeno. Sustenta que, nos bairros da Baixada, impera o sistema do “mata, mas faz”, uma analogia ao conhecido “rouba, mas faz”.

"Não é nada paralelo. Esses grupos [de extermínio] representam um estágio da própria construção do Estado e do poder político na região", diz Souza Alves em entrevista ao repórter Spency Pimentel. “Aqui, é o mata, mas faz.”

Souza Alves é autor do livro "Dos Barões ao Extermínio – Uma História da Violência na Baixada Fluminense". Acompanha o histórico de violência na região. Pelas suas contas, o índice de assassinatos na Baixada era, no final dos anos 80, de 95 execuções para cada 100 mil habitantes. Hoje, é de 76 assassinados por 100 mil.

O número caiu. Mas, comparado com a média nacional, mata-se na Baixada Fluminense três vezes mais gente do que no resto do país. Ou duas vezes mais do que na capital carioca. Há na região cinco a seis mortes por dia. Só 7,8% dos crimes são investigados pela polícia.

Segundo o estudioso, a indústria da morte nasceu nos anos 80, à sombra do regime militar. A soldo de comerciantes, militares exterminavam supostos bandidos. O negócio se manteve ativo depois da redemocratização do país.  

No início dos anos 90, diz Souza Alves, líderes de grupos de extermínio começaram a se aventurar na política. O movimento, que o sociólogo chama de “lavagem de cidadania”, marcou "a chegada dos matadores ao poder”. Eram dois os objetivos do crime: “Se proteger e, também, tomar para si o controle sobre as regiões."

"O poder”, diz Souza Alves, “é o melhor alvejante. Sobretudo quando é calcado sobre a desgraça dos mais pobres". Os eleitos obtêm “respeitabilidade”. Investigando-os, porém, descobre-se que têm contra si “acusações de roubo de carros, seqüestro, tráfico."

As execuções sumárias, longe inspirar repulsa, confere aos “políticos matadores" respaldo social. Eles tonificam o seu prestígio valendo-se de “práticas clientelistas, bem à moda da Baixada”. Conquistam "currais eleitorais" nos bairros pobres da região.

Em períodos eleitorais, como o atual, o poder das armas tem influência no resultado das urnas. Os políticos ligados ao crime organizado utilizam o seu aparato para impedir que adversários façam campanha em seus redutos. Os tentáculos do crime chegam ao aparato estatal. "Como eles têm força política, conseguem exigir que aliados sejam mantidos e adversários sejam eliminados do aparato da segurança pública", diz Alves Souza.

Como se vê, há no Brasil modalidades de campanha que nenhuma legislação eleitoral consegue coibir. Ou viramos essa página, ou continuaremos convivência com a incômoda sensação de que o único segmento que se organiza no país é o crime.

Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Lembo diz que SP ‘perdeu os limites’ nas prisões

Sempre que questionado sobre a crise no setor de segurança pública em São Paulo, o presidenciável Geraldo Alckmin contra-ataca com estatísticas. Gosta de dizer, por exemplo, que seu governo “retirou das ruas 90 mil criminosos”. Nesta terça, o governador Cláudio Lembo desnudou a realidade que se esconde atrás da meia-verdade de Alckmin.

 

“No sistema penitenciário, nós perdemos os limites e o equilíbrio, esquecemos a lei de execução penal e fomos para um tratamento pessoal ao criminoso, e aí equivocamos. Quando você sai da lei, você cria sempre um tumulto", disse Lembo. Ou seja, aquilo que Alckmin apresenta como solução –a retirada de “90 mil criminosos” das ruas—é, em verdade, parte do problema.

 

Uma das atribuições do Estado é, evidentemente, a de retirar criminosos de circulação. O problema é que, de acordo com a lei mencionada por Lembo, os delinqüentes deveriam ser enviados para prisões capazes de reabilitá-los. Em vez disso, são amontoados em cárceres comandados pelo PCC. Ali, são doutorados no crime.

 

A encrenca não é uma exclusividade de São Paulo. Desgraçadamente, repete-se em todos os Estados da federação, conforme já demonstrado em texto veiculado aqui no blog. A ressocialização de presos não é uma prioridade do Estado brasileiro. Imagina-se que, atrás das grades, o criminoso deixa de ser um problema. A mobilidade do PCC comprova o equívoco da suposição. A desmontagem da bomba não depende apenas de governadores, mas também do presidente da República. Está-se diante de um filme que não tem mocinhos. 

Escrito por Josias de Souza às 15h01

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Sobre FHC, ACM e o tempo

Sobre FHC, ACM e o tempo

 

Fernando Henrique Cardoso, personagem já entrado em anos, sabe que não tem muito futuro na política. Mete-se na refrega eleitoral porque imagina que os mais moços, por inexperientes, acreditem que ele também não tem passado. Mas o passado nunca passa. Está aí, sempre presente, imiscuindo-se no presente. Leia-se, a propósito, o teor de uma nota da coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

 

Paz e Guerra - Dias antes de lançar sua polêmica "carta aberta" ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conversou longamente com o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, do PFL -há tempos os dois fizeram as pazes e hoje se dão "muito bem", diz ACM. "Eu disse a ele que a campanha deveria ser mais agressiva, que precisávamos fazer alguma coisa. Ele me disse que estava mesmo com vontade. Foi um desabafo."

 

Abra-se aqui um parêntese. Só para lembrar que ACM, em passado recentíssimo, notabilizou-se pela crítica contumaz que fazia ao estilo acomodatício de FHC. Peitou a autoridade presidencial a mais não poder. Até debaixo do teto do Palácio da Alvorada. Como em maio de 1999, num encontro testemunhado por Pimenta da Veiga, Jorge Bornhausen e Marco Maciel.

 

FHC cobrava coesão de seus aliados no Congresso. "Tudo bem, mas você precisa se ajudar", alfinetou ACM. FHC embatucou-se: "Como assim?". E ACM: "O seu estilo está superado. É preciso mais ação". FHC eriçou-se: "Com esse meu estilo ganhei duas eleições".


ACM não se deu por achado: "O Getúlio ganhou três e terminou dando um tiro no peito". E FHC: "Eu não tenho o seu jeito. Não sou brigão. Nem por isso fujo da responsabilidade. Combati a Oban em São Paulo. Fui encapuzado, interrogado".


Antes que Bornhausen e Maciel providenciassem panos quentes, ACM ainda disse: "Isso não me impressiona, presidente. Nessa época eu dava tapa em general". Referia-se a entrevero que teve, em 1965, com o general João Costa.

ACM era, então, deputado federal pela Arena. O general, que comandava a 6ª Região Militar, em Salvador, acusou-o de espalhar boatos sobre um caso extraconjugal que jurava inverídico. Encontraram-se na sede do governo baiano.

 

Deu-se num pequeno elevador o ápice do sururu. Sob os olhos esbugalhados de Lomanto Júnior, então governador da Bahia. Enfezado, o general dirigiu-se a ACM com o dedo em riste e a voz no teto. ACM golpeou-lhe o quepe, lançando-o ao chão.

 

Minutos depois, isolados numa sala do Palácio da Aclamação, ACM contou ao desafeto que ouvira sobre sua suposta amante dos lábios de outro general: Ernesto Geisel, então chefe do Gabinete Militar de Castelo Branco. Fecha parêntese.

 

Entre o FHC agressivo do manifesto e o presidente que dizia a ACM que não tinha “o seu jeito” há um novo personagem. É um FHC que, cioso da própria obra, não se conforma com a vergonha que seu partido tem de defender o seu governo. Sabe que o tempo é implacável. Seu relógio não tem mais ponteiros. Tem duas espadas. E não quer fazer feio no verbete da enciclopédia.

Escrito por Josias de Souza às 13h07

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As manchetes desta terça

- JB: Síndico vai à Justiça contra construtora

- Folha: Verba social da Petrobras privilegia PT

- Estadão: MST reduz invasões para favorecer Lula

- Globo: Laudo: motorista de tragédia da Lagoa bebeu em excesso

- Correio: Fantasmas com os dias contados

- Valor: Matérias-primas têm forte queda liderada por petróleo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h03

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Carta-bomba!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Marco Aurélio vê fogo atrás da fumaça do mensalão

  Sérgio Lima/F.Imagem
Em entrevista ao Programa do Jô, Marco Aurélio Mello, presidente do TSE e ministro do STF, deixou antever o posicionamento que irá adotar em relação ao escândalo do mensalão, submetido ao julgamento do supremo. Jô perguntou ao ministro se ele acreditava na existência do mensalão. E ele: “Onde há fumaça, há fogo”.

