Os dois presidenciáveis mais bem-postos nas pesquisas travaram neste sábado uma refrega em torno do nada. Num comício realizado em Campinas, Lula disse que governa para os pobres. Em dado momento, cutucou Geraldo Alckmin.
A repórter Andréa Catão informa que, ao comentar a declaração do adversário de que, nos 12 anos de governo tucano em São Paulo, construíram-se 250 mil tetos para famílias pobres, o presidente desafiou: "Eu desconfio que quem investiu esse dinheiro foi a Caixa Econômica Federal, pois só no Estado de São Paulo 388 mil famílias foram beneficiadas com moradias populares."
Informado acerca do desdém de Lula, Alckmin autorizou o seu comitê a liberar a seguinte nota: "Em 12 anos de governo (do PSDB em São Paulo), foram construídas 225 mil unidades habitacionais, e não 250 mil como disse o presidente, via Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano. Com isso, o Estado investiu R$ 5,7 bilhões em habitação. Somente nos últimos três anos e meio, foram investidos R$ 3 bilhões do Estado em habitação, enquanto no mesmo período, via governo federal, o investimento foi de R$ 2,5 bilhões".
O torneio ao redor da origem das verbas deixa em segundo plano o essencial, que é o atendimento ao naco da população que não tem acesso a uma moradia própria. Pouco importa saber de onde veio o dinheiro. Somando-se as casas que Lula e Alckmin dizem ter erguido, chega-se a 613 mil novas moradias. A simples existência de um autodenominado “Movimento dos Sem-teto”, especialmente forte em São Paulo, é a mais eloqüente evidência de que o problema do déficit habitacional está longe de ser resolvido.
Ou seja, do ponto de visto de um brasileiro que ainda não foi bafejado pela ventura de obter um telhado, interessa saber o que será feito para atenuar-lhe o drama do desabrigo. Portanto, a pergunta que precisa ser respondida é: por que Lula e Alckmin, no curso de suas administrações, não colocaram suas diferenças partidárias de lado para levantar, em parceria, um número ainda maior de paredes? A resposta é: porque políticos brasileiros governam olhando mais para o próprio umbigo do que para os pobres.
Escrito por Josias de Souza às 20h19
Imunidade para falar ‘merda’
A obra de grandes artistas e intelectuais costuma redimi-los de seus pecados. O “reacionarismo” de Nelson Rodrigues, por exemplo, foi soterrado pelo brilhantismo de sua produção jornalístico-literária. A alegada simpatia de Martin Heidegger pelo nazismo perdeu-se nos desvãos de sua eloqüente contribuição ao pensamento filosófico do Século 20. Basta um quadro de Pablo Picasso para apagar o mau-caratismo que permeia a sua biografia.
Escudados nessa, digamos, imunidade intelectual e artística, representantes da cultura brasileira aventuram-se a promover uma releitura dos conceitos tradicionais da ética. Deu-se na noite da última segunda-feira (19-08), depois de um encontro de Lula com cerca de 80 artistas, na casa do ministro Gilberto Gil (Cultura), no Rio.
Deve-se ao repórter Marcelo Carnaval a inauguração de uma polêmica ilustrativa. Instados a se manifestar sobre as perversões do petismo, à saída do encontro com o presidente, o compositor Wagner Tiso e os atores Paulo Betti e José de Abreu falaram com desassombrado pragmatismo.
“Ninguém nunca falou do caixa dois da reeleição do Fernando Henrique”, disse Wagner Tiso. Confrontado com o argumento de que pregação ética do ex-PT reclamava um comportamento diferente, Tiso exaltou-se: “Eu não estou preocupado com isso. Estou preocupado com o jogo do poder”.
O maestro esmiuçou o seu raciocínio: “Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética. Para mim, isso não interessa. Eu acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país, entendeu?” Caprichando no jogo metafórico da imundície, Paulo Betti envolveu a teoria de Tiso em uma camada de matéria fecal: “Política não existe sem mãos sujas. Não dá para fazer sem botar a mão na merda”.
O ator José de Abreu, que, no encontro com Lula, pedira uma homenagem a José Dirceu, José Mentor e José Genoino, teorizou sobre a ideologia do excremento: “Eu acho difícil fazer política sem colocar a mão na merda, mas acho que tem que tentar ter mãos beatas", disse. Mas “como é que você vai conversar com alguns deputados que só pensam em dinheiro? Aí você vai ter que colocar a mão na merda."
No limite, os raciocínios tísicos de Tiso, a frase bestial de Betti e o complemento desabrido de Abreu tentam validar a tese, sempre em voga na política nacional, de que os políticos que roubam mas fazem também têm o direito de ser recobertos pelo manto diáfano da imunidade artística. “O povo está feliz”, chegou a dizer Tiso, como a justificar a cultura da substituição da ética pelo proveito eventual da perversão.
Recomenda-se aos porta-vozes do neo-amoralismo uma dose de cautela. O tempo, sempre tão generoso, talvez não apague gestos como de Wagner Tiso, dos três o mais talentoso. Arrisca-se demais o maestro ao ceder a sua obra como trilha sonora de uma era que começou com a coletoria clandestina de Delúbio Soares e terminou na denúncia da “quadrilha” dos 40, patrocinada pelo Ministério Público. É “merda” que, por volumosa e malcheirosa, a tímida produção artística ou intelectual de seus defensores não consegue redimir.
Escrito por Josias de Souza às 19h38
Oscar Niemeyer
O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) estima que, nas eleições de 2006, a Câmara dos Deputados será renovada em 62%. É um índice bem maior do que o verificado em 2002: 46%.
A repórter Andreza Matais informa que os técnicos do Diap crêem que o eleitor negará voto a candidatos envoltos na suspeição de envolvimento em escândalos como o mensalão e o caso das sanguessugas.
O signatário do blog, pessimista incorrigível, aposta que previsões assim tão otimistas tendem a ir se diluindo à medida que se aproxima o dia da posse dos “novos” deputados. E devem se esvair por completo depois que a “nova” legislatura mostrar a sua verdadeira cara, no exercício cotidiano das traficâncias congressuais.
A futurologia da reprovação de congressistas indignos na boca da urna é algo que o tempo talvez frustre. De resto, esses índices de “renovação” tendem a desconsiderar o fato de que, por trás das supostas faces “novas”, escondem-se na verdade políticos profissionais. São ex-deputados, ex-secretários de governos estaduais, ex-isso, ex-aquilo. Gente que traz espetados na biografia vícios iguais ou mais graves do que os dos congressistas substituídos.
De todo modo, não custa renovar os votos de que o eleitor leve a mão à consciência em outubro. Convém informar-se previamente. Ferramentas não faltam. Neste sábado, por exemplo, o UOL pôs no ar o sítio “Políticos do Brasil”. Vale a visita.
Traz “25 mil registros das eleições de 1998, 2002 e 2006”. Inclui do CPF dos políticos às declarações de rendimentos. Informações recolhidas em trabalho exaustivo do repórter Fernando Rodrigues. Vêm somar-se aos dados expostos pela Transparência Brasil em seu projeto Excelências. Não será por falta de informação que o eleitor deixará de exercer dignamente o seu sagrado direito ao voto.
Escrito por Josias de Souza às 19h24
Imagem de guerra: verdade ou mentira?
Joe Rosenthal/AP
Morreu no último dia 20 de agosto, aos 94 anos, Joe Rosenthal. É dele a foto acima. Chama-se “Raising the Flag on Iwo Jima” (Subindo a Bandeira em Iwo Jima). A serviço da Associated Press, Rosenthal clicou-a em 23 de fevereiro de 1945, em meio à batalha de Iwo Jima, que opôs tropas dos EUA e do Japão na Campanha do Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial.
A foto, sacada no topo do Monte Subirachi, valeu a Rosenthal o Premio Pulitzer daquele ano. E tornou-se o símbolo do triunfo dos marines norte-americanos sobre a soldadesca japonesa. Foi explorada à saciedade como tônico da nacionalidade pelo governo dos EUA.
Neste sábado, o Washington Post publica artigo de Susan D. Moeller. É diretora de um centro de estudo dos meios de comunicação da Universidade de Maryland. Escreveu o livro “Shooting War: Photography and the American Experience of Combat”.
Em seu artigo, Moeller analisa os efeitos que a imagem captada por Rosenthal exerceu sobre a opinião pública dos EUA. Lembrou que, além de transmitir aos americanos uma idéia do que se passava na frente de combate, vendeu-lhes a impressão de que seus soldados estavam vencendo a guerra. Algo conveniente para o governo, que arrostava a contrariedade da sociedade norte-americana.
Moeller realça em seu texto um aspecto importante das guerras. Valia para os conflitos de ontem. Continua valendo para os atuais. Ela reproduz um memorando escrito por Eisenhower antes da invasão da Normandia: “Correspondentes têm numa guerra papel tão essencial quanto os militares. Fundamentalmente, a opinião pública ganha guerras”.
Não foi por outra razão que a foto de Rosenthal tornou-se símbolo de uma campanha publicitária aprovada pessoalmente pelo presidente Roosevelt. Foi reproduzida em adesivos colados em mais de um milhão de vitrines, 200 mil fábricas e 30 mil estações ferroviárias. E ajudou a atenuar a repercussão negativa dos 6.812 marines que voltaram para casa ensacados depois do desfecho da Campanha do Pacífico.
A autora do artigo passa ao largo de uma polêmica gerada pela foto de Rosenthal. Os americanos convivem até hoje com uma dúvida: a imagem resultou de um instantâneo casual ou de uma armação? Para a ensaísta Susan Sontag, prevalece a segunda versão.
Sontag sustenta que “a célebre fotografia do soerguimento da bandeira americana em Iwo Jima em 23 de fevereiro de 1945 resultou da reconstituição de uma cerimônia matutina de hasteamento da bandeira, que se seguiu à conquista do Monte Suricachi”. O gesto, realizado naquele mesmo dia, foi simplesmente reconstituído, “só que mais tarde e com uma bandeira maior”. Apenas para que Rosenthal produzisse o “flagrante”. Poucas imagens de guerra, acredita Sontag, resistiriam a um confronto com a verdade.
Rosenthal, evidentemente, desceu a cova sustentando versão distinta. Em quem acreditar? Eis uma dúvida que o tempo ainda não foi capaz de eliminar.
Escrito por Josias de Souza às 18h34
Bruno Miranda/F.Imagem
Cláudio Lembo declarou, em entrevista ao repórter Bob Fernandes, que acredita na vitória de Lula em primeiro turno. “Não vejo condições de haver segundo turno nesse momento.” O governador paulista do PFL virou, instantaneamente, destaque no sítio do presidenciável petista: "Até Lembo diz que Lula deve vencer no primeiro turno".
Lembo tornou-se também alvo de reprimendas dos seus pares. Algumas vieram embrulhadas em ironia fina: "Nunca vi o Lembo ter acertado uma previsão eleitoral. A notícia chega em boa hora", disse Jorge Bornhausen, presidente do partido de Lembo. Vai bem, como se vê, a campanha de Geraldo Alckmin. "Agora", como diz o candidato, "é para cima e para o alto".
Escrito por Josias de Souza às 10h01

- JB: Novos pardais vão arrecadar R$ 66 milhões
- Folha: PF indicia ex-ministro da Saúde de Lula
- Estadão: TSE torna mais difícil candidatura de suspeito
- Globo: PF indicia ex-ministro e Delúbio por 'vampiros'
- Correio: Arruda mantém 54% e venceria no 1° turno
- Valor: União está perto de revés bilionário sobre a Cofins
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h33
Jean
Escrito por Josias de Souza às 01h42
Folha Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin desdobra-se nos últimos dias para reverter a atmosfera de desânimo que impregnou o seu comitê de campanha. Prevê, em público e entre quatro paredes, que as pesquisas vão começar a lhe sorrir a partir de setembro. Sua pregação não convence nem mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB.
O blog ouviu duas pessoas que conversaram com FHC nas últimas 72 horas. Descobriu que o ex-presidente descrê da capacidade de Alckmin de prevalecer sobre Lula. Todos os raciocínios desfiados por ele conduzem à impressão de que já jogou a toalha. Afirma, por exemplo, que falta “energia” a Alckmin para estabelecer o contraditório com Lula.
Para complicar, FHC avalia que sobra no adversário o vigor que escasseia no candidato de seu partido. Sem o “necessário contraponto”, Lula estaria conseguindo difundir livremente a idéia de que todos os partidos e todos os políticos “são iguais” na perversão. A tese, acredita FHC, já foi passivamente comprada pelo eleitorado. Daí a consolidação do favoritismo de Lula, a despeito de todos os “escândalos” que marcaram a gestão petista.
