A eleição do sono
Não há cartazes nos postes, viadutos, estações ferroviárias e pontos de ônibus. Baniram-se da cena urbana os outdoors com a cara dos candidatos. Não há distribuição de brindes e camisetas. Não há artistas nos comícios. Nem comícios há mais. Ou, por outra, há poucos, pouquíssimos. E pouca gente presta atenção.
A política tornou-se soporífera. Vive-se em 2006 a eleição do sono. É como se o eleitor estivesse sob o efeito de uma dose cavalar de tranqüilizantes. Restou aos candidatos o palanque eletrônico. Mas o telespectador, decididamente, não parece interessado no blábláblá. Ainda que o palanfrório lhe chegue na comodidade da poltrona da sala de estar.
Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira informa que 55% do eleitorado não assiste à propaganda eleitoral. Aqueles que se dispõem a ligar a TV para ver a publicidade dos candidatos não conseguem mais desligar. Dormem antes. Só 6% disseram ter mudado sua opção de voto graças ao que viram na telinha.
O desinteresse pela campanha tem o seu lado negativo. Pelas frinchas da urna desatenta podem passar mensaleiros e sanguessugas. O próprio favoritismo acachapante de Lula mostra um certo desleixo do eleitor com as perversões que permearam a administração petista.
Mas o fenômeno tem também o seu lado positivo. As proibições impostas pela mini-reforma eleitoral, que o Congresso aprovou nas pegadas do mensalão, explicam apenas parcialmente o torpor do eleitorado. Há algo mais por trás da anestesia geral. Há um quê de normalidade democrática na reação do distinto público. Que o diga Fernando Henrique Cardoso.
Em manifestação que chegou com atraso de mais de um ano, o ex-presidente andou falando em impeachment. As ruas reagiram com um silêncio ensurdecedor. Depois, em discurso inflamado, bradou que era preciso atear “fogo no palheiro”. Não colou. O eleitor não parece interessado em discursos de timbre lacerdista.
“O senhor Juscelino Kubitschek não será eleito presidente. Se for, não tomará posse. Se tomar posse, não governará”, dizia Lacerda na campanha de 1955, aquela em que Juscelino tornou-se presidente. Não há mais espaço para a política da exaltação, eis o recado que o eleitor parece enviar à oposição.
Já há quatro eleições PT e PSDB disputam a presidência. O PT sempre com Lula. O PSDB duas vezes com FHC, uma vez com José Serra e agora com Geraldo Alckmin. Tudo indica que o jogo, que estava dois a um para o tucanato, será empatado em 2006. Vitorioso contra Serra, Lula está na bica de triunfar de novo.
Alckmin não jogou a toalha. Sobe o tom da crítica a Lula e ao governo. Por ora, manteve-se nos limites do embate político-administrativo. É do jogo. E é bom que seja assim. A despeito do desinteresse geral, ajuda a distinguir diferenças.
As urnas darão o seu veredicto em outubro. E a vida seguirá o seu curso. Para o bem ou para o mal, a palavra definitiva vai ser dada pelo eleitor. Haverá quem se queixe. Mas é preciso lembrar que a coisa era bem pior nos tempos dos comunicados militares e das intervenções de lideranças civis desvairadas.
Escrito por Josias de Souza às 19h13
Lula Marques/F.Imagem
A 29 dias do primeiro turno das eleições, o comitê do presidenciável Geraldo Alckmin se deu conta de a campanha não vai bem nos Estados. Há problemas de toda ordem, de falta de material de propaganda a desentrosamento entre lideranças regionais do PSDB e do PFL, os dois partidos que compõem a aliança. Num esforço emergencial, o alto comando da campanha tucana toma providências para tentar atenuar os prejuízos.
A desestruturação é maior no Nordeste. Justamente a região em que Lula, com uma média superior a 60% das intenções de voto, dá uma surra eleitoral em Alckmin, com pouco mais de 10%. Os problemas foram esquadrinhados em viagem de quatro dias que os dois coordenadores nacionais da campanha –Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Heráclito Fortes (PFL-PI) –fizeram à região entre segunda e quinta-feira.
“A viagem foi para acertar como vai se dar a colaboração do comitê nacional com os Estados”, disse Sérgio Guerra ao blog. “Não é dinheiro, são mecanismos de colaboração para a campanha. Verificamos onde a gente pode entrar, como se dará essa participação. São ajustes necessários”.
De volta a Brasília, a primeira providência adotada por Guerra e Heráclito foi repassar ao comitê central encomendas para a confecção de santinhos. São pequenos retângulos de papel, com a foto e o número do candidato. Trarão a imagem de Alckmin grudada à foto de candidatos a deputado federal, a senador e a governador pelo PFL e pelo PSDB. É um tipo de material que deveria ter chegado aos Estados antes do início da campanha oficial.
Decidiu-se também contratar pessoas para empunhar a bandeira de Alckmin nos cruzamentos das capitais nordestinas. A idéia é repetir a experiência de Recife (PE). Ali, há 150 “ativistas” nas ruas. Algo que não ocorre em cidades como Maceió (AL), São Luiz (MA), Teresina (PI) e Aracaju (SE), por exemplo.
De resto, decidiu-se reestruturar comitês eleitorais de Alckmin em alguns Estados. Embora não se admita formalmente, trata-se de uma tentativa de controlar desde Brasília uma campanha que, em nível local, lideranças do PFL e do PSDB hesitam em assumir. Ora porque não querem associar sua imagem à de um candidato em baixa nas pesquisas, ora porque brigam entre si.
A despeito dos problemas, Sérgio Guerra tenta manter o tom otimista: “Minha impressão é a de que a gente não terá a menor dificuldade para duplicar as intenções de voto do nosso candidato no Nordeste”, diz ele. “Esse eleitorado já é nosso. Só precisamos chegar a ele”. Para chegar ao eleitor, ecoa Heráclito Fortes, “a campanha precisa ganhar as ruas”.
Guerra diz ter constatado em suas andanças que os problemas não são uma exclusividade da campanha de Alckmin. “Não há nas ruas campanha nenhuma do PT também”, diz ele. “O que há são candidatos débeis pendurados no Lula”.
O que o tucanato não diz é que não são apenas os candidatos petistas que se penduram em Lula. Ao levar imagens do presidente às suas propagandas televisivas, o tucano Lúcio Alcântara (CE) e o pefelista Mendonça Filho (PE), mostraram que também os “aliados” de Alckmin atribuem ao “adversário” o condão de puxar votos.
Escrito por Josias de Souza às 18h22
“Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética. Para mim, isso não interessa. Eu acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país, entendeu?”
Pronunciada na noite de 19 de agosto, a frase acima acomodou Wagner Tiso no centro de um debate sobre a ética na política. Foi ao noticiário num tom estranhamento desafinado. Para complicar, ganhou a incômoda companhia do ator Paulo Betti que, no mesmo dia, atravessou a partitura com outro comentário exdrúxulo: “Política não existe sem mãos sujas. Não dá para fazer sem botar a mão na merda”.
Em artigo publicado neste sábado no sítio do PT, Tiso tenta repôr a linha melódica do debate nos eixos. Ele anota: “Cercado pelos repórteres ao sair do encontro com Lula, eu disse uma frase que, no tumulto, escapou do contexto. Um erro meu e não dos repórteres. Nela vi, posteriormente, que passei a impressão de repudiar a ética. Mas não é assim que penso e ajo (...). Minha vida, com indissolúvel ligação entre as atitudes pessoais e as ações artísticas, é a expressão do meu compromisso com a seriedade e a lisura. Nada me fará me esquecer de quem sou!”
Tiso prossegue: “Eu repudiei, sim, a manipulação do discurso sobre a ética, proposta pela oposição. É uma preocupação farisaica. Uma cortina de fumaça que oculta uma disputa implacável pelo poder. Olhem só para a cara dos principais porta-bandeiras do movimento. São vigaristas políticos que enriqueceram na vida pública sem qualquer preocupação com o caos social que vem se formando no Brasil. Eles dão as costas para a população carente e vomitam um discurso hipócrita sobre ética. É isso que repudio. Nesse contexto é que peço que seja inserido meu sentimento real, traído por uma frase mal colocada. A falta de traquejo para enfrentar um batalhão de perguntas - algumas muito agressivas - me fez tropeçar no meu próprio discurso”.
Para Tiso, aqueles que o transformaram em “vilão” visam, na verdade, alvejar Lula: “Agora vejo a frase como alavanca de um debate no qual faço o papel de vilão. Vilão, eu? Eu que pautei toda a minha vida em atitudes éticas. O pano de fundo é atingir Lula e o PT. Um governo que tem, segundo o Datafolha, 52% de aprovação da sociedade no patamar do ‘ótimo e bom’”. Leia aqui a íntegra do artigo.
Escrito por Josias de Souza às 17h27
Mesmo em Estados podres de rico, como o Rio Grande do Sul, há brasileiros podres de pobre. O fotógrafo Jorge Aguiar, que se dedica a registrar o resultado da pobreza de espírito que eterniza o abismo social no país, registrou o flagelo em um aterro sanitário batizado com o sugestivo nome de Alvorada.
O aterro que tem nome de palácio presidencial está assentado na região metropolitana de Porto Alegre. Exibidas em Paris no ano passado, as fotos rodam a Europa na exposição “Olhar Mágico – Realidade Periférica”. Pressionando na imagem, você será conduzido ao sítio gaúcho Via Política. Traz um texto sobre Aguiar e algumas fotos que compõe a exposição.
Escrito por Josias de Souza às 16h48
Os mensaleiros que disputam vaga no Congresso ganharam um motivo a mais para rezar. Relator do caso que envolve a “quadrilha” dos 40, o ministro Joaquim Barbosa, do STF, revelou a intenção de delegar à primeira instância do Judiciário o julgamento da grossa maioria dos réus.
Seriam julgados pelo Supremo apenas os detentores de mandatos eletivos –dez ou doze, pela previsão de Barbosa. Não por acaso, a decisão será tomada em outubro, depois que já forem conhecidos os nomes dos eleitos.
A hipótese de ser julgado por um juiz de primeira instância deixa os denunciados de cabelo em pé. Aumentam, por exemplo, os riscos de recolhimento ao xadrez antes do veredicto. Não costumam ficar em cana por muito tempo. Mas o vexame arde na memória como um constrangimento perpétuo.
Escrito por Josias de Souza às 16h21

- JB: PCC perde 39 e todo o dinheiro
- Folha: PF impede assalto a dois bancos e prende 39 no país
- Estadão: PF evita megarroubo a banco do PCC no Sul e prende 37
- Globo: PF prende quadrilha de 38 e evita roubo a bancos
- Correio: Assassinos davam aula a crianças em escolas
- Valor: Estoque alto e importação freiam PIB no 2° trimestre
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h36
Jean
Escrito por Josias de Souza às 03h32
Alan Marques/F.Imagem
Em público, ele é o ‘Lulinha paz e amor’. Em privado, é um candidato cada vez mais pintado para a guerra. “Não podemos assistir calados a esse festival de besteiras que estão dizendo sobre nós”, afirmou Lula a um auxiliar. Mostra-se especialmente irritado com o antecessor Fernando Henrique Cardoso. Quer que seus aliados, em especial o PT, adotem o que chama de tática da “tolerância zero” com os ataques.
Entre quatro paredes, Lula refere-se a FHC de maneira pouquíssimo lisonjeira. Diz que o tucano não está “batendo bem”. Exagera: “Deveria ser internado”. Acha que o “problema” de FHC é “a inveja”. Não suportaria o fato de ter sido “superado” no governo por um “operário”. Em “todos os quesitos”.
Lula ironizou o “destempero” de FHC. Em discurso feito durante almoço para coleta de fundos eleitorais, na última quarta-feira, o tucano disse que os petistas “estão perdendo o respeito”. Afirmou também que Lula “passou a mão na cabeça” de auxiliares envolvidos em escândalos. E bradou: “Eu não sou igual a ele, eu não sou igual a ele, eu não sou igual a ele.”
Lula acha que FHC “não tem moral” para criticá-lo. Nem no campo das “realizações administrativas” nem na seara “da ética”. Ouvido pelo blog, um assessor do presidente resumiu o estado de espírito que prevalece no Planalto: “O Fernando Henrique deveria olhar para o próprio rabo. É isso o que acha o presidente Lula. É isso o que achamos todos nós.”
Aqui e ali, Lula irá, ele próprio, distribuir alfinetadas no tucanato. Pretende enfatizar o argumento de que a "intransigência" da oposição não prejudica o governo. Antes, "atrapalha o país". Deixa-se, por exemplo, de votar "projetos importantes" no Congresso.
Mas Lula acha que o eleitor não quer vê-lo metido em bate-boca. Daí o seu desejo de que os aliados se incumbam de responder às críticas de modo mais sistemático e contundente. “O Fernando Henrique”, diz Lula, “não tem o respeito nem do pessoal dele. O Alckmin esconde o cara na televisão. E vem querer me dar lição de moral. Não dá para ficar quieto!”
