Falta um mês e meio para o momento mágico em que você, já no interior da cabine eleitoral, visita sua alma. Súbito, descobre que esqueceu a consciência em casa. Estica o dedo em direção à urna eletrônica e vota a esmo. Transfere o problema para a divina providência. Meses depois, descobre que Deus está morto. Foi assassinado pela omissão coletiva. Não resta senão sentar, rezar, pedir perdão e expiar os pecados. Nesses tempos de culto à hipocrisia, o repórter gosta de reeditar um dicionário que vem colecionando e atualizando.
É uma maneira de homenagear a insensatez. A providência é desnecessária. A barafunda nacional não existiria se o eleitor já não estivesse compenetrado no exercício do seu papel. Mesmo assim, aí vão alguns verbetes para aujudá-lo em sua (des)orientação:
- Alckmin: nome mais cotado para transformar o adversário em vitorioso;
- Candidato: pretensioso que diz coisas definitivas sem definir as coisas;
- Campanha: período em que um grupo de loucos apresenta no rádio e na TV sua plataforma para dirigir o hospício;
- Coerência: velha maluca que faz tricô enredando-se nas linhas de suas próprias contradições;
- Coligação: aliança partidária com fins lucrativos;
- Democracia: regime político que saiu pelo ladrão; espécie de luta de boxe em que a sociedade entra com a cara;
- Eleição: uma loteria sem prêmio no final;
- Eleitor: cidadão escalado para optar entre o lamentável e o impensável;
- Heloisa Helena: Pseudonovidade no seio da política; a inconseqüência com saliências e reentrâncias;
- Lula: ex-operário que se converteu em compositor. Compõe com qualquer um.
- Marketing político: técnica que consiste em enfeitar a forca, conferindo-lhe a aparência de inofensivo instrumento de cordas;
- Pesquisa eleitoral: estatística que antecipa o nome do herói que será chamado de ladrão depois da posse;
- Petista: tucano que conseguiu pôr a mão na chave do cofre;
- Programa de governo: tratado de verdades que se esquecerão de acontecer;
- Tucano: linhagem de políticos com os pés no chão. E as mãos também;
- Voto: equívoco renovado de quatro em quatro anos;
Por último, vai aqui uma recomendação: na manhã de 1º de outubro, depois de escovar os dentes e lavar o rosto, olhe fixamente para o espelho. Talvez você enxergue o reflexo de um culpado.
Escrito por Josias de Souza às 18h28
Maurício Lima/France Presse
Um dia depois de encontro que manteve com Lula, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), anunciou neste sábado a intenção de ampliar a colaboração com o governo federal no combate ao PCC. Os detalhes do plano de ação conjunta serão revelados na próxima semana. A cooperação envolverá a PM paulista e o Exército.
Porém, Lembo descartou uma vez mais a hipótese de que tropas do Exército saiam às ruas: "Nós avisamos vocês dia e hora de eventual acontecimento. Vai existir, claro”, disse Lembo a respeito do projeto de cooperação. “Sempre vamos trabalhar nesta linha. Se precisar de tropas do Exército vamos chamar, mas é desnecessário. O Exército também tem essa consciência" (leia).
Escrito por Josias de Souza às 17h50

Numa eleição presidencial, a humildade de um candidato depende muito do tamanho do adversário. O principal adversário de Lula é Geraldo Alckmin. O que faz com que o presidente seja 100% pretensão.
Neste sábado, discursando num comício em Salvador, Lula afirmou que, a despeito de ter sido submetido a “um ano e meio de massacre político”, não será vingativo. Fará a campanha “sem falar de ninguém”. Lançou uma espécie de desafio à oposição:
“Se eles quiserem me derrotar, vão perceber uma coisa: uma coisa é derrotar um presidente encastelado em Brasília. Outra coisa é derrotar um presidente no meio do povo".
Abespinhado com Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que o chama de “ladrão” pelo menos uma vez por semana, Lula pediu votos para o petista Jaques Wagner. Ele disputa o governo da Bahia com Paulo Souto (PFL), do grupo de ACM.
"É preciso desmontar essa panela e colocar gente nova para temperar melhor a Bahia", disse o presidente. O grupo de ACM governa a Bahia há 16 anos. Antes, falando a prefeitos baianos, Lula havia desancado o Congresso. Usou ternos duros.
Disse que a imunidade parlamentar não pode servir de biombo para a “safadeza”. "A coisa é tão absurda que deputado ou senador pode achincalhar o presidente da República, como vocês sabem que eu fui achincalhado, e não posso abrir um processo porque tem imunidade", afirmou. "A imunidade é para proteger a classe política do arbítrio, mas não para proteger da safadeza".
Lula disse ainda que duvida da capacidade do Legislativo de aprovar uma reforma política. "Tenho dúvidas que o Congresso Nacional fará a Reforma Política de verdade, tenho dúvida porque eles estarão legislando em causa própria e poderão fazer muito arremedo em benefício deles próprios", disse.
De resto, insinuou que a corrupção generalizou-se entre os partidos por conta das disfunções do sistema político. O problema, disse ele, não é "de um partido ou de uma pessoa, é da estrutura política, que é assim há muitos anos".
Como se vê, Lula permitiu que as pesquisas lhe subissem à cabeça. Que o bordel partidário funciona “há muitos anos” não há dúvida. FHC que o diga! Foi para interromper a suruba que o eleitor confiou em Lula e no PT em 2002. Deu-se, porém, o inesperado: a freirinha da política nacional foi pilhada em pleno bacanal.
Quanto à reforma política, Lula prometeu realizá-la no início de sua gestão. Pressione aqui para ouvir o discurso de posse de Sua Excelência. Mudou de idéia. Em vez de buscar a moralização, preferiu servir-se dos vícios da “estrutura política”. Encostou a barriga no balcão de oportunidade$ em que são trançadas as relações do Executivo com o Legislativo.