“Não podemos ser ingênuos diante do que ocorreu”, acrescentou o ministro. “Inclusive diante das renuncias havidas a mandatos parlamentares. Devemos aguardar o desfecho da ação penal, para chegar à conclusão sobre os culpados pelo mensalão”. A entrevista terminou por volta de 2h05 da madrugada desta terça-feira.

 

Marco Aurélio compõe o colegiado de onze ministros do STF que irá julgar a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os 40 integrantes da "quadrilha" do mensalão. A primeira fase do processo foi concluída na semana passada, com a apresentação da defesa prévia dos envolvidos.

 

Quando questionado acerca da participação de políticos envolvidos em escândalos nas eleições deste ano, Marco Aurélio afirmou que a atuação do Judiciário é vinculada à lei. Ou seja, não há como impedir que políticos sem condenação definitiva submetam-se ao crivo das urnas. “Não podemos agir fora dos limites legais”, disse ele.

 

Mas o ministro lembrou que o “poder do eleitor” é maior do que o dos tribunais. Chegou mesmo a recomendar o veto a políticos encrencados com a Justiça. Nas palavras do presidente do TSE, o eleitor “pode dizer não a um candidato que esteja envolvido num processo. E deve fazê-lo.”

 

Remando contra a maré, Marco Aurélio mostrou-se otimista em relação à capacidade de discernimento do eleitorado. “Não podemos subestimar a inteligência do brasileiro. Ele está acompanhando a vida nacional. Aguardemos o que ocorrerá em 1º de outubro”. Ele recomendou ao eleitor que atente para a situação dos congressistas que renunciaram ao mandato para fugir às punições. E, de novo, soou otimista: “Aguardemos a palavra final do eleitor quanto a esses candidatos”.

 

Marco Aurélio disse que o voto nulo não é uma boa opção. Disse que o eleitor deve “assumir a sua responsabilidade”. E a “solução” para o desencanto que se abateu sobre a política é, a seu juízo, “comparecer às urnas e escolher os melhores”.

 

Instado a manifestar-se sobre o instituto da reeleição, o ministro disse que o TSE está atento aos abusos praticados por políticos que disputam novos mandatos no exercício do cargo. Lembrou a multa de R$ 900 mil imposta a Lula recentemente. Disse que o próprio presidente reconhecera a dificuldade de separação dos papéis.

 

“Não fazia parte da nossa tradição republicana a reeleição”, disse Marco Aurélio. “Não se exige a desincompatibilização do cargo, para que aqueles que concorrem às eleições deixem a cadeira de governante. Isso por vezes leva a uma confusão. O próprio presidente [Lula] reconheceu que não conseguia distinguir quando era candidato e quando era presidente. Isso é péssimo”.

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Ciro Gomes xinga opositores em comício no Ceará

  Sérgio Lima/FI.
Apagado sob Lula, Ciro Gomes volta a ser Ciro Gomes. Mas, antes de relatar o que se passou, convém rememorar 
2002. Ciro flertou com a presidência da República naquele ano. Apoiado por uma aliança que incluía gregos e baianos –de ACM a Robertos tão diferentes quanto o Jefferson e o Freire—,Ciro deixou o calvo José Serra, outro presidenciável de então, de cabelo em pé.

 

Comendo poeira nas pesquisas de então, o mesmo Serra que hoje acusa Mercadante e Quércia de baixarem o nível da campanha, escalou em direção a Ciro. Chamou-o de truculento e aventureiro. Chegou mesmo a dizer que o adversário era "desprovido de equilíbrio mental".


Dono um temperamento equipado com ignição instantânea, Ciro bem que tentou calibrar o palavreado. Não deu. Num programa de rádio, considerou atravessada a pergunta de um ouvinte. Chamou-o de “burro”. Noutro evento de campanha, xingou um fotógrafo de “babaca”. Em entrevista, mandou “às favas” o mercado financeiro.

 

Até ACM, o babalorixá da malvadeza, à época aliado de Ciro, aconselhou-o a moderar o linguajar. Era tarde. O candidato, que chegara a ocupar um honroso segundo lugar, estancou nas pesquisas. E caiu. Caiu. Caiu. Terminou em quarto lugar, na rabeira de Lula, Serra e até de Anthony Moleq..., digo, Garotinho.

 

Pois bem, a experiência de 2002 parece não ter ensinado nada a Ciro, hoje candidato a deputado e cabo eleitoral do irmão Cid Gomes, postulante ao governo do Ceará. Há 11 dias, abespinhado com os ataques que o tucano Lúcio Alcântara vem desferindo contra ele e o irmão, Ciro voltou a dar azo à alma mercurial.

 

Do alto de um palanque montado no município cearense de Pacajus, Ciro bradou: “Eu me chamo Ciro Gomes. Me chamo Ciro Gomes. Eu vou responder. E vou responder do meu jeito, porque o governante que está hoje no Ceará [Lúcio Alcântara] só tem força para comprar consciências, para distribuir dinheiro para politiqueiro filho da puta”.

 

Veja com os seus próprios olhos (aqui). Repare que ao lado de Ciro há várias crianças, cujos pais não poderiam supor que o comício seria impróprio para menores de 60 anos.

 

Diz-se no Planalto que, sem alternativas no PT, um Lula reeleito planejaria buscar fora dos quadros partidários um sucessor para 2010. Entre os nomes cogitados o de Ciro Gomes é um dos mais fortes. Lula tentou fazê-lo candidato a vice já agora, em 2006. O PSB, atual partido de Ciro, não deixou.

 

De concreto, por ora, tem-se que o estilo de liderança a que se propõe Ciro Gomes continua sendo um enigma. Autoritário ou enérgico? Arrogante ou determinado? Imprudente ou corajoso? Um jovem destemido ou um Bonaparte do sertão?

Escrito por Josias de Souza às 22h58

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Volta a andar o inquérito do ‘caseirogate’

  AFP
Recomeçou a andar, finalmente, o inquérito contra Antonio Palocci no caso da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A Polícia Federal encaminhou a papelada à Justiça Federal, em Brasília. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes manteve o indiciamento do ex-todo-poderoso ministro da Fazenda por quatro crimes: prevaricação, denunciação caluniosa e quebras de sigilo funcional e bancário.

Manteve também os indiciamentos do ex-presidente da Caixa, Jorge Mattoso: quebras de sigilo bancário e funcional. O ex-assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto, foi indiciado por quebra de sigilo bancário. Inquirido, o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) não foi acusado de nada pela PF.

 

A palavra agora está com o Ministério Público, a quem a Justiça encaminhará o resultado das apurações policiais. Todas as indicações vão na direção do oferecimento de denúncia contra os envolvidos. Um deles, Palocci, está na bica de obter do eleitor de São Paulo um novo mandato de deputado federal. Ao elegê-lo, os paulistas estarão dando ao ex-ministro, além de uma tribuna parlamentar, o benefício do foro privilegiado. O caso subirá ao STF.

Escrito por Josias de Souza às 18h52

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Erro de Lula foi não ter ‘devassado’ FHC, diz Chauí

Pode-se acusar a filósofa Marilena Chauí de muitas coisas, menos de ser adepta do silêncio. Por vezes, fala em meio a barulhos que, por ensurdecedores, recomendarim a mudez. Por isso virou, como ela mesma diz, “saco de pancadas” de uma mídia que chama de "conservadora". Em entrevista à última edição da revista Fórum, a voz miúda de Chauí voltou a soar.

 

Petista de quatro costados, Chauí classifica como erro a adoção do modelo de “transição” adotado na virada da gestão FHC para a administração Lula. “Deveria ter sido feita uma devassa naquele governo”, diz ela. Acha que a varredura teria evitado o desastre de 2005, ano marcado pelo escândalo do mensalão.

 

Chauí revela algo que ainda era desconhecido. Conta que, no alvorecer do governo Lula, a intelectualidade petista reuniu-se com Lula e seus dois lugar-tenentes: Antonio Palocci e José Dirceu. Pregou-se a ruptura. O governo, porém, deu de ombros. “Houve uma longuíssima arenga do Palocci, do Zé Dirceu etc”, relembra.