Para exemplificar a “falta de tônus” do discurso de Alckmin, FHC mencionou num de seus diálogos privados o debate promovido pela TV Bandeirantes no último dia 15 de agosto. Acha que o presidenciável tucano perdeu uma grande oportunidade para desqualificar Lula de forma “vigorosa”.
Disse que Alckmin, dirigindo-se diretamente à cadeira vazia reservada ao adversário, deveria ter “desmentido” as afirmações feitas por Lula na entrevista que concedera dias antes ao Jornal Nacional. Referiu-se à afirmação de Lula de que demitira os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil). “Não demitiu coisa nenhuma. Eles saíram quando bem entenderam, sob elogios e afagos do chefe”.
A pregação de FHC situa-se a meio caminho entre o que vêm dizendo o prefeito do Rio, César Maia (PFL), e o jornalista Luiz González, responsável pelo marketing da campanha tucana. Como Maia, FHC acha que Alckmin teria de ser mais “enfático” na condenação a escândalos como “mensalão e sanguessugas”. Mas compartilha com González a impressão de que a crítica em timbre ácido não pode ser levada à propaganda televisiva enquanto Alckmin não adquirir musculatura nas pesquisas de opinião. Sob pena de aumentar as taxas de rejeição do candidato.
FHC acha que, mesmo fora da TV, seria possível “desqualificar” o discurso de Lula. Mas a personalidade de Alckmin, “consolidada e imutável”, não combina com o “espírito guerreiro” que a cena eleitoral “exige”. Daí a sua impressão de que dificilmente o favoritismo de Lula será revertido.
O que falta à análise de FHC é uma boa dose de autocrítica. O discurso da “indiferenciação” esgrimido por Lula encontra eco no eleitorado em parte por conta das práticas e costumes que vicejaram também sob a era FHC.
O mesmo balcão de negócios no Congresso. A mesma partilha de ministérios, rateados sem cerimônia entre representantes de partidos adeptos da fisiologia. E escândalos em quantidade nada negligenciável: Sudam, Sudene, compra de votos da emenda da reeleição, privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”... A comparação joga água no moinho que “absolve” Lula e o petismo de seus pecados.
Escrito por Josias de Souza às 01h27
José Cruz/ABr
Não chegam a encher os dedos de uma mão os petistas com alguma chance de vencer eleições para os governos estaduais. O ex-prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, é um dos felizardos. Ele concorre ao governo de Sergipe. Pesquisa Ibope divulgada na noite desta sexta-feira revela que aumentou a vantagem que o separa de seu principal oponente, o governador João Alves (PFL).
O Ibope atribui a Déda 48% das intenções de voto dos sergipanos. No início do mês, ele tinha 44%. Alves aparece com 36% dos votos, o mesmo percentual que ostentava no começo de agosto. A diferença entre os dois passou de oito para 12 pontos percentuais. Considerando-se apenas os votos válidos, o candidato do PT seria eleito no primeiro turno (assinantes da Agência Nordeste), com 55% da preferência do eleitorado.
Escrito por Josias de Souza às 22h40
Acaba de ser divulgada uma pesquisa Datafolha feita no Ceará. Mostra uma virada espetacular do candidato Cid Gomes (PSB), que disputa o governo do Estado com o governador tucano Lúcio Alcântara. Cid, antes em segundo lugar, ultrapassou o adversário e abriu larga vantagem. Tem agora 50% das intenções de voto, contra 37% atribuídos a Alcântara.
Esboça-se um quadro de definição no primeiro turno. Mas o Datafolha mediu também a propensão do eleitorado cearense num eventual segundo turno. De novo, Cid Gomes, coligado ao PT e apoiado por Lula, prevaleceria sobre o adversário tucano na proporção de 53% contra 39%.
Esta é a segunda rodada do Datafolha no Ceará. A primeira sondagem, feita entre os dis 7 e 8 de agosto, trouxe Lúcio Alcântara (44%) na frente de Cid Gomes (35%). A virada ocorre dias depois de o governador tucano ter levado ao ar em sua propaganda eletrônica imagens de Lula elogiando-o no lançamento da pedra fundamental da Ferrovia Transnordestina. Deu as costas para Geraldo Alckmin, o presidenciável de seu partido.
Como se vê, a esperteza de Alcântara está engolindo o dono. Tasso Jereissati, o presidente do PSDB, deve estar rindo de orelha a orelha. Tentou convencer Alcântara a candidatar-se ao Senado. O tucanato cearense faria uma aliança branca com Cid, irmão de Ciro Gomes, velho amigo de Tasso. Alcântara bateu o pé. Rompeu com Tasso e lançou-se à reeleição. A prevalecer o quadro atual, vai ficar sem mandato.
Escrito por Josias de Souza às 18h36
Folha Imagem
Dando seguimento à sua estratégia de distribuição eqüitativa de pancadas em Lula e em Geraldo Alckmin, a presidenciável Heloísa Helena apresentou-se nesta sexta-feira como única alternativa de oposição ao modelo econômico aplicado pelos governos do tucano e petista. "Sou a alternativa ao cinismo do Lula e à gentileza do Alckmin", disse ela.
HH falou numa sabatina promovida pelo Estadão. Em dado momento, a candidata soou mais ácida em relação a Lula. Disse que o presidente tem "mel na boca e bile no coração." Ao traçar o seu próprio perfil, disse, conforme relato do repórter Maurício Savarese, que é "uma moça doce", "uma fofa", uma "pimentinha apenas com gente de mau caráter".
Confrontada com a evidência de que, eleita, teria de lidar com uma incômoda minoria congressual, HH deu de ombros: "Eu precisarei do Congresso para aprovar uma reforma tributária... mas de resto eu quero um Congresso independente. Eu quero até mais: eu quero o Congresso na oposição à presidenta Heloísa Helena, fiscalizando." Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 17h54
Folha Imagem
Humberto Costa, ex-ministro da Saúde de Lula, hoje candidato do PT ao governo de Pernambuco, foi indiciado pela Polícia Federal por suposto envolvimento com a quadrilha dos vampiros. A PF o acusa da prática de três crimes: formação de quadrilha, corrupção passiva e fraude em licitações.
O próprio Humberto Costa convocou uma entrevista para tratar do tema. Revelou que seu indiciamento ocorreu em 27 de julho. Foi lançado no rol dos suspeitos junto com outras 41 pessoas. A PF confirmou a informação. Entre os indiciados está também, veja você, o ex-gerente das arcas petistas Delúbio Soares.
Humberto Costa teve lá as suas razões para destampar a panela em que o seu prestígio político arde em banho-maria. O caso deve vir à tona em reportagem de uma revista no final de semana, eis o motivo. Numa tentativa de imunizar-se contra o escândalo, o ex-ministro exibiu aos jornalistas uma carta anônima que teria recebido em 2002. O texto denunciava a fraude das ambulâncias. Costa disse que entregou a carta à PF, para que o caso fosse investigado.
O candidato considera-se vítima de uma “perseguição política”. Disse: "Seria burro e insano da minha parte pedir para a PF investigar se eu estivesse envolvido com o caso." Encomendou à sua advogada, Marília Fragoso, providências para exibir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, da mulher, e de três filhos.
Ficou boiando no ar uma incômoda pergunta: Quem estaria perseguindo Humberto Costa? A Polícia Federal de Lula?
Escrito por Josias de Souza às 17h10
A democracia, como se sabe, é um regime político que está saindo pelo ladrão. Neste ano da (des)graça de 2006, você está escalado para votar. Terá de optar entre o lamentável e o inadmissível. Convém prestar atenção, para não confundir os infortúnios.
Dos 86 congressistas encrencados no escândalo da máfia das ambulâncias, pelo menos 58 estão com a cara na TV, pedindo o seu voto. Você pode entregar. Não deixa de ser uma opção. Mas estará renovando um mandato com fins lucrativos.
Evidentemente, todos os sanguessugas negam que tenham trocado emendas ao Orçamento por propinas. Para facilitar a sua vida, a repórter Alessandra Bastos colecionou os nomes dos inocentes culpados –ou culpados inocentes—que vão às urnas. Sirva-se.
Escrito por Josias de Souza às 14h00
O político, como se sabe, é um animal que come sapos. Ex-relator da CPI dos Bingos, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) passou meses tentando virar o petismo e o governo de ponta-cabeça. Hoje, candidato ao governo de seu Estado, Garibaldi está tendo que engolir Lula. Eis o que informa o Painel (assinantes da Folha)
Guinada 1: A onda Lula atingiu até o ex-relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves. Candidato ao governo do Rio Grande do Norte, o senador peemedebista vinha perdendo a dianteira na disputa para Wilma Faria (PSB), aliada oficial do presidente.
Guinada 2: Na estratégia para manter a liderança, Garibaldi liberou aliados para colocar elogios a Lula na propaganda dos candidatos do PMDB à Assembléia e à Câmara. Ele permanece "neutro", mas a sigla toda "lulou", capitaneada pelo deputado Henrique Eduardo Alves.
Escrito por Josias de Souza às 09h56

- JB: Duplicam prisões por crimes de luxo
- Folha: Desemprego é o mais alto em 15 meses
- Estadão: Lula fala em cortar impostos; carga tributária bate recorde
- Globo: Lula: mais investimentos, menos gastos e impostos
- Correio: Fantasmas pelo ralo
- Valor: União está perto de revés bilionário sobre a Cofins
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h22
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 03h18
MP vai ao TSE para barrar candidatura de Maluf
Joel Silva/Folha Imagem
O Ministério Público Eleitoral ingressará nesta sexta-feira com recurso para tentar barrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a candidatura de Paulo Maluf a deputado federal. O ex-prefeito de São Paulo é acusado na ação de omitir na declaração de bens que apresentou à Justiça Eleitoral peças de antiguidades, jóias e obras de arte avaliadas em US$ 2,3 milhões.
De acordo com o Ministério Público, os bens foram adquiridos por Maluf na Sotheby´s, casa de leilões novaiorquina. A acusação é baseada em documentos remetidos ao Brasil pela Promotoria de Nova York em 31 de janeiro de 2006. O DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional), órgão do Ministério da Justiça, obteve nos EUA autorização para que os papéis fossem usados contra Maluf junto à Justiça Eleitoral brasileira.
Pela lei, os candidatos a cargos eletivos são obrigados a anexar nos seus pedidos de registro de candidatura, entre outros documentos, a declaração de bens. O Ministério Público sustenta que a declaração apresentada por Maluf é “inidônea”. Além de omitir bens, o candidato não declarou os recursos que movimentou no exterior para honrar os negócios que realizou com a Sotheby´s. Tentou-se impugnar a candidatura de Maluf no TRE. Mas o tribunal manteve o ex-prefeito na disputa. Daí o recurso ao TSE. Para baixar para o seu computador a ação em que a Procuradoria Eleitoral expôs os seus argumentos ao TRE, pressione aqui.
O DRCI, órgão do Ministério da Justiça responsável pelo acordo firmado com a promotoria norte-americana, enviou ao Ministério Público Eleitoral paulista documento que detalha negócios fechados por Maluf com a casa de leilões de Nova York. Um deles foi a aquisição da obra “Unter Freuden, um óleo sobre tela de 47 cm X 51 cm pintado por Lasar Segal.
A Sotheby´s levou a peça ao martelo em 20 de novembro 2000. Foi arrematada por US$ 69,7 mil. No dia do leilão, Maluf recebeu por fax um “relatório de condições da obra”. Estava hospedado no Hotel St. Regis, de Nova York. Em 29 de novembro de 2002, já em São Paulo, Maluf recebeu por fax a fatura da compra. Foi enviada para o telefone 011-3083 7487. Na folha de rosto do fax, escrita à mão, a funcionária da Sotheby´s dirige-se a Maluf com intimidade. Chama-o “Pablito”.
Sete meses antes, em 2 de maio de 2000, Maluf já havia adquirido num pregão da Sotheby´s dois relógios. Pagou US$ 98,7 mil. Dias antes, em 27 de abril, recebera da casa de leilões um relatório detalhando as características das peças. O documento chegou-lhe, de novo, por fax. Maluf se encontrava no apartamento 420 do Hotel Plaza Athenee, de Paris.
O leilão ocorreu na filial da Sotheby´s em Hong Kong. A fatura da compra foi emitida em 14 de novembro de 2000. Descreve os relógios em detalhes. Um deles, arrematado por US$ 36.094, tem bracelete de ouro, diamante e esmeralda. A marca é Breguet, modelo Marine. O outro, um Patek Philippe com bracelete de platina, saiu por US$ 62.611. No mesmo dia, “Pablito” recebeu um fax em São Paulo, detalhando o esquema de entrega dos relógios.