Escrito por Josias de Souza às 17h21

- JB: Grupo de militares desvia R$ 53 milhões do Exército
- Folha: ONU aprova cessar-fogo e envio de tropa ao Líbano
- Estadão: Israel aceita acordo, mas ataca mais
- Globo: Depois dos Sanguessugas, PF prende quadrilha de "saúvas"
- Correio: DF registra mais mortes em rodovias
- Valor: Nova redução de tributos causa atritos no governo
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h36
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h29
Ricardo Stuckert/PR
Lula, Geraldo Alckmin e Heloisa Helena, os três candidatos mais bem-postos nas pesquisas eleitorais, promovem neste sábado a "guerra do acarajé". Os três resolveram medir forças na Bahia. Antecipando-se ao congestionamento, Cristovam Buarque chegou ao Estado nesta sexta-feira.
Entre os três principais candidatos, Lula é o que desfruta de maior prestígio entre os baianos. A última pesquisa pública, com registro na Justiça Eleitoral, é de 24 de julho. Foi feita pelo Ibope. Atribuiu 62% das intenções de voto no Estado ao presidenciável petista. Alckmin obteve escassos 14%. Heloisa Helena, 8%.
A viagem à Bahia entrou na agenda de Lula por conta de uma obsessão. Conforme já noticiado aqui no blog, o presidente atribui ao Estdo uma importância “simbólica”. Move-o o desejo de impor uma derrota ao grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que o chama ostensivamente de “ladrão”.
Lula tenta transferir o seu prestígio pessoal para o candidato do PT ao governo da Bahia, o ex-ministro Jaques Wagner. Trata-se de uma tarefa hercúlea. Na mesma pesquisa em que mediu a popularidade dos presidenciáveis, em julho, o Ibope perguntou aos baianos em quem votariam no pleito de governador.
Candidato à reeleição, Paulo Souto (PFL), do grupo de ACM, obteve confortáveis 56%, contra 13% de Wagner. O petismo baiano diz dispor pesquisas mais recentes e menos desfavoráveis. Souto estaria agora com 51%, em queda. Wagner teria 20%, em alta. O governador pefelista desdenha dos números: “Só acredito nas pesquisas que posso ver.” O Ibope deve fazer uma nova sondagem no início da próxima semana.
Num esforço para transferir parte de seu prestígio pessoal para o pupilo Wagner, Lula gravou mensagem de apoio a ser exibida no programa eleitoral que começa na próxima terça-feira. Neste sábado, posará com seu candidato a tiracolo. Participará de um café da manhã com prefeitos e de uma caminhada pelas ruas de Salvador, que vai desembocar num comício na Praça Castro Alves.
Orlando Brito
Informado acerca da agenda do adversário, o comitê de campanha de Alckmin providenciou a ida à Bahia no mesmo dia. A tática do tucano é inversa à de Lula. Alckmin tenta atrair para si parte da popularidade de Souto. Para evitar dissabores, o tucanato cuidou para que seu candidato ficasse geograficamente longe de Lula. Alckmin evitará Salvador. Fará dois comícios no interior: às 18h em Juazeiro e às 21h em Itabuna.
O comitê de Heloisa Helena não teve os mesmos pruridos. A exemplo de Lula, a candidata do PSOL fará caminhada em Salvador pela manhã. Ele caminhará pela Cidade Alta. Ela, pela Cidade Baixa. Sem a mesma estrutura do petismo, Helena não prevê a realização de comício. Deu-se o mesmo com Cristovam. Ignorado pelo prefeito de Salvador, João Henrique, de seu partido, o candidato do PDT limitou-se a fazer uma peregrinação no interior de um shopping (Iguatemi) e uma visita a um projeto educacional gerido pelo grupo afro Ilê Aiyê. Neste sábado, vai a Vitória da Conquista.
Souto e ACM acompanharão Alckmin nos comícios de Juazeiro e Itabuna. Todos irão discursar. O esforço do PFL é no sentido de reunir nos dois eventos um público maior do que o que irá prestigiar Lula na Praça Castro Alves.
De Salvador, Lula viajará para o Ceará. Deve fazer um comício em Fortaleza ao lado do ex-ministro Ciro Gomes, candidato a deputado, e do irmão dele, Cid Gomes, que disputa o governo cearense pelo PSB. Alckmin, por sua vez, passará por Alagoas antes de rumar para Salvador. Ali, enfrentará uma saia justa. Teotônio Vilela Filho, o tucano que concorre ao governo de Alagoas, é apoiado por Renan Calheiros, lugar-tenente de Lula no PMDB.
Escrito por Josias de Souza às 01h55
Sérgio Lima/F.Imagem
Abordado por repórteres durante uma caminhada que realizou nesta sexta-feira pela região do Largo 13 de Maio, na capital paulista, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin chamou Lula de mentiroso. Acusou-o de mentir sobre a demissão dos ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil) na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional.
Lula dissera que Palocci e Dirceu –o primeiro acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e o segundo enredado no escândalo do mensalão— foram demitidos por ele. Até então, o governo permitira que prevalecesse a tese de que os dois auxiliares haviam pedido demissão.
Não foi, na opinião de Alckmin, a única “mentira” pronunciada pelo oponente: "Ele mentiu quando disse que criou a Controladoria Geral da União, que foi criada no governo anterior. Ele mentiu quando disse que demitiu o ministro José Dirceu. Ele (Dirceu) pediu demissão e o presidente ainda mandou uma carta toda apaixonada. Disse que demitiu o Palocci, e o Palocci pediu demissão e ele ainda lamentou. Há um abismo verdadeiro entre o que se fala e a realidade."