Os ataques de FHC foram os mais incômodos para Lula, mas não são os mais preocupantes na visão do seu comitê eleitoral. Ali, avalia-se que ataques de FHC, dono de altos índices de rejeição popular, até ajudam. Receia-se de verdade a bateria de ataques veiculados pelos adversários na propaganda eleitoral de televisão.
Impressionou ao comitê de Lula que a temporada da “baixaria”, aberta pelo programa de Geraldo Alckmin, tenha contaminado simultaneamente o horário eleitoral de Heloisa Helena (PSOL) e, principalmente, o de Cristovam Buarque (PDT). Por ora, escudada em pesquisas feitas para consumo interno, a equipe de Lula julga que os ataques não surtiram o efeito desejado pela oposição.
A publicidade positiva de Lula, apresentado na TV com ares de estadista, o estaria imunizando conta as críticas e as tentativas de ressuscitar escândalos como o do mensalão. Mantém-se, por enquanto, a estratégia de não usar o horário televisivo para rebater acusações. Vai ser assim até o final da campanha? As pesquisas dirão.
Escrito por Josias de Souza às 03h28
Nova pesquisa Ibope aponta para uma redução da distância que separa Geraldo Alckmin de Lula. Os números foi divulgados há pouco pelo Jornal Nacional. Lula conserva o favoritismo. Se a eleição fosse hoje, venceria no primeiro turno. Mas oscilou para baixo nos últimos cinco dias. Foi de 49% para 48%. Alckmin subiu dois pontos. Passou de 22% para 25%.
São movimentos tênues, na margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos. Na simulação de segundo turno, Lula caiu de 54% para 51%. E Alckmin subiu de 32% para 36%. A evolução dos números coincide com a mudança de tom da campanha tucana, que, nesta semana, passou a mencionar de modo mais explícito os escândalos da era Lula.
Escrito por Josias de Souza às 19h50
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) impôs nesta sexta-feira a primeira derrota judicial relevante à coligação partidária que dá suporte ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Em decisão liminar, o tribunal proibiu a reexibição da parte final da propaganda eleitoral que Alckmin levou ao ar na última terça-feira.
Analisando ação impetrada pela coligação de Lula, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito considerou que a publicidade de Alckmin infringiu a legislação eleitoral ao atacar Lula de forma camuflada. As críticas foram veiculadas na parte final do programa, na voz de um locutor.
Entendeu-se que houve a intenção deliberada de passar ao telespectador a impressão de que os ataques foram feitos por outro programa, não o de Alckmin. Algo que fere o artigo 4º, parágrafo 1º da Resolução nº 22.261/2006 do TSE, que obriga a clara identificação da coligação na propaganda eletrônica de rádio e TV.
A ação do PT será agora submetida ao plenário do TSE. Alckmin ainda está sujeito a perder 3 minutos e 12 segundos no horário eleitoral televisivo. Corresponde ao dobro do tempo da parte impugnada do programa. PSDB e PFL podem recorrer da decisão.
No trecho que o ministro Menezes Direito considerou irregular, o locutor a serviço de Alckmin diz o seguinte: "Você já parou para pensar no mal que a corrupção faz ao Brasil? Waldomiro, mensalão, caixa 2, dinheiro na cueca, sanguessuga, corrupção nos Correios, ninguém agüenta mais ouvir tanta notícia de corrupção. E o pior é que nós últimos dois anos foi assim, uma notícia atrás da outra. Vários ministros do atual presidente foram denunciados e tiveram que pedir demissão ..."
Do ponto de vista prático, a liminar do TSE tem efeito nulo. Os marqueteiros de Alckmin não planejavam exibir novamente o trecho condenado. No programa seguinte, veiculado na quinta-feira, os ataques a Lula foram reiterados. Mas dessa vez a identificação da coligação foi explícita. Parte das críticas foi pronunciada pelo próprio Alckmin.
O prejuízo maior será a eventual perda de tempo. De resto, fica claro que os advogados da coligação de Lula não ficarão impassíveis à escalada de ataques de Alckmin ao presidente. O marketing de Lula segue a linha de não responder aos ataques na TV. A resposta será dada na Justiça Eleitoral.
Escrito por Josias de Souza às 15h53
A despeito do desempenho sofrível da economia no segundo trimestre do ano (um PIBizinho miudinho de 0,5%), Lula mantém o otimismo. Diz que "as pessoas no Brasil precisam parar de ficar torcendo para as coisas darem errado. Na verdade, temos convicção de que chegaremos à meta de 4% a que nos propusemos a chegar".
Lula está abespinhado porque todos os seus adversários usaram o desastre divulgado pelo IBGE como degrau na escalada de críticas ao seu governo. Bobagem. É do jogo. Se ainda estivesse na oposição, Lula faria o mesmo. Ou até pior. Quanto à previsão feita pelo presidente, deve ser entendida como mero exercício de futurologia. Ela está correta. Desde que não esteja errada.
Escrito por Josias de Souza às 15h04
Devagarinho, a Polícia Federal vai demonstrando que é mesmo irrefreável o mercado do crime no Brasil. Semana sim outra também, a turma da PF ganha o noticiário. Nesta sexta, a turma virou notícia por ter desbaratado quadrilha de roubo a banco.
Foram à algema 28 bandidos. Preparavam-se para assaltar as sedes do Banrisul e da Caixa Econômica em Porto Alegre. Diz-se que o bando é o mesmo que levou R$ 164,8 milhões da sede do Banco Central em Fortaleza. O Jornal Hoje, da Globo, mostrou o buraco que os meliantes-tatus estavam cavando (assista).
A operação estende-se a dez Estados, informou o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Em São Paulo, por exemplo, houve 13 prisões.
Investiga-se agora o suposto vínculo da quadrilha com o PCC. Um dos detidos, Carlos Antônio da Silva, o Balengo, é suspeito de ter participado do seqüestro ao repórter Guilherme Portanova, da Globo. A PF prendeu no Piauí um outro supostos integrante do PCC.
Escrito por Josias de Souza às 13h39
Chega uma fase em que toda eleição tem tem candidatos de quem pouco se espera. Quem está em volta, termina vendo esperança onde só há desespero. Eis o que conta a coluna de Mônica Bergamo:
APOSTA: A campanha de Geraldo Alckmin joga parte de suas fichas na alegada dificuldade de parte dos eleitores do Nordeste apertarem certo os botões da urna eleitoral eletrônica. Lembram que a abstenção, nas últimas eleições, foi de 34%, contra 22% das outras regiões. Como Lula tem mais voto no Nordeste, ele poderia perder preciosos pontos que levariam a eleição para o segundo turno. É a esperança alckmista.
Escrito por Josias de Souza às 06h29

- JB: O Brasil real cresce bem abaixo do oficial
- Folha: Economia cresce só 0,5% no 2º trimestre
- Estadão: PIB cresce só 0,5% e oposição acusa Lula por 'vôo de galinha'
- Globo: Câmbio faz Brasil ter o menor crescimento entre emergentes
- Correio: Governo vai abrir 46 mil vagas em 2007
- Valor: Estoque alto e importação freiam PIB no 2° trimestre
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h12
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 03h11
Apimentada na última terça-feira, a propaganda televisiva de Geraldo Alckmin deu novas estocadas em Lula nesta quinta-feira. Os adeptos da pancadaria, presentes no PSDB e no PFL, querem mais. Luiz González, o jornalista que cuida do marketing do candidato, resiste. Munido de pesquisas, avalia que os ataques precisam ser dosados.
O blog conversou na noite desta quinta-feira com Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), um dos principais críticos da publicidade eleitoral tucana. O senador foi alcançado pelo celular. Estava na estrada, a caminho do município baiano de Itabuna. Tinha a seu lado, no banco de trás do carro, Geraldo Alckmin.
Instado a comentar o rumo da propaganda eletrônica, ACM não se constrangeu com a presença do candidato. “Acho que os programas de televisão melhoraram. Mas agora precisam avançar, para apontar, com fatos e fotos, as coisas que aconteceram no governo corrupto do Lula”.
ACM detalhou o seu ponto de vista: “O Alckmin vai ter que entrar nesse campo. Eu estou ao lado dele aqui. Ele está ouvindo. A minha impressão é que, a cada dia, a coisa vai se fortalecendo mais e o clamor da opinião leva o candidato a dizer o que as pessoas querem ouvir”.
E o que o eleitor quer ouvir? “É preciso tratar de todos os fatos que ocorreram nas CPIs. Toda a roubalheira e a falta de ética do Lula. O povo não lembra mais o que é valerioduto e mensalão. Só sabe do sanguessuga, que é mais recente. Então, nós temos que reviver essas coisas”.
O senador Heráclito Fortes (PFL-PI), um dos coordenadores da campanha de Alckmin, também aprovou a nova linha. Acha que os ataques a Lula tonificam A lckmin. Menciona episódios que gostaria que fossem levados ao ar: “Dois fatos que sacodem toda vez que são abordados são a questão da invasão de tropas da Bolívia às refinarias da Petrobras e as cenas da invasão do MLST ao Congresso. São imagens fortes.”
Sergio Guerra (PSDB-PE), o outro coordenador da campanha tucana, também acha que as cenas da invasão ao Congresso deveriam ser levada à TV. “Se dependesse de mim, deveria ir ao ar. Na hora que ocorreu, a repercussão foi bastante negativa para o governo”. Mas Guerra é de uma linha mais soft: “Quem deve analisar se isso é útil ou não é o pessoal que está cuidando do programa. Acho que estão numa linha correta. Não acho que pancadaria funcione. Devemos dizer a verdade, sem apelação”.
Alheio às tensões que o rodeiam, González segue o seu cronograma. Numa primeira fase, explorou as origens familiares de Alckmin. Depois, exibiu a sua biografia política. Agora, cuida de estabelecer as diferenças que o distinguiriam de Lula, inclusive no campo da ética. Daí ter começado a explorar temas como “mensalão” e “dólares na cueca”.
O marqueteiro de Alckmin bate com uma mão e folheia as pesquisas com a outra. Manuseia relatórios preparados pelo Ibope. Trazem o resultado de mil entrevistas telefônica diárias, feitas em todo país. Informou a Alckmin que os números indicam um movimento ascendente de sua taxa de intenções de voto. O crescimento seria lento, mas contínuo. Contra todas as previsões, está convencido de que o candidato irá ao segundo turno.
A cartilha da equipe de marketing de Alckmin não exclui a hipótese de intensificar os ataques a Lula. Acha, porém, que devem ser bem dosados. Gonzalez costuma brincar com os políticos. Propõe que se aventurem a falar mal de Lula numa cidadezinha do interior. Ninguém topa. Na TV, também haveria limites para a crítica. Seria um erro, por exemplo, chamar Lula de ladrão. O ataque pode ser contundente, desde que circunscrita ao campo político-administrativo. A exibição da quebradeira dos sem terra no Congresso estaria dentro do script.
Escrito por Josias de Souza às 02h55
Ichiro Guerra
Lula disse ter travado com a sociedade brasileira um “namoro” durante o seu primeiro mandato. Agora, deseja contrair matrimônio. A data do “casamento”, segundo ele, é o dia da eleição de outubro, “se o povo quiser”. As declarações foram feitas em entrevista à Rádio Guaíba (RS). O áudio está disponível aqui.
Falando como se estivesse reeleito, o presidente disse que, passada a eleição, pretende conversar pessoalmente com todos os partidos. Afirmou que gosta da palavra “concertação”, muito usada pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). E vai tentar colocá-la em prática.
Para Lula, a oposição precisa distinguir as ações que prejudicam o presidente da República daquelas que causam prejuízo ao país. Mencionou projetos que, enviados ao Congresso pelo Planalto, empacaram por conta de picuinhas da oposição. Citou a proposta de criação do Fundeb e o estatuto da micro e pequena empresa.
Ao tratar da reforma política, Lula voltou a posicionar-se contra a reeleição. De resto, disse que é preciso proibir o uso de dinheiro privado nas campanhas eleitorais e assegurar a fidelidade partidária. A reforma, disse ele, é uma necessidade do Congresso e dos partidos.
“Esqueceu” de mencionar o Executivo que, desde o governo Sarney, vem dando as cartas no jogo da fisiologia que perverte a política nacional. O balcão está no Congresso. Mas a grana que o mantém ativo sai da bolsa da Viúva.
Escrito por Josias de Souza às 01h26
Agora é mesmo oficial. Elle voltou. O político do antebraço erguido, do “minha gente”, dos “pés descalços”, o homem do “não me deixem só” está de volta. Candidato ao Senado, Fernando Collor de Mello inicia nesta sexta-feira sua campanha eletrônica. Vai dar as caras na propaganda televisiva pela primeira vez.
Em sua primeira entrevista como candidato, o ex-presidente “impichado” já declarou de quem será o seu voto na disputa presidencial: "O Lula é nordestino, conhece nossas raízes e nossas carências e tem agido rápido no atendimento aos pleitos do Nordeste. O outro candidato, eu falo do [Geraldo] Alckmin, o que posso dizer é que está muito distante mesmo da região. Está na elite, se colocar o Alckmin solto por aí no Nordeste você vai pensar que é um ET".
