A irrelevância da mídia
No Planalto
A indústria da informação, sobretudo a impressa, está numa encruzilhada. Com a circulação estagnada, os jornais lutam para seduzir novos leitores. O público, porém, emite sinais de que considera o conteúdo dos jornais cada vez mais irrelevante.
Na época em que o país estava submetido a três poderes efetivos –Exército, Marinha e Aeronáutica— costumava-se atribuir à imprensa importância capital na cruzada da resistência. Ao ecoar as ruas na campanha das Diretas-já, os jornais ajudaram a empurrar a farda de volta para os quartéis.
Restabelecida a democracia, o Collorgate tonificou a musculatura dos meios de comunicação. Teve-se a impressão de que a imprensa exercia, de fato, o quarto poder.
Sob FHC, a imprensa tardou a acordar. Só depois de uma fase de namoro se deu conta de que estava diante de um presidente afeito à maleabilidade ética.
A caída em si não foi generalizada. Alcançou apenas parte da mídia. Ainda assim, sobrevieram os escândalo da compra de votos da reeleição, as privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”, as malversações da Sudam e outras cositas.
Graças à exposição negativa, FHC é hoje um dos ex-presidentes mais impopulares. Tão impopular que o PSDB cuida de escondê-lo na campanha. Escalando essa aversão, Lula chegou à presidência em 2002. E com ele veio a má notícia para a imprensa: o brasileiro deu as costas para o noticiário, eis a novidade.
Poucos governos mereceram da mídia exposição tão negativa quanto a administração petista. As perversões atribuídas ao PT e a Lula foram alardeadas à saciedade. A despeito disso, o eleitorado atribui ao presidente um volume de intenções de voto que, por ora, humilha os concorrentes. Humilha também a mídia.
Poder-se-ia argumentar que o eleitor pobre de Lula não lê jornal. Bobagem. A crise ética ganhou também nos meios de comunicação eletrônicos. E não há casebre brasileiro que não disponha de um aparelho de rádio ou de televisão.
No segundo semestre de 2005, os analistas políticos tiraram do noticiário que produziram as suas próprias confusões. Onze em cada dez comentaristas difundiu a idéia de que a reeleição de Lula estava ameaçada.
Vítima de si mesma, a mídia está na bica de virar, ela própria, notícia. Sua “desimportância” reclama estudos e análises aprofundadas. Seu propalado poder de influência, seu festejado papel de formador de opinião está em xeque.
Como que exausto da reiteração dos escândalos, o (e)leitor emite sinais de que já não vê diferença entre os políticos. Considera-os, indistintamente, corruptos. Priorizam os seus interesses pessoais em detrimento de valores coletivos como a ética.
Se os meios de comunicação fossem levados a sério, Lula deveria estar debatendo agora com os tribunais, não com os eleitores. Acomodados num dos pratos da balança, em contraposição aos escândalos, os feitos de seu governo até poderiam conferir-lhe certa competitividade eleitoral. Mas o favoritismo que ostenta, por ora acachapante, é o sinal mais eloqüente de que os meios de comunicação tornaram-se irrelevantes aos olhos da maioria da sociedade.
Escrito por Josias de Souza às 20h31
Sérgio Lima/F.Imagem
Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias, deu entrevista à Veja (para assinantes). Encrencou mais um senador –Antero Paes de Barros (PSDB-MT)—, deu detalhes sobre a atuação facilitador José Airton Cirilo, do PT cearense, e reafirmou que o ex-deputado Emerson Capaz (PSDB e, posteriormente PPS) –“Tratei diretamente”. Leia abaixo algumas das declarações de Vedoin:
- Campanhas e negócios: Um candidato a deputado federal gasta entre 2 e 3 milhões para se eleger. Como vai pagar essa dívida com um salário de R$ 15 mil? Ele já chega tentando fazer algum tipo de negócio (...). Muitos tinham total familiaridade com o esquema das emendas. Alguns já diziam: "Eu quero um porcentual da emenda que for indicada, te levo aos prefeitos para você armar as licitações e fazer a venda". Era negócio, um toma-lá-dá-cá. Não tinha amizade, não tinha conversa. Em geral, eles recebiam 10% do valor da emenda apresentada.
- Presentes: O deputado Wanderval Santos (PL-SP) pediu para pagarmos uma parcela da prestação da BMW dele – e nós pagamos cerca de R$ 50 mil. No caso do Lino Rossi (PP-MT), ele tinha se separado e estava montando uma nova casa. Passou numa loja, gastou 7.000 reais em fogão, geladeira, microondas, cafeteira, e pediu para a gente pagar. Tínhamos um acordo maior com o Lino Rossi.
- Antero: No caso de Mato Grosso, além das emendas individuais, havia as emendas de bancada. Foi aí que entraram outros parlamentares, como o senador Antero (Paes de Barros, PSDB-MT). Meu pai conversou pessoalmente com o senador, que era o líder da bancada do estado. O acordo era para a totalidade das emendas da bancada, que somavam 3,8 milhões de reais. Antero apresentou R$ 400 mil e tínhamos de dar R$ 40 mil de comissão. Ele pediu para passarmos o dinheiro diretamente para o Lino Rossi, que, naquele tempo, era do mesmo partido que ele (PSDB). Todos ali tinham consciência do que estava sendo feito.
- José Airton Cirilo: Ele dizia que a liberação de nosso dinheiro no ministério só sairia com o pagamento de um porcentual. E conseguiu liberar não só esse dinheiro, mas vários empenhos de emendas ao Orçamento. O Cirilo não tinha nem mandato, mas atuava em vários órgãos (...). No Ministério das Comunicações, na gestão de Eunício Oliveira (PMDB), ele conseguiu liberar o empenho para a compra de alguns ônibus. Ele dizia que tinha canal direto com o ministro. Só sei que o empenho saiu e nós pagamos um porcentual ao Cirilo.
- Kapaz: Tratei diretamente. Assim que fui apresentado, ele logo falou em comissão. Lembro que até paguei parte de um flat que ele havia comprado, em Brasília. Nesse caso, inclusive, houve pagamento a mais, porque as emendas dele não saíram, por causa de cancelamento.
- Escândalo acabará com os desvios do Orçamento? Eu gostaria, mas acredito que não. Se acabarem as emendas individuais, ainda continuarão as emendas de bancada, os recursos extra-orçamentários. Sempre vai haver um conchavo, uma negociata.
Escrito por Josias de Souza às 20h20
O jornal argentino La Nacion publica neste sábado artigo em que Mario Vargas Llosa discorre sobre o que, a seu juízo, deve ocorrer em Cuba depois da morte de Fidel Castro. Chama-se "O princípio do fim". Se o escritor estiver certo em suas digressões, o povo cubano está condenado a escorregar de uma ditadura de esquerda para outra de direita, capitalista, controlada pelos mesmos militares que hoje se excedem em mesuras ao redor do leito de Fidel Castro. Com o apoio dos EUA.
Vargas Llosa se exime de especular sobre as reais condições de saúde de Fidel. Limita-se a fazer considerações sobre o que pode ocorrer depois da morte do ditador. “Cuba será livre, sem dúvida, mais cedo do que tarde”, diz o escritor, “mas não por pressão de um povo sedento de liberdade, nem pelo heroísmo de grupos de cidadãos idealistas”. O processo será “tão pouco ideológico como uma hemorragia intestinal do companheiro chefe”.
Para Vargas Llosa, a sociedade cubana está anestesiada. “Quase meio século de regulamentação, doutrinamento, tutela, censura e medo adormecem o espírito crítico e até a mais elementar aspiração de liberdade de um povo que, por três gerações, não conhece outra verdade que não as mentiras da propaganda oficial nem parece ter outros ideais que não os mínimos da sobrevivência cotidiana ou a fuga desesperada até as praias do inferno capitalista” dos EUA.
Remando contra a maré, Vargas Llosa anota em seu artigo que o governo Bush está menos interessado na democratização de Cuba do que tenta fazer crer. “Não só o pequeno círculo de oligarcas comunistas que cercam Fidel Castro acende velas nesses dias para as virgens e os santos do céu marxista, para que sua vida se prolongue; Bush e companhia também”, afirma.
“A triste verdade”, escreve Vargas Llosa, “é que a democratização de cuba, nos momentos atuais, para os EUA só significaria uma monumental dor de cabeça”. O receio de uma migração massiva de cubanos para as suas praias imporia aos norte-americanos a “monumental tarefa de ajudar a ressuscitar uma economia combalida por “quase cinqüenta anos de centralismo, estatismo e dirigismo”.
A hipótese de Cuba adotar o modelo chinês –economia capitalista sob um governo comunista— é tratada por Vargas Llosa como “ilusória”. Uma abertura econômica tão radical, diz ele, teria em Cuba, à diferença do que ocorreu na China, “efeitos políticos imediatos e provocaria uma agitação social atiçada desde Miami que dificultaria e paralisaria os investimentos indispensáveis para assegurar o crescimento econômico e a criação de emprego”.
O mais provável, é que “se estabeleça em Cuba uma ditadura militar de corte clássico, que, prescindindo de cartadas ideológicas, busque um acordo com os EUA, prometa evitar as migrações massivas para o Norte e, para manter as aparências, organize eleições 'democráticas' de maneira ritual, como as que organizava o PRI, no México, durante o seu reinado de 70 anos.” É, na opinião de Vargas Llosa, “a pior desgraça” que poderia suceder ao “infeliz povo cubano”: passar de uma ditadura comunista a uma ditadura capitalista, sob jugo militar.
“A democratização, quando vier, adotará uma trajetória sinuosa, confusa, pouco heróica, e talvez se dê a dolorosa circunstância de que aqueles que a propiciem e administrem não sejam um punhado de resistentes, de limpas e generosas credenciais, mas, principalmente, os próprios cachorros da ditadura, esses filhos da revolução que (...) rivalizam agora no servilismo ao redor da cama de Fidel Castro”. Uma gente que, avalia Vargas Llosa, “já começa a sentir-se, no fundo da alma, cada vez menos comunistas e cada vez mais (...) social-democrata (a maneira politicamente correta de dizer capitalista)”.
“Oxalá me equivoque”, finaliza Vargas Llosa, "mas creio que Cuba ainda tem um enorme caminho a percorrer antes de –como diria Borges– merecer a democracia”.
Escrito por Josias de Souza às 19h16

Alinhados com Lula no plano nacional, PT, PSB e PC do B impuseram ao presidente um enorme constrangimento no Maranhão. Levaram ao ar na propaganda eleitoral televisiva um vídeo de 2002 que mostra Lula desancando a família Roseana Sarney e o pai dela, José Sarney. Chama-os de mentirosos.
Lula discursava num comício em Imperatriz (MA). Ele viajara à cidade para dar apoio ao petista Jomar Fernandes, que disputava a prefeitura local. A certa altura, pôs-se a teorizar sobre o prestígio de Roseana, à época governadora do Maranhão.
“Olha, eu vou contar uma coisa pra vocês”, disse Lula. “Eu, quando vejo na imprensa de São Paulo as pesquisas dizendo que a Roseana Sarney é uma governadora aceita pelo povo do Maranhão... Eu conheço o Maranhão, gente. Eu já andei de carro e de ônibus neste Estado (...). Aí eu fico imaginando por que é que ela aparece bem nas pesquisas. Sabe por que? Por que a Globo é do pai dela, o SBT é do (Edson) Lobão, a Bandeirantes é não sei de quem. Ou seja, é a televisão falando bem deles o tempo inteiro. É por isso que ela lidera as pesquisas. Porque passa o tempo inteiro, descaradamente, mentindo na televisão”.
O descompostura de Lula foi levada ao ar na noite desta sexta-feira (18-8), no programa eleitoral de Edson Vidigal. Ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Vidigal disputa o governo maranhense contra Roseana, numa coligação que reúne, além do PSB, seu partido, o PT e o PC do B. Pressione aqui para assistir à peça de campanha que inclui a fala de Lula.
Seis anos depois de chamar os Sarney de “mentirosos”, Lula é hoje um aliado da família. Em junho, enviou uma carta à convenção do PFL que sacramentou o nome de Roseana como candidata ao governo maranhense. Diz o texto: “Não podendo, infelizmente, comparecer à convenção que a escolherá como candidata ao governo do Maranhão, pedi para me representar o senador José Sarney. Ninguém poderia exercer esse papel melhor do que ele, seu pai, o meu prezado amigo senador José Sarney, que tem apoiado e defendido meu governo em todos os momentos”.
Lula anotou ainda na carta: Sarney “transmitirá, em meu nome, os meus votos de sucesso e de congratulações ao povo do Maranhão”. Inconformado, o PT local acusou Sarney de falsificar a assinatura do presidente no documento. O Planalto, porém, confirmou que o texto e a assinatura eram autênticos.
De acordo com o Ibope, Roseana vai às urnas como favorita à vitória no primeiro turno. Teria 63% das intenções de voto. O segundo colocado é Jackson Lago (PDT), com 23%. Vidigal surge em terceiro, com 3%. A sondagem do Ibope será questionada na Justiça Eleitoral na próxima semana.