 

Resultado: parte da intelligentsia vermelha –Chico Oliveira e Fábio Konder Comparato, por exemplo—disse “tchau e bênção”. Outro grupo roeu as unhas e foi para casa. “E alguns, como eu, ficaram lá para ser saco de pancadas do país.” Curiosamente, Chaí conta que, se for eleito, Lula tentara uma reaproximação com o tucanato: “Ouvi dizer que vai haver tentativas nesse sentido.” 

 

Um resumo da entrevista pode ser lido no sítio da Fórum (aqui). Vai abaixo um pequeno extrato:

 

- Ruptura: Infelizmente ele [Lula] optou pela transição. E eu fui contra isso (...). Muitas vezes, escrevi sobre o risco de pensar o início do governo como uma transição. Não se podia fazer com a política neoliberal do FHC uma transição, teria que ter havido uma ruptura (...). Deveria ter sido feita uma devassa naquele governo. Não se fez a devassa, não se propôs a ruptura com o poder econômico e se aceitou como forma de iniciar o percurso a transição.

- Saco de pancadas: Fizemos uma primeira reunião lá no Banco do Brasil, com o Lula, Palocci, todos. E houve uma longuíssima arenga do Palocci, do Zé Dirceu etc., explicando porque seria daquele jeito. Um grupo, do qual faziam parte o Chico de Oliveira e o Fabio Konder Comparato, disse então “tchau e bênção”. Outro grupo se mortificou, comeu as unhas e foi para casa. E alguns, como eu, ficaram lá para ser saco de pancadas do país. Para poder justificar ao país o injustificável, viramos saco de pancadas. Mas à época, pensava o seguinte: é por um desejo infantilmente esquerdista que não quero que seja assim. Preciso ser racional, realista, e entender os limites que a realidade impõe ao nosso desejo...

- Nascimento do PSDB: Por que esse grupo [tucanato] não entrou no PT [quando decidiu deixar o PMDB]? Ouvi deles que não iam entrar porque não aceitavam ser conduzidos por um macacão azul. É literal. Diziam “não vamos ser conduzidos por um macacão azul”.

 

- Aliança PT-PSDB: Essa aproximação quase ocorreu várias vezes. E está rogramada uma nova aproximação. Ouvi dizer que vai haver tentativas nesse sentido.

Escrito por Josias de Souza às 17h45

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Entre parecer o que não é e não ser o que parece

Visto pelo ângulo das pesquisas, José Serra é o Lula das eleições paulistas. Com a mão na taça, faz o estilo “paz e amor”. Acha que Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PDB) rebaixam o nível do embate. A campanha, diz Serra, “é bastante agressiva por parte dos adversários, mas isso não ajuda o eleitorado. Aliás, não ajuda nem a eles, eleitoralmente. Não contribui para a democracia".

 

Chama-se Luiz González o jornalista que cuida do marketing da campanha de Serra. É o mesmo que, no plano nacional, gerencia a propaganda eletrônica de Geraldo Alckmin. Entre um comitê e outro, González vê-se obrigado a operar um marketing de dupla personalidade. Na propaganda de Alckmin, ele morde. Na de Serra, assopra.

 

Levando-se ao pé da letra as declarações de Serra, poder-se-ia concluir que o ex-prefeito tucano acha que o presidenciável de seu partido presta um desserviço à democracia ao desferir ataques contra Lula no rádio e na TV. De quebra, estaria repudiando o seu próprio marqueteiro.

 

Mas, como bem sabe o eleitor, palavras de políticos em campanha não devem ser interpretadas à letra. Serra, por exemplo, é conhecido entre aliados e adversários como um personagem que, para impor os seus pontos de vista, não hesita fazer política com os cotovelos. É o oposto de Geraldo ‘Picolé de Chuchu’ Alckmin. No entanto é o insosso que se vê compelido a atacar, ao mesmo tempo em que tenta abocanhar nacos da propaganda do adversário.

 

O mesmo se dá no PT. Quando quer, Lula maneja a agressividade com maestria bastante superior à de seu pupilo Aloizio Mercadante, às voltas com a necessidade de alvejar Serra e o tucanato. Tudo considerado, resta concluir o óbvio: numa campanha, prevalece a lógica da conveniência. Certos candidatos precisam parecer o que não são. Outros não podem ser o que parecem.

Escrito por Josias de Souza às 15h56

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Eleitor da Cacuia manda políticos para a Cucuia

Valter Campanaro/ABr
 

O nome do bairro é Cacuia. Fica na Baixada Fluminense. É um desses lugares perdidos no entroncamento do descaso estatal com o oportunismo político. Os cerca de 30 mil moradores da Cacuia convivem com problemas comuns a toda periferia urbana brasileira. Falta-lhes de asfalto a saneamento básico. Sobra-lhes indignação.

Como sói acontecer em toda eleição, a Cacuia foi redescoberta pelos candidatos. Foram recebidos de modo diferente neste ano, informa o repórter Spensy Pimentel. Em faixas que pendem sobre a Avenida Austin, a principal via do bairro, os moradores gritam para os visitantes de ocasião, em letras graúdas, coisas assim:

·         “Cadê as creches, praças, escolas, médicos, remédios? Só mentiras e traição de todos”.

·         “Se você não fez nada em dois anos, peça voto no inferno. Aqui não, filho do cão”.

Foi a maneira que o povo da Cacuia encontrou de mandar os demagogos para a cucuia.

Escrito por Josias de Souza às 13h44

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As meninas superpoderosas do Lula

Ela é mais sóbria do que uma garrafa de aguardente lacrada. Tem a visibilidade de uma sombra no escuro. Seu hobby é o poder. O perfume preferido, o êxito. Para ela, o acerto não é a coisa mais importante. É a única coisa importante.

 

Conduz reuniões com extrema paciência, desde que desemboquem nas decisões que tomou previamente. Seu idealismo é do tamanho do orçamento. Seus sonhos têm o diâmetro do cérebro. Só atravessa via de mão única depois de olhar para os dois lados. 

 

Está-se falando de Dilma Rousseff. Portando-se como anti-Zé Dirceu, a chefona da Casa Civil fincou raízes no quarto andar do Planalto. Se Lula for reeleito, ela vai compor com outras duas mulheres –Miriam Belchior e Maria das Graças Foster—a trinca das meninas de ouro do presidente. Eis o que informa o Painel (assinantes da Folha):

 

Superpoderosas - Uma das novidades que Lula pretende introduzir em seu governo caso vença a eleição é um gabinete de monitoramento de gestão diretamente subordinado ao presidente da República. A aliados, disse que a demora para colocar em prática as decisões tomadas foi um dos problemas do primeiro mandato e que não pretende repeti-lo. No desenho esboçado por Lula em conversas, o comando da nova estrutura caberia à ministra Dilma Rousseff, que deve continuar na Casa Civil. Duas outras mulheres fariam parte do gabinete: Miriam Belchior, assessora especial da Presidência, e Maria das Graças Foster, que foi secretária de Dilma até assumir a presidência da BR Distribuidora.

Idéia fixa 1 - A preocupação em tornar o governo mais ágil no eventual segundo mandato foi exposta por Lula a oito ministros com os quais se reuniu na terça passada.

 

Idéia fixa 2 - No encontro de terça, falaram os ministros da área econômica. Luiz Furlan (Desenvolvimento) foi o mais crítico. A pedido de Lula, esse grupo voltará a se reunir para discutir medidas que "destravem" o crescimento.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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As manchetes desta segunda

- JB: Tribunal de Contas do Estado aponta prejuízo com atraso das obras

- Folha: TCU diz que governo Lula fez liberação ilegal de verba

- Estadão: Palocci será denunciado à Justiça por 7 crimes

- Globo: Apologia de bebida ao volante será investigada

- Correio: Custo da saúde no DF é o maior do Brasil

- Valor: Bancos voltam a expandir suas operações de crédito

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h32

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Irretocável!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Vídeo da 'turma do Lula' vira hit na internet

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a exibição da propaganda eleitoral televisiva de Geraldo Alckmin em que bonecos dançam e advertem: "Se o Lula for eleito de novo, a turma dele vai voltar." Comercial de mesmo teor já fora proibido no rádio.