Collor é mesmo um político de faro aguçado. Farejou o momento certo para voltar a Brasília. Espera-se, evidentemente, que o eleitor alagoano tenha juízo. Mas, se a história quiser pregar no país mais essa peça, é preciso reconhecer que elle não fará feio num Congresso tisnado pela perversão.
Escrito por Josias de Souza às 23h20
O Vox Populi divulgou nesta quinta-feira sua mais nova pesquisa presidencial. Confirmando tendência detectada por outros institutos, a sondagem aponta para a vitória de Lula em primeiro turno. O presidente subiu de 45% para 50%. Geraldo Alckmin oscilou para cima –de 24% para 25%. Heloisa Helena, para baixo –de 11% para 9%. Os números do Vox Populi estão mais próximo dos dados levantados pelo Datafolha do que dos índices apurados pelo Sensus.
Escrito por Josias de Souza às 20h36

O Ministério Público Federal de Mato Grosso encaminhou à Justiça nesta quinta-feira denúncia contra mais 59 pessoas por suposto envolvimento com a máfia das sanguessugas. São nove ex-deputados federais, 49 assessores parlamentares e um funcionário do Ministério da Saúde.
Entre os ex-parlamentares, o mais conhecido é Emerson Kapaz. Convidado a participar do comitê financeiro do presidenciável tucano Geraldo Alckmin, ele desistiu depois que seu nome passou a ser vinculado ao escândalo.
Com a nova ação, sobe para 140 o número de suspeitos denunciados formalmente à primeira instância do Judiciário. Entre os réus há agora 19 ex-parlamentares, 79 assessores do Congresso e cinco funcionários da pasta da Saúde.
No texto da nova ação, a Procuradoria da República lembra que a máfia das ambulâncias produziu desvios de verbas públicas estimados em R$ 110 milhões nos últimos cinco anos. Sustenta que a quadrilha empurrou ambulâncias superfaturadas a prefeituras de municípios localizados em 26 das 27 unidades da federação.
O rol de crimes cometidos pela máfia inclui, segundo o Ministério Público, lavagem de dinheiro e fraude em licitações para a compra de ambulâncias, ônibus de transporte escolar, veículos para o programa de inclusão digital e equipamentos hospitalares.
A quadrilha começou a ser desbaratada em 2002, numa investigação que incluiu, além do Ministério Público, a Receita Federal e a Polícia Federal. As principais provas que fundamentam as denúncias feitas até agora foram obtidas no último mês em maio. Naquele mês, cumprindo mandados judiciais, a PF prendeu três dezenas de suspeitos, apreendeu documentos e computadores.
Afora os ex-parlamentares, assessores legislativos, funcionários do governo e empesários já denunciados, há inquéritos em andamento contra 84 congressistas. Nestes casos, como os suspeitos estão no exercício de seus mandatos, dispõem de foto privilegiado. Só podem ser processados perante o STF.
Atendendo a solicitações do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, autorizou a abertura de inquéritos contra todos parlamentares sob suspeição. São acusados de ter destinado verbas à quadrilha, por meio de emendas ao Orçamento da União. O Ministério Público aguarda a conclusão das investigações para propor novas denúncias.
Também nesta quinta-feira, a CPI das Sanguessugas produziu levantamento indicando que 21 municípios têm envolvimento direto com parlamentares sob suspeição. Como se fosse pouco, a CGU (Controladoria Geral da União) encaminhou ao Ministério Público e à PF resultados de uma apuração ao mesmo tempo reveladora e desoladora.
Segundo a CGU, além da Planam, empresa já bem conhecida do brasileiro, um outro grupo empresarial teria vendido ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Chama-se Grupo Domanski.
Leia abaixo os nomes que constam da nova denúncia.
Escrito por Josias de Souza às 17h28
Ex-Deputados Federais: CLEUBER BRANDÃO CARNEIRO;EBER SILVA;EMERSON KAPAZ;GESSIVALDO ISAÍAS DE CARVALHO SILVA; JOSÉ ALEKSANDRO DA SILVA;LUIS EDUARDO ALMEIDA DE OLIVEIRA;MATUSAEL DO NASCIMENTO;NAIR MARIA XAVIER NUNES OLIVEIRA LÔBO; PAULO CÉSAR MARQUES DE VELASCO;
Assessores parlamentares: ALESSANDRO REZENDE GONÇALVES; ANA TEREZINHA MAFORTE FERREIRA; ANDERSON LUIS BRUSAMARELLO; ANDRÉ SANGALI DE SOUZA; ANDREY BATISTA MONTEIRO DE MORAIS; ANTÔNIO CARLOS MACHADO; ARTUR PAULO DOS SANTOS MATOS; DANIELLE SURRAGE BUENO PIRES; DIVALDO MARTINS SOARES JÚNIOR; EDNA GONÇALVES SOUZA INAMINE; EDSON SIQUEIRA MENEZES; ELIZÂNGELA PATRÍCIA FURTADO LIMA; FÁBIO PEREIRA DA SILVA; FLÁVIO LUIZ SANTOS DA SILVA; FRANCISCO JALCY XAVIER MOREIRA; GIZELLE CUNHA DE CARVALHO; INALDO JOSÉ SANTOS SILVA FERREIRA DE ARAÚJO; IOMAR DE OLIVEIRA TAVARES FILHO; IZILDINHA ALARCON LINARES; JACKSON PIRES CASTRO; JAMIL FÉLIX NAGLIS NETO; JOSÉ LUIZ BATISTELLO; JUSSARA SIQUEIRA DE ALMEIDA; LARA DE ARAÚJO AMORIM; LÁZARO MARTINS RAMOS FILHO; LEOZIR BUENO MEIGA; LIRA JOSÉ DUARTE FERNANDES; LUCIANA DE ANDRADE; LUIS MARQUES SANTOS; MANOEL GAIA FARIAS; MÁRCIA BARIFALDI HIRS; MARCOS AURÉLIO DE BRITO DUARTE; MARILENE MARIA DA SILVA; ORLANDO GERVÁSIO DE DEUS; PATRÍCIA PEREIRA RIBEIRO; PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA CORRÊA; RAIMUNDO NONATO FRANCO DA SILVA; RAIMUNDO TORRES DA COSTA FILHO; RANIER DE OLIVEIRA SOUZA; RICARDO JARDIM DO AMARAL MELLO; ROBSON RABELO DE ALMEIDA; ROGÉRIO CORRÊA JANSEN; SUELY ALMEIDA BEZERRA; TEREZA NORMA ROLIM FÉLIX; VALDECIR ALVES FROIS; VERA LÚCIA PINTO; WELITON BRITO DAVID CARVALHO; WYLERSON MOREIRA DA COSTA; ZÉLIA MARIA BARBOSA HENRIQUES;
Servidor público do Ministério da Saúde: ROBERTO GONÇALVES.
Escrito por Josias de Souza às 17h27
Geraldo Alckmin manteve em seu programa televisivo desta quinta-feira o timbre ácido adotado na publicidade de terça-feira. Disse que Lula não pode continuar fingindo que não viu e não sabe de nada.
Mencionou vários personagens denunciados pelo Ministério Público por envolvimento no escândalo do mensalão: José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoino e Delúbio Soares. Citou também o ex-ministro Humberto Costa (Saúde), indiciado pela PF no caso dos Vampiros. E pespegou: "Tantos ministros envolvidos e Lula não sabia de nada? Ele não merece o seu voto."
O petismo continua dando de ombros para a pancadaria adversária. "Esse massacre político não preocupa, as críticas estão acontecendo há mais de um ano. Com uma semana de crise política, o Fernando Henrique disse que este governo tinha acabado", disse o ministro petista Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que na véspera recomendara à oposição atear "fogo no palheiro", voltou à carga na noite passada. Em encontro com intelectuais e artistas tucanos (olha eles aí de novo!), disse que os petistas “perderam o respeito, podem não ter perdido ainda a popularidade".
Agradecido, Alckmin disse que a gestão FHC, diferentemente da administração de seu sucessor, é digna de defesa. "Não se trata de defender seu governo, mas de fazer justiça a ele". O candidato poderia homenagear o companheiro de partido levando-o à televisão, na propaganda eleitoral. Mas o seu esforço para “fazer justiça a ele” não chega a se sobrepor aos dados que constam de pesquisas feitas por encomenda do tucanato. Mostram que FHC, por impopular, não dá voto.
Escrito por Josias de Souza às 16h44

O PIB brasileiro teve um crescimento super-hiper pequenininho no segundo trimestre deste ano da graça de 2006: 0,5%. É o pior desempenho da economia desde o vexame do terceiro trimestre de 2005, quando o PIB recuou 1,2%. Boa para a oposição, ruim para Lula e péssima para os brasileiros, a notícia balançou a cena eleitoral nesta quinta-feira.
O IBGE divulgou a notícia para o distinto público horas depois de Lula ter dito o seguinte: “(...) Nenhum [país emergente] tem a conjuntura de fatores positivos que tem a macroeconomia brasileira (...)”.
Falando ao Jornal da Globo, Lula disse mais: “Eu tenho pedido para economistas meus amigos analisarem, desde que foi proclamada a República até os dias de hoje, se houve algum momento na história do Brasil que a economia brasileira tenha tantos fatores positivos combinando entre si”.
Por ora, a combinação mágica festejada por Lula –carga tributária crescente, câmbio defasado e juros ainda lunares apesar das reduções—vem produzindo o mesmo desempenho pífio que marcou a gestão econômica da era FHC.
Antes de deixar a pasta da Fazenda, Antonio Palocci previra que a coisa melhoria em 2006. O PIB repetiria o desempenho de 2004 (4,9%). Ao assumir, Guido Mantega rebaixou a aposta: 4,5%. Agora, fala em 4%. O mercado, por sua vez, projeta crescimento de 3,5%.
Como em todo exercício de futurologia, as previsões de Palocci, Mantega e do mercado estão certas, desde que o tempo não as desminta. De concreto, tem-se uma única certeza: está definido que o futuro próximo reserva para o brasileiro notícias terríveis.
Para patrícios como os 1.800 demitidos da Volkswagen o futuro chegou mais cedo. O calendário andou mais rápido também para os 2.000 funcionários que as Casas Bahia colocarão no olho da rua. Animado com os mais promissores indicadores econômicos “desde que foi proclamada a República”, o presidente sabe bem do que se trata.
Em depoimento a Denise Paraná, levado à página 83 do livro “Lula, um filho do Brasil”, sua Excelência contou: “Em 1975, eu fiquei parado um bom tempo. Era uma situação muito difícil (...). Eu me lembro das andanças que eu fazia (...). Saía às 6 horas da manhã, pegava a pé a via Anchieta e andava. Eu me lembro que eu andava mais de dez quilômetros, andava de fábrica em fábrica (...)”.
“Chegava na fábrica, entregava a carteira profissional, o cara olhava a certeira e dizia que não estava precisando, que já preencheu a vaga (...). O cara desempregado, sem dinheiro, sem cigarro, sem poder tomar sua cervejinha é uma situação realmente de muita tristeza para um trabalhador.”
Por sorte, o Brasil hoje é outro. Dias atrás, o IBGE revelou que a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do país subiu de 10,4% em junho para 10,7% em julho. Mas não há razões para preocupação. O ex-sindicalista Luiz Marinho, hoje ministro do Trabalho, disse que não sabe de onde o instituto governamental retirou os seus números.
Escrito por Josias de Souza às 16h14

- JB: Falcatruas no mercado imobiliário
- Folha: Horário eleitoral só muda voto de 6%
- Estadão: Perto da eleição, BC corta 0,5 ponto no juro
- Globo: Bolsa Família: gastos subiram 60% no 1º mês de campanha
- Correio: BC corta juros e faz a alegria de Lula
- Valor: Copom sustenta ritmo de corte e juro cai a 14,25%
leis os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h12
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h51
Lula virou notícia no Chile. A edição desta quinta-feira do jornal El Mercurio, o mais influente diário chileno, reproduz trechos do livro “Viagens com o Presidente”, escrito pelos repórteres Eduardo Scolese e Leocencio Nossa.
O texto que está sendo consumido hoje no Chile mostra um Lula diferente do presidente que se esconde atrás das regras do cerimonial (leia). Reportando-se a notícia publicada na véspera pela Folha, El Mercurio realça comentários feitos pelo presidente durante um jantar na embaixada brasileira em Tóquio, em maio de 2005. Lula tomara três doses de uísque. Empunhava o quarto copo.
Eis os comentários que o jornal chileno destacou, em negrito:
· "O Chile é uma merda. O Chile é uma piada. Eles fazem os acordos lá deles com os americanos. Querem mais é que a gente se foda por aqui. Eles estão cagando para nós";
· "Tem horas, meus caros, que eu tenho vontade de mandar o [Néstor] Kirchner [presidente da Argentina] para a puta que o pariu";
· "Aquele lá [Jorge Battle, então presidente do Uruguai] não é uruguaio porra nenhuma. Aquele lá foi criado nos Estados Unidos. É filhote dos americanos."
El Mercurio também reproduz diálogo que, de acordo com o livro de Scolese e Nossa, Lula manteve com antecessor Fernando Henrique Cardoso depois de ter recebido dele a faixa presidencial:
--"Fernando, como você faz para dar uma escapadinha?"