Embora seu partido (PFL) esteja aliado no plano nacional a Geraldo Alckmin, Roseana esquiva-se de vincular a sua campanha à do presidenciável tucano. O pefelê local prefere vincular sua candidata a Lula. Daí a decisão de Vidigal de expor as contradições de Lula na TV. Curiosamente, Vidigal ingressou na política pelas mãos de Sarney, a quem serviu como assessor na presidência da República. Ingressou na magistratura também graças a Sarney. Hoje, é um dos mais ferrenhos opositores da família no Maranhão.
Escrito por Josias de Souza às 16h21
Alan Marques/F.Imagem
Lula sempre recomendou aos aliados que reagissem com comedimento ao favoritismo de sua candidatura. Pedia ao petismo que evitasse o salto alto. Pois na noite passada o presidente escalou, ele próprio, o sapato.
Falando a uma platéia de sindicalistas, em São Paulo, Lula cantou vitória. Previu que baterá Geraldo Alckmin. Evocou uma parceria com o Todo-Poderoso para fazer votos de que o triunfo ocorra em primeiro turno.
"Um general que tem a tropa que eu tenho, representada por vocês, não tem que ter medo da disputa. A luta poderá ser até difícil, mas a vitória é certa. Muito obrigado companheiros e até a vitória, se Deus quiser em primeiro de outubro", disse Lula.
Lula recomendou aos aliados que coloquem a caneleira: "Eu sei que eles (a campanha de Geraldo Alckmin) vão vir para cima de nós dando canelada, porque time que está perdendo parte para o ataque, chuta, quer dar cabeçada. O meu papel é ficar tranquilo, não fazer falta, não agredir ninguém, não sofrer pênalti.... Pode colocar caneleira que eles vão vir com tudo", afirmou.
A turma de Geraldo Alckmin está, de fato, afiando as chuteiras. Mas, por ora, quem desce a porrada mesmo são os seguranças contratados pelo PT para proteger-se de enxeridos em seus eventos. Um grupo de trabalhadores ousou portar uma faixa com dizeres que não agradaram ao petismo. Levou chutes, socos e empurrões. Deu-se antes da chegada de Lula. Imagine se o presidente já estivesse lá...
Escrito por Josias de Souza às 09h55

- JB: Contas do crime serão rastreadas
- Folha: Governo quer congelar as contas de facção criminosa
- Estadão: SP finaliza projeto que privatiza presídios
- Globo: TRE do Rio ameaça proibir sanguessugas em eleição
- Correio: Severino é rei na farra dos cargos
- Valor: Guerra judicial marca campanhas eleitorais
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h26
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Daniel Kfouri/F.Imagem
Parodiando Lula, Geraldo Alckmin disse em duas oportunidades (aqui e aqui) que o lema de sua campanha seria “paz, amor e trabalho”. O comitê eleitoral tucano resolveu acrescentar um ingrediente à mistura: pimenta. O resultado vai ao ar no programa televisivo de Alckmin dentro de cerca de duas semanas.
Para tornar a propaganda eletrônica mais picante, a equipe de marketing que assessora Alckmin decidiu preparar peças tratando dos principais escândalos que permearam a gestão Lula: caso Waldomiro Diniz, corrupção nos Correios, mensalão, dólar na cueca e até o caso dos congressistas sanguessugas.
O que se discute agora é como e quando fazer. Os próximos programas de Alckmin continuarão martelando a biografia do candidato e seus planos para o Brasil. Avalia-se que essa é a combinação que pode levar a eleição para o segundo turno. A menção aos escândalos virá como tática subsidiária.
Não há a intenção de transformar o programa de Alckmin num festival de denúncias. Mas concluiu-se que, para se contrapor ao argumento de Lula de que os escândalos são mera decorrência das deficiências do modelo político, convém refrescar a memória do eleitor.
Os casos devem ir ao ar na voz do locutor, não na de Alckmin. O comitê tucano dispõe de uma fornida videoteca das CPIs. As fitas contêm cenas como a confissão de Duda Mendonça de que recebeu dinheiro de má origem de Marcos Valério no exterior (assista aqui e aqui). Mas não há, por ora, intenção de levá-las ao ar.
A invasão de militantes do MLST às dependências do Congresso, outro episódio que servirá de condimento para o programa televisivo de Alckmin, deve ter tratamento diverso. Neste caso, não se exclui a hipótese de exibir as cenas na televisão. A intenção é associar o líder do movimento, Bruno Maranhão, ao PT e ao próprio Lula.
Quanto ao timing, os planos da equipe de marketing não contemplam a exploração dos “pontos fracos” de Lula antes de 15 ou 20 dias. Antes do início da "fase chuchu com pimenta" Até lá, imagina-se no comitê de Alckmin, o presidenciável tucano terá crescido nas pesquisas. De acordo relato feito por integrante da equipe de Alckmin ao blog, parte-se do raciocínio de que, antes de lançar o candidato ao ringue, é preciso fortalecer-lhe a musculatura.
Nesta sexta-feira, Alckmin recebeu de sua equipe os resultados de uma pesquisa telefônica feita pelo Ibope, por encomenda do comitê, em sete capitais. Os números pareceram-lhe alvissareiros. Vêm sendo consultadas diariamente 2.000 pessoas. A média ponderada dos últimos dois dias indicaria um crescimento do presidenciável tucano. Alckmin aparece com 30%; Lula com 44%.
Os percentuais destoam da pesquisa do Ibope divulgada na noite desta sexta pelo Jornal Nacional (texto e vídeo) –21% para Alckmin e 47% para Lula. Embora esta sondagem seja mais confiável –foi feita em todo território nacional e não é telefônica— o time de marketing de Alckmin informou ao candidato que seus números, mais recentes, captariam uma tendência de alta. Algo que só as próximas pesquisas nacionais poderão atestar. O Datafolha fará novo levantamento na semana que vem.
A decisão de “apimentar” o programa televisivo de Alckmin é um indicativo de que os políticos que cercam o candidato começam a exercer maior influência sobre o marketing da campanha. Até aqui, os marqueteiros vinham resistindo à idéia de veicular ataques diretos a Lula. Pretendem fazê-lo à sua maneira, relegando as menções aos escândalos a um segundo plano na programação geral, que manterá a linha “propositiva”. Mas o simples fato de admitirem o uso da pimenta é uma evidência de que a campanha de Alckmin está na bica de transpor o rubicão. Algo que vem sendo reivindicado sobretudo pelos aliados do PFL.
Escrito por Josias de Souza às 01h42
A última pesquisa Ibope, divulgada há pouco pelo Jornal Nacional trouxe uma má notícia para o candidato tucano Geraldo Alckmin. O início da exposição no rádio e na televisão ainda não lhe rendeu um mísero ponto percentual nas pesquisas.
Alckmin continua com os mesmos 21% que ostentava antes do horário eleitoral eletrônico. Lula oscilou para cima, dentro da margem de erro da pesquisa. Foi de 46% para 47%.
No comitê de campanha do tucanato, argumenta-se que só as próximas pesquisas irão captar convenientemente os efeitos da propaganda do candidato. O Datafolha fará nova sondagem na semana que vem.
Enquanto isso, o barco de Alckmin vai fazendo água nos Estados. Embora associados ao PSDB, candidatos a governos estaduais, à Câmara e ao Senado esquivam-se de grudar a imagem pessoal ao semblante de um “aliado” que, por ora, tem a cara da derrota.
Heloísa Helena manteve os 12% que detinha na pesquisa anterior. A despeito da pregação cívica de Cristovam Buarque em favor da educação, o candidato conservou a mesma estatura dos outros dois nanicos do pleito, Luciano Bivar e José Maria Eymael. Todos têm 1%.
O Ibope foi à rua no dia 15, mesmo dia da estréia dos presidenciáveis no rádio e na TV. Ouviu 2.002 eleitores até o dia 17. Seus pesquisadores percorreram 140 municípios.
Na corrida para o governo de São Paulo, o Ibope detectou uma oscilação para baixo nos índices de intenção de voto de José Serra. Mas o candidato tucano mantém o favorismo.
Escrito por Josias de Souza às 19h43
O velho Mao Tse-Tung dizia que “a política é guerra sem derramamento de sangue, enquanto que a guerra é a política com derramamento de sangue”. Os dois principais contendores da disputa pelo governo de São Paulo enveredaram por um caminho que, se mantido, pode subverter a lógica do Mao.
Nesta sexta-feira, a propaganda de Aloizio Mercadndato (PT) levou ao ar no rádio a polêmica suscitada pela frase de José Serra (PSDB) acerca dos efeitos da migração na qualidade do ensino público em São Paulo: “É um absurdo achar que a má qualidade do ensino é culpa do aluno. É como falar que o fracasso da seleção brasileira na Copa é culpa dos torcedores brasileiros".
Na opinião de Mercadante, a encrenca da educação não é do migrante, mas dos 12 anos de sucessivos governos tucanos em São Paulo. Depois, os locutores do programa radiofônico de Serra o defenderam: "Já começaram a inventar um monte de mentira sobre Serra, porque ele está lá em cima nas pesquisas. Mas mentira tem perna curta." Essa briga promete (clica).
Escrito por Josias de Souza às 16h59
À medida que vai evoluindo a propaganda eletrônica, as eleições de 2006 vão se transformando num imenso e constrangedor jogo de esconde-esconde. Lula esconde o PT. Alckmin esconde FHC. “Aliados” do PSDB se escondem de Alckmin nos Estados. Mensalistas, sanguessugas e outros bichos escondem o passado e o presente. Só ao eleitor não é dado o direito de se esconder.
Escrito por Josias de Souza às 16h21
O alcaide Cesar Maia (PFL) segue cultivando o seu amor eleitoral platônico pela presidenciável do PSOL. Afaga e aconselha Heloisa Helena quase que diariamente em seu boletim eletrônico, distribuído via e-mail. Nesta sexta-feira, ele anotou:
“Cara senadora Heloisa Helena, sabia que seu crescimento entre os evangélicos é significativo? Talvez por seu 'quase não maquiar'. Pelas pernas sempre cobertas. Por seu 'quase terninho branco'. Pelo seu jeito 'obreira' ou 'pastora' de ser.
Lembro que, outro dia, você dizia que seu socialismo você aprendeu na Bíblia. Uma sugestão. Fale isso mais vezes e use personagens e referências como exemplos. Entre os evangélicos você está passando para segundo e pode ser mais rápido”.
O alto tucanato desconfia que CM aderiu a uma nova modalidade de relacionamento político: o amor livre eleitoral. Um grão-tucano disse ao blog: “Vá lá que o prefeito não queira ajudar o Geraldo (Alckmin). É homem e é feio. Mas se ele se julga tão entendido em marketing, deveria ensinar o caminho à juíza Denise Frossard, que é candidata dele.”
Taí, faz sentido! Coligada ao PFL de CM, Frossard come poeira na disputa pelo governo do Rio. Em respeito à fidelidade eleitoral, o prefeito talvez se anime a ensinar a ela, por exemplo, o que deve ser feito para arrancar os votos evangélicos do Rio do colo de Marcelo Crivella (PRB). A juíza não tem a cara lavada de HH, mas também traz “as pernas sempre cobertas”. E tem um quê de "obreira" ou de "pastora".
Escrito por Josias de Souza às 14h13
É compreensível que o brasileiro fuja do horário eleitoral televisivo. Nem todo mundo gosta do que vê quando está diante do imenso espelho em que se transformou o hilário, digo, o horário eleitoral. Daí o fenômeno relatado pelo repórter Daniel Castro (na Folha, para assinantes):
"Pelo menos 3,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo deixaram de assistir à TV aberta entre 20h30 e 21h20 nos dois primeiros dias de horário eleitoral. Cerca de 45% dessa população simplesmente desligou a TV. O restante manteve a TV ligada, mas não em canais abertos _provavelmente, em DVDs, videogames e TV paga.
Na terça-feira anterior à da estréia da propaganda política, dia 8, 72% dos televisores da Grande SP estavam ligados entre 20h30 e 21h20. Na última terça, com o horário eleitoral, esse índice caiu para 59%. Ou seja, 13% do total de televisores da Grande SP, que representam cerca de 1,4 milhão de telespectadores, foram desligados.
Dos 59% de televisores ligados, só 43% sintonizaram no horário eleitoral. Isso quer dizer que 16% de todas as residências da Grande SP mantiveram suas TVs ligadas, mas em outras mídias (DVD, videogame etc). Esses 16 pontos percentuais representam 880 mil domicílios.
Como no horário nobre é razoável calcular dois telespectadores por domicílio, isso quer dizer que mais 1,8 milhão de pessoas não viram a propaganda eleitoral, embora tenham usado o televisor. Anteontem, os números repetiram os de terça. A novela das oito da Globo, "Páginas da Vida", diferentemente dos programas das outras TVs exibidos depois do horário eleitoral, vem mantendo a mesma audiência da semana anterior".
Escrito por Josias de Souza às 07h45

- JB: PM usa 420 homens em bloqueio a Copacabana
- Folha: Acordos salariais batem inflação, diz Dieese
- Estadão: Exército do Líbano volta ao sul; ONU faz apelo
- Globo: TSE diz que candidatos fazem propaganda enganosa na TV
- Correio: Silêncio indecente
- Valor: Guerra judicial marca campanhas eleitorais
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h25
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 03h16
Lula Marques/F.Imagem
A campanha de Geraldo Alckmin está, de novo, em crise. O presidenciável tucano vê na propaganda televisiva um trampolim capaz de levá-lo ao segundo turno. A expectativa não é, porém, compartilhada por seus “aliados” nos Estados. Os políticos resistem em associar sua imagem à de Alckmin.