Alckmin aproveitou-se de um deslize cometido por Lula durante a entrevista para tirar outra casquinha do adversário: “O presidente disse que combateu a ética, né? Não foi isso que ele falou? Ele disse que combateu a ética, ele mentiu várias vezes."
A agressividade de Alckmin é, neste caso, estéril. É bobagem um candidato chamar o outro de mentiroso. Todos, em alguma medida, são. A diferença é que Lula parece ter desenvolvido melhor a arte. As pesquisas estão aí para comprovar que o número de eleitores dispostos a acreditar nele é, hoje, bem maior. Alckmin precisa ensaiar melhor o seu repertório.
Escrito por Josias de Souza às 18h46
A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira mais uma de suas operações. A Operação Saúva (Clique para ler o relato da repórter Kátia Brasil). Foram em cana 30 pessoas. São acusadas de fraudar licitações públicas que somam R$ 126 milhões.
A quadrilha superfaturava, veja você, alimentos destinados à merenda escolar, aos quartéis do Exército e a famílias carentes. Além de vender mais caro, o bando entregava alimentos impróprios. Enviou-se ao Exército, por exemplo, açúcar contaminado por fezes de rato, arroz com parasitas e peixe com larvas.
A ação da PF estendeu-se por sete unidades da federação: Amazonas, Rondônia, Rio, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Entre os suspeitos que foram à garra estão dez militares do Exército, empresários, um assessor do vice-governador do Amazonas e o subsecretário da Secretaria de Fazenda do Estado.
As tentativas de governo no Brasil, em âmbito federal, estadual e municipal, sempre começam com um projeto administrativo e evoluem para a depravação. Mas nos últimos tempos o pessoal está esquecendo de maneirar.
A corrupção vai deixando a condição de anormalidade para tornar-se algo perigosamente usual, corriqueiro. A administração pública ganha contornos de Cosa Nostra. Triste.
Nas pegadas da nova operação policial, Lula aproveitou um comício em Niterói (RJ) para responder aos que acusam o seu governo de praticar perversões éticas. Ele disse o seguinte:
"Até quando os adversários falarem em corrupção, não tenham medo, porque quem está tirando o lixo do tapete somos nós. 80% de tudo que foi desvendado de corrupção começou em 80, 85, 87, 90 e 92. Até o processo dos sanguessugas começou lá atrás. Nós estamos levantando o tapete. Só vamos ser um país de verdade se tivermos a coragem de eliminar esse tumor da corrupção, doa a quem doer, seja companheiro nosso ou não."
Escrito por Josias de Souza às 16h22
No front de batalha diplomática, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou, nesta sexta-feira, uma declaração que condena Israel pelos ataques militares no Líbano. O documento aponta "violações maciças aos direitos humanos".
Aprovou-se também a criação para investigar os "assassinatos e ataques sistemáticos" contra civis libaneses por Israel. Nada menos que 27 países –entre eles Rússia, China, Índia— votaram a favor do texto.
No front de guerra, Israel atacou mais 130 alvos nas últimas 24 horas. O Hizbollah também lançou 15 foguetes contra Haifa, cidade ao norte de Israel. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o Ministro da Defesa, Amir Peretz, ordenaram ao Exército a preparação de uma ofensiva terrestre ampliada no Líbano.
Como se vê, a ONU precisa mesmo passar por uma reforma. Uma reformulação capaz de torná-la menos inútil. Poderia, por exemplo, pensar em transformar aquele seu prédio maravilhoso, assentado no coração de Nova York, num hotel de luxo. As dores do mundo não seriam atenuadas. Mas daria um bom dinheiro.
PS.: horas depois da divulgação do despacho acima, o Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução pedindo o fim dos confrontos entre o Exército israelense e o grupo terrorista libanês Hizbollah. O documento pede também que Israel retire suas tropas do Líbano. E autoriza o envio de 15 mil soldados de uma força de paz das Nações Unidas.
A resolução chega com um atraso de quatro semanas. O confronto começou em 12 de julho. Kofi Annan, o secretário-geral da ONU, se disse frustrado. Reconheceu que a inércia da ONU “abalou extremamente a confiança do mundo sobre sua autoridade e integridade". Nada comparável ao que pode acontecer se Israel der de ombros para a resolução. O assunto será discutido pelo gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert no domingo. Até lá, seguem os bombardeios.
Escrito por Josias de Souza às 15h21
O brasileiro, como se sabe, é um sujeito otimista. Nos momentos mais obscuros, consegue enxergar a luz no fim do túnel. Deve andar, porém, angustiado, sem saber o que fazer agora que, em meio ao sururu de mensaleiros e sanguessugas, roubaram o túnel.
E quando se imaginava que o país atingira, finalmente, o caos político que persegue há 500 anos, descobre-se que a coisa ainda não se deteriorou o bastante. O que vai de mal a pior pode ir de pior a muito pior ainda. Fernando Collor está na bica de retornar à política!
O ex-presidente almeja uma cadeira de senador por Alagoas. Decerto pôs na balança todas as perversões praticadas depois dele e achou que tem direito a uma segunda chance. Tem gente que não gosta mesmo de ficar atrás. Difícil para Collor será vestir o paletó por cima das asas de anjo que lhe brotam das costas.
Escrito por Josias de Souza às 10h10

- JB: Terror no ar
- Folha: Inglaterra diz que evitou atentado
- Estadão: Ingleses frustram maior plano terrorista desde 11/09
- Globo: CPI quer cassar 72 , mas eleitor pode punir antes
- Valor: Nova redução de tributos causa atritos no governo
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 05h54
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 05h44
Luiz Parra/Folha Imagem
A TV Bandeirantes promoverá na próxima segunda-feira, às 22h, o primeiro debate entre os presidenciáveis. Todos os candidatos já confirmaram presença. Menos Lula. Na última terça-feira, a assessoria do candidato petista prometera informar em 48 horas se o presidente participaria ou não do embate com os adversários. O prazo já expirou. E nada.