--"É impossível, Lula...impossível...Aqui tem ajudante-de-ordens para todos os lados".
A notícia escalou a primeira página do jornal chileno. Isso ainda acaba em crise diplomática. Madame Bachelet deve estar horrorizada.
Escrito por Josias de Souza às 02h34
Sérgio Lima/Folha Imagem
Em seu primeiro mandato, Lula formou no Congresso um consórcio político que empurrou a sua gestão para o colo das legendas mensaleiras. A despeito disso, não vai recusar o apoio de políticos suspeitos caso venha a ser reeleito. “Eu tenho alianças com quem quiser me apoiar”, disse o presidente, no início da madrugada desta quinta-feira, em entrevista ao Jornal da Globo (leia e assista). Disse que tem "orgulho" dos apoios que recebe.
“Tem muita gente que gostaria que eu tivesse aliança com o PSDB. O PSDB virou o nosso adversário principal”, afirmou. “Possivelmente, tem muita gente que quisesse aliança com o PFL. Não é possível, porque é adversário nosso”. As considerações de Lula foram feitas em resposta a uma pergunta sobre a presença de dois políticos de biografia turva em seu conselho de campanha: os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Ney Suassuna (PMDB-PB). Mencionou-se também o apoio do ex-governador mineiro Newton Cardoso.
Investigado por supostos desvios no Banpará, o banco estatal do Pará, Jader chegou a ser preso pela Polícia Federal. Envolveu-se também no escândalo da Sudam. Teve de renunciar ao mandato de senador em 2001. Suassuna é apontado como "sanguessuga". Newtão era chamado de “ladrão” pelo PT mineiro.
Apesar do histórico, Lula afirmou: “(...) O conselho político é um conselho de pessoas representadas pelos partidos que me apóiam, e dentro do PMDB tem uma parte que me apóia, que é uma parte que tem a representação do presidente do Senado, Renan Calheiros, do presidente José Sarney e de outra metade do PMDB na Câmara e no Senado. Eu não escolho quem participa das reuniões. E também não veto, porque eu não sou juiz para julgar as pessoas”.
Sobre a idoneidade dos aliados, o presidente comentou: “As pessoas estão exercendo o seu mandato, foram eleitas democraticamente pelo povo, e o que você pensa ou o que eu penso das pessoas se torna uma coisa muito subjetiva se as pessoas reconquistaram o direito de ser mandatários de um cargo público (...). Eu tenho as alianças com quem quer me apoiar”.
Questionado sobre o caráter "assistencial" do programa Bolsa Família, uma das principais críticas da oposição, Lula afirmou: “Não adianta eu ficar falando em avanços tecnológicos se eu não garanto dar para as pessoas um pão e um copo de leite de manhã para as crianças".
"Então, quando eu resolvi priorizar a política social – saímos de um gasto de R$ 7 bilhões para R$ 22 bilhões – , é porque eu sei o que é a fome", acrescentou Lula. "Eu sei o que é uma mãe ver cinco ou seis filhos agarrados no rabo da sua saia pedindo um pedaço de pão, e não ter para dar”. O presidente disse que, no segundo mandato vai priorizar a abertura de “portas de saída”, para que s pessoas não precisem mais “do apoio do governo”.
Perguntou-se também ao presidente Lula sobre as 1.800 demissões promovidas pela Volkswagen no ABC paulista, berço do sindicalista Lula. “Eu já fui chorar na porta da Volkswagen quando ela mandou embora, de uma única vez, oito mil trabalhadores. Eu já chorei na porta da Mercedes, quando ela mandou embora seis mil trabalhadores”, recordou Lula. Disse que a degola atual se deve a um projeto equivocado da Volks. E contrapôs o argumento de que, ao longo de sua gestão, criaram-se no setor automobilístico 27 mil novos empregos. Como se isso fosse atenuar o drama dos 1.800 metalúgicos postos no olho da rua.
Logo na primeira pergunta, Lula foi instado a comentar o crescimento econômico brasileiro em comparação com o de outras nações emergentes. Mencionaram-se China, Índia e Venezuela. Lula recusou as comparações. Disse que o Brasil deve ser cotejado consigo mesmo. E emendou, em timbre triunfante: “De todos esses países, pode ter alguns crescendo mais do que o Brasil. Mas nenhum tem a conjuntura de fatores positivos que tem a macroeconomia brasileira (...). Eu tenho pedido para economistas meus amigos analisarem, desde que foi proclamada a República até os dias de hoje, se houve algum momento na história do Brasil que a economia brasileira tenha tantos fatores positivos combinando entre si”.
Ao discorrer sobre educação, Lula alfinetou o tucanato. Disse que durante a sua gestão, o Ministério da Educação passou a avaliar a qualidade do ensino público por meio de testes com alunos da 4ª e da 8ª séries, em 41 mil escolas. Um avanço em relação ao governo de Fernando Henrique Cardoso, que submetia a teste apenas os alunos de 6 mil escolas 4ª série. Aproveitou para espicaçar Geraldo Alckmin:
"Somente o Estado de São Paulo se recusou a participar do programa, talvez temendo revelar que, embora sendo o Estado mais rico, não liderava o ranking da educação (...). Depois o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) veio mostrar que São Paulo está na oitava posição no país." O presidente mostrou-se seguro. Saiu-se melhor do que na entrevista que concedera ao Jornal Nacional, cuja pauta centrou-se nos escândalos da era Lula.
Escrito por Josias de Souza às 00h57
Romano vê má-fé em ação de intelectuais pró-Lula
El Roto/El Pais
Roberto Romano, professor de ética e filosofia da Unicamp, enxerga uma diferença na tentativa de artistas de justificar desvios éticos na política e no manifesto assinado por 213 intelectuais em apoio à candidatura Lula. Acha que os artistas apenas exercitam a sua “ignorância crassa”. Avalia que o caso dos intelectuais é mais grave. Sabem do estão falando. E agem movidos por “oportunismo e má-fé”. Menciona especificamente Marilena Chauí, de quem foi aluno. “Ela não é jejuna em matéria de filosofia”. Leia abaixo a entrevista:
- O que achou da tentativa de artistas de justificar transgressões à ética e do encontro em que Lula recebeu um manifesto de apoio de 213 intelectuais?
Há que distinguir os dois grupos. As manifestações do Paulo Betti –‘Não dá para fazer política sem botar a mão na merda’— e de Wagner Tiso –‘Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética (...). O PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país”—são toscas. Mostram uma ignorância crassa. Eles vivem no universo do slogan, no mundo das palavras de ordem. Isso é uma herança que vem da prática totalitária, tanto de direita como de esquerda. Tenta-se justificar o injustificável. O custo desse discurso é o estímulo à imbecilidade geral.
- Por que distinguir os intelectuais?
No caso dos intelectuais, não se trata de ignorância. Conheço os personagens, sobretudo a professora Marilena Chauí, que foi minha professora. Ela não é uma jejuna em matéria de filosofia. Conhece a ética de Spinoza melhor do que eu, conhece a ética cartesiana, conhece a ética de São Thomás de Aquino, conhece Aristóteles. Quando uma pessoa tem esse grau de conhecimento se alia a uma coisa dessas, está agindo com oportunismo e pela má-fé. Não tenho outra qualificação.
- Que conseqüências podem advir do gesto dos intelectuais?
Lula e todos esses intelectuais vão desaparecer. Quem vai responder por tudo o que está ocorrendo no Brasil no momento em que os costumes hoje abençoados por eles –o mensalão, a ocultação da verdade, a perseguição à imprensa— quando tudo isso tiver se transformado em costume? É um mau irreparável. O intelectual sabe que um ato pode se transformar em costume. Sabe também que um costume é difícil de ser mudado. Esse intelectual tem a obrigação de verificar as conseqüências dos atos. Não poderão dizer depois que são inocentes. Eles sabem o que estão fazendo. Abençoar desvios éticos, brincar de militante é o mesmo que abdicar da função essencial do intelectual, que é a crítica, a análise, a discussão.
- Um intelectual não pode apoiar o presidente Lula?
Acho perfeitamente lícito que apóie. Mas acho que o apoio só é razoável até o ponto em que o intelectual não se transforme numa espécie de ventríloquo do partido ou do indivíduo a quem ele apóia.
- No caso específico chegou-se a esse ponto?
Sem dúvida. Diria que a reunião dos intelectuais com Lula foi uma espécie de encontro mediúnico. Quem falou foi o Lula, pela boca dos intelectuais. Os presentes racionalizaram o discurso do presidente. Aí eu me lembro de Sartre, para diferenciar o filósofo do ideólogo. O filósofo é aquele que critica, que analisa, que se informa, que coloca matizes, que procura a diferença. O ideólogo é aquele que repete as palavras de ordem. Tem a função de tentar racionalizar o que é irracional. (Continua abaixo...)
Escrito por Josias de Souza às 22h02
‘Intelectuais estão brincando de Maquiavel’
Continuação da entrevista do professor Roberto Romano:
-Os intelectuais estariam confundindo os papéis?
Esses intelectuais estão brincando de ser Maquiavel. E agem em nome alheio. Há uma atitude muito errada dos intelectuais brasileiros. Eles se colocam muito facilmente na posição de tutores do povo, da opinião pública e da República. É uma arrogância. Julgam-se no direito de definir aquilo que é bom e aquilo que é errado.
-A intelectualidade tucana não tem o mesmo defeito?
Não digo que não tenha. Esse problema não é só dos intelectuais petistas.
-Houve transgressões éticas também sob FHC –fisiologia, Sudam, privatizações feitas ‘no limite da irresponsabilidade’, compra de votos da reeleição... Eticamente, o que diferencia FHC de Lula?
Em primeiro lugar, por mais encantos que tenha o Fernando Henrique, ele não encarna a figura do carismático. Ele teve muitos problemas, inclusive do ponto de vista acadêmico. Recebeu críticas e as devolveu. Segundo, do ponto de vista da investigação dos acontecimentos, o máximo que pode ser dito é que ele teve um engavetador-geral da República, que servia como anteparo das investigações. Mas não houve uma ação coordenada dos tucanos para inocentar o Fernando Henrique.
-Há uma ação coordenada para inocentar Lula?
Quando você pega o José Genoino, o Delúbio Soares, o José Dirceu e o Antonio Palocci é como se eles estivessem pagando com o próprio sangue a sobrevivência do Lula.
-Diria que as perversões éticas da era FHC foram pecadilhos?
Não foram pecadilhos. Mas foram menores. Nunca vi tentativas dos tucanos de enquadrar a imprensa para controlar as investigações. Desde que o Lula tomou posse, todo ano aparece uma iniciativa nova de calar a boca da imprensa e do Ministério Público. É nessa linha que vejo diferenças. Vamos supor que tenha existido uma série de irregularidades e até de crimes no período Fernando Henrique. Mas não houve essa tentativa sistematicamente organizada de impedir a divulgação dos crimes. Do ponto de vista ético isso é muito mais grave.
-Se Alckmin o convidasse para uma reunião de apoio, iria?
Não iria. Nem para o Alckmin nem para a Heloísa Helena nem para o Serra, que é o meu candidato preferido. Era o meu candidato preferido também para a presidência da República. Não participaria de um encontro com esse padrão de apoio.
-O apoio público leva à perda de isenção crítica?
Não é só perda de isenção crítica. O intelectual tem todo o direito de defender e dizer em quem vai votar. Mas reunir-se enquanto corporação e dizer: nós, intelectuais, estamos apoiando é o mesmo que abdicar da autoridade ética e moral para, amanhã, criticar. O presidente da República de ontem era o Fernando Henrique, hoje é o Lula, amanhã pode ser outro. O problema não está no ocupante empírico do cargo, mas na ação que está sendo desenvolvida.
PS.: Sobre o assunto da entrevista, leia mais aqui.
Escrito por Josias de Souza às 22h00
Às voltas com traições de políticos “aliados”, o comitê de Geraldo Alckmin decidiu realizar um esforço emergencial para tenta apagar os “incêndios” regionais que consomem a campanha do candidato tucano. Os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Heráclito Fortes (PFL-PI), coordenadores nacionais de Alckmin, percorrem o Nordeste há três dias. É naquela região que os problemas são mais acentuados.
O objetivo da missão de Guerra e Heráclito é contabilizar os estragos e tentar envolver as lideranças do PSDB e do PFL na campanha presidencial. A inanição do candidato nas pesquisas tem levado os comandos regionais das duas legendas a priorizar as campanhas locais, em detrimento da presidencial.
Em vários Estados, evita-se deliberadamente a associação dos candidatos aos governos e ao Congresso com Alckmin. Em outros tantos, líderes do PSDB e do PFL atuam em campos opostos, alimentando um cipoal de desavenças que termina por excluir Alckmin de todos os palanques.
Na segunda-feira, os dois senadores estiveram em Teresina (PI), São Luiz (MA) e Natal (RN). Na terça, passaram por João Pessoa (PB). Nesta quarta, eles percorrem os municípios Salvador (BA), Aracaju (SE) e Maceió (AL). Em vários Estados, Guerra e Heráclito detectaram um quadro de rivalidade incontornável.