Esperava-se que a propaganda eletrônica de Alckmin fosse ecoada nas inserções publicitárias estaduais. Mas os candidatos que integram a aliança dão de ombros para Alckmin. Fogem da associação com um presidenciável que freqüenta as pesquisas com cara de derrotado.
O fenômeno é mais forte no Nordeste, região em que Lula ostenta índices de intenção de voto que oscilam na faixa de 60% a 70%, contra percentuais de 11% a 15% atribuídos a Alckmin. Ouvido pelo blog, Agripino Maia, líder do PFL no Senado, esboçou uma explicação:
“Os candidatos proporcionais (postulantes à cadeira de deputado estadual e federal) estão no fio de navalha. Qualquer fator negativo pode tirá-los da disputa. Por essa razão, têm o receio de se escorar em quem está por baixo nas pesquisas”. Acha que a sistuação vai se inverter no instante em que Alckmin recuperar terreno nas pesquisas. A dúvida é: será que ele sobe?
O Alto comando do tucanato enxergou a luz vermelha nesta quinta-feira, ao constatar o comportamento de seus aliados em Pernambuco. Além de ignorar Alckmin, a publicidade televisiva do governador Mendonça Filho (PFL), candidato à reeleição numa coligação que inclui o PMDB e o PSDB, levara ao ar na véspera imagens de Lula.
Para o PSDB, a aliança pernambucana era a mais azeitada do Nordeste. É de Pernambuco o candidato a vice de Alckmin, senador José Jorge (PFL). É pernambucano também o senador Sérgio Guerra (PSDB), coordenador da campanha de Alckmin. De resto, a aliança em Pernambuco conta com o ex-governador Jarbas Vasconcelos, ferrenho defensor da opção por Alckmin no PMDB.
Com tantos fatores favoráveis, Pernambuco era o último Estado em que o PSDB esperava arrostar o abandono prematuro que se espraia por todo Nordeste. O blog ouviu também Jarbas Vasconcelos. O Ibope atribui a ele 69% das intenções de voto na disputa por uma cadeira no Senado. Funciona como uma espécie de pé-de-cabra para a candidatura governamental de Mendonça Filho (PFL).
A exemplo de Agripino, Jarbas atribui as dificuldades de Alckmin às pesquisas: “O presidente Lula está lá em cima”, diz ele. Em Pernambuco, o presidente prevalece sobre Alckmin na proporção de 70% contra 11%. Mas Jarbas nega que tenha abandonado Alckmin. Diz ter levado Lula ao ar por necessidade tática.
Jarbas explicou que o PT difunde em Pernambuco a idéia de que as obras mais vistosas do Estado devem-se a Lula. A imagem exibida na propaganda eleitoral de Mendonça Filho mostrou o presidente na solenidade de lançamento da pedra fundamental de uma refinaria da Petrobrás. Ao lado de Jarbas, Lula disse que sua colaboração foi fundamental para a viabilização da obra.
“O PT se comporta como se Lula tivesse chegado a Pernambuco antes de Cabral. Foi preciso botar a imagem do Lula dizendo que eu tinha sido um parceiro fundamental para que a refinaria tivesse vindo para cá”, disse Jarbas. “Entendo a preocupação do comitê nacional de Alckmin. Mas é preciso entender que precisamos consolidar a nossa posição antes de ajudar o candidato à presidência”.
Jarbas diz que Alckmin aparecerá no programa da coligação pernambucana “no momento oportuno”. Alega que enfrenta dois aliados “competitivos” de Lula: Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB). Ambos candidatos ao governo. “Fazemos uma campanha racional”, diz ele. Acha que, para ser útil a Alckmin, precisa primeiro se contrapor ao petismo local. Mas promete: “Não vamos esconder o candidato à presidência. Se Alckmin realizar aqui qualquer evento de campanha, vai entrar na televisão com destaque”.
Escrito por Josias de Souza às 03h04
Conforme antecipado aqui no blog no último dia 10, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhou nesta quinta-feira ao STF um novo lote de pedidos de inquérito contra congressistas sanguessugas. Somaram-se aos 57 parlamentares contra os quais já há inquéritos abertos outros 27 nomes.
Caso o Supremo autorize os novos inquéritos, a lista de parlamentares sob investigação por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias subirá para 84. É um número maior do que os 72 que a CPI das Sanguessugas implicou em seu relatório. Fernando de Souza manteve os nomes dos novos encrencados sob sigilo.
Escrito por Josias de Souza às 23h49
Sérgio Lima/Folha Imagem
Em julgamento realizado na noite desta quinta-feira, o TSE condenou Lula a pagar uma multa de R$ 900 mil. É mais do que todo o patrimônio declarado do presidente, de R$ 839 mil. A decisão foi tomada pela maioria dos ministros que compõem o plenário do tribunal. Foram quatro votos pela condenação e dois pelo arquivamento do processo.
O julgamento é resultado de uma representação protocolada no TSE pelo PSDB sob o número 875. O tucanato acusou o presidente de fazer propaganda eleitoral antecipada ao editar, em dezembro de 2005, um jornal em formato tablóide que enaltecia os feitos de seu governo.
Sob o título “Brasil, um país de todos”, com 36 páginas, o jornal foi planejado e distribuído pelo Gabinete Civil da Presidência (Dilma Rousseff), Ministério do Planejamento (Paulo Bernardo) e Secretaria Geral da Presidência (Luiz Dulci). A condenação imposta a Lula equivale ao custo estimado da publicação, que teve um milhão de exemplares.
Relator do caso, o ministro José Delgado deu razão ao tucanato. Considerou que o tablóide da Casa Civil infringiu a lei eleitoral. Disse estar convencido de que o tablóide do governo faz "louvor aos feitos do chefe do Poder Executivo, longe de se caracterizar como propaganda de cunho educativo".
O ministro anotou ainda em seu voto: "Reconheço a direta responsabilidade do presidente da República pela concretização da propaganda, uma vez que a responsabilidade pela publicação e distribuição é da chefia da Casa Civil, de seu secretário-geral e do ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, órgãos sob as ordens diretas do representado".
Gerardo Grossi, um dos ministros que se opôs ao voto do relator, tentou argumentar que, o tablóide fizesse alusão ao governo de Fernando Henrique Cardoso, seria natural que um governo fizesse comparações com o outro. Disse, de resto, que, à época da publicação (dezembro), Lula ainda não era candidato. Haveria apenas uma expectativa de candidatura à reeleição.
Não colou. Além de Grossi, só o ministro Ricardo Lewandowski divergiu do relator. Os demais acompanharam a decisão favorável à condenação de Lula. O blog apurou que Lula irá recorrer da decisão ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Escrito por Josias de Souza às 22h22
Roosewelt Pinheiro/ABr
A direção Nacional do PT descobriu a presença de um “cavalo de Tróia” nas suas fileiras. Deu-se no Rio Grande do Norte. João Dehon da Silva, ex-prefeito do município de Grossos e líder destacado do PT no interior do Estado, está trabalhando em favor da candidatura de Garibaldi Alves (PMDB).
Ex-relator de uma CPI que causou grandes dores de cabeça a Lula –a comissão dos Bingos—, Garibaldi é, por ora, favorito na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte. Está coligado com o PFL, que apóia nacionalmente a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. É adversário da governadora Wilma Faria (PSB), que disputa a reeleição com o apoio do PT. O petismo começou a se articular para expulsar o ex-prefeito Dehon, que anunciou publicamente o apoio a Garibaldi na terça-feira.
Entre todos os expoentes de CPIs que apuraram perversões do PT e do governo Lula, só Garibaldi vai às urnas de 2006 em condições competitivas. O petista Delcídio Amaral, que presidiu a comissão dos Correios, disputa o governo de Mato Grosso do Sul. Por ora, é batido nas pesquisas por André Puccinelli, do PMDB.
Amir Lando (PMDB), ex-presidente da CPI do Mensalão e, mais recentemente, relator da comissão das Sanguessugas, concorre ao governo de Rondônia em franca desvantagem em relação ao favorito Ivo Cassol (PPS). A despeito das suspeitas de envolvimento no escândalo descortinado pela “Operação Dominó”, Cassol lidera as pesquisas.
As pesquisas não vêm premiando também outros parlamentares que, embora não tenham ocupado postos de direção nas CPIs, tiveram farta exposição na bancada de inquisidores. É o caso de Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado. Na corrida pelo governo do Amazonas, Virgílio é o terceiro colocado. Está atrás de Eduardo Braga (PMDB) e Amazonino Mendes (PFL).
O mesmo ocorre com Denise Frossard (PPS) e Eduardo Paes (PSDB), respectivamente terceira e quarto colocados nas sondagens eleitorais que medem as intenções de voto na disputa pelo governo do Rio. Perdem para Sérgio Cabral Filho (PMDB), favorito, e Marcelo Crivella (PRB), segundo colocado.
Como se vê, ao contrário do imaginam muitos, os holofotes de CPIs não iluminam o caminho que conduz aos votos.
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Sérgio Lima/F.Imagem
PSDB, PFL e PPS acabam de ingressar no Ministério Público Federal com uma representação contra Paulo Okamotto, presidente do Sebrae. Acusam-no de ter prestado falso testemunho ao depor à CPI dos Bingos em novembro do ano passado.
A ação é assinada pelos presidentes do PSDB, Tasso Jereissati; do PFL, Jorge Bornhausen (SC); e do PPS, Roberto Freire (PE). Este último, em viagem a Curitiba, é representado, por meio de procuração, por Bruno Medeiros, advogado do PPS. A representação contém em seus anexos vídeos e transcrições do depoimento de Okamotto à CPI e da entrevista de Lula ao Jornal Nacional, no último dia 10.
Depondo à CPI sob juramento, Okamotto, amigo de Lula, reconheceu ter liquidado uma dívida do presidente com o PT no valor de R$ 29,4 mil. Apertado pelos parlamentares, disse ter agido à revelia de Lula. Negou que houvesse conversado com o presidente a respeito do débito e de sua decisão de pagá-lo.
O tema voltou à tona na 11ª pergunta da entrevista de Lula ao JN. Fátima Bernardes perguntou: “O seu amigo Paulo Okamoto disse que teria pago uma dívida do senhor de R$ 30 mil, uma dívida que o senhor nem reconhece. Pelas suas declarações entregues à Justiça Eleitoral o senhor poderia até ter pago essa dívida. Por que o senhor deixou então ele arcar com esse prejuízo?
E Lula: “Primeiro, porque ele admite que cometeu um erro de não ter descontado na minha indenização quando eu me afastei do PT. Segundo, eu não devo ao PT, portanto eu não deveria pagar. O que eu disse é o seguinte: quer pagar você paga porque eu não vou pagar, porque não devo ao PT”.
Ou seja, Lula desmentiu o amigo Okamotto. A oposição enxergou na contradição uma oportunidade para devolver ao noticiário um tema que considera espinhoso para o Planalto. Para Tasso Jereissati, “ou Okamotto cometeu perjúrio, ou Lula mentiu”. Acha que, se Okamotto não desmentir Lula, “deve ir para a cadeia”.
Pela lei, o crime de falso testemunho sujeita o infrator a pena de um a três anos de reclusão. Antes, é necessário que o Ministério Público acolha a representação dos partidos oposicionistas. Mais que isso: é preciso que se convença de que, de fato, Okamotto mentiu à CPI.
“O país precisa ser levado a sério”, diz Roberto Freire. “O presidente da República não pode ser desmentido por um funcionário qualquer. Do mesmo modo que um funcionário, sob juramento numa CPI, não pode cometer crime de perjúrio sem que isso seja esclarecido. Okamotto disse que Lula não sabia de coisa nenhuma. Lula disse que sabia e que mandou que ele fizesse o que bem entendesse. Isso não pode ficar sem esclarecimento. O Ministério Público tem que abrir o inquérito para apurar”.
PSDB, PFL e PPS enxergam na representação levada ao Ministério Público a oportunidade de retomar o debate acerca da necessidade de quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto. A CPI dos Bingos tentou. Mas foi barrada pelo STF. A suspeita é a de que Okamotto tenha resgatado a dívida de Lula com verbas provenientes do valerioduto.
A senadora Ideli Salvati (SC), líder do PT no Senadora, disse que a representação contra Okamotto serve apenas para demonstrar o "desespero" da oposição, que insiste numa tática que já se demonstrou "absolutamente improcedente".
Escrito por Josias de Souza às 16h33
Os eleitores mais céticos ainda não enxergaram na publicidade televisiva dos candidatos muitas verdades nas quais se deva acreditar. Mas já começam a ser detectadas mentiras inacreditáveis.
Lula, por exemplo, parece não ter aprendido nada com 2002. Prometera criar 10 milhões de empregos. Como a verdade se esqueceu de acontecer, ele agora diz no programa de TV que criou 6 milhões de novos empregos.
Em estatística divulgada no mês de maio, o Ministério do Trabalho previra fechar o ano com 5 milhões de empregos. E de onde vem o resto? A assessoria de Lula diz que considerou também os empregos informais. Ah, bom! Falta só explicar qual foi o levantamento formal de que se valeu a campanha para mensurar o emprego informal.