 

A decisão decorre de representação feita pelo comitê de Lula. O ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, acatou o argumento de que a peça é ofensiva ao presidente da República. O vídeo proibido foi imediatamente levado à internet. Tornou-se um hit instantâneo do sítio YouTube. É um dos mais vistos e discutidos do dia. Se você ainda não viu, assista.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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No rastro de FHC, Tasso pede impeachment de Lula

  Sérgio Lima/F.Imagem
Em menos de um mês, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou duas vezes que Lula é passível de impeachment. A última menção consta do manifesto veiculado na semana passada no sítio do PSDB. A moda pegou. Neste domingo, também o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), pregou o impedimento do presidente da República.

 

A manifestação de Jereissati foi divulgada, de novo, na página mantida pelo PSDB na internet. Foi motivada por reportagem de Márcio Aith (para assinantes de Veja). O repórter revelou o conteúdo de auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) nos gastos de publicidade do Palácio do Planalto. Detectou-se a ausência de comprovação de despesas estimadas em R$ 11 milhões.

 

O dinheiro foi usado na edição e distribuição de revistas e encartes feitos por encomenda da Secom, a secretaria de comunicação do Planalto, gerida à época por Luiz Gushiken. As publicações continham propaganda da gestão petista e críticas à administração de FHC. Encomendaram-se 5 milhões de exemplares. Desse total, em apuração iniciada em 2005, os auditores do tribunal não encontraram provas da manufatura e da distribuição de 2 milhões de publicações.

 

Instado a explicar-se, o Planalto informou que as agências de publicidade contratadas para a empreitada entregaram o lote de publicações que o TCU não conseguiu encontrar não à Secom, mas diretamente a diretórios municipais do PT. O partido teria se incumbido da distribuição. Alegou-se que a providência levou o governo a economizar dinheiro, uma vez que as despesas de distribuição correram por conta do partido de Lula.

 

Em voto ainda pendente de votação no plenário do TCU, o ministro Ubiratan Aguiar enxergou na parceria entre PT e governo uma combinação esdrúxula. Acha que o caso pode ter ultrapassado a fronteira que separa a propaganda oficial do proselitismo político. Para complicar, as cartilhas foram confeccionadas por duas agências que têm amigos de Lula como sócios: a Duda Mendonça & Associados, do marqueteiro que cuidou da campanha do presidente em 2002; e a Matisse, de Paulo de Tarso Santos, publicitário das campanhas de Lula em 1989 e 1994.

 

Jereissati pede “cadeia” para os envolvidos. "Quando a gente pensa que acabou, esse governo volta a surpreender. Agora foram R$ 11 milhões que sumiram em uma publicação fajuta. É absolutamente horripilante", disse o presidente do PSDB. “Se mais esta irregularidade ficar comprovada, é caso de impeachment", completou.

 

O presidenciável Geraldo Alckmin também comentou o episódio. Classificou a operação como “crime”. O caso, disse ele, revela a “promiscuidade” que há entre o PT e o governo. "Isso mostra que a corrupção no governo Lula não se constitui de fatos isolados, mas é o poder a qualquer custo".

 

Em troca de telefonemas neste domingo, os principais líderes do PSDB e do PFL, os dois partidos que dão suporte à candidatura de Alckmin, decidiram guindar o caso à condição de prioridade da semana. Será explorado em entrevistas e discursos.

Escrito por Josias de Souza às 20h00

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Presidenciável do PRP é investigada por PF e fisco

A presidenciável Ana Maria Rangel (PRP), exibe-se no rádio e na TV desde 30 de agosto. Dispõe de 1 minuto e 2 segundos. Em poucos dias, igualou-se a Cristovam Buarque nas pesquisas, com 1% das intenções de voto. O que o país desconhece é que a candidata encontra-se sob investigação da Polícia Federal e da Receita Federal.

Ana Maria tornou-se postulante ao Planalto graças a uma operação mercantil. Comprou a vaga do PRP (Partido Republicano Renovador), uma legenda de aluguel com sede em São José do Rio Preto (SP). Ela própria denunciou a operação ao Ministério Público. Alegou ter sido extorquida em mais de R$ 14 milhões. No curso do processo, passou de vítima a investigada.

 

Ela prestou três depoimentos ao Ministério Público Eleitoral de São Paulo. Ouviu-a o procurador Mário Luiz Bonsaglia. Apresentou-se como empresária. Atua nos EUA. É dona da empresa de transportes International Concepts. Fica em Atlanta (Estado da Geórgia). Filiou-se ao PRP com o único propósito de disputar a presidência.

 

Contou que, na hora de homologar a candidatura, o presidente do PRP, Ovasco Resende, lhe disse: “Vamos abrir o jogo. Caixa dois existe e vai continuar existindo”. Pediu dinheiro: R$ 14 milhões para o partido e R$ 2,1 milhões para si próprio. Mais R$ 50 mil pelo registro da candidatura, exigência inusitada prevista nos estatutos do PRP e o custeio de deslocamento e hospedagem dos convencionais.

 

Orientada por um produtor da TV Globo, Ana Maria gravou os diálogos com Ovasco. Entregou as gravações ao procurador Bonsaglia. O conteúdo das conversas recheou reportagem exibida pelo Jornal Nacional em 30 de junho. A candidata disse ter simulado concordância com a proposta de Ovasco.

 

Depositou os R$ 14 milhões nas contas do PRP em 28 de junho. Para evitar que o dinheiro fosse sacado, anotou no cheque uma data errada. Em vez de 2006, escreveu 2005. Fez o mesmo com a taxa de registro de R$ 50 mil. Em 29 de junho, depositou na conta de Ovasco R$ 500 mil, menos do que os R$ 2,1 milhões pedidos inicialmente. De novo, anotou 2005 no cheque. No mesmo dia, foi aclamada em convenção do PRP.

 

Ana Maria registrou a candidatura no TSE. Mas, como previsto, os cheques voltaram. E o partido pediu a impugnação do registro. Em decisão liminar (provisória) ela foi excluída da disputa e impedida de falar no rádio e na TV. Recorreu, alegando que não poderia ser tirada do ar antes do julgamento definitivo do processo. O TSE deu-lhe razão. E Ana Maria pôs a cara no vídeo e a voz no rádio a partir de 30 de agosto.

 

Analisando a encrenca, o procurador Bonsaglia se deu conta de que, além das implicações eleitorais, o caso requeria providências na esfera criminal. Encomendou diligências à PF –para apurar “o tom mercantil que impregnou o processo de escolha da candidata” —e à Receita Federal –para verificar incongruências no Imposto de Renda da candidata. As investigações estão em curso.

 

Ana Maria informara ser “titular de diversos bens, inclusive imóveis e valores, nos EUA”. Na declaração de bens levada à Justiça Eleitoral, só anotou a posse de um automóvel. Inquirida, disse estar em dia com o Imposto de Renda. Mas reconheceu que, também nas declarações ao fisco, só incluiu um automóvel. Acha que, como reside nos EUA, é à Receita norte-americana que precisa prestar contas de seus rendimentos.

 

De resto, verificou-se que Ana Maria gastou cerca de R$ 50 mil no custeio das despesas da convenção do PRP. Não há vestígio do ingresso do dinheiro na contabilidade do partido. A candidata alega que desembolsou o dinheiro por exigência do partido.

 

A precariedade jurídica da candidatura de Ana Maria pode resultar inofensiva ao processo eleitoral. Mas também pode ocorrer o contrário. Por exemplo: se o favorito Lula não obtiver 50% mais um dos votos válidos, o 1% atribuído a Ana Maria seria determinante para levar a disputa para o segundo turno. A hipótese é improvável? As pesquisas indicam que sim. Mas impossível não é. O TSE bem que poderia livrar a eleição desse risco, tomando uma decisão antes do primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 12h51

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PT, entre amigos detestáveis e inimigos adoráveis

Difícil em política não é estabelecer alianças. Difícil mesmo é, depois de armado o sarapatel, o sujeito conseguir identificar os amigos que detesta dos inimigos de que gosta muito. Duas entrevistas publicadas neste domingo mostram como a coisa é complicada.

O sociólogo Francisco Weffort é fundador do PT. Cansou de roçar cotovelos com Lula, nos ambientes apertadinhos do ABC em que o partido foi concebido. Divorciou-se do petismo para assumir o Ministério da Cultura, sob FHC.

 

Hoje, Weffort é eleitor declarado de Geraldo Alckmin. E compara Lula, veja você, ao ex-prefeito de São Paulo Adhemar de Barros (1901-1969). Aquele que passou à história como símbolo da política do “rouba mas faz” (para assinantes da Folha). “O pobre que depende do Bolsa Família para viver deve considerar muito distantes as controvérsias sobre malversação de dinheiro público”, diz Weffort.