A assessoria de Lula está dividida. Uma parte acha que a ausência no debate terá um custo político. O presidente passaria à opinião pública a impressão de que foge do confronto porque receia eventuais questionamentos éticos. Argumenta-se que Lula, escolado no manuseio das palavras desde os tempos em que discursava em cima de caminhões nas portas de fábricas (veja foto acima), não tem razões para alimentar temores.
Outro grupo, por hora majoritário, avalia que, cotado para ser reeleito em primeiro turno, Lula não deve se expor desnecessariamente. Nesta quinta-feira, o Ibope divulgou mais uma pesquisa que atesta o favoritismo de Lula. Caberá ao candidato dar a palavra final.
Nas duas ocasiões em que foi questionado diretamente acerca da disposição de comparecer a debates, Lula desconversou. Disse que gosta de debater. Mas condicionou a participação à análise das regras dos confrontos. Além da Bandeirantes, outras três emissoras organizam programas do gênero –SBT, Globo e Gazeta.
No caso da Bandeirantes, o PT não tem razões para invocar restrições às regras como justificativa à eventual ausência do candidato. Representantes do comitê de campanha petista participaram de todas as reuniões convocadas especificamente para a definição das regras. O próprio presidente do PT, Ricardo Berzoini, esteve num dos encontros.
É de Berzoini, aliás, a autoria de uma sugestão que, aceita pelos demais, resultou na fixação de um critério que privilegia a exposição de programas de governos, com perguntas de candidato para candidato. Atenta à hesitação do petismo, a assessoria do presidenciável tucano Geraldo Alckmin tenta obter da Bandeirantes o compromisso de manter no estúdio uma cadeira vazia e o nome de Lula na bancada.
Para fundamentar sua reivindicação, o tucanato invoca um trecho do documento que explicita as regras. Diz o texto que haverá no estúdio uma cadeira para cada candidato, com a respectiva identificação. Para o comitê de Alckmin, se Lula não der as caras o assento dele deve ser exibido, vazio, aos telespectadores.
Os petistas contrários à participação de Lula argumentam que falta moral ao PSDB para explorar politicamente eventual ausência do candidato. Lembram que FHC, em posição análoga à de Lula nas pesquisas, recusou-se a comparecer a debates na campanha presidencial de 98. Argumentam ainda que o tucano José Serra, favorito na disputa pelo governo de São Paulo, também vem se esquivando dos debates.
De fato, Serra faltou ao primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista. Deu-se na TV Gazeta, na noite de quarta-feira. Serra não demonstra intenção de comparecer a outros encontros do gênero.
A Bandeirantes decidiu aguardar por uma resposta de Lula até o último minuto. O blog perguntou a um diretor da emissora se haverá uma cadeira vazia no estúdio caso Lula não apareça. Eis a resposta: “Nós não estamos trabalhando com a hipótese de o presidente não comparecer.”
Escrito por Josias de Souza às 23h08
Sérgio Lima/Folha Imagem
A entrevista de Lula ao Jornal teve uma única e escassa serventia: promoveu a exumação de um personagem que parecia enterrado sob a avalanche de pesquisas eleitorais. Está-se falando daquele presidente da República cego que o país conhecera no ano passado. O Lula ‘não sabia de nadinha’ da Silva.
No embalo de uma bateria de perguntas sobre o mensalão, perguntou-se a Lula se num eventual segundo mandato não poderia ser “surpreendido” novamente por malfeitorias praticadas à sua volta.
O presidente ensaiou um blábláblá. “Tenho responsabilidade por qualquer erro que qualquer funcionário público cometer. Direta ou indiretamente, eu tenho responsabilidade”.
Súbito, Lula foi atalhado por Fátima Bernardes: O sr. errou? O que faria de diferente? Entrou em cena o cego: “Só poderia fazer diferente se soubesse antes. Soube depois que aconteceu”. Devagarinho, o lero da responsabilidade solidária foi se dissolvendo:
“Tá cheio de famílias que tem problema dentro de casa e a família não sabe (...). Como pode as pessoas exigir que o presidente saiba o que está acontecendo agora na Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, ligada ao Ministério da Agricultura. Como posso saber o que faz um ministro que não está aqui?”
A secretaria mencionada é vinculada ao governador Cláudio Lembo, não à pasta da Agricultura. E as perversões do mensalão não foram urdidas assim tão longe de Brasília. Noves fora a conexão feita na Minas de Valério, passaram pela ante-sala do gabinete presidencial.
De resto, a evocação do ambiente familiar não é conveniente. Família, neste caso, traz à memória a imagem siciliana do capo. Além disso, não se estava falando de quaisquer filhos. Não, não. Alguns deles eram os preferidos do pai.
Já na primeira pergunta, como zagueiro de time de várzea, Willian Bonner fora à canela do entrevistado. Delimitara o terreno da entrevista. Mencionara a denúncia do Ministério Público contra os 40 integrantes da “quadrilha” do mensalão. Deu nome aos petistas da boiada: José Dirceu, José Genoino, Silvio Pereira, Delúbio Soares... Permitiu-se recolher fragmentos da peça do procurador-geral da República.
Coisas assim: “... desviar recursos de órgãos públicos e estatais, para pagar dívidas do PT. Dívidas antigas e novas. Tanto do PT como de partidos aliados. Garantir que o PT continuasse no poder comprando apoio...” Lula tratou de afastar o cálice de si: “Lamento que companheiros tenham feito coisas que ainda vão ser julgadas”.