A exemplo de Lula, Alckmin também conhece mais coisas do que a realidade é capaz de demonstrar. Sua propaganda televisiva contou, por exemplo, que o tucanato fez 19 novos hospitais em São Paulo. Noves fora os prédios inacabados, cujas obras foram retomadas, e os que foram ampliados, os hospitais verdadeiramente novos são contados em dois. O programa de Alckmin também fala em 225 mil casas populares entregues. O portal do governo paulista diz que foram 165.608. Quer mais? Então, clica.
Escrito por Josias de Souza às 14h43
Geraldo Alckmin parece mesmo decidido a jogar em costas alheias as culpas pelo descalabro da segurança pública de São Paulo. No programa eleitoral televisivo deste início de tarde, repisou a tecla de que, uma vez eleito, mudará a legislação. Quer endurecer o tratamento dispensado aos presos. O bandido precisa saber, disse Alckmin, que “o lugar dele é na cadeia”. O discurso está invertido. A bandidagem presa já trata a cadeia como um lugar todinho seu. É de lá que o crime coordena as ações que lhe dão projeção global. A dúvida é saber se o Estado ainda consegue provar que a cadeia é sua, não dos marginais.
Escrito por Josias de Souza às 12h47
Quem informa é o Dieese: as negociações salariais do primeiro semestre de 2006 foram as melhores já obtidas pelos trabalhadores nos últimos dez anos. Das 271 negociações para recomposição salarial monitoradas pelo Dieese nos primeiros seis meses deste ano, algo como 96% resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação (leia o estudo completo). A notícia é tão boa que Lula não acredita. No programa eleitoral televisivo da hora do almoço, o presidente falou justamente de salários. Mas mirou suas atenções só no mínimo, “um dos melhores dos últimos 40 anos”.
Escrito por Josias de Souza às 12h16

Muita gente só vê televisão para fugir da realidade. Por sorte, a realidade também começou a fugir da televisão. Subiu no telhado o debate entre os presidenciáveis organizado pela Record. A emissora avalia que, com a fuga de Lula, talvez dê mais audiência manter o telespectador no mundo da Lua. Leia o que informa
Daniel Castro (para assinantes da Folha):
"A decisão do presidente Lula de não participar de debates no primeiro turno e a falta de confronto no evento realizado pela Band na última segunda-feira levaram a Record a reavaliar se realiza ou não o seu, agendado para o próximo dia 4. Uma reunião foi convocada para a próxima segunda para bater o martelo sobre o assunto.
As chances de a Record promover um encontro entre os presidenciáveis caíram a "menos de 50%" nesta semana, de acordo com um executivo da rede, depois do debate da Band, que, avalia, foi apenas um bate-papo entre candidatos.
A Record teme principalmente que, sem Lula, seu debate dê menos de dez pontos no Ibope, o que derrubaria sua média das noites de segunda e favoreceria o SBT. O debate da Band deu quatro pontos.
A Record também poderá cancelar o debate entre candidatos ao governo de São Paulo, previsto para 11 de setembro. A emissora tem que convidar 13 dos 16 candidatos, mas só quer reunir os seis mais bem colocados nas pesquisas. O problema é que não está conseguindo costurar um acordo de compensação de tempo de exposição na TV com os "nanicos".
A estréia do horário eleitoral, anteontem, marcou 42 pontos no Ibope na edição noturna. Na terça anterior, as TVs abertas somaram 68 pontos no mesmo horário (20h30/21h20)".
Escrito por Josias de Souza às 11h32
Assim, não há cafezinho que chegue. Reportagem de Fabíola Góis e Lucio Vaz, do Correio Braziliense (para assinantes), informa o seguinte:
"Seiscentos cargos de confiança criados para assessorar órgãos técnicos da Câmara dos Deputados estão loteados politicamente entre 149 deputados e 24 ex-parlamentares — números que correspondem a um terço da Casa. Com salários entre R$ 1,9 mil e R$ 8,2 mil, esses assessores estão efetivamente acomodados nos gabinetes dos deputados, nos cargos da Mesa Diretora, nas lideranças partidárias e até nos escritórios dos deputados nos seus estados de origem.
Há cargos ocupados por parentes de parlamentares, sem contar os funcionários fantasmas. Somados, resultam numa despesa extra mensal de R$ 1,6 milhão — ou R$ 20 milhões por ano. O campeão de nomeações é o primeiro-secretário da Câmara, Inocêncio Oliveira (PL-PE), com 55 cargos.
Levantamento dos cargos de natureza especial (CNEs) da Câmara, obtido com exclusividade pelo Correio, traz uma informação inédita. Ao lado do nome do assessor, da lotação oficial (órgão técnico) e da lotação efetiva, aparece o nome do parlamentar que fez a indicação. Depois de Inocêncio, um ex-presidente da Câmara, aparece o corregedor da Casa, Ciro Nogueira (PP-PI), com 39 cargos. Ele é o responsável pela abertura de processo contra deputados por quebra de decoro parlamentar.
Em seguida, vem o segundo secretário da Câmara, Nilton Capixaba (PTB-RO), com 31 cargos. O petebista é um dos parlamentares que responderão a processo no Conselho de Ética sob acusação de envolvimento com a máfia dos sanguessugas.
O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), também aproveitou a oferta de cargos. Indicou dois para a Procuradoria Parlamentar e um para o próprio Conselho de Ética. Como havia uma forte demanda, ou seja, a necessidade de julgar muitos casos de deputados que faltaram com a ética, o conselho aproveitou a brecha para o desvio de função e reforçou o seu quadro de assessores.
A Câmara conta com 15,6 mil funcionários na ativa. Apenas 3.579 são efetivos (contratados mediante concurso público). Nos gabinetes, estão lotados 9.821 secretários parlamentares, com salários entre R$ 300 e R$ 4 mil. São de livre nomeação. Além desse quadro, existem mais 2.266 CNEs, espalhados principalmente pelos cargos da Mesa Diretora e pelas lideranças partidárias, mais órgãos técnicos.
São igualmente cargos de livre nomeação. Seus ocupantes podem ser demitidos a qualquer momento. Inicialmente, os CNEs foram criados para suprir uma carência de pessoal na Casa, enquanto não havia concurso público. As seleções públicas começaram, as contratações ocorreram, mas os parlamentares continuaram se valendo dos cargos para empregar quem bem entendem. (...)
A Presidência da Câmara, por intermédio da sua assessoria de imprensa, afirmou que o levantamento do preenchimento dos CNEs foi feito pela Diretoria Geral da Casa, a partir de uma solicitação de informações feito a pedido do Ministério Público Federal. Constatados os atuais casos de desvio de função, a Diretoria da Casa vai elaborar agora um estudo para dar 'um novo perfil e uma nova configuração jurídica' para os CNEs, segundo informou a assessoria. Esse trabalho será concluído em outubro".
Escrito por Josias de Souza às 06h25

- JB: O grande golpe das importações
- Folha: PF prende 97 acusados de fraude de R$ 500 milhões
- Estadão: Planalto finaliza MP para tentar baixar juro
- Globo: PF desmantela máfia de fraude em importação
- Correio: A farra das nomeações na Câmara
- Valor: Componentes poderão ter isenção total de impostos
Leis os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h05
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h43
Tuca Vieira/F.Imagem
Ricardo Berzoini, o presidente do PT, dissera dias atrás que aguardaria a conclusão da CPI das Sanguessugas para decidir como o partido se posicionaria em relação aos petistas acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Nesta quarta-feira, Berzoini mudou o rumo de sua prosa. Já não tem pressa.
São dois os petistas encrencados: a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), acusada de receber R$ 35 mil da quadrilha das ambulâncias superfaturadas, e deputado João Grandão (PT-MS), apontado como beneficiário de R$ 25 mil.
"Nossa posição com relação a essas pessoas é que eles têm o direito de defesa, que vão exercer junto ao parlamento e a Justiça', disse Berzoini, conforme relato de Andreza Matais. Quanto ao julgamento político do PT, nem há prazo para que ocorra "nem a preocupação de resolver isso agora".
O PT segue o padrão adotado em relação à sua bancada mensaleira. No rastro das revelações de Roberto Jefferson (PTB-RJ), o petismo ensaiara um comportamento mais condizente com o seu passado. Em rápida interinidade na presidência do PT, Tarso Genro prometera “refundar” a legenda. Congressistas suspeitos não disputariam a eleição de 2006 à sombra da estrela e do número 13.
Durou pouco, pouquíssimo, a disposição moralizadora. Guindado à presidência do PT, Berzoini passou a administrar o fenômeno do mensalismo com a barriga. Jogou-se Delúbio ‘dinheiro não contabilizado’ Soares ao mar. Silvinho ‘Land Rover’ Pereira pulou do navio antes que fosse empurrado. E ficou nisso.
Hoje, os petistas encalacrados, além de concorrer à reeleição, contam com a defesa intransigente do partido. O partido não hesitou, por exemplo, em mover ação contra a Transparência Brasil por conta de uma campanha em que a entidade desaconselha o voto em mensaleiros e outros bichos.
O PT indignou-se com a louvável iniciativa da Transparência de levar à sua página na internet o “Projeto Excelências”, que oferece informações ao eleitorado acerca da biografia dos candidatos à Câmara Federal. Ou seja, além de preservar os seus filiados suspeitos, o partido deseja sonegar ao público o sagrado direito à informação.
Escrito por Josias de Souza às 01h03
O alto comando do comitê de Geraldo Alckmin (PSDB) está convencido de que as operações da Polícia Federal tornaram-se peças de campanha do presidente Lula, candidato à reeleição. Privadamente, os mais exaltados levantam a suspeita de que o governo estaria manipulando a PF com propósitos eleitorais. Os mais comedidos evitam falar em direcionamento da polícia. Mas afirmam que Lula aproveita-se das ações da política para aplacar os escândalos que tisnaram a imagem de sua gestão.
A suspeita do tucanato é inspirada pela suposta intensificação do trabalho da PF nas últimas três semanas. Do dia 26 até hoje, a polícia realizou nove operações especiais. Cinco delas ganharam o noticiário como ações de combate à corrupção – Operação Saúva, Isaías, Dominó, Mão-de-obra e, nesta quarta, Dilúvio.
Os tucanos mais exaltados, que acusam o governo de “manipular” a PF, guardam as suspeitas para os seus diálogos privados. Não chegam a contestar as operações em si. Falam de um suposto "casamento" da agenda da polícia com o calendário eleitoral. Os mais moderados não hesitam em alfinetar o adversário em público. O coordenador nacional da campanha de Alckmin, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), disse ao blog: “Não tenho elementos para dizer que a polícia está sendo manipulada. Mas que as ações vêm servindo à campanha do presidente, não há dúvida”.
“Até alguns dias atrás, a campanha do presidente Lula tinha um gancho, que era o Bolsa Família”, completa Guerra. “Agora, ele tem um outro gancho, que é Polícia Federal. Quando ele era atacado no plano social e econômico, ele se pendurava na Bolsa Família. Agora, quando é questionado no campo ético, ele se segura nas ações da Polícia Federal”.
“De fato, o governo vem se utilizando eleitoralmente dessas operações”, ecoa Jutahy Magalhães (BA), líder do PSDB na Câmara e membro do conselho político do comitê de Alckmin. “Não creio que a PF esteja sendo direcionada. Mas Lula utiliza-se das operações para encobrir os seus próprios erros. Trata os sanguessugas e os mensaleiros como problemas do Congresso, como se os parlamentares não fossem da base dele e como se o governo não tivesse comprado apoio no Congresso”.
Sob o anonimato, um dos mais destacados aliados de Alckmin identificou uma “estranha coincidência” entre o discurso proferido por Lula num comício em Fortaleza, no sábado, e a Operação Dilúvio, deflagrada pela PF nesta quarta-feira. “Quatro dias depois de Lula ter dito que não deixa lixo embaixo do tapete, a PF sai à rua para prender 95 pessoas. É muito estranho”, disse o grão-tucano. O desassossego do PSDB tem uma motivação prática. A equipe de marketing que assessora Alckmin mostra-se convencida de que as operações da PF vêm contribuindo para puxar para cima os índices de Lula nas últimas pesquisas de opinião.
No comício de sábado, Lula dissera que "vai aparecer ainda muita corrupção no Brasil". Seu governo, disse ele, "nunca fica lixo embaixo do tapete". Afirmara mais: "Nós levantamos o sofá e varremos a sujeira inteira. Então, pode ficar certo que vai continuar, porque nós vamos continuar desbaratando toda e qualquer coisa que aparecer (...)”.
Márcio Thomaz Bastos desdenha da pregação do tucanato. Afirma que as operações da PF têm um tempo de maturação. O ritmo é ditado pelo avanço das apurações, não pela vontade do governo. Repete um bordão que lhe é característico: “Neste governo, a Polícia não persegue nem protege ninguém, cumpre a sua obrigação com isenção.”