Para evitar o pagamento de tarifas alfandegárias e imposto de importação, Maluf pediu para receber a mercadoria no aeroporto de Zurique, na Suíça, no intervalo de uma conexão para a cidade francesa de Nice. Voou pela Swissair. Chegou a Zurique às 6h10. Embarcou para Nice às 10h (Leia mais no texto abaixo).
PS.: Conforme noticiado acima, o recurso contra Maluf foi protocolado no final da tarde desta sexta-feira (25-08). Pressione aqui para baixar, na página do Ministério Público Eleitoral, a íntegra da ação.
Escrito por Josias de Souza às 02h33
'Relacionamento de Maluf com Sotheby´s foi longo'
No documento que encaminhou ao Ministério Público Eleitoral de São Paulo, o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional) do Ministério da Justiça anota que “Paulo Maluf manteve um longo relacionamento com a Sotheby´s”.
Assinado por Antenor Madruga, diretor do DRCI, o relatório informa também que “os documentos recebidos em cooperação internacional dos EUA descrevem outras propriedades, que ainda estão sob análise.” A parte já analisada demonstra que as relações de Maluf com a casa de leilões não se limitou a operações de compra.
O ex-prefeito de São Paulo tentou vender dois anéis de sua propriedade. A exemplo do que ocorre com os bens adquiridos por Maluf, não há vestígio das jóias na declaração de bens que ele encaminhou à Justiça Eleitoral. Em 27 de novembro de 2003, Maluf assinou um “Contrato Especial de Consignação” para a alienação dos anéis. Queria US$ 245 mil por um e US$ 300 mil pelo outro, diz o documento do DRCI.
Levadas ao martelo num leilão batizado de “Magnificent Jewels”, em 11 de dezembro de 2003, as peças não encontraram comprador. Era a terceira tentativa. Os mesmos anéis haviam sido oferecidos pela Sotheby´s em pregões realizados em 30 de maio e entre os dias 11 e 14 de junho de 2003.
Durante o processo de negociação, Maluf sofreu um revés. Laudo emitido American Genealogical Laboratories a pedido da Sothebys informara que o rubi que ornava um dos anéis que Maluf queria passar adiante não era da Birmânia, como informara o vendedor. Era africano. O valor cairia entre US$ 100 mil e US$ 120 mil. Maluf encaminhou por fax um certificado para tentar sustentar a origem birmanesa do rubi. Por precaução, retirou os anéis do catálogo de ofertas da Sotheby´s.
Afora os negócios de Maluf com a empresa de Nova York, o Ministério Público Eleitoral de São Paulo aponta suposta inconsistência em relação ao valor de bens declarados pelo ex-prefeito. São duas casas situadas no Jardim América, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista.
Nas eleições de 2002, Maluf informara que o imóvel localizado no número 146 da Rua Costa Rica valia R$ 2.97 milhões. No pleito de 2004 e neste ano de 2006, encaminhou à Justiça Eleitoral declarações de bens em que o mesmo imóvel é avaliado em R$ 1.344 milhão. Uma depreciação de R$ 1.626 milhão.
Outra casa, situada no número 126 da mesma Rua Costa Rica, valia na declaração que Maluf apresentou em 2002 R$ 1.680 milhão. Nas declarações de 2004 e 2006, passou a valer R$ 462.9 mil. Neste caso, a depreciação foi de R$ 1.217 milhão.
Ou seja, somando-se as diferenças verificadas nos valores das duas casas, Maluf teria amargado um prejuízo de R$ 2.843 milhões numa área em que a valorização imobiliária é intensa. Para o Ministério Público Eleitoral, trata-se de mais uma evidência de que a declaração de bens de Maluf é "inidônea" (Leia mais no texto abaixo).
Escrito por Josias de Souza às 02h20
Argumentos contra Maluf não convenceram TRE
As “evidências” que o Ministério Público Eleitoral julga ter reunido contra Maluf não sensibilizaram o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. A candidatura do ex-prefeito à Câmara dos Deputados foi confirmada pelo tribunal. Por isso os procuradores Mario Luiz Bonsaglia e Isabel Cristina Groba Vieira, autores da ação, decidiram recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.
Esta sexta-feira é o último dia para a apresentação do recurso. Será protocolado à tarde. Maluf terá três dias para apresentar defesa. Pela lei, o prazo para que o TSE julgue o caso termina em 20 de setembro.
Maluf vem sustentando em suas manifestações públicas a tese de que sofre uma "perseguição política" do Ministério Público de São Paulo. No último mês de janeiro, quando decidiu concorrer às eleições de 2006, o ex-prefeito disse, em entrevista ao blog, que, na política, só perdeu dinheiro. "Não vou dizer que estou pobre. Mas digo que estou muito menos rico", disse ele (leia).
O blog não conseguiu ouvir os advogados de Maluf nesta sexta-feira. Mas a linha de defesa que o ex-prefeito levará ao TSE deve repetir a estratágia bem-sucedida que foi adotada no TRE. Entre os argumentos que o Ministério Público Eleitoral tentará refutar no recurso ao TSE está a tese, defendida por Maluf no julgamento da primeira instância, de a documentação enviada ao Brasil pela Promotoria de Nova York não pode ser utilizada em processo de cunho eleitoral.
Ao julgar o caso, o TRE considerou que, de fato, os procuradores não conseguiram demonstrar que a Justiça dos EUA autorizara o uso dos papéis neste processo. Determinou que os documentos sejam “desentranhados” dos autos. A decisão deixou inconformados os procuradores Mario Bonsaglia e Isabel Groba.
Num primeiro recurso encaminhado ao TRE, Bonsaglia e Groba haviam solicitado que o tribunal colhesse os depoimentos do próprio Maluf e do diretor do DRCI, Antenor Madruga, responsável pela negociação do governo brasileiro com as autoridades norte-americanas. Não foram atendidos.
Quanto aos fatos específicos levantados pelo Ministério Público, Maluf contrapõe o seguinte: 1. O óleo sobre tela “Unter Freuden”, de Lasar Segal, não consta de sua declaração de bens porque foi remetido a um amigo no Líbano; 2. os dois relógios adquiridos no leilão de Hong Kong teriam sido roubados na Europa; 3. as jóias oferecidas à venda em leilões da Sotheby´s não pertenceriam a ele, mas à mulher, Silvia Maluf.
Em relação à depreciação dos dois imóveis do Jardim América, argumentou-se que, na declaração bens de 2006, Maluf apenas reproduziu valores que já havia anotado na declaração de 2004. O prazo para contestações teria expirado.
No recurso ao TSE, os procuradores tentarão ressuscitar os argumentos levados ao TRE paulista. O Ministério Público considera que o caso de Maluf é exemplar no esforço que empreende para tornar mais rigorosos os registros de candidatos à eleição de 2006.
Escrito por Josias de Souza às 02h15
Folha Imagem
Num instante em que a propaganda eleitoral petista martela a tese de que, sob Lula criaram-se seis milhões de novos empregos –a taxa real é, por ora, de pouco mais de quatro milhões—, o IBGE trouxe uma má notícia: a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do país subiu de 10,4% em junho para 10,7% em julho.
Trata-se da maior taxa registrada desde abril de 2005 (10,8%). O que se esconde atrás do dado é a impressão de que o número de vagas criadas é, ainda, muito inferior à quantidade de pessoas que ingressam mensalmente no mercado de trabalho. Não procede, assim, a expectativa de que o flagelo do desemprego esteja cedendo.
Curiosamente, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) reagiu à pesquisa do IBGE com ironia. "Não sei onde o IBGE encontrou esses números", disse Marinho. Ele argumentou que o levantamento do instituto vinculado ao governo não cobre todo o terrritório nacional. Não captaria, portanto, a tendência da evolução do emprego no país.
De resto, Marinho, que convive com a perspectiva de manter o próprio emprego caso Lula venha a ser reeleito, disse que os dados do IBGE "não são o fim do mundo". Sugere-se ao ministro que pergunte a um trabalhador desempregado o que seria, afinal, “o fim do mundo”. Nos seus tempos de sindicalista, Marinho certamente não ousaria pronunciar tamanho disparate.
Escrito por Josias de Souza às 18h47
Os Tribunais Regionais Eleitorais de São Paulo e do Rio de Janeiro indeferiram 526 registros de candidaturas para as eleições deste ano. Em São Paulo, o tribunal indeferiu 425 registros de um total de 2.979 solicitações de candidaturas. No Rio, foram impugnadas 101 candidaturas entre os 1.712 casos levados a julgamento.
Graças sobretudo ao trabalho do Ministério Público Eleitoral, o número de impugnações deste ano é maior do que o verificado em eleições passadas. Em São Paulo, por exemplo, o percentual de candidaturas indeferidas em 2006 foi de 14,31%. Em 2002, fora de 9,55%. E em 1998, de 10,38%.
É cedo, porém, para soltar fogos. A peneira da Justiça deixou escapar um bom lote de candidatos indignos do encontro com as urnas. O Ministério Público está preparando recursos ao Tribunal Superior Eleitoral. Do mesmo modo, os candidatos impugnados podem recorrer. Assim, é preciso aguardar por aquilo que os advogados chamam de “trânsito em julgado” dos processos.
Só então saberemos qual é a taxa real de pilantragem sujeita a voto. Restará, então, confiar na capacidade de discernimento do eleitor. O histórico não recomenda o otimismo. Uma pena. Vão às urnas, por exemplo, vários congressistas mensaleiros e sanguessugas. Todos negam envolvimento nas perversões. Os processos correm no STF. Na dúvida, caberia ao eleitor agir em benefício próprio, negando-lhes um novo mandato. Até a CNBB resolveu entrar na biga.
Escrito por Josias de Souza às 17h57
A revista Imprensa revela: pesquisa feita entre 407 jornalistas indica que, na contramão das sondagens eleitorais, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin prevalece sobre Lula nas redações dos meios de comunicação. Se a eleição fosse definida apenas pelo voto dos jornalistas, Alckmin seria eleito com 31,7% dos votos, contra 20,6 atribuídos a Lula.
Na cola do presidente, Heloisa Helena amealhou 16,2% dos votos dos jornalistas. Cristovam Buarque foi brindado com 3,2% das preferências. Para sorte de Lula, conforme já comentou o signatário do blog, a imprensa tornou-se irrelevante aos olhos da sociedade.
Escrito por Josias de Souza às 16h26
Sérgio Lima/F.Imagem
Na célebre definição de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”. A ser verdade, o ego de Lula é o sistema métrico da desfaçatez. O presidente repetiu nesta quinta-feira a lorota de que a “crise ética” é conseqüência do sistema político.
Ora, não há dúvida de que o sistema político reclama ajustes. Os dois principais presidenciáveis, Lula e Alckmin, defendem a providência. Mas o que o torna imperfeito não são as regras que explicita, mas o uso que os homens fazem delas.
E 'homo-petistas' não fez senão desvirtuá-las em benefício próprio e a serviço do governo. Só Lula, como a Carolina de Chico Buarque, não viu a banda que passou sob sua janela.
O raciocínio torto de Lula foi despejado em discurso feito no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Conforme noticiado aqui no blog na noite passada, o Conselhão entregou ao presidente um plano estratégico de desenvolvimento com metas que se estendem a um longínquo 2022.
Como que inspirado na largueza de horizontes contida no documento, Lula disse que precisa de mais tempo para seguir “contribuindo” com o país, informa a repórter Gabriela Guerreiro. Fez um apanho de suas “realizações” e pontificou:
"Avançamos muito nos últimos três anos e meio, mas precisamos de mais tempo para avançar mais (...) Meu sonho é continuar contribuir humildemente para que o Brasil encontre o desenvolvimento sustentável".
Escrito por Josias de Souza às 15h56
Aferrado à nova tendência política que ele próprio lançou –a linha do amor livre eleitoral— o prefeito Cesar Maia, embora casado com a candidatura Alckmin, continua se desdobrando em mesuras e aconselhamentos dirigidos a HH.
Em seu boletim eletrônico desta quinta-feira, o alcaide do Rio diz à sua candidata preferida: “Não se conforme com este patamar atual de 11%, 12%”. Pede a HH que preste atenção às campanhas do PSOL nos Estados.
CM recomenda a substituição das “besteiras bakunistas” (alusão a Mikhail Bakunin) por mensagens de apoio de HH aos candidatos do PSOL. “Estas imagens nos programas deles ajudaria a todos e, naturalmente, à sua candidatura”.