Concluíram que o único modo de resolver o problema é a escolha de um coordenador local que se dedique exclusivamente à campanha de Alckmin. Estão à procura de nomes. “Em alguns lugares, os problemas, de fato, são irreconciliáveis”, disse Heráclito ao blog. “Mas não podemos deixar a campanha do presidente à mercê dessas desavenças. Precisamos colocar a campanha nacional na rua”.
Escrito por Josias de Souza às 19h11
Problemas técnicos impediram a veiculação de notícias neste recanto virtual ao longo da tarde desta quarta-feira. As dificuldades ainda não foram inteiramente contornadas. Mas já é possível divulgar despachos esporádicos. O signatário do
blog torce pela normalização dos trabalhos. E pede desculpas aos seus 22 leitores.
Escrito por Josias de Souza às 18h14
Levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia oferece mais uma evidência da irrelevância da mídia. Mercê dos escândalos que rondaram a administração petista, os principais jornais brasileiros (Folha, Globo e Estadão entre eles) têm publicado mais notícias negativas do que positivas no acompanhamento que realizam da campanha releitoral de Lula (clica).
Dá-se um movimento inverso em relação a Geraldo Alckmin. Exceto na semana de 18 a 25 de agosto, os textos de teor positivo prevaleceram sobre os negativos no noticiário sobre o presidenciável tucano. Na única semana em que foi aos jornais em situação desconfortável, Alckmin amargou um movimento de deserções de aliados no Nordeste.
As notícias, portanto, remam na contramaré das pesquisas. "Desde 21 de julho, a cobertura do Lula candidato tem sido sempre mais negativa do que positiva", diz Alexandre Nascimento, pesquisador do Observatório Brasileiro de Mídia. "Na cobertura do Alckmin, a mudança se deu na última semana, quando saiu pesquisa com avaliação muito positiva do governo Lula e aumentou a possibilidade de reeleição no primeiro turno" (leia).
Escrito por Josias de Souza às 16h34
Edvard Munch
Nesses tempos de intenso debate acerca de moral e ética, políticos e partidos admitem perder tudo, menos a honestidade. Ainda não a encontraram. Mas continuam procurando. Até lá, segue o alarido suscitado pelo ator Paulo Betti, precursor da mais nova linha de pensamento político-filosófico: o neo-amoralismo. A discussão, por altiva, desceu à região genital. Eis o que nos conta a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):
Na pré-estréia do filme "O Maior Amor do Mundo", de Cacá Diegues, na noite de anteontem, em SP, um dos assuntos era a polêmica frase do ator Paulo Betti, segundo o qual "não dá para fazer política sem botar a mão na merda".

"Espero que ele tenha feito uma crítica e que não acredite nisso", dizia José Wilker, protagonista do filme. "Não posso admitir que precisem se enlamear para fazer política. Teoricamente, eles [políticos] me representam. Não posso aceitar ser um cidadão enlameado." Sobre a afirmação do cineasta Luiz Carlos Barreto, para quem o mensalão é do "jogo político, não é roubo", o ator afirma: "Crime é crime. Ninguém é ligeiramente virgem".

Cacá pouco dizia: "Bota aí que não quero polemizar, por favor! Não ouvi o que o Betti disse, não sei o contexto". O ator John Herbert, "da esquerda liberal", diz "não discordar" de Betti. "No Brasil, malandragem é cultural. Todos são desculpados, são imunes e impunes. Não vou votar [para presidente]. Tenho 77 anos e a lei me permite isso. Graças a Deus."
Escrito por Josias de Souza às 08h06

- JB: Horas brutais
- Folha: Lula mantém vitória no primeiro turno
- Estadão: Programa do 2º mandato de Lula não prevê corte de gasto
- Globo: Lula e Alckmin esquentam debate sobre a corrupção
- Correio: Mais três na mira da CPI dos Sanguessugas
- Valor: CVM mantém juízo a favor de minoritários da Arcelor
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h17
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h51
Alea Jacta Est! A sorte está lançada. A propaganda televisiva de Geraldo Alckmin atravessou, finalmente, o Rubicão. Mencionou clara e explicitamente os principais escândalos da era Lula. Pôs “todos os talheres na mesa”, como pedira o prefeito César Maia (PFL), do Rio. Chamou Lula para a briga.
Deu-se no rastro da divulgação do novo Datafolha, no Jornal Nacional (leia e assista). Desde a última sondagem, feita há uma semana, Alckmin subiu tímidos dois pontos –de 25% para 27%. Mas não pôde nem abrir o champanhe.
Lula também oscilou para cima –de 49% para 50%. E Heloisa Helena, para baixo –de 11% para 10%. São variações na margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. De resto, considerando-se o ponto para cima de Lula e o ponto para baixo de HH, os dois pontos acrescidos ao cesto de Alckmin não serviram para coisa nenhuma. Ficou tudo no mesmo ponto. Para Lula, o ponto de exclamação. Para Alckmin, o ponto de interrogação. Quiçá o ponto final.
Iniciado na seqüência do “boa noite” de Fátima Bernardes e Willian Bonner, o programa eleitoral veio repleto de novidades. Conforme fora noticiado aqui no blog, o PSDB serviu ao telespectador, pela primeira vez, chuchu com pimenta. Um Alckmin de aparência mais vivaz reclamou da carga de impostos.
"O governo nunca pegou tanto dinheiro dos brasileiros", disse o candidato do PSDB, que chamou Lula de "o presidente do imposto cada vez mais alto". Apresentou-se como um gestor público capaz de manejar o dinheiro público de modo mais eficiente do que Lula.
Reservou-se a pancadaria para o finalzinho do programa. Os golpes vieram na voz de um locutor, não na de Alckmin. O narrador percorreu toda a via de escândalos: Waldomiro Diniz, a quadrilha do mensalão, os dólares na cueca, os sanguessugas... Disse que muitas negociações foram feitas na sala ao lado da do presidente, que nada sabe, nada viu. Gastou-se mais com os desvios, disse o locutor de Alckmin, do que com o Bolsa Família.
O programa ficou a cara do Antonio Carlos Magalhães. Entre todos os mandachuvas da pefelândia, o morubixaba baiano era o que demonstrava maior impaciência com a programação “água-com-açúcar” que Alckmin vinha levando ao ar. Nesta terça-feira, ACM chegou mesmo a protagonizar, diante dos olhos da imprensa, um arranca-rabo com Tasso Jereissati.
Os marqueteiros de Lula não se deram por achados. Era como se tivessem recebido alguma informação de cocheira acerca dos planos da equipe adversária. Colada ao programa de Alckmin, a propaganda de Lula foi inaugurada nesta terça com a voz de um narrador: "Começa agora o programa do candidato que não agride e não calunia".
A menos que Alckmin reaja nas próximas pesquisas, será sempre assim: ataques de um lado, propaganda governamental do outro. Ninguém vai ao Rubicão para beber água. Alckmin tomou um caminho sem volta. Tende a mover-se nas sondagens eleitorais. Resta saber se o movimento será ascendente ou descendente.
Escrito por Josias de Souza às 23h58
“Começou a apelação”, disse Lula a um auxiliar depois de assistir ao programa eleitoral levado ao ar pelo seu adversário nesta terça-feira. A opção do tucanato pela agressividade já era esperada pelo presidente. O que fazer? Aconselhado por sua equipe de marketing, Lula vai ignorar Geraldo Alckmin na TV.
As respostas às “provocações” de tucanos e pefelistas serão dadas em entrevistas e discursos feitos longe do vídeo. Lula e o alto comando petista tratarão a estratégia do comitê de Alckmin como “gesto desesperado” de um candidato “a caminho da derrota”. Os advogados do partido analisarão nesta quarta-feira, de resto, a hipótese de recorrer à Justiça Eleitoral para barrar os ataques e exigir direito de resposta.
Na propaganda televisiva, até segunda ordem, seguem os comerciais sobre os “feitos” da gestão Lula e os planos do presidente para o futuro. Entende-se que, seguindo essa linha, as peças funcionam como “um complexo multivitamínico” de aspectos positivos do governo, para imunizar Lula contra os ataques. A expressão de teor medicinal foi mencionada ao blog na noite desta terça-feira por um dos mais influentes conselheiros da campanha de Lula.
O presidente analisou com sua assessoria a nova linha da campanha de Alckmin. Concluiu-se que a opção pela pancadaria, em vez de alavancar os índices do tucano nas pesquisas, tende a puxá-lo para baixo. Lula ouviu dos especialistas em pesquisas que estão a seu serviço a seguinte análise:
Alckmin já não é o candidato desconhecido do início da campanha. Sua taxa de conhecimento roçaria hoje a casa dos 70%. Ocorre que a maioria do eleitorado o conhece de modo superficial. Lula, em contrapartida, é conhecido por praticamente 100% dos brasileiros. E seu governo é bem avaliado por cerca de 50% da população. Assim, nas palavras de um dos especialistas ouvidos por Lula, o eleitor tenderia a perguntar: “Quem é esse cara (Alckmin) para atacar o presidente?”
Na opinião da equipe de Lula, Alckmin começou a bater no pior momento de sua campanha. E arrisca-se a beijar a lona. De fato, a marquetagem do tucanato tencionava abrir a sua caixa de ferramentas apenas no início de setembro. Supunha que, até lá, Alckmin teria adquirido musculatura nas pesquisas. Os pés de chumbo do candidato, o crescimento de Lula e a pressão dos aliados, sobretudo do PFL, levaram à antecipação dos tiros.
Nos próximos dias, o comitê de Lula vai monitorar os efeitos dos golpes desferidos pela propaganda de Alckmin. O trabalho é meticuloso e profissional. A reação dos eleitores será aferida por meio de pesquisas quantitativas, iguais às sondagens que os institutos divulgam semanalmente, e qualitativas.
Nas pesquisas qualitativas –ou “qualis”, no jargão do marketing—grupos de eleitores são reunidos em salas equipadas com um vidro semelhante àquele que a polícia instala nos ambientes destinados ao reconhecimento de criminosos.
Assim como as vítimas identificam os bandidos sem ser vistas por eles, também os marqueteiros observam os eleitores através do vidro sem ser notados. Registram comportamentos, anotam reações. Depois, tiram as suas conclusões. O time de Alckmin dispõe dos mesmos recursos. O ritmo da campanha será, agora mais do que nunca, ditado pela sintonia fina das pesquisas.
Escrito por Josias de Souza às 23h48
Em meio à reiteração do favoritismo de Lula nas pesquisas, uma expressão passou a ser repetida nos comitês do PT e do PSDB. As duas trincheiras compartilham uma mesma percepção: só um “fato novo” pode levar à alteração da cena eleitoral.
O comitê de Alckmin busca freneticamente o “fato novo”. O time de Lula diz que o “fato novo” não existe. Mas receia que, no desespero, o tucanato invente um. O principal temor de Lula e de seus auxiliares é o de que os adversários retirem da cartola um coelho chamado PCC.
Disseminou-se entre os petistas a sensação de que o adversário esforça-se para associar Lula e seu partido à facção criminosa que promoveu três ondas de ataques em São Paulo. Informado acerca de uma investigação aberta pela Polícia Civil de São Paulo, o PT paulista está especialmente atento à movimentação do secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro.
Em diálogos com Lula, os auxiliares de marketing da campanha da reeleição avaliaram que não são negligenciáveis as chances de que, no desespero, o tucanato tente “fabricar” um “fato novo”. O risco aumenta, acham os marqueteiros do PT, à medida que se solidifica a percepção de que as denúncias antigas –Waldomiro Diniz, mensalão e dólar na cueca, por exemplo—não grudaram na imagem de Lula. Avalia-se, porém, que a novidade, por inconsistente, acabaria se voltando contra os acusadores.
Antecipando-se a eventuais manobras do tucanato, o petismo já esboçou a tática da reação. Qualquer tentativa de associação do partido com o PCC será refutada por meio de ações judiciais. Como já foi feito, aliás, com José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo. No front político, a iniciativa será tratada como mero produto do “desespero de um perdedor”.
Escrito por Josias de Souza às 19h55
Ichiro Guerra
Como previsto, Lula e o PT divulgaram nesta terça-feira o programa de governo para um segundo mandato que as pesquisas prenunciam como cada vez mais provável. O texto peca pela generalidade. Esquiva-se de compromissos vinculados a metas numéricas. Acena em direção ao "desenvolvimento com distribuição de renda e educação".
Pressionando aqui, você tem acesso a um resumo preparado pela agência Reuters. Clicando aqui, você vai à página do PT. Ali, encontrará um texto de apresentação, com links para a íntegra do documento. Na opinião de Geraldo Alckmin, seu adversário continua sem programa.
Programa por pragrama, Alckmin também não divulgou o seu. Diferentemente de Lula, o tucano preferiu soltar a sua proposta em fatias, não de uma única vez. Seja como for, programas de governo não costumam ser levados em conta pela maioria dos eleitores na hora de definir o voto. Numa fase em que todas as propostas são assemelhadas -a favor do crescimento econômico, do emprego e da educação; contra o câncer o chope quente e a sopa fria- elege-se normalmente a melhor encenação, não o melhor programa.