O ministro diz que a PF, modernizada e reaparelhada, não começou a trabalhar agora. Afirma que as suspeitas não resistem a uma análise do quadro de operações executadas pela PF desde 2003, quando Lula assumiu a presidência. Excluindo-se a ação desta quarta, realizaram-se 280 operações especiais, 111 das quais relacionadas a casos de corrupção. Foram presas 3.740 pessoas. Desse total, 783 são servidores públicos. Pressione aqui para ler o levantamento oficial do Ministério da Justiça.
O blog tentou ouvir o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que tem se esmerado em rebater insinuações políticas dos adversários. Não obteve sucesso.
Escrito por Josias de Souza às 23h28
Bruno Miranda/F.Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin participou nesta quarta-feira de uma sabatina promovida pelo Estadão. Tentou-se arrancar do candidato uma auto-crítica em relação à gestão da segurança pública ao tempo em que governou São Paulo. Alckmin não se deu por achado: "Se eu tivesse (erros), eu já teria corrigido".
De quebra, Alckmin ainda elogiou o secretário de Segurança Saulo de Castro. Nomeado na sua gestão, foi mantido na administração-tampão de Cláudio Lembo (PFL). "Eu sou admirador do Saulo. Claro que ele tem personalidade controvertida. Os estilos são diferentes, mas é um bom gestor", disse Alckmin.
Como se vê, nem Alckmin nem o PSDB têm responsabilidade pelo descalabro que levou ao assanhamento do PCC. Afora os “equívocos” e as “omissões” do governo Lula, a encrenca se deve aos incontáveis “acertos” do tucanato nos 12 anos em que deu as cartas no governo de São Paulo.
Escrito por Josias de Souza às 19h08
Um dos principais motes da propaganda eletrônica do presidenciável tucano Geraldo Alckmin é o de que a população de São Paulo, que o conhece, o aprova. A mais vistosa trincheira do tucanato começou a ser invadida pelo adversário Lula.
Pesquisa feita sob o patrocínio da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) mostra que, em 30 dias, Alckmin o índice de intenções de voto de Alckmin entre os eleitores da capital de São Paulo caiu 7,3 pontos. Lula cresceu 4,5 pontos percentuais.
O tucano continua à frente do petista, mas a vantagem vai se estreitando. De acordo com a pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, Alckmin teria 39,9% dos votos dos paulistanos, contra 31,6% atribuídos a Lula. Há um mês, Alckmin tinha 46,9% e Lula 27,1%.
Ainda que se considere que a pesquisa abrange apenas o universo da capital e não do Estado, os dados não são negligenciáveis. Desde que virou candidato, Alckmin vem dizendo que cresceria nas pesquisas a partir do início do horário eleitoral televisivo. A hora chegou. O estrago proporcionado pelas ações do PCC parece ser maior do que se imaginava.
Escrito por Josias de Souza às 17h34
O tucanato se esbaldou com os deslizes de Lula na entrevista ao Jornal Nacional. O presidente disse que a única coisa que está caindo no Brasil são os salários. Afirmou que combateu a ética. Coisas assim. Mas nenhum dos deslizes de Lula se compara à derrapagem de José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, na entrevista que concedeu nesta quarta-feira ao SP/TV, da Globo (leia a íntegra e assista ao vídeo).
Serra foi questionado sobre o mau desempenho de São Paulo em avaliações nacionais de ensino feitas pelo Ministério da Educação. Respondeu o seguinte: "Diferentemente dos Estados do Sul (que ocupam as primeiras colocados na avaliação), São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando... Este é um problema."
A migração que incha o Estado é, como se sabe, majoritariamente de nordestinos. Ou seja, para Serra, o problema da má qualidade da educação em São Paulo é o Nordeste. Além de preconceituosa, a avaliação é equivocada. Um nordestino não é mais burro do que um paulista. Só é mais pobre. E para crianças pobres o que São Paulo oferece são escolas públicas indigentes. Um problema que não vai ser resolvido apenas colocando dois professores em cada sala de aula, como prometeu Serra na entrevista.
A avaliação “Prova Brasil”, feita pela pasta da Educação no final de 2005, mostrou que a 4ª série da rede de ensino da Prefeitura de São Paulo, gerida até bem pouco por Serra e, antes dele pela petista Marta Suplicy, está entre as sete piores do país em comparação com a das outras capitais. Com média 160,42 em português e 166,86 em matemática, os alunos das escolas municipais de São Paulo não lograram atingir a metade dos pontos possíveis em cada prova (350). Desnecessário mencionar que o PSDB governou Sãio Paulo por arrastados 12 anos.
Serra também foi espremido quanto à disposição de permanecer no Palácio dos Bandeirantes até o último dia de gestão caso venha a ser eleito. Candidato não-declarado à presidência da República, o tucano escorregou: "2010 está muito longe, nem você sabe onde você vai estar. Eu vou trabalhar bastante para corresponder à expectativa das pessoas".
O ex-prefeito parece ter aprendido com os próprios erros. Em 2004, na campanha pela prefeitura de São Paulo, comprometera-se a permanecer no cargo até o final. Deu a palavra por escrito, em sabatina realizada pela Folha. Veja o documento abaixo:

Inquirido sobre a quebra da palavra empenhada, Serra saiu-se com essa: “Naquela época, eu disse totalmente a verdade do que eu pensava. O que houve de lá pra cá foi uma mudança nas circunstâncias". Em seguida, emendou: "O trabalho do Estado é crucial para a prefeitura. Eu achei que poderia ajudar muito mais a população tendo um prefeito parceiro, que é meu sucessor (Gilberto Kassab, do PFL)".
O comportamento de Serra, muito encontradiço entre os políticos, mostra que, nesse universo, a palavra sempre vale menos do que a conveniência. Depois de ter assinado o documento na sabatina da Folha, serra participou de um debate na TV Record. De novo, comprometeu-se a ficar na prefeitura até o encerramento do mandato. Clique aqui para ouvir a declaração. Não é à toa que agora Serra foge dos debates.
PS: No final da tarde, Serra tentou explicar-se. Toda declaração que precisa de muita explicação não é coisa que sirva a um candidato em busca de votos.
Escrito por Josias de Souza às 16h38

Abespinhado com as dúvidas levantadas por oposicionistas acerca da autenticidade das fotos de Fidel Castro em seu leito pós-operatório, o regime cubano decidiu liberar imagens. Mostram a visita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao colega cubano no último domingo, dia em que Fidel completou 80 anos.
Depois de ter sido recebido no aeroporto de Havana por Raúl Castro, Chávez passou pouco mais de três horas com Fidel. Fez à beira do leito afagos verbais que soaram como uma declaração de amor ao ditador cubano.
No dizer de Chávez, aquela foi a “a melhor de todas as visitas que fiz em minha vida”. Disse que nem o encontro com sua primeira namorada causou-lhe tanta expectativa. Levou de presente um retrato de Fidel rabiscado pelo artista venezuelano José Antonio Quintero.
Chávez confessou a Fidel que tentara pintar ele próprio um retrato do amigo. Desistiu na madrugada do dia 13, diante de uma obra inacabada. Pressione aqui para assistir ao vídeo.
Escrito por Josias de Souza às 15h47
Reuters
O ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989), que um dia ousou impor sua tirania ao povo paraguaio, encontrou-se nesta quarta-feira com o árbitro equânime de todas as misérias do homem: a morte.
Habituado a impor a sua vontade na marra, Stroessner, 93 anos, viu-se impotente diante de sua algoz. Exilado no Brasil desde 89, foi ao leito do hospital em 29 de julho. Definhava havia dias. Estava pesando escassos 45 quilos.
Em seus últimos minutos de vida, Stroessner há de ter perguntado aos botões de seu pijama: Por que eu? Por que assim? Deu-se conta de que a morte, como o regime que dirigiu, mata. Encontrou uma déspota à sua altura.
Stroessner ao menos tinha onde cair morto. Mercê da fortuna que logrou amealhar, levava uma vida confortável em Brasília. A grossa maioria dos paraguaios não pode se dar a esse luxo.
Escrito por Josias de Souza às 15h04
O signatário do blog cometeu um erro ontem. Ao referiu-se à campanha de José Nobre Guimarães, candidato a deputado federal pelo PT do Ceará, informou erroneamente que se tratava do personagem pilhado com dólares na cueca em julho do ano passado. Em verdade, o petista da cueca é José Adalberto Vieira, à época assessor parlamentar de Nobre Guimarães na Assembléia Legislativa do Ceará.
Em mensagem eletrônica ao blog, Nobre Guimarães afirma que não teve “qualquer envolvimento com o caso”. Diz ter demitido o assessor. Anota que um pedido disciplinar apresentado contra ele pelo PSDB cearense foi arquivado pelo conselho de ética da Assembléia Legislativa. Considera “inaceitável” que seu nome continue sendo vinculado ao episódio.
“Tenho feito minha campanha de cara limpa e peito aberto, em todo o meu Estado, pois quem tem a minha história de militância, luta popular e iniciativas voltadas para o interesse coletivo deverá sempre ser visto como
homem público de respeito, com muitos serviços prestados ao meu Estado”, diz o candidato.
Escrito por Josias de Souza às 13h35
A Polícia Federal parece estar fazendo hora-extra. Despejou nas ruas nesta quarta-feira a “Operação Dilúvio”. Destina-se a desbaratar, com o auxílio da Receita Federal, "o maior esquema já constatado de fraudes no comércio exterior" brasileiro. Estima-se que tenham sido sonegados ao fisco algo como R$ 500 milhões.
Uma legião de policiais (950) e de auditores fiscais (350) foi à boca do palco para executar um roteiro ao qual o brasileiro vai se habituando: a execução de mandados de prisão –hoje são 118— e de busca e apreensão de papéis e computadores (220). A ação desenrola-se em oito Estados (clica).
PS.: No início da noite, a PF já havia levado às grades 95 pessoas.
Escrito por Josias de Souza às 12h23

- JB: Petrobras prepara aumento da gasolina
- Folha: Greve no metrô de SP prejudica 1,6 milhão
- Estadão: Greve política no metrô tumultua SP
- Globo: Na propaganda de TV, Lula apaga o PT de sua história
- Correio: Casamento em troca de votos
- Valor: Inco abre negociação com a Vale e Teck eleva oferta
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h37
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h33

Convencido de que os escândalos que se seguiram ao Collorgate como que o redimiram de seu passado, Fernando Collor de Mello rumina o desejo de retornar a Brasília. Repete privadamente uma frase que cunhou nos tempos acerbos do impeachment: “O tempo é senhor da razão”. Cogita candidatar-se a uma cadeira de senador por Alagoas.
O blog conversou nesta terça-feira com o advogado Eraldo Firmino de Oliveira, presidente do diretório de Alagoas do PRTB. É o partido ao qual Collor está filiado. O ex-presidente será candidato ao Senado? Firmino de Oliveira respondeu: “Acredito que ele será candidato. O momento político é bastante favorável a ele, que tem um carisma muito forte aqui no nosso Estado”.
Firmino contou que a direção alagoana do PRTB tem instado Collor a concorrer às eleições deste ano. O assunto voltou à tona depois que a Justiça Eleitoral impugnou a candidatura ao Senado do ex-governador alagoano Ronaldo Lessa (PSB), favorito em todas as pesquisas de opinião realizadas no Estado.
Os advogados de Lessa não jogaram a toalha. Prometem resistir até o último recurso. Mas Firmino de Oliveira afirma que a decisão judicial em relação a Lessa é, a essa altura, irrelevante. Collor estaria considerando a hipótese de lançar-se candidato com ou sem a participação do ex-governador na disputa. Firmino afirma que, embora derrotado nas eleições para o governo de Alagoas em 2002, Collor amealhou 450 mil votos. “Se repetir a votação agora, está eleito para o Senado”, calcula.
O candidato do PRTB ao Senado era Givaldi Francisco da Silva. Mas ele também amargou uma impugnação da Justiça Eleitoral. Pela lei, só brasileiros com 35 anos ou mais podem tornar-se senadores. E Francisco da Silva só tem 31 anos. Firmino de Oliveira, o presidente alagoano do PRTB, assumiu a vaga. Mas insiste para que Collor tome o seu lugar. Neste caso, passaria à condição de suplente.
A troca de candidatos pode ser feita até a véspera da eleição. Mas o TRE alagoano informou ao PRTB que o ideal seria que a substituição fosse feita até 30 dias antes do pleito. Firmino de Oliveira reuniu-se com Collor na última sexta-feira. O ex-presidente pediu detalhes sobre as datas. Informado, disse: “Vamos aguardar mais um pouco”.
Firmino deixou o encontro animado. “Ele não disse que não queria. Nós, do partido, passamos a trabalhar com a hipótese de ele disputar. É grande a probabilidade”. O blog conversou também com outro político que priva da intimidade de Collor. Sob a condição do anonimato, afirmou: “Ele ainda não se definiu. Mas sinto que a possibilidade de uma candidatura dele ao Senado não é desprezível”.
Collor parece ter encontrado na crise ética do PT e do governo Lula ânimo para a tentativa de ressurreição. Ele vem repetindo em diálogos privados raciocínios que desenvolvera numa entrevista concedida em abril à Rádio Mix (106,3 FM), emissora que retransmite a sua programação para uma rede de 113 coligadas espalhadas pelo país.