No finalzinho do boletim, depois que já havia até mudado de assunto, CM volta, como que obcecado, a ela: “Um bilhete apenas, a Heloisa Helena”, escreve o prefeito. “Aquele seu ‘nem um nem outro’, no debate da Band, pegou bem. Por que sua TV abandonou esta linha? Isso lhe daria pelo menos mais dois pontos e daria caminho para os que não sabem se votam ou anulam”.
Na prática, CM mostra-se informado com o fato de HH bater apenas em Lula. Ele a incita a descer o sarrafo também em Alckmin. Um conselho cuja reiteração, diga-se, é desnecessária. O PSOL já está mesmo na bica de abrir baterias contra o “aliado” de CM. Aliás, já está ensaiando.
O signatário do blog desconfia que HH não o lê com a mesma freqüência e atenção com que desliza os olhos pelos escritos de CM. Ainda assim, vai aqui uma recomendação de cunho humanitário: HH deveria dar um telefonema para o seu admirador político. Se não receber um fiapo de atenção, CM, já tão desgostoso com os rumos da candidatura Alckmin, acaba tendo um troço até o dia da eleição.
Escrito por Josias de Souza às 13h32

A televisão brasileira causou-se de exibir filmes de segunda mão. Globo e Bandeirantes promovem agora o seu próprio bang-bang. O tiroteio está esquentando, informa Mônica Bergarmo (assinantes da Folha):
A história: A Band pretende esticar a corda na disputa com a TV Globo: a emissora carioca está questionando na Justiça se a Band se referia a ela ao publicar anúncio com referências como "a Band entrevista exilados de volta ao Brasil [1979]. Eles silenciam." e "a Band denuncia o Proconsult [fraude eleitoral de 1982] no Rio. Eles silenciam". A TV quer saber se o "eles" se refere a ela, Globo.

A Band estuda não responder, provocando a Globo a abrir processo contra ela para então apresentar "farta documentação" sobre os episódios históricos elencados no anúncio.
Escrito por Josias de Souza às 07h37

- JB: Em processo inédito, Supremo julga 84 políticos
- Folha: Serra mantém vitória no 1° turno
- Estadão: Despesa do governo cresce 14,8% com eleição
- Globo: Rio veta candidaturas de Eurico e 4 sanguessugas
- Correio: MP sai à caça de fantasmas, STF aperta sanguessugas
- Valor: Importação de máquinas cresce em mercado retraído
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h36
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h33
Sérgio Lima/Folha Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin prometera divulgar o seu programa de governo até 15 de agosto. Já estamos no dia 24. E nada. Em decisão compartilhada com os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati; do PFL, Jorge Bornhausen; e do PPS, Roberto Freire, Alckmin decidiu fatiar o programa, eis a novidade.
O candidato achou melhor dar publicidade ao projeto de governo de maneira escalonada. A decisão foi inspirada pelo receio de que, divulgado de uma só vez, o calhamaço –cerca de 150 páginas— teria menor impacto.
“Se nós soltássemos um baita livro, um conjunto de fascículos, seria natural que cada jornalista, cada político se detivesse em partes específicas do texto. Grande parte das propostas se diluiria”, justifica João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo tucano. “Conversando com os três presidentes de partidos (PSDB, PFL e PPS), surgiu a idéia de apresentar o programa por capítulos.”
Assim, Alckmin divulgará semanalmente, fatias de sua proposta, aproveitando os eventos previstos em sua agenda eleitoral. São 30 capítulos no total. Alguns deles se desdobram em subtítulos. Pretende-se que tudo esteja na rua antes do final da campanha.
“Na terça-feira”, diz Meirelles, “falando no Clube da Aeronáutica, no Rio, o candidato apresentou a parte do programa relativa à segurança nacional. Nesta quarta, em Brasília, num evento promovido por Hospitais Filantrópicos e Santas Casas, ele tratou da parte referente ao setor de saúde. Na seqüência, os temas foram expostos na página do candidato na Internet. Faremos assim com os outros capítulos também.”
“Fazendo assim, tema por tema em vez de 30 tópicos de uma vez, daremos mais sentido à divulgação”, alega Meirelles. “Colocando no site do candidato à medida que os assuntos forem sendo levantados, aproveitamos melhor as críticas e contribuições ao programa de governo”.
O signatário do blog visitou o sítio de Alckmin. Passados três dias do evento no Clube da Aeronáutica, não há vestígio do programa de governo de Alckmin para a Defesa Nacional. Quanto ao capítulo da saúde, mencionado no encontro com gestores de hospitais nesta quarta, há apenas um texto, batizado de “Introdução”. Nem sinal do resto do “capítulo”. Há também um outro texto, que se pretende "noticioso".
No mesmo local, à esquerda, há links para outros temas –de “Crescimento Econômico” a um “Desafio da Sgurança Pública”. São meras diretrizes, que já haviam sido divulgadas em 11 de junho, quando Alckmin discursou na convenção que oficializou sua candidatura, em Belo Horizonte. Mais nada.
Nesta quinta-feira, informa Meirelles, Alckmin discursará no Instituto Ethos. Vai falar sobre “eficiência na gestão pública”. É outro tópico de seu programa de governo. Inclui mudanças no sistema de compras públicas, redução dos chamados cargos de confiança, transparência na gestão de convênios, etc.
Meirelles assegura que o assunto será esmiuçado em seguida na página de Alckmin na internet. Resta aguardar. E conferir. Lula, o candidato favorito nas pesquisas, também prometera divulgar um programa de governo até meados de agosto. O anúncio foi, depois, previsto para esta semana. Na segunda-feira, adiou-se para a semana que vem.
PS.: A assessoria de Alckmin escreve na manhã desta quinta-feira (24-08), para informar: 1. O capítulo sobre Defesa Nacional, que não estava no sítio do candidato, foi adicionado hoje. Desdobra-se em Introdução, Objetivos e Desafios/Propostas. Quanto ao capítulo da Saúde, sobre o qual o repórter só encontrara a Introdução, há também a parte relativa a Diagnósticos, Desafios e Propostas.
Escrito por Josias de Souza às 00h58
Folha Imagem
Uma coisa a campanha eleitoral já ensinou a Geraldo Alckmin: o pior tipo de solidão é a companhia de uma coligação de tucanos e pefelistas. Outra coisa o candidato vai aprender nos próximos dias: quem não bate apanha.
Terceira colocada na corrida presidencial, Heloisa Helena vinha se especializando em espinafrar Lula. Só de raro em raro dava uma estocada no ninho tucano. Assim mesmo, alvejava mais o bico de FHC do que o de Alckmin. A coisa agora vai mudar.
Cansada de olhar para Alckmin de baixo para cima, HH quer tomar-lhe o segundo lugar nas pesquisas. E decidiu descer a lenha no presidenciável tucano. O repórter Fábio Amato informa que o PSOL vai pisar nos calos de Alckmin.
O coordenador da campanha de HH, Martiniano Cavalcante, revelou alguns pontos que serão realçados na campanha do PSOL: o caos no setor de segurança pública em São Paulo e as 69 CPIs levadas à gaveta pelos partidos que davam suporte ao governo Alckmin na Assembléia Legislativa paulista.
A turma do PSOL anda lendo a cartilha do prefeito César Maia. Fará com Alckmin, tudo o que o alcaide carioca gostaria que Alckmin fizesse com Lula. Nesta quarta-feira, no boletim diário que despeja numa rede de mais de 10 mil correios eletrônicos, CM ensinou o que Alckmin precisa fazer para encurtar a distância que o separa de Lula:
“(...) Aumenta ainda mais a necessidade da campanha de Alckmin desconstruir Lula, dizer ao eleitor -claramente- porque não deve votar em Lula e o desastre que seria um hipotético segundo governo Lula (...). É inacreditável que o governo que viveu em suas entranhas o mais amplo quadro de corrupção na história do Brasil, tenha chegado ao quarto dia de programa de TV, incólume. Aguardar para bater mais na frente, pode levar a que críticas contundentes sejam vistas como apelação de candidato perdedor”.
Heloisa Helena e seu partido também acham que passou da hora de bater. Por isso vão começar na semana que vem a “desconstruir” Alckmin. O pior é que o candidato tucano não pode nem gritar socorro. Pode aparecer algum “aliado”. César Maia, por exemplo.
Escrito por Josias de Souza às 22h22
A CPI das Sanguessugas divulgou a lista dos outros 27 congressistas que estão sendo investigados pelo Ministério Público por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias. Os novos inquéritos foram autorizados pelo STF, a pedido do procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza. No Senado, o Conselho de Ética desmontou a manobra protelatória desencadeada na véspera pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Escrito por Josias de Souza às 19h47
Sérgio Lima/Folha Imagem
Nas pegadas da última pesquisa Datafolha, que atribuiu índices confortáveis para Lula e seu governo, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) divulga nesta quinta-feira um plano estratégico para o desenvolvimento do país nos próximos 15 anos. Prevê um crescimento econômico mínimo de 6% entre 2008 e 2022. Estima investimentos de R$ 650 bilhões em projetos de desenvolvimento financiados pelo BNDES nos próximos dez anos.
O plano projeta também uma redução da taxa de juros de 10% no final de 2010 para 3% em 2010. Hoje, os juros são de 14,75%. A meta de superávit primário, a economia que o governo precisa fazer para pagar o serviço da dívida pública, é mantida em 4,25% do PIB, um percentual que o Ministério da Fazenda já pratica hoje.
O documento prevê que a taxa de crescimento econômico de 2007, primeiro ano do próximo governo, será de 4,5%. A partir de 2008, o crescimento mínimo seria de 6% anuais até 2022. Mantendo-se esses parâmetros, calcula o plano, a relação dívida/PIB, hoje da ordem de 50%, chegaria em 2010 a 39%.
Com isso, o governo economizaria na rolagem da dívida pública um total de R$ 180 bilhões até 2010. Um dinheiro que seria usado para financiar projetos estratégicos. A isso se somariam os R$ 650 bilhões de que o BNDES diz dispor para emprestar nos próximos dez anos. Ouvido pelo blog, o presidente do BNDES, Demian Fioca, disse que o dinheiro virá da amortização da carteira de empréstimos do banco e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). "A previsão é bem realista", disse Demian.
Feito sob a coordenação da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o plano é de responsabilidade do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), um organismo que pende do organograma da pasta chefiada por Tarso Genro. Lula participará da solenidade de divulgação da peça, batizada de “Plano Estratégico de Crescimento com Distribuição de Renda”. Depois de discursar, o presidente receberá formalmente o trabalho.
A preparação do plano estratégico para o pós-2006 foi noticiada aqui no blog em maio. Tarso Genro diz que as idéias contidas no documento podem ser apropriadas por qualquer presidente que venha a ser eleito em outubro. Pretende que o trabalho sirva de base para o que chama de “grande concertação nacional”. Mostra-se preocupado em desvincular a iniciativa do calendário eleitoral.
“Não queremos aprovar nada nessa reunião de amanhã. Vamos desvincular esse assunto da campanha política”, disse Tarso Genro ao blog. Divulgaremos para abrir a discussão. O trabalho pode ser apropriado por qualquer governo. Daremos continuidade à discussão. E aprovaremos o plano na última reunião do conselho, em dezembro.
O documento é dividido em três partes: enunciados políticos, modelos de desenvolvimento econômico e objetivos estratégicos. Contém metas para os próximos oito, doze e quinze anos. O principal tópico da parte inicial é a reforma política. Defende a votação em lista, financiamento público de campanha e fidelidade partidária.
“Embora tenha um grau de generalidade, o enunciado sobre reforma política é bstante concreto”, disse Tarso Genro. "A partir disso, podemos formar uma grande frente política no próximo governo, ultrapassando inclusive a frente de apoio do presidente Lula caso ele venha a ser reeleito. O (Geraldo) Alckmin também já se manifestou favoravelmente à reforma política. Precisa ser feita no primeiro semestre do próximo ano. Já há trabalhos no Congresso a esse respeito. Não vejo razões para não avançarmos nessa discussão”.
De acordo com Tarso Genro, após receber o documento do Conselhão, Lula fará "a mediação com as forças que o apóiam, para verificar os pontos que podem ser aproveitados em seu programa de governo". Ele acha que "o documento contém enunciados realistas". Por isso, crê que "será aproveitado”. Além da FGV, participaram da elaboração os membros do Conselhão, o Banco Central e os ministérios da Fazenda e do Planejamento.