Na seqüência, revelou-se preocupado com aspectos que, embora relevantes, não costumavam impressioná-lo na fase do mata-e-esfola do PT oposicionista: lembrou que ninguém foi condenado. E que todos têm o direito de se defender.
A sorte de Lula é que o eleitorado parece estar anestesiado. Valoriza outros temas em detrimento da ética. Pesquisa feita pela Fundaçao Perseu Abramo, vinculado ao PT, revelou que 50% da população não acredita na parola de que Lula não sabia das perversões mensaleiras. A mesma pesquisa informa que a grossa maioria (69%) acha que todos os governos são corruptos.
Você também não viu nada? Então pressione aqui para assistir à entrevista.
Escrito por Josias de Souza às 21h22
No início da semana, o senador Amir Lando (PMDB-RO) era chamado por alguns de seus pares de "Hamlet de Rondônia". Uma dúvida roía-lhe a alma: ser ou não ser implacável com os colegas encrencados no caso da máfia das ambulâncias.
O relatório de Lando será lido, finalmente, nesta quinta. Estima-se que, sobrevivendo às pressões, recomendará que sejam passados na lâmina os mandatos de pelo menos 71 congressistas. O que já lhe rendeu uma mudança de apelido. Chamam-no agora de "Doutor Guillotin dos trópicos". Uma referência a Joseph-Ignace Guillotin (1738-1814), na imagem ao lado.
Vem a ser o médico que, por alegadas razões humanitárias, sugeriu, à época da Revolução Francesa, a volta de um aparelho de cortar cabeças. Usado muitos séculos antes, o artefato abreviaria o sofrimento dos sentenciados à morte. Incomodava ao Dr. Guillotin a agonia imposta pelo enforcamento e a imprecisão dos golpes de machado.
Lando não deve abespinhar-se com as provocações. No caso do Congresso brasileiro há garantias humanitárias adicionais. Quem vai à fila do patíbulo não costuma chegar à lâmina. É salvo pela cumplicidade corporativa. Entre nós, só os escrúpulos de consciência vão à guilhotina.
PS.: horas depois da veiculação deste despacho, Amir Lando divulgou, finalmente o seu relatório. Incrimina 72 congressistas. Foi aprovado pela quase totalidade dos integrantes da CPI das Sanguessugas (clica). Dos 72 que vão ao Conselho de Ética, 63 integram o consórcio partidário que dá suporte ao governo Lula no Congresso. A oposição foi à lista com nove nomes (leia).
Escrito por Josias de Souza às 08h29
Vai abaixo a imperdível coluna de Clóvis Rossi na Folha (para assinantes):
"Há um Honesto Desconhecido, doravante tratado por HD, à solta por aí. Mais exatamente, em Rondônia. É o único dos 24 deputados estaduais não acusado de trambiques. É tamanha a podridão no país tropical que conseguiu violentar uma das regras fundadoras do jornalismo.
Jornalismo é, na essência, o relato da anomalia. Notícia é avião que cai ou atrasa muito, não aviões que decolam e pousam mais ou menos no horário, aliás a avassaladora maioria. Em Rondônia, a avassaladora maioria dos deputados é trambiqueira, mas, mesmo assim, os nomes dos 23 saíram no jornal. O da anomalia, o honesto desconhecido, ficou no anonimato.
Consta até que está cadastrado no Ibama, como espécime ameaçada de extinção. Receberá, quando seu nome for conhecido, pulseirinha com a inscrição "político honesto 0001". O fabricante das pulseiras avisa que descontinuou a produção. Falta demanda.
O anonimato protege as crianças de HD. Já imaginou a reação dos coleguinhas ao verem chegar os filhos da anomalia? "Ói, lá, o filho do honesto", dirão, escandindo as palavras como antigamente se fazia com "filho da puta".
Protege também a mulher do indigitado. Poupa-a do vexame de, ao entrar no cabeleireiro, ser recebida com olhares irônicos das mulheres dos 23 trambiqueiros e com a dúvida da dona do salão: "Mulher de honesto tem dinheiro para pagar pelo menos a unha?".
HD disfarça-se para freqüentar seu local de trabalho, a Assembléia Legislativa. Um colega, outro dia, disse-lhe que não poderia mais tratá-lo como "excelência". Emendou: "Sua honestidade é uma vergonha para a categoria". HD pensa em pedir asilo. De cara, descartou Brasília. Mas está difícil encontrar-se em qualquer ponto do Brasil. É um aleijão. Agride a "normalidade" da pátria.
Escrito por Josias de Souza às 07h37

- JB: Lotéricas anunciam greve para segunda
- Folha: Serra mantém vantagem em São Paulo e ganha no 1º turno
- Estadão: Israel amplia ofensiva no sul do Líbano
- Globo: Rosinha prorroga a farra das vans até 2011 no Rio
- Correio: CPI propõe cassação de 73 Sanguessugas
- Valor: Enxurradas de dólares leva o risco-país a recorde baixo
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h11
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 06h06
O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, encaminhará nos próximos dias ao STF uma nova fornada de pedidos de abertura de inquéritos contra congressistas sanguessugas. Será a terceira leva de nomes contra os quais o Ministério Público pede autorização do Supremo para aprofundar investigações. A lista terá entre 25 e 33 nomes.
Fernando de Souza já encaminhara uma primeira lista com 15 parlamentares. Relator do caso no Supremo, o ministro Gilmar Mendes autorizou a abertura de inquérito contra todos eles. Depois, o procurador encaminhou os nomes de mais 42 congressistas acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias. De novo, Gilmar Mendes mandou que os inquéritos fossem abertos, elevando para o rol de investigados para 57 nomes.