O ex-presidente falou ao Programa do Mução. Caracterizado pelo humor e pela irreverência, Mução rodou para Collor uma entrevista que Lula concedera em 1992, pouco depois do impeachment. Lula dissera na ocasião que tinha pena de Collor. Acusou-o de formar uma “quadrilha”, movido pela “ganância” e pela “vontade de roubar e praticar a corrupção”.
Em resposta, Collor disse ter sido vítima de um “golpe parlamentar”, do qual teriam participado José Genoino e José Dirceu, hoje “enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação”. O ex-presidente citou ainda Luiz Gushiken, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Duda Mendonça, Jorge Mattoso e Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente. “Quadrilha quem montou foi ele”, disse, referindo-se a Lula. Pressione aqui para ouvir a entrevista.
O blog tentou ouvir Collor sobre a candidatura ao Senado. Discou para o escritório dele, no jornal Gazeta de Alagoas. Deixou recado com a secretária. Mas o ex-presidente não respondeu ao chamado. Nas pegadas do mensalão, do mensalinho, do Ribeirãogate, do caseirogate, dos sanguessugas e do Rondoniagate, o país é submetido a mais esse suspense macabro.
Escrito por Josias de Souza às 00h44
Foi aberta a temporada de renúncias para fugir ao processo de cassação por conta do escândalo das sanguessugas. O deputado Coriolano Sales (PFL-BA) renunciou ao mandato nesta terça-feira. Acusado de ter recebido propinas de R$ 172,4 mil em troca de emendas ao orçamento para a compra de ambulâncias superfaturadas, o parlamentar tenta preservar os seus direitos políticos.
O Conselho de Ética da Câmara planeja abrir na próxima terça-feira os processos contra os deputados sanguessugas. Uma vez iniciado o julgamento, os deputado não podem mais renunciar. Izar prevê que outros parlamentares seguirão o exemplo de Coriolano.
A estratégia do deputado fujão pode malograr caso o PFL cumpra a promessa de expulsá-lo do partido. Nessa hipótese, Coriolano perderia a legenda e não poderia concorrer às eleições deste ano.
Escrito por Josias de Souza às 19h05
Uma das principais fragilidades da campanha presidencial do tucano Geraldo Alckmin foi evidenciada nesta terça-feira na campanha eletrônica do Estado de Pernambuco. No papel, o PFL pernambucano apóia Alckmin. Na prática, os candidatos pefelistas à Câmara dos Deputados fogem do tucano como o diabo se esquiva da cruz.
Os candidatos à Câmara pela coligação “União por Pernambuco”, encabeçada pelo governador Mendonça Filho (PFL), favorito à reeleição para o governo do Estado, esquivaram-se de mencionar o nome de Alckmin na TV. No intervalo entre a aparição de um e de outro candidato, o locutor fez insistentes referências a Mendonça Filho e ao peemedebista Jarbas Vasconcelos, que concorre ao Senado. E nada de Alckmin.
De acordo com o relato da repórter Natália Kozmhinsky (para assinantes da Agência Nordeste), houve uma escassa exceção. Só Bruno Araújo, candidato a deputado pelo PSDB e também integrante da coligação de Mendonça, animou-se a incluiu o companheiro de partido em sua propaganda: “Estou com Jarbas, Alckmin e Mendonça”.
Deu-se o oposto na campanha televisiva dos postulantes à Câmara que integram a chapa do ex-ministro Humberto Costa, candidato do PT ao governo pernambucano. O nome de Lula foi citado à saciedade. Todos fizeram questão de associar a imagem pessoal à do presidente da República.
O fenômeno tem uma explicação simplória: as pesquisas indicam que Lula tem em Pernambuco índices de intenção de voto que chegam a 67%. Alckmin figura nas sondagens eleitorais com um percentual bem mais modesto: Daí a aversão dos candidatos pefelistas ao nome do presidenciável tucano.
O receio do alto comando da campanha de Alckmin é o de que o modelo pernambucano acabe se espraiando por todos os Estados Nordestinos. O Nordeste é a região do país em que o predomínio de Lula sobre Alckmin nas pesquisas é mais nítido.
Escrito por Josias de Souza às 18h54
Postulantes a cadeiras de deputado federal pelo PT do Ceará, José Nobre Guimarães e José Airton Cirilo apresentaram-se em seus programas eleitorais de rádio e TV como candidatos de Lula. Guimarães é o petista cujo assessor parlamentar envolveu-se no escândalo dos dólares na cueca. Cirilo é protagonista do escândalo da máfia das ambulâncias.
Guimarães e Cirilo foram aconselhados a não subir no palanque de Lula em comício que o presidente realizou na cidade de Fortaleza (CE) no último sábado. A despeito disso, ambos se apresentaram aos eleitores cearenses como candidatos de Lula. A notícia foi distribuída nesta terça-feira pela Agência Nordeste (para assinantes).
O petista Guimarães teve um assessor, José Adalberto Vieira, pilhado em julho do ano passado, no auge do escândalo do mensalão, com US$ 100 mil grudados nos arredores do seu órgão genital. Demitiu-o. O outro é apontado como operador da liberação de verbas do Ministério da Saúde, injetadas no orçamento por congressistas sanguessugas e destinadas à compra de ambulâncias superfaturadas.
O PT poderia ter negado a legenda a ambos. A exemplo do que fez com os mensaleiros, preferiu deixar que participassem das eleições à sombra da estrela e do número 13. Nem Lula nem o seu partido têm, portanto, do que se queixar.
Escrito por Josias de Souza às 17h42
Começou nesta terça-feira a propaganda eletrônica. Os presidenciáveis levaram à TV discursos suaves. Apresentaram-se ao eleitor. Realçaram a “origem humilde”. Lula, Alckmin e Heloísa Helena, os três candidatos mais bem-postos nas pesquisas afagaram o eleitor nordestino. A a corrupção fez as vezes de tema coadjuvante. Não houve artilharia pesada.
Dono de sete minutos e 23 segundos, o comitê de Lula (PT) apresentou-o como o menino pobre de Caetés (PE) que chegou à Presidência. E passou a jogar com a idéia de que, a despeito do sucesso, o presidente não deu as costas para o seu passado: “Lula tem a cara do Brasil e o Brasil tem a cara do Lula”. O Bolsa Família esteve entre as iniciativas governamentais festejadas pelo petismo na propaganda eleitoral.
Não por acaso, o programa petista foi apresentado por três personagens de feições marcantes: uma apresentadora negra, um índio e um branco. As três raças que, miscigenadas, deram “cara” ao povo brasileiro. Exaltaram-se as “realizações” do primeiro mandato. E jogou-se no ar uma tese que deve ser martelada até o dia da eleição: "Peço que reflitam”, disse Lula, de viva voz, “é melhor avançar ou começar do zero como querem alguns candidatos?"
Sem mencionar pelo nome o principal escândalo que marcou a sua gestão –“mensalão— Lula disse ter a “consciência tranqüila”. Listou entre suas prioridades a reforma política. Em outros tempos, Lula esforçava-se para apresentar o seu PT como uma legenda pura, diferente das demais. Agora, joga na indiferenciação: “(...) A crise de ética que observamos é uma crise de todo o sistema político e não só de partidos".
Dono de um tempo mais generoso –10 minutos e 22 segundos—, o tucanato apresentou o seu candidato pelo pré-nome: Geraldo. A forma que programa encontrou para estabelecer vínculos do paulista de Pindamonhangaba com o Nordeste foi exibir depoimentos de migrantes nordestinos. Foram apresentados como “brasileiros de São Paulo”, um Estado que é o retrato do Brasil.
Alckmin (PSDB) comprometeu-se a priorizar o desenvolvimento econômico e os investimentos em saúde, educação e infra-estrutura. Numa tentativa de anular aquele que parece ser o o principal diferencial a sustentar a liderança de Lula nas pesquisas, Alckmin prometeu manter e ampliar o programa Bolsa Família.
Sem mencionar o nome de Lula, Alckmin roçou o tema das perversões éticas: “Queremos um país mais justo, com mais oportunidades, sem corrupção e mensalão. Se a gente tem dinheiro para o desperdício, por que não temos dinheiro para ajudar os que precisam?" No rádio, o tema também foi abordado sem menções diretas a Lula: "O novo conceito de ética é a competência, a eficiência. A primeira coisa que vou fazer é o respeito pelas pessoas, varrendo a corrupção."
Com escasso um minuto e 11 segundos, Heloisa Helena (PSOL) também evitou os ataques frontais aos adversários. Apresentou-se como filha de uma família humilde, uma cidadã comum, uma mãe que "ensinou seus filhos a não roubar". Se eleita, disse, cumprirá a obrigação de ser honesta, combatendo qualquer tipo de corrupção.
Cristovam Buarque (PDT) –dois minutos e 23 segundos— deu curso à sua pregação monotemática. Apresentou como o presidente que fará a “revolução na educação”. José Maria Eymael (PSDC) reiterou o bordão que fala em transformar o Estado em “servidor”. Rui Costa Pimenta (PCO) prometeu elevar o salário mínimo para R$ 1.900,00. Luciano Bivar (PSL) espinafrou a imprensa, em especial a Folha, que não o estaria tratando com o devido respeito.
Escrito por Josias de Souza às 16h48
Além de desviar dinheiro público por meio de uma folha de pagamento paralela, a quadrilha dos deputados estaduais de Rondônia montou a fraude dos empréstimos. Consistia em obter na rede bancária empréstimos com desconto consignado em folha. Embora contraído em nome de assessores, o dinheiro ia direto para os deputados.
Montado em 2003, logo depois da eleição da impressionante fornada de parlamentares corruptos de Rondônia, o esquema rendeu à quadrilha R$ 4,7 milhões. Mas o prejuízo ao erário é maior. Até liquidar todos os empréstimos fraudulentos, a Assembléia terá repassado aos bancos R$ 7,3 milhões.
Os detalhes do descalabro rondoniense estão narrados numa denúncia que a subprocuradora-geral da República Deborah Duprat remeteu ao Superior Tribunal de Justiça nesta segunda-feira (14-08). Dez dias depois da prisão de duas dezenas de envolvidos nas malfeitorias de Rondônia, Duprat denunciou os cabeças da quadrilha e seus cúmplices no poder Judiciário e no Ministério Público.
São eles: o deputado estadual Carlão de Oliveira, presidente da Assembléia; o desembargador Sebastião Teixeira Chaves, presidente do Tribunal de Justiça; o juiz José Jorge Ribeiro da Luz; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Edílson de Souza Silva; e o procurador de Justiça José Carlos Vitachi.
Ao discorrer sobre a fraude dos empréstimos consignados, a procuradora Duprat conta que a encrenca começava no contra-cheque dos servidores. Embutiam dados falsos sobre o valor dos salários. Eram vitaminados para viabilizar os empréstimos. Muitos dos "donos" dos contra-cheques não pertenciam ao quadro real de funcionários.
Em vários casos os titulares dos empréstimos nem davam as caras no banco. Os contratos eram encaminhados ao gabinete do presidente da Assembléia, Carlão de Oliveira, que providenciava as assinaturas. Rastreando o caminho do dinheiro, a Polícia Federal descobriu que os empréstimos passaram longe das contas de seus reais tomadores.
Nada menos que 18 empréstimos foram depositados em duas contas bancárias pertencentes às empresas Montenegro Comércio e Serviços Ltda e Porto Fitas Importação e Exportação Ltda. Ambas pertencem a Antonio Spegiorim. Ouvido, ele reconheceu ter cedido as contas para a Moisés de Oliveira. Vem a ser irmão e assessor do deputado Carlão de Oliveira, o presidente da Assembléia rondoniense.
No curso da apuração, a polícia descobriu que o empresário Spegiorim não se limitara a aceder as contas bancárias de suas empresas. Ele era, na verdade, credor de vários deputados da quadrilha. Fornecera material gráfico para a campanha eleitoral de 2002. Parte do dinheiro desviado serviu para cobrir essas dívidas.
Não é só: servidores inquiridos pela PF informaram que os valores dos empréstimos retornaram diretamente para os parlamentares ou para pessoas por ele indicadas. Embora a polícia tenha informado que os desvios de Rondônia somam R$ 70 milhões, a denúncia do Ministério Público menciona uma cifra menor: R$ 50 milhões. Pressione aqui para ler a íntegra da denúncia.
Escrito por Josias de Souza às 13h11
A coerência política, como se sabe, é uma velha maluca que faz tricô enredada nas linhas de suas próprias contradições. Mas Roberto Jefferson exagera na sua incoerência. Decidiu votar, veja você, em Heloisa Helena. E fará publicidade do gesto. Eis o que informa a coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):
"Roberto Jefferson vai votar em Heloisa Helena, do PSOL, para presidente. E deve tornar a opção pública, explicando os "motivos", num blog que vai estrear esta semana na internet. Será um contraponto ao blog de José Dirceu: Jefferson colocará a "atração" no ar uma semana depois da estréia do blog do ex-ministro".
Escrito por Josias de Souza às 07h37

- JB: O eterno retorno
- Folha: Trégua começa; Hizbollah e Israel declaram vitória
- Estadão: Libaneses voltam para casa; os dois lados falam em vitória
- Globo: Presídio federal de segurança máxima tem apenas um preso
- Correio: Clones de políticos dão golpe de R$ 40 milhões
- Valor: Novo PIS-Cofins ainda é incógnita para as empresas
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h38
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 01h33
Marlene Bergamo/F.Imagem
A ausência de Lula transformou o debate da TV Bandeirantes num encontro de comadres. Não houve um vencedor. Mas houve um perdedor: Indefeso, Lula apanhou até dos nanicos. De resto, perdeu o eleitor, desrespeitado em seu direito de ouvir meia dúzia de explicações do candidato favorito ao Planalto.