Escrito por Josias de Souza às 18h09
Sérgio Lima/Folha Imagem
Geraldo Alckmin é mesmo um otimista. Enxergou na pesquisa Datafolha o “início de um processo de crescimento”. Pensando bem, ele tem razão. Olhando direitinho ao seu redor, vê-se a imagem do caos. O que não falta é matéria-prima para a reconstrução.
Os “aliados” o abandonam nos Estados, ocasião ideal para que Alckmin interrompa o “tour-de-farsa”. Lula abriu uma vantagem de 24 pontos percentuais, oferecendo ao adversário um enorme caminho a percorrer. De resto, a aparência de defunto eleitoral oferece a Alckmin a oportunidade de operar o milagre da ressurreição.
Talvez por isso o presidenciável tucano tenha se animado a dizer: "Nós já iniciamos um processo de crescimento. Cresci um pouquinho porque só tiveram três programas no horário gratuito da TV. A partir de agora, é para cima e para o alto".
Declarando-se de “excelente humor”, Alckmin falou sobre as cobranças para que eleve o tom em relação a Lula. Explicou que, antes de mudar o estilo, precisa tornar-se mais conhecido dos eleitores. "Isso é o que vai dar credibilidade para fazer o contraditório”, disse ele. “E, no segundo turno, Lula não tem como fugir do contraditório". Como se vê, está mesmo otimista. Acha até que vai haver segundo turno!
Alckmin falou aos jornalistas, informa a repórter Natuza Nery, depois de um encontro com representantes de hospitais filantrópicos e Santas Casas, em Brasília. Apresentou suas propostas para a área da saúde. Prometeu reajustar a tabela do SUS; regulamentar a emenda 29, que vincula nacos do orçamento a investimentos na saúde; e a criação de um Proer para o setor hospitalar.
À saída do encontro, o repórter Sérgio Lima fotografou Alckmin visto a partir do retrovisor do carro que o transportava. Não poderia haver moldura mais adequada para o retrato de um candidato que, com uma eleição pela frente, tem a cara de um passado que está só esperando a hora de acontecer.
Escrito por Josias de Souza às 15h31
O sítio do PT foi invadido por hackers. Os intrusos substituíram notícias e publicidade do PT por uma mensagem agressiva contra Lula e seu partido. No instante em que o despacho do blog foi escrito, o portal do PT encontrava-se fora do ar. Exibia aviso reproduzido aí à esquerda.
O texto injetado pelos invasores na página do PT na internet referia-se a Lula como “desgraça”. Anotava: “Alguns países sofrem com guerras, outros com atentados terroristas, alguns com terríveis terremotos, outros com tsunami, tem até uns que sofrem com furacões e tornados e nós de Brasil temos o Lula".
PS.: Depois de oito horas fora do ar, o sítio do PT foi restabelecido. O partido anunciou que pedirá à Polícia Federal uma investigação para identificar os responsáveis pela invasão.
Escrito por Josias de Souza às 14h14
Impossibilitado de usar a imagem de Lula, que seu padrinho ACM chama de "ladrão" dia sim e outro também, o candidato ao senado Rodolpho Tourinho reza para Nosso Senhor do Bonfim e acende velas para santos menos requisitados do sacrário petista, informa Mônica Bergamo (assinantes da Folha). A tática mostra-se ineficaz. Tourinho come poeira nas pesquisas baianas.
Terra em Transe: O candidato de ACM ao Senado na Bahia, Rodolpho Tourinho (PFL-BA), está usando depoimentos de petistas para alavancar sua candidatura. Já colocou no ar elogios feitos a ele pelos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Delcídio Amaral (PT-MS).
Cadê o meu: Tourinho tem 4%, de acordo com o Ibope. Empata tecnicamente com o cantor Juca Chaves, com 2%. Chaves já declarou que vai levar a Brasília o MST (Movimento dos Sem Teatro) "para quebrar as portas do Senado", além de "lutar para receber R$ 100 mil do Governo do Estado, que me deve de uma campanha que eu fiz e não recebi".
Escrito por Josias de Souza às 07h30

Enquanto se defende da acusação de chefiar a "quadrilha" do mensalão, formulada pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, o ex-chefão da Casa Civil José Dirceu fará uma cuzada judicial. Sairá no encalço de jornalistas, informa o Painel (para assinantes da Folha):
Dirceu, a missão: José Dirceu prepara ofensiva judicial contra a cobertura jornalística do mensalão e da crise política que resultou em sua queda da Casa Civil e na cassação de seu mandato de deputado. O pacote inclui ações por danos morais contra veículos de comunicação, a começar pela revista "Veja". O advogado encarregado da empreitada é Fernando Lottenberg. Ele tentará trilhar o caminho de Eduardo Jorge, ex-secretário-geral de FHC que processou publicações que o acusaram de cometer irregularidades no governo -na época, Dirceu esteve na vanguarda da crucificação de EJ. Enquanto busca indenização, Dirceu trabalha para recuperar os direitos políticos em duas frentes: no STF e via anistia pela Câmara a partir do ano que vem.
Idéia fixa: Sem prejuízo da artilharia costumeira contra os tucanos, a atual obsessão de José Dirceu em seu blog é outra: "desconstruir" Heloísa Helena (PSOL), que ele tanto lutou para expulsar do PT.
Escrito por Josias de Souza às 06h27

- JB: Desviaram R$ 1,8 milhão. Juram inocência
- Folha: Aprovação sobe e Lula amplia vantagem
- Estadão: Agronegócio cai 1,9% e perde R$ 10,2 bilhões
- Globo: Câmara abre processo de cassação de 69 deputados
- Correio: Fantasmas e sanguessugas se divertem
- Valor: Crédito rural recua pela primeira vez em 10 anos
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h09
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h41
Ricardo Nogueira/F.Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) vê com “naturalidade” o esforço que adversários políticos do PT realizam em alguns Estados para associar sua imagem à de Lula na propaganda eleitoral eletrônica. Acha que o fenômeno aponta para a formação de uma coalizão partidária maior do que se imagina em torno de Lula caso o presidente venha a ser reeleito em outubro.
O blog instou Tarso Genro a analisar o fato de políticos "aliados" do tucano Geraldo Alckmin estarem tentando associar suas imagens à de Lula na propaganda de rádio e televisão. “Nós encaramos com naturalidade”, disse o ministro. “Isso mostra que a figura do presidente é muito mais ampla do que o PT e a base social que o apóia”.
“De outra parte”, prosseguiu Tarso Genro, “o fenômeno evidencia que o sistema de alianças e coalizões para o próximo período de governo ainda não está definido. Até porque a cláusula de barreira vai reorganizar o sistema político no país. É natural que haja esse tipo de preocupação de partidos presumidamente adversários em regiões do país em que o presidente Lula tem uma aliança mais restrita”.
O blog mencionou especificamente os casos do Ceará e de Pernambuco. São Estados onde governadores que teoricamente deveriam apoiar Alckmin –o tucano cearense Lúcio Alcântara e o pefelista pernambucano Mendonça Filho—deram as costas para o presidenciável do PSDB e levaram ao ar no rádio e na TV imagens e áudios de Lula.
Embora os petistas de Pernambuco e do Ceará tenham recorrido à Justiça Eleitoral para obter a proibição da apropriação indébita da imagem do presidente, o ministro encara a iniciativa como algo natural. “É democrático que isto esteja acontecendo, disse ele. “Embora saibamos que o episódio mostra a debilidade do sistema político atual, que está muito constrangido por limitações regionais acentuadas nesse período eleitoral”.
Para o ministro, a iniciativa dos "aliados" de Alckmin prenuncia “a necessidade de uma reforma política, para que os partidos tenham mais clareza programática e ideológica e não sejam meras articulações regionais, que se fazem e se desfazem ao sabor das eleições”.
O jornalista perguntou ao ministro: “Então quer dizer que o senhor acha que o fenômeno indica que a composição em torno do governo será maior depois das eleições?” E Tarso Genro: “Minha opinião é de que sim, porque a clausula de barreira vai reorganizar o sistema partidário imediatamente”.
Na opinião do ministro, antes mesmo da reforma política, o tropeço de algumas legendas na cláusula de desempenho (obrigatoriedade de obter pelo menos 5% dos votos na eleição para a Câmara dos Deputados e 2% dos votos em nove Estados) vai rearrumar o quadro partidário “num patamar superior ao sistema atual”. Ele conclui: “Se essa reorganização tiver um cunho mais programático e menos regionalizado, não vejo razões para não pensar que o sistema de alianças em torno do governo pode ser renovador”.
A coalizão em torno de Lula vai incorporar políticos que hoje são vistos como adversários?, insistiu o repórter. “Deixo essa conclusão por sua conta”, esquivou-se Tarso Genro. O ministro poderia ter dito simplesmente “não”. Sua esquiva indica que conta com a incorporação de pretensos opositores à base que dará suporte político a Lula num eventual segundo mandato.
Escrito por Josias de Souza às 00h49
Deus e o Diabo na terra das trevas
Alan Marques/Folha Imagem
Deus, evidentemente, existe. Mas essa história de que Ele está em toda parte é bobagem. No Congresso quem manda é o Diabo. No início da noite desta terça-feira (22/08), dia em que foram abertos os processos contra os sanguessugas, o Todo-Poderoso cuspiu um raio sobre o templo do adversário. Soou como se quisesse brigar pelo território. Fácil. Não se diz que a voz do povo é a voz de Deus? Pois basta Ele mandar o povo consultar um fonoaudiólogo antes das eleições de outubro.
Escrito por Josias de Souza às 22h55
O Jornal Nacional acaba de divulgar os números da nova pesquisa Datafolha. A exposição no rádio e na TV não vem surtindo o efeito que o presidenciável tucano Geraldo Alckmin imaginava. A cara e a biografia de Alckmin vêm sendo esfregadas no nariz e nas orelhas do eleitor há uma semana. A despeito disso, o candidato continua ostentando pés de chumbo. Vai aumentar a debandada dos aliados que receiam afundar junto com ele nos Estados.
Lula conserva a condição de favorito à vitória em primeiro turno. O presidente vem oscilando para cima desde junho. Tinha 44%, foi a 47% e agora está com 49%. Alckmin caíra de 28% para 24% e hoje obtém 25%. É pouco, muito pouco, pouquíssimo para alguém que precisa chegar a pelo menos 35% para provocar um segundo turno. Só para comparar: em agosto de 1998, quando FHC disputava a reeleição, o Datafolha lhe atribuiu 42% das intenções de voto. Lula, seu adversário de então, tinha 26%, um ponto a mais do que a taxa de Alckmin. E foi derrotado no primeiro turno.
Para complicar a situação do tucano, o percentual de eleitores que avaliam o governo Lula como ótimo ou bom, que era de 45% no início do mês, saltou para 55% -índice notável para um presidente em fim de mandato. É a melhor taxa de avaliação já atribuída a um presidente desde que o Datafolha começou a fazer esse tipo de medição, em 1990. Em agosto de 1998, no final de seu primeiro mandato, FHC era aprovado por 42% dos brasileiros, uma marca 13 pontos abaixo da que Lula festeja hoje.
Por todas as razões, o resultado do Datafolha vai adensar a crise que se formou em torno de Alckmin. A pesquisa não estimula o estancamento da sangria imposta ao presidenciável tucano nos Estados. Ao contrário. A deserção e o corpo mole devem aumentar. De resto, vai se intensificar no eixo tucano-pefelista o já enfadonho debate sobre o tom da propaganda eletrônica.
A equipe de marketing de Alckmin decidira “apimentar” a publicidade no rádio e na TV, levando ao ar peças concebidas para refrescar a memória do eleitor em relação aos escândalos da era Lula. Porém, o time que cuida da publicidade eletrônica do tucano programara-se para abrir baterias só dentro de cerca de duas semanas, depois que o candidato adquirisse musculatura nas pesquisas.
O problema é que, pesquisa vem, pesquisa vai, Geraldo “Chuchumbo” Alckmin exibe a mesma inanição crônica. E a ensurdecedora cobrança pela antecipação da artilharia vai se intensificar. Aumentará também o drama dos marqueteiros de Alckmin. Receiam que, levando o candidato ao ringue antes do tempo, acabem por consumar o nocaute.
O comitê de Lula chega mesmo a torcer para que Alckmin ceda à tentação de iniciar a pancadaria. Ali, avalia-se que, cedo ou tarde, as menções aos escândalos virão. Melhor que seja cedo, acredita o time de marketing de Lula. A tática reforçaria na cabeça do eleitor a impressão de “desespero” do tucanato, facilitando o contra-ataque.