Na semana passada, o procurador-geral Fernando de Souza recebeu novas provas produzidas no inquérito que corre no Mato Grosso contra a quadrilha das ambulâncias. Entre elas sete depoimentos prestados por supostos integrantes da quadrilha. Os mesmos que foram repassados à CPI das Sanguessugas. Folheando o papelório, os procuradores que cuidam do caso concluíram que há elementos para requisitar a abertura de novos inquéritos.
A análise ainda não foi concluída. Deve consumir pelo menos mais uma semana de trabalho dos procuradores. Mas o blog apurou que, por ora, a tendência é de seja requisitada a abertura de inquérito contra até mais 33 congressistas. O que elevaria para 90 a relação de investigados.
Os novos depoimentos sob análise do Ministério Público complementam investigações realizadas anteriormente. A íntegra dos documentos foi divulgada no último dia 2 de agosto no blog do repórter Fernando Rodrigues. A peça mais importante é um interrogatório feito com Luiz Vedoin, sócio da Planam (leia). Interrogou-se também o empresário Ronildo Medeiros (clica). Há ainda três oitivas de Darci Vedoin, outro sócio da Planam (um, dois, três) e uma inquirição do empresário Ivo Spíndola (aqui).
O trabalho do Ministério Público pode impor um constrangimento à CPI das Sanguessugas. Analisando os mesmos papéis manuseados pelos procuradores, os membros da comissão concluíram que não há provas para encaminhar às Mesas do Senado e da Câmara pedidos de cassação dos mandatos dos 90 parlamentares mencionados no inquérito de Mato Grosso.
O relatório da CPI será lido pelo relator Amir Lando (PMDB-RO) em sessão marcada para esta quinta-feira. Ontem, a intenção de Lando era a de recomendar a cassação de escassos 25 congressistas. Pressionado por seus pares, o relator admitiu a hipótese de ampliar a lista para algo entre 71 e 75 nomes. O problema é que a exclusão dos demais –entre 15 e 18— pode passar à opinião pública a impressão de que estão limpos no escândalo.
Alheios à discussão política, os procuradores consideram que só depois do aprofundamento das apurações será possível dizer quem está limpo e quem deve responder judicialmente por eventuais delinqüências.
O que se investiga é a troca de emendas ao Orçamento destinadas à compra de ambulâncias superfaturadas por propinas pagas pela empresa Planam, apontada como gestora do esquema. As investigações do Ministério Público vão alcançar também o Poder Executivo, a quem coube liberar o dinheiro das emendas fraudulentas apresentadas pelos parlamentares.
Escrito por Josias de Souza às 00h02
Na disputa presidencial, o PT ameaça dar uma coça no PSDB já no primeiro turno. Em São Paulo, a coisa continua invertida. O Datafolha informa que o petista Aloizio Mercadante está para José Serra assim como Alckmin está para Lula.
Serra mantém-se na liderança. Com 49% da preferência do eleitorado (Lula tem 47%), pode subir a escadaria do Palácio dos Bandeirantes ainda no primeiro turno. Mercadante cravou 17% (Alckmin tem 24%). Orestes Quércia (PMDB) obteve 11% das intenções de voto.
Datafolha feito em Minas revela que o percentual de intenções de voto atribuído ao tucano Aécio Neves –70% em maio e 73% em julho— oscilou novamente para cima. Está agora em 74%. O petista Nilmário Miranda, segundo colocado, obteve escassos 7%. Nesse ritmo, Nilmário fará de Aécio uma espécie de imperador de Minas.
No Rio, o Datafolha informa que o senador Sérgio Cabral (PMDB) continua liderando a disputa. Obteve 42% das intenções de voto. O também senador Marcelo Crivela (PRB), que oferece um "palanque estepe" para Lula no Estado, vem em segundo com 19%. O petista Vladimir Palmeira aparece lá atrás, com 2%.
O Datafolha aferiu a preferência dos eleitores também no Ceará. Ali, remando contra a vontade de Tasso Jereissati, presidente do PSDB, o governador tucano Lúcio Alcântara, candidato à reeleição, abriu dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Tem 44% dos votos, contra 35% atribuídos a Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes e preferido de Tasso.
Excluindo-se votos brancos e nulos, Alcântara soma 52% dos votos válidos. Seria o bastante para uma vitória em primeiro turno. Mas a margem de erro da pesquisa é de dois pontos. Assim, não é possível assegurar que não haveria segundo turno.
Escrito por Josias de Souza às 22h33
Lula Marques/F.Imagem
Entrevistado pelo Jornal Nacional, o presidenciável do PDT, Cristovam Buarque fez um enorme esforço para imprimir lógica aristotélica à sua pregação em favor da educação. Ao final, reconheceu que seu apego à causa resulta numa relação, por assim dizer, platônica: não é correspondido pelo eleitor (assista).
Deu-se quase ao final de uma entrevista ao estilo bossa nova, de uma nota só. “O senhor está falando sobre um tema que todos consideram importante...”. Cristovam atalhou o entrevistador: “Não consideram, não. Do contrário eu não estaria com 1% (nas pesquisas).”
E por que tem só 1%? Cristovam considera-se uma novidade incompreendida. Sua prioridade, já sabem todos, é a educação. E qual seria a segunda prioridade? “Todas as demais”, disse a Willian Bonner. “Eu quero mudar o meu país. Só há um jeito: fazendo uma revolução na educação”.
Quanto custa? R$ 7 bilhões anuais, dos quais R$ 1,5 bilhão bancaria um salário mínimo de R$ 800 para os professores. “Mas isso não está no orçamento”, disse Bonner. “É por isso que eu quero ser eleito, para colocar no orçamento”.