Até o inexpressivo José Maria Eymael (PSDC) tirou uma casquinha de Lula: “O presidente nunca viu nada, nunca soube de nada. Talvez não soubesse que hoje tinha debate”. O presidente perdeu duplamente: além da surra coletiva, deixou escapar a oportunidade de ocupar um espaço para expor os seus planos de governo. Foi o que fizeram os demais.
Heloisa Helena ainda tentou arrastar Alckmin para o tatame. Tratou PSDB e PT como farinha do mesmo saco. O presidenciável tucano, porém, fez ouvidos moucos para as provocações. Falou diretamente para a câmera. Usou as perguntas dos adversários e dos jornalistas como escada para atingir o seu objetivo: a exposição máxima de propostas.
Só os termos acerbos dirigidos a Lula quebraram a atmosfera água-com-açúcar que permeou o debate. HH realçou a “tristeza e indignação de não ter aqui ao lado o presidente Lula. Não aceito que a arrogância dele o faça pensar que é maior do que os outros. Ou que nós tenhamos que pensar que ele está fugindo, que está com medo”.
Instado por Eymael a explicar a crise de segurança sob os 12 anos de gestão tucana em São Paulo, Alckmin saiu pela tangente: lamentou “a ausência do Lula, que deveria prestar contas de por que se omitiu na questão da segurança pública”. Desviou-se de sua responsabilidade culpando a “omissão federal” no controle da entrada de armas e drogas pelas fronteiras, na falta de liberação de verbas e na ausência de reformas de leis federais.
Cristovam Buarque só abandonou sua cantilena cívica em favor da “revolução educacional” numa única oportunidade. Disse o seguinte: “Minha decepção maior é com a ausência dele (Lula) naquela cadeira. Ele não tem o direito de fugir do povo”.
Voltando-se para a câmera, Cristovam bateu mais: “Você tem o direito de olhar no olho do candidato. A ausência é uma falta de muito grande com processo democrático e com o eleitor (...). Você não recebeu o respeito dele de olhar nos seus olhos”.
No mais, cada candidato usou o tempo de que dispôs para vender o seu peixe. A experiência mostra que, em encontros do gênero, sem o predomínio nítido de uns sobre os outros ou de um sobre os demais, os expectadores tendem a considerar como vitorioso aquele candidato que já era o seu preferido. Nesse sentido, tiram maior proveito Alckmin e HH, que ocupam a segunda e a terceira posição nas pesquisas. Com alguma sorte, os dois podem ter beliscado um ou voto indeciso.
O pior, no caso de Lula é que nenhum dos presentes mostrou-se à altura de sua habilidade retórica, construída sobre os caminhões de som dos sindicatos e nos embates que se viu forçado a travar em campanhas anteriores, quando não ostentava a condição de favorito. Não havia na bancada da Bandeirantes nenhum polemista à altura de Lula.
O que diferencia o velho Lula do candidato à reeleição é a posição que ocupa no ringue. Ontem, estava no ataque. As encrencas colecionadas no Planalto o colocaram na defensiva. Lula está habituado a alfinetar, não a ser alfinetado. Por isso limitará a sua participação na campanha aos comícios e ao horário eleitoral partidário. Lula quer falar sozinho.
O apego ao monólogo é próprio dos candidatos que estão de bem com as pesquisas. Foi assim com FHC em 98. É assim com José Serra em 2006. É um vício suprapartidário. Para sorte dos faltosos, o eleitor menos esclarecido não costuma dar atenção a debates televisivos. O prejuízo maior é junto ao eleitorado mais escolarizado. Ou seja, a minoria.
Escrito por Josias de Souza às 00h08
Começa nesta terça-feira a propaganda eleitoral eletrônica. Candidatos à presidência, aos governos estaduais e ao Congresso vão despejar um lodaçal de discursos no tapete da sua sala.
Não é a primeira vez que isso acontece. O brasileiro já se vai habituando ao exercício da democracia. Nem por isso o telespectador, o ouvinte de rádio deixará de se espantar com a coleção de grotescos que virá lhe pedir o voto.
É desagradável. Mas não tem outro jeito. Ainda não inventaram nada melhor do que a democracia para reger a vida em sociedade. Assim, é melhor prestar atenção. Ria do grotesco. Mas abra bem os olhos. Você talvez descubra, entre um pretensioso e um vigarista, uma vocação genuína de estadista. Nunca se sabe.
Há uma segunda razão a justificar a sua concentração. Quem paga o espetáculo é você. A coisa é chamada de “propaganda eleitoral gratuita”. Mas, como você sabe, nada é de graça. Para transmitir o festival dos candidatos, as emissoras desfrutam de isenção fiscal. Significa dizer que compensam os supostos prejuízos no Imposto de Renda.
Pelas contas da Receita Federal, o horário eleitoral custará à Viúva neste ano R$ 191,6 milhões. É quanto as emissoras, que funcionam em regime de concessão do Estado, deixarão de recolher em impostos. Há um detalhe que costuma escapar ao comum dos mortais: a operação eleitoral pode resultar em lucros para as empresas de rádio e TV.
Analisando a legislação eleitoral, Samuel Possebon, estudioso da Universidade de Brasília, verificou que os números que fundamentam o cálculo da isenção tributária são fornecidos pelas próprias emissoras. Levam em conta as suas tabelas de preços de publicidade. Veja o raciocínio desenvolvido por Possebon, ouvido pela repórter Marcela Rebelo:
“Se você fosse um anunciante privado e fosse contratar 50 minutos por dia ao longo de 45 dias, a emissora certamente daria um desconto bem camarada, porque é uma contratação por um volume que elas não costumam ter no dia-a-dia”.
A legislação eleitoral, de fato, não faz menção a descontos. Prevê apenas que as emissoras não poderão descontar nos tributos a comissão de 20% que costumam pagar às agências de publicidade que fazem a intermediação das peças publicitárias comerciais. Ou seja, além de pagar, você paga mais caro.
Escrito por Josias de Souza às 17h44
Alan Marques/F.Imagem
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse nesta segunda-feira em São Paulo que o combate ao PCC é dificultado pelo calendário eleitoral. Afirmou que a união de esforços dos governos federal e estadual é envenenada pela eleição.
O problema não é só de dinheiro, disse o ministro. A questão é que é “muito difícil” montar uma estratégia de ação conjunta em meio à refrega que antecede a votação de outubro. Nas palavras de Thomaz Bastos, as eleições “incendeiam as imaginações”.
“O fato é que nós, que somos agentes políticos, temos a obrigação de trabalhar neste sentido. De não politizar essa questão, de não torná-la objeto nem sujeito de uma guerra eleitoral", disse o ministro.
Desgraçadamente, o ministro tem razão. Beneficiando-se dos desencontros políticos, o PCC faz gato-sapato do Estado. Enquanto os “agentes políticos” se acocoram, como que a buscar refúgio atrás de falsas conveniências eleitorais, o crime se agiganta.
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin leva a tiracolo a mais eloqüente evidência da falência do Estado. Penúltimo gestor da encrenca da segurança pública, ao tempo em governou São Paulo, Alckmin agora caminha pelas ruas sob a proteção de dois agentes da Polícia Federal. Ao menos neste caso, a colaboração do governo federal não foi recusada. É pena que o privilégio não possa ser estendido aos demais habitantes do Estado.
Escrito por Josias de Souza às 15h49
A Bandeirantes transmite nesta segunda-feira, às 22h, o primeiro debate televisivo entre os presidenciáveis. O programa ainda nem foi ao ar e já há um grande perdedor: o telespectador. A platéia será privada da presença de Lula, o candidato favorito. Guardadas as proporções, é algo como ver Casablanca sem Humphrey Borgart.
Nosso ‘Bogart’ eleitoral fugiu da fita. Sabia que não haveria no cenário da Bandeirantes nenhuma Ingrid Bergman com quem pudesse trocar afagos. Longe disso. Concluiu que seria transformado em saco de pancadas. De bem com as pesquisas, preferiu não correr riscos.
Há no PT quem avalie que a fama de fujão não é boa para Lula. Mas prevaleceu a tese de que uma eventual surra coletiva seria pior ainda. A avaliação embute um exagero. Embora menos sujeitos a controles do que a propaganda partidária, os debates televisivos seguem regras acertadas previamente com as assessorias dos próprios candidatos.
Ainda que desejassem, os adversários de Lula não poderiam se juntar para dar-lhe uma surra coletiva. As regras foram traçadas de modo a evitar a manobra. No caso da Bandeirantes, sob mediação de Ricardo Boechat, o debate terá cinco blocos.
No primeiro, os candidatos responderão a uma pergunta comum a todos, formulada pela emissora. No segundo e no terceiro blocos, mediante sorteio, candidatos perguntarão a candidatos. No terceiro, os presidenciáveis responderão a perguntas dos jornalistas José Paulo Andrade, Franklin Martins e Joelmir Beting. O último bloco será reservado para as considerações finais dos postulantes ao Planalto.
A ausência não livrará Lula dos ataques. Ao contrário. Eles tendem a ser maiores e mais generalizados. Com uma desvantagem: o alvo ficará indefeso. O prejuízo será ainda maior se a Bandeirantes mantiver no cenário uma cadeira vazia, com o nome de Lula sobre a bancada. O petismo sempre poderá argumentar que FHC também correu dos debates em 98. A estratégia é repetida em São Paulo por José Serra. Mas Lula vendia-se como algo diferente na política. Vai ficando cada vez mais igual a qualquer coisa.
Lula decerto assistirá ao debate sentado numa das confortáveis poltronas do Alvorada. É provável que se faça acompanhar dos assessores mais chegados. Não se exclui a hipótese de que grave a refrega, para ver e rever depois. “Play it again, Gushiken”, dirá, parodiando a frase mais famosa de Bogart. Uma frase que, diga-se, jamais foi pronunciada.
Escrito por Josias de Souza às 14h42
Há mais mistérios por trás das fechaduras da Assembléia Legislativa de Rondônia do que pode imaginar a vã filosofia do contribuinte. São coisas insondáveis, como o caso das fantasminhas mencionadas na coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):
- Gasparzinhas: Na caça por focos de desvio de dinheiro público em Rondônia, a PF descobriu que moças que sequer moram na capital, Porto Velho, figuravam na folha de pagamento de gabinetes de deputados. Duas delas, lotadas na presidência da Assembléia Legislativa, recebiam salários de R$ 3 mil e de R$ 5 mil. A PF não quer ultrapassar a fronteira da vida pessoal dos parlamentares. As moças devem ser tratadas como "fantasmas" e vão responder por peculato.
Escrito por Josias de Souza às 07h31

- JB: A vez dos jornalistas
- Folha: Combates crescem antes de cessar-fogo no Líbano
- Estadão: Ataques crescem na véspera do cessar-fogo
- Globo: Bandidos usam seqüestro para negociar privilégios
- Correio: O terror mostra sua cara
- Valor: Vale deslancha a ofensiva para tentar comprar Inco
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h12
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 06h05
Foi libertado por volta de meia-noite e meia desta segunda-feira o repórter da Globo Guilherme Portanova, que fora seqüestrado na manhã de sábado. Ele foi deixado no bairro paulistano do Morumbi.
De carona, o repórter conseguiu chegar à sede da Globo em torno de uma da madrugada. A polícia ainda não conseguiu identificar os seqüestradores, que só liberaram Portanova depois que a Globo exibiu, na madrugada de sábado para domingo, um vídeo em que bandido encapuzado leu um comunicado do PCC.
Escrito por Josias de Souza às 00h59
MP analisa inquérito e denúncia contra Suassuna
O Ministério Público pode impor nas próximas semanas mais dois constrangimentos ao senador Ney Suassuna (PB). Encontram-se sob análise um pedido de abertura de inquérito e o oferecimento de uma denúncia contra o líder do PMDB no Senado. Os procedimentos devem ser remetidos ao STF.
Suassuna já tem contra si um inquérito que apura suposto envolvimento dele com a máfia das ambulâncias. A investigação foi pedida pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, e autorizada pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes.
O nome de Suassuna foi incluído também no rol de congressistas implicados pela CPI das Sanguessugas, com sugestão de cassação do mandato. Em discursos na tribuna do Senado, Suassuna vem negando que tenha recebido propinas em troca de emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas. Pressione aqui para ler um desses discursos.
O novo pedido de inquérito que pode ser formulado contra Suassuna diz respeito à suspeita de envolvimento do senador num suposto “esquema de corrupção” montado para favorecer uma empresa privada. O caso foi noticiado aqui no blog em novembro do ano passado.
A firma que teria sido beneficiada chama-se Embrasc (Empresa Brasileira de Assessoria e Consultoria Ltda). Tem sede em Santos (SP). Vende assessoria fiscal para que empresas enrascadas com o fisco se livrem de passivos tributários.