Logo depois do Jornal Nacional, o eleitor foi submetido novamente à propaganda televisiva dos presidenciáveis. Na abertura do programa do PSDB, o locutor disse que, à medida que vai conhecendo a biografia do candidato, o eleitor gosta cada vez mais do “Geraldo”. Não é o que indica o gráfico de mais esta pesquisa.

Escrito por Josias de Souza às 19h53
Alan Marques/F.Imagem
Foram formalmente abertos os processos no Conselho de Ética da Câmara contra os 67 congressistas sanguessugas. O presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), programou para os dias 4 e 5 de setembro reuniões para o sorteio dos relatores de cada processo.
A confiança na impunidade conteve a onda de renúncias massivas que era esperada até a semana passada. Os acusados não se deram nem a trabalho de fugir. No Senado, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), patrocinou uma manobra protelatória que beneficia os três senadores implicados no caso. Renan tentou explicar-se aos jornalistas. Não conseguiu.
Escrito por Josias de Souza às 19h04
O governador tucano do Ceará, Lúcio Alcântara, candidato à reeleição, não parece dar crédito às ameaças de intervenção nos diretórios estaduais do PSDB. Ele continua de costas para Geraldo Alckmin, o presidenciável de seu partido. Só Lula tem vez na propaganda eletrônica de Alcântara.
Nesta terça-feira, Alcântara tem direito a veicular quatro inserções publicitárias de 30 segundos cada uma –duas no rádio e duas na TV. As duas primeiras foram ao ar pela manhã. Em ambas a voz e a imagem de Lula irromperam diante do eleitor, tecendo elogios ao governador (para assinantes da Agência Nordeste).
Se o tucanato não toma nenhuma providência, o PT apressa-se em agir. Associado à candidatura de Cid Gomes (PSB), o partido de Lula e seus aliados cearenses ingressaram com uma representação contra Alcântara. Querem que a Justiça Eleitoral proíba o candidato tucano de usar a imagem de Lula.
O ex-ministro Eunício Oliveira, que preside o PMDB cearense, outro aliado de Cid Gomes, comentou a estratégia do adversário: “Lúcio quer pegar garupa na popularidade de Lula no Ceará”. Acha que a estratégia “não vai colar” (assinantes da Agência Nordeste).
Brigado com Lúcio Alcântara, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), mandou um recado ao ex-aliado na noite passada. Discursando no município cearense de Tianguá, Tasso declarou: “Voto PSDB de cabo a rabo”. No comitê de Lúcio Alcântara, aposta-se que, na hora de escolher o governador, Tasso não irá pressionar o número do PSDB na urna eletrônica. Como o voto é secreto, só Tasso e a consciência dele dispõem da resposta. Os grão-tucanos Aécio Neves e José Serra fizeram declarações apaziguadoras. Tentaram minimizar a polêmica em torno da estratégia adotada por Lúcio Alcântara.
Em Pernambuco, outro Estado em que “aliados” de Alckmin vêm preferindo a associação à imagem de Lula no horário eleitoral, o candidato do PFL ao governo estadual, Mendonça Filho, e o candidato ao Senado pelo PMDB, Jarbas Vasconcelos, informaram ao comitê de Alckmin que o candidato será mencionado na propaganda eletrônica mais à frente. Resta saber se não será tarde demais.
Candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo presidenciável do PSDB, o senador pernambucano José Jorge (PFL) aceitou os argumentos de que a utilização da imagem de Lula no pragrama que deveria dar suporte a Alckmin foi taticamente necessária. Ele tem dúvidas quanto à eficácia da estratégia. Mas confia na promessa de que Alckmin será mencionado na propaganda eleitoral pernambuca mais adiante.
"Os candidatos a deputado da coligação já começaram a falar do Alckmin. E o risco de que ele não seja citado no programa das candidaturas majoritárias é zero", disse o senador ao blog. Segundo José Jorge, o PFL enviou aos Estados material de campanha do comitê de Alckmin, com a recomendação de que as peças sejam exibidas nos intervalos entre as inserções dos candidatos a deputado federal. Resta agora saber se a "recomendação" será seguida à risca numa região como o Nordeste, onde Lula prevalece sobre Alckmin na proporção média de 60% a 10%.
Escrito por Josias de Souza às 17h45
Lula Marques/Folha Imagem
A Justiça Eleitoral negou nesta terça-feira o registro da candidatura do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). O ex-presidente da Câmara, como se sabe, responde a uma denúncia do Ministério Público por suposta participação na “quadrilha” do mensalão. Mas a impugnação de sua candidatura não tem nada a ver com as perversões mensaleiras.
João Paulo foi barrado por conta de multas eleitorais que, segundo a Justiça, ele deixou de pagar. O deputado encaminhou ao TRE paulista documentos que atestariam a quitação das multas. Não colou. A impugnação foi mantida. O petista diz que vai recorrer. Em contrapartida, a Justiça Eleitoral manteve o registro da candidatura de Paulo Maluf. O eleitor, se quiser, que o casse na urna.
Escrito por Josias de Souza às 14h43
Valter Campanaro/ABr
Parece que vai se repetindo na Bahia algo que já aconteceu no Rio: o presidenciável Geraldo Alckmin escorrega para o terceiro lugar na preferência do eleitorado. Entre os baianos, depois de Lula agora vem Heloisa Helena.
Pesquisa feita pela empresa P&A sob encomenda da TV Itapuã (Rercord) informa que, na Bahia, Lula continua sendo o campeão de intenções de voto: 55,9%. Em segundo lugar viria Heloisa Helena, com 15%. Em terceiro, lá atrás, estaria Geraldo "Chuchumbo" Alckmin: 9,7%.
A pesquisa também mediu a preferência do eleitorado baiano na disputa pelo governo do Estado. Paulo Souto (PFL), o candidato do grupo de ACM, lidera com folgas: 55,6%. O segundo colocado é o petista Jaques Wagner, apoiado por Lula: 19,5%. Mantendo-se esse cenário, Souto pode mandar confeccionar a faixa. Será reeleito no primeiro turno.
Os números da sondagem baiana, divulgados nesta terça pela Agência Nordeste (para assinantes), contrastam com o otimismo de Alckmin. O candidato diz e reafirma que vai subir nas pesquisas. A Bahia está entre os sete Estados que o comitê tucano vem monitorando com pesquisas diárias.
De três uma: ou a P&A, empresa local que fez a pesquisa, errou ou o otimismo de Alckmin está escorado em dados recolhidos nos outros seis Estados em que seu comitê realiza pesquisas ou o candidato tucano ainda não se deu conta do que o espera.
Escrito por Josias de Souza às 11h49
Numa prova de que traição não tem cor partidária, o mesmo tipo de punhal que espeta o costado de Geraldo Alckmin roça o dorso de Aloizio Mercadante. Veja o que informa a seção Painel (para assinantes da Folha):
- Plano B: Com todo o cuidado para não melindrar Aloizio Mercadante, a direção nacional do PT discute alternativa para fortalecer a campanha de Lula em São Paulo: Orestes Quércia. Os dirigentes alegam que o Estado, maior colégio eleitoral do país, é um dos poucos em que o presidente tem apenas um candidato, hoje muito distante do líder, José Serra (PSDB).
O partido espera crescimento de Mercadante, até porque o senador ainda está abaixo da votação histórica do PT em São Paulo, mas entende que, se isso não ocorrer, Lula poderia ganhar votos no interior em parceria "branca" com Quércia. Fala-se até em comitês suprapartidários, como ocorreu em 2002, com material de campanha compartilhado.
Escrito por Josias de Souza às 07h12

- JB: Sanguessugas apostam no tempo para evitar punição
- Folha: Senado vai abrir processo de cassação de 3 senadores
- Estadão: MP pede à Justiça anulação da escolha de TV digital
- Globo: Banco Mundial vai negar dinheiro a país corrupto
- Correio: Nunca o brasileiro pagou tanto imposto
- Valor: Mittal nega oferta aos minoritários da Arcelor Brasil
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h11
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h25
A deserção de políticos do PSDB e do PFL à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin abriu na cúpula dos dois partidos uma discussão sobre a conveniência de intervir em diretórios estaduais. A idéia, debatida em segredo, soa mais como ameaça vã do que como algo efetivo. Além de não ser consensual, a tese esbarra na resistência do grupo de auxiliares mais próximos a Alckmin.
Embora desconsolados, os assessores mais chegados ao candidato fazem uma leitura realista do quadro eleitoral. Acham que o apoio a Alckmin não virá por decisões impostas manu militari. Avaliam que eventuais intervenções em diretórios estaduais apenas agravariam o problema. O único modo de conter a debandada seria uma recuperação nas pesquisas de opinião.
A crise em torno de Alckmin cresceu por conta de uma decisão tomada pelo governador tucano do Ceará, Lúcio Alcântara. Rompido com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), Alcântara, além de esconder Alckmin na sua propaganda eletrônica, levou ao ar nesta segunda-feira imagens do adversário Lula.
Dando corda à disseminação no Estado de comitês batizados de Lu—Lu (Lula para a presidência e Lúcio para o governo), Alcântara expôs na televisão imagens de um discurso em que Lula cobre-lhe de elogios. Foi feito por no município cearense de Missão Velha em 6 de junho, no lançamento da pedra fundamental da Ferrovia Transnordestina. Logo a Transnordestina, uma das obras que compõe o discurso negativo usado pelo tucanato para tentar desqualificar Lula. O próprio Alckmin já mencionou o projeto ao listar o que chama de realizações “de mentirinha” do governo petista, uma “propaganda enganosa”.
Alcântara realçou no programa o entendimento "permanente" dos governos estadual e federal. Disse possuir "ótimo relacionamento" com Lula. E arrematou: "Quero continuar contando com a parceria do governo federal e, sobretudo, com a parceria do povo cearense (...)".
Entre quatro paredes, Tasso Jereissati destila irritação ao referir-se a Alcântara. O ex-aliado dá de ombros. Ouvido pelo blog, um auxiliar de Alcântara disse que Tasso perdeu a autoridade para palpitar sobre os rumos da campanha ao tentar retirar o governador da disputa à reeleição. Quis convencê-lo a concorrer ao Senado, facilitando a candidatura adversária de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes.
Ao tentar associar a sua imagem à de Lula, Alcântara repete expediente usado por Mendonça Filho (PFL) em Pernambuco, Estado do vice de Alckmin, José Jorge (PFL), e do coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra (PSDB). Há uma semana, Mendonça, em tese um aliado de Alckmin, também levou ao ar imagens de Lula.
Acionada, a Justiça Eleitoral proibiu o PFL pernambucano de mostrar Lula em seu programa. Para contornar a proibição, a propaganda de Mendonça passou a citar Lula. Nesta segunda-feira, o locutor do programa realçou a suposta “parceria” que une Mendonça a Lula. Mencionou duas “obras importantes”: a Refinaria da Petrobras e, de novo, a mesma Transnordestina que o tucanato chama de “obra de papel”.
Repete-se com o PSDB o fenômeno que infelicitou a candidatura presidencial de José Serra em 2002. Alckmin acha que os quintas-colunas mudarão de comportamento a partir de sua recuperação nas pesquisas. Munido de dados internos, o candidato confia que a subida virá. O otimismo depende, porém, do teste das pesquisas.
Uma nova sondagem será divulgada pelo Datafolha nesta semana. Também o instituto Sensus registrou no TSE uma nova pesquisa. Haverá ainda dois levantamentos de âmbito estadual. A pedido do Diário do Grande ABC, o instituto Toledo e Associados fará uma pesquisa em São Paulo. Perguntará sobre a intenção de voto para presidente e para governador. O mesmo será feito em Goiás pela firma Serpes Pesquisas de Opinião, contratada pelo jornal O Popular.
Escrito por Josias de Souza às 02h12
Dos 72 parlamentares acusados pela CPI das Sanguessugas de envolvimento com a máfia das ambulâncias só dois renunciaram ao mandato. Um deles, Coriolano Sales (PFL-BA), batera em retirada na semana passada. O outro, Marcelino Fraga (PMDB-ES), fugiu da raia pouco antes da meia-noite desta segunda-feira, prazo limite para a renúncia antes da abertura dos processos por quebra de decoro parlamentar.
Na semana passada, esperava-se por uma fuga em massa. Mas a maioria dos acusados achou melhor se defender no exercício do mandato. A decisão nada tem a ver com convicções pessoais de inocência. Longe disso. Baseia-se num cálculo político.