Escrito por Josias de Souza às 18h30
Folha Imagem
Deliberadamente escondido por seu partido na propaganda eleitoral televisiva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu as caras nesta terça-feira num evento de campanha. Participou de um almoço para coleta de fundos com empresários. Serviu aos presentes um discurso que apimentou o repasto. Disse tudo aquilo que, a seu juízo, o candidato de seu partido não tem vocalizado convenientemente.
Na presença de Alckmin, como a ensiná-lo, FHC vociferou contra os escândalos da era Lula. Refutou o raciocínio difundido pelo presidente de que a perversão deriva das falhas do sistema político. A moral, disse ele, “é individual”.
"Me dói ver agora o próprio presidente da República dizer: 'não, todos são iguais'. Iguais não. Eu não sou igual a ele! Eu não sou igual a ele! Eu não sou igual a ele!", enfatizou, arrancando aplausos dos comensais reunidos no Jockey Club de São Paulo.
Com uma ponta de inveja pelo passado de Lula, FHC declarou: "Eu o acompanhei nas greves quando havia ditadura. Eu queria ter sido igual a ele naquele tempo. Mas ele mudou. Ele hoje prega e faz tudo que combateu. E quando há um desvio, quando há alguma coisa equivocada, ele passa a mão na cabeça e diz: 'o companheiro errou'. O companheiro errou, não. O senhor errou porque não puniu o companheiro". A platéia, de novo, aplaudiu.
FHC disse que Alckmin será eleito para mostrar à opinião nacional que, “sem decência”, não se pode governar o país. É pena que, em privado, o ex-presidente venha desdenhando da capacidade do presidenciável tucano de prevalecer sobre o adversário. O ministro Tarso Genro, a propósito, atribuiu o destempero de FHC ao "desespero".
Escrito por Josias de Souza às 17h59
Num dia em que novas pesquisas renovam o favoritismo de Lula, dois pesos pesados da aliança formada em torno de Geraldo Alckmin subiram à tribuna do Senado para achincalhar o presidente e seu governo. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) dirigiram a Lula as críticas mais incisivas que jamais haviam ousado fazer.
ACM foi mais enfático: chamou o presidente de “indigno”, “mentiroso” e “ladrão”. De quebra, insinuou que ele é alcoólatra. "Antes de falar, ele sempre utiliza álcool. Disse também que o lugar de Lula “é na cadeia”. Tasso, embora mais polido, não foi menos indelicado. O presidente do PSDB afirmou que Lula está incutindo na cabeça dos brasileiros mais pobres e humildes três “nefastos” tipos de cultura:
1) a "cultura do não-trabalho", difundida por meio da distribuição de dinheiro das bolsas assistenciais e da falsa ilusão de crédito fácil do empréstimo consignado; 2) a cultura da corrupção, reforçada pelo “falso argumento” de que todos os políticos, todos partidos e todos os governos roubam; 3) a cultura da mentira. “O presidente vai à televisão e mente. Depois, se desmente. No dia seguinte, mente de novo, e se desmente...”
O morubixaba pefelista desfiou da tribuna acusações que vem fazendo há meses. Só que, dessa vez, ACM foi à jugular. Disse falava em “nome da Bahia”. E, ignorando os índices das pesquisas, que indicam uma preferência por Lula de mais de 60% dos baianos, disparou: “O povo da Bahia não gosta de ladroeira (...). Mas eles [Lula e o PT] estão limpando os cofres. Eles são catedráticos em arrombamentos. Não há governo que tenha roubado tanto na história do país”.
Tasso, a pretexto de relatar contatos que teve com a população sertaneja do interior do Ceará, disse que Lula está revivendo no Nordeste uma prática de 30 anos atrás. A exemplo do que faziam os coronéis políticos de antigamente, disse ele, o presidente está distribuindo dinheiro em troca de votos.
Segundo Tasso, Lula “dobrou” o número de benefícios do Bolsa Família entre junho e julho. E “mais do que dobrou” a concessão de créditos pelo Pronaf. Um crédito, segundo disse, concedido a “juros negativos”. “O sujeito é cadastrado pelos sindicatos locais e recebe R$ 1.000, para pagar, depois de dois anos, R$ 700.” O dinheiro, que deveria ser aplicado em pequenas propriedades rurais, estaria “indo para o consumo”.
“É exatamente o que faziam os coronéis no passado”, disse Tasso. “É o renascimento da indústria da seca, com a distribuição de dinheiro em época eleitoral. Lembro de um coronel que, na minha terra, dizia que esperava que Deus lhe concedesse a graça de uma seca antes da eleição, para que ele pudesse distribuir dinheiro e assegurar a vitória. A mesma coisa está sendo feita agora.”
Lula apanhou indefeso. Não se ouviu uma única voz petista em sua defesa. Nesse momento, encontra-se na tribuna o senador César Borges (PFL-BA), do grupo de ACM. Segue na mesma toada de achincalhamento. Diz que Lula distribui dinheiro para “comprar consciências”. Por ora, Lula segue desamparado.
Escrito por Josias de Souza às 17h09
Todo mundo tem um quê de louco. A loucura particular de cada um aflora quando alguém pisa no calo certo. No caso de Geraldo Alckmin, o calo são as pesquisas de opinião. A cada nova sondagem, o presidenciável põe-se a declarar coisas estranhas. Soa cada vez mais esquisito.
Semana passada, diante de um Datafolha amargo, delirou: Agora, é para cima e para o alto”. Noite passada, no Jornal da Globo, tresvariou: “Nós estamos crescendo, todas as pesquisas indicam. Vai ter segundo turno, não tenho a menor dúvida (...). E no segundo turno nós vamos ganhar a eleição”.
Vá lá que candidatos precisem simular otimismo. Mas Alckmin sabia que o instituto Sensus divulgaria, nesta terça, outra pesquisa. Não deu outra: Lula, em alta, bateu nos 51,4%. Amealharia agora mais votos do que colecionou em 2002. Considerando-se apenas os votos válidos (excluindo-se brancos e nulos), ele teria hoje 62,3%; na eleição passada obteve 61,3%. Alckmin, empacado, cravou 19,6%. É menos do que os 20,8% registrados por José Serra na eleição presidencial passada.
Diante de quadro tão adverso, Alckmin roça a última fronteira da sanidade. É até compreensível que um tucano sem asas conviva com surtos momentâneos de demência. Porém, o que ele precisa no momento é tirar os pés do chão, não da realidade.
Levando-se em conta que o Jornal Nacional divulga logo mais os dados de outro levantamento do Datafolha, o tucanato deveria tirar o seu candidato de circulação por algumas horas. É muita contrariedade para um dia só. Não há chuchu, por mais serenamente insosso, que agüente.
Escrito por Josias de Souza às 15h49
Descobriu-se, finalmente, para que servem os intelectuais: eles são as lavadeiras da República, os faxineiros da realpolitik. Dedicam-se a limpar a biografia de governantes que, no dizer casual-escatológico de Paulo Betti, viram-se forçados a “botar a mão na merda”.
No encontro que manteve com a intelectualidade simpática ao petismo, Lula disse que fez “o jogo real da política”. Deu a entender que não teve alternativas: "Política a gente faz com quem a gente tem, não com quem a gente a gente quer".
Revelou-se um adepto da linha Wagner Tiso. “O PT fez o que tinha que fazer para governar”, regera o maestro na semana passada. Lula seguiu os movimentos da batuta: "Esse é o jogo real da política e precisou ser feito por quatro anos para que nós pudéssemos chegar hoje numa situação altamente confortável do ponto de vista econômico, político e social".
O fato é que, a despeito do cocô, das más companhias e do jogo bruto, os intelectuais limparam toda réstia de nódoa que ainda pudesse haver no prontuário da era Lula. Lavaram, engomaram e passaram a ferro os escândalos. De quebra, emitiram um certifiado de garantia à ética petista válido por pelo menos mais quatro anos. Em manifesto no qual se penduraram 213 assinaturas, a intelectualidade reclama apoio a Lula.
O texto faz menção a "recentes escândalos”. Faz uma concessão às “perplexidades" que despertaram. Mas dribla-se o mal-estar com elogios à PF e à CGU. De resto, apela-se ao povo ignaro: "As próximas eleições, que não se reduzem ao nível federal, poderão, através do voto, afastar políticos corruptos, tarefa difícil, porém indispensável", diz o texto.
Lula, evidentemente, não tem nada a ver com coisa nenhuma. Antes, nem tomara conhecimento do mensalão. Agora, suspeita até que se tratava de uma lenda. É uma petulância imaginar que o presidente poderia ter sido ao menos omisso. Para a protopetista Marilena Chuaí, críticas a Lula soam a "preconceito de classe". O PT, diz ela, "sabe o que ética na política. Por isso pode enfrentar de cabeça erguida as acusações de corrupção".
Mudam os faxineiros, mas o sabão é sempre o mesmo. Nos dias que correm, recorre-se à beira do tanque metafórico da intelectualidade ao mesmo tipo de sabão usado há bem pouco, por exemplo, por José Arthur Giannotti. Também ele justificou, sob espuma retórica, as incursões do amigo FHC pelo universo da amoralidade.
Escrito por Josias de Souza às 08h48

- JB: Bombas do PCC armam crime no Rio
- Folha: BNDES adia empréstimo à Volks
- Estadão: Mais de 1/3 dos paulistas já foi vítima de assalto
- Globo: Sanguessugas fazem Senado abrir processos de cassação
- Correio: Planalto pressiona BC a baixar juros
- Valor: Ações judiciais ameaçam o novo leilão de energia
Leis os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h13
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h18
Em posição análoga à de Lula nas pesquisas, o tucano José Serra, favorito na disputa pelo governo de São Paulo, presta à democracia o mesmo desserviço que o PSDB impingiu ao presidente: foge do debate como o vampiro corre da estaca.
Ausente do confronto promovido na noite desta segunda-feira pela TV Bandeirantes, Serra, assim como Lula, foi espinafrado por toda a concorrência. Geraldo Alckmin apanhou por tabela. A política do governo de São Paulo, até bem pouco chefiado pelo presidenciável tucano, para as áreas de segurança pública e educação foi duramente criticada.
Como não pôs os pés no ringue, o tucanato foi à lona sem levantar os punhos. E o eleitor foi, mais uma vez, privado do estabelecimento do contraditório.
Escrito por Josias de Souza às 02h04
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin vem prometendo desde o início da campanha que, se eleito, reduzirá a carga tributária. Imagina-se que desejava facilitar a vida das empresas. No início da madrugada desta terça-feira Alckmin aditou ao compromisso um quindim direcionado à classe média: incluiu no rol de tributos que tenciona podar até mesmo o Imposto de Renda. Leia aqui. E assista aqui.
Deu-se na entrevista que Alckmin concedeu ao Jornal da Globo. Diferentemente da pedreira do Jornal Nacional, esse segundo compromisso foi adocicado com perguntas voltadas a esmiuçar os planos de governo. Algo mais aprazível do que as explicações que teve que dar sobre, por exemplo, as irregularidades cometidas na Nossa Caixa e o engavetamento de 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Duas intenções restaram nítidas no passeio em que se transformou a entrevista: 1) Alckmin foi aos estúdios da Globo decidido a fixar-se como o oposto de Lula; 2) confrontado com dados negativos do governo tucano de FHC, esquivou-se de defender o companheiro de partido. Foram duas as oportunidades. Preferiu desfiar números da sua administração em São Paulo.
Willian Waack disse a Alckmin que o tucanato vem repetindo que Lula copiou a política econômica de FHC. E pespegou: “Afinal, a política é boa ou ruim?”. E Alckmin: “A política é ruim”. Condenou o aumento de impostos, os juros lunares e o câmbio desvalorizado. Bateu em Lula e, de cambulhada, em FHC.
Waack disse que, embora o entrevistado prometa reduzir impostos, o PSDB elevou a carga tributária de 29,5% para 35,5% quando ocupou, sob FHC, a presidência da República. Alckmin limitou-se a reafirmar que vai reduzir “todos os impostos”, inclusive o IR. E disse que, em São Paulo, baixou o ICMs do álcool de 25% para 12%, zerou os impostos das micro-empresas, etc e tal. Espinafrou Lula: “A carga tributária hoje é de quase 40% e dizem que não tem dinheiro para investimentos”. E, de novo, não pronunciou uma mísera palavra em defesa de FHC.
Curiosamente, na hora de discorrer sobre o Bolsa Família, mola propulsora de Lula nas pesquisas, Alckmin referiu-se à apropriação que o adversário fez de coisas que são “nossas”. Referiu-se aos programas sociais que, criados sob FHC, foram unificados por Lula: Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Não fez elogios a FHC, mas, assim como Lula, apropriou-se dos programas sociais dele.
Instado a falar sobre reforma política, Alckmin esmerou-se em desqualificar o discurso de Lula, que atribui os escândalos que turvaram o seu governo a falhas do sistema partidário. O tucano defendeu mudanças, mas disse que “corrupção não se combate com reforma política. Corrupção se combate com cadeia.” Desmereceu também a idéia da Constituinte exclusiva: “Veja que absurda essa proposta do candidato Lula: você pára o Brasil para fazer uma outra Constituição”.