Em depoimento ao Ministério Público Federal, Norma Boffa dos Santos, uma ex-diretora da Embrasc, contou que a empresa pagou suposto pedágio a Suassuna em troca da intermediação de um contrato firmado com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio), em janeiro de 2000.
O senador, de novo, nega. Leia as manifestações de Suassuna aqui e aqui. Ele apresentou defesa ao procurador-geral Fernando de Souza, a quem caberá agora dar a palavra final sobre o encaminhamento de pedido de aprofundamento das investigações ao Supremo.
Com o auxílio da Polícia Federal, o Ministério Público está concluindo também uma investigação que envolve suposta remessa irregular de dinheiro para uma conta de Suassuna no exterior. As remessas ocorreram entre 1998 e 2003, para uma conta chamada Key West, no Delta Bank de Miami (Flórida).
O caso começou a ser investigado no final de 2004, quando a conta de Suassuna foi descoberta em meio à documentação que a CPI do Banestado recebera do Ministério Público dos EUA. O assunto chegou a ser noticiado pelo repórter Amaury Ribeiro Júnior. Em discurso no Senado, Suassuna, de novo, negou o malfeito (leia).
O problema é que o Ministério Público julga ter reunido evidências contra o senador. Neste caso, trabalha-se com a hipótese de encaminhar ao STF uma denúncia formal, não mais um pedido de abertura de inquérito. A palavra final também caberá ao procurador-geral Fernando de Souza.
Escrito por Josias de Souza às 00h11
Se você permitir, caro eleitor, gestores públicos condenados por malversação do dinheiro da Viúva podem ganhar cadeiras na Câmara e nas Assembléias Legislativas nas eleições deste ano. Levantamento feito pela repórter Alessandra Bastos identificou nada menos que 14 candidatos a deputado federal e 51 a deputado estadual que foram condenados em última instância pelo Tribunal de Contas da União.
Condenações impostas pelo TCU, um tribunal auxiliar do Congresso Nacional, podem ser questionadas na Justiça. Em função disso, gestores encrencados podem concorrer a novos mandatos eletivos. Por ora, só você tem o poder de decidir se eles devem ou não preservar suas carreiras políticas. Veja aqui a lista dos 14 condenados que concorrem à Câmara Federal. E aqui a relação dos 51 enroscados que disputam mandatos de deputado estadual.
Escrito por Josias de Souza às 22h47
Com a experiência de quem conhece a TV por dentro, Marcelo Tas fez uma avaliação do desempenho dos presidenciáveis nas entrevistas que concederam ao Jornal Nacional. Ele desdenha do que muitos jornalistas consideraram como pontos falhos dos candidatos. E realça pontos que, a seu juízo, passaram em branco para os analistas.
Noves fora o desempenho de Fátima e Bonner –o casal “esteve impecável”— Tas acha que, "de forma geral, todos os candidatos se saíram bem". Não se exime, porém, de construir o seu próprio ranking de desempenho. Para ele, Heloisa Helena foi quem se saiu melhor. Alckmin viria em segundo lugar. Lula, em terceiro. Pressione aqui para ler as avaliações de Tas.
Escrito por Josias de Souza às 19h27
Fidel Castro completa 80 anos neste domingo. O jornal cubano Juventud Rebelde traz uma edição que pode ser vista com otimismo ou pessimismo, dependendo da disposição de quem lê. Estampa quatro fotos de Fidel, tiradas supostamente na véspera.
São as primeiras imagens do ditador cubano desde que foi submetido a uma cirurgia no abdômen e teve de passar o poder ao irmão Raúl Castro, em 31 de julho. Além das fotos, o jornal publica uma mensagem de Fidel.
O texto atribuído a Fidel desliza sobre a corda bamba: "Dizer que a estabilidade melhorou consideravelmente não é mentira. Dizer que o período de recuperação será breve e que já não existe mais risco seria absolutamente incorreto. Sugiro que vocês sejam otimistas e, ao mesmo tempo, se mantenham sempre preparados para receber uma má notícia".

Escrito por Josias de Souza às 17h24
Radiobras impõe cobertura apartidária da eleição
Em protocolo divulgado na sua página na internet, a Radiobras baixou regras para a cobertura das eleições presidenciais. Prevêem do “apartidarismo” do noticiário à proibição de envolvimento de funcionários com comitês eleitorais. Presidente da estatal desde janeiro de 2003, o jornalista Eugênio Bucci (ex-Abril, Folha, JB e Estadão) disse ao blog que o combate ao jornalismo oficial chapa-branca é uma “exigência da vida democrática brasileira”. Abaixo, a entrevista:
- O que está acontecendo com a Radiobras?
Não é mérito da direção da Radiobras. É exigência da vida democrática brasileira. Em algumas regiões afastadas, as pessoas só têm notícias da Radiobras. Se recebessem informação deliberadamente distorcida, seriam lesadas no direito à informação.
- Antes de sua gestão não havia isenção na Radiobras?
O segundo governo do FHC teve na Radiobras a presidência do jornalista Carlos Zarur. Foi uma gestão muito boa. Já caminhava na direção do apartidarismo.
- Como vai ser a cobertura da campanha de 2006?
A gente tenta dar espaços iguais para todos os candidatos a presidente.
-Cobre o dia a dia dos comitês?
Não temos estrutura para isso. Fazemos uma cobertura seletiva. E produzimos reportagens que não têm merecido atenção de outros veículos. Fizemos, por exemplo, uma longa matéria sobre candidatos que têm problemas no TCU. Fizemos também reportagens sobre a história das eleições.
- Vão noticiar pesquisas de opinião?
Nenhuma linha. Não temos condições de contratar pesquisas próprias. E não vemos sentido em reproduzir números que outros veículos já deram.
- Qual é a linha editorial?
Só cobrimos as campanhas a partir de fatos que se relacionam ao calendário oficial. Não cobrimos especulações. Tem a convenção partidária? É aí que sai oficialmente o candidato? Então a gente cobre, de maneira eqüitativa.
- Vão veicular o tiroteio eleitoral?
Só daremos denúncias que forem acatadas formalmente pelo TSE.
- Quantos jornalistas foram destacados para a eleição?
Montamos uma editoria multimídia com cerca de 20 pessoas. Vai aumentar.
- Cobrem as viagens que Lula faz como candidato?
De jeito nenhum. Decidimos não cobrir nenhum candidato em viagem. Foi uma escolha em cima de prioridades. A Radiobras tem o dever de acompanhar todas as atividades do presidente. Não como candidato.
- Alguém no governo já reclamou dessa linha?
Não recebemos nenhuma queixa em função da separação do que é campanha daquilo que é oficial. Nenhuma reclamação.
- Cobriram o escândalo do mensalão?
A partir da entrevista do Roberto Jefferson a Agencia Brasil veiculou 3.500 matérias relacionadas ao tema só em 2005. Demos também no rádio e na televisão. Publicamos, por exemplo, quando o Roberto Jefferson disse que José Dirceu era ‘chefe da quadrilha’.
Escrito por Josias de Souza às 15h15
Percebendo que a velha ideologia não dava mais para o gasto, políticos do PSDB e do PT trocaram-na por uma nova, em alta. A julgar pelas cotações do mercado, devem estar satisfeitos com a opção que fizeram.
Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo revela: 47% do eleitorado brasileiro se define com sendo de "direita". Outros 23% de "centro" e apenas 30% de "esquerda" (leia). Comparada com levantamentos anteriores, a sondagem mostra que o perfil conservador do eleitor sobressai desde a década de 90.
Escrito por Josias de Souza às 11h33
O PCC se deu conta de que, na sociedade moderna, não há existência fora da mídia. Sabe que passou a ser visto pela sociedade. Agora, quer mais. Deseja editar a imagem. O crime já não se contenta com o papel de figurante do mal. Quer ser protagonista.
Atendendo a exigências feitas por bandidos que seqüestraram um repórter da casa, a Globo viu-se compelida a exibir, à 0h30 deste domingo, um vídeo em que suposto integrante do PCC (na foto) fez um "comunicado" à sociedade. Pediu revisão das penas dos presos e reclamou das condições carcerárias.
A gravação chegou à sede da Globo, em São Paulo, por volta de 22h30. Levou-a um auxiliar técnico da emissora que fora seqüestrado pela manhã junto com um repórter. Liberado pelos criminosos, o técnico foi transformado em pombo correio dos seqüestradores.
Mandaram dizer que, se o vídeo não fosse ao ar, o repórter seria morto. A Globo resolveu ceder à exigência. Difícil julgar a emissora. Agiu bem? Deveria ter resistido? A emissora explicou, em nota oficial, os motivos que a levaram a ceder à exigência dos bandidos.
De concreto tem-se o seguinte: os criminosos tiveram o que queriam. Saíram na Globo, nas condições e na hora que bem entenderam. É o impensável levado às suas últimas conseqüências.
Escrito por Josias de Souza às 10h44

- JB: Medo movimenta R$ 112 bi
- Folha: 47% dos brasileiros se dizem de direita
- Estadão: Só os bancos suíços são mais rentáveis que os do Brasil
- Globo: Tráfico arma e treina 1 em cada 5 meninos infratores
- Correio: R$ 145 milhões sugados da Saúde
- Valor: Nova redução de tributos causa atritos no governo
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h21
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h14
TCU contesta avaliação positiva de Lula sobre DNIT
Alan Marques/F.Imagem
Para exibir os “êxitos” de seu governo sem ferir a lei eleitoral, Lula adotou a tática de visitar repartições públicas. O primeiro alvo de sua agenda itinerante foi o DNIT. Visitou o órgão que cuida das estradas no último dia 7 de julho. Depois de ouviu um relato sobre a operação “tapa-buracos”, o presidente exultou: “Tenho orgulho em ver o DNIT provar que é uma instituição que vale a pena apostar nela”.
Relatório aprovado pelo plenário do TCU na última quarta-feira faz uma avaliação bem diferente da repartição que inspirou o sentimento de “orgulho” no presidente. “São tantas as irregularidades e apenações que, pelo visto, não causa mais constrangimento ao DNIT inobservar leis e prescrições do TCU”, anota o documento.
Lula insinuou que, sob sua gestão, o DNIT converteu-se num modelo de gestão. “No Brasil, temos o hábito de, quando uma coisa não dá certo, a primeira coisa que a gente faz é desacreditar a instituição”, disse o presidente. “Já se fechou uma enormidade de coisas que se não funcionava bem, mas não era por causa da instituição, mas das pessoas que a comandavam".
De novo, o relatório do TCU desenha um quadro diferente. Em 23 de julho de 2003, o tribunal encaminhara ao governo um relatório no qual apontava um impressionante conjunto de irregularidades praticadas no DNIT em gestões anteriores à do PT. O texto continha uma série de determinações para a correção dos problemas. Lula assumira a presidência havia sete meses. Faltam três meses para o fim do governo. E nada foi feito.
O TCU monitorou o cumprimento das determinações que fizera em 2003. No julgamento da última quarta-feira, o tribunal analisou os resultados. “As respostas do DNIT (...) ficaram muito aquém do desejado”, diz o texto do ministro Marcos Vilaça, relator do caso. “São quase todas vagas, desacompanhadas de providências concretas.”
O ministro Vilaça desancou até a operação que levou Lula ao êxtase na visita ao DNIT. Escreveu que “os tapa-buracos” são “medidas de grande efeito visual, porém de resultados bastante limitados (...). Consomem muito dinheiro, mas só se ocupam das conseqüências dos problemas, ao invés das suas causas”.
É desolador o cenário pintado no relatório do TCU de 2003 (pressione aqui para ler a íntegra). Dos 56 mil quilômetros de estradas federais pavimentadas no país, algo entre 66% e 85% encontravam-se em condições insatisfatórias. O percentual varia conforme a metodologia utilizada no cálculo. Em São Paulo, excluindo-se as rodovias conservadas por empresas privadas mediante cobrança de pedágio, “praticamente não há estradas federais em boas condições (97,7% da extensão são considerados ruins ou regulares, segundo o DNIT)”.
Entre outras causas do descalabro o TCU apontou: ausência de balanças de pesagem de veículos com excesso de peso, deficiência na elaboração dos projetos das rodovias, ausência de responsabilização das empreiteiras por defeitos nas obras rodoviárias, falta de dinheiro e desmontagem da estrutura do DNIT e o esvaziamento do Instituto de Pesquisas Rodoviárias.
E o que fez o governo Lula? Diz o TCU: Quanto à pesagem de veículos, “continua irrisório o número de balanças em operação”; “não há indícios de que tenham sido tomadas atitudes firmes” para corrigir falhas de projeto e responsabilizar empreiteiras; “nada foi feito” em relação ao Instituto de Pesquisas Rodoviárias; para reaparelhar o DNIT, abriram-se 2.400 novas vagas, a serem preenchidas gradualmente –“Portanto”, diz o TCU, “é algo que também não foi completamente resolvido”.
O tribunal deu 360 dias para que o DNIT revigore o seu instituto de pesquisas e apresente estudo com soluções tecnológicas para aumentar a durabilidade das estradas. E incluiu o órgão no seu cronograma de novas inspeções. Se Lula vier a ser reeleito, decerto terá tempo para adotar providências capazes de deixá-lo ainda mais orgulhoso do DNIT.
Escrito por Josias de Souza às 01h42
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