 

O ex-governador de Minas Newton Cardoso (PMDB) sempre teve urticária a petista. Não era para menos. O PT o chamava de “ladrão”. Agora, Newtão é candidato ao Senado. E sua candidatura está pendurada à chapa do petista Nilmário Miranda, que concorre ao governo de Minas. O ex-ladrão usa e abusa da imagem de Lula na sua propaganda televisiva.

 

Em entrevista a Paulo Peixoto, Newtão diz que não se importa com a fama de ladrão. Diz ter feito fortuna com "trabalho" e "sorte". Mas ele é cioso ao explicar a aliança que fez com o petismo. Para Newtão, há dois PTs: “o PT honesto e o PT corrupto”. Julga ter dado as mãos à banda boa do PT. E acha que ganhou do ex-inimigo um atestado de bons antecedentes:

 

“O PT, ao fazer mea-culpa, está mostrando que o meu governo [1987-91] foi íntegro, sério. O PT, no passado, foi muito crítico e mordaz. Agora faz mea-culpa. Aprendeu com o Lula, que tem sido competente ao criticar o PT do passado (...)”.

 

Como se vê, a conversão do petismo ao adhemarismo pós-pós deu cara nova ao PT. Quem vê de pertinho as feições do PT “honesto” de que fala Newtão não deixa de enxergar beleza na desonestidade estampada no rosto do “PT do passado”.

Escrito por Josias de Souza às 12h38

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As manchetes deste domingo

- JB: PSDB caça as bruxas do fiasco de Alckmin

- Folha: 76% dos brasileiros dizem ser felizes

- Estadão: Governo vê fim da inflação, mas desafio é crescer

- Globo: Consumo de drogas muda e violência urbana cresce

- Correio: 84.884 vagas

- Valor: Com pacote cambial, bancos criam negócios de US$ 30 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Clepto-candidato!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Maioria dos brasileiros declara-se ‘feliz’

Saiu uma nova pesquisa que ajuda a entender os pendores do eleitorado para o continuísmo. Foi feita pelo Datafolha. Foi divulgada há pouco pelo Jornal Nacional (leia e assista). Será detalhada na edição deste domingo da Folha de S.Paulo.

A sondagem revela que nada menos que 76% dos eleitores se consideram felizes. Outros 22% declararam-se mais ou menos felizes. Só 2% confessaram-se infelizes. Somando-se o índice dos felizes com o dos mais ou menos felizes, chega-se à impressionante marca de 98%.

Um eleitorado assim, digamos, satisfeito, não há de ser movido pelo espírito da mudança. O problema é que a felicidade leva a pessoa a ser otimista. E o otimismo, quando exacerbado, é a porta de entrada para a infelicidade.

Quando inquirido sobre a felicidade da população em geral, 28% disseram achar que os brasileiros são felizes. E 55% avaliam que os patrícios são mais ou menos felizes. Só 13% acham que os compatriotas são infelizes.

O Datafolha também perguntou aos eleitores qual o candidato mais preparado para exercer a presidência da República. 44% responderam Lula; 31%, Geraldo Alckmin; 5%, Heloísa helena; e 1%, Cristovam Buarque. Outros 12% não souberam responder. E 5% disseram que nenhum dos candidatos está preparado.

Para 48% dos entrevistados, Lula está mais associado à defesa dos pobres do que Alckmin (19%). O presidenciável tucano (32%), por sua vez, é mais associado à defesa dos ricos do que Lula (16%). Num país desigual como o Brasil, é lógico supor que a associação com os pobres rende mais votos do que o vínculo presumido com os ricos.

A pesquisa trouxe uma outra revelação: 63% dos eleitores ainda não sabem em quem vão votar para deputado federal; 60%, ainda não escolheram o melhor candidato para deputado estadual. O dado pode ser interpretado de duas maneiras.

O eleitor pode estar perscrutando o quadro geral de candidaturas, para escolher com acerto. Neste caso, reduzir-se-iam as chances de recondução ao Legislativo de sanguessugas, mensaleiros, e violadores de sigilos bancários alheios. Mas o eleitor também pode estar desdenhando da escolha dos deputados. Nesta hipótese, salve-se quem puder.

Escrito por Josias de Souza às 21h24

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Normalidade anormal

Normalidade anormal

  El Roto/El Pais
É insuportável a normalidade que permeia a atual campanha eleitoral. Algo de muito anormal precisa suceder. Sob pena de o eleitor tomar por natural o que é absurdo. Quem não quiser perder a compreensão do que está acontecendo deve levar em conta o seguinte: PT e PSDB são prisioneiros de um mesmo paradoxo. Prometem a modernidade de braços dados com o arcaísmo.

Adversário do tucano José Serra na disputa pelo governo de São Paulo, o petista Aloizio Mercadante costuma dizer que, se prevalecesse a lógica, PT e PSDB deveriam ser aliados, um dando suporte ao outro no Congresso. O raciocínio parte do pressuposto de que as duas legendas constituem o que de melhor a política brasileira foi capaz de produzir.

De fato, olhando ao redor não se encontra no quadro partidário nada menos ruim do que PT e PSDB. Porém, o ideal político dos dois partidos passou a ser a destruição mútua. Travam uma gincana de imoralidades. Um tenta impor ao outro o troféu de campeão das transgressões éticas. Poderia ter sido diferente.

Em depoimento a Denise Paraná, levado à página 114 do livro “Lula, o Filho do Brasil”, o atual presidente relembrou: “1978 foi o ano em que eu, pela primeira vez, assumi uma posição política pública. Foi o ano em que nós montamos um grupo de sindicalistas e fomos procurar o Fernando Henrique Cardoso, dizendo que nós queríamos apoiá-lo para senador. E fomos para as portas de fábrica defender o nome dele (...). Trabalhamos que nem uns condenados.”

Decorridos 28 anos, Lula e Fernando Henrique freqüentam o noticiário como inimigos irreconciliáveis. “Não sou igual a ele, não sou igual a ele, não sou igual a ele”, disse, redisse e tornou a dizer FHC. Nesta semana, o ex-presidente divulgou uma carta aberta em que acusa o sucessor da prática de crime de responsabilidade.

Por mais que se esforcem, FHC e Lula, PSDB e PT, não conseguirão demonstrar que são diferentes entre si. Aproxima-os o gosto pelas alianças esdrúxulas. FHC, a seu tempo, e Lula, agora, deram as mãos à fisiologia, consagrando um sistema iniciado com Tancredo Neves. Sistema que gira em torno de privilégios, negócios, verbas e empregos.

Tancredo teve a ventura de morrer antes de pôr em prática a armadilha que engendrou. Herdeiro dos acordos, Sarney honrou-os. Collor renovou-os. Itamar preservou-os. FHC vestiu-os com traje intelectual, situando-os em algum lugar entre as duas éticas de Max Weber, a da convicção e a da responsabilidade. Lula levou a anomalia longe demais.

O calor de urnas recém-abertas costuma conferir ao eleito uma aparência de super-homem. Porém, ao descer das nuvens da consagração para o chão escorregadio do dia-a-dia administrativo, o novo presidente descobre que seu poder se dissipa nos desvãos da máquina estatal. Em poucos meses, ele se vê como que governado pelas circunstâncias.

Mansamente, a fisiologia vai deixando de ser percebida como parte do sistema. Torna-se o próprio sistema. Passado o ritual da eleição, o novo gerente do velho condomínio de interesses, seja Lula ou Alckmin, cairá no colo do mesmo centrão partidário amorfo, isotrópico e inefável. O país logo estará mergulhado em sua insuportável normalidade. Ministérios partilhados, cargos distribuídos, negócios programados, orçamento fatiado. Algo de muito anormal precisa acontecer nesse país.

Escrito por Josias de Souza às 19h22

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Sarney coleciona reveses no Amapá

 

 

É dura a vida do maranhense José Sarney em seu cotidiano político no Amapá. Candidato à reeleição para o Senado, o ex-presidente da República vem colecionando um revés atrás do outro. Graças a recursos impetrados pela oposição na Justiça Eleitoral, Sarney já perdeu quase quatro dias inteiros de propaganda eleitoral televisiva. Em sua última aparição na TV, ele só pôde desfrutar de 4 segundos. Repetindo: um, dois, três, quatro segundos.