Questionado sobre a crise da segurança pública em São Paulo, Alckmin voltou a retirar do embornal o seu rosário de números: prendeu bandidos, construiu presídios, blá, blá e blá. Em seguida, acusou Lula de omisso e chegou muito próximo de acusar o PT de envolvimento com o PCC.
“O problema da segurança está hoje em todo país. Se é um problema do Brasil inteiro, é um problema do presidente da República, que não pode se omitir (...)”, alfinetou. Quanto ao PCC, disse: “Eles querem interferir no processo eleitoral (...). Sabem que comigo (na presidência) não vai ter omissão, nós vamos agir duro contra o crime organizado”. Ou seja, deixou no ar duas insinuações: 1) ao virar São Paulo de ponta-cabeça, o PCC quer prejudicá-lo, beneficiando Lula e o PT; 2) no exercício da presidência, Lula deu refresco à criminalidade.
Começou, como se vê, o jogo de chicotinho-queimado, aquela brincadeira infantil em que uma criança tenta alcançar a outra batendo com um lenço enrolado, em forma de chicote.
Escrito por Josias de Souza às 01h17
· Desenvolvimento
· Inclusão social
· Educação
· Presença soberana no mundo
· Segurança Pública
· Democracia
Lula divulga ao meio-dia desta terça-feira o seu programa de governo. Os seis tópicos constituem os pilares do texto. O candidato realçará três. O nome do segundo mandato, repetirá, é desenvolvimento, com inclusão e educação.
Não há nas cerca de 30 páginas do programa nenhuma meta numérica. Evitou-se deliberadamente pendurar na peça algarismos e percentuais que possam vir a se transformar em constrangimentos futuros, como a promessa de criar 10 milhões de empregos, feita em 2002.
A idéia que perpassa o documento é a de uma obra em movimento. “Conquistas” do primeiro período são apresentadas como alicerce para o segundo, durante o qual o país daria "um salto de qualidade”.
No item “Desenvolvimento”, o programa projeta taxas de crescimento mais vigorosas do que as que verificadas nas “últimas décadas”. Sem comprometer o equilíbrio macroeconômico do país. Acena com o financiamento público a investimentos em infra-estrutura (energia, transportes e telecomunicações).
No “Inclusão social”, o documento realça o processo de “distribuição de renda” já deflagrado. Cita aferições da pesquisa PNAD, do IBGE. Embora celebre o êxito do Bolsa Família, o documento realça outros fatores que teriam levado à melhoria do quadro social –recuperação do salário mínimo, redução dos preços da cesta básica e aumento do emprego formal, por exemplo.
O documento anota que os programas de transferência de renda serão mantidos, mas devem ser associados a políticas públicas que conduzam a um mercado de consumo de massa. Fala em estimular o cooperativismo, a capacitação de trabalhadores para gerir pequenos negócios e a expansão do crédito popular.
No capítulo “Educação”, mencionam-se o Fundeb, o Prouni e o incremento da pesquisa científica e tecnológica. A reforma política encontra-se enganchada no tópico “Democracia”. Mencionam-se três objetivos: financiamento público de campanhas, fidelidade partidária e a votação pelo sistema de listas.
Escrito por Josias de Souza às 23h06
Antônio Cruz/ABr
Três dias depois de ter amargado a notícia de que despencou nas pesquisas, o governador tucano Lúcio Alcântara (Ceará) foi a Lula. O pretexto foi a discussão de temas institucionais ligados à liberação de verbas para o complexo portuário de Pecém.
Além de verbas –R$ 500 milhões em convênios—, o encontro rendeu para Alcântara uma foto ao lado de Lula e o reforço da linha esgrimida pelo marketing de sua campanha. O tucano quer porque quer convencer o eleitor cearense de que, reelegendo-o, estará mantendo no governo do Ceará um administrador tão próximo da Brasília petista como seria seu adversário Cid Gomes (PSB), o predileto de Lula na briga pelo governo do Ceará.
Os jornalistas perguntaram a Alcântara se considera Lula um bom puxador de votos. E ele: “Basta ver as pesquisas”. Ele disse ter injetado imagens de Lula na sua propaganda eleitoral televisiva para desmontar a pregação do adversário. Disse que Cid Gomes “pretende monopolizar a figura do presidente”.
Alcântara disse não ter sido admoestado pela direção do PSDB. Não se considera um quinta-coluna. “Não sou traidor de maneira nenhuma, se houver algum traidor, certamente não sou eu”, disse, em clara referência à tentativa de Tasso Jereissati, presidente do PSDB, de fazê-lo desistir da candidatura ao governo estadual, abrindo caminho para um acordo branco do tucanato cearense com Cid Gomes, irmão de seu amigo fraterno Ciro Gomes.
Questionado sobre os efeitos do seu esforço para vincular-se a Lula na campanha de Geraldo Alckmin, o presidenciável de seu partido, Alcântara deu de ombros: “Não vejo assim. Sou do PSDB, apóio Geraldo Alckmin, que tem sido muito bem recebido e bem tratado por mim no Ceará”. Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 17h49
O Ministério da Previdência fará neste ano uma gentileza inédita: vai antecipar para setembro, mês que antecede a eleição presidencial, o pagamento de parte do 13º salário de 20,8 milhões dos 24,2 milhões de brasileiros aposentados. Na maior parte dos casos, o adiantamento será de 50%. Além de rechear os bolsos dos aposentados, o gesto da Previdência tende a adensar as urnas de Lula, já tão abonadas.
Escrito por Josias de Souza às 17h06
Difícil definir um intelectual. Alguns dizem que é aquele que pensa. Ora, todos pensam. Outros dizem que é o sujeito que tem idéias inovadoras. Bem, o pessoal do PCC também partiu de uma nova idéia –a subversão da ordem urbana pelo terror—para virar São Paulo de ponta-cabeça. Por último, afirma-se que intelectual é aquele que lê muito. Ler, de fato, é bom. Mas, em muitos casos, substitui o pensamento. Erudição facilita na hora de fazer citações, mas não se confunde com o exercício do intelecto.
Seja como for, Lula prepara-se para beber, daqui a pouco, da vasta fonte que nasce da cabeça da intelectualidade petista. Uma semana depois de avistar-se com cerca de 80 artistas no Rio, o presidente se encontra, às 18h, num hotel de São Paulo, com 50 intelectuais. Lá estarão, entre outros, Ariano Suassuna, Fernando Moraes, Marilena Chauí, Frei Beto e Luiz Felipe de Alencastro.
A história brasileira recente mostra que a proximidade dos formuladores do pensamento nacional com o poder é perigosa, muito perigosa, perigosíssima. FHC não foi senão a intelectualidade no poder. Sem intermediários. E deu no que deu. Aferrado à ética da responsabilidade de que falava Max Weber, FHC evoluiu muito. Depois de negar a existência Dele em entrevista a Boris Casoy, acabou aceitando Deus. Aceitou também o PFL, o PMDB e outras cositas.
Resta torcer para que os intelectuais petistas não repitam certos artistas que, depois de encontrar Lula, lançaram uma nova linha de pensamento: o neo-amoralismo.
Escrito por Josias de Souza às 16h38
Apu Gomes/F.Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin caminhou nesta segunda-feira pelas ruas do centro comercial de Mogi das Cruzes (SP). Discursou numa pequena praça. Previu uma situação “dificílima” para Lula no segundo turno. "Quando você simula o segundo turno, a situação do candidato Lula fica dificílima. Por isso, o desespero dele de não querer segundo turno, porque no segundo turno perde a eleição."
O problema para Alckmin é que Lula parece não ser o único brasileiro que não deseja o segundo turno. A julgar pelas últimas pesquisas –Datafolha e Ibope— 49% do eleitorado deseja liquidar a pendenga no round inicial. À medida que vai se aproximando o dia da eleição, as chances de reversão do quadro são menores.
Note-se, por exemplo, o que diz o prefeito carioca César Maia eu seu ex-blog: “A cada dia, o número de jogadas disponíveis para os candidatos que estão mais atrás é menor”. Insiste na tese da pancadaria: “A campanha de Alckmin, ao não colocar em cima da mesa –com todos os talheres— o mensalão e a corrupção do governo Lula, ajuda a transferir ao Congresso a responsabilidade, fazendo, ingenuamente, o jogo eleitoral de Lula”.
Maia levanta um segundo tormento para Alckmin: a “estabilização” de Heloisa Helena nas pesquisas, em percentuais que variam entre 9% e 11%. “É a pior notícia que a candidatura de Alckmin poderia receber”. No dizer do prefeito, “o segundo turno –para dormir tranqüilo— precisa de HH com 15%”.
Na caminhada de Mogi, após criticar Lula, Alckmin deu a entender que ainda resiste em levar à mesa “todos os talheres”. Repetiu: "Eu sou paz, amor e trabalho". Sua equipe, porém, já está pintada para a guerra.
Escrito por Josias de Souza às 15h31
“É diferente!” Sob esse lema, Luciano Bivar, o presidenciável do PSL apresenta-se ao eleitor como timoneiro de uma nau novidadeira. O mandachuva do PSL dispõe-se a renovar o país. O candidato do partido de Bivar ao governo de Goiás, Osvaldo Pereira, é menos ambicioso. A restauração de sua conta bancária já o deixaria realizado.
Pereira foi pilhado em reportagem do Fantástico. Tentou vender o tempo do PSL goiano na propaganda eleitoral televisiva. Pediu R$ 1,3 milhão, parte em dólares, parte em reais. O repórter que se passou por “comprador” regateou. E ele ofereceu um desconto de R$ 50 mil. A coisa é chocante. Se você não viu, clique aqui para assistir. É imperdível.
O PSL abriu um procedimento para apurar as estripulias de seu filiado. A dúvida que remanesce é: quantos Osvaldos há que, escondidos atrás de legendas de aluguel, mercadejam tempo de televisão país afora?
Escrito por Josias de Souza às 14h11
Além de desorientar a cabeça do tucanato, as pesquisas de opinião têm orientado os financiadores da canmpanha presidencial. Dono de um faro aguçado, o dinheiro sabe para quem abanar o rabo. Na hora própria, saberá também a quem morder. Veja o que conta a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha) sobre as conta$:
QUINZE- A campanha de Lula arrecadou oficialmente, do começo de agosto até agora, cerca de R$ 15 milhões.
DEZ- A campanha de Geraldo Alckmin arrecadou oficialmente, no mesmo período, cerca de R$ 10 milhões.
MEIO- Os dados definitivos da arrecadação das duas campanhas em agosto serão divulgados no próximo dia 6 de setembro. Em julho, cujos dados foram divulgados em 6 de agosto, Lula tinha arrecadado oficialmente cerca de R$ 9 milhões. Gastou oficialmente R$ 7 milhões e ficou com saldo de R$ 2 milhões. Alckmin arrecadou R$ 1,3 milhão, gastou R$ 1,8 milhão e ficou devendo R$ 500 mil.
Escrito por Josias de Souza às 07h52

- JB: Eleições 2006 - Jobim e Varella no ministério da reeleição.
- Folha: Governo dá bolsas para 237 cursos mal avaliados
- Estadão: Setor de energia teme novo apagão
- Globo: Procuradoria vai à Justiça para fechar bingos ilegais
- Correio: Orçamento - Licitações sob suspeita no Maranhão
- Valor: Serviço público ainda descumpre teto salarial
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h03
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h19
Arma-se nos subterrâneos do Congresso um complô contra a principal novidade das eleições legislativas de 2006: a cláusula de barreira. O mecanismo foi criado para dificultar a vida de legendas sem voto e possibilitar uma drástica redução do número de partidos políticos em funcionamento no país. Para driblar a regra, trama-se a aprovação de um projeto que institui a “federação de partidos”.
Funcionaria assim: agremiações que não obtivessem nas urnas votos suficientes para ultrapassar a cláusula de desempenho, poderiam se juntar em “federações” de dois ou mais partidos. No Legislativo, atuariam em conjunto, sob liderança única. Mas manteriam os seus nomes, a personalidade jurídica, e a direção autônoma. São entusiastas da idéia o PV e o PPS. Flertam também com a manobra o PC do B e o PSB.
Para que as “federações partidárias” possam ser constituídas, é preciso aprovar uma lei no Congresso. Os defensores da novidade não terão nem mesmo que se dar ao trabalho de apresentar um projeto. Já há um em tramitação na Câmara. Leva o número 2.679/03. Traz a idéia da "federação" pendurada em seu artigo 3º. O relator da proposta é o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça, está pronta para ir a voto no plenário.
Há hoje no Brasil 29 partidos com registro no TSE. Desse total, 17 têm representação na Câmara e/ou no Senado. Ainda que essa representação seja ridícula, simulam existência plena, com direito a assento no colégio de líderes. São beneficiários do escárnio, por exemplo, o Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional, com dois deputados), o PTC (Partido Trabalhista Cristão, um deputado) e o PRB (Partido Republicano Brasileiro, um deputado e dois senadores).