Os acusados concorrem à renovação dos mandatos nas eleições de outubro. Renunciando agora, interromperiam o processo no Conselho de Ética. Mas eles serão reabertos na próxima legislatura. Assim, a fuga seria inútil. Melhor permanecer no Congresso, desfrutando de salários, gabinete, funcionários pagos com verbas públicas, auxílio moradia e cotas de telefone e de correspondências.
Atendendo a um pedido do Ministério Público, o STF autorizou a abertura de inquérito para aprofundar as investigações em relação a mais 27 sanguessugas.
Escrito por Josias de Souza às 00h04
Depois de um ano de reclusão, o ex-presidente do PT José Genoino, candidato a deputado federal, reapareceu em público na noite desta segunda-feira. Foi a uma livraria para o lançamento do livro “Entre o Sonho e o Poder”, escrito a partir de uma coletânea de depoimentos que deu à jornalista Denise Paraná.
Genoino autografou o livro ao lado de Paraná. Entre as pessoas que fizeram fila para obter uma dedicatória estavam petistas que vão às urnas –Aloizio Mercadante (governo de São Paulo), Eduardo Suplicy (Senado) e Ângela Guadagnin (Câmara)— e um petista que já não pode disputar eleições –José Dirceu.
Assediado por jornalistas, Genoino voltou a negar que o PT, sob sua presidência, tenha se envolvido em corrupção. "O PT não praticou mensalão, o PT não comprou voto de deputado, o PT não fez troca financeira no Congresso Nacional", disse. Ele não chegou a dar detalhes sobre a origem e o destino dos R$ 55 milhões em verbas de má origem que Delúbio Soares injetou nas arcas do PT.
Resta ler o livro. Talvez haja em suas páginas alguma explicação lógica. No mais, convém aguardar pela defesa de Genoino e de outros grão-petistas no processo aberto em Brasília a partir da denúncia do Ministério Público contra os 40 integrantes daquilo que o procurador-geral Antonio Fernando de Souza chamou de “quadrilha” do mensalão.
Escrito por Josias de Souza às 23h43
Reunidos com Lula na noite desta segunda-feira, cerca de 40 artistas deram seu apoio à reeleição. Deu-se no Rio, na casa do ministro Gilberto Gil (Cultura). Mal as cortinas se abriram, Gil foi tratando de deixar clara a motivação do encontro. "Isso aqui é uma reunião de trabalho eleitoral, trabalho pela reeleição", disse, sob aplausos dos presentes. Entre os presentes estavam: os cantores Otto e Jorge Mautner, o cineasta Roberto Farias, as atrizes Letícia Sabatella e Renata Sorrah e os atares Tonico Pereira, Sérgio Mamberti e Marcos Winter.
PS.: o Estadão (para assinantes) desta terça-feira trouxe uma lista mais fornida do beija-mão: "Estiveram presentes, entre outros, os atores Paulo Betti, Arlete Salles, Renata Sorrah, José de Abreu, Tonico Pereira e Bete Mendes; os músicos Jards Macalé, Jorge Mautner, Rildo Hora, Zeca Pagodinho (com o filho Eduardo), Alcione e Fernanda Abreu; a modelo Luiza Brunet, com o marido Armando Fernandez; o casal de produtores de cinema Lucy e Luiz Carlos Barreto; os cineastas Roberto Farias e Katia Lund; e os teatrólogos Augusto Boal e Amir Haddad".
Escrito por Josias de Souza às 23h04
Folha Imagem
Passada a fase dos holofotes, Francenildo dos Santos Costa, o caseiro que destronou o ex-todo-poderoso Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, migrou da condição de herói da oposição para a de abandonado. Desempregado, Francenildo vive de bicos em Brasília.
O último trabalho que o caseiro obteve foi a limpeza de um jardim. Deu-se há duas semanas. O dinheiro que recebera do pai entre janeiro e março –R$ 25 mil—, está nas últimas. E o inquérito que apura as responsabilidades pela violação ilegal de seu sigilo bancário encontra-se na mesma situação de quatro meses atrás.
Francenildo ganhou notoriedade ao desmentir Palocci publicamente. Afirmou que, ao contrário do que dissera, o então ministro esteve, sim, na mansão do lobby em que integrantes da República de Ribeirão Preto promoviam negócios e festas em Brasília. Depois, teve o seu sigilo bancário violado. E, a partir da publicação de reportagem da revista Época, em março, passou a conviver com a suspeita de que recebera os R$ 25 mil para denunciar Palocci.
Inquirido pela PF, o pai biológico de Francenildo, Eurípedes Soares da Silva, confirmou ter enviado o dinheiro para Francenildo, derrubando as suspeitas de que os depósitos tivessem vindo de políticos da oposição. Em 19 de abril, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da Polícia Federal, responsabilizou Palocci, em relatório parcial, pela violação do sigilo de Francenildo. Apresentou o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, e o ex-assessor de imprensa da Fazenda, Marcelo Netto, como co-autores.
Palocci foi indiciado pela prática de quatro crimes: violação de sigilo funcional, quebra de sigilo bancário, prevaricação e denunciação caluniosa. Mattoso foi indiciado por violação de sigilo funcional e quebra de sigilo bancário, este último crime também imputado a Marcelo Netto.
O relatório subiu para as mãos da juíza Maria de Fátima de Paula Pessoa Costa, da 10ª da Justiça Federal de Brasília. A papelada foi manuseada por procuradores do Ministério Público, retornou à Justiça e, desde 12 de julho, está à espera de um despacho da juíza devolvendo-o ao delegado Carneiro Gomes, para que ele conclua o inquérito.
Só então o Ministério Público poderá denunciar Palocci, Mattoso e Netto, transformando o inquérito num processo judicial. Será aberto prazo para a inquirição dos réus e das testemunhas arroladas por eles. Vai daqui, vai dali, estima-se que o veredicto não será conhecido antes de dois anos.
Enquanto Francenildo engrossa as estatísticas do desemprego, Palocci está na bica de obter um emprego novo. Candidato a deputado federal pelo PT de São Paulo, o ex-ministro é visto por seu partido como um dos favoritos na guerra por uma vaga na Câmara. Se obtiver êxito, além do mandato, ganha foro privilegiado. Só poderá ser julgado pelo STF.
Assessorado pelo advogado Wlício Chaveiro Nascimento, Francenildo foi à Justiça para exigir indenização da revista Época (R$ 4 milhões) e da Caixa (R$ 17,5 milhões). O processo corre em Brasília. Enquanto aguarda por uma decisão, o caseiro continua procurando emprego. Seu advogado acha que são escassas as chances de que venha a ter sucesso:
“Por sua qualificação técnica, o trabalho que procura é braçal. Mas ficou a imagem de que ele é uma pessoa que fala, além da suspeita infundada de que recebeu dinheiro para falar. Mesmo no meu meio, as pessoas dizem: ‘Ah, eu jamais empregaria um cara desses’.”, diz Wlício.
E quanto à oferta de ajuda feita por ex-integrantes da CPI dos Bingos? “Vários políticos disseram que ele precisava de ajuda –uma casa, um emprego. Mas isso foi na época. Hoje, ele está encarando sozinho a verdadeira dificuldade”, diz o advogado.
Escrito por Josias de Souza às 18h55
Abespinhada com a exploração que o petismo faz da frase que José Serra disse em entrevista à Globo, a assessoria do candidato tucano julga ter encontrado munição para o revide. O tucanato tirou do baú uma batatada pronunciada em 7 de fevereiro de 2003 por José Graziano, então ministro da Fome de Lula.
Graziano participara de encontro promovido pela Fiesp. Defendeu o desenvolvimento de áreas pobres do Nordeste. Em seguida, pespegou: "Temos que criar emprego lá, temos que gerar oportunidade de educação lá, temos que gerar cidadania lá. Porque, se eles continuarem vindo pra cá (São Paulo), nós vamos ter de continuar andando de carro blindado."
A frase causou muito barulho. Graziano viu-se obrigado a dar explicações. Divulgou, no mesmo dia, uma nota. Disse que não teve a intenção de soar preconceituoso em relação aos nordestinos. O caso foi bem relatado em texto do repórter João Batista Natali, na Folha.
Escrito por Josias de Souza às 16h10
O senador Sérgio Cabral Filho (PMDB), candidato favorito ao governo do Rio, participou nesta segunda-feira de sabatina promovida pela Folha. Apoiado pelo casal Garotinho, Cabral disse que não vê problema na associação de seu nome ao de Anthony e Rosinha. Eis aí o grande problema: o fato de o candidato não enxergar nenhum problema.
Escrito por Josias de Souza às 15h23
Artigo de João Sayad na Folha desta segunda (assinantes):
"Todos os anos, o Carnaval é a mesma coisa. Mudam as cores das plumas, os sambas-enredo são diferentes, mas é a mesma coisa. Em junho, as festas caipiras. Homens com bigodes pintados a carvão, meninas com tranças e laços de fita, "padre", quadrilha e casamento. Há muito tempo, iguais.
Difícil interpretar o significado dessas festas. No caso do Carnaval, uma catarse coletiva com data marcada. Nas festas caipiras, homenagem a santo Antônio, que pregava para os peixes, a são João e a são Pedro.
Antigamente, era a revista "Manchete" que publicava as fotos dos concursos de fantasia no Teatro Municipal do Rio. Asas, paetês, caudas imensas e os mesmos comentários-fantasias caríssimas, trabalho de ano inteiro etc.
Hoje, Carnaval e festas juninas saem na "Caras" e em jornais que ninguém lê no Carnaval. São fotos de caipiras sorridentes, de calça remendada e camisa xadrez (mais "country" do que caipira). Nas fotos carnavalescas, sorrisos debochados ou provocantes. Difícil saber do que estão rindo. O sentido de uma festa é a própria festa. Não adianta procurar por mais nada.
A propaganda eleitoral que começou na semana passada virou uma festa brasileira. Brasileiros brancos, negros, evangélicos, ex-funcionários públicos, aposentados, políticos desde sempre, gordos e magros, com barba ou sem ela, caras comuns ou surpreendentes, surgem na televisão, falando as mesmas coisas. Sou o candidato do desenvolvimento, da saúde, da educação, do combate à corrupção, da mudança. Não esqueça, vote no 45, no 13, no 70. Vote no 2512, dia do Natal, fácil de lembrar.
Falam depressa, olhar fixo no "prompter", como artistas amadores, representando um personagem difícil e que não conhecem. Depois vêm os filmes -campos de soja com imensas colheitadeiras, fábricas modernas, favelados agradecidos, operários de uniforme, agricultores sorridentes, estradas bem pavimentadas, acompanhados por jingles em ritmo de samba ou de baião.
Desta vez, poucos candidatos professores universitários. Nenhum padre, nenhum intelectual. Números diferentes e discursos iguais. Os programas eleitorais nos enchem de ternura igual à que sentimos quando pegamos a roupa de um filho jogada no chão, o cigarro do pai no cinzeiro, a bolsa da mulher cheia de coisas inúteis. Parecem coisas vivas, a presença concreta da pessoa querida através de seus pequenos defeitos.
No horário eleitoral, o Brasil em pessoa, sonhando com as mesmas coisas de sempre, entra na sala pela televisão como uma porta-bandeira rebolando ou um Jeca Tatu de camisa xadrez".
Escrito por Josias de Souza às 07h14

- JB: A fatura da bancada da arma
- Folha: Em reduto mensaleiro, Lula esconde ex-líder do PT;
- Estadão: Líbano diz que punirá quem atacar Israel;
- Correio: Aumenta pressão contra terceirização do Estado
- Valor: Governo quer mudar lei para acelerar licitações
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h30
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h28
Lula ostenta nas pesquisas entre 45% e 47% das intenções de voto. Sua gestão é bem avaliada por mais 40% dos brasileiros. O prestígio não foi, porém, transferido aos políticos que passaram pelo primeiro escalão do governo. Oito ex-ministros de Lula concorrem aos governos de seus respectivos Estados. Todos arrostam dificuldades eleitorais. A maioria flerta com a derrota.
São cinco petistas – Olívio Dutra (RS), Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE), Nilmário Miranda (MG), e José Fritch (SC) –, um socialista –Eduardo Campos (PE)— e dois peemedebistas –Romero Jucá (RR) e Amir Lando (RO). De todos, Olívio Dutra é o que exibe condição menos vexatória.
Ex-ministro das Cidades, Dutra disputa o governo do Rio Grande do Sul com Germano Rigoto (PMDB). Os dois travam uma espécie de tira-teima. Rigoto derrotou outro petista, Tarso Genro, em 2002. Agora, O Ibope atribui a Rigoto 28% das intenções de voto, contra 21% de Dutra, que se mantém vivo na disputa.