Mas afinal, de onde viria o dinheiro. Cristovam rodeou: “Hoje, só a renúncia fiscal é de R$ 35 bilhões”. Depois, circulou: “As estatais tiveram um lucro de quase R$ 30 bilhões”. Em seguida, corrupiou: “O governo acaba de gastar R$ 9 bilhões para cobrir o rombo do fundo de previdência de uma estatal (Petrobras)”. E acabou não dizendo: vou tirar daqui! Ou dali!
A erradicação do analfabetismo é uma das metas do programa do candidato. Meteram-no numa saia justa ao lembrar que, de 2003 para 2004, período em que foi ministro da Educação, o analfabetismo cresceu. Jogaram-lhe na cara dados do IBGE: os iletrados passaram de 13,6 milhões para 14,6 milhões de brasileiros.
Cristovam saiu-se com uma explicação hidráulica: “Há uma torneirinha aberta”. Ensina-se um analfabeto a ler numa ponta e, na outra, crianças ultrapassam a idade de sete, oito anos sem que lhe garantam a alfabetização mínima. “Tem que fechar a torneirinha”, disse.
O candidato do PDT passou por um segundo aperto. Foi governador do DF e o povo negou-lhe a reeleição. Foi ministro de Lula e o presidente o demitiu. Não seriam sinais de desaprovação gerencial? Quando ao primeiro caso, disse que o povo deixou-se enganar pela promessa do adversário (Joaquim Rodiz, do PMDB) de que reajustaria o salário do funcionalismo em 28%. “Não cumpriu depois”.
Quanto a Lula, ele o teria demitido por resolveu seguir à risca o programa educacional do PT. “Incomodei muito o presidente”. Que garantia ofereceria ao eleitor de que, uma vez acomodado no Planalto, a coisa funcionaria? “Como presidente, eu vou nomear o ministro, não serie demitido pelo presidente”.
Então, tá! Agora só falta seduzir os donos do voto. Não será fácil. A educação, desgraçadamente, não intressa a ninguém.
Escrito por Josias de Souza às 20h56
Sob o impacto das más notícias que as pesquisas da véspera lhe trouxeram, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin reuniu-se nesta quarta-feira com o seu conselho de campanha. Ao analisar a conjuntura, os aliados de Alckmin recomendaram que ele bata mais em Lula, associando-o à corrupção.
A portas fechadas, o tucanato tentou minimizar a última rodada de pesquisas. Informou-se ao conselho que uma sondagem feita por encomenda do partido traria números menos preocupantes. Mencionou-se que, na pesquisa tucana, Alckmin teria 29% das intenções de voto e Lula 39%.
O blog apurou os números exibidos na reunião foram superfaturados. De fato, uma pesquisa encomendada pelo comitê de campanha de Alckmin traz dados menos acerbos do que aqueles revelados pelas sondagens públicas. Mas os percentuais corretos são: 27% para Alckmin e 44% para Lula.
PSDB e PFL podem se agarrar às pesquisas que bem entenderem. O signatário do blog prefere fiar-se no Datafolha. Seja como for, o que há de concreto é o seguinte: a bordo de uma candidatura em queda, PSDB e PFL continuam girando como parafuso espanado.
O que fazer? Bater em Lula, eis a única resposta esboçada na reunião do alto comando de Alckmin. Ora, não se faz outra coisa desde maio do ano passado. A essa altura, parece claro que, na cabeça do eleitor, os políticos como que se igualam em matéria de perversão ética.
Restaria como fator de definição do voto a percepção quanto à capacidade de cada candidato de gerir o país. Na média, excluindo-se o voto esclarecido e o voto de protesto, o eleitor pensa assim: “Já que todos roubam, vou escolher aquele que vai fazer coisas que me tragam mais benefícios.” Desgraçadamente, é o que está acontecendo.
Alheia à discussão política, a equipe de marketing que prepara a publicidade eletrônica de Alckmin mantém, com o assentimento do candidato, a estratégia traçada antes da avalanche de pesquisas. Pretende-se usar a maior parte do tempo dos programas de rádio e TV que vão ao ar a partir de terça-feira para enaltecer Alckmin, não para demonizar o adversário.
O tema "corrupção" consta da pauta dos marqueteiros de Alckmin. Mas não está em primeiro plano. Longe disso. Embora disponha de munição pesada contra Lula –as imagens das CPIs que apuraram o escândalo do mensalão, por exemplo— o time que cuida da propaganda do tucanato não está convencido de que deva transformar a campanha televisiva numa carnificina.
Assim, ao menos nesta primeira fase da campanha eletrônica, os ataques mais pesados, se vieram, ficarão restritos às entrevistas e aos comícios do candidato. Na TV, vai-se tentar vender a biografia de Alckmin. Um produto que, por ora, a maioria do eleitorado não se mostra disposta a “comprar”.
Escrito por Josias de Souza às 18h30
O ex-líder estudantil, ex-guerrilheiro, ex-presidente do PT, ex-coordenador da campanha de Lula, ex-chefão da Casa Civil, ex-isso, ex-aquilo José Dirceu agora é blogueiro. Inaugurou o seu blog na última segunda-feira. Entre os despachos que divulgou nesta quarta-feira há um que trata da crise do setor de segurança em São Paulo.
Vale desperdiçar um naco de tempo com a leitura (clica). Começa assim: “Nosso ministro da Justiça diz que também está amendrontado (sic) com os ataque do PCC. Serra diz que o Exército pode guardar os presídios (uma piada!), para liberar mais PMs para as ruas. Não pode ser verdade, o povo de São Paulo não merece isso”.
Lá pelas tantas, Dirceu bate, por igual, nos governos federal e de São Paulo: “Enquanto isso, a situação se agrava e nem o governo federal nem o estadual tomam providências reais para enfrentar o crime organizado. Não adianta ficar falando que é preciso fazer isso ou aquilo, como combater o comércio ilegal e o contrabando de armas ou o narcotráfico. É preciso ação e isso não temos nem do governo estadual, nem do federal”.