 

Sarney não está passivo às investidas da oposição. Dias atrás, obteve do TRE do Amapá sentença que ordenou a retirada de uma foto exposto no blog da jornalista Alcilene Cavalcante. Continha uma imagem pintada num muro de Macapá com a inscrição “Xô Sarney” (veja acima).

 

O tiro, porém, saiu pela culatra. A censura desencadeou um movimento que extrapolou as fronteiras do Brasil. Ao menos 80 blogs, nacionais e estrangeiros, reproduziram a imagem arrancada do recanto virtual de Alcilene Cavalcanti, que teve contra si nove representações ajuizadas pela coligação que apóia Sarney. Alcilene é assessora da campanha do candidato ao governo amapaense João Capiberibe (PSB), opositor de Sarney.

 

Como se fosse pouco, ganhou a internet também um vídeo no qual Lula faz considerações desairosas sobre a família Sarney (assista). A peça foi exibida na campanha de Edson Vidigal (PSB). Ex-amigo de Sarney, Vidigal hoje disputa o governo do Maranhão, contra Roseana Sarney (PFL).

 

A despeito de tudo, Sarney lidera as pesquisas de opinião no Amapá. Na última sondagem feita pelo Ibope naquele Estado, o ex-presidente obteve 48% das intenções de voto. A oponente que mais se aproxima dele é Cristina Almeida, com 29%. Para o governo, o favorito é Waldez de Góes (PDT), apoiado por Sarney. Obteve 50%, contra 39% atribuídos a Capiberibe.

Escrito por Josias de Souza às 18h31

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Alckmin usa carta para disputar prefeitos com Lula

A última fronteira do embate eleitoral será o município. Desde o início da campanha, Lula vem privilegiando o contato com prefeitos em sua agenda de candidato. Geraldo Alckmin, seu principal adversário, acusa o golpe com atraso de quase um mês. Numa tentativa de atenuar o prejuízo, o presidenciável tucano decidiu enviar nos próximos dias uma carta aos 5.561 prefeitos do país, incluindo os petistas.

 

A carta seguirá pelo Correio. A decisão foi tomada em café da manhã de Alckmin com a cúpula do PFL, na última quarta-feira. Aconteceu em Brasília, na casa do senador Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL. Estavam presentes, além do anfitrião e do candidato, os senadores José Jorge (vice de Alckmin), Marco Maciel (PE), Heráclito Fortes (PI) e Agripino Maia (RN), além do deputado José Carlos Aleluia (BA).

 

No documento, Alckmin dirá aos prefeitos que pretende estreitar as relações de Brasília com os municípios caso seja eleito presidente. Acenará com a perspectiva de aumento do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), o naco a quem têm direito as prefeituras no rateio dos impostos recolhidos pela União.

 

Além do envio da carta, Alckmin pretende imitar Lula, intensificando nos 20 dias que lhe restam de campanha os contatos pessoais com prefeitos. O primeiro gesto nessa direção está programado para a próxima segunda-feira, na Bahia. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e seu grupo organizam um encontro de mais de 300 prefeitos baianos com o presidenciável. Tenta-se adensar a reunião arrastando para Salvador prefeitos de outros Estados nordestinos.

 

Os comitês de Lula e de Alckmin enxergam os prefeitos como aliados estratégicos. Imagina-se que, valendo-se das estruturas eleitorais que montaram em seus respectivos municípios, eles podem carrear votos para um ou para outro candidato à presidência. Lula leva uma vantagem em relação ao adversário.

 

Em seus três anos e meio de mandato, o presidente cuidou de azeitar as relações do governo com os municípios. Os principais programas sociais sobre os quais derramou verbas orçamentárias são desenvolvidos em parcerias com as prefeituras. Entre eles o Bolsa Família, um programa que, além de atrair votos do eleitorado mais pobre para Lula, tonifica a popularidade dos prefeitos no âmbito municipal.

 

Chama-se César Alvarez o responsável pela elaboração da agenda de campanha de Lula. Trata-se de um ex-assessor especial da Presidência da República, deslocado para o comitê de campanha. Recebeu ordens expressas de Lula de contemplar encontros com prefeitos nas principais viagens do candidato. Confere aos encontros um caráter suprapartidário. Não hesita em convidar para as reuniões prefeitos do PSDB e do PFL, as duas legendas que dão suporte à candidatura de Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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O equilibrismo retórico de FHC, o tardio

 

No manifesto extemporâneo que divulgou no sítio do PSDB, Fernando Henrique Cardoso fez questão de diferenciar caixa dois de mensalão. Do modo como argumentou, o primeiro crime seria menos grave do que o segundo. Pelo seu raciocínio, as arcas eleitorais clandestinas são fornidas com verbas de origem privada. Já no baú mensaleiro pingou dinheiro público.

 

FHC tem lá os seus motivos para recorrer ao equilibrismo retórico. A exemplo de 11 em cada dez políticos brasileiros, o ex-presidente também se serviu de grana repassada por baixo da mesa em suas duas campanhas presidenciais. Entre os doadores estava, veja você, a SMPB, empresa de Marcos Valério. A encrenca é rememorada em texto publicado pela Folha (para assinantes). Diz o seguinte:

 

“A SMPB, agência publicitária da qual Marcos Valério Fernandes de Souza era sócio, doou R$ 50 mil à campanha de Fernando Henrique Cardoso à reeleição em 1998. Esse dinheiro não foi declarado na prestação de contas do candidato à Justiça.

 

A revelação foi feita pela Folha em 12 de novembro de 2000, em reportagem que mostrou que o comitê eleitoral de FHC recebeu doações de R$ 53,120 milhões, mas só declarou R$ 43 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral. Não foram contabilizados R$ 10,120 milhões. Os números constavam duma planilha eletrônica do comitê tucano da qual constavam 34 registros de doações que não foram declaradas ao TSE. Entre elas estava a doação feita pela SMPB.

 

No dia 19 de novembro de 2000, a Folha revelou que a campanha de FHC já tinha usado caixa dois também na eleição de 1994. Outra planilha eletrônica mostrava que pelo menos R$ 8 milhões deixaram de ser declarados ao TSE na ocasião.

 

O ex-banqueiro José Eduardo Andrade Vieira, em depoimento ao Ministério Público, confirmou a irregularidade: "Quando o empresário ou colaborador não deseja aparecer, para permanecer no anonimato, contribui com recursos financeiros em espécie para a campanha eleitoral". Segundo ele, "Fernando Henrique Cardoso acompanhava pessoalmente o volume de recursos financeiros arrecadados na campanha de 1994".

 

Questionado, FHC disse que não sabia de nada sobre o caixa dois nas suas campanhas: "Isso eu não vi". O Planalto conseguiu impedir a instalação de uma CPI. Na época, o próprio líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), confessou ter usado caixa dois em 1986: 'As empresas pediram para não declarar porque temiam retaliações do governador'."

Escrito por Josias de Souza às 03h10

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As manchetes deste sábado

- JB: União contra selvageria de torcidas

- Folha: Carta de FHC abre crise na campanha de Alckmin

- Estadão: Lula compara oposição a Hitler: 'Querem outro povo'

- Globo: BC avisa que os juros vão cair em ritmo mais lento

- Correio: Farra de cargos chega ao Ministério Público

- Valor: Com pacote cambial, bancos criam negócios de US$ 30 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Na estratosfera!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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Tasso Jereissati decide processar Ricardo Berzoini

Deterioram-se de vez as relações entre PSDB e PT. Horas depois de Fernando Henrique Cardoso ter divulgado uma carta aberta em que responsabiliza Lula e o petismo pela “podridão reinante” na política, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, decidiu processar o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.

 

Tasso acha que Berzoini passou dos limites em entrevista que concedeu à repórter Eliane Cantanhede (assinantes da Folha) no último dia 2 de setembro. Julga-se vítima de injúria (ofensa à dignidade ou ao decoro) e de calúnia (falsa imputação de prática considerada criminosa).

 

Para Tasso, Berzoini o injuriou ao mencionar acusações de corrupção feitas 50 anos atrás contra seu pai, Carlos Jereissati, morto em 1963. Considerou-as “maliciosas”. Sem mencionar o conteúdo das imputações, afirma que o pai foi absolvido na Justiça.