Se a cláusula de barreira for respeitada, só conservarão o direito à existência congressual, às verbas do fundo partidário e à aparição no rádio e na TV os partidos que obtiverem 5% da votação total para a Câmara dos Deputados e 2% dos votos em pelo menos nove Estados. Pelo projeto de Caiado, bastaria que um partido cumprisse a segunda exigência (2% de votos) e elegesse pelo menos um representante em cinco Estados, para continuar existindo, desde que unido em regime de "federação" a uma ou mais legendas.
Excetuando-se os quatro grandes –PMDB, PT, PFL e PSDB—todos os demais partidos estão com a corda no pescoço. Em público, alguns deles, como PSB e PPS, ainda simulam otimismo. Em privado, porém, já buscam parcerias para formar "federações". O PSB flerta com o PC do B. O PPS, com o PV.
Há outras fórmulas em discussão para tentar salvar os sem voto do patíbulo. Uma delas prevê a aprovação de um projeto modificando a lei que criou a cláusula de barreira. A conjunção aditiva que separa as duas exigências impostas aos partidos seria substituída por uma conjunção alternativa.
Assim, onde se lê na lei que o partido teria de obter 5% dos votos para a Câmara “e” 2% dos votos em nove Estados, seria escrito 5% “ou” 2%. A simples troca de conjunções livraria da forca, além de PSB, PC do B, PPS e PV, legendas como o PSOL e o PDT. E, também neste caso, a intenção disciplinadora da cláusula de barreira seria enviada às calendas. Resta agora saber se haverá votos suficientes para aprovar tais brincadeiras.
Escrito por Josias de Souza às 01h57
Confrontado com os números do Datafolha, na semana passada, o presidenciável tucano disse: “Agora é para cima e para o alto”. Os números não justificavam o otimismo. Lula prevalecia sobre o adversário na proporção de 49% das intenções de voto contra 25%. Uma nova pesquisa, feita pelo Ibope, foi divulgada neste domingo pelo Estadão (assinantes). De novo, os dados sugerem um movimento inverso ao que fora previsto por Alckmin ou, no máximo, a cristalização do quadro já detectado.
O Ibope contabilizou os mesmos 49% que o Datafolha atribuíra a Lula. Quanto a Alckmin, apontou percentual ainda mais modesto: 22%. Heloisa Helena, a terceira colocada, aparece nesta nova pesquisa com 9%. Os pesquisadores do Ibope foram às ruas entre os dias 23 e 25 de agosto. Percorreram 140 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Escrito por Josias de Souza às 20h15
Vendem-se terrenos na Lua!
No Brasil, quando se deseja enfatizar que alguém foi passado pra trás, é comum dizer-se que o sujeito comprou um terreno na Lua. Pois saiba que há mais otários no mundo do que você pode imaginar.
Mais de 2,5 milhões de pessoas de 180 países já compraram glebas na Lua e em Marte, informa o sítio Space. Por US$ 19,99, pode-se “adquirir” um torrão de 4.046 metros quadrados na Lua. Pagando-se US$ 22,49, assegura-se o direito à inscrição do nome do comprador em sua “propriedade”.
Chama-se Dennis Hope o espertalhão que está loteando a Lua. Administra o sítio Lunar Embassy (Embaixada Lunar). Ele se autoproclama dono da Lua, de Marte e de todos os demais planetas do Sistema Solar, exceto a Terra.
Gestor de uma fraude, Hope assegura que irá plantar na Lua, até o final do ano, a bandeira do “Governo Galáctico”, denominação que escolheu para definir o seu território. Só no ano passado, faturou US$ 1 milhão. As vendas são feitas pela Internet.
Afora as dificuldades atmosféricas de plantar um casebre em outro planeta, os compradores desconsideram um detalhe jurídico: o “Tratado do Espaço Exterior”, firmado em 1967 pela ONU, estabelece que nenhum país pode reclamar a soberania dos corpos celestes.
Hope argumenta que o tratado foi omisso em relação a empresas privadas. Enviou cartas à ONU e aos governos da Rússia e dos EUA avocando para si o direito de propriedade sobre o Sistema Solar. Como não obteve respostas, considera-se o legítimo dono.
A espertalhona Lunar Embassy não está só no promissor negócio da venda de terrenos em outros planetas. Enfrenta a concorrência de outros sítios. Alguns, como lunarregistry, não chegam a se considerar donos do Sistema Solar. Outros, como o Buyuranus, fazem pilhéria. Hope, o embaixador da Lua, acusa a "concorrência" de plágio. Diz já ter gasto US$ 70 mil para defender sua propriedade. E depois ainda dizem que os brasileiros é que são malandros!
Escrito por Josias de Souza às 19h45
A reiteração dos escândalos que infelicitam a política brasileira vai consolidando na cabeça do eleitor um sentimento de desolação. Tonifica-se a impressão de que candidatos em campanha simulam interesse em melhorar o Brasil, mas na verdade querem mesmo é melhorar as suas contas bancárias. Vem daí que pesquisa Datafolha detectou a perspectiva de um aumento extraordinário dos votos nulos nas eleições de outubro próximo.
Nada menos que 18% do eleitorado manifesta a intenção de anular o voto na eleição para a Câmara Federal. E 16% dos entrevistados informam que votarão nulo também na hora de escolher os deputados estaduais. Para dimensionar o desastre, basta lembrar que, nas eleições de 2002, os votos nulos somaram 2,9%. Mesmo incluindo na conta os votos em branco, chega-se a um percentual de votos inválidos de 7,9%.
Um impressionante contingente de 49% do eleitorado declarou que não votaria se as eleições não fossem obrigatórias. Você se animaria a deixar o aconchego do seu lar para optar entre os candidatos indesejáveis e os impensáveis se o voto não fosse uma imposição legal?
Não é à toa que, segundo a mesma pesquisa, 57% dos eleitores brasileiros não se lembram dos candidatos que elegeram para a Câmara dos Deputados e para as Assembléias Legislativas em 2002. Essa amnésia coletiva tem um quê de vergonha pelas opções inconfessáveis.
Escrito por Josias de Souza às 17h56
Alan Marques/F.Imagem
O governo de Evo Morales voltou ao centro das preocupações do Palácio do Planalto e do Itamaraty. A Bolívia acusou formalmente a Petrobras de ter burlado a legislação do país. A estatal brasileira teria firmado com uma subsidiária da Repsol YPF, empresa petrolífera de capital espanhol e argentino, um “pacto secreto” que resultou em suposto prejuízo estimado entre US$ 160 e US$ 190 milhões aos cofres do Estado boliviano.
A acusação consta de uma representação encaminhada ao Ministério Público boliviano pelo ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz. O documento sustenta que a Repsol YPF vendeu ao Brasil, por meio da Petrobras, gás natural boliviano a preços inferiores aos que foram estabelecidos em tratado firmado em 2002 pelos governos de La Paz e de Brasília. Em conseqüência, teriam sido sonegadas taxas e tributos ao governo boliviano.
Na última sexta-feira, a Promotoria da cidade boliviana de Santa Cruz invadiu os escritórios da Andina, uma subsidiária da Repsol YPF. A ação durou quatro horas. Acompanhados de policiais, os promotores confiscaram documentos e deram voz de prisão a Saúl Encinas Miranda, funcionário da Andina que teria firmado o contrato “secreto” com a Petrobras.
Encinas Miranda ficou detido por 24 horas nas dependências da FELCC (Força Especial de Luta Contra o Crime). Foi liberado no sábado (26-8) por um juiz de Santa Cruz, que fixou uma série de restrições ao funcionário da Andina: Não poderá, por exemplo, deixar a Bolívia. E terá de apresentar-se ao Ministério Público uma vez por semana.
O caso ganhou as páginas dos jornais bolivianos. Foi manchete, por exemplo, no caderno de Economia do diário La Razón, um dos mais prestigiosos da Bolívia. Antecipando-se ao governo brasileiro, que por ora apenas monitora a nova encrenca, a Espanha fez chegar ao gabinete do presidente Evo Morales o seu descontentamento com a apreensão de papéis e a prisão do funcionário da subsidiária da Repsol YPF.
Em encontro com empresários, na última sexta-feira, o presidente Evo Morales foi questionado acerca dos riscos de recrudescimento da crise com a Espanha. Disse que o Executivo não vai interferir nas investigações do Ministério Público. E acrescentou: “Estamos dispostos a dialogar no marco do que significa um trato justo e eqüitativo, porque nós queremos sócios justos e não patrões”. Suas declarações foram registradas pelo jornal boliviano El Diario.
Na véspera da operação do Ministério Público boliviano nos escritórios da Andima, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera reunira-se em Brasília com autoridades do governo brasileiro e com o próprio presidente Lula. Veio queixar-se das resistências da Petrobras em aceitar os termos da repactuação proposta pela administração Morales dos preços do gás vendido ao Brasil.
Morales quer aumentar de US$ 4 para até US$ 8 o preço por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU) de gás natural. A Petrobras argumenta que não há nos contratos nenhuma razão que justifique o reajuste. Brasília fareja na denúncia do Ministério de Hidrocarbunetos da Bolívia contra a Andima e a Petrobras o cheiro da retaliação.
Escrito por Josias de Souza às 17h19

- JB: Rio faz as pazes com Lula
- Folha: Maioria não lembra voto para deputado
- Estadão: Um agente para cada 10 km, e passa tudo pela fronteira
- Globo: Ilegais, bingos faturam R$ 1 bi com liminares
- Correio: Parentes de deputados também são fantasmas
- Valor: União está perto de revés bilionário sobre a Cofins
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 03h01
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h57
Beto Barata/F.Imagem
O Palácio do Planalto continua acalentando a idéia da convocação de uma Câmara Constituinte exclusiva para aprovar, no primeiro semestre de 2007, uma reforma política. Lançada no último dia 2 de agosto, depois da visita de um grupo de advogados a Lula, a proposta foi à geladeira por conta da saraivada de críticas que suscitou. Mas pode sair do freezer depois das eleições de outubro.
O blog perguntou ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) se a tese da constituinte fora abandonada. E ele: “Eu não abandonei. Acho que a idéia de uma Câmara Constituinte especial é não só constitucional como vigorosa do ponto de vista político. Apenas acho que não pode ser imposta. Tem que ser um acordo entre os partidos”.
O ministro coordenou, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a elaboração de um plano estratégico de ação governamental com metas até o ano de 2022. Foi entregue a Lula na última quinta-feita. Genro celebra o fato de o documento ter contemplado um “enunciado” sobre a reforma política. Acha que ela deve ser feita, seja qual for o presidente eleito, no primeiro semestre de 2007.
Em defesa da Constituinte exclusiva, Tarso Genro lança no ar uma série de perguntas: “O problema que fica posto para nós no próximo período é: será que o Congresso vai fazer uma reforma suficientemente profunda? Será que vai alterar inclusive algumas normas que são preciosas para a legislatura atual?”
O ministro toca num assunto que está na raiz do escândalo dos congressistas sanguessugas: “Será que numa reforma política feita pelo atual Congresso ou pelo próximo a ser eleito em outubro as emendas individuais [ao Orçamento da União] terão tratamento diferente do que têm agora? Eu acho que deveria ter. Mas não sei se terão”.
O ministro ressalta que seus raciocínios compõem apenas “a opinião de um quadro político do Executivo”. Diz que a natureza da reforma política terá de ser definida pelo próprio Legislativo, inclusive os instrumentos que serão usados para promover as mudanças”. Para Genro, mais importante do que os meios, é a efetivação da reforma, hoje “uma necessidade consensual”.
Não por acaso, a pregação do “quadro político” coincide com a do chefe do Executivo. Lula vem se esgrimindo um discurso que desqualifica o Congresso ordinário como operador do processo de reforma política. Em encontro com prefeitos paulistas, em Campinas, o presidente disse, no último dia 5 de agosto, que a estrutura política do Brasil está “apodrecida”.
"Se depender do Congresso, teremos arremedo, e não reforma política", disse Lula. Depois de defender a Constituinte, o presidente valeu-se de um argumento que vem repisando desde então: a tese de que as malfeitorias que rondaram o seu governo decorrem dos defeitos do sistema, não da ação isolada de deputados ou de um partido.
"A crise política que vivemos não é crise política de agora. É crise política que levou Getúlio [Vargas] à morte, que levou Juscelino [Kubitschek] a ser esculachado como era todo santo dia, que levou João Goulart a cair. A crise não é de um deputado ou de um partido político. É uma crise do sistema político brasileiro. A estrutura está apodrecida e nós temos que mudá-la."
A idéia da Constituinte exclusiva foi congelada porque provocou reação intensa e generalizada. Resta saber se o Congresso que tomará posse em 2007 resistirá ao poder de sedução de um Lula eventualmente reeleito em primeiro turno. Um outro auxiliar do presidente ouvido pelo blog aposta que não: “Uma coisa é o cenário atual. Outra coisa bem diferente é a cena que será inaugurada com a posse de um presidente reeleito com cerca de 55 milhões de votos.”
Escrito por Josias de Souza às 02h00
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