Em Pernambuco, Humberto Costa, ex-ministro da Saúde, epicentro do escândalo das sanguessugas, disputa o governo com Mendonça Filho (PFL). Na última pesquisa do Ibope, Costa oscilou para baixo –foi de 24% para 22%. Mendonça Filho moveu-se para cima, de 32% para 34%. O pefelista cavalga o prestígio do ex-governador Jarbas Vasconcelos, de quem foi vice. Jarbas deixou o governo com índices de aprovação roçando a casa dos 70%. Disputa o Senado com 69% da preferência do eleitorado.
Na terceira posição em Pernambuco vem Eduardo Campos (PSB), outro ex-ministro de Lula. Ocupou a pasta da Ciência e Tecnologia. Escalou cinco pontos, subindo de 14% para 19%. Numa projeção de eventual segundo turno, Mendonça Filho bateria os dois ex-auxiliares de Lula se a eleição fosse agora. Venceria Costa por 47% a 37%. Contra Campos, emergiria das urnas com margem mais folgada: 49% a 34%.
Descendo no mapa, chega-se à Bahia do petista Jaques Wagner. Ali, O Ibope informa que ex-ministro das Relações Institucionais de Lula pode perder no primeiro turno para Paulo Souto (PFL), candidato do grupo de ACM. As pesquisas dão ao ex-ministro 21% dos votos. Seu adversário desfruta de folgados 56%. Lula atribui à Bahia importância estratégica. Gostaria de impor uma derrota a ACM, que o chama de “ladrão” dia sim e outro também. O presidente fez comício em Salvador e gravou uma mensagem de apoio a Wagner. Mas, por ora, mantém-se o cenário de derrota.

Outros quatro ex-ministros arriscam-se a extrair das urnas vexames homéricos. Em Minas, o petista Nilmário Miranda (Direitos Humanos) freqüenta as pesquisas com 7%, percentual irrisório diante dos 72% atribuídos ao tucano Aécio Neves. Em Santa Catarina, o também petista José Fritsch (Pesca) figura nas sondagens em terceiro lugar, com 5% dos votos. O primeiro colocado, Luiz Henrique (PMDB), tem 39%.

Em Roraima o ex-ministro Romero Jucá, que representou o PMDB na pasta da Previdência, perde para Ottomar Pinto (PSDB) de 37,8% por 14%. E em Rondônia, o senador Amir Lando, outro peemedebista que passou Previdência está cerca de 45 pontos percentuais atrás de Ivo Cassol (PPS). Isso a despeito das suspeitas que rondam Cassol, investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento nas malfeitorias detectadas pela Operação Dominó.
Escrito por Josias de Souza às 00h58
Lula fez comício em Osasco (SP) neste domingo. É o reduto eleitoral do deputado João Paulo “R$ 50 mil” Cunha. A estrela mensalista do PT encontrava-se no palanque, escondido atrás de outros candidatos a deputado federal. Lula tratou de ignorá-lo.
Pediu voto para Aloizio Mercadante, candidato ao Palácio dos Bandeirantes, e Eduardo Suplicy, que concorre ao Senado. E nada de João Paulo. "Eu não posso ficar fazendo propaganda de deputado porque tem muitos aqui atrás do palco", justificou-se, conforme relato do repórter Raimundo de Oliveira.
Lula aproveitou para tirar uma casquinha de José Serra, o adversário de Mercadante. Evocou a entrevista em que Serra atribuiu à migração as deficiências do sistema educacional do Estado. "Há candidato em São Paulo que vai para a TV vomitar preconceito contra o povo nordestino que tanto ajudou a construir São Paulo", bateu Lula. "Sou nordestino de Pernambuco e tudo o que tenho devo a São Paulo."
Coube a Geraldo Alckmin sair em defesa de Serra. O presidenciável tucano classificou de "totalmente descabida" a afirmação de Lula. "Se há um povo que não tem preconceito é o povo brasileiro", disse Alckmin, durante visita à escola de samba paulistana Império da Casa Verde.
Ensaiando o novo timbre de sua campanha, noticiado aqui no blog, Alckmin disse que Lula deu as costas para o povo brasileiro, para a Justiça e para os bons costumes. "Ele trabalhou ao lado do Waldomiro [Diniz], do mensalão, dos sanguessugas, de todos esses escândalos. Isto que é o fato, isto que é grave."
A despeito da inanição que ostenta nas pesquisas de opinião, Geraldo “Chuchumbo” Alckmin disse estar otimista. E acrescentou: "Tem candidato aí com o salto 15, eu vou nas sandálias da humildade."
Escrito por Josias de Souza às 19h38
O comitê de campanha do presidenciável tucano fez bem em enfatizar na publicidade oficial o “Geraldo” em detrimento do “Alckmin”. A foto acima, enviada ao blog por um de seus 22 leitores, mostra que, nos muros de Belo Horizonte, o candidato do PSDB vem sendo rebatizado de “Álkimi”. Se é assim em Minas, terra de José Maria Alckmin, o político que chegou ao Ministério da Fazenda sob Juscelino Kubitschek, imagine-se o que deve estar ocorrendo, por exemplo, no Nordeste, a região em que o candidato, além de desconhecido, é solenemente ignorado até pela propaganda eletrônica de seus aliados!
Escrito por Josias de Souza às 18h59
Autoridades do governo Lula vêm sustentando há meses a tese de que a economia brasileira, por “sólida”, está imune aos efeitos de uma eventual crise financeira internacional. Estudo feito pelo Ipea, instituto de pesquisas vinculado ao Ministério do Planejamento, revela que a coisa não é bem assim.
O estudo analisa os fatores que pesaram na definição das taxas de risco de 24 países emergentes no período de 1998 a 2005. Ao final, o documento lista as nações que estão “mais vulneráveis a um choque de percepção de liquidez e risco”. As economias mais expostas a eventuais crises externas são: Nigéria, Brasil, Equador, Ucrânia, Venezuela, Uruguai, Panamá, Argentina, Rússia, Turquia, Bulgária, Indonésia, Peru e Colômbia.
O estudo traz a assinatura de quatro economistas: Kátia Rocha, Roberto Siqueira, Felipe Pinheiro e Leonardo Carvalho. Anotam que, em 2006, os países emergentes lograram alcançar “o nível mais baixo de spreads soberanos de todos os tempos”. Chegou-se a esse cenário graças a “uma conjuntura extremamente favorável”, que combina “alta liquidez internacional” e “baixa percepção de risco dos investidores”, além da melhoria relativa dos fundamentos econômicos dos países.
“Todavia”, anota o texto do Ipea, “a questão crucial para esses mercados (emergentes) recai na sustentabilidade dos níveis dos spreads em razão de diversos choques externos como os de liquidez, aversão ao risco e os referentes à desaceleração econômica mundial capitaneada pelo alto preço do petróleo”. A resposta encontrada foi a de que os países em desenvolvimento, o Brasil entre eles, estão, sim, vulneráveis a uma eventual crise externa.
Na lista dos países que seriam mais afetados por uma crise internacional de liquidez o Brasil aparece em sétimo lugar, atrás apenas de Ucrânia, Nigéria, Rússia, Equador, Bulgária e Turquia. No quadro das nações mais vulneráveis a eventuais choques de risco, o Brasil é o segundo da lista, depois da Nigéria.
Entre os fatores de risco que pesaram na definição da vulnerabilidade a que cada país está exposto pesaram fatores ligados às boas técnicas de “governança”. Incluem a eficiência dos governos, a qualidade da regulação estatal, o aparato legal e o controle da corrupção.
Pressione aqui para ler a íntegra do estudo do Ipea. É leitura para especialistas. A peça está impregnada de fórmulas matemáticas. Contém termos tais como “heterocedasticidade” e “autocorrelação serial dos resíduos”.
Escrito por Josias de Souza às 18h38
A julgar pelas avaliações de Cesar Maia, poucos eleitores estão gostando da propaganda presidencial televisiva: só os cegos. O grau de aprovação cresce entre os cegos que são também surdos. Abaixo, a visão do alcaide sobre o programa da noite de sábado:
1. As primeiras damas –senhoras Marisa e Lu— ainda não apareceram. Nas campanhas presidenciais nos EUA a esposa é presença obrigatória;
2. Lula continua mostrando o que fez nos últimos 50 anos;
3. Alckmin continua com sua biografia. Agora sabemos onde ficava o barbeiro da cidade em que nasceu;
4. Finalmente alguém trata de segurança pública. E foi a Heloisa Helena em seu minguado minuto;
5. Sempre que seu bebê estiver com dificuldade para dormir, embale-o durante o programa do Cristovam Buarque. Vai dormir logo.
Quem não é cego logo vê que CM só tem olhos para HH.
Escrito por Josias de Souza às 11h44

- JB: Mutilados da guerra brasileira
- Folha: Endividamento chega ao limite e inibe crescimento
- Estadão: Atividade cai e PIB não deve passar de 3,5%
- Globo: Eleições - Justiça investiga 43% da bancada federal do Rio
- Correio: Parentes de deputados na farra das nomeações
- Valor: Guerra judicial marca campanhas eleitorais
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h22
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h16
À espera de uma bateria de ataques de Geraldo Alckmin, que considera “previsíveis”, Lula definiu com sua equipe a estratégia da reação. Decidiu-se que, em princípio, o revide será feito fora dos programas de rádio e televisão. Concluiu-se que o uso da propaganda eletrônica para responder a eventuais investidas de Alckmin daria ao oponente um cartaz que as pesquisas de opinião não lhe atribuem.
Os responsáveis pelo marketing da campanha de Lula repassaram-lhe a avaliação de que a opção pela “baixaria”, longe de melhorar a posição de Alckmin, tende a complicar-lhe a vida. Passará ao eleitorado a sensação de “desespero” diante da perspectiva da derrota.
A equipe de Lula considera, de resto, que o presidente, sob bombardeio intenso desde maio do ano passado, está imune a questionamentos no campo da ética. Escândalos como o do mensalão e o da máfia das ambulâncias, que o comitê de Alckmin decidiu explorar, atingem mais o Congresso do que o Executivo.
Reza a boa técnica do marketing que, antes de chamar o oponente ao ringue, o candidato desafiante precisa fortalecer a sua musculatura. Algo que, na opinião do comitê de Lula, Alckmin ainda não conseguiu. As pesquisas feitas por encomenda da equipe de marketing do PT indicam que o presidenciável tucano já desfruta de taxas de conhecimento superiores a 60%. A imagem que o eleitorado tem dele, porém, é fluida. A maioria ouviu falar de Alckmin, mas não o identifica como uma alternativa consistente a Lula.
Em bom marquetês, a língua dos marqueteiros, diz-se que a imagem de Alckmin ainda não estaria “implantada” na cabeça do eleitor. Partir para a briga em tais condições, segundo o raciocínio da equipe de Lula, é algo tão arriscado quanto o desafio de um peso pena a um peso pesado do boxe. Avalia-se também que: 1) Alckmin não tem o perfil de um “brigador”; 2) a munição de que dispõe é velha; e 3) Lula teria desenvolvido “anticorpos”.
Decidiu-se tentar reforçar nos próximos programas de rádio e televisão a “taxa de imunização” de Lula contra o esperado surto de agressões do tucanato. Debruçados sobre as pesquisas, os marqueteiros de Lula concluíram que o governo recebe aprovação superior a 40% da população mais por conta de iniciativas tópicas como o Bolsa Família e o Pró-Uni do que por sua consistência global.
A intenção é levar ao ar peças publicitárias que concebidas para convencer o eleitor de que a gestão Lula, para além dos programas pontuais, seria ampla, coordenada e consistente. Combinaria a solidez econômica à perseguição de objetivos sociais. Imagina-se que, vendida essa idéia, reduz-se enormemente a chance de que os ataques dos adversários venham a ameaçar as pretensões eleitorais de Lula.
Sob a aparente tranqüilidade do comitê de Lula esconde-se um arsenal contra Alckmin. “Ninguém vai à guerra sem reunir munição”, disse ao blog um dos cabeças da campanha reeleitoral. Os disparos só serão feitos, porém, caso as avaliações iniciais se mostrem equivocadas. O "Plano B" prevê investidas contra a imagem de bom administrador que Alckmin se esforça em propalar.
O auxiliar de Lula informou qual seria a linha de um eventual contra-ataque: “Se tiver que bater, o primeiro passo é abrir um debate político-administrativo. Desconstruir o governo Alckmin é muito fácil. Sua administração em São Paulo está repleta de obras de papel. Passa pelos setores de segurança, saúde e educação”.
Escrito por Josias de Souza às 01h50
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