 

Na entrevista que produziu a encrenca, Cantanhede perguntara a Berzoini como ele explicaria à opinião pública o fato de Lula e o PT terem se aliado aos peemedebistas José Sarney, Newton Cardoso e Jader Barbalho, adversários do passado. E Berzoini:

 

Outro dia eu vi o recorte do jornal ‘O Globo’, de 50 anos atrás, com acusações pesadas contra o pai do senador Tasso Jereissati. Eu, ao ler aquele jornal, não conclui imediatamente que as acusações eram verdadeiras. Mas Tasso seria uma pessoa com quem eu nunca faria aliança”.

 

A queixa-crime contra Berzoini será protocolada na próxima segunda-feira no STF, o foro adequado para processos contra congressistas. Tasso constituiu o advogado José Eduardo Alckmin para preparar e ajuizar a ação.

Escrito por Josias de Souza às 00h25

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Ibope mantém candidatura Alckmin na UTI

Numa campanha eleitoral, há três tipos de candidatos. Há os que, sendo favoritos, apenas observam as coisas acontecerem à sua volta. Há os que, embora em desvantagem, mantêm vivas as chances de recuperação. E fazem as coisas acontecerem. E há os que, desenganados, não sabem muito bem o que está acontecendo.

 

A cada nova pesquisa, Alckmin vai sendo empurrado mais e mais para o terceiro grupo. O presidenciável tucano vem dizendo que a campanha eleitoral está começando agora. Argumenta que o eleitor só presta atenção aos programas dos candidatos nos últimos dias. Ou seja, parece não se dar conta do que está acontecendo.

 

A última sondagem eleitoral do Ibope, divulgada há pouco no Jornal Nacional, indica que o cenário está mais cristalizado do que gostaria o candidato tucano. Não houve variações fora da margem de erro. Lula, com 48% das intenções de voto, continua à frente. Alckmin, com 27%, mantém-se como favorito a fazer do adversário o próximo presidente da República.

Escrito por Josias de Souza às 20h49

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Azeredo considera ‘inoportunas’ observações de FHC

O tucano é uma ave piciforme, ranfastídea. Há no Brasil cinco espécies. Quatro delas estão reunidas sob o gênero Ramphastos. A quinta é a categoria dos peessedebistas. Esse último tipo é conhecido pela auto-flagelação. É um grupo de amigos inteiramente composto de inimigos. Atacam-se fraternalmente com voracidade inaudita.

Os ataques costumavam ser feitos à sombra, entre quatro paredes. Na carta que divulgou no sítio do PSDB, FHC inovou. Bicou o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) à luz do dia. Ouvido pelo repórter Eduardo Kattah, Azeredo rodou a baiana.

Azeredo considerou "inoportunas, injustas e incorretas" as anotações de FHC. O ex-presidente classificara de erro a tentativa do tucanato de "tapar o sol com a peneira" para proteger Azeredo das acusações de ter-se servido de verbas clandestinas obtidas por Marcos Valério em campanha de 98.

"É uma declaração realmente inoportuna e incorreta”, disse Azeredo. “A solidariedade que eu tive das bancadas do PSDB na Câmara e no Senado naquele momento, além de adversários, inclusive, foi exatamente porque eles não taparam o sol com a peneira e souberam separar as questões."

Azeredo acrescentou: “Em nenhum momento ele (FHC) me falou nada. Ele tinha liberdade para falar isso para mim e não falou nada comigo naquela época." Ou seja, na hora própria, FHC calou. Fala agora porque convém. Mas é tarde. A complacência com Azeredo, só agora reconhecida, jogou água no moinho da indiferenciação, que lava todos os políticos com as águas sujas da perversão.

Escrito por Josias de Souza às 17h37

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TSE retira um comercial de Alckmin do ar

Lula obteve uma vitória e uma derrota no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O comitê reeleitoral recorrera contra dois comerciais veiculados na propaganda eletrônica do adversário Geraldo Alckmin. Conseguiu tirar um deles do ar. Mas o outro foi mantido.

 

O comercial vetado pela Justiça Eleitoral vem sendo veiculado no rádio. Diz o seguinte: "Nós somos a turma do Lula. A gente vive a negar o mensalão, caixa dois, os sanguessugas, a gente está tentando escapar. Nós somos a turma do Lula. Bobeira foi nos cassar (ah! se foi). Se o Lula for eleito de novo, a turma dele vai voltar. Nem a pau! Mude de presidente".

 

Acatando recurso do PT, o ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, considerou que a peça é ofensiva a Lula. Por isso, determinou que não seja mais levada ao ar. O mesmo ministro rejeitou um segundo recursos do comitê de Lula.

 

Refere-se a um comercial de televisão. Cita ex-auxiliares e atuais assessores do presidente acusados de envolvimento em casos de corrupção: "E Lula não sabia de nada? Lula não merece o seu voto".

 

Em seu recurso, o PT alega que a propaganda recorre a “trucagem” e “montagem”, para “ricicularizar Lula. O ministro Ribeiro discorda. Acha que fez-se apenas a reprodução de "informações que foram veiculadas pela imprensa, no intuito de levar o eleitor a refletir".

Escrito por Josias de Souza às 16h46

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Escanteado pelo próprio partido, FHC mostra a cara

Um dos temas políticos do dia é a carta aberta de Fernando Henrique Cardoso. Chama-se “Carta aos Eleitores do PSDB”. Foi anexada à página do PSDB na internet (leia). O texto é um tratado sobre as angústias do autor. Angústia com o favoritismo de Lula; angústia com a inanição de Geraldo Alckmin; angústia com o nivelamento que iguala os políticos na perversão; angústia com os erros do PSDB; angústia com os seus próprios erros; angústia pela vergonha dos aliados em relação ao seu governo; angústia com isso; angústia com aquilo.

FHC responsabiliza explicitamente Lula e o PT pela “podridão reinante” na política. Menciona o principal escândalo da era Lula: “Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado”, anota. Diz que a mesada aos congressistas não pode ser confundida com caixa dois de campanha: “A fonte foi pública; é roubo de dinheiro do povo, ainda que empréstimos fictícios de bancos privados tenham sido usados para encobrir esse fato.”

Repete por escrito o que dissera de viva voz: “O próprio presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade”. Em autocrítica tardia, reconhece um erro capital cometido pelo PSDB.

"Erramos no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo”, escreveu, referindo-se ao ex-presidente do PSDB, acusado de ter untado as engrenagens de sua campanha ao governo de Minas, em 98, com verbas de má origem obtidas pelo mesmo Marcos Valério que, em parceria com Delúbio Soares, recheou as arcas clandestinas do PT. O mea-culpa chega com mais de um ano de atraso.

FHC enaltece Alckmin. Diz que ele, diferentemente de Lula, tem “as mãos limpas”. Lembra a dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, quitada pelo amigo Paulo Okamotto:  Alckmin “não tem que explicar, como Lula, por que tendo tanto dinheiro vivo (e quanto!), não paga dívidas (...) Faltam condições morais a um e sobram a outro".

Poucos notaram, mas, a despeito da defesa de Alckmin, FHC injetou em sua carta palavras que soam como reconhecimento de derrota: “Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado. Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população (...)”. Em outro trecho, diz que o PSDB não pode “calar diante do descalabro”. E, de novo, joga a toalha: “Ainda que o eleitorado não nos acompanhe neste momento, deixaremos as marcas de nosso estilo, de nossas atitudes, para calçar um futuro melhor para o país”.

Como que incomodado com a posição subalterna a que foi condenado na campanha eleitoral, FHC cuida de assumir a defesa de sua gestão. Algo que os aliados não se animam a fazer. Reconheceu falhas –a falta de investimentos que conduziu ao apagão e o fracasso na privatização do setor elétrico, por exemplo. Mas recusa tarja de “privataria” que os adversários impõem à venda de estatais patrocinada por seu governo. Considera exitosa a venda das estatais telefônicas. Pena que o texto passe ao largo dos interesse$ que permearam negócios tricotados "no limite da irresponsabilidade", conforme admitiu, em grampo clandestino, Ricardo Sérgio, diretor do Banco do Brasil sob FHC.

FHC festejou realizações de sua gestão na área educacional. E avocou para si a paternidade dos programas que deram origem ao Bolsa Família, alavanca da popularidade de Lula. Com uma diferença. O que era “direito do cidadão” virou “benesse do papai-presidente”. Uma "benesse", diga-se, que Alckmin promete manter caso venha a ser eleito.