Dirceu vai mais longe: “Ninguém agüenta mais o bate boca federal-estadual, dos candidatos e desse irresponsável secretário da Segurança de São Paulo, que precisa ser demitido já. É preciso, sim, colocar o Exército - dentro de suas atribuições constitucionais, com sua tropa de intervenção rápida e logística, comunicação, transporte e inteligência -. e a Força Nacional em São Paulo; construir já, como situação de emergência, todos presídios federais programados; unificar já a ação de todos órgãos estaduais e federais; e combater, sem tréguas, o crime organizado”.
No finalzinho do texto, o ex-ministro pontifica: “A solução da crise da segurança pública depende da liderança e da autoridade do presidente da República. A situação não pode mais ficar como está. Basta”.
Taí, faz todo sentido. Mas escrito pela pena de Dirceu –ou de quem redige o blog em seu nome—, o raciocínio soa com uma ponta de ingratidão.
PS.: A propósito, o ministro Thomas Bastos (Justiça) reuniu-se em Brasília com o comando do Exército. Discutiu-se uma estratégia de ação em São Paulo. O governador Cláudio Lembo, de novo, rejeitou a hipótese de pedir socorro às Forças Armadas.
Escrito por Josias de Souza às 16h51
A crise semântica e o PCC
Rogério Cassimiro/Folha Imagem
A julgar pelo tom da campanha eleitoral, o único problema real do Brasil é uma crise de semântica. Lula diz que, antes dele, nunca ninguém governara o país com tanta competência nos últimos 500 anos. O eleitorado, a julgar pelas pesquisas, concorda.
Alckmin sustenta que, mercê do "choque de gestão" que teria dado na administração paulista, São Paulo tem resultados sólidos a exibir. Parte dos eleitores, de novo, parece dar-lhe razão. Por ora, Alckmin lidera as pesquisas no seu Estado.
Ou seja, o Brasil e a São Paulo dos discursos eleitorais deram "certo". Resta agora definir o que é exatamente “dar certo”. Mencione-se, por oportuno, só um quesito: segurança pública. A pujança do PCC é bom sinal (sem dinheiro em circulação o crime não teria se organizado) ou mau sinal (o Estado perdeu o controle sobre as cadeias).
A proliferação de condomínios de luxo, gradeados e protegidos por seguranças armados, provam o acerto ou são meros refúgios de privilegiados num país cada vez mais injusto e, portanto, inviável.
O primeiro passo para chegar às respostas é começar a falar a mesma língua. Coisa que os governos paulista e federal não vêm conseguindo fazer. O desencontro mais recente opôs o secretário de Segurança Saulo de Castro, pupilo de Alckmin, e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, lugar-tenente de Lula.
Nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Capital, Lula também cutucou Saulo de Castro. "Acho que o secretário devia ser mais sensato na hora de abrir a boca (...) e tentar evitar essas coisas que estão acontecendo em São Paulo. Essas pessoas estão cuidando da segurança de São Paulo há muitos anos. Ele deveria, de forma mais humilde, perceber que houve uma falha. Ele poderia tirar o telefone celular dos presos." O presidente disse que não levará desaforo para casa.
Logo virá uma resposta. Ou do secretário ou de seu antigo chefe Alckmin ou de seu chefe atual, Cláudio Lembo. Enquanto evolui o tiroteio retórico, a sociedade de São Paulo vai sendo submetida ao poder de fogo do PCC, por ora o único beneficiário visível de um país e de um Estado que “deram certo”. O número de alvos dos criminosos neste terceiro ciclo de ataques já passa de 150.
Escrito por Josias de Souza às 15h05
O prefeito carioca César Maia (PFL), em tese um aliado de Geraldo Alckmin, fez uma declaração de amor a Heloisa Helena no boletim eletrônico diário que distribui via e-mail. Rolou um clima entre os dois. Um clima eleitoral, bem entendido.
Maia dera conselhos a Helena no boletim da véspera. Disse como a candidata do PSOL deveria portar-se na entrevista do Jornal Nacional. Não se sabe se ela leu ou não. Mas seguiu o script direitinho. Coincidência, decerto.
Seja como for, Cesar Maia aaaaaaaaaaaadddooooooorou! Veja o que o prefeito anotou no seu boletim desta quarta-feira:
“Senadora Heloisa Helena: Nota 1.000 por sua entrevista no JN! Tudo perfeito: o sorriso, o olhar para a câmera da TV, a tranqüilidade, a resposta rápida, a oferta de sua condição de mãe e mulher, tudo, tudo, tudo. E ainda fez o expectador se lembrar de você todas as noites no JN com seu buquê de flores e o carinho.
Para ganhar o grande prêmio Clinton de TV ou Blair de TV, faltaram duas coisas. Uma não é culpa sua. Fale com seu publicitário. As lentes de seus óculos refletem as luzes do estúdio. Ele tem que comprar uma dessas lentes que os locutores da TV usam. Não dão reflexo. Outra foi um mínimo deslize ter falado com a Fátima Bernardes que você entende mais de reforma agrária que ela.
Fátima explicou que ela representa o público ali. Mas serviu para o casal: é provável que eles estejam inquirindo como se fossem eles mesmos e não interlocutores dos expectadores. É capaz de você ter ajudado a eles a ajustar o tom.
Parabéns senadora. Este ex-blog está orgulhoso de você. A tempo: aquele "meu amor" para Fátima e Bonner, foi o máximo. Nem Clinton, nem Blair. Vou mais longe: nem Reagan, que foi o mestre de todos.”