Ouvido sobre a manifestação de FHC, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse, num primeiro momento, que o partido não iria responder a um personagem que é “escondido pelo próprio partido.” Depois, divulgou uma nota. Chamou FHC de “péssimo cabo eleitoral”. No Rio, Lula também não se conteve: "Tem gente achando até que pobre não pode votar porque sabe que vai votar em mim (leia)." 

Escrito por Josias de Souza às 15h07

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As manchetes desta sexta

- JB: Torcidas duelam a bala

- Folha: Arcebispo de SP faz críticas à corrupção e à insegurança

- Estadão: FHC ataca 'podridão' de Lula e critica tucanos

- Globo: Alta velocidade é o maior abuso no trânsito do Rio

- Correio: Planalto já planeja extinguir ministérios

- Valor: Com pacote cambial, bancos criam negócios de US$ 30 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h28

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Plano de fuga!

Jean

PS.: Na próxima semana, a TV Gazeta, de São Paulo, promove mais um debate entre os candidatos à presidência. Lula avisou que não vai. 

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Alckmin quer Aécio como ‘garoto propaganda’ na TV

  Leonardo Wen/Folha Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin convidou Aécio Neves para participar de sua propaganda eleitoral televisiva. Candidato à reeleição com 72% das intenções de voto, o governador de Minas mostrou-se receptivo à idéia. Nos próximos dias, ele deve ir ao ar para pedir ao eleitor que vote em Alckmin.

 

A participação de Aécio foi costurada em reuniões que Alckmin manteve, na última quarta-feira, com as cúpulas do PSDB e do PFL. É parte de uma estratégia concebida para tentar tonificar, a 21 dias do primeiro turno, o desempenho do presidenciável tucano na região Sudeste, especialmente em Minas. Ali, Lula (cerca de 54% das intenções de voto) prevalece sobre Alckmin (26%), com larga dianteira.

 

Em reconhecimento à ajuda do companheiro de partido, Alckmin modificou o discurso em relação a um tópico caro a Aécio: passou a defender em público o fim do instituto da reeleição. Na mesma quarta-feira em que foi esboçada a colaboração do governador mineiro, Alckmin disse: "A reeleição é um pouquinho mais do mesmo, por isso não acredito em reeleição."

 

Em seguida, Alckmin completou, enfático: "A reeleição é uma decisão do Congresso. Em que eu puder ajudar, ajudarei para acabar". Antes, ele dizia que, se fosse eleito, não interferiria na decisão do Congresso. Desagradara, de uma só vez, Aécio e José Serra, os dois tucanos que alimentam pretensões presidenciais para 2010.

 

Além da utilização de Aécio como “garoto propaganda” de Alckmin, analisa-se a hipótese de o presidenciável tucano aparecer na propaganda eleitoral do governador mineiro. O plano depende agora do parecer dos advogados que assessoram o comitê eleitoral de Alckmin. Receia-se que o PT questione a manobra no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

 

No último sábado, o tribunal condenou a coligação de Lula à perda de 2 minutos e 54 segundos de tempo na televisão. Entendeu-se que o presidente utilizara a propaganda de Jaques Wagner, candidato petista ao governo da Bahia, para fazer campanha em benefício próprio. Algo que a resolução 22.261 do TSE veda expressamente.

 

PSDB e PFL acham que encontraram uma maneira de evitar o risco de sofrer uma punição semelhante. Aécio vai ao programa de Alckmin para pedir votos para o presidenciável. Do mesmo modo, se for à propaganda de Aécio, Alckmin recomendará o voto no governador. Entende-se que o que está proibido é a utilização do tempo de TV alheio em benefício próprio.

 

Tucanos e pefelistas avaliam que a melhoria do desempenho de Alckmin no Sudeste é crucial no esforço para tentar provocar um segundo turno que as pesquisas prenunciam como improvável. Em café da manhã com a cúpula do PFL, na casa brasiliense do presidente do partido, Jorge Bornhausen, um Alckmin otimista disse que, subindo mais “cinco ou seis pontos” nas sondagens eleitorais, o segundo round estaria assegurado.

 

Para que o sonho de Alckmin fosse transformado em realidade, seria imperioso que ele atraísse para o seu lado eleitores de Lula. Crescendo sobre Heloisa Helena, a terceira colocada, ou agregando votos de eleitores indecisos ou decididos a votar em branco, o cenário permaneceria inalterado. Acomodado na confortável marca de 51%, segundo o último Datafolha, Lula conservaria a condição de favorito à vitória em primeiro turno.

 

Curiosamente, a estratégia concebida para grudar a imagem de Alckmin à de Aécio não foi cogitada em relação a José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo. Nas reuniões de que tomou parte em Brasília, o presidenciável tucano deu a entender que, no seu Estado, consegue se virar sozinho.

Escrito por Josias de Souza às 00h53

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De Roberto Jefferson para Caetano: ‘Sou seu fã’

  Thony Barboza
Dissentindo do companheiro Gilberto Gil, Caetano Veloso reiterou que não vota em Lula. Explicou as suas razões de modo singelo: "Não sou burro nem maluco". Declarou-se contrário ao instituto da reeleição. E ressalvou: "Mas, mesmo se fosse a favor, não votaria. O escândalo do mensalão foi vergonhoso."

 

As declarações de Caetano arrancaram do armário um fã oculto do cantor e compositor: o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O denunciante do mensalão gostou especialmente de uma declaração de Caetano:

 

"Acho muito ruim se Lula vencer no 1º turno e ficar parecendo que se passou uma esponja sobre tudo. Escândalos surgiram, os acusados foram acusados pelos seus companheiros. Não pela oposição, nem pela elite, nem pela mídia... Por isso não voto em Lula, detesto me sentir um imbecil." Em texto veiculado no seu blog, Jefferson não se conteve: “Sou seu fã.”

 

Fica boiando no ar uma dúvida: será que a admiração de Jefferson é correspondida? Com a palavra, Caetano.

Escrito por Josias de Souza às 16h32

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Sai o colonizador, entra uma fauna bem brasileira

  Folha Imagem
O Brasil do futuro de que falava Stefan Zweig continua escondido atrás do mato que margeava o Ipiranga 184 anos atrás, quando D. Pedro deu o célebre grito. A diferença é que, hoje, do mato não saem mais portugueses nem coelhos. Saem mensaleiros, sanguessugas, saúvas e outros bichos. A despeito disso, o público que se animou a celebrar o 7 de Setembro em Brasília deu demonstrações de que não acomoda Lula no mesmo matagal.

 

Lula teve um feriado bem diferente do que experimentara no ano passado. Em vez de vaias, ouviu aplausos. O presidente desfilou em carro aberto ao longo da Esplanada dos Ministérios. Tinha ao seu lado a mulher, Marisa, envergando um modelito amarelo, com pinceladas de verde.

 

Em meio à multidão, viu-se uma solitária faixa alusiva à campanha de Geraldo Alckmin: “Penso, logo voto”. As pesquisas, porém, indicam que a maioria do eleitorado –51%, segundo o Datafolha—pensa e vota de maneira distinta. Talvez por isso, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) animou-se a prever a vitória do chefe em primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 15h51

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Governo Lula pode ter que sair em defesa de Serra

Uma das acusações mais freqüentes do tucanato a Lula é a de utilização da máquina pública como alavanca eleitoral. Em 2002, quando o presidente era FHC e o adversário de Lula se chamava José Serra, o PT fazia as vezes de estilingue. Em ação judicial, o partido acusou Serra de cavalgar a estrutura do Ministério da Saúde. Escorrega daqui, desliza dali, o processo está na bica de ser julgado. E o governo Lula, espanto (!!), estupefação (!!!), vê-se na contingência de ter que defender Serra nos tribunais, informa a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

Batata quente - O governo Lula pode partir para a defesa de José Serra. Explica-se: em 2002, o Ministério da Saúde, ocupado pelo tucano, fez uma pesquisa sobre o setor. E encaixou perguntas sobre Serra do tipo "é honesto", "competente", "inteligente", "tem chances de ser presidente". O PT processou o ex-ministro e o governo por uso de dinheiro público para fins eleitorais. Quatro anos depois, o processo vai a julgamento. E o governo Lula vai ter que decidir: defende a União, e portanto Serra, ou fica ao lado do PT?

Batata quente 2 - A Advocacia-Geral da União, a quem cabe defender o governo, toma a decisão esta semana.

Escrito por Josias de Souza às 14